PNLD 2027 Anos Iniciais - A Conquista - Regional Sudeste - Volume Único
HISTÓRIA E GEOGRAFIA – REGIÃO SUDESTE
COMPONENTE CURRICULAR: REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Fabiana Pegoraro Soares
Doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP).
Mestra em Geografia Física pela USP.
Pesquisadora na área do meio ambiente e suas interfaces com educação, ensino de Geografia e Geografia Política na USP.
Professora e coordenadora de Geografia na Educação Básica. Educadora em cursos e oficinas de formação de professores. Natural de São Paulo (SP), onde vive atualmente.
Juçara Luzia Leite
Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).
Mestra em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Licenciada em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Pesquisadora de temas voltados para a História Intelectual, o Ensino de História e a Educação para a Paz.
Professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Autora de livros, artigos acadêmicos e materiais didáticos. Colaboradora em documentários, reformas curriculares e formação continuada de professores. Natural do Rio de Janeiro (RJ), vive atualmente em Vila Velha (ES).
Júlio Silva Fonseca
Bacharel em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP).
Desenvolvedor de materiais didáticos e supervisor editorial. Natural de Maria da Fé (MG), onde vive atualmente.
Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa
Direção editorial adjunta Luiz Tonolli
Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva
Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira
Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite
Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam
Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão
Gerência de produção e arte Ricardo Borges
Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)
Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)
Ilustração de capa Guilherme Asthma
Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)
Diagramação Estúdio Anexo
Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga
Licenciamento de textos Erica Brambila
Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)
Ilustrações Alex Rodrigues, Bruna Assis Brasil, Fabio Eugenio, Gus Campos, Leo Teixeira, Ligia Duque, Veridiana Camelo
Cartografia Allmaps, Sonia Vaz
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Soares, Fabiana Pegoraro
A conquista : história e geografia : Região Sudeste : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Fabiana Pegoraro Soares, Juçara Luzia Leite, Julio Silva Fonseca. -- 1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.
Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.
ISBN 978-85-96-06044-8 (livro do estudante)
ISBN 978-85-96-06045-5 (livro do professor)
ISBN 978-85-96-06046-2 (livro do estudante HTML5)
ISBN 978-85-96-06047-9 (livro do professor HTML5)
1. Brasil, Sudeste - Geografia (Ensino fundamental) 2. Brasil, Sudeste - História (Ensino fundamental) I. Leite, Juçara Luzia. II. Fonseca, Julio Silva. III. Título.
25-290519
CDD-372.891815 -372.89815
Índices para catálogo sistemático:
1. Região Sudeste : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.891815
2. Região Sudeste : Brasil : História : Ensino fundamental 372.89815
Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427
Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD
Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300
Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br
Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.
Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33
Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375
APRESENTAÇÃO
Caro colega,
Este Livro do professor foi escrito para ampliar as possibilidades pedagógicas que estruturam o Livro do estudante. É um instrumento flexível de apoio à ação docente, com o objetivo de integrar dialogicamente os saberes regionais e a diversidade presente no cotidiano dos estudantes sudestinos.
Além de sugestões para o encaminhamento das aulas, este livro considera o modo dinâmico do dia a dia escolar, a interação com outras áreas do conhecimento e as experiências dos estudantes. Dessa forma, proporciona diferentes possibilidades de discutir as temáticas por diversos olhares, narrativas e sensibilidades da História e da Geografia na construção de uma educação para a paz e a sustentabilidade, considerando múltiplos sujeitos, ritmos e práticas na pluralidade da dimensão espaço-tempo.
Este livro é, assim, ele mesmo um espaço no tempo, um lugar social de conhecimento aberto que é construído no fazer escolar: um espaço ao mesmo tempo vivido e incompleto, sempre em movimento e transformação.
Bom trabalho!
Serra da Mantiqueira em Piquete (SP), em 2023.
ORGANIZAÇÃO GERAL DA OBRA
A obra é composta de Livro do estudante e Livro do professor, nas versões impressa e digital.
LIVROS IMPRESSOS
Livro do estudante
Organizado em unidades temáticas. Cada unidade apresenta dois capítulos que desenvolvem os conteúdos a serem trabalhados com a turma.
Livro do professor
Dividido em orientações específicas, em que reproduz o Livro do estudante na íntegra, em miniatura, com respostas na cor rosa, e em orientações gerais, onde há subsídios sobre teoria e prática docente.
LIVROS DIGITAIS
O Livro do estudante e o Livro do professor também são disponibilizados no formato digital, em HTML, o que oportuniza o acesso ao material em diferentes aparelhos digitais: smartphones, notebooks e tablets, por exemplo.
Além disso, os livros digitais contêm os objetos digitais , que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica e promover o uso de ferramentas digitais presentes no dia a dia. Eles são indicados pelos ícones:
CONHEÇA SEU LIVRO DO PROFESSOR
Este Livro do professor apresenta orientações didáticas que visam apoiar a prática pedagógica. Elas estão organizadas em duas partes.
ORIENTAÇÕES
ESPECÍFICAS, DIVIDIDAS EM:
• Introdução à unidade: texto que apresenta os conteúdos ou conceitos desenvolvidos ao longo da unidade.
• Objetivos da unidade: lista dos objetivos de aprendizagem a serem alcançados.
• BNCC: competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular desenvolvidas ao longo da unidade. Também há menções à BNCC da computação e aos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs).
• Encaminhamento: comentários e orientações didáticas para o desenvolvimento dos conteúdos abordados na página do Livro do estudante. Há dicas, complementos de atividades e de respostas e outras informações.
• Organize-se: relação de materiais que devem ser providenciados com antecedência ou algum preparo de sala de aula, pedido para casa etc.
• Atividade complementar: atividades complementares para auxiliar ou ampliar as propostas do Livro do estudante. Elas também podem ser utilizadas como momentos de avaliação.
• Texto de apoio: trechos de textos de circulação social.
• Sugestão para os estudantes: sugestões comentadas de livros, sites, revistas, aplicativos etc. para o estudante desenvolver e aplicar os conhecimentos.
• Sugestão para o professor: sugestões comentadas de livros, sites , revistas, aplicativos etc. para o professor se aprofundar a respeito dos temas trabalhados.
ORIENTAÇÕES GERAIS, AO FINAL DO VOLUME:
Reflexões sobre região, regionalização e história local, pressupostos teórico-metodológicos da obra, considerações sobre o papel do professor, textos para reflexão do professor e muito mais.
HISTÓRIA E GEOGRAFIA – REGIÃO SUDESTE
COMPONENTE CURRICULAR: REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Fabiana Pegoraro Soares
Doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP).
Mestra em Geografia Física pela USP.
Pesquisadora na área do meio ambiente e suas interfaces com educação, ensino de Geografia e Geografia Política na USP.
Professora e coordenadora de Geografia na Educação Básica. Educadora em cursos e oficinas de formação de professores. Natural de São Paulo (SP), onde vive atualmente.
Juçara Luzia Leite
Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).
Mestra em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Licenciada em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Pesquisadora de temas voltados para a História Intelectual, o Ensino de História e a Educação para a Paz.
Professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Autora de livros, artigos acadêmicos e materiais didáticos. Colaboradora em documentários, reformas curriculares e formação continuada de professores. Natural do Rio de Janeiro (RJ), vive atualmente em Vila Velha (ES).
Júlio Silva Fonseca
Bacharel em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP).
Desenvolvedor de materiais didáticos e supervisor editorial. Natural de Maria da Fé (MG), onde vive atualmente.
Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa
Direção editorial adjunta Luiz Tonolli
Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva
Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira
Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite
Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam
Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão
Gerência de produção e arte Ricardo Borges
Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)
Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)
Ilustração de capa Guilherme Asthma
Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)
Diagramação Estúdio Anexo
Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga
Licenciamento de textos Erica Brambila
Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)
Ilustrações Alex Rodrigues, Bruna Assis Brasil, Fabio Eugenio, Gus Campos, Leo Teixeira, Ligia Duque, Veridiana Camelo
Cartografia Allmaps, Sonia Vaz
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Soares, Fabiana Pegoraro
A conquista : história e geografia : Região Sudeste : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Fabiana Pegoraro Soares, Juçara Luzia Leite, Julio Silva Fonseca. -- 1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.
Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.
ISBN 978-85-96-06044-8 (livro do estudante)
ISBN 978-85-96-06045-5 (livro do professor)
ISBN 978-85-96-06046-2 (livro do estudante HTML5)
ISBN 978-85-96-06047-9 (livro do professor HTML5)
1. Brasil, Sudeste - Geografia (Ensino fundamental) 2. Brasil, Sudeste - História (Ensino fundamental) I. Leite, Juçara Luzia. II. Fonseca, Julio Silva. III. Título.
25-290519
CDD-372.891815 -372.89815
Índices para catálogo sistemático:
1. Região Sudeste : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.891815
2. Região Sudeste : Brasil : História : Ensino fundamental 372.89815
Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427
Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD
Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300
Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br
Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.
Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33
Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375
APRESENTAÇÃO
Olá! Você está começando uma incrível viagem pela região Sudeste do Brasil.
Este livro de Geografia e História vai te acompanhar e ajudar a entender melhor o lugar onde vive e o mundo ao seu redor.
Você vai conhecer diferentes paisagens, histórias, pessoas e sotaques que fazem parte do Sudeste, uma região cheia de diversidade e movimento. Cada página é um convite para descobrir como o presente e o passado se encontram nos espaços que nos cercam.
Será um bonito passeio pelos estados do Sudeste, com mapas, fotografias, pesquisas e atividades que vão tornar o aprendizado mais divertido e interessante.
E o melhor: você poderá compartilhar tudo isso com seus colegas, professores e pessoas próximas.
Aproveite e boas descobertas!
GUS CAMPOS
CONHEÇA SEU LIVRO
Seu livro da região Sudeste está dividido em quatro unidades. As aberturas de unidade trazem uma imagem, ou mais de uma, e atividades que buscam despertar a sua curiosidade sobre aquilo que vai ser estudado.
Dentro das unidades, você vai encontrar textos, brincadeiras, fotos, desenhos, mapas, atividades... Um montão de coisas para descobrir e aprender com a turma.
O SUDESTE E O FUTURO
Este destaque apresenta os principais conceitos estudados, para você encontrá-los com facilidade.
entre maiores e menores densidades demográficas ficam visíveis. Observe o mapa. Nele, os locais com maior densidade demográfica são representados com tons mais escuros, enquanto os locais com menor densidade são representados com cores mais claras.
sociedade mais justa.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Você sabe a diferença entre diversidade e desigualdade? Procure essas palavras no dicionário. 2 Cite exemplos de diversidade que você conhece em nossa região.
3 Você já pensou em ideias para diminuir as desigualdades sociais? Se sim, quais?
Onde estão as maiores densidades demográficas do Sudeste?
DESCUBRA MAIS
QUANTAS PESSOAS moram no Brasil e onde vivem? IBGE Explica Censo 2022 #01. Publicado por: IBGE. 2024. 1 vídeo 4 min). Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=BAlR2C7CFRU. Acesso em: 30 jul. 2025. O vídeo apresenta dados populacionais obtidos pelo Censo 2022 e propõe comparações a respeito da densidade demográfica no país.
No Descubra mais, há indicações de livros, sites, vídeos, canções e outras fontes culturais.
Além das ações do poder público, no Sudeste há pessoas que lutam por mudanças nas leis e pela garantia de direitos humanos. Por exemplo, a participação nos conselhos municipais permite que a população colabore na elaboração de políticas públicas. Já os movimentos
O glossário contextualiza e explica algumas palavras que talvez você não conheça.
No Quem é?, você aprenderá sobre a vida de pessoas importantes para a região.
As atividades de pesquisa, individuais ou em grupo, geralmente estão no Você detetive . Pode ser que você também precise da ajuda de seus familiares e de outros adultos que fazem parte do seu dia a dia nestes momentos.
Na seção Diálogos, você e a turma vão conhecer semelhanças e diferenças que existem dentro da sua região e em sua região com relação às outras regiões do país.
O Para rever o que aprendi , ao final das unidades, vai ajudar você e o professor a identificarem o que você já aprendeu e aquilo de que precisa de mais ajuda para aprender.
Estes ícones mostram como você deve realizar as atividades.
Objetos digitais
Oralmente Em grupo
Estes ícones identificam os objetos digitais presentes no livro. Os materiais digitais apresentam assuntos complementares ao conteúdo trabalhado na obra, ampliando ainda mais a sua aprendizagem.
Em dupla
NÃO SE ESQUEÇA
DE QUE SEU LIVRO
VAI SER USADO POR OUTRO COLEGA NO PRÓXIMO ANO. POR ISSO, CUIDE BEM DO SEU LIVRO E NÃO ESCREVA NELE.
2 SER HUMANO E NATUREZA NO SUDESTE
Minha região: relevo
NOVOS CAMINHOS E ENCONTROS
PESSOAS DO SUDESTE
1 POPULAÇÃO SUDESTINA
Quantos somos e quem somos
Onde estamos?
2 O SUDESTE E O FUTURO
Referências bibliográficas comentadas
clicável:
clicável: Danças: histórias, valores e tradições
Infográfico clicável: Lago de Furnas, o mar de Minas Gerais
clicável: Terras quilombolas na região Sudeste
Infográfico clicável: Caiçaras
INTRODUÇÃO À UNIDADE
A Unidade 1 abordará a Geografia e a História da região Sudeste com base nos lugares de vivência dos estudantes e em aspectos naturais sudestinos, bem como na relação entre o ser humano. Serão desenvolvidos os conceitos de divisa, limite, região, regionalização, paisagem natural e cultural, localização, patrimônio, além de aspectos dos componentes físico-naturais, como relevo, hidrografia, clima, vegetação, bioma e impacto ambiental.
O modo como o ser humano se relaciona com os componentes físico-naturais na região será estudado sob o ponto de vista do uso da água e dos impactos ambientais.
Além disso, serão comparadas similaridades e diferenças entre os quatro estados a região, de modo a auxiliar a compreensão das continuidades e disparidades que podem ser encontradas entre eles.
BNCC
Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 3, 4, 5. Competências específicas de Ciências Humanas: 2, 3, 5, 7.
Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5. Competência específica de História: 1.
TCTs: Multiculturalismo: diversidade cultural, educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras; Meio ambiente: educação ambiental; Cidadania e civismo: vida familiar e social.
O QUE É A REGIÃO SUDESTE?
Objetivos da unidade
• Localizar seu lugar de vivência em mapas, bem como os aspectos culturais e naturais da região Sudeste.
• Identificar aspectos naturais e as formas de apropriação social que constituem o lugar de vivência e a região Sudeste.
• Descrever paisagens e fenômenos naturais e culturais.
• Compreender as noções de local e cotidiano e sua importância na História e na Geografia.
• Explicar conceitos e fenômenos relacionados aos aspectos culturais e naturais da região Sudeste.
No Brasil, é comum associar as pessoas à região onde elas nascem ou vivem. Por exemplo, quem nasce na região Sul é chamado sulista; quem nasce na região Nordeste é chamado nordestino; e quem nasce na região Norte é chamado nortista.
2 O que você pensa quando lê a palavra Sudeste? Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Você já ouviu a expressão sudestino? Procure o significado dela em um dicionário e depois converse com os colegas.
• Diferenciar particularidades e semelhanças entre os estados sudestinos.
• Comparar imagens e situações do cotidiano na região Sudeste.
03/10/2025 19:05
• Comparar elementos sociais e naturais comuns existentes no lugar de vivência e na região Sudeste.
• Avaliar situações relacionadas às questões ambientais.
• Representar fenômenos naturais e culturais da paisagem de seu lugar de vivência.
Explore com a turma os elementos que podem ser percebidos na ilustração: as xícaras de café, o pão de queijo, o mapa da região Sudeste, o prédio do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), o arco da Praça da Apoteose da Marquês de Sapucaí (projetado pelo arquiteto carioca Oscar Niemeyer), a panela e a moqueca capixaba. Encaminhe a conversa de modo a diagnosticar o que os estudantes identificam ou conhecem desses elementos e como eles representam a cultura sudestina. Verifique se os estudantes já ouviram falar no termo sudestino, ressaltando que é pouco usado no cotidiano. Além disso, verifique o conhecimento prévio dos estudantes sobre os estados que compõem a região Sudeste.
1. A depender do dicionário utilizado, é possível que o termo sudestino não esteja presente, ao contrário dos termos nordestino , sulista e nortista , mais comuns em dicionários. A palavra sudestino, no entanto, está registrada em: ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa . Rio de Janeiro, c2025. Disponível em: www.academia.org. br/nossa-lingua/busca-novocabulario. Acesso em: 3 set. 2025.
2. Resposta pessoal. Aproveite a questão para sondar os conhecimentos prévios dos estudantes sobre a região onde vivem.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
ENCAMINHAMENTO
Certifique-se de que a turma compreende a diferença entre Unidades da Federação (UFs) e estados. Ressalte que, ainda que essas expressões sejam sinônimas em alguns casos (por exemplo: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo são UFs e, ao mesmo tempo, são estados), elas não têm o mesmo significado. O Distrito Federal pode ser mencionado: esse território, que abriga Brasília, a capital do Brasil, é uma UF e não um estado.
A Federação brasileira é formada pela União, pelos 26 estados, pelo Distrito Federal (DF) e por todos os municípios. Os estados e o Distrito Federal, juntos, formam as 27 UFs do país.
Ao trabalhar o conteúdo sobre divisas e limites, verifique o que os estudantes conhecem sobre os municípios e estados vizinhos, perguntando se costumam visitá-los ou usar serviços nesses locais. Pergunte também se conhecem os limites de seu município ou as divisas de seu estado, apontando alguns elementos naturais ou culturais que indicam essa separação. Sistematize na lousa as respostas, listando os municípios vizinhos.
REGIÃO SUDESTE: MEU LUGAR DE VIVÊNCIA
Você sabia que o Brasil é um dos maiores países do mundo? Seu território é dividido em 26 estados e um Distrito Federal (DF). Essas 27 unidades também são chamadas Unidades da Federação (UFs).
Brasil: político
RORAIMA (RR)
AMAZONAS (AM)
ACRE (AC)
AMAPÁ (AP)
PARÁ (PA)
MARANHÃO (MA)
PIAUÍ (PI)
CEARÁ (CE)
RIO GRANDE DO NORTE (RN)
PARAÍBA (PB)
PERNAMBUCO (PE)
SERGIPE (SE) ALAGOAS (AL)
RONDÔNIA (RO)
TOCANTINS (TO)
MATO GROSSO (MT) DISTRITO FEDERAL (DF) BRASÍLIA
GOIÁS (GO) BAHIA (BA)
MATO GROSSO DO SUL (MS)
SÃO PAULO (SP)
MINAS GERAIS (MG) ESPÍRITO SANTO (ES)
RIO DE JANEIRO (RJ)
PARANÁ (PR)
SANTA CATARINA (SC) RIO GRANDE DO SUL (RS)
Rio de Janeiro São Paulo Curitiba Florianópolis Porto Alegre
Trópico de Capricórnio OCEANO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 92.
Cada estado é subdividido em municípios, e um deles é a capital estadual. O Distrito Federal (DF) é a menor UF do Brasil e a única não dividida em municípios, mas em regiões administrativas. Abriga Brasília, a capital federal.
Os estados brasileiros são separados uns dos outros por divisas . Além disso, cada estado é organizado em municípios, separados uns dos outros por limites . As divisas e os limites entre os territórios podem ser demarcados por elementos naturais, como rios e serras, ou por elementos culturais, como ruas e linhas imaginárias.
12 12
Sugestão para o professor
IBGEEDUCA. Passo a passo: produção de mapas táteis para pessoas com deficiência visual. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/professores/educa -recursos/20774-passo-a-passo-producao-de-mapas-tateis-para-pessoas-com-deficiencia -visual.html. Acesso em: 4 set. 2025.
A fim de permitir a acessibilidade do material, os dados e informações apresentados no Livro do estudante precisam ser comentados e, se possível, ilustrados por meio do uso de outros recursos. Acesse o conteúdo produzido pelo IBGE para verificar possibilidades pedagógicas para a produção de mapas táteis em sala de aula. Podem-se usar texturas diversas para destacar os diferentes aspectos de cada mapa da obra.
SONIA
Observe as imagens a seguir.
Rio Preto, elemento natural que marca a divisa entre Resende (RJ) e Bocaina de Minas (MG), em 2024.
Placa sinalizando o limite municipal entre Itapecerica (SP) e São Paulo (SP), em 2025.
Placa sinalizando a divisa entre os estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, em 2021.
Peça aos estudantes que observem a primeira fotografia e verifique se percebem que as divisas estaduais e os limites municipais podem ser elementos naturais, como rios e o mar. Comente que, no Brasil, apenas três capitais estaduais estão situadas em ilhas. Solicite que observem as outras duas fotografias da página, constatando se entendem o que as placas indicam em cada caso.
1. Para estudantes do Espírito Santo, a resposta correta é: Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro; para estudantes de Minas Gerais, a resposta correta é: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul; para estudantes de São Paulo, a resposta correta é: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro; e, para estudantes do Rio de Janeiro, a resposta correta é: São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Explique que Minas Gerais é o único estado que faz divisa com todos os demais estados do Sudeste.
2. Realize esta atividade em dois momentos: primeiro, convidando os estudantes a contribuir oralmente, com base em seus conhecimentos prévios, e, em seguida, proponha a realização de uma pesquisa, mediada por você e com o uso de fontes confiáveis. Solicite a eles que anotem os resultados da pesquisa no caderno. Sugestão para os estudantes
Veja respostas e orientações em Encaminhamento.
1 Observe o mapa da página anterior. Quais UFs fazem divisa com o seu estado?
2 Com o auxílio do professor, pesquise quais municípios têm limites com o município onde você vive.
04/10/2025 17:14 13
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE Cidades. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/. Acesso em: 25 abr. 2025.
A plataforma disponibiliza dados sobre as UFs e os municípios brasileiros, com informações fornecidas pelo IBGE e por outras instituições. Nela, é possível acessar conteúdos sobre diversos temas por meio de tabelas, gráficos, mapas, imagens históricas e fotografias. A ferramenta também permite realizar comparações entre diferentes localidades e organizar os dados de acordo com critérios específicos.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Explore os mapas disponíveis para trabalhar localização e letramento cartográfico. Para isso, indique os locais representados e a legenda, ressaltando o significado das cores (as regiões), dos ícones (capital federal e capital estadual) e das linhas (divisa estadual, divisão regional e fronteira internacional). Oriente-os a localizar, nos mapas, os elementos indicados na legenda. Aponte também outros elementos presentes nos mapas, como o título, a rosa dos ventos (que indica a direção dos elementos) e a escala (que indica quantas vezes o tamanho real foi reduzido para ser representado no papel, o que permite calcular a proporção e as distâncias). Também trabalhe a fonte (no caso, a autoria é do IBGE, órgão oficial para dados no Brasil) e a data de publicação.
Regiões brasileiras
Os estados brasileiros estão organizados em regiões . A divisão em regiões mais utilizada no Brasil é a feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aparece no mapa.
1. Norte: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Brasil: grandes regiões
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.
Para definir essas cinco grandes regiões do Brasil, o IBGE usou como critério as semelhanças naturais, sociais e econômicas entre os estados mais próximos no território. Uma dessas regiões é a nossa, a região Sudeste.
1 De acordo com o mapa Brasil: grandes regiões, quais são as cinco regiões do Brasil? E quais são as UFs que compõem cada uma delas?
2 No mapa, a região Sudeste aparece em que cor?
A região Sudeste aparece em um tom de amarelo nesse mapa.
3 E em qual região se localiza a UF onde você vive atualmente?
Na região Sudeste.
Texto de apoio
Quando ensinamos Geografia a um cego não podemos simplesmente verbalizar o conteúdo escrito, descrever elementos da paisagem, ou elaborar os mapas em baixo ou alto relevo. Temos que mergulhar em um mundo onde os conhecimentos são construídos de outra forma. [...]
A cartografia tátil consiste em uma área específica da cartografia dedicada ao desenvolvimento metodológico e à produção de material didático, bem como sua aplicação no ensino de conceitos cartográficos e geográficos para alunos com deficiência visual. O material usual corresponde a mapas, maquetes e gráficos táteis.
ZUCHERATO, Bruno; JULIASZ, Paula Cristina Strina; FREITAS, Maria Isabel Castreghini de. Cartografia tátil: mapas e gráficos táteis em aulas inclusivas. São Paulo: Unesp: Univesp, 2012. Disponível em: https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/47182/1/u1_d22_v9_tb.pdf. Acesso em: 4 set. 2025.
Sudeste: político
ENCAMINHAMENTO
2. Os estudantes podem escolher variados critérios, como idade, altura, gosto musical, torcida para determinado time de futebol. Cada critério gerará um número de grupos
O que é região?
No dia a dia, a palavra região é utilizada com diferentes significados. Para se referir a uma localidade, alguém pode dizer, por exemplo, “ele mora na região dos Lagos” ou “estou com dor na região do braço”, quando uma parte do corpo dói.
Para a Geografia, região é um espaço com características parecidas. A divisão do espaço geográfico em regiões é conhecida como regionalização, e ela auxilia a obter dados sobre a população e a planejar ações para melhorar a vida dela.
Região é uma porção do espaço terrestre com características comuns. Essas características podem ser naturais, sociais ou culturais, e estão ligadas à história do local, tornando-o diferente dos demais.
Regionalização é o processo de agrupar áreas em regiões com base em critérios previamente selecionados.
Por exemplo, é possível agrupar seus lápis de cor usando o critério de cores, o critério de tamanho ou o critério dos mais utilizados. Se o IBGE tivesse utilizado outros critérios, a divisão regional do Brasil seria diferente da atual divisão em cinco regiões.
1 Em seu dia a dia, como você costuma usar a palavra região?
Resposta pessoal. Anote as respostas na lousa caso considere necessário.
2 Converse com um colega e, juntos, pensem em quais critérios poderiam ser utilizados para organizar a sua turma em grupos menores.
• Escolham dois critérios e analisem: para cada critério, os grupos seriam os mesmos? Anotem a resposta no caderno.
Atenção!
Peça ajuda ao professor para manusear objetos cortantes. distintos, bem como composições diversas.
3 Em uma folha de papel avulsa, desenhe e recorte uma rosa dos ventos, escrevendo nela as direções cardeais. Depois, coloque-a em cima do mapa do Brasil da página 12, sobre a capital federal.
a) Desenhe outra rosa dos ventos no caderno.
Produção pessoal.
b) Na rosa dos ventos em seu caderno, escreva o nome do estado para qual cada direção cardeal aponta.
Converse com os estudantes sobre a noção de região e o uso dessa palavra no cotidiano. Reforce a compreensão de que, para a Geografia, o significado de região é bastante específico e, ao mesmo tempo, bastante importante.
Incentive os estudantes a imaginar quais critérios poderiam existir se a sala de aula ou a escola fosse dividida em regiões. Por exemplo: quais são as carteiras (ou salas de aula) que ficam voltadas para o lado do nascer do Sol? Ou os espaços escolares utilizados para alimentação (refeitório) e aulas (salas de aula, quadra e biblioteca)? Esclareça que essas seriam, respectivamente, uma divisão por semelhanças naturais e por funcionalidade.
Pergunte quais outros termos podem ser usados nos contextos exemplificados por eles. Por exemplo: “Lá na região onde moro” pode ser substituído por “Lá no meu bairro” ou “Lá em minha comunidade”.
Se possível, apresente também outros textos ou materiais que utilizam o termo região e peça à turma que avalie, em cada caso, se a palavra foi empregada no sentido de conceito geográfico ou não.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
• Tesoura com pontas arredondadas
Sugestão para os estudantes
BRASIL. Ministério Público Federal. Série regiões brasileiras : Turminha chega ao Sudeste. Brasília, DF: MPF, c2025. Disponível em: https://turminha.mpf.mp.br/explore/brasil/serie -regioes-brasileiras/sudeste. Acesso em: 4 set. 2025.
O desenvolvimento do trabalho acerca da região Sudeste pode ser acompanhado do uso desse material. Explore também as páginas em que são apresentadas as outras quatro regiões do país, o que permitirá a comparação entre elas.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência. (EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Pode ser que haja estudantes na turma que apresentem dificuldades na leitura de números na ordem dos milhões. Auxilie-os a compreender o dado de que a região tem cerca de 85 milhões de habitantes, se necessário trabalhando em interdisciplinaridade com Matemática (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico . Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov. br/panorama. Acesso em: 15 set. 2025).
Aproveite o momento para comentar com a turma que cada estado do Sudeste também tem a própria regionalização: são as sub-regiões. Em portais oficiais, pesquise quais são as sub-regiões de seu estado e em qual delas o município onde vocês vivem está inserido.
Para complementar o trabalho, considere desenvolver com a turma a localização — ainda que aproximada — do município onde vocês vivem dentro do mapa de malha municipal do estado de vocês. Identifique com a turma se o município está na porção norte, sul, leste, oeste ou central do estado e se é limítrofe com municípios de outros estados.
Sudeste como região
A região Sudeste é formada por quatro estados: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Esses estados estão divididos em unidades menores, chamadas municípios. O Sudeste é a região mais populosa do país, com cerca de 85 milhões de habitantes. Os estados da região apresentam muitas semelhanças nas paisagens, nas atividades econômicas, na história e na cultura de seus habitantes. Observe nos mapas as malhas municipais dos estados do Sudeste.
Paulo: malha municipal
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 96.
de Janeiro: malha municipal
Populoso: local que apresenta elevado número de habitantes.
Sugestão para o professor EVENTOS discutem interdisciplinaridade na prática de cartografia. Rádio USP, 16 jul. 2018. Podcast . Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/eventos-discutem-interdisciplinaridade -na-pratica-de-cartografia/. Acesso em: 5 set. 2025.
O episódio aborda práticas pedagógicas para o ensino da cartografia de forma interdisciplinar. Também apresenta algumas das ideias debatidas em eventos universitários sobre discussão cartográfica, durante os quais o episódio foi lançado.
Trópico de Capricórnio
SONIA
Minas Gerais: malha
Espírito Santo: malha
1. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes mencionem o que conhecem sobre a história do próprio estado e dos demais estados da região Sudeste.
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 96.
ESCREVA NO LIVRO.
1 O que vocês sabem sobre a história dos estados da região Sudeste?
2 Quais UFs localizam-se a oeste de Minas Gerais?
Resposta esperada: Goiás e Mato Grosso do Sul.
3 Qual estado da região Nordeste localiza-se ao norte do Espírito Santo?
Resposta esperada: Bahia.
4 Qual elemento natural localiza-se a leste de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo?
Resposta esperada: mar (ou o oceano Atlântico).
Sugestão para os estudantes
SOUSA, Mauricio de. Dorinha e Turma da Mônica brincando pelo Brasil: região Sudeste. São Paulo: Fundação Dorina Nowill, 2021. Dorinha, personagem com deficiência visual, acompanha a Turma da Mônica na descoberta das características e de alguns dos principais atrativos da região Sudeste. O livro é composto em Braille e conta com uma versão em áudio para a audiodescrição das ilustrações.
Durante a realização das atividades, é esperado que a turma perceba que os nomes das regiões não correspondem exatamente às direções cardeais, mas seguem, como lógica geral, a posição em relação ao centro do país.
Verifique se os estudantes entendem, por exemplo, que nem todos os estados ao sul do Distrito Federal estão na região Sul. Utilize as atividades como forma de verificar a compreensão dos estudantes a respeito das direções cardeais e da utilização da rosa dos ventos, com seus pontos cardeais.
Se achar interessante, incentive-os a utilizar novamente a rosa dos ventos elaborada na atividade 3 da página 15 para comprovar suas respostas.
NÃO
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a exposição do conteúdo, destacando com a turma o termo povos originários, presente no primeiro parágrafo. Explique que se trata de uma forma de se referir aos povos indígenas brasileiros, de modo a reforçar que já habitavam o território antes da chegada dos europeus, a partir de 1500.
Realize a leitura do mapa Brasil: capitanias hereditárias (1534-1536) com a turma. Caso julgue interessante, explique que aspectos físicos determinaram parcialmente as capitanias (no caso da capitania do Espírito Santo, entre o Rio Mucuri e o Baixos dos Pargos; capitania de São Tomé, entre Baixos dos Pargos e Rio Macaé; capitania de São Vicente 1, entre o Rio Macaé e o Rio Curupacê; capitania de Santo Amaro, entre o Rio Curupacê e a Barra de Bertioga; e capitania de São Vicente 2, entre a Barra de Bertioga e Paranaguá).
“Invenção” da região Sudeste
Será que a região Sudeste sempre existiu? Antes da chegada dos colonizadores portugueses, todo o território brasileiro era habitado por diferentes povos originários. Eles formavam diversas nações e falavam diferentes línguas. Após a chegada dos colonizadores, em 1500, o território brasileiro foi dividido nas chamadas capitanias hereditárias, que eram administradas por pessoas conhecidas como donatários. Observe o mapa.
Brasil: capitanias hereditárias (1534-1536)
Equador
Tratado de Tordesilhas
Capitania do Maranhão 1: Aires da Cunha Capitania do Maranhão 2: João de Barros
Capitania do Piauí: Fernando Álvares de Andrade Terras não distribuídas
Capitania do Ceará: Antônio Cardoso de Barros Capitania do Rio Grande 1: Aires da Cunha
Capitania de Rio Grande 2: João de Barros
Capitania de Itamaracá: Pero Lopes de Sousa
Capitania de Pernambuco: Duarte Coelho Pereira
Capitania da Baía de Todos os Santos: Francisco Pereira Coutinho
Capitania de Ilhéus: Jorge de Figueiredo Correia
Capitania de Porto Seguro: Pero do Campo Tourinho
Capitania do Espírito Santo: Vasco Fernandes Coutinho
Capitania de São Vicente 1: Martim Afonso de Sousa
Capitania de São Tomé: Pero de Góis da Silveira
Capitania de Santo Amaro: Pero Lopes de Sousa
Capitania de São Vicente 2: Martim Afonso de Sousa
Capitania de Santana: Pero Lopes de Sousa
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
estaduais atuais
Fontes: CINTRA, Jorge Pimentel. Reconstruindo o mapa das capitanias hereditárias. In: MUSEU PAULISTA: história e cultura material, 2., 2013. Anais [...], São Paulo, v. 21, p. 11-45, dez. 2013; REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Rio de Janeiro, ano 10, n. 108, p. 12, set. 2014.
Ao longo de sua história, o Brasil teve diversas propostas de regionalização. Apenas em 1940, após a criação do IBGE, houve uma divisão regional oficial. Desde então, o Brasil passou por outras regionalizações oficiais.
18 18
Sugestão para o professor
CINTRA, Jorge Pimentel. Reconstruindo o mapa das capitanias hereditárias. In: MUSEU PAULISTA: história e cultura material, 2., 2013, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: USP, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-47142013000200002. Acesso em: 4 set. 2025.
O avanço das técnicas cartográficas e das pesquisas relacionadas ao tema é responsável pela constante atualização dos mapas de capitanias hereditárias. No artigo indicado, é possível ter contato com o trabalho de pesquisa que resultou no mapa utilizado como fonte no Livro do estudante.
SONIA VAZ 03/10/2025
Analise os mapas a seguir.
Brasil: grandes regiões (1940)
Equador
TERRITÓRIO DO ACRE
OCEANO PACÍFICO AM
615
ENCAMINHAMENTO
Brasil: grandes regiões (1950)
TERRITÓRIO DO RIO BRANCO
TERRITÓRIO DO AMAPÁ
OCEANO ATLÂNTICO
TERRITÓRIO DO ACRE
TERRITÓRIO DO RIO BRANCO
OCEANO PACÍFICO AM
TERRITÓRIO DE RONDÔNIA
ARQ. DE FERNANDO DE NORONHA PA PI CE MA GO BA MG ES RJ DF RIO DE JANEIRO RN PB PE SE AL SP PR SC RS
TERRITÓRIO DO ACRE
TERRITÓRIO DO GUAPORÉ
OCEANO PACÍFICO
Trópico de Capricórnio
0º 50° O Norte Nordeste Este Centro Sul Regiões
Brasil: grandes regiões (1960)
DO AMAPÁ
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
640
Capital federal
Divisa estadual
Divisão regional
Fronteira internacional
Regiões
TERRITÓRIO DE FERNANDO DE NORONHA
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
Norte Nordeste Leste
Centro-Oeste Sul
Brasil: grandes regiões (1970)
TERRITÓRIO DE RORAIMA
OCEANO PACÍFICO AM
TERRITÓRIO DE RONDÔNIA
TERRITÓRIO DO AMAPÁ
0 640 Equador
Divisão regional Divisa estadual
federal Fronteira internacional
Regiões
Norte Nordeste Leste Centro-Oeste Sul
640
Capital federal
Divisa estadual
Divisão regional
Fronteira internacional
DE FERNANDO DE NORONHA
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
Regiões
Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 11. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Em qual regionalização a região Sudeste aparece pela primeira vez?
2 O estado onde você vive atualmente já fez parte de quais regiões? Anote a resposta no caderno. Em 1970.
Resposta de acordo com o estado de vivência dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.
A leitura dos mapas de regionalizações pode ser realizada em conjunto. Reforce com a turma a compreensão de que diferentes regionalizações possuem critérios distintos. Também é possível que os mesmos critérios, quando utilizados em diversos períodos, resultem em regionalizações diferentes (como é o caso dos agrupamentos por critério socioeconômico).
Outra possibilidade que pode ser explorada durante a leitura desses mapas é a observação da configuração político-administrativa do território brasileiro em cada período. Pergunte aos estudantes se perceberam que novas UFs surgiram e outras mudaram de nome ao longo do tempo na sequência de mapas. Assegure-se de que eles compreendem que as regionalizações são criações humanas e passíveis de alterações ao longo do tempo, por variados motivos.
Oriente os estudantes a observar as informações das legendas dos mapas para responder às questões.
Texto de apoio
03/10/2025 19:46 19
O geógrafo participou da primeira divisão regional do Brasil, quando foi responsável por São Paulo. Ele abordou o estado, pela primeira vez, sob a perspectiva da região industrial. Em 1967 propôs uma nova divisão do país (até então, o Brasil era dividido em Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Leste e Sul), com três regiões: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Sua ideia considerava não apenas os aspectos físicos, mas também humanos, históricos e econômicos. Essa forma de organização, em regiões geoeconômicas, facilitou a compreensão das relações sociais e políticas do Brasil. De acordo com Geiger, essa foi a sua maior contribuição para a Geografia. FERREIRA, Igor. Ícone da Geografia brasileira, Pedro Geiger completa 100 anos e prepara novo livro. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, 29 maio 2023. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/ agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/36952-icone-da-geografia-brasileira-pedro-geiger -completa-100-anos-e-prepara-novo-livro. Acesso em: 4 set. 2025.
2. Caso os estudantes residam no Espírito Santo, o estado já fez parte das regiões Este (1940), Leste (1950 e 1960) e Sudeste (1970). Caso vivam em Minas Gerais, o estado já fez parte das regiões Centro (1940), Leste (1950 e 1960) e Sudeste (1970). Caso morem no Rio de Janeiro, o estado já fez parte das regiões Sul (1940), Leste (1950 e 1960) e Sudeste (1970). Caso os estudantes morem em São Paulo, o estado já fez parte das regiões Sul (1940, 1950 e 1960) e Sudeste (1970). Caso prefira, as informações podem ser organizadas em um quadro, com uma coluna para o ano e outra para a região.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a abordagem explicando aos estudantes que uma região não é sinônimo de homogeneidade. Ainda que, dentro de determinados critérios, seja possível agrupar um conjunto de territórios em uma região, há também muita diversidade (tanto natural quanto econômica, social e cultural) dentro dela. Certifique-se de que essa compreensão esteja clara para toda a turma antes de prosseguir com o debate em torno das semelhanças e diferenças encontradas na região Sudeste.
Comente com os estudantes que as quatro fotografias apresentadas nas páginas 20 e 21 retratam quatro importantes atividades econômicas de nossa região: a agricultura (fotografia de cafeicultura no Espírito Santo), a mineração (fotografia de extração de minério de ferro em Minas Gerais), a geração de energia (fotografia de usinas nucleares no Rio de Janeiro) e o turismo (fotografia de ecoturismo em São Paulo).
Região Sudeste: semelhanças e diferenças
Os estados que fazem parte da região Sudeste apresentam aspectos naturais, econômicos e culturais semelhantes, mas, como não são homogêneos, também têm muitas diferenças entre si.
Espírito
Santo
O Espírito Santo é o quinto estado com a melhor qualidade de vida do Brasil. Possui uma economia diversificada e é o segundo maior produtor de petróleo e gás do país. Também apresenta atividades de siderurgia e rochas ornamentais, indústrias de celulose, indústrias de móveis e cultivos de café e frutas.
Minas Gerais
Minas Gerais é o segundo estado mais populoso do Brasil e concentra grandes áreas industriais e de extração de minerais metálicos, principalmente minério de ferro e bauxita. Outras atividades importantes no estado são a agroindústria leiteira e a indústria metalúrgica.
Homogêneo: aquilo que tem muitos pontos em comum, que é uniforme.
Siderurgia: produção de ferro e aço.
Bauxita: minério rico em alumínio.
Atividade complementar Escolha alguns critérios para dividir a turma em grupos. Entre esses critérios, podem estar a altura (estudantes mais altos, mais baixos e com estaturas medianas), a localização dos estudantes na sala de aula (quem está sentado perto da porta, da janela, à frente, ao fundo, no meio) e os gostos pessoais (os que gostam mais de ler, de esportes, de Ciências da Natureza ou de Matemática), por exemplo.
Solicite aos estudantes que se organizem de acordo com cada critério, movimentando-se pela sala de aula. Ao final da atividade, pergunte: o que muda e o que permanece em cada grupo de acordo com cada critério? Os grupos eram homogêneos?
Relacione a atividade à regionalização do Brasil. Dessa forma, os estudantes poderão perceber que, assim como o território do país pode ser subdividido de acordo com critérios variados, a turma também pode se reagrupar seguindo certos parâmetros.
Plantação de café em Águia Branca (ES), em 2024.
Extração de minério de ferro em Nova Lima (MG), em 2025.
Os estados do Espírito Santo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo possuem, por exemplo, características de clima e vegetação muito semelhantes e têm histórias e atividades econômicas parecidas. Porém, é preciso lembrar que cada estado e cada município apresentam também suas particularidades.
São Paulo
São Paulo é o estado mais populoso do Brasil, com mais de 44 milhões de habitantes. Concentra atividades de serviços e uma indústria e agropecuária diversificadas, destacando-se na produção de alimentos, como a laranja, e de cana-de-açúcar, principalmente para a produção de combustível. O turismo também é uma atividade econômica importante.
Espera-se que os estudantes reconheçam que a indústria (tanto no
Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro é o terceiro estado mais populoso do Brasil e sua capital é bastante conhecida pelas paisagens naturais integradas à ocupação humana. Entre suas atividades, destacam-se as indústrias de petróleo, de energia, automotivas, siderúrgicas e navais. No estado estão localizadas as usinas nucleares brasileiras.
Após explorar o conteúdo, o texto e as imagens das páginas 20 e 21 com a turma, considere a possibilidade de utilizar a seguinte estratégia: organize os estudantes em duplas ou trios para que realizem juntos a atividade 1 . Incentive-os a discutir em conjunto a pergunta e a registrar, no caderno, as conclusões do grupo.
Em seguida, reserve uma parte da aula para que cada grupo apresente ao restante da turma os seus registros. Promova uma discussão coletiva, com toda a turma, a respeito das semelhanças e diferenças que podem ser encontradas dentro da região Sudeste.
1 De acordo com o texto e as imagens das páginas 20 e 21, quais semelhanças e diferenças você percebe entre os estados da região Sudeste?
Anote no caderno.
espaço urbano quanto no espaço rural), a exploração de recursos minerais, a produção de energia e o turismo, por exemplo, são atividades presentes em todos os estados da região Sudeste, ainda que existam particularidades nesses setores em cada um desses estados (além de haver particularidades nas subregiões deles).
Atividade complementar
21
03/10/2025 19:05 21
Proponha à turma que se divida em quatro grupos e que cada estado sudestino fique a cargo de um grupo. Oriente cada grupo a pesquisar mais informações a respeito da economia do estado que lhe foi atribuído. Todos os grupos devem estruturar a pesquisa com base nos seguintes tópicos: três principais cultivos agrícolas e três principais destinos turísticos do estado, bem como elementos naturais ou culturais que favorecem a existência dessas atividades.
Cada grupo deve apresentar o resultado de sua pesquisa por meio de cartazes e de uma apresentação oral dos resultados para o restante da turma.
Essa atividade auxiliará no aprofundamento do estudo e vai preparar os estudantes para discussões sobre patrimônio (ainda neste capítulo), elementos naturais da paisagem (no próximo capítulo) e sobre economia no espaço rural (nas Unidades 2 e 3).
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), em 2023.
Turistas visitando gruta em Iperó (SP), em 2024.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a exploração deste tópico apresentando aos estudantes imagens das bandeiras dos quatro estados sudestinos e perguntando se eles já as conheciam. Em caso de resposta positiva, pergunte também se sabem qual estado cada uma dessas bandeiras representa.
Ainda nesse momento de sensibilização inicial, você pode orientar os estudantes a observar os elementos presentes em cada bandeira e convidá-los a, oralmente, apresentar hipóteses para explicar cada um deles.
Comente com a turma que as bandeiras são representações de identidade coletiva e que reconhecer seus símbolos e significados é parte da formação para a cidadania.
Utilize também as explicações sobre os símbolos de cada bandeira para retomar com os estudantes as hipóteses que eles levantaram anteriormente e confrontá-las com as explicações oficiais de cada estado para sua bandeira.
Finalize o trabalho propondo aos estudantes que respondam oralmente às atividades propostas. Reproduza para a turma o hino do estado de onde vocês vivem (e, se houver possibilidade, os hinos dos demais estados da região).
Chame a atenção para os elementos culturais e históricos presentes na letra.
Como ampliação, a bandeira e o hino do município onde vocês vivem também podem ser apresentados à turma.
Símbolos do Sudeste
Bandeira, brasão e hino são símbolos oficiais dos estados e municípios. Vamos conhecer as bandeiras e os gentílicos de cada um dos estados da região Sudeste.
Espírito Santo
Gentílico: capixaba, usa-se também espírito-santense. Capital: Vitória.
Os elementos da bandeira estão relacionados com a religiosidade do povo capixaba, pois azul, branco e rosa são as cores do manto de Nossa Senhora da Vitória, padroeira da capital do estado. A frase “Trabalha e Confia” era um lema dos jesuítas, ordem religiosa muito importante na história do estado.
Minas Gerais
Gentílico: mineiro.
Bandeira do estado de Minas Gerais.
Rio de Janeiro
Gentílico: fluminense.
Gentílico: palavra que indica onde uma pessoa nasceu, ou então de onde vem algum objeto.
Bandeira do estado do Espírito Santo.
Capital: Belo Horizonte. A bandeira apresenta um triângulo vermelho, representando as revoluções, e uma frase em latim: ”Libertas quae sera tamen”, que significa “Liberdade ainda que tardia”. Esse era o lema da Inconfidência Mineira, movimento revoltoso ocorrido em 1789.
Capital: Rio de Janeiro (município que recebe o mesmo nome do estado).
O azul da bandeira representa justiça e lealdade e o branco representa esperança e paz. No brasão, a águia indica a força de um governo e o cordão de ouro simboliza proteção e união. Nele, também se representa a Serra dos Órgãos e há ramos de cana-de-açúcar e de café. As cores azul e verde representam o litoral e o interior.
São Paulo
Gentílico: paulista.
Bandeira do estado de São Paulo.
Bandeira do estado do Rio de Janeiro.
Capital: São Paulo (município que recebe o mesmo nome do estado).
A bandeira foi criada pelo escritor Júlio Ribeiro, que sonhava que ela pudesse se tornar a bandeira da futura república brasileira, e por isso há um mapa do Brasil no canto superior esquerdo. Atualmente, as cores da bandeira representam o dia, a noite e o sangue da revolução dos paulistas. O azul representa a lealdade à nação e as quatro estrelas representam as quatro direções cardeais.
1 O que mais chamou sua atenção em cada bandeira?
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes mencionem aspectos ligados às cores ou aos símbolos e às frases presentes em cada bandeira.
2 Você conhece o hino do seu estado? Por que é interessante conhecê-lo? Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes entendam o hino como valorização da cultura e identidade do estado, além de fornecer informações sobre a história dele. NÃO ESCREVA NO
Sugestão para os estudantes
HINOS de estados brasileiros. Brasil, c2025. Playlist . Disponível em: www.letras.mus.br/hinos -de-estados. Acesso em: 5 set. 2025.
Na página indicada, é possível encontrar as letras dos hinos de todos os estados brasileiros, acompanhadas de vídeos com versões musicadas dos hinos.
DIÁLOGOS
Outros símbolos
contra invasões estrangeiras. O preto na bandeira representa o respeito às pessoas que morreram lutando pelo estado. A bandeira do Acre traz uma estrela vermelha representando a história daqueles que lutaram pela anexação do território ao Brasil.
Entre 1960 e 1975, no território onde hoje é o estado do Rio de Janeiro, havia dois estados distintos: o estado da Guanabara, que teve o município do Rio de Janeiro como capital, e o estado do Rio de Janeiro, que tinha como capital o município de Niterói.
Em 1975, os antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro foram unificados. O novo estado passou a se chamar Rio de Janeiro, com a capital no município do Rio de Janeiro, como conhecemos hoje.
Não foi só a região Sudeste que passou por mudanças ao longo do tempo. Alguns dos atuais estados da região Norte já foram territórios federais. Esse tipo de divisão administrativa deixou de existir com a Constituição de 1988. O território do Amapá é um exemplo de território federal que se tornou estado a partir de 1988. Já o território do Acre foi comprado da Bolívia em 1903, sendo território federal do Brasil até 1962.
1 Compare a bandeira do atual estado do Rio de Janeiro com a bandeira do estado da Guanabara e aponte semelhanças e diferenças.
2. A bandeira do Amapá possui o traço geométrico que representa o Forte de São José de Macapá, construído no século 18 para proteger o território Os estudantes podem apontar como semelhanças as cores azul e branco. Como diferenças, podem citar os detalhes do brasão.
2 Pesquisem aspectos das histórias dos atuais estados do Amapá e do Acre presentes nas bandeiras e registrem no caderno o que encontraram.
Atividade complementar
BNCC
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
Desenvolva o trabalho previsto, evidenciando aos estudantes que as bandeiras são símbolos produzidos historicamente e que podem nos ajudar a conhecer aspectos políticos e históricos dos diferentes territórios.
Aproveite o tema desenvolvido na página para trabalhar o TCT Multiculturalismo: diversidade cultural. Verifique se eles percebem as semelhanças e diferenças apontadas entre a história de formação de estados de diferentes regiões do Brasil.
03/10/2025 19:05
Inicie a proposta explicando que regiões, geralmente, não têm bandeiras. Proponha: que tal usarmos a imaginação para criar uma bandeira para a região Sudeste?
Com os estudantes, levante elementos importantes sobre a região que já foram estudados até aqui: sua composição, sua origem, sua economia e sua pluralidade.
Em seguida, convide a turma a formar grupos, que discutirão como representar visualmente, dentro de uma bandeira, essas características gerais da região Sudeste por meio de símbolos, cores e/ou frases curtas.
Após a discussão, é hora de cada grupo desenhar sua proposta de bandeira. Eles devem, em seguida, apresentar para o restante da turma o resultado de seu trabalho e as justificativas que ajudam a explicar a bandeira criada por eles.
Esta atividade pode ser realizada em conjunto com o componente curricular de Arte.
Bandeira do Amapá.
Bandeira do antigo estado da Guanabara.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Bandeira do Acre.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
ENCAMINHAMENTO
Antes de iniciar o trabalho com o texto e as imagens deste tópico, retome com os estudantes a noção de elementos naturais e elementos culturais, trabalhada no contexto das divisas e limites, na página 12 deste capítulo. Após trabalhar o texto da página 24, convide os estudantes a ir até algum ponto da escola onde seja possível enxergar uma paisagem externa. Pode ser uma janela que possibilite a vista para fora da escola, por exemplo. Peça aos estudantes que exercitem aquilo que acabaram de estudar e identifiquem todos os elementos presentes na paisagem, classificando-os em naturais e culturais.
Aproveite esse momento para reforçar com a turma a compreensão de que nem todo elemento da paisagem com predomínio do verde é, necessariamente, um elemento natural: jardins ou lavouras, por exemplo, são elementos culturais das paisagens.
Paisagens naturais e culturais do Sudeste
As paisagens podem ser formadas por elementos naturais e culturais.
Paisagem é o conjunto de elementos naturais e culturais que percebemos no espaço por meio dos nossos sentidos.
Os elementos naturais são todos aqueles ligados à natureza, que não foram criados pelos seres humanos. Já os elementos culturais são aqueles criados pelos humanos em diferentes épocas e locais, e são sinais da influência da cultura e da história das sociedades nas paisagens.
A região Sudeste é muito rica em paisagens naturais , muitas delas protegidas por lei, como parques e áreas de proteção ambiental. Essas paisagens naturais são formadas por elementos naturais como rios, mares, solo, vegetação, serras e praias.
Rio São Francisco em seus primeiros metros a partir de sua nascente, no Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG), em 2024.
Serra da Mantiqueira, paisagem natural que ocupa áreas do Espírito Santo, de Minas Gerais, de São Paulo e do Rio de Janeiro, no Parque Nacional do Itatiaia, em Itatiaia (RJ), em 2023.
1 Quais paisagens naturais você identifica no lugar onde vive?
1. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes mencionem vegetações nativas, rios, praias, morros, formações rochosas, entre outros elementos.
2 Com o auxílio do professor, pesquise as áreas naturais protegidas no seu município e anote no caderno o(s) nome(s) de alguma(s) delas Resposta de acordo com o município dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1. Peça aos estudantes que se recordem de uma paisagem que avistam de suas casas.
2. Se necessário, auxilie-os a pesquisar a resposta para a pergunta em fontes confiáveis. Uma possibilidade é o uso da ferramenta Unidades de Conservação do Brasil, mantida pelo Instituto Socioambiental. Nela, é possível filtrar por Unidade da Federação ou por município a lista das áreas naturais protegidas, além de obter informações gerais sobre cada uma delas (INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Unidades de Conservação no Brasil. São Paulo: ISA, c2025. Disponível em: https://uc.socioambiental.org/pt-br. Acesso em: 15 set. 2025).
ENCAMINHAMENTO
5. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes reconheçam corretamente os elementos naturais e os culturais, transpondo esse conhecimento para a análise das paisagens
As paisagens culturais são formadas, em sua maior parte, por elementos culturais, ou seja, criados pelos seres humanos, como ruas, prédios, casas, praças, plantações, indústrias e criação de animais. Nas paisagens culturais também pode haver elementos naturais.
Habitações e indústrias siderúrgicas em Volta Redonda (RJ), município de médio porte, com 260 mil habitantes, em 2020.
presentes no cotidiano deles.
Construções em Serra (ES), município de grande porte e o mais populoso do estado, com mais de 520 mil habitantes, em 2023.
3 Como você imagina que seja viver em cada um desses locais apresentados?
Resposta pessoal. Incentive os estudantes a imaginar como seria o cotidiano em cada uma das paisagens retratadas.
4 Quais são as diferenças entre esses diversos modos de vida e o seu dia a dia? Anote a resposta no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
5 No lugar onde você vive, existem mais elementos naturais ou culturais na paisagem?
6 No caderno, faça um desenho da paisagem que você vê da janela. Escreva nele os nomes dos elementos naturais e dos culturais que você identificou. Produção pessoal. Espera-se que os estudantes identifiquem corretamente os elementos naturais e culturais nas paisagens presentes em seus lugares de vivência.
Texto de apoio
Explique à turma que, de acordo com critérios do IBGE, são municípios de pequeno porte aqueles cuja população é inferior a 100 mil habitantes; de médio porte, aqueles cuja população está entre 100 mil e 500 mil habitantes; e, de grande porte, os com população acima de 500 mil habitantes.
Peça aos estudantes que pesquisem o número de habitantes do município onde vivem e o classifiquem em um município de pequeno, médio ou grande porte.
4. Em linhas gerais, é esperado que, em cidades grandes, haja maior concentração de pessoas, construções altas e predomínio de atividades econômicas ligadas ao espaço urbano, oferecendo, inclusive, serviços que são utilizados por habitantes de outros municípios. Já em cidades pequenas, as construções são menos verticalizadas, a população está menos concentrada e a economia tende a se voltar para atividades agropecuárias e para o setor de serviços, para atendimento de demandas locais.
04/10/2025 17:25
Quando nos deparamos com uma determinada paisagem é comum utilizarmos recursos que são, de certa forma, inatos às nossas práticas cotidianas como, por exemplo, olhar, observar, contemplar, analisar e interpretar. Esse modo de explorar um dado contexto indica como é forte a presença desses elementos em nossas vidas. Para todos os indivíduos videntes, a visão sobre um conjunto de objetos, um cenário específico, seja ele qual for, exige a utilização desses recursos para conseguir compreender ou fazer uma leitura, mesmo que rápida, do que existe nesse lugar.
RICHTER, Denis; PINHEIRO, Igor de Araújo. A paisagem da cidade pelos mapas mentais: possibilidades e percursos na construção de uma leitura espacial crítica. In: STEINKE, Valdir Adilson; SILVA, Charlei Aparecido da; FIALHO, Edson Soares. Geografia da paisagem: múltiplas abordagens. Brasília, DF: Caliandra, 2022. Disponível em: https://livros.unb.br/index.php/portal/catalog/book/375. Acesso em: 4 set. 2025.
6. Sugere-se aos estudantes que realizem a atividade em casa. Solicite que, em seus desenhos, elaborem uma legenda que diferencie, por meio de cores ou símbolos, os elementos naturais dos elementos culturais. Confronte os resultados com os da atividade 1 da página 24 (em que os estudantes se lembraram de uma paisagem avistada de suas casas para responder). Pergunte à turma qual diferença eles notaram entre se lembrar de uma paisagem e observar essa mesma paisagem.
Centro de Maria da Fé (MG), município de pequeno porte, com menos de 15 mil habitantes, em 2022.
Cidade e área rural de Palestina (SP), município de pequeno porte, com 11 mil habitantes, em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
ENCAMINHAMENTO
Converse com os estudantes a respeito da importância de estudar o patrimônio. Para isso, recomendamos a leitura do Texto de apoio O que é, afinal, a educação patrimonial?, na página 27.
Além do Iphan, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) realizou o trabalho de definir uma lista do Patrimônio Mundial da Humanidade. Em 2025, essa lista incluía 1 248 bens que fazem parte do patrimônio cultural e natural, sendo 972 propriedades culturais, 235 naturais e 41 mistas (culturais e naturais), em 168 países. Nessa lista, o Brasil aparece com 25 patrimônios (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA. Lista do patrimônio mundial. c2025. Disponível em: https://whc.unesco.org/en/ list/. Acesso em: 4 set. 2025).
Patrimônios do Sudeste
A região Sudeste também é rica em patrimônios culturais , que podem ser materiais, como construções e monumentos, e imateriais, como conhecimentos e tradições populares. No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ajuda a definir muitos dos patrimônios do país.
Patrimônios culturais são bens materiais ou imateriais que se referem à identidade, à ação ou à memória dos diferentes grupos que compõem a sociedade brasileira e devem ser preservados.
Criações científicas, artísticas e tecnológicas, objetos, documentos e construções, assim como lugares de valor histórico, paisagístico, arqueológico, paleontológico e ecológico são exemplos de patrimônio cultural.
O município de Paraty (RJ) é um patrimônio mundial misto, da cultura e da biodiversidade Paraty (RJ), em 2025.
Biodiversidade: variedade de espécies animais e vegetais encontradas em um local.
Texto de apoio
Centro histórico do município de Ouro Preto (MG), considerado patrimônio mundial cultural, em 2024.
Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo.
[...]
A Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da autoestima dos indivíduos e comunidades e à valorização da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural.
HORTA, Maria de Lourdes Parreiras; GRUNBERG, Evelina; MONTEIRO, Adriane Queiroz. O que é, afinal, a educação patrimonial? In: Guia básico da educação patrimonial. Brasília, DF: Iphan, 1996. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/temp/guia_educacao_patrimonial.pdf.pdf. Acesso em: 4 set. 2025.
O Iphan trabalha em parceria com os governos estaduais para a manutenção de um Sistema Nacional do Patrimônio Cultural (SNPC), que está dividido em quatro tipos: Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, Patrimônio Arqueológico e Patrimônio Mundial.
DESCUBRA MAIS
Atenção! Os sites indicados ao longo deste material podem apresentar publicidade, que varia dependendo do computador ou dispositivo utilizado.
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Sudeste. Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/101. Acesso em: 8 abr. 2025.
Você pode conhecer outros patrimônios culturais da região Sudeste na página do Iphan. Navegue pela lista de cidades e conheça mais sobre cada uma delas.
1 Observe os patrimônios culturais nesta página e na anterior. Quais deles você conhece?
Resposta pessoal. Incentive os estudantes a compartilhar com os colegas outros patrimônios que eles conheçam. Aproveite este momento para verificar se a compreensão da turma a respeito do tema está adequada.
Interior do edifício Museu do Café, patrimônio cultural do município de Santos (SP), em 2019.
da Penha,
cultural do Espírito Santo. Vitória (ES), em 2024.
Sugestão para o professor
Organize-se
• Fotografias de patrimônio
• Cartolina
• Cola
ENCAMINHAMENTO
Após conduzir as discussões previstas nas páginas 26 e 27, avalie a possibilidade de incluir em seu planejamento a realização de uma exposição sobre o patrimônio material da região Sudeste.
03/10/2025 19:05
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Bens culturais registrados. c2025. Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/. Acesso em: 4 set. 2025. O Iphan tem quatro livros de registros dos saberes: o Livro das celebrações (reúne rituais e festas que marcam vivência coletiva, religiosidade, entretenimento e outras práticas da vida social); o Livro das formas de expressão (registra as manifestações artísticas em geral); o Livro dos lugares (registra mercados, feiras, santuários e praças onde se concentram e/ou se reproduzem práticas culturais coletivas) e o Livro dos saberes (criado para registrar bens imateriais).
Para isso, sugere-se que elabore previamente uma lista dos importantes patrimônios materiais da região, com ênfase especial naqueles mais próximos de sua escola. Lembre-se de que os patrimônios não precisam ser reconhecidos exclusivamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Secretarias de cultura dos estados ou dos municípios também podem gerir o reconhecimento de patrimônios dentro de suas esferas de atuação. Após a elaboração da lista, providencie fotografias de cada um dos patrimônios listados e distribua-as entre os estudantes, incentivando-os a pesquisar mais sobre cada um deles. Oriente-os a elaborar cartazes com as imagens e textos informativos escritos por eles sobre os patrimônios, destacando sua importância. Se possível, em um espaço adequado dentro de sua escola, exponha esses cartazes. Convide a comunidade escolar a se deslocar até a exposição e conhecer cada um dos patrimônios ali retratados.
Convento
patrimônio
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
(EF04CO08) Reconhecer a importância de verificar a confiabilidade das fontes de informações obtidas na Internet.
TCTs: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras; Cidadania e civismo: vida familiar e social.
ENCAMINHAMENTO
Com os estudantes, elabore uma exposição com fotografias e informações de importantes patrimônios imateriais da região, com ênfase especial naqueles mais presentes no entorno da escola, como realizado na página 26. Busque patrimônios que ressaltem a diversidade brasileira e as tradições passadas de geração em geração, trabalhando os TCTs Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras e Cidadania e civismo: vida familiar e social.
Patrimônios culturais imateriais
O patrimônio cultural imaterial reúne diversos saberes populares, como festas, espetáculos, rituais, lendas, ofícios, músicas e danças. A panela de barro capixaba, a dança do passinho no Rio de Janeiro (funk com origens africanas), o hip-hop em São Paulo, o queijo minas, o jongo e algumas festas são exemplos do patrimônio imaterial da região Sudeste.
Produção de panelas de barro no distrito de Goiabeiras, em Vitória (ES), em 2023. O modo tradicional de produção é um patrimônio imaterial.
Apresentação de grupo de congada em Contagem (MG), em 2025. As congadas e os reisados de Minas Gerais são manifestações culturais reconhecidas como patrimônio imaterial.
Sugestão para os estudantes
RIBEIRO, Rafaela. Aventuras em Ouro Branco . Ilustrações: Alicia Silva. Ouro Branco: IFMG, 2023. Disponível em: www.ifmg.edu.br/ourobranco/noticias/estudantes-do-ifmg -lancam-livro-infantil-sobre-o-patrimonio-da-cidade-de-ouro-branco/LivroAventurasemOuro Brancoebookcompactado.pdf. Acesso em: 4 set. 2025. Apresente o livro aos estudantes e considere a possibilidade de, em conjunto com a área de Linguagens, propor à turma a criação de um material semelhante para o município onde vocês vivem.
1. Resposta pessoal. Mencione para a turma patrimônios imateriais além dos exemplos presentes nesta página e na anterior: as matrizes do samba no Rio de Janeiro, o modo de se fazer queijo
Apresentação de grupo de jongo na inauguração do Museu Social Quilombo do Salgueiro, no Rio de Janeiro (RJ), em 2025. O jongo é patrimônio imaterial de todos os estados da região Sudeste.
minas, o toque dos sinos e o ofício de sineiro em Minas Gerais, o congo no Espírito Santo, entre outros.
Pessoa dançando durante festival em comemoração dos 50 anos do hip-hop em Marília (SP), em 2023. O hip-hop foi reconhecido como patrimônio imaterial do estado de São Paulo em 2024.
1 Quais patrimônios imateriais você já conhecia?
2 Quais deles fazem parte do seu dia a dia ou da sua vivência?
Resposta pessoal. Encoraje os estudantes a compartilhar as experiências pessoais ou de suas comunidades a respeito dos patrimônios imateriais.
VOCÊ DETETIVE
Investigue em sites confiáveis quais são os patrimônios naturais e culturais (materiais e imateriais) do lugar onde você vive ou das proximidades.
1. Faça uma lista dos patrimônios, identificando quais você conhece pessoalmente.
2. Escolha um desses patrimônios. Pode ser seu preferido ou um que não conheça e sobre o qual queira saber mais.
3. Entreviste moradores antigos sobre as lembranças que trazem do patrimônio escolhido por você. Pergunte, também, o que acham sobre ele ser considerado patrimônio.
4. Compartilhe suas descobertas com os colegas.
Produção pessoal. Os estudantes podem pesquisar em canais oficiais do município ou do estado para descobrir patrimônios imateriais próximos aos seus lugares de vivência. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
Conduza a realização da proposta do Você detetive . Durante a pesquisa das fontes, incentive-os a reconhecer quais apresentam maior confiabilidade. O reconhecimento de fontes confiáveis é um requisito importante para o trabalho da habilidade EF04CO08 da BNCC da computação.
Estimule-os a falar dos patrimônios que conhecem e encoraje-os a relatar suas ligações afetivas com eles. Prepare a turma para realizar as entrevistas de forma produtiva e segura, orientando-os a sempre ter um adulto responsável presente durante as entrevistas. Os estudantes devem ser alertados, também, a evitar abordar pessoas desconhecidas ou realizar entrevistas em locais isolados.
Peça aos estudantes que realizem boas práticas de comunicação com os entrevistados, sendo cordiais, explicando o objetivo da entrevista e agradecendo ao final. Lembre-os de anotar a entrevista e de gravá-la apenas se houver permissão do entrevistado.
Considere, ainda, a possibilidade de fornecer aos grupos um roteiro prévio de perguntas, que deve ser adaptado e ampliado por cada grupo, de acordo com suas necessidades. Por exemplo:
• há quanto tempo você conhece esse patrimônio?
• o que mudou nele ao longo dos anos?
03/10/2025 19:05
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Publicações. Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br//publicacoes/lista?categoria=30&busca=. Acesso em: 4 set. 2025.
A seção Publicações do site do Iphan oferece grande quantidade de materiais para download , que podem servir tanto à sua formação continuada quanto de inspiração para o planejamento de aulas e a realização de atividades com a turma.
• por que acha importante preservá-lo?
Ao final, verifique se eles percebem a importância da oralidade na construção de registros históricos, observando que as entrevistas realizadas por eles ajudam a contar a história dos patrimônios.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
1. Espera-se que os estudantes comentem a ocupação humana em função do rio, o aproveitamento das características naturais para a atividade agrícola e que percebam, na última imagem, que se trata de uma agrofloresta, técnica de ocupação de baixo impacto ambiental. Explique que a agrofloresta é uma prática de agricultura que preza pela diversidade de espécies cultivadas.
2. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Espera-se que eles identifiquem se a relação humana com os elementos da natureza é próxima ou se a natureza parece mais distante, como pode ser o caso de áreas mais urbanizadas.
SER HUMANO E NATUREZA
NO SUDESTE
Você se lembra de que as paisagens são formadas por elementos naturais e elementos culturais ao longo do tempo? Agora, vamos estudar como essas paisagens se relacionam com as atividades humanas. Observe as fotografias.
Algumas culturas têm uma relação mais próxima da natureza no dia a dia. É o caso dos pequenos agricultores, dos quilombolas e das comunidades indígenas.
indígena em cultivo agroflorestal, que busca conciliar a agricultura com a vegetação local.
1 Como é a relação dos seres humanos com a natureza apresentada nas fotografias? Anote a resposta no caderno.
2 Pense agora no lugar onde você vive: as pessoas têm uma relação mais próxima ou mais distante com a natureza? Anote a resposta no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
PIRASSICAVA: um documentário sobre a presença indígena em Piracicaba. Direção: Thiago Altafini. Produção: Urgência Filmes. Brasil, 2023. Documentário (ca. 30 min). Disponível em: www.youtube.com/watch?v=bCNpWCR93x4. Acesso em: 23 set. 2025. O documentário trata dos sítios arqueológicos em Piracicaba, em São Paulo, e da ocupação humana muito anterior à colonização europeia nas margens de seu rio. Se possível, exiba trechos do documentário para os estudantes poderem comparar seu contexto ao da fotografia do município presente no Livro do estudante.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Piracicaba (SP) surgiu a partir da ocupação humana nas margens do rio, que tem o mesmo nome da cidade. Fotografia de 2023.
Cafezal em Alpinópolis (MG), em 2024. A combinação de tipo de solo, clima e altitude no sul de Minas Gerais é propícia à cafeicultura.
Mulher
Aldeia Maracanã, Rio de Janeiro (RJ), em 2022.
Alguns dos aspectos naturais do território podem ser localizados em mapas, como nos mapas físicos. Eles mostram as diferenças de altitude e alguns podem também mostrar a localização dos cursos de água.
Brasil: físico
Sudeste: físico
Fonte dos mapas: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz.
Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2016. p. 58.
3 Analise os mapas Brasil: físico e Sudeste: físico e responda às questões no caderno.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
a) As áreas mais baixas do território estão representadas com qual cor?
Espera-se que os estudantes apontem que as áreas mais baixas estão na cor verde.
b) Escreva o nome de uma área de grande altitude na região Sudeste.
4 Qual serra está localizada na porção norte da região Sudeste?
Os estudantes podem citar a Serra do Espinhaço, a Serra do Mar, a Serra da Canastra ou a Serra da Mantiqueira. A Serra do Espinhaço.
Texto de apoio
1. Saiba o que são os SAFs [Sistemas agroflorestais]
Seus principais objetivos são:
• Formar sistemas produtivos ecológicos mais sustentáveis, com menor uso de insumos externos;
• Diversificar o cultivo da terra, com a inclusão de plantas de ciclos curto, médio e longo, além da utilização de animais;
• Diminuir os riscos de mercado para o agricultor, por meio de uma maior variedade de culturas e de espécies animais com valor econômico e de fácil comercialização;
• Elevar a qualidade de vida do produtor; e
• Melhorar e diversificar a produção de alimentos e a oferta de serviços ambientais (polinização, ciclagem de água e nutrientes, além de fertilidade do solo, entre outros).
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL. Sistemas agroflorestais (SAFs): conceitos e práticas para implantação no bioma amazônico. Brasília, DF: Senar, 2017. Disponível em: www.gov.br/agricultura/pt -br/assuntos/ceplac/informe-ao-cacauicultor/manejo/cartilhas-senar/199-sistemas-agroflorestais.pdf/view. Acesso em: 23 set. 2025.
Ao trabalhar os mapas Brasil: físico e Sudeste: físico, certifique-se de que toda a turma esteja familiarizada com os elementos básicos de leitura de um mapa físico. Por exemplo: o uso de cores para as diferentes classes de altitude; as cotas com os nomes de algumas localidades, escolhidas por quem elaborou o mapa; e a presença de alguns dos rios principais. Caso haja defasagens, providencie estratégias de remediação antes de prosseguir. Comente com a turma que um mapa físico representa diferentes altitudes e a localização dos cursos de água a partir de uma visão vertical, ou seja, vistos de cima. Geralmente, as áreas de maior altitude são representadas em tons alaranjados ou marrons, enquanto as áreas mais baixas são representadas em tons de verde. O oceano, os rios e os lagos são representados por linhas ou manchas azuis.
As atividades da página podem ser utilizadas tanto como apoio a eventuais remediações quanto como para a consolidação da aprendizagem e aprofundamento dos estudos sobre o espaço natural da região Sudeste.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Para iniciar a abordagem prevista nas páginas 32 e 33, estimule a observação das paisagens cotidianas pelos estudantes. Incentive que eles compartilhem com os colegas se no caminho que ele ou ela faz para a escola há muitas subidas e descidas, verificando se é um caminho plano ou íngreme. Apesar da diferença de escala, a observação do entorno auxilia os estudantes a perceber que existem variadas formas de relevo.
Após a leitura do texto, peça que desenhem no caderno como entenderam cada uma das formas de relevo: planalto, planície e depressão. Não são esperadas produções de rigor técnico, mas aproveite esse momento para identificar se a compreensão a respeito de cada uma dessas grandes unidades do relevo brasileiro já é dominada pelos estudantes. Ao final, faça um desenho de cada uma das unidades de relevo na lousa, pedindo aos estudantes que façam comparações com seus próprios desenhos.
3. Os estudantes devem identificar que, no mapa Sudeste: físico, as cores foram utilizadas para representar altitudes diferentes, em uma mesma escala. Já no mapa Sudeste: relevo, as cores representam formas distintas do relevo, e não altitudes.
Minha região: relevo
Você já reparou que a paisagem apresenta áreas de superfícies mais altas e mais baixas? Juntas, elas formam o relevo .
Chamamos de relevo as formas que fazem parte da superfície terrestre.
1 Observe o relevo ao seu redor e responda: existem mais áreas planas ou mais áreas íngremes?
No Brasil, as principais formas de relevo são os planaltos, as planícies e as depressões.
Observe o mapa a seguir, que apresenta a distribuição do relevo na região Sudeste.
1. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Espera-se que eles identifiquem se vivem em áreas mais planas ou íngremes. Uma
Sudeste: relevo
Fonte: ROSS, Jurandyr L. S. (org.). Geografia do Brasil. 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 53.
2 Qual é a forma de relevo que predomina na região Sudeste? Anote a resposta no caderno.
A forma de relevo predominante na região Sudeste é o planalto.
3 Comparem esse mapa com o mapa Sudeste: físico, na página 31. Como as cores foram utilizadas em cada um? Anotem a resposta no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento. proposta é pensar no caminho de casa para a escola: há muitas subidas e descidas?
Sugestão para o professor
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar : relevo. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://atlasescolar.ibge.gov.br/brasil/3039 -diversidade-ambiental/relevo.html. Acesso em: 23 set. 2025.
A página apresenta um conjunto de materiais sobre o relevo brasileiro, incluindo mapas, diagrama, imagens, um vídeo sobre a inter-relação entre relevo e clima e um perfil de relevo. O perfil de relevo permite uma visão horizontal e pode ser utilizado como recurso didático, possibilitando aos estudantes perceber as diferentes formas que o compõem.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Trópico de Capricórnio
Os planaltos são terrenos elevados que podem ser planos ou ondulados, apresentando desníveis. Nos planaltos, são encontradas as serras e as chapadas. Alguns exemplos desse relevo na região Sudeste são: Serra do Mar, Serra da Mantiqueira e Serra do Caparaó.
As planícies são superfícies planas ou com poucas ondulações formadas por sedimentos transportados pelo vento ou pela água e depositados no terreno. As planícies brasileiras estão localizadas principalmente no litoral e nas margens dos rios.
As depressões são áreas rebaixadas e desgastadas pela natureza, geralmente entre planaltos. Elas podem apresentar formas planas ou onduladas.
Ocupação humana em planície litorânea, em Arraial do Cabo (RJ), em 2024.
Chapadas no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Chapada Gaúcha (MG), em 2019.
Plantação de eucaliptos na depressão periférica paulista, em Torrinha (SP), em 2021
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
4 Observe as fotografias desta página. Descreva como a ocupação humana pode ser percebida em cada uma delas.
Sugestão para os estudantes
VINGERT, Vanessa; HERBSTRITH, Júlio César da Rosa. Cartilha: curso de agente-mirim de proteção e defesa civil. Novo Hamburgo: Feevale, 2025. Disponível em: https://educacao.cemaden.gov. br/midiateca/cartilha-curso-de-agente-mirim-de-protecao-e-defesa-civil/. Acesso em: 23 set. 2025. A cartilha, voltada para crianças e adolescentes, objetiva ampliar a percepção de risco dos locais de vivência e indicar ações individuais e coletivas em emergências.
Sugestão para o professor BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Aplicativo indica áreas de risco no Brasil com colaboração de cidadãos. Brasília, DF: SGB, 2024. Disponível em: www.sgb.gov.br/w/aplicativo-indica -areas-de-risco-no-brasil-com-colaboracao-de-cidadaos. Acesso em: 23 set. 2025. O texto apresenta o aplicativo desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que permite aos usuários cadastrar informações sobre eventos em áreas de risco.
Explique aos estudantes que algumas formas de relevo por vezes estão associadas a situações de perigo, principalmente diante do uso inadequado do solo pelo ser humano. Em eventos de chuva, pode haver deslizamentos de terra em áreas íngremes ou alagamentos em áreas de planícies.
Desde 2024 existe um sistema de alertas de desastre da Defesa Civil Nacional, o Defesa Civil Alerta, em que um alerta é emitido com aviso sonoro e texto sobre o risco na tela dos celulares da população de determinada região. Conduza uma pesquisa com os estudantes: o município onde vivem se encontra em alguma situação de risco devido a características físicas de sua localização? Qual? Quais são as orientações das autoridades quanto a isso? A comunidade tem conhecimento sobre as ações a serem tomadas em caso de risco? Quais seriam essas ações? 4. Na fotografia referente às chapadas, não é possível perceber a ocupação humana, mas espera-se que ela exista, uma vez que o local é um parque nacional e seu uso principal é o turismo. Na fotografia referente à planície litorânea, observa-se intensa ocupação humana, com grande quantidade de construções. Na fotografia referente à depressão periférica, pode ser observado o cultivo de eucaliptos.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
Organize-se
• Folhas de papel sulfite
• Papel-cartão ou cartolina
• Canetas hidrocor
ENCAMINHAMENTO
Retome com os estudantes quais são as partes que formam um rio, ressaltando as nascentes, o curso de água, os afluentes e a foz. Comente que, na região Sudeste, a maioria dos rios tem nascentes em planaltos e serras e ocorre por afloramento de água subterrânea acumulada. Considere a possibilidade de eleger um rio de seu município (ou próximo a ele) que os estudantes conheçam. Proponha a identificação das partes desse rio, aproximando o conteúdo estudado das vivências de cada estudante. Para isso, procure utilizar mapas do município ou imagens de satélite que mostrem toda a extensão do rio.
Minha região: hidrografia
A água é indispensável para os seres que habitam nosso planeta e pode ser encontrada em rios, oceanos, geleiras e no subsolo.
Rio é um curso de água natural que corre de áreas de maior altitude para áreas de menor altitude. Geralmente, ele é formado por três partes: a nascente, os afluentes e a foz.
Bacia hidrográfica é a área do relevo onde correm um rio principal e seus afluentes.
Na região Sudeste, estão localizadas as nascentes de rios importantes para o Brasil, como o rio São Francisco, o rio Grande, o rio Tietê, o rio Paranapanema, o rio Paraíba do Sul, o rio Doce, o rio Guandu e o rio Jequitinhonha.
Sudeste: regiões hidrográficas
Trópico de Capricórnio
Bacia do Atlântico
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 110.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Observe o mapa. Quais regiões hidrográficas abrangem o território do estado onde você vive?
Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.
2 Escolham um dos rios mencionados no texto.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
a) Pesquisem: por quais estados esse rio passa? Como ele é utilizado pelo ser humano? Por que ele é importante para o país?
b) Elaborem um cartaz com essas informações e apresentem suas descobertas à turma.
1. Caso os estudantes morem em São Paulo, as regiões hidrográficas que abrangem o território do estado são a do Paraná e do Atlântico Sudeste. No Rio de Janeiro, a região hidrográfica é a do Atlântico Sudeste. No Espírito Santo, as regiões hidrográficas são a do Atlântico Sudeste e do Atlântico Leste. Por fim, no território de Minas Gerais estão as regiões hidrográficas do Atlântico Sudeste, do Atlântico Leste, do São Francisco e do Paraná.
2. Organize os estudantes em grupos e ajude-os a escolher um dos rios mencionados no texto para fazer a pesquisa. Caso a escola tenha uma biblioteca, reserve o espaço e separe os livros com antecedência, organizando estações de trabalho. A atividade pode ser realizada de maneira interdisciplinar, envolvendo o componente curricular de Ciências da Natureza. Nesse caso, auxilie os estudantes a pesquisar o ciclo da água e se há impactos ambientais que afetam a área pela qual passa o rio. Ao final, promova uma exposição com os cartazes elaborados pelos estudantes.
1. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes listem diversas atividades de suas
Usos da água no Sudeste: abastecimento
O abastecimento humano é um dos principais usos da água e, geralmente, é organizado em sistemas de captação e distribuição. O local onde ocorre a captação das águas dos rios e o tratamento dela para consumo humano é chamado estação de tratamento de água (ETA). Na região Sudeste, existem diversas ETAs.
rotinas, como o uso da água para higiene pessoal e da moradia, para beber e preparar alimentos, para fornecer aos animais de estimação etc.
Estação de tratamento de água de Guandu, considerada a maior ETA do mundo, em Nova Iguaçu (RJ), em 2020.
Vista da estrutura de captação de água do rio Guandu em Nova Iguaçu (RJ), em 2020. Muitas vezes, a água é mantida em reservatórios, também conhecidos como represas.
1 Como você utiliza a água em seu dia a dia? Anote a resposta no caderno.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
2 Quais usos são feitos das águas dos rios sudestinos? Além de abastecer a população, as águas dos rios sudestinos são muito utilizadas na indústria, na agropecuária e na geração de energia. Veja mais orientações no Encaminhamento.
VOCÊ DETETIVE
1. Faça as perguntas a seguir para um adulto que more no bairro há bastante tempo. Anote as respostas no caderno.
Atenção!
Realize a atividade na companhia de um adulto.
• Qual é o nome do rio mais próximo daqui do bairro? Qual é a importância dele para os moradores do bairro?
• Esse rio é poluído?
Resposta e produção pessoais. Veja orientações no Encaminhamento.
2. Se possível, peça a um adulto que leve você até o rio, mesmo que você enxergue o rio de longe.
3. Desenhe o rio e a paisagem ao redor dele.
4. Com o professor, organize uma exposição dos desenhos para a comunidade.
Atividade complementar
Se houver alguma ETA próximo à escola, é possível verificar se existe a possibilidade de fazer uma visita pedagógica com a turma ao local. Para isso, entre em contato com a ETA e procure saber se é possível fazer o agendamento da visita, com a autorização dos responsáveis pelos estudantes e da direção da escola. É preciso seguir os critérios e instruções definidos para a visitação, a fim de garantir a segurança e o bem-estar de toda a turma. Caso não seja possível realizar a visita, pode-se mostrar aos estudantes o passo a passo do tratamento de água em uma ETA em: SISTEMA Guandu. Rio de Janeiro: Cedae, c2025. Disponível em: www.cedae.com.br/SOCIOAMBIENTAL/O-mapa-das-águas/Sistema-Guandu. Acesso em: 23 set. 2025.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
Organize-se
• Folhas de papel sulfite
• Lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
2. Incentive os estudantes a pesquisar em meios impressos ou digitais, com a sua supervisão ou dos responsáveis, a destinação das águas dos rios sudestinos. Caso a escola tenha uma biblioteca, reserve o espaço e separe os livros com antecedência. Ao final, em uma roda de conversa, eles podem apresentar o que descobriram aos colegas. Ao dar encaminhamento à proposta do Você detetive, organize uma exposição dos desenhos dos rios para a comunidade escolar. Estimule a participação dos membros da comunidade, incentivando-os a comentar com os estudantes, no dia da exposição, qual é o tipo de relação que têm com os rios representados.
A atividade favorece a conexão dos estudantes com o lugar de vivência, incentivando-os a identificar os aspectos naturais e as formas de apropriação social que constituem o local e a região onde vivem.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Peça aos estudantes que observem atentamente os mapas Sudeste: clima e Sudeste: vegetação. Solicite a eles que comparem os elementos presentes em cada mapa, percebendo as semelhanças e as diferenças entre eles. Espera-se que notem que ambos os mapas retratam a região Sudeste, mas enfatizam diferentes elementos relativos a ela (o clima e a vegetação). Certifique-se de que compreendem que cores semelhantes empregadas nos mapas (tons de laranja e violeta) representam diferentes elementos. Auxilie-os na leitura da legenda de cada mapa e na identificação do que cada cor representa neles. Incentive outras comparações entre clima e vegetação de acordo com o local onde os estudantes vivem.
Minha região: clima e vegetação
Podemos dizer que a vegetação está ligada ao clima de determinada área, pois as temperaturas, a regularidade de luz solar que recebem e a quantidade de chuvas influenciam diretamente o desenvolvimento da vegetação. Por sua vez, a vegetação também exerce influência sobre o clima, já que a presença de plantas pode aumentar a umidade do ar, o que regula a temperatura do ar.
Observe os mapas de clima e de vegetação da região Sudeste.
Sudeste: clima
Sudeste: vegetação
e 204.
Na região Sudeste, o predomínio do clima tropical favorece o cultivo de produtos que se desenvolvem bem nesse tipo de clima, como o café, a laranja, a cana-de-açúcar e a banana.
1 Quais são os climas que abrangem a maior parte da região Sudeste? Como eles estão representados? Anote a resposta no caderno.
Climas tropical e tropical de altitude. Representados por cores laranja e lilás.
2 Quais são os tipos de vegetação que ocupam a maior parte da região Sudeste? Como eles estão representados? Escreva a resposta no caderno.
Mata Atlântica e Cerrado. Representados por cores verde e laranja.
3 De acordo com os mapas Sudeste: clima e Sudeste: vegetação, os estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro possuem o mesmo clima e a mesma vegetação. Quais são eles?
Clima tropical e vegetação de Mata Atlântica. Os estudantes podem apontar que o Espírito Santo também apresenta vegetação litorânea.
Atividade complementar
Verifique se há espaços nas proximidades da escola com espécies de vegetação da Mata Atlântica, do Cerrado ou da Caatinga. Caso seja possível, realize uma atividade de observação. Pergunte aos estudantes: quais espécies vegetais podem ser observadas? Se possível, solicite a eles que recolham flores e folhas caídas no chão, sem retirá-las da natureza, para fazer um trabalho interdisciplinar com Arte.
Separe papéis, pincéis e tintas e proponha uma impressão botânica. Com um pincel, os estudantes devem cobrir com tinta uma face da folha ou da flor; em seguida, devem pressionar a face pintada sobre uma folha de papel. Oriente-os a escrever o nome da espécie e a qual vegetação do Sudeste pertence. É possível ver um passo a passo da atividade em: IMPRESSÃO botânica. YoyoZine, São Paulo, c2025. Disponível em: https://yoyozine.com.br/index.php/ atividades/criacao-5-impressao-botanica/. Acesso em: 23 set. 2025.
Trópico de Capricórnio
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Fonte dos mapas: ROSS, Jurandyr L. S. (org.). Geografia do Brasil. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 107
SONIA VAZ SONIA VAZ
Trópico de Capricórnio
Tipos de clima
Divisa estadual
Biomas do Sudeste
Quando o clima e a vegetação se relacionam com um terceiro componente, a vida animal, temos um conjunto de paisagens chamado bioma
O bioma é o conjunto de vida vegetal e animal. Esse agrupamento tem vegetações e climas semelhantes.
Observe o mapa a seguir.
Sudeste: biomas
Divisa estadual Região Sudeste
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 108.
O bioma da Mata Atlântica predomina nos climas tropical e subtropical e ocupa a maior parte da região Sudeste. Ele está localizado em uma área de intensa ocupação e é o bioma brasileiro mais ameaçado pela ação humana predatória, restando muito pouco de sua área original.
A Mata Atlântica tem grande biodiversidade, apresentando uma vegetação variada, que vai desde árvores muito altas até plantas rasteiras. Uma dessas plantas é a árvore do pau-brasil, que pode chegar a 30 metros de altura e é considerada a árvore símbolo do país. Devido à exploração das riquezas da Mata Atlântica, as primeiras vilas da região Sudeste foram criadas no litoral, e não no interior.
Mata Atlântica em Itatiaia (RJ), em 2024. Em uma das margens da rodovia, é possível avistar a vegetação nativa e, na outra margem, uma área de pastagem.
Texto de apoio
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
03/10/2025 16:54
A união de todos os espaços onde há vida na Terra forma uma tênue cobertura de processos vitais em interação: a biosfera. Essa complexa rede de interdependências se expressa em grandes conjuntos de comunidades terrestres e aquáticas.
Até onde vai a vida?
Por que a distribuição dos organismos não é homogênea e nem estática?
[...]
Os processos ecológicos e as transformações evolutivas dos seres vivos variam no tempo e no espaço. [...]
[...]
Cada condição climática permite o desenvolvimento de diferentes biomas. Os biomas atuais, por sua vez, representam uma página da história dos seres vivos. [...]
CONTI, José Bueno; FURLAN, Sueli Angelo. Geoecologia: o clima, os solos e a biota. In: ROSS, Jurandyr Luciano Sanches (org.). Geografia do Brasil. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2001. p. 110-111.
Explique os conteúdos apresentando os biomas presentes na região Sudeste e a importância de cada um. Incentive os estudantes a comparar os mapas Sudeste: biomas e Sudeste: vegetação . Mostre que as áreas de vegetação não coincidem exatamente com os limites dos biomas. Ressalte que o bioma compreende distintos elementos além da vegetação, como clima e fauna. Ao comentar a extração de pau-brasil no bioma Mata Atlântica, explique que essa árvore foi muito explorada pelos portugueses desde o início da colonização e que, desde 1992, está na lista de flora ameaçada de extinção. Se julgar interessante, incentive-os a pesquisar outras espécies de flora e de fauna de cada um dos biomas do Sudeste que correm risco, a fim de ressaltar a importância de protegê-las.
SONIA VAZ
ENCAMINHAMENTO
1. Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Caso eles morem no Espírito Santo ou no Rio de Janeiro, o único bioma presente é a Mata Atlântica. Caso morem em São Paulo, os biomas presentes são a Mata Atlântica e o Cerrado. Por fim, caso eles morem em Minas Gerais, os biomas Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga estão presentes nesse estado.
O Cerrado é o segundo maior bioma da região Sudeste e se localiza, principalmente, nos estados de São Paulo e de Minas Gerais. Sua vegetação é caracterizada por árvores baixas, com galhos e troncos retorcidos. Esse bioma é encontrado nas áreas de clima tropical e tropical de altitude e tem períodos de chuva e de seca alternados. A ocupação e a transformação do bioma tiveram início com a exploração de ouro e pedras preciosas. O Cerrado sofre com o desmatamento devido ao avanço das atividades de agricultura e pecuária.
O bioma Caatinga pode ser encontrado nas regiões de clima tropical onde as chuvas são irregulares. Apesar de estar localizado principalmente na região Nordeste, também ocorre no norte de Minas Gerais. Sua vegetação varia conforme as estações do ano: nas épocas secas, apresenta um aspecto branco-acinzentado, sem folhas. Já nas épocas de chuvas, a vegetação é bastante verde. Trata-se de um bioma muito destruído pela ocupação humana, principalmente pelo desmatamento e pelas queimadas.
2. Na primeira linha do quadro, espera-se que os estudantes respondam que a Mata Atlântica no Sudeste está localizada em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, predominam os climas tropical e subtropical e apresenta vegetação variada: desde árvores muito altas até plantas rasteiras. Na segunda linha do quadro, espera-se que respondam que o Cerrado se localiza, no Sudeste, em São Paulo e Minas Gerais, predominam os climas tropical e tropical de altitude e vegetação com árvores baixas, com galhos e troncos retorcidos. Na terceira linha do quadro, espera-se que respondam que a Caatinga se localiza, no Sudeste, no norte de Minas Gerais, tem clima tropical, com chuvas irregulares, e sua vegetação varia conforme a estação do ano: nas épocas secas, tem aspecto mais acinzentado e, nas épocas de chuva, vegetação bastante verde. Sugestão para os estudantes
1 Observe o mapa Sudeste: biomas na página anterior. Quais biomas estão presentes no território do estado onde você vive?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 No caderno, faça um quadro como o do modelo a seguir. Complete-o com as informações do texto.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Bioma Localização Clima predominante Características da vegetação
Mata Atlântica
Cerrado
Caatinga
IBGEEDUCA. Biomas brasileiros . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/territorio/18307-biomas-brasileiros.html. Acesso em: 23 set. 2025.
O site traz dados sobre os biomas, como a quantidade de espécies de flora e fauna, além de indicar transformações sofridas pelos biomas.
LALAU. Brasileirinhos da Mata Atlântica: poesia para os bichos de uma linda floresta. Ilustrações: Laurabeatriz. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2024.
O livro é composto de poemas que mostram a beleza e a diversidade de espécies existentes na Mata Atlântica, como o mico-leão-de-cara-preta e a cuíca-cinza.
Se possível, trabalhe em intertextualidade com Língua Portuguesa, destacando os aspectos composicionais do gênero textual poema.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Cerrado no Parque Estadual de Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho (SP), em 2024.
Caatinga na Área de Proteção Ambiental Lagedão, em Matias Cardoso (MG), em 2022.
DIÁLOGOS
Rios voadores
Você sabia que grande parte da chuva da região Sudeste vem da Amazônia, trazida pelos rios voadores?
Um grupo de cientistas descobriu que a umidade do oceano Atlântico, a Floresta Amazônica, a cordilheira dos Andes e os ventos estão interligados na formação de correntes de nuvens e de umidade que voam pelo Brasil, formando os chamados rios voadores.
Observe o infográfico a seguir.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
Os elementos não foram representados em proporção de tamanho entre si. Foram utilizadas cores-fantasia.
1 Graças ao calor intenso, a água do oceano evapora e se transforma em nuvens, carregadas de umidade.
2 Os ventos levam essas nuvens em direção à Amazônia. Na Amazônia, a umidade da floresta se junta às nuvens.
3 Os ventos continuam levando essas nuvens, no sentido oeste, mas elas se chocam com as montanhas da cordilheira dos Andes e são desviadas.
4 As nuvens desviadas são levadas pelo vento para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, trazendo as chuvas.
Fonte: VOCÊ sabe o que são rios voadores? Climatempo, 6 nov. 2021. Disponível em: https://www.climatempo.com.br/noticia/2021/11/06/voce-sabe-o-que-sao-rios-voadores--2722. Acesso em: 30 set. 2025.
Note que a Floresta Amazônica é muito importante para o clima do Brasil e que seu desmatamento influencia a quantidade de chuvas em todo o país.
1 Como o desmatamento na Amazônia influencia as chuvas no local onde você vive?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Em uma folha de papel avulsa, faça um desenho que mostre a importância da chuva em seu cotidiano.
Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
03/10/2025 16:54
ALBERGARIA, Danilo. Enéas Salati, o pai dos rios voadores da Amazônia. Pesquisa Fapesp, São Paulo, 9 fev. 2022. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/eneas-salati-o -pai-dos-rios-voadores-da-amazonia/. Acesso em: 23 set. 2025.
A descoberta dos rios voadores só foi possível depois de cerca de 30 anos de pesquisa científica, tendo o pesquisador e engenheiro agrônomo Enéas Salati como um dos principais expoentes. Em sua pesquisa, Salati e seus colaboradores quantificaram a reciclagem da precipitação na Floresta Amazônica.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
Organize-se
• Folhas de papel sulfite
• Lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
Aproveite o tema dos rios voadores para trabalhar o TCT Meio ambiente: educação ambiental. Espera-se que os estudantes compreendam a relação direta entre vegetação, elementos do clima e relevo. Assim, poderão concluir que o desmatamento traz consequências imediatas para a umidade e a circulação atmosférica, alterando o clima não apenas da região Sudeste, mas de todo o Brasil e de outros países da América do Sul.
1. Espera-se que os estudantes concluam que o desmatamento na Amazônia altera a umidade do ar e o regime de chuvas. Com o desmatamento, é possível que haja redução de chuvas na região Sudeste.
2. Produção pessoal. Espera-se que os estudantes mostrem no desenho que a chuva é importante para abastecer rios e reservatórios ou para fornecer água para a vegetação nativa e as plantações, por exemplo.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Brasil: rios voadores
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03CO07) Utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para pesquisar e acessar informações.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
ENCAMINHAMENTO
Antes de iniciar a leitura do texto da página, promova uma sensibilização ao tema com os estudantes: convide-os a imaginar como era a localidade onde foi cons truída a escola antes de haver grandes intervenções humanas. Pergunte como imaginam que seria a vegetação e a hidrografia, por exemplo. Verifique se suas respostas são corretamente baseadas nos estudos dos aspectos naturais realizados até o momento, neste capítulo.
Em seguida, organize a turma em grupos e solicite que pesquisem como o desmatamento pode acentuar as mudanças climáticas. Instigue-os com questões a respeito do tema, como: quais atividades humanas podem contribuir para agravar as mudanças climáticas? Quais ações podem auxiliar a diminuir esse problema? Solicite que representem as ideias discutidas em forma de desenhos e organize uma exposição na sala de aula.
Minha região: impactos ambientais
O uso dos elementos naturais como recurso pelo ser humano pode trazer impactos e danos ambientais que afetam os seres vivos e as sociedades.
Ao longo do tempo, a natureza original foi substituída, de maneira cada vez mais rápida, por uma natureza transformada pelo ser humano, como rios canalizados, solos asfaltados e vegetação nativa destruída para o desenvolvimento de atividades econômicas.
Observe os mapas a seguir, que mostram a vegetação original dos biomas do Sudeste e nos dias atuais, após intenso desmatamento.
Sudeste: cobertura original
Sudeste: degradação ambiental (2023)
Fonte dos mapas: MAPBIOMAS. Plataforma MapBiomas. c2025. Disponível em: https://brasil.mapbiomas.org. Acesso em: 29 maio 2025.
O desmatamento também traz impacto para a biodiversidade, pois com a retirada da vegetação faltam alimento e abrigo para os animais. Como os seres vivos dependem uns dos outros para sobreviver, toda a fauna e flora são afetadas.
1 Analisem os mapas Sudeste: cobertura original e Sudeste: degradação ambiental (2023) e depois respondam às questões no caderno.
a) A cobertura vegetal de qual bioma foi mais afetada pela ação humana na região?
Espera-se que os estudantes identifiquem que a vegetação do bioma Mata Atlântica foi a mais devastada entre os biomas da região.
b) Em quais áreas da região Sudeste existe vegetação original conservada? Vocês podem utilizar as direções cardeais para indicá-las.
Os estudantes podem apontar que há áreas de vegetação conservada no sul e no litoral do estado de São Paulo, nas áreas centrais dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e no centro e no norte do estado de Minas Gerais.
Sugestão para o professor
PAINEL INTERGOVERNAMENTAL SOBRE MUDANÇA DO CLIMA (IPCC). Mudança do clima: relatório-síntese. Genebra: IPCC: WMO: Unep, 2023. Disponível em: www.gov.br/mcti/pt-br/ acompanhe-o-mcti/sirene/publicacoes/relatorios-do-ipcc/arquivos/pdf/copy_of_IPCC_ Longer_Report_2023_Portugues.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
O relatório do IPCC 2023 apresenta dados sobre as questões climáticas, bem como análises e cenários previstos pelo órgão caso a humanidade não consiga reduzir o aumento das temperaturas médias do planeta.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Clima, relevo, solo e vegetação estão interligados. Em muitas áreas da região Sudeste, principalmente nas áreas de planalto e onde há desmatamento, são comuns os deslizamentos de terra e as erosões.
Erosão de encostas
Os elementos não foram representados em proporção de tamanho entre si. Foram utilizadas cores-fantasia.
As raízes protegem a encosta!
vegetação diminui velocidade da água raiz torna solo mais absorvente
raiz segura fisicamente o solo
supressão da vegetação
solo nu
do desmatamento...
raiz morta logo se decompõe
sem absorção do solo, o volume de água descendo é maior
sem a vegetação para brecar, a água desce muito mais rápido
sem a raiz para segurar, o solo é levado pela água
Outro impacto ambiental causado pelas atividades humanas são as mudanças climáticas. Ao longo do tempo, as queimadas de florestas, a atividade das indústrias e o uso de automóveis movidos a combustíveis derivados do petróleo lançaram no ar gases que causam o aumento das temperaturas. Isso provocou mudanças no comportamento do clima e o aumento da possibilidade de eventos extremos de chuvas e secas, prejudicando as atividades agropecuárias e a qualidade de vida das pessoas.
2 Observe novamente o infográfico Erosão de encostas e explique no caderno como a retirada da vegetação favorece a erosão e os deslizamentos.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
3 Pesquise notícias de um evento extremo que atingiu sua região recentemente em revistas e jornais impressos e on-line.
Resposta pessoal de acordo com o evento pesquisado pelos estudantes.
• Você acha que as mudanças climáticas influenciaram a ocorrência desse evento?
Os estudantes devem estabelecer relações entre o aumento da temperatura do planeta e a ocorrência de eventos extremos.
Sugestão para o professor
SOUZA, Marcelo Lopes de. O que é a geografia ambiental? Ambientes: Revista de Geografia e Ecologia Política, Francisco Beltrão, v. 1, n. 1, p. 14-37, 2019. Disponível em: http://e-revista.unioeste. br/index.php/ambientes/article/view/22684/14249. Acesso em: 24 set. 2025.
O geógrafo Marcelo Lopes de Souza observa que, nas línguas ibéricas, como o português, utiliza-se a expressão composta “meio ambiente”. Essa construção pode levar a interpretações variadas, já que os termos “ambiente” e “meio ambiente” costumam ser usados como sinônimos, embora “meio ambiente” muitas vezes esteja associado especificamente à natureza em seu estado original. O autor também destaca que, em português, é comum o uso do termo “socioambiental” para se referir às relações entre sociedade e natureza.
Ao desenvolver os conteúdos a respeito de erosão de encostas e impactos das mudanças climáticas na vida das pessoas, considere que pode haver estudantes que vivenciaram ou vivenciam situações de vulnerabilidade relacionadas a esses aspectos naturais. Por isso, é necessário abordar o tema com sensibilidade e respeito. Auxilie-os na leitura do infográfico. Verifique se relacionam as imagens às cotas, entendendo cada etapa do processo retratado. Se julgar interessante, busque fotografias de encostas próximo à escola com e sem arborização, a fim de que relacionem as situações de seu lugar de vivência às ilustradas no infográfico.
2. Os estudantes devem apontar que a cobertura vegetal diminui a velocidade de escoamento da água sobre a superfície, além de tornar o solo favorável à sua absorção. Além disso, as raízes das plantas seguram o solo fisicamente. Com a retirada da vegetação, a água escoa em maior velocidade, a absorção do solo é reduzida e não há mais raízes que o segurem, o que favorece a erosão.
3. Espera-se que os estudantes busquem informações a respeito de eventos como chuvas intensas, ondas de calor, longos períodos de estiagem, entre outros. Se a pesquisa puder ser realizada de forma digital, auxilie-os a utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca, como filtros por data, local e palavra-chave, trabalhando a habilidade EF03CO07 da BNCC da Computação.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Depois
ENCAMINHAMENTO
O Para rever o que aprendi é um valioso momento de verificação e recomposição de aprendizagens. Contudo, as atividades da seção não são as únicas formas de avaliar a turma. Ao longo do Livro do estudante, o trabalho com diferentes habilidades e competências da BNCC também auxilia a construir momentos de avaliação dos conteúdos estudados.
1. a) Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão na região Oriental, e São Paulo está na região Meridional.
1. b) Sugestão de resposta: os nomes diferentes de regiões em cada uma das regionalizações; o fato de São Paulo pertencer à mesma região que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ou o fato de Bahia e Sergipe pertencerem à mesma região que Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
2. Os patrimônios materiais são concretos e únicos, como edifícios, sítios arqueológicos, cidades, obras de arte ou documentos. Já os patrimônios imateriais são aqueles simbólicos, que correspondem a saberes, modos de fazer, rituais, festas e danças. No item da atividade, espera-se que os estudantes concluam que alguns alimentos podem estar fortemente ligados à cultura e ao modo de viver de uma comunidade, transformando-se em patrimônios imateriais.
PARA REVER O QUE APRENDI
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
1 Observe os mapas com diferentes propostas de regionalização do Brasil e faça a comparação.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
Brasil: regionalização (1913)
Brasil: regionalização (1988)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Divisão territorial brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. Não paginado.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.
a) Na proposta de regionalização 1 , em quais regiões estão os estados do atual Sudeste?
b) Escreva uma diferença entre as duas regionalizações.
2 Explique a diferença entre patrimônio material e patrimônio imaterial.
• Por que alguns alimentos, como o pão de queijo em Minas Gerais e a moqueca capixaba no Espírito Santo, são considerados patrimônios imateriais?
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
Moqueca capixaba em panela de barro, iguaria originária do estado do Espírito Santo.
Texto de apoio
Uma das primeiras regionalizações do Brasil amplamente difundidas, sobretudo através de livros didáticos, foi a do geógrafo Delgado de Carvalho, em 1913 [...], mais de cem anos atrás, portanto, identifica uma região Setentrional, e uma região Central praticamente equivalentes às atuais regiões Norte e Centro-Oeste [...]. Pautado em critérios de diferenciação físico-natural, Carvalho critica a regionalização com base em divisões administrativas (como a de Manuel Said Ali Ida, de 1905, que identificava, entre outras regiões, um Brasil Oriental de São Paulo a Sergipe) e propõe a divisão por critérios “geográficos” – sinônimo, à época, de “quadros naturais”.
3 Observe as imagens que representam diferentes usos da água pelos seres humanos. Quais delas mostram usos que geram menos impacto ambiental?
Imagens 1 (escovar os dentes com torneira fechada) e 2 (usar o balde para lavar o carro).
4 Leia a tirinha e depois faça o que se pede.
BECK, Alexandre. [Sem título]. [S l.: s n.], c2025.
a) O que você acha que o garoto quis dizer com “Tentem não destruir tudo até lá!”?
Resposta pessoal. O garoto revela sua preocupação com o futuro da natureza, dando a entender que os seres humanos estão destruindo-a.
b) Cite exemplos de impactos da atividade humana sobre a natureza.
Espera-se que os estudantes citem exemplos estudados ao longo da unidade, como desmatamento, mudanças climáticas, entre outros.
Escolha uma das opções da legenda para responder às questões.
Sim. Apenas uma parte.
Ainda não, mas chego lá.
a) Eu me dediquei a todas as atividades pedidas pelo professor?
b) Realizei a leitura do texto e a interpretação das imagens e dos mapas?
c) Compreendi o que é região e posso aplicar esse tema no meu dia a dia?
Sugestão para os estudantes
BRASIL. Ministério da Integração Nacional e do Desenvolvimento Regional. Vídeos educativos da EBC. Brasília, DF: ANA, c2025. Disponível em: www.gov.br/ana/pt-br/centrais-deconteudos/videos/videos-educativos-da-ebc. Acesso em: 24 set. 2025.
Desenvolvidos pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), os vídeos educativos curtos abordam diversos assuntos que permeiam a questão da água. Se possível, exiba os vídeos ao trabalhar cada uma das imagens da atividade 3. Para a imagem 1, exiba o vídeo “Torneira”. Para a imagem 2, exiba o vídeo “Reaproveitamento da água”, mostrando que a água reaproveitada pode ser utilizada na lavagem do carro. Para a imagem 3, exiba o vídeo “Lavar a louça”. Para a imagem 4, exiba o vídeo “Banho”.
Verifique se é necessário realizar adaptações nas propostas de atividades. Se houver estudantes com deficiência, busque orientações dos profissionais de atendimento educacional especializado e, juntos, pensem em possibilidades para contemplar toda a turma. Estudantes com deficiência nos membros superiores e que não escrevem, por exemplo, podem responder de forma oral ou podem ditar sua resposta a fim de que um colega a escreva. Estabeleça com a turma o momento de começar e de terminar as atividades. Essa orientação pode auxiliar os estudantes a não se dispersar durante a realização da tarefa proposta. Verifique se haverá necessidade de estabelecer pausas; estudantes com baixa visão, por exemplo, podem se cansar ao realizar a leitura e a escrita necessária para a resolução das atividades.
Na autoavaliação , os estudantes devem considerar tanto o que aprenderam quanto suas atitudes durante o aprendizado. Os ícones dispostos na legenda podem ser um recurso para estudantes não verbais, por exemplo, expressarem o que aprenderam bem, o que aprenderam parcialmente e o que ainda não aprenderam.
Valorize as atividades e as autoavaliações de cada estudante, independentemente se houver diferenças em relação à média da turma. Ressalte que cada um tem habilidades e dificuldades próprias, bem como um modo único de aprender e se expressar.
INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, trataremos dos povos que, ao longo do tempo, fizeram parte da formação da população e das culturas sudestinas. Abordaremos como esses diversos povos compuseram e compõem a identidade sudestina e a diversidade étnico-cultural da região. Para isso, a unidade convida para uma reflexão acerca do patrimônio histórico e arqueológico e dos legados deixados por esses povos.
No Capítulo 1 , tratamos dos povos originários que habitavam a área que hoje chamamos de região Sudeste e as transformações iniciadas com a colonização europeia e a chegada dos povos africanos escravizados. O capítulo destaca, ainda, os conflitos e resistências dos primeiros séculos de colonização, além dos principais aspectos econômicos do período.
No Capítulo 2, os fluxos migratórios internos e externos que envolveram a região Sudeste nos séculos XVII, XIX e XX são a base para reflexão sobre o desenvolvimento das culturas tradicionais sudestinas.
UNIDADE NOVOS CAMINHOS E ENCONTROS NO SUDESTE 2
Objetivos
da unidade
• Identificar algumas manifestações culturais da região Sudeste.
• Descrever os primeiros vestígios de presença humana na área conhecida atualmente como região Sudeste.
• Compreender o impacto da colonização europeia na vida dos povos indígenas e africanos e suas formas de resistência.
• Explicar o papel da economia, como o cultivo de cana-de-açúcar e café, na transformação da paisagem e na formação populacional do Sudeste.
• Avaliar diferentes perspectivas sobre personagens e acontecimentos históricos, como a relação entre indígenas e bandeirantes.
• Identificar as contribuições de diferentes grupos de imigrantes (europeus, asiáticos e africanos) e migrantes de outras regiões do Brasil na diversidade cultural sudestina.
Veja resposta no Encaminhamento.
1 A ilustração mostra uma festa popular muito difundida na região Sudeste. Identifique essa festa e conte para os colegas se você já participou dela.
2 Quais festas e tradições culturais existem no lugar onde você vive? Qual é a origem delas?
ENCAMINHAMENTO
Peça aos estudantes que observem a ilustração e compartilhem oralmente com a turma suas impressões.
Aproveite este momento de compartilhamento de experiências para fazer o levantamento de conhecimentos prévios dos estudantes a respeito da formação da população do Sudeste e das culturas sudestinas. Prepare-se, também, para, se necessário, colocar em debate a importância da valorização da multiplicidade cultural e da desconstrução de estereótipos ou preconceitos de qualquer tipo.
1. Espera-se que os estudantes respondam que é o Carnaval, uma festa popular muito comum nos estados do Sudeste.
2. Peça aos estudantes que mencionem festas e tradições culturais do estado onde vivem. Apresente algumas fotografias e vídeos dessas festas e tradições. Para o caso de estudantes com deficiência visual, faça uma audiodescrição das manifestações.
TCTs: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras, diversidade cultural.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
ENCAMINHAMENTO
Apresente aos estudantes uma fotografia do crânio de Luzia (disponível em: https://artsandculture.google. com/asset/human-skull-of -female-individual/LgH9pA -Rz_iKLg?hl=pt-br, acesso em: 24 set. 2025). Explique a eles que o crânio foi encontrado por pesquisadores no sítio arqueológico de Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo (MG), e atualmente está sob custódia do Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ). Esclareça aos estudantes que a reconstituição de um rosto é feita com base em diferentes estudos sobre um vestígio material.
Comente com os estudantes que, além de Niterói e do Rio de Janeiro, outros municípios do Rio de Janeiro, como Duque de Caxias e São Gonçalo, se desenvolveram sobre áreas que antes eram ocupadas pelos sambaquieiros e que muitos sítios arqueológicos foram destruídos. Explique aos estudantes que os povos sambaquieiros existiram em vários pontos do litoral sudestino e em margens de rios e lagoas, como em Linhares (ES).
COM QUANTOS MUNDOS SE FAZ UM NOVO MUNDO?
Há muito tempo, antes que os povos indígenas que conhecemos hoje habitassem as terras brasileiras, já havia a presença de seres humanos no território do atual Sudeste. E como sabemos disso?
Os arqueólogos são os cientistas que nos ajudam a conhecer um pouco mais sobre esse passado distante por meio de estudos dos sítios arqueológicos, locais onde podem ser encontrados vestígios desses primeiros habitantes.
Conheça alguns sítios arqueológicos da região Sudeste.
Em Lagoa Santa, Minas Gerais, foram encontrados diversos fósseis de seres humanos e animais nos sítios arqueológicos da região. Na região, no município de Pedro Leopoldo, foi encontrado o crânio de Luzia, considerado o fóssil mais antigo da América do Sul. Os achados na região de Lagoa Santa permitem compreender um pouco mais de como era a vida na região entre mil e 11 mil anos atrás.
Reconstituição da face de Luzia no Museu de Ciências Naturais da PUC Minas em Belo Horizonte (MG), em 2024.
Em Niterói, Rio de Janeiro, existem importantes sítios arqueológicos onde foram encontrados vestígios de povos sambaquieiros que lá viviam há cerca de 5 mil anos. Esses povos construíram os sambaquis, que são montes de conchas e ossos, restos de fogueiras e esculturas misturados à areia, que podem chegar até a 40 metros de altura. Os sambaquieiros viviam próximos ao mar e praticavam a pesca, a caça e a coleta e dominavam técnicas de construção de embarcações.
Sugestão para o professor
CARDOSO, Jessica Mendes; SILVA, Renata Estevam da; ZAMPARETTI, Bruna Cataneo. Sambaquis: uma história antes do Brasil: guia didático. São Paulo: MAE/USP, 2019. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/366?fbclid=IwAR22w t3BnHj_C3TF5sSmKbwWxlvQy7WmJfZoZ-xMaVvVBPWWSD2blMzz-yE. Acesso em: 24 set. 2025. O livro aborda a importância dos estudos arqueológicos, enfatizando a valorização dos sambaquis e discutindo estratégias de ensino do tema.
MINAS GERAIS
RIO DE JANEIRO
Sítio arqueológico Duna Grande em Niterói (RJ), em 2024.
PAULOZANETTINI/ACERVOPESSOAL
Arqueológico do Morumbi na década de 1960.
ESPÍRITO SANTO
A Gruta do Limoeiro é uma caverna localizada próximo ao município de Castelo, Espírito Santo. Conhecida por sua beleza natural, é um importante ponto turístico local. A gruta também é considerada patrimônio histórico estadual desde 1984 pelo Conselho Estadual de Cultura. Nela foram encontrados 11 esqueletos de humanos que viveram há cerca de 4500 anos.
Gruta do Limoeiro em Castelo (ES), em 2018.
Veja resposta no Encaminhamento.
SÃO PAULO
Na cidade de São Paulo, em São Paulo, encontra-se o sítio arqueológico do Morumbi, com vestígios de grupos humanos de coletores e caçadores de quase 4 mil anos. Dentre esses vestígios, podemos citar pedras lascadas utilizadas na fabricação de objetos cortantes como facas, raspadores e pontas de flechas.
1 Que tipos de vestígios foram encontrados em cada um dos sítios arqueológicos citados? Anote no caderno.
VOCÊ DETETIVE
1. Faça uma pesquisa sobre a existência de sítios arqueológicos no município onde você vive ou próximos a ele. Busque as informações solicitadas pelo professor.
2. Com as informações e a ajuda do professor, monte um guia turístico sobre esse sítio arqueológico reforçando a importância desses vestígios para a história da comunidade.
Veja orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
BERNARDES, Júlio. Sítio arqueológico de 3 800 anos guarda a “mais antiga indústria de pedra lascada de São Paulo”. Jornal da USP, São Paulo, 1o mar. 2024. Disponível em: https://jornal. usp.br/ciencias/sitio-arqueologico-de-3-800-anos-guarda-a-mais-antiga-industria-de-pedra -lascada-de-sao-paulo. Acesso em: 24 set. 2025.
O artigo trata das descobertas no sítio arqueológico do Morumbi, em São Paulo (SP).
Organize-se
• Folhas de papel sulfite
• Lápis de cor
Explore com os estudantes a fotografia da Gruta do Limoeiro. Explique a eles que o turismo regulamentado a sítios arqueológicos pode ser uma importante ferramenta de educação, lazer, divulgação e preservação.
1. Nos sítios arqueológicos da região de Lagoa Santa (MG), foram encontrados fósseis de seres humanos e animais. Nos sítios arqueológicos em Niterói (RJ), foram encontrados vestígios dos povos sambaquieiros. No sítio arqueológico do Morumbi, em São Paulo (SP), foram encontrados vestígios de grupos humanos de coletores e caçadores de cerca de 4 mil anos, como pedras lascadas utilizadas para fazer objetos cortantes. Na Gruta do Limoeiro, em Castelo (ES), foram encontrados 11 esqueletos de seres humanos que viveram há cerca de 4 500 anos. Na atividade proposta em Você detetive , solicite aos estudantes que escolham um sítio arqueológico e busquem as seguintes informações sobre ele:
• vestígios encontrados;
• idade aproximada desses vestígios;
• se existe alguma ação de conservação, museu ou instituição que cuida dos vestígios e do sítio arqueológico;
• se esse sítio arqueológico pode ser visitado.
Auxilie os estudantes a organizar essas informações no guia turístico, sugerindo a eles que componham o roteiro turístico em uma folha de papel sulfite dobrada ao meio. Assim, a folha ficará no formato de um pequeno livro com quatro páginas. Peça a eles que façam uma capa com desenhos sobre o sítio arqueológico escolhido. Nas outras páginas, oriente-os a compor pequenos textos com informações e desenhos feitos por eles.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF03H107) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
2. Os estudantes podem apontar a importância dos símbolos de memória e história dos povos indígenas brasileiros. É também uma oportunidade de valorização da cultura tupinambá e de outros povos originários.
1. A imagem 1 mostra Sofia de Hanover vestida com um manto tupinambá preso por um broche. Na cabeça ela usa um cocar de penas de guará. A imagem 2 mostra um manto tupinambá.
Povos indígenas em 1500
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) estima que viviam no Brasil cerca de 3 milhões de indígenas antes da chegada dos europeus em 1500. Eram diferentes povos com suas próprias formas de viver e de falar.
Um dos primeiros povos indígenas a ter contato com os europeus foi o Tupinambá. Eles ocupavam o litoral brasileiro e praticavam a caça, a pesca e a agricultura e dividiam o trabalho entre homens e mulheres.
Os Tupinambá usavam mantos com penas coloridas em suas cerimônias religiosas. Os europeus, encantados com a beleza desses mantos, levaram alguns deles para a Europa.
Um dos mantos tupinambá, que estava em um museu na Dinamarca, foi devolvido ao Brasil em 2024, sendo incorporado ao acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Esse episódio representou uma vitória para a história e a memória dos povos indígenas brasileiros.
1 Observe e descreva as imagens. O que mais chamou a sua atenção?
2 Qual é o significado da devolução do manto para os povos indígenas?
1 2 Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Sugestão para os estudantes
MIRIM, Jeguaká; MIRIN, Tupã. Contos dos curumins guaranis. São Paulo: FTD Educação, 2021. O livro traz oito histórias que nos contam um pouco mais sobre o modo de vida e os costumes dos guaranis.
Sugestão para o professor
MUSEU Nacional (UFRJ) recebe o manto tupinambá. Publicado por: Ministério da Educação. 2024. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: https://youtu.be/W5ao5kO0KRc. Acesso em: 25 set. 2025. O vídeo traz depoimentos de pessoas indígenas falando da importância da volta do manto tupinambá ao Brasil.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Retrato da princesa Sofia de Hanover, de Louise Hollandine von der Pfalz, 1645. Óleo sobre tela,104 centímetros x 96 centímetros. Hanover é uma cidade na Alemanha.
Manto tupinambá no Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ), em 2024.
Encontro de diferentes mundos
Você já parou para pensar sobre como os indígenas se sentiram quando viram pela primeira vez os europeus desembarcando no Brasil a partir de 1500?
Sobre isso, analise o poema.
Antes, ali era uma grande floresta. E nossos parentes viviam tranquilos.
[...]
Seu ritual não era criticado por ninguém, Porque eles viviam
Sem os jurua kuery por perto, para criticar. [...]
JEKUPÉ, Olívio. O choro da mãe terra São Paulo: Jekupé, 2023. p. 39.
Jurua kuery: pessoa não indígena.
Os padres jesuítas foram figuras determinantes na imposição de costumes europeus aos indígenas, como a língua e a religião. Com essa finalidade, fundaram, em Piratininga, na atual cidade de São Paulo, o Pátio do Colégio, em 1554, e inauguraram, em Vitória, Espírito Santo, o Colégio de São Tiago, em 1587. Para explorar economicamente o território, os europeus começaram a extrair madeira da árvore pau-brasil, que era comercializada na Europa por um preço alto.
1 Segundo o poema, como era a vida dos indígenas antes da chegada dos europeus?
Os estudantes devem indicar que os indígenas podiam praticar seus
costumes e culturas, conforme apontam elementos do texto com referências aos rituais e a relação com os elementos da natureza.
2 Imaginem um diálogo entre dois indígenas que encontraram um europeu pela primeira vez. O que diriam um para o outro?
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes imaginem as impressões sobre as vestimentas, idioma, cor da pele e dos cabelos, entre outras.
3 Ainda existem exemplares de pau-brasil na mata atlântica. Pesquise uma imagem e desenhe no caderno.
Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
BNCC
(EF03HI03) Identificar e compararpontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
ENCAMINHAMENTO
Comece a abordagem do conteúdo auxiliando os estudantes na leitura do poema. Explique a eles que Olívio Jekupé é um indígena guarani nascido no Paraná que hoje vive em São Paulo e que, portanto, o poema representa o ponto de vista indígena sobre o encontro com os europeus.
Durante o desenvolvimento do trabalho previsto nesta página, comente com a turma que, após a extração e o comércio do pau-brasil, os portugueses começaram a realizar também o plantio da cana-de-açúcar, como será estudado adiante.
Ao tratar do Pátio do Colégio, em São Paulo (SP), explique que os jesuítas eram membros da ordem religiosa católica que tiveram um papel importante no processo de colonização. Comente com os estudantes que o lugar é considerado o marco de fundação do município de São Paulo.
03/10/2025 16:59
Atividade complementar Proponha aos estudantes uma pesquisa sobre escritores indígenas sudestinos. Organize a turma em grupos e peça a eles que escolham um escritor indígena que nasceu ou vive no Sudeste. Oriente-os a buscar escritores indígenas que tenham livros infantojuvenis, como Olívio Jekupé e Kaká Werá. Peça aos estudantes que busquem informações sobre os escritores e breves resumos de uma ou duas de suas obras. Se possível, leve a turma para visitar uma biblioteca que tenha exemplares dos livros.
Depois, promova uma roda de conversa com toda a turma, incentivando-os a compartilhar o que pesquisaram.
3. Auxilie os estudantes na busca por imagens do pau-brasil em fontes confiáveis, como livros e sites na internet. O livro Espécies arbóreas brasileiras (CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Espécies arbóreas brasileiras : pau-brasil: Caesalpinia echinata. Brasília, DF: Embrapa, c2025. Disponível em: https://www.alice. cnptia.embrapa.br/alice/ bitstream/doc/1140103/1/ Especies-Arboreas-Brasi leiras-vol-1-Pau-Brasil.pdf. Acesso em: 25 set. 2025) traz algumas imagens e informações sobre a espécie.
BRUNA ASSIS BRASIL
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
ENCAMINHAMENTO
Pergunte aos estudantes se já ouviram falar em Arariboia. Convide aqueles que afirmarem conhecê-lo a compartilhar com a turma o que sabem a respeito dele. 1. O monumento fica em Niterói (RJ). No levantamento de hipóteses, os estudantes podem responder que Aimberê foi derrotado, que Arariboia fundou Niterói etc. Conduza a conversa e explique que Arariboia lutou junto aos portugueses, o que pode explicar por que ele foi homenageado. Amplie a discussão falando sobre a presença ou a ausência de diferentes grupos nos marcos de memória.
Na atividade proposta em Você detetive , considere orientar os estudantes para conhecer um pouco de toponímia de origem indígena presente em todo o país. Auxilie-os na busca por esses lugares, orientando os estudantes a pesquisar em fontes confiáveis.
Confederação dos Tamoios
Os Tupinambá, os Aimoré e os Tupiniquim eram chama dos pelos europeus, de modo geral, de Tamoios. Esses po vos habitavam o litoral e praticavam a caça, a pesca e a agricultura.
A presença dos europeus mudou a vida dos indígenas, que tiveram que se adaptar para sobreviver. Uma resposta indígena à exploração imposta pelos portugueses foi sua participação na Confederação dos Tamoios (1554 a 1567): uma disputa entre portugueses e franceses pelo domínio de terras no litoral sudestino. Os Tamoios, liderados por Cunhambebe e, depois, por Aimberê, apoiaram os franceses. Os portugueses foram apoiados pelos Temiminós, liderados por Araribóia. Os Temiminós já haviam lutado ao lado dos portugueses em batalhas no Espírito Santo.
Durante o conflito, em 1565, o português Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Ao final, os Tamoios foram derrotados e os franceses foram expulsos. Araribóia fundou a Vila de São Lourenço dos Índios, em 1573, atualmente Niterói (que em tupi-guarani significa “águas escondidas” ) , única cidade brasileira fundada por um indígena.
1 Onde fica o monumento a Araribóia representado na página? Por que Araribóia foi homenageado e Aimberê não?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
VOCÊ DETETIVE
Veja orientações no Encaminhamento.
Muitos lugares do litoral sudestino possuem nomes derivados das línguas indígenas. Um exemplo é o nome do balneário Ubu, em Anchieta, Espírito Santo. Segundo a tradição oral, após a morte do padre José de Anchieta, em 1597, seu corpo foi transportado para Vitória, no Espírito Santo. Durante esse trajeto, o corpo teria caído no local onde atualmente é Ubu. Nesse momento, os indígenas teriam dito “Aba Ubu” que, em tupi, significa “o padre caiu”.
1. Pesquise lugares com nomes de origem indígena no município ou estado onde você vive. Busque o significado desses lugares e as histórias deles.
Texto de apoio
Os Tamoio, que os portugueses viam como rebeldes confederados aos franceses, permanecem uma imagem profícua para o Brasil. Não apenas para pensar o nascimento da nação mas, recentemente, inclusive, para pensar os destinos dos povos indígenas atuais que, aos poucos, encontram formas de se representar como um “conjunto” e como um “movimento”. [...] As dificuldades para reconstituí-lo e compreendê-lo são muitas. As fontes são escassas: dispomos apenas das cartas, informações e crônicas jesuíticas da década de 1560, marcadas por um forte viés ideológico.
PERRONE-MOISÉS, Beatriz; SZTUTMAN, Renato. Notícias de uma certa confederação Tamoio. Mana, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, 2010. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/mana/a/6yWNsx4v3pNBRsVd735crYy/?format=html&lang=pt. Acesso em: 25 set. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Monumento a Araribóia em Niterói (RJ), em 2024.
Povos indígenas do Sudeste atual
De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicado em 2022, no Brasil vivem 1 694 836 pessoas indígenas. Essas pessoas pertencem a diversos povos indígenas que possuem culturas distintas, com seus saberes e modos de vida ancestrais. Ainda segundo o Censo de 2022, o Sudeste é a região brasileira que apresenta o maior número de indígenas vivendo em áreas urbanas.
Dentre os povos indígenas que vivem no Sudeste, podemos citar os Guarani no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, os Kaingang e os Terena em São Paulo, os Tupiniquim no Espírito Santo e os Krenak, os Pataxó, os Maxakali e os Xakriabá em Minas Gerais.
1 Escolham um dos povos indígenas do Sudeste e façam uma pesquisa sobre seus costumes, modo de vida e lendas. Em seguida, compartilhem com a turma.
Veja orientações no Encaminhamento.
QUEM É?
Cristine Takuá (1981-) nasceu no estado de São Paulo e vive na Terra Indígena Ribeirão Silveira (SP). É escritora, artesã, ativista e professora indígena maxakali e defende a educação e a preservação da memória indígena.
Cristine Takuá em 2025.
Sugestão para o professor
ENCONTRO de Saberes: entrevista com Cristine Takuá. Publicado por: Maré de Ciência Unifesp. 2023. 1 vídeo (ca. 17 min). Disponível em: https://youtu.be/Uq0PiX3cwGE. Acesso em: 25 set. 2025. Nessa entrevista, Cristine Takuá comenta o papel das políticas públicas e da educação no enfrentamento das questões relativas às mudanças climáticas.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
ENCAMINHAMENTO
1. Auxilie os estudantes na pesquisa solicitada. O Instituto Socioambiental pode ser uma interessante fonte de pesquisa. No site principal do instituto (disponível em: https://pib.socioam biental.org/pt/P%C3%A 1gina_principal, acesso em: 25 set. 2025), existe uma enciclopédia sobre os povos indígenas brasileiros. Caso opte por utilizar esse site como fonte, pela complexidade da linguagem, sugerimos que faça uma seleção prévia de trechos para apresentar aos estudantes em sala de aula. O site Povos Indígenas no Brasil Mirim (disponível em: mirim.org/pt-br, acesso em: 25 set. 2025) tem linguagem mais acessível à faixa etária e pode ser indicado diretamente aos estudantes para a pesquisa.
PAULACOMINI
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Meninas indígenas da etnia guarani da aldeia Mata Verde Bonita brincando com bambolê, em Maricá (RJ), em 2024.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Solicite aos estudantes videntes que descrevam a imagem das ruínas do Engenho dos Erasmos, em Santos (SP), como se estivessem realizando uma audiodescrição. Além de promover a inclusão dos estudantes com deficiência visual, eles desenvolvem o espírito colaborativo e a habilidade de leitura de imagem. Há alguns projetos pedagógicos desenvolvidos no local que visam revitalizar a memória do antigo engenho e promover aprendizagens sobre o encontro entre indígenas, africanos e europeus. Explique aos estudantes que existem outras ruínas de engenhos no Sudeste, embora não tão antigas, como as Ruínas do Engenho Central, em Angra dos Reis (RJ). No acervo da Brasiliana Fotográfica (disponível em: https://brasilianafotografica. bn.gov.br/brasiliana/hand le/20.500.12156.1/6652, acesso em: 25 set. 2025), há um negativo fotográfico em vidro
Cana-de-açúcar
Em 1532, os europeus começaram a realizar o plantio da cana-de-açúcar no Brasil. O cultivo foi iniciado na capitania de São Vicente (parte do atual estado de São Paulo) e se espalhou para outras áreas do litoral do país, originalmente cobertos por mata atlântica.
A cana-de-açúcar era levada para um lugar chamado engenho e transformada em açúcar. Um dos três primeiros engenhos instalados no Brasil foi o engenho de São Jorge dos Erasmos, construído provavelmente em 1534 em Santos, São Paulo. Suas ruínas são consideradas patrimônio pelo Iphan.
Com a introdução do plantio da cana-de-açúcar e a construção de engenhos, a paisagem natural e cultural do Sudeste foi se modificando. Parte da mata atlântica original foi desmatada e foram fundados vilas, povoados e cidades, como Santos (1546) e São Paulo (1554), no estado de São Paulo, e Vitória (1551), no estado do Espírito Santo.
O açúcar era feito no Brasil e transportado em navios através do Oceano Atlântico para ser vendido na Europa. Era um comércio bastante lucrativo.
DESCUBRA MAIS
MONUMENTO NACIONAL RUÍNAS ENGENHO SÃO JORGE DOS ERASMOS. Santos, c2018. Disponível em: http://www.engenho.prceu.usp.br/. Acesso em: 25 jun. 2025. O site apresenta a história, a estrutura e os projetos feitos nas ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos.
(usado antes dos filmes de fotografia) do Engenho de Brás de Pina, no Rio de Janeiro (RJ), onde se vê a fachada do antigo convento do engenho.
Sugestão para o estudante
VISITE a USP: Engenho dos Erasmos. Publicado por: Canal USP. 2019. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: https://youtu.be/v8_bIoATEa4. Acesso em: 25 set. 2025. O vídeo apresenta imagens das ruínas do Engenho dos Erasmos.
Ruínas do Engenho dos Erasmos no município de Santos (SP), 2024. O espaço é aberto a visitações e oferece diferentes atividades culturais e pedagógicas.
O cultivo da cana-de-açúcar no Brasil mudou ao longo do tempo. Houve alteração das áreas onde o cultivo acontece, com o deslocamento de boa parte da produção para o interior do território.
Atualmente, grande parte das plantações de cana-de-açúcar está no Sudeste e há utilização de novas tecnologias em todas as etapas da produção. Observe os mapas que representam áreas de plantação de cana-de-açúcar no passado e no presente.
Brasil: cultivo do açúcar (século 16)
0º Equador
Paraíba Olinda
Domínios espanhóis
Trópico de Capricórnio
Áreas de cultivo de cana-de-açúcar
Domínios portugueses
São Salvador São Jorge dos Ilhéus
Santa Cruz Porto Seguro
Nossa Senhora da Vitória Espírito Santo São Paulo São Sebastião do Rio de Janeiro Santos São Vicente
Cidades e vilas 0 500
Equador
2
Brasil: área de colhida da cana-de-açúcar (2018)
da espacialmente no Brasil do século XVI.
O mapa Brasil: área de colhida da cana-de-açúcar (2018) mostra a área onde a cana-de-açúcar foi colhida por meio de pontos na cor verde. Cada ponto representa mil hectares de área colhida. Novamente, estimule os estudantes a levantar hipóteses sobre o elaborador do mapa. Eles podem responder que o mapa pode ter sido elaborado pelo governo brasileiro, com o intuito de compreender como estão distribuídas as áreas de cultivo de cana-de-açúcar no país. Também pode ter sido elaborado por agricultores e pessoas interessadas em entender a produção de cana-de-açúcar no Brasil.
Fonte: VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 102.
OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO
Trópico de Capricórnio
Área colhida (em hectare) 0 545 Linha do Tratado de Tordesilhas OCEANO ATLÂNTICO
1 ponto = 1 000 Divisa estadual Fronteira internacional
Fonte: RODRIGUES, Gelze Serrat de Souza; ROSS, Jurandyr Luciano Sanches. A trajetória da cana-de-açúcar no Brasil: perspectivas geográfica, histórica e ambiental. Uberlândia: EDUFU, 2020. p. 218.
1 Compare os dois mapas desta página. Quais símbolos foram usados? Quem produziu cada mapa e com qual finalidade?
Veja respostas no Encaminhamento.
2 Descrevam as mudanças nas áreas de cultivo da cana-de-açúcar no Sudeste.
Inicialmente as áreas de cultivo estavam concentradas no litoral e atualmente estão concentradas em áreas do interior e no litoral, com maior concentração em áreas no interior.
3 Durante o período de colonização, a cana-de-açúcar cultivada no Brasil era utilizada principalmente na produção de açúcar. Investiguem quais são os principais usos da cana-de-açúcar atualmente.
Produção de alimentos e bebidas, produção de energia (bioenergia, biocombustível) e produção de bioplástico.
ENCAMINHAMENTO
03/10/2025 16:59
Durante a leitura do mapa Brasil: área de colhida da cana-de-açúcar (2018), explique o termo “área colhida”, utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e por outros órgãos que realizam pesquisas agropecuárias. Esse indicador trata apenas da área em que a plantação foi efetivamente colhida e é diferente da área cultivada.
1. Auxilie os estudantes na leitura dos dois mapas. Oriente-os a analisar os títulos dos mapas, as legendas, as fontes e elementos que constam deles. O mapa Brasil: cultivo do açúcar (século 16) mostra as áreas de cultivo de açúcar no território da América Portuguesa no século XVI. Essas áreas de cultivo foram representadas por manchas na cor verde mais escura. As cidades e vilas foram representadas por pontos.
Estimule os estudantes a levantar hipóteses a respeito de quem teria produzido esse mapa. Eles podem responder que, por se tratar de um mapa histórico, ele foi produzido por um pesquisador na área da História que pretendia entender como a produção de cana-de-açúcar estava distribuí-
BNCC
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças. (EF04CO02) Reconhecer objetos do mundo real e/ou digital que podem ser representados através de registros que estabelecem uma organização na qual cada componente é identificado por um nome, fazendo manipulações sobre estas representações.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Explique aos estudantes que o Brasil foi o lugar que mais recebeu africanos escravizados na América do Sul e o último a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea. Foram, portanto, muitos séculos de tráfico e escravização de africanos e seus descendentes.
Comente que os colonizadores, que já tinham relações comerciais no litoral da África, sabiam que algumas sociedades africanas conheciam o trabalho na agricultura, bem como o uso do ferro e a criação do gado.
Esclareça aos estudantes que o sítio arqueológico do Cais do Valongo foi reconhecido como patrimônio nacional e mundial por sua importância para o Brasil e para todo o mundo. Trata-se de um lugar que apresenta vestígios do comércio e da cultura material do período da escravidão, além de ser um símbolo importante para a compreensão da diáspora africana.
Povos africanos no Sudeste
Em um primeiro momento, os europeus utilizaram a mão de obra escravizada dos indígenas nas plantações de cana-de-açúcar e nos engenhos. No entanto, os europeus já realizavam comércio no litoral da África e tinham contato com diversos povos que lá habitavam. Os europeus transformaram a escravização desses povos africanos em um grande negócio comercial.
O Rio de Janeiro foi a principal cidade de entrada dos escravizados trazidos da África. Em 1811, foi construído o Cais do Valongo, principal ponto de desembarque desse comércio, que funcionou até 1831. Atualmente, o local é um sítio arqueológico onde foram encontrados diversos vestígios relacionados aos povos africanos escravizados. Esses vestígios nos revelam um pouco mais sobre a variedade de culturas dessas pessoas, já que os europeus não respeitavam e não reconheciam a diversidade cultural dos povos africanos. Um exemplo disso é que, apesar de suas diferenças, eles eram denominados apenas de bantos ou sudaneses.
O Cais do Valongo é reconhecido como patrimônio mundial desde 2017 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e patrimônio nacional arqueológico desde 2015 pelo Iphan. Estas fotografias mostram a área onde fica o Cais do Valongo no início do século 20 e em 2023.
Sugestão para o professor
SILVA, Maurício André da (org.). Kit educativo africano e afro-brasileiro. São Paulo: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.livro sabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1523/1388/5448. Acesso em: 25 set. 2025. O livro fornece importantes contribuições para a abordagem de temáticas afro-brasileiras em sala de aula, sendo uma valiosa fonte de consulta durante o planejamento de suas aulas.
Cais do Valongo, no Rio de Janeiro (RJ), em 1904. No período, essa localidade era chamada de Largo da Imperatriz.
Cais do Valongo no Rio de Janeiro (RJ), em 2023.
Analise estes vestígios encontrados no sítio arqueológico Cais do Valongo.
arqueológico Cais do Valongo.
Veja respostas no Encaminhamento.
Contas (utilizadas para fazer colares), encontradas no sítio arqueológico Cais do Valongo.
1 Compare as fotografias da página 54 que retratam o Cais do Valongo no passado e na atualidade e descreva o que permaneceu e o que mudou.
2 Analise as fotografias desta página e descreva os vestígios encontrados no sítio arqueológico Cais do Valongo.
3 O que esses vestígios podem nos dizer sobre os povos africanos escravizados?
VOCÊ DETETIVE
O nome da Cachoeira da Guiné, em Monte Sião, Minas Gerais, é uma referência a um dos locais de origem dos escravizados africanos.
1. Pesquise lugares com nome de origem africana no estado onde você vive.
2. Escolha um desses lugares e busque as seguintes informações:
a) nome e localização.
b) se é um espaço público.
c) qual função esse lugar tem (econômica, lazer para moradores da comunidade, turismo etc.).
3. Faça um desenho desse lugar.
4. Apresente o desenho e as informações que pesquisou para toda a turma.
Produção pessoal e resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento. 55
Sugestão para o professor
Organize-se
• Folhas de papel sulfite
• Lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
1. Permanências: o casario lateral. Mudanças: a rua deixou de existir, o mar ao fundo sofreu um aterro, novas construções e prédios modernos ao redor.
2. Os vestígios encontrados são um brinco em metal com uma figa pendente e contas azuis. As contas eram utilizadas para fazer colares. Os estudantes devem descrever as formas dos vestígios e suas impressões sobre eles.
3. Os vestígios mostram os conhecimentos e as culturas desses povos. Auxilie os estudantes a analisar as imagens, relacionando os objetos a elementos da cultura material desses povos, como as contas, as crenças, representadas pela figa, e as tecnologias, como o domínio da metalurgia, representado pelo brinco de metal.
Na atividade proposta em Você detetive , oriente os estudantes a pesquisar os locais em fontes confiáveis, como livros e sites oficiais. Auxilie-os na escolha do lugar e peça a eles que registrem as informações coletadas em seus cadernos.
O documentário, produzido pela Defensoria Pública da União, é uma rica fonte de informações a respeito do Cais do Valongo e sua importância para a memória do povo negro.
Em seguida, peça aos estudantes que façam o desenho do lugar em folhas de papel sulfite utilizando lápis de cor. Depois, promova uma roda de conversa para que eles possam apresentar seus desenhos e o que pesquisaram. Para o caso de estudantes com restrição de mobilidade nos membros superiores, incentive-os a fazer uma descrição oral dos lugares pesquisados.
Brinco em metal com figa, encontrado no sítio
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Amplie o tema estudado contando aos estudantes que em Vassouras (RJ) ocorreu a revolta de Manoel Congo em 1838. De acordo com a tradição oral, Manuel Congo, era escravizado e ferreiro de profissão, o que lhe dava destaque na fazenda. Foi o principal líder da revolta com Mariana Crioula, escravizada que exercia serviços domésticos, especialmente de costureira. Os escravizados de muitas fazendas se rebelaram e fugiram, mas terminaram capturados por tropas enviadas pelas autoridades. Atualmente, existe o Memorial Manoel Congo, em homenagem ao líder da revolta, em Vassouras.
Na atividade proposta na em Você detetive , auxilie os estudantes na pesquisa solicitada. Oriente-os a consultar sites confiáveis, livros, jornais e revistas. Os estudantes também podem conversar com adultos, questionando-os sobre a existência desses lugares. Caso
Resistência: revoltas
Durante os séculos de escravidão no Brasil, houve diferentes formas de luta e resistência que se intensificaram após a Independência do Brasil, em 1822. A Revolta das Carrancas, por exemplo, aconteceu no sul de Minas Gerais, em 1833. Algumas pesquisas apontam que os escravizados foram iludidos com a notícia de que a escravidão havia sido abolida na província e se revoltaram contra a família de seus senhores.
Em 1849, na localidade de São José do Queimado, atual distrito do município da Serra, Espírito Santo, o padre Gregório José Maria de Bene prometeu alforria aos escravizados que trabalhassem na construção de uma igreja. A promessa não foi cumprida e os escravizados se revoltaram incendiando a igreja. A revolta ficou conhecida como Insurreição do Queimado e seus principais líderes, João da Viúva, Elizário e Chico Prego, foram presos. Alforria: liberdade concedida pelo senhor a seu escravizado.
VOCÊ DETETIVE
1. No estado onde você vive existem memoriais, monumentos ou outras homenagens a pessoas escravizadas ou seus descendentes? Faça uma pesquisa buscando as informações a seguir.
a) Onde se localiza a homenagem?
b) Quem é o homenageado?
c) Por que ele foi homenageado?
d) Quando foi feita a homenagem?
Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações Encaminhamento.
considere mais adequado, você pode fazer um levantamento prévio desses lugares e sugeri-los aos estudantes.
Para finalizar, promova uma roda de conversa sobre a importância da existência de lugares que celebram a história e a memória de pessoas escravizadas e seus descendentes.
Ruínas da Igreja de São José do Queimado em Serra (ES), em 2023. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Resistência: quilombos e comunidades remanescentes de quilombos
Uma das formas de resistência dos escravizados eram os quilombos, lugares para onde fugiam. Era comum que indígenas, alforriados e outras pessoas que eram contrárias à escravidão também vivessem nos quilombos.
As comunidades remanescentes de quilombos atuais são herdeiras da história de luta dos escravizados. Elas são formadas predominantemente por descendentes de escravizados e mantêm práticas culturais ligadas à sua ancestralidade, incluindo a relação com a terra. É muito importante que as terras onde vivem sejam reconhecidas pelo Estado brasileiro. Com o direito à terra garantido, esses povos podem proteger seus costumes, suas tradições, seus modos de vida, cuidar melhor do lugar onde moram e ter acesso a serviços, como saúde e escola.
Atualmente, segundo o Censo Quilombola do IBGE de 2022, a região Sudeste abriga cerca de 1245 comunidades quilombolas.
Estudantes durante recreio na Escola Municipal Jesuito J. Gonçalves no Quilombo da Lapinha, em Matias Cardoso (MG), em 2022.
O município de São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, São Paulo, abriga a comunidade quilombola Bairro do Quilombo, cujo artesanato é tradição e fonte de renda. Utilizando palha de bananeira, milho e outros elementos naturais, os artesãos produzem diferentes peças como tapetes e bonecos. Em Viana, Espírito Santo, a comunidade quilombola de Araçatiba tem lutado para garantir seus direitos. A comunidade é uma das mais antigas do estado, com origem no século 17, e mantém diversas tradições ancestrais, como a banda de congo Mãe Petrolínia.
1 Qual história de quilombos e remanescentes de quilombos apresentada no texto chamou mais sua atenção? Por quê? Anotem a resposta no caderno.
Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
2 Busquem informações sobre as comunidades remanescentes de quilombos do estado onde vocês vivem e anotem o que encontraram no caderno.
Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento. 57
ENCAMINHAMENTO
informações em um pequeno parágrafo. Depois, promova uma roda de conversa para que todos possam compartilhar seus registros.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
03/10/2025 16:59
Complemente a informação a respeito do quilombo de Araçatiba, comentando com os estudantes que ele servia de refúgio para os escravizados de uma antiga fazenda jesuíta que produzia açúcar. Hoje em dia, restou a ruína da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, construída pelos jesuítas.
1. Incentive os estudantes a expressar o que acharam a respeito das histórias dos quilombos e das comunidades remanescentes de quilombos apresentadas. Reforce com eles a importância de respeitar povos e comunidades tradicionais, como os quilombolas, para valorização da diversidade presente na região Sudeste.
2. Oriente os estudantes a pesquisar informações em fontes confiáveis. Caso considere mais adequado, separe previamente informações sobre comunidades remanescentes de quilombos no estado onde os estudantes vivem e forneça a eles, solicitando que organizem as
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Leia coletivamente o conteúdo da página com os estudantes, fazendo pausas e tirando possíveis dúvidas. Estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou dislexia podem ter dificuldade em compreender algumas informações. Para auxiliá-los, leia o texto em partes, fazendo explicações por trechos, para verificar o entendimento deles. Verifique se os estudantes identificam alguns dos legados deixados pela presença dos bandeirantes no território da atual região Sudeste, questionando se eles já ouviram falar dessas figuras históricas. Em São Paulo, por exemplo, existem ruas, estradas e monumentos em homenagem aos bandeirantes.
O Sudeste não é só litoral
À medida que a colonização avançava, surgiram novas cidades e cresceram as necessidades por alimentos e por novas estradas para a circulação de pessoas e mercadorias. Tudo isso transformou as paisagens da região. Havia expedições que partiam do atual Sudeste e seguiam para o interior. Além da conquista de novas terras, essas expedições capturavam indígenas para serem escravizados, buscavam escravizados africanos que haviam fugido e também procuravam ouro, metais e pedras preciosas.
As expedições alcançaram grande parte do interior do Sudeste, seguindo o curso do rio Tietê, que é um rio que corre para o interior, e chegaram a territórios das atuais regiões Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste. As expedições, quando eram autorizadas pelas autoridades, eram chamadas de entradas. As expedições não oficiais eram chamadas de bandeiras.
Durante a viagem, os bandeirantes, como eram chamadas as pessoas que compunham as bandeiras, contavam com o conhecimento dos povos indígenas para identificar as melhores rotas e para caçar, pescar e coletar frutas. Também consumiam a farinha de mandioca, alimento da tradição alimentar indígena. Geralmente falavam um idioma chamado língua geral paulista, que era uma mistura de português, espanhol e guarani.
Há relatos sobre algumas mulheres entre os bandeirantes, como Suzana Dias (1553-1634) que fundou a cidade de Santana do Parnaíba, em São Paulo.
Sugestão para o professor
Busto em homenagem à bandeirante Suzana Dias em frente à igreja no centro histórico de Santana de Parnaíba (SP), em 2019.
ARRUDA, Isabela Ribeiro de; PEIXOTO, Denise Cristina Carminatti; RIBEIRO, Vanessa Costa (org.). Passados imaginados: Museu do Ipiranga – USP: material para professores. São Paulo: Museu Paulista da Universidade de São Paulo, 2022. Disponível em: https://museudoipiranga. org.br/wp-content/uploads/2024/09/passados_imaginados.pdf. Acesso em: 25 set. 2025. Passados imaginados é o nome de uma exposição do Museu Paulista, ou Museu do Ipiranga, da Universidade de São Paulo. O livreto sugerido é um material educacional que propõe estratégias para trabalhar em sala de aula diversas fontes para o estudo da história de São Paulo, incluindo as representações dos bandeirantes.
DANIEL
As principais consequências das bandeiras foram o povoamento de grande parte do interior do Brasil; a descoberta do ouro e de pedras preciosas; a construção de estradas; o surgimento de novas cidades e o nascimento da cultura caipira, que incorporou aspectos das culturas indígenas, como o uso do fubá e da farinha de mandioca na culinária, aos hábitos dos colonizadores. A estrada mais famosa construída para transportar o ouro de Minas Gerais até os portos do litoral e para abastecer as vilas e cidades é a Estrada Real. Atualmente a Estrada Real é uma importante rota turística da região Sudeste.
1 Observe o mapa da Estrada Real. Identifique as principais cidades do Caminho Velho da Estrada Real.
Ouro Preto, Congonhas, Prados, Tiradentes, São João del-Rei e Parati.
2 Agora, identifique as principais cidades do Caminho Novo da Estrada Real.
Ouro Preto, Juiz de Fora, Petrópolis e Rio de Janeiro.
3 Por último, identifique as principais cidades do Caminho dos Diamantes da Estrada Real.
Diamantina, Mariana e Ouro Preto.
4 Atualmente, qual é a principal função da Estrada Real?
Atualmente, ela é uma rota turística da região (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo).
Atividade complementar
Organize-se
• Folhas de papel sulfite
• Lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
Explique aos estudantes que a Estrada Real é a maior rota turística do país, que abrange os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Esclareça a eles que a descoberta do ouro trouxe alterações nos modos de viver na Colônia, com a construção de muitas estradas (para transportar os metais e pedras preciosas, mas também as tropas com suas mercadorias) e cidades. A arquitetura das casas mudou e foram introduzidos hábitos domésticos que ainda não existiam, como a cadeira sanitária. Outro exemplo das alterações foi a disseminação de chafarizes nas novas cidades para que a população tivesse acesso à água limpa.
59
03/10/2025 16:59
Sugira aos estudantes uma exposição com desenhos sobre a Estrada Real. Com base no mapa Sudeste: Estrada Real, oriente-os a pesquisar imagens dos municípios pelos quais a rota turística passa. A pesquisa pode ser feita no site oficial da Estrada Real, disponível em: https://institutoestradareal.com.br, acesso em: 25 set. 2025. Peça a eles que escolham um dos municípios e desenhem em uma folha de papel sulfite com lápis de cor. Solicite aos estudantes que escrevam o nome do município no topo da folha. Depois, exponha os desenhos de toda a turma na sala de aula e promova uma roda de conversa sobre a atividade.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Trecho da Estrada Real em Diamantina (MG), em 2024.
BNCC
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
Analise as duas imagens com os estudantes, solicitando aos estudantes videntes que façam uma audiodescrição delas. Comente que o Monumento às Bandeiras representa os bandeirantes (liderando o grupo, em frente), indígenas e pessoas negras. Os indígenas e as pessoas negras aparecem seguindo os bandeirantes, trabalhando e carregando objetos. Algumas pessoas estão acorrentadas. Explique aos estudantes que o Monumento Cavaleiro Guaicuru representa um indígena em seu cavalo. O indígena parece em movimento, como se estivesse em uma batalha.
DIÁLOGOS
Indígenas e bandeirantes
Os bandeirantes foram importantes personagens na história do Sudeste e de outras regiões do Brasil. Existem monumentos, ruas, praças e outros locais com nomes dos bandeirantes em estados como São Paulo, Goiás, Paraná e Santa Catarina.
Mais recentemente, os historiadores têm considerado a participação dos diferentes personagens envolvidos em um mesmo acontecimento histórico, destacando pontos de vista diferentes. A atuação das mulheres, dos povos africanos escravizados e seus descendentes e dos povos indígenas tem sido evidenciada. Com isso, a participação dos indígenas durante as bandeiras também vem sendo reconhecida, principalmente devido à resistência à escravidão. Um exemplo é o povo Guaicuru que resistiu ao avanço dos bandeirantes em localidades onde hoje estão os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
1. Não. O Monumento às Bandeiras valoriza a atuação dos bandeirantes e a estátua Cavaleiro Guaicuru valoriza a atuação dos indígenas Guaicuru.
Monumento Cavaleiro Guaicuru no Parque das Nações Indígenas em Campo Grande (MS), em 2020.
Monumento às Bandeiras em São Paulo (SP), em 2024.
1 O Monumento às Bandeiras e a estátua Cavaleiro Guaicuru valorizam os mesmos personagens históricos? Explique sua resposta.
2 Explique por que é importante que os historiadores considerem em seus estudos diferentes pontos de vista sobre um mesmo acontecimento.
Espera-se que o estudante reconheça que um acontecimento histórico pode ter diferentes pontos de vista dependendo dos sujeitos que nele participam.
Texto de apoio
Ao visitar a capital paulista, encontramos diversos locais públicos que fazem referência às bandeiras do século XVII e XVIII como, por exemplo, a avenida dos Bandeirantes e as rodovias Raposo Tavares, Fernão Dias e Anhanguera. Além dessas vias públicas, também podemos citar o Palácio dos Bandeirantes – sede do governo do estado de São Paulo – e as estátuas dos bandeirantes que ornamentam o Museu Paulista e, ainda, outros lugares públicos como, por exemplo, a estátua do Anhanguera localizada no Parque Trianon. Apesar dessas diversas localidades, o lugar que sintetizou a mítica bandeirante na cidade de São Paulo foi, sem dúvida alguma, o Monumento às Bandeiras esculpido por Victor Brecheret.
COELHO, George Leonardo Seabra. Monumento às Bandeiras: processo de construção e ressignificação simbólica. Tempo, Niterói, v. 28, n. 1, p. 64-83, jan./abr. 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tem/a/ MJ5kDHh5mHMJy8VLF7dmHyv/?format=html&lang=pt. Acesso em: 25 set. 2025.
DANIEL
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Mitos, lendas e contos no Sudeste: Chibamba
Os mitos, as lendas e os contos do Sudeste têm relação com os legados dos diferentes povos que habitaram e habitam a região, como os povos indígenas e africanos escravizados. Além de fazerem parte das culturas desses povos, são também uma forma de resistência.
Leia este texto sobre o Chibamba.
“[...] Esse fantasma envolto em uma longa esteira de bananeira, que ronca e funga bem alto como se fosse um porco e que gosta de dançar num compasso lento é uma personagem bastante conhecida entre os que vivem no sul de Minas Gerais.
[...] Segundo a mitologia africana, o Chibambba (lá eles escrevem com dois bês) é o rei dos animais encantados, é o único que se recusou a ser divino para ficar aqui neste mundo, presidindo toda a obra criada. [...]
Por outro lado, pode ser que sua origem também esteja ligada aos indígenas brasileiros, pois os pajés de alguns povos indígenas, como os Pankararu e os Xerentes, dançavam vestidos com folhas.
Em São Paulo, o Chibamba é um velho escravizado [...].
ALVES, Januária Cristina. Abecedário de personagens do folclore brasileiro. São Paulo: Sesc/FTD, 2017. p. 110.
Presidir: Assistir, guiar.
1 Quais são as possíveis explicações da origem da lenda do Chibamba?
Origens africana, indígena e dos escravizados.
2 Você conhece algum mito ou lenda popular do lugar onde você vive?
• Em uma roda, conte o mito ou a lenda para o restante da turma.
Resposta pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
BNCC
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
Organize-se
• Folhas de papel sulfite
• Lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
O trabalho com mitos, lendas e contos do Sudeste pode ser feito em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa. Faça a leitura coletiva do texto do Chibamba. Explore com os estudantes as representações do personagem: um fantasma envolto em uma bananeira, rei dos animais encantados, pajé e escravizado. Explique a eles que mitos, lendas e contos geralmente não têm uma origem definida e podem ser resultado do legados de diversos povos.
03/10/2025 16:59
GOMES, Nilma Lino (org.). Práticas pedagógicas de trabalho com relações étnico-raciais na escola na perspectiva da Lei nº 10.639/03. Brasília, DF: MEC; Unesco, 2012. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000260516. Acesso em: 25 set. 2025.
O relatório discute de forma aprofundada o ensino da história e da cultura afro-brasileira, além de oferecer estudos de caso de práticas pedagógicas implementadas em escolas da rede pública do país, separadas por região.
2. Promova uma roda de conversa na qual todos possam compartilhar os mitos, as lendas e os contos que conhecem. Depois, peça aos estudantes que escolham um dos mitos e lendas compartilhados e façam um desenho ou uma dramatização sobre ele. Se considerar adequado, permita aos estudantes compartilharem contos também.
ALEXRODRIGUES
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Relembre os estudantes que as palavras imigração e migração se referem ao deslocamento de pessoas de uma localidade para outra (cidade, estado, região ou país) com o objetivo de residência. Geralmente, as pessoas migram em busca de melhores condições de vida, e há imigrações forçadas, como foi o caso dos africanos escravizados no Brasil. Analise com os estudantes a imagem Rancho de tropeiros . Promova uma atividade para inclusão dos estudantes com deficiência visual, convidando estudantes videntes a realizar uma audiodescrição. Além da promoção da inclusão, a proposta desenvolve o espírito colaborativo entre os estudantes.
GENTE QUE VEM, GENTE QUE VAI 2
O Brasil recebeu muitos imigrantes de origens diversas e que vieram em diferentes épocas. Além dos imigrantes, houve ainda muitas migrações internas, ou seja, pessoas que se deslocaram dentro do território brasileiro, entre regiões, estados e municípios.
Todos esses movimentos contribuíram para a formação multicultural do Brasil e do Sudeste, já que as pessoas que vieram para a região trouxeram suas culturas e modos de vida.
Existiram diversos momentos na história do Sudeste em que as condições econômicas atraíram pessoas de outros lugares. Um exemplo foi a descoberta do ouro no período colonial.
Durante esse período, existiram os tropeiros, comerciantes que utilizavam mulas e cavalos para transportar alimentos e mercadorias, como arroz, feijão, milho, queijo, farinha, frutas secas, rapadura, peixe salgado, carne seca, tecidos, algodão, sal etc. Em suas viagens, descansavam em lugares chamados ranchos e ajudavam na circulação de informações e expressões culturais como canções, contos, mitos, entre outros.
Os tropeiros seguiam rotas e caminhos que, muitas vezes, viraram estradas anos mais tarde. Eles também deixaram marcas importantes nas culturas da região.
Charles
1 Existem pessoas que vieram de outros países no lugar onde você mora? Ou os pais e avós delas? Você sabe de quais países elas vieram?
2 Descreva a imagem Rancho de tropeiros: quais elementos nela caracterizam a figura do tropeiro?
Respostas pessoais. Cavalos e mulas e as mercadorias ao redor do tropeiro, em primeiro plano.
Sugestão para o professor
EQUIPE Brasiliana Iconográfica. Os encontros dos viajantes com os tropeiros pelo Brasil, 29 jan. 2014. Disponível em: www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/24009/os-encontros-dos -viajantes-com-os-tropeiros-pelo-brasil. Acesso em: 26 set. 2025. O artigo trata de registros dos tropeiros feitos pelos exploradores, cientistas e artistas em viagens que realizaram pelo Brasil no século XIX. Esses registros feitos podem ser apresentados aos estudantes para trabalhar outras representações da figura do tropeiro.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Rancho de tropeiros, de
Landseer. 1827. Óleo sobre tela, 27,8 cm × 34,9 cm.
Cultura caipira
A cultura caipira se originou das trocas culturais entre os bandeirantes e os povos indígenas no período colonial. Ela se expressa em músicas, expressões de linguagem, sotaques, roupas e na culinária, associada ao modo de vida rural. A cultura caipira é bastante presente na região Sudeste, especialmente em cidades do interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Com relação à música, podemos citar a viola caipira, muito usada em festas e celebrações como a Folia de Reis, a Folia do Divino, a Dança de São Gonçalo e o cateretê.
1 Leia a letra de uma canção caipira e observe a pintura.
Eu nasci no mato
Me criei na roça
[...] Enfrento o trabaio
Com sol e chuva
Frio e calor
[...]
Eu nasci para ser roceiro
Sou violeiro e bom cantador
Força no braço e no aço da enxada
Minha terra sempre cultivada
a) Leia a letra da canção. Quais aspectos do cotidiano do caipira estão representados na letra?
b) Qual é o nome da pintura?
A relação com o trabalho na terra, ao trabalho como agricultor e a viola. O violeiro.
c) Quais elementos da cultura caipira podem ser destacados a partir dessa pintura?
A viola caipira, as roupas, o material de construção da casa.
Sugestão para o professor
CAMPOS, Judas Tadeu de. A educação do caipira: sua origem e formação. Educação e Sociedade, Campinas, v. 32, n. 115, p. 489-506, abr./jun. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/ S0101-73302011000200014. Acesso em: 26 set. 2025.
O artigo trata das diferentes maneiras de transmissão dos saberes nas culturas caipiras.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
ENCAMINHAMENTO
Comece a abordagem do conteúdo questionando os estudantes sobre o que sabem da cultura caipira. É comum vermos, hoje em dia, a imagem do caipira associada à viola, ao chapéu de palha e a uma camisa xadrez. Desconstrua possíveis estereótipos e esclareça aos estudantes que a cultura caipira é de grande importância para o povo sudestino. Se possível, toque a música Fruto do meu trabalho para os estudantes. Analise a letra com eles. Tire dúvidas de vocabulário e questione os estudantes sobre como o cotidiano caipira é representado na canção. Peça a eles que identifiquem na letra a palavra escrita de uma forma diferente: “trabaio”. Oriente-os a reescrever a palavra de acordo com a grafia: trabalho . Explique aos estudantes que essa letra tem traços de oralidade, ou seja, os autores registraram a forma de falar do caipira.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
O violeiro, de Almeida Júnior. 1899. Óleo sobre tela, 141 cm × 172 cm.
FRUTO do meu trabalho. Intérpretes: Tonico e Tinoco. Compositores: Darley, Décio, Tonico e Tinoco. In: Disco de Ouro. São Paulo: Hermison Discos, 1978. LP. faixa 6.
PINACOTECA DE SÃO PAULO, SÃO PAULO, BRASIL.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
ENCAMINHAMENTO
Comente com os estudantes que o Jardim Botânico no Rio de Janeiro (RJ) atualmente abriga 6 500 espécies vegetais, algumas consideradas em extinção. O local está aberto para visitação pública e é muito procurado por turistas que visitam a cidade. Destaque a importância desse espaço no início do século XIX, considerando a pesquisa a respeito dos usos medicinais das plantas.
2. Auxilie os estudantes a refletir sobre a presença de parques como o Jardim Botânico, rede de esgoto e abastecimento de água, iluminação pública e escolas de ensino fundamental no município onde vivem.
Texto de apoio
No início do primeiro quarto do século XIX, ainda não existiam no Brasil sistemas coletivos de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Em 1673 foi iniciada a obra do primeiro aqueduto para transportar a água do rio Carioca para a Fonte da Carioca, onde a população podia buscar água para diversas atividades. Concluído apenas em 1723, o Aqueduto da Carioca, mais conhecido como os Arcos da Lapa, deixou sua função inicial e passou a ser utilizado como viaduto para bondes de ferro. [...]
Os primeiros sistemas e serviços públicos de abastecimento de água foram
1. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes escolham uma das obras e justifiquem sua escolha a partir da importância da obra para a população na época e atualmente.
Migrações e mudanças no Rio de Janeiro
Durante o século 19 a imigração se intensificou no Sudeste. Em 1808, o príncipe regente de Portugal, dom João 6o, mudou-se para o Brasil, trazendo consigo toda família real e nobres portugueses. Dom João estava fugindo do imperador francês Napoleão Bonaparte, que invadiu Portugal e estava em guerra em quase toda a Europa.
A Família Real escolheu a cidade do Rio de Janeiro para se instalar. Com isso, fez diversas obras na cidade, o que atraiu outros imigrantes europeus – espanhóis, ingleses, franceses, suíços, entre outros – que exerciam diferentes profissões, como médicos, alfaiates e professores. No período, o número de habitantes do Rio de Janeiro dobrou, ultrapassando 100 mil pessoas. Muitas mudanças foram realizadas na cidade do Rio de Janeiro e serviram de modelo para outras cidades. Alguns exemplos foram:
• Criação do Jardim Botânico, para estudar as plantas locais com potencial econômico e medicinal e a adaptação de espécies que foram importadas.
• Melhoria da infraestrutura da cidade, com a construção de novos chafarizes e esgotos para o abastecimento e o escoamento de água e a instalação de iluminação pública. Na época, era feita com óleo de baleia ou gás.
• Abertura de escolas de primeiras letras, focadas na alfabetização, que geralmente funcionavam na casa do professor.
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Príncipe regente: príncipe que governa em caso de incapacidade do monarca.
Alfaiate: pessoa que faz roupas, como paletós e ternos.
da antiga Real Fábrica
1 Qual das mudanças ocorridas com a vinda da Família Real para o Brasil você achou mais importante? Por quê?
2 Considerando as mudanças que aconteceram na cidade do Rio de Janeiro no início no século 19, quais existem no lugar onde você vive?
Resposta de acordo com o lugar de vivência do estudante. Veja mais orientações no Encaminhamento.
concebidos ao final da primeira metade do século XIX, ainda com a água sem tratamento, e apenas nos centros urbanos das principais cidades, áreas de produção e de circulação de bens de interesse econômico. Curiosamente, no Rio de Janeiro a coleta de esgotos sanitários se estabeleceu antes mesmo do abastecimento de água.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Panorama do saneamento básico no Brasil. Brasília, DF: Secretaria Nacional de Saneamento, 2021. p. 14. Disponível em: www.gov.br/cidades/pt-br/acesso -a-informacao/acoes-e-programas/saneamento/snis/produtos-do-snis/PANORAMA_DO_SANEAMENTO_ BASICO_NO_BRASIL_SNIS_2021compactado.pdf. Acesso em: 26 set. 2025.
Portão
de Pólvora, no Jardim Botânico no Rio de Janeiro (RJ), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Memórias da independência
Em 1821, dom João voltou para Portugal e seu filho, dom Pedro, ficou no Brasil. Dom Pedro foi um dos responsáveis pelo processo de Independência do Brasil ocorrido em 1822, tornando-se imperador. Após a independência, a entrada de imigrantes aumentou ainda mais.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
A Independência do Brasil foi proclamada às margens do riacho do Ipiranga. Em 1895, próximo ao local, foi inaugurado o edifício conhecido hoje em dia como Museu Paulista, ou Museu do Ipiranga, que se tornou um marco na memória da Independência. Com o passar dos anos, o riacho do Ipiranga foi canalizado e teve alguns de seus trechos tampados por concreto.
Monumento à Independência, em primeiro plano, com o Museu Paulista ao fundo, São Paulo (SP), em 2020.
Proclamar: declarar publicamente em voz alta.
Arredores do Museu Paulista em São Paulo (SP), em 1943.
1 Compare as imagens e indique mudanças e permanências no espaço retratado em 1943 e 2020. Veja resposta no Encaminhamento.
Texto de apoio
A Marquesa de Santos, Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), foi a proprietária entre 1834 e 1867, adquirindo o imóvel da herdeira do Brigadeiro Leme. [...] Com sua morte, a propriedade da casa passou para seu filho, o Comendador Felício Pinto de Mendonça e Castro. [...] Em 1967, a Companhia Paulista de Gás (sucessora da The São Paulo Gaz Company) foi desapropriada e todos os seus imóveis passaram à Prefeitura. Em 1975, já incorporado ao patrimônio municipal, o Solar foi sede da Secretaria Municipal de Cultura e alguns de seus departamentos, como o Departamento do Patrimônio Histórico, criado nesse ano.
MUSEU da Cidade de São Paulo. Solar da Marquesa de Santos | MCSP. São Paulo, c2025. Disponível em: www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br/sobre-mcsp/solar-da-marquesa-de-santos/. Acesso em: 26 set. 2025.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
ENCAMINHAMENTO
Explique que o Museu Paulista, ou Museu do Ipiranga, é o museu público mais antigo de São Paulo. Ele fica dentro do Parque da Independência, onde também se encontra o Monumento à Independência, inaugurado em 1922 como parte das comemorações dos 100 anos da Independência do Brasil. Podem ser citados outros museus relacionados à memória do período da independência e do Império, como o Solar da Marquesa, que faz parte do conjunto de unidades do Museu da Cidade de São Paulo, e o Museu do Primeiro Reinado, no Rio de Janeiro, que também foi casa da Marquesa de Santos. O prédio do Paço Imperial, na cidade do Rio de Janeiro, de onde o Príncipe D. Pedro falou à população em 9 de janeiro de 1822 declarando que não voltaria para Portugal, também é um espaço e memória relacionado ao período. 1. Auxilie os estudantes na leitura das imagens. A imagem mais antiga representa um ângulo à frente do Monumento à Independência e a imagem mais recente foi tirada atrás do monumento. Por esse motivo, é possível visualizar o monumento somente na imagem mais recente. Como permanências, os estudantes podem indicar o Museu Paulista e o desenho da rua principal que leva a ele. Como mudança, eles podem indicar a maior presença de casas e prédios no entorno.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
TCT: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.
ENCAMINHAMENTO
1. Como semelhança, os estudantes podem indicar que foram movimentos contra o domínio português. Como diferença, os estudantes podem apontar que a Inconfidência Mineira e os conflitos na Bahia após a proclamação da Independência do Brasil ocorreram em períodos e contextos históricos diferentes.
2. Como semelhanças, os estudantes podem apontar que são monumentos em espaços públicos, praças, cujos nomes homenageiam personagens históricos ligados a esses eventos. Como diferenças, os estudantes podem apontar características dos monumentos e a forma como os personagens históricos foram representados.
DIÁLOGOS
Movimentos contra o domínio português no Brasil
Antes da proclamação da Independência, em 1822, ocorreram diversos movimentos e revoltas contra o domínio português no Brasil.
No Sudeste, um dos movimentos mais marcantes foi a Inconfidência Mineira, em 1789. Dentre os inconfidentes, como eram chamados aqueles que participaram do movimento, destacou-se a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Em Ouro Preto, em Minas Gerais, ele foi homenageado com o Monumento a Tiradentes, que fica na Praça Tiradentes, onde também se localiza o Museu da Inconfidência.
À esquerda, o monumento a Tiradentes. Ao fundo, está o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG), em 2023.
Monumento em homenagem a Maria Felipa, em Salvador (BA), inaugurado em 2023.
Veja respostas no Encaminhamento.
Após a Independência, ainda foi necessário lutar contra os colonizadores que se recusavam a aceitá-la. No Nordeste, destaca-se a figura de Maria Felipa, marisqueira e pescadora que, de acordo com a tradição oral, liderou um grupo para lutar contra os soldados portugueses entre os anos de 1822 e 1823. Em 2023, foi inaugurado o Monumento a Maria Felipa em Salvador, na Bahia.
1 Indique uma semelhança e uma diferença entre a Inconfidência Mineira e os conflitos na Bahia após a proclamação da Independência do Brasil.
2 Descreva os dois monumentos, indicando semelhanças e diferenças entre eles.
Sugestão para o professor
POR DENTRO do museu: o Museu da Inconfidência. Publicado por: Museu da Inconfidência. 2021. 1 vídeo (ca. 7 min). Disponível em: www.youtube.com/watch?v=QE249xKZUd0. Acesso em: 26 set. 2025. O vídeo apresenta a história da criação do Museu da Inconfidência.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Café na região Sudeste
No início do século 19 o café passou a ser cultivado na região Sudeste, especialmente no Vale do Paraíba. O município de Vassouras, no Rio de Janeiro, foi o maior produtor de café do mundo nos anos de 1850. Naquela época, o cultivo desse produto ainda dependia de mão de obra escravizada.
Trabalhadores escravizados em fazenda de café no Rio de Janeiro, em 1882.
Ainda hoje, existem comunidades remanescentes de quilombos no Vale do Paraíba, fundadas por escravizados que fugiam das fazendas de café na região. Essas comunidades continuam preservando suas tradições culturais, como o jongo, manifestação de música e dança considerada patrimônio cultural pelo Iphan. Leia, a seguir, as lembranças de vovó Maria Tereza, moradora do Morro da Serrinha, na cidade do Rio de Janeiro. Ela trata das memórias de infância em um quilombo no Vale do Paraíba.
Sou filha de Antonio Munhangambo e de Benta da Silva. Nasci na Fazenda Santa Tereza. O dono era o Visconde Avelar. Isso lá em Paraíba do Sul. Meu pai veio da África. Era escravo. Eu nasci de ventre livre Naquele tempo as coisas eram boas e ruins. Meu pai dançava e cantava o jongo e tocava viola [...]
VALE do Paraíba (Sul). Jongos, calangos e folias: música negra, memória e poesia. Rio de Janeiro: UFF, c2025. Disponível em: http://www.labhoi.uff.br/jongos/vale-do-paraiba-sul. Acesso em: 10 ago. 2025.
Ventre livre: Lei do Ventre Livre, de 1871, estabeleceu que filhos nascidos de mulheres escravizadas a partir daquela data seriam livres.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Busque no relato de vovó Maria Tereza trechos que mostram que seus antepassados foram escravizados em fazendas de café. Anote no caderno. “Nasci na Fazenda Santa Tereza. O dono era o Visconde Avelar. Isso lá em Paraíba do Sul. Meu pai veio da África. Era escravo.”
Sugestão para o professor
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
ENCAMINHAMENTO
03/10/2025 17:08
RIO Memórias. Tia Maria e o Jongo da Serrinha. Rio de Janeiro, c2025. Disponível em: https://riomemorias.com.br/memoria/tia-maria-e-o-jongo-da-serrinha. Acesso em: 26 set. 2025. O artigo trata da importância do jongo para a memória e a cultura dos afro-brasileiros no município do Rio de Janeiro (RJ).
Leia coletivamente o conteúdo da página com os estudantes, fazendo pausas e tirando possíveis dúvidas. Estudantes com TDAH ou dislexia podem ter dificuldade em compreender algumas informações. Para auxiliá-los, leia o texto em partes, fazendo explicações por trechos, para verificar o entendimento deles a respeito do conteúdo. Comente com os estudantes que os testemunhos e narrativas orais são uma importante fonte de estudo para os historiadores, pois permitem analisar pontos de vista de diferentes sujeitos históricos.
ENCAMINHAMENTO
Explique aos estudantes que o café rapidamente se tornou um produto importante na economia mundial e enriqueceu muitos fazendeiros, que ficaram conhecidos como barões do café.
Auxilie-os na leitura dos mapas São Paulo: expansão das ferrovias (1870 a 1910) e Sudeste: expansão do café (1850 a 1950). Peça aos estudantes que leiam as legendas, identificando cada elemento presente nos mapas. Depois, utilizando as direções cardeais, peça a eles que identifiquem cidades que aparecem nos dois mapas. Essa dinâmica será importante para que respondam à atividade 2. 3. Os estudantes podem indicar que alguns períodos de expansão do café coincidem com os períodos de construção das ferrovias, assim como cidades indicadas no mapa como lugares importantes para a expansão do café acabaram sendo cortadas pelas ferrovias (Campinas, Ribeirão Preto, Araraquara).
No final do século 19, o cultivo do café se expandiu para o oeste paulista. Para atender às necessidades do comércio do produto, o transporte realizado pelos tropeiros foi sendo substituído pelas ferrovias. Observe os mapas, que apresentam a expansão das ferrovias em São Paulo e das áreas de cultivo do café no Sudeste.
São Paulo: expansão das ferrovias (1870 a 1910)
Trópico
Existentes em 1870
Construídas entre 1871 e 1880
Construídas entre 1881 e 1890
Construídas entre 1891 e 1900
Construídas entre 1901 e 1910
Fonte: MATOS, Odilon Nogueira. Café e ferrovias: a evolução ferroviária de São Paulo e o desenvolvimento da cultura cafeeira. São Paulo: Edições Arquivo do Estado, 1981.
Fonte: BECKER, B. K.; EGLER, C. A. G. Brasil: uma nova potência regional na economia. São Paulo: Bertrand, 1992. p. 118.
2 Analise o mapa Sudeste: expansão do café (1850 a 1950). Inicialmente concentrado em São Paulo e no Rio de Janeiro, para quais estados o cultivo do café se expandiu entre a segunda metade do século 19 e o início do século 20?
Minas Gerais e Espírito Santo. Veja resposta no Encaminhamento.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
3 Compare os dois mapas desta página e explique como eles mostram que a expansão das ferrovias acompanhou as necessidades do comércio de café
Sugestão para o professor
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Atlas histórico do Brasil: café e estradas de ferro. Rio de Janeiro: CPDOC, c2025. Disponível em: https://atlas.fgv.br/marcos/expansao-economica/mapas/ cafe-e-estradas-de-ferro. Acesso em: 26 set. 2025.
A página apresenta um infográfico que mostra a relação entre a expansão das estradas de ferro nas áreas de cultivo do café e a porcentagem do café nas exportações brasileiras de 1820 a 1880. A página ainda oferece textos, mapas e fotografias relacionados ao cultivo do café no século XIX.
Sudeste: expansão do café (1850 a 1950)
O site do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra) permite o acesso a dados estatísticos por meio do uso de filtros específicos.
Ainda hoje, o café é um importante produto da agricultura brasileira.
4 Observe, nos mapas, como se distribuiu o cultivo do café pelo Brasil e pelo Sudeste em 2023. Depois, faça o que se pede.
Brasil: produção de café (2023)
Sudeste: produção de café (2023)
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção Agrícola Municipal. Rio de Janeiro: IBGE, c2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/5457. Acesso em: 16 jul. 2025.
a) Quais são os estados brasileiros com maior produção de café?
Na atividade proposta em Você detetive , a resposta é pessoal de acordo com o município onde os estudantes vivem. Oriente os estudantes a fazer a pesquisa em fontes confiáveis. Uma possibilidade, caso os estudantes tenham acesso à internet, é acessar a página da prefeitura do município para identificar os produtos agrícolas cultivados. Liste, junto aos estudantes, os produtos levantados que são consumidos por eles. Auxilie-os a organizar a entrevista sugerida, fornecendo a eles o seguinte roteiro com as informações que devem buscar:
• nome do comerciante ou feirante;
• quais produtos vende;
• onde esses produtos são cultivados (no próprio município ou vêm de outro município ou estado?).
b) Quais são as regiões do Sudeste com maior produção de café? Utilize as direções cardeais para indicar.
Os estudantes devem apontar que a produção
de café está concentrada no norte do estado de São Paulo, nas porções sul e leste de Minas Gerais e em todo o estado do Espírito Santo.
5 Pesquisem e registrem no caderno quais outros dois países, além do Brasil, são grandes produtores de café no mundo.
São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, todos eles situados na região Sudeste. Além do Brasil, os maiores produtores de café no mundo são Vietnã e Colômbia.
6 Pesquisem e registrem no caderno quais são os dois países que mais consomem café no mundo
Estados Unidos e Brasil.
VOCÊ DETETIVE
Veja orientações no Encaminhamento.
1. Pesquise quais tipos de produtos agrícolas são cultivados em seu município.
• Você consome algum desses produtos?
2. Em companhia de um adulto, visite uma feira livre ou um pequeno comércio local e realize uma entrevista com o feirante ou o comerciante, tentando descobrir se os produtos vendidos ali são cultivados no município.
Texto de apoio
As duas principais espécies de café cultivadas no Brasil do gênero Coffea são o canephora e arábica. No Sul de Minas, o mais conhecido e cultivado é o arábica. Mas as duas espécies estão presentes na vida dos consumidores de café [...].
[...] “O arábica é mais valorizado pelo mercado e traz uma complexidade um pouco maior se comparada ao canéfora. São bebidas com tendências a ter o lado sensorial voltado para nuances de achocolatados, frutados, herbários e florais. Possui mais açúcares presentes e uma acidez mais interessante” [...].
Já o canéfora é mais utilizado pela indústria para o café solúvel e misturas com o arábica nos chamados blends.
MARINHO, Jonatam. Saiba quais as diferenças entre os cafés conilon e arábica e como são consumidos. G1 Sul de Minas, 19 maio 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/grao-sagrado/ noticia/2022/05/19/saiba-quais-as-diferencas-entre-os-cafes-conilon-e-arabica-e-como-sao-consumidos. ghtml. Acesso em: 26 set. 2025.
Oriente os estudantes a registrar as respostas em seus cadernos. Para finalizar, organize uma roda de conversa para que eles possam compartilhar o resultado de sua pesquisa.
Trópico de Capricórnio
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Explore com os estudantes o fato de que os imigrantes foram morar em lugares onde, muitas vezes, já existiam comunidades remanescentes de quilombos e povos indígenas. Em São Paulo (SP), por exemplo, no antigo bairro do Bixiga (atual Bela Vista), os imigrantes italianos conviveram com uma forte tradição de africanos escravizados e seus descendentes, o que proporcionou uma pluralidade cultural. No bairro, em 2022, foram encontrados vestígios do antigo Quilombo Pequena África, hoje chamado de quilombo urbano Saracura/Vai-Vai, que se tornou um importante sítio arqueológico descoberto por causa das obras de ampliação do metrô paulistano.
Outros imigrantes chegam ao Sudeste
Muitos imigrantes de diferentes países vieram para o Brasil e para a região Sudeste durante o século 19 e início do século 20. A economia cafeeira incentivou a vinda de grande parte desses imigrantes.
Em 1827, imigrantes alemães desembarcaram no Rio de Janeiro e foram trabalhar na construção da Estrada Normal da Estrela, que ligava Magé a Petrópolis, ambas cidades no Rio de Janeiro. Muitos seguiram trabalhando como artesãos em Petrópolis. Em São Paulo, fundaram colônias nos municípios de Itapecerica da Serra, em 1829, e Rio Claro, em 1848.
Esses imigrantes chegaram em 1847 ao Espírito Santo, onde fundaram a colônia Santa Isabel em Domingos Martins. Em sua maioria vinham da Pomerânia, uma região entre as atuais Polônia e Alemanha, e, por isso, são chamados pomeranos. Ao chegarem, construíram a primeira igreja luterana da América do Sul. Nas localidades que se estabeleceram, conviveram com indígenas e, em alguns casos, com comunidades remanescentes de quilombos.
Igreja luterana: igreja cristã fundada por Martinho Lutero.
Imigrantes pomeranos em colônia em Santa Leopoldina (ES), por volta de 1870.
Os primeiros italianos chegaram ao Espírito Santo em 1874. No estado, fundaram a cidade de Santa Tereza em 1875, a primeira fundada por imigrantes italianos no Sudeste. No entanto, São Paulo foi o estado que mais recebeu esses imigrantes, que vieram para trabalhar nas grandes fazendas de café e nas primeiras indústrias.
Até 1920, mais de um milhão de imigrantes italianos se instalaram nos bairros do Bixiga (atual Bela Vista), Mooca, Belenzinho e Brás, onde conviveram com pessoas de outras origens e nacionalidades.
Texto de apoio
O atual sítio arqueológico Saracura/Vai-Vai é uma das descobertas arqueológicas mais relevantes sobre o passado da população negra de São Paulo e sobre a história do povo brasileiro, ao lado dos sítios do quilombo dos Palmares/AL, Cais do Valongo/RJ e quilombo do Ambrósio/MG. Esses sítios são territórios afrodiaspóricos referências do patrimônio cultural e histórico nacional, fundamentais para o fortalecimento e (re)conhecimento desta e das gerações futuras da memória e história de africanos neste país. [...] Não é apenas por meio da historiografia que se obtém informações sobre esse quilombo. Antigos moradores do Bixiga, guardiões de conhecimentos ancestrais sobre as raízes negras do bairro, recordam suas infâncias e a história local.
CARVALHO, Patricia Marinho; BASTOS, Rossano Lopes. Sítio arqueológico do Quilombo Saracura: a insurgência do movimento negro pelo direito à memória na cidade de São Paulo. Revista de Arqueologia, v. 37, n. 2, p. 81-101, 2024. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/1159. Acesso em: 27 set. 2025.
No Rio de Janeiro, a maior parte dos italianos chegou no início do século 20. Em sua maioria, trabalharam nas cidades como alfaiates, sapateiros e carpinteiros. No início do século 19, chegaram muitos imigrantes sírios e libaneses. Nessa época, o Império Otomano controlava os territórios que hoje correspondem à Síria e ao Líbano. Os imigrantes que viviam nesses lugares viajavam com passaportes turcos e, por isso, os brasileiros costumavam chamá-los de uma única forma: os “turcos”.
Entre eles havia muçulmanos, cristãos e judeus. Essa diferença religiosa influenciou as formas como se organizaram socialmente em associações beneficentes, jornais, escolas, clubes esportivos, igrejas e mesquitas que fundaram. Inicialmente trabalhavam como mascates e, depois, abriram seus comércios fixos.
Mascate: comerciante ambulante.
No centro da cidade do Rio de Janeiro, em diversas ruas no entorno da Rua da Alfândega, há uma concentração de estabelecimentos comerciais especialmente de origem síria ou libanesa conhecida atualmente como Saara (Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega).
Edifícios na Saara, área de comércio popular no Rio de Janeiro (RJ), em 2021.
1. e 2. Respostas de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Explique aos estudantes que os italianos deixaram muitos vestígios e legados no Sudeste. Dentre eles, podemos citar a Casa Lambert, em Santa Tereza, Espírito Santo. Ela foi construída em 1875 por esses imigrantes e é patrimônio estadual desde 1985. Atualmente, abriga uma Casa da Memória, com importantes objetos ligados à história da imigração italiana no estado. 1. a) Resposta pessoal, de acordo com o estado ou o município onde os estudantes vivem. Auxilie as duplas a identificar possíveis legados dos alemães, italianos, sírios ou libaneses no município ou no estado onde vivem. Se necessário, oriente-as a realizar uma pesquisa em fontes confiáveis ou conversar com adultos de seu convívio.
1 Vocês percebem a influência dos imigrantes alemães, italianos, sírios ou libaneses no lugar onde vivem?
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
a) Conversem sobre uma festa típica, uma dança, uma comida ou uma construção de seu município ou estado originária das culturas alemã, italiana, síria ou libanesa.
b) Escreva um parágrafo no caderno sobre ela. Compartilhe sua escrita com o colega.
2 Existem marcos de memória (ruas, praças, escolas, monumentos etc.) relacionados aos imigrantes no lugar onde você vive? Se sim, quais?
b) No caso de estudantes com restrição de mobilidade nos membros superiores, sugira que registrem as conversas com os adultos em áudios que podem ser compartilhados com o colega. Esclareça aos estudantes que eles devem pedir permissão ao adulto para gravar a conversa.
2. Converse com os estudantes sobre a existência desses espaços no município ou no estado onde vivem. Caso considere mais adequado, faça uma pesquisa prévia desses lugares e leve imagens e informações sobre eles para os estudantes analisarem. Sugestão para o professor
04/10/2025 17:42
RIBEIRO, Paula. Multiplicidade étnica no Rio de Janeiro: um estudo sobre o ‘Saara’. Revista Acervo, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 199-212, jul./dez. 1997. Disponível em: https://revista.an.gov. br/index.php/revistaacervo/article/view/263/263. Acesso em: 27 set. 2025.
O artigo apresenta a história do Saara, explorando como a área comercial passou a contar com muitos comerciantes de origem coreana e chinesa a partir da década de 1960.
ENCAMINHAMENTO
Explore os legados da imigração japonesa e chinesa com os estudantes. Pesquise imagens de comemorações, festas e monumentos. Alguns exemplos são as comemorações do ano novo chinês em algum estado sudestino e de festivais relacionados à cultura japonesa, como a Festa das Cerejeiras. Organize uma exposição dessas imagens e promova uma chuva de ideias com os estudantes, fazendo as seguintes perguntas à turma:
• o que vocês sabem sobre esses povos?
• quais elementos nas imagens mais chamaram a atenção e por quê?
• de que modo essas imagens representam legados desses povos?
• há descendentes desses povos na escola ou na comunidade?
• como esses grupos contribuíram para as atividades econômicas e culturais da região Sudeste? Promova uma conversa com toda a turma e peça a eles que registrem as conclusões em um parágrafo no caderno.
Em 1908, os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram no porto de Santos, em São Paulo. No entanto, a maioria deles chegou ao Brasil após 1930, instalando-se principalmente nos estados do Paraná e de São Paulo, onde foram trabalhar na construção de novas ferrovias.
Os japoneses que já viviam no Brasil criaram escolas e associações para reforçar e praticar suas tradições culturais e, também, para amparar aqueles que foram chegando depois.
Os imigrantes chineses, por sua vez, chegaram ao Brasil ainda na época de dom João. Cerca de 400 chineses vieram com o objetivo de introduzir o cultivo de chá para exportação. As primeiras tentativas dessa produção ocorreram no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O plantio do chá, no entanto, não foi bem-sucedido, e novos grupos de imigrantes chineses só viriam ao Brasil após 1892. Imigrantes japoneses na Colônia de Bastos, em Bastos (SP), na década de 1930.
3. Respostas pessoais. Os estudantes devem conversar entre si sobre algum legado (como arquitetura, festas e culinária) que conheçam de um dos povos citados na página.
Plantação chinesa de chá: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, de Johan Moritz Rugendas. 1835. Gravura. 19,5 cm × 24,5 cm.
3 Vocês conhecem ou já tinham ouvido falar de algum legado dos japoneses e chineses? Se sim, expliquem para os colegas. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Sugestão para os estudantes
MUSEU da Imigração Japonesa. São Paulo, c2025. Disponível em: https://bunkyo.org.br/br/ museu-historico. Acesso em: 27 set. 2025. No site, é possível fazer uma visita virtual, além de acessar vídeos do museu e fotografias da imigração japonesa e do acervo.
Migrações de outras regiões para o Sudeste
Entre 1877 e 1879 ocorreu em algumas áreas do Nordeste, incluindo o Ceará, uma das piores secas da história. Suas consequências duraram décadas, agravando as desigualdades já existentes. As secas são comuns em áreas de clima semiárido, caracterizam-se por longos períodos sem chuva e sua intensidade e consequências podem ser agravadas pela ação humana, como o desmatamento. Naquela época, fugindo da seca, muitas pessoas se mudaram para o atual estado de São Paulo.
Em 1878, as primeiras famílias de cearenses que chegaram a São Paulo foram levadas para trabalhar em fazendas de café em Guaratinguetá, Limeira, Rio Claro, Amparo e Casa Branca. Nessas fazendas, recebiam moradia e comida em troca de trabalho. Nos anos seguintes, o deslocamento de nordestinos para o Sudeste, por causa da seca, continuou.
Semiárido: tipo de clima que, no Brasil, ocorre principalmente no Sertão nordestino e em algumas áreas do norte de Minas Gerais. Apresenta temperaturas elevadas e chuvas mal distribuídas.
Também houve grande migração de pessoas de outros estados para o Sudeste ao longo do século 20, principalmente para os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. O fluxo aumentou após a Segunda Guerra Mundial (19391945), devido à industrialização. Essas pessoas buscavam oportunidades de trabalho e foram importantes para o crescimento das cidades sudestinas, além de contribuir com suas culturas.
1 Pesquise como a migração de pessoas de outras regiões contribuiu para a diversidade cultural do Sudeste. Registre no caderno as informações encontradas.
Sugestão para o professor
BNCC
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
03/10/2025 17:08
MAGALHÃES, Valéria Barbosa de. História oral e migrações do Nordeste para o Sudeste: um estudo sobre a produção brasileira. História Oral, v. 26, n. 1, p. 77-107, jan./abr. 2023. Disponível em: https://revista.historiaoral.org.br/index.php/rho/article/view/1302/106106106352. Acesso em: 27 set. 2025.
O artigo traz um levantamento bibliográfico da produção acadêmica sobre a migração do Nordeste para o Sudeste, explorando elementos como a construção do imaginário acerca do migrante nordestino.
1. Auxilie os estudantes a identificar legados dos migrantes na região Sudeste. Verifique quais grupos de migrantes são mais presentes no município onde vivem e auxilie-os a identificar legados como culinária, festas e celebrações. No caso dos nordestinos, por exemplo, eles podem identificar a contribuição para a diversidade cultural por meio da culinária e da existência de espaços como o Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo (SP), e a Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ).
Imigrantes baianos em São Paulo (SP), em 1936.
NÃO ESCREVA NO LIVRO. Veja orientações no Encaminhamento.
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Leia coletivamente o conteúdo da página com os estudantes, tirando possíveis dúvidas. Pesquise previamente e apresente a eles imagens das celebrações citadas no texto, como o Carnaval do Congo de Máscaras de Roda d’Água de Cariacica (ES), a festa cigana de Pouso Alegre (MG) e as comemorações do Natal em Penedo (RJ). Separe a turma em grupos e peça aos estudantes que conversem sobre as imagens que foram apresentadas por você e a imagem da Festa de Nossa Senhora Achiropita, em São Paulo (SP), presente na página. Para o caso de estudantes com deficiência visual, peça aos colegas que os auxiliem
Diversidade cultural do Sudeste
A imigração contribuiu para a diversidade cultural do Brasil e do Sudeste. Podemos perceber a influência dos imigrantes nas músicas, danças, expressões religiosas, culinária e festas.
Como exemplo, podemos citar o Carnaval do Congo de Máscaras de Roda d’Água, uma festa afro-brasileira celebrada durante as comemorações católicas de Nossa Senhora da Penha, em Cariacica, no Espírito Santo. A Festa de Nossa Senhora Achiropita, na cidade de São Paulo, em São Paulo, celebra a cultura italiana. Em Pouso Alegre, em Minas Gerais, a festa cigana ocorre anualmente no mês de maio com danças e músicas típicas. As comemorações do Natal em Penedo, no Rio de Janeiro, são marcadas por forte influência dos imigrantes finlandeses.
DESCUBRA MAIS
MUSEU DA IMIGRAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO. São Paulo, c2025 Disponível em: https://museudaimigracao.org.br/. Acesso em: 12 ago. 2025.
O Museu da Imigração funciona no prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes, que recebeu muitos migrantes estrangeiros e de outras regiões que vieram para o Sudeste entre o século 19 e o início do século 20. No site do museu é possível visualizar informações sobre exposições e eventos, além de acessar algumas fontes, como fotos e documentos relacionados à imigração.
realizando uma audiodescrição das imagens. Promova uma conversa com todos os estudantes, incentivando-os a compartilhar o que conversaram sobre as imagens. Explique a eles que as celebrações são exemplos da diversidade cultural da região Sudeste.
Festa de Nossa Senhora Achiropita em São Paulo (SP), em 2025.
Na culinária, alguns exemplos de pratos com influência africana são acarajé, feijoada, vatapá, bobó de camarão, caruru e outros mais. De origem indígena, destacam-se o uso do milho e da mandioca e pratos como tucupi, tacacá, beiju, tapioca, além de algumas formas de cozinhar e preparar peixes.
O brote pomerano, por exemplo, é um pão feito com fubá por descendentes de pomeranos no Espírito Santo. Já o espaguete e a pizza foram trazidos pelos italianos, o bolo cuca é de origem alemã, a esfirra e o quibe são produtos árabes e o rolinho primavera é chinês.
Na culinária caipira, marcada pelas trocas culturais entre bandeirantes e indígenas, destaca-se o uso de produtos como milho, feijão, mandioca e carnes de porco e frango.
Brote pomerano assado em forno a lenha.
1 Quais alimentos apresentados no texto você conhece?
Resposta pessoal.
2 Qual é o prato típico do lugar onde você vive? Pesquise a origem e a história desse prato e, no caderno, escreva a receita dele
Respostas pessoais de acordo com o lugar de vivência dos estudantes.
3 Quais são as festas típicas do lugar onde você vive? Pesquise a origem e a história delas e registre no caderno as informações encontradas.
Respostas pessoais de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Os processos migratórios e as culturas originárias resultaram em uma grande diversidade cultural no Sudeste. A culinária é uma expressão dessa diversidade. Organize os estudantes em grupos e peça a eles que pesquisem os ingredientes e a história do prato típico do estado onde vivem, como sugerido a seguir:
• Espírito Santo: torta capixaba.
• Minas Gerais: feijão-tropeiro.
• Rio de Janeiro: feijoada carioca.
• São Paulo: virado à paulista. Depois, solicite aos grupos que organizem os resultados da pesquisa em um cartaz. Monte uma exposição em sala de aula com todos os cartazes e permita aos estudantes que visualizem os trabalhos de toda a turma. Para finalizar, promova uma roda de conversa com a turma sobre a atividade que realizaram.
Organize-se
• Cartolinas
• Lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
Leia o texto com os estudantes e questione-os se eles conhecem ou já provaram os alimentos citados. Pergunte a eles em quais contextos provaram os pratos (se são parte do cotidiano ou em alguma celebração ou festa).
Auxilie os estudantes a responder às perguntas propostas, questionando-os sobre os pratos e as festas típicos do município ou do estado onde vivem. Caso considere mais adequado, selecione previamente alguns exemplos de pratos e festas típicos e promova uma roda de conversa com toda a turma, perguntando-lhes se conhecem, já provaram os pratos ou participaram de alguma das festas.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Comida caipira: feijão tropeiro.
ENCAMINHAMENTO
Oriente os estudantes a revisar os conteúdos estudados antes de responder às questões propostas. A revisão dos conteúdos consolida o aprendizado e auxilia os estudantes a identificar suas dificuldades, contribuindo para a recomposição de aprendizagens.
PARA REVER O QUE APRENDI
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
1 Com base no mapa e em seus conhecimentos, responda às questões.
Brasil: rotas das expedições dos bandeirantes (séculos 17-18)
Equador Tratado de Tordesilhas
OCEANO PACÍFICO
Trópico de Capricórnio
Rota de expedição Divisa estadual atual Fronteira internacional atual
OCEANO ATLÂNTICO
1.b) Buscavam novas terras no interior, capturavam indígenas para serem escravizados, buscavam escravizados africanos que haviam fugido e procuravam ouro, metais e pedras preciosas.
0 540
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al Atlas histórico escolar 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 24.
a) De acordo com o mapa, identifique quais regiões atuais do Brasil os bandeirantes alcançaram com suas expedições.
Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
b) Explique o que os bandeirantes buscavam em suas expedições.
c) Cite duas consequências das bandeiras.
Fundação de vilas e cidades e cultura caipira.
2 Leia as manchetes e responda à questão.
Artefatos e sedimentos revelam como primeiros habitantes do Sudeste brasileiro se adaptaram à paisagem
ALMEIDA, Camilla. BORIN, Carolina. Artefatos e sedimentos revelam como primeiros habitantes do Sudeste brasileiro se adaptaram à paisagem. Jornal da USP, 17 out. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/artefatos-e-sedimentos-revelam-como-primeiros-habitantes-do -sudeste-brasileiro-se-adaptaram-a-paisagem/. Acesso em: 29 ago. 2025.
Sugestão para o professor
MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
O livro traz considerações sobre o processo de ensino com base nas dimensões humana, técnica, cognitiva, emocional, sociopolítica e cultural.
03/10/2025 17:08
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ
Primeiras pinturas rupestres do Rio de Janeiro são encontradas em parque
GAMA, Guilherme. Primeiras pinturas rupestres do Rio de Janeiro são encontradas em parque. CNN, 3 abr. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/primeiras-pinturas-rupestres-do-rio-de -janeiro-sao-encontradas-em-parque/. Acesso em: 29 ago. 2025.
• Explique o que é um sítio arqueológico e qual é sua importância.
3 A Capela de Nossa Senhora dos Aflitos foi construída em 1774 próxima a um cemitério de escravizados. Hoje, esse cemitério é o sítio arqueológico Cemitério dos Aflitos. A capela e o sítio encontram-se no bairro da Liberdade, importante para a história dos imigrantes japoneses, chineses e coreanos e, também, de afro-brasileiros na cidade de São Paulo. Analise a imagem e depois faça o que se pede.
2. Sítios arqueológicos são locais
onde podem ser encontrados vestígios do passado como cerâmicas, ossos,
pinturas rupestres etc. São importantes porque fornecem informações sobre os modos de vida de grupos humanos que viveram em determinado local no passado.
Capela de Nossa Senhora dos Aflitos em São Paulo (SP), em 2018.
• Explique a importância da preservação da Capela de Nossa Senhora dos Aflitos e do sítio arqueológico Cemitério dos Aflitos para a memória dos diferentes povos que fazem parte da história de São Paulo Veja resposta no Encaminhamento.
Escolha uma das opções da legenda para responder às questões.
Ainda não, mas chego lá.
a) Eu me dediquei a todas as atividades pedidas pelo professor?
b) Realizei a leitura do texto e a interpretação das imagens e dos mapas?
c) Compreendi a importância dos diferentes povos que formaram a região Sudeste e posso aplicar esse tema no meu dia a dia?
Sugestão para o professor
FARIAS, Julia; GRASSO, Mariana. Luminárias da Liberdade são retiradas a pedido de movimento negro; entenda. CNN, São Paulo, 22 nov. 2024. Disponível em: www.cnnbrasil.com.br/ nacional/luminarias-da-liberdade-sao-retiradas-a-pedido-de-movimento-negro-entenda. Acesso em: 27 set. 2025.
O texto fala sobre a retirada das luminárias japonesas na Rua dos Aflitos e a relação que esse ato tem com a valorização da memória das pessoas negras no bairro da Liberdade.
3. Espera-se que os estudantes respondam que a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos e o sítio arqueológico Cemitério dos Aflitos têm importância para a memória e a história da comunidade de descendentes afro-brasileiros e o bairro da Liberdade tem importância para a memória e a história dos japoneses, chineses e coreanos. Preservar a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos e o sítio arqueológico Cemitério dos Aflitos é valorizar a diversidade étnico-racial que compõe a história de São Paulo, do Sudeste e do Brasil. Ao organizar a realização da autoavaliação , verifique se a turma compreendeu o o que deve ser feito. Propicie um momento para que relembrem o percurso de aprendizagem no período. Proponha uma conversa coletiva a respeito do que responderam para cada item, pedindo que tragam exemplos práticos de execução das atividades, leitura de imagens e aferição do conhecimento construído a respeito da formação do Sudeste. Desse modo, a rememoração é uma oportunidade para a recomposição de aprendizagens, conforme a necessidade apresentada pelos estudantes.
Sim. Apenas uma parte.
INTRODUÇÃO À UNIDADE
A Unidade 3 explora as relações entre os diferentes espaços na região Sudeste.
O Capítulo 1 dedica-se a diferenciar os espaços rural e urbano e evidenciar as relações entre eles, detalhando as diversas atividades econômicas que neles se desenvolvem, como agropecuária, extrativismo, indústria, comércio, serviços, artesanato e turismo. O capítulo aborda, ainda, os impactos ambientais decorrentes dessas atividades e as ações de conservação e reflorestamento.
O Capítulo 2 trata do processo de urbanização da região Sudeste, analisando suas causas, consequências e as profundas transformações na paisagem decorrentes desse processo, bem como as conexões entre as cidades.
Ao longo desta unidade, serão debatidos conceitos como metrópole e hierarquia urbana, redes de transporte e comunicação, desigualdades sociais e produção agropecuária. A unidade também discute a administração dos municípios, a representatividade feminina na política e o papel histórico das cidades em movimentos sociais e políticos, além de apresentar as diferentes formas de geração de energia na região e a origem de suas capitais.
Espera-se que os estudantes identifiquem que o café é o elemento comum.
1. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes.
2. Incentive os estudantes a descrever os elementos da paisagem do lugar de vivência e a associá-los a paisagens rurais ou urbanas.
3. A fotografia da página 78 retrata uma paisagem rural e a da página 79, uma paisagem urbana.
UNIDADE
O URBANO E O RURAL NO SUDESTE
1 Você vive em uma área urbana ou em uma área rural?
2 Quais características do lugar onde você vive comprovam sua resposta? Cite duas.
3 Qual fotografia retrata uma paisagem urbana e qual retrata uma paisagem rural?
Objetivos da unidade
• Reconhecer as características dos espaços urbano e rural na região Sudeste e a interligação entre esses espaços.
• Identificar as principais atividades econômicas desenvolvidas no campo e na cidade no Sudeste, como agropecuária, extrativismo, indústria, comércio, serviços, artesanato e turismo.
• Analisar os impactos ambientais decorrentes das diversas atividades econômicas desenvolvidas na região Sudeste.
• Compreender o processo de urbanização do Sudeste e seus impactos.
• Explicar os conceitos de metrópole e hierarquia urbana, reconhecendo os principais centros de influência na rede urbana da região Sudeste.
• Discutir os desafios sociais e de infraestrutura nas áreas urbanas e a relevância das políticas públicas para a qualidade de vida.
Colheita mecanizada de café em cafezal em Guapé (MG), em 2023.
BNCC da computação: EF03CO03, EF03CO04, EF04CO08, EF05CO08.
TCTs : Cidadania e civismo: vida familiar e social; Ciência e Tecnologia: ciência e tecnologia; Meio ambiente: educação ambiental.
ENCAMINHAMENTO
03/10/2025 17:16
• Reconhecer a importância da rede de transportes e dos meios de comunicação para a conectividade e os fluxos de pessoas, mercadorias e informações na região Sudeste.
• Descrever a organização político-administrativa dos estados e municípios do Sudeste e a função das cidades como centros de administração pública.
Sugerimos que faça com a turma uma leitura detalhada das duas fotografias que abrem esta unidade, explorando os elementos presentes nelas. Observe atentamente as contribuições dos estudantes durante a análise das imagens, além de suas respostas às atividades propostas nesta abertura de unidade, para identificar os conhecimentos prévios dos estudantes a respeito do espaço rural, do espaço urbano, das interdependências entre eles e das atividades econômicas desenvolvidas em cada um desses espaços.
Museu do Café no centro histórico de Santos (SP), em 2023.
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
ENCAMINHAMENTO
Inicie o trabalho desta página pedindo aos estudantes que comentem quais elementos podem identificar os espaços como urbanos ou rurais, para fixar as diferenciações.
Depois, comente que, com o passar dos anos, o aumento da população, as transformações tecnológicas e as ofertas de trabalho, ocorreram grandes ampliações das áreas urbanas na região Sudeste. Quando uma cidade cresce e se transforma, atraindo a população do campo e apresentando diminuição das áreas rurais, ocorre a chamada urbanização. Na região Sudeste, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte passaram por uma intensa urbanização a partir da década de 1960. É possível observar esse processo por meio de imagens de satélite, verificando a expansão da mancha urbana e a diminuição das áreas rurais em diversos momentos ao longo do tempo.
COMO SÃO AS CIDADES E OS CAMPOS
1. a) Os estudantes devem interpretar as informações do mapa e perceber que há predomínio de áreas urbanas.
Você conhece bem o município onde você vive? Os municípios são a menor divisão administrativa do país e, em geral, apresentam espaços urbanos e espaços rurais.
No espaço urbano ou cidade, há maior quantidade de construções e pessoas. É na cidade que estão concentradas atividades econômicas como comércio, serviços, indústria, além da gestão do município.
No espaço rural ou campo, há menor quantidade de construções e pessoas e maior presença de elementos naturais, como a vegetação nativa. No campo, são desenvolvidas principalmente atividades econômicas como a agropecuária e o extrativismo.
Esses espaços estão interligados por fluxos de pessoas, mercadorias e até mesmo ideias.
1 Observe o mapa São Paulo (SP): áreas rural e urbana (2014)
a) Qual tipo de área é predominante no município de São Paulo: urbana ou rural?
b) Utilize as direções cardeais para indicar a localização das principais áreas rurais do município de São Paulo.
Os estudantes devem indicar que as principais áreas rurais de São Paulo estão localizadas no extremo sul e no extremo norte do município.
Fonte: PREFEITURA DE SÃO PAULO. Secretaria municipal de desenvolvimento urbano. Plano Diretor Estratégico Paulo: SMDU, c2025. Disponível em: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/ arquivos/PDE_lei_final_aprovada/MAPAS/ MAPAS%20ASSINADOS/Mapa01A_Zona_ Urbana_Rural.pdf. Acesso em: 19 ago. 2025.
Atividade complementar
Em uma folha de sulfite avulsa, peça aos estudantes eles que ilustrem seu lugar de vivência: a casa e o entorno do lugar onde residem. Em seguida, organize toda a turma em uma roda de conversa e peça a cada um que apresente seu registro aos colegas. Durante essa etapa, auxilie-os a identificar elementos em comum entre o que retrataram, como a presença de vegetação, ruas asfaltadas ou de terra, construções urbanas, entre outros. Pergunte, então, aos estudantes: o espaço representado por vocês nesses desenhos é um espaço urbano ou rural? Incentive a participação de todos.
Para finalizar, exponha os registros produzidos pela turma em um mural, de modo que possam ser apreciados por outras turmas.
São Paulo (SP): áreas rural e urbana (2014)
46º40’ O
Trópico de Capricórnio
Hidrografia Limite municipal
Área rural Área urbana 0 7
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
2. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes identifiquem atividades de trabalho comuns no lugar onde vivem. Por exemplo, no caso de um município turístico, eles podem identificar
Trabalho no campo e na cidade
atendentes, guias turísticos, vendedores, entre outros.
Você já reparou nos diversos tipos de trabalho e profissões existentes? Já notou as diferenças entre os tipos de trabalho desenvolvidos nas áreas urbanas e rurais? As formas de trabalho são muito diversificadas e podem envolver alta tecnologia ou tecnologias e conhecimentos mais tradicionais.
Você já viu que algumas atividades estão concentradas nas cidades e outras estão concentradas no campo. Apesar disso, as cidades podem apresentar atividades típicas do campo, assim como o campo apresenta atividades típicas das cidades. São exemplos a agricultura realizada em espaços urbanos e a indústria localizada na área rural, também chamada agroindústria . Observe as imagens.
Trabalhador em horta comunitária no bairro de São Mateus, área urbana de São Paulo (SP), em 2021.
Usina produtora de açúcar e etanol na área rural de Frutal (MG) em 2025.
Agroindústrias são fábricas que processam matérias-primas produzidas no espaço rural, como cana-de-açúcar, leite ou frutas. Elas costumam ficar próximas às plantações como estratégia para diminuir os custos com o transporte da matéria-prima até a fábrica.
1 Cite exemplos de atividades de trabalho que são comuns no campo, mas também são encontradas nas cidades.
Os estudantes podem citar a agricultura urbana ou a criação de animais, como galinhas e cavalos.
2 Quais atividades de trabalho você identifica no lugar onde vive?
3 Escolha uma dessas atividades e descreva suas características: ela está ligada ao urbano ou ao rural? Utiliza alta tecnologia ou é tradicional? Exige formação específica do trabalhador? Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
ENCAMINHAMENTO
Texto de apoio O uso de tecnologias da informação (TI) está transformando a agropecuária. O processo de decisão do produtor rural, historicamente baseado na tradição, experiência e intuição, passou a ser apoiado por informações precisas e em tempo real. Nos últimos anos, sensores terrestres, drones, sistemas de rastreamento via satélite e outros dispositivos foram introduzidos no ambiente rural para coletar dados referentes às variáveis que influenciam a produtividade, como características do solo, variação climática e incidência de pragas. Tratores e máquinas agrícolas são equipados com sistemas que permitem seu monitoramento e operação remotos, beneficiando o manejo da lavoura. Softwares auxiliam a gestão dos dados. Agora, a interconexão desses recursos gera novos impulsos ao agronegócio.
“O Brasil tem se posicionado como um grande protagonista no emprego de tecnologias da informação voltadas ao campo”, afirma Silvia Massruhá, chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Informática Agropecuária, uma das instituições pioneiras na criação de soluções digitais. Ela destaca que o uso de ferramentas de TI é crescente principalmente entre produtores de commodities, como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, frutas cítricas, café e carnes. [...]
03/10/2025 17:16
3. Após a realização dessa proposta, você poderá organizar uma conversa entre a turma, com a sua mediação, sobre a necessidade de formação profissional específica para determinadas atividades, relacionando ao uso ou não de tecnologias. Organize as respostas dos estudantes em um quadro com as seguintes colunas: atividade urbana ou rural / uso de alta tecnologia ou tecnologia tradicional / exige formação específica ou não.
ZAPAROLLI, Domingos. Agricultura 4.0. Pesquisa Fapesp, São Paulo, edição 287, jan. 2020. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/ agricultura-4-0/. Acesso em: 25 set. 2025.
BNCC
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
ENCAMINHAMENTO
Você poderá aprofundar as explicações sobre as diferenças entre a agricultura familiar e o agronegócio comentando sobre o tipo de mão de obra, o tamanho da propriedade e os propósitos da produção.
Explique aos estudantes que a agricultura familiar está relacionada à preservação de comunidades tradicionais e a saberes ancestrais, bem como ao processo de imigração e à formação de colônias, em contextualização histórica. Por fim, esclareça que a agricultura familiar pode ser mecanizada e que há, atualmente, implementos agrícolas voltados à agricultura familiar.
Texto de apoio
O último recenseamento agropecuário, realizado em 2017 pelo IBGE, evidencia a importância das unidades familiares de produção em termos não apenas de participação na produção de alimentos, mas também na abertura de postos de trabalho. Só para se ter uma ideia, 77% de todos os estabelecimentos no Brasil se enquadram nessa categoria, empregando mais de dez milhões de pessoas. Isso corresponde a 67% de todo o pessoal ocupado no campo.
[...]
Portanto, ao construirmos ações que favorecem a melhoria da qualidade de vida e das condições produtivas da agricultura familiar, contribuímos para a o fortalecimento da produção e oferta de alimentos, a geração de emprego e renda no campo e
Atividades econômicas no campo
Como você estudou, entre as atividades desenvolvidas no campo destacam-se as ligadas à agricultura, à pecuária e ao extrativismo. No estado de São Paulo, há maior área ocupada por lavouras, enquanto no Espírito Santo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro as pastagens para criação de animais ocupam a maior área. Essas atividades podem utilizar novas tecnologias agrícolas ou ser realizadas de maneira tradicional. Também podem ocorrer em grandes ou em pequenas propriedades, como é o caso da agricultura familiar.
Agricultura familiar é a produção no campo realizada em pequenas propriedades por produtores que utilizam mão de obra familiar e vivem dos rendimentos da própria produção.
As grandes propriedades rurais não são as únicas responsáveis pela produção de alimentos no espaço rural. As pequenas propriedades também têm papel fundamental na produção de alimentos. Mandioca, abacaxi, alface e leite, por exemplo, têm a maior parte de sua produção gerada pela agricultura familiar. Destaca-se, ainda, a prática de trocas de excedentes na agricultura praticada por quilombolas.
De acordo com o Censo Agropecuário 2017, realizado pelo IBGE, mais de 1 300 estabelecimentos agropecuários do Sudeste estavam localizados em Terras Indígenas naquele ano, onde são produzidos principalmente mandioca e milho em grão.
1. Espera-se que os estudantes identifiquem que muitos vegetais
que eles consomem são produzidos na área rural, em sítios ou fazendas.
1 Onde são produzidos os legumes, as frutas e as hortaliças que você consome? Com a ajuda de adultos, pesquise em feiras e mercados. Depois, anote no caderno o que descobriu.
Plantação de repolhos em propriedade de agricultura familiar em Teresópolis (RJ), em 2023.
para uma melhor gestão dos recursos ambientais do Brasil. Nesses quase vinte anos, ocorreram conquistas em termos de inserção em mercados, acesso a insumos, crédito e financiamento, pesquisa, assistência técnica e organização social. Entretanto, a agricultura familiar ainda enfrenta desafios como o envelhecimento da população rural, dificuldades de acesso à terra, violência no campo, condições de trabalho inadequadas, problemas ambientais e de saúde pública.
LOURENCO, Andréia Vigolo; GRISA, Catia. Agricultura familiar no Brasil: importância e perspectivas futuras para seu fortalecimento. Agência Bori, Artigo de opinião, 2 maio 2024. Disponível em: https://abori.com.br/ artigos/agricultura-familiar-no-brasil-importancia-e-perspectivas-futuras-para-seu-fortalecimento/. Acesso em: 25 set. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Agricultura
Na agricultura sudestina, há grande emprego de máquinas, como tratores e colheitadeiras, além do uso de adubos químicos e pesticidas. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, os estados de São Paulo e Minas Gerais são os maiores produtores de laranja do Brasil, Minas Gerais e Espírito Santo são os maiores produtores de café e São Paulo é o maior produtor de cana-de-açúcar. As produções de soja e milho também se destacam na região, principalmente em São Paulo e Minas Gerais.
Sudeste: produção de soja, milho e laranja (2023) 50°
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção Agrícola Municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/5457. Acesso em: 16 jul. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Observe novamente o mapa e utilize as direções cardeais para indicar a localização das principais áreas de produção de soja, milho e laranja na região Sudeste.
DESCUBRA MAIS
Os estudantes devem indicar que há grande produção de soja no sul do estado de São Paulo e no leste de Minas Gerais. Há grande produção de milho no sul e no oeste do estado de São Paulo e no sul e no leste de Minas Gerais. Por fim, os cultivos de laranja estão localizados sobretudo no estado de São Paulo, em áreas ao sul, no centro e ao norte do estado.
SANTOS, Luiza et al. A mágica das sementes. Rio de Janeiro: Poliniza, 2022. Marian é guardiã de sementes mágicas, preservadas pelos seus ancestrais. Essas sementes contam o passado e garantem o futuro do planeta.
Sugestão para os estudantes
BNCC
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Para aprofundar os conhecimentos dos estudantes sobre a agricultura na região Sudeste, você pode comentar sobre as fazendas verticais, uma técnica de plantio em local fechado, sem solo ou substratos, com iluminação artificial (em geral com painéis de LED). Dessa forma, o cultivo é protegido de condições meteorológicas adversas (chuva intensa, queimada, geada, seca), mantido em temperatura e umidade controladas. O plantio é feito em camadas verticais (daí o nome “fazenda vertical”). Nesse modelo, a produção pode ser realizada até mesmo nas áreas urbanas de grandes metrópoles.
03/10/2025 17:16
SANTOS, Luiza et al. A mágica das sementes. Rio de Janeiro: Poliniza, 2022. (Coleção poliniza buzz). E-book. Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/2022-11/a-magica -das-sementes.pdf. Acesso em: 25 set. 2025.
É possível indicar para a turma a leitura deste livro para trabalhar a importância do cultivo, do semear, para a sustentabilidade do planeta.
Sugestão para o professor CENSO Agro 2017. IBGE, c2025. Disponível em: https://censoagro2017.ibge.gov.br. Acesso em: 25 set. 2025.
Os resultados definitivos do mais recente Censo Agropecuário podem servir de subsídio para aprofundar sua aula.
BNCC
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
ENCAMINHAMENTO
1. Resposta pessoal, de acordo com o município onde os estudantes vivem. É possível fazer uma pesquisa na internet e acessar a página da prefeitura para identificar quais rebanhos existem no município.
2. Espera-se que, ao analisar o mapa, os estudantes percebam que o rebanho bovino está presente em todos os estados da região, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. Em São Paulo, há maior concentração no oeste e no norte do estado. Em Minas Gerais, há forte presença em todo o estado. O rebanho suíno tem forte presença em Minas Gerais, principalmente nas porções leste e oeste do estado. Já o rebanho galináceo tem grande presença em todo o estado de São Paulo, com exceção do litoral. Em Minas Gerais, o rebanho se concentra no leste e no sul do estado. Já no Espírito Santo há maior presença em sua porção central.
Pecuária
A pecuária também é uma atividade de destaque na região Sudeste. Minas Gerais é o estado com maior produção de leite do Brasil, matéria-prima que abastece a grande quantidade de indústrias de laticínios na região. O estado de São Paulo, por sua vez, é o maior produtor de ovos do país.
Outro estado sudestino com importante rebanho de galináceos é o Espírito Santo. Uma das maiores produções nacionais de ovos de codorna é capixaba.
Galináceos: grupo de aves, que inclui galinhas, frangos, codornas, perus, perdizes, faisões, entre outros.
No Rio de Janeiro, os rebanhos de pecuária mais expressivos são os de bovinos e os de galináceos. Essas produções atendem tanto ao mercado de carnes quanto à produção de leite e ovos.
Observe as produções pecuárias sudestinas no mapa.
Sudeste: rebanho bovino, suíno e galináceo (2023)
(em cabeças)
Rebanho bovino (em cabeças) (em cabeças)
Rebanho suíno Capital estadual Divisa estadual
Rebanho galináceo
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
(em cabeças) Rebanho suíno
Rebanho galináceo 667 568 a 1
Rebanho bovino (em cabeças) (em cabeças)
794 166 991 a 572
Capital estadual Divisa estadual
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa da Pecuária Municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/3939. Acesso em: 16 jul. 2025.
1 Com a ajuda do professor, pesquise quais tipos de atividade pecuária são desenvolvidas no município onde você vive. Anote-as no caderno.
2 Analise o mapa Sudeste: rebanho bovino, suíno e galináceo (2023) Utilizando as direções cardeais, escreva no caderno como estão distribuídos os rebanhos bovino, suíno e galináceo.
Sugestão para o professor
TRAJETÓRIA do Agro. Visão do futuro do agro brasileiro. Embrapa , c2025. Disponível em: https://www.embrapa.br/visao-de-futuro/trajetoria-do-agro/. Acesso em: 26 set. 2025. Esta página da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresenta um histórico do agro brasileiro, a evolução da produção e a contribuição para o abastecimento interno e para as exportações.
PRODUÇÃO agropecuária. IBGE, c2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/pro ducao-agropecuaria/br. Acesso em: 26 set. 2025. Na página “Produção agropecuária”, do IBGE, é possível acessar dados sobre o ranking dos rebanhos de cada estado brasileiro.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Agroindústria
Como você estudou, não é apenas no espaço urbano que as indústrias se instalam. Em muitos municípios da região Sudeste existem as agroindústrias.
Aquilo que se produz no espaço rural tem um peso muito importante para a economia da região Sudeste e do país. Boa parte do que se produz no espaço rural sudestino é, inclusive, vendido para outros países.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o estado de São Paulo é o maior exportador mundial de suco de laranja. É também o trabalho no campo e nas agroindústrias que garante que os alimentos cheguem às cidades. A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que a região Sudeste produziu mais da metade de toda a produção de frutas do Brasil em 2022.
Para que essa integração aconteça, a rede de transportes é fundamental. Além de conectar as cidades umas às outras, interliga espaços urbanos a espaços rurais. Assim, o que é colhido numa fazenda pode ser processado numa agroindústria e, em poucos dias, estar na mesa de famílias que vivem na cidade.
1 Compare as características do trabalho no campo e na cidade. Quais as semelhanças e as diferenças entre elas?
Conheça a Biblioteca Embrapa criança para aprender mais sobre boas práticas agrícolas.
Sugestão para o professor
SENAR. Integração lavoura–pecuária–floresta no Brasil. Históricos e perspectivas para o desenvolvimento sustentável. Disponível em: https://ead.senar.org.br/wp-content/uploads/ capacitacoes_conteudos/ilpf/CURSO_1/AULA_1_-_HISTORICO_PERSPEC_DESENV_ SUSTENTAVEL.pdf. Acesso em: 26 set. 2025.
Nesta publicação, o leitor tem acesso a um estudo e a pesquisas sobre o desenvolvimento de práticas agropecuárias sustentáveis.
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
ENCAMINHAMENTO
1. Espera-se que o estudante reconheça que o trabalho no campo está mais relacionado aos elementos da natureza e à produção de alimentos e matéria-prima, enquanto o trabalho na cidade está mais ligado ao comércio e aos serviços. É importante destacar que o trabalho nas indústrias pode ocorrer tanto no campo quanto na cidade. Além disso, em ambos os casos, o trabalho pode ou não envolver mais tecnologia e/ou qualificação do trabalhador, conforme a atividade desenvolvida.
Plantação de cana-de-açúcar e usina produtora de açúcar e etanol ao fundo em Clementina (SP), em 2021.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
ENCAMINHAMENTO
Explique aos estudantes que o extrativismo é uma atividade baseada na coleta de recursos naturais (minerais, vegetais e animais) e que é praticado no Sudeste desde antes da chegada dos europeus, mas que, com o início da colonização, a atividade passou a visar o lucro. Desde então, tem afetado muitas comunidades e também o meio ambiente. Essa contextualização histórica possibilitará que os estudantes desenvolvam o pensamento crítico sobre essa atividade, percebendo sua importância econômica e também os desafios nela envolvidos, relacionados à sustentabilidade, considerando as diferentes relações entre seres humanos e natureza.
Comente com a turma sobre a diferença entre a pesca artesanal e a industrial, considerando que a pesca artesanal é realizada em menor escala e utiliza métodos tradicionais (saberes ancestrais) por geralmente ser praticada por pescadores familiares ou comunidades locais. Por isso, é voltada para a subsistência familiar. Já a pesca industrial utiliza tecnologia em larga escala e embarcações maiores. Mencione que, na pesca industrial, muitas vezes é utilizada tecnologia avançada, como drones subaquáticos, GPS e sensores.
Extrativismo
Você sabe o que é extrativismo? A palavra vem de extrair e significa retirar recursos diretamente da natureza, que podem ser de origem animal, vegetal ou mineral. No Sudeste, os dois tipos de extrativismo mais importantes são a pesca, um tipo de extrativismo animal, e o extrativismo mineral.
Pesca
No Sudeste, ocorrem diferentes tipos de pesca. Ela pode ser industrial, com uso de tecnologias modernas, ou artesanal, baseada em tecnologias tradicionais, e pode acontecer em rios ou no mar. Algumas localidades têm a pesca como sua principal atividade econômica. É o caso de Itaoca, que fica no município de Itapemirim (ES), onde mais de 10 mil moradores vivem da pesca industrial. O município é o segundo maior produtor de atum do Brasil. Já a vila de Picinguaba, em Ubatuba (SP), é habitada por uma comunidade de pescadores artesanais. Nessa localidade, também há fazendas marinhas que cultivam frutos do mar, como mariscos e vieiras.
vila de pescadores da praia de Picinguaba em Ubatuba (SP), em 2019.
1 No município onde você vive há algum tipo de atividade pesqueira? Se sim, qual?
Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Incentive-os a relatar características da atividade pesqueira: se ela acontece no mar ou em rios, que tipo de pescado é extraído na natureza, que tipo de tecnologia é utilizada, entre outras.
Como curiosidade, comente que o consumo do caranguejo como alimento é muito comum no litoral do Espírito Santo, tanto por moradores quanto por turistas, e que, para que a pesca ou coleta do caranguejo possa ser sustentável, há uma legislação que determina o período do defeso, isto é, proíbe a captura do crustáceo durante o período de seu crescimento e reprodução.
Barcos e moradias na
Barcos pesqueiros na praia de Itaoca em Itapemirim (ES), em 2018.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Mineração
O extrativismo mineral, também conhecido como mineração , é uma atividade marcante na história da região Sudeste. Observe no esquema alguns recursos minerais extraídos na região.
O minério de ferro é um dos principais produtos exportados pelo Brasil. Grande parte de sua extração ocorre na região do Quadrilátero Ferrífero, que está localizado em uma área de serras no centro-sul de Minas Gerais.
Quadrilátero Ferrífero (MG)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.
Atlas nacional digital do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE. 2005.
sal-gema é retirado de rochas subterrâneas e utilizado na indústria química. No Brasil, as maiores reservas de sal-gema estão localizadas em Conceição da Barra, Ecoporanga e Vila Pavão (ES). Muitas dessas reservas, entretanto, estão em áreas de proteção ambiental.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Anote no caderno exemplos de usos dos recursos minerais apresentados no seu dia a dia.
Veja sugestão de resposta e mais orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
Na região Sudeste há grande produção de água mineral, que é aquela retirada direto de fontes naturais ou por meio da extração de águas subterrâneas. Além do seu uso para consumo humano, as fontes naturais estimulam o turismo em estâncias hidrominerais ou termais.
A região Sudeste é a maior produtora de petróleo (líquido) e gás natural do Brasil, que são substâncias diferentes, mas são chamados de combustíveis fósseis, pois ambos são formados a partir da decomposição de restos de plantas e animais.
Sudeste: bacias petrolíferas (2025)
do Espírito Santo Bacia de Campos
Trópico de Capricórnio
de exploração
Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Áreas sob contrato Brasília, DF: ANP, c2025. Disponível em: https://www. gov.br/anp/pt-br/assuntos/exploracao-e-producao-deoleo-e-gas/dados-tecnicos/mapas-e-p/img-mapas/ mapa-geral-brasil.pdf/view. Acesso em: 3 set. 2025.
BNCC
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Faça a leitura do mapa Quadrilátero Ferrífero (MG) com os estudantes. Explique a eles que essa área tem esse nome porque as quatro cidades que estão em suas “pontas” formam um polígono de quatro lados (área em laranja no mapa). Peça a eles que identifiquem no mapa quais são as cidades que formam o quadrilátero: Belo Horizonte, Santa Bárbara, Mariana e Congonhas.
Em seguida, faça com a turma a leitura do mapa Sudeste: bacias petrolíferas (2025). Peça a eles que leiam a legenda e identifiquem as três bacias petrolíferas da região que estão representadas no mapa: bacia de Santos, bacia de Campos e bacia do Espírito Santo.
03/10/2025 17:16
ASSIS, Fabiana. ‘Terras raras’: jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil na liderança da transição energética. G1 Sul de Minas, 21 jun. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/ mg/sul-de-minas/noticia/2025/06/21/terras-raras-jazida-sobre-vulcao-inativo-no-sul-de-mg-pode -colocar-o-brasil-na-lideranca-da-transicao-energetica.ghtml. Acesso em: 26 set. 2025. O artigo sugerido trata da recente demanda internacional pelos chamados minerais de “terras raras” e destaca as grandes reservas desses minerais na região Sudeste (especificamente no sul de Minas Gerais, em Poços de Caldas).
1. Os estudantes podem citar usos do ferro para construção de móveis e casas, da água mineral para consumo e que as fontes termais onde ela é encontrada podem ser utilizadas para o turismo. O petróleo é a matéria-prima dos combustíveis utilizados em meios de transporte e para a fabricação de objetos de plástico. O sal-gema pode ser utilizado para temperar alimentos.
SONIA VAZ
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
ENCAMINHAMENTO
Retome o conteúdo sobre o início da industrialização no Sudeste trabalhado na unidade anterior e comente com os estudantes que o desenvolvimento atual da indústria na região, a mais industrializada do país, é resultado de um processo histórico. É importante destacar, também, a desconcentração industrial nos últimos anos, com a migração de indústrias principalmente da região metropolitana de São Paulo para outras regiões do país, fenômeno que tem grande impacto na economia dos estados do Sudeste. Ressalte, também, que o desenvolvimento industrial ao longo do tempo na região foi alterando hábitos e modos de vida, proporcionando maior acesso aos produtos e formas de lazer.
Atividades econômicas na cidade
As cidades concentram atividades econômicas como a indústria, o comércio e a prestação de serviços.
Indústria
Você sabe de onde vêm os produtos que você usa no seu cotidiano? Boa parte deles é produzida nas indústrias. Segundo o IBGE, o Sudeste é a região mais industrializada do Brasil. Em 2022, a cada 100 reais gerados pela atividade, 61 reais foram gerados no Sudeste. As principais contribuições para a indústria brasileira naquele ano vieram de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O estado de São Paulo é o mais industrializado do país e importante centro da indústria automobilística, com diversas montadoras e fornecedores de peças. As indústrias petroquímica, química e farmacêutica também são fortes no estado e muitas estão concentradas na região do ABC paulista, formado por Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Em São José dos Campos, há um polo da indústria aeronáutica.
Os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo apresentam importantes indústrias relacionadas à extração de petróleo, com destaque para os municípios da região da Bacia de Campos, como Macaé (RJ) e Itapemirim (ES). O Rio de Janeiro também apresenta indústrias petroquímicas, com destaque para Maricá. O estado também tem uma importante indústria naval, localizada sobretudo nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói e Itaguaí.
Atividade complementar
Em uma proposta interdisciplinar com o componente curricular Arte, apresente para a turma o quadro Operários, criado em 1933 pela artista paulista Tarsila do Amaral (1886-1973). A obra (facilmente encontrada em sites) faz parte do acervo do governo do estado de São Paulo e está exposta no Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão (SP). Analise a obra com a turma, destacando que ela pode ser interpretada como uma representação do processo de industrialização do estado de São Paulo ou até do Sudeste. Oriente-os a observar que estão representadas no quadro dezenas de trabalhadores industriais, de várias etnias, indicando a massa de pessoas que vinham de diversos lugares do país para trabalhar nas fábricas paulistas nas primeiras décadas do século XX. Mostre aos estudantes que os rostos parecem amontoados, junto às chaminés das indústrias. A leitura da imagem contribui para que os estudantes reconheçam a importância de compreender uma obra do ponto de vista histórico.
Refinaria em Cubatão (SP), em 2023.
Minas Gerais apresenta um importante polo de confecção de roupas e tecidos em Juiz de Fora. O estado também conta com indústrias automobilísticas e petroquímicas no município de Betim.
A região Sudeste concentra grande parte da produção nacional de aço, principalmente nos estados de Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. A indústria alimentícia também merece destaque, com presença em todos os estados da região.
Sudeste: indústria (2022) 50° O
1. Na região Sudeste, as indústrias se concentram principalmente nas áreas próximas às Resposta pessoal de acordo com o município e o estado onde os estudantes vivem. Veja orientações no Encaminhamento.
capitais, sobretudo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O estado de São Paulo concentra a maior parte das indústrias.
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Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cadastro Central de Empresas. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/9528. Acesso em: 16 jul. 2025.
1 Analisem o mapa Sudeste: indústria (2022). Em quais áreas há maior concentração de indústrias na região Sudeste? Anotem no caderno.
2 Pergunte a um adulto se existem indústrias na cidade do município onde você vive ou nas cidades próximas.
• Procure se informar onde fica a indústria, que tipo de produto é fabricado e se você já utilizou o produto fabricado nela. Compartilhe suas respostas com a turma.
Texto de apoio
A integração regional é outro fator importante no desenvolvimento industrial do Sudeste. A proximidade geográfica entre os estados facilita não apenas o fluxo de mercadorias, mas também a troca de conhecimentos e tecnologias. A interligação por meio da infraestrutura de transporte, como rodovias, portos e ferrovias, contribui para o desenvolvimento do comércio entre os estados da região e com outras partes do país.
Além disso, a presença de parques tecnológicos, universidades e centros de pesquisa estimula a inovação e a colaboração entre as empresas, impulsionando o desenvolvimento industrial de forma conjunta.
Por fim, o setor industrial do Sudeste também possui uma forte inserção no mercado internacional. [...] Automóveis, máquinas, equipamentos eletrônicos, produtos químicos e alimentos processados são alguns dos itens exportados, além das commodities SCHUH, Kétlyn. Protagonismo industrial: região Sudeste. Viabiliza + Projeto integrado, c2022. Disponível em: https://viabilizamais.com.br/ protagonismo-industrial-regiao -sudeste/. Acesso em: 26 set. 2025.
03/10/2025 17:16
O Sudeste brasileiro concentra a maior parte da indústria do país e desempenha um papel fundamental na participação industrial entre as regiões. Com uma economia diversificada e altamente desenvolvida, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo são reconhecidos como grandes centros industriais, abrigando empresas de diversos setores.
Essa concentração industrial proporciona um forte impulso à economia regional, gerando empregos, fomentando a inovação e contribuindo significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Além disso, a infraestrutura logística e a proximidade dos principais portos e aeroportos facilitam a veiculação da produção e do comércio com outras regiões e países, consolidando o Sudeste como um importante polo industrial no Brasil.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Trópico de Capricórnio
Belo Horizonte
Rio de Janeiro
São Paulo
Vitória
Capital estadual Divisa estadual
Número de empresas industriais de transformação por município
até 678 unidades
SONIA VAZ
BNCC
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
ENCAMINHAMENTO
Ao finalizar o trabalho com os conteúdos da página, é possível organizar uma roda de conversa com os estudantes sobre a importância das atividades de comércio e serviços. Relembre a turma sobre a atuação dos tropeiros no Brasil Colônia e, em seguida, discuta sobre formas atuais de comércio, como o eletrônico ( e-commerce , ou seja, a compra e venda de produtos e serviços pela internet).
Comércio e serviços
1. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Eles podem citar estabelecimentos comerciais de diferentes tipos, como lojas de eletrônicos, materiais de construção, supermercados, entre outros. Como prestação de serviços eles podem citar consultórios médicos, motoristas de aplicativo, entregadores, entre outros.
No Sudeste, há cidades que se diferenciam de acordo com a sua localização. Há cidades litorâneas, que apresentam temperaturas mais altas ao longo do ano, e cidades localizadas em áreas elevadas, onde as temperaturas são mais amenas. Elas também se diferenciam de acordo com as atividades econômicas desenvolvidas em seus espaços urbanos.
Além das atividades industriais, a cidades do Sudeste se destacam pela grande quantidade de estabelecimentos comerciais e de serviços. Essas atividades são as responsáveis por empregar a maior parte dos trabalhadores da região. No início de 2025, a cada 100 trabalhadores do Sudeste, aproximadamente 75 trabalhavam com comércio ou prestação de serviços.
Entre os serviços oferecidos nas cidades do Sudeste podem ser destacados serviços de educação, saúde e estética, como escolas, hospitais, clínicas, consultórios, academias, salões de beleza, entre outros. Estabelecimentos culturais, como museus, teatros, cinemas e eventos também são exemplos de serviços presentes no Sudeste. Por fim, no Sudeste estão as sedes de importantes corretoras de seguros, bancos e outras instituições financeiras.
A diversidade econômica da região Sudeste gera muitos empregos, o que continua atraindo pessoas para trabalhar e morar na região.
1 Quais tipos de comércio e de prestação de serviço existem na cidade do município onde vocês moram? Citem um exemplo de cada no caderno.
Texto de apoio
Em 2024, o Sudeste do país registrou 2.252.059 novos empreendimentos [...]. O volume representa um crescimento de 13,5% em relação a 2023, quando foram criadas 1.982.846 empresas na região. Entre os estados, São Paulo permanece como o principal polo empreendedor do país, com 1.344.434 novas empresas em 2024, seguido por Minas Gerais, que somou 459.819 aberturas. [...]
Na visão macro dos setores, “Serviços” liderou a criação de empresas em 2024 (73,6%), seguido por “Comércio” (19,2%), Indústria (6,0%) e “Demais”, que inclui segmentos Primário, Financeiro e Terceiro Setor, (1,2%)
BRANDÃO, MARCELO. Região Sudeste criou mais de 2,2 milhões de empresas em 2024. Consumidor Moderno, 10 abr. 2025. Disponível em: https://consumidormoderno.com.br/serasa-empresas-sudeste/. Acesso em: 26 set. 2025.
Calçadão com diferentes tipos de comércio em Juiz de Fora (MG), em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Artesanato no Sudeste
O artesanato tem importância comercial e turística no Sudeste. Um exemplo disso é o artesanato com pedra-sabão, tradicional em muitas localidades de Minas Gerais.
A história do uso da pedra-sabão está ligada à exploração do ouro no período colonial em Minas Gerais e ao surgimento das cidades, onde era usada para a construção de chafarizes e alicerces. Atualmente, as comunidades tradicionais de artesãos em pedra-sabão do Quadrilátero Ferrífero contribuem para a preservação do patrimônio histórico e desenvolvimento da economia local. Observe o mapa feito pelos artesãos de Cachoeiro do Campo, Minas Gerais, com um pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais.
Fonte: FRANCO, André Rocha. Etnocartografia e análise dos valores da geodiversidade com comunidades tradicionais de artesãos em pedra-sabão da região do Quadrilátero Ferrífero – Minas Gerais. Dissertação (Mestrado em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais) – Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/IGCM-9PJN7X. Acesso em: 25 ago. 2025.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Ao fazer a leitura do mapa da página com os estudantes, comente que o registro realizado pelos próprios artesãos pode servir de instrumento de divulgação dos produtos e serviços desenvolvidos no espaço representado. Explique à turma o significado de etnografia : prática de pesquisa voltada para o estudo da cultura ou do comportamento de um povo ou grupo específico.
1 Analise o mapa e indique elementos que se relacionam com o trabalho e com o cotidiano dos artesãos.
Atividade complementar
NÃO ESCREVA NO LIVRO. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
03/10/2025 17:16
De forma interdisciplinar com Arte, proponha a realização de uma atividade coletiva que envolva cartografia afetiva. Nessa atividade, a turma irá elaborar uma representação cartográfica dos principais pontos da escola, na opinião deles. O objetivo é promover a conscientização sobre as emoções e as relações afetivas na experiência escolar, bem como possibilitar formas de representação de si, da escola e da relação entre ambos. Para preparar a atividade, sugerimos que acesse o link a seguir: CARTOGRAFIAS de boas práticas da rede. MultiRio – Prefeitura do Rio de Janeiro, 2023. Disponível em: https://multi. rio/index.php/cartografias-de-boas-praticas-da-rede/pratica?acao=188964. Acesso em: 27 set. 2025.
1. Oriente os estudantes a se organizar em grupos para que, juntos e com o seu auxílio, cheguem às respostas esperadas. Peça que leiam a legenda com atenção. Os elementos que se relacionam com o trabalho são: afloramento de pedra-sabão; fábricas — pedra-sabão; loja de artesanato; Praça do Artesão; ateliê. Já os relacionados com o cotidiano são: Matriz Nossa Senhora de Nazaré; CAIC Filipe dos Santos; EE Nossa Senhora Auxiliadora (antigo Palácio do Governador); Terminal Rodoviário de Cachoeira do Campo; Centro Dom Bosco; hidrografia; rodovia.
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Previamente, explore possibilidades de discussão sobre atividades turísticas. Se considerar adequado a sua turma, pergunte aos estudantes se eles já viajaram a turismo ou se conhecem alguém que viajou.
Para contextualizar o tópico trabalhado na página, você pode apresentar imagens de pontos turísticos da região
Sudeste, especialmente patrimônios históricos, e, em uma roda de conversa, lançar perguntas como:
• O município onde fica a escola tem atrativos turísticos? Quais?
• Em qual tipo de turismo esses lugares se encaixam: urbano ou rural?
• As pessoas se deslocam da área urbana para a rural, e vice-versa, para atividades turísticas?
• Quais meios de transporte as pessoas podem utilizar para fazer turismo?
Turismo na cidade e no campo
Outro tipo de atividade econômica que desponta na região Sudeste é o turismo. De acordo com dados do Ministério do Turismo, apenas nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, a região recebeu mais de um milhão de turistas internacionais. O Rio de Janeiro foi o estado mais visitado.
O Sudeste tem uma boa infraestrutura de aeroportos, terminais rodoviários, estradas e rede de hospedagem, o que é bastante importante para receber turistas. Na região, são desenvolvidos o turismo urbano e o turismo rural
Turismo urbano
As principais atrações turísticas das cidades do Sudeste são atividades e eventos culturais, centros e marcos históricos, além das famosas praias.
A cidade do Rio de Janeiro se destaca na atividade turística, com seus marcos naturais, como o Pão de Açúcar, o Corcovado e a Floresta da Tijuca. A cidade também conta com diversas praias urbanas famosas mundialmente, como Copacabana e Ipanema, além do monumento Cristo Redentor, um dos principais cartões-postais do Brasil.
O estado do Espírito Santo conta com praias muito visitadas, como a Praia do Morro, em Guarapari, além de centros religiosos e suas festas, como o Convento da Penha, em Vila Velha.
A região Sudeste também recebe muitos festivais de música, além de abrigar festas populares, como o Carnaval, com destaque para as cidades de São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ).
Algumas cidades da região Sudeste oferecem o turismo histórico-cultural, como Ouro Preto (MG), Diamantina (MG), Sabará (MG) e Paraty (RJ).
As esculturas em pedra-sabão que ornamentam o Santuário do Bom Jesus de Matozinhos em Congonhas (MG) são obras do século 18 do artista Aleijadinho e importantes atrações turísticas. Fotografia de 2023.
Sugestão para o professor
MARQUES, Fábio. Estados da Região Sudeste recebem 37% a mais de turistas internacionais nos dois primeiros meses do ano. Ministério do Turismo, 1o mar. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/turismo/pt-br/assuntos/noticias/estados-da-regiao-sudeste-recebem-37-a -mais-de-turistas-internacionais-nos-dois-primeiros-meses-do-ano. Acesso em: 27 set. 2025. Esta página do Ministério do Turismo traz informações sobre o fluxo de turistas estrangeiros para a região Sudeste no início do ano de 2025.
Turismo rural
2. Respostas pessoais. Os estudantes podem responder sobre o turismo urbano, o agroturismo, o ecoturismo, ou todos eles. Incentive-os a mencionar localidades e atrações turísticas que gostariam de conhecer na região.
O agroturismo e o ecoturismo são duas importantes formas de turismo rural na região Sudeste, gerando empregos e dinamizando a economia.
Agroturismo é o turismo em áreas rurais que apresentam cultivos agrícolas ou criação de animais.
Ecoturismo é uma modalidade de turismo que envolve a conservação ambiental e o envolvimento de comunidades locais.
Como exemplos de turismo rural na região, é possível citar a existência de rotas especializadas em um prato típico ou em produtos agrícolas, como a rota da moqueca, no estado do Espírito Santo, e a rota dos morangos, no interior de São Paulo.
do Pinhal
Além disso, diversos parques da região oferecem rotas e trilhas ecoturísticas, como o Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, e o Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, com seus lagos e cachoeiras. O Parque Nacional do Caparaó, no Espírito Santo e em Minas Gerais, abriga o Pico da Bandeira, ponto mais alto da região Sudeste. O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, em São Paulo, tem cavernas famosas e muito visitadas.
1 Quais tipos de turismo existem no seu município ou nas proximidades?
Resposta pessoal. Incentive os estudantes a mencionar as atrações turísticas e identificar o espaço em que estão inseridas: na cidade ou no campo.
2 Quais localidades no Sudeste você gostaria de conhecer como turista? Por quê?
3 Faça um desenho de um ponto turístico da região Sudeste que você gostaria de visitar.
Produção pessoal. É interessante que os estudantes desenhem também elementos do espaço em que a atração está inserida.
Atividade complementar
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Pergunte aos estudantes se já realizaram ecoturismo ou agroturismo ou se gostariam de realizar atividades relacionadas a essas formas de turismo rural. Diga a eles que elas englobam, por exemplo, estabelecimentos como pesque-pague, visitas guiadas a sítios ou fazendas com plantações e atividades de colheita (como de uva, laranja e morango), degustação de produtos locais, produção de artesanato, entre outras atividades. Comente que o ecoturismo, especialmente, está relacionado à preservação do meio ambiente.
03/10/2025 17:16
Organize os estudantes em grupos para que produzam um livro coletivo sobre pontos turísticos da região Sudeste. Atente para que todos os tipos de turismo mencionados no livro sejam contemplados, incluindo patrimônios históricos e culturais da região.
Oriente cada grupo a pesquisar na internet sobre o local sorteado e a escrever um texto sucinto sobre suas principais características, mencionando seus atrativos turísticos. O registro deve ser feito em uma folha de papel sulfite e conter: nome do ponto turístico, localização (município e estado), uma ou mais imagens do local e quais atividades realizar ao visitá-lo. Quando todos tiverem terminado, junte os trabalhos e faça uma capa com uma folha de cartolina. Se considerar interessante, anexe um mapa da região e indique, nele, a localização aproximada de cada município representado nos registros.
Se possível, organize uma exposição dos registros para a comunidade escolar.
Caso queira aprofundar os conhecimentos sobre o assunto, sugerimos que acesse material produzido pelo Ministério do Turismo: Turismo rural: informações básicas (disponível em: https:// www.gov.br/turismo/pt-br/ centrais-de-conteudo-/ publicacoes/segmentacao -do-turismo/turismo-rural -orientacoes-basicas.pdf, acesso em: 13 out. 2025) e Ecoturismo: informações básicas (disponível em: https://www.gov.br/turismo/ pt-br/centrais-de-conteudo-/ publicacoes/segmentacao -do-turismo/ecoturismo-o rientacoes-basicas.pdf, acesso em: 13 out. 2025).
Pessoas visitando plantação de oliveiras em propriedade rural, em Santo Antônio
(SP), em 2023.
Ecoturistas em cachoeira no Parque Nacional do Itatiaia, em Itatiaia (RJ), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
ENCAMINHAMENTO
Aborde o assunto do rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho com cuidado, por se tratar de uma tragédia em que muitas vidas se perderam. Alguns estudantes podem ter familiares ou conhecidos entre as vítimas do acontecido. É importante que o ambiente durante essa aula seja de acolhimento. Explique aos estudantes que o rompimento das barragens ocorreu por problemas estruturais nas obras, o que provocou enormes impactos ambientais e sociais, como a destruição de moradias nas áreas próximas e o comprometimento das águas dos rios próximos a elas. Converse com a turma sobre a importância de políticas ambientais públicas para a prevenção de tragédias, da responsabilização dos envolvidos e também do acolhimento e cuidado com as pessoas e comunidades afetadas.
Faça com os estudantes a leitura das imagens de “antes” e “depois” da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, para trabalhar as habilidades de comparação e de análise da transformação da paisagem.
1. Incentive o debate de ideias entre os estudantes. Eles podem mencionar a intensificação da fiscalização das barragens de rejeitos existentes para avaliar sua estrutura e o risco de
Campo, cidade e meio ambiente
Atividades econômicas, como a mineração, causam impactos ambientais. Na extração dos recursos minerais do solo, é comum que o material retirado seja lavado para a separação do minério de rejeitos que não são aproveitados. Muitas vezes, há o armazenamento dos rejeitos dessa lavagem em reservatórios, delimitados por barragens. Infelizmente, dois graves acidentes com esse tipo de barragem aconteceram em Minas Gerais.
Em novembro de 2015, a barragem do Fundão, em Mariana (MG), se rompeu. A avalanche de rejeitos destruiu o distrito de Bento Rodrigues e vitimou muitas pessoas. Além disso, a lama atingiu o Rio Doce, que foi contaminado até sua foz, no Espírito Santo. Essa foi a maior tragédia ambiental do Brasil e o maior rompimento de barragem de rejeito de mineração do mundo.
Em janeiro de 2019, a situação se repetiu com o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Muitos trabalhadores da mineradora foram vitimados pela avalanche de rejeitos, que atingiu também o Rio Paraopeba e impactou mais de 20 municípios.
Desastres de rompimento de barragens liberam grande quantidade de rejeitos, que contaminam as águas e afetam o solo, a vegetação e a fauna. O abastecimento de água é prejudicado e atividades como agricultura, pecuária e pesca são as mais afetadas.
1 Converse com os colegas sobre quais medidas o poder público deve tomar para evitar que tragédias como essas se repitam.
rompimento. Também podem mencionar a aplicação de multas a empresas que não seguem as leis ambientais. 94
Sugestão para o professor
BRASIL. Presidência da República. Conheça a linha do tempo da tragédia de Mariana (MG). Brasília, DF: Planalto, 25 out. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/ novo-acordo-do-rio-doce/conheca-a-linha-do-tempo-da-tragedia-de-mariana-mg. Acesso em: 27 set. 2025.
A página apresenta, em ordem cronológica, desde o rompimento da barragem do Fundão, em 5 de novembro de 2015, até desdobramentos mais recentes, incluindo investigações, julgamentos dos envolvidos e acordos entre a mineradora responsável pela barragem e vítimas da tragédia. PRÓ-Brumadinho. Histórico do rompimento das barragens da Vale na Mina Córrego do Feijão. Belo Horizonte, 3 maio 2024. Disponível em: https://www.mg.gov.br/pro-brumadinho/pagina/historico-do -rompimento-das-barragens-da-vale-na-mina-corrego-do-feijao. Acesso em: 27 set. 2025. Esta página do governo do estado de Minas Geais apresenta dados sobre a tragédia de Brumadinho, projetos de recuperação, encaminhamentos e acordos judiciais.
Imagem de satélite da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho (MG), em dezembro de 2018.
Imagem de satélite da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, após o rompimento em Brumadinho (MG), em março de 2019. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Reflorestamento no Sudeste
A Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), é a maior floresta urbana replantada do mundo. Com 39,51 km², abriga grande diversidade de plantas e animais, além de ser um local de lazer e turismo natural urbano. O esforço de reflorestamento contou com o conhecimento especializado de 11 pessoas escravizadas: Maria, Eleutério, Constantino, Manoel, Mateus, Leopoldo, Sabino, Macário, Clemente, Antônio e Francisco. Há mais de 160 anos, eles demonstraram profundo entendimento do ecossistema. Recentemente, esses trabalhadores tiveram seus nomes inscritos no Livro dos heróis e heroínas do estado do Rio de Janeiro
VOCÊ DETETIVE
durante passeio
no Parque
Atualmente, há várias iniciativas de reflorestamento no Sudeste, garantindo a conservação de espécies da fauna e flora. Observe as fotografias, que mostram animais que são símbolos de estados da região.
Beija-flor-da-orelha-violeta.
Sabiá-laranjeira.
Tucano-de-bico-preto.
Seriema.
No Você Detetive, oriente os estudantes a decompor a atividade, realizando quatro pesquisas diferentes, uma por vez, para cada uma das aves apresentadas. Relembre a eles, mais uma vez, a importância de verificar a confiabilidade das fontes das informações obtidas na internet, realizando as pesquisas em sites confiáveis, como órgãos governamentais, instituições educacionais, publicações especializadas e sites com conexão segura.
Sugestão para o professor
SALES, Gabriel P. da S.; BRITO, Mariana R. de; GUEDES-BRUNI, Rejan R. “Éden Fluminense”: de área de reflorestamento no maciço da Tijuca a espaço público europeizado do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX. História, Ciências e Saúde - Manguinhos, v. 31, p. 1-17, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104 -59702024000100039. Acesso em: 27 set. 2025.
O artigo trata do projeto de plantio da Floresta da Tijuca em contexto histórico, a partir de 1861, por iniciativa de D. Pedro II.
BNCC
Na pesquisa, os estudantes devem responder que o
1. Com o auxílio do professor ou das pessoas que moram com você, faça uma pesquisa e descubra de quais estados as aves retratadas são símbolo. Depois, anote no caderno.
beija-flor-da-orelha-violeta é a ave símbolo do Espírito Santo, o sabiá-laranjeira é símbolo de São Paulo, o tucano-de-bico-preto, do Rio de Janeiro, e a seriema, de Minas Gerais.
ENCAMINHAMENTO
Ao desenvolver o trabalho com a página, pontue para os estudantes que a Floresta da Tijuca é um exemplo entre diversos esforços de reflorestamento que ocorreram e ocorrem no Sudeste e em outras regiões do Brasil. Como exemplo, mencione o Tratado da Mata Atlântica, firmado em 2023, pelo qual estados do Sul e Sudeste se comprometeram a restaurar 90 mil hectares do bioma Mata Atlântica até 2026 por meio do plantio de 100 milhões de mudas.
Há também iniciativas privadas de reflorestamento. Em um sítio em Cachoeiras do Macacu (RJ), próximo ao Parque Estadual dos Três Picos, a família proprietária decidiu reflorestar o terreno após a falta de água. Em menos de um ano, com a nova vegetação, a água voltou a fluir. Em Aimorés (MG), os proprietários de uma fazenda conseguiram restaurar 600 hectares de floresta com o plantio de 2,5 milhões de árvores nativas. Em Domingos Martins (ES), uma família transformou sua propriedade em reserva de quase 300 mil m² e dedicou-se à preservação de orquídeas.
(EF03CO03) Aplicar a estratégia de decomposição para resolver problemas complexos, dividindo esse problema em partes menores, resolvendo-as e combinando suas soluções.
(EF04CO08) Reconhecer a importância de verificar a confiabilidade das fontes de informações obtidas na Internet.
(EF05CO08) Acessar as informações na Internet de forma crítica para distinguir os conteúdos confiáveis de não confiáveis.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
Turistas
guiado
Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
TCT : Ciência e Tecnologia: ciência e tecnologia.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a discussão sobre geração de energia no Sudeste conversando com os estudantes sobre as diferentes fontes e formas de gerar energia elétrica. Identifique as principais fontes da energia elétrica consumida no município em que a escola está localizada e compartilhe a informação com a turma.
1. Espera-se que os estudantes elenquem os seguintes impactos ambientais:
Hidrelétrica: alagamentos para a construção dos reservatórios.
Eólica: barulho das turbinas e prejuízo às aves.
Petróleo e carvão mineral: poluição do ar e emissão de gases do efeito estufa.
Biomassa: necessidade de grandes áreas para plantação.
Nuclear: altos custos de construção, risco de acidentes e contaminação do solo, produção de lixo nuclear.
Geração de energia no Sudeste
De acordo com os dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2024, a região Sudeste gerava pouco mais de um quarto de toda a energia gerada no país.
Os estados de São Paulo e Minas Gerais são os maiores geradores na região. Grande parte dessa energia é gerada por meio das hidrelétricas, que utilizam as águas dos rios para movimentar suas turbinas. No Sudeste, entre os principais rios utilizados para a geração de energia estão o Paraná, o Tietê, o Paraíba do Sul e o Doce. Há outras fontes de energia no Sudeste além das águas dos rios. São exemplos as fontes derivadas do petróleo, o carvão mineral, a biomassa de cana e resíduos agrícolas, a solar e a eólica.
Parque eólico de Gargaú em São Francisco de Itabapoana (RJ), em 2021. A energia eólica é gerada a partir da ação do vento, que movimenta as hélices dos geradores.
Além dessas fontes de energia, há a geração de energia elétrica a partir da energia nuclear. No município de Angra dos Reis (RJ), foram construídas as usinas de Angra I, inaugurada em 1982, e Angra II, concluída em 2000. Apesar de não emitir gases poluentes, esse tipo de geração de energia envolve altos custos de construção, riscos de acidentes e de contaminação do solo e gera o lixo nuclear. Uma curiosidade é que a Praia Brava, no local, é muito procurada por turistas devido à temperatura elevada da água provocada pelo funcionamento das usinas.
1 Toda geração de energia traz algum impacto ambiental. Em grupo, pesquisem sobre os impactos ambientais causados por cada um desses tipos de geração. Depois, façam um cartaz e apresentem o que descobriram para a turma.
Cada grupo pode escolher um tipo de fonte de geração de energia elétrica. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
BALANÇO Energético Nacional 2025: Ano base 2024. Empresa de Pesquisa Energética — Ministério de Minas e Energia. Brasília, DF, 2025. Disponível em: https://www.epe.gov.br/sites-pt/ publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-885/topico-771/ Relatório%20Final_BEN%202025.pdf. Acesso em: 27 set. 2025.
A publicação apresenta dados recentes relativos à oferta e ao consumo de energia no Brasil, além de informações sobre reservas, capacidades instaladas e dados dos estados.
Usinas de Angra 1 e Angra 2 em Angra dos Reis (RJ), em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Gigantes da energia elétrica DIÁLOGOS
A maior usina hidrelétrica do Brasil é a usina Itaipu Binacional, também conhecida como hidrelétrica de Itaipu. Essa instalação foi inaugurada em 1984 e gera energia a partir das águas represadas do Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai. A usina é administrada pelos dois países e, por isso, é chamada de binacional. Itaipu e a hidrelétrica chinesa de Três Gargantas são reconhecidas como as maiores do mundo.
Em 2023, Itaipu gerou quase um décimo de toda a energia elétrica brasileira e grande parte da energia elétrica paraguaia. Essa energia elétrica é distribuída a partir da subestação de Foz do Iguaçu (PR) e abastece boa parte da região Sudeste.
Barragem da usina de Itaipu em Foz do Iguaçu (PR), em 2024.
Complexo eólico em meio às dunas em Paracuru (CE), em 2023.
A fonte eólica tem a segunda maior participação na geração de energia elétrica do Brasil e, em 2025, representava aproximadamente um sétimo da matriz elétrica brasileira, segundo o Balanço Energético Nacional daquele ano. Os maiores parques eólicos estão concentrados na região Nordeste. Os estados de Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará apresentam parques eólicos que somados têm capacidade de geração de energia elétrica maior que a da usina hidrelétrica de Itaipu.
1 Qual a diferença entre a geração de energia hidrelétrica e a eólica? Anote a resposta no caderno.
A energia hidrelétrica é gerada pela força da água e a eólica, pela força do vento.
2 Por que a hidrelétrica de Itaipu é chamada binacional? Responda no caderno.
Porque é administrada por dois países: Brasil e Paraguai.
ENCAMINHAMENTO
Texto de apoio
A produção e a circulação de energia elétrica articulam regiões produtoras (cuja localização depende dos recursos naturais e dos equipamentos construídos para usá-los) com as regiões consumidoras (aquelas onde a concentração da população e da atividade econômica cria uma forte demanda). A matriz energética brasileira é essencialmente baseada na hidroeletricidade e o potencial hidrográfico ainda pouco explorado encontra-se na região Norte do país, provocando o distanciamento entre as fontes de produção e de consumo. [...]
No momento, o feixe de linhas de alta tensão que ligam Itaipu a São Paulo é o eixo principal das redes elétricas brasileiras. Interconectado com o complexo de barragens dos rios Paraná e Tietê, ele assegura à região Sudeste uma boa cobertura e, a maior parte do tempo, uma alimentação suficiente, apesar do crescimento constante da procura.
THÉRY, Hervé; MELLO-THÉRY, Neli Aparecida de. O sistema elétrico brasileiro. Confins –Revista Brasileira de Geografia, n. 26, 2 mar. 2016. Disponível em: https://journals.openedition. org/confins/10797?lang=pt. Acesso em: 27 set. 2025.
BNCC
03/10/2025 17:16
Comente com os estudantes que energia eólica e hidrelétrica são chamadas de “energias limpas”, pois não geram poluentes e têm fontes renováveis. Segundo o Balanço Energético Nacional, publicado em 2025, outra fonte que tem crescido no Brasil é a fonte de energia solar. Ainda segundo o relatório, apenas 20% das emissões de gases geradores de efeito estufa são causadas pelo setor de energia, enquanto a média global é de 76%.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
Organize-se
• Papel-cartão branco
• Cola
• Lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula explorando o gráfico Sudeste: população vivendo em cidades (1940 a 2022) . Se possível, trabalhe em interdisciplinaridade com Matemática, explorando as características do gráfico de linha.
Mostre que na região Sudeste, em 1940 e 1950, havia mais pessoas vivendo no campo que na cidade. Explique que, a partir de 1960, mais pessoas começam a ocupar o espaço urbano que o espaço rural do Sudeste. Verifique se a turma compreende que, em 2022, apenas 5,5% da população do Sudeste vivia em áreas rurais. Explique que a expressiva maioria populacional nas cidades, em 2022, também se relaciona à grande quantidade de pessoas que saíram de áreas rurais por falta de trabalho, devido ao crescimento da mecanização das áreas rurais ou buscando melhores oportunidades de emprego.
2 URBANIZAÇÃO E CIDADES
DO SUDESTE
Atualmente, o Sudeste é a região mais urbanizada do Brasil. A cada 100 habitantes que vivem na região, aproximadamente 94 vivem em cidades. Mas nem sempre foi assim. A maior parte da população da região só passou a viver em cidades ao longo da década de 1950. Nesse período, o Sudeste passou por um intenso processo de urbanização. Observe o gráfico.
Urbanização é o processo de crescimento do espaço urbano e de sua população e de diminuição da população das áreas rurais.
Sudeste: população vivendo em cidades (1940 a 2022)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Séries históricas e estatísticas Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://seriesestatisticas. ibge.gov.br/series. aspx?vcodigo=pop122; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022: panorama. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https:// censo2022.ibge.gov.br/ panorama/indicadores. html?localidade=BR. Acessos em: 25 maio 2025.
A rápida urbanização do Sudeste está relacionada ao processo de industrialização da região, que aconteceu ao longo do século 20. O desenvolvimento das atividades industriais, as transformações tecnológicas e a maior oferta de trabalho atraíram a população que vivia no campo em direção às cidades.
A população também enfrentava dificuldades no campo. O aumento do uso de máquinas nas atividades agrícolas fez com que muitos trabalhadores rurais perdessem seus empregos e migrassem para as cidades.
1 Explique no caderno como os processos de industrialização e urbanização do Sudeste estão relacionados.
Os estudantes devem explicar que a industrialização das cidades do Sudeste gerou empregos, o que atraiu a população do campo e acarretou o crescimento das cidades.
Texto de apoio
Qualquer avaliação da realização do direito à cidade no universo urbano brasileiro recente será, necessariamente, inconclusa, ainda que possível. Inconclusa porque os processos de mudança (econômica, social, demográfica e política) ainda estão em curso; possível porque alguns apontamentos relevantes podem ser extraídos de uma leitura entrelaçada entre distribuição espacial da população urbana, migração e política urbana, na caracterização das feições hodiernas da urbanização brasileira.
Uma primeira dimensão a ser destacada é que, ao acúmulo econômico, populacional e técnico-científico das grandes cidades — dispostas quase em formato de “colar” ao longo do litoral brasileiro, soma-se a celeridade (o que não significa, necessariamente, qualidade) na incorporação dos marcos de regulação urbanística oferecidos pelo Estatuto da Cidade, o que as torna, potencialmente, cidades mais aptas a garantir a seus cidadãos o direito à cidade, com todos os constrangimentos sociais e econômicos que este importa.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
A industrialização brasileira foi impulsionada pela eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que interrompeu a livre circulação de mercadorias entre a Europa e a América. Nesse contexto, foi necessário que o país passasse a produzir produtos que antes eram importados.
Em 1944, o Brasil enviou tropas para combater na Itália: era a Força Expedicionária Brasileira (FEB). As mulheres também participaram da luta, compondo uma equipe de 67 enfermeiras da FEB e 6 da Força Aérea Brasileira (FAB).
Enfermeiras da FEB em um Hospital de Campanha na Itália, em 1944. Estão presentes na fotografia, da esquerda para a direita: Virginia Portocarrero, Altamira Pereira Valadares, Lucia Osório, Bertha Moraes, Maria do Carmo Correa e Castro e Carmem Bebiano.
Durante a Segunda Guerra, as famílias costumavam escrever cartões-postais e cartas para aqueles que lutavam na Europa e vice-versa. Essa correspondência de guerra é um importante documento para as pesquisas históricas.
Frente e verso de cartão-postal enviado a Altamira Valadares por sua irmã Aurea em 1944. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
2 Vocês conseguem decifrar o que está escrito neste cartão-postal com a fotografia do Palácio Guanabara? Conversem a respeito.
3 Escolha uma imagem de um local que você conheça na região Sudeste e monte um cartão-postal com ela.
• Escreva uma mensagem para alguém que você goste. Lembre-se de descrever a paisagem e seus sentimentos sobre ela.
Amplie o conteúdo abordando o crescimento industrial no Sudeste em meados do século XX. Caso haja indústrias na localidade onde vivem, comente as relações que esses empreendimentos construíram com a localidade ao longo da história (se houve migração de pessoas buscando emprego, desmatamento, entre outras possibilidades). Destaque que a aceleração da industrialização no Sudeste afetou o modo de viver da população e as paisagens da região.
2. Explique que o cartão-postal foi enviado para Altamira Valadares, uma enfermeira da FEB. Destaque a importância desse tipo de forma de comunicação (cartas pessoais, postais e diários) como documentos históricos. A transcrição da mensagem do cartão-postal é: “3-11-944 Altamira querida, Deus te guarde! Mostre ao estrangeiro estas vistas do Nosso Brasil, pródigo, calmo e hospitaleiro! Beija-te muitas vezes a maninha Aurea” (à esquerda); “Altamira P. Valadares 4/19 F.E.B.” (à direita).
03/10/2025 16:26
Uma segunda dimensão, associada à primeira, é que se as pequenas cidades são menos permeáveis aos novos marcos da política urbana — pelos mais diversos motivos: insuficiência econômica, insuficiência técnica, indisposição política etc., essa desigualdade no trato das questões urbanas tende a reforçar as clivagens preexistentes entre as populações metropolitanas e interioranas, o que é uma grave ameaça à universalização do direito à cidade.
RODRIGUES, Fabíola. Os novos desafios da urbanização brasileira: distribuição espacial da população, migração e política urbana no Brasil recente: uma avaliação do direito à cidade na década de 2000. In: CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO LATINO-AMERICANA DE POPULAÇÃO, 4., 2010, Havana. Anais [...]. Havana: Alap, 2010. Disponível em: https://files.alapop.org/congreso4/files/pdf/alap_2010_final443.pdf. Acesso em: 25 set. 2025.
3. Caso seja possível, mostre alguns exemplos de cartões-postais à turma. Oriente-os a escolher e a colar a representação de uma paisagem da região Sudeste. Eles também podem desenhar a paisagem da região. Após essa etapa, devem escrever uma mensagem para alguém. Ressalte que é importante conhecer o lugar, pois o cartão-postal envolve descrição e sentimentos. Ao finalizar a atividade, considere a possibilidade de organizar uma exposição na escola.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.
ENCAMINHAMENTO
Após a observação das imagens da página, proponha aos estudantes que busquem imagens antigas do município onde vivem. Eles podem solicitar fotografias à família ou procurá-las em meios impressos ou digitais. Em seguida, verifique a possibilidade de organizar uma ida a campo até a mesma localização das imagens antigas, com a autorização dos familiares e da direção da escola. Se possível, tire fotografias dos locais durante a visita. Em interdisciplinaridade com Arte, trabalhe as diferenças técnicas entre as imagens antigas e as recentes; também compare o que mudou na paisagem de cada uma delas. A ida a campo possibilita realizar, também, entrevistas e coleta de outros materiais relacionados à expansão urbana.
1. Os estudantes podem mencionar mudanças como a construção de diversos edifícios altos na orla da praia e a ocupação da encosta do morro Dois Irmãos. Também podem indicar a retirada da vegetação litorânea e a construção de um calçadão.
2. Os estudantes podem apontar elementos naturais, como a praia e o morro Dois Irmãos, e um elemento construído pelo ser humano: a avenida e seu traçado.
Urbanização e transformação das paisagens
A urbanização acelerada e o trabalho humano transformaram as paisagens do Sudeste de forma intensa. A área urbana cresceu e surgiram novas construções, bairros, ruas e avenidas. Algumas edificações foram demolidas para dar espaço a outras, mas muitas permaneceram.
Observe as fotografias.
de Ipanema no Rio de Janeiro (RJ) e morro Dois Irmãos ao fundo, em 1911.
Bairros de Ipanema e Leblon no Rio de Janeiro (RJ) e morro Dois Irmãos ao fundo, em 2025.
1 Compare as imagens e depois descreva as mudanças que podem ser observadas.
2 Quais foram os elementos que permaneceram?
Veja respostas e orientações no Encaminhamento. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
3 Pergunte às pessoas que moram com você se elas têm fotografias antigas do seu lugar de vivência. Compare-as com o lugar atualmente. Quais mudanças e permanências você observa?
Os estudantes devem relatar transformações, como construções
de novos prédios, ruas e avenidas, e permanências, como marcos históricos e monumentos.
Texto de apoio
Apesar do entendimento de que existe uma urbanização extensiva do território, é importante considerar o sentido desta urbanidade em que o consumo e as formas de produção parecem, cada vez mais, diluir a antiga dicotomia rural-urbana. O conceito de continuum rural-urbano passa a dominar a agenda dos pesquisadores e gestores que postulam não haver uma distinção muito grande entre a vida urbana e rural. O urbano não deixa de existir onde começa o rural; na verdade eles se entrelaçam, se sobrepõem e se imbricam, originando padrões de ocupação que se diferenciam ao longo de um continuum de espaços rurais e urbanos.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Proposta metodológica para classificação dos espaços do rural, do urbano e da natureza no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102019. Acesso em: 25 set. 2025.
Bairro
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
A expansão da mancha urbana e a diminuição das áreas rurais são evidências do processo de urbanização.
Mancha urbana é a área em que se concentram as construções em uma cidade, como prédios, casas e avenidas. Nela também se concentram o comércio, os serviços e os habitantes.
Observe as imagens de satélite.
Mancha urbana de Uberlândia (MG) em 1984, 1995, 2010 e 2020.
4 O que pode ser observado nas imagens de satélite?
Os estudantes devem
responder que é possível ver o aumento da mancha urbana ao longo do tempo.
5 Em qual direção houve a expansão urbana da cidade de Uberlândia?
Os estudantes podem responder que a mancha urbana cresceu ao redor do centro da cidade em todas as direções.
Texto de apoio
As imagens de satélite advindas da tecnologia do sensoriamento remoto podem tornar-se potenciais recursos didático-pedagógicos para o ensino de diversas disciplinas, principalmente em Geografia. [...] [...]
As imagens de satélite podem se configurar como potenciais recursos didático-pedagógicos se devidamente empregadas. O aspecto colorido, a possibilidade de ver espaços como o vivido sob uma ótica diferente e de acompanhar as mudanças ocorridas na superfície terrestre de maneira instantânea, por si só são capazes de promover no aluno a motivação inicial necessária a todo processo de aprendizagem.
CORAZZA, Rosana; PEREIRA FILHO, Waterloo. O uso de imagens de satélite no ensino de geografia com ênfase nas teorias dos níveis de desenvolvimento cognitivo e do construtivismo de Jean Piaget. Geo UERJ, Rio de Janeiro, ano 10, v. 2, n. 18, p. 165-185, 2008. Disponível em: https://www.e-publicacoes. uerj.br/geouerj/article/view/1394/1184. Acesso em: 25 set. 2025.
Incentive a turma a comparar as imagens de satélite da mancha urbana de Uberlândia, em Minas Gerais, em 1984, 1995, 2010 e 2020. Aponte que, na imagem de 1984, o território já era ocupado, incentivando-os a observar a delimitação da mancha urbana ao centro da imagem. Também é possível solicitar aos estudantes que tracem os limites da mancha urbana. Para isso, eles devem colocar uma folha de papel vegetal sobre a página e traçar a área correspondente à mancha urbana de cada fotografia, com cuidado para não marcar as páginas do livro com a pressão do lápis. Peça que, após realizada essa etapa, pintem as representações cartográficas que fizeram e criem uma legenda para indicar a mancha urbana em cada uma. Comente que, até 2020, a área urbana de Uberlândia cresceu aproximadamente o dobro da área urbana existente em 1990. Explique que, em 1990, o território da área urbana do município era de 102,72 km2 ; já em 2020, passou a 205,96 km 2 (AQUINO, G. S. de et al . Análise de crescimento da mancha urbana da cidade de Uberlândia-MG. In: SIMPÓSIO LUSO-BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL, 21., 2024, Recife. Anais [...]. Recife: Silubesa, 2024. Disponível em: https://abes-dn.org.br/ anaiseletronicos/21silubesa_ download/494_tema_vi.pdf. Acesso em: 25 set. 2025). Ressalte que também pode ocorrer crescimento da população urbana sem aumento da mancha urbana, por meio de verticalização.
(EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.
ENCAMINHAMENTO
Inicie o trabalho com o tema questionando os estudantes: você ou sua família costumam se deslocar para outras cidades? Explique que campo e cidade dependem um do outro e estabelecem uma rede de interdependência. Essas conexões permitem que pessoas, mercadorias e informações circulem de um local a outro. Quanto mais conexões uma cidade tem, geralmente mais serviços ela oferece.
1. Resposta de acordo com o município onde os estudantes moram. Caso eles não morem em uma região metropolitana, auxilie-os a identificar a região metropolitana mais próxima. É importante observar que, em alguns casos, pode haver mais de uma região metropolitana próxima, como nos municípios situados ao sul do estado do Rio de Janeiro ou ao norte de São Paulo.
2. Resposta conforme o lugar de vivência dos estudantes. No Rio de Janeiro, a região metropolitana do Rio de Janeiro é composta de 22 municípios. O estado de São Paulo tem nove regiões metropolitanas. A região metropolitana de São Paulo é composta de 39 municípios. A região metropolitana de Campinas, de 20 municípios. A região metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, de 39 municípios. A região metropolitana de Sorocaba, de 27 municípios. A região metropolitana da Baixada Santista, de 9 municípios. A região
Metrópoles e hierarquia urbana
Você já reparou que existem cidades que concentram mais pessoas, oferta de trabalho, comércio e serviços? As cidades mais importantes, com alta concentração populacional e que influenciam diretamente as cidades mais próximas, uma região ou até mesmo o país inteiro, são chamadas metrópoles.
Metrópole é uma cidade de grande porte que apresenta alto poder de atração sobre as populações de cidades próximas.
As quatro capitais estaduais sudestinas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória, são metrópoles. Além delas, há Campinas, localizada no interior do estado de São Paulo. Essas cidades apresentam municípios vizinhos que estão fortemente integrados entre si e que podem formar regiões metropolitanas, de acordo com a legislação. Além das regiões metropolitanas dessas metrópoles, a região Sudeste apresenta outras regiões metropolitanas. Observe o mapa.
Sudeste: regiões metropolitanas (2021)
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
metropolitana
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 151.
1 Você mora em uma região metropolitana ou próxima a alguma?
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
2 Pesquisem quantos e quais são os municípios que compõem a região metropolitana onde vocês moram. Caso vocês não morem em uma região metropolitana, faça a pesquisa considerando a mais próxima de você.
metropolitana de Ribeirão Preto, de 34 municípios. A região metropolitana de Piracicaba, de 24 municípios. A região metropolitana de São José do Rio Preto, de 37 municípios. A região metropolitana de Jundiaí, de 7 municípios. No Espírito Santo, a região metropolitana de Grande Vitória integra 7 municípios. Em Minas Gerais, a região metropolitana de Belo Horizonte é composta de 34 municípios. A região metropolitana do Vale do Aço é composta de 26 municípios (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Recorte metropolitano. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/apps/ quadrogeografico/#/mapa. Acesso em: 25 set. 2025).
Trópico de Capricórnio
São Paulo Rio de Janeiro
Belo Horizonte
As cidades da região Sudeste estão interligadas em uma rede urbana e exercem influência umas sobre as outras. A ordem de influência das cidades em uma rede urbana é chamada hierarquia urbana. Quanto maior a disponibilidade de comunicação, transportes, serviços e oferta de trabalho, mais influência uma cidade exerce.
Observe o esquema e o mapa para conhecer a hierarquia urbana da região Sudeste.
Capitais
hierarquia urbana (2018)
1 São os principais núcleos urbanos da região.
2 São núcleos urbanos importantes, com grande grau de influência.
3 Exercem influência sobre vários municípios em seu entorno.
4 São cidades de menor porte e que influenciam poucas cidades vizinhas.
5 São cidades de influência restrita aos limites do próprio município.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Regiões de Influência das Cidades 2018 Rio de Janeiro: IBGE, 2020. p. 12.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
3 Observe o mapa Sudeste: hierarquia urbana (2018). Anote no caderno:
a) o nome da grande metrópole nacional; b) o nome da metrópole nacional; c) os nomes de duas metrópoles.
São Paulo.
Rio de Janeiro.
Campinas, Vitória e Belo Horizonte.
Sugestão para os estudantes
MUSEU DA CIDADE DE SÃO PAULO. São Paulo, c2025. Disponível em: https://www.museuda cidade.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 25 set. 2025.
MUSEU HISTÓRICO DA CIDADE. Rio de Janeiro, c2025. Disponível em: https://museudacida dedorio.com.br/pt. Acesso em: 25 set. 2025.
MUSEU SOLAR MONJARDIM. Vitória, c2025. Disponível em: https://vitoria.es.gov.br/semc/museu-solar-monjardim. Acesso em: 25 set. 2025. Conheça um pouco mais sobre as maiores metrópoles de cada estado sudestino visitando as páginas virtuais dos museus que contam sua história.
Analise com os estudantes o mapa Sudeste: hierarquia urbana (2018). Verifique se compreendem como as cidades da região Sudeste se relacionam dentro da hierarquia urbana. Observe se conseguem identificar a grande metrópole nacional (São Paulo), a metrópole nacional (Rio de Janeiro) e as metrópoles Belo Horizonte e Vitória. Uma possibilidade é solicitar aos estudantes que façam o contorno do mapa Sudeste: hierarquia urbana (2018) em uma folha de papel vegetal e localizem as metrópoles da região. Eles também podem usar ferramentas digitais para obter a base cartográfica. Peça aos estudantes que pintem a representação cartográfica que elaboraram e criem uma legenda com a indicação dos pontos localizados por eles. Explique como essas cidades influenciam amplas áreas ao redor e concentram serviços, como atendimento médico especializado e instituições de pesquisa científica. Indique também as capitais regionais, os centros sub-regionais e os centros de zona. Para aproximar o mapa da realidade dos estudantes, pergunte a eles se conhecem alguém que já precisou se deslocar para outra cidade a fim de obter tratamento médico, estudar ou encontrar um emprego. Leve os estudantes a comparar a realidade do município onde vivem e as hierarquias urbanas maiores, incentivando-os a perceber as diferenças e semelhanças intrarregionais.
Sudeste:
Trópico de Capricórnio
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
ENCAMINHAMENTO
Auxilie os estudantes na leitura do mapa Sudeste: rede de transporte (2024). Questione: quais estados têm portos? Espera-se que percebam que apenas Minas Gerais não tem portos indicados no mapa, pois não tem acesso ao mar. Qual estado tem mais estações em ferrovias? Espera-se que concluam que se trata de Minas Gerais e associem, por exemplo, a presença de estações ao transporte de minérios, uma importante atividade econômica do estado. Há maior extensão de hidrovias ou rodovias na região? Espera-se que concluam que há uma maior extensão de rodovias.
Incentive os estudantes a observar a expansão da malha rodoviária no Sudeste. Comente que a região tem quase 12 mil quilômetros de rodovias federais pavimentadas, o que equivale a cerca de 18% das rodovias do país (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA. Panorama da infraestrutura : região Sudeste. Brasília, DF: CNI, 2024. Disponível em: https://static.portaldaindus tria.com.br/portaldaindustria/ noticias/media/filer_public/ ec/24/ec245cb8-1767-4fbf -8822-46d4a01a7035/panora ma_da_infraestrutura_da_re giao_sudeste.pdf. Acesso em: 25 set. 2025).
2. Resposta pessoal. Podem ser utilizados veículos automotivos particulares, como o carro, ou coletivos, como ônibus, além do transporte ferroviário, como o trem. Considere também a possibilidade de uso de embarcações, como balsas.
1. Espera-se que os estudantes reconheçam São Paulo, maior cidade do Sudeste e do Brasil, como a que tem maior número de conexões no mapa da rede de transportes.
Rede de transportes e meios de comunicação
É comum que as pessoas se desloquem de uma cidade para outra, por exemplo, para ir a uma consulta médica ou para frequentar a faculdade. Geralmente, as pessoas das cidades pequenas buscam nas cidades maiores serviços que não existem em suas cidades.
Os meios de comunicação são recursos e tecnologias que fazem a interligação entre as cidades e entre os espaços urbanos e rurais. É pelos meios de comunicação que trafegam dados e informações, como notícias, mensagens de texto e de áudio ou um pix, por exemplo.
As cidades do Sudeste também estão conectadas entre si por diferentes meios de transporte que circulam por vias de circulação interligadas em uma rede de transportes. Essa rede também conecta as cidades e o campo da região e permite que mercadorias e pessoas sejam transportadas de um município para o outro.
Veja as principais vias de transporte da região Sudeste no mapa.
1 Observe o mapa. Qual capital da região parece ser a mais conectada?
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
2 Quais meios de transporte são utilizados pelas pessoas da cidade de seu município quando precisam ir até outra cidade?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
IBGEEDUCA. Viajando pelo Brasil . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/2545-ie-ibge-educa/professores/educa -atividades/21155-viajando-pelo-brasil.html. Acesso em: 25 set. 2025. A atividade proposta no link trabalha dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua no terceiro trimestre de 2019, relacionados ao turismo. Ressalte com os estudantes o fato de os dois estados do Brasil que mais receberam visitantes nesse período serem do Sudeste: São Paulo e Minas Gerais. Discuta como uma rede de transporte ampla também pode auxiliar o incremento do turismo e, em seguida, convide os estudantes a realizar a atividade proposta no site do IBGEeduca.
Belo Horizonte
de Janeiro
Sudeste: rede de transporte (2024)
DIÁLOGOS
As maiores favelas do Brasil
Com a urbanização acelerada do Brasil, muitas cidades passaram a enfrentar problemas causados pela falta de políticas públicas que atendessem às novas moradias, como cobertura de saneamento básico, calçamento adequado, iluminação pública, entre outros serviços.
Nesse contexto, surgiram as favelas na paisagem urbana brasileira. Hoje em dia, apesar de evidenciarem as desigualdades sociais, as favelas são comunidades com atividade comercial intensa e importante produção cultural.
Dados do levantamento Favelas e Comunidades Urbanas do Censo 2022 apontam que, entre as 12 348 Favelas e Comunidades Urbanas do país, a Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ), era a mais populosa, seguida por Sol Nascente, em Brasília (DF), Paraisópolis, em São Paulo (SP), e Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, no Rio de Janeiro (RJ). Observe o gráfico.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022: Brasil tinha 16,4 milhões de pessoas morando em Favelas e Comunidades Urbanas. Agência IBGE Notícias, 8 nov. 2024. Disponível em: https:// agenciadenoticias.ibge.gov. br/agencia-noticias/2012agencia-de-noticias/ noticias/41797-censo-2022brasil-tinha-16-4-milhoes-depessoas-morando-em-favelase-comunidades-urbanas. Acesso em: 21 set. 2025.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
TCT: Cidadania e civismo: vida familiar e social.
ENCAMINHAMENTO
As políticas públicas para moradias populares, nas esferas federal, estadual e municipal, são muito importantes para garantir qualidade de vida e uma urbanização adequada em locais de favelas.
NÃO ESCREVA
1 Identifique no gráfico os nomes das favelas localizadas na região Sudeste.
Rocinha (RJ), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus/Alfredo Nascimento (RJ), Rio das Pedras (RJ) e Heliópolis (SP).
2 Quais políticas públicas para moradia você conhece? São políticas federais, estaduais ou municipais?
Atividade complementar
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
Divida a turma em grupos e oriente-os a conversar sobre os motivos de existirem diferentes tipos de moradia. Cada grupo deverá anotar na lousa as principais ideias de forma resumida. Oriente-os a escrever utilizando um formato maior e mais grosso de letra, que seja visível para os colegas que sentam mais ao fundo da sala e para os com baixa visão.
Todas as ideias deverão ser lidas pela turma. Ao final, oriente os estudantes a registrar no caderno um resumo de todas as ideias levantadas pelos colegas.
Ao trabalhar o surgimento das favelas na paisagem urbana, comente com os estudantes que a Central Única das Favelas (Cufa) é uma organização brasileira que atua há 25 anos nas áreas de família, saúde, economia, empreendimento, esportes, direitos humanos, cultura e ação humanitária. A discussão sobre as ações da Cufa e outras ações de melhoria de vida nas favelas pode ser explorada de modo a trabalhar o TCT Cidadania e civismo: vida familiar e social Ao analisar as condições de moradia do Brasil, considere, em seu planejamento, que o Censo demográfico será visto em detalhe no Capítulo 1 da Unidade 4. 2. Resposta pessoal. Em âmbito federal, os estudantes podem conhecer programas habitacionais federais para a ampliação da oferta de moradias populares e financiamento de moradias para pessoas de renda mais baixa. Também poderão ser citados programas locais de ampliação da cobertura de saneamento básico, por exemplo.
NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
ENCAMINHAMENTO
Apresente aos estudantes as funções dos diferentes níveis de governo. Uma possibilidade é estruturar um organograma na lousa. Por exemplo: o governo federal é responsável por regulações na saúde, na educação, na economia e nas forças armadas, entre outros; o governo estadual é responsável por atendimentos de saúde, oferecimento do ensino médio, sistema de metrô, polícia militar, entre outros. O governo municipal é responsável por postos de saúde, creches, escolas de educação infantil e anos iniciais, guarda civil municipal, limpeza pública, entre outros.
1. Resposta de acordo com a localidade dos estudantes. Se necessário, auxilie a turma a pesquisar a resposta.
Cidades e administração pública
Os estados brasileiros são administrados por três poderes: o executivo, formado pelo governo estadual e suas secretarias; o legislativo, formado pela assembleia legislativa; e o judiciário, composto de comarcas e tribunais de justiça. As sedes desses poderes estão situadas na capital estadual, que é a cidade politicamente mais importante do estado.
Os municípios, por sua vez, possuem suas próprias administrações divididas em dois poderes: a prefeitura, poder executivo exercido pelo prefeito e secretários; e a câmara municipal, poder legislativo exercido pelos vereadores. Ainda que todos os municípios brasileiros tenham sua autonomia, por exemplo para criar suas leis, seu funcionamento não pode estar em contradição com as leis e as políticas públicas do estado e do país. Este é um dos princípios da República Federativa.
Autonomia: capacidade de agir com independência.
Embora esses poderes políticos governem tanto o espaço rural como o espaço urbano, é sempre nas cidades que ficam suas sedes, mesmo nos municípios onde a agricultura é a atividade econômica mais importante.
1 Quem é o prefeito, ou prefeita, de seu município?
2 Quais vereadores de seu município você conhece?
Resposta de acordo com
o lugar de vivência dos estudantes. Se necessário, auxilie a turma a pesquisar a resposta.
3 Cite um exemplo de proposta do prefeito e dos vereadores do seu município que pode beneficiar a população em geral. Anote-o no caderno.
106
Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. É importante ter claras quais são as funções do prefeito e dos vereadores e as propostas que beneficiem a população em geral, e não apenas um pequeno grupo.
Sugestão para o professor
FAGUNDES, Thiago; TEODORO, Rafael. Bertha Lutz abriu caminho para o voto feminino e outras conquistas . Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 15 fev. 2021. Disponível em: https://www.camara.leg.br/internet/agencia/infograficos-html5/a-conquista-do-voto-feminino/ bertha-lutz.html. Acesso em: 26 set. 2025.
Bertha Lutz nasceu em São Paulo, formou-se em Biologia na França e trabalhou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Em 1936 foi eleita deputada federal e foi figura central na luta pelos direitos políticos das mulheres no Brasil. Em sua homenagem, o Senado criou um Diploma concedido a pessoas que se destacam na defesa do direito das mulheres. No link indicado, é possível saber mais sobre a vida de Bertha Lutz e baixar um livro acerca do tema.
Câmara Municipal em Vargem Bonita (MG), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Representatividade feminina
Entre 2021 e 2024, somente oito em cada 100 municípios sudestinos tinham o poder executivo exercido por uma mulher, apesar de mais da metade da população do Sudeste ser composta de mulheres.
Brasil: mulheres prefeitas por região, a cada 100 municípios (2021-2024)
Nordeste: 17 prefeitas a cada 100 municípios
Norte: 15 prefeitas a cada 100 municípios
Centro-Oeste: 12 prefeitas a cada 100 municípios
Fonte: MULHERES no comando dos governos locais. Rio de Janeiro: Instituto Alziras, c2025. Disponível em: https://prefeitas. institutoalziras.org.br/censo/. Acesso em: 26 ago. 2025.
VOCÊ DETETIVE
Sudeste: 8 prefeitas a cada 100 municípios Sul: 9 prefeitas a cada 100 municípios
Resposta de acordo com o município onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.
1. Você sabe quem são as mulheres na política de seu município? Entreviste adultos em sua escola ou em sua família para descobrir. Para isso, siga as orientações do professor.
DESCUBRA MAIS
A CONQUISTA do voto feminino. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, c2025. Disponível em: https://www.camara.leg.br/internet/agencia/infograficos-html5/ a-conquista-do-voto-feminino/index.html. Acesso em: 2 set. 2025. O texto conta a história da representatividade política feminina no Brasil.
ENCAMINHAMENTO
Auxilie os estudantes a ler os dados dispostos no infográfico Brasil: mulheres prefeitas por região, a cada 100 municípios (2021-2024). Se possível, trabalhe em interdisciplinaridade com Matemática e oriente-os a construir um gráfico de barras para trabalhar essas informações. Para isso, instrua-os a compor as regiões no eixo horizontal do gráfico e a quantidade de prefeitas a cada 100 municípios no eixo vertical.
Em Você detetive, oriente os estudantes a realizar as seguintes questões, de forma a valorizar a oralidade e a memória na relação com os entrevistados: nosso município tem ou já teve mulheres prefeitas? Se sim, quem foram elas? É comum que mulheres se candidatem ao cargo? Há ou já houve vereadoras eleitas? Quem são elas?
Os estudantes deverão identificar por meio de pesquisa quais e quantas mulheres já foram prefeitas, vereadoras ou se candidataram a esses cargos no município onde vivem. Verifique
se conseguem perceber como os dados pesquisados constroem uma informação importante a respeito da representatividade feminina no município, em articulação com a habilidade EF03CO04 da BNCC da Computação. Incentive o debate a respeito da participação política das mulheres no município onde os estudantes moram.
Sugestão para o professor
REPRESENTATIVIDADE feminina é essencial para coibir violência de gênero, indica debate. Brasília, DF: Agência Senado, 19 nov. 2024. Disponível em: https://www12. senado.leg.br/noticias/mate rias/2024/11/19/representati vidade-feminina-e-essencial -para-coibir-violencia-degenero-indica-debate. Acesso em: 26 set. 2025.
Se possível, selecione trechos do artigo para exibir aos estudantes. Comente com a turma que a representatividade feminina é essencial na administração pública, auxiliando a diminuir a violência contra a mulher no Brasil.
BNCC
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
(EF03CO04) Relacionar o conceito de informação com o de dado.
Trópico de Capricórnio
OCEANO ATLÂNTICO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
ENCAMINHAMENTO
Comente com os estudantes que o abolicionismo da escravidão no Brasil envolveu diversos personagens sociais, tais como políticos, jornalistas, ex-escravizados, advogados, entre outros. Quanto ao movimento republicano, comente que, na época, o Sudeste concentrava as principais atividades econômicas e a elite, principalmente, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, a quem muito interessava o fim da monarquia. A República brasileira, proclamada em 1889, consolidou a região Sudeste como o centro político e econômico do país, principalmente, durante a política do café com leite, em que as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais controlavam o poder. Essa hegemonia foi reforçada pela forte produção cafeeira e, posteriormente, pela industrialização.
1. Espera-se que os estudantes descubram nomes de ruas, praças, escolas ou outros espaços públicos que homenageiam abolicionistas.
Cidades e poder político
As cidades são o centro das decisões políticas há muito tempo. Um exemplo é a abolição da escravidão no Brasil, em 1888. Ainda que grande parte do trabalho de pessoas escravizadas fosse realizado no espaço rural, como as fazendas de café, foi no espaço urbano que os movimentos pelo fim da escravidão ganharam força. Eram chamados de movimentos abolicionistas e ocorreram em diferentes localidades do país.
Também foi nas cidades que ganhou força o movimento republicano. Ele defendia o fim da monarquia no Brasil e a organização política do país em uma República. Foi um movimento que se espalhou pelas mais diversas cidades do Sudeste e do Brasil e alcançou seu objetivo em 15 de novembro de 1889. A partir daí, as antigas províncias passaram a ser estados.
Busto em homenagem a Luiz Gama em São Paulo (SP), em 2024. Em muitos municípios, abolicionistas são homenageados em nomes de ruas, praças, escolas ou outros espaços públicos.
Em uma República, o governo é exercido por pessoas eleitas, ao contrário da monarquia onde o principal governante do país ocupa o cargo por ser o herdeiro do trono na família real.
QUEM É?
Nascido na Bahia, Luiz Gama (1830-1882) viveu por décadas em São Paulo, onde se alfabetizou aos 17 anos de idade, conquistou sua liberdade e estudou direito. Foi uma das mais importantes lideranças abolicionistas no Sudeste. Era filho de Luísa Mahin, que se destacou na luta abolicionista e está inscrita no Livro de heróis e heroínas da pátria
1 Com o auxílio do professor, descubra se existem espaços públicos que homenageiam abolicionistas no município onde você vive ou nas proximidades.
2 Em seguida, pesquise sobre um deles em livros e na internet, destacando suas contribuições para a sociedade.
Os estudantes devem pesquisar as contribuições sociais e políticas dos abolicionistas citados por eles na atividade anterior. É importante a supervisão de um adulto ao acessar a internet.
Atividade complementar
Organize com os estudantes uma pesquisa sobre a participação de outros personagens que atuaram nos movimentos abolicionistas e republicano sudestinos. Divida-os em grupos e oriente-os a pesquisar sobre figuras históricas como: José do Patrocínio, Aristides Lobo, Quintino de Lacerda, Antônio Bento, Joaquim Saldanha Marinho, Rangel Pestana, Quintino Bocaiuva, Francisco Glicério, entre outros. Eles também poderão pesquisar associações abolicionistas femininas no Rio de Janeiro, como a Libertadoras do Município (fundada em 1883) e o Clube Abolicionista José do Patrocínio (criado em 1881), e associações mistas, como a Sociedade da Libertação (criada em 1871).
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Luiz Gama.
No Sudeste republicano, nem todos os estados conservaram suas capitais. Veja um pouco sobre a origem das cidades que hoje abrigam as capitais sudestinas.
Belo Horizonte (MG)
Ouro Preto (antiga Vila Rica) foi capital de Minas Gerais desde sua fundação, em 1711, até 1897, quando foi substituída por Belo Horizonte. Belo Horizonte foi criada por lei em 1893 e passou a ser construída de forma planejada com o objetivo de ser capital. Foi inaugurada, ainda em construção, no dia 12 de dezembro de 1897. Entretanto, a data comemorativa do município é 15 de agosto, dia de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Rio de Janeiro
A cidade foi fundada por Estácio de Sá, em 1o de março de 1565. Foi a segunda cidade fundada no Brasil e a capital do país de 1763 a 1960. A data comemorativa da cidade é 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade.
Vitória (ES)
A cidade foi fundada em 8 de setembro de 1551, após a vitória dos colonizadores contra os indígenas Goitacás. Para lá foi transferida a capital da Capitania, que, anteriormente, era na atual Vila Velha. Em 1823, foi elevada à categoria de cidade. É uma das três capitais brasileiras situadas em uma ilha. Sua data comemorativa é 8 de setembro.
São Paulo (SP)
A cidade foi fundada como Colégio Jesuíta em 25 de janeiro de 1554 onde hoje está o Pátio do Colégio. Em 1661, tornou-se capital da Capitania de São Vicente e, em 1815, capital da província de São Paulo. A data comemorativa dos paulistanos é 25 de janeiro.
3 Pesquisem sobre a fundação do município onde vocês vivem. Depois, escrevam no caderno o que acharam mais importante. NÃO ESCREVA NO LIVRO. Resposta pessoal. Os estudantes poderão selecionar informações como data de fundação e principais nomes envolvidos.
Sugestão para os estudantes
Solicite aos estudantes que descrevam as imagens que representam as capitais sudestinas. Oriente a descrição: quais elementos naturais são visíveis nas imagens? Quais elementos humanizados podem ser observados? O que as imagens têm em comum? Espera-se que eles percebam que duas das capitais sudestinas se localizam no litoral brasileiro (Vitória, no Espírito Santo, e Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro). Também é esperado que eles notem que todas as capitais sudestinas têm grande quantidade de elementos humanizados, pois são grandes centros urbanos. 3. Organize os estudantes em grupo para realizar a pesquisa sobre a fundação do município onde vivem. Verifique se há um marco zero, como monumento ou ponto geográfico, ao qual seja possível levar a turma. Se houver, solicite autorização previamente aos familiares e à direção da escola, bem como liste os itens necessários durante a atividade, como garrafa de água, protetor solar, calçados e roupas confortáveis, caderno para anotações, entre outros. Pesquise sobre a importância desse marco para o município para apresentá-lo à turma.
03/10/2025 16:26
LIVRO de heróis e heroínas da pátria. Brasília, DF: Agência Senado, 5 abr. 2023. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2023/03/conheca-os-herois-e-as-heroinas -da-patria. Acesso em: 28 set. 2025. Se possível, acesse o Livro de heróis e heroínas da pátria junto aos estudantes, traçando paralelos entre as figuras presentes nele e o conteúdo sobre movimentos abolicionistas e republicano visto no Livro do estudante. Verifique com a turma se alguma das figuras presentes na obra é também um personagem importante para a fundação de alguma cidade do Sudeste.
Cidade de Belo Horizonte (MG), em 2025.
Cidade de Vitória (ES), em 2021.
Avenida Paulista em São Paulo (SP), em 2024.
Enseada de Botafogo no Rio de Janeiro (RJ), em 2025.
ENCAMINHAMENTO
Oriente os estudantes para que respondam às perguntas da seção no caderno. Determine se eles podem ou não consultar o livro para responder a elas, considerando as diferentes necessidades de aprendizagem na turma. Lembre-se de que as atividades da seção podem ser utilizadas como uma das formas de avaliação dos estudantes, mas não se trata da única proposta avaliativa ao longo da obra.
1. a) Os estudantes podem descrever muitas transformações, como a impermeabilização do solo, a construção de diversos edifícios modernos, o desaparecimento da lagoa e a mudança das atividades praticadas, como a criação de gado. Trabalhe em interdisciplinaridade com Arte, ressaltando como pessoas e cenários foram caracterizados na obra de Leandro Joaquim. Comente que se trata de um pintor carioca e que a obra Lagoa do Boqueirão e Aqueduto da Carioca foi inicialmente concebida em uma série de seis painéis ovais que figurariam no Passeio Público do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro. Se possível, leia o resumo descritivo disponível no link a seguir e peça aos estudantes que localizem os elementos indicados na reprodução da obra enquanto você realiza a leitura: BRASILIANA MUSEUS. Lagoa do Boqueirão e Aqueduto da Carioca. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, c2025. Disponível em: https://brasiliana.museus. gov.br/acervos/lagoa-do -boqueirao-e-aqueduto -da-carioca. Acesso em: 28 set. 2025.
PARA REVER O QUE APRENDI
1 Leia o texto, observe as imagens e depois responda às questões. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
O processo de urbanização no Sudeste exigiu obras para tornar as cidades mais limpas e higiênicas, evitando a propagação de doenças. A primeira dessas obras foi o Aqueduto do Rio Carioca, no Rio de Janeiro (RJ), inaugurado em 1750, para o abastecimento de água. A construção permanece hoje sem a função de transportar água, mas tornou-se um ponto turístico da capital fluminense e uma via de acesso ao bairro de Santa Tereza, por bonde — são os chamados Arcos da Lapa.
Arcos da Lapa no Rio de Janeiro (RJ), em 2018.
Lagoa do Boqueirão e Aqueduto da Carioca, de Leandro Joaquim, 1790. Óleo sobre tela, 126 cm x 96 cm.
a) Descreva as transformações observadas na paisagem ao longo do tempo.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
b) Qual elemento da paisagem permaneceu?
Os arcos são o elemento que permaneceu.
Texto de apoio
Apesar da democratização do acesso à escola aos alunos com deficiência, indicadores apontam que a exclusão se tem manifestado de outras e diversas formas no sistema de ensino, como também, tradicionalmente, as práticas de avaliação desenvolvidas, baseadas, na maior parte, em medidas quantitativas que desconsideram o processo e valorizam o produto do aprendizado escolar. Esses aspectos têm-se constituído em práticas pouco favoráveis à inclusão (Oliveira; Valentim; Silva, 2013). A avaliação contribui para criar as hierarquias sociais que consolidam a sociedade atual. A escola, por exemplo, revela duas direções distintas ao denominar de avaliação o que se caracteriza, de fato, como a prática de exame. Pedagogicamente, as ações são direcionadas aos exames, que, dissociados da aprendizagem [...] conduzem à política da reprovação [...]
2 Observe as fotografias e depois responda às questões:
Comércio ambulante em Paraty (RJ), em 2024.
Agricultor em plantação de tomates em Araguari (MG), em 2025.
a) Identifique qual das imagens apresenta um trabalho em área urbana.
A fotografia 1
b) Descreva as características do trabalho nas duas imagens.
2. b) Na fotografia 1, há um vendedor ambulante com um carrinho na área urbana de Paraty. Trata-se de uma atividade do setor de serviços, no caso, bastante ligada às atividades turísticas da cidade. A fotografia 2 retrata um trabalhador do campo em uma plantação de tomates. Trata-se de uma atividade de agricultura, em geral presente nas áreas rurais.
3 No caderno, escreva os principais estados produtores no Sudeste para cada tipo de indústria.
a) Automobilística.
São Paulo e Minas Gerais. Veja resposta no Encaminhamento.
c) Siderurgia e metalurgia.
b) Têxtil.
d) Aeronáutica.
Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
e) Naval.
Rio de Janeiro.
g) Alimentícia.
São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Minas Gerais.
São Paulo.
f) Petroquímica, química e farmacêutica.
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
4 Quais são as principais atividades econômicas desenvolvidas no espaço rural do Sudeste? Cite exemplos.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Autoavaliação de acordo com a resposta dos estudantes.
Escolha uma das opções da legenda para responder às questões.
Sim. Apenas uma parte. Ainda não, mas chego lá.
a) Eu me dediquei a todas as atividades pedidas pelo professor?
b) Realizei a leitura do texto e a interpretação das imagens e dos mapas?
c) Compreendi as características dos espaços urbanos e rurais da região Sudeste e posso aplicar esse tema no meu dia a dia?
03/10/2025 16:26
Familiares/responsáveis, ao serem indagados no tocante às sugestões para a avaliação do ensino-aprendizagem, deixaram evidentes suas angústias em relação ao tema. Uma vez que, para a pessoa com deficiência intelectual, o déficit cognitivo se sobressai como um desafio constante, e ao mesmo tempo, a escola que esses familiares e responsáveis estudaram corresponde a um modelo tradicionalmente excludente. Eles vivenciaram essas realidades em seus bancos escolares e demonstraram preocupação em relação ao modelo avaliativo, sugerindo que o formato seja condizente com o que o aluno pode fazer, procurando meios de descobrir o que ele faz, em vez de apenas quantificar erros por intermédio das notas escolares, como evidenciado nas escolas regulares.
MENDONÇA, Andreia Vieira de; VIANA, Tania Vicente; NASCIMENTO, Karla Angélica Silva do. A Avaliação do ensino-aprendizagem de pessoas com deficiência intelectual na escola regular em tempos de pandemia. Educação e pesquisa, São Paulo, n. 49, 17 jul. 2023. Seção temática: Educação em contexto de crise sanitária causada pela Covid-19. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/ nG7rKyz85cSVh39kdW5KyrB/?lang=pt. Acesso em: 28 set. 2025.
4. Os estudantes devem responder que a agropecuária, o extrativismo animal e mineral e a agroindústria são as principais atividades do campo no Sudeste. Eles podem citar como exemplos o cultivo de laranja, soja e milho, a criação de bovinos, galináceos e suínos, a pesca artesanal e industrial e a extração de ferro, petróleo, água mineral e sal-gema. Na autoavaliação , oriente os estudantes para que considerem tanto o que aprenderam quanto suas dificuldades e atitudes durante o aprendizado. Peça que atentem aos ícones dispostos na legenda. Eles podem copiá-los no caderno para indicar o que aprenderam bem, o que aprenderam parcialmente e o que ainda não aprenderam.
INTRODUÇÃO À UNIDADE
A Unidade 4 aborda diversos aspectos da vida das pessoas na região Sudeste sob o ponto de vista da Geografia e da História. Características populacionais, incluindo desigualdades, tendências migratórias, diversidade de modos e condições de vida, são debatidas no Capítulo 1. O Capítulo 2 propõe discutir as relações entre sociedade, meio ambiente, sustentabilidade e soluções para um futuro melhor na região.
Ao longo desta unidade, serão desenvolvidos conceitos relacionados às questões sobre demografia, como Censo, movimentos migratórios, densidade demográfica, população plural e desigualdades; esses conceitos são aplicados em reflexões sobre saúde, educação, mobilidade e sustentabilidade, bem como considerar possibilidades de atividades e profissões no futuro.
UNIDADE PESSOAS DO SUDESTE 4
Objetivos da unidade
• Reconhecer as principais características da população do Sudeste.
• Identificar diferenças e desigualdades nos indicadores populacionais da região Sudeste.
• Compreender os principais movimentos migratórios contemporâneos que envolvem a população sudestina.
• Identificar a diversidade cultural sudestina e relacioná-la à sua formação populacional.
• Avaliar as desigualdades presentes na região a partir de dados e mapas.
• Descrever o impacto das desigualdades sociais nas paisagens do Sudeste.
• Elencar perspectivas futuras a partir de compreensão do tempo presente.
A população sudestina é ampla e diversa. Para compreendê-la, é preciso olhar para ela em seus detalhes, com a ajuda de estudos e pesquisas, como é o caso do Censo Demográfico.
Além da pluralidade de culturas, as desigualdades também são características importantes na região Sudeste. Conhecer essas desigualdades é fundamental para ajudar a construir ideias e projetos que tornem nossa sociedade mais justa.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Você sabe a diferença entre diversidade e desigualdade? Procure essas palavras no dicionário.
2 Cite exemplos de diversidade que você conhece em nossa região.
3 Você já pensou em ideias para diminuir as desigualdades sociais? Se sim, quais?
ENCAMINHAMENTO
2. O estudante poderá trazer exemplos da diversidade sudestina baseando-se em etnias que compõem a população, festas populares, diferentes religiões e religiosidades, estilo musical, entre outros.
3. Explore com os estudantes ideias sobre redução de desigualdades. Entre os exemplos, podem ser citados: acesso à educação, programas de distribuição de renda, investimentos em moradia, transportes e meio ambiente, programas culturais, entre outros.
Explore com a turma alguns dos elementos naturais e culturais existentes na região Sudeste e que podem ser percebidos na ilustração: o fandango caiçara, manifestação cultural presente no litoral de São Paulo; a localização litorânea (lembre a turma de que três dos quatro estados sudestinos têm litoral: Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo); a arquitetura colonial, herança das influências culturais com forte presença na atual região Sudeste; e as bandeiras dos quatro estados que compõem a região.
1. Resposta pessoal. Acolha as respostas dos estudantes, como forma de identificar o nível de compreensão da turma sobre o tema. Em seguida, explique a eles que a diversidade diz respeito à coexistência de diferenças (étnicas e culturais, por exemplo), sendo um elemento a ser valorizado em nossa sociedade. Já a desigualdade está relacionada com a condição desfavorável de um grupo se comparado com outros (no acesso a direitos ou a serviços, por exemplo).
TCTs : Multiculturalismo: diversidade cultural; Cidadania e civismo: direitos da criança e do adolescente, educação em direitos humanos, vida familiar e social; Saúde: saúde; Meio ambiente: educação ambiental; Economia: trabalho; Ciência e tecnologia: ciência e tecnologia.
SANDRA LAVANDEIRA
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
ENCAMINHAMENTO
Considere a possibilidade de fazer um preâmbulo, antes de iniciar as discussões previstas na página, comentando com a turma a importância da pesquisa científica, explicando que ela tem, necessariamente, métodos definidos e rigorosos para investigar aquilo que se propõe. Aproveite, ainda, para tratar da importância de conferir se uma pesquisa tem credibilidade avaliando se sua fonte é idônea.
POPULAÇÃO SUDESTINA
Quando você pensa em população sudestina, o que lhe vem à cabeça? Quantas pessoas vivem no Sudeste e como elas são? Você já se perguntou como e quem contabiliza esses habitantes?
Existem pesquisas que nos ajudam a conhecer a população do Brasil e do Sudeste. Uma dessas pesquisas é o Censo, produzido pelo IBGE.
Com as informações do Censo, é possível saber quantas pessoas vivem no Brasil e as características delas. Por exemplo, é possível saber a idade e a cor delas, assim como sua renda e a quantidade de cômodos existentes em suas moradias.
O último Censo, de 2022, calculou que a população brasileira tem mais de 203 milhões de habitantes.
Brasil: população por região (2022)
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama index.html. Acesso em: 2 jul. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Observe o gráfico. No caderno, organize as regiões brasileiras em ordem crescente, de acordo com suas populações.
Sugestão para os estudantes
Recenseador coletando dados para o Censo de 2022, em Marília (SP), em 2022. Centro-Oeste, Norte, Sul, Nordeste e Sudeste.
03/10/2025
CENSO 2022: veja como é o treinamento dos recenseadores do IBGE. TV Brasil, 28 jul. 2022. Disponível em: https://tvbrasil.ebc.com.br/node/186398. Acesso em: 29 set. 2025. A reportagem mostra o processo de capacitação dos recenseadores para o Censo 2022 e valoriza a importância desses profissionais na elaboração da pesquisa populacional de maior abrangência do país.
2. Espera-se que os estudantes concluam que dados de densidade demográfica são importantes para elaboração de planejamentos e execução de políticas públicas.
Quantos somos e quem somos
De acordo com o último Censo, mais de 84 milhões de pessoas vivem na região Sudeste. Isso significa que a cada 10 pessoas que moram no Brasil aproximadamente 4 estão no Sudeste. A população sudestina é praticamente do mesmo tamanho que a população da Alemanha e maior do que a população da Argentina.
Toda essa população está distribuída em uma grande área: são 924 558 km². Esse número é maior que a área da região Sul e menor que a das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O Sudeste tem, aproximadamente, a mesma área que a Nigéria e é maior que a Espanha ou a França, por exemplo.
Sudeste: político
Espanha:
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 49.
O Sudeste tem densidade demográfica de 91,76 habitantes por quilômetro quadrado.
A densidade demográfica de um território é obtida quando dividimos o número de habitantes pela sua área.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento. Isso não significa que em todo o Sudeste seja assim. Esse valor é uma média, que serve para nos transmitir uma ideia geral.
1 Você já viu o dado de densidade demográfica sendo utilizado?
2 Discutam como o dado de densidade demográfica pode ser utilizado pelo poder público e por empresas.
ENCAMINHAMENTO
Ao trabalhar o comparativo de mapas proposto nesta página, mostre aos estudantes, em um planisfério, os países mencionados e discorra brevemente sobre escala, pois os estudantes provavelmente estão mais habituados à leitura do mapa do Brasil. Nesse momento, proponha também outras comparações entre territórios, utilizando o mapa-múndi. Caso opte por utilizar um planisfério e o material dourado, de acordo com as sugestões de encaminhamento fornecidas neste manual, providencie previamente esses materiais.
É possível, ainda, solicitar aos estudantes que, utilizando uma folha de papel vegetal sobreposta ao livro, copiem o contorno do mapa Espanha: político e, em seguida, coloquem-na sobre o mapa Sudeste: político para promover a comparação entre as áreas dos dois territórios.
1. Para essa atividade, sugerimos incluir no planejamento o uso de material dourado, se disponível. Delimite uma área que represente 1 km² e, dentro dela, disponha a quantidade de peças do
material dourado que você quer representar como o número de pessoas que, em média, vivem ali. Utilize dados de densidade demográfica do município onde vivem, de municípios vizinhos ou ainda do estado.
2. Auxilie os estudantes na discussão, explicando que os dados de densidade territorial são usados para que se entenda a concentração populacional e a distribuição de pessoas em um território. Os dados de densidade demográfica de todos os estados e municípios brasileiros estão disponíveis em: https://censo2022.ibge. gov.br/panorama, acesso em: 29 set. 2025. Uma alternativa de abordagem é, junto com o professor de Educação Física, promover uma atividade em que a turma seja distribuída em áreas diferentes. Desenhe ou marque no chão, com giz ou outro material, áreas de tamanhos diferentes e distribua os estudantes entre elas. Dê comandos diferentes para que eles troquem de área, atentando para momentos em que poucos estudantes fiquem em uma área maior, muitos fiquem em uma área menor, diferentes quantidades de estudantes fiquem em áreas do mesmo tamanho, e assim por diante. Ao final, troque percepções com eles de modo que possam construir o conceito de densidade demográfica.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
ENCAMINHAMENTO
Antes de iniciar a leitura do texto, avalie a possibilidade de promover a retomada de conteúdos estudados na Unidade 1, relembrando com os estudantes a pluralidade de paisagens da região Sudeste — tanto aquelas em que predominam elementos culturais quanto aquelas em que predominam os elementos naturais.
Complemente a leitura e a interpretação do mapa de densidade demográfica por município da região Sudeste tecendo uma importante consideração: dentro de cada município, a densidade demográfica varia (por bairro, por exemplo). Essa variação é especialmente notável quando se comparam o espaço rural e o espaço urbano do mesmo município. Aproveite para relembrar com a turma aspectos do rural e do urbano no Sudeste.
Oriente os estudantes a utilizar as direções cardeais para indicar as áreas solicitadas nas atividades..
Onde estamos?
Como você já observou, há grande diversidade de paisagens na região Sudeste e, portanto, há grande diversidade de densidades demográficas também. Em grandes cidades há bairros com muitos prédios residenciais altos: lá, a densidade demográfica é elevada; já em áreas rurais, com moradias espaçadas umas das outras, a densidade demográfica é baixa.
Quando separamos a densidade demográfica de cada município e colocamos esses dados em um mapa da região Sudeste, as diferenças entre maiores e menores densidades demográficas ficam visíveis.
Observe o mapa. Nele, os locais com maior densidade demográfica são representados com tons mais escuros, enquanto os locais com menor densidade são representados com cores mais claras.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https:// censo2022.ibge.gov. br/apps/pgi/#/mapa/. Acesso em: 17 jun. 2025
1 Onde estão as maiores densidades demográficas do Sudeste?
2 E onde estão as menores densidades demográficas da região?
Espera-se que os estudantes identifiquem as menores densidades demográficas da região na porção oeste e norte do estado de Minas Gerais. NÃO ESCREVA NO
DESCUBRA MAIS
QUANTAS PESSOAS moram no Brasil e onde vivem? IBGE Explica Censo 2022 #01. Publicado por: IBGE. 2024. 1 vídeo (ca. 4 min). Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=BAlR2C7CFRU. Acesso em: 30 jul. 2025.
O vídeo apresenta dados populacionais obtidos pelo Censo 2022 e propõe comparações a respeito da densidade demográfica no país.
116
1. As maiores densidades demográficas estão no entorno das capitais estaduais, principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são, respectivamente, as maiores metrópoles do país.
Texto de apoio
As áreas consideradas urbanas no Brasil representam menos de 1% do território nacional (0,63%) e concentram 160 milhões de pessoas, ou seja, 84,3% da população brasileira. Os dados vieram do mais detalhado trabalho de identificação de áreas urbanas já feito no País. Executado por profissionais da Embrapa Gestão Territorial (SP), o estudo [...] levou três anos para ser concluído e [...] permitiu, entre várias outras aplicações, relacionar os municípios com maior densidade populacional urbana, lista que tem no topo Nilópolis, localizado na baixada fluminense, cujos 158.309 habitantes ocupam menos de 10 km2, resultando em mais de 16 mil habitantes por quilômetro quadrado. Entre as cidades com mais de 200 mil habitantes, Diadema, na Grande São Paulo, é a que apresenta a área urbana mais densamente povoada, com média de 13.875 moradores por quilômetro quadrado [...].
MAIS de 80% da população brasileira habita 0,63% do território nacional. Embrapa, 10 out. 2017. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/28840923/mais -de-80-da-populacao-brasileira-habita-063-do-territorio-nacional. Acesso em: 29 set. 2025.
LIVRO.
Sudeste: densidade demográfica (2022)
Trópico de Capricórnio
OCEANO ATLÂNTICO Vitória
de Janeiro
Paulo
Como somos?
A população da região Sudeste apresenta grande diversidade étnica e cultural. No Censo Demográfico, o recenseador do IBGE pergunta ao morador a sua autodeclaração em relação a cor ou raça: branca, preta, amarela, parda ou indígena. Ou seja, a própria pessoa diz como ela se identifica com relação à sua cor ou raça. Além disso, a pessoa também declara o seu sexo ao nascer.
Observe os gráficos.
Sudeste: população residente, por cor ou raça (2022)
Sudeste: população residente, por sexo (2022)
BNCC
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
(EF04CO07) Demonstrar postura ética nas atividades de coleta, transferência, guarda e uso de dados.
Organize-se
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://sidra.ibge. gov.br/tabela/9605. Acesso em: 28 abr. 2025.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://sidra.ibge. gov.br/tabela/9514. Acesso em: 28 abr. 2025.
1 Quais são as características da população sudestina de acordo com os gráficos? Anote no caderno.
Espera-se que os estudantes identifiquem que a maior parte da população sudestina é formada por pessoas brancas e que há mais mulheres do que homens.
VOCÊ DETETIVE
1. Façam uma pesquisa a respeito da composição étnica da população do estado onde vocês vivem. Depois, comparem os dados encontrados com o gráfico Sudeste: população residente, por cor ou raça (2022).
2. Agora, façam uma pesquisa sobre a população por sexo do estado onde vocês vivem e comparem os dados com o gráfico Sudeste: população residente, por sexo (2022)
3. Agora é hora de fazer o censo da turma. Anotem os dados de cor ou raça e sexo na sua turma e comparem com os dados do seu estado.
Para realizar essas pesquisas, os estudantes podem utilizar o portal do IBGE Panorama do Censo 2022, disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html. Acesso em: 2 jul. 2025. Veja orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
03/10/2025 18:06
SENRA, Nelson de Castro (org.). As estatísticas nas comemorações da Independência do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/ livros/liv101932.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
O livro aborda a história das pesquisas demográficas no Brasil, sua importância e seu processo de aperfeiçoamento ao longo do tempo. O leitor é levado a compreender como os dados estatísticos foram sendo produzidos, organizados e utilizados no país. Os censos e levantamentos demográficos ajudaram a construir uma visão sobre a população, a economia e a sociedade, destacando a importância da estatística oficial para a tomada de decisões públicas e a consolidação da cidadania.
• Para o minicenso: formulários simples (papel ou digital).
ENCAMINHAMENTO
Conduza a leitura coletiva dos gráficos, destacando como observar o eixo vertical, as categorias no eixo horizontal e os valores percentuais. Para estudantes com deficiência visual, os gráficos podem ser descritos oralmente, enquanto os dados pesquisados podem ser apresentados em tabelas adaptadas com fonte ampliada.
Em Você detetive, auxilie as duplas a localizarem os indicadores no site do Panorama do Censo 2022. Comente que a comparação entre o estado e a sala de aula deve ser tratada como exercício de aproximação e reflexão. Atente para que os estudantes façam o levantamento dos dados de maneira respeitosa, cuidando para que não haja manifestações de preconceito. Após levantar os dados, eles podem calcular o percentual de estudantes por cor ou raça e por sexo para realizar a comparação.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF03CO04) Relacionar o conceito de informação com o de dado.
ENCAMINHAMENTO
Antes de iniciar os estudos dos movimentos migratórios na região Sudeste nos séculos XX e XXI, retome com a turma movimentos migratórios anteriores, vistos nas Unidades 2 e 3, por exemplo, para montar uma linha do tempo na lousa com os diferentes movimentos populacionais.
A ênfase da abordagem deve recair não apenas sobre o aspecto demográfico e econômico, mas também sobre os impactos culturais das migrações.
1. Para assegurar a participação de todos, acolha diferentes formas de expressão: alguns podem preferir narrar oralmente as histórias, outros podem optar por registrar por escrito ou representar em desenhos, pois talvez haja desconforto em relatar experiências pessoais ou familiares ligadas à migração em contextos de vulnerabilidade social.
Garanta que a atividade seja conduzida com sensibilidade, valorizando a diversidade de trajetórias. Incentive os estudantes a relatar as migrações na família, mesmo que de parentes distantes.
2. Resposta pessoal. Proponha aos estudantes que identifiquem se tratou-se de uma migração interna ou externa. No caso de migração interna, incentive-os a refletir se a
Migrações no Sudeste
mudança foi apenas de município ou se foi também de estado e/ou região.
Entre as décadas de 1950 e 1990, as cidades do Sudeste receberam muitos migrantes de outras regiões do país, principalmente do Nordeste. Esse fluxo foi direcionado sobretudo para as capitais, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse período, o êxodo rural era um fenômeno muito forte no Brasil.
Êxodo rural é a migração em massa de pessoas do espaço rural para o espaço urbano.
Pessoas que residiam no espaço rural do Sudeste e de outras regiões migraram para as cidades em busca de melhores condições econômicas e sociais. Isso aconteceu porque a economia sudestina estava em expansão, puxada por um novo crescimento da industrialização.
Grupo dançando quadrilha na Feira de São Cristóvão no Rio de Janeiro (RJ), em 2023.
As migrações desse período deixaram marcas culturais importantes nas cidades do Sudeste.
O Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, também chamado Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ), é um exemplo de espaço de lazer que preserva tradições e memórias de migrantes nordestinos, com música, dança e culinária da região. Em 2008, a feira foi declarada Patrimônio Cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Em 2010, foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
1 Você, alguém da sua família ou algum conhecido migrou para o Sudeste?
Resposta pessoal. Incentive os estudantes a relatar a sua própria experiência ou a de sua família. Fique atento para que os relatos sejam recebidos com respeito pelo restante da turma.
2 Qual foi o local de origem e o local de chegada desta migração?
Atividade complementar
Para ampliar as reflexões sobre os movimentos migratórios estudados nesta página, questione os estudantes: Alguma dessas migrações estava inserida no fenômeno do êxodo rural? A intenção é verificar se eles compreenderam o conceito de êxodo rural como a migração em massa do espaço rural para o espaço urbano e se conseguem relacioná-lo a deslocamentos populacionais conhecidos, inclusive de pessoas próximas a eles. Incentive-os a conversar em duplas ou pequenos grupos, relatando experiências familiares ou histórias da comunidade que possam ilustrar esse processo. Em seguida, promova uma socialização das respostas, valorizando tanto os exemplos locais quanto as percepções mais gerais. O importante é que os estudantes identifiquem o fenômeno, reconheçam seu impacto no crescimento das cidades e percebam que ele está ligado a transformações econômicas, sociais e culturais, relacionando conceitos a vivências concretas de maneira significativa.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Entre as pessoas que migram, muitas cultivam o sonho de retornar à sua terra natal, voltando a estar próximo de sua família e de sua cultura. O retorno ao estado ou município de origem é chamado de migração de retorno. Esse tipo de migração passou a ser bastante comum no Brasil a partir da década de 1990. Nesse período, milhares de pessoas retornaram do Sudeste para estados das regiões Sul e Nordeste, por exemplo.
3 Vamos fazer um levantamento de dados dentro da turma sobre famílias que migraram?
1 Em seu caderno, faça duas sequências de quadrinhos distintas. Desenhe um quadrinho para cada estudante que há em sua turma, incluindo você. Veja um exemplo, para uma turma que tem 20 estudantes:
Migração
2 Depois, inicie a coleta de dados.
a) Pergunte para um colega: alguém da sua família migrou?
Se a resposta for positiva, pinte um dos quadrinhos da primeira sequência da cor que preferir.
b) Em seguida, pergunte: alguém na sua família realizou migração de retorno? Se a resposta for positiva, pinte um dos quadrinhos da segunda sequência com uma cor diferente da cor que usou na primeira.
c) Siga fazendo essas duas perguntas para todos da turma.
Migração de retorno
3 Finalize elaborando uma legenda: indique no caderno qual informação é representada por cada uma das duas cores utilizadas.
Após ter coletado os dados, analise:
• A quantidade de migrações de retorno é maior, igual ou menor do que a quantidade de migrações?
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes executem corretamente a coleta de dados, a organização e a análise deles. Essa atividade auxilia no desenvolvimento do pensamento computacional.
Texto de apoio
Mas, dentro de uma perspectiva mais crítica, a abordagem numérica revela-se insuficiente. Ela não nos permite conhecer as condições concretas de vida dos indivíduos. [...]. Dizer que nos últimos anos o Brasil presenciou uma enorme transferência de pessoas do campo para as cidades não permite chegar ao drama dos indivíduos que migraram. Uma abordagem crítica não deve negar as estruturas apresentadas pelas pirâmides de idades; índices de população ativa e inativa; proporção de população ativa [...]; grandes eixos das correntes migratórias etc., mas precisa inserir esses números numa abordagem mais abrangente, com vistas à compreensão das condições existenciais das pessoas. [...].
SCARLATO, Francisco Capuano. População e urbanização brasileira.
In: ROSS, Jurandyr Lyra da Silva. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2005. p. 383-384.
BNCC
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
ENCAMINHAMENTO
3. Para apoiar a compreensão da proposta, comece exemplificando situações de migração de retorno, como a de famílias que deixam de morar nas grandes metrópoles do Sudeste e voltam a residir em sua pequena cidade natal. Nesse caso, reproduza as duas sequências de quadrinhos na lousa e simule a marcação de dois deles antes que os estudantes se levantem e iniciem a pesquisa e o registro em seus cadernos. Para garantir a participação de todos, ofereça modelos de legenda prontos e explique oralmente cada etapa do processo, assegurando que estudantes com dificuldade de leitura acompanhem a atividade. Para aqueles com deficiência visual, os dados podem ser organizados em tabelas táteis ou em contagem oral compartilhada.
BNCC
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
ENCAMINHAMENTO
Ao trabalhar com os temas propostos, aproveite para certificar-se de que os estudantes utilizam corretamente os termos imigrante e emigrante. Se necessário, reserve um tempo da aula para recapitular o significado desses termos e aferir se, após a revisão, os estudantes dominam a diferença entre as duas situações implicadas nessas palavras.
No Brasil vivem milhões de imigrantes, e é possível que em sua turma haja algum estudante imigrante ou que seja de uma família que imigrou para o nosso país. Nesse caso, busque trabalhar os assuntos com sensibilidade e, se necessário, promovendo o acolhimento do estudante imigrante com toda a turma.
Durante a leitura do texto, mostre que o Sudeste recebe fluxos significativos de imigrantes de diferentes nacionalidades, o que contribui para a diversidade cultural da região.
Migrações externas
Pessoas de outros países imigraram para o Brasil em diferentes momentos de nossa história. Podemos chamar esse movimento internacional de pessoas de migrações externas. Vamos ver como elas acontecem na região Sudeste atualmente?
Entre 2010 e 2024, mais de 714 mil pessoas vindas de outros países passaram a viver no Sudeste. Venezuelanos, bolivianos, angolanos, haitianos, chineses e sírios são algumas das nacionalidades desses imigrantes.
Comemoração do Ano-novo Chinês em São Paulo (SP), em 2025. Todos os anos, milhares de pessoas participam dessa festividade da cultura chinesa.
DESCUBRA MAIS
AMARAL, Valquíria. A história de Malie : pedaço de chão: histórias de crianças imigrantes em Uberlândia. Uberlândia: Valquíria Amaral, 2021. Disponível em: https://comunica.ufu.br/sites/comunica.ufu.br/files/conteudo/noticia/anexo_ livro_jornalistico_para_criancas_-_versao_digital_2_2_compressed.pdf. Acesso em: 2 out. 2025.
Esse livro conta a história de crianças de outros países que chegaram a Uberlândia e precisaram se adaptar a uma nova vida e novos costumes.
Sugestão para os estudantes
BUITRAGO, Jairo. Eloísa e os bichos. São Paulo: Pulo do Gato, 2013. O livro trata de forma lúdica e poética a migração e as dificuldades de adaptação sob o olhar de uma criança. A narrativa acompanha Eloísa em sua chegada a uma nova cidade, revelando tanto os desafios de lidar com pessoas e espaços desconhecidos quanto as descobertas e os aprendizados que surgem nesse processo.
A obra possibilita aos estudantes refletir sobre sentimentos comuns em processos migratórios — como estranhamento, solidão, medo e esperança —, aproximando o tema do cotidiano de forma acessível e empática. Ao mesmo tempo, promove discussões sobre acolhimento e respeito às diferentes trajetórias de vida, ampliando o olhar para as experiências de colegas e familiares que já vivenciaram deslocamentos.
1. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a relatar experiências de familiares e conhecidos que tenham se mudado para outro país. Como motivos, os estudantes podem apontar busca
O fluxo de pessoas se caracteriza pela entrada e saída de um território. Os brasileiros que deixam o país são conhecidos como emigrantes. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, em 2022, mais de 4 milhões e 500 mil pessoas nascidas no Brasil moravam em outros países. A maioria delas, quase 2 milhões, está nos Estados Unidos. Veja no mapa como os brasileiros estão espalhados pelo mundo.
Mundo: comunidades brasileiras no exterior (2022)
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
Fonte: BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Distribuição regional das comunidades brasileiras no exterior. Brasília, DF: MRE, 2023. p. 4. Disponível em: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/BrasileirosnoExterior.pdf. Acesso em: 24 jul. 2025.
No Sudeste há municípios com forte relação com as emigrações. Um dos exemplos é Governador Valadares, em Minas Gerais. Estima-se que, na década de 1990, 15 a cada 100 valadarenses viviam nos Estados Unidos. Em meados dos anos 1940, foi descoberta uma grande mina de ferro na cidade de Itabira, próxima a Valadares. No mesmo período, uma reforma foi iniciada na estrada de ferro que passava pela região. Os empregados da empresa responsável pela reforma eram norte-americanos e vieram a Minas para trabalhar, trazendo consigo suas famílias e costumes. [...]
Com a nova escola de idioma, os jovens mais ricos da cidade passaram a estudar inglês e, consequentemente, a participar de intercâmbios. [...] ANDRADE, Jô; MILAGRES, Leonardo. Do Brasil aos EUA: Por que Governador Valadares virou polo de migração, G1 Minas, 21 fev. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2025/02/21/ fascinio-pelos-eua-por-que-moradores-de-governador-valadares-veem-a-emigracao-como-opcao-para-uma -vida-melhor.ghtml. Acesso em: 8 ago. 2025.
1 Você conhece alguém que se mudou do Brasil para outro país? Se sim, quais motivos levaram essa pessoa a emigrar?
de melhores empregos, de maior acesso a serviços e infraestrutura. Também podem citar migrações com o intuito de morar perto de familiares que moram em países estrangeiros.
Texto de apoio
Projeto é um termo que designa a idealização de uma ação que será executada no futuro. No projeto que envolve a organização da vida numa dimensão em longo prazo, como é o caso de uma migração a longa distância, podemos considerar que a unidade entre a ação e a representação é total porque agrega o vivido, o percebido e o desejado e reflete a forma como o indivíduo percebe a si mesmo, os outros e as situações com as quais interage. Nesse sentido a elaboração do projeto migratório está relacionada ao contexto social, econômico e cultural e ao território em que o migrante está inserido. A constituição de fluxos migratórios a longa distância na sociedade contemporânea pressupõe a presença de fatores objetivos e subjetivos que motivam os indivíduos a construírem seus projetos futuros passando pelo planejamento de um deslocamento territorial, ou seja, a migração.
SIQUEIRA, Sueli. Projeto migratório. In: CAVALCANTI, Leonardo; BOTEGA, Tuíla; TONHATI, Tânia. Dicionário crítico de migrações internacionais. Brasília, DF Editora UnB, 2017. p. 570.
BNCC
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
ENCAMINHAMENTO
Conduza a leitura do mapa passo a passo. Mostre como identificar continentes, países e números absolutos de brasileiros vivendo em cada região do mundo. Proponha questionamentos como: Em qual área continental ou subcontinental há mais brasileiros? Por que será que a América do Norte concentra pouco mais de 2 milhões de brasileiros? O que explica a presença significativa em países da Europa e da Ásia? Reforce habilidades cartográficas e analíticas conforme os estudantes teçam as considerações de suas leituras e suposições. No mapa desta página há uma regionalização do mundo um pouco diferente da mais utilizada. O território russo aparece inteiramente na Europa, já que os dados desse país são contabilizados nessa região. O Oriente Médio aparece separado do restante da Ásia. Explique aos estudantes que existem mapas com diferentes regionalizações, relacionadas à maneira como a coleta de dados foi feita e com as intenções de quem produziu o mapa.
Avalie a possibilidade de incluir no plano de aula um aprofundamento partindo da interpretação do fragmento de reportagem que trata das emigrações de Governador Valadares. Utilize o texto para retomar o conteúdo sobre o Quadrilátero Ferrífero, região mineradora em Minas Gerais, desenvolvido na Unidade 1.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
ENCAMINHAMENTO
Realize a leitura do mapa com os estudantes, buscando localizar, ainda que aproximadamente, o município onde vocês vivem e identificar quais são as Terras Indígenas mais próximas. Busque, também, ater-se à diferenciação das diferentes classificações de TIs presentes na legenda do mapa. Como suporte, utilize o texto de apoio desta página.
Este é um momento oportuno para discutir com a turma estereótipos a respeito dos povos indígenas e trabalhar a desconstrução deles. Reserve um momento para exibir o vídeo MENOS preconceito mais índio. Publicado por: Instituto Socioambiental. 2017. 1 vídeo (1h31min). Disponível em: https://campanhas.socio ambiental.org/maisindio/. Acesso em: 30 set. 2025.
Valorize a oportunidade de trabalhar a diversidade cultural da região Sudeste por meio da presença indígena. Mostre aos estudantes que, em áreas urbanas densamente povoadas, existem comunidades que preservam modos de vida, tradições e línguas próprias. Estimule a percepção de que as Terras Indígenas não são apenas espaços de moradia, mas territórios de afirmação cultural, proteção ambiental e exercício de direitos constitucionais. Incentive a construção de uma visão crítica sobre como a sociedade brasileira reconhece essa diversidade e convive com ela.
População plural
Em meio aos milhões de habitantes da região Sudeste, há diversas comunidades que mantêm hábitos e culturas tradicionais e são muito importantes na construção da identidade de nossa região. Vamos conhecer algumas delas. Existem mais de 123 mil indígenas vivendo no Sudeste. Essas pessoas vivem nos mais diversos lugares e vestem-se das mais variadas formas. Há os indígenas que vivem em aldeias e os que vivem fora de aldeias. Há os que utilizam vestes típicas de seu povo, mas há, também, os que se vestem e se alimentam de modo influenciado por outras culturas. Independentemente disso, todos são indígenas.
Uma parte das aldeias indígenas no Brasil é protegida por lei. Essas áreas são chamadas Terras Indígenas. Veja no mapa a ocorrência delas na região.
Situação jurídica
Situação jurídica
Identificada
Identificada
Declarada
Declarada
Homologada/reservada
Homologada/reservada Áreas não representáveis nesta escala Divisa estadual
Áreas não representáveis nesta escala Divisa estadual
Fonte: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Terras indígenas do Brasil. São Paulo: ISA, 2024. Disponível em: https://acervo. socioambiental.org/acervo/mapase-cartas-topograficas/brasil/terrasindigenas-no-brasil-novembro-2024. Acesso em: 14 abr. 2025
As Terras Indígenas são de grande importância. Elas são delimitadas pelo Estado brasileiro em um processo chamado demarcação e ajudam a proteger os territórios dos povos indígenas que optam por seguir preservando suas tradições e culturas.
Nem toda aldeia indígena é uma Terra Indígena. Existem diversas aldeias que não têm esse status e, portanto, têm seus limites territoriais menos protegidos. Elas estão mais sujeitas a conflitos pela posse da terra.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Existe alguém na sua família que se autodeclara indígena? Se sim, converse com essa pessoa para saber a qual etnia ela pertence, se a etnia tem território demarcado e alguns aspectos culturais desse povo. Em seguida, escreva um texto ou faça um desenho apresentando esse familiar para os colegas.
Resposta pessoal. Caso o estudante tenha familiares autodeclarados indígenas, oriente-os a buscar saber a qual povo indígena essa pessoa pertence.
Texto de apoio
As Terras Indígenas são classificadas [...] nas seguintes situações:
• Em estudos – Terras que estão em fase de realização de estudos antropológicos, históricos, fundiários, cartográficos e ambientais que fundamentam sua delimitação [...];
• Delimitadas – Terras que tiveram os estudos aprovados pela Presidência da FUNAI, com a sua conclusão publicada no Diário Oficial da União e do Estado [...];
• Declaradas – Terras que obtiveram a expedição da Portaria Declaratória pelo Ministro da Justiça e estão autorizadas para serem demarcadas fisicamente [...];
• Homologadas – Terras que possuem os seus limites materializados e georreferenciados, cuja demarcação administrativa foi homologada por Decreto Presidencial;
• Regularizadas – Terras que, após o decreto de homologação, foram registradas em Cartório em nome da União e na Secretaria do Patrimônio da União.
TERRA indígena. In: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Quadro geográfico de referência para produção, análise e disseminação de estatísticas. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. p. 74-75.
Sudeste: Terras Indígenas (2024)
Comunidades remanescentes de quilombos
As diversas comunidades que descendem de quilombos que existiram séculos atrás são chamadas de comunidades quilombolas.
O Censo de 2022 contou, pela primeira vez, a população remanescente de quilombos. O resultado foi de mais de 1 milhão e 300 mil brasileiros quilombolas, sendo que mais de 182 mil vivem no Sudeste.
Observe a tabela.
Sudeste: população quilombola (2022)
Unidade da Federação
Minas Gerais
Rio de Janeiro
Espírito Santo
São Paulo
População quilombola
135 315
20 447
15 659
11 006
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/8176.Acesso em: 3 jul. 2025.
Observe o mapa com a distribuição das terras quilombolas na região.
Sudeste: terras quilombolas (2020)
Trópico de Capricórnio
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 113.
O reconhecimento desses territórios é muito importante para garantir a segurança na posse da terra pelos membros da comunidade. Ele assegura direitos e permite que essas comunidades sigam reproduzindo e preservando suas culturas e modo de vida.
1 Como a demarcação de terras indígenas e quilombolas ajuda na preservação dos modos de vida desses povos? Anote a conclusão no caderno. Espera-se que os estudantes reconheçam que o direito à terra garante que essas comunidades possam manter suas culturas e modos de vida.
Sugestão para o professor
YAZBEK, Priscila Baptistella. Levantamento etnobotânico participativo entre os moradores do Quilombo da Fazenda: Núcleo Picinguaba, Ubatuba, SP, Brasil: diálogos entre os conhecimentos tradicionais e acadêmicos.. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/handle/ 11600/52852. Acesso em: 25 set. 2025. Nessa pesquisa, os conhecimentos tradicionais do quilombo são registrados e combinados com conhecimentos científicos, mostrando como as comunidades preservam práticas de alimentação, de saúde e cuidado ambiental, ao mesmo tempo que reforça a importância da etnobotânica participativa como caminho de respeito e reconhecimento da cultura quilombola. Em sala de aula, esse material pode ser utilizado para exemplificar e discutir a relação entre saberes tradicionais e acadêmicos, a importância da biodiversidade e as diversas formas de valorizar a cultura afro-brasileira.
BNCC
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
ENCAMINHAMENTO
Ao trabalhar as comunidades remanescentes de quilombos, considere a possibilidade de relembrar discussões anteriores sobre o tema, desenvolvidas na Unidade 3. Também é possível retomar a importância da etnocartografia apresentando materiais como as representações produzidas por comunidades quilombolas de diferentes localidades do Sudeste no projeto de educação ambiental Quipea. Disponível em: https://www.quipea.com.br/ cartografiasocial. Acesso em: 30 set. 2025. As comunidades remanescentes de quilombos envolvidas nesse projeto são: Maria Romana, Preto Forro, Sobara, Botafogo, Maria Joaquina, Rasa, Baía Formosa (Região dos Lagos/RJ); Mutum, Boa Vista, Bacurau, Machadinha, Cambucá, Sítio Santa Luzia (Norte Fluminense); Aleluia, Batatal, Conceição do Imbé (Imbé/Campos de Goytacazes); Cacimbinha, Boa Esperança, Graúna (Espírito Santo); Deserto Feliz e Barrinha (São Francisco de Itabapoana).
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
TCT: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.
ENCAMINHAMENTO
Valorize a importância dos quilombos no passado e no presente e suas formas de intervir nas paisagens urbanas. Mostre aos estudantes como a existência de quilombos urbanos é um fenômeno presente em diferentes regiões do país e, se possível, proponha uma pesquisa a respeito de quilombos urbanos no município onde vocês vivem (ou próximos a ele).
Relacione a existência de quilombos urbanos com a imigração do século 19 e início do século 20, destacando a convivência do colono europeu com outros povos que já habitavam a região rural onde se instalaram. Exemplifique com o caso do Quilombo Retiro, em Santa Leopoldina (ES), município de colonização alemã e pomerana, ou o Quilombo Pedra Branca, em Vargem Alta (ES), município de colonização italiana. Explore o conceito de quilombos metropolitanos consultando o texto QUILOMBOS metropolitanos: um patrimônio vivo da história afrodescendente mineira. Belo Horizonte: Espaço do Conhecimento UFMG, 28 nov. 2023. Disponível em: https://www.ufmg.br/espaco doconhecimento/quilombos -metropolitanos-um-patrimo nio-vivo-da-historia-afrodes cendente-mineira. Acesso em: 30 set. 2025.
Quilombos urbanos DIÁLOGOS
As comunidades quilombolas não estão restritas ao espaço rural. Muitos quilombos são urbanos.
Um dos maiores quilombos urbanos do Brasil é o Quilombo da Pedra do Sal, na cidade do Rio de Janeiro, ponto de encontro de rodas de samba e outras expressões culturais que celebram a identidade negra.
Quilombo Pedra do Sal, no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro (RJ), em 2023.
Em Porto Alegre (RS), em uma rua sem saída, destaca-se o pequeno Quilombo do Areal da Baronesa, um dos principais redutos negros da cidade. O local, historicamente ocupado por famílias negras, abriga o bloco carnavalesco Areal do Futuro, composto de crianças e adolescentes.
Quilombo do Areal da Baronesa, em Porto Alegre (RS), em 2022.
O Quilombo da Liberdade, em São Luís (MA), concentra cinco diferentes bairros. Ali se localiza o Tambor de Mina, uma casa religiosa de matriz africana do século 19, e o grupo Bumba meu Boi da Fé em Deus, um dos mais antigos da região.
Quilombo da Liberdade, em São Luís (MA), em 2024.
Muitos quilombos urbanos ainda lutam por sua preservação, reconhecimento e pelo título de suas terras, como a comunidade quilombola dos Luízes, em Belo Horizonte (MG).
1 Pesquisem uma das manifestações culturais citadas no texto. Depois, contem para o restante da turma o que aprenderam.
Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Texto de apoio
O local onde hoje será construída a estação 14-Bis, da nova linha 6 do metrô em São Paulo, foi seio da formação de um dos principais quilombos da capital. Entre o século XIX e início do século XX, o Quilombo Saracura foi o lar de escravizados que escapavam das fazendas ou de feiras realizadas no Vale do Anhangabaú, onde eram colocados à venda. [...] Há quase um ano, mais de 153 entidades criaram o movimento Mobiliza Saracura, em busca de soluções para a proteção do patrimônio histórico descoberto no entorno. SILVA, Camila da. Quilombo Saracura. Carta Capital, São Paulo, 29 maio 2023. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/quilombo-saracura-a-busca-pela-preservacao-das-memorias -encontradas-nas-obras-do-metro-em-sao-paulo/. Acesso em: 30 set. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
Identidades sudestinas
Além de indígenas e quilombolas, há muitas outras populações tradicionais presentes em nossa região. Essas populações mantém um modo de vida próprio e ajudam a compor o painel cultural que forma a identidade sudestina. Conheça algumas delas a seguir.
Caiçaras
População tradicional presente no litoral de alguns estados da região Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, além do Paraná, na região Sul. Têm características culturais próprias que se expressam nas técnicas de pesca e de cultivo de roças de subsistência.
Pescadores lançando rede de pesca em comunidade caiçara em Cananéia (SP), em 2024.
Pomeranos
Geraizeiros
Essa população está presente no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia, na região Nordeste. Os geraizeiros habitam o Cerrado, principalmente as áreas próximas das margens do Rio São Francisco, e têm estreita relação com o bioma. Eles extraem recursos e praticam agricultura de forma sustentável e integrada ao Cerrado.
Cavaleiros geraizeiros descansando na Serra das Araras, em Chapada Gaúcha (MG), em 2023.
Essa população descende de imigrantes da Pomerânia, uma região da Europa, e ela está presente no estado do Espírito Santo. Os pomeranos possuem grande afinidade com a agricultura e preservam tradições e costumes de seus antepassados. Eles também estão presentes nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, na região Sul.
Pomeranos praticando agricultura em Santa Maria de Jetibá (ES), em 2019.
Vazanteiros
A população vazanteira também vive em áreas do bioma Cerrado, no norte de Minas Gerais. Os vazanteiros destacam-se por preservar um modo de produção agrícola na margem dos rios, principalmente no Rio São Francisco, que se beneficia do regime de cheias e vazantes para promover a fertilidade do solo a ser cultivado.
Agricultora vazanteira peneirando grãos em Matias Cardoso (MG), em 2022.
Sugestão para o professor
MUSEU VIVO DOS POVOS TRADICIONAIS – MG. Montes Claros, c2025. Disponível em: https:// museuvivodospovosmg.com.br/. Acesso em: 30 set. 2025. O Museu Vivo dos Povos Tradicionais – MG reúne vasto acervo audiovisual a respeito dos modos de vida e o legado das diversas populações que habitam o estado e a região Sudeste. O acervo pode ser acessado virtualmente e possibilita trabalhar em sala de aula temas como diversidade cultural, patrimônio imaterial, memória coletiva, identidade regional e respeito às comunidades tradicionais. Os vídeos, relatos orais e fotografias disponíveis podem ser utilizados como recursos didáticos para ampliar a compreensão sobre a contribuição dos povos tradicionais na formação da sociedade brasileira.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
As populações mencionadas no texto são apenas alguns dos povos e comunidades tradicionais reconhecidos no Brasil. Além desses exemplos, este livro aborda, em diferentes momentos, outras comunidades tradicionais, como os tropeiros, os caipiras e as apanhadoras de sempre-viva. Explique aos estudantes que cada grupo tem uma relação própria com o território, com o ambiente natural e com práticas culturais herdadas de seus antepassados. Leve-os a perceber que o conhecimento tradicional é fonte de saberes importantes sobre sustentabilidade, uso equilibrado dos recursos naturais e valorização da cultura.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Prepare-se previamente para a possibilidade de existirem estudantes em condição de vulnerabilidade social em sua turma, pois o texto aborda temas sensíveis, como desigualdade e pobreza. Busque planejar a aula de forma cuidadosa e empática para que toda a discussão proposta pelo livro seja realizada, ao mesmo tempo que os estudantes se sintam confortáveis, acolhidos e amparados para estudar o assunto. Considere incluir em seu planejamento de aula a explicação sobre o indicador de linha da pobreza, criado pelo Banco Mundial para monitorar o cumprimento da meta 1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): erradicação da pobreza (em todas as suas formas, em todos os lugares). Esse índice estima a quantidade mínima de recurso financeiro necessária para que uma pessoa viva de forma digna em seu país e o converta para uma unidade comparável entre diferentes países.
Desigualdades sociais no Sudeste
A desigualdade social se caracteriza pela diferença no acesso a direitos, como à saúde ou à educação, além das grandes diferenças de renda. Essa desigualdade tem forte presença no Sudeste. Esse problema social afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas. A falta de acesso a serviços públicos, como a coleta de esgoto, é uma característica da desigualdade social. A falta de rendimentos para manter uma vida digna também é um problema. Este mapa mostra o tamanho da população considerada pobre em cada Unidade da Federação no Brasil. Observe que há grande disparidade entre elas.
Brasil: população abaixo da linha da pobreza (2023)
Fonte: Ferreira, Igor. Novos recortes geográficos do IBGE detalham desigualdades do país em 2023. Agência IBGE Notícias, 4 dez. 2024. Disponível em: https:// agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencianoticias/2012-agencia-de-noticias/ noticias/42074-novos-recortesgeograficos-do-ibge-detalhamdesigualdades-do-pais-em-2023. Acesso em: 11 set. 2025.
Percentual da população vivendo abaixo da linha da pobreza (%)
Divisa estadual Fronteira internacional
Moradias e rio poluído com resíduos e esgoto doméstico em Santos (SP), em 2025. No Sudeste, 13 a cada 100 domicílios não estão conectados à rede de esgoto.
Texto de apoio
O impacto das mudanças climáticas pode lançar 5,9 milhões de crianças, adolescentes e jovens da América Latina e do Caribe na pobreza até 2030. Foram analisados 18 países incluindo o Brasil.
[...]
Se nada for feito para mitigar as emissões de gases que causam o efeito estufa e a falta de financiamento climático, o número irá triplicar chegando a 17,9 milhões de crianças e jovens. [...]
A maior preocupação dos governos da região deve ser com priorizar serviços sociais e de resiliência climática para crianças. [...]
OCEANO PACÍFICO
OCEANO ATLÂNTICO
COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA SURINAME
FRANCESA (FRA)
Quando olhamos para dentro de cada estado, vemos que as condições de vida também não são iguais no território estadual. Há áreas com maior parte da população vivendo na pobreza, como mostra o mapa a seguir.
Sudeste: população abaixo da linha da pobreza (2023)
1. c) Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na região Sul; São Paulo, na Sudeste; Distrito Federal e Mato Grosso, na Centro-Oeste.
Fonte: Ferreira, Igor. Novos recortes geográficos do IBGE detalham desigualdades do país em 2023. Agência IBGE Notícias, 4 dez. 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias. ibge.gov.br/agencia-noticias/2012 -agencia-de-noticias/ noticias/42074-novos-recortesgeograficos-do-ibge-detalhamdesigualdades-do-pais-em-2023. Acesso em: 11 set. 2025.
Esse mapa apresenta a mesma informação do mapa Brasil: população abaixo da linha da pobreza (2023) , da página anterior, porém em outra escala, de forma mais detalhada.
1 Observe o mapa Brasil: população abaixo da linha da pobreza (2023) na página anterior e responda às questões.
a) Qual é o estado do Sudeste com a menor proporção de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza?
O estado de São Paulo.
b) Quais são as duas Unidades da Federação com maior proporção de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza? Em quais regiões elas estão?
Acre, na região Norte, e Maranhão, na região Nordeste.
c) Quais são as cinco Unidades da Federação com menor proporção de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza? Em quais regiões eles estão?
2 Observe o mapa Sudeste: população abaixo da linha da pobreza (2023) e responda: onde estão as maiores concentrações de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza na região? Utilize as direções cardeais para indicar essas áreas. Na porção norte de Minas Gerais; no norte do Rio de Janeiro e em uma pequena área no Sul do Rio de Janeiro.
Um outro fator de desigualdade é a falha do financiamento climático em priorizar serviços de saúde, nutrição, água e saneamento que ajudam os menores a desenvolverem sua cognição. [...]
Segundo o Unicef, 55 milhões de crianças podem estar expostas à escassez de água na América Latina e no Caribe. 60 milhões a ciclones; e 45 milhões a ondas de calor.
MUDANÇA climática pode levar 5,9 milhões de crianças e jovens à pobreza na AL. ONU News, 28 ago. 2025. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2025/08/1850813. Acesso em: 30 set. 2025.
BNCC
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Interprete o mapa em sala de aula e fazendo uma leitura guiada com a turma. Destaque a legenda e áreas de maior contraste. Depois, solicite aos estudantes que repitam o processo em seus cadernos, reforçando a autonomia no trato com a linguagem cartográfica.
Realize de forma coletiva a comparação entre os mapas do Brasil e do Sudeste para mostrar as grandes tendências nacionais e para revelar especificidades intrarregionais. Essa articulação ajuda os estudantes a perceber que a análise espacial ganha profundidade conforme a escala adotada.
Ao corrigir as respostas, valorize a precisão na descrição espacial e o uso de termos adequados. Reforce a importância da legenda como base para toda interpretação cartográfica. Finalize o trabalho com uma discussão crítica sobre as razões históricas e estruturais que explicam a persistência das desigualdades regionais e sobre a necessidade de políticas públicas para combater a pobreza.
2. Oriente os estudantes a produzir uma rosa dos ventos em cartolina e colocar no centro do mapa da região Sudeste para auxiliar a responder a atividade.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Após o desenvolvimento do trabalho com os conteúdos da página, garanta que os estudantes tenham compreendido que as desigualdades socioeconômicas se relacionam de forma direta com o espaço geográfico e se tornam perceptíveis nas paisagens.
Incentive continuamente os estudantes a observar as paisagens e a buscar, nos conhecimentos das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, hipóteses e explicações para elas. Neste momento, incentive, em especial, o olhar em busca de problematizações e conclusões acerca das desigualdades visíveis nas paisagens.
Oriente-os a observar contrastes, como os que podem ser notados entre áreas verdes e áreas densamente urbanizadas; moradias precárias e moradias de alto padrão; prédios e casas térreas; presença e ausência de infraestrutura e serviços públicos; ou maior e menor distância de serviços públicos essenciais.
Paisagens e desigualdades
As desigualdades sociais não são percebidas apenas por meio dos dados ou dos mapas. Muitas vezes elas estão visíveis nas paisagens.
Em um mesmo município, podemos encontrar bairros com moradias confortáveis, ruas asfaltadas, praças arborizadas e hospitais bem equipados, enquanto em outros bairros há casas precárias, esgoto a céu aberto, ruas sem iluminação, escolas superlotadas, transporte público insuficiente e menos oportunidades de trabalho.
Isso ocorre pois, muitas vezes, os investimentos do poder público não chegam da mesma forma a todos os bairros.
Frequentemente é possível perceber contrastes e desigualdades em uma mesma paisagem. Observe a fotografia.
Vista de favela em primeiro plano e bairro de classe média ao fundo, em Belo Horizonte (MG), em 2025. Na fotografia, o padrão das construções nos mostra que há um bairro pobre e um bairro de classe média na mesma paisagem.
De acordo com o IBGE, existem 16,39 milhões de pessoas vivendo em favelas. Quase metade delas (7,1 milhões) está na região Sudeste, sendo a maior parte nos estados de São Paulo (com 3,6 milhões) e Rio de Janeiro (2,1 milhões). Como você já viu, a maior favela do país está na região Sudeste: trata-se da Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ), com 72 mil moradores.
Sugestão para o professor
CAVALCANTI, Lana de Souza; ARAUJO, Manoel Victor Peres. Segregação socioespacial no ensino de Geografia: um conceito em foco. ACTA Geográfica, Boa Vista, p. 140-159, 2017. Edição especial. Disponível em: https://revista.ufrr.br/actageo/article/view/4775/2419. Acesso em: 29 set. 2025. O artigo oferece importantes reflexões sobre a possibilidade de desenvolver o estudo das desigualdades sociais em sala de aula e dialogar com a vida cotidiana dos estudantes. Considere-o como um instrumento relevante para planejar sua aula.
Leia, a seguir, o trecho de uma reportagem que trata das consequências dessas desigualdades na vida das pessoas.
Idade média ao morrer em São Paulo e capitais
As grandes cidades também refletem essa desigualdade em seus bairros e distritos. É o caso de São Paulo. [...]
Itaim Bibi e Jardim Paulista são os distritos que têm o melhor indicador (82 anos). Anhanguera, no extremo da Região Norte, o pior (59 anos). A diferença entre eles é de 23 anos.
IDADE MÉDIA ao morrer em São Paulo e capitais. São Paulo. Rede Nossa São Paulo, 20 ago. 2024. Disponível em: https://nossasaopaulo.org.br/2024/08/20/idade-media-ao-morrer-em-sao-paulo-e-capitais/. Acesso em: 30 jul. 2025.
1 Você já reparou se, no município onde mora, há bairros com mais equipamentos públicos, como parques, bibliotecas e postos de saúde do que outros?
Resposta de acordo com o município onde os estudantes moram. Eles podem apontar que há bairros mais bem servidos de infraestrutura que outros.
2 Vamos fazer uma representação cartográfica dos equipamentos públicos disponíveis no bairro onde fica a sua escola?
também na paisagem urbana e no acesso desigual aos serviços públicos. Incentive-os a refletir sobre como a distribuição dos investimentos públicos nem sempre é equitativa e como isso impacta diretamente a qualidade de vida das pessoas.
1. Escreva no caderno o nome do bairro onde está localizada a escola onde você estuda e liste todos os equipamentos públicos que você conhece nesse bairro. São exemplos: escolas da rede pública, postos de saúde, hospitais, praças, parques, bibliotecas, entre outros.
2. Agora, pesquise quais equipamentos públicos existem no bairro e que você não conhecia. Liste-os também.
3. Ainda no caderno, classifique cada equipamento de acordo com a função dele: saúde, lazer, educação, entre outros.
4. O professor disponibilizará o mapa do bairro e você deverá marcar a localização de cada um dos equipamentos públicos que listou em seu caderno com um ponto colorido. Escolha uma cor para representar cada tipo de equipamento de acordo com a sua função.
5. Crie uma legenda com o significado de cada uma das cores utilizadas.
6. Finalize a atividade atribuindo um título ao seu mapa e escrevendo nele quais fontes de informação foram consultadas para construí-lo.
3 Há algum tipo de equipamento público que não existe em seu bairro e que você pensa que deveria existir? Por qual motivo? Anote no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
4 Se você pudesse sugerir uma mudança para reduzir as desigualdades no seu município, o que proporia? Anote no caderno.
Resposta pessoal. Incentive os estudantes a fundamentar suas sugestões em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 129
ENCAMINHAMENTO
03/10/2025 18:06
Abra um espaço de acolhimento para que todos se sintam respeitados, independentemente do bairro em que residam. Estimule a valorização de diferentes formas de expressão: deixe que estudantes com dificuldade na escrita registrem suas ideias em desenhos, esquemas ou apresentações orais.
Utilize recursos visuais como mapas ampliados, cores diferenciadas e legendas objetivas para apoiar estudantes com dificuldades de leitura ou de organização espacial. Garanta que a atividade seja conduzida de forma coletiva, promovendo a cooperação entre colegas e evitando comparações que reforcem desigualdades na turma.
1. Os estudantes deverão perceber que alguns bairros dispõem de mais equipamentos públicos, como praças, hospitais e bibliotecas, enquanto outros são menos atendidos. Leve-os a observar que as desigualdades sociais não aparecem apenas em estatísticas, mas
2. Ao produzir a representação cartográfica, os estudantes devem indicar a localização dos equipamentos públicos do bairro e classificá-los por tipo (saúde, educação, lazer etc.), utilizando cores e legendas. Eles podem ter dificuldades técnicas para elaborar legendas, organizar símbolos ou mesmo localizar no mapa os pontos de interesse. Apoie-os com exemplos prontos de mapas temáticos simplificados e permita que usem ícones, desenhos ou recursos digitais quando possível. Organize grupos para que estudantes com mais facilidade auxiliem os colegas. Reforce que cartografar é uma forma de compreender e transformar o espaço vivido. Finalize destacando que, ao organizar visualmente a localização dos equipamentos públicos, é possível perceber padrões de concentração e ausência de serviços.
3. Incentive os estudantes a pensar sobre o que falta em sua comunidade, aproximando a atividade da realidade cotidiana. Valorize propostas que partam de necessidades reais, como áreas de lazer, transporte acessível, centros culturais, creches ou hospitais. Mostre que identificar necessidades é um passo importante para o exercício da cidadania, pois evidencia a função do poder público em garantir direitos.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
TCT: Cidadania e civismo: direitos da criança e do adolescente, educação em direitos humanos.
ENCAMINHAMENTO
Antes de iniciar o trabalho previsto nas páginas 130 e 131, reserve um tempo para verificar se os estudantes se recordam do papel da Prefeitura e da Câmara dos Vereadores na administração pública municipal, tema de estudo na Unidade 3. Apresente à turma a noção de que há diferentes níveis de governo: o municipal, o estadual (ou distrital, no caso do DF) e o federal. Comente com os estudantes que o governo federal é responsável por regulações na saúde, na educação, na economia e nas Forças Armadas, entre outros; o governo estadual é responsável por atendimentos de
2
O
SUDESTE E O FUTURO
A participação das pessoas é importante para planejar o futuro de uma localidade. Elas podem se organizar por meio do poder público (federal, estadual ou municipal, organizado em executivo, legislativo e judiciário) ou de movimentos sociais. Observe as sedes dos governos estaduais do Sudeste.
Todo o país, seus estados e municípios são organizados por meio da legislação. No Brasil, a legislação está ligada à cidadania
Cidadania é a participação de forma ativa, organizada e consciente da construção da vida coletiva no Estado democrático.
1 Pesquise os direitos da criança e do adolescente. Qual é a importância da existência dessa legislação?
Os estudantes devem pesquisar o Estatuto da criança e do adolescente e reconhecer sua importância para garantir os direitos à educação e ao bem-estar dessa faixa etária.
saúde mais complexos, oferta do ensino médio, policiamento militar, sistema de metrô, entre outros. O governo municipal é responsável pelos postos de saúde, creches, escolas de educação infantil e dos anos iniciais, limpeza pública e guarda civil municipal, entre outros. Caso considere pertinente, retome o conceito de hierarquia.
Explore com a turma as fotografias das sedes dos governos estaduais do Sudeste, oferecendo a eles informações complementares sobre cada uma das imagens.
• São Paulo: o Palácio dos Bandeirantes foi projetado no final da década de 1930, inicialmente para abrigar uma universidade.
• Rio de Janeiro: construído em 1853, o Palácio Guanabara foi a residência da Princesa Isabel. Desde 1960 abriga a sede do governo estadual.
• Minas Gerais: comente que os edifícios da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves foram planejados pelo arquiteto carioca Oscar Niemeyer (1907-2012) e inaugurados como sede do governo em 2010.
Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo (SP), em 2020.
Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro (RJ), em 2024.
Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte (MG), em 2024.
Palácio Anchieta, em Vitória (ES), em 2025.
Além das ações do poder público, no Sudeste há pessoas que lutam por mudanças nas leis e pela garantia de direitos humanos. Por exemplo, a participação nos conselhos municipais permite que a população colabore na elaboração de políticas públicas.
Já os movimentos sociais são formados por grupos de pessoas que se organizam para obter mudanças sociais, políticas, ambientais ou econômicas. Elas podem agir até conquistar um objetivo específico ou atuar de forma constante.
No Sudeste, esses movimentos podem expressar os desejos de grupos de um município, de um estado ou de toda a região. Geralmente se organizam em organizações da sociedade civil (OSC) ou organizações não governamentais (ONGs).
Conselho municipal: órgão administrativo dos municípios, composto de cidadãos e de representantes do governo.
Voluntários de ONG ambiental plantando árvores com crianças de projeto social em Taquaritinga (SP), em 2024.
2 Existem movimentos sociais ligados a diversos temas, como os ambientalistas, os antirracistas, os rurais e os que atuam em defesa de moradia.
• Apresente exemplos de movimentos sociais que atuam em seu município ou estado.
Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.
DESCUBRA MAIS
SONHO de ser novamente floresta, episódio 1: Não mais terra seca. Publicado por: Instituto Terra. 2024. 1 vídeo ( ca. 5 min). Disponível em: https://youtu.be/ocNoHldcT4M. Acesso em: 18 ago. 2025.
O Instituto Terra é uma ONG brasileira que teve início em 1998, com projetos de reflorestamento da Mata Atlântica. Por meio do trabalho da ONG, foram plantadas mais de 2 milhões de árvores. Assista ao vídeo para conhecer mais dessa iniciativa.
Ao iniciar o trabalho com os conteúdos da página, pergunte aos estudantes: Vocês conhecem alguma ação do poder público do município onde vivem que seja voltada para a garantia de direitos humanos? Se sim, qual? Em caso de respostas negativas, apresente algumas dessas políticas (é possível pesquisar a esse respeito no site da Prefeitura do município).
2. Ao abordar os movimentos sociais, você pode realizar uma pesquisa com os estudantes sobre exemplos de alguns dos grupos mais atuantes no município ou no estado (a seu critério), bem como suas lutas e reivindicações.
• Ambientalistas: lutam pela conservação do meio ambiente e de elementos naturais, como florestas, rios, mares e animais.
• Antirracistas: lutam por igualdade racial e pelo combate ao racismo.
• Pró-moradia: lutam por moradia digna para grupos desfavorecidos e para pessoas em situação de rua.
• Pró-reforma agrária: lutam para que trabalhadores rurais tenham direito a uma propriedade para trabalhar e produzir.
03/10/2025 18:42
• Espírito Santo: explique aos estudantes que a construção foi inaugurada em 1551 e abrigou um Colégio Jesuíta até 1759. Em 1945, foi renomeada como Palácio Anchieta. 1. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pode ser acessado em: ECA ilustrado para crianças. Plenarinho, Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 2018. Disponível em: https://plenarinho.leg.br/index.php/2018/07/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente/. Acesso em: 29 set. 2025 (para os estudantes).
BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 jul. 1990. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 29 set. 2025 (para o professor).
Atividade complementar Solicite aos estudantes que sistematizem uma lista com os espaços públicos próximos ao seu lugar de vivência e as funções de cada um. Em seguida, oriente-os a analisar a listagem e a refletir sobre quais outros espaços públicos deveriam fazer parte daquela localidade para melhorar a qualidade de vida da população do entorno. Reserve um momento para que compartilhem suas opiniões entre a turma.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
TCT: Saúde: saúde.
ENCAMINHAMENTO
Realize com os estudantes a leitura da tabela, considerando que a turma pode não ter pleno domínio, ainda, de leitura de porcentagens. Nesse caso, busque converter os dados em formas de assimilação mais fácil. Por exemplo: “traduza” 80,74% para 80 a cada 100, ou, ainda, 8 a cada 10. 1. Espera-se que os estudantes baseiem suas respostas na interpretação comparativa dos dados da tabela Sudeste: indicadores de saneamento (2022), relativos aos estados da região, e no trecho da notícia, que se refere ao município de São Paulo. Conforme a tabela, na região Sudeste, o estado de São Paulo é o que apresenta os melhores índices de acesso a serviços de saneamento, com mais de 90% dos domicílios atendidos pela rede geral de abastecimento de água e esgoto. Já os estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espírito Santo apresentam índices relativos a abastecimento de água e presença de rede de esgoto entre 75% e 87%. Espera-se que, com a leitura do trecho da notícia, os estudantes concluam que, ainda que haja bons índices no Sudeste, há muito o que se fazer para garantir um acesso universalizado (generalizado, acessível a todos) ao saneamento básico.
Saúde
O direito à saúde envolve boa qualidade de vida e de nutrição, saúde ambiental e acesso a atendimento hospitalar, remédios e vacinas. A boa nutrição está ligada à segurança alimentar, que é o direito de ter acesso a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e de forma sustentável.
Para garantir uma boa saúde, é preciso também ter condições de higiene e saneamento básico , com um bom sistema de abastecimento de água e coleta de esgoto. Observe a tabela a seguir.
Sudeste: indicadores de saneamento (2022)
Estados
Índice de domicílios conectados à rede de esgoto (em %)
Minas Gerais 80,74
Espírito Santo
Índice de domicílios abastecidos por rede geral de água (em %)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Tabela 6803. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6803. Acesso em: 12 ago. 2025; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Tabela 6805. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6805. Acesso em: 19 ago. 2025.
Agora, leia o trecho de notícia sobre o município de São Paulo (SP). Dados do Instituto Água e Saneamento (IAS) apontam que há ainda 80 913 habitantes sem acesso à água, enquanto o esgoto de 307 557 habitantes não é coletado [...].
Os números, que já são bastante significativos, estão muito abaixo da realidade completa do município, conforme explica o engenheiro civil Luiz Fazio, criador da ONG Biosaneamento, que atua em projetos de saneamento básico em favelas e periferias. [...]
LIMA, Isabella. Sem água [...]. Terra. São Paulo, 27 set. 2024. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/ eleicoes/sao-paulo/sem-agua-cheiro-de-podridao-e-o-sonho-de-uma-vida-digna-o-retrato-da-falta-de -saneamento-em-sp,031d98992c3f2662b818f3f9e6085862gp7w4abf.html. Acesso em: 5 ago. 2025.
1 Analise os dados da tabela. Como é o atendimento de água e esgoto na região Sudeste? Escreva no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Pesquisem se há algum movimento social que busca melhorar o saneamento básico no município ou estado onde vocês vivem. Apresentem o que descobriram aos colegas.
Resposta de acordo com o município ou estado onde os estudantes vivem. Veja orientações no Encaminhamento.
2. Oriente os estudantes para que pesquisem, em grupos, iniciativas e movimentos relevantes no município ou no estado que busquem melhorias para o saneamento básico. Auxilie-os na realização da pesquisa, indicando fontes seguras e confiáveis na internet. Converse com os estudantes sobre a importância do acesso à água potável, explicando a diferença entre água tratada e água em meio natural. Oriente-os a não beber água de rios ou bicas, devido ao perigo de contaminação. Leve-os a refletir sobre a importância fundamental do acesso à água por meio de perguntas como: quantas vezes você utiliza água por dia? De que forma? Comente com a turma que utilizamos a água cotidianamente em inúmeras situações: para beber, cozinhar, cuidar da nossa higiene, limpar a casa etc.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Educação
2. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes argumentem em prol de uma educação que lhes permita assumir papéis de protagonismo na construção de sua trajetória de conhecimento.
Para a Constituição brasileira e o Estatuto da criança e do adolescente, a educação é um direito de todos e um dever do Estado, com um papel importante atribuído às famílias e à comunidade. Os estados e os municípios devem oferecer escolas públicas e gratuitas, incluindo escolas indígenas, quilombolas e do campo para os diversos povos e culturas. Observe o mapa e leia o depoimento.
Sudeste: abandono escolar (2020)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 127.
[...] Então, eu sou muito grata, assim, à escola. [...] eu acho que a escola pode ser, sempre, um laboratório de sonhos, pra mim, assim.
OLIVEIRA, Mafuane. Conte sua história: projeto Afinadores de ouvido. Entrevistador: Jonas Samaúma. Museu da Pessoa, entrevista n. 2, São Paulo, 15 abr. 2019.
QUEM É?
Mafuane Oliveira (1984-) é contadora de histórias, atriz, professora e escritora. Trabalha em projetos culturais e educacionais em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Oliveira
1 Reveja o mapa Sudeste: abandono escolar (2020). O que o mapa indica sobre o abandono escolar na região Sudeste? Escreva no caderno.
2 Para a professora Mafuane Oliveira, a escola é “um laboratório de sonhos”. E para você? Como você acha que a escola pode contribuir para seu futuro?
1. Espera-se que os estudantes identifiquem que Minas Gerais tem a maior taxa de abandono escolar, seguida pelo Rio de Janeiro. São Paulo e Espírito Santo têm as menores taxas.
Sugestão para o professor
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Escolas do Campo, Indígenas e Quilombolas. Brasília, DF: FNDE, 2024. Disponível em: www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e -programas/programas/pdde/conta-pdde-estrutura-1/programa-escolas-do-campo-indigenas -e-quilombolas. Acesso em: 30 set. 2025.
A resolução trata da destinação de recursos para escolas localizadas na zona rural (campo, indígena e quilombola).
Após a leitura do trecho do depoimento de Mafuane Oliveira, comente com os estudantes que a entrevista foi realizada de forma oral e, depois, transcrita para publicação. Verifique, neste momento, se eles conseguem perceber a importância de relatos como esse para a construção da história oral de uma comunidade. Se houver interesse, o texto e o vídeo completos do depoimento estão disponíveis no site do Museu da Pessoa, em: https://museudapessoa.org/ historia-de-vida/contadora -de-hist-rias-1/ (acesso em: 30 set. 2025).
Comente com os estudantes que existem diversas iniciativas que buscam formar uma sociedade mais justa e igualitária por meio da educação. Um deles é o Programa Escolas do Campo, Indígenas e Quilombolas. Por meio dele, é promovido o acesso de crianças e jovens de diversas partes do país ao ensino público, em escolas que respeitam e promovem as culturas tradicionais das áreas onde estão inseridas, ao mesmo tempo que proporcionam educação de qualidade adaptada às realidades locais.
Mafuane
em São Paulo (SP), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
(EF03CO03) Aplicar a estratégia de decomposição para resolver problemas complexos, dividindo esse problema em partes menores, resolvendo-as e combinando suas soluções.
TCT: Cidadania e civismo: vida familiar e social.
ENCAMINHAMENTO
De maneira interdisciplinar com Educação Física, planeje uma atividade em que os estudantes se organizem em duplas e se revezem guiando o parceiro, que estará com os olhos vendados, pelo pátio ou quadra, sem esbarrar em nada. O estudante-guia conduzirá o colega por voz, apenas, sem tocá-lo. Esta atividade permite que os estudantes exercitem outros sentidos além da visão e percebam as dificuldades de locomoção sem esse sentido, valorizando os recursos que garantam a acessibilidade.
Acessibilidade
A Constituição e o Estatuto da pessoa com deficiência garantem que qualquer pessoa possa transitar livremente pelo território do país. Para isso, é preciso garantir a acessibilidade aos espaços públicos ou de uso coletivo, rurais ou urbanos.
de acessibilidade no Parque Estadual de Jacupiranga, em Eldorado (SP), em 2023.
Piso tátil em estação ferroviária em Vassouras (RJ),
Para garantir a inclusão e a acessibilidade, podem ser utilizados recursos como aplicativos, pisos táteis, rampas e elevadores. Além disso, os governos podem aplicar soluções adequadas à realidade dos habitantes do local.
Você já ouviu falar em praias acessíveis? No Espírito Santo, algumas prefeituras de municípios como Vila Velha, Serra e Vitória têm projetos de inclusão para os banhistas. A acessibilidade ao banho de mar é feita com a ajuda de guarda-vidas e monitores. Já no Rio de Janeiro, voluntários promovem a prática do surf adaptado para pessoas com mobilidade reduzida.
Com esses trabalhos, o acesso ao lazer e ao esporte é garantido de forma cidadã e igualitária.
VOCÊ DETETIVE
Produção coletiva.
1. Com o professor e os colegas, mapeiem estabelecimentos com acessibilidade próximos à escola.
2. Elaborem uma representação cartográfica com os estabelecimentos indicados.
3. Divulguem o mapa e os recursos de acessibilidade encontrados para a comunidade escolar, promovendo a conscientização para esse tema.
Sobre a prática de surf por pessoas com mobilidade reduzida, sugerimos a exibição seguinte vídeo: RIO+INCLUSIVO: surf adaptado com a Adaptsurf. Publicado por: RioEventos. 2024. 1 vídeo ( ca . 4 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=SXf6fr3pnmQ. Acesso em: 30 set. 2025. No Você detetive, solicite autorização à administração escolar e aos familiares para programar a atividade no entorno da escola, para a listagem dos estabelecimentos com acessibilidade (rampa de acesso, piso tátil, barras de apoio, por exemplo). Reforce com os estudantes quais serão os materiais necessários durante o percurso, como calçados confortáveis, garrafas de água e material para anotações, e as atitudes esperadas deles. Se houver estudantes com deficiência visual ou motora na turma, convide-os a compartilhar suas impressões sobre os locais visitados. Oriente os estudantes na preparação de um roteiro de pesquisa. Isso os auxiliará a dividir o problema em partes menores (identificação de locais com e sem acessibilidade e sua representação de forma cartográfica) antes de pensar em intervenções ou medidas para minimizá-lo (habilidade EF03CO03 da BNCC da Computação). Indique aos estudantes sites que possibilitem a representação cartográfica (criação de mapas) para que façam a indicação espacial dos estabelecimentos acessíveis (como: MAPA de acessibilidade. Joinville: Vale Maps, 2023. Disponível em: www.valepcd.com.br/post/maps-acessibilidade-vale-maps. Acesso em: 30 set. 2025). Os estudantes podem compartilhar o mapa elaborado com a comunidade escolar de forma digital, explicando quais recursos de acessibilidade foram listados.
Rampa
2. Resposta de acordo com o município dos estudantes. Espera-se que os estudantes
Futuro nas cidades
identifiquem os tipos de transporte público do município onde vivem e a qualidade do serviço.
Como você imagina o futuro e o trabalho nas cidades? As diferentes tecnologias e o avanço científico podem trazer transformações aos meios de transporte, às atividades econômicas e às profissões, como as inovações urbanas usadas nas chamadas cidades inteligentes.
Cidades inteligentes utilizam tecnologias para melhorar a vida dos habitantes de um local e promover o desenvolvimento sustentável.
Muitas cidades sudestinas também estão investindo em sistemas que valorizam os pedestres e os ciclistas. Sistemas integrados com tecnologias também permitem o uso de bicicletas e patinetes compartilhados por aplicativo.
Uma rede de transporte menos poluente e com mais mobilidade gera segurança e autonomia para toda a população, incluindo pessoas idosas e pessoas com deficiência
Painéis solares em prédio em Lagoa Santa (MG), em 2023.
1 No município onde você vive, quais inovações urbanas são observadas?
Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes identifiquem se há (e quais são) as inovações urbanas no município onde vivem.
2 Como é o transporte público no município onde você vive?
• Há algum incentivo da prefeitura para os pedestres e os ciclistas?
Resposta pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
BNCC
TCT: Ciência e tecnologia: ciência e tecnologia.
ENCAMINHAMENTO
Incentive os estudantes a perceber que as inovações tecnológicas e científicas podem estar presentes em coisas simples e cotidianas. Comente com os estudantes que as cidades inteligentes se concentram na região Centro-Sul do país.
2. Resposta de acordo com o município dos estudantes. Espera-se que os estudantes identifiquem os tipos de transporte público do município onde vivem e a qualidade do serviço.
Texto de apoio
Cidades inteligentes, ou smart cities, são cidades que conseguem alinhar o desenvolvimento tecnológico com o progresso social e ambiental, por meio de inovações digitais e disruptivas. O objetivo dessas estratégias de desenvolvimento urbano é proporcionar aos cidadãos uma melhor qualidade de vida. Assim, as cidades consideradas inteligentes são as que fazem uso estratégico de infraestrutura, serviços, informação e comunicação com o planejamento e gestão urbana necessários, dando resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade.
03/10/2025 18:42
VENTORINI, Silvia Elena; SILVA, Patricia Assis da; ROCHA, Gisa Fernanda Siega (org). Deficiência visual, práticas pedagógicas e material didático. São João del-Rei: Agência Carcará, 2016. Disponível em: https://ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/bdgc/Livro_deficiencia%20visu al,%20pr%E1ticas%20pedeg%F3gicas%20e%20material.pdf. Acesso em: 30 set. 2025. O livro traz explicações sobre as diferentes deficiências visuais e sugestões de atividades com cartografia tátil.
CIDADES inteligentes: o que são e quais suas vantagens? PUCRS online, Porto Alegre, 21 jun. 2024. Disponível em: https://online.pucrs.br/blog/ cidades-inteligentes. Acesso em: 30 set. 2025.
Ciclovia da Vida, entre Vila Velha e Vitória (ES), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
(EF04GE10) Comparar tiposvariados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
Futuro no campo
O avanço da tecnologia e as pesquisas sobre o meio ambiente podem contribuir para muitas modificações na vida e no trabalho no campo.
Os chamados alimentos do futuro estão ligados à inovação na indústria alimentícia. Eles podem reduzir impactos ambientais da agropecuária e da indústria pesqueira ao diminuir a dependência de produções em larga escala, por exemplo.
As PANCs são exemplos de alimentos do futuro. No Sudeste, são cultivados o mangará ou coração de bananeira, a taioba e algumas flores, como o hibisco.
Atenção!
Não consuma alimentos desconhecidos sem a supervisão de um adulto.
Distribuição de PANCs no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro (RJ), em 2023.
PANCs: sigla para plantas alimentícias não convencionais para a produção de alimentos.
Também são considerados alimentos do futuro os que utilizam ingredientes vegetais que oferecem uma alternativa sustentável à carne tradicional, que tem um alto custo ambiental. Alguns tipos de algas marinhas e cogumelos são exemplos desses alimentos.
Além do cultivo de alimentos do futuro, é importante destacar as boas práticas agrícolas, com modos de cultivo que respeitam o meio ambiente. Um exemplo desse tipo de agricultura sustentável no Sudeste é o cultivo de mandioca, milho, abóbora e diversos tipos de feijão realizado historicamente por povos indígenas.
Tradicionalmente, esses povos têm grande conhecimento sobre a produção agropecuária e o respeito às florestas. O cultivo também costuma ser diversificado, com presença de maior variedade de alimentos. Além disso, as práticas agrícolas contam com uma divisão de trabalho em que atuam mais mulheres produtoras.
ENCAMINHAMENTO
É interessante promover uma discussão sobre produção de alimentos e meio ambiente. Observe se os estudantes reconhecem a ligação direta entre modos de produção de gêneros alimentícios e os impactos ambientais provocados por essa produção. Se necessário, ofereça explicações complementares sobre esta relação.
Comente com os estudantes que as técnicas desenvolvidas pela chamada agroecologia são menos agressivas ao meio ambiente. A agroecologia integra conhecimentos técnicos e saberes tradicionais para que as práticas agrícolas sejam sustentáveis. Além disso, muitos profissionais ligados à agricultura convencional têm discutido como produzir alimentos minimizando os impactos socioambientais.
As agroflorestas ou sistemas agroflorestais, um modo de plantio de alimentos integrado às florestas, são outro exemplo de agricultura sustentável. Esses métodos de produção agrícola são desenvolvidos por comunidades tradicionais e familiares, combinando saberes, técnicas, práticas e organização social que respeitam o meio ambiente.
Observe o mapa feito pelos habitantes da comunidade quilombola Sertão do Itamambuca, em Ubatuba (SP).
Áreas de uso e ocupação tradicional e histórica
Acesso
Cachoeira
Campo de futebol
Campo de futebol antigo
Captação de água
Carvoaria
Casa de farinha
Casa de farinha antiga
Cemitério antigo
Escola antiga
Expressões culturais
Igreja católica
Lagoa antiga
Laje
Mirante
Poço
Praia
Roda d’água antiga
Ruína
Sede da Associação
Agrofloresta
Núcleo familiar quilombola
Pesca artesanal
Roça
Roça antiga
Ruína
Mangue
Área de pesca
antiga
Área de pesca de camarão
COMUNIDADE QUILOMBOLA SERTÃO DO ITAMAMBUCA
Conflitos socioambientais e ocupação não comunitária
Ocupação não quilombola
Área particular
Área particular
Área de ocupação não quilombola
Bairro
Contaminação da água
Loteamento
Conflito de território
Pupunha
Outros elementos
Rodovia BR-101
Rua
Rio
Rio Itamambuca
Trilha
Estrada antiga
Pesca artesanal
Limite Quilombo
Parque Estadual da Serra do Mar
Fonte: PROJETO Povos: território, identidade e tradição: territórios do Norte de Ubatuba. Rio de Janeiro: Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina, 2023. Disponível em: https://www.otss.org.br/post/projeto-povos-publica%C3%A7%C3%B5es-revelam-desafios-e-riquezas-de -mais-17-comunidades-tradicionais-de-paraty. Acesso em: 5 ago. 2025.
1 Identifiquem no mapa da comunidade quilombola Sertão do Itamambuca os elementos que se relacionam com o uso dos recursos naturais por essa população tradicional.
Os estudantes podem identificar elementos no mapa como captação de água, poço, roças, agrofloresta e pesca artesanal.
Sugestão para o professor
ENCAMINHAMENTO
Ao realizar a leitura do mapa com a turma, aproveite a oportunidade para relembrar aos estudantes a importância da etnocartografia, relacionada à prática de pesquisa voltada para o estudo da cultura ou do comportamento de um povo ou grupo específico.
Pode ser proposta uma atividade com o mapa elaborado no Você detetive (página 134), que registra locais com acessibilidade no entorno da escola, complementando com representações de outros lugares relacionados ao cotidiano dos estudantes. Dessa forma, poderá organizar uma cartografia mais afetiva relacionada à etnocartografia.
Ao abordar o conteúdo sobre o mapa produzido pela comunidade quilombola Sertão do Itamambuca, em Ubatuba (SP), você pode estabelecer relações com os estudos sobre patrimônio (Unidade 1, Capítulo 1) e sobre povos tradicionais e saberes ancestrais (Unidade 4, Capítulo 1).
03/10/2025 18:42 137
BRANCO, Camila da Silva Vaz; SILVA, Elga Batista da; BARBOSA, Maria Ivone Martins Jacintho. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no contexto da gastronomia e da educação alimentar e nutricional. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, SP, v. 29, 2022. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8665956. Acesso em: 1o out. 2025.
O texto trata do potencial das plantas alimentícias não convencionais (PANCs) e das perspectivas gastronômicas associadas à educação alimentar e nutricional (EAN).
O documentário apresenta o papel da cartografia social para a defesa de territórios tradicionais dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Aproveite para explicar aos estudantes que, ainda que comunidades tradicionais e familiares priorizem saberes tradicionais, a tecnologia mais avançada também pode ser utilizada em agroflorestas. Há aplicativos, por exemplo, que auxiliam no registro e na organização da produção.
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
ENCAMINHAMENTO
Aproveite o conteúdo sobre coleta seletiva para, em interdisciplinaridade com Ciências da Natureza, explicar aos estudantes que grande parte dos resíduos coletados não pode ser reciclada ou é de difícil reciclagem.
Ao fazer a leitura da escultura Pietá do lixo , também conhecida como Monumento a Dona Domingas, compartilhe com a turma a história de Dona Domingas: Sua família veio dos Açores (localize o arquipélago em um mapa para os estudantes) na segunda metade do século XIX e foi morar no morro do Palácio, em Vitória (ES), onde permaneceu por algum tempo. Tornou-se livre em 1888, com a abolição da escravidão no Brasil. Não se sabe ao certo as datas de nascimento e de morte de Dona Domingas, pela ausência de certidões. A escultura em bronze, criada na década de 1970, é do artista Carlo Crepaz, e foi posicionada ao lado do Palácio Anchieta.
Se considerar oportuno, apresente uma problematização sobre pessoas pouco conhecidas que são homenageadas em monumentos.
Futuro e meio ambiente
A ação do poder público é muito importante para garantir que todas as pessoas tenham acesso a um futuro sustentável. Veja alguns exemplos dessas ações na região Sudeste.
Curso de água no fundo da Lagoa da Lapinha quase seca, em Santana do Riacho (MG), em 2023.
Coleta seletiva
Em 2023, a região Sudeste tinha cerca de 35 mil catadores de materiais recicláveis, cerca de 40% desses trabalhadores no Brasil. O estado de São Paulo concentra o maior número de municípios com coleta seletiva em operação.
A parceria entre as prefeituras e os catadores de material reciclável e reutilizável é fundamental para que a coleta seletiva funcione.
QUEM É?
Recuperação das águas
Na região Sudeste, as mudanças climáticas podem causar a diminuição da disponibilidade de água nas bacias hidrográficas. Para garantir que não falte água, é preciso conservar as nascentes e a vegetação das margens, além de evitar desperdício no consumo.
Em Minas Gerais, por exemplo, o programa Regar: regular e educar atua na sensibilização de estudantes e professores sobre a importância de proteger os recursos ambientais e hídricos do estado.
Separação de materiais recicláveis em São José dos Campos (SP), em 2022.
Dona Domingas, segundo a tradição oral, foi uma escravizada vinda dos Açores, em Portugal. Após a abolição, ganhava a vida catando papelão pelas ruas do centro de Vitória (ES).
Pietà do lixo Bronze, 120 cm x 52 cm x 80 cm de Carlo Crepaz, em Vitória (ES), em 2025.
Sugestão para o professor
ANUÁRIO da reciclagem 2023. Brasília, DF: Pragma, 2023. Disponível em: https://institutoatmos. org/wp-content/uploads/2024/08/Anuario-da-Reciclagem-2023.pdf. Acesso em: 1o out. 2025. Os dados sobre coleta seletiva contidos nesta publicação podem ser úteis para que você complemente suas aulas, se julgar conveniente.
NUNES, Fabíola Fraga et al . Dona Dominga, para além das escadarias do poder. Farol , Vitória, v. 19, n. 28, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/farol/article/ download/40098/29914/154255. Acesso em: 1o out. 2025.
Ensaio sobre Dona Dominga, catadora de papel e personalidade do universo sociocultural de Vitória, no Espírito Santo.
Nova Iguaçu (RJ), em 2020. Junto a Mesquita (RJ) e Nilópolis (RJ), é um dos municípios brasileiros com maior presença de vegetação em área urbana.
Conservação das restingas
Na região Sudeste, existem diversas Unidades de Conservação que abrigam vegetação de restinga em sua área de origem. Essa vegetação litorânea tem grande biodiversidade e precisa da proteção de políticas públicas.
No Espírito Santo, em 28 de abril se celebra o Dia Estadual da Floresta de Restinga.
Arborização urbana e reflorestamento
A arborização urbana ajuda a prevenir enchentes e a reduzir as temperaturas. Porém, apenas 6,9% das áreas urbanas brasileiras são cobertas por vegetação.
O Rio de Janeiro é o estado brasileiro com maior proporção de arborização urbana.
Em 2023, estados do Sul e do Sudeste assinaram o Tratado da Mata Atlântica, que prevê o plantio de mudas de espécies nativas em ações de reflorestamento nas duas regiões até 2026.
Vegetação de restinga no Parque Estadual de Itaúnas em Conceição da Barra (ES), em 2023.
Após explorar a imagem do Parque Estadual de Itaúnas, em Conceição da Barra (ES), comente com os estudantes que há outras importantes Unidades de Conservação no estado, como o Parque Estadual Paulo César Vinha. Dá nome ao parque um biólogo e ambientalista capixaba que lutou pela proteção das restingas no estado e pela demarcação de terras indígenas.
2. Espera-se que os estudantes identifiquem se há coleta seletiva no município onde vivem, em quais dias da semana os resíduos são coletados e para que local são destinados, por exemplo. A pesquisa pode ser feita no site da Prefeitura do município.
Reciclável: resíduos que podem passar por processos industriais e serem transformados em novos materiais.
Reutilizável: resíduos que podem ser reaproveitados, utilizados mais de uma vez.
1 No município onde você vive há programas da prefeitura para uma vida e um futuro sustentáveis? Se sim, quais?
2 Como funciona a coleta seletiva no município onde você vive?
Resposta de acordo com o município dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.
3 Que ações são necessárias para que não falte água no município onde vocês vivem? Façam uma lista e apresentem aos colegas.
Respostas de acordo com o município dos estudantes. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
4 No município onde você vive há muitas ou poucas árvores nas áreas urbanas?
Resposta de acordo com o município dos estudantes.
5 Como você pode contribuir para a proteção da vegetação em seu lugar de vivência?
Resposta pessoal. Os estudantes podem pensar em ações como conscientizar a comunidade para não realizar queimadas e plantar mais árvores nativas em praças e espaços abertos, por exemplo.
Sugestão para o professor
03/10/2025 18:42
HIRYE, Mayumi et al. Nota técnica: vegetação urbana no Brasil. São Paulo: MapBiomas, 2024. Disponível em: https://brasil.mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/4/2024/07/Copia-de -Nota-Tecnica-Vegetacao-Urbana-no-Brasil.pdf. Acesso em: 1o out. 2025.
Nesta publicação é possível obter dados e informações complementares sobre cobertura vegetal em espaços verdes urbanos e periurbanos no Brasil.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil. Brasília, DF: ONU, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br. Acesso em: 1o out. 2025. Os temas na dupla de páginas estão associados a alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no que se refere à proteção do meio ambiente e do clima.
3. Os estudantes podem citar, entre as ações para que não falte água no município: combate ao desperdício, com campanhas públicas de educação ambiental; aproveitamento de água das chuvas e reúso de água para limpeza doméstica; conservação dos rios da região.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
ENCAMINHAMENTO
Comente com os estudantes que a lei que garantiu o direito à proteção ao Rio Laje, em Guajará-Mirim (RO), também estabeleceu que seja criado um comitê de guardiões, formado por indígenas, pescadores, mulheres artesãs indígenas e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia, que deve ser consultado sempre que houver a intenção de construir algo que possa afetar o rio. Diga à turma que, ao conceder direitos a um rio, a legislação passa a proteger a sua existência e integridade, bem como os seres que dependem dele para sobreviver, defendendo diversas formas de vida.
2. Incentive os estudantes a argumentar sobre o que levaram em consideração para que escolhessem determinado rio. Eles podem citar, entre outros argumentos, a importância do rio para o município ou o estado e o fato de o curso de água sofrer com poluição ou seca, por exemplo.
DIÁLOGOS
Direitos da
natureza
Você sabia que em junho de 2023 foi aprovada uma lei que garantiu os direitos de um rio na Amazônia? O Rio Laje, em Guajará-Mirim, no estado de Rondônia, foi reconhecido como ser vivo, com direito à proteção legal.
A lei municipal no 2.579 também reconhece os direitos de todos os outros corpos de água e seres vivos que existam naturalmente no rio ou com quem ele se relaciona, incluindo os seres humanos.
1. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes concluam que sim, pois esses direitos podem diminuir as desigualdades sociais de comunidades ribeirinhas e ajudar na conservação do meio ambiente.
Rio Laje em Guajará-Mirim (RO), em 2023. Chamado pelos indígenas de Komi-Memen, é um afluente do Rio Madeira que, por sua vez, encontra o Rio Amazonas.
Na região Sudeste também existem diversos rios e nascentes de rios que fazem parte de duas bacias hidrográficas muito importantes para o Brasil: a bacia do São Francisco e a bacia do Paraná. O Rio São Francisco é o maior rio totalmente brasileiro e interliga as regiões Sudeste e Nordeste. Já o Rio Paraná é o segundo maior rio do Brasil. Ele nasce do encontro do Rio Grande e do Rio Paranaíba, na divisa entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, e segue em direção ao estado do Paraná e de outros países, como Paraguai e Argentina.
Outros rios na América Latina também possuem seus direitos. Na Colômbia, em 2016, o Rio Atrato ganhou o direito por lei de existir, ser cultivado e preservado. No Equador, em 2024, o Rio Machángara teve reconhecido por lei seu direito de não ser degradado ou poluído. Aliás, nesse país, a natureza, também chamada Pachamama na mitologia andina, tem seus direitos reconhecidos desde 2008.
1 Vocês concordam que os rios e os outros elementos da natureza, assim como as pessoas, devem ter direitos? Por quê? Anotem as respostas no caderno.
2 Que rio de seu município ou estado também mereceria ter seus direitos reconhecidos? Por quê? Anotem as respostas no caderno.
Sugestão para o professor
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (BRASIL). Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil. Brasília, DF: ANA; Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, 2024. Disponível em: www.snirh.gov.br/portal/centrais-de-conteudos/conjuntura-dos -recursos-hidricos/conjuntura2024_04122024.pdf. Acesso em: 1o out. 2025.
O relatório Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil apresenta a situação dos recursos hídricos no país, por meio de indicadores e estatísticas sobre usos e gestão da água em 2023.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
TCT: Economia: trabalho.
Atividades e profissões do futuro
Como você imagina sua vida no futuro? Como serão o trabalho e as profissões? Observe alguns exemplos de atividades que ocorrem na região Sudeste e que podem ser sustentáveis.
Turismo sustentável
Ocorre em parques como Itatiaia (RJ), Serra da Canastra (MG), Pedra Azul (ES) e Alto Ribeira (SP).
Pesquisa em energia sustentável É feita em diversas universidades e institutos de pesquisa sudestinos.
Arquitetura verde Construções que buscam otimizar o uso da luz solar e da água, entre outros.
1 No futuro, com que área você gostaria de trabalhar? Ela se relaciona a alguma das áreas apresentadas nesta página?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
03/10/2025 18:42
UOTA, Gabriella. IA e o futuro do trabalho: 70% das habilidades atuais deixarão de existir até 2030. Exame, São Paulo, 15 maio 2025. Disponível em: https://exame.com/carreira/ia-e-o-futuro-do -trabalho-70-das-habilidades-atuais-deixarao-de-existir-ate-2030/. Acesso em: 1o out. 2025. O artigo apresenta tendências de mudanças no mercado de trabalho, cada vez mais influenciado pela IA.
ENCAMINHAMENTO
É possível ampliar a atividade solicitando aos estudantes que perguntem a pessoas mais velhas da família ou da sua comunidade sobre inovações (novas tecnologias, novas técnicas, novos instrumentos) em anos recentes que tenham contribuído para alterar atividades de trabalho ou modos de produção. Eles podem perguntar como era antes do uso dessas técnicas ou tecnologias, para que reflitam sobre dinâmicas de transformação de atividades de trabalho.
1. Escute com atenção e acolhimento todas as respostas dadas pelos estudantes. Valorize todas as falas, criando um ambiente de confiança que incentive a participação de todos.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ENCAMINHAMENTO
1. Espera-se que os estudantes destaquem características culturais dos povos imigrantes (língua, festas, culinária, formas de se vestir, relações com a natureza, dentre outras). Eles poderão ou não relacionar com suas vivências. É muito importante que relembrem que os africanos escravizados também são considerados imigrantes (no caso, uma imigração forçada). Se necessário, ajude-os a diferenciar os povos imigrantes dos povos originários e suas culturas.
2. a) É esperado que os estudantes identifiquem: o mar, na parte inferior da fotografia, à esquerda; uma área de grande ocupação humana, principalmente; e uma área mais conservada na parte direita, de menor ocupação, onde está localizada a Terra Indígena (TI) Piaçaguera.
b) A demarcação de terras indígenas é importante para garantir a proteção dos direitos, culturas e modos de vida dos povos indígenas, além de desempenhar um papel fundamental na conservação ambiental e no combate às mudanças climáticas.
PARA REVER O QUE APRENDI
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
1. Os migrantes e imigrantes contribuíram para a diversidade e a cultura da região somando suas tradições às dos povos originários.
1 A região Sudeste apresenta grande diversidade cultural. Descreva como os migrantes e os imigrantes contribuíram para essa diversidade.
• Apresente um exemplo da diversidade trazida por migrantes ou imigrantes a seu município ou estado.
Resposta de acordo com o município/ estado dos estudantes. Eles podem apresentar, entre outros, exemplos de danças, mitos, contos e canções relacionados a culturas migrantes e imigrantes.
2 A imagem de satélite mostra o limite entre a Terra Indígena Piaçaguera e a área urbana no município de Peruíbe (SP). Nessa Terra Indígena, demarcada em 2016, vivem cerca de 331 indígenas que se autodenominam Tupi-Guarani.
a) Descreva as diferentes paisagens retratadas na imagem.
b) Explique a importância da demarcação de terras para os povos indígenas.
Limite da Terra Indígena Piaçaguera e a área urbana no município de Peruíbe (SP), em 2025.
3 A Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a Agenda 2030, com 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) que os países devem alcançar até 2030. Em 2025, o Brasil acrescentou o ODS 18 a essa agenda.
2. b) A demarcação de terras indígenas é importante para garantir a proteção dos direitos, culturas e modos de vida dos povos indígenas, além de desempenhar um papel fundamental na conservação ambiental e no combate às mudanças climáticas. Veja resposta no Encaminhamento.
Sugestão para os estudantes
TERRAS INDÍGENAS NO BRASIL. Brasília, DF: ISA, c2025. Disponível em: https://terrasindig enas.org.br. Acesso em: 1o out. 2025.
A página do Instituto Socioambiental constitui a maior base de dados sobre Terras Indígenas no Brasil.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
a) In dique quais motivos podem ter contribuído para o Brasil adotar mais um ODS?
Veja resposta no Encaminhamento.
b) Explique como os ODS se relacionam às atividades e profissões do futuro?
Veja resposta no Encaminhamento.
c) Selecione dois ODS que você considera mais importantes em seu lugar de vivência e explique por quê.
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes consigam associar problemáticas específicas de seu lugar de vivência a dois dos 18 ODS apresentados, justificando como se relacionam entre si.
4 O projeto Teto Verde Favela, implantado na favela do Arará no Rio de Janeiro (RJ), usa vasos adaptados a telhas. Observe a imagem a seguir.
Instalação de teto verde na favela do Arará no Rio de Janeiro (RJ), em 2022.
• Identifique quais são as vantagens do uso da arquitetura verde nesse projeto.
Espera-se que os estudantes concluam que o uso de tetos verdes resfria a temperatura das casas e, assim, diminui o consumo de energia elétrica.
5 A qualidade de vida no futuro é um assunto que preocupa o mundo inteiro. O que significa ter uma boa qualidade de vida? Como garanti-la para toda a sociedade?
Respostas pessoais. Veja mais orientações Encaminhamento.
Escolha uma das opções da legenda para responder às questões.
a) Eu me dediquei a todas as atividades pedidas pelo professor?
b) Realizei a leitura do texto e a interpretação das imagens e dos mapas?
c) Compreendi o que aspectos da população e do futuro do Sudeste e posso aplicar esses temas no meu dia a dia?
Resposta de acordo com a autoavaliação dos estudantes.
Sim. Apenas uma parte. Ainda não, mas chego lá. 143
3. a) Espera-se que os estudantes concluam que a necessidade de considerar a diversidade étnica brasileira e combater as desigualdades e o preconceito levou o país a adotar o ODS 18 (Igualdade étnico-racial) para garantir a construção de um futuro sustentável.
b) Espera-se que os estudantes concluam que os ODS apresentam diversas possibilidades de trabalhar por um mundo em que haja mais equidade e as decisões sejam mais sustentáveis.
5. Espera-se que os estudantes associem a qualidade de vida ao acesso a direitos básicos do cidadão, como saúde, educação e acessibilidade. Espera-se que concluam que tanto o poder público quanto movimentos sociais, e até mesmo cada um de nós, em nossas atitudes cotidianas, podemos agir em prol da melhora da qualidade de vida para todos. Oriente os estudantes na realização da autoavaliação, garantindo que todos tenham compreendido as perguntas. Explique a eles que não há resposta certa ou errada, que o objetivo da atividade é que todos possam perceber que o aprendizado está sempre em construção e que há aspectos do processo de ensino e aprendizagem que podem ser revistos.
03/10/2025 18:42
Atividade complementar Após a realização da autoavaliação, é possível organizar uma roda de conversa com a turma, para que os estudantes que se sentirem à vontade compartilhem suas percepções sobre a atividade. Adapte a atividade às necessidades ou preferências dos estudantes: eles podem se expressar pela fala, pela escrita, por um desenho, por sinais ou gestos ou, ainda, usando recursos digitais. É interessante que eles reconheçam as dificuldades com que se depararam ao longo do trabalho com a unidade e se expressem sobre elas. Aproveite para mencionar que cada estudante tem um ritmo de aprendizado e que as diferenças entre eles constituem oportunidades de enriquecimento coletivo para a turma.
Referências bibliográficas comentadas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt -br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal.pdf. Acesso em: 25 ago. 2025.
O documento tem como objetivo garantir as aprendizagens essenciais que devem ser desenvolvidas durante a educação básica por todos os estudantes.
BRASIL. Ministério da Educação. Criança Alfabetizada . Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/ crianca-alfabetizada. Acesso em: 8 set. 2025.
O documento visa garantir a alfabetização de todos os estudantes brasileiros até o 2º ano do ensino fundamental, por meio da apresentação de possibilidades didáticas ao professor para recomposição das aprendizagens.
LIVRO DO ALUNO
BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Migração no Brasil : boletim informativo. Brasília, DF: MJSP, 2024. n. 4.
O documento apresenta dados sobre os fluxos migratórios no Brasil, incluindo estatísticas, perfis de migrantes e políticas públicas relacionadas ao tema.
BRASIL. Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Guia de políticas públicas para povos e comunidades tradicionais . Brasília, DF: Seppir, 2022. Esse guia reúne diretrizes e programas governamentais voltados a povos e comunidades tradicionais, abordando direitos territoriais, acesso a serviços e participação social.
ESSA bandeira tem história. TV Senado, 26 dez. 2022. Episódios 2, 4, 9 e 17. Disponível em: https://www12. senado.leg.br/tv/programas/essa-bandeira-tem-historia. Acesso em: 25 ago. 2025.
Série com vídeos explicativos de 2 minutos, em que especialistas comentam a história das bandeiras de cada estado brasileiro.
GLOSSÁRIO. In : INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https:// atlasescolar.ibge.gov.br/glossario.html?parent_id=372.
Acesso em 13 ago. 2025.
Glossário com diversos termos ligados à geografia, definidos e reconhecidos pelo IBGE.
HIRYE, M. et al Nota técnica : vegetação urbana no Brasil. Brasil: MapBiomas, 2022. Disponível em: https://brasil.mapbiomas.org/wp-content/uploads/ sites/4/2024/07/Copia-de-Nota-Tecnica-Vegetacao -Urbana-no-Brasil.pdf. Acesso em: 25 ago. 2025.
A publicação apresenta resultados, obtidos por meio de análises de imagens de satélite, sobre a vegetação urbana, periurbana e de praças e parques, ressaltando sua importância.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2022 . Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/ panorama/. Acesso em: 25 ago. 2025.
A publicação apresenta dados econômicos, sociais e demográficos que abrangem todo o país.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Regiões de influência das cidades : 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: https://biblioteca. ibge.gov.br/index.php/biblioteca =-catalogo?viewdetalhes&id=2101728. Acesso em: 25 ago. 2025.
O estudo do IBGE aborda os vínculos e a hierarquia entre as cidades brasileiras.
LENCIONI, S. Região e geografia . São Paulo: Edusp, 2009.
A autora é especialista em estudos sobre região e regionalização. Nesse livro, o conceito de região é definido com base em características físicas, históricas e socioculturais.
MOURA, D. O que as estátuas de bandeirantes têm a nos dizer? Jornal da Unesp , Franca, 3 ago. 2021. Disponível em: https://jornal.unesp. br/2021/08/03/o-que-as-estatuas-de-bandeirantes -tem-a-nos-dizer/. Acesso em: 25 ago. 2025.
O artigo reflete sobre os critérios para a escolha das figuras que são homenageadas em espaços públicos no Brasil. NUNES, J. H. Metrópole. In : ENDICI: enciclopédia discursiva da cidade. Campinas, c2025. Disponível em: https://www.labeurb.unicamp.br/endici/index. php?r=verbete%2Fview&id=37. Acesso em: 25 ago. 2025.
O texto discute os conceitos e as definições sobre metrópole e região metropolitana.
SANTOS, L. K. dos; OLIVEIRA, J. E. (org.). Os agricultores guarani e a atual produção agrícola na terra indígena Tenondé Porã: município de São Paulo. São Paulo: SMDU, 2020.
A publicação organiza dados e documentos sobre as terras indígenas guaranis no município de São Paulo, trazendo informações sobre sua localização, organização e atividades econômicas e sociais.
ORIENTAÇÕES GERAIS
LIVRO REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Esta obra tem como objetivo estimular a orientação espacial e a construção de referenciais geográficos e históricos no plano representativo, promovendo o desenvolvimento de competências fundamentais para a formação dos estudantes dos anos iniciais.
A região é adotada como marco estrutural do material e, neste caso, o conteúdo aborda uma das cinco grandes regiões do Brasil — o Sudeste —, retratando o povo, a memória, a história e os processos geográficos da região, contemplando todos os estados que a compõem.
O livro busca valorizar a pluralidade cultural e social dos territórios abrangidos, incluindo as diferentes expressões de linguagem, modos de vida, ritmos, manifestações culturais e o percurso histórico de seus habitantes. Além disso, pretende-se fortalecer a conexão do estudante com o lugar, incentivando-o a conhecer, respeitar e amar a cultura e a memória sudestina e brasileira. Nesse sentido, a obra apresenta possibilidades de promoção da conscientização socioambiental por meio da construção de um sentimento de pertencimento. Também são exploradas as diferentes expressões culturais regionais, como festas, culinária típica, música, entre outras. Outro ponto de destaque é a visibilidade do potencial turístico da região, evidenciando não apenas seus aspectos físicos, como também os culturais.
Por meio deste livro regionalizado, o estudante poderá se reconhecer como parte de uma coletividade regional, identificando os pontos comuns e as diversidades intra e inter-regionais ao desenvolver uma compreensão crítica sobre sua realidade por meio da construção de sua consciência histórica. Ao mesmo tempo, ao se perceber como sujeito integrante de um coletivo maior, pode refletir sobre a potência cultural, histórica e geográfica tanto da região em que vive quanto do Brasil como um todo.
Praia do Morro Grande, em Guarapari (ES), em 2023.
Espaço, tempo e memória
Visando à integração dos componentes escolares de Geografia e História em uma abordagem regionalizada, esta obra adota como fio condutor o processo dialógico que articula espaço e tempo, conceitos fundamentais da área de Ciências Humanas destacados pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essa abordagem considera as dimensões do "Eu", do "Nós" e do "Outros" desdobradas em "nossa localidade", "nosso tempo", "outras localidades" e "outros tempos".
Ainda sobre o fio condutor da obra, entende-se o "Eu" como o lugar de vivência do estudante e o "Nós" como diferentes coletivos de sua realidade, incluindo a identidade regional, construída socialmente por semelhanças e diferenças inter e intra-regionais. Ressalta-se que a identidade está diretamente ligada à relação que os indivíduos e os grupos sociais criam com os lugares de vivência. O pensamento de autores como Piaget marcou o ensino de Geografia e História desde os anos 1960, com propostas de estudos que se iniciam em realidades próximas ao estudante, ampliando aos poucos o raio de ação para a percepção de outros tempos e outros espaços. A proposta deste livro, todavia, não reduz essa abordagem aos círculos concêntricos como nos antigos Estudos Sociais, cujos conteúdos se organizavam por estudos espaciais (do mais próximo para o mais distante), reduzindo os estudos históricos a um apêndice da Geografia. A obra compreende o desenvolvimento dessa percepção de forma dinâmica e dialética e considera a construção de identidades e sentimento de pertença.
A questão das identidades, no processo ensino-aprendizagem, está atualmente associada à construção de uma consciência histórica que surge do terreno das memórias (individual, coletiva, partilhadas etc.). Não é, portanto, a mesma questão posta desde o início da História ensinada no Brasil e associada à consolidação de determinada ideia de nação e de cidadão ajustado à ordem vigente. Hoje é necessário abordar a questão, incorporando especificidades geracionais (a pertença a uma geração é garantida pela cultura compartilhada e nas imagens de um passado que ainda se faz presente e que são transmitidas e sustentadas como construções culturais), por isso a obra valoriza a dimensão local.
A dimensão identitária (identidades plurais, étnicas, geracionais, regionais, mas sempre culturais que forjam uma imagem de si, para si e para os outros, bem como o sentimento de pertencimento a um coletivo) é, portanto, inerente ao ensino integrado de Geografia e História. É importante destacar que a relação passado – presente – lugar, apresentada no livro, se reflete em sua realidade imediata e contribui para a complexa aventura que é o seu próprio crescimento (biológico, intelectual, humano).
Espaço
Na Geografia, o espaço é o objeto de estudo, tratando-se de um conceito amplo e complexo: a partir dele, desdobram-se outros conceitos, como território, lugar, região, natureza e paisagem. Assim, é fundamental para o estudo de Geografia e sua compreensão tem ligação com as relações entre sociedade humana e meio físico, em diferentes escalas, por meio de processos do passado e do presente.
Santos pontua: "Que é, então, o espaço do homem? É o espaço geográfico, pode-se responder" (SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Edusp, 2002. E-book). Dessa maneira, não há como separar a sociedade humana do espaço geográfico. Nesse sentido, Moreira afirma que:
[...] O espaço geográfico é um espaço produzido. Nele a natureza não é mera base ou parte integrante. [...] É uma condição concreta da existência social dos homens. Conquanto a "primeira natureza" não seja o espaço geográfico, não há espaço geográfico sem ela.
MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em Geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. E-book.
Trazer a dimensão da temporalidade para o estudo da Geografia promove uma relação dialética com a História. Ao abordar a interdisciplinaridade entre Geografia e História considerando o conceito de espaço, Barros destacou que:
Há também os conceitos que se situam em pontos nodais entre duas ordens. A Paisagem pode ser entendida como um conceito que surge na envolvência entre o espaço e a materialidade (seja esta a materialidade natural ou a materialidade construída pelo homem). Temos aqui um conceito tão importante para os geógrafos, que em toda uma primeira fase da existência da Geografia como ciência esta foi definida como a ciência que tinha por principal função a descrição das paisagens.
No ensino de Geografia e História nos anos iniciais do ensino fundamental, o conceito de espaço (que, no campo da produção do conhecimento escolar, passa a ser o mesmo para ambas as ciências em sua interseção interdisciplinar) se associa ao conceito de tempo e também à noção de coletividade: a ação humana no espaço e no tempo. As práticas escolares devem, assim, oferecer ao estudante oportunidades para lidar com as relações espaciais a fim de que compreenda que esses espaços são afetados por construções humanas em determinado tempo histórico. No processo de construção da noção de espaço no ensino de Geografia e História, destaca-se a compreensão do mundo, visando o desenvolvimento do pensamento espacial, que incluem a capacidade de olhar, desvendar, descrever, registrar e analisar o espaço ao seu redor, e que levam ao raciocínio geográfico. Dessa maneira, introduzem-se formas de percepção do espaço vivido com o objetivo de construir processos cognitivos, conceitos de relações espaciais, representação espacial, categorias e princípios geográficos e situação geográfica, que levem aos princípios de raciocínio geográfico como analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem (CASTELLAR, S. M. V.; DE PAULA, I. R. O papel do pensamento espacial na construção do raciocínio geográfico. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 10, n. 19, p. 304-305, 2020).
O espaço geográfico precisa ser representado a partir do conhecimento da realidade e das experiências vividas pelo estudante. Inicialmente percebido como o espaço vivido, essa compreensão se desenvolve a partir de um sistema de referências e representações que propicie a coordenação de medidas em duas ou três dimensões por meio do uso didático da cartografia
Nessa perspectiva, é fundamental desenvolver a alfabetização e o letramento cartográficos. Para que ocorra uma aprendizagem significativa, é importante o estímulo por meio de brincadeiras, exploração do ambiente e uso de linguagem espacial que permitam a operacionalização das relações espaciais em nível concreto (como "perto", "longe", "em cima", "embaixo", "frente, "trás"), promovendo não só o conhecimento geográfico, mas também a cidadania e a apropriação do espaço.
Especificamente no caso do estudo regionalizado que se fundamenta na Geografia e na História, buscam-se estratégias que permitam ao estudante se reportar aos tempos anteriores à presença do ser humano, para que compreenda a formação da paisagem natural e suas transformações pelas ações humanas. O conceito de espaço é, assim, dinâmico.
Podemos afirmar, portanto, que o espaço geográfico é indissociável do tempo histórico, que não se reduz ao tempo cronológico, compreendido apenas como sucessão. É o tempo das coexistências, das simultaneidades e das diversidades (de eventos e sujeitos).
Tempo
No processo de ensino-aprendizagem de História, é importante relacionar as representações culturais do tempo físico (medição cultural do tempo em horas, meses, anos etc.) com acontecimentos e eventos que possibilitem ao estudante criar associações com sua vida cotidiana. Um aspecto essencial para a construção da compreensão da realidade é o desenvolvimento da noção de tempo sequencial (cronológico e diacrônico) e tempo histórico (social, cultural e sincrônico). A noção de temporalidade não se reduz, portanto, ao sequenciamento cronológico de fatos, e sua aquisição envolve um processo complexo que ocorre a partir das experiências cotidianas (PIAGET, J. A noção de tempo na criança. Rio de Janeiro: Record, 1980).
Nos primeiros anos, o relógio e o calendário são as referências que as crianças manejam para compreender e dimensionar o tempo. A partir do 3º ano, por meio de reflexões sobre suas experiências cotidianas, o estudante desenvolve orientações sociais mais complexas e inicia a construção de uma noção de tempo histórico essencial para a formação de sua consciência histórica. Isso ocorre com a promoção de narrativas de memórias em diferentes tipos de registro e que permitam relacionar o presente e o passado por meio de atividades de identificação, descrição, comparação e interpretação.
Longe da redução promovida pela ideia dos círculos concêntricos da aprendizagem que vigorava nas décadas de 1950 a 1970, a relação entre o próximo e o distante (no tempo e no espaço) considera também o afetivo e respeita a dialética entre o individual e o coletivo, o micro e o macro, mudanças e permanências.
O tempo histórico é um tempo imerso na simultaneidade, e não na linearidade, uma dinâmica sincrônica e diacrônica entre mudanças e permanências. Para que essa noção seja desenvolvida, é preciso, aos poucos, trabalhar com as noções de ordem, sucessão, duração, simultaneidade, e quantificação do tempo cronológico compreendendo-o como produção cultural. Assim o estudante desenvolverá o pensamento histórico.
Para Siman:
[...] pensar historicamente supõe a capacidade de identificar e explicar permanências e rupturas entre o presente/passado e futuro, a capacidade de relacionar os acontecimentos e seus estruturantes de longa e média duração em seus ritmos diferenciados de mudança; capacidade de identificar simultaneidade de acontecimentos no tempo cronológico; capacidade de relacionar diferentes dimensões da vida social em contextos sociais diferentes. Supõe identificar, no próprio cotidiano, nas relações sociais, nas ações políticas da atualidade, a continuidade de elementos do passado, reforçando o diálogo passado-presente. [...]
SIMAN, Lana Mara de Castro apud DOMINGUES, Joelza Ester. A escola como fonte para iniciar o pensamento histórico na criança. Ensinar história, 11 ago. 2020. Disponível em: https://ensinarhistoria.com.br/escola-como-fonte-para-pensamento-historico-na-crianca/. Acesso em: 8 out. 2025.
Memória
Para se considerar as formas de registro e expressão da memória no ensino de História (sejam públicas como monumentos, nomes de rua, e estátuas; ou registros privados como cartas, diários, álbuns de família) é preciso também levar em conta as formas de esquecimento. O acesso mais rápido à informação por meio da internet, permitiu a superposição e a fusão das noções de informação e conhecimento, consolidando uma espécie de ilusão tecnológica.
Na atual realidade, o ensino de História precisa proporcionar formas para que a memória sobreviva, que podem ser simbólicas ou materiais. Essa memória sobrevivente é o resultado de uma escolha feita por historiadores imersos nas relações de poder de cada época e cultura. Ao aproximar criticamente o estudante de seu cotidiano, o ensino de História promoverá ferramentas críticas, a partir da dimensão afetiva que constrói seu pertencimento àquele lugar, e desenvolverá processos de identificação, comparação, contextualização, interpretação e análise dessas formas de memória.
Para tanto, esta obra, além dos marcos da memória usuais (monumentos e espaços públicos, por exemplo) apresenta diferentes saberes regionais expressos em formas diversas de narrativa (depoimentos, correspondência, canções, culinária, entre outros), valorizando também a dimensão afetiva da memória e incentivando o estudante a visitar suas próprias memórias como protagonista da História.
PRESSUPOSTOS
TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA OBRA
O presente livro é norteado pelos principais documentos que orientam o ensino-aprendizagem do Brasil, sendo eles: a Base Nacional Comum Curricular (BNCC); a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), complementada pelas Leis nº 10.639/03 (que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas) e nº 11.645/08 (incluiu a obrigatoriedade do ensino da história e cultura dos povos indígenas; e o Projeto Político Pedagógico).
Além disso, esta obra se estruturou teórico-metodologicamente a partir de uma concepção ampla e interdisciplinar de Geografia e História, visando ser instrumento e mediador do ensino-aprendizagem envolvendo a seleção de conteúdos, a forma como explorá-los e as possibilidades de aprendizagem. Assim, foram consideradas três questões basilares à educação escolar: O que ensinar? Como ensinar? Como os estudantes aprendem? Elas permeiam reflexões gerais sobre o processo de ensino-aprendizagem e se estendem ao ensino da Geografia e da História.
Diversos nomes se destacam entre os pensadores da educação contemporânea que influenciam os saberes escolares (curricular, disciplinar, pedagógico etc.), entre eles Jean Piaget e Lev Vygotsky.
Ressaltam-se aqui a Teoria do Desenvolvimento Cognitivo, de Piaget, que discute o papel do concreto e do abstrato no processo de aprendizagem. Segundo a teoria de Piaget, os estudantes da etapa denominada no Brasil anos iniciais do ensino fundamental, estariam na idade do estágio das operações concretas, ou seja, o estágio em que a criança desenvolve a capacidade de pensar logicamente sobre objetos concretos e eventos (PIAGET, J. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1970). Por sua vez, Vygotsky ressalta a importância da interação social no processo de aprendizagem e a Zona de Desenvolvimento Proximal, que é a distância entre o que o indivíduo consegue realizar sozinho e aquilo que ele consegue realizar com a mediação do outro, mais experiente (o professor, nesse caso, é uma dessas pessoas mais experientes, atuando para o desenvolvimento do estudante) (VYGOTSKY, L. Psicologia pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 1984). Klix Freitas aponta que, para Vygotsky, o processo de construção do conhecimento ocorre em uma complexa dinâmica interativa, composta por três elementos: o estudante, como sujeito do conhecimento; os conteúdos e os significados; e o professor, que atua como mediador (KLIX FREITAS, N. Representações mentais, imagens visuais e conhecimento no pensamento de Vigotsky. Ciências & cognição, v. 6, n. 1, Rio de Janeiro, p. 109-112, 2005).
O livro também considera que toda proposta de ensino e aprendizagem deve partir dos saberes prévios dos estudantes. Isso quer dizer que, sempre que alguém pretende compreender algo, necessita ativar uma ideia prévia que lhe sirva para organizar essa nova situação e dar-lhe um sentido ou significado. Quando isso ocorre, pode-se dizer que houve uma aprendizagem significativa, segundo a perspectiva de Ausubel (AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2000).
Assim sendo, os novos saberes devem ser relacionáveis aos já existentes para que ocorra a aprendizagem de conceitos, de representações e de questões em um grau crescente de complexidade. No processo de ensino-aprendizagem de Geografia e História nos anos iniciais do ensino fundamental, destaca-se a importância das representações do mundo social de modo dialético entre as escalas macro e micro (geral e específico; mundial, nacional, regional e municipal etc.), englobando as esferas econômica, cultural (material e imaterial) e físico-natural, aspectos que podem ser desenvolvidos na prática docente por meio do uso deste livro. As teorias de ensino-aprendizagem, associadas às políticas públicas orientadoras da educação no Brasil e aos pressupostos das metodologias ativas de ensino-aprendizagem, compõem, portanto, a base para o ensino de História e Geografia que estruturam este livro. Além disso, a obra, de caráter interdisciplinar, se fundamenta nos princípios de identidade, memória, diversidade e sustentabilidade, uma vez que possibilitam a formação do estudante em relação à coletividade.
Questões atuais sobre o ensino-aprendizagem de Geografia
e História
A Geografia é uma ciência que tem como objeto de estudo o espaço, formado pelos componentes físico-naturais, humanos e suas relações. Sobre a Geografia, Moreira afirma que: o conhecimento da natureza e das leis do movimento da formação econômico-social por intermédio do espaço é o seu objetivo. O espaço geográfico é o espaço interdisciplinar da Geografia. É a categoria por intermédio da qual se pode dialogar com os demais cientistas que buscam compreender o movimento do todo da formação econômico-social, cada qual a partir de sua referência analítica.
MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em Geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. E-book
Com relação à Geografia Escolar e seus objetivos, enfatiza-se a importância da construção de conceitos a partir do espaço vivido e a aprendizagem significativa. Straforini defende que os conteúdos geográficos, associados diretamente com a realidade presente, "estejam a serviço de uma forma específica de leitura de mundo a partir dos fundamentos da Geografia". Para o autor, "a Geografia Escolar tem um papel ímpar na leitura reflexiva e crítica do mundo contemporâneo quando seus conceitos e procedimentos metodológicos são acionados pelos estudantes" (STRAFORINI, R. O ensino de Geografia como prática espacial de significação. Estudos Avançados, v. 32, n. 93, p. 177, 2018).
O autor, que defende uma educação crítica e reflexiva da realidade por meio do espaço, ainda ressalta que:
As pesquisas no Ensino de Geografia, ainda que assumindo fundamentações teórico-metodológicas diferentes, têm apresentado nas últimas duas décadas um movimento de convergência em defesa de um ensino-aprendizagem em que se valoriza processos específicos de raciocínio ou de pensamento amparados na própria Geografia.
STRAFORINI, R. O ensino de Geografia como prática espacial de significação. Estudos Avançados, v. 32, n. 93, p. 177-178, 2018.
Dessa maneira, entende-se que o ensino da Geografia na educação básica contribui para a formação de cidadãos que possam, por meio do pensamento espacial e do raciocínio geográfico, enxergar e refletir sobre a sua situação, a sociedade e o espaço ao seu redor, e atuar como agentes transformadores. Nesse sentido, o raciocínio geográfico não é apenas pensamento, mas raciocínio, que exige "o uso de uma lógica — dialética — argumentativa propositiva e inferencial, fruto das conexões realizadas pelo sujeito com o mundo circundante experienciado e percebido a partir de um vocabulário robusto" (CASTELLAR, S. M. V.; DE PAULA, I. R. O papel do pensamento espacial na construção do raciocínio geográfico. Revista Brasileira de Educação em Geografia, [s. l.], v. 10, n. 19, p. 316, 2020).
Para Castellar e De Paula, o raciocínio geográfico é desenvolvido por cinco campos do conhecimento, a saber:
1. processos cognitivos (ações como identificar, localizar, observar, diferenciar, comparar, analisar, contar, nomear, resumir, concluir e criar hipóteses, por exemplo);
2. conceitos de relações espaciais (vocábulos que indicam atributos espaciais para identificar a natureza de um fenômeno geográfico);
3. representação espacial (produtos cartográficos ou espacializados como mapas, imagens de satélite, blocos-diagramas, gráficos, cartas topográficas, croquis, fotografias aéreas);
4. categorias e princípios geográficos (vocabulário geográfico gerado pela trajetória teórica da Geografia como os conceitos de paisagem, território, região, lugar e natureza; princípios de localização, conexão, extensão, causalidade, arranjo e ordem, analogia e diferenciação);
5. situação geográfica (eventos em um lugar, território, paisagem ou região, à particularidade de conjuntos e efeitos em decorrência do espaço socialmente produzido).
A discussão se estende para a cartografia escolar. Como apontado por Juliaz, "analisar um problema de ordem espacial requer responder à questão onde?" (JULIAZ, P. C. S. Geografia nos anos iniciais do ensino fundamental: a realidade em questão. In: PINHEIRO, A. C.; SOUZA, V. C. (org.). Formação e práticas docentes em educação geográfica. João Pessoa: UFPB, 2020. p. 196).
Nesse sentido, Callai aponta: "como ler o mundo da vida? Sem dúvida, partindo do lugar, considerando a realidade concreta do espaço vivido". De acordo com a autora, "ler a paisagem exige critérios a serem considerados e seguidos", como a escala de análise, a apropriação e a construção de conceitos, habilidades de análise geográfica, reconhecimento da cultura e da identidade e a alfabetização cartográfica. Segundo a autora, a alfabetização e letramento geográficos incluem a alfabetização e letramento cartográficos (CALLAI, H. Aprendendo a ler o mundo: a Geografia nos anos iniciais do ensino fundamental. Caderno Cedes, Campinas, SP, v. 25, n. 66, p. 234, 2005).
A questão da alfabetização e do letramento cartográficos é discutida por Almeida, que ressalta que é função da escola preparar o estudante para compreender a organização espacial da sociedade, o que exige o conhecimento de técnicas e instrumentos necessários à representação gráfica dessa organização, que podem ser desenvolvidos por meio de atividades que o levem a vivenciar técnicas de representação espacial (ALMEIDA, R. D. (org.). Novos rumos da cartografia: currículo, linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011).
O ensino-aprendizagem de História, por sua vez, pretende contemplar questões da atualidade desenvolvendo formas de interpretação e crítica partindo de diferentes narrativas que superam o pensamento histórico único. Os pressupostos da chamada metodologia ativa são ressignificados para uma aprendizagem significativa que contempla criticamente a historicidade de temas como: situações de trabalho, monumentos, organização dos espaços públicos, diversidade da população, direitos humanos, sustentabilidade, entre outros. Fontes diversas revelam as narrativas de diferentes sujeitos históricos de modo que um acontecimento possa ser compreendido de modo dinâmico, processual e dialógico no tempo e no espaço. Comemorações e festas ganham espaço no livro como formas de expressões culturais. Há uma certa preocupação em introduzir noções e conceitos históricos que poderão ser trabalhados progressivamente valorizando a história local. Como o estudo da Geografia e da História visa o desenvolvimento integral do estudante, o livro busca introduzir novos conteúdos por meio de um problema ou questão situada no tempo e no espaço presente. O local se torna, assim, objeto constante de análise para o estudante, associando-o a diferentes tempos. O cotidiano, por sua vez, adquire relevância ao destacar as ações de pessoas comuns (mulheres, homens, crianças ou idosos), que podem, assim, ser identificadas como sujeitos da História. Não se trata simplesmente de partir do próximo para o distante concentricamente, mas articular constante e progressivamente o local e o tempo imediato com outros espaços e tempos, considerando diferenças e semelhanças, mudanças e permanências, ações e modos de viver.
A obra considera ainda que o conhecimento também se constrói por meio das dúvidas expressadas pelos estudantes, bem como por meio das discussões das possibilidades e formas de se chegar a respostas (sempre plurais). Destaca, dessa forma, a dimensão da pesquisa (vivenciada pelos estudantes e pelo professor), considerada atividade central no processo educacional, o que permite não apenas o desenvolvimento intelectual, mas a construção de uma postura investigativa e crítica em relação ao conhecimento.
Vista de Aparecida (SP), em 2024.
Reflexões sobre região e história local
Região
Na Geografia regional francesa clássica, organizar um espaço em regiões significava identificar uma particularidade e estava diretamente relacionado à descrição das paisagens. Ao longo do tempo, essa ideia foi rediscutida, e regionalizar passou a significar "dividir o espaço segundo diferentes critérios que são devidamente explicitados e que variam segundo as intenções explicativas de cada trabalho” (GOMES, P. C. C. O conceito de região e sua discussão. In: CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. Geografia: conceitos e temas. 23. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2023. p. 63), não sendo definitivas nem representativas da diversidade espacial em sua totalidade. A abordagem humanista ainda inseriu no conceito de região a noção de consciência regional, sentimento de pertencimento e mentalidades regionais, trazendo ainda mais complexidade para a discussão.
Lencioni define região como: "espaço com características físicas e socioculturais homogêneas, fruto de uma história que teceu relações que enraizaram os homens ao território e que particularizou este espaço, fazendo-o distinto dos espaços contíguos" (LENCIONI, Sandra. Região e Geografia. São Paulo: Edusp, 2009. p. 100). É importante ressaltar que uma região não é um espaço totalmente homogêneo, mas sim com características semelhantes, que a diferenciam do espaço ao redor. Ressalta-se também que uma região não se trata de um espaço isolado. Ao contrário, ela se relaciona com os demais, em relações inter e intra-regionais e multiescalares, conectando o local ao nacional.
No caso brasileiro das regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul, os critérios foram determinados pelo IBGE em 1970 a partir das semelhanças naturais e socioeconômicas entre os estados mais próximos no território, tendo sido adaptada em 1990. Essa divisão auxilia as atividades de planejamento, de políticas públicas e de estatísticas.
Na BNCC, o conceito de região é apresentado como um dos conceitos operacionais da Geografia, juntamente com território, lugar, natureza e paisagem, sendo o espaço, objeto de estudo da Geografia, o "conceito mais amplo e complexo" desta ciência (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 361).
Para compreender os conceitos da Geografia e, ainda mais importante, utilizá-los como ferramenta de compreensão e de transformação da realidade, é importante que a Geografia Escolar leve em consideração os processos de pensamento espacial e raciocínio geográfico, que ocorrem a partir da relação com o meio em que o estudante vive.
História local e História regional
No que diz respeito à diferença entre as concepções de história local e história regional, é preciso considerar a interdisciplinaridade entre História e Geografia. Assim sendo, a história local se relaciona diretamente ao conceito de lugar, e a história regional, ao conceito de região, sendo que ambos são categorias da Geografia e estão diretamente relacionados ao conceito de espaço. De modo geral, lugar é um espaço geográfico com o qual o indivíduo se identifica por meio de um afeto ou sentimento de pertencimento e construção de significados vividos (TUAN, Yi-Fu. Lugar: uma perspectiva experiencial. Geograficidade, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 4-15, 2018; CARVALHO SOBRINHO, Hugo de. Geografia escolar e o lugar: a construção de conhecimentos no processo de ensinar/aprender Geografia. Geosaberes: Revista de estudos educacionais, v. 9, n. 17, p. 1-15, 2017). Está, dessa forma, relacionado às relações humanas e à forma como as pessoas atribuem valor àquele espaço. É, portanto, construído pela experiência humana com a materialidade e com a subjetividade. É um conceito que se insere no campo das sensibilidades e pode ser percebido em todas as escalas do espaço (da casa do indivíduo à nação e ao mundo), perpassadas pelas diferentes temporalidades (a construção de uma consciência histórica).
O lugar é criado por seres humanos para propósitos humanos. Cada fileira de árvores ou de casas existia originalmente como uma ideia, que depois se tornou realidade palpável. Um edifício, um parque ou uma esquina de rua, no entanto, não subsistem como lugares simplesmente porque são realidade tangível e foram concebidos originalmente como lugares. Para que resista como lugar, deve ser habitado. [...] Viver em um lugar é experienciá-lo, é estar ciente dele tanto nos ossos, como na cabeça. [...]
TUAN, Yi-Fu. Lugar: uma perspectiva experiencial. Geograficidade, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 14, 2018.
Para Milton Santos, "o lugar não é apenas um quadro de vida, mas um espaço vivido, de experiência sempre renovada, o que permite, ao mesmo tempo, a reavaliação das heranças e a indagação sobre o presente e o futuro" (SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: Edusp. 1996. p. 114).
A categoria lugar é considerada por diversos autores como a principal referência para o processo de ensino-aprendizagem na Geografia Escolar, apontando que "é possível atribuir significados aos conteúdos de Geografia por meio da identificação e análise dos fenômenos experimentados no cotidiano vivido pelos alunos e sua posterior relação com outros contextos, em outras escalas" (CARVALHO SOBRINHO, Hugo de. Geografia escolar e o lugar: a construção de conhecimentos no processo de ensinar/aprender Geografia. Geosaberes : Revista de estudos educacionais, v. 9, n. 17, p. 2, 2017).
O conceito de região, por sua vez, ganhou maior complexidade nas últimas décadas, passando a compreender um espaço dinâmico e funcional, moldado por diferentes interações cuja definição é influenciada por ações e fluxos. Entretanto, tendo como objetivo a compreensão da diferença entre história local e história regional, pode-se entender o conceito de forma básica: região como uma área delimitada da superfície terrestre, que é assim classificada, com base critérios diversos, por possuir um conjunto de características físicas e socioculturais comuns, fruto de relações históricas.
[...] a noção mais corrente de região, entre os historiadores, é a que se a associa a subdivisões de espaços nacionais. A região como uma categoria através da qual se pode pensar uma diferenciação interna do país — entendendo este último como uma totalidade — consolidou-se com o desenvolvimento de uma modalidade historiográfica específica, [...] a História Regional.
No caso específico deste livro, considerando o disposto na BNCC, e levando em conta o desenvolvimento dos conhecimentos geográfico e histórico dos estudantes, considera-se aqui que o conceito de história local esteja mais convergente com o cotidiano escolar, podendo referir-se ao local imediato de vivência do estudante, ao estado ou à região Sudeste, sempre relacionados de forma dinâmica, sincrônica ou diacronicamente, ao país e ao mundo.
A BNCC, ao enfatizar o uso de fontes de diversas naturezas a partir da realidade imediata do estudante, incentiva a pesquisa e promove habilidades tais como: o registro de acontecimentos locais, identificação de modos de vida no presente e sua comparação com outros tempos e lugares, e a compreensão da História como processo dentro de uma escala interconectada.
Para Bittencourt:
A história do "lugar" como objeto de estudo ganha, necessariamente, contornos temporais e espaciais. Não se trata, portanto, ao se proporem conteúdos escolares da história local, de entendê-los apenas na história do presente ou de determinado passado, mas de procurar identificar a dinâmica do lugar, as transformações do espaço, e articular esse processo às relações externas, a outros "lugares".
BITTENCOURT, Circe M. F. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002. p. 172.
ESTRUTURA DA BNCC
A BNCC é o principal documento de referência para a Educação Básica no Brasil. Elaborada pelo Ministério da Educação em diálogo com especialistas, professores, gestores e sociedade civil, ela tem como principal objetivo garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os estudantes, assegurando que tenham acesso a um conjunto essencial e comum de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, independentemente de onde vivam.
As aprendizagens essenciais devem assegurar o desenvolvimento das dez competências gerais da Educação Básica a fim de que os estudantes "contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza" (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 8).
COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 9-10.
Na BNCC, o Ensino Fundamental está organizado em cinco áreas do conhecimento. Cada uma delas estabelece competências específicas que explicitam como as competências gerais se aplicam na área.
Para o livro regionalizado de História e Geografia, destacamos as competências específicas de Ciências Humanas.
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.
2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo.
3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social.
4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.
6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 355.
Plantações em Marechal Floriano (ES), em 2025.
No Ensino Fundamental, a área de Ciências Humanas abriga os componentes curriculares de História e de Geografia. Para cada um desses componentes curriculares, há as competências específicas do componente.
Acompanhe, a seguir, as competências específicas de História.
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.
2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.
3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.
4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.
6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica.
7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.
Centro histórico de Serro (MG), em 2022. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 402.
Cada componente curricular apresenta um conjunto de habilidades. Essas habilidades estão relacionadas a objetos de conhecimento que, por sua vez, são estruturados em unidades temáticas. A seguir, você encontra as habilidades de História selecionadas para o livro regionalizado.
História – 3o ano
Unidades temáticas
Objetos de conhecimento
As pessoas e os grupos que compõem a cidade e o município
O "Eu", o "Outro" e os diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a cidade e os municípios: os desafios sociais, culturais e ambientais do lugar onde vive
Habilidades
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc. (EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
O lugar em que vive
Os patrimônios históricos e culturais da cidade e/ou do município em que vive
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
A noção de espaço público e privado
A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.)
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
A produção dos marcos da memória: formação cultural da população
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
A cidade, seus espaços públicos e privados e suas áreas de conservação ambiental
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
Agora, acompanhe as competências específicas de Geografia.
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE GEOGRAFIA
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas.
2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história.
3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.
4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas.
5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia.
6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza.
7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 366.
A seguir, você encontra as habilidades de Geografia selecionadas para o livro regionalizado.
Geografia – 3o ano
Unidades temáticas
O sujeito e seu lugar no mundo
Conexões e escalas
Objetos de conhecimento
A cidade e o campo: aproximações e diferenças
Paisagens naturais e antrópicas em transformação
Mundo do trabalho
Matéria-prima e indústria
Natureza, ambientes e qualidade de vida
Impactos das atividades humanas
Habilidades
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
Geografia – 4o ano
Unidades temáticas
O sujeito e seu lugar no mundo
Conexões e escalas
Objetos de conhecimento
Território e diversidade cultural
Mundo do trabalho
Formas de representação e pensamento espacial
Geografia – 5o ano
Unidades temáticas
O sujeito e seu lugar no mundo
Processos migratórios no Brasil
Relação campo e cidade
Unidades político-administrativas do Brasil
Formas de representação e pensamento espacial
Habilidades
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
Territórios étnico-culturais (EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
Trabalho no campo e na cidade
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
Sistema de orientação (EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
Elementos constitutivos dos mapas (EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
Natureza, ambientes e qualidade de vida
Objetos de conhecimento
Habilidades
Dinâmica populacional (EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
Diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
Mapas e imagens de satélite (EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.
Representação das cidades e do espaço urbano (EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.
Gestão pública da qualidade de vida
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
Além das competências e habilidades, a BNCC apresenta os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs), que visam instrumentalizar os estudantes para o entendimento da sociedade em que estão inseridos.
Os TCTs se organizam em seis macroáreas temáticas, dispostas como mostra o esquema a seguir:
Meio ambiente
Ciência e Tecnologia
Ciência e Tecnologia
Multiculturalismo
Diversidade Cultural Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras
Educação Ambiental Educação para o consumo
TCT
Economia
Trabalho
Educação Financeira
Educação Fiscal
Saúde Saúde
Educação Alimentar e Nutricional
Cidadania e civismo
Vida Familiar e Social
Educação para o Trânsito
Educação em Direitos Humanos Direitos da Criança e do Adolescente Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso
Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos 2019. Brasília, DF: SEB, 2019. p. 13.
A obra trabalha os TCTs interligando os conhecimentos de História e Geografia aos outros componentes curriculares, o que promove situações de aprendizagem interdisciplinares. A mobilização dos TCTs permite, ainda, a contextualização dos temas trabalhados para que sejam articulados às realidades dos estudantes, considerando assuntos relevantes para a faixa etária, a realidade regional, a sociedade atual e a formação de cidadãos críticos e éticos:
Educar e aprender são fenômenos que envolvem todas as dimensões do ser humano e, quando isso deixa de acontecer, produz alienação e perda do sentido social e individual no viver. É preciso superar as formas de fragmentação do processo pedagógico em que os conteúdos não se relacionam, não se integram e não se interagem.
Nesse sentido, os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) têm a condição de explicitar a ligação entre os diferentes componentes curriculares de forma integrada, bem como de fazer sua conexão com situações vivenciadas pelos estudantes em suas realidades, contribuindo para trazer contexto e contemporaneidade aos objetos do conhecimento descritos na BNCC.
BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos 2019. Brasília, DF: SEB, 2019. p. 4-5.
Somado a isso, na obra há a preocupação de auxiliar no desenvolvimento de habilidades de Educação Digital e Midiática ao utilizar, principalmente nas atividades de pesquisa, habilidades dos três eixos da BNCC da computação: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. A utilização da BNCC da computação promove situações de aprendizagem nas quais os estudantes poderão compreender a computação e os meios digitais de forma crítica, ética e consciente. Mais do que aprender a manipular os meios digitais, as atividades de pesquisa na obra mobilizam as habilidades da BNCC da computação propondo aos estudantes situações de aprendizagem de resolução de problemas, identificação de fontes confiáveis e organização de informações e análise de representações diversas de objetos do mundo real.
PAPEL DO PROFESSOR E AS AULAS
Historicamente, a educação escolar é associada ao conhecimento sistematizado. Saviani, porém, afirma que:
[...] para existir a escola não basta a existência do saber sistematizado. É necessário viabilizar as condições de sua transmissão e assimilação. Isto implica dosá-lo e sequenciá-lo de modo que a criança passe gradativamente do seu não domínio ao seu domínio. E o saber dosado e sequenciado para efeitos de sua transmissão-assimilação no espaço escolar, ao longo de um tempo determinado, é o que convencionamos chamar de "saber escolar". [...]
SAVIANI, D. Educação escolar, currículo e sociedade: o problema da Base Nacional Comum Curricular. Movimento: revista de educação, Niterói, ano 3, n. 4, 2016. Disponível em: https://periodicos.uff.br/ revistamovimento/article/view/32575. Acesso em: 30 set. 2025.
Dessa forma, é necessário refletir sobre o papel do professor e a importância das aulas. Para Straforini:
[...] o papel da Educação e, dentro dessa, o do ensino de Geografia é trazer à tona as condições necessárias para a evidenciação das contradições da sociedade a partir do espaço, para que no seu entendimento e esclarecimento possa surgir um inconformismo com o presente e, a partir daí, uma outra possibilidade para a condição da existência humana.
STRAFORINI, R. O ensino de Geografia como prática espacial de significação. Estudos avançados, v. 32, n. 93, p. 178, 2018.
De modo geral, cabe ao professor orientar os estudantes no desenvolvimento do pensamento crítico, de habilidades e de competências. Para tanto, a escola deve ser um ambiente inclusivo, a fim de promover a participação e integração de todos, oferecendo suporte ao trabalho docente.
O professor, então, não pode ser visto apenas como detentor do conhecimento que transfere conteúdos a sujeitos passivos. Ao contrário, sua função é mediar processos de aprendizagem nos quais todos se reconhecem como participantes ativos. Paulo Freire reforça essa ideia ao afirmar que "já agora ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo" (FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido . 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. p. 68). Nesse sentido, ensinar é um ato coletivo e dialógico que exige escuta, troca e construção conjunta de saberes.
No que diz respeito ao professor de Geografia e de História regionalizadas, é necessário ainda organizar subsídios práticos para lidar com as diferentes realidades e vivências, bem como observar orientações teóricas que facilitem a articulação entre os diferentes componentes curriculares. Este livro auxilia o professor nesse aspecto, uma vez que possibilita um posicionamento docente de forma investigativa, que contribui para o desenvolvimento dessa postura nos estudantes. Portanto, não basta ter conhecimento na área e compreendê-lo como uma construção social, é preciso agir de forma questionadora diante das fontes de pesquisa e perceber que a produção do conhecimento é uma forma de localização do sujeito no mundo (local, regional, nacional ou planetário). Por isso, todas as coletividades ao longo da História produzem mitos, arte e narrativas diversas para explicar o mundo. Ricci destaca que, para considerar a pesquisa como organizadora de atividades de ensino, o professor precisa: compreender que o currículo é um caminho construído no cotidiano escolar; ordenar os conteúdos de forma interdisciplinar (aqui, não apenas os conteúdos
de História e Geografia, mas dos diversos componentes curriculares); perceber que temas podem ser instrumentos para a formação e não apenas objetivos em si; romper com a dicotomia entre ensino e pesquisa; compreender que o conhecimento ocorre por meio de múltiplas relações com a realidade se diferenciando da simples apropriação de informação. Todo esse processo demanda mudanças na concepção do papel do professor e, consequentemente, mudanças nas relações do professor com os estudantes.
Pesquisa como ensino é desenvolver a capacidade de escolha de questões, a habilidade de transformar questões em processo de investigação, em articular as dúvidas com a possibilidade de formulação de respostas (a construção da autonomia humana) [...].
RICCI, Cláudia Sapag. Pesquisa como ensino: textos de apoio: propostas de trabalho. São Paulo: Autêntica, 2007. p. 13-14.
Sugerem-se algumas estratégias e recursos, baseados em Ricci, que poderão ser exploradas pelo professor (RICCI, Cláudia Sapag. Pesquisa como ensino : textos de apoio: propostas de trabalho. São Paulo: Autêntica, 2007).
• Histórias de vida ou entrevistas temáticas: foco em temas para levantar e compartilhar opiniões e pontos de vista. A ideia não é apenas ter acesso a uma história, mas reviver uma memória.
• Pesquisa iconográfica: fotografias e obras de arte podem ser exploradas descritivamente e analiticamente, por meio de questionamentos como: A imagem retrata alguma situação especial? Os elementos presentes na imagem permitem imaginar qual época ou lugar estão sendo retratados? Existem pessoas nas imagens? Como se apresentam? Quais suas posturas e expressões? É importante que os estudantes conheçam algumas instituições de acervo de imagens e sua importância (por exemplo, os arquivos municipais), muitas disponibilizadas digitalmente.
• Música: é uma expressão artística que pode despertar memórias, possibilitando compreender determinada época e lugar. É importante que a música possa ser ouvida pelo grupo, a fim de que compartilhem suas percepções.
• Objetos: podem ser tratados como documentos, isto é, registram determinada história. Etapas que podem ser exploradas: observação (percepção visual/sensorial), registro (desenhos, descrição verbal escrita ou oral, mapas, dentre outras formas), exploração (levantamento de hipóteses) e apropriação (releitura, dramatização, texto, dentre outros). Sugere-se montar um museu da turma ao longo do ano letivo. Toda semana alguns estudantes contribuem com algum objeto que considerem interessante, que tenham recolhido de seu cotidiano (uma folha encontrada no chão pelo caminho, uma gravura que tenha achado bonita, uma pedra, uma fita, dentre outras possibilidades). Pode-se explorar a catalogação dos objetos, por exemplo. Ao final do ano, fazer uma exposição com as narrativas sobre os objetos. Também é uma forma de se explorar o Diário de Memórias ou portfólio (comentando mais adiante).
• Visitas : selecionar espaços não formais, como museus, monumentos, ou parques, por exemplo, para realizar estudos do meio ou pesquisas de campo. Sugere-se criar um roteiro para a vista que inclua: nome da instituição, seu endereço, sua definição, qual sua função, qual seu acervo, quem trabalha ali, que tipo de pública frequenta o espaço, qual pesquisa escolar pode ser realizada ali. Os dados sempre devem ser compartilhados com o grupo, podendo ser realizado, ao longo do ano, um quadro comparativo dos lugares visitados. A atividade planejada precisa garantir que haja uma experiência enriquecedora para todos os estudantes, permitindo que participem ativamente. Por isso, o planejamento deve considerar a acessibilidade e segurança, e solicitar um acompanhante ou profissional para estudantes com necessidades educativas especiais, de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (ou Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13.146/2015), quando necessário.
Formas de organização da turma
Variar a organização da sala de aula ajuda a manter os estudantes motivados e valoriza diferentes formas de participação. O trabalho colaborativo também é uma excelente estratégia pedagógica, pois permite que, além da interação com o outro, o estudante aprenda e ensine seu par, em um processo de ensino-aprendizagem significativo.
• Trabalhos em duplas ou grupos: permitem cooperação e respeito às diferenças.
Modelo de organização da sala de aula em grupos.
Modelo de organização da sala de aula em duplas.
• Rodas de conversa: favorecem a escuta ativa e o protagonismo dos estudantes.
Modelo de organização da sala de aula em círculo.
• Uso de espaços alternativos: atividades em espaços fora da sala de aula, como o pátio da escola, praças, museus, mercados, quilombos e aldeias indígenas. Possibilitam a observação e a compreensão de diferentes fenômenos, bem como a coleta de dados. Lembre-se que, para organizar trabalhos de campo e atividades fora do espaço escolar, é necessário solicitar autorização dos familiares dos estudantes e da gestão escolar.
• Assembleias escolares: viabilizam a discussão coletiva para a tomada de decisões sobre o espaço da sala de aula, a organização de projetos e os problemas da comunidade.
Modelos de organização da sala de aula para assembleias.
• Aprendizagem por projetos: integra diferentes componentes curriculares e promove o engajamento com temas reais.
Educação inclusiva
A educação inclusiva é uma abordagem educacional que busca garantir que todos os estudantes tenham acesso à educação de qualidade, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, intelectuais, sociais ou culturais. De acordo com a Política Nacional de Educação Especial (BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: Semesp, 2020), trata-se de uma modalidade que perpassa todos os níveis e etapas de ensino, assegurando a matrícula e a participação do público-alvo da Educação Especial.
• Estudantes no Transtorno do Espectro Autista (TEA) – transtorno do neurodesenvolvimento que pode trazer prejuízo nas áreas de comunicação, socialização e/ou comportamento.
• Estudantes com altas habilidades ou superdotação – transtorno do neurodesenvolvimento em que o indivíduo manifesta elevado potencial, seja em uma área específica ou de forma combinada (intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade).
• Estudantes com deficiências – prejuízos e/ou impedimentos em diferentes esferas, que podem ser físico, intelectual, mental ou sensorial.
A Política Nacional de Educação Especial (PNEE) também está alinhada ao Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência. 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019), que garante o direito à educação em igualdade de condições e oportunidades, assegurando um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo da vida.
Mais do que cumprir uma obrigação legal, incluir é um compromisso ético e social que transforma a escola em um espaço mais democrático e humano. Escolas inclusivas preparam cidadãos capazes de conviver com a diversidade, respeitar diferentes formas de ser e de aprender e contribuir para uma sociedade mais justa. Ao conviverem com colegas que têm necessidades educacionais especiais (NEE), os estudantes neurotípicos e sem deficiência desenvolvem empatia, cooperação e habilidades de resolução de conflitos. Já os estudantes com NEE se beneficiam de relações sociais mais amplas e de expectativas de aprendizagem elevadas, que estimulam seu potencial.
A inclusão não é um ato pontual, mas um processo contínuo de transformação da cultura escolar, que exige reflexão, planejamento e abertura para mudanças.
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) Lisboa, 2004. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/arquivos/CIF.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025) pode ser instrumento de auxílio para o professor, pois oferece uma visão ampla do estudante, considerando suas capacidades, limitações e o impacto do ambiente em sua formação. Com a CIF, observa-se:
• que o estudante consegue realizar de forma independente;
• o que realiza com apoio;
• o que ainda não consegue realizar. Para que as adaptações das aulas sejam realmente eficazes, é fundamental que o professor reconheça em qual momento da aprendizagem o estudante se encontra. Isso significa observar não apenas o conteúdo que ele já domina, mas também as habilidades que ainda está desenvolvendo e aquelas que exigem apoio mais intenso. No caso de estudantes com deficiência intelectual, por exemplo, é necessário considerar possíveis defasagens e ajustar o planejamento para consolidar etapas anteriores da aprendizagem. Já para estudantes com altas habilidades, a sugestão é propor novos desafios com atividades extras que estimulem o raciocínio, a criatividade e a autonomia, evitando a estagnação.
Esse olhar individualizado possibilita adaptações que ampliam o potencial de cada estudante, garantindo que todos tenham oportunidades reais de progredir.
Adaptações dos espaços de aprendizagem
Independentemente da infraestrutura escolar disponível, é possível promover melhorias no ambiente para favorecer a inclusão, como as sugestões a seguir.
• Mobiliário acessível: mesas e cadeiras adaptadas para diferentes necessidades, que podem ser confeccionadas ou ajustadas com o apoio da comunidade.
• Circulação livre: retirar obstáculos, facilitar acesso a todos os espaços e prever áreas de apoio.
• Recursos visuais e táteis: mapas táteis, sinalização em braile, pictogramas e cores contrastantes para facilitar orientação pela escola.
• Controle de estímulos: uso de cortinas, painéis acústicos ou cantos tranquilos para estudantes com sensibilidade sensorial.
• Áreas multifuncionais: uso de cortinas, painéis acústicos ou cantos tranquilos para estudantes com sensibilidade sensorial.
Mesmo pequenas mudanças, como reorganizar a sala de aula para melhorar a circulação das pessoas ou criar cantos temáticos de aprendizagem, podem gerar grande impacto na participação e no conforto dos estudantes.
Preparação para o acolhimento
Para que a inclusão seja efetiva, é necessário preparar não apenas o espaço, mas também as pessoas, conforme as sugestões a seguir.
• Conhecer o histórico e as características do estudante, ouvindo a família e, sempre que possível, ele próprio.
• Adaptar o planejamento, considerando diferentes formas de acesso ao conteúdo.
• Utilizar metodologias ativas que permitam múltiplas formas de participação e expressão.
• Estimular a colaboração entre os colegas, criando um clima de apoio mútuo. Com a turma, é importante promover rodas de conversa, atividades de sensibilização e trabalhos cooperativos, construindo uma cultura de respeito. A preparação prévia reduz barreiras e favorece relações mais positivas.
Envolvimento de toda a comunidade escolar
Para que seja sustentável, a inclusão precisa da participação de toda a comunidade escolar.
• Gestores: garantem formações, articulam recursos e lideram o processo de mudança.
• Famílias: compartilham informações sobre os estudantes e fortalecem a parceria escola-casa.
• Estudantes: aprendem a valorizar a diversidade e a colaborar com os colegas.
• Comunidade: pode apoiar com recursos, voluntariado e parcerias, como doações de materiais ou adequações físicas simples.
Essa rede de apoio amplia o alcance das ações inclusivas e fortalece o sentimento de pertencimento, essencial para que todos participem plenamente da vida escolar.
Inclusão de outros públicos
Além dos estudantes amparados na NEE, muitos outros podem ser público de um olhar inclusivo e atento por parte da escola. Crianças com outros transtornos, como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia, Transtorno Opositor Desafiador, crianças estrangeiras, estudantes LGBTQIAP+, estudantes em situação de vulnerabilidade social, cultural e econômica são alguns exemplos.
A escola deve ser o espaço de acolhimento da diversidade que compõe a sociedade atual e local de afirmação de habilidades socioemocionais, como autoconsciência, autogestão, autocrítica, autoestima, responsabilidade, resiliência, consciência social, empatia, respeito, colaboração e comunicação.
Adaptações como inspiração
As orientações e adaptações sugeridas neste Livro do professor, ao longo das Orientações específicas, foram elaboradas para inspirar, e não para impor modelos fechados. Cada estudante e cada comunidade escolar têm características e realidades próprias, e é natural que uma sugestão precise ser modificada ou substituída por outra mais adequada ao contexto. O mais importante é que o professor se sinta livre para criar e experimentar estratégias, buscando sempre ampliar a participação e a aprendizagem de todos.
Mesmo quando não há recursos físicos ou tecnológicos disponíveis, a criatividade e o trabalho colaborativo entre docentes e equipe escolar podem gerar soluções significativas.
Indicações de leitura
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial : equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: Semesp, 2020. Documento orientador que estabelece princípios, diretrizes e ações para a inclusão. Essencial para compreender a base normativa da inclusão no Brasil.
GLAT, Rosana; PLETSCH, Márcia Denise. Estratégias educacionais diferenciadas para alunos com necessidades especiais. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013.
Apresenta estratégias pedagógicas de inclusão, como o ensino colaborativo e a aprendizagem mediada, e disserta sobre a atuação da escola como parceira no processo de integração do estudante com deficiência ao mercado de trabalho.
LACERDA, Lucelmo. Autismo: compreensão e práticas baseadas em evidências. Curitiba: Marcos Valentin de Souza, 2020.
Apresenta evidências científicas que podem ampliar as possibilidades de manejo e organização das aulas.
MANTOAN, Maria Teresa. Inclusão escolar : o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015.
O livro aborda a educação inclusiva, discutindo os passos necessários para implantá-la e ressaltando suas vantagens.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Lisboa, 2004. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/arquivos/ CIF.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025.
Ferramenta da OMS para descrever e medir a funcionalidade humana, considerando fatores corporais, atividades, participação e contexto. A CIF permite ao professor avaliar barreiras e facilitadores no ambiente escolar, oferecendo suporte para adaptações pedagógicas mais precisas e individualizadas.
Ilha do Cardoso em Cananéia (SP), em 2023.
Recursos
de adaptação
Na sequência, apresentamos algumas dicas que podem auxiliar a adaptar as propostas e o uso do livro para diferentes necessidades de aprendizagem.
• Identifique o nível de letramento e alfabetização em que os estudantes se encontram e invista em práticas voltadas à fluência leitora.
• Permita que o livro didático seja utilizado por todos os estudantes, adaptando as propostas ao nível de cada um. Por exemplo, se não sabem ler e escrever com fluência, permita que leiam e identifiquem palavras simples, ou mesmo letras, nos textos. Incentive também a compreensão dos temas trabalhados nos capítulos, para ampliação de repertório e engajamento.
• No caderno do estudante, adapte os enunciados das questões para que sejam curtos e diretos, mantendo apenas o comando principal de cada tarefa.
• Classifique, de acordo com as potencialidades de cada estudante, as atividades que ele consegue fazer sozinho e as que consegue fazer com apoio, incentivando a autonomia, de forma gradativa.
• Em caso de existência de diversas propostas que visam o desenvolvimento da mesma habilidade, escolha as que são essenciais para aquele momento.
• Se o estudante não consegue realizar nenhuma das propostas do livro sobre determinado assunto, sugira outras atividades no caderno, elaboradas de acordo com o Plano Educacional Individualizado (PEI), que permitam o desenvolvimento do mesmo conteúdo por meio de diferentes linguagens.
PEI é o planejamento individualizado para cada estudante que necessita de adaptações em seu currículo. Ele é elaborado por uma equipe multiprofissional.
• Elimine os estímulos distratores para o estudante, por exemplo, colando notas adesivas, que são facilmente removidas, sobre o texto da página, de modo que o estudante analise primeiro as imagens e, depois, somente o texto.
• Faça com o estudante o planejamento da rotina do dia, além de combinados sobre qual será o reforçador de recompensa ao terminar a meta diária.
• Em alguns casos, ofereça o livro já aberto na página proposta para que o estudante não se desorganize em função da ordem numérica.
• Gerencie um comando por vez, se a atividade propuser mais de um. À medida que o estudante conseguir desempenhar um comando, explique o próximo.
• Leituras longas podem ser apresentadas com sequências de imagens e leituras em voz alta para auxiliar o processamento visual e auditivo.
• Relacione as informações do material ao dia a dia, ao lugar de vivência e à realidade dos estudantes.
Esses são possíveis caminhos de adaptação do material, visando o atendimento do maior público de estudantes, que podem ser utilizados como inspiração para a realidade e as necessidades locais.
DESENHO UNIVERSAL DA APRENDIZAGEM
A proposta do Desenho Universal da Aprendizagem (DUA) é aproximar o planejamento diário do professor a todos os estudantes. Um planejamento inclusivo é aquele que permite estratégias que contemplem todos os estilos de aprendizagem por meio de uma aula que possibilite a construção do conhecimento por diferentes caminhos.
O objetivo do DUA é proporcionar a todos os discentes, com ou sem necessidades educacionais especiais, oportunidades iguais de aprendizagem, independentemente de suas habilidades, necessidades e competências (OLIVEIRA, Ray. Desenho universal para aprendizagem. Sala de Recursos Revista, 18 out. 2022. Disponível em: https://saladerecursos.com.br/desenho-universal-para-aprendizagem/. Acesso em: 31 ago. 2025).
Nesse contexto, para que a personalização do ensino aconteça, precisamos refletir sobre "o quê" da aprendizagem; o "como" da aprendizagem; e o "porquê" da aprendizagem (CAST. Universal Design for Learning guidelines. Wakefield: Cast, 2011). Essa visão considera que cada um de nós tem um perfil de aprendizagem singular, portanto, aprendemos por diferentes vias. A partir do DUA, entendemos que existem vias, instrumentos, recursos e propostas pedagógicas que são inclusivas ao atenderem às necessidades de toda a turma, e não apenas de uma parcela.
A neuroplasticidade e as janelas de oportunidade são, nesse contexto, dois fatores que devem ser ponderados no planejamento inclusivo. A neuroplasticidade é capacidade que o sistema nervoso tem, em nível celular, de se modificar através da experiência (FUENTES, Daniel (org.). Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2014), o que revela a importância dos estímulos corretos, a partir das janelas de oportunidade, ou seja, do investimento de habilidades, considerando os marcos do neurodesenvolvimento. Dessa forma, um planejamento na perspectiva especial-inclusiva leva em conta os seguintes princípios:
1. Proporcionar múltiplos meios de envolvimento.
Estimular o interesse dos estudantes e motivá-los para a aprendizagem recorrendo a múltiplas formas.
2. Proporcionar múltiplos meios de representação.
Apresentar a informação e o conteúdo em múltiplos formatos para que todos tenham acesso.
3. Proporcionar múltiplos meios de ação e expressão.
Permitir formas alternativas de expressãoo e de demostração das aprendizagens.
O caminho proposto pelo DUA para o engajamento diário e as relações construídas em sala de aula é o uso de recursos diversos que permitam o reconhecimento, a promoção e o envolvimento de todos os estudantes diante as aprendizagens e desenvolvimento de habilidades.
OLIVEIRA, Ray. Desenho Universal para Aprendizagem. Sala de Recursos Revista. 2022. Disponível em: https://saladerecursos.com.br/desenho-universal-para-aprendizagem/. Acesso em: 31 ago. 2025.
O estudo contempla a perspectiva inclusiva com base no Desenho Universal da Aprendizagem, abordando os conceitos e ideias centrais da teoria.
ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM
O papel atribuído à avaliação, de modo geral, está ligado às finalidades do ensino, ou seja, é por meio da avaliação que o professor pode avaliar se os objetivos planejados estão sendo alcançados. Assim sendo, é preciso definir claramente os objetivos de ensino e selecionar instrumentos de avaliação em relação a esses objetivos.
A avaliação, assim compreendida, não se limita a uma classificação e não se dissocia do processo pedagógico como um todo, uma vez que irá orientar o professor para ressignificar e favorecer sua prática. Atualmente, de modo geral, são consideradas três modalidades de avaliação, cada uma com função específica em um dado momento do processo de ensino e aprendizagem: diagnóstica, somativa e formativa.
Avaliação diagnóstica
É realizada antes do processo de aprendizagem e sua função é diagnosticar, isto é, definir o ponto de partida do ensino. Bloom aponta que essa modalidade de avaliação determina o nível do conhecimento prévio dos estudantes e se possuem as habilidades para a realização dos objetivos estabelecidos no planejamento do ensino (BLOOM, B. et al. Manual de avaliação formativa e somativa do aprendizado escolar. São Paulo: Livraria Pioneira, 1983). A partir daí, o professor poderá adequar o seu plano de trabalho.
A avaliação diagnóstica é aquela realizada no início de um curso, período letivo ou unidade de ensino, com a intenção de constatar se os alunos apresentam ou não o domínio dos pré-requisitos necessários, isto é, se possuem os conhecimentos e habilidades imprescindíveis para as novas aprendizagens. É também utilizada para caracterizar eventuais problemas de aprendizagem e identificar suas possíveis causas, numa tentativa de saná-los. HAYDT, Regina Cazaux. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. São Paulo: Ática, 1988. p. 16-17.
A intenção será sempre perceber como os estudantes mobilizam conceitos para produzirem explicações ou outras perguntas. Neste livro, a avaliação diagnóstica pode ser realizada por meio das questões de abertura de cada unidade e ao início de cada capítulo, que apresenta perguntas dialógicas.
Avaliação formativa
É processual e possibilita a integração entre professor e estudantes (e entre eles) ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Auxilia tanto o professor quanto os estudantes na percepção dos objetivos alcançados e no desenvolvimento do que ainda falta para atingir os objetivos estabelecidos. De modo geral, a avaliação formativa fornece informações à medida que o estudante se desenvolve cognitivamente e, a partir desse resultado, oferece ao professor referências para adequar-se metodologicamente para que a aprendizagem ocorra. A sua função é, portanto, de controle do processo uma vez que é instância mediadora e fornece subsídios para intervenções.
O desdobramento da tarefa de aprendizagem fornece os elementos para a construção dos testes ou procedimentos de avaliação formativa. Se estes instrumentos forem bem utilizados, podem fornecer a devida informação ao professor e aos alunos de quão adequadamente cada unidade está sendo aprendida, e também oferecer retroinformações sobre o que ainda é necessário para que a unidade seja dominada por cada aluno e pelo grupo como um todo.
BLOOM, B. apud MIQUELANTE, Marileuza Ascencio et al. As modalidades da avaliação e as etapas da sequência didática: articulações possíveis. Trabalhos em linguística aplicada, Campinas, v. 56, n. 1, jan./abr. 2017. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8650771. Acesso em: 8 out. 2025.
Essa modalidade de avaliação é fundamentalmente orientadora, uma vez que guia o trabalho do professor, bem como o do estudante. Pode ser aplicada também como estratégia motivadora.
Nesta obra, a avaliação formativa ocorre nas atividades ao longo dos capítulos e na seção Para rever o que aprendi, ao final das unidades, que traz atividades que abarcam a compreensão dos estudantes sobre temas e objetos de conhecimento abordados.
Ao final de cada unidade, há também uma seção de autoavaliação, que apresenta:
• uma pergunta sobre um procedimento atitudinal;
• uma pergunta sobre habilidades de leitura e interpretação, principalmente de imagens e mapas;
• uma pergunta sobre um dos conceitos trabalhados na unidade.
Avaliação somativa
É usada para atribuir uma aferição ou valor. Sua função é, portanto, classificar, isto é, se na avaliação formativa avalia-se a parcela dos objetivos que o estudante dominou e a que não dominou, na avaliação somativa avalia-se em qual grau os objetivos foram alcançados. No contexto da escola, essa modalidade tem sido realizada ao final de determinado período (unidade de ensino, bimestre ou trimestre, por exemplo) e é representada por uma aferição de eficiência (nota ou conceito). O estudante é, assim, classificado.
Alguns estabelecimentos de ensino fazem uso também da avaliação comparativa, que mede e compara o desempenho dos estudantes em relação a determinado padrão ou critério previamente estabelecido. Pode ser usada para identificar a diferença entre as potencialidades dos estudantes, mas é mais comum em avaliações de larga escala.
Avaliação e ensino de Geografia e História
No Brasil, até a década de 1980, os currículos de ensino de História visavam basicamente a aquisição do conhecimento histórico factual. O estudante era aferido sobretudo em sua capacidade de memorização. Durante a década de 1980, houve uma incorporação de novas ideias acerca da avaliação como processo. Na mesma época, a Geografia passava por um momento de renovação, com o movimento da Geografia Crítica.
A partir da década seguinte, houve algumas reformas curriculares que contemplavam a aquisição do conhecimento histórico e geográfico por meio do desenvolvimento de habilidades intelectuais e técnicas. Dessa forma, as características e objetivos da avaliação da aprendizagem no ensino se modificou. Do ponto de vista legal, a LDB reconhecia a dimensão qualitativa da avaliação como um processo contínuo ao longo da aprendizagem. Por outro lado, foi necessária a elaboração de instrumentos de ensino-aprendizagem que considerassem um conhecimento histórico e geográfico escolar baseado no desenvolvimento de habilidades. Os livros didáticos de História e de Geografia precisaram adaptar-se a essa realidade.
Assim sendo, a avaliação do ensino de Geografia e História deve ser:
• funcional, pois ocorre em função dos objetivos planejados;
• orientadora, pois seus resultados orientam o planejamento processo de ensino e aprendizagem, e também orientam o estudante em seu desenvolvimento;
• integral, pois, ao considerar o estudante como protagonista de sua aprendizagem, analisa aspectos individuais e coletivos.
Desde o início do século XXI, os estudantes são convocados a desenvolver competências e habilidades para adquirir o conhecimento histórico, o pensamento espacial e o raciocínio geográfico para a aprendizagem de Geografia. Deve-se considerar que esse desenvolvimento ocorre oportunizando aos estudantes ocasiões de praticar essas habilidades, mas também introduzindo um tipo de avaliação cujo objetivo seja garantir esse desenvolvimento. De acordo com a BNCC, "o que nos interessa no conhecimento histórico é perceber a forma como os indi-
víduos construíram, com diferentes linguagens, suas narrações sobre o mundo e que viveram e em que vivem, suas instituições e organizações sociais" (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 397).
No caso da Geografia, a BNCC aponta que:
[...] é fundamental que os alunos consigam saber e responder algumas questões a respeito de si, das pessoas e dos objetos: Onde se localiza? Por que se localiza? Como se distribui? [...] [...]
De maneira geral, na abordagem dos objetos de conhecimento, é necessário garantir o estabelecimento de relações entre conceitos e fatos que possibilitem o conhecimento da dinâmica do meio físico, social, econômico e político. Dessa forma, deve-se garantir aos alunos a compreensão das características naturais e culturais nas diferentes sociedades e lugares do seu entorno, incluindo a noção espaço-tempo.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 367-368.
Assim sendo, a avaliação, compreendida como integrante do processo de ensino-aprendizagem de História e Geografia para os anos iniciais do ensino fundamental, deve:
a) ser efetuada tanto no decorrer do processo de aprendizagem quanto no final de uma etapa (unidade didática, bimestre, trimestre etc.);
b) ser efetuada antes do início dos estudos visando a adaptação do planejamento;
c) integrar todo o processo de ensino e aprendizagem;
d) permitir que o estudante participe ativamente do processo avaliativo.
Como parte integrante do processo de aprendizagem, a avaliação contínua e dinâmica pressupõe a escolha de métodos e instrumentos.
Os métodos e instrumentos avaliativos desempenham um papel central no processo de ensino-aprendizagem, pois representam as práticas concretas por meio das quais se busca compreender e acompanhar o desenvolvimento dos alunos. A escolha de métodos adequados está diretamente ligada à concepção de avaliação adotada pelo professor, sendo essencial que eles sejam consistentes com os objetivos educacionais e sensíveis às necessidades dos estudantes. Nesse sentido, diferentes instrumentos podem ser utilizados para atender a propósitos variados, desde a observação do progresso individual até a análise de habilidades específicas. BRITO, Michelle de; SILVA, Suely Gomes da. Avaliação da aprendizagem: para além da verificação dos resultados. Revista Ibero-americana de Humanidades, Ciências e Educação: Reaser, São Paulo, v. 10, n. 12, p. 783, dez. 2024.
A elaboração de instrumentos para a avaliação diagnóstica, formativa ou somativa deve permitir, portanto, que haja uma relação entre o que está sendo aferido e a aquisição das habilidades e competências previstas no planejamento. Brito e Silva consideram que tais instrumentos podem englobar, dentre outras possibilidades (BRITO, Michelle de; SILVA, Suely Gomes da. Avaliação da aprendizagem: para além da verificação dos resultados. Revista Ibero-americana de Humanidades, Ciências e Educação: Reaser, São Paulo, v. 10, n. 12, p. 779- 790, dez. 2024):
• A observação: como método avaliativo é um processo contínuo que permite ao professor-observador captar situações como a criatividade, o esforço (individual e coletivo), capacidade de resolver problemas etc.
• Formas de registro (diários, portfólios, plataformas digitais etc.): produção escrita, imagens, reflexões pessoais etc.
• A autoavaliação: coloca o estudante em posição central no processo avaliativo e contribui para o desenvolvimento da autonomia.
• Provas, trabalhos e atividades em grupo: o tradicional pode ser repensado e aplicado de forma mais criativa.
• Avaliação interna ao grupo: avaliar os trabalhos uns dos outros é uma estratégia que promove cooperação e senso crítico.
• Projetos interdisciplinares: exigem a aplicação do conhecimento de diferentes componentes. O uso do livro regionalizado é uma forma de explorar essa estratégia.
• O uso de jogos (gamificação): promove experiências dinâmicas e mais participativas.
Diário de memórias
A elaboração de um diário de memórias pode ser um recurso de grande valia no processo de ensino-aprendizagem, inclusive como estratégia avaliativa de acompanhamento. Possibilita, por exemplo, a reconstrução de histórias da vida local (por exemplo, parentes ou antepassados do estudante) e estimula o diálogo com a comunidade e a aprendizagem em espaços não formais.
Pode ser utilizado, por exemplo, como estratégia para analisar o patrimônio cultural local, no município e seu entorno. Nesse sentido, será também uma ferramenta na promoção e no fortalecimento da cidadania.
A experiência de confeccionar um diário de memórias imprime uma função social àquilo que é registrado e transformado em narrativa, proporcionando ao estudante, ao final do percurso, um panorama do caminho percorrido pelo autor e pelo grupo.
Pode ser o registro de um passeio (pelo centro da cidade, por exemplo) ou de várias atividades da escola. Tais atividades funcionam como fio condutor para o levantamento de percepções e olhares sobre a escola e seu entorno, podendo ou não ampliar para o bairro e o município, incluindo diferentes manifestações culturais. Introduzem o estudante em um processo investigativo em que ele é o autor e estimula a escrita utilizando também imagens.
Uma proposta baseada na investigação do cotidiano e da cultura escolar, portanto, tem como objetivo aproximar os estudantes de reflexões sobre seu cotidiano.
O professor poderá ou não estruturar um roteiro para o diário, orientando o estudante a registrar o que a paisagem revela. Ao compartilhar seus registros, os estudantes perceberão que a paisagem pode ser vista de maneiras diferentes pelas pessoas, dependendo de onde esteja essa pessoa e do processo seletivo de seu olhar. O estudante deve ser estimulado a registrar, odores, sons, emoções etc. ao descrever as paisagens (recordando que a paisagem é a expressão do que o ser humano e/ou a natureza produzem), que apresentam mudanças, superposições (antigo e recente, riqueza e pobreza, por exemplo) e serão sempre uma parcela visível do espaço geográfico: uma combinação de elementos naturais, sociais e culturais.
Compartilhar e analisar esses registros permite verificar como as crianças realizam suas leituras de mundo e as relações que estabelecem com os lugares. Os estudantes podem ser motivados a expressar suas dores, críticas e desejos (não apenas o belo, mas também a escola depredada, o lixo nas ruas, os parques abandonados, por exemplo).
Ao final, os registros podem ser compartilhados, em sua totalidade ou parcialmente, sob a anuência do autor. Rever o percurso dessas memórias será para o estudante uma experiência de interpretar vivências, compartilhar pontos de vista e discutir sobre o uso e a importância da memória e suas formas de registro. Para o professor, além de incentivar atividades visando à reconstrução das histórias da vida local e regional ao longo do tempo, é uma forma de avaliar e replanejar sua prática.
Vista aérea de trecho do Rio de Janeiro (RJ), em 2024.
REGIONALIZADO: REGIÃO SUDESTE
Um livro regionalizado que integre História e Geografia de maneira interdisciplinar proporciona a oportunidade de promover a aprendizagem por meio da ênfase nos lugares de vivência e da noção de pertencimento, a partir da escala regional, permitindo a articulação com outras categorias dessas ciências, como tempo, paisagem, território e a progressiva ampliação das escalas de análise. Ainda proporciona que os estudantes identifiquem a diversidade de culturas que compõem a região Sudeste, como as culturas dos povos indígenas, afro-brasileiros, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
Esta obra apresenta conceitos, análises e discussões sobre a definição da região Sudeste, o termo sudestino, as paisagens naturais e humanizadas e a relação entre sociedade humana e os componentes físico-naturais na região, os lugares de vivência, a formação histórica do Sudeste e seus personagens, os processos migratórios e a formação da população sudestina, as características do urbano e do rural e as conexões entre campo e cidade, além de perspectivas para o futuro, com base nas premissas de direitos humanos e sustentabilidade para a região, em acordo com a Agenda 2030.
Ponte Estaiada em São Paulo (SP), em 2024.
A Unidade 1 aborda a Geografia e a História da região Sudeste com base nos lugares de vivência dos estudantes, bem como na relação entre o ser humano e a natureza. Ao longo da unidade, são desenvolvidos os conceitos de divisa, limite, região, regionalização, paisagem natural e cultural, localização, patrimônio, como também são comparadas algumas características entre os estados da região. O modo como o ser humano se relaciona com os componentes físico-naturais, como relevo, hidrografia, clima, vegetação, bioma, é investigado sobretudo sob o ponto de vista do uso da água e dos impactos ambientais.
A Unidade 2 trata dos povos que fizeram parte da formação da população e das culturas da região Sudeste, desde os povos originários que habitavam a área até os fluxos migratórios internos e externos que envolveram a região Sudeste nos séculos XVII, XIX e XX. A unidade destaca, ainda, os conflitos e resistências dos primeiros séculos de colonização, além dos principais aspectos econômicos do período.
A Unidade 3 explora as relações entre os diferentes espaços na região Sudeste. Há a definição dos espaços rural e urbano e das relações entre eles, detalhando as diversas atividades econômicas que neles se desenvolvem, como agropecuária, extrativismo, indústria, comércio, serviços, artesanato e turismo. Ainda são abordados os impactos ambientais decorrentes dessas atividades. A unidade também trata do processo de urbanização da região Sudeste e de conceitos como metrópole e hierarquia urbana, redes de transporte e comunicação, desigualdades sociais e da administração dos municípios e representatividade feminina na política.
A Unidade 4 aborda diversos aspectos da vida das pessoas na região Sudeste. Questões sobre demografia, movimentos migratórios, densidade demográfica, população plural e desigualdades, são alguns dos temas. Há, também, discussões sobre as relações entre sociedade, meio ambiente, sustentabilidade e soluções para um futuro melhor na região.
A obra visa promover situações de aprendizagem por meio do uso de materiais como: depoimentos, correspondência, desenhos, pinturas, fotografias, mapas, gráficos, tabelas, dentre outros.
Quadro de conteúdos
O quadro a seguir mostra a distribuição dos conteúdos e das respectivas habilidades da BNCC ao longo das unidades e dos capítulos.
VOLUME ÚNICO
O QUE É A REGIÃO SUDESTE?
1. Região Sudeste: meu lugar de vivência
• Regiões brasileiras
O que é região?
Sudeste como região
"Invenção" da região Sudeste
• Região Sudeste: semelhanças e diferenças
Símbolos do Sudeste
DIÁLOGOS: Outros símbolos
• Paisagens naturais e culturais do Sudeste
• Patrimônios do Sudeste
Patrimônios culturais imateriais
2. Ser humano e natureza no Sudeste
• Minha região: relevo
• Minha região: hidrografia
Usos da água no Sudeste: abastecimento
• Minha região: clima e vegetação
Biomas do Sudeste
DIÁLOGOS: Rios voadores
• Minha região: impactos ambientais PARA REVER O QUE APRENDI
Competências gerais da educação básica: 1, 3, 5.
Competências específicas de Ciências Humanas: 3, 7.
TCTs: Multiculturalismo: diversidade cultural, educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras; Cidadania e civismo: vida familiar e social.
Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4.
Competências específicas de Ciências Humanas: 2, 3, 5. Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 5.
TCTs: Cidadania e civismo: direitos da criança e do adolescente, educação em direitos humanos, vida familiar e social; Saúde: saúde; Ciência e tecnologia: ciência e tecnologia; Meio ambiente: educação ambiental; Economia: trabalho.
PLANEJAMENTO
O planejamento é essencial para garantir que os objetivos da obra sejam alcançados de forma organizada e coerente com a realidade escolar. Ele deve ser entendido como um instrumento flexível, que pode ser adaptado às condições locais, ao tempo disponível e às necessidades dos estudantes. Para adaptar a obra às suas necessidades e a de seus estudantes, sugerimos a utilização das matrizes de planejamento a seguir. Elas facilitam a organização de rotinas estruturadas, fundamentais para o processo de inclusão, mas permitem inovação e personalização. Assim, o planejamento proposto busca equilibrar organização e flexibilidade, oferecendo ferramentas concretas para gerir os conteúdos de forma significativa e participativa.
Matrizes de planejamento de rotina
Planejamento de rotina diária
Acolhida
Discussão inicial
Desenvolvimento das aulas
Receber os estudantes; registrar a data e a rotina do dia; conversar brevemente sobre novidades, acontecimentos ou combinados.
Propor uma questão instigante relacionada ao tema da aula ou a acontecimentos do cotidiano. Estimular argumentação, escuta e respeito às opiniões. Pode ser em roda ou em pequenos grupos.
Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.
Intervalo/lanche Pausa para alimentação e recreação.
Desenvolvimento das aulas
Fechamento
Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.
Síntese das aprendizagens: o que foi descoberto, quais dúvidas surgiram, como aplicar no cotidiano. Espaço para reflexão crítica e registro final.
Planejamento de rotina de aula
O modelo de matriz para planejamento de rotina de aula considera 90 minutos, ou seja, dois períodos de aula de 45 minutos.
Aquecimento (5 min)
Apresentação (20 min)
Desenvolvimento (20 a 30 min)
Sistematização (15 min)
Encerramento (10 min)
Autoavaliação (10 min)
Momento inicial, buscando o engajamento dos estudantes por meio de uma proposta afetiva.
Possibilidade de recursos: cartaz, imagem, vídeo curto, podcast, contação de história, execução de atividade manual (dobradura, desenho), resolução de problema, jogo, brincadeira, passeio pela escola, reflexão.
Início da aula. Apresentação de temática/conteúdo a ser desenvolvido. Recursos
Para aprendizagem ativada pelo estímulo auditivo: conversa, música, leitura oral, sons.
Para aprendizagem ativada pelo estímulo visual: vídeo, cartaz, mapa visual, imagens, brinquedo, livro, leitura silenciosa, uso de gestos.
Para aprendizagem ativada pelo estímulo sinestésico: massa de modelar, colagem, escrita, maquetes, desenhos, práticas em outros espaços, uso do corpo.
Propostas orais e escritas, com sistematização das aprendizagens de modo individual, em dupla ou coletivo.
Registro das aprendizagens.
Revisão do conteúdo com perguntas, debates ou atividades criativas (diário de bordo, quiz, dramatização, jogo etc.)
Reflexão acerca das atitudes e aprendizagens do dia.
Matriz de sequência didática
Os conteúdos do livro também podem ser organizados e ampliados por meio de sequências didáticas.
Apresentamos, a seguir, um modelo de matriz de sequência didática que pode ser utilizado no planejamento de sequências didáticas para o material regionalizado e, também, para qualquer outro componente curricular que julgar pertinente.
Identificação
Componente
Período de duração
Tema
Objetivos de aprendizagem
BNCC
Preparação
Título da sequência didática
Turma em que será aplicada
Componente(s) curricular(es) envolvido(s).
Número de aulas previstas.
Conteúdo principal a ser explorado. Também pode ser um objeto de conhecimento da BNCC ou um capítulo/parte do livro didático.
Objetivo geral e objetivos específicos (por aula), bem como justificativa pedagógica.
Competências, habilidades, Temas Contemporâneos Transversais (TCT).
Materiais e recursos utilizados em toda a sequência, como as páginas do livro didático, itens de papelaria, equipamentos digitais, autorizações dos familiares, entre outros.
Também é importante considerar possíveis adaptações para estudantes com diferentes necessidades de aprendizagem.
Encaminhamento Pré-requisitos Conhecimentos prévios esperados dos estudantes.
Apresentação Sensibilização para o tema.
Aulas Desenvolvimento da sequência didática. A quantidade varia de acordo com a proposta.
Conclusão Discussão entre os estudantes e apresentação dos resultados.
Avaliação Verificação da aprendizagem e dos objetivos de aprendizagem atingidos.
Observações gerais
Espaço para o registro do professor.
TEXTOS PARA REFLEXÃO
A importância do professor pesquisador
Tratar da importância dos professores enquanto agentes de pesquisa no decorrer de todos os processos escolares, dentre eles a revisão da proposta pedagógica das escolas, tem emergido como fundamental na carreira de todo o professor. O autor Pedro Demo (2015) reserva um capítulo de seu livro para tratar do professor enquanto pesquisador, destacando o que seriam os cinco desafios dos educadores no papel de pesquisadores no contexto educativo, nas palavras do autor são eles: [...] "1 - (Re)construir projeto pedagógico próprio, 2 - (Re)construir textos científicos próprios, 3 - (Re)fazer material didático próprio, 4 - Inovar a prática didática, 5 - recuperar constantemente a competência". De pronto, lanço nossa discussão ao item de número um, que segundo o autor destaca o fazer pesquisador do professor para que possa construir a proposta pedagógica. Para ele, [...] "Em vez de falar como mero porta-voz de teorias alheias, ou de apresentar-se como mero discípulo, precisa comparecer com a proposta própria, elaborada e sempre reelaborada".
O engajamento do professor é peça fundamental para que de fato este obtenha o papel crucial na transformação da realidade local, explorando o conhecimento de cada profissional, de suas compreensões e anseios relacionados à sua prática, podendo assim estar refletida na proposta pedagógica da sua comunidade.
Para Demo [...] é fundamental que o professor seja também um pesquisador, para que possa atuar e modificar o meio ao qual está inserido, não como um profissional da pesquisa, mas sim como um profissional da educação. Nas palavras do autor, [...] "Assim como um engenheiro civil precisa saber coordenar a construção de um prédio residencial, ou um cirurgião realizar com perícia uma cirurgia, deve o professor manejar com virtuosismo inequívoco sua proposta pedagógica, com pé e cabeça, começo, meio e fim."
TORMAM, Carla Silva; SELBACH, Paula Trindade da Silva. A importância do professor pesquisador. Revista latino-americana de estudos em cultura e sociedade, v. 6, 2020. Edição especial. Disponível em: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/download/1908/1292/7713. Acesso em: 29 set. 2025.
Explorando o passado para construir o futuro: a relação entre educação patrimonial e ensino de História
A Educação Patrimonial no Ensino de História oferece um vasto leque de possibilidades metodológicas com o fim de enriquecer a experiência educativa dos discentes. Ao incorporar o patrimônio cultural tangível e intangível em sala de aula, os educadores podem estimular a curiosidade, o senso de identidade e pertencimento dos estudantes, promovendo uma conexão mais profunda com o passado.
Os caminhos metodológicos utilizados no campo do patrimônio convergem com as abordagens utilizadas no ensino de História da Educação Básica. A área de conhecimento tem buscado, através das suas abordagens, ampliar a consciência crítica e cidadã dos estudantes. Para fomentar essa perspectiva, os estudos históricos têm buscado inserir uma aprendizagem mais significativa, que possibilite aos discentes compreender o presente, por meio do estudo do passado.
Além disso, procura-se compreender o ensino de História como um campo de investigação coerente, que potencialize o conhecimento, que sensibilize e estimule o sentido de identidade, sempre respeitando as diferenças, pautado pela tolerância. Através de novas atuações, com a realização de atividades práticas, como visitas a museus, excursões a sítios históricos, ou entrevistas com membros da comunidade local, tem-se a oportunidade de vivenciar a história de forma mais profunda.
Com base nisso, percebe-se que apenas o domínio de conceitos e fundamentos não constroem o conhecimento. No envolvimento com práticas de investigação e pesquisa, como protagonistas do saber, os estudantes atuam como agentes históricos e aprimoram
o aprendizado. Tais propostas, que envolvem o ensino e a pesquisa, obtêm êxito na formação de discentes críticos e reflexivos, estimulando a consciência cidadã.
As mudanças introduzidas na História como campo de estudo alteraram seus métodos de pesquisa ao longo dos séculos XX e XXI. As transformações realizadas nos espaços acadêmicos decorrentes da ampliação da oferta do ensino superior a partir da segunda metade do século XX, inseriram novos objetos e fontes no processo investigativo. Outros tipos de documentos, além dos impressos, foram utilizados nas referências e a historiografia voltou-se para histórias do cotidiano. Nesse contexto, a História Social, que se dedica ao estudo das experiências e práticas comuns das pessoas, passou a compreender não apenas os grandes eventos e figuras históricas, mas também os aspectos mais ordinários da vida.
Os historiadores passaram a se dedicar aos novos objetivos de pesquisa e introduziram no seu trabalho o uso de outras fontes históricas. Assim, os artefatos, saberes e fazeres dos seres humanos foram incorporados aos estudos históricos e novas interpretações de processos históricos foram escritas e/ou reescritas. De acordo com Pedro Funari e Sandra Pelegrini (2009), essa cultura material serve como base para o ensino das disciplinas ligadas ao mundo social.
As concepções do campo investigativo desses historiadores ultrapassaram os muros das universidades e alcançaram a educação básica. Os professores de História passaram a introduzir nos seus planejamentos, conteúdos que promovem o engajamento e o protagonismo dos estudantes. Para estimular o conhecimento histórico nas salas de aula, a perspectiva local e a questão patrimonial servem como aliados dentro desse processo.
No universo escolar, a educação patrimonial é a ferramenta metodológica capaz de unir o patrimônio cultural ao ensino de História, com foco na aprendizagem histórica. Ela é um instrumento técnico que permite a elaboração de esquemas voltados para uma educação transformadora, visando à autonomia e tendo como característica, a heterogeneidade e o diálogo dentro do ensino. O uso de conceitos e habilidades desenvolvidas pela Educação Patrimonial leva o estudante à aquisição de novas habilidades e conceitos que promovem o seu desenvolvimento integral [...].
"A Educação Patrimonial consiste em provocar situações de aprendizado sobre o processo cultural e, a partir de suas manifestações, despertar no aluno o interesse em resolver questões significativas para sua própria vida pessoal e coletiva. O patrimônio histórico e o meio ambiente em que está inserido oferecem oportunidades de provocar nos alunos sentimentos de surpresa e curiosidade, levando-os a querer conhecer mais sobre eles. Nesse sentido podemos falar na "necessidade do passado", para compreendermos melhor o "presente" e projetarmos o "futuro". (HORTA, 2004, p. 03).
A concepção transformadora de educação patrimonial reconhece que a vivência nos espaços arquitetônicos, sociais e de memórias, pensando na diversidade e as suas relações com outros elementos, contribui para a construção de saberes e promove os elementos identitários. Ela visa formar pessoas capazes de reconhecer sua própria história, deixando de ser um mero espectador para tornar-se protagonista, apreciando os saberes e desenvolvendo uma consciência cidadã em relação aos patrimônios culturais, sejam eles tombados/registrados ou não.
Os estudos sobre a educação para o patrimônio possibilitam o entendimento de que os bens culturais são parte constituinte de um povo, um grupo, uma comunidade. Eles não precisam ser universais e venerados como um símbolo nacional, mas ser salvaguardados por aqueles que consentem com a relevância desses bens para a localidade, valorizando as narrativas que articulam o local, o regional e o global.
PONTES, Barbara Maria Muniz; LAPSKY, Igor. Educação patrimonial e ensino de história: registrando saberes e práticas na educação básica. Trilhas da história, v. 13, n. 26, 2024. Disponível em: https://trilhasdahistoria. ufms.br/index.php/RevTH/article/view/20428. Acesso em: 29 set. 2025.
[…]
A construção social de uma escola quilombola: a experiência da Comunidade Caveira, RJ
As diretrizes da EEQ [Educação Escolar Quilombola] pensam a escola como um espaço de mediação e de reconstrução das identidades étnicas por meio da incorporação e da ressignificação de práticas e saberes que dialoguem com a realidade local, indo além da prescrição do currículo básico para formar as novas gerações das famílias quilombolas e não quilombolas. Elementos agenciadores das identidades quilombolas compõem o campo do reconhecimento de tais grupos no Brasil (Jorge, 2016). Parte da literatura tem demonstrado como danças e festas, por exemplo, têm servido não propriamente para "resgatar" o passado, mas para recriar novas práticas culturais e tradições que legitimam a condição de quilombolas e produzem maior coesão interna em razão de identidade social compartilhada. Lara et al. (2009) descrevem na comunidade quilombola Paiol de Telha (reconhecida como quilombola desde 1988) a criação de uma companhia de música e dança chamada "Kundun Balê", explicando que sua criação veio justamente para preencher uma lacuna na questão da suposta "ausência da cultura negra" na comunidade. Na mesma direção, Maroun (2014) demonstrou o papel do jongo como elemento de reestruturação da memória coletiva e da identidade quilombola em Bracuí. O jongo praticado hoje é um processo de ressignificação, já que no passado ele tinha forte apelo mágico-religioso ligado às religiões de matriz africana. Essa prática tornou-se elemento central na formação identitária de crianças e jovens quilombolas de Bracuí, contribuindo para a permanência da comunidade na luta pelo território e para a visibilidade pública de suas demandas. Em certo sentido, a escola de Caveira, como uma das mediadoras da produção da identidade quilombola, pode ser lida como uma representação em microescala dos processos de reconstrução de identidades quilombolas nesses territórios [...].
Embora a comunidade Caveira tenha tido seu reconhecimento formal como quilombola anteriormente à construção da escola, esta passa a ocupar um lugar central (não o único, mas talvez o principal) na construção simbólica da identidade quilombola da comunidade. Se colocarmos em diálogo tal argumento com a concepção da teoria durkheimiana clássica sobre o conceito de educação (Durkheim, 2013), encontramo-nos diante de uma inovação, pois, nessa teoria, o papel da educação seria de conservação de valores e disposições caros à sociedade política. E, para a escola quilombola, sua função social estende-se para além da reprodução, produzindo, nesse contexto de análise, uma novidade: a tentativa de construção de uma cultura local quilombola pautada pela estrutura dos troncos familiares, pelo diálogo com os mediadores comunitários, pela inventariação e pela ressignificação de práticas e de elementos associados às culturas locais e/ou à memória da escravidão e da luta pelo território.
Com esse apelo de construção da identidade quilombola da comunidade, suas lideranças passam a construir imagens sobre um desejável funcionamento da escola e sobre sua participação em um possível currículo escolar. Não bastaria criar uma escola e nomeá-la como quilombola; ela apresenta-se com um sentido mais ativo para as lideranças, isto é, deveria ser um ponto de construção e consolidação da própria identidade quilombola de Caveira na produção tanto de reconhecimento interno, entre os moradores do próprio grupo, quanto de reconhecimento externo, ao considerar o poder público e a sociedade em geral.
SOARES, David Gonçalves; MAROUN, Kalyla; SOARES, Antonio Jorge Gonçalves. A construção social de uma escola quilombola: a experiência da Comunidade Caveira, RJ. Revista brasileira de educação, v. 27, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/ xtjRSWz5dKcRp8ZzFLc4k9B/?lang=pt. Acesso em: 29 set. 2025.
Tecnologias para o desenvolvimento de competências sob a perspectiva da educação inclusiva no Brasil: uma revisão sistemática da literatura
A educação especial, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), é uma modalidade a ser ofertada preferencialmente na rede regular de ensino (BRASIL, 1996).
O Governo Federal lançou a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que apresenta objetivos que visam garantir o acesso, a participação e a aprendizagem dos estudantes com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares (BRASIL, 2008). Porém, apesar dos avanços na legislação e das políticas públicas, o desafio da inclusão dos estudantes com necessidades educacionais especiais ainda persiste no país. O direito à educação precisa ser assegurado a qualquer criança, em especial as crianças com deficiência desde os anos iniciais, público historicamente excluído do processo educacional.
Além disso, a educação inclusiva é aquela que permite que indivíduos com outras características também possam acompanhar o ensino do mesmo modo que os seus colegas sem qualquer prejuízo ao desempenho escolar (BRASIL, 2015), conforme preconiza a Lei Brasileira de inclusão (Lei 13.146/15), que assegura direitos a esses grupos em vários setores, entre eles a educação.
O fato do processo de inclusão ser um assunto de extrema relevância e não ser uma realidade na maioria das escolas, instiga a busca pela compreensão dos principais motivos e fatores de uma possível não obtenção do objetivo.
Segundo Mantoan (2003, p. 97):
A educação inclusiva deve ser entendida como uma tentativa a mais de atender as dificuldades de aprendizagem de qualquer estudante no sistema educacional e com um meio de assegurar que os estudantes, que apresentam alguma deficiência, tenham os mesmos direitos que os outros, ou seja, os mesmos direitos dos seus colegas escolarizados em uma escola regular.
Diante desse cenário, as escolas precisam adequar as metodologias que estão sendo adotadas para, de fato, proporcionar uma aprendizagem efetiva e inclusiva dessas crianças e desses adolescentes. É nessa perspectiva que a tecnologia possui um papel fundamental no atendimento das necessidades específicas desses estudantes. Ela pode ser aplicada em sala de aula para proporcionar uma experiência diferente de aprendizado a uma geração que já nasce digital.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) esteve presente nas maiores discussões sobre educação nos últimos anos. É um documento normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver durante todas as etapas da educação básica. Entre as orientações, a base apresenta o uso de tecnologia pelas escolas e maior protagonismo do estudante no aprendizado (BRASIL, 2018).
Entre as dez competências gerais apresentadas pela BNCC, duas destacam a tecnologia como habilidade para o aprendizado. Uma destaca o uso das diversas linguagens, dentre elas as linguagens digitais, e a outra diz respeito a cultura digital, destacando a compreensão, utilização e criação das tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (BRASIL, 2018). A Base, como um documento norteador da Educação Básica, prevê o uso de tecnologias em sala de aula. Entretanto, um grande desafio para as escolas consiste na implementação efetiva desses recursos.
Diante da conjectura de usar as tecnologias digitais para o desenvolvimento de competências e habilidades conforme determina a BNCC, este estudo questiona: "A produção/utilização de tecnologias digitais tem contribuído para o desenvolvimento das competências, após a BNCC, de forma a atender todos os estudantes e incluí-los no processo de ensino aprendizagem?". Além da pergunta principal, estabeleceram-se outras perguntas principais e secundárias apresentadas na seção de Procedimentos Metodológicos da Revisão Sistemática."
OLIVEIRA, Izabel Cristina Fernandes de; VASCONCELOS, Francisco Herbert de Lima; BARROS FILHO, Edgar Marçal de. Tecnologias para o desenvolvimento de competências sob a perspectiva da educação inclusiva no Brasil: uma revisão sistemática da literatura. Revista Docentes, v. 8, n 21, 2023. Disponível em: https:// revistadocentes.seduc.ce.gov.br/revistadocentes/article/view/552/250. Acesso em: 29 set. 2025.
Como ser um educador antirracista
A escola é o espaço de formação humana por excelência; ela é um complexo social fundamental na nossa constituição, tanto no âmbito social, pensando na coletividade, quanto no aspecto individual, a partir da nossa construção subjetiva.
A escola é um complexo social fundamental no processo de transformação da realidade social; ela é influenciada pelo sistema, ao passo que, em contrapartida, também o influencia, uma vez que forma as pessoas que vão ocupar e ajudar a construir todas as demais instâncias sociais. Nesse sentido, a escola precisa ser uma forte aliada no enfrentamento das opressões estruturais, fundamentalmente o racismo.
Mais que uma opção, deve ser um compromisso histórico, um dever da escola, ser antirracista. A escola e, por sua vez, a professora e o professor precisam pautar a equidade racial em toda a sua estrutura: no corpo profissional, principalmente na ocupação dos espaços de poder escolares; na construção curricular, pautando os conhecimentos ancestrais africanos e indígenas fora de um lugar de estereotipagem e de rebaixamento, representar graficamente as pessoas negras e indígenas na estética da escola a partir de um lugar de positivação; fomentar a leitura de literatura negra e indígena nas proposições didáticas escolares; organizar na escola programas de formação de professores/as a partir da óptica do letramento racial; apresentar intelectuais e personalidades negras e indígenas aos/às estudantes, objetivando ressignificar a noção de humanidade e inteligência ainda hoje.
[...]
[...] o meu desejo para todos/as os/as educadores/as deste país é que possamos assumir com afeto o compromisso de sermos "doadores de memórias" que socializam os conhecimentos sistemáticos historicamente desenvolvidos pelo coletivo para as novas gerações, visando a formação humana desses sujeitos, mas que compreendem de maneira fundamental o papel crucial da nossa profissão na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
O papel social de professores e professoras na nossa sociedade é lindo e imenso; desejo também que um dia sejamos vistos/as e valorizados/as do modo que merecemos, e que essa valorização seja mensurada a partir da relevância e da grandiosidade da "missão" que executamos diariamente.
Para qual sonho você educa?
Feliz dia para todos/as os/as professores/as do país que se engajam diariamente num projeto de transformação social que oportuniza uma vida digna e repleta de perspectivas de futuro para nossa juventude. O dia dos professores é celebrado em 15 de outubro, mas é todo dia que um/a professor/a se levanta para ajudar a juventude a construir sonhos emancipatórios. Feliz dia para você que, apesar das dificuldades, semeia e constrói um tempo de esperança.
A professora, o professor, é um portal que une as memórias e os conhecimentos do mundo antigo à construção do mundo que está por vir. Um abraço carinhoso para você, professora, em você, professor, que chegou até aqui buscando respostas para a melhoria de suas práticas. É de gente assim, disposta e engajada, que a educação brasileira tanto necessita.
CARINE, Barbara. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta, 2023. E-book
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS
ALMEIDA, R. D. (org.). Novos rumos da cartografia : currículo, linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011. O livro apresenta produções cartográficas escolares ampliando as abordagens, que passam pelo uso da tecnologia no ensino, processos de aprendizagem e discussão sobre cartografia escolar, geografia e educação.
AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos : uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2000. Disponível em: https://www.mackenzie.br/fileadmin/ARQUIVOS/Public/ 1-mackenzie/universidade/pro-reitoria/graduacao-assuntos -acad/forum/X_Forum/livroAusubel.2000_Aquisicao_e_reten cao_de_conhecimentos.pdf. Acesso em: 29 set. 2025. Nessa obra, o autor apresenta uma visão atualizada da sua teoria da aprendizagem, conhecida como Teoria da Assimilação, e inspira uma profunda reflexão sobre o que é ensinar e aprender, sobretudo em contextos escolares, de sala de aula, onde a aprendizagem verbal é dominante, mas não exclusiva.
BARCA, Isabel. Educação histórica: vontade de mudança. Educar em Revista , Curitiba, n. 42, p. 59-71, out./dez. 2011. O artigo discute os fundamentos teóricos acerca da ideia de mudança em História apresentada por estudantes de diferentes países e relembra discussões de caráter epistemológico em que perpassam visões diversas acerca dessa noção, algumas já ultrapassadas, mas que permanecem a nível do senso comum.
BARROS, José D’Assunção. História, espaço, Geografia : diálogos interdisciplinares. Petrópolis: Vozes, 2017.
O autor reflete sobre a interdisciplinaridade da História e Geografia a partir de questões relacionadas aos conceitos centrais de ambas as ciências.
BENELLI, Catarina. Educar com histórias: narrativa e escrita de si como prática educativa com crianças. Debates em Educação , Maceió, v. 14, n. 34, p. 38-47, 2022.
O artigo relata uma pesquisa realizada em ambiente escolar e, a partir daí, reflete sobre a importância das narrativas de si como estratégia no processo ensino e aprendizagem com crianças dos anos iniciais.
BITTENCOURT, Circe M. F. Ensino de História : fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.
O livro apresenta fundamentos sobre seleção de conteúdos e métodos de ensino de História nos diferentes níveis escolares, além de abordar sobre a história do ensino de História.
BLOOM, B. et al Manual de avaliação formativa e somativa do aprendizado escolar. São Paulo: Pioneira, 1983. Obra que ainda é referência nos estudos sobre avaliação e objetivos educacionais.
BONETE, W. J. Notas sobre o conceito de consciência histórica e narrativa em Jörg Rüsen e Agnes Heller. História e Reflexão , Dourados, v. 7, n. 14, jul./dez. 2013. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/historiaemreflexao/article/ view/2944/1634. Acesso em: 29 set. 2025.
O artigo reflete sobre as contribuições dos pensadores da chamada escola alemã para a construção dos conceitos de consciência histórica e narrativa, privilegiando Heller e Rüsen que articulam esses conceitos ao cotidiano e à vida prática.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer nº 7, de 7 de abril de 2010. Estabelece diretrizes curriculares nacionais gerais para a educação básica e define o currículo
de educação básica, sem discriminação de idade, a partir da educação infantil, e para o ensino fundamental e ensino médio. Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, p. 10, 9 jun. 2010.
Parecer que estabelece princípios e fundamentos para a Educação Básica no Brasil e garante alinhamento às diretrizes nacionais e ao desenvolvimento integral dos estudantes.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil . Promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto, notas remissivas e índices: Juarez de Oliveira. São Paulo: Saraiva, 1988.
Lei fundamental e suprema do país que estabelece os princípios que regem o Estado e os direitos dos cidadãos.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 jul. 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/L8069.htm. Acesso em: 19 set. 2025. Documento oficial que consolida os direitos de crianças e adolescentes no Brasil.
BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a política nacional de educação ambiental. Diário Oficial da União , Brasília, DF, p. 1, 28 abr. 1999. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/L9795.htm. Acesso em: 19 set. 2025. Documento oficial que estabelece diretrizes para a educação ambiental integrada a todos os níveis de ensino.
BRASIL. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 3 out. 2003.
Lei brasileira que regula os direitos das pessoas com 60 anos ou mais, que protege esses indivíduos e lhes garante dignidade.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena". Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2008.
Essa lei tornou obrigatório o ensino de História e cultura afro-brasileira e indígena em todas as escolas do país, públicas ou privadas, em todos os níveis de ensino.
BRASIL. Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025. Dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 13 jan. 2025. Disponível em: https:// www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2025/lei-15100-13-janeiro -2025-796892-publicacaooriginal-174094-pl.html. Acesso em: 19 set. 2025.
Lei que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais em escolas da Educação Básica de todo o país.
BRASIL. Ministério da Cidadania. Guia sobre uso de dispositivos digitais . Brasília, DF, 2025. Disponível em: https:// www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-crian cas-e-adolescentes/guia/guia-de-telas_sobre-usos-de-dis positivos-digitais_versaoweb.pdf. Acesso em: 19 set. 2025. Documento oficial com recomendações a respeito de dispositivos digitais, com base em evidências científicas e práticas internacionais.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: computação: complemento à BNCC. Brasília, DF: SEB, 2022.
Apresenta orientações para a inserção da computação na Educação Básica, com o fim de ampliar possibilidades de uso de tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base. Acesso em: 29 set. 2025.
Documento normativo que orienta o currículo nacional. A obra é referência obrigatória para a definição de objetivos de aprendizagem e competências.
BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/centrais-de-conteudo/ publicacoes/institucionais/compromisso-nacionalcrianca-alfabetizada.pdf. Acesso em: 31 jul. 2025. Visando garantir a alfabetização de todos os estudantes brasileiros até o 2º ano do Ensino Fundamental, o documento articula ações entre municípios, unidades da Federação e União, apresentando possibilidades didáticas ao professor para recomposição das aprendizagens.
BRASIL. Ministério da Educação . Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Brasília, DF: MEC, 2013. Documento oficial do Ministério da Educação, propõem reflexões sobre a prática docente, com a intenção de valorizar a identidade cultural afro-brasileira e africana.
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial : equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: Semesp, 2020. Estabelece diretrizes para garantir equidade e inclusão na educação especial. Para a obra, orienta práticas que asseguram a participação de todos os estudantes.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Diário Oficial da União , Brasília, DF, p. 70, 18 jun. 2012. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rcp002_12.pdf. Acesso em: 19 set. 2025.
Documento oficial que estabelece diretrizes para educação ambiental em todos os níveis da Educação Básica.
BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC : contexto histórico e pressupostos pedagógicos 2019. Brasília, DF: SEB, 2019. Orienta a abordagem de temas transversais como cidadania, direitos humanos e sustentabilidade.
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira . 2. ed. Brasília, DF: MS, 2014. Documento oficial que esclarece recomendações para uma alimentação equilibrada e saudável.
BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019. Define direitos e garantias para pessoas com deficiência. Para a obra, reforça a necessidade de uma educação inclusiva e acessível em todas as etapas.
BRASIL. Senado Federal. Lei de diretrizes e bases da educação nacional . 2. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas. Disponível em: https://www2.senado.leg. br/bdsf/bitstream/handle/id/544283/lei_de_diretrizes_e_ bases_2ed.pdf. Acesso em: 29 set. 2025.
É a principal norma que regulamenta o sistema educacional brasileiro, definindo princípios, objetivos, estrutura e organização da educação nacional.
BRITO, Michelle de; SILVA, Suely Gomes da. Avaliação da aprendizagem: para além da verificação dos resultados. Revista Ibero-americana de Humanidades, Ciências e Educação : Reaser, São Paulo, v. 10, n. 12, p. 779-790, dez. 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/ article/view/17285/9752. Acesso em: 29 set. 2025.
O artigo analisa a avaliação como processo contínuo e formativo destacando seu papel em um ensino significativo apontando para uma avaliação dialógica e transformadora e apresenta sugestões de avaliação em suas diferentes modalidades.
CALLAI, H. Aprendendo a ler o mundo: a Geografia nos anos iniciais do ensino fundamental. Caderno Cedes . Campinas, v. 225, n. 66, p. 227-247, 2005. Disponível em: https://www. scielo.br/j/ccedes/a/7mpTx9mbrLG6Dd3FQhFqZYH/?format =pdf&lang=pt. Acesso em: 29 set. 2025.
O artigo discute a possibilidade e a importância de se aprender geografia nas séries iniciais do ensino fundamental, a partir da leitura do mundo, da vida e do espaço vivido.
CAMPOS, Rui R. A natureza do espaço para Milton Santos. Geografares, n. 6, 2008. Disponível em: https://journals.open edition.org/geografares/21708. Acesso em: 29 set. 2025.
O artigo caracteriza de modo didático os principais conceitos da Geografia no pensamento de Milton Santos.
CASTELLAR, S. M. V. Cartografia escolar e o pensamento espacial fortalecendo o conhecimento geográfico. Revista Brasileira de Educação em Geografia , Campinas, v. 7, n. 13, p. 207-232, 2017. Disponível em: https://doi. org/10.46789/edugeo.v7i13.494. Acesso em: 29 set. 2025.
O artigo tem o objetivo de analisar a compreensão conceitual de lugar, paisagem e cidade dos estudantes de graduação e de professores de Geografia por meio do uso da linguagem cartográfica.
CASTELLAR, S. M. V.; DE PAULA, I. R. O papel do pensamento espacial na construção do raciocínio geográfico. Revista Brasileira de educação em Geografia , [ s. l.], v. 10, n. 19, p. 294–322, 2020.
O texto dialoga entre diferentes campos epistêmicos e situações, e se apresenta como uma possibilidade de contribuição teórica e prática para a Educação Geográfica, reforçando a linguagem cartográfica, os sujeitos, suas ações e seus lugares no mundo como parte intrínseca do processo de ensino- aprendizagem em Geografia.
CAVALCANTI, Lana. Geografia escolar e a busca de abordagens teórico/práticas para realizar sua relevância social. SILVA, Eunice I.; PIRES, Lucineide M. (org.). Desafios da didática de Geografia . Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2013. p. 45-68.
A autora discute diferentes abordagens teóricas e práticas sobre a Geografia escolar e sua importância na formação de cidadãos transformadores da própria realidade.
CARVALHO SOBRINHO, Hugo de. Geografia escolar e o lugar: a construção de conhecimentos no processo de ensinar/aprender Geografia. Geosaberes : Revista de estudos educacionais, v. 9, n. 17, 2017. Disponível em: https://doi. org/10.26895/geosaberes.v9i17.625. Acesso em: 29 set. 2025.
O autor apresenta contribuições envolvendo a discussão sobre a Geografia Escolar e reflete sobre a importância da categoria lugar no ensino desta.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido . 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
Clássico da pedagogia crítica, a obra denuncia a "educação bancária" e propõe a educação problematizadora como prática de liberdade, baseada no diálogo e na consciência crítica dos oprimidos.
GOMES, P. C. C. O conceito de região e sua discussão. In : CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. Geografia : conceitos e temas. 23. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2023. p. 49-76.
Nesse texto, Paulo César da Costa Gomes apresenta as bases epistemológicas da discussão sobre o conceito de região e as definições atuais.
HAYDT, Regina Cazaux. A avaliação do processo de ensino-aprendizagem . São Paulo: Ática, 1988.
Obra de referência nos estudos sobre avaliação no processo de ensino e aprendizagem, apresenta abordagem prática ao apresentar a avaliação escolar como um fundamento do processo educativo, focado tanto na aprendizagem como na autoavaliação do trabalho do professor.
HELLER, Agnes. Uma teoria da História . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993.
O livro propõe um panorama sobre a origem e desenvolvimento da consciência histórica, considerando esse fenômeno, em sua estrutura, inerente ao ser humano.
JULIAZ, P. C. S. Geografia nos anos iniciais do ensino fundamental: a realidade em questão. In : PINHEIRO, A. C.; SOUZA, V. C. (org.). Formação e práticas docentes em educação geográfica . João Pessoa: UFPB, 2020. p. 192-213. Apresenta uma análise sobre o conhecimento de aspectos teóricos e metodológicos acerca da educação geográfica e do pensamento espacial na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, para que os professores possam reconhecer os conceitos de representações espaciais adequadas para suas práticas.
KLIX FREITAS, Neli. Representações mentais, imagens visuais e conhecimento no pensamento de Vigotsky. Ciências & Cognição, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, 2005. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi d=S1806-58212005000300012#:~:text=Segundo%20Vygo tsky%20(1984)%20o%20processo,professor%20que%20 atua%20como%20mediador. Acesso em: 30 set. 2025.
O artigo aborda questões relacionadas ao processo de aquisição do conhecimento, segundo as proposições teóricas de Vygotsky.
LENCIONI, Sandra. Região e geografia . São Paulo: Edusp, 2009.
A obra trata das origens do conhecimento geográfico; da região como objeto de estudo passando pela influência do neokantismo, do positivismo lógico, da fenomenologia; e das perspectivas teóricas contemporâneas para a geografia regional.
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar : passado, presente e futuro. São Paulo: Cortez, 2022. O autor discorre sobre a trajetória da avaliação na pedagogia desde o século XVI até os dias atuais, além de subsidiar a prática da avaliação da aprendizagem no cotidiano das escolas e apresentar algumas experiências sobre o ato de avaliar.
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação em educação : questões epistemológicas e práticas. São Paulo: Cortez, 2018.
O livro analisa o tema avaliação em educação, sob as óticas institucional e de larga escala, mas predominando a abordagem sobre avaliação da aprendizagem.
MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em Geografia : ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013.
O livro leva o leitor a transitar pelo campo dos antigos e dos novos aspectos do pensamento geográfico, seus caminhos e debates.
OLIVEIRA, Izabel C. F de; VASCONCELOS, Francisco H. L.; BARROS FILHO, Edgar M. Tecnologias para o desenvolvimento de competências sob a perspectiva da educação inclusiva no Brasil: uma revisão sistemática da literatura. Revista Docentes , v. 8, n 21, p. 19-29, 2023. Disponível em: https://revistadocentes.seduc.ce.gov.br/revistadocentes/ article/view/552/250. Acesso em: 30 set. 2025.
O texto reflete sobre as possibilidades da prática docente na educação inclusiva considerando o uso de tecnologias.
PIAGET, J. A noção de tempo na criança . Rio de Janeiro: Record, 1980.
Piaget demonstra nesta obra que a noção de tempo não é inata no ser humano: surge e se desenvolve na criança por interiorização gradativa de experiências vividas de causa e efeito.
PIAGET, J. O nascimento da inteligência na criança . Rio de Janeiro: Zahar, 1970.
No livro, o autor estuda a formação dos esquemas sensório-motores e o mecanismo de assimilação mental, a partir da descoberta da existência de uma continuidade entre o sensório-motor e o representativo.
PINHEIRO, B. C. S. Como ser um educador antirracista São Paulo: Planeta do Brasil, 2023.
Discorre sobre conceitos fundamentais do antirracismo e discute suas possibilidades de aplicação na educação.
PONTES, Barbara M. M.; LAPSKY, Igor. Educação patrimonial e ensino de História: registrando saberes e práticas na educação básica. Revista Trilhas da História, v. 13, n. 26, p. 100119, 2024. Disponível em: https://trilhasdahistoria.ufms.br/ index.php/RevTH/article/view/20428. Acesso em: 30 set. 2025.
O texto reflete sobre o papel da educação patrimonial como prática docente, em especial relacionada ao ensino de História.
PONTUSCHKA, N.; PAGANELLI, T.; CACETE, N. Para ensinar e aprender Geografia . São Paulo: Cortez, 2009.
O livro apresenta discussões e informações sobre a formação docente para o ensino-aprendizagem da Geografia como componente curricular.
RICCI, Cláudia Sapag. Pesquisa como ensino : textos de apoio. Propostas de trabalho. São Paulo: Autêntica, 2007.
A autora discorre sobre competências e habilidades relacionadas com os procedimentos que constroem o saber, trazendo teoria e estratégias para o processo de investigação.
SANTOS, M. A natureza do espaço. São Paulo: Edusp, 1996. Discute o conceito de espaço geográfico, associando-o à evolução das técnicas e às noções de objeto e de ação, além de abordar o período informacional vivido a partir da década de 1970, o crescimento das redes geográficas, o acirramento do processo de globalização e a constituição do meio técnico-científico informacional.
SANTOS, M. Espaço e método . São Paulo: Nobel, 1985. A obra apresenta uma reflexão sobre o conceito de espaço como categoria para se pensar a sociedade em suas diferentes temporalidades.
SANTOS, M. Por uma Geografia nova. São Paulo: Edusp, 2002. E-book
No livro, o autor contribui para as discussões de ordem metodológica, conceitual e epistemológica da Geografia Crítica, relacionando-a a outras áreas das Ciências Humanas.
SAVIANI, D. Educação escolar, currículo e sociedade: o problema da Base Nacional Comum Curricular. Movimento-revista de educação, [s. l.], n. 4, 2016. Disponível em: https:// periodicos.uff.br/revistamovimento/article/view/32575. Acesso em: 30 set. 2025.
O artigo trata das relações entre escola, currículo e sociedade com foco no conteúdo específico da educação escolar tendo como objetivo subsidiar a discussão sobre a BNCC.
SIMAN, Lana M. de C. A temporalidade histórica como categoria central do pensamento histórico: desafios para o ensino e a aprendizagem. In: ROSSI, V.; ZAMBONI, E. (org.). Quanto tempo o tempo tem! Campinas: Alinea, 2003. p. 109-143. A autora discute as principais categorias na construção do pensamento histórico em crianças, especialmente a noção de temporalidade histórica.
SIMIELLI, M. E. R. Cartografia e ensino : proposta e contraponto de uma obra didática. 1997. Tese (Livre-Docência) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
A autora discute os processos de alfabetização cartográfica e o desenvolvimento de noções de visão oblíqua e visão vertical; imagem tridimensional e imagem bidimensional; proporção e escala; lateralidade, referências e orientação espacial.
SOARES, David Gonçalves; MAROUN, Kalyla; SOARES, Antonio J. G. A construção social de uma escola quilombola: a experiência da Comunidade Caveira, RJ. Revista Brasileira
de Educação , v. 27, p. 1-23, 2022. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/rbedu/a/xtjRSWz5dKcRp8ZzFLc4k9B/? lang=pt. Acesso em: 30 set. 2025.
O texto aborda a importância de considerar a escola quilombola como lugar de preservação e valorização da identidade quilombola. Estuda a experiência do Quilombo Botafogo (RJ), discussão fundamental para uma compreensão da identidade regional.
STRAFORINI, R. O ensino de Geografia como prática espacial de significação. Estudos Avançados, 32(93), p. 175-195, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/kRrXfwBFZLLDtK qNRmgRHpH/?format=html&lang=pt. Acesso em: 30 set. 2025.
O texto tem como objetivo retomar o debate em torno da importância do ensino de Geografia como componente escolar na Educação Básica brasileira.
TORMAM, Carla S.; SELBACH, Paula T. da S. A importância do professor pesquisador. Revista latino-americana de estudos em cultura e sociedade , v. 6, p. 1-5, 2020. Disponível em: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/ar ticle/download/1908/1292/7713. Acesso em: 30 set. 2025.
O texto aborda a importância do professor pesquisador e faz uma revisão bibliográfica sobre o conceito.
TUAN, Yi-Fu. Lugar: uma perspectiva experiencial. Geograficidade , Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 4-15, 2018. Disponível em: https://periodicos.uff.br/geograficidade/article/ view/27150/pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Em seu texto, Yi-Fu Tuan amplia e eleva as discussões acerca da multiplicidade de lugares, os quais são legitimados pela experiência, dentre eles o lar e seus interiores, a cidade e sua urbanidade, a vizinhança, a região e a nação-estado.
VYGOTSKY, L. Psicologia pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 1984.
O livro tem o objetivo de ajudar a escola e os professores, contribuindo para a elaboração de uma concepção científica do processo pedagógico em face de dados da ciência psicológica.
Sugestões de leitura: espaços não formais
LACERDA, Victória. Relação museu-escola: uma análise da contribuição dos espaços museais para o ensino de história –Museu Vale/ES. 2016. Dissertação (Mestrado em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Regional) – Faculdade Vale do Cricaré, São Mateus, 2016. Disponível em: https://repositorio. ivc.br/handle/123456789/830. Acesso em: 6 out. 2025.
A autora investigou de que maneira a visitação ao museu e o trabalho realizado tanto por professores em sala de aula quanto por educadores do museu, contribui significativamente para o ensino e a aprendizagem de História.
LEITE, Marcelo Henrique. Ensino de História e museu : os usos docentes do Museu Republicano "Convenção de Itu". 2018. Dissertação (Mestrado em História) – Centro de Ciências Humanas e Sociais, Programa de Pós-Graduação em História, Unirio, Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: https://www.unirio.br/cch/escoladehistoria/Dissertacao_ Marcelo%20Leite%20PPGH%20Unirio.pdf. Acesso em: 6 out. 2025.
O objetivo do autor foi compreender de que maneira os professores de História utilizam o Museu Republicano em suas aulas, quais metodologias são empregadas desde o momento em que surge a ideia de visitar o museu, passando pela visita propriamente, até a volta à sala de aula.
SANTOS, Anderson Cunha. Patrimônio cultural e história local : a educação patrimonial como estratégia de reconhecimento e fortalecimento do sentimento de pertença à cidade de Contagem. 2017. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/items/804add64-9317-4f17be9d-767f08f82522. Acesso em: 6 out. 2025.
O autor buscou compreender de que maneira o trabalho da área educacional da Casa da Cultura Nair Mendes Moreira – Museu Histórico de Contagem, contribui para o ensino da História local por meio do patrimônio histórico e cultural da cidade. OLIVAL, João Felipe Fogageiro. São Gonçalo, história local e patrimônios : abordagens possíveis para o ensino de História. 2024. Dissertação (Mestrado Profissional em Rede Nacional PROFHISTORIA) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2024. Disponível em: https://www.bdtd.uerj. br:8443/handle/1/23313. Acesso em: 6 out. 2025.
Utilizando o exemplo da cidade de São Gonçalo (RJ), o autor trabalhou a relação entre educação patrimonial, ensino da História local, identidade e memória dos estudantes na construção de atividades didáticas que façam a conexão entre a realidade local e os currículos oficiais.