PNLD 2027 Anos Iniciais - A Conquista - Regional Norte - Volume Único

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LIVRO DO PROFESSOR

HISTÓRIA E GEOGRAFIA – REGIÃO NORTE

Andressa da Silva Gonçalves

Doutora em Educação na Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Mestra em História Social da Amazônia pela UFPA.

Graduada em Licenciatura em História pela UFPA.

Professora de História da educação básica.

Danielle Mariam Araujo dos Santos

Doutora em Turismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali-SC).

Mestra em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA-AM).

Especialista em Geografia da Amazônia Brasileira pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Especialista em Gestão Escolar pela UEA-AM.

Licenciada em Geografia pela UEA-AM.

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Copyright © Andressa da Silva Gonçalves, Danielle Mariam Araujo dos Santos, 2025.

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira

Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite

Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão

Gerência de produção e arte Ricardo Borges

Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)

Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)

Imagem de capa Guilherme Asthma

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Anexo

Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga

Licenciamento de textos Erica Brambila

Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alex Rodrigues, Bruna Ishihara, Lais Oliveira, Lhaiza Morena, Lápis 13B, Raquel Teixeira, Ray Cardoso, Rodrigo Arraya, Tiago Cerca

Cartografia Allmaps, Dacosta Mapas, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Gonçalves, Andressa da Silva

A conquista : história e geografia : Região Norte : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Andressa da Silva Gonçalves, Danielle Mariam Araujo dos Santos. -1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.

ISBN 978-85-96-06032-5 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06033-2 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06034-9 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06035-6 (livro do professor HTML5)

1. Brasil, Norte - Geografia (Ensino fundamental) 2. Brasil, Norte - História (Ensino fundamental) 3. Estudos regionais I. Santos, Danielle Mariam Araújo dos. II. Título.

25-290446

CDD-372.891813 -372.89813 Índices para catálogo sistemático:

1. Região Norte : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.891813

2. Região Norte : Brasil : História : Ensino fundamental 372.89813

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Este Livro do professor foi pensado especialmente para o professor que atua nos territórios da região Norte, respeitando suas vivências, saberes locais e desafios cotidianos. Mais do que um guia, ele é um companheiro de jornada, que valoriza o papel do professor como mediador do conhecimento, pesquisador de sua realidade e sujeito transformador da educação.

As orientações aqui contidas apresentam sugestões que dialogam com o cotidiano das comunidades amazônicas — sejam elas ribeirinhas, urbanas, indígenas, quilombolas ou de ramais — e propõem atividades alinhadas aos modos de vida da região, às formas de organização do espaço e à riqueza cultural e ambiental do Norte.

Neste Livro do professor, você encontrará apoio para planejar suas aulas de forma contextualizada, promovendo o protagonismo dos estudantes e fortalecendo os vínculos entre escola, território e comunidade.

Que este livro seja como a rede estendida nos quintais nortistas: espaço de acolhimento, encontro e construção coletiva do conhecimento.

As autoras.

Terra Indígena Vale do Javari (AM), em 2025.

ORGANIZAÇÃO GERAL DA OBRA

A obra é composta de Livro do estudante e Livro do professor, nas versões impressa e digital.

LIVROS IMPRESSOS

2

Livro do estudante

Organizado em unidades temáticas. Cada unidade apresenta dois capítulos que desenvolvem os conteúdos a serem trabalhados com a turma.

Livro do professor

Dividido em orientações específicas, em que reproduz o Livro do estudante na íntegra, em miniatura, com respostas na cor rosa, e em orientações gerais, onde há subsídios sobre teoria e prática docente.

LIVROS DIGITAIS

O Livro do estudante e o Livro do professor também são disponibilizados no formato digital, em HTML, o que oportuniza o acesso ao material em diferentes aparelhos digitais: smartphones, notebooks e tablets, por exemplo.

Além disso, os livros digitais contêm os objetos digitais, que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica e promover o uso de ferramentas digitais presentes no dia a dia. Os objetos digitais são indicados pelos ícones:

CONHEÇA SEU LIVRO DO PROFESSOR

Este livro do professor apresenta orientações didáticas que visam apoiar a prática pedagógica. Elas estão organizadas em duas partes.

ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS, DIVIDIDAS

EM:

• Introdução à unidade: texto que apresenta os conteúdos ou conceitos desenvolvidos ao longo da unidade.

• Objetivos da unidade: lista dos objetivos de aprendizagem a serem alcançados.

• BNCC: competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular desenvolvidas ao longo da unidade. Também há menções à BNCC da computação e aos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs).

• Encaminhamento: comentários e orientações didáticas para o desenvolvimento dos conteúdos abordados na página do Livro do estudante. Há dicas, complementos de atividades e de respostas e outras informações.

• Organize-se: relação de materiais que devem ser providenciados com antecedência ou algum preparo de sala de aula, pedido para casa etc.

• Atividade complementar: atividades complementares para auxiliar ou ampliar as propostas do Livro do estudante. Elas também podem ser utilizadas como momentos de avaliação.

• Texto de apoio: trechos de textos de circulação social.

• Sugestão para os estudantes: sugestões comentadas de livros, sites, revistas, aplicativos etc. para o estudante desenvolver e aplicar os conhecimentos.

• Sugestão para o professor: sugestões comentadas de livros, sites , revistas, aplicativos etc. para o professor se aprofundar a respeito dos temas trabalhados.

ORIENTAÇÕES GERAIS, AO FINAL DO VOLUME:

Reflexões sobre região, regionalização e história local, pressupostos teórico-metodológicos da obra, considerações sobre o papel do professor, textos para reflexão do professor e muito mais.

SUMÁRIO

PAPEL DO PROFESSOR E AS AULAS

PESQUISADOR

DA APRENDIZAGEM

REGIONALIZADO: REGIÃO NORTE

DE CONTEÚDOS

DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA

TEXTOS PARA REFLEXÃO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS

DE LEITURA: ESPAÇOS NÃO FORMAIS

LIVRO DO PROFESSOR

HISTÓRIA E GEOGRAFIA – REGIÃO NORTE

Andressa da Silva Gonçalves

Doutora em Educação na Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Mestra em História Social da Amazônia pela UFPA.

Graduada em Licenciatura em História pela UFPA.

Professora de História da educação básica.

Danielle Mariam Araujo dos Santos

Doutora em Turismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali-SC).

Mestra em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA-AM).

Especialista em Geografia da Amazônia Brasileira pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Especialista em Gestão Escolar pela UEA-AM.

Licenciada em Geografia pela UEA-AM.

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Copyright © Andressa da Silva Gonçalves, Danielle Mariam Araujo dos Santos, 2025.

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira

Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite

Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão

Gerência de produção e arte Ricardo Borges

Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)

Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)

Imagem de capa Guilherme Asthma

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Anexo

Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga

Licenciamento de textos Erica Brambila

Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alex Rodrigues, Bruna Ishihara, Lais Oliveira, Lhaiza Morena, Lápis 13B, Raquel Teixeira, Ray Cardoso, Rodrigo Arraya, Tiago Cerca

Cartografia Allmaps, Dacosta Mapas, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Gonçalves, Andressa da Silva

A conquista : história e geografia : Região Norte : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Andressa da Silva Gonçalves, Danielle Mariam Araujo dos Santos. -1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.

ISBN 978-85-96-06032-5 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06033-2 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06034-9 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06035-6 (livro do professor HTML5)

1. Brasil, Norte - Geografia (Ensino fundamental) 2. Brasil, Norte - História (Ensino fundamental) 3. Estudos regionais I. Santos, Danielle Mariam Araújo dos. II. Título.

25-290446

CDD-372.891813 -372.89813 Índices para catálogo sistemático:

1. Região Norte : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.891813

2. Região Norte : Brasil : História : Ensino fundamental 372.89813

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Querido estudante!

Bem-vindo aos estudos sobre a História e a Geografia da região Norte!

Este livro vai acompanhar sua viagem pelos rios, florestas, cidades e histórias do nosso lugar. Vamos falar das festas, das comidas típicas, dos povos indígenas, dos ribeirinhos, dos quilombolas e, também, de você, valorizando seu lugar e suas memórias.

Além disso, você vai descobrir o que nos une ao restante do Brasil e o que torna a região Norte única. Esperamos que este livro ajude toda a sua turma a conhecer melhor a região e a valorizar ainda mais a nossa diversidade.

Bons estudos!

As autoras.

LHAIZA MORENA

CONHEÇA SEU LIVRO

Seu livro da região Norte está dividido em quatro unidades.

As aberturas de unidade trazem imagens e atividades que buscam despertar sua curiosidade sobre aquilo que vai ser estudado. Dentro das unidades, você vai encontrar textos, brincadeiras, fotografias, desenhos, mapas, atividades... Um montão de coisas para descobrir e aprender com a turma.

UNIDADE REGIÃO NORTE E SUAS CARACTERÍSTICAS

No Descubra mais , há indicações de livros, sites, museus, vídeos e outras fontes culturais. 1

Este destaque apresenta os principais conceitos estudados, para você encontrar todos com facilidade.

fazem fronteira com diversos países, como Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e com a Guiana Francesa, que é um departamento ultramarino pertencente à França. Essa proximidade favorece trocas comerciais e culturais com os habitantes dos países vizinhos. Essa convivência faz com que brasileiros e estrangeiros compartilhem produtos, músicas, festas e até palavras em idiomas diferentes. Tudo isso ajuda a construir uma cultura rica e cheia de influências, reforçando o quanto a região Norte é um lugar de encontros e diversidade. Em Tabatinga (AM) e Leticia, na Colômbia, as pessoas atravessam a fronteira todos os dias para estudar, trabalhar ou fazer compras. É comum que a população utilize as moedas dos dois países para adquirir mercadorias no dia a dia.

A cidade ou espaço urbano, é caracterizada pela maior concentração de pessoas e de construções quando comparada ao campo.

Vista do município de Pedro Afonso (TO),

Afonso

história

uma cidade que preserva suas raízes Ao longo dos anos, Pedro Afonso do Tocantins se desenvolveu, mantendo-se fiel às suas tradições […]. PEDRO Afonso celebra 176 anos de história

DESCUBRA MAIS NÃO ESCREVA LIVRO. Veja orientações no Encaminhamento. MATTHIEUCATTIN/SHUTTERSTOCK.COM

O turismo sustentável também é muito praticado no Arquipélago do Marajó, no Pará. Entre as ações promovidas, estão o incentivo ao consumo de produtos feitos no arquipélago e a valorização de manifestações da cultura, como o artesanato e o carimbó.

atração turística importante, é uma dança com forte influência de culturas africanas e indígenas que está muito ligada à história do Arquipélago do Marajó. Leia um trecho de canção. Fluviomarítimo: banhado tanto por água de rios quanto por água do mar.

Placa no município fronteiriço de Tabatinga (AM), em 2022. Existem influências culturais da população de países vizinhos no seu lugar de vivência? Siga as orientações do professor para conhecer um pouco mais sobre as culturas de outros países.

BACELLAR, Clarissa. Saiba quais cidades-gêmeas são encontradas na Amazônia Internacional. Portal Amazônia 9 jun. 2022. Disponível em: https:// portalamazonia.com/amazonia-internacional/saiba-quais-cidades-gemeas-sao -encontradas-na-amazonia-internacional/. Acesso em: 28 jul. 2025. A reportagem explica o que são cidades-gêmeas e apresenta uma lista de cidades da Amazônia pertencentes a essa categoria.

123

O glossário explica algumas palavras que talvez você não conheça e dá contexto para elas.

Dona Onete (1939-) é uma cantora e compositora

Qual é o objetivo do turismo sustentável na região Norte? Pesquisem uma prática de turismo sustentável em seu município ou estado. Depois, façam uma apresentação aos colegas.

No Quem é?, você aprenderá sobre a vida de pessoas importantes para a região.

O Dica traz informações que complementam os assuntos estudados.

c)

a)

b)

Presença africana Povos africanos foram trazidos para trabalhar como escravizados no território amazônico a partir de 1750. O trabalho dos africanos escravizados foi utilizado principalmente nas atividades agrícolas. No entanto, junto aos indígenas, eles atuaram na construção de fortificações militares. A Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá, é um exemplo de fortificação construída com mão de obra escravizada e indígena. Ela foi construída para defender a região da invasão dos franceses e, a partir dela, a vida urbana em Macapá se desenvolveu. Tombada como patrimônio material em 1950, atualmente é um importante ponto turístico e contribui para o desenvolvimento social e econômico da região.

Patrimônio é todo bem considerado importante para a memória e a identidade de uma comunidade. Patrimônios podem ser materiais, como monumentos e construções, ou imateriais, como festas, costumes, danças e músicas.

VOCÊ DETETIVE

O que você sabe sobre as contribuições dos povos africanos na formação cultural da região Norte?

1. Pesquisem uma manifestação cultural nortista presente em seu município ou estado que tenha influência de elementos culturais africanos ou afro-brasileiros. 2. Apresentem as suas descobertas para o restante da turma. Vocês podem usar cartazes, apresentação em slides vídeos curtos ou desenhos.

Fortaleza de São José de Macapá, em Macapá (AP), em 2024. TARCÍSIO SCHNAIDER/PULSAR IMAGENS Veja resposta e orientações no Encaminhamento. 26/09/2025

O Para rever o que aprendi, ao final de cada unidade, vai ajudar você e o professor a identificarem o que você já aprendeu e aquilo de que precisa de mais ajuda para aprender.

Na seção Diálogos , você e a turma vão conhecer semelhanças e diferenças que existem dentro de sua região e em sua região com relação às outras regiões do país.

As atividades de pesquisa, individuais ou em grupo, geralmente estão no Você detetive . Pode ser que você também precise da ajuda de seus familiares e de outros adultos que fazem parte de seu dia a dia nesses momentos.

Estes ícones mostram como você deve realizar as atividades.

Objetos digitais

Oralmente Em grupo

Estes ícones identificam os objetos digitais presentes no livro. Os materiais digitais apresentam assuntos complementares ao conteúdo trabalhado na obra, ampliando ainda mais sua aprendizagem.

Em dupla

Além do Brasil, a Amazônia Internacional abrange parte do território de quais países? b) A Amazônia Legal abrange parte do território de qual estado da região Nordeste? c) A Amazônia

NÃO SE ESQUEÇA

DE QUE SEU LIVRO

VAI SER USADO POR OUTRO COLEGA NO PRÓXIMO ANO. POR ISSO, CUIDE BEM DO SEU LIVRO E NÃO ESCREVA NELE.

PARA REVER O QUE

2 ASPECTOS NATURAIS E HUMANIZADOS

2 CRESCIMENTO DAS CIDADES E DESAFIOS URBANOS

PARA REVER O QUE APRENDI

2 UNIDADE 4

2 CIDADANIA E PARTICIPAÇÃO POPULAR

Objetos digitais

Mapa clicável: A região Norte do Brasil

Infográfico clicável: Macapá, a capital do centro do mundo

Infográfico clicável: Tipos de embarcações

Infográfico clicável: O jacaré gigante do Rio Purus

Infográfico clicável: Os indígenas huni kuin

Mapa clicável: Terras indígenas na região Norte do Brasil

Infográfico clicável: Açaí, sabor da floresta

Mapa clicável: Redes de transporte da região Norte

Infográfico clicável: Lideranças indígenas

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, são apresentados estudos introdutórios sobre a região Norte do Brasil. No Capítulo 1, a partir da conceituação de região e da abordagem sobre as diferentes regionalizações do território brasileiro, os estudantes são convidados a refletir sobre o espaço, as identidades e a riqueza cultural da região, em toda a diversidade que caracteriza os sete estados que a compõem: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. No Capítulo 2, exploram-se características naturais da região Norte, como o relevo, o clima, a vegetação e a hidrografia, em associação aos aspectos culturais e ao modo de vida da população. Os estudantes são incentivados a relacionar as especificidades físicas e culturais de seu lugar de vivência aos aspectos regionais apresentados ao longo do capítulo.

BNCC

Competências gerais Educação Básica: 1, 2, 6, 9.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4. Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Competência específica de História: 1.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE04, EF03GE05, EF03GE09, EF04GE01, EF04GE05, EF04GE10, EF05GE08, EF05GE12, EF03HI01.

BNCC da computação: EF04CO08, EF05CO08.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural; Meio ambiente: educação ambiental.

UNIDADE

REGIÃO NORTE E SUAS CARACTERÍSTICAS 1

1 No lugar onde você mora, como as pessoas costumam se deslocar?

2 De qual comida típica da região Norte você mais gosta?

3 O que faz você se sentir pertencente à região Norte? Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Objetivos da unidade

• Compreender o conceito de região e de regionalização, particularmente as definições que abarcam o espaço da região Norte, com a especificação dos estados que a compõem.

• Definir a identidade da região, enumerando aspectos intrínsecos à cultura dos povos que a habitam.

• Identificar alimentos e determinados produtos como partes integrantes das atividades econômicas da região e inerentes à cultura nortista.

• Identificar características físicas do território da região, como o relevo, a hidrografia, o clima e a vegetação.

• Avaliar a importância dos rios da região para as atividades econômicas e culturais.

• Identificar como as diferentes comunidades tradicionais nortistas fazem uso de recursos naturais da região, como rios e florestas.

Atividade complementar

Para iniciar o trabalho com a noção de lugar de vivência dos estudantes, sugere-se criar com a turma uma “caixinha de vivências”. Instrua cada estudante a registrar, em uma folha de papel à parte, um desenho, uma palavra ou uma frase que represente sua memória sobre o lugar onde vive. Alternativamente, eles podem solicitar o auxílio de um familiar ou responsável para separar uma fotografia desse lugar de vivência e levá-la à sala de aula, para a realização da atividade. Peça a cada um que conte suas memórias em relação a esse espaço e, depois, guarde o registro (a folha de papel ou a fotografia) na “caixinha de vivências”. Esse material poderá ser retomado posteriormente, a critério do professor. A atividade pode ser trabalhada de modo interdisciplinar com Língua Portuguesa ou Arte; pode, também, ser adaptada, flexibilizando expressão oral e registro escrito conforme a possibilidade de cada estudante.

A imagem apresentada nas páginas de abertura da unidade simboliza diversos elementos da cultura da região Norte, como o rio, a floresta, o açaí, o tacacá, o barco movido a motor de rabeta etc. Pergunte aos estudantes se eles reconhecem algum item da imagem. De acordo com as respostas, fale sobre esses elementos tão característicos da região e questione como eles estão presentes na vida da turma. Destaque que essa imagem representa apenas alguns elementos da cultura e uma paisagem da região.

As atividades são uma boa oportunidade para ampliar seu contato e sua familiaridade com os estudantes, assim como para propiciar a interação entre eles. Incentive-os a compartilhar suas respostas com o restante da turma. Isso fortalecerá o vínculo de todos.

1. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Espera-se que eles citem os meios de transporte que usam, como barco, canoa, rabeta, ônibus, bicicleta, entre outros.

2. Além do tacacá e do açaí, presentes na imagem, os estudantes podem mencionar a maniçoba, o cupuaçu, entre outras possibilidades.

3. Espera-se que os estudantes citem elementos que compõem a identidade regional. Além da comida, eles podem mencionar a relação com a natureza, o vocabulário, as crenças e as festas, por exemplo

BNCC

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a aula perguntando aos estudantes o que eles sabem sobre a extensão territorial e a diversidade de paisagens da região Norte. Em seguida, faça a leitura do texto da página. Comente com os estudantes que a região Norte é a maior das cinco regiões brasileiras, ocupando uma área de 3 853 575,6 km², que corresponde a cerca de 45% (quase metade) do território nacional. Essa extensa área é habitada por 18 690 211 pessoas, segundo dados do Censo 2022: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar do IBGE. 9 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Versão em Libras. Disponível em: https://atlasescolar. ibge.gov.br. Acesso em: 2 ago. 2025.

Em seguida, oriente os estudantes a observar com atenção as quatro fotografias de diferentes paisagens representativas da região, localizadas em municípios que são capitais estaduais, e a ler as respectivas legendas. Pergunte a eles se já viram imagens ou ouviram algo a respeito dos locais retratados.

REGIÃO NORTE E

IDENTIDADE REGIONAL

Você sabia que o lugar onde você mora faz parte da maior região do Brasil? A região Norte é uma área com muitos rios, municípios e comunidades diversas. Ela ocupa quase a metade do território brasileiro e nela vivem mais de 18 milhões de pessoas.

Observe nas fotografias algumas das paisagens que formam a região.

Sugestão para o professor

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022: panorama. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama. Acesso em: 8 ago. 2025. A página do panorama do Censo 2022 permite filtragem de dados por Unidade da Federação, município e grande região. Ao buscar os dados sobre a região Norte, é possível encontrar informações como população em número de habitantes, presença de população indígena e quilombola, presença de pessoas com deficiência e características do entorno.

Encontro das águas dos rios Negro e Solimões no município de Manaus, no estado do Amazonas, em 2022.
Mercado Velho, no município de Rio Branco, no estado do Acre, em 2024.
Complexo do Ver-o-Peso, no município de Belém, no estado do Pará, em 2024.
Monumento ao Garimpeiro na Praça do Centro Cívico, no município de Boa Vista, no estado de Roraima, em 2022.

É na região Norte que se encontra grande parte da Floresta Amazônica, a maior floresta tropical do planeta, onde vivem muitas comunidades, como as indígenas, as ribeirinhas e outras.

Você vai se surpreender ao perceber como cada pedaço de nossa região tem suas belezas, seus costumes e sua história. E o mais importante: você faz parte dessa história!

1. Respostas pessoais. Incentive os estudantes a descrever o que veem nas fotografias e a comparar com os lugares onde vivem ou com os lugares visitados por eles em viagens pela região Norte.

1 Você reconhece algum dos lugares que aparecem nas fotografias?

Onde você vive existe algo parecido com esses locais?

Prédios na orla do Lago de Palmas, no município de Palmas, no estado do Tocantins, em 2023.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Área de garimpo desativado no município de Porto Grande, no estado do Amapá, em 2024.

Atividade complementar

Pergunte aos estudantes onde eles acham que fica a Floresta Amazônica e observe as respostas. Pode ser que os estudantes percebam a Floresta Amazônica como um lugar distante do seu cotidiano. Se for o caso, comente que a Floresta Amazônica e ocupa a maior parte do território da região Norte e que ela se expande por outros países, como Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Equador, além da Guiana Francesa, território que é departamento ultramarino da França.

1. Oriente os estudantes a observar as imagens com atenção, descrevendo os detalhes das paisagens e comparando-as com o lugar onde vivem. Verifique se conseguem identificar atividades econômicas, como mineração e plantação de soja. Incentive-os a reconhecer atividades econômicas que existem em seu lugar de vivência e como elas alteram as paisagens naturais. Valorize os relatos pessoais e propicie o reconhecimento de elementos culturais, naturais e do cotidiano da região Norte.

25/09/2025 16:37

Após analisar com os estudantes as fotografias de paisagens da região Norte apresentadas nas páginas 12 e 13, distribua uma folha de papel avulsa e materiais de desenho para cada um, como lápis de cor e gizes de cera. Proponha a eles que ilustrem uma paisagem que represente seu lugar de vivência (ou, ainda, que retomem os registros inseridos na “caixinha de vivências”, Atividade complementar sugerida na página 11 deste Livro do professor).

Ao final, organize toda a turma em uma roda de conversa e peça que apresentem seu registro aos colegas. Durante essa etapa, auxilie-os a identificar elementos em comum entre as paisagens que retrataram, como a presença de rios, vegetação nativa, ruas asfaltadas e construções urbanas. Para finalizar, exponha os registros produzidos pela turma em um mural, de modo que possam ser apreciados por outras turmas.

Vista de plantação de soja em área de Floresta Amazônica, no município de Vilhena, no estado de Rondônia, em 2020.
Vista da Floresta Amazônica e do Rio Purus, no município de Manoel Urbano, no estado do Acre, em 2024.

BNCC

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

(EF05CO08) Acessar as informações na Internet de forma critica para distinguir os conteúdos confiáveis de não confiáveis.

ENCAMINHAMENTO

A abordagem inicial do conceito de região geográfica e a apresentação das cinco grandes regiões do território brasileiro, de acordo com o critério estabelecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), propicia o desenvolvimento do raciocínio geográfico pelos estudantes, ampliando a compreensão sobre o espaço onde vivem e seu papel dentro da organização territorial do país. Comente com os estudantes que a palavra região tem diferentes acepções (é usada de diferentes formas): no uso cotidiano, o termo é usado em referência a áreas conhecidas (“região do mercado”, “região do rio Purus”); em Geografia, é aplicado para identificar recortes oficiais, como as grandes regiões do Brasil.

Em seguida, apresente aos estudantes o mapa Brasil: grandes regiões , o primeiro mapa trabalhado neste livro. Explore-o com os estudantes, apresentando a divisão político-administrativa do país e apontando os limites da região Norte, as divisas estaduais e os nomes dos estados da região. Estimule a troca de experiências, convidando os estudantes a contar o que sabem sobre outras regiões, seja por vivências pessoais, seja por relatos de familiares e amigos.

Regiões brasileiras e regionalização

Você já deve ter ouvido alguém dizer “vamos pescar na região do Rio Purus” ou “essa farinha da região do Marajó é a melhor!”. Essas formas de falar mostram como usamos o termo região em nosso dia a dia. Mas, quando falamos em região na Geografia, estamos falando dos espaços que têm características parecidas. Para facilitar o estudo do território brasileiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) propôs uma divisão do país em cinco grandes regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Essa divisão é um tipo de regionalização

Região é uma delimitação do espaço geográfico que apresenta elementos semelhantes, que podem ser naturais, como vegetação, clima e relevo, ou humanizados, como história e costumes. Regionalização é uma forma de dividir e agrupar uma área de acordo com algum critério.

Brasil:

COLÔMBIA

grandes regiões

GUIANA VENEZUELA

RORAIMA (RR)

SURINAME

(FRA)

AMAPÁ (AP)

AMAZONAS (AM)

ACRE (AC)

PERU

RONDÔNIA (RO)

BOLÍVIA

CHILE

PARÁ (PA)

MATO GROSSO (MT)

Cuiabá

MATO GROSSO DO SUL (MS)

Campo Grande

PARAGUAI

ARGENTINA

MARANHÃO (MA)

TOCANTINS (TO)

DISTRITO FEDERAL (DF)

Goiânia

GOIÁS (GO)

SÃO PAULO (SP)

PARANÁ (PR)

Teresina

PIAUÍ (PI)

BAHIA (BA)

CEARÁ (CE)

RIO GRANDE DO NORTE (RN) PARAÍBA (PB)

PERNAMBUCO (PE)

SERGIPE (SE) ALAGOAS (AL)

MINAS GERAIS (MG) ESPÍRITO SANTO (ES)

RIO DE JANEIRO (RJ)

SANTA CATARINA (SC) RIO GRANDE DO SUL (RS)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.

1 Você conhece alguém que mora em outra região do Brasil? Onde? Respostas pessoais. Incentive os estudantes a consultar o mapa desta página caso tenham dúvidas sobre a região onde moram as pessoas citadas por eles.

14

Com a finalidade de garantir a acessibilidade, sugerimos que busque trabalhar a produção de mapas táteis em sala de aula, utilizando texturas diversas para marcar os diferentes aspectos destacados em cada mapa do livro. Algumas possibilidades de trabalho podem ser conferidas em: IBGE EDUCA. Passo a passo : produção de mapas táteis para pessoas com deficiência visual. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/ professores/educa-recursos/20774-passo-a-passo-producao-de-mapas-tateis-para-pessoas -com-deficiencia-visual.html. Acesso em: 28 maio 2025.

O Brasil é um país grande, com 26 estados e um Distrito Federal (DF), que juntos formam as 27 Unidades da Federação (UFs).

Para cuidar de tudo isso, existem pessoas responsáveis por administrar os municípios, os estados e o país.

Nas vilas e comunidades, muitas vezes existe um administrador ou líder comunitário, escolhido pelas próprias pessoas, que auxilia no desenvolvimento local e na qualidade de vida da população. As aldeias ou comunidades indígenas, por exemplo, têm suas lideranças tradicionais, como os caciques ou tuxauas, responsáveis por manter a união e as tradições do povo.

Cacica da etnia xavante da Aldeia Zé Brito, na Terra Indígena Xerente, em Tocantínia (TO), em 2022.

VOCÊ DETETIVE

Resposta pessoal. Incentive os estudantes a refletir sobre a importância dessas lideranças nas comunidades.

Com a ajuda do professor, pesquise com a turma alguma liderança comunitária nas proximidades da escola.

1. Como essa liderança auxilia a comunidade? Compartilhe sua descoberta com seus familiares e com os colegas de outras turmas.

DESCUBRA MAIS

IBGE EDUCA. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/. Acesso em: 6 maio 2025.

Para saber mais sobre os estados e municípios, acesse o site do IBGE Educa, voltado para jovens e crianças. Ele traz informações sobre o Brasil por meio de vídeos, mapas, jogos e curiosidades.

Os sites indicados nesta obra podem apresentar imagens e eventuais textos publicitários junto

ao conteúdo de referência, os quais não condizem com o objetivo didático da coleção. Não há controle sobre esses conteúdos, pois eles estão estritamente relacionados ao histórico de pesquisa de cada usuário e à dinâmica dos meios digitais.

Sugestão para o professor

No Você detetive, incentive os estudantes a se organizar em grupos para pesquisar sobre lideranças locais, como presidentes de associação de moradores, caciques, tuxauas ou líderes de grupos comunitários. A pesquisa pode ser feita de forma digital, com a supervisão de um adulto. Essa é uma oportunidade para trabalhar a habilidade EF05CO08 da BNCC da computação. Durante a pesquisa, incentive os estudantes a analisar de forma crítica quais fontes de informação são confiáveis, como páginas governamentais e de institutos de pesquisa. Oriente-os a organizar as informações pesquisadas no caderno. Se os estudantes não conseguirem identificar lideranças comunitárias nas proximidades da escola, uma sugestão é buscar informações sobre representantes de povos indígenas ou de comunidades de seringueiros ou castanheiros, ou ainda consultar biografias de líderes comunitários da região Norte registradas no projeto “Os brasis e suas memórias” (OLIVEIRA, João Pacheco de et al. Biografias . Rio de Janeiro: Os Brasis e suas Memórias, c2025. Disponível em: https:// osbrasisesuasmemorias.com. br/biografias. Acesso em: 9 ago. 2025).

27/09/2025 21:15

COOK, Jamylle Pires et al. O uso de mapas táteis e maquetes no ensino de geografia física na educação básica. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA, 18., 2019, Fortaleza. Anais [...]. Fortaleza: UFC, 2019. Disponível em: https://sigaa.ufpa.br/sigaa/ver Producao?idProducao=554295&key=2d5f5fc7f213d1e4cd6599053cb80bae. Acesso em: 9 ago. 2025. O texto relata a construção de maquetes táteis em uma escola pública do ensino fundamental por estudantes do curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Federal do Pará. Por meio de materiais texturizados, foram elaboradas diferentes representações cartográficas. Em uma atividade de interação, o professor da turma, com os olhos vendados, foi instigado a associar as texturas das legendas com cada um dos itens representados nos mapas pelos estudantes.

Relacione o papel dessas lideranças com a organização e a gestão do espaço geográfico onde vivem. Valorize relatos que mostrem como essas figuras contribuem para a melhoria da comunidade. Ao final, peça aos grupos que compartilhem o que descobriram com os colegas em uma roda de conversa, em que poderão apresentar os textos que elaboraram e o que aprenderam sobre as lideranças da região.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que cada estado da região Norte tem uma capital estadual, que é o município onde ficam os principais órgãos administrativos do governo do estado. Aproveite para diferenciar a capital estadual da capital federal, que é Brasília, sede do governo de todo o país (para isso, mostre a localização da capital federal no mapa Brasil: grandes regiões , na página 14). Peça a eles que localizem no mapa Norte: político as Unidades da Federação da região Norte e suas capitais, reforçando a compreensão das unidades político-administrativas e suas hierarquias.

1. Aproveite a atividade para explorar os conhecimentos prévios dos estudantes sobre a capital do estado onde vivem, levantando aspectos como localização, símbolos, história ou curiosidades locais. Oriente-os a pesquisar imagens da capital, em meios impressos ou digitais, sob a supervisão de um adulto.

2. Estimule os estudantes a pesquisar sobre os outros estados da região Norte, explorando aspectos naturais, culturais ou turísticos que despertam interesse. Se possível, organize uma atividade de socialização, em que os estudantes compartilhem suas escolhas e apresentem breves curiosidades sobre os estados selecionados. Essas ações fortalecem a compreensão das divisões político-administrativas e

Região Norte

A região Norte é formada por sete estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Cada estado tem um município conhecido como capital estadual, onde está situada a sede do governo do estado. Observe no mapa os estados e as capitais que formam a região Norte.

Norte: político

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.

