BIBLIOTECA NA EMEI: afeto, memória e mediação

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AFETO, MEMÓRIA E MEDIAÇÃO. EMEI na

Eliana Crepaldi
Mônica Correia Baptista

Biblioteca na EMEI

Afeto, memória e mediação;

Autoras

Eliana Crepaldi Santos

Mônica Correia Baptista

1 edição

25 páginas

Produção gráfica:

Helena Macedo

Matheus Abreu

Orientação: Glaucinei Correa

Desenvolvido como produto de pesquisa no Mestrado Profissional em Educação

PROMESTRE/FAE – UFMG, sob orientação da Professora Doutora Monica Correia Baptista

Belo Horizonte, MG 2022

AGRADECIMENTOS

À equipe da EMEI Maria da Glória Lommez que se empenhou na reorganização da Biblioteca da escola, garantindo um ambiente de aprendizagem de qualidade às crianças.

As trocas de experiências e discussões foram fundamentais para que a Biblioteca se tornasse centro da atividade pedagógica da EMEI.

A coragem para as mudanças de concepções foram marcantes nesse processo. Compreender o lugar da docência e fazer que o direito das crianças sejam garantidos não têm precedentes.

Graças a esse engajamento da equipe docente e da gestão, a Bilbioteca foi modificada e poderá servir de moodelo para outras escolas da Educação Infantil.

SUMARIOTECA

ACERVOS

LUGAR DE MEMÓRIA

ESPAÇO

ACERVOS

PRÁTICAS GALERIA

A EMEI MARIA DA GLÓRIA LOMMEZ

A EMEI, inaugurada em 1982, foi a primeira escola pública para a Educação Infantil do território da Pedreira Prado Lopes, localizada na regional noroeste da capital. A EMEI, situada na Rua Carmo do Rio Claro, 145 - Pedreira Prado Lopes, Belo Horizonte – MG, em 2022, atende a aproximadamente 280

A Pedreira Prado Lopes (PPL) é a mais antiga favela de Belo Horizonte. Sua ocupação começou entre 1900 e 1920. Os primeiros moradores, que vieram do interior de Minas Gerais buscando melhores qualidades de vida e trabalho, foram operários que trabalharam na construção da nova capital, atraídos pela proximidade do Centro da cidade e pela presença de serviços na região da Lagoinha. O nome Pedreira Prado Lopes originou-se do fato de que no local funcionava uma das cinco pedreiras que forneceram material para a edificação da cidade (as outras são Acaba Mundo, localizada no sopé da Serra do Curral, perto da Praça JK; Morro das Pedras, no Bairro Gutierrez; Lagoinha e Carapuça) e em homenagem ao Dr. Antônio Prado Lopes Pereira, que assumiu a administração da região da pedreira após a construção da cidade. Anteriormente, teve outros nomes: Pedreira da Lagoinha, Vila Senhor dos Passos, Fazenda Palmital, Vila João Pessoa e Vila Santo André.

Quem f oi Maria da Glória Lomme z?

Maria da Glória França Melo nasceu em Belo Horizonte em junho de 1935. Iniciou sua carreira no magistério na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte em 1956 em uma escola também da rede pública e que precisou ser desativada devido às precárias condições físicas do prédio. Na ocasião, a escola veio para o território da Pedreira Prado Lopes.

Maria da Glória se casou com um rapaz que se chamava Paulo Roberto Lommez, daí seu sobrenome. Teve três filhos e precisou se ausentar de suas atividades profissionais para acompanhar o marido que foi transferido para trabalhar em Brasília. Todas as vezes que vinha a Belo Horizonte visitava a escola. Bem jovem, aos 35 anos faleceu de causas não reveladas e em 1982, quando o Jardim Municipal seria finalmente inaugurado, seu nome foi indicado para o Jardim Municipal Maria da Glória Lommez.

LUGAR DE MEMÓRIA

Por que afeto?

Somos afetados pelos espaços por onde passamos e, no caso específico da infância, registramos memórias afetivas que nos remetema pessoas, odores, sabores, sons e histórias. Para Bachelard (1993), é somente por meio do espaço que pensamos nossa ações, utilizamos a imaginação baseada na imagem poética. Por sua vez, a imagem poética guarda em si os simbolismos, as sensações e as emoções. Não é constituída, não é limitada como a memória, nem se transforma como a imaginação, ela se recria e evolui. Seguindo essa linha de reflexões, pensamos o “espaço biblioteca” como um ambiente que vai alem da função de guarda de livros. É espaço de memória pensado dentro de sua essencialidade e não como algo apenas a compor um rol de parâmetros ou deinições do que uma escola de Educação Infantil deve ter. Um espaço a ser constituído a partir da memória dos pares e daqueles que já passaram pela história daquele território. Espaço que é um ambiente de aprendizado pos permite experiências diversas e produz histórias, memórias e, por isso, cutura.

“O ato de ler, em comum com outros atos humanos, transcorre sempre num espaço e tempo concretos e definidos. Assim, ao rstar marcado de alguma forma por tal condição insecapável, somos obrigados a interrogar os lugares de leitura não apenas como espaços físicos, neutros e naturais, mas como territórios histórico-culturais definidos e definidores de relações, práticas e representações sociais.” (PERROTI, 2015,p. 104)

Conceber a biblioteca a partir dessa dimensão histórico-cultural implica entender que o espaço compõe mediações e práticas que estabelcem relações coletivas entre crianças e os adultos e requer a flexibilização de seus usos como espaço de guarda, de leitura, de pesquisa, de imaginação e de construção de memórias coletivas e individuais. Nessa perspectiva, requer uma organização que comporte uma forma específica de ordenamento desse ambiente, seja pela ordem do acervo ou disposição dos móveis, ou ainda, pelo ordenamento informacional de tudo aquilo que o compõe, pois vai além da ideia de um mero equipamento de guarda, já que se trata de um ambiente que produz sentido para o sujeito que acabou de chegar.

Nesta dimensão histórico cultural da biblioteca, é entender que o espaço compõe mediações e práticas que estabelecem relações coletivas entre as crianças e os adultos e, sobretudo, permite de maneira a flexibilizar seus usos - espaço de guarda, espaço de leitura, de pesquisa, de imaginação e de construção de memórias coletivas e individuais.

ESPAÇO

“O termo ”espaço” se refere aos locais onde as atividades são realizadas, caracterizadas por objetos, móveis, materiais didáticos e decoração. O termo “ambiente” diz respeito ao conjunto desse espaço físico e às relações interpessoais que nele se estabelecem, as quais envolvem os afetos e as relações interpessoas do processo, os adultos e as crianças: ou seja, em relação ao espaço, temos as coisas postas em termos mais objetivos; em relação ao ambiente, as mais subjetivas.” (HORN, 2004,P.35).

Biblioteca infantil da EMEI Maria da Glória Lommez.

Como a biblioteca pode acolher, proteger, ampliar experiências e oportunizar a exploração autônoma de sujeios tão pequenos?

Tomando a biblioteca como espaço-educador, compreendemos que esse ambiente necessita de flexibilidade, inclusive que lhe permita passar por modificações frequentes com a intenção de permancer atualizado e sensível aos direitos das crianças de serem as principais protagonistas na construção de seus conhecimentos e de facilitar as interações entre crianças e delas com as professoras e demais adultos.

As crianças precisam que os móveis sejam adequados às suas necessidades de conforto, autonomia, experiências e imaginação. O acervo acessível, as obras de qualidade ofertadas, o cheiro de papel, a maciez dos fantoches, a música ambiente e a iluminação adequada.

A biblioteca é um dos ambientes de aprendizagem que nos afeta de alguma forma, provocando a nossa interação, trazendo nossas vivências e recordações e construindo novas percepções.

Mobiliários pensados para as crianças deixam o espaço aconchegante e garantem a autonomia delas para a escolha dos livros.

As crianças podem ajudar a organizar o espaço, a disposição dos móveis e colaborar para a ambientação com desenhos, confecção de almofadas etc.

A biblioteca deve apresentar um ambiente organizado, confortável e aconchegante, de maneira que o acervo seja bibliodiverso, possibilitando às crianças múltiplas experiências.

ACERVO

“Acervo é uma coleção de obras ou bens que fazem parte de um patrimônio científico, documental, genético, iconográfico, histórico, etc.” (PERROTTI, PIERUCCINI e CARNELOSSO, 2016, p.124)

A biblioteca deve apresnetar um ambiente organizado, confortável e aconchegante, de maneira que o acervo, seja bibliodiverso, possibilitando às crianças múltiplas experiências. Na página seguinte, há uma sugestão de organização de acervo:

Tipo

Literatura

infantil

Não-ficcionais

Como está organizado

- Por título (Nome do livro)

- Por autor (Monteiro Lobato

- Por coleções (Estela)

- Por tema (Étnico-racial, indígena, diversidade e inclusão, histórias em quadrinho)

- Por tema (arte, música, corpo humano, saúde, planeta, terra, dengue, meio ambiente, história do Brasil e de Belo

Horizonte, história do entorno e da comunidade da Pedreira Prado Lopes

Poesia, contos e cordel

Livros pop-up

Gibis

- Por autores - Por tamanho

- Turma da Mônica

- Turma do Pato Donald

Periódicos

Livros para professoras e adultos

- Por coleção (Nova Escola, Presença Peda- gógica, Educação Infantil; Ciências Hoje.

- Para estudo, por temática (Alfabetização e letramento, Literatura Infantil, Filosofia, Currículo, Matemática, Brincar, Avaliação e Qualidade na e da Educação, Educação emocional, Bebês. - Leitura literária (romances, poesias, contos, mulheres autoras, coleções e séries)

Portfólio das turmas

Fantoches

- Livros das turmas - São organizados em caixas de plástico etiquetadsa com o nome da personagem

Bibliodiversidade: [...] variedade de livros de um cervo que seja capaz de assegurar às crianças o acesso à pluralidade de: tipos e gêneros disursivos, formatos, materialidades, autorias, técnicas de ilustração, estilos literários, épocas retratadas nas narrativas, composição dos personagens, datas de publicação e graus de complexidade em relação à leitura. A bibliodiversidade se relaciona ainda à temática, considerando-se as experiências, os desejos, as curiosidades infantis, além de se levear em conta a necessária discussão sobre as diversidades culturais, étnica, raciais, etárias e de gênero. (BAPTISTA; SÁ; AMARAL, 2016, p. 01)

É possível facilitar a organização para as crianças colocando etiquetas coloridas nos livros e nas estantes em que estão organizados, assim como fazer um mapeamento do acervo e fixá-lo de maneira visível e acessível para que elas tenham autonomia na sua escolha pelas obras. É imporante catalogar os exemplares para que se tenha conhecomento do acervo.

PRÁTICAS

Por compreendermos que o espaço e todas as experiências que ele oferece são potencializadores de aprendizagens para adultos e crianças, consideramos a importância da qualidade das mediações que podem ocorrer nesse ambiente. De maneira geral, a mediação pode ser entendida como toda a intervenção de um terceiro elemento que, segundo Pino (2004), possibilita as interações em uma relação. É nas relações mediadas que o ser humano interage com a cultura e com os outros indivíduos. Nesse sentido, Vigotski (1998) estabelece que a relação do homem com o mundo não é direta, mas sim, uma relação mediada. Por conseguinte, destacamos como de grande importância as práticas e as mediações que ocorrem na biblioteca da EMEI.

Zabalza (1998) afirma que a qualidade da Educação Infantil está diretamente relacionada à qualidade das experiências mediadas nos ambientes adequados às ciranças pequenas. (SANTOS, 2022, P.90).

Conceber a biblioteca, como ambiente de aprendizagem é fundamental para pensar em uma “pedagogia da Primeira Infância”, comprometida com o processo de constituição das crianças como sujeitos ativos, livres e autônomos. Ter uma biblioteca na EMEI como um ambiente de aprendizagem em que as experiências mediadas com o livro e a literatura favoreceram às cianças inúmeras experiências, é proporcionar a elas se formarem como leitoras.

Acreditamos que a literatura é arte e, como tal, deverá priritariamente atender a fruição estética de textos e obras literárias.

“É preciso guardar esses momentos de troca, livres de toda veleidade pedagógica, de objetivos utilitários e de controles de qualquer tipo.”

(PATTE, 2012, p.310)

A autora alerta para o cuidado que os docentes devem ter para se tornarem provocadores positivos se, abstendo, em alguns momentos, de transformar toda leitura em atividades escolares ou em lições de moral.

Então, o que representa uma biblioteca para

a primeira infância?

Projetar biblioteca, salas de leitura ou outros espaços do livro e da leitura para a Educação Infantil deve significar pensar que o espaço pode ser mais um aliado no desenvolvimento e aprendizado das crianças. Sua organização como ambiente de aprendizagem implica o escolha de livros, uma organização espacial que permita autonomia das ciranças na seleção das obras e no seu manuseio, o planejamento de situações de leitura compartilhada, entre outras ações que resultarão na ampliação das experiências das crianças com o universo literário.

(SANTOS, 2022, P.38)

GALERIA

Todos as ilustrações usadas nesse e-book vieram de desenhos feitos por crianças da Escola Maria da Glória Lommez

Para mais informações, acesse aos links recomendados

Ceale - Centro de alfabetização, leitura e escrita - UFMG - Bebeteca: espaço de formação

Bebeteca | FaE - UFMG (@bebetecaufmg) • fotos e vídeos do Instagram

Indicações Bebeteca – Projeto Leitura e

Escrita na Educação Infantil

Projeto Leitura e Escrita na Educação Infantil –

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