PNLD 2027 Anos Iniciais - Baobá - História - Volume 5

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HISTÓRIA

COLEÇÃO

baobá

LIVRO DO PROFESSOR

ALFREDO BOULOS

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Componente curricular: História

Doutor em Educação (área de concentração: História da Educação) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Mestre em Ciências (área de concentração: História Social) pela Universidade de São Paulo.

Lecionou nas redes pública e particular e em cursinhos pré-vestibulares.

É autor de coleções paradidáticas.

Assessorou a Diretoria Técnica da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – São Paulo.

1a edição, São Paulo, 2025

Copyright © Alfredo Boulos Júnior, 2025

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Edição Valquiria Baddini Tronolone (coord.), Leve Soluções Editoriais

Preparação e revisão Leve Soluções Editoriais

Produção de conteúdo digital Leve Soluções Editoriais

Gerência de produção e arte Ricardo Borges

Design e projeto de capa Bruno Attili

Imagem de capa Zagorodnaya/iStock

Arte e produção Leve Soluções Editoriais

Diagramação Leve Soluções Editoriais

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga

Licenciamento de textos Leve Soluções Editoriais

Iconografia Leve Soluções Editoriais

Ilustrações Camila de Godoy, Claudia Mariano, Getúlio Delphim, Léo Fanelli/Giz de Cera, Leonardo Conceição, Lucas Farauj, Mozart Couto, Osnei, Rmatias

Cartografia Leve Soluções Editoriais

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Boulos Júnior, Alfredo

Baobá : história : 5º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Alfredo Boulos Júnior. – 1. ed. – São Paulo : FTD, 2025. – (Coleção Baobá)

Componente curricular: História

ISBN 978-85-96-06334-0 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06335-7 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06336-4 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06337-1 (livro do professor HTML5)

1. História (Ensino fundamental) I. Título. II. Série. 25-298844.2

CDD-372.89 Índices para catálogo sistemático:

1. História : Ensino fundamental 372.89 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

SUMÁRIO

2.1

3.1

5.1

E A TEMÁTICA INDÍGENA? ...............

8.1 – Inserção da África nos currículos ....................................................................................... XXXII

9. SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE DOS ANOS INICIAIS ........................... XXXIII

10. TEXTOS DE APOIO XXXIV

Texto 1 – Pensamento espacial e raciocínio geográfico XXXIV

Texto 2 – Exploração do espaço e dos objetos XXXV

Texto 3 – Como fazer uma visita a um museu?

Texto 4 – O uso de telas entre as crianças

Texto 5 – A importância da adaptação de atividades no ambiente escolar para estudantes com deficiência ................................................ XXXVI

Texto 6 – Educação antirracista ............................................................................................... XXXVII

11. AS SEÇÕES DO LIVRO ................................................................................................

12. MATRIZ ARTICULADORA DESTE

12.1 – Conceitos e requisitos da BNCC ............................................................................................ XL

13. Subsídios para o planejamento (bimestral, TRIMESTRAL E

CONHEÇA SEU LIVRO

A coleção é composta de Livro do Estudante e Livro do Professor, nas versões impressa e digital.

LIVRO DO ESTUDANTE

Neste livro, apresentamos os temas entrelaçando texto e imagem, de modo a familiarizar os estudantes à exploração do registro visual. As seções e as atividades distribuídas nos capítulos visam, sobretudo, auxiliar o estudante a desenvolver as competências leitora e escritora, que são complementares e interdependentes, e a capacitar o alunado para o exercício da cidadania.

PATRIMÔNIOS IMATERIAIS DA HUMANIDADE NO BRASIL

Agora, vamos apresentar alguns Patrimônios Imateriais da Humanidade no Brasil.

SAMBA DE RODA DO RECÔNCAVO BAIANO – BA

Agora,

ENCAMINHAMENTO Pode-se iniciar uma aula dialogada perguntando aos estudantes: • Vocês já viram uma apresentação de Samba de Roda? Sabiam que o Samba de Roda do Recôncavo Baiano foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade? Já ouviram o termo Recôncavo Baiano? Sabem o que significa? Em seguida, sugere-se: Reservar um momento para que os estudantes verbalizem impressões e conhecimentos sobre o Samba de Roda. Chamar a atenção para a origem do Samba de Roda. Explicar que o Samba de Roda envolve música, dança, poesia e festa. Retomar o conceito de patrimônio imaterial. Trabalhar o conceito de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. | PARA O PROFESSOR VÍDEO Samba de Roda do Recôncavo Baiano. 2019. Vídeo (11min45s). Publicado pelo canal Iphan. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=zridu81deZg. Acesso em: 16 jul. 2025. Vídeo que apresenta a riqueza cultural do Samba de Roda, manifestação afro-brasileira. TEXTO DE APOIO Samba de Roda do Recôncavo Baiano O samba de roda é uma manifestação musical, coreográfica, poética e festiva, presente em todo o estado da Bahia, mas muito particularmente na região do Recôncavo. Em sua definição mínima constitui-se da reunião, que pode ser fixada no calendário ou não, de grupo de pessoas para performance de um repertório musical e coreográfico [...]. [...] A coreografia, sempre feita dentro da roda, pode ser muito variada, mas seu gesto mais típico é o chamado miudinho. Feito, sobretudo, da cintura para baixo, consiste num quase imperceptível sapatear para frente e para trás dos pés quase colados ao chão, com a movimentação correspondente dos quadris. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Samba de Roda do Recôncavo Baiano Brasília, DF: Iphan, 2006. p. 23-24. (Dossiê Iphan, 4). Disponível em: http://portal.iphan. gov.br/uploads/publicacao/PatImDos_ SambaRodaReconcavoBaiano_m.pdf. Acesso em: 16 jul. 2025. 124 17/10/25 09:30

RODA DE CAPOEIRA A capoeira é dança e luta ao mesmo tempo. Foi desenvolvida no Brasil como

O Samba de Roda é uma manifestação de origem africana. Misto de música, dança, poesia e festa que se desenvolveu no Recôncavo Baiano, o Samba de Roda era praticado por africanos escravizados que trabalhavam na região. Seus primeiros registros com o nome de Samba de Roda datam da década de 1860. Em 2005, a Unesco reconheceu esse bem imaterial como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O Samba de Roda é chamado também de Umbigada porque a pessoa que sai do centro da roda chama a outra para dançar dando nela uma umbigada. Essa manifestação ocorre em todo o estado da Bahia, especialmente em cidades como Cachoeira, São Félix, Cipó, Muritiba, Conceição do Almeida, Terra Nova e Santo Amaro. Recôncavo Baiano: faixa de terra onde se localiza a Baía de Todos-os-Santos.

Recôncavo Baiano: faixa de terra onde se localiza a Baía de Todos-os-Santos. Samba de Roda. Terra Nova (BA), 2019. SERGIO

de Roda datam da década de 1860. Em 2005, a Unesco reconheceu esse bem imaterial como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O Samba de Roda é chamado também de Umbigada porque a pessoa que sai do centro da roda chama a outra para dançar dando nela uma umbigada. Essa manifestação ocorre em todo o estado da Bahia, especialmente em cidades como Cachoeira, São Félix, Cipó, Muritiba, Conceição do Almeida, Terra Nova e Santo Amaro.

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LIVRO DO PROFESSOR

Além do subsídio para o professor, reproduz o Livro do Estudante na íntegra, em miniatura, com respostas em magenta. Nas laterais e abaixo da reprodução do Livro do Estudante, apresenta objetivos de aprendizagem, introdução aos tópicos que serão estudados e orientações didáticas que ajudarão a desenvolver as propostas, bem como ampliações e aprofundamentos para enriquecer as abordagens pedagógicas.

OBJETOS EDUCACIONAIS DIGITAIS

Ao longo do volume, ícones indicam objetos educacionais digitais que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica e promover o uso de ferramentas digitais presentes no dia a dia.

Samba de Roda. Terra Nova (BA), 2019.

HISTÓRIA

COLEÇÃO

baobá

LIVRO DO PROFESSOR

ALFREDO BOULOS

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Componente curricular: História

Doutor em Educação (área de concentração: História da Educação) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Mestre em Ciências (área de concentração: História Social) pela Universidade de São Paulo.

Lecionou nas redes pública e particular e em cursinhos pré-vestibulares.

É autor de coleções paradidáticas.

Assessorou a Diretoria Técnica da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – São Paulo.

1a edição, São Paulo, 2025

Copyright © Alfredo Boulos Júnior, 2025

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Edição Valquiria Baddini Tronolone (coord.), Leve Soluções Editoriais

Preparação e revisão Leve Soluções Editoriais

Produção de conteúdo digital Leve Soluções Editoriais

Gerência de produção e arte Ricardo Borges

Design e projeto de capa Bruno Attili

Imagem de capa Zagorodnaya/iStock

Arte e produção Leve Soluções Editoriais

Diagramação Leve Soluções Editoriais

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga

Licenciamento de textos Leve Soluções Editoriais

Iconografia Leve Soluções Editoriais

Ilustrações Camila de Godoy, Claudia Mariano, Getúlio Delphim, Léo Fanelli/Giz de Cera, Leonardo Conceição, Lucas Farauj, Mozart Couto, Osnei, Rmatias

Cartografia Leve Soluções Editoriais

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Boulos Júnior, Alfredo

Baobá : história : 5º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Alfredo Boulos Júnior. – 1. ed. – São Paulo : FTD, 2025. – (Coleção Baobá)

Componente curricular: História

ISBN 978-85-96-06334-0 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06335-7 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06336-4 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06337-1 (livro do professor HTML5)

1. História (Ensino fundamental) I. Título. II. Série. 25-298844.2

CDD-372.89 Índices para catálogo sistemático:

1. História : Ensino fundamental 372.89 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

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APRESENTAÇÃO

Querida professora, professor querido, queridos estudantes,

Ler e escrever é, a nosso ver, compromisso de todas as áreas, e não somente da Língua Portuguesa. É, portanto, também um compromisso da área de História. E esse compromisso nós assumimos estimulando a leitura e a escrita ao longo desta coleção!

Nossa coleção nasceu de muitas conversas que tivemos com educadores que entregaram sua vida ao sonho de ver uma criança descobrindo a escrita. Nasceu, também, do que aprendi com meus alunos, crianças e jovens de diferentes lugares e origens.

Aos meus alunos, busquei mostrar a importância do exercício constante da leitura e da escrita, da educação do olhar e da construção de conceitos. E procurei também alertar para a importância do compreender sem julgar, pois à História não cabe julgar, mas sim compreender!

Por fim, quero agradecer aos editores que guiaram meus passos e aos professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em cujos rostos eu vi um olhar amoroso voltado à criança.

O autor.

SUMÁRIO

O QUE SABEMOS? ..........................................................................................

UNIDADE 1 CULTURA, TEMPO E CALENDÁRIO

CAPÍTULO 1 – O “TEMPO DO RELÓGIO” E OUTROS TEMPOS

ESCUTAR E FALAR

O

Calendário Pataxó ......................................................................................

Instrumentos

Outras

A linguagem do teatro

ESCUTAR E FALAR

A Língua Brasileira de Sinais: Libras

VOCÊ LEITOR! ..........................................................................

VOCÊ CIDADÃO! ......................................................................

CAPÍTULO 2 – DEBATES DO NOSSO TEMPO .........

O uso do “internetês” ..........................................................

O combate ao bullying ......................................................... 110

Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola .......................................................

E FALAR

COM LÍNGUA PORTUGUESA,

Samba de Roda do Recôncavo Baiano – BA ..............................................

Roda de Capoeira .............................................................................................

Frevo ...................................................................................................................

Patrimônio Natural da Humanidade no Brasil

Costa do Descobrimento: Reservas da Mata Atlântica (BA/ES)

O Pantanal .........................................................................................................

Quem cuida do nosso patrimônio?

VOCÊ ESCRITOR!

VOCÊ CIDADÃO! ...................................................................................................

CAPÍTULO 2 – MARCOS DE MEMÓRIA ..................................................

O que é “memória”?

A transformação de Tiradentes em herói nacional

A transformação do 21 de Abril em um marco de memória

ESCUTAR E FALAR .................................................................................................

A transformação do 5 de Junho em marco de memória

O 13 de Maio e o 20 de Novembro

A transformação do 20 de Novembro em um marco de memória

DIALOGANDO COM LÍNGUA PORTUGUESA

RETOMANDO .........................................................................................................

OBJETOS DIGITAIS

Infográfico clicável – Relógios ....................................................................... 16

Infográfico clicável – Constituição Federal de 1988 79

Infográfico clicável – Línguas e linguagens 89

Infográfico clicável – Poluição do ar .......................................................... 106

Infográfico clicável – Patrimônios imateriais no Brasil 124

Infográfico clicável – Gandhi e Luther King 139

Algumas atividades são acompanhadas de ícones. Descubra o significado de cada um.

Atividade oral.

Atividade em dupla.

Atividade em grupo.

Atividade para casa.

Esta obra é, também, acompanhada de infográficos clicáveis que complementam e ampliam seu aprendizado. Eles estão indicados no sumário e nas respectivas páginas com um ícone.

INFOGRÁFICO CLICÁVEL

ENCAMINHAMENTO

Professor , com as atividades desta seção, pretendemos oferecer recursos para a avaliação diagnóstica. Junto às demais sugestões de avaliação (indicadas na parte geral deste Livro do Professor), essas atividades contribuem para a mensuração da eficácia do processo de ensino-aprendizagem neste ciclo.

Os pré-requisitos para a realização plena das atividades desta seção e o atingimento dos objetivos pedagógicos são:

• O desenvolvimento das habilidades do 4º ano.

• A realização das atividades da seção O que sabemos?, que pode ajudar a identificar as defasagens no desenvolvimento dessas habilidades.

• O engajamento da criança no processo de alfabetização. De nossa parte, propomos atividades específicas com esse objetivo, com destaque para a seção Dialogando com Língua Portuguesa.

| RESPOSTAS

1. A História é feita por todos nós, indivíduos, e também por grupos – mulheres, idosos, militares, operários, empresários, artistas, políticos, entre outros. Todas essas pessoas e grupos fazem história, ou seja, são todos sujeitos históricos.

2. Permanência: o jogo que praticam (xadrez). Mudança: estilo da rou-

O QUE SABEMOS?

Consultar orientações e respostas no Livro do Professor.

1 Responda no caderno: Quem faz a História?

2 Observe as fotografias tiradas em diferentes tempos e responda no caderno ao que se pede.

• Identifique uma mudança e uma permanência entre as duas fotografias.

3 Diferencie, no caderno, o modo de vida dos caçadores e coletores do modo de vida dos agricultores e pastores.

4 Copie a afirmação verdadeira no caderno.

a) A sedentarização é um fato ocorrido em 10000 a.C.

b) A sedentarização é um processo histórico que durou centenas de anos e, até hoje, há grupos nômades ao redor da Terra.

c) Atualmente já não há grupos nômades em nenhuma parte da Terra.

5 Responda no caderno: Por que a África é considerada o berço da humanidade?

6 O rio Nilo está localizado no continente africano e é um dos mais extensos do mundo. Faça no caderno o que se pede a seguir.

a) Escreva uma frase relacionando o rio Nilo ao processo de sedentarização ocorrido às suas margens.

b) Qual é a importância desse rio para o comércio no antigo Egito?

pa dos meninos que estão jogando. Professor, a ideia, nas atividades 1 e 2, é retomar aspectos da habilidade (EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.

3. Os caçadores e coletores eram nômades, isto é, se mudavam de um lugar para o outro em busca de alimento. Já os agricultores e pastores passaram a produzir o próprio

alimento e não precisavam mais mudar constantemente de lugar e, assim, foram se sedentarizando.

4. Alternativa b Professor, nas atividades 3 e 4, retomamos aspectos da habilidade (EF04HI04) Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas.

5. Porque foi na África onde se descobriu o mais antigo esqueleto humano, Lucy.

Garoto jogando xadrez em 1922.
Garoto jogando xadrez em 2021.

7 Hoje, conseguir informações qualificadas é essencial na hora de tomar uma decisão. A internet é uma rede de informações que nos abre essa possibilidade. Reflita e responda no caderno:

a) Quais vantagens têm as pessoas que conseguem acessar a internet e as tecnologias de informação e comunicação?

b) Quais desvantagens têm as pessoas que não têm acesso à internet e às tecnologias de informação e comunicação?

8 A lista a seguir apresenta palavras da língua tupi e seus respectivos significados em português. Leia-as com atenção e responda no caderno.

Abá: homem.

Cucuia: tombo, queda, tropeção.

Cunhã: mulher.

Curumim: criança.

Ereuipe: olá.

Guaçu: grande.

Jururu: estou triste.

Mirim: pequeno.

Nhenhenhém: falar muito.

Oca: casa.

Pacova: banana.

Peteca: bater de mão aberta.

[...]

Xori: fora daqui!

José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. Nuno descobre o Brasil São Paulo: Objetiva, 2010. p. 104.

a) Algumas dessas palavras são usadas no português falado no Brasil hoje? Se sim, quais delas?

b) Essas palavras indígenas podem ser consideradas uma contribuição desses povos à formação da sociedade brasileira?

9 Conceitue no caderno:

a) Migrante

b) Imigrante

c) Emigrante

10 No século XIX e nas três primeiras décadas do século XX, o Brasil recebeu milhões de imigrantes. Por que isso aconteceu? Responda no caderno.

11 Produza um cartaz com as contribuições dos povos que formaram a sociedade brasileira, com destaque para os indígenas, os africanos e os europeus (portugueses, italianos, alemães, poloneses, entre outros). O tema do cartaz pode ser “Brasil: país de muitas culturas”.

6. a) O rio Nilo contribuiu para o processo de sedentarização, pois os grupos humanos se fixavam próximo às suas margens para praticar a agricultura e o pastoreio.

b) Ele servia de via de transporte de pessoas e mercadorias. Professor, a ideia, aqui, é consolidar aspectos da habilidade (EF04HI07) Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial.

de conseguir melhorar de vida.

Professor, a ideia, na atividade 7, é consolidar aspectos da habilidade (EF04HI08) Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

8. a) Sim. Curumim, jururu, mirim, nhenhenhém, peteca.

b) Sim, as palavras indígenas presentes no português que falamos são uma das várias contribuições dos povos indígenas à formação do povo brasileiro.

9. a) Migrante: É o que está em processo de deslocamento.

b) Imigrante: É o que chega de outro país.

c) Emigrante: É o que sai de um país para o outro. 10. Guerras; falta de terra para plantar; necessidade de trabalhadores nos cafezais brasileiros; e a força da propaganda. 11. Produção pessoal.

9

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7. a) O acesso à internet permite que as pessoas façam pesquisas sobre diversos assuntos e obtenham informações qualificadas (de universidades, governos, fundações, entre outros exemplos). Ao acessar sites confiáveis, é possível encontrar referências, dados e análises que nos ajudam, de fato, na tomada de decisões.

b) Os excluídos digitais, em grande número nos grupos sociais menos favorecidos, têm dificuldade de se desenvolver profissionalmente e

Professor, o item a da atividade 8 chama a atenção para o fato de que essas palavras são usadas com o mesmo significado que têm no tupi-guarani.

Professor, a ideia, nas atividades 8 a 11 , é consolidar aspectos da habilidade (EF04HI10) Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Iniciamos o trabalho com a formação das culturas e dos povos, relacionando-os ao espaço ocupado, pretendendo desenvolver a habilidade (EF05HI01) e fornecendo subsídios para que os estudantes se apropriem do significado de cultura e religião que queremos que eles conheçam. Ao mesmo tempo, tornamos perceptível para eles que não há uma cultura superior ou inferior à outra; há diferentes culturas.

Na sequência, aprofundamos o conceito de tempo. E o fizemos começando pela noção de tempo psicológico para, em seguida, trabalhar a ideia de tempo cronológico. Daí, convidamos os estudantes a conhecer outras formas de perceber e marcar a passagem do tempo, como a dos indígenas pataxós, que organizam sua vida com base no tempo da natureza, ou seja, nos acontecimentos naturais como o dia e a noite, as estações do ano, entre outros.

A seguir, apresentamos diferentes calendários, cada qual associado a uma cultura, e estimulamos sua comparação, de modo a reforçar a percepção de que o calendário é uma construção cultural. Ao mesmo tempo, queremos que eles se familiarizem com o modo de contar e dividir o tempo mais usado no Brasil.

No passo seguinte, investimos esforços na didatização da noção de tempo africano, o tempo do acontecimento vivido. Na visão africana, o tempo é constituído pelos eventos que já ocorreram

1 CULTURA, TEMPO E CALENDÁRIO

e os que estão ocorrendo agora. O que ainda não aconteceu está na categoria do “não tempo”. Acrescente-se a isso a noção de que, na tradição africana, o passado vive no presente e os mais velhos são vistos como donos de saberes dignos de serem conhecidos e compartilhados. Por isso, suas vozes e conselhos continuam ecoando entre os mais novos.

Conhecer diferentes concepções de tempo – tempo cronológico, tempo da natureza, tempo africano – pode ajudar

a pensar a vida dos primeiros grupos humanos e seus modos de interagir com o ambiente. Relativizamos o conceito de Pré-História, buscando facilitar a compreensão dos modos de vida dos caçadores e coletores e dos agricultores e pastores, do advento da agricultura e seus desdobramentos, incluindo a aceleração do processo de sedentarização, o aumento da população e da divisão do trabalho. Esse trabalho inicial contribui para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI01).

Dança do povo quéchua. Peru, 2022. Dança flamenca. Espanha, 2024.
Dança nigeriana. Nigéria, 2024.

Cada povo tem uma cultura, isto é, um modo próprio de viver, pensar, tocar, cantar, fazer festas e dançar. Os trajes, os passos, os movimentos presentes nas danças tradicionais de cada povo são fontes imateriais que nos ajudam a conhecê-lo. Observe as imagens.

As culturas são diferentes entre si; apenas isso. Cada cultura tem seu valor e não há cultura superior a outra. De acordo com os estudiosos do assunto, nenhum povo pode ser chamado de “selvagem” ou “primitivo” porque se veste, enfeita-se, alimenta-se ou pensa diferente de outro.

Dança italiana. Comuna de Bérgamo, Lombardia, Itália, 2022.

• Observe as imagens desta dupla de páginas com atenção.

Respostas pessoais.

1. Você gosta de dançar?

2. Em qual dessas fotografias você gostaria de estar?

3. Agora, responda sem ler as legendas: A que país pertence cada uma dessas danças?

4. Localize a Itália e a Nigéria em um planisfério. Os povos desses dois países contribuíram com suas culturas para a formação do povo brasileiro? Você consegue citar algumas dessas contribuições?

Na sequência, procuramos apresentar a passagem da aldeia para o clã e deste para a tribo. Depois, apresentamos outra forma de ordenação social: o processo de organização do poder em torno de um rei. Assim, buscamos desenvolver a habilidade (EF05HI02).

Para analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos, recorremos aos antigos egípcios e aos mesopotâmicos, e fomos trabalhando aspectos da cultura e da religião de cada um, de forma a

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evidenciar que esses elementos são constitutivos de suas identidades, daí sua importância para a História.

Pode-se perguntar:

• Notaram que cada povo dança de um modo e com vestuário próprio?

• É certo dizer que cada povo se expressou e está trajado de acordo com sua cultura?

• Vocês sabem o significado do termo cultura?

• Levante a mão quem acha que cultura é sinônimo de conhecimento! Em seguida, sugere-se:

• Pedir que procurem o significado da palavra cultura no dicionário.

• Retomar e aprofundar a ideia de que existe a cultura material e a imaterial.

HABILIDADES

• (EF05HI01)

• (EF05HI02)

• (EF05HI03)

• (EF05HI08)

OBJETIVOS

• Trabalhar o conceito de cultura.

• Retomar o conceito de tempo e suas dimensões.

• Conhecer os processos de passagem do nomadismo ao sedentarismo.

• Apresentar diferentes tipos de calendário.

• Consolidar o significado de sedentarismo.

• Mostrar a importância da descoberta da agricultura e seus desdobramentos.

• Explicar a formação das primeiras cidades.

• Analisar o papel das culturas e das religiões nas identidades dos povos antigos, tendo como exemplo a Mesopotâmia e o Egito.

• Estimular o respeito à diversidade cultural e à prática da cidadania.

A crença na vida após a morte e o desenvolvimento da técnica da mumificação pelos egípcios, por exemplo, são elementos da identidade egípcia. E, por considerarmos identidade um conceito relacional, propusemos a comparação entre egípcios e mesopotâmicos no tocante à vida após a morte e à mumificação, contribuindo para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI03). ENCAMINHAMENTO

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar o trabalho com esse tema, sugerimos perguntar aos estudantes:

• Como vocês fazem para se lembrar dos horários das suas atividades?

• Já contaram quantas vezes por dia vocês consultam o relógio?

• Vocês já notaram que o tempo, às vezes, parece voar?

• Já perceberam que, outras vezes, o tempo demora a passar?

Depois, sugere-se:

• Solicitar a leitura silenciosa do texto e, depois, em voz alta. Na sequência, propor um momento de conversa para que os estudantes compartilhem suas compreensões sobre a leitura e relatem suas percepções da passagem do tempo.

• Trabalhar o conceito de tempo cronológico.

Professor, na seção Escutar e falar, que incentiva a relação ativa com a oralidade e a escuta, provavelmente os estudantes dirão que consultam o relógio para não se atrasar para a escola; para saber se está chegando a hora do lanche; se está para começar o programa favorito na televisão; para ver quanto falta para o início do jogo de videogame com um amigo; entre outros.

ATIVIDADES

1. Perguntar aos estudantes: Qual é o melhor momento do seu dia? Por quê?

2. Apresentar canções sobre o tempo e solicitar aos estudantes que as ilustrem com imagens (fotografias ou dese -

O “TEMPO DO RELÓGIO” E OUTROS TEMPOS 1

Na nossa cultura, isto é, no nosso modo de viver e pensar, consultamos relógios várias vezes ao dia. Temos hora para tudo: hora de ir à escola, hora de comer, hora de estudar, hora de encontrar um amigo ou uma amiga, e assim por diante.

Os horários são tão importantes em nossas vidas que, muitas vezes, acordamos em determinada hora porque o despertador tocou, e não porque estamos sem sono.

Enfim, hoje somos comandados por relógios e horários. Esse tempo controlado por relógios e horários é chamado de tempo cronológico.

ESCUTAR E FALAR

A imagem sugere a importância do relógio em nossas vidas. Fotografia de 2021.

É comum as pessoas consultarem o relógio várias vezes ao dia. E você, em que situações costuma consultar o relógio?

Prepare-se para falar aos colegas sobre a nossa dependência do relógio no dia a dia.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas escutaram o que eu disse?

2. Pronunciei as palavras corretamente?

3. Fiz gestos adequados?

nhos) e que cantem essas canções. Sugestões:

• CANTO do povo de um lugar. 2018. Vídeo (3min44s). Publicado pelo canal Caetano Veloso. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=WzMJkJeWFdY&list=RDWz MJkJeWFdY&start_radio=1. Acesso em: 6 jul. 2025.

• MARIA Gadú – “Oração ao Tempo” – Mais uma página. 2016. Vídeo (3min28s). Publicado pelo canal Maria Gadú. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v =3eVHpoCiOwo&list=RD3eVHpo CiOwo&start_radio=1. Acesso em: 6 jul. 2025.

A atividade com o uso das canções possibilita o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF35LP01) Ler e compreender, silenciosamente e, em seguida, em voz alta, com autonomia e fluência, textos curtos com nível de textualidade adequado.

O TEMPO DA NATUREZA

Mas nem todos os povos se guiam por relógios...

Os primeiros grupos humanos organizavam sua vida com base na observação da natureza: a sucessão dos dias e das noites, das secas e das chuvas, do nascimento e da queda das folhas, e assim por diante. Por isso, dizemos que eles se guiavam pelo tempo da natureza.

Ainda hoje, há grupos humanos que organizam sua vida com base nos acontecimentos naturais.

Os indígenas pataxós, que vivem em Minas Gerais e na Bahia, são um exemplo de grupo humano da atualidade que organiza suas atividades com base nos acontecimentos naturais (como mês do frio, mês das águas), ou seja, guiam-se pelo tempo da natureza.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO. 12-VIDEOGUIA. A espiral do tempo Guarani Nhandewa. 2021. Vídeo (2min29s). Publicado pelo canal MAE-USP. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=L9IeKnCFfx0. Acesso em: 10 jul. 2025. O vídeo apresenta a concepção de tempo Guarani Ñandeva com base em um trabalho conjunto de professores e estudantes da Escola Indígena Aldeia Nimuendaju. O vídeo está em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e legendado em português.

TEXTO DE APOIO

A LDB e a população rural

Quanto à oferta da educação básica para a população rural, a LDB, no seu artigo 28, determina:

Na oferta da educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação, às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente. [...]

II – organização escolar própria, incluindo a adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas;

ENCAMINHAMENTO

Pode-se introduzir o assunto desta aula perguntando aos estudantes:

• Como nós organizamos nossas vidas hoje?

• Sabiam que há povos que organizam suas vidas com base na observação da natureza?

Em seguida, sugere-se:

• Trabalhar a noção de tempo da natureza.

• Explicar que os primeiros grupos humanos organizavam seu tempo por meio da observação da natureza e que, atualmente, alguns povos ainda mantêm essa prática.

• Evidenciar que o modo de medir e dividir o tempo varia de acordo com a cultura de cada povo. Professor, o estudo dos conteúdos da página favorece o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Diversidade cultural

III – adequação à natureza do trabalho na zona rural.

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 6 jul. 2025.

Cultura material pataxó no município de Santa Cruz Cabrália (BA), 2023.

ENCAMINHAMENTO

Para despertar o interesse dos estudantes pelo assunto, pedir a eles que observem a imagem com atenção e perguntar:

• Vocês gostaram do desenho feito pelos indígenas pataxós para marcar os meses do ano?

• Repararam que, no calendário Pataxó, não aparecem semanas nem dias?

• O que é possível saber sobre esse povo indígena lendo a denominação dada por eles a cada mês do ano?

• Com base no que vocês aprenderam, é certo dizer que os Pataxó vivem no tempo da natureza?

Em seguida, sugere-se:

• Identificar formas de marcação do tempo entre distintas sociedades, incluindo a dos Pataxó.

• Comparar o modo de os Pataxó contarem e dividirem o tempo com o nosso modo de fazê-lo.

• Ampliar o conhecimento sobre o povo Pataxó acessando: PATAXÓ. Povos Indígenas no Brasil. ISA. 2020. Disponível em: https://pib. socioambiental.org/pt/ Povo:Pataxó. Acesso em: 6 jul. 2025.

Professor, o estudo dos conteúdos desta página e da próxima favorece o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Educação para a valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

CALENDÁRIO PATAXÓ

Calendário é um jeito de contar e dividir o tempo, e esse jeito varia com a cultura de cada povo. Os pataxós usam um calendário próprio. Veja como eles marcam os meses do ano.

Ilustração feita pelos indígenas Kanátyo Pataxó e Manguahã Pataxó.

PARA VOCÊ LER

• Fany Pantaleoni Ricardo (coord). Povos Indígenas no Brasil Mirim . São Paulo: Instituto Socioambiental, 2020.

A publicação apresenta informações sobre alguns dos povos indígenas que vivem atualmente no Brasil.

TEXTO DE APOIO

O texto a seguir foi feito por escritores do povo Pataxó. Nossa aldeia é localizada no município de Carmésia – Minas Gerais. A população da nossa comunidade é de aproximadamente trezentos Pataxó, entre adultos, jovens, velhos e crianças. O nosso território ocupa uma área de 3.278 hectares. Aqui trabalhamos nos roçados, caçamos, pescamos e festejamos. Nossa aldeia representa a nossa vida, sem ela, jamais conseguiremos viver! Aqui nascemos, crescemos, vivemos

e morreremos. Aqui na aldeia temos caças, matas, rios, peixes, morros, estradas, roçados, pedras, pássaros, o vento, a chuva, a lua, o sol, as estrelas, nossas casas, nossos velhos, nossas crianças, nossos jovens, nossas tradições e as ervas para fazermos remédios.

ANGTHICHAY et al. O povo pataxó e suas histórias. São Paulo: Global, 2002. p. 9.

Reprodução da capa.

Atividades segundo o calendário pataxó

Janeiro – Mês de preparo de solo para feijão.

Fevereiro – Mês da planta do feijão.

Março – Mês da capina.

Abril – Mês da festa do awê.

Maio – Colheita do milho.

Junho – Mês do frio.

Julho – Mês de curso dos professores indígenas.

Agosto – Mês de volta às aulas.

Setembro – Mês de preparo de solo para o milho.

Outubro – Mês da planta do milho.

Novembro – Mês das águas.

Dezembro – Mês da manga [...].

Angthichay, Arariby, Jassanã, Manguahã, Kanátyo. O povo pataxó e suas histórias. São Paulo: Global, 2002. p. 25.

ATIVIDADES

Adolescente indígena pataxó durante festa Aragwaksã (Ritual da Vitória) na Aldeia Reserva da Jaqueira. Porto Seguro (BA), 2024.

1. O que esse calendário informa sobre a alimentação pataxó?

Informa que os pataxós se alimentam de feijão, de milho e de frutas, como a manga.

2. Interprete o significado de “mês das águas” no texto. Registre a resposta no caderno.

Significa mês das chuvas, elemento importante para o crescimento das plantas.

3. Em qual mês, na nossa cultura e na dos pataxós, vivenciamos o mesmo acontecimento? Justifique no caderno.

Agosto; mês de volta às aulas.

4. Com a ajuda da família, selecione os fatos que você considera importantes em cada um dos meses do ano. A seguir, represente cada um desses fatos por meio de um desenho ou uma fotografia. Traga seu trabalho para a sala de aula e, com a orientação do professor, apresente-o aos colegas.

Produção pessoal.

Professor , na atividade 4 , o desafio de selecionar um fato importante ocorrido em cada mês do ano pode ajudar os estudantes a perceber que o calendário é uma construção cultural e, portanto, varia de acordo com a cultura de determinado povo.

ATIVIDADES

1. Como vimos, entre os Pataxó, alguns alimentos são tão importantes que auxiliam a identificar os meses do ano. Quais são eles?

2. Produzam um calendário coletivo, no qual deverão ser registrados os acontecimentos mais importantes para o grupo (aniversários, eventos, entre outros).

Respostas:

1. Feijão, milho e manga. 2. Resposta pessoal.

TEXTO DE APOIO

O mês

O interesse pelo mês no sistema do calendário parece residir na relação entre o aspecto natural do mês, ligado à lunação (mais ou menos registrada nos diversos calendários), e os aspectos culturais estreitamente dependentes da história. [...]

Para certos povos, o mês é uma unidade flutuante, o ano não compreende um número preciso de meses, o mês não compreende um número preciso de semanas: é, em resumo, mais ou menos

autônomo do sistema do calendário. [...]

29/09/25 14:41

Para os baulés [da Costa do Marfim], os meses não têm nome nem ordem, e não correspondem a um momento preciso do ano. Não tem sentido perguntar a um baulé quantos meses tem o ano. Os guerés não dividem o mês em semanas, mas em fases da Lua. Para certos povos lagunares desta região, há dois sistemas de meses: um mês lunar, puramente agrícola, e um mês ritual, com um número de dias bem definido (30, 36 ou 42), que regula a vida social e religiosa. Assim, o mês tem, sobretudo, um caráter econômico, enquanto regula a atividade

do trabalho dos campos e da pesca. O mês ritual é, por outro lado, essencial para todo um conjunto de cerimônias, que têm lugar apenas uma vez no ciclo mensal.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Irene Ferreira, Bernardo Leitão e Susana Ferreira Borges. Campinas: Editora da Unicamp, 2003. p. 504-505.

NÃO ESCREVA NO LIVRO
LUCIANA WHITAKER/PULSAR IMAGENS

ENCAMINHAMENTO

Propor uma roda de conversa e perguntar aos estudantes:

• Quando vocês vão a uma festa, à escola ou jogar com amigos, como fazem para não perder a hora?

• Vocês costumam usar relógio de pulso?

• Vocês sabem o que é um relógio de areia?

Depois, sugere-se:

• Discutir a ideia de que, para a maioria de nós, o controle do tempo é importante para as atividades do cotidiano, como assistir a uma sessão no cinema, chegar e sair da escola, saber o horário de entrada e saída do trabalho e marcar uma consulta médica.

• Analisar os diferentes tipos de relógio criados pelo ser humano.

• Destacar que a ampulheta é um dos primeiros instrumentos para a medição do tempo e que ela mede pequenos intervalos.

• Comentar que, com a precisão dos relógios atuais, podemos calcular até mesmo os milésimos de segundos dos acontecimentos.

• Trazer para a sala de aula, se possível, um relógio mecânico para que os estudantes percebam melhor a diferença entre esse modelo e o relógio digital.

A ampulheta é uma espécie de relógio inventada por volta do século XIV no norte da Europa. Para saber a hora, media-se a quantidade de areia que passava da parte de cima para

INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO DO TEMPO

A necessidade de calcular a duração dos fenômenos naturais levou os grupos humanos a criar instrumentos de medição do tempo. Entre os mais antigos instrumentos de medição do tempo está a ampulheta. Bem mais tarde, foi desenvolvido o relógio mecânico e, mais recentemente, o relógio digital.

• Ampulheta: instrumento de vidro com o qual se mede o tempo pela quantidade de areia que passa de um compartimento para outro por meio de um orifício minúsculo.

• Relógio mecânico: invenção europeia do início do século XIV. Observa um historiador que, a partir da invenção do relógio mecânico:

[...] as pessoas não se movem mais pelo ritmo do sol, pelo canto do galo ou pelo repicar dos sinos, mas pelo tique-taque contínuo, regular e exato dos relógios.

Nicolau Sevcenko. O Renascimento. São Paulo: Atual, 1994. p. 13.

• Relógio digital: utiliza energia elétrica. Os notebooks, tablets e smartphones também possuem relógio digital.

digital em smartphone.

DIALOGANDO

Relógio mecânico. Torre do Big Ben, no Palácio de Westminster, em Londres, Reino Unido, 2024.

Que tipo de relógio você costuma consultar: o mecânico ou o digital? Resposta pessoal.

a parte de baixo por um pequeno orifício.

A ampulheta foi muito utilizada durante as Grandes Navegações, no século XV. Com ela, media-se, por exemplo, o horário de trabalho dos pilotos e dos vigias, que se revezavam constantemente. Com o passar dos anos, foram inventados instrumentos muito mais eficientes para medir o tempo. A ampulheta foi se tornando objeto de museu ou de decoração. Até que, com o

desenvolvimento da informática, a partir de meados do século XX, ela voltou a ganhar popularidade: quando aparece na tela do computador, significa que devemos esperar o fim de determinada operação para continuar trabalhando.

Relógio
Ampulheta.

ATIVIDADE

• Observe a imagem a seguir, criada pelo artista Jamie Jones. Depois, responda no caderno às questões propostas.

Jamie Jones. Relógios e ampulhetas na paisagem urbana. 2018. Ilustração digital.

a) Quais instrumentos para a medição do tempo aparecem na ilustração?

Na ilustração, vemos diversos relógios mecânicos e ampulhetas.

b) Em sua opinião, por que o autor da ilustração colocou tantos medidores de tempo nessa cidade?

Resposta pessoal.

c) A ilustração se aplica à vida nas cidades brasileiras?

Resposta pessoal.

VOCÊ ESCRITOR!

VOCÊ ESCRITOR!

No caderno, produza um miniconto tendo por base a imagem criada por Jamie Jones, inserindo um personagem (real ou inventado) para demonstrar como o tempo rege a vida das pessoas, especialmente nas grandes cidades. Produção pessoal.

Professor, a atividade proposta na seção possibilita o desenvolvimento da competência geral 3.

A atividade também possibilita o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF35LP07).

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. COMO funcionam os relógios de pêndulo. 2009. Vídeo (1min28s). Publicado pelo canal comotudofunciona. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=1p1FVlTqn2g. Acesso em: 6 jul. 2025. Vídeo sobre o funcionamento dos relógios de pêndulo.

ENCAMINHAMENTO

Para introduzir o trabalho com esta página, pode-se perguntar:

• Como vocês organizam o tempo?

• Vocês consultam o relógio várias vezes ao dia? Quantas?

• Há quem diga que nos tornamos escravos do relógio. Vocês concordam?

• Vocês verificam as horas no relógio de pulso?

• Quantos e quais tipos de instrumentos de medição de tempo vocês conhecem?

Em seguida, sugere-se:

• Orientar os estudantes a observar a imagem com atenção e refletir sobre a importância dos instrumentos de medição do tempo em nossas vidas.

• Questionar os estudantes acerca da obra, explorando as impressões que ela causou.

• Explorar as cores, a disposição dos relógios, a construção de uma cidade com instrumentos de medição de tempo e os efeitos de sentido que essa escolha provoca.

• Retomar e consolidar o conceito de tempo cronológico. Professor, na atividade b, espera-se que os estudantes apontem a importância do relógio e, portanto, do controle do tempo para os habitantes da cidade. Na atividade c, espera-se que os estudantes digam que os habitantes das cidades têm grande necessidade de relógios para não se atrasar em seus compromissos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se levar um calendário para a sala de aula e perguntar:

• Em qual dia, mês e ano estamos?

• Todos os povos da Terra estão no mesmo dia, mês e ano que nós?

• Todos eles adotam nosso calendário?

• Vocês sabiam que existem diferentes calendários?

• Sabiam que, no Brasil, utilizamos o calendário cristão? Sabem por que isso acontece?

Em seguida, sugere-se:

• Chamar a atenção dos estudantes para a existência de diferentes calendários, como o judeu, o muçulmano, o do povo Pataxó etc.

• Destacar que cada calendário é organizado com base em um fato importante para um povo.

• Comparar os três calendários destacados no texto: o cristão, o judaico e o muçulmano.

• Evidenciar a importância do calendário para a vida social.

• Reforçar que o ponto de partida de cada povo ao escrever ou contar sua história é o acontecimento considerado mais importante para ele.

Professor, os estudantes têm um convívio diário com o calendário; no entanto, é importante relacionar o objeto aos usos que fazemos dele para que todos possam dar sentido à sua utilização.

OUTRAS CULTURAS, OUTROS CALENDÁRIOS

Outros povos também criaram calendários com base na sua cultura. Para dar início à contagem do tempo, cada povo escolheu uma data que é importante para ele.

Os judeus, por exemplo, começam a contar o tempo a partir da criação do mundo, que para eles se deu no ano 3760 antes do nascimento de Cristo.

Já os muçulmanos contam o tempo a partir da ida do fundador da sua religião, Maomé, da cidade de Meca para Medina (na atual Arábia Saudita). Esse fato ocorreu no ano 622 depois do nascimento de Cristo.

Religião: é um conjunto de crenças, normas e valores partilhados por um grupo, comunidade ou povo; é importante lembrar que a religião é sempre coletiva.

Os cristãos, por sua vez, escolheram o nascimento de Cristo para dar início à contagem do tempo. Esse fato é um marco do calendário cristão. Assim, por exemplo, o ano de 2027, para os cristãos, corresponde ao ano de 5787 para os judeus e de 1449 para os muçulmanos. Isso quer dizer que as Olimpíadas eram um acontecimento importante na cultura dos gregos da Antiguidade.

O marco inicial do calendário grego é o ano em que ocorreu a primeira Olimpíada. O que isso quer dizer?

TEXTO DE APOIO

Que ano seria?

“Em nenhum momento da história mundial houve um sistema de datação uniforme e unânime, compartilhado por todos”, afirma o Dr. Carlos Noreña [...].

[...] Para permitir o desenvolvimento do comércio, das trocas e da comunicação simples entre culturas, precisávamos viver no mesmo ano.

Os gregos, [por exemplo,] decidiram que o Ano Um deveria ser um evento de importância cultural e escolheram o primeiro ano em que os Jogos Olímpicos

foram realizados. Para nós, é 776 a.C., mas para os gregos – e outros países e culturas sob seu domínio – esse foi o Ano Um.

PAULAS, Rick. Sem o cristianismo, que ano seria? Pacific Standard, 5 jun. 2015. Tradução nossa. Disponível em: https:// psmag.com/social-justice/the-year-would -be-that-of-1-million-years-past-our-lord -spaghetti-monsters-bday/. Acesso em: 10 jul. 2025. Tradução nossa.

Povos e o ano em que se encontram em

O CALENDÁRIO CRISTÃO

O calendário mais usado no Brasil é o cristão. Para nós, portanto, há fatos ocorridos antes e depois de Cristo nascer.

Ao escrever as datas de fatos ocorridos antes de Cristo, colocamos a abreviatura a.C. A invenção do fogo, por exemplo, ocorreu cerca de 500 mil anos antes do nascimento de Cristo, ou seja, em 500000 a.C. Já a primeira vacina foi desenvolvida em 1796. Nos fatos ocorridos depois do nascimento de Cristo, não é necessário colocar a abreviatura d.C.

O nosso calendário divide o tempo em dia, mês, ano, década (10 anos), século (100 anos) e milênio (1 000 anos). Assim, dizer que estamos em 2027 significa que já se passaram dois milênios e 27 anos do nascimento de Cristo.

Em gravura colorizada, o Papa Gregório XIII, responsável pela atualização do calendário cristão. Século XVIII.

ATIVIDADE

• Vimos que, para situar os fatos históricos no tempo, usamos anos, décadas, séculos, milênios etc. Pense e responda no caderno.

a) Há quantos séculos se deu o nascimento de Cristo?

b) E há quantos milênios?

Há mais de 20 séculos. Há mais de dois milênios.

PARA VOCÊ ASSISTIR

• Calendário gregoriano define ano novo — Repórter Brasil. 2013.

1 vídeo (1min37s). Publicado pelo canal TV Brasil.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=C5Sys9saNrg.

Acesso em: 29 abr. 2025.

Reportagem da TV Brasil sobre a criação do calendário gregoriano.

Os sites indicados nesta obra podem apresentar imagens e 19

eventuais textos

publicitários junto ao conteúdo de referência, os quais não condizem com o objetivo didático da coleção. Não há controle sobre esses conteúdos, pois eles estão estritamente relacionados ao histórico de pesquisa de cada usuário e à dinâmica dos meios digitais.

ATIVIDADES

Propor aos estudantes que produzam um roteiro para a feitura de um vídeo de três minutos sobre os calendários explorados no texto. No roteiro, os estudantes deverão registrar:

• Informações sobre os tipos de calendário estudados, com o tempo previsto para a comunicação.

• Imagens para exemplificar cada calendário/cada povo, com o tempo previsto para a apresentação.

29/09/25 14:41

Quando os roteiros estiverem finalizados, promover a troca de roteiros entre os estudantes, de forma que cada um faça a sua gravação usando o roteiro produzido pelo colega. A gravação poderá ser feita com celular ou outro equipamento, em casa ou na escola (o professor determinará a melhor opção).

Ao término da gravação, um grupo designado para avaliar os vídeos dará seu parecer sobre a gravação, observando se corresponde ao que foi

• Retomar e aprofundar o conceito de calendário.

• Compreender que, no calendário cristão, há fatos ocorridos antes e depois de Cristo.

• Esclarecer os estudantes sobre o uso de algarismos romanos na escrita dos séculos.

planejado no roteiro. Professor, esta sugestão de atividade complementar, ao promover o uso pedagógico da tecnologia, atende à Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023, que instituiu a Política Nacional de Educação Digital (Pned), e, além desta, trabalha aspectos da competência geral 5.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar o trabalho com esta página perguntando aos estudantes:

• Vocês sabem quanto dura um século?

• Que evento é considerado o ano 1 do calendário cristão?

• O ano 1 do calendário cristão é o mesmo do calendário judeu?

• Em que século estamos no calendário cristão?

Vocês sabem explicar por quê?

Em seguida, sugere-se:

• Explicar aos estudantes como identificar a que século pertence determinado ano.

• Analisar a linha do tempo da página.

• Retomar e consolidar a noção de tempo cronológico e explicar as implicações da passagem dos anos.

Professor, se achar conveniente, comentar que essa linha do tempo não usa escala proporcional.

ATIVIDADES

Imagine que você foi contratado por uma empresa de jogos on-line e precisa criar símbolos para indicar dia, semana, mês, ano, século, milênio. Que símbolos você usaria? Qual é a relação entre os símbolos escolhidos e os conhecimentos históricos construídos por você, como estudante? Use sua criatividade!

Professor, esta sugestão de atividade complementar, além de incentivar o raciocínio histórico por meio de um exercício de criatividade, possibilita aos estudantes a resolução de problemas cotidianos ligados à tecnologia e ao mundo digital, abordando a competência específica 7 de História.

COMO SABER EM QUE SÉCULO ESTAMOS?

O século é uma unidade de tempo muito utilizada pelos historiadores. Geralmente, é escrito em algarismos romanos: século I, século III, século XX, e assim por diante. Há duas regras práticas para saber a que século pertence determinado ano:

• Quando o ano terminar em 00, é só eliminar esses dois algarismos e o número que sobrar indicará o século. Exemplo: 1200 século XII (século doze)

• Quando o ano não terminar em 00, é só eliminar os dois últimos algarismos e somar 1 ao número que sobrou, e você terá o século. Exemplo:

LINHA DO TEMPO

XXI (século vinte e um)

Para representar e ordenar os fatos em sequência cronológica, utiliza-se a linha do tempo. Essa linha pode ser construída usando-se qualquer unidade de tempo: ano, década, século. Observe a linha do tempo a seguir.

TEXTO DE APOIO

Como trabalhar a noção de tempo

Para que as turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental compreendam os fatos, do ponto de vista histórico, é fundamental que a escola amplie a noção de tempo cronológico [...].

Análise de linha do tempo

Atividade em que os estudantes têm a oportunidade de estudar (e elaborar) esse tipo de material usando determinados recortes históricos (escolhidos pelo professor, de acordo com o conteúdo trabalhado em sala). Fazendo isso, eles têm a possibilidade

de construir noções temporais básicas para se localizar na história.

“É um recurso útil também para analisar como os fatos estudados estão localizados no contexto de uma época e também para perceber e avaliar quais outros eventos ocorriam simultaneamente”, diz Maria Aparecida Bergamaschi, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). BIBIANO, Bianca. Como trabalhar a noção de tempo em História. Nova Escola, 1º dez. 2010. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/2370/ como-trabalhar-a-nocao-de-tempo-em -historia. Acesso em: 9 jul. 2025.

Essa linha do tempo não usa escala proporcional.

ATIVIDADES

2. Alternativa b. Correção: Alguns grupos humanos na atualidade continuam a organizar suas vidas com base na observação da natureza.

1. Complete as frases no caderno de modo a formar frases historicamente corretas.

a) Na nossa , isto é, no modo de viver e pensar, consultamos o várias vezes ao dia.

Cultura; relógio.

b) Esse tempo controlado por relógios e horários é chamado de .

Tempo cronológico.

2. Leia as frases com atenção e identifique a incorreta. Depois, reescreva a frase no caderno, corrigindo-a.

a) Os primeiros grupos humanos organizavam sua vida com base na observação da natureza.

b) Nenhum grupo humano atual organiza sua vida com base na observação da natureza.

c) Povos que organizam sua vida com base no tempo cronológico convivem com os que se orientam pelo tempo da natureza.

3. Copie o quadro a seguir no caderno e complete-o com um fato ou período importante ocorrido nos meses de janeiro, junho, outubro e dezembro no calendário cristão.

Calendário pataxó Calendário cristão

da cultura

Janeiro Mês do preparo do solo para feijão.

Junho Mês do frio.

Outubro Mês da planta do milho.

Dezembro Mês da manga.

Cruz da cultura material cristã. A peça tem cerca de 2000 anos.

Sugestões de respostas: Janeiro: mês das férias escolares. Junho: mês do Dia Mundial do Meio Ambiente. Outubro: mês do Dia das Crianças. Dezembro: mês do Dia da Família.

ATIVIDADES

1. Já pensou se fosse possível viajar no tempo? O que você gostaria de conhecer? Para qual época gostaria de viajar?

2. Debata com seus colegas sobre a importância de respeitarmos as diferentes culturas e produza uma frase exaltando o “respeito à diferença”.

3. Usando uma cartolina branca, construa duas linhas do tempo: uma com fatos da sua vida e outra com

29/09/25 14:41

fatos da vida de um adulto importante para você (mãe, pai, avó, avô etc.). Ilustre suas linhas do tempo com fotografias e desenhos. Dicas para elaborar as linhas do tempo:

• Faça duas linhas ocupando toda a largura da cartolina.

• Divida essas linhas em partes iguais. Em uma delas, comece a contagem do tempo no ano de seu nascimento; na outra, inicie com a idade que o adulto tinha quando você nasceu.

Professor , na atividade 1, retomar alguns conceitos trabalhados no capítulo, como o de cultura e o de tempo cronológico. Comentar que as culturas são diferentes entre si e que não há cultura superior à outra.

Na atividade 2, chamar a atenção para o fato de que continuam existindo grupos humanos que vivem de forma semelhante ao de nossos antepassados remotos. Ou seja, no tempo da natureza.

Na atividade 3 , incentivar os estudantes a refletir sobre a importância de localizarmos os fatos históricos no tempo e no espaço.

• Pesquise e assinale os fatos mais importantes ocorridos em sua vida e na dele.

Professor, com esta atividade, queremos contribuir para que o alunado retome e consolide a noção de simultaneidade, importante dimensão da categoria tempo, que é vertebral em História.

Itens
material Pataxó. Porto Seguro (BA), 2019.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Propor uma roda de conversa e perguntar aos estudantes:

• Vocês já ouviram a expressão “tempo africano”?

• Sabiam que muitos povos africanos marcam o tempo de um jeito diferente da maioria de nós, brasileiros, dos dias atuais?

• Sabiam que esses povos africanos marcam o tempo por tarefa e não por minutos, horas ou dias?

Em seguida, sugere-se:

• Estabelecer a diferença entre o tempo africano, ou seja, o tempo vivido, e o tempo controlado por cronômetros e relógios.

• Ajudar os estudantes a compreender a noção de tempo marcado por tarefas: o tempo vivido.

• Destacar o valor dado à pessoa idosa nas sociedades tradicionais da África e em muitas famílias afro-brasileiras.

• Incentivar os estudantes a contar o que aprenderam com pessoas idosas.

Professor , na seção Dialogando, a ideia é estimular os estudantes a traçar paralelos, comparando o que ocorre na família deles com o que se passa naquela que adota o tempo africano.

Professor, o conteúdo desta página, ao analisar o tempo africano e destacar a valorização dos conhecimentos das pessoas idosas, favorece o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Educação para a valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e

TEMPO AFRICANO

Uma das principais coisas que a maioria de nós, brasileiros, faz ao acordar é consultar o relógio. O tempo para nós é linear e possui uma direção única, do passado para o futuro. Nós marcamos o tempo por meio do relógio. Dizemos, por exemplo, “escovei os dentes em cinco minutos”, “fiz a tarefa escolar em três horas”.

Já o tempo africano é o tempo presente, o tempo do acontecimento, do vivido. Nesse modo de ver, marca-se o tempo por tarefa, e não por dias, horas ou minutos. Para eles, há o tempo de se alimentar, o tempo de colher, o tempo de preparar uma festa, e assim por diante.

Além disso, o passado vive no presente por meio dos mais velhos, que, nas sociedades tradicionais da África, têm posição de destaque. A pessoa idosa é vista como uma biblioteca viva, alguém que possui um saber digno de ser reconhecido e compartilhado. E os que já morreram continuam influenciando os vivos. Muitas famílias africanas e afro-brasileiras dos dias atuais continuam a se guiar pelos ensinamentos de uma bisavó ou avó, mesmo após a morte delas. Diante de um problema, é comum se perguntarem: “o que minha bisavó faria nessa situação?”. E, na hora de decidir, seguir os conselhos deixados por ela.

Griô do povo Dogon, que vive na República do Mali. Griô é o nome dado aos contadores de histórias, cantores e músicos responsáveis por conservar e transmitir conhecimentos e canções de seu povo. Fotografia do século XX.

culturais brasileiras e com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.

DIALOGANDO

1. E na sua casa, como é? Os conselhos de uma avó, bisavó ou tataravó continuam tendo importância nas decisões tomadas por sua família?

2. Cite um conselho de sua avó, bisavó ou um familiar de sua convivência que você considera importante para sua vida.

Respostas pessoais.

TEXTO DE APOIO

O tempo africano

O conceito de tempo nos ajuda a explicar crenças, atitudes, práticas e, em geral, o sentido da vida dos povos africanos, não somente no contexto tradicional, mas também na situação moderna (seja na política, econômica, educação etc.). Na tradição africana o tempo é simplesmente a composição dos eventos que ocorreram, que estão ocorrendo agora, que imediatamente e inevitavelmente ocorrem. Os eventos que ainda não ocorreram estão na categoria do “Não tempo”. Neste caso o

ATIVIDADES

1. b) “[...] soluções para o presente se encontram na ancestralidade. Na prática, [...] se trata de aprender e criar soluções a partir de conhecimentos anteriores, com as gerações antigas [...]”.

1. Leia o texto a seguir com atenção. Enquanto as sociedades ocidentais valorizam o tempo a partir do futuro e buscam o desenvolvimento na construção de um futuro sempre superior ao presente, e enxergam o passado como um lugar menos apreciável, para a civilização africana o passado tem papel crucial. [...] Por isto, soluções para o presente se encontram na ancestralidade. Na prática, [...] se trata de aprender e criar soluções a partir de conhecimentos anteriores, com as gerações antigas, e entender que o presente só é possível por conta de um passado existente.

Carlos Augusto França Ferreira. Como a afrocentricidade pode contribuir para a memória do negro. Por dentro da África, 18 ago. 2019. Disponível em: https://pordentrodaafrica.com/ educacao/como-a-afrocentricidade-pode-contribuir -para-a-memoria-do-negro. Acesso em: 29 abr. 2025.

a) Consulte um dicionário e escreva no caderno o significado de ancestral

Ancestral: familiar antepassado, antecessor.

b) Localize no texto e leia, em voz alta, as passagens que justificam a seguinte afirmação:

Nas sociedades africanas, as gerações passadas continuam influenciando o presente; isso ajuda a explicar o importante papel da pessoa idosa naquelas sociedades.

2. Leia as frases a seguir. Identifique a afirmação incorreta, corrigindo-a no caderno.

a) As sociedades ocidentais e as africanas tradicionais valorizam o futuro e se esforçam para que o futuro seja melhor que o presente.

b) As sociedades africanas consideram o passado muito importante; por isso, acreditam que os conhecimentos dos ancestrais ajudam nas soluções dos problemas postos pelo presente.

c) Nas sociedades tradicionais africanas, é comum uma família tomar uma decisão com base nos ensinamentos deixados por uma bisavó que faleceu.

Alternativa a. Correção: Enquanto as sociedades ocidentais valorizam o futuro e se esforçam para que o futuro seja superior ao presente, as sociedades africanas se voltam para seus ancestrais e bebem dos ensinamentos deixados por eles.

futuro é praticamente ausente porque os eventos ainda não aconteceram, não se realizaram, portanto, não constituem o tempo. [...]

Há o tempo de experiência pessoal na sua própria vida [...], na sociedade que se prolonga por gerações, em gerações anteriores ao seu nascimento. À medida que o futuro não foi vivido, experimentado, não faz sentido e não constituiu parte de tempo [...]. O tempo está ligado aos acontecimentos ocorridos, as pessoas não reconhecem o vácuo (espaço sem eventos). [...]

Para os africanos, bantos em particular, a vida não existe para ser transfor-

ENCAMINHAMENTO

Professor, na atividade 2, espera-se que os estudantes percebam que, nesse modo de ver o mundo, os ancestrais continuam presentes e influenciando os vivos.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. GALISSA – Griot – Mestre de Korá. 2009. (9min50s). Publicado pelo canal memoriamedia. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=UEL5Y 7vFZmw. Acesso em: 6 jul. 2025.

Entrevista com o griot José Galissa.

ATIVIDADES

Produzam uma história em quadrinhos sobre o importante papel do idoso na cultura e na tomada de decisões de uma família ou de uma comunidade.

Professor , esta sugestão de atividade complementar atende aos princípios do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) e mobiliza o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.

29/09/25 14:41

mada em solução, mas para ser vivida intensamente no presente, fora de todo o contexto do “pecado original”. O trabalho, o amor, a dança, os mortos-vivos, a palavra (o sopro dos ancestrais) são mensagens que o munthu, o homem africano banto, atribui a ele mesmo, no tempo e espaço, para ser, estar e viver, apreciando, usufruindo subjetivamente e objetivamente a totalidade do Universo.

DOMINGOS, Luis Tomas. A visão africana em relação à natureza. Revista Brasileira de História das Religiões Maringá, v. 3, n. 9, p. 10-11, jan. 2011.

N'famady Kouyaté, músico de Guiné. Fotografia de 2018.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
GLENN EDWARDS/ALAMY/FOTOARENA

ENCAMINHAMENTO

Pode-se introduzir o assunto fazendo as seguintes perguntas norteadoras:

• Vocês já assistiram a algum filme ou leram uma história em quadrinhos ambientados na Pré-História?

• Vocês sabem quando começa e quando termina esse período da história humana?

• Imaginam qual foi o critério usado para dividir a história humana em Pré-História e História?

• Sabem o significado de Paleolítico? E de Neolítico?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Trabalhar os conceitos de Pré-História e História.

• Levar em conta que antes da invenção da escrita ocorreram fatos tão importantes quanto depois dela. Por isso, os historiadores atuais preferem dizer que a “Pré-História” também é História.

• Chamar a atenção dos estudantes para o fato de que a Pré-História é um período muito longo da história da humanidade e que, nesse período, foram feitas importantes descobertas, como a roda e o domínio do fogo.

TEXTO DE APOIO

Pré-História: um conceito discutível

Os historiadores do século XIX dividiram a longa trajetória da humanidade em dois períodos: Pré-História e História. A Pré-História começaria com o aparecimento do gênero Homo (do qual fazemos parte), há cerca de 2 milhões de anos,

2

OS PRIMEIROS

POVOADORES

DA TERRA

Tradicionalmente, divide-se a longa trajetória da humanidade em Pré-História e História.

A Pré-História começa com o surgimento do gênero Homo (do qual fazemos parte), há cerca de 2 milhões de anos, e vai até a invenção da escrita, ocorrida por volta de 3500 a.C. E a História vai da invenção da escrita aos dias atuais.

Surgimento do gênero Homo Invenção da escrita

3500 a.C.

Essa linha do tempo não usa escala proporcional.

Repare que essa divisão considera as sociedades sem escrita como sociedades sem história. Os historiadores atuais já não aceitam esse modo de ver, pois, para eles:

• as conquistas humanas anteriores à escrita (como o domínio do fogo, a invenção da roda, a prática da agricultura) são tão importantes quanto as que vieram depois, como a invenção do avião, a descoberta da penicilina e a cura para a tuberculose;

• os povos que não desenvolveram a escrita também possuem história, que precisa ser mais bem conhecida. Por isso, para os historiadores atuais, a Pré-História também é parte da História e os seres “pré-históricos”, com sua imaginação e inteligência, também fizeram história. Porém, conhecer essa divisão é importante porque ela aparece em desenhos, filmes, gibis, revistas e livros.

2 milhões de anos 24

e teria fim com a invenção da escrita. Já a História se estenderia do aparecimento da escrita aos dias atuais.

Essa periodização considera as sociedades sem escrita (ágrafas) sociedades sem história. Os historiadores do século XIX consideravam o documento escrito muito mais importante do que os outros. Veja o que se disse sobre o assunto: [...] Um historiador da Escola Metódica do século XIX teria certeza de que o documento é, em essência, o texto escrito: a carta, o tratado de paz, o testamento etc. [...]

Desde o século XIX, o conceito e [a] abrangência do termo documento histó-

rico foram sendo ampliados. A Escola dos Annales, no século XX, colaborou ainda mais para o alargamento da noção de fonte. Ao determinar que a busca do historiador seria guiada por tudo o que fosse humano, Marc Bloch demonstra que, ao mesmo tempo em que se amplia o campo do historiador, amplia-se, necessariamente, a tipologia da sua fonte.

KARNAL, Leandro; TATSCH, Flávia Galli. A memória evanescente. In: PINSKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tania Regina de (org.).

O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009. p. 14.

Pré-História
História

OS CAÇADORES E COLETORES

Tradicionalmente, divide-se a Pré-História em dois períodos: o Paleolítico (pedra lascada) e o Neolítico (pedra polida).

Paleolítico é o longo período em que os grupos humanos produziam suas ferramentas de pedra lascada, que serviam de machados e facas com os quais abatiam animais, coletavam frutos e faziam suas roupas.

IMAGENS FORA DE PROPORÇÃO.

Nas fotografias desta página, vemos ferramentas do período Paleolítico. Museu de Antiguidades Nacionais, St. Germain-en-Laye, França. Além da pedra lascada, os grupos humanos usavam também osso e madeira.

No Paleolítico, os seres humanos sobreviviam da caça, da pesca e da coleta de frutas, por isso ficaram conhecidos como caçadores e coletores. Eles eram nômades, isto é, não tinham moradia fixa. Sempre que a caça, os peixes e os frutos de um lugar começavam a diminuir, eles se mudavam para outro, em busca de alimentos.

ENCAMINHAMENTO

• Diferenciar caçadores e coletores de agricultores e pastores.

• Ajudar os estudantes a construir as noções de sedentarismo e nomadismo.

Professor, o Capítulo 2 apresenta fundamentação teórica sobre a Pré-História e a História, explorando informações sobre os primeiros povoadores da Terra e seus modos de vida. A presença de textos com expressiva quantidade de informa-

ções possibilita o desenvolvimento da fluência oral, o desenvolvimento da postura autônoma, crítica e participativa em relação às leituras. Propomos, assim, que os estudantes se preparem previamente para as aulas em que os textos serão discutidos e que se responsabilizem pela leitura dos textos para os colegas.

Há oito textos selecionados para a atividade proposta: Os caçadores e coletores (página 25); O começo da agricultura (página 26); Os agricultores

e os pastores (página 28); Da aldeia à cidade (página 30); Surge o comércio (página 32); O processo de formação do Estado (página 33); A formação da cidade (página 35); A escrita (página 37).

Dividir os estudantes em duplas ou trios (de acordo com o número de estudantes da turma). Cada dupla ou trio ficará responsável por um título e deverá se preparar para a leitura em voz alta, durante a aula. Previamente, todos os estudantes deverão se preparar para a discussão das informações do texto, lendo-o em casa e registrando, para cada leitura, uma informação que considerou muito importante (ideia central do texto) e uma dúvida, ou um comentário, ou uma associação a outros textos ou materiais. No dia marcado, iniciar a aula com a leitura em voz alta dos estudantes responsáveis pela tarefa e promover a discussão coletiva dos textos.

TEXTO DE APOIO

Arqueologia

A Arqueologia é o estudo da sociedade por meio de tudo que é feito ou alterado pelo ser humano: pedras usadas como machados, barro secado e transformado em um prato de cerâmica, ou até mesmo o osso de um animal consumido como alimento, usado como colar. ARQUEOLOGIA: uma atividade muito divertida. Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte. Campinas: Caluh, 2018. Disponível em: https://www. labjor.unicamp.br/wp -content/uploads/2018/08/ arqueologia_uma-atividade -muito-divertida.pdf. Acesso em: 8 jul. 2025.

BRIDGEMAN
IMAGES/FOTOARENA

ENCAMINHAMENTO

Para dar início a uma aula dialogada, pode-se perguntar:

• Que alimentos, consumidos por vocês no dia a dia, são produzidos por meio da agricultura?

• A agricultura é importante na economia brasileira?

• Vocês sabiam que o desenvolvimento da agricultura pelos seres humanos é chamado de Revolução Agrícola?

• Sabiam que a agricultura mudou muito o modo de os seres humanos viverem e trabalharem?

Em seguida, sugere-se:

• Retomar e consolidar o conceito de sedentarismo.

• Propor uma reflexão sobre a importância da agricultura no processo de sedentarização dos seres humanos.

• Relacionar o desenvolvimento da agricultura ao surgimento do comércio.

TEXTO DE APOIO

Domesticação de plantas e animais

[...] A agricultura começou de forma independente em diferentes partes do globo. [...] Pelo menos onze regiões separadas do Velho e do Novo Mundo [constituíam] centros de origem independentes.

[...] Por volta de 9500 a.C., as oito culturas fundadoras do Neolítico – trigo emergente, trigo einkorn, cevada descascada, ervilha, lentilha, ervilhaca amarga, grão-de-bico e linho – foram cultivadas no Levante. O centeio pode ter sido cultivado mais cedo, mas isso permanece

OCOMEÇO DA AGRICULTURA

Por volta de 10 mil a.C., a Terra passou por uma grande mudança climática. As temperaturas subiram e as camadas de gelo que cobriam parte da superfície terrestre recuaram. Muitos animais acostumados a climas frios, como os mamutes, desapareceram, e a carne se tornou mais rara.

Os seres humanos, então, passaram a bus car outras fontes de alimento. Essa busca deu origem à descoberta da agricultura, ou seja, o cultivo intencional, uma das maiores conquistas humanas de todos os tempos. Juntamente com a agricultura, esses grupos humanos desenvolveram a pecuária, ou seja, a domesticação e a criação de animais, como cabras, ovelhas e bois.

A necessidade de abater animais para separar a pele da carne e para se defender levou os seres humanos a polirem a pedra, aperfeiçoando e aumentando a efi e a durabilidade de suas ferramentas. Com pedra polida, faziam lâminas de corte afiado, serras com dentes e machados mais afiados. Por isso, os estudiosos chamaram o período que se iniciou com o desenvolvimento da agricultura de Polida ou Neolítico

controverso. O arroz foi domesticado na China em 6200 a.C., [...] seguido pelo feijão-mungo, soja e azuki.

Os porcos foram domesticados na Mesopotâmia por volta de 11000 a.C., seguidos por ovelhas entre 11000 a.C. e 9000 a.C. O gado foi domesticado [...] nas áreas da moderna Turquia e [do] Paquistão por volta de 8500 a.C. A cana-de-açúcar e alguns vegetais de raiz foram domesticados na Nova Guiné por volta de 7000 a.C. O sorgo foi domesticado na região do Sahel, na África, em 5000 a.C. Nos Andes da América do Sul,

a batata foi domesticada entre 8000 a.C. e 5000 a.C., junto com feijão, [...] lhamas, alpacas e porquinhos-da-índia. As bananas foram cultivadas e hibridizadas no mesmo período na Papua-Nova Guiné. [...] O algodão foi domesticado no Peru em 3600 a.C. Os camelos foram domesticados tarde, talvez por volta de 3000 a.C. BAKERS, Martin; LANSLOR, Tobias; ESKELNER, Mikael. História da agricultura. São Paulo: Cambridge Stanford Books, p. 10. E‑book.

Serra com dentes, produzida há cerca de 4 mil anos.
Pontas de machado, produzidas há cerca de 4 mil anos.

ENCAMINHAMENTO

ATIVIDADES

1. Copie no caderno as frases a seguir, escrevendo à frente de cada uma delas V (verdadeira) ou F (falsa).

Verdadeiras: alternativas a, b e c.

Falsa: alternativa d

a) Os historiadores atuais não aceitam a ideia de que as sociedades sem escrita são sociedades sem história.

b) As conquistas humanas anteriores à escrita são tão importantes quanto as que vieram depois.

c) Os povos sem escrita também possuem uma história movimentada que precisa ser conhecida.

d) A invenção da roda é mais importante do que a do automóvel.

2. Identifique a afirmativa incorreta e corrija-a, reescrevendo a frase no caderno.

Alternativa b. No Paleolítico, os seres humanos sobreviviam da caça, da pesca e da coleta de frutas.

a) O Paleolítico é um longo período em que os grupos humanos lascavam a pedra para construir suas ferramentas.

b) No Paleolítico, os seres humanos sobreviviam da prática da agricultura e do pastoreio.

c) Os seres humanos do Paleolítico eram nômades, isto é, não tinham moradia fixa.

d) As ferramentas produzidas no Neolítico eram mais eficientes e duradouras do que as fabricadas no Paleolítico.

3. Copie no caderno as alternativas corretas.

Alternativas a, b e c

a) A busca por outras fontes de alimento deu origem à descoberta da agricultura.

b) Paralelamente à agricultura, os seres humanos desenvolveram a pecuária.

c) Para extrair a pele de animais e se defender, os seres humanos passaram a polir a pedra.

d) Com pedra polida, os seres humanos do Neolítico faziam ferramentas menos eficientes do que as do Paleolítico.

4. Imagine e escreva no caderno um pequeno texto sobre as vantagens que a feitura de lâminas de corte afiado, serras com dentes e machados mais afiados proporcionou aos seres humanos do Neolítico.

Produção pessoal.

| PARA O ESTUDANTE

DOCUMENTÁRIO . OS CAÇADORES E COLETORES. 2012. Vídeo (26min3s). Publicado pelo canal Viomundo. Disponível em: https:// vimeo.com/41053917. Acesso em: 6 jul. 2025.

O documentário apresenta a vida de dois povos do continente africano que preservam tradições ancestrais de caça e coleta. A produção destaca seus costumes, modos de sobrevivência e a relação com a natureza.

| PARA O PROFESSOR

29/09/25 14:41

VÍDEO. EXPOSIÇÃO: Pelos Caminhos da Cidade de Pedra: Trinta anos de pesquisa arqueológica. 2015. Vídeo (4min18s). Publicado pelo canal Univesp. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=c30Zx44Tr3k. Acesso em: 11 jul. 2025.

O vídeo apresenta pesquisas arqueológicas na região conhecida como Cidade de Pedra, próximo a Rondonópolis (MT). A área, rica em sítios arqueológicos, é atualmente protegida

A atividade 4 tem como objetivo dar continuidade à nossa proposta de que a leitura e a escrita são compromissos de todas as áreas do conhecimento. Professor , avaliar sobretudo a coesão, a coerência e a objetividade do texto produzido pelos estudantes.

ATIVIDADES

1. Caracterize a organização social e a divisão de tarefas nas aldeias neolíticas.

2. Imagine-se vivendo em uma aldeia neolítica. Como você faria as atividades simples do dia a dia (alimentar-se, cozinhar, brincar ou jogar com os amigos etc.)? Escreva no caderno um pequeno texto sobre esse assunto.

Respostas:

1. Com a sedentarização, os agricultores e pastores fixaram-se em um local e formaram as aldeias. Nas aldeias neolíticas, o trabalho era dividido entre as mulheres e os homens. As mulheres dedicavam-se ao preparo dos alimentos e cuidavam dos filhos. Já os homens construíam moradias, caçavam e cuidavam dos rebanhos.

2. Resposta pessoal.

como Parque Ecológico e Arqueológico.

NÃO ESCREVA NO LIVRO

ENCAMINHAMENTO

Iniciar a aula com as seguintes perguntas norteadoras:

• Como vocês imaginam a vida dos primeiros grupos humanos?

• Como será que superaram os desafios impostos pelo ambiente e pela necessidade incessante de encontrar alimento?

• Que mudanças o desenvolvimento da agricultura trouxe para os seres humanos?

• Como será que era dividido o trabalho na aldeia neolítica?

Em seguida, sugere-se:

• Realizar a leitura compartilhada do texto.

• Estimular a reflexão sobre as dificuldades vivenciadas pelos primeiros grupos humanos.

• Refletir sobre a divisão do trabalho entre homens e mulheres.

TEXTO DE APOIO

Inovações e sedentarismo

O desenvolvimento desse novo modo de vida sedentário foi condicionado por toda uma série de inovações que permitiram explorar e utilizar mais intensamente os novos recursos. As foices formadas por uma lâmina de pedra talhada – cujo fio característico atestou que foram utilizadas como lâmina de ceifa – e as foices dentadas, compostas por uma serra de micrólitos inseridos em um suporte em madeira arcada, permitiam colher em poucas horas grãos suficientes para alimentar uma família inteira [...]. A moenda, cavada na própria rocha ou em uma grande pedra, sobre a qual se moíam punhados de grãos com a

OS AGRICULTORES E OS PASTORES

Ao se tornarem agricultores e pastores, os seres humanos passaram a produzir seu próprio alimento e não precisavam mais mudar constantemente de lugar. Então, aos poucos, foram se tornando sedentários, isto é, passaram a se fixar em determinado local: a aldeia.

Na aldeia neolítica, o trabalho era dividido entre as mulheres e os homens. As mulheres se dedicavam ao cultivo e preparo dos alimentos e cuidavam dos filhos. Já os homens construíam moradias, caçavam e cuidavam dos rebanhos.

ajuda de uma mó (tipo de pedra grande achatada), permitia produzir farinha, da qual se obtinha uma massa e pães pouco espessos e arredondados que podiam ser cozidos sobre as cinzas ou sobre grandes pedras aquecidas dentro de amplos fornos. [...]

O uso de fornos instalados em uma espécie de cova revestida de argila revelaria, por mero acaso, a invenção da cerâmica, enquanto [...] a “descoberta” da pedra polida estaria ligada ao uso das moendas e das mós. [...] Foices, moendas, mós, pilões, socadores, machados

e enxós, enfim, todos os materiais que constituíram durante milênios as ferramentas dos cultivadores neolíticos, preexistiam na sua maioria quando do desenvolvimento da agricultura. [...]

MAZOYER, Marcel; ROUDART, Laurence. História das agriculturas no mundo: do neolítico à crise contemporânea. São Paulo: Editora Unesp; Brasília, DF: NEAD, 2010. p. 103.

ESCUTAR E FALAR

Com base na imagem destas páginas e no que você estudou, fale aos colegas sobre a aldeia neolítica. Siga o roteiro:

• Seus habitantes eram nômades ou sedentários?

• Que atividades eram realizadas?

• Como era a divisão do trabalho?

Produção pessoal.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas conseguiram escutar o que eu disse?

2. Pronunciei as palavras corretamente?

3. Fiz gestos adequados?

Representação ilustrada, baseada em pesquisa histórica, de algumas atividades em uma aldeia neolítica. Cena 1: construção de moradia. Cena 2: caça. Cena 3: colheita. Cena 4: cuidado com crianças. Cena 5: preparo de alimento. Cena 6: produção de ferramentas. Cena 7: ordenha do gado.

Professor, a atividade proposta na seção Escutar e falar possibilita o desenvolvimento da competência geral 1.

| PARA O PROFESSOR

LIVRO. MAZOYER, Marcel; ROUDART, Laurence. História das agriculturas no mundo: do neolítico à crise contemporânea. São Paulo: Editora Unesp; Brasília, DF: NEAD, 2010.

Obra abrangente que analisa a evolução das práticas agrícolas desde o período neolítico até os desafios contemporâneos. TEXTO

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As mulheres e a agricultura

No início da trajetória da humanidade na Terra, homens e mulheres viviam da caça de animais de pequeno e médio porte, da pesca, e da colheita de leguminosas silvestres e grãos [...].

No referido período, as mulheres eram responsáveis pela colheita de frutos e grãos nas proximidades dos agrupamentos nômades [...]. Essa condição possibilitou às mulheres a observação do nascimento de novas plantas, a partir de sementes deixadas na terra [...].

Essa descoberta dá as mulheres o papel de genitora das futuras sociedades, não pelo ato de procriar, mas pela possibilidade de produzir o próprio alimento e desenvolver a agricultura, que permitiu a fixação de homens e mulheres, e com isso o surgimento das primeiras aldeias [...].

BARRETO, Simone de Brito; NUNES, Xenusa Pereira; MARTINS, Mariana Jária. Um caminho de soberania e segurança alimentar. Cadernos de Agroecologia – Diálogos Convergências e Divergências: mulheres, feminismos e agroecologia, v. 16, n. 1, 2021. Disponível em: https://cadernos.aba-a groecologia.org.br/cadernos/ article/view/6619/4892. Acesso em: 6 jul. 2025.

ENCAMINHAMENTO

Uma porta de entrada para o trabalho com esta página é informar que, em nossas casas, a maioria dos alimentos é armazenada em sacos ou potes de plástico, lata ou vidro. E, a seguir, perguntar aos estudantes:

• E nos tempos da aldeia neolítica, como será que os alimentos eram guardados?

• Vocês sabiam que a necessidade de conservar e transportar alimentos produzidos pelos seres humanos do Neolítico levou à invenção da cerâmica?

• Sabiam que os seres humanos do Neolítico passaram a fazer vasos e jarros de cerâmica para conservar e transportar alimentos?

Em seguida, sugere-se:

• Trabalhar com os estudantes a ideia de que, com o aumento da população e a descoberta de técnicas agrícolas, algumas aldeias passaram a produzir sobras.

• Explicar que, com as sobras de alimentos, parte das pessoas passou a se dedicar a outras atividades, como tecer, moldar a cerâmica, pescar, cuidar da segurança do grupo, entre outras; ou seja, houve um crescimento do processo de divisão do trabalho.

TEXTO DE APOIO

A origem da cerâmica Coeva do fogo, a cerâmica – do grego “kéramos”, ou “terra queimada” – é um material de imensa resistência, sendo frequentemente encontrado em escavações arqueológicas. Assim, a cerâmica vem acompanhando a história do homem, dei-

DA ALDEIA À CIDADE

Com a agricultura e a pecuária, aumentou a oferta de alimentos. Para guardar, transportar e cozinhar esses alimentos, os seres humanos desenvolveram a cerâmica, barro modelado e cozido. Mais bem alimentadas, as pessoas passaram a ter mais filhos e a viver por mais tempo, o que levou a um cresci mento da população.

Estátua egípcia de cerca de 2400 anos representando um oleiro.

CRESCE A DIVISÃO DO TRABALHO

Vaso de cerâmica egípcio de cerca de 3000 anos.

A necessidade de alimentar a população que crescia levou à descoberta do arado puxado por bois e de técnicas de irrigação do solo. Com isso, as aldeias passaram a produzir mais alimentos do que consumiam. Com a sobra de alimentos, parte das pessoas foi liberada do trabalho na agricultura e passou a fazer outras atividades. Ocorreu, assim, uma crescente divisão do trabalho: uns se dedicaram a construir casas, outros a fazer tecidos, outros a produzir vasos e panelas de cerâmica, outros ainda se especializaram em caçar e pescar, e houve aqueles que optaram por cuidar da segurança do grupo.

xando pistas sobre civilizações e culturas que existiram há milhares de anos antes da Era Cristã.

[...]

Estudiosos confirmam ser, realmente, a cerâmica a mais antiga das indústrias. Ela nasceu no momento em que o homem começou a utilizar-se do barro endurecido pelo fogo. Desse processo de endurecimento, obtido casualmente, multiplicou-se. A cerâmica passou a substituir a pedra trabalhada, a madeira e mesmo as vasilhas (utensílios domésticos) feitas de frutos como o coco ou a casca de certas cucurbitácias (porongas, cabaças e catutos).

[...]

Arado: instrumento com o qual se prepara a terra para o plantio.

As artes cerâmicas moldam minerais das entranhas da terra (metais, barro, argila, areia, etc.) dando origem a utensílios, peças ornamentais, urnas funerárias [...].

BYLAARDT, Marina Paulino et al. A origem da cerâmica. Biblio Belas, Belo Horizonte, 22 jul. 2022. Disponível em: https://eba.ufmg.br/bibliobelas/index. php/2022/07/a-origem-da-ceramica/. Acesso em: 14 jul. 2025.

Com a sedentarização e a formação de aldeias, surgem também outras formas de ordenação social.

Nas aldeias, o poder estava distribuído entre os chefes de famílias. Era comum as famílias se juntarem para se defender de outros grupos familiares. A junção de várias famílias formava um clã. E a reunião de vários clãs formava uma tribo. O líder da tribo acumulava, geralmente, o poder político e religioso. Essa foi uma forma de ordenação social muito comum entre os povos da Antiguidade.

Família 1 Família 2

Família 3 Família 4

Família 5

Família 6 Família 7 Família 8 Família 9

TEXTO DE APOIO

Criações do Neolítico

[No neolítico], os grandes avanços técnicos, movidos pelas crescentes necessidades, em um meio hostil, e pela capacidade inventiva e imaginativa, podem ser assim resumidos: a) utilização de novos materiais – pedra polida e argila, da qual criaram a cerâmica, com a fabricação de um grande número de utensílios (copos, vasilhames, jarras, potes), inclusive para a estocagem de alimentos, e o tijolo, que seria usado na construção de habitações; b) alimentação mais rica e variada, com a introdução de novos produtos, como

ENCAMINHAMENTO

Professor, o trabalho com esta página contribui para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI02).

ATIVIDADES

Escreva em seu caderno uma resposta à seguinte pergunta: Como o processo de sedentarização contribuiu para o aumento da população e a divisão do trabalho? Compartilhe sua resposta com os colegas.

29/09/25 14:41

[...] leite, cereais, leguminosas; c) vestimentas e agasalhos mais confortáveis de tecidos (linho, lã), o que significou, ao menos, uma incipiente [...] tecelagem; d) desenvolvimento do curtume – peles, couro; e) domesticação de animais para alimento e tração [...]; g) utilização da energia eólica (barco a vela) e da tração animal para moagem e semeadura, para as quais desenvolveram a atrelagem e a junta de bois; h) invenção da roda, roldana, rolos, aumentando a capacidade de força muscular humana e animal; i) fabricação de cestos e balaios de uso doméstico; j) identificação de plantas

venenosas e de plantas medicinais; k) construção de moradias (palafitas) mais apropriadas para uma vida sedentária [...]. As manifestações artísticas, inclusive a Arte decorativa, se [expandiram].

ROSA, Carlos Augusto de Proença. História da ciência: da antiguidade ao renascimento científico. Brasília, DF: Funag, 2012. v. 1. p. 43-44.

Clã 1
Clã 2
Clã 3
TRIBO
Representação ilustrada atual da divisão do trabalho em uma aldeia neolítica.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar a aula perguntando aos estudantes:

• Como surgiu o comércio?

• Sabiam que logo que o comércio surgiu não existia dinheiro?

• Como será que as pessoas adquiriam o que precisavam?

• Vocês já participaram de uma feira de trocas? Em seguida, sugere-se:

• Retomar o conceito de divisão do trabalho.

• Relacionar o aumento da divisão do trabalho ao surgimento do comércio e do comerciante.

• Informar que, no início, efetuava-se a troca de um produto por outro (troca in natura). Não existia o dinheiro como conhecemos hoje.

• Estabelecer o paralelo entre o comércio no passado e essa mesma atividade no presente.

ATIVIDADES

Sob orientação do professor e com o auxílio de um familiar adulto, entreviste um comerciante e pergunte:

• Qual é seu nome completo?

• Há quantos anos você exerce essa profissão?

• Como é sobreviver do comércio?

• Qual é o maior desafio para um comerciante?

• Qual é a parte mais difícil da profissão?

SURGE O COMÉRCIO

As pessoas passaram, então, a trocar o que faziam por aquilo de que precisavam. Trocavam trigo por azeite, vaso de cerâmica por machado, tecido por machado de ferro etc. Nascia, assim, o comércio.

Pouco a pouco, essas trocas deixaram de ser feitas pelos próprios produtores e passaram a ser efetuadas por um comerciante, personagem que surgiu naquela época.

DIALOGANDO

Qual é a importância do comércio no município ou na região onde você vive?

Resposta pessoal.

TEXTO DE APOIO

O comércio na Antiguidade

[Na] Antiguidade [o comércio] se dava no mais público dos ambientes: as praças de mercado. Em virtude do elevado fluxo de indivíduos por esses lugares, as praças tinham importância não só econômica, mas também política e social. Ao redor das praças desenvolviam-se as ruas de comércio, onde se aglutinavam comerciantes de acordo com o produto vendido. Até hoje se percebe esse fenômeno nos grandes centros urbanos. Na cidade de São Paulo, são emblemáticos

Representação ilustrada atual, baseada em pesquisa histórica, de comércio em seus primórdios.

os exemplos das Ruas Santa Ifigênia com seu comércio de eletrônicos e 25 de Março com o comércio de armarinhos, entre outros. [...]

Ainda hoje podemos observar que as ruas da cidade são os caminhos que permitem o acesso fácil aos bens de consumo. [...]

ORTIGOZA, Silvia Aparecida Guarnieri. Paisagens do consumo: São Paulo, Lisboa, Dubai e Seul. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. p. 27.

O PROCESSO DE FORMAÇÃO

DO ESTADO

Com o crescimento da divisão do trabalho e do comércio, algumas aldeias prosperaram; a população cresceu e aumentou a necessidade de se obter mais terras para plantar e criar animais; as aldeias passaram, então, a disputá-las. O chefe da aldeia que vencia a disputa passava a ter mais terras e mais pessoas sob o seu controle. E, por isso, recebia também mais impostos, que, à época, eram pagos em produto, como cabritos, carneiros, tecidos e vasos.

Aquele chefe que controlava mais aldeias e contribuintes passou a ter mais poder e se tornou o rei. Ele governava a partir de sua grande residência, o palácio; com a ajuda de funcionários, cobrava impostos, aplicava a justiça e defendia o reino. Assim, o rei foi ganhando poder e impondo sua autoridade. Esse processo é chamado centralização do poder ou formação do Estado. Em alguns Estados antigos, o rei era o servidor do deus da cidade. Esse é o caso do rei representado na estátua desta página. Ele era rei de Lagash, cidade da Mesopotâmia.

Imposto: contribuição obrigatória que, naquela época, era paga em produto. Mesopotâmia: comprida faixa de terra entre dois importantes rios, o Tigre e o Eufrates.

Estátua de Gudea, rei da cidade de Lagash, feita há cerca de 4150 anos. Encontra-se no Museu Louvre Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

TEXTO DE APOIO

O “Rei de Justiça”: soberania e ordenamento na Mesopotâmia

A monarquia de caráter divino foi a forma generalizada da representação do poder nas cidades-reinos da antiga Mesopotâmia, e a figura do rei foi seu elemento central.

[...] embora a divinização da pessoa do soberano não tenha sido um traço permanente e marcante da concepção régia mesopotâmica, a articulação entre o poder monárquico e a religião foi profunda: o rei é o escolhido dos deuses [...].

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[...] Segundo os princípios que nortearam a construção da imagem das monarquias mesopotâmicas [...], o rei era o chefe guerreiro, que defendia seu povo [...] dos ataques inimigos e, eventualmente, conduzia suas tropas para conquistar ou apaziguar terras distantes.

[...] Mas o rei era também o provedor do seu povo, aquele que, como sugere a metáfora do bom pastor [...], conduzia seu rebanho a pastos férteis e tranquilos, ao mesmo tempo que garantia a fertilidade dos campos e as boas colheitas, construindo e mantendo os canais do país [...].

Um caminho possível para abordar o importante processo de formação do Estado é comentar com os estudantes:

• Vocês certamente já viram reis em filmes, seriados e histórias em quadrinhos. Como será que surgiu o rei?

• De onde ele governava?

• Qual era a extensão do poder real?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Comentar que a centralização do poder e a formação do Estado podem ser considerados diferentes modos de nomear um mesmo processo.

• Trabalhar o conceito de imposto no passado.

• Refletir sobre o significado de imposto no presente.

• Acompanhar o processo de centralização do poder na figura do rei. Professor, é importante que os estudantes entendam que o imposto é cobrado sempre que compramos algo ou usamos algum serviço. E que os impostos devem ser destinados à manutenção de serviços essenciais como educação, saúde, segurança etc.

O rei é, portanto, um fator de equilíbrio cósmico, atuando nas dimensões humanas e divinas [...]. REDE, Marcelo. O “rei de justiça”: soberania e ordenamento na antiga Mesopotâmia. Phoînix, Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, p. 135-137, 2009.

VOCÊ LEITOR!

Professor , as atividades desta seção, ao incentivar a observação e a análise de uma ilustração feita com base em pesquisa histórica, estimulam o pensamento crítico e favorecem o trabalho com as competências específicas 1 e 3 de História.

Além disso, as atividades possibilitam o desenvolvimento da competência geral 2.

ATIVIDADES

1. Leia o texto a seguir com atenção. Os vestígios das cidades mesopotâmicas

Se você viajasse hoje pela Mesopotâmia, veria montes que parecem morros achatados pontilhando as paisagens. Esses montes são restos de cidades antigas. Eles se formaram porque o barro se dissolve na água. Quando os tijolos de barro das construções mesopotâmias se fundiam com a chuva, as pessoas erguiam novas construções por cima. Gradualmente, o solo foi ficando mais alto.

Os mesopotâmios construíam grossas muralhas de tijolo em torno dos limites da cidade para fins de defesa. Essas muralhas tinham [...] portões. Edifícios importantes como palácios e templos ficavam dentro das muralhas. As casas ficavam tanto dentro quanto fora. Quando o inimigo atacava, todos se refugiavam dentro das muralhas da cidade.

BROIDA, Marian. Egito Antigo e Mesopotâmia para crianças. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. p. 51.

VOCÊ LEITOR!

3. Os elementos que permitem identificar o período Neolítico são a prática da agricultura e do pastoreio e a existência de casas. NÃO

Observe a imagem a seguir. Depois, responda às questões no caderno.

1. Quais atividades econômicas os seres humanos pré-históricos estão praticando na imagem?

Os seres humanos estão praticando a agricultura e o pastoreio.

2. Qual é o período da Pré-História representado na imagem?

O período representado na imagem é o Neolítico.

3. Quais elementos da imagem permitem afirmar que ela retrata esse período?

4. As pessoas representadas na imagem são nômades ou sedentárias? Como você chegou a essa conclusão?

As pessoas representadas na imagem são sedentárias; o fato de praticarem a agricultura as obrigava a se fixar em determinado lugar.

Representação ilustrada, baseada em pesquisa histórica, de atividades realizadas em uma aldeia.

• Colette Swinnen. A Pré-História passo a passo. São Paulo: Claro Enigma, 2014. Com textos informativos e ilustrações, a obra apresenta um panorama da Pré-História.

2. Produção de maquete. Com base no texto e em pesquisas na internet, elaborem em grupo uma maquete representando uma cidade mesopotâmica. Utilizem diversos materiais para reproduzir os principais elementos da ocupação do espaço, como casas, templos e rios.

Reprodução da capa.

Professor, incentive os estudantes a trabalhar com materiais diversos de forma segura, utilizando apenas tesouras sem pontas, adequadas à faixa etária, e com a supervisão de um adulto durante a atividade.

PARA VOCÊ LER
ESCREVA NO LIVRO

A

FORMAÇÃO DA CIDADE

Enquanto ocorria o processo de centralização do poder, algumas aldeias foram se transformando em cidades. A cidade se distingue da aldeia por três características:

• maior divisão do trabalho;

• comércio feito com regularidade;

• poder centralizado.

As primeiras cidades se formaram perto das margens de grandes rios por causa da importância da água para as pessoas e para a agricultura e porque facilitava o transporte de pessoas e de produtos. As comunidades que se formaram nos férteis vales dos rios Indo e Ganges, na Índia; do Amarelo, na China; dos rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia; e do Nilo, no Egito, deram origem às primeiras civilizações. Observe o mapa a seguir.

As primeiras civilizações

Pode-se iniciar o trabalho com a página perguntando aos estudantes:

• Vocês já imaginaram como é o processo de formação de uma cidade?

• Qual é a diferença entre uma aldeia e uma cidade?

• Por que as primeiras cidades se formaram próximas aos rios?

Em seguida, sugere-se:

• Propor uma leitura silenciosa do texto.

Taixiun

0 665

Harapa Mundigak Mehrgarh Mohenjo-Daro

Lothal

Baía de Bengala

OCEANO ÍNDICO

de Câncer

OCEANO PACÍFICO

Egípcios: cerca de 3000 a.C

Mesopotâmicos: cerca

Chineses:

Hidrografia/Principais

Fonte: A aurora da humanidade. Rio de Janeiro: Time-Life, 1993. p. 130-131. (Coleção História em Revista).

Por volta do ano 5000 a.C., os seres humanos aprenderam a trabalhar os metais (a metalurgia). O primeiro metal trabalhado foi o cobre. Mas, por ser muito maleável, o cobre era pouco usado na feitura de enxadas e lanças. Isso se resolveu com a descoberta do bronze, um metal mais resistente. Depois, os seres humanos aprenderam a fundir o ferro, o mais resistente desses três metais.

Contribuiu para esse processo civilizador a invenção da escrita, por volta de 3500 a.C.

TEXTO DE APOIO

Para os historiadores, o mito de um povo é uma importante fonte de informação, pois revela aspectos de seu modo de viver, pensar e sentir. A seguir, leia o mito mesopotâmico narrado por um importante arqueólogo brasileiro.

A criação do homem

O deus Enki era considerado uma divindade inventiva e engenhosa e foi ele, segundo alguns relatos, que teve a ideia de criar a humanidade. Mas por quê?

Os mitos contam que, no início dos tempos, os deuses não tinham quem trabalhasse

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por eles e nunca conseguiam comer e beber o bastante. [...]

Além disso, algumas divindades, que sustentavam as demais, consideravam-se exaustas de seus afazeres e revoltaram-se, exigindo uma solução para sua sofrida existência. Foi, então, para substituir os deuses nos trabalhos que o homem foi criado. [...]

O mito da criação do homem cumpria, assim, um papel importante na mentalidade e na vida social mesopotâmica. Em primeiro lugar, oferecia aos homens um modelo de comportamento a ser seguido e uma forma de relação com o meio ambiente: estimulava e justificava

• Caracterizar a cidade, diferenciando-a da aldeia.

• Explicar a importância dos rios na formação das cidades, tanto para a alimentação quanto para o comércio e o transporte de pessoas.

| PARA O PROFESSOR

PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações . São Paulo: Contexto, 2011. (Repensando a História).

Jaime Pinsky apresenta uma análise das sociedades antigas, explorando desde as origens dos seres humanos até o desenvolvimento das civilizações mesopotâmica, egípcia e hebraica.

a intervenção humana na natureza para dominar suas forças e fazê-la produzir bens. Em segundo lugar, o mito apresentava como uma obrigação das pessoas doar parte de seu trabalho e de sua produção para o sustento dos deuses, isto é, de seus templos e de seus representantes na terra: sacerdotes e reis. [...] REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 24-25.

VOCÊ ESCRITOR!

Professor , esta seção pretende trabalhar com a ideia de situação-problema, incentivando os estudantes a tomar decisões com base em escolhas justificadas e argumentos sólidos.

Ao estimular a escolha de um local (fictício) para estabelecer um grupo de pessoas, priorizando o bem-estar do grupo, a seção constitui uma boa oportunidade para o desenvolvimento do pensamento crítico e para o trabalho com a competência geral 7 e com as competências específicas 3 e 6 de História.

TEXTO

DE APOIO

Como era uma casa no período neolítico?

Um estudo sobre a conformação das moradias neolíticas de assentamentos humanos sobre lagos e regiões pantanosas na Suíça, Alemanha e a Leste da França, datados de 4.300 a.C. a 2.700 a.C., nos assevera a simplicidade técnica e pouca distinção entre essas moradias. Apoiadas ou não sobre palafitas, elas apresentam de um a dois ambientes, uma ou duas fileiras de pilares de madeira centralizados para sustentação da cobertura. As paredes eram usualmente constituí das por varas entrelaçadas, postes ou tábuas de madeira. Em algumas casas havia até varandas. Em particular aquelas datadas de 4.300 a.C. a 3.900 a.C. apresentavam entre 5 a 15 metros de comprimento e cerca de 3 a 6 metros de largura. O piso era revestido com argila, musgos ou lascas de casca de árvores. Já

VOCÊ ESCRITOR!

O texto a seguir é de André Prous, professor da Universidade Federal de Minas Gerais. Em seu livro Arqueologia brasileira, ele fala de um dos aspectos interessantes da vida dos primeiros grupos humanos.

A escolha da moradia

Um dos elementos mais importantes para escolher um lugar para morar é a proximidade de água. Alguns povos valorizavam também a existência de rios navegáveis, terras férteis ou uma mata, nas proximidades. Lugares com todas estas características são pouco numerosos e, por isso, foram constantemente reocupados por grupos humanos. [...]

No Brasil [...] a abundância das matas em todo o país, pelo menos ao longo dos rios, justifica o predomínio do uso da madeira, mais leve e apropriada a habitações não permanentes.

[...] A agricultura deve ter estimulado a construção de moradias permanentes, pois é preciso esperar seis meses para o milho amadurecer e um ano para a mandioca, sendo que esta pode ser colhida durante muito tempo.

André Prous. Arqueologia brasileira. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1992. p. 37-38.

• Agora, imagine que você é o líder de um grupo humano na Pré-História e tem a responsabilidade de escolher o local da construção de uma cidade para aquelas pessoas. Que lugar você escolheria para formar essa cidade? Após a escolha, escreva um texto no caderno argumentando em defesa de seu ponto de vista.

Produção pessoal. Espera-se que os estudantes escrevam que o local escolhido deve ficar em um terreno elevado, ter água abundante nas proximidades (rios, cachoeiras) e mata para coletar frutos e conseguir madeira, a fim de erguer moradias e preparar alimentos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO

Representação ilustrada atual, baseada em pesquisa histórica, de mulheres trabalhando na agricultura e homens pastoreando.

em fins do neolítico, entre 2.700 a.C. a 2.400 a.C., as casas passam a apresentar grande variedade tanto em suas dimensões quanto nas técnicas construtivas e layouts internos.

PINTO, Edna Moura. Vestígios de madeira. Vitruvius, ano 23, abr. 2023. Disponível em: https://vitruvius.com.br/ revistas/read/arquitextos/23.275/8741. Acesso em: 12 jul. 2025.

A ESCRITA

Durante muito tempo se acreditou que a escrita surgiu primeiramente na Mesopotâmia, por volta de 3500 a.C. No entanto, novos achados indicam que a escrita se desenvolveu, ao mesmo tempo, em diferentes partes do planeta. Ela pode ter sido inventada na Mesopotâmia, no Egito, na Índia ou na China. Essa invenção ocorreu, simultaneamente, em diversas partes do mundo para atender à necessidade desses povos de registrar o comércio, os fatos políticos, religiosos e militares e as regras para conviver em sociedade. Ao substituir com vantagens a memória como principal arquivo (depósito) do conhecimento, a escrita teve um papel decisivo no processo de formação dos povos e de suas culturas nos espaços por eles ocupados.

DIALOGANDO

Representação ilustrada atual, baseada em pesquisa histórica, de um homem próximo a uma aldeia anotando a quantidade de ovelhas em seu rebanho.

Imagine que você tivesse vivido antes da invenção da escrita. Você seria capaz de guardar na memória todos os principais fatos de sua vida?

Resposta pessoal.

ENCAMINHAMENTO

• Comentar que o domínio da escrita permite escrever e compreender mensagens, conhecer as regras de jogos ou brincadeiras, ampliar o conhecimento sobre o mundo, as pessoas e os povos.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. ZATZ, Lia. Aventura da escrita: história do desenho que virou letra. São Paulo: Moderna, 2004.

O livro trata da história da escrita e de sua importância.

Reprodução da capa.

TEXTO DE APOIO

A escrita

[...] Se pedíssemos para você expressar a ideia da água em um símbolo, como você desenharia? Será que todos nós faríamos desenhos iguais? Provavelmente não. Por isso, a criatividade dos muitos inventores da escrita tem consequências até hoje, levando à existência de sistemas diversos. As representações de elementos simples diferem desde os primórdios. Por exemplo, a ideia da água era representada pelos egípcios como uma onda, pelos chineses, por curvinhas que lembravam a correnteza de um rio, e pelos astecas, pela cor azul dentro do desenho de uma vasilha.

Hieróglifo egípcio.

Escrita asteca. BATALHA, Elisa de Santana. Como se deu o desenvolvimento da escrita? EBC Memória, 11 ago. 2015. Disponível em: https://memoria.ebc.com. br/infantil/voce -sabia/2015/08/como-se -deu-o-desenvolvimento-da -escrita. Acesso em: 14 jul. 2025.

Caractere antigo chinês.

ENCAMINHAMENTO

• Evidenciar que a criação e a cobrança de impostos são práticas muito antigas na história da humanidade.

• Retomar a noção de imposto perguntando aos estudantes: Para que eles servem?

• Ler e debater com os estudantes: o assunto pode ser discutido a partir do presente (impostos contidos nas mercadorias vendidas no mercadinho próximo à escola, por exemplo). Isso pode despertar nos estudantes o interesse por esse assunto em outros contextos e tempos.

• Esclarecer que os serviços públicos nas áreas de educação, saúde e assistência social, entre outros, são mantidos com o dinheiro obtido de impostos.

VOCÊ LEITOR!

Professor, esta seção facilita a compreensão do conceito de imposto e de como se dá a cobrança dos impostos nos dias atuais, bem como o destino que deve ter o dinheiro obtido com a arrecadação de impostos. Assim, trabalha-se também a relação passado/presente. Além disso, a seção favorece o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Educação financeira

Na atividade 4 , a proposta de diálogo e debate sobre a quantidade de impostos paga no Brasil tem o objetivo de estimular a reflexão sobre esse tema de grande importância

VOCÊ LEITOR!

Leia o texto a seguir.

Pagamentos de impostos na Mesopotâmia

Os palácios e, muitas vezes, os templos possuíam oficinas em que eram feitos tecidos, objetos de cerâmica, peças de metal, estátuas, móveis, joias. [...] No entanto, todos os bens produzidos pelos próprios palácios e templos não eram suficientes para seu sustento. Assim, outros rendimentos eram buscados na exploração da população das aldeias e das cidades. As formas de exploração eram principalmente duas: os impostos e os trabalhos forçados. Uma parte dos bens produzidos pela população era entregue obrigatoriamente ao palácio na forma de imposto (e aos templos, na forma de oferendas). Uma das cenas mais comuns na arte mesopotâmica era, justamente, a procissão de pessoas levando seus produtos para os [...] palácios.

Marcelo Rede. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 20-21.

Montagem com reprodução de imagens do estandarte de Ur, no sul do atual Iraque. Essa é uma das maiores tumbas reais e foi produzida entre 2600 e 2400 a.C. Nas reproduções, súditos levam produtos para o rei, que aparece sentado em sua cadeira.

3. Os impostos são pagos aos governos e servem para que eles ofereçam à população serviços de educação, saúde e segurança, além de assegurar serviços de infraestrutura nas cidades, como instalação de postes de energia e pavimentação de ruas.

1. Responda no caderno.

a) Na Mesopotâmia, o imposto era voluntário ou obrigatório?

Na Mesopotâmia, o imposto era uma contribuição obrigatória.

b) A quem os mesopotâmicos pagavam impostos?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Eles pagavam, sobretudo, ao palácio, na forma de produto, e aos templos, na forma de oferendas.

2. Registre no caderno uma semelhança e uma diferença entre nós e os mesopotâmicos no tocante ao pagamento de impostos.

3. Pesquise e anote no caderno as descobertas: A quem são pagos e para que servem os impostos no Brasil de hoje?

4. No Brasil, é comum ouvir críticas severas ao mau uso do dinheiro dos impostos por alguns prefeitos. Façam uma roda de conversa sobre a seguinte questão: O dinheiro dos impostos tem sido bem aplicado no município onde vocês moram?

Resposta pessoal.

2. Semelhança: a obrigatoriedade do imposto. Na Mesopotâmia, o imposto era obrigatório, e, no Brasil atual, isso também acontece. Diferença: eles pagavam impostos em produtos; nós pagamos em dinheiro.

social e, ao mesmo tempo, preparar o alunado para o exercício da cidadania. Com isso, é possível desenvolver um trabalho com a competência geral 7.

3 POVOS ANTIGOS: RELIGIÃO E CULTURA

Para melhor compreender o assunto deste capítulo, vamos relembrar dois termos vistos anteriormente:

• Cultura: modo de um povo viver, pensar, construir moradias, cantar, tocar, dançar e fazer festas. Cada povo possui uma cultura.

• Religião: conjunto de crenças e valores partilhados por uma comunidade ou povo; a religião é sempre coletiva.

Neste capítulo, vamos estudar alguns aspectos da cultura e da religião de dois povos antigos: os mesopotâmicos e os egípcios.

OS MESOPOTÂMICOS

Os mesopotâmicos eram polite ístas, isto é, acreditavam em vários deuses. Cada cidade cultuava uma di vindade própria, que era sua principal protetora. Os principais deuses meso potâmicos eram:

• Anum: pai dos deuses e protetor da cidade de Uruk.

• Enlil: dono do destino e protetor da cidade de Nippur.

• Assur: senhor da guerra e o mais cultuado deus assírio; protetor da cidade de Assur.

• Ishtar: deusa do amor e prote tora da cidade de Uruk.

• Enki: senhor das águas doces; deus da sabedoria; tinha um templo na cidade de Eridu.

• Marduk: filho de Enki e principal deus da cidade da Babilônia.

Representação do deus Marduk. Estátua datada de cerca de 700 a.C.

14:41 | PARA O ESTUDANTE

LIVRO . MENDES, Gustavo. Atlas

Infantil da Cultura do Brasil. Belo Horizonte: Pé da Letra, 2016.

A obra convida crianças e pais a explorar a rica diversidade cultural das cinco regiões brasileiras por meio de mapas detalhados e ilustrações vibrantes.

Para dar início a uma aula dialogada, perguntar aos estudantes:

• Vocês se lembram do significado da palavra cultura?

• E do significado de religião , vocês se lembram?

• Já ouviram a palavra politeísmo? Sabem o que significa?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Retomar e consolidar os conceitos de cultura e de religião

• Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

• Explicitar o significado de politeísmo.

• Informar que na Mesopotâmia ocorreu um dos processos civilizatórios mais antigos da história humana. E que ali se formaram também as primeiras cidades.

• Esclarecer que a religião e a cultura de um povo nos ajudam a conhecê-lo e a compreender sua história e sua identidade.

ENCAMINHAMENTO

Professor, a atividade desta página, ao analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos da Mesopotâmia, auxilia no desenvolvimento da habilidade (EF05HI03).

ATIVIDADES

1. Leia o texto a seguir. Os deuses […] eram considerados autoridades supremas, das quais os seres humanos dependiam […]. A atitude das pessoas diante das divindades sempre foi a de um servo para seu senhor, pois os deuses amedrontavam com seu poder, a divindade “sob suas múltiplas representações pessoais se apresentava antes de tudo como algo grandioso, inacessível, dominador, terrível”.

[…] agradar aos deuses era privilégio da humanidade, que vivia em suas cidades, comia por vezes à sua mesa, participava, ainda que como plateia, de seus feitos e suas sagas e podia contar com sua proteção em momentos difíceis porque honravam os ritos e cumpriam seu dever.

DUPLA, Simone Aparecida. Imaginário e devoção no culto à deusa mesopotâmica Inanna/Ishtar (2112-1600). 2019. Tese (Doutorado em História) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2019. p. 130; 133. Disponível em: http:// repositorio.uem.br:8080/ jspui/handle/1/5371. Acesso em: 21 ago. 2025. 2. Responda, no caderno, registrando V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

a) Os povos mesopotâmicos cultuavam seus deuses por conside -

O HUMOR DOS DEUSES MESOPOTÂMICOS

Os mesopotâmicos acreditavam que o humor de seus deuses podia mudar de uma hora para outra: algumas vezes atendiam aos pedidos dos humanos, mas, de repente, mudavam de humor e podiam destruir uma pessoa ou um reino.

Os mesopotâmicos temiam e respeitavam seus deuses. E, para acalmá-los e conseguir ajuda, faziam hinos, orações e oferendas para eles.

ATIVIDADE

• Leia o texto com atenção. Depois, responda, no caderno, às questões propostas.

Enlil chamou a tempestade; o povo geme.

A tempestade do dilúvio ele fez surgir da terra; o povo geme [...]

A tempestade que arrasa a terra ele chamou; o povo geme.

Os maléficos ventos ele chamou; o povo geme.

Marcelo Rede. A Mesopotâmia. (Lamentação sobre a destruição de Ur: 173-179). São Paulo: Saraiva, 1997. p. 27.

a) Segundo o texto, quem é o causador da tempestade?

O deus Enlil.

b) Que recurso o autor do texto usa para dizer que o povo foi duramente atingido pelo mau humor de Enlil?

O autor repete três vezes “o povo geme”.

c) Com base no texto, é possível inferir que a crença na mudança de humor dos deuses fazia parte da identidade dos mesopotâmicos?

Sim, pois é um traço que contribuía para definir o ser mesopotâmico.

Estátua de fiel encontrada em templo dedicado a um deus mesopotâmico. Iraque, datada de cerca de 2600 a.C.

rá-los símbolos da humildade e da caridade.

b) Os povos mesopotâmicos serviam aos seus deuses por temerem o seu poder e a sua ira.

c) As palavras grandioso, inacessível, dominador, terrível pertencem à classe dos adjetivos.

d) Os mesopotâmicos acreditavam que agradar aos deuses garantia a eles sua proteção e ajuda em momentos difíceis.

e) Os deuses mesopotâmicos moravam em residências como as dos seres humanos.

Respostas: a) Falso. b) Verdadeiro. c) Verdadeiro. d) Verdadeiro. e) Falso.

PETER
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

TEMPLOS, ORAÇÕES E OFERENDAS

Para os mesopotâmicos, os deuses moravam em templos. Cada cidade possuía vários templos, sendo o maior deles o do principal deus da cidade. Na cidade de Uruk, por exemplo, o maior templo era o de Anum, o protetor dessa cidade.

Os fiéis iam ao templo e ofereciam ao deus, ali representado por uma estátua, uma ou várias refeições ao dia. A oferenda era acompanhada de uma prece e tinha como objetivo “acalmar” o deus ou a deusa e conseguir a ajuda dele ou dela.

Os templos possuíam sacerdotes e sacerdotisas. Eram eles os responsáveis por:

• realizar cerimônias para os deuses;

• receber oferendas;

• cuidar dos bens e dos negócios do templo.

No interior do templo havia armazéns, onde os bens materiais eram guardados, e oficinas de artesa nato, onde se faziam objetos de cerâmica, tecidos, móveis e joias. E isso tudo era comercializado.

DIALOGANDO

Com base no texto desta página e em seus conhecimentos, procure responder: Que relação podemos estabelecer entre a religião e a economia dos mesopotâmicos?

Nesta página fica evidente essa relação, pois os templos têm uma função religiosa –abrigavam os deuses – e, ao mesmo tempo, econômica: recebiam oferendas e possuíam armazéns e oficinas, cuja produção era comercializada.

Estátua de bronze e ouro de um fiel orando, encontrada na região do atual Iraque, datada de cerca de 1800 a.C.

TEXTO DE APOIO

Zigurate – Escadaria para um deus

ENCAMINHAMENTO

Para dar continuidade ao trabalho com a religião na Mesopotâmia, informar que os mesopotâmicos acreditavam que seus deuses moravam em templos. Em seguida, perguntar:

• O que eram esses templos?

• Quem cuidava deles?

• Como será que os mesopotâmicos se relacionavam com seus deuses?

Em seguida, sugere-se:

• Evidenciar a importância religiosa e econômica dos templos para os povos da Mesopotâmia.

• Explicar quem eram os responsáveis pelos templos e compreender sua atuação social.

• Caracterizar os templos mesopotâmicos.

• Comentar que no interior dos templos havia armazéns e oficinas com muitos produtos destinados ao comércio.

Cada cidade tinha seu deus especial e um templo dedicado a esse deus. Perto do templo principal, na maioria das cidades, havia uma escadaria gigante para o céu chamada zigurate. Os zigurates eram muito parecidos com pirâmides – especialmente a pirâmide de degraus. Mas, ao contrário delas, porém, os zigurates não eram túmulos, mas lugares de repouso para os deuses quando desciam à terra. Os zigurates

tinham de três a sete níveis, com uma capela no alto onde o deus podia descansar. Os mesopotâmios acreditavam que o deus descia do céu, repousava no alto do zigurate e depois descia para visitar seu templo. Os zigurates tinham também escadas comuns, para que sacerdotes, sacerdotisas e servos do templo pudessem subir até o topo. Essas construções requeriam milhões de tijolos de argila.

Às vezes, os tijolos eram revestidos com tinta ou cerâmica, dando cores diferentes aos vários níveis.

Você ainda pode ver ruínas de alguns zigurates no Iraque. Os zigurates mais famosos erguiam-se nas cidades de Babilônia e Ur.

BROIDA, Marian. Egito Antigo e Mesopotâmia para crianças. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. E‑book.

Propor uma leitura coletiva da prece à deusa Ishtar. Depois, perguntar:

• Qual é o significado de “Possa meu curral aumentar, possa meu estábulo aumentar”?

Em seguida, sugere-se:

• Chamar a atenção dos estudantes para o fato de que a oração tem um papel importante na civilização mesopotâmica. E que textos como este, dedicado à deusa Ishtar, são um indício dessa importância.

• Analisar, com base no texto, o papel da oração para os mesopotâmicos.

ATIVIDADES

Pesquise e produza no caderno um pequeno texto sobre a origem da palavra religião.

Professor , religião é uma palavra que se origina do verbo latino religare, isto é, ligar de novo. No caso do cristianismo, por exemplo, os seguidores e praticantes dessa religião acreditam que, por meio dela, religam-se a Deus, pois dele foram afastados pelo pecado. Pode-se ressaltar que a religião é sempre coletiva.

TEXTO DE APOIO

Mitologia, religião e pensamento

Como surgiu o mundo onde vivemos? De onde viemos? O que será depois, quando a vida acabar?

Os [...] mesopotâmicos também sentiam-se incomodados com essas e outras dúvidas e procura-

VOCÊ

LEITOR! Leia a prece à deusa mesopotâmica Ishtar.

Prece a Ishtar

Minha família está dispersa; minha morada está destruída.

Mas eu voltei-me para ti, minha senhora; [...]

Para ti eu orei; desculpa meu erro; Perdoa minha falta, minha injustiça, meu ato vergonhoso e minha ofensa [...]

Faze reunir novamente minha família; Possa meu curral aumentar; possa meu estábulo aumentar.

[...] Escuta minhas preces.

Marcelo Rede. A Mesopotâmia. (Prece a Ishtar, STC, II75s: 78-91). São Paulo: Saraiva, 1997. p. 29.

1. Com base na leitura do texto desta página, responda, no caderno, às questões propostas.

a) O texto é jurídico, religioso ou jornalístico?

b) A quem o autor se dirige no texto?

À deusa Ishtar.

c) O que o autor da prece pede?

O texto é uma prece à deusa Ishtar, portanto é religioso.

c) Ele pede para que perdoe suas faltas, reúna novamente a sua família, aumente seu gado (conjunto de quadrúpedes domesticados: carneiros, jumentos, bois, cabritos, entre outros).

2. Orações como essa que você acabou de ler, geralmente, vinham acompanhadas de uma oferenda. Responda no caderno: Com que objetivo o fiel oferecia e orava para um deus ou uma deusa?

O objetivo era “acalmar” o deus ou a deusa e conseguir a ajuda dele ou dela. Percebe-se, assim, nos habitantes da Mesopotâmia, a influência da religião no modo de ser e estar no mundo.

vam decifrar os seus enigmas. Em geral, suas respostas diferem muito do que entendemos por ciência hoje em dia: eram explicações mitológicas.

Um mito conta uma história, inventada ou baseada em fatos reais. Algumas dessas histórias buscam explicar os fenômenos que os homens observam na natureza (como, por exemplo, o nascimento diário do sol); outros buscam contar a origem de um povo, mostrando como viviam seus antepassados e assim por diante.

Em todo o caso, o mito não pode ser visto simplesmente como uma mentira,

nem como uma forma de pensamento atrasada ou irracional. Pelo contrário, o mito é uma forma que certas sociedades têm de explicar para si mesmas e para os outros os mistérios do mundo em que vivem. Por isso, as narrativas mitológicas são um valioso documento para que o historiador conheça a mentalidade dos homens do passado.

REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 22-23.

NÃO ESCREVA NO LIVRO
Estátua de mulher encontrada no templo da deusa Ishtar, de 2600 a.C.

REGISTROS ESCRITOS

Os templos também se dedicavam à arte e à escrita. Neles, as pessoas aprendiam a escrever e estudavam para se tornar funcionários do rei. Graças às cópias feitas pelos sacerdotes desses templos, chegaram até nós hinos, poesias e mitos.

O mito é uma história baseada em fatos reais ou inventados que busca explicar a origem do mundo, da humanidade e dos fenômenos naturais. O mito é transmitido de boca em boca e é considerado verdadeiro pelo povo que o criou. Por isso, ele nos ajuda a conhecer melhor um povo e sua cultura.

Um mito mesopotâmico dizia que os deuses viviam reclamando de trabalhar muito e de não ter tempo de se divertir e comer o tanto que queriam. Então, o deus Enki criou a humanidade para substituir os deuses no trabalho.

Esse mito cumpria duas funções:

• incentivar os seres humanos a trabalhar, pois é pelos deuses que o faziam;

• convencer os seres humanos a doar parte da sua produção para os deuses; ou melhor, para os seus representantes na Terra: reis e sacerdotes.

Representação do deus Enki em relevo, 2300 a.C.

Mito: a palavra vem do grego mythos, que significa palavra, narração, discurso.

ATIVIDADES

1. De acordo com o mito mesopotâmico, por que a humanidade foi criada?

2. De que forma esse mito beneficiava reis e sacerdotes? Para substituir os deuses nos trabalhos.

Reforçando a ideia de que as pessoas tinham a obrigação de doar uma parte de seu trabalho e de sua produção para o sustento dos deuses.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar a aula perguntando aos estudantes:

• Vocês já ouviram a palavra mito?

• Sabem o que significa?

Em seguida, sugere-se:

• Trabalhar o conceito de mito.

• Refletir sobre o mito da criação do ser humano na Mesopotâmia.

• Caracterizar o modo como os povos da Mesopotâmia viam seus deuses e as consequências disso no dia a dia.

Professor, na atividade 2, comentar que este mito favorecia também o rei, pois fortalecia seu poder, uma vez que quanto mais o povo produzia mais impostos pagava a ele.

ATIVIDADES

1. Crie um desenho para ilustrar o mito da criação do homem de acordo com os mesopotâmicos.

2. Produza uma história em quadrinhos sobre o mito citado no texto. As histórias em quadrinhos poderão ser

expostas no mural da sala de aula ou publicadas no site, no blogue ou em redes sociais da escola. Professor, se possível, promover visitas à biblioteca para a exploração de livros sobre mitos e mitologia. A atividade 2 contribui para o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF15LP14) Construir o sentido de histórias em quadrinhos e tirinhas, relacionando imagens e palavras e interpretando recursos gráficos (tipos de balões, de letras, onomatopeias).

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 2014.

Com domínio do método histórico e do manuseio de fontes diversas – com destaque para as fontes materiais –, Marcelo Rede reconstrói o que pode ter sido a história da Mesopotâmia.

Reprodução da capa.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Sugerimos iniciar a aula informando que os egípcios também eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. A seguir, perguntar aos estudantes:

• Vocês já assistiram a um filme ou seriado ambientado no Egito antigo?

• O que lhes vem à cabeça quando eu pronuncio a palavra Egito?

• O que vocês sabem sobre o rio Nilo, as pirâmides e os deuses criados pelos egípcios?

• Por que será que tantas pessoas são fascinadas pelo Egito?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Ouvir, filtrar e comentar as respostas às perguntas anteriores.

• Retomar e consolidar a noção de politeísmo, contrapondo-a à de monoteísmo.

• Orientar os estudantes a observar com atenção as imagens de deuses egípcios aplicadas nesta página.

• Reforçar que o deus Osíris era o juiz dos mortos, o que ajuda a explicar sua popularidade entre os antigos egípcios, que, como se sabe, acreditavam em uma vida após a morte.

• Comentar que a religião e a arte (esculturas, pinturas etc.) ajudam a compreender a composição identitária dos antigos egípcios.

ATIVIDADES

No Egito antigo, arte e religião estão estreitamente relacionadas.

OS

EGÍPCIOS: RELIGIÃO E CULTURA

Os egípcios davam grande importância à religião e também eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. Entre os mais conhecidos, estavam: Amon-Rá, criador do Universo e de todos os deuses; Osíris, deus da vida após a morte e juiz dos mortos no além-túmulo; Ísis, irmã e esposa de Osíris; e o filho deles, Hórus.

Seus deuses eram representados com forma humana, como Osíris; com forma de animal, como Ammit; ou com forma humana e de animal, como Hórus, que tinha corpo de homem e cabeça de falcão.

Osíris era a divindade mais popular do Egito antigo. Conta um mito egípcio que Osíris foi morto por seu irmão Seth, o deus do mal. Mas, com a ajuda de Ísis, sua irmã e esposa, ele conseguiu ressuscitar.

Osíris e Ísis tiveram um filho chamado Hórus, o deus protetor dos faraós.

Representação de Osíris de cerca de 1400 a.C. Repare que na mão esquerda ele traz o cajado, símbolo de sua autoridade, e na direita, o mangual, representando a posse da verdade.

Faça uma pesquisa sobre a arte no Egito antigo e produza um cartaz com imagens e textos sobre o que você descobriu. Sugestão de site para a pesquisa: Museus Egípcio e Rosacruz e Museu Tutankhamon. Disponível em: http://museuegipcioerosacruz. org.br/ (acesso em: 9 jul. 2025).

TEXTO DE APOIO

O fascínio pelo Egito

O fascínio que o Egito exerce sobre a humanidade, com suas pirâmides,

Representação de Ísis, irmã e esposa de Osíris e mãe de Hórus. Ela representa a maternidade e o ciclo da vida. Esse pingente de ouro data de cerca de 1000 a.C.

deuses, faraós, múmias e hieróglifos, não é um fenômeno recente. [...]

No Brasil, a origem da egiptologia e da egiptomania, apesar de antiga, é de fácil resgate. [...] os monarcas portugueses [...] deixaram amplos registros de sua paixão e interesse pelo Egito. [...]

De lá para cá, o interesse pela civilização egípcia, no Brasil, só tem crescido.

BAKOS, Margaret. Introdução. In: BAKOS, Margaret. (org.). Egiptomania: o Egito no Brasil. São Paulo: Paris Editorial, 2004. p. 9-12.

PIRÂMIDES, TÚMULOS DE FARAÓS

Os egípcios eram muito religiosos. Desde o mais humilde camponês até o poderoso faraó, todos acreditavam na existência de uma vida após a morte. Os faraós, donos de enorme poder e riqueza, construíam para si e suas famílias túmulos magníficos, as pirâmides. Quéops, Quéfren e Miquerinos, por exemplo, foram edificadas por faraós que tinham esses nomes e eram parentes entre si. Para o faraó, mandar erguer uma pirâmide era uma maneira de garantir sua “casa da eternidade”, local onde esperava continuar desfrutando dos prazeres terrenos.

DIALOGANDO

É o ser humano, que engatinha (quando bebê), caminha (quando adulto) e pode usar uma bengala (ao envelhecer).

Contam que uma esfinge existente na Grécia antiga parava todos os viajantes que por lá passavam e apresentava a eles um enigma: Qual é o ser que anda pela manhã sobre quatro pernas; à tarde, sobre duas; e à noite, sobre três?

As pessoas não conseguiam decifrar o enigma e, por isso, eram devoradas pela esfinge. Foi assim até que o filho de um rei conseguiu decifrar o enigma.

E você? Consegue desvendar esse enigma?

Atualmente, os milhares de turistas que viajam para o Egito todos os anos quase sempre começam a visita por Cairo, capital do país. Lá se encontram a esfinge e as Pirâmides de Gizé, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Cairo, Egito, 2022.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar uma aula dialogada perguntando:

• Vocês já viram imagens das grandes Pirâmides de Gizé?

• Mas, afinal, o que são essas pirâmides?

• Por que e para que foram construídas?

• Quem será que as construiu? Em seguida, sugere-se:

48 andares. A pirâmide de tamanho médio é a de Quéfren e a menor, a de Miquerinos. Posicionada à frente das pirâmides, ergue-se a esfinge (cabeça humana e corpo de leão). Esculpida em sólida rocha, a esfinge tem 72 metros de comprimento e 20 metros de altura e parece estar ali para guardar as três pirâmides.

45 29/09/25 14:41

• Comentar que, atualmente, os milhares de turistas que viajam para o Egito todos os anos quase sempre começam a visita à terra dos faraós pelo Cairo, capital do país. Lá se encontra o conjunto arquitetônico de Gizé, composto da esfinge e das pirâmides de Gizé, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

• Informar que Quéops, a mais alta e volumosa das pirâmides, tinha, ao ser construída, 146 metros de altura, o equivalente a um prédio de

• Comentar que, para construir Quéops, utilizaram-se dois milhões e trezentos mil blocos de pedra que foram cortados com tal precisão a ponto de se encaixarem uns nos outros sem uso de argamassa, não havendo espaço entre eles nem para uma folha de papel. Estudos recentes afirmam que a construção da pirâmide de Quéops exigiu o trabalho de mais de 80 mil trabalhadores durante 20 longos anos. Dez mil desses trabalhadores eram fixos e 70 mil temporários, utilizados como mão de obra barata ou gratuita durante as cheias do rio Nilo. Pode-se dizer, portanto, que as pirâmides são o resultado de um esforço organizado de milhares de trabalhadores durante um longo tempo. São também os documentos mais visíveis do imenso poder do faraó e da religiosidade entre os antigos egípcios.

ENCAMINHAMENTO

Mencionar que, enquanto Amon-Rá era o deus mais cultuado oficialmente, Osíris, deus da vida após a morte, era o mais popular.

Informar que, no Tribunal de Osíris, se o coração do morto tivesse peso igual ou menor ao da pena, o indivíduo seria salvo por Osíris e iria aos Campos da Paz, onde conviveria com outras almas iluminadas. Caso contrário, iria a uma espécie de purgatório.

| PARA O PROFESSOR

LIVRO. BAKOS, Margaret (org.). Egiptomania: o Egito no Brasil. São Paulo: Paris Editorial, 2004. Panorama sobre a história do antigo Egito. VÍDEO . OS EGÍPCIOS e a vida após a morte. 2017. Vídeo (45min17s). Publicado pelo canal Doc World. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=4NVV3VNb2Os. Acesso em: 9 jul. 2025. Aborda a crença na vida após a morte para a civilização egípcia.

TEXTO DE APOIO

O Livro dos Mortos

O Livro dos Mortos [...] descreve o futuro da alma no mundo intermediário após a morte. Este mundo era conhecido como Dwat pelos antigos egípcios, mundos inferiores ou ainda purgatório para os católicos. Os egípcios antigos acreditavam que existiam três mundos: o mundo inferior, Ta; o mundo superior, Nut e o mundo intermediário Dwat. [...] Os antigos egípcios acreditavam que Tehuty

OS EGÍPCIOS E A VIDA APÓS A MORTE

Os egípcios acreditavam na vida após a morte e que toda pessoa, ao morrer, era julgada no Tribunal de Osíris.

Exemplo de papiro conservado no Museu de Londres. Cerca de 1275 a.C.

As cenas que vemos estão pintadas em um papiro do Livro dos Mortos e retratam o julgamento do coração de um escriba de nome Hanufer.

• Cena 1: Hanufer está ajoelhado diante dos 14 juízes da morte.

• Cena 2: ele é levado pela mão por Anúbis (deus dos mortos) até a balança da justiça.

• Cena 3: o coração dele é colocado em um dos pratos da balança e, no outro, é posta a pena da verdade e da justiça. O coração devia ser mais leve que a pena para que a pessoa fosse absolvida.

• Cena 4: ao ser absolvido, Hanufer é conduzido à presença de Osíris por seu filho Hórus, o deus com cabeça de falcão.

Em caso de absolvição, a alma podia reocupar o corpo ao qual pertencera. Mas, para isso, diziam os egípcios, era necessário que o corpo estivesse em condições de recebê-la. Isso explica por que os egípcios desenvolveram técnicas de mumificação

Livro dos Mortos: conjunto de textos nos quais o morto expunha suas qualidades e pedia absolvição ao deus Osíris.

Mumificação: tratamento por meio do qual se conservava o cadáver, transformando-o em múmia.

escreveu O Livro dos Mortos há 50 mil anos. As composições dos capítulos de O Livro dos Mortos são apenas parte dos livros escritos por Tehuty.

O Livro dos Mortos é composto de textos que devem ser lidos e legalizados pelos vivos a fim de ajudar os vivos e os mortos em suas jornadas pelos mundos inferiores. Destinam-se a assegurar que poderiam encontrar o caminho para os reinos espirituais e assim serem salvos das trevas de Dwat e ainda para atingir o reino de Earu ou o jardim dos Juncos, onde a verdadeira paz envolve a alma. [...]

O Livro dos Mortos é o único registro vivo de um mistério duplo: o mistério da vida e o mistério da morte. [...]

O Livro dos Mortos é na realidade o livro egípcio da vida: vida atual, futura e vida eterna. Na cerimônia fúnebre, queimava-se uma cópia com o falecido a fim de dar à alma ferramentas que assegurassem seu futuro em outra vida. BUDGE, E. A. Wallis (trad.). O Livro dos Mortos do antigo Egito. São Paulo: Madras, 2003. p. 14-20.

A múmia era colocada em um sarcófago e conduzida até o túmulo. Lá, eram deixados vários objetos, como joias, armas e alimentos, que, posteriormente, segundo os egípcios, teriam grande utilidade para o morto. A riqueza e a variedade dos objetos dependiam das condições de cada um. No túmulo do faraó Tutancâmon, por exemplo, havia um aposento repleto de objetos de luxo, muitos deles feitos de ouro: cadeiras, armas, barcos, armários, poltronas, bastões, colares, estátuas, utensílios de mesa, objetos pessoais etc. Sua mobília era composta de mais de cinco mil objetos!

Tampa de um vaso canópico (onde se guardavam os órgãos retirados do morto no processo de mumificação) em forma de cabeça de faraó. Encontrada no túmulo do faraó Tutancâmon. A peça tem cerca de 3000 anos.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. BELER, Aude

Gros de. O Egito

Antigo passo a passo. São Paulo: Claro Enigma, 2016.

A egiptóloga Aude

Gros de Beler convida o leitor a conhecer a vida cotidiana no antigo Egito. Além disso, a obra analisa aspectos da civilização egípcia, como as ativi-

Sarcófago de Tutancâmon, que viveu aproximadamente entre 1341 e 1323 a.C.

dades de lazer, o desenvolvimento da matemática e as regras de etiqueta à mesa.

TEXTO DE APOIO

O Egito na sala de aula

com diferentes autores de apoio didático, mas também enciclopédias, dicionários, livros, tanto didáticos como obras mais aprofundadas, e mesmo textos retirados da internet.

Cabe aqui, porém, uma rápida observação. No caso das pesquisas eletrônicas, o professor precisará ser um mediador ativo e constante, para que o aluno não use de forma equivocada esse poderoso recurso pedagógico, pois, naturalmente, a simples cópia e cola de textos retirados da internet não leva ninguém à reflexão. Ainda assim, a possibilidade de acessar sites ligados ao Egito será muito útil, por exemplo, para que se possa usar imagens que, devidamente contextualizadas com a ajuda do professor, levem o aluno a uma efetiva reflexão sobre elas.

[...]

Uma atividade interessante consiste na criação de histórias em quadrinhos baseadas na civilização egípcia. Indiscutivelmente, as revistas de HQ, por fazerem parte importante do universo de crianças e jovens, podem ser igualmente utilizadas como ferramenta pedagógica criativa e eficiente. Pode-se, por exemplo, pedir que o aluno crie seus próprios personagens ou lance mão de outros já consagrados pelos grandes autores das chamadas “tirinhas” de jornal e das histórias em quadrinhos. O que importa, em nosso caso, é que o cenário em que se desenrola a ação seja o antigo Egito.

FUNARI, Raquel dos Santos. O Egito na sala de aula. In: BAKOS, Margaret (org.). Egiptomania: o Egito no Brasil. São Paulo: Paris Editorial, 2004. p. 152. Reprodução da capa.

Uma primeira atividade pode explorar, em sala de aula, pesquisas orientadas, nas quais será [solicitada] ao aluno a organização de um dicionário ilustrado temático sobre o Egito antigo, destacando-se aspectos específicos dessa civilização, como a religião. Tal atividade possibilitará ao aluno ter contato

Trono de Tutancâmon.
CLARO ENIGMA

Esta seção pretende incentivar a interdisciplinaridade e a conexão entre diferentes áreas do conhecimento. Assim, ao abordar aspectos do desenvolvimento científico e matemático no antigo Egito, favorece o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Ciência e tecnologia e com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Diversidade cultural

Professor, na atividade 1, ao discutir o papel do coração e dos vasos sanguíneos com base no Papiro de Ebers, os estudantes podem inferir sua compreensão de como o sistema circulatório distribui nutrientes e oxigênio pelo corpo e remove resíduos, mobilizando a seguinte habilidade: (EF05CI07) Justificar a relação entre o funcionamento do sistema circulatório, a distribuição dos nutrientes pelo organismo e a eliminação dos resíduos produzidos.

DIALOGANDO

CIÊNCIAS DA NATUREZA E MATEMÁTICA COM

Os antigos egípcios desenvolveram muitos conhecimentos na área da saúde. Grande parte deles está registrada nos chamados papiros médicos, que apresentam, por exemplo, a descrição de cada órgão do corpo humano, a relação entre eles e anotações sobre pequenas cirurgias. Leia abaixo um trecho sobre um dos papiros médicos.

No Papiro Ebers, um dos tratados médicos mais antigos conhecidos, há várias receitas de preenchimentos e bálsamos. Uma delas descreve como tratar um "dente que coça até a abertura da pele": uma parte de cominho, outra de resina de incenso e uma de fruta.

As práticas médicas do Egito Antigo que são usadas até hoje. BBC News Brasil, 17 jul. 2017. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-40634202. Acesso em: 5 jun. 2025.

1. O coração, os vasos sanguíneos e o sangue formam o sistema circulatório. O sistema circulatório é responsável por transportar gases e nutrientes por todo o corpo. O coração bombeia o sangue pelos vasos sanguíneos, que o fazem chegar para todo o corpo. O sangue carrega nutrientes, gás oxigênio e resíduos como gás carbônico e outras substâncias que o corpo precisa eliminar. 48

1. Um dos mais famosos papiros médicos é o papiro de Ebers. Nele, existem informações sobre o coração, os vasos sanguíneos e o sangue. Responda no caderno: Qual é a função dessas estruturas no corpo humano?

Interdisciplinaridade: o que é isso?

Quando falamos em interdisciplinaridade, estamos de algum modo nos referindo a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do saber. Todavia, essa interação pode acontecer em níveis de complexidade diferentes. E é justamente para distinguir tais níveis que termos como multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade foram criados.

[...] Segundo Japiassú, a multidisciplinaridade se caracteriza por uma ação

simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática comum. Essa atuação, no entanto, ainda é muito fragmentada, na medida em que não se explora a relação entre os conhecimentos disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre as disciplinas.

[...]

Na pluridisciplinaridade, diferentemente do nível anterior, observamos a presença de algum tipo de interação entre os conhecimentos interdisciplinares, embora eles ainda se situem num mesmo nível hierárquico, não havendo

Papiro representando tratamento oftálmico. A imagem é uma reconstrução de pintura mural do túmulo de Ipi, datado de cerca de 4 mil anos.
TEXTO DE APOIO

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Além de documentos em papiros, da civilização egípcia restaram vários monumentos com inscrições. Essas fontes permitiram que os estudiosos decifrassem o sistema de numeração egípcio. Você também pode decifrá-lo. Observe estes exemplos.

1 Um traço vertical indicava unidade.

10 Esse sinal indicava dezena.

100 Uma corda enrolada indicava a centena.

1 000 A flor de lótus (o lótus era uma planta sagrada no Egito) representava o milhar.

10 000

O desenho de um dedo dobrado era o símbolo para dez mil.

100 000 Um girino representava cem mil.

1 000 000

Uma figura humana ajoelhada, com as mãos para o alto, indicava o milhão.

Fonte: Luiz Márcio Imenes e Marcelo Lellis. Os números na história da civilização. São Paulo: Scipione, 1999. p. 20. (Coleção Vivendo a Matemática).

2. Utilizando os símbolos do sistema de numeração egípcio, registre no caderno:

a) Sua idade.

Resposta pessoal.

b) O número de estudantes na sua sala.

c) Um século e meio.

Resposta pessoal.

Símbolos a serem utilizados: uma corda enrolada (que indica a centena) e cinco traços curvados (que indicam as dezenas). 49

ainda nenhum tipo de coordenação proveniente de um nível hierarquicamente superior.

[...]

Finalmente, a interdisciplinaridade representa o terceiro nível de interação entre as disciplinas. E, segundo Japiassú, é caracterizada pela presença de uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e definida no nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz a noção de finalidade.

[...] Dessa forma, dizemos que na interdisciplinaridade há cooperação e

ENCAMINHAMENTO

Professor , na atividade 2 , é possível trabalhar aspectos da seguinte habilidade: (EF05MA01) Ler, escrever e ordenar números naturais até a ordem das centenas de milhar com compreensão das principais características do sistema de numeração decimal.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO .

A HISTÓRIA

do número 1 – Como tudo começou. 2012. Vídeo (59min16s). Publicado pelo canal Rede Catarinense. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=ZWZKJb06CTU. Acesso em: 16 jul. 2021. A história do número mais simples que conhecemos: o número 1.

29/09/25 14:41

diálogo entre as disciplinas do conhecimento, mas nesse caso se trata de uma ação coordenada. Além do mais, essa axiomática comum, mencionada por Japiassú, pode assumir as mais variadas formas. Na verdade, ela se refere ao elemento (ou eixo) de integração das disciplinas, que norteia e orienta as ações interdisciplinares.

CARLOS, Jairo Gonçalves. Interdisciplinaridade no Ensino Médio: desafios e potencialidades. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências) –Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2007.

RETOMANDO

Professor , as atividades da seção Retomando visam consolidar o conhecimento adquirido no trabalho com a unidade, com base em uma avaliação formativa, permitindo verificar a aprendizagem e a fixação dos conteúdos, bem como o desenvolvimento das habilidades sugeridas.

• Orientar a resolução das atividades.

• Atentar às dificuldades diante da resolução das atividades.

• Observar a progressão das aprendizagens da turma.

• Verificar quais estudantes tiveram mais dificuldade com o conteúdo da unidade, visando perceber as possíveis defasagens no desenvolvimento das habilidades sugeridas, para, assim, pensar em estratégias de remediação das lacunas e dificuldades. As atividades dessa seção retomam e consolidam o trabalho com as habilidades (EF05HI01), (EF05HI02), (EF05HI03) e (EF05HI08).

ATIVIDADES

Na Mesopotâmia, os palácios e os templos completavam seus rendimentos, obrigando a população das aldeias e das cidades a pagar impostos e a realizar trabalhos forçados. Os impostos eram pagos ao palácio na forma de produtos; aos templos, na forma de oferendas. Organizem-se em dois grupos para um debate:

RETOMANDO

1. Os primeiros grupos humanos organizavam suas vidas com base na observação da natureza: a sucessão dos dias e das

noites, das secas e das chuvas, do nascimento e da queda das folhas, e assim por diante. Por isso dizemos que eles se guiavam pelo tempo da natureza.

1 A preocupação dos seres humanos em controlar o tempo vem desde as épocas mais remotas e, desde então, tornou-se ainda maior. Sobre o assunto, responda no caderno: Como os primeiros seres humanos organizavam suas vidas antes da criação de instrumentos de medição do tempo?

2 Responda no caderno: A que séculos pertencem os seguintes anos?

a) 2027

b) 1789

c) 500 a.C.

d) 1500

e) 507 a.C. f) 1945 g) 1453 h) 1347

a) Século XXI; b) século XVIII; c) século V a.C.; d) século XV; e) século VI a.C.; f) século XX; g) século XV; h) século XIV.

3 No caderno, organize as datas da questão anterior em ordem cronológica.

507 a.C.; 500 a.C.; 1347; 1453; 1500; 1789; 1945; 2027.

4 Os mesopotâmicos acreditavam que os deuses influenciavam diretamente os acontecimentos individuais e coletivos. Sobre a religiosidade dos mesopotâmicos, leia as afirmativas a seguir, identifique a incorreta e justifique a resposta no caderno.

a) Cada cidade mesopotâmica cultuava uma divindade própria, que era sua principal protetora.

b) Os deuses mesopotâmicos tinham uma personalidade parecida com a dos seres humanos e podiam, até mesmo, mudar de humor.

c) Para os mesopotâmicos, os templos eram considerados a morada sagrada dos deuses. Por essa razão, somente sacerdotes e sacerdotisas poderiam frequentar esses espaços.

d) Para acalmar seus deuses, os mesopotâmicos faziam oferendas a eles.

Alternativa c. Na Mesopotâmia, os fiéis também frequentavam os templos.

5 Observe novamente o mapa da página 35. Avalie as afirmativas a seguir e copie no caderno as verdadeiras.

a) Enquanto ocorria o processo de centralização do poder, algumas aldeias evoluíram e se transformaram em cidades.

b) O aproveitamento das águas do Tigre e do Eufrates possibilitou aos mesopotâmicos desenvolverem agricultura e cidades prósperas.

c) O surgimento de cidades na Mesopotâmia e no antigo Egito é uma fatalidade ou, melhor, um acaso.

Alternativas a e b são verdadeiras.

um grupo defenderá a cobrança de impostos, utilizando argumentação potente; o outro grupo vai se opor à cobrança de impostos, contra-argumentando.

Professor, o debate poderá ser gravado, para apreciação e registro dos argumentos utilizados pelos estudantes. Essa atividade visa contribuir para o desenvolvimento das seguintes habilidades de Língua Portuguesa: (EF35LP15) Opinar e defender ponto

de vista sobre tema polêmico relacionado a situações vivenciadas na escola e/ou na comunidade, utilizando registro formal e estrutura adequada à argumentação, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto e (EF15LP09) Expressar-se em situações de intercâmbio oral com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa articulação e ritmo adequado.

6 Leia a seguir um trecho do Livro dos Mortos que trata da defesa do morto no Tribunal de Osíris.

Não cometi mal contra os homens.

Não fiz violência ao pobre.

Não difamei escravo diante de seu superior.

Não aumentei nem diminuí a medida de grão.

Não acrescentei nada ao peso da balança. [..]

Não tirei o leite da boca das crianças. [...]

Não roubei. Não fui cobiçoso. [...]

Dei pão ao faminto, água ao sedento, roupa ao nu. José L. Sicre. A justiça social nos profetas. São Paulo: Paulinas, 1990. p. 24-25.

Estela (placa de pedra) representando Osíris (ao centro) e Anúbis (à esquerda). Produzida há cerca de 3400 anos.

a) Copie no caderno a frase que indica haver desigualdade social no Egito.

Não fiz violência ao pobre.

b) Lendo esse trecho do Livro dos mortos, percebemos que alguns comerciantes egípcios agiam de má-fé. Como isso aparece no texto? Explique no caderno.

Isso aparece no texto quando o morto afirma que não diminuía a medida do grão nem acrescentava nada ao peso da balança.

c) Com base no texto, é possível saber quais atitudes eram condenadas no Tribunal de Osíris? Em caso positivo, identifique-as. Registre sua resposta no caderno.

Sim. A maldade, a violência, a difamação, o roubo e a cobiça.

d) Com a orientação do professor, reúna-se com os colegas. Conversem sobre a seguinte questão: As atitudes condenadas no Tribunal de Osíris continuam presentes no mundo atual? Por quê?

• Após a conversa, registrem suas conclusões e impressões no caderno.

Resposta pessoal. A questão oportuniza o trabalho de valores como bondade, justiça e verdade.

TEXTO DE APOIO

Egito Antigo e Mesopotâmia para crianças

Os mesopotâmios – como os egípcios e os hititas – acreditavam que deuses e deusas eram responsáveis por tudo que acontecia no mundo. Cada deus tinha áreas específicas pelas quais era responsável, como amor ou justiça. Por vezes essas áreas mudavam ao longo do tempo.

Deuses e deusas tinham missões que afetavam o mundo em geral. Zelavam também por determinadas vilas, cida-

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des e pessoas. Cada mesopotâmio era protegido por um deus ou deusa, assim como as cidades.

Os deuses mesopotâmios mais antigos tinham nomes sumérios. Mais tarde, alguns receberam nomes acádios. Por vezes eram chamados por ambos os nomes. [...]

[...] Sacerdotes e sacerdotisas especiais lavavam e vestiam imagens dos deuses todos os dias, perfumando-as e adornando-as com joias. Os sacerdotes incineravam oferendas de alimentos em sua intenção e lhes serviam refeições.

Tocavam música e acendiam incenso para eles. Se os deuses estivessem felizes, cumpriam suas missões – faziam as plantas crescer e o povo prosperar. Se estivessem irados, puniam o povo. Causavam fomes, doenças ou derrotas em batalha. Se algo de ruim acontecia, como uma seca, sacerdotes e sacerdotisas especiais tinham que descobrir o que povo fizera de errado. Os mesopotâmios acreditavam que os deuses transmitiam mensagens para as pessoas de muitas maneiras diferentes, através de sonhos, de mudanças no tempo, das estrelas ou de outros sinais. O que cabia aos sacerdotes era interpretar essas mensagens. Havia longas listas do possível significado de diferentes sinais anotadas em tábulas de argila.

BROIDA, Marian. Egito Antigo e Mesopotâmia para crianças. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. p. 74-75.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO . ANTIGO

Egito – 5 coisas que você deveria saber –História para Crianças. 2019. Vídeo (3min27s). Publicado pelo canal Smile and Learn. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=qytoTGSy8qI. Acesso em: 9 jul. 2025. O vídeo apresenta cinco curiosidades sobre o Egito de forma didática e acessível para crianças. Explica aspectos da vida cotidiana, das construções monumentais e das crenças religiosas dos egípcios.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Introduzimos o trabalho com esta unidade pedindo aos estudantes que registrem suas hipóteses para o significado do termo cidadania. E ampliamos esse debate associando cidadania a direitos e deveres, de modo que os estudantes se conscientizem de que são sujeitos de direitos, mas também de deveres. Entre os deveres de um cidadão ou cidadã está o respeito à diversidade, à pluralidade e aos direitos humanos. Com isso, esperamos contribuir para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI04).

Para estimular os estudantes a avaliar a diversidade cultural existente no Brasil, apresentamos, em página dupla de abertura do Capítulo 1, fotografias acompanhadas de legendas de diversas manifestações culturais brasileiras. Cientes de que é o conhecimento que enseja atitudes de respeito, apresentamos de modo breve e contextualizado a Cavalhada, o Carimbó, o Fandango Caiçara, o Jongo e o modo tradicional de fazer erva-mate, de modo a evidenciar a riqueza cultural brasileira e levar os estudantes a valorizar esses patrimônios imateriais de nosso país.

Visando estimular o respeito às diferenças sociais, culturais e históricas, abordamos a diversidade linguística existente no país em que vivemos, na seção Você leitor! da página 64.

No passo seguinte, ampliamos o debate sobre cidadania apresentando-a como conquista

2 CIDADANIA: PASSADO E PRESENTE

histórica dos povos e das sociedades. Para lastrear esse debate, oferecemos à leitura o importante texto de Jaime Pinsky e Carla Pinsky (“Afinal, o que é ser cidadão?”), que permite aos estudantes conhecerem a diferença entre direitos civis, direitos políticos e direitos sociais.

Com o objetivo de levar os estudantes a associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos, relatamos o horror causado pelos crimes contra a humanidade praticados

durante a Segunda Guerra Mundial e a resposta dada por representantes de 50 países por meio da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja mediação tem sido importante para a difusão de uma cultura de paz ao redor do mundo.

Ampliamos o leque de possibilidades de compreensão do conceito de cidadania como conquista histórica explorando os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Declaração dos Direitos da Criança.

Menina canadense.
Menina mexicana.
Menino brasileiro.
Mapa-múndi ilustrado para fins didáticos; não usa escala proporcional.

• O que vocês sabem sobre a cultura da região em que vocês vivem?

• O que diferencia uma pessoa da outra além dos traços físicos?

angolana.

• Observe as fotos destas páginas.

1. Em que essas crianças são diferentes umas das outras?

2. Com qual dessas crianças você mais se parece?

3. Qual dos países em que essas crianças vivem você gostaria de visitar?

4. Você já viu uma pessoa rir de outra por causa da cor da pele, do tipo de cabelo ou por usar uma roupa, um enfeite ou um tênis diferente do dela?

Também voltamos nossa escrita para as conquistas históricas do povo brasileiro, a exemplo da campanha das Diretas Já, que, ao defender o direito de o povo escolher nas urnas o presidente da República, abriu caminho para a confecção e aprovação da Constituição brasileira de 1988, apelidada de Constituição

Cidadã. Entre outras coisas, ela criminaliza o racismo e reconhece aos indígenas o direito à terra que tradicionalmente ocupam.

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Por fim, buscamos contribuir com a educação para a paz baseada em valores universais, como justiça, igualdade, solidariedade, entre outros, de modo a preparar os estudantes para a prática da cidadania.

ENCAMINHAMENTO

Professor, para introduzir o trabalho com esta abertura em página dupla, podem-se fazer algumas perguntas norteadoras aos estudantes:

• Vocês sabem o que é diversidade cultural?

• E os povos, também são diferentes uns dos outros? Em quais aspectos?

Solicitar aos estudantes que registrem suas hipóteses para o significado da palavra cidadania e promover uma conversa, questionando:

• O que é “ser cidadão”?

• Quais são os direitos de um cidadão?

• Quais são os deveres de um cidadão?

• Todos os cidadãos têm os mesmos direitos e deveres?

• Existem leis que garantem os direitos dos cidadãos?

| RESPOSTAS

Na atividade 4, incentivar uma reflexão sobre a importância do respeito, da diversidade, da tolerância e do diálogo. Enfatizar que atitudes como as exploradas no enunciado da atividade são preconceituosas e desrespeitosas, devendo ser combatidas.

HABILIDADES

• (EF05HI04)

• (EF05HI05)

OBJETIVOS

• Trabalhar a noção de cidadania.

• Estimular o respeito à diversidade e à pluralidade.

• Relacionar a noção de cidadania à conquista de direitos dos povos.

• Reconhecer os direitos enquanto conquista histórica.

• Trabalhar o bloco conceitual diferenças e semelhanças.

Menino japonês.
Menino alemão.
Respostas pessoais.
Menina

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar uma aula dialogada perguntando:

• O que vocês imaginam quando eu digo diversidade cultural?

• O Brasil é um país com muitas culturas; o que vocês sabem sobre a cultura da região onde vivem? Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Conscientizar os estudantes da riqueza cultural brasileira.

• Evidenciar a diversidade de culturas existentes no território brasileiro.

• Questionar os estudantes acerca dos elementos presentes nas imagens: cenários, indumentárias, cores e movimentos, promovendo uma conversa sobre elementos culturais de cada município ou região.

• Apresentar músicas relacionadas à festa mostrada no texto principal, para que os estudantes possam comparar ritmos e associá-los aos movimentos captados pelas imagens.

ATIVIDADES

Use sua criatividade e escreva um miniconto para cada imagem (localizadas nas páginas 54 e 55 do Livro do Estudante). Não esqueça de ressaltar, em seu texto, o respeito à diversidade e à pluralidade.

Professor, a atividade quer contribuir para o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF35LP07) Utilizar, ao

1 O RESPEITO À DIVERSIDADE E À PLURALIDADE

Como vimos, cada povo tem a sua cultura, ou seja, um jeito próprio de viver, pensar, agir, dançar e fazer festas.

No planeta Terra, como você sabe, há uma enorme variedade de povos; portanto, há também um grande número de culturas.

O Brasil, por sua vez, também é um país com grande diversidade cultural. Isso pode ser mais facilmente percebido nas comidas, nas músicas, nas danças e nas festas de cada estado ou região. Observe as fotografias a seguir.

São João de Caruaru (PE), 2022. Esse São João e o de Campina Grande, no estado da Paraíba, estão entre os maiores do Brasil.

produzir um texto, conhecimentos linguísticos e gramaticais, tais como ortografia, regras básicas de concordância nominal e verbal, pontuação (ponto-final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, vírgulas em enumerações) e pontuação do discurso direto, quando for o caso.

TEXTO DE APOIO

Patrimônio de quem e para quê?

O patrimônio cultural de um povo é formado pelo conjunto dos saberes,

fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade desse povo. [...] O objetivo principal da preservação do patrimônio cultural é fortalecer a noção de pertencimento de indivíduos a uma sociedade, a um grupo, ou a um lugar, contribuindo para a ampliação do exercício da cidadania e para a melhoria da qualidade de vida.

BRAYNER, Natália Guerra. Patrimônio Cultural Imaterial: para saber mais. 3. ed. Brasília, DF: Iphan, 2012. p. 12.

Carimbó. Pirapora do Bom Jesus (SP), 2019.

ENCAMINHAMENTO

ESCUTAR E FALAR

Cavalhada. Pirenópolis (GO), 2025.

Observe as fotografias da página anterior e desta página. Veja os trajes, os movimentos dos personagens, os ambientes onde estão acontecendo as apresentações. E prepare-se para falar aos colegas sobre a diversidade de culturas existentes no Brasil. Fale também o que você pensa sobre viver em um país tão diverso quanto o nosso.

Respostas pessoais.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas conseguiram escutar o que eu disse?

2. Pronunciei as palavras corretamente?

3. Fiz gestos adequados?

ATIVIDADES

Reúnam-se em grupos. Cada grupo ficará responsável pela gravação de um vídeo com até 3 minutos sobre uma das manifestações culturais representadas nesta dupla de páginas. São elas: 1. Carimbó; 2. São João de Caruaru; 3. Cavalhada; 4. Congada; 5. Dança gaúcha.

Contem um pouco sobre a manifestação cultural e incluam músicas, fotografias, curiosidades etc.

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Professor, esta sugestão de atividade complementar, ao promover o uso pedagógico da tecnologia, atende à Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023, que instituiu a Política Nacional de Educação Digital (Pned), e trabalha aspectos da competência geral 5.

• Aproveitar as fotografias dessas manifestações culturais para estimular a reflexão sobre a diversidade étnica e cultural existente no Brasil.

• Mostrar como a diversidade enriquece nosso convívio e o aprendizado sobre o outro e contribui para a educação do olhar. É o conhecimento sobre o outro que enseja atitudes de respeito.

Professor, a seção Escutar e falar incentiva a relação ativa com a linguagem (nesse caso, a oralidade e a escuta) e possibilita o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Diversidade cultural

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO. BENS materiais e imateriais integram o Patrimônio Cultural Brasileiro. 2019. Vídeo (4min32s). Publicado pelo canal TV UFMG. Disponível em: https:// youtu.be/-Hnu9H7SniM. Acesso em: 12 jul. 2025. Produzido pela TV UFMG, destaca a importância da preservação dos patrimônios culturais para a identidade nacional.

Congada. Contagem (MG), 2025. Dança gaúcha. Santa Maria (RS), 2024.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar o trabalho com esta página perguntando aos estudantes:

• Vocês já ouviram falar da Cavalhada de Pirenópolis?

• Sabem o que essa festa representa? Em seguida, sugere-se:

• Refletir sobre a origem da Cavalhada e o contexto em que ela está inserida.

• Retomar e consolidar o conceito de patrimônio imaterial.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO . QUEIROZ, Christie. O Mourinho das Cavalhadas . São Paulo: Martin Claret, 2012.

A obra conta a história do jovem Mourinho, retratando o legado cultural das Cavalhadas e a importância da transmissão de costumes de geração a geração.

Reprodução da capa.

TEXTO DE APOIO

Cavalhadas: origem e importância

Desde o século XVIII, há registro de cavalhadas em todas as regiões do Brasil, quase sempre associadas às Festas do Divino. Do mesmo modo que outras manifestações populares, essas encenações foram utilizadas pela Igreja Católica como instrumento de conversão [...]. As en-

CAVALHADA

Um exemplo da diversidade cultural brasileira é a Cavalhada, uma das mais atraentes festas populares do Brasil. Essa festa ocorre em vários estados brasileiros. Uma das mais conhecidas é a Cavalhada de Pirenópolis, no estado de Goiás.

Cavalhada no município de Pirenópolis (GO), 2007.

As Cavalhadas fazem parte da Festa do Divino Espírito Santo e consistem em uma dramatização das lutas do rei cristão Carlos Magno e seus cavaleiros contra os mouros nas terras onde estão hoje Espanha e Portugal. Os cristãos aparecem de azul e os mouros, de vermelho. São 12 cavaleiros para cada lado.

cenações de mouriscas, ou mouriscadas, que reproduziam os muitos séculos de batalhas das Cruzadas, encontraram no Brasil colonial o campo ideal para expressar novas representações da antiga Ibéria, por meio da literatura de cordel, das cavalhadas, das cheganças e dos fandangos [...].

As cavalhadas consistem, assim, na representação das batalhas entre mouros e cristãos [...] pela libertação da península Ibérica. Foram introduzidas na Festa do Divino de Pirenópolis em 1826, pelo padre Manuel Amâncio da Luz.

Mouros: muçulmanos que habitaram a região onde hoje ficam Espanha e Portugal.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis –Goiás. Brasília, DF: Iphan, 2017. (Dossiê Iphan; 17). Disponível em: http://portal. iphan.gov.br/uploads/publicacao/dossie17_ pirenopolis.pdf. Acesso em: 12 jul. 2025.

No primeiro dia de festa, ocorrem desafios, provocações e carreiras (corridas com cavalos). No segundo, ocorrem disputas, ao final das quais os mouros se rendem, são convertidos e batizados. No terceiro dia, os competidores fazem as pazes e confraternizam participando de jogos em que demonstram suas habilidades.

ATIVIDADES

1. Leia o poema a seguir.

A Cavalhada

Fitas e fitas...

Fitas e fitas...

Fitas e fitas...

Roxas, verdes, brancas, azuis,

1. Ele quis ajudar-nos a imaginar um ambiente com muitas fitas coloridas. Professor, nas Cavalhadas, os organizadores enfeitam o espaço com muitas fitas e bandeirinhas coloridas.

Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas! Bandeirinhas de papel bulindo no vento!... Foguetes do ar...

— “De ordem do Rei dos Cavaleiros, a cavalhada vai começar!”

Ascenso Ferreira. A Cavalhada. Escritas.org, [20--]. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/12014/a-cavalhada. Acesso em: 10 maio 2025.

Cavalhada. Pirenópolis (GO). Fotografia de 2025.

• Responda no caderno: O que o autor do poema quis dizer ao repetir a palavra fitas seis vezes, informando as cores delas?

2. Quais palavras a seguir podemos substituir por alegria nervosa? a) Alegria raivosa. c) Alegria contagiante. b) Alegria fingida.

3. Quem é o Rei dos Cavaleiros a que o autor se refere?

Alternativa c

É Carlos Magno, rei europeu que liderou a luta dos cristãos para conquistar povos e convertê-los ao cristianismo.

4. Sarau: poesia e festa popular. Pense em uma festa da região onde você vive e produza, no caderno, uma estrofe (conjunto de versos de um poema) sobre ela. Em uma data combinada, e com a mediação do professor, declame a estrofe que você criou com gestos adequados e voz audível em um sarau chamado Poesia e festa popular. Se possível, convide os familiares e a comunidade escolar para apreciarem e enriquecerem o evento.

Consultar orientações no Livro do Professor

TEXTO DE APOIO

O sarau no espaço escolar

O sarau literário na escola não é uma novidade. [...] A novidade é o formato que o sarau assume na contemporaneidade, a partir dos saraus periféricos, despertando o interesse de escolas em inseri-lo como proposta pedagógica [...]

O sarau periférico abordado dentro do pensamento decolonial [...] emerge a partir da cultura popular. [...]

[...] Os saraus periféricos, ou a cultura da periferia, no início do século XXI,

57

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pode ser tomada como exemplificação, por unir seus signos culturais locais e identitários e incluir as negações culturais feitas pela sociedade durante séculos. [...]. Em tempos remotos, quem imaginaria uma mostra cultural dentro da periferia e da periferia para a própria periferia? A quem pertencia esse signo cultural senão à elite? Essa nova configuração cultural de eventos da periferia para a periferia acaba não se restringindo só a ela, pelas modificações culturais e sociais, de forma hibrida, que passam acontecer na sociedade e alterar

| PARA O PROFESSOR

SITE. FESTAS do Divino. Biblioteca Nacional Digital do Brasil , [20--]. Disponível em: https://bndigital.bn.gov. br/festas-do-divino/. Acesso em: 12 jul. 2025. O texto da Biblioteca Nacional Digital aborda as tradicionais Festas do Divino e analisa as variações regionais dessas celebrações, como as Cavalhadas (em Goiás) e a coroação do Imperador do Divino (em Paraty), enfatizando a diversidade das manifestações culturais do Brasil.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. MELLO, Roger. Cavalhadas de Pirenópolis. São Paulo: Global Editora, 2018.

O autor resgata as tradições da Cavalhada, dando destaque aos elementos históricos dessa festa popular.

Reprodução da capa.

o único viés que era visto como de interesse. CERQUEIRA, Jacqueline Nogueira. Sarau literário na escola numa perspectiva decolonial. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2020. Disponível em: https:// repositorio.ufba.br/handle/ ri/33772. Acesso em: 25 ago. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
GLOBAL EDITORA

ENCAMINHAMENTO

Para despertar o interesse dos estudantes pelo assunto, uma possibilidade é apresentar o seguinte vídeo: DANÇA Carimbó. 2022. Vídeo (3min41s). Publicado pelo canal TV Engenho Cultural. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=2qU5z c6QVqk. Acesso em: 12 jul. 2025.

• Criar um ambiente favorável e estimular a escuta respeitosa do vídeo da dança Carimbó, informando que essa manifestação cultural é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

• Refletir sobre a origem do Carimbó e sua relação com as matrizes africana e indígena da nossa cultura.

• Orientar a leitura das imagens, destacando as vestimentas das mulheres.

Depois de assistir ao vídeo, pode-se perguntar:

• Vocês já tinham visto uma apresentação de dança Carimbó?

• Do que mais gostaram?

• Sabem qual é a origem desse Patrimônio Cultural Imaterial?

TEXTO DE APOIO

Carimbó: dança, música e cultura

O carimbó ou curimbó, segundo consta, é fruto da criatividade dos índios tupinambás. Inicialmente, o ritmo indolente e lento trouxe pouco entusiasmo aos praticantes da dança. Com a chegada dos negros à região, estes foram introduzindo ritmos de andamentos rápidos, sincopados e movimentados, influindo na música e na coreografia da dança, que

CARIMBÓ

Outro exemplo da diversidade cultural brasileira é o Carimbó, uma dança de roda típica do estado do Pará. Estudiosos do folclore brasileiro afirmam que o Carimbó é uma junção do batuque dos negros africanos com instrumentos e ritmos indígenas. Já o modo de dançar, estalando os dedos, vem dos portugueses.

Em setembro de 2014, o Carimbó recebeu o título de patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Apresentação de Carimbó em festival cultural realizado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), 2023.

passou a ser agitada, cheia de giros e requebrados dos quadris.

Os responsáveis pela mudança rítmica e empolgação da música são dois tambores, um mais longo e esguio, de sonoridade mais aguda, e outro maior em comprimento e largura, de som mais grave. Reunidos em seus contrastes, provocam uma batida que empolga, tendo a dança sido conhecida como limpa-bancos, pois ninguém conseguia ficar assentado.

O nome curimbó é de origem tupi (korfbo’), formado por duas pala -

vras: curi que significa “pau oco” e m,bó, que significa “furado”. Assim, temos curimbó como pau furado que produz som. Posteriormente, o próprio povo foi trocando as letras de curimbó para corimbó (como ainda é chamado no município de Salinópolis) e para carimbó, como ficou nacionalmente conhecida a dança.

A dança do carimbó é de origem negra, brasileira, típica das regiões da Ilha do Marajó, no Soure, onde é conhecida por carimbó pastoril, e em Santarém, conhecida como carimbó rural. No

Carimbó. São Paulo (SP). Fotografia de 2023.

ATIVIDADES

1. Leia o poema a seguir. Depois, faça a atividade no caderno.

Carimbó do meu Pará

Uma vez, me aproximando, De um batuque, em Marajó, Fui logo me apaixonando, Era dança, Carimbó.

Vi um bailado diferente, E muita gente bonita, Que abre os braços, ginga E sorri quando se agita.

Ouvi a maraca indígena, E o atabaque africano, Vi um passo português, Era o meu Pará dançando.

Lembrando do meu Pará, Eu jamais me sinto só, Me vejo lá, dançando, Na roda de Carimbó.

Poesia popular.

• Segundo o poema, o Carimbó recebeu influência de quais povos? Dos indígenas, dos africanos e dos portugueses.

|

LIVRO. AÇÃO EDUCATIVA. Culturas e regiões do Brasil . São Paulo: Global, 2019. A obra apresenta as características históricas, culturais e sociais de cada região do país, com textos, ilustrações, mapas e atividades interativas.

Reprodução da capa.

2. Interprete e responda no caderno: Por que o autor do poema chama o estado do Pará de “meu Pará”?

Alternativa b.

a) Porque ele é dono do estado do Pará.

b) Porque ele nasceu no estado do Pará ou gosta muito desse estado.

c) Porque ele não gosta do Pará.

d) Porque esse é o verdadeiro nome do estado.

município de Marapanim, arredores de Belém, estão alguns dos melhores grupos de carimbó da região, que guardam a fama de serem os maiores difusores do ritmo e da dança no Estado do Pará. Juntamente com os tambores, a música é realizada com a presença de outros instrumentos, como o banjo, que dá a marcação rítmica e serve de sustentação da dança, maracás, flautas, ganzás, reco-recos e pandeiros. [...]

Nesta dança, as mulheres usam [...] arranjos nos cabelos e saias com rodas largas e coloridas, normalmente de

chitão, uma influência das danças do Caribe, de origem negra. Os homens vestem calças curtas até os joelhos, como os pescadores. [...] Ambos apresentam-se cheios de colares de sementes da região.

SARANDEIROS. Carimbó. EEFFTO-UFMG Belo Horizonte, 2024. Disponível em: http:// projetos.eeffto.ufmg.br/sarandeiros/?p=1280. Acesso em: 27 fev. 2025.

VÍDEO. PARA dançar o Carimbó – Guerreiros da Amazônia. 2024. Vídeo (1min50s). Publicado pelo canal Guerreiros da Amazônia. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?app=desktop&v =gLt1620VijM. Acesso em: 12 jul. 2025.

Na animação, destinada ao público infantil, o grupo Guerreiros da Amazônia apresenta a tradicional dança Carimbó, típica do estado do Pará.

Atabaque.
Banjo.
IMAGENS FORA DE PROPORÇÃO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar o trabalho com esta página perguntando aos estudantes:

• Vocês já ouviram falar no Fandango Caiçara?

• Sabem o que significa a palavra mutirão?

• Já participaram de algum mutirão?

Em seguida, sugere-se:

• Refletir sobre a origem do Fandango Caiçara e a sua relação com o mutirão.

• Retomar e consolidar o conceito de patrimônio imaterial.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO . FANDANGO Caiçara. 2022. Vídeo (17min34s). Publicado pelo canal Abaçaí TV. Disponível em: https:// youtu.be/1_wJ1pJPBiU. Acesso em: 12 jul. 2025. O documentário explora as raízes e a importância do Fandango Caiçara para as comunidades tradicionais. Constitui excelente fonte para entender a relação entre a cultura popular e o ambiente natural.

ATIVIDADES

1. Assista ao vídeo: FANDANGO Caiçara –Feito aqui. 2019. Vídeo (6min25s). Publicado pelo canal Dudu Martini. Disponível em: https:// youtu.be/wPE_hr1gP4M. Acesso em: 12 jul. 2025. Professor, esse é um breve documentário sobre o Fandango Caiçara, em Paranaguá, estado do Paraná. A produção ressalta o modo de vida dos caiçaras, sua conexão com o mar e a transmissão de costumes e cultura de geração em geração.

FANDANGO CAIÇARA

Outro exemplo de diversidade cultural brasileira é o Fandango Caiçara: música, dança e festa do litoral norte do Paraná e do litoral sul de São Paulo.

Norte do Paraná e sul de São Paulo (2025)

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro, 2023. p. 90.

O Fandango Caiçara tem sua origem nos primeiros núcleos de povoamento do litoral do Paraná.

O Fandango está associado a mutirão, ou seja, à união de pessoas para realizar trabalhos gratuitos em benefício de uma pessoa da comunidade. No início, só as pessoas que ajudavam a limpar um terreno, pescar, coletar ou construir uma casa, por exemplo, podiam entrar no baile e dançar Fandango.

Os instrumentos usados no Fandango, como o adufo, a viola e a rabeca, são construídos pelos próprios músicos.

Em 2013, o Fandango Caiçara recebeu o título de patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Adufo: instrumento de percussão.

Viola: instrumento semelhante ao violão, mas com um corpo menor e um som mais agudo.

Rabeca: instrumento de corda precursor do violino.

2. Complete a ficha sobre o fandango caiçara com base no vídeo e em seus conhecimentos sobre essa manifestação popular.

Local de ocorrência

Atividades dos fandangueiros

Trabalho comunitário que executam

Título recebido do Iphan

Resposta: Litorais de São Paulo e Paraná.

Resposta: Agricultura, pesca e extrativismo (coleta).

Resposta: Mutirão.

Resposta: Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro.

PARANÁ
SÃO PAULO
Litoral Sul de São Paulo
Litoral Norte do Paraná
Adufo.
Rabeca.
Viola fandangueira.
IMAGENS FORA DE PROPORÇÃO

Fandango Caiçara. Paranaguá (PR), 2017.

Fandango

P’ra dançar o fandango

E dançá-lo sempre a correr,

É preciso ter asas

E o sangue sempre a ferver.

Ter a perna ligeira

E nunca desanimar,

Como o trigo em joeira

Dançar sempre, sem parar.

Vá-de-Viró. Fandango. Letras, [20--].

Disponível em: https://www.letras.mus.br/ va-de-viro/217846/. Acesso em: 10 maio 2025.

TEXTO DE APOIO

Fandango Caiçara

[...] [A prática do Fandango Caiçara] resultou de um específico processo histórico-social consolidado, sobretudo, a partir do final do século XIX, com a formação dos núcleos de povoamento chamados “sítios”. A partir dos modos de vida configurados nesses espaços, o fandango adquiriu seus contornos, estando ligado a atividades rurais baseadas na roça, na pesca e no extrativismo.

Joeira: peneira para separar o joio (um tipo de planta) do trigo.

ATIVIDADES

de 2024.

1. Interprete e responda no caderno: O verso “É preciso ter asas” pode ser traduzido por “É preciso ser...”:

a) um pássaro.

b) um anjo.

c) ligeiro.

Alternativa c

2. Esse provérbio pode ser entendido do seguinte modo: “É preciso separar o mal do bem; separar as pessoas ruins das boas”. O joio é um tipo de gramínea que se pode confundir com a planta do trigo, mas que traz prejuízo à plantação de trigo; daí a analogia com a ideia de se separar o bem do mal.

d) um corredor profissional.

2. Qual é o significado do provérbio que diz: “É preciso separar o joio do trigo”? Registre a resposta no caderno.

ATIVIDADES

Faça uma roda de conversa com seus colegas sobre a importância da preservação das manifestações culturais brasileiras e o respeito à diversidade cultural. Durante a conversa, reflita sobre como essas práticas influenciam a identidade e a convivência social.

Após a discussão, compartilhe com o grupo e com o professor as razões

01/10/25 10:21

pelas quais preservar e respeitar as diversas manifestações culturais é essencial para o fortalecimento da cidadania e da identidade de um país.

Professor, espera-se que os estudantes compreendam que o conhecimento e a valorização do patrimônio material e imaterial de um país ou região são importantes para a construção da identidade e o exercício da cidadania.

[...] O fandango [...] se apresentava como o espaço da “reciprocidade”, onde o “dar-receber-retribuir” constituía a base de suas socialidades, marcada pelas dimensões familiares, de compadrio e vizinhança. [...] O lugar do fandango em suas vidas sociais e lúdicas, além de estar ligado à organização do trabalho comunitário, o mutirão, relacionava-se também ao conjunto de laços de sociabilidade produzidos na região. De casamentos e batismos [...] até alianças de ajuda mútua e compadrios, observa-se dinâmicas sociais marcadas e conduzidas pelas cadências do fandango. De certo modo, a lógica do mutirão acompanhava as diferentes configurações deste fazer fandango, e, nesse contexto, de fato as divisões entre trabalho e divertimento sempre foram tênues.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Fandango caiçara: expressões de um sistema cultural. Brasília, DF: Iphan, 2011. (Dossiê). Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/ uploads/ckfinder/arquivos/ Dossiê%20Fandango%20 Caicara.pdf. Acesso em: 12 jul. 2025.

Fandango Caiçara. São José dos Campos (SP). Fotografia
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar o trabalho com esta página perguntando aos estudantes:

• Vocês conhecem o Jongo? Sabiam que ainda hoje essa manifestação cultural é praticada em comunidades e em cidades do Sudeste brasileiro?

• Observem a imagem desta página. O que mais chamou a atenção de vocês?

• Qual é a relação entre o Jongo e a resistência à escravidão, no passado?

Em seguida, sugere-se:

• Promover um momento para a conversa inicial sobre o Jongo.

• Apresentar o Jongo e suas características e informar que é considerado Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. CUNHA, Lucimar. Jongando. São Paulo: Casa Kids, 2023.

JONGO

Professor, o termo banto corresponde ao conjunto de povos com origem comum e línguas aparentadas. A maior parte dos bantos que entraram no Brasil vinha da região onde hoje se localizam três países: Congo, Angola e Moçambique.

Vale do Paraíba: região entre as serras da Mantiqueira e do Mar; inclui parte dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O Jongo é uma manifestação cultural afro-brasileira que se desenvolveu durante a expansão das plantações de café no Vale do Paraíba. Essa importante manifestação cultural inclui percussão de tambores, canto e dança, com destaque para a umbigada.

O Jongo é uma forma de homenagear os ancestrais e tem sua origem nos saberes e nas crenças dos povos africanos de língua banto.

No passado, o Jongo foi uma forma de resistência à escravidão, pois seus praticantes cantavam “pontos” que falavam sobre seu sofrimento e sua revolta usando palavras que os capatazes e os senhores das fazendas não conseguiam compreender.

Ainda hoje é praticado em muitas comunidades e em cidades do sudeste brasileiro.

Em 2005, o Jongo foi registrado como patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Com uma linguagem adequada ao público infantil, o livro apresenta diversas informações sobre o Jongo e incentiva o entendimento sobre a importância de valorizar as manifestações culturais do Brasil. Reprodução da capa.

TEXTO DE APOIO

Jongo: identidade e resistência

O jongo é uma forma de expressão que integra percussão de tambores, dança coletiva e elementos mágico-poéticos. Tem suas raízes nos saberes, ritos e crenças dos povos africanos, sobretudo os de língua bantu. É cantado e tocado de diversas formas, dependendo da comunidade que o pratica. Consolidou-se entre os [africanos escravizados] que trabalhavam nas lavouras de café e cana-de-açúcar localizadas no sudeste brasileiro, principalmente no vale do

Rio Paraíba do Sul. É um elemento de identidade e resistência cultural para várias comunidades e também espaço de manutenção, circulação e renovação do seu universo simbólico.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Jongo no Sudeste. Brasília, DF: Iphan, 2007. (Dossiê Iphan; 5). Disponível em: http://portal. iphan.gov.br/uploads/publicacao/PatImDos_ jongo_m.pdf. Acesso em: 12 jul. 2025.

Apresentação de Jongo. São Paulo (SP). Fotografia de 2023.

| PARA O ESTUDANTE

MODO TRADICIONAL DE FAZER ERVA-MATE

O modo tradicional de fazer erva-mate se baseia, principalmente, no conhecimento dos indígenas Guarani e Kaingang que viviam próximo aos rios Paraguai, Paraná e Uruguai.

O conhecimento e as práticas envolvidas nesse processo são diferentes dos usados pelas ervateiras, empresas rurais sul-rio-grandenses que fabricam erva-mate em larga escala para o mercado nacional e internacional.

Os conhecimentos e as práticas associados ao modo tradicional de fazer a erva-mate continuam resistindo e existindo nos dias de hoje.

Em 13 de junho de 2023, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) reconheceu o modo tradicional de fazer erva-mate como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul.

Indígena da etnia Guarani antes do ritual de batismo da erva-mate. Município de Bertioga (SP), 2022.

DIALOGANDO

Criança tomando chimarrão. Santa Maria (RS), 2019.

O hábito de beber chimarrão (bebida quente feita à base de erva-mate) pode ser considerado um traço da cultura gaúcha nos dias de hoje? Justifique.

Sim, basta ver que, quando um gaúcho viaja para outro estado e encontra uma pessoa bebendo chimarrão, ele a reconhece como sua conterrânea.

TEXTO DE APOIO

Dia do Churrasco e do Chimarrão

Foi a lei estadual 11.929, de 2003, que definiu o dia 24 de abril como o Dia do Churrasco e do Chimarrão. Com a legislação, o churrasco à moda gaúcha virou, oficialmente, o “prato típico” do Rio Grande do Sul, enquanto o chimarrão se tornou a “bebida símbolo”.  [...]

Falar do jeito perfeito de fazer  churrasco ou  chimarrão  é um assunto delicado no Rio Grande do Sul. Diferentes

29/09/25 14:42

“receitas” ganharam popularidade ao longo dos anos, sendo compartilhadas, inclusive, em eventos específicos dedicados às comidas e à bebida.

DIA do churrasco e do chimarrão: saiba como surgiu a data. GZH, 24 abr. 2024. Disponível em: https://gauchazh. clicrbs.com.br/comportamento/ noticia/2024/04/dia-do-churrasco-e-do -chimarrao-saiba-como-surgiu-a-data -clvcydg0o00di013vobe9kjck.html. Acesso em: 13 jul. 2025.

VÍDEO. ERVA-MATE vira primeiro patrimônio imaterial do RS. Vídeo (1min28s). Publicado pelo canal Governo do Rio Grande do Sul. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=cfh40KfFthM. Acesso em: 13 jul. 2025. O vídeo documenta a oficialização da erva-mate como o primeiro patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul. Além disso, celebra a importância cultural e histórica da erva-mate para o estado, analisando sua relevância tanto nas tradições gaúchas quanto na economia local.

LIVRO. CRIA IDEIAS. A lenda da erva-mate Porto Alegre: Cria Ideias, 2020.

Em forma de história em quadrinhos, ilustrada por Fernando Gil, o livro conta a lenda da erva-mate, elemento essencial da cultura gaúcha.

VOCÊ LEITOR!

Professor, é interessante comentar que, apesar de a língua portuguesa ser a oficial, há outras línguas faladas por diferentes grupos no Brasil. Desse modo, ao valorizar a diversidade cultural do Brasil, a seção possibilita o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Diversidade cultural e com as competências específicas 1 e 3 de Ciências

Humanas.

ATIVIDADES

Assistam ao vídeo: TALIAN – oficial – língua nacional. 2015. Vídeo (3min14s). Publicado pelo canal Talian Brasil. Disponível em: https://youtu. be/_HBpRG2PQ9o. (acesso em: 13 jul. 2025). Depois, façam as atividades.

1. Escrevam no caderno os números de um a dez em talian.

2. Escrevam em português a seguinte frase em talian: Talian brasilian! Nostra lengoa materna!

Respostas:

1. Na legenda do vídeo, é apresentada a escrita dos números de 1 a 10 em talian: un ou uno, due, trè, quatro, cinque ou sinque, sèi ou sié, sete, oto, nove, diese.

2. Talian do Brasil! Nossa língua materna!

| PARA O ESTUDANTE

TEXTO. TODAS as línguas do Brasil. Plenarinho, Brasília, DF, 23 abr. 2017. Disponível em: https:// plenarinho.leg.br/index. php/2017/04/todas-as -linguas-do-brasil/. Acesso em: 13 jul. 2025. O texto aborda a diversidade linguística do Brasil.

VOCÊ LEITOR!

Leia o artigo a seguir.

Diversidade linguística

Estima-se que mais de 250 línguas sejam faladas no Brasil entre indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português e de suas variedades. Esse patrimônio cultural é desconhecido por grande parte da população brasileira [...].

O Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] e o MinC [Ministério da Cultura] reconheceram sete línguas como Referência Cultural Brasileira, das quais seis são indígenas. Estão entre elas a língua Asurini, que pertence ao tronco Tupi, da família linguística Tupi-Guarani, cujos falantes habitam a Terra Indígena Trocará, localizada às margens do rio Tocantins, em Tucuruí (PA); e a língua Guarani M’bya, identificada como uma das três variedades modernas da língua Guarani, da família Tupi-Guarani, tronco linguístico Tupi. Também são referências as línguas Nahukuá, Matipu, Kuikuro e Kalapalo, de família linguística Karib e falada na região do Alto Xingu (MT). Outra língua reconhecida é a Talian, formada a partir do contato de distintas línguas originárias da região do Vêneto, na Itália, de onde veio grande contingente de imigrantes para o Brasil, a partir de meados do século XIX. É falada, especialmente, nas regiões de forte influência camponesa, no interior dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Espírito Santo.

Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Diversidade Linguística – No Brasil, são faladas mais de 250 línguas. Iphan, [20--]. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/indl. Acesso em: 10 maio 2025.

TEXTO DE APOIO

A diversidade linguística

Um dos principais desafios para o reconhecimento das línguas minoritárias é constituir [...] direitos linguísticos, bem como a elaboração de estratégias que visem instrumentalizar as populações de falantes na preservação e na transmissão de seu patrimônio linguístico. Ocorrem no Brasil atual casos como o da língua falada pelos pomeranos, que imigraram para o Brasil devido à Segunda Guerra Mundial, e que conseguiu manter-se viva em pequenas

Crianças indígenas Guarani na Terra Indígena Ribeirão Silveira, no município de Bertioga (SP). Fotografia de 2024.

comunidades do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. Essa língua, em pleno uso e transmissão no Brasil, não é mais falada na Europa Central, sua região de origem. [...] Quanto à etnia dos pomeranos, praticamente foi extinta e os sobreviventes dispersados pela Polônia. Mas a língua permanece viva no Brasil. GARCIA, Marcus Vinicius Carvalho. A diversidade linguística como patrimônio cultural. Desafios do Desenvolvimento, ano 10, ed. 80, 2014.

2. Resposta pessoal. Professor, existem mais de 250 línguas faladas no Brasil, entre indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português.

1. Registre a alternativa correta no caderno.

Alternativa d

a) Apesar da diversidade de povos e culturas existentes no Brasil, a única língua que deve ser estudada é o português.

b) O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Cultura (MinC) realizam estudos voltados somente à língua portuguesa.

c) Os estudos do Iphan e do MinC não incluíram o Talian, uma variação do italiano trazido por imigrantes e falado no Brasil por seus descendentes.

d) O Guarani Mbya – língua falada por indígenas que habitam o litoral do Brasil – é uma das sete línguas reconhecidas como Referência Cultural Brasileira.

2. Leia, no quadro a seguir, as mesmas palavras ditas em diferentes línguas faladas no Brasil.

Português

pai u pare, pupá pé py pié noite pyt note, sera vida eko vita, vida

Elaborado com base em: Diversidade linguística. Iphan. [20--]. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/1931. Acesso em: 10 maio 2025.

• A análise desse quadro permite concluir que o Brasil possui grande diversidade cultural? Escreva sua resposta no caderno.

3. Observe a tirinha e faça as atividades no caderno.

Tirinha do personagem Papa-Capim, de Mauricio de Sousa.

a) Que palavras indígenas aparecem na tirinha? Qual é o significado delas?

Ele critica o corte acelerado das árvores em nome

b) O que o autor da tirinha critica?

do progresso.

3. a) Jaci (Lua) e m’boi (cobra). Professor, no contexto da tirinha, “caraíba” é o nome que os personagens indígenas usam para se referir aos brancos.

ATIVIDADES

Converse com o colega sobre diversidade cultural brasileira. Depois, listem as atitudes a serem adotadas para garantir o respeito a essa diversidade. Professor, a sugestão de atividade complementar, além de incentivar o raciocínio histórico (por meio de um exercício que promove tanto a retomada de conteúdos quanto a elaboração de relações entre esses conteúdos) possibilita o trabalho com as competências específicas 3 e 4 de História.

29/09/25 14:42 TEXTO DE APOIO

A língua Asurini se mantém viva

O povo indígena Asurini do Xingu, autodenominado Awaeté, vive atualmente em quatro aldeias localizadas na Terra Indígena Koatinemo, na margem direita do rio Xingu, a aproximadamente cinco horas de embarcação partindo de Altamira, Pará. A língua Asurini, filiada ao tronco Tupi, sub-ramo da família linguística Tupi-guarani, [...], é falada pela maior parte da população de aproximadamente 230 pessoas, que também domina o português, sendo portanto, majoritariamente bilíngue.

A atual situação sociolinguística dos Awaeté Asurini, caracterizada pela crescente aceleração do contato com os não indígenas e com outros povos indígenas da região do médio Xingu em razão da implantação da UHE Belo Monte, também é marcada pela reconfiguração do comportamento linguístico do povo indígena.

MESQUITA, Rodrigo; MENEZES, Adriane Melo de Castro. A aldeia na escola: políticas de fortalecimento da língua Asurini do Xingu. In: CONGRESSO INTERNACIONAL POVOS INDÍGENAS DA AMÉRICA LATINA (CIPIAL), 3., 2019, Brasília, DF. Anais [...] Disponível em: https://www. academia.edu/43630352/A_ aldeia_na_escola_políticas_ de_fortalecimento_da_ língua_Asurini_do_Xingu. Acesso em: 13 jul. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar uma aula dialogada perguntando aos estudantes:

• Para vocês, o que é ser cidadão?

Professor, as atividades desta página querem ajudar a trabalhar o conceito de cidadania e podem colaborar para o desenvolvimento das habilidades (EF05HI04) e (EF05HI05).

TEXTO DE APOIO

História da cidadania

Cidadania não é uma definição estanque, mas um conceito histórico, o que significa que seu sentido varia no tempo e no espaço. É muito diferente ser cidadão na Alemanha, nos Estados Unidos ou no Brasil (para não falar dos países em que a palavra é tabu), não apenas pelas regras que definem quem é ou não titular da cidadania (por direito territorial ou de sangue), mas também pelos direitos e deveres distintos que caracterizam o cidadão em cada um dos Estados-nacionais contemporâneos. Mesmo dentro de cada Estado-nacional o conceito e a prática da cidadania vêm se alterando ao longo dos últimos duzentos ou trezentos anos. Isso ocorre tanto em relação a uma abertura maior ou menor do estatuto de cidadão para sua população (por exemplo, pela maior ou menor incorporação dos imigrantes à cidadania), ao grau de participação política de diferentes grupos (o voto da mulher, do analfabeto), quanto aos direitos sociais, à proteção social oferecida pelos Estados aos que dela necessitam. [...]

A cidadania instaura-se a partir dos processos de

CIDADANIA: CONQUISTA DOS POVOS

Neste capítulo, vamos estudar alguns momentos importantes da trajetória humana sobre a Terra. Momentos esses em que os povos lutaram para conquistar e/ou ampliar direitos de cidadania.

Você sabe qual é o significado da palavra cidadão?

Afinal, o que é ser cidadão?

Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranquila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais.

Jaime Pinsky; Carla Bassanezi Pinsky (org.). História da cidadania São Paulo: Contexto, 2003. p. 9.

ATIVIDADES

1. Responda no caderno:

a) O que são direitos civis?

Reprodução da capa do livro História da cidadania

Democracia: termo de origem grega, junção de demos (povo) e kratos (poder), isto é, poder do povo.

a) Direitos civis são o direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei.

b) O que são direitos políticos?

c) O que são direitos sociais?

b) Direitos políticos são o direito de votar e ser votado e de participar das decisões dos nossos governantes. c) Os direitos sociais são o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, entre outros.

2. Pesquisem um dos direitos sociais citados no texto. Em uma data combinada com o professor, apresentem os resultados da pesquisa aos demais colegas.

Produção pessoal.

• Grupo 1 – Direito à educação.

• Grupo 2 – Direito à saúde.

• Grupo 3 – Direito ao trabalho.

lutas que culminaram na Declaração dos Direitos Humanos, dos Estados Unidos da América do Norte, e na Revolução Francesa. Esses dois eventos romperam o princípio de legitimidade que [valia] até então, baseado nos deveres dos súditos, e passaram a estruturá-lo a partir dos direitos do cidadão. Desse momento em diante todos os tipos de luta foram travados para que se ampliasse o conceito e a prática de cidadania e o mundo ocidental o estendesse para mulheres, crianças, minorias nacionais, étnicas, sexuais, etárias. Nesse sentido pode-se

• Grupo 4 – Direito ao salário.

• Grupo 5 – Direito a uma velhice tranquila.

afirmar que, na sua acepção mais ampla, cidadania é a expressão concreta do exercício da democracia.

PINSKY, Jaime. História da cidadania. DHnet. Disponível em: https://www. dhnet.org.br/direitos/sos/textos/pinsky_ breve_intro_dh_cidadania.htm. Acesso em: 13 jul. 2025.

ENCAMINHAMENTO

A SEGUNDA GUERRA E SUAS

CONSEQUÊNCIAS

A Segunda Guerra, ocorrida entre 1939 e 1945, foi total e mundial.

Total porque qualquer pessoa do lado oposto, civil ou militar, era considerada uma combatente e tratada como adversária. Além disso, usou-se todo tipo de arma ou recurso para eliminar pessoas.

Mundial porque ocorreram batalhas em todos os continentes. Nenhum conflito armado antes desse matou tantas pessoas em tão pouco tempo.

Na Europa, cerca de 36 milhões e 500 mil pessoas morreram de causas relacionadas a essa guerra. Parte dos brasileiros que deixaram a família para lutar na Segunda Guerra também morreu. Além disso, a guerra deixou um grande número de mutilados e órfãos.

Com o final da Segunda Guerra, o mundo descobriu os muitos crimes contra a humanidade cometidos pelos nazistas durante o conflito. Entre eles estava a matança de 6 milhões de judeus em campos de extermínio. Essa matança fez parte de um plano nazista que tinha como objetivo eliminar os judeus da Europa.

Mutilado: quem não tem ou foi privado de um órgão ou de uma parte do corpo.

Órfão: criança sem pais.

Nazista: o líder nazista alemão Adolf Hitler (1889-1945) defendia a existência de uma raça pura, superior às outras; culpava os judeus por tudo que não dava certo na Alemanha; dizia ser necessário conquistar terras de outros povos a fim de que a Alemanha se desenvolvesse plenamente.

ATIVIDADES

Nos países em que há guerras, as crianças, geralmente, são as que mais sofrem. Imagine que você tenha um amigo ou amiga em um desses países e escreva uma carta ou e-mail para ele ou ela com uma mensagem de conforto e de esperança de dias melhores.

TEXTO DE APOIO

Professor, o texto a seguir é um trecho do livro O diário de Anne Frank e uma sugestão para trabalho em sala de aula.

Civis judeus poloneses capturados por soldados alemães após a destruição do gueto de Varsóvia, na Polônia, 1943.

Quinta-feira, 25 de maio de 1944

29/09/25 14:42

Para o trabalho com esta página, pode-se perguntar:

• Vocês já assistiram a algum filme sobre a Segunda Guerra?

• Como se sentiriam se vissem cidades de seu país sendo destruídas?

• O que será que motiva os países a entrarem em guerra?

• Que consequências as guerras trazem para os envolvidos?

Em seguida, sugere-se:

• Estimular a reflexão sobre a guerra e suas consequências para os envolvidos.

• Refletir sobre o fato de as crianças serem as maiores prejudicadas por uma guerra porque resistem menos à violência armada e pelo fato de que, muitas vezes, ficam órfãs.

• Trabalhar o conceito de nazismo.

• Estimular a reflexão sobre os crimes de guerra.

Querida Kitty:

Todos os dias acontecem coisas desagradáveis. Hoje de manhã prenderam o nosso bom quitandeiro, que tinha escondido em casa dois judeus. Foi um golpe muito duro para nós, não só por causa daqueles judeus que estão agora à beira do abismo, mas também por causa do pobre quitandeiro [...].

Também para nós o quitandeiro significa uma perda tremenda. A Miep e a Elli não podem carregar com o saco de batatas e a nossa única saída é comer menos. Como conseguiremos isso, ainda o virá a saber,

mas digo que não vai ser divertido. A mamãe propõe suprimir o café da manhã e comer a papa no almoço, e à noite batatas fritas e, talvez, uma ou duas vezes por semana, um pouco de salada e legumes. Isto quer dizer: passar fome. Mas todas essas privações a sermos descobertos.

Sua Anne.

FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. São Paulo: Pé da Letra, 2017. p. 207.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar o trabalho com esta página perguntando:

• Vocês já ouviram falar da ONU?

• Quando a ONU foi criada? Com que objetivo?

• Que países participam da ONU?

Em seguida, sugere-se:

• Contextualizar a criação da ONU no imediato pós-guerra.

• Explicar o objetivo da criação desse importante organismo internacional.

• Aprofundar o assunto acessando o site da ONU, disponível em: https://brasil.un.org/ pt-br (acesso em: 13 jul. 2025).

• Trabalhar a cultura da paz tal como proposta pela ONU.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. SARUÊ, Sandra; BOFFA, Marcelo. Anjos do pedaço: uma grande aventura pela paz. São Paulo: Melhoramentos, 2014.

O livro narra as aventuras de um grupo de crianças que busca transformar sua comunidade em um lugar melhor.

Reprodução da capa.

TEXTO DE APOIO

A educação para a paz

Qual é a educação capaz de mudar a face bélica do mundo? A que educa em valores. Que valores? Aqueles mais caros à hu-

A BUSCA PELA PAZ MUNDIAL

Com o fim da Segunda Guerra, aumentou muito a preocupação com a paz mundial. Em 1945, com o objetivo de preservar a paz e a segurança no mundo, promover a cooperação entre os países e garantir o respeito aos direitos dos humanos, representantes de 50 países criaram a Organização das Nações Unidas (ONU). Com sede na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, a ONU é ainda hoje o principal organismo internacional.

Um dos principais órgãos da ONU é o Conselho de Segurança, responsável pela manutenção da paz e da segurança internacional.

Logotipo da Organização das Nações Unidas.

Resposta pessoal. Professor, comentar que, como afirmou o historiador Nicolau Sevcenko, o mundo com a ONU enfrenta grande dificuldade no tocante à manutenção da paz. No entanto, sem esse importante órgão, seria mais difícil. Comentar com os estudantes, também, o importante esforço feito pela ONU para divulgar a cultura da paz no mundo. Reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, Estados Unidos, 2025.

DIALOGANDO

Há quem diga que a ONU não tem conseguido manter a paz mundial e, por isso, é melhor que a organização seja extinta. Reflita e opine: Como seria o mundo sem a ONU?

manidade – a verdade, a justiça, a igualdade, a liberdade, a autenticidade, a solidariedade. [...] Não sabemos o nome do soldado estadunidense que soltou a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, destruindo 200 mil vidas humanas em poucos segundos, mas milhões de pessoas no mundo sabem o nome de outro norte-americano que lutou pela igualdade entre brancos e negros. O nome Luther King percorre o tempo e o espaço, como ícone de coragem, lucidez e amor à humanidade.

A paz é um dos anelos mais profundos do ser humano. Diz-se que educação

vem do verbo latino e-ducere, isto é, tirar de dentro. Essa é a verdadeira função do professor – ajudar, por meio de diálogo, de orientações e instigações, que o aluno construa o conhecimento, [...] formule sua concepção de mundo, extraia de dentro de si, do seu pensamento, [...] as verdades que vão pautar sua vida individual e social. [...]

DIDONET, Vital. A primeira infância e a educação para a paz. Revista de Informação Legislativa. Brasília, DF, v. 44, n. 176, out./dez. 2007. Edição especial. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/ id/137584. Acesso em: 12 mar. 2025.

A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS

DIREITOS HUMANOS

Em 1948, representantes de diversos países reunidos na ONU escreveram um importante documento: a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Eram pessoas com línguas, religiões e costumes diversos. Mas tinham em comum os seguintes objetivos:

• que não houvesse mais guerra no mundo;

• que ninguém mais fosse maltratado ou perseguido por sua cor, religião ou opinião política.

Leia agora alguns artigos dessa Declaração:

Artigo 1

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

[...]

Artigo 3

Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

[...]

Artigo 5

Ninguém será submetido [...] a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

[...]

Organização das Nações Unidas (ONU). Declaração Universal dos Direitos Humanos. Unicef Brasil, 10 dez. 1948. Disponível em: https://www.unicef.org/ brazil/declaracao-universal -dos-direitos-humanos. Acesso em: 13 maio 2025.

ATIVIDADES

Crianças de diferentes países. Fotografia de 2015.

1. Conversem e sugiram medidas para que o Artigo 1 seja colocado em prática.

2. O que é espírito de fraternidade para você? Você tem praticado a fraternidade na relação com os colegas?

1 e 2. Respostas pessoais.

TEXTO DE APOIO

Fraternidade e Solidariedade

[...] Em uma primeira abordagem, quanto à etimologia, [...] a palavra fraternidade tem origem no vocábulo latino frater, que significa irmão. E no seu derivado do latim fraternitas confere a ideia de irmandade, conjunto de irmãos, afeição entre irmãos. [...]

[...] Tomando como referencial os ensinamentos da Bíblia, [...] a fraternidade aparece em numerosas passagens, sobretudo [em relação ao] amor ao próximo. [...].

29/09/25 14:42

A relevância histórica da Fraternidade no mundo ocidental tem o seu ponto marcante em 1789, na Revolução Francesa, que teve como lema consagrado: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. [...] A partir deste momento, pela primeira vez, o tema da fraternidade sai do âmbito religioso e passa a ser interpretada e praticada politicamente, ou seja, fraternidade não é mais compreendida como a realização do mandamento religioso, mas sim como a promoção da liberdade política de todo cidadão.

MORAIS, Silvia Regina Ribeiro Lemos; TENÓRIO, Robinson Moreira. Considerações introdutórias sobre as diferenças entre os

Realizar uma roda de conversa com os estudantes e perguntar a eles:

• Vocês acreditam que todas as pessoas devem ter os mesmos direitos?

• Por que será que criaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos?

• O que essa Declaração diz?

• Vamos conhecer um pouco desse importante documento?

Professor, a realização da roda de conversa possiblita o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Educação em Direitos Humanos

Em seguida, sugere-se:

• Explicar o contexto e as preocupações dos criadores da Declaração dos Direitos Humanos.

• Refletir com os estudantes sobre o Artigo 1.

• Analisar os objetivos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

• Chamar a atenção dos estudantes para o fato de o documento ter sido elaborado no imediato pós-guerra, conflito marcado por atrocidades contra a humanidade.

conceitos de fraternidade e solidariedade. Determinantes da Equidade no Ensino Superior. FACEDUFBA, 2015. Disponível em: http://www.equidade.faced. ufba.br/sites/equidade. oe.faced.ufba.br/files/ consideracoes_introdutorias_ sobre_as_diferencas_ entre_os_conceitos_ de_fraternidade_e_ solidariedade_­_silvia_ morais_e_robinson_tenorio. pdf. Acesso em: 13 jul. 2024.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Iniciar a reflexão sobre a Declaração dos Direitos da Criança perguntando:

• Em que contexto a Declaração dos Direitos da Criança foi elaborada?

• Que relação podemos estabelecer entre guerra e infância naqueles tempos?

• E nos tempos atuais, as crianças continuam sendo as maiores prejudicadas pela guerra? Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Comentar que a História é a ciência do contexto.

• Explicitar o contexto da criação da Declaração dos Direitos da Criança, em 1959.

• Refletir sobre cada um dos princípios dos Direitos da Criança citados nesta página e nas seguintes.

Pode-se ampliar o conhecimento dessa declaração consultando a versão que consta da Biblioteca Virtual de Direitos Humanos, da Universidade de São Paulo (USP). Disponível em: https://www.unicef.org/ brazil/media/22026/file/ declaracao-dos-direitos -da-crianca-1959.pdf. Acesso em: 14 jul. 2025. Professor , didatizamos e facilitamos o texto da Declaração dos Direitos da Criança a fim de torná-lo acessível aos estudantes.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO . OS DIREITOS da Criança: Deveres e Direitos (1o Princípio). 2014. Vídeo (2min54s).

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS

DA CRIANÇA

Onze anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos, continuavam ocorrendo guerras ao redor do mundo. E esses conflitos intermináveis continuavam causando destruição e mortes.

Estudos publicados na época comprovaram que as crianças eram as mais prejudicadas pela guerra. É que, além de resistirem menos à violência, ficavam sem seus pais.

Nesse contexto, em 1959, representantes de diversos países presentes na ONU elaboraram outro documento muito importante: a Declaração dos Direitos da Criança, uma conquista dos povos do mundo inteiro. A Declaração tem dez princípios. Leia-os a seguir. Princípio 1o – Todas as crianças – sem distinção de cor, sexo, língua, religião ou condição social – têm os mesmos direitos.

Publicado pelo canal SEMAS Castanhal. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=Qv_ h0bMDGzU. Acesso em: 14 jul. 2025. O vídeo apresenta, de forma lúdica e musical, o primeiro princípio da Declaração dos Direitos da Criança.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO . DIREITOS Humanos para Crianças. Vídeo (12min5s). Publicado pelo canal COEP Brasil. Disponível

Princípio 2o – Todas as crianças devem ter oportunidade de se desenvolver física, mental, moral, espiritual e socialmente.

em: https://www.youtube.com/wat ch?v=Igw_qpycm3Q. Acesso em: 14 jul. 2025.

Desenho animado que trata da realidade de quatro crianças que intervêm em diferentes contextos socioculturais para defender e garantir os direitos humanos.

Crianças de diferentes origens.
Mãe com seu bebê.

vacina criança

Princípio 3o – Toda criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade.

Princípio 4o – Toda criança tem direito à saúde, à alimentação, à recreação e à assistência médica.

Princípio 5o – A criança com limitação física, mental ou social tem direito a tratamento, educação e cuidados especiais.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. CRIANÇA não trabalha. 2013. Vídeo (2min25s). Publicado pelo canal Palavra Cantada Oficial. Disponível em: https://youtu.be/ZeBy seNNEsk?si=OmyU1kswBEe5TUHW. Acesso em: 17 jul. 2025. O videoclipe reforça, de forma lúdica, a ideia de que, durante a infância, as crianças devem permanecer brincando e não trabalhando.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO. COMO O trabalho infantil compromete o futuro da criança? 2018. Vídeo (8min11s). Publicado pelo canal Tribunal Superior do Trabalho. Disponível em: https://youtu.be/d-L MDLEGmlA. Acesso em: 17 jul. 2025. Vídeo do Tribunal Superior do Trabalho sobre como o trabalho infantil afeta negativamente a vida das crianças.

• Chamar a atenção para a importância de adotar um comportamento solidário no relacionamento com as pessoas com deficiência.

TEXTO DE APOIO

Os direitos das crianças e dos adolescentes

O caráter universal dos direitos humanos significa que valem igualmente para todas as crianças e todos os adolescentes. Eles, não obstante, têm alguns direitos humanos adicionais que respondem às suas necessidades específicas em termos de proteção e de desenvolvimento. Todas as crianças e todos os adolescentes têm os mesmos direitos. Esses direitos também estão conectados, e todos são igualmente importantes [...].

OS DIREITOS das crianças e dos adolescentes: legislação, normativas, documentos e declarações. Unicef Brasil, [20--]. Disponível em: https://www.unicef.org/ brazil/os-direitos-das -criancas-e-dos -adolescentes. Acesso em: 14 jul. 2025.

Menina com síndrome de Down indo à escola.
Criança mostrando sua certidão de nascimento.
Enfermeira
indígena contra sarampo na Terra Indígena Utiariti. Campo Novo do Parecis (MT), 2018.

VÍDEO. MOMENTO histórico: Proclamação dos Direitos da Criança. 2014. Vídeo (5min19s). Publicado pelo canal Quintal da Cultura. Disponível em: https:// youtu.be/h3J-iuY-4YM. Acesso em: 14 jul. 2025. Vídeo do programa Quintal da Cultura, da TV Cultura, sobre a votação e a discussão dos Direitos da Criança na Assembleia Geral da ONU.

VÍDEO . MULHERES

Fantásticas #1: Malala Yousafzai. 2019. Vídeo (1min22s). Publicado pelo canal TV Globo. Disponível em: https:// youtu.be/aIUvH5b0A_8. Acesso em: 14 jul. 2025. Animação sobre a história de Malala Yousafzai.

TEXTO DE APOIO

Estatuto da Criança e do Adolescente

Bárbara A. A., 9 anos, aprendeu sobre o ECA em uma cartilha do Menino Maluquinho, que trata de direitos humanos para o público infantojuvenil. “Eu achei [a cartilha] lá em casa e resolvi ler. O ECA inclui as leis que protegem as crianças e os adolescentes. Eu sei que [os adultos] não podem bater, a gente não pode trabalhar e tem de estudar”. [...]

Para a educadora Teresa Santana, é importante que as crianças e os adolescentes saibam seus direitos e suas responsabilidades, uma vez que a sociedade ainda está muito desinformada e as crianças são vítimas de violência cotidianamente. “A TV ajuda a informar, mas tudo que é feito com abuso acaba atrapalhando. É preciso ter campanhas veiculadas, já que é o meio mais visto”.

Princípio 6 o – Toda criança tem direito a receber amor, compreensão, afeto e segurança moral e material.

Princípio 7 o – Toda

criança tem direito a receber educação gratuita e oportunidade para brincar e se divertir.

Crianças brincando em pátio de escola pública no bairro do Tatuapé, em São Paulo (SP). Fotografia de 2002.

Ela acredita que não é necessário ter uma matéria específica sobre o ECA, mas as coordenações pedagógicas poderiam tratar do assunto por meio de palestras e outras atividades. “As disciplinas também deveriam tratar disso, seja por meio de trabalhos, pesquisas, redações, pois o assunto é interdisciplinar”.

JINKINGS, Daniela. Estatuto da Criança e do Adolescente faz 22 anos. Agência Brasil, 13 jul. 2012. Disponível em: http://memoria. ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2012-07-13/ estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-faz-22 -anos. Acesso em: 14 jul. 2025.

Princípio 8 o – Toda criança deve estar entre os primeiros a receber proteção e socorro.

cuidando do machucado da filha.

Mãe
Crianças recebendo amor da família.

Princípio 9o – Toda criança tem direito à proteção contra quaisquer formas de negligência, abandono, crueldade e exploração e não deve trabalhar.

Princípio 10o – Toda criança tem direito a ser criada em um ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal.

Elaborado com base em: Declaração dos Direitos da Criança. ONU/Unicef, 1959. Disponível em: https:// www.unicef.org/brazil/media/22026/file/declaracao-dosdireitos-da-crianca-1959.pdf. Acesso em: 14 maio 2025.

PARA VOCÊ LER

Fotografia de 2015 mostrando crianças de diferentes países unidas em prol da paz.

• Adriana Carranca. Malala: a menina que queria ir para a escola. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2015.

A jornalista conta a história da garota paquistanesa que luta pelo direito de as meninas frequentarem a escola.

Reprodução da capa.

ESCUTAR E FALAR

Como vimos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi escrita para que não houvesse mais guerra ao redor do mundo. Pouco depois, em 1959, representantes de diversos países na ONU elaboraram outro documento fundamental: a Declaração dos Direitos da Criança.

Com base em seus conhecimentos e nas reflexões que você vem realizando nos estudos deste capítulo, prepare-se para falar aos colegas sobre os prejuízos que uma guerra causa às crianças. Fale de modo a ser ouvido pelos colegas e com gestos adequados.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas conseguiram escutar o que eu disse?

2. Pronunciei as palavras corretamente?

3. Fiz gestos adequados?

Respostas pessoais. Professor, além de as crianças serem mais vulneráveis à violência e às armas, é comum que, ao final do conflito, fiquem sem seus pais.

TEXTO DE APOIO

Dia Nacional da Criança Com Deficiência

O Dia da Criança com Deficiência, celebrado todos os anos no Brasil em 9 de dezembro, é uma data que objetiva conscientizar a população para a necessidade de se compreender e respeitar as crianças com deficiência, além de incentivar a promoção da melhoria de sua qualidade de vida.

[...]

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD)

ENCAMINHAMENTO

Professor , a seção Escutar e falar desta página amplia o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Educação em Direitos Humanos. Possibilita, também, o desenvolvimento das competências específicas 4 e 6 de Ciências Humanas.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. TODAS as crianças têm o direito de brincar. 2013. Vídeo (1min23s). Publicado pelo canal Unicef Moçambique. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=16WygVG03Qg. Acesso em: 14 jul. 2025. Vídeo da Unicef sobre os direitos das crianças.

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do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com indicadores coletados no 3° trimestre de 2022, há 18,6 milhões de pessoas com deficiência no País. Deste total, 3,2% são crianças de 2 a 9 anos e 3,3% têm idade de 10 a 19 anos.

[...]

O Ministério da Saúde (MS) considera “pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo, de natureza física, intelectual ou sensorial, que pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com os demais”.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. 09/12 – Dia da Criança com Deficiência. Biblioteca Virtual em Saúde, Brasília, DF, 2024. Disponível em: https:// bvsms.saude.gov.br/ 09-12-dia-da-crianca -com-deficiencia-3/. Acesso em: 14 jul. 2025.

VOCÊ LEITOR!

Professor, o trabalho com o conteúdo da seção, que apresenta aos estudantes a realidade vivida por uma jovem em um cenário de guerra, incentiva o desenvolvimento das competências gerais 8 e 10.

• Criar um ambiente favorável e estimular a leitura do relato de Myriam.

• Evidenciar que a jovem Myriam, autora do relato, viveu em meio à guerra e teve sua vida fortemente prejudicada pelo conflito.

• Incentivar a reflexão sobre a importância da cultura de paz.

TEXTO DE APOIO

A educação em meio à guerra

Os dois anos de pandemia seguidos pela invasão russa da Ucrânia ameaçam a educação e a trajetória escolar das crianças ucranianas, alertou nesta terça-feira, 29, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A agência da ONU destaca que tanto as crianças que permaneceram na Ucrânia como as que fugiram do país após a invasão russa em fevereiro de 2022 tiveram o quarto ano letivo interrompido.

No total, o conflito e o exílio ameaçam a educação de 6,7 milhões de crianças e jovens ucranianos com idades entre 3 e 18 anos, denuncia Regina de Dominicis, diretora regional do Unicef para a Europa e Ásia Central.

As crianças desta ex-república soviética já apresentam sinais generalizados de perda de conhecimentos, especialmente no domínio da língua ucraniana, da leitura e da matemática, alertou a especialista [...].

[...] “Na própria Ucrânia, os ataques às escolas continuam, deixando as crian-

Leia o relato com atenção. Ele faz parte de um livro e foi escrito pela menina Myriam, entre novembro de 2011 e março de 2017, durante a guerra civil na Síria.

O Diário de Myriam

[Alepo, 25 de novembro de 2016]

Meu nome é Myriam, tenho treze anos. Cresci em Jabal Sayid, bairro de Alepo, onde também nasci. Um bairro que não existe mais.

[...]

A volta da escola [tinha] o cheiro do chá de gengibre do café Ammouri; os sábados [cheiravam] a pão redondo e quente da padaria da esquina; os domingos [tinham] o cheiro dos círios da igreja de São Jorge. [...]

Meus aniversários [tinham] gosto de mel; o verão [tinha] gosto de tâmaras; a primavera, de damascos de Damasco; e o inverno, do chá com canela da minha avó.

Até que tudo acontecesse, cresci nesse paraíso de cores, cheiros, sabores.

Myriam Rawick em Paris, na França. Fotografia de 2017.

Até que tudo acontecesse, me bronzeei sob o sol de Alepo, bebi a água de Alepo, tomei banhos com o sabonete de Alepo.

Alepo: capital da Síria.

Adorava minha cidade, meu bairro. Gostava de sentir o calor de suas pedras polidas pelo tempo, [...] de me proteger à sombra das igrejas. Eu era feliz, leve.

[...]

Hoje de manhã, nos deixaram voltar para nossa casa. Do nosso apartamento, da nossa rua, do nosso bairro, não resta nada. Migalhas de cimento, farrapos de concreto, bordados com sucata. Da minha infância tão alegre, não reconheci nada.

Tivemos que sair de madrugada da nossa casa nova. Desde que a guerra começou, percorrer alguns quilômetros leva um tempo infinito. Ao chegar em nosso bairro, não pude sequer me mexer, de tão triste que o espetáculo que se estendia diante de nós era. Escombros e metal por todos os lados. [...]

Myriam Rawick; Philippe Lobjois. O diário de Myriam: a guerra da Síria vista pelos olhos de uma menina. São Paulo: Darkside, 2018. p. 31-32.

ças profundamente angustiadas e privadas de locais seguros para aprender”, afirma.

“Isso não só forçou as crianças ucranianas a lutarem para progredir na sua educação, mas também a não esquecerem o que aprenderam quando as suas escolas funcionavam normalmente”, explica De Dominics.

AGENCE FRANCE-PRESSE. Guerra põe em risco educação das crianças ucranianas, diz Unicef. Exame, 29 ago. 2023. Disponível em: https://exame.com/mundo/guerra-poe -em-risco-educacao-das-criancas -ucranianas-diz-unicef/. Acesso em: 14 jul. 2025.

3. a) Foram destruídos pelos conflitos armados. Myriam narra o seguinte: “Do nosso apartamento, da nossa rua, do nosso bairro, não resta nada. Migalhas de cimento, farrapos de concreto, bordados com sucata. Da minha infância tão alegre, não reconheci nada”.

Vista de Alepo, na Síria. É possível observar edificações destruídas por bombardeios durante a guerra. Fotografia de 2025. De acordo com a ONU, mais de 300 mil civis foram mortos na guerra civil da Síria até 2022. Além disso, cerca de 14 milhões de sírios ficaram desalojados ou se tornaram refugiados nesse período.

1. Responda no caderno.

3. b) É esperado que os estudantes digam que Myriam ficou muito triste: “Ao chegar em nosso bairro, não pude sequer me mexer, de tão triste que o espetáculo que se estendia diante de nós era”.

a) Quando o texto foi escrito?

Foi escrito em 25 de novembro de 2016.

b) Como a menina Myriam descreve a sua infância?

Ela a descreve como um “paraíso de cores, cheiros, sabores”. Um tempo em que ela vivia feliz, leve.

2. Que frase pode substituir “Até que tudo acontecesse”? Registre a alternativa correta no caderno.

Alternativa c.

a) Até o dia do aniversário dela.

b) Até que ela pudesse beber água e tomar banho em Alepo.

c) Até que começasse a guerra.

3. Identifique o trecho em que Myriam descreve a volta dela para a casa onde viveu na infância. Depois, responda no caderno:

a) O que ocorreu com a casa e o bairro de Myriam?

b) Como você acha que ela se sentiu naquela situação?

4. Responda no caderno: Por que a menina disse que “Desde que a guerra começou, percorrer alguns quilômetros leva um tempo infinito”?

5. Reúna-se em grupo. Escrevam uma frase impactante em favor da paz e façam uma ilustração para ela. A seguir, montem um mural com as frases produzidas pelos demais grupos da sala, para divulgar a cultura da paz. Exponham o mural em um local na escola.

Produção pessoal.

4. Resposta pessoal. Professor, sugerimos comentar que, quando o caminho é agradável, sentimos o tempo passar rapidamente, mas quando é feio ou perigoso, parece que o tempo demora a passar. Circular pelo espaço público durante uma guerra é perigoso e amedrontador.

ATIVIDADES

A construção de uma cultura da paz nas escolas passa pelo reconhecimento da diversidade e da importância de divulgar valores universais. Todos nós temos parcela de responsabilidade. A esse respeito, responda às questões a seguir, justificando-as.

1. Qual é a importância do diálogo na resolução de conflitos?

2. É importante pedir desculpas e mostrar arrependimento quando ofender alguém?

29/09/25 14:42

3. Problemas como o bullying devem ser debatidos só por adultos?

Respostas:

1. O diálogo é sempre a melhor solução para os problemas humanos.

2. Sim, o pedido de desculpas contribui para a construção de uma cultura da paz.

3. Não, o bullying deve ser debatido por todos nós, pois sua prática piora muito o ambiente em que ele ocorre.

Professor, a atividade 5 promove o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF35LP07) Utilizar, ao produzir um texto, conhecimentos linguísticos e gramaticais, tais como ortografia, regras básicas de concordância nominal e verbal, pontuação (ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, vírgulas em enumerações) e pontuação do discurso direto, quando for o caso.

TEXTO DE APOIO

Por uma cultura de paz

[...] a cultura de paz diz respeito a uma visão de mundo que privilegia o diálogo e a mediação para resolver conflitos, abandonando atitudes e ações violentas e respeitando a diversidade dos modos de pensar e agir.

[...] Os seis pontos defendidos pela Unesco no “Manifesto por uma Cultura de Paz e Não Violência” podem nos indicar alguns caminhos de ação:

— Respeitar a vida;

— Rejeitar a violência; — Ser generoso;

— Ouvir para compreender;

— Preservar o planeta;

— Redescobrir a solidariedade.

Desenvolver relações saudáveis é estar constantemente cientes das nossas responsabilidades, entendendo que nossas ações afetam o outro tanto positiva quanto negativamente. [...]

POR UMA cultura de paz. Saúde mental UFMG, Belo Horizonte, 2019. Disponível em: https://www.ufmg. br/saudemental/ para-servidores/por-uma -cultura-de-paz/. Acesso em: 14 jul. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar a aula chamando a atenção dos estudantes para a imagem e perguntando a eles:

• Por que será que a mulher mostrada na fotografia está soltando uma pomba branca?

• Sabem quem é esta mulher? O que está escrito na camiseta dela?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Informar que a campanha por eleições diretas para presidente da República foi a mais popular da história da República no Brasil.

• Esclarecer que a campanha conhecida como Diretas Já ganhou rapidamente adesão em todo o país, desde Belém, no Pará, até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

• Destacar que, apesar de toda a pressão popular por eleições diretas para presidente da República, a proposta não vingou; os parlamentares contrários a essa proposta venceram por apenas 22 votos. Foram marcadas, então, eleições indiretas para o início de 1985; eleições essas vencidas pelo candidato da oposição, Tancredo Neves.

3 CIDADANIA: CONQUISTAS DO POVO BRASILEIRO

Ao longo do século XX, o povo brasileiro participou de várias lutas para conquistar e ampliar direitos. Uma delas foi a luta pelo direito de eleger o presidente da República. O próprio povo desejava ir às urnas e escolher o presidente do país.

DIRETAS JÁ

Entre 1964 e 1985, o Brasil foi governado por generais-presidentes. Nesses 21 anos, não era o povo que elegia o presidente, pois as eleições eram indiretas; o presidente era escolhido por deputados e senadores, sem que o povo fosse consultado.

A maioria dos brasileiros queria mudar essa situação. Por isso, participou intensamente da campanha por eleições diretas para presidente da República.

A campanha ficou conhecida como Diretas Já e foi a mais popular da história da República no Brasil. Ela teve início em São Paulo, em 1983, e se espalhou rapidamente por todo o país.

Os comícios da campanha eram verdadeiros shows ao ar livre, aos quais compareciam artistas, jogadores de futebol e políticos populares. Ocupando as praças das cidades brasileiras, milhares de pessoas no Brasil gritavam em coro “Diretas já!”. Na fotografia, a cantora Fafá de Belém no comício das Diretas Já em Porto Alegre (RS), 1984.

TEXTO DE APOIO

As Diretas Já!

A campanha das Diretas Já tinha dimensão cívica, natureza republicana e jeito de festa. [...] O palanque [dos] comícios reunia as principais lideranças da frente suprapartidária – Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Lula, Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro –, e os discursos eram acompanhados por uma multidão eufórica e comovida. Por outro lado, o engajamen-

to de intelectuais do porte de Antonio Candido, Lygia Fagundes Telles e Celso Furtado, de jogadores de futebol como Sócrates e Reinaldo, e de artistas como Chico Buarque, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Juca de Oliveira, Fernanda Montenegro e Fafá de Belém foi decisivo para difundir as representações e os ideais de um projeto democrático. [...]

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 484.

1. b) Não, porque o comício das Diretas Já em Afogados da Ingazeira, no interior de Pernambuco, em 1984, é um indício de que a luta pelas eleições diretas para presidente da República não se restringiu às grandes cidades do Brasil; o interior do país também se engajou nessa campanha.

Diretas Já, em Afogados da Ingazeira (PE), 1984.

Comício em Belo Horizonte (MG), 1984.

ATIVIDADES

1. a) Sim, porque, como mostram as fotografias, ela atingiu estados de diferentes regiões do país, como Pernambuco, no Nordeste; Minas Gerais, no Sudeste; e Rio Grande do Sul, no Sul.

1. Responda no caderno.

a) Observando as fotografias desta página e da anterior, é possível dizer que a campanha foi de fato popular?

b) Foi uma campanha dos habitantes de grandes cidades?

2. Responda no caderno ao que se pede.

a) Você considera importante votar para presidente da República? Por quê?

Respostas pessoais.

b) Com que idade uma pessoa pode votar para presidente da República?

A partir dos 16 anos.

TEXTO DE APOIO

O rock como trilha sonora das

Diretas Já

No Brasil, a década de 80 teve uma trilha bem específica, elétrica, amplificada: o rock, ou o BRock, sigla que me ocorreu na época, quando afinal esse gênero musical ganhou cidadania brasileira. [...]

[...] A Censura Federal emparedara grandes letristas de gerações anteriores – como Caetano Veloso e, sobretudo, Chico Buarque – em sólidas metáforas. Se isso sem querer os fez criar algumas de suas obras-primas, também os afastou do público jovem. Veio

| PARA O PROFESSOR

LIVRO . SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

A obra incorpora estudos recentes sobre a História do Brasil.

Reprodução da capa.

29/09/25 14:42

o BRock, com um discurso direto, fácil de entender, sobre coisas do dia a dia, e atingiu vendagens que antes só estavam ao alcance de Roberto Carlos [...].

Assim, no decorrer dos anos 80, o brasileiro pode ouvir-se de uma maneira inédita. “Nas favelas e no Senado/ Sujeira pra todo lado/ Ninguém respeita a Constituição/ Mas todos acreditam no futuro da nação”, cantou a Legião Urbana em “Que país é este”, música que Renato Russo havia composto ainda em 1978, mas engavetara, esperando que as coisas no Brasil melhorassem. [...] E o RPM dizia em “Revoluções por minuto”: “Ouvimos qualquer coisa de Brasília/ Rumores falam

de guerrilha/ Foto no jornal/ Cadeia nacional”. Algumas dessas canções foram ouvidas nas passeatas até o final da década, destronando a “Pra não dizer que não falei de flores” velha de guerra. DAPIEVE, Arthur. O rock como trilha sonora das Diretas Já. O Globo, 25 abr. 2014. Disponível em: https:// oglobo.globo.com/politica/ o-rock-como-trilha-sonora -das-diretas-ja-12291239. Acesso em: 14 jul. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para o trabalho com esta página, pode-se perguntar aos estudantes:

• A atual Constituição brasileira, aprovada em 1988, é conhecida como Constituição Cidadã; por que será que ela tem esse nome?

• Pode-se afirmar que essa Constituição foi uma conquista dos cidadãos brasileiros?

Em seguida, sugere-se:

• Comentar que o presidente da Câmara, o deputado federal Ulysses Guimarães, chamou a nova Carta Magna brasileira de Constituição Cidadã, pois ela ampliava os direitos dos cidadãos.

• Considerar que os avanços nela registrados resultaram de pressões dos diversos movimentos sociais. A Constituição de 1988 insere-se, portanto, na história da luta de amplos setores da população por reconhecimento e ampliação de direitos.

A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Nesse ambiente de luta pela volta da democracia no Brasil, políticos e movimentos sociais, como o movimento indígena, o movimento negro e o movimento de mulheres, esforçaram-se também para criar leis favoráveis à ampliação do direito à cidadania no país.

Em 1988, após um ano e oito meses de trabalho, deputados e senadores aprovaram uma nova Constituição para o Brasil. Conheça, a seguir, as principais características da Constituição Federal que vigora até hoje.

a) Forma de governo: República presidencialista.

b) Eleições: eleições diretas para presidente, governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil eleitores.

c) Voto: obrigatório para os brasileiros maiores de 18 e menores de 70 anos, e não obrigatório para os maiores de 70 anos e para os jovens com 16 ou 17 anos.

Professor, o conteúdo desta página, ao apresentar aspectos importantes da Constituição Federal de 1988, incentiva o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Vida familiar e social. ATIVIDADES

1. Leia o texto a seguir. As regras mais importantes de um país estão na Constituição, ou Carta Magna. A nossa foi promulgada em 1988. E teve uma enorme participação das crianças, você sabia?

Em Minas Gerais e no Mato Grosso, fizeram até mini assembleias constituintes, enviando as ideias para os parlamentares.

[...]

Em 1989, após quase 30 anos sem eleições diretas para presidente, os brasileiros voltaram às urnas para eleger a maior autoridade do país. Na fotografia, mulher coloca cédula em urna durante eleição presidencial em Blumenau (SC).

A Minicarta de Minas, finalizada em 1987, trazia propostas que até hoje são inovadoras, como a “Educação gratuita e obrigatória a partir dos 4 anos, incluindo material escolar e alimentação” e o “Passe-livre nos transportes coletivos aos estudantes”.

A proposta “Criança, prioridade nacional”, sobre os direitos da infância na Constituinte, foi elaborada por especialistas e interessados de todo o País, e recebeu mais de 1 milhão e 400 mil assinaturas de crianças e adolescentes.

d) Legislação de trabalho: a jornada semanal passou a ser de 44 horas; a licença-maternidade foi aumentada para 120 dias e criou-se a licença-paternidade, de 5 dias.

e) Povos indígenas: obtiveram direito à posse da terra que tradicionalmente ocupam.

f) Relações raciais: O artigo 5o da Constituição Federal de 1988 definiu o racismo como crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

ATIVIDADES

Inafiançável: quando o acusado não tem o direito de pagar fiança para responder ao processo em liberdade; fiança é o depósito em dinheiro ou valores feito pelo acusado, ou em seu nome, com o objetivo de este conseguir liberdade.

Imprescritível: quer dizer que a qualquer momento o governo pode processar o acusado, puni-lo e executar a pena dada a ele.

Reclusão: pena aplicada a condenações graves. Em geral, é cumprida em prisões de segurança máxima ou média.

Indígenas na Assembleia Constituinte. Brasília, DF, 1988.

1. Leia a seguir um trecho da Constituição Federal de 1988.

Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...]: I – Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição [...]

Brasil. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm. Acesso em: 10 maio 2025.

• Debatam e opinem: Por lei, homens e mulheres têm direitos iguais. E na prática, os direitos das mulheres têm sido respeitados?

Resposta pessoal.

2. A Constituição Federal de 1988 foi uma conquista do grupo de políticos que escreveu e votou as novas leis ou do povo brasileiro?

As leis presentes na Constituição Federal de 1988 foram uma conquista do povo brasileiro em sua luta por direitos.

AS CRIANÇAS na Constituinte. Plenarinho, 11 nov. 2018. Disponível em: https://plenarinho.leg.br/index. php/2018/11/as-criancas-na-constituinte/. Acesso em: 17 jul. 2025.

2. Espelhe-se na atitude cidadã das crianças que buscaram participar da elaboração da Constituição de 1988 e sugira uma proposta inovadora para melhorar a sociedade brasileira.

Cartaz da miniconstituinte em Campo Grande (MS), 1986.

ENCAMINHAMENTO

Professor, comentar que os avanços presentes na Constituição Federal de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, a exemplo das eleições diretas para presidente, governadores e prefeitos, a criminalização do racismo e o reconhecimento do direito dos indígenas à terra que tradicionalmente ocupam, são conquistas históricas do povo brasileiro. Nesse contexto, as atividades desta página ajudam no desenvolvimento da habilidade (EF05HI05).

Professor, o conteúdo desta página incentiva, novamente, o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Vida familiar e social

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO . A UFMG e a Constituição de 1988. 2018. Vídeo (9min28s). Publicado pelo canal TV UFMG. Disponível em: https://youtu.be/ 4qexetSkXRc. Acesso em: 14 jul. 2025.

01/10/25 14:15

Vídeo sobre a participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ao longo do processo de elaboração da oitava Carta Magna brasileira, a primeira após a ditadura militar e que contou com inédita participação popular.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se introduzir o assunto fazendo as seguintes perguntas norteadoras:

• Vocês conhecem seus direitos como criança?

• E seus deveres, vocês conhecem?

• Vocês já tinham ouvido falar do Estatuto da Criança e do Adolescente? Sabem o que ele diz?

Em seguida, sugere-se:

• Comentar que a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também se insere nas lutas do povo brasileiro por direitos.

• Esclarecer que o ECA ampliou os direitos das crianças e dos adolescentes.

• Analisar e comentar os principais pontos do ECA.

ATIVIDADES

Vimos que o ECA, aprovado em 1990, transformou em lei uma série de direitos das crianças. Vamos imaginar agora que você é um deputado e tem a missão de criar um projeto de lei para melhorar a vida das crianças no Brasil. Mãos à obra, então!

TEXTO DE APOIO

Os direitos de crianças e adolescentes

Um velho ditado, atribuído a diversas origens, diz que para criar uma criança é necessária uma aldeia inteira. Se considerarmos essa aldeia uma de nossas cidades, fica a sensação de que há tempos nos desgarramos dessa tarefa coletiva que é pensar e agir sobre o desenvolvimento integral das pessoas.

ESTATUTO DA CRIANÇA

E DO ADOLESCENTE

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aprovado em 1990, dois anos depois da atual Constituição brasileira, também foi uma importante conquista do povo brasileiro. A Constituição de 1988 já assegurava direitos a crianças e a adolescentes, mas o ECA ampliou esses direitos.

O ECA define criança como pessoa com até 12 anos de idade incompletos; adolescente, pessoa entre 12 e 18 anos; adulto, pessoa com mais de 18 anos.

Conheça agora alguns direitos das crianças e dos adolescentes.

• Respeito à vida: é direito fundamental e serve de base para os outros.

• Nascimento: os direitos da criança começam antes do nascimento. As mães têm o direito de serem atendidas na rede pública de saúde em toda a gravidez, durante e depois do parto.

• Saúde: as crianças e os adolescentes têm o direito de serem atendidos em hospital ou posto de saúde da rede pública. Se precisarem de internação, os pais poderão ficar o tempo todo perto do filho.

• Liberdade: as crianças e os adolescentes têm direito à liberdade, isto é, podem expressar livremente o que pensam e seguir sua religião.

• Convivência familiar e comunitária: as crianças têm direito de conviver com a família e a comunidade, sem serem expostas a tratamento desumano ou violento. Para proteger crianças e adolescentes que têm seus direitos desrespeitados, foi criado o Conselho Tutelar. O órgão é formado por pessoas da comunidade e ligado à prefeitura do município.

[...] o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, é categórico em afirmar, em seu artigo 4o: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. Para o Estatuto, é dever de todos prevenir a “ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente”.

Conselho Tutelar: órgão que zela por crianças e adolescentes que foram ameaçados ou que tiveram seus direitos desrespeitados.

Criança tendo o seu direito à saúde respeitado, antes mesmo do nascimento.

Mas por que isso é importante? Porque a igualdade tem que começar desde cedo. NOGUEIRA, Pedro. Garantir direitos de crianças e adolescentes é uma tarefa de todo o território. Educação & Território, 29 maio 2015. Disponível em: https:// educacaoeterritorio.org.br/reportagens/ garantir-direitos-de-criancas -e-adolescentes-e-uma-tarefa-de-todo-o -territorio/. Acesso em: 14 jul. 2025.

• Direito à família: os pais devem sustentar e educar seus filhos menores, biológicos ou adotivos. Os adotivos têm direitos e deveres iguais aos dos filhos biológicos.

• Direito à educação: toda criança tem direito a uma escola pública perto de sua casa. As menores têm direito de frequentar creches. É dever do governo controlar quantas crianças estão na escola e cuidar para que elas não faltem às aulas.

• Criança não pode trabalhar: crianças não podem trabalhar. Jovens podem trabalhar como aprendizes dos 14 aos 24 anos. Mesmo trabalhando, os aprendizes não podem parar de estudar de modo nenhum.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. TURMA da Mônica – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 2020. Vídeo (1min24s). Publicado pelo canal Controladoria-Geral da União – CGU. Disponível em: https:// youtu.be/l1gR1YxsbUs. Acesso em: 10 mar. 2025.

Animação em que os personagens da Turma da Mônica explicam, de maneira simples e divertida, os direitos e deveres das crianças e dos adolescentes.

indígena em escola pública. Querência (MT), 2024.

ATIVIDADES

Reúnam-se em grupos. Cada grupo deverá escolher um Direito da Criança e do Adolescente e apresentá-lo para os colegas na forma de um seminário. Usem a criatividade!

• Grupo 1: Direito ao nascimento.

• Grupo 2: Direito à saúde.

• Grupo 3: Direito à liberdade.

• Grupo 4: Direito à convivência familiar e comunitária.

• Grupo 5: Direito à família.

Para dar continuidade ao trabalho com o tema, pode-se perguntar:

• Por que o direito à educação formal é tão importante para uma pessoa?

• No Brasil, há crianças que não frequentam a escola? Se sim, por que isso acontece?

• Qual é a importância de não faltar às aulas?

• O que vocês têm aprendido na escola?

• Que prejuízos o trabalho infantil pode causar na vida de uma criança? Em seguida, promover um momento de reflexão e diálogo sobre os impactos do trabalho infantil na vida das crianças.

• Promover um espaço de diálogo, incentivando a escuta respeitosa.

• Retomar e aprofundar a ideia de que na escola se aprende a aprender, a conviver e a ser uma pessoa que cultiva valores universais.

Professor, o trabalho com o conteúdo desta página e da página anterior desenvolve o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Direitos da criança e do adolescente.

• Grupo 6: Direito à educação. Professor, a sugestão de atividade complementar incentiva o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT)

Direitos da criança e do adolescente.

Criança
Pais e suas duas filhas, uma delas adotiva.

ENCAMINHAMENTO

É interessante introduzir o tema dizendo aos estudantes: “Na sua comunidade, certamente há pessoas idosas; então, respondam ao que vou perguntar:”

• Como as pessoas idosas de sua comunidade são tratados? Bem? Mal?

• Os direitos das pessoas idosas de sua comunidade têm sido respeitados? Justifiquem.

• O que podemos fazer para melhorar a vida das pessoas idosas de nossa comunidade?

• Vocês já tinham ouvido falar do Estatuto da Pessoa Idosa?

Em seguida, sugere-se:

• Escutar e comentar as falas dos estudantes sobre as pessoas idosas da comunidade em que vivem.

• Trabalhar os direitos das pessoas idosas com exemplos retirados do dia a dia.

ATIVIDADES

Elaborem uma campanha para divulgar o Estatuto da Pessoa Idosa na comunidade escolar.

Produzam materiais escritos e visuais para a campanha, exponham os produtos do trabalho para a comunidade escolar e postem nas redes oficiais da escola. Professor, a sugestão de atividade complementar desenvolve o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.

Em 2003, quando foi aprovado, o estatuto se chamava “Estatuto do Idoso”. Em 2022, o estatuto foi atualizado e passou a se chamar “Estatuto da Pessoa Idosa”.

ESTATUTO DA PESSOA IDOSA

Outra importante conquista do povo brasileiro foi o Estatuto da Pessoa Idosa, aprovado em 2003. O Estatuto da Pessoa Idosa resultou da luta dos idosos e de seus aliados políticos por direitos. O número de idosos no Brasil vem aumentando consideravelmente. Conheça alguns direitos contidos no Estatuto da Pessoa Idosa.

• Saúde: a pessoa idosa tem direito a receber gratuitamente remédios, especialmente os de uso permanente (como para hipertensão e diabetes).

• Transporte: a pessoa idosa tem direito de viajar gratuitamente nos transportes coletivos públicos (ônibus, trem e metrô). Para isso, basta apresentar um documento que comprove sua idade. Além disso, 10% dos assentos em transportes coletivos devem ser identificados como preferenciais, incluindo nesse direito as pessoas idosas.

Pessoa idosa: pessoa com idade acima de 60 anos. Hipertensão: doença relacionada à força que o sangue faz contra as paredes das artérias para conseguir circular pelo corpo. Diabetes: doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (açúcar encontrado no sangue).

| PARA O PROFESSOR

LIVRO. BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

A obra reflete sobre a memória como um instrumento de resistência e preservação da experiência das pessoas idosas, além de discutir as transformações sociais e as dificuldades enfrentadas pelas gerações mais velhas.

| PARA A FAMÍLIA

VÍDEO. DIREITOS da Pessoa Idosa. 2018. Vídeo (3min49s). Publicado pelo canal Acervo Educa Play PR. Disponível em: https://youtu.be/PDdSx8w8AYo. Acesso em: 14 jul. 2025.

Animação desenvolvida pela equipe da Coordenação de Produção Multimídia do Departamento de Políticas e Tecnologias Educacionais do estado do Paraná sobre os direitos da pessoa idosa.

Pessoa idosa exercendo seu direito ao transporte público gratuito.

• Respeito: nenhuma pessoa idosa pode sofrer maus-tratos. Quem discriminar uma pessoa idosa pode ser punido com pena de reclusão de seis meses a um ano, além do pagamento de multa.

• Cuidado: o abandono de pessoas idosas em hospitais e em casas de saúde por parte da família, sem alimentação ou cuidados básicos, pode resultar em prisão dos responsáveis, além de pagamento de multa.

• Cultura: as pessoas idosas têm direito a 50% de desconto em ingressos para eventos culturais, como cinemas, teatros, concertos, atividades esportivas e atividades de lazer.

Grupo de Pífanos Moisés da terceira idade se apresentando no Polo Cultural Estação Ferroviária de Caruaru (PE), em 2022.

TEXTO DE APOIO

A importância social da pessoa idosa

Em 14 de dezembro de 1990, a Assembleia Geral das Nações Unidas designou o dia 1º de outubro como o Dia Internacional das Pessoas Idosas. [...]

Nas próximas três décadas, a população idosa no mundo deverá mais que dobrar, atingindo mais de 1,5 bilhão de pessoas em 2050, com aumento mais rápido ocorrendo nos países menos desenvolvidos, onde o número de pessoas com 65 anos ou mais pode aumentar de 37 milhões em 2019 para 120 milhões em 2050 (225%).

ATIVIDADES

Coletem imagens (em revistas, livros, sites da internet...) ou desenhem situações em que os direitos das pessoas idosas não estejam sendo respeitados.

Depois, criem estrofes (individualmente ou com os colegas) sobre o não cumprimento dos direitos das pessoas idosas que se relacionem às imagens selecionadas ou produzidas por vocês.

Após revisões do professor, as estrofes com as imagens poderão ser expostas no mural da sala; lidas por vocês para colegas de outros anos; apresentadas em evento escolar; e publicadas nas redes oficiais da escola. Divirtam-se! Professor , é importante orientar os estudantes para que usem apenas instrumentos adequados para sua faixa etária, como tesouras sem ponta, e que busquem a supervisão de um adulto para a realização da atividade. A atividade quer contribuir para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI04).

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Uma vida mais longa traz consigo oportunidades, não apenas para os idosos e suas famílias, mas também para a sociedade como um todo. Anos adicionais oferecem a chance de buscar novas atividades, como educação adicional, uma nova carreira ou perseguir um objetivo há muito negligenciado. As pessoas mais velhas também contribuem de muitas maneiras para suas famílias e comunidades, no entanto, a extensão dessas oportunidades e contribuições depende muito de um fator: saúde. No Brasil, a Lei nº 10.741/2003 instituiu o Estatuto da Pessoa Idosa – uma legislação

específica destinada a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. MINISTÉRIO DA SAÚDE. 01/10 – Dia Internacional das Pessoas Idosas e Dia Nacional do Idoso. Biblioteca Virtual em Saúde. Brasília, DF, 2022. Disponível em: https:// bvsms.saude.gov.br/01 -10-dia-internacional -das-pessoas-idosas-e-dia -nacional-do-idoso/. Acesso em: 10 mar. 2025

Em destaque, o Cacique Taquari, esposo da Cacique Valdelice (ambos da etnia Tupinambá de Olivença), realiza artesanato. Rio de Janeiro (RJ), 2024.

PORTUGUESA

• Solicitar aos estudantes que façam previamente uma leitura silenciosa do cordel.

• Depois, propor uma leitura em voz alta e compartilhada do cordel.

• Escolher ou sortear os estudantes que farão a leitura compartilhada. Cada um deles poderá ler um verso ou uma estrofe.

Após essa primeira leitura, e de posse dos registros, promover uma conversa literária, de forma a construir os sentidos do texto. Alguns questionamentos podem auxiliar no desenvolvimento dessa conversa:

• Qual é a temática do cordel?

• Quais sentimentos tiveram ao ler o cordel?

• Qual é a importância de textos populares, como este cordel, abordarem temáticas como o Estatuto da Pessoa Idosa?

Professor , a seção incentiva o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF35LP21) Ler e compreender, de forma autônoma, textos literários de diferentes gêneros e extensões, inclusive aqueles sem ilustrações, estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores. A seção atende ao Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) e favorece o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso. Ela também possibilita o trabalho com a competência geral 1.

DIALOGANDO

Leia com atenção o cordel a seguir, sobre o Estatuto da Pessoa Idosa.

Estatuto da melhor idade

Existe uma Lei

Que me traz felicidade

Para ter cidadania

Não precisa ter idade

O idoso tem sofrido

Com a falta de humanidade

O Estatuto do idoso

Vai trazer afirmação

Quem é da terceira idade

Vai sentir mais proteção

E quem desobedecer

Vai sofrer condenação.

O capítulo 2o

Traz uma resolução

Dê ao idoso liberdade

De vida e de expressão

Tem direito ao refúgio

Auxílio, orientação

O parágrafo 2o

A todos vem alertar

A integridade física

É preciso preservar

Identidade e autonomia

Ir e vir sem se humilhar.

O artigo 15

Sobre a saúde faz jus

O idoso tem direito

Ao atendimento do SUS [...]

Sírlia Lima. Estatuto da melhor idade. Recanto das letras, Natal, 2010. Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/cordel/2366482. Acesso em: 13 maio 2025.

ATIVIDADES

Criem uma estrofe de cordel sobre o Estatuto da Pessoa Idosa. A estrofe poderá ter seis versos. Acrescentem rimas no fim dos versos a exemplo do cordel sobre o Estatuto da Pessoa Idosa (versos pares).

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. SGROI, Fábio. Ser idoso é... Estatuto do idoso para crianças. São Paulo: Bennu Editora, 2021.

Com ilustrações bem-humoradas, a obra apresenta trechos do Estatuto da Pessoa Idosa, transmitindo aos leitores a importância do respeito pelas pessoas mais velhas.

Reprodução da capa.

Pessoa idosa recebendo cuidados. Fotografia de 2023.

1. Responda no caderno.

Reprodução de capa do Estatuto da Pessoa Idosa em edição de 2022.

1. b) Sim, porque ela cita em linguagem poética (literária) vários direitos que constam do Estatuto, como respeito e cuidado (“Dê ao idoso liberdade / De vida e de expressão / Tem direito ao refúgio / Auxílio, orientação”) e saúde (“Sobre a saúde faz jus / O idoso tem direito / Ao atendimento do SUS”).

a) A que lei a poeta se refere quando diz: “Existe uma Lei / Que me traz felicidade”? A poeta se refere ao Estatuto da Pessoa Idosa.

b) Comparando esses versos com o que você sabe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa, é possível concluir que a poeta estudou esse documento? Por quê?

c) Segundo a autora, de que forma o documento estudado contribui para o bem-estar das pessoas idosas?

d) Você já presenciou um caso de desrespeito e/ou abandono de uma pessoa idosa? Se sim, relate o que você viu. Respostas pessoais.

2. Segundo a poeta, “O idoso tem sofrido / Com a falta de humanidade”. Debatam, reflitam e escrevam no caderno, em versos com rima, uma proposta para melhorar a vida das pessoas idosas no Brasil.

Contribui para a afirmação e a proteção à pessoa idosa e para a condenação daqueles que desrespeitam o Estatuto. Resposta pessoal.

ATIVIDADES

1. Leia o texto a seguir com atenção. O envelhecimento é um processo […] e ocorre durante toda a vida; apesar de ser universal, não é uniforme. A forma como envelhecemos depende das relações que mantemos com os ambientes social e físico ao longo de nossas vidas. Além disso, varia segundo as características pessoais do indivíduo, incluindo da família na qual nascemos, […] e nosso grupo étnico.

ORGANIZAÇÃO Pan-Americana da Saúde. Relatório mundial sobre o idadismo Washington, D.C.: Opas, 2022. p. XXI.

Qual é o assunto do texto?

29/09/25 14:43

Resposta: O envelhecimento.

2. Escreva no caderno V para as alternativas verdadeiras e F para as falsas. Segundo o texto, o envelhecimento varia conforme:

a) a família na qual nascemos. b) a nossa etnia. c) a nossa beleza.

Respostas:

a) Verdadeiro. b) Verdadeiro. c) Falso.

TEXTO DE APOIO

As lutas pela valorização da pessoa idosa

Em nível nacional, a entrada do envelhecimento populacional na agenda das políticas públicas brasileiras foi gradativa e contou com vários sujeitos [...] que mobilizaram os idosos e a sociedade e foram os difusores das recomendações internacionais das assembleias mundiais. Mas foi com a universalização da Seguridade Social, na Constituição de 1988, que a atenção à população idosa representou um grande avanço porque [...] vinculou a rede de proteção social ao direito de cidadania, e não somente ao contexto estritamente social-trabalhista e assistencialista. Outro fator de extrema relevância [...] foi a aprovação da Política Nacional do Idoso (PNI), em 4 de janeiro de 1994 (Lei no 8.842), que assegura direitos sociais à pessoa idosa. [...]

Alguns anos após a aprovação da Política Nacional do Idoso, [...] houve a aprovação de uma legislação relativa à atenção destinada às pessoas idosas, que reforça as diretrizes contidas na PNI e unifica leis e políticas que até então permaneciam fragmentadas e setorializadas: o Estatuto do Idoso. [...]

FERREIRA, Ana Paula; TEIXEIRA, Solange Maria. Direitos da pessoa idosa: desafios à sua efetivação na sociedade brasileira. Argumentum, Vitória, v. 6, n. 1, p. 160-173, jan./jun. 2014.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

RETOMANDO

Professor, as atividades da seção Retomando visam consolidar o conhecimento adquirido no trabalho com a unidade, com base em uma avaliação formativa, permitindo-se verificar a aprendizagem e a fixação dos conteúdos, bem como o desenvolvimento das habilidades sugeridas.

• Orientar a resolução das atividades.

• Atentar às dificuldades diante da resolução das atividades.

• Observar a progressão das aprendizagens da turma, verificando se o ritmo de desenvolvimento atendeu ao conjunto dos estudantes.

• Verificar quais estudantes tiveram mais dificuldade com o conteúdo da unidade, visando perceber as possíveis defasagens no desenvolvimento das habilidades sugeridas, para, assim, pensar em estratégias de remediação das lacunas e dificuldades.

Professor , na atividade 1 , reforçar que ser cidadão é ter direitos civis, políticos e sociais; ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à educação, à saúde, à igualdade perante a lei.

TEXTO DE APOIO

Respeito à diversidade de crenças

A preservação da liberdade religiosa é, no plano teórico e prático, um ponto fundamental, de suma importância não somente

RETOMANDO

1 Responda no caderno: O que é ser cidadão?

2 Registre a alternativa correta no caderno.

3 Segundo o Capítulo I da Constituição Federal de 1988: Resposta pessoal. Alternativa b

• As conquistas humanas que resultaram na criação da Declaração dos Direitos da Criança, em 1959, são:

a) conquistas naturais, pois, antes dessa Declaração, as crianças já tinham seus direitos reconhecidos.

b) conquistas sociais, ou seja, foram construídas por todos nós ao longo da história.

c) conquistas apenas dos países que participaram da Segunda Guerra Mundial.

d) conquistas das crianças, que foram as maiores prejudicadas pela guerra.

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Brasil. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 maio 2025.

Reprodução da capa da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Biblioteca de Porto Ferreira (SP), 2018.

• Apesar desse trecho da Constituição, casos de desrespeito à religião do outro são noticiados com frequência pela imprensa. Debata e reflita com os colegas e o professor. Em seguida, escreva no caderno propostas para combater o desrespeito pela religião do outro.

Resposta pessoal.

para garantia de um direito humano básico, em todas as comunidades e culturas, povos e estados, como também por constituir elemento agregador da sociedade. Assim como a liberdade religiosa agrega, a intolerância religiosa é extremamente desagregadora e pode, por si só ou conjugada a outros fatores nocivos, gerar danos imensuráveis e irreversíveis, além de promover o caos, promover divergências, estimular desprezo e violência, como já nos ensinaram vários períodos degradantes da história.

No âmbito dos direitos humanos e do direito constitucional, a valorização da liberdade religiosa (e, evidentemente, da tolerância religiosa) é consagrada de modo pleno.

AMARAL, Beatriz Helena Ramos. MP no debate: Liberdade religiosa, direitos humanos e algumas formas de preservar a tolerância. Consultor Jurídico, 20 jul. 2020. Disponível em: https://www.conjur. com.br/2020-jul-20/mp-debate-liberdade -religiosa-algumas-formas-preservar -tolerancia/. Acesso em: 14 jul. 2025.

4 Leia os versos da fonte 1 e observe a imagem (fonte 2) com atenção. Depois, responda no caderno às questões propostas.

Fonte 1

O lugar do idoso é especial.

Se todo mundo o respeita, ninguém fica mal. E, se tudo estiver cheio, não custa nada levantar. Pra não fazer feio, educação em primeiro lugar.

Fábio Sgroi. Ser idoso é...: Estatuto do Idoso para crianças. São Paulo: Mundo Mirim, 2011. p. 11-13.

Fonte 2

a) Qual é o assunto da fonte 1?

para uma pessoa idosa no transporte público.

b) O que vemos na fonte 2?

Cartaz que circulou nos ônibus do município de São Paulo (SP), em 2024. No cartaz, lê-se: “Todos colaboram, todos viajam melhor. Seja gentil, mesmo quando estiver em um assento de uso livre, ofereça o lugar para idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo ou com deficiência”.

Vemos um jovem cedendo o lugar no ônibus para uma pessoa idosa.

c) Que relação podemos estabelecer entre a fonte 1 e a fonte 2?

Os versos da fonte 1 recomendam ceder lugar às pessoas idosas, o que é feito pelo jovem representado no cartaz (fonte 2).

O assunto da fonte 1 é a importância de ceder lugar 87

ENCAMINHAMENTO

Professor, a atividade 4 atende ao Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003).

As atividades dessa seção retomam e consolidam o trabalho com as habilidades (EF05HI04) e (EF05HI05).

TEXTO DE APOIO

O protagonismo estudantil na escola

Jogos, brincadeiras e outras atividades lúdicas mostram que é possível aprovei-

29/09/25 14:43

tar o período eleitoral para estimular espaços de discussão mais democráticos. Grêmio estudantil

Ajudar os estudantes a organizarem um grêmio é uma estratégia para estimular o desenvolvimento da cidadania e permitir uma experiência de protagonismo estudantil nas escolas. No processo de formação de um grêmio, é possível aprender a se organizar em grupos, debater questões relacionadas ao funcionamento eleitoral e desenvolver mensagens criativas para comunicar suas propostas de gestão ao restante da escola. Além disso, há disputas

entre grupos e a prática do exercício de votação. “O grêmio é um caminho excelente para ensinar política às crianças: não significa apenas votar, mas se preparar para representar os estudantes, construir uma campanha e enfrentar seus desafios”, relata o professor da rede pública de São Paulo, Raphael Gimenes.

Conselhinhos

A experiência pedagógica dos “conselhinhos” é pensada desde a educação infantil para tratar de temas que afetam os alunos, envolvendo-os nos processos de decisão e criando ambientes de gestão mais democráticos. No caso da  escola municipal EPG Manuel Bandeira, em Guarulhos (SP), até o 5º ano do fundamental, os alunos são eleitos como representantes de classe e participam dos “conselhinhos” bimestrais, com as outras turmas. Eles opinam sobre eventos escolares, onde os recursos podem ser melhor investidos na escola ou como pensar os espaços do recreio.

10 IDEIAS para aprender sobre política e eleição em sala de aula. Lunetas, 13 jun. 2022. Disponível em: https://lunetas.com.br/ aprender-sobre-politica/. Acesso em: 14 jul. 2025.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Começamos o trabalho com esta unidade refletindo sobre o uso de diferentes linguagens no processo de comunicação.

Começamos pelo “internetês”, linguagem familiar aos estudantes a que a obra se destina e que impacta a vida cotidiana no presente.

Depois, estimulamos a reflexão sobre a importância da internet na era do conhecimento, com foco nos múltiplos benefícios que ela pode trazer aos seus usuários. Quanto ao significado da falta de acesso às TICs para a vida social, política e cultural de uma pessoa, sugerimos discutir o assunto em uma roda de conversa. O debate pode ser ampliado convidando alguém da comunidade escolar para falar aos estudantes sobre as desvantagens de não ter acesso às TICs e seus impactos para o ingresso de uma pessoa no mundo do trabalho e para o exercício da cidadania.

A seguir, destacamos a importância da linguagem escrita para a vida em sociedade e o seu potencial para armazenar e transmitir experiências às novas gerações.

Demos especial atenção à Língua Brasileira de Sinais (Libras), por entender que seu uso na comunicação desenvolvida no ambiente escolar é uma forma de inclusão social e de combate à discriminação de pessoas com perda auditiva (surdas).

No passo seguinte, escolhemos temas que possam atrair e envolver os estudantes, a fim de estimulá-los a comparar diferentes pontos de vista, fazendo uso de diversas

3

LÍNGUAS E LINGUAGENS EM DEBATE

fontes. Com esse propósito, apresentamos, inicialmente, questões que vão da ética à poluição ambiental para, em seguida, discutir com maior profundidade dois temas: o uso do “internetês” (ele pode ou não prejudicar o domínio da variante padrão da língua?) e o combate ao bullying na escola.

Para estimular o debate, a comparação entre pontos de vista e a capacidade de argumentação dos estudantes, apresentamos posições divergentes com relação ao uso do “internetês”.

E, a seguir, pedimos aos estudantes que também se posicionem em relação a cada uma delas. O primeiro movimento é o de compreender as posições dos autores dos textos; depois, compará-las; por fim, formular um ponto de vista e argumentar em defesa dele.

Esse esforço pode ajudar os estudantes a se posicionar criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Linguagem da pintura. Fotografia de 2016.
Jovens se comunicando por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Fotografia de 2018.
Linguagem do teatro. Fotografia de 2021.

Uma das principais necessidades humanas é a de se comunicar e ser compreendido. Para atender a essa necessidade, o ser humano utiliza diferentes linguagens.

da música. Fotografia de 2015.

Linguagem da dança. Fotografia de 2024.

• Observe as imagens desta dupla de páginas com atenção. Como podemos notar, o ser humano se comunica por meio de diferentes linguagens: a da pintura, a do teatro, a da música e a da dança são algumas delas. De qual delas você gosta mais? Por quê? Respostas pessoais.

89

HABILIDADES

• (EF05HI06) • (EF05HI09)

OBJETIVOS

• Comparar as diferentes linguagens e seus usos no processo de comunicação.

• Valorizar o uso e o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais.

• Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação.

29/09/25 14:45

• Avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a essas linguagens e tecnologias.

• Discernir e debater diferentes pontos de vista sobre temas do nosso dia a dia.

• Estimular os estudantes a usar diferentes fontes históricas para embasar esse debate.

Uma porta de entrada para o trabalho com o tema “ linguagens” pode ser perguntar aos estudantes:

• Quais linguagens estão sendo usadas pelas pessoas fotografadas?

• Com qual delas vocês mais se identificam?

• Vocês já utilizaram o desenho para se comunicar?

• Vocês gostam de dançar?

• Por meio de qual linguagem vocês se expressam melhor: a escrita, a visual, a gestual, a da dança ou a da música?

• Vocês sabem dizer algo na Língua Brasileira de Sinais (Libras)?

Em seguida, sugere-se:

• Comentar que a comunicação é essencial à vida em sociedade; é por meio dela que fazemos amigos, estudamos, assistimos a um filme, entre tantas outras coisas.

• Comparar as diferentes línguas e linguagens representadas nessas duas páginas.

• Informar que a escrita, a pintura, a dança, entre outras, são linguagens com características próprias.

• Questionar os estudantes acerca das formas de comunicação presentes em cada imagem e do que está sendo comunicado aos espectadores.

Linguagem

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar uma aula dialogada, pode-se perguntar aos estudantes:

• Vocês preferem falar, escrever ou desenhar?

• Sabiam que muitos jovens do mundo todo usam o “internetês” para se comunicarem com os outros?

Em seguida, sugere-se:

• Valorizar as diferentes linguagens como forma de expressar sentimentos e ideias.

• Refletir sobre o fato de que muitas pessoas de diferentes idades utilizam os emojis para expressar sentimentos.

• Indagar: Vocês consideram que o uso do “internetês” pode prejudicar a aquisição da norma-padrão da língua?

Professor, a atividade quer estimular nos estudantes a capacidade de interpretar mensagens expressas em forma de ícones. Ela é também um movimento que fazemos em direção aos estudantes, uma vez que os ditados estão escritos em uma linguagem com a qual eles têm familiaridade.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO . A HISTÓRIA dos emojis. 2017. Vídeo (2min21s). Publicado pelo canal STEMbyme. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=lhbslkj-Jv4. Acesso em: 15 jul. 2025. Vídeo que apresenta uma breve narrativa sobre a origem e a evolução dos emojis.

O USO DE DIFERENTES LINGUAGENS NA COMUNICAÇÃO

A fala é uma das mais antigas formas de comunicação dos seres humanos, mas não é a única. Ao longo do tempo, o ser humano criou vários tipos de linguagem além da oral. Para expressar suas necessidades e seus sentimentos, criou a linguagem visual (pinturas, quadros etc.), a escrita, a do teatro, a da música, a da dança, entre outras.

A LINGUAGEM DO “INTERNETÊS”

No presente, muitos jovens têm usado uma linguagem conhecida como internetês, que agiliza e dinamiza a comunicação entre as pessoas. Ela utiliza abreviaturas, como “vc” em vez de “você”, e ícones para expressar sentimentos, como estes:

para dizer “amei”;

para expressar alegria e satisfação.

ATIVIDADE

• Você seria capaz de identificar os ditados populares escritos por meio desses emojis? A cavalo dado não se olham os dentes.

O que os olhos não veem o coração não sente.

ATIVIDADES

1. Oral. Em roda de conversa e com a mediação do professor, debatam sobre os diferentes usos da escrita e sua importância para a vida em sociedade.

2. Produzam cartuns transmitindo mensagens que valorizem o respeito às diferenças no espaço escolar. Utilizem emojis e outros recursos visuais escolhidos por vocês e pelo professor.

Respostas:

1. Resposta pessoal. Professor, esta atividade quer contribuir para o desenvolvimento da habilidade de falar em público e escutar com atenção.

2. Produção pessoal. Professor, esta atividade trabalha com as competências específicas 2 e 7 de Ciências Humanas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A IMPORTÂNCIA DA INTERNET NA ERA

DO CONHECIMENTO

A cada dia cresce o número de pessoas conectadas à internet ao redor do mundo.

As pessoas acessam a internet para:

• obter e trocar informações;

• atualizar-se sobre diferentes assuntos;

• consultar fontes seguras e construir conhecimento;

• interagir com outras pessoas: jogar, comemorar, enviar e receber mensagens etc.

Assim, as pessoas que têm acesso à rede mundial de computadores porque têm um celular, tablet ou computador podem se desenvolver globalmente. Essas pessoas, em geral, têm mais chances de:

• conseguir um emprego qualificado;

• melhorar sua qualidade de vida e a de sua família;

• conhecer e avaliar determinado assunto antes de tomar uma decisão e colaborar mais com a família, os amigos e a comunidade onde vive.

Menino ensinando a avó a usar o computador. Fotografia de 2025.

DIALOGANDO

Você já ajudou alguém da sua família ou comunidade a achar na internet algo de que ele ou ela estava precisando?

Resposta pessoal. Professor, aproveitar a questão para valorizar atitudes de colaboração com o outro por meio do compartilhamento de conhecimento.

Aproveite para alertar os estudantes sobre atitudes relacionadas à segurança no uso da internet, como não compartilhar informações de sites não confiáveis e não expor dados e informações pessoais. 91

ENCAMINHAMENTO

Dando continuidade ao trabalho com o tema, perguntar aos estudantes:

• Vocês sabiam que muitas pessoas não têm acesso à internet?

• O que vocês pensam disso? Em seguida, sugere-se:

• Valorizar o uso da internet para pesquisas escolares e para aquisição de conhecimento.

• Comentar que a exclusão digital afeta ainda grande número de pessoas.

proposta. São eles: A importância da internet na era do conhecimento (página 91); A linguagem da pintura (página 93); A linguagem da escrita (página 94); A linguagem do teatro (página 98); A Língua Brasileira de Sinais: Libras (página 100). É possível dividir os estudantes em duplas ou trios (de acordo com o número de estudantes da turma). Na atividade, cada dupla ou trio ficará responsável por um texto e deverá se preparar para fazer a leitura em voz alta durante a aula. Os estudantes deverão se preparar para a discussão das informações dos textos, lendo-os em casa e registrando, para cada leitura, uma informação que consideraram muito importante (ideia central do texto) e uma dúvida ou comentário, associação com outros textos ou materiais. No dia marcado, iniciar a aula com a leitura dos estudantes responsáveis pela tarefa e promover o debate coletivo dos textos, tendo por base as anotações realizadas pelos estudantes.

ATIVIDADES

29/09/25 14:45

Professor , o Capítulo 1 desta unidade trabalha o tema línguas e linguagens e fornece informações importantes sobre cada uma delas. Com o objetivo de desenvolver nos estudantes a fluência oral, a postura autônoma, crítica e participativa em relação às leituras, propomos que eles se preparem para as aulas em que os textos serão discutidos e se responsabilizem pela leitura dos textos para os colegas. Há cinco textos selecionados para a atividade

Os emoticons são utilizados para as pessoas expressarem seus sentimentos nas redes sociais. Crie, no caderno, uma mensagem que expresse sentimentos positivos em relação à sua cidade usando apenas os emoticons. Resposta: Produção pessoal.

ENCAMINHAMENTO

Professor , o texto e as atividades desta página querem contribuir para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI06).

TEXTO DE APOIO

Mais de 10 milhões de brasileiros não acessam internet, diz IBGE

Em 2023, cerca de 12% da população brasileira com idade a partir de 10 anos não usava internet – o equivalente a 22,4 milhões de pessoas. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (15) mostram que 75,5% dessas pessoas eram sem instrução ou com ensino fundamental incompleto e mais de metade do grupo é composto por idosos de 60 anos de idade ou mais.

A pesquisa aponta que não saber usar a tecnologia é a principal razão para não acessar a rede, motivo de 46% dos não adeptos à internet, isto é, cerca de 10,3 milhões. Em segundo lugar, está a falta de necessidade para o uso, com quase 26%. Preço do serviço (15%) e preocupação com privacidade ou segurança (3,3%) também foram motivos apontados pelos entrevistados, que relataram sobre o uso da tecnologia nos últimos três meses. O percentual de usuários da internet vem crescendo desde 2016, ano inicial da série, quando apenas 66,1% da população havia utilizado a internet. O número cresceu ano a ano e alcançou 88,0%, em 2023, com 164,5 milhões. A maior expansão no uso da internet

EXCLUSÃO DIGITAL

Ocorre que, no Brasil, ainda temos um grande número de pessoas que não têm acesso à internet: são os excluídos digitais. Essas pessoas têm menos oportunidade de se desenvolver social e culturalmente, conhecer seus direitos e deveres e, assim, exercer sua cidadania. Para o pesquisador José Marques de Melo, a diferença entre pobres e ricos é uma muralha que impede o acesso às tecnologias de informação e comunicação (TICs). E existe um agravante: vivemos hoje na “era do conhecimento”, ou seja, em um tempo em que o conhecimento é fundamental para a tomada de decisões acertadas. Por isso, é tão importante que o governo e a sociedade civil se unam para incluir as milhares de pessoas excluídas do mundo digital. Afinal, ter acesso à informação é um direito de todo cidadão.

ATIVIDADES

1. Obter e trocar informações; pesquisar em fontes confiáveis para ler, refletir e construir conhecimento; interagir umas com as outras: jogar, comemorar, trocar mensagens etc.

1. Responda no caderno: Que uso as pessoas fazem da internet?

2. As pessoas que têm acesso às TICs possuem vantagens sobre as demais. Quais são essas vantagens?

Elas têm mais chance de se desenvolver social e culturalmente e conhecer seus direitos e deveres.

3. Roda de conversa. Conversem sobre as desvantagens de não ter acesso às TICs para a vida social de uma pessoa. Depois da conversa com os colegas, escreva no caderno a conclusão a que você chegou.

Resposta pessoal.

(BA). Fotografia de 2024.

aconteceu na região Norte do Brasil, que saltou de 82,4% para 85,3%. [...]

GAMA, Guilherme. Mais de 10 milhões de brasileiros não acessam internet por não saberem usar a tecnologia, diz IBGE. CNN Brasil, 2024. Disponível em: https://www. cnnbrasil.com.br/nacional/mais-de-10 -milhoes-de-brasileiros-nao-acessam -internet-por-nao-saberem-usar-a-tecnologia -diz-ibge/. Acesso em: 15 jul. 2025.

ATIVIDADES

Pesquise e escreva no caderno: quais são os principais motivos para

que algumas pessoas não utilizem a internet?

Professor, para o pesquisador José Marques de Melo, o principal motivo para que algumas pessoas não utilizem a internet é a falta de equipamento eletrônico para esse fim. A exclusão digital, portanto, está relacionada à exclusão socioeconômica e cultural. É possível ainda que os estudantes citem outros motivos, como a falta de conhecimento para usar a internet, o preço dos serviços de internet, entre outros.

Professor e estudantes da etnia Pataxó, Escola Indígena Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A LINGUAGEM DA PINTURA

As pinturas em paredes de cavernas estão entre as mais antigas manifestações culturais da humanidade. As misteriosas figuras de animais – touros, éguas, cavalos, bisões – estão entre as pinturas mais conhecidas. Essas pinturas feitas em rocha são chamadas de rupestres.

Cinzel: instrumento manual usado para entalhar, esculpir.

Os artistas da Pré-História usavam cinzéis de madeira, carvão, terra e tintas vegetais. Muitas dessas pinturas eram feitas em locais de difícil acesso, como o teto das cavernas. Além disso, algumas pinturas foram feitas em locais de pouca luminosidade, o que, provavelmente, tornou necessário o uso de luz de tochas.

A pintura rupestre a seguir está em uma parede da Caverna de Lascaux, na França. Ela foi descoberta em 1940 por adolescentes que por ali passavam.

essa são estudadas por historiadores, arqueólogos e outros profissionais.

ATIVIDADES

1. Coloque-se no lugar de um artista da Pré-História e imagine que você quisesse deixar uma mensagem para a humanidade por meio de uma pintura rupestre. O que você pintaria?

2. Expresse seus sentimentos em relação à arte (música, pintura, fotografia, desenho etc.) por meio de um desenho no caderno.

Respostas:

1. e 2. Produções pessoais.

| PARA O ESTUDANTE

14:45

VÍDEO . PATRIMÔNIO Mundial da Unesco: Serra da Capivara (Piauí). 2016. Vídeo (2min25s). Publicado pelo canal Cia. Eco viagens. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=oIzefSNkhuE. Acesso em: 10 mar. 2025. Vídeo da Serra da Capivara, um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil, reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco.

Uma porta de entrada para o trabalho com esta página pode ser indagar aos estudantes:

• Vocês gostam de pintar?

• Vocês consideram a pintura uma linguagem atraente?

• Vocês sabiam que os primeiros seres humanos deixaram diversas pinturas em cavernas?

• Já ouviram falar em pintura rupestre?

• Vocês sabiam que no Brasil também encontramos muitos desenhos em cavernas feitos pelos primeiros seres humanos que aqui viveram?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Trabalhar a noção de pintura rupestre.

• Comentar os materiais usados e as dificuldades dos artistas da Pré-História para pintar o teto das cavernas.

• Destacar a importância das pinturas rupestres como fonte para o conhecimento da História.

• Valorizar os artistas da Pré-História, chamando a atenção para a capacidade que tinham de emprestar movimento às figuras.

Fotografia de pintura rupestre na Caverna de Lascaux, na França. Produzida há cerca de 17 mil anos. Hoje, pinturas rupestres como

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar uma aula dialogada perguntando aos estudantes:

• O que será que levou os seres humanos a desenvolver a escrita?

• Será que a desenvolveram de um dia para o outro ou terá sido um processo demorado?

• Será que a escrita apareceu primeiramente em um só lugar ou em vários lugares ao mesmo tempo?

• Em que situações vocês costumam usar a escrita?

• Vocês usam a escrita com frequência ou somente quando estão na escola?

• Já imaginaram como seria a nossa vida se não houvesse a linguagem escrita?

• Qual é a importância de saber escrever? Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Destacar a importância da linguagem escrita para a vida em sociedade.

• Analisar os fatores que motivaram a criação da escrita.

• Valorizar e contextualizar o desenvolvimento do alfabeto fenício.

• Frisar que a escrita possibilitou à humanidade armazenar ideias e experiências e transmiti-las às novas gerações.

A LINGUAGEM DA ESCRITA

O desenvolvimento da escrita pelos sumérios não ocorreu de uma hora para outra, mas resultou de um longo processo. Acredita-se que a necessidade de controlar os recebimentos e pagamentos e a circulação de produtos (trigo, animais e utensílios) deu origem à escrita.

Os sumérios escreviam em tabuinhas feitas de argila úmida, que depois eram colocadas ao sol para secar. Para escrever, usavam uma espécie de palito afiado de extremidade triangular, com o qual faziam sinais em forma de cunha. Por isso, essa escrita recebeu o nome de escrita cuneiforme.

A escrita possibilitou à humanidade armazenar ideias e experiências e transmiti-las às novas gerações.

Sumério: um dos povos da Mesopotâmia.

Cunha: peça de ferro ou madeira cortada em ângulo agudo.

Na fotografia, podemos ver uma placa de argila suméria de 2350 a.C., com caracteres cuneiformes que registram a existência de bodes e carneiros.

DIALOGANDO

Como o conhecimento da escrita ajuda você no dia a dia? Dê exemplos.

Ilustrações que representam o modo de se fazer a escrita cuneiforme. Resposta pessoal.

| PARA O PROFESSOR

ARTIGO. UMA BREVE história da escrita. Espaço do conhecimento – UFMG, 2 abr. 2020. Disponível em: https:// www.ufmg.br/espacodoconhecimento/ historia-escrita/. Acesso em: 18 jul. 2025.

Professor, na seção Dialogando , comentar que o domínio da escrita permite escrever mensagens, compreender, conhecer as regras de um jogo ou brincadeiras, ampliar o conhecimento sobre o mundo, as pessoas e os povos. A escrita também permite arquivar e transmitir conhecimentos com grande vantagem sobre a memória.

Artigo, publicado no site Espaço do Conhecimento UFMG, que aborda o surgimento e o desenvolvimento da escrita como ferramenta de registro e comunicação, destacando sua importância na história e na vida social.

IMAGENS FORA DE PROPORÇÃO

A escrita suméria, bem como a egípcia, utilizava pictogramas. Já a escrita chinesa, por exemplo, praticada até hoje, utiliza ideogramas. As escritas pictográficas e ideográficas são complexas e possuem milhares de caracteres. As escritas suméria e egípcia eram praticadas somente por um número pequeno de profissionais especializados (escribas ou integrantes da realeza). Os ideogramas chineses são usados há quatro mil anos e, para se tornar uma pessoa alfabetizada, é preciso conhecer cerca de 3500 caracteres.

Pictograma: desenho simplificado e estilizado que representa objetos ou seres. Ideograma: símbolo que retrata uma ideia, um acontecimento.

Escultura de um escriba, em calcário pintado, encontrada em Saqqara, Egito, c. 2500 a.C.

O ALFABETO FENÍCIO

A necessidade de facilitar o comércio e agilizar a comunicação com outros povos levou os fenícios a desenvolverem um alfabeto. Esse alfabeto, criado e divulgado pelos fenícios por volta de 1100 a.C., revolucionou as comunicações entre pessoas e povos e continua sendo muito importante no nosso dia a dia.

Em vez dos milhares de ideogramas, como os que usam os chineses, os fenícios propunham 22 sinais, cada um deles correspondendo a um som, e não a uma ideia ou palavra.

A escrita alfabética fenícia era, portanto, muito mais simples e prática do que a suméria ou a chinesa. Assim, mais pessoas tiveram acesso à informação e ao conhecimento, antes reservados a poucas pessoas.

DIALOGANDO

Que importância social tem para uma pessoa o fato de ela ser alfabetizada?

Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes respondam que pessoas alfabetizadas têm seus direitos mais respeitados, tendo mais acesso à educação, à saúde, ao transporte, à leitura, à internet e a outros serviços, por exemplo.

ATIVIDADES

Em dupla. Escrevam um pequeno texto sobre um personagem que ainda não sabe ler e quer mandar uma carta para um amigo. Um de vocês será o escriba e deverá escrever o conteúdo ditado pelo colega. Posteriormente, repitam a atividade, trocando as funções dos integrantes da dupla. Professor , para exemplificar a função do escriba em tempos atuais, pode-se apresentar:

• ESCREVENDO para as pessoas | Central do Brasil (1998) Drama, Cena HD. Vídeo (3min16s). Publicado pelo canal w8ddlix filmes. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=c9KDbLkT3ww. Acesso em: 18 jul. 2025. Trecho do filme Central do Brasil (1998), em que a personagem principal é uma escriba de cartas.

• REESCRITA de fábulas. Vídeo (3 min). Publicado pelo canal Nova

Dando continuidade ao trabalho com o tema, sugerimos perguntar aos estudantes:

• Vocês se lembram de como se sentiram quando perceberam que já sabiam ler?

• Conseguem lembrar qual foi a primeira palavra que vocês conseguiram escrever?

• Como vocês imaginam que foi o processo de desenvolvimento da escrita para diferentes povos? Foi rápido ou demorado?

• Que vantagem a escrita alfabética tinha sobre outras escritas, a exemplo da chinesa? Em seguida, sugere-se:

• Diferenciar a escrita pictográfica da ideográfica.

• Caracterizar a escrita alfabética.

• Contextualizar o desenvolvimento do alfabeto fenício.

• Avaliar as consequências do desenvolvimento do alfabeto fenício para a comunicação entre pessoas e povos.

• Analisar a importância da escrita alfabética no passado e no presente. Professor, a seção Dialogando prepara o trabalho com as atividades da página seguinte.

Escola. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=Eqz a9QmZM34. Acesso em: 18 jul. 2025. Projeto de reescrita de fábulas com estudantes da EMEF Humberto de Campos, em São Paulo (SP).

ENCAMINHAMENTO

Professor, no item a da atividade 1, acentuar a importância da escrita para o armazenamento e a transmissão do conhecimento de uma geração a outra. Comentar também que o domínio da escrita permite à pessoa desenvolver-se cultural e socialmente, ampliando seus relacionamentos sociais e oportunidades de trabalho, e politicamente, seja conhecendo direitos adquiridos, seja lutando para conquistar novos direitos.

ATIVIDADES

1. O que motivou os fenícios a desenvolver o alfabeto?

2. Escreva um pequeno texto relatando a importância da escrita na sua vida.

Respostas:

1. A necessidade de facilitar o comércio e agilizar a comunicação com outros povos.

2. Produção pessoal.

TEXTO DE APOIO

A contribuição grega ao alfabeto

Ao ser adotado e adaptado pelos gregos, o alfabeto fenício tornou-se o progenitor direto de todas as escritas alfabéticas ocidentais. [...] O alfabeto fenício adotado pelos gregos no início dos anos 900 a.C. tomou feitio próprio no século IV a. C., com a forma definitiva do alfabeto

As 22 letras do alfabeto fenício eram consoantes. Os gregos acrescentaram a elas as vogais. Assim, o alfabeto fenício serviu de base para o grego, que deu origem ao latino, no qual se baseia o alfabeto que usamos.

Caracteres do alfabeto fenício copiados de uma placa de argila do século V a.C., encontrada na ilha de Sardenha, atual Itália.

do alfabeto grego.

ATIVIDADES

1. Leia o texto a seguir com atenção. Depois, no caderno, responda às questões propostas.

O fato de se saber ler e escrever, no Oriente Antigo, era considerado não somente um privilégio, mas, sobretudo, uma superioridade social.

Somente as famílias abastadas podiam assegurar a instrução de um futuro escriba, pois o custo dessa educação era muito elevado e os estudos bastante longos.

Os escribas, geralmente, provinham de grandes famílias, que abrigavam funcionários, pessoas responsáveis por grandes extensões de terra, governadores, sacerdotes, ricos mercadores etc. Outra característica dessa profissão era seu caráter hereditário. Há inúmeros documentos atestando que o ofício de escriba passava de pai para filho.

Katia Maria Paim Pozzer. Escritas e escribas: o cuneiforme no antigo Oriente Próximo. Classica, São Paulo, v. 11-12, n. 11-12, 1998-1999. p. 67.

a) Como seria o mundo se não existisse a escrita?

Hereditário: que passa de pai para filho.

Resposta pessoal.

b) Com base no que você estudou, é correto dizer que a escrita esteve restrita por muito tempo a uma elite?

Sim, só os filhos de pessoas com poder e prestígio tinham acesso à escrita.

c) Por que será que a escrita era praticada por poucos?

Por ser complexa e pelo processo de aquisição da escrita ser demorado e caro.

jônico, composto por 24 letras e até hoje utilizado. [...] [...] embora tenha sido mais uma adaptação do que uma invenção, [os gregos] aperfeiçoaram-na em tal grau que foi, durante três mil anos, [um veículo] de expressão e comunicação de homens das mais diversas línguas e nacionalidades.

QUEIROZ, Rita de C. R. de. A informação escrita: do manuscrito ao texto virtual. Portal de Escrita Coletiva, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, [20--]. Disponível em: https://pt.scribd.com/ doc/217865857/A-Informacao-Escrita. Acesso em: 15 jul. 2025.

ATIVIDADES

1. Leia o texto com atenção. O abecê da escrita Você se lembra da primeira coisa que disse hoje ao acordar? Se não lembra, tudo bem. A maioria de nós não se recorda também. E da aula de ontem no colégio, você lembra de cor? Se não lembra, pode consultar o seu caderno, não é? Ainda bem que existe a escrita, hein?!

Para nos facilitar a memória, e para nos comunicar com pessoas que estão afastadas no espaço ou no tempo, deixamos registros. Quando mandamos uma

Caracteres
Caracteres do alfabeto latino.

2. Leia o poem a a seguir com atenção e responda, no caderno, ao que se pede.

Com a escrita tudo se pode fazer

Na escrita tudo se pode fazer

Contar histórias e inventar

Fazer poesias

Ou simplesmente cantar

[...]

É tão bom escrever

E com a imaginação brincar

Pois com ela tudo se pode fazer

E tudo se pode alcançar

Paulo Povoa. Com a escrita tudo se pode fazer. Site de Poesias, 17 mar. 2009. Disponível em: https://sitedepoesias.com/ poesias/40034. Acesso em: 28 maio 2025.

Ilustração que representa uma garota escrevendo em um caderno.

a) Você concorda com o conteúdo da primeira estrofe?

ENCAMINHAMENTO

Professor, no item a da atividade 2, espera-se que os estudantes digam que sim, pois o domínio da escrita abre várias possibilidades, como cantar uma música lendo a partitura e/ou lendo a letra. Comentar que a escrita musical permite que as pessoas cantem e toquem exatamente o que está escrito.

No item b da atividade 2, uma interpretação possível é que a escrita nos dá acesso a uma série de conhecimentos necessários ao exercício de uma profissão e, por meio da nossa profissão, realizamos nossos sonhos.

ESCUTAR E FALAR

Resposta pessoal. Resposta pessoal.

b) Interprete: O que o autor dos versos quis dizer com “Pois com ela tudo se pode fazer / E tudo se pode alcançar”?

Converse com pessoas de sua família sobre os usos que elas fazem da escrita no dia a dia. Registre por escrito o que elas disseram. Prepare-se para ler seu registro aos colegas em voz alta. Produção pessoal.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas conseguiram escutar o que eu disse?

2. Pronunciei as palavras corretamente?

3. Fiz gestos adequados?

carta, nos comunicamos com alguém que está afastado no espaço. Mas também deixamos um registro que pode ser lido pelas futuras gerações, então, nos comunicamos com aqueles que estão afastados no tempo […]. A escrita é, portanto, uma invenção decisiva para a história da humanidade.

BATALHA, Elisa. O abecê da escrita. Invivo. Disponível em: http://www.invivo. fiocruz.br/historia/o-abece-da-escrita/. Acesso em: 18 jul. 2025.

2. Copie no caderno as alternativas verdadeiras.

29/09/25 14:45

a) A escrita é uma invenção secundária na história da humanidade.

b) Os registros escritos permitem-nos conhecer a vida social de povos de outros tempos.

c) Quando escrevemos um diário, deixamos um registro que poderá ser lido futuramente.

d) Os povos que não desenvolveram a escrita são povos sem história.

Resposta:

2. Verdadeiras: b e c.

Na seção Escutar e falar, a ideia é que os estudantes registrem os usos que seus familiares fazem da escrita, por exemplo: escrever uma receita, um relatório de trabalho, um e-mail sobre curiosidades etc. Essa atividade pode contribuir para o engajamento da família na produção de conhecimento pelos estudantes.

Professor, a seção Escutar e falar possibilita o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Vida familiar e social.

Frases falsas corrigidas:

a) A escrita é uma invenção decisiva na história da humanidade.

d) Os povos que não desenvolveram a escrita têm uma história tão rica e movimentada quanto a dos demais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Dando continuidade à aula dialogada, sugere-se perguntar aos estudantes:

• Vocês já assistiram a uma peça de teatro?

• Vocês se lembram qual era o tema da peça?

• Vocês já choraram ou riram assistindo a uma peça de teatro?

• Sabiam que o teatro nasceu na antiga Grécia?

• Sabem onde a antiga Grécia estava localizada?

Em seguida, sugere-se:

• Levar um mapa-múndi da Europa e mostrar a localização da Grécia.

• Explicar que o teatro grego, que deu origem ao teatro praticado no Brasil de hoje, originou-se de uma festa religiosa e cívica em homenagem ao deus Dionísio.

• Destacar a importância da linguagem teatral.

• Reforçar que os gregos da Antiguidade foram os inventores da tragédia e da comédia.

• Esclarecer que a tragédia grega tinha como tema a mudança drástica no destino das pessoas; já a comédia recorria ao humor para fazer críticas aos costumes e aos políticos.

ATIVIDADES

1. Oral. Aponte a diferença entre a tragédia e a comédia. E, a seguir, responda: De qual dos dois gêneros você gosta mais?

2. No teatro Epidauro, na antiga Grécia, os melhores lugares eram reservados às autori -

A LINGUAGEM DO TEATRO

Há muito tempo que os seres humanos se comunicam também por meio do teatro. O teatro como conhecemos no Brasil nasceu na antiga Grécia. Teve sua origem em uma festa religiosa e cívica em homenagem ao deus Dionísio, o mais jovem dos deuses gregos.

O ponto alto dessa festa era o concurso de teatro. As peças aconteciam ao ar livre e, em um mesmo dia, eram apresentadas várias peças. Os espetáculos começavam pela manhã e reuniam milhares de pessoas.

Um dos principais teatros da antiga Grécia era o de Epidauro. O teatro tinha acomodações para 17 mil pessoas. Os melhores lugares eram reservados às autoridades civis e religiosas. Atualmente, o Teatro de Epidauro encontra-se bem conservado, e de longe, mesmo estando nas últimas fileiras, ouve-se a fala dos atores.

Cívico: da cidade; cada cidade grega cultuava seus deuses.

Dionísio: divindade grega relacionada à música, ao teatro e à literatura.

Orquestra: local onde o coro cantava e dançava.

Acesso por onde o coro entrava.

Auditório: local onde a plateia ficava.

dades civis e religiosas. E nos espetáculos teatrais de hoje, isso ainda acontece?

Respostas:

1. Resposta pessoal.

2. Sim, essa prática ainda é comum em diversos lugares.

TEXTO DE APOIO

O teatro para crianças

As crianças sempre foram espectadoras de teatro no ocidente. Há indícios de

que crianças frequentavam os anfiteatros gregos, havia crianças nas plateias das arenas romanas, o teatro litúrgico da Idade Média – realizado nas igrejas e posteriormente em praça pública –também era assistido por crianças e adultos [...]. O teatro de bonecos indiano também era teatro para adultos e crianças. Enfim, até o século XX, crianças e adultos iam juntos ao teatro, não havia uma produção específica direcionada à infância, o que não significa que estas não frequentassem as praças públicas e salas de espetáculos.

Teatro de Epidauro, construído no século IV a.C. Epidauro, Grécia. Fotografia de 2022.
Palco.

Frequentar o teatro fazia parte da educação dos antigos gregos. Todos eram incentivados a comparecer aos espetáculos teatrais. Os pobres podiam assistir às peças gratuitamente. Na cidade grega de Atenas, todas as atividades eram interrompidas em dias de espetáculo.

Os autores teatrais gregos escreveram peças que ainda hoje são montadas no mundo inteiro. Eles foram os inventores da comédia e da tragédia.

À esquerda, máscara representando a tragédia; à direita, máscara representando a comédia.

ESCUTAR E FALAR

Grupo teatral encenando tragédia grega na cidade de Berlim, Alemanha. Fotografia de 2018.

Vamos encenar! Ensaiem e contem em três minutos uma história só por gestos, sem dizer nenhuma palavra. Pode ser uma comédia ou uma tragédia. Os colegas vão adivinhar o conteúdo da história.

Produção pessoal.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Consegui atrair a atenção dos colegas?

2. Interpretei bem?

3. Consegui comunicar a mensagem?

Ainda que tenha se convencionado a apresentação de O casaco encantado, de Lúcia Benedetti, no ano de 1948, em São Paulo, como marco de surgimento do teatro para crianças no Brasil, um espetáculo no qual desde o texto dramático até os figurinos e horários de apresentação [buscavam] contemplar um público eminentemente infantil, Lothar Hessel, em seu estudo Teatro no Rio Grande do Sul (1999), nos traz a notícia de que no ano de 1847, foram encenadas três peças teatrais destinadas ao público infantil

29/09/25 14:45

e, em 1887, na cidade de Porto Alegre, dentre as tantas agremiações de teatro amador, surge a Sociedade Dramática Infantil. [...]

FERREIRA, Taís. Teatro para crianças: encenações e estéticas. Salvador: UFBA, Escola de Teatro; Superintendência de Educação a Distância, 2023. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/ capes/736708/2/eBook_Teatro_para_ Crianças_Encenações_e_Estéticas_SEAD -UFBA_c.pdf. Acesso em: 11 mar. 2025.

VÍDEO. TEATRO como ferramenta pedagógica. 2014. Vídeo (12min11s). Publicado pelo canal TV e Rádio Unisinos. Disponível em: https://youtu. be/VTNKTyi_Y9A. Acesso em: 11 mar. 2025.

Com foco na inserção do teatro no ambiente escolar, o vídeo explora as potencialidades dessa prática no desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais dos estudantes.

LIVRO . ANDE, Edna; LEMOS, Sueli. Grécia: arte na Idade Antiga. São Paulo: Callis, 2011. O livro explora a arte da antiga Grécia por meio de textos e ilustrações, abordando a escultura, a arquitetura, a cerâmica e a pintura.

Professor, a seção Escutar e falar possibilita o trabalho com a competência geral 4

ENCAMINHAMENTO

Pode-se despertar o interesse dos estudantes pela língua de sinais perguntando a eles:

• Vocês já vivenciaram ou presenciaram uma cena de desrespeito relacionada à deficiência física ou intelectual?

• Vocês já viram pessoas se comunicando por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras)?

• Já repararam que em algumas produções audiovisuais é comum que uma pessoa comunique a mensagem em Libras?

• Vocês consideram isso importante?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Ressaltar a importância de desenvolver práticas de inclusão social no ambiente escolar e coibir a discriminação e as diferentes formas de preconceito.

• Fazer uma leitura compartilhada do texto e destacar a importância da existência do alfabeto manual de Libras.

• Destacar que o uso e o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais contribuem para a inclusão das pessoas com perda auditiva.

• Explicar que cada país possui a sua própria língua de sinais e que no Brasil essa língua se chama Libras.

Professor, o estudo da importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras) busca contemplar aspectos importantes do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei no 13.146/2015).

A LÍNGUA BRASILEIRA

DE SINAIS: LIBRAS

Um dos deveres de todos nós – crianças, adolescentes, adultos e idosos – é respeitar aquele que, por algum motivo, é diferente. Um exemplo são as pessoas que não podem falar ou ouvir.

Você consegue descobrir o nome a seguir?

• Dica: Personagem do folclore brasileiro protetor das florestas.

ATIVIDADES

1. Sensibilização e ampliação de conhecimentos dos estudantes. Professor, promova um momento de conversa sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Para isso, sugerimos apresentar o vídeo a seguir, que conta uma clássica história infantil com tradução em Libras: HISTÓRIAS em #Libras – Os três porquinhos. 2017. Vídeo (11min42s). Publicado pelo canal TV CES. Disponível em: https://www.youtube.com/

watch?v=mgSIYg-Astg. Acesso em: 15 jul. 2025.

2. Se fosse para você mandar uma mensagem de paz para a humanidade, como você faria? Desenharia, faria uma música, um poema? Faça em um cartaz e a apresente a seus colegas.

3. Em grupo, criem uma campanha pela não violência nas escolas e pelo respeito às diferenças.

Respostas:

2. e 3. Produções pessoais.

Curupira.
Alfabeto manual da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

No Brasil, as pessoas com deficiência auditiva se comunicam por meio da Língua Brasileira de Sinais, também conhecida como Libras. Essa língua possui uma estrutura própria e um alfabeto manual que é usado para comunicar e soletrar nomes de pessoas, lugares e endereços, por exemplo. Observe, nesta página e na página ao lado, o alfabeto manual da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Vamos descobrir o nome a seguir?

Elaborado com base em: Alfabeto de Libras e Configuração de Mãos. Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), Rio de Janeiro, 19 jun. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/ ines/pt-br/central-de-conteudos/publicacoes-1/ todas-as-publicacoes/alfabeto-manual-e -configuracao-de-maos. Acesso em: 27 jun. 2025.

• Dica: Personagem do folclore brasileiro, também chamada de “senhora das águas”. Iara.

TEXTO DE APOIO

A importância da Língua

Brasileira de Sinais

Ao contrário do que se imagina, a apresentação sinalizada do alfabeto oral (um empréstimo de outras línguas, em que as letras são dispostas manualmente de modo a escrever uma palavra), não é o modo principal de comunicação entre os surdos. Esta técnica é utilizada apenas para designar nomes de pessoas/ estabelecimentos, ou para explicar, em última tentativa, uma palavra que não tenha sido compreendida pelo receptor.

14:45

A comunicação em libras se dá através de sinais manuais e não manuais, cuja configuração segue “Gramática” específica: a posição e movimento da mão, o ponto de articulação do sinal, isto é, no corpo ou espaço de sinalização e as expressões faciais ou corporais. Santarosa (2000) afirma que “língua” designa um sistema específico de signos que é utilizado por uma comunidade para comunicação. Portanto, a Libras é uma língua [...] surgida entre os surdos brasileiros com o propósito de atender às necessidades

comunicativas de sua comunidade. [...] UZAN, Alessandra Juliana Santos et al. A importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua materna no contexto da escola do ensino fundamental. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, XII.; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, VIII., 2008, São José dos Campos. Anais […]. São José dos Campos: Universidade do Vale do Paraíba, 2008. Disponível em: https://www.inicepg. univap.br/cd/INIC_2008/ anais/arquivosINIC/ INIC1396_01_A.pdf. Acesso em: 21 jul. 2025.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. ALFABETO em Libras letra por letra com áudio – Vídeo Educativo. 2010. Vídeo (2min23s). Publicado pelo canal Ensinando meu filho. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=ns-MylNcEic. Acesso em: 13 mar. 2025.

O vídeo apresenta o Alfabeto Manual de Libras.

VÍDEO . APRENDA algumas expressões na linguagem dos sinais – Dia Nacional dos Surdos. 2016. Vídeo (2min). Publicado pelo canal Jornal O Popular. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=_ we-7ZyHW9g. Acesso em: 13 mar. 2025. O vídeo ensina sinais de palavras e expressões básicas em Libras, facilitando a comunicação com a comunidade surda.

| PARA O PROFESSOR

LIVRO. FÁVERO, Osmar et al . (org.). Tornar a educação inclusiva . Brasília, DF: Unesco, 2009. Disponível em: https://unesdoc. unesco.org/ark:/48223/ pf0000184683. Acesso em: 15 jul. 2025. A publicação discute os desafios e os caminhos para a construção de uma educação verdadeiramente inclusiva.

LIVRO. PEREIRA, Maria Cristina da Cunha et al Libras: conhecimento além dos sinais. São Paulo: Pearson, 2011. O livro apresenta a Língua Brasileira de Sinais (Libras), explicando suas características linguísticas e culturais. É voltado para educadores, estudantes e qualquer pessoa interessada em aprender mais detalhes sobre essa língua e sua importância.

TEXTO DE APOIO

O ensino de Libras para crianças ouvintes

Ao ensinar a Língua de Sinais para crianças, pretendemos oferecer a elas não somente as vantagens e os benefícios comprovados em pesquisas internacionais, mas [a possibilidade] de promover a Libras, de aprender sobre a cultura surda e, sobretudo, a possibilidade de poder se comunicar com seus pares diferentes, valorizando a diversidade desde a educação infantil. Resultou, então, o interesse de fazer um projeto com crianças ouvintes numa Escola de Educação Infantil. [...]

O projeto durou 01 ano. Foi realizado com crianças da educação infantil,

ATIVIDADE

• Leia a história em quadrinhos com atenção.

de uma escola para filhos de funcionários de uma Universidade Federal em São Paulo. Participaram do projeto cerca de 20 crianças, com idades de seis a sete anos, todas [...] ouvintes e filhos de pais ouvintes. Eles tinham aula uma vez por semana, com duração de uma hora. No total foram 25 aulas.

[...]

As crianças tiveram momentos de sensibilização para outras deficiências, o que foi bastante produtivo para conscientizá-los sobre as diferenças e de que é legal ser diferente. Tivemos o cuidado

de mostrar aos alunos, através de fotos, imagens, vídeos e livros, seus colegas com deficiência. [...] Também assistiram a filmes com histórias infantis em Libras e depois tentavam reproduzir a [história] em Libras para os colegas. A música em Libras também foi outra estratégia usada com as crianças. CRIANÇAS ouvintes aprendem Libras. Nova Escola, 6 mar. 2018. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/5266/ alfabetizacao-em-libras-amplia -vocabulario-de-criancas-ouvintes. Acesso em: 15 jul. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Mauricio de Sousa. Humberto em: Aprendendo a falar com as mãos! Revista Turma da Mônica, n. 239, maio 2006. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2006.

a) Consulte as páginas anteriores e descubra o que Humberto disse.

Amo vocês.

b) Tente passar uma mensagem curta para um colega usando o alfabeto da Língua Brasileira de Sinais. Depois, ele passa uma para você.

Resposta pessoal.

TEXTO DE APOIO

Criança aprende Libras para poder se comunicar com os pais

Manuela Armstrong Martins, de 2 anos, já fala e tem uma audição perfeita. Há 1 ano ela começou a aprender os primeiros gestos na Língua Brasileira de Sinais (Libras) com a própria mãe, Thatyane Martins, e hoje não há barreiras na comunicação da família que mora em Campo Grande (MS).

De acordo com o pai de Manu, Ralf Amorim Armstrong, de 34 anos, ele ficou emocionado quando a filha começou a

29/09/25 14:45

se comunicar em Libras antes mesmo de completar o primeiro ano de vida.

[...]

Ralf lembra que ficou muito contente, porque viu o esforço da filha, tão pequena, tentando falar com os pais na língua deles. CABRAL, Alexandre; DIAS, Flávio. Menina de 2 anos aprende libras para comunicar-se com pais deficientes auditivos em MS. G1, 21 set. 2018. Disponível em: https:// g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/ noticia/2018/09/21/menina-de-2-anos -aprende-libras-para-comunicar-se-com-pais -deficientes-auditivos-em-ms.ghtml. Acesso em: 15 jul. 2025.

Professor, a atividade b configura uma ótima oportunidade para o trabalho com a competência geral 4.

| PARA O ESTUDANTE | E O PROFESSOR

VÍDEO . SINAL de capoeira em Libras. 2024. Vídeo (1min48s). Publicado pelo canal Patrimônio em Libras. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=FfmnhL_SaZ0. Acesso em: 18 jul. 2025. Vídeo sobre capoeira realizado por projeto ligado à Secretaria de Cultura do Recife. Narrado em Língua Brasileira de Sinais e legendado em português.

LIVRO. GESSER, Audrei. Libras? Que língua é essa? São Paulo: Parábola Editorial, 2009. Obra que apresenta um panorama informativo sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Reprodução da capa.

TEXTO DE APOIO

Línguas indígenas de sinais

Desde 2002, quando foi reconhecida como a “Língua Legal da Comunidade Surda do Brasil”, através da Lei Federal n o 10.436/02, a Língua Brasileira de Sinais – Libras vem ganhando mais visibilidade ao longo dos anos. Essa lei gerou o fortalecimento identitário dos surdos das regiões urbanas brasileiras, classificando a Língua Brasileira de Sinais como “meio legal de comunicação e expressão e outros recursos de expressão a ela associados”. Essa foi uma grande conquista para surdos não indígenas do país. Entretanto, devemos lembrar que existem também muitas línguas indígenas orais em nosso país (em torno de 180), e, portanto, é muito provável que existam igualmente muitas línguas indígenas de sinais nas comunidades indígenas onde existam surdos. [...] São elas as línguas de sinais: Ka’apor, Sateré-Mawé, Guarani Kaiowá, Terena, Kaingang, Surui Paiter, Akwe-Xerente, Pataxó,

VOCÊ LEITOR!

Leia o texto a seguir.

“O Rafael ficava muito sozinho fazendo as atividades, não brincava nem nada, então a gente sentiu que deveria falar com ele”, conta sua colega de sala Emilly dos Santos. Para poder se comunicar com o novo aluno Rafael Pereira, que é surdo, os estudantes mobilizaram todo o colégio e conseguiram conquistar as aulas de Libras [...].

Diante desse contexto, os estudantes tiveram uma ideia: “e se nós também aprendêssemos a falar por meio de sinais [...]?” A partir de conversas com a intérprete [de Libras] Juliana, com a professora de português [...] e com direção da escola, os alunos conseguiram que fosse incluída na grade curricular da classe uma aula de Libras por semana. “Primeiro aprendemos o alfabeto e os números, depois os meses, as cores, os materiais e outros sinais. Então começamos a conversar mais com o Rafael e não deixar mais ele sozinho”, explica Emilly.

[...]

[...] “Agora todo mundo está envolvido”, conta Emilly. E completa: “hoje o Rafael participa de todas as atividades. Ele sempre está no meio aprendendo e ensinando a gente. Quando fazemos algum sinal errado, por exemplo, ele nos corrige”.

Vanessa Ribeiro. Libras: a voz do silêncio. Criativos da escola, 2 fev. 2017. Disponível em: https://ins.criativosdaescola.com.br/libras-voz-do-silencio/. Acesso em: 21 maio 2025.

1. Escreva as respostas no caderno:

a) O que levou os colegas de Rafael a se preocuparem com ele?

O fato de Rafael viver isolado dos colegas por ser surdo e se comunicar em Libras.

b) O que os estudantes fizeram para “incluir” Rafael nas atividades feitas pela classe?

2. Qual foi a consequência da ação conjunta dos colegas de Rafael visando à sua inclusão? Registre sua resposta no caderno.

Os estudantes se movimentaram e conseguiram o apoio dos professores e da direção para passar a ter uma aula de Libras por semana. comunicar com os colegas, sentir-se incluído e participar das atividades feitas pelo grupo. Rafael pôde se

3. Emilly disse: “Quando fazemos algum sinal errado, por exemplo, ele nos corrige”. Responda no caderno: O que se pode inferir dessa frase?

Resposta pessoal. Professor, destacar que Rafael assume a condição de sujeito na construção do conhecimento e passa a trocar informações e saberes com os colegas.

língua encontrada em Belém (provavelmente, de indígenas citadinos) e em Ororubá. [...]

[...]

Uma língua indígena de sinais um pouco mais conhecida no país é a Língua de Sinais Ka’apor Brasileira (LSKB) [...]. Essa língua surgiu, pelo que se sabe, durante a década de 1960, quando ocorreu um surto de bouba neonatal, que ocasionou surdez em todos os recém-nascidos; espontaneamente, pais e parentes criaram uma língua de sinais para interagirem com seus bebês e, com

isso, praticamente toda a comunidade se tornou bilíngue, em língua oral e em língua de sinais.

SOARES, Priscilla Alyne Sumaio; FARGETTI, Cristina Martins. Línguas indígenas de sinais: pesquisas no Brasil. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, Campinas, v. 22, n. 4, p. 4-5, 2022. Disponível em: https://periodicos. sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/ article/view/8667592/29422. Acesso em: 15 jul. 2025.

Rafael na escola. Itapeva (SP), 2017.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
PARÁBOLA

Leia o que dizem os artigos 4o e 67 do Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Art. 4o Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades [...] e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

[...]

Art. 67. Os serviços de radiodifusão de sons e imagens devem permitir o uso dos seguintes recursos, entre outros: I – subtitulação por meio de legenda oculta; II – janela com intérprete da Libras; III – audiodescrição.

Brasil. Estatuto da Pessoa com Deficiência. Brasília, DF: Senado Federal; Coordenação de Edições Técnicas, 2015. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/ bitstream/handle/id/513623/001042393.pdf. Acesso em: 21 maio 2025.

Intérprete de Libras mostrando a letra C. Salvador (BA), 2024.

1. Os recursos descritos nos itens I, II e III devem ser disponibilizados pelas emissoras de televisão para possibilitar que as pessoas com deficiência auditiva ou visual tenham acesso ao conteúdo veiculado.

1. Responda no caderno: Por que os recursos descritos nos itens I, II e III devem ser disponibilizados pelas emissoras de televisão?

2. Pesquise como funciona o recurso da audiodescrição. No caderno, explique a importância desse recurso para uma pessoa com deficiência visual.

2. A audiodescrição traduz imagens em palavras. É um recurso fundamental para que pessoas com deficiência visual ou com baixa visão possam compreender conteúdos audiovisuais, como filmes e eventos.

PARA VOCÊ LER

• Walcyr Carrasco. Daniel no mundo do silêncio. Guarulhos: Editora Pitanguá, 2021.

O garoto Daniel perdeu a audição aos 7 anos. Com isso, ele aprendeu uma nova maneira de se comunicar. A obra trata do respeito às diferenças e do combate ao preconceito.

TEXTO DE APOIO

Inclusão e representatividade nos quadrinhos

Muito se discute sobre  inclusão e representatividade, mas pouco se faz. No caso de personagens com deficiência auditiva, são poucos os exemplos que temos – o que não significa que não tenhamos representantes muito importantes para a comunidade surda.

Sapheara e Blue Ear (Marvel Comics) [Essa editora] sempre esteve mais por dentro de questões sociais e representação inclusiva, quando falamos de

Reprodução da capa.

quadrinhos de super-heróis. [...] Certa vez, um jovem garoto reclamou que não via nenhum herói com aparelhos auditivos, e assim, a editora criou Blue Ear e Sapheara.

Esquadrão Surdo (Signs and Voices) Porém, outra história ainda mais interessante que deve ser levada em conta é a de  Signs and Voices, um quadrinho britânico publicado pela Deaf Power Publishing House, uma editora composta [de] pessoas surdas, que produzem conteúdo escrito para a comunidade e para a conscientização de pessoas ouvintes.

Eco (Marvel Comics)

Criada por Joe Quesada e David Mack no título do  Demolidor, a heroína conhecida como Eco é uma das maiores representantes surdas na mídia, tendo sido alvo de várias campanhas de inclusão durante suas primeiras aparições. [...].

FIAUX, Gus. 10 heróis da ficção que possuem deficiência auditiva! Legião dos Heróis, [20--]. Disponível em: https:// www.legiaodosherois.com. br/lista/10-herois-da-ficcao -que-possuem-deficiencia -auditiva.html. Acesso em: 15 jul. 2025.

ATIVIDADES

O alfabeto manual de Libras é usado, por exemplo, para comunicar nomes de pessoas, lugares e endereços que não possuem um sinal próprio em Libras. Pesquisem e consultem o alfabeto manual para falar, em Libras, qual é seu nome ao colega. Resposta: Resposta pessoal.

VOCÊ CIDADÃO!

Professor, o conteúdo desta seção, ao trabalhar com trechos do Estatuto da Pessoa com Deficiência, possibilita a abordagem de questões relacionadas à cidadania e ao Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Vida familiar e social Além disso, tanto esta seção quanto a seção da página anterior (p. 104) buscam contemplar o Decreto n o 7.611/2011, que dispõe sobre o Atendimento Educacional Especializado (AEE).

ENCAMINHAMENTO

Para dar início a uma aula dialogada, solicitar aos estudantes que observem as imagens e, a seguir, perguntar a eles:

• O que vocês veem na imagem maior?

• O problema mostrado nessa imagem é grave?

• E nas duas outras imagens da página, o que vocês veem?

• Que relação há entre uma e outra?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Evidenciar a relação de causa e efeito entre as imagens.

• Propor uma reflexão sobre a poluição do ar e suas consequências para a saúde humana.

• Verificar se alguns dos problemas mostrados nas imagens também ocorrem no município onde está a escola.

ATIVIDADES

Com os colegas, listem os problemas ambientais que vocês consideram mais graves em seu município e escrevam um pequeno texto sobre o assunto.

Resposta: Produção pessoal.

DEBATES DO NOSSO TEMPO

No Brasil de hoje, temos muitos desafios a superar, entre eles: o trânsito intenso, a poluição do ar, a insegurança em espaços públicos e suas consequências para as crianças. Observe as fotografias a seguir.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. ON LINE EDITORA. Poluição do ar, da água e sonora. Barueri: On Line Editora, 22 set. 2023. (Coleção Vamos salvar o planeta).

Obra que incentiva a adoção de atitudes sustentáveis para a preservação ambiental, destacando o papel de cada indivíduo na construção de um futuro mais equilibrado.

Reprodução da capa.

Tráfego de veículos na cidade de São Paulo (SP). Fotografia de 2024.
Poluição do ar em área industrial na cidade de Caçador (SC). Fotografia de 2024.
Criança com problemas respiratórios sendo atendida em hospital. Fotografia de 2022.

No plano individual, os desafios também são muitos. Um deles é praticar aquilo que é ético, que é justo, por exemplo:

• não furar fila;

• não usar a ficha de um lanche para obter dois lanches;

• devolver o troco que recebeu errado;

• não culpar um colega por algo que a gente também fez (“foi ele”, “foi ela”, em vez de “fomos nós”);

• devolver um objeto achado dentro da sala de aula.

ATIVIDADES

Tia, a senhora me devolveu troco a mais.

2. a) Na cena, a menina percebe que a funcionária ou a dona da cantina devolveu a ela um valor maior do que devia.

| PARA O PROFESSOR

1. Você já viu alguém culpar um colega por algo que essa pessoa também fez? O que você pensa sobre isso?

Respostas pessoais.

2. Observe a ilustração ao lado, que mostra uma cena na cantina de uma escola. Responda no caderno:

a) O que está acontecendo na cena?

b) A atitude da menina é justa? Por quê?

Espera-se que os estudantes digam que sim, uma vez que o correto, em um caso como esse, é devolver o valor a mais que tenha recebido.

VÍDEO. PSICOLOGIA do desenvolvimento – Aula 21 – Educação em valores. 2015. Vídeo (15min25s). Publicado pelo canal Univesp. Disponível em: https://youtu.be/nPh9ohtxi3g. Acesso em: 15 jul. 2025. Aula da Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Aborda como o ambiente escolar é importante para o desenvolvimento de princípios éticos entre os estudantes.

ATIVIDADES

29/09/25 14:45

1. Em grupo. Cada grupo vai encenar uma das seguintes ações: não furar fila; não usar a ficha de um lanche para obter dois lanches; devolver o troco que recebeu errado; não culpar um colega por algo que a gente também fez; devolver um objeto achado dentro da classe. Professor, além de propor a apresentação das cenas para a própria turma, é interessante sugerir aos

estudantes que encenem às outras turmas da escola. Esta atividade auxilia no desenvolvimento da habilidade (EF05HI09).

2. Para promover a cultura da paz, precisamos cultivar a tolerância, o respeito ao outro, o diálogo e a solidariedade. Sabendo disso, complete cada frase com as palavras ou expressões a seguir: respeito ao outro; solidariedade; diálogo; tolerância.

a) “Conversa com o objetivo de chegar a um entendimento” é o significado de ******.

b) ***** é o respeito pela maneira de pensar e de agir de uma pessoa.

c) ********** é a disposição de ajudar quem precisa.

d) Admitir, nos outros, maneiras de agir e de sentir diferentes ou divergentes das nossas é ********.

Respostas:

a) diálogo; b) respeito ao outro; c) solidariedade; d) tolerância.

Fila para atendimento em posto de saúde da cidade de São Paulo. Fotografia de 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar a aula propondo uma roda de conversa. Perguntar aos estudantes:

• Vocês usam o “internetês” para se comunicar com os amigos?

• E em português, vocês se expressam com fluência e correção?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Escutar, filtrar e comentar a fala dos estudantes.

• Chamar a atenção para a importância da norma-padrão da língua na vida em sociedade.

• Estimular um debate sobre os espaços e os momentos em que se pode utilizar o “internetês”.

• Evidenciar a beleza e a riqueza do português falado no Brasil.

• Aprofundar o assunto acessando o artigo: SOUZA, Luciene Pinheiro de; DEPS, Vera Lucia. A linguagem utilizada nas redes sociais e sua interferência na escrita tradicional: um estudo com adolescentes brasileiros. In: CONGRESSO INTERNACIONAL TIC E EDUCAÇÃO, 2., [2012]. Lisboa: Universidade de Lisboa, [2012]. Disponível em: https://pt.scribd.com/ document/383833765/ a-linguagem-utilizada -nas-redes-sociais-e -sua-interferencia-na -pdf. Acesso em: 15 jul. 2025.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO. LÍNGUA portuguesa e internet. 2015. Vídeo (26min14s). Publicado pelo canal Conexão Futura. Disponível em: https://youtu.be/YTJm 9guRQSQ. Acesso em: 15 jul. 2025.

A seguir, vamos apresentar alguns debates do nosso tempo.

O USO DO “INTERNETÊS”

Vimos que, com a internet, muitos jovens passaram a usar uma variação da língua portuguesa para se comunicar, o “internetês”. Vamos apresentar duas visões a respeito de seu uso no cotidiano.

Fonte 1

[...] Segundo Wilma Ramos, professora de português e escritora, essa linguagem prejudica o rendimento escolar e pode resultar em prejuízos profissionais. [...]

“Os jovens criaram uma linguagem paralela que mata o padrão da língua portuguesa, com abreviaturas que nunca existiram. Parece que não há limites para tantos erros de ortografia [...]. O uso do internetês pode prejudicar o futuro profissional e a vida acadêmica”, afirma Wilma Ramos.

[...] “As abreviaturas se tornaram tão comuns que tem gente usando o ‘vc’ e o ‘pq’, por exemplo, sem sequer notar o erro. A pessoa precisa [...] escrever conforme as normas cultas até na internet porque o perfil online pode ser pesquisado em uma seleção de emprego”, destaca.

Miga, vc vem no meu níver? Vai ser top.

Marina Fontenele. "Uso do internetês pode prejudicar futuro profissional", diz especialista. G1, 23 out. 2013. Disponível em: https://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2013/10/ uso-do-internetes-pode-prejudicar-futuro-profissional-diz-especialista.html. Acesso em: 22 maio 2025. Acadêmico: referente à universidade.

ATIVIDADE

• Responda no caderno: Qual é a posição da professora Wilma Ramos em relação ao uso do “internetês”?

Ela considera que o uso do “internetês” prejudica o rendimento escolar e pode prejudicar a vida na universidade e a conquista de um emprego.

O vídeo aborda a comunicação escrita e falada quando intermediada pela tecnologia.

ATIVIDADES

1. Roda de conversa . Formem uma roda: Vamos debater se o uso do “internetês” pode prejudicar o aprendizado da Língua Portuguesa. Manifestem e defendam argumentos sobre essa questão. Ouçam com atenção às falas dos colegas.

2. Vocês consideram que passar muitas horas na internet prejudica o desempenho escolar? Por quê?

Respostas:

1. Respostas pessoais.

2. Sim, passar muitas horas na internet pode prejudicar o desempenho escolar, pois reduz o tempo de estudo e afeta a concentração. O uso excessivo também pode causar ansiedade, sono irregular e desmotivação.

Menino usando o computador para se comunicar. Fotografia de 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Fonte 2

[…] estudos da Universidade Federal de Juiz de Fora [...] mostram que adolescentes e pré-adolescentes não usam o  net speak [“internetês”] na escola, ou em outros ambientes onde a norma culta [norma-padrão] é exigida. [...]

Tanto é que ficou comprovado que [...] não houve prejuízo do conhecimento da norma culta, [...]. Pelo contrário, essa primeira geração [...] de  net speakers passou a ler e escrever mais, pela facilidade e agilidade em se comunicar. Afinal, quando você manda uma mensagem em uma rede social e recebe uma resposta, está exercitando a leitura e a escrita. [...]

Paula Piffer. Net speak: a linguagem da internet prejudica o aprendizado? Blog Leiturinha, 11 set. 2019. Disponível em: https://leiturinha.com.br/ blog/net-speak-a-linguagem-da-internet-prejudica -o-aprendizado/. Acesso em: 22 maio 2025.

ATIVIDADES

Com ctz, vou estrear uma bota que ganhei da mamãe.

1. Para os autores desse estudo, o “internetês” não influencia negativamente o aprendizado da norma-padrão da língua, pois os internautas não o utilizam em uma redação ou em situações nas quais a norma-padrão é exigida.

1. Responda no caderno: A que conclusão chegou esse estudo da Universidade de Juiz de Fora sobre o uso do “internetês”?

2. Copie no caderno a alternativa correta: O ponto de vista da professora Wilma (no texto da fonte 1) e o dos autores do estudo feito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (fonte 2) são:

a) divergentes.

b) coincidentes.

c) iguais.

d) semelhantes.

3. Reflitam, debatam e opinem: Vocês consideram o “internetês” prejudicial ao aprendizado da língua portuguesa? Por quê?

ATIVIDADES

Em grupo. Formem dois grupos para debate: um grupo de “advogados de defesa” do “internetês” e outro de “advogados de acusação”. Argumentem expondo os aspectos positivos ou negativos do uso dessa forma de comunicação, sempre prestando atenção e respeitando o momento de o grupo adversário falar. Professor, é interessante sugerir uma organização diferente da sala

Alternativa a. Respostas pessoais.

de aula para o desenvolvimento da atividade. Esta atividade quer contribuir para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI09).

Professor, na atividade 1, segundo o estudo da UFJF, os internautas sabem onde e quando usar o “internetês”. Uma estratégia possível para que os estudantes compreendam esse ponto de vista é compará-lo ao uso de trajes de acordo com a situação. Exemplo: sunga e biquíni para banho de praia; esporte chique para um encontro com amigos; terno ou vestido longo para um casamento. Embora a questão seja polêmica, outros estudos apontam para a mesma direção, ou seja, os jovens brasileiros passaram a ler e escrever mais, pela agilidade e facilidade em se comunicar. Passaram, assim, a exercitar mais a escrita por meio do envio e da recepção de mensagens. Na atividade 3, é interessante estimular os estudantes a argumentar em defesa de um ponto de vista, trabalhando, assim, a competência geral 7. Aproveite para destacar a importância do uso da norma-padrão da língua na vida em sociedade.

Menina usando o computador para se comunicar. Fotografia de 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para dar início a uma aula dialogada, pode-se perguntar:

• Para vocês, o que é bullying?

• Vocês já presenciaram alguma situação em que identificaram a prática de bullying ? Como foi?

• Vocês já sofreram bullying ? O que sentiram?

• Vocês já praticaram bullying? Se sim, como acham que a pessoa atingida se sentiu?

• Já ouviram falar em cyberbullying?

Em seguida, como encaminhamento, sugere-se:

• Propor a leitura compartilhada do texto em voz alta.

• Caracterizar as situações do bullying (apelido, agressão física, esconder algum objeto de um colega).

• Informar que o bullying pode ter graves consequências: as vítimas podem entrar em depressão e até mesmo desistir de frequentar a escola.

• Ressaltar que o bullying se tornou um grande problema a ser enfrentado e que combatê-lo depende de cada um de nós.

TEXTO DE APOIO

Bullying: como identificar? Muitos educadores se perguntam constantemente: na escola, o que caracteriza o bullying ? Como agir diante uma situação de agressão entre os alunos? Para respondermos a essas questões, [apresentamos] uma síntese da caracterização do fenômeno:

O

COMBATE AO BULLYING

O termo bullying tem origem na língua inglesa e significa “intimidar”. O bullying ocorre quando: há intenção de ferir a vítima; a agressão/exclusão é constante; há presença de um público espectador; e a vítima se considera agredida e/ou excluída.

As reportagens e os cartazes, nesta e na próxima página, tratam do assunto.

Dar apelidos, zombar de característica física ou traço racial, usar um colega como personagem constante de piadas: atitudes como essas, muitas vezes tidas como brincadeiras, são, na verdade, bullying. [...]

“Os pais não podem achar que seus filhos nunca vão sofrer essa violência. Ou pior, que seus filhos nunca vão praticar bullying. É preciso educar essas crianças, conversar com elas. Da mesma maneira, a escola não pode deixar de ensinar sobre bullying por achar que seus alunos nunca vão praticá-la ou sofrer com ela” [diz] Ana Paula Siqueira, presidente da Associação SOS Bullying.

Emily Santos. Não é brincadeira, é bullying: entenda comportamentos que configuram crime e saiba como agir. G1, 7 abr. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2024/04/07/ nao-e-brincadeira-e-bullying-entenda-comportamentos-que-configuram-crime-e-saiba-como-agir.ghtml. Acesso em: 22 maio 2025.

a) Envolve um comportamento agressivo com intenção de causar dano. Porém, este se configura quando a provocação é repetida e tem um caráter degradante e ofensivo, quando é mantida apesar da emissão de sinais claros de oposição e desagrado por parte do alvo.

b) É emitido repetidamente e durante um tempo, sendo excluídas de sua definição as ações negativas ocasionais. Ser um agressor ou uma vítima é algo que pode durar por um longo tempo, frequentemente por vários anos.

c) Constitui-se existir num relacionamento interpessoal caracterizado por

um desequilíbrio de forças, que pode ocorrer de várias maneiras: o alvo da agressão pode ser fisicamente mais fraco, pode perceber-se como física ou mentalmente mais fraco que o perpetrador ou pode existir uma diferença numérica, com vários estudantes agindo contra uma única vítima.

[...] Outra característica a ser observada é que os comportamentos de bullying podem ocorrer de duas formas, direta e indireta, ambas aversivas e prejudiciais ao psiquismo da vítima. “A direta inclui agressões físicas (bater, chutar, tomar pertences) e verbais

Cartaz de campanha de combate ao bullying produzido pela Prefeitura de Muzambinho (MG), 2019.

DIA NACIONAL DE COMBATE AO BULLYING E À VIOLÊNCIA NA ESCOLA

Para combater a prática [do bullying], o Ministério da Educação criou o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, celebrado em 7 de abril. O objetivo é dar visibilidade e reforçar a importância da conscientização sobre o problema. Os casos de bullying em instituições de ensino aumentaram 67% no ano passado [2024], segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos. Foram registradas 2.346 denúncias em 2024, contra 1.399 em 2023. Um estudo divulgado no último ano pela Organização Mundial da Saúde apurou que uma em cada seis crianças de 11 a 15 anos admitiu ter sofrido bullying na internet em 2022.

Tatiana Alves. Dia 7 de Abril marca luta contra o bullying e a violência nas escolas. RadioAgência, 7 abr. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/ radioagencia-nacional/seguranca/audio/2025-04/dia-7 -de-abril-marca-luta-contra-o-bullying-e-violencia-nas -escolas. Acesso em: 22 maio 2025.

ESCUTAR E FALAR

Cartaz que circulou na internet de campanha de combate ao bullying lançada pela SaferNet e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 2019.

Depois de terem escutado e conversado sobre bullying e a importância do combate a essa prática, organizem-se em grupos e proponham sugestões para melhorar o relacionamento entre os estudantes de sua escola. Apresentem o resultado das suas reflexões aos demais colegas e ao professor.

Respostas pessoais.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas escutaram o que eu disse?

2. Pronunciei as palavras corretamente?

3. Consegui atrair a atenção dos colegas?

4. Colaborei para refletir sobre ações de combate ao bullying?

(apelidar de maneira pejorativa e discriminatória, insultar, constranger); a indireta talvez seja a que mais prejuízo provoque, uma vez que pode criar traumas irreversíveis. Esta última acontece através de disseminação de rumores desagradáveis e desqualificantes, visando à discriminação e exclusão da vítima de seu grupo social”.

BARROS, Paulo Cesar de. Jogos e brincadeiras na escola: prevenção do bullying entre crianças no recreio. 2012. 150 f. Tese (Doutorado em Estudos da Criança, Especialidade de Educação Física, Lazer e Recreação) – Universidade do

14:45

Minho, Instituto de Educação, 2012. p. 41-42. Disponível em: https://core.ac.uk/ download/pdf/55623365.pdf. Acesso em: 15 jul. 2025.

Professor , a Lei n º 13.185, de 6 de novembro de 2015, institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying): Art. 4º Constituem objetivos do Programa referido [...]

I – prevenir e combater a prática da intimidação sistemática (bullying) em toda a sociedade;

II – capacitar docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema;

III – implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação; [...].

BRASIL. Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: https://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2015 -2018/2015/lei/l13185.htm. Acesso em: 15 jul. 2025. Professor , a seção Escutar e falar possibilita o trabalho com as competências gerais 8 e 9.

DIALOGANDO COM LÍNGUA

PORTUGUESA, GEOGRAFIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA

Pedir aos estudantes que façam uma leitura silenciosa do trecho da reportagem e, a seguir, perguntar a eles:

• De qual trecho da reportagem vocês gostaram mais?

• Escrever cartas e enviar doações às crianças afetadas pelas chuvas são atitudes importantes? Por quê?

Professor , a leitura do texto permite aprofundar e retomar o trabalho com valores como empatia e solidariedade, muito importantes na formação da criança e na prática da cidadania. E, ao mesmo tempo, essa leitura traz para a sala de aula a realidade dos estudantes (por meio de seus depoimentos). Ajuda o alunado, ainda, a formar o conceito de cidadania (com base nas ações cidadãs praticadas por Lis e Cecília), contribuindo para o desenvolvimento da habilidade (EF05HI04). Contribui também para a compreensão do conceito de desastre natural e mobiliza a habilidade (EF05GE03) Identificar as formas e funções das cidades e analisar as mudanças sociais, econômicas e ambientais provocadas pelo seu crescimento.

Ao proporcionar que os estudantes reflitam e selecionem argumentos sobre o papel da

DIALOGANDO

LÍNGUA PORTUGUESA, GEOGRAFIA E CIÊNCIAS

Leia o trecho de reportagem a seguir com atenção.

Cartas e mensagens

Palavras de incentivo, amor e esperança. Essa é a mensagem enviada para crianças atingidas [por um desastre natural no Rio Grande do Sul, ocorrido em abril e maio de 2024, que causou alagamentos em diversas áreas do estado]. Em meio a tantas ações de solidariedade aos gaúchos, crianças de diferentes partes do Brasil estão enviando cartinhas e brinquedos.

Em uma escola de Belo Horizonte a missão dos estudantes, nesta semana, foi arrecadar brinquedos para crianças afetadas pelas chuvas. Lis Rosa Passos, de oito anos, separou bonecas e bichos de pelúcia e, ainda, escreveu uma carta para os pequenos gaúchos.

Criança escrevendo carta para ser enviada ao estado do Rio Grande do Sul. Fotografia de 2024.

“Estou doando com carinho esses brinquedos que tanto me fizeram feliz. Agora é a vez de vocês brincarem com eles. Eu e meus colegas de sala estamos rezando para todos vocês. E que o sol logo apareça iluminando tudo. Um forte abraço, Lis, de Belo Horizonte, Minas Gerais”.

[...]

O espírito de solidariedade também tomou conta da Cecília Gontijo Miranda, de 10 anos.

“Estava arrumando minha mochila e eu fiquei muito comovida com o assunto do Rio Grande do Sul, aí eu pensei em fazer uma cartinha pra pessoa que for abrir a mochila pegar e se sentir importante, sentir-se legal, sentir que depois de tudo isso com certeza ela vai ter a sua casa de novo. Eu fiquei muito feliz porque dentro de mim eu sentia que alguém ia ler a cartinha [e] ia ficar muito feliz”, conta.

Victor Veloso. Cartinhas e brinquedos: crianças se sensibilizam e fazem doações para o Rio Grande do Sul. CBN – Belo Horizonte, 8 maio 2024. Disponível em: https://cbn.globo.com/programas/cbn-bh/ noticia/2024/05/08/cartinhas-e-brinquedos-criancas-se-sensibilizam-e-fazem-doacoes-para-o-rio-grande -do-sul.ghtml. Acesso em: 22 maio 2025.

cobertura vegetal, a seção mobiliza a habilidade (EF05CI03) Selecionar argumentos que justifiquem a importância da cobertura vegetal para a manutenção do ciclo da água, a conservação dos solos, dos cursos de água e da qualidade do ar atmosférico.

O trabalho com a seção favorece, ainda, a reflexão sobre a linguagem e seus usos no cotidiano (com o exemplo da escrita de cartas pelas

crianças, mostradas na reportagem) e ajuda a desenvolver a seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF03LP12) Ler e compreender, com autonomia, cartas pessoais e diários, com expressão de sentimentos e opiniões, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, de acordo com as convenções do gênero carta e considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. Favorece, também, o trabalho com a competência geral 1.

29/09/25

1. Responda no caderno.

1. a) Doar brinquedos e enviar cartinhas (acompanhando as doações) para as crianças gaúchas afetadas pelas inundações. Ruas alagadas no bairro Guarujá, na cidade de Porto Alegre (RS), 2024.

a) Qual foi a ideia que Lis e Cecília, as crianças citadas na reportagem, tiveram para ajudar as crianças gaúchas?

b) Você acha que, ao colocarem sua ideia em prática, as crianças citadas na reportagem praticaram a cidadania? Explique.

2. Roda de conversa. Você já participou com sua família ou comunidade de uma doação de brinquedos? Se a resposta for não, gostaria de participar?

Professor, orientar sobre a importância de ações cidadãs como as praticadas por Lis e Cecília.

3. Vimos que o estado do Rio Grande do Sul vivenciou, entre abril e maio de 2024, um desastre natural.

Produção pessoal.

a) Em casa, com a ajuda de um adulto, pesquise o significado do termo desastre natural.

b) Depois, escreva no caderno o significado desse termo.

c) Com base em seus conhecimentos, responda no caderno: O modo como os seres humanos ocupam o espaço é um dos responsáveis por desastres naturais? Por quê?

4. Produção pessoal. Professor, sugerimos uma interface com Língua Portuguesa, de modo a

4. Escreva no caderno uma carta a algum conhecido de quem você goste muito. Pode ser um familiar, um amigo, um professor... A mensagem da carta pode ser a importância da solidariedade no caso de um desastre natural.

ajudar os estudantes a construírem a noção do gênero textual carta. Usar como matéria-prima a carta a ser produzida pelos estudantes a um conhecido querido.

5. Além da chuva intensa, outros fatores contribuíram para os alagamentos no estado do Rio Grande do Sul em 2024. Um deles está relacionado à cobertura vegetal. Pensando nisso, copie, no caderno, entre os argumentos a seguir, aquele que melhor explica a relação entre a cobertura vegetal e os alagamentos.

Alternativa b

a) O excesso de cobertura vegetal faz com que o solo retenha mais água, o que causa alagamentos.

b) A falta de cobertura vegetal deixa o solo exposto, o que reduz a capacidade de absorção de água, provocando alagamentos.

1. b) Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes respondam que sim. As crianças mineiras escreveram cartinhas às crianças gaúchas, enviadas juntamente com as doações de brinquedos, e com isso exercitaram atitudes cidadãs. Essas atitudes estão relacionadas com as ideias de empatia, solidariedade e ajuda mútua.

29/09/25 14:46 | PARA O PROFESSOR

ARTIGO. GERAQUE, Eduardo. Estudo mapeia as causas e as circunstâncias que ocasionaram em 2024 a maior tragédia ambiental do RS. Jornal da Unesp, 20 maio 2025. Disponível em: https://jornal.unesp.br/2025/05/20/ estudo-do-cemaden-mapeia-as-cau sas-e-as-circunstancias-que-ocasio naram-em-2024-a-maior-tragedia -ambiental-do-rs/. Acesso em: 15 jul. 2025.

Reportagem que aborda as causas da tragédia ambiental de 2024 no Rio Grande do Sul.

ARTIGO. OLIVEIRA, Rafael Camargo de. Carta: estrutura, tipos e linguagem. Mundo Educação, [20--]. Disponível em: https://mundoeducacao. uol.com.br/redacao/carta.htm. Acesso em: 26 maio 2025.

No item a da atividade 3, destacar que um desastre natural é um evento natural extremo que causa danos significativos à sociedade, como destruição, perda de vidas e impactos ambientais profundos. Esses eventos podem incluir terremotos, inundações, erupções vulcânicas, deslizamentos de terra, furacões e outros fenômenos climáticos extremos.

No item c da atividade 3, informar que o modo como os seres humanos ocupam o espaço pode causar desastres naturais e colocar a população em risco. Exemplos: retirada da vegetação original, ocupação de áreas alagáveis como as margens de rios etc.

Na atividade 5, destacar que a vegetação ajuda a evitar alagamentos porque reduz a velocidade da água da chuva, aumenta a porosidade do solo – facilitando sua absorção – e evita a erosão, que pode obstruir o escoamento da água.

Esta seção contempla a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei no 9.795/1999) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (Resolução CNE/CEB no 2/2012).

Texto que auxilia no trabalho pedagógico com o gênero textual cartas. ENCAMINHAMENTO

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

RETOMANDO

Professor, as atividades da seção Retomando visam consolidar o conhecimento adquirido no trabalho com a unidade, com base em uma avaliação formativa, permitindo verificar a aprendizagem e a fixação dos conteúdos, bem como o desenvolvimento das habilidades sugeridas.

• Orientar a resolução das atividades.

• Atentar-se às dificuldades diante da resolução das atividades.

• Observar a progressão das aprendizagens da turma, verificando se o ritmo de desenvolvimento atendeu ao conjunto dos estudantes.

• Verificar quais estudantes tiveram mais dificuldade com o conteúdo da unidade, visando perceber as possíveis defasagens no desenvolvimento das habilidades sugeridas para, assim, pensar em estratégias de remediação das lacunas e dificuldades.

Professor, na atividade 2, comentar que na antiga Grécia os pobres podiam assistir ao teatro gratuitamente. Além disso, todas as atividades eram interrompidas em dia de espetáculo.

RETOMANDO

1 Hieróglifos são símbolos que os antigos egípcios utilizavam em um de seus sistemas de escrita. Escreva no caderno os nomes Thiago e Maria com os hieróglifos disponibilizados a seguir. Produção pessoal. Os estudantes

deverão utilizar os símbolos destacados abaixo na escrita dos nomes.

2 Sobre o teatro, da forma que o conhecemos hoje, responda no caderno:

a) Onde ele surgiu?

b) O que o teatro significava para os gregos da Antiguidade?

c) Você já foi ao teatro? Caso tenha ido, a que peça você assistiu? Gostou? Caso não tenha ido, gostaria de ir? Por quê?

Na antiga Grécia. Respostas pessoais.

b) O teatro fazia parte da educação dos antigos gregos; todos eram incentivados a comparecer aos espetáculos teatrais.

As atividades dessa seção retomam e consolidam o trabalho com as habilidades (EF05HI06) e (EF05HI09).

3 Descubra e registre no caderno os nomes representados em Libras: a) Capital da Bahia. Salvador.

b) Capital do Rio Grande do Sul. Porto Alegre.

c) Capital de Minas Gerais. Belo Horizonte.

4 Leia a tirinha com atenção. Depois, no caderno, responda às questões propostas.

Alexandre Beck. Armandinho, 24 jul. 2014. Disponível em: https://web.facebook.com/ tirasarmandinho/posts/805616626150312/?_rdc=1&_rdr. Acesso em: 21 set. 2025.

a) O que o adulto quis dizer com: “Com a internet temos respostas pra quase tudo”?

b) O que Armandinho quis dizer no último quadrinho?

ATIVIDADES

Mãos à obra! Materiais necessários: pedacinhos de papel com os nomes dos estudantes da turma escritos, adesivos em branco e canetas hidrográficas.

1. Cada um de vocês vai sortear o nome de um colega da turma para ser o protetor desse colega sorteado durante a semana. Atenção: não revelem a ninguém o nome do colega que foi sorteado. Durante a semana, o protetor praticará ações que gerem sensação de alegria e cuidado com o outro: escrever bilhetes, convidar para jogar, brincar e/ou bater papo, por exemplo.

2. Vamos confeccionar adesivos com a frase “Bullying não é brincadeira” e distribuir para alguns colegas da escola? Também podemos colar no mural de recados e em cartazes pela escola!

c) O que você considera mais fácil: fazer uma boa pergunta ou responder a ela?

O adulto quis dizer que na internet encontramos informações sobre quase todos os assuntos. Resposta pessoal. Resposta pessoal.

d) Cite um exemplo de uso responsável e outro de uso irresponsável da internet.

Sugestão de resposta: Uso responsável: a busca por informações em fontes confiáveis, como sites de instituições e universidades; a divulgação de eventos beneficentes; a leitura de textos que auxiliem no processo de aprendizagem; entre outros.

5 Organizem-se em grupos e criem uma campanha sobre o uso consciente da internet. Vocês podem elaborar cartazes, imagens ou vídeos, por exemplo.

Produção pessoal. Uso irresponsável: a propagação de fake news; o uso das redes sociais para praticar bullying; a divulgação de informações e dados confidenciais; entre outros

| PARA O PROFESSOR

LIVRO. ALCÂNTARA, Alessandra. Brincar de Internet: a vivência lúdica infantil em ambiente virtual. São Paulo: Clube dos Autores, 2013.

A obra analisa a interação das crianças com o ambiente digital, discutindo os impactos da internet na formação social e cognitiva dos indivíduos.

Reprodução da capa.

29/09/25 14:46

Respostas:

1. Professor, sugerimos formar uma roda de conversa na semana seguinte à atividade para motivar os estudantes a falar sobre o que sentiram e o que aprenderam com o exercício.

2. Produções pessoais.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Em um primeiro momento, procuramos materializar para os estudantes o conceito de Patrimônio Cultural, com uma breve narrativa sobre a Estátua da Liberdade, nos Estados Unidos, e a Grande Muralha da China, cujas imagens povoam filmes, vídeos, histórias em quadrinhos e desenhos animados.

Para estimular os estudantes a inventariar os Patrimônios Materiais da Humanidade e, com isso, desenvolver a habilidade (EF05HI10), abordamos a história da cidade de Goiás, de modo a facilitar a percepção das rupturas e continuidades. Para evidenciar as continuidades, apresentamos uma fotografia do centro histórico da cidade construída nos tempos da mineração do ouro. Seu valor excepcional – e universal – reside no fato de constituir um documento sobre a maneira como os exploradores daqueles tempos recriaram, em terras americanas, modelos portugueses de planejamento e construção de casas e vias públicas.

Com o objetivo de evidenciar a importância da matriz africana e afro-brasileira para a formação da sociedade e da cultura nacional e colaborar para a implementação da Lei nº 10.639, de 2003, abordamos o Samba de Roda, desenvolvido no Recôncavo Baiano. Nascido no século XIX e transformado em Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2005, o Samba de Roda incorporou a viola e o pandeiro, de origem portuguesa.

4

PATRIMÔNIO E MARCOS DE MEMÓRIA

Paisagens cariocas: entre a montanha e o mar. Patrimônio da Humanidade desde 2012. Nessas paisagens estão incluídos o Jardim Botânico, fundado em 1808; as Montanhas do Corcovado, com a famosa estátua do Cristo Redentor; e os morros ao redor da Baía de Guanabara. Rio de Janeiro (RJ), 2021.

A capoeira, outro Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, tem uma história rica e movimentada. Um momento importante dessa história foi quando, sob a batuta de mestre Bimba, foi criada a Capoeira Regional Baiana. Naquele mesmo contexto, ocorreu a descriminalização da capoeira, por força do protagonismo de Mestre Bimba. Esses episódios podem ajudar os estudantes na análise das mudanças e das permanências desse Patrimônio Imaterial da Huma-

Centro histórico de Roma, na Itália. Patrimônio da Humanidade desde 1980. Esse é um dos maiores museus a céu aberto do mundo. Roma, Itália, 2010.

Tango. Patrimônio Imaterial da Humanidade desde 2009. Símbolo nacional da Argentina, o tango teve origem no século XIX e é uma mistura de diferentes ritmos, como a habanera cubana e o candombe uruguaio. Chama atenção nesse gênero musical o uso do bandoneon, além de outros instrumentos, como violão e violino. Embora seja comum associar o tango à Argentina, foi o cantor uruguaio Carlos Gardel, cantando a música “El día que me quieras”, que o tornou conhecido quase que no mundo todo. No Brasil, a cantora Elis Regina regravou essa música, o que tornou o tango ainda mais popular entre nós. Buenos Aires, Argentina, 2020.

nidade ao longo do tempo, conforme solicitado na habilidade (EF05HI10).

Para auxiliar os estudantes a identificar os marcos de memória, acompanhamos a trajetória de Tiradentes e a transformação da data de sua morte em um marco de memória, comemorada todos os anos.

A escolha do 20 de Novembro teve um propósito definido: refletir sobre a única data cívica que presta homenagem a um líder negro reconhecido oficialmente como herói nacional e

RUBENS CHAVES/PULSAR IMAGENS

Patrimônio Cultural é tudo que tem especial valor para um povo e deve ser conservado.

Há três tipos de patrimônio: materiais, imateriais e naturais. Há também patrimônios que, por sua importância mundial, são considerados Patrimônios da Humanidade. Apresentamos, a seguir, alguns exemplos de Patrimônios da Humanidade localizados em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.

Santuário do Bom Jesus de Matozinhos. Patrimônio da Humanidade desde 1985. Esse santuário está localizado em Congonhas (MG) e foi construído a partir da segunda metade do século XVIII. É composto de uma igreja, uma escadaria externa decorada com estátuas dos Doze Profetas e seis capelas que abrigam esculturas de Aleijadinho, obras-primas da arte barroca. Fotografia de 2023.

Patrimônio Material: bens palpáveis (cidade histórica, o prédio de um museu, entre outros).

Patrimônio Imaterial: bens impalpáveis (uma festa, uma dança, o modo de fazer um alimento, entre outros).

Patrimônio Natural: todo local que, por suas características naturais, tem grande importância para uma população.

ENCAMINHAMENTO

Uma porta de entrada para o trabalho com estas páginas de abertura da unidade é solicitar aos estudantes que observem com atenção as imagens. E, a seguir, perguntar:

• Qual das imagens chamou mais a atenção de vocês? Por quê?

• O que é patrimônio cultural?

• E o patrimônio natural, o que é?

• Por que é tão importante preservar o nosso patrimônio cultural? Em seguida, sugere-se:

• Retomar e consolidar o conceito de patrimônio cultural.

• Chamar a atenção dos estudantes para os patrimônios culturais representados nas imagens.

• Incentivar os estudantes a refletir sobre a importância da preservação do patrimônio cultural brasileiro.

• Observe as fotografias destas páginas e leia as legendas. Depois, responda oralmente:

Respostas pessoais.

1. Qual das imagens chamou mais sua atenção?

2. Qual desses patrimônios da humanidade você conhecia?

3. Qual deles gostaria de conhecer pessoalmente?

transformada em marco de memória pelo Movimento Negro do Brasil. Esse fato quer ajudar os estudantes a debater a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade brasileira na nomeação dos marcos de memória, conforme proposto na habilidade (EF05HI07).

HABILIDADES

• (EF05HI07)

• (EF05HI10)

OBJETIVOS

• Levantar patrimônios materiais e imateriais da humanidade.

• Analisar mudanças e permanências nesses patrimônios no tempo.

• Trabalhar os conceitos de patrimônio material, imaterial e natural.

• Apresentar alguns exemplos de patrimônios culturais brasileiros.

• Diferenciar patrimônio material de patrimônio imaterial.

• Caracterizar patrimônio natural.

• Trabalhar o conceito de marco de memória.

• Analisar a presença ou a ausência de diferentes grupos na nomeação desses marcos de memória.

• Analisar a transformação do 21 de Abril em um marco de memória.

Pode-se iniciar o trabalho com esta página perguntando aos estudantes:

• Vocês conhecem a estátua da Liberdade?

• Já assistiram a algum filme em que ela apareça?

• Sabem onde ela está localizada?

• Quem a construiu?

• O que ela representa?

• Sabiam que ela é um Patrimônio Mundial da Humanidade?

Em seguida, sugere-se:

• Apresentar as características da Estátua da Liberdade.

• Chamar a atenção dos estudantes para o contexto de sua criação e instalação.

• Evidenciar a importância da estátua como uma das 7 maravilhas do mundo.

• Explorar o potencial turístico da estátua.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. A HISTÓRIA da Estátua da Liberdade. 2014. Vídeo (8min52s). Publicado pelo canal Rogerio Moreira. Disponível em: https://www. youtube.com/watch? v=nZbJLtGdev8. Acesso em: 15 jul. 2025.

Documentário sobre a Estátua da Liberdade.

TEXTO DE APOIO

A Estátua da Liberdade

Trata-se do maior monumento histórico da Idade Moderna. Ela foi doada pelos franceses aos americanos e não só recorda a união entre os dois países durante a revolução dos Estados

1

PATRIMÔNIOS

DA HUMANIDADE

A seguir, vamos apresentar mais alguns Patrimônios da Humanidade no exterior.

ESTÁTUA DA LIBERDADE –ESTADOS UNIDOS

A Estátua da Liberdade, incluindo sua base, tem 100 metros de altura e está localizada em uma pequena ilha de nome Liberty Island (em português, Ilha da Liberdade). Por isso, geralmente se chega até à estátua de barco. Na ilha, há também o Museu da Liberdade, que está instalado em um pequeno forte e expõe a história da estátua.

Essa estátua foi um presente do governo da França pela comemoração dos 100 anos de independência dos Estados Unidos.

Na mão esquerda da estátua há uma tábua onde se lê em algarismos romanos: 4 de julho de 1776 (homenagem à independência estadunidense). Na mão direita, a tocha que representa a liberdade.

Atualmente, a estátua é o principal cartão-postal da cidade de Nova York e é também uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, sendo visitada por milhões de pessoas todos os anos. Por sua grande importância histórica e cultural, em 1984 a estátua tornou-se Patrimônio da Humanidade.

RESTAURAÇÃO FINANCIADA COM DOAÇÕES

Nos anos 1970, a estátua estava completamente enferrujada e deteriorada. No governo do presidente Ronald Reagan (1981-1989), foram feitas obras de restauração da estátua. E, em 4 de julho de 1986, Dia da Independência, os estadunidenses festejaram a reinauguração do monumento.

Unidos de 1775-1783. A placa no braço da “Miss Liberty” também lembra a proclamação da independência do país, em 4 de julho de 1776.

Assim como o quadro A Liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix, o monumento deveria simbolizar a liberdade iluminando o mundo, mas acabou se tornando símbolo do capitalismo e chamariz para imigrantes, que buscavam consolo no verso de Emma Lazarus, inscrito na base da estátua: “Dá-me os teus cansados, os teus pobres, as tuas massas ansiando por respirar livres...

Eu ergo minha tocha ao lado da porta dourada.”

TESCHKE, Jens. 1886: Inauguração da Estátua da Liberdade. DW, 28 out. 2015. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/ 1886-inauguração-da-estátua-daliberdade/ a-974728. Acesso em: 25 jul. 2025.

Estátua da Liberdade, Nova York, Estados Unidos, 2019.

A GRANDE MURALHA – CHINA

A Grande Muralha atravessa montanhas, desertos e planícies, de leste a oeste da China, por cerca de 5 mil quilômetros.

Os antigos governantes chineses, especialmente da dinastia Ming (13681644), investiram na construção da muralha com o objetivo de defender a China de ataques de estrangeiros e fortalecer seu poder pessoal.

A muralha possui milhares de torres de observação. Posicionadas nas torres, as sentinelas avisavam do perigo acendendo tochas, usando bandeiras coloridas e sinais de fumaça; a mensagem ia de um extremo a outro da China, em questão de horas.

Em 1987, a Muralha da China foi considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. No entanto, nos últimos tempos, as pichações, a ação do vento e da chuva, o lixo acumulado, as pedras retiradas da Grande Muralha e levadas para casa como “lembrança” têm contribuído para sua degradação.

DIALOGANDO

Debatam, reflitam e opinem: O que poderia ser feito para a conservação desse importante Patrimônio da Humanidade?

Resposta pessoal.

ATIVIDADES

Em grupo. Produzam um vídeo de até cinco minutos sobre a Grande Muralha da China. Cada integrante do grupo ficará responsável por um dos itens a seguir: a) Extensão da Grande Muralha e número de visitantes por ano; b) Por que foi construída; c) Como uma mensagem de “perigo” era transmitida pelas sentinelas que ficavam nas torres; d) Por que a Grande Muralha está ameaçada de destruição.

Respostas:

a) A extensão da Grande Muralha é de 5 mil quilômetros aproximadamente e é visitada por cerca de 10 milhões de pessoas todos os anos; b) Foi construída para defender a China de ataques de estrangeiros e fortalecer o poder pessoal dos governantes; c) As sentinelas acendiam tochas, usavam bandeiras coloridas e sinais de fumaça; d) A Grande Muralha da China está ameaçada de destruição por causa de depredações (danos ao patrimônio) e lixo acumulado.

ENCAMINHAMENTO

Perguntar aos estudantes:

• O que lhes vem à cabeça quando vocês ouvem o nome Grande Muralha da China?

• Vocês já assistiram na televisão a filmes ou documentários abordando a construção dessa edificação?

• Quando e por que os chineses construíram essa muralha?

• Sabiam que ela se tornou um Patrimônio da Humanidade? E que por isso recebe milhares de turistas por ano? Em seguida, sugere-se:

• Organizar os estudantes em grupos. Cada integrante será responsável pela leitura, em voz alta, de um trecho do texto sobre a Grande Muralha da China.

• Contextualizar a construção da Grande Muralha.

• Trabalhar o conceito de dinastia.

• Chamar a atenção dos estudantes para o meio de comunicação usado pelas sentinelas da Grande Muralha.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. THE GREAT WALL OF CHINA IN 4k (A Grande Muralha da China). 2016. Vídeo (5min40s). Publicado pelo canal Sawyerhartman. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=EotbKqZmBuY. Acesso em: 23 jul. 2025. O vídeo é um registro de imagens em alta resolução de trechos da Muralha da China. Vale conferir! O vídeo é mudo.

Vista aérea de um trecho da Grande Muralha, Pequim, China, 2025.

ENCAMINHAMENTO

Uma maneira de iniciar a aula dialogada é perguntar aos estudantes:

• Vocês conhecem o Conjunto Moderno da Pampulha?

• Sabem onde ele está localizado?

• Sabiam que ele é composto de quatro edifícios?

Em seguida, sugere-se:

• Propor uma leitura silenciosa do texto sobre o Conjunto Moderno da Pampulha.

• Depois, em uma roda de conversa, pedir aos estudantes que compartilhem em voz alta o que compreenderam do texto lido.

• Ressaltar a importância do Conjunto Moderno da Pampulha como Patrimônio Material da Humanidade no Brasil.

• Destacar que o Conjunto Moderno da Pampulha foi projetado por Oscar Niemeyer.

• Chamar a atenção dos estudantes para os edifícios que compõem o Conjunto.

• Trabalhar o conceito de paisagismo.

• Explicar que a cobertura vegetal no entorno dos edifícios do Conjunto Moderno da Pampulha é uma espécie de filtro ecológico que garante a qualidade do ar.

TEXTO DE APOIO

Conjunto Moderno da Pampulha

Formado por uma paisagem que agrega quatro edifícios articulados em torno do espelho d’água de um lago urbano artificial,

PATRIMÔNIOS MATERIAIS

DA HUMANIDADE NO BRASIL

Vamos apresentar a seguir alguns Patrimônios Materiais da Humanidade localizados no Brasil.

CONJUNTO MODERNO DA PAMPULHA – MG

O Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, foi construído durante os anos em que Juscelino Kubitschek foi prefeito da cidade. O Conjunto foi erguido entre 1942 e 1943 e sua realização contou com nomes importantes das artes e das ciências brasileiras: o arquiteto Oscar Niemeyer, o paisagista Roberto Burle Marx e o pintor Candido Portinari.

Em 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha foi considerado Patrimônio da Humanidade. Ele é composto de quatro edifícios: o da Igreja de São Francisco de Assis; o do atual Museu da Pampulha; o do atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte; e o do Iate Clube. Também fazem parte do conjunto um lago artificial e a orla trabalhada à luz do paisagismo

é composto pela Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte) e o Iate Golfe Clube (Iate Tênis Clube), bens construídos entre 1942 e 1943, e inaugurado na gestão do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck. Completam esse patrimônio cultural os painéis em azulejos criados por Candido Portinari, esculturas de artistas renomados como Alfredo Ceschiatti e José Alves Pedrosa,

Paisagismo: estudo para preparação e criação de paisagens.

Minas Gerais é o estado brasileiro com maior quantidade de Patrimônios da Humanidade. Vista do Conjunto Moderno da Pampulha, Belo Horizonte (MG), 2024.

e os jardins planejados pelo paisagista Roberto Burle Marx.

CONJUNTO Moderno da Pampulha –Belo Horizonte (MG). Iphan, [20--]. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/ detalhes/820/. Acesso em: 16 jul. 2025.

CENTRO HISTÓRICO DA

CIDADE DE GOIÁS – GO

Antigamente, a área onde está hoje a cidade de Goiás era habitada por povos indígenas como os Acroá, os Xavante e os Caiapó. Depois de descobrirem ouro onde é hoje Minas Gerais, os paulistas encontraram minas de ouro nas terras dos indígenas goiases. Em 1727, depois de combater e expulsar esses indígenas, fundaram no local o Arraial de Santana, que, tempos depois, foi elevado a vila, com o nome de Vila Boa de Goiás.

Com o esgotamento do ouro, em fins do século XVIII, Vila Boa de Goiás passou a sobreviver da agricultura e da pecuária. E, do ponto de vista cultural, tornou-se um centro de arte e cultura.

Com a transferência da capital de Goiás para Goiânia, nos anos de 1930, Vila Boa de Goiás pôde preservar seu traçado urbano e sua arquitetura. As casas, construídas em alvenaria e caiadas de branco, têm portas e janelas em madeira pintada com cores fortes, semelhantes às encontradas no interior de Portugal. Em 2001, o Centro Histórico da Cidade de Goiás recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade

Atualmente, Vila Boa de Goiás é conhecida como Cidade de Goiás. A cidade possui construções antigas feitas por africanos escravizados trazidos para trabalhar na mineração. Fotografia de 2025.

DIALOGANDO

No município onde você vive, também é possível observar marcas da presença portuguesa e da presença africana?

Resposta pessoal.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO. DESCUBRA os encantos da Cidade de Goiás aqui. 2017. Vídeo (11min46s). Publicado pelo canal PUC TV Goiás. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=uDlulBvcNZQ. Acesso em: 16 jul. 2025. Vídeo sobre a cidade de Goiás.

ATIVIDADES

Pesquise: O que é a “procissão do fogaréu”, realizada na cidade de Goiás?

Resposta:

29/09/25 14:53

A procissão é uma encenação da crucificação de Cristo. Nela, homens encapuzados carregam tochas acesas, simbolizando o trajeto percorrido pelos romanos até a prisão de Jesus.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO . O PROCESSO de recuperação da Cidade de Goiás –patrimônio da humanidade. 2011. Vídeo (4min55s). Publicado pelo canal TV Cultura. Disponível em:

ENCAMINHAMENTO

Uma porta de entrada para o trabalho com esta página é pedir aos estudantes que observem a fotografia da cidade de Goiás e perguntar:

• Vocês acharam essa cidade atraente?

• Gostariam de conhecê-la?

• Como será que essa cidade conservou as características que tinha quando foi construída?

• Sabiam que as construções dessa cidade têm traços semelhantes aos das casas do interior de Portugal?

• Sabiam que em 2001 o Centro Histórico da cidade de Goiás recebeu o título de Patrimônio da Humanidade?

Em seguida, sugere-se:

• Comentar que, com a mineração e a fundação de cidades, os povos indígenas das regiões de Minas Gerais e Goiás foram expulsos de suas terras.

• Relacionar a formação da cidade de Goiás ao período da mineração do ouro, na região onde hoje são os estados de Minas Gerais e Goiás.

https://www.youtube. com/watch?v=YwL3o 38rWPk. Acesso em: 23 jul. 2025. Reportagem da TV Cultura sobre a cheia ocorrida em 2001 e o risco de novas cheias na cidade que é reconhecida atualmente como Patrimônio Mundial.

ENCAMINHAMENTO

Professor, uma forma de iniciar o trabalho com esta página é perguntar aos estudantes:

• Sabem o que eram as missões jesuíticas?

• Sabem quem vivia nessas missões?

• Por que São Miguel das Missões foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco?

Em seguida, sugere-se:

• Trabalhar a noção de missões jesuíticas.

• Informar que a Missão de São Miguel fazia parte dos Sete Povos das Missões – sete grandes aldeamentos organizados pelos jesuítas espanhóis, onde viviam cerca de 30 mil indígenas guaranis.

• Valorizar o Museu das Missões e seu considerável acervo de obras sacras.

TEXTO DE APOIO

Museu das Missões O Museu das Missões nasce para a valorização dos processos históricos vinculados aos chamados Sete Povos das Missões Orientais [...]. Por isso, seu acervo é constituído por peças elaboradas e valorizadas naquele período, especialmente o que ficou conhecido como arte sacra missional, manifestações da arte indígena colonial. [...]

O museu é abrigo de vasta coleção de imagens sacras de características barrocas, o maior conjunto público de imagens missioneiras em madeira policromada da América do Sul e uma das coleções mais importantes do mundo nesse gênero. São oitenta e cinco esculturas sacras de tamanhos que variam entre dezessete centímetros e mais de dois metros. Além de tais peças, fragmentos materiais

SÃO MIGUEL DAS MISSÕES – RS

As ruínas de São Miguel fazem parte da antiga Missão de São Miguel Arcanjo, que integrava os Sete Povos das Missões, território que abrangia as atuais cidades de São Borja, São Miguel, São Nicolau, Santo Ângelo, São Luís Gonzaga, São Lourenço e São João. Hoje, as ruínas de São Miguel das Missões estão localizadas no pequeno município de São Miguel das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul.

Em 1983, juntamente com outras missões localizadas em território argentino, São Miguel das Missões foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Sete Povos das Missões: sete grandes aldeamentos organizados pelos padres jesuítas espanhóis, onde viviam cerca de trinta mil indígenas guaranis.

PARA VOCÊ LER

• Izaurina Maria de Azevedo Nunes (org.). Aprendendo sobre o nosso Patrimônio Cultural . São Luís: Iphan, 2022.

O livro apresenta textos, fotografias e ilustrações sobre Patrimônio Cultural. Oferece imagens de bens do patrimônio brasileiro e de Patrimônios Culturais da Humanidade no exterior.

Reprodução da capa.

Professor, esse livro está disponível no portal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no seguinte endereço: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/ aprendendo_patrimonio_cultural.pdf. Acesso em: 12 jun. 2025.

representantes da vida cotidiana missional também encontram-se atualmente sob a guarda do museu e fazem parte da exposição de longa duração aberta ao público. Nesse caso, trata-se de artefatos de metal, fragmentos de madeira, elementos arquitetônicos e peças arqueológicas encontradas e recolhidas na região missioneira. BOTELHO, André Amud; VIVIAN, Diego; BRUXEL, Laerson. Museu das Missões Brasília, DF: Ibram, 2015. p. 44-45. Disponível em: https://www.ibermuseos. org/wp-content/uploads/2020/05/museu -das-missoes.pdf. Acesso em: 16 jul. 2025.

Ruínas da Igreja de São Miguel das Missões no município de São Miguel das Missões (RS), 2024.

A Igreja de São Miguel possuía uma rica e colorida ornamentação interna, integrada por entalhes e por pinturas e esculturas com motivos sacros.

Algumas dessas preciosas imagens estão hoje no Museu das Missões, em funcionamento desde 1940. O lugar é visitado por turistas de todo o mundo, especialmente da Argentina, do Paraguai, do Uruguai e de vários países da Europa.

Sacro: relativo à religião (no caso, a religião católica).

ESCUTAR E FALAR

Escultura feita por indígenas missioneiros no século XVII. Madeira policromada. Museu das Missões, em São Miguel das Missões (RS).

Escultura sacra missioneira produzida entre os séculos XVII e XVIII. Madeira policromada. Museu das Missões, em São Miguel das Missões (RS). Fotografia de 2023.

Façam uma pesquisa sobre os Sete Povos das Missões. Sigam o roteiro.

• O que eram? Onde estão situados?

• O que o Museu das Missões guarda?

• Qual é a importância desse museu para a História? Montem slides ou um cartaz com imagens desse patrimônio para usar na apresentação à turma. O professor vai organizar as apresentações.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas escutaram o que eu disse?

2. Consegui atrair a atenção dos colegas?

3. Contribuí com conhecimento sobre o assunto?

|

PARA O ESTUDANTE

VÍDEO. RUÍNAS de São Miguel das Missões – Drone Mavic. 2018. Vídeo (4min26s). Publicado pelo canal Renato Piai Vicalvi. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=JnYCTaUe70A. Acesso em: 16 jul. 2025. Vídeo com imagens aéreas das ruínas de São Miguel das Missões captadas por drone. O registro mostra os detalhes arquitetônicos das construções em meio à paisagem do Rio Grande do Sul.

| PARA O PROFESSOR

LIVRO. KOCH, Siziane. Rio Grande do Sul: espaço e tempo. São Paulo: Ática, 2014.

O livro aborda a história, a formação e a cultura do Rio Grande do Sul.

VÍDEO. PATRIMÔNIO

Histórico do RS. 2017. Vídeo (15min27s). Publicado pelo canal TVE RS.

ENCAMINHAMENTO

Para aprofundar o conhecimento sobre São Miguel das Missões, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, acesse as sugestões de sites a seguir:

• O MUSEU. Museu das Missões, [20--]. Disponível em: https:// museudasmissoes. museus.gov.br/o-museu/. Acesso em: 16 jul. 2025.

• OS SETE Povos das Missões, Origem de São Miguel das Missões (RS). Iphan. Disponível em: http:// portal.iphan.gov.br/ pagina/detalhes/1652/. Acesso em: 16 jul. 2025.

Reprodução da capa.

Disponível em: https:// www.youtube.com/wa tch?v=P0215EKyxWo. Acesso em: 16 jul. 2025. Documentário que investiga a diversidade do patrimônio histórico do Rio Grande do Sul. Reúne entrevistas com especialistas, depoimentos, registros visuais de locais preservados e de sítios arqueológicos.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se iniciar uma aula dialogada perguntando aos estudantes:

• Vocês já viram uma apresentação de Samba de Roda?

• Sabiam que o Samba de Roda do Recôncavo Baiano foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade?

• Já ouviram o termo Recôncavo Baiano? Sabem o que significa? Em seguida, sugere-se:

• Reservar um momento para que os estudantes verbalizem impressões e conhecimentos sobre o Samba de Roda.

• Chamar a atenção para a origem do Samba de Roda.

• Explicar que o Samba de Roda envolve música, dança, poesia e festa.

• Retomar o conceito de patrimônio imaterial.

• Trabalhar o conceito de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO Samba de Roda do Recôncavo Baiano. 2019. Vídeo (11min45s). Publicado pelo canal Iphan. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=zridu81deZg. Acesso em: 16 jul. 2025. Vídeo que apresenta a riqueza cultural do Samba de Roda, manifestação afro-brasileira.

TEXTO DE APOIO

Samba de Roda do Recôncavo Baiano

O samba de roda é uma manifestação musical,

PATRIMÔNIOS IMATERIAIS

DA HUMANIDADE NO BRASIL

Agora, vamos apresentar alguns Patrimônios Imateriais da Humanidade no Brasil.

SAMBA DE RODA DO RECÔNCAVO BAIANO – BA

O Samba de Roda é uma manifestação de origem africana. Misto de música, dança, poesia e festa que se desenvolveu no Recôncavo Baiano, o Samba de Roda era praticado por africanos escravizados que trabalhavam na região. Seus primeiros registros com o nome de Samba de Roda datam da década de 1860. Em 2005, a Unesco reconheceu esse bem imaterial como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Todos-os-Santos.

O Samba de Roda é chamado também de Umbigada porque a pessoa que sai do centro da roda chama a outra para dançar dando nela uma umbigada. Essa manifestação ocorre em todo o estado da Bahia, especialmente em cidades como Cachoeira, São Félix, Cipó, Muritiba, Conceição do Almeida, Terra Nova e Santo Amaro.

coreográfica, poética e festiva, presente em todo o estado da Bahia, mas muito particularmente na região do Recôncavo. Em sua definição mínima constitui-se da reunião, que pode ser fixada no calendário ou não, de grupo de pessoas para performance de um repertório musical e coreográfico [...].

[...]

A coreografia, sempre feita dentro da roda, pode ser muito variada, mas seu gesto mais típico é o chamado miudinho. Feito, sobretudo, da cintura para baixo, consiste num quase imperceptível

sapatear para frente e para trás dos pés quase colados ao chão, com a movimentação correspondente dos quadris. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Samba de Roda do Recôncavo Baiano. Brasília, DF: Iphan, 2006. p. 23-24. (Dossiê Iphan, 4). Disponível em: http://portal.iphan. gov.br/uploads/publicacao/PatImDos_ SambaRodaReconcavoBaiano_m.pdf. Acesso em: 16 jul. 2025.

Recôncavo Baiano: faixa de terra onde se localiza a Baía de
Samba de Roda. Terra Nova (BA), 2019.

RODA DE CAPOEIRA

A capoeira é dança e luta ao mesmo tempo. Foi desenvolvida no Brasil como uma forma de resistência dos negros durante e depois da escravização. É também uma manifestação cultural em que os jogadores dançam e lutam.

No Brasil, o estilo mais antigo de capoeira é a Capoeira de Angola, jogo mais lento, mais próximo do solo. Seu principal representante foi o Mestre Pastinha (1889-1981), o criador da primeira escola de capoeira: o Centro Esportivo de Capoeira Angola. Outro importante personagem da história da capoeira foi o Mestre Bimba (1900-1974), que incorpo rou à capoeira golpes das artes marciais, criando, assim, um estilo próprio e mais rápido de jogar: a Regional Baiana

Em 2014, a Roda de Capoeira, um dos símbolos do Brasil, foi declarada como Patrimônio Cultural Imate rial da Humanidade. Hoje, a capoeira é praticada em mais de 160 países, a exemplo da Alemanha, dos Estados Unidos, do Japão, entre outros.

Porto Seguro (BA), 2019.

Reprodução da capa do documentário Mestre Bimba, a capoeira iluminada, lançado em 2005. Em 12 de junho de 1992, a Universidade Federal da Bahia concedeu a Mestre Bimba o título de Doutor Honoris Causa

TEXTO DE APOIO

A possível origem da capoeira

A capoeira é originária de uma dança típica do sul de Angola chamada n’golo. Assim como na capoeira, na dança do n’golo os jogadores são rodeados por um grupo que bate palmas no ritmo dos instrumentos de percussão e os jogadores não podem pisar fora de um círculo riscado no chão. Segundo um estudioso: [...] o n’golo [...] é dançado por rapazes nos territórios do sul da Angola, durante o ritual da puberdade das meninas. Chamado de mufico, [...] esse

ritual marca a passagem da moça para a condição de mulher, apta a namorar, casar e ter filhos. É uma grande festa em que se consome [...] Macau, bebida feita de um cereal chamado massambala. [...] N’golo significa “zebra” e, de fato, alguns movimentos, em particular o golpe dado com o pé, de costas e com as duas mãos no chão, parecem mesmo com o coice de uma zebra.

A POSSÍVEL origem da capoeira. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, n. 30, ano 3, p. 16-17, 2008.

Para despertar o interesse dos estudantes, pode-se propor uma roda de conversa e perguntar:

• O que é a capoeira?

• Vocês já assistiram a uma roda de capoeira ou já participaram de uma? Gostaram?

• Vocês sabiam que existem diferentes estilos de capoeira?

• Vocês sabiam que a capoeira é considerada um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade?

Em seguida, sugere-se:

• Retomar e aprofundar o conceito de patrimônio imaterial.

• Trabalhar o conceito de capoeira.

• Refletir sobre a noção de ginga.

• Diferenciar a capoeira de angola da capoeira regional.

• Debater com os estudantes sobre a importância de a capoeira ter sido reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Berimbau.

ENCAMINHAMENTO

Um caminho possível para despertar o interesse dos estudantes é perguntar:

• Vocês já assistiram ao frevo pela televisão?

• Já dançaram frevo?

• Sabem dizer o que é o frevo?

• Qual será a origem da palavra frevo?

• Que instrumentos são utilizados no frevo?

Em seguida, sugere-se:

• Trabalhar a noção de frevo.

• Comentar a origem da palavra frevo.

• Valorizar essa manifestação cultural brasileira, chamando a atenção dos estudantes para a fotografia da página.

• Aprofundar o tema frevo acessando um dossiê do Iphan: BARBOSA, Yêda (coord.). Frevo. Brasília, DF: Iphan, 2016. (Dossiê Iphan, 14). Disponível em: http://portal. iphan.gov.br/uploads/ ckfinder/arquivos/ DossieIphan14_Frevo_ web.pdf. Acesso em: 16 jul. 2025.

ATIVIDADES

Reúnam toda a turma e montem, com o auxílio do professor, uma exposição fotográfica intitulada “Frevo – história e cultura”. Para decorar a sala de aula, confeccionem sombrinhas de frevo.

Materiais necessários:

• Cartolina

• Cola e tesoura

• Papéis coloridos

• Fita adesiva

• Grampeador

FREVO

O frevo é um misto de música, dança, capoeira e artesanato; uma expressão artística original do Brasil. Em 2012, a Unesco incluiu o frevo na lista de bens que integram o Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Estudiosos afirmam que os criadores do frevo se inspiraram na capoeira. Por isso, essa dança inclui piruetas e saltos.

O frevo utiliza instrumentos como trompetes, saxofones, trombones e pandeiros. A dança é rica e variada, e o modo de fazer e enfeitar roupas e sombrinhas é singular. A palavra frevo vem de “ferver” e, de fato, o que se vê nas ruas, quando se toca o frevo, é uma explosão de alegria.

Fotografia do interior do Museu Paço do Frevo, em Recife (PE), 2024.

PARA VOCÊ LER

• Álvaro Modernell. Venha conhecer o Brasil. Brasília, DF: Mais Amigos, 2021.

Com textos e belíssimas ilustrações, a obra é organizada em uma série de temas que tratam de diversos aspectos do Brasil e de sua gente: as manifestações culturais, a culinária, a natureza, a cultura, a memória nas cidades e nos monumentos.

Modo de fazer:

Com a ajuda do professor, siga as instruções do vídeo: ATIVIDADE FREVO: Sombrinha de frevo de papel. Atividade manual! 2021. Vídeo (2min40s). Publicado pelo canal Pedagogia Peripécias. Disponível em: https://www.youtube.com/wat ch?v=9RmaLLc7FuY. Acesso em: 16 jul. 2025. Professor, é importante orientar os estudantes para que usem apenas

tesouras com pontas arredondadas, mais adequadas para a faixa etária, e que não usem os grampeadores sozinhos.

Reprodução da capa.

PATRIMÔNIO NATURAL DA

HUMANIDADE NO BRASIL

Vamos conhecer alguns Patrimônios Naturais da Humanidade localizados no Brasil.

COSTA DO DESCOBRIMENTO: RESERVAS DA MATA ATLÂNTICA (BA/ES)

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan),

O título de Patrimônio Natural Mundial para a Reserva de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento foi concedido pela Unesco, em 1o de dezembro de 1999, devido ao excepcional valor para a ciência e a preservação de ecossistemas de interesse universal. [...] Em seus 112 mil hectares, a Costa do Descobrimento estende-se por doze municípios do Estado da Bahia e quatro no Espírito Santo [...].

Costa do Descobrimento: Reservas da Mata Atlântica (BA/ES). Iphan, 2014. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/37. Acesso em: 6 jun. 2025.

O PANTANAL

O Pantanal, presente nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, possui quase 140 mil quilômetros quadrados, o que corresponde a cerca de 20 milhões de campos de futebol. Em 1981, com o objetivo de proteger e preservar animais, plantas e rios da região, foi criado o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense. Depois, em 2000, o parque foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade.

como

ENCAMINHAMENTO

Professor, ao trabalhar alguns Patrimônios Naturais da Humanidade no Brasil, o conteúdo da página favorece o trabalho com o Tema Contemporâneo Transversal (TCT) Educação ambiental.

| PARA O ESTUDANTE

VÍDEO . BEM-VINDOS à Grande Reserva Mata Atlântica! Vídeo (1min36s). Publicado pelo canal Grande Reserva Mata Atlântica. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=lXnya_mIE_c. Acesso em: 16 jul. 2025. Vídeo sobre a Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta.

TEXTO DE APOIO

Cânion do Peruaçu

O Cânion do Peruaçu, localizado no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais, foi reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) neste domingo (13/7). A decisão foi anunciada em Paris, na França, durante a 47ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial.

Com 38.003 hectares de extensão, o Cânion do Peruaçu reúne ecossistemas da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga. Abriga ainda um complexo de cavernas, sítios arqueológicos milenares e uma rica biodiversidade.

Um dos destaques é a Gruta do Janelão, cujas galerias ultrapassam 100 metros de altura e 60 de largura. No local, encontra-se também a Perna da Bailarina, a maior estalactite do mundo, com aproximadamente 28 metros de comprimento.

[...] A região apresenta ainda mais de mil espécies de flora e 950 de fauna identificadas.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Cânio do Peruaçu, em Minas Gerais, é reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. Gov.br, 13 jul. 2025. Disponível em: https://www. gov.br/mma/pt-br/noticias/ canion-do-peruacu-em -minas-gerais-e-reconhecido -como-patrimonio-mundial -natural-pela-unesco. Acesso em: 16 jul. 2025.

Foz do rio Cahy, na Barra do Cahy, local conhecido
“Primeira Praia do Brasil”. Reserva Extrativista Marinha Corumbau, Prado (BA), 2024.
Tuiuiú no Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, 2014.

ENCAMINHAMENTO

Uma porta de entrada para o trabalho com esta página é dirigir aos estudantes as seguintes perguntas norteadoras:

• Vocês já viram uma placa com a sigla do Iphan?

• Conheciam esse importante órgão ligado ao Ministério da Cultura?

• Sabem qual é sua principal função?

• Alguém gostaria de, no futuro, trabalhar no Iphan restaurando e tombando obras de especial valor para o povo brasileiro?

Em seguida, sugere-se:

• Escutar os estudantes, mediando a fala deles sobre o assunto.

• Encaminhar a leitura compartilhada do texto.

• Compreender o que é o Iphan, como atua e formar a noção de tombamento.

• Levar o alunado a compreender que tombar um bem é uma das formas de preservá-lo e evitar sua descaracterização.

TEXTO DE APOIO

O Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura que responde pela preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. Cabe ao Iphan proteger e promover os bens culturais do País, assegurando sua permanência e usufruto para as gerações presentes e futuras.

[...] Possui 27 Superintendências (uma em cada Unidade Federativa) [...].

O Iphan também responde pela conservação,

QUEM CUIDA DO NOSSO PATRIMÔNIO?

No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é o órgão responsável por cuidar dos bens do patrimônio cultural e natural. Os técnicos que trabalham no Iphan promovem ações, pesquisas e estudos para cuidar de todos os bens do patrimônio brasileiro. Caso algum bem se encontre ameaçado, tomam providências para evitar que seja destruído ou descaracterizado.

Uma das providências para preservar um bem é o tombamento, ou seja, o ato legal que visa conservar um bem cultural e impedir sua destruição ou descaracterização.

Em Santa Catarina, o Iphan concluiu em 5 de abril de 2019 um trabalho importante em três cidades: em Laguna, restaurou a Casa Candemil, sede do arquivo público local; em Florianópolis, capital do estado, entregou o certificado de registro de Patrimônio Imaterial do Brasil à Procissão do Senhor dos Passos; em Pomerode, cidade formada por imigrantes de origem alemã, concluiu a restauração da Casa do Salto, que abriga registros da imigração.

salvaguarda e monitoramento dos bens culturais brasileiros inscritos na Lista do Patrimônio Mundial e na Lista [do] Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, conforme convenções da Unesco, respectivamente, a Convenção do Patrimônio Mundial de 1972 e a Convenção do Patrimônio Cultural Imaterial de 2003.

[...] A Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 216, define o patrimônio cultural como formas de expressão, modos de criar, fazer e viver. Também são assim reconhecidas as criações

científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e, ainda, os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Apresentação. Gov.br, Brasília, DF, 28 ago. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/iphan/ pt-br/acesso-a-informacao/institucional/ apresentacao. Acesso em: 16 jul. 2025.

A Casa do Salto, em Pomerode (SC), foi construída entre 1915 e 1916. A edificação original permanece, mantendo o fogão e o forno a lenha. Fotografia de 2025.

VOCÊ ESCRITOR!

Em todos os municípios existem elementos que são importantes para seus moradores. Esses elementos fazem parte do patrimônio cultural ou natural.

1. Escolha um bem material importante para a comunidade de seu município ou de sua região e monte uma ficha de inventário no caderno.

Produção pessoal.

Ficha de inventário –Educação patrimonial

a) Nome e localização do bem escolhido.

b) Imagem – cole uma fotografia ou desenhe o bem escolhido.

c) História (mudanças e permanências do bem no tempo).

d) Significados do bem para a comunidade.

e) Atividades que acontecem envolvendo esse bem.

f) Avaliação: o bem está preservado ou malcuidado?

g) Sugestões para a preservação desse bem.

2. Depois, com a mediação do professor, conversem sobre a ficha produzida, mantendo-se atentos a três pontos:

Produção pessoal.

• O porquê da escolha desse bem.

• O estado de conservação em que esse bem se encontra.

• Sugestões para a preservação.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO. DIÁLOGO sem fronteira –Educação patrimonial – parte 1. 2013. Vídeo (16min3s). Publicado pelo canal CEAv Unicamp. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_ LptdGYgV5s. Acesso em: 16 jul. 2025.

O professor Pedro Paulo Funari conduz uma entrevista com Elizabete Tamanini, docente da Universidade da Região de Joinville (Univille) e pesquisadora associada ao Núcleo de Estudos em Ambiente e Sociedade

14:53

(Nepan/Unicamp). O encontro aborda a educação patrimonial.

ATIVIDADES

Reúnam toda a turma e produzam um vídeo, utilizando a ficha de inventário, para informar aos espectadores a importância da preservação dos patrimônios.

Professor, é importante disponibilizar tempo para a produção do roteiro, para a gravação e para a edição do vídeo. Depois de finalizado, o vídeo poderá

ser apresentado aos estudantes de outros anos em um evento escolar.

TEXTO DE APOIO

O que é, afinal, a educação patrimonial?

Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho da Educação Patrimonial busca levar as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de criação cultural.

[...] A Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da autoestima dos indivíduos e comunidades e à valorização da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural.

HORTA, Maria de Lourdes Parreiras; GRUNBERG, Evelina; MONTEIRO, Adriane Queiroz. Guia básico da educação patrimonial Petrópolis: Museu Imperial; Brasília, DF: Iphan; Minc, [1999]. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/ uploads/temp/guia_educa cao_patrimonial.pdf.pdf. Acesso em: 16 jul. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Patrimônio Mundial em perigo

[...] A inclusão de um bem na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo não é vista da mesma maneira por todas as partes interessadas. Alguns países apoiam a inclusão de um sítio na Lista do Patrimônio em Perigo como forma de melhorar sua conservação. Outros, no entanto, desejam evitar a inclusão de bens na lista por a considerarem reflexo de sua incapacidade de protegê-los. A inclusão na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo não deve ser considerada uma sanção, mas sim uma ferramenta para alertar a comunidade global, identificar necessidades e estabelecer prioridades para o investimento em conservação. A inclusão dos cinco sítios de Patrimônio Mundial natural na República Democrática do Congo (RDC), por exemplo, resultou em uma cooperação internacional considerável para ajudar a conservar esses bens durante a guerra civil [...].

O principal objetivo da inclusão de um bem na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo é evitar a perda de seu VUE [valor universal excepcional] e [...] identificar as ações necessárias para restaurá-lo. [...]

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Gestão do patrimônio mundial natural. Brasília, DF: Unesco Brasil, Iphan, 2016. p. 29. (Manual de referência do patrimônio mundial). Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/ uploads/ckfinder/arquivos/ clc_gestao_patrimonio_ mundial_natural_port.pdf. Acesso em: 16 jul. 2025.

VOCÊ CIDADÃO!

Quando uma enchente, um terremoto, um incêndio, um furacão ou uma guerra danificam um bem cultural ou um sítio do Patrimônio da Humanidade, a sociedade civil se mobiliza e faz uma campanha visando à restauração e/ou à proteção do patrimônio atingido.

O Comitê do Patrimônio Mundial analisa o caso e decide se o bem cultural ou sítio deve ser incluído na lista do Patrimônio Mundial em Perigo. Esse foi o caso, por exemplo, da cidade de Potosí, na Bolívia.

• Leia um trecho da reportagem e observe a fotografia a seguir.

Cidade de Potosí

A cidade [de Potosí, na Bolívia], localizada na Cordilheira dos Andes, foi considerada o maior complexo industrial do mundo do século 16. Graças às suas reservas de prata, Potosí tornou-se uma cidade de grande influência e ainda preserva vestígios da época de maior apogeu [...].

Entre os atrativos turísticos, a cidade preserva as antigas instalações industriais do Cerro de Potosí (também conhecido como Cerro Rico), que

| PARA O PROFESSOR

SITE . WORLD Heritage in Danger (lista do Patrimônio Mundial em Perigo). Unesco, c2025. Disponível em: https://whc.unesco.org/en/danger/. Acesso em: 23 jul. 2025.

A página (em inglês) apresenta a lista oficial dos sítios do Patrimônio Mundial atualmente em perigo, segundo a Unesco.

VOCÊ CIDADÃO!

Professor, as atividades desta seção possibilitam o trabalho com as competências específicas 1 e 2 de História.

Vista do centro histórico de Potosí, na Bolívia. Fotografia de 2025.

recebem água através de um intrincado sistema de aquedutos e lagos artificiais. Há também o bairro colonial com a Casa da Moeda, a Igreja de San Lorenzo, [...] e os bairros dos trabalhadores das minas.

Segundo a Unesco, muitos desses edifícios possuem um estilo “barroco andino” que incorpora influências indígenas e refletem a rica vida social e religiosa da época.

O local foi incluído na Lista de Patrimônios em Perigo em 2014 devido à degradação do Cerro Rico, causada pelas contínuas operações de mineração. As atividades resultaram no desabamento de partes do topo da montanha, ameaçando as propriedades e as vidas humanas.

Barroco andino: movimento artístico que surgiu entre 1680 e 1780, na área do atual Peru. Nas produções e na arquitetura, usava elementos da natureza da região, com influência da estética europeia e referências à Igreja.

Bolívia, 2011. Essa igreja foi construída entre 1548 e 1744.

Estes lugares na América Latina podem desaparecer! Ajude a conservá-los. National Geographic Brasil, 18 maio 2023. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2023/05/estes -lugares-na-america-latina-podem-desaparecer-ajude-a-conserva-los. Acesso em: 3 jun. 2025.

a) Após a leitura do texto sobre a cidade de Potosí, copie a ficha a seguir no caderno e depois a preencha.

Nome do patrimônio em perigo

Cidade de Potosí.

Local

Cordilheira dos Andes, Bolívia.

Data de inclusão na lista do Patrimônio Mundial em Perigo

Em 2014.

b) Criem um cartaz com frases e imagens para conscientizar as pessoas sobre a importância desse bem e de outros bens culturais para a humanidade. Expliquem as razões pelas quais a cidade de Potosí consta na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

c) Convidem a comunidade escolar para uma apresentação dos cartazes. A ideia é incentivar o aumento da consciência patrimonial na comunidade.

Produção pessoal. No item b, é esperado que os estudantes compreendam que a cidade de Potosí e suas edificações estão em perigo por causa das atividades de mineração de Cerro Rico, causando deslizamentos e colocando em risco a vida de seres humanos e demais seres vivos.

TEXTO DE APOIO

Da Áustria ao Egito: estes

Patrimônios da Humanidade estão em perigo

Atualmente, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), existem mais de 50 locais que são considerados Patrimônios Mundiais e que se encontram em perigo – seja por causa da ação humana, da negligência dos poderes públicos e até em razão de efeitos causados pela natureza.

131

29/09/25 14:53

Abaixo, conheça […] patrimônios da humanidade que, de acordo [com a] Unesco, estão com sua integridade ameaçada nos dias de hoje. Centro histórico de Viena (Áustria) –Capital da Áustria, Viena tem um lindo centro antigo recheado de construções de estilo barroco, jardins bem cuidados e vias públicas como a Ringstrasse, cercada por edifícios monumentais. [...] Mas, segundo a Unesco, o centro histórico vienense está com sua paisagem ameaçada por causa de atuais projetos de construção de edifícios modernos de

grande porte que, de acordo com a entidade, “irão causar um impacto negativo no excepcional valor universal deste local”.

Cidade de Potosi (Bolívia) – A cidade boliviana de Potosi possui um dos mais significativos conjuntos arquitetônicos da era colonial da América do Sul. Além disso, este centro urbano abriga o Cerro Rico […], montanha de onde os espanhóis extraíram, principalmente entre os séculos 16 e 17, milhares de toneladas de prata de alta qualidade. Toda esta importância histórica fez a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura classificar Potosi como Patrimônio Mundial da humanidade. Mas, segundo a Unesco, o Cerro Rico se encontra atualmente em perigo, por causa das “operações de mineração contínuas e descontroladas que ainda ocorrem dentro da montanha”, podendo fazer colapsar este local histórico e afetando o meio ambiente da cidade de Potosi. […]

VINCENTI, Marcel. Da Áustria ao Egito: estes Patrimônios da Humanidade estão em perigo. UOL, 21 abr. 2019. Disponível em: https:// www.uol.com.br/nossa/ viagem/noticias/2019/04/21/ da-austria-ao-egito -conheca-patrimonios -mundiais-que-estao-em -perigo.htm. Acesso em: 16 jul. 2025.

Vista da Igreja San Lorenzo de Carangas, em Potosí, na
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar o trabalho com o tema, pode-se propor uma “chuva de ideias”, solicitando aos estudantes que registrem ideias relacionadas com a palavra memória.

As primeiras ideias deverão ser registradas em um painel coletivo ou na lousa, que, nesse caso, poderá ser fotografada para consulta posterior.

Outra possibilidade de sensibilizar os estudantes é propor visitas à biblioteca para pesquisar outros livros sobre o tema memória.

Em seguida, sugere-se:

• Trabalhar o conceito de memória.

• Diferenciar memória individual de memória coletiva.

Professor, este capítulo apresenta personalidades e datas, explorando informações sobre a transformação de algumas delas em marcos de memória. A presença de textos com expressiva quantidade de informações possibilita o desenvolvimento da fluência oral e da postura autônoma, crítica e participativa dos estudantes diante das leituras. Além disso, o capítulo possibilita o trabalho com as competências específicas 4, 5 e 6 de História.

ATIVIDADES

1. Escreva um acróstico com a palavra memória

2. Elabore uma história em quadrinhos registrando uma memória pessoal.

2

MARCOS DE MEMÓRIA

É comum ouvirmos as pessoas dizerem “Minha memória está falhando”; “Eu tenho uma ótima memória!”; ou, então, “O senhor que mora na casa da frente se lembra até dos fatos da infância!”.

O QUE É “MEMÓRIA”?

Memória é a capacidade de guardar experiências e acontecimentos e transmiti-los aos outros por meio da fala, do desenho, da fotografia, da música, da história em quadrinhos etc. Quando os acontecimentos e as experiências dizem respeito à vida de cada um de nós, trata-se de memória individual.

Quando as experiências e os acontecimentos são importantes para a sociedade como um todo, trata-se de memória coletiva

A morte de Tiradentes, por exemplo, é um fato marcante para todos nós, brasileiros. Esse fato foi passando de geração em geração e hoje faz parte da memória do conjunto de cidadãos que vive no Brasil; faz parte, portanto, da memória coletiva.

José Wasth Rodrigues. Alferes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, 1940. Óleo sobre tela. Na época em que a rainha de Portugal, Dona Maria I, condenou Tiradentes à morte na forca, o Brasil pertencia a Portugal, ou seja, o rei de Portugal governava também o Brasil. E, como Tiradentes queria livrar as terras mineiras do domínio português, ele foi acusado de traição e condenado à morte na forca.

132

Respostas:

1. e 2. Produções pessoais. Professor, as produções podem ser expostas em murais na sala de aula.

| PARA O PROFESSOR

ARTIGO . MIRANDA, Lucas Mascarenhas de. Memória individual e coletiva. Jornal da Unicamp , 27 maio 2019. Disponível em: https://unicamp.br/unicamp/ju/ noticias/2019/05/27/memoria -individual-e-coletiva/. Acesso em: 23 jul. 2025.

Reportagem sobre memória individual e memória coletiva.

A TRANSFORMAÇÃO DE TIRADENTES

EM HERÓI NACIONAL

Em 1792, Tiradentes foi considerado pela rainha de Portugal o pior dos criminosos e, por isso, foi condenado à morte. Sua casa foi queimada. O terreno onde ficava a casa foi salgado para que ali não nascesse nenhuma espécie vegetal. Seus filhos e netos foram considerados infames, ou seja, sem honra, desprezíveis.

Durante os 67 anos de duração do Império Brasileiro (1822-1889), o Brasil foi governado pelos monarcas Dom Pedro I e Dom Pedro II. Nesse período, Tiradentes foi totalmente esquecido. Seu nome nem sequer era mencionado nos livros de História. O motivo é simples: o Brasil era uma monarquia e Tiradentes havia lutado pela República.

Em 1889, o marechal Deodoro da Fonseca e seus soldados derrubaram a monarquia e proclamaram a República no Brasil. A República precisava de um herói. Alguém republicano e que tivesse lutado pela liberdade e pela República e estivesse “vivo” na memória do povo. Tiradentes foi o escolhido.

Professor, nos últimos anos de sua vida, Tiradentes foi considerado um traidor, na época, o pior crime que alguém poderia cometer. Sua casa foi queimada. O terreno, salgado para que ali não nascesse nenhuma espécie vegetal. Seus filhos e netos foram considerados infames. Sua filha Joaquina, por exemplo, teve que passar a vida escondendo a identidade.

Durante os 67 anos de império, Tiradentes foi totalmente esquecido.

Seu nome simplesmente não aparecia nos livros. O motivo é muito simples: o Brasil era uma monarquia, Tiradentes tinha lutado pela República. Além disso, os imperadores D. Pedro I e D. Pedro II eram neto e bisneto da rainha que mandou Tiradentes para a forca.

Com a Proclamação da República, ele passou de traidor a herói. Bem mais tarde, em 1965, o General Castello Branco elevou Tiradentes a Patrono da

ENCAMINHAMENTO

Pode-se introduzir o assunto fazendo aos estudantes as seguintes perguntas norteadoras:

• Para vocês, o que é um herói?

• Vocês sabem quem foi Tiradentes?

• Sabem por que ele é considerado um herói?

• O que vocês entendem por República?

• Por que a data de 21 de abril se tornou um marco de memória?

Em seguida, sugere-se:

• Trabalhar o conceito de República.

• Construir com os estudantes a noção de herói cívico.

• Reforçar que a República precisava de um herói.

• Explicar por que Tiradentes foi escolhido.

• Compreender o motivo pelo qual o 21 de Abril foi transformado em um marco de memória e refletir a respeito.

Nação. No ano seguinte, um decreto tornou obrigatório que sua imagem tenha sempre barba. Assemelhavam-na, assim, à de Jesus Cristo. Enfim, a imagem atual de Tiradentes foi sendo construída durante a República.

Estátua em homenagem a Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier). Ao fundo, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Ouro Preto (MG). Fotografia de 2023.

ENCAMINHAMENTO

Professor, na seção

Escutar e falar , a intenção é que os estudantes recontem com as próprias palavras o que aprenderam com a transformação de Tiradentes em herói nacional e do dia de sua morte em um marco de memória. Desse modo, ela possibilita o trabalho com as competências específicas 4 e 6 de História.

| RESPOSTAS

1. Pesados impostos sobre o ouro e as pedras preciosas, apesar do esgotamento das jazidas na região mineira.

2. A independência de Minas Gerais; a proclamação de uma República com capital em São João del-Rei; a criação em Vila Rica (atual Ouro Preto) de uma Universidade e de uma Casa da Moeda.

3. Entre os principais líderes podemos citar Tomás Antônio Gonzaga, Claúdio Manuel da Costa, Inácio de Alvarenga Peixoto, padre Oliveira Rolim, padre Carlos Correia de Toledo, Joaquim Silvério dos Reis e Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por todos como Tiradentes.

4. Tiradentes foi condenado à morte. Ele foi enforcado e esquartejado, e as partes de seu corpo foram esparramadas pelo caminho que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais, ficando sua cabeça em Vila Rica.

5. Os demais participantes receberam a pena de degredo (exílio) nas colônias portuguesas do continente africano.

A TRANSFORMAÇÃO DO 21 DE ABRIL EM UM

MARCO DE MEMÓRIA

Em 21 de Abril de 1890, foi feita a primeira homenagem oficial a Tiradentes. O dia de sua morte foi transformado em feriado nacional. Estava presente na comemoração o então presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca. Começou aí a transformação de Tiradentes no que ele é hoje: herói nacional e um dos personagens mais conhecidos da História do Brasil.

Nos anos seguintes, o 21 de Abril continuou sendo comemorado em diversas partes do país.

Várias pinturas contribuíram para a valorização da figura de Tiradentes. O dia de sua morte, 21 de abril, consolidou-se como um marco de memória, isto é, uma data para ser lembrada e comemorada todos os anos.

ESCUTAR E FALAR

21 de Abril: dia da execução de Tiradentes na forca.

Bandeira dos conjurados (participantes da Conjuração Mineira, em 1789).

Façam uma pesquisa e escrevam no caderno sobre a Conjuração Mineira, movimento que teve Tiradentes como um de seus líderes. Sigam o roteiro.

1. As razões do movimento.

2. O que os rebeldes desejavam?

3. Principais líderes.

4. Qual foi a pena dada a Tiradentes?

5. Qual foi a pena dada aos demais participantes?

Montem slides ou um cartaz com textos e imagens para usar na apresentação à turma. O professor vai organizar as apresentações em data combinada.

Autoavaliação. Responda no caderno.

1. Os colegas escutaram o que eu disse?

2. Pronunciei as palavras corretamente?

3. Fiz gestos adequados?

| PARA O PROFESSOR

SITE. RODRIGUES, André Figueiredo. Tiradentes. Impressões Rebeldes, 21 abr. 2023. Universidade Federal Fluminense (UFF). Disponível em: https://www.historia.uff.br/ impressoesrebeldes/pessoa/ tiradentes/. Acesso em: 24 jul. 2025. O site contém um texto do professor André Figueiredo, autor de vários livros sobre temas voltados à Capitania de Minas Gerais, que incluem a vida e a trajetória de seu personagem mais

famoso: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

SITE. BASILE, Rodrigo. 21 de abril, dia de homenagear Tiradentes. Biblioteca Nacional, 21 abr. 2020. Disponível em: https://antigo.bn.gov.br/acontece/no ticias/2020/04/21-abril-dia-homenage ar-tiradentes. Acesso em: 24 jul. 2025. Texto sobre a trajetória de Tiradentes. Professor, se considerar conveniente, indique os dois sites para seus estudantes, pois eles agregam informações sobre a Conjuração Mineira.

ENCAMINHAMENTO

A TRANSFORMAÇÃO DO 5 DE JUNHO

EM MARCO DE MEMÓRIA

Após a Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, os problemas ambientais se agravaram. As duas bombas atômicas lançadas sobre o Japão no último ano daquela guerra causaram queimaduras graves e doenças variadas nos sobreviventes. Além disso, a poluição afetou a água, o ar e o solo, o que preocupou a comunidade internacional.

De lá para cá, surgiram outros problemas ambientais em diversos países do mundo, como o uso de pesticidas químicos na agricultura; as queimadas; o corte acelerado de árvores; a destruição do hábitat de espécies animais e consequentemente a extinção de muitas dessas espécies.

Para discutir os graves problemas ambientais que ameaçavam a vida na Terra, a ONU convocou a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo, na Suécia. Essa conferência, ocorrida em 1972, fixou 5 de Junho como Dia Mundial do Meio Ambiente, transformando esse dia em um marco de memória.

Hoje, a data é comemorada por governos, organizações não governamentais (ONGs), organismos internacionais e por escolas de várias partes do planeta.

PARA VOCÊ ASSISTIR

Ativistas trabalhando no plantio de árvore. Romênia, 2024.

• Dia Mundial do Meio Ambiente 2022. Vídeo (2min50s). Publicado pelo canal Pacto Global da ONU — Rede Brasil. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=kL4AzRh0iKY&t. Acesso em: 4 jun. 2025.

Vídeo sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente e a importância da preservação ambiental no Brasil.

TEXTO DE APOIO

Dia Mundial do Meio Ambiente: compromisso com o planeta Hoje, dia 5 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data importante para todos nós que estamos engajados na luta contra as mudanças climáticas. Neste momento crucial da história, é essencial lembrarmos do nosso compromisso de proteger e preservar o nosso planeta.

Neste dia especial, convido cada um de vocês a refletir sobre o impacto das nossas ações individuais e coletivas no

meio ambiente. Cada passo que damos em direção à sustentabilidade, seja através do uso consciente dos recursos naturais, da promoção de energias renováveis ou da conscientização da nossa comunidade, contribui para a construção de um mundo mais resiliente e justo.

Esta ocasião é mais uma oportunidade para reafirmar o nosso comprometimento em enfrentar os desafios climáticos e inspirar aqueles ao nosso redor a tomar medidas positivas. A sensibilização para as questões climáticas é fundamental, e temos a oportunidade de informar e educar, disseminando conhecimento sobre a

Pode-se iniciar o trabalho com o tema perguntando aos estudantes:

• Vocês sabem o que se comemora no dia 5 de junho?

• Por que essa data foi transformada em um marco de memória?

• Que atitudes vocês têm tomado para preservar o ambiente?

Em seguida, sugere-se:

• Reservar um momento para reflexão sobre as atitudes em relação ao meio ambiente.

• Explicar o contexto em que a data de 5 de junho foi transformada em um marco de memória.

• Refletir sobre o trabalho e as atribuições da ONU.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. ROCHA, Ruth; ROTH, Otavio. Azul e lindo: planeta Terra, nossa casa. São Paulo: Salamandra, 2014. O livro apresenta uma reflexão sobre a importância da preservação ambiental.

Reprodução de capa.

importância da preservação ambiental e das ações necessárias para mitigar as mudanças climáticas [...]. MORAES, Renata. Dia do Meio Ambiente: unidos pela proteção do nosso planeta. The Climate Reality BR, 5 jun. 2023. Disponível em: https:// www.climaterealityproject. org.br/post/dia-mundial-do -meio-ambiente-unidos-pela -proteção-do-nosso-planeta. Acesso em: 14 mar. 2025.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se introduzir o trabalho com esta página dizendo aos estudantes que a Lei Áurea foi e continua sendo importante para nós brasileiros.

• Destacar que, em 1888, as comemorações do 13 de Maio no Rio de Janeiro foram efusivas e duraram dias.

• Debater a importância e os limites da Lei Áurea.

• Refletir sobre a penúria dos libertos após a assinatura da Lei Áurea.

• Comentar que o racismo pode também ser entendido como uma teoria ou crença segundo a qual a “raça branca” é superior às demais.

ATIVIDADES

Roda de conversa. A Lei Áurea foi assinada em 13 de maio de 1888. Qual é a importância histórica dessa data?

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO . ESCRAVIDÃO no Brasil – Parte I. Vídeo (29min50s). Publicado pelo canal Rádio e TV Justiça. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=MTfBJkmbSzY. Acesso em: 16 jul. 2025. Documentário sobre a história dos africanos e de seus descendentes no Brasil. Aborda as condições desumanas enfrentadas pelos escravizados, as formas de resistência e a luta por liberdade. Também apresenta falas de importantes estudiosos do tema.

O 13 DE MAIO E O 20 DE NOVEMBRO

Sabemos que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, proibindo a escravidão no Brasil. Para os recém-libertos, porém, o 13 de Maio não trouxe os benefícios esperados. Eles não receberam terra para plantar e nenhum tipo de ajuda do governo. Sem terra, sem instrução, sem dinheiro e sem apoio do governo, muitos migraram para as cidades em busca de emprego. Lá chegando, tinham de aceitar serviços pesados, salários baixos e continuar convivendo com o racismo.

Ao longo das décadas seguintes, boa parte da comunidade negra continuou sem acesso à instrução e habitando morros ou cortiços nas grandes cidades.

Então, os negros iniciaram uma luta pela valorização de suas raízes, suas gentes e sua história. Durante essa caminhada, os representantes da comunidade negra consideraram que o 13 de Maio valorizava a princesa Isabel e omitia a participação dos negros nas lutas pelo fim da escravidão.

ARTIGO . CERRI, Luis Fernando; JANZ, Rubia Caroline. Articulação entre passado e presente a partir da compreensão do 13 de maio e do 20 de novembro por estudantes. Diálogos: Revista do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História, Maringá, v. 21, n. 2, 2017. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo. oa?id=305552668010. Acesso em: 24 jul. 2025.

O artigo se propõe a avaliar os resultados efetivos da implantação da Lei nº 10.639 com os estudantes da Educação Básica.

François Auguste Biard. Fuga de escravos. 1859. Óleo sobre tela, 33 cm × 52 cm.

A TRANSFORMAÇÃO DO

20 DE NOVEMBRO EM UM MARCO DE MEMÓRIA

Em 1971, o poeta rio-grandense Oliveira Silveira propôs que, em vez de comemorarmos o 13 de Maio, comemorássemos o 20 de Novembro, dia da morte de Zumbi, o principal líder do Quilombo dos Palmares. A ideia foi aceita por muitos. Em 20 de novembro daquele mesmo ano, fez-se em Porto Alegre a primeira grande homenagem a Zumbi. Pela primeira vez na história do Brasil, a comunidade negra elegia um herói, Zumbi dos Palmares, e uma data cívica, o 20 de Novembro, escolhendo, assim, quando e o que comemorar.

Essa comemoração no Rio Grande do Sul repercutiu em várias outras partes do Brasil. Na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, em 1978, o Movimento Negro Unificado (MNU) propôs esse dia como Dia Nacional da Consciência Negra. A proposta foi aceita por grupos, associações e movimentos negros de todo o país. Essa data passava, assim, a ser um novo marco de memória. Em 2023, foi aprovada a lei que transformou esse dia em feriado nacional.

Meninas quilombolas observam cartaz com candidatas a Princesa Africana durante Festa de Cultura Afro, em homenagem ao Dia da Consciência Negra, realizada na Escola Municipal Pastor Alcebíades Ferreira de Mendonça, na comunidade quilombola Sobara, no município de Araruama (RJ), 2015.

Despertar o interesse dos estudantes pelo tema perguntando a eles:

• Quem foi Zumbi?

• Qual é a importância de Zumbi para a nossa história?

• Vocês sabiam que a ideia de transformar a data de 20 de novembro em um marco de memória partiu do poeta Oliveira Silveira, do Rio Grande do Sul? Em seguida, sugere-se:

• Analisar a construção do dia 20 de Novembro.

• Esclarecer que o 20 de Novembro foi a primeira data cívica brasileira construída por um movimento popular.

• Conhecer o processo de transformação do 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra – em um marco de memória.

Oliveira Silveira.

PORTUGUESA

• Explicar o contexto em que o Dia Internacional da Paz foi estabelecido.

• Ressaltar a importância do fortalecimento dos ideais de paz entre os povos.

Professor, na seção, a intenção é incentivar os estudantes a refletir sobre as várias formas de violência presentes em nossa sociedade e a se posicionar a favor do diálogo pacífico e respeitoso como solução para os problemas humanos, colaborando, desse modo, para construir uma cultura da paz.

Esta seção incentiva o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF35LP21) Ler e compreender, de forma autônoma, textos literários de diferentes gêneros e extensões, inclusive aqueles sem ilustrações, estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.

Além disso, o trabalho de pesquisa de duas personalidades que se destacam pela construção de uma cultura de paz, nas atividades da seção, incentiva o trabalho com as competências gerais 2 e 3

DIALOGANDO

Em um mundo marcado por violências (conflitos, atentados terroristas e guerras entre povos), a Assembleia Geral da ONU estabeleceu, em 21 de setembro de 1981, o Dia Internacional da Paz, dedicado a comemorar e fortalecer os ideais de paz dentro de todas as nações e entre os povos. O objetivo desse fortalecimento do ideal de paz é diminuir e, se possível, eliminar as causas de conflito entre os povos.

Crianças e professores de escola pública no município de São Paulo (SP) realizam caminhada para o fortalecimento da cultura da paz no ambiente escolar. Fotografia de 2023.

DIALOGANDO

Observe a obra ao lado com atenção.

• Como você interpreta essa obra?

• O título da obra é Menina com balão. Que outro título você daria a ela? Respostas pessoais.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO. WILLIAMS, Sam; MORIUCHI, Mique. Diga Paz. São Paulo: Scipione, 2005.

A obra mostra como a harmonia entre os povos e o respeito às diferenças é fundamental para a conquista da paz.

Banksy. Menina com balão, 2002. Pintura grafite feita em mural.

• Leia o cordel a seguir. Depois, reúna-se com um colega e façam no caderno as atividades propostas.

Cordel da Paz

Convido a sociedade

Para a marcha mundial

Onde a paz do ser humano

É o tema principal

Pelo senso de urgência

Ações de não violência

Sejam o nosso ideal

Invoco Mahatma Gandhi

Luther King e outros mais

Na luta por liberdade

E direitos sociais

Presentes pela memória

Unindo nossa história

No mesmo sonho de paz

[...]

Para se chegar na paz

É preciso um novo olhar

Entender que cada ser

Navega no mesmo mar

Que cada um é irmão

Na mesma embarcação

Aprendendo a navegar

[...]

Romero Meneses. Cordel da Paz. Recanto das Letras, 20 jan. 2009. Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/ cordel/1394538. Acesso em: 28 maio 2025.

Gandhi, 1930.

a) Qual é o convite feito pelo autor na primeira estrofe?

1966.

pesquisa das duas personalidades, ampliando os conhecimentos dos estudantes.

• Qual é a importância de textos populares, como o cordel, abordarem temas como paz, igualdade e fraternidade?

Professor, no item b da atividade 1, pode-se fazer os seguintes comentários acerca das personagens pesquisadas: Mahatma Gandhi (1869-1948) foi um líder pacifista hindu que conduziu o processo de independência da Índia. Martin Luther King (1929-1968) foi um pacifista afro-americano, pastor da Igreja batista e doutor em teologia. Lutou por direitos iguais para negros e brancos nos Estados Unidos.

O autor convida a sociedade para uma marcha mundial em favor da paz. Produção pessoal.

b) No texto, o autor cita Mahatma Gandhi e Luther King. Pesquise quem foram esses dois grandes líderes.

c) O que Mahatma Gandhi e Luther King tinham em comum?

Ambos propunham resistir e lutar por liberdade e direitos iguais sem fazer uso da violência.

ENCAMINHAMENTO

Orientar os estudantes a realizar a leitura individual do cordel e fazer os seguintes registros: anotar no caderno as palavras desconhecidas; descrever sentimentos que tiveram ao ler; escrever palavras em que pensaram durante a leitura (estabelecimento de relações); redigir perguntas sobre o que não entenderam. Após essa primeira leitura e de posse dos registros, promover uma

conversa literária, de forma a construir os sentidos do texto. Alguns questionamentos podem auxiliar no desenvolvimento dessa conversa:

• Qual é a temática do cordel?

• Que sentimentos vocês tiveram ao ler o cordel?

• Quem foram Mahatma Gandhi e Martin Luther King? Qual é a importância desses personagens para a construção de um mundo mais justo e solidário? Pode-se solicitar a

Gandhi propunha a resistência pacífica aos ingleses, que à época dominavam a Índia. Suas principais táticas eram: resistir com desobediência civil e sem uso da violência; por isso, incentivava os indianos a não obedecerem às leis inglesas que os discriminavam em sua própria terra. Inspirado em Gandhi, Martin Luther King também propunha a resistência pacífica na sua luta por direitos iguais entre negros e brancos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Mahatma
Martin Luther King,

RETOMANDO

Professor, as atividades visam consolidar o conhecimento adquirido no trabalho com a unidade, com base em uma avaliação formativa, permitindo verificar a aprendizagem e a fixação dos conteúdos, bem como o desenvolvimento das habilidades sugeridas.

• Orientar a resolução das atividades.

• Atentar às dificuldades diante da resolução das atividades.

• Observar a progressão das aprendizagens da turma, verificando se o ritmo de desenvolvimento atendeu ao conjunto dos estudantes.

• Verificar quais estudantes tiveram mais dificuldade com o conteúdo da unidade e pensar em estratégias de remediação das lacunas e dificuldades. As atividades retomam o trabalho com as habilidades (EF05HI07) e (EF05HI10).

TEXTO DE APOIO

Importância pedagógica do seminário

Ao apresentar um seminário, o estudante passa a exercer o papel de especialista num determinado assunto. [...] O seminário [...] é um gênero que pode oferecer condições efetivas de interações reais e de fornecimento de contextos de comunicação também distintos [...]. Dessa forma, [...] o papel da escola seria [...] o de levar os alunos a aprenderem a moldar as formas cotidianas de produção oral a outras esferas mais formais de utilização da língua. [...]

RETOMANDO

1 Sobre o conceito de patrimônio, responda no caderno:

a) O que é Patrimônio Cultural?

Patrimônio Cultural é tudo que tem um valor especial para um povo e deve ser conservado.

b) O Patrimônio Cultural pode ser material e imaterial. Explique cada um desses termos.

Patrimônio Material: bens palpáveis (cidade histórica, o prédio de um museu etc.). Patrimônio Imaterial: bens impalpáveis (uma festa, uma dança, o modo de fazer um alimento etc.).

2 Leia com atenção o trecho a seguir, de um artigo sobre um símbolo do frevo. Depois, faça as atividades no caderno.

Sombrinha – No começo, era usada para proteger do sol e até como arma, em caso de conflito. Com o passar do tempo, foi ficando menor e mais colorida e se tornando uma tradição e símbolo do frevo.

Carnaval do Recife. O que é o frevo? Portal EBC, 5 fev. 2013. Disponível em: https://memoria.ebc.com.br/infantil/voce -sabia/2013/02/o-que-e-o-frevo. Acesso em: 4 jun. 2025.

usada no frevo.

a) Hoje, a sombrinha tornou-se um símbolo do frevo. E no passado, qual era a função dela?

No passado, ela era usada como proteção contra o sol e também como arma. Depois, foi ficando menor e ganhando cores, até se tornar um símbolo do frevo.

b) O texto registra uma mudança ou uma permanência em um dos elementos do frevo? O texto registra uma mudança.

3 Seminário. Pesquisem a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. A seguir, escolham um bem para ser objeto de estudo.

a) Montem uma ficha no caderno.

• Nome

• Local

• Data de tombamento

• Por que foi tombado?

b) Depois, com a mediação do professor, apresentem um seminário no qual cada grupo vai explicar para os demais colegas por que o bem escolhido está na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

Produção pessoal. 140

GONÇALVES, Adair Vieira. O gênero “seminário” como objeto de ensino-apren dizagem: modelo didático. Academia.edu, [2025]. Disponível em: https://d1wqtxts1x zle7.cloudfront.net/34583153/O_genero_ seminario_como_objeto_de_ensino -aprendizagem_modelo_didatico -libre.pdf. Acesso em: 21 ago. 2025.

ATIVIDADES

Em grupo. Produzam verbetes de enciclopédia sobre os seguintes Patrimônios da Humanidade no Brasil: Conjunto Moderno da Pampulha; Cidade

de Goiás; São Miguel das Missões; Samba de Roda; Frevo; e Capoeira. Estruturem o texto com as características do gênero verbete e ilustrem.

Professor, a atividade contribui para o desenvolvimento da seguinte habilidade de Língua Portuguesa: (EF04LP22) Planejar e produzir, com certa autonomia, verbetes de enciclopédia infantil, digitais ou impressos, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Sombrinha
RANILSONARRUDA/SHUTTERSTOCK COM

4 Observe a tirinha a seguir. Depois, responda no caderno às questões propostas.

a) Quem são os personagens dos quadrinhos?

Os personagens dos quadrinhos são um adulto e uma criança (Armandinho).

b) Sobre o que os personagens dos quadrinhos estão conversando?

Eles estão conversando sobre o significado da palavra tombamento

c) O que o Armandinho entendeu por “tombar um prédio”?

Ele entendeu tombar como sinônimo de derrubar

d) Com que objetivo o Iphan tomba um bem cultural?

Tomba com o objetivo de conservar esse bem cultural e impedir sua destruição.

| PARA O ESTUDANTE

LIVRO . FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Brinque-Book, 1984.

O livro conta a história de Guilherme, um menino que tenta descobrir o que é memória.

5 No caderno, escreva um pequeno texto diferenciando memória individual de memória coletiva

6 Leiam o texto a seguir, escrito em 1981, ano em que o Dia Internacional da Paz foi criado.

[...] é na mente dos homens que as defesas da paz devem ser construídas. [...]

[...] a paz baseada exclusivamente nos arranjos políticos e econômicos dos governos não seria uma paz que pudesse assegurar o apoio sincero [e] duradouro dos povos do mundo [...] a paz, para que perdure, deve [...]ser fundada sobre a solidariedade [...] da humanidade.

Comitê da cultura de paz e não violência. A Unesco e a cultura de paz Disponível em: http://www.comitepaz.org.br/a_unesco_e_a_c.htm. Acesso em: 15 jul. 2025.

Respondam no caderno. A imprensa tem noticiado um aumento da violência nas escolas brasileiras. Com base em seus conhecimentos e nas leituras que fizemos ao longo desta unidade, reflitam e deem sugestões: O que podemos fazer pela paz nas escolas?

Resposta pessoal.

4. Quando os acontecimentos e experiências dizem respeito à vida de cada um de nós, trata-se de memória individual. Quando as experiências e os acontecimentos são importantes para a sociedade como um todo, trata-se de memória coletiva. Alexandre Beck. Armandinho. In: Alexandre Beck. Armandinho Onze. Florianópolis: Edição do autor, 2019. p. 38.

| PARA O PROFESSOR

VÍDEO . BRASIL possui 25 manifestações reconhecidas como patrimônio imaterial pela Unesco. 2012. Vídeo (3min13s). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=X6QWNyM6IHU. Acesso em: 24 jul. 2025.

O vídeo apresenta exemplos de patrimônios brasileiros reconhecidos pela Unesco.

29/09/25 14:53

VÍDEO. QUEM FOI Martin Luther King Jr.? 2021. Vídeo (6min57s). Publicado pelo canal Brasil Escola Oficial. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=qObXGguaLTk. Acesso em: 24 jul. 2025.

O vídeo apresenta a trajetória de Martin Luther King Jr., líder fundamental na luta pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos, destacando suas ações pacifistas e seu legado.

Reprodução da capa. LIVRO. LESSA, Orígenes. Memórias de um cabo de vassoura. São Paulo: Global, 2012. Na obra, o narrador-personagem é um cabo de vassoura que conta sua trajetória desde que o arrancaram de uma árvore até a chegada ao mundo dos seres humanos. O livro reflete sobre a natureza humana e a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Reprodução da capa.

Professor, com as atividades desta seção, pretendemos oferecer recursos para avaliação somativa. Junto às demais avaliações realizadas, elas contribuem para a mensuração da eficácia do processo de ensino-aprendizagem neste ciclo.

Com base no resultado da avaliação somativa, pode-se verificar se os seguintes objetivos de aprendizagem foram atingidos:

| UNIDADE 1

• Trabalhar o conceito de cultura.

• Retomar o conceito de tempo e suas dimensões.

• Conhecer os processos de passagem do nomadismo ao sedentarismo.

• Apresentar diferentes tipos de calendário.

• Consolidar o significado de sedentarismo.

• Mostrar a importância da descoberta da agricultura e seus desdobramentos.

• Explicar a formação das primeiras cidades.

• Analisar o papel das culturas e das religiões nas identidades dos povos antigos, tendo como exemplo a Mesopotâmia e o Egito.

• Estimular o respeito à diversidade cultural e à prática da cidadania.

| UNIDADE 2

• Trabalhar a noção de cidadania.

• Estimular o respeito à diversidade e à pluralidade.

O QUE APRENDEMOS

2. Nas sociedades africanas, as pessoas idosas possuem um saber digno de ser conhecido e compartilhado. E os que já morreram continuam influenciando os vivos. Muitas famílias africanas e afro-brasileiras se guiam pelos ensinamentos de avós e bisavós, mesmo após suas mortes.

1 Explique, escrevendo um pequeno texto no caderno, a diferença entre o modo de vida de um povo que se baseia no tempo cronológico e o de um povo que se guia pelo tempo da natureza.

2 Comente, no caderno, a afirmação: “Nas sociedades africanas, a pessoa idosa é vista como uma biblioteca viva.”.

3 O esquema a seguir mostra uma forma de ordenação social comum entre os povos da Antiguidade. Crie uma legenda para ele e registre-a no caderno. Produção pessoal.

Nas aldeias, o poder estava distribuído entre os chefes de famílias. Era comum as famílias se juntarem para se defender de outros grupos familiares. A junção de várias famílias formava um clã. E a reunião de vários clãs formava uma tribo.

Família 1

Família 2 Família 3 Família 4 Família 5 Família 6

4 Avalie as afirmativas a seguir e, depois, registre as corretas no caderno. São características que distinguem a cidade da aldeia:

Alternativas a, c e d

a) Maior divisão do trabalho.

b) Ausência de divisão do trabalho.

c) Comércio feito com regularidade.

d) Poder centralizado.

5 Leia as afirmativas sobre a religiosidade dos povos antigos e registre-as no caderno. Use M para as que dizem respeito à religiosidade mesopotâmica e E para as que dizem respeito à egípcia.

a) Eram politeístas.

E.

b) Acreditavam que os deuses mudam de humor.

c) Acreditavam na vida após a morte.

d) A morada dos deuses era o templo.

• Reconhecer os direitos enquanto conquista histórica.

• Trabalhar o bloco conceitual diferenças e semelhanças.

| UNIDADE 3

• Comparar as diferentes linguagens e seus usos no processo de comunicação.

• Valorizar o uso e o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais.

• Relacionar a noção de cidadania à conquista de direitos dos povos.

• Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação.

• Avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a essas linguagens e tecnologias.

• Discernir e debater diferentes pontos de vista sobre temas do nosso dia a dia.

• Estimular os estudantes a usar diferentes fontes históricas para embasar esse debate.

TRIBO
M,

6 Observe a fotografia e leia o artigo a seguir. Depois, faça no caderno as atividades propostas.

Fonte 1

6. a) Erosão: desgaste e/ou deslocamento de materiais da superfície da Terra pela ação da água, do gelo e do clima. Arqueólogo: profissional que estuda os povos por meio dos vestígios deixados por eles, como restos de casas, instrumentos de trabalho, pinturas feitas em rochas, vasos, entre outros.

Fonte 2

7. b) O povo sumério escrevia em tabuinhas feitas de argila úmida, que depois eram colocadas ao sol para secar. Para escrever, usavam uma espécie de palito afiado de extremidade triangular, com o qual faziam sinais em forma de cunha.

Peru: a cidade pré-histórica de Chan Chan

[...] a cidade pré-histórica de Chan Chan [...] foi império do povo Chimú [...].

[...] Todas as construções são feitas em adobe e [...] se preservaram ao longo dos séculos, fazendo do local a maior cidade de barro do mundo.

[...]

Adobe: tijolo grande de argila.

Pesquisas estimam que toda a cidade de Chan Chan já tenha ocupado uma área de mais de 22 km², mas atualmente restam cerca de 14. Em 1986, foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e os esforços do governo peruano e de arqueólogos de manterem as construções são grandes, já que o poder da erosão é um fator de risco para suas construções. [...]

Chan Chan: conheça a maior cidade de barro do mundo. Machu Picchu Brasil, 29 maio 2019. Disponível em: https://machupicchubrasil.com.br/blog/chan-chan/. Acesso em: 12 jun. 2025. Grifo nosso.

a) Dê o significado de erosão e arqueólogo

b) Por qual razão esse Patrimônio da Humanidade está em perigo?

Por causa da erosão.

7 Sobre o desenvolvimento da escrita pelos sumérios, responda no caderno:

a) Por que eles a desenvolveram?

Para controlar os recebimentos, os pagamentos e a circulação de produtos.

b) Como e onde o povo sumério escrevia?

c) Quais benefícios o desenvolvimento da escrita trouxe para a humanidade?

A escrita possibilitou à humanidade armazenar ideias e experiências e transmiti-las às futuras gerações.

| UNIDADE 4

• Levantar patrimônios materiais e imateriais da humanidade.

• Analisar mudanças e permanências nesses patrimônios no tempo.

• Trabalhar os conceitos de patrimônio material, imaterial e natural.

• Apresentar alguns exemplos de patrimônios culturais brasileiros.

• Diferenciar patrimônio material de patrimônio imaterial.

• Caracterizar patrimônio natural.

143

29/09/25 14:53

• Trabalhar o conceito de marco de memória.

• Analisar a presença ou a ausência de diferentes grupos na nomeação desses marcos de memória.

• Analisar a transformação do 21 de Abril em um marco de memória.

Ruínas da cidade de Chan Chan, Peru.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COMENTADAS

ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de; FRAGA, Walter. Uma história da cultura afro-brasileira. São Paulo: Moderna, 2009.

O livro trata da cultura afro-brasileira em seus diversos aspectos.

ANGTHICHAY et al O povo pataxó e suas histórias São Paulo: Global, 2002. (Coleção Temática Indígena).

Livro escrito e ilustrado por cinco professores indígenas apresentando as histórias de seu povo.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil . Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm. Acesso em: 17 set. 2025.

Texto da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

BRASIL. Lei no 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/ l13146.htm. Acesso em: 21 maio 2025.

Texto do Estatuto da Pessoa com Deficiência.

BRASIL. Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm. Acesso em: 1o ago. 2025.

Texto do Estatuto do Idoso.

FONTENELE, Marina. “Uso do internetês pode prejudicar futuro profissional”, diz especialista. G1 SE, Aracaju, 23 out. 2013. Disponível em: https://g1.globo. com/se/sergipe/noticia/2013/10/uso-do-internetes -pode-prejudicar-futuro-profissional-diz-especialista. html. Acesso em: 22 maio 2025.

Texto sobre os efeitos prejudiciais do internetês no futuro profissional de jovens e crianças.

IMENES, Luiz Márcio; LELLIS, Marcelo. Os números na história da civilização. São Paulo: Scipione, 1999. (Coleção Vivendo a Matemática).

Livro sobre a importância da matemática na história.

INVENTÁRIO NACIONAL DA DIVERSIDADE LINGUÍSTICA (INDL). Diversidade Linguística – No Brasil, são faladas mais de 250 línguas. Iphan, Brasília, DF, [20--]. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/ indl. Acesso em: 10 maio 2025.

Texto sobre a diversidade linguística no Brasil.

PIFFER, Paula. Net speak: a linguagem da internet prejudica o aprendizado? Blog Leiturinha, 11 set. 2019. Disponível em: https://leiturinha.com.br/blog/ net-speak-a-linguagem-da-internet-prejudica-o -aprendizado/. Acesso em: 22 maio 2025.

Texto sobre a influência da linguagem da internet no aprendizado das crianças.

PINSKY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi (org.). História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003. Livro sobre a história da cidadania.

PROUS, André. Arqueologia brasileira. Brasília, DF: Editora da UnB, 1992.

Livro sobre o passado remoto brasileiro na visão da arqueologia.

RAWICK, Myriam; LOBJOIS, Philippe. O diário de Myriam: a guerra da síria vista pelos olhos de uma menina. Tradução de Maria Clara Carneiro. São Paulo: Darkside, 2018.

Relato da jovem Myriam e seu cotidiano na Guerra da Síria.

REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. (Que História é Esta?). Livro sobre a história da Mesopotâmia.

SANTOS, Emily. Não é brincadeira, é bullying: entenda comportamentos que configuram crime e saiba como agir. G1 São Paulo, São Paulo, 7 abr. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/ noticia/2024/04/07/nao-e-brincadeira-e-bullying -entenda-comportamentos-que-configuram-crime-e -saiba-como-agir.ghtml. Acesso em: 22 maio 2025. Reportagem sobre bullying e a importância de combater essa prática.

SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. 16. ed. ver. atual. São Paulo: Atual, 1994. (Discutindo a História). Livro sobre o contexto da arte e da cultura do Renascimento.

UNICEF. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Unicef Brasil, Brasília, DF, 10 dez. 1948. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal -dos-direitos-humanos. Acesso em: 13 maio 2025. Texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos. VELOSO, Victor. Cartinhas e brinquedos: crianças se sensibilizam e fazem doações para o Rio Grande do Sul. CBN, Belo Horizonte, 8 maio 2024. Disponível em: https://cbn.globo.com/programas/cbn-bh/ noticia/2024/05/08/cartinhas-e-brinquedos-criancas -se-sensibilizam-e-fazem-doacoes-para-o-rio-grande -do-sul.ghtml. Acesso em: 22 maio 2025.

Reportagem sobre crianças que fizeram doações e escreveram cartas às vítimas de enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

MATERIAL DE APOIO

AO PROFESSOR

Esta coleção, destinada ao 3o, 4o e 5o anos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, tem alguns pilares de sustentação, que listamos a seguir.

1.

LER E ESCREVER É UM COMPROMISSO DE TODAS AS ÁREAS

O desenvolvimento da competência leitora e escritora é responsabilidade de todas as áreas de conhecimento, e não somente da área de Língua Portuguesa. Portanto, entendemos que ler e escrever também é um compromisso de componentes como Matemática, Geografia e História.

Isso ajuda a explicar a ênfase que demos à leitura e à escrita nos três volumes. A História, importante ciência humana, pode e deve dar uma contribuição decisiva nesse processo, e uma das condições para isso é o trabalho planejado com diferentes tipos de texto e com uma diversidade de linguagens (cinematográfica, fotográfica, pictórica; a dos quadrinhos, a da charge, a da literatura, a dos jornais, entre outras).

Boa parte do que os estudantes aprendem nas aulas de História é resultado da leitura (de textos e imagens), daí a importância de familiarizá-los também com os procedimentos de leitura, específicos, diferenciados e adequados a cada um desses registros. Sem adentrarmos na discussão teórica sobre o assunto, é importante lembrar que imagem e texto possuem estatutos diferentes e demandam tratamentos e abordagens diferenciados.

Sabendo-se que a leitura possibilita o acesso a conteúdos e conceitos históricos, a tarefa de ensinar a ler e escrever deve ser vista como parte integrante de um curso de História para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Ao receberem um tratamento adequado, os textos e as imagens deixam de servir só para ilustrar ou exemplificar determinado tema e passam a ser materiais a serem interrogados, confrontados, comparados e contextualizados.

Com esse objetivo, estimulamos a leitura de diferentes gêneros de texto e exploramos de forma sistemática a leitura e a interpretação de imagens fixas. Além disso, incentivamos a escrita, inclusive porque ler e escrever são competências interdependentes e complementares. Eis uma contribuição de especialistas no assunto:

O que seria ler e escrever nas diferentes áreas do currículo escolar? Esse é um dos objetivos que estabelecemos para este livro: desconfinar a discussão sobre leitura e escrita, ampliando o seu âmbito desde a biblioteca e a aula de português para toda a escola. E um dos méritos desse desconfinamento foi a descoberta da leitura e da escrita como confluências multidisciplinares para a reflexão e ação pedagógica. [...]

Temos claro que ler e escrever sempre foram tarefas indissociáveis da vida escolar e das atribuições dos professores. Ler e escrever bem forjaram o padrão funcional da escola elitizada do passado, que atendia a parcelas pouco numerosas da população em idade escolar. Ler e escrever massiva e superficialmente tem sido a questão dramática da escola recente, sem equipamentos e estendida a quase toda a população.

A sociedade vê a escola como o espaço privilegiado para o desenvolvimento da leitura e da escrita, já que é nela que se dá o encontro decisivo entre a criança e a leitura/escrita.

Todo estudante deve ter acesso a ler e escrever em boas condições, mesmo que nem sempre tenha uma caminhada escolar bem traçada. Independente de sua história, merece respeito e atenção quanto a suas vivências e expectativas. Daí a importância da intervenção mediadora do professor e da ação sistematizada da escola na qualificação de habilidades indispensáveis à cidadania e à vida em sociedade, para qualquer estudante, como são o ler e o escrever.

NEVES, Iara C. Bitencourt et al. (org.). Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. 9. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2011. p. 15-16.

Daí termos usado, nesta nossa obra, textos historiográficos, históricos, literários, biográficos, depoimentos, entrevistas, notícias, obras de arte, fotografias, desenhos, charges, tiras de quadrinhos, mapas, gráficos, tabelas, cartazes de propaganda, entre outros.

É esse trabalho sistemático e planejado que permitirá aos estudantes, leitores e escritores, com a mediação do professor, conquistar autonomia para ler e contextualizar textos e imagens. Nesta coleção, além da importância dada à leitura e à interpretação, buscamos estimular também o desenvolvimento da competência escritora.

2. A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

Esta coleção foi elaborada com o propósito de promover a articulação dos saberes já apropriados pelos estudantes ao desenvolvimento das competências e habilidades definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esse documento define as aprendizagens essenciais ‒ sendo elas de ordem cognitiva, socioemocional e ética ‒ a que todos os estudantes devem ter direito ao longo da Educação Básica.

2.1 – A LEGISLAÇÃO QUE DÁ SUPORTE À BNCC

A BNCC está respaldada em um conjunto de marcos legais. Um deles é a Constituição de 1988, que, em seu artigo 210, já determinava: “serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais” (Brasil, 1988).

Outro marco é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9.394/96-LDB), que, no inciso IV de seu Artigo 9o, afirma:

[...] cabe à União [...] estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum.

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 29 ago. 2025.

A LDB determina também que as competências e diretrizes são comuns, e os currículos são diversos. Essa relação entre o básico-comum e o que é diverso está presente no Artigo 26 da LDB, que diz que:

[...] os currículos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 30 jul. 2025.

Disso decorre que o currículo a ser construído deve, então, ser contextualizado. Entende-se por contextualização: a inclusão e a valorização das diferenças regionais, ou mesmo locais, e o atendimento à diversidade cultural. Esses são os fundamentos das Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, de 2010, que estabeleceram marcos comuns para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental e demais níveis do Ensino Básico tendo por base a LDB.

Outro marco legal em que a BNCC se apoia é na Lei no 13.005, de 2014, que promulgou o Plano Nacional de Educação (disponível em: http://www2.camara.leg.br/ legin/fed/lei/2014/lei-13005-25-junho-2014-778970-publicacaooriginal-144468-pl.html; acesso em: 29 ago. 2025). Isso é coerente com o fato de que o foco da BNCC não é o ensino, mas a aprendizagem como estratégia para impulsionar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades.

2.2 – A BNCC E A BUSCA POR EQUIDADE

A busca por equidade na educação demanda currículos diferenciados e afinados com as inúmeras realidades existentes no país. A equidade leva em conta também a variedade de culturas constitutivas da identidade brasileira. Além disso, reconhece a diversidade de experiências que os estudantes trazem para a escola e as diferentes maneiras que eles têm de aprender.

A busca por equidade visa também incluir grupos minoritários, como indígenas, ciganos, quilombolas e o das pessoas que não tiveram a oportunidade de frequentar uma escola. Também se compromete com estudantes com algum tipo de deficiência, reconhecendo a necessidade de práticas pedagógicas inclusivas, conforme estabelecido na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei no 13.146/15).

2.3 – BNCC E CURRÍCULOS

A BNCC e os currículos estão afinados com os marcos legais citados nesta apresentação e têm papéis complementares. Para cumprir tais papéis, o texto introdutório da BNCC propõe as seguintes ações:

• contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares [...];

• decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares [...];

• selecionar e aplicar metodologias e estratégias didático-pedagógicas [...];

• conceber e pôr em prática situações e procedimentos para motivar e engajar os alunos nas aprendizagens;

• construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado [...];

• selecionar, produzir, aplicar e avaliar recursos didáticos e tecnológicos [...];

• criar e disponibilizar materiais de orientação para os professores [...];

• manter processos contínuos de aprendizagem sobre gestão pedagógica e curricular [...].

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 16-17. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 jul. 2025.

A implementação da BNCC deve levar em conta, então, os currículos elaborados por estados e municípios, bem como por escolas. No aspecto pedagógico, os conteúdos curriculares deverão estar a serviço do desenvolvimento de competências. Competência pode ser definida como possibilidade de utilizar o conhecimento em situações que requerem sua aplicação para tomar decisões pertinentes.

Não é demais lembrar que a elaboração de currículos com base em competências está presente em grande parte das reformas curriculares de diversos países do mundo. Essa é também a abordagem adotada nas avaliações internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que coordena o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês).

2.4 – AS 10 COMPETÊNCIAS GERAIS PROPOSTAS PELA BNCC

Alinhados à preocupação com o desenvolvimento global do estudante, elencamos a seguir as 10 competências gerais presentes na BNCC, que subsidiaram a produção da coleção de História que ora oferecemos à leitura.

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 9-10. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 jul. 2025.

2.5 – TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS (TCTS)

Os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) presentes na BNCC desafiam os estudantes a se posicionarem diante de questões urgentes e decisivas para seu desenvolvimento socioemocional, intelectual e como cidadãos. Os TCTs se interligam às competências gerais e específicas e, ao mesmo tempo, estimulam a reflexão e o debate sobre desafios do dia a dia dos estudantes, contribuindo para que desenvolvam seu projeto de vida e preparando-os para que atuem com consciência e autonomia na comunidade em que vivem.

Os TCTs incentivam os estudantes a refletir e a agir para melhorar o meio ambiente, a adotar o consumo consciente, a lidar com o próprio dinheiro, a cuidar de sua saúde, com atenção à alimentação, a respeitar as regras de trânsito, a reconhecer e valorizar a diversidade cultural existente no Brasil e a usar a ciência e a tecnologia para solucionar problemas e em defesa da humanidade. Assim, eles se relacionam com importantes direitos e normas da legislação brasileira, com destaque para:

• Direitos das crianças e adolescentes (Lei no 8.069/90);

• Educação para o trânsito (Lei no 9.503/97);

• Estatuto da pessoa idosa (Lei no 10.741/03);

• Preservação do meio ambiente (Lei no 9.795/99);

• Educação alimentar e nutricional (Lei no 11.947/09);

• Educação em direitos humanos (Decreto no 7.037/09).

Vale dizer também que, no atual contexto, o enfrentamento desses temas por todos é necessário e urgente, daí serem chamados de contemporâneos; além disso, os TCTs podem e devem ser trabalhados por diferentes componentes curriculares, daí serem chamados de transversais. Os Temas Contemporâneos Transversais não integram nenhuma área de conhecimento em especial, mas atravessam todas elas e se conectam à realidade dos estudantes.

Os TCTs são 15 e estão agrupados em seis macroáreas temáticas (meio ambiente, economia, saúde, cidadania e civismo, multiculturalismo, ciência e tecnologia), como pode ser observado no organograma a seguir.

Meio ambiente

Educação ambiental

Ciência e tecnologia

Ciência e tecnologia

Multiculturalismo

Diversidade cultural

Educação para valorização do multiculturalismo

nas matrizes históricas e culturais brasileiras

Educação para o consumo

Temas

Contemporâneos

Transversais na BNCC

Cidadania e civismo

Vida familiar e social

Educação para o trânsito

Educação em direitos humanos

Direitos da criança e do adolescente

Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso

Economia

Trabalho

Educação financeira

Educação fiscal

Saúde

Saúde

Educação alimentar e nutricional

Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC. Brasília, DF: MEC, 2019. p. 7.

3. ALFABETIZAÇÃO

A alfabetização pode ser entendida como um processo que abarca desde a aquisição do código alfabético até o uso social da língua e das diferentes linguagens, nas mais diversas práticas sociais cotidianas. Com base nos estudos de Magda Soares e de modo sintético, a alfabetização pode ser entendida como aquisição do sistema de escrita (código alfabético), enquanto o multiletramento pode ser visto como desenvolvimento por parte do estudante de práticas sociais de leitura e escrita.

Dispostos a participar do processo de formação de leitores/escritores e do debate teórico que embasa esse esforço, fazemos nossas as palavras inscritas em um documento oficial:

O ensino tradicional de alfabetização em que primeiro se aprende a “decifrar um código” a partir de uma sequência de passos/etapas, para só depois se ler efetivamente, não garante a formação de leitores/escritores.

[...]

Por outro lado, é importante destacar que apenas o convívio intenso com textos que circulam na sociedade não garante que os alunos se apropriem da escrita alfabética, uma vez que essa aprendizagem não é espontânea e requer que o aluno reflita sobre as características do nosso sistema de escrita. [...]

SANTOS, Carmi Ferraz; MENDONÇA, Márcia (org.). Alfabetização e letramento: conceitos e relações. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. p. 18.

Por isso, decidimos nesta coleção contribuir tanto com a alfabetização do estudante quanto na sua inserção em práticas multiletradas, pois sabemos que é isso que vai

ajudá-lo a se comunicar, refletir, propor, opinar e se posicionar diante de situações desafiadoras, preparando-se para o exercício da cidadania. Daí a nossa decisão de apresentar propostas de atividades cujo objetivo é ajudar o estudante na aquisição do código alfabético e no domínio de múltiplas linguagens.

Textos de diferentes gêneros e formatos (escritos, visuais, híbridos), bem como propostas de escrita com diferentes propósitos, contribuem para a formação do leitor e do produtor textual competente. Entende-se por leitor competente aquele que é capaz de realizar leituras com diferentes propósitos (para estudar, para buscar informações, para se divertir, para seguir instruções, entre outros) e compreendê-las; e por escritor competente aquele que consegue se comunicar (verbalmente ou por escrito), fazer-se compreender. Vale ressaltar que a produção oral também precisa ser considerada produção textual e que os gêneros orais, como debates regrados, seminários, podcasts , entre outros, são gêneros que precisam ser ensinados no espaço escolar.

3.1 – O COMPROMISSO NACIONAL CRIANÇA ALFABETIZADA

Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2019 e 2021 revelaram um grave impacto da pandemia de covid-19 sobre a alfabetização das crianças brasileiras: a queda no percentual de 54,8% para 49,4% de crianças alfabetizadas. Considerando as consequências dessa defasagem na trajetória escolar e, de um modo mais amplo, na vulnerabilização social e econômica dessas crianças, o Ministério da Educação retomou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa e propôs uma reformulação nessa política pública à luz dos desafios do presente. Daí resultou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, de junho de 2023, que:

[...] tem como finalidade garantir o direito à alfabetização das crianças brasileiras até o final do 2o ano do ensino fundamental e foca a recuperação das aprendizagens das crianças do 3o, 4o e 5o ano afetadas pela pandemia. O Compromisso estabelece, entre seus princípios, a promoção da equidade educacional, sendo considerados aspectos regionais, socioeconômicos, étnico-raciais e de gênero; a colaboração entre os entes federativos; e o fortalecimento das formas de cooperação entre estados e municípios.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Brasília, DF: MEC. [2025]. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/crianca-alfabetizada. Acesso em: 17 set. 2025.

3.2 – O PISA E A COMPETÊNCIA LEITORA

O Pisa é um exame que busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade. Ele é organizado pela OCDE e ocorre de três em três anos.

Na primeira edição do Pisa, em 2000, o Brasil obteve 396 pontos em leitura; na sexta, ocorrida em 2015, atingiu a casa dos 407 pontos. Na edição de 2018, a média dos estudantes brasileiros foi a 413 pontos, um pequeno avanço em relação ao exame de 2015. Depois, em 2022, a média dos estudantes brasileiros foi a de 410 pontos em leitura. É certo que houve uma melhoria desse indicador em relação à primeira edição, quando o resultado do Brasil foi de 396 pontos, mas essa elevação, segundo critérios da OCDE, não é estatisticamente relevante. Portanto, a situação de dificuldade com a competência leitora entre nossos estudantes tem permanecido estável por muito tempo, por isso o assunto merece atenção.

Sabendo que o Pisa constrói as questões das provas de leitura com o objetivo de medir a compreensão e a interpretação de textos e imagens e o grau de autonomia dos estudantes para compreender a realidade e reconhecê-la por meio da representação gráfica, conclui-se que nossos estudantes precisam muito desenvolver tanto a competência leitora quanto a escritora. Daí a ênfase que demos a esse trabalho nesta coleção.

4. PROTAGONISMO DO ESTUDANTE

O estudante é visto como protagonista na construção do saber histórico escolar. Daí a nossa decisão de escutar a voz do estudante, valorizar suas falas e suas produções. O estudante não é um vaso onde a gente planta as flores que quer, mas um sujeito ativo que, desde cedo, entra em contato com diferentes linguagens e tem de responder a diferentes estímulos: textuais, imagéticos, sonoros, gestuais, entre outros.

Podemos distinguir três competências fundamentais nos seguintes níveis:

• Nível básico: desenvolvem-se por meio de atividades como ler, identificar, observar, localizar, descrever, nomear, perceber, entre outras.

• Nível operacional: desenvolvem-se por meio de atividades como associar, relacionar, comparar, compreender, interpretar, justificar, representar, entre outras.

• Nível global: desenvolvem-se por meio de atividades como avaliar, analisar, aplicar, construir, concluir, deduzir, explicar, inferir, julgar, resolver, solucionar, entre outras.

A articulação entre esses três níveis de competências é decisiva no processo de ensino-aprendizagem e está no cerne da nossa proposta didático-pedagógica.

A metodologia educacional que se propõe ativa entende os estudantes como protagonistas da aprendizagem, com consequente mudança na forma como vivenciam esse processo e como se posicionam diante dele. Em uma postura ativa, os estudantes experimentam novas formas de se relacionar com a aprendizagem, desenvolvendo autonomia e responsabilidade a partir do entendimento da aplicabilidade social do que se aprende.

Leia o que diz o professor José Moran:

Num sentido amplo, toda a aprendizagem é ativa em algum grau, porque exige do aprendiz e do docente formas diferentes de movimentação interna e externa, de motivação, seleção, interpretação, comparação, avaliação, aplicação.

[...] Se queremos que os alunos sejam proativos, precisamos adotar metodologias em que os alunos se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham que tomar decisões e avaliar os resultados, com apoio de materiais relevantes. Se queremos que sejam criativos, eles precisam experimentar inúmeras novas possibilidades de mostrar sua iniciativa.

As metodologias ativas são caminhos para avançar mais no conhecimento profundo, nas competências socioemocionais e em novas práticas. [...] A aprendizagem é mais significativa quando motivamos os alunos intimamente, quando eles acham sentido nas atividades que propomos, quando consultamos suas motivações profundas, quando se engajam em projetos em que trazem contribuições, quando há diálogo sobre as atividades e a forma de realizá-las.

Além da mobilidade, há avanços nas ciências cognitivas: aprendemos de formas diferentes e em ritmos diferentes e temos ferramentas mais adequadas para monitorar esses avanços. [...]

O papel do professor é ajudar os alunos a ir além de onde conseguiriam fazê-lo sozinhos.

MORAN, José. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda Blog do José Moran, [2007?]. Disponível em: https://moran.eca.usp.br/wp-content/uploads/2013/12/metodologias_moran1.pdf. Acesso em: 29 ago. 2025.

4.1 – TEXTO DE APOIO: A DIVERSIFICAÇÃO DO AMBIENTE DE APRENDIZAGEM

O texto de apoio a seguir apresenta reflexões sobre a diversificação das práticas pedagógicas na escola e sua relação com o protagonismo dos estudantes.

Um dia, os estudantes estão organizados em U. No outro, com as carteiras agrupadas. Também não são raras as vezes em que eles fazem suas leituras deitados sobre o jardim do Museu Histórico Abílio Barreto, vizinho à escola. A regra das aulas de Língua Portuguesa e Literatura da professora Andrea Zica, docente [...] em Belo Horizonte, é não ter regra em relação à organização da sala de aula.

“A dinâmica da aula se dá em função da minha intencionalidade pedagógica”, explica a educadora que chega a trabalhar com cinco arranjos diferentes de sala de aula por semana, todos previamente pactuados com os estudantes.

Entender a sala de aula como um local flexível é um dos primeiros passos para se pensar a diversificação das práticas pedagógicas. A mudança, no entanto, não deve acontecer de forma isolada e precisa estar inserida dentro de uma proposta política e pedagógica. “É fundamental que antes de pensar os espaços se discuta a concepção de educação colocada, bem como o que se pretende com os sujeitos ali presentes”, considera a professora Sandra Caldeira, mestre e doutora em História da Educação.

Isso porque a disposição da sala de aula e dos demais espaços educativos pode chancelar ou refutar uma proposta pedagógica. A disposição das carteiras, por exemplo, é um dos aspectos mais visíveis. “O modelo das cadeiras enfileiradas aponta para uma educação centralizada no professor, que o coloca na posição de detentor do conhecimento e direciona todos olhos e corpos a ele”, comenta Andrea Zica.

Em sua leitura, essa estrutura não atende às propostas educativas dialógicas, em que o professor se apresenta como mediador do conhecimento. [...]

Outro ponto a se considerar é o tipo de relação que se espera que os estudantes construam com os objetos de conhecimento. Aqui, podem valer propostas em contextos individuais ou coletivos. “Tem momento que é necessário que eles estejam sozinhos frente ao conhecimento, caso de atividades que pedem uma concentração maior ou que demandam que os alunos identifiquem seu próprio grau de aprendizagem; mas também há situações em que trabalhar com o outro é fundamental para que essa relação se estabeleça; ou ainda que o professor seja fundamental na dinâmica”, considera Andrea.

Na prática

Para escolher entre os arranjos possíveis, é preciso estar atento ao tipo de característica que cada um deles pode atribuir ao momento da atividade:

- Em fileiras: a organização, mais comumente utilizada, atende às propostas pedagógicas centradas no professor. Andrea, por exemplo, descarta esse modelo em sua condução. “Ela impede o contato com o outro, interdita o olhar e condena a uma relação solitária com o conhecimento”, coloca.

- Em U: a dinâmica pode ser utilizada quando a interação do professor ainda se faz necessária; aos estudantes, por outro lado, permite mais interação e possibilidades de trocas durante a aprendizagem. Pode ser utilizada na condução de atividades individuais, que prezam por contextos coletivos.

- Em roda ou círculo: essa organização se aproxima mais das propostas educativas dialógicas, sobretudo as que entendem o professor como mediador da aprendizagem. Nela, o docente deixa seu lugar de destaque e passa a compor com o grupo dos estudantes. Outra alternativa é organizar a roda ou o círculo no chão da sala de aula ou qualquer outro espaço para que os estudantes vivenciem outras dinâmicas corporais.

- Em grupos: As carteiras podem ser agrupadas quando a atividade se centra no debate e produção coletiva. Na sala de aula, essa organização permite ao professor ter um olhar mais atento do todo e inclusive caminhar entre os grupos, fazendo interferências ou orientações durante a atividade.

A educadora reforça que nenhum arranjo deve ser validado como o mais importante sem que haja uma experimentação por parte da escola, que também tem o papel de descartá-lo, quando necessário. “Cada grupo é um encontro de pessoas, o que imprime características diferentes. Estar com o outro é uma aprendizagem constante, que muda o tempo todo”, reconhece. [...]

BASÍLIO, Ana Luiza. Organização de estudantes na sala de aula não deve ser fixa, mas mudar conforme intenção pedagógica. Centro de Referências em Educação Integral, 8 fev. 2017. Disponível em: https://educacaointegral.org.br/reportagens/organizacao-de-estudantes-na-sala-de-aula-nao-deve-ser-fixa -mas-mudar-conforme-intencao-pedagogica/. Acesso em: 21 ago. 2025.

4.2 – MATRIZ DE PLANEJAMENTO DE ROTINA

A seguir, é apresentada uma sugestão de matriz de planejamento de rotina. Ela é um recurso importante para a organização da aula, pois cria uma rotina previsível, otimiza o tempo e os recursos, além de facilitar o atendimento de estudantes com diferentes ritmos de aprendizagem. Cabe destacar que essa é uma sugestão, a qual deve ser adaptada de acordo com a realidade de cada escola e turma.

Momento Tempo

Acolhida

Ativação de saberes

Desenvolvimento de conteúdo

Prática

Ação

Variável Recepção dos estudantes

Variável Correção de tarefa, revisão de conteúdo etc.

Variável Apresentação e discussão do conteúdo

Variável Realização de atividades ou seções

Socialização

Encaminhamento

Variável Correção das atividades e compartilhamento dos resultados

Variável Retrospectiva da aula e revisão de estudo

Objetivo Recurso

Criar um ambiente acolhedor.

Identificar conhecimento prévio e defasagens.

Introduzir ou ampliar o estudo de conceitos.

Desenvolver habilidades e competências.

Roda de conversa, música etc.

Avaliação diagnóstica, jogos etc.

Lousa, atividades dinâmicas, vídeos etc.

Atividades individuais ou em grupo, jogos, brincadeiras etc.

Estimular a reflexão e a troca de ideias.

Avaliar se os objetivos da aula foram alcançados.

Lousa, roda de conversa, correção cruzada etc.

Avaliação formativa ou de resultado, questionário, debate etc.

4.3 – MATRIZ DE PLANEJAMENTO DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA

O planejamento detalhado de uma sequência didática busca garantir a coerência no processo de ensino e aprendizagem e a efetividade dos objetivos definidos. Além disso, é recomendado assegurar que os estudantes sejam os protagonistas da ação. A seguir, é apresentada uma sugestão de matriz de planejamento de sequência didática, que deve ser adaptada de acordo com cada turma e conteúdo a ser desenvolvido.

Etapa

Definições preliminares

Seleção e organização dos conteúdos

Recursos didáticos

Cronograma

Planejamento das aulas

Objetivo

Descrição

Escolher o tema e os objetivos. Definir um tema central e detalhar os objetivos a serem atingidos, indicando as competências e habilidades da BNCC a serem desenvolvidas.

Definir os conteúdos abordados. Delimitar os conteúdos, indicando os capítulos do Livro do Estudante e outros materiais a serem estudados.

Elencar os recursos didáticos a serem utilizados.

Listar e providenciar os recursos didáticos necessários em cada etapa, como materiais manipuláveis, instrumentos, jogos etc.

Estabelecer um cronograma. Detalhar o cronograma de acordo com cada etapa a ser realizada, incluindo a quantidade de aulas necessárias.

Definir o que será realizado em cada aula.

Execução e monitoramento

Assegurar o alinhamento ao tema e aos objetivos definidos.

Descrever de maneira detalhada o trabalho previsto em cada aula, incluindo atividades e outras práticas dos estudantes.

No desenvolvimento das aulas, fazer os ajustes necessários ao ritmo da turma e realizar os registros sobre a participação individual e coletiva dos estudantes.

Socialização e avaliação

Verificar se os objetivos definidos foram atingidos.

Avaliar a realização da sequência didática, a participação dos estudantes e o desenvolvimento da aprendizagem.

5. AVALIAÇÃO

Sabe-se que o processo de construção do conhecimento é dinâmico e não linear, portanto, avaliar a aprendizagem implica avaliar também o ensino oferecido. É importante que toda a avaliação esteja relacionada aos objetivos propostos e, para atingi-los, é indispensável que os estudantes aprendam mais e melhor. Assim, os resultados de uma avaliação devem servir para reorientar a prática educacional e nunca como um meio de estigmatizar os estudantes.

Para pensar a avaliação, cuja importância é decisiva no processo de ensino-aprendizagem, lançamos mão das reflexões de César Coll e dos PCNs. Para César Coll, a avaliação pode ser definida como uma série de atuações que devem cumprir duas funções básicas:

• diagnosticar: ou seja, identificar o tipo de ajuda pedagógica que será oferecida aos estudantes e ajustá-la progressivamente às características e às necessidades deles;

• controlar: ou seja, verificar se os objetivos foram ou não alcançados (ou até que ponto o foram).

Para diagnosticar e controlar o processo educativo, César Coll recomenda o uso de três tipos de avaliação:

Avaliação diagnóstica Avaliação formativa Avaliação somativa

O que avaliar?

Quando avaliar?

Como avaliar?

Os esquemas de conhecimento relevantes para o novo material ou situação de aprendizagem.

No início de uma nova fase de aprendizagem.

Consulta e interpretação do histórico escolar do estudante. Registro e interpretação das respostas e comportamentos dos estudantes ante perguntas e situações relativas ao novo material de aprendizagem.

Os progressos, dificuldades, bloqueios etc. que marcam o processo de aprendizagem.

Durante o processo de aprendizagem.

Observação sistemática e pautada do processo de aprendizagem. Registro das observações em planilhas de acompanhamento. Interpretação das observações.

Os tipos e graus de aprendizagem que estipulam os objetivos (finais, de nível ou didáticos) a propósito dos conteúdos selecionados.

Ao final de uma etapa de aprendizagem.

Observação, registro e interpretação das respostas e comportamentos dos estudantes a perguntas e situações que exigem a utilização dos conteúdos aprendidos.

Fonte: COLL, César. Psicologia e currículo. São Paulo: Ática, 1999. p. 151.

A avaliação diagnóstica busca verificar os conhecimentos prévios dos estudantes e possibilita a eles a tomada de consciência de suas limitações (imprecisões e contradições dos seus esquemas de conhecimento) e da necessidade de superá-las. A seção O que sabemos? busca oferecer subsídios para esse tipo de avaliação no início do ano letivo.

A avaliação formativa visa avaliar o processo de aprendizagem. A avaliação formativa pode ser feita por meio da observação sistemática do estudante, com a ajuda

de planilhas de acompanhamento (ficha ou instrumento equivalente em que se registram informações úteis ao acompanhamento do processo). Cada professor deve adequar a planilha de acompanhamento às suas necessidades. A seção Retomando busca oferecer subsídios para esse tipo de avaliação ao final das unidades. Ao longo deste Livro do Professor, as sugestões da seção +Atividades também podem servir ao propósito da avaliação formativa.

A avaliação somativa procura medir os resultados da aprendizagem dos estudantes confrontando-os com os objetivos que estão na origem da intervenção pedagógica, a fim de verificar se estes foram ou não alcançados ou até que ponto o foram. Ao final do Livro do Estudante, há a seção O que aprendemos, na qual você encontrará atividades que contribuem para essa avaliação.

Note que os três tipos de avaliação estão interligados e são complementares, podendo se desdobrar em processos com diferentes propostas. Nesta obra, há atividades variadas, e cada uma delas pode servir a um desses propósitos avaliativos. Por meio deles, o professor colhe elementos para planejar; o estudante toma consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades; a escola identifica os aspectos das ações educacionais que necessitam de maior apoio.

A avaliação, portanto, deve visar ao processo educativo como um todo, e não ao êxito ou fracasso dos estudantes.

5.1 – ORIENTAÇÕES PARA AVALIAÇÃO

Recomendamos que se empreguem na avaliação:

a) observação sistemática: visa trabalhar as atitudes dos estudantes. Para isso, pode-se utilizar o diário de classe ou instrumento semelhante para fazer anotações. Exemplo: você pediu que os estudantes trouxessem material sobre a questão do meio ambiente, e um estudante, cujo rendimento na prova escrita não havia sido satisfatório, teve grande participação na execução dessa tarefa; isso deverá ser levado em consideração na avaliação daquele bimestre. A observação sistemática será fundamental, por exemplo, nas atividades distribuídas ao longo dos capítulos, nas seções Você cidadão! e Escutar e falar, por exigirem dos estudantes espírito associativo e realização de produções variadas.

b) análise das produções dos estudantes: busca estimular a competência do estudante na produção, leitura e interpretação de textos e imagens. Sugerimos levar em conta toda a produção, e não apenas o resultado de uma prova, e avaliar o desempenho em todos os trabalhos (pesquisa, relatório, história em quadrinhos, releitura de obras clássicas, prova etc.). Note-se que, para o estudante escrever ou desenhar bem, é necessário que ele desenvolva o hábito.

c) atividades específicas: visam estimular, sobretudo, a objetividade do estudante ao responder a um questionário ou expor um tema. Exemplo de pergunta: Pode-se dizer que, no dia 22 de abril de 1500, o Brasil foi descoberto? Resposta: Não, pois as terras que hoje formam o Brasil já eram habitadas por milhões de indígenas quando a esquadra de Cabral aqui chegou. Complemento da resposta: 22 de abril foi o dia em que Cabral tomou posse das terras que viriam a formar o Brasil para o rei de Portugal.

d) autoavaliação: visa ajudar o estudante a ganhar autonomia e a desenvolver a autocrítica. O estudante avalia suas produções e a recepção de seu trabalho entre os outros estudantes, bem como a comunicação de seus argumentos e resultados de trabalho.

5.2 – ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO

Confira a seguir diferentes estratégias de avaliação que podem ser adaptadas à sua realidade escolar e às necessidades dos seus estudantes.

a) Portfólio

É uma mostra de exemplos de produções de estudantes em determinado período de tempo. Pode ser entendida como coletânea de trabalhos (produção escrita, oral, visual, apresentação em slides, quadrinhos, entre outros) que contribuem para o desenvolvimento de habilidades, atitudes e conhecimentos. O texto a seguir é de Carolina de Castro Nadaf Leal, doutora em Educação e psicopedagoga.

O uso de portfólio nos Anos Iniciais

Sousa C. [...] ressalta que “a avaliação deve ser utilizada com o apoio de múltiplos instrumentos de coleta de informações”. É nesse contexto que se inclui o portfólio como instrumento capaz de superar uma avaliação excludente, classificatória e seletiva, permitindo ao aluno e professor se apropriarem de uma avaliação formativa, com vistas a orientar e organizar o processo de ensino-aprendizagem. [...] Crockett [...] conceitua portfólio como uma amostra de exemplos, documentos, gravações ou produções que evidenciam habilidades, atitudes e/ou conhecimentos e aquisições obtidas pelo estudante durante um espaço de tempo. Harp e Huinsker [...], com ideia semelhante, caracterizam o portfólio como “uma coletânea de trabalhos, que demonstram o crescimento, as crenças, as atitudes e o processo de aprendizagem de um aluno”. Sendo assim, um portfólio deve incluir, entre outros itens, planos e reflexões sobre os temas importantes tratados em sala de aula, estudos de caso pertinentes aos conteúdos em evidência, relatórios, sínteses de discussões, produções escritas ou gravadas, que devem ser a base para a avaliação contínua e evolutiva do progresso dos alunos em relação ao aprendizado. Portfólio, de acordo com Shores e Grace [...] é “uma coleção de itens que revela, conforme o tempo passa, os diferentes aspectos do crescimento e do desenvolvimento de cada criança”.

De acordo com elas, dois portfólios nunca podem ser iguais, porque os alunos são diferentes e suas atividades também devem ser diferentes. Acrescentam ainda que uma avaliação realizada por meio de portfólio encoraja a reflexão e a comunicação por todos os envolvidos no processo educativo: professores, alunos, famílias e outros. Ao individualizar as experiências da aprendizagem, o portfólio permite que cada criança possa crescer no seu próprio potencial máximo; possibilita a cada professor determinar o seu próprio ritmo, encorajando seu desenvolvimento profissional; e acompanha o trabalho da criança através de diferentes domínios das aprendizagens.

Para Rangel [...] a implementação do uso do portfólio “é uma ruptura do modelo técnico e quantitativo de avaliação para um processo multidimensional, solidário e coletivo de ensino/aprendizagem”.

É, portanto, uma proposta que convida o aluno a retomar suas produções, analisá-las, para em seguida assumir um compromisso com o aprender. Em consonância com a tendência atual da educação, a avaliação da aprendizagem por portfólio permite que os professores tenham clareza do que os alunos realmente aprenderam e que os alunos tenham uma referência do que necessitam aprender. É um instrumento de avaliação capaz de organizar o processo de ensino aprendizagem.

LEAL, Carolina de Castro Nadaf. Avaliar por portfólio nos anos iniciais do ensino fundamental. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL EDUCAÇÃO, CIDADANIA E EXCLUSÃO – DIDÁTICA E AVALIAÇÃO, 4., 2015, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro, 2015. p. 4-5. Disponível em: https://editorarealize.com.br/editora/ anais/ceduce/2015/TRABALHO_EV047_MD1_SA4_ID1816_06062015204218.pdf. Acesso em: 12 ago. 2025.

b) Seminário

É um gênero oral, com o objetivo de expor conhecimentos sobre determinado assunto. Ajuda no desenvolvimento da competência discursiva.

Em um seminário, os estudantes, sob orientação do professor, investigam um tema e o expõem oralmente.

c) Sarau

No início, os saraus eram eventos que ocorriam no entardecer, promovidos pela nobreza no século XIX. Atualmente, os saraus são eventos populares nas periferias das cidades brasileiras e contam histórias e vivências dos habitantes dessas periferias. O texto a seguir é da professora Mara Mansani. Em 2014, ela recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização.

Como organizar um sarau

O primeiro passo é apresentá-lo para os alunos. Explique o que é, como pode ser feito, apresente algumas experiências em vídeo e conversem sobre as impressões. Depois, faça um convite para que façam um sarau.

Coletivamente, definam quais serão as apresentações, o local e a duração. Também combinem como irá funcionar, se haverá convidados, quando serão os ensaios e tudo que for necessário para se preparar para o grande dia. [...]

Em sala de aula, mesmo quando as crianças não leem e escrevem convencionalmente, pode começar propondo que apresentem textos que sabem de memória, tradicionais da cultura oral, como parlendas, trava-línguas, versinhos, poemas, entre outros.

Para as próximas vezes que levar a proposta, pode ampliar as possibilidades e explorar diferentes manifestações artísticas de diferentes culturas, como uma dança, uma declamação, uma performance teatral, entre outras. O sarau também pode ser temático. Já pensou que incrível pode ser a experiência de um sarau que explore a arte e cultura africana?

Esse evento pode acontecer só com sua turma, com todos os alunos do ciclo de alfabetização, com toda a escola ou com a participação das famílias. Não há um único formato para o sarau. O que não podemos perder de vista é o caráter democrático da expressão popular de todos e para todos.

SOUSA, Mara Mansani. Como organizar saraus na alfabetização. Nova Escola, 4 jul. 2022. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21288/como-organizar-saraus-na-alfabetizacao. Acesso em: 19 ago. 2025.

d) Roda de conversa

Um recurso bastante comum no ensino escolar nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental é a roda de conversa. O texto a seguir discute a importância dessa prática no desenvolvimento cognitivo, ético e socioemocional dos estudantes.

A roda de conversa se configura como um dispositivo metodológico que vai além de uma simples atividade de fala. Trata-se de um espaço de construção de sentido, onde a escuta atenta e o respeito à diversidade de opiniões favorecem o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, o fortalecimento dos vínculos interpessoais e a reflexão crítica sobre os mais diversos temas. Essa prática tem sido amplamente utilizada em diversas etapas da educação básica, sobretudo na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental [...].

[...] A importância dessa metodologia também é reconhecida nas diretrizes educacionais brasileiras. Os documentos curriculares, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ressaltam a necessidade de formar cidadãos críticos, autônomos, empáticos e capazes de se comunicar de forma assertiva e respeitosa. Tais competências são diretamente promovidas pela roda de conversa, que oferece aos estudantes oportunidades reais de expressar suas ideias, argumentar, escutar os colegas e elaborar soluções coletivas para problemas comuns. Além disso, a prática dialogada contribui para o desenvolvimento de competências linguísticas, ampliando o vocabulário, a fluência verbal e a capacidade de organizar e defender um ponto de vista.

Outro aspecto relevante da roda de conversa é sua contribuição para o clima escolar e para a cultura de paz. Ao permitir que os conflitos sejam abordados de forma aberta, respeitosa e construtiva, essa metodologia ajuda a prevenir situações de violência, bullying e discriminação. A escuta ativa e o reconhecimento das emoções e necessidades do outro criam um ambiente de empatia, solidariedade e cooperação. A roda torna-se, assim, um instrumento potente para a promoção de relações saudáveis, para o fortalecimento do senso de pertencimento e para a valorização da diversidade no espaço escolar.

[...] A roda de conversa, como estratégia pedagógica, emerge em um cenário educacional que demanda práticas mais dialógicas, humanizadoras e centradas no estudante. Em um sistema historicamente marcado por modelos de ensino expositivos e verticais, a roda de conversa apresenta-se como uma ruptura epistemológica e metodológica. Ela valoriza o diálogo como instrumento de aprendizagem e promove a participação ativa dos estudantes no processo educativo, oferecendo um espaço seguro para a expressão de ideias, sentimentos, dúvidas e conhecimentos. Esse espaço, quando bem conduzido, é capaz de fomentar o pensamento crítico, a empatia e a construção coletiva do saber, aspectos essenciais para uma formação cidadã e integral. [...]

MANTOVANI, Girlene Nascimento da Silva. Roda de conversa. Revista Primeira Evolução, São Paulo, v. 1, n. 59, p. 99-106, 2025. Disponível em: https://primeiraevolucao.com.br/index.php/R1E/article/ download/725/753. Acesso em: 30 set. 2025.

e) O trabalho com entrevistas

O texto a seguir aborda o trabalho com entrevistas, relacionado especialmente ao tratamento de fontes orais em sala de aula.

A oficina de entrevistas visa lidar com a produção e tratamento de fontes orais em sala de aula, com o intuito de sensibilizar o olhar do aluno para com a preservação da memória de grupos locais, ausentes nas grandes narrativas históricas. [...]

Um dos objetivos da História e da educação patrimonial é levar o aluno a construir a noção de identidade, para tanto, é necessário estabelecer relações entre identidades individuais (quem sou eu, como sou) e identidades sociais (quem somos nós, o que caracteriza nossa sociedade, e que papel que representamos nessa sociedade). [...]

A oficina “de entrevistas”

A oficina busca, então, proporcionar uma sensibilização acerca da exploração da entrevista na aula de História. [...]

Entre os assuntos tratados, questões referentes à conduta que devem ser respeitadas durante a coleta da entrevista, também são apresentadas aos alunos:

- Explicar para o entrevistado como o seu depoimento é importante e contribuirá para a memória e a História da comunidade.

- Respeitar os pedidos do entrevistado, como por exemplo, quando não desejar que certa parte da sua entrevista seja gravada. E solicitar autorização para publicar o conteúdo da entrevista.

No processamento e interpretação:

- Fidelidade e zelo na transcrição, na conferência e na análise das entrevistas.

- Nem uma palavra do entrevistado pode ser desprezada.

Na apresentação dos resultados à comunidade:

- Apresentar os resultados da pesquisa para a comunidade, de forma transparente, respeitando as informações coletadas nas entrevistas [...].

Trata-se também da equipe da entrevista e das funções de cada aluno durante a coleta de depoimentos orais:

[...] o aluno entrevistador é o responsável por seguir o roteiro de entrevistas, é ele o responsável pela regência da entrevista e do uso do gravador. Enquanto o entrevistador conversa com o entrevistado, o aluno auxiliar deve anotar em um caderno: as palavras do entrevistado difíceis de entender; reações e gestos que acompanham a fala do entrevistado; esclarecimentos sobre data, nomes, locais, palavras difíceis de entender e outras dúvidas e informações que surjam no decorrer da entrevista. Neste momento formam-se grupos com os membros da equipe de entrevista, incluindo aluno transcritor e aluno conferente [...].

Isto posto, os alunos organizados em grupos são chamados a escolher um tema, um objetivo para a sua entrevista, depois as perguntas para compor o roteiro da entrevista com a qual irão lidar. Depois, são convidados a escolher a “pergunta de corte” entre aquelas que elaboraram.

SILVA, Taiane Vanessa da; OLIVEIRA, Felipe Augusto Leme de; ALEGRO, Regina Célia. Oficina de entrevistas: memórias na sala de aula. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA DO PPGHS – XIII SEMANA DE HISTÓRIA – ENCONTRO DAS ESPECIALIZAÇÕES EM HISTÓRIA, 1., 2012, Londrina. Anais […]. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2012. p. 889-897.

f) Modelo de observação e avaliação dos estudantes

1. Participação do estudante:

a) Na elaboração e execução das atividades;

b) No desenrolar do processo;

c ) Na criação e confecção de produtos e materiais para a aula;

d) Nas apresentações;

e) Nas atividades que mais exigem cooperação e solidariedade.

2. Desempenho do estudante:

a) Quanto à aquisição de conteúdos conceituais e procedimentais;

b) Quanto à atitude;

c ) Nas diferentes avaliações;

d) Quanto à capacidade de argumentação, oral e escrita;

e) Quanto à resolução de problemas.

3. Autoavaliação

A autoavaliação é um aprendizado fundamental para a construção da autonomia do estudante; além disso, democratiza o processo, pois envolve diferentes pontos de vista. Sugestão de perguntas para a autoavaliação.

• Você considerou interessante a atividade ou o trabalho realizados?

• Tinha conhecimentos anteriores que o auxiliaram na realização?

• Foi fácil ou difícil? Se foi difícil, saberia dizer por quê?

• Como você avalia sua participação no grupo? Realizou tarefas que contribuíram para o trabalho? Sugeriu formas de organizar o trabalho? Colaborou com os colegas na realização de tarefas?

g) Personalização de atividades

O texto a seguir é da pesquisadora Lilian Bacich, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo. Nele, são apresentadas algumas reflexões sobre a prática da personalização e seu papel de incentivo ao protagonismo dos estudantes.

[...] O que estamos considerando ao falar em personalização? Qual é, efetivamente, o papel dos estudantes e dos educadores? Como os recursos digitais podem ser aliados nessa abordagem?

[...] A proposta está centrada no desenho do percurso educacional de acordo com um contexto que faça sentido aos alunos, por meio da oferta de experiências de aprendizagem que estejam alinhadas às necessidades possíveis de serem contempladas dentro de um campo de experiência indicado para a faixa etária e que, de alguma forma, favoreçam o protagonismo e o desenvolvimento da autonomia. Personalização está relacionada, neste aspecto, à identificação das reais necessidades de aprendizagem dos estudantes, individual e coletivamente, e das intervenções que o educador irá realizar no sentido de possibilitar que seus alunos aprendam mais e melhor. [...]

Desenhar experiências de aprendizagem transforma o papel do professor, que deixa de ser alguém que transmite conteúdos e verifica se eles foram apreendidos, para um designer de percursos educacionais. Para desenhar esses percursos, é importante que o educador tenha dados em mãos, dados que são obtidos por meio de uma avaliação formativa, digital ou não, e que podem incluir as plataformas adaptativas, questionários online, além da observação, discussão, interação “olho no olho”. Diversas pesquisas [...] têm enfatizado esse olhar para a personalização em que os estudantes podem ser estimulados a entrar em contato com diferentes experiências de aprendizagem, aquelas de que necessitam, porque têm dificuldade, e aquelas que podem oferecer oportunidade de irem além, pois não estão relacionadas às suas dificuldades, mas às suas facilidades. Essas experiências podem envolver diferentes elementos, digitais ou não, que favoreçam a comunicação, a colaboração, a resolução de problemas, o pensamento crítico.

A personalização ocorre quando, ao entrar em contato com diferentes experiências, desenhadas de acordo com as necessidades identificadas em toda a turma, os estudantes são envolvidos em propostas que fazem sentido para eles. Além disso, constroem conhecimentos coletivamente, ao interagirem com seus pares. O professor, nesse momento, não está mais na frente da turma, mas ao lado de grupos de alunos, ou acompanhando uma das experiências que considera mais desafiadora, por exemplo. [...]

Dessa forma, considerar a personalização no planejamento de aulas inovadoras ao possibilitar o protagonismo e o desenvolvimento da autonomia nas instituições de ensino é uma possibilidade de alcançar o potencial transformador das práticas educativas e fortalecer ainda mais a adoção de metodologias ativas na educação.

BACICH, Lilian. Personalização na prática: algumas reflexões. Inovação na educação, 5 jan. 2019. Disponível em: https://lilianbacich.com/2019/01/05/personalizacao-na-pratica-algumas-reflexoes/. Acesso em: 10 ago. 2025.

6. A NOVA CONCEPÇÃO DE DOCUMENTO

Na visão positivista da História, o documento era visto, sobretudo, como prova do real. Aplicada ao livro escolar, essa forma de ver o documento assumia um caráter teleológico – o documento cumpria uma função bem específica: ressaltar, exemplificar e, sobretudo, dar credibilidade à argumentação desenvolvida pelo autor. Na sala de aula, isso se reproduzia: o documento servia para exemplificar, destacar e, principalmente, confirmar a fala do professor durante a exposição.

Com a Escola dos Annales, fundada pelos historiadores franceses Lucien Fèbvre e Marc Bloch, adveio uma nova concepção de documento que nasceu da certeza de que o passado não pode ser recuperado tal como aconteceu, e que a sua investigação só pode ser feita a partir de problemas colocados pelo presente. Essa nova corrente historiográfica, que se formou a partir da crítica ao positivismo, propôs um número tão grande e significativo de inovações que o historiador Peter Burke referiu-se a essa corrente como “a Revolução Francesa da historiografia”.

Contrapondo-se à escola positivista, tributária do pensamento do filósofo alemão Leopold von Ranke, que via o documento como prova do real e capaz de falar por si mesmo, a Escola dos Annales propunha uma ampliação e um novo tratamento a ser dado ao documento. Eis o que diz Jacques Le Goff, um dos teóricos da nova história:

[...] A História Nova ampliou o campo do documento histórico; ela substituiu a história de Langlois e Seignobos1, fundada essencialmente nos textos, no documento escrito, por uma história baseada numa multiplicidade de documentos: [...] figurados, produtos de escavações arqueológicas, documentos orais, etc. Uma estatística, uma curva de preços, uma fotografia, um filme, ou para um passado mais distante, um pólen fóssil, uma ferramenta, um ex-voto são, para a história nova, documentos de primeira ordem. [...]

LE GOFF, Jacques. A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990. p. 28-29.

Porém, se por um lado é consensual entre os historiadores que estamos vivendo uma “revolução documental”, a reflexão sobre o uso de documentos em sala de aula merece, a nosso ver, uma maior atenção. Com base nas reflexões daqueles que pensaram o assunto e na nossa experiência docente, recomendamos que, ao trabalhar com documentos na sala de aula, o professor procure:

a) evitar ver o documento como “prova do real”, procurando situá-lo como ponto de partida para construir aproximações em torno do episódio focalizado;

b) ultrapassar a descrição pura e simples do documento e apresentá-lo aos estudantes como matéria-prima de que se servem os historiadores na sua incessante pesquisa;

1. Nomes dos historiadores franceses, por meio dos quais a história metódica, mais conhecida como positivista, chegou ao seu auge na segunda metade do século XIX.

c) considerar que um documento não fala por si mesmo. É necessário levantar questões sobre ele e a partir dele. Um documento sobre o qual não se sabe por quem, para quê e quando foi escrito é como uma fotografia sem crédito ou legenda: tem pouca serventia para o historiador;

d) levar em conta que todo documento é um objeto material e, ao mesmo tempo, portador de um conteúdo;

e) considerar que não há conhecimento neutro: um documento tem sempre um ou mais autores, e ele(s) tem (têm) uma posição que é necessário saber identificar. Visto por esse ângulo, o trabalho com documentos tem pelo menos três utilidades:

• facilita ao professor o desempenho de seu papel de mediador. A sala de aula deixa de ser o espaço onde se ouvem apenas as vozes do professor ou a do autor do livro didático (tido muitas vezes como narrador onisciente que tudo sabe e tudo vê) para ser o lugar onde ecoam múltiplas vozes, incluindo as vozes de pessoas que presenciaram os fatos focalizados;

• possibilita ao estudante desenvolver um olhar crítico e aperfeiçoar-se como leitor e produtor de textos históricos;

• diminui a distância entre o conhecimento acadêmico e o saber escolar, uma vez que o estudante é convidado a se iniciar na crítica e na contextualização dos documentos, procedimento importante para a educação histórica.

6.1 – O TRABALHO COM IMAGENS FIXAS

Vivemos em uma civilização da imagem. Uma grande quantidade de imagens é posta, diariamente, diante dos olhos dos nossos estudantes em velocidade crescente; sua transformação em fonte para o conhecimento da História pode, com certeza, ajudar na formação de um leitor atento, autônomo e crítico. Um leitor capaz de perceber que a imagem não reproduz o real; ela congela um instante do real “organizando-o” de acordo com determinada estética e visão de mundo. Um leitor capaz de receber criticamente os meios de comunicação; capaz, enfim, de perceber que a imagem efêmera que a mídia está veiculando como verdadeira pode ser – e quase sempre é – a imagem preferida, a que se escolheu mostrar!

Esse fato não passou despercebido pelos professores que, reconhecendo o potencial pedagógico das imagens, começaram a utilizá-las com frequência no ensino de História. Elencamos a seguir alguns cuidados necessários ao trabalhar com elas.

6.1.1 – CUIDADOS AO TRABALHAR COM IMAGENS

Ao se decidir pelo uso de imagens fixas na sala de aula o professor deve levar em conta que essa prática pedagógica requer vários cuidados, alguns dos quais listamos a seguir:

MUSEU DO LOUVRE, PARIS, FRANÇA
DA VINCI, Leonardo. Mona Lisa. 1503-1518. Óleo sobre madeira, 77 cm × 53 cm.

A IMAGEM É POLISSÊMICA

Misto de arte e ciência, técnica e cultura, a imagem é polissêmica; até um simples retrato admite várias interpretações. Exemplo disso é ver um álbum de fotografias em família: uma mesma foto que desperta alegria ou satisfação nos avós poderá ser causa de inibição ou vergonha para os netos. Outro exemplo: Mona Lisa, certamente o quadro mais conhecido do mundo, pode ser tomado como exemplo dessa característica da imagem. Já se afirmou que, se estivermos melancólicos, temos tendência a ver melancolia no sorriso enigmático da personagem retratada; se estivermos alegres, ela nos parecerá contente; ou seja, ela expressa os nossos sentimentos no momento em que a vemos.

A IMAGEM É UMA REPRESENTAÇÃO DO REAL

De natureza polissêmica, a imagem é uma representação do real e não a sua reprodução. Sobre isso, relata Pierre Villar que, certa vez, perguntou a seus estudantes: “O que é Guernica?”. Eles lhe responderam imediatamente: “Guernica é um quadro!”. Daí comenta o arguto historiador Pierre Villar:

Efetivamente, [...] Guernica – no espírito de muita gente que não tem mais o cuidado de saber exatamente de onde isto surgiu – é um quadro de Picasso. [...] Guernica tornou-se a representação de um fato preciso. O fato preciso está esquecido, a representação continua. [...].

VILLAR, Pierre apud D’ALESSIO, Marcia Mansor et al. Reflexões sobre o saber histórico. São Paulo: Unesp, 2017. p. 30. (Prismas).

O fato preciso a que o historiador está se referindo é, como se sabe, o bombardeio da pequenina cidade espanhola de Guernica pela aviação nazista, a mando de Hitler, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O fato, o bombardeio, ocorrido em 26 de abril de 1937, foi esquecido; a representação produzida por Picasso, um óleo sobre tela, com o nome de Guernica, permaneceu marcando gerações. Não é demais repetir: quando o professor perguntou: “O que é Guernica?”, os estudantes lhe responderam: “Guernica é um quadro!”.

A IMAGEM POSSUI UM EFEITO DE REALIDADE

O que torna mais escorregadio o terreno para quem se decide pelo uso de imagens na sala de aula é justamente o fato de a imagem possuir um efeito de realidade, ou seja, a capacidade de se parecer com a própria realidade. Se apresentarmos ao estudante a imagem de Dom Pedro I e a de Dom Pedro II e perguntarmos qual deles é o pai e qual é o filho, muitos dirão, provavelmente, que Dom Pedro I é filho de Dom Pedro II.

Sobre a construção das imagens de Dom Pedro I, como jovem, e de Dom Pedro II, como velho, observou uma estudiosa:

[...] A ilustração do pai jovem e do filho velho tem causado certa perplexidade aos jovens leitores e falta a explicação do aparente paradoxo. A imagem de um D. Pedro II velho foi construída no período pós-monárquico e demonstra a intenção dos republicanos em explicar a queda de uma monarquia envelhecida que não teria continuidade. É interessante destacar a permanência dessas ilustrações na produção atual dos manuais, reforçando uma interpretação utilizada pelos republicanos

no início do século XX, mesmo depois de variadas pesquisas e publicações historiográficas sobre os conflitos e tensões do período.

BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico na sala de aula. 12. ed. São Paulo: Contexto, 2017. p. 80 (Repensando o ensino).

SÁ, Simplício Rodrigues de. Retrato de Dom Pedro I. 1826. Óleo sobre tela, 76 cm × 60 cm.

AMÉRICO, Pedro. Dom Pedro II na abertura da Assembleia Geral 1872. Óleo sobre tela, 288 cm × 205 cm.

VER NÃO É SINÔNIMO DE CONHECER

Vivemos um tempo em que se busca reduzir o acontecimento à sua imagem, em vez de explicá-lo e contextualizá-lo historicamente, isto é, em uma época em que querem nos fazer crer que ver é sinônimo de conhecer. No entanto, é preciso que se repita à exaustão: “eu vi” não significa “eu conheço”. Assim, ver no noticiário televisivo um episódio de conflito no Oriente Médio não significa conhecer aquele conflito, seus motivos, seu contexto, o teatro de operações etc. Sobre isso, disse um estudioso:

Os historiadores se deparam hoje com este fenômeno histórico inusitado: a transformação do acontecimento em imagem. [...] Não se busca mais tornar politicamente inteligíveis uma situação ou um acontecimento, mas apenas mostrar sua imagem. Conhecer se reduz a ver ou, mais ainda, a “pegar no ar”, já que a mensagem da mídia é efêmera. [...]

SALIBA, Elias Thomé. Experiências e representações sociais: reflexões sobre o uso e o consumo de imagens. In: BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico na sala de aula. 12. ed. São Paulo: Contexto, 2017. p. 122 (Repensando o ensino).

Um equívoco recorrente quando o assunto é imagem é a afirmação de que ela fala por si mesma. Como lembrou uma ensaísta:

É ilusório pensar-se que as imagens se comuniquem imediata e diretamente ao observador, levando sempre vantagem à palavra, pela imposição clara de um conteúdo explícito. Na maioria das vezes, ao contrário, se calam em segredo, após a manifestação do mais óbvio: por vezes, [...] em seu isolamento, se retraem à comunicação, exigindo a contextualização, única via de acesso seguro ao que possam significar. Por outro lado, são difíceis de se deixarem traduzir num código diverso como o da linguagem verbal.

LEITE, Miriam Moreira. Retratos de família: leitura da fotografia histórica. São Paulo: Edusp, 1993. p. 12 (Texto e Arte).

MUSEU IMPERIAL, PETRÓPOLIS
MUSEU IMPERIAL, PETRÓPOLIS

De fato, a imagem é captada pelo olho, mas traduzida pela palavra. Tomá-la como fonte para o conhecimento da História envolve vê-la como uma representação, uma estratégia, uma linguagem com sintaxe própria. Para obter as informações a partir dela é indispensável desnaturalizá-la e contextualizá-la, interrogando-a com perguntas, tais como: por quê, por quem, em que contexto foi produzida. É indispensável, enfim, perceber que a imagem não reproduz o real. Ela congela um instante do real, “organizando-o” de acordo com determinada estética e visão de mundo.

6.1.2 – IMAGENS FIXAS NA SALA DE AULA

O trabalho com imagens pode ajudar no desenvolvimento da competência de ler e escrever a partir do registro visual, bem como estimular as habilidades de observar, descrever, sintetizar, relacionar e contextualizar. Além disso, contribui decisivamente para a “educação do olhar”, para usar uma expressão cunhada por Circe Bittencourt.

Com base nas reflexões de alguns estudiosos e na nossa experiência didática, e cientes de que essa tarefa não é das mais fáceis, propomos a seguir alguns procedimentos para introduzir a leitura de imagens fixas na sala de aula:

Passo número 1. Apresentar ao estudante uma imagem (fotografia, pintura, gravura, caricatura etc.) sem qualquer legenda ou crédito. Em seguida, pedir a ele que observe a imagem e, antes de qualquer coisa, descreva livremente o que está vendo. A intenção é permitir que o estudante associe o que está vendo às informações que já possui, levando em conta, portanto, seus conhecimentos prévios. Nessa leitura inicial, o estudante é incentivado a identificar o tema, as personagens, suas ações, posturas, vestimentas, calçados e adornos, os objetos presentes na cena e suas características, o que está em primeiro plano e ao fundo, se é uma cena cotidiana ou rara. Enfim, estimular no estudante o senso de observação e a capacidade de levantar hipóteses e traçar comparações.

Passo número 2. Buscar juntamente com os estudantes o máximo de informações internas e externas à imagem.

Para obter as informações internas (quando o destaque forem as pessoas), fazer perguntas como: Quem são? Como estão vestidas? O que estão fazendo? Quem está em primeiro plano? E ao fundo? etc. Já quando o destaque for um objeto, perguntar: O que é isto? Do que é feito? Para que serve ou servia? Onde se encontra?

Quanto às informações externas, perguntar: Quem fez? Quando fez? Para que fez? Em que contexto fez?

Passo número 3. De posse das informações obtidas na pesquisa, pedir ao estudante que, ele mesmo, produza uma legenda para a imagem. A legenda pode ser predominantemente descritiva, explicativa, analítica e/ou ainda conter uma crítica.

Professor, na produção da legenda pelo estudante, trabalharemos principalmente as habilidades de observar, descrever, associar, relacionar, sintetizar e, por fim, contextualizar; levar os estudantes a contextualizar o oceano de imagens que seus olhos absorvem a todo instante numa velocidade crescente talvez seja um dos maiores desafios do professor de História.

Por fim, uma pergunta: por que trabalhar com imagens em sala de aula?

Trabalhamos com imagens em sala de aula com três propósitos:

a) educar o olhar;

b) contribuir para a formação ou consolidação de conceitos;

c) estimular a competência escritora.

Na nossa prática docente, nós, professores de História, habitualmente propomos um texto, o interrogamos e, assim, incentivamos o alunado a escrever a partir dele. O que estamos propondo é continuar estimulando a escrita a partir de um texto, mas, ao mesmo tempo, levar o alunado a escrever também a partir da imagem (um texto para ela, sobre ela, a partir dela).

7. CONCEITOS-CHAVE DA ÁREA DE HISTÓRIA

Nesta obra, nós trabalhamos alguns conceitos-chave no componente curricular História, como: História; tempo; cronologia; cultura; patrimônio cultural; identidade; memória; cidadania. A seguir, organizamos uma espécie de glossário com esses conceitos, que pode ser útil ao trabalho do professor na preparação de sua aula.

História: Marc Bloch define a História como o estudo das sociedades humanas no tempo.

Para ele:

O historiador nunca sai do tempo..., ele considera ora as grandes ondas de fenômenos aparentados que atravessem, longitudinalmente, a duração, ora o momento humano em que essas correntes se apertam no nó poderoso das consciências.

BLOCH, Marc. Apologia da História ou O ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p. 135.

Seguindo a trilha aberta por Bloch, o historiador Holien Bezerra afirma que a História busca desvendar “as relações que se estabelecem entre os grupos humanos em diferentes tempos e espaços”.

BEZERRA, Holien Gonçalves. Ensino de História: conteúdos e conceitos básicos. In: KARNAL, Leandro (org). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2007. p. 42.

Tempo: conceito-chave em História – o tempo é uma construção humana, e a percepção da passagem do tempo é uma construção cultural ‒ varia de uma cultura a outra. As principais dimensões do tempo são: duração, sucessão e simultaneidade. Isso pode ser trabalhado em aula apresentando-se as diferentes maneiras de vivenciar e apreender o tempo e de registrar a duração, sucessão e simultaneidade dos eventos – tais conteúdos tornam-se, portanto, objetos de estudos históricos. O tempo que interessa ao historiador é o tempo histórico, o tempo das transformações e das permanências; o tempo histórico não obedece a um ritmo preciso e idêntico como o do relógio e/ou dos calendários, por isso, o historiador considera diferentes temporalidades/durações: a longa, a média e a curta duração.

Cronologia: sistema de marcação e datação com base nas regras estabelecidas pela ciência astronômica, que tenta organizar os acontecimentos numa sequência regular e contínua.

Cultura:

Entende-se por cultura todas as ações por meio das quais os povos expressam suas “formas de criar, fazer e viver” (Constituição Federal de 1988, art. 216). A cultura engloba tanto a linguagem com que as pessoas se comunicam, contam suas histórias, fazem seus poemas, quanto à forma como constroem suas casas, preparam seus alimentos, rezam, fazem festas. Enfim, suas crenças, suas visões de mundo, seus saberes e fazeres. Trata-se, portanto, de um processo dinâmico de transmissão,

de geração a geração, de práticas, sentidos e valores, que se criam e recriam (ou são criados e recriados) no presente, na busca de soluções para os pequenos e grandes problemas que cada sociedade ou indivíduo enfrentam ao longo da existência.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Patrimônio Cultural Imaterial: para saber mais. Brasília, DF: Iphan, 2012. p. 7. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/ uploads/publicacao/cartilha_1__parasabermais_web.pdf. Acesso em: 15 set. 2025.

Sobre esse conceito, o professor Holien Gonçalves Bezerra afirma:

[...] Cultura não é apenas o conjunto de manifestações artísticas. Envolve as formas de organização do trabalho, da casa, da família, do cotidiano das pessoas, dos ritos das religiões, das festas etc. assim, o estudo das identidades sociais, no âmbito das representações culturais, adquire significado e importância para a caracterização de grupos sociais e de povos.

BEZERRA, Holien Gonçalves. Ensino de História: conteúdos e conceitos básicos. In: KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2007. p. 46.

Patrimônio cultural:

Constituem patrimônio histórico brasileiro os bens de natureza material e imaterial [...] nos quais se incluem: I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, ecológico e científico.

ORIÁ, Ricardo. Memória e ensino de História. In: BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico na sala de aula. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1998. p. 134. (Repensando o Ensino).

Identidade: pode ser definida como a construção do “eu” e do “outro” e a construção do “eu” e do “nós”, que tem lugar nos diferentes contextos da vida humana e nos diferentes espaços de convívio social. Essa construção baseia-se no reconhecimento de semelhanças/diferenças e de mudanças/permanências. Sobre o assunto, disse uma ensaísta:

Um dos objetivos centrais do ensino de História, na atualidade, relaciona-se à sua contribuição na constituição de identidades. A identidade nacional, nessa perspectiva, é uma das identidades a serem constituídas pela História escolar, mas, por outro lado, enfrenta ainda o desafio de ser entendida em suas relações com o local e o mundial.

A constituição de identidades associa-se à formação da cidadania, problema essencial na atualidade, ao se levar em conta as finalidades educacionais mais amplas e o papel da escola em particular.

BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2012. p. 121.

A construção de identidades está relacionada também à memória.

Memória: Segundo Pedro Paulo Funari: “A memória [...] é uma recriação constante no presente, do passado enquanto representação, enquanto imagem impressa na mente”2. Memória pode ser definida, então, como o modo pelo qual os seres humanos se lembram ou se esquecem do passado; já a História pode ser vista como a crítica da

2. FUNARI, Pedro Paulo. Antiguidade clássica. Campinas: Editora da Unicamp, 2013. p. 16.

memória. Em sociedades complexas, como a que vivemos, a memória coletiva cede lugar aos lugares de memória, como museus, bibliotecas, espaços culturais, galerias, arquivos ou a uma “grande” história, a história da nação. A memória nos remete à questão do tempo.

Cidadania: o conceito de cidadania – chave na nossa proposta de ensino de História – tem como base as reflexões dos historiadores Carla Bassanezi Pinsky e Jaime Pinsky:

Afinal, o que é ser cidadão?

Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranquila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais. Este livro trata do processo histórico que levou a sociedade ocidental a conquistar esses direitos, assim como dos passos que faltam para integrar os que ainda não são cidadãos plenos.

PINSKY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi (org.). História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2010. p. 9.

A compreensão da cidadania numa perspectiva histórica de lutas, confrontos e negociações, e constituída por intermédio de conquistas sociais de direitos, pode servir como referência para a organização dos conteúdos do componente curricular História. Vale lembrar ainda que os conceitos possuem uma história, e que esta variou no tempo e no espaço. Cientes disso, evitamos visões anacrônicas, a-históricas ou carregadas de subjetividade.

8. POR QUE ESTUDAR A TEMÁTICA AFRO E A TEMÁTICA INDÍGENA?

Então, perguntamos: é por obediência à lei que se deve estudar a temática afro e a temática indígena? Não só, pois além de obedecer à lei e contribuir, assim, para a construção da cidadania, há razões para se trabalharem a temática afro e a indígena na escola, que merecem ser explicitadas, a saber:

a) o estudo da matriz afro e indígena é fundamental à construção de identidades;

b) esse trabalho atende a uma antiga reivindicação dos movimentos indígenas e dos movimentos negros: “o direito à história”;

c) o estudo dessas temáticas contribui para a educação voltada à tolerância, à empatia histórica e ao respeito ao “outro”, bem como ao repúdio a quaisquer formas de preconceito e discriminação. Assim sendo, é indispensável a toda população brasileira seja ela indígena, seja afro-brasileira ou não.

Cabe lembrar também que a população indígena atual – 1 693 535 mil pessoas, segundo o Censo 2022 – vem crescendo e continua lutando em defesa de seus direitos a cidadania plena. Já os afro-brasileiros (pardos e pretos, segundo o IBGE) constituem cerca de metade da população brasileira. Além disso, todos os brasileiros, independentemente da cor ou da origem, têm o direito e a necessidade de conhecer a

diversidade étnico-cultural existente no território nacional. Sobre esse assunto, o historiador Itamar Freitas diz:

Em síntese, nossos filhos e alunos têm o direito de saber que as pessoas são diferentes. Que o mundo é plural e a cultura é diversa. Que essa diversidade deve ser conhecida, respeitada e valorizada. E mais, que a diferença e a diversidade são benéficas para a convivência das pessoas, a manutenção da democracia, e a sobrevivência da espécie.

OLIVEIRA, Margarida Maria Dias de (coord.). História: ensino fundamental. Brasília, DF: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010. p. 161. (Coleção Explorando o Ensino).

8.1 – INSERÇÃO DA ÁFRICA NOS CURRÍCULOS

Nos anos 1970, no contexto da oposição ao regime militar, a luta contra o racismo foi reavivada e se misturou à dos trabalhadores. Em uma manifestação ocorrida em 1978, vários grupos negros reuniram-se nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para protestar contra a morte sob tortura do trabalhador negro Róbson da Luz e a discriminação sofrida por quatro atletas juvenis negros, expulsos do Clube de Regatas Tietê, em São Paulo (SP), sem nenhuma justificativa. Durante esse ato público, várias organizações negras se unificaram, nascendo assim o Movimento Negro Unificado (MNU).

O ato público de 7 de julho de 1978, nas escadarias do Teatro Municipal em São Paulo, reuniu cerca de 2 mil pessoas e é considerado um marco na luta negra contra o racismo. Três anos depois, o MNU aprovou um Programa de Ação que defendia os seguintes pontos:

Desmistificação da democracia racial brasileira; organização política da população negra; transformação do Movimento Negro em movimento de massas; formação de um amplo leque de alianças na luta contra o racismo e a exploração do trabalhador; organização para enfrentar a violência policial; organização nos sindicatos e partidos políticos; luta pela introdução da História da África e do Negro no Brasil nos currículos escolares [...] contra o racismo no país.

DOMINGUES, Petrônio. Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, Niterói, v. 12, n. 23, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-77042007000200007. Acesso em: 15 set. 2025. Portanto, desde 1981, o mais destacado dos movimentos sociais de defesa dos direitos das populações negras no Brasil já reivindicava a inserção da História da África e dos afrobrasileiros nos currículos escolares, o que, por si só, evidencia sua importância nas conquistas posteriores envolvendo a legislação brasileira. Nas décadas seguintes, o movimento negro se manteve ativo e, juntamente com seus aliados da sociedade civil, conseguiu uma grande conquista em 2003, quando, coroando uma luta de décadas, o governo promulgou a Lei no 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira. Cinco anos depois, a Lei no 11.645/08 modificou a 10.639/03 e acrescentou a obrigatoriedade de também se estudar história e cultura dos povos indígenas no Ensino Fundamental e no Ensino Médio das escolas públicas e particulares do Brasil.

9. SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE

DOS ANOS INICIAIS

Em nossa coleção, buscamos propiciar oportunidades de conexão das diferentes áreas do conhecimento, com a integração dos saberes como parte fundamental do processo de aprendizagem. Sobre o trabalho com a interdisciplinaridade, leia o que diz uma pesquisadora do assunto.

Quais são os desafios e possibilidades que existem ao se trabalhar em sala de aula de forma interdisciplinar nos anos iniciais do Ensino Fundamental? [...] O educador pode despertar nos seus alunos a transformação do olhar deles sobre si, sobre sua condição e o contexto em que vivem. [...] São bastante oportunas as colocações [...] sobre o tipo de ensino que de fato impulsiona o desenvolvimento das capacidades dos alunos. [...]

A escola deve ser capaz de desenvolver nos alunos capacidades intelectuais que lhes permitam assimilar plenamente os conhecimentos acumulados. Isto quer dizer que ela não deve se restringir à transmissão de conteúdos, mas, principalmente, ensinar o aluno a pensar, ensinar formas de acesso e apropriação do conhecimento elaborado, de modo que ele possa praticá-las autonomamente ao longo de sua vida, além de sua permanência na escola. [...]

Trabalhar interdisciplinarmente é uma forma de unir teoria e prática [...]. A interdisciplinaridade teria surgido para fazer com que disciplinas não tivessem que mudar seus conhecimentos, mas que estabelecessem fortes relações entre elas. [...] O professor deve compreender o seu papel de formador humano, para assim estabelecer uma conduta a ser seguida, pois toda ação educativa está sujeita às demandas da sociedade. Assim, não há uma prática educativa se não em relação à sociedade, pois a educação é um fenômeno social, na qual há subordinação, exigências, que determinam objetivos e preveem ações [...]

“Para além dos modismos, ultimamente a interdisciplinaridade tem sido vinculada como um dos aspectos fundamentais de uma educação de qualidade”. [...] A interdisciplinaridade é um importante desafio para a didática, pois requer um estabelecimento de diálogos entre as diversas áreas do conhecimento promovendo um ensino que integre diferentes conteúdos com caráter interdisciplinar, superando a disciplinaridade, que agrega apenas conteúdo.

Com a intenção de utilizar conhecimentos distintos de outras disciplinas, a interdisciplinaridade na perspectiva escolar não tem a presunção de criar novas disciplinas isoladas, mas utilizar dos conhecimentos para resolver problemas concretos ou perceber um determinado fenômeno sob um ponto de vista com outra concepção. [...] A interdisciplinaridade [não deve ser vista como] aquela que resolverá todos os problemas inerentes à educação, mas sim, ela apresenta características e possibilidades que podem transformar o ensinar e o aprender através de um ensino planejado, reflexivo e colaborativo.

OLIVEIRA, Bianca Érica et al. A interdisciplinaridade nos anos iniciais do ensino fundamental: discussões sobre desafios e possibilidades. In: KOCHHANN, Andrea; SOUZA, Jucilene Oliveira de; OLIVEIRA, Habyhabanne Maia de (org.). Ensino e educação: práticas, desafios e tendências. Campina Grande: Licuri, 2023. p. 140-173.

10. TEXTOS DE APOIO

O objetivo desta seção é apoiar o professor em sua prática cotidiana, além de fornecer subsídios para a reflexão sobre questões atuais que competem à escola e às infâncias.

TEXTO 1 – PENSAMENTO ESPACIAL E RACIOCÍNIO GEOGRÁFICO

Pensamento Espacial (Spatial Thinking) é um conceito interdisciplinar que perpassa por várias áreas do conhecimento como Matemática, Geografia, Psicologia Cognitiva, Engenharia, Medicina, Artes Visuais e pela Arquitetura [...]. O relatório do NRC (2006) tornou-se referência para pesquisadores estadunidenses e ganhou notoriedade mundial ao apresentar textos desenvolvidos por investigadores de diversos campos científicos, com a finalidade de identificar as bases constituintes do Pensamento Espacial.

O relatório define Pensamento Espacial como aquele constituído por três elementos principais: “conceitos espaciais, formas de representação e processos de raciocínio, atuantes em sistema amálgama” (NRC, 2006, IX; tradução nossa). Pensamos espacialmente quando operamos com um ou mais conceitos espaciais, como posição, distância, localização, direção. As formas de representação do espaço podem ser internas, aquelas que constituem na capacidade de criação e manipulação de imagens mentais, como também externas, ou seja, as representações físicas como fotografias, mapas, maquetes, blocos diagramas e gráficos. Os processos cognitivos definem a cognição envolta na mobilização de conceitos e representações espaciais, como também possibilitam o avanço da informação espacial para o conhecimento espacial [...].

[...] Perceber e locomover-se no espaço, reorganizar móveis em um cômodo, percorrer um trajeto baseando-se em informações fornecidas por outra pessoa, se configuram ações espaciais, as quais demandam um pensamento que considere localização, distância, direção, proporção. Contudo, tal pensamento não se constitui, em nossa concepção, um Raciocínio Geográfico. Este último [...] pressupõe e exige ações que articulem outros componentes para além da mera localização, distância, direção e proporção.

O mesmo podemos afirmar em relação à criação de imagens mentais, que são formadas sobre locais, figuras, objetos, sistemas biológicos (respiração, digestão, circulação). Não há aqui, pois, uma especificidade geográfica, mas, reconhecemos que tudo isso envolve um Pensamento Espacial. A localização cotidiana de pessoas, espaços e objetos é uma ação do senso comum, que não exige a operação com instrumentos de trabalho, conceitos, competências e aptidões específicas da Geografia [...]. Há nessas ações deslocamentos e movimentos, ou seja, substantivos que constituem o fazer geográfico caso estejam associados a uma ordem de pensamento decorrente de um conhecimento científico – a ciência geográfica.

[...]

SILVA, Patrícia Assis. Pensamento espacial e raciocínio geográfico: aproximações e distanciamentos. Signos Geográficos, Goiânia, v. 4, p. 5-6, 2022. Disponível em: https://revistas.ufg.br/signos/article/ download/73869/39044. Acesso em: 16 set. 2025.

TEXTO 2 – EXPLORAÇÃO DO ESPAÇO E DOS OBJETOS

Os projetos de Educação em ambientes de museus sistematizaram uma metodologia cujas etapas podem ser sintetizadas em: observação, registro, exploração e apropriação [...]. Essas etapas não precisam ser trabalhadas separadamente. É possível realizar uma abordagem simultânea ou enfatizar um dos aspectos, o que dependerá dos objetivos definidos, da faixa etária dos alunos e do tempo e dos recursos disponíveis para a atividade. Construção do conhecimento

A finalização do trabalho deve ocorrer, necessariamente, com produções dos alunos. Nessas produções, os estudantes deverão sintetizar o processo vivenciado e avaliar tanto a experiência como a si mesmos em relação ao desenvolvimento da atividade. Assim, sugerimos a produção de caderno de textos, desenhos, gráficos, painéis, jornal-mural, vídeos e a organização de uma exposição com objetos e imagens. A seguir, propomos duas atividades que podem ser realizadas em grupos e por diferentes faixas etárias:

- Colagem com recortes de revistas e papel colorido, além de desenho e pintura para criar uma imagem a respeito da visita da turma à exposição.

- Elaboração de uma história com os objetos da exposição que suscitaram mais interesse.

- Em grupo: Se pudessem criar um museu, como ele seria? Sobre qual tema? Que elementos – objetos e imagens – escolheriam para uma exposição?

ABUD, Kátia Maria et al Ensino de História. São Paulo: Cengage Learning, 2010. p. 141-143. (Coleção Ideias em Ação).

TEXTO 3 – COMO FAZER UMA VISITA A UM MUSEU?

A partir de nossa experiência como educadores de museu, gostaríamos de apresentar alguns pontos fundamentais que devem ser levados em conta no planejamento de uma visita:

- definir os objetivos da visita;

- selecionar o museu mais apropriado para o tema a ser trabalhado; ou uma das exposições apresentadas, ou parte de uma exposição, ou ainda um conjunto de museus;

- visitar a instituição antecipadamente até alcançar uma familiaridade com o espaço trabalhado;

- verificar as atividades educativas oferecidas pelo museu e se elas se adequam aos objetivos propostos e, neste caso, adaptá-las aos próprios interesses;

- preparar os alunos para a visita através de exercícios de observação, estudo de conteúdo e conceitos;

- coordenar a visita de acordo com os objetivos propostos ou participar de visita monitorada, coordenada por educadores do museu;

- elaborar formas de dar continuidade à visita quando voltar à sala de aula;

- avaliar o processo educativo que envolveu a atividade, a fim de aperfeiçoar o planejamento das novas visitas, em seus objetivos e escolhas.

BITTENCOURT, Circe. O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1998. p. 114.

TEXTO 4 – O USO DE TELAS ENTRE AS CRIANÇAS

Apesar das inúmeras possibilidades de utilização das tecnologias no apoio à aprendizagem, é importante estabelecer os limites, para que não haja prejuízos ao estímulo de outras competências e habilidades essenciais para o pleno desenvolvimento do estudante. [...]

Um relatório global da UNESCO (2023) apontou que a tecnologia pode ter um impacto negativo se for usada de modo inadequado e excessivo. A presença de dispositivos, como celulares, em sala de aula, pode ser um elemento de distração, dificultando a gestão da sala de aula e impactando negativamente o foco e a produtividade dos alunos. Além disso, aponta que o uso intensivo de tecnologia tende a reduzir as oportunidades de interação social entre estudantes, o que é crucial para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. O documento também destaca que o tempo excessivo em frente às telas tem sido associado a impactos negativos na saúde física e mental dos estudantes [...].

A limitação do uso de celulares em escolas passou a se estender a todos os estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica brasileira, a partir da aprovação da Lei Federal no 15.100/2025, que “dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica”.

BRASIL. Presidência da República. Secretaria de Comunicação Social. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/PR, 2025. p. 107-109.

TEXTO 5 – A IMPORTÂNCIA DA ADAPTAÇÃO DE ATIVIDADES NO AMBIENTE ESCOLAR PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA

[...] A inclusão escolar possibilitou que a pessoa com deficiência tivesse seu direito à educação como qualquer pessoa, com convívio social com alunos da mesma faixa etária e adquirissem conhecimentos de maneira acessível a sua individualidade.

[...]

[...] [para promover essa inclusão,] pode ser necessária a utilização tanto de atividades adaptadas às originalmente propostas, como de atividades complementares. [...] Entretanto, deverão ser adequadas às necessidades individuais dos alunos e o professor deve estar atento às peculiaridades que cada um apresenta.

[...]

1. Tipos de mudanças:

a) Procedimentos de avaliação (provas orais, escritas, observação, caderno...);

b) Organização, ou disposição física da sala (em U, V, em círculo...), assim como no uso de outros espaços (biblioteca, audiovisuais, contexto da escola...);

c) Temporalidade (dedicar mais tempo a um conteúdo, facilitar tempo extra em uma prova...);

d) Agrupamentos (trabalho individual, pequeno grupo, em duplas, grupos flexíveis);

e) Metodologia didática (apresentação de conteúdos, exposição do professor, trabalhos dos alunos...), assim como a realização de atividades alternativas (com

diferentes níveis de profundidade), ou complementares (para praticar conteúdos não dominados);

f) Uso de materiais (recursos extras, xerocópias);

2. A avaliação deve propor:

g) A seleção de conteúdos adequados aos interesses e características dos alunos, necessários para seu desenvolvimento no mercado de trabalho; realistas, já que poderão contextualizá-los de forma mais imediata e próxima possível em seu meio;

h) O desenho das atividades de ensino-aprendizagem, partindo dos conhecimentos prévios de cada aluno. [...]

3. Outros tipos de mudanças:

i) Conteúdos (prioridades, modificação, ou incorporação de outros novos);

j) Os objetivos (prioridades, modificação, ou incorporação de outros novos);

k) Os critérios de avaliação (prioridades, modificação, ou incorporação de outros novos).

[...]

[...] existem inúmeras possibilidades para utilizar a adaptação de atividade como metodologia de ensino de modo a contribuir com o processo de ensino-aprendizagem dos alunos com deficiência, de forma a garantir um ensino de qualidade a todos, respeitando suas especificidades e potencializando suas habilidades.

LIMA, Daísa Milaine Rezende; LAMONIER, Elisângela Leles. A importância da adaptação de atividades no ambiente escolar para estudantes com deficiência. Instituto Federal Goiano, 3 nov. 2022. p. 2-13.

TEXTO 6 – EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA

O texto a seguir é da doutora em Educação e vencedora do Prêmio Jabuti de Educação, Bárbara Carine.

Um mundo individualista e humanizado

Trata-se de cosmopercepção quando pensamos a dinâmica da coletividade fora do pensamento ocidental. Comunidades africanas e indígenas não são imanentemente individualistas e proprietárias privadas, como pautam Thomas Hobbes e tantos outros filósofos em suas ópticas de refletirem a vida humana.

Não, o homem não é (biologicamente) o lobo do homem; não se trata de geneticamente ser primeiro eu, segundo eu, terceiro eu no exercício da nossa humanidade. Aprendemos culturalmente a sermos individualistas. Tolamente individualistas. Algum desatino social ocidental nos fez acreditar que podemos viver sós no mundo, que sobreviveríamos se assim fosse. Criamos nossas noções limitadas de família (diferentemente das culturas africanas e ocidentais, nas quais a família é todo o grupo étnico) e acreditamos que tudo o que importa no mundo é a minha “fam-ilha”, a nossa ilha social, isolada do restante dos nossos semelhantes humanos. Com isso, olhar para pessoas com fome nas ruas, sem as condições mínimas de dignidade humana, não nos diz nada, pois essas pessoas não fazem parte da nossa pequena ilha social.

[...]

CARINE, Bárbara. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta Brasil, 2023. p. 90-92. XXXVII

DISTRIBUIÇÃO DOS CONTEÚDOS, COMPETÊNCIAS E HABILIDADES

11. AS SEÇÕES DO LIVRO

A Coleção é composta de três volumes. Considerando os pressupostos teórico-metodológicos expostos anteriormente, cada livro apresenta-se estruturado em quatro unidades temáticas, que abrigam um conjunto de capítulos.

Cada livro possui as seguintes seções:

O QUE SABEMOS?

As atividades destas páginas visam contribuir para a avaliação diagnóstica.

PÁGINAS DE ABERTURA DA UNIDADE TEMÁTICA

A página dupla de abertura recorre a imagens e textos de diferentes gêneros acompanhados de questões que incentivam as crianças a falar sobre o que sabem ou imaginam saber. Com esse diálogo inicial, busca-se motivá-los para o estudo do tema da unidade. As imagens utilizadas nessas páginas são as mais variadas: reproduções de pinturas, fotos antigas ou atuais, ilustrações, fotografias acompanhadas de ilustrações etc. Interrogando essas fontes, pretendemos motivar o alunado a observar, identificar, associar, comparar, relacionar, e ao mesmo tempo ajudar o professor a dar início a uma aula dialogada.

CORPO DO CAPÍTULO

No corpo do capítulo buscamos adotar uma linguagem e um tamanho de letra e de entrelinhamento adequados aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Preocupados com a distância entre o conhecimento produzido na universidade e o que chega à sala de aula, por meio do livro escolar, buscamos também fundamentar o texto didático com uma produção historiográfica qualificada. Nossa preocupação foi incorporar um conhecimento consolidado e reconhecido pelos historiadores profissionais e pesquisadores do ensino de História ligados à universidade.

DIALOGANDO

Esta seção busca estimular a participação oral dos estudantes de forma sistemática. Nela, eles são chamados a opinar, a interpretar uma imagem, um gráfico ou uma tabela etc. Essa interrupção do texto principal funciona como respiro e oportunidade para o estudante mobilizar o que sabe e vive para construir novos saberes e colocar-se como sujeito do conhecimento.

ESCUTAR E FALAR

Seção que busca incentivar a expressão oral e a competência argumentativa dos estudantes, bem como trabalhar a escuta como elemento básico do diálogo. Assim, além do desenvolvimento de novas competências linguísticas, as propostas promovem uma postura inclusiva e tolerante com perspectivas divergentes.

ATIVIDADES

Sabe-se que as atividades são vertebrais no trabalho de construção do saber histórico escolar. Sabe-se também que aprender História depende da leitura e da escrita. Por isso, oferecemos à leitura textos jornalísticos, literários, jurídicos, historiográficos, testemunhais etc., além de diversos tipos de imagem: fotografias, charges, pinturas, tirinhas etc.

As atividades desta coleção visam, sobretudo, auxiliar o estudante a pensar historicamente, a contextualizar o que vê e ouve, a capacitar-se para o exercício da cidadania e a desenvolver a leitura e a escrita, competências complementares e interdependentes.

Alinhados à tese de que ler e escrever é um compromisso de todas as áreas, criamos as seções Você Leitor! e Você Escritor!.

VOCÊ LEITOR!

A seção visa alargar a capacidade de ler e interpretar, bem como ampliar o repertório da criança no tocante a termos e conceitos importantes no estudo da História. Visa também familiarizá-la com diferentes gêneros textuais e incentivá-la a perceber quem está falando, de que lugar fala, e, pouco a pouco, ir estimulando as habilidades de identificar, relacionar e contextualizar (habilidades das mais importantes em História).

Espera-se ajudar a criança a participar de maneira ativa na construção do saber histórico escolar e, ao mesmo tempo, permitir que perceba a História como construção.

VOCÊ ESCRITOR!

Em Você escritor!, partimos do pressuposto de que a escrita é uma prática e de que aprende-se a escrever, escrevendo. Com o propósito de estimular a produção escrita, propomos a escrita de textos individuais e coletivos, soluções para situações-problema, frases, listas etc. Assim, aos poucos, ajudamos na formação de leitores e escritores familiarizados com diversos gêneros textuais.

VOCÊ CIDADÃO!

Busca incentivar o estudante a estabelecer relações entre passado e presente, a debater questões atuais e urgentes, e a se posicionar, preparando-o para o exercício da cidadania.

DIALOGANDO COM...

Esforçamo-nos para adotar uma perspectiva interdisciplinar. Para ajudar nessa tarefa, criamos a seção Dialogando com... As atividades dessa seção incentivam o estudante a mobilizar conhecimentos e conceitos de História de forma integrada a outros componentes curriculares, como Língua Portuguesa, Matemática, Ciências da Natureza e Geografia.

RETOMANDO

A seção oferece atividades para revisão dos temas da unidade. Elas dão subsídios para a avaliação formativa e para o monitoramento da aprendizagem.

O QUE APRENDEMOS

Ao final do ano letivo, essas atividades encerram o livro e oferecem subsídios para a avaliação somativa.

12. MATRIZ ARTICULADORA DESTE VOLUME (5º ANO)

12.1 – CONCEITOS E REQUISITOS DA BNCC

Conceitos Competências

• Cultura

• Poder

• Calendário

• Tempo da natureza

• Calendário cristão

• Estado

• Nomadismo/ sedentarismo

• Caçadores e coletores

• Agricultores e pastores

• Aldeia neolítica

• Divisão do trabalho

• Comércio

• Poder centralizado/ Estado

• Imposto

• Cidade

• Religião

• Mito

• Cidadania

• Diversidade cultural

• Pluralidade cultural

• Direitos humanos

• Direitos da criança

• Constituição Federal

• Estatuto da Criança e do Adolescente

• Estatuto da Pessoa Idosa

• 1, 2, 3, 5, 7 (gerais)

• 1, 3, 6, 7 (específicas de História para o Ensino Fundamental)

Objetos de conhecimento

• O que forma um povo: do nomadismo aos primeiros povos sedentarizados.

• As formas de organização social e política: a noção de Estado.

• O papel das religiões e da cultura para a formação dos povos antigos.

• O surgimento da escrita e a noção de fonte para a transmissão de saberes, culturas e histórias.

Habilidades

(EF05HI01) Identificar os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado.

(EF05HI02) Identificar os mecanismos de organização do poder político com vistas à compreensão da ideia de Estado e/ ou de outras formas de ordenação social.

(EF05HI03) Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

(EF05HI08) Identificar formas de marcação da passagem do tempo em distintas sociedades, incluindo os povos indígenas originários e os povos africanos.

• 1, 5, 8, 10 (gerais)

• 3, 4 (específicas de História para o Ensino Fundamental)

• 1, 3, 4, 6 (específicas de Ciências Humanas para o Ensino Fundamental)

• Cidadania, diversidade cultural e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas.

(EF05HI04) Associar a noção de cidadania com os princípios de respeito à diversidade, à pluralidade e aos direitos humanos.

(EF05HI05) Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos e das sociedades, compreendendo-o como conquista histórica.

• Linguagens

• Internetês

• Pintura rupestre

• Linguagem escrita

• Pictograma

• Ideograma

• Alfabeto

• Teatro

• Comédia e tragédia

• Língua Brasileira de Sinais

• Combate ao bullying

• Poluição

• Pessoa com deficiência

• Patrimônio cultural (material, imaterial)

• Patrimônio natural

• Marco de memória

• Patrimônio da Humanidade (material, imaterial e natural)

• Herói

• Cidade

• Abolição

• Manifestação cultural

• Paz

• Tombamento

• Educação patrimonial

• 1, 4, 7, 8, 9 (gerais)

• 2, 7 (específicas de Ciências Humanas para o Ensino Fundamental)

Objetos de conhecimento Habilidades

• As tradições orais e a valorização da memória.

• O surgimento da escrita e a noção de fonte para a transmissão de saberes, culturas e histórias.

(EF05HI06) Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação e avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a elas.

(EF05HI09) Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais.

• 2, 3 (gerais)

• 1, 2, 4, 5, 6 (específicas de História para o Ensino Fundamental)

• As tradições orais e a valorização da memória.

• Os patrimônios materiais e imateriais da humanidade.

(EF05HI07) Identificar os processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória e discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação desses marcos de memória.

(EF05HI10) Inventariar os patrimônios materiais e imateriais da humanidade e analisar mudanças e permanências desses patrimônios ao longo do tempo.

13. SUBSÍDIOS PARA O PLANEJAMENTO

(BIMESTRAL, TRIMESTRAL E SEMESTRAL)

Os quadros a seguir podem subsidiar o seu planejamento, a depender do cronograma da escola, por meio de uma sugestão de organização dos objetivos e conteúdos em propostas bimestrais, trimestrais e semestrais a serem desenvolvidas no ano letivo.

B – Bimestre T – Trimestre S – Semestre

OBJETIVOS CONTEÚDOS

• Trabalhar o conceito de cultura.

• Retomar o conceito de tempo e suas dimensões.

• Conhecer os processos de passagem do nomadismo ao sedentarismo.

• Apresentar diferentes tipos de calendário.

• Consolidar o significado de sedentarismo.

• Mostrar a importância da descoberta da agricultura e seus desdobramentos.

• Explicar a formação das primeiras cidades.

• Analisar o papel das culturas e das religiões nas identidades dos povos antigos, tendo como exemplo a Mesopotâmia e o Egito.

• Estimular o respeito à diversidade cultural e à prática da cidadania.

PÁGINAS SEMANAS B T S

Avaliação diagnóstica: O que sabemos? 8 e 9 1

Cultura, tempo e calendário 10 e 11 1

1. O “tempo do relógio” e outros tempos 12 2

O tempo da natureza 13 a 15 2 Instrumentos de medição do tempo 16 e 17 3

Outras culturas, outros calendários 18 a 23 3 e 4

2. Os primeiros povoadores da Terra 24 5 Os caçadores e coletores 25 5

O começo da agricultura 26 a 32 5 e 6

O processo de formação do Estado 33 a 38 6 e 7

3. Povos antigos: religião e cultura 39 8

Os mesopotâmicos 39 a 43 8

Os egípcios: religião e cultura 44 a 47 8 e 9

Dialogando com Ciências da Natureza e Matemática 48 e 49 9

Avaliação formativa: Retomando 50 e 51 12

Professor, levamos em consideração o ano letivo com 40 semanas. Consideramos a média de 10 semanas e 2 aulas semanais de História para o planejamento bimestral. E a média de 13 semanas e 2 aulas semanais para o planejamento trimestral.

OBJETIVOS

• Trabalhar a noção de cidadania.

• Estimular o respeito à diversidade e à pluralidade.

• Relacionar a noção de cidadania à conquista de direitos dos povos.

• Reconhecer os direitos enquanto conquista histórica.

• Trabalhar o bloco conceitual diferenças e semelhanças. Cidadania: passado e presente

1. O respeito à diversidade e à pluralidade

e 55 11 Cavalhada

caiçara

Modo tradicional de fazer erva-mate

2. Cidadania: conquista dos povos

A Segunda Guerra e suas consequências

Declaração dos Direitos da Criança

e 57 12

e 59 12

a 69 15

a 75 16

3. Cidadania: conquistas do povo brasileiro 76 17

Diretas Já 76 e 77 17

A Constituição Federal de 1988 78 a 83 17 e 18

Dialogando com Língua Portuguesa 84 e 85 19

Avaliação formativa: Retomando 86 e 87 20

OBJETIVOS

• Comparar as diferentes linguagens e seus usos no processo de comunicação.

• Valorizar o uso e o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais.

• Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação.

• Avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a essas linguagens e tecnologias.

• Discernir e debater diferentes pontos de vista sobre temas do nosso dia a dia.

• Incentivar os estudantes a usar diferentes fontes históricas para embasar esse debate.

CONTEÚDOS

e linguagens

1. O uso de diferentes linguagens na comunicação

A linguagem do "internetês"

A linguagem da pintura

A linguagem da escrita 94 a 97 22 e 23

A linguagem do teatro 98 e 99 24

A Língua Brasileira de Sinais: Libras

2. Debates do nosso tempo

Dialogando com Língua Portuguesa, Geografia e Ciências da Natureza

Avaliação formativa: Retomando

a 105 25 e 26

OBJETIVOS

• Levantar patrimônios materiais e imateriais da humanidade.

• Analisar mudanças e permanências nesses patrimônios no tempo.

• Trabalhar os conceitos de patrimônio material, imaterial e natural.

• Apresentar alguns exemplos de patrimônios culturais brasileiros.

• Diferenciar patrimônio material de patrimônio imaterial.

• Caracterizar patrimônio natural.

• Trabalhar o conceito de marco de memória.

CONTEÚDOS

• Analisar a presença ou a ausência de diferentes grupos na nomeação de marcos de memória. Patrimônio e marcos de memória

1. Patrimônios da humanidade

Estátua da Liberdade ‒Estados Unidos

Grande Muralha ‒ China

Patrimônios materiais da humanidade no Brasil

Patrimônios imateriais da humanidade no Brasil

Patrimônio natural da humanidade no Brasil

Quem cuida do nosso patrimônio?

SEMANAS B T S

A transformação do 5 de Junho em marco de memória

O 13 de Maio e o 20 de Novembro

Dialogando com Língua Portuguesa

Avaliação formativa: Retomando

Avaliação

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COMENTADAS

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil . Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm. Acesso em: 17 set. 2025.

Texto compilado da Constituição da República Federativa do Brasil, aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte em 22 de setembro de 1988 e promulgada em 5 de outubro de 1988.

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/L9394.htm. Acesso em: 30 ago. 2025.

Texto da Lei no 9.394, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

BRASIL. Lei no 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2025].

Lei que estabelece diretrizes e metas do Plano Nacional de Educação.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum. mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_ site.pdf. Acesso em: 7 ago. 2025.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que orienta a composição curricular do Ensino Básico no Brasil. Estruturada por meio de competências e habilidades, a BNCC apresenta as aprendizagens essenciais previstas para a educação escolar nacional básica, contemplando tanto o ensino de modo geral quanto suas etapas específicas.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Brasília, DF: MEC. [2025]. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/ crianca-alfabetizada. Acesso em: 17 set. 2025. Programa lançado pela Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC em junho de 2023 com atualizações do programa nacional de alfabetização.

BRASIL. Ministério da Educação. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa – Avaliação no ciclo de alfabetização: reflexões e sugestões. Brasília, DF: MEC, 2012.

Documento com reflexões e sugestões em relação ao processo de alfabetização.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Saberes e práticas da inclusão: avaliação para identificação das necessidades educacionais especiais. Brasília, DF: MEC/SEE, 2006. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/avaliacao. pdf. Acesso em: 30 ago. 2025.

Documento elaborado pelo Ministério da Educação que visa oferecer orientações aos profissionais da

educação para que incorporem práticas de avaliação que considerem as especificidades de cada estudante e sejam parte integrante do processo pedagógico.

BRASIL. Presidência da República. Secretaria de Comunicação Social. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/PR, 2025.

Documento elaborado pelo governo federal com o objetivo de promover um ambiente informacional íntegro, confiável e plural.

EDUCAÇÃO E ENSINO DE HISTÓRIA

ABUD, Kátia Maria et al Ensino de História. São Paulo: Cengage Learning, 2010. (Coleção Ideias Em Ação). Livro-texto com propostas de atividades didáticas e miniprojetos baseados no uso de documentos históricos como recursos educacionais.

BACICH, Lilian. Personalização na prática: algumas reflexões. Inovação na educação , 5 jan. 2019. Disponível em: https://lilianbacich.com/2019/01/05/ personalizacao-na-pratica-algumas-reflexoes/. Acesso em: 10 ago. 2025.

Texto da doutora em Psicologia Escolar Lilian Bacich que oferece diretrizes para a aplicação de estratégias de personalização das atividades educacionais no cotidiano escolar.

BASÍLIO, Ana Luiza. Organização de estudantes na sala de aula não deve ser fixa, mas mudar conforme intenção pedagógica. Centro de Referências em Educação Integral, 8 fev. 2017. Disponível em: https:// educacaointegral.org.br/reportagens/organizacaode-estudantes-na-sala-de-aula-nao-deve-ser-fixa-masmudar-conforme-intencao-pedagogica/. Acesso em: 21 ago. 2025.

Reportagem do Centro de Referências em Educação Integral com orientações para a diversificação da organização dos estudantes no espaço da sala de aula.

BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2012.

A historiadora, pesquisadora do ensino de História e docente nos ensinos Básico e Superior elabora reflexões sobre métodos e conteúdos da História escolar. O livro se divide em três seções, dedicadas a pensar a história da constituição desse componente curricular, métodos e materiais didáticos.

BLOCH, Marc. Apologia da História ou O ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

A obra apresenta uma concepção ampla sobre a natureza da História enquanto ciência.

D’ALESSIO, Marcia Mansor et al Reflexões sobre o saber histórico. São Paulo: Unesp, 2017. (Prismas).

Livro que analisa a contribuição da Escola dos Annales e a atualidade da historiografia marxista.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação, mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 2003. Apresenta exemplos retirados de contextos de sala de aula para desafiar a concepção classificatória da avaliação e defender a pertinência e eficácia da avaliação mediadora. Jussara Hoffmann procura suscitar reflexões que levem o leitor a repensar as práticas avaliativas, de modo a buscar integrá-las ao processo de construção do conhecimento.

KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2007.

Organizado por Leandro Karnal, o livro se propõe a apresentar reflexões orientadas para subsidiar as práticas de ensino em sala de aula. Reunindo produções textuais de quatorze especialistas no ensino de História, o livro apresenta propostas de abordagem de diferentes temas nesse componente curricular.

KOCHHANN, Andrea; SOUZA, Jucilene Oliveira de; OLIVEIRA, Habyhabanne Maia de (org.). Ensino e educação: práticas, desafios e tendências. Campina Grande: Licuri, 2023.

Livro que reúne treze artigos sobre práticas educacionais diversas, abrangendo assuntos como a educação inclusiva, a educação antirracista e o uso de infográficos no ensino de História.

LEAL, Carolina de Castro Nadaf. Avaliar por portfólio nos anos iniciais do ensino fundamental. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL EDUCAÇÃO, CIDADANIA E EXCLUSÃO – DIDÁTICA E AVALIAÇÃO, 4., 2015, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https:// editorarealize.com.br/editora/anais/ceduce/2015/ TRABALHO_EV047_MD1_SA4_ID1816_06062015204218. pdf. Acesso em: 12 ago. 2025.

Artigo que apresenta um histórico das práticas avaliativas nos últimos cem anos e oferece subsídios para o uso do portfólio como ferramenta de avaliação.

LE GOFF, Jacques. A História Nova. Sao Paulo: Martins Fontes, 1990.

O autor apresenta a História Nova como uma maneira diferente de olhar a história, oferecendo ferramentas para o trabalho do historiador.

LEITE, Miriam Moreira. Retratos de família: leitura da fotografia histórica. São Paulo: Edusp, 1993. (Texto e Arte).

Livro que apresenta uma pesquisa crítica da fotografia histórica.

LIMA, Daísa Milaine Rezende; LAMONIER, Elisângela Leles. A importância da adaptação de atividades no ambiente escolar para estudantes com deficiência. Instituto Federal Goiano, 3 nov. 2022.

Artigo que ressalta a importância da adaptação de atividades para estudantes com deficiências no processo de ensino-aprendizagem, apontando reflexões sobre possíveis modificações no currículo, nas avaliações e nas metodologias realizadas pelo professor para promover a inclusão escolar.

MANTOVANI, Girlene Nascimento da Silva. Roda de conversa. Revista Primeira Evolução, ano VI, n. 59, p. 99-106, jun. 2025. Disponível em: https:// primeiraevolucao.com.br/index.php/R1E/article/ download/725/753. Acesso em: 15 set. 2025.

Artigo que investiga o papel da roda de conversa como estratégia pedagógica no ambiente educacional, considerando sua eficácia na mobilização de competências socioemocionais, comunicativas e cognitivas dos estudantes.

MORAN, José. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. Blog do José Moran, [2007?]. Disponível em: https://moran.eca.usp.br/wpcontent/uploads/2013/12/metodologias_moran1.pdf. Acesso em: 29 ago. 2025.

No artigo, o professor e gestor de projeto de inovação em educação José Moran apresenta considerações do uso e a adequação das metodologias ativas e fornece exemplos para amparar a prática docente.

NEVES, Iara Conceição Bitencourt et al. (org.). Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. 9. ed. Porto

Alegre: Editora da UFRGS, 2011.

A obra busca explicar a importância da produção de conhecimento na educação contemporânea com o intuito de proporcionar uma efetiva transformação social.

OLIVEIRA, Margarida Maria Dias de (coord.). História: ensino fundamental. Brasília, DF: Ministério da Educação; Secretaria de Educação Básica, 2010. (Coleção Explorando o Ensino).

Obra que reúne artigos a respeito da transposição didática dos conhecimentos históricos produzidos no meio acadêmico para o ensino escolar de nível fundamental.

SANTOS, Carmi Ferraz; MENDONÇA, Márcia (org.). Alfabetização e letramento: conceitos e relações. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

Livro que reúne oito artigos de autores de referência nos estudos da alfabetização.

SILVA, Patrícia Assis. Pensamento espacial e raciocínio geográfico: aproximações e distanciamentos. Signos Geográficos, Goiânia, v. 4, 2022.

O texto da professora adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) discute as possíveis aproximações e os distanciamentos entre pensamento espacial e raciocínio geográfico com base em uma extensa pesquisa documental.

SILVA, Taiane Vanessa da; OLIVEIRA, Felipe Augusto Leme de; ALEGRO, Regina Célia. Oficina de entrevistas: memórias na sala de aula. In : SEMINÁRIO DE PESQUISA DO PPGHS – XIII SEMANA DE HISTÓRIA –ENCONTRO DAS ESPECIALIZAÇÕES EM HISTÓRIA, 1., 2012, Londrina. Anais […]. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2012. p. 889-897.

Artigo que apresenta orientações para o trabalho com entrevistas, orientando o trabalho metodológico em História Oral.

SOUSA, Mara Mansani. Como organizar saraus na alfabetização. Nova Escola, 4 jul. 2022. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21288/ como-organizar-saraus-na-alfabetizacao. Acesso em: 19 ago. 2025.

Artigo do site Nova Escola que apresenta orientações para a organização de saraus com estudantes dos Anos Iniciais.

VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989. Nesse livro, Vygotsky apresenta um pensamento original e inovador sobre o processo de desenvolvimento psicológico em seres humanos.

TEMÁTICA INDÍGENA

GOMES, Mércio Pereira. Os índios e o Brasil: passado, presente e futuro. São Paulo: Contexto, 2017. Analisa a trajetória das sociedades indígenas no Brasil, discutindo sua história e seus desafios futuros.

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Nesse relato, o líder e xamã yanomami Davi Kopenawa compartilha sua história de vida e seu pensamento cosmoecológico.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. Apresenta reflexões sobre os conhecimentos indígenas, criticando a noção da humanidade como algo separado da natureza.

MUNDURUKU, Daniel. Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2013.

Apresenta contos de origem munduruku, discutindo temas importantes ligados à diversidade indígena no Brasil.

SILVA, Aracy Lopes da; GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (org.). A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1o e 2o graus. São Paulo: Global, 2004.

Reúne contribuições de diversos autores sobre os povos indígenas no Brasil.

HISTÓRIA E CULTURA DA ÁFRICA E DOS AFRO-BRASILEIROS

CARINE, Bárbara. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta Brasil, 2023.

Na obra, a autora propõe discussões sobre como a educação e a escola podem promover a formação antirracista por meio de perspectivas racializadas, abordando conceitos como pacto da branquitude, racismo estrutural, ação afirmativa e educação emancipatória.

DOMINGUES, Petrônio. Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, Niterói, v. 12, n. 23, 2007. Disponível em: https://doi. org/10.1590/S1413-77042007000200007. Acesso em: 15 set. 2025.

No artigo, o autor discute a trajetória do movimento negro organizado durante a República (1889-2000), com as etapas, os atores e suas propostas, ressaltando o protagonismo desse movimento na luta pela inclusão social do negro.

HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005.

Apresenta textos sobre a história do continente africano.

LOPES, Nei. Dicionário da Antiguidade africana. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

Apresenta a contribuição das antigas sociedades africanas no desenvolvimento de saberes e conhecimentos.

MACEDO, José Rivair. História da África. São Paulo: Contexto, 2015.

Apresenta um panorama da história do continente africano.

SCHWARCZ, Lilia M.; GOMES, Flávio. Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

Apresenta diversos artigos que abordam a história da escravidão no Brasil.

SILVA, Alberto da Costa e. A África explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. Nesse livro, o autor explica de forma simples como a cultura africana está ligada à trajetória dos brasileiros.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006.

Importante obra que apresenta um panorama do continente africano, desde sua formação até a atualidade.

DIREITOS HUMANOS

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. São Paulo: Civilização Brasileira, 2016. Analisa a história da cidadania no Brasil e seus desafios atuais.

PEREIRA, Maria Cristina da Cunha (org.). Libras : conhecimento além dos sinais. São Paulo: Pearson, 2011.

Apresenta artigos que analisam as características e a importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

PINSKY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi (org.). História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2010.

Reunindo contribuições de intelectuais renomados, como Paul Singer, Letícia Bicalho e Leandro Konder, o livro apresenta uma análise da cidadania estabelecida na sociedade ocidental desde os seus fundamentos históricos até a forma como o processo se deu no Brasil.

SOUZA, Flavio de. Direitos universais das crianças e dos jovens. São Paulo: FTD, 2015.

Obra destinada ao público jovem, apresenta o documento oficial da Declaração Universal dos Direitos da Criança.

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