A Hora – 31 e 01/02/2026

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ANÁLISE, CURADORIA E OPINIÃO DE VALOR

Fim de semana, 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026 | Ano 23 - Nº 4026 |

DO PLEBISCITO

À IGREJA

Professor ajudou a emancipar Sério e ainda batiza, sepulta e visita doentes

Conheça a história do primeiro entrevistado do projeto Tributo aos Guardiões: o professor aposentado Antônio Lazzari. Ele liderou a criação do município e aos 88 anos, na falta de padres, batiza, sepulta e visita doentes.

PÁGINAS | 12 e 13

Cuidar da saúde, além do peso na balança, alertam especialistas

Nutricionistas observam que reduzir a nutrição a padrões universais pode ser perigoso para a saúde. Uma alimentação eficaz precisa levar em conta a individualidade biológica, hábitos, contexto cultural e fatores emocionais.

Vale entra no radar da aviação executiva

Condomínio aeronáutico em Cruzeiro do Sul prevê pista pavimentada, hangaragem, manutenção, escola de pilotos e serviços de táxi aéreo. Projeto estrutura um novo polo de logística aérea e competitividade regional

OPINIÃO

RODRIGO MARTINI

O objetivo é ampliar os passeios de trem

Não se surpreendam se novos trechos, vagões e, novas cidades sejam incorporadas aos passeios do Trem dos Vales em breve.

INFRAESTRUTURA

Leite assina o início de obras na ERS-332

Trecho a ser recuperado contempla 32 quilômetros entre Encantado e Anta Gorda e integra pacote com investimento histórico na rodovia da região alta.

PÁGINA | 8

PAULO CARDOSO

Logística como projeto de território

Oanúncio do condomínio aeronáutico em Cruzeiro do Sul precisa ser analisado em um complexo mais amplo. Para além do negócio da aviação executiva, pois está em um contexto envolto em logística, atração de investidores e geração de renda.

A iniciativa privada identifica uma lacuna objetiva: o Vale produz, exporta, atrai investimentos e concentra cadeias industriais e agroindustriais. Há oportunidade e espaço para resolver gargalos de mobilidade. O aeródromo projetado de maneira isolada significa pouco no contexto social. Porém, aponta uma direção: logística como ativo estratégico.

A iniciativa privada identifica uma lacuna objetiva: o Vale produz, exporta, atrai investimentos e concentra cadeias industriais e agroindustriais.”

Em um país que se organizou sobre rodovias, há limites sobre a capacidade de transporte e esse debate precisa avançar para além do modal aéreo. A reconstrução do Trem dos Vales recoloca o ferroviário no mapa regional, ainda que de forma turística. O debate da Malha Sul, com uma futura concessão ferroviária com uma expectativa de reorganização.

O mesmo vale para o Rio Taquari. A retomada dos estudos de batimetria é a pré-condição para discutir, com base técnica, a viabilidade da hidrovia.

O que conecta aeródromo, ponte, ferrovia e rio tem como conceito o planejamento integrado. Pensar o desenvolvimento do território passa por defender projetos estruturantes nos diferentes modais de transporte.

à Fundado em 1º de julho de 2002

Vale do Taquari - Lajeado - RS

Av. Benjamin Constant, 1034, Centro, Lajeado/RS grupoahora.net.br / CEP 95900-104

“A simplicidade é a felicidade”

Criada no interior, em uma rotina de trabalho naroçaelongos caminhos até a escola, IloneSchmidtaprendeu desdecedoqueavida seconstróicomesforço, simplicidadeeunião.Mãe dedoisfilhos,conciliou jornadaspesadasde trabalho com a rotina domésticaepoucos recursos. Em 2021, enfrentouaperdado maridoparaaCovid-19. Foinolutoqueum sonhoantigovoltoua ganharforça:aos52anos, incentivadapelosfilhos, retomouosestudospela EJA,superouomedode nãoacompanharasaulas ehojecursaPedagogia, abrindo um novo capítulodesuperaçãoe aprendizado.

Fabiano Lautenschläger centraldejornalismo@grupoahora.net.br

Como você se lembra da sua infância no interior?

“Eu me vejo uma criança muito feliz, brincando com folhas de árvore, na estrevaria, com as vizinhas. Desde pequena eu sonhava em ser uma mãe dedicada. A gente vivia de forma simples, mas com muita união. Trabalhava desde cedo com meus pais e, mesmo assim, guardo essa fase com muito carinho.”

A escola fazia parte dessa rotina difícil?

“Fazia sim, e não era fácil chegar até lá. Era muito longe, a gente caminhava bastante, com pedra machucando os pés, mas eu nunca desanimava. Eu admirava muito as professoras com os cadernos na mão e aquilo me dava vontade de aprender e de um dia também estar naquele lugar.”

Como foi criar seus dois filhos com poucos recursos financeiros?

“Não foi fácil, teve muita luta, mas eu sempre ensinei que não precisava ter luxo pra ser feliz. Às vezes o tênis estava rasgado e era assim mesmo que ia pra escola. Mas comida nunca faltou na mesa. A gente sentava junto, agradecia a Deus e aquilo era uma riqueza muito grande pra mim.”

O que mais marcou essa fase da maternidade?

“A simplicidade do dia a dia. Eu lavava roupa na mão, fazia pão no fogão a lenha, não tinha máquina nem conforto, mas ver meus filhos felizes me deixava feliz também. A família era muito unida e isso me dava força pra continuar.”

Como foi enfrentar a perda do seu marido durante a pandemia?

“Foi uma das maiores dores da minha vida. Foram 30 anos juntos e, quando ele faleceu de Covid, eu nem pude me despedir. Aquilo foi muito triste. Mas foi Deus que me deu força, fé e coragem pra seguir em frente, mesmo com o coração machucado.”

Em que momento surgiu a decisão de voltar a estudar?

“Depois que ele faleceu. Eu sempre tive esse sonho desde criança, mas nunca tinha condições nem tempo. Meus filhos me incentivaram muito, disseram que eu precisava ir atrás do meu sonho. Aí, aos 52 anos, voltei a estudar pelo EJA, trabalhando de dia e estudando à noite.”

Teve medo de não conseguir chegar à faculdade?

“Tive muito medo. Chorei, me senti fraca e achei que não ia conseguir acompanhar. Mas os professores me ajudaram demais e sempre diziam que eu só não venceria se desistisse. Aquilo me deu força pra continuar e hoje estou na faculdade, realizando um sonho.”

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TREM DOS VALES

rodrigomartini@grupoahora.net.br

Amturvales segue na luta pela ampliação dos passeios

Anossa Associação dos Municípios de Turismo do Vale do Taquari (Amturvales) nasceu a partir de um debate incipiente sobre a implantação do trem turístico na Ferrovia do Trigo, em meados de 1995. E muito embora tenham ocorrido alguns passeios esporádicos, a consolidação do sonho só foi oficializada em 31 de agosto de 2019, com o primeiro passeio do Trem dos Vales entre Muçum e Guaporé. Chovia naquela manhã. E a partida do trem atrasou em uma hora e meia.

Mas nada disso desfez a alegria e a satisfação de quem por décadas se comprometeu a presentear a região com esse valioso e único produto turístico. Normal. As dificuldades sempre estiveram à frente dos voluntários. Porém, e ao fim daquele histórico sábado, a convicção de que estávamos diante de um divisor de águas ao turismo regional era contagiante. Foi um sucesso. Os anos seguintes foram de crescimento exponencial, todos lembram, e a última temporada antes da catástrofe natural de maio de 2024 atraiu mais de 30 mil passageiros ao Vale, movimentando de forma direta ou indireta mais de R$ 10 milhões nos mais diferentes empreendimentos regionais. Não por menos, e sempre a passos muito estratégicos, a Amturvales não se dá por satisfeita com a excelente notícia da retomada do passeio entre Muçum e Vespasiano Corrêa e segue na luta pela retomada plena dos passeios. Aliás, não se surpreendam se novos trechos, novos vagões e, especialmente, novas cidades sejam incorporadas aos

passeios muito em breve. Entre essas, Santa Tereza, Colinas, Teutônia e Paverama. As articulações já iniciaram. Ou seja, e conhecendo a Amturvales, vem mais coisa boa por aí!

MALHA FERROVIÁRIA

Governador cobra o governo federal

Durante o festivo ato de assinatura do convênio para a recuperação de 18,5 quilômetros da Ferrovia do Trigo com recurso estadual, o governador Eduardo Leite (PSD) cantou músicas gaúchas ao lado da dupla Thiago Reder e Fabiano Índio –autores da canção “Trem dos Vales” – e cutucou a União. “Cansamos de esperar pela ação do governo federal, que deveria agir sobre a infraestrutura sob concessão federal. O governo federal falha como regulador desta área. Deveria botar pressão sobre a concessionária, antes mesmo da enchente, para fazer o que deveria ser feito. E mais ainda após os eventos climáticos”. E é justo afirmar, também, que essa verdade não cabe só ao atual governo de Lula. Afinal, são anos – ou décadas – de descaso com a malha ferroviária gaúcha.

TIRO

- Durante a solenidade do Trem dos Vales, na quinta-feira, no Piratini, o governador foi convidado para ao menos dois eventos regionais: a inauguração do Caminho da Fé e Devoção, no dia 21 de fevereiro, em Relvado, a a 3ª Festa da Pitaya, agendada para os dias 5, 6, 7 e 8 de março, em Sério.

- Eduardo Leite (PSD) não confirmou presença nos eventos acima. “Um dos principais problemas do governador é a agenda”, brincou com o prefeito de Sério, Moisés de Freitas (MDB). Entretanto, ele garantiu que estará a bordo do primeiro trem na retomada dos passeios na Ferrovia do Trigo.

- Secretário Estadual de Turismo (Setur), Ronaldo Santini avisou, durante a solenidade em Porto Alegre, que as impressionantes imagens do Trem dos Vales vão retornar de imediato aos vídeos institucionais da Setur. O material havia sido editado após a tragédia e a suspensão dos passeios.

- Além disso, e quando retornar ao parlamento, Santini promete homenagear os mantenedores da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), uma entidade parceira da Amturvales e fundamental à criação do Trem dos Vales no passado e à reforma dos trilhos no presente.

- Em tempo, é preciso reforçar a persistência do vice-governador Gabriel Souza (MDB) na retomada do Trem dos Vales. O agente do governo estadual literalmente “comprou a nossa briga”.

- Guilherme Cé (Novo) assumiu como prefeito de Lajeado na sexta-feira. Fica na função até dia 13, quando a prefeita retorna das férias. E, antes de sair, Gláucia Schumacher (PP) anunciou a advogada Tamara Silveira como a chefe da Coordenadoria da Mulher.

Condomínio aeronáutico no Vale

Os dados ainda serão atualizados. Mas já apresentam inúmeras oportunidades. O fato é que o crescimento no uso de aeronaves privadas no Brasil estimula o desenvolvimento de condomínios aeronáuticos voltados aos negócios e ao lazer. Em 2024, por exemplo, o número de voos particulares no país já havia crescido 7,3%. Um índice superior aos Estados Unidos (4,1%) e à Europa (1,3%). Já em novembro de 2025, a frota de aviação de negócios no Brasil atingiu 11.239 aeronaves, um aumento de 6,5% em relação ao mesmo mês de 2024. E o Vale do Taquari, que possui uma ligação histórica com a aviação, não está

fora desta rota de oportunidades. Pelo contrário. Além dos recentes movimentos por melhorias no Aeródromo Regional de Estrela, a região foi positivamente surpreendida com o anúncio do novo empreendimento privado da Construtora Diamond em Cruzeiro do Sul: um condomínio aeronáutico com pista pavimentada e sinalizada de 1,2 km e com serviços de hangaragem individual e compartilhada, manutenção de aeronaves, escola de pilotos, táxi aéreo e operação contínua. Uma tendência nacional que aposta na aviação executiva como vetor de logística e competitividade regional e agora desembarca no Vale.

As férias, a Sema e o PL

O Partido Liberal (PL) em Lajeado expõe crise interna e ainda não definiu o indicado ao cargo de Secretário Municipal de Meio Ambiente (Sema). E o período de férias atrapalha. Com os recessos naturais do verão, a nova executiva municipal ainda não foi homologada pelo diretório estadual e, portanto, há mais de um agente se apresentando como presidente municipal à prefeita Gláucia Schumacher (PP). No caso, o suplente de vereador, Ramatis de Oliveira,

eleito novo presidente, mas ainda não homologado, e o ex-secretário e vereador, Luís Benoitt, que segue presidente até a homologação do sucessor. Para piorar, Benoitt não gostou da indicação de um segundo nome (Valmir Zanatta) por parte dos líderes do PL. Ele reforça a indicação de Luís Mörschbächer, e teria indicado outros nomes em detrimento à Zanatta. Em tempo, é justamente Zanatta quem demonstra mais vontade hoje para assumir a importante secretaria.

vinibilhar@grupoahora.net.br

“O grande segredo são as conexões que tu vais fazer com o mercado”

Camen Dresch, iniciou sua trajetória com a Arabesco Acabamentos em 2002, com apenas 60 metros quadrados e R$ 28 mil de investimento. Hoje, é referência no setor atendendo clientes do estado inteiro. No Alto do Parque há cinco anos, a atual loja conta com mostruário que conversa com tendências internacionais, sendo o elo com arquitetos, construtores, decoradores e o cliente final. Carmen nos recebeu para um café e uma conversa sobre o seu negócio.

Como aplicar os aprendizados de 2025 para crescer em 2026?

Carmen Dresch - O ano de 2025 foi marcado por desafios, mas também por importantes aprendizados para o setor. A experiência de atravessar um período difícil trouxe lições que agora precisam ser aplicadas. Em 2026, a principal decisão é en-

carar o mercado como espaço de oportunidades, não de limitações. O mercado imobiliário regional segue pujante, com janelas abertas e forte dinamismo. Ao mesmo tempo, o aumento do número de empresas tornou a concorrência mais acirrada. Desde de que abrimos, pelo menos quatro ou cinco concorrentes diretos surgiram. Nesse cenário, nossa conexão com o mercado passa a ser o grande diferencial competitivo. Rever estratégias, ajustar o plano e fazer a “lição de casa” é o caminho para crescer.

Como conectar design, moda e arquitetura sem perder a atemporalidade?

Dresch - Nossa atuação como hub se baseia na proximidade com fornecedores e materiais. A

proposta é integrar design, moda e arquitetura em um mesmo ecossistema criativo. Feiras internacionais, como as de Milão, influenciam a leitura de tendências e consumo. Mesmo com a força da moda, a prioridade são revestimentos neutros e atemporais. O material ideal é comparado a um “terno preto”: clássico e sempre adequado. Por ser o primeiro acabamento da obra, o revestimento marca o início da finalização do projeto.

Como o estilo de vida define a escolha do revestimento?

Dresch - A definição começa com a pergunta certa: o que ele espera do material escolhido? Uma decisão equivocada pode gerar frustração, já que o revestimento dificilmente é trocado.

Indicadores

Dólar: R$ 5,24

Ibovespa: 181.060,16

DESEMPREGO: 5,1%

DÍVIDA BRUTA/PIB (DEZ): 79,5%

Hoje, produtos tecnológicos permitem atender demandas como segurança, conforto térmico e limpeza. Por isso, entender a dor real do cliente é essencial no processo de escolha. Mesmo bem informado por pesquisas e referências digitais, o consumidor precisa de orientação. Cabe ao fornecedor equilibrar expectativas e possibilidades técnicas. Assim, o revestimento passa a cumprir seu papel como apoio ao arquiteto e ao projeto.

Como feiras internacionais e nacionais antecipam tendências do setor?

Dresch - A Expo Revestir, maior feira de revestimentos do Brasil, acontece no início de março, em São Paulo. O evento reúne os principais expositores do país e movimenta uma série de feiras paralelas. O modelo segue o padrão internacional, semelhante ao que ocorre em Milão. Participar desses encontros permite acesso antecipado às tendências do setor. Lançamentos apresentados na Europa costumam chegar ao Brasil cerca de um ano depois. Esse acompanhamento garante

mais segurança na curadoria de produtos para os clientes.

Como o Hub Vínculos fortalece conexões e gera valor coletivo no setor?

Dresch - O Hub nasceu de uma ideia amadurecida ao longo do tempo e de um projeto pessoal. A proposta é fortalecer a conexão entre profissionais e empreendedores do setor. A lógica não é apenas o ganho imediato, mas a construção de valor no longo prazo. Ao colaborar e compartilhar, a entrega ao mercado se torna mais qualificada. O Hub também atua como apoio ao profissional, diante do excesso de demandas e novidades. A iniciativa busca gerar impacto real na experiência do cliente e no ecossistema como um todo.

O que te move em 2026?

Dresch - Pra mim está determinado que vai ser um ano memorável. Simples assim. Porque primeiro a gente decide na nossa mente e depois a gente faz acontecer. Então, é o que eu determinei para mim, pessoa física e CNPJ, que vai ser um ano memorável.

Sócia Proprietária da Arabesco Acabamentos, Carmen Dresch

NOVO AERÓDROMO

Investimento privado desenha rota aérea ao Vale

Projeto privado prevê pista de 1,2 km, operação executiva contínua em novo eixo de logística, mobilidade e atração de investimentos em Cruzeiro do Sul VALE DO TAQUARI

Cruzeiro do Sul entra no mapa da infraestrutura aeronáutica privada do Rio Grande do Sul com um projeto inédito na região.

Investidores planejam a implantação do Condomínio Aeronáutico dos Imigrantes, empreendimento estruturado pela Construtora Diamond e concebido como um complexo aeronáutico integrado, voltado à aviação executiva e a serviços especializados.

O projeto prevê a construção de uma pista pavimentada e balizada com 1,2 km de extensão,

Perfil de operação

Aviação executiva

(jatos e helicópteros)

Táxi aéreo

Manutenção de aeronaves

Escola de formação de pilotos

Transporte aeromédico

Operações de apoio em situações emergenciais

Em situações específicas, poderá receber aeronaves de médio porte.

dimensionada para receber jatos e helicópteros da aviação executiva, com operação contínua e infraestrutura completa de apoio.

A proposta vai além da lógica de um aeródromo convencional e estrutura um ecossistema aeronáutico, reunindo hangaragem indivi-

Obras em Cruzeiro do Sul

Empreendimento: Condomínio Aeronáutico dos Imigrantes; Proponente: Construtora Diamond

Localização: Bairro São Rafael, Cruzeiro do Sul Área total: cerca de 40 hectares

Situação atual: projeto em fase final de aprovações técnicas

Início previsto das obras: março

Prazo estimado: 24 meses

Infraestrutura prevista

Pista: 1,2 km

Tipo: pavimentada e balizada

Iluminação: prevista para operação conforme regras aeronáuticas

Pátios: áreas de manobra e estacionamento de aeronaves

Hangaragem: individual (casas-hangar) e compartilhada

CONDOMÍNIO AERONÁUTICO

dual e compartilhada, manutenção de aeronaves, escola de formação de pilotos, táxi aéreo, transporte aeromédico e serviços associados. Conforme os investidores, trata-se de um ativo estratégico para o interior do Estado, capaz de reduzir tempos de deslocamento, ampliar a conectividade com centros econômicos e reposicionar o Vale do Taquari dentro da lógica de mobilidade de alto valor agregado.

Estrutura técnica e capacidade operacional

O condomínio aeronáutico foi planejado para atender às exigências técnicas da aviação executiva. Além da pista asfaltada e do sistema de balizamento, o projeto inclui pátios operacionais para manobra e estacionamento de aeronaves, áreas de abastecimento com AVGAS e querosene de aviação (JET A) e iluminação compatível com operações notur-

RSC-453

nas, conforme as regras do setor.

A concepção prevê ainda hangaragem individual no modelo casas-hangar, integrada ao condomínio, além de áreas compartilhadas para operadores e usuários.

Está prevista estrutura de apoio operacional, com equipe permanente no local e gestão por

empresa especializada, responsável pelo controle de uso das áreas, coordenação das operações e cumprimento das normas aeronáuticas e de segurança.

Embora não esteja dimensionado para a operação regular de aeronaves comerciais de grande porte, o empreendimento poderá receber aeronaves de médio porte em situações emergenciais, ampliando a capacidade regional de resposta logística e humanitária.

Local

O projeto ocupa uma área de 40 hectares, no bairro São Rafael, em Cruzeiro do Sul. Segundo os investidores, as licenças e certificações estão em fases finais de aprovação junto aos órgãos competentes da aviação, incluindo a futura certificação pela Agência Nacional de Aviação Civil. O investimento total é mantido em sigilo neste momento.

O cronograma preliminar indica o começo das obras em março, com prazo estimado de 24 meses para implantação completa.

Filipe Faleiro filipe@grupoahora.net.br

Visão do setor privado

Para a Diamond, o condomínio aeronáutico representa um salto de organização territorial e infraestrutura para o Vale do Taquari. O diretor de expansão da construtora, Sidnei Schmidt, afirma que o projeto nasce alinhado a uma visão de longo prazo.

“É um empreendimento pensado para acompanhar o crescimento econômico da região. Une infraestrutura, planejamento e desenvolvimento regional, inserindo o Vale em um novo cenário de mobilidade, negócios e oportunidades”, destaca.

A expectativa é de impacto econômico direto e indireto, com reflexos sobre a cadeia de serviços, manutenção aeronáutica, formação profissional, logística corporativa e circulação de capital no território.

Próximos passos

Do ponto de vista institucional, o governo de Cruzeiro do Sul acompanha o projeto como ente licenciador e regulador do uso do solo. Segundo a secretária de Administração, Camila Scheibler, a administração vinha tratando o tema com os investidores e será responsável pela análise ambiental e pelas licenças municipais para a instalação do empreendimento.

A área escolhida exige alteração de zoneamento urbano, etapa que será discutida em audiência pública marcada para a próxima terça-feira, às 17h30min. Na sequência, o Executivo pretende encaminhar projeto de lei à Câmara de Vereadores, já na quarta-feira, para análise e eventual adequação da legislação.

As informações técnicas detalhadas do projeto executivo, bem como a condução das etapas aeronáuticas, permanecem sob responsabilidade da construtora.

Gestão e operação

Administração: empresa especializada

Responsabilidade: Construtora

Diamond

Equipe: operacional fixa no local Controle: uso das áreas, coordenação das operações e segurança aeronáutica

Trâmites legais

Licenças: em fase final de aprovação

Certificação: prevista junto à ANAC

Competência municipal: análise ambiental, licenças e alteração de zoneamento Audiência pública: marcada para terça-feira, às 17h30

Encaminhamento: projeto de lei ao Legislativo após a audiência

A área de 40 hectares fica em São Rafael. Perspectiva da Diamond é começar a instalação em março. Prazo previsto para finalizar é de 24 meses
PEDÁGIO DE CRUZEIRO DO SUL

Com foco em segurança e resiliência, governo autoriza obras na ERS-332

Ordem de início foi assinada ontem, 30, com a presença do governador Eduardo Leite e do vice Gabriel Souza. Etapa de obras contempla trecho de 32 quilômetros entre Encantado e Anta Gorda

REGIÃO ALTA

Liderada pelo governador Eduardo Leite (PSD), uma comitiva do governo do Estado retornou à região ontem, 30, para o ato de assinatura da ordem de início das obras de recuperação da ERS332, no trecho entre Encantado e Anta Gorda. A solenidade foi realizada às margens da rodovia, no território de Doutor Ricardo. Também estiveram presentes o vice-governador Gabriel Souza (MDB) e o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella (MDB), além de prefeitos, lideranças regionais e representantes de entidades.

A obra integra o maior pacote de investimentos já destinado à ERS-332, rodovia fundamental tanto para o deslocamento da população quanto para o escoamento da produção e o fortalecimento da economia local. O trecho entre Encantado e Anta Gorda sofreu danos severos em decorrência das catástrofes climáticas registradas em 2023 e 2024, o que evidenciou a necessidade de uma intervenção estrutural, com foco em segurança viária, durabilidade do pavimento e maior resiliência da infraestrutura.

O governador Eduardo Leite destacou a importância da recuperação da rodovia para a retomada econômica da região e para a garantia de mais segurança aos usuários. Ele ressaltou que o

Os municípios da nossa região são de pequenas propriedades. Quando temos uma boa estrada para escoar os nossos produtos, eles também ganham mais valor.”

investimento representa um compromisso do Estado com a reconstrução das áreas atingidas e com o desenvolvimento sustentável do Vale do Taquari. “Só nesse trecho da ERS 332, de Encantado a Soledade, o Estado repassa R$ 200 milhões. É uma obra importante, relevante para o escoamento da produção, segurança para os motoristas e para o desenvolvimento do turismo”, comentou Leite.

Terceira pista no Morro da Guabiroba

Com extensão de 32 quilômetros, o trajeto entre Encantado

e Anta Gorda corresponde ao segundo lote de intervenções previstas para a ERS-332 e conta com investimento estimado em R$ 93,1 milhões. A obra foi viabilizada pelo regime de Contratação Integrada (RCI), que reúne a elaboração do projeto e a execução dos serviços em um único contrato, visando maior agilidade e eficiência. A empresa responsável é a MPX.

O presidente da Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat) e prefeito de Doutor Ricardo, Álvaro Giacobbo, ressaltou que a recuperação da ERS-332 representa uma demanda histórica da região e um passo fundamental para garantir melhores condições de trafegabilidade e segurança para moradores e transporta-

dores. “Nessa estrada passa a maior produção de erva-mate do RS. Os municípios da nossa região são de pequenas propriedades. Quando temos uma boa estrada para escoar os nossos produtos, eles também ganham mais valor”, reforçou Giacobbo, que confirmou intervenções no trevo de acesso a Anta Gorda e também a construção de terceiras faixas e refúgios em pontos do Morro da Guabiroba.

O outro trecho da rodovia, entre Anta Gorda e Soledade, com cerca de 59 quilômetros de extensão e investimento de R$ 107,2 milhões, também já está em execução. “Será uma outra 332”, acrescentou o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella.

É uma obra importante, relevante para o escoamento da produção, segurança para os motoristas e para o desenvolvimento do turismo."

EDUARDO LEITE GOVERNADOR DO RS
ALVARO GIACOBBO PRESIDENTE DA AMAT
Matheus Giovanella Laste matheuslaste@grupoahora.com.br
A obra integra o maior pacote de investimentos já destinado à ERS-332

EDUCAÇÃO INFANTIL

Emei Mundo Mágico retoma atividades em novo endereço

Escola volta a funcionar no antigo prédio do Sesquinho, no Centro, com aulas a partir do dia 9 e capacidade para atender cerca de 100 crianças

Após um período com atividades suspensas e alunos remanejados para outras escolas da rede municipal, a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Mundo Mágico retoma suas atividades em novo endereço. A escola, que anteriormente funcionava no bairro Nações, passa a atender no prédio do antigo Sesquinho, localizado na região central da cidade. As aulas iniciam no dia 9 de fevereiro.

O prédio, que havia sido atingido pelas cheias, passou por reformas e volta a ser utilizado para a educação infantil. A mudança permite melhor aproveitamento da estrutura e amplia o atendimento à demanda por vagas na rede.

De acordo com a secretária de Educação, Adriana Vettorello, a suspensão das atividades no

Nações ocorreu devido à baixa procura por vagas no local. “Em determinado período, a escola chegou a registrar um número muito reduzido de alunos, o que tornava inviável a manutenção da estrutura. As crianças foram então encaminhadas para outras Emeis, e parte da demanda foi absorvida pela ampliação da Emef Oscar Koefender, que passou a atender crianças de cinco anos em tempo integral.”

A reativação da Emei Mundo Mágico no novo endereço também foi viabilizada pelo desuso do prédio do antigo Sesquinho pelo Sesc, além da localização central, que facilita o acesso para famílias que trabalham na região. “A estratégia evitou a necessidade de criação de uma nova escola, aproveitando a estrutura administrativa já existente.”

Inicialmente, a escola atenderá turmas mistas de crianças de quatro e cinco anos, com ampliação gradativa para todas as etapas da educação infantil,

do berçário aos cinco anos. A estrutura conta com quatro salas de aula, áreas administrativas, sala dos professores, cozinha, refeitório, banheiros e pátio externo. A expectativa é atender cerca de 100 crianças, com turmas nos turnos da manhã, tarde e em tempo integral.

Disponibilidade de vagas

As matrículas seguem o sistema da Central de Vagas do município, que organiza o encaminhamento das crianças conforme critérios e zoneamento. Famílias interessadas devem realizar a inscrição no sistema para concorrer às vagas disponíveis.

A estratégia evitou a necessidade de criação de uma nova escola, aproveitando a estrutura administrativa já existente.”

Lista de espera

A Secretaria de Educação destaca que a redução da lista de espera por vagas na educação infantil é um avanço significativo. O município encerrou o último ano com cerca de 243 crianças aguardando vagas, número bem inferior ao registrado em anos anteriores. Além disso, novos investimentos estão em andamento, com a construção de novas escolas de educação infantil nos bairros Campestre e São Cristóvão, além de outras obras na rede municipal de ensino.

Estrutura recebe últimos
ADRIANA VETTORELLO SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO DE LAJEADO
MAIRA SCHNEIDER
Maira Schneider mairaschneider@grupoahora.net.br

REFORÇO

NA FISCALIZAÇÃO

Novo etilômetro moderniza abordagens e reforça combate à embriaguez ao volante

Equipamento usado pela PRF permite triagem pela fala do motorista e deve tornar operações mais rápidas e precisas

ASecretaria de Transporte e Trânsito de Lajeado passou a contar com um novo etilômetro para reforçar a fiscalização contra a combinação de álcool e direção. O equipamento, semelhante ao utilizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), permite identificar indícios de ingestão de bebida alcoólica apenas pela fala do condutor durante a abordagem, funcionando como uma ferramenta de triagem nas operações.

A novidade foi apresentada nesta semana pelo coordenador operacional dos agentes de trânsito, Gabriel Becker, que explica que o aparelho não substitui o bafômetro tradicional, mas torna o processo mais ágil e eficiente. “A gente já possui dois etilômetros mais antigos, que utilizamos no dia a dia, mas esse é um equipamento mais moderno, que a própria PRF usa há bastante tempo. Somente conversando com a pessoa, pedindo o nome, ele já consegue indicar se houve ingestão de álcool”, afirma.

Triagem

Na prática, o novo etilômetro será utilizado como um filtro inicial. Durante as abordagens, especialmente em operações de fiscalização como a Balada Segura, os agentes poderão identificar rapidamente quais motoristas apresentam sinais de álcool no organismo. A partir disso, apenas os casos positivos seguirão para

o teste tradicional, que confirma oficialmente a infração.

“Na triagem, a gente não perde viagem. Se o equipamento acusa a presença de álcool na conversa, aí sim a pessoa faz o teste do bafômetro convencional, que é o que vale para autuação. Quem não apresentar indícios já é liberado, tornando a fiscalização muito mais rápida”, explica Becker.

A expectativa é de que o novo modelo contribua para reduzir acidentes no município, especialmente os mais graves. Segundo o coordenador, o consumo de álcool esteve presente em boa parte das ocorrências com lesões corporais ou mortes registradas no último ano. “A maioria dos acidentes mais sérios que analisamos tinha envolvimento de bebida alcoólica por uma das partes. Então, esse investimento é pensado diretamente na preservação de vidas”, ressalta.

Investimento e capacitação

O equipamento teve custo de R$ 19.200 e faz parte de um processo de modernização da fiscalização de trânsito em Lajeado.

Além disso, a Secretaria já planeja a aquisição de mais uma unidade ao longo do ano, ampliando o alcance das operações em diferentes pontos da cidade.

Outra mudança importante é que, após treinamento do efetivo, previsto para ocorrer a partir de março, em parceria com a PRF, o etilômetro deverá ser oferecido em todos os atendimentos de acidentes de trânsito no município, tanto para condutores envolvidos quanto para responsáveis pelas ocorrências.

“A ideia é padronizar o procedimento. Sempre que houver acidente, o teste será ofertado. Isso aumenta a responsabilização e também funciona como prevenção, porque as pessoas sabem que a fiscalização será mais rigorosa”, destaca Becker.

Para os agentes de trânsito, a tecnologia representa um avanço no combate à imprudência e na promoção de um trânsito mais seguro. “Dirigir sob efeito de álcool é crime e coloca em risco quem está na via e quem não tem nada a ver com isso. Com esse equipamento, conseguimos agir com mais rapidez, precisão e eficiência”, conclui o coordenador.

ENTENDA

O equipamento será utilizado para verificar se, durante a fala, o etilômetro detecta qualquer indício de álcool. Caso haja

detecção, o motorista será convidado a realizar o teste tradicional, a fim de confirmar ou não a presença de álcool.

1. LIMITES DO BAFÔMETRO (ETILÔMETRO)

• Até 0,04 mg/L: Permitido. O índice é considerado dentro da tolerância do equipamento.

• De 0,05 mg/L a 0,33 mg/L: Configura infração gravíssima. O motorista recebe multa e tem a CNH suspensa, sem prisão.

• A partir de 0,34 mg/L: Caracteriza crime de trânsito. Além da multa e da suspensão da CNH, o condutor é encaminhado à delegacia.

2.

MULTAS E PENALIDADES DA LEI SECA

• Valor da multa (gravíssima multiplicada por 10): R$ 2.934,70.

• Recusa ao teste do bafômetro: Resulta nas mesmas punições, com multa de R$ 2.934,70 e suspensão da CNH.

• Suspensão da CNH: Duração de 12 meses.

Reincidência: Se a infração se repetir dentro de um ano, o valor da multa dobra, chegando a R$ 5.869,40.

• Medidas adicionais: O veículo fica retido até que um motorista habilitado e em condições adequadas se apresente.

3. CRIME DE TRÂNSITO

Quando o teste indicar 0,34 mg/L ou mais, ou quando a embriaguez for comprovada por outros meios (como exame de sangue ou sinais evidentes de alteração psicomotora), o condutor pode ser penalizado com prisão de seis meses a três anos.

FABIANO LAUTENSCHLÄGER
Novo etilômetro será utilizado como um filtro inicial nas abordagens

APRESENTADO POR:

PATROCÍNIO:

Depois de ajudar a fundar Sério, professor faz batizados, funerais e visita doentes

Líder da emancipação de Sério, professor Antônio Lazzari, 88, educou políticos, ajudou a reorganizar o hospital e assume funções na igreja. Ele é o primeiro entrevistado do projeto Tributo aos Guardiões

Aos domingos, antes das 8h, o professor Antônio Lazzari, se dirige para a Igreja, a poucos metros da sua casa. Auxilia na missa, prega a palavra e distribui a comunhão. Em Sério, os 2 mil habitantes o conhecem pelo primeiro nome e, ao transitar pelas ruas, Lazzari é cumprimentado como “professor”. No círculo restrito da igreja, os fiéis o chamam de “diácono”.

Antônio Lazzari, mesmo aposentado, vive a intensa vida comunitária. Aos 88 anos, tem energia para sair de casa e “se doar um pouco mais”. Aprendeu no seminário. “Ajudar é gratificante. Sinto certa obrigação de auxiliar quem posso”, comenta.

Como se forma um líder emancipacionista

Natural de Canudos do Vale, Lazzari ingressou jovem no seminário em Taquari. Permaneceu sete anos, tempo suficiente para que o ambiente lhe ensinasse a importância do espírito colaborativo. Ali, construiu a base educacional: latim, grego, francês e inglês, matérias obrigatórias. Assim que saiu, passou a lecionar.

E foi essa função que o levou a se transferir de Canudos para Sério, na época, distrito de Lajeado.

“Eu lecionava para turmas da primeira à quinta série. Em uma sala de aula, atendi 107 alunos”, conta, para exemplificar a educação da época. Em Sério, ele e a esposa Ermida criaram os quatro filhos. O distrito de Sério desejava se libertar de Lajeado. Assim, surgiu a comissão da emancipação. Lazzari foi um dos líderes do movimento. A localidade queria estradas melhores e qualidade de vida para a população, assim a ideia cresceu.

ANTÔNIO LAZZARI Bendito aqueles municípios que têm um forte voluntariado.”

PROFESSOR APOSENTADO

“Nós pensávamos que Sério estava muito longe de Lajeado: queríamos mais recursos para a agricultura, mais estradas e isso impulsionou a emancipação”. Lazzari percorreu a comunidade e, de casa em casa, esclareceu as vantagens de Sério se desmembrar de Lajeado. Houve um plebiscito com a seguinte indagação: você quer ou não a emancipação? 90% consentiram. “Tínhamos 1.821 eleitores e 1.167 disseram sim”. O professor mira o papel de caderno, escrito à mão, amarelado, com os números oficiais

Lazzari percorreu a comunidade para esclarecer

do plebiscito. Recortes de jornais, anotações manuscritas, fazem parte do arsenal de memórias. Para entender a importância do professor no movimento, é preciso compreender as dificuldades da época. Os líderes emancipacionistas não sabiam o caminho para Porto Alegre e era crucial

A influência do professor Lazzari em seis tempos

• Aos 13 anos, ingressou no Seminário de Taquari

• Tornou-se professor das séries iniciais, lecionando para turmas numerosas

• Atuou como líder na emancipação de Sério

• Contribuiu para a reestruturação do Hospital São José

• Atuou por décadas como apoio espiritual da comunidade

• Em 2006, foi ordenado diácono e segue na função há 16 anos

Sério em números

• Cerca de 2 mil habitantes

• Emancipado de Lajeado em 20 de março de 1992

• Instalação do município em 1993

• Destaque agrícola para o cultivo da pitaya

Andreia Rabaioli andreia@grupoahora.net.br

ir para lá para apresentar documentação referente ao novo município que se criaria. Lazzari rumou para a capital 30 vezes, de ônibus ou carona. A missão: conversar com deputados, apontar o número de eleitores e deixar tudo pronto para oficializar Sério, “o município que recebe sorrindo”, marcou com slogan.

O território foi emancipado em 1992 e instalado em 1993 com a posse do primeiro prefeito, Décio Afonso Mallmann. Havia quem desejasse que o professor fosse o primeiro administrador, mas ele assumiu a Secretaria da Administração, onde ficou por três anos. “Nosso município se desenvolveu, valeu o esforço”.

Contribuição na saúde

O Hospital de Caridade São José, uma instituição comunitária fundada em 1955 e estava desaparelhado, com falta de médicos e inconsistência no atendimento. “Ele abria e fechava”, lembra o professor. Precisava de amparo. Lazzari se empenhou para a reestruturação da casa de saúde.

Depois de passar por reformas, a instituição criou um centro geriátrico. O hospital agora, mesmo sem prontosocorro, se tornou um centro de saúde com foco em cuidados humanizados. Lazzari dispensa os holofotes: “Não fiz tanto assim”, desconversa.

A frase é desdita pelo prefeito, Sidnei Moisés de Freitas, que foi aluno dele. “Professor foi uma das pessoas que mais se empenhou pelo município. Lutou pela emancipação, atuou na parte religiosa, na comunidade e na melhoria de nosso hospital. É a nossa figura influente”, destaca o administrador.

Do seminário para os batizados

comunidade

na

A passagem de Lazzari pelo seminário em Taquari, talhou seu

É difícil ver alguém se doar por tantos anos. Dona Ermida sempre o acompanhava.”

PROFESSOR

O professor Antônio se empenhou desde a escola até a emancipação e a vida religiosa. É uma figura influente de Sério.”

caráter. Ao voltar à comunidade, casado, se tornou uma autoridade religiosa. “Se você não pode ser ministro da Igreja, ninguém mais poderia”, falou um padre a ele. Passou a ser o “braço direito” dos sacerdotes. Coordenava a reza do terço, realizava batizados,

sepultamentos e conciliava desavenças em famílias, junto da esposa Ermida.

Em 2006, foi ordenado diácono. Com a escassez de padres nas comunidades, o professor pregou a palavra e distribuía a comunhão. A igreja, seu segundo lar. Ele realiza as tarefas ainda hoje. “Neste ano, completo 16 anos como diácono”, enfatiza Lazzari.

Para se tornar diácono, foi preciso permissão da mulher e dos filhos.

A esposa virou companheira de voluntariado. Entre as histórias, Lazzari lembra da noite em que foi acordado para resolver um conflito familiar na comunidade vizinha. Ele e a mulher, juntos, conciliarem a situação. “Eu nunca parei com o voluntariado. Gosto disso”.

A esposa, Ermida, morreu em 2016 , após 57 anos de vida conjugal. Ele continua prestando reverência à mulher, por meio da foto pendurada na parede da sala. E sob a benção feminina, segue sozinho com o trabalho voluntário em Sério.

A secretária da Paróquia, Celi Henz, é enfática: “É difícil ver atualmente, uma pessoa se doar por tantos anos como ele faz”.

Celi o conhece há 30 anos, mas desde que assumiu o secretariado, há 16, a relação se estreitou. A forma como o professor conduziu o trabalho em família, com união e empenho tem o respeito dela. “Existe uma admiração grande por este casal, dona Ermida o acompanhava”.

Lazzari a observa, “encabulado” com os elogios. A secretária completa: “O diácono é um ser humano formidável”. Eles se abraçam.

Na Igreja, ele se ajoelha em frente à sacristia e mostra onde as hóstias são guardadas. Mais tarde, já em frente ao prédio da prefeitura, comenta: “Benditos aqueles municípios que têm um forte voluntariado”.

É uma Iniciativa do Grupo A Hora para valorizar voluntários do Vale do Taquari que doam tempo e habilidades em busca de uma sociedade humanitária. O projeto selecionou 36 pessoas que vão ter suas histórias destacadas no jornal, rádio e redes sociais. Em dezembro, eles serão contemplados em cerimônia com o troféu Lenira Maria Klein. Acompanhe nas plataformas do Grupo as trajetórias do voluntariado do Vale. O projeto conta com o apoio integral da Girando Sol, Grupo Imec e Motomecânica. Ainda, Fliegen Confecções, Nimec Logística, Rota Gráfica e Madre Bárbara.

CELI HENZ
SIDNEI MOISÉS DE FREITAS
O que é o Projeto
Professor Antônio Lazzari tem quatro filhos, sete netos e uma bisneta. Mora próximo à igreja, cercado por álbuns de família
as vantagens de Sério se desmembrar de Lajeado
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ARQUIVO VIVO

Professora aposentada guarda recortes e lendas urbanas que instigam a história

Por dois anos, Lília Natália

Ruwer catalogou diariamente, na

Biblioteca Pública, curiosidades e notícias de Lajeado. O acervo está na casa dela, no bairro Americano

Andreia Rabaiolli centraldejornalismo@grupoahora.net.br

LAJEADO

Aprofessora aposentada Lília Natália Rüwer, 77, conta histórias curiosas sobre Lajeado com a memória ainda fresca das lembranças de antigamente. Apaixonada pela cidade, Lília guarda décadas da história da cidade em

Primeiros mapas de Lajeado integram estão entre os documentos de Lília

recortes de jornal. As pastas estão espalhadas pelo chão da sala, ao lado de fotos e mapas antigos. Para tudo, ela tem uma explicação. A professora lecionou por

Um rádio “TeleUnião com nove transistores, também faz parte do acervo da professora aposentada

mais de 30 anos nas séries iniciais e, foi na época do magistério que ela despertou para a história da cidade. “Tenho o documento sobre a emancipação de Lajeado, notí-

Lília e as pastas com notícias antigas, espalhadas pela sala

cias do primeiro carro de Lajeado e histórias sobre o Rio Taquari de quando os peixes vinham picar nas pernas da minha mãe”. Durante dois anos, Lília frequentou a biblioteca pública para montar o acervo. Nas pastas antigas, os primeiros mapas de Lajeado já estão amarelados. Há registros sobre o Clube Esportivo Lajeadense, concursos de beleza, bailes e a vida social da cidade ao longo das décadas.

Lília é capaz de contar dez histórias em meia hora com dezenas de detalhes. A colecionadora acredita que as pastas antigas serão um legado. “Devemos guardar estas lembranças para as próximas gerações. Porque Lajeado surgiu do esforço de muita gente”. Para provar, ela conta que o Parque do Engenho foi construído com a mão de obra dos escravos, que retiravam a terra em balaios. “Não havia nem carrinho de mão”.

Acervo histórico dentro de casa

Na sala da casa, são muitos os recortes em letras antigas, de jornais que já não circulam. Para dar visibilidade a sua paixão de colecionadora, Lília publica nas redes sociais, fotos e informações históricas. Assim, ela repercute as curiosidades que tanto marcaram época.

A professora também coleciona objetos antigos, como um gramofone que está em destaque na lareira. Na prateleira de madeira, há um rádio pesado e antigo, com nove

transistores, da marca Teleunião. Lília quase não consegue carregá -lo. Na sala de estar, estão xícaras herdadas do tataravô e um piano tradicional. Uma edição da revista O Cruzeiro, publicada antes da chegada do homem à Lua, já falava sobre os chamados os futuros astronautas. Ela folheia e ri do título, “Os homens voadores”. Consciente do valor histórico do que reúne, decidiu o destino do material. Quando não estiver mais aqui, o acervo deverá ser encaminhado à Univates ou ao Arquivo Público de Lajeado. Um gesto de quem entende a importância de preservar a história.

A história da Vila Olga contada por Lília

A Vila Olga foi um casarão marcante de Lajeado, conhecido por receber encontros sociais e eventos políticos. Ficava onde hoje está a farmácia Droga Raia, ao lado do cemitério evangélico.

Construída em 1934, era considerada uma das residências mais luxuosas da cidade. A fachada imponente e a arquitetura chamavam atenção de quem passava.

O espaço entrou para a memória local também pelas visitas ilustres. Por lá estiveram lideranças políticas como João Goulart (Jango) e Leonel Brizola. A Vila Olga foi demolida em 1999, em meio a polêmicas, para abrir espaço a novos empreendimentos. Essa história segue viva no acervo e na lembrança de Lília. Ela conta os detalhes com um sorriso calmo, de quem viu a cidade mudar por dentro e por fora, e ainda guarda no papel o que muita gente já deixou escapar da memória.

FOTOS: ANDREIA RABAIOLLI

CTG 20 de Setembro projeta evento histórico

Rodeio Crioulo

Estadual chega a 43ª edição e ocorre até domingo, em Boqueirão do Leão, com mais de R$ 17 mil em prêmios e expectativa de público de 3 mil pessoas

Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br

BOQUEIRÃO DO LEÃO

OCTG 20 de Setembro promove neste fim de semana o 43º Rodeio Crioulo Estadual. O evento ocorre no Parque Paixão Cortes, em Sete Léguas, em

Boqueirão do Leão. Consolidado como um dos principais eventos tradicionalistas da região, o rodeio deve reunir cerca de 3 mil pessoas ao longo dos três dias de programação.

Para o patrão do CTG, Luis Celso de Borba, chegar à 43ª edição representa a confirmação de uma trajetória construída com dedicação e amor à tradição gaúcha. “É a consolidação de um evento que fortalece a identidade cultural e valoriza as raízes campeiras do município e da região”, destaca. A programação contará com provas tradicionais de laço, além do Laço Quarentão, laço municipal e do já consagrado 5º Duelo Rainha Serrana, um dos grandes atrativos do evento. Segundo o patrão, a disputa eleva o nível técnico do rodeio e tem atraído competidoras de diversos municípios, como Lajeado, Santa Cruz do Sul, Arroio

do Meio e Sinimbu.

Outro destaque é a premiação, que ultrapassa os R$ 17 mil. Para Borba, o valor incentiva a participação de laçadores de alto nível e contribui para tornar as provas ainda mais competitivas. “Valoriza o esforço dos competidores e eleva o padrão técnico do rodeio”, afirma.

Melhorias estruturais

Em relação à estrutura, o Parque Paixão Cortes passa por melhorias para receber o público com segurança e conforto. O espaço contará com praça de alimentação, segurança organizada, banheiros e nova estrutura nas mangueiras da pista. A organização envolve diretamente sócios e colaboradores do CTG.

Parque passa por melhorias para receber o público com segurança e conforto

Além do aspecto esportivo, o rodeio tem papel fundamental na preservação da cultura gaúcha. “É uma forma de manter vivas as tradições, promover a convivência campeira e transmitir os costumes de geração em geração”, ressalta o patrão. O evento também gera impacto positivo no comércio, na gastronomia e no turismo local, fortalecendo Boqueirão do Leão como referência tradicionalista na região.

É a consolidação de um evento que fortalece a identidade cultural e valoriza as raízes campeiras do município e da região.”

LUIS CELSO DE BORBA PATRÃO DO CTG
DIVULGAÇÃO

Madeira como protagonista

Um projeto repleto de aconchego e funcionalidade. Esse foi o conceito norteador do trabalho da arquiteta Amanda C. Heineck, para o interior de um apartamento.

A proposta parte de uma base neutra e atemporal, com o protagonismo da madeira e a fluidez dos espaços, criando um interior elegante, leve e pensado para o dia a dia.

A ilha em pedra natural Mont Blanc define o espaço com presença e leveza, destacando os veios e o desenho preciso que valoriza o bloco esculpido.

A marcenaria em madeira acrescenta aconchego e equilíbrio visual, enquanto a composição dos volumes e a iluminação pontual reforçam a leitura limpa e sofisticada do ambiente.

O projeto ainda valoriza a amplitude visual e a conexão fluida entre os espaços do living. A disposição dos volumes e a continuidade dos materiais criam uma leitura única do apartamento, onde estar, jantar e cozinha se relacionam de forma equilibrada. A marcenaria em madeira percorre os ambientes, trazendo aconchego e reforçando a sensação de unidade em todo o espaço. Como parte do ambiente, os móveis soltos da Mari Perin e Finger Móveis Planejados agregam à composição.

Amanda C. Heineck. @arquiteturaacanto
Mari Perin e Finger Móveis Planejados

Fevereiro é mês das grutas em honra à Nossa Senhora de Lourdes

Patrocínio

do turismo regional 365 VEZES NO VALE

Uma tradição religiosa dos municípios colonizados por italianos populariza pontos de natureza invejável. No Vale do Taquari, é muito comum encontrarmos as charmosas grutas de Nossa Senhora de Lourdes. Destinos esses que ganham destaque com as festas em honra a santa no mês de fevereiro. Elenco aqui quatro pontos muito populares nas cidades da região.

Gruta de Doutor Ricardo

Talvez uma das mais belas do estado com a cortina de prata formada pela cascata de 70 metros. O destino está localizado a apenas três quilômetros do centro de Doutor Ricardo. Tem o acesso facilitado por uma escadaria com mais de 200 degraus. Além do altar improvisado na formação rochosa, a Gruta de Doutor Ricardo conta com área com churrasqueiras e bar que atende nos fins de semana.

Gruta de Anta Gorda

Localizado no charmoso e pacato distrito de Itapuca, a formação rochosa onde repousa a imagem da santa tem mais de 100 metros de comprimento. É considerada uma das maiores cavernas de basalto do país. A gruta também conta com acesso facilitado com escadarias e área de camping com espaços para passar o dia.

Gruta de Guaporé

Conhecida como Gruta do Seminário ou Gruta dos Padres,

O 365 vezes no vale está participando de uma iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento, qualificação e posicionamento do Vale do Taquari. É o Projeto de Promoção e Comercialização Turística Regional (Promotur). Em janeiro, iniciamos nossa parte desse grandioso projeto com a produção de registros fotográficos e atualização de dados de empreendimentos turísticos da região. O trabalho começou com Vespasiano Corrêa, Guaporé e Encantado.

A ação é uma iniciativa da Amturvales em parceria com os governos municipais.

é um ponto que já chama atenção com a estrada de carros pela floresta. A gruta com uma pequena queda de água tem o altar da santa e bancos para as celebrações religiosas.

Gruta de Capitão

Na Linha Alegre, a gruta de Capitão é uma das mais bem estruturadas do Vale. Tem estacionamento próximo, banheiros, bancos na sombra de árvores e área coberta com churrasqueiras usada nos eventos em honra à santa. A formação rochosa com a imagem da santa fica ao lado de uma charmosa cascata com cerca de cinco metros e poço com água cristalina.

A Eduarda Zuse nos apresenta um dos cenários de verão mais belos do Vale. A cascata da Colônia Jardim é um paraíso localizado na divisa de Boqueirão do Leão e Progresso.

Use a #365_vezes_no_vale e compartilhe as belezas da região conosco!

Um dos pontos já visitados foi a Cascata Três Quedas, localizada em Vespasiano Corrêa
Gruta de Doutor Ricardo
Gruta de Anta Gorda
Gruta de Capitão
Gruta de Guaporé

Publicações Legais

UMAS & OUTRAS

FOGUETE BUSCA-PÉ

Em tempos idos era bem comum até por aqui a prática de guerrinhas de busca-pé, um entrevero de artefatos pirotécnicos que depois de acesos saíam em disparada para qualquer lado, rastejando pelo chão em busca de alguns pés mais desprevenidos e neles dar o estouro final.

Depois de acender os pavios e soltar os rojões a coisa meio que saia do controle, aí era na base do cada um por si e Deus por mim.

Como regra geral, ocorriam numa praça pública, depois que tradicionais transeuntes se recolhiam e ela ficava vazia.

Até era divertido de assistir, mas perigoso de participar, inclusive com casos registrados de queimaduras um pouco mais graves que exigiram atendimento no prontosocorro e por isso mesmo a prática foi proibida. E cá prá nós: era idéia de jerico mesmo.

Em ambientes políticos isso

também pode acontecer: se alguém solta um busca-pé costuma provocar um alvoroço geral. Pior: se entender muito do assunto e tiver interesse capaz de largar um rojão por mês, soltando faíscas para tudo quanto é lado.

Pode acontecer em recantos planaltinos e em qualquer bibóca deschte paisch

QUANDO A ESMOLA É DEMAIS...

...Até o santo desconfia. É o que diz o ditado popular, mas nessa história do Banco Master parece que não existiu nenhum santinho na parada. Dá a impressão de uma fieira de ratos enganchados, um no rabo de outro, tipo trenzinho da alegria. E por prudência jurídica, vale reforçar: é apenas uma impressão, não uma afirmação...

Alguém por aqui conhecia a existência desse tal banco? O

meu Cumpádi Belarmino nunca tinha sequer ouvido falar, mas o bolicho dele não integra as tais altas esferas. Classificado nos meios financeiros oficiais como S3, tipo assim um time de terceira divisão. Gerenciador de menos de meio por cento dos ativos financeiros nacionais, aparentemente em boa parte de mero “capital-fumaça”, temperado com créditos podres e sem lastro, mas mesmo assim gozando de influentes assessorias e consultorias.

De qualquer jeito, os ilustres aplicadores beneficiados com taxas de rendimento excepcionais oferecidas pelo banco provavelmente terão seus “dereitos” cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e no frigir dos ovos com custo criteriosamente repassado em pequena escala para todos os demais correntistas do sistema financeiro. E segue o baile!

SEJA RAZOÁVEL, PEÇA O IMPOSSÍVEL SAIDEIRA

Bah! Pra entender essa ideia-força tem que retroceder uns 50 anos, foi gerada “expontaneamente” em manifestações de rua dos tempos da chamada Guerra Fria, que brotaram em Paris e acabaram se espalhando por diferentes quadrantes, devidamente disseminadas por determinadas redes e conexões, até bem patrocinadas.

Na época até foi novidade, mas hoje em dia já virou um feijão com arroz requentado, talvez com alguma pitadinha de um novo tempero, ao gosto de apreciadores.

Neto prá nona:

- E aí, vó, como foi a consulta tua e do nôno no médico da família?

- Em resumo, o diagnóstico foi que prá mim não há muita esperança...

- Que é isso, vó, como assim???

- O nôno continua muito bem de saúde e pelo jeito vai continuar me arranjando incomodação por bastante tempo.

ELISABETE BARRETO MÜLLER ARTIGO

Mais feminicídios

Enquanto escrevo este texto, o RS apresenta um número alarmante: onze feminicídios em janeiro de 2026.

Este é o mês do meu aniversário e por isso havia pensando em escrever uma mensagem alegre. Mas não consigo ver as notícias desses acontecimentos nefastos e dizer que está tudo bem, se o coletivo está um caos. As vítimas desses crimes não irão mais comemorar seus aniversários...

Essas mortes precisam nos causar impacto! Não dá para fazer de conta que nada está acontecendo porque o nosso mundinho pessoal está normal. No ano passado, eu e minha filha fomos a Porto Alegre na manifestação “Mulheres Vivas”. Houve uma dramatização em que foram mostrados sapatos vermelhos representando mulheres mortas, ao mesmo tempo em que pessoas faziam um som de um grito de dor ancestral. Em seguida, nomes de vítimas de feminicídios foram ditos. Ficamos emocionadas! Quando surgiram nomes de mulheres conhecidas, nos abraçamos e choramos juntas. Só cogitar a morte de mulheres que amamos nos causou sofrimento. O que eu quero ressaltar com esse relato é que as vítimas de feminicídio não são apenas um número. Suas famílias e amizades estão em luto. Há filhos sem mães e mães e pais sem filhas depois disso. São mulheres que tiveram a sua jornada interrompida porque homens decidiram que elas não podiam mais viver. Lá se foram seus sonhos, sua rotina, seu trabalho, seu estudo, sua vida. Seus afetos choram a dor da partida e da injustiça.

A sociedade precisa parar de dar desculpas para isso tudo: o calor, a bebida, o remédio, os feriados, a honra, a paixão... Assim como no estupro a causa não é a roupa, o local, a mulher.

Há que se tirar a venda e entender que existe um machismo estrutural que está matando mulheres, no qual homens foram criados julgando que podem dispor dos pensamentos, do corpo e da vida das mulheres, que elas são seres de hierarquia inferior e devem ser submissas ao seu poder. Como mudar esse panorama? A lei por si só não é suficiente. Necessitamos de políticas públicas eficientes, mais profissionais nas áreas de segurança, justiça e demais serviços de atendimento às vítimas, como saúde e assistência social, visto que a demanda é gigante. Também é preciso criar grupos reflexivos de gênero, fortalecer as redes de enfrentamento à violência contra a mulher, trabalhando tanto o combate quanto a prevenção, e apoiar entidades de abrigamento, como a Casa de Passagem do Vale.

Quanto a nós, o que faremos a respeito? Fecharemos a janela para não olhar as mazelas do mundo ou iremos agir? Nós mulheres queremos seguir vivas. Só que essa luta não é apenas nossa, é de toda a sociedade. Urge que os homens que repudiam esse quadro caminhem conosco.

Vamos juntos?

A lei por si só não é suficiente. Necessitamos de políticas públicas eficientes, mais profissionais.”

VNEY ARRUDA FILHO ARTIGO Advogado

Os novos covardes

ivemos tempos curiosos. Nunca foi tão fácil dizer tudo e nunca foi tão difícil sustentar qualquer coisa. As redes sociais “pariram” uma nova espécie humana: o corajoso digital. Ele surge implacável por detrás de uma tela, vociferando verdades absolutas, distribuindo ofensas, julgamentos morais e sentenças definitivas. Ele não hesita, não pondera, não escuta. Ele é valente, destemido.

Esses novos corajosos escrevem com conhecimento de causa e com a segurança de quem jamais será interrompido. Eles não enfrentam o silêncio constrangedor de uma plateia, uma réplica imediata, nem o olhar do outro que questiona, que discorda ou que simplesmente não se intimida. São os “leões do teclado”, os “gladiadores de WhatsApp”. Avançam com ferocidade, protegidos pelo escudo luminoso da tela.

O fenômeno é recente e curioso, porque subverte valores antigos. Coragem, outrora, exigia presença, pressupunha risco. Ser corajoso implicava assumir o peso da própria palavra diante de alguém que podia contestá-la. O confronto de ideias era um exercício civilizatório. Quando a gente falava, tinha que ouvir e podia até discordar, buscando, quem sabe, um consenso mínimo. Hoje é diferente, a coragem foi terceirizada à tecnologia. Para exercê-la, no mais das vezes, basta uma conexão estável e alguma dose de agressividade mal digerida.

O novo covarde, entretanto, não se reconhece como tal. Ele se vê como livre, autêntico, alguém que não se sujeita ao “politicamente correto”. Acredita que grosseria é sinônimo de franqueza e que opinião só tem valor se vier acompanhada de ofensa. Curiosamente, quando convidado ao debate real, aquele debate feito sem emojis, sem bloqueios e sem a opção de sair do grupo, o novo covarde evapora, some, silencia, se ausenta. Nada

o constrange mais do que o diálogo olho no olho. A tela lhe dá coragem, enquanto a presença lhe inflige pânico. Afinal, pessoas reais não aceitam ser reduzidas a rótulos. Elas respondem, argumentam, olham de volta, buscam fundamentos. E isso exige algo que o corajoso digital não possui: responsabilidade pelo que diz.

Há, portanto, uma ironia amarga nesse novo heroísmo. Nunca se falou tanto em liberdade de expressão e em autenticidade. Nunca se praticou tão pouco o diálogo. A praça pública virou feed, o debate de ideias transformou-se em ataque, a discordância, em cancelamento. O outro deixou de ser interlocutor e passou a ser inimigo.

Talvez seja hora de resgatar um conceito antigo, quase esquecido, o conceito da coragem verdadeira, aquela que não grita, que não se esconde. A coragem que aceita o risco do contraditório e reconhece que ideias só amadurecem quando expostas à luz, nunca à sombra confortável de uma tela. Os novos covardes continuarão rugindo, mas basta desligar o Wi-Fi para perceber que o leão que rugia estrondoso nunca foi mais que um gatinho inofensivo que, quando confrontado, esconde-se na escuridão do seu eu.

O fenômeno é recente e curioso porque subverte valores antigos. Coragem, outrora, exigia presença, pressupunha risco.”

COMPETIÇÃO

DIFERENTE

LAJEADO SEDIA OLIMPÍADA DE ESCOLA MUNDIAL DE FILOSOFIA

Atletas-filósofos disputam provas que surgiram na Grécia Antiga. Corrida Kairós, no domingo, é aberta a comunidade

Andreia Rabaiolli centraldejornalismo@grupoahora.net.br

AOlimpíada da Escola Nova Acrópole, instituição que está em mais de 50 países, deve reunir 300 participantes do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina em Lajeado. Tem atividades abertas

SÁBADO

à comunidade. Destaque para a Corrida Kairós, no domingo pela manhã. O trajeto de 5 quilômetros será feito na pista de atletismo da Univates.

Esta é a 3ª edição dos jogos. A programação começou nessa sexta-feira, com recepção das delegações, e segue no sábado e domingo com provas de atletismo no Complexo Esportivo da Univates, além de modalidades como basquete, vôlei, tênis de mesa, xadrez, natação, futebol e tiro com arco. São competições praticadas na Grécia Antiga, reforçando o poder da prática esportiva para manter a lucidez do corpo e da mente.

Segundo a diretora do núcleo de

PROGRAMAÇÃO

9h: Provas de atletismo (salto em altura, lançamento de dardo e disco, corrida das crianças)

9h: Competições simultâneas de basquete, vôlei, tênis de mesa e xadrez

11h: Aula especial com a professora Sara Fantin, “A Beleza no Esporte”, no Ginásio Poliesportivo

12h: Natação

13h: Competições simultâneas de basquete, vôlei, tênis de mesa e xadrez

15h: Programação cultural, Auditório 7 da Univates

17h30min: Tiro com arco e competições simultâneas de

basquete, vôlei, xadrez e tênis de mesa

19h30min: Futebol

21h30min: Cerimônia de Purificação do Estádio

DOMINGO

7h: Corrida Kairós (5 km), na pista de atletismo, gratuita e aberta à comunidade

8h30min: Aula especial com o professor Ricard, “Esporte e Desapego”

9h30min: Final do futebol e do atletismo

10h30min: Cerimônia de encerramento

Os jogos da escola de filosofia surgiram em 1981, na Espanha, e desde então a instituição insere a prática esportiva no cotidiano dos seus alunos

Lajeado da Nova Acrópole, Sofia Bittencourt, a proposta é resgatar o espírito olímpico e mostrar o esporte como ferramenta de formação pessoal. “É uma maneira de conceber a vitória como um estado da alma que surge em nós quando colocamos em jogo todas as nossas forças”, afirma.

PARCERIA DO COMITÊ

As Olimpíadas da Escola Nova Acrópole têm a parceria do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Ao criar os jogos modernos, Coubertin focou também na dimensão ética e formação humanista do esporte.

Os jogos da escola de filosofia surgiram em 1981 na Espanha e desde então a instituição insere a prática esportiva no cotidiano dos seus alunos. A Escola foi instalada em Lajeado neste ano e aproveita a ocasião para trazer as disputas, fortalecendo localmente o nome da Nova Acrópole.

A maioria das competições ocorrerá no Complexo Esportivo da Univates mas haverá jogos também no Ginásio Poliesportivo. Informações com Sofia Bittencourt pelo (51) 99225-9163.

DIVULGAÇÃO

GAUCHÃO

RODADA DEFINE CLASSIFICADOS E LUTA CONTRA O REBAIXAMENTO

Dupla GreNal tem duelo particular contra Dupla Caju. Inter e Grêmio devem utilizar reservas e privilegiar Brasileirão

Oregulamento mais enxuto do Campeonato Gaúcho faz com que ainda em janeiro seja disputada a rodada decisiva da primeira fase. Neste sábado, seis partidas ocorrem de maneira simultânea e definem os oito classificados às quartas de final e os quatro times que lutarão contra o rebaixamento. Todos os jogos

ocorrem às 16h30min.

Apenas quatro equipes estão matematicamente classificadas. Internacional e Juventude, no Grupo A, e Grêmio e Caxias, no Grupo B. São José e Ypiranga, terceiros colocados dos grupos, também tem a classificação encaminhada.

Do outro lado da tabela, São Luiz, Avenida e Guarany, no Grupo A, Monsoon, Novo Hamburgo e Inter-SM, no Grupo B, vivem chances reais de encerrar nas duas últimas colocações e jogarem o quadrangular do rebaixamento.

INTER RESERVA EM CAXIAS

A vitória no GreNal deixou a vida do Inter confortável no Gau-

chão. A derrota para o Athletico, por outro lado, acendeu sinal de alerta no Brasileirão. Mesmo que possa perder a liderança do grupo, o Colorado deve ter time reserva no Centenário contra o Caxias.

A provável escalação tem: Anthoni; Aguirre, Felix Torres, Juninho e Alisson; Villagra e Bruno Henrique; Allex, Tabata e João Victor; João Bezerra.

O Inter precisa vencer o confronto para garantir liderança do Grupo A. Caso empate ou seja derrotado, permanece na ponta caso o Juventude não vença o Grêmio.

Adversário da tarde, o Caxias é vice-líder do Grupo B e pode terminar na liderança se vencer o jogo e o Grêmio não ganhar do Juventude. O provável time caxiense tem: Léo Lang; Ronei, Andrés

Robles, Mauricio e Roberto; Wellington Reis, Dudu Vieira e Tomas Bastos; Calyson, Douglas Skilo e Jeam.

GRÊMIO RESERVA NA ARENA

A situação tricolor é similar à colorada. O Grêmio é líder do Grupo B, tem vantagem sobre o Caxias e deve escalar reservas contra o Juventude na Arena. Já criticado após derrotas contra Inter e Fluminense, Luís Castro privilegiará o Brasileirão na sequência.

O time titular deve ter: Gabriel Grando; Marcos Rocha, Noriega, Viery e Caio Paulista; Dodi, Tiaguinho, Pavon, Monsalve e Enamorado; André Henrique.

O Juventude é vice-líder do Grupo A e tem também a segunda melhor campanha do Gauchão. Empate na Arena já seria valioso visando confrontos futuros no mata-mata. O técnico Maurício Barbieri deve escalar: Jandrei; Messias, Rodrigo Sam e Marcos Paulo; Raí Ramos, Lucas Mineiro, Pablo Roberto, Mandaca e Alan Ruschel; Taliari e Alisson Safira.

Caetano
Depois de estrear no segundo tempo do GreNal, argentino Villagra deve ser titular pela primeira vez no Inter
RICARDO DUARTE

FUTEBOL AMADOR

PARA SE ISOLAR NA LIDERANÇA EM NOVA BRÉSCIA E PROGRESSO

Jogos ocorrem no sábado e no domingo. Grupo A Hora transmite jogo na Capital Nacional da Mentira

Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br

Ofim de semana esportivo no Vale do Taquari terá jogos em quatro competições esportivas. O destaque fica para Progresso e Nova Bréscia. Nas duas cidades, os clubes podem se isolar na liderança.

Em Nova Bréscia, a rodada ocorre em Linha Tigrinho Alto. Pela manhã, Cristal e Esperança se enfrentam em busca dos primeiros pontos no Municipal. O perdedor corre risco de ficar de fora da fase eliminatória.

Pela tarde o destaque fica para o duelo entre Botafogo e Atlético Caçadorense. O alvinegro venceu o Cristal na estreia por 6 a 2 e tem no elenco atletas de destaque no Vale do Taquari, como João Moura, Josué Gomes, Peleguinho e o goleiro Didi, campeão Regional com o Taquariense. Em caso de novo êxito, se isola na liderança. Já o Atlético aposta em atletas como Dartora, Marquinhos Guevedi, Fogaça e Bryan Krüger. O time vem de empate na estreia e se vencer termina a rodada na liderança.

Progresso

A rodada ocorre no sábado na comunidade de Morro Azul. Líder da competição com seis pontos, o São João encara o Flamengo.

A diferença entre as equipes na tabela de classificação é de apenas um ponto.

Monte Alverne

A competição esportiva que reúne os principais atletas do Vale do Taquari promove a terceira rodada. O São José recebe o Saraiva. Ambos estão com três pontos e dividem a liderança do torneio. Os jogos ocorrem no sábado.

Boqueirão do Leão

Em virtude da realização do Rodeio do CTG 20 de Setembro, em Sete Léguas, a competição não tem rodada neste fim de semana e retorna no próximo domingo, em Linha Data.

AGENDA

SÁBADO

Monte Alverne – 3ª rodada

São José x Saraiva

CLASSIFICAÇÃO:

Titular: Saraiva e São José (3 pontos), Monterey e Boa Vista (1), e São Martinho (sem pontuar);

Aspirante: Monterey, Boa Vista e São Martinho (3 pontos), Saraiva e São José (sem pontuar);

Progresso – 6ª rodada

Morro Azul – Amizade x Flamengo Cabeceira de Tocas (veterano)

Morro Azul – São João x Flamengo de Xaxim (livre)

CLASSIFICAÇÃO:

Titular: São João (7 pontos), Flamengo (6), Cruzeiro (1), Gaúcho e Internacional Campo Branco (sem pontuar);

Veterano: Flamengo Cabeceira de Tocas (6 pontos), Amizade, São João e Flamengo Xaxim (3), Achados e Perdidos (sem pontuar);

DOMINGO

Nova Bréscia – 3ª rodada

Linha Tigrinho Alto – Cristal x Esperança

Linha Tigrinho Alto – Atlético Caçadorense x Botafogo

CLASSIFICAÇÃO

Titular: Botafogo e Imigrante (3 pontos), Atlético Caçadorense e Canarinho (1), Cristal e Esperança (sem pontuar);

Aspirante: Atlético Caçadorense, Esperança e Botafogo (3), Cristal, Canarinho e Imigrante (sem pontuar);

Putinga – 3ª rodada

Vila Nova x Rui Barbosa (série B) Xarqueadense x Tamandaré (Série A)

CLASSIFICAÇÃO

Série A: Xarqueadense (3 pontos), Palmeiras, Tamandaré, Juventude e Rui Barbosa (1);

Série B: Vila Nova (3 pontos), Xarqueadense, Palmeiras, Tamandaré e Floresta (1);

Fim de semana terá apenas dez jogos por quatro competições no Vale do Taquari
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Taquari buscava reativação do Parque Apícola

Taquari vivia a expectativa de retomar um capítulo importante da apicultura com a proposta de reativação do Parque Apícola. A estrutura, existente desde 1929, voltava ao centro das atenções durante a primeira reunião do ano do Comitê Gestor do Projeto Setorial de Apicultura, promovido pelo Sebrae.

O encontro reunia representantes da cadeia produtiva, além do secretário de Ciência e Tecnologia, Kalil Sehbe Neto, e do diretor -presidente da Fepagro, Carlos Cardinal. Naquele momento, eram discutidas políticas e estratégias para devolver funcionalidade ao parque, um dos maiores centros de referência.

pesquisa já tinha sido autorizado, sinalizando a recuperação do espaço considerado o berço da apicultura nacional. O comitê buscava ampliar a competitividade do mel gaúcho nos mercados, especialmente por meio do fortalecimento científico e tecnológico da produção. Além do investimento

previsto na modernização do centro em Taquari, a Fepagro avançava em ações como a instalação de cerca de novas colmeias no estado e a criação de apiários vinculados à pesquisa. Apesar do simbolismo, a reativação do Parque exigia recursos financeiros e a disponibilidade de profissionais especializados.

Nova Delegacia da Fazenda em Lajeado

A instalação da 13ª Delegacia Regional da Fazenda foi um momento simbólico em Lajeado. O ato teve a presença do secretário da Fazenda do RS, Paulo Michelucci, e marcava uma mudança aguardada há mais de uma década pela comunidade. A transformação em delegacia agilizava os trabalhos da Sefaz na região. Naquele período, o Vale do Taquari respondia por 4,5% da arrecadação estadual, que totalizava R$ 103,5 milhões em impostos. Os

números reforçavam a relevância econômica da região e justificavam a elevação do status administrativo. A delegacia seguia responsável por 42 municípios, com escritórios em Teutônia, Guaporé e Encantado. A área de atuação compreendia 62,9 mil contribuintes. A expectativa era de que essa reorganização proporcionasse um atendimento mais eficaz. A instalação da delegacia ocorreu durante as comemorações de aniversário de Lajeado.

Sábado é Domingo é

- Dia do Mágico

- Dia de São João Bosco

- Dia Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural

- Dia do Engenheiro Ambiental

Santo do dia 31: São João Bosco

O reinício das atividades de Jubileu das irmãs

- Dia do Publicitário

- Início do Fevereiro Roxo | Lúpus, Alzheimer e Fibromialgia

- Início do Fevereiro Laranja | Leucemia

Santo do dia 1º: Santa Veridiana

Há 50 anos, um momento de celebração quando as irmãs franciscanas comemoravam jubileus de vida religiosa. As cinco freiras atua-

vam no Hospital Estrela e reuniam membros da comunidade em uma missa em ação de graças, celebrada na capela da casa de saúde.

Quatro irmãs celebravam o jubileu de prata, enquanto uma alcançava o jubileu de diamante, um marco raro. Somados, os anos de vida religiosa das cinco irmãs alcançavam 160 anos de dedicação ao próximo. O jubileu de diamante era celebrado pela irmã Emília von Vickeren, natural da Alemanha, nascida em 1889. O jubileu de prata reunia as irmãs Guida Griebler, natural de Cerro Largo; Eloá Junges, de Cruzeiro do Sul; Tereza Weber, de Arroio do Meio; e Dulcidia Seewald, de Montenegro.

(INTERINA)

HENRIQUE PEDERSINI

Jornalista

O rumo político do Vale em menos de 250 dias

Não seremos uma região deficitária caso fique frustrada a tentativa de emplacar deputados locais na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Porém, é inegável que ampliar a representatividade institucional do Vale representa um passo estratégico para avançarmos em uma série de demandas coletivas.

Esta resposta pode sair em 4 de outubro, ou seja, a menos de 250 dias. Caso a gente “bata na trave”, os grandes acordos partidários pós-eleição podem consistir no empurrãozinho que faltou. De forma direta, o próximo governador importará ao seu mandato deputados estaduais eleitos e isso abre espaço para quem ficou na suplência. Mas não nos faltam motivos, votos e nem opções para garantir nas urnas o tão sonhado gabinete do Vale, em Porto Alegre e quiçá em Brasília.

O cenário atual inclui Maneco Hassen, Roberto Lucchese, Mateus Trojan, Marcelo Caumo, Luis Benoitt e José Scorsatto, que voltou a trabalhar sua candidatura após adiado o projeto para ser secretário de estado. Se fosse futebol, diria que todos estes estão fardados no vestiário e prontos para entrar, de fato, em campo (se bem que todos tem feito movimentos públicos e/ou de bastidores). Ao Congresso Nacional, se credencia Carlos Ranzi (MDB). Ex-vereador, foi candidato a prefeito em Lajeado em 2024, com representativa votação, apesar da derrota para Gláucia Schumacher.

Em meio ao final de semana, entramos em fevereiro e será um mês de confirmações ou desistências, com certeza. Por mais que esteja explícita a relevância de uma voz própria na mesa do grande debate político, será necessário muito trabalho, sola de sapato e movimentos precisos para transformar um desejo em uma real conexão entre as cerca de 40 cidades do Vale e os corredores da Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados.

“Depois a gente dá um jeito para pagar”

Rapidinho…

ARTIGO

ROGÉRIO WINK

Empreendedor e comunicador, apresentador do programa “O Meu Negócio”, da Rádio

Logística: salto necessário

Os novos dados do Produto Interno Bruto confirmam a força econômica do Vale do Taquari. Em 2023, a região alcançou R$ 24,23 bilhões, passando a representar 3,7% do PIB do Rio Grande do Sul. Trata-se de um avanço relevante não apenas em volume, mas também em participação relativa, já que em 2021 esse índice era de 3,3%. O crescimento é resultado direto de uma base produtiva sólida, da diversificação econômica e da chegada de novos investimentos, como a ampliação de importantes empresas da região e novos operadores, especialmente instalados nas proximidades de rodovias estratégicas, como as ERSs 129,130, a RSC-453 e a BR 386.

Os números reforçam uma realidade já conhecida por quem vive e empreende na região: o Vale é resiliente, e capaz de crescer mesmo em cenários adversos. A indústria de alimentos, o agronegócio, construção civil, os serviços consolidados e a cultura empreendedora formam um ecossistema que sustenta empregos, renda e arrecadação. No entanto, os próprios dados também indicam que estamos entrando em uma nova fase, na qual manter o ritmo de crescimento exigirá enfrentar gargalos estruturais.

Entre eles, um se impõe de forma cada vez mais evidente: a logística de transporte rodoviário.

O crescimento do PIB mostra que o Vale está no caminho certo. O aumento da participação no PIB estadual confirma que a região já começa a ganhar mais espaço”

A frase é de Marlon Pretto, administrador da PDS Obras Ltda em entrevista para a Rádio A Hora. Aliás, se houve cobrança no passado, justo elogiar a postura da empresa em ocupar o espaço e apresentar sua versão sobre as acusações. Entre os argumentos explanados, chamou atenção uma descrição de Marlon sobre a Secretaria de Obras de Lajeado e o trâmite para repassar obras contratadas e encaminhar o processo de pagamento pelos serviços. Conforme Marlon, eram solicitados serviços sem nenhum documento e o indicativo era que, posteriormente, se ajustaria o que fosse necessário para enquadrar os trabalhos em um dos modelos de vínculo que o município tinha com a PDS, mesmo que não fosse precisamente o tipo de serviço previsto na licitação. É, no mínimo, confuso.

- Na próxima semana iniciam as sessões e demais atividades da câmara de Lajeado. Além da CPI, o ano promete debates importantes na área de mobilidade urbana, infraestrutura e serviços básicos. Isso é certo. Dúvidas ainda sobre o movimento do PP para manter Mozart Lopes na câmara. Um dos eleitos ou a primeira suplente, Lisandra Quinot, precisa abrir espaço para o quarto suplente. Segundo e terceiro suplentes, Heitor Hoppe e Daia Bauer integram o governo de Gláucia Schumacher.

- Depois de convencer Jonas Calvi a filiar-se ao PSD, o governador Eduardo Leite e seu fiel escudeiro Artur Lemos (o chefe da Casa Civil) miram outros gestores do Vale. Na lista, Carine Schwingel, de Estrela, Gisele Caumo, de Santa Tereza e até Mateus Trojan, de Muçum, caso a relação dele com o MDB fique extremecida por conta dos movimentos voltados à eleição.

- A Expovale+Construmóbil ocorre no final deste ano em Lajeado e promete ser marcada por grandes anúncios de oportunidades na construção civil. O evento será no Parque do Imigrante. Aliás: quando será que iniciam as obras para reestruturação do parque?

Produzir mais não significa, necessariamente, ganhar mais. Parte importante da riqueza gerada no Vale ainda se perde no caminho entre a origem e o mercado. Custos elevados de transporte, dependência de insumos externos e dificuldades de acesso aos grandes centros consumidores reduzem margens, afetam prazos e limitam a competitividade das empresas locais. Esse impacto é sentido desde o produtor a indústria até o cliente final Rodovias sobrecarregadas ou malconservadas não são apenas um problema de mobilidade. Elas influenciam decisões de investimento, a localização de novas plantas industriais e a capacidade de retenção de talentos. Infraestrutura deficiente encarece o produto e compromete a renda per capita, mesmo em uma região que cresce acima da média estadual.

É nesse ponto que o debate sobre concessões rodoviárias precisa ganhar maturidade. Não se trata de defender pedágios por princípio, mas de reconhecer que investimento contínuo em infraestrutura exige modelos sustentáveis. O poder público, sozinho, tem demonstrado limitações para acompanhar a velocidade e a complexidade das demandas logísticas atuais.

Concessões bem estruturadas, com contratos equilibrados, foco em entrega de qualidade, podem garantir duplicações, manutenção permanente, segurança viária e previsibilidade logística. Para o Vale do Taquari, isso significa reduzir custos nas cadeias produtivas, ampliar a atratividade para novos investimentos, fortalecer o turismo e melhorar a qualidade de vida de quem circula e vive na região.

O crescimento do PIB mostra que o Vale está no caminho certo. O aumento da participação no PIB estadual confirma que a região já começa a ganhar mais espaço. O desafio agora é transformar esse crescimento em valor agregado, renda e crescimento sustentável.

Com logística adequada, o Vale do Taquari tem condições de dar um novo salto no desenvolvimento.

Fim de semana, 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026

Fechamento da edição: 18h

MÍN: 18º | MÁX: 30º O sábado começa com tempo firme na Região, e o sol aparece acompanhado de nuvens em alguns períodos.

Saúde não cabe na balança

Entre dietas da moda, promessas rápidas e números isolados, especialistas defendem uma abordagem mais ampla, individualizada e responsável sobre alimentação e bem-estar

“Sou apaixonada pelo meu trabalho”

Formada em psicologia pela Unisinos há 30 anos, Deise Lopes Craide trabalha como Psicóloga Clínica e Psicóloga Perita em Varas de Família. Ela tem especializações em Psicologia Clínica da Infância e Adolescência, Mediação de Conflitos e Psicologia Forense e afirma ser apaixonada pela profissão.

O que te fez escolher a profissão e como foi esse início?

Eu sempre gostei muito de crianças. Nossa família sempre foi muito unida. Meu irmão mais velho, Alex, ajudou meus pais a cuidarem de mim. Eu e meu irmão ajudamos meus pais a cuidar de meus dois irmãos menores: Alan e Giane. Fui professora de crianças durante 8 anos. Sou apaixonada por histórias das pessoas e gosto de guardar segredos. Isso tudo me fez escolher ser psicóloga.

Quais os maiores desafios da profissão hoje?

Maiores desafios são as pessoas priorizarem o cuidado com a saúde emocional. Vou escrever algo duro, mas real: as pessoas têm dinheiro para irem ao salão de beleza e jantarem nos melhores restaurantes. Mas acham que não têm dinheiro para pagar algo que é fundamental: cuidar da sua saúde emocional.

Como você percebe a área hoje e o que nota como evolução daqui pra frente?

Nossa área de Psicologia, hoje, tem muito trabalho. Na clínica, nas escolas e, inclusive, nas empresas, que agora terão a exigência de cuidarem da saúde emocional de seus colaboradores, com a NR 1 - que exige às empresas oportunizarem saúde emocional aos seus funcionários para, inclusive, terem menos acidentes de trabalho e maior qualidade profissional e familiar.

Lembra de algum momento marcante de algum paciente que passou por você? Em 30 anos de profissão, teria 30 mil momentos marcantes. Entre eles, um dos primeiros pacientes que teve alta e até hoje, às vezes, volta, em etapas diferentes de sua vida. O trabalho voluntário no acolhimento de famílias nos abrigos nas enchentes e no IML foram difíceis e muito marcantes.

EXPEDIENTE

Há poucos dias, posso citar um paciente que saiu da primeira consulta e me escreveu no WhatsApp: “Dra Deise, obrigada por ser essa excelente profissional! Saímos da consulta hoje muito melhores do que quando entramos. Muito obrigada”. Sou apaixonada pelo meu trabalho. Ouvir de uma criança: “Tia Deise, adorei vir aqui, posso posso voltar?” não tem preço.

Textos e fotos: Paulo Cardoso

EDITORIAL

Além dos padrões

EMaiores desafios são as pessoas priorizarem o cuidado com a saúde emocional.”

Textos: Bibiana Faleiro

ntre o exagero e o equilíbrio, existe um certo perigo na forma como discutimos alimentação e saúde hoje. Em meio a gráficos, promessas instantâneas e discursos simplificados, a nutrição foi reduzida a uma disputa de números: calorias, quilos e percentuais de gordura. A balança virou obsessão, e a saúde, por vezes, ficou em segundo plano. O avanço da obesidade, do sobrepeso e das doenças crônicas não pode ser explicado apenas por “falta de disciplina” ou escolhas individuais equivocadas. Também não será resolvido por dietas universais, medicamentos vistos como solução isolada ou por tendências que se espalham com velocidade maior do que a ciência consegue acompanhar. O problema é estrutural, multifatorial e exige mais do que respostas fáceis. Especialistas têm insistido em um ponto essencial: saúde não é sinônimo de magreza, assim como peso não é sinônimo de equilíbrio. Há corpos inflados de calorias e pobres de nutrientes; há pessoas dentro do “peso ideal” com metabolismo comprometido; e há um número crescente de pessoas com obesidade, inflamação crônica e perda muscular. Outro erro recorrente é a obsessão pelo resultado rápido.

Em uma cultura que não tolera espera, o emagrecimento virou produto, e não processo. Medicamentos e estratégias intensivas têm seu lugar, sobretudo em casos graves, mas sem mudança de hábitos, tornam-se atalhos frágeis. O corpo cobra a conta — quase sempre com reganho de peso, perda de massa muscular ou agravamento metabólico. Também é preciso encarar um debate, por vezes, incômodo: a romantização da obesidade, quando desconectada da saúde. Cuidar do corpo não é punição, é responsabilidade. E informação qualificada é parte fundamental desse cuidado.

Talvez o maior desafio do nosso tempo seja reaprender o básico: comer com consciência, respeitar a individualidade biológica, entender que genética não é destino, e que hábitos familiares moldam gerações inteiras. A prevenção não gera manchetes chamativas nem resultados imediatos, mas segue sendo o investimento mais consistente em saúde pública. A nutrição precisa voltar a ser o que sempre deveria ter sido: uma ferramenta de equilíbrio, autonomia e cuidado contínuo, e não mais um palco para moda, promessas e disputas com a balança. Boa leitura!

Diagramação: Lautenir Junior Coordenação: Felipe Neitzke

Meninos vão 18 vezes menos ao urologista do que meninas ao ginecologista

Acompanhamento precoce ajuda a prevenir doenças, cria hábitos de autocuidado e pode evitar complicações na vida adulta

Enquanto as meninas costumam fazer a transição do pediatra para o ginecologista após a menarca, muitos meninos atravessam a adolescência sem um acompanhamento médico específico.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 12 e 19 anos, a frequência de consultas médicas entre meninas é quase 2,5 vezes maior do que entre meninos. A disparidade cresce ainda mais quando se compara o acesso ao ginecologista e ao urologista: elas realizam 18 vezes mais consultas do que eles.

Parte dessa diferença está ligada à ideia ainda comum de que o urologista é um médico “apenas para homens mais velhos”. Mas isso não poderia estar mais distante da realidade.

Segundo o urologista Ezequiel Rocha Mattos (CRM 38708 | RQE 36423), a orientação é que a primeira avaliação aconteça a partir do início da puberdade, entre os 11 e 14 anos — um período estratégico para a saúde masculina, marcado por intensas mudanças hormonais e físicas.

“Muitas condições que impactam a vida adulta começam ainda na adolescência. Ao identificar precocemente

na adolescência. Ao identificar precocemente qualquer alteração, é possível intervir de forma simples e eficaz”

Ezequiel Rocha Mattos urologista

qualquer alteração, é possível intervir de forma simples e eficaz, reduzindo significativamente o risco de complicações futuras — não apenas relacionadas à fertilidade e à saúde sexual, mas também aquelas que vão além do sistema urológico.”

Esse acompanhamento garante que tudo esteja se desenvolvendo como esperado e representa uma forma de cuidar hoje para evitar preocupações maiores no futuro.

Consultas

Na maioria dos casos, a consulta envolve principalmente conversa e exame físico.

“Exames complementares só são solicitados quando realmente necessários, como ultrassonografia ou exames laboratoriais”, afirma o especialista.

Segundo Mattos, o constrangimento é comum nessa faixa etária, mas pode ser superado com informação e diálogo. “Todo o atendimento é conduzido com cuidado e respeito, sempre com foco preventivo. Essas conversas ajudam a quebrar mitos e deixam claro que a consulta é um ambiente de acolhimento e orientação, não de julgamento”, diz.

A proposta é transformar o consultório em um espaço de orientação e confiança, ajudando o adolescente a compreender as mudanças do próprio corpo.

Para ele, o mais importante é abordar o tema com tranquilidade, sem transformar a ida ao médico em algo assustador.

“Quando os pais tratam a saúde íntima como parte natural do cuidado com o corpo, o adolescente tende a se sentir mais seguro. Respeitar a privacidade e estimular a autonomia também fazem diferença nesse processo”, acrescenta.

Atenção imediata

Dor nos testículos, aumento ou inchaço no escroto, diferença significativa de tamanho entre os testículos, dor ao urinar ou jato urinário fraco estão entre os sinais que merecem atenção. “Esses sintomas podem indicar alterações no trato urinário ou no sistema reprodutor e não devem ser ignorados”, ressalta. Infecções urinárias de repetição

e qualquer tipo de lesão genital também exigem avaliação médica. Nessas situações, a orientação é procurar o urologista o quanto antes, o diagnóstico precoce amplia as chances de tratamento eficaz e ajuda a evitar complicações futuras.

Principais problemas urológicos

• Fimose e complicações do prepúcio

• Varicocele

• Ejaculação precoce e disfunções sexuais

• Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

Orientação é que a primeira avaliação aconteça a partir do início da puberdade, entre os 11 e 14 anos
ENVATO

Nutrição além da balança

Especialistas alertam para os perigos de dietas generalistas e defendem abordagens personalizadas, sustentáveis e com foco na prevenção

Os debates sobre alimentação e obesidade ganharam destaque nos consultórios e nas redes sociais, impulsionados por dietas da moda e tratamentos que prometem resultados rápidos. Nesse contexto, nutricionistas alertam que reduzir a nutrição a números na balança ou a padrões universais pode ser enganoso e até perigoso para a saúde. Uma alimentação eficaz precisa levar em conta a individualidade biológica, hábitos de vida, contexto cultural e fatores emocionais.

A nutricionista Ana Paula Dexheimer destaca que um dos maiores desafios da nutrição

contemporânea é romper com modelos generalistas e devolver ao paciente o protagonismo do próprio cuidado. Para ela, seguir recomendações alimentares pensadas para outras populações ou baseadas apenas em pirâmides e modismos globais representa um risco real à saúde.

“Nosso papel é individualizar. O paciente faz parte de uma população, mas ele é único. Mesmo irmãs gêmeas respondem de formas diferentes aos alimentos”, afirma. Segundo Ana Paula, considerar o contexto de vida, a fase em que a pessoa se encontra, a saúde intestinal e os alimentos disponíveis localmente é essencial para uma estratégia eficaz e sustentável.

Alerta

Ao analisar o crescimento simultâneo da obesidade e do sobrepeso, a nutricionista alerta para um cenário preocupante, especialmente entre crianças. “Se os pais estão ganhando peso, os filhos também tendem a ganhar, e cada vez mais cedo. Isso significa doenças crônicas aparecendo antes, com impacto direto no futuro da população”, avalia.

Ela reforça que o peso isolado ou o IMC já não são suficientes para avaliar saúde, já que composição corporal, massa muscular e hábitos de vida precisam ser considerados. “Há pacientes com sobrepeso em pior estado de saúde do que pessoas com obesidade que se cuidam. O número da balança não conta a história inteira”, pontua. Sobre o uso crescente de medicamentos injetáveis para emagrecimento, Ana Paula reconhece que se trata de uma ferramenta importante, especialmente em casos mais graves, mas faz ressalvas. “Esses medicamentos são uma revolução porque trazem resposta rápida, mas não podem ser a única estratégia. Sem mudança de estilo de vida, há risco de perda significativa de massa muscular e de reganho de peso”, alerta. Ela explica que fibras alimentares, atividade física e ajustes no plano alimentar também atuam na saciedade e no controle glicêmico, ainda que de forma mais gradual. “O problema é que as pessoas querem resultados imediatos, e constância exige tempo.”

no longo prazo, a dieta não funciona.”

Ana Paula Dexheimer nutricionista

Eveline Bald nutricionista Obesidade é uma doença crônica e multifatorial, não um número na balança.”

“Perder peso nem sempre é saudável”

A nutricionista Eveline Bald chama atenção para os limites e controvérsias de alguns perfis alimentares que voltaram ao debate recentemente, principalmente aqueles que ampliam o consumo de carnes, em especial a vermelha. Segundo ela, embora as diretrizes indiquem que menos de 10% das calorias diárias venham de gordura saturada — presente principalmente em alimentos de origem animal —, esse percentual é facilmente ultrapassado quando o consumo de carnes não é bem controlado.

Nutricionistas destacam que abordagens individualizadas e sustentáveis são mais efetivas do que dietas da moda no controle de peso e saúde geral

“No Brasil, a recomendação de até 500 gramas de carne vermelha por semana. Considerando os hábitos alimentares, especialmente em fins de semana, esse limite costuma ser excedido com facilidade”, observa, ressaltando que nem todos os perfis de pessoas se beneficiam desse tipo de padrão alimentar. Outro ponto central destacado pela nutricionista é a confusão frequente entre perda de peso e emagrecimento. Enquanto emagrecer significa reduzir

A mesma comida pode ser terapêutica para um e prejudicial para outro.”

Marta Cyrne nutricionista

gordura corporal — o que traz benefícios metabólicos e reduz inflamações —, perder peso nem sempre é saudável, já que pode envolver a perda de massa muscular.

Eveline ainda alerta para o crescimento da chamada obesidade sarcopênica, condição em que a pessoa apresenta excesso de gordura e pouca massa muscular, o que compromete o metabolismo e a estrutura corporal. “É tão prejudicial quanto a obesidade isolada, porque o músculo tem um papel fundamental no funcionamento do organismo”, explica.

Para ela, é essencial compreender a obesidade como uma doença crônica e multifatorial, influenciada por alimentação, atividade física,

genética, hábitos de vida e fatores emocionais. Eveline também faz um alerta sobre a romantização da obesidade nas redes sociais, muitas vezes mascarada por discursos de aceitação corporal que ignoram os riscos à saúde. “Ter exames dentro da normalidade não significa, necessariamente, estar saudável. A obesidade é fator de risco para diversas doenças, inclusive alguns tipos de câncer”, reforça. Nesse cenário, a profissional defende informação qualificada, senso crítico diante das dietas da moda e tratamentos rápidos, além de acompanhamento multiprofissional como base para um cuidado efetivo e sustentável com a saúde.

Obesidade e nutrição

Para a também nutricionista

Marta Cyrne compreender corretamente os conceitos de obesidade e desnutrição é fundamental para qualificar o debate sobre saúde. Segundo ela, ainda persiste a ideia equivocada de que o indivíduo desnutrido é apenas aquele visivelmente magro, quando, na prática, grande parte das pessoas com obesidade também apresenta desnutrição. “A obesidade não significa supernutrição. Pelo contrário: é um corpo inflamado e carente de nutrientes essenciais. O equilíbrio nutricional é o que leva, como consequência, a um peso adequado.”

Saúde na infância

Muito além do gasto de energia, o brincar ativo contribui para o desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo das crianças, e ajuda a construir hábitos saudáveis para a vida toda

Em meio ao aumento do tempo diante das telas e pela redução das brincadeiras ao ar livre, a atividade física na infância ganha um papel ainda mais importante. Mais do que esporte ou treino, movimentar o corpo desde cedo é uma forma de promover saúde, estimular habilidades motoras, favorecer a socialização e fortalecer vínculos familiares. Especialistas alertam: brincar, correr, pular e explorar o próprio corpo são necessidades fundamentais do desenvolvimento infantil, e não apenas opções de lazer. Para o educador físico Paulo Hoppen, especialista em atividades recreativas, o movimento sempre fez parte da infância, mesmo antes de receber esse nome. Segundo ele, atividades que hoje podem parecer simples, como subir em árvores, carregar um colega ou brincar de pega-pega, sempre foram formas legítimas de exercício físico. “Antigamente, ninguém falava em treino ou musculação para crianças, mas elas desenvolviam força, coordenação e equilíbrio

naturalmente, brincando”, explica.

Hoppen destaca que o brincar livre e lúdico é a melhor porta de entrada para o movimento. “Transformar a atividade física em algo prazeroso é essencial. Subir, rastejar, se pendurar, equilibrarse, tudo isso trabalha habilidades motoras importantes”, afirma. Ele lembra que muitas dessas experiências migraram da rua para ambientes institucionais por questões de segurança, o que torna ainda mais importante criar espaços adequados para esse tipo de vivência.

Outro ponto de atenção é o impacto das telas. “As telas são uma das maiores dificuldades hoje. Quando a criança larga o celular, muitas vezes o adulto precisa entrar na brincadeira junto”, observa. Para ele, mais do que limitar o uso de tecnologia, é fundamental garantir tempo de qualidade com os filhos.

Entre os benefícios do movimento, Hoppen cita melhora do sono, aumento da concentração, desenvolvimento social e emocional. “Nos jogos coletivos, a criança aprende a criar estratégias, conviver em

Treino orientado

Já a educadora física Patrícia Wenzel, que atua com treino orientado para crianças, explica que, a partir dos 7 anos, é possível introduzir exercícios com mais técnica, sempre com cuidado e supervisão profissional.

“Depois dos 7 anos, a criança já pode realizar movimentos um pouco mais trabalhados, mas sem cargas exageradas. O foco é o peso do próprio corpo, coordenação, equilíbrio e consciência postural.”

Patrícia reforça que não há comprovação científica de que o exercício físico prejudique o crescimento, desde que não haja excessos. “O problema não é

o exercício, é o exagero. Tudo precisa de equilíbrio”, afirma. Nos treinos, o tempo inicial costuma ser de cerca de 30 minutos, evoluindo gradualmente. O objetivo, segundo ela, não é desempenho, mas aprendizado do movimento correto. “Eles vêm para aprender, corrigir postura e se conhecer melhor. Estão em fase de crescimento”, diz. Os reflexos vão além do corpo. “Quando a criança aprende a se concentrar para executar um movimento, isso impacta diretamente na escola. Vem o foco, a disciplina, a organização”, destaca.

saúde e no desenvolvimento

grupo, ganhar e perder. Isso forma caráter”, diz. Ele também reforça a importância da inclusão. Crianças com diferentes níveis de habilidade ou com deficiência devem participar das atividades, com adaptações. “O objetivo não é performance, é socialização e prazer”, resume.

ENVATO
Brincar, correr e explorar o corpo são formas naturais e essenciais de exercício físico na infância, com impacto direto na

Frutas vermelhas: aliadas na saúde da mulher e do envelhecimento

Morango, amora, framboesa e mirtilo são exemplos de frutas vermelhas que, além do sabor marcante, se destacam pelo alto valor nutricional. Pequenas no tamanho, elas concentram grande quantidade de compostos antioxidantes, especialmente antocianinas, substâncias associadas à proteção das células contra o envelhecimento precoce.

De acordo com a nutricionista Juliete Carvalho, para a saúde da mulher, o consumo regular de frutas vermelhas pode trazer benefícios importantes. Os antioxidantes ajudam a combater os radicais livres, relacionados ao envelhecimento da pele, à perda de elasticidade e ao aparecimento de rugas.

Além disso, essas frutas contribuem para a saúde cardiovascular, auxiliam no controle da

Picolé caseiro de frutas vermelhas

Rendimento: 6 unidades

Ingredientes

- 2 xícaras de frutas vermelhas (frescas ou congeladas)

- 1 xícara de água ou água de coco

- Suco de ½ limão

Modo de preparo

Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma mistura homogênea. Distribua em formas de picolé e leve ao congelador por, no mínimo, 4 horas. Opção refrescante, rica em antioxidantes, com baixo teor de açúcar e ideal para os dias quentes, contribuindo para a hidratação e o envelhecimento saudável.

inflamação e podem favorecer o equilíbrio metabólico ao longo das diferentes fases da vida feminina.

Juliete destaca que outro ponto relevante é o teor de vitamina C, que participa da formação do colágeno, fundamental para a saúde da pele, cabelos e unhas. As frutas vermelhas também são fontes de fibras, importantes para o funcionamento intestinal e para o controle da glicemia, fatores que ganham ainda mais importância com o passar dos anos.

Inseridas em uma alimentação equilibrada, as frutas vermelhas podem ser consumidas frescas, congeladas ou em preparações simples, mantendo seus benefícios nutricionais.

Pilates, método centenário que fortalece o cuidado integral

Criado na Primeira Guerra Mundial, pratica se populariza entre diferentes biotipos ao unir prevenção de dores, fortalecimento muscular e qualidade de vida

Pilates trabalha o controle da respiração, a concentração e a consciência corporal, propondo movimentos precisos executados de forma consciente

Por anos associado a uma prática suave e a um público majoritariamente feminino, o pilates vive hoje um reposicionamento. Ao revelar ganhos reais em força, flexibilidade, tônus muscular e equilíbrio, o método deixa para

trás antigos rótulos e assume um novo protagonismo.

Baseado na associação entre mente e corpo, o pilates trabalha o controle da respiração, a concentração e a consciência corporal, propondo movimentos precisos executados de forma consciente. Adaptável a

diferentes idades e níveis de condicionamento físico, é utilizado tanto na prevenção de lesões quanto na reabilitação e no fortalecimento muscular.

Segundo a educadora física Laura Trentini, o grande diferencial da prática está na qualidade do movimento. “O pilates se destaca por priorizar o fortalecimento profundo do centro de força. Em vez de apostar apenas no volume muscular ou na repetição exaustiva”, afirma.

Benefícios físicos e mentais

A prática promove um corpo com maior amplitude de movimento, definido e alinhado, ao combinar mobilidade, força e consciência corporal. A transformação mais imediata, explica Laura, é a autopercepção. “O praticante passa a entender como seu corpo funciona e começa a corrigir a postura de forma quase automática no dia a dia.”

Com a regularidade, os ganhos se consolidam no fortalecimento do core, no aumento da flexibilidade e, principalmente, na redução de dores crônicas e tensões causadas por sobrecarga, sedentarismo ou excesso de telas.

A influenciadora e educadora física Júlia Cristina Schneider, 34 anos, manifesta que além dos benefícios citados pela profissional, também houve aumento da mobilidade e redução de desconfortos articulares, especialmente

em regiões mais exigidas por exercícios intensos, resultados que reforçam o pilates como aliado na construção de um corpo mais funcional e equilibrado.

Laura também cita uma frase clássica do criador do exercíocio, Joseph Pilates, para ilustrar o processo: “Em 10 sessões você sente a diferença, em 20 os outros percebem e em 30 você tem um corpo novo”.

“Na prática já nas primeiras semanas, cerca de quatro a cinco aulas, muitos alunos relatam o corpo mais disposto, com menos rigidez ao despertar ou após longos períodos sentados”, comenta.

Além dos ganhos físicos, o método impacta diretamente a saúde mental. A educadora define o pilates como uma “meditação em movimento”. “Como cada exercício exige foco total na respiração e no alinhamento, é impossível praticar pensando nos problemas externos. Isso gera um alívio mental enorme.”

No cotidiano, alunos relatam melhora na qualidade do sono, maior paciência e uma sensação de disposição que vai além do tempo de aula.

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