Entrelaços - História - Volume 3

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HISTÓRIA

ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

COMPONENTE CURRICULAR: HISTÓRIA

LIVRO DO PROFESSOR

Gislane Campos Azevedo Seriacopi

Mestra em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Atuou como professora universitária, pesquisadora e professora de História dos ensinos fundamental e médio nas redes pública e privada.

Autora de livros didáticos.

Reinaldo Seriacopi

Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior. Autor e editor de livros didáticos.

1a edição São Paulo – 2025

Entrelaços – História – 5o ano (ensino fundamental – anos iniciais)

Copyright © Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Débora Diegues

Edição Francisca Edilania de Brito Rodrigues (coord.), Carlos Eduardo de Almeida Ogawa, Mariana Renó Faria, Rui Campos Dias, Vanessa do Amaral

Preparação e revisão Maria Clara Paes (coord.), Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Ana Carolina

Rollemberg, Anna Júlia Danjó, Cintia R. M. Salles, Denise Morgado, Desirée Araújo, Diogo Souza Santos, Elaine Pires, Eloise Melero, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Kátia Cardoso, Márcia Pessoa, Maura Loria, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam, Veridiana Maenaka, Yara Affonso

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna

Moreirão, Tami Buzaite

Gerência de produção e arte Ricardo Borges Silva Design Andréa Dellamagna (coord.), Sergio Cândido (criação), Ana Carolina Orsolin

Projeto de capa Sergio Cândido

Imagem de capa Raul Llopis Martin/iStock/Getty Images

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.) Alexandre Tallarico, Marcia Cunha do Nascimento, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Diagrami

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga

Licenciamento de textos Érica Brambila

Iconografia Jonathan Santos, Lucas Alves Profeta, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alberto De Stefano, Alex Rodrigues, Anderson Carolino, Bruna Ishihara, Caco Bressane, Estúdio Ampla Arena, Getulio Delphim, Lais Oliveira, Milton Rodrigues Alves, Wanderson de Souza Caetano

Cartografia Mario Yoshida, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Seriacopi, Gislane Campos Azevedo

Entrelaços : história : 5º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi. -- 1. ed. -São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: História.

ISBN 978-85-96-06160-5 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06161-2 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06162-9 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06163-6 (livro do professor HTML5)

1. História (Ensino fundamental) I. Seriacopi, Reinaldo. II. Título.

25-292677.0

Índices para catálogo sistemático:

CDD-372.89

1. História : Ensino fundamental 372.89

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Ensinar História nos anos iniciais do Ensino Fundamental é mais do que apresentar fatos do passado: é ajudar os estudantes a dar sentido ao mundo em que vivem e ao lugar que ocupam nele. A História oferece ferramentas para que os estudantes compreendam que fazem parte de uma coletividade, com memórias, conquistas e desafios que atravessam o tempo. Quando os estudantes percebem que também são sujeitos históricos, começam a desenvolver um olhar mais crítico e solidário sobre a sociedade.

Sabemos que o trabalho do professor generalista é repleto de responsabilidades e desafios. Por isso, pensamos este livro como um apoio concreto e próximo: aqui, reunimos sugestões práticas, caminhos possíveis e orientações que podem ajudá-lo a conduzir as atividades e a dialogar com os conteúdos históricos de forma significativa e prazerosa.

Nosso objetivo é caminhar a seu lado para que, desde cedo, seus estudantes possam exercitar a curiosidade, o respeito à diversidade, a valorização da memória e o compromisso com a construção de um mundo mais justo, fraterno e tolerante – princípios essenciais da formação cidadã.

Os autores

ORGANIZAÇÃO GERAL DA COLEÇÃO

Esta coleção é composta de três volumes destinados ao 3 o, 4o e 5o ano do ensino fundamental. Para cada ano escolar, tem-se o Livro do estudante e o Livro do professor, nas versões impressa e digital.

Livros impressos

Livro do estudante

Cada volume está organizado em quatro unidades, divididas em capítulos. Ao longo dos capítulos, são trabalhados conteúdos voltados para desenvolver habilidades e competências do componente curricular de História em uma estrutura clara e prática, adequada para ser abordada em sala de aula.

Livros digitais

Livro do professor

Além dos subsídios para o professor, este livro reproduz o Livro do estudante na íntegra, em miniaturas com respostas em magenta. Nas laterais e abaixo da reprodução do Livro do estudante, são apresentados a introdução à unidade, os objetivos de aprendizagem, comentários e orientações para o encaminhamento das propostas, bem como ampliações e aprofundamentos para enriquecer as abordagens pedagógicas. Oferece também textos e atividades complementares e sugestões de leitura, filmes e outros recursos.

Trata-se do Livro do estudante e do Livro do professor no formato digital, em HTML5, o que permite o acesso ao material em diferentes aparelhos digitais: smartphones, notebooks e tablets, por exemplo.

Objetos digitais

Ao longo do volume, ícones indicam infográficos clicáveis que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica.

SUMÁRIO

Unidade 1 – O tempo e as culturas 8 Unidade 2 – Diversidade e cidadania

Unidade 3 – Memória e patrimônio

Unidade 4 – A comunicação e questões do Brasil atual

O Livro do professor

O ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental XIV

Trabalhando os conceitos estruturantes de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental XVII

As leis nº 10 639/2003 e nº 11 645/2008: educação para a igualdade racial e o respeito à diversidade XX

Trabalho com fontes históricas nos anos iniciais XXII

Interdisciplinaridade XXIII

O ensino do componente curricular de História e os Temas Contemporâneos Transversais XXV

As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) na educação XXVI

Aprendizagem significativa XXVII

Metodologias ativas XXVIII

O trabalho com projetos XXVIII

Pensando o papel do professor XXIX

Espaços coletivos de formação XXX

O espaço da sala de aula XXX

Educação inclusiva XXXII

Avaliação formativa XXXV

Avaliação formativa no componente curricular de História XXXVII

Planejamento e conteúdos XXXVIII

Quadro programático da coleção XXXVIII

Sugestões de cronograma – 5º ano XL

Matriz de planejamento de rotina XLII

Matriz de planejamento de sequência didática XLII

Sugestão de projeto do 5º ano: apresentação sobre a cultura afro-brasileira XLIII

REFERÊNCIAS COMENTADAS XLVI

HISTÓRIA

ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

COMPONENTE CURRICULAR: HISTÓRIA

LIVRO DO PROFESSOR

Gislane Campos Azevedo Seriacopi

Mestra em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Atuou como professora universitária, pesquisadora e professora de História dos ensinos fundamental e médio nas redes pública e privada.

Autora de livros didáticos.

Reinaldo Seriacopi

Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior. Autor e editor de livros didáticos.

1a edição São Paulo – 2025

Entrelaços – História – 5o ano (ensino fundamental – anos iniciais)

Copyright © Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Débora Diegues

Edição Francisca Edilania de Brito Rodrigues (coord.), Carlos Eduardo de Almeida Ogawa, Mariana Renó Faria, Rui Campos Dias, Vanessa do Amaral

Preparação e revisão Maria Clara Paes (coord.), Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Ana Carolina

Rollemberg, Anna Júlia Danjó, Cintia R. M. Salles, Denise Morgado, Desirée Araújo, Diogo Souza Santos, Elaine Pires, Eloise Melero, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Kátia Cardoso, Márcia Pessoa, Maura Loria, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam, Veridiana Maenaka, Yara Affonso

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna

Moreirão, Tami Buzaite

Gerência de produção e arte Ricardo Borges Silva Design Andréa Dellamagna (coord.), Sergio Cândido (criação), Ana Carolina Orsolin

Projeto de capa Sergio Cândido

Imagem de capa Raul Llopis Martin/iStock/Getty Images

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.) Alexandre Tallarico, Marcia Cunha do Nascimento, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Diagrami

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga

Licenciamento de textos Érica Brambila

Iconografia Jonathan Santos, Lucas Alves Profeta, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alberto De Stefano, Alex Rodrigues, Anderson Carolino, Bruna Ishihara, Caco Bressane, Estúdio Ampla Arena, Getulio Delphim, Lais Oliveira, Milton Rodrigues Alves, Wanderson de Souza Caetano

Cartografia Mario Yoshida, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Seriacopi, Gislane Campos Azevedo

Entrelaços : história : 5º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi. -- 1. ed. -São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: História.

ISBN 978-85-96-06160-5 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06161-2 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06162-9 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06163-6 (livro do professor HTML5)

1. História (Ensino fundamental) I. Seriacopi, Reinaldo. II. Título.

25-292677.0

Índices para catálogo sistemático:

CDD-372.89

1. História : Ensino fundamental 372.89

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Olá, estudante!

Convidamos você a uma viagem no tempo para conhecer povos, culturas e lugares diferentes, de antigamente e de hoje também.

Nessa jornada, vamos investigar como se vivia no passado e explorar histórias de famílias, cidades, festas, invenções e muito mais. Ao longo do percurso, você vai compreender que muito do que somos, fazemos ou pensamos no presente tem origem naqueles que vieram antes de nós.

A história não está apenas nos livros: ela está também na nossa escola, na nossa rua, nos objetos que usamos, nas músicas que ouvimos e cantamos e até nas brincadeiras que inventamos. Ela se constrói todos os dias. E, o mais importante, você vai compreender que a história é feita por todos, inclusive por você e pelas pessoas que o cercam.

Os autores.

CONHEÇA SEU LIVRO

ABERTURA DE UNIDADE

Na abertura de unidade, você vai despertar sua curiosidade, explorar imagens e trocar ideias com os colegas.

Na natureza, certas espécies animais desenvolveram algumas formas de comunicação. Baleias e golfinhos, por exemplo, emitem sons que avisam outros animais da espécie sobre perigos ou que os ajudam a coordenar caçadas. Certas aves cantam como forma de defender o território ou atrair parceiros. Outras emitem sons que avisam quando há algum predador por perto. Esses e muitos outros exemplos mostram que, para diversos animais, a comunicação é voltada principalmente para garantir a sobrevivência da espécie.

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UNіDADE

A COMUNICAÇÃO

Arara-azul-grande, em Aquidauana (MS),

Porém, todas essas formas de comunicação podem ser consideradas mais restritas quando comparadas à comunicação da espécie humana. Nós desenvolvemos uma diversidade de linguagem muito grande. Somos capazes de nos comunicar por meio de fala, texto, imagens, sons, músicas, movimentos do corpo, entre outros exemplos. Por meio dessas linguagens, conseguimos demonstrar sentimentos, contar histórias do passado, imaginar possibilidades de futuro, formular leis, transmitir saberes de geração em geração, desenvolver tecnologias e muito mais. Neste capítulo, você vai conhecer algumas formas de comunicação que

que se passa durante um período muito difícil da história de nosso país: a ditadura civil-militar, uma época em que as liberdades dos brasileiros foram suprimidas e muitas pessoas que lutaram pela volta da democracia desapareceram, foram presas e até assassinadas. Esse é um exemplo claro de como o cinema permite discutir problemas das sociedades do presente e do passado. Nesta unidade, você vai conhecer algumas das diferentes formas de comunicação inventadas pelos seres humanos e também vai entrar em contato com algumas das principais questões da sociedade brasileira que ainda precisam ser solucionadas, como a violência e a desigualdade. Esses temas, inclusive, servem de inspiração para a realização de muitas obras em diferentes linguagens, como a poesia, o teatro, as artes plásticas, entre outras. 108

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Apresentação de dança em festa junina em Campina

1 Cite três formas de comunicação que você usa em seu dia a dia. 2 Como você imagina que seriam as relações entre as pessoas

mente com os colegas.

Este ícone indica as atividades que devem ser respondidas oralmente.

Materiais • Cadernos ou folhas de papel avulsas

Lápis ou caneta Régua

Como fazer

Acessibilidade e cidadania

1 Pense em um problema que afeta sua comunidade. Com base nele, faça em seu

CAPÍTULOS

Nos capítulos, você vai encontrar diferentes conteúdos e aprender com eles.

O voto feminino e os direitos dos trabalhadores

Ao longo do livro, você vai encontrar informações sobre pessoas importantes citadas no texto.

Você sabia que as pessoas exercem seus direitos de maneiras diferentes? Pessoas com deficiência, por exemplo, podem precisar de adaptações no espaço para ter seus direitos básicos atendidos, mas nem sempre isso acontece. Você já pensou que pessoas com deficiência visual podem estar enfrentando desafios para se orientar, se movimentar e se localizar no espaço escolar? Isso pode limitar a liberdade de movimentação em relação aos outros colegas. Para pessoas com deficiência visual, um espaço acessível passa pela identificação dos ambientes com placas escritas em braille, um tipo de escrita criada para pessoas que têm baixa visão ou que não enxergam. Você conhece a escrita em braille?

1 Liste todos os espaços que podem ser frequentados pelos estudantes na escola, incluindo corredores, banheiros, salas de aula, pátio e portão.

Faça essa lista com os colegas e registre o resultado no caderno.

2 Faça uma ficha para cada um dos espaços listados anteriormente. Para isso, copie a ficha a seguir no caderno ou em folha de papel avulsa.

Nome do espaço

Acessível: nome dado a um espaço adaptado a pessoas com deficiência.

Braille é um sistema de escrita criado por Louis Braille (1809-1852) no século 19. Nele, as palavras são grafadas com pontos em relevo, permitindo que as pessoas leiam por meio do tato.

Agora que você estudou a importância de espaços acessíveis para pessoas com deficiência visual, que tal deixar sua escola mais acessível? Para isso, realize a proposta a seguir.

Pessoa utiliza uma das mãos para ler placa com texto em braille. É importante que os espaços públicos ofereçam recursos para pessoas com deficiência visual.

Esse espaço está sinalizado?

Local onde a placa de identificação pode ser fixada Texto que precisa ser escrito em braille

3 Com a turma e o professor, visitem os espaços da escola. Identifiquem os locais em que a sinalização em braille poderia ser afixada: corrimões, portas, paredes. Anotem os resultados nas fichas.

Concluindo a atividade

1 Com a ajuda do professor, conversem com a direção da escola e apresentem o resultado da pesquisa que vocês fizeram.

Veja orientações no Encaminhamento Mapa tátil no Museu do Futebol, em São Paulo (SP), em 2025. Ele fornece informações de localização para pessoas com deficiência visual.

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Em 1930, o Brasil passava por um processo de modernização e urbanização, com o desenvolvimento de indústrias e do comércio. A população, por sua vez, passou a reivindicar melhores condições de vida, o que levou o governo brasileiro a criar leis que garantissem direitos sociais. Foi nesse momento que os movimentos feministas conquistaram o direito à participação feminina na vida política, medida que permitiu às mulheres o voto e a candidatura a cargos políticos. Além disso, foi estabelecido o voto secreto, o que dificultava as fraudes eleitorais que ocorriam com frequência anteriormente. Em 1943, o governo também aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou seja, um conjunto de leis que garantiu os direitos dos trabalhadores e ampliou seus direitos sociais. Diversos direitos trabalhistas foram reconhecidos e vigoram até hoje, como jornada máxima diária de 8 horas de trabalho e férias remuneradas.

Alzira Soriano (1896-1963) foi a primeira mulher a se tornar prefeita de um município na América Latina. Ela foi eleita em 1928 para governar Lajes, no Rio Grande do Norte. Em sua campanha, sofreu muitas agressões de homens contrários à sua candidatura. REPRODUÇÃO/PREFEITURA LAJES

1 Em sua opinião, qual é a importância do voto feminino?

NÃOESCREVA LIVRO. Mulher vota durante as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte no Rio de Janeiro (RJ), na época Distrito Federal, em 1933.

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

2 Sobre a participação das mulheres na vida política atualmente, faça o que se pede.

a) Pesquise e anote informações sobre a quantidade de homens e de mulheres que se candidatam e se elegem nas eleições brasileiras.

Atividade de pesquisa. Veja comentários e orientações no Encaminhamento

b) Com base no que você pesquisou, é possível dizer que as mulheres têm oportunidade de exercer seus direitos políticos da mesma maneira que os homens? Converse com os colegas e o professor.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

MÃO NA MASSA

É a hora de realizar atividades práticas para colocar seu conhecimento em ação!

IDEIA PUXA IDEIA

Este é um convite para você aprofundar os temas estudados, conversando com outras áreas do conhecimento e tratando de temas diversos e de cidadania.

IDEIA PUXA IDEIA

A saúde e os saberes indígenas

Os povos indígenas guardam, na memória coletiva e na tradição oral, co- nhecimentos sobre saúde que vêm sendo transmitidos de geração em ge- ração. Eles aprenderam a observar a natureza, a conhecer as plantas e suas folhas, cascas, raízes, flores e outros elementos, criando maneiras próprias de cuidar do corpo. Esse saber faz parte da identidade de cada povo e ajuda a manter a conexão com a terra e a cultura. Entre os Kaingang, povo indígena que habita os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a medicina tradicional é baseada em plantas encontradas nas matas. Elas são empregadas em banhos, chás e cataplasmas com cascas de árvores. Esse conhecimento, passado pela palavra dos mais velhos, mostra como a tradição oral é importante para que a memória do povo não se perca. NÃOESCREVANOLIVRO.

ATENÇÃO

O uso de plantas para aliviar sintomas pode não ser seguro para todas as pessoas, e doses incorretas podem ser prejudiciais à saúde. Nunca tome medicamentos sem orientação médica. No Acre,

de religiões de matriz indígena. Há também aqueles que não seguem nenhuma religião ou não acreditam em nada. Cerimônia ecumênica organizada pela Irmandade

Este ícone indica as atividades que devem ser respondidas no caderno.

O que podemos fazer? Respeite sempre as crenças religiosas de outras pessoas, mesmo que você não concorde com elas. Aprenda a conviver com as diferenças culturais, entre elas as religiosas. Não permita xingamentos ou zombarias por causa de crenças religiosas. Se você perceber alguém ofendendo, explique aos envolvidos que nenhuma religião é mais ou menos importante que outra. Não repita ofensas feitas por outras pessoas e reflita sobre como uma opinião descuidada pode magoar pessoas com outras crenças religiosas. 1 Na tirinha a seguir, são

BOXES

CONCEITO

Destaca os principais conceitos estudados.

ATENÇ ÃO

O QUE ESTUDEI

É hora de retomar os principais assuntos estudados em cada unidade.

CRIANÇA CIDADÃ

Você vai refletir sobre assuntos do cotidiano e encontrar propostas que promovem o exercício da cidadania.

Traz orientações sobre cuidados necessários para a realização de determinadas atividades.

FIQUE LIGADO

Apresenta sugestões de livros, sites, músicas e outros materiais para enriquecer seu conhecimento.

TEM MAIS

Traz curiosidades e informações complementares ao tema estudado.

OBJETOS DIGITAIS

2. a) Moshood pratica o jejum diurno anualmente durante o Ramadã, o mês sagrado para os seguidores do Islamismo.

Jejum: período em que uma pessoa deixa de se alimentar e, no caso do jejum islâmico, de beber líquidos. Abstenção: deixar de fazer algo por vontade própria.

2 O trecho de texto a seguir conta como Moshood, uma criança de 11 anos, se relaciona com a religião que segue, o Islamismo. Charlene [mãe de Moshood] explica que o Ramadan é a celebração do Alcorão marcada pelo jejum de 30 dias do amanhecer ao pôr do sol no mês de abril […]. Segundo ela, a abstenção do alimento só é obrigatória a partir da adolescência. Ainda assim, desde 2019, o filho pratica voluntariamente o jejum diurno. “É mais difícil na escola, porque às vezes os amiguinhos me oferecem umas coisas muito gostosas pra comer. Mas eu digo não quando estou de jejum.”, [disse Moshood]. RUGIANO, Jariza; SILVA, Jacqueline Maria da. Em Diadema, Moshood faz jejum voluntário e estuda árabe para entender o islamismo. Agência Mural São Paulo, 20 abr. 2023. Disponível em: https://agenciamural.org.br/em-diadema-moshood-faz-jejum-voluntario-e-estuda-arabe -para-entender-o-islamismo/. Acesso em: 7 ago. 2025. a) Que prática religiosa do Islamismo Moshood adota todos os anos? b) Explique por que o respeito às crenças religiosas das pessoas é um exemplo de prática cidadã. c) Em sua opinião, que atitudes os colegas de escola poderiam ter para ajudar crianças como Moshood, que são muçulmanas, a seguir suas crenças religiosas?

d) Pelo que você observa em seu dia a dia, as pessoas em sua comunidade respeitam o direito de cada um professar sua crença religiosa livremente?

Resposta pessoal. Ver orientações no Encaminhamento Resposta pessoal. Ver comentários no Encaminhamento Resposta pessoal.

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.  Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

Respostas pessoais.

Respeitei o professor e os colegas? Prestei atenção nas explicações? Pedi ajuda quando tive dúvidas? Contribuí nas atividades em grupo?

Sempre Às vezes Nunca

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GLOSSÁRIO

Apresenta o significado de palavras e expressões que talvez você ainda não conheça.

O ícone a seguir identifica os infográficos clicáveis, que são objetos digitais presentes neste volume. Esses objetos digitais apresentam assuntos complementares ao conteúdo do livro, ampliando sua aprendizagem.

INFOGRÁFICO CLICÁVEL

CIDADÃ

UNIDADE

clicável: Cidadania na década de

clicável: Memória da população negra no Rio de Janeiro

clicável: Samba de roda: patrimônio cultural imaterial

Infográfico clicável: Literatura de cordel

INTRODUÇÃO À UNIDADE

No capítulo 1, os estudantes serão convidados a refletir sobre a forma como diferentes sociedades compreenderam, representaram e organizaram o tempo. Desde os povos indígenas brasileiros, que se guiam pela observação da natureza para marcar as estações de chuvas, enchentes e floração, até os antigos egípcios, que criaram um calendário com base nas cheias do rio Nilo, é possível perceber que o tempo é uma construção humana que orienta a vida em comunidade. Será explorado também como o tempo cronológico, contado em dias, meses, anos, séculos e milênios, ajuda a organizar os acontecimentos em sequência, enquanto o tempo histórico permite analisar o que mudou e o que permaneceu na vida das pessoas ao longo da História. Esses dois modos de compreender o tempo se complementam, ajudando a interpretar tanto os fatos do cotidiano quanto os grandes processos históricos. Por fim, no capítulo 2, serão apresentados aspectos da vida em antigas civilizações, como os egípcios e os gregos, observando de que forma o espaço geográfico, a natureza e a organização social contribuíram para o desenvolvimento de sociedades. Ao relacionar passado e presente, percebe-se que refletir sobre o tempo e sobre a relação entre sociedade e natureza é fundamental para compreender a História e repensar os modos de viver hoje.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Reconhecer diferentes formas de compreender o tempo: cíclico, cronológico e histórico.

• Identificar como povos indígenas do atual território do Brasil, egípcios e gregos elaboraram calendários ligados à vida social, cultural e religiosa.

UNіDADE

1 O TEMPO E AS CULTURAS

É muito comum as pessoas perguntarem: para que estudar História? Para que conhecer coisas acontecidas muito tempo atrás? Uma das razões pelas quais estudamos História é para entender nosso presente, compreender nossa sociedade e nossa cultura. Por exemplo: se no Brasil falamos português, isso se deve ao fato de que, há mais de 500 anos, Portugal iniciou um processo de conquista de territórios onde até então só viviam povos indígenas. Por meio da História podemos entender as mudanças e permanências do nosso idioma, de 1500 até o presente.

Ao estudar História, também entramos em contato com outros povos e culturas, aprendemos a importância de se respeitar a diversidade e conhecemos o legado desses povos para as sociedades contemporâneas.

Nesta unidade, você vai conhecer a importância do tempo para o estudo da História e os aspectos de alguns povos do passado que deixaram marcas no mundo em que vivemos.

• Compreender o tempo histórico como ferramenta para analisar mudanças e permanências.

• Relacionar a organização das civilizações antigas à interação com a natureza e ao uso dos recursos.

• Valorizar saberes e práticas sustentáveis dos povos indígenas e tradicionais no passado e no presente.

• Comparar experiências históricas, reconhecendo a diversidade de modos de vida e suas contribuições para a humanidade

ENCAMINHAMENTO

Ao iniciar a unidade, destaque para os estudantes que estudar História não significa apenas conhecer fatos antigos, mas compreender como o passado se conecta ao presente. Mostre que elementos cotidianos, como a língua que falamos, os alimentos que consumimos, as festas que celebramos ou até as formas de organização da sociedade, são heranças de processos históricos que começaram há séculos e que ainda hoje influenciam nossas vidas. Essa abordagem ajuda a dar sentido ao estudo, tornando-o mais próximo da realidade dos estudantes.

Veja comentários no Encaminhamento

1 Você conhece outras línguas faladas no Brasil além do português?

Resposta pessoal.

2 Como você imagina que era viver no território brasileiro na época em que os portugueses chegaram aqui pela primeira vez?

Resposta pessoal.

Enfatize também que a História permite conhecer a diversidade cultural dos povos e refletir sobre a importância do respeito às diferenças. Valorize exemplos de como povos indígenas, africanos e imigrantes contribuíram para a formação cultural do Brasil, construindo práticas e saberes que permanecem até hoje. Reforce a ideia de que estudar o passado é também reconhecer a pluralidade de identidades que compõem nossa sociedade.

Esteja atento ao longo do processo de ensino e aprendizagem: estudantes com deficiência, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e/ou dislexia, por exemplo, podem ter dificuldade no processamento de informações grafomotoras ou na percepção e/ou orientação visuoespacial, bem como fragilidades na memória de trabalho. Dessa forma, podem pular linhas durante a leitura ou esquecer rapidamente o que acabaram de ler. Para ajudá-los a se localizar, sugira que utilizem uma régua para acompanhar o texto. Procure sempre ler os textos em conjunto com os estudantes ou explicar trecho a trecho após a leitura realizada por eles, verificando se compreenderam e ratificando as informações.

Na condução da atividade 1, incentive os estudantes a compartilhar suas experiências pessoais com outras línguas, seja pelo convívio com colegas de origem indígena ou descendentes de imigrantes, seja pelo consumo de músicas e filmes de culturas diversas. Esse momento pode ser explorado como uma roda de conversa para mostrar a riqueza linguística do Brasil. Na atividade 2, incentive a imaginação histórica, orientando os estudantes a pensar como seria viver no Brasil no período do contato inicial entre povos indígenas e portugueses. Valorize respostas criativas, mas complemente com informações que situem a complexidade desse encontro: a presença de milhares de povos indígenas com culturas próprias, a chegada dos europeus e os impactos da colonização. Essa atividade fortalece a empatia e ajuda a desenvolver a noção de que a História não é feita apenas por “grandes personagens”, mas pelas experiências coletivas.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• CUNHA, Manuela Carneiro da (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. Essa obra reúne estudos de diferentes autores sobre a história e a diversidade dos povos indígenas no território brasileiro. É indicada como apoio para compreender que o Brasil já era habitado por múltiplas culturas antes da chegada dos portugueses e que esses povos desempenham papel fundamental na formação da sociedade atual. A leitura pode ajudar a enriquecer o trabalho em sala de aula, oferecendo uma perspectiva ampla sobre diversidade e permanências históricas.

Instalação onde os visitantes podem ouvir diversas línguas faladas no Brasil e no mundo. Museu da Língua Portuguesa em São Paulo (SP), em 2025.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Compreender que diferentes culturas criaram narrativas para explicar fenômenos naturais.

• Reconhecer a importância de mitos e lendas na preservação da memória de povos indígenas.

• Relacionar a organização do tempo à vida humana e ao equilíbrio da natureza.

• Desenvolver atitudes de respeito à diversidade cultural e às tradições indígenas

BNCC

HABILIDADE

(EF05HI08) Identificar formas de marcação da passagem do tempo em distintas sociedades, incluindo os povos indígenas originários e os povos africanos.

TEMA CONTEMPORÂNEO TRANSVERSAL (TCT)

• Diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar o trecho da lenda dos Karajás, é importante destacar para os estudantes que todos os povos e culturas, em diferentes momentos da história, buscaram compreender a passagem do tempo e explicar os fenômenos da natureza. Essa lenda revela como os povos indígenas produzem interpretações próprias sobre o mundo, diferentes das explicações científicas, mas igualmente legítimas e fundamentais para sua organização social e cultural. Mostre que os mitos indígenas não são apenas “histórias inventadas”, mas expressam valores, conhecimentos e formas de pensar a relação entre seres humanos e natureza.

A narrativa traz elementos que podem ser explorados em sala de aula, como o papel de Tuilá na recriação do equilíbrio entre o Sol e a Lua, a importân-

O TEMPO E A HISTÓRIA

Diferentes povos e culturas buscam entender a passagem do tempo. Leia a seguir o trecho de uma história dos indígenas karajás que explica a origem do dia e da noite.

A lenda do dia e da noite

No princípio do mundo, não havia noite nem lua. Apenas o sol brilhava triste e solitário.

[…]

Conta uma lenda dos indígenas Karajá que a noite estava presa dentro de um coco de tucumã. Esse coco era guardado no mais fundo dos rios pela Boiuna, a Grande Serpente.

Foi nessa época que aconteceu o casamento da filha de Boiuna, Tuilá, com um jovem Karajá, Aruanã.

Certa vez, Aruanã disse a Tuilá:

— Eu tenho sono, mas não consigo dormir, pois não há noite…

Com pena do marido, Tuilá decidiu enfrentar aquele mistério.

[…]

Para encontrar a noite, era preciso invocar a Grande Serpente por meio de um chocalho mágico. […]

Tuilá entregou o chocalho mágico ao seu marido.

[…]

Quando a Boiuna apareceu, ela disse que já sabia o que Aruanã queria. Por isso, trouxera do fundo do rio o coco de tucumã onde a noite estava presa. E aconselhou:

— Aruanã, Aruanã, nunca abra o coco de tucumã sem a presença de Tuilá. […]

cia da curiosidade de Aruanã e o valor do respeito aos conselhos da comunidade. Esses aspectos permitem discutir como as histórias carregam ensinamentos, orientam comportamentos e ajudam a compreender o ambiente em que se vive. Reforce com a turma que o ciclo do dia e da noite é essencial não apenas para os seres humanos, mas para todos os seres vivos, já que organiza momentos de trabalho, descanso, alimentação e reprodução.

Como encaminhamento, realize a leitura compartilhada da lenda, explorando a entonação e a riqueza da imagem, para despertar o interesse da turma. Em seguida, proponha uma conversa sobre a importância da alternância entre dia e noite, convidando-os a refletir sobre como nossa vida depende desse ciclo. Incentive os estudantes a recontar a lenda com suas próprias palavras e fazer desenhos ou encenações sobre a libertação da noite e a criação do ciclo solar e lunar, favorecendo a criatividade e a apropriação da narrativa.

Essa atividade contribui para que os estudantes valorizem a diversidade cultural, compreendam a função social das narrativas tradicionais e reconheçam que a História não se resume apenas a

[…] Aruanã não resistiu à curiosidade. Parou a canoa na margem do rio e fez uma fogueira para derreter a cera que vedava o coco.

Quando Aruanã abriu o coco, a noite se libertou. A natureza mergulhou na escuridão […].

Aruanã teve que continuar sua viagem de volta em plena escuridão, arrependido de não ter ouvido tantos conselhos.

Finalmente, Aruanã encontrou Tuilá e, envergonhado, devolveu-lhe o chocalho mágico.

Tuilá perdoou o marido e disse: — Não se preocupe. Das trevas, eu vou criar o dia e a noite. De um lado, o sol luminoso e, do outro, a lua e as estrelas.

OLIVEIRA, Rui

ATIVIDADES

Distribua para os estudantes trechos curtos de lendas de diferentes povos sobre a origem do Sol, da Lua ou das estrelas (podem ser de indígenas brasileiros, gregos ou outras culturas). Em seguida, peça a eles que identifiquem pontos em comum entre eles –por exemplo: a presença de seres mágicos, animais sagrados, deuses ou heróis. Depois, conduza uma conversa sobre como, em diferentes lugares e épocas, as pessoas procuraram explicar fenômenos semelhantes, mostrando que a busca por compreender a passagem do tempo é uma característica universal da humanidade.

PARA OS ESTUDANTES

• KITHÃULU, Renê. Irakisu: o menino criador. 2. ed. São Paulo: Peirópolis, 2014.

Reprodução da ilustração de Tuilá com o chocalho mágico e da divisão do dia e da noite.

1 Na história, Aruanã não consegue dormir porque não existia noite. O que isso nos mostra sobre a importância do dia e da noite para os seres humanos?

Veja comentários no Encaminhamento

2 Segundo o trecho da lenda, como Tuilá criou o dia e a noite?

Depois que Aruanã libertou as trevas do coco de tucumã, Tuilá separou de um lado o dia (com o sol luminoso) e de outro a noite (com a lua e as estrelas).

Essa narrativa de origem do povo Nambikwara aproxima os estudantes dos saberes indígenas sobre os fenômenos naturais e a criação do mundo.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• ESBELL, Jaider. Terreiro de Makunaimã: mitos, lendas e estórias em vivências. Belém: Cromos, 2012.

11:16

fatos cronológicos, mas também envolve símbolos, memórias e visões de mundo. É fundamental destacar a atualidade dessas histórias, evitando reduzi-las a meras curiosidades. Comente que elas fazem parte de um sistema de conhecimento complexo e vivo, que merece respeito e reconhecimento.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que o corpo humano precisa da luz do dia para estudar, brincar e trabalhar. À noite, quando escurece, o corpo entende que é hora de descansar. Dormir bem ajuda a recuperar as energias e favorece a boa saúde. Isso mostra que cada animal tem o próprio ritmo para viver: alguns desenvolvem atividades durante o dia; outros, durante a noite. A natureza é feita de diferentes ciclos, e todos são importantes para o equilíbrio do planeta.

Essa coletânea reúne mitos, lendas e narrativas vivenciadas pela etnia Macuxi, trazendo uma perspectiva indígena sobre o tempo e o mundo natural e ancestral, enriquecendo o repertório cultural dos estudantes e fortalecendo o respeito à diversidade de saberes.

CONEXÃO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
de. A lenda do dia e da noite. Ilustrações: Rui de Oliveira. 2. ed. São Paulo: FTD, 2014. p. 8-31.

ENCAMINHAMENTO

Este conteúdo introduz a noção de tempo cíclico, mostrando que, antes da criação dos calendários e relógios modernos, os grupos humanos se orientavam principalmente pela observação dos fenômenos da natureza. Destaque que essa forma de compreender o tempo continua viva em muitas culturas, especialmente entre povos indígenas e africanos, para os quais passado, presente e futuro estão interligados, e não separados de forma rígida. É importante explicar aos estudantes que a repetição de fenômenos naturais, como a alternância das estações, as cheias dos rios, o ciclo da vida das plantas e a reprodução dos animais, servia de base para a organização da sobrevivência. Compreender esses ciclos significava planejar melhor as atividades de caça, pesca, coleta, plantio e colheita, garantindo alimento em épocas mais difíceis. Ao trabalhar esse tema, valorize a sabedoria dos povos tradicionais, reforçando que esses conhecimentos foram construídos coletivamente ao longo de muitas gerações e permanecem atuais.

Aproveite para trabalhar a leitura da ilustração produzida pelos Huni Kuin, pedindo aos estudantes que descrevam os elementos que observam: rios, vegetação, animais, o Kuarup (festividade de caráter cultural e religioso) etc. Com base nessas observações, incentive a turma a perceber como o calendário representa a vida da comunidade, articulando o tempo da natureza com a organização social. Esse exercício ajuda a compreender que diferentes culturas desenvolveram formas próprias de marcar o tempo, não menos válidas que o calendário gregoriano.

Na atividade 1, incentive os estudantes a observar a imagem e identificar elementos que provavelmente são do conhecimento deles. Por exemplo,

O TEMPO DA NATUREZA

Entender a passagem do tempo sempre foi uma preocupação dos seres humanos. Antigamente, as pessoas observavam os eventos da natureza para perceber mudanças e permanências do tempo que as ajudassem a sobreviver. Esse tipo de tempo é considerado “cíclico”, ou circular, já que os fenômenos se repetem de tempos em tempos. Ele é chamado de tempo da natureza. Compreender o funcionamento das estações do ano, por exemplo, era fundamental para que os grupos humanos pudessem planejar o plantio dos alimentos e garantir que não passassem fome em épocas mais difíceis (como inverno rigoroso ou verão mais seco).

Os povos tradicionais africanos e os povos indígenas do Brasil fazem uma representação cíclica do tempo. De acordo com eles, o passado (o que aconteceu), o presente (o que acontece hoje) e o futuro (o que vai acontecer) se interligam.

o Sol, que indica verão; a colheita ou o plantio de melancia, milho, abacaxi, mandioca; e o período de desova das tartarugas. A atividade 2 pretende mostrar que os calendários tradicionais são instrumentos de transmissão de saberes e ajudam na organização da vida coletiva.

Na atividade 3, os estudantes podem mencionar situações em que existe planejamento, como ajudar a escolher alimentos ou enfeites de uma festa, combinar horários para um passeio com a família ou até preparar a mochila e os materiais escolares para usar ao longo da semana. Reforce com os estudantes a importância de observar as situações e planejar ações futuras.

ATIVIDADES

Organize os estudantes em pequenos grupos e entregue a cada grupo cartões com frases ou imagens relacionadas a fenômenos naturais (por exemplo: “flores desabrochando”, “folhas caindo”, “rios cheios”, “sol forte”, “noites longas”). Peça aos grupos que ordenem os cartões de modo a representar um ciclo anual. Depois, cada grupo deve explicar para a turma como percebeu a

Crianças observam folhas em floresta com uma lupa.

2. O calendário organiza e transmite os conhecimentos acumulados ao longo do tempo para saber a hora certa de plantar, colher, caçar e fazer os rituais religiosos.

A ilustração a seguir foi feita pelos Huni Kuin, povo indígena que vive na aldeia de Praia do Carapanã, em Tarauacá (AC). Ela mostra as atividades produtivas e culturais da comunidade, como o ciclo das águas, a mudança na vegetação, o período de desova dos peixes e as celebrações.

Calendário huni kuin registra o ciclo de um ano de atividades dos indígenas da aldeia de Praia do Carapanã, em Tarauacá (AC), em 1996.

GEOGRAFIA indígena: Parque Indígena do Xingu. São Paulo: ISA; Brasília, DF: MEC, 1996. p. 55.

1 O que você consegue identificar na ilustração feita pelos Huni Kuin?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

2 Os Huni Kuin organizam os saberes tradicionais da comunidade por meio desse calendário. Em sua opinião, como ele ajuda o grupo a se organizar durante o ano?

3 Os calendários, como o dos Huni Kuin, ajudam a comunidade a planejar o futuro. Você costuma se organizar e planejar aquilo que deve ser feito durante a semana, por exemplo?

Veja comentários no Encaminhamento

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repetição desses fenômenos na natureza. Essa atividade ajuda os estudantes a compreender que o tempo cíclico se organiza em torno de eventos que retornam regularmente, orientando a vida das comunidades.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. Tradução: Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. Essa obra, resultado do diálogo entre o xamã Davi Kopenawa e o antropólogo Bruce Albert, apresenta a concepção yanomami sobre a natureza, o tempo e o universo.

ISA/MEC. CARTILHA GEOGRAFIA INDÍGENA DO XINGU, MT, 1995 NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar o tempo cronológico, destaque para os estudantes que essa forma de contagem foi uma das maneiras criadas pelos seres humanos para organizar a vida em sociedade. Diferentemente do tempo cíclico, ligado à repetição dos fenômenos da natureza, o tempo cronológico estabelece uma ordem sucessiva entre os acontecimentos, marcando um antes e um depois. Esse recurso possibilitou que diferentes povos elaborassem registros, calendários e instrumentos de marcação do tempo, usados para estruturar a vida coletiva e a memória social.

Contextualize para a turma que medir o tempo de forma cronológica foi fundamental para a realização de diversas transformações sociais em diferentes lugares do mundo. Essa forma de contagem ajudou comunidades a planejar atividades agrícolas, organizar festividades, conduzir rituais e definir períodos de trabalho e de descanso. Mostre também que, até hoje, usamos divisões como horas, dias, meses e anos para organizar rotinas pessoais, escolares e comunitárias.

Reforce que, ao longo da história, diferentes sociedades criaram medidas mais amplas, como décadas, séculos e milênios, para situar acontecimentos. Essa forma de contar o tempo nos ajuda a localizar fatos em sequência e a perceber mudanças e permanências em períodos mais longos. Explique, no entanto, que o tempo cronológico não substitui outras formas de compreender o tempo, como o tempo cíclico ou o tempo ligado à memória coletiva. Cada forma responde a necessidades específicas de cada povo e deve ser valorizada.

No trabalho em sala de aula, incentive a comparação entre o tempo cíclico (em círculo, mostrando a repetição dos fenômenos da natureza) e o

O TEMPO CRONOLÓGICO

Para não esquecer o que aprendiam sobre o tempo, os grupos humanos antigos começaram a anotar e registrar observações.

Foi assim que surgiram os relógios e os calendários (formas de representar o tempo e organizá-lo), como aquele que você conheceu antes, do povo Huni Kuin, e o que é usado no Brasil.

Como medimos e usamos o tempo cronológico

Tempo Definição

Para que serve / Exemplo do dia a dia

Hora 1 hora dura 60 minutos.

Dia 1 dia dura 24 horas.

Marca o exato momento em que alguém deve ou não fazer algo, como o começo de um dia de aula. Por exemplo, quando dizemos: “as aulas começam às 7 horas”. Também indica um espaço de tempo em que algo começa e depois termina. Por exemplo, uma sessão de cinema que começa às 10 horas e termina às 11 horas.

Aponta o espaço de tempo entre a hora em que acordamos até o outro dia no mesmo horário.

Semana 1 semana dura 7 dias: de domingo a segunda. Ajuda a organizar a rotina da escola e o fim de semana.

Mês

1 mês costuma durar cerca de 30 dias (alguns têm tempos diferentes: um deles pode durar 28 dias, outros duram até 31 dias).

Ano 1 ano dura 12 meses.

Marca datas importantes, como aniversários, passeios e férias.

Registra nossa idade ou o nível de ensino da escola. Por exemplo, quando dizemos: “tenho 10 anos de idade” ou “estou no 5o ano escolar”.

1 No caderno, represente os dois tipos de tempo a seguir.

Tempo cíclico: mostre como o tempo se repete na natureza, com as estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Por exemplo, você pode desenhar um círculo em que esses elementos se repetem.

tempo cronológico (em linha, mostrando a sucessão dos fatos). Essa atividade ajuda os estudantes a reconhecer que existem diferentes modos de perceber e organizar o tempo, todos importantes para o estudo da História: o tempo cíclico se expressa em tradições e rituais, enquanto o cronológico organiza acontecimentos e facilita o registro.

Enfatize, por fim, que compreender o tempo cronológico não significa apenas decorar datas, mas perceber como os acontecimentos se encadeiam e se relacionam em processos mais amplos. Essa noção é fundamental para desenvolver o pensamento histórico, entendendo que cada fato está inserido em transformações e permanências que moldam a vida em sociedade.

A proposta da atividade 1 visa desenvolver nos estudantes a compreensão de que o tempo pode ser representado de formas diferentes, dependendo do que se quer observar. O tempo cíclico reforça a ideia de repetição e conexão com a natureza (como as estações e os ciclos do dia), enquanto o tempo cronológico ajuda a organizar os acontecimentos em ordem, como numa

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Esses recursos ajudam a contar o tempo em ordem: um momento vem depois do outro, como 1, 2, 3, 4...

Dessa forma, os seres humanos puderam criar as horas, os dias, os meses e os anos pela observação dos movimentos aparentes do Sol ou da Lua. Posteriormente, criaram também outras medidas de tempo, como os séculos e milênios.

Esse tipo de tempo que tem começo, meio e fim e que pode ser contado em sequência é chamado tempo cronológico

Tempo Definição

Década 1 década dura 10 anos.

ATIVIDADES

Século

Para que serve / Exemplo do dia a dia

Aponta, por exemplo, o espaço de tempo em que uma criança de 8 anos de idade se transforma em um jovem adulto.

1 século dura 100 anos (10 décadas).

Milênio 1 milênio dura 1 000 anos.

Peça aos estudantes que conversem com familiares ou responsáveis e investiguem como eles organizam o tempo em suas rotinas. Pergunte, por exemplo: quais compromissos são marcados com hora e dia (como consultas médicas, horários de trabalho ou de ônibus)? Quais são registrados por mês e ano (como aniversários, início das aulas ou aposentadoria)? No retorno à sala de aula, organize uma discussão coletiva para que os estudantes compartilhem as respostas, percebendo como o tempo cronológico estrutura atividades cotidianas em diferentes gerações e contextos sociais.

Usamos século para nos referir a acontecimentos que duram muito tempo. Por exemplo, um avião de 1928 é bem diferente de um avião de hoje, pois a produção dos aviões mudou em 100 anos.

Ajuda a contar a história de povos antigos. Há mil anos, por exemplo, os europeus não conheciam toda a África e não tinham chegado ao local onde hoje é o Brasil, que era habitado pelos indígenas.

Dados fictícios. Quadro elaborado especialmente para esta obra em 2025.

Tempo cronológico : mostre como o tempo segue uma ordem. Por exemplo, você pode desenhar uma linha reta que indique a passagem do tempo (2020, 2021, 2022…).

Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento 15

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linha do tempo. Ao desenhar, os estudantes exercitam a noção de sequência, duração e repetição, conceitos fundamentais para a construção da noção de tempo histórico.

Avalie se os estudantes compreenderam a diferença entre o tempo cíclico e o tempo cronológico, reconhecendo que ambos se complementam e contribuem para organizar a vida em sociedade. Verifique se conseguem identificar exemplos concretos do uso do tempo cronológico no cotidiano, como os horários de entrada e saída da escola, as semanas que estruturam a rotina de estudos, os meses que marcam datas comemorativas e os anos que registram a passagem da idade. Analise se eles relacionam a contagem cronológica do tempo com a organização das atividades sociais e culturais e se percebem que diferentes povos e comunidades desenvolveram formas próprias de medir e organizar o tempo.

ENCAMINHAMENTO

Ao abordar a contagem dos séculos, informe aos estudantes que esse sistema é uma convenção histórica ligada ao calendário gregoriano, hoje amplamente utilizado, mas não o único existente. É importante destacar que diferentes povos desenvolveram outras formas de marcar a passagem do tempo e que o uso dos séculos é apenas uma entre várias maneiras de organizar a História. Assim, evite que os estudantes pensem que o calendário que utilizamos é universal ou superior aos demais, ressaltando seu caráter histórico e cultural.

Explique que, para compreender os séculos, é necessário observar que cada um corresponde a um período de 100 anos e que sua contagem não começa nos “anos redondos” terminados em zero. Use exemplos práticos, mostrando como localizar rapidamente o século de um determinado ano. Retome a regra apresentada no boxe do Livro do estudante e proponha exercícios orais, pedindo que indiquem, de imediato, a qual século pertencem anos do cotidiano, como o de nascimento de familiares, a inauguração da escola ou algum evento marcante da cidade. Essa prática ajuda a fixar a lógica do cálculo de forma concreta.

Aproveite o tema para destacar que, ao falarmos de séculos a.C. e d.C., estamos usando uma convenção que se tornou dominante em grande parte do mundo após a expansão da cultura europeia e cristã, mas que existem outros marcos temporais importantes, como os do calendário islâmico ou os do calendário hebraico, que utilizam pontos de partida diferentes. Isso contribui para ampliar a visão crítica dos estudantes e valorizar a diversidade cultural na forma de contar o tempo.

A divisão do tempo em séculos

Como estudamos, um século é o período de 100 anos. A contagem dos séculos, para a maior parte da população mundial, é feita pelo calendário gregoriano, que considera como ponto de partida o nascimento de Jesus Cristo, no século 1.

O século 1 vai do ano 1 até o ano 100.

O século 2 vai do ano 101 até o ano 200.

O século 11 vai do ano 1001 até o ano 1100, e assim por diante.

Segundo o calendário gregoriano, hoje vivemos no século 21, que começou em 2001 e terminará em 2100.

Como descobrir a que século um ano pertence?

O ano termina em “00”? Então, ele pertence ao século indicado pelo primeiro algarismo (datas anteriores ao ano 1000) ou pela dezena formada pelos dois primeiros algarismos (datas posteriores ao ano 1000).

Exemplos: Ano 800 século 8 / Ano 2000 século 20

O ano não termina em “00”? Adicione 1 ao primeiro algarismo (datas anteriores ao ano 1000) ou à dezena formada pelos dois primeiros algarismos (datas posteriores ao ano 1000).

Exemplos: Ano 820 8 + 1 = século 9

Ano 2005 20 + 1 = século 21

E como fazemos para identificar o século dos fatos que aconteceram antes do nascimento de Jesus Cristo? O cálculo é o mesmo. Porém, logo após a indicação do século, acrescentamos a sigla a.C. , que significa “antes de Cristo”.

Por exemplo: os primeiros Jogos Olímpicos foram realizados na antiga Grécia no ano de 776 a.C. Isso significa que os primeiros Jogos Olímpicos ocorreram no século 8 a.C.

Se, para identificar os séculos antes da Era Cristã, usamos a sigla a.C. , para os séculos da Era Cristã, costumamos usar a sigla d.C., que significa "depois de Cristo". Podemos afirmar, por exemplo: “o Império Romano terminou no século 5 d.C.”. Porém, também está correto escrever apenas “o Império Romano terminou no século 5".

Ao discutir a adoção do calendário gregoriano, mostre que sua implementação foi gradual e envolveu contextos políticos e religiosos. Essa informação é útil para evidenciar que nem todas as sociedades adotaram ao mesmo tempo o mesmo sistema, o que ajuda a perceber a História como resultado de escolhas, negociações e disputas. Essa discussão pode ser articulada com o TCT Diversidade cultural

As atividades propostas devem ser entendidas como oportunidades de reflexão. A atividade 1, de caráter oral, permite que os estudantes imaginem como seria organizar a vida sem calendários ou relógios, favorecendo a valorização desses instrumentos culturais; já a atividade 2 consolida a aprendizagem do cálculo dos séculos, permitindo verificar se a regra foi compreendida. Valorize tanto o raciocínio correto quanto o esforço de argumentação, reforçando que aprender História não é apenas memorizar datas, mas compreender como diferentes povos organizaram e ainda organizam a passagem do tempo.

O calendário gregoriano foi criado em 1582, por encomenda do papa

Gregório XIII. Hoje, boa parte das nações utiliza esse calendário, mas nem sempre foi assim. Ele foi adotado gradativamente pelos países.

1582: Itália, Espanha, Portugal, França e Países Baixos católicos

1584: Áustria, Alemanha católica e Suíça católica

1586: Polônia

1587: Hungria

1610: Prússia

1700: Alemanha protestante, Países Baixos protestantes, Dinamarca e Noruega

1752: Grã-Bretanha e Suécia

1753: Suíça protestante

1873: Japão

1912: China

1917: Bulgária

1918: Rússia

1919: Romênia e Iugoslávia

1923: Igreja Ortodoxa Oriental

1924: Turquia

1 Se não houvesse relógio nem calendário, como dividiríamos o tempo para nos organizar? Por exemplo, você acha que seria possível saber quando as pessoas fazem aniversário?

2 A qual século pertence cada um dos anos a seguir? Responda no caderno.

a) 530. b) 1100. c) 1601. Século 6. Século 11. Século 17.

ATIVIDADES

1. Respostas pessoais. Os estudantes talvez respondam que poderiam marcar a data de nascimento, porém seria bastante difícil saber com exatidão. Busque valorizar as reflexões dos estudantes.

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Organize a turma em duplas e entregue cartões com datas já selecionadas, que podem incluir tanto fatos históricos estudados em sala de aula quanto acontecimentos mais próximos da realidade dos estudantes. Alguns exemplos: a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, a Independência em 1822, a Proclamação da República em 1889, a construção de Brasília em 1960, a Copa do Mundo de Futebol de 2002, o ano de nascimento dos avós ou o ano de nascimento dos próprios estudantes.

Peça a cada dupla que descubra a qual século cada data pertence, usando a regra aprendida. Em seguida, construa com a turma uma linha do tempo coletiva na lousa ou em cartolina, posicionando os cartões nos séculos corretos.

TEXTO COMPLEMENTAR

[…] Matéria fundamental da história é o tempo; portanto, não é de hoje que a cronologia desempenha um papel essencial como fio condutor e ciência auxiliar da história. O instrumento principal da cronologia é o calendário, que vai muito além do âmbito do histórico, sendo antes de mais nada o quadro temporal do funcionamento da sociedade. O calendário revela o esforço realizado pelas sociedades humanas para domesticar o tempo natural, utilizar o movimento natural da lua ou do sol, do ciclo das estações, da alternância do dia e da noite. Porém, suas articulações mais eficazes – a hora e a semana – estão ligadas à cultura e não à natureza. O calendário é o produto e expressão da história: está ligado às origens míticas e religiosas da humanidade (festas), aos progressos tecnológicos e científicos (medida do tempo), à evolução econômica, social e cultural (tempo do trabalho e tempo de lazer). [...]

LE GOFF, Jacques. História e memória. 5. ed. Tradução: Bernardo Leitão et al. Campinas: Editora da Unicamp, 2003. p. 12-13.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao apresentar o calendário oficial, valorize sua função prática na vida cotidiana, mostrando como ele organiza não apenas as rotinas individuais, mas também as atividades coletivas de toda a sociedade. Explique que é por meio dele que se marcam datas importantes, como feriados nacionais, eleições, férias escolares e compromissos de trabalho, o que evidencia sua dimensão social e não apenas pessoal.

Aproveite a fotografia da Esfinge com a pirâmide de Quéops ao fundo para mostrar que a contagem do tempo nos ajuda a situar acontecimentos muito distantes, permitindo relacionar o presente com civilizações do passado. Isso reforça que o calendário não serve apenas para organizar o dia a dia, mas também para construir a memória histórica. A atividade 3 tem como objetivo aproximar os estudantes da noção de organização do tempo com base na própria rotina. Ao preencher o calendário com as aulas e atividades da semana, eles desenvolvem habilidades de planejamento, percepção de repetição e identificação de hábitos. Incentive os estudantes a usar cores, desenhos e símbolos para tornar o registro mais significativo. Conduza-os a refletir sobre como a rotina de cada pessoa pode ser diferente: algumas atividades são fixas, como as aulas, enquanto outras podem variar conforme a família, o trabalho dos responsáveis ou as tradições culturais de cada comunidade. Essa reflexão contribui para que percebam que, embora todos utilizem o mesmo calendário oficial, a forma como cada grupo organiza seu tempo pode ser bastante diversa. Mostre ainda que o uso do calendário não é neutro e reflete escolhas históricas e culturais. Discuta com os estudantes que o calendário gregoriano se

O calendário oficial do Brasil

O calendário oficial utilizado no Brasil é o calendário gregoriano, que mencionamos anteriormente. É composto de 365 dias, contados com base no movimento aparente do Sol. Esse calendário começa em 1o de janeiro e termina em 31 de dezembro.

Oficial: o que é declarado por uma autoridade reconhecida, por exemplo, o governo de um país.

Assim, quando falamos que estamos em 2028, estamos dizendo que se passaram 2028 anos entre o nascimento de Cristo e os dias atuais. Para tudo o que aconteceu antes do nascimento de Cristo, marcamos, depois do número do ano, as letras a.C. (abreviatura para “antes de Cristo”). Por volta de 2500 a.C., por exemplo, foi construída uma das pirâmides mais famosas do Egito, a de Quéops.

tornou predominante por processos de expansão política, econômica e religiosa, mas que muitos povos mantêm outros sistemas de contagem do tempo. Esse debate ajuda a combater visões únicas e incentiva o respeito às diferentes formas de organização temporal.

ATIVIDADES

Promova o jogo “Detetives do calendário”. Prepare um conjunto de perguntas que os estudantes deverão responder em grupos, como charadas ou pistas. Exemplos:

• Qual é o mês que vem depois de fevereiro e antes de abril?

• Se hoje é terça-feira, que dia será depois de dois dias?

• Em que mês costumamos ter férias escolares de meio de ano?

Cada grupo recebe pistas diferentes e, ao responder corretamente, avança no tabuleiro do calendário, que pode ser desenhado no quadro ou em cartolina. O grupo que chegar primeiro ao final vence.

A grande pirâmide de Quéops, ao fundo, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, no Cairo, no Egito, em 2025. À frente, a Esfinge de Gizé.

Observe a seguir como se organiza o calendário gregoriano. Ele pode ser dividido de várias formas: por dias, por semana, por mês e por ano.

Calendário semanal

O calendário semanal mostra todos os dias da semana e serve para organizar o que fazemos em cada dia.

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

3 Reproduza esse calendário no caderno e complete-o com as aulas da semana ou outras atividades que são rotineiras.

Rotineiro: aquilo que acontece sempre nos mesmos dias e horários. Por exemplo: toda quarta-feira, a turma tem aula de Educação Física.

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CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• ELIAS, Norbert. Sobre o tempo. Tradução: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. Nessa obra, o sociólogo analisa como a experiência subjetiva do tempo foi transformada em convenções objetivas, como calendários e relógios. A leitura ajuda a compreender que o tempo cronológico não é natural, mas resultado de processos históricos e sociais que moldaram a vida em comunidade.

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MODELO PARA COPIAR

ENCAMINHAMENTO

Ao abordar os calendários mensal e anual, destaque que eles não servem apenas para marcar compromissos, mas também para estruturar a memória coletiva. Mostre aos estudantes que aniversários, datas comemorativas, festas religiosas, colheitas e até eventos esportivos ficam registrados em calendários, transformando-se em marcos que ajudam a organizar a vida social. É interessante ressaltar que a criação desses formatos de calendário foi um passo importante para tornar a contagem do tempo mais acessível às pessoas, permitindo visualizar não apenas o dia, mas como ele se encaixa na semana, no mês e no ano.

Aproveite a apresentação de calendários de outros povos para ampliar o repertório cultural da turma. O calendário chinês, por exemplo, revela como diferentes civilizações combinaram conhecimentos astronômicos (fases da Lua e posição do Sol) com tradições culturais, como a associação a animais simbólicos. Já o calendário iorubá mostra que os calendários também podem expressar os rituais e as relações com a natureza. Essa diversidade evidencia que o modo de dividir os dias, meses e anos não é único e universal, pois varia conforme a história, a cultura e os valores de cada povo.

Oriente os estudantes a perceber que comparar calendários não significa avaliar qual é o melhor, mas entender que cada um responde às necessidades de um grupo. O calendário gregoriano, por exemplo, está associado à vida política e econômica das sociedades ocidentais; o iorubá articula o tempo às práticas religiosas e agrícolas; e o chinês relaciona a contagem do tempo a crenças culturais e espirituais. Essa discussão contribui para desenvolver atitudes de respeito à diversidade cultural e reforça a ideia de que o tempo é uma construção social.

Ao realizar as atividades pro-

Calendário mensal

Neste tipo de calendário, estão indicados também os dias da semana. Assim, é possível saber, ao mesmo tempo, o dia do mês e o dia da semana em que cada data cai.

Setembro

Calendário anual

Este tipo de calendário mostra todos os meses e dias do ano. Começa em janeiro e termina em dezembro.

postas no livro, incentive os estudantes a compartilhar conhecimentos de sua própria região: festas ligadas à colheita, romarias, procissões ou eventos populares que marcam épocas específicas do ano. Dessa forma, eles compreendem que a organização do tempo também está presente no cotidiano brasileiro, especialmente nas culturas tradicionais. Amplie a reflexão mostrando que, mesmo vivendo sob o calendário gregoriano, muitos grupos mantêm suas próprias formas de marcar e celebrar o tempo, o que demonstra a riqueza da pluralidade cultural.

Na atividade 5, espera-se que os estudantes identifiquem que, no Brasil, existem diversas festividades relacionadas à colheita de produtos agrícolas, como o festival do arroz, tradicional em algumas cidades da região Sul; o festival do café em cidades cafeicultoras de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo; o festival do milho na região do Cerrado; entre outras.

Na atividade 6, oriente os estudantes a pensar em eventos importantes do lugar onde vivem, como festas, plantações, colheitas, períodos de chuva ou de calor, tradições, brincadeiras ou eventos da comunidade. Com base nisso, motive-os a imaginar como esses elementos poderiam aparecer desenhados em um calendário.

4. A semana do calendário iorubá é formada por quatro dias, razão pela qual tem menos dias que o gregoriano, que tem sete. O número de meses também é diferente, já que o calendário gregoriano tem 12, e o iorubá, 13.

Existem outros calendários além do gregoriano?

Sim! Nem todos os povos usam o mesmo calendário. Há o calendário chinês, o calendário árabe, o calendário judeu e muitos outros. Eles são variados porque refletem a realidade, as necessidades e a cultura de cada povo.

A China, por exemplo, embora adote o calendário gregoriano, também utiliza o calendário chinês, que leva em consideração tanto as fases da Lua como a posição do Sol. Por isso, o Ano-Novo chinês é móvel: cada início de ano desse calendário pode cair numa data diferente no calendário gregoriano. Todo ano do calendário chinês também é relacionado a um dos animais que teriam atendido ao chamado de Buda, um homem que viveu há 2 500 anos na Índia. Buda não é considerado um deus, mas sim uma pessoa iluminada e sábia, cujos ensinamentos deram origem à religião budista.

O povo iorubá, que vive na Nigéria e no Benin, países da África, segue o calendário kojoda, palavra que significa “que o dia seja luminoso”. Ele se baseia, entre outros, nos ciclos da Lua e no número 4, associado aos quatro elementos: terra, água, ar e fogo. É composto de:

• 1 semana = 4 dias, cada um deles dedicado a um orixá: Ogum, Xangô, Obatalá e Orunmilá.

• 1 mês = 28 dias distribuídos em 7 semanas.

• 1 ano = 13 meses distribuídos em 91 semanas.

O Ano-Novo iorubá acontece no dia 3 de junho do calendário gregoriano, mês das colheitas, quando é celebrado o festival Ifá.

4 Em relação ao calendário oficial do Brasil (o gregoriano), o calendário iorubá tem dias a mais ou a menos na semana? E a quantidade de meses é igual ou diferente?

5 O festival Ifá ocorre durante o mês das colheitas. Você conhece, na região onde mora ou em algum outro lugar do Brasil, festividades relacionadas à colheita de algum produto?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

6 Se você fosse criar um calendário sobre a região onde mora, o que seria importante representar?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

ATIVIDADES

TEXTO COMPLEMENTAR

O estabelecimento do calendário encontra-se estreitamente associado à variação do período diurno ao longo do tempo, a qual depende do lugar e do momento da observação. Consequentemente, a progressiva intensidade de comunicação entre as mais diversas localizações geográficas impôs a fixação de regras de contagem do tempo globalmente reconhecidas e adotadas. […]

LOPES, Maria do Céu Baptista. O calendário atual: história, algoritmos e observações. Revista Millenium, [s. l.], n. 43, p. 107-125, jun./dez. 2012. p. 120.

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Realize um jogo de comparação de calendários. Entregue cartões com informações sobre o calendário gregoriano, o chinês e o iorubá (por exemplo: “tem 12 meses”, “tem 13 meses”, “a semana tem 4 dias”, “o Ano-Novo é móvel”). Misture os cartões e desafie os estudantes a agrupá-los corretamente de acordo com cada calendário. Ao final, converse com a turma sobre como as diferenças refletem valores culturais distintos e modos variados de organizar o tempo.

Mulheres dançam em festival que ocorre anualmente em Ifé, na Nigéria, em 2022.
MARVELLOUS DUROWAIYE/MAJORITY
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar este conteúdo, destaque para os estudantes que a noção de tempo histórico não se resume apenas a contar anos, séculos ou milênios; envolve compreender os processos de mudança e permanência que marcam a vida em sociedade. Explique que, para o historiador, o tempo é uma ferramenta de análise: em vez de apenas registrar datas, ele procura interpretar o que se transforma e o que se mantém ao longo da experiência humana.

Mostre que as mudanças nem sempre acontecem de forma brusca ou repentina; muitas vezes, elas são graduais, levando anos ou até séculos para se consolidar. Ao mesmo tempo, certas práticas, tradições ou instituições permanecem, atravessando gerações. Essa relação entre mudança e permanência ajuda a perceber que a História não é linear nem homogênea, mas marcada por ritmos diferentes, em que transformações rápidas convivem com elementos duradouros.

Para facilitar a compreensão, incentive os estudantes a observar exemplos do cotidiano: novos brinquedos, tecnologias e formas de comunicação mostram transformações recentes, enquanto hábitos culturais, como comemorar aniversários ou frequentar a escola, revelam permanências. Esses exemplos próximos da realidade deles ajudam a consolidar o conceito. É importante também mostrar que a análise do tempo histórico pode variar conforme a perspectiva: o que em uma cultura é considerado mudança, em outra pode ser entendido como continuidade. Essa abordagem amplia o repertório cultural dos estudantes e os ajuda a respeitar diferentes formas de interpretar o tempo.

Ao orientar a realização da atividade, valorize as respostas que vão além da identificação

COMO O HISTORIADOR TRABALHA O TEMPO?

O tempo é uma criação humana. Para se organizar, os grupos humanos criaram diferentes formas de representar o tempo da natureza, o tempo cronológico e o tempo biológico. O tempo biológico é aquele que mostra as mudanças do corpo, como crescer, perder os dentes de leite ou envelhecer. Os historiadores também têm um jeito próprio de pensar o tempo. Eles utilizam o tempo histórico, que é marcado pelas mudanças e permanências dos eventos que aconteceram ao longo da história.

A mudança ocorre quando algo muda ou se transforma com o passar do tempo cronológico. Ela é percebida quando comparamos diferentes momentos da história. Exemplo: o primeiro desenho animado foi produzido em 1908 e se chamava Fantasmagorie. Ele foi todo desenhado à mão. Hoje, embora ainda existam animações feitas à mão, é muito comum que os desenhos sejam feitos por computadores.

A permanência ocorre quando algo se mantém igual ou continua a existir, mesmo com o passar do tempo cronológico, em diferentes períodos da história. Exemplo: as festas juninas e a língua portuguesa continuam presentes (ou seja, permanecem) na cultura brasileira há muitos anos.

Cena do desenho animado feito à mão O vapor Willie, com direção de Ub Iwerks e Walt Disney. Estados Unidos, 1928 (8 minutos). Nele, o personagem Mickey Mouse aparece pela primeira vez.

mecânica de mudança e permanência, incentivando os estudantes a explicar por que determinada situação mudou ou permaneceu. Assim, eles desenvolvem não apenas a noção de tempo histórico, mas também o raciocínio crítico necessário para compreender processos sociais em diferentes contextos.

ATIVIDADES

Proponha que os estudantes levem para a sala de aula fotografias antigas da família (ou que conversem com os responsáveis para trazer relatos de como era a infância deles). Em grupos, eles devem comparar essas imagens ou relatos com a própria realidade atual, identificando o que mudou e o que permaneceu ao longo do tempo. Pode ser a forma de se vestir, os brinquedos, os meios de transporte ou até os modos de se divertir. Depois, cada grupo apresenta um exemplo à turma, destacando como essa comparação ajuda a pensar o tempo histórico.

Em História, duas perguntas são muito importantes.

O que mudou?

O que permaneceu?

Essas perguntas ajudam a entender como as pessoas vivem, pensam e transformam o mundo ao longo do tempo.

1 Leia as informações a seguir e escreva, no caderno, o que é mudança e o que é permanência.

a) Antes, as crianças brincavam com brinquedos de madeira, mas hoje brincam com brinquedos de plástico.

TEXTO COMPLEMENTAR

A categoria-chave do texto de Braudel é a de duração. O tempo não escoa de maneira uniforme ao longo da história: ele alterna seus ritmos. Como ciência dos homens no tempo que é, a História deve se dotar dos instrumentos adequados para distinguir esses diferentes ritmos que regulam a vida social. A duração é, portanto, simultaneamente um dado de realidade (os processos podem de fato ser mais lentos ou mais rápidos) e uma ferramenta heurística (nosso olhar deve ser devidamente modulado para explicar a duração específica dos processos de que nos ocupamos).

b) As pessoas continuam brincando com bolas, como as de antigamente.

Permanência. Mudança.

d) Há muitos anos, as crianças frequentam escolas. Mudança.

c) Antes, as pessoas mandavam cartas, mas hoje a maioria delas usa celular para conversar.

Permanência.

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CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a história. Tradução: J. Guinsburg, Tereza Cristina Silveira da Mota. São Paulo: Perspectiva, 2021.

Nessa obra, Braudel apresenta a ideia de diferentes durações do tempo histórico: curta, média e longa duração. Essa leitura mostra que as mudanças e permanências podem ser observadas em diferentes ritmos, ajudando a enriquecer a compreensão sobre a forma como os historiadores analisam o tempo.

Braudel avança lembrando que o trabalho do historiador sempre supõe um recorte do tempo. Tal operação o autor recomenda que façamos observando três formas distintas de espessura temporal. A primeira é o “tempo curto”, caro à história tradicional, que faz sobressaírem os indivíduos, o cotidiano, os acontecimentos medíocres e as tomadas rápidas de consciência. Em seguida, Braudel nos fala de um “tempo médio”, ao qual é afeita a história econômico-social. Aqui, os ciclos de dezenas de anos assumem um valor explicativo. Esse recorte do tempo permite distinguir os movimentos da economia (como a subida ou a queda dos preços, por exemplo). Finalmente, o “tempo longo”: a história de longa ou muito longa duração. Esse é o tempo das estruturas, das relações estáveis que se observam na vida social. […] BRAUDEL e a longa duração: mensagem de Miguel Palmeira aos estudantes de Metodologia. Blog da Revista de História, São Paulo, 17 abr. 2020. Disponível em: https:// revhistoria.usp.br/blog/?p=114. Acesso em: 9 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar a construção da linha do tempo na seção Mão na massa, mostre aos estudantes que essa ferramenta não serve apenas para colocar datas em sequência, mas também para pensar sobre os acontecimentos que cada um considera importantes. O tempo cronológico organiza os fatos em ordem, mas é o historiador que destaca o que merece ser lembrado e analisa o que mudou e o que continua igual. Essa diferença ajuda a entender que a História vai além de uma lista de datas; ela é uma forma de interpretar a vida em sociedade.

Antes de começar a atividade, apresente a linha do tempo do livro e converse com a turma sobre os acontecimentos ali representados. Pergunte aos estudantes o que já conhecem sobre cada evento e incentive comentários. Esse momento inicial ajuda a perceber que todos têm algum conhecimento prévio sobre o passado recente e que a linha do tempo é uma forma de organizar essas informações.

Em seguida, mostre os materiais que serão usados e explique cada etapa da construção. Vale fazer uma demonstração rápida na lousa ou em uma folha maior, mostrando como marcar os anos e distribuir os acontecimentos de forma proporcional. Oriente os estudantes a escolher fatos pessoais que considerem significativos, lembrando que cada linha do tempo será única. Incentive também a criatividade, permitindo o uso de desenhos, colagens ou fotografias.

Enquanto a atividade estiver em andamento, circule pela sala e auxilie quem apresentar dificuldade em marcar os anos ou decidir quais fatos incluir. Aproveite para conversar com os estudantes sobre as escolhas que estão fazendo e mostrar que essa seleção já é uma forma de pensar historicamente.

MÃO NA MASSA

Linha do tempo

Estudamos que o tempo histórico é diferente do tempo cronológico. O histórico aponta as permanências e mudanças, e o cronológico aponta os acontecimentos em uma ordem sequencial. Com base nisso, como fazemos para saber quando os acontecimentos históricos ocorreram?

Uma ferramenta que nos ajuda a entender melhor é a linha do tempo. Ela é um jeito simples de mostrar os eventos na ordem em que aconteceram: do mais antigo ao mais recente; o que veio antes e o que veio depois.

2001

Começo do século 21

Observe o exemplo de uma linha do tempo com alguns fatos do século 21.

2008

Descoberta de água em Marte

Jogos Olímpicos de Paris Planeta Marte.

2024

2012

Declaração do Rio de Janeiro como Patrimônio Cultural da Humanidade

Vista panorâmica do Rio de Janeiro (RJ).

2020

Início da pandemia de covid-19

2014

Copa do Mundo de futebol masculino no Brasil

Nas escolas, estudantes formam fila com distanciamento obrigatório.

Jogo entre Brasil e Colômbia, em Fortaleza (CE).

2016

Jogos Olímpicos do Rio

Cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro (RJ).

Ao final, promova uma socialização em que cada estudante possa apresentar um ou dois fatos de sua linha do tempo para os colegas. Essa partilha permite observar semelhanças e diferenças entre as histórias pessoais e reforça a ideia de que todos fazem parte da História. Para concluir, proponha uma reflexão: quais acontecimentos da linha do tempo representam mudanças importantes? O que pode ser considerado permanência? Assim, a atividade se transforma em uma oportunidade de ligar o tempo vivido individualmente ao tempo histórico.

A atividade permite que os estudantes desenvolvam noções de tempo cronológico e sequência de acontecimentos, relacionando a passagem do tempo à própria vida. Ao registrar fatos marcantes, eles constroem a própria identidade temporal e exercitam a organização de informações. Incentive o uso criativo de desenhos, símbolos e cores, valorizando as experiências pessoais de cada estudante.

Estudantes com deficiência intelectual podem ter dificuldade porque a atividade exige abstração temporal (ordenar anos, pensar em mudanças e permanências, selecionar fatos pessoais

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil, em Paris, na França.
Esta linha do tempo não representa os intervalos entre os períodos de maneira proporcional.

Materiais

• 1 folha de papel avulsa branca ou colorida (pode ser A4 ou maior)

• Régua

• Lápis preto ou canetinha preta

• Lápis de cor, canetinhas coloridas ou giz de cera

• Fotografias suas (se quiser e puder)

• Cola em bastão (caso escolha colar as fotografias)

Opcional: fita adesiva para colar a fotografia e poder retirá-la depois

Como fazer

(quais fatos selecionar, como representá-los). Para apoiar, ofereça um roteiro visual passo a passo (primeiro: marcar o nascimento; depois: escolher um fato da escola; depois: desenhar ou colar algo de que goste) e dê modelos prontos de linhas do tempo que o estudante possa completar. Permita também que selecionem fatos previsíveis (por exemplo, datas de festas da escola, início das aulas, aniversário). Esses apoios favorecem o foco e a compreensão do sentido histórico da tarefa. Agora, você vai fazer a linha do tempo de sua vida. Nela, você vai registrar os momentos mais importantes de sua vida até hoje.

1 Coloque a folha na horizontal (deitada, como uma paisagem).

2 Com a régua, desenhe uma linha reta no meio da folha. Use caneta ou lápis preto para destacar bem a linha.

3 Marque os anos ao longo da linha, com risquinhos ou bolinhas.

• Comece com o ano em que você nasceu e vá até o ano atual.

• Escreva os anos com a mesma distância entre eles, por exemplo, 5 centímetros.

4 Agora, pense nos momentos importantes de sua vida. Observe estas sugestões.

• Quando aprendeu a andar ou falar.

• Quando foi para a escola pela primeira vez.

• Quando ganhou um animal de estimação.

• Quando fez uma viagem especial.

• Quando teve um aniversário marcante.

• Quando perdeu o primeiro dente.

5 Para cada momento importante, faça um desenho, escreva algo ou cole uma fotografia. Se usar fotografias, cole-as com fita para poder retirá-las depois, se quiser.

6 Use frases curtas e capriche na letra.

7 Deixe a linha do tempo bem colorida.

8 Use lápis de cor ou canetinhas para decorar.

Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

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relevantes). Para apoiá-los, use cartões com datas já prontas que os estudantes possam ordenar. Ofereça imagens ou fotos da escola/turma para exemplificar eventos e permita o uso de símbolos ou desenhos no lugar de longos textos. Divida o processo em pequenas etapas guiadas: primeiro marcar o nascimento, depois escolher um acontecimento importante, e assim por diante. Isso dá concretude e permite participação efetiva.

Estudantes com deficiência visual podem enfrentar barreiras na atividade devido à organização gráfica da linha do tempo. Para garantir inclusão, forneça fitas ou cordões fixados em cartolina que funcionem como linha tátil, use marcadores em relevo (cola quente, barbante, EVA) para representar a passagem dos anos e incentive o uso de símbolos em braille ou objetos pequenos colados (botões, sementes, blocos de montar) para representar eventos. Se o estudante usar recursos digitais, um programa de linha do tempo acessível com leitura de tela pode ser uma alternativa.

Estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ter dificuldade em lidar com a atividade devido à exigência de organização sequencial e à abertura para escolhas pessoais

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Identificar como a natureza influenciou a formação de diferentes povos e culturas ao longo da História.

• Analisar os impactos sociais, culturais e ambientais de grandes obras em espaços geográficos.

• Refletir sobre a relação entre progresso técnico e preservação dos modos de vida de comunidades tradicionais.

• Desenvolver atitudes de respeito à diversidade cultural e à sustentabilidade.

BNCC

HABILIDADE

(EF05HI01) Identificar os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado.

TEMAS

CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Diversidade cultural.

• Educação ambiental.

ENCAMINHAMENTO

Como ponto de partida para trabalhar a abertura do capítulo, uma estratégia é explorar as imagens das duas páginas, pedindo aos estudantes que, inicialmente, identifiquem o que aparece em cada uma delas e que, em seguida, busquem propor hipóteses sobre a relação entre elas. Incentive os estudantes a debater os impasses que marcam a relação entre o progresso técnico e a preservação dos modos de vida e das culturas das comunidades tradicionais, pensando nos profundos impactos ambientais e sociais que as grandes obras podem promover, mas também discutindo alternativas para uma coexistência sustentável. As perguntas propostas podem ser discutidas em uma roda de conversa, incentivando os estudantes a debater os impactos

2

A NATUREZA E A FORMAÇÃO DOS POVOS

Grande parte da energia elétrica consumida no Brasil é produzida com o uso das águas dos rios por usinas hidrelétricas. É o caso da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada em Vitória do Xingu (PA), próximo à área urbana de Altamira (PA).

Essa usina, inaugurada oficialmente em 2016, utiliza as águas da bacia do Rio Xingu para movimentar as turbinas. Sua construção envolveu muitas polêmicas devido aos impactos ambientais e sociais gerados. Muitas comunidades tradicionais, indígenas e ribeirinhas foram diretamente atingidas pelas obras, que represaram as águas, desviaram o curso dos rios e alagaram

e as consequências que intervenções nos espaços geográficos podem trazer para as pessoas que ali vivem e trabalham, aproximando a discussão da realidade dos estudantes.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes reflitam sobre os efeitos das obras de grandes proporções, como os da usina de Belo Monte. Embora ofereçam avanços do ponto de vista técnico e tecnológico, as grandes obras trazem uma série de consequências para grupos que vivem nas regiões alteradas, uma vez que interferem nas paisagens naturais e as modificam. Isso ocorre porque esse tipo de obra tem impacto nesses territórios e impõe transformações nos modos de vida da população local.

Na atividade 2, a proposta é que os estudantes percebam que a discussão sobre as relações entre os diferentes grupos sociais de que fazem parte e sobre os espaços geográficos que ocupam não se restringe à história de povos e culturas do passado ou de lugares distantes. Ela está presente no cotidiano, já que, no dia a dia, o impacto das ações humanas motiva transformações nos costumes e modos de vida da população.

Vista aérea da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada na bacia do Rio Xingu, em Vitória do Xingu (PA), em 2025.

Esse exemplo mostra alguns dos desafios que enfrentamos hoje para combinar o progresso e o desenvolvimento econômico com formas de vida sustentável e a preservação do meio ambiente e do planeta.

1 Com base na leitura do texto, reúna-se com um colega para discutir como o caso da construção da usina de Belo Monte pode servir para refletir sobre os grandes impactos que mudanças nos espaços geográficos podem ter nos modos de vida de diferentes populações.

Veja comentários no Encaminhamento

2 Reflita sobre sua comunidade e o lugar onde você vive e estuda e pense em exemplos de mudanças que ocorreram nesses espaços e que impactaram a vida das pessoas que ali vivem e trabalham. Compartilhe suas ideias com os colegas.

Veja comentários no Encaminhamento

30/09/2025 09:44

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• ACSELRAD, Henri (org.). Conflitos ambientais no Brasil. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Fundação Heinrich Böll, 2004.

A obra reúne estudos de caso de conflitos que envolvem comunidades, Estado e empresas em torno do uso dos recursos naturais. Pode servir como leitura de apoio, ampliando a compreensão sobre o frequente choque entre o progresso técnico e econômico e os modos de vida tradicionais, gerando disputas por território e direitos.

ATIVIDADES

Organize uma pesquisa em duplas sobre obras de infraestrutura que tenham gerado impactos socioambientais em diferentes regiões do Brasil (como construção de rodovias e hidrelétricas, mineração, criação de portos ou produção de monocultura em larga escala). Cada dupla deve escolher um caso, identificar quais grupos sociais foram afetados e apresentar de forma simples em um cartaz ou slide: qual foi o projeto, quais benefícios foram prometidos e quais consequências foram observadas. Ao final, monte uma exposição ou um mural coletivo chamado “Grandes obras, grandes impactos”, permitindo que os estudantes comparem diferentes exemplos e percebam como situações semelhantes se repetem em contextos diversos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Famílias ribeirinhas deslocadas para construção da usina de Belo Monte aguardam moradia, em Altamira (PA), em 2019.

ENCAMINHAMENTO

Como ponto de partida para trabalhar essa dupla de páginas, pode ser interessante incentivar os estudantes a relembrar o que já estudaram sobre os conceitos de povos nômades e sedentários. Caso julgue interessante, proponha que, coletivamente, pensem em uma definição para esses conceitos, registrando-os na lousa. Explore o mapa Crescente Fértil: áreas de expansão da agricultura (8500 a.C a 3000 a.C), incentivando os estudantes a refletir sobre o que poderia fazer com que os povos antigos se desenvolvessem em torno de rios. Com base nas hipóteses levantadas, explique como as águas dos rios eram essenciais no desenvolvimento da agricultura e permitiram os processos de sedentarização. Para a realização da atividade 1, proponha a elaboração de um quadro coletivo na lousa com as definições de nomadismo, sedentarismo, Revolução Agrícola e Crescente Fértil. Peça que os estudantes deem exemplos que ajudem a relacionar esses conceitos ao cotidiano. Considere como sugestão de resposta:

• Nomadismo: Estilo de vida dos grupos que vivem em constante deslocamento em busca de recursos.

• Sedentarismo: Estilo de vida dos grupos que vivem fixos em uma determinada área.

• Revolução Agrícola: Processo de domínio pelos grupos humanos de técnicas para a plantação de alimentos, o que permitiu a sedentarização deles.

• Crescente Fértil: Região do Oriente Médio e do norte da África, próxima de rios, onde grupos humanos se aproveitaram das águas e da fertilidade do solo para o desenvolvimento da agricultura.

OS POVOS SEDENTARIZADOS E A NATUREZA

Os primeiros grupos humanos eram nômades, ou seja, precisavam se deslocar em busca de alimentos. Isso mudou ao longo do tempo com o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais, na chamada Revolução Agrícola.

Esse processo possibilitou que os povos antigos se sedentarizassem, ou seja, passassem a viver fixamente em uma região. Essa sedentarização permitiu que as sociedades crescessem e se desenvolvessem com a formação das primeiras cidades.

A região chamada “Crescente Fértil”, onde atualmente ficam o Oriente Médio e o norte da África, presenciou o desenvolvimento de algumas das primeiras civilizações humanas. Nela, existiam grandes rios ao redor dos quais grupos humanos se estabeleceram, o que garantiu a eles a irrigação das plantações e a fertilidade do solo.

Crescente Fértil: áreas de expansão da agricultura (8500 a.C a 3000 a.C) 45º L

Mar Negro

ATIVIDADES

0 188

Crescente Fértil

Fonte: VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral & Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 35.

Proponha a criação de um infográfico ilustrado que mostre a transição do modo de vida nômade para o sedentário. Os estudantes podem representar, com desenhos ou símbolos, as práticas de caça e coleta, a domesticação de plantas e animais, o surgimento da agricultura e a formação das primeiras aldeias fixas. A atividade reforça a noção de processo histórico e ajuda a visualizar a importância da Revolução Agrícola. Esse infográfico pode ser produzido em um cartaz e exposto na sala ou em outros espaços da escola.

35º N
Mar Morto
Golfo Pérsico
Rio Eufrates
Mar Mediterrâneo
Deserto da Síria
Deserto da Núbia
Mar Cáspio

Para conseguir produzir, esses povos desenvolveram estratégias para controlar as águas, como a construção de diques, canais e sistemas de irrigação. Para isso, era preciso criar um sistema de trabalho que levasse a uma centralização política. Isso significa que, aos poucos, essas sociedades passaram a ter um grupo que comandava os demais, ou seja, que centralizava as decisões sobre como organizar toda a sociedade.

1 Na página anterior, foram mencionados conceitos importantes, que nos ajudam a pensar no surgimento das primeiras civilizações. Vamos organizar esses conhecimentos? No caderno, escreva uma definição para cada um dos conceitos que aparecem no quadro a seguir.

CONCEITOS

Nomadismo

Sedentarismo

Revolução Agrícola

Crescente Fértil

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DEFINIÇÃO

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

30/09/2025 09:44

• MESOPOTÂMIA antiga 101: National Geographic. [S. l.: s. n.], 2018. 1 vídeo (ca. 4 min). Publicado pelo canal National Geographic. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xVf5k ZA0HtQ. Acesso em: 28 ago. 2025. Esse vídeo fornece uma introdução acessível à civilização mesopotâmica, considerada uma das primeiras do mundo, com destaque para temas fundamentais como agricultura, urbanização e inovações sociais. É uma excelente ferramenta para envolver os estudantes com imagens e conceitos iniciais sobre os modos de vida antigos e os processos históricos envolvidos no desenvolvimento das primeiras sociedades complexas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
MODELO PARA COPIAR
Réplica de detalhe de Muro leste, lado sul do túmulo de oferendas de Nakht, de Norman de Garis Davies e Lancelot Crane, entre 1908 e 1910. Têmpera sobre papel, 171,4 cm x 226,7 cm x 6,4 cm. A pintura original egípcia é de cerca de 1410-1370 a.C.

ENCAMINHAMENTO

Ao apresentar o conteúdo, destaque que a civilização egípcia se desenvolveu em estreita dependência da natureza, em especial do rio Nilo. Explique aos estudantes que as cheias anuais do rio não eram consideradas apenas fenômenos naturais, mas como parte fundamental da vida econômica, social e até religiosa do antigo Egito. Mostre como o aproveitamento dessas águas permitiu a fixação de comunidades agrícolas e a formação de uma das primeiras grandes civilizações da Antiguidade.

Utilize o mapa Egito: cidades e terras cultiváveis (c. 2050 a.C.) para reforçar a importância da localização geográfica: incentive os estudantes a observar como o rio corta todo o território egípcio e a pensar o que essa característica significava em termos de transporte, comunicação e unificação política. A fotografia atual do Nilo pode ser explorada como um recurso para aproximar passado e presente, mostrando que a relação entre o rio e a vida das pessoas continua relevante até hoje.

Ao explicar o processo de unificação dos reinos do baixo e do alto Egito, ressalte que a centralização política esteve diretamente ligada à capacidade de controlar as águas e organizar grandes obras de irrigação. Esse contexto ajuda os estudantes a perceber como a natureza não apenas influenciava a economia, mas também a política e a organização social.

Na atividade 1, os estudantes podem comentar que os antigos egípcios aproveitavam as águas do rio Nilo para a construção de diques e canais, usados para irrigação e abastecimento. As margens férteis do rio eram ideais para a agricultura. Explique aos estudantes que, nas épocas de cheias, o rio transbordava, deixando as terras ricas em húmus, o que beneficiava o plantio.

O ANTIGO EGITO E SUA RELAÇÃO COM A NATUREZA

Uma das primeiras grandes civilizações que desenvolveram um sistema social complexo foi a do antigo Egito. A civilização egípcia surgiu às margens do Nilo, um dos maiores rios do mundo. As cheias do rio tornavam as terras de suas margens muito férteis e ideais para a agricultura.

Originalmente, surgiram nas regiões próximas ao rio Nilo várias comunidades independentes chamadas de nomos, cada uma delas com organização e liderança próprias. Por volta de 3500 a.C., esses nomos acabaram se unindo, o que levou à formação de dois reinos: o baixo Egito e o alto Egito. Por volta de 3200 a.C., esses dois reinos acabaram unificados, quando o rei do alto Egito se tornou o primeiro imperador de todo o território, passando a ter o título de faraó.

A era dos faraós representou o auge da civilização egípcia. Para aproveitar as cheias do rio Nilo e ampliar a produção agrícola, os antigos egípcios desenvolveram complexas obras de engenharia, que exigiam muita organização e grande mão de obra. Com o tempo, foram surgindo divisões sociais fortemente hierarquizadas, o que fez com que cada setor se especializasse em uma entre tantas atividades.

Na condução da atividade, oriente os estudantes a responder com base em tudo o que foi discutido: não basta afirmar que o Nilo era importante, é essencial justificar em que aspectos ele foi decisivo – na agricultura, no abastecimento, na construção de cidades e no transporte. Valorize respostas que consigam relacionar o papel do rio tanto à sobrevivência quanto ao desenvolvimento de uma sociedade complexa.

Ao trabalhar esse conteúdo, é importante adotar uma perspectiva decolonial, apresentando o antigo Egito não apenas como herança da tradição ocidental, mas como uma civilização africana que produziu conhecimentos próprios e originais. Ressalte que o domínio sobre o rio Nilo e a criação de técnicas de irrigação e organização social não foram simples passos “rumo à modernidade”, mas expressões de saberes profundamente enraizados na relação entre natureza, cultura e religiosidade. Essa abordagem ajuda a deslocar visões eurocêntricas que costumam associar a grandiosidade do Egito à influência grega ou romana, reconhecendo o protagonismo africano na formação de uma das mais importantes civilizações da Antiguidade.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Explique a importância do rio Nilo para a antiga civilização egípcia.

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FIQUE LIGADO

BELER, Aude Gros de. O Egito antigo: passo a passo. Ilustrações: Aurélien Débat. Tradução: Julia da Rosa Simões. São Paulo: Claro Enigma, 2016.

O livro apresenta informações sobre o cotidiano das pessoas que viveram no Egito antigo.

Fonte: KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a nuestros días. Madri: Istmo, 1982. p. 22.

Paisagem urbana do Cairo, capital do Egito, dividida pelo rio Nilo, em 2025.

ATIVIDADES

TEXTO COMPLEMENTAR

O estudo de caso elaborado por Raquel dos Santos Funari, em 2006, para demonstrar como o Egito antigo foi retirado de seu contexto africano, revelou de maneira alarmante que muitas crianças em fase escolar, mesmo depois de terem estudado a sociedade egípcia na grade curricular, achavam “estranho” o Egito estar em África e que ele “deveria estar em outro lugar” (outro continente), sendo essas opiniões encontradas em 36% do total de crianças do estudo. Os docentes que trabalham com Ensino Fundamental sabem que, antes de começar a trabalhar a Unidade das “antigas civilizações”, muitos estudantes relacionam o Egito como pertencente à Europa. A partir deste exemplo, e das representações abundantes no cinema, nos jogos, na mídia e que povoam o imaginário social, podemos concluir que o eurocentrismo ainda não foi derrotado e que ecoa na contemporaneidade.

SAGREDO, Raisa. (Re)pensando o Egito antigo em sala de aula: estratégias e metodologias decoloniais. Revista História Hoje, São Paulo, v. 12, n. 24, p. 253-273, 2023. p. 254. Disponível em: https://rhhj.anpuh. org/RHHJ/article/view/995/493. Acesso em: 28 ago. 2025.

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Uma estratégia para o trabalho com a dupla de páginas é retomar os conhecimentos já trabalhados sobre as sociedades do Crescente Fértil e pedir aos estudantes que pensem como a formação dessas civilizações exigiu o desenvolvimento de uma sociedade mais complexa. A atividade proposta permite refletir sobre a relação dos seres humanos com a natureza no passado e no presente. Incentive os estudantes a comparar a realidade do antigo Egito com o contexto atual e perceber continuidades e rupturas, discutindo como ainda hoje os recursos hídricos seguem centrais para o desenvolvimento das nações, sendo alvo de acordos, negociações e disputas.

ENCAMINHAMENTO

Para trabalhar esta dupla de páginas, é interessante partir da análise atenta do mapa Grécia antiga: regiões e cidades-Estado (c. 450 a.C.), que mostra os territórios ocupados pelas cidades gregas. Motive os estudantes a perceber semelhanças e diferenças em relação aos mapas analisados anteriormente. Discuta como os cidadãos gregos ocuparam territórios em torno dos mares e como as cidades gregas foram formadas pela migração de diferentes povos. A seguir, é interessante propor que os estudantes se reúnam em duplas ou pequenos grupos para analisar e discutir o quadro que compara as cidades-Estados de Atenas e Esparta. Com base nos elementos levantados pelos grupos, discuta o conceito de cidade-Estado, mostrando que a Grécia compunha uma civilização por reunir cidades que, embora compartilhassem elementos como língua, história e cultura, tinham autonomia e as próprias estruturas sociais e políticas.

Ao apresentar o conteúdo, portanto, valorize a ideia de que a civilização grega não foi um Estado unificado, mas um conjunto de cidades-Estados independentes. Esse ponto é importante para que os estudantes compreendam que, embora houvesse língua, religião e costumes comuns, cada pólis possuía autonomia política, militar e cultural. Ressalte que esse modelo descentralizado foi marcante e que Atenas e Esparta se destacaram justamente por apresentarem formas muito distintas de organização social entre si.

A CIVILIZAÇÃO GREGA

A origem da civilização grega está ligada à migração de diferentes povos que ocorreu aproximadamente de 500 a.C. a 400 a.C. Os gregos dominaram vastos territórios, mas nunca tiveram um poder centralizado. Embora compartilhassem a mesma cultura, a mesma língua e costumes comuns, as cidades gregas eram chamadas cidades-Estados, pois tinham sistemas políticos e governos próprios.

Grécia antiga: regiões e cidades-Estado (c. 450 a.C.)

Fonte: PARKER,

Geoffrey. Atlas

Verbo da história

universal. Lisboa: Verbo, 1996. p. 100.

Duas dessas cidades acabaram ganhando destaque: Atenas e Esparta. Ambas tinham modelos políticos e sociais muito diferentes e lideraram outras cidades em grandes conflitos e guerras. Observe, no quadro a seguir, uma comparação entre as duas cidades.

As cidades-Estados gregas Atenas Esparta

Localização Península da Ática Península do Peloponeso Povos formadores Jônios Dórios

Bases econômicas

Educação

Comércio explorador de mares e contato com outras cidades.

Formação de cidadãos para a participação na política e na vida pública.

Produção agrícola, principalmente.

Formação de guerreiros, comprometidos com a obediência e o serviço à cidade.

Quadro elaborado especialmente para esta obra em 2025.

Dê atenção especial ao papel do mar na vida ateniense. Mostre no mapa como a localização geográfica da cidade, próxima ao mar Egeu, favoreceu tanto a alimentação quanto o comércio e a defesa militar. Ao observar a fotografia do porto de Pireu, destaque que ele funcionava como um elo vital entre Atenas e o restante do Mediterrâneo, permitindo o contato com outros povos e culturas. Esse ponto pode ser aproximado da realidade brasileira, motivando os estudantes a perceber como os portos ainda hoje são fundamentais para o comércio exterior.

Na condução da atividade 1, incentive respostas que vão além da simples enumeração de funções do mar, levando os estudantes a compreender a interdependência entre geografia e sociedade. Na atividade 2, vale destacar que, atualmente, cerca de 95% das importações e exportações brasileiras acontecem por meio do transporte marítimo, segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos (BRASIL. Ministério de Portos e Aeroportos. Portos brasileiros movimentam

Aproveite o quadro comparativo para estimular a reflexão: peça aos estudantes que identifiquem o que havia de semelhante e de diferente entre as duas cidades, discutindo como esses modos de vida influenciavam a educação, a economia e as escolhas políticas. Enfatize que tais diferenças geraram tensões, mas também contribuíram para o dinamismo cultural e militar da Grécia antiga.

Fundada próxima do mar Egeu, a cidade de Atenas sempre teve forte ligação com o mar. Para os atenienses, o mar era importante fonte de alimento, de onde extraíam peixes, mariscos, polvos e lulas, entre outras espécies animais. Às margens do Egeu, os atenienses construíram o porto de Pireu, que tinha grande movimento comercial. Por ali, chegavam embarcações vindas de outros povos com produtos variados, como alimentos, madeiras e metais, e saíam navios carregados de mercadorias, como azeite, vinho, cerâmica e tecidos. Esse grande comércio marítimo foi um dos fatores que contribuíram para o enriquecimento de Atenas.

O mar também teve importância do ponto de vista militar. Atenas contava com uma poderosa frota naval, que garantia a segurança da cidade.

1 Explique a importância do mar para os atenienses.

Para os atenienses, o mar era fonte de alimentos. Por meio do porto de Pireu, tinham intenso comércio marítimo, e os navios de guerra garantiam a segurança da cidade.

2 Em grupo de três estudantes, façam uma pesquisa sobre o transporte marítimo do Brasil hoje. Procurem levantar respostas para as seguintes questões.

• Qual é a importância do comércio exterior marítimo para o Brasil?

• Quais são os principais portos nacionais para esse tipo de comércio?

• Quais são os principais produtos exportados?

• Quais são os principais produtos importados?

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95% das importações e exportações de produtos. Brasília, DF: MPor, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/portos-e-aeroportos/pt-br/assuntos/noticias/2025/02/portos-brasileiros-movi mentam-95-das-importacoes-e-exportacoes-de-produtos. Acesso em: 13 set. 2025.). O porto de Santos (SP), maior porto da América Latina, movimenta principalmente contêineres e produtos agrícolas. Também são portos importantes: Paranaguá (PR), Itajaí e Navegantes (SC), Rio Grande (RS) e Itaqui (MA). Dentre os principais produtos exportados, os estudantes podem citar: soja e derivados, milho, minério de ferro, petróleo bruto e carne. Dentre os principais produtos importados, os estudantes podem citar: combustíveis e derivados de petróleo, insumos agrícolas, máquinas e equipamentos industriais, automóveis e peças e produtos eletrônicos.

ATIVIDADES

Proponha a elaboração de um mapa ilustrado das cidades-Estados gregas. Entregue um mapa em branco da Grécia antiga e peça que os estudantes localizem Atenas, Esparta e outras cidades importantes. Cada grupo pode usar símbolos ou desenhos para representar as características principais de cada pólis: navios para Atenas (comércio marítimo e frota naval), espadas ou escudos para Esparta (militarismo), teatro para cidades ligadas à cultura e à filosofia, entre outros. Ao final, organizem uma exposição dos mapas na sala. A atividade ajuda a consolidar a compreensão das diferenças e semelhanças entre as cidades, ao mesmo tempo em que desenvolve a leitura e interpretação de mapas históricos.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• ROCHA, Ruth. Ruth Rocha conta a Odisseia. São Paulo: Salamandra, 2018. Nessa versão adaptada por Ruth Rocha, a clássica epopeia de Homero é recontada em linguagem acessível e envolvente, preservando a riqueza da narrativa original, mas em um formato adequado ao público infantil. A leitura pode ser indicada para os estudantes como forma de entrar em contato com a mitologia grega, motivando o interesse por aventuras, heróis e deuses, ao mesmo tempo em que amplia o repertório cultural.

Porto de Pireu, em Atenas, na Grécia, em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para trabalhar esta dupla de páginas, é interessante partir da desconstrução do senso comum e de ideias e estereótipos que ainda fazem parte das visões construídas sobre as populações indígenas no Brasil. Uma estratégia é pedir que cada estudante diga a primeira palavra que lhe vem à mente quando pensa em povos indígenas. Registre todos os termos citados na lousa e discuta com os estudantes se as palavras levantadas são ou não estereótipos ou visões preconceituosas em relação aos povos indígenas. Com base nesse quadro inicial, introduza a discussão sobre a diversidade dos povos indígenas brasileiros e de suas histórias.

Ao trabalhar o conteúdo, reconheça que os povos indígenas fazem parte da história e do presente do Brasil e que suas formas de organização social são diversas e igualmente legítimas. É importante reforçar que não existe um único modelo de vida indígena: cada povo constrói suas práticas políticas, sociais, espirituais e culturais de acordo com a própria trajetória, o próprio território e os próprios valores. Esse olhar amplia a compreensão dos estudantes e evita estereótipos, afirmando que os povos indígenas são sujeitos históricos e contemporâneos.

Utilize o mapa Brasil: Terras Indígenas (2020) para mostrar que as populações indígenas estão presentes em todo o território nacional, em áreas urbanas e rurais, dentro e fora das Terras Indígenas, e não apenas em regiões isoladas. Esse exercício ajuda a desconstruir visões homogêneas e mostra que a presença indígena é múltipla e dinâmica, uma vez que atravessa diferentes espaços e realidades.

Ao discutir a organização das aldeias, valorize o caráter coletivo das decisões e a multiplicidade de papéis sociais. Explique que a liderança não se baseava em hierarquia rígida, mas em funções que

ORGANIZAÇÃO SOCIAL DOS INDÍGENAS BRASILEIROS

Nos territórios que hoje fazem parte do Brasil, existiram, no passado, diversas sociedades com diferentes culturas e formas de organização social. Devido a essa diversidade, não é possível estabelecer a existência de um único modelo. Mas muitos povos indígenas se organizavam em aldeias que, embora estivessem separadas, formavam grupos que compartilhavam língua, costumes, história e tradição.

Cada uma das aldeias tinha a própria organização. Havia a liderança de um chefe que tinha atribuições na rotina da comunidade e que, em casos de guerra e conflitos, assumia o comando. Outras figuras importantes eram os líderes religiosos, que dominavam as relações com o mundo espiritual, conheciam e transmitiam a história da comunidade e cuidavam dos doentes com os conhecimentos tradicionais sobre plantas que servem como medicamentos para tratar diversos problemas de saúde.

Os povos indígenas tinham uma relação muito profunda com a natureza, característica que ainda permanece atualmente, reconhecendo nos fenômenos naturais manifestações das divindades em que eles acreditavam. Eles buscavam o sustento na natureza, com atividades de caça e coleta. Embora existissem grupos nômades, algumas sociedades desenvolveram técnicas de agricultura que permitiram a fixação e a organização dos povos em aldeias pequenas.

De acordo com o Censo 2022, quase 1,7 milhão de indígenas vivem atualmente no Brasil. Mais de 50% desses indígenas vivem na região conhecida como “Amazônia Legal”, formada pelos estados da região Norte, por Mato Grosso e uma parte do Maranhão. Embora nesses locais haja uma grande concentração de Terras Indígenas, encontramos outras delas na maioria dos estados brasileiros, como podemos observar no mapa a seguir, mostrando que os povos indígenas ainda existem e resistem.

Os sites indicados nesta obra podem apresentar imagens e eventuais textos publicitários junto ao conteúdo de referência,

FIQUE LIGADO

• INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Nosso povo: introdução. Rio de Janeiro: IBGE Educa Crianças, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov. br/criancas/brasil/nosso-povo/19632-nosso-povo.html. Acesso em: 15 ago. 2025. Na seção “Nosso povo” dessa página educativa do IBGE, é possível saber mais informações sobre as características do povo brasileiro levantadas no último censo.

os quais não condizem com o objetivo didático da coleção. Não há controle sobre esses conteúdos, pois eles estão estritamente relacionados ao histórico de pesquisa de cada usuário e à dinâmica dos meios digitais.

articulavam o cuidado com a comunidade, a mediação de conflitos e a proteção em momentos de guerra. Ressalte também a centralidade dos conhecimentos espirituais e de saúde, transmitidos por lideranças religiosas e pelos mais velhos, evidenciando a importância da oralidade, da memória e da relação com a natureza como formas de conhecimento.

Na condução da atividade 1, que é de pesquisa, incentive a turma a reconhecer a pluralidade de povos indígenas existentes no Brasil, evitando simplificações. Garanta que os estudantes compreendam que se trata de culturas vivas e atuantes, que preservam as próprias tradições ao mesmo tempo em que dialogam com a sociedade mais ampla. Encoraje sempre que possível o uso de fontes produzidas pelos próprios povos indígenas, como sites institucionais, produções audiovisuais e textos de autoria indígena, fortalecendo uma perspectiva que valoriza a voz dos próprios sujeitos.

Finalize promovendo uma socialização que vá além da comparação de costumes. Proponha que os estudantes reflitam sobre as formas pelas quais a diversidade indígena contribui para a

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Equador

Brasil: Terras Indígenas (2020)

OCEANO PACÍFICO

Fase do processo administrativo demarcatório

Declarada Delimitada

Em Estudo

Homologada Regularizada

Área não representável nesta escala Fronteira Divisa estadual

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

Sudeste

Sul

Elaborado com base em: BRASIL. Ministério dos Povos Indígenas. Fundação Nacional dos Povos Indígenas. Brasil: terras indígenas: situação fundiária. Brasília, DF: Funai, 2024.

1 Vamos conhecer um pouco mais sobre os povos indígenas brasileiros e sua organização? Dividam-se em grupos. Cada grupo deve ficar responsável pela pesquisa sobre a história de um povo indígena que vive atualmente no Brasil, levantando informações ao responder às seguintes questões.

a) Qual é a localização das terras desse povo?

b) Como esse povo se organiza socialmente?

c) Qual elemento é marcante na cultura dele?

• Após a pesquisa, cada grupo vai desenvolver um material visual (pode ser físico, como um cartaz ou um painel) que mostre os principais elementos pesquisados e que deve ser apresentado para toda a turma.

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PARA O PROFESSOR

• KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. Nessa obra, o autor compartilha reflexões sobre a relação entre humanidade e natureza com base em uma visão indígena, questionando a lógica de exploração que ameaça o planeta. A leitura amplia o repertório de educadores ao valorizar uma perspectiva indígena contemporânea e crítica.

PARA OS ESTUDANTES

• NAÇÕES UNIDAS. Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Rio de Janeiro: Unic, mar. 2008. Disponível em: https://www.acnur.org/ fileadmin/Documentos/ portugues/BDL/Decla racao_das_Nacoes_Uni das_sobre_os_Direitos _dos_Povos_Indigenas. pdf. Acesso em: 28 ago. 2025.

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construção da sociedade brasileira como um todo. A atividade deve ser uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da pluralidade cultural e de reforçar valores de respeito, equidade e justiça, afirmando a centralidade dos povos originários do país.

ATIVIDADES

Proponha a criação do jornal mural Vozes Indígenas. Divida a turma em grupos, cada um dos quais deve ficar responsável por uma seção: organização social, cultura, línguas, saberes tradicionais, presença nas cidades ou lideranças contemporâneas. Cada grupo deve pesquisar informações confiáveis em fontes atuais (sites de organizações indígenas, Fundação Nacional dos Povos Indígenas [Funai], Instituto Socioambiental [ISA], Ministério dos Povos Indígenas, livros de autores indígenas) e elaborar pequenos textos ilustrados com imagens, símbolos ou desenhos. Ao final, monte o mural em um espaço da escola para que outras turmas também possam conhecer a diversidade e a atualidade dos povos indígenas.

Esse documento reafirma os direitos coletivos e individuais dos povos indígenas, destacando o direito deles à autodeterminação e ao respeito a instituições, territórios, culturas e saberes próprios. No contexto escolar, traz um fundamento legal internacional que legitima a valorização da diversidade indígena no Brasil, reforçando a perspectiva decolonial ao afirmar que esses povos não são periféricos, mas sujeitos centrais na sociedade atual.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao longo deste capítulo, foi discutido como diferentes sociedades se relacionaram com a natureza e o espaço geográfico que ocuparam. A proposta desta seção é trazer o debate para a realidade cotidiana dos estudantes, fazendo com que reflitam sobre maneiras pelas quais eles podem modificar algumas rotinas a fim de adotar um modo de vida mais sustentável e menos predatório. A seção Ideia puxa ideia permite trabalhar o TCT Educação ambiental.

Para criar um repertório que auxilie os estudantes na pesquisa, seria interessante propor uma reflexão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) (fonte: NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Objetivos de desenvolvimento sustentável. Brasília, DF: ONU, 2015. Disponível em: https://brasil. un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 29 abr. 2024.). Alguns projetos podem ser apresentados aos estudantes, como o #EuCuido DoMeuQuadrado, que propõe ações práticas para sensibilizar, mobilizar e engajar a sociedade para um futuro sustentável, disponível em: https://limpabrasil. org/eucuidodomeuquadrado (acesso em: 28 ago. 2025).

Ao introduzir este conteúdo, incentive os estudantes a refletir sobre a relação entre sociedade e natureza, que sempre esteve presente na história, mas se transformou ao longo do tempo. Mostre que, enquanto muitas sociedades antigas desenvolveram estratégias de convivência e aproveitamento equilibrado dos recursos, o modelo de exploração que se consolidou em períodos mais recentes intensificou a degradação ambiental. Essa reflexão ajuda a compreender que os problemas ambientais atuais não são inevitáveis, mas resultado de escolhas sociais, econômicas e políticas.

IDEIA PUXA IDEIA

A sociedade e a natureza

A relação com a natureza e o desenvolvimento de diferentes estratégias de sua exploração foram, desde o passado, fundamentais para a sobrevivência e o crescimento das sociedades que estudamos neste capítulo. De lá para cá, o ser humano explorou muito os recursos naturais. Hoje em dia, o desafio de nossa sociedade é pensar em meios mais sustentáveis de existência. Os povos tradicionais, como os indígenas, os quilombolas e os ribeirinhos, têm uma conexão direta e particular com a natureza e, por isso, preservam uma série de saberes e práticas mais sustentáveis e menos predatórias. Leia o trecho de texto a seguir.

[…] os Povos Indígenas e Tradicionais são responsáveis, juntos, pela proteção de um terço das florestas no Brasil. Nos últimos 35 anos, somente as Terras Indígenas protegeram 20% do total de florestas nacionais.

O estudo do ISA [Instituto Socioambiental] revelou ainda que as Terras Indígenas e as Reservas Extrativistas apresentaram melhor performance na proteção das florestas quando comparadas com Unidades de Conservação de proteção integral ou Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Os territórios de ocupação tradicional também funcionam como barreiras contra o desmatamento.

ARAGÃO, Tainá. Estudo comprova que povos indígenas e tradicionais são essenciais para a preservação das florestas. São Paulo: ISA, 9 ago. 2022. Disponível em: https://www.socioambiental. org/noticias-socioambientais/estudo-comprova-que-povos-indigenas-e-tradicionais-sao-essenciaispara. Acesso em: 20 ago. 2025.

Vista aérea do lago Uauaçu em reserva de desenvolvimento sustentável, em Anori (AM), em 2024.

Valorize o papel dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros grupos tradicionais como guardiões de práticas sustentáveis, destacando que esses povos não vivem no passado, mas ocupam um lugar fundamental no presente e no futuro da preservação ambiental. O trecho do texto de Tainá Aragão, do ISA, pode ser usado como base para mostrar que os territórios deles são, comprovadamente, os espaços mais eficazes de proteção das florestas brasileiras. Reforce que isso não acontece por acaso, uma vez que esses povos possuem saberes construídos ao longo de séculos de convivência com a natureza.

Na condução da atividade de pesquisa, oriente a turma a selecionar fontes confiáveis, como relatórios de institutos socioambientais, sites oficiais e reportagens de credibilidade. Peça que os grupos pensem em práticas que sejam realmente viáveis para o contexto local, aproximando o debate da realidade dos estudantes. Ao elaborar os cartazes de campanha, incentive a clareza na linguagem e a criatividade nos recursos visuais, lembrando que a proposta é mobilizar outras pessoas da comunidade escolar.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Pensando nisso, vamos discutir como podemos incorporar, no dia a dia, atitudes que colaborem para uma relação mais saudável com o ambiente?

Para isso, organizem-se em pequenos grupos. Cada grupo deve cumprir os seguintes passos.

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1 Os grupos devem pesquisar na internet artigos ou reportagens, de fontes confiáveis, que tratem de alternativas para nos relacionarmos com a natureza de maneira mais sustentável. As pesquisas podem tratar, por exemplo, de alternativas menos poluentes, de estratégias para diminuir o consumo, de práticas para reduzir a produção de resíduos, entre outros.

2 Com base nas pesquisas, cada grupo deve selecionar um exemplo de ação que possa ser incorporada no dia a dia dos familiares e da própria comunidade e que colabore para uma vida mais saudável e sustentável.

3 Cada grupo deve desenvolver cartazes de campanha para incentivar a comunidade a adotar a prática escolhida, apresentando elementos que mostrem a importância e a viabilidade da proposta. Façam uma roda de conversa para trocar as informações levantadas e explicar os ganhos que essa ação oferece em termos de sustentabilidade.

4 Todos os grupos devem expor os materiais produzidos, de maneira física ou virtual, a fim de compartilhar as propostas com toda a comunidade escolar, buscando colaborar para a mudança de práticas cotidianas.

sumo de energia, uso da água, descarte de lixo, transporte até a escola, hábitos de alimentação, entre outros. Cada grupo deve anotar o que já existe de positivo e o que pode ser melhorado. Em seguida, organizem um grande mapa coletivo na lousa ou em papel pardo, indicando os pontos de atenção e as soluções possíveis. Essa atividade ajuda a perceber que a sustentabilidade não é um tema distante, mas algo que pode ser transformado na própria comunidade escolar.

PARA O PROFESSOR

• KRENAK, Ailton. A vida não é útil . São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

Nesse livro, Ailton Krenak apresenta reflexões sobre a necessidade de repensar o modelo de sociedade que explora a natureza de forma predatória. Ele mostra como os saberes indígenas propõem outras formas de existência, baseadas na interdependência entre humanos e ambiente. A leitura amplia a compreensão do tema ao trazer uma visão crítica e atual sobre sustentabilidade.

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Na roda de conversa, valorize a escuta e o diálogo: permita que os estudantes expliquem por que escolheram determinada prática e como ela poderia ser aplicada no cotidiano. Esse momento é fundamental para que percebam que pequenas mudanças de hábitos, quando coletivas, podem ter impactos positivos.

Os materiais produzidos pelos estudantes devem ser compartilhados com toda a comunidade escolar, de modo a criar uma mobilização que realmente permita promover mudanças no cotidiano das famílias. Seria interessante, caso seja possível, que algum tempo depois da divulgação dos materiais seja organizada uma roda de conversa para que os estudantes possam compartilhar se alguma das medidas propostas na atividade foi adotada por sua família.

ATIVIDADES

Proponha a criação do “Mapa da sustentabilidade da escola”. Organize a turma em pequenos grupos e peça que façam um diagnóstico dos espaços e das práticas cotidianas da escola: con-

CONEXÃO
Viveiro de mudas nativas para reflorestamento na Aldeia Reserva da Jaqueira, onde vive povo de etnia pataxó, em Porto Seguro (BA), em 2024.

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem.

Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida.

É importante que os estudantes percebam como diferentes sociedades criaram formas próprias de marcar o tempo, sempre ligadas às necessidades e aos modos de vida deles. Faça uma comparação entre os calendários egípcio e tuyuka, e incentive a turma a refletir sobre a diversidade cultural, compreendendo que não existe um modelo universal, mas diferentes formas de organizar o tempo com base na observação da natureza e das demandas sociais.

O QUE ESTUDEI

1 O trecho a seguir aborda aspectos do calendário egípcio. Leia o texto com atenção e depois responda ao que se pede.

As inundações periódicas do Nilo obrigaram os egípcios a considerar o ano como sendo dividido em três estações de quatro meses cada uma: a das inundações, a das semeaduras e a das colheitas.

Esta divisão lhes impunha a contagem rigorosa do tempo. Renunciando ao seu antigo calendário lunar, apoderaram-se do calendário dos caldeus e adotaram um ano de 12 meses com 30 dias cada.

[…]

Mais tarde, a este ano de 360 dias seguiam-se cinco dias complementares. […]

[…]

Posteriormente, o ano passou a começar sempre com o nascer […] de Sirius, e o calendário egípcio deixou de ser vago.

CHERMAN, Alexandre; VIEIRA, Fernando. O tempo que o tempo tem: por que o ano tem 12 meses e outras curiosidades sobre o calendário. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. p. 75-76.

a) Por que os antigos egípcios precisavam de um calendário?

Para organizar as épocas de plantar e colher, acompanhando as cheias do rio Nilo.

b) Quais eram as três estações do calendário egípcio?

A estação das inundações, a das semeaduras e a das colheitas.

c) Como o rio Nilo ajudava os egípcios a saber a hora de plantar?

O Nilo inundava as margens, deixando a terra fértil para a agricultura.

d) Em qual calendário os egípcios se inspiraram para organizar o deles?

No calendário dos caldeus.

e) Quantos meses e dias tinha o ano no calendário egípcio antigo?

Tinha 12 meses de 30 dias cada (360 dias). Posteriormente foram acrescidos cinco dias.

2 Leia um trecho do texto sobre o calendário dos Tuyuka, um povo indígena que vive no Amazonas.

Ao final, a atividade de autoavaliação deve ser conduzida de forma que leve à autorreflexão e à consciência sobre a própria participação no processo de aprendizagem.

Na atividade 1, os estudantes devem perceber que o calendário egípcio nasceu da necessidade de organizar a agricultura em função da natureza; neste caso, das cheias do rio Nilo. Valorize respostas que relacionem a divisão das estações às práticas agrícolas e às transformações do calendário ao longo do tempo. Reforce que, assim como os Tuyuka, os egípcios buscavam respostas para viver em equilíbrio com os ciclos naturais, cada qual a partir de suas condições e de seu contexto.

O objetivo da atividade 2 é levar os estudantes a reconhecer que o calendário desse povo indígena é construído com base na observação do céu e dos fenômenos da natureza, em profunda

Valorize o caráter comparativo: os estudantes devem identificar semelhanças (como a relação com os ciclos da natureza) e diferenças (o uso das estrelas, das cheias do Nilo ou da contagem lunar e solar). Oriente que a ênfase não esteja apenas em decorar informações, mas em perceber como cada sociedade relacionou tempo, sobrevivência e cultura.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O calendário tuyuka é baseado na observação […] das diversas constelações […]. A este ciclo anual está associado o regime de chuvas e estiagens e a variação do nível das águas dos rios. […] Os Tuyuka assinalam a existência de treze enchentes e oito estiagens. […] […]

[…] os eventos e as atividades de subsistência […] são os períodos de floração e frutificação das palmeiras e outras árvores frutíferas; os períodos de revoadas de diferentes espécies de formigas e cupins; o período das piracemas de aracu, jandiá e piabas e de desova de traíra, do aparecimento das rãs grandes e das pequenas […].

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Povos indígenas no Brasil: Tuyuka: calendário anual. São Paulo: ISA, c2025. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Tuyuka#Calend. C3.A1rio_anual. Acesso em: 23 ago. 2025.

Veja respostas e comentários no Encaminhamento.

a) Em que os Tuyuka se baseiam para elaborar o próprio calendário?

b) Quais outros elementos da natureza servem para os Tuyuka marcarem a passagem do tempo?

c) Ao longo dos tempos, diversos povos e civilizações se preocuparam em criar calendários. Faça um texto que explique a importância de marcar o tempo.

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

• Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

Respostas pessoais. Sempre Às vezes Nunca

houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser importante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar o apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano.

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relação com a vida cotidiana. Valorize respostas que mencionem a ligação entre constelações, ciclos de cheias e estiagens, além da fauna e da flora. Enfatize que esse conhecimento é parte de um sistema sofisticado de saberes, transmitido ao longo de gerações, e que continua em prática até hoje.

No item 2. b), aponte a época de floração e frutificação das palmeiras e outras árvores frutíferas, os períodos de revoada das formigas e dos cupins; as piracemas de peixes como aracu, jandiá e piaba; a desova da traíra e o aparecimento das rãs grandes e pequenas. No item 2. c), os estudantes podem dizer que os calendários foram criados para organizar melhor a vida em sociedade, ajudar na organização do tempo, saber o período certo de plantar e colher, identificar quando mudam as estações, por exemplo.

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se

MODELO PARA COPIAR

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, os estudantes serão convidados a pensar sobre os temas da diversidade e da cidadania, refletindo sobre a questão da diversidade religiosa e sobre o desenvolvimento do conceito de cidadania ao longo da história. No capítulo 1, o foco é discutir a presença da religião no Brasil e no mundo, partindo de um percurso histórico para compreender a diversidade religiosa no presente e a necessidade de assumirmos uma postura de respeito diante das diferentes crenças e concepções de mundo. No capítulo 2, os estudantes são chamados a conhecer as origens da ideia de cidadania no mundo antigo para então refletir sobre a construção de uma ideia de cidadania no Brasil, percorrendo a trajetória dessa noção do século XIX aos dias atuais e percebendo como direitos hoje garantidos legalmente foram fruto de lutas e conquistas de diferentes setores da sociedade. Assim, ao longo da unidade os estudantes serão convidados a refletir sobre o quanto a cultura brasileira está assentada no cruzamento do legado de diferentes povos e culturas, como ocorre no caso da religião, o que fez com que tivéssemos uma realidade tão multicultural, aspecto de nossa formação que deve ser reconhecido e valorizado. Com base nessa consciência e valorização da diversidade, os estudantes devem pensar o quanto direitos hoje assegurados a todos os cidadãos brasileiros foram resultado de um longo processo histórico que envolveu conflitos, em que vários setores, por diversas vezes marginalizados, tiveram de lutar muito, e seguem lutando, para garantir o exercício de uma cidadania plena.

2

Representantes de grupos indígenas se reúnem para exigir a proteção dos direitos dos povos indígenas em Brasília (DF), em 2024.

DIVERSIDADE E CIDADANIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Refletir sobre a origem das religiões e sua importância na organização das sociedades.

• Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

• Discutir o lugar da religião na construção da identidade nacional brasileira, pensando na contribuição dos diferentes grupos para a construção de nossa cultura.

• Compreender o papel das religiões na realidade atual do país, reconhecendo a importância do respeito à diversidade de crenças.

• Discutir os sentidos da ideia de cidadania no mundo antigo, com destaque para o debate no mundo greco-romano.

• Compreender a cidadania no Brasil como uma conquista, resultado de um longo processo de lutas que se inicia no século XIX e chega ao século XXI.

• Reconhecer a importância da Constituição Federal, promulgada em 1988, e das chamadas “Leis cidadãs”, que asseguram direitos fundamentais à população brasileira.

No Brasil, depois de muitas lutas, os brasileiros conquistaram o direito de expressar ideias e opiniões, de escolher os representantes políticos, o direito à vida, à liberdade, à educação, à saúde, entre muitos outros.

A conquista desses direitos vem sempre acompanhada de deveres a cumprir. Temos o dever de respeitar as leis, proteger a natureza, respeitar os direitos das demais pessoas, cuidar dos bens públicos e coletivos e tratar a todos com educação, por exemplo. Esse conjunto de direitos e deveres é conhecido como cidadania.

E, como cidadãos, precisamos respeitar a diversidade. É muito importante, por exemplo, respeitar as crenças religiosas das outras pessoas. Cada indivíduo tem o direito de acreditar ou não em alguma religião, e os que acreditam têm o direito de exercer a própria fé livremente.

Nesta unidade, você vai conhecer algumas religiões do presente e do passado e entender como a cidadania é uma conquista importante para todos nós.

1 Em sua opinião, quais são os deveres de uma criança? Converse com os colegas e o professor.

2 Você cumpre esses deveres em seu cotidiano? Em sua opinião, como você poderia melhorar o modo como exerce seus direitos e cumpre seus deveres?

3 Você já presenciou os direitos de alguma pessoa sendo desrespeitados? Em quais situações?

Na atividade 1, os estudantes podem responder que atitudes como respeitar os colegas, os professores, os familiares e outras pessoas podem ser consideradas deveres, assim como cumprir as regras da escola, da casa e da família; cuidar do material escolar; cuidar dos espaços coletivos; zelar pelo ambiente jogando o lixo no lugar certo; e cuidar da natureza. Anote as respostas na lousa e proponha que se tornem os combinados da turma, a serem respeitados por todos.

A atividade 2 apresenta respostas pessoais. Essa atividade trabalha com questões socioemocionais, incentivando o estudante a fazer uma autoavaliação sobre sua postura no dia a dia.

A atividade 3 apresenta respostas pessoais. Trate a questão com sensibilidade, uma vez que os estudantes podem acabar revelando situações delicadas que exigem atenção redobrada do professor. De maneira geral, os estudantes podem mencionar a ausência de direitos essenciais, como: educação, saneamento básico, água potável, transporte público de qualidade, entre outros.

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PARA O PROFESSOR

• BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas pelas Emendas Constitucionais de Revisão nos 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nos 1/92 a 91/2016 e pelo Decreto Legislativo no 186/2008. Brasília, DF: Senado Federal, 2016. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016. pdf. Acesso em: 22 ago. 2025.

A Constituição Federal, promulgada originalmente em 1988, é o documento legal máximo da nação. Conhecê-la é fundamental para o desenvolvimento pleno da cidadania.

Veja orientações no Encaminhamento
CONEXÃO

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Refletir sobre a origem das religiões e sua importância na organização das sociedades.

• Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

• Discutir o lugar da religião na construção da identidade nacional brasileira, pensando na contribuição dos diferentes grupos para a construção de nossa cultura.

• Compreender o papel das religiões na realidade atual do país, reconhecendo a importância do respeito à diversidade de crenças.

BNCC HABILIDADES

(EF05HI03) Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

(EF05HI09) Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais.

TEMAS CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Diversidade cultural.

• Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar o trabalho com a abertura do capítulo, organize uma leitura coletiva do texto sobre a origem de todas as árvores. Antes da leitura do mito, explique que a versão do mito vem dos Macuxi. Explique que eles vivem na região Norte do Brasil, principalmente em Roraima, e que têm uma rica tradição oral. Diga que o mito que será lido explica, de maneira simbólica, como surgiram as árvores do mundo e que ele faz parte da visão de mundo desse povo.

CRENÇAS RELIGIOSAS NO BRASIL E NO MUNDO

A figura de Makunaíma aparece muito nos mitos dos povos indígenas que moram na fronteira entre Brasil e Venezuela, onde hoje se situa o estado de Roraima. Em algumas histórias, ele é maldoso, engana os irmãos e transforma as pessoas em rochas. Em outras histórias, porém, ajuda a dar origem a animais. O texto a seguir conta como Makunaíma criou todas as árvores.

Houve um tempo em que a Terra sofria com a falta de alimentos. Humanos e outros animais passavam fome. Havia, porém, uma única espécie que continuava robusta, como se tivesse sempre o que comer, a cotia! A aparência do animal chamou a atenção de Makunaíma, um jovem indígena.

Certo dia, Makunaíma seguiu a cotia e descobriu que seu alimento vinha da Wazaká, a árvore de todos os frutos. Assim que o segredo foi descoberto, os deuses da natureza anunciaram que somente os frutos caídos no chão poderiam alimentar quem tivesse fome.

Makunaíma achou injusto não poder retirar os frutos do pé e decidiu cortar a árvore. Ao tombar, seus frutos se espalharam e fizeram germinar todas as árvores que conhecemos hoje, mas nenhuma como Wazaká, a árvore da vida, de onde brotavam todos os tipos de frutos ao mesmo tempo.

A ÁRVORE da vida. Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro, n. 364, 1 abr. 2025. Seção Baú de Histórias. Disponível em: https://chc.org.br/ artigo/a-arvore-da-vida/. Acesso em: 24 jul. 2025.

Durante a leitura, esclareça possíveis dúvidas de vocabulário e de interpretação. Destaque com os estudantes os personagens principais e os ensinamentos contidos na narrativa. Explique que Makunaíma, para os povos indígenas, não é apenas um personagem lendário, mas uma figura ancestral presente em diferentes mitos da região amazônica.

Após a leitura, organize uma roda de conversa e incentive os estudantes a expressar suas interpretações sobre o texto. Retome os elementos centrais do mito, como a árvore Wazaká e a ideia de que os frutos só poderiam ser consumidos se caíssem naturalmente. Faça perguntas como: por que será que os deuses impuseram essa regra? O que podemos aprender com essa história?

Utilize o mito e a imagem como ponto de partida para introduzir o tema da diversidade religiosa, destacando o legado cultural dos povos indígenas no Brasil. Comente com os estudantes a importância da natureza na concepção de mundo dos povos indígenas do Brasil e relacione a criação do ser humano com a religiosidade. Destaque que, para muitos povos indígenas, os pensamentos, as emoções e as escolhas fazem parte de nossa relação com o sagrado.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que conhecer e valorizar os mitos de diferentes culturas ajuda a fomentar a diversidade cultural, a respeitar outras formas de ver a vida e a compreender o que diferentes comunidades consideram sagrado. Além disso, essas histórias transmitem saberes antigos e fortalecem o reconhecimento dos povos indígenas como parte de nossa história.

ATIVIDADES

Proponha aos estudantes que pesquisem mitos de origem de diferentes culturas. Oriente-os a buscar em livros ou na internet narrativas que expliquem como foi criado o mundo, os seres humanos ou os animais. É importante que os estudantes registrem no caderno o nome da narrativa, o povo que a produziu e em que continente vive esse povo e elaborem um resumo da narrativa.

PARA OS ESTUDANTES

Wazaká-árvore da vida, de Carmézia Emiliano, 2022. Óleo sobre tela, 70 cm x 60 cm. lendas e mitos que, porventura, conheçam. Veja orientações no Encaminhamento

1 Você conhece outras explicações sobre a origem do mundo ou de plantas, animais e até montanhas e cachoeiras? Em que elas se parecem com o mito de Makunaíma?

Respostas pessoais. Incentive os estudantes a contar

2 Por que é importante conhecer e valorizar os mitos de criação de diferentes culturas?

Porque os mitos mostram como cada povo entende a origem da vida e do mundo. Veja orientações no Encaminhamento

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Reforce que os mitos são formas simbólicas de explicar a origem do mundo e que, ao conhecê-los, valorizamos diferentes modos de ver a vida e aprendemos a respeitar a diversidade cultural. É importante mediar a conversa visando manter um ambiente de respeito, a fim de que os estudantes se sintam confiantes para expor suas ideias. A reflexão é uma boa oportunidade para começar a destacar a necessidade de respeitar as diferentes crenças, tema que atravessa o trabalho de toda a unidade.

Para completar a interpretação do texto, proponha a realização das atividades da dupla de páginas. Na atividade 1, provavelmente os estudantes responderão que a narrativa bíblica da criação do mundo atribui a origem do grande número de plantas e animais à criação divina. Nos mitos iorubás, a Terra é criada por Oxalá, com a ajuda de uma galinha e de um pombo que espalharam a terra pelo mundo. Em todos os casos, uma história que envolve seres sobrenaturais explica como o mundo está organizado.

• OBEID, César. Quando tudo começou: mitos da criação universal. Ilustrações: Andrea Ebert. São Paulo: Panda Books, 2015. O livro reúne um conjunto de mitos de criação de diferentes povos, mostrando como diferentes visões de mundo, crenças e tradições buscaram explicar as origens do mundo e da vida.

• VAL, Vera do. A criação do mundo e outras lendas da Amazônia. Ilustrações: Geraldo Valério. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008. O livro reúne lendas e mitos dos povos amazônicos que tratam das origens, da noite, das estrelas, da Lua, dos rios e do mundo, acompanhados de ilustrações que homenageiam a cultura dos povos originários.

CONEXÃO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a discussão propondo aos estudantes que reflitam sobre o que é uma religião e qual é a importância das religiões na sociedade. Incentive-os a pensar que as religiões propõem visões de mundo diferentes e buscam explicar fenômenos como a origem da existência e o que acontece depois da morte. Explique que, antes de existirem as religiões como as conhecemos hoje, os seres humanos já buscavam explicar os mistérios da vida e da natureza e criaram histórias e narrativas, transmitidas de geração em geração, que falavam de forças invisíveis, de seres poderosos, de deuses e espíritos. Muitas vezes, também desenvolveram rituais, cerimônias e festas em torno dessas imagens. Essas manifestações estariam na origem das religiões.

Em seguida, proponha aos estudantes que analisem com atenção o infográfico com informações de Stonehenge, monumento construído há aproximadamente 5 mil anos. Mencione a hipótese de que teria sido utilizado como templo para celebrações religiosas relacionadas ao ciclo das estações. Como a sociedade que construiu o monumento vivia essencialmente da agricultura, os ritmos da natureza tinham grande importância. Assim, o início do inverno marcava, por exemplo, o fim do trabalho agrícola nos campos; e o início do verão, a semeadura ou a colheita.

Peça aos estudantes que pensem em outros espaços de celebração religiosa que conheçam, como templos e igrejas, e os comparem com o monumento, observando as diferenças. Para completar a análise sobre Stonehenge, proponha a realização das atividades. Na atividade 1, espera-se que os estudantes apontem que Stonehenge foi construído para marcar o início do verão e do inverno, podendo ser entendido como uma espécie de calendário pautado pelos ciclos da natureza.

AS ORIGENS DA RELIGIÃO

Antes mesmo de existirem as religiões atuais, os seres humanos já buscavam explicar os mistérios da vida e da natureza. Para entender os acontecimentos cotidianos, as pessoas passaram a crer em forças invisíveis, de seres poderosos.

Os historiadores acreditam que, nas primeiras comunidades humanas, as pessoas se reuniam em pequenos grupos para compartilhar histórias e realizar rituais. Essas práticas ajudavam a fortalecer os laços sociais e a expressar o respeito pelas forças da natureza e pelas divindades.

Ritual: conjunto de gestos e práticas consideradas sagradas. Laço social: ligação que temos com outras pessoas, como familiares, amigos, vizinhos e colegas da escola.

As pessoas também buscavam compreender o que acontecia após a morte. Elas, então, criaram os primeiros rituais funerários: cerimônias que marcam a partida de alguém e que estabelecem uma relação com o mundo invisível.

Ilustração que representa o monumento de Stonehenge, atualmente um sítio arqueológico, em cerca de 2000 a.C. Acredita-se que o local abrigava celebrações religiosas e tenha sido construído mil anos antes, em cerca de 3000 a.C.

1. Como Stonehenge possivelmente foi construído para marcar o início do verão e do inverno, pode-se dizer que há uma relação clara entre a construção e a compreensão dos ciclos da natureza.

Com o tempo, as manifestações de cada povo podem ter dado origem às religiões. Cada uma delas passou a explicar temas como a origem da vida, os ciclos da natureza, a morte e o que acontece depois dela. Dessa forma, diversas religiões passaram a fazer parte da história da humanidade. Em diferentes regiões do planeta, cada povo desenvolveu as próprias crenças e celebrações, os próprios deuses e modos de viver o sagrado. A religião foi uma das primeiras formas de conhecimento desenvolvidas pelos seres humanos para compreender o mundo ao redor.

1 Que relação pode ser estabelecida entre a construção de Stonehenge e a compreensão dos ciclos da natureza?

2 Por que os arqueólogos acreditam que Stonehenge era um local onde ocorriam rituais religiosos?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento

3 Com base no que você estudou, é correto afirmar que a religião surgiu somente para proteger as pessoas dos desastres causados pelas forças da natureza? Justifique.

Não. Acredita-se que as religiões serviam para compreender o funcionamento do mundo, para apaziguar as forças da natureza, atribuídas a divindades, e para saber o que acontece com as pessoas após a morte.

Enterramentos humanos Nesses locais, foram encontradas cinzas e outros vestígios de enterramentos.

Solstício de inverno

A seta azul representa a luz projetada pelo Sol no solstício de inverno. Esse dia é o mais curto do ano e marca o início da estação mais fria. Os arqueólogos acreditam que se celebrava, nesse dia, a conexão com o mundo dos mortos.

Solstício de verão

A seta laranja representa a luz projetada pelo Sol no solstício de verão. Esse é o dia mais longo do ano e marca o início da estação quente. Nesse dia, os raios solares passam pelo eixo central de Stonehenge, partindo do caminho que dá acesso ao monumento.

Vista aérea de Stonehenge e da região rural de Wiltshire, na Inglaterra, em 2024.

Elaborado com base em: BAPTISTA, Fernando G. et al Stonehenge: how they built it. National Geographic, [Washington, D.C.], 19 jul. 2022. Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/magazine/ graphics/see-how-stones-strength-and-smarts -built-stonehenge-feature. Acesso em: 5 ago. 2025. STONEHENGE. In: ENCYCLOPAEDIA Britannica, Chicago, c2025. Disponível em: https://www.britannica. com/topic/Stonehenge. Acesso em: 5 ago. 2025.

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Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que há enterramentos no local. Além disso, arqueólogos acreditam que o monumento pode ter alguma relação com a crença no mundo dos vivos e dos mortos, uma vez que a organização das pedras mostra o dia mais longo do ano e o mais curto. Incentive os estudantes a justificar as respostas. Na atividade 3, a resposta esperada é não. Espera-se que os estudantes observem que o surgimento das religiões está ligado a uma série de fatores, muitos deles relacionados a uma busca por respostas para fenômenos ainda desconhecidos pela humanidade.

ATIVIDADES

Para aproximar a discussão da realidade dos estudantes, proponha que elaborem desenhos de espaços de celebração religiosa, como templos, igrejas e outros locais que eles frequentem ou que existam na comunidade onde vivem. Em seguida, solicite aos estudantes que compartilhem suas produções com a turma. Promova uma conversa sobre a diversidade de espaços de culto, ressaltando que todos são importantes e devem ser respeitados, independentemente das crenças e convicções de cada pessoa.

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ALZAY/SHUTTERSTOCK.COM

ENCAMINHAMENTO

Inicie o trabalho com a dupla de páginas conversando com os estudantes a respeito da existência de diferentes religiões no mundo desde a Antiguidade. Pergunte quais religiões eles conhecem e registre as opções levantadas na lousa.

Com base nos elementos levantados pelos estudantes, explique que as religiões estão baseadas em crenças diversas e que existem religiões monoteístas, aquelas que acreditam em um único deus, e religiões politeístas, que acreditam em vários deuses, como é o caso da religião egípcia.

A seguir, oriente os estudantes a realizar a atividade 1, em que se espera que respondam que os egípcios, politeístas, acreditavam em vários deuses, cada um dos quais representantes de aspectos da natureza e da vida, como o Sol, a morte, a fertilidade e a sabedoria.

Na sequência, destaque a importância da religião na vida do povo egípcio, apontando que, no Egito antigo, religião e política estavam diretamente relacionadas, e as crenças conferiam poder ao faraó tanto no âmbito político quanto no religioso. Suas decisões eram entendidas como a própria vontade dos deuses, e seu governo era um ato sagrado, essencial para manter a ordem e a harmonia no Egito.

Para preparar a reflexão sobre o Livro dos Mortos, explique aos estudantes que, no Egito antigo, a crença na vida após a morte era uma das ideias mais importantes. Enfatize como essa crença influenciava o modo como os egípcios viviam e se preparavam para a morte. Relacione a mumificação, a construção das pirâmides (usadas como mausoléus) e os objetos valiosos colocados junto ao morto com a expectativa de uma vida eterna.

Proponha aos estudantes que analisem com atenção o

A religião no antigo Egito

No antigo Egito, a religião envolvia todos os aspectos da vida das pessoas. Os antigos egípcios acreditavam que tudo o que acontecia era resultado direto da ação e dos desejos dos deuses: o amanhecer, o crescimento das colheitas e a própria morte. Os deuses agiam em todos os acontecimentos cotidianos, e era necessário agradá-los para que tudo transcorresse bem.

A religião egípcia era politeísta, ou seja, os antigos egípcios acreditavam em vários deuses e deusas, cada um com funções específicas ligadas à natureza e à vida. Esses deuses eram, em maioria, representados na forma de humanos ou de humanos com cabeça de animais, como águia, cachorro e gato.

Detalhe do Livro dos Mortos, aproximadamente 1300 a.C. Papiro, 40 cm x 87,5 cm. A imagem representa a cena do julgamento de Hunefer (o falecido), que aparece de túnica branca. Na imagem, foram representados, da esquerda para a direita, os deuses Anúbis (com cabeça de chacal), Toth (com cabeça de ave íbis), Hórus (com cabeça de falcão), Osíris (sentado no trono) e Ísis (com uma peça azul na cabeça), do lado esquerdo de Néftis.

O governante do antigo Egito, o faraó, ocupava posição central e sagrada na religião. Ele era considerado a encarnação de Hórus, deus do céu e da realeza, uma divindade viva. Assim como Hórus governava o mundo dos deuses, o faraó governava o mundo humano. Ele representava a vontade dos deuses na Terra.

Hatshepsut (cerca de 1507 a.C.-1458 a.C.) foi uma das poucas mulheres a se tornar faraó no antigo Egito. Ela assumiu o trono após a morte do marido Tutmés II e governou por 22 anos, época em que o antigo Egito viveu um período de grande prosperidade.

1 O que significa dizer que os antigos egípcios eram politeístas? Responda no caderno.

Significa que os antigos egípcios acreditavam em vários deuses, cada um dos quais representava aspectos da natureza e da vida, como o Sol, a morte, a fertilidade e a sabedoria.

detalhe da imagem do Livro dos Mortos reproduzido na página, que representa o momento do julgamento de uma pessoa após sua morte. Os egípcios acreditavam que, ao morrer, o coração do morto era colocado em um dos pratos de uma balança que tinha uma pluma no outro prato. Se o coração fosse mais pesado que a pluma, sua vida não tinha sido justa e o coração seria devorado por Ammit (ou Ammut), um ser devorador das almas, com cabeça de crocodilo. Na imagem, o morto, à esquerda, está sendo conduzido por Anúbis, deus com cabeça de chacal, em direção à Osíris, deus dos mortos, que aguarda o resultado do julgamento em seu trono. Ao lado da balança, vê-se Toth (com cabeça de íbis), deus da sabedoria, responsável por registrar o resultado do peso do coração. À direita da balança, vemos novamente o morto, desta vez ao lado de Hórus, com cabeça de falcão, que é deus do céu e filho de Osíris. Por estar sendo apresentado a Osíris, pode-se entender que o morto sobreviveu ao julgamento.

Antes de iniciar a resolução das atividades, leia os enunciados em conjunto com a turma, esclarecendo o que é esperado em cada uma delas.

O antigo Egito era orientado pela crença na vida após a morte. Segundo a religião egípcia, a morte significava a passagem para outro mundo, em que a vida continuaria ao lado dos deuses e dos ancestrais

Ancestral: pessoa da família que nasceu antes, em gerações passadas.

Sarcófago: baú de pedra no qual o caixão do morto era colocado.

Mas, para que parte do próprio ser continuasse a existir após a morte, os antigos egípcios acreditavam que era necessário preservar o corpo. Por esse motivo, os egípcios realizavam a mumificação do corpo e construíam grandes túmulos.

Após a mumificação, seus corpos eram colocados em sarcófagos . Ao lado, ficavam objetos valiosos, como joias, roupas e estátuas. Como o processo de mumificação era caro, a maioria da população não conseguia preservar o corpo de seus familiares.

Na atividade 2, a resposta correta é a alternativa b). Para a religião egípcia, os ciclos da natureza e a organização do mundo dependiam do culto aos deuses.

Na atividade 3, os estudantes devem apontar que os corpos eram preparados por sacerdotes especializados, que realizavam rituais religiosos durante o processo de mumificação. Explique que o coração era considerado o centro da consciência e precisava ser preservado, pois seria julgado no outro mundo.

Fachada de uma mastaba, túmulo egípcio antigo construído para pessoas ricas ou altos funcionários do Estado. Ao fundo, as ruínas da pirâmide de Unas. Sítio arqueológico de Sacara, no Egito, em 2024.

2 Leia o trecho de texto a seguir e copie a afirmativa correta no caderno.

Os egípcios acreditavam que o culto aos deuses era necessário para que o universo permanecesse em ordem: para que os astros existissem e as estações do ano e a cheia do Nilo ocorressem. Para eles, era o culto que garantia a continuidade da vida. [...] FUNARI, Raquel dos Santos. O Egito dos faraós e sacerdotes São Paulo: Atual, 2001. p. 25. (Coleção A vida no tempo dos deuses).

a) Para os antigos egípcios, a religião era somente mais um dos aspectos da vida cotidiana.

b) Para a religião egípcia, os ciclos da natureza e a organização do mundo dependiam do culto aos deuses.

c) Os antigos egípcios não levavam a religião muito a sério, e o culto aos deuses foi abandonado ao longo do tempo.

d) Os antigos egípcios acreditavam que a religião só era importante nos momentos mais decisivos da vida.

Resposta correta: b) Para a religião egípcia, os ciclos da natureza e a organização do mundo dependiam do culto aos deuses.

3 Qual era a relação entre a mumificação e a religião dos antigos egípcios? Responda no caderno.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento

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CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• BUDGE, E. A. Wallis. O Livro dos Mortos do antigo Egito. Tradução: Lina Machado. São Paulo: Excelsior, 2024.

Esse livro traz imagens e textos do papiro de Ani, produzido por um antigo escriba egípcio, na versão do egiptólogo Wallis Budge. O Livro dos Mortos é um dos mais importantes da História, reunindo orações e discursos produzidos pelos egípcios para enterrar seus mortos.

• SHAW, Garry J. Os mitos egípcios: um guia aos antigos deuses e lendas. Tradução: Thais Rocha da Silva. Petrópolis: Vozes, 2022.

O livro é um guia da mitologia egípcia, refletindo sobre como esse povo compreendia e explicava o mundo por meio de suas narrativas e como funcionava seu sistema de divindades.

ATIVIDADES

Para que os estudantes conheçam mais sobre a religião no antigo Egito, peça a eles que pesquisem e escolham um deus egípcio e produzam uma breve apresentação do deus e de seu lugar na mitologia. As apresentações devem ser compartilhadas com a turma, de maneira que todo o grupo possa conhecer diferentes deuses e suas histórias.

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MIHIRJOSHI/SHUTTERSTOCK.COM

ENCAMINHAMENTO

Comece a aula perguntando aos estudantes se conhecem alguma história de deuses ou heróis. Faça perguntas como: você já ouviu falar de Zeus, Atena ou Hércules em filmes, jogos, histórias em quadrinhos ou desenhos animados? Incentive a participação dos estudantes e valorize diferentes fontes do repertório levantado por eles. Incentive-os a compartilhar suas ideias livremente, para ativar conhecimentos prévios.

Em seguida, solicite aos estudantes que observem com atenção a imagem que aparece no material e mostra a deusa grega Atena. Explique que os gregos, assim como os egípcios, eram politeístas, acreditavam em vários deuses que se reuniriam no Monte Olimpo e seriam dotados de sentimentos humanos. Se possível, apresente imagens de outros deuses que compõem o panteão grego.

Explique que, na mitologia grega, além dos deuses existiam outras categorias de seres míticos: as musas (ligadas às artes e à inspiração), as ninfas (espíritos da natureza), os monstros (como o Minotauro e a Medusa) e os heróis ou semideuses, como Hércules. Esses personagens ajudavam a explicar os fenômenos da natureza, as emoções humanas e os acontecimentos do cotidiano. Comente que os deuses eram cultuados em festas, cerimônias e templos e que muitos mitos gregos eram transmitidos oralmente ou por meio de músicas e hinos.

Se possível, escolha um mito para explorar em sala de aula com a turma. A leitura pode ser feita em voz alta, acompanhada de imagens ou dramatizações simples.

Na sequência, oriente a realização das atividades propostas.

Na atividade 1, os estudantes devem comparar a religião egípcia, já estudada, com a religião na Grécia antiga, apontando semelhanças, como o fato de ambas serem religiões

A crença religiosa na Grécia antiga

Assim como os antigos egípcios, os gregos da Antiguidade eram politeístas. Para eles, os deuses eram imortais e influenciavam todos os aspectos da vida: o clima, as colheitas, as doenças, as vitórias nas guerras e até os sentimentos das pessoas.

Por isso, os sacrifícios e as festas religiosas eram aspectos importantes do culto aos deuses, pois os gregos acreditavam ser necessário homenagear as divindades para conseguir a proteção ou a ajuda delas. Esses rituais aconteciam em locais sagrados, como templos e altares construídos especialmente para determinada divindade.

Cada cidade da Grécia antiga tinha uma divindade protetora. A da cidade de Atenas era a deusa Atena, ligada à sabedoria. Esparta tinha como protetor Ares, deus da guerra.

Os gregos também consultavam os deuses por meio dos oráculos. O mais famoso era o Oráculo de Delfos, dedicado ao deus Apolo. Nesse local, uma sacerdotisa, conhecida como pítia ou pitonisa, transmitia as mensagens do deus para quem buscava conselhos.

Oráculo: previsão do futuro recebida por sinais, sonhos ou mensagens interpretadas por sacerdotes. Também era o local onde se realizava essa consulta.

1 Cite uma diferença e uma semelhança entre a religião egípcia e a religião grega. Veja resposta e orientações no Encaminhamento

Parthenon (no alto), templo dedicado à deusa Atena e localizado na Acrópole de Atenas, na Grécia, em 2024.

politeístas, em que se acreditava em um panteão de divindades, e diferenças, como o fato de que muitos deuses egípcios tinham aparência zoomórfica, enquanto os deuses gregos, em sua maioria, tinham a mesma aparência que os seres humanos.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que isso facilitava a identificação dos gregos com os deuses, tornando suas histórias mais próximas do cotidiano e ajudando a explicar os comportamentos e acontecimentos da vida.

Na atividade 3, espera-se que os estudantes respondam que, entre os 12 trabalhos que Hércules teve de executar, destacam-se: 1) matar um leão monstruoso que aterrorizava a região de Nemeia; 2) matar a Hidra de Lerna, uma serpente com várias cabeças que se regeneravam sempre que cortadas; 3) capturar a corça com chifres de ouro pertencente à deusa Ártemis; 4) capturar um javali feroz que assolava as redondezas do Monte Erimanto; 5) limpar os estábulos de Augias, rei da Élida, proprietário de um rebanho enorme, cujos estábulos estavam cobertos de esterco; entre outros.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Os gregos não tinham livros religiosos, e sim poemas com histórias que eram transmitidas oralmente ou por escrito. Nelas, os deuses eram representados com forma humana e tinham sentimentos como alegria, tristeza, raiva e amor. A maioria dos deuses, segundo a crença, morava no alto do Monte Olimpo, uma montanha muito alta no norte da Grécia que estava sempre cercada por nuvens. O principal deus da mitologia grega era Zeus, senhor dos céus e dos raios. Hera, sua esposa, era a deusa da fa mília e do casamento. Os irmãos de Zeus também tinham grande importância: Poseidon era o deus dos mares; e Hades, o senhor do mundo dos mortos. Outros deuses importantes eram Afrodite, deusa do amor, Apolo, deus da música e da poesia, e Ártemis, deusa da caça e da natureza.

Em uma das histórias mais famosas da mitologia grega, Zeus se apaixonou por uma mortal e com ela teve um filho, Hércules. Por ser um semideus, Hér cules tinha grande força e coragem. Mas, por ser filho de uma mortal, ele também morreria um dia.

Detalhe de vaso ateniense, século 6 a.C., que mostra Hércules em seu último tra balho. Ele enfrenta Cérbero, um cão feroz de várias cabe ças. No mito, o herói realiza 12 trabalhos que tornaram sua história famosa.

2 Em sua opinião, por que os gregos antigos representavam os deuses com forma humana e sentimentos parecidos com os das pessoas? Converse com os colegas e o professor.

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

ATIVIDADES

Sugira aos estudantes que façam uma breve produção textual criativa, como um parágrafo, imaginando o que eles fariam se fossem semideuses. A ideia é que os estudantes consigam se apropriar dos conhecimentos estudados e os reelaborem de maneira criativa, refletindo sobre características humanas e sobrenaturais dos semideuses.

3 Pesquise, com a ajuda de um adulto, os Doze Trabalhos de Hércules e descubra quais foram os desafios enfrentados pelo semideus. Depois, conte oralmente para a turma o trabalho que você achou mais interessante e por quê.

Estátua de bronze grega de meados do século 4 a.C. que representa a deusa

3. Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

PARA O PROFESSOR

• MATYSZAK, Philip. Os mitos gregos e romanos: um guia das narrativas clássicas. Tradução: Camila Aline Zanon. Petrópolis: Vozes, 2023. O livro apresenta um panorama das principais narrativas da mitologia clássica, explorando suas tramas e seus personagens centrais e evidenciando como essas histórias atravessaram o tempo e permanecem vivas até os dias atuais.

01/10/25 20:23

PARA OS ESTUDANTES

• HAWTHORNE, Nathaniel. Mitos gregos: histórias extraordinárias de heróis, deuses e monstros para jovens leitores. Tradução: Bruno Gambarotto. Ilustrações: Walter Crane. Rio de Janeiro: Zahar, 2016. O livro traz seis das mais famosas histórias da mitologia grega ilustradas e adaptadas para o público infantojuvenil.

CONEXÃO
CONEXÃO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a discussão perguntando aos estudantes se eles conhecem histórias antigas, que foram contadas por pessoas mais velhas de suas famílias. Motive os estudantes a compartilhar histórias de família com os colegas, mediando a conversa para garantir um ambiente de respeito e escuta atenta.

Por meio dessa experiência de compartilhamento, explique que, nas sociedades indígenas, os mitos e as histórias sagradas são transmitidos oralmente, de geração em geração, e que esses ensinamentos explicam a origem do mundo e ajudam a orientar os modos de viver das comunidades.

Ressalte que essas crenças variam conforme o povo e o território e que isso demonstra a diversidade cultural indígena. É importante que os estudantes compreendam que os povos indígenas têm diferentes formas de interpretar o mundo e que não existe uma única cultura indígena. Destaque que cada povo tem sua própria língua, rituais e crenças e que muitos compartilham uma forma de entender o mundo conhecida como cosmologia indígena — uma visão em que todos os seres e elementos da natureza estão ligados, inclusive os espíritos e os antepassados. É importante incentivar os estudantes a refletir sobre como as culturas indígenas, em sua complexidade e diversidade, são parte da cultura brasileira. Esse tema permite o trabalho com o TCT Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras

Na sequência, oriente a realização das atividades propostas.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que é uma forma de entender o mundo em que tudo está ligado: pessoas, natureza, espíritos e ciclos da vida. Para os povos

RELIGIÃO E IDENTIDADE NO BRASIL

A religiosidade é um traço marcante da cultura brasileira e está presente nas expressões artísticas, no linguajar e em festas populares, como o Círio de Nazaré, a Festa de Iemanjá ou as festas em homenagem a São João.

A diversidade religiosa é resultado da convivência dos diferentes povos e culturas que participam da formação do povo brasileiro. Muitas vezes, é possível observar inclusive a prática do sincretismo religioso, ou seja, a incorporação de elementos de uma religião em outra. Esse sincretismo e essa diversidade religiosa fazem parte da cultura e da identidade do povo brasileiro.

A visão de mundo dos povos indígenas

Os povos indígenas do Brasil têm culturas muito variadas. Cada povo tem a própria língua, os próprios modos de viver e as próprias crenças sobre a origem do mundo e dos seres humanos. Apesar das diferenças, muitos deles compartilham um jeito parecido de entender a vida. Essa visão de mundo desses povos é também conhecida como cosmovisão indígena.

Muitos povos indígenas entendem que os seres humanos fazem parte da natureza tanto quanto florestas, rios, animais e plantas. Eles acreditam que não existe separação entre o mundo espiritual e o cotidiano. Os rituais, as festas e as histórias sagradas são parte da vida, assim como o trabalho, a caça ou a agricultura.

Essa visão é diferente, por exemplo, da ideia de que os seres humanos são superiores ao mundo natural e precisam dominá-lo. Para os povos indígenas, não há superioridade dos humanos sobre outros seres vivos.

A visão de mundo indígena costuma ser transmitida oralmente, por meio de conversas no cotidiano, mitos, cantos e ensinamentos transmitidos pelos idosos.

indígenas, a espiritualidade faz parte do cotidiano, estando presente em rituais, festas e histórias sagradas que orientam a vida em comunidade. Para a atividade 2, é importante realizar a leitura coletiva do mito, que faz parte da cultura dos Iny Karajá, auxiliando os estudantes com o vocabulário e a interpretação do texto. No item 2. a), os estudantes devem apontar que o mito explica como surgiram as montanhas, os vales, os rios e os lagos. No item 2. b), o trecho do mito que mostra que, para os Iny Karajá, a natureza também tem algo semelhante à alma é: “Com o sopro da vida, ele deu alento a tudo que criou, formando legiões de kuni (almas) que são as poderosas forças invisíveis da natureza […]”. É importante destacar que a alma mencionada no mito não é a mesma da religião cristã.

Na atividade 3, espera-se que os estudantes respondam que a visão de mundo indígena defende que os seres humanos fazem parte da natureza, da mesma forma que rios, florestas, animais e plantas. Logo, os seres vivos e o ambiente devem ser respeitados como são respeitados os humanos.

Troncos usados no ritual do Kuarup, na aldeia Uyapiyuku, em Gaúcha do Norte (MT), em 2022. Os troncos enfeitados representam parentes mortos e a ligação entre o mundo espiritual e a natureza.

Outro aspecto importante da relação com o sagrado é a existência de rituais que ajudam a marcar etapas da vida e acontecimentos importantes.

Um exemplo é o ritual de amadurecimento dos Xavante, povo que vive no estado de Mato Grosso. Meninos de 7 a 10 anos passam a viver, por cinco anos, na Casa dos Solteiros. Lá, aprendem como ser um adulto e, ao final, são reconhecidos como jovens adultos.

É importante lembrar que a religiosidade indígena é diversa e vivida de forma única por cada povo.

1 Explique o que é a visão de mundo dos povos indígenas.

Veja orientações no Encaminhamento

2 O mito a seguir faz parte da cultura dos Iny Karajá, povo que vive nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará. Leia o trecho do texto e faça o que se pede.

O Criador estava muito só na terra, e […] devagar, devagar […] ele a foi transformando. Primeiro ele foi cavando o chão – abrindo valas e acumulando montículos de terra. Depois ele fez surgirem cabaças com água e as foi entornando sobre as montanhas. A terra foi bebendo, bebendo, até ficar encharcada e começar a vazar em forma de nascentes que, de poça em poça, foram escorrendo pelas ribanceiras […], formando rios e lagos. […] […]

Com o sopro da vida, ele deu alento a tudo que criou, formando legiões de kuni (almas) que são as poderosas forças invisíveis da natureza, dificílimas de serem controladas. Quando elas querem, arranjam uma teke-kuni (tenda, […] corpo) e saem fazendo estripulias por aí.

PERET, João Américo. A criação do mundo. In: PERET, João Américo. Mitos e lendas karajá: inã son wéra. Rio de Janeiro: [s. n.], 1979. p. 15-16.

Alento: respiração, fôlego. Estripulia: travessura, traquinagem.

TEXTO COMPLEMENTAR

Se pensarmos o Brasil a partir das cosmologias e histórias indígenas, veremos que esta nação é múltipla e nela coexistem maneiras distintas de pensar e de viver. […]

As experiências e os saberes indígenas consideram o universo em sua totalidade e inserem o ser humano em uma complexa rede de relações que envolvem os seres, naturais e sobrenaturais, integrando a vida como um todo. […]

a) Esse mito oferece uma explicação para qual aspecto do mundo natural?

O mito explica como surgiram as montanhas, os vales, os rios e os lagos.

b) Qual trecho do mito mostra que, para os Iny Karajá, a natureza também tem algo semelhante à alma?

Veja resposta no Encaminhamento

3 Como a visão que os diversos povos indígenas têm do mundo favorece a preservação da natureza?

Veja orientações no Encaminhamento

ATIVIDADES

30/09/2025 23:23

Proponha aos estudantes que pesquisem mais a respeito das crenças de povos indígenas brasileiros, buscando imagens e vídeos na internet. Utilizando os materiais pesquisados, oriente a criação coletiva de um cartaz com os símbolos que representem a visão de mundo indígena, incluindo elementos da natureza, figuras espirituais, pajés e cenas do cotidiano.

Do ponto de vista ocidental e centrado na razão europeia, as formas de conhecimento e de expressão indígenas estariam em desvantagem, pois ainda seriam vistas como menos complexas, menos científicas, mais primitivas. Deste ponto de vista, seriam lógicas superadas, que deveriam ceder lugar à verdadeira razão e à verdadeira ciência. Mas, na atualidade, diversos campos das Ciências Sociais têm realizado uma crítica a esse tipo de raciocínio que coloca a vida indígena como obsoleta. Também questionam a noção de que haveria um caminho único a trilhar rumo ao desenvolvimento da ciência, que respalda também a ideia de que existe uma solução única para a promoção do desenvolvimento econômico de um país.

BONIN, Iara. Cosmovisão indígena e modelo de desenvolvimento. Brasília, DF: Conselho Indigenista Missionário, 2015. Disponível em: https://cimi. org.br/cosmovisao-indigena-e -modelo-de-desenvolvimento/. Acesso em: 22 ago. 2025.

Ritual de amadurecimento xavante, em Campinápolis (MT), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Inicie o trabalho desta dupla de páginas organizando uma roda de conversa para discutir a presença da cultura africana na formação do povo brasileiro. Incentive os estudantes a pensar em costumes, alimentos, danças e músicas que chegaram ao Brasil com os africanos, trazidos durante o período da escravidão, e como essas tradições permanecem até a atualidade. É importante reforçar o respeito a esses saberes como parte da história e da identidade cultural brasileira.

Com base nos elementos levantados, aponte que também a religiosidade africana foi trazida para o Brasil e passou a ser um traço importante da cultura brasileira. Destaque que uma das manifestações mais importantes da religiosidade africana trazida para o Brasil é a crença nos orixás, divindades dos povos iorubás.

Para apresentar o universo dos orixás, solicite aos estudantes que observem com atenção as imagens reproduzidas no material. A seguir, organize os estudantes em pequenos grupos e solicite a cada grupo que se responsabilize pela análise de um dos orixás citados, lendo com detalhes a apresentação. Após a leitura, cada grupo deve compartilhar com a turma as informações levantadas. Durante a abordagem sobre os orixás, destaque que eles representam forças da natureza e qualidades humanas, como paciência, sabedoria e equilíbrio.

Promova um momento de conversa em que os estudantes possam compartilhar o que já ouviram sobre os orixás, se conhecem alguma celebração como a de Iemanjá ou se já viram representações desses elementos na arte, na música ou em festas populares. Valorize as contribuições e promova o respeito às diferentes crenças. Ao comentar sobre Iemanjá, explique que suas cores mais comuns são azul-claro, branco e prata. Em algumas tradições, ela também pode ser representada com rosa-claro e tons de verde-água.

As crenças religiosas dos povos iorubás

O grande número de africanos escravizados que foram trazidos à força para o Brasil ao longo da história fez com que a religiosidade desses povos se tornasse parte importante da cultura brasileira.

Uma das manifestações mais importantes da religiosidade africana que foi trazida para o Brasil é a crença nos orixás, divindades dos povos iorubás.

Os iorubás são povos que vivem na costa oeste da África, principalmente no sul da atual Nigéria. Eles compartilham aspectos importantes de suas culturas, como a língua e as crenças religiosas.

Os orixás representam forças da natureza e qualidades humanas. Cada orixá tem características próprias, como cores, comidas e músicas preferidas, além de um espaço da natureza onde costuma habitar. Além disso, as histórias de cada orixá mostram quais traços de personalidade estão associados a cada divindade.

No Brasil, os orixás são cultuados nas chamadas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Entre os orixás mais conhecidos no Brasil estão Iemanjá, Oxóssi e Oxalá. Vamos conhecer um pouco mais cada um deles?

Iemanjá

Iemanjá é, no Brasil, a orixá das águas salgadas, associada à maternidade e ao equilíbrio emocional. No Candomblé e na Umbanda, ela é representada com roupas nas cores azul, verde-água e branca, além de objetos como leques e espelhos. Em suas vestes, pode haver adornos que remetem ao mar, como desenhos de peixes e colares de conchas.

Iemanjá, de Hector Páride Bernabó (Carybé), 1981. Aquarela, 36 cm x 26 cm.

O azul-claro e o verde-água fazem alusão direta ao mar, elemento com o qual a orixá é profundamente associada, evocando fluidez, profundidade e força. O branco remete às ondas, simbolizando pureza, proteção e movimento. O prata está ligado à sabedoria e à conexão espiritual. Já o rosa-claro expressa afetividade e acolhimento.

Mostre aos estudantes que essas variações refletem a diversidade das práticas culturais de matriz africana, e que cada cor evidencia dimensões específicas da orixá em contextos como rituais, vestimentas e oferendas, sem que haja uma única forma de representação.

Encerre a atividade discutindo o papel das religiões de matriz africana no Brasil, explicando que o Candomblé e a Umbanda são religiões afro-brasileiras, nascidas da resistência cultural dos africanos e enriquecidas por outras tradições. Enfatize que conhecer essas religiões é uma forma de combater o preconceito e valorizar a diversidade cultural presente em nosso país, trabalhando o TCT Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

1. Os orixás representam elementos e forças da natureza. Por exemplo, Iemanjá representa, no Brasil, o mar e suas águas. Oxóssi, por sua vez, as florestas.

Oxóssi

Oxóssi é o orixá das florestas, da caça e da fartura. Nas religiões de matriz africana, ele representa sabedoria, inteligência emocional, observação atenta e busca por conhecimento. Os principais símbolos de Oxóssi são o arco e a flecha, que representam precisão, estratégia e agilidade.

Oxóssi, de Hector Páride Bernabó (Carybé), 1981. Aquarela, 36 cm x 26 cm.

FIQUE LIGADO

Oxalá

Oxalá é o orixá que criou o mundo com a ajuda de uma galinha de cinco dedos que, ao ciscar, espalhou as terras pelo mundo. Por ser um dos orixás mais velhos, é associado à sabedoria, à paciência e à serenidade. Ele é representado com vestes brancas e, em algumas tradições, com azul-claro, além de carregar um opaxorô, um cajado de metal.

Oxalá, de Hector Páride Bernabó (Carybé), 1981. Aquarela, 36 x 26 cm.

• PRANDI, Reginaldo. Xangô, o trovão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003. O livro apresenta a história de Xangô, orixá ligado ao trovão e à justiça, e conta as narrativas tradicionais que circulam nos terreiros de Candomblé e de Umbanda. A obra ajuda a entender a importância dos orixás nas religiões de matriz africana e suas origens.

1 Que relação pode ser estabelecida entre os orixás e a natureza?

2 É correto afirmar que todos os orixás têm os mesmos traços de personalidade?

Não, cada orixá tem traços próprios. Oxóssi é estratégico. Iemanjá é mais maternal.

3 Em sua opinião, por que é importante conhecer as religiões e culturas de origem africana no Brasil?

Porque elas fazem parte da história e da cultura do nosso país. Respeitar essas religiões e conhecê-las ajuda a combater o preconceito e a valorizar a diversidade do povo brasileiro.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Na atividade 1, espera-se que os estudantes apontem que os orixás representam elementos e forças da natureza. Por exemplo, Iemanjá representa, no Brasil, o mar e suas águas. Oxóssi, por sua vez, as florestas.

Na atividade 2, a resposta correta é não, já que cada orixá tem traços próprios.

Na atividade 3, a resposta é pessoal, mas espera-se que os estudantes reconheçam que as religiões e culturas de origem africana no Brasil fazem parte da história e da cultura do país e que respeitar essas religiões e aprender sobre elas ajuda a combater o preconceito e valorizar a diversidade do povo brasileiro. Procure fazer essas atividades promovendo o respeito às religiões afro-brasileiras, que são, muitas vezes, objetos de discriminação e preconceito.

ATIVIDADES

30/09/2025 23:23

• PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. O livro traz uma coleção de 301 relatos mitológicos da religião dos orixás, mostrando como são pensados esses deuses do panteão africano que tiveram tanta influência também na formação da religiosidade brasileira.

As religiões de matriz africana são alvo de muito preconceito e de manifestações recorrentes de intolerância religiosa. O tema pode ser tratado com os estudantes por meio do levantamento de algumas manchetes que mostrem casos recentes de intolerância religiosa. Para debater a questão e reforçar a importância de promovermos uma cultura de paz e respeito às diferentes crenças, solicite aos estudantes que se reúnam em pequenos grupos e proponham a organização de uma campanha para defender a importância do respeito a todas as religiões e crenças. Cada grupo deve propor uma ação a ser realizada na escola que ajude a discutir a questão da tolerância religiosa dentro da comunidade.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a discussão sobre as religiões na atualidade, apresente aos estudantes os dados sobre o número de adeptos das diferentes religiões no mundo, como os disponíveis em: https://www.britannica. com/topic/List-of-religious-po pulations (acesso em: 12 set. 2025). Convide os estudantes a identificar quais são as religiões com mais adeptos no mundo: o Cristianismo e o Islamismo.

Com base na discussão dos dados, levante algumas semelhanças e diferenças entre as duas religiões: tanto o Cristianismo quanto o Islamismo são religiões monoteístas, ou seja, diferentemente das religiões do Egito ou da Grécia, são cultos que acreditam na existência de uma única divindade; Cristianismo e Islamismo têm livros sagrados: o livro dos cristãos é a Bíblia, enquanto o dos muçulmanos é o Alcorão; enquanto os cristãos chamam sua divindade de Deus, os muçulmanos chamam de Alá. Para facilitar, uma estratégia é organizar na lousa um quadro comparativo das duas religiões.

Em seguida, apresente elementos da história da formação das duas religiões, apontando que ambas surgiram no Oriente Médio, em épocas diferentes. O Cristianismo teve início há aproximadamente 2 mil anos na região que hoje pertence à Palestina e a Israel. Já o Islamismo existe há cerca de 1 400 anos e se difundiu a partir da Península Arábica, onde hoje está a Arábia Saudita.

Por fim, oriente os estudantes a realizar as atividades propostas.

Na atividade 1, os estudantes devem preencher o quadro sobre o Cristianismo e o Islamismo. Se necessário, peça a eles que façam uma nova leitura do texto. Oriente o preenchimento da seguinte maneira: Local de origem: Cristianismo: Oriente Médio (atuais Palestina e Israel); Islamismo: Oriente Médio (atual Arábia Saudita); Nome do livro

Cultura e religião em nossos dias

Atualmente, as duas religiões com mais seguidores no mundo são o Cristianismo e o Islamismo. O Cristianismo tem cerca de 2,6 bilhões de fiéis, enquanto o Islamismo tem cerca de 2 bilhões. Juntas, essas religiões são seguidas por mais da metade das pessoas do planeta.

O Cristianismo e o Islamismo são religiões monoteístas. Isso quer dizer que seus seguidores acreditam na existência de uma única divindade. Os cristãos, que seguem o Cristianismo, chamam essa divindade de Deus, e os muçulmanos, que seguem o Islamismo, chamam de Alá.

Os cristãos acreditam que Deus criou tudo o que existe e enviou seu filho Jesus Cristo ao mundo para ensinar o amor e salvar as pessoas. Jesus, por sua vez, teria sido perseguido e morto pelas autoridades da Judeia, região em que morava, ressuscitando três dias depois.

Já os muçulmanos acreditam que tudo o que existe foi criado por Alá, que enviou vários profetas para orientar as pessoas sobre valores morais e espirituais, entre eles Jesus. O último desses profetas, Maomé, fundador do Islamismo, teria recebido os ensinamentos da religião diretamente do anjo Gabriel, que o visitou inúmeras vezes.

Tanto o Cristianismo quanto o Islamismo surgiram no Oriente Médio, mas em épocas diferentes. O Cristianismo teve início há aproximadamente 2 mil anos, na região que hoje pertence à Palestina e a Israel. Já o Islamismo existe há cerca de 1 400 anos e se difundiu a partir da Península Arábica, onde hoje está a Arábia Saudita.

Outra semelhança que pode ser apontada entre o Cristianismo e o Islamismo é que as duas religiões têm livros sagrados. O livro dos cristãos é a Bíblia , uma obra que foi sendo escrita ao longo dos séculos em línguas antigas, como o aramaico, o hebraico e o grego. A Bíblia ensina os valores dessa religião e os ensinamentos de Jesus.

sagrado: Cristianismo: Bíblia; Islamismo: Alcorão; Número de seguidores: Cristianismo: 2,6 bilhões; Islamismo: 2,0 bilhões; Nome da divindade: Cristianismo: Deus; Islamismo: Alá.

Na atividade 2, é importante realizar uma leitura coletiva do trecho do Alcorão reproduzido no material, esclarecendo dúvidas de vocabulário e ajudando na interpretação do texto.

Procissão do Círio de Nazaré, uma manifestação religiosa católica, em Belém (PA), em 2024.
Peregrinação a Meca durante o Ramadã, mês sagrado para a população muçulmana, na Arábia Saudita, em 2025.

O livro sagrado dos muçulmanos é o Alcorão, que foi escrito em árabe. Ele traz os ensinamentos de Maomé em registros feitos pelos seus discípulos. Além de explicar o funcionamento da religião, o Alcorão também traz orientações sobre como viver bem com os outros e como ser uma boa pessoa.

TEM MAIS

A importância da Bíblia e do Alcorão para as religiões cristã e islâmica, respectivamente, fez com que elas ficassem conhecidas como “religiões do livro” (entre as quais também se inclui o Judaísmo, religião monoteísta que tem a Torá como livro sagrado).

Veja respostas e comentários no Encaminhamento.

1 Copie o quadro a seguir no caderno e preencha as lacunas com informações sobre o Cristianismo e o Islamismo.

Local de origem

Nome do livro sagrado

Número de seguidores

Nome da divindade

Cristianismo Islamismo

ATIVIDADES

2 Leia a seguir o trecho do Alcorão e faça o que se pede.

É certo que prosperarão os fiéis,

Que são humildes em suas orações.

Que desdenham a vaidade

Que são ativos em pagar o zakat

[...]

Os que respeitarem suas obrigações e seus pactos,

E que observarem as suas orações,

Estes serão os herdeiros.

Desdenhar: desprezar.

Zakat: contribuição que os muçulmanos mais ricos dão aos mais pobres. Observar: cumprir.

Herdarão o Paraíso, onde morarão eternamente.

ALCORÃO. Sura 23:1-4; 8-11. In: QURAN.COM. [S. l.: s. n.], c2025. Disponível em: https://quran.com/pt/23. Acesso em: 29 jul. 2025.

a) De acordo com o trecho, o que é preciso fazer para ser um bom muçulmano?

Para aproximar a discussão dos estudantes, trazendo o debate para o cenário brasileiro, proponha a eles que pesquisem dados sobre as religiões no Brasil, identificando o número de cristãos e de muçulmanos existentes hoje em território brasileiro. Os dados devem ser anotados no caderno e comparados com os dos demais estudantes. Para a pesquisa, oriente-os a buscar dados oficiais, como os fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio do último Censo Demográfico, realizado em 2022, disponível em: https://agenciadenoticias.ibge. gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/3f1708b5d315aca 50d5a7d8764469c45.pdf (acesso em: 22 ago. 2025).

b) Com base nesse documento histórico, é possível afirmar que os muçulmanos acreditam em vida após a morte?

Sim. O trecho afirma que as pessoas que cumprirem suas obrigações com a fé islâmica viverão eternamente no Paraíso. Ser humilde nas orações e na vida, fazer orações, ajudar os mais pobres e respeitar as demais obrigações da fé islâmica.

30/09/2025 23:23

PARA OS ESTUDANTES

• DIFERENTES religiões. Brasília, DF: Plenarinho: o jeito criança de ser cidadão, 19 jan. 2020. Disponível em: https://plenarinho.leg.br/index.php/2020/01/diferentes-religioes/. Acesso em: 22 ago. 2025. Na página do projeto Plenarinho, que busca divulgar informações que colaborem para a formação cidadã de crianças e jovens, é disponibilizado um quadro geral sobre a religiosidade no Brasil, com dados sobre diferentes cultos e reflexões que afirmam a importância do respeito e da tolerância para a convivência harmoniosa entre as diferentes crenças existentes no país.

MODELO PARA COPIAR
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A proposta da seção Criança cidadã é trabalhar a conscientização dos estudantes em torno do respeito à diversidade religiosa. Reforce para os estudantes que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, o Brasil é um país laico, por isso os seguidores de todas as religiões têm o direito de expressar sua fé livremente. Explore com a turma o significado das diferentes crenças citadas, esclarecendo dúvidas e promovendo o respeito à diversidade. No Brasil, são comuns os relatos de perseguições a religiões de matriz africana, e essa é uma prática que precisa ser combatida. Se por acaso você perceber que há estudantes na turma que demonstram algum tipo de aversão a essas crenças, valorize a escuta respeitosa, reforce a importância do respeito à diversidade religiosa, mas imponha limites claros contra a prática da intolerância. A tirinha permite aprofundar a discussão em torno da diversidade religiosa e da convivência harmoniosa entre seguidores de diferentes religiões. As questões propostas ajudam a interpretar a tirinha e a pensar sobre o papel da religião na sociedade.

Para a atividade proposta, seria importante realizar a leitura e a interpretação coletivas da tirinha. Alguns estudantes podem ter dificuldades em entender o humor contido nela, então auxilie no entendimento e na interpretação do material e relacione a discussão proposta na tira aos temas debatidos ao longo do capítulo. Em seguida, oriente a realização das atividades. Explique que os deuses representados no quadrinho final são, respectivamente, Deus (Cristianismo), Oxalá (religião Iorubá) e Ganesha (Hinduísmo).

CRIANÇA CIDADÃ

É preciso respeitar todas as religiões

Quando o assunto é religião, o Brasil é um dos países mais diversos do mundo. Entre os brasileiros, há católicos, evangélicos, protestantes, espíritas, budistas, judeus, muçulmanos, seguidores de religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, e praticantes de religiões de matriz indígena. Há também aqueles que não seguem nenhuma religião ou não acreditam em nada.

É importante lembrar que a Constituição brasileira, a principal lei do país, garante a todas as pessoas o direito à liberdade religiosa. Ou seja, todos têm o direito de seguir a crença que desejarem. Ainda assim, há intolerância religiosa no Brasil, com a destruição de templos e símbolos religiosos e a perseguição de fiéis, que, em alguns casos, foram agredidos.

Ecumênico: que reúne diversas religiões.

Respeitar a liberdade religiosa é fundamental para a prática da cidadania, e todos podemos cooperar para isso.

Cerimônia ecumênica organizada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em São Paulo (SP), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O que podemos fazer?

• Respeite sempre as crenças religiosas de outras pessoas, mesmo que você não concorde com elas.

• Aprenda a conviver com as diferenças culturais, entre elas as religiosas.

• Não permita xingamentos ou zombarias por causa de crenças religiosas. Se você perceber alguém ofendendo, explique aos envolvidos que nenhuma religião é mais ou menos importante que outra.

• Não repita ofensas feitas por outras pessoas e reflita sobre como uma opinião descuidada pode magoar pessoas com outras crenças religiosas.

1 Na tirinha a seguir, são retratados representantes de cristãos, seguidores de religiões de matriz africana e hinduístas. Analise a tirinha e responda às questões no caderno.

RUAS, Carlos. 625: como funciona? [S. l.]: Um Sábado Qualquer, 21 jun. 2011. Disponível em: https://www.umsabadoqualquer.com/625-como-funciona/. Acesso em: 6 ago. 2025.

No item 1. a), os estudantes devem identificar que cada um dos personagens da parte superior da tirinha está rezando e agradecendo à divindade em que acredita por algum êxito obtido.

No item 1. b), espera-se que os estudantes respondam: o espaço em que cada um se encontra, um dentro de uma igreja, outro em um espaço público e o terceiro aparentemente dentro de uma casa; os deuses aos quais se referem (Deus, Oxalá e Ganesha), a existência e a ausência de oferendas, bem como seus trajes e vestimentas.

No item 1. c), os estudantes devem perceber que os personagens da tirinha da parte inferior representam Deus, Oxalá e Ganesha, deuses do Cristianismo, da religião Iorubá (também cultuado no Candomblé e na Umbanda) e do Hinduísmo, respectivamente.

a) O que cada um dos personagens da parte superior da tirinha está fazendo?

Cada um deles está rezando e agradecendo à divindade em que acredita por algum sucesso obtido.

b) Quais detalhes permitem afirmar que esses três primeiros personagens seguem religiões distintas?

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

c) O que os personagens da parte inferior da tirinha representam?

d) É possível afirmar que essa tirinha valoriza a diversidade religiosa? Por quê?

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1. c) Eles representam Deus, Oxalá e Ganesha, deuses do Cristianismo, da religião Iorubá (também cultuado no Candomblé e na Umbanda) e do Hinduísmo, respectivamente.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

01/10/25 20:24

• POR QUE estimular a tolerância religiosa no ambiente escolar. Aprendizagem em Foco, São Paulo, n. 33, ago. 2017. Disponível em: https://www.institutounibanco.org.br/aprendizagem -em-foco/33/. Acesso em: 2 out. 2025. Texto que aborda a importância de trabalhar a diversidade religiosa na escola e na sala de aula, incentivando posturas de tolerância.

No item 1. d), a resposta é pessoal, mas os estudantes devem identificar que a tirinha valoriza a diversidade religiosa, uma vez que apresenta membros de diferentes religiões em atos de fé e oração e reconhece suas divindades em uma situação de igualdade e convivência pacífica, sugerindo a ideia de que todas as fés são legítimas e podem existir lado a lado de maneira respeitosa.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Discutir os sentidos da ideia de cidadania no mundo antigo, com destaque para o debate no mundo greco-romano.

• Compreender a cidadania no Brasil como uma conquista, resultado de um longo processo de lutas, que se inicia no século XIX e chega ao século XXI.

• Reconhecer a importância da Constituição Federal, promulgada em 1988, e das chamadas “leis cidadãs” para a garantia de direitos à população brasileira.

BNCC HABILIDADES

(EF05HI04) Associar a noção de cidadania com os princípios de respeito à diversidade, à pluralidade e aos direitos humanos. (EF05HI05) Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos e das sociedades, compreendendo-o como conquista histórica.

TEMAS

CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Educação para o trânsito.

• Educação em direitos humanos.

• Direitos da criança e do adolescente.

• Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.

• Diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

Para dar início ao trabalho do capítulo, organize uma roda de conversa para discutir a seguinte questão: “Você sabe o que significa cidadania?”. O objetivo é identificar os conhecimentos prévios dos estudantes, então deixe-os responder de maneira livre, incentivando a reflexão, a formulação de argumentos e o compartilhamento de ideias.

EM BUSCA DA CIDADANIA

Você sabe o que significa cidadania? Essa palavra está ligada às diversas formas de participação das pessoas na sociedade. Quanto mais consciente e ativa for essa participação, mais democrática e justa será a sociedade.

A cidadania também pode ser definida como o conjunto de direitos e deveres que as pessoas têm. No Brasil, todas as pessoas estão, por lei, submetidas às mesmas regras. Por isso, nas sociedades contemporâneas, cidadania significa que somos todos iguais.

Por exemplo, todos os cidadãos possuem o direito de participar das decisões políticas por meio do voto, além de poder candidatar-se em eleições. Outros direitos são a livre opinião e o acesso a serviços e bens essenciais, como saúde, moradia, educação etc.

Ao mesmo tempo, os cidadãos têm deveres, que também são iguais para todos. Entre eles estão preservar a vida coletiva, obedecer às leis e às regras sociais, respeitar a diversidade e a individualidade de outras pessoas e ajudar a cuidar dos espaços públicos e do meio ambiente.

Com base nos elementos levantados, explique que a palavra cidadania está ligada às diversas formas de participação das pessoas na sociedade. A cidadania pode ser definida como o conjunto de direitos e deveres que as pessoas têm. No Brasil, todas as pessoas estão, por lei, submetidas às mesmas regras. Por isso, nas sociedades contemporâneas, cidadania significa que somos todos iguais perante a lei. Comente com os estudantes que, nas sociedades contemporâneas, o Estado é o responsável por garantir a cidadania e a igualdade entre os cidadãos. Quanto mais consciente e ativa for a participação dos cidadãos, mais democrática e justa será a sociedade. No entanto, na prática, nem sempre esses princípios se concretizam de maneira plena, sendo fruto de lutas e do desenvolvimento histórico das sociedades.

Em seguida, oriente os estudantes a observar com atenção as imagens reproduzidas na abertura do capítulo. Se possível, organize-os em pequenos grupos para discutir brevemente o que cada imagem representa e como elas podem se relacionar com o tema da cidadania. Encaminhe, então, a realização das atividades.

Estudantes do ensino fundamental em escola municipal, em São Paulo (SP), em 2024.

Eleitora exerce o direito ao voto nas eleições municipais do Rio de Janeiro (RJ), em 2024.

ATIVIDADES

A discussão sobre cidadania está associada ao debate sobre direitos e deveres. Para aproximar a questão da realidade dos estudantes, proponha que reflitam sobre isso dentro do cotidiano de sala de aula. Reunidos em pequenos grupos, os estudantes devem elencar direitos e deveres que devem ser assegurados para uma convivência cotidiana harmoniosa. Os elementos levantados pelos grupos devem ser debatidos coletivamente, discutindo pertinência, problemas e aplicabilidades, e podem ser reunidos em um documento de compromisso a ser afixado na sala.

Mutirão para ampliar centro de atendimento da Unidade Básica de Saúde da Família do bairro Vitória Régia, em Santarém (PA), em 2025.

Grupo de pessoas idosas se apresenta em Festa de São João, em Caruaru (PE), em 2022.

1 Observe as fotografias desta dupla de páginas e responda.

a) Em qual delas foi retratado um direito que pode ser exercido por crianças?

A fotografia que mostra crianças estudando representa o direito à educação, que pode ser exercido por crianças.

b) Em qual delas foi retratado um direito dos cidadãos?

A fotografia que mostra eleitora votando nas eleições municipais em 2024.

2 É correto afirmar que todas as pessoas têm, na prática, os mesmos direitos e os mesmos deveres?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que a lei não é cumprida em todas as situações e que, por exemplo, moradores de bairros pobres podem não ter o direito à saúde ou à moradia atendidos. Em tese, pela Constituição Federal, todos os cidadãos brasileiros possuem os mesmos direitos e deveres. No entanto, na prática, o que se constata é que a desigualdade social ainda gera um abismo de oportunidades e a diferença de acesso das pessoas aos direitos estabelecidos. Além disso, algumas pessoas não cumprem seus deveres com a sociedade, depredando espaços públicos, passando por cima dos direitos dos outros e visando apenas interesses individuais. O debate proposto na atividade pode favorecer uma ampla reflexão com os estudantes, permitindo que todos expressem seus pontos de vista, suas experiências e suas observações relacionados à realidade que vivenciam.

30/09/2025 23:37

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
TARCÍSIO SCHNAIDER/PULSAR IMAGENS LUCIANA

ORGANIZE-SE

Para a realização das atividades da seção, providencie junto aos estudantes: cadernos ou folhas de papel avulsas, lápis ou canetas e régua. Além disso, procure organizar um horário para visitar os espaços da escola.

ENCAMINHAMENTO

A atividade proposta na seção Mão na massa tem como objetivo promover a reflexão sobre a igualdade de direitos, com foco em acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Ao envolver a turma em uma investigação prática sobre a escrita em braille, espera-se promover a empatia, a cidadania e o protagonismo do estudante.

Em uma roda de conversa, procure descobrir se os estudantes conhecem a escrita em braille e como ela é estruturada. Você pode apresentar a animação A história de Louis Braille em animação, produzida pela Secretaria Geral de Educação a Distância (SEaD) da UFSCar, que conta como esse sistema de escrita foi inventado, disponível em: https:// youtu.be/Pl6xTzS_rCU?si=yh8C 1Ndj-fJPcNli (acesso em: 23 ago. 2025), para que os estudantes conheçam mais sobre esse sistema de comunicação e sua história.

Para realizar o levantamento proposto na atividade, incentive os estudantes a, coletivamente, pensar em todos os espaços da escola e escreva na lousa os ambientes mencionados. Em seguida, divida os estudantes em duplas ou trios, e cada grupo ficará encarregado de investigar a acessibilidade desses espaços. Acompanhe-os nessa visita, momento em que se deve incentivar o trabalho colaborativo e a construção coletiva.

De volta à sala, faça uma roda de conversa com os estudantes e peça a eles que

MÃO NA MASSA

Acessibilidade e cidadania

Você sabia que as pessoas exercem seus direitos de maneiras diferentes? Pessoas com deficiência, por exemplo, podem precisar de adaptações no espaço para ter seus direitos básicos atendidos, mas nem sempre isso acontece.

Você já pensou que pessoas com deficiência visual podem estar enfrentando desafios para se orientar, se movimentar e se localizar no espaço escolar? Isso pode limitar a liberdade de movimentação em relação aos outros colegas.

Para pessoas com deficiência visual, um espaço acessível passa pela identificação dos ambientes com placas escritas em braille, um tipo de escrita criada para pessoas que têm baixa visão ou que não enxergam. Você conhece a escrita em braille?

Acessível: nome dado a um espaço adaptado a pessoas com deficiência.

Braille é um sistema de escrita criado por Louis Braille (1809-1852) no século 19. Nele, as palavras são grafadas com pontos em relevo, permitindo que as pessoas leiam por meio do tato.

Agora que você estudou a importância de espaços acessíveis para pessoas com deficiência visual, que tal deixar sua escola mais acessível? Para isso, realize a proposta a seguir.

Pessoa utiliza uma das mãos para ler placa com texto em braille. É importante que os espaços públicos ofereçam recursos para pessoas com deficiência visual.

relatem o que observaram antes de iniciar o preenchimento das fichas. Marque um momento para que a turma possa compartilhar com a equipe gestora da escola, como coordenadores e a direção, os resultados do levantamento, com propostas de melhorias. Ao realizar essa atividade, valorize a escuta ativa e o protagonismo dos estudantes. Caso haja estudantes com deficiência, pode ser interessante propor que eles conversem com a turma sobre suas rotinas, sempre com o cuidado de promover um ambiente acolhedor e respeitoso, que promova a integração e a igualdade entre todos os estudantes. Outra ação que pode colaborar para a atividade é, caso haja a possibilidade, levar para a escola pessoas com deficiência visual para que relatem as dificuldades enfrentadas e como a sinalização as ajuda no dia a dia. Algumas instituições têm projetos especializados na educação e no auxílio de pessoas com deficiência visual, e muitas oferecem atividades de conscientização ou materiais instrucionais que podem colaborar para a reflexão proposta na atividade.

Materiais

• Cadernos ou folhas de papel avulsas

• Lápis ou caneta

• Régua

Como fazer

1 Liste todos os espaços que podem ser frequentados pelos estudantes na escola, incluindo corredores, banheiros, salas de aula, pátio e portão. Faça essa lista com os colegas e registre o resultado no caderno.

2 Faça uma ficha para cada um dos espaços listados anteriormente. Para isso, copie a ficha a seguir no caderno ou em folha de papel avulsa.

Nome do espaço

Esse espaço está sinalizado?

Local onde a placa de identificação pode ser fixada

Texto que precisa ser escrito em braille

3 Com a turma e o professor, visitem os espaços da escola. Identifiquem os locais em que a sinalização em braille poderia ser afixada: corrimões, portas, paredes. Anotem os resultados nas fichas.

Concluindo a atividade

1 Com a ajuda do professor, conversem com a direção da escola e apresentem o resultado da pesquisa que vocês fizeram.

Veja orientações no Encaminhamento

Mapa tátil no Museu do Futebol, em São Paulo (SP), em 2025. Ele fornece informações de localização para pessoas com deficiência visual.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

01/10/25 20:26

• OLIVEIRA, Aida Guerreiro de; FERNANDES, Edicléa Mascarenhas. Deficiência visual no contexto da educação inclusiva: para além das limitações... as potencialidades. Curitiba: Appris, 2023. Nessa obra, as autoras discutem a importância do avanço da educação inclusiva com base na reflexão sobre os desafios dos deficientes visuais. A proposta é analisar as práticas de educação inclusiva na tentativa de provocar reflexões sobre a atuação dos professores junto a estudantes com deficiência visual.

• UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Orientações pedagógicas e técnicas voltadas para o relacionamento com as pessoas com deficiência visual. Belém: Saest: CoAcess, 2016. v. 3. Disponível em: https://saest.ufpa.br/documentos/Vol.3.CARTILHA. DEF.VISUAL.pdf. Acesso em: 23 ago. 2025. O material tem como objetivo auxiliar o professor e os estudantes sem deficiência em ações que favoreçam a inclusão do estudante com deficiência, oferecendo orientações para reduzir barreiras de diferentes naturezas, tais como comunicacionais, informacionais, físicas, de mobiliário, atitudinais e tecnológicas.

MODELO PARA COPIAR
LEO BURGOS/PULSAR IMAGENS

ENCAMINHAMENTO

Para dar início à reflexão sobre a história da ideia de cidadania, explique que ela surgiu há milhares de anos e que, em sua origem no mundo antigo, estava ligada à necessidade de diferenciar quem podia fazer parte das decisões políticas. Por isso, em muitos casos, a cidadania era encarada de maneira mais restritiva. Solicite aos estudantes que comparem essa noção de cidadania com a discussão anterior em relação ao cenário atual, no qual a cidadania está relacionada a direitos e deveres de cada indivíduo e à sua participação na vida social.

Para discutir as características da cidadania em sua origem, no mundo greco-romano, uma possibilidade é organizar a sala em grupos e dividi-los em duas partes. Uma parte deve ler com atenção o tópico Cidadania na Grécia antiga e a outra deve ler o tópico Cidadania em Roma, produzindo uma síntese das principais ideias apresentadas, de modo a compreender como cada civilização pensou a questão da cidadania. Oriente os estudantes a anotar as ideias no caderno. Após a atividade, proponha que cada grupo compartilhe com a turma uma breve apresentação do que levantou, visando compartilhar os conhecimentos produzidos.

Durante muito tempo, o afresco da página 63 foi considerado uma representação da poetisa grega Safo. Porém, atualmente essa atribuição é considerada incorreta porque, na Antiguidade, a poetisa era representada com uma lira, instrumento musical relacionado à poesia, e porque não há elementos nas ruínas em que o afresco foi encontrado que indiquem que se tratava de Safo.

Após a finalização da atividade, incentive os estudantes a debater as semelhanças e diferenças das concepções nas duas civilizações antigas

CIDADANIA EM OUTROS TEMPOS

Além de ser o conjunto de direitos e deveres das pessoas, cidadania também é o conjunto de regras para que uma pessoa faça parte de um país. No Brasil, por exemplo, a maior parte das pessoas que nasce em solo brasileiro já se torna cidadão. Em outros países, há regras diferentes.

A ideia de cidadania surgiu há milhares de anos e estava ligada à necessidade de diferenciar quem podia fazer parte das decisões políticas. Por isso, em muitos casos, a cidadania era encarada de forma mais restritiva. A ampliação da cidadania para o conceito adotado em nossos dias, em que há direitos e deveres e a inclusão de grupos diversificados, foi resultado de muitas lutas.

Cidadania na Grécia antiga

A ideia de cidadania era fundamental para a democracia que se desenvolveu na cidade-Estado de Atenas. No início, até meados do século 7 a.C., apenas os grandes proprietários de terra tinham direitos civis e políticos. Após conflitos sociais e reformas, comerciantes, artesãos e agricultores conquistaram o direito à participação política e puderam votar em assembleias. Porém, o direito de cidadania era um privilégio de poucos. Escravos, estrangeiros e seus descendentes não podiam ser cidadãos de Atenas. Apenas pessoas livres e filhos de pais atenienses eram considerados cidadãos. Dessa parcela, apenas homens adultos tinham direitos políticos. As mulheres atenienses não podiam participar das assembleias. Em Atenas, o lar era o único espaço apropriado às mulheres.

Relevo do século 4 a.C., localizado no Museu da Ágora, em Atenas, na Grécia. A democracia, representada por uma mulher, coroa o povo de Atenas. A imagem faz parte de uma estela de pedra com a lei que proibia a tomada do poder.

Estela: placa ou coluna usada para inscrições ou esculturas em relevo.

1 É correto afirmar que homens e mulheres tinham direitos iguais na democracia ateniense?

Não, a afirmação está incorreta. As mulheres não tinham direitos políticos, ou seja, não podiam participar das assembleias.

2 Compare a cidadania no Brasil com a cidadania da Atenas antiga. Quais são as semelhanças e as diferenças?

Veja resposta e comentários no Encaminhamento

e a relacionar essas ideias surgidas na Antiguidade com a maneira como pensamos a cidadania no presente, de modo a perceber transformações históricas ao longo do tempo.

Por fim, oriente a realização das atividades propostas nesta dupla de páginas.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes, sistematizando a discussão das aulas, respondam que, tanto no Brasil quanto na Atenas antiga, ser cidadão conferia alguns direitos e deveres. Porém, há diferenças. Atualmente, todas as pessoas que nasceram em solo brasileiro são cidadãs, com poucas exceções. Em Atenas, estavam excluídos da cidadania escravizados, estrangeiros e seus descendentes. As mulheres também tinham a cidadania limitada, já que não podiam participar de decisões políticas. No Brasil, todos os cidadãos têm os mesmos direitos e deveres previstos em lei.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Cidadania em Roma

A sociedade romana desenvolveu-se entre os séculos 8 a.C. e 5 d.C. na Península Itálica, que está localizada no continente europeu. Diferentemente das cidades-Estado gregas, Roma formou um Estado unificado e, depois, um vasto império que se espalhou pela Europa, Ásia e África.

Na Roma antiga, os cidadãos participavam de assembleias políticas de acordo com os grupos aos quais pertenciam. Os patrícios eram a camada privilegiada e tinham maior participação política, ocupando os principais cargos públicos. Eles também tinham maior influência na elaboração das leis. Os plebeus eram camponeses, pequenos proprietários rurais, artesãos e comerciantes e formavam a maior parte da população.

A situação das mulheres romanas era mais favorável do que a das mulheres gregas. Elas podiam frequentar espetáculos, participar de eventos esportivos e religiosos e administrar propriedades da família quando viúvas. Embora fossem consideradas cidadãs, estavam subordinadas aos homens e, por isso, não podiam votar nem ocupar cargos públicos.

Mulher romana de alta classe [Fanciulla, cd. Saffo], de autor desconhecido, cerca de 55 d.C.-70 d.C. Afresco, 37 cm x 38 cm. A jovem foi representada com um estilo (instrumento de escrita) e tábuas de cera, o que indica que ela teve acesso à educação.

1 Todos os cidadãos romanos tinham os mesmos direitos?

Veja resposta e comentários no Encaminhamento

2 O que a imagem desta página revela sobre a condição das mulheres na Roma antiga?

A imagem revela que as mulheres romanas, principalmente as das camadas ricas, tinham acesso à educação e maior participação na sociedade de Roma quando comparadas às mulheres atenienses.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que não. Os cidadãos romanos de origem nobre, os patrícios, ocupavam os principais cargos públicos e tinham influência na elaboração das leis. Os plebeus, por sua vez, tinham menor participação política e participavam das assembleias de sua classe.

ATIVIDADES

Para sistematizar as informações sobre a ideia de cidadania no mundo greco-romano, proponha a organização de um quadro comparativo dividido em duas partes: a cidadania grega e a cidadania romana. Nesse quadro, elaborado no caderno, os estudantes devem registrar todas as informações que souberem sobre a ideia de cidadania em cada uma das civilizações do mundo antigo, como os limites da cidadania e quais grupos eram considerados cidadãos, de modo a poder compará-las. Caso julgue interessante, a atividade pode ser feita coletivamente, com os estudantes levantando ideias que devem ser registradas por você na lousa e por eles no caderno.

30/09/2025 23:37

• MOSSÉ, Claude. O cidadão na Grécia antiga. Porto: Edições 70, 2022. O livro apresenta um retrato da história cívica dos gregos, dos séculos IX a.C. a IV a.C., mostrando como o exercício da cidadania se tornou aos poucos parte do cotidiano entre os cidadãos de Atenas.

DEA/G. NIMATALLAH/DE AGOSTINI/GETTY IMAGES
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para dar início à reflexão sobre a conquista da cidadania no Brasil, explique aos estudantes um contexto geral do que era o mundo colonial português. Comente que a administração geral da colônia era controlada por Portugal, isto é, o Brasil não tinha um Estado ou um governo que garantisse os interesses da população local.

Aponte que, na sociedade colonial, indígenas e, depois, africanos foram escravizados para trabalhar na produção que deveria enriquecer a metrópole. A população livre e pobre era composta de indígenas, de pessoas brancas de origem europeia, de africanos alforriados e de seus descendentes. De maneira geral, esses grupos não podiam participar da vida política da colônia ou da administração de vilas e cidades, já que o único grupo com alguma participação política era formado por grandes proprietários de terras e de escravizados, os chamados “homens bons”. Eles podiam ocupar cargos públicos, elaborar leis e cobrar impostos.

Com base nesse contexto geral, proponha aos estudantes um debate sobre quem era e quem não era considerado cidadão no contexto colonial brasileiro. Incentive os estudantes a perceber que a cidadania nesse período era extremamente restrita, limitando-se a um pequeno grupo das elites coloniais. Destaque que a existência da escravização, tanto de indígenas quanto de africanos, era um elemento que impunha uma barreira à cidadania, já que os escravizados não tinham sua humanidade respeitada, eram objetificados e não desfrutavam de nenhum direito.

Em seguida, destaque que apenas no período imperial, após o rompimento dos laços coloniais com Portugal, foi elaborada a primeira Constituição brasileira, um conjunto

A CONQUISTA DA CIDADANIA NO BRASIL

Atualmente, a cidadania no Brasil é garantida pela Constituição e pelo Estado. No entanto, nem sempre foi assim.

Constituição é a principal lei de um país. Nenhuma outra lei pode estabelecer algo que contrarie o que diz a Constituição. A atual Constituição brasileira entrou em vigor em 1988.

Quando os portugueses iniciaram a conquista e a colonização do território que hoje pertence ao Brasil, a partir de 1500, indígenas e, depois, africanos foram escravizados para trabalhar nas lavouras de cana e na produção de açúcar. Posteriormente, os indígenas foram considerados livres pelas leis coloniais, mas muitos continuaram a ser escravizados.

A situação dos africanos também era grave. Por terem sido escravizados, não podiam ter posses. Além disso, eram considerados propriedade e podiam ser comprados e vendidos.

A população livre e pobre era composta de indígenas, de pessoas brancas de origem europeia, de africanos alforriados e seus descendentes. Esses grupos não podiam participar da vida política da colônia ou da administração de vilas e cidades.

O único grupo com alguma participação política era formado pelos grandes proprietários de terras e de escravizados, os chamados “homens bons”. Eles podiam ocupar cargos públicos, ser eleitos para as câmaras municipais, elaborar leis e cobrar impostos.

Museu das Bandeiras, instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, onde se reuniam os “homens bons”, em Goiás (GO). Fotografia de 2025.

de leis que deveriam regular a nação. Com esse documento, promulgado em 1824, alguns grupos conquistaram o direito ao voto e passaram a poder se candidatar a cargos públicos. Podiam votar todos os cidadãos brasileiros do sexo masculino com mais de 25 anos que tivessem renda anual mínima, o que seguia excluindo parte da população dos direitos de cidadania. Além disso, a permanência da escravidão era outro elemento a limitar a expansão da cidadania no país.

Após essas reflexões, oriente os estudantes a realizar as atividades propostas.

Na atividade 1, é importante organizar coletivamente uma análise da obra Pano de boca exibido no teatro da Corte durante representação cerimonial da coroação do imperador Dom Pedro I, de Jean-Baptiste Debret, 1839. Explique que o “pano de boca” era a cortina colocada na frente do palco do teatro, que, antigamente, costumava ser pintada. Destaque que, na imagem, o novo país, o Brasil, que acabava de se separar de Portugal, foi representado por uma mulher coroada, que segura um cetro, uma espada, tábuas com leis e um escudo.

A cidadania no início do século 19

O domínio de Portugal sobre o Brasil só terminou em 1822. Dois anos depois, foi elaborada a primeira Constituição do país. Essa lei foi a primeira a definir o que seria um cidadão brasileiro, e o critério era parecido com o que existe em nossos dias: quem nasce em solo brasileiro tem a cidadania do país. Os africanos escravizados e seus descendentes não eram considerados cidadãos. Somente africanos e afro-brasileiros que já haviam sido libertados obtinham a cidadania.

Com a Constituição de 1824, alguns grupos conquistaram o direito ao voto e passaram a poder se candidatar a cargos públicos. Podiam votar todos os cidadãos brasileiros do sexo masculino com mais de 25 anos que tivessem renda anual mínima. Porém, é importante destacar que os analfabetos podiam votar.

Renda: qualquer valor que uma pessoa recebe com frequência, como salário ou pagamento por prestação de serviço.

Pano de boca exibido no teatro da Corte durante representação cerimonial da coroação do imperador Dom Pedro I, de Jean-Baptiste Debret, 1839. Gravura, exemplar aquarelado, 22,1 cm x 33,4 cm. Na imagem, o novo país foi representado por uma mulher coroada, que segura um cetro, uma espada, tábuas com leis e um escudo.

Além do direito ao voto, a Constituição de 1824 também garantiu aos brasileiros direito à liberdade religiosa, à liberdade de expressão, à justiça e à educação primária, o equivalente aos anos iniciais do ensino fundamental.

1 Analise a obra de arte e responda às questões a seguir.

a) Quais grupos sociais foram representados na imagem?

Veja resposta e comentários no Encaminhamento

b) Quais das personagens representadas eram consideradas cidadãs do Brasil? Em que circunstâncias?

Veja resposta e comentários no Encaminhamento

ATIVIDADES

Para aprofundar a questão da construção da cidadania no país, proponha aos estudantes que se reúnam em pequenos grupos para debater como a escravidão foi uma barreira fundamental na construção da cidadania no Brasil. Oriente os grupos a discutir quais eram as condições de vida dos escravizados e quais direitos lhes eram negados devido a sua exploração, como o direito à liberdade, à igualdade, à saúde, à educação, à alimentação de qualidade, à participação política etc. Após o debate entre os grupos, proponha uma socialização dos elementos levantados e um debate coletivo sobre o tema.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. Nessa obra clássica, o historiador José Murilo de Carvalho apresenta um amplo panorama da conquista da cidadania no Brasil, partindo dos primeiros passos, após a independência em relação a Portugal, e chegando aos debates do século XX.

30/09/2025 23:37

Na atividade 1. a), espera-se que os estudantes respondam que na obra, à esquerda, há um soldado e uma camponesa, ambos negros, e uma mulher branca ajoelhada. Além deles, há crianças de colo e na primeira infância. À direita, há soldados brancos, um deles operando um canhão. Um homem de meia-idade foi representado com um jovem e, atrás deles, está um homem usando chapéu longo e roupas de viagem, provavelmente um comerciante. Ao fundo, estão indígenas, e um deles está ajoelhado.

Na atividade 1. b), os estudantes devem identificar que, entre as figuras representadas na imagem, somente homens brancos adultos, representados do lado direito, poderiam votar, desde que tivessem determinada renda. Ou seja, ainda que indígenas e negros estivessem representados na cena em homenagem à coroação do imperador d. Pedro I, eles não tinham direitos de cidadão assegurados nesse novo país que surgia no continente americano, já que o direito ao voto era garantido pela renda.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ACERVO DA FUNDAÇÃO
BIBLIOTECA NACIONAL-BRASIL

ENCAMINHAMENTO

O objetivo desta dupla de páginas é discutir as conquistas no campo da cidadania no século XX, já no período republicano da história do país. Para auxiliar a reflexão dos estudantes sobre as diferentes temporalidades na história do Brasil, seria interessante trabalhar com uma linha do tempo, mostrando os principais períodos da história: colonial, imperial, republicano. Um exemplo de material para esse fim é o produzido pelo projeto Brasiliana Iconográfica, disponível em: https://www. brasilianaiconografica.art.br/ explore/linha-do-tempo (acesso em: 15 set. 2025).

Retome brevemente o que já foi discutido sobre a cidadania no mundo colonial e imperial, de modo a introduzir as mudanças ocorridas no período republicano. Aponte que, no século XIX, com a Proclamação da República e as mudanças políticas ocorridas no Brasil, foi elaborada uma nova Constituição, em 1891, que não exigia uma renda mínima para votar e manteve fora do campo político e da cidadania os analfabetos, que, na época, eram a maioria da população brasileira. Além disso, as mulheres continuaram sem poder de voto, o voto não era secreto e as fraudes eleitorais eram comuns.

As primeiras mudanças mais significativas nos direitos de participação política só viriam no século XX, principalmente com a conquista dos movimentos feministas do direito à participação feminina na vida política, medida que permitiu às mulheres o voto e a candidatura a cargos políticos. Além disso, o voto secreto foi definido como um novo método de votação, o que dificultava as fraudes eleitorais que ocorriam com frequência na vigência da Constituição anterior.

Em seguida, oriente os estudantes na realização das atividades propostas no material.

A cidadania no início do século 20

A primeira Constituição brasileira vigorou por mais de 60 anos. No final do século 19, ocorreram mudanças políticas no Brasil que levaram à elaboração de uma outra Constituição. A nova lei, de 1891, não exigia mais renda para votar, mas tirou os direitos políticos dos analfabetos, que na época eram a maioria da população. Além disso, as mulheres continuaram sem direitos políticos, o voto não era secreto e as fraudes eleitorais eram comuns.

Nas primeiras décadas da república no Brasil, a população pobre, principalmente negra, permaneceu sem acesso a educação, saúde, terra, moradia e trabalho digno. Essas populações passaram a morar em cortiços e bairros pobres, realizando trabalhos mal remunerados.

Cortiço: moradia que abriga diversas famílias, normalmente improvisada.

FIQUE LIGADO

• O FIM do recreio. Direção: Vinicius Mazzon e Nélio Spréa. Produção: Parabolé Educação e Cultura. Brasil, 2012. 1 vídeo (ca. 17 min).

Nesse curta-metragem, um projeto de lei para acabar com o recreio escolar faz com que um grupo de crianças se organize para mudar o rumo da história.

1 Em sua opinião, a população afro-brasileira tem acesso aos mesmos direitos do restante da população? Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

Na atividade 1, da página 66, espera-se que os estudantes reflitam sobre as profundas desigualdades históricas que atingem a população afro-brasileira. Na atividade 1 da página 67, espera-se que os estudantes respondam que a conquista permitiu que as mulheres tivessem acesso aos mecanismos decisórios e de reivindicação de direitos específicos, visando ao atendimento de suas necessidades e à redução das desigualdades entre homens e mulheres.

Na atividade 2. a), espera-se que os estudantes respondam que, atualmente, as mulheres têm direito a votar e serem votadas, muito embora o número de candidatas e eleitas ainda represente um valor bastante inferior em relação aos homens. As informações sobre a participação feminina nas eleições podem ser consultadas no site do Tribunal Superior Eleitoral, disponível em: https:// sig.tse.jus.br/ords/dwapr/r/seai/sig-eleicao/home (acesso em: 12 ago. 2025).

Na atividade 2. b), espera-se que os estudantes respondam que as mulheres não têm a oportunidade de exercer seus direitos políticos da mesma maneira que os homens, uma vez que, por exemplo, ainda há desigualdade na representatividade das mulheres em postos de poder.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Amolador de facas e tesouras em frente a um cortiço, no Rio de Janeiro (RJ), em cerca de 1917.

O voto feminino e os direitos dos trabalhadores

Em 1930, o Brasil passava por um processo de modernização e urbanização, com o desenvolvimento de indústrias e do comércio. A população, por sua vez, passou a reivindicar melhores condições de vida, o que levou o governo brasileiro a criar leis que garantissem direitos sociais. Foi nesse momento que os movimentos feministas conquistaram o direito à participação feminina na vida política, medida que permitiu às mulheres o voto e a candidatura a cargos políticos. Além disso, foi estabelecido o voto secreto, o que dificultava as fraudes eleitorais que ocorriam com frequência anteriormente.

Em 1943, o governo também aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou seja, um conjunto de leis que garantiu os direitos dos trabalhadores e ampliou seus direitos sociais. Diversos direitos trabalhistas foram reconhecidos e vigoram até hoje, como jornada máxima diária de 8 horas de trabalho e férias remuneradas.

Mulher vota durante as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte no Rio de Janeiro (RJ), na época Distrito Federal, em 1933.

Alzira Soriano (1896-1963) foi a primeira mulher a se tornar prefeita de um município na América Latina. Ela foi eleita em 1928 para governar Lajes, no Rio Grande do Norte. Em sua campanha, sofreu muitas agressões de homens contrários à sua candidatura.

1 Em sua opinião, qual é a importância do voto feminino?

2

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

Sobre a participação das mulheres na vida política atualmente, faça o que se pede.

a) Pesquise e anote informações sobre a quantidade de homens e de mulheres que se candidatam e se elegem nas eleições brasileiras.

Atividade de pesquisa. Veja comentários e orientações no Encaminhamento

b) Com base no que você pesquisou, é possível dizer que as mulheres têm oportunidade de exercer seus direitos políticos da mesma maneira que os homens? Converse com os colegas e o professor.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

TEXTO COMPLEMENTAR

ATIVIDADES

Para consolidar as aprendizagens, proponha aos estudantes que se reúnam em trios para criar uma representação da cidadania ao longo dos períodos da história do Brasil. Cada membro do grupo deve criar uma imagem representando quem tinha direito à participação política e quem estava excluído em cada um dos períodos da história do país: Colônia, Império e República. A ideia é que a união das três imagens permita a comparação e a percepção das mudanças ocorridas na cidadania ao longo da história brasileira.

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As mulheres brasileiras conquistaram o direito de votar em 24 de fevereiro de 1932, por meio do Decreto 21.076, do então presidente Getúlio Vargas, que instituiu o Código Eleitoral. […] O decreto também criou a Justiça Eleitoral e instituiu o voto secreto. Em 1933, houve eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, e as mulheres puderam votar e ser votadas pela primeira vez. A Constituinte elaborou uma nova Constituição, que entrou em vigor em 1934, consolidando o voto feminino – uma conquista do movimento feminista da época.

TEODORO, Rafael. A conquista do voto feminino. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 15 fev. 2021. Disponível em: https://www.camara.leg.br/internet/agencia/infograficos-html5/a-conquista-do-voto-feminino/ index.html. Acesso em: 23 ago. 2025.

REPRODUÇÃO/PREFEITURA DE LAJES
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para o trabalho desta dupla de páginas, que apresenta aos estudantes a atual Constituição brasileira, promulgada em 1988 e conhecida como Constituição Cidadã, seria interessante explorar o documento com os estudantes. Para isso, organize-os em duplas ou pequenos grupos e solicite que analisem com atenção o sumário do documento, disponível em: ht tps://www2.senado.leg.br/bdsf/ bitstream/handle/id/518231/ CF88_Livro_EC91_2016.pdf (acesso em: 23 ago. 2025).

Com base na leitura do texto do tópico A Constituição Cidadã de 1988, que destaca a intensa participação popular na Constituinte, com a apresentação de propostas que buscavam garantir direitos para mulheres, indígenas, quilombolas, crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência (PcD), proponha a cada grupo que busque localizar na Constituição trechos que abordem os direitos de um desses grupos sociais.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes elaborem frases como: 1. A Constituição de 1988 estabelece a igualdade entre homens e mulheres; 2. A Constituição assegurou aos brasileiros o direito à educação; 3. Com a Constituição de 1988, os povos indígenas e as comunidades remanescentes de quilombo passaram a ter direito à própria cultura; 4. A elaboração da Constituição teve grande participação popular.

ATIVIDADES

Para aproximar a reflexão sobre a Constituição brasileira da realidade dos estudantes, proponha que analisem o documento e localizem passagens que tratam de direitos relacionados às crianças e aos jovens. Espera-se que eles acessem partes do texto, como o Capítulo VII “Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso”, do

A Constituição Cidadã de 1988

A Constituição atual, promulgada em 1988, delimitou regras para o funcionamento da sociedade brasileira e estabeleceu direitos essenciais para os cidadãos brasileiros, como o direito à educação, à moradia, à saúde, entre outros. Foram conquistas muito significativas para a sociedade, pois, pela primeira vez em sua história, surgiu uma legislação assegurando tais direitos a todos os brasileiros

Promulgar: publicar uma lei, fazer uma lei entrar em vigor.

Para formular a nova Constituição, foi convocada uma Assembleia Nacional Constituinte, que contou com a participação de representantes de movimentos populares e da sociedade civil.

A intensa participação popular se manifestou na apresentação de propostas que buscavam garantir direitos para mulheres, indígenas, quilombolas, crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência (PcD). Essa participação resultou no apelido de Constituição Cidadã para a carta máxima do país.

Título VIII, e percebam como os direitos constitucionais tratam dos interesses de diferentes grupos sociais, incluindo crianças e jovens.

PARA OS ESTUDANTES

• BRASIL. Câmara dos Deputados. Constituições brasileiras. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2005. (Série cadernos do museu, n. 4). Disponível em: https://www2.camara.leg.br/a-camara/visiteacamara/cultura-na-camara/copy_of_museu/ publicacoes/arquivos-pdf/Constituicoes%20Brasileiras-PDF.pdf. Acesso em: 26 set. 2025. Nesse material, produzido pela Câmara dos Deputados, os estudantes encontrarão um breve histórico das constituições do Brasil, com um texto explicativo das sete cartas promulgadas ao longo da história do país, apresentando o contexto de criação de cada uma.

Funcionários do Congresso Nacional recebem propostas de emendas populares no período de elaboração da nova Constituição, em Brasília (DF), em 1987.

Além disso, os direitos dos indígenas às suas terras tradicionais e à preservação de suas culturas foram reconhecidos. O mesmo ocorreu com as comunidades remanescentes de quilombos, que foram citadas pela primeira vez em uma Constituição brasileira.

Lideranças indígenas durante a Assembleia Nacional Constituinte em Brasília (DF), em 1987.

1 Elabore no caderno uma frase com cada uma das palavras numeradas nas cruzadinhas, relacionando-as ao que você aprendeu sobre a Constituição de 1988.

Veja sugestões de respostas no Encaminhamento

3 C U L T U R A 4 P O P U L A R

2 Se você pudesse criar um direito, qual seria? Lembre-se de que o direito deve beneficiar toda a população do Brasil.

Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes reflitam sobre as necessidades da população e proponham direitos que possam ser atendidos.

TEXTO COMPLEMENTAR

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A iniciativa de convidar o povo a contribuir com sugestões à Constituição se insere no contexto da redemocratização do país nos anos 1980. Após duas décadas de ditadura militar, a sociedade sinalizava a vontade de maior participação nas decisões políticas. Entre 1983 e 1984, a campanha Diretas Já levou milhões de pessoas às ruas das principais cidades. Quando, em 1985, o então presidente da República, José Sarney, convocou a Assembleia Nacional Constituinte, vários setores da sociedade civil se articularam para participar do processo. O slogan “Constituinte sem povo não cria nada de novo” refletia as aspirações do momento. Esse espírito foi captado pelos senadores e deputados constituintes. Eles previram mecanismos de participação no regimento interno da Assembleia. Mais de mil pessoas foram ouvidas em audiências públicas. E 122 emendas populares, organizadas por associações, receberam mais de 12 milhões de assinaturas e foram entregues aos parlamentares. […].

MADRUGA, Florian Abreu; BURLE, Silvio. A Constituição dos sonhos. Brasília, DF: Senado Federal, 2024. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/constituicao-dos-sonhos/. Acesso em: 23 ago. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
LUIZ

ENCAMINHAMENTO

O objetivo desta dupla de páginas é discutir com os estudantes que, embora a Constituição de 1988 tenha trazido uma série de conquistas para diferentes grupos, ao longo dos anos a sociedade brasileira aprovou novas leis que, em consonância com o que é previsto na Constituição, reafirmaram os direitos de diferentes grupos, como crianças e adolescentes, idosos, mulheres, pessoas de diferentes grupos étnico-raciais e pessoas com deficiência.

Para discutir mais sobre cada uma dessas leis, organize a turma em cinco grupos. Cada grupo ficará responsável pela leitura e interpretação do texto da dupla de páginas sobre uma delas: Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), Estatuto da Pessoa Idosa (2003), Lei Maria da Penha (2006), Estatuto da Igualdade Racial (2010), Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015). Oriente os estudantes a fazer anotações no caderno durante a leitura do material. Ao término da atividade, cada grupo deve socializar com os colegas o que compreendeu sobre a lei, a fim de que todos possam ter um panorama dos direitos defendidos pelos documentos.

O objetivo da atividade 1 é que os estudantes estabeleçam um contato inicial com uma legislação que lhe assegura uma série de direitos. O texto do Estatuto da Criança e do Adolescente está disponível em: https://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/l8069.htm (acesso em: 24 ago. 2025). Acompanhe a escolha dos artigos por parte dos estudantes e, de preferência, evite repetições. Se julgar necessário, auxilie os estudantes na leitura, orientando-os a consultar as palavras mais difíceis no dicionário e auxiliando-os na compreensão do texto.

Leis cidadãs brasileiras

O reconhecimento de direitos não parou com a promulgação da Constituição de 1988. Ao longo dos anos, a sociedade brasileira, por meio dos governos e do Congresso, aprovou um conjunto de leis que garantiram os direitos de crianças e adolescentes, idosos, mulheres, pessoas de diferentes grupos étnico-raciais e pessoas com deficiência. Vamos conhecer cada uma dessas leis.

Estatuto da Criança e do Adolescente (1990)

Detalha como os direitos de crianças e adolescentes devem ser cumpridos e garante outros direitos que não estavam presentes na Constituição. Por exemplo, crianças e adolescentes passaram a ter prioridade no atendimento de saúde. O ECA, como é conhecido, também proíbe qualquer forma de violência, discriminação ou negligência contra crianças e adolescentes.

Estatuto da Pessoa Idosa (2003)

Garante direitos fundamentais a pessoas com 60 anos ou mais. Entre os direitos, estabelece que idosos devem ter prioridade de atendimento nos serviços públicos e privados, que o Estado forneça atendimento domiciliar e geriátrico para pessoas vulneráveis, que haja reserva de vagas gratuitas no transporte público e que os idosos sejam protegidos contra atos de violência, discriminação e negligência.

Edifício que abriga o Conselho Tutelar em Barreiras (BA), em 2022. O Conselho Tutelar é um órgão de defesa de crianças e jovens criado pelo ECA.
LUCIANA

Lei Maria da Penha (2006)

Reconhece os diferentes tipos de violência contra a mulher, como agressão física, psicológica, patrimonial, entre outras. A lei determina o afastamento do agressor e obriga o Estado a oferecer assistência jurídica, psicológica e social à mulher. É considerada uma das leis mais avançadas do mundo no tema.

Estatuto da Igualdade Racial (2010)

Tem o objetivo de combater o racismo e as desigualdades que atingem a população negra do Brasil. A lei também reconhece a discriminação racial como uma violação dos direitos humanos, cria mecanismos de reparação e valoriza a diversidade cultural brasileira.

Líder quilombola, à esquerda, em evento na Escola Estadual Professora Tereza Conceição de Arruda, em Nossa Senhora do Livramento (MT), em 2020.

Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015)

Assegura a igualdade de direitos e a inclusão social de pessoas com deficiência, prevendo, entre outros direitos, educação inclusiva e atendimento especializado para estudantes de todas as idades. A lei também prevê que espaços públicos sejam acessíveis, incluindo os meios de transporte de uso geral.

Estudantes com e sem deficiência participam de atividade de leitura em escola localizada em São Paulo (SP), 2025.

1 Em grupo de três estudantes, consultem o Estatuto da Criança e do Adolescente e copiem no caderno o artigo que mais lhes chamou a atenção. Em sala, conversem sobre o artigo com os colegas e o professor. Veja orientações e comentários no Encaminhamento

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ATIVIDADES

Conhecer as leis que defendem os direitos dos indivíduos é fundamental para o exercício da cidadania. Pensando nisso, proponha aos estudantes que se organizem em grupos e pensem em estratégias para divulgar, junto à comunidade escolar, as “leis cidadãs”, alertando as pessoas sobre os direitos que cada lei assegura. As propostas podem envolver a produção de cartazes e de materiais digitais, a organização de rodas de conversa, entre outros recursos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A proposta da seção Ideia puxa ideia tem como objetivo levar os estudantes a refletir sobre como a cidadania deve ser entendida: não apenas como um conjunto de leis que asseguram direitos e deveres, mas também como o conjunto de ações cotidianas, gestos, relações interpessoais e atitudes voltadas para o bem coletivo.

Proponha a leitura coletiva do texto da seção e organize uma roda de conversa para discutir os exemplos de atitudes cidadãs citados: jogar o lixo no local adequado; não estragar as carteiras nem a sala de aula e outros ambientes da escola; tratar familiares, colegas e professores com educação e gentileza; ajudar um vizinho e participar de ações comunitárias ou de uma campanha de coleta de agasalhos; praticar o consumo consciente; valorizar a diversidade; e combater todos os tipos de preconceito.

Incentive os estudantes a pensar em como eles podem agir no dia a dia, com base nesses exemplos e em outros apresentados por eles, para ter atitudes cidadãs, preocupadas com o bem comum e o bem-estar de todos.

Para a realização das atividades, realize a análise coletiva da tirinha, auxiliando os estudantes a compreender a ironia nela contida. O trânsito, tema do texto, é um exemplo de como a cidadania pode ser exercida no cotidiano, discussão que permite um trabalho na área de Educação para o trânsito, um dos componentes do TCT Cidadania e civismo.

Na atividade 1, os estudantes devem mencionar que o pai do Guto não seguiu as leis de trânsito e ainda foi mal-educado com outra pessoa. Espera-se que os estudantes observem que, ao parar o carro em cima da faixa de pedestre, o motorista atrapalha as pessoas que utilizam a faixa para atravessar a rua

IDEIA PUXA IDEIA

Cidadania em ação

A cidadania não deve ser entendida apenas como um conjunto de leis que asseguram os direitos e os deveres das pessoas. A cidadania se constrói dia após dia por meio de nossos gestos, pela forma como nos relacionamos com as outras pessoas e pela maneira como pensamos no que é melhor para todos.

A cidadania pode se manifestar ao jogar resíduos no local adequado, ao não estragar as carteiras nem a sala de aula e outros ambientes da escola e ao tratar os familiares, os colegas e os professores com educação e gentileza.

Outra forma de agir com cidadania ocorre quando se pratica o consumo consciente, evitando compras desnecessárias, ou se valoriza a diversidade e se combatem todos os tipos de preconceito.

com segurança. Já estacionar o carro em fila dupla mostra o desrespeito em relação aos demais motoristas, uma vez que a fila dupla atrapalha o trânsito e pode provocar acidentes.

Na atividade 2, os estudantes podem citar exemplos variados, como andar na contramão, ultrapassar o farol vermelho, buzinar em frente a hospitais, entre outros. A proposta é despertar no estudante a percepção de que essas práticas são exemplos de descaso em relação a uma postura cidadã.

Na atividade 3, oriente os estudantes a fazer tirinhas de no máximo quatro quadrinhos, de modo a exercer a capacidade de síntese das ideias. Para tanto, peça a eles que planejem previamente o roteiro da tirinha, definindo o desenho e o texto de cada quadro. Alguns estudantes podem alegar que não sabem desenhar. Explique que isso não é problema, pois o importante é conseguir se expressar por meio de um texto aliado a uma imagem.

Estudante descarta resíduo em lixeira para reciclagem na Escola Municipal Max Fleiuss, no Rio de Janeiro (RJ), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A cidadania também está presente em atitudes como ajudar um vizinho, participar de ações comunitárias ou de uma campanha de coleta de agasalhos.

O trânsito é outro exemplo de como a cidadania pode ser exercida no cotidiano. Motoristas devem respeitar os pedestres, dirigindo com cuidado e obedecendo às leis de trânsito. Os pedestres também exercem a cidadania ao atravessar a rua na faixa de pedestres.

Pensando nisso, leia a tirinha e responda às questões no caderno.

1 Na tirinha, o pai do Guto exerceu seus deveres de cidadão? Justifique.

Espera-se que os estudantes mencionem que o pai do Guto não seguiu as leis de trânsito e ainda foi mal-educado com outra pessoa.

2 Você já testemunhou outro exemplo de desrespeito às leis e normas de trânsito? Como você reagiu?

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

3 Faça, em seu caderno ou em uma folha de papel avulsa, uma tirinha em quadrinhos que tenha como tema central a importância de adotar práticas cidadãs em nosso dia a dia.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

TEXTO COMPLEMENTAR

30/09/2025 23:37

Os quadrinhos podem ser utilizados em sala de aula não apenas para explicar elementos das artes visuais, mas também como um exercício prático para exercitar o processo criativo dos alunos. No entanto, antes de se trabalhar a produção de uma HQ em aula é preciso aproximar os alunos desta linguagem, pois para ser lida e compreendida, em sua totalidade, não basta que se saiba ler as palavras, mas é preciso que se saiba ler as imagens, visto que as imagens são a base das HQ. […] Assim, a exploração didática bem planejada pelo docente no trabalho com a leitura e a escrita, por meio da linguagem verbal e não verbal presentes no gênero HQ, possibilita o uso desses materiais nas salas de aula, com vistas à formação do leitor competente, que começa em possibilitar para o aluno uma leitura a partir da opção de leituras diferentes das usuais em sala, não deixando como uma atividade que deve ser vista como uma leitura obrigatória. […].

SOUSA, Luciano Dias de; VIEIRA, Abel Gomes. Histórias em quadrinhos na escola: uma experiência metodológica de ensino. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 46, p. 1-7, 13 dez. 2022. p. 2, 5. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/46/historias-em -quadrinhos-na-escola-uma-experiencia-metodologica-de-ensino. Acesso em: 16 set. 2025.

Ônibus de campanha de arrecadação de agasalhos em Campinas (SP), em 2020.
BECK, Alexandre. [Acho legal os pais levarem os filhos à escola!]. 2018. 1 tirinha, color.

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar os conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem.

Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida.

Para a realização da atividade 1, leia a história em quadrinhos coletivamente, auxiliando os estudantes na interpretação do material.

Na atividade 2, faça a leitura do texto coletivamente, esclarecendo possíveis dúvidas de vocabulário. Proponha aos estudantes que discutam brevemente a situação narrada antes da realização das atividades.

O QUE ESTUDEI

1 Leia a história em quadrinhos a seguir e responda às questões.

1. a) O Estatuto da Criança e do Adolescente é uma lei importante porque garante direitos a crianças e adolescentes, estabelecendo que o Estado e a sociedade têm o dever de garantir-lhes proteção e cuidado.

a) O personagem Franjinha está animado para apresentar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Por que essa lei é importante?

b) Cite alguns direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente . Podem ser citados o direito à família, o direito à educação e o direito à segurança.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
INSTITUTO MAURICIO DE SOUZA. Turma da Mônica em: o Estatuto da Criança e do Adolescente. São Paulo: Editora Mauricio de Souza, 2008. p. 3.

2. a) Moshood pratica o jejum diurno anualmente durante o Ramadã, o mês sagrado para os seguidores do Islamismo.

2 O trecho de texto a seguir conta como Moshood, uma criança de 11 anos, se relaciona com a religião que segue, o Islamismo.

Charlene [mãe de Moshood] explica que o Ramadan é a celebração do Alcorão marcada pelo jejum de 30 dias do amanhecer ao pôr do sol no mês de abril […]. Segundo ela, a abstenção do alimento só é obrigatória a partir da adolescência. Ainda assim, desde 2019, o filho pratica voluntariamente o jejum diurno.

“É mais difícil na escola, porque às vezes os amiguinhos me oferecem umas coisas muito gostosas pra comer. Mas eu digo não quando estou de jejum.”, [disse Moshood].

Jejum: período em que uma pessoa deixa de se alimentar e, no caso do jejum islâmico, de beber líquidos.

Abstenção: deixar de fazer algo por vontade própria.

RUGIANO, Jariza; SILVA, Jacqueline Maria da. Em Diadema, Moshood faz jejum voluntário e estuda árabe para entender o islamismo. Agência Mural, São Paulo, 20 abr. 2023. Disponível em: https://agenciamural.org.br/em-diadema-moshood-faz-jejum-voluntario-e-estuda-arabe -para-entender-o-islamismo/. Acesso em: 7 ago. 2025.

a) Que prática religiosa do Islamismo Moshood adota todos os anos?

b) Explique por que o respeito às crenças religiosas das pessoas é um exemplo de prática cidadã.

Resposta pessoal. Ver orientações no Encaminhamento

c) Em sua opinião, que atitudes os colegas de escola poderiam ter para ajudar crianças como Moshood, que são muçulmanas, a seguir suas crenças religiosas?

Na atividade 2. b), os estudantes devem reconhecer que o respeito às crenças religiosas das pessoas é um exemplo de prática cidadã, pois promove o direito de liberdade religiosa, a convivência pacífica entre as diferenças e uma atitude de respeito ao multiculturalismo, um tema transversal contemporâneo.

Na atividade 2. c), a resposta é pessoal. Os colegas podem não oferecer alimentos ou bebidas durante o período de jejum. Há outras práticas religiosas do Islamismo que podem despertar a curiosidade dos colegas, como os horários diários para fazer as preces.

Resposta pessoal. Ver comentários no Encaminhamento. Resposta pessoal.

d) Pelo que você observa em seu dia a dia, as pessoas em sua comunidade respeitam o direito de cada um professar sua crença religiosa livremente?

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

• Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

Respostas pessoais.

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

30/09/2025 23:37

Na atividade 2. d), a resposta é pessoal, mas espera-se que os estudantes reconheçam a importância do respeito à diversidade religiosa, garantindo o direito à liberdade de crença e promovendo uma cultura de paz.

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser importante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano.

Sempre Às vezes Nunca
MODELO PARA COPIAR

Nesta unidade, os estudantes serão convidados a pensar sobre o papel da memória na construção da história e sobre o conceito de patrimônio, destacando sua importância para a preservação de elementos históricos, culturais e naturais. No capítulo 1, o foco é discutir como a memória de diferentes grupos sociais é fundamental para a construção da história, reconhecendo os diferentes suportes que guardam esses registros e valorizando o papel de grupos minorizados, como as mulheres, os afro-brasileiros e os indígenas, na construção da história do Brasil. No capítulo 2, parte-se da discussão sobre o conceito de patrimônio, abordando as diferenças entre patrimônios materiais e imateriais, com a finalidade de mapear patrimônios regionais, nacionais e mundiais e ressaltar a importância de preservar esses bens. Assim, ao longo da unidade, os estudantes vão compreender o papel das memórias individuais e coletivas na construção da história, pensando nas memórias narradas e nos mecanismos de sua transmissão, mas também nas memórias silenciadas, como as das mulheres, dos afrodescendentes e dos indígenas. Além disso, os estudantes são chamados a reconhecer a importância da preservação dos patrimônios materiais e imateriais para a transmissão das histórias regionais, nacionais e mundiais, reconhecendo seu papel como cidadãos na luta pela preservação de patrimônios em perigo.

UNіDADE MEMÓRIA E PATRIMÔNIO

Você já reparou como guardamos lembranças importantes? Às vezes, elas ficam registradas em fotografias, cartas ou gravações de vídeo. Outras vezes, estão na memória das pessoas, que contam histórias para que não sejam esquecidas. Essa é uma forma de manter viva a memória de famílias e comunidades.

A sociedade também guarda lembranças em lugares e objetos que chamamos de patrimônios. Podem ser cidades históricas, como Ouro Preto, em Minas Gerais, ou construções muito antigas, por exemplo. Esses patrimônios nos ajudam a conhecer como viviam os povos do passado e a valorizar a riqueza cultural da humanidade.

Nesta unidade, vamos aprender sobre a importância de preservar patrimônios e sobre ouvir e respeitar as memórias contadas pelos mais velhos. Afinal, tudo isso faz parte de nossa identidade e mostra quem somos, de onde viemos e quem queremos ser no futuro.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Identificar processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória.

• Discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação de marcos de memória.

• Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a relatos, narrativas e outras fontes orais.

• Definir o conceito de patrimônio e reconhecer sua importância na preservação de fontes da história.

• Inventariar os patrimônios materiais e imateriais da humanidade e analisar mudanças e permanências desses patrimônios ao longo do tempo.

Reprodução de palafita em exposição no Museu da Maré, no Rio de Janeiro (RJ), em 2025. Os primeiros habitantes do bairro da Maré construíam essas moradias elevadas para se proteger da subida do mar e das enchentes provocadas pelas chuvas.

Veja orientações no Encaminhamento

1 Há algum acontecimento que marcou sua vida e que esteja guardado em sua memória?

Resposta pessoal.

2 Em sua comunidade existe alguma construção, local, monumento ou objeto que preserva a memória dos moradores?

Resposta pessoal.

ENCAMINHAMENTO

chamados patrimônios. Destaque como esses patrimônios nos ajudam a conhecer como viviam os povos do passado e a valorizar a riqueza cultural da humanidade.

Na sequência, peça aos estudantes que observem com atenção a imagem da abertura da unidade, que mostra um espaço de memória que preserva episódios importantes da história de uma comunidade. Proponha a discussão sobre a importância desses espaços, destacando seu lugar na preservação de uma história coletiva compartilhada. Após a reflexão, oriente a realização das atividades propostas.

Na atividade 1, incentive os estudantes a relatar acontecimentos que eles considerem importantes, como o nascimento de um parente. Caso o estudante relate uma história grave ou triste, trate o assunto com respeito e mantenha uma atitude acolhedora. Em todo caso, destaque para os estudantes que as memórias dos acontecimentos podem acompanhar uma pessoa ao longo da vida e influenciar suas decisões.

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30/09/2025 23:51

Para dar início ao trabalho da unidade, organize uma roda de conversa e proponha a cada estudante que compartilhe uma memória considerada muito importante para sua história. A ideia é que os estudantes reflitam sobre a relevância de preservar essas memórias para a construção de identidade e de uma história individual. É importante garantir a escuta atenta e respeitosa entre os colegas, para que todos se sintam à vontade ao compartilhar suas ideias.

Em seguida, incentive os estudantes a refletir sobre maneiras de preservar lembranças. Destaque que fotografias, gravações de vídeo e outros objetos afetivos cumprem esse papel, mas também é possível manter essas memórias vivas ao compartilhá-las em forma de histórias.

Partindo dessa reflexão, discuta como, do mesmo modo que temos memórias individuais e familiares, também as sociedades guardam lembranças coletivas, que são compartilhadas por seus membros, e que os lugares e objetos nos quais essas memórias são preservadas são

Na atividade 2, a proposta é fazer os estudantes perceberem que o patrimônio não está apenas em lugares famosos, mas também em seu entorno. Incentive-os a citar ou desenhar locais significativos do município ou do bairro onde vivem, mesmo que não sejam oficialmente reconhecidos como patrimônio. Aproveite para discutir a importância de cuidar desses espaços, destacando o valor cultural e social que eles têm para a comunidade.

• Entender os conceitos de memória coletiva e tradição oral.

• Compreender o que se entende por suporte de conteúdo e identificar diferentes suportes utilizados para a preservação da memória.

• Discutir a memória dos grupos minorizados no Brasil.

BNCC

HABILIDADES

(EF05HI07) Identificar os processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória e discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação desses marcos de memória.

(EF05HI09) Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais.

TEMAS

CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

• Saúde.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a reflexão, proponha aos estudantes que pensem sobre a pergunta que abre o texto do tópico – “Você se lembra de seu primeiro dia na escola?” – e compartilhem as memórias relacionadas a esse evento. A ideia é que todos dividam suas lembranças e percebam como existem elementos particulares em cada relato, mas também elementos comuns nessas memórias.

Destaque como os acontecimentos que compõem a memória contribuem para definir cada pessoa e qual é a sua história, ou seja, definem a identidade individual. Do

MEMÓRIAS PARA GUARDAR E COMPARTILHAR capítulo

Você se lembra de seu primeiro dia na escola? De seu aniversário de 9 ou 10 anos? Acontecimentos marcantes como esses ajudam a definir quem nós somos e qual é nossa história. Como lidamos com esses eventos importantes nos ajuda a formar nossos valores, nossos comportamentos e nossa identidade Grupos maiores também precisam se lembrar de acontecimentos passados. Quando um povo ou uma sociedade perde suas histórias, tradições e lutas, perde também parte de sua identidade. Por isso, preservar a memória – seja individual, seja coletiva – é tão importante: ela nos faz valorizar todos que ajudaram a construir o presente em que vivemos.

Desde os tempos mais antigos, antes mesmo do desenvolvimento da escrita, as sociedades humanas preservam na memória coletiva relatos históricos, conhecimentos religiosos ou sociais e saberes práticos, como os relacionados a plantas medicinais e alimentos. A transmissão desses saberes reforça vínculos sociais e preserva as identidades culturais.

A memória coletiva é o conjunto de lembranças, histórias e tradições compartilhadas por um grupo de pessoas (uma família, um povo, uma cidade).

Para alguns povos, a memória era importante a ponto de ser considerada uma divindade. Na mitologia grega, Mnemósine, a memória, era mãe das nove musas, deusas responsáveis pelas artes e pelas ciências, como a poesia, a música, o teatro, a astronomia e a história. Isso significava que, sem a memória, não seria possível contar as histórias do passado, lembrar os que já foram, cantar as músicas, nem imaginar novas ideias para o futuro.

mesmo modo, grupos maiores também precisam se lembrar de fatos do passado para preservar a própria identidade.

Com base nos elementos levantados pelos estudantes, discuta como as lembranças mostram a existência de uma memória individual, que faz parte da identidade de cada sujeito, mas também de uma memória coletiva, compartilhada pelos membros do grupo. Proponha a leitura coletiva da definição do conceito de “memória coletiva” presente no material, abordando como o termo é usado para definir o conjunto de lembranças, histórias e tradições compartilhadas por um grupo de pessoas (uma família, um povo, uma cidade).

Na sequência, organize os estudantes em duplas ou em pequenos grupos para discutir a seguinte questão: por que preservar a memória, seja individual, seja coletiva, é tão importante? Após as discussões, solicite a cada dupla que compartilhe suas reflexões com os demais e ressalte como as memórias individuais e coletivas contribuem para valorizar todos que participam da construção do presente.

A deusa Memória representada em um dos Mosaicos de Antioquia, conjunto de mosaicos feitos entre os séculos 2 e 4 d.C. Atualmente, a obra está no acervo do Museu de Arte de Worcester, em Massachusetts, nos Estados Unidos.

1

Por que os gregos consideravam a personificação da memória como a mãe das outras artes e ciências?

Por fim, peça aos estudantes que observem com atenção a imagem com os mosaicos de Antioquia. Retome o mito grego sobre a memória e destaque que, desde os tempos mais antigos, antes mesmo do desenvolvimento da escrita, as sociedades humanas preservam na memória coletiva relatos históricos, conhecimentos e saberes práticos. Ressalte que não existe história única, mas múltiplas narrativas que enriquecem nossa compreensão da sociedade. Termine orientando a realização das atividades propostas.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes reconheçam que, para os gregos, as artes, as ciências e a história só existem porque as pessoas têm memória, ou seja, registram, lembram e compartilham experiências.

Na atividade 2, incentive os estudantes a escolher histórias que revelam aspectos culturais e sociais importantes para sua formação. Se os estudantes relatarem acontecimentos tristes que, ainda assim, foram importantes, conduza o tema com sensibilidade e acolhimento.

ATIVIDADES

2 Busque em sua memória alguma história que seja importante para sua família ou para a comunidade em que você mora. Em seguida, conte essa história para os colegas e o professor, explicando a razão pela qual você a escolheu.

CONEXÃO

Veja resposta no Encaminhamento Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

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PARA O PROFESSOR

• LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução: Irene Ferreira et al. Campinas: Editora Unicamp, 2003.

Nesse livro, um clássico da historiografia, o pesquisador francês reflete sobre os processos que constituem a História, tanto individual quanto coletiva, e o papel da memória como fonte e objeto da História.

Para aprofundar a reflexão sobre o papel das memórias na construção de identidades, proponha aos estudantes que elaborem um quadro no caderno em que, de um lado, registrem três elementos que considerem definidores de sua identidade (local de nascimento, seu papel de estudante, gostos pessoais, interesses etc.) e, de outro, três lembranças que acreditam ser fundamentais para essa definição de identidade.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar o trabalho com a dupla de páginas, solicite aos estudantes que observem com atenção as imagens reproduzidas no material e identifiquem elementos comuns entre elas. Incentive-os a reconhecer que nas duas imagens são retratadas pessoas mais velhas cercadas de grupos, em situações que parecem ser de contação de histórias ou de transmissão de saberes e conhecimentos.

Por meio dos elementos levantados pelos estudantes, incentive-os a reconhecer que as memórias transmitidas pela fala são tão valiosas quanto os registros escritos e que histórias familiares, cantigas e relatos locais preservam saberes e identidades culturais.

Pergunte aos estudantes se eles conhecem histórias, parlendas, canções ou narrativas folclóricas que acreditem fazer parte de uma tradição ou memória coletiva. Caso na escola existam momentos em que se desenvolvam atividades de contação de histórias ou de brincadeiras tradicionais, ajude-os a pensar como elas estão relacionadas a tradições compartilhadas pela comunidade.

Explique que cantigas, mitos, músicas ou mesmo conhecimentos da vida cotidiana integram a tradição oral, uma forma de transmitir e preservar memórias. Apresente o conceito destacando como a oralidade continua a aproximar as pessoas e a preservar memórias coletivas, saberes populares e identidades, mesmo em um mundo digital, no qual estamos cercados de celulares e computadores. Em seguida, oriente a realização das atividades propostas. Na atividade 1, incentive os estudantes a relatar o que aprenderam com pessoas mais velhas do convívio deles e valorize as narrativas, mesmo que sejam pequenas ou simples.

VOZES QUE CONTAM HISTÓRIAS

Antes de existir a escrita, as experiências e histórias de um povo eram transmitidas de geração em geração, das pessoas idosas às mais jovens, por meio da memória e da palavra falada. Cantigas, mitos, músicas e histórias eram usados para transmitir a religião, os costumes e até os conhecimentos da vida cotidiana, como a confecção de roupas, de utensílios e de alimentos. Essa forma de preservar e compartilhar memórias é conhecida como tradição oral Mesmo hoje, em um mundo cercado por livros, celulares e computadores, a tradição oral permanece como uma forma de transmissão cultural muito importante. Ela se manifesta quando alguém relata uma história familiar, ensina uma cantiga popular ou narra a origem de uma festa típica de sua comunidade.

A oralidade continua a aproximar as pessoas e a preservar memórias coletivas, saberes populares e identidades, que muitas vezes não estão registrados por escrito.

Em várias culturas, a tradição oral é um dos principais mecanismos de preservação da memória histórica e da identidade coletiva. Na África ocidental, por exemplo, os griôs são guardiões da memória, ou seja, dedicam a vida a preservar, narrar, cantar e recitar as histórias de seu povo.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes compreendam que essas práticas ajudam a preservar a cultura, os costumes e as identidades dos povos. Sem a tradição oral, muitos saberes importantes sobre o passado poderiam ser esquecidos.

ATIVIDADES

Organize os estudantes em duplas e proponha que elaborem um roteiro para uma breve entrevista com familiares ou vizinhos mais idosos sobre uma lembrança importante (uma festa, um costume, uma brincadeira). A ideia é que os estudantes conversem com o entrevistado escolhido e registrem, com frases ou desenhos, os principais elementos da história relatada (quem, o que, quando, onde e por quê). Após a realização da entrevista e dos registros, reúnam-se em roda e peça aos estudantes que reproduzam oralmente as histórias que ouviram.

Ebomi Cici, também conhecida como Vó Cici, conta histórias na cerimônia de batizado do grupo de capoeira na Fundação Pierre Verger, em Salvador (BA), em 2023.
MAURO AKIN NASSOR/FOTOARENA

Entre os povos indígenas do Brasil, a oralidade também é fundamental. São os anciãos, guardiões do saber tradicional, que contam aos mais jovens as histórias da criação do mundo, ensinam os nomes e usos das plantas, falam sobre os animais e os caminhos da terra. Nessas conversas, eles transmitem não apenas conhecimentos, mas também valores de convivência, respeito à coletividade e modos de viver em harmonia com a natureza.

em Pariquera-Açu (SP), em 2010.

1 Algum adulto de sua família já transmitiu algum ensinamento para você por meio da tradição oral? Pode ser uma história, uma cantiga, uma lenda ou até mesmo algo que se faz no cotidiano, como a preparação de um alimento.

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

2 Em sua opinião, por que é importante manter vivas as histórias e cantigas transmitidas pela tradição oral?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

FIQUE LIGADO

• MUSEU DA PESSOA. São Paulo, c2025. Site. Disponível em: https://museudapessoa. org. Acesso em: 9 ago. 2025.

O acervo do museu reúne depoimentos de pessoas que contam suas histórias de vida em textos, áudios e vídeos, além de reunir imagens e documentos digitalizados.

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CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• OS GRIOTS: guardiões das tradições africanas. [S. l.: s. n.], 2024. 1 vídeo (ca. 4 min). Publicado pelo canal Mentalize. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_hbaLDrxX28. Acesso em: 30 ago. 2025. O vídeo trata da transmissão de informações por meio da oralidade, apresentando os griôs, agentes receptores e transmissores do universo cultural, ideológico e filosófico da África, como figuras fundamentais para que a cosmovisão africana permaneça viva.

TEXTO COMPLEMENTAR

Comecemos por duas premissas:

1. Os objetos transmitidos pela tradição oral não são imutáveis. Canções, ditos populares, rezas, mitos etc. não são, digamos, produtos intactos disponíveis em uma prateleira, os quais podemos escolher. Como sua forma de transmissão é oral, para que se atualizem e se manifestem, precisam do momento, da contingência, que irá influir na sua manifestação, pois é o momento que determina, em grande parte, para que e como algo é narrado.

2. A tradição oral, como as tradições de modo geral, está calcada na repetição. Em princípio, ambas as premissas são contraditórias – se digo que o fundamental é a repetição, como posso dar espaço para a invenção no momento da atualização? Esse talvez seja o grande fascínio exercido pela tradição oral: o fato de se tratar de um patrimônio coletivo comum, que, no entanto, não existe sem a ação permanente daqueles que o repetem e, portanto, o transformam. ALBERTI, Verena. Tradição oral e história oral: proximidades e fronteiras. História Oral, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 11-28, jan./ jun. 2005. p. 17-18. Disponível em: https://revista.historiaoral. org.br/index.php/rho/article/ view/113/108. Acesso em: 30 ago. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Ancião indígena conta histórias para as crianças guaranis da aldeia Pindo-Ty

ENCAMINHAMENTO

Para dar início à reflexão, peça aos estudantes que mencionem um objeto guardado em casa que esteja associado a alguma memória importante. Cada estudante deve descrever para os colegas o objeto escolhido, relatando a história que ele guarda.

Com base nos elementos levantados pelos estudantes, incentive-os a pensar de que maneira os objetos podem preservar acontecimentos e contar histórias. Explique que, ao longo do tempo, diferentes sociedades desenvolveram maneiras variadas de registrar suas memórias em diversos suportes: lugares, construções, objetos, imagens, documentos, músicas, registros sonoros e, mais recentemente, registros digitais. Incentive os estudantes a pensar em exemplos de cada um desses diferentes suportes.

Para a exploração do material, uma estratégia é dividir os estudantes em grupos e propor a cada grupo que investigue um dos itens do conteúdo: escrita, fotografia, pintura ou monumento. Incentive os estudantes a ler o texto e a analisar com atenção as imagens, fazendo no caderno algumas anotações sobre as características daquele suporte. Em seguida, cada grupo deve compartilhar suas conclusões com os demais. Se julgar necessário, monte na lousa um quadro com os elementos levantados pelos grupos e proponha uma análise sobre as semelhanças e diferenças de cada suporte.

ONDE A MEMÓRIA FICA GUARDADA

As memórias de uma pessoa, de uma família ou de grupos maiores, como um povo ou a população de um país, não se resumem apenas às lembranças individuais. Ao longo do tempo, diferentes sociedades desenvolveram maneiras de registrar essas memórias em diversos suportes, como lugares, construções, objetos, imagens, documentos, músicas e registros sonoros. Mais recentemente, surgiram os registros digitais, que podem ter vários formatos.

Em História, o suporte de informações é o nome dado ao material em que as informações são registradas para serem guardadas. São objetos que carregam a memória e os registros de uma época, como papéis, pergaminhos e pinturas.

A seguir, são citados alguns exemplos de como a memória pode ser preservada e compartilhada com as gerações atuais e futuras.

Escrita e seus suportes

Por muito tempo, as pessoas registraram suas histórias e seus saberes e, para isso, usaram os suportes mais variados: estelas de pedra, papiros, pergaminhos, entre outros. O papel, ainda hoje, é um dos formatos preferidos para a escrita, principalmente na forma de livros.

Quitandeiras, de Marc Ferrez, cerca de 1875. Fotografia monocromática em albumina/prata, 15,8 cm x 22,1 cm.

Fotografia

A fotografia foi inventada no século 19 e em pouco tempo já era utilizada para registrar acontecimentos, desde os mais impactantes até os mais corriqueiros. Durante muitas décadas, as fotografias eram registradas em papel, mas hoje a maior parte delas está armazenada em formato digital.

ATIVIDADES

Proponha aos estudantes que imaginem a criação de um museu sobre suas vidas. Questione: que objetos e registros vocês incluiriam para contar a própria história? Cada estudante deve desenhar ou descrever três itens que colocaria nesse museu. Ajude-os a compreender que memórias coletivas podem ser guardadas de muitas formas e que cada suporte é uma fonte histórica importante.

Estudante lê livro em uma biblioteca escolar em São Paulo (SP), em 2025.

Pintura

Quando a fotografia ainda não existia ou não estava popularizada, artistas produziam pinturas de retratos, de momentos importantes para a família e dos eventos considerados históricos. Porém, encomendar retratos era muito caro, e somente pessoas muito ricas ou com muito poder político conseguiam obter esses registros.

Monumento

Os monumentos são formas de registrar a memória em locais públicos. Algumas cidades têm praças com esculturas, placas e outros marcos que lembram pessoas e acontecimentos importantes para a comunidade.

Monumento em homenagem a Antônio Conselheiro e ao povo sertanejo, em frente ao Museu Histórico de Canudos, no município de Canudos (BA), em 2019. Canudos foi um povoado liderado por Conselheiro que se rebelou contra o governo e foi massacrado pelo Exército.

Esses são apenas alguns exemplos, pois a memória pode ser guardada de muitas outras maneiras!

1 Vamos conhecer melhor um desses suportes de memória? Faça o que se pede.

a) Escolha um dos suportes que você estudou nesta dupla de páginas.

b) Pesquise um exemplo de uso desse suporte no bairro ou no município em que você mora.

c) Descreva que memórias ou acontecimentos foram registrados nesse suporte.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

TEXTO COMPLEMENTAR

Por fim, oriente a realização da atividade 1, na qual cada estudante deve escolher um dos suportes estudados no tópico e registrar um exemplo concreto dele que faça parte de sua realidade. Avalie se os estudantes identificam corretamente o suporte do item selecionado, relacionando sua função à preservação da memória. Valorize as contribuições dos estudantes como representações de memórias de sua comunidade.

Caso seja possível, seria interessante propor a visita a um museu da cidade (presencial ou virtual) ou uma caminhada por uma praça ou parque próximos à escola para observar monumentos ou lugares de memória.

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Em uma era em que os mundos digital e físico estão contiguamente interligados, os “lugares de memória” – museus, memoriais, arquivos corporativos, centros de memórias e referência e bibliotecas – tornaram-se territórios críticos. Servem como domínios tangíveis e intangíveis onde instituições e comunidades tentam formar ligações extraordinárias a partir de memórias e histórias, estabelecendo uma base comum para o que pode ser considerado significativo. […] Pelo seu potencial sentido agregador, em uma sociedade escassa em consensos, as formas e os tempos em que essas memórias e histórias são guardadas, são apagadas, são esquecidas, são organizadas e são comunicadas não são menos críticos e estratégicos, diante da torrente informacional da atualidade que tem o smartphone como o seu totem principal. […] Assim, no turbilhão da nossa existência digital, os locais de memória servem a um propósito duplo. Eles não são apenas guardiões do nosso passado, mas também santuários onde podemos desconectar, refletir e encontrar as peças que se encaixam no quebra-cabeça das nossas identidades individuais e compartilhadas. […]

NASSAR, Paulo. Os lugares de memória são lugares extraordinários. Jornal da USP, São Paulo,19 dez. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=714319. Acesso em: 30 ago. 2025.

Cena de família de Adolfo Augusto Pinto, de Almeida Júnior, 1891. Óleo sobre tela, 106 cm x 137 cm.
PINACOTECA
SÃO PAULO, SÃO PAULO, BRASIL
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Esta dupla de páginas convida os estudantes a refletir sobre como a arte atua na preservação e transmissão de memórias coletivas, especialmente de grupos sociais historicamente pouco valorizados.

Ao trabalhar com a pintura O lavrador de café, de Candido Portinari, os estudantes devem observar atentamente a obra, identificando elementos visuais que revelem aspectos da vida dos trabalhadores rurais no Brasil do início do século XX, a fim de compreender como a arte registra sentimentos, condições de vida e a importância social de um grupo historicamente minorizado.

Oriente os estudantes a analisar a pintura com atenção aos detalhes: a expressão do rosto, que passa a impressão de cansaço; as condições das roupas; a ferramenta de trabalho; e o cenário ao fundo. Explique que todos esses elementos têm significado histórico e ajudam a compreender como viviam esses trabalhadores, que sustentavam a economia do café com muito esforço e pouca valorização. É importante que a turma entenda que a pintura não mostra apenas um homem, mas representa milhares de homens e mulheres em condições semelhantes.

Encoraje a turma a compartilhar suas percepções, destacando que existem várias interpretações possíveis, e todas ajudam a construir uma compreensão mais completa da história. Se possível, complemente com a visualização de outras obras de Portinari que abordam temas sociais, como Retirantes (1944), disponível em: https://masp.org.br/acer vo/obra/retirantes (acesso em: 30 set. 2025), para enriquecer o repertório cultural dos estudantes.

A memória registrada na arte

Muitas vezes, obras de arte registram e contam partes importantes da história de uma sociedade ou de uma época. Uma pintura, uma escultura ou uma instalação podem ajudar a conhecer ou relembrar como as pessoas viviam no passado, o que sentiam e no que acreditavam.

Um exemplo importante no Brasil é o quadro O lavrador de café, do paulista Candido Portinari (1903-1962). Nessa obra, o artista representou um trabalhador do campo segurando uma enxada, com expressão séria e cansada, mostrando a dureza da vida dos lavradores daquela época.

Durante décadas, esses trabalhadores rurais enfrentaram condições muito difíceis. Trabalhavam por salários baixos, em longas jornadas, sem direitos trabalhistas e vivendo em moradias precárias nas fazendas.

Por meio dessa pintura, Portinari registrou a memória de um grupo social que ajudou a construir a economia do país à custa de muito esforço. Esse artista representou também a atividade cafeeira em São Paulo, que era muito importante para o país no passado e também no presente. O Brasil é, atualmente, o maior produtor de grãos de café no mundo, exportando para diversos países.

O lavrador de café, de Candido Portinari, 1934. Óleo sobre tela, 100 cm x 81 cm x 2,5 cm.

1 Observando o quadro O lavrador de café, quais elementos da imagem ajudam a conhecer como era a vida dos lavradores na época em que a pintura foi feita? Veja orientações no Encaminhamento

Na sequência, oriente a análise da obra Feira livre, do artista carioca Heitor dos Prazeres. Incentive os estudantes a reconhecer que a pintura representa uma cena de uma feira tradicional, onde pessoas conversam, trabalham e compram em meio a barracas coloridas. As roupas cheias de cores e o movimento das figuras transmitem uma ideia de alegria e de valorização da coletividade, dando visibilidade às pessoas simples e celebrando sua cultura.

Após a análise da pintura, proponha a realização das atividades 2 e 3.

Na atividade 2. a), os estudantes podem apontar que as vestimentas das mulheres e dos homens mostram que a cena se passa em outra época. Outros elementos podem ser apontados, como o barril de madeira para transportar líquidos e o carrinho de madeira.

A seguir, oriente a realização da atividade 1, em que os estudantes devem reconhecer que elementos como a expressão séria do trabalhador, a roupa simples, os pés descalços, a enxada nas mãos e a grande plantação ao fundo são pistas sobre as condições de trabalho e a importância desses trabalhadores na história do Brasil.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Na obra de arte desta página, o artista carioca Heitor dos Prazeres representou uma cena vibrante de uma feira popular, onde pessoas conversam, trabalham e compram em meio a barracas. As roupas cheias de cores e o movimento das pessoas mostram uma situação alegre, que valoriza a vida coletiva e a cultura popular. Heitor dos Prazeres, em sua obra, dá visibilidade às pessoas simples do povo.

Heitor dos Prazeres (1898-1966) foi um músico e pintor brasileiro ligado ao samba e à cultura popular. Representou em suas obras o cotidiano, as festas, as feiras e as tradições das comunidades negras do Rio de Janeiro (RJ).

2

Feira livre, de Heitor dos Prazeres, 1963. Óleo sobre tela, 60 cm x 80 cm.

Observe a pintura de Heitor dos Prazeres e responda às perguntas.

a) Que elementos da pintura mostram que a cena ocorreu no passado?

Veja resposta no Encaminhamento

b) Que semelhanças podem ser observadas entre a feira livre representada pelo artista e as que existem atualmente?

As feiras livres de nossos dias ainda são realizadas, em sua maioria, nas ruas, com barracas muito semelhantes às mostradas na pintura.

3

Em sua opinião, por que é importante que artistas como Portinari e Heitor dos Prazeres representem trabalhadores e cenas do cotidiano?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

Na atividade 2. b), se considerar oportuno, pergunte aos estudantes se já frequentaram esse tipo de feira. Em caso afirmativo, peça que compartilhem como foi a experiência. Na atividade 3, é importante que os estudantes reconheçam que a arte pode dar visibilidade a grupos que não recebem tanta atenção, destacando a necessidade de valorizar todas as memórias para compreender melhor a sociedade.

ATIVIDADES

Para ampliar a reflexão sobre como as obras de arte são importantes suportes para o registro de memórias e histórias, peça aos estudantes que façam uma pesquisa e selecionem uma obra de arte produzida por algum artista brasileiro. Depois, solicite que escrevam no caderno uma breve análise dessa obra, apontando ao menos dois elementos dela que mostrem aspectos de tradições ou histórias de nosso país.

30/09/2025 23:51

• TUFANO, Douglas. Almanaque da história da arte no Brasil. Ilustrações: Marcos de Mello. São Paulo: Moderna, 2022.

Nessa obra, a proposta é fazer uma viagem no tempo, reconhecendo momentos importantes da história da arte no Brasil, a fim de destacar as influências dos povos indígenas, que já viviam no território antes da chegada dos portugueses; dos povos africanos, que vieram para cá por imposição da escravização; e da arte europeia.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ACERVO CORREIO DA MANHÃ/ARQUIVO NACIONAL

ENCAMINHAMENTO

Inicie o trabalho do tópico organizando uma roda de conversa para discutir a questão da invisibilidade das mulheres na história. Peça aos estudantes que apontem espaços ou meios, como livros, filmes e museus, em que já sentiram a ausência de referências a figuras femininas. Incentive a reflexão sobre como o machismo estrutural na sociedade fez com que a trajetória das mulheres fosse sempre deixada em segundo plano e destaque a importância de valorizarmos as figuras femininas de nossa história.

Tomando por base os elementos levantados na roda de conversa, explique que, durante muito tempo, a história foi contada quase sempre do ponto de vista dos homens, e pouco se falava a respeito da atuação das mulheres. Atualmente, no entanto, cada vez mais se busca exaltar a memória das mulheres, mostrando como elas são parte essencial da história do Brasil e do mundo.

Apresente as figuras de Dandara dos Palmares (não há registro oficial sobre a informação de nascimento) e Bertha Lutz, em destaque no material. Uma possibilidade para tratar da trajetória dessas personalidades é organizar uma linha do tempo e solicitar aos estudantes que participem dessa elaboração, destacando datas e fatos que considerarem importantes. Analisem juntos as histórias dessas protagonistas, comparando suas trajetórias e seus contextos de atuação. Por fim, oriente a realização das atividades propostas.

MEMÓRIAS DOS GRUPOS

MINORIZADOS NO BRASIL

Nos últimos anos, a sociedade brasileira passou a resgatar e a valorizar a memória de grupos que sofreram preconceitos ao longo da história do país. As experiências de vida, os valores e as realizações desses grupos eram considerados de pouca importância ou foram até mesmo apagados, muitas vezes por preconceito racial ou de gênero.

Memória das mulheres

Durante muito tempo, a história foi contada quase sempre do ponto de vista dos homens. Pouco se falava sobre a atuação das mulheres e a importância do trabalho delas para o funcionamento da vida das famílias e das comunidades, mesmo quando elas assumiam posições de liderança.

Atualmente, sabe-se que a memória das mulheres é parte essencial da história do Brasil e do mundo, pois elas sempre trabalharam, cuidaram, lutaram por direitos e ajudaram a transformar as sociedades. O resgate da memória das mulheres ao longo da história foi fundamental para a valorização desse grupo no presente.

No Brasil, estudos dos últimos anos têm evidenciado a importância das mulheres em todos os aspectos da vida no passado. Elas trabalharam no campo, nas fábricas e nas casas, preservaram tradições culturais, lutaram por liberdade e por igualdade. Conheça alguns exemplos a seguir.

ATIVIDADES

Papel de mulher, de Marcella Sholl, 2022. Mural lambe-lambes, 4,2 m x 2,4 m. A obra de arte faz parte da Casa Rikio Osawa, no município de Tapiraí (SP).

Para evidenciar a importância das mulheres não só na história do mundo e do Brasil, mas também no cotidiano dos estudantes, oriente-os a planejar entrevistas com mulheres da comunidade em que vivem, de modo que elas possam compartilhar experiências e narrar elementos significativos de suas trajetórias.

Instrua os estudantes a se reunir em grupos. Cada grupo deve escolher uma mulher da comunidade, que pode ser uma funcionária da escola ou alguém de suas famílias. Após a escolha da entrevistada, deve-se organizar a entrevista, preparar as perguntas, agendar a data com a pessoa escolhida e registrar a conversa em áudio ou vídeo. É importante que no dia da entrevista o estudante esteja acompanhado de um adulto responsável ou que uma sala de aula seja disponibilizada para a gravação das entrevistas. Os materiais produzidos devem ser compartilhados com os colegas, para que todos compreendam a importância das mulheres que compõem a comunidade na qual os estudantes estão inseridos.

Dandara dos Palmares (c. 1654-1694) foi uma mulher negra que viveu no século 17 no quilombo dos Palmares, território que pertence a Alagoas atualmente. Esposa de Zumbi, ela era uma das líderes do quilombo e ajudou a defender o território de Palmares da invasão de tropas portuguesas. O quilombo abrigava centenas de africanos e de seus descendentes que fugiam da escravidão. Por isso, a luta de Dandara é um símbolo de coragem e de esperança. Bertha Lutz (1894-1976), que nasceu em São Paulo, é outro exemplo de destaque feminino. Ela era bióloga e se tornou uma das maiores líderes feministas do Brasil. Bertha organizou movimentos que exigiam o direito ao voto feminino, para que as mulheres pudessem participar da vida política do país. Após muita pressão, as mulheres no Brasil conquistaram o direito ao voto em 1932. Poucos anos depois, Bertha se tornou uma das primeiras deputadas federais do país.

Bertha Lutz em conferência que lançou as bases para a estruturação da Organização das Nações Unidas, realizada em São Francisco, nos Estados Unidos, em 1945.

1 Por que é importante preservar e valorizar as lutas e conquistas das mulheres ao longo da história?

2 Pergunte para sua família ou para adultos que convivem com você sobre a atuação das mulheres em sua comunidade. Registre o relato no caderno e conte para o professor e os colegas. Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

FIQUE LIGADO

• CAJÉ, Marcos. Kieza: uma princesa quilombola. Ilustrações: ÓGBÁ. São Paulo: Callis, 2025. O livro conta a história de Kieza, filha de uma rainha africana, que vivia no quilombo dos Palmares e que comandou a luta de seu povo na defesa do quilombo.

1. Para reconhecer a importância das mulheres na sociedade atualmente, valorizar sua contribuição para o país e garantir que seus direitos e memórias sejam respeitados.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Na atividade 1, incentive os estudantes a retomar as reflexões sobre o tema. Se considerar oportuno, proponha aos estudantes que se reúnam em duplas para debater o assunto antes de responder à questão. Na atividade 2, proponha uma roda de conversa para compartilhar as histórias trazidas. Incentive os estudantes a dar valor mesmo às ações simples, como ajudar vizinhos ou ensinar tradições culturais.

30/09/2025 23:51

• ROVAI, Marta Gouveia de Oliveira (org.). História oral e história das mulheres: rompendo silenciamentos. São Paulo: Letra e Voz, 2017. A proposta do livro é retomar os debates teóricos e metodológicos do campo da história oral para pensar a história das mulheres, discutindo a importância de valorizar as trajetórias femininas e seus relatos na construção da história nos mais diferentes níveis.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

O objetivo desta dupla de páginas é valorizar as memórias dos afrodescendentes e promover uma reflexão crítica sobre as marcas deixadas pela escravidão e pelo racismo estrutural na sociedade brasileira. A proposta busca conscientizar os estudantes de que a história dos afrodescendentes não se resume à escravidão: trata-se também de resistência, de lutas por direitos e de uma imensa contribuição para a formação da identidade cultural do Brasil. Proponha aos estudantes uma reflexão sobre como a cultura afro-brasileira está presente no cotidiano, em músicas, danças, culinária, festas, religiões e modos de falar e viver. Incentive os estudantes a pensar em como essas manifestações são símbolos de identidade e orgulho e que reconhecer e valorizar essas expressões é fundamental para combater estereótipos, preconceitos e discriminações ainda hoje sofridos por pessoas negras. Reforce com a turma que aprender sobre essas memórias ajuda a construir uma sociedade mais justa, plural e respeitosa com todas as pessoas.

Incentive os estudantes a reconhecer as manifestações culturais afro-brasileiras como patrimônio de todos, e não apenas como algo pertencente a um grupo isolado. Atividades como rodas de capoeira, apresentações de samba e maracatu, a preparação de acarajé e datas comemorativas como o 20 de Novembro (Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra) podem ser exploradas como exemplos atuais dessa herança. Essa reflexão permite trabalhar o multiculturalismo, explorando o TCT Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

Para aproximar o tema da realidade da turma, se possível convide alguém da comunidade – uma liderança, um artista

Memórias afro-brasileiras

Entre os séculos 16 e 19, africanos de diferentes regiões e de diversas culturas foram escravizados e trazidos à força ao Brasil. Com eles vieram seus saberes agrícolas, têxteis, arquitetônicos e medicinais, que foram transmitidos oralmente e pela prática comunitária. Esses saberes integram nossa cultura até os nossos dias.

Há muitos exemplos de práticas culturais que têm sua origem na cultura africana: o acarajé, vindo da África ocidental e popularizado pelos terreiros iorubás da Bahia, é um símbolo da culinária de rua; o maracatu pernambucano tem origem nos cantos cerimoniais dos festejos reais africanos.

Na música, o samba também traz consigo memórias afro-brasileiras. Alguns instrumentos usados nesse gênero musical, como o atabaque e o agogô, vieram das religiões de matriz africana. As escolas de samba são espaços de afirmação da identidade negra e de crítica social, e a música se torna instrumento de luta por cidadania e igualdade.

As memórias africanas foram preservadas, principalmente, nas práticas religiosas. No Candomblé e na Umbanda, o culto aos orixás e demais entidades manteve vivos o sentido de coletividade, a reverência aos antepassados e o respeito à natureza. Nas irmandades católicas, formaram-se redes de solidariedade que se mantiveram até o presente, preservando memórias do tempo da escravidão e da África.

200 anos, sendo um dos mais antigos do Brasil.

As comunidades remanescentes de quilombos também são locais em que as memórias da cultura africana e do tempo da escravidão se preservaram. Como os quilombos que se formaram durante o período escravista, algumas dessas comunidades permaneceram isoladas ou com pouco contato com as cidades mais próximas.

Nesses locais, foram preservados aspectos da cultura africana que muitas vezes se perderam em outros lugares, com destaque para as técnicas agrícolas e o conhecimento de plantas medicinais. O artesanato, outra herança africana, atualmente tem grande importância econômica para as comunidades remanescentes de quilombos.

local, uma cozinheira, um capoeirista, um representante de religião de matriz africana – para compartilhar vivências pessoais ou histórias de família, explicar tradições religiosas ou culturais afro-brasileiras. Essa participação enriquece a experiência, dá voz a quem vive essas tradições e ajuda os estudantes a perceber que a memória e a cultura negra estão vivas ao seu redor. Ao longo da exposição, promova o respeito e o diálogo. Corrija estereótipos quando aparecerem e acolha as perguntas com cuidado, mostrando que todos têm a aprender sobre esse tema. Ressalte que o combate ao racismo começa com a valorização das memórias e da dignidade dos afrodescendentes, reconhecendo a contribuição histórica e cultural desses povos para a sociedade brasileira.

Fachada do terreiro de Candomblé Casa Branca, em Salvador (BA), em 2023. Acredita-se que o terreiro tenha sido fundado há

Ao longo do século 20, vozes negras ganharam espaço na literatura e muitos escritores afro-brasileiros transformaram suas vivências, seus valores e suas histórias em arte. Um dos exemplos é o de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), que relatou suas experiências nas comunidades pobres de São Paulo no livro Quarto de despejo, de 1960.

A memória dessas trajetórias é celebrada no Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em 20 de novembro, e nas diversas expressões artísticas e religiosas que reafirmam a importância de reconhecer as contribuições dos afrodescendentes para a construção de um Brasil pluricultural. A escolha da data é uma homenagem a Zumbi dos Palmares, morto por tropas contratadas pelo governo português para destruir o quilombo dos Palmares em 1695.

Manifestação na celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em São Paulo (SP), em 2023.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

1 Sobre as manifestações culturais afro-brasileiras, faça o que se pede.

a) Com a ajuda de sua família ou do professor, pesquise em livros ou na internet uma manifestação cultural afro-brasileira.

b) No caderno, escreva o nome dessa manifestação e explique por que ela é importante para a cultura brasileira.

c) Mostre para os colegas e o professor qual manifestação você escolheu.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• MATTOS, Regiane Augusto de. História e cultura afro-brasileira. São Paulo: Contexto, 2007. Esse livro busca contribuir para o ensino de história e cultura afro-brasileiras nas escolas, mostrando como africanos e seus descendentes encontraram meios para manifestar suas culturas, apesar dos obstáculos da escravização, e influenciaram profundamente nossa história e a formação da cultura brasileira.

Na atividade 1, os estudantes devem pesquisar em livros ou na internet uma manifestação cultural afro-brasileira, reconhecendo sua importância para a cultura nacional. Os estudantes podem abordar qualquer um dos exemplos explorados no tópico: músicas, danças, culinária, festas e religiões. Ressalte a importância de fazerem registros no caderno dos elementos pesquisados. Após a realização da atividade, organize uma roda de conversa em que todos possam compartilhar as pesquisas feitas e refletir sobre a intensidade da presença de manifestações da cultura afro-brasileira no cotidiano, valorizando a diversidade cultural brasileira.

ATIVIDADES

Para aprofundar a reflexão sobre a importância da cultura negra na história do Brasil, proponha aos estudantes que escolham uma personalidade negra importante para a história e escrevam no caderno um breve perfil biográfico dela. O perfil deve ter a data de nascimento, a área de atuação, três marcos de sua trajetória e sua importância histórica. Os resultados das pesquisas devem ser compartilhados com toda a turma, de modo a constituir um verdadeiro painel, ressaltando a importância das memórias afro-brasileiras na construção da história de nosso país.

MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/GETTY IMAGES
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar o trabalho do tópico, oriente os estudantes a observar com atenção a imagem reproduzida no material, que mostra o manto tupinambá, uma vestimenta indígena feita com as penas de uma ave vermelha chamada guará.

Se for possível, solicite aos estudantes que se reúnam em pequenos grupos e pesquisem reportagens disponíveis nos grandes portais de notícias da internet que mencionem essa peça.

Com base nos elementos levantados, explique que a peça foi levada para a Europa durante o período colonial e mantida em um museu na Dinamarca, retornando ao Brasil somente em 2024, passando para a guarda do Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ). Destaque que esse caso é um dos maiores exemplos de como objetos importantes para a conservação da memória dos povos indígenas foram parar em museus do Brasil e da Europa e que seu retorno é importante para a valorização das memórias indígenas como parte da construção da história de nosso país.

Por meio da exploração do caso do manto tupinambá, discuta com os estudantes como, ainda hoje, os mais de 300 povos indígenas que habitam o território brasileiro seguem lutando pela conservação de suas culturas. Reforce a importância de valorizar as culturas indígenas e de reconhecer o papel fundamental desses povos para a construção da história de nossa nação. Por fim, oriente a realização das atividades propostas.

Memória dos povos indígenas

Desde os primeiros anos da colonização, os povos indígenas tiveram sua cultura ameaçada. Os portugueses viam a religião e os costumes indígenas com desconfiança. Os missionários católicos consideravam demoníacas as crenças indígenas e tentavam converter os nativos pelo convencimento ou pela força.

Mesmo sendo considerada pagã, a cultura indígena ainda despertava curiosidade. Assim, inúmeros objetos feitos por indígenas, desde aqueles de uso cotidiano, como cestos e vasos, até importantes objetos sagrados, foram levados das aldeias para a Europa. Alguns objetos foram dados pelos próprios indígenas como sinal de boa vontade. Outros foram tomados com violência.

Pagão: termo preconceituoso que se refere a crenças ou costumes que não são considerados cristãos.

O retorno do manto tupinambá é um dos maiores exemplos de como objetos importantes para a conservação da memória dos povos indígenas foram parar em museus do Brasil e da Europa.

Representante dos Tupinambá vê manto sagrado de seu povo no Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague, na Dinamarca, em 2022. Um dos exemplares desse museu foi doado para o Brasil.

A vestimenta, feita com as penas de uma ave vermelha chamada guará, foi levada para a Europa durante o período colonial e mantida na Dinamarca. É um dos três exemplares desse tipo de manto, e nenhum deles estava no Brasil. O manto só retornou ao país em 2024 e, atualmente, está sob a guarda do Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ).

ATIVIDADES

Para ampliar a reflexão sobre a memória dos povos indígenas, organize os estudantes em grupos para pesquisar histórias, lendas ou narrativas das culturas nativas que tenham sido transmitidas ao longo das gerações e que hoje compõem o repertório da cultura brasileira. A ideia é pesquisar a história em livros ou na internet e realizar uma produção artística (desenho, colagem, história em quadrinhos etc.) que a retrate. Organize uma exposição com as produções dos grupos, de modo a compartilhar o trabalho com a comunidade escolar.

[Indígenas do povo tupinambá dançam em ritual religioso], obra de Theodore De Bry, 1596. Gravura, 33 cm x 24,5 cm. Ao centro, há três indígenas com mantos que se acredita serem do mesmo tipo do que foi repatriado ao Brasil.

Os mais de 300 povos indígenas que habitam o território brasileiro atualmente lutam pela conservação de suas culturas. Nesse sentido, a demarcação de Terras Indígenas permite que esses povos reproduzam seus modos de vida e preservem suas culturas e suas memórias.

FIQUE LIGADO

• MUNDURUKU, Daniel. Coisas de índio: versão infantil. 3. ed. rev. atual. São Paulo: Callis, 2019.

O livro reúne histórias tradicionais dos povos indígenas brasileiros, contadas de forma simples e poética.

1 Por que é importante lembrar e respeitar as memórias dos povos indígenas?

Veja resposta e comentários no Encaminhamento.

2 Há, no município onde você mora, algum marco de memória relacionado aos povos indígenas? Podem ser nomes de ruas, bairros, monumentos, escolas, entre outros. Pesquise e registre no caderno.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

PARA O PROFESSOR

• ABREU, Regina; FREIRE, José Ribamar Bessa (org.). Memórias e patrimônios indígenas: conquistas e desafios. Curitiba: CRV, 2018.

O livro reúne a produção de um grupo de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Discute as perspectivas indígenas sobre a memória e como essas perspectivas resistem às lógicas e classificações da ótica ocidental.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes reconheçam que é importante lembrar e respeitar as memórias dos povos indígenas porque eles fazem parte da história da formação do país, ajudam a preservar a natureza e mostram outras maneiras de viver. Além disso, esse reconhecimento é importante para combater preconceitos e injustiças. Garanta que as respostas abordem a diversidade cultural, o respeito às diferenças e a justiça social. Na atividade 2, a resposta é pessoal. Caso haja algum marco da cultura indígena próximo da escola ou na comunidade, seria interessante explorá-lo ou mesmo organizar uma visita para conhecê-lo e discutir sua importância.

30/09/2025 23:51

PARA OS ESTUDANTES

• YAMÃ, Yaguarê. Histórias de muitos mundos: narrativas e crenças indígenas. Ilustrações: Mauricio Negro. São Paulo: Moderna, 2025.

O livro traz elementos da mitologia de diversos povos indígenas, compondo o imaginário das nações nativas brasileiras, com seus deuses e monstros, e os valores nos quais se baseiam as culturas das diferentes comunidades.

ENCAMINHAMENTO

A proposta da seção Ideia puxa ideia é trabalhar os saberes tradicionais de saúde dos povos indígenas como parte da memória coletiva e da tradição oral. Os estudantes são convidados a investigar como esses saberes foram construídos ao longo do tempo e como dialogam com a ciência contemporânea, sem perder seu valor cultural. A proposta valoriza as memórias coletivas de grupos sociais na formação da sociedade brasileira e articula o TCT Saúde, podendo desenvolver um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Ciências da Natureza.

Antes da leitura, incentive os estudantes a falar sobre remédios naturais ou costumes relacionados à saúde sobre os quais já ouviram em casa ou na comunidade. Durante a leitura do texto, destaque a importância da tradição oral para a preservação dos conhecimentos indígenas e a relação entre saúde, natureza e cultura. Reforce a ideia de que esses saberes não são apenas “histórias do passado”, mas práticas vivas que ainda ajudam muitas comunidades hoje.

Oriente a observação das fotografias, analisando as diferenças entre o saber tradicional e o método científico, e explique como ciência e tradição podem caminhar juntas: os saberes tradicionais preservam memórias e valores culturais, enquanto a ciência ajuda a testar, dosar e garantir a segurança no uso das plantas.

Reforce para os estudantes que eles não devem nunca se automedicar. A prescrição de remédios – industrializados ou naturais – deve ser feita apenas por profissionais da saúde capacitados para isso.

Trabalhando a interdisciplinaridade entre História e Ciências da Natureza, ajude os estudantes a perceber como as memórias familiares e culturais também têm um papel

IDEIA PUXA IDEIA

A saúde e os saberes indígenas

Os povos indígenas guardam, na memória coletiva e na tradição oral, conhecimentos sobre saúde que vêm sendo transmitidos de geração em geração. Eles aprenderam a observar a natureza, a conhecer as plantas e suas folhas, cascas, raízes, flores e outros elementos, criando maneiras próprias de cuidar do corpo. Esse saber faz parte da identidade de cada povo e ajuda a manter a conexão com a terra e a cultura.

Entre os Kaingang, povo indígena que habita os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a medicina tradicional é baseada em plantas encontradas nas matas. Elas são empregadas em banhos, chás e cataplasmas com cascas de árvores. Esse conhecimento, passado pela palavra dos mais velhos, mostra como a tradição oral é importante para que a memória do povo não se perca.

Cataplasma: substância pastosa.

ATENÇ ÃO

O uso de plantas para aliviar sintomas pode não ser seguro para todas as pessoas, e doses incorretas podem ser prejudiciais à saúde. Nunca tome medicamentos sem orientação médica.

No Acre, uma indígena do povo shanenawa formada em enfermagem quer preservar os conhecimentos de sua cultura sem abrir mão da medicina não indígena. Leia um trecho da reportagem a seguir.

Andressa nasceu e se criou na aldeia, saindo apenas para estudar enfermagem, curso em que é formada. [...].

Ela pensa em criar uma casa de saúde na floresta para oferecer atendimento e medicamentos feitos a partir de plantas medicinais [...].

[...]

Neta de uma pajé medicinal, ela foi alertada pela avó sobre o risco de o conhecimento se perder com o passar dos anos, caso não existisse uma perpetuação.

MUNIZ, Tácita. Indígena quer criar farmácia viva para preservar conhecimentos ancestrais de cura em aldeia no Acre. G1, Rio Branco, 15 out. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/ac/acre/ noticia/2023/10/15/indigena-quer-criar-farmacia-viva-para-preservar-conhecimentos-ancestrais-decura-em-aldeia-no-acre.ghtml. Acesso em: 20 ago. 2025.

essencial na promoção da saúde. Explique que esses saberes são parte do patrimônio cultural e merecem ser respeitados, mas é importante também confiar na orientação de profissionais de saúde.

30/09/2025 23:51

Na atividade 1, com base no texto, espera-se que os estudantes respondam que o objetivo da enfermeira é criar uma casa de saúde na floresta, oferecendo tratamentos e medicamentos tradicionais de seu povo, feitos com plantas medicinais.

Na atividade 2, a resposta é pessoal. Incentive a valorização dos saberes populares, ressaltando que eles complementam, mas não substituem, os cuidados médicos quando necessários.

Na atividade 3, espera-se que os estudantes respondam que a afirmação está correta. A coleta de ervas medicinais mostra que eles utilizam em seu cotidiano os conhecimentos acumulados por sua cultura e o fato de ter uma técnica de enfermagem waujá na aldeia mostra a importância que a medicina não indígena tem entre esse povo.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Indígena do povo waujá cuida de planta medicinal no Parque Indígena do Xingu, em Gaúcha do Norte (MT), em 2025.

1

Técnica de enfermagem do povo waujá no Parque Indígena do Xingu, em Gaúcha do Norte (MT), em 2024.

De que forma Andressa pretende preservar a memória e os saberes tradicionais de seu povo?

2 Pergunte a um responsável ou a um adulto de sua comunidade sobre o uso de plantas medicinais. Se ele souber, registre no caderno como esse saber foi transmitido e para que ele serve.

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

3 Com base nas fotos desta dupla de páginas, é correto afirmar que os indígenas waujá têm atitudes parecidas com a de Andressa? Justifique. Veja resposta no Encaminhamento.

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

TEXTO COMPLEMENTAR

30/09/2025 23:51

[…] os índios ainda não ganharam o crédito de profetas, eles no máximo são pajés, que é o que coloca a medicina dos índios bem naquele lugar atribuído pela biomedicina, pelos especialistas do ramo, que são os saberes. Tem uns saberes, os índios têm uns saberes, mas esses saberes precisam ser comprovados. Um amigo meu da Universidade Federal de Ouro Preto pediu minha colaboração para um documento que estava produzindo com o objetivo de “comprovar a racionalidade do sistema de práticas curativas dos índios, comprovar a racionalidade da medicina indígena”. Ele estava escolhendo o cara errado, pois eu iria convencê-lo de que não há racionalidade nenhuma nisso, nem na sua medicina. Que a sua medicina é uma ficção, que vocês inventam doença, e depois inventam remédio, e os laboratórios se enchem de grana. KRENAK, Ailton. Reflexão sobre a saúde indígena e os desafios atuais em diálogo com a tese “Tem que ser do nosso jeito”: participação e protagonismo do movimento indígena na construção da política de saúde no Brasil. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 29, n. 3, e200711, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-12902020200711. Acesso em: 17 set. 2025.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Compreender o conceito de patrimônio, reconhecendo sua importância.

• Diferenciar bens materiais e imateriais do patrimônio cultural.

• Compreender o papel desempenhado pela Unesco e pelo Iphan no reconhecimento dos bens do patrimônio cultural.

• Relacionar o patrimônio cultural a diferentes povos e culturas que atuaram na formação da identidade cultural brasileira.

BNCC HABILIDADE

(EF05HI10) Inventariar os patrimônios materiais e imateriais da humanidade e analisar mudanças e permanências desses patrimônios ao longo do tempo.

TEMA CONTEMPORÂNEO TRANSVERSAL (TCT)

• Diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

Esta dupla de páginas de abertura tem como objetivo apresentar aos estudantes o conceito inicial de patrimônio, partindo de exemplos concretos e próximos da realidade deles para, em seguida, ampliar a compreensão para a noção de patrimônio coletivo e imaterial. A abordagem deve privilegiar o vínculo afetivo e cultural que as pessoas estabelecem com os bens que consideram importantes. Para isso, é fundamental explicar que a palavra patrimônio, de origem latina, significava, originalmente, bens herdados da família, mas hoje é usada para designar tudo o que tem valor histórico, cultural ou simbólico para uma pessoa, um grupo ou toda a sociedade.

PATRIMÔNIOS DA HUMANIDADE

Você já reparou que existem lugares que marcam nossa vida? Pode ser a praça onde você brinca, a escola onde você estuda, a casa de seus avós, um cinema que você frequenta com a família aos finais de semana ou até um campinho de futebol onde costuma se encontrar com os amigos. Esses espaços guardam histórias, lembranças e significados importantes para você e estão ligados à sua história de vida.

Agora imagine que, em diferentes partes do mundo, também existem lugares assim: construções antigas, cidades inteiras, paisagens naturais, uma variedade imensa de locais especiais que fazem parte da memória e da cultura de uma comunidade, de um povo, de um país e até mesmo de toda a humanidade. Neste capítulo, vamos conhecer alguns desses lugares escolhidos para serem cuidados e preservados porque contam muito sobre a história dos povos, das sociedades e até da própria natureza.

Largo Terreiro de Jesus com a Igreja de São Domingos Gusmão ao fundo, em Salvador (BA), em 2025.

1 Cite um lugar que você frequenta ou frequentou e explique por que ele tem um significado especial para você.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

2 Forme grupo com três colegas, escolham um local que tenha um significado importante para a comunidade em que vocês vivem e expliquem o motivo da escolha para a turma.

Veja comentários no Encaminhamento.

FIQUE LIGADO

• O MENINO e o mundo. Direção: Alê Abreu. Brasil: Filme de Papel; Espaço Filmes, 2014. Streaming (80 min).

Essa animação narra a jornada de um menino em busca do pai. Durante a viagem, ele se depara com o impacto da industrialização, a desigualdade social e a destruição da paisagem e da cultura tradicional.

A proposta da atividade 1 é mobilizar questões ligadas à memória dos estudantes, servindo como ponto de partida para que eles compreendam as relações entre memória e patrimônio.

01/10/25 20:33

A atividade 2, focada na questão da memória coletiva, procura ampliar a atividade anterior, focada na questão da memória individual. Você pode organizar uma roda de conversa com os estudantes, pedindo a eles que indiquem os locais escolhidos e expliquem o motivo da escolha. É importante valorizar as respostas dos estudantes que destacarem práticas culturais locais e familiares e respeitar as diferenças culturais da turma. Garanta que os estudantes percebam que nem sempre os patrimônios mais famosos são os mais importantes para uma comunidade e que as manifestações simples, do cotidiano, também têm grande valor para a identidade cultural.

Como complemento, se possível, organize a exibição do filme O menino e o mundo ou de trechos selecionados. Essa estratégia poderá enriquecer a discussão ao evidenciar como as mudanças sociais e econômicas transformam os modos de vida e apagam memórias culturais. Essa atividade contribui para despertar nos estudantes a consciência de que cuidar da memória coletiva é tão importante quanto preservar objetos ou prédios históricos.

Por fim, é necessário garantir que a mediação considere as diferentes realidades sociais da turma. Incentive a reflexão sobre a cidadania, a responsabilidade com o espaço público e o respeito às memórias de cada grupo. Ajude os estudantes a compreender que patrimônio não se restringe a bens caros ou de luxo, mas envolve também valores simbólicos, culturais e afetivos.

Vale destacar que o trabalho proposto neste capítulo possibilita uma abordagem interdisciplinar com o componente curricular de Arte.

ENCAMINHAMENTO

Nesta dupla de páginas, os estudantes vão compreender a diferença entre patrimônios materiais e imateriais, com exemplos que ajudam a identificar essas categorias no cotidiano. O texto apresenta definições e exemplos acessíveis, como construções, lugares naturais, músicas e receitas, aproximando os conceitos da realidade da turma. Reforce a ideia de que ambos os tipos de patrimônio são importantes para a memória e a identidade de um povo e precisam ser preservados para as próximas gerações. Explicar o papel da Unesco, em escala mundial, e do Iphan, no Brasil, contribui para situar os estudantes quanto às instituições responsáveis por essa preservação, ampliando a noção de cidadania e responsabilidade coletiva. Durante a leitura do texto, é recomendado fazer pausas para pedir exemplos que os próprios estudantes conheçam, tanto de patrimônio material quanto imaterial, incentivando a socialização desses saberes.

PATRIMÔNIOS MATERIAIS E IMATERIAIS

Os bens que representam a história, a cultura e as memórias de uma sociedade ou de uma parte dela são conhecidos como patrimônio cultural. Quando se fala em bem cultural, é comum pensar primeiro em construções e monumentos, mas um automóvel, um instrumento de trabalho ou uma fotografia antiga também podem ser considerados parte do patrimônio cultural de um país.

O patrimônio não é apenas individual. Praças, igrejas, músicas, danças, festas e saberes também podem ser considerados patrimônios se a comunidade ou a sociedade de forma geral avaliarem que esses locais e essas práticas devem ser preservados para as próximas gerações.

Há dois tipos de patrimônio, o material e o imaterial

O patrimônio material é formado por tudo aquilo que pode ser observado e tocado, por exemplo, prédios antigos, igrejas, casas históricas, ruas de pedra, esculturas, praças, monumentos e até mesmo paisagens naturais, como montanhas, florestas ou cachoeiras.

Já o patrimônio imaterial está presente nas tradições e nas práticas culturais de um povo. São as músicas, as danças, as festas religiosas, as lendas, as histórias contadas pelos mais velhos, os modos de cozinhar e de se vestir. Esses bens são considerados imateriais porque dependem do conhecimento e da memória das pessoas, e, se algum dia esses conhecimentos e memórias

Ruínas da Igreja de São Miguel, em São Miguel das Missões (RS), em 2024. As ruínas desse antigo aldeamento são um patrimônio cultural brasileiro.

Na realização da atividade 1, sugira aos estudantes que, se possível, comentem sobre patrimônios históricos que eles tenham visitado ou que gostariam de visitar. Para complementar a atividade, os estudantes podem elaborar desenhos ou pesquisar fotografias desses patrimônios para que possam compartilhar com a turma. Essa abordagem favorece o desenvolvimento da habilidade EF05HI10.

Para garantir que esses patrimônios sejam respeitados e mantidos para as próximas gerações, existem organizações que cuidam dessa preservação. No Brasil, essa tarefa é feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e por órgãos estaduais, distritais e municipais. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) contribui para a valorização e a preservação dos patrimônios históricos e culturais internacionalmente.

1. Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

1 Reúna-se com mais dois colegas e indiquem dois exemplos de patrimônio histórico brasileiro que vocês conhecem.

2 Classifique os patrimônios a seguir em bens materiais e bens imateriais. a) b)

Material.

Imaterial.

Dançarinos de frevo em Recife (PE), em 2022.

Imaterial.

Material.

TEXTO COMPLEMENTAR

Somente quando se sente parte integrante de uma cidade ou de uma comunidade é que o cidadão dá valor às suas referências culturais. Essas referências são chamadas de bens culturais e podem ser de natureza material ou imaterial. Os bens culturais materiais (também chamados de tangíveis) são paisagens naturais, objetos, edifícios, monumentos e documentos. Os bens culturais imateriais estão relacionados aos saberes, às habilidades, às crenças, às práticas, aos modos de ser das pessoas. Assim, o Iphan trata de preservar o patrimônio cultural tanto de natureza material quanto imaterial. […]

3 Elabore um pequeno texto que descreva um patrimônio imaterial. Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

30/09/2025 23:54

Na atividade 3, espera-se que os estudantes descrevam uma prática cultural, tradição ou saber, ou seja, um patrimônio que não seja um objeto físico, mas sim uma manifestação mantida viva pelas pessoas. O texto pode mencionar, por exemplo, uma festa popular realizada todos os anos na comunidade onde os estudantes vivem, como a Festa Junina ou o Carnaval; uma cantiga de roda ensinada pelos avós; uma receita típica preparada em datas especiais; ou uma dança tradicional apresentada em comemorações.

É importante que os estudantes identifiquem o caráter coletivo dessa prática e reconheçam que ela é transmitida entre gerações, valorizando a memória e a cultura local. A proposta dessa atividade explora elementos da competência escritora e possibilita, dessa forma, um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Língua Portuguesa.

A Constituição Federal de 1988, artigos 215 e 216, ampliou a noção de patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais de natureza material e imaterial, e, também, ao estabelecer outras formas de preservação – como o registro e o inventário – além do tombamento, instituído pelo Decreto-lei no 25, de 30 de novembro de 1937, e que é adequado principalmente à proteção de edificações, paisagens e conjuntos históricos urbanos. Nesses artigos da Constituição, reconhece-se também a necessidade de se incluir, no patrimônio a ser preservado pelo Estado em parceria com a sociedade, bens culturais que sejam referências dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.

BRAYNER, Natália Guerra. Patrimônio cultural imaterial: para saber mais. 3. ed. Brasília, DF: Iphan, 2012. p. 18. Grifos da autora. Disponível em: http:// portal.iphan.gov.br/uploads/ publicacao/cartilha_1__ parasabermais_web.pdf. Acesso em: 3 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Roda de choro no Rio de Janeiro (RJ), em 2025.
Vista interna do Theatro José de Alencar em Fortaleza (CE), em 2020.
Casario no centro histórico de Alcântara (MA), em 2023.

ENCAMINHAMENTO

Esta dupla de páginas tem como objetivo apresentar aos estudantes um panorama de alguns dos patrimônios brasileiros reconhecidos pela Unesco, destacando sua diversidade histórica, cultural e ambiental. Explique que o Brasil ocupa um lugar de destaque entre os países das Américas em número de bens reconhecidos, por reunir centros históricos coloniais, sítios arqueológicos, paisagens naturais e manifestações culturais que ajudam a contar a trajetória do povo brasileiro. É importante enfatizar que esses patrimônios não apenas representam momentos marcantes da história nacional, mas revelam, por exemplo, vestígios da convivência entre diferentes povos e movimentos de resistência cultural.

Durante a leitura do texto, convide os estudantes a observar as imagens com atenção, comentando o que percebem em cada uma delas e o que sabem sobre sua história. É interessante promover uma conversa para levantar o que os estudantes já conhecem sobre esses patrimônios e se alguém já visitou algum deles ou já participou de algum. Para aprofundar o tema, traga curiosidades ou fatos históricos adicionais sobre os bens apresentados e explique que a preservação desses patrimônios envolve decisões coletivas, políticas públicas e a participação ativa das comunidades locais. Ao final, reforce que conhecer esses patrimônios e cuidar deles fortalece a cidadania e valoriza as memórias de quem construiu a história do Brasil.

Patrimônios da Humanidade no Brasil

O Brasil é um dos países que se destacam por sua diversidade cultural e natural. Por isso, há mais de vinte locais designados como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e dez práticas e saberes inscritos como Patrimônio Cultural Imaterial.

Esses bens mostram a diversidade natural do território e documentam diferentes momentos da história do país ao revelar como indígenas, africanos, europeus, entre outros povos, deixaram marcas nas paisagens, nas cidades, nos campos e nos modos de viver.

Conheça alguns desses patrimônios a seguir.

Patrimônios materiais

Centro Histórico de Ouro Preto (MG)

Conhecida como Vila Rica durante o período em que o Brasil era colônia de Portugal, Ouro Preto (MG) foi fundada no século 18 e preservou muitas ruas e edifícios daquele período.

Vista da Praça Tiradentes em Ouro Preto (MG), em 2023.

Parque Nacional do Iguaçu

(PR)

O Parque Nacional do Iguaçu está localizado no oeste do Paraná, na fronteira entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina. As cachoeiras do parque formam uma paisagem de grande valor natural e abrigam uma diversidade de plantas e animais. Por esse motivo, a área recebeu o título de Patrimônio Natural da Humanidade.

Parque Nacional Serra da Capivara (PI)

Nos sítios arqueológicos localizados nesse parque estão algumas das pinturas rupestres mais antigas das Américas, feitas há aproximadamente 12 mil anos.

Entrada do Grotão da Esperança no Parque Nacional Serra da Capivara (PI), em 2025.

Cataratas do Parque Nacional do Iguaçu em Foz do Iguaçu (PR), em 2023.

Patrimônios

imateriais

Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA)

Os primeiros registros dessa dança tradicional datam de mais de 300 anos, e sua prática influenciou outras danças e gêneros musicais que surgiram no Brasil desde então. O samba de roda tem origem na cultura africana e foi reconhecido pela Unesco em 2008.

Samba de roda em Santo Amaro (BA), em 2025.

Círio de Nazaré (PA)

Festa religiosa em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, realizada todos os anos em Belém (PA), com procissões e grande participação popular. A festa, que data de 1793, atrai devotos católicos e turistas de todo o Brasil.

Procissão do Círio de Nazaré em Belém (PA), em 2019.

Arte kusiwa dos Wajãpi (AP)

Os grafismos e as pinturas do povo indígena wajãpi expressam sua relação com a natureza e sua visão de mundo, preservando sua identidade cultural. Os padrões formam uma linguagem, e o significado das imagens é compreendido imediatamente pelos membros desse povo.

Grafismo kusiwa, produzido pelos Wajãpi, povo indígena do Amapá. Fotografia de 2000.

1 Em sua opinião, por que o Brasil tem tantos patrimônios diferentes?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

Na atividade 1 , os estudantes podem mencionar a combinação entre a presença de muitos povos com culturas diferentes — indígenas, africanos, europeus e outros — e o extenso território, com grandes áreas naturais, como florestas, rios e montanhas, o que contribui para que existam, no Brasil, inúmeros patrimônios culturais e naturais.

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• FOOT, Newton. Um tesouro pra todos: conversando sobre patrimônio cultural. São Paulo: Escala Educacional, 2008.

Livro infantil que aborda, de maneira lúdica e divertida, o conceito de patrimônio cultural.

• ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA. Brazil

Paris: Unesco, c2025. Disponível em: https://whc.unesco.org/en/statesparties/br. Acesso em: 3 set. 2025.

Existem 25 bens culturais materiais reconhecidos pela Unesco no Brasil. Esses bens estão classificados como culturais, naturais e mistos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ORGANIZE-SE

Para realizar as atividades propostas na seção, providencie com os estudantes: caderno, celular ou computador, caneta ou lápis.

ENCAMINHAMENTO

Esta seção Mão na massa propõe uma atividade prática em que os estudantes assumem um papel ativo na identificação e preservação dos patrimônios locais. O objetivo é aproximar o conceito de patrimônio da realidade cotidiana, mostrando que cada comunidade tem bens culturais e naturais que refletem sua história e identidade. Oriente a etapa inicial da pesquisa ajudando os grupos a observar o entorno da escola e do bairro para identificar patrimônios materiais e imateriais, como praças, prédios antigos, festas ou tradições comunitárias.

Na etapa 1, peça aos estudantes que solicitem a ajuda de familiares ou de pessoas da convivência na realização das entrevistas com os moradores do bairro ou município. Explique que, se possível, eles podem gravar as entrevistas em áudio ou vídeo e, depois, transcrever as respostas para a ficha sugerida no Livro do estudante. É importante destacar que os estudantes também devem questionar os entrevistados a respeito de patrimônios imateriais do lugar onde vivem.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

MÃO NA MASSA

Patrimônios na minha região

Todos os municípios ou comunidades têm locais, edifícios, ruas ou praças que registram partes importantes da história, assim como costumes, tradições e festividades que contribuem para a identidade dos moradores. Em alguns municípios, esses patrimônios são reconhecidos pelo poder público e são bem preservados. Porém, essa não é a regra no Brasil.

Nesta atividade, você vai pesquisar os patrimônios do lugar onde mora e propor ações para ajudar a cuidar de um deles. Essa proposta é uma oportunidade para você se tornar um agente de mudança em sua comunidade, contribuindo para preservar e valorizar a cultura local.

Materiais

• Caderno de anotações

• Caneta ou lápis

Como fazer

• Celular ou computador

Etapa 1 – Pesquisando os patrimônios da minha localidade

1 Com a ajuda do professor, dividam-se em grupos de quatro pessoas.

2 Organizem uma pesquisa sobre os patrimônios naturais e culturais do bairro ou do município onde vocês moram. Para isso, vocês começarão entrevistando moradores. Copiem a seguinte ficha no caderno de anotações. Façam uma ficha para cada pessoa que será entrevistada.

Pessoa entrevistada

Nome do patrimônio

O patrimônio é natural    cultural

Se o patrimônio for cultural, ele é material   imaterial

3 Com a ajuda do professor ou de seus responsáveis, entrevistem moradores antigos e peçam-lhes que indiquem os patrimônios que existem em seu município ou em seu bairro. Eles podem indicar patrimônios materiais ou imateriais. Neste último caso, perguntem quem são as pessoas que detêm o saber da prática do bem cultural.

• INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Bens culturais registrados. Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/. Acesso em: 4 set. 2025. Página com a lista dos bens imateriais reconhecidos pelo Iphan. Os bens estão classificados como: Livro das Celebrações; Livro das Formas de Expressão; Livro dos Lugares e Livro dos Saberes.

• INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Lista de bens tombados por estado. Brasília, DF: Iphan, 2015. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Lista%20Bens%20Tombados%20por%20Estado.pdf. Acesso em: 4 set. 2025.

Página com a lista de bens materiais reconhecidos pelo Iphan. A lista mostra a localidade do bem e sua classificação para inscrição nos livros de tombo como: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; Histórico; Belas-Artes e Artes Aplicadas.

MODELO PARA COPIAR

Etapa 2 – Avaliando o patrimônio e, se necessário, propondo soluções

1 Acompanhados do professor ou de seus responsáveis, visitem os locais mencionados pelos entrevistados ou as pessoas que eles indicaram.

2 Se for possível, utilize o celular de um adulto para registrar as condições de preservação do patrimônio por meio de vídeos ou fotos. Se não for possível, façam anotações e desenhos no caderno.

3 Escolham um dos patrimônios identificados que esteja precisando de cuidados.

4 Conversem com os colegas de grupo e com o professor sobre as medidas que poderiam ajudar a preservar esse patrimônio. Vocês podem pensar em ações como: montar um mural de conscientização na escola, escrever uma carta para a prefeitura, organizar um mutirão de limpeza com a comunidade ou preparar uma apresentação para mobilizar colegas e vizinhos.

5 Elaborem um cartaz com as informações que vocês coletaram na pesquisa e com a proposta de preservação do patrimônio. Não se esqueçam de mencionar as pessoas que foram entrevistadas.

Concluindo a atividade

1 Encerrem a atividade com uma conversa sobre quais foram as maiores dificuldades encontradas na pesquisa e na elaboração da proposta. Depois, indiquem o que poderia ser feito para solucionar os problemas levantados.

Veja comentários e orientações no Encaminhamento

101

Explique para os estudantes que, na etapa 2, caso decidam usar o celular, o façam com a autorização e a supervisão de um adulto. Ao longo do desenvolvimento dessa etapa, incentive a criatividade dos estudantes na elaboração de ações simples e possíveis, como campanhas de conscientização na escola, mutirões de limpeza ou produção de murais educativos. É fundamental reforçar que essas pequenas atitudes contribuem para preservar a memória coletiva e são exemplos concretos de cidadania.

Organize as apresentações dos cartazes dos grupos e, se possível, exponha os resultados em murais para a comunidade escolar. Ao final, promova uma reflexão coletiva sobre as dificuldades encontradas e sobre como cada estudante pode continuar agindo para valorizar os patrimônios da região.

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Na atividade 1, espera-se que os estudantes identifiquem dificuldades como falta de informação, pouco interesse das pessoas, recursos limitados ou desorganização para agir. Incentive os estudantes a propor melhorias na maneira como eles fazem os trabalhos em grupo, como uma divisão mais igualitária das tarefas e conversas coletivas sobre as decisões que precisam ser tomadas.

ENCAMINHAMENTO

Esta dupla de páginas amplia a compreensão dos estudantes sobre a diversidade dos patrimônios culturais e naturais ao redor do planeta, reforçando que eles pertencem à história. Explique aos estudantes que esses bens são reconhecidos pela Unesco por sua importância universal, e não apenas para o país onde estão localizados, o que reforça a ideia de responsabilidade coletiva para preservá-los. É importante destacar que esses patrimônios nos ajudam a conhecer diferentes formas de viver, técnicas construtivas, tradições e valores de povos de todos os continentes, incentivando o respeito às culturas diversas. A leitura do texto deve ser acompanhada da observação atenta das imagens e das legendas, que complementam as informações escritas. Peça aos estudantes que citem outros exemplos de patrimônios que conheçam ou já tenham visto em filmes, livros ou reportagens, incentivando a socialização de saberes prévios. Topônimos em língua estrangeira, como Barranquilla, estão grafados de acordo com o Atlas geográfico do IBGE, disponível em: https://biblio teca.ibge.gov.br/visualizacao/ livros/liv102069.pdf (acesso em: 5 out. 2025). Auxilie a leitura caso os estudantes tenham dificuldade para compreender e pronunciar esses nomes.

Patrimônios de outros lugares do mundo

Assim como ocorreu no Brasil, povos de todas as épocas deixaram marcas de sua presença em várias regiões do planeta. Esses testemunhos do passado revelam como as sociedades humanas se organizaram ao longo do tempo, quais valores cultivaram, quais técnicas desenvolveram e quais desafios enfrentaram.

Esses lugares, construções e tradições, que ainda hoje podem ser vivenciados e observados, carregam memórias e conhecimentos acumulados por gerações, tornando-se parte fundamental de nossa história.

Assim como os bens culturais brasileiros que você já estudou, bens de outros países também são reconhecidos pela Unesco como Patrimônios da Humanidade. Isso significa que não pertencem apenas ao país onde estão localizados, pois são considerados um legado de todos os povos do mundo. Esse reconhecimento reforça a responsabilidade coletiva de preservá-los.

FIQUE LIGADO

• CONSEGLIERE, Renata. Meu, seu, de todos: patrimônio cultural. Ilustrações: Mathias Townsend. São Paulo: Positivo, 2015.

O livro apresenta, em linguagem acessível para crianças, noções sobre patrimônio, com destaque para os patrimônios culturais do Brasil.

Conheça, a seguir, alguns exemplos de Patrimônios da Humanidade em outros lugares do mundo.

Dança e música flamenca (Espanha)

O flamenco é uma dança e um gênero musical do sul da Espanha, com origem nas culturas cigana, mourisca e andaluza, que expressa emoção e identidade cultural.

Dançarina de flamenco durante apresentação em Sevilha, na Espanha, em 2024.

Mourisco: de origem moura, população islâmica do norte da África. Andaluz: que tem origem na Andaluzia, região que fica ao sul da Espanha.

Centro histórico de Tombuctu (Mali)

A cidade de Tombuctu fez parte dos impérios do Mali e de Songhai e foi um grande centro de difusão da religião islâmica na África.

Os edifícios históricos foram construídos com adobe, um material feito com terra, água e fibras naturais, como a palha.

Parte da mesquita Djinguereber, em Tombuctu, no Mali, em 2021.

ATIVIDADES

1

Carnaval de Barranquilla (Colômbia)

O Carnaval de Barranquilla é uma grande festa popular da Colômbia, cheia de cor, música e danças típicas que celebram a diversidade cultural do país.

Carnaval de Barranquilla, na Colômbia, em 2025.

Copie o quadro a seguir no caderno e complete-o com as informações que você aprendeu sobre os patrimônios culturais do mundo.

Veja resposta no Encaminhamento.

Nome do patrimônio País Tipo de patrimônio

Dança e música flamenca

Centro histórico de Tombuctu

Carnaval de Barranquilla

2

Escreva um pequeno texto explicando por que é importante cuidar dos patrimônios culturais e naturais do mundo, mesmo quando eles não estão localizados no Brasil.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

01/10/25 20:35

Ao propor a atividade 1, esclareça que a terceira coluna do quadro deve ser preenchida com a informação a respeito do tipo de patrimônio, ou seja, se o bem é material ou imaterial. O quadro preenchido fica assim: Nome do patrimônio: Dança e música flamenca; país: Espanha; tipo: imaterial. Nome do patrimônio: Centro histórico de Tombuctu; país: Mali; tipo: material. Nome do patrimônio: Carnaval de Barranquilla; país: Colômbia; tipo: imaterial.

Como forma de ampliar essa atividade, se possível, proponha aos estudantes a realização da atividade sobre bens culturais da humanidade do boxe +Atividades

Na atividade 2, espera-se que o texto demonstre que os estudantes compreenderam a ideia de que os patrimônios do mundo pertencem à história, não apenas ao país onde estão localizados.

Organize os estudantes em grupos de até cinco integrantes e peça a eles que façam uma pesquisa sobre outros bens culturais materiais e imateriais reconhecidos pela Unesco em diferentes lugares do mundo. Eles devem escolher pelo menos um bem de cada tipo e organizar uma apresentação. Ao final, cada grupo apresenta os resultados da pesquisa aos colegas. Uma sugestão para essa atividade é pedir que cada grupo pesquise bens em um continente diferente. Essa estratégia torna a pesquisa mais diversa.

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MODELO PARA COPIAR

ENCAMINHAMENTO

A seção Criança cidadã tem como objetivo despertar nos estudantes a consciência de que preservar o patrimônio cultural e natural é um gesto de cidadania que depende da participação de todos. Reforce que os riscos que ameaçam os patrimônios — como abandono, poluição, vandalismo ou descaso — não são inevitáveis e podem ser prevenidos por meio de atitudes responsáveis, tanto do poder público quanto das comunidades. Valorizar o que já existe e cuidar para que não se perca é também uma forma de respeitar a história de quem veio antes e garantir que as gerações futuras possam aprender com ela.

Oriente os estudantes a observar atentamente a imagem e ler o texto, promovendo um debate inicial sobre quais atitudes cotidianas prejudicam ou ajudam a conservar os patrimônios.

Em relação à atividade 1, explique aos estudantes que, caso não existam patrimônios naturais no município onde vivem, devem escolher bens localizados na região. Se possível, após a escolha dos bens, agrupe os estudantes de acordo com as escolhas. Assim, as reflexões decorrentes das pesquisas se tornarão mais significativas. Ao final, organize os estudantes de forma que todos tenham a oportunidade de apresentar os resultados da pesquisa para os colegas da turma.

O trabalho desenvolvido nesta seção possibilita uma abordagem interdisciplinar com o componente curricular de Ciências da Natureza.

CRIANÇA CIDADÃ

Patrimônio natural em perigo

Você sabia que uma montanha, uma cachoeira ou uma floresta também podem ser consideradas patrimônio? Partes do ambiente natural podem ser consideradas patrimônio quando são importantes para a preservação de espécies, como plantas e animais, e até mesmo porque elas são muito belas ou únicas.

Ao longo do tempo, muitos bens naturais já foram danificados ou perdidos por descuido, abandono, falta de investimento, poluição e até vandalismo. Cada vez que um patrimônio natural se perde, apaga-se também a possibilidade de transmiti-lo às novas gerações, que não poderão desfrutar desse bem. Além disso, a destruição do ambiente pode prejudicar as populações que vivem nas proximidades e afetar até o clima do planeta.

O Parque Nacional do Pantanal, localizado nos estados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, é um dos Patrimônios Naturais da Humanidade, um bem que é considerado importante para todos no planeta. Nos últimos anos, porém, o clima seco e a falta de cuidado do poder público fizeram com que grandes incêndios ameaçassem o parque e o ambiente pantaneiro. Leia o trecho da notícia a seguir.

As ONGs Onçafari e SOS Pantanal endereçaram uma carta à Unesco para inserir o Pantanal na lista de patrimônios mundiais em perigo. […]

O objetivo é que o Pantanal esteja no programa especial de preservação da organização. Além disso, o texto alerta sobre o medo de que o bioma perca o título de patrimônio natural da humanidade. […]

OLLIVER, Natália. ONGs pedem à Unesco que insira Pantanal na lista de biomas em perigo. Campo Grande News, Campo Grande, 21 nov. 2024. Disponível em: https://www.campograndenews.com.br/meio-ambiente/ ongs-pedem-a-unesco-que-insira-pantanal-na-lista-de-biomas-emperigo. Acesso em: 21 ago. 2025.

Bioma: conjunto de espécies vegetais e animais de um ambiente.

TEXTO COMPLEMENTAR

Duas posturas justificam as ações de preservação do patrimônio natural. A primeira, de cunho ético, fundamenta-se em um imprescindível valor humano, o respeito e a solidariedade que o homem, única criatura capaz de conhecer e compreender os fenômenos materiais e imateriais do universo, deve a todos os seres que o rodeiam, sobretudo às diferentes formas de vida com as quais compartilha o espaço e o tempo. A segunda, de cunho pragmático, origina-se do interesse e dependência do homem pelos recursos da natureza sem os quais não pode subsistir. A preservação dos recursos naturais assegura ao homem a possível fruição desses bens, mesmo que ainda não conheça suas possíveis formas de utilização.

Ambas as posturas se fundamentam em questões culturais. Os organismos e instituições da área ambiental dedicam-se prioritariamente a aspectos físicos e biológicos da natureza. Os órgãos culturais defendem o que é característico de cada grupo social. A pluralidade

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

produzidos e que devem ser também protegidos. Bens móveis e edificados não podem ser restaurados ou conservados sem a disponibilidade de materiais como pedras, madeiras, pigmentos naturais. No caso de certos bens, como [...] a arte plumária, o desaparecimento de espécies animais impedirá, no futuro, que possam ser restaurados.

1

O que podemos fazer?

• Cobrar do poder público medidas de proteção ao ambiente e ao Patrimônio Natural.

• Ao visitar patrimônios naturais, não retirar pedras do ambiente ou arrancar plantas do solo.

• Não poluir o ambiente deixando embalagens e resíduos no chão, nos rios e nos lagos.

• Divulgar a importância de preservar o patrimônio natural.

Você conhece os patrimônios naturais do município onde você mora? Faça o que se pede.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

a) Pesquise se há patrimônios naturais no município onde você mora. Pode ser um parque nacional, estadual ou unidades de conservação. Registre os resultados no caderno.

b) Qual é a principal característica desse patrimônio? Preserva espécies ameaçadas? É uma atração turística?

c) Que medidas são tomadas para preservar esse patrimônio ambiental? Esse local está ameaçado?

A valorização do patrimônio cultural depende necessariamente do grau de conhecimento que se tem de suas inúmeras e diversificadas formas de utilização. Sua preservação, da consciência e do orgulho com que os grupos sociais o amparam e guardam como elemento da própria identidade.

DELPHIM, Carlos Fernando de Moura. O patrimônio natural no Brasil. Brasília, DF: Iphan, 2004. p. 3-4. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ publicacao/Patrimonio_Natural_ no_Brasil.pdf. Acesso em: 4 set. 2025.

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cultural constitui um patrimônio tão rico quanto a diversidade genética. A luta contra a uniformização cultural é tão importante quanto a proteção de paisagens ou de espécies vegetais e animais.

A preservação do patrimônio natural propicia excelente exercício de integração entre os elementos físicos e biológicos da natureza, os sistemas que estabelecem entre si e com as ações humanas. Fornece chaves para a proteção sinérgica de sítios e formações naturais significativas, em conjunto e harmonia com comunidades de plantas, animais e seres humanos, sobretudo com a cultura que cada grupo estabelece em relação à natureza, aos significados religiosos, míticos, legendários, históricos, artísticos, simbólicos, afetivos e tantos outros que podem ser conferidos pelo homem ao mundo natural.

É na natureza que se encontram todas as fontes materiais e imateriais da produção cultural. É a natureza que fornece a matéria-prima e a inspiração para a arte, literatura, música e outras formas de expressão cultural. Operações de preservação do patrimônio cultural, como a restauração, dependem dos mesmos recursos da natureza com que foram

Incêndio no Pantanal em Poconé (MT), em 2021.
MARIO FRIEDLANDER/PULSAR IMAGENS

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem.

Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida.

Oriente a leitura da reportagem sobre Tanaru reproduzida na página 106. Chame a atenção dos estudantes para as informações textuais e numéricas apresentados no texto.

Na atividade 1. a), espera-se que os estudantes respondam que esses buracos são vestígios que ajudam a contar a história do povo ao qual pertenceu o indígena conhecido como Tanaru.

Na atividade 1. b), espera-se que os estudantes respondam que a morte de Tanaru mostra que um saber tradicional pode desaparecer se ninguém cuidar de sua preservação.

O QUE ESTUDEI

1 Leia o trecho de uma reportagem e, em seguida, responda o que se pede.

Tanaru [...] foi o último sobrevivente de seu povo, massacrado por fazendeiros. Ele viveu isolado por mais de 25 anos na Terra Indígena Tanaru, em Rondônia.

A floresta onde vivia guarda um mistério: mais de 1 300 buracos escavados no solo, retângulos do tamanho de uma pessoa, sem vestígios de comida ou uso sanitário. A origem e o propósito desses buracos permanecem desconhecidos.

[...]

A região onde Tanaru viveu foi intensamente desmatada a partir dos anos 1980 [...].

[...] Estima-se que mais de 8 mil indígenas foram mortos nesse período.

[...]

Em agosto de 2022, equipes da Funai encontraram Tanaru morto em sua rede, cercado de seus artefatos. Ele usava um cocar e um colar de sementes.

[...]

Há [...] propostas de tombamento da área como memorial e sítio arqueológico, preservando a memória de um povo que foi apagado.

ISOLADO na floresta: a história do último sobrevivente de um povo indígena. G1, Rio de Janeiro, 10 ago. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2025/08/10/isolado-na-floresta-ahistoria-do-ultimo-sobrevivente-de-um-povo-indigena.ghtml. Acesso em: 24 ago. 2025.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento

a) O texto menciona que há mais de 1 300 buracos escavados no solo da floresta. De que modo esses buracos podem ser considerados um patrimônio material a ser estudado e preservado?

b) Que relação pode ser estabelecida entre a morte do indígena conhecido como Tanaru e o desaparecimento de saberes tradicionais?

c) Por que o tombamento da área em que Tanaru viveu pode ser importante para preservar a memória sobre seu povo?

d) É possível dizer que a morte de Tanaru representou o “apagamento” de um povo inteiro? Justifique.

e) Como o estudo dessa história ajuda a refletir sobre a importância de valorizar e proteger os saberes tradicionais?

Na atividade 1. d), espera-se que os estudantes respondam que com a morte de Tanaru se perderam a língua, os costumes e a história de seu povo.

Na atividade 1. e), espera-se que os estudantes respondam que o estudo da história mostra que o desaparecimento de povos como o de Tanaru não é inédito e que é necessário cuidar dos povos indígenas de atualmente para que seus saberes não desapareçam também.

Na atividade 2. b), espera-se que os estudantes respondam que esse patrimônio foi reconhecido pelo governo brasileiro porque preserva as memórias dos africanos que foram trazidos à força para o Brasil, bem como as memórias de seus descendentes.

Na atividade 1. c), espera-se que os estudantes respondam que, ao ser tombado, o local será preservado, tornando-se uma importante fonte para a história de Tanaru e seu povo, ao mesmo tempo que ajudará na preservação da memória dessas pessoas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

2

Leia o trecho de uma reportagem e responda às questões.

Importantes manifestações das culturas tradicionais e populares, os Reinados, Congados e Congadas se tornaram oficialmente Patrimônio Cultural do Brasil no dia 18 de junho de 2025. [...] O novo patrimônio cultural brasileiro é um conjunto diversificado de saberes da ancestralidade afro-brasileira [...]. Essas tradições atravessaram mais de 300 anos de história, chegando ao século 21 com transformações [...], mas sempre mantendo uma identidade fundamental: a ancestralidade de matriz africana com canto, ritmo e dança.

BRASIL. Ministério da Cultura. Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas recebem certificado de Patrimônio Cultural do Brasil. Brasília, DF: MinC, 25 ago. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/saberes-do-rosario-reinados-congados-econgadas-recebe-certificado-de-patrimonio-cultural-do-brasil. Acesso em: 27 ago. 2025.

a) De acordo com a reportagem, o bem cultural tombado é um patrimônio material ou imaterial? Justifique.

Imaterial. A reportagem descreve o bem cultural como um conjunto de saberes.

b) Esse patrimônio está ligado à preservação das memórias de que parte da população brasileira?

Veja orientações e resposta no Encaminhamento

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

• Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

Respostas pessoais. Sempre Às vezes

23:54

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser importante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano. Ao final, promova um momento coletivo de troca de ideias, no qual os estudantes possam compartilhar impressões sobre o que aprenderam e sobre os desafios que encontraram. Essa prática valoriza a diversidade da turma, incentiva a escuta ativa e reforça a noção de que o aprendizado é um processo colaborativo e inclusivo, no qual cada voz e cada experiência contribuem para o crescimento de todos.

PARA O PROFESSOR

• SANTANA, Carolina Ribeiro; OLIVEIRA, Lucas Cravo de; ACUNHA, Danyla Ribeiro de Almeida Carneiro. O destino de uma terra indígena sem indígenas: o caso Tanaru. Revista Direito e Práxis, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, e89695, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdp/a/d9NnVPG3vvFdX5MwqGk7XXs/?lang=pt. Acesso em: 5 out. 2025. Texto com informações sobre Tanaru para subsidiar o trabalho em sala de aula.

• NAHAS, Isabela. Congadas e reinados existem há mais de 300 anos, mas só viraram patrimônio do Brasil agora. Jornal da USP, São Paulo, 29 ago. 2025. Disponível em: https://jornal.usp.br/diversidade/congadas-e-reinados-existem-ha-mais-de -300-anos-mas-so-viraram-patrimonio-do-brasil-agora/. Acesso em: 4 set. 2025. Texto sobre o reconhecimento dos reinados, congados e congadas como parte do patrimônio cultural brasileiro.

MODELO PARA COPIAR
CONEXÃO

INTRODUÇÃO À UNIDADE

No capítulo 1, os estudantes serão convidados a refletir sobre diferentes formas de comunicação humana, desde o desenvolvimento da escrita na Antiguidade até o uso de emojis atualmente. Um dos principais objetivos do capítulo é possibilitar aos estudantes compreender como as formas de comunicação contribuem para a interação dos seres humanos nos mais diferentes níveis.

Por fim, no capítulo 2, os estudantes serão apresentados a diferentes questões que afligem a sociedade brasileira no século XXI. Marcado pela diversidade e por grandes contradições, o Brasil contemporâneo revela aos estudantes toda a complexidade de sua história. Serão trabalhados temas como violência, preconceito e problemas ambientais, de modo a trazer para os estudantes dados e reflexões a respeito dessas questões que fazem parte de sua realidade.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Compreender que podemos nos comunicar utilizando diferentes linguagens.

• Identificar e comparar diferentes linguagens adotadas no processo de comunicação.

• Refletir sobre a importância da comunicação no dia a dia.

• Identificar aspectos socioambientais relacionados ao Brasil contemporâneo.

• Refletir e opinar sobre aspectos relacionados a questões sociais e ambientais.

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar o conteúdo de abertura da unidade, pergunte aos estudantes se eles já ouviram falar do filme brasileiro ganhador do Oscar de melhor filme internacional em 2025, Ainda estou aqui. Mencione

A COMUNICAÇÃO E QUESTÕES DO

2025, pela primeira vez, um filme brasileiro ganhou o prêmio Oscar na categoria de melhor filme internacional. Trata-se da obra Ainda estou aqui, que se passa durante um período muito difícil da história de nosso país: a ditadura civil-militar, uma época em que as liberdades dos brasileiros foram suprimidas e muitas pessoas que lutaram pela volta da democracia desapareceram, foram presas e até assassinadas. Esse é um exemplo claro de como o cinema permite discutir problemas das sociedades do presente e do passado. Nesta unidade, você vai conhecer algumas das diferentes formas de comunicação inventadas pelos seres humanos e também vai entrar em contato com algumas das principais questões da sociedade brasileira que ainda precisam ser solucionadas, como a violência e a desigualdade. Esses temas, inclusive, servem de inspiração para a realização de muitas obras em diferentes linguagens, como a poesia, o teatro, as artes plásticas, entre outras.

que o Oscar é um dos prêmios mais importantes do cinema mundial. Entregue anualmente pela Academia de Hollywood, nos Estados Unidos, é uma forma de reconhecer o trabalho de diversos profissionais envolvidos na indústria do cinema.

Em

1 Pense em um problema que afeta sua comunidade. Com base nele, faça em seu caderno um desenho, um poema, uma letra de música ou qualquer outra forma de manifestação artística com a qual você se identifica a respeito do tema escolhido. Em seguida, mostre para os colegas.

Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

2 Em sua opinião, como a arte pode nos ajudar a perceber e pensar em soluções para os desafios do lugar onde vivemos? Comente com os colegas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento.

30/09/2025 10:28

Na atividade 1, incentive os estudantes a usar a imaginação, seja para mostrar o problema existente, seja para propor soluções para ele. Depois de terem produzido o trabalho, organize uma roda de conversa para que eles exponham e expliquem aos colegas o que produziram. Motive o respeito e a escuta atenta, lembrando que cada manifestação é uma forma de comunicação pessoal e única.

Na atividade 2, apresente para os estudantes algumas obras, em diferentes linguagens, como murais, grafites, poemas, quadrinhos, artes plásticas, músicas, entre outras, que falam da realidade social e denunciam problemas do mundo contemporâneo. Peça aos estudantes que compartilhem opiniões a respeito de como os problemas estão presentes nessas obras e ajude-os a perceber que a arte é uma poderosa ferramenta de expressão, de crítica e de transformação social. Mostre que, se a arte não resolve diretamente tais problemas, ela, no mínimo, pode sensibilizar, conscientizar e mobilizar as pessoas para que mudanças aconteçam.

Cena do filme Ainda estou aqui, com direção de Walter Salles. Brasil, 2024 (137 minutos).

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Compreender que podemos nos comunicar utilizando diferentes linguagens.

• Identificar e comparar diferentes linguagens adotadas no processo de comunicação.

• Refletir sobre a importância da comunicação no dia a dia.

BNCC

HABILIDADE

(EF05HI06) Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação e avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a elas.

TEMA CONTEMPORÂNEO TRANSVERSAL (TCT)

• Educação em direitos humanos.

ENCAMINHAMENTO

Ao abordar a importância das diferentes formas de linguagem para a comunicação, se possível, estabeleça parceria com o componente curricular de Arte e destaque como os seres humanos utilizam linguagens como as artes visuais, a dança, o teatro e a música para expressar seus sentimentos e visões de mundo.

A COMUNICAÇÃO HUMANA capítulo 1

Na natureza, certas espécies animais desenvolveram algumas formas de comunicação. Baleias e golfinhos, por exemplo, emitem sons que avisam outros animais da espécie sobre perigos ou que os ajudam a coordenar caçadas. Certas aves cantam como forma de defender o território ou atrair parceiros. Outras emitem sons que avisam quando há algum predador por perto. Esses e muitos outros exemplos mostram que, para diversos animais, a comunicação é voltada principalmente para garantir a sobrevivência da espécie.

Arara-azul-grande, em Aquidauana (MS), em 2025.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• ANTUNES, Luíza. 5 animais com sistemas complexos de comunicação. Superinteressante, São Paulo, 15 jul. 2014. Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/superlistas/5-ani mais-com-sistemas-complexos-de-comunicacao/. Acesso em: 9 set. 2025. Reportagem sobre animais que possuem sistemas complexos de comunicação

Porém, todas essas formas de comunicação podem ser consideradas mais restritas quando comparadas à comunicação da espécie humana. Nós desenvolvemos uma diversidade de linguagem muito grande. Somos capazes de nos comunicar por meio de fala, texto, imagens, sons, músicas, movimentos do corpo, entre outros exemplos.

Por meio dessas linguagens, conseguimos demonstrar sentimentos, contar histórias do passado, imaginar possibilidades de futuro, formular leis, transmitir saberes de geração em geração, desenvolver tecnologias e muito mais. Neste capítulo, você vai conhecer algumas formas de comunicação que contribuem para a interação entre indivíduos e grupos.

A atividade 2 incentiva os estudantes a levantar hipóteses. Ao mesmo tempo, ajuda-os a perceber que a comunicação é algo intrínseco à espécie humana e que a falta dela poderia, inclusive, comprometer o desenvolvimento dos seres humanos, que teriam maior dificuldade para se adaptar, evoluir e sobreviver. Os humanos são muito dependentes da vida em grupo, razão pela qual a comunicação foi fundamental para nossa espécie se organizar e prosperar. Desde os primeiros grupos, os humanos precisaram cooperar para caçar, coletar alimentos, se proteger de predadores e se ajudar mutuamente. Sem comunicação, seria muito difícil organizar tarefas em grupos ou transmitir conhecimentos importantes, como saber fabricar ferramentas, encontrar os locais onde houvesse água ou identificar plantas venenosas.

1 Cite três formas de comunicação que você usa em seu dia a dia.

Resposta pessoal. Os estudantes podem citar a comunicação oral, a comunicação por escrito, a comunicação por meio de gestos e dança, imagens, sons, entre outras.

2 Como você imagina que seriam as relações entre as pessoas caso elas não tivessem a capacidade de se comunicar umas com as outras? Comente com os colegas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento.

ATIVIDADES

30/09/2025 10:28

Organize os estudantes em dois grandes grupos. O desafio deles será estabelecer comunicação sem o uso de palavras, apenas com expressões corporais e faciais.

A cada rodada, um grupo será desafiado a transmitir para outro grupo uma frase curta indicada pelo professor, sem usar palavras. Vence o grupo que conseguir transmitir a mensagem corretamente dentro de um tempo estipulado, que pode ser, por exemplo, de 3 minutos.

Após realizar algumas rodadas, organize uma roda de conversa e proponha uma reflexão com os estudantes sobre como é possível nos comunicar sem usar palavras, apenas com expressões corporais e faciais.

Apresentação de dança em festa junina em Campina Grande (PB), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a discussão em torno da comunicação, é oportuno destacar o modo como as práticas de comunicação passam por transformações ao longo do tempo. As sociedades humanas desenvolveram múltiplas formas de comunicação em diferentes períodos históricos. Invenções e avanços nas tecnologias possibilitaram a criação de novas formas de comunicação, mobilizando recursos que não eram utilizados anteriormente nas comunicações humanas.

O exemplo do emoji permite introduzir essa questão, lembrando que esse recurso foi desenvolvido a partir do avanço da internet. Com isso, os indivíduos passaram a buscar estratégias eficazes de transmissão acelerada de informações nas redes sociais e em outros espaços digitais. Foi nesse contexto que os emojis foram criados e se popularizaram.

É oportuno lembrar que os emojis atualmente são um recurso comum e corriqueiro, mas nos anos 1990 representaram uma importante novidade na forma como os grupos humanos se comunicavam. Nessa perspectiva, é válido propor aos estudantes que pensem em exemplos de recursos de comunicação populares no presente, especialmente aqueles fazem parte do cotidiano da turma.

Ao longo do capítulo, essa questão poderá ser retomada, explorando a importância da invenção da escrita, das tradições orais e outras formas de linguagem que podem contribuir para a compreensão do caráter histórico e em constante transformação da comunicação humana. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento da habilidade EF05HI06

COMO OS SERES HUMANOS SE COMUNICAM?

Os emojis são desenhos que transmitem diferentes mensagens. Eles podem ser carinhas felizes, tristes, corações, animais e muito mais. As pessoas utilizam esses símbolos para se comunicar de forma mais rápida ou para facilitar a escrita. Por exemplo, se você manda uma carinha feliz, a pessoa já sabe que você está alegre. Se você manda uma carinha com lágrima, a pessoa sabe que você está triste. Assim, por meio dos emojis é possível expressar algumas ideias complexas, como felicidade ou tristeza, e transmitir uma informação ou sentimento sem a necessidade de escrever ou explicar algo com muitas palavras

Esses símbolos começaram a ser inventados no final dos anos 1990, quando a internet estava se popularizando. No começo, as pessoas usavam algo parecido, mas feito com letras e sinais de pontuação. Por exemplo, para fazer uma carinha feliz, usavam :) e, para fazer uma carinha triste, usavam :(. Com o tempo, eles foram se modificando e viraram os emojis coloridos que são usados em celulares. Eles são um exemplo do desenvolvimento de tecnologias e ferramentas que auxiliam os seres humanos a transmitir ideias, sentimentos e informações. Leia o trecho a seguir sobre a importância da comunicação com os emojis

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• SATO, Silvio Koiti. Emojis: entre a liberdade expressiva e o controle das plataformas. Signos do Consumo, São Paulo, v. 16, n. 1, e223263, 2024. Disponível em: https://revistas.usp.br/ signosdoconsumo/article/view/223263. Acesso em: 26 set. 2025. Artigo que aborda a utilização de emojis na comunicação. Pode contribuir para a abordagem desse tema em sala de aula.

Segundo um estudo da Universidade da Califórnia, nos EUA, o emoji traz uma sensação psicológica de intimidade e proximidade na esfera virtual, uma maior conexão com o outro. Muitas vezes o emoji também é usado para reforçar um tom de voz ou sentido de uma ideia e até para quando não se tem mais nada a dizer, mas é necessária uma comunicação.

CUNHA, Carolina. Emojis: imagens que "substituem" as palavras na comunicação. UOL, São Paulo, 2015. Disponível em: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/ atualidades/emojis-imagens-que-substituem-as-palavras-na-comunicacao.htm. Acesso em: 14 set. 2025.

1 A comunicação na internet passa por mudanças com grande rapidez devido a novas invenções e criações dos usuários. Você acredita que os emojis ainda são uma ferramenta muito utilizada pelas crianças e pelos adolescentes? Por quê?

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

2 Em seu cotidiano, quais são as principais ferramentas que você utiliza para se comunicar? Descreva no caderno como você utiliza essas ferramentas.

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

Pessoas usam fantasias de emojis no carnaval de rua em Nijmegen, nos Países Baixos, 2025.

ATIVIDADES

A proposta da atividade 1 é mobilizar as experiências e os conhecimentos prévios dos estudantes. É possível que os mais jovens utilizem os emojis de forma bastante diferente dos adultos. Assim, a discussão possibilita explorar esse aspecto, permitindo aos estudantes que se posicionem em relação ao tema. Caso eles afirmem que não utilizam emojis com frequência, é oportuno solicitar que expliquem quais recursos eles consideram mais importantes na comunicação cotidiana.

Na atividade 2, é importante auxiliar os estudantes a compreender que as ferramentas utilizadas para comunicação são muito variadas. É possível pensar em exemplos mais evidentes, como celulares e computadores. No entanto, também é oportuno lembrar de mais ferramentas, como folhas e cadernos utilizados para registrar atividades, agendas escolares, bilhetes, gravações, entre outras possibilidades.

30/09/2025 10:28

Peça aos estudantes que se organizem em grupos de até cinco integrantes. Solicite que cada grupo escolha uma canção conhecida por todos da equipe e façam um cartaz com o título dessa canção usando apenas emojis

Cada grupo deverá apresentar seu cartaz, e os demais grupos tentarão descobrir qual é o título da canção.

Com essa atividade, os estudantes poderão descobrir como é possível se comunicar utilizando emojis e quais limitações esse tipo de comunicação oferece.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A análise da invenção da escrita possibilita explorar um fenômeno de longa duração e o modo como essa invenção está associada com profundas transformações sociais que continuam marcando o mundo contemporâneo. É válido lembrar que a invenção da escrita está diretamente associada ao processo de desenvolvimento do Estado, permitindo maior controle da produção, da cobrança de tributos e da organização do trabalho em diversas sociedades do mundo antigo.

Ao longo do tempo, a escrita possibilitou o desenvolvimento de novas formas de comunicação e novas linguagens. A literatura, por exemplo, é uma forma de linguagem que remonta às práticas orais presentes em muitas sociedades, mas que passou por grandes mudanças em função das possibilidades de registro propiciadas pela escrita. Vale lembrar que formas de comunicação contemporâneas, como as práticas de comunicação digital, também estão associadas ao desenvolvimento da escrita.

Um ponto que merece cuidado é evitar a ideia de que a escrita é uma etapa evolutiva da humanidade. É válido explorar a ideia de que a escrita é apenas uma das formas de comunicação, mas não implica uma forma mais avançada de comunicação do que a tradição oral, por exemplo. Essa ideia é fundamental para evitar uma abordagem etnocêntrica da história da comunicação humana.

O DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA

Uma das formas de comunicação mais importantes para a história humana é a escrita. A criação dela permitiu aos grupos humanos novas formas de registrar e transmitir informações. Com a escrita, sociedades humanas passaram a registrar e preservar informações sem o auxílio da memória.

Ao longo do tempo, diversas sociedades criaram as próprias formas de escrita. As primeiras apareceram na região do Oriente Médio há mais de 5 mil anos, entre os sumérios.

O povo sumério criou um sistema em que a escrita era feita em tabuletas de argila. Eles escreviam sobre a argila ainda amolecida com um objeto em forma de cunha. Por isso, a escrita dos sumérios foi chamada de cuneiforme.

Outra forma de escrita desenvolvida nesse período foi a dos antigos egípcios. A escrita egípcia foi chamada de hieroglífica, tendo sido inventada por volta de 3200 a.C.

A escrita cuneiforme e a escrita hieroglífica apresentam muitas diferenças, mas possuem em comum o fato de originalmente contarem com milhares de símbolos que representavam diferentes objetos e acontecimentos. Com o tempo, passaram por transformações que as deixaram mais fáceis de serem utilizadas. Mesmo assim, as pessoas precisavam memorizar muitos símbolos para registrar os textos.

Cunha: peça de madeira ou metal triangular, usada para prender ou separar objetos. Hieroglífico: refere-se a hieróglifo, figura ou sinal que representa palavra, som ou ideia.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

Tabuleta suméria de argila com escrita cuneiforme datada de c. 3000 a.C.

• ROCHA, Ruth; ROTH, Otávio. O livro da escrita. Ilustrações: Raquel Coelho. São Paulo: Melhoramentos, 2000. (Série o homem e a comunicação).

Livro infantojuvenil que aborda a história da escrita.

• ZATZ, Lia. Aventura da escrita: história do desenho que virou letra. Ilustrações: Avelino Guedes. São Paulo: Moderna, 2012. (Coleção Viramundo). Obra que aborda o desenvolvimento da escrita de forma lúdica e divertida.

O desenvolvimento do alfabeto

Em outros lugares do mundo, como na China ou em regiões do atual México, diferentes sistemas de escrita também foram criados há milhares de anos. Esses sistemas, tal como os apresentados anteriormente, apresentavam originalmente muitos símbolos.

Atualmente, a escrita que utilizamos é chamada alfabética. Ela é formada por um conjunto de símbolos (as letras) que representam os sons da fala. Esses sons podem ser combinados para criar palavras, exigindo a memorização de um número muito reduzido de símbolos.

Essa forma alfabética de escrita começou a ser inventada pelos fenícios, um povo que viveu no atual Líbano, por volta de 1500 a.C. A escrita fenícia foi base para a criação do alfabeto de outros povos da Antiguidade, como os gregos, que acrescentaram vogais ao conjunto de letras, e os romanos, que utilizaram um alfabeto derivado do grego para dar origem ao sistema que usamos hoje em dia, o alfabeto latino.

1 Qual é a principal semelhança entre as escritas cuneiforme e hieroglífica?

Originalmente, os dois sistemas de escrita contavam com milhares de símbolos que representavam diferentes objetos e acontecimentos.

Outro ponto a ser explorado é a existência de diferentes formas de organização da escrita. Nesse caso, é possível explorar com os estudantes a diferença da escrita alfabética em relação a outros sistemas de escrita desenvolvidos no mundo antigo ou mesmo sistemas de escrita ainda utilizados, como a escrita japonesa, que mobiliza ideogramas para o registro de informações.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes observem que a escrita possibilita o registro de informações. Com isso, é possível preservá-las e enviá-las a outras pessoas. Dessa maneira, a escrita assegura a clareza e a possibilidade de verificar as informações que foram comunicadas. Além disso, a escrita possibilitou a preservação de conhecimentos e dados que não poderiam ser mantidos apenas pela memória.

ATIVIDADES

2 De que maneira a escrita colabora para sua comunicação com outras pessoas no cotidiano?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

30/09/2025 10:28

Peça aos estudantes que se organizem em trios e, usando argila e palitos de churrasco com pontas arredondadas, vivenciem a experiência da escrita cuneiforme. O desafio deles será criar um conjunto de símbolos e anotar os significados no caderno. Na sequência, deverão usar o palito de churrasco com pontas arredondadas para gravar esses símbolos na placa de argila. Ao final, todos devem apresentar sua placa aos colegas, explicando os significados para a turma. Essa atividade possibilita um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Arte.

Exemplo de escrita hieroglífica em papiro egípcio datado de c. 1000 a.C.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

É importante trabalhar com os estudantes a ideia de que a escrita não é um aspecto universal da experiência humana. Essa invenção tem uma história relacionada ao desenvolvimento de modos de organização específicos, principalmente aqueles baseados na formação de grandes comunidades agrárias organizadas em torno de formações estatais.

Em muitas regiões do planeta, sociedades com outras estruturas sociais se desenvolveram sem a escrita. Nessas sociedades, as formas de comunicação permaneceram predominantemente orais, assegurando a transmissão dos saberes e valores necessários para a vida em comunidade. O exemplo dos incas é importante, já que demonstra que mesmo em sociedades organizadas segundo formas políticas estatais a escrita não é um fato necessário, mas o resultado de processos históricos.

Outro ponto importante a destacar é que, mesmo em sociedades com escrita, a comunicação oral continuou desempenhando um papel importante. Muitas tradições e costumes são transmitidos de forma oral em diversas sociedades, inclusive no Brasil. Caso julgue oportuno, é possível trabalhar com os estudantes a importância das tradições orais em comunidades tradicionais no Brasil, como populações quilombolas e indígenas. Outro ponto que pode ser explorado é a relação entre tradições orais e a preservação de bens culturais imateriais.

A COMUNICAÇÃO

NAS SOCIEDADES SEM ESCRITA

A escrita não é o único meio criado por sociedades humanas para se comunicar. Muitas delas, ao longo da história, se organizaram sem o auxílio da escrita. Essas sociedades são chamadas de ágrafas.

Os incas são um exemplo de sociedade ágrafa. Entre os séculos 15 e 16, essa civilização desenvolveu um grande império em regiões da América do Sul que englobam partes dos atuais Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Chile e Argentina.

Para administrar esse território, os incas precisavam compartilhar informações por longas distâncias. Para isso, existiam funcionários que tinham a função de memorizar e transmitir informações, viajando rapidamente pelas estradas criadas pelos incas.

A transmissão de informações ocorria de forma oral, de um funcionário a outro, até chegar aos diferentes pontos do império. Para auxiliar na memorização, os incas utilizavam o quipo, um objeto feito de um conjunto de cordas nas quais era possível criar nós. Esses nós ajudavam a registrar informações e números, auxiliando na tarefa de transmissão oral de informações.

TEXTO COMPLEMENTAR

Quipo inca do século 15. Esse artefato é um exemplo de registro produzido por sociedades sem escrita.

Na África Ocidental, o[s] griot[s] – ou griô[s] como o termo se popularizou na língua portuguesa – são aqueles indivíduos capazes de transmitir adiante o conhecimento sobre os costumes, os conhecimentos, os mitos e as histórias dos povos. Metáfora da preservação da História, os griôs perpetuam a ancestralidade a partir da memória e representam a importância de garantir a continuidade das tradições por meio do saber oral.

Para os africanos, um griô pode ser um poeta, historiador, cantor ou contador de história; ou seja, todo aquele, sendo artista ou não, capaz de difundir através do boca a boca um tipo de saber. Como diria o escritor Guimarães Rosa, “o que lembro, tenho”.

Se pararmos para refletir, não é exagero dizer que todos nós temos pelo menos um griô na família: são eles as matriarcas e os anciãos reconhecidos em seus núcleos de convívio por sua forte conexão com a comunidade; pessoas capazes de contar histórias com letra minúscula que narram a história com letra maiúscula a partir de um ponto de vista humano, comunitário e conectado com os vínculos sociais.

O papel dos griôs

Em muitas sociedades africanas, existem pessoas que desempenham a função de transmitir tradições e ensinamentos por meio de canções e narrativas. Um dos nomes dados a essas pessoas é griô.

Ao longo do tempo, os griôs se dedicaram a viajar para diversas comunidades, transmitindo oralmente os aprendizados e as tradições de seu povo. Grande parte das narrativas dos griôs é preservada sem o auxílio de textos, sendo transmitida de forma oral para as gerações mais novas.

No Império do Mali, por exemplo, formado pelo povo mandinga entre os séculos 13 e 16 na região entre os rios Níger e Senegal, os griôs tiveram grande importância.

Eles narravam as histórias dos governantes locais, chamados mansa, e transmitiam importantes ensinamentos a respeito da vida, da organização da sociedade e de aspectos da natureza. Os griôs evidenciam, portanto, uma importante maneira de comunicação humana, a transmissão oral de saberes e aprendizados.

Griô do Mali em um festival em Salisbury, no estado de Maryland, nos Estados Unidos, em 2019.

1 A comunicação e a transmissão de saberes orais continuam muito importantes em nosso cotidiano. Justifique essa ideia com exemplos que você observa no dia a dia e comente com os colegas.

Resposta pessoal. Os estudantes podem lembrar de situações variadas, como a transmissão de tradições dos familiares ou da comunidade, o papel da linguagem oral na educação e na organização de festividades e eventos, entre outras possibilidades.

Essa questão permite, caso julgue pertinente, a organização de uma atividade complementar de pesquisa e organização de informações a respeito de tradições culturais que foram preservadas no Brasil de forma oral. Para realizar essa atividade, é possível consultar os dados e informações disponíveis no site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição responsável pelo catálogo e preservação dos bens culturais materiais e imateriais no país, disponível em: http://portal.iphan.gov.br/ (acesso em: 5 out. 2025).

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• BAULENAS, Ariadna. O quipu, código secreto dos incas. National Geographic Portugal, Lisboa, 16 nov. 2022. Disponível em: https:// www.nationalgeogra phic.pt/historia/o-quipu -codigo-secreto-dos -incas_3328. Acesso em: 9 set. 2025. Reportagem sobre os quipus incas que apresenta tanto suas características como sua importância para o entendimento da história do povo inca.

30/09/2025 10:28

Diante de tudo isso, o que fica é: que relação conseguimos com essa maneira de enxergar a transmissão de conhecimento no mundo de hoje? Você, leitor adulto, ou a sua criança tem contato com pessoas como essas? Provavelmente, sim. No entanto, que papel é dado a ela e aos seus saberes nas tomadas de decisão, desde o cotidiano mais banal até a formulação de políticas públicas orientadas para o desenvolvimento da cultura material e imaterial. Sobretudo nas grandes cidades, o ritmo acelerado do cotidiano urbano nos afasta cada vez mais do convívio familiar estreito e afrouxa os laços afetivos com os nossos griôs de cada dia.

PENZANI, Renata. Pedagogia Griô: uma educação feita de vínculos e ancestralidade. Lunetas, São Paulo, 17 fev. 2020. Disponível em: https://lunetas.com.br/pedagogia-grio/. Acesso em: 9 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A dupla de páginas apresenta diversos exemplos de linguagens que estão presentes na comunicação humana. Uma forma de complementar a análise presente na dupla de páginas é trazer exemplos de uso dessas linguagens que podem ser identificados na comunidade dos estudantes ou na cultura brasileira.

Também é possível propor aos estudantes que selecionem exemplos cotidianos nos quais eles identificam o uso dessas linguagens. Durante essa discussão, é possível incentivar a turma a refletir sobre a importância dessas linguagens, bem como complementar o conteúdo com outros exemplos. É importante lembrar que cada linguagem possui regras que lhe são próprias, o que permite o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Arte. Nesse trabalho, é possível destacar aspectos estéticos de diferentes linguagens artísticas no texto, auxiliando os estudantes a perceber aspectos centrais dessas linguagens.

Nas atividades 1 e 2, oriente os estudantes a compartilhar suas experiências com cinema e teatro, destacando as diferenças e qualidades de cada um deles. Caso algum estudante não tenha assistido a algum filme no cinema ou alguma peça de teatro, convide-o a participar da conversa.

DIFERENTES FORMAS DE COMUNICAÇÃO

A comunicação escrita e a comunicação oral são duas formas importantes de transmissão de informações, ideias e sentimentos ao longo da história. Mas existem outras formas de comunicação que contribuíram para a interação entre os indivíduos. Vamos conhecer algumas delas?

Cinema

O cinema foi criado no final do século 19. Ao mesmo tempo que é uma forma de comunicação, é também um exemplo de expressão artística.

A linguagem do cinema combina recursos visuais e sonoros. Desde o século 20, o cinema desempenha um papel social muito importante, disseminando ideias e valores.

Em períodos de guerra, por exemplo, o cinema foi muitas vezes utilizado como uma ferramenta para divulgar informações sobre o conflito e para obter apoio da sociedade.

TEM MAIS

A indústria cinematográfica movimenta bilhões de dólares todos os anos, valor que vem especialmente dos Estados Unidos, da famosa Hollywood. Mas, em outros países, o cinema também gera muita renda, como é o caso da Índia, onde a indústria é conhecida como Bollywood.

Exibição ao ar livre do filme Chico Bento e a goiabeira maraviosa (com direção de Fernando Fraiha. Brasil, 2025, 90 minutos) em Campo Mourão (PR), em 2025.

1 Você já foi ao cinema? O que você achou da experiência? Converse com os colegas e o professor. Veja comentários no Encaminhamento.

TEXTO COMPLEMENTAR

A comunicação parece ser um dos objetivos centrais na apresentação de uma peça teatral. Na grande maioria dos casos, o artista quer estabelecer uma conexão com seu público. (Entendemos a noção de teatro como a união entre o conjunto de artistas e a plateia. De fato, não conseguimos conceber a ideia de teatro sem nenhuma dessas partes. Ainda que pudéssemos pensar na possibilidade de os artistas serem sua própria plateia, pensar esta sem aquela parece algo absurdo.)

Teatro

O teatro é uma forma de comunicação muito antiga. Essa expressão artística foi criada pelos gregos na Antiguidade há cerca de 2 600 anos.

Essa linguagem artística teve grande importância para o desenvolvimento da democracia na cidade grega de Atenas. As peças teatrais eram utilizadas tanto como uma forma de lazer quanto como uma maneira de criticar as injustiças e os problemas sociais da cidade.

Ao longo do tempo, o teatro continuou e continua sendo uma importante forma de comunicar valores e ideias, auxiliando os cidadãos a refletir criticamente sobre os problemas de sua sociedade.

2 Você já assistiu a alguma peça de teatro na escola ou em outro lugar? Conte para os colegas como foi a experiência. Veja comentários no Encaminhamento

10:28

Embora seja estranho, é possível pensar que algumas vezes o artista possa não ter intenção de comunicar algo para seu público. Seu único objetivo nesse caso seria fazer uma apresentação. Mas toda e qualquer apresentação tem em si um conteúdo informacional. Dessa forma, uma apresentação que pretenda nada comunicar certamente transmite seu objetivo, qual seja, nada transmitir. Parece impossível escapar da possibilidade de haver comunicação no teatro, dada a própria natureza da apresentação teatral. A própria representação já é uma comunicação. Ainda que pudesse haver peças teatrais sem comunicação, nosso objetivo neste trabalho é falar das peças cujos atores procuram transmitir alguma mensagem.

A comunicação no teatro é realizada pela transmissão de informações e é composta pelo conjunto de atores em um dos extremos e pelo público em outro. […].

ALVES, Marcos Antônio. O teatro como um sistema de comunicação. Trans/Form/Ação, São Paulo, v. 24, n. 1, p. 85-90, 2001. p. 85-86. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/ article/view/825/10930. Acesso em: 9 set. 2025.

Se julgar oportuno, monte com os estudantes uma lista dos filmes preferidos da turma. Depois, faça uma votação para escolher um desses filmes e organize uma sessão de cinema. Cuide apenas que se trate de um filme adequado para a faixa etária dos estudantes. Caso tenha dúvidas, consulte a classificação indicativa em: https://www.gov.br/mj/pt-br/ assuntos/seus-direitos/classi ficacao-1 (acesso em: 9 set. 2025).

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• ZATZ, Lia; ABREU, Graça. Era uma vez um teatro Ilustrações: Alexandre Teles. São Paulo: Biruta, 2013. Livro que conta a história de um teatro de forma divertida.

Cena do espetáculo Serei sereia?, da Cia. Trucks, com direção de Henrique Sitchin, em São Paulo (SP), em 2025.
GISLAINE MYONO/CIA TRUKS

ENCAMINHAMENTO

Ao abordar o texto sobre poesia, se possível, proponha um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Língua Portuguesa.

Pergunte aos estudantes se eles sabem o que é um meme. Ouça as respostas e, se for possível, peça a eles que deem exemplos de memes que conhecem. Uma boa estratégia de abordagem desse conteúdo é pedir na aula anterior que eles pesquisem em casa, com a ajuda de um adulto, um meme para ser compartilhado com os colegas. É importante destacar que deve se tratar de uma criação adequada para a faixa etária dos estudantes do 5o ano. Nesse caso, a aula deve começar com a exposição dos memes pesquisados pelos estudantes. Essa estratégia de antecipação mobiliza os estudantes para um dos temas abordados na aula.

Em relação às artes visuais, comente que se trata de uma das linguagens estudadas no componente curricular de Arte. Explique que existem diferentes formas de expressão da linguagem visual, tais como a pintura, a escultura, a gravura e a colagem.

Em relação à atividade 3, motive os estudantes a elaborar mensagens criativas, explorando recursos presentes no cotidiano. Ao final, é possível organizar um momento coletivo no qual os estudantes poderão socializar as mensagens criadas.

ATIVIDADES

Peça aos estudantes que escolham um poema curto para ser declamado em sala de aula. Uma sugestão é pedir a eles que pesquisem poemas do livro A arca de Noé, de Vinicius de Moraes, disponível em: https:// www.viniciusdemoraes.com.br/ br/poesia/livro/11/a-arca-de-noe (acesso em: 9 set. 2025). Durante a declamação, eles devem atentar para a entonação e o ritmo empregados na leitura.

Poesia

A poesia também é uma forma de comunicação muito antiga. Existem registros de textos poéticos há milhares de anos. Um dos mais antigos é a Epopeia de Gilgamés, poema escrito no sistema cuneiforme há mais de 4 mil anos. Ele narra aspectos das crenças mitológicas dos sumérios.

A poesia tem origem na linguagem oral e servia, muitas vezes, para narrar as tradições e crenças de um povo.

Com a invenção da escrita, muitos poemas passaram a ser registrados por escrito. É assim que conhecemos obras poéticas produzidas há milhares de anos.

Até o presente, a poesia é uma forma de comunicar sentimentos e ideias que exploram de forma criativa a língua utilizada no cotidiano. Há também muitos exemplos de poetas que utilizam suas criações para realizar críticas sociais e despertar a reflexão dos leitores.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• GROSSI, Marcia Gorett Ribeiro; LEAL, Débora Cristina Cordeiro Campos; BORJA, Shirley Doweslei Bernardes. O potencial educativo dos memes como recurso pedagógico.  Série-Estudos, Campo Grande, v. 28, n. 64, p. 289-312, set. 2023. Disponível em: http://educa.fcc. org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2318-19822023000300289&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 25 set. 2025. Artigo sobre as possibilidades de abordagem do meme como recurso pedagógico. Pode contribuir com a prática docente.

Jovem recita poema no Rio de Janeiro (RJ), em 2025.

Meme

O meme é uma forma recente de comunicação. Essa linguagem, que foi criada com o avanço da internet, combina de forma criativa recursos textuais, visuais e sonoros e dialoga com outros registros. Com o avanço das redes sociais, muitos usuários passaram a criar memes para promover reflexões humorísticas sobre o mundo contemporâneo. Os memes também desempenham uma função de crítica social importante, criando situações de humor que envolvem figuras poderosas e governantes, além de estimular a organização de movimentos sociais.

Artes visuais

Alguns dos registros mais antigos de comunicação humana podem ser classificados como artes visuais. Trata-se das pinturas rupestres criadas por grupos humanos em diferentes regiões do planeta. As pinturas rupestres mais antigas podem ter mais de 40 mil anos, expressando aspectos do cotidiano e das crenças dos primeiros grupos humanos.

Ao longo do tempo, as artes visuais passaram por grandes transformações, com o desenvolvimento de técnicas e estilos. Essa linguagem artística expressa crenças e ideias e transmite múltiplas informações aos observadores.

Muitos artistas, por exemplo, utilizam pinturas, fotografias e esculturas para defender valores e crenças, apoiar projetos políticos ou denunciar injustiças. Além disso, as artes visuais contribuem para incentivar a capacidade de observação e contemplação, sendo um instrumento muito importante para o desenvolvimento da reflexão e da criatividade humanas.

3 Escolha e utilize uma das linguagens citadas para criar uma mensagem.

Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

TEXTO COMPLEMENTAR

As Artes visuais são os processos e produtos artísticos e culturais, nos diversos tempos históricos e contextos sociais, que têm a expressão visual como elemento de comunicação. Essas manifestações resultam de explorações plurais e transformações de materiais, de recursos tecnológicos e de apropriações da cultura cotidiana. […] possibilitam aos alunos explorar múltiplas culturas visuais, dialogar com as diferenças e conhecer outros espaços e possibilidades inventivas e expressivas, de modo a ampliar os limites escolares e criar novas formas de interação artística e de produção cultural, sejam elas concretas, sejam elas simbólicas.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 195. Grifo do autor. Disponível em: https://basenacionalcomum. mec.gov.br/images/BNCC_EI_ EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 26 set. 2025.

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• ROCHA, Ruth (org.). Poemas que escolhi para crianças. Ilustrações: Clara Gavilan et al São Paulo: Salamandra, 2013. Livro infantil com poemas destinados às crianças e selecionados pela escritora Ruth Rocha.

O QUE queremos? [201-]. 1 meme, color.
Exposição de esculturas em um museu de Recife (PE), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ORGANIZE-SE

Para a realização das atividades da seção, providencie com os estudantes: cadernos ou folhas de papel avulsas e lápis ou caneta.

ENCAMINHAMENTO

Faça a leitura do poema da seção Mão na massa, em voz alta e calma, reforçando a sonoridade das palavras e o ritmo dos versos para os estudantes. Essa abordagem possibilita um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Língua Portuguesa. Explique que o poema de Drummond é um exemplo de poema em prosa, ou seja, apesar de não estar dividido em versos e estrofes, o texto possui elementos característicos da linguagem poética, como ritmo e musicalidade, jogo de palavras e sonoridades, subjetividade e expressão de sentimentos, imagens e metáforas.

MÃO NA MASSA

Linguagem poética

Você já estudou como a poesia pode ser uma forma de comunicação que manifesta ideias a respeito da existência e da vida em sociedade. Os poetas exploram essa linguagem artística criando um registro que pode incentivar a reflexão e a criatividade do leitor.

O poema a seguir foi escrito pelo poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). O texto reflete sobre a memória, a passagem do tempo e o crescimento.

Que vai ser quando crescer? vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.

DRUMMOND DE ANDRADE,

TEXTO COMPLEMENTAR

2020.

A poesia é a arte de dar a um livre jogo da imaginação o caráter de um propósito do intelecto. Ao mesmo tempo, pensar a poesia em sala de aula é pensar para além da significação dos dicionários, ciente de que ela se aproxima muito mais do sentido que o leitor lhe atribui e, simultaneamente, subverte a lógica da racionalização linear, o que possibilita o processo de humanização e de desenvolvimento da capacidade criadora, inventiva e sensível. Com a poesia, os seres humanos podem se colocar nos ministérios do mundo, na sua perplexidade, nas suas dores e nas suas belezas. O ato poético é sempre um de não conformidade com o que é predeterminado. É um dizer pelas metáforas as utopias, os estados de si, o amor, a dor, a luta, o cotidiano, os sonhos e os projetos de ser-sendo – cada um na tessitura indissociável eu-outros, ou seja, do coletivo. Para Cecília Meireles, a poesia é esse canto do Sabiá, meio queixoso, meio melancólico e simultaneamente único – tal “como batem na água os remos / que nunca mais voltarão” –, que se ajusta ao que pensamos e

Verbo Ser
Carlos. Nova reunião: 23 livros de poesia. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009. v. 3, p. 81.
Escultura em bronze do poeta Carlos Drummond de Andrade, feita pelo artista Leo Santana em 2002. Rio de Janeiro (RJ),
ESCREVA NO LIVRO.

Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, cronista e farmacêutico que nasceu em Itabira (MG). Fez parte do chamado movimento modernista da literatura brasileira e é considerado um dos escritores mais importantes do século 20 no Brasil. Muitos de seus escritos têm como tema a condição do ser humano, o sentido da vida, o amor e a cidade de Itabira.

Agora é sua vez de se expressar por meio de um poema!

Materiais

• Cadernos ou folhas de papel avulsas

• Lápis ou caneta

Como fazer

1 Leia o poema com atenção.

2 Converse com os colegas sobre o que vocês entenderam e sentiram ao ler o poema.

3 Com base na discussão do texto e em suas próprias experiências, escreva um poema que busque responder às questões sobre o amadurecimento e sobre o que ser quando crescer.

Concluindo a atividade

Compartilhe sua produção com os colegas e responda à pergunta a seguir.

1 Alguém já lhe perguntou o que você gostaria de ser quando crescer? O que você achou da resposta do poeta a essa pergunta? Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

FIQUE LIGADO

• DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. O elefante. São Paulo: Reco-reco, 2024. O livro-poema usa a figura do elefante para tratar de temas importantes para o ser humano de qualquer idade, como os sonhos, desejos, medos, dores e alegrias.

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sentimos. Contraditoriamente, apesar do gosto amargo, encharca a alma de alegria, beleza e vitalidade, a ponto de ser ignorada sua toada triste, permanecendo-se fiel ao que se escuta. […] pensar a poesia em sala de aula é pensar modos de trabalhar a linguagem. […] Ao professor será atribuído o papel de mediador, aquele que cria condições para partilhar e favorecer o gosto pela poesia, aquele que ensina a contemplar aquilo que não se entende e desafia a cada um para produzir os sentidos e as diversas emoções da queixosa toada dos sabiás.

AZEVEDO, Fernando José Fraga de; CHAGAS, Lilane Maria de Moura; BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. Pensar a poesia em sala de aula: reflexões didáticas para fruir o texto poético. Leitura: teoria e prática, Campinas, v. 36, n. 74, p. 15-30, maio 2018. p. 18-19. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/ltp/ v36n74/2317-0972-ltp-36-74-15.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Motive-os a falar sobre o poema, as emoções e as ideias que o texto despertou neles. Na etapa de criação de um poema, procure impulsionar a criatividade dos estudantes, incentivando-os a produzir sem a preocupação de escrever um poema “corretamente”. Você pode sugerir que os estudantes brinquem com a sonoridade das palavras, a exemplo do que o próprio Drummond faz com ser/crescer/esquecer.

Ao propor a etapa Concluindo a atividade, organize uma roda de conversa de forma que os estudantes possam apresentar sua produção e falar com os colegas sobre as questões propostas. Espera-se que eles tragam relatos pautados em suas vivências e experiências.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. [S. l.], c2025. Site . Disponível em: https://www.carlosdrumm ond.com.br/. Acesso em: 9 set. 2025. Site com informações sobre a vida e a obra de Carlos Drummond de Andrade.

• DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Menino Drummond. Ilustrações: Angela-Lago. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2012.

Livro em que Carlos Drummond de Andrade aborda memórias de infância de forma poética.

ENCAMINHAMENTO

A seção Ideia puxa ideia explora como a Língua Brasileira de Sinais é fundamental para o pleno exercício da cidadania pela comunidade surda brasileira. Durante a discussão, é importante evidenciar de forma clara como essa língua difere da língua portuguesa, possuindo elementos gramaticais que lhe são próprios.

Além disso, é válido lembrar que a Libras não pode ser entendida como uma simples transposição da língua portuguesa para uma modalidade visual e gestual. Em vez disso, a Libras é uma língua autônoma que possui uma estrutura própria.

Também é importante lembrar que essa língua não é universal, existindo línguas de sinais em outros países, como é o caso da Língua de Sinais Francesa (LSF) ou da Língua de Sinais Estadunidense (ASL).

Uma questão que pode ser explorada é o modo como os usuários da Libras sofreram grande discriminação ao longo do tempo, com ações visando à limitação do acesso à essa língua em instituições de ensino durante boa parte do século XX. Isso levou a comunidade surda a se organizar para lutar por seus direitos, o que resultou na aprovação de leis que reconheceram o papel da Libras para o exercício da cidadania no Brasil.

IDEIA PUXA IDEIA

A importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Você sabe o que é a Língua Brasileira de Sinais? Ela é utilizada pela comunidade surda no Brasil para se comunicar com pessoas surdas e ouvintes. Essa língua, também conhecida como Libras, utiliza movimentos das mãos e do corpo e expressões faciais para expressar sinais que representam palavras, ideias e sentimentos.

Assim como toda língua, a Libras possui regras gramaticais próprias, possibilitando a plena comunicação entre seus usuários. As pessoas podem expressar qualquer tipo de ideia ou informação por meio dessa língua.

No Brasil, o uso da Libras é reconhecido como um direito da comunidade surda. Existem leis que determinam que serviços públicos e privados de uso coletivo, como hospitais, e instituições de ensino, como escolas e universidades, contem com intérpretes de Libras para auxiliar na comunicação de pessoas surdas. Confira a seguir o alfabeto manual de Libras.

TEXTO COMPLEMENTAR

O braille é um sistema de escrita e leitura tátil para as pessoas cegas inventado pelo francês Louis Braille, ele mesmo cego aos três anos de idade devido a um acidente que causou a infecção dos dois olhos.

O sistema consta do arranjo de seis pontos em relevo, dispostos na vertical em duas colunas de três pontos cada, no que se convencionou chamar de “cela braille”. A diferente disposição desses seis pontos permite a formação de 63 combinações ou símbolos para escrever textos em geral, anotações científicas, partituras musicais, além de escrita estenográfica.

O braille é empregado por extenso, isto é, escrevendo-se a palavra, letra por letra, ou de forma abreviada, adotando-se código[s] especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo linguístico. O braille por extenso é denominado grau 1; já o grau 2 é a forma abreviada, empregada para representar as conjunções, preposições, pronomes, prefixos, sufixos, grupos de

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Alfabeto manual de Libras.

Agora que você conhece um pouco mais sobre a Língua Brasileira de Sinais, reproduza as letras do alfabeto manual de Libras, para refletir sobre a importância dela no exercício da cidadania das pessoas surdas no país. Depois, responda às atividades propostas.

1 Uma maneira de assegurar o direito que as pessoas surdas têm de se comunicar com a Libras é a contratação de intérpretes em instituições públicas e privadas. Em sua opinião, qual é a importância disso no cotidiano das pessoas surdas?

2 Em dupla com um colega, conversem entre si usando apenas o alfabeto manual de Libras. Cada um deve mandar ao menos uma mensagem. Em seguida, respondam: como foi a experiência de se comunicar por meio desse alfabeto?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

3 Imagine agora que você é um detetive e precisa transmitir uma mensagem secreta para um amigo. Porém, como é necessário impedir que outras pessoas leiam a mensagem enviada, você e seu amigo desenvolveram um código de comunicação que só vocês conseguem decifrar. Com um colega, criem esse código e transmitam a mensagem secreta entre si.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

1. Espera-se que os estudantes observem que a presença de intérpretes em instituições públicas e privadas é fundamental para assegurar plenamente os direitos de cidadania das pessoas surdas, garantindo uma comunicação efetiva por meio da Libras.

Criança conversa em Libras com adulto, em uma escola em São Paulo (SP), 2025.

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letras que são comumente encontradas nas palavras de uso corrente. A principal razão do emprego do braille grau 2 é reduzir o volume dos livros impressos nesse sistema, permitindo o maior rendimento na leitura e na escrita. Uma série de abreviaturas mais complexas forma o grau 3, que necessita de um conhecimento profundo da língua, uma boa memória e uma sensibilidade tátil muito desenvolvida por parte do leitor cego.

Trata-se de um sistema de extraordinária universalidade, através do qual o cego pode ler e exprimir-se em todas as línguas que usam o alfabeto ocidental, da forma mais simples e prática – com o uso da reglete e do punção, equivalentes ao lápis e papel utilizados pelos videntes – até por meio dos suportes tecnológicos hoje existentes e que graças ao desenvolvimento da informática têm tornado a comunicação cada vez mais inclusiva para as pessoas com deficiência visual.

INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT. O sistema braille. Rio de Janeiro: IBC, 2022. Disponível em: https:// www.gov.br/ibc/pt-br/pesquisa-e-tecnologia/materiais-especializados-1/livros-em-braille-1/o-sistema-braille. Acesso em: 10 set. 2025

Caso os estudantes tenham interesse, é possível pesquisar exemplos de sinais e apresentá-los ao grupo, destacando de forma introdutória aspectos dessa língua. Isso pode resultar em uma atividade complementar de pesquisa de termos em Libras, além de práticas e costumes da comunidade surda brasileira. Ao final, os estudantes podem socializar o que descobriram com a comunidade escolar, contribuindo para o desenvolvimento de práticas de acessibilidade e inclusão. Esta atividade mobiliza práticas pedagógicas ligadas ao TCT Educação em direitos humanos

Na atividade 2, caso os estudantes não tenham domínio do alfabeto manual de Libras, oriente-os a enviar mensagens curtas, com poucas palavras. Certifique-se de que, em cada dupla, ambos os estudantes enviaram uma mensagem. Após a prática, incentive-os a comentar sobre as dificuldades sentidas e sobre o que os ajudou a melhorar a compreensão da mensagem transmitida pelo colega. Reforce que aprender um pouco de Libras é também um exercício de empatia e inclusão em relação às pessoas surdas. A atividade 3 não só trabalha a criatividade dos estudantes como contribui para que eles reflitam sobre a função social da linguagem. Para a realização do código, os estudantes podem utilizar diferentes estratégias, como símbolos que substituem letras, desenhos que representam palavras, uma mistura de sinais combinados com as mãos ou pequenos gestos, entre outras. O importante é que eles percebam que a linguagem é uma invenção humana e que, sem regras compartilhadas, a comunicação se torna difícil. Como forma de ampliar o tema explorado na seção, fale sobre o braille, sistema de escrita e leitura tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. Destaque que, diferente da Libras, o braille não é uma língua, mas um sistema que permite a leitura e a escrita de línguas faladas.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Compreender aspectos da diversidade étnico-racial da sociedade brasileira.

• Refletir sobre a violência e a desigualdade entre gêneros no Brasil contemporâneo.

• Reconhecer causas do preconceito étnico-racial na sociedade brasileira.

• Identificar problemas socioambientais do Brasil contemporâneo.

BNCC HABILIDADE

(EF05HI09) Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais.

TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS (TCTs)

• Educação ambiental.

• Educação em direitos humanos.

ENCAMINHAMENTO

Procure comentar as desigualdades e as violências presentes no processo de formação do nosso país, que se baseou na exclusão e na exploração de alguns grupos, tendo, por outro lado, grupos sociais que tinham acesso privilegiado ao poder e a condições econômicas excepcionais. É possível que os estudantes não tenham referências muito precisas sobre os contextos históricos do passado mais remoto, mas pode ser interessante incentivá-los a identificar grupos marginalizados, que sofrem preconceitos e se encontram em condições de vida mais precárias, assim como as desigualdades visíveis no cotidiano, nas ruas, no bairro, nos transportes públicos etc.

Comente ainda as desigualdades de longa duração que atingem principalmente as

capítulo 2

O BRASIL CONTEMPORÂNEO

O Brasil, desde os primeiros anos até hoje, foi palco de conflitos, contradições e muita diversidade geográfica, natural, social, econômica, étnica e cultural. Uma das principais características do país é a desigualdade social, que faz com que muitas pessoas tenham grande dificuldade de acesso a condições melhores de vida.

As mulheres negras, por exemplo, têm representado por muito tempo a maioria das trabalhadoras domésticas no Brasil. Leia, a seguir, um trecho do relato de uma mulher negra que conta como três gerações de mulheres de sua família tiveram de se dedicar a essa atividade.

de trabalhadoras domésticas por direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho,

populações indígenas e afrodescendentes, desde o período colonial aos dias de hoje, chamando a atenção para algumas pautas centrais e reivindicações desses grupos. Além disso, converse com os estudantes sobre as dificuldades enfrentadas por imigrantes que muitas vezes demoram a adquirir cidadania e ter acesso aos direitos básicos no país. Caso conheçam pessoas que tenham migrado, aproveite para tornar a análise das desigualdades mais concreta, valorizando seus relatos e estabelecendo paralelos com o tema estudado.

A resposta da atividade 1 vai depender do lugar onde os estudantes vivem, da realidade no entorno desse local e da percepção e das experiências de cada um. É interessante incentivá-los a perceber que há contrastes sociais e econômicos não apenas entre os diversos espaços e bairros da cidade, mas também entre as pessoas que vivem, trabalham e circulam nesses lugares.

As respostas da atividade 2 vão depender das experiências dos estudantes. Procure incentivá-los a recordar histórias de alguma pessoa que tenha migrado, mesmo que ela não seja próxima deles, isto é, mesmo que seja alguém de quem tenham ouvido falar ou alguém que faça parte das

Manifestação
em São Paulo (SP), em 2025. IAN MAENFELD/FOTOARENA

Minha bisavó Celeste começou a trabalhar como empregada doméstica aos 7 anos. [...] Minha avó Ana Maria começou a trabalhar como empregada doméstica ainda adolescente. Faleceu antes dos 50 anos, vítima de um AVC. Kátia, minha mãe hoje com 52 anos, ainda trabalha como empregada doméstica.

LISBOA, Ana Paula. Primeira geração: rompendo o ciclo familiar de trabalho doméstico no Brasil. Revista Azmina, São Paulo, 25 fev. 2019. Disponível em: https://azmina.com.br/reportagens/primeirageracao-rompendo-o-ciclo-familiar-de-trabalho-domestico-no-brasil/. Acesso em: 28 ago. 2025.

A escravidão africana, que perdurou por quase 400 anos de nossa história (de aproximadamente 1530 a 1888), deixou marcas profundas na vida social e contribuiu para criar as desigualdades que perduram até hoje.

As populações afrodescendente e indígena são afetadas de maneira intensa pelas desigualdades e vivem muitas vezes em áreas urbanas e rurais em condições bastante precárias, sem acesso a serviços básicos de infraestrutura, de saúde, educação, entre outros direitos.

Na atualidade, o Brasil também recebe imigrantes vindos de outros países e continentes. Porém, muitos deles trabalham em empregos informais, são mal remunerados e têm dificuldade de acessar direitos básicos.

Imigrantes africanos trabalham como vendedores ambulantes, em São Paulo (SP), em 2025.

1 Em seu município, existem contrastes que podem ser percebidos ao se locomover de um bairro ou espaço a outro? Dê exemplos e comente com os colegas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

2 Você conhece ou soube de alguma pessoa que tenha migrado de outro país para o Brasil? De onde ela veio e quais são as características do lugar de origem dela? Conte para os colegas.

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento.

30/09/2025 10:33

lembranças familiares, por exemplo. Geralmente, os migrantes são levados a deixar seu lugar de origem por enfrentarem dificuldades, mas acabam se deparando com outras também nos locais de destino. Cada migrante carrega consigo muitas histórias.

Caso a turma seja muito numerosa, ao propor a leitura dos textos e a realização das atividades, se possível, adote algumas estratégias, tais como a organização do espaço físico, visando facilitar sua circulação entre as carteiras; e o planejamento diversificado, pensando previamente em atividades diferenciadas que combinem propostas individuais, em duplas e em grupos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Antes de propor a leitura do conteúdo da dupla de páginas, pergunte aos estudantes o que eles entendem por diversidade. Esse questionamento pode ser feito, por exemplo, a partir da leitura do título “Um país diverso”. Permita que os estudantes apresentem seus entendimentos e opiniões livremente, pois é importante, nesse momento, aferir os conhecimentos que já trazem sobre alguns dos temas que serão abordados no capítulo. O Texto complementar da página seguinte traz subsídios que podem contribuir para esse momento.

Após a leitura, faça perguntas e comentários para incentivar a participação, a reflexão, a expressão de dúvidas e opiniões pelos estudantes. Procure valorizar os conhecimentos prévios deles e utilizá-los para aprofundar a discussão coletiva, conduzindo as argumentações e os contrapontos de modo a promover a percepção de que, para analisar um problema, é recomendável observá-lo por diversos ângulos e perspectivas, considerando as diferentes visões e questionando o nosso próprio ponto de vista para que nele possamos incluir outras experiências e uma realidade mais ampla. É interessante conversar com a turma sobre diversidade étnica, cultural e individual.

Caso a sua turma tenha estudantes dentro do transtorno do espectro autista (TEA), adapte os momentos de leitura de imagens, pois essa pode ser uma dificuldade para esses estudantes. É possível, por exemplo, usar setas e círculos para destacar os elementos centrais das imagens propostas. Outra boa estratégia é fazer uma leitura guiada da imagem com os estudantes, ajudando-os na interpretação da imagem, a partir da proposição de perguntas objetivas e da associação de palavras-chave a diferentes elementos da imagem.

UM PAÍS DIVERSO

A vida nas sociedades contemporâneas se caracteriza pela diversidade. Conhecê-la e respeitá-la é um desafio essencial para viver em comunidade. O Brasil, desde o início de sua história, é marcado por grande diversidade e por muitos contrastes.

Temos, hoje, cidades grandes, cidades pequenas, áreas urbanas e áreas rurais, regiões mais ricas e regiões mais pobres. Se observarmos a composição étnica da população brasileira, vamos constatar a multiplicidade do país. Você estudou que diversos povos ajudaram a formar o que hoje é a sociedade brasileira, como os indígenas, africanos, europeus e asiáticos. E essa variedade cultural pode ser observada nas características físicas, na forma de pensar, sentir e agir e nos gostos das pessoas.

Essa diversidade étnica e cultural pode ser considerada uma das grandes riquezas da sociedade brasileira. Porém, no Brasil, também há enormes diferenças sociais e econômicas, que são explicadas pelo desenvolvimento da história brasileira. Enquanto alguns têm acesso a melhores condições de vida, muitos ainda vivem com dificuldades em termos de renda, trabalho, moradia, saúde, entre muitas outras questões. Construir um país mais justo depende de ações que reduzam essas diferenças e garantam oportunidades para todos.

a Iemanjá em Salvador (BA), 2025.

Na atividade 1, os estudantes podem descrever a primeira fotografia como sendo uma praia lotada de pessoas comemorando a festa de Iemanjá em Salvador (BA). A celebração tem sua origem nas religiões de matriz africana e é um indício da grande diversidade étnico-racial existente no Brasil. A segunda imagem é uma fotografia de barracas que servem de abrigo para pessoas em situação de rua no município de São Paulo (SP). Ao fazer a relação com a história do Brasil, oriente os estudantes a retomar os conteúdos que eles estudaram, como a formação da sociedade brasileira por meio da relação entre os povos indígenas, africanos, europeus e asiáticos. Além disso, eles podem escrever que a história do Brasil é marcada por muitas desigualdades, o que ajuda a explicar a imagem da página 129 Na atividade 3, incentive os estudantes a representar os seus lugares de vivência e a usar a criatividade para produzir o desenho. Por ser uma linguagem diferente da verbal, o desenho produzido pelos estudantes permite que se avalie o aprendizado levando em consideração outras formas de expressão. Além disso, permitirá que os estudantes indiquem visualmente elementos que eventualmente não seriam descritos por meio da escrita.

Praia do Rio Vermelho lotada de pessoas na festa em homenagem

2. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a identificar diferenças entre as pessoas, valorizando tanto as que divergem de seus costumes e ideias quanto as que despertam curiosidade e permitem aprender sobre outras culturas.

1 As imagens apresentadas nesta página e na anterior representam diferentes realidades do nosso país. No caderno, escreva um pequeno texto descrevendo cada uma delas e como elas se relacionam ao que você conhece da história do Brasil.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

2 Observe as pessoas de seu dia a dia. Quais diferenças entre elas chamam mais sua atenção?

3 Com base nas semelhanças e diferenças observadas por você, produza um desenho em uma folha de papel avulsa que represente a sociedade de onde você vive.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

4 Reflita sobre as desigualdades presentes no local onde você vive e identifique aspectos que você observou sobre elas. Comente com os colegas.

5. Resposta pessoal. Incentive a turma à discussão e à reflexão sobre possíveis intervenções na realidade, projetos e atitudes que possam solucionar

5 Em sua opinião, existem formas de superar as desigualdades existentes no Brasil? Converse com os colegas a respeito.

ou amenizar as desigualdades sociais, econômicas, raciais e de gênero no Brasil contemporâneo.

Pessoas em situação de rua usam barracas como acolhimento em São Paulo (SP), em 2023.

4. Resposta pessoal. A resposta vai depender das experiências e da percepção dos estudantes em relação à realidade em que vivem. Oriente-os a observar as desigualdades do cotidiano.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

TEXTO COMPLEMENTAR

O que é diversidade?

Diversidade, em seu sentido mais amplo, refere-se à presença e à aceitação de uma ampla variedade de elementos, características e perspectivas em um determinado contexto.

Essa abrangência pode incluir diferenças visíveis, como raça, gênero, idade, origem étnica, orientação sexual e habilidades físicas, bem como diferenças invisíveis, como experiências de vida, formação educacional e pensamento.

Esse conceito reconhece que os seres humanos são únicos e complexos, cada um contribuindo com uma combinação única de identidades e experiências para o todo.

Em sociedades, organizações e comunidades, ela é valorizada não apenas como um fator de enriquecimento cultural, mas também como um catalisador para a inovação e a eficácia.

30/09/2025 10:33

• LIMA, Daniele dos Santos et al. Diversidade em sala de aula: por uma educação antirracista. 1. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2025. Essa obra pode contribuir para o preparo docente para o trabalho com a diversidade em sala de aula, além de propor uma reflexão a respeito da urgência desse trabalho.

Esse ideal implica tanto em diminuir a desigualdade social e a insegurança alimentar, por exemplo, mas também implica numa integração cultural.

DIVERSIDADE: o que é, qual a importância e como promover. Exame, São Paulo, 29 nov. 2023. Grifo do autor. Disponível em: https://exame.com/esg/ diversidade-o-que -e-qual-a-importancia-e-como -promover/. Acesso em: 29 set. 2025.

ENCAMINHAMENTO

Ao explorar o tema proposto nas páginas 130 e 131, fale com os estudantes sobre o que é violência. Comente que se trata de toda ação que cause algum dano a outra pessoa, seja ele físico, psicológico, emocional etc. Explique, ainda, que a violência pode ser direta ou indireta, ou seja, causada por omissão ou em decorrência de estruturas sociais, por exemplo.

Se possível, apresente para os estudantes dados atuais sobre a violência contra a mulher no Brasil. No item Conexão, é indicado um link que dá acesso aos resultados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher, que traz informações que podem ajudar nessa ampliação. Comente, ainda, com os estudantes que, em 1994, o Brasil aderiu à “Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher”, documento que reconhece a violência contra as mulheres como uma violação aos direitos humanos e uma forma de discriminação, uma que vez que impede que elas exerçam plenamente seus direitos e liberdades. O documento está disponível em: https://www.planalto.gov. br/ccivil_03/decreto/1996/d1973. htm (acesso em: 6 de out. 2025).

Aborde com os estudantes as diversas formas de violência que atingem as pessoas na sociedade. Depois, explore com eles o tema do bullying, para conscientizá-los tanto das formas de prevenção e de proteção quanto das maneiras de lidar com situações de agressão, seja na escola, em situações cotidianas, seja em redes sociais, um ambiente geralmente muito diversificado e com pouco controle, que requer cuidados específicos. Para ampliar o tema, se possível, fale com os estudantes sobre o cyberbullying. O texto indicado no item Texto complementar traz informações sobre esse tema.

Na atividade 2, incentive os estudantes a se colocar no lugar dos colegas e das pessoas que são vítimas de bullying e a

A VIOLÊNCIA NA SOCIEDADE

A violência é um grave problema que afeta a vida dos brasileiros na atualidade e possui relações profundas com as desigualdades na sociedade. Leia o trecho da reportagem a seguir sobre o problema da violência no Brasil.

Segundo a OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico], no Brasil cerca de 45% das pessoas dizem que se sentem seguras andando sozinhas à noite, muito abaixo da média dos países da organização, que é de 74%. [...] mesmo em áreas onde as taxas de criminalidade diminuíram no Brasil, a sensação de risco continuou alta. O problema de segurança e violência no Brasil é uma questão que permeia a sociedade e vai além dos números.

DIAS, Lucas Torres. O que faz o Brasil ter números de violência tão altos? Jornal da USP, São Paulo, 1 out. 2024. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-faz-o-brasil-ter-numeros-deviolencia-tao-altos/. Acesso em: 14 set. 2025.

Em algumas situações, a violência ocorre em ambientes que as pessoas frequentam no cotidiano, como o doméstico e o escolar. Hoje em dia, existem leis que procuram prevenir e punir casos de violência doméstica contra crianças, adolescentes e mulheres, que são as principais vítimas desse tipo de crime.

Manifestação pelos direitos das mulheres no Rio de Janeiro (RJ), em 2023.

imaginar como seria desagradável se a situação de violência fosse com eles, de modo que entendam que qualquer tipo de agressão, seja verbal ou física, feita em tom de brincadeira ou não, é prejudicial. Além disso, pergunte a eles qual deveria ser a reação das pessoas no entorno, que são testemunhas do bullying. Converse com eles abertamente sobre o tema, evitando partir de conclusões a priori, baseadas apenas em conceitos morais de certo e errado, mas provocando a reflexão por meio da consideração dos diferentes pontos de vista e das consequências de atos de agressão para as vítimas, que muitas vezes carregam traumas por longo período e sequelas em vários aspectos de suas vidas.

TEXTO COMPLEMENTAR

O que é cyberbullying?

O cyberbullying é o tipo de agressão que ocorre em meios eletrônicos, com mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulando por e-mails, sites, blogs (os diários virtuais), redes sociais e celulares. É quase uma extensão do que os alunos dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que as pessoas envolvidas não estão cara a cara.

O bullying é uma prática de violência comum e preocupante que acontece nas escolas e em ambientes virtuais e que atinge com frequência crianças e adolescentes. Leia, a seguir, trecho de um depoimento sobre bullying nas escolas.

Hanelissa Zanateli fala que seu principal problema com o preconceito foi quando estudou em uma escola particular. “Me excluíam por não ter condições financeiras, logo meu desempenho escolar foi caindo. Fizeram muitas brincadeiras com fotos minhas que eles tiraram escondidas e colocavam nas redes sociais. Foi aí que entrei em uma depressão e não queria mais estudar”, lembra.

A jovem fala que, hoje em dia, tudo mudou. “Estou terminando minha faculdade e tenho vários amigos. […]”.

GOMES, Pedro. O bullying e as histórias de quem já viveu o preconceito. Revide, Ribeirão Preto, 28 abr. 2017. Disponível em: https://www.revide.com.br/noticias/comportamento/o-bullying-e-ashistorias-de-quem-ja-viveu-o-preconceito/. Acesso em: 7 set. 2025.

1 De acordo com o depoimento, qual foi o principal motivo para o bullying?

O bullying foi praticado por causa das condições financeiras da jovem, ou seja, motivos econômicos e de diferença de classe social.

2 Como você reage ao se deparar com o bullying?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

30/09/2025 10:33

Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das ameaças, e os efeitos podem ser tão graves quanto presencialmente ou ainda piores. “O autor, assim como o alvo, tem dificuldade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar novos”, explica Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Como lidar com o cyberbullying? O cyberbulling precisa receber o mesmo cuidado preventivo do bullying, e a dimensão dos seus efeitos deve sempre ser abordada para evitar a agressão na internet. Trabalhar com a ideia de que nem sempre se consegue apagar aquilo que foi para a rede dá à turma a noção de como as piadas ou as provocações não são inofensivas.

[…]

CARVALHO, Jonas. O que fazer para evitar o bullying? São Paulo: Nova Escola, 4 abr. 2023. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/282/o-que-fazer-para-evitar-o-bullying. Acesso em: 29 set. 2025.

PARA O PROFESSOR

• BRASIL. Ministério das Mulheres. Observatório Brasil da Igualdade de Gênero. Relatório anual socioeconômico da mulher:Raseam 2025. Brasília, DF: OBIG, mar. 2025. ano 7. Disponível em: https://www. gov.br/mulheres/pt -br/central-de-conteudos/ publicacoes/raseam-2025. pdf/. Acesso em: 29 set. 2025.

Relatório com informações atuais sobre a situação das mulheres brasileiras. O eixo temático 5 (Enfrentamento de todas as formas de violência contra mulheres) pode contribuir para o desenvolvimento do tema nas aulas.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• ROCHA, Ruth. Pedro e o menino valentão. Ilustrações: Mariana Massarani. 2. ed. São Paulo: Global Editora, 2023.

Obra destinada ao público infantil e que permite o trabalho sobre o bullying em sala de aula.

Cartaz contra o bullying em escola no município de Barbacena (MG), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao conduzir o estudo destas páginas, procure enfatizar para a turma as diversas formas de desigualdade de gênero no cotidiano. É interessante incentivar os estudantes a refletir sobre a construção das diferenças em nossa cultura e em nossos costumes desde a infância e nas mais variadas relações sociais e pessoais. Eles devem perceber que algumas manifestações de desigualdade são sutis e talvez passem despercebidas, muitas são reproduzidas de maneira inconsciente e sem intenções de exercer violência. Isso ocorre porque elas estão amalgamadas na própria estrutura da sociedade. Entre elas, está a desigualdade de gênero, que impõe condições econômicas e sociais injustas às mulheres se compararmos com as condições dos homens no trabalho, no acesso aos cargos de poder ou gerenciais, ao tempo livre etc.

Se possível, amplie a reflexão a respeito das desigualdades salariais existentes entre homens e mulheres que ocupam as mesmas posições. Há dados que podem subsidiar essa abordagem no texto indicado na seção Texto complementar.

Na atividade 1, oriente os estudantes a recordar como é a divisão de tarefas cotidianas em casa e a dizer como as pessoas que ali moram se responsabilizam por elas e as organizam. Espera-se que mencionem se há diferenças entre as tarefas realizadas por mulheres e aquelas realizadas por homens, se há uma distribuição justa entre eles ou se alguém fica mais sobrecarregado. Os estudantes podem responder se eles também participam dessas atividades.

Na atividade 2, oriente os estudantes a formular uma lista de atitudes práticas que podem colaborar para a divisão equânime de tarefas entre homens e mulheres, meninos e meninas, em casa e na escola. Se desejar,

DESIGUALDADE ENTRE OS GÊNEROS

Um dos maiores problemas sociais no Brasil está relacionado à desigualdade de gênero, isto é, entre homens e mulheres.

Na vida familiar, é comum que as mulheres trabalhem fora e assumam a maior parte das atividades de cuidado e de organização do ambiente doméstico. Isso traz uma enorme sobrecarga física e mental para as mulheres.

Outro aspecto importante da realidade das mulheres brasileiras é a desigualdade salarial em relação aos homens. Em geral, as mulheres recebem salários mais baixos mesmo quando exercem as mesmas funções que os homens. Apesar de serem a maioria das pessoas que completam cursos superiores, as mulheres recebem salários inferiores e são minoria nos cargos de chefia.

A situação das mulheres negras é ainda mais grave. Elas recebem salários muito mais baixos, costumam ser excluídas dos cargos de poder e muitas vezes se veem obrigadas a realizar diversas atividades, combinando o trabalho fora de casa, o trabalho doméstico e o trabalho de cuidado da família.

Nos cargos políticos, as mulheres também são minoria. No Brasil, os homens sempre foram a maioria nos cargos de poder. Embora essa situação venha mudando lentamente, as mulheres ainda têm muitos direitos a conquistar na sociedade contemporânea.

comente com eles que não há atividades tipicamente masculinas ou tipicamente femininas. Com base nisso, mencione que os dois gêneros, apesar de serem diferentes, são iguais em vários aspectos, principalmente em direitos, razão pela qual devem colaborar entre si nas tarefas práticas, de modo que ambos possam usufruir também de tempo livre. Enfatize, assim, a importância da divisão de tarefas no dia a dia em todos os espaços de convívio.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• TSE MULHERES. Brasília, DF, 2025. Site. Disponível em: https://www.justicaeleitoral.jus.br/ tse-mulheres/. Acesso em: 29 set. 2025. Site que reúne dados históricos e estatísticos sobre o voto feminino e o acesso das mulheres aos cargos eletivos no Brasil.

Comemoração do Dia da Trabalhadora Doméstica em São José dos Campos (SP), em 2025.

Leia o trecho de texto a seguir sobre a participação feminina na liderança política em diversos países e no Brasil.

Em 2025, apenas 25 países têm mulheres ocupando os cargos mais altos da liderança nacional, seja como chefes de Estado ou Governo, sendo que a Europa concentra a maioria desses casos (12 países).

Ainda que 2024 tenha trazido marcos como a eleição de presidentas no México, Namíbia e Macedônia do Norte, 106 países seguem sem jamais terem tido uma mulher como líder. No Brasil, das 39 pessoas que assumiram a presidência do país, apenas uma era mulher.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS MULHERES BRASIL. Brasil ocupa a 133a posição no ranking global de representação parlamentar de mulheres. Brasília, DF: ONU Mulheres Brasil, 15 abr. 2025. Disponível em: https://www.onumulheres.org.br/noticias/brasil-ocupa-a-133a-posicao-no-rankingglobal-de-representacao-parlamentar-de-mulheres/. Acesso em: 14 set. 2025.

feminina na Câmara dos Deputados em Brasília (DF), em 2023.

1 Como é organizada a distribuição de tarefas em sua casa? Há mulheres que assumem sozinhas a maior parte das atividades de cuidado e das atividades domésticas ou há uma divisão equilibrada entre todos os membros?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

2 Pense em formas práticas de colaborar com a igualdade de gênero nas relações cotidianas em sua casa e na escola. Faça uma lista de ações positivas nesse sentido.

Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

3 Em sua opinião, quais são as possíveis soluções para a superação das desigualdades entre homens e mulheres? Converse com os colegas a respeito disso e analise as diferentes opiniões sobre o assunto.

Faça a mediação da conversa com os estudantes solicitando a eles que pensem em formas práticas de contribuir para a superação das desigualdades entre homens e mulheres no cotidiano, por meio de atitudes de todos.

TEXTO COMPLEMENTAR

30/09/2025 10:33

A diferença salarial entre homens e mulheres cresceu […] e agora, as mulheres recebem em média 20,7% a menos que os homens empregados no setor privado do país. Os dados foram divulgados […] pelo Ministério do Trabalho e Emprego. […]. Segundo o relatório, a discrepância entre os salários é ainda maior para mulheres em cargos de direção e gerência. Elas recebem 73% da remuneração dos homens nos mesmos cargos – ou seja, 27% a menos do que deveriam se houvesse equidade de gênero O levantamento considera 18 milhões de trabalhadores em 50.692 estabelecimentos com 100 ou mais empregados.

SENA, Letícia; RODRIGUES, Mateus. Mulheres ganham 20,7% a menos que homens no Brasil, diz governo; diferença cresceu desde março. G1, Brasília, 18 set. 2024. Grifo do autor. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2024/09/18/diferenca-aumenta-e-mulheres -ganham-207percent-a-menos-que-homens-no-brasil -no-setor-privado-diz-relatorio-do-governo.ghtml. Acesso em: 29 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Bancada

ENCAMINHAMENTO

O estudo destas páginas é fundamental para a construção de uma educação antirracista e a abordagem da temática das identidades. Permitir que os estudantes se reconheçam e se sintam valorizados na escola é uma maneira de incentivar a participação de todos e o aprendizado significativo e evitar a evasão e o fracasso escolar. A temática étnica e racial deve ser transversal e acompanhar todo o processo de formação na educação básica. A oralidade e a escuta atenta e ativa são as formas mais propícias de praticar o compartilhamento de relatos de situação de preconceito e racismo e trabalhar com os estudantes estratégias para lidar com elas e superá-las.

Se desejar, comente com os estudantes que, para justificar a escravização de africanos, os europeus criaram a ideia de povos e raças superiores e inferiores, mas que, do ponto de vista científico, não existem raças. Todos os povos e etnias fazem parte da espécie humana, e não há, entre eles, diferenças biológicas suficientes para a divisão em raças. O que podemos sem dúvida destacar é a enorme diversidade humana.

Na atividade 2, organize uma roda de conversa com os estudantes em sala de aula e deixe-os confortáveis para expor experiências e críticas próprias em relação a situações de preconceito, fundamentalmente o étnico-racial. Promover momentos de escuta sobre o assunto no ambiente escolar é uma maneira de conscientizar os estudantes da complexidade dessas questões e desenvolver aprendizagens sociais e emocionais que envolvem a autoestima e o respeito ao outro.

O PRECONCEITO ÉTNICO-RACIAL

A desigualdade social e econômica atinge de maneira intensa a população negra e indígena. Essa situação é reforçada pelo preconceito e pela discriminação étnica e racial, tão comuns na sociedade brasileira.

Por muito tempo, as pessoas afirmavam que o Brasil não era um país racista. Mas, nos dias de hoje, o tema do preconceito étnico-racial tem sido discutido com o objetivo de revelar e superar esse problema, que ainda existe e afeta toda a sociedade.

As pessoas negras sofrem mais com a violência policial, recebem salários mais baixos, trabalham mais horas, vivem nos bairros mais pobres e têm menos acesso à educação básica e universitária, a postos de trabalho de liderança e a cargos de poder.

As populações indígenas também sofrem com a discriminação e o preconceito. Muitas vezes, elas foram vistas de forma negativa, como se fossem “atrasadas” ou “inferiores”, o que não é verdade. Esse tipo de pensamento desvaloriza a cultura, os modos de vida e os saberes dos povos originários, que são muito ricos e importantes para toda a sociedade. Combater o preconceito contra os indígenas é reconhecer a contribuição deles para a formação do Brasil e respeitar o direito que eles têm de viver de acordo com a própria cultura dentro de seu território.

TEXTO COMPLEMENTAR

Mas, afinal, o que é uma Educação Antirracista?

Segundo Renata Costa – professora de História e História da Educação do Campus Estrutural do Instituto Federal de Brasília (IFB) –, o primeiro passo para construí-la é por meio do reconhecimento de que o racismo é um problema estrutural da sociedade e não apenas uma questão de indivíduos.

“Uma educação antirracista é, em primeiro lugar, uma educação que reconhece que nós vivemos em um país racista. Uma educação que reconhece que toda a estrutura e organização social do nosso país é pautada no racismo”, destaca a professora.

Na atividade 3, oriente os estudantes a realizar a atividade com respeito e seriedade. Depois de terminarem os retratos, eles devem refletir sobre a importância de se sentirem reconhecidos pelos colegas e sobre a diferença entre o olhar do outro e a própria autoimagem. Ao mesmo tempo, eles devem avaliar o papel da percepção e da empatia das pessoas próximas para o desenvolvimento da autoestima.

Árbitros de futebol usam camisa com slogan contra o racismo no Rio de Janeiro (RJ), em 2023.

O preconceito étnico-racial pode se manifestar inclusive no cotidiano, em ambientes como a escola, entre vizinhos, na rua, em estabelecimentos de comércio ou de entretenimento etc. O depoimento a seguir foi retirado de uma reportagem que reproduz o trecho de uma carta escrita por uma aluna de oito anos que sofria bullying por parte de seus colegas devido a suas características físicas e étnicas.

“Já pensou se todos fossem iguais? Acho que as pessoas teriam que andar com o nome escrito na testa para não serem confundidas. Eu tenho meu cabelo cacheadinho, nasci assim e meu cabelo é muito lindo. Tenho orgulho da minha cor, do meu cabelo e do meu nariz. Sou assim e sou feliz”, diz a menina durante a leitura [da carta].

LEÃO, Vivi. Menina de 8 anos lê carta em sala de aula após ser vítima de bullying em escola em Maceió: ‘Orgulho da minha cor, do meu cabelo’. G1, Maceió, 13 mar. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2024/03/13/menina-de-8-anos-le-carta-em-sala-de-aulaapos-ser-vitima-de-bullying-em-escola-em-maceio-orgulho-da-minha-cor-do-meu-cabelo.ghtml. Acesso em: 17 jul. 2024.

FIQUE LIGADO

• HOOKS, bell. Meu crespo é de rainha. Ilustrações: Chris Raschka. Tradução: Nina Rizzi. São Paulo: Boitatá, 2018. Livro em forma de poema ilustrado, que apresenta diversas formas de penteados e cortes de cabelo, enaltecendo a beleza das pessoas negras, especialmente das crianças.

1. Resposta pessoal. Oriente os estudantes a produzir um pequeno texto em que eles tentem replicar a intencionalidade do depoimento apresentado na página.

1 Com base no que você estudou até aqui, escreva uma pequena carta com um depoimento com sua opinião sobre como o precon ceito afeta a autoestima das pessoas.

2 Em uma roda de conversa em sala de aula, conte experiências de preconceito que você tenha presenciado ou de que você tenha tomado conhecimento. Discuta com os colegas sobre o problema e a maneira como isso afeta as pessoas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

3 Em dupla, observem as características do colega e desenhem em uma folha de papel avulsa o retrato um do outro, destacando aspectos físicos que desejam valorizar. Ao concluir, troquem os retratos, comparem os resultados e conversem a respeito das impressões que tiveram sobre o que produziram.

Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

Autoestima: qualidade de quem se valoriza e está contente com o seu modo de ser, se expressar e viver. 135

01/10/25 20:36

O Brasil viveu mais de 300 anos de escravidão, que só foi abolida há pouco mais de 130 anos […] [e] ainda convive com silenciamento em relação à condição de exclusão e injustiça social que o negro sofreu durante todo esse tempo.

“Só a partir do momento em que tem esse reconhecimento é que nós somos capazes de criar sujeitos, indivíduos, educandos que sejam capazes de ter um posicionamento crítico, de reconhecer ‘sim, nós vivemos em um país racista’, então como eu devo me portar, como eu devo me colocar diante dessa situação?”, analisa Renata.

INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA. Não basta ter uma educação não racista. Ela tem de ser antirracista. Brasília, DF: IFB, 20 nov. 2020. Disponível em: https://www.ifb.edu.br/reitori/25457-nao-basta-ter-uma -educacao-nao-racista-ela-tem-de-ser-antirracista. Acesso em: 29 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A seção Criança cidadã incentiva a luta contra o preconceito e a discriminação racial. Os conteúdos selecionados para esta seção têm o objetivo de apresentar ao estudante a luta do movimento negro contra o racismo, destacando que esse problema social só poderá ser resolvido com a mobilização de toda a sociedade brasileira e por meio de muitas lutas sociais.

Ao abordar o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, se possível, apresente aos estudantes mais informações sobre Zumbi dos Palmares. O conteúdo indicado no item Texto complementar pode contribuir para essa ampliação. Na atividade 1, oriente os estudantes a coletar as informações com bastante respeito e cuidado. Caso alguma pessoa não se sinta confortável para relatar uma situação de racismo vivenciada, oriente os estudantes a respeitar a decisão e não insistir. Ao final do trabalho, organize uma exposição com os cartazes elaborados pelos estudantes como forma de promover a empatia e o respeito à diversidade na escola. Se julgar pertinente, amplie a atividade propondo aos estudantes a elaboração de uma mostra de cultura negra na escola, com apresentações de dança, música, poesia e artes visuais que versem sobre história e cultura africanas e afrodescendentes. Pode ser proposta também a criação de uma exposição de obras visuais com representação da diversidade de tons de pele das pessoas no Brasil.

CRIANÇA CIDADÃ

Luta contra a discriminação

Mais da metade dos brasileiros é afrodescendente. Embora o racismo seja considerado crime no Brasil, as manifestações de preconceito ainda atingem as pessoas negras no cotidiano. Isso torna importante e urgente o combate ao racismo e à discriminação.

Existem muitas maneiras de assumir uma atitude antirracista no cotidiano e de conscientizar as pessoas sobre como colaborar com o combate ao racismo. Observe a seguir uma lista de ações antirracistas.

Manifestação na Avenida Paulista na celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em São Paulo (SP), em 2023.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• EMICIDA. Amoras. Ilustrações: Aldo Fabrini. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2018. Nessa obra, o rapper Emicida aborda a importância da diversidade e da representatividade. Ele escreveu esse livro em homenagem à sua filha.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O que podemos fazer?

• Não reproduzir práticas racistas.

• Reconhecer e denunciar “piadas” racistas, mesmo quando consideradas “de brincadeira”.

• Estudar e se informar sobre a história dos povos negros.

• Participar de campanhas e projetos de conscientização contra o racismo.

• Valorizar a estética negra na escola, com estudo e divulgação de diferentes tipos de penteados, moda e estampas africanas.

• Reconhecer e valorizar a importância de datas significativas, como o dia 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

1 Conhecer relatos de pessoas que foram vítimas de racismo é uma maneira de valorizar as experiências delas e, com base nisso, pensar em soluções para problemas reais. Forme com os colegas um grupo de quatro ou cinco integrantes. Vocês devem conversar com familiares, amigos ou vizinhos sobre situações de racismo que tenham vivido ou presenciado. Registrem por escrito as ideias principais narradas pelas pessoas. Depois de coletados os relatos, você e os colegas de grupo devem refletir sobre os casos e elaborar um cartaz com propostas antirracistas em sua escola. Produção pessoal. Veja comentários no Encaminhamento.

ideal de liberdade, antes conduzido por Ganga Zumba, e antes dele, por Aqualtune…

[…]

Consta que Zumbi nasceu em 1655, já no Quilombo dos Palmares. Acredita-se que foi capturado quando criança, por volta dos sete anos de idade, e entregue como escravo a religiosos, que se sucederam na criação do garoto, até chegar ao padre Antônio Melo.

TEXTO COMPLEMENTAR

Zumbi dos Palmares. Um homem ou uma ideia?

[…]

Afinal, quem é o personagem que catalisa a luta de todo um povo por liberdade, dignidade, direitos, humanidade? São muitas as histórias que gravitam em torno do último líder do Quilombo dos Palmares, a partir mesmo de seu nome.

Oriunda do termo quimbundo “nzumbi”, a palavra zumbi tem várias acepções, entre as quais, “alma”, “fantasma”, “duende”, “deus”. Remete menos, pois, ao plano físico e mais ao espiritual; menos a um indivíduo e mais a uma coletividade; menos a um homem e mais a uma ideia.

E ideias não se pode prender, ou matar.

[…] O chefe do maior quilombo da América Latina foi assassinado, mas seu ideal permanece circulando até os dias de hoje. Na verdade, ele próprio já era a representação desse

Como era praxe dos dominadores, o garoto palmarino foi batizado com nome cristão – Francisco – e, ainda criança, aprendeu a falar e a escrever na língua portuguesa e em latim. Mas essa identidade mudaria em curto tempo. […] Ainda na adolescência, Francisco fugiu e retornou ao quilombo onde nascera, passando a ter contato direto com a realidade do escravismo – o que o deixa indignado e o leva à luta em defesa de seus iguais. De volta ao então Mocambo Palmares, Zumbi se aperfeiçoou na luta da capoeira e no uso de arcos, flechas, lanças e artimanhas com fogo, táticas que o habilitaram a comandar o efetivo militar dos palmarinos.

[…]

Zumbi, então, assume a liderança de Palmares, que reunia cerca de 16 quilombos, nas regiões localizadas entre o norte de Alagoas e o sul de Pernambuco. Um ano após a destruição de Palmares, em 1694, Zumbi é morto por decapitação, no dia 20 de novembro, na Serra da Barriga. Mas, como o povo com letramento racial sabe, se o umzimba (corpo físico) de Zumbi dos Palmares se foi, seu isithunzi (legado, força, espírito ancestral) permanece no mundo, orientando e conduzindo os atos dos seus. […].

BRASIL. Ministério da Cultura. Fundação Cultural Palmares. Zumbi dos Palmares: um homem ou uma ideia? Brasília, DF: FCP, 8 nov. 2024. Disponível em: https://www.gov. br/palmares/pt-br/assuntos/ noticias/zumbi-dos-palmares -um-homem-ou-uma-ideia. Acesso em: 29 set. 2025.

ENCAMINHAMENTO

Este conteúdo pode ser trabalhado de maneira interdisciplinar e integrada com o componente curricular de Ciências da Natureza. Retome com a turma alguns conhecimentos já trabalhados sobre as interferências humanas na paisagem natural e no ambiente.

Aprofunde com eles o conhecimento sobre a interferência humana no meio natural e os impactos que essas transformações provocam na qualidade de vida dos seres vivos. Procure explicar a importância da vegetação, da água, do ar e do solo para a manutenção do hábitat de diversos seres vivos. Comente com os estudantes como o desequilíbrio em cada um desses elementos afeta o clima, as condições de vida dos seres vivos e a natureza como um todo. Além disso, ressalte que o ambiente é também essencial para a vida humana e que a destruição da natureza também afeta a na nossa saúde. Procure também identificar dúvidas e dificuldades dos estudantes em compreender os temas trabalhados e faça as remediações necessárias para que todos possam acompanhar o estudo e desenvolver as aprendizagens.

Na atividade 2, incentive os estudantes a observar os problemas ambientais mais comuns no lugar onde vivem e no entorno da escola. Peça a eles que percebam a vegetação, as espécies animais que podem ser encontradas no lugar, a existência de rios, a qualidade da água, a existência de poluição etc. Pode ser interessante fazer um exercício de comparação com outros lugares.

Na atividade 3, ao refletirem sobre as atitudes cotidianas em casa e na escola que contribuem para a conservação ambiental, os estudantes podem revê-las e exercitar a reflexão crítica, tomando mais consciência da importância das ações para prevenir a degradação da natureza.

MEIO AMBIENTE EM RISCO

Atualmente, os problemas ambientais atingem diferentes regiões do país. A poluição do ar, da água e do solo são problemas comuns, tanto nas cidades como no campo. O desmatamento e a destruição dos hábitats de diversas espécies animais são parte das interferências humanas no ambiente.

A poluição do ar é causada principalmente pela fumaça emitida por veículos motorizados, como automóveis, e por indústrias. Ela causa graves problemas respiratórios nas pessoas, como rinite e doenças no pulmão.

Já a contaminação da água e do solo é provocada pelo descarte de resíduos prejudiciais ao ambiente. A água contaminada é um risco para as espécies aquáticas e para as espécies que necessitam de água para beber, incluindo os seres humanos.

O desmatamento é outra interferência que os seres humanos promovem na paisagem natural. A diminuição da vegetação destrói o ambiente de onde as mais variadas espécies retiram os recursos necessários para se reproduzir e sobreviver. A escassez de vegetação também piora a qualidade do ar e, consequentemente, prejudica nossa saúde.

ATIVIDADES

Organize os estudantes em grupos de até cinco integrantes. Os grupos deverão pesquisar situações que representem degradação ambiental, tais como desmatamento, contaminação das águas, poluição, entre outras, no município ou na região em que vivem. É importante orientar os estudantes a buscar situações o mais próximo possível da sua realidade, como um rio do bairro que está poluído ou uma área desmatada no município.

Os grupos devem pesquisar os dados dessas situações e propor possíveis soluções para elas. Organize um dia para que os grupos possam compartilhar com os colegas as suas descobertas.

Chaminés soltam fumaça em usina de açúcar e álcool em Araçatuba (SP), em 2025.

Vista aérea de área de extração de madeira na Floresta Amazônica, em 2023.

As árvores e as plantas absorvem os poluentes ao seu redor e liberam oxigênio no ambiente, o que favorece a qualidade do ar. Leia a seguir o trecho de uma reportagem sobre como esses problemas ambientais afetam mais crianças e adolescentes.

1. Crianças e adolescentes estão em uma fase mais sensível do desenvolvimento, assim problemas como poluição do ar, por exemplo, afetam muito mais esse grupo populacional.

“Mudanças climáticas e degradação ambiental enfraquecem os direitos de crianças e adolescentes”, explica Paola Babos, representante interina do UNICEF no Brasil. “Eles são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas, mas suportarão o maior fardo de seu impacto. Por estarem em uma fase mais sensível de desenvolvimento, meninas e meninos são os mais prejudicados diretamente. Além disso, serviços, políticas e instituições que atendem às necessidades deles e de suas famílias são comprometidos pela crise climática”.

FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA NO BRASIL. Crianças e adolescentes são os que mais sofrem com as mudanças climáticas e precisam ser prioridade, alerta UNICEF. Brasília, DF: Unicef Brasil, 9 nov. 2022. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/ criancas-e-adolescentes-sao-os-que-mais-sofrem-com-mudancas-climaticas-e -precisam-ser-prioridade. Acesso em: 14 set. 2025.

1 Segundo o trecho da reportagem, por que mudanças climáticas e problemas ambientais prejudicam mais crianças e adolescentes? Escreva no caderno.

2 Quais são os problemas ambientais mais comuns que você identifica no lugar onde vive? Comente com os colegas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento.

3 Quais atitudes cotidianas realizadas em sua casa e na sua escola contribuem para a conservação do meio ambiente? Comente com os colegas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

4 Em dupla com um colega, pesquisem sobre práticas de conservação do meio ambiente. Façam desenhos para ilustrar algumas dessas práticas.

Produção pessoal. Oriente os estudantes a pesquisar as múltiplas ações que todas as pessoas podem realizar no dia a dia para cuidar do ambiente. Eles podem ilustrar essas ações por meio de desenhos ou quadrinhos.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

30/09/2025 10:33

• MONTEIRO, Bia. Os Heróis e os desafios do meio ambiente. Ilustrações: Casa Locomotiva. 1. ed. São Paulo: Evoluir Editora, 2016. Destinado ao público infantil, o livro aborda de maneira divertida a importância da preservação do meio ambiente.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A atividade da seção Mão na massa propõe desenvolver atitudes ecologicamente conscientes, promovendo o contato direto com a natureza, a compreensão da importância das árvores para os ecossistemas e o fortalecimento do senso de cuidado e pertencimento ao espaço comunitário. Para a realização desta tarefa, o professor pode, inicialmente, fazer uma roda de conversa com os estudantes para discutir os problemas ambientais no entorno da escola e de que maneira as árvores podem ajudar a minimizá-los. Para tanto, apresente vídeos curtos, livros ou reportagens que abordam a importância do reflorestamento. Conduza a escolha do local e das espécies nativas com os estudantes, envolvendo também funcionários da escola e, se possível, representantes da prefeitura ou especialistas.

Auxilie os estudantes na organização da divisão das tarefas: um grupo poderá ficar encarregado de pesquisar espécies de árvores a serem plantadas, outro de levantar as ferramentas e equipamentos (como luvas) necessários para o plantio, outro de dimensionar a quantidade de adubo etc. No dia do plantio, divida a turma em tarefas claras: um grupo se encarrega de cavar, outro de adubar, outro de plantar e regar. Incentive os estudantes a registrar o processo com fotos, anotações e desenhos para que possam montar um painel ou diário do projeto.

Reforce para os estudantes a importância de cuidar das mudas no período posterior ao seu plantio. Nesse sentido, monte um cronograma de revezamento para os cuidados com as mudas, garantindo que todos os estudantes participem. Proponha atividades de acompanhamento do desenvolvimento das plantas, como medir a altura da muda, conferir o aumento ou a diminuição no número de folhas e observar se a muda já atrai insetos e pássaros.

MÃO NA MASSA

Consciência ecológica

Como podemos ter atitudes ecologicamente conscientes no dia a dia? Ter consciência das ações humanas que prejudicam o ambiente, a própria vida humana e a de outros seres vivos é fundamental para prevenirmos situações desastrosas no futuro. Muitas são as formas cotidianas de colaborar com a conservação ambiental.

Plantar árvores e outras espécies de plantas na escola, em praças e no bairro onde vivemos é uma atitude que pode contribuir para a melhoria da qualidade do ar e para a sobrevivência de diversos seres vivos que dependem da vegetação e de um ambiente natural para obter alimento. Que tal fazer isso com os colegas?

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• LALAU. Árvores do Brasil: cada poema no seu galho. Ilustrações: Laurabeatriz. São Paulo: Peirópolis, 2011.

Lançado no Ano Internacional da Floresta, o livro apresenta quinze espécies de árvores, três de cada bioma brasileiro: pau-brasil, araucária, jequitibá, ipê-do cerrado, buriti, jatobá-do-cerrado, juazeiro, mulungu, umbuzeiro, ipê-roxo, jenipapo, pau-formiga, castanheira-do-pará, piquiá e mogno. Cada árvore ganhou um poema e uma ilustração na obra.

Homem planta espécie nativa da Mata Atlântica em área degradada do Morro do Salgueiro no Rio de Janeiro (RJ), em 2024.

Como fazer

Etapa 1. Escolha do local

Identifiquem locais onde é possível fazer o plantio de árvores (praça, terreno da escola, calçada larga, áreas públicas). Se necessário, peçam autorização à prefeitura ou conversem com a direção da escola. Escolham um lugar significativo para a comunidade.

Etapa 2. Definição das espécies

Prefiram espécies nativas da região, pois elas se adaptam melhor e atraem pássaros e insetos. Para não danificar calçadas, evitem árvores que tenham raízes muito grandes. Se possível, convidem um biólogo, um agrônomo ou um funcionário da prefeitura para ajudar na escolha.

Etapa 3. Organização dos materiais

Façam uma lista de tudo o que será necessário para plantar: mudas de árvores, pás ou enxadas, adubo, regadores, luvas, água. Verifiquem se os materiais podem ser trazidos de casa, conseguidos por doação ou obtidos com apoio de órgãos públicos.

Etapa 4. Dia do plantio

Dividam as tarefas entre vocês, de modo que cada um fique encarregado de uma atividade: cavar o buraco do plantio, colocar o adubo, posicionar a muda, cobrir com terra, regar.

Tenham cuidado ao manusear a muda para não quebrar raízes e galhos.

Etapa 5. Cuidados após o plantio

Combinem entre si um sistema de revezamento para molhar as mudas, pelo menos nos primeiros meses.

Acompanhem o crescimento da muda, registrando em desenhos, fotos ou anotações as mudanças observadas.

Veja comentários no Encaminhamento

Esse contato [com a natureza] é de extrema importância, por estimular a criação de vínculo da criança com o meio natural. É preciso ensiná-las a cuidar da Terra, a gostar do meio em que vivem, a contribuir para que desenvolvam o sentimento de pertencimento, pois essas ações contribuirão para atitudes futuras relacionadas com elas mesmas e com quem convivem. […].

Assim, esse contato com a natureza contribui para a formação do sujeito em diversos âmbitos, porém, não se pode deixar que se limite apenas ao contato com o meio natural. A inserção da EA [educação ambiental] na EI [educação infantil] pode ser progressivamente ampliada, por exemplo, em níveis mais avançados como a pré-escola, em que as crianças têm de três a cinco anos. Podem-se inserir questões referentes à democracia, sustentabilidade, valorização da cultura, entre outras, as quais, no entanto, precisam ser adaptadas à faixa etária com a qual se está trabalhando.

RODRIGUES, Daniela Gureski; SAHEB, Daniele. A educação ambiental na educação infantil segundo os saberes de Morin. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 99, n. 253, p. 573–588, set./dez. 2018. p. 581-582. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbeped/a/ ywJYdTy7z7ZZzmDrKXXZn7H/? format=pdf&lang=pt. Acesso em: 29 set. 2025.

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem.

Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida.

Ao propor a atividade 2, oriente os estudantes na leitura dos documentos apresentados. O documento 1 é uma tirinha, e os estudantes devem relacionar e interpretar as informações visuais e textuais apresentadas nos quadrinhos. Durante a leitura, comente que esse tipo de texto usa da ironia e do humor para transmitir uma mensagem para os leitores.

A interpretação da tirinha possibilita um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Língua Portuguesa. Já em relação ao documento 2 , comente que se trata de um gráfico de colunas e que eles

O QUE ESTUDEI

1. a) Resposta pessoal. Oriente os estudantes a conversarem sobre os filmes que já assistiram, respeitando a opinião e o gosto dos colegas e compartilhando as emoções e sensações que sentiram ao ver esses filmes.

1 Cinema, teatro, música e artes plásticas são exemplos de expressões artísticas e também meios de comunicação que o ser humano utiliza para expressar ideias e emoções. De acordo com o que você estudou, responda às questões a seguir.

a) Entre os filmes a que você assistiu, quais mais emocionaram você? Comente com os colegas.

b) Das expressões artísticas utilizadas para transmitir ideias e emoções, de quais você e sua família mais gostam? Responda no caderno.

2 Observe com atenção os dois documentos a seguir e responda ao que se pede.

Documento 1

1. b) Resposta pessoal. Cada estudante vai ter uma resposta única, com base naquilo de que ele e a família mais gostam e naquilo que mais consomem.

Documento 2

Brasil: salário médio (2025)

Elaborado com base em: DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS. Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025: Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades. São Paulo: DIEESE, 2025. p. 34.

devem atentar para as informações de gênero e de cor ou raça e os valores de salário expostos nas palavras e nas barras para compreender os dados apresentados. A leitura do gráfico possibilitará um trabalho interdisciplinar com o componente curricular de Matemática. Auxilie os estudantes na localização das informações solicitadas e na interpretação desses dados, de modo especial, ao responderem à questão 2. g) e 2. h).

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser importante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ANGELI. [Pai, fale a verdade...]. 2015. 1 tirinha, color.

2. d) Produção pessoal. Oriente os estudantes a elaborar a tirinha com três ou quatro quadros, reforçando assim a importância da capacidade de síntese das ideias.

a) Qual é o tema principal discutido no documento 1, a tirinha de Angeli?

É a desigualdade social na sociedade brasileira.

b) Que tipo de linguagem Angeli usou para transmitir sua mensagem? Qual é a característica desse tipo de linguagem?

c) Se você fosse o pai da criança, o que você responderia para ela após a última pergunta?

Ele utilizou a linguagem dos quadrinhos, que costuma misturar imagens com texto. Resposta pessoal. A atividade procura incentivar os estudantes a refletir sobre as causas da desigualdade social no Brasil.

d) Com base no exemplo do documento 1 , faça uma tirinha que tenha como tema algum problema da sociedade brasileira abordado nesta unidade, como violência, racismo, desigualdade, poluição entre outros.

e) O que o gráfico do documento 2 mostra?

Ele mostra as diferenças salariais entre homens e mulheres de acordo com o grupo étnico, ao longo do ano de 2024.

f) O que os dados do gráfico mostram a respeito da diferença entre os salários de homens e mulheres?

O gráfico mostra que, independentemente da etnia, as mulheres recebem em média salários inferiores que os homens.

g) De acordo com o documento 2 , qual grupo étnico recebia o maior salário entre as mulheres?

A mulher não negra, cujo salário médio em 2024 era de R$ 3.316,00 contra R$ 2.008,00 das negras.

h) Com base nos dados do gráfico, faça uma lista em ordem crescente, ou seja, do menor salário ao maior salário dos quatro grupos pesquisados.

i) De acordo com a lista que você elaborou, escreva um texto que discuta o problema do racismo na sociedade brasileira.

Produção pessoal. Espera-se que os estudantes observem que homens e mulheres negros recebem salários inferiores a homens e mulheres não negros, e que a mulher negra é ainda duplamente discriminada, por ser negra e por ser mulher.

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras dos quadros. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

• Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

Respostas pessoais.

Sempre Às vezes Nunca

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

2. h) Mulher negra (R$ 2.008,00); Homem negro (R$ 2707,00); Mulher não negra (R$ 3.316,00); Homem não negro (R$ 4.636,00).

01/10/25 20:39

Ao final, promova um momento coletivo de troca de ideias, no qual os estudantes possam compartilhar impressões sobre o que aprenderam e sobre os desafios que encontraram. Essa prática valoriza a diversidade da turma, incentiva a escuta ativa e reforça a noção de que o aprendizado é um processo colaborativo e inclusivo, no qual cada voz e cada experiência contribuem para o crescimento de todos.

MODELO PARA COPIAR

REFERÊNCIAS COMENTADAS

GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos. Lugar de negro. São Paulo: Zahar, 2022.

• Nessa obra, a pensadora Lélia Gonzalez e o sociólogo argentino Carlos Hasenbalg oferecem ao leitor uma importante reflexão sobre o “papel” do negro na sociedade brasileira, abordando o mito da democracia racial e as consequências dele para as populações negras.

GUARINELLO, Norberto Luiz. História Antiga. São Paulo: Contexto, 2013.

• O autor realiza uma análise crítica do campo da História conhecida como História Antiga, que cobre, além do Oriente Próximo e do Egito, as civilizações grega e romana.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

• Esse atlas reúne mapas e informações geográficas, estatísticas e cartográficas atualizadas sobre o Brasil e outros países.

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. Tradução: Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

• Essa obra, registrada pelo etnólogo Bruce Albert, é um importante relato do ativista indígena Davi Kopenawa, que dedica sua vida à defesa dos povos indígenas e à preservação da floresta.

PEREIRA, Amilcar Araujo; MONTEIRO, Ana Maria (org.). Ensino de História e culturas afro-brasileiras e indígenas. Rio de Janeiro: Pallas, 2013.

• Nesse livro, os autores apresentam análises dos processos históricos relacionados à complexa formação étnico-cultural do Brasil, oferecendo repertório para a formação de professores.

PINSKY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi (org.). História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2010.

• O livro reúne textos de importantes pensadores que analisam a cidadania presente na sociedade ocidental.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás . Ilustrações: Pedro Rafael. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

• Nessa obra, o autor apresenta 301 mitos cultuados nas religiões de matriz africana, destacando o rico patrimônio cultural dos negros iorubás ou nagôs.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

• Essa obra é uma síntese atual da história do Brasil construída com base na análise de documentos inéditos de um período longo e complexo, que teve início às vésperas da chegada dos europeus à América.

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2009.

• Nessa obra, os autores apresentam os principais conceitos usados na área de História. Os termos são organizados em verbetes e linguagem acessível, tornando-se uma importante ferramenta para o estudo e o ensino de História.

VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral e Brasil. São Paulo: Scipione, 2011.

• Esse atlas é um importante recurso didático que apresenta conteúdos sobre os grandes períodos da História.

DOCUMENTOS OFICIAIS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum. mec.gov.br/. Acesso em: 11 set. 2025.

• Esse documento define o conjunto de aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica, de modo que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento.

BRASIL. Ministério da Educação. Ensino fundamental de nove anos: orientações gerais. Brasília, DF: SEB/DPE/COEF, 2004. Disponível em: https:// portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/ noveanorienger.pdf. Acesso em: 11 set. 2025.

• Essas diretrizes estabelecem os princípios éticos, políticos e estéticos que regem o aprendizado dos estudantes no ensino fundamental, indicando quais devem ser os objetivos do aprendizado nesse segmento.

ORIENTAÇÕES GERAIS

O Livro do professor

Fazer da sala de aula um contexto democrático onde todos sintam a responsabilidade de contribuir é um objetivo central da pedagogia transformadora. […]

HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução: Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017. p. 56.

Este Livro do professor foi elaborado para oferecer fundamentos teóricos, orientações metodológicas, sugestões de encaminhamentos e estratégias de avaliação que favoreçam aprendizagens significativas, inclusivas e contextualizadas. Ele dialoga com os desafios contemporâneos do ensino de História e com as demandas formativas previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), reafirmando seu compromisso com uma educação histórica crítica, democrática e plural. Em conjunto com o Livro do estudante, esta obra propõe uma concepção pedagógica que articula vivências cotidianas, diversidade cultural e problematização das realidades locais e globais, favorecendo a compreensão das relações entre passado e presente.

Considerada em seu conjunto, a coleção propõe um ensino do componente curricular de História orientado por dois eixos principais, sendo o primeiro deles o reconhecimento pelo estudante de sua condição de sujeito histórico, compreendendo-se como uma pessoa inserida em determinado contexto histórico. O segundo eixo é a compreensão de uma realidade brasileira marcada pela diversidade étnico-racial e pela desigualdade social. Esses eixos dialogam com os princípios do “Eu”, do “Outro” e do “Nós” que norteiam os conteúdos elencados pela BNCC para esse componente curricular. Por isso, os conteúdos didáticos foram organizados e desenvolvidos com o objetivo de aproximar o saber histórico escolar das

vivências cotidianas dos estudantes, tornando o estudo do componente curricular de História mais acessível e significativo. Temas como os espaços públicos e privados, as memórias da comunidade, os marcos históricos locais e as transformações nos modos de vida são tratados em uma perspectiva que articula presente e passado, mudanças e permanências, diversidade e pertencimento. As atividades propostas ao longo do livro incentivam a observação do entorno, a realização de entrevistas e a análise de imagens e outros documentos. Também envolvem a construção de murais e linhas do tempo, entre outras práticas investigativas. Elas foram pensadas para respeitar a diversidade das turmas, garantindo a participação de estudantes com diferentes modos de aprender, incluindo aqueles com deficiência, dificuldades de aprendizagem ou que se comunicam por outros meios.

A coleção também busca valorizar o trabalho com a diversidade étnico-racial do Brasil, abordando as contribuições dos diversos grupos que formam a sociedade brasileira e suas heranças culturais. Nesse sentido, o Livro do professor também incorpora as orientações legais para o ensino das histórias e culturas afro-brasileiras, africanas e indígenas (leis no 10.639/2003 e no 11.645/2008), promovendo uma educação comprometida com a valorização da diversidade cultural, o combate às desigualdades estruturais e a inclusão de grupos historicamente silenciados.

Neste Livro do professor, há também orientações para conduzir os processos avaliativos em sala de aula, mostrando como a coleção contribui para que o professor mensure a aprendizagem dos estudantes. Na coleção, a avaliação é compreendida como parte essencial do processo de ensino e aprendizagem, devendo ter caráter formativo, contínuo

e sensível às singularidades dos estudantes. Ainda, ela deve apoiar a mediação do professor, orientar intervenções pedagógicas e fomentar nos estudantes a capacidade de refletir sobre suas aprendizagens e seus percursos.

Este Livro do professor, portanto, tem a intenção de ser um aliado na construção de práticas pedagógicas que dialoguem com as realidades sociais contemporâneas,

acolham a diversidade e contribuam para formar sujeitos críticos, participativos e conscientes de seu papel no mundo. Que cada professor encontre, nestas páginas, suporte para planejar, refletir e reinventar seu fazer docente, sempre com o horizonte de uma educação comprometida com a cidadania, a justiça social, a valorização das memórias coletivas e a superação das desigualdades históricas.

A Base Nacional Comum Curricular

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento elaborado por uma equipe de técnicos do Ministério da Educação (MEC), especialistas, associações científicas e professores da Educação Básica e do Ensino Superior, com ampla discussão e participação dos membros da sociedade. Esse documento indica habilidades, conhecimentos e competências que se espera que os estudantes desenvolvam em cada ano e, de forma geral, ao longo da escolaridade básica. Em sua formulação, os redatores se apoiaram em documentos como a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN) e o Plano Nacional de Educação

A BNCC define os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os

Estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental prestam atenção à aula da professora em Lauro de Freitas (BA), 2019.

estudantes da Educação Básica no Brasil. Estabelece, de forma clara e progressiva, os conhecimentos essenciais que devem ser garantidos a todos os estudantes, independentemente da região em que vivem ou da rede de ensino que frequentam, promovendo a equidade e a qualidade da educação no país. A BNCC também orienta a elaboração dos currículos dos sistemas e das redes de ensino, a produção de materiais didáticos e os processos de formação de professores e de avaliação da aprendizagem, garantindo que todos esses elementos estejam alinhados e voltados ao pleno desenvolvimento do estudante como sujeito de direitos.

Na BNCC, as expectativas de aprendizagem estão organizadas em competências gerais, competências específicas de área do conhecimento, competências específicas dos componentes curriculares e habilidades . Conheça a estrutura desse documento a seguir.

Competências

A BNCC descreve dez competências gerais da Educação Básica, além de sete competências específicas de Ciências Humanas para o Ensino Fundamental. Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 8. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025. As competências gerais e específicas devem orientar a prática pedagógica em todos os anos da Educação Básica.

COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4. Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 9-10. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Para cada área do conhecimento, são definidas competências específicas de área.

Nas áreas que abrigam mais de um componente curricular (Linguagens e Ciências Humanas), também são definidas competências específicas do componente (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa, Geografia e História) a ser desenvolvidas pelos alunos ao longo dessa etapa de escolarização.

As competências específicas possibilitam a articulação horizontal entre as áreas, perpassando todos os componentes curriculares, e também a articulação vertical, ou

seja, a progressão entre o Ensino Fundamental – Anos Iniciais e o Ensino Fundamental – Anos Finais e a continuidade das experiências dos alunos, considerando suas especificidades.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 28. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Confira a seguir as competências específicas da área de Ciências Humanas e do componente curricular de História para o Ensino Fundamental.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS

HUMANAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.

2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo.

3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social.

4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a

valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.

6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 357. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

COMPETÊNCIAS

ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.

2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.

3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.

Habilidades

As habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos estudantes em cada ano do Ensino Fundamental. Ao indicar o que os estudantes devem “saber” (considerando a constituição de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, especialmente, o que devem “saber fazer” (considerando a mobilização desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana e do pleno exercício

4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.

6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica.

7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 402. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025. da cidadania), as habilidades articulam-se às competências específicas da área e, consequentemente, às competências gerais do Ensino Fundamental, contribuindo para garantir o desenvolvimento delas.

Na BNCC, as habilidades são identificadas por códigos e estão listadas em quadros, agrupadas por componente curricular e por ano. A título de exemplo, apresentamos uma breve descrição da estrutura da habilidade EF02CI07. Essa estrutura se repete nas demais habilidades de todas as áreas.

Ensino fundamental 2o ano

Verbo(s) que explicita(m) o(s) processo(s) cognitivo(s) envolvido(s) na habilidade. EF 02 CI 07

Componente curricular de Ciências da Natureza Numeração sequencial

Descrever as posições do Sol em diversos horários do dia e associá-las

ao tamanho da sombra projetada.

Modificadores do(s) verbo(s) ou complementos do(s) verbo(s), que explicitam o contexto e/ou uma maior especificação da aprendizagem esperada.

Complemento do(s) verbo(s), que explicita(m) o(s) objeto(s) de conhecimento mobilizado(s) na habilidade.

Elaborado com base em: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 29, 335. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

A numeração sequencial das habilidades de cada ano não representa uma ordem ou hierarquia das aprendizagens. Nesta coleção, a

sequência em que os assuntos são desenvolvidos nas unidades de cada volume reflete escolhas autorais relacionadas às relações de

interdependência entre os conceitos, entre outros fatores. Destacamos, porém, que essa sequência é apenas uma sugestão e, portanto,

não é obrigatória; a escola e o professor têm autonomia para determinar a grade curricular e a sequência de assuntos a serem desenvolvidos.

UNIDADES TEMÁTICAS

Povos e culturas: meu lugar no mundo e meu grupo social

OBJETOS DE CONHECIMENTO

O que forma um povo: do nomadismo aos primeiros povos sedentarizados

As formas de organização social e política: a noção de Estado

O papel das religiões e da cultura para a formação dos povos antigos

Cidadania, diversidade cultural e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas

Registros da história: linguagens e culturas

As tradições orais e a valorização da memória

O surgimento da escrita e a noção de fonte para a transmissão de saberes, culturas e histórias

Os patrimônios materiais e imateriais da humanidade

HABILIDADES

(EF05HI01) Identificar os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado.

(EF05HI02) Identificar os mecanismos de organização do poder político com vistas à compreensão da ideia de Estado e/ou de outras formas de ordenação social.

(EF05HI03) Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

(EF05HI04) Associar a noção de cidadania com os princípios de respeito à diversidade, à pluralidade e aos direitos humanos.

(EF05HI05) Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos e das sociedades, compreendendo-o como conquista histórica.

(EF05HI06) Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação e avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a elas.

(EF05HI07) Identificar os processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória e discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação desses marcos de memória.

(EF05HI08) Identificar formas de marcação da passagem do tempo em distintas sociedades, incluindo os povos indígenas originários e os povos africanos.

(EF05HI09) Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais.

(EF05HI10) Inventariar os patrimônios materiais e imateriais da humanidade e analisar mudanças e permanências desses patrimônios ao longo do tempo.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 414-415. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Educação integral

A BNCC é referência obrigatória na elaboração dos currículos de escolas públicas em todo o Brasil, servindo de base para a elaboração dos currículos estaduais e municipais. Sendo assim, é possível dizer que a BNCC e os currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica. O documento afirma que:

No Brasil, um país caracterizado pela autonomia dos entes federados, acentuada diversidade cultural e profundas desigualdades sociais, os sistemas e redes de ensino devem construir currículos, e as escolas precisam elaborar propostas pedagógicas que considerem as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes, assim como suas identidades linguísticas, étnicas e culturais.

Nesse processo, a BNCC desempenha papel fundamental, pois explicita as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver e expressa, portanto, a igualdade educacional sobre a qual as singularidades devem ser consideradas e atendidas. […] […]

[…] Para isso, os sistemas e redes de ensino e as instituições escolares devem se planejar com um claro foco na equidade, que pressupõe reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 15. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Um dos princípios que norteiam a BNCC é o de formação integral dos estudantes, ou seja, aquela que conta com a construção intencional de processos educativos promotores de aprendizagens que atendam às necessidades, às possibilidades e aos interesses dos estudantes. Por integral, entende-se também uma educação que não só dê conta dos aprendizados relacionados aos componentes curriculares, mas também do estudante como indivíduo, acolhendo suas singularidades.

[…] Reconhece, assim, que a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global, o que implica compreender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. […]

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 14. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Assim, de acordo com a BNCC, os aprendizados devem estar relacionados aos desafios da sociedade contemporânea, de modo que formem pessoas capazes de usar essas aprendizagens em sua vida. O documento defende, ainda, que o ensino de Ciências Humanas é imprescindível para a formação integral dos estudantes, destacando, entre os conhecimentos da área, alguns conceitos trabalhados pelo componente curricular de História.

A área de Ciências Humanas contribui para que os alunos desenvolvam a cognição in situ, ou seja, sem prescindir da contextualização marcada pelas noções de tempo e espaço, conceitos fundamentais da área. Cognição e contexto são, assim, categorias elaboradas conjuntamente, em meio a circunstâncias históricas específicas, nas quais a diversidade humana deve ganhar especial destaque, com vistas ao acolhimento da diferença. O raciocínio espaço-temporal baseia-se na ideia de que o ser humano produz o espaço em que vive, apropriando-se dele em determinada circunstância histórica. A capacidade de identificação dessa circunstância impõe-se como condição para que o ser humano compreenda, interprete e avalie os significados das ações realizadas no passado ou no presente, o que o torna responsável tanto pelo saber produzido quanto

pelo controle dos fenômenos naturais e históricos dos quais é agente.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 353. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

A BNCC, além de outros documentos, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e as DCN, enfatiza a importância do currículo contextualizado na realidade local, social e individual da escola e de seu público, a valorização das diferenças e o atendimento à pluralidade e à diversidade étnico-cultural. Essa contextualização é ainda mais importante para o aprendizado da História nos anos iniciais do Ensino Fundamental, e parte considerável dos conteúdos dedica-se à compreensão dos lugares de vivência dos estudantes, dos grupos que formaram a população do município, das atividades econômicas relacionadas à história do local, dos marcos históricos e patrimônios e dos grupos populacionais a que esses patrimônios e marcos estão relacionados.

A compreensão do contexto local por meio dos instrumentos cognitivos da História contribui para que o ensino do componente curricular não tenha caráter enciclopédico, como um apanhado de conceitos sem significado para os estudantes. Mais do que acumular fatos, os estudantes precisam ser habilitados a compreender e interpretar o mundo, bem como a transformá-lo, ou seja, interferir nele de forma consciente, sabendo que suas ações têm consequências para a vida individual e coletiva. Para que esse objetivo se concretize, é necessário superar práticas ainda comuns no ensino do componente curricular de História que se baseiam na simples memorização de datas, nomes e eventos isolados. Abordagens desse tipo tendem a apresentar o conhecimento histórico de forma fragmentada e descontextualizada.

A BNCC propõe o caminho inverso: que os conteúdos e as habilidades sejam organizados em torno de problemas e de perguntas

significativas, que articulem experiências pessoais, memórias locais e processos históricos mais amplos. Assim, evita-se o enciclopedismo e promove-se a construção de aprendizagens com sentido, capazes de mobilizar a curiosidade e o pensamento crítico dos estudantes.

Essa concepção de ensino do componente curricular de História parte dos princípios de que o conhecimento histórico é construído por meio de práticas científicas e pedagógicas e de que o estudo do passado precisa ser constantemente reinterpretado à luz das perguntas do tempo presente. Nessa perspectiva, o ensino do componente curricular de História deve incentivar a elaboração de questões sobre o passado, a busca e interpretação de diferentes evidências, a produção de explicações e a defesa de seus pontos de vista com argumentos. Esse movimento ajuda os estudantes a perceber que toda narrativa sobre o passado é resultado de escolhas e disputas de memória, favorecendo a formação de sujeitos capazes de dialogar com a diversidade de perspectivas presentes na sociedade.

A BNCC também enfatiza a importância de habilidades essenciais para a convivência no mundo contemporâneo, como a observação, a experimentação e a investigação. Esse destaque é importante para que o estudante reconheça, desde o início de seu percurso nos anos iniciais do Ensino Fundamental, que a História, como forma de conhecimento, não é um monólito ou obra acabada, e sim construção humana, provisória e resultante de um processo de elaboração que, embora submetido às regras do conhecimento científico, é também histórico e, por isso, sujeito a reelaborações e reinterpretações.

O ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental

O ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental tem como objetivo a compreensão

de si como sujeito histórico e a formação da consciência histórica. De acordo com a BNCC, essa etapa é marcada por um percurso progressivo: da construção da noção de “Eu” ao reconhecimento do “Outro” e, por fim, à percepção de um “Nós”.

O exercício do “fazer história”, de indagar, é marcado, inicialmente, pela constituição de um sujeito. Em seguida, amplia-se para o conhecimento de um “Outro”, às vezes semelhante, muitas vezes diferente. Depois, alarga-se ainda mais em direção a outros povos, com seus usos e costumes específicos. Por fim, parte-se para o mundo, sempre em movimento e transformação. Em meio a inúmeras combinações dessas variáveis – do Eu, do Outro e do Nós –, inseridas em tempos e espaços específicos, indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 397-398. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf.

Acesso em: 22 set. 2025.

Esse movimento é essencial para que os estudantes compreendam que fazem parte de coletividades — famílias, comunidades, grupos sociais — e desenvolvam as bases da convivência democrática e do exercício da cidadania.

O texto a seguir mostra como o ensino do componente curricular de História pode contribuir para o estudo das relações entre individualidade e coletividade, entre o “Eu”, o “Outro” e o “Nós”, sendo fundamental para a compreensão de como a vida humana se organiza socialmente e como o estudante pode ser um agente histórico nessa coletividade.

[…] é importante o desenvolvimento da percepção de que a história de vida não é algo puramente individual, mas que nossas vivências estão entrelaçadas na vida de outras pessoas, que somos influenciados pelos discursos circulantes na socieda-

de. Os alunos precisam perceber como sua vida está relacionada à dos pais, dos avós, dos colegas, por exemplo. Ao incentivá-los a partilhar suas vivências, os professores contribuem para promover uma aproximação do conceito de alteridade, o interesse pelo “outro”, ou seja, favorecem uma espécie de descentramento. Desse modo, constrói-se a ideia de que a história não é feita exclusivamente pelos chamados “grandes homens”, ela deixa de ser apenas “a história dos outros”.

GIL, Carmem Zeli de Vargas; ALMEIDA, Dóris Bittencourt. A docência em história: reflexões e propostas para ações.

Erechim: Edelbra, 2012. (Entre nós ensino fundamental anos finais, v. 5, p. 71).

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, de acordo com a BNCC, o processo de aprendizagem do componente curricular começa pelo reconhecimento do próprio entorno: família, escola, vizinhança, bairro e município tornam-se objeto de investigação e reflexão histórica. À medida que crescem, os estudantes ampliam suas referências, passando a identificar diferentes modos de viver, pensar, organizar e registrar a vida em sociedade, percebendo que cada grupo produz memórias, linguagens e conhecimentos próprios. Com isso, compreendem que a realidade social é diversa, histórica e passível de transformação.

A partir do 3 o ano, a BNCC desloca o foco, que estava na identidade pessoal e nos vínculos com as pessoas e os lugares do cotidiano, para a noção de tempo e espaço, abordando a história do lugar onde os estudantes vivem, as dinâmicas da cidade e do campo e a distinção entre vida pública e privada. No 4 o ano e no 5 o ano, abordam-se a diversidade de povos e culturas; os processos de formação das áreas urbanas, do comércio, das comunicações, da sociedade brasileira; e os direitos e deveres do cidadão, incentivando o respeito às diferenças e o compromisso com o bem comum. Assim, ao conhecerem modos de vida de diferentes épocas, os estudantes desenvolvem noções de tempo, identificam

mudanças e permanências e percebem que as sociedades são fruto de decisões humanas, permeadas por disputas, acordos e colaborações ao longo do tempo. Em uma sociedade marcada por desigualdades, o ensino do componente curricular de História também assume um papel político-pedagógico: promove a valorização das memórias e identidades locais 1 e a escuta das vozes de mulheres, povos indígenas, afro-brasileiros e outras populações tradicionais, rompendo com visões eurocêntricas que historicamente silenciaram saberes e experiências diversos2. Essa perspectiva, alinhada a abordagens decoloniais, reconhece as memórias de comunidades historicamente invisibilizadas como fontes legítimas de conhecimento, capazes de enriquecer a compreensão dos processos históricos e de ampliar as possibilidades de identificação dos estudantes com os conteúdos escolares. Como afirma o historiador francês René Rémond:

[…] o entendimento do presente escapa a quem ignora tudo do passado e […] só é possível ser contemporâneo do seu tempo tendo conhecimento das heranças, consentidas ou contestadas […].

RÉMOND, René. Introdução à história do nosso tempo: do antigo regime aos nossos dias. Lisboa: Gradiva, 1994. p. 11.

Para apoiar esse tipo de aprendizagem, é fundamental propor o uso de múltiplas fontes — imagens, documentos escritos, objetos, músicas, narrativas orais e mapas, entre outras — que despertem a curiosidade e incentivem a formulação de perguntas, a seleção de informações e a construção de explicações próprias, promovendo o

letramento científico. Ao registrarem suas interpretações em textos, desenhos, falas e produções diversas, os estudantes exercitam a elaboração de argumentos orais e escritos, competência essencial para o aprendizado histórico e para o fortalecimento de sua participação na vida pública.

Nesse percurso, é preciso reconhecer que, embora os estudantes já não estejam na fase de alfabetização inicial, a leitura e a escrita ainda estão em consolidação, o que exige práticas que articulem diferentes saberes e respeitem os ritmos e as formas de aprender de cada estudante. Como destaca a professora Durlei de Carvalho Cavicchia, estudiosa de Jean Piaget, “o conhecimento se produz a partir da ação do sujeito sobre o meio em que vive, só se constitui com a estruturação da experiência que lhe permite atribuir significação” (CAVICCHIA, Durlei de Carvalho. O desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida. In : UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA; UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Caderno de formação : formação de professores: educação infantil: princípios e fundamentos. São Paulo: Cultura Acadêmica: Unesp: Univesp, 2010. p. 13-27. (Curso de pedagogia, v. 1, p. 13). Disponível em: https://acervodigital. unesp.br/bitstream/unesp/337946/1/cader no-formacao-pedagogia_6.pdf. Acesso em: 20 set. 2025).

Ensinar História, assim, não é apenas transmitir informações prontas, mas criar situações em que os estudantes possam agir, dialogar, escutar, interpretar e se reconhecer como participantes da História, capazes de transformar o mundo à sua volta.

1 As identidades locais referem-se às formas pelas quais os sujeitos e as comunidades se reconhecem e se constituem a partir de seus territórios, modos de vida, tradições, relações sociais, linguagens e pertencimentos afetivos. Essas identidades são múltiplas, dinâmicas e historicamente construídas e expressam o enraizamento dos sujeitos em seus contextos geográficos, culturais e políticos.

2 O pensamento decolonial busca romper com a lógica eurocêntrica que dominou a produção do conhecimento durante e após o colonialismo. Em vez de aceitar uma única forma de saber, ele propõe valorizar as múltiplas vozes silenciadas pela história oficial. Como afirma Walter Mignolo, um dos principais teóricos da decolonialidade, a formação do mundo moderno-colonial resultou em narrativas nacionais na língua dos colonizadores (MIGNOLO, Walter D. Novas reflexões sobre a “ideia da América Latina”: a direita, a esquerda e a opção descolonial”. Caderno CRH, Salvador, v. 21, n. 53, p. 239-252, maio/ago. 2008. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/ download/18970/12327/64318. Acesso em: 15 set. 2025).

Educar nos anos iniciais é, portanto, um trabalho de base que cuida do presente com os olhos no futuro, respeitando o tempo da infância e acreditando na capacidade das crianças de pensar criticamente, imaginar e construir uma sociedade mais justa e democrática.

Trabalhando os conceitos estruturantes de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental

A História, como componente curricular e saber produzido no âmbito das universidades, tem como objeto central o estudo das relações sociais ocorridas no transcorrer do tempo, compreendidas nas múltiplas formas de organização da vida em sociedade e nas transformações resultantes da ação humana.

A História ensinada e praticada nas escolas não é a mesma da universidade. O peso da História escolar está mais nos fins didáticos que de pesquisa, e, por esse motivo, o trabalho com o componente curricular na Educação Básica também é conhecido como saber histórico escolar . Os PCN de História para o Ensino Fundamental trazem uma elucidativa definição desse conceito.

Considera-se que o saber histórico escolar reelabora o conhecimento produzido no campo das pesquisas dos historiadores e especialistas do campo das Ciências Humanas, selecionando e se apropriando de partes dos resultados acadêmicos, articulando-os de acordo com seus objetivos. Nesse processo de reelaboração, agrega-se um conjunto de representações sociais do mundo e da história, produzidos por professores e alunos. As representações sociais são constituídas pela vivência dos alunos e professores, que adquirem conhecimentos dinâmicos provenientes de várias fontes de informações veiculadas pela comunidade e pelos meios de comunicação. Na sala de aula, os materiais didáticos e as diversas formas de comunicação

escolar apresentadas no processo pedagógico constituem o que se denomina saber histórico escolar.

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: história, geografia. Brasília: MEC: SEF, 1997. p. 29. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/ pdf/livro051.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.

O saber histórico construído nas escolas pela prática dos professores e no aprendizado dos estudantes também se pauta pelos mesmos princípios e objetivos da História praticada nas universidades, mas às vezes segue dinâmica própria, reelaborando o conhecimento histórico para atender a necessidades que lhe são próprias ou impostas.

Um reflexo dessa dinâmica foi a construção de um saber escolar que valorizava os grandes acontecimentos e os grandes personagens históricos. Não é à toa que essa visão do ensino de História tenha prevalecido durante a ditadura militar, quando o ensino esteve submetido à coerção do regime político vigente.

Esta coleção se coloca em tradição oposta. Continua os esforços de reconstrução de um ensino de História democrático que valoriza a formação do Brasil por sujeitos históricos minorizados. Por isso, busca, por exemplo, superar a visão linear do tempo atrelada à noção de progresso, em que se classificam alguns modos de vida como avançados e outros como primitivos ou obsoletos. Assim, a História que é colocada em prática na coleção procura analisar como e por que os modos de vida se transformam ao longo do tempo, evidenciando conflitos, permanências e mudanças.

Defende-se, nesta coleção, que a História não deve ser apresentada como mera narrativa de fatos lineares, datas e personagens, mas como um campo de conhecimento que permite compreender processos sociais, culturais e políticos em suas dimensões de mudança e permanência. Como afirmam Sandra Regina Ferreira de Oliveira e Marlene Rosa Cainelli:

A sala de aula foi entendida como um espaço de intercruzamento entre os saberes de professores e alunos, mediatizados pelas propostas curriculares quanto ao saber a ser transmitido e pelas influências e interferências da sociedade na qual a escola se insere.

OLIVEIRA, Sandra Regina Ferreira de; CAINELLI, Marlene Rosa. Entre o passado e a história: investigando os conhecimentos históricos de crianças dos anos iniciais em uma escola pública brasileira. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 29, n. 4, p. 99-118, dez. 2013. p. 101. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edur/a/ PCHqS3zpTqhnVHr8HynnwpG/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 20 set. 2025.

Dessa maneira, ao levar em consideração as especificidades do aprendizado do componente curricular nos anos iniciais, trabalha-se o conceito de tempo histórico, entendendo-o como a dimensão em que se situam as ações humanas e suas transformações, buscando-se trabalhar as vivências dos estudantes, principalmente por meio de comparações entre o presente e o passado próximo.

Conteúdos como mudanças nas formas de se comunicar ou de se organizar politicamente são abordados com o objetivo de desenvolver nos estudantes o conceito de transformação social. O trabalho com esse conceito destaca as razões pelas quais mudanças podem ocorrer, sem, contudo, renunciar à adequação ao segmento dos anos iniciais. Por isso, os conceitos de mudança e de permanência são mobilizados em situações em que os estudantes percebem como certos aspectos da vida cotidiana se transformaram ao longo do tempo, enquanto outros permaneceram. Sobre o trabalho com o tempo, é importante considerar o que afirma a professora Circe Bittencourt:

[…] O uso das datas precisa estar vinculado a uma busca de explicação sobre o que vem antes ou depois, sobre o que é simultâneo ou ainda sobre o tempo de separação de diversos fatos históricos. Deve-se, em suma, dar um sentido às datações, para que o aluno domine as datas como

pontos referenciais para o entendimento dos acontecimentos históricos.

O uso das “linhas do tempo” ou “frisas cronológicas” tem sido um meio eficiente de concretizar e visualizar períodos longos para apreender uma representação da dimensão temporal da história. O uso das linhas do tempo merece também cuidados quando se pretende que os alunos dominem efetivamente a noção de tempo histórico.

No caso do ensino do tempo cronológico para alunos das séries iniciais, é interessante vinculá-lo à noção de geração . Pais, avós, os vestígios do passado de pessoas familiares mais velhas mostram um momento diferente do atual, revelando uma história e as transformações sociais possíveis de ser percebidas nas relações com o tempo vivido da criança. Essas sucessões e transformações podem ser sistematizadas por meio de linhas do tempo, chegando-se à visualização de um tempo cronológico que é apreendido progressivamente. Posteriormente, nas séries escolares sequenciais, essa etapa é acrescida de linhas do tempo de uma genealogia mais extensa e com associações de outros tempos e lugares.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. (Coleção docência em formação, p. 212).

Outra consequência da superação da visão linear de tempo é o trabalho com o conceito de sujeito histórico , que passa a destacar grupos que antes eram pouco valorizados, como as mulheres, a população negra, os trabalhadores, entre outros. Na coleção, há atividades que incentivam os estudantes a considerar a si próprios, suas famílias e grupos da comunidade como sujeitos históricos e agentes produtores de transformações sociais. Essa prática evidencia que a História, como componente curricular, não se restringe aos já mencionados grandes personagens ou eventos, mas inclui também o cotidiano, as práticas culturais e as lutas sociais.

O trabalho com fontes históricas — orais, visuais, escritas, materiais ou imateriais — é apresentado como meio para analisar diferentes pontos de vista, incentivando os estudantes a interpretar documentos levando em consideração as condições em que foram produzidos e a compreensão de que toda narrativa histórica é resultado de escolhas e valores.

A leitura e interpretação de fontes é parte importante do que se pode chamar de letramento histórico, entendendo que a formação cidadã requer o desenvolvimento de capacidades para analisar criticamente documentos e discursos, interpretar fontes e compreender diferentes temporalidades.

Outro conceito fundamental para o trabalho com o componente curricular nos anos iniciais do Ensino Fundamental é o de memória . Para abordá-lo em sala de aula, recorre-se a fontes como relatos, fotografias, objetos e espaços da comunidade. Conforme indica a BNCC, esses tipos documentais são os mais recomendados por estarem relacionados às vivências familiares e ao cotidiano dos estudantes.

O trabalho com o conceito de memória consiste em mostrar que esses objetos e lugares são suportes de recordações e podem ser fontes de conhecimento histórico.

Dessa forma, aproxima-se o sujeito (o estudante) do objeto de estudo (o passado vivido e transmitido). Como lembra a professora Circe Bittencourt:

A memória, entretanto, não pode ser confundida com a história, como advertem vários historiadores. As memórias precisam ser evocadas e recuperadas e merecem ser confrontadas. As dos velhos e de pessoas que ainda estão no setor produtivo ou as de homens e de mulheres nem sempre coincidem, mesmo quando se referem ao mesmo acontecimento. Mas nenhuma memória, individual ou coletiva, constitui a história. A história “consiste na escolha e construção de um objeto, operação que pode dar-se a partir de evocações de lembranças” (Le Goff, 1988, p. 109), e exige, na

análise das memórias, um rigor metodológico na crítica e na confrontação com outros registros e testemunhos.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. (Coleção docência em formação, p. 170).

A coleção também convida os estudantes a trabalhar a memória coletiva. Antes de prosseguir, vale a pena retomar o texto fundamental para o trabalho com memória coletiva, o livro do sociólogo Maurice Halbwachs. Para ele, […] a memória coletiva tira sua força e sua duração do fato de ter por suporte um conjunto de homens [humanos], não obstante eles são indivíduos que se lembram, enquanto membros do grupo. Dessa massa de lembranças comuns, e que se apoiam uma sobre a outra, não são as mesmas que aparecerão com mais intensidade para cada um deles.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução: Laís Teles Benoir. São Paulo: Centauro, 1950. p. 55.

Essas memórias, Halbwachs alerta, não são neutras nem universais: são construídas socialmente, frequentemente disputadas, e refletem relações de poder, seleções, silenciamentos e esquecimentos. No caso do Brasil, pode-se dizer que determinados grupos têm suas histórias constantemente lembradas e celebradas, enquanto outros, como povos indígenas, comunidades negras, populações periféricas ou camponesas, muitas vezes têm suas experiências apagadas, distorcidas ou marginalizadas.

Na coleção, o conceito de memória coletiva é trabalhado por meio do reconhecimento dos marcos temporais, iniciando a diferenciação entre tempo da natureza e as formas de controle da passagem do tempo criadas por diferentes culturas. Esses marcos temporais são trabalhados por meio de suas próprias histórias de vida, na trajetória da escola e na comunidade em que vivem. Assim, a História no âmbito dos anos iniciais do Ensino Fundamental busca articular o tempo do estudante

com tempos mais amplos, conectando experiências individuais e coletivas ao longo de diferentes escalas temporais.

As leis no 10.639/2003 e no 11.645/2008: educação para a igualdade racial e o respeito à diversidade

O ser índio e o viver índio, no Brasil, não são constantes históricas de um passado pré-colombiano. Os povos heterônomos […] constituem pluralidades culturais variadas, determinadas por tempos de lutas e derrotas, por extinções e sobrevivências, condicionadas pelo presente que se constrói em meio a uma complexidade sociopolítica que deixa pouco espaço de manobra e opção existencial para eles. […] […]

A nova Constituição brasileira definiu o índio como parte essencial da nação brasileira, cidadão com direitos plenos, povos específicos com direitos legitimados pela sua historicidade, coletividades com formas próprias de conduta social e cultural.

GOMES, Mércio Pereira. Os índios e o Brasil: passado, presente e futuro. São Paulo: Contexto, 2017. p. 200, 286. Um passo importante para o reconhecimento de que o Brasil é um país multiétnico foi a aprovação da Lei no 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e cultura afro-brasileiras e africanas em todas as escolas de Educação Básica. Já a Lei no 11.645/2008 ampliou essa obrigatoriedade, incluindo História e cultura dos povos indígenas brasileiros. Essas leis são fruto de décadas de luta de movimentos sociais — em especial o movimento negro e o movimento indígena — que denunciaram o racismo e a invisibilização de suas contribuições na história oficial e reivindicaram uma educação antirracista, plural e democrática.

A sociedade brasileira foi estruturada sobre bases coloniais e escravistas que, durante séculos, escravizaram milhões de africanos e seus descendentes e promoveram o extermínio e a expropriação dos povos

indígenas. Essa herança produziu desigualdades profundas e naturalizou hierarquias raciais que ainda se refletem em nossa sociedade.

O primeiro ponto a entender é que falar sobre racismo no Brasil é, sobretudo, fazer um debate estrutural. É fundamental trazer a perspectiva histórica e começar pela relação entre escravidão e racismo, mapeando suas consequências. Deve-se pensar como esse sistema vem beneficiando economicamente por toda a história a população branca, ao passo que a negra, tratada como mercadoria, não teve acesso a direitos básicos e à distribuição de riquezas.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 9.

Na escola, o racismo se manifesta de modo direto — por insultos, exclusões, piadas — e também de forma sutil: a ausência de personagens negros e indígenas nos livros; a associação entre indisciplina e estudantes negros; o silenciamento diante de nomes ou traços culturais indígenas e africanos. Essas práticas atingem especialmente as crianças, que podem assim internalizar sentimentos de inferioridade e rejeitar sua identidade.

Nesse cenário, o professor não deve se omitir diante do racismo, pois isso também é uma forma de violência simbólica. Por isso, é fundamental construir práticas pedagógicas que valorizem positivamente a presença negra e indígena, enfrentem preconceitos e formem crianças solidárias e respeitosas. Isso passa por analisar fontes históricas diversas e de diferentes procedências: documentos escritos, objetos, fotografias, obras de arte, narrativas orais, músicas, vestimentas, artefatos da cultura material, produções literárias de autores africanos, afro-brasileiros e indígenas. Dessa maneira, os estudantes poderão perceber que a história é feita de múltiplos pontos de vista, que existem disputas pela memória e diferentes formas de explicar o passado. Esse exercício estimula a

curiosidade, o pensamento crítico e a empatia, além de permitir que estudantes negros e indígenas se reconheçam como sujeitos históricos.

Ao longo dos capítulos, esta coleção não deixa de trabalhar os desafios que indígenas e afro-brasileiros enfrentam. Porém, também dá destaque para personagens negros e indígenas em contextos variados, como sujeitos históricos ativos, produtores de conhecimento e cultura, valoriza suas produções culturais e científicas e reconhece a

diversidade interna desses grupos, mostrando que há múltiplas etnias, culturas e trajetórias históricas. A coleção também propõe atividades que convidam os estudantes a analisar fontes diversas, levantar hipóteses, construir narrativas próprias e refletir sobre as desigualdades, os preconceitos e os estereótipos ainda presentes na sociedade. Ao fazer isso, busca não apenas cumprir o que determinam as leis, mas também contribuir efetivamente para a formação de uma geração mais justa, empática e preparada para conviver na diversidade.

Estudantes ensaiam para apresentação de siriri, dança folclórica da região Centro Oeste, na comunidade remanescente de quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento (MT), 2025.

CESAR DINIZ/PULSAR IMAGENS

Trabalho com fontes históricas nos anos iniciais

O trabalho com fontes históricas é um dos pilares da pesquisa em História e do ensino desse componente curricular na Educação Básica. Porém, o objetivo da leitura de fontes no âmbito do saber escolar não é formar pequenos historiadores, mas disponibilizar aos estudantes as ferramentas desenvolvidas pelos historiadores ao longo dos anos para compreender o mundo.

As fontes — como documentos escritos, objetos, imagens, objetos de arte, narrativas orais etc. — são os vestígios que permitem ao historiador reconstruir e interpretar o passado. Aproximar os estudantes dessa faixa etária das fontes desde os anos iniciais ajuda a fazê-los compreender que a História não é uma narrativa pronta, mas um conhecimento construído a partir de pistas deixadas por pessoas que viveram em outros tempos. Esse trabalho contribui para desenvolver o raciocínio histórico e para aproximar os estudantes do modo de pensar dos historiadores. A BNCC chama essa aproximação de uma “ atitude historiadora ” (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 401. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versao final_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025).

Ao observar uma fotografia antiga de seu bairro, por exemplo, os estudantes podem comparar as roupas, os objetos e os espaços do passado com os atuais, identificando mudanças e permanências. Essa atividade estimula a curiosidade, o levantamento de hipóteses, a argumentação e o respeito por outras formas de viver. Também possibilita que estudantes de diferentes origens vejam suas histórias e culturas valorizadas como parte legítima da história coletiva.

Para muitos professores generalistas, trabalhar com fontes históricas pode ser desafiador, pois elas frequentemente apresentam linguagem complexa, termos antigos e

referências culturais pouco familiares para os estudantes. Superar essas barreiras exige uma mediação atenta e planejada. É importante, por exemplo, apresentar cada fonte situando seu contexto de produção — quem a criou, quando e com qual objetivo — e selecionar partes que sejam mais acessíveis, como pequenos trechos de textos ou detalhes visuais claros. Também é recomendável propor perguntas que estimulem a reflexão e o diálogo, sem esperar respostas únicas, permitindo que os estudantes construam significados próprios. Valorizar suas interpretações, mostrando que levantar hipóteses e testar ideias faz parte do trabalho do historiador, favorece a participação ativa da turma. Além disso, relacionar os vestígios do passado às vivências cotidianas dos estudantes contribui para que a interpretação das fontes se torne mais próxima e significativa para eles.

Uma forma acessível de trabalhar fontes visuais (como fotografias, pinturas, ilustrações, cartazes e mapas) com crianças pequenas é conduzir a análise em etapas simples e progressivas. Primeiro, convide os estudantes a observar a imagem com atenção e comentar livremente o que percebem, sem que haja respostas certas ou erradas. Em seguida, ajude-os a descrever os elementos que veem, nomeando cores, objetos, pessoas, roupas, gestos e expressões faciais. Depois disso, incentive o levantamento de hipóteses, perguntando quem poderia ter produzido aquela imagem, em que época, com qual finalidade e o que pretendia comunicar. A partir daí, apresente algumas informações históricas básicas que ajudem a contextualizá-la, como a data aproximada, o local, o autor e a relação com o conteúdo estudado. Também é útil propor comparações com imagens atuais ou com situações vividas pelos próprios estudantes, aproximando o passado do presente. Por fim, incentive que registrem suas descobertas de diferentes formas — escrevendo pequenas legendas, produzindo textos curtos, desenhos

ou dramatizações. Esse tipo de atividade ajuda a compreender que as fontes não trazem verdades prontas, mas indícios que precisam ser analisados de maneira crítica para que seja possível construir explicações sobre o passado.

Interdisciplinaridade

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o estudante é apresentado, pela primeira vez, ao aprendizado organizado e sistematizado em áreas do conhecimento (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática) e componentes curriculares (História, Geografia, Arte, Matemática, entre outras). A partir desse momento, ele começa a entrar em contato com o conhecimento científico especializado, com formulação de conceitos, categorias e métodos próprios de cada ciência.

Toda essa estrutura pautada na disciplinaridade, embora traga grandes contribuições ao processo de ensino, acaba por fragmentar o conhecimento, como se este ocupasse várias caixas, uma para cada componente curricular, sem integração entre elas. Assim, os estudantes aprendem os conteúdos em partes isoladas, sem conseguir perceber como se relacionam entre si e com a realidade.

Muitos autores e professores questionaram essa limitação em suas práticas, trazendo críticas à grande especialização das disciplinas e à necessidade de conectá-las para explicar o mundo em que vivemos. A interdisciplinaridade se apresenta, assim, como alternativa para devolver ao conhecimento sua unidade e sua aplicabilidade. Nesse sentido, concordamos com Jayme Paviani quando afirma que:

A interdisciplinaridade não é apenas a integração de um conjunto de relações entre as partes e o todo, mas também uma descoberta de propriedades que não se reduzem nem ao todo nem às partes isoladas. Em seu nível mais alto, é uma modalidade de relação que, sem eliminar as

contribuições individuais das disciplinas, as integra num único projeto de conhecimentos.

PAVIANI, Jayme. Interdisciplinaridade: conceitos e distinções. 3. ed. Caxias do Sul: Educs, 2014. p. 48. Para Ivani Fazenda, a interdisciplinaridade é um movimento de passagem da subjetividade à intersubjetividade, ou seja, de uma visão individual para uma visão compartilhada do conhecimento. Nesse sentido, ela recupera a ideia de cultura como formação do humano total, inserido em sua realidade e capaz de agir sobre ela.

Nesse sentido, o homem [humano] que se deixa encerrar numa única abordagem do conhecimento vai adquirindo uma visão deturpada da realidade. Ao viver, encontra uma realidade multifacetada, produto desse mundo, e evidentemente mais oportunidades terá em modificá-la na medida em que a conhecer como um todo, em seus inúmeros aspectos.

Para que isto ocorra, é necessário, sobretudo, que haja uma preparação. Essa preparação, que inicialmente tomou o nome de Paideia (formação do homem total), passou a ser uma formação dividida, produto da Ocidentalização com seu consequente aumento do saber e a necessidade de criar-se um sistema de Educação (Família, Igreja, Escola etc.), dando a cada um seu papel.

FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2011. p. 81.

Ainda segundo a autora, trata-se de superar a relação pedagógica baseada na transmissão linear de conteúdos e construir uma relação em que “a posição de um é a posição de todos” (FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2011. p. 93), marcada pelo diálogo e pela colaboração. Como afirma Edgar Morin, só um pensamento complexo — que articule parte e todo — pode enfrentar uma realidade igualmente

complexa. Para isso, é preciso religar saberes, mostrando como os conteúdos escolares se conectam à vida (MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Tradução: Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2005).

A interdisciplinaridade não significa o abandono das especificidades dos diferentes campos do saber, tampouco a criação de uma nova ciência que passe a regular esses campos. Ela se manifesta no diálogo e na aproximação, evidenciando como construir novas formas de refletir sobre o mundo e pensar em soluções para as questões que são colocadas no dia a dia.

A interdisciplinaridade não é, portanto, apenas uma forma de organizar o currículo; é também um caminho para transformar a relação pedagógica. Ela estimula a curiosidade intelectual, fortalece práticas cidadãs e democráticas e ajuda a formar sujeitos capazes de intervir em sua realidade.

A BNCC respalda esse objetivo ao afirmar que o ensino nos anos iniciais deve articular campos do conhecimento em torno de práticas de investigação, linguagem e resolução de problemas, sempre a partir de contextos próximos da realidade do estudante (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025).

Nesse cenário, o professor não precisa ser especialista em cada componente curricular, mas deve criar situações que incentivem os estudantes a pesquisar, comparar, entrevistar, experimentar e registrar, favorecendo descobertas e reflexões. Dessa forma, eles deixam de ser apenas receptores de informações e passam a se envolver ativamente no processo de aprendizagem, produzindo conhecimento a partir de sua vivência na comunidade e com as pessoas de seu convívio, considerando seu conhecimento prévio e suas experiências pessoais.

A coleção contribui para o desenvolvimento de práticas interdisciplinares em sala

de aula, rompendo as barreiras que separam os componentes curriculares ao propor atividades que partem de situações-problema.

A seção Criança cidadã, por exemplo, apresenta circunstâncias retiradas da realidade em que o estudante deve, ao mesmo tempo, aprofundar seus conhecimentos e se posicionar diante dos acontecimentos, mobilizando os seus aprendizados. A seção Ideia puxa ideia apresenta temas que podem ser estudados sob o ponto de vista de mais de um componente curricular ou que trabalham os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) da BNCC, propondo um olhar multifacetado diante da realidade.

Além das seções, há outros temas e conteúdos na coleção que mostram que a interdisciplinaridade vai além da soma de conteúdos: aproxima escola e vida, valoriza a cultura local e contribui para formar cidadãos críticos e participativos.

A professora Selene Coletti faz as seguintes observações sobre a interdisciplinaridade: O professor do Fundamental 1 tem o privilégio de exercitar esse olhar com sua turma. Conseguindo enriquecer cada vez mais sua prática, pois sozinho trabalha de forma integrada com todas as áreas do conhecimento. […].

Algumas dicas para exercitar esse olhar: […]

• Apresentar os conteúdos por meio de perguntas desafiadoras como “por que chove granizo?”. As respostas podem desencadear várias propostas envolvendo não só Ciências, como Língua Portuguesa e Artes; […]

• Ensinar os alunos a pesquisar. Mostrar como utilizar as diferentes ferramentas disponíveis no computador e como elas contribuem para desenvolver o protagonismo da turma no que se refere a integração dos diferentes saberes; […]

COLETTI, Selene. 7 dicas para trabalhar a interdisciplinaridade no Fundamental 1. São Paulo: Nova Escola, 9 mar. 2020. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/18930/ 7-dicas-para-trabalhar-a-interdisciplinaridade-no -fundamental-1. Acesso em: 20 set. 2025.

O ensino do componente curricular de História e os Temas Contemporâneos Transversais

Na BNCC, a interdisciplinaridade aparece em diversos momentos, sendo um dos principais os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs). Eles incorporam ao currículo o estudo de assuntos que foram estabelecidos em lei, dando tratamento didático ao que foi definido na legislação brasileira.

Os TCTs foram integrados ao currículo escolar no final dos anos 1990 como mecanismos integradores, instrumentos na/da/ para superação da fragmentação do conhecimento escolar. De acordo com as crenças da época, na sociedade contemporânea globalizada, esse conhecimento deveria ter uma nova configuração, passando a articular/combinar diferentes campos do saber (WENCESLAU, Maurinice Evaristo; SILVA, Fabiany de Cássia Tavares. Temas transversais ou conteúdos disciplinares?: cultura, cidadania e diferença. Interações, Campo Grande, MS, v. 18, n. 4, p. 197-206, out./dez. 2017. Disponível em: https://interacoesucdb.em nuvens.com.br/interacoes/article/view/1562/ pdf. Acesso em: 24 set. 2025).

Esse segundo processo de distribuição de conhecimentos organizou os conteúdos

curriculares em torno de temas como ética, educação ambiental, orientação sexual, pluralidade cultural e saúde. Essas temáticas foram incluídas no currículo do Ensino Fundamental de forma “transversal”, não como uma área de conhecimento específica, mas como temas a serem tratados nas várias áreas que compunham o currículo.

A coleção propõe abordar os TCTs articulando-os aos conteúdos históricos de forma crítica e significativa, dialogando com outras áreas do conhecimento e promovendo uma abordagem interdisciplinar. Como indicam Hernández e Ventura, a interdisciplinaridade permite a construção de aprendizagens mais amplas, por meio da articulação entre saberes escolares e experiências de vida (HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. Tradução: Jussara Haubert Rodrigues. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998).

Entende-se, portanto, que os TCTs oferecem uma oportunidade de superar a fragmentação do ponto de vista disciplinar para favorecer uma compreensão abrangente dos problemas do mundo contemporâneo. Ao integrar conhecimentos, favorece-se uma compreensão mais aprofundada da realidade e um aprendizado mais significativo.

BRASIL. Ministério da Educação. Temas contemporâneos transversais na BNCC: proposta de práticas de implementação. Brasília, DF: MEC, 2019. p. 7. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ implementacao/guia_pratico_temas_contemporaneos. pdf. Acesso em: 15 ago. 2025.

As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação

(TDICs) na educação

O uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) faz parte do cotidiano das crianças e dos adolescentes. Isso traz oportunidades, mas também riscos. Por isso, é essencial compreender como utilizar esses recursos de forma pedagógica, com intencionalidade, com base em legislação e orientações atuais sobre o tema.

No Brasil, duas leis recentes consolidam a importância da educação digital. A Lei n o 14.180/2021 , que institui a Política de Inovação Educação Conectada , busca ampliar o acesso às tecnologias nas escolas (BRASIL. Lei n o 14.180, de 1 o de julho de 2021. Institui a Política de Inovação Educação Conectada. Diário Oficial da União : seção 1, Brasília, DF, ano 159, n. 123, p. 1, 2 jul. 2021). Posteriormente, a Lei n o 14.533/2023 , que criou a Política Nacional de Educação Digital, reforçou a necessidade de desenvolver a alfabetização digital e promover o uso crítico e consciente das TDICs (BRASIL. Lei no 14.533, de 11 de janeiro de 2023. Institui a Política Nacional de Educação Digital [ ]. Diário Oficial da União : seção 1, Brasília, DF, ano 161, n. 8-B, p. 1, 11 jan. 2023). Essas diretrizes são complementadas por documentos oficiais do Ministério da Educação, como o Referencial de saberes digitais docentes, que orienta a formação de professores para integrar a tecnologia ao processo de ensino e aprendizagem (BRASIL. Ministério da Educação. Saberes digitais docentes. Brasília, DF: MEC, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-co nectadas/20240822MatrizSaberesDigitais. pdf. Acesso em: 12 set. 2025).

A BNCC também enfatiza que o uso das tecnologias deve estar ligado ao desenvolvimento de competências gerais, como a cultura digital, a capacidade de pesquisa e a resolução de problemas (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum

Curricular : educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 29 set. 2025). Isso significa que a tecnologia não deve ser vista como um acessório, mas como parte do processo de aprendizagem, desde que usada com objetivos pedagógicos claros e em equilíbrio com outras formas de ensino.

Um documento fundamental para pensar esse tema é o guia Crianças, adolescentes e telas , lançado pelo governo federal em 2025 com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Ele foi elaborado com base em estudos científicos e traz recomendações práticas para o uso saudável das telas.

RECOMENDAÇÕES SOBRE USOS DE TELAS

• Crianças menores de 2 anos: sem uso de telas, salvo videochamadas acompanhadas por adultos.

• Até os 12 anos: não devem possuir smartphone próprio

• Acesso a redes sociais: respeitar a classificação indicativa das plataformas.

• Entre 12 e 17 anos: uso deve ser acompanhado por adultos ou educadores.

• Evitar uso em refeições e antes de dormir; promover momentos de desconexão.

Elaborado com base em: BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/PR, 2024. p. 12, 26, 42, 53. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/ uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/guia-de -telas_sobre-usos-de-dispositivos-digitais_versaoweb.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

O guia também recomenda que escolas e famílias definam regras para o uso de aparelhos digitais, criando uma cultura de equilíbrio. A criança deve usar a tecnologia como ferramenta de aprendizagem e convivência, e não como substituto de brincadeiras, leituras, jogos coletivos ou da vida em comunidade (BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas : guia sobre usos de

dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/ PR, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/ secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por -criancas-e-adolescentes/guia/guia-de-telas_ sobre-usos-de-dispositivos-digitais_versao web.pdf. Acesso em: 12 set. 2025).

No espaço escolar, esses riscos exigem atenção redobrada. As telas podem ser recursos valiosos, mas, sem intencionalidade pedagógica, transformam-se em distração. O uso desses recursos deve ser uma opção quando a tecnologia potencializa a aprendizagem, amplia o acesso à informação ou possibilita experiências que não seriam possíveis sem ela. Ao longo do livro, indicamos usos de tecnologias digitais em algumas atividades e acesso a sites , vídeos e outros materiais relacionados ao conteúdo trabalhado. Embora o livro apresente possibilidades de uso, este não é imprescindível para atender aos objetivos propostos em cada capítulo, considerando que muitos estudantes podem ter dificuldade para acessar tecnologias digitais.

Por fim, é importante lembrar a relevância da mediação feita por professores e famílias. Cabe ao professor e aos adultos responsáveis orientar, propor projetos, mediar o uso, mas também abrir espaço para que as crianças participem ativamente, reflitam sobre seu consumo digital e construam uma relação crítica e saudável com as tecnologias.

Aprendizagem significativa

A educação na contemporaneidade pressupõe a formação para a vida, no sentido de habilitar os estudantes à leitura e à análise crítica da realidade, além de promover seu desenvolvimento pessoal e social. Para atingir esse objetivo, é importante valorizar os conhecimentos prévios dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem.

O biólogo, psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget (1896-1980) foi um dos pioneiros a estudar o desenvolvimento cognitivo e intelectual e o processo de construção do conhecimento. Embora o foco da pesquisa de Piaget

não fosse a educação formal, suas pesquisas serviram de base para que outros estudiosos entendessem que o ponto de partida para a construção de um novo conhecimento é aquilo que os estudantes já sabem.

Amparado nas pesquisas de Piaget, David Ausubel (1918-2008), um psicólogo da área educacional, foi um dos primeiros a usar a expressão conhecimento prévio. Para ele, o conjunto de saberes que um estudante traz é extremamente importante para a elaboração de novos conhecimentos e para garantir uma aprendizagem significativa. Sobre os conhecimentos prévios, Francimar Martins Teixeira e Ana Carolina Moura Bezerra Sobral afirmam: Os conhecimentos prévios podem ser considerados como produto das concepções de mundo da criança, formuladas a partir das interações que ela estabelece com o meio de forma sensorial, afetiva e cognitiva, ou, ainda, como resultado de crenças culturais e que, na grande maioria das vezes, são de difícil substituição por um novo conhecimento. Estudos direcionados a identificar a origem das ideias prévias dos estudantes destacam que estas podem ser classificadas em três grandes grupos, que apesar de serem metodologicamente discutidos de forma separada, encontram-se articulados: origem sensorial, relacionada às concepções empíricas, ou seja, baseiam-se em informações obtidas por meio das interações com o mundo natural; origem social, relacionada a um conjunto de crenças partilhadas pelo grupo social a que o estudante pertence, e origem analógica, relacionada à comparação entre domínios distintos do saber (POZO et al., 1991). Apesar das diferentes origens das ideias prévias dos estudantes, há, na literatura da área, o consenso de que as mesmas constituem um todo articulado de informações que irão influenciar de forma marcante a apropriação de novos conhecimentos.

TEIXEIRA, Francimar Martins; SOBRAL, Ana Carolina Moura Bezerra. Como novos conhecimentos podem ser construídos a partir dos conhecimentos prévios: um estudo de caso. Ciência & Educação, Bauru, v. 16, n. 3, p. 667-677, 2010. p. 669. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ciedu/a/ HGqTSFFXNpSSkg4vnDFw3mh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 26 set. 2025.

A teoria da aprendizagem significativa, proposta por Ausubel em 1963, afirma que o aprendizado se torna mais eficaz quando os novos conteúdos são assimilados de forma integrada aos conhecimentos que os estudantes já possuem. Em vez de apenas decorar informações soltas, os estudantes passam a compreender os conteúdos ao relacioná-los com suas experiências anteriores, construindo conhecimentos significativos e mais duradouros.

Esta coleção utiliza as ideias da historiadora Regina Célia Alegro como um dos referenciais teóricos sobre a importância do conhecimento prévio nas aulas de História.

A História alimenta-se da memória e da reconstrução do passado. Essas elaborações ocorrem como experiências individuais e coletivas que determinam a identidade dos envolvidos e permitem compreender o mundo e nele atuar. Os conteúdos da História são expressos por meio de narrativas que não se reduzem a meros discursos, mas efetivam-se como “práticas” que constroem e reconstroem objetos explicitando os seus significados.

Assim, para o ensino de História, mais do que para qualquer outra disciplina ensinada na escola básica, é necessário considerar os “diferentes discursos”, os diferentes conteúdos que circulam na sala de aula. Para além do conhecimento veiculado no livro didático, na fala do professor, na tradição oral e nos meios de comunicação de massa, é possível reconhecer, também, o conhecimento elaborado pelo aprendiz. E mais: como estabelece a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel e colaboradores, pode-se facilitar o processo de aprendizagem ao organizar-se o ensino – de História – a partir do conhecimento prévio manifesto pelos estudantes.

O que o aluno já sabe, o conhecimento prévio (conceitos, proposições, princípios, fatos, ideias, imagens, símbolos), é fundamental para a teoria da aprendizagem significativa, uma vez que constitui-se

como determinante do processo de aprendizagem […].

ALEGRO, Regina Célia. Conhecimento prévio e aprendizagem significativa de conceitos históricos no Ensino Médio. 2008. Tese (Doutorado em Educação) –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Marília, 2008. p. 23-24. Disponível em: https://repositorio. unesp.br/bitstream/handle/11449/102251/alegro_rc_dr_mar. pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 22 set. 2025.

Metodologias ativas

As metodologias ativas representam ferramentas importantes no processo de ensino e aprendizagem, pois colocam os estudantes no centro desse processo e incentivam sua participação.

As metodologias ativas se inspiram nos trabalhos dos educadores do movimento Escola Nova, do Brasil, e do filósofo e educador estadunidense John Dewey (1859-1952), que considerava que os estudantes aprendem melhor quando realizam tarefas relacionadas aos conteúdos que estão estudando. Com base nesses princípios, as metodologias ativas propõem estratégias de ensino que valorizam a participação efetiva dos estudantes, em contraposição ao ensino tradicional, que se apoia apenas na recepção de conteúdos prontos. Nessas metodologias, os estudantes assumem um protagonismo, sendo incentivados a observar evidências, levantar hipóteses, investigar, criar e propor soluções para problemas reais ou simulados.

Entre as diversas práticas possíveis estão a aprendizagem baseada em projetos, a sala de aula invertida, a sala de aula compartilhada, os estudos de caso, a aprendizagem baseada em problemas, além da criação de jogos, das dramatizações, das investigações, das pesquisas, das experimentações práticas e do uso de modelos híbridos que combinam estratégias ativas com recursos digitais.

O trabalho com projetos

Como já foi dito, aprendizagem baseada em projetos é um exemplo de metodologia ativa. Por meio dela, os estudantes se

envolvem com tarefas e desafios para resolver um problema ou desenvolver algo concreto relacionado à sua vida na escola ou na comunidade. Durante esse processo, os estudantes desenvolvem o pensamento crítico e criativo, precisam tomar decisões em equipe, buscar informações em diversas fontes, organizar ideias e apresentar resultados.

Na página XLIII o professor vai encontrar uma sugestão de projeto para o 4o ano. Como a execução de um projeto por vezes toma um tempo considerável do planejamento didático, sem mencionar a necessidade de adaptar a proposta às condições da escola, optou-se por deixar a utilização dessa metodologia somente para o professor, para que ele decida se e quando o projeto será desenvolvido.

Ainda assim, tendo em vista que o desenvolvimento de projetos demanda que os estudantes exercitem suas habilidades de exploração e reflexão, incentivando-os a apresentar soluções originais, recomenda-se enfaticamente sua aplicação.

Pensando o papel do professor

Os professores desempenham um papel central no processo de formação social e cultural dos estudantes e são agentes fundamentais na construção do pensamento crítico e da cidadania. Assim, a profissão docente precisa ser constantemente valorizada, e sua formação inicial e continuada deve receber atenção especial, de modo que possam responder de maneira criativa e crítica às demandas educacionais do presente e do futuro.

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, um dos maiores desafios é a inserção dos estudantes na cultura letrada. Nessa fase, os estudantes estão construindo as bases para todas as aprendizagens futuras, e o papel do professor torna-se determinante. No entanto, atender a esse desafio implica ultrapassar a figura do professor que apenas transmite conhecimentos ou executa decisões impostas por outros. É necessário

adotar novas perspectivas: a do professor-pesquisador e a do professor-problematizador. O professor-pesquisador é aquele que transforma sua prática em objeto de análise, que investiga suas estratégias, busca novas referências, dialoga com colegas e promove uma postura reflexiva em si e em seus estudantes. O professor-problematizador , por sua vez, é aquele que parte da realidade da turma, escuta os estudantes, identifica seus interesses e suas necessidades e constrói com eles propostas significativas, que ultrapassem os limites do livro didático e estimulem a investigação, a comparação, a análise crítica e a produção de conhecimento.

Assumir esses papéis reflete uma mudança profunda na forma de pensar o ensino em comparação ao papel tradicional do professor. É preciso entender que o professor é o próprio autor de sua prática pedagógica. Para isso, é fundamental questionar-se continuamente. Para favorecer essa postura, algumas questões-chave podem nortear a autoavaliação docente.

• Compreensão e acessibilidade : tenho clareza dos saberes básicos da minha área no segmento em que leciono e consigo traduzi-los de forma acessível? Como posso adaptar minha linguagem e meus exemplos para diferentes perfis?

• Interdisciplinaridade : consigo estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento nas minhas aulas? Que temas poderiam integrar Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, por exemplo, de maneira significativa?

• Atualização constante : estou atento às novas descobertas e aos debates no campo científico e educacional? Como incorporo essas novidades às minhas práticas?

• Metodologias diferenciadas : quais metodologias ativas conheço e utilizo? Como posso diversificar ainda mais minhas abordagens, sem perder de vista os objetivos de aprendizagem?

• Escuta e observação : ouço de fato os estudantes? Percebo suas dificuldades, seus interesses e suas dúvidas? Que estratégias posso adotar para que todos se sintam ouvidos?

• Uso crítico do material didático: utilizo o livro como apoio ou dependo exclusivamente dele? De que forma posso complementá-lo com outras fontes e experiências?

• Práticas científicas: tenho proporcionado experiências que aproximem os estudantes do fazer científico — como pesquisas, entrevistas, experimentos e visitas?

• Investigação e ética: incentivo a reflexão sobre as implicações sociais e éticas do conhecimento que trabalhamos? Dou espaço para que os estudantes expressem opiniões e construam argumentos?

Essas reflexões apontam para a necessidade de um professor que não apenas ensina, mas que também aprende continuamente e se reinventa.

Ser um professor-pesquisador e problematizador significa assumir a responsabilidade de contribuir para a formação de sujeitos capazes de compreender o mundo criticamente e atuar nele de forma ética e transformadora. Para isso, procure adotar uma postura colaborativa e questionadora e incentive os estudantes a fazer o mesmo. Ao adotar essa postura, a sala de aula se torna um ambiente propício e favorável para trocas.

Espaços coletivos de formação

Além da reflexão individual, o desenvolvimento profissional docente também passa pelos espaços coletivos de formação, como reuniões pedagógicas, grupos de estudo e trocas de experiências entre pares. Sempre que possível, compartilhe suas ideias e práticas com os colegas e construa coletivamente soluções para os problemas que surgem no cotidiano escolar. A construção colaborativa de saberes pedagógicos, que tem como base situações reais de sala de aula, amplia o repertório didático, promove atualização constante e contribui para a

construção de uma prática mais consciente e fundamentada.

Essa articulação entre reflexão sobre a prática, registro sistemático das aprendizagens e busca permanente por atualização profissional contribui para consolidar um fazer docente sensível às singularidades dos estudantes e comprometido com a formação cidadã e inclusiva. Em síntese, ser professor implica não apenas ensinar conteúdos, mas também aprender continuamente com a experiência, reinventando práticas e renovando o compromisso ético com a educação democrática e transformadora.

O espaço da sala de aula

O modo como o espaço da sala de aula é organizado exerce grande influência sobre as experiências escolares, já que é nesse ambiente que os estudantes passam boa parte do tempo escrevendo, ouvindo, refletindo, interagindo e aprendendo. Para que esse espaço favoreça a aprendizagem, é importante que seja planejado como um ambiente acolhedor e funcional, que proporcione bem-estar, estimule a interação e seja agradável para o trabalho coletivo e individual.

Segundo as educadoras Madalena Telles Teixeira e Maria Filomena Reis, a forma como o mobiliário está disposto interfere na dinâmica das aulas, nos padrões de comunicação e nas relações interpessoais entre professor e estudantes (TEIXEIRA, Madalena Telles; REIS, Maria Filomena. A organização do espaço em sala de aula e as suas implicações na aprendizagem cooperativa. Meta: Avaliação, Rio de Janeiro, v. 4, n. 11, p. 162187, maio/ago. 2012. Disponível em: https:// revistas.cesgranrio.org.br/index.php/metaa valiacao/article/view/138/pdf. Acesso em: 20 set. 2025). Por isso, recomenda-se que a organização seja flexível e adaptada aos objetivos de cada atividade, permitindo que a disposição das carteiras e mesas seja alterada sempre que necessário. Essa flexibilidade é especialmente relevante para propostas que envolvem aprendizagem

cooperativa, pois facilita a colaboração entre os estudantes e o apoio mútuo durante as tarefas.

A disposição tradicional em filas e colunas, por exemplo, costuma ser associada a aulas expositivas e à instrução direta, centradas na figura do professor. Embora seja eficiente para atividades de transmissão de conteúdos, esse arranjo reduz a possibilidade de contato visual e de troca entre os estudantes, favorecendo uma lógica de controle e disciplina. Já as configurações voltadas para a interação, como mesas agrupadas em pequenos grupos, círculos, formato em U ou fileiras horizontais, aproximam os estudantes entre si e do professor, favorecendo discussões, produções coletivas e trabalhos colaborativos (TEIXEIRA, Madalena Telles; REIS, Maria Filomena. A organização do espaço em sala de aula e as suas implicações na aprendizagem cooperativa. Meta : Avaliação, Rio de Janeiro, v. 4, n. 11, p. 162-187, maio/ago. 2012. Disponível em:

https://revistas.cesgranrio.org.br/index.php/ metaavaliacao/article/view/138/pdf. Acesso em: 20 set. 2025).

Quando a proposta pedagógica envolve cooperação, torna-se fundamental contar com mobiliário móvel e com espaços que possam ser reorganizados com facilidade, de modo a apoiar diferentes formatos de trabalho: individual, em duplas, em grupos menores ou com toda a turma. Além disso, a criação de cantinhos ou áreas temáticas pode estimular a autonomia e o protagonismo dos estudantes, desde que acompanhada de intencionalidade pedagógica — caso contrário, a simples mudança física da sala não garante maior liberdade de ação, podendo apenas reproduzir novas formas de controle.

Portanto, planejar e gerir o espaço físico da sala de aula é uma tarefa pedagógica estratégica. A organização do ambiente precisa estar alinhada aos objetivos de ensino e aos métodos adotados, funcionando como um recurso que favoreça a aprendizagem e contribua para tornar as aulas mais significativas, inclusivas e participativas.

Professora e estudantes em sala de aula multisseriada dos anos iniciais do Ensino Fundamental no município de Matias Cardoso (MG), 2022.

Educação inclusiva

[…] escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas proveem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO,

A CIÊNCIA E A CULTURA. Declaração de Salamanca: sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Salamanca: Unesco, 1994. p. 1. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ salamanca.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.

A acessibilidade e a inclusão constituem princípios fundamentais da Educação Básica brasileira desde que foram aprovados marcos

legais como a Constituição Federal de 1988, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei no 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial. Esses documentos asseguram o direito de todas as crianças a uma educação de qualidade, que reconheça e respeite suas diferenças e potencialidades.

Ainda assim, um dos maiores desafios da educação brasileira é garantir a equidade e a inclusão. Todos os estudantes deveriam ter as mesmas oportunidades de aprendizagem, independentemente de onde estudam ou de sua classe social. Este é, aliás, um dos objetivos da BNCC: fortalecer a equidade definindo os conhecimentos, competências e habilidades que todos os estudantes devem aprender, independentemente de raça, gênero, classe social ou origem geográfica.

A inclusão escolar também é um princípio fundamental que busca garantir a equidade no acesso ao direito à educação, oferecendo a todos igualdade de oportunidades e ao mesmo tempo respeitando particularidades, ritmos e formas de expressão. Entre suas características estão o respeito às diferenças, a eliminação de possíveis obstáculos físicos, sociais e pedagógicos e a oferta de suportes adequados às necessidades de cada estudante, o que pode envolver adaptações curriculares, uso de recursos de acessibilidade, formação e capacitação dos professores e um ambiente acolhedor.

Segundo Andréa Bezerra Ferreira et al., a inclusão educacional vai além da presença física de estudantes com deficiência em salas de aula regulares; envolve a adaptação do ensino para garantir a participação ativa de todos, respeitando suas necessidades e promovendo um ambiente de aprendizagem colaborativo e acessível (FERREIRA, Andréa Bezerra et al . Inclusão escolar no Brasil: políticas públicas e desafios na educação especial. ISCI : Revista Científica, Sinop, ed. 53, ano 11, n. 8, p. 1-13, 2024. Disponível em: https://www.isciweb.com.br/revista/4252. Acesso em: 24 set. 2025).

A inclusão também envolve a construção de relações saudáveis, promovendo a empatia, o respeito mútuo e o senso de pertencimento. Quando professor e escola se comprometem com a inclusão, o ambiente escolar se transforma em um espaço rico de encontros, trocas e desenvolvimento para todos. Os estudantes ganham mais autonomia, autoestima e aprendem valores e habilidades socioemocionais essenciais como tolerância, responsabilidade social, respeito às diferenças, colaboração e cooperação.

Simone Pereira dos Santos e Helena Venites Sardagna ressaltam que a inclusão contribui para a formação de cidadãos mais

conscientes e beneficia todos os estudantes envolvidos. Mais do que uma exigência legal, a inclusão é um compromisso ético e um pilar importante para a construção de uma sociedade mais justa e gentil e menos desigual (SANTOS, Simone Pereira dos; SARDAGNA, Helena Venites. Acessibilidade curricular e inclusão escolar: uma revisão de literatura. Educere et Educare, Cascavel, v. 18, n. 45, p. 434-454, 2023. Disponível em: https:// saber.unioeste.br/index.php/educereetedu care/article/view/30639/22078. Acesso em: 14 set. 2025).

No contexto do ensino de História nos anos iniciais, garantir acessibilidade significa planejar situações de aprendizagem que superem barreiras físicas, comunicacionais, pedagógicas e atitudinais, permitindo a participação plena e equitativa de todos os estudantes. Como afirmam Susan Stainback e William Stainback, a escola inclusiva é aquela que valoriza a diversidade como um recurso para o enriquecimento do processo educativo, e não como um obstáculo (STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Tradução: Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 1999).

Para promover a acessibilidade, a segurança e a consequente participação de estudantes com necessidades educacionais específicas, é necessário primeiramente organizar os locais de aprendizagem. Deve-se manter espaço entre as carteiras para permitir a circulação de cadeiras de rodas, andadores ou acompanhantes, evitando excesso de móveis ou objetos que dificultem a locomoção e deixando os objetos de uso diário sempre no mesmo lugar para facilitar a autonomia.

Como alguns estudantes podem apresentar hipersensibilidade sensorial, é importante, sempre que possível, manter um ambiente com pouco ruído, além de luz suave (evitando sobrecarga visual com excesso de cartazes ou cores muito vibrantes, por

exemplo) e avaliar a possibilidade de ter um espaço mais tranquilo para a realização de pausas. No caso de uso de vídeos, é importante que apresentem audiodescrição e não estejam em volume muito alto.

Além disso, recomenda-se que o professor esteja atento às especificidades de cada estudante, ajustando práticas e recursos sempre que necessário, em diálogo com as orientações das equipes de apoio da escola e com as famílias. Entre as possibilidades estão a produção de mapas, gráficos e maquetes táteis para estudantes cegos ou com baixa visão, a utilização de materiais visuais legendados e a mediação em Libras para estudantes surdos, bem como o acolhimento de registros orais ou em outros suportes para estudantes com dificuldades motoras ou de escrita. É importante organizar tempos adequados para a realização das tarefas, criar ambientes favoráveis à participação coletiva e individual e promover intervenções pedagógicas diferenciadas quando necessário.

Pode ser desafiador para o professor se atentar às diferentes necessidades presentes em sala de aula e adaptar no momento da aula os materiais e o conteúdo para que todos os estudantes possam ter a oportunidade de aprendê-lo. Para auxiliar nessa questão, o Livro do estudante conta com textos objetivos, esclarecimento de vocabulário, visualização confortável de textos, imagens e tabelas. Em conteúdos mais complexos, o professor contará com encaminhamentos e outras orientações didáticas, além de indicações de leituras para auxiliar a preparação da aula, no Livro do professor.

A mediação do professor, nesse sentido, deve ser sensível às singularidades, promovendo a participação ativa de todos e reconhecendo que a diversidade compõe a riqueza das relações educativas. Essa

perspectiva dialoga com as concepções defendidas por Tony Booth e Mel Ainscow, segundo as quais a inclusão é um processo contínuo de remoção de barreiras e criação de culturas escolares que acolham cada estudante em sua integridade (BOOTH, Tony; AINSCOW, Mel. Index for inclusion : developing learning and participation in schools. Bristol: Centre for Studies on Inclusive Education, 2002. Disponível em: https:// www.eenet.org.uk/resources/docs/Index%20 English.pdf. Acesso em: 20 jul. 2025).

No entanto, é possível que algumas dessas sugestões de adaptação propostas no material não sejam adequadas aos estudantes em questão pela diversidade de realidades. Sendo assim, as sugestões podem ser replicadas em contextos diversos a depender da escolha e análise do professor ou podem inspirá-lo em seu planejamento e em suas práticas, assim como as indicações de leitura.

Uma dessas indicações de leitura se destaca por oferecer estratégias que beneficiam a todos os estudantes, contribuindo de fato para um ambiente inclusivo. Trata-se da obra Práticas para a sala de aula baseadas em evidências , de Fernanda Orsati et al. , da Editora Memnon, 2015. Já a coleção O que fazer e o que evitar: guia rápido para professores , da Editora Vozes, também é indicada por conter títulos que abordam transtorno do espectro autista (TEA), dislexia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), entre outras possibilidades, auxiliando com recomendações eficazes de como realizar o processo de inclusão na esfera pedagógica e na esfera social.

É importante que o professor busque conhecer o histórico e as particularidades de cada estudante com necessidades educacionais específicas para conseguir planejar com antecedência as estratégias mais

eficientes e preparar os materiais de acordo com suas necessidades, promovendo um ambiente seguro e respeitoso. Além disso, é primordial que sensibilize os estudantes desde cedo para o respeito às diferenças e à convivência inclusiva, possibilitando momentos de reflexão e escuta ativa. Porém, a inclusão não pode ser responsabilidade exclusiva do professor. É essencial envolver toda a comunidade escolar nesse processo, incluindo gestores, famílias, profissionais da saúde e membros da comunidade. A gestão escolar precisa assegurar recursos, formação e apoio à equipe docente. Já com relação à família, de acordo com Vilma Moreira da Silva Lima e Maria Elba Medina Barrios, sua sensibilização e envolvimento em reuniões pedagógicas, projetos escolares e atividades extracurriculares é fundamental, uma vez que ela pode fornecer dados atuais sobre o estudante, aproximando o contexto familiar do ambiente pedagógico e garantindo que as necessidades do estudante sejam atendidas de forma mais personalizada (LIMA, Vilma Moreira da Silva; BARRIOS, Maria Elba Medina. O papel da família na inclusão escolar e a adaptação curricular. Humanidades & Tecnologia (Finom) , Paracatu, v. 58, n. 1, p. 87-97, abr./jun. 2025. Disponível em: https: //zenodo.org/records/15083874. Acesso em: 24 set. 2025).

A verdadeira inclusão somente acontece quando todos se apropriam de seus papéis e se responsabilizam por criar um ambiente escolar que acolhe, respeita e valida as diferenças. Não existe um guia único de como fazê-la, ela acontece em uma busca contínua.

Avaliação formativa

O conceito de avaliação formativa está relacionado a metodologias que propõem a participação ativa de estudantes e

professores no processo de ensino e aprendizagem. Essa perspectiva entende que aprender não é apenas acumular informações, mas construir conhecimento de forma colaborativa, contínua e contextualizada. Por isso, a avaliação deixa de ser vista como um momento isolado, destinado a medir resultados finais, e passa a ser concebida como parte integrante do percurso de aprendizagem. Assim como os estudantes são convidados a realizar atividades que favoreçam a construção de noções, hipóteses e reflexões, eles também devem ser chamados a participar ativamente de seu próprio processo avaliativo, reconhecendo o que aprenderam, identificando dificuldades e traçando metas para avançar, em conformidade com sua faixa etária. Para que cumpra esse papel, a avaliação precisa ser plural, contemplando diferentes formas e instrumentos que possibilitem ao estudante demonstrar o que sabe de maneiras diversas, valorizando não apenas a nota ou o conceito avaliativo, mas, sobretudo, o percurso pedagógico. Uma avaliação verdadeiramente formativa permite tanto ao professor quanto ao estudante revisitar suas trajetórias, analisar os caminhos escolhidos, compreender os avanços e redefinir estratégias sempre que necessário. Ela deve criar situações de interação ricas e significativas: interação entre os próprios estudantes, que aprendem ao trocar experiências e pontos de vista; interação entre estudantes e professores, em um processo dialógico e reflexivo; e interação entre estudantes e os objetos de conhecimento, de forma concreta, contextualizada e crítica.

Existem inúmeras possibilidades para a realização de avaliações com caráter formativo. Elas podem ocorrer individualmente, em dupla ou em grupo; podem assumir formatos escritos, orais, visuais ou

multimodais; podem acontecer por meio da elaboração de trabalhos, cartazes, peças teatrais, jogos educativos, rodas de conversa, produções digitais, pesquisas de campo, provas formais, entre outras. Independentemente do formato, o aspecto central deve ser sempre o mesmo: criar oportunidades para que os estudantes pensem, analisem, problematizem e atuem sobre o conhecimento.

Nessa perspectiva, a avaliação torna-se um momento essencial para professores e estudantes. Para os professores, ela oferece um retrato dinâmico da aprendizagem da turma, confrontando o planejamento com a realidade vivida, revelando o que deu certo e o que precisa ser ajustado. Para os estudantes, é um momento de aprendizado em si, no qual podem refletir sobre suas conquistas, reconhecer seus desafios e compreender como se relacionam com os conteúdos e as práticas propostos. Mais do que medir resultados, a avaliação formativa propõe construir caminhos.

Para dar corpo à avaliação formativa e orientar práticas avaliativas consistentes e eficazes, a estrutura das unidades e as seções desta obra permitem realizar avaliações diagnóstica, de processo e somativa. A avaliação diagnóstica ou inicial tem como objetivo identificar o que os estudantes já sabem, quais experiências possuem e que concepções prévias carregam sobre determinado objeto de estudo. Essa etapa é fundamental, pois permite ao professor planejar intervenções adequadas ao perfil da turma. Uma forma interessante de realizá-la é por meio de rodas de conversa, nas quais os estudantes possam compartilhar experiências, levantar hipóteses e expressar expectativas. Atividades autobiográficas, como relatos orais ou escritos sobre vivências relacionadas ao tema, também são recursos importantes para essa etapa,

pois aproximam o conteúdo do universo pessoal dos estudantes, promovendo a valorização de sua bagagem cultural e social. Nesta obra, questões que podem ser trabalhadas como parte das avaliações diagnósticas são propostas nas aberturas de unidade, e há, no decorrer dos conteúdos, levantamentos dos conhecimentos prévios dos estudantes sobre diferentes assuntos.

A avaliação de processo é contínua e acompanha o desenvolvimento do trabalho ao longo do tempo. Mais do que verificar se algo foi “aprendido”, ela busca compreender como o aprendizado está acontecendo, quais obstáculos surgem e que estratégias podem ser adotadas para superá-los. As atividades distribuídas ao longo dos capítulos foram, em grande parte, elaboradas para propiciar momentos de avaliação de processo.

Por fim, a avaliação somativa (de resultados ou final) não se restringe a conferir notas ou aprovar conteúdos. Ela tem a função de verificar se os objetivos propostos foram atingidos, mas também de indicar novos rumos para os próximos ciclos de aprendizagem. É interessante que seja diversificada, permitindo diferentes formas de expressão. Produções escritas, apresentações orais, produtos artísticos, debates e atividades práticas podem revelar aspectos complementares da aprendizagem e oferecer ao professor um panorama mais completo do que foi construído. A seção O que estudei pode ser utilizada para compor a avaliação somativa. Dessa seção também faz parte um quadro de autoavaliação, a ser copiado pelos estudantes no caderno e preenchido de acordo com as ações deles ao longo do estudo de cada unidade, de forma a refletir sobre os pontos fortes e o que pode melhorar.

Ao longo de todo o processo, as avaliações devem estimular competências

es senciais para o mundo contemporâneo, incentivar a autonomia, a colaboração, a argumentação e a criatividade dos estudantes, orientando ajustes e promovendo avanços significativos.

Avaliação formativa no componente curricular de História

A avaliação, no contexto do ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental, também é concebida como um processo contínuo, formativo e integrado à prática pedagógica cotidiana. Há, porém, particularidades que estão relacionadas ao processo de aprendizado de conteúdos e conceitos do componente curricular.

No ensino de História, avaliar também significa observar como os estudantes desenvolvem a consciência histórica: sua capacidade de identificar mudanças e permanências, compreender relações entre

passado e presente e reconhecer os processos históricos que foram importantes para sua formação como indivíduo. Outras habilidades relacionadas ao aprendizado do componente curricular são valorizar a diversidade de grupos sociais e problematizar a realidade em que vivem. Para isso, é fundamental que o professor utilize instrumentos variados, que possibilitem aos estudantes expressarem seus conhecimentos de diferentes maneiras, respeitando suas singularidades e ritmos de aprendizagem.

A avaliação em História também deve considerar as condições de partida dos estudantes, reconhecendo as desigualdades sociais e culturais que atravessam o processo de escolarização. Nesse sentido, a avaliação torna-se também um instrumento de correção de desigualdades, ao permitir que todos avancem, cada um a seu ritmo, com respeito à sua história e potencialidades.

Planejamento e conteúdos

Quadro programático da coleção

Neste quadro, apresentamos os temas e conteúdos que compõem os volumes desta coleção. Ao consultá-lo, o professor poderá observar a progressão de conteúdos a cada ano letivo, avaliar possibilidades de interdisciplinaridade e definir proposições para seu trabalho em sala de aula.

Espaços domésticos, públicos e privados

Capítulo 1 – Onde eu vivo é assim

Meus lugares de vivência

Ideia puxa ideia – Educação no trânsito

Criança cidadã – Cuidando do lugar onde vivemos

Capítulo 2 – Espaços públicos e suas funções

Outros espaços públicos

3 4 5

Quem cuida dos espaços públicos?

Criança cidadã – Como preservar e melhorar os espaços públicos que frequentamos

As unidades de conservação

Mão na massa – UCs do município e arredores

Natureza e cidadania

O que estudei

Unidade 1

O que a História estuda?

Capítulo 1 – O que é História

Do presente para o passado

O papel do historiador

Mão na massa – Caça ao tesouro

Capítulo 2 – Do nomadismo à sedentarização

O povoamento da Terra

Ideia puxa ideia – A importância do fogo

Criança cidadã – Responsabilidade com o patrimônio

histórico

O desenvolvimento da agricultura

O que estudei

O tempo e as culturas

Capítulo 1 – O tempo e a história

O tempo da natureza

O tempo cronológico

Como o historiador trabalha o tempo?

Mão na massa – Linha do tempo

Capítulo 2 – A natureza e a formação dos povos

Os povos sedentarizados e a natureza

O antigo Egito e sua relação com a natureza

A civilização grega

Organização social dos indígenas brasileiros

Ideia puxa ideia – A sociedade e a natureza

O que estudei

O município e sua gente

Capítulo 1 – Os grupos que vivem na região onde moro

Presença indígena nas cidades

Ideia puxa ideia – Brincar também é um direito!

Cidades e a presença afro-brasileira

Migrantes e imigrantes

Mão na massa – Livreto de cordel

Capítulo 2 – História do município em que vivo

Primeiras vilas e cidades

As cidades mudam

Criança cidadã – Crescimento dos municípios e meio ambiente

As pessoas e as comunidades

Ideia puxa ideia – Municípios e comunidades

O que estudei

Unidade 2

A formação das cidades e as trocas comerciais

Capítulo 1 – As cidades mudam com o tempo

A vida nos primeiros núcleos urbanos

Mão na massa – Como surgem os povoados?

As cidades se transformam ao longo do tempo

Ideia puxa ideia – Qual é a história da nossa cidade?

Capítulo 2 – O comércio e suas rotas

As primeiras trocas comerciais

Mão na massa – O jogo do comércio

As rotas comerciais

O que estudei

Diversidade e cidadania

Capítulo 1 – Crenças religiosas no Brasil e no mundo

As origens da religião

Religião e identidade no Brasil

Criança cidadã – É preciso respeitar todas as religiões

Capítulo 2 – Em busca da cidadania

Mão na massa – Acessibilidade e cidadania

Cidadania em outros tempos

A conquista da cidadania no Brasil

Ideia puxa ideia – Cidadania em ação

O que estudei

Unidade 1
Unidade 2
Unidade 1
Unidade 2

Unidade 3

Marcos históricos e patrimônios culturais

Capítulo 1 – Lugares de memória e marcos históricos

A memória viva da cidade

Mão na massa – Os marcos históricos da minha região

Capítulo 2 – Patrimônio cultural

O que é patrimônio cultural?

Criança cidadã – O patrimônio é de todos

Ideia puxa ideia – Você conhece o carimbó?

O que estudei

Unidade 4

Campo, cidade e cotidiano

Capítulo 1 – A cidade e o campo: presente e passado

A vida nas cidades

Mão na massa – Eleições na sala de aula

A vida no campo

As relações entre campo e cidade

Ideia puxa ideia – Alimentação saudável no cotidiano

Capítulo 2 – Trabalho e lazer ao longo do tempo

O trabalho no passado

O trabalho hoje

Criança cidadã – Todo trabalho é importante

O lazer no passado

Mão na massa – Oficina de brinquedo

O lazer hoje

O que estudei

Unidade 3

Origens do Brasil

Capítulo 1 – Indígenas e portugueses na América

Cada povo tem uma origem

Os indígenas antes da colonização europeia

A relação com a natureza

O contato com os portugueses

Ideia puxa ideia – A influência da língua tupi no Brasil

As lutas do presente

Capítulo 2 – Brasil africano

Os povos africanos antes da colonização

O tráfico de escravizados

Criança cidadã – Combate ao racismo

Cultura afro-brasileira

Mão na massa – Feira cultural afro-brasileira

O que estudei

Unidade 3

Memória e patrimônio

Capítulo 1 – Memórias para guardar e compartilhar

Vozes que contam histórias

Onde a memória fica guardada

Memórias dos grupos minorizados no Brasil

Ideia puxa ideia – A saúde e os saberes indígenas

Capítulo 2 – Patrimônios da humanidade

Patrimônios materiais e imateriais

Mão na massa – Patrimônios na minha região

Criança cidadã – Patrimônio natural em perigo

O que estudei

Unidade 4

Deslocamentos e comunicação

Capítulo 1 – Deslocamentos populacionais no Brasil

A imigração europeia

Mão na massa – Entrevista com um imigrante

Criança cidadã – Migração: diversidade e inclusão

Capítulo 2 – A importância dos meios de comunicação

A origem da imprensa no Brasil

Mão na massa – O jornal da turma

O rádio

A televisão

A internet

Ideia puxa ideia – Uso da internet

O que estudei

Unidade 4

A comunicação e questões do Brasil atual

Capítulo 1 – A comunicação humana

Como os seres humanos se comunicam?

O desenvolvimento da escrita

A comunicação nas sociedades sem escrita

Diferentes formas de comunicação

Mão na massa – Linguagem poética

Ideia puxa ideia – A importância da Língua Brasileira de Sinais

(Libras)

Capítulo 2 – O Brasil contemporâneo

Um país diverso

A violência na sociedade

Desigualdade entre os gêneros

O preconceito étnico-racial

Criança cidadã – Luta contra a discriminação

Meio ambiente em risco

Mão na massa – Consciência ecológica

O que estudei

Sugestões de cronograma – 5o ano

O quadro a seguir apresenta sugestões de cronogramas ao longo das semanas letivas para o trabalho com o volume 5 do Livro do estudante. As propostas são: semanal, bimestral, trimestral e semestral. Estes cronogramas são apenas sugestões que podem ser adaptadas conforme a realidade escolar.

CONTEÚDOS E SUGESTÕES DE CRONOGRAMA – 5O ANO

1a 1

2a 1

3a 1

4a 1

5a 1

6a 1

7a 1

8a 1

Unidade 1 – O tempo e as culturas

Capítulo 1 – O tempo e a história

O tempo da natureza

O tempo cronológico

A divisão do tempo em séculos

O calendário oficial do Brasil

Existem outros calendários além do gregoriano?

Como o historiador trabalha o tempo?

Mão na massa – Linha do tempo

Capítulo 2 – A natureza e a formação dos povos

Os povos sedentarizados e a natureza

O antigo Egito e sua relação com a natureza

A civilização grega

Organização social dos indígenas brasileiros

9a 1 Ideia puxa ideia – A sociedade e a natureza

10a 1

11a 2

O que estudei

Unidade 2 – Diversidade e cidadania

Capítulo 1 – Crenças religiosas no Brasil e no mundo

12a 2 As origens da religião

13a 2

14a 2

15a 2

Bimestre

Trimestre

16a 2

17a 2

18a 2

19a 2

A religião no antigo Egito

A crença religiosa na Grécia antiga

Religião e identidade no Brasil

A visão de mundo dos povos indígenas

As crenças religiosas dos povos iorubás

Cultura e religião em nossos dias

Criança cidadã – É preciso respeitar todas as religiões

Capítulo 2 – Em busca da cidadania

Mão na massa – Acessibilidade e cidadania

Cidadania em outros tempos

Cidadania na Grécia antiga

Cidadania em Roma

A conquista da cidadania no Brasil

A cidadania no início do século 19

A cidadania no início do século 20

O voto feminino e os direitos dos trabalhadores

A Constituição cidadã de 1988

Leis cidadãs brasileiras

Ideia puxa ideia – Cidadania em ação

20a 2 O que estudei

Semestre

Bimestre

21a 3

22a 3

23a 3

24a 3

25a 3

26a 3

27a 3

28a 3

29a 3

Unidade 3 – Memória e patrimônio

Capítulo 1 – Memórias para guardar e compartilhar

Vozes que contam histórias

Onde a memória fica guardada

A memória registrada na arte

Memórias dos grupos minorizados no Brasil

Memória das mulheres

Memórias afro-brasileiras

Memória dos povos indígenas

Ideia puxa ideia – A saúde e os saberes indígenas

Capítulo 2 – Patrimônios da humanidade

Patrimônios materiais e imateriais

Patrimônios da Humanidade no Brasil

Patrimônios materiais

Patrimônios imateriais

Mão na massa – Patrimônios na minha região

Patrimônios de outros lugares do mundo

Criança cidadã – Patrimônio natural em perigo

30a 3 O que estudei

Unidade 4 – A comunicação e questões do Brasil atual

31a 4

Capítulo 1 – A comunicação humana

Como os seres humanos se comunicam?

O desenvolvimento da escrita

O desenvolvimento do alfabeto

32a 4

33a 4

Trimestre

Bimestre

34a 4

35a 4

36a 4

37a 4

38a 4

39a 4

A comunicação nas sociedades sem escrita

O papel dos griôs

Diferentes formas de comunicação

Cinema

Teatro

Poesia

Meme

Artes visuais

Mão na massa – Linguagem poética

Ideia puxa ideia – A importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Capítulo 2 – O Brasil contemporâneo

Um país diverso

A violência na sociedade

Desigualdade entre os gêneros

O preconceito étnico-racial

Criança cidadã – Luta contra a discriminação

Meio ambiente em risco

Mão na massa – Consciência ecológica

40a 4 O que estudei

Matriz de planejamento de rotina

A seguir, é apresentada uma sugestão de matriz de planejamento de rotina. Ela é um recurso importante para a organização da aula, pois cria uma rotina previsível, otimiza o tempo e os recursos, além de facilitar o atendimento de estudantes com diferentes ritmos de aprendizagem. Cabe reforçar que essa é uma sugestão e deve ser adaptada de acordo com a realidade de cada escola e turma.

Momento Tempo Ação Objetivo

Acolhida Variável

Ativação de saberes Variável

Desenvolvimento do conteúdo

Variável

Prática Variável

Socialização Variável

Encerramento Variável

Recepção dos estudantes

Correção de tarefa, revisão de conteúdo etc.

Apresentação e discussão do conteúdo

Realização de atividades ou seções

Correção das atividades e compartilhamento dos resultados

Retrospectiva da aula e revisão de estudo

Criar um ambiente acolhedor.

Identificar conhecimento prévio e defasagens.

Introduzir ou ampliar o estudo de conceitos.

Desenvolver habilidades e competências.

Incentivar a reflexão e a troca de ideias.

Avaliar se os objetivos da aula foram alcançados.

Matriz de planejamento de sequência didática

Roda de conversa, música etc.

Avaliação diagnóstica, jogos etc.

Lousa, atividades dinâmicas, vídeos etc.

Atividades individuais ou em grupo, jogos, brincadeiras etc.

Lousa, roda de conversa, correção cruzada etc.

Avaliação formativa ou de resultado, questionário, debate etc.

A seguir, é apresentada uma matriz de planejamento de sequência didática. O planejamento detalhado de uma sequência didática busca garantir a coerência no processo de ensino e aprendizagem e a efetividade dos objetivos definidos. A matriz apresentada é uma sugestão e deve ser adaptada de acordo com cada turma e conteúdo a ser desenvolvido.

Etapa

Definições preliminares

Seleção e organização dos conteúdos

Recursos didáticos

Cronograma

Planejamento das aulas

Execução e monitoramento

Socialização e avaliação

Objetivo

Escolher o tema e os objetivos.

Definir os conteúdos abordados.

Elencar os recursos didáticos a serem utilizados.

Estabelecer um cronograma.

Definir o que será realizado em cada aula.

Assegurar o alinhamento ao tema e aos objetivos definidos.

Verificar se os objetivos definidos foram atingidos.

Descrição

Definir um tema central e detalhar os objetivos a serem atingidos, indicando as competências e habilidades da BNCC a serem desenvolvidas.

Delimitar os conteúdos, indicando os capítulos do Livro do estudante e outros materiais a serem estudados.

Listar e providenciar os recursos didáticos necessários em cada etapa, como materiais manipuláveis, instrumentos, jogos etc.

Detalhar o cronograma de acordo com cada etapa a ser realizada, incluindo a quantidade de aulas necessárias.

Descrever de maneira detalhada o trabalho previsto para cada aula, incluindo atividades e outras práticas dos estudantes.

No desenvolvimento das aulas, fazer os ajustes necessários ao ritmo da turma e registrar a participação individual e coletiva dos estudantes.

Avaliar a realização da sequência didática, a participação dos estudantes e o desenvolvimento da aprendizagem.

Sugestão de projeto do 5o ano: apresentação sobre a cultura afro-brasileira

O racismo é uma das consequências dos mais de 300 anos de escravismo no Brasil. A escravidão era mais que um regime de trabalho; era uma instituição que influenciou os costumes, os valores e criou um preconceito contra a população negra que persiste, mesmo após mais de 130 anos da abolição. Um dos efeitos mais perversos do racismo é o de desvalorizar as contribuições dos povos africanos e da população afro-brasileira para a cultura e para a sociedade do país. Assim, nas últimas décadas, o movimento negro e a sociedade civil do Brasil têm lutado para dar visibilidade para as contribuições da população afro-brasileira com o objetivo de superar o racismo.

Justificativa

O racismo ainda se manifesta no cotidiano brasileiro e produz desigualdades sociais profundas. Para estudantes do 5o ano, é fundamental trabalhar, desde cedo, a educação antirracista, valorizando a história e a cultura afro-brasileira e combatendo preconceitos. A proposta de uma apresentação sobre a cultura afro-brasileira, levando em conta a sua diversidade, permite que a comunidade escolar vivencie práticas de respeito, diálogo e reconhecimento da presença negra na formação da sociedade brasileira.

Objetivos

• Valorizar a história e a cultura afro-brasileira.

• Promover atitudes de respeito à diversidade no espaço escolar.

• Combater preconceitos em relação à população afro-brasileira por meio de práticas educativas.

• Reconhecer a importância da população negra para a formação da identidade brasileira.

Capítulo de referência

Este projeto dialoga com a Unidade 2 , Capítulo 1 ; a Unidade 3 , Capítulo 1 ; e a Unidade 4, Capítulo 2.

Etapas do projeto

1. Sondagem

a) Organize uma roda de conversa em sala de aula. Para isso, peça aos estudantes que organizem as carteiras em círculo. Ao iniciar a atividade, enfatize que a participação de todos é bem-vinda, mas que eles devem deixar que os colegas se envolvam com a atividade.

b) Faça algumas perguntas aos estudantes para dar início à atividade. Se a discussão prosseguir naturalmente, deixe-os conduzir a conversa e só intervenha se eles mudarem de assunto ou se a participação se concentrar em poucos participantes. Lembre-se de valorizar as vivências de estudantes afro-brasileiros. Leia a seguir algumas perguntas que podem ser feitas para começar a atividade ou para orientar a discussão.

• Vocês já presenciaram situações de racismo ou ficaram sabendo de uma situação dessas?

• Para vocês, o que é o racismo?

• Na opinião de vocês, por que as pessoas tomam atitudes racistas?

• Como a sociedade brasileira pode combater o racismo?

c) Na segunda seção de sondagem, apresente trechos curtos de livros infantis de autores e autoras negros (há sugestões na seção Fontes confiáveis) ou vídeos educativos.

d) Registre as ideias iniciais dos estudantes na lousa e, no final da atividade, peça-lhes que registrem essas ideias no caderno.

2. Preparação da apresentação

a) Divida a turma em grupos temáticos.

Comida afro-brasileira

Ingredientes, receitas e pratos de origem africana ou inspirados nas culturas dos povos africanos.

Música e dança

Gêneros musicais africanos e afro-brasileiros, como o samba, o coco, o frevo, o jongo e suas respectivas danças.

Histórias e lendas africanas

Histórias preservadas pela população negra, incluindo as de origem religiosa, como as dos orixás e as de pessoas negras que viveram no passado.

Personalidades negras do Brasil de nossos dias

Pessoas que se destacam na sociedade brasileira e que contribuem para a superação do racismo e para a divulgação da cultura afro-brasileira.

b) Oriente cada grupo a fazer uma pesquisa para sua apresentação temática. Uma lista de indicações está presente nesta sugestão de projeto e pode ser conferida adiante.

c) Promova encontros semanais com os grupos para verificar quais materiais foram pesquisados, que informações foram obtidas por eles e se as fontes de informação são confiáveis.

d) Ainda nos encontros semanais, auxilie os estudantes a estruturar a apresentação. Para isso, ajude-os a obter vídeos e músicas relacionados aos temas que eles vão apresentar. Além disso, viabilize com a coordenação os equipamentos necessários para promover a apresentação. Verifique se o grupo que vai fazer a apresentação poderá levar os pratos e ingredientes para que sejam exibidos e, eventualmente, provados pelos visitantes.

e) Defina com a coordenação pedagógica se a atividade será feita para toda a escola ou somente com a turma e se há espaços coletivos na escola que podem ser utilizados.

3. Realização da apresentação

a) Para decorar a apresentação, produza, com a ajuda dos estudantes, murais coloridos com frases que criticam o racismo.

b) Organize uma programação para o evento, estabelecendo a duração e o horário de cada apresentação.

c) Faça ensaios com todos os grupos para garantir que a apresentação transcorra sem maiores problemas.

d) No dia da apresentação, incentive a autonomia dos estudantes e auxilie-os só quando for necessário. Além disso, anime os visitantes a participar das apresentações, provar as comidas, aprender os passos de dança, ouvir as histórias e acompanhar as canções.

4. Avaliação coletiva

a) Na aula seguinte à apresentação, faça novamente uma roda de conversa e peça aos estudantes que disponham as carteiras em círculo.

b) Solicite-lhes que avaliem o aprendizado com a atividade. Faça perguntas como: o que aprendemos com esta experiência? E peça a eles que destaquem aspectos dos aprendizados relacionados à organização do evento, ao trabalho em equipe e, finalmente, aos conteúdos do componente curricular.

c) Por fim, pergunte-lhes como essas apresentações contribuem para o desenvolvimento de uma postura antirracista no cotidiano deles.

d) Encerre a atividade com a elaboração de um cartaz coletivo.

Etapa Quantidade de aulas

1. Sondagem 2 aulas

2. Preparação da apresentação 4 a 6 aulas

3. Realização da apresentação 1 turno

4. Avaliação coletiva 2 aulas

Fontes confiáveis

Sites institucionais

Atividades

Rodas de conversa sobre racismo e respeito às diferenças, apresentação de livros e vídeos de autores negros, registro das ideias em cartaz e divisão em grupos temáticos.

Pesquisa guiada com materiais selecionados pelo professor, elaboração das apresentações e organização do espaço do evento.

Apresentações dos estudantes com leitura de trechos ou poemas de autores negros, apresentações dos grupos, oficinas e atividades interativas.

Roda de conversa sobre aprendizados e construção de mural final com frases e desenhos e socialização dos resultados com a comunidade escolar.

FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES. Brasília, DF, c2025. Site. Disponível em: https://www. gov.br/palmares. Acesso em: 4 out. 2025.

GELEDÉS: INSTITUTO DA MULHER NEGRA. [São Paulo], c1997-2025. Site . Disponível em: https://www.geledes.org.br. Acesso em: 4 out. 2025.

Publicações

E-BOOK : 4 receitas afro-brasileiras para apresentar às crianças. São Paulo: Nova Escola, 20 nov. 2020. Disponível em: https:// box.novaescola.org.br/etapa/1/educacao -infantil/caixa/216/sabores-e-temperos -africanos-para-criancas/conteudo/19938. Acesso em: 4 out. 2025.

LODY, Raul. Kitutu: histórias e receitas da África na formação das cozinhas do Brasil. São Paulo: Senac São Paulo, 2019.

Autoras negras

Djamila Ribeiro

Filósofa e autora da obra Pequeno manual antirracista , ela faz reflexões importantes sobre o racismo estrutural e como as pessoas podem adotar práticas cotidianas antirracistas.

Jarid Arraes

Escritora cearense, poeta, cordelista e autora de livros infantis que valorizam a cultura afro-brasileira.

Kiusam de Oliveira

Escritora, professora e ativista, autora de livros infantis que abordam identidade, ancestralidade e combate ao racismo.

Orientação didática

A apresentação sobre a cultura afro-brasileira é uma oportunidade de trabalhar o componente curricular de História em conjunto com a valorização da cultura afro-brasileira e o combate ao racismo. Ao longo do projeto, os estudantes são incentivados a reconhecer as diferenças étnico-raciais que existem no Brasil e as desigualdades sociais provocadas por elas, prejudicando a população afro-brasileira em inúmeros aspectos, entre eles o socioeconômico e também o cultural.

É essencial que o professor, durante a discussão inicial, auxilie os estudantes a identificar as formas de racismo velado que estão presentes no cotidiano, como os apelidos ligados ao cabelo ou à cor da pele, a ausência de personagens negros em papéis de destaque no cinema, no teatro, nas novelas, na imprensa, ou mesmo a exclusão sistemática de crianças negras das brincadeiras. Reconhecer que esses gestos também são atos de violência é um passo importante para construir consciência e empatia. Essa reflexão dialoga com a noção de cidadania, bem como com o respeito à diversidade, à pluralidade e aos direitos humanos.

Na dimensão prática, certifique-se de que as atividades de pesquisa conectem os estudantes à cultura afro-brasileira em suas diversas expressões. Assim, durante a produção de alimentos de origem africana (como milho cozido, beiju ou bolinho de estudante), a exploração de músicas e danças (samba de roda, capoeira, maculelê) e a dramatização de contos africanos e afro-brasileiros,

podem surgir oportunidades para apresentar histórias de família, costumes tradicionais e outras formas de manifestação local da cultura afro-brasileira.

A interdisciplinaridade com o componente curricular de Arte também pode ser desenvolvida na produção de murais, cartazes e dramatizações. Essa articulação contribui para que os estudantes percebam que a cultura negra não se restringe a um aspecto da vida social, mas está presente de forma múltipla no cotidiano e deve ser reconhecida como parte integrante dos patrimônios culturais.

Os ganhos pedagógicos são diversos: a atividade favorece o protagonismo dos estudantes, fortalece o sentimento de pertencimento de crianças negras, estimula a cooperação e o trabalho coletivo e desenvolve a capacidade de análise crítica sobre

desigualdades sociais. Além disso, ao aproximar os conteúdos curriculares da realidade vivida, promove uma aprendizagem significativa ao discutir a presença e a ausência de diferentes grupos nos marcos de memória que compõem a sociedade brasileira.

Garantir a inclusão é um aspecto essencial. Estudantes com deficiência visual podem participar por meio da manipulação de alimentos e instrumentos musicais; estudantes com deficiência auditiva podem se engajar nas dramatizações com apoio de Libras, quando disponível; crianças com deficiência intelectual podem contribuir na elaboração de colagens, desenhos e dramatizações adaptadas; estudantes com mobilidade reduzida podem assumir papéis de destaque no registro do evento ou na apresentação oral.

REFERÊNCIAS COMENTADAS

ABREU, Martha; SOIHET, Rachel (org.). Ensino de história: conceitos, temáticas e metodologias. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.

• Livro que apresenta reflexões sobre os principais temas de ensino de História e metodologias de ensino para esse componente curricular.

AUSUBEL, David Paul; NOVAK, Joseph Donald; HANESIAN, Helen. Psicologia educacional. Tradução: Eva Nick. 2. ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.

• Obra que aborda o desenvolvimento cognitivo de crianças e jovens.

BARBOSA, Artur Sergio de Sousa. O ensino de história para uma educação das relações étnico-raciais: a história da África para além do livro didático. 2020. Dissertação (Mestrado em Ensino de História) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/server/api/ core/bitstreams/21ebb233-44ba-410d-b9da-c0c7e3057a16/ content. Acesso em: 24 set. 2025.

• Dissertação que aborda a aplicação das leis no 10.639 e no 11.645 na Educação Básica brasileira.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. (Coleção docência em formação).

• Livro que aborda os mais diferentes aspectos relacionados ao ensino de História na Educação Básica.

BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1997. (Repensando o ensino).

• Livro que discute as aplicações do saber histórico na sala de aula ante as mudanças sociais.

BOOTH, Tony; AINSCOW, Mel. Index for inclusion: developing learning and participation in schools. Bristol: Centre for Studies

on Inclusive Education, 2002. Disponível em: https://www. eenet.org.uk/resources/docs/Index%20English.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Publicação que apresenta maneiras pelas quais as escolas podem aperfeiçoar suas práticas no que diz respeito à educação inclusiva.

BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

• Livro que apresenta a conexão entre memória, relações afetivas e sociais e a construção do conhecimento histórico.   BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Conjunto das leis que fundamentam e constituem o Estado brasileiro. Estabelece, entre outros direitos, que a Educação Básica é um direito de todos e dever do Estado.

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 14 set. 2025.

• Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que estabelece direitos e normas para a Educação Básica brasileira.

BRASIL. Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Lei que estabelece a obrigatoriedade do ensino de conteúdos relacionados à história e à cultura da África e dos afro-brasileiros.

BRASIL. Lei no 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Brasília, DF: Presidência da República, 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Lei que amplia a abrangência da Lei no 10.639 ao introduzir a obrigatoriedade do ensino de conteúdos relacionados à história e à cultura indígena.

BRASIL. Lei n o 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Documento oficial do Ministério da Educação que serve de referência para a construção de currículos para todos os segmentos da Educação Básica.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Brasília, DF: MEC, [ca. 2023]. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/centrais-de -conteudo/publicacoes/institucionais/compromisso-nacional -crianca-alfabetizada.pdf. Acesso em: 29 jul. 2025.

• Documento oficial que apresenta os fundamentos do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica: diversidade e inclusão. Brasília, DF: CNE: MEC: Secadi, 2013. Disponível em: https:// www.gov.br/mec/pt-br/media/etnico_racial/pdf/diretrizes_ curriculares_nacionais_para_educacao_basica_diversidade _e_inclusao_2013.pdf. Acesso em: 27 set. 2025.

• Conjunto de diretrizes que orientam a elaboração dos currículos escolares em âmbito nacional.

BRASIL. Ministério da Educação. Temas contemporâneos transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos. Brasília, DF: MEC, 2019. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/ contextualizacao_temas_contemporaneos.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Documento oficial que apresenta os TCTs. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: MS, 2014. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_ alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Guia que incentiva a população a consumir alimentos mais saudáveis, a fim de melhorar os hábitos alimentares dos brasileiros e suas condições de saúde.

BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/PR, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de -telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/guia-de-telas_sobre -usos-de-dispositivos-digitais_versaoweb.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

• Guia que faz recomendações sobre o uso de telas e outros dispositivos digitais por crianças e adolescentes, evidenciando seus benefícios, mas também a atenção que o uso desses equipamentos exige.

CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e antirracismo na educação: repensando nossa escola. São Paulo: Selo Negro, 2001.

• Obra que trabalha os desafios relacionados à implementação de práticas antirracistas em ambiente escolar.

CHALHOUB, Sidney. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

• Obra que aborda a cidade do Rio de Janeiro nas primeiras décadas da República.

CONTI, Késia Liriam Meneguel de; ZANNATA, Shalimar Calegari. Acidentes no ambiente escolar: uma discussão necessária. In: PARANÁ. Secretaria Estadual da Educação. Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE: artigos. Curitiba: SEED, 2014. p. 2-17. (Cadernos PDE, v. 1). Disponível em: http://www.diaadiaedu cacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_ pde/2014/2014_unespar-paranavai_cien_artigo_kesia_liriam_ meneguel.pdf. Acesso em: 14 set. 2025.

• Material que trata de acidentes em ambiente escolar. DELGADO, Lucilia de Almeida Neves. História oral: memória, tempo, identidades. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. (Coleção leitura, escrita e oralidade).

• Livro que aborda a importância dos relatos e da história oral para a construção do conhecimento.

FERREIRA, Andréa Bezerra et al. Inclusão escolar no Brasil: políticas públicas e desafios na educação especial. ISCI: Revista Científica, Sinop, ed. 53, ano 11, n. 8, p. 1-13, 2024. Disponível em: https://www.isciweb.com.br/revista/4252. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que discute a importância das políticas públicas para assegurar a inclusão escolar no Brasil.

FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de história: experiências, reflexões e aprendizados. Campinas: Papirus, 2003. (Coleção magistério: formação e trabalho pedagógico).

• Obra que reflete sobre as transformações no ensino de História durante as últimas décadas do século XX, com a redemocratização e a promulgação de leis como a Constituição e a LDB.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 41. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção leitura).

• Obra que continua as reflexões iniciadas por Paulo Freire em Pedagogia do oprimido

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 79. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

• Obra que reflete sobre os modos de educar e como o ensino pode favorecer a autonomia e a liberdade do estudante.

GHELLI, Alex Conrado. Os desafios do ensinar história no século XXI e as potencialidades do letramento histórico na formação de estudantes do ensino fundamental 2023. Dissertação (Mestrado em Ensino de História) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2023. Disponível em: https://www. bdtd.uerj.br:8443/handle/1/21570. Acesso em: 24 set. 2025.

• Dissertação em que o autor expõe os desafios contemporâneos do ensino do componente curricular de História, entre eles o letramento científico e a influência das mídias sociais.

GIAVARA, Ana Paula; CARIE, Nayara Silva de. Avaliação da aprendizagem em História: tendências e perspectivas. Ensino em Re-Vista, Uberlândia, v. 32, p. 1-25, 2025. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/emrevista/article/ view/77970/41156. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que traz novas perspectivas em relação ao tema do ensino de História, destacando o papel dos dados coletados em avaliações de larga escala.

HAYDT, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral. 8. ed. São Paulo: Ática, 2006. (Série educação em ação).

• Obra que oferece suporte teórico para o professor decidir quais estratégias utilizar durante as aulas e quais recursos considerar em cada caso.

HOBSBAWM, Eric. Sobre história. Tradução: Cid Knipel Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

• Obra que aborda a teoria e a prática da História como componente curricular.

LIMA, Vilma Moreira da Silva; BARRIOS, Maria Elba Medina. O papel da família na inclusão escolar e a adaptação curricular. Humanidades & Tecnologia (Finom), Paracatu, v. 58, n. 1, p. 87-97, abr./jun. 2025. Disponível em: https://zenodo.org/ records/15083874. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que discute os desafios da inclusão escolar e como os adultos responsáveis, da família e da escola, são importantes para esse processo.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2014. E-book

• Obra que discute a avaliação da aprendizagem na escola como recurso para a garantia das atividades educativas. MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo Tradução: Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2005.

• Obra que aborda a complexidade do saber e defende que é necessário articular conhecimentos de diversas áreas para constituir um pensamento complexo.

MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma Lino. O negro no Brasil de hoje. São Paulo: Global: Ação Educativa, 2006. (Coleção para entender).

• Obra que reflete sobre as questões raciais relacionadas à população preta no Brasil.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. (Coleção cultura negra e identidades).

• Livro que faz uma análise crítica da identidade racial brasileira e do mito da democracia racial.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens: entre duas lógicas. Tradução: Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artmed, 1999.

• Obra que discute quais são os melhores meios de avaliar a aprendizagem e reflete sobre os objetivos da educação e da avaliação escolar.

PERRENOUD, Philippe. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação: perspectivas sociológicas. 2. ed. Tradução: Helena Faria, Helena Tapada, Maria João Carvalho, Maria Nóvoa. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997. (Coleção Temas de educação).

• Obra que trabalha o tema da formação de professores no contexto das mudanças pelas quais o mercado de trabalho passou no final do século XX.

SANTOS, Simone Pereira dos; SARDAGNA, Helena Venites. Acessibilidade curricular e inclusão escolar: uma revisão de literatura. Educere et Educare, Cascavel, v. 18, n. 45, p. 434454, 2023. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/ educereeteducare/article/view/30639/22078. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que apresenta um compilado da literatura científica elaborada sobre acessibilidade e inclusão no ambiente escolar.

SCHENINI, Fátima. Múltiplos instrumentos podem aperfeiçoar o processo de avaliação escolar. Portal do Professor, [Brasília, DF], ed. 11, 17 dez. 2008. Disponível em: http://portaldo professor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=272. Acesso em: 14 set. 2025.

• Texto que discute as diferentes ferramentas e possibilidades para acompanhar o desempenho dos estudantes.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; REIS, Letícia Vidor de Sousa (org.). Negras imagens: ensaios sobre cultura e escravidão no Brasil. São Paulo: Estação Ciência: Edusp, 1996.

• Livro que debate a história das populações africanas que chegaram ao Brasil.

SILVA, Aracy Lopes da; GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (org.). A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1o e 2o graus. Brasília, DF: MEC: Mari: Unesco, 1995.

• Livro que traz estratégias para abordar a temática indígena em sala de aula sob uma perspectiva cidadã e inclusiva.

SPOSITO, Maria Encarnação Beltrão (org.). Livros didáticos de história e geografia: avaliação e pesquisa. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2006.

• Livro que apresenta uma pesquisa sobre os livros didáticos de História e Geografia, incluindo os temas e as metodologias mais trabalhados nas salas de aula.

STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Tradução: Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 1999.

• Obra que aborda os principais aspectos e práticas de uma educação inclusiva.

WESTBROOK, Robert B.; TEIXEIRA, Anísio. John Dewey Tradução e organização: José Eustáquio Romão, Verone Lane Rodrigues. Recife: Fundação Joaquim Nabuco: Massangana, 2010. (Coleção educadores). Disponível em: https://www.do miniopublico.gov.br/download/texto/me4677.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Coletânea que reúne textos do educador estadunidense John Dewey, acompanhados de uma introdução explicativa.

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