Um novo olhar sobre os bairros Um novo olhar os bairros


Retratos de uma cidade que cresce
No dia 26 de janeiro, Lajeado celebra 135 anos de emancipação político-administrativa em meio a um ciclo de desenvolvimento econômico e social e a uma série de desafios. A população se aproxima da imponente marca de 100 mil habitantes e pressiona setores como mobilidade, infraestrutura urbana e serviços básicos. Publicação detalha áreas que impulsionam o município, os gargalos a serem resolvidos e o que esperar para o futuro.


Construção civil avança e impulsiona desenvolvimento
Setor bate recordes em 2025, tanto na liberação de alvarás quanto em metragem aprovada para novas construções. Tendência para os próximos anos é animadora.
PÁGINAS 8 E 9


Áreas de lazer ganham protagonismo
Com consolidação de novos parques, população ganha novas opções para o convívio e a prática esportiva. Desafio é possibilitar espaços nos bairros mais afastados.
PÁGINAS 20 E 21

MATEUS SOUZA
O que podemos esperar de 2026?
Crescer sem perder a qualidade
Lajeado completa 135 anos como um caso emblemático de sucesso regional e estadual. Cresceu acima da média, consolidou-se como cidade de grande porte no interior gaúcho, atraiu pessoas, empresas, serviços e investimentos. O diagnóstico é conhecido e, em grande medida, correto: diversidade produtiva, centralidade logística, mercado de trabalho ativo e qualidade de vida acima da média. O problema é que esse discurso, repetido à exaustão, começa a esconder o principal desafio do presente (e do futuro).
O crescimento, por si só, pode deixar de ser virtude. Sem planejamento rigoroso, ele se transforma em risco. Lajeado já sente os efeitos dessa expansão acelerada, como a pressão sobre a mobilidade urbana, encarecimento da moradia, ocupação de áreas sensíveis, desigualdade no acesso a serviços e uma cidade que se expande mais rápido do que sua capacidade de organizar o território. A ideia de que “sempre deu certo” não pode servir de salvo-conduto para improvisos. A cidade atrai porque oferece oportunidades, mas manter pessoas exige mais do que empregos. Exige políticas públicas que antecipem problemas, e não apenas reajam a crises. O pós-enchentes escancarou limites: resiliência não pode ser confundida apenas com capacidade de reconstruir o que foi mal planejado. Sustentabilidade urbana não é discurso, é decisão difícil, que envolve dizer não a ocupações inadequadas, rever modelos de crescimento e enfrentar interesses estabelecidos. Lajeado tem potencial para seguir como motor do Vale do Taquari, mas isso cobra um preço: responsabilidade regional, visão de longo prazo e coragem política. Planejamento urbano, habitação, mobilidade, inclusão social e adaptação climática não são pautas acessórias. São o centro do debate.
Aos 135 anos, o maior risco de Lajeado não é crescer menos. É crescer sem direção e perder, no processo, justamente aquilo que a tornou atrativa.


O que esperar de 2026?
Lajeado chega aos 135 anos em meio a um dos momentos mais importantes de sua história. A cidade cresce, recebe novos moradores a cada dia e se aproxima de alcançar uma imponente marca: a de 100 mil moradores. Há quem diga que esse número já foi superado. Sim ou não, é uma estatística que reforça
o tamanho de desafio que a administração tem pela frente. No curto, médio e longo prazo. Só para este ano, há temas que vão impactar diretamente na vida da população: a discussão sobre renovação do contrato com a Corsan (foto), o avanço, ou não, da concessão das rodovias estaduais – com dois trechos que passam pelo perímetro
lajeadense – e a execução de importantes obras públicas de infraestrutura viária. O ano tende a ser agitado por aqui. As discussões sobre temas urgentes e polêmicos com certeza estarão no centro das atenções, mas não pode ficar apenas nisso. É preciso pensar, em 2026, no que vem pela frente. Seja nos próximos anos ou nas próximas décadas.
Expansão e desafios


Neste caderno, trouxemos um curioso comparativo de Lajeado com outras oito cidades que, em 2000, tinham porte populacional semelhante. E é gritante a diferença. Uma alta de quase 62% em 25 anos. Saltou de 59 mil para 96 mil habitantes. Farroupilha, a segunda colocada da lista, teve uma alta de “apenas” 31% no período. Mais um dado que mostra a imponência do município mais populoso do Vale do Taquari. E, de certa forma, o número até assusta e deixa um questionamento: estamos prontos para manter um mesmo ritmo de crescimento nos próximos 25 anos?
Força dos bairros
A lista divulgada pela Secretaria da Fazenda, no começo do ano, trouxe muito mais do que um ranking das 100 empresas com maior Valor Adicionado Fiscal (VAF) em 2024. Mostrou como nossos bairros são fortes e pujantes. Para além da diversidade de setores da economia, a lista também revelou uma diversidade nas regiões da cidade que contam com empreendimentos relevantes ao desenvolvimento econômico e social. E reforça também o potencial de áreas antes pouco aproveitadas para o empreendedorismo e que agora despontam na cidade.
Cidade se consolida como polo e mantém perspectiva de crescimento

População se aproxima dos 100 mil habitantes. Em 25 anos, pouco mais de 60% de alta
Oque cidades como Camaquã, São Gabriel, Venâncio Aires e Santa Rosa tem em comum? Há 25 anos, todas tinham uma população superior a de Lajeado. Estavam numa mesma faixa populacional, a de municípios entre 55 e 65 mil habitantes, considerados de porte médio a pequeno no cenário demográfico do Rio Grande do Sul.
Se, no começo dos anos 2000, Lajeado figurava neste grupo, o cenário de 2026 é bem diferente. O total de moradores deu um salto de quase 62% no período. E se aproximou de uma outra faixa populacional: a dos 100 mil habitantes. Hoje, são 96,8 mil, conforme a mais recente estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2025.
O crescimento acima da média não é fruto de um único fator, mas de uma combinação de características econômicas, sociais e territoriais que colocaram o município em um novo patamar de desenvolvimento. A avaliação é da economista, mestre em Desenvolvimento Regional e presidente do Conselho
de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cintia Agostini. Segundo ela, Lajeado se enquadra hoje no conceito de “cidade média”. Deixou de ser um município pequeno, sem alcançar a complexidade de uma capital, mas que reúne vantagens dos dois modelos. “É uma cidade com características do interior, como segurança e facilidade de acesso aos serviços públicos, mas que também oferece produtos, serviços e opções de lazer típicos de grandes centros”, analisa.
Polo de atração populacional
Essa combinação, aliada à diversidade produtiva e à centralidade regional construída ao longo da história, fez de Lajeado um polo de atração populacional. Pessoas de diferentes regiões chegam em busca de trabalho, estudo ou qualidade de vida e acabam permanecendo. “As pessoas vêm para estudar e ficam, vêm para trabalhar e ficam. Constroem carreira, família e vida aqui”, destaca. Cintia observa que o valor adicionado da economia local está fortemente concentrado no setor de serviços, impulsionado por uma indústria forte e por uma relação direta com o entorno agropecuário. Essa integração regional, somada à proximidade

É uma cidade com características do interior, como segurança e facilidade de acesso aos serviços públicos, mas que também oferece produtos, serviços e opções de lazer típicos de grandes centros”