1 Qual é o nome da capital do estado onde você mora? O que você sabe sobre ela?

Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Aproveite o momento para verificar os conhecimentos prévios da turma sobre a capital estadual.

2 Escolha um estado da região Norte que você gostaria de conhecer. Em seguida, faça o que se pede no caderno.

a) Anote o nome do estado escolhido.

b) Explique o motivo pelo qual você gostaria de conhecer esse estado.

c) Pesquise um ponto turístico famoso desse estado. Se possível, traga uma fotografia ou faça um desenho dele. Respostas pessoais.

estimulam a valorização da diversidade regional. Caso haja estudantes que já conheçam outros estados da região, incentive-os a contar mais sobre sua experiência.

Sugestão para os estudantes

IBGE EDUCA. Coleção Minha capital. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/professores/educa-recursos.html?tipo=5. Acesso em: 8 ago. 2025. A coleção Minha capital, produzida pelo IBGE, é composta de e-books sobre as diferentes capitais do Brasil. Alguns volumes, como Minha Belém (volume 1) e Minha Macapá (volume 3), podem ser sugeridos como indicação de leitura para os estudantes aprofundarem seus estudos sobre a região Norte.

Manaus
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Macapá
Palmas
OCEANO ATLÂNTICO

DIÁLOGOS

Outras regionalizações

Além da divisão em cinco grandes regiões, existem outras maneiras de organizar o território brasileiro. Veja no mapa outro modo de regionalizar os estados do norte do país, considerando aspectos naturais e político-econômicos.

Amazônia: Internacional e Legal

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

ENCAMINHAMENTO

Fonte: OLIVEIRA, Ariovaldo U. de. Amazônia: monopólio, expropriação e conflitos. Campinas: Papirus, 1989.

• Amazônia Internacional: área total da Floresta Amazônica, dentro do Brasil e em países vizinhos, como Venezuela, Peru e Colômbia.

• Amazônia Legal: inclui os estados da região Norte, um estado da região Centro-Oeste e parte de um estado da região Nordeste.

1 Observe o mapa Amazônia: Internacional e Legal, nesta página, e o mapa Norte: político, na página anterior.

a) Além do Brasil, a Amazônia Internacional abrange parte do território de quais países?

b) A Amazônia Legal abrange parte do território de qual estado da região Nordeste?

Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, que é um departamento ultramarino da França. Maranhão.

c) A Amazônia Legal abrange parte do território de qual estado da região Centro-Oeste?

Mato Grosso.

Atividade complementar

16:38

Apresente aos estudantes características de cada um dos países (Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Equador) e do território (Guiana Francesa) que compõem a Amazônia Internacional. Em seguida, organize a turma em oito grupos. Escreva os nomes dos países e do território em pedaços de papel, que serão sorteados pelos grupos. Informe aos estudantes que não devem mencionar o resultado do sorteio ao restante da turma, mantendo-o em segredo. Oriente cada grupo a realizar uma pesquisa sobre as características naturais e culturais do país ou território sorteado. Ao final, proponha um jogo de adivinhação, em que cada grupo deve apresentar os aspectos do país ou território sem citá-lo, e os demais devem tentar adivinhar. Explique que haverá apenas uma chance de adivinhação por rodada. O grupo que obtiver mais respostas acertadas será o vencedor.

Pergunte aos estudantes se já haviam escutado as expressões Amazônia Legal e Amazônia Internacional . Em seguida, incentive-os a observar o mapa Amazônia: Internacional e Legal . É possível que alguns estudantes apresentem dificuldade na leitura do mapa, já que essas duas formas de classificação do território apresentam limites sobrepostos. Para facilitar a compreensão do mapa, uma sugestão é organizar os estudantes em grupos e entregar a eles um rolo de fita adesiva, se possível de cores diferentes. Pode-se solicitar que cada grupo fique responsável por delimitar espaços da sala de aula seguindo diferentes critérios, como cor predominante dos objetos e fileiras de carteiras no sentido horizontal ou no sentido vertical. Assim, eles poderão perceber que, embora dividido, o espaço permanece um todo, e que algumas classificações também podem apresentar áreas com limites sobrepostos, como no mapa Amazônia: Internacional e Legal . Reforce que divisas e limites podem ser apenas convenções, e não elementos visíveis. Após finalizarem a fixação da fita adesiva, peça aos grupos que expliquem os critérios utilizados aos colegas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

ENCAMINHAMENTO

Ao iniciar o trabalho com o conteúdo da página, explique aos estudantes que os mapas apresentam diferentes escalas e representações, para propiciar melhor visualização.

Explore os três mapas de forma coletiva com os estudantes, explicando que eles representam, na sequência apresentada, o Brasil, um estado da região Norte e, finalmente, um município daquele estado. Assim, os estudantes podem compreender a relação entre unidades territoriais brasileiras (no caso, município, estado e país).

Peça a eles que observem com atenção o primeiro mapa, Brasil: político; em seguida, questione qual estado está representado com destaque nesse mapa. Se necessário, auxilie-os na identificação do Acre (destacado em verde), indicando que se trata do estado representado no mapa que aparece na sequência (Acre: malha municipal, com Rio Branco em destaque). Finalmente, apresente o terceiro mapa, que representa o município de Rio Branco, mencionando que se trata da capital estadual. Oriente-os a reconhecer no mapa os municípios vizinhos a Rio Branco.

Divisões administrativas do Norte

Observe a sequência de mapas que mostra o território nacional, a localização do estado do Acre e a localização do município de Rio Branco (AC) no estado.

Brasil: político

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 92.

Fonte dos mapas: INSTITUTO

BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Mapa político do estado do Acre. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. Disponível em: https:// geoftp.ibge.gov.br/cartas_e_mapas/ mapas_estaduais_e_distrito_federal/ politico/2015/ac_politico750k_2015. pdf. Acesso em: 26 jul. 2025.

Sugestão para o professor

IBGE EDUCA. Mapas. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/ criancas/mapas-5.html. Acesso em: 2 set. 2025. No portal IBGE Educa, voltado para a educação, são disponibilizadas cópias de mapas mudos de todas as Unidades Federativas e regiões do Brasil (além de mapas-múndi e da América do Sul) para consulta e impressão.

Os munícipios são a menor divisão administrativa. Juntos, eles formam os estados. Observe o mapa que apresenta a malha municipal de todos os estados da região.

Norte: malha municipal

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 96.

Em geral, um município tem uma área urbana e uma área rural e é governado por um prefeito, que é eleito a cada quatro anos. Muitos municípios podem apresentar uma subdivisão chamada distrito, no entanto a prefeitura municipal ainda é a responsável por sua administração.

VOCÊ DETETIVE

1. Com o auxílio do professor, faça uma pesquisa a respeito do município onde a escola está localizada. Depois, responda às questões no caderno.

a) Em qual estado está situado o município onde fica a escola?

b) Esse município faz limite com quais outros municípios?

c) Esse município apresenta algum distrito?

Respostas pessoais. Auxilie os estudantes a fazer a pesquisa. Se achar interessante, é possível levar um mapa político do município onde se encontra a escola para mostrar a localização dela e dos municípios vizinhos, além de verificar se há algum distrito no município.

Atividade complementar

Explore com os estudantes o mapa da malha municipal dos sete estados da região Norte. Peça a eles que comparem os traçados dos limites municipais e expressem suas percepções de forma comparativa. Por fim, volte a reforçar que a região Norte é formada pelos estados do Amapá, Acre, Amazonas, Tocantins, Rondônia, Roraima e Pará, organizados em municípios, que correspondem à menor unidade político-administrativa no Brasil, com governo próprio, exercido pelo prefeito.

Comente com a turma que os municípios abrangem áreas urbanas (a cidade, onde se localiza a sede municipal) e áreas rurais.

Pergunte aos estudantes se eles sabem citar o nome de um município vizinho ao seu. Explique que municípios vizinhos têm uma relação de interdependência; é comum haver fluxo de pessoas de um município a outro por motivos diversos, como trabalho, estudo, procura por serviços e atividades de lazer.

27/09/2025 21:15

Realize uma roda de conversa com a turma sobre o município em que residem e os municípios vizinhos. Pergunte se todos nasceram ali ou se já residiram em outro município. Questione se eles próprios, ou pessoas de sua família, costumam ir a municípios vizinhos e por quais motivos. Promova um ambiente de respeito e empatia, em que os estudantes possam se sentir à vontade para se expressar livremente e ouçam com atenção todas as falas dos colegas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO. SONIA VAZ

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

ENCAMINHAMENTO

Utilize os textos e as imagens das páginas 20 e 21 para sondar os conhecimentos dos estudantes sobre os diferentes estados que compõem a região Norte. É importante ressaltar para a turma que os textos apresentados nessa dupla de páginas são bastante resumidos e que algumas características da vegetação e das atividades econômicas mencionadas no texto de um estado não são exclusivas, isto é, são verificadas também em outras Unidades da Federação. Incentive-os a localizar cada um dos estados no mapa Norte: político (na página 16).

No caso do Acre, peça a eles que identifiquem suas fronteiras internacionais. Se considerar pertinente, aborde a importância de produtos locais, como o látex e a castanha-do-pará. Veja, na Unidade 2, a contextualização sobre o ciclo da extração do látex e produção da borracha.

Explore a localização do Amapá, levando-os a perceber que o estado é atravessado pela linha do Equador. Explique que, antes de se tornar estado, em 1988, o Amapá foi um Território Federal, criado em 1943, o que influenciou sua história política e econômica.

Peça que retomem o mapa Brasil: grandes regiões (na página 14) e localizem nele o Amazonas, comparando seu tamanho com o de outros estados brasileiros, para reforçar a ideia de escala e proporção geográfica.

Estados do Norte

Conheça um pouco mais sobre cada um dos estados que formam a diversa região Norte.

Tornou-se parte do território brasileiro em 1903 e virou estado em 1962. Faz fronteira com Peru e Bolívia e se destaca pela produção de látex e castanha-do-pará. Acre

Criado em 1850, é o maior estado do Brasil e está localizado no coração da Amazônia. Abriga o principal rio da Amazonas

Tornou-se estado em 1988. Faz fronteira com Guiana Francesa e Suriname. Destaca-se na pesca e no extrativismo mineral e vegetal. Amapá

Criado em 1821, o estado liga a Amazônia ao oceano Atlântico por meio da foz do Rio Amazonas. Faz fronteira com Guiana e Suriname. É o estado mais populoso da região Norte, com forte Pará

Mostre que o Amazonas é o maior estado do Brasil, sendo seu território maior que o de vários estados somados. Aborde também a importância do Rio Amazonas nas relações comerciais e culturais com outras regiões do Brasil e com países vizinhos.

Ao trabalhar o Pará, destaque a posição estratégica do estado, com uma grande faixa litorânea banhada pelo oceano Atlântico. Discuta como a posição geográfica favorece atividades como mineração, pesca e turismo. Ressalte a diversidade cultural e econômica do estado.

Pescador ribeirinho no município de Amapá (AP), em 2022.
Extração do látex em Xapuri (AC), em 2022.
Zona Franca de Manaus (AM), em 2025.
Mangal das Garças, ponto turístico em Belém (PA), em 2022.

Rondônia

Tornou-se estado em 1981. Por conta de sua localização, ajuda a ligar as regiões Norte e Centro-Oeste e torna possível o trânsito de pessoas e produtos. Destaca-se pelas atividades de agricultura e pecuária. Faz fronteira com a Bolívia.

Extração de pupunha em Porto Velho (RO), em 2022.

Tocantins

É o estado mais recente da região, criado em 1988. Tem muitas fazendas e plantações de soja e milho. Possui uma área de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado. Conecta a região Norte ao Centro-Oeste e ao Nordeste do Brasil.

VOCÊ DETETIVE

Tornou-se estado em 1988 e fica no extremo norte do Brasil. Faz fronteira com Guiana e Venezuela. Apresenta savanas, florestas e muitas terras indígenas. Roraima

Floresta Amazônica, no Parque Nacional Serra da Mocidade, em Caracaraí (RR), em 2024.

Vegetação de Cerrado e Floresta Amazônica, no Parque Nacional do Araguaia, em Lagoa da Confusão (TO), em 2024.

Você sabe por que seu estado tem esse nome? Ele tem a ver com a natureza, com algum povo ou com uma história antiga?

1. Com o auxílio de um adulto, pesquise em sites confiáveis a origem do nome de seu estado. Depois, compartilhe a descoberta com os colegas.

Incentive os estudantes a pesquisar na internet a origem do nome do estado. É possível também consultar livros ou conversar com alguém da família. 21

Sugestão para os estudantes

Ao apresentar Rondônia, mostre como sua localização favorece a ligação entre as regiões Norte e Centro-Oeste, facilitando o transporte de pessoas e mercadorias. A produção agrícola e a pecuária podem ser exploradas para discutir a distribuição das atividades econômicas no território.

Sobre Roraima, aborde características naturais, como savanas e florestas. Explique que esses tipos de vegetação também são encontrados em outros estados da região Norte. Incentive os estudantes a situar o estado no extremo norte do Brasil, com fronteiras com a Guiana e a Venezuela. Aproveite para abordar os processos migratórios recentes, explicando que, nos últimos anos, Roraima tem recebido muitos migrantes, principalmente da Venezuela e do Haiti.

24/09/2025 22:51 21

RIBEIRO, Lemmos. Conheça a origem etimológica dos estados da região Norte. Portal Amazônia, Manaus, 7 nov. 2021. Disponível em: https://portalamazonia.com/amazonia/conhecaa-origem-etimologica-dos-estados-da-regiao-norte. Acesso em: 10 jul. 2025.

O conteúdo da página explica a origem etimológica dos nomes dos estados da região Norte. Ele pode ser utilizado como referência para a realização da pesquisa proposta na atividade do Você detetive

Ao mostrar a localização do Tocantins, mostre que esse estado faz divisa com o Pará, na região Norte, com dois estados do Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás) e com três estados do Nordeste (Maranhão, Piauí e Bahia). Explique que isso influi em sua vegetação e nas atividades econômicas desenvolvidas. No Você detetive, oriente os estudantes a relacionar a origem do nome do estado onde vivem com aspectos geográficos ou culturais do território, como rios, relevo, povos indígenas, personalidades. Após a pesquisa, promova uma roda de conversa para que os estudantes compartilhem suas descobertas, comparando as diferentes origens e discutindo como os nomes revelam a história e a identidade de um local.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

Incentive os estudantes a expressar o que vem à mente ao ler o título Identidade nortista . Peça que expressem suas hipóteses para o significado de identidade e mencionem características da região Norte que consideram marcantes. Nessa conversa inicial sobre a identidade regional, é possível diagnosticar o que os estudantes já sabem sobre o tema e explorar possibilidades de reforçar e expandir esse conhecimento.

Identidade nortista

Os estados da região Norte apresentam muitas semelhanças, como a proximidade da população com a Floresta Amazônica. Os rios, por exemplo, são importantes para a vida das pessoas, servindo para transporte, pesca e lazer. As festas, os costumes e a cultura popular também estão, geralmente, ligados à natureza local e aos saberes tradicionais.

Todos esses elementos fazem parte de uma identidade regional compartilhada pelos nortistas, os habitantes da região Norte, com base em traços culturais, histórias e experiências parecidas.

Cultura é o conjunto de saberes, costumes, tradições, formas de pensar e símbolos compartilhados por um grupo de pessoas.

1 Quais são as festas típicas do seu município ou comunidade?

Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes.

2 Imagine que um amigo de outro estado venha lhe fazer uma visita, e cabe a você apresentar para ele o lugar onde mora. Anote no caderno:

Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes façam um pequeno levantamento

a) que lugares ou paisagens você mostraria primeiro.

b) quais comidas típicas você o convidaria a provar.

de lugares, manifestações culturais e histórias locais e percebam que elas compõem a identidade do lugar onde vivem. 22

c) qual história popular da sua região você contaria.

Se achar conveniente, na atividade 2 , você pode aprofundar a abordagem das paisagens da região propondo uma pesquisa sobre localidades do município que têm relevância cultural e/ou histórica ou, ainda, promover uma visita virtual a algum desses locais. Se possível, planeje uma visita guiada a esse local. No caso de uma visita a um museu, por exemplo, explore com os estudantes uma exposição ou o acervo, adequando as explicações conforme o ano que os estudantes estejam cursando. Assim, é possível realizar um diálogo interdisciplinar com Arte, trabalhando expressões culturais e artísticas presentes ou expostas no município de vivência dos estudantes. Para esse fim, peça autorização previamente às famílias e organize a atividade com o auxílio da direção da escola; verifique quais são as regras de uso do espaço e se ele oferece visitas guiadas a grupos escolares. As visitas guiadas, dessa forma, podem se inserir no chamado turismo pedagógico, que consiste em práticas educativas que ultrapassam o ambiente escolar, exigindo o planejamento e a avaliação do professor junto aos estudantes.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Crianças brincam com os bois-bumbás Corre Campo (preto) e Tira Prosa (branco), na comunidade São Sebastião do Jará, em Parintins (AM), em 2024.

Identidade nortista e comida

Você sabia que os alimentos também fazem parte da nossa cultura? Essenciais para a sobrevivência, os alimentos estão ligados aos hábitos e costumes das pessoas, e o cultivo deles depende da natureza e do clima da região.

As comidas estão em nossas memórias, compõem a nossa identidade e nos ligam à família e à comunidade a que pertencemos.

A maniçoba, por exemplo, é um alimento típico da região Norte que tem como ingrediente principal a maniva, folha da mandioca. O cultivo da mandioca foi realizado, primeiramente, pelos povos indígenas e, depois, espalhado por toda a região Norte.

Da mandioca também podem ser feitos amido, farinha, tucupi e outros alimentos importantes e presentes no cotidiano dos nortistas.

O açaí com peixe frito é um prato muito popular no Pará.

A maniçoba é cozinhada por dias para eliminar as toxinas da folha da mandioca.

O tacacá é feito à base de tucupi, um caldo preparado com mandioca.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

ENCAMINHAMENTO

Inicie esse tópico perguntando aos estudantes quais são as comidas que eles consomem no dia a dia. Incentive-os a definir quais são típicas da região Norte e comente que a alimentação também faz parte da cultura da região. Explique que o tacacá tem origem indígena e é derivado do mani poi , uma sopa que mistura tucupi, beiju de mandioca e suco de frutas. Há registros do consumo do mani poidesde o século XVII. A maniçoba também é conhecida como “feijoada da Amazônia”. O açaí, por sua vez, é conhecido também como açaí-do-pará e tucaniei.

1 Você conhece as comidas representadas nas fotografias? Elas têm nomes diferentes onde você vive? Se sim, quais?

Respostas pessoais. Os estudantes

2 Você já viu alguém da sua família ou comunidade preparando esses alimentos? Compartilhe sua experiência com os colegas.

3 Há alguma tradição em relação a essas comidas no seu lugar de vivência?

Essas comidas podem estar ligadas a tradições, rituais e festas religiosas familiares, como o Natal e o Círio de Nazaré. podem citar outras nomenclaturas para a comidas apresentadas, como “feijoada da Amazônia” para a maniçoba. Veja orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

24/09/2025 22:52

Organize com os estudantes uma exposição de comidas típicas da região Norte. Para isso, a proposta deve procurar engajar os familiares na atividade, tanto para preparo dos alimentos como para explicar aos estudantes como esses itens são importantes na alimentação da família. No dia da exposição, se possível, convide as famílias.

Organize os estudantes em pequenos grupos, de modo que cada grupo fique responsável por um prato diferente. Oriente-os a organizar informações sobre o alimento no formato de um menu informativo. Para isso, explique aos estudantes que eles deverão buscar uma fotografia do prato e colá-la em uma folha de papel avulsa, acompanhada das seguintes informações: nome do prato; origem; significado para a família ou comunidade. No dia da exposição, os trabalhos dos estudantes podem ser colocados em uma pasta-catálogo, para facilitar a consulta pelos convidados.

Para aprofundar o conhecimento sobre o tema, é possível integrar essas comidas típicas a momentos festivos na sala de aula ou na escola. Com essa finalidade, combine com as famílias momentos em que esses alimentos podem ser trazidos para a escola. Antes de definir os alimentos que serão servidos, procure saber se há estudantes na turma com alguma restrição alimentar; além disso, evite itens ultraprocessados.

2. Incentive os estudantes a compartilhar suas experiências com o preparo dos alimentos mostrados na página. Se for o caso, peça que compartilhem também como as pessoas que vivem com eles preparam outros alimentos típicos de seu lugar de vivência.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

ENCAMINHAMENTO

O conteúdo desenvolvido na página é uma oportunidade para um trabalho interdisciplinar com Ciências da Natureza; é possível propor uma atividade em que os estudantes associem a natureza da região Norte e os modos de vida dos povos nortistas à fauna e flora amazônicas, explorando as plantas medicinais, o extrativismo sustentável e a biodiversidade da região.

Explique que os diferentes povos e comunidades tradicionais do território estão relacionados ao histórico de ocupação e exploração da região Norte. Comente que os povos indígenas já habitavam o Brasil antes da chegada dos europeus. Se julgar necessário, explique que a colonização se refere ao período em que o país esteve sob o domínio de Portugal, entre 1500 e 1822, sendo administrado de forma

Identidade nortista e natureza

A identidade regional também é composta pela forma como as pessoas de uma região convivem com a natureza e, a partir dela, estabelecem relações econômicas, sociais, religiosas e culturais com o lugar. Essas relações são construídas ao longo do tempo e transmitidas entre as gerações.

Na região Norte, o modo de vida de muitas pessoas é construído por meio da relação com os rios e com a Floresta Amazônica. Os povos e as comunidades tradicionais, por exemplo, ocupam e usam o território e os recursos naturais de acordo com seu modo de vida.

Aldeia indígena macuxi em Raposa Serra do Sol, em Normandia (RR), em 2021.

Dentre os povos e as comunidades que fazem parte desse grupo, estão os povos indígenas e os grupos quilombolas.

• Nas aldeias ou comunidades indígenas vivem os descendentes dos povos originários, que estavam nessa região antes mesmo de o Brasil ser colonizado, preservando suas diferentes culturas, línguas e costumes.

• As comunidades quilombolas são formadas por descendentes de pessoas escravizadas que lutaram por liberdade e que mantêm vivas suas tradições. Os rios influenciam o modo de vida das populações, sendo fundamentais para os povos da região, como os ribeirinhos, que formam outra comunidade tradicional. A água dos rios é um componente essencial do cotidiano e das atividades econômicas, como a pesca, a caça, o roçado e o artesanato.

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exploratória. Informe que as pessoas escravizadas, que foram trazidas para o Brasil e submetidas a trabalhos forçados, provinham de diferentes povos, com costumes e tradições próprios. A formação dos povos nortistas é assunto da Unidade 2 deste livro.

Sugestão para o professor

COSTA, Elisabeth. No Norte, do Norte, do Brasil. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Brasília, DF, n. 38, p. 37-62, 2018. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ publicacao/revista_patrimonio38.pdf. Acesso em: 10 jul. 2025.

Com uma série de fotografias relacionadas a atividades econômicas da região Norte, o artigo apresenta variados exemplos de como as tradições nortistas se mantêm por meio da relação de diferentes povos com o meio ambiente.

1. Espera-se que os estudantes respondam que as florestas e os rios são favoráveis para algumas atividades que utilizam as plantas nativas desse ambiente e a grande quantidade de peixes e outros animais aquáticos.

Pescador ribeirinho em Manaus (AM), em 2025.

Casas em comunidade quilombola e ribeirinha em Vila Mangabeira, em Mocajuba (PA), em 2025.

A natureza da região Norte também é favorável para outra atividade econômica: o extrativismo de plantas nativas e de peixes. São exemplos dessas plantas o cupuaçu e o açaí, que é um fruto que amadurece no alto de uma palmeira chamada açaizeiro.

Extrativismo: retirada de recursos naturais do meio ambiente, como frutas, animais e minerais.

Planta nativa: planta que cresce de forma natural em uma região, sem que seja plantada ou cuidada por seres humanos.

1 Anote no caderno como a natureza da região Norte, com suas florestas e rios, influencia as atividades econômicas desenvolvidas nesse território.

Sugestão para os estudantes

VILELA, Fernando. Tapajós. São Paulo: Brinque-Book, 2014. Nessa obra, é narrado o modo de vida de dois irmãos que vivem às margens do Rio Jari, que liga o Rio Amazonas e o Rio Tapajós. O autor apresenta diversas informações sobre o bioma amazônico, os rios e os animais do local.

Se for conveniente, pode-se propor a leitura desse livro em uma proposta interdisciplinar com o componente curricular de Língua Portuguesa. Sugerem-se a leitura e a interpretação coletiva da obra, associando a prática de leitura com os estudos da turma sobre a relação entre a população nortista e a natureza da região.

É importante ressaltar para os estudantes que a natureza e os rios da região Norte têm uma relação quase de simbiose com os povos tradicionais. Os rios e a natureza estão presentes na vida dos nortistas, tanto nas áreas rurais quanto nas grandes cidades. Isso se explica pela geografia da região, pois as florestas e os rios estão imbricados com os espaços que formam a região Norte.

A importância crucial dos rios se reflete em atividades econômicas como a pesca e o comércio de pescados, no transporte fluvial e no próprio cenário das cidades, que são entrecortadas pelos cursos dos rios.

Para tornar essa relação mais visível para os estudantes, é possível realizar um tour virtual pela bacia do Rio Amazonas utilizando mapas que mostram imagens de satélite. Por exemplo: BACIA do Rio Amazonas, Brasil: percorra o Rio Amazonas. Brasil: Google Maps, 2025. Disponível em: https://www. google.com/maps/about/ behind-the-scenes/street view/treks/amazon. Acesso em: 9 jul. 2025. As imagens e informações contidas nesse mapa foram viabilizadas por meio de uma parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que fez o reconhecimento da área, o que incluiu rios, floresta e comunidades da reserva do Rio Negro.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explore as diferentes formas de consumo do açaí na região Norte e em outros locais do país. Na região Norte, a fruta açaí é cultivada e consumida há séculos; constitui parte essencial da culinária e da cultura local, como fonte de segurança alimentar que integra o consumo diário de parte da população.

A partir do século XXI, o açaí começou a despertar o interesse de mercados, nacionais e internacionais. No entanto, a forma de consumo da fruta fora da região Norte é diferente, muitas vezes com acréscimo de açúcar e outros ingredientes, como guaraná, granola, amendoim e banana.

Dessa forma, o açaí faz parte da cultura material da região, afinal é um elemento tangível, integrante da economia e da alimentação nortistas. Faz parte, também, da cultura imaterial do Norte, pois a relação com esse alimento não abarca apenas o sentido prático, mas também uma forma de ver esse fruto e de consumi-lo que integra o cotidiano e a cultura.

No Você detetive, espera-se que os estudantes entendam que as atividades extrativistas podem ter impactos tanto na natureza quanto na população local (a ribeirinha, por exemplo), levando a desigualdades. Algumas medidas podem ser tomadas, como uma revisão das atuais normas de extração, incentivos a programas de recuperação e maior fiscalização por órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A pesquisa pode ser feita em meios impressos, como livros e jornais, ou digitais, com a supervisão de um adulto. Em uma roda de conversa, incentive os estudantes a apresentar o que descobriram na pesquisa. A atividade possibilita o desenvolvimento do TCT Meio ambiente: educação ambiental.

A fruta do açaí tem vários destinos: pode ficar na região Norte e ser consumida na forma de polpa pelas famílias nortistas ou também ser comercializada para outras regiões do Brasil, que utilizam a polpa na fabricação de sorvetes, picolés, bebidas e cosméticos, entre outros produtos. Além disso, o palmito retirado da palmeira do açaí é comercializado em todo o país.

Os vários usos e destinos do açaí tornam a extração da fruta uma atividade rentável que proporciona o sustento de várias famílias nortistas.

Para apanhar essa fruta, é necessário subir na palmeira utilizando uma peconha amarrada aos pés e cortar o cacho de açaí com um facão. Essa atividade é realizada geralmente pela manhã, quando a temperatura não está tão alta.

2 Quais utensílios são utilizados na extração do açaí?

Peconha: utensílio artesanal confeccionado com materiais vegetais ou de plástico pelos próprios apanhadores de açaí.

Uso de peconha para coleta do açaí na aldeia indígena Terra Preta, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista, em Manaus (AM), em 2023.

Peconha e facão. Espera-se que os estudantes recorram ao texto para obter as respostas.

3 Quais são os usos da fruta do açaí?

VOCÊ DETETIVE

Os estudantes devem retornar ao texto para

identificar que na região Norte geralmente o açaí é consumido como polpa. Em outras regiões, também é usado para o preparo de sorvete, picolés, cremes e outros produtos. O palmito também é extraído da palmeira do açaí e comercializado.

O açaí é um dos símbolos culturais que caracterizam a região Norte, e a procura por ele tem aumentado.

1. Pesquise os impactos ambientais ocasionados pela alta procura por açaí e reflita sobre o que pode ser feito para impedir que esse recurso se esgote. Anote os resultados de sua pesquisa no caderno.

Sugestão para o professor

UASEI , o livro do açaí: saberes do povo Karipuna. São Paulo: Macapá: Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, 2015. Disponível em: https://institutoiepe.org.br/wp-content/ uploads/2020/07/livro_do_acai.pdf. Acesso em: 10 jul. 2025.

O livro conta com uma série de textos produzidos por estudantes e lideranças indígenas que apresentam desde modos de manejo e comercialização do açaí até seu consumo e impactos ao meio ambiente.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
24/09/2025

Identidade nortista e línguas

1. Respostas pessoais. Incentive os estudantes a compartilhar as palavras por meio de frases do cotidiano, caso as conheçam.

A região Norte não é definida apenas por suas características geográficas, mas também por aspectos ligados à nossa cultura e identidade.

No Brasil, a língua portuguesa é um traço cultural compartilhado pela maioria da população, manifestando-se de maneiras diferentes, como pelo uso de palavras e expressões regionais.

No entanto, a língua portuguesa não é a única falada no território nacional. Na região Norte, também existe uma grande diversidade de línguas indígenas. A língua pirahã, por exemplo, é um elemento cultural compartilhado pelo povo pirahã, um grupo indígena que habita o Rio Maici, no município de Humaitá, no estado do Amazonas.

A proximidade da região Norte com países falantes de línguas como o espanhol, o francês e o neerlandês possibilita a convivência entre diversos falares e línguas de fronteira.

Além da diversidade de línguas, na região existem palavras e expressões regionais características que fazem parte do vocabulário e do dia a dia nortista.

Confira o significado de algumas dessas palavras no dicionário Amazonês, de Sérgio Freire.

Marco da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana no Parque Nacional do Monte Roraima, em Uiramutã (RR), em 2020.

BODÓ s. m. – Peixe cascudo, bom para caldeirada. [...]

EMBORCAR v. – Virar de ponta a cabeça. […]

GUARAMIRANGA m. – Barco que nunca chegou. […]

MÁRRAPÁ! exp. id. – O mesmo que “Olha já!” “Me empresta teu carro?” “Márrapá! Claro que não!”

VAZADO adj. – 1 Faminto. […] 2. adv. Rapidamente. […]

FREIRE, Sérgio. Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas. 2. ed. Manaus: Valer, 2017.

1 Você já conhecia alguma dessas palavras ou expressões? Se sim, qual?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

2 Pense em uma palavra ou expressão típica do seu município, estado ou região. Anote no caderno uma frase usando essa palavra e seu significado Espera-se que os estudantes indiquem uma frase ou expressão particular do lugar onde vivem.

Sugestão para o professor

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

ENCAMINHAMENTO

No estudo do conteúdo da página, comente com os estudantes que, além da língua portuguesa, são faladas na região Norte diversas línguas indígenas. Mencione que a Amazônia (onde está incluída a região Norte) é uma das áreas com o maior número de línguas do mundo, com cerca de 50 famílias linguísticas. No entanto, as línguas indígenas existentes hoje podem estar em risco de extinção. Antes da chegada dos portugueses, existiam mais de 700 línguas indígenas; esse número diminuiu radicalmente ao longo do processo de colonização

25/09/2025 16:40

QUARESMA, Francinete Pantoja; FERREIRA, Marília de Nazaré Oliveira de. Políticas nacionais para o ensino das línguas indígenas: inclusão e identidade. Recorte, Belém: UFPA, v. 8, n. 2, 2011. O artigo apresenta um panorama das leis que embasam a educação escolar indígena, bem como estratégias para preservar, valorizar e resgatar as línguas indígenas no contexto da sala de aula. Uma delas é a produção de materiais didáticos bilíngues que auxiliem os professores durante sua prática pedagógica.

BRASIL. Ministério da Educação. As leis e a educação escolar indígena. Brasilia, DF: SEF, 2002. Disponivel em: https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Legislacao%20miolo.pdf. Acesso em: 10 ago. 2025.

Consulte o documento para conhecer quais são as leis que garantem a educação escolar indígena.

