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PROJETO

LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL - MEC/UFMG/UFRJ/UNIRIO

RELATÓRIO DO SUB-PROJETO

A LEITURA E A ESCRITA NA PESQUISA EM EDUCAÇÃO INFANTIL: O ESTADO DO CONHECIMENTO (1973-2013)

Belo Horizonte, 21 de dezembro de 2016

SUBPROJETO LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O

ESTADO DO CONHECIMENTO

(1973-2013)

Relatório final do Subprojeto Leitura e escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013), realizado no âmbito do Projeto Leitura e Escrita na Educação Infantil. Termo de Cooperação 19031. Secretaria de Educação Básica. Ministério da Educação. Coordenação Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Belo Horizonte, 21 de dezembro de 2016.

Subprojeto Leitura e escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013)

Coordenação no MEC

Rita de Cássia de Freitas Coelho (SEB/DICEI/Coordenação Geral de Educação Infantil)

Equipe de Coordenação

Mônica Correia Baptista (UFMG)

Vanessa Almeida Ferraz Neves (UFMG)

Patrícia Corsino (UFRJ)

Maria Fernanda Rezende Nunes (UNIRIO)

Secretária Geral

Angela Bibiana Nogueira

Assessoria

Angela Maria Rabelo Ferreira Barreto

Bolsistas e auxiliares de pesquisa:

Anaiane de Jesus Coelho ; Bruna Leite Galvão; Cristiene de Souza Leite Galvão; Fernanda Rohlfs Pereira; Kelly Aparecida de Souza Queiroz; Marcus Vinícios Rodrigues Martins

APRESENTAÇÃO

O processo de escolarização das crianças, desde a Modernidade, esteve fortemente vinculado ao objetivo de ensinar a leitura, a escrita e o cálculo. Entretanto, a educação das crianças brasileiras menores de sete anos nem sempre esteve relacionada a esse objetivo. A institucionalização em creches e pré-escolas surge com finalidades diferentes: a creche para atendimento aos filhos de mães trabalhadoras, entendida como um “mal necessário”, já que a educação das crianças pequenas seria uma tarefa materno-familiar; e as pré-escolas ou os jardins de Infância, para crianças de famílias com maior poder aquisitivo e compreendida como preâmbulo da escola obrigatória. O rompimento destas visões, tanto de guarda, quanto preparatória, tem sido uma construção histórica. Segundo Nunes, Corsino e Didonet (2011), esta construção contempla duas dimensões: uma politico administrativa e outra técnico-científica. A primeira foi se expressando ao longo do tempo na criação de organizações sociais, de órgãos da administração governamental, da legislação; a segunda constituiu-se pelos aportes advindos da psicologia do desenvolvimento, da antropologia e da cultura, da filosofia sobre a pessoa, a infância e o processo de formação humana.

A convergência destas dimensões resultou na concepção de educação como direito do cidadão desde o nascimento, postulada pela Constituição Federal de 1988, e na inserção de creches e pré-escolas como primeira etapa da Educação Básica, conferida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Concepções que têm como pressuposto as crianças como agentes sociais plenos, sujeitos históricos, ativos e criativos, que nas interações que estabelecem no mundo social não se limitam a receber e a se formar, mas transformam, produzem cultura, alteram o seu entorno. Conquistas que impõem maior visibilidade às crianças pequenas e maior investimento das políticas públicas à Educação Infantil. Conquistas que, se no âmbito dos direitos revela e afirma os avanços para a educação das crianças pequenas, por outro lado, também apontam desafios que giram em torno da especificidade do trabalho com as crianças nas creches e pré-escolas, na qual o reconhecimento da

singularidade dessa etapa da vida deve ser orientador das práticas (Nunes, Corsino e Kramer, 2011).

Considerando, pois, o desafio de levar em conta as especificidades do trabalho pedagógico e, ao mesmo tempo, a criança como um sujeito ativo, a área educacional se depara com questões referentes ao quê e ao como ensinar, em instituições educativas voltadas para a primeira infância. Dentre os aspectos a serem considerados, o aprendizado da linguagem escrita é um dos elementos que requerem atenção dos estudiosos e dos professores. Qual seria a especificidade do trabalho com a leitura e a escrita na Educação Infantil? Esta pergunta não é nova. Vygotsky (1991), em 1929, ao escrever sobre a pré-história da linguagem escrita, sobre o percurso de apropriação dessa linguagem pela criança, discute o papel fundamental que a escrita desempenha no desenvolvimento cultural infantil e chama a atenção para o lugar restrito que ela vinha ocupando nas práticas escolares, pela ênfase dada à mecânica de ler que acabava obscurecendo a linguagem escrita. Conclui o seu trabalho respondendo: “a escrita deve ter significado para as crianças, uma necessidade intrínseca deve ser despertada nelas e a escrita dever ser incorporada a uma tarefa necessária e relevante para a vida. Só então poderemos estar certos de que ela se desenvolverá não como um hábito de mão e dedos, mas como uma forma nova e complexa de linguagem” (p.133). As afirmações postas pelo psicólogo russo não são diferentes das de Paulo Freire que, desde os anos cinquenta, pensa a alfabetização na perpectiva da emancipação do sujeito, a educação como prática de liberdade, a ação pedagógica enquanto ação cultural, contra a opressão, como condição para a autonomia do sujeito, a apropriação da linguagem escrita como possibilidade de uma releitura do mundo e reinserção do sujeito nele a partir de um outro lugar, pelos novos significados atribuídos.

A questão é antiga e continua pertinente à medida que se buscam, nas sutilezas das especificidades e singularidades dos diferentes momentos da vida das crianças, situadas histórica e socialmente, orientações para práticas pedagógicas também situadas. Busca que implica no rompimento de paradigmas instituídos ao longo da história, especialmente em relação à função da educação infantil quanto ao trabalho com a leitura e a escrita. Pois, se até por volta dos anos sessenta e setenta, a

concepção hegemônica compreeendia a educação pré-escolar como um espaço de cuidados e recreação, não visando à aquisição da escrita, já que se entendia que esse processo deveria ter início com a entrada da criança na escola aos sete anos; a partir de então, passou a ser pensada de forma a contribuir para a redução do fracasso escolar, devendo compensar carências e déficits linguísticos, perceptivos motores das crianças em defasagem ou despreparadas. Assim, como Vigotski chamava a atenção nas primeiras décadas do século XX, no Brasil, também era comum (e ainda o é em alguns lugares) a utilização de exercícios gráficos chamados de prontidão, “aplicados” antes de as crianças iniciarem o processo formal de alfabetização, o progressivo contato com as letras e seus traçados, exercícios psicomotores, seguidos da identificação das letras e da cópia repetitiva, exercícios de reconhecimento de sons iniciais e finais de palavras, entre outros. A leitura e a escrita na Educação Infantil se pautavam em paradigmas educacionais baseados em padrões pré-estabelecidos, em visões ahistóricas e totalizantes, em processos monológicos de práticas transmissivas, que desconsideravam a participação ativa dos sujeitos, fossem eles crianças ou adulto.

Nas últimas décadas, sob diferentes enfoques, várias áreas de estudos têm se dedicado a alfabetização, leitura e escrita das crianças pequenas. Diferentes visões em disputa buscam lugar nas políticas e nas práticas, exigindo dos educadores reflexões e retomadas de conquistas e posições. No cenário educacional brasileiro a questão tem ganhado força nos últimos anos com a inclusão das crianças de seis anos de idade no Ensino Fundamental de nove anos (Lei nº 11.274/2006); e, mais recentemente, com a obrigatoriedade da pré-escola, para crianças de 4 anos de idade (Emenda 59/2009; Lei nº 6426, de 05/04/2013; Lei 12796 de abril de 2013). Quanto à inclusão das crianças de seis anos no Ensino Fundamental, em que pese a Resolução nº7, do Conselho Nacional de Educação, de 14/12/2010, que no seu Art. 8º, § 1º delimita o corte etário para o ingresso no Ensino Fundamental - “ é obrigatória a matrícula no Ensino Fundamental de crianças com 6 (seis) anos completos ou a completar até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula, nos termos da Lei e das normas nacionais vigentes”- estados e municípios têm praticado cortes etários diversos, matriculando crianças com cinco anos no primeiro ano. O que se observa é uma entrada precoce

num Ensino Fundamental sem adequações consistentes de espaços, mobiliário, equipamentos, currículos e propostas de trabalho. Em muitos casos, essa entrada das crianças de seis anos no Ensino Fundamental é acompanhada da expectativa, de profissionais e gestores da área da Educação e de familiares das crianças, de que a apropriação do sistema de escrita ocorra já nesse primeiro ano.

Como consequência, imputa-se à Educação Infantil a tarefa de preparar para esse aprendizado.

Também a promulgação do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa- PNAIC, cuja finalidade de promover a alfabetização dos estudantes até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental da educação básica pública aferida por avaliações periódicas (LEI No 12.801, DE 24 DE ABRIL DE 20131) pode, em curto prazo, atribuir à pré-escola, agora abrigatória, função preparatória, destituindo desta etapa da Educação Básica suas funções e especificidades.

Que textos, suportes e práticas devem fazer parte da primeira etapa da Educação Básica? Qual é a função da Educação Infantil no acesso das crianças à cultura escrita? Qual é o seu papel na formação de leitores? Como as crianças pequenas leem e escrevem? Qual o interesse das crianças por esse objeto do conhecimento? O que as crianças podem ler e escrever nas creches e pré-escolas?

A Resolução nº 5- do Conselho Nacional de Educação-CNE, Câmara de Educação Básica – CEB, de 17 de dezembro de 2009, fixou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, nelas explicitando que:

Art. 9º As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira, garantindo experiências que:

II - favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e

1 Essa lei dispõe sobre o apoio técnico e financeiro da União aos entes federados no âmbito do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

III - possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos;

Esse dispositivo normativo está fundamentado no Parecer CNE/CEB nº 20/2009, segundo o qual “As propostas curriculares da Educação Infantil devem garantir que as crianças tenham experiências variadas com as diversas linguagens, reconhecendo que o mundo no qual estão inseridas, por força da própria cultura, é amplamente marcado por imagens, sons, falas e escritas. Nesse processo, é preciso valorizar o lúdico, as brincadeiras e as culturas infantis.” O documento ressalta a criação e comunicação das crianças por meio de diferentes formas de expressão, tais como imagens, canções e música, teatro, dança e movimento, assim como a língua escrita e falada.

A significativa expansão da Educação Infantil e o forte investimento do governo federal na consolidação da primeira etapa da Educação Básica impõem como um dos elementos centrais da política o compromisso com a qualidade educacional de creches e pré-escolas. O que se traduz na inserção e ampliação cultural das crianças e aprendizagens significativas.

Coerente com esse compromisso e amparados na noção de que o acesso à cultura escrita é um dos elementos que compõe a qualidade do atendimento educacional na primeira infância, o Ministério da Educação e a Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, para a Ciência e a Cultura - OEI promoveram, em agosto de 2008, uma reunião técnica, para a qual foram convidados representantes de Universidades, órgãos do Governo Federal e pesquisadores para debater o tema “O papel da Educação Infantil na formação do leitor”. Essa reunião teve como objetivos: “analisar o papel da educação na formação do leitor e as demandas para uma política nacional de leitura; construir um posicionamento sobre o papel da Educação Infantil na formação do leitor para que o MEC possa assumi-lo na orientação dos sistemas de ensino; tornar visível a especificidade do

atendimento da Educação Infantil, diferenciando esse campo de atuação do Ensino Fundamental, bem como da ação da família e da comunidade”.

Em 2010, a Coordenação da Educação Infantil do Ministério da Educação (COEDI/MEC), no âmbito do programa Currículo em Movimento, elegeu diferentes dimensões do cotidiano pedagógico de creches e pré-escolas para serem tratadas na perspectiva do currículo, visando promover um diálogo entre a área educacional e as determinações das Diretrizes Curriculares Nacionais. Entre essas dimensões, destacou-se a temática da leitura e da escrita. Cumprindo a orientação da COEDI de que a elaboração dos textos pelos especialistas fosse precedida de um debate com a área, o processo que antecedeu a escrita do texto sobre leitura e escrita, denominado “A linguagem escrita e o direito à educação na primeira infância” (Baptista, 2010), teve uma primeira versão elaborada e discutida com pesquisadoras do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da UFMG (CEALE/FaE/UFMG). Em seguida, uma segunda versão foi debatida com especialistas da área de alfabetização e letramento e da área da educação infantil. A partir desse debate, foram incorporadas novas alterações que resultaram no texto, cuja versão foi disponibilizada, no site do MEC, para consulta pública para que novos debates fossem promovidos2

Em junho de 2013, a COEDI mais uma vez e em parceria com a Organização dos Estados Iberoamericanos para Educação e Cultura promoveu uma reunião técnica de trabalho, com especialistas da área, para delinear um posicionamento da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação acerca da definição de orientações para uma política nacional que cumpra as exigências das DCNEI em relação ao tema da leitura e da escrita na Educação Infantil.

A reunião se organizou em mesas temáticas que abordaram desde a perspectiva teórica até os desafios enfrentados pelos sistemas e instituições de ensino. Também foram debatidas as potencialidades e os limites dos programas e das ações governamentais voltadas para o desenvolvimento da linguagem escrita em creches e pré-escolas. Após as apresentações, alguns

2 Disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=16110&Itemid=936 Acesso realizado em 18 de julho de 2013.

consensos se delinearam:

1. Em que pesem as diferentes posições teóricas sobre a leitura e a escrita na Educação Infantil apresentadas na reunião, é urgente a formulação de um posicionamento do MEC quanto às orientações de um trabalho com a leitura e a escrita da Educação Infantil;

2. Por uma questão de justiça social faz-se necessário introduzir as crianças de 0 a 5 anos na cultura letrada. Portanto, entre os vários acessos à cultura, no sentido amplo, a que devem ser introduzidas na Educação Infantil, a participação em práticas de leitura e de escrita é, também, fundamental;

3. Reduzir a discussão da leitura e da escrita na dicotomia alfabetizar ou não na Educação Infantil é um equívoco, já que o cerne do problema reside em o que priorizar na Educação Infantil e como possibilitar o acesso das crianças à cultura escrita;

4. Outra questão que merece destaque é a sistematização do trabalho com a leitura e a escrita na Educação Infantil, uma vez que os significados do que seria uma sistematização estão alicerçados em concepções teórico-metodológicas;

5. É de fundamental importância a presença de um vasto acervo de livros de literatura voltado para crianças e adultos em creches e pré-escolas; o que reforça a relevância do PNBE para a primeira etapa da Educação Básica e a necessidade de sua expansão e aprimoramento conforme será detalhado a seguir.

Em relação ao papel do MEC, ficou claro nas discussões que existe um conjunto de condições que

deve ser assegurado:

1. O desenvolvimento profissional dos professores da Educação Infantil a partir de ações continuadas referenciadas nas práticas e na formação cultural dos docentes;

2. A elaboração de orientações sobre o trabalho de leitura e escrita na Educação Infantil a partir das DCNEI. Cada diretriz pode derivar ações, interações, projetos, atividades, situações, oficinas voltadas à leitura e à escrita nas práticas cotidianas em creches, pré-escolas e escolas em processos de formação docente;

3. Diálogo com os gestores municipais de educação para o fortalecimento das políticas de Educação Infantil e de um trabalho de rede capaz de integrar a formação às práticas pedagógicas;

4. Revisão de programas e ações do MEC (PNBE, Proinfancia, entre outros) quanto aos recursos materiais para a Educação Infantil - tais como livros, CD, DVD, brinquedos-, e espaços - como biblioteca, sala de leitura e de atividades;

5. Desenvolvimento de pesquisas sobre as expressões infantis e sobre materiais voltados para a faixa etária da Educação Infantil: livros de literatura, livro/materiais didáticos;

6. Estudo da proposta de formação a distância, apresentada pela OEI, no intuito de adaptá-la à realidade brasileira para regiões como Norte e Centro-Oeste, por meio de um trabalho de consultoria e parceria com as universidades;

7. Aprimoramento do PNBE quanto à: (i) ampliação do acervo (maior quantidade de títulos,

distribuição de acervo para compor não apenas a biblioteca da escola, mas também os “cantos de leitura” de cada turma e a biblioteca das secretarias municipais de educação); (ii) divulgação da chegada dos livros junto a secretarias de educação, escolas e professores (cartas, e-mails, aviso de recebimento etc); (iii) mudança de etiquetagem das caixas com o objetivo de chamar atenção sobre o seu conteúdo; (iv) inclusão de um catálogo do acervo distribuído;

8. Explicitação dessas posições em documento da SEB que afirme a educação infantil como primeira etapa da educação, base da cidadania brasileira. O que significa dizer que, na sua especificidade a educação infantil implementa em suas práticas pedagógicas cotidianas a base nacional comum, composta pelo desenvolvimento da Língua Portuguesa, da Matemática, do Conhecimento do Mundo Físico e Natural, da Arte e do Movimento conforme estabelece o artigo 26 da LDB e os artigos 8º e 9º da DCNEI. (Orientações para uma política de leitura e escrita na educação infantil: conclusões e proposições da reunião técnica MEC-OEI, Corsino & Nunes, 2010).

Diante do processo que se vem desenvolvendo no âmbito do Ministério da Educação e, tomando como parâmetro o direito das crianças a uma educação de qualidade, que pressupõe considerar suas peculiaridades, capacidades, interesses e necessidades, torna-se imprescindível discutir o papel da Educação Infantil na formação do leitor a partir de questões tais como: que práticas pedagógicas deveriam ser desenvolvidas junto às crianças de zero a seis anos de idade em relação à leitura e à escrita? Considerando o desenvolvimento intelectual, emocional, psíquico e motor das crianças nessa faixa etária, como planejar e executar situações de aprendizagem com o objetivo de promover a inserção das crianças na cultura letrada? Como conciliar práticas pedagógicas de leitura e escrita na Educação Infantil numa perspectiva da “Pedagogia das Relações”, na qual as crianças são entendidas como sujeitos implicados ativamente na co-construção do seu próprio conhecimento e identidade e

na dos demais (Dahlberg, Moss, Pence, 2005: 99)?

Diante dos desafios apontados e da urgência de se desenvolverem ações que explicitem o posicionamento do MEC em relação à leitura e a escrita na educação infantil, é que se justifica o objetivo geral deste projeto: formular e difundir proposições para o desenvolvimento de práticas pedagógicas de leitura e escrita na Educação Infantil comprometidas com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.

O objetivo específico do subprojeto “A leitura e a escrita na pesquisa em educação infantil: o estado do conhecimento (1973-2013)” é organizar, em sua primeira fase, uma revisão bibliográfica sobre leitura e escrita na Educação Infantil. Uma segunda fase desse projeto compreenderá a análise das concepções, práticas e tendências presentes nos documentos analisados.

METODOLOGIA

Nosso objetivo, como já mencionado, é analisar a situação das produções acadêmicas publicadas em teses, dissertações e artigos científicos sobre o tema Leitura e Escrita na Educação Infantil. Para realizar o levantamento bibliográfico utilizaram-se bases de dados nacionais que continham teses, dissertações e periódicos especializados, bem como os trabalhos apresentados nos encontros anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação - ANPED Considerando possíveis relações entre as tendências pedagógicas que marcaram as últimas quatro décadas de produção na área educacional e as questões relacionadas à alfabetização e à educação infantil, delimitou-se um recorte temporal entre 1973 e 2013

Para a realização das buscas nos bancos de dados, utilizaram-se termos gerais e termos específicos,

conceitos esses que serão explicitados a seguir.

Esclarecimentos quanto às expressões "palavras-chave" e "termos" para fins metodológicos

De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), as palavras-chave são palavras representativas do conteúdo do documento, escolhidas, preferentemente, em vocabulário controlado, que consiste em uma linguagem artificial constituída de termos organizados em uma estrutura relacional. De acordo com Kobashi (2008, p. 1) “vocabulário controlado é elaborado para padronizar e facilitar a entrada e a saída de dados em um sistema de informações. Tais atributos promovem maior precisão e eficácia na comunicação entre os usuários e o sistema de informações3”. Porém, muitas vezes, as palavras-chave escolhidas para os resumos de dissertações e teses são elaboradas pelo próprio autor, desconsiderando os termos em vocabulários controlados. Tal ação dificulta a recuperação destes documentos em bases de dados, pois não há um controle das palavras ou expressões utilizadas para descrever o conteúdo daquele documento, o que causa dissenso entre palavras para representar um campo, práticas, metodologias ou teorias de área do conhecimento. Para contornar este problema, utiliza-se a expressão termo, uma vez que traduz melhor as palavras utilizadas na pesquisa “A leitura e a escrita na pesquisa em educação infantil: o estado do conhecimento (1973-2013)”. Sendo assim, cabe conceituá-lo.

A definição de termo é algo que gera conflito no campo da Linguística, Ciência da Informação e Terminologia, como menciona Campos (2001). Entretanto, a própria autora considera que a expressão termo é uma representação linguística de um conceito e, por sua vez, conceito é uma “unidade do conhecimento, constituído da tríade referente-característica-termo. O termo denota, portanto, um conceito” (CAMPOS, 2001, p. 120). Dessa forma, para efeito desta pesquisa, empregamos a palavra termo para orientar a busca que se pretendeu realizar.

3 A definição do vocabulário controlado é realizada por especialistas da área juntamente com bibliotecários. Na área da Educação, existe o Thesaurus Brasileiro de Educação que reúne termos do campo educacional. Foi produzido por especialistas juntamente com bibliotecários e está disponível no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Anísio Teixeira - INEP http://portal.inep.gov.br/pesquisathesaurus

Os termos escolhidos foram conceitos da área educacional relacionados especificamente ao campo da leitura e da escrita na educação infantil e foram selecionados pelos pesquisadores responsáveis pelo levantamento dos dados. Para esta pesquisa, os termos foram divididos em gerais e específicos Os termos Educação Infantil, Creche, Infância, Pré-escola e Bebês4 foram nomeados como termos gerais, pois são conceitos que, apesar de delimitar um determinado campo dentro da área de Educação são mais amplos em relação ao que se pretende aprofundar por meio da investigação. Os termos Letramento, Alfabetização, Escrita, Leitura, Literatura, Oralidade e Linguagem foram considerados termos específicos, pois tratam de uma terminologia que delimita, dentro da área

Educação Infantil, o objeto que se pretende investigar. Os termos gerais foram cruzados com os termos específicos para recuperar o maior número de documentos (teses, dissertações e artigos de periódicos) do campo da Leitura e da Escrita na Educação Infantil.

Outro ponto importante a ser destacado é a escolha dos termos que levam em conta o Sistema de Recuperação da Informação (SRI) das bases de dados, ou seja, o sistema que gerencia as buscas e a recuperação de informações contidas em documentos (teses, dissertações, livros, periódicos e outros). Para que fossem recuperados documentos que apresentassem a temática da Leitura e Escrita na Educação Infantil, alguns termos foram excluídos levando em conta alguns pré-requisitos como expressões com preposições, tais como “jardim de infância”, ou mesmo expressões que apresentavam palavras que já constavam nos termos gerais ou específicos, como “cultura escrita”. A retirada destas expressões possuiu o intuito de diminuir a quantidade de documentos repetidos, já que a busca por “jardim de infância” e “infância” ou “escrita” e “cultura escrita” recuperaram documentos similares. Isso se deu pelo fato de um termo se constituir por uma mesma palavra que compõe a outra expressão. É importante frisar que os respectivos sistemas das bases de dados fazem a varredura por palavras, ou seja, o uso de palavras simples como “infância” ou “escrita” recupera todos os documentos que apresentam temas como “cultura escrita” e “jardim de infância”.

4 O termo geral Bebês, inicialmente, não integrava os termos gerais desta pesquisa, pois em uma simulação de levantamentos realizados em bibliotecas universitárias, recuperava quantidade ínfima de documentos. Além disso, muitas vezes, as produções acadêmicas que, por ventura, faziam referência a esse termo também apareciam quando se utilizavam alguns dos demais termos gerais citados. Porém, durante o processo de investigação, algumas buscas evidenciaram que teses e dissertações não haviam sido recuperadas pelos demais termos gerais, e principalmente, mostraram que estes documentos apresentavam estudos teóricos sobre bebês e sua interação com as linguagens. Ademais, a escassez de trabalhos acadêmicos recuperados sobre estes sujeitos levou o grupo a indagar se, nos outros tipos documentais também haveria a presença, ainda que em número bastante reduzido, dessa temática. Por fim, cabe ainda salientar que a opção de empregar o termo “bebês” nas buscas desta investigação resultou, principalmente, da inquietação dos pesquisadores em relação ao fato de estes sujeitos não aparecerem nas produções acadêmicas. Ao insistirmos em não utilizarmos o termo “bebês” poderíamos contribuir, dessa maneira, para manter a invisibilidade desses sujeitos nas pesquisas acadêmicas, sobretudo, considerando que a informação sobre a ausência de trabalhos se constitui em um dado bastante significativo e apontá-la pode ser um passo importante para alterar essa realidade.

Feita a escolha dos termos gerais e específicos que foram utilizados no processo de busca das produções acadêmicas, a etapa seguinte constituiu-se das pesquisas nas bases de dados. Descrevemos, de maneira breve, cada uma das bases de dados pesquisada: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e Base de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Bibliotecas Universitárias.

O SciELO, de acordo com as informações disponíveis em sua própria página:

O SciELO (Scientific Electronic Library Online) é um modelo para a publicação eletrônica cooperativa de periódicos científicos na Internet. Especialmente desenvolvido para responder às necessidades da comunicação científica nos países em desenvolvimento e particularmente na América Latina e Caribe, o modelo proporciona uma solução eficiente para assegurar a visibilidade e o acesso universal a sua literatura científica, contribuindo para a superação do fenômeno conhecido como 'ciência perdida'. O Modelo SciELO é o produto da cooperação entre a FAPESP (http://www.fapesp.br) - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, BIREME (http://www.bireme.br) - Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, instituições nacionais e internacionais relacionadas com a comunicação científica e editores científicos. Um projeto piloto, envolvendo 10 periódicos brasileiros de diferentes áreas do conhecimento, foi desenvolvido com êxito entre Março de 1997 e Maio de 1998, com o desenvolvimento e a avaliação de uma metodologia adequada para a publicação eletrônica na Internet. Desde Junho de 1998, o projeto opera regularmente, incorporando novos títulos de periódicos e expandindo sua operação para outros países. A partir de 2002, o Projeto conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico5

A busca por teses e dissertações foi realizada em dois bancos de dados, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do (IBICT) e o Banco de Teses e Dissertações da CAPES. Ambos têm como objetivo principal o acesso livre ao conhecimento.

A Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT foi lançada em 2002 e utiliza tecnologias de arquivos abertos e integra sistemas de informação de teses e dissertações de instituições de ensino e pesquisa brasileiras. A Biblioteca Digital possui um acervo de mais de 126 mil teses e dissertações de 90 instituições de ensino. Isso faz dela a maior biblioteca dessa natureza,

5 http://www.scielo.org/php/level.php?lang=pt&component=56&item=1 (Acesso em 13/08/2015). Maiores informações sobre o SciELO podem ser obtidas em Packer et al. (2014).

no mundo, em número de registros de teses e dissertações de um só país6 .

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação do Ministério da Educação (MEC), desempenha papel fundamental na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da Federação. O Banco de Teses e Dissertações da Capes relaciona-se com o objetivo de acesso e divulgação da produção científica

Esse Banco é uma base referencial. Ela permite a consulta aos resumos das teses e dissertações defendidas, após o ano de 2010, junto a programas de pós-graduação do país.

A seguir, serão apresentados os métodos de buscas nas bases de dados consultadas: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT; Banco de Teses e Dissertações da CAPES; Bibliotecas universitárias; SciELO, bem como dos trabalhos apresentados nas reuniões da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação – ANPEd

O processo de pesquisa de teses, dissertações e artigos

Nesta seção, descrevemos as buscas de documentos (teses, dissertações e artigos) nas bases de dados do Banco de teses e dissertações da Capes, da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT, bibliotecas universitárias e SciELO, uma vez que apresentam similaridades.

Primeiramente, os termos gerais foram empregados na busca separadamente e, nessa etapa, apenas se considerou o valor numérico do resultado da pesquisa. Esse valor foi registrado em uma planilha de eletrônica elaborada para coleta dos dados da pesquisa. Na sequência, foi feito o cruzamento de cada termo geral com um termo específico.

Os trabalhos resultantes dos cruzamentos entre os termos gerais e específicos foram avaliados para

6 Informações retiradas do site http://www.ibict.br/sobre-o-ibict/historico-1 (Acesso em 13/08/2015).

verificar se estavam relacionados à temática da leitura e escrita na educação infantil. Os documentos avaliados, e que correspondiam à temática da nossa pesquisa, foram contabilizados em uma planilha eletrônica

Em relação às teses e dissertações pesquisadas nas bibliotecas universitárias, nos Bancos da CAPES e do IBICT, os trabalhos avaliados foram cruzados em uma planilha eletrônica, a fim de eliminar documentos repetidos.

Destaca-se que a planilha eletrônica apresenta apenas dados quantitativos da pesquisa, para isso os trabalhos selecionados foram lançados no software SurveyMonkey7, através de um formulário. É importante ressaltar que o numero de trabalhos relacionados à pesquisa não correspondeu, necessariamente, à quantidade de formulários preenchidos no SurveyMonkey. Isso ocorreu porque, dependendo do cruzamento entre o termo geral e especifico, muitos documentos se repetiram. Logo, mantivemos o número de teses, dissertações e artigos encontrados, mas cada trabalho foi lançado apenas uma vez no SurveyMonkey.

A partir do exposto acima, partimos para relatar as peculiaridades de cada base de dados, iniciando com as teses e dissertações do IBICT.

O processo de coleta de dados na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT

O portal do IBICT, por meio da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD - permite ao usuário consultar o repositório BDTD para realizar buscas simples ou avançadas, recuperando resultados resumidos ou detalhados, e ter acesso ao repositório de origem da tese ou dissertação para leitura, impressão ou download do arquivo. Assim, foi possível recuperar as produções de acordo com o recorte temporal definido para esta pesquisa - 1973 a 2013, determinando, na ferramenta de

7 A plataforma do surveymonkey.com fornece soluções de formulários pela Web a baixo custo e com suporte no Brasil. Possui ferramentas de análise compartilhamento de dados e recursos de exportação para outros bancos de dados e planilhas eletrônicas.

busca avançada, a informação sobre o período que se desejava pesquisar. A pesquisa realizada no banco de teses e dissertações no portal IBICT seguiu, então, os procedimentos que serão descritos a seguir.

A primeira dificuldade encontrada na pesquisa no Portal IBICT, usando o recorte temporal – 1973 a 2013 – está relacionada ao número de trabalhos encontrados O site mostra somente os primeiros 500 trabalhos organizados em ordem decrescente do ano da defesa, a contar pelo ano vigente. Assim, quanto maior o recuo temporal, menor o número de pesquisas, o que possibilita chegar a datas próximas de 1973. Entretanto, quando o número de resultados é superior a 500, só é possível abarcar as pesquisas mais recentes. A figura 1, a seguir, ilustra esse processo.

Figura 1: Busca realizada a partir do termo geral “creche”.

No caso ilustrado pela figura 1, a partir da busca pelo termo geral creche, o banco aponta um total de 866 documentos (582 dissertações e 284 teses). Contudo, o banco nos permite acessar apenas quinhentos desses documentos.

Outra limitação relaciona-se com o fato da ferramenta de busca não permitir a colocação de filtros por área de conhecimento. Assim, os resultados encontrados estavam relacionados às pesquisas referentes às diversas áreas. Isso prolongou o trabalho de busca, uma vez que todos os títulos e resumos dos estudos encontrados foram lidos um a um e, posteriormente, selecionados de acordo com o tema da pesquisa em questão. Como já mencionado, tais títulos foram lançados em uma planilha eletrônica e, posteriormente, cruzados com os resultados do Banco de Teses e Dissertações da CAPES e das Bibliotecas universitárias para que fossem eliminados os resultados repetidos

O processo de coleta de dados no banco de teses e dissertações da CAPES

A pesquisa realizada no banco de teses e dissertações da CAPES seguiu procedimentos semelhantes aos relatados em relação ao IBICT.

O banco de dados da CAPES permite inserir o recorte temporal 1973 a 2013. Entretanto, o portal mostra apenas os trabalhos datados a partir de 2010 e não possibilita acessar os que foram publicados em datas anteriores.

O número de trabalhos encontrados, inicialmente, utilizando os termos gerais foi registrado sem o uso de filtros por área de conhecimento. Na etapa seguinte da pesquisa, foram utilizados os mesmos termos gerais, porém o número de trabalhos registrados é referente aos filtros das seguintes áreas de

conhecimento: Educação, Psicologia e Letras. Optamos por ampliar a pesquisa para as áreas de Psicologia e Letras porque encontramos nelas estudos relacionados ao tema em questão. Assim, nesta etapa, registramos não somente o número de trabalhos encontrados, mas também selecionamos os trabalhos que tratavam do tema Leitura e Escrita na Educação Infantil.

O processo de coleta de dados em bases de dados em bibliotecas universitárias

Decidiu-se ampliar a busca de teses e dissertações para as bibliotecas universitárias devido às limitações, relatadas nas seções anteriores, do Banco de Teses e Dissertações da CAPES e da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT. O objetivo foi o de recuperar o maior número possível de teses e dissertações. Foram escolhidas bibliotecas cujos programas de pós-graduação em educação apresentam, segundo os critérios de avaliação trienal CAPES 2013, notas cinco, seis e sete.

As universidades selecionadas estão organizadas no Quadro1, a seguir.

Quadro 1 - Instituições de ensino superior com notas 5, 6 e 7 em programas de pós-graduação em educação (Avaliação trienal CAPES – 2013)

NOTA 5 NOTA 6 NOTA 7

PUC-SP

PUC-PR

UFPR

UFSC

UFRJ

UFF

UFG

UFPE

UFPEL

UEM

UNESP/MAR

UNICAMP

UNIMEP

UNINOVE

UFU

UFSM

PUC-RGS

PUC-RJ

UFRGS

USP

UFSCAR

UFMG UERJ

UNISINOS

Fonte: elaborado pelas autoras.

Para realizar a pesquisa de teses e dissertações, utilizaram-se as bases de dados das bibliotecas. O levantamento bibliográfico foi realizado em etapas. A primeira delas constituiu-se na busca de teses e dissertações que apresentavam cada um dos termos gerais no seu conteúdo (título, resumo e assunto). Nesta etapa, houve apenas a contagem de quantos itens havia em relação a cada um dos termos gerais pesquisados. Em um segundo momento, efetuou-se a busca relacionando-se o termo geral a um determinado termo específico, até que todos os termos gerais fossem relacionados a cada um dos termos específicos. Neste caso, assim como na busca nos Bancos da CAPES e do IBICT, houve a interferência do pesquisador para selecionar os documentos que possuíam o tema Leitura e Escrita na Educação Infantil. Para compreender como as buscas foram realizadas, cabe apresentar os modos de busca realizados nos sites das bibliotecas.

Salientamos que as bibliotecas possuem bases de dados que são elaboradas por softwares de gerenciamento de bibliotecas. Cada instituição possui um programa que auxilia na busca e recuperação de informação. A escolha deste software depende de inúmeras variáveis como tamanho da instituição, preço e usabilidade. Nas seções a seguir, utilizam-se as imagens do software Pergamum, presente em sete das 25 instituições pesquisadas.

Buscas e recuperação de documentos em bases de dados das bibliotecas universitárias

A busca inicia-se no catálogo de publicações que se encontra no site das bibliotecas.

Pesquisa termo geral

Ao entrar no site, digitou-se o termo geral no campo destinado a “pesquisa geral”, como apresentado na figura 2, a seguir.

Em seguida, digitou-se o termo geral “creche” para recuperar os documentos que apresentam esta temática no seu título, conteúdo e assunto, como pode ser observado na figura 3, a seguir

3: Resultado da busca por meio do termo geral “creche”.

Figura 2: Pesquisa geral
Figura

A base de dados exibiu os documentos (dissertações e teses) que apresentavam o conteúdo, título ou assunto relacionado ao termo geral “creche”. Em seguida foram computados os resultados da busca, 81 documentos, como demonstrado na figura 2. O mesmo procedimento foi adotado com os demais termos gerais da pesquisa.

Pesquisa termos específicos

Para a continuação da pesquisa, a partir do cruzamento entre os termos gerais e específicos, optou-se pela “pesquisa avançada”, pois este modo permite a busca por dois termos ou mais, facilitando, assim encontrar documentos específicos. Dessa forma, na tela de “Pesquisa Geral” no item “Selecione outras pesquisas” clicou-se em “pesquisa avançada”.

Na tela de “pesquisa avançada” digitou-se o termo geral e o específico, e também escolheu-se a “busca livre” para recuperar tais termos em todas as partes dos documentos (resumo, título e assunto) Cabe ressaltar que, para se fazer a relação dos dois termos, optou-se pela escolha “e” como operador booleano.8

8 Operadores booleanos são operadores lógicos de pesquisas que relacionam as palavras ou grupos de palavras no processo de elaboração da pesquisa.

Figura 4: Busca no modo pesquisa avançada.

Entretanto, como o software faz a busca mecânica nos documentos, é comum os programas exibirem informações que não se relacionam com a pesquisa. Coube ao pesquisador selecionar as teses e dissertações que apresentam a temática da Leitura e Escrita na Educação Infantil. Neste sentido, foram realizadas seleções nos documentos apresentados, a partir da leitura do título e do resumo da dissertação ou tese como apresentado na figura 5.

Salienta-se que foram feitas leituras dos resumos e títulos de todos os documentos exibidos, após cada busca correlacionada de termo geral e específico. As teses e dissertações recuperadas e analisadas foram salvas em arquivos eletrônicos organizados em pastas pelos pesquisadores.

Para concluir, é importante mencionar que algumas bibliotecas pesquisadas apresentavam software com baixa usabilidade, isto é, software com baixa eficiência e baixa produtividade na recuperação dos documentos. Por exemplo, nos levantamentos que envolviam “educação infantil”, o programa recuperava teses e dissertações que apresentavam o assunto ou título, “educação” e “infantil”, sem relacionar as duas palavras, o que ocasionava a exibição de inúmeros documentos que não abordavam o tema “educação infantil”, apenas informações genéricas. Outro desafio relaciona-se ao fato de que alguns softwares não delimitam o tipo de material pesquisado, teses ou dissertações. Todos estes problemas produziram um volume grande de trabalho, retrabalhos e possíveis perdas de documentos.

Figura 5: Leitura dos resumos e título

Até o momento, explicitamos o processo das buscas nas teses e dissertações elaboradas no Brasil sobre a temática Leitura e Escrita na Educação Infantil. A seguir, cabe apresentar o processo de busca dos artigos publicados em periódicos especializados na área de Educação, destarte foi utilizado o SciELO, plataforma que reúne as principais revistas cientificas brasileiras.

O processo de coleta de dados no SciELO

A coleta de dados no portal do SciELO consistiu na pesquisa na página do Scielo (www.scielo.org). Os procedimentos metodológicos principais em relação à pesquisa no SciELO foram comuns às das bibliotecas universitárias, IBICT e portal Capes, ou seja, busca pelos termos gerais e, a seguir, cruzamentos com os termos específicos A principal diferença consistiu, em alguns casos, na leitura integral do artigo para avaliar se ele estaria relacionado, ou não, à temática leitura e escrita na educação infantil

O processo de coleta de dados dos trabalhos apresentados na ANPEd (1ª a 22ª Reunião –1978/1999)

A pesquisa acerca dos trabalhos apresentados na ANPEd se restringiu ao Grupo de Trabalho 07 (GT 07) – Educação de crianças de 0 a 6 anos9 e ao Grupo de Trabalho 10 (GT 10) – Alfabetização, Leitura e Escrita, considerando a aproximação das temáticas de ambos com o objeto a ser pesquisado10 .

O levantamento sobre os trabalhos apresentados ao longo da história da Associação foi realizado de duas maneiras, já que, somente a partir da 23ª reunião, ocorrida em 2000, é que se encontram disponíveis, no portal da ANPEd, os trabalhos apresentados de acordo com o respectivo Grupo de Trabalho. Entre a 1ª e a 22ª reunião, a busca foi realizada manualmente, de acordo com os

9Antes denominado GT Educação pré-escolar, a partir da 11ª reunião em 1988, o GT 07 passou a ter a denominação atual, Educação da Criança de 0 a 6 anos.

10 Até a 10ª reunião, a ANPED contava com apenas 13 Grupos de Trabalho, atualmente totalizam-se 23 Grupos.

procedimentos descritos a seguir.

Para compreender a metodologia empregada, bem como o resultado das buscas desse primeiro interstício, é importante levar em conta algumas informações obtidas a partir da leitura de boletins informativos da ANPEd, de exemplares da Revista Brasileira de Educação, publicação trimestral da ANPEd que circula no meio acadêmico desde 1995, e por meio de consultas realizadas junto à secretaria e a membros que participaram da Associação desde a sua criação

Uma primeira informação é que a ANPEd foi criada em 1978 e há informações controversas sobre o ano de criação do GT 07. De acordo com o artigo “O GT Educação da criança de 0 a 6 anos: alguns depoimentos sobre a trajetória” (CAMPOS et al., 2002), apresentado na 25ª reunião da ANPED, este GT, denominado Educação Pré-Escolar, foi implantado em 1981.

A estratégia para dar conta desta tarefa foi pedir a algumas das ex-coordenadoras que têm participado mais assiduamente da vida do GT para que fizessem os seus depoimentos, escolhendo o ângulo a partir do qual olhariam retrospectivamente o percurso do grupo de trabalho, desde a sua implantação em 1981 (Grifos nossos).

Entretanto, o Boletim informativo da Associação, publicado em 1986, volume 111, aponta que o GT teve início em 1982:

A partir destas informações, compreendemos que o GT foi criado na 4ª Reunião da ANPEd e se

11Disponível em: http://www.anped.org.br/anped/memoria/boletins-historicos). Acesso em 26 de março de 2015.

reuniu, pela primeira vez, no ano seguinte, 1982.

Os primeiros trabalhos do GT07 foram apresentados somente na 8ª Reunião Anual, em 1985. De acordo com informações obtidas no Boletim da ANPED de 1985, v. 07, n. 3, foram apresentados seis trabalhos. Entretanto, o texto informativo desse Boletim não menciona os títulos, mas, tão somente, que se tratava de três trabalhos sobre creche, dois sobre pré-escola e um teórico com abordagem piagetiana

Em terceiro lugar, ressalta-se que, em 1986, na 9ª reunião, o GT 10 foi criado e se chamava GT Alfabetização. Assim, entre a 1ª e a 8ª reunião não há apresentação de trabalhos no GT 10.

Além disso, para a identificação dos trabalhos apresentados entre a 8ª e a 19ª reunião, foi preciso folhear, ler e buscar pistas em documentos que faziam referência a essas reuniões, documentos esses que se encontram disponíveis na biblioteca da Faculdade de Educação da UFMG. Esses documentos são boletins de algumas das reuniões anuais, contendo textos, em forma de atas, que relatavam o que aconteceu nas mesmas. Nessas atas, mencionavam-se apenas os títulos e autores dos trabalhos, sendo que em apenas alguns delas constavam o resumo. Foi possível também conseguir algumas informações na Revista Brasileira de Educação

Destacamos que, em consulta realizada no dia 08/12/2014, por meio de mensagem eletrônica encaminhada à Secretaria da ANPEd, fomos informados de que não havia material (registros e arquivos), no acervo da sede, referente às 6ª, 7ª, 8ª e 9ª Reuniões (reuniões que ocorreram entre 1983 e 1986). Em resposta a essa consulta, foram disponibilizados os trabalhos da 19ª reunião anual, ocorrida em 1996, referentes ao GT Alfabetização. Informações sobre essas reuniões foram obtidas em outras fontes, por exemplo, por meio da leitura dos boletins publicados no site da Associação12 ,

12 Ao longo de 2015, todos os Boletins informativos entre 1971 e 1991 foram disponibilizados no Portal da ANPEd. Disponível em http://www.anped.org.br/anped/memoria/boletins-historicos Acesso em 26 de março de 2015.

conforme se verá a seguir.

Da 10ª reunião em diante, a partir de 1987, todas as informações sobre títulos dos trabalhos, autores e resumos foram encontradas em documentos que contêm os programas e resumos das respectivas reuniões. Porém, esses trabalhos não estavam organizados e separados por GT, e sim por ordem alfabética de acordo com os sobrenomes dos autores. Nesta investigação, todos os títulos e resumos dos GT 07 e 10 foram lidos, sendo que poucos trabalhos sobre a temática Leitura e Escrita na Educação Infantil foram encontrados. Apenas as informações em relação à 12ª reunião, ocorrida em 1989, não constava nesses documentos impressos. Contudo, após a disponibilização dos Boletins, ao longo de 2015, no site da Associação, conseguimos localizar tais informações. De acordo com o registro que consta no Boletim Informativo, ocorreu uma mesa redonda na qual foram debatidos oito temas expostos por especialistas da área, os quais, de acordo com os títulos apresentados não tinham relação com a temática desta pesquisa. Quanto ao GT 10, consta, no Boletim Informativo, que foram apresentados sete trabalhos, dentre esses, um deles tinha relação com a temática estudada e integrou o corpus desta pesquisa. Entretanto, não se teve acesso ao trabalho propriamente dito, tendo sido mencionado apenas o título do mesmo.

No caso das 16ª e 17ª Reuniões, ocorridas em 1993 e 1994, há, na biblioteca da FaE/UFMG, arquivada em uma encadernação bastante antiga, já de folhas amareladas e danificadas pelo tempo, uma publicação que contém os trabalhos apresentados nos GT07 e 10. Neste, e também em outros casos, foi preciso digitar todas as informações e lançá-las no software SurveyMonkey Em todas as outras fontes, os dados foram copiados e colados Salientamos que algumas dessas cópias apresentam dificuldades de leitura, tendo em vista a ilegibilidade dos originais digitalizados. Essa questão nos aponta para a necessidade urgente da organização de um Banco de Dados da ANPEd, tendo em vista a sua importância no campo das pesquisas em educação.

Como vimos acima, entre a 1ª e a 19ª Reuniões, seria preciso aprofundar as investigações, por

exemplo, consultando arquivos de outras bibliotecas universitárias para verificar se há outros boletins informativos ou documentos que registrem as reuniões anuais ou documentos que disponibilizem, na íntegra, os trabalhos apresentados. Contudo, a organização da ANPEd foi consultada e fomos informados que não há registros das reuniões com os trabalhos apresentados como comentado anteriormente.

Entre as 20ª e 22ª Reuniões, de 1997 até 1999, foram identificados, na biblioteca da Faculdade de Educação da UFMG, os trabalhos completos gravados em disquetes13 . Inicialmente, estes arquivos não puderam ser abertos devido à incompatibilidade da versão do software utilizado na criação dos mesmos. Foi necessário procurar e utilizar computadores que permitissem o acesso aos dados gravados em mídia magnética para que a leitura pudesse ser realizada. Os trabalhos dessas Reuniões não possuíam resumo, nem palavras-chave. Foi preciso, então, realizar a leitura na íntegra de cada um dos documentos para identificar se eram, ou não, relacionados ao tema da pesquisa.

Importa, finalmente, destacar que, o fato de não existir Grupo de Trabalho nas primeiras reuniões não significa que não tenham sido apresentados trabalhos sobre o tema da Leitura e da Escrita na Educação Infantil. Além disso, quanto aos seis trabalhos do GT 07 apresentados na 8ª reunião (1985), como salientamos acima, não foi possível obter sequer os títulos, apesar do esforço para encontrá-los. Ou seja, caso tenha sido apresentado algum trabalho sobre essa temática entre a primeira e a oitava reunião não foi possível, até o momento, localizá-los por falta de referências. No Quadro 2, a seguir, apresentamos uma síntese da busca realizada no Portal da ANPEd

Quadro 2: Síntese do processo de busca no Portal da ANPEd

Reuniões Informações sobre o processo de criação e apresentação dos trabalhos no GT 7 e GT 10

1ª 1978

2ª 1979

3ª 1980

A Associação ainda não se organizava por grupos de trabalho.

4ª 1981 Criação do GT 07, mas sem registro de trabalhos.

13 Disquete é um disco de mídia magnética removível, para armazenamento de dados. Ele já foi considerado um dispositivo com grande capacidade de armazenamento, especialmente devido ao pequeno tamanho dos arquivos. Atualmente, ele está em desuso.

5ª 1982 Há apresentação de dois trabalhos do GT 07, mas não foi possível localizar os títulos dos mesmos.

6ª 1983 Não há apresentação de trabalhos do GT 07

7ª 1984 Não há apresentação de trabalhos.

8ª 1985 Foram apresentados seis trabalhos, mas não foi possível localizar os títulos dos mesmos.

9ª 1986 Criação do GT 10, sem apresentação de trabalhos. Apresentação de dois trabalhos no GT 07.

A partir da 10ª Reunião, há uma regularidade nas apresentações de trabalhos nos dois GTs.

A seleção dos trabalhos para comporem o corpus da pesquisa foi feita por meio da leitura dos títulos, resumos e palavras-chaves quando disponibilizados e, simplesmente de acordo com o título no caso de não se ter tido acesso ao trabalho completo.

O processo de coleta de dados dos trabalhos apresentados na ANPEd (23ª a 36ª Reunião –2000/2013)

Como afirmamos acima, a pesquisa analisou apenas os trabalhos apresentados pelo GT 07 –Educação de crianças de 0 a 6 anos, e o GT10 – Alfabetização, Leitura e Escrita. A partir da 23ª reunião, os trabalhos apresentados pelos GTs estão disponíveis na página eletrônica da ANPEd. Os mesmos não estão organizados em forma de banco de dados e foram disponibilizados em arquivo de leitura no formato PDF, o que não nos permitiu uma busca com filtros.

Muitos trabalhos tiveram que ser lidos na íntegra, pois o título, as palavras-chave e o resumo não ofereciam informações suficientes acerca do conteúdo específico do trabalho que permitissem identificá-los ou não com a temática proposta pela presente pesquisa.

Num primeiro momento, registrou-se o número total de trabalhos apresentados em cada GT e em cada reunião anual. Os trabalhos considerados relevantes para a pesquisa foram salvos em uma pasta

e registrados no software SurveyMonkey.

É importante salientar que o percurso descrito até esse momento pode ser considerado como uma trajetória de como a ANPEd foi, ao longo dos anos, aprimorando a forma de acesso aos conteúdos das suas Reuniões. Trajetória essa que se aproxima do histórico de desenvolvimento tecnológico do país e mais precisamente das instituições públicas. Encontramos no Portal do IBICT um pouco desse histórico:

Um dos primeiros serviços do IBICT, o Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN), foi criado em 1954, pelo então IBBD, como um catálogo convencional de fichas, com prestação de informações presenciais, por telefone ou correspondência. Desde então, o serviço tem acompanhado a evolução das tecnologias, passando pela edição impressa, por microfichas e, finalmente, para sua atual versão eletrônica (IBICT, http://www.ibict.br/sobre-o-ibict/historico-1. Acesso em 13/08/2015).

Passamos, na próxima seção, para uma breve descrição da construção do banco de dados no software SurveyMonkey.

Construção do banco de dados

Utilizando a plataforma do SurveyMonkey, foi elaborado o formulário para entrada de dados na organização das publicações localizadas nos depositários referidos acima.

7: Parte do formulário de entrada dos dados das publicações

O formulário possuía uma base comum às publicações e saltos para preenchimento de campos específicos dependendo do tipo de publicação como segue abaixo:

Campos comuns:

Título, Autor(a), Instituição de origem, Dependência administrativa, Estado, Região, Ano da Publicação, Palavras-chave, Resumo, Agência Financiadora, Link para o trabalho completo,

Citação bibliográfica (ABNT), Tipo de publicação;

Campos específicos:

Teses e Dissertações: Pós-graduação (Stricto Sensu ou Profissional), Área do conhecimento, Linha de Pesquisa, Orientador, Biblioteca depositária, Número de folhas;

Figura

Artigos: Fonte pesquisada, nome do periódico, Classificação; Trabalhos da ANPEd: Fonte pesquisada, Reunião anual, Grupo de Trabalho;

Finalizado o lançamento fez-se a conferência dos dados em relação à digitação dos textos, campos faltosos, trabalhos duplicados ou que não se relacionavam ao tema pesquisado. E, então, passou-se para a análise quantitativa do seu conteúdo.

RESULTADOS

Nessa seção, serão apresentados os resultados quantitativos obtidos na coleta dos documentos.

Após a busca minuciosa descrita na seção anterior, foram localizados 399 documentos. Desses, 217 são dissertações de mestrado, 72 são teses de doutorado, 1 tese de livre docência, 61 artigos e 48 trabalhos apresentados na ANPEd.

A produção publicada nos periódicos e nos trabalhos apresentados na ANPEd mostra-se dispersa ao longo do período pesquisado, com uma pequena diminuição a partir dos anos 2000.

Há um pico de produção de teses nos anos de 2011 e 2012 (17 teses defendidas em cada ano, 51 dissertações em 2011 e 40 em 2012).

Quadro 1: Ano da publicação X Tipo de publicação

Fonte: Pesquisa Leitura e Escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013). Elaborado pelas autoras.

Quadro 2: Tipo de publicação por década

Livre-docência 1 1

Total 1 18 67 162 151 399

Fonte: Pesquisa Leitura e Escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013). Elaborado pelas autoras.

Quadro 3: Percentual de publicações por década

Década Total %

Anos 70 1 0,3%

Anos 80 18 4,5%

Anos 90 67 16,8%

Anos 2000 162 40,6%

Anos 10 151 37,8%

Total geral 399 100,0%

Fonte: Pesquisa Leitura e Escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013). Elaborado pelas autoras.

Quadro 4: Percentual por tipo de publicação

Tipo de publicação Total %

Artigo 61 15,3%

Dissertação 217 54,4%

Livre-docência 1 0,3%

Tese 72 18,0%

Trabalho 48 12,0%

Total 399 100,0%

Fonte: Pesquisa Leitura e Escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013). Elaborado pelas autoras.

Gráfico 1: Ano da publicação X Tipo de Publicação

Ano x Tipo de Publicação

Quadro 5: Percentual de publicação por região e estado

Indisponível Indisponível 3 0,8%

Fonte: Pesquisa Leitura e Escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013). Elaborado pelas autoras.

Quadro 6: Percentual de publicações por modalidade de pós-graduação

Pós-graduação Número %

Sensu 208 97,2%

Fonte: Pesquisa Leitura e Escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013). Elaborado pelas autoras.

Quadro 7: Número de documentos por dependência administrativa, região, instituição e ano de publicação

administrativa Região Instituição de origem

Pesquisa Leitura e Escrita na Educação Infantil: o estado do conhecimento (1973-2013). Elaborado pelas autoras.

CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES PARA PRÓXIMOS ESTUDOS

O objetivo do subprojeto foi organizar revisão bibliográfica sobre leitura e escrita na Educação Infantil, mapeando concepções, práticas e tendências do campo. A pesquisa foi dividida em duas fases, sendo a primeira relativa à busca e organização das informações quantitativas. A segunda fase da pesquisa deverá analisar os aspectos qualitativos dos dados encontrados.

As fontes consultadas foram: periódicos da Base Scielo; Banco de Teses e Dissertações da CAPES e do IBICT; dissertações e teses apresentadas no período em instituições de ensino superior avaliadas com notas 5, 6 e 7 pela CAPES, no triênio 2011 - 2013; Trabalhos apresentados nos GTs 07 e 10 da ANPEd.

Nessa primeira etapa, a organização do corpus com foi feita por meio do software Surveymonkey e por planilhas eletrônicas geradas a partir do software.

Quanto aos dados encontrados, poderíamos concluir que, essa primeira fase teve o mérito de definir os passos metodológicos, organizar o banco de dados e realizar as primeiras análises quantitativas. Entretanto, para responder às perguntas que formulamos sobre o que temos investigado, que temas temos priorizado, quem tem realizado essas investigações, sob que influências teóricas e a partir de que estratégias conceituais e metodológicas será preciso dar continuidade à esta pesquisa. A seguir, apresentamos algumas recomendações que poderiam orientar a retomada desta pesquisa na sua segunda fase.

1. Acrescentar os dados disponibilizados pelas investigações acerca de pesquisas sobre Educação Infantil e sobre Alfabetização, leitura e escrita.

CAMPOS, M. M.; HADDAD, L. Educação infantil: crescendo e aparecendo. Cadernos dePesquisa, São Paulo, FCC, n.80, p.11 -20, 1992.

CONCEIÇÃO, G. P. da. Criança, Infância e Educação em Periódicos EducacionaisBrasileiros. (Relatório de Iniciação Científica). Florianópolis , 2004.

FERREIRA, D. M. A produção acadêmica sobre Educação Infantil no Brasil nos anos 90: tendências e perspectivas. (Relatório de Pesquisa). Florianópolis, 2001.

RECH, M. M. História e Política da Educação Infantil na produção acadêmica no Brasil1983 - 1996. (Relatório de Pesquisa). Florianópolis, 2001.

____________. História e Política da Educação Infantil na produção acadêmica no

Brasil . (Relatório de Pesquisa). Florianópolis, 2000.

ROCHA, E. A. C.; SILVA FILHO, J. J. da; STRENZEL, G. R. Estado do Conhecimento da Educação Infantil no Brasil (1983 -1996)–Brasília: MEC/Inep/Comped, 2001.

ROCHA, E. A. C. A pesquisa em educação infantil no Brasil : trajetória recente e perspectivas de consolidação de uma pedagogia. Campinas, 1999. Tese (Doutorado) –Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas.

ROSA, L. O. A pesquisa sobre educação pré -escolar: uma análise crítica. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 67, n. 155, p. 117 -134, jan./abr. 1986.

STRENZEL, G. R. Exame da produção bibliográfica na área da educação infantil entre1983 e 1993. Florianópolis: UFSC, 1996. Relatório de Iniciação Científica. Mimeogr.

STRENZEL, G., SILVA FILHO, J. J. Exame da produção teórica na área da educação infantil entre 1983 e 1993. Perspectiva, Florianópolis, n. 28, p. 79 -104, jul./dez. 1997.

2. Pesquisar e acrescentar dados de pesquisas que realizaram levantamento sobre a produção científica sobre alfabetização:

RIBEIRO, A. R. S. Alfabetização: o estado da arte em periódicos (1987-2008). Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000797114 Acesso em 20 de dezembro de 2016.

SOARES, M. & MACIEL, F. Estado do Conhecimento da Alfabetização – Brasília: MEC/Inep/Comped, 2000. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000084.pdf Acesso em 20 de dezembro de 2016

3. Cotejar os resultados quantitativos encontrados nesta pesquisa com outros temas que vêm sendo pesquisados por especialistas da área de Educação Infantil de forma que se possa avaliar a relevância e a prioridade dada pela área a essa temática.

4. Tomando como referência os trabalhos científicos que analisam pesquisas sobre Educação Infantil seria possível construir uma categoria dos temas abordados por essas pesquisas? Como o tema da oralidade, da leitura e da escrita se relaciona em termos quantitativos e qualitativos com essas outras temáticas?

5. Na segunda fase de análises, realizar cruzamentos entre autores de artigos, de teses e de dissertações, bem como de trabalhos apresentados na ANEPd e nomes de orientadores para que se possa dimensionar o grau de publicização dos trabalhos e também se as pesquisas de mestrado ou de doutorado estão inseridas em uma produção mais sistemática de grupos de pesquisa.

6. Aprofundar a análise longitudinal, buscando identificar as mudanças de ênfase, de referenciais teóricos e metodológicos, as possíveis influências de concepções educacionais. Por exemplo, permanece o interesse majoritário das pesquisas pela pré-escola? Observa-se um crescimento de pesquisas que abordam temas relacionados à creche? Há um predomínio de uma dessas abordagens ou elas se distribuem equitativamente: literatura, linguagem oral, alfabetização? Se há um predomínio de uma dessas abordagens, ele varia ao longo dos anos?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CAMPOS, Maria Luiza de Almeida. Linguagem documentária: teorias que fundamentam sua elaboração. Rio de Janeiro: EdUFF, 2001. 133 p.

DAHLBERG, G.; MOSS, P. & PENCE, A. Más allá de la calidad en educación infantil Perspecrivas posmodernas. Barcelona: Grao, 2005.

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