População de Lajeado por bairro
Conventos é um dos bairros que sintetiza o crescimento expressivo de Lajeado no século
Entre o começo dos anos 2000 e 2026, sobre o total de moradores, Lajeado figurava um salto de 62%
Número de habitantes
5.595 Hidráulica: 2.131 Igrejinha: 1.364 Imigrante: 755 Jardim do Cedro: 7.013 Moinhos: 6.080 Moinhos d’Água: 5.110
Montanha: 4.374
Morro 25: 1.123
Nações: 595
Olarias: 2.915
Planalto: 1.635
Santo André: 1.474
Santo Antônio: 4.388
São Bento: 3.415
São Cristóvão: 6.734
Universitário: 6.724
Atlas Brasil com base nos Censos do IBGE
com outros grandes centros urbanos, facilita a circulação de pessoas e reforça o papel estratégico de Lajeado no Vale do Taquari. A presidente do Codevat também chama atenção para o perfil acolhedor do município. “Lajeado se abriu para as pessoas mais do que outros municípios. Isso gerou um senso de pertencimento e diversidade muito presente hoje”, afirma, ao citar a presença de universidade, grandes empresas e indústrias como vetores desse movimento.
Fonte: IBGE
Há espaço?
Para o futuro, a perspectiva segue positiva. Há espaço para crescimento populacional e econômico, impulsionado por novos investimentos públicos e privados. No entanto, Cintia ressalta que esse novo ciclo exigirá atenção redobrada da gestão pública. “Será fundamental investir em planejamento urbano e territorial, garantindo crescimento ordenado e qualidade de vida para
todos”, pontua. Ao celebrar os 135 anos de Lajeado, ela destaca o desafio de construir uma cidade mais sustentável, resiliente e inclusiva. “Lajeado já demonstrou capacidade de se recuperar e se reinventar. Tenho certeza de que reúne as condições para enfrentar os próximos desafios e seguir como referência regional”.
Mobilidade urbana exige intervenções e planejamento de longo prazo

Ações previstas para este ano buscam minimizar gargalos, enquanto outras iniciativas tentam projetar a cidade para o futuro
Amobilidade urbana se apresenta como um dos principais desafios da atual gestão municipal. Com crescimento populacional, aumento da frota e mudanças no sistema viário regional, a partir de obras em rodovias, o município trabalha em diferentes frentes para melhorar a fluidez do trânsito, ampliar a segurança e preparar a cidade para os próximos anos.
Segundo a prefeita Gláucia Schumacher, o tema envolve um conjunto de ações que vão desde ajustes pontuais até grandes obras estruturantes. Algumas destas iniciativas começam este ano ou já estão em andamento. Outros projetos, entretanto, podem levar mais tempo para saírem do papel e miram o desenvolvimento da cidade a
médio e longo prazo.
“Quando a gente fala em mobilidade, não é uma obra só.
São vários temas tratados ao mesmo tempo”, afirma a prefeita.
A estratégia da administração passa por identificar pontos críticos de acidentes, reorganizar cruzamentos, ampliar vias e criar novas ligações entre bairros, reduzindo a sobrecarga sobre o centro e as principais avenidas.
Um dos focos é a reorganização de eixos estruturais, como a avenida Senador Alberto Pasqualini. A proposta é substituir cruzamentos por sistemas considerados mais adequados ao volume atual de veículos.
“Os cruzamentos, além de causarem acidentes, não são mais compatíveis com uma cidade com o trânsito que a gente tem hoje”, destaca.
Ampliação de vias
Além da segurança, o município também avança na ampliação de vias já consolidadas. A Pedro Theobaldo, após a municipalização da ERS-421, passou a permitir alargamentos. Boa parte do trecho urbano já conta com nova pista e a intenção agora é seguir com as obras até o
entroncamento com a BR-386.
A Benjamin Constant deve seguir no mesmo caminho, com projeção de uma nova ampliação no Montanha. A Alberto Pasqualini está no radar para um futuro alargamento, no bairro Universitário especialmente diante da possibilidade de novas pontes entre Lajeado e Arroio do Meio e da concessão da ERS-130, o que pode aumentar significativamente o fluxo urbano naquela região.
“Se houver um novo pedágio [na ERS-130], é natural que um grande volume de veículos venha para dentro da cidade. E com a provável duplicação da rodovia, muitos motoristas vão usar o trecho urbano como ligação com Arroio do Meio e a região alta”, alerta.


Ajustes no sistema urbano
As obras na BR-386 também exigem ajustes constantes no sistema urbano. Mudanças no comportamento do tráfego levam o município a reavaliar quais vias absorvem maior fluxo após a liberação de trechos duplicados. Paralelamente, a administração municipal investe na requalificação de ruas já consolidadas, com projetos que vão além de reparos pontuais. “Não é só tapar buraco, é olhar o todo da via e fazer a reforma completa”, ressalta Gláucia.
Grandes projetos
No médio e longo prazo, Lajeado projeta grandes obras de ligação viária, como as novas pontes sobre o Rio Forqueta, uma nova ponte sobre o Rio Taquari, em direção a Estrela, novos acessos entre bairros e a preservação de traçados previstos no Plano Diretor, incluindo a possibilidade de um anel viário. Conforme Gláucia, nem todas as obras serão executadas até o fim do mandato, mas precisam estar planejadas. “Mobilidade não é projeto de um governo só, é planejamento para o crescimento da cidade”, resume.
Quando a gente fala em mobilidade, não é uma obra só. São vários temas tratados ao mesmo tempo”
GLÁUCIA SCHUMACHER PREFEITA DE LAJEADO


AÇÕES E PROJETOS EM DEBATE
SEGURANÇA NO TRÂNSITO
Mapeamento de pontos com alto índice de acidentes e reorganização de cruzamentos. Na prática, já existem medidas em implementação, como na Avenida Benjamin Constant, entre os bairros Montanha, Jardim Botânico, Moinhos d’Água e Bom Pastor.

ALARGAMENTO DE VIAS
Avanço em vias como a Pedro Theobaldo Breidenbach, em Conventos, e a avenida Benjamin Constant, no Montanha. Nos últimos anos, trechos já foram ampliados. Para o futuro, se projeta ampliação da Alberto Pasqualini, no bairro Universitário.

CONEXÃO ENTRE BAIRROS
Abertura de novas vias e obras de viadutos para criar novas rotas entre as localidades. Entre os projetos mencionados, estão novas ligações entre os bairros Montanha e Florestal, sobre a ERS-130, e entre o Alto do Parque e o Hidráulica, sobre a BR-386.
IMPACTO DA BR-386
Ajustes no trânsito urbano após a duplicação e mudança no comportamento dos fluxos. A ampliação da rodovia motivou adaptações em locais como nos acessos ao bairro Conventos, cuja população estava acostumada a um acesso principal e único.


REQUALIFICAÇÃO DE RUAS
Reformas completas em vias de paralelepípedo e asfalto, por conjuntos de bairros. O primeiro local a receber essas melhorias é o bairro Americano, em uma área de forte concentração de prédios, casarões, pubs e estabelecimentos gastronômicos.
GRANDES PROJETOS ESTRUTURANTES
Construção de duas novas pontes entre Lajeado e Arroio do Meio. Uma delas ficará no local onde funcionou a ponte provisória do Exército e terá o custo dividido entre as prefeituras. A outra, ao lado da Ponte de Ferro, contará com verba da Defesa Civil Nacional.


ASFALTAMENTO DE VIAS ESSENCIAIS
Com recursos do Funrigs, a rua Romeu Júlio Scherer será asfaltada até o local da futura ponte sobre o Rio Forqueta. Também está nos planos do município a pavimentação de outras vias, como a Hugo Welter, no bairro Floresta, caminho alternativo entre a RSC-453 e a ERS-130.

ANEL VIÁRIO
Aproveitamento de traçados existentes no Plano Diretor e formação de um anel viário que passa por bairros diversos, desviando do tráfego pesado de rodovias como a BR-386 e a ERS-130.


Construção civil coloca cidade em novo patamar
Setor mantém ritmo forte, amplia investimentos e consolida 2025 como o melhor ano da série histórica em autorizações de obras
Após um período marcado por incertezas, desafios econômicos e eventos climáticos extremos, Lajeado volta a viver um cenário de forte otimismo no setor da construção civil. O ritmo intenso de obras, a presença constante de guindastes no horizonte urbano e a ampliação de empreendimentos residenciais e comerciais são sinais claros de um novo ciclo de desenvolvimento que se consolida no município.
A construção civil desponta como um dos principais motores da economia local, impulsionando a geração de empregos, atraindo novos moradores e fortalecendo uma cadeia produtiva que envolve desde grandes construtoras até pequenos prestadores de
serviço. O setor demonstra resiliência e capacidade de adaptação, mesmo após anos difíceis, como o período da pandemia e as enchentes que impactaram a região em 2023 e 2024.
Esse ambiente favorável de confiança e investimentos se reflete diretamente na procura por novos empreendimentos e na disposição dos empresários em ampliar seus projetos. Para o secretário de Planejamento, Urbanismo e Mobilidade, Alex Schmitt, o momento é resultado de uma construção gradual. “Lajeado já vinha em uma crescente, e a construção civil sempre foi um dos setores com maior potencial de desenvolvimento. O que vemos agora é a consolidação dessa trajetória.”



Hoje o trabalhador escolhe onde quer trabalhar. Há disputa por mão de obra, e as empresas que valorizam seus profissionais não enfrentam dificuldades para contratar”
VILSON LUFT
PRESIDENTE DO STICML
O “boom” no setor
Somente em 2025, o município alcançou números históricos na liberação de alvarás de construção. Foram aproximadamente 411 mil metros quadrados autorizados, o maior volume desde o início da série histórica, em 2018. O resultado supera com folga os anos anteriores, que já vinham apresentando crescimento contínuo: cerca de 360 mil metros quadrados em 2024 e 270 mil metros quadrados em 2023.
Esse crescimento reflete a reconstrução, os incentivos para aquisição de imóveis, o acesso facilitado a linhas de crédito imobiliário e a agilização dos processos”
BRUNA ARNHOLDT
DIRETORA DA ARTEM
Diante desse avanço acelerado, o poder público precisou se adaptar para acompanhar o ritmo do setor. A Secretaria de Planejamento concentrou esforços na modernização interna, com foco na simplificação de processos e na redução dos prazos de análise. “Não adianta o setor gerar emprego e renda se o poder público se tornar um entrave. Nosso desafio é facilitar, dar eficiência e acompanhar esse desenvolvimento”, destaca Schmitt.
No topo do ranking
Entre os bairros, Conventos se destaca como o principal vetor desse crescimento. O bairro lidera tanto em número de alvarás emitidos quanto em metragem construída, concentrando uma parcela significativa das novas obras. Outros bairros como São Bento e Igrejinha também apresentam forte demanda, mas Conventos reúne características que favorecem grandes empreendimentos, como área disponível, crescimento planejado e infraestrutura em expansão.
ALVARÁS DE CONSTRUÇÃO
EMITIDOS EM 2025


Termômetro
Para o setor privado, o cenário é reflexo do crescimento populacional e da qualidade de vida oferecida pelo município. O diretor da C2B, Claudio Bergesch, observa que o mercado imobiliário funciona como um termômetro desse movimento. “A demanda por mão de obra, aliada aos bons indicadores de saúde, educação e segurança, fomenta o crescimento da cidade.
ANO A ANO 2018 a 2025 NÚMERO DE ALVARÁS EMITIDOS


Com o mercado aquecido, os empreendedores se sentem mais confiantes para investir.”
A C2B mantém atualmente quatro empreendimentos em execução no município, totalizando 940 unidades habitacionais e cerca de 56 mil metros quadrados em obras, além de novos projetos

em análise. Segundo Bergesch, a oferta de moradias com qualidade e preço acessível é fundamental para sustentar o crescimento do município.
A Artem Engenharia e Construções Ltda avalia o aumento de alvarás em 2025 e a alta demanda em Lajeado de forma muito positiva. Segundo a diretora Bruna Arnholdt, “esse crescimento reflete a reconstrução pós-enchentes, os incentivos para aquisição de imóveis, o acesso facilitado a linhas de crédito imobiliário e a agilização dos processos na Prefeitura Municipal”.
Para manter um ambiente favorável ao setor da construção civil, Bruna explica que a empresa busca acompanhar tendências econômicas e sociais em diferentes escalas, otimizar a cadeia produtiva, especializar a mão de obra e inserir tecnologias nos processos de projeto e execução das obras.
Sobre o impacto do crescimento da construção nos projetos, a diretora comenta que ele levou a empresa a ampliar sua visão sobre os processos internos, adotar tecnologias de otimização e estabelecer novas parcerias e fornecedores. Além disso, proporciona maior capacidade de atendimento aos clientes, permitindo um nichamento mais direcionado e alinhado aos

Com o mercado aquecido, os empreendedores se sentem mais confiantes para investir”
CLAUDIO BERGESCH
DIRETOR DA C2B

Nosso desafio é facilitar, dar eficiência e acompanhar esse desenvolvimento”
ALEX SCHMITT
SECRETÁRIO DE PLANEJAMENTO, URBANISMO E MOBILIDADE
Engenharia e Construções Ltda executa diversos empreendimentos em Lajeado, incluindo UBS São Cristóvão, UBS Montanha, Emef Dom Pedro I, Residencial Primum (24 unidades), Residencial Marcos Bianchini (6 unidades), MCMV Novo Horizonte (124 unidades), MCMV Vida Nova (102 unidades), Loteamento Monte Santo (4 unidades) e Residência Condomínio Altos da Reserva (1 unidade).
Outra empresa que acompanha o crescimento expressivo de Lajeado é a Persch Imóveis, com sede no bairro Conventos.
objetivos da empresa. Quanto aos desafios enfrentados para acompanhar o crescimento acelerado da construção civil, Bruna destaca a necessidade de evolução constante dos processos internos e externos, garantindo a entrega de obras com qualidade, segurança e eficiência, preservando a reputação da empresa e a satisfação dos clientes. Atualmente, a Artem
Segundo Paulo Persch, diretor da empresa, o atual cenário reforça a confiança no potencial de desenvolvimento do município e impulsiona novos investimentos, especialmente em Conventos, bairro que lidera o ranking de áreas liberadas para novas construções.
“A região se destaca pela infraestrutura qualificada, localização estratégica e alta demanda imobiliária, fatores que estimulam a implantação de novos empreendimentos. Esse conjunto de atributos consolida Conventos
como um dos principais polos de expansão urbana de Lajeado.”
Mão de obra
O impacto positivo também é sentido no mercado de trabalho. Com cerca de três mil trabalhadores representados, o Sindicato da Construção Civil do Vale do Taquari aponta um cenário de pleno emprego no setor. “Hoje o trabalhador escolhe onde quer trabalhar. Há disputa por mão de obra, e as empresas que valorizam seus profissionais não enfrentam dificuldades para contratar”, afirma o presidente Vilson Luft. As perspectivas seguem otimistas. A demanda por imóveis permanece aquecida, tanto em bairros em expansão quanto em áreas mais antigas, onde cresce a busca pela verticalização e pelo uso mais eficiente do solo. Para os próximos anos, a expectativa de representantes do setor é de que a construção civil continue sendo protagonista no desenvolvimento econômico e urbano de Lajeado, consolidando a cidade como um dos principais polos da região.

Descentralização redefine a expansão urbana de Lajeado

Mudanças no Plano
Diretor impulsionam a criação de novos núcleos de comércio e serviços nos bairros, tornando a cidade mais equilibrada, autônoma e preparada para o futuro
Com espaço cada vez mais limitado nas áreas tradicionalmente centralizadas, Lajeado vive, nos últimos anos, um processo acelerado de descentralização urbana. Impulsionado principalmente pelas mudanças no Plano Diretor, em vigor desde 2020, e pelas recentes catástrofes climáticas em 2023 e 2024, o município assiste à consolidação de novos polos de comércio, serviços e moradia em diferentes bairros, tornandoos mais autônomos e menos dependentes do Centro. O fenômeno já é visível em diversas regiões. O bairro Conventos, atualmente o mais populoso de Lajeado, segundo o Censo 2022 do IBGE, transformou-se em uma verdadeira “mini-cidade”. Segundo moradores, a única estrutura ainda ausente é um hospital, já que o bairro conta com ampla oferta de farmácias, mercados, postos de combustíveis e serviços essenciais do dia

Hoje estamos colhendo ótimos frutos, com clientes antigos retornando e novos sendo agregados às nossas ações”
BETINA DURAYSKI
DIRETORA DO SESC

Antes, definia-se o que podia ou não existir a partir da localização geográfica. Hoje, o critério principal é o nível de impacto”
JAIRO VALANDRO
SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
a dia. O crescimento veloz, com novos empreendimentos residenciais e comerciais, reduziu significativamente a necessidade de deslocamento dos moradores até o Centro.
O São Cristóvão segue caminho semelhante e se consolida como um “novo Centro”, especialmente pela concentração de comércio e serviços. A região da Univates, que engloba os bairros Universitário, São Cristóvão e Carneiros, tornou-se um dos pontos mais disputados para moradia e investimentos, impulsionada pela proximidade com a universidade e atrai construtoras, investidores e novos empreendimentos.
Outros bairros também passaram por transformações relevantes. O Florestal recebeu recentemente um empreendimento de grande porte, o Via Atacadista. Montanha, Moinhos, São Bento, Jardim do Cedro ampliaram e diversificaram sua oferta de serviços nos últimos anos. Já áreas antes estritamente residenciais, como o Alto do Parque, vivem uma nova fase, marcada pela implantação de hotel turístico e pela formação de polos gastronômicos e comerciais. Até 2020, o bairro enfrentava restrições quanto ao tamanho das edificações, cenário que mudou com a atualização dos índices construtivos.
Plano Diretor como indutor da descentralização
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jairo Valandro, que participou da elaboração do atual Plano Diretor, a principal mudança está no conceito de ocupação urbana. “O fator central foi permitir um maior número de atividades independentemente do bairro. Antes, definia-se o que podia ou não existir a partir da localização geográfica. Hoje, o critério principal é o nível de impacto da atividade.”
De acordo com Valandro, indústrias de alto impacto continuam tendo zoneamento específico, com localização pensada para preservar a tranquilidade do entorno e zonas de amortecimento. Já indústrias de baixo impacto, que não geram transtornos no cotidiano, passaram a ser permitidas em áreas residenciais. O mesmo ocorreu com o comércio e os serviços, antes muito concentrados no Centro, que agora podem se estabelecer em diversos bairros, desde que licenciados.
Mobilidade e planejamento seguem como desafios
Com território relativamente pequeno e população em crescimento constante, Lajeado enfrenta o desafio de equilibrar expansão urbana, mobilidade
e qualidade de vida. Para isso, o Plano Diretor utiliza instrumentos como a limitação do índice construtivo, que controla a relação entre área construída e área do terreno, além de um mapa viário que prevê alargamentos futuros de avenidas, com recuos obrigatórios em novas edificações.
O movimento de descentralização também foi intensificado após os eventos climáticos de 2023 e 2024. Empresas instaladas em áreas alagáveis da região central migraram em busca de mais segurança, aluguéis mais baixos e melhor logística. Hoje, o Conventos aparece no topo do ranking de bairros em expansão, concentrando um elevado número de empresas.
Apesar dos avanços, o crescimento traz desafios. A descentralização exige investimentos constantes em obras estruturantes, especialmente em mobilidade urbana, para garantir que o desenvolvimento dos bairros ocorra de forma ordenada. Ainda assim, a lógica que se consolida é a de bairros cada vez mais completos, onde morar, trabalhar e consumir se tornam atividades integradas.
“A cidade tende a se autoorganizar quando há liberdade e regras claras. As pessoas buscam viver perto de serviços, trabalho e comércio. O mercado responde a essa demanda, e o poder público direciona os investimentos conforme o adensamento”, observa Valandro.


Necessidades de mudança
O Sesc transferiu atividades do centro histórico para bairros próximos ao centro, o Sesc para o Americano e o Sesquinho para o Florestal, como forma de se adaptar às enchentes que afetavam suas unidades. Para a diretora Betina Durayski, a mudança foi estratégica e positiva. “Temos que avaliar com muito cuidado e fazer um planejamento. Foi importante tomar essa decisão, mas também nos preocupa que a região central não fique abandonada.”
A mudança afetou principalmente o Sesquinho, unidade de educação infantil. “Perdemos espaço, mobiliário e equipamentos, e foi um período desafiador até nos mudarmos para os novos endereços. Hoje estamos colhendo ótimos frutos, com clientes antigos retornando e novos sendo agregados às nossas ações.”
O prédio central, segundo Betina, permanece em avaliação: “A parte principal está desocupada, mas o prédio anexo foi locado pela prefeitura e será transformado em uma nova creche”.
A experiência dos que ficaram
Após enfrentar problemas com enchentes, a Free Agência de Turismo deixou o endereço antigo, mas manteve-se na região central da cidade. Segundo a diretora da empresa, Vera Lúcia Riediger a mudança trouxe mais segurança e não afetou a relação com a clientela. “Para nós foi uma mudança positiva, pois não estamos mais com loja térrea, o que melhorou muito a questão de segurança.”
A experiência da Free também aponta aprendizados para outros empreendimentos. “A força da marca e da entrega, roteiros personalizados, atendimento próximo, reputação construída em décadas, sustenta a fidelidade dos clientes mesmo com a mudança de endereço. Isso indica que confiança pesa mais do que o CEP.” Além disso, Vera reforça que a descentralização urbana pode ser uma estratégia de redução de risco, “mas precisa ser acompanhada de políticas para que o centro não entre em decadência e que o crescimento dos bairros seja ordenado.”
OLHAR DAS COMUNIDADES
Na avaliação das associações de moradores, o processo de descentralização urbana vivido por Lajeado é visto, de forma geral, como positivo. A criação de novos núcleos de comércio e serviços nos bairros têm fortalecido a economia local, reduzido deslocamentos e ampliado a qualidade de vida da população. Em contrapartida, lideranças comunitárias alertam para a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, saúde, educação, mobilidade e segurança.

No bairro São Bento, o presidente da associação de moradores, Magnos Lunges, destaca que o crescimento populacional e a valorização imobiliária demonstram a consolidação do bairro como um núcleo urbano relevante. Segundo ele, a descentralização contribui para aliviar a sobrecarga do Centro, mas precisa vir acompanhada de serviços públicos eficientes. “O comércio de bairro facilita o dia a dia da comunidade e gera empregos, mas é fundamental garantir escolas, segurança, mobilidade e áreas de lazer para atender essa nova realidade.”

A descentralização também é percebida como avanço no Jardim Botânico. A presidente da associação, Mara Cristina, destaca a chegada de supermercados, serviços e grandes empreendimentos. “Com certeza melhora gradualmente, tendo em vista a possibilidade de o comércio local atender as necessidades dos moradores. Ainda mais, que estes geram novas vagas de emprego.” Ela chama atenção para desafios na mobilidade urbana, provocados pela rapidez do crescimento.

Já no Conventos, maior bairro de Lajeado, o presidente da associação, Adilson Bald, classifica o crescimento como positivo, embora desafiador. “O bairro registrou aumento de cerca de 120% em dois anos, exigindo atenção constante a temas como abastecimento de água e mobilidade urbana. A associação acompanha de perto essa evolução, ouvindo a comunidade e levando as demandas ao poder público.”

A percepção positiva é compartilhada por moradores e empreendedores. No bairro Moinhos, o comerciante
Cândido Roberto Santos afirma que a autonomia dos bairros fortaleceu a economia local. “Hoje encontramos quase tudo perto de casa. Isso melhora a mobilidade e a qualidade de vida, sem deixar de valorizar o Centro.”

No Alto do Parque, a presidente da associação de moradores, Malta Fluck, reforça que o crescimento urbano é natural em uma cidade em desenvolvimento, desde que ocorra de forma planejada. Para ela, a criação de novos polos residenciais e comerciais contribui para uma cidade mais funcional, aproximando moradia, trabalho e serviços. “Crescer sem planejamento gera problemas. Crescer com organização fortalece a cidade e preserva a identidade dos bairros.”

Para a moradora do Florestal, Malize Petry, a descentralização ampliou a autonomia no dia a dia. “Posso ir a pé ao mercado, à farmácia e a outros serviços. Ganhamos tempo de vida”, resume, reconhecendo que o crescimento também altera a tranquilidade dos bairros, mas traz benefícios claros.

Avaliação semelhante é feita no bairro Floresta. O vice-presidente da associação de moradores, Jaime Borger, observa que o bairro está entre os que mais crescem, especialmente após as enchentes, atraindo famílias em busca de tranquilidade e oportunidades de trabalho. Apesar da forte presença de empresas e empregos locais, Borger aponta carências importantes. “Ainda não temos creche, posto de saúde nem farmácia. O crescimento é real, mas precisa ser acompanhado de investimentos públicos para não gerar déficits no futuro.”

No São Cristóvão, a presidente da associação, Nilce Koefender, reforça que os bairros precisam ser valorizados como peças fundamentais do desenvolvimento urbano. Ela aponta a urgência de investimentos em educação, saúde e infraestrutura para acompanhar a nova dinâmica, lembrando que projetos como o posto de saúde do bairro levaram anos para sair do papel. “O diálogo entre associações e poder público precisa ser permanente.”

Empresas impulsionam o desenvolvimento
Da porta de entrada do MEI às empresas consolidadas, município constrói ambiente favorável para negócios, empregos e inovação
Lajeado chega aos 135 anos com uma economia marcada pela diversidade e pelo crescimento contínuo do setor produtivo. O avanço no número de empresas, especialmente na última década, mostra um município que não apenas atrai novos empreendedores, mas também cria condições para que negócios amadureçam, ampliem operações e sustentem a geração de emprego e renda.
Dados atualizados indicam que o município soma mais de 10 mil empresas ativas, distribuídas entre comércio, serviços e indústria. A base dessa estrutura está nas microempresas, que representam mais de 70% dos CNPJs, seguidas por empresas de pequeno e médio porte. O perfil confirma a força do empreendedor local como motor da economia.
O crescimento dos microempreendedores individuais (MEIs) é um dos principais indicadores dessa dinâmica. Hoje, Lajeado ultrapassa 10,2 mil MEIs ativos, com forte presença no

Lajeado tem muitas empresas e isso facilita parcerias. O crescimento acaba acontecendo de forma natural”
RAQUEL ZAMBIASI MICROEMPREENDEDORA INDIVIDUAL
setor de serviços, comunicação, tecnologia e atividades especializadas. Para o secretário de desenvolvimento econômico, inovação e agricultura, Jairo Valandro, o MEI cumpre um papel estratégico no ecossistema local. “O MEI é a porta de entrada do empreendedor. Ele permite testar um negócio com menor custo e menos burocracia”, resume. Segundo ele, o crescimento natural leva muitos desses empreendedores a migrarem para ME ou EPP, ampliando a atuação e a geração de empregos.
A experiência da social media
Raquel Zambiasi reflete esse cenário. Ela abriu o MEI em 2023 após identificar oportunidades no mercado local. “Lajeado tem muitas empresas e isso facilita parcerias. O crescimento acaba acontecendo de forma natural”, afirma.
Ambiente favorável a novos desafios
Além da iniciativa privada, o município atua para reduzir entraves e facilitar a jornada do empreendedor. Leis como a da Liberdade Econômica e os incentivos municipais são operacionalizadas pela Central do Empreendedor, que concentra orientações para abertura, regularização e expansão dos negócios.
Valandro destaca que o papel do poder público evoluiu nos últimos anos. “Hoje o setor público precisa ser parceiro do privado, ajudando a consolidar empresas e a qualificar o ambiente de negócios”, pontua.
Esse ambiente favorável se reflete também nos indicadores de emprego. Dados do Caged mostram que Lajeado fechou novembro de 2025 com 41.178 empregos formais, um crescimento de 1.829 postos em relação ao ano anterior. Mesmo com oscilações ao longo do ano, o saldo permaneceu positivo.


Mesmo com margem menor, 2025 aponta avanços e números positivos na criação de empresas
Crescimento com planejamento
O avanço econômico, no entanto, traz novos desafios. A escassez de grandes áreas industriais e o custo da moradia exigem mudanças na estratégia de desenvolvimento. A aposta do município passa a ser a atração de empresas de maior valor agregado, ligadas à inovação, tecnologia e serviços especializados.
“O foco é consolidar Lajeado como um hub de inovação, aproveitando a qualificação da mão de obra e a qualidade de vida”, explica Valandro. Segundo ele, a chamada “Marca Lajeado”, associada à segurança, competitividade e serviços, tem sido decisiva para atrair investimentos compatíveis com a realidade local.
O planejamento também envolve qualificação profissional, fortalecimento do ecossistema de inovação e acompanhamento mais próximo das micro e pequenas empresas, cuja vida média ainda é curta. “Precisamos ajudar essas empresas a se estruturarem para permanecer no mercado”, acrescenta.




A reforma tributária atinge todas as empresas, independe do tamanho, por isso a necessidade de adequação”
CRISTIANA SCHUMACHER CONTADORA
Novo cenário tributário no horizonte
Outro fator que exige atenção dos empreendedores é a reforma tributária, que começa a ser implantada de forma gradual até 2033. Para a contadora Cristiana Schumacher, a mudança vai além da substituição de impostos.
“Não é só troca de tributo. A reforma muda precificação, fluxo de caixa e a forma como as em-
presas operam”, alerta. Segundo ela, quem não se preparar pode perder competitividade, especialmente em setores de serviços e para empresas que atuam em cadeias produtivas mais complexas.
Ao completar 135 anos, a cidade mais populosa do Vale reafirma uma característica que acom-
panha sua história, a capacidade de se reinventar. Das iniciativas individuais que surgem como MEI às empresas consolidadas que projetam o nome da cidade para além da região, o município constrói um modelo de desenvolvimento baseado em diversidade econômica, planejamento e visão de futuro.

Hoje o setor público precisa ser parceiro do privado, ajudando a consolidar empresas e a qualificar o ambiente de negócios”
JAIRO VALANDRO
SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO
ECONÔMICO, INOVAÇÃO E AGRICULTURA

Empresas em Lajeado: CNPJs Ativos
Data: 22/12/2025
Separadas por setor econômico
Setor Quantidade
Gerais - 10.049
Serviços - 6.157
Comércio - 2.972
Indústria – 920
Empresas separadas por porte
Porte Quantidade
ME - 7.309
EPP - 1.603
Demais (Gerais) - 1.136
Microempreendedores Individuais (MEIs)
MEIs ativos em Lajeado
Total MEIs - 10.292
Serviços - 7.254
Comércio - 2.125
Indústria – 913

Ocrescimento econômico de Lajeado em 135 anos ampliou o número de empresas, diversificou setores e gerou novas oportunidades de trabalho. Ainda assim, o município convive com um paradoxo cada vez mais visível, vagas abertas por semanas ou meses e dificuldade para encontrar profissionais qualificados. O desafio da mão de obra, no entanto, não começa na mesa do recursos humanos. Ele se constrói ao longo da formação educacional e do preparo dos jovens para o mundo do trabalho.
Educação como porta de entrada
Na Univates, a reitora Evania Schneider avalia que a escassez de profissionais qualificados está ligada à desatualização técnica, à mudança no perfil dos trabalhadores e à alta rotatividade. Segundo ela, o cenário tem exigido das empresas mais investimentos em capacitação interna e parcerias com instituições de ensino. “A universidade precisa atuar como agente ativo de desenvolvimento local, garantindo empregabilidade aos alunos e competitividade às empresas”, afirma. Essa preparação começa ainda antes do ensino superior. No Colégio Madre Bárbara, o professor David Orling explica que o foco não é a profissionalização precoce, mas a formação integral. “Nosso compromisso é que o aluno saia capaz de se situar no mundo, fazer escolhas conscientes e lidar com mudanças”, destaca. A escola trabalha competências como autoconhecimento, resiliência, comunicação e pensamento crítico, além de itinerários formativos que abordam temas atuais, como projetos de vida, empreendedorismo e tecnologia. No Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat), o diretor Rodrigo Ulrich ressalta que a formação para o futuro exige

Nosso compromisso é que o aluno saia capaz de se situar no mundo, fazer escolhas conscientes e lidar com mudanças”
DAVID ORLING
PROFESSOR DO COLÉGIO MADRE BÁRBARA
O desafio da mão de obra em um município centenário
Mesmo com vagas abertas, Lajeado enfrenta dificuldade para atrair e formar profissionais qualificados


mais do que conteúdo tradicional. “Trabalhamos metodologias ativas e experiências práticas que desenvolvem autonomia, criatividade, colaboração e adaptabilidade”, afirma. O objetivo é preparar o estudante para a universidade, para o mercado de trabalho e também para empreender, inclusive na região. Já no Colégio Gustavo Adolfo, o diretor Edson Wiethölter destaca que o senso de pertencimento é central nesse processo. “O estudante precisa entender que faz parte do ecossistema onde vive e que pode contribuir para transformá-lo”, diz. No ensino médio, essa construção se traduz em vivências práticas, como disciplinas eletivas em cursos técnicos, experiências em empresas locais e projetos ligados ao empreendedorismo. “O aluno experimenta, reflete e decide com mais consciência”, resume.

A universidade precisa atuar como agente ativo de desenvolvimento local, garantindo empregabilidade aos alunos e competitividade às empresas”
EVANIA SCHNEIDER
REITORA DA UNIVATES

Trabalhamos metodologias ativas e experiências práticas que desenvolvem autonomia, colaboração e adaptabilidade”
RODRIGO ULRICH
DIRETOR DO COLÉGIO
EVANGÉLICO ALBERTO TORRES

O estudante precisa entender que faz parte do ecossistema onde vive e que pode contribuir para transformá-lo”
EDSON WIETHÖLTER
DIRETOR DO COLÉGIO
GUSTAVO ADOLFO



Mercado aquecido, contratações difíceis
Mesmo com esse esforço educacional, o mercado segue pressionado. Para Gustavo Adame, diretor da Quality Vagas, o problema não é apenas formar profissionais, mas atraí-los. “Muitos dos trabalhadores qualificados já estão empregados. A dificuldade é convencer essas pessoas a mudar”, explica. Segundo ele, vagas técnicas e estratégicas, especialmente em tecnologia, engenharia e gestão, permanecem abertas por mais tempo.
Nas operacionais é oposto, porém, com resultado semelhante. Com a alta rotatividade, as empresas não conseguem manter um funcionário na função por muito tempo. “Muitas vezes fazemos todo o processo, a triagem, seleção e chamamos o melhor candidato, mas acontece de ficarem dois ou três dias e não aparecerem mais no local, tudo isso é um gasto para os recrutadores e para a empresa que contrata os serviços”, detalha. No atendimento direto ao trabalhador, o diretor do FGTAS/ Sine de Lajeado, Everaldo Delazeri, aponta que a agência mantém entre 250 e 300 vagas abertas ao longo do ano, em sua maioria operacionais. Funções técnicas específicas, como eletricista predial e mecânico a diesel, figuram entre as mais difíceis de preencher.


Aqui falamos em profissionais, não em colaboradores. As pessoas vêm para fazer a diferença”
ALINE EGGERS CEO DA FRUKI BEBIDAS

Temos um mercado aquecido, mas um modelo que encarece o emprego formal e empurra parte da mão de obra para alternativas informais”
JONI ZAGONEL PRESIDENTE DA ACIL

Podemos afirmar que temos em nosso banco de ofertas semanalmente entre 250 a 300 oportunidades”
EVERALDO DELAZERI COORDENADOR DO FGTAS/SINE LAJEADO

Para o presidente da Acil, Joni Zagonel, o cenário reflete um conjunto de fatores estruturais. Ele destaca que o trabalhador passou a comparar oportunidades com base no rendimento líquido imediato e na flexibilidade, enquanto o alto custo da contratação formal limita a capacidade das empresas de oferecer salários mais atrativos. “Temos um mercado aquecido, mas um modelo que encarece o emprego formal e empurra parte da mão de obra para alternativas informais”, avalia.
No Senai-RS, a procura por cursos técnicos cresceu de forma consistente. Segundo a instituição, áreas como automação industrial, eletrotécnica e eletromecânica registram alta demanda e mais candidatos por vaga. “A escassez de profissionais é também uma oportunidade para quem busca qualificação”, avalia a entidade, que já projeta a ampliação da unidade de Lajeado.
Cultura organizacional como diferencial
Fruki aposta em investimento na pessoa para manter o seu quadro de profissionais

Na Fruki Bebidas, a estratégia passa por formação interna e valorização das pessoas. A CEO Aline Eggers Bagatini afirma que o foco está no alinhamento cultural e no desenvolvimento contínuo. “Aqui falamos em profissionais, não em colaboradores. As pessoas vêm para fazer a diferença”, diz. A empresa mantém programas próprios de capacitação, bolsas de estudo e mentoria. Segundo a gerente de DHO, Jardeline Piccinini, cerca de 80% dos participantes dos programas internos acabam sendo promovidos. “Desenvolver pessoas é sustentar a estratégia do negócio”, resume.
443 172 1.855
encaminhamentos de empregos durante ano 2025

Parques e áreas de lazer viram refúgio urbano
Estudos mostram a importância de áreas verdes para a qualidade de vida da população. Com uma densidade demográfica de 1.026 hab/km², Lajeado cresce e volta seu olhar às áreas de lazer da cidade, com incentivo às atividades esportivas e recreativas
Lajeado chega aos 135 anos com quase cem mil habitantes. Em meio aos edifícios e à expansão urbana, as áreas verdes de parques e praças se tornam refúgio para os moradores do município. Para além do Parque Professor Theobaldo Dick, inaugurado há mais de 20 anos, o Parque Ney Santos Arruda e o Parque Linear Engenho, na Avenida Décio Martins Costa, consolidam-se como espaços para a prática de atividades esportivas e recreativas. Ao encontro disso, o governo municipal testa um novo movimento, com o fechamento de ruas próximas ao Parque Ney Santos Arruda nos sábados pela manhã para a prática de atividades na Orla do Taquari. As primeiras experiências ocorrem neste sábado, 24, e seguem em fevereiro. Conforme o viceprefeito de Lajeado, Guilherme Cé, a ideia é transformar em um movimento permanente e expandir para outros parques e praças. “Um exemplo seria
bloquear a rua Santos Filho, no Parque dos Dick, num domingo, para que as famílias pudessem aproveitar melhor os espaços. A ideia é fazer também no São Cristóvão, na Piraí”, explica. O gerente de vendas Rodrigo Catto, 48, é um dos lajeadenses que usa a estrutura da Orla do Taquari para a prática de atividade física. “Corro há uns 25 anos e, hoje, uso principalmente a rua Bento Rosa e, nos sábados, as proximidades do Ney Santos Arruda”, destaca. Em constante viagem por conta do trabalho, para Catto, a corrida faz parte da rotina e é adaptável a qualquer lugar. “Gosto de correr na rua, sinto que é um treino mentalmente mais leve, apesar do relevo.”
Constante atenção
De acordo com o vice-prefeito, Cé, Lajeado dispõe de mais de 140 áreas de lazer, entre praças e espaços verdes. “Acredito que o município esteja bem abastecido com parques e áreas de lazer, mas

Mais do que criar novos espaços, é importante atender às necessidades dos já existentes”
GUILHERME CÉ
VICE-PREFEITO DE LAJEADO
temos que estar em constante vigilância e manutenção destes espaços, em especial, nos bairros”, comenta. Ao longo de 2025, Cé cita que, com a criação da Secretaria de Serviços Urbanos, o governo pôde dar maior atenção para essas áreas e cuidar da infraestrutura. “É um trabalho que nunca termina e é importante que a gente dê a devida atenção a esses locais”, salienta.
Para 2026, o vice-prefeito cita a colocação de três gramados sintéticos nos bairros Centenário, Conservas e Santo André.
“Mais do que criar novos espaços, é importante atender as necessidades dos já existentes”, destaca. O Parque dos Dick passa


Na orla do Rio Taquari, o Parque Ney Santos Arruda recebe a população, em especial, no fim do dia e aos fins de semana
pela fase final das reformas, com a pintura da pista de caminhada. Para o futuro, Cé comenta sobre um possível espaço gastronômico nos Dick, que poderia ser criado por meio de concessão e com estrutura móvel, mas o projeto está engavetado ainda.
Parque Linear
Engenho
Em 2023, veio a público a
ideia de construir um parque ao longo do Arroio do Engenho, interligando Lajeado por meio de um corredor verde em forma de parque linear, passando pelos bairros São Cristóvão, Hidráulica, Americano e Centro. Parte do projeto está em curso, com a Avenida Décio Martins Costa se tornando um novo centro para a prática de esportes, com quadras de basquete, beach tênis, vôlei de praia, pista de skate e de patinação.
De acordo com o vice-prefeito, está na fase final a aprovação dos recursos para a revitalização do Canal do Engenho, que vai contemplar uma série de reformas


nas calçadas e na infraestrutura do Parque Linear. “A ideia é que a Décio Martins Costa se interligue ao Parque do Engenho, que também vai passar por revitalizações”, comenta.
A arquiteta e urbanista
Cátia Berteli esteve à frente da Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Mobilidade (Seplan) quando parte do projeto estava em elaboração. “Aquela é uma área alagadiça da cidade e, por isso, não tinha condições de receber construções. Em razão disso, o Parque Linear Engenho foi pensado para ser um cinturão verde no meio da cidade, não permitindo que aquele local ficasse abandonado ou sofresse com invasões”, explica. Além disso, conforme Cátia, o popular “Valão” foi construído em cima do Canal do Engenho e a manutenção de um parque no local permite a permeabilização do solo.
Cátia participou da elaboração do projeto da pista de patinação, inaugurada em dezembro do ano passado. “Lajeado tem expoentes da patinação a nível mundial e é uma cidade que tem essa cultura, então veio a ideia de fazer uma pista ao ar livre”, destaca. Conforme a arquiteta, o intuito de ter sido planejada com metragem oficial foi para trazer campeonatos para Lajeado. “Um parque com espaço para vários esportes permite a diversificação do público e movimento em diferentes horários, isso traz mais segurança ao local e também faz o espaço ser vivo”, reforça.

Essas áreas são espaços de convivência e criam pertencimento, porque fazem com que as pessoas vivam e preservem o espaço”
CÁTIA BERTELI
ARQUITETA E URBANISTA
bairros”, comenta. “A cidade está crescendo muito, precisamos olhar para isso. Um exemplo seria incentivar as próprias construtoras a fazerem um pátio interno ou externo nos prédios, com incentivos públicos. São pequenas ações que já fazem a diferença.”
Olhar ao Parque
Histórico
Em termos técnicos, os parques são importantes pela questão ambiental, são área de solo permeável, contribuem para a redução do calor do ambiente, com qualidade do ar, e permitem maior qualidade de vida às pessoas. “Essas áreas são espaços de convivência e criam pertencimento, porque faz com que as pessoas vivam e preservem o espaço”.
Cidade verde
O governo municipal também deu continuidade ao projeto de arborização em 2025, por meio do Programa Lajeado Mais Verde, que foca no plantio de mudas pela cidade. Ao todo, foram plantadas 502 mudas no ano passado. Conforme dados do Censo do IBGE de 2022, Lajeado tem 75,77% dos domicílios urbanos em vias públicas com arborização. Ao encontro disso, Cátia salienta que a urbanização de uma cidade passa pelo olhar à arborização, com calçadas contínuas e sombreadas, rótulas com canteiros verdes e travessias seguras.
Esses aspectos também respingam na mobilidade municipal, hoje concentrada no uso de veículos próprios, que comprometem o fluxo em horários de pico. “Muito se fala no uso de bicicletas e de pistas de caminhada na cidade, mas temos que levar em conta o relevo de Lajeado. Não precisamos descartar essa possibilidade, mas precisamos pensar em como planejar os novos
Principais parques

Parque dos Dick | Bairro Centro
Dispõe de pista de caminhada, quadras de basquete, vôlei, campos de futebol e playground, além de uma lagoa.

Parque Ney Santos
Arruda | Bairro Centro
Na orla do Taquari, tem pista de caminhada, ciclismo e playground. Acesso ao Rio Taquari.

Parque do Engenho | Bairros Americano e Hidráulica
Concentra uma pequena gruta, lago com patos e roda d’água histórica.

Parque Linear Engenho | Bairros Centro e Hidráulica
Dispõe de pista de skate, patinação, quadras de basquete, vôlei de praia e beach tênis.

Parque Histórico | Bairro Alto do Parque Concentra 24 construções em estilo enxaimel, um pequeno lago, coreto e estrutura para a prática de Eisstocksport.

Parque do Imigrante | Bairro Alto do Parque Local de eventos do município, com dois grandes pavilhões, além de outros dois menores, restaurante, campo de futebol e quadras cobertas.

Jardim Botânico | Bairro Jardim Botânico Oferece trilha, pequeno lago, horto florestal, jardim sensorial, orquidário, cactário e visitação a diversas espécies da flora.
Com uma proposta diferente dos demais espaços públicos da cidade, o Parque Histórico de Lajeado concentra casas e construções que contam sobre a colonização alemã do município e região. Inaugurado em 2003 e hoje sob responsabilidade da Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, o parque deve receber melhorias em 2026. Conforme o secretário da pasta,

Carlos Reckziegel, a prioridade é a renovação elétrica do espaço, já que a estrutura existente é antiga. “Essa é uma das primeiras iniciativas deste ano e tem um investimento considerável. Depois, pretendemos desenvolver um novo projeto paisagístico ao local”, comenta. Além disso, Reckziegel cita que deve ser feita a ampliação do horário de visitação do
parque ainda no primeiro semestre. “Precisamos fazer esses investimentos primeiro, a concessão do parque é consequência disso e do crescimento do turismo regional”. Desde 2023, o município considera ceder o Parque Histórico à iniciativa privada, mas ainda estuda os melhores modelos para tal. “Lajeado tem uma joia nesse parque e ele merece a devida atenção”, destaca o secretário.



“O desenvolvimento precisa vir também de dentro dos bairros”

À frente do Legislativo no ano em que Lajeado celebra 135 anos, Neco Santos (PL) fala sobre os desafios da presidência da câmara, a relação com o Executivo, a CPI, a aproximação com os bairros e o papel do Parlamento no futuro da cidade
No ano simbólico em que Lajeado completa 135 anos, o vereador Neco Santos (PL) assume a presidência da Câmara com o discurso centrado em credibilidade, transparência e aproximação com a comunidade. Embora esteja no primeiro mandato de titular no Legislativo, já possui trajetória como suplente e assessor parlamentar e, por isso, se sente pronto ao desafio. Santos comanda o Legislativo em um período de maior atenção da população à política, defende a atuação da CPI como instrumento de melhoria da gestão pública, destaca prioridades como a saúde e a segurança viária e reforça a necessidade de pensar o desenvolvimento da cidade sem perder o olhar para os bairros.
A Hora: Você assume a presidência da Câmara em 2026, um desafio novo, embora já tenha experiência no Legislativo. Como encara esse momento?
Neco Santos: Para mim é uma grande satisfação e, ao mesmo tempo, um desafio e um aprendizado novo. Fico muito honrado pela confiança dos colegas vereadores, porque todos aqui teriam condições de assumir essa função. Essa credibilidade pesa bastante. E também existe a responsabilidade com os eleitores, que colocaram a gente nessa cadeira para representar a comunidade. É um desafio grande, principalmente em um ano simbólico para Lajeado.
AH: Que tipo de desafio é esse, especialmente num contexto em que a política enfrenta tanta desconfiança?
Santos: Existe uma generalização muito forte da política. O que acontece lá em cima, com deputados federais, estaduais, senadores, acaba respingando em nós, vereadores. As pessoas confundem muito o papel do vereador. Acham que vereador não faz nada, que não trabalha. Nosso papel é fiscalizar o Executivo, acompanhar onde os recursos estão sendo investidos e criar leis que tragam qualidade de vida para a população. Um dos meus maiores desafios é levar mais credibilidade para fora.

AH: Você já apontou algumas prioridades para este ano. Quais são elas?
Santos: Uma das prioridades que eu já coloco desde agora é buscar recursos para tentar zerar as filas de cirurgias em oftalmologia. Hoje temos mais de 500 pessoas aguardando por esse tipo de procedimento. Isso não pode ser normalizado. Outra prioridade é tentar viabilizar recursos para a construção de uma passarela na região da MBRF, onde já aconteceram acidentes. São demandas concretas da comunidade e que precisam de articulação política.
AH: Além dessas pautas, que tipo de atuação você pretende fortalecer na presidência?
Santos: Quero aproximar mais a câmara das entidades. Muitas vezes chegam demandas aqui e as entidades não conhecem os vereadores, e os vereadores não conhecem os presidentes das entidades. Precisamos criar esse elo. Lajeado é polo regional, então temos que pensar em desenvolvimento, turismo, atração de investimentos, mas com diálogo permanente com
quem está na base da comunidade.
AH: Você é vereador pelo PL, partido da base do governo municipal. Como pretende conduzir a relação com o Executivo?
Santos: O presidente do Legislativo e o Executivo precisam caminhar juntos, mas isso não significa submissão. Já tive projetos que não foram sancionados pela prefeita, e isso faz parte. O importante é o diálogo. Conversar antes, explicar, ouvir. Tenho uma boa relação com a prefeita, bom acesso, e isso ajuda. Mas também vou cumprir meu papel de fiscalizador, cobrar quando for necessário e levar as demandas da comunidade.
AH: A CPI em andamento aumentou visivelmente o interesse da população pelas sessões. Como você avalia esse momento?
Santos: Eu vejo como extremamente importante. Existe aquela ideia antiga de que tudo acaba em pizza, mas isso mudou. Hoje tudo é transmitido ao vivo, fica gravado, há mais transparência. A CPI serve para quebrar círculos viciosos, se eles existirem. Serve para melhorar a gestão pública, criar ferramentas de controle e dar um choque de realidade. Se for necessário ampliar a CPI para esclarecer tudo, eu sou favorável. Precisamos esclarecer, porque muitas vezes recursos desviados são recursos que deixam de virar cirurgia, deixam de virar investimento em saúde.
AH: Essa maior participação da comunidade pode mudar a relação da população com a Câmara?
Santos: Com certeza. Quanto mais as pessoas acompanham, mais entendem o funcionamento do Legislativo. A transparência aproxima. A política hoje é muito mais aberta, e isso obriga todos nós a sermos mais responsáveis, mais técnicos e mais cuidadosos.
AH: Sobre a aproximação com os bairros, como deve funcionar esse trabalho ao longo do ano?
Santos: Nada vai ser decidido de forma isolada. Vou reunir os vereadores e tudo será decidido em conjunto. Não acredito em decisão monárquica. Os vereadores já têm muito contato

com as comunidades, participam de reuniões, escutam demandas. A gente vai avaliar se algumas ações fazem sentido ou se acabam sendo um gasto de energia sem retorno. O mais importante é ouvir os colegas e organizar tudo com planejamento.
AH: Volta e meia surge o debate sobre uma sede própria para a câmara. Isso está no radar?
Santos: Não é o momento. A cidade ainda se recupera dos
impactos da enchente, há pessoas sem casa, há demandas sociais e de infraestrutura. Em meio à CPI e a esse contexto, não faz sentido falar em construção de uma nova câmara. Não pretendo colocar isso em pauta.
O presidente do Legislativo e o Executivo precisam caminhar juntos, mas isso não significa submissão. Já tive projetos que não foram sancionados pela prefeita, e isso faz parte. O importante é o diálogo. Conversar antes, explicar, ouvir. Tenho uma boa relação com a prefeita, bom acesso, e isso ajuda. Mas também vou cumprir meu papel de fiscalizador”
NECO SANTOS
AH: Você tem um perfil reconhecido pelo diálogo, inclusive com a oposição. Isso se mantém na presidência?
Santos: Com certeza, ainda mais. Vou seguir o regimento interno, ser técnico e equilibrado. O regimento vale para situação e oposição. O que for direito de um, será direito do outro. Sempre aberto ao diálogo e buscando o que for melhor para a comunidade.
AH: Lajeado completa 135 anos em um momento de forte crescimento. Que papel o Legislativo precisa cumprir nesse cenário?
Santos: O crescimento não pode ser custoso para a qualidade de vida. Precisamos olhar para o turismo, porque ele atrai empresas e movimenta a economia, mas também não podemos esquecer dos bairros mais humildes. Infraestrutura, iluminação, calçamento, desenvolvimento local. Se você esquece os bairros, cria desigualdade. O desenvolvimento precisa vir também de dentro dos bairros. Pensar Lajeado lá na frente, planejar agora, para não repetir os erros das grandes cidades. Esse é o nosso desafio.