A educação escolar indígena, assegurada pela Constituição Federal e por diversas leis que garantem o direito dos povos indígenas brasileiros ao ensino adequado para a preservação de sua cultura, busca valorizar os saberes e línguas dos diversos povos.

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

ENCAMINHAMENTO

Antes de promover a leitura da lenda da cobra-grande no livro, pergunte à turma se conhecem alguma versão dessa história. Incentive-os a contar o que já sabem sobre a lenda. Se julgar pertinente para a sua turma, proponha a leitura coletiva do texto. Faça pausas sempre que necessário. Oriente os estudantes a anotar no caderno as palavras cujo significado desconhecem. Eles deverão buscar o significado em dicionários (impressos ou on-line) e escrever a acepção no caderno.

Identidade nortista e lendas

A relação com religiosidade, crenças e mitos regionais são outros aspectos que fazem parte da identidade cultural da região Norte.

As histórias do Norte são marcadas pela existência dos encantados, seres míticos que aparecem na forma de criaturas, como a cobra-grande, o boto e a Iara (ou Oiara).

As lendas sobre os encantados têm versões que se diferenciam de acordo com o lugar da região Norte em que são contadas.

Vamos conferir uma versão da lenda da cobra-grande contada no Amazonas.

Encantado: ser humano que, diferente dos santos, não morre, mas se encanta.

Tupã: deus indígena.

Essa história se passa antes da chegada dos europeus à região do Rio Amazonas, quando os povos indígenas viviam sob as bençãos de Tupã guerreando, remando, plantando e festejando de acordo com as fases da Lua. Havia muitas aldeias próximas ao Lago de Coari, uma beleza natural de águas negras e cheia de peixes. Era um lugar muito perigoso por causa do enorme tamanho e da cobra-grande que morava no meio do lago.

Sugestão para o professor

DO MILAGRE ao carnaval devoto, o Círio que se amazonizou: ep. 9. Olho d’Água, out. 2024. Podcast . Disponível em: https://www.amazonialatitude.com/2024/10/11/olho-dagua-carnavaldevoto-cirio-amazonizou. Acesso em: 10 ago. 2025.

Com a participação do antropólogo Aldrin Figueiredo, o episódio do podcast permite o aprofundamento na religiosidade como um aspecto intrínseco à identidade regional nortista e amazônica.

QUANTAS vezes você cantou um samba-enredo sem saber o que estava dizendo? Produção: Estêvāo Ciavatta. 1 vídeo (ca. 15 min). Disponível em: https://www.instagram.com/reel/ DGBR7sCxRRa. Acesso em: 10 ago. 2025.

No vídeo, o diretor e roteirista Estêvão Ciavatta apresenta o samba-enredo do Carnaval de 2025 da Escola Grande Rio e explica as figuras que são mencionadas em sua letra.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Você já conhecia a lenda da cobra-grande? Se sim, a versão que você acabou de ler é parecida com a história que já conhecia ou existem diferenças? Compartilhe com os colegas a respeito.

2 Além de transmitir uma tradição cultural, contar lendas é uma forma de repassar conhecimentos ou fazer um alerta. Qual conhecimento ou alerta você pode aprender com essa lenda?

Em uma noite de lua negra e de vazante do rio, os guerreiros da aldeia Patuá tentaram capturar a grande cobra em uma armadilha feita de cabos amarrados em uma árvore sumaúma. Depois de atrair o animal com iscas, os guerreiros indígenas tentaram amarrar o ser encantado. Tudo foi em vão, já que a cobra escapou.

Ainda hoje, dizem os mais velhos do povo catauixi, a sumaúma continua à beira do Lago Coari para lembrar da valente tentativa dos guerreiros patuá de capturar a cobra-grande.

Sugestão para os estudantes

Vazante: época do ano em que o nível das águas dos rios diminui, durante a estação seca. Sumaúma: árvore gigante, muito comum na Amazônia, que vive cerca de 120 anos.

Após a leitura do texto pelos estudantes e a elucidação de eventuais dúvidas sobre o significado de algumas palavras, faça a leitura em voz alta para a turma, de forma a contribuir para a fluência de leitura e a compreensão do texto. Promova a discussão das atividades em uma roda de conversa.

1. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a compartilhar histórias sobre a cobra-grande. Caso eles não saibam nenhuma, esse pode ser um bom momento para a realização de uma pesquisa sobre esse ser mítico, assim como de outras histórias de encantados ou outras narrativas tradicionais da região. Espera-se que eles percebam que os mitos têm diversas versões, dependendo da localidade e do povo que os conta.

2. Resposta pessoal. Acolha as interpretações dos estudantes. Uma possível resposta é a força da natureza e a importância da coexistência entre ela e os seres humanos.

24/09/2025 22:53

HAKIY, Tiago. Guaynê derrota a cobra-grande: uma história indígena. Belo Horizonte: Yellowfante, 2022.

O escritor, de origem saterê-mauê, narra nesse livro uma versão da lenda da cobra-grande. Se possível, promova a leitura da obra, a fim de que os estudantes conheçam uma das origens do mito contada por um autor indígena.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

ENCAMINHAMENTO

Reforce com os estudantes a percepção de que cada estado tem uma paisagem e uma história próprias e incentive-os a identificar elementos naturais (rios, relevo, vegetação) e elementos humanizados (ocupação humana, construções, atividades econômicas) que marcaram a formação do território.

2. Incentive os estudantes a ampliar suas observações, indo além dos exemplos mais óbvios, analisando as características da paisagem local e os impactos da ação humana sobre ela. Se possível, e com autorização prévia dos responsáveis e da direção escolar, proponha um pequeno passeio no entorno da escola para observar e registrar elementos naturais e humanizados. Destaque como as paisagens variam de um local para outro, mesmo dentro do mesmo município.

ASPECTOS NATURAIS E HUMANIZADOS 2

O território da região Norte apresenta grande diversidade natural, com muitos rios, florestas densas, áreas de relevo plano e outras áreas com altitudes elevadas. Esses elementos naturais influenciam diretamente a vida das pessoas que moram na parte norte do país.

Além dos elementos naturais, os elementos humanizados também compõem a diversidade da região. São exemplos desses elementos os prédios, as casas, as ruas e as plantações.

Elementos naturais são aqueles que têm origem na natureza e não foram modificados pelos seres humanos.

Elementos humanizados são aqueles construídos ou modificados pelos seres humanos.

O conjunto dos elementos naturais e humanizados forma as paisagens da região Norte.

Paisagem é tudo aquilo que podemos ver, sentir ou ouvir no espaço.

Observe a fotografia da paisagem a seguir.

Vista do bairro Plano Diretor Sul em Palmas (TO), em 2023.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Quais elementos naturais você percebe na fotografia? E humanizados?

Respostas possíveis: elementos naturais: vegetação nativa e rio ao fundo; elementos humanizados: edifícios, casas e ruas.

2 Pensem no caminho que fazem de casa até a escola. Quais elementos naturais e humanizados vocês observam? Escrevam a resposta no caderno.

Veja orientações no Encaminhamento. 30

Atividade complementar

Para ampliar a proposta da atividade 2, que trabalha com a memória dos estudantes sobre os elementos naturais e humanizados que existem no caminho percorrido de casa até a escola, sugira que façam observações e registros durante o caminho, em um dia a ser escolhido. As famílias devem ser envolvidas na atividade. Informe os familiares de que os estudantes precisarão realizar o caminho de casa até a escola fazendo registros, que podem ser desenhos e anotações no caderno ou fotografias e vídeos, realizados com o auxílio e a supervisão de um adulto. Para isso, as famílias podem se programar para realizar o trajeto de casa até a escola de maneira mais vagarosa, se possível, para que os estudantes possam observar as paisagens com atenção e façam pausas. Caso sejam feitas imagens, o familiar pode supervisionar se a criança consegue identificar os elementos presentes nos registros feitos. Em data definida pelo professor, os estudantes poderão expor aos colegas os registros que fizeram, ou ainda, em uma roda de conversa, compartilhar com a turma suas observações e impressões sobre o caminho que fazem de casa até a escola.

4. Todas as pessoas, com atitudes cidadãs, são responsáveis pela conservação das florestas. Além delas, são responsáveis o Governo Federal, por meio de instituições como o Ministério do

Os elementos naturais influenciam diretamente muitas atividades econômicas da região Norte, como o extrativismo, a agricultura e a criação de animais.

Na floresta, os povos e as comunidades tradicionais mantêm em seu cotidiano uma relação de sustentabilidade com os recursos da região. O conhecimento sobre o uso sustentável da natureza costuma ser passado de geração para geração.

No entanto, o processo de ocupação da região Norte também é caracterizado por relações de tensão, que causaram o desmatamento e a perda da biodiversidade ao longo dos anos. Por isso, atualmente, um dos desafios da região é a conservação dos recursos naturais

Leia a seguir o texto que trata de um personagem de uma lenda da região Norte.

Quem é o Curupira

Ele é representado como um menino de cabelos vermelhos e com os pés voltados para trás — característica marcante que serve para confundir os caçadores e invasores, deixando pegadas em sentido contrário ao que realmente está indo. O Curupira protege os animais e as matas, punindo com truques, assovios e ilusões aqueles que caçam por ganância, derrubam árvores sem necessidade ou desrespeitam a natureza. A lenda serve como uma forma de valorização e proteção da floresta.

OLIVEIRA, Amanda; TAVARES, Gabriely. Boto, Matinta Perera e Curupira: conheça documentário sobre lendas amazônicas produzido em RO. G1 Rondônia, 15 abr. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/ro/ rondonia/noticia/2025/04/15/boto-matinta-perera-e-curupira -conheca-o-documentario-sobre-lendas-amazonicas-produzido-em -rondonia.ghtml. Acesso em: 5 jun. 2025.

Sustentabilidade: uso consciente e responsável dos recursos naturais, de modo que eles não se esgotem e possam ser aproveitados pelas gerações futuras.

TIAGO CERCA

3 De acordo com a lenda, o Curupira protege os elementos naturais ou humanizados da paisagem?

Os elementos naturais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

4 Em nossa sociedade, quem é responsável por conservar as florestas?

Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), bem como algumas organizações não governamentais (ONGs).

Sugestão para o professor

MUNDURUKU, Daniel. Contos indígenas brasileiros. São Paulo: Global, 2004. Os oito contos presentes na obra apresentam versões de mitos indígenas. Se julgar interessante, leia com os estudantes trechos do conto “A proeza do caçador contra o Curupira”, mostrando-lhes uma outra forma de contar essa história.

VERAS, Carolyne. As diferentes lendas do Rio Amazonas. Ateliê Amazônico, Manaus, 26 jan. 2022. Disponível em: https://atelieamazonico.weebly.com/deixa-eu-te-falar/as-diferenteslendas-do-rio-amazonas. Acesso em: 25 jun. 2025.

O texto cita algumas lendas sobre a origem do Rio Amazonas, como a dos Juruna e a dos Aruak. Essas lendas, transmitidas oralmente de geração em geração entre os povos originários, são fundamentais para a preservação de sua cultura e sua memória.

Inicie a abordagem dos conteúdos da página comentando com os estudantes que as principais atividades econômicas desenvolvidas na região Norte, como a agricultura, a criação de animais e o extrativismo, são diretamente influenciadas pelos elementos naturais predominantes na região, como os rios e a floresta. Para o desenvolvimento de muitas dessas atividades, é realizado o desmatamento ilegal de imensas áreas florestais, tanto para a exploração de recursos como madeira e minérios quanto para a abertura de extensas áreas de cultivo agrícola e de criação de gado, por exemplo. A exploração e destruição dos recursos naturais da região prejudicam as comunidades tradicionais locais, que têm seu modo de vida e sua subsistência intrinsecamente ligados ao lugar de vivência. Antes de iniciar a leitura do texto Quem é o Curupira, pergunte aos estudantes se conhecem essa lenda e se algum deles gostaria de contá-la aos colegas. Em seguida, comente que a lenda do Curupira tem origem nos povos indígenas e faz parte do folclore brasileiro (o conjunto de lendas, costumes, tradições e crenças que caracterizam a cultura popular do nosso povo e que é transmitido de geração em geração). Essa lenda é muito popular em todo o país, especialmente nos estados da região Norte.

4. Explique aos estudantes que a conservação e a proteção das florestas brasileiras são de responsabilidade de toda a sociedade, incluindo o setor privado.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

ENCAMINHAMENTO

Ao explorar os mapas físicos com os estudantes, relembre que os elementos são representados e diferenciados na cartografia por cores, símbolos e legendas. Ressalte a representação dos rios (cursos de água, traçados em azul) e a predominância de baixas altitudes (indicadas nas legendas, com diferentes cores para os diferentes intervalos). Oriente a leitura dos mapas, perguntando à turma, por exemplo: de acordo com o mapa Brasil: físico, quais são as altitudes predominantes no território brasileiro? No mapa Norte: físico, quais cores representam as menores altitudes e quais indicam as altitudes mais elevadas?

Formas do nosso relevo

Alguns aspectos da natureza podem ser representados em mapas. Os mapas físicos, por exemplo, mostram as diferenças de altitude, e alguns deles podem apresentar também a localização de cursos de água. Observe os mapas.

Brasil: físico

Norte: físico

SER R A DOMUCAJAÍ RioUraricoera

R o Içá R oSolimões

R o Curuçá RioJavari

RioJuruá RioTarauacá

Arquipélago de Mariuá

R o Japurá Rio Unini

Arquipélago das Anavilhanas

Rio Juruá RioJutaí

RioTefé

RioTapauá

Rio Purus

Rio Jufari Rio Jauaperi OSERRADODIVISOR UCONTAMANA

R oAcre RioIaco

Ao abordar o significado de relevo, explique aos estudantes que ele é o conjunto das diferentes formas da superfície terrestre, como planícies, morros, serras e vales, constituindo um elemento importante nas dinâmicas dos componentes naturais. Use exemplos locais: fale das áreas de várzea, dos igarapés, das serras de Roraima ou do relevo das margens do Rio Amazonas. Outra sugestão é analisar fotos aéreas ou imagens de satélite da região Norte, destacando as variações do terreno. Sugestão para os estudantes

Rio Solimões

RioPurus RioCoari

RioMadeira

RioAbunã

Rio T o m be sat

RioNhamundá

R o Amazonas

Rio Uatumã RioMadeira IlhaTupinambaranas

R i o Canum ã

RioAripuanã

R o J u ruena SERRA ACARAÍ

RioTapajós

Rep. de Balbina SERRADAFORTALEZA SERRABONNET

RioGurupi Rio Cap m Rio Pará SERRALOMBARDA Rio Jari SERRAMAICURUSAJAUARU oiR C u r u á Rio C mu n á RioAmazonas R i oX n gu Rio Cu r u áUna RioIriri RioIririSERRADOTAPARÁ

R i o T o cantins

Fonte dos mapas: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante São Paulo: FTD, 2016. p. 58 e 85. RioUaupés

S E R R A GRANDE SERRADOCACHIMBO SERRADOSGRADAÚS

R o J irama SERRADOSPACAÁS NOVOS R o JaP aná

RioGuaporé R oMamoré

Ri o Jamanx m RioTeles P esouSãoManuel

Rio Toc a n t ns Rep. de Tucuruí

R o X ngu SERRA DO MATÃO SADOSJAVAÉS R o J a v a é s RioParanã

Ri o doSono

S E R R A DO ESTRONDO C H A P A D A DASMANGABEIRAS RioAraguaia

S E R R A GLARE D E GOIÁS RioManuel Alves

Rio Cu r áu Rio B a c a á RioItacaiúnas SERRADOSCARAJÁSSERRAPELADA MA BA GO MT

CARRARO, Fernando. A Terra vista do alto. São Paulo: FTD, 2000. O livro narra uma viagem de balão feita por um grupo de pessoas. No trajeto, elas observam diferentes paisagens e formas de relevo. Embora a história se passe em estados situados nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a leitura é interessante por possibilitar que os estudantes tenham elementos para estabelecer comparações entre as paisagens e formas de relevo dessas regiões com a região Norte.

Trópico de Capricórnio
OCEANO
OCEANO

O território brasileiro não apresenta altitudes superiores a 3 mil metros. Isso acontece por conta do processo de formação do nosso relevo e da ação erosiva da água e do vento.

Relevo é o conjunto das formas da superfície da Terra.

Observe, no mapa a seguir, a configuração do relevo na região Norte.

Norte: relevo

VENEZUELA

COLÔMBIA

SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA) BOLÍVIA

Planaltos

Depressões

Planícies

Divisa estadual

Região Norte

Fronteira internacional

Fonte: ROSS, Jurandyr L. S. (org.). Geografia do Brasil 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 53.

Grande parte do relevo da região Norte é marcada por terrenos de baixa altitude. As planícies estão situadas em terrenos próximos às margens dos rios e ficam alagadas em algumas épocas do ano. Nos terrenos localizados entre os rios surgem as depressões, que são áreas rebaixadas em relação aos terrenos ao seu redor e a forma de relevo mais comum da região Norte.

O relevo da região Norte também apresenta áreas de altitudes mais elevadas, como o Planalto das Guianas, no norte dos estados do Amazonas, de Roraima e do Pará e na parte central do Amapá. Essa forma de relevo apresenta uma série de serras onde estão os picos mais altos do país, como o Pico da Neblina, o Pico 31 de Março e o Monte Roraima.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Observe o mapa Norte: relevo. Qual é a forma de relevo predominante na região Norte?

Espera-se que os estudantes percebam que a forma predominante é a depressão.

2 Como é o relevo no lugar onde você vive? A superfície apresenta variações de altitude? Anote suas impressões no caderno.

Respostas de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Incentive-os a relatar as características da superfície no lugar de vivência.

Atividade complementar

Ao abordar o relevo da região Norte, explique aos estudantes que o território apresenta predomínio de áreas de baixa altitude, como as planícies ribeirinhas, que ficam próximas aos rios e são frequentemente alagadas. Fale também sobre as depressões, que são áreas um pouco mais altas, porém menos elevadas que os planaltos ao redor. Por fim, destaque as áreas de maior altitude, como o Planalto das Guianas, onde estão o Pico da Neblina, o Pico 31 de Março e o Monte Roraima, este último com sua forma característica. Para isso, peça aos estudantes que comparem os mapas Norte: físico e Norte relevo, associando os pontos indicados à forma de relevo correspondente. Comente com a turma que o Monte Roraima tem formato de “mesa”, com paredões altos e topo plano. Ele está localizado na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. A área é protegida por lei e integra o Parque Nacional do Monte Roraima, um importante destino para o turismo ecológico e de aventura.

Ao trabalhar o mapa do relevo da região Norte, incentive os estudantes a compará-lo com o relevo do lugar onde vivem. Peça que observem se há morros, áreas mais baixas, várzeas ou terrenos planos. Explique que as diferentes formas de relevo influenciam o modo de vida e as atividades humanas, como agricultura, moradia e transporte.

25/09/2025 17:21

Proponha aos estudantes que, juntos, construam uma maquete simples de relevo, representando parte da região Norte. Não é esperado rigor na representação nesse momento. Para isso, eles podem utilizar massinha de modelar, argila ou papel machê. Oriente-os na elaboração da maquete; organize-os em grupos e distribua as diferentes formas de relevo entre eles. São elas:

• planícies, na parte mais baixa da maquete, com pequenos cursos de água feitos com fios de lã ou papel azul, para simbolizar os rios;

• depressões, um pouco mais elevadas, mas ainda próximas ao nível das planícies;

• o Planalto das Guianas, como a parte mais alta, destacando o Monte Roraima com o topo em formato plano.

A atividade pode ser feita de maneira interdisciplinar com o componente curricular de Arte.

BNCC

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

ENCAMINHAMENTO

Inicie o tema perguntando aos estudantes quais rios eles conhecem em seu município, comunidade ou região. Incentive-os a relatar suas experiências com os rios: para pesca, transporte, lazer ou histórias locais. Em seguida, apresente o mapa Norte: regiões hidrográficas, mostrando a grande quantidade de rios da região. Auxilie a turma na leitura e interpretação do mapa. Veja se os estudantes compreendem que a região hidrográfica Amazônica ocupa grande parte da região Norte, mas que, além dela, há a região hidrográfica do Tocantins-Araguaia, a do Atlântico Nordeste Ocidental, a do Parnaíba e a do São Francisco.

Ao apresentar os principais rios da região Norte, destaque a ligação entre relevo e hidrografia, mostrando como os rios correm por planícies e áreas de depressão. Utilize o mapa para localizar o Rio Amazonas e seus afluentes, como o Negro, o Solimões, o Madeira, o Tapajós, o Tocantins e o Xingu. Explore, também, os rios que cortam o estado onde fica a escola. Proponha aos estudantes que escolham um desses rios e façam uma pesquisa, em meios impressos ou digitais, com a supervisão de um adulto, sobre uma curiosidade ou característica dele.

Rios que moldam a região Norte

Um aspecto natural marcante da região Norte do Brasil é a presença de inúmeros rios.

Rio é um curso de água natural que corre de áreas de maior altitude para áreas de menor altitude. Os rios são compostos de ao menos três partes: nascente, curso e foz.

O maior deles é o Rio Amazonas, o rio mais extenso e com maior volume de água no mundo. Ele nasce na cordilheira dos Andes, no Peru, e atravessa toda a região Norte até desaguar no Oceano Atlântico. Além do Rio Amazonas, existem muitos outros rios importantes na região, como o Rio Negro, o Rio Solimões, o Rio Madeira, o Rio Tapajós, o Rio Tocantins e o Rio Xingu.

A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do Brasil e do mundo.

Bacia hidrográfica é uma área da superfície terrestre onde a água da chuva e a água que aflora do subsolo correm por meio de um rio principal e de rios menores, chamados afluentes.

Observe o mapa a seguir.

Norte: regiões hidrográficas

Amazônica

Tocantins-Araguaia

Região Norte Divisa estadual Fronteira internacional Regiões hidrográficas

Atlântico Nordeste Ocidental

Parnaíba São Francisco

Guaporé

Paraguai

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. p. 16.

Atividade complementar

Para tornar o conceito de bacia hidrográfica mais concreto, peça a cada estudante que traga uma folha de árvore que tenha se desprendido naturalmente do caule ou ramo. Peça que observem o verso da folha, onde aparecem as nervuras, imaginando que ela representa uma bacia hidrográfica. Explique que o caule central representa o rio principal e as ramificações menores representam os afluentes. Solicite aos estudantes que observem e desenhem, com caneta hidrográfica, o caminho da água pela folha, imitando o fluxo de uma bacia hidrográfica. Depois, relacione a produção com o mapa das regiões hidrográficas do Norte, reforçando a visualização da hierarquia entre os rios.

Os rios, além de fazerem parte da paisagem da região, têm influência na economia, no modo de vida e na cultura das pessoas que vivem no Norte.

Os rios da região Norte são extensos e funcionam como “estradas de água” para o transporte de pessoas e mercadorias. Para muitas comunidades ribeirinhas, por exemplo, são pelos portos fluviais que chegam os serviços para essas populações e por onde saem os produtos da comunidade para serem comercializados em outros locais.

Os rios também são fonte de alimento e lazer para os povos da região. Além disso, muitas tradições e lendas nasceram a partir da dinâmica dos rios.

1. Pesquise com os estudantes o rio mais próximo do lugar de vivência deles. Solicite a eles que descrevam o rio citando características como tamanho, cor da água, se a água é limpa ou poluída e como as pessoas o utilizam.

1 Qual é o rio mais próximo de onde você vive? Escreva o nome dele e faça uma breve descrição desse rio no caderno.

2 Analise o mapa Norte: regiões hidrográficas na página anterior. Quais regiões hidrográficas existem no estado onde você vive? Escreva no caderno

3 Você já ouviu alguém dizer que algo fica “para o lado do rio”? Sabe o que isso significa?

Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Espera-se que eles localizem o estado onde moram e identifiquem, por meio da legenda, a respectiva região hidrográfica. É uma expressão popular que usa o rio como orientação espacial, significando que algo está próximo a esse elemento natural.

• Compartilhe com os colegas exemplos de como você e sua família se orientam para encontrar caminhos no dia a dia.

Incentive os estudantes a conversar com seus familiares para entender como eles utilizam, em seu cotidiano, pontos de referência (como os rios e as estradas) e direções cardeais para se localizar.

4 Em uma roda de conversa, compartilhe com a turma alguma tradição ligada aos rios do lugar onde você mora. Você também pode pesquisar uma lenda relacionada aos rios da região Norte.

Resposta pessoal. Espera-se que a turma compartilhe conhecimentos acerca de lendas ou tradições ligadas às águas dos rios da região.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que os rios da região Norte possuem diferentes aspectos por causa da formação geológica do solo e do relevo. Os rios de águas claras, como o Tapajós e o Tocantins, correm sobre terrenos arenosos e graníticos, formando muitas várzeas e áreas de inundação, importantes para a pesca e a agricultura de várzea. Já os rios de águas escuras, como o Negro, têm solo com matéria orgânica acumulada, formando menos várzeas e mais praias de areia nas épocas de seca, o que favorece o turismo e o lazer. Relacione essas diferenças com as atividades econômicas e culturais locais, mostrando como a natureza influencia o modo de vida das comunidades ribeirinhas.

1. Caso haja mais de um rio nas proximidades do lugar de vivência dos estudantes, ajude-os a identificar se se trata de um rio principal ou de seu(s) afluente(s).

2. Caso os estudantes vivam nos estados de Roraima, Amazonas, Acre, Rondônia e Amapá, a região hidrográfica Amazônica abrange a totalidade de seus territórios. Caso os estudantes vivam no Pará, as regiões hidrográficas Amazônica, Tocantins-Araguaia e Atlântico Nordeste Ocidental estão presentes. Por fim, se os estudantes viverem no Tocantins, todo o território está dentro da região hidrográfica Tocantins-Araguaia.

3. Caso os estudantes não conheçam o significado da expressão para o lado do rio , que indica locais mais próximos da água, eles podem entrevistar pessoas da comunidade escolar e familiares para descobrir se essa expressão é comum em seu lugar de vivência e entender em que contextos ela é utilizada. Pergunte a eles se conhecem a expressão para o lado da terra, que indica locais próximos da terra firme. Comente que também é comum o uso das expressões subindo o rio (quando se vai no sentido contrário à correnteza) e descendo o rio (quando se segue o sentido da correnteza), que ajudam as pessoas a se localizar e a indicar direções.

4. Peça aos estudantes que conversem com familiares ou pessoas da região para conhecer lendas ou tradições ligadas às águas dos rios. Essa proposta reforça, tanto para os estudantes como para as pessoas entrevistadas, a importância da oralidade na preservação da memória e da cultura.

Encontro das águas dos rios Anauá e Branco em Caracaraí (RR), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que o transporte hidroviário é uma das formas mais tradicionais e importantes de deslocamento na região Norte, principalmente em áreas de difícil acesso por terra. Explique como os rios integram comunidades, facilitam o comércio e a mobilidade.

1. Aproveite a atividade para mostrar como as hidrovias estão presentes em diferentes regiões do Brasil.

2. Na discussão sobre os cuidados ao utilizar os rios como via de transporte, oriente os estudantes para que refitam sobre as questões de segurança, a conservação ambiental e o respeito às comunidades ribeirinhas. Enfatize a importância de proteger os rios, trabalhando a educação ambiental. Estimule os estudantes a pensar também quais cuidados são necessários ao utilizar uma embarcação, como o uso de colete salva-vidas e não deixar resíduos em cursos de água.

3. Incentive a realização da pesquisa de exemplos de hidrovias em outras regiões do Brasil, como o Aquático-SP e a hidrovia do rio São Francisco, promovendo uma comparação com a realidade nortista. Aborde também o fato de que, no Norte, os meios de transporte são adaptados às características do território e às necessidades das comunidades.

DIÁLOGOS

Transporte hidroviário

Você sabia que o transporte hidroviário surgiu muito antes dos transportes rodoviário e ferroviário? Esse meio de transporte apresenta muitas vantagens, como o baixo custo e a sustentabilidade ambiental, já que pode carregar uma grande quantidade de carga e de pessoas utilizando pouco combustível.

Na região Norte, o transporte hidroviário tem uma importância construída ao longo da história e se faz presente em locais onde há poucas rodovias ou nenhuma.

A Hidrovia do Amazonas é a principal via de escoamento da região. Mas a maior hidrovia do Brasil é a Hidrovia Tietê-Paraná, com 2 400 quilômetros de extensão. Ela conecta os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, transportando principalmente soja, milho e cana-de-açúcar.

1 Em quais regiões do Brasil ficam os estados pelos quais passa a Hidrovia Tietê-Paraná? Anote no caderno.

Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e Goiás), Sudeste (Minas Gerais e São Paulo) e Sul (Paraná). Resposta variável de acordo com a discussão do grupo. Veja orientações no Encaminhamento.

2 Converse com a turma sobre os cuidados que precisamos ter ao usar os rios como via de transporte.

3 Na região Norte, o transporte hidroviário é muito utilizado pelas pessoas no dia a dia. Com a ajuda do professor, pesquisem exemplos de uso das hidrovias para transporte de pessoas em outras regiões do Brasil.

Resposta variável de acordo com a pesquisa do grupo. Veja orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor

BRASIL. Ministério dos Transportes. Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Hidrovia do Amazonas. Brasília, DF: MT, 19 nov. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/ assuntos/aquaviario/intervencao-em-hidrovias/hidrovias-1/copy_of_hidrovia-do-amazonas. Acesso em: 4 set. 2025.

O texto apresenta dados interessantes sobre a Hidrovia do Amazonas (ou HN-100 Rio Amazonas), a principal via de transporte e escoamento de cargas na região Norte, com 1646 km de extensão. Essa hidrovia é fundamental para o comércio interno e externo da região.

Hidrovia Tietê-Paraná em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Hidrovia do Amazonas em 2022.

Chuva e calor: clima da região Norte

O território da região Norte está localizado próximo à linha do equador, área do planeta que recebe maior incidência de raios solares. Por conta disso, os climas na região têm como características principais as temperaturas elevadas e a chuva intensa.

Observe o mapa.

Norte: climas

Incidência: frequência, quantidade em que alguma coisa acontece.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

ENCAMINHAMENTO

COLÔMBIA

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2016. p. 60. O clima predominante na região Norte é o equatorial, que é quente e úmido durante o ano inteiro. O clima equatorial semiúmido se diferencia do clima equatorial úmido por apresentar menor quantidade de chuvas ao longo do ano. No clima equatorial existem a estação chuvosa, de dezembro a maio, com muitas chuvas quase todos os dias, e a estação seca, de junho a novembro, com menos chuvas, mas ainda com bastante calor e umidade.

No Tocantins e em parte do Pará, ocorre o clima tropical, caracterizado por uma estação quente e chuvosa, de novembro a abril, e uma estação seca e com temperaturas mais amenas, de maio a outubro.

1 Qual é o clima predominante no estado onde você mora?

Veja orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

25/09/2025 17:21

Proponha uma roda de conversa fora da sala de aula, se possível em um pátio externo da escola. Propicie um ambiente descontraído para que os estudantes se sintam à vontade para se expressar. Pergunte à turma se eles sabem qual é a diferença entre tempo e clima. Ouça com atenção todas a hipóteses dos estudantes e garanta que todos se tratem com respeito e empatia. Depois de ouvir as respostas, explique a eles que tempo e clima são conceitos diferentes. O tempo é como o dia está: pode fazer sol, chover ou ventar forte. Já o clima é como o tempo costuma ser em um local por muitos anos. Finalize solicitando a eles que descrevam como está o tempo naquele momento.

Mostre para os estudantes o mapa Norte: climas e oriente-os a observar que grande parte da região Norte apresenta o clima equatorial, com temperaturas elevadas durante todo o ano e bastante chuva. Isso acontece porque a região está bem perto da linha do Equador, onde há maior incidência de raios solares. Esse calor, com a grande quantidade de rios e florestas, faz com que o ar fique carregado de umidade, provocando muitas chuvas ao longo dos meses. Para tornar a explicação mais concreta, incentive os estudantes a relatar as características do clima onde vivem, como o calor e as chuvas frequentes. Questione: como é a paisagem nos meses mais úmidos? Como é a paisagem nos meses mais secos?

Uma estratégia interessante é comparar a região Norte com outras regiões do Brasil, destacando como a posição geográfica interfere na temperatura e no regime de chuvas. Se possível, use imagens de satélite ou gráficos climáticos para ilustrar. 1. Caso os estudantes morem no Acre, em Rondônia ou no Amapá, o clima é o equatorial úmido. Caso morem no Amazonas ou em Roraima, o clima pode ser o equatorial úmido ou o equatorial semiúmido. Caso morem no Pará ou em Tocantins, o clima pode ser o equatorial úmido ou o tropical.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

ENCAMINHAMENTO

Destaque que, embora a Floresta Amazônica seja a formação mais conhecida, existem outros tipos de vegetação na região, como campos e cerrados. Comente com os estudantes que cada tipo de vegetação apresenta características próprias e inicie a leitura dos quadros explicativos de cada formação vegetal e a exploração das respectivas imagens. Você pode pedir a cada estudante que leia em voz alta um dos quadros ou fazer a leitura coletiva com a turma. Em seguida, proponha aos estudantes que façam um quadro ou esquema no caderno, indicando cada tipo de vegetação que predomina na região Norte e suas principais características.

Aproveite para abordar os alimentos e produtos extraídos da natureza, como castanha-do-pará, açaí, látex e madeira. Proponha aos estudantes que pesquisem quais produtos são mais comuns em cada tipo de vegetação da região e compare com o que é produzido em outras partes do Brasil.

Além da floresta: vegetação da região Norte

A vegetação da região Norte é marcada pela presença da Floresta Amazônica, a maior floresta equatorial do planeta. No entanto, essa não é a única formação vegetal presente na região. Observe o mapa.

Norte: vegetação nativa

Vegetação litorânea

É caracterizada por suas raízes submersas, como no mangue, vegetação que cresce entre o rio e o mar. Também inclui restingas, vegetação que cresce sobre a areia nas áreas costeiras.

Sugestão para o professor

Campos

Estão em área de planície e são caracterizados por poucas árvores e cobertura de gramíneas. Em geral, aparecem em solos rasos ou mal drenados. As pessoas que vivem próximas aos campos muitas vezes praticam a pecuária ou a agricultura familiar.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais. Províncias estruturais, compartimentos de relevo, tipos de solos, regiões fitoecológicas e outras áreas. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. Disponível em: https://biblioteca. ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2101648. Acesso em: 4 set. 2025. A publicação detalha os grandes conjuntos de elementos naturais do Brasil, classificados em quatro temas: províncias estruturais (geologia), compartimentos de relevo (geomorfologia), tipos de solos (pedologia) e regiões fitoecológicas (vegetação), oferecendo um retrato integrado do ambiente natural do país em escala de mapeamento. O conteúdo é ilustrado com mapas, fotografias, figuras, diagramas e perfis esquemáticos.

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante São Paulo: FTD, 2016. p. 64.
Paisagem de vegetação litorânea em Soure (PA), em 2024.
Paisagem de campos em Laranjal do Jari (AP), em 2023.
Floresta Amazônica Mata dos Cocais
Vegetação litorânea (mangue, restinga, jundu)
Cerrado Campos
Campinarana (campinas do rio Negro)
Divisa estadual Região Norte Fronteira internacional Capital estadual

Floresta Amazônica

O clima equatorial favorece o desenvolvimento da vegetação da Floresta Amazônica, formada por árvores altas, folhas grandes e muitos tipos de plantas. Essa floresta, por sua vez, influencia o clima, por conta da alta umidade gerada pela transpiração de suas plantas. Observe os três tipos principais de mata da Floresta Amazônica.

Mata de várzea: é alagada quando há cheia dos rios.

Os elementos não foram representados em proporção de tamanho entre si.

de igapó: sempre está alagada pelas águas dos rios.

Fonte: PINHEIRO, Luana; CARDOSO, Ana Claudia. A comunidade flutuante Lago Catalão: Iranduba AM: um tecido urbano sobre as águas. Revista de Morfologia Urbana, Porto, v. 7, n. 2, 2019. Disponível em: https://revistademorfologiaurbana.org/index.php/rmu/article/view/114/52. Acesso em: 25 jun. 2025.

Cerrado

É uma vegetação de árvores baixas e retorcidas, com troncos grossos. É comum encontrar arbustos e gramíneas nesse tipo de paisagem. É muito rico em espécies vegetais e animais.

Campinarana Vegetação típica da Amazônia, ocorre em áreas planas e alagadas. Apresenta fisionomia bastante variada, adaptada a solos arenosos e pouco férteis.

1 Qual é o tipo de vegetação que ocupa a maior parte da região Norte?

A Floresta Amazônica.

ENCAMINHAMENTO

• O solo da Amazônia, na maior parte, não tem muitos nutrientes. Eles estão na própria floresta. Quando folhas, galhos, frutos e até animais mortos caem no chão, formam uma camada chamada serrapilheira. Com o calor e a umidade típicos da região, esse material se decompõe rapidamente, formando o húmus, uma terra escura e rica que alimenta as plantas.

• Os rios da Amazônia, como o Rio Amazonas, também ajudam a espalhar nutrientes. Quando acontecem as terras caídas (deslizamentos de barrancos e margens dos rios), partes da vegetação e do solo caem dentro dos rios, levando junto muitos nutrientes. A água se torna mais fértil e, durante o período das cheias, se espalha por grandes áreas, formando as várzeas.

• As várzeas são áreas que ficam alagadas quando o rio sobe, entre os meses de dezembro e maio. Quando chega o período seco, de junho a novembro, a água baixa e deixa no solo uma camada de nutrientes trazida de outras regiões. Por isso, são muito usadas pelas comunidades locais para plantar alimentos.

17:21

Ao trabalhar os diferentes tipos de mata da Floresta Amazônica, explique aos estudantes que cada área em que predomina um tipo de mata tem características próprias que influenciam o modo de vida das pessoas e as atividades econômicas locais. Na mata de igapó, que está sempre alagada, as comunidades ribeirinhas dependem principalmente da pesca e da coleta de frutas de árvores adaptadas à água, como o buriti. Na mata de várzea, que alaga apenas nas épocas de cheia, muitas famílias praticam a agricultura de várzea, plantando alimentos como arroz, milho, melancia e feijão nas épocas de seca. Já na terra firme, que nunca é alagada, predominam cultivos permanentes, como mandioca, café, cacau e frutíferas amazônicas, além da prática do extrativismo, como a coleta de castanha-do-pará e a extração de látex. Utilize mapas, fotos e, se possível, vídeos curtos que mostrem essas paisagens e os modos de produção. Apresente à turma informações importantes sobre o ciclo natural de reciclagem de nutrientes no solo amazônico, que mantém viva a Floresta Amazônica.

Paisagem de cerrado em Bonfim (RR), em 2023.
Paisagem de campinarana em Caracaraí (RR), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
LÁPIS 13B
Mata
Nível do rio na cheia
Mata de terra firme: nunca é alagada pelas cheias dos rios.
Nível normal do rio

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF04CO08) Reconhecer a importância de verificar a confiabilidade das fontes de informações obtidas na internet.

ENCAMINHAMENTO

Apresente a localização do bioma amazônico no território brasileiro, utilizando o mapa da página.

Ao trabalhar o conceito de biodiversidade, destaque que a Amazônia é um dos locais com maior variedade de vida no planeta, abrigando milhares de espécies de plantas, animais e microrganismos. Para aprofundar o tema, proponha a construção de um mural da biodiversidade amazônica, no qual os estudantes podem colar imagens ou desenhar espécies típicas da região, como o boto, a onça-pintada, a vitória-régia, o açaizeiro, entre outros. Relacione a biodiversidade à importância da conservação, perguntando aos estudantes o que pode acontecer se a floresta continuar sendo desmatada.

Se possível, programe um dia de leitura de histórias e lendas que envolvam animais da Amazônia. As leituras podem ser feitas em roda ou em dupla, conforme o perfil da turma. Estudantes com dificuldade de leitura podem participar descrevendo as imagens e como ouvintes, participando do momento da interpretação do texto. Outra possibilidade é formar duplas de modo que um estudante com boa fluência leitora auxilie o colega com mais dificuldade.

Biomas da região Norte

Relevo, clima e vegetação são aspectos naturais intimamente relacionados. A vegetação de determinada área é influenciada pelo tipo de clima e relevo ali presentes, ao passo que a vegetação e o relevo também influenciam características do clima, como temperatura e umidade do ar.

Bioma é um conjunto de vida vegetal e animal existente em determinada região que apresenta condições de clima e de relevo semelhantes.

A Amazônia é o maior bioma do Brasil, ocupando 49% do território do país e quase a totalidade da região Norte.

Estima-se que aproximadamente 10% da variedade de seres vivos do planeta se encontra nesse bioma.

Outro bioma existente na região Norte é o Cerrado, presente principalmente no estado do Tocantins.

Observe o mapa sobre os biomas do Brasil.

Brasil: biomas

Fonte: INSTITUTO

BRASILEIRO DE GEOGRAFIA

E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 108.

DESCUBRA MAIS

Cerrado

Pantanal

Caatinga

Pampa

INFOAMAZONIA. São Paulo: InfoAmazonia, c2025. Disponível em: https:// infoamazonia.org/sobre/. Acesso em: 21 maio 2025.

O portal InfoAmazonia traz reportagens sobre questões sociais e ambientais e apresenta dados estatísticos e mapas a respeito da Floresta Amazônica.

Sugestão para o professor

AMAZÔNIA. National Geographic Brasil. São Paulo, c2015-2025. Disponível em: https//www. nationalgeographicbrasil.com/amazonia. Acesso em: 5 set. 2025. O site reúne textos e imagens sobre diversos aspectos da Amazônia, incluindo tópicos sobre meio ambiente, povos amazônicos, a Bacia e a Floresta Amazônica.

INSTITUTO DE PESQUISA AMBIENTAL DA AMAZÔNIA. Belém, c2025. Disponível em: https:// ipam.org.br/pt/. Acesso em: 5 set. 2025.

A página apresenta informações e publicações sobre a Amazônia, com o objetivo de contribuir com conhecimentos para a defesa da floresta e de seus povos.

Trópico de Capricórnio
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO Equador
FRANCESA (FRA)
CHILE PARAGUAI
Amazônia Tipos de bioma
Mata Atlântica
Região Norte
Divisa estadual
Fronteira internacional

A vegetação e a vida animal da Amazônia e do Cerrado sofrem com o avanço de atividades econômicas, como a agropecuária e a mineração, e com o garimpo ilegal. Essas atividades ocasionam o desmatamento da vegetação nativa, muitas vezes em áreas protegidas por lei, a contaminação do solo e da água dos rios e a emissão de poluentes na atmosfera por meio de queimadas. Observe o mapa.

Norte: desmatamento (2023)

Desmatamento: retirada da vegetação nativa de determinada área.

Fonte: MAPBIOMAS. Plataforma de mapas e dados: uso e cobertura. Brasil: MapBiomas, c2025. Disponível em: https://brasil. mapbiomas.org/. Acesso em: 21 maio 2025.

Apesar dos riscos ambientais, muitos povos e comunidades tradicionais, como indígenas, ribeirinhos, seringueiros e pequenos agricultores, vivem de forma sustentável. Eles usam os recursos naturais sem comprometer sua renovação: colhem frutas, extraem óleos, látex e plantas medicinais, pescam e caçam. Assim, ajudam a conservar o meio ambiente para as gerações futuras.

1 Observe o mapa Norte: desmatamento (2023) O que significa a categoria “Área modificada pela ação humana” presente na legenda?

Veja orientações no Encaminhamento.

VOCÊ DETETIVE

Veja orientações no Encaminhamento.

1 . Pesquisem mais informações sobre a biodiversidade da Amazônia e do Cerrado e a degradação da natureza na região Norte.

2. Reúnam dados, imagens, notícias e o que mais acharem de interessante e anotem as informações no caderno.

3. Organizem uma exposição para os pais e a comunidade escolar sobre suas pesquisas e descobertas.

ENCAMINHAMENTO

Auxilie os estudantes a entender as causas da degradação ambiental na Amazônia, como o avanço de atividades como agropecuária, mineração e garimpo ilegal. Peça aos estudantes que pesquisem exemplos de mudanças na paisagem da região onde vivem, identificando áreas que sofreram desmatamento, queimadas ou poluição. Incentive a turma a discutir sobre formas de conservação, como as áreas protegidas por lei e os projetos de recuperação ambiental. Explique a diferença entre conservar (usar os recursos de forma equilibrada) e preservar (proteger integralmente, sem interferência), utilizando a extração de açaí, o manejo da castanha ou as reservas indígenas da região Norte como exemplos de conservação da natureza. Promova uma discussão em sala de aula sobre os modos de vida dos povos tradicionais que vivem da floresta de maneira sustentável e pergunte aos estudantes: “que atitudes simples nós também podemos ter no dia a dia para ajudar a proteger a natureza?”.

1. A categoria indica a área que sofreu alterações devido à ação humana, como desmatamentos.

A proposta do Você detetive é uma oportunidade para realizar um trabalho interdisciplinar com Ciências da Natureza na pesquisa sobre a biodiversidade dos biomas. Organize a turma em dois grupos. Um dos grupos terá como foco de pesquisa a biodiversidade da Amazônia e do Cerrado. Os estudantes podem utilizar livros, sites de instituições ambientais e reportagens sobre espécies desses biomas. O outro grupo deve pesquisar sobre problemas ambientais na região Norte, como desmatamento, garimpo ilegal, poluição dos rios e queimadas. Incentive os estudantes a buscar notícias recentes, dados estatísticos e imagens que mostrem os impactos dessas ações na natureza e nas comunidades locais.

O professor deve atuar como mediador na pesquisa, auxiliando os estudantes na procura de fontes confiáveis de informação.

Para o fechamento, oriente a realização de uma exposição na escola, aberta a outras turmas e aos familiares, em que os grupos possam apresentar suas descobertas por meio de cartazes, vídeos, maquete ou apresentações orais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
VAZ

BNCC

(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

ENCAMINHAMENTO

Separe sequências de imagens, como fotografias antigas e atuais de uma mesma área, imagens aéreas ou imagens de satélite e mostre-as aos estudantes para que observem as transformações nas paisagens urbanas e rurais ao longo do tempo. Comente que diferentes impactos ambientais ocorrem em toda a região, não apenas nos exemplos das fotografias. Destaque as relações entre o crescimento das cidades, a expansão de atividades econômicas e as alterações na natureza. 4. Promova uma discussão em grupo sobre o descarte de resíduos na comunidade local, permitindo que os estudantes relatem situações de descarte incorreto que conhecem ou já presenciaram. Sugira que elenquem possíveis ações para auxiliar na resolução desse problema, como campanhas de conscientização, coleta seletiva ou limpeza de espaços públicos.

Paisagens nortistas: impactos ambientais e

sustentabilidade

A região Norte apresenta rios repletos de peixes, solos férteis em áreas de várzea e florestas que oferecem frutos, madeira e plantas medicinais. Esses recursos fazem parte do cotidiano e são a base do sustento de milhares de famílias nortistas, mas eles não são infinitos.

O crescimento desordenado das cidades, a instalação de indústrias, a expansão de áreas agropecuárias e de mineração, além do avanço das estradas, provocam impactos ambientais . A poluição dos rios, a produção e odescar te inadequado de resíduos, o desmatamento, a contaminação do solo, a emissão de gases poluentes no ar e o desaparecimento de animais e plantas são exemplos de impactos negativos ao ambiente.

Impacto ambiental é toda modificação no meio ambiente provocada pela ação humana, que pode trazer consequências boas ou ruins para a natureza e para as pessoas.

Observe as fotografias.

Resíduos acumulados próximo às casas flutuantes no igarapé Mindu, em Manaus (AM), em 2022.

1 O que são impactos ambientais?

NÃO ESCREVA NO LIVRO. São mudanças que ocorrem no meio ambiente por causa da ação das pessoas, como poluição, desmatamento ou até mesmo conservação de áreas.

2 Quais problemas podem surgir com o crescimento desordenado das cidades?

Poluição do ar e da água, desmatamento, descarte incorreto de resíduos, entre outros.

3 Identifique o impacto ambiental em cada uma das fotografias desta página e registre no caderno.

Na primeira fotografia, existe uma grande área de floresta desmatada para o cultivo de milho. A segunda fotografia mostra o descarte incorreto de resíduos poluindo as águas de um igarapé.

4 No lugar onde você vive, ocorre descarte inadequado de resíduos? Por que você acha que isso acontece? Discuta com os colegas e anote no caderno.

Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Incentive-os a descrever a realidade onde vivem e a elaborar hipóteses sobre essa prática. Eles podem indicar se no lugar onde vivem há ou não coleta de resíduos ou áreas de descarte adequadas.

Texto de apoio

E por que se importar com a natureza ou documentar a biodiversidade, apesar de tudo oque está acontecendo?, perguntou-se naquele fim de tarde [o ornitólogo do INPA Mario] Cohn-Haft. “Porque é lindo saber que nós estamos cercados por tantos tipos de seres vivos. Todos os indivíduos de uma espécie têm uma maneira de viver, que é compartilhada entre os membros daquela espécie. Por mais sutil que possa parecer, cada espécie vive de uma forma diferente e representa um conjunto único de soluções para o problema da sobrevivência”, diz Cohn-Haft. [...]

CHAMORRO, Paulina. Projeto de pesquisa de 40 anos guarda a história recente da Amazônia. National Geographic Brasil, São Paulo, 8 jul. 2022. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meioambiente/2022/07/projeto-de-pesquisa-de-40-anos-guarda-a-historia-recente-da-amazonia. Acesso em: 5 set. 2025.

Vista de drone de área da Floresta Amazônica desmatada para plantio de milho, em Iracema (RR), em 2024.

Nas cidades, é essencial cuidar do descarte de resíduos, economizar água, conservar os igarapés e utilizar os espaços públicos com respeito. Já no campo, a proteção da floresta, o cuidado com os rios e a agricultura feita com responsabilidade ajudam a manter o equilíbrio da natureza.

Veja alguns exemplos de ações que impactam positivamente o meio ambiente.

sustentáveis,

Quando aprendemos a cuidar da água que usamos, a plantar sem destruir a floresta, a respeitar o tempo da natureza, estamos praticando a sustentabilidade.

5 Você conhece alguma ação sustentável feita em seu município ou comunidade? Se sim, quais recursos naturais ela visa proteger?

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

VOCÊ DETETIVE

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1. Com os colegas e o professor, faça uma expedição de observação do entorno escolar. Utilize as questões a seguir como guia de observação.

• Existem árvores e outras plantas perto da escola?

• Os espaços estão limpos e os resíduos são descartados corretamente?

• Há sinais de poluição do ar ou da água?

Depois, registre no caderno, com desenhos e textos, o que vocês observaram e conversem sobre o que pode ser melhorado.

Produção pessoal. Oriente os estudantes a utilizar as questões para guiar a observação da paisagem e anotar os aspectos percebidos, pois isso será importante na elaboração dos desenhos e textos.

43

Atividade complementar

27/09/2025 21:16

Promova uma visitação a um museu que trate da conservação da fauna e da flora próximo à escola. Nesse caso, é necessário pesquisar previamente quais espaços são adequados à visitação e podem complementar os saberes dos estudantes (como espaços de memória local e centros de ciência que enfatizem o cuidado da comunidade com a natureza). Um material de referência para essa pesquisa é: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CENTROS E MUSEUS DE CIÊNCIA. Centros e museus de ciência do Brasil 2015. Rio de Janeiro: ABCMC: UFRJ: Museu da Vida, 2015. Disponível em: http://abcmc.org.br/abcmc/wp-content/uploads/2020/09/Guia-Centros-e-Museus-2015-baixaresolu%C3%A7%C3%A3o-divulga%C3%A7%C3%A3o.pdf. Acesso em: 26 jun. 2025. Para a atividade, é importante contar com o apoio dos familiares e da administração da escola, bem como com a aprovação da visita pelo espaço escolhido. Oriente os estudantes a respeitar todos os funcionários, as narrativas e os objetos com que entrarão em contato durante a visitação. Ao final da visita, incentive-os a refletir sobre quais experiências de cuidado com a natureza observadas podem ser aplicadas pela comunidade do entorno escolar.

5. Respostas pessoais. Os estudantes podem entrevistar familiares ou membros da comunidade escolar para descobrir exemplos de ações sustentáveis, como cultivo de alimentos no sistema agroflorestal. No Você detetive , organize com a turma uma expedição de observação ao redor da escola, criando um momento de aprendizagem fora da sala de aula. Lembre-se de pedir autorização por escrito aos familiares e informar a direção da escola. Antes da saída, discuta com os estudantes os objetivos da atividade, explicando que eles vão observar elementos da paisagem natural e humanizada, além do estado de conservação do espaço público. Organize os estudantes em pequenos grupos e distribua as perguntas da atividade como um guia de campo, incentivando a observação atenta. Se possível, leve pranchetas, folhas de papel avulsas ou cadernos para que façam anotações e esboços durante a caminhada. Ao voltar para a sala de aula, reserve um tempo para que os estudantes registrem suas observações com textos e desenhos, podendo também incluir sugestões para melhorar o ambiente escolar e o entorno. Incentive a discussão coletiva sobre os problemas observados e as possíveis soluções, como a implantação de lixeiras, campanhas de conscientização ou até o plantio de mudas. Oriente a turma a produzir um “Plano de Ações Sustentáveis” para a escola ou para a comunidade com base nas ações de melhoria listadas por eles.

Mudas produzidas na Eco-Fazenda Escola Patú Anú utilizando práticas agroflorestais e tecnologias
em Breves (PA), em 2022.
Plantação de alimentos no sistema agroflorestal, que contribui para a conservação do solo e da água, na Aldeia Ashaninka Apiwtxa, em Marechal Thaumaturgo (AC), em 2021.

ENCAMINHAMENTO

Esta seção pode ser utilizada como um momento de avaliação, verificando aquilo que os estudantes apreenderam ao longo da unidade e possíveis conceitos e habilidades que precisam ser retomadas.

1. Os estudantes devem apontar que região é uma delimitação do espaço geográfico que apresenta elementos semelhantes. Esses elementos podem ser naturais, como o clima e a vegetação, ou produzidos pela sociedade, como aspectos históricos e culturais.

2. Espera-se que os estudantes respondam que os critérios podem ser naturais, sociais, culturais, econômicos, históricos e políticos.

3. Espera-se que os estudantes respondam que são ações importantes para a valorização da identidade, a transmissão da cultura e o reconhecimento próprio e de pessoas de outras regiões sobre os valores nortistas.

4. Espera-se que os estudantes apontem impactos ambientais como o desmatamento, a poluição dos rios, o descarte inadequado de resíduos, as queimadas, a perda da biodiversidade.

5. Espera-se que os estudantes expliquem que sustentabilidade é o uso dos recursos naturais com cuidado para que eles não acabem. Como exemplo, eles podem apontar o reaproveitamento de água da chuva, a coleta seletiva de resíduos, o uso de fontes renováveis de energia, o plantio de árvores nativas, o cultivo por meio de agroflorestas etc.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1 Explique o conceito de região no estudo da Geografia.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

2 Quais critérios podem ser utilizados em uma regionalização?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

3 Observe a fotografia, leia a legenda e o depoimento a seguir.

Indígenas huni kuins, guaranis e kaiowás em apresentação de música eletrônica em um festival de música em Nova York, nos Estados Unidos, em 2024.

[…] É muito importante para o povo Huni Kui porque, de certa forma, é nossa identidade, nossa origem, nossa realidade que o povo está vendo, nosso conhecimento e o nosso valor. Hoje o meu povo está sendo contemplado para que o mundo possa conhecer que existe esse povo que se preocupa com o bem da humanidade, por uma vida melhor, saúde de qualidade, reintegração da natureza com o ser humano, disse o indígena [o cacique Mapu Huni Kuî].

LIMA, Isabelle. Indígenas do Acre se apresentam com Alok em festival internacional de música; veja vídeo. Portal Amazônia, 29 set. 2021. Disponível em: https://portalamazonia.com/amazonia/indigenas-do-acre-seapresentam-com-alok-em-festival-internacional-de-musica-veja-video/. Acesso em: 7 jun. 2025.

• Qual é a importância de transmitir e divulgar a cultura nortista?

4 Cite dois exemplos de impactos ambientais negativos que acontecem no território da região Norte.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

5 O que é sustentabilidade? Dê um exemplo de uma atitude sustentável no lugar onde você mora.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

Caso julgue interessante propor mais uma atividade para ampliar a reflexão dos estudantes, sugira que elaborem uma carta coletiva com o tema “O que podemos fazer para valorizar nossa região e cuidar do meio ambiente?”. A atividade mobiliza a interdisciplinaridade com Língua Portuguesa. Discuta com os estudantes as características composicionais do gênero carta, como a indicação de local e data, a escolha de um destinatário (que pode ser a própria comunidade escolar), a despedida e a identificação de quem escreveu o texto na assinatura. Essa abordagem vai além da simples revisão, trabalhando cidadania e levando os estudantes a reconhecer a História e a Geografia como ciências que fazem parte da vida deles.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

6 Identifique os diferentes tipos de vegetação da região Norte representados nas imagens a seguir e indique suas características.

Veja respostas no Encaminhamento.

• Qual tipo de vegetação da região Norte não foi representado nas fotografias? Quais são suas características?

Veja respostas no Encaminhamento.

7 Como os povos e as comunidades tradicionais contribuem para a proteção ambiental na região Norte?

Veja respostas no Encaminhamento.

1. Avalie sua participação individual e de seu grupo durante as aulas. Utilize a escala:

Sim. Um pouco. É preciso melhorar.

Avaliação de meu trabalho individual

Respostas de acordo com a autoavaliação dos estudantes.

a) Consegui entender o conteúdo?

b) Consegui cumprir as tarefas?

c) Consegui explicar minhas ideias quando solicitado?

d) Consegui colaborar com meu grupo?

Avaliação do trabalho em grupo

a) Conseguiram cumprir as tarefas?

Veja orientações no Encaminhamento.

b) Conseguiram ouvir a opinião dos outros com respeito?

c) Conseguiram trabalhar de forma colaborativa?

ENCAMINHAMENTO

7. Os povos e as comunidades tradicionais têm uma relação sustentável com os recursos da região, e transmitem seu conhecimento sobre o uso sustentável da natureza de geração em geração.

Antes de começarem a responder à autoavaliação, promova uma conversa com a turma explicando cada pergunta, dando exemplos do que significam cumprir tarefas, explicar ideias ou trabalhar de forma colaborativa. Uma boa estratégia é ler cada item em voz alta, perguntando: “o que significa conseguir cumprir as tarefas?” ou “o que é ouvir a opinião dos outros com respeito?”, para garantir que todos entendam. Incentive os estudantes a responder com sinceridade, explicando que não existe resposta certa ou errada, mas que a autoavaliação serve para que todos possam perceber que atitudes podem ser revistas.

Se possível, disponha as cadeiras da sala de aula em um semicírculo, deixando que alguns estudantes compartilhem suas percepções caso se sintam à vontade. Finalize reforçando que reconhecer as dificuldades também é um sinal de aprendizado e que o mais importante é perceber como cada um pode evoluir nos próximos trabalhos. Pergunte: o que vocês podem fazer para melhorar a participação nas próximas aulas?

25/09/2025 17:21

6. Os tipos de vegetação da região Norte representados nas imagens são: 1) Floresta Amazônica: vegetação formada por árvores altas, folhas grandes e muitos tipos de plantas. É classificada em três tipos principais de mata: mata de igapó, mata de várzea e mata de terra firme. 2) Cerrado: vegetação de árvores baixas e retorcidas, com troncos grossos. É rico em espécies vegetais, sendo comum encontrar arbustos e gramíneas. 3) Campinarana: vegetação típica da Amazônia, de aparência bastante variada, adaptada a solos arenosos e pouco férteis. Ocorre em áreas planas e alagadas. 4) Campos: caracterizados por poucas árvores e cobertura de gramíneas. Aparecem em planícies, solos rasos ou mal drenados. O tipo de vegetação que não foi representado nas fotografias é a litorânea, caracterizada por suas raízes submersas, vegetação que cresce entre o rio e o mar, e restingas, vegetação que cresce sobre a areia nas áreas costeiras.

Para fechar a unidade, promova uma roda de conversa, retomando os principais conceitos trabalhados na unidade: região, critérios de regionalização, identidade cultural, características naturais da região, impactos ambientais e sustentabilidade. Pergunte: como vocês conseguem perceber tudo isso que estudamos no dia a dia?

Caracaraí (RR), em 2024.
Careiro (AM), em 2022.
Almas (TO), em 2024.
Macapá (AP), em 2021.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Esta unidade trata da formação histórica da região Norte e dos diferentes povos e culturas que a compõem. No Capítulo 1 , são apresentados os primeiros povos que habitavam o território, o processo de ocupação e de colonização da região Norte e aspectos da cultura dos povos originários. Nesse contexto, são trabalhados vestígios materiais encontrados em sítios arqueológicos da região e são apresentados conceitos fundamentais para o trabalho historiográfico e a construção do conhecimento histórico pelos estudantes. A arte produzida pelas culturas indígenas marajoara, maracá e tapajônica é apresentada como símbolo da história, da memória e da identidade nortista. São também apresentados os aspectos históricos, sociais e econômicos da região no período colonial.

No Capítulo 2 , ainda no contexto do Brasil colonial, são abordados formas de resistência dos indígenas à exploração e aculturação e o papel dos aldeamentos missionários com esses grupos e também na formação de vilas e cidades. Em seguida, são trabalhadas as contribuições dos povos africanos na formação cultural da região Norte. Já no contexto do período imperial, abordam-se as tensões políticas e sociais do pós-independência. Ao final, o estudo dos fluxos migratórios para a região Norte, até tempos mais recentes, mostra como diferentes povos transformaram os espaços e as culturas e influenciaram a economia da região.

FORMAÇÃO HISTÓRICA DA REGIÃO NORTE 2

Objetivos da unidade

• Identificar os principais acontecimentos que marcam a história nortista durante o período anterior à chegada dos europeus, o período colonial e o imperial.

• Explicar como o espaço e a natureza amazônica foram utilizados na colonização da região Norte e como ainda influenciam o modo de vida da população da região.

• Enumerar as atividades econômicas, os movimentos sociais e as agências históricas que forjaram a identidade nortista.

• Averiguar as permanências culturais, artísticas e sociais ao longo da história nortista e seus reflexos nos dias atuais.

• Examinar fontes históricas que materializam a narrativa histórica nortista.

ENCAMINHAMENTO

1 Descreva a cena e os objetos representados na ilustração.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento Resposta pessoal.

2 Você já visitou algum museu ou centro de memória sobre a história da região Norte? Se sim, conte como foi. Se não, converse com a turma sobre o que você acha que veria por lá.

A ilustração é uma boa oportunidade para realizar a sensibilização dos estudantes e a introdução de temas que serão tratados ao longo dos dois capítulos da unidade. Sugerimos que comece a expor para os estudantes o que seria um museu. Pergunte a eles se já estiveram em um espaço como esse, o que viram ou o que acham que veriam se visitassem um lugar de memória como o representado. Explique que na ilustração os estudantes estão observando elementos que remetem ao Ciclo da Borracha, assunto abordado no Capítulo 2, enquanto a família acompanha uma mostra de cerâmica marajoara, abordada no Capítulo 1. Chame a atenção para a réplica de vaso marajoara sendo tateada pelo menino cego. Acervos táteis são um dos recursos de acessibilidade que podem estar disponíveis em museus.

1. A cena representa grupos de pessoas (um grupo de estudantes e um grupo familiar) em visita a um museu, observando uma exposição de elementos da cultura nortista. Espera-se que os estudantes reconheçam os objetos representados (peças de cerâmica marajoara e instrumentos utilizados pelos trabalhadores extrativistas do látex).

BNCC

Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 3, 4, 5.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 4, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE05, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE05, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI07, EF03HI09.

BNCC da computação: EF05CO08.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural, educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

ENCAMINHAMENTO

Este primeiro momento tem como objetivo que os estudantes identifiquem a importância dos rios na formação da paisagem da região Norte, refletindo sobre as formas como as pessoas transformaram o espaço geográfico, organizando-o e ocupando-o conforme seus modos de vida.

1. A partir da leitura das imagens, espera-se que os estudantes identifiquem a importância dos cursos de água na ocupação da região. As paisagens mostram, também, a modificação de áreas em torno dos rios por conta da urbanização e da industrialização.

2. Na fotografia 1: o rio, a vegetação na margem oposta a que foi tirada a fotografia e as elevações do relevo no fundo. Na fotografia 2: o rio e a vegetação em suas margens.

3. Os estudantes podem mencionar que o rio é utilizado para atividades como transporte de pessoas e mercadorias, abastecimento das cidades, pesca e turismo.

PRIMEIROS POVOS E INÍCIO DA COLONIZAÇÃO

A paisagem da região Norte expressa a história, as culturas e as formas como as pessoas organizaram e ocuparam o espaço geográfico, transformando-o conforme seus saberes, necessidades e modos de vida.

Mesmo antes da colonização, os povos indígenas já utilizavam os cursos de água como vias de deslocamento, fontes de alimento e base para sua organização espacial. Com a chegada dos colonizadores, esses rios tornaram-se eixos de exploração econômica, circulação de mercadorias e instalação de vilas e fortalezas, estabelecendo a base da ocupação territorial da região.

As paisagens revelam elementos de permanência, como comunidades tradicionais, sistemas de transporte fluvial e uso de materiais locais. Elas também mostram processos de transformação, como o crescimento urbano, a industrialização e a modificação de áreas ribeirinhas. Nas cidades, os rios possibilitam o transporte, o desenvolvimento de atividades pesqueiras, o turismo e o lazer.

1 2

1 Quais elementos das paisagens representadas mostram um tipo de ocupação típica da região Norte?

Veja resposta no Encaminhamento.

2 Quais são os elementos naturais que fazem parte das paisagens urbanas representadas?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

3 Os rios se destacam nas duas paisagens. Como você acha que as pessoas desses lugares utilizam os rios?

Texto de apoio

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

As paisagens vão se modificando, na medida em que se altera a dinâmica que as produz, ou seja, a sociedade se modifica e, com isso, modifica suas paisagens, que são, então, a forma do novo conteúdo. [...] AQUI TEMOS A ANÁLISE GEOGRÁFICA: em qualquer tempo, em qualquer lugar, em qualquer escala, sempre que estiver analisando a distribuição territorial dos fenômenos e, portanto, como eles se organizam, pois isso não se dá de maneira aleatória.

PEREIRA, Diamantino. Paisagens, lugares e espaços: a geografia no Ensino Básico. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo, n. 79, p. 11-12, 2003. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/boletim-paulista/ article/view/818. Acesso em: 10 set 2025.

Vista da Orla Taumanan em Boa Vista (RR), em 2023.
Vista do Rio Acre em meio à cidade de Rio Branco (AC), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Formação do nosso povo

Na região Norte, assim como em todo o Brasil, a população é formada por diversos povos e culturas. Mas o que existe de diferente na população nortista? Como nossos antepassados ocuparam o território e contribuíram para a formação de nossa região?

O processo de ocupação e colonização da região Norte ocasionou o desaparecimento de diversos povos indígenas. As etnias que resistiram foram obrigadas a ressignificar seus modos de vida e tradições culturais para garantir sua sobrevivência.

Atualmente, os povos indígenas incluem em seu cotidiano práticas e costumes que geralmente são relacionados às pessoas não indígenas. No entanto, isso não significa a perda ou o enfraquecimento de identidade, pois a cultura não é um conjunto de valores e hábitos fechado, ela está em constante transformação.

O uso das tecnologias digitais, por exemplo, é uma prática adotada por diversas etnias indígenas para promover a preservação de suas culturas. As tecnologias audiovisuais podem auxiliar grupos que não utilizam a comunicação escrita a registrar e divulgar conhecimentos tradicionais.

Indígenas xerentes gravando entrevista para documentário sobre tecnologia em Tocantínia (TO), em 2025.

1 Você já assistiu a algum vídeo de uma pessoa indígena falando sobre sua cultura? O que você achou?

Os estudantes devem associar o que leram aqui com as experiências externas à escola, como conteúdos a que assistem pela televisão, redes sociais e outros tipos de mídia.

2 Faça um registro de algo que faz parte de sua cultura. O registro pode ser em vídeo, cartaz, história em quadrinhos, música, entre outros.

• Mostre seu registro para os colegas e o professor.

Produção pessoal. Auxilie os estudantes a refletir sobre aspectos de suas culturas e a realizar o registro mais adequado.

Sugestão para o professor

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

TCT: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

17:51

COELHO, Wilma de Nazaré Baía; COELHO, Mauro Cezar. Por linhas tortas: a educação para a diversidade e a questão étnico-racial em escolas da região Norte: entre virtudes e vícios. Revista da ABPN, Curitiba, v. 4, n. 8, p. 137-155, 2012. Disponível em: https://abpnrevista.org.br/ site/article/view/257. Acesso em: 10 set. 2025.

Para se aprofundar na temática da formação da identidade brasileira e da região Norte, recomendamos a leitura do texto indicado, que também permite o trabalho com as temáticas de História da África e de Cultura Afro-Brasileira nos currículos escolares do ensino fundamental.

Comente com os estudantes que as diversas formas de ressignificação ou de inclusão de hábitos e tecnologias da cultura não indígena não diminuem a riqueza e complexidade das identidades indígenas. Além disso, é importante entendermos que não são as pessoas de fora da cultura indígena que decidem como os indígenas devem seguir ou preservar suas culturas. As próprias comunidades são quem define como escrever suas histórias e preservar suas identidades. Esta é uma oportunidade para trabalhar o TCT Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

ENCAMINHAMENTO

Sugerimos que, ao iniciar a exposição desse tópico, organize uma roda de conversa com os estudantes, para que exponham seus conhecimentos e suas hipóteses sobre quem seriam os primeiros habitantes da região Norte. Indague-os há quanto tempo elas teriam chegado à região, por quais motivos elas teriam se deslocado para cá, entre outras possibilidades. Em seguida, explique a importância do estudo e da preservação dos vestígios materiais para que seja possível compreender quem eram os grupos humanos do passado e quais eram seus modos de vida.

Proponha a leitura coletiva do texto da página. Outra estratégia de leitura interessante é fazer a leitura em voz alta para a turma, servindo de modelo e, em seguida, selecionar alguns estudantes para ler novamente trechos do texto. Explore a fotografia do sítio arqueológico. Veja se os estudantes compreendem que há pessoas, possíveis arqueólogos, escavando um trecho demarcado do terreno para buscar vestígios materiais de povos antigos.

Ocupação ancestral

Você já se perguntou quem foram e como viviam as primeiras pessoas que chegaram à região onde você vive?

A fotografia desta página mostra o trabalho de arqueólogos na região Norte. Esses pesquisadores atuam em sítios arqueológicos, buscando vestígios materiais sobre o passado da humanidade.

Sítio arqueológico é um local onde são encontrados vestígios materiais de atividades humanas.

Vestígios materiais são os registros que uma sociedade produz ao longo do tempo, como objetos, pinturas rupestres, monumentos, cerâmicas, entre outros.

Os arqueólogos podem trabalhar com os antropólogos, que estudam as culturas, as crenças, as línguas e outras características dos grupos humanos, e com os historiadores, que pesquisam e interpretam o passado. Esses profissionais nos ajudam a conhecer um pouco mais sobre os primeiros habitantes da atual região Norte.

1 Descreva o que está acontecendo na imagem. Os estudantes devem descrever que veem pessoas trabalhando, escavando e observando objetos.

Texto de apoio

Pode parecer um paradoxo, mas o trabalho arqueológico do projeto Amazônia Revelada começa nas alturas.

• Helicópteros, drones ou aviões sobrevoam a floresta com sensores remotos [...].

• Milhares de feixes de lasers penetram nas copas das árvores [...].

• [...] a tecnologia permite criar imagens tridimensionais. Os dados são enviados para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério de Ciência e Tecnologia. Eles são convertidos nessas imagens, que podem revelar antigas estradas, valas, aterros, elevações artificiais de terra e moradas indígenas - todo tipo de área escavada e construída.

JUNIOR, Gonçalo. Como arqueólogos usam radares a laser em busca de civilizações perdidas na Amazônia. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 jan. 2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/ brasil/como-arqueologos-usam-radares-a-laser-em-busca-de-civilizacoes-perdidas-na-amazonia/. Acesso em: 10 set. 2025.

Escavação no sítio arqueológico Candelária em Porto Velho (RO), em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Pinturas rupestres

Os vestígios mais antigos de grupos humanos na região Norte estão nos sítios arqueológicos do Parque Estadual Monte Alegre, localizado na margem esquerda do Rio Amazonas, no Pará. As fotografias a seguir mostram dois desses vestígios, pinturas rupestres que foram feitas há mais de 11 mil anos.

Pinturas rupestres no Parque Estadual Monte Alegre em Monte Alegre (PA), em 2024.

As pinturas rupestres de Monte Alegre sempre foram conhecidas pelos moradores da região. Em 1849, o estudioso inglês Alfred Russel Wallace estava em viagem de exploração pela região e foi alertado pelos moradores sobre as pinturas. Wallace era um naturalista , geógrafo, antropólogo e biólogo, e fez uma estimativa da idade das pinturas. Em 1995, depois de ler o relato feito por Wallace, a arqueóloga estadunidense Anna Roosevelt confirmou a idade das pinturas rupestres de Monte Alegre.

Pintura rupestre: é o registro feito por seres humanos em paredes de cavernas ou rochas nos períodos Paleolítico e Neolítico. Naturalista: especialista no estudo das plantas e dos animais.

Estimativa: cálculo aproximado.

1 Você já viu alguma pintura rupestre em livros, na televisão ou na internet? Se sim, descreva como ela era.

Resposta pessoal.

2 O que você consegue identificar nas pinturas rupestres representadas nesta página? Escreva no caderno.

Os estudantes podem indicar figuras que se assemelharam a seres humanos e animais e traços geométricos.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

ENCAMINHAMENTO

Antes de iniciar o trabalho com o livro, levante os conhecimentos prévios dos estudantes, perguntando se sabem o que são pinturas rupestres e se há esse tipo de vestígio na região Norte. Acolha todas as respostas e reforce a importância de escutar os outros nos momentos de troca e do respeito aos colegas.

Se possível, apresente aos estudantes um vídeo que mostre o sítio arqueológico do Parque Estadual Monte Alegre ou outro sítio arqueológico da região Norte. Sugerimos o vídeo: VISITA a Parque Estadual Monte Alegre. Publicado por: Diário do FB. 2022. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https://youtu.be/ hMo4sCdo3dE. Acesso em: 10 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

ENCAMINHAMENTO

Nesse tópico, são abordadas outras fontes históricas de antigos grupos humanos do Norte. Trata-se de uma oportunidade para que os estudantes se familiarizem com o trabalho de pesquisa historiográfica. Não se trata de explicar tal tema para os estudantes, mas sim de uma aproximação natural com a ciência histórica, suas técnicas, metodologias e análises. Esse processo é o que Maria Auxiliadora Schmidt chama de “aula histórica”, em que a criança ou o jovem que dispõe de uma consciência histórica pode expressar os seus interesses e práticas cotidianas que se aliam com o conteúdo de História (SCHMIDT, Maria Auxiliadora. “Aula histórica”: o conhecimento científico como resistência em tempos de negacionismos. In: BAUMGARTEN, Lídia (org.). História, uma disciplina sob suspeita: reflexões, diálogos e práticas. Curitiba: Editora CRV, 2020). A partir disso, o professor adota procedimentos, fontes históricas e abordagens de forma problematizada e dialogada com os estudantes. Tendo contato com a produção do conhecimento histórico, os estudantes podem produzir suas narrativas, que passam a compor sua consciência histórica.

Outros vestígios

As sociedades indígenas que viviam na região Norte há pelo menos 10 mil anos moravam em diversos locais. Algumas comunidades praticavam a caça e a coleta. Outras praticavam a agricultura com o cultivo de mandioca, pupunha e arroz.

E como os pesquisadores sabem sobre isso? Uma das evidências é a terra preta, um solo fértil com a presença de restos orgânicos e fragmentos de cerâmica, dentre outros objetos. Essas áreas de terra preta são um indicativo de ocupação humana, com vestígios que indicam atividades agrícolas e aumento no número de pessoas que viviam naquele espaço.

Camadas de terra, com destaque para a terra preta, no sítio arqueológico

Donza em Porto Velho (RO), em 2015.

Evidência: sinal, indício, prova. Resto orgânico: resto de organismos animais ou vegetais.

Cerâmica encontrada no sítio arqueológico

Donza em Porto Velho (RO), em 2015.

As fotografias apresentam um sítio arqueológico da região Norte. Na imagem 1, aparece um objeto de cerâmica encontrado em sítio arqueológico em solo de terra preta. Na imagem 2, aparecem diferentes camadas de terra, e cada uma corresponde a uma época diferente, com vestígios deixados pelas comunidades indígenas. Quanto mais profunda a camada de terra, mais antigos são os vestígios materiais deixados pelas pessoas que ali viviam. 52

Incentive a turma a observar com atenção as imagens apresentadas na página. Chame a atenção para o fato de que a cerâmica e o perfil de escavação são do mesmo sítio arqueológico, em Rondônia.

Sugestão para o professor

GARCIA, Lorena et al . Caracterização de solos com terra preta: estudo de caso em um sítio tupi-guarani pré-colonial da Amazônia oriental. Revista de Arqueologia, Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 52-81, 2015.

O artigo discute como a presença da terra preta reflete as diferentes formas de ocupação indígena no período pré-colonial e sua relação com aspectos da cultura dos povos indígenas presentes nos dias de hoje, como a produção de cerâmica e a língua tupi.

1. Respostas pessoais. Incentive os estudantes a relatar suas experiências. Pode ser que eles já tenham visto algo semelhante em feiras de artesanato, na casa de familiares ou

Cerâmica marajoara

A cerâmica marajoara é um exemplo de arte produzida pelos antigos povos que viveram na região Norte entre os anos 400 e 1350. Esses grupos utilizavam grafismos em objetos como cerâmicas, tecidos e cestarias para se expressar e comunicar ideias. Nesses objetos, eram representados animais, seres humanos, plantas e figuras geométricas, que revelavam a organização política e econômica dessa sociedade indígena. As próprias cerâmicas eram resultado dessa organização: o artesão podia se dedicar a trabalhar em suas obras, pois o trabalho e as tarefas eram distribuídos entre as pessoas da comunidade.

Marajoara: referente à cultura da Ilha de Marajó, no Pará. Grafismo: desenho formado por padrões geométricos, linhas e cores.

Tigela cerimonial marajoara feita entre os anos 400 e 1400. Museu Nacional no Rio de Janeiro (RJ). Fotografia de 2007.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

Urna funerária marajoara feita entre os anos 400 e 1400. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand em São Paulo (SP). Fotografia de 2024.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Você já tinha visto algum objeto de cerâmica marajoara? Se sim, onde? Conte para os colegas.

2 Quais características da cerâmica marajoara são encontradas nas cerâmicas representadas nesta página?

É possível visualizar figuras geométricas. Na urna funerária, aparecem os traços de uma figura com olhos, nariz e boca. 53

25/09/2025 17:51 53

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

ENCAMINHAMENTO

Produzida por povos que viveram na região Norte entre os anos 400 e 1350, a cerâmica marajoara faz parte do período de ocupação do atual território da região Norte chamado de Formativo.

A abordagem do conteúdo sobre a cerâmica marajoara produzida pelos primeiros habitantes da região Norte e a relação com a produção ceramista da população nortista atual favorecem a percepção de que a cultura pode se transformar, se ressignificar e constituir um símbolo da resistência regional.

Indague os estudantes se eles sabiam que sociedades indígenas já viviam de forma organizada no território que hoje chamamos de região Norte, antes de os europeus chegarem aqui. É importante que eles percebam que o território já era habitado por diversas culturas antes da colonização portuguesa.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que o termo culturas, no contexto apresentado, se refere a expressões artísticas de diversos grupos indígenas que já viviam na região Norte antes da chegada dos europeus. São abordadas nesse tópico produções de comunidades indígenas especificamente de proximidades do Rio Tapajós, no Pará, e do atual território do Amapá.

Culturas maracá e tapajônica

As culturas maracá e tapajônica, também conhecida como Santarém, se referem a dois importantes tipos de cerâmica da região Norte. Cada uma dessas culturas engloba diversos povos indígenas que produziram cerâmicas com características em comum.

A cultura maracá se desenvolveu entre os sé culos 15 e 17 no atual território do Amapá. Os po vos indígenas que viviam nessa região produziram cerâmicas que combinavam elementos humanos e animais. Esses povos tiveram contato com os europeus.

Já a cultura tapajônica pertence aos povos indígenas que habitaram as proximidades do Rio Tapajós, no Pará. Essa cultura perdurou até o século 17, aproximadamente. Suas cerâmicas representam formas masculinas e femininas, com destaque para a produção de urnas funerárias, ligadas aos rituais funerários desses povos.

1 Em grupo, pesquisem exemplos das artes marajoara, maracá e tapajônica.

a) Procurem, pelo menos, uma cerâmica de cada uma das três culturas.

b) Tentem identificar o que está representado nas peças e quais seriam os possíveis usos desses objetos.

c) Construam um mosaico com as imagens das cerâmicas pesquisadas.

O objetivo da atividade é familiarizar os estudantes com a produção artística dos povos da região Norte, além de fazê-los refletir sobre como as culturas e a história são ressignificadas ao longo do tempo.

DESCUBRA MAIS

POR DENTRO do Museu Nacional. Google Arts & Culture, c2025. Disponível em: https://artsandculture.google.com/project/museu-nacional-brasil?hl=pt. Acesso em: 2 jun. 2025.

Explore a arte indígena que fazia parte do acervo do Museu Nacional. Pelo link é possível fazer a visita virtual “Aprecie as cerâmicas brasileiras como eram antes” em uma antiga sala de exposição com cerâmicas brasileiras.

A abordagem das expressões artísticas indígenas é uma boa oportunidade de aliar o ensino de História com o componente curricular de Arte. Essa relação pode ser feita com a exposição de como as cerâmicas, como produção artística, nos ajudam a entender as características da organização de sociedades indígenas que não faziam uso da escrita. Explique aos estudantes que as cerâmicas deixadas por esses povos são fontes históricas e arqueológicas usadas por pesquisadores para entender melhor o passado da região. Atividade complementar

Organize-se

• Copo descartável

• Cola

• Folha de papel avulsa • Lápis de cor

• Tesoura de pontas arredondadas

Proponha a produção de um trabalho artístico. Na folha de papel avulsa, os estudantes vão reproduzir padrões geométricos inspirados na cerâmica marajoara. Depois que os desenhos estiverem prontos, a folha de papel deve ser recortada no tamanho do copo e colada sobre ele, como se fosse uma estampa. Essa produção pode ser exposta na sala de aula. Posteriormente, os estudantes podem levar a peça para casa, como lembrança da atividade realizada. O copo decorado pode ser utilizado como porta lápis, por exemplo.

Urna funerária maracá. Museu Nacional no Rio de Janeiro (RJ). Fotografia de 2007.
Vaso tapajônico. Museu Centro Cultural João Fona, em Santarém (PA). Fotografia de 2025.

Cerâmica indígena e identidade nortista

Nas culturas populares, as artes indígenas marajoara, maracá e tapajônica adquiriram novos significados e são celebradas hoje como um dos símbolos da história, da memória e da identidade nortista. Um exemplo disso é a cerâmica produzida pelos artesãos no distrito de Icoaraci, em Belém, no Pará, a partir de 1960. Inspirados nas cerâmicas dos povos originários da região Norte, os artesãos de Icoaraci produzem peças de cerâmica que têm grande importância para a economia e o turismo local.

Sobre a cerâmica de Icoaraci, leia o trecho da reportagem a seguir.

Cerâmica produzida em Icoaraci em Belém (PA), em 2024.

“Hoje nós temos peças aqui em Icoaraci que são identidade nossa, da cerâmica icoaraciense, e as pessoas perguntam: É marajoara? É marajoara. É tapajônica? É tapajônica. É maracá? É maracá. Mas não é. Às vezes alguma cópia da marajoara, da tapajônica, da maracá, mas todas elas estilizadas, as originais você só encontra no museu. Hoje em dia é difícil ver um país no mundo que não tenha pelo menos algumas peças dessas, elas estão espalhadas pelo mundo”, explica Rosemiro, artesão ceramista.

Estilizada: com novos traços.

CASTRO, Mariana. Cerâmica de Icoaraci, em Belém do Pará, é patrimônio cultural e resgata cultura amazônica. Brasil de Fato, 10 set. 2024. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/podcast/mosaico-cultural/2024/09/05/ ceramica-de-icoaraci-em-belem-do-para-e-patrimonio-cultural-e-resgata-cultura-amazonica/. Acesso em: 3 jun. 2025.

1 Vamos produzir uma cerâmica inspirada em Icoaraci? Siga as orientações a seguir.

a) Pesquise imagens das cerâmicas produzidas pelos artesãos de Icoaraci.

b) Converse com os colegas sobre as características dessas cerâmicas, identificando as influências das culturas marajoara, maracá e tapajônica.

c) Com base na pesquisa, crie sua própria peça utilizando argila ou massa de modelar.

d) Apresente sua obra para a turma, seguindo as orientações do professor.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

1. É importante que os estudantes, em seu trabalho criativo, identifiquem em sua produção os elementos que foram inspirados na cerâmica do distrito de Icoaraci e entendam que as suas produções artísticas também fazem parte da identificação e valorização do patrimônio cultural e artístico da região Norte. Organize uma exposição das peças produzidas em sala de aula ou em outro ambiente da escola, em interdisciplinaridade com Arte. A exibição pode ser feita em uma feira cultural. De acordo com estudos na área da educação e especialmente da aprendizagem significativa, a socialização tem papel indispensável no desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos estudantes, impactando intimamente suas experiências na escola e interferindo no processo formativo de crianças e adolescentes.

BNCC

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

25/09/2025 17:51

Se possível, sugerimos a exibição do documentário Caminhos dos saberes: a cerâmica de Icoaraci-PA, elementos históricos e influências, que apresenta uma entrevista com o sr. Rosemiro Pereira, artesão e mestre ceramista. Ele relata sua história, seus saberes e conhecimentos acumulados ao longo da vida. Rosemiro também fala sobre elementos históricos da comunidade onde vive e sobre as produções artísticas das culturas marajoara, maracá e tapajônica (CAMINHOS dos saberes: a cerâmica de Icoaraci-PA, elementos históricos e influências. Publicado por: Nova Revista Amazônica. 2017. 1 vídeo (ca. 11 min). Disponível em: https://youtu.be/elxU4yqmXqw. Acesso em: 10 set. 2025).

Esta é uma oportunidade para trabalhar o TCT Multiculturalismo: diversidade cultural.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF05CO08) Acessar as informações na Internet de forma crítica para distinguir os conteúdos confiáveis de não confiáveis.

ENCAMINHAMENTO

Localize no mapa Brasil: povos indígenas (1500) , com os estudantes, os grupos linguísticos que constam da legenda.

Ao trabalhar o mapa, comente que, quando os europeus chegaram ao território que formaria o Brasil, tiveram contato com povos indígenas do litoral, que falavam principalmente línguas da família Tupi-Guarani. Explique à turma que, hoje, a língua portuguesa é a língua oficial no Brasil, mas há uma rica diversidade linguística por todo o território nacional, com centenas de outras línguas utilizadas. Mencione também que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma forma de expressão linguística nacional, reconhecida por lei desde 2002.

Em Você detetive , faça uma pré-seleção de páginas da internet que podem ser acessadas pelos estudantes.

Povos indígenas em 1500

Estudos indicam que grupos indígenas habitaram primeiro a região do atual estado de Rondônia e, depois, se espalharam por toda a Floresta Amazônica. O mapa a seguir apresenta os povos indígenas existentes no Brasil no período da chegada dos europeus, com base nos diferentes grupos linguísticos

Grupos linguísticos são conjuntos de povos que compartilham línguas com características semelhantes.

Brasil: povos indígenas (1500)

Grupos linguísticos

Tupi-Guarani

ARGENTINA

Trópico de Capricórnio

Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 12.

1 Quais grupos linguísticos viviam na atual região Norte em 1500?

Pano, Tupi-Guarani, Caraíba, Tucano, Jê, Aruaque e outros grupos.

VOCÊ DETETIVE

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1. Faça uma pesquisa sobre os povos indígenas que habitaram a atual região Norte por volta de 1500. Busque informações sobre vestígios materiais, sítios arqueológicos e descobertas recentes no estado onde você vive. Registre no caderno o que encontrou.

Com base nas instruções e dicas do professor, os estudantes devem pesquisar informações sobre os povos indígenas que habitavam a área do atual estado em 1500. Além do registro no caderno, as pesquisas também podem ser expostas em cartazes na sala de aula ou em outro espaço na escola ou na comunidade.

56

Exemplos: INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Patrimônio arqueológico: região Norte. Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: https://portal.iphan.gov.br/pagina/ detalhes/874. Acesso em: 11 set. 2025. POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Brasília, DF: ISA, c2025. Disponível em: https://pib. socioambiental.org/pt/Página_principal. Acesso em: 11 set. 2025. BARBOSA, Fábio. Parque Estadual Monte Alegre: serras, trilhas e pinturas rupestres. Diário do FB, 1º jul. 2019. Disponível em: https://diariodofb.com/2019/01/07/parque-estadualmonte-alegre-serras-trilhas-e-pinturas-rupestres. Acesso em: 11 set. 2025.

Comente com os estudantes que a pesquisa digital deve ser feita em fontes de informação confiáveis, a fim de trabalhar a habilidade EF05CO08 da BNCC da computação.

Administração colonial

1. Uma característica dos países colonizados pela Espanha é o espanhol como idioma oficial; já o idioma oficial do Brasil, colonizado por Portugal, é a língua portuguesa.

Como estudamos, a atual região Norte já era ocupada por diversos povos indígenas, que tinham culturas, línguas e modos de vida diferentes, quando os europeus começaram a explorá-la no século 16. Os primeiros a cruzar o Rio Amazonas foram os espanhóis, mas foram os portugueses que colonizaram a região. O Tratado de Madri, assinado por Portugal e Espanha em 1750, definiu os limites entre as áreas colonizadas pelos dois países e permitiu que quase todo o espaço que conhecemos hoje como região Norte ficasse com Portugal. Veja os limites definidos pelo Tratado de Madri no mapa a seguir. Áreas que atualmente fazem parte dos territórios de países vizinhos do Brasil, como Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, ficaram sob domínio da Espanha. O território do atual estado do Acre também foi colonizado pela Espanha e fez parte da Bolívia até o século 20. O Acre passou a integrar o Brasil em 1903.

Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al Atlas histórico escolar 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 30.

Tratado

Cidade ou vila

Tratado de Madri (1750) Fronteira internacional atual Divisa estadual atual 0

1 A colonização de países que hoje fazem fronteira com a região Norte acabou sendo feita pela Espanha.

• Diga uma característica em comum dos países colonizados pelos espanhóis.

2 Você vive em um município próximo a uma fronteira? Se sim, com que país?

Respostas pessoais.

3 Onde você vive são faladas outras línguas além da língua portuguesa? Se sim, quais?

Respostas pessoais.

4 Você já teve contato com uma pessoa que veio de algum dos países que fazem fronteira com o Brasil? Se sim, conte para os colegas como foi essa experiência.

Resposta pessoal.

ENCAMINHAMENTO

Reforce com os estudantes que os grupos indígenas, no momento da chegada dos portugueses, não formavam apenas um povo.

Para contextualizar o conteúdo da página, comente que o Tratado de Madri foi estabelecido por Portugal e Espanha, as duas maiores potências do mundo na época das Grandes Navegações.

2. Os estudantes devem identificar se o município onde residem faz parte de um dos estados da região Norte que fazem fronteira com países da América do Sul: Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Pará.

3. No Brasil, são faladas mais de 250 línguas. Além da língua portuguesa, oficial, existem línguas indígenas, a Língua Brasileira de Sinais (Libras), línguas trazidas por pessoas vindas de outros países (crioulas, afro-brasileiras) e as fronteiriças. As línguas fronteiriças são faladas em áreas de fronteira entre o Brasil e outros nove países (Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Guianas e Suriname). No Norte existem cidades que, além do português, falam espanhol ou uma mistura das línguas portuguesa e espanhola, como: Pacaraima, Tabatinga e Brasileia.

Sugestão para o professor

ESTILO: indígena/etnia. In: MANUAL de Comunicação da Secom. Brasília, DF: Agência Senado, c2025. Disponível em: https://www12.senado.leg. br/manualdecomunicacao/ estilos/indio. Acesso em: 20 jul. 2025.

Na página da Secretaria de Comunicação Social (Secom), do governo federal, há uma explicação sobre o uso do termo indígena em vez de índio, bem como recomendações sobre o uso de diversas terminologias relacionadas aos povos indígenas brasileiros.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

de Madri (1750)
São Paulo
Barra do Rio Negro
Belém
Fortaleza Natal João Pessoa Recife
Rio Grande de São Pedro Salvador Rio de Janeiro
Cuiabá Vila Bela da Santíssima Trindade
Trópico de Capr
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

ENCAMINHAMENTO

Para contextualizar o trabalho com o mapa apresentado na página, sugerimos que pergunte à turma, de modo informal: vocês sabiam que o território da região Norte nem sempre foi do jeito que é hoje? Explique as estudantes que, ao longo do processo de colonização, o trecho do território brasileiro que hoje corresponde à região Norte passou por várias organizações administrativas, especialmente com o objetivo de facilitar o governo e o controle das diversas atividades exercidas em uma área tão vasta.

Auxilie os estudantes a ler e a interpretar o mapa da página. Peça a eles que, primeiro, leiam o título e chame a atenção para o período descrito — a turma deve compreender que as informações presentes no mapa referem-se ao período de 1621 até 1772. Depois, solicite aos estudantes que leiam a legenda e identifiquem as respetivas áreas no mapa. Eles também devem localizar Belém e São Luís. Ajude-os a comparar o território do Estado do Maranhão e Grão-Pará ao território da atual região Norte, levantando semelhanças e diferenças.

Organização administrativa nos séculos 17, 18 e 19

Ao longo do processo de colonização, parte do território que hoje corresponde à região Norte passou por várias organizações administrativas.

Como sua área era enorme e de difícil acesso aos europeus, a solução encontrada por Portugal para explorar a região foi separá-la do restante da colônia brasileira, também chamada América Portuguesa. A separação entre a parte norte do país e o Estado do Brasil foi oficializada em 1621. Essa divisão facilitava a administração do território pelos colonizadores, já que era mais fácil ir do Maranhão a Lisboa, em Portugal, do que ir do Maranhão à capital do Brasil, em Salvador.

Observe no mapa a seguir como era a regionalização da América Portuguesa entre os séculos 17 e 18.

América Portuguesa: administração colonial (1621-1772)

Vila Rica (Ouro Preto)

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

Estado do Brasil

Estado do Maranhão e Grão-Pará (1621-1772) Área disputada entre Portugal e Espanha

Fonte: VICENTINO, Claudio. Atlas histórico: geral e Brasil. 1. ed. São Paulo: Scipione, 2011. p. 104.

1 Qual informação no mapa indica que os limites da América Portuguesa não estavam bem estabelecidos?

Área disputada entre Portugal e Espanha.

2 Quantas e quais divisões o território da América Portuguesa possuía entre 1621 e 1772?

A América Portuguesa apresentava duas divisões: Estado do Brasil e Estado do Maranhão e Grão-Pará.

Texto de apoio

Estado do Maranhão e Grão-Pará: primeiros anos de ocupação, expansão e consolidação do território

A anexação do reino português ao espanhol perdurou sessenta anos (1580 a 1640). Nesse período, várias capitanias foram constituídas, entre elas, constituiu-se a capitania do Ceará (1603), do Maranhão (1612), do Pará (1616), e um único Estado do Grão-Pará e Maranhão (1621). As dificuldades de comunicação marítima entre os estados do Maranhão e os estados do Brasil, como Pernambuco e Bahia, e a maior facilidade de comunicação entre os estados do norte com a Europa, sugeriu a ideia de separação dos dois estados com governos independentes e recebendo ordens diretas de Portugal.

[...]

Na concepção pragmática do império português, a função de novos núcleos coloniais, de vilas, missões, aldeamentos, cidades, sempre articulados a lugares militares como fortes, fortalezas e feitorias, funcionavam não somente como defesa contra os ataques

São José do Rio Negro (Manaus)
Belém São Luís
Salvador (capital até 1763)
Rio de Janeiro (capital a partir de 1763)
Colônia do Sacramento
ESTADO DO BRASIL (desde 1621)
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

3. A atual região Norte foi Estado do Grão-Pará e São José do Rio Negro entre 1772 e 1774 e Capitania de São José do Rio Negro e Capitania Geral do Pará entre 1774 e 1822.

Observe nos mapas a seguir as regionalizações que a atual região Norte teve nos séculos 18 e 19.

Entre 1621 e 1774, grande parte do Tocantins era parte do Estado do Brasil. Entre 1774 e 1822, Tocantins era parte da capitania geral de Goiás.

Estado do Grão-Pará e São José do Rio Negro (1772-1774)

Equador

São José do Rio Negro (Manaus)

Estado do Brasil, 1621-1774

(Vice-reinado a partir de 1760)

Estado do Maranhão e Piauí (1772-1774)

Estado do Grão-Pará e São José do Rio Negro (1772-1774)

Cidades e vilas

Vila Bela

Vila Real (Cuiabá)

Belém São Luís

ESTADO DO BRASIL

Vila Boa de Goiás

Vila Rica (Ouro Preto)

Vila Mocha (Oeiras)

Sabará

Salvador (capital até1763)

Porto Seguro

OCEANO ATLÂNTICO

Fonte: VICENTINO, Claudio. Atlas histórico: geral e Brasil. 1. ed. São Paulo: Scipione, 2011. p. 104.

Capitania de São José do Rio Negro e Capitania Geral do Pará (1774-1822)

São José do Rio Negro Belém

CAPITANIA DE SÃO JOSÉ DO RIO NEGRO

CAPITANIA GERAL DO PARÁ

CAPITANIA GERAL DE MATO GROSSO

CAPITANIA GERAL DE GOIÁS

CAPITANIA GERAL DO MARANHÃO

CAPITANIA DO PIAUÍ

CAPITANIA DO CEARÁ

CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE

CAPITANIA DA PARAÍBA

PERNAMBUCO

CAPITANIA GERAL DA BAHIA

CAPITANIA GERAL DE MINAS GERAIS

OCEANO ATLÂNTICO

Fonte: VICENTINO, Claudio. Atlas histórico: geral e Brasil. 1. ed. São Paulo: Scipione, 2011. p. 123.

3 Por quais mudanças o território da atual região Norte passou entre os anos 1772 e 1822?

piratas, ou indígenas, mas como marco estratégico ao mesmo tempo que povoava e colonizava as novas terras. [...].

A criação do Estado do Maranhão foi decretada em 13 de junho de 1621, porém, a instalação efetiva só aconteceu em 1626 [...]. A vila de São Luis, que já era sede da capitania do Maranhão, foi escolhida como sede da capital do Estado. O Estado do Maranhão e Grão Pará perdurou até 1772, quando foi anexado ao Estado do Brasil, conforme Decreto Régio de 20 de agosto.

Durante esse período de formação de um “Estado independente” até a anexação ao estado do Brasil, o território passou por várias divisões estratégicas com intuito de melhorar a exploração e colonização daquele espaço.

OLVEIRA, Luciana de Fátima. Estado do Maranhão e Grão-Pará: primeiros anos de ocupação, expansão e consolidação do território. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA: ANPUH, 26., São Paulo, 2011. Anais [...]. São Paulo, julho 2011. Disponível em: https://snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1300473062_ ARQUIVO_ArtigoAnpuhUSP2011[1].pdf. Acesso em: 17 set. 2025.

Continue a explorar a organização territorial da região Norte com a leitura e interpretação dos dois mapas da página. Para isso, siga as mesmas estratégias apontadas na página anterior.

Compare com a turma os três mapas analisados e incentive os estudantes a apontar as mudanças e permanências nas representações cartográficas da nossa região.

Por fim, comente com os estudantes que na configuração atual das regiões do território brasileiro, estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região Norte é a maior em extensão territorial.

Para estudantes com superdotação/altas habilidades, solicite a produção de um texto com as informações solicitadas pela atividade em vez da resposta oral.

Fortaleza
Olinda Recife
Fronteira Cidade
Equador
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

Drogas do sertão

Durante a colonização, as regiões do Brasil foram exploradas economicamente de formas diferentes com o objetivo de dar a Portugal o maior lucro possível.

Na maior parte da região Norte, eram explorados produtos nativos da região, como guaraná, óleo de copaíba, salsaparrilha e pau-cravo, também conhecidos como drogas do sertão. As drogas do sertão já eram conhecidas dos povos indígenas, que trabalhavam no cultivo ou na coleta desses produtos, utilizados como remédio, corante ou tempero pelos europeus.

Leia o texto a seguir sobre duas drogas do sertão.

O guaraná, espécie desconhecida na Europa, já era plantado e domesticado pelos indígenas saterés-mawés muito antes da chegada dos colonizadores. Eles usavam o guaraná como antídoto para venenos, para tratar diarreia, enxaqueca [...].

[...]

Organize-se

• Planta ou semente de guaraná, óleo de copaíba, salsaparrilha e pau-cravo

ENCAMINHAMENTO

Se possível, providencie e leve para a sala de aula os itens citados no texto que podem ser comuns no dia a dia dos estudantes, e mencione que, no passado, eles tiveram uma grande importância econômica para a região Norte, utilizados como ingrediente culinário, condimento e remédio. A intenção é que os estudantes compreendam que esses itens fazem parte da história da região e tinham um valor econômico bem maior no período colonial.

Comente que a salsaparrilha é conhecida pelos indígenas com japecanga. 1. Incentive os estudantes a expor o uso e a presença desses elementos no dia a dia, principalmente por seus pais, avós e outros familiares. Dependendo das respostas obtidas, relacione os usos atuais das chamadas drogas do sertão aos usos realizados no período colonial por indígenas e europeus. Caso os estudantes não conheçam nenhum desses itens,

60

O óleo da copaíba também foi um produto amplamente exportado para a Europa. Suas propriedades medicinais eram muito conhecidas pelos indígenas, que o usavam como cicatrizante em diversos tipos de feridas e até no umbigo dos recém-nascidos. Eles teriam aprendido observando os animais que, uma vez feridos, costumavam se esfregar no tronco dessa árvore para se curar. [...]

AS DROGAS do sertão tipo exportação. São Paulo: Brasiliana Iconográfica, 28 abr. 2014. Disponível em: https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/24189/as-drogas-do-sertao-tipo-exportacao. Acesso em: 24 maio 2025.

Ilustração de guaraná feita por José Joaquim Freire, 1785.

Ilustração de copaíba feita por José Joaquim Freire, 1785.

1 Você conhece ou já ouviu falar de algum produto que era considerado droga do sertão? Explique.

Resposta pessoal. Os estudantes podem indicar que conhecem produtos como óleo de copaíba e guaraná.

instrua-os a perguntar a familiares sobre o que sabem a respeito e que usos já teriam feito desses produtos nativos da região Norte.

Atividade complementar Exiba aos estudantes — se possível, com o auxílio de um retroprojetor — fotografias e vídeos do uso atual das chamadas drogas do sertão. Essas imagens podem ser facilmente encontradas na internet. Depois da projeção, promova uma conversa entre a turma, explicando que os produtos, extraídos da Floresta Amazônica pelos indígenas, eram muito valorizados e disputados por ingleses, franceses e holandeses.

DIÁLOGOS

Atividades econômicas no Brasil colonial

As características naturais dos diferentes locais do Brasil e os interesses econômicos dos europeus foram levados em conta para estabelecer a melhor forma de explorar o território.

Em muitos casos, como na extração das drogas do sertão, os portugueses se aproveitaram dos conhecimentos dos indígenas durante esse processo.

Veja no mapa Brasil: principais atividades econômicas (século 17) o que era explorado em cada parte do território.

Brasil: principais atividades econômicas (século 17)

OCEANO PACÍFICO

Área de ocorrência do pau-brasil

Cana-de-açúcar Pecuária

Mineração

OCEANO ATLÂNTICO 0°

Drogas do sertão

Capital Vilas e cidades

São Cristóvão

Porto Seguro

Vitória Rio de Janeiro São Vicente

Laguna Curitiba

1 Observe o mapa e responda às questões.

Trópico deCapricórnio

NÃO ESCREVA NO LIVRO. Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991.

a) A maior parte das áreas exploradas encontra-se no litoral ou no interior do território?

No litoral.

b) Quais atividades econômicas eram desenvolvidas mais para o interior do território?

Extração das drogas do sertão e pecuária.

c) Compare a localização dos rios, do oceano e das áreas das diferentes atividades econômicas. Há alguma semelhança entre elas? Por que isso acontecia?

Espera-se que os estudantes percebam que as atividades econômicas se concentravam no litoral ou acompanhavam o leito dos rios, ou seja, que os rios e o oceano facilitavam o transporte de pessoas e mercadorias.

Sugestão para o professor VENÂNCIO, Marcelo; CHELOTTI, Marcelo Cervo. Colonização e apropriação do território amazônico: a exploração das “drogas do sertão” e a mão de obra indígena. Revista GeoNordeste, v. 34, n. 1, p. 41-54, 2023.

A exploração das drogas do sertão na região durante o século XVI, além de ser uma forma de exploração econômica da Amazônia por Portugal, ajudou na proteção dessa área. Os indígenas tiveram importância crucial nesse processo, por seu conhecimento das matas e sua atuação na coleta dos produtos.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

ENCAMINHAMENTO

No mapa, incentive os estudantes a reconhecer as diversas regiões do Brasil e a associá-las com os produtos ou atividades econômicas especificados na legenda. No século XVII, na maior parte da atual região Norte eram exploradas as drogas do sertão. Na área que corresponde à atual região Nordeste, as atividades desenvolvidas eram a pecuária, a plantação de cana-de-açúcar e a extração de pau-brasil. Na atual região Sudeste, praticavam-se a pecuária, a extração de pau-brasil, a plantação de cana-de-açúcar e a mineração. Já na atual região Sul, a atividade econômica predominante era a pecuária. Comente que, conforme é possível observar no mapa, não havia uma produção em destaque na atual região Centro-Oeste.

1. Destaque para a turma a mancha rosa do mapa que representa a área da região Norte em que eram extraídas as drogas do sertão, chamando a atenção para a presença dos rios em toda essa extensão.

Equador
Belém São Luís Fortaleza
SONIA VAZ

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a abordagem verificando os conhecimentos prévios dos estudantes acerca dos diferentes povos formadores da região.

Em seguida, observe a fotografia da página com os estudantes, descrevendo-a e ressaltando a importância dos rios para o transporte na região Norte. Explique que canoas e rabetas são usadas diariamente para ir à escola, à feira ou visitar parentes, pois costumam ser o meio mais rápido e acessível entre localidades. Proponha a leitura coletiva do texto e siga para a atividade.

1. Questione os estudantes sobre como eles percebem a influência da floresta e dos rios no dia a dia. Explique a eles a importância da natureza para as pessoas que vivem na região Norte, destacando como ela influencia os costumes locais. Converse sobre o uso cotidiano de recursos extraídos da natureza, como paxiúba e buriti para a construção de casas e barcos, fibras naturais para artesanatos e boldo-branco e breu-branco como plantas medicinais.

DIFERENTES POVOS, DIFERENTES CULTURAS

Viver na região Norte do Brasil é estar em contato com a natureza. Essa característica tem relação com as culturas e a história dos nortistas e é passada de geração em geração.

A floresta fornece recursos naturais, como paxiúba e buriti, empregados na construção de casas e barcos, além de cipós e fibras vegetais usados para fazer cordas, redes e artesanatos. Também oferece cascas, folhas, raízes e plantas medicinais que podem ser utilizadas nos cuidados com a saúde.

Os rios são as estradas. As canoas e as rabetas, um tipo de motor, são opções rápidas e baratas para se locomover.

Atenção! Medicamentos, mesmo que naturais, devem ser manuseados e consumidos somente com indicação médica e sob a supervisão de adultos.

Indígenas em barco com motor de rabeta no Rio Tocantins em Tocantínia (TO), em 2022.

1 Em roda, converse com a turma sobre a influência da floresta e dos rios na vida dos nortistas.

Resposta pessoal. Os estudantes podem

indicar que a floresta e os rios são elementos essenciais no cotidiano das pessoas que vivem na região Norte, sendo fonte de alimento, transporte, moradia e matéria-prima.

DESCUBRA MAIS

VILELA, Fernando. Tapajós. São Paulo: Brinque-Book, 2014.

O livro apresenta elementos do cotidiano de Cauã e Inauê, que vivem com seus pais às margens do Jari, um pequeno canal que liga o Rio Amazonas ao Rio Tapajós, no estado do Pará.

Reforce o cuidado no uso de plantas medicinais, lembrando que só devem ser usadas com indicação médica e sob a supervisão de adultos. Caso considere adequado, leve alguns desses elementos para uma exposição na sala de aula, permitindo aos estudantes manusear e conhecer melhor alguns desses materiais. Peça a eles que descrevam suas cores, texturas e cheiros. Reforce a importância de valorizar o conhecimento tradicional e reconhecer como essas práticas culturais são transmitidas de geração em geração.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Aldeamentos missionários

Os indígenas são importantes na história e na formação da população nortista. Durante a colonização, alguns grupos resistiram às tentativas europeias de apagamento de suas culturas fugindo para os altos dos rios, em direção a terrenos mais elevados, onde ficam as nascentes.

Já outros grupos faziam a chamada descida dos rios, saindo de suas aldeias, espontânea ou forçadamente, rumo a aldeamentos missionários católicos onde deveriam seguir a cultura, a religião e o modo de vida portugueses. Esses deslocamentos são parte da formação da identidade nortista, pois contribuíram para o surgimento das comunidades ribeirinhas.

Dos aldeamentos missionários formados entre os séculos 17 e 18 surgiram várias vilas e cidades próximas aos rios, por exemplo: Santarém, no Rio Tapajós; Óbidos, na foz do Rio Trombetas; Belém, na foz do Rio Amazonas, no Pará; Manaus, na nascente do Rio Negro; e Tefé, no Rio Japurá, no Amazonas.

Os colonizadores usaram o trabalho dos indígenas nas plantações e na coleta das drogas do sertão. Com essa atividade, além de lucro econômico, os portugueses asseguraram a posse e a defesa do território amazônico contra invasões de outros europeus.

ESCREVA NO LIVRO.

1 Como a chegada dos europeus afetou os povos indígenas?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

2 Qual é a relação entre as descidas dos indígenas para os aldeamentos missionários e as comunidades e vilas?

Esses descimentos ou descidas contribuíram para a formação de comunidades ribeirinhas, além de contribuir para o surgimento de cidades próximas dos rios.

ENCAMINHAMENTO

1. Os povos indígenas tiveram de se deslocar, fugindo para os altos dos rios ou fazendo as descidas para os aldeamentos missionários. Os indígenas também tiveram de trabalhar em plantações, na coleta das drogas do sertão e na defesa do território.

2. É possível exemplificar o surgimento de comunidades e vilas explorando a história de fundação do município onde os estudantes vivem ou de um município próximo, caso tenha surgido ou sido influenciado por um aldeamento missionário no período colonial. Se esse for o caso, organize uma visita a um espaço de memória relacionado à história do município, como uma casa de memória ou museu. Lembre-se de, previamente, solicitar autorização dos familiares e da gestão escolar.

BNCC

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

25/09/2025 17:59 63

Destaque a importância dos povos indígenas na formação da região Norte. Além de integrarem nossas culturas e identidades, foram a principal força de trabalho ao longo da história da ocupação da região. Ainda que tenha ocorrido a exploração da mão de obra escravizada de povos africanos na região, o trabalho indígena predominou. Os aldeamentos missionários eram mais complexos do que simplesmente aglomerados em que os indígenas deveriam fornecer mão de obra e aprender a doutrina católica. Durante muito tempo, a historiografia sobre as missões na região Norte destacou apenas o papel econômico e de difusão religiosa e cultural dessas organizações. Existia, no entanto, uma dimensão de sincretismo intercultural nas relações estabelecidas nos aldeamentos, o que não apagava a violência física e cultural sofrida pelos indígenas que ali estavam.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

NÃO
Vista aérea de Tefé (AM), em 2023. Tefé é conhecida como “coração da Amazônia”, por estar localizada bem no centro da Floresta Amazônica.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

Comente com os estudantes que os povos indígenas vivem no Brasil desde muito antes da chegada dos portugueses. Eles ocupavam quase todo o território que hoje é o Brasil e, com o passar do tempo, o espaço ocupado por esses povos foi diminuindo devido ao avanço da colonização, com a construção de cidades, estradas e fazendas. Em seguida, peça aos estudantes que façam a leitura do texto e auxilie-os na leitura e interpretação do mapa antes da execução das atividades. Explique aos estudantes que os povos indígenas

DIÁLOGOS

Terras Indígenas

Com o avanço da colonização e a construção de cidades, estradas e fazendas, o espaço ocupado pelos povos indígenas foi diminuindo. Para proteger os direitos dos povos indígenas e garantir seu acesso às terras que tradicionalmente ocupam, atualmente existem as Terras Indígenas. Elas são áreas reconhecidas oficialmente pelo Estado brasileiro como pertencentes aos povos indígenas. Nessas terras, eles podem viver, plantar, caçar, pescar e manter suas tradições ancestrais.

Brasil: Terras Indígenas (2024)

2. Espera-se que os estudantes respondam que há mais Terras Indígenas no interior do território (mais especificamente na Amazônia Legal). Essa situação pode ser explicada pelo fato de a colonização ter sido iniciada pelo litoral.

OCEANO PACÍFICO Equador

ARGENTINA

Trópico de Capricórnio

Regiões

Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul

Fonte: FUNDAÇÃO NACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS. Brasil: terras indígenas, situação fundiária. Brasília, DF: Funai, 2024.

1 Qual região do Brasil apresenta mais Terras Indígenas?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A região Norte é a que tem a maior quantidade de Terras Indígenas atualmente.

2 Observando o mapa, vocês consideram que há mais Terras Indígenas no interior ou no litoral do território brasileiro? Por que será que isso aconteceu?

3 Como a demarcação das Terras Indígenas ajuda na preservação dos modos de vida desses povos?

As Terras Indígenas garantem o direito à terra aos povos originários, o que permite a manutenção de suas culturas e de seus modos de vida.

influenciaram e influenciam profundamente o modo de vida na região Norte e que muitos elementos das culturas desses povos estão presentes em nosso dia a dia. Para auxiliá-los a reconhecer a influência das culturas indígenas, proponha uma pesquisa na qual identifiquem palavras, alimentos, utensílios domésticos, vestimentas, nomes de lugares, plantas medicinais ou tipos de construção que tenham origem indígena. Esta é uma oportunidade pra trabalhar o TCT Multiculturalismo: diversidade cultural.

Presença africana

Povos africanos foram trazidos para trabalhar como escravizados no território amazônico a partir de 1750.

O trabalho dos africanos escravizados foi utilizado principalmente nas atividades agrícolas. No entanto, junto aos indígenas, eles atuaram na construção de fortificações militares.

A Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá, é um exemplo de fortificação construída com mão de obra escravizada e indígena. Ela foi construída para defender a região da invasão dos franceses e, a partir dela, a vida urbana em Macapá se desenvolveu. Tombada como patrimônio material em 1950, atualmente é um importante ponto turístico e contribui para o desenvolvimento social e econômico da região.

Patrimônio é todo bem considerado importante para a memória e a identidade de uma comunidade. Patrimônios podem ser materiais, como monumentos e construções, ou imateriais, como festas, costumes, danças e músicas.

VOCÊ DETETIVE

Fortaleza de São José de Macapá, em Macapá (AP), em 2024.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

O que você sabe sobre as contribuições dos povos africanos na formação cultural da região Norte?

1. Pesquisem uma manifestação cultural nortista presente em seu município ou estado que tenha influência de elementos culturais africanos ou afro-brasileiros.

2. Apresentem as suas descobertas para o restante da turma. Vocês podem usar cartazes, apresentação em slides, vídeos curtos ou desenhos.

ENCAMINHAMENTO

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

25/09/2025 09:28 65

No Você Detetive, indique a quantidade de membros por grupo de acordo com a quantidade de estudantes na classe. Depois, auxilie os estudantes sugerindo fontes confiáveis para que eles realizem a pesquisa.

1. Converse com os estudantes sobre manifestações culturais com elementos dos povos africanos e seus descendentes que eles conhecem no município ou estado onde vivem. Pode ser dança, ritmo musical, festa, comida típica ou celebração religiosa. Alguns exemplos são o marabaixo no Amapá, a congada em toda a região Norte e o carimbó e a festa de São Benedito em Bragança, ambos no Pará. Auxilie-os a identificar os elementos que sejam legados das culturas dos povos africanos e seus descendentes nessas manifestações.

2. Combine um dia para as apresentações dos estudantes. Incentive os grupos a realizarem apresentações diferentes uns dos outros.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Aborde a temática dos quilombos e comunidades remanescentes de quilombos sob a perspectiva da educação antirracista, com a desconstrução de visões negativas ou incorretas sobre os quilombos, destacando como esses espaços resistiram à escravidão com uma organização política e cultural própria.

1. Auxilie os estudantes na leitura do mapa, orientando-os a reconhecer as demarcações que representam as comunidades remanescentes de quilombos.

Quilombos e comunidades remanescentes de quilombos

Quilombos ou mocambeiros eram locais para onde os escravizados fugiam durante os períodos colonial e imperial.

Os quilombolas realizavam um comércio próprio, com base em atividades extrativistas, como extração da borracha e coleta de castanhas. Isso permitia aos escravizados estabelecer relações que os ajudavam na busca por liberdade, além de facilitar as fugas. O Quilombo de Itapocu, que se localizava onde hoje é o município de Cametá, no Pará, é um exemplo de quilombo que fornecia produtos de suas roças e criações de animais, além de objetos produzidos artesanalmente, como fornos de ferro e cobre, na metade do século 19.

Atualmente, as comunidades remanescentes de quilombos são territórios onde vivem os descendentes dos escravizados.

A demarcação desses territórios ajuda na preservação dos costumes e das culturas e garante o direito à terra dessas pessoas.

Observe no mapa onde estão as comunidades remanescentes de quilombos na região Norte.

Norte: comunidades remanescentes de quilombos (2020) Equador

(FRA)

Relatório

OCEANO ATLÂNTICO

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 113.

Titulado NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Em qual estado da região Norte se encontram mais comunidades remanescentes de quilombos? No Pará.

Sugestão para o professor

SAUNIER, Catarine de Nazaré Moreira; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte. Senhores das águas: quilombos da Amazônia paraense (século XIX). Anais do Museu Paulista: história e cultura material, São Paulo, v. 33, p. 1-40, 2025. Disponível em: https://revistas.usp.br/anaismp/ article/view/227379. Acesso em: 13 set. 2025.

O artigo apresenta um estudo sobre os quilombos na Amazônia paraense no século XIX. GOMES, Flávio. “No labirinto dos rios, furos e igarapés”: camponeses negros, memória e pós-emancipação na Amazônia, c. XIX-XX. Revista História Unisinos, São Leopoldo, v. 10, n. 3, p. 281-292, 2006. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/ view/6182. Acesso em: 13 set. 2025.

O artigo apresenta um estudo sobre os quilombos e mocambos na região do Baixo Tocantins nos séculos XIX e XX.

Comunidades remanescentes de quilombos do Rio Andirá

Às margens do Rio Andirá, no município de Barreirinhas, no Amazonas, existem cinco comunidades remanescentes de quilombos: Santa Tereza do Matupiri, Trindade, São Pedro, Boa Fé e Ituquara.

Analise o mapa que representa as comunidades de Santa Tereza do Matupiri, São Pedro e Boa Fé.

Comunidades Quilombolas do Rio Andirá: Santa Tereza do Matupiri, São Pedro e Boa Fé - Barreirinha/AM

Fonte: ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno de. Mapeamento social como instrumento de gestão territorial contra o desmatamento e a devastação: processo de capacitação de povos e comunidades tradicionais: quilombolas do rio Andirá: Santa Tereza do Matupiri, São Pedro, Trindade, Boa Fé e Ituquara/Barreirinha, Amazonas. Manaus: UEA, 2014. p. 6. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Analisem o mapa das comunidades remanescentes de quilombos do Rio Andirá e encontrem os elementos que se relacionam com o dia a dia, a religiosidade, e a história dessas comunidades e um problema ambiental que elas enfrentam.

Veja resposta no Encaminhamento.

Atividade complementar

BNCC

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

ENCAMINHAMENTO

Apresente aos estudantes o exemplo das comunidades quilombolas do Rio Andirá, no Amazonas, destacando que elas vivem próximo ao rio, utilizam os recursos da floresta e preservam suas tradições. Mostre o mapa, exemplar de etnocartografia, e oriente os estudantes na identificação de elementos do dia a dia dessas comunidades. Sugerimos as seguintes perguntas durante a leitura do mapa:

• Veja como o mapa tem desenhos diferentes: o que cada desenho representa?

• Onde estão as casas? Elas ficam perto de quê?

• Que nome tem o rio que passa no meio do mapa?

• Onde aparecem as árvores?

• Como será viver em um lugar assim?

67

25/09/2025 18:02 67

Proponha aos estudantes que escolham um dos elementos representados na legenda do mapa e reflitam sobre o porquê de ele ter sido representado. Em seguida, peça a eles que façam um texto explicando qual seria a importância desse elemento para a comunidade. Uma estratégia interessante para o momento de elaboração do texto é formar duplas de trabalho para que um estudante auxilie o outro. É possível organizar as duplas de modo que haja um estudante com maior fluência de leitura e escrita e outro que apresente dificuldade. Propostas assim desenvolvem o senso de colaboração e estimula a união entre os colegas de toda a turma. Depois, organizem uma exposição em sala de aula com os textos, reforçando a importância das comunidades quilombolas para as culturas nortistas.

• Como as pessoas se deslocam de um lugar para outro?

1. Dia a dia: locais de extrativismo (caju, copaíba, açaí etc.), sede social, barracão social, casa de farinha etc. Religiosidade: igrejas e benzedeiras. História: cemitérios e locais onde morou Pedro Rodrigues. Um problema ambiental que a comunidade enfrenta: desmatamento.

ENCAMINHAMENTO

2. Proponha aos estudantes que se inspirem no mapa da página 67 para realizar o croqui. Primeiro, a turma deve decidir se o croqui irá representar a escola e suas dependências ou o entorno dela. Caso optem pelo entorno da escola, não se esqueça de solicitar autorização aos familiares e à gestão escolar. Depois, organize um trabalho de campo para que os estudantes façam anotações e observações sobre o lugar escolhido. Durante a elaboração do croqui, oriente-os a representar os elementos que julgarem importantes na legenda. Peça que finalizem dando um título e colocando o crédito da produção (nome do estudante).

No Você Detetive, oriente os estudantes para que realizem a atividade de pesquisa em grupos de quatro ou cinco estudantes. Auxilie-os na busca por essas comunidades remanescentes de quilombos na internet, em bibliotecas ou salas de leitura. Se possível, forneça algumas opções de pesquisa como o Quilombo do Rio Trombetas (PA), o Quilombo São Raimundo do Pirativa, em Santana (AP), os Quilombos de Barreirinha (AM), o Quilombo Pedras Negras, em São Francisco do Guaporé (RO), e Povoado do Prata, em São Félix (TO). Permita aos estudantes compartilhar descobertas e percepções. As informações pesquisadas por eles podem ser apresentadas para toda a turma em uma conversa em roda ou expostas em cartazes na sala de aula. Texto de apoio

[...] a criação e análise de Mapas de Croqui são utilizadas para estimular o raciocínio espacial e lógico, além de aprimorar a percepção e compreensão do espaço geográfico. Ao enfrentar desafios relacionados à organização espacial e representação gráfica, os alunos desenvolvem habilidades de resolução de problemas. O trabalho colaborativo na criação de mapas fomenta a comunicação eficaz e o respeito às diferentes perspectivas, preparando os alunos para uma participação ativa na sociedade. Essa abordagem interdisciplinar visa formar indivíduos críticos e capacitados para compreender e interagir com o mundo ao seu redor.

MENDES, Diego de Jesus; CARVALHO, Edione Teixeira de. A utilização de mapas de croqui como instrumento facilitador no ensino de cartografia para o ensino fundamental. Geografia: Ambiente, Educação e Sociedades, v. 3, n. 7, p. 28-47, 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Norte e independência

Em 1822, o Brasil deixou de ser uma colônia e se tornou um império independente de Portugal. No entanto, nem todo o território brasileiro aderiu à independência no mesmo período. Esse foi o caso de boa parte da atual região Norte.

O Grão-Pará, por exemplo, só reconheceu a independência em 15 de agosto de 1823, quando o governo imperial do Brasil, com o auxílio do exército da Inglaterra, reprimiu o movimento de oposição e forçou a província do Grão-Pará a reconhecer a independência.

Em outubro de 1823, nesse processo de repressão, 256 soldados que ajudavam na proteção das fronteiras amazônicas foram aprisionados no porão do brigue São José Diligente. A maioria deles era de indígenas.

BNCC

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

ENCAMINHAMENTO

Brigue: tipo de embarcação a vela.

Com a mudança de governo, os soldados aprisionados buscavam equiparação salarial entre brasileiros e portugueses e melhores oportunidades de carreira. Os prisioneiros morreram e esse episódio ficou conhecido como Massacre do Brigue Palhaço

Atualmente, esse acontecimento é lembrado como um ato de resistência dos nortistas.

Tragédia do Brigue Palhaço, de Romeu Mariz Filho, 1936. Óleo sobre tela, 127,5 cm × 145 cm.

1 Observe os elementos que compõem a obra Tragédia do Brigue Palhaço

Converse com os colegas sobre as cores utilizadas, as formas, a posição das pessoas, entre outros elementos. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor

25/09/2025 09:28

SANTOS, Roberg Januário. O fim do Grão-Pará e a institucionalização da região amazônica: o papel dos liberais paraenses na mudança do status regional no século XIX. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Belém, v. 18, n. 1, p. e20210099, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/LxSg6gZ6QKHXgNdGYVtyjLf/?format=html&lang=pt. Acesso em: 13 set. 2025.

O artigo apresenta informações sobre o contexto histórico e político envolvendo a região amazônica no século XIX.

Neste item, destaque a resistência dos soldados, a desproporcionalidade da punição, as consequências dessa resistência e a importância de lembrar o episódio do Massacre do Brigue Palhaço como um exemplo da resistência do nosso povo. Chame a atenção dos estudantes para a obra Tragédia do Brigue Palhaço como uma fonte histórica.

1. Nessa atividade é possível realizar um trabalho interdisciplinar com Arte. Incentive os estudantes a reconhecer as formas representadas na obra, principalmente o fato de as pessoas estarem todas juntas e não apresentarem individualidade – os traços, as roupas, os cabelos são genéricos, não muito bem definidos. O mais marcante são as expressões faciais, que parecem ser de raiva, dor ou angústia. Verifique o que a turma acha das cores escolhidas (tons escuros, mesmo onde seria o foco de luz) e questione-os sobre qual mensagem elas querem passar. Solicite aos grupos que anotem no caderno suas conclusões. Organize a turma em uma roda e peça aos estudantes que compartilhem suas impressões sobre a obra.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

ENCAMINHAMENTO

Pergunte aos estudantes se eles já ouviram falar sobre a Cabanagem e estimule-os a falar o que sabem. Caso ninguém tenha algo para contribuir, questione: a palavra cabanagem lembra alguma outra palavra? Peça, então, para que observem as duas fotografias da página. Explique que a Cabanagem foi uma revolta ocorrida entre 1835 e 1840 e que teve seu nome inspirado nas cabanas, moradia típica da região Norte. Oriente-os a verificar as datas em que o desenho foi realizado e a fotografia foi tirada. Mostre que as cabanas continuam fazendo parte da paisagem nortista.

Solicite aos estudantes que façam a leitura silenciosa do texto e, em seguida, realize a leitura coletiva. Explique que os integrantes da Cabanagem se aproveitaram das características físicas da região Norte, utilizando rios e florestas para movimentação e estratégia.

Cabanagem

A Cabanagem foi uma revolta ocorrida entre 1835 e 1840. Participaram dela diferentes grupos que compunham a população nortista do Grão-Pará, como negros escravizados e libertos, indígenas, caboclos, camponeses e membros da elite econômica local. Cada grupo tinha uma motivação diferente para participar da revolta: os mais ricos, as elites, estavam interessados nas decisões políticas, e a população mais pobre buscava melhores condições de vida, já que a independência não trouxe mudanças para ela.

A revolta teve relação com os costumes, os modos de vida e as características naturais da região Norte. O próprio nome da revolta foi inspirado na cabana, moradia típica da região.

Camponês: quem vive e trabalha no campo.

Texto de apoio

A Cabanagem é uma revolução que exportou líderes revolucionários e seus ideais. Antes disto, contudo, o mesmo movimento ensinou a liderança a muitos interioranos da Amazônia, transmitindo-lhes um significado próprio para palavras como “constituição” e “patriotismo”. Ao invés de lerem estas máximas sobre as ordens decididas na Corte ou por seus líderes máximos em Belém, muitos cabanos acreditavam poder trilhar seu percurso, fazendo sua leitura e interpretação para aquilo que consideravam justo e pio. [...]

[...]

Há um povo das florestas, que vive da extração de produtos da mata e dos rios e em guerra por sua conservação e sustentação. Há um povo indígena multifacetado, mas

Casa tipo cabana em Belterra (PA), em 2024.
Cabana, de E. Riou, 1862. Grafite sobre papel, a partir de croqui de M. Biardi.

Os rios e as florestas foram muito importantes em todo o processo da revolta, seja na fuga, seja na luta ou na resistência dos cabanos. Atuando a partir dos igarapés e braços dos rios Amazonas, Madeira e Tocantins, os revoltosos conseguiram a participação e o apoio de boa parte da população.

Apesar da participação popular, as tentativas de negociação com o governo imperial foram comandadas pelos membros das elites. Com isso, as reivindicações da população mais pobre não foram consideradas.

Os cabanos chegaram a declarar a independência do governo do Brasil, estabelecendo três governos. No último deles, liderado por Eduardo Angelim, em 1836, os cabanos foram para regiões mais distantes de Belém e continuaram a resistir até 1840.

Até hoje a Cabanagem é símbolo da resistência da população nortista. Em 1985, foi inaugurado o Memorial da Cabanagem, em Belém, no Pará. Planejado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, o memorial é composto de um monumento e uma cripta que guarda os restos mortais de líderes do movimento cabano.

Cripta: galeria ou sala para sepultamento.

Memorial da Cabanagem em Belém (PA), em 2025.

1 Que elementos presentes no modo de vida das pessoas da época da Cabanagem fazem parte da identidade nortista até os dias atuais?

Os estudantes podem citar a construção de cabanas como forma de moradia e também o uso de rios como meio de locomoção.

2 Por que a existência de monumentos como o Memorial da Cabanagem é importante?

Espera-se que os estudantes compreendam que a existência dos

monumentos é importante para ajudar a preservar e materializar no espaço da cidade a memória de um acontecimento histórico que fez parte do passado dos nortistas.

Explique aos estudantes que os patrimônios têm relação com a memória, as identidades e as culturas de uma comunidade. Esclareça que a memória do movimento cabano é uma parte importante da identidade das pessoas que moram na região Norte, especialmente no Pará. Caso o Pará não seja o estado de vivência dos estudantes, busque outros exemplos de patrimônios materiais e imateriais, marcos históricos ou registros de memória (nomes de ruas, edifícios etc.) próximos e explique o que aquele elemento significa ou qual momento histórico representa. A intenção é que os estudantes compreendam a relação entre patrimônios, marcos e registros de memória e as identidades da comunidade.

25/09/2025 09:28

uníssono na guerra com os brancos e a usurpação que estes continuam fazendo de suas terras e riquezas. Existe ainda um povo afrobrasileiro que cotidianamente reivindica a propriedade de seu território, obtido pela luta quilombola e escrava. Todos estes povos se deparam constantemente com problemas como a devastação ecológica, a questão fundiária, a miséria e, sobretudo, a falta de acesso à plena cidadania. Sua luta presente também rememora a dos tempos cabanos. Trata-se de povos amazônicos e de uma luta secular que merece ser conhecida e amparada.

RICCI, Magda. Cabanagem, cidadania e identidade revolucionária: o problema do patriotismo na Amazônia entre 1835 e 1840. Tempo, v. 11, n. 22, p. 27-30, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-77042007000100002. Acesso em: 18 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira. (EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

ENCAMINHAMENTO

Apresente o esquema das migrações na região Norte, destacando como diferentes povos brasileiros e estrangeiros contribuíram para a formação da cultura nortista trazendo costumes, saberes, alimentos, práticas agrícolas e modos de vida. Reforce aos estudantes que os legados das migrações podem ser percebidos de diferentes maneiras, como em costumes, na culinária, em festas, na linguagem etc.

Auxilie os estudantes na leitura do esquema pedindo a eles que identifiquem cada um dos grupos, o período de migração, origem, destino e contribuições. Peça a eles que identifiquem os fluxos migratórios mais significativos no estado onde vivem. No caso do estado do Amapá, não mencionado no esquema, questione os estudantes se conhecem ou já ouviram falar de alguma das contribuições dos povos citados no esquema.

Migrações na região Norte

A região Norte sempre foi destino de diferentes povos. As migrações transformaram os espaços e as culturas da região, e nela surgiram bairros, mercados, feiras, comunidades e modos de vida que misturam tradições de vários lugares do Brasil e do mundo.

Observe o esquema a seguir. Ela mostra alguns dos principais movimentos migratórios da região Norte a partir do século 19.

Nordestinos

Origem: Ceará e Maranhão

Destino: Acre e Amazonas

Contribuições: trabalho nos seringais, criação de vilas, ocupação de áreas da floresta

Origem: Japão

Destino: Rondônia e Amazonas

Contribuições: agricultura, colônias rurais e hortas planejadas

1950–1980

Sulistas

Origem: Sul e Sudeste

Destino: Tocantins, Rondônia, Roraima e Pará

Contribuições: pecuária, monoculturas e expansão de estradas

Início do século 20

Italianos

Origem: Itália

Destino: Pará e Amazonas

Contribuições: comércio, culinária e bairros urbanos

Haitianos e Venezuelanos

Origem: Haiti e Venezuela

Destino: Acre, Amazonas e Roraima

Contribuições: comércio informal e serviços urbanos

1 Você conhece alguém que veio de outra região do Brasil ou de outro país para viver na região Norte? Conte para os colegas. Espera-se que os estudantes identifiquem em seu lugar de vivência histórias de pessoas que migraram para a região Norte.

Atividade complementar

Peça aos estudantes que escolham um grupo representado no esquema e criem, em interdisciplinaridade com Arte, uma “caixinha da cultura”, ilustrada com desenhos ou colagens representando as contribuições desse grupo. Eles também podem escrever um pequeno texto, explicando aquilo que escolheram representar. Finalize com uma exposição em sala de aula, valorizando a criatividade e a produção escrita dos estudantes.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Japoneses
Final do século 19
e Sudestinos

Ciclo da borracha: memória e migração

Entre o final da década de 1870 até 1910, a região Norte se destacou pela extração de látex, utilizado para fazer borracha, um produto bastante empregado na indústria. Esse período ficou conhecido como ciclo da borracha. A extração e o comércio da borracha contribuíram para o aumento populacional com a vinda de migrantes e o crescimento das cidades com construção de grandes obras e reformas.

O Teatro Amazonas foi inaugurado entre os anos de 1896 e 1897. Ele é um dos maiores símbolos das mudanças causadas pelo ciclo da borracha no estado do Amazonas. É patrimônio brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1966.

O Mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA), passou por uma reforma. Nesse período foram construídos o Mercado de Ferro, em 1899, e o Mercado de Carne, em 1901. O complexo arquitetônico e paisagístico do Mercado Ver-o-Peso é considerado patrimônio nacional pelo Iphan desde 1977.

Uma importante mudança ocorrida com o ciclo da borracha foi a criação do Território Federal do Acre, em 1903. O território do Acre pertencia à Bolívia quando a exploração do látex começou, mas foi negociado pelo Brasil e passou a integrar o país.

Ver-o-Peso em Belém (PA), em 2025.

ENCAMINHAMENTO

Complexo arquitetônico e paisagístico: conjunto de edifícios e espaços exteriores, como praças.

Relembre os estudantes de que a formação territorial do Norte nem sempre foi assim. O território do Acre, por exemplo, pertencia à Bolívia quando a exploração do látex começou, mas foi negociado pelo Brasil e passou a integrar o país em 1903. Caso a escola de vocês se localize no Acre, proponha uma pesquisa para aprofundar os conhecimentos acerca da aquisição do território pelo Brasil. Amapá, Tocantins e Roraima, eram territórios federais que, em 1988, se tornaram estados com a promulgação da atual Constituição Federal.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

27/09/2025 21:19

Pergunte aos estudantes se já viram uma seringueira e se sabem do que é feita a borracha. Permita a todos os estudantes manifestar seus conhecimentos prévios. Depois, você pode mostrar imagens de seringueiras, da extração do látex (há uma representação da extração do látex na página 46) e de produtos feitos de borracha, como pneus e bolas.

Explique a eles que a construção do Teatro Amazonas e a reforma do Mercado Ver-o-Peso são exemplos de como o lucro gerado pela borracha promoveu uma mudança arquitetônica em algumas cidades nortistas. No entanto, a riqueza, a urbanização e o embelezamento dos espaços aconteciam apenas nas cidades que comercializavam o látex, ou seja, Belém e Manaus. Além disso, as pessoas que se favoreceram dessas mudanças eram as que estavam ligadas ao comércio da borracha, ou seja, a vida da maior parte da população não melhorou.

Teatro Amazonas em Manaus (AM), em 2025.

Organize-se

• Cartolina ou papel kraft

• Canetas coloridas

• Cola

• Tesoura de pontas arredondadas

ENCAMINHAMENTO

Explique para os estudantes que o látex é a principal matéria-prima da borracha natural e que, atualmente, as pessoas também fazem uso da borracha sintética, produzida a partir do petróleo.

1. Incentive os estudantes a compartilhar suas hipóteses com a turma. Leve fotografias de seringueiros trabalhando para mostrar aos estudantes e explique o processo de retirada do látex.

2. Explique aos estudantes que existem lugares, como centros de memória e museus, que preservam e valorizam a memória do extrativismo da borracha nos séculos XIX e XX, como o Museu do Seringal Vila Paraíso, em Manaus (AM).

Nesse museu, é possível conhecer objetos utilizados na época, o modo de vida e a rotina dos seringueiros e como ocorriam a extração e a produção do látex. Caso exista no estado de vivência dos estudantes algum espaço relacionado à memória do ciclo da borracha, auxilie os estudantes a pesquisar sobre ele, buscando informações em sites governamentais e arquivos. Oriente-os a buscar informações como quando o espaço foi construído e como são os espaços de exposição.

Finalize a proposta em uma roda de conversa com os estudantes, pedindo a eles que exponham o que aprenderam sobre o ciclo da borracha.

Muitas pessoas, em sua maioria nordestinos, migraram para a região Norte durante o ciclo da borracha, principalmente para os estados do Acre, do Amazonas e de Rondônia. Em busca de trabalho, ajudaram a criar os seringais para a extração do látex das seringueiras, ficando conhecidos como seringueiros. Eles fundaram vilas no meio da floresta e lá se estabeleceram.

Seringueira: árvore da qual o látex é extraído.

O Museu da Borracha, em Rio Branco (AC), é dedicado à memória do período do ciclo da borracha. Fotografia de 2025.

1 Você já ouviu falar sobre o trabalho dos seringueiros? Se sim, comente o que sabe com o restante da turma. Se não, fale sobre o que você acha que um seringueiro faz

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

2 No estado onde você vive existe alguma construção, monumento, museu ou memorial relacionado ao ciclo da borracha? Caso não exista, pesquise se o extrativismo do látex é uma atividade econômica praticada atualmente.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

VOCÊ DETETIVE

1. Pesquisem os patrimônios no estado onde vocês vivem. Escolham um deles e façam o que se pede.

a) Elaborem um cartaz com informações sobre esse patrimônio, descrevendo características, data de surgimento ou construção e a importância dele para a história do município.

b) Lembrem-se de colocar um título e fotografias ou desenhos do patrimônio.

c) Ajudem o professor a expor todos os cartazes produzidos em um espaço na sala de aula.

Produção coletiva. Veja orientações no Encaminhamento.

Ao iniciar a pesquisa solicitada no Você detetive, recorde aos estudantes o conceito de patrimônio. Para a produção dos cartazes, solicite que providenciem com antecedência os materiais necessários para a atividade, como folhas de cartolina ou kraft, canetas permanentes ou em gel, entre outros. As fotografias e imagens que serão utilizadas no cartaz podem ser obtidas por meio da impressão de materiais presentes na internet ou de recorte de revistas e jornais. Permita aos estudantes que escolham em conjunto o melhor espaço para que os cartazes sejam exibidos na sala de aula.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Outras migrações

Conheça, no esquema a seguir, um pouco sobre diferentes movimentos migratórios que ocorreram para a região Norte.

Entre a metade do século 19 e início do século 20, chegaram imigrantes europeus e asiáticos. Italianos vieram para o Pará e o Amazonas, onde atuaram no comércio e na agricultura. Japoneses ocuparam terras em Rondônia a partir da década de 1920, trabalhando na agricultura com técnicas de cultivo e formas de organização comunitária que já conheciam de seu país de origem.

A partir das décadas de 1970 e 1980, sulistas e sudestinos, que saíram de estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais, migraram para a região Norte. Eles foram atraídos por projetos de colonização com abertura de novas estradas e oferta de terras para agricultura, principalmente no sul do Pará, no norte de Rondônia e em partes de Roraima. Atualmente, muitas pessoas da região Sul continuam migrando para áreas de expansão da atividade agrícola.

A partir de 2010, destacam-se novos fluxos de imigrantes vindos de países do continente americano. Os haitianos chegaram pelo Acre e se estabeleceram em cidades como Rio Branco, Manaus (Amazonas) e Boa Vista (Roraima).

A partir de 2015, cresceu também a imigração de venezuelanos, especialmente para o estado de Roraima. Eles vieram como refugiados, deixando seu país de origem para fugir da crise econômica e política.

VOCÊ DETETIVE

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

A chegada de migrantes à região Norte trouxe novas ideias, produtos e sabores. A culinária é uma das formas mais visíveis de como culturas se misturam e convivem em um mesmo local.

1. Pesquise sobre a origem dos pratos típicos de seu município ou estado.

2. Pesquise sobre a existência de feiras populares de alimentos no município ou na comunidade onde você vive. Como é esse local? Que tipos de comida é possível encontrar nele?

Atividade complementar

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira. (EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

ENCAMINHAMENTO

25/09/2025 18:03

Proponha uma atividade interdisciplinar com Língua Portuguesa e Arte, em que os estudantes escolham um dos grupos apresentados no esquema sobre os movimentos migratórios e produzam um cartão cultural. Em um lado do cartão, os estudantes podem ilustrar a bandeira do estado ou país de origem dessas pessoas ou um legado que elas trouxeram para a região Norte (como alimentos, modos de cultivo, construções ou vestimentas). No outro lado do cartão, os estudantes devem escrever um pequeno texto explicando quem migrou, de onde veio, para onde foi e o que trouxe para a região.

Finalize com uma exposição em sala de aula, circulando os cartões entre os estudantes para que todos possam apreciar o trabalho dos colegas e conhecer as informações levantadas.

Reforce para os estudantes que a migração continua sendo um fenômeno importante para o desenvolvimento das cidades nortistas. Novos bairros foram ocupados, linhas de ônibus foram criadas e escolas e postos de saúde foram construídos. Já no campo, surgiram colônias agrícolas e comunidades que mesclam tradições antigas com novas práticas trazidas pelos imigrantes. Para a realização das pesquisas propostas no Você detetive, explique aos estudantes que as comidas contam de onde vieram as pessoas, o que trouxeram em suas memórias e o que aprenderam no novo lugar. Preparar um alimento é uma forma de manter e de compartilhar a própria cultura. Auxilie os estudantes a identificar alimentos típicos do lugar onde vivem, e, caso não saibam suas origens, oriente-os a conversar com seus familiares ou realizar uma pesquisa. Incentive os estudantes a compartilhar suas vivências.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Oriente os estudantes na revisão dos conteúdos estudados. A prática da revisão dos conteúdos consolida o aprendizado. Além de auxiliá-lo a identificar as dificuldades dos estudantes, pode servir de alicerce para a exposição dos conteúdos seguintes. Assim, fique atento para as possíveis dificuldades e dúvidas dos estudantes na resolução das atividades e considere retornar a algum tópico no qual eles apresentem maior dificuldade de entendimento.

O processo de ensino-aprendizagem é um processo não linear e não mecânico, no qual os objetivos podem não ser alcançados na ordem e no tempo pré-estabelecidos. Muitas vezes será necessário retornar e reforçar conteúdos e conceitos. Nesse processo, as atividades de revisão são bem-vindas.

6. a) Produtos como guaraná e óleo de copaíba que foram explorados na região.

b) Locais para onde os indígenas eram forçados a ir. Lá, aprendiam a cultura, a religião e o modo de vida portugueses.

c) Revolta que aconteceu entre 1835 e 1840. As elites queriam mais participação na política e os mais pobres queriam melhores condições de vida. A revolta teve relação com os costumes, os modos de vida e as características naturais da região Norte.

d) Período de muitas transformações nas paisagens do Norte, com a migração de nordestinos para trabalhar nos seringais.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1 Copie o texto a seguir no caderno completando os espaços com as palavras corretas.

As primeiras pessoas que viveram na região Norte ocupavam o território há milhares de anos. Elas se organizavam em comunidades, praticavam , deixaram vestígios como e faziam com desenhos chamados grafismos agricultura, pinturas rupestres, cerâmicas

2 Com base no que você estudou, indique um exemplo de arte dos primeiros grupos indígenas da região Norte.

Os estudantes podem indicar pinturas

rupestres e cerâmicas, como a marajoara, a maracá e a tapajônica.

3 Quais grupos linguísticos de povos indígenas existiam na região Norte em 1500?

Tupi-Guarani, Pano, Caraíba, Tucano, Aruaque, Jê e outros grupos.

4 Durante a colonização, o Brasil foi dividido em diferentes partes para facilitar sua administração. Quais foram as formas de organização administrativa da região Norte nos séculos 18 e 19?

Estado do Grão-Pará e São

José do Rio Negro (1772-1774) e Capitania de São José do Rio Negro e Capitania Geral do Pará (1774-1822).

5 Por que as Terras Indígenas e as comunidades remanescentes de quilombos são importantes atualmente não só para os povos que vivem na região, mas também para todas as pessoas?

Porque garantem o direito à

terra, ajudam a preservar a cultura, os modos de vida e a identidade desses povos, além de proteger a natureza e os recursos naturais da região.

6 Explique cada um dos itens a seguir, considerando a história de ocupação da região Norte.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) Drogas do sertão.

b) Aldeamentos missionários.

c) Cabanagem.

d) Ciclo da borracha.

7 Durante o período da independência do Brasil, nem todas as regiões aceitaram imediatamente a separação de Portugal. No caso do Norte, o que aconteceu com o Grão-Pará?

O Grão-Pará só reconheceu a independência em 1823. Houve resistência por parte da população e um exemplo disso foi o episódio do Massacre do Brigue Palhaço.

Sugestão para o professor

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.

O livro tece considerações sobre o processo de ensino com base nas dimensões humana, técnica, cognitiva, emocional, sociopolítica e cultural.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

8 Escolha um dos grupos migrantes do esquema na página 72. Escreva um pequeno texto sobre a presença dessa população na região Norte.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

9 Analise a imagem a seguir. Com base nela e no que você estudou, explique como as características naturais da região Norte têm relação com suas culturas e história. Justifique sua resposta dando alguns exemplos.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

1. Avalie sua participação individual a de seu grupo durante as aulas. Utilize a escala: Respostas pessoais de acordo com a autoavaliação dos estudantes.

Sim. Um pouco. É preciso melhorar.

Avaliação do meu trabalho individual

a) Consegui entender o conteúdo?

b) Consegui cumprir as tarefas?

c) Consegui explicar minhas ideias quando solicitado?

d) Consegui colaborar com o meu grupo?

Avaliação do trabalho em grupo

a) Conseguiram cumprir as tarefas?

b) Conseguiram ouvir a opinião dos outros com respeito?

c) Conseguiram trabalhar de forma colaborativa?

25/09/2025 09:28

8. Resposta de acordo com o grupo escolhido pelos estudantes. Oriente-os a retomar suas anotações sobre as migrações na região Norte e escrever um pequeno texto sintetizando as contribuições desse grupo para a região.

9. A imagem representa um barco de transporte e mostra, portanto, o aproveitamento dos rios para transporte. Com relação a acontecimentos históricos, os estudantes podem citar a exploração das drogas do sertão (exploração de recursos naturais presentes na região), os aldeamentos indígenas (importância dos rios) e a Cabanagem (importância dos rios, nome relacionado a cabana, moradia típica da região).

A autoavaliação dos estudantes é importante em um processo de ensino e aprendizagem que coloque as avaliações formativa e diagnóstica como fundamentais para o sucesso dos objetivos almejados. Nesse processo, é importante que os estudantes participem e desenvolvam uma progressiva autonomia na sua aprendizagem. Para isso, oriente e conduza a atividade de forma interativa com os estudantes, de modo que entendam a importância e obtenham ajuda no processo de balanço e avaliação do seu desempenho e do progresso em seu aprendizado. Auxilie os estudantes a refletir sobre sua participação ao responderem às perguntas. Aponte alguns aspectos do desenvolvimento e da execução das atividades, auxiliando os estudantes para que tenham mais elementos no entendimento de sua autoavaliação.

Barco de transporte de passageiros no Rio Tocantins em Belém (PA), em 2025.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, os estudantes serão convidados a explorar os espaços rurais e urbanos da região Norte, reconhecendo suas particularidades e inter-relações.

No Capítulo 1, o objetivo é conduzi-los à compreensão das diferenças entre campo e cidade, observando modos de vida, atividades econômicas e impactos ambientais que marcam esses territórios. A proposta é que, por meio de leitura de imagens, análise de textos e vivências cotidianas, os estudantes identifiquem como esses espaços se conectam e se influenciam mutuamente, valorizando também práticas sustentáveis já adotadas por comunidades locais.

No Capítulo 2, os estudantes vão investigar o crescimento das cidades nortistas, observando seus desafios e transformações. Com base em mapas, imagens de satélite e exemplos próximos à realidade regional, o professor poderá estimular reflexões sobre desigualdades urbanas, impactos ambientais e participação cidadã na construção de cidades mais organizadas, justas e sustentáveis.

Ao longo da unidade, é importante promover o diálogo entre saberes locais e conteúdos escolares, favorecendo o pensamento crítico e o raciocínio geográfico a partir do lugar onde cada estudante vive.

3

CAMPO E CIDADE: DIFERENÇAS E CONEXÕES

Quais diferenças você observa entre as duas paisagens representadas?

respostas no Encaminhamento.

Quais atividades econômicas aparecem nas paisagens do campo e da cidade?

Como as pessoas estão vivendo e se locomovendo nas duas paisagens? O que isso mostra sobre o modo de vida no campo e na cidade?

Objetivos da unidade

• Conhecer as características físicas, sociais e econômicas dos espaços rurais e urbanos da região Norte.

• Compreender as relações de interdependência entre campo e cidade nos modos de vida e na organização do espaço.

• Identificar os principais desafios urbanos da região Norte, como crescimento desordenado, poluição e falta de infraestrutura.

• Analisar como as ações humanas impactam o ambiente rural e urbano, especialmente em relação ao uso do solo, ao desmatamento e à poluição.

• Interpretar mapas, gráficos, imagens e textos sobre paisagens, urbanização e transformações territoriais.

• Relacionar práticas sustentáveis ao cuidado com os espaços e à melhoria da qualidade de vida das populações.

ENCAMINHAMENTO

Incentive os estudantes a observar as paisagens representadas com atenção, destacando como o espaço do campo e o da cidade se organizam de maneira distinta. Explore as imagens, orientando os estudantes na observação dos diferentes modos de vida retratados. Destaque como o cotidiano no campo é marcado por atividades ligadas à terra, com uma dinâmica de vida mais próxima dos ciclos da natureza, enquanto a cidade apresenta um ritmo mais acelerado, com grande presença de serviços, comércio e construções.

Chame a atenção para o fato de que, apesar das diferenças, campo e cidade são espaços interdependentes. Muitas das mercadorias vendidas nas cidades são produzidas no campo, enquanto diversos serviços urbanos atendem à população rural.

1. Na imagem da esquerda, é retratada uma paisagem do campo, com atividades como plantio e criação de animais. Já na imagem da direita, há uma paisagem urbana, com prédios, trânsito intenso e comércios movimentados. O campo tem mais vegetação nativa e áreas amplas,

enquanto a cidade apresenta mais construções e é mais populosa.

2. No campo, são retratadas atividades ligadas à agricultura e à criação de animais em regiões ribeirinhas. Na cidade, são representados o comércio de rua e os centros comerciais característicos de atividades urbanas.

3. Na imagem que retrata o campo, as pessoas utilizam um barco para se locomover, trabalham com a terra e criam animais, vivendo mais próximo da natureza. Na imagem que retrata a cidade, as pessoas andam a pé, de carro ou de transporte público, vivem em prédios e têm acesso a muitos serviços e comércios. Isso mostra que o modo de vida no campo é mais ligado ao ambiente natural e frequentemente realizado no tempo da natureza, enquanto na cidade a vida tem um ritmo mais acelerado.

BNCC

Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 3, 4, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 4, 5.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE05, EF03GE09, EF04GE02, EF04GE04, EF04GE07, EF04GE09, EF04GE10, EF05GE08, EF05GE09, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI07.

BNCC da computação: EF03CO03.

TCT : Economia: trabalho; Meio ambiente: educação ambiental.

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

ENCAMINHAMENTO

Introduza o conteúdo da página destacando para os estudantes que campo e cidade têm formas distintas de organização, com modos de vida e paisagens próprios. Ressalte também que esses espaços se complementam e estão interligados por fluxos de bens, pessoas e informações.

Explore com os estudantes como o espaço urbano se diferencia do campo em aspectos como densidade populacional, construções e oferta de serviços. A notícia sobre o município de Pedro Afonso pode servir de exemplo concreto de um lugar que se desenvolveu mantendo suas tradições, o que reforça o vínculo entre memória cultural e identidade urbana. Ao relacionar esse crescimento à maior oferta de empregos e serviços, os estudantes são levados a compreender os fatores que impulsionam a urbanização e como isso altera o modo de vida da população.

PAISAGENS E MODOS DE VIDA NO CAMPO E NA CIDADE

Você já pensou como o campo e a cidade são diferentes? Cada um desses lugares tem organização, atividades econômicas, modos de vida, ritmos, paisagens e tradições próprios.

Apesar das diferenças, campo e cidade estão conectados.

A cidade, ou espaço urbano, é caracterizada pela maior concentração de pessoas e de construções quando comparada ao campo.

Atualmente, a população da região Norte é predominantemente urbana. A cada 100 pessoas, aproximadamente 78 vivem nas cidades e 22 no campo. Isso se deve à maior oferta de empregos e serviços nas áreas urbanas. Leia o trecho da notícia.

Pedro Afonso celebra 176 anos de história de uma cidade que preserva suas raízes

Ao longo dos anos, Pedro Afonso do Tocantins se desenvolveu, mantendo-se fiel às suas tradições […].

PEDRO Afonso celebra 176 anos de história de uma cidade que preserva suas raízes. Atitude Tocantins, Gurupi, 15 jul. 2023. Disponível em: https://atitudeto.com.br/noticias/estado/pedro-afonsocelebra-176-anos-de-historia-de-uma-cidade-que-preserva-suas-raizes/. Acesso em: 20 maio 2025.

Em sua opinião, o que significa manter as tradições?

Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes concluam que significa preservar os costumes e a cultura.

NÃO ESCREVA NO

Por qual motivo a população da região Norte é predominantemente urbana?

Espera-se que os estudantes citem a maior oferta de empregos e serviços nas cidades.

80

1. Incentive a reflexão dos estudantes conversando sobre as tradições que permanecem mesmo com mudanças no espaço e o passar do tempo. Uma maneira de exemplificar essa permanência é mencionar as festas populares ou as comidas típicas que representam costumes e a cultura imaterial do espaço em que os estudantes vivem.

2. Indague os estudantes sobre os espaços rurais e urbanos que eles conhecem; pergunte por que algumas pessoas que moram no campo precisam ou escolhem se deslocar para a cidade. O objetivo é que os estudantes ancorem sua reflexão no contexto concreto em que estão inseridos para a constituição de uma aprendizagem significativa.

25/09/2025

Vista do município de Pedro Afonso (TO), em 2020.
LIVRO.

No campo, os ciclos da natureza influenciam os modos de vida.

O campo, ou espaço rural, é caracterizado pela presença de plantações, animais e construções mais dispersas.

O calendário escolar no campo, por exemplo, pode se adaptar aos ciclos de enchentes e vazantes dos rios, aos tempos de cultivo e colheita e ao clima. Esse tipo de organização do tempo e do cotidiano facilita a participação dos estudantes em atividades e processos importantes para sua comunidade. Leia o trecho.

O vai e vem das águas dita o calendário escolar nas comunidades ribeirinhas do Amazonas. Enquanto, na capital, as aulas começam em janeiro e vão até dezembro, na zona rural, terminam em outubro.

O ano letivo é intenso, sem sábados, nem férias. É preciso aproveitar o período de cheia dos rios, quando os barcos conseguem chegar mais perto das casas.

ROCHA, Mariana. Calendário escolar do Amazonas acompanha volume dos rios. SBT News, São Paulo, 31 out. 2023. Disponível em: https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/238982-calendario -escolar-do-amazonas-acompanha-volume-dos-rios. Acesso em: 19 maio 2025.

Quais são as diferenças entre os ritmos de vida no campo e na cidade?

3. e 4. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Observe as fotografias das páginas 80 e 81. Quais são as semelhanças e as diferenças entre esses dois lugares?

Atividade complementar

Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida do Lago do Catalão, em Iranduba (AM), em 2022.

Antes de os estudantes responderem às atividades 3 e 4, peça a eles que retornem ao texto e revisem o conteúdo estudado. Depois, faça uma breve retomada dos pontos abordados no tópico e, então, proponha uma roda de conversa em que as perguntas serão respondidas coletivamente.

Escute atentamente as respostas dos estudantes, mesmo quando não estiverem totalmente corretas, valorizando suas hipóteses e sua participação, para criar, assim, um ambiente de confiança. Relacione as contribuições ao objetivo da atividade, para que eles reconheçam o que aprenderam.

O conteúdo oferece uma oportunidade para discutir como os modos de vida no campo estão profundamente ligados aos ritmos da natureza. No caso das comunidades ribeirinhas do Amazonas, os ciclos de cheia e vazante influenciam o calendário escolar, revelando uma forma de organização social adaptada ao meio ambiente. Para se deslocar até a escola, por exemplo, muitos estudantes dependem do transporte em barcos. Dependendo do município onde a escola está situada, é possível relacionar esse conteúdo com a influência da dinâmica dos rios na vida dos estudantes.

3. Em geral, os modos de vida são diferentes: enquanto no campo predominam práticas ligadas à produção de alimentos e ao contato direto com a natureza, na cidade a vida é marcada por maior presença de construções, serviços e um ritmo mais acelerado. Essas diferenças ajudam os estudantes a compreenderem que os espaços urbanos e rurais respondem a lógicas próprias, mas estão profundamente conectados.

4. Espera-se que os estudantes concluam que, apesar de as fotografias retratarem respectivamente um espaço urbano e um espaço rural, podem ser identificadas semelhanças entre os locais, como a presença do rio, de construções e de áreas de vegetação nativa. Como diferenças, eles podem apontar que há mais construções no espaço urbano e que há maior presença de vegetação na área rural.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

É importante que os estudantes compreendam que campo e cidade não são espaços estáticos e apartados um do outro. Explique a eles que, cada vez mais, no campo são realizadas atividades geralmente relacionadas à cidade, e o inverso também acontece. Peça a eles que observem a imagem da página e discuta com a turma a presença da atividade industrial no campo. Incentive-os a contribuir com a discussão com exemplos de atividades que percebem no seu espaço que também são praticadas no espaço rural, caso vivam na cidade, e o contrário, caso vivam no campo. Se a escola estiver situada no espaço urbano e apresentar uma horta, considere levar a turma a esse espaço para demonstrar com um exemplo concreto como um espaço verde pode estar presente em uma cidade. Caso não exista, a organização de uma horta na sua escola pode constituir um projeto a ser desenvolvido de modo interdisciplinar com Ciências da Natureza e Matemática. Essa prática também colabora para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, com a construção de vínculos com o outro e com a natureza.

1. Oriente os estudantes para que retomem o texto antes de responder a essa atividade.

1. Atualmente, a indústria também está presente no campo, por exemplo, com as usinas para beneficiamento de produtos agrícolas. A agricultura não está presente apenas no campo, mas também nas áreas urbanas, por exemplo, com as hortas urbanas.

Atividades econômicas

No campo, a maioria das atividades econômicas é voltada para o extrativismo, a agricultura e a pecuária. Já na cidade, as atividades estão relacionadas principalmente à indústria, ao comércio e aos serviços.

Apesar disso, as atividades econômicas desenvolvidas nas áreas rurais e urbanas da região Norte estão cada vez mais diversificadas.

Observe um exemplo na fotografia a seguir.

É cada vez mais comum a presença de atividades industriais no campo, como a indústria de óleos vegetais e biodiesel.

Nas grandes cidades, as hortas urbanas, com cultivo de hortaliças, plantas medicinais, espécies frutíferas e flores, rendem trabalho e sustento para as famílias. Elas também ajudam a conservar o meio ambiente, contribuindo para a manutenção de espaços verdes nas cidades.

A indústria está presente apenas na cidade? E a agricultura só existe no campo? Justifique suas respostas com exemplos.

Sugestão para o professor

COELHO, Denise Eugenia Pereira; BÓGUS, Cláudia Maria. Vivências de plantar e comer: a horta escolar como prática educativa, sob a perspectiva dos educadores. Saúde e sociedade, São Paulo, v. 25, n. 3, p. 761-770, 2016.

Esse artigo apresenta informações sobre a criação de uma horta na escola como prática pedagógica.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Indústria de óleos vegetais de biodiesel em Porto Nacional (TO), em 2021.

Atividades econômicas no campo

As principais atividades econômicas do espaço rural da região Norte são o extrativismo e a agropecuária.

Extrativismo

Muitas famílias na região Norte vivem próximas das florestas e dos rios e retiram da natureza aquilo de que precisam para se alimentar e obter renda, praticando o extrativismo.

Podem ser extraídos diversos recursos da natureza, como frutas, sementes, plantas, peixes, madeiras, entre outros.

A pesca é um tipo de extrativismo animal. Na região Norte, é praticada a pesca artesanal, que tem como base os conhecimentos transmitidos entre as gerações. Ela é realizada por pescadores, que podem usar canoas e malhadeiras

Em muitos lugares, o peixe é a principal fonte de proteína e faz parte da rotina alimentar de quem vive às margens dos rios.

Malhadeira: tipo de rede de pesca utilizada na região amazônica.

O extrativismo vegetal da região Norte também é bastante diverso. Entre os recursos vegetais extraídos da natureza está o açaí, que tem sua produção concentrada nos estados do Pará e do Amazonas.

Texto de apoio

O açaí amazônico é coletado de uma palmeira nativa regional, concentrando 92,1% de sua extração na Região Norte. Em 2023, essa produção foi de 238,9 mil toneladas, 3,3% abaixo da obtida no ano anterior. Em termos de valor nominal, apresentou aumento de 2,8%, totalizando R$ 853,1 milhões. O Pará registrou a maior produção de açaí, com 167,6 mil toneladas, o que representa 70,2% do total nacional. Com o aumento de 1,7% na quantidade e de 1,4% no valor da produção, essa unidade da federação alcançou R$ 651,1 milhões.

BRITTO, Vinícius. Valor de produção da silvicultura e da extração vegetal cresce 11,2% e soma R$ 37,9 bilhões. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro: IBGE, 26 set. 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/41404-valor-de -producao-da-silvicultura-e-da-extracao-vegetal-cresce-11-2-e-soma-r-37-9-bilhoes. Acesso em: 14 set. 2025.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

TCT: Economia: trabalho; Meio ambiente: educação ambiental.

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar esta temática com os estudantes, mencione o extrativismo praticado pelas comunidades tradicionais, que respeitam a natureza e estabelecem com ela uma relação de preservação e respeito, e o extrativismo cuja prática tem como principal objetivo o lucro, sem preocupação com a conservação da natureza e a sustentabilidade ambiental.

Como levantamento dos conhecimentos prévios, peça aos estudantes que deem exemplos de produtos obtidos por meio do extrativismo, como a madeira, a borracha, o açaí, a castanha-do-pará, o minério de ferro e o ouro. Se possível, leve alguns desses produtos para exploração em sala de aula, tomando o cuidado de consultar os familiares sobre possíveis alergias entre os integrantes da turma.

Pesca artesanal no Rio Tocantins em Filadélfia (TO), em 2021.

ENCAMINHAMENTO

Comente com os estudantes que algumas espécies de palmito, como o conhecido como juçara, só podem ser comercializadas caso a extração seja feita de modo sustentável.

Compartilhe com os estudantes que a coleta da castanha-do-pará é uma atividade ancestral da região Norte. A coleta das castanhas acontece em certo período do ano, e para essa atividade são construídos acampamentos no meio da floresta.

Destaque que, atualmente, a extração de madeira em estados como Pará e Rondônia é uma importante atividade econômica da região. Acrescente que a atividade de extração de madeira também representa um problema ambiental, caso não seja realizada de forma sustentável e/ou ilegalmente. Complemente, dizendo que existem leis e órgãos que regulamentam e cuidam para que a retirada de certos produtos da floresta não cause tantos impactos ambientais. Explique que no Brasil o controle e a fiscalização são feitos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); há também outros órgãos e ONGs que atuam para a conservação e sustentabilidade da Floresta Amazônica.

1. Os estudantes devem reconhecer que muitas pessoas, incluindo as populações tradicionais, dependem da extração de recursos da natureza. O extrativismo ilegal causa destruição das florestas, prejudica os animais e afeta as comunidades que dependem desses recursos.

2. Os estudantes podem mencionar açaí, castanhas, palmito, peixes ou outros produtos locais.

Na floresta, também ocorre a extração de palmito. A extração de palmito causa a morte de algumas espécies, como é o caso da juçara e do açaizeiro, que não conseguem mais se desenvolver depois de cortadas. Para minimizar os impactos ambientais, essa atividade deve ser realizada de forma sustentável e consciente.

A coleta da castanha-do-pará é igualmente importante e acontece principalmente no estado do Pará. A castanha fica dentro de ouriços, nome dado aos frutos da castanheira, que caem das árvores e são colhidos diretamente do chão. A castanha-do-pará pode ser consumida como alimento ou utilizada para produzir óleo comestível e produtos de higiene, como sabonetes e cremes.

Outro recurso bastante explorado é o látex, um líquido esbranquiçado extraído de seringueiras, que é utilizado para fabricar produtos de borracha. Nas florestas também ocorre a extração legal de madeira, que é usada para fazer móveis, casas e itens diversos.

Essas atividades fazem parte do modo de viver de muitas comunidades da região Norte e mostram como é possível extrair os recursos da floresta e, ao mesmo tempo, conservá-la.

Entretanto, nem sempre a extração de recursos da natureza é realizada corretamente. Quando alguém retira madeiras, castanhas, palmitos ou outros recursos sem permissão, em áreas protegidas ou de maneira a ameaçar a conservação da espécie, isso é chamado extrativismo ilegal

Essas ações ilegais destroem o meio ambiente, colocam em risco a vida das comunidades e acabam com os recursos que deveriam durar muito tempo.

1. e 2. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Quais são as consequências do extrativismo ilegal para a natureza e as pessoas que vivem dela? Responda no caderno.

Converse com alguém de sua família ou da comunidade e descubra quais produtos da floresta e dos rios vocês usam no dia a dia. Anote no caderno.

Texto de apoio

Povos e Comunidades Tradicionais conservam a biodiversidade graças à sua relação com a natureza. Protagonizam, cada vez mais, práticas econômicas racionais, por meio de sistemas produtivos baseados na sociobioeconomia (frutas, óleos, plantas medicinais nativas, etnoecoturismo e outros meios). Desse modo, contribuem para um novo ciclo de desenvolvimento, sustentável e promissor para o Brasil. Representam a garantia de proteção das florestas e a regulação do clima, o respeito à biodiversidade e a manutenção da vida globalmente.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Povos e comunidades tradicionais. Brasília, DF: MMA, c2025. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais. Acesso em: 14 set. 2025.

Extração de látex na Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri (AC), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Agricultura

A cada 100 propriedades rurais da região Norte, aproximadamente 83 são classificadas como de agricultura familiar

A agricultura familiar é feita por pequenos produtores e suas famílias, que cuidam da terra e vivem dela.

Essas famílias produzem principalmente milho, soja, mandioca, frutas nativas, hortaliças e legumes, e são responsáveis por abastecer o comércio local, as feiras e os mercados das cidades.

Observe nesta e na próxima página os mapas dos maiores cultivos agrícolas da região.

O site do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra) permite o acesso a dados estatísticos por meio do uso de filtros específicos. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Norte: produção de soja e milho (2023)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/5457. Acesso em: 25 jun. 2025.

1 Quais cultivos agrícolas foram representados nesse mapa? As informações retratadas são de que ano?

2 Produção de soja e milho, no ano de 2023.

O bserve o mapa Norte: produção de soja e milho (2023). Utilizando as direções cardeais, aponte as regiões dos estados onde há maior produção. Veja respostas no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

1. A atividade é uma oportunidade de verificar se os estudantes realizam a leitura do título de mapas corretamente.

2. Os estudantes podem apontar que a produção de soja é maior no estado do Tocantins, em Rondônia e no sul do Pará. Já a produção de milho está mais distribuída, com altas produções no Tocantins, no sul e norte do Pará e no leste de Rondônia.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

25/09/2025 18:22

Explique aos estudantes que quase dois terços dos estabelecimentos rurais da região Norte têm menos de 50 hectares, ou seja, são propriedades pequenas. Para facilitar a compreensão dos conceitos de metro quadrado e hectare, esse conteúdo pode ser desenvolvido de forma interdisciplinar com Matemática, utilizando elementos próximos da realidade dos estudantes (como a área ocupada pela escola ou por um campo de futebol), para que possam compreender as dimensões. O hectare, que equivale a 10 000 m², é uma unidade de medida de área muito utilizada para estabelecimentos rurais.

Para utilizar o site do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), devem ser selecionados como campos de busca: Variável (quantidade produzida em toneladas); Produto das lavouras temporárias e permanentes (de acordo com a produção que se quer verificar; Ano; Unidade territorial.

ATLÂNTICO

ENCAMINHAMENTO

As atividades apresentadas nesta página e na página anterior promovem a valorização da realidade local e favorecem o desenvolvimento do raciocínio geográfico por meio da interpretação de mapas e da investigação do espaço. Elas constituem uma oportunidade para aprofundar com os estudantes a leitura e a interpretação de mapas temáticos. Oriente-os na observação da legenda, das cores e das localizações espaciais, incentivando o uso das direções cardeais para descrever as áreas de maior produção agrícola na região Norte. Trabalhar com mapas contribui diretamente para o desenvolvimento do raciocínio geográfico por meio dos princípios da localização, ao situar fenômenos no espaço; da extensão, ao compreender a distribuição das culturas nos diferentes estados; e da diferenciação, ao comparar os tipos de cultivo em cada território. As questões que envolvem o estado e o município onde vivem favorecem a conexão entre o conteúdo estudado e a realidade local dos estudantes. 5. Solicite aos estudantes que pesquisem na internet, sob a sua supervisão, produtos agrícolas que são cultivados no município onde vivem. Eles podem acessar a página da prefeitura do município para identificar os produtos agrícolas cultivados. Os dados podem ser obtidos, por exemplo, em: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov. br/Tabela/5457.

Norte: produção de mandioca (2023)

3

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/5457. Acesso em: 25 jun. 2025.

O bserve o mapa Norte: produção de mandioca (2023) . Onde há maior produção desse cultivo agrícola na região Norte? Responda utilizando as direções cardeais.

bastante difundida na região, mas que o leste e o norte do Pará apresentam as maiores produções.

4

5 Os estudantes devem concluir que a produção de mandioca é Veja orientações no Encaminhamento.

Você e sua família têm o costume de consumir mandioca e os produtos feitos a partir dela no dia a dia? Se sim, quais? Troque ideias com os colegas e o professor.

Com a ajuda do professor, façam uma pesquisa para descobrir produtos agrícolas que são cultivados no município onde vocês moram.

DESCUBRA MAIS

EDUCAÇÃO no campo fortalece agricultura familiar em Roraima. Publicado por: Eagro UFRR. 2022. 1 vídeo (ca. 10 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=A7SvovDE2l8. Acesso em: 14 ago. 2025.

O vídeo mostra como a agricultura familiar em Roraima tem se desenvolvido com o apoio de capacitações oferecidas por instituições de educação do estado.

4. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes respondam que costumam consumir mandioca e produtos feitos a partir dela por se tratar de um alimento muito presente na culinária nortista.

Atividade complementar

Assista o vídeo indicado no Descubra mais com os estudantes para sensibilizá-los sobre a importância da agricultura familiar. Em seguida, proponha uma pesquisa sobre as características da produção agrícola familiar no estado onde vocês moram: se as propriedades estão concentradas em alguma região do estado, os principais produtos cultivados, se é uma atividade importante na geração de emprego e renda e se os agricultores aplicam práticas de manejo sustentável. É possível também organizar uma visita a uma pequena propriedade rural que fique próxima à escola. Nesse caso, não se esqueça de solicitar autorização dos familiares e da gestão escolar e planejar um roteiro de visita.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Pecuária

1. b) Os estudantes devem perceber que a criação de búfalos está concentrada no norte do Pará e no sul do Amapá

A atividade pecuária é significativa no campo da região Norte. Até a década de 1990, a região tinha o menor rebanho bovino do país. Atualmente, tem o segundo maior, atrás apenas do Centro-Oeste. São Félix do Xingu (PA), por exemplo, é o município com o maior rebanho de bovinos do Brasil.

A criação de bubalinos (búfalos) também é significativa, principalmente na Ilha de Marajó (PA). Outra atividade de destaque no Norte é a piscicultura Diferente da pesca, nela os peixes são criados em ambientes controlados.

Observe o mapa com a distribuição da pecuária no território da região.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa da pecuária municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/3939. Acesso em: 25 jun. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Observe o mapa Norte: rebanhos bovino e bubalino (2023) e responda às questões utilizando as direções cardeais.

a) Onde há maior concentração da pecuária bovina?

b) Onde a criação de bubalinos é maior?

Os estudantes devem apontar que a criação de bovinos acontece com          mais intensidade no sul da região Norte, bem como no sul do Acre e de Rondônia, no oeste do Tocantins e no sul do Pará.

Com a ajuda do professor, pesquise quais tipos de atividade pecuária são desenvolvidos no município onde você vive. Anote a resposta no caderno.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

Destaque como o aumento do rebanho bovino modificou a paisagem rural e impulsionou transformações econômicas em municípios como São Félix do Xingu (PA). A criação de bubalinos na Ilha de Marajó também merece atenção por seu valor econômico e simbólico. Comente com os estudantes que pecuária é a atividade econômica que tem como foco a criação e comercialização de animais (aves, gado bovino, suíno etc.) para a produção de matérias-primas (como couro e lã) e alimentos. A piscicultura, atividade pecuária em expansão na região Norte, é uma forma de produção planejada e controlada de peixes, diferente da pesca tradicional. Faça a leitura do mapa temático com os estudantes, promovendo a interpretação de dados espaciais relacionados à pecuária. Instrua-os a identificar, por meio das direções cardeais, as áreas de maior concentração de criação bovina e bubalina na região Norte. Incentive a observação atenta da legenda (cores e tamanho dos ícones) e estimule a comparação entre os tipos de rebanho e suas distribuições. Essa análise trabalha o princípio da localização, ao

permitir aos estudantes que situem fenômenos geográficos com precisão, e também o princípio da diferenciação, ao evidenciar como diferentes formas de criação animal se organizam no território. 2. Oriente os estudantes na realização da atividade sobre os tipos de atividade pecuária desenvolvidos no município, indicando fontes confiáveis para a pesquisa. Essa atividade fortalece a conexão entre o conteúdo estudado e o espaço vivido, contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio geográfico.

Sugestão para o professor

IMAZON. Disponível em: https://imazon.org.br/. Acesso em: 14 out. 2025. Página do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), uma instituição não governamental sediada em Belém (PA), fundada em 1990, que se dedica, entre outros propósitos, a monitorar o desmatamento na Amazônia e a elaborar modelos de desenvolvimento sustentável para atividades econômicas na região.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

OCEANO ATLÂNTICO
Manaus
Branco Porto Velho
Norte: rebanhos bovino e bubalino (2023)
Rebanho bubalino

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

É importante ressaltar para os estudantes que a região Norte apresenta um grande potencial industrial, formado pelo protagonismo dos estados em diferentes setores da indústria.

Se possível, pesquise na internet e mostre para a turma fotografias da Zona Franca de Manaus na época de sua implementação, no final dos anos 1960, e na atualidade, para que os estudantes percebam o desenvolvimento industrial e as modificações visíveis ocorridas na paisagem dessa área em uma perspectiva histórica. É uma oportunidade também de trabalhar a noção de tempo.

Comente que cada estado tem a economia mais voltada para determinado setor. O Pará se destaca na indústria siderúrgica, que produz ferro-gusa, ferroliga e aço, na produção de alimentos e no processamento de pescados e frutas, principalmente cacau (é o maior produtor do fruto no país). O Amazonas se destaca na indústria de produtos eletrônicos e na indústria química. Tocantins e Rondônia se destacam na indústria de alimentos, principalmente soja e milho. O Amapá nos serviços industriais de utilidade pública, como o fornecimento de energia elétrica. Acre e Roraima se destacam no setor de construção.

1. Faça a leitura do mapa com os estudantes, auxiliando-os a compreender que os círculos de diferentes tamanhos indicam a concentração industrial em diversas áreas da região Norte. Espera-se que os estudantes apontem que a maior concentração

Atividades econômicas na cidade

No espaço urbano da região Norte, as principais atividades são a indústria, o comércio e a prestação de serviços.

Indústria

Na região Norte, os estados do Amazonas e do Pará apresentam grande concentração de indústrias

A indústria é a atividade responsável por transformar matéria-prima em bens industrializados.

Norte: indústria (2022)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cadastro central de empresas. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/9528. Acesso em: 25 jun. 2025.

No fim da década de 1960, foi criada a Zona Franca de Manaus (AM), um projeto do governo federal para incentivar o desenvolvimento da região Norte. A ideia era transformar Manaus em um centro econômico importante, oferecendo vantagens fiscais, como redução de impostos. Atualmente, a Zona Franca de Manaus é o maior polo industrial da região Norte.

Analise o mapa e utilize as direções cardeais para a indicar as áreas com maior concentração de indústrias. 1

Veja resposta no Encaminhamento.

de indústrias ocorre ao redor das capitais estaduais da região. Há presença de indústrias ao sul e a oeste do Acre; ao norte e a leste de Rondônia; a leste do Amazonas; ao norte de Roraima; ao sul do Amapá; a leste, a oeste e ao sul do Pará; ao norte de Tocantins e nos arredores da capital, Palmas.

Texto de apoio

As indústrias do Norte do Brasil revelam um potencial crescente, impulsionando o desenvolvimento econômico e apresentando uma diversidade de setores em ascensão. Com sua vasta extensão territorial e riqueza natural, a região desempenha um papel crucial no estímulo à atividade industrial e na conexão com outras regiões do país.

SCHUH, Kétlyn. Protagonismo industrial: região Norte. Viabiliza. Porto Alegre, 2022. Disponível em: https://viabilizamais.com.br/protagonismo-industrial-regiao-norte. Acesso em: 14 set. 2025.

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Porto Velho
Belém
Palmas
Macapá
Manaus
Rio Branco
Porto Velho
Boa Vista
OCEANO ATLÂNTICO
Número

Comércio e serviços

A cada 100 pessoas que trabalham na região Norte, aproximadamente 69 exercem atividades relacionadas ao comércio e à prestação de serviços

Comércio é a atividade de compra e venda de produtos. Prestação de serviços é a atividade em que pessoas ou empresas oferecem um trabalho. Na região Norte, o turismo é um dos destaques na prestação de serviços.

O comércio e a prestação de serviços crescem mais nas cidades maiores, como Manaus e Belém, e estão presentes em feiras, mercados, escolas, hospitais, bancos, transportes e turismo.

A região Norte oferece grandes atrativos turísticos para pessoas de outras regiões do Brasil e de outros países, como a Floresta Amazônica. Além disso, as cidades da região também apresentam pontos turísticos importantes, como os retratados nas fotografias.

BNCC

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

Exemplifique para os estudantes os profissionais que trabalham no comércio: feirantes, lojistas etc.; e em serviços: cabeleireiros, garçons, motoristas de aplicativos, técnicos de informática, consultores, professores, médicos, enfermeiros etc.

Explique que os pontos representados nas fotografias como pontos turísticos também são importantes marcos históricos que ajudam a contar a história do Amapá e do Amazonas. Também possibilitam trabalhar com os estudantes a noção de passagem do tempo e de permanência.

em 2021.

Quais tipos de comércio e serviços existem no município onde você mora? Anote um exemplo de cada no caderno.

Resposta de acordo com o município onde os estudantes moram.

Quais são os pontos turísticos urbanos de seu estado? Vocês já visitaram algum desses locais? 1

Respostas de acordo com o estado onde os estudantes vivem.

Sugestão para o professor

25/09/2025 10:09

KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Tradução: Wilma Patrícia Maas e Carlos Almeida Pereira. Rio de Janeiro: Contraponto: PUC-Rio, 2006.

Nessa obra, o historiador alemão Reinhart Koselleck trata da evolução da noção de tempo na modernidade, investigando como o conceito moderno de história se desenvolve a partir da mudança na relação do ser humano com o tempo.

2. Eleja, se houver, algum ponto turístico do município onde a escola está localizada para promover uma conversa em sala de aula. A aproximação da atividade sobre pontos turísticos do estado com algum espaço que a turma já conhece possibilita que o conceito se ancore em experiências prévias dos estudantes, estabelecendo-se uma aprendizagem significativa. É importante dar exemplos para os estudantes e conversar sobre espaços que fazem parte do cotidiano deles e que eventualmente atraiam pessoas de outras localidades para explorar o município ou estado.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Teatro Amazonas em Manaus (AM), em 2024.
2 Monumento do Marco Zero do Equador em Macapá (AP),

(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

(EF03CO03) Aplicar a estratégia de decomposição para resolver problemas complexos, dividindo esse problema em partes menores, resolvendo-as e combinando suas soluções.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

ENCAMINHAMENTO

Ao discutir os impactos ambientais, destaque que atividades como agricultura, pecuária e mineração são grandes causadoras do desmatamento e da degradação ambiental na região Norte. Enfatize que a principal forma de desmatamento ainda é a queimada.

Utilize as imagens de satélite da cidade de Altamira (PA) para promover a comparação visual entre dois momentos distintos da paisagem: antes e depois da intensificação da ocupação urbana. Oriente os estudantes para que observem como a área de vegetação deu lugar a construções, ruas e outros elementos do espaço urbano em uma década, comparando as transformações visíveis na paisagem. Incentive a percepção crítica sobre os impactos dessa expansão, como a perda de cobertura vegetal e as possíveis mudanças nos modos de vida locais, favorecendo o desenvolvimento do raciocínio geográfico por meio da leitura e interpretação de imagens reais.

Impactos ambientais

As atividades econômicas transformam as paisagens e podem causar impactos ambientais. No campo, as atividades como agricultura, pecuária e mineração são as maiores responsáveis pelo desmatamento e pela poluição do solo e das águas. Além dessas atividades, a expansão das cidades também causa a retirada da vegetação.

O desmatamento , quando feito de maneira ilegal, é um dos problemas ambientais mais graves do campo. A principal forma de desmatar é por meio de queimadas.

A derrubada de árvores impacta os locais de abrigo dos animais e reduz a sombra e o frescor do ambiente. Além disso, o solo fica mais frágil e degradado, perdendo sua capacidade de produção.

Você sabia que, a cada dia, mais de 1 000 hectares de floresta são desmatados na Amazônia? Isso equivale a cerca de sete árvores por segundo!

O desmatamento não é algo distante: ele também acontece perto de onde a gente mora. Observe as imagens de satélite.

Compare as duas imagens de satélite e responda: o que aconteceu em Altamira entre 2013 e 2023?

Espera-se que os estudantes concluam

que a área ocupada aumentou e, consequentemente, uma área da floresta foi desmatada, diminuindo a vegetação natural.

Você já viu algum lugar, próximo de onde vive, que teve a vegetação desmatada nos últimos anos?

Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes.

Qual é a importância das imagens de monitoramento por satélite?

Veja resposta no Encaminhamento.

90

Os dados sobre desmatamento citados no tópico foram obtidos em: RELATÓRIO anual do desmatamento no Brasil 2024. São Paulo: MapBiomas, 2025. Disponível em: https://alerta. mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/17/2025/05/RAD-2024_Destaques_14.05.2025_ FINAL.pdf. Acesso em: 2 jul. 2025.

3. Espera-se que os estudantes concluam que, entre outras possibilidades, as imagens de monitoramento por satélite facilitam o acompanhamento do desmatamento e de outras alterações das paisagens.

Imagem de satélite de parte de Altamira (PA), em 2013.
Imagem de satélite de parte de Altamira (PA), em 2023.
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4. Quando a floresta é retirada para dar lugar a pastos e lavouras, o solo pode ficar empobrecido, os rios podem ficar poluídos ou secar e muitos animais perdem seu hábitat. Isso afeta o equilíbrio

O extrativismo predatório ocorre quando é feita a retirada excessiva de recursos naturais, sem considerar sua capacidade de regeneração. Essa prática pode levar ao esgotamento de elementos da natureza e à extinção de espécies vegetais e animais.

da natureza e a qualidade de vida das pessoas que vivem próximas a esses lugares.

O garimpo ilegal, por exemplo, é uma atividade predatória com impacto negativo pela contaminação de solos e rios por mercúrio, substância utilizada para separar o ouro de outros materiais. Esse tipo de poluição já atingiu a Terra Indígena Yanomami, localizada nos estados de Roraima e do Amazonas e em parte da Venezuela.

A emissão de gases estufa gerada pela queima de combustíveis e da vegetação também é um problema ambiental que impacta a região Norte. O aumento da concentração desses gases tem elevado gradualmente as temperaturas e ocasionado mudanças no clima. Pequnos agricultores já percebem a diferença, pois a chuva está mais fraca ou atrasada, prejudicando as plantações de mandioca, milho e banana, por exemplo.

Pessoas atravessando o leito do Rio Tarumã Açu em período de seca, em Manaus (AM), 2024.

O que pode acontecer com o solo, a água e os animais quando grandes áreas de floresta são substituídas por pastagens ou plantações?

Como as queimadas e o desmatamento influenciam o aumento da temperatura e a mudança do clima na região Norte?

As queimadas e o desmatamento liberam gases estufa, deixam o ar mais seco e a temperatura mais alta.

Por que é importante adotar medidas contra o desmatamento ilegal?

Veja resposta no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

Ao tratar da emissão de gases estufa, destaque para os estudantes como a queima de combustíveis e da vegetação contribui para o aquecimento global e as mudanças no clima, com grande impacto na região Norte. Utilize exemplos próximos da realidade dos estudantes, como a irregularidade do regime de chuvas, o que afeta diretamente o cultivo de alimentos como mandioca, milho e banana. Essa abordagem permite relacionar ações humanas locais com efeitos globais e mostrar como essas mudanças afetam de forma distinta os territórios e modos de vida. Incentive os estudantes a refletir sobre a necessidade de práticas sustentáveis para proteger o clima e a produção de alimentos.

As atividades propostas ajudam os estudantes a relacionar ações humanas como o desmatamento e as queimadas aos impactos ambientais que afetam diretamente o solo, os rios, a fauna e o clima. Oriente a turma a refletir sobre como a substituição de florestas por pastagens e lavouras pode desequilibrar os ecossistemas, empobrecendo o solo, contaminando a água e afastando ou eliminando espécies animais. As queimadas, além de agravarem esses problemas, intensificam o aquecimento global, com a liberação de gases estufa. Ao incentivar a reflexão sobre a importância do combate ao desmatamento ilegal, espera-se fortalecer a consciência ambiental.

25/09/2025 10:09

Na abordagem sobre o extrativismo predatório, destaque para os estudantes que a retirada descontrolada de recursos naturais, como ocorre no garimpo ilegal, compromete a regeneração dos ecossistemas e ameaça diretamente a biodiversidade. Explique que práticas como o uso de mercúrio para a extração de ouro contaminam solos e rios, impactando gravemente comunidades humanas e espécies animais e vegetais, como é o caso da Terra Indígena Yanomami. Essa discussão permite compreender que os impactos ambientais variam de acordo com o tipo e a intensidade da atividade econômica e relacionar a exploração econômica com os efeitos sociais e ambientais em diferentes territórios. Incentive os estudantes a refletir sobre as consequências dessas práticas para os povos tradicionais e para o equilíbrio ambiental.

6. Espera-se que os estudantes concluam que pensar sobre a importância do combate ao desmatamento ilegal ajuda a entender que proteger a floresta é também proteger o clima, a água, os animais e o futuro das pessoas que vivem na região. A intenção, com essa proposta, é fortalecer a consciência ambiental dos estudantes.

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ENCAMINHAMENTO

Proponha aos estudantes que observem o caminho entre a escola e suas casas, identificando pontos onde resíduos são descartados de forma inadequada em ruas, terrenos baldios, canais ou próximos a igarapés urbanos, rios e outros cursos de água. Explique que, durante o período de chuvas, muitos desses cursos transbordam por estarem obstruídos pelo acúmulo de resíduos, o que pode causar alagamentos, contaminação da água e prejuízos à saúde e à moradia das populações que vivem próximo ao local. Essa observação do espaço vivido estimula o raciocínio geográfico ao relacionar ações humanas, dinâmica natural e impactos sociais e contribui para a construção de atitudes conscientes em relação ao cuidado com os recursos hídricos e o ambiente urbano.

Ao tratar da poluição do ar em cidades da região Norte, destaque que, nos períodos mais secos do ano (especialmente no segundo semestre), as queimadas se intensificam e liberam grande quantidade de fumaça e gases poluentes na atmosfera. Explique que esse fenômeno afeta diretamente a qualidade do ar, tornando-o mais seco e prejudicial à saúde, principalmente para crianças, pessoas idosas e pessoas com problemas respiratórios. Use o exemplo de Rio Branco (AC) para ilustrar como o ar pode se tornar poluído em certas épocas. Essa temática permite relacionar clima, ações humanas e saúde da população, além de mostrar como os impactos variam conforme a localização e a estação do ano.

Nas cidades da região Norte, muitos rios enfrentam sérios problemas de poluição. Isso acontece, principalmente, pela falta de tratamento do esgoto e pelo descarte inadequado de resíduos vindos de casas, comércios e algumas indústrias. Um exemplo é o Rio Machado, em Rondônia, que atravessa áreas urbanas e sofre com o acúmulo de lixo e entulho em vários trechos. Assim como ele, muitos outros rios da região vêm sendo poluídos, o que afeta diretamente a vida de comunidades ribeirinhas e urbanas.

A poluição do ar também é um problema nas cidades da região Norte, principalmente nos períodos de seca, quando as temperaturas se elevam e o ar fica mais seco. Nessas épocas, as queimadas aumentam, liberando fumaça e gases que podem ser prejudiciais à saúde. Além disso, o aumento do número de veículos automotores nas cidades contribui para a emissão de poluentes.

Na cidade de Rio Branco, no Acre, por exemplo, a fumaça das queimadas pode atingir áreas residenciais e prejudicar a saúde das pessoas, afetando principalmente crianças e pessoas idosas.

Atividade complementar

Com a autorização de familiares e da gestão da escola, organize uma expedição pelo bairro ou comunidade, propondo uma caminhada pelas redondezas da escola. Observe se há resíduos nas ruas, nos igarapés ou próximo aos rios (se houver algum nas proximidades). Os estudantes deverão registrar o que viram com anotações, desenhos ou fotografias. Em uma segunda etapa, instrua-os a compartilhar com os colegas os registros que fizeram e ideias sobre o que pode ser feito para melhorar o ambiente onde vivem.

Rio Machado em Ji-Paraná (RO), em 2021. Pesquisadores coletando peixes para analisar a presença de microplásticos no Rio Machado, em Ji-Paraná (RO), em 2017.
Poluição do ar em Rio Branco (AC), em 2024.

O descarte inadequado de resíduos é outro grande desafio das cidades da região Norte. Em muitas áreas urbanas, os resíduos sólidos das casas e comércios são jogados nas ruas, nos igarapés ou diretamente nos rios, sem o cuidado necessário. Isso contamina o solo e atrai animais que são vetores de doenças.

Vetor: ser vivo capaz de transmitir uma doença.

Descarte inadequado de resíduos em Breves (PA), em 2022.

VOCÊ DETETIVE

Auxilie os estudantes a utilizar fontes confiáveis de pesquisa. Para a elaboração cartográfica, é possível utilizar ferramentas que forneçam imagens de satélite.

Agora que você já estudou os impactos ambientais no campo e na cidade, está na hora de pesquisar os impactos ambientais negativos que atingem seu município.

1. Em grupos, pesquisem em sites , jornais ou revistas notícias sobre algum impacto ambiental em seu município.

2. Elaborem uma representação cartográfica em meio digital, localizando espacialmente o evento no mapa.

3. Proponham uma intervenção ou medidas que podem ser adotadas pelo poder público para minimizar esse impacto.

4. É hora de apresentar! Elaborem uma apresentação da pesquisa para a comunidade escolar.

Atividade complementar

Proponha aos estudantes a realização de uma atividade prática em casa, com a ajuda de um familiar, voltada à observação e reflexão sobre o descarte de resíduos. Instrua-os a separar, por um dia, os resíduos gerados em suas residências, classificando-os em recicláveis (papel, plástico, metal, vidro) e não recicláveis. Peça que anotem os tipos de material descartados de cada categoria e conversem com familiares sobre formas de reduzir o resíduo gerado. Se possível, estimule a criação de um pequeno objeto reaproveitando algum material (como um porta-lápis feito com embalagem ou uma peça decorativa). Após a atividade, promova uma roda de conversa em sala de aula para que compartilhem as experiências, reforçando a importância da educação ambiental e da responsabilidade coletiva no cuidado com o espaço urbano e com os recursos naturais.

Pergunte aos estudantes se já ouviram falar dos “cinco Rs”. Depois de ouvir com atenção as respostas e hipóteses da turma, explique a eles que se trata das cinco atitudes que são importantes para mudar a realidade da poluição ambiental: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. Repensar é evitar o consumo desnecessário e o desperdício. Recusar é não usar produtos que causem prejuízo ao meio ambiente. Reduzir é consumir menos e com mais consciência. Reutilizar é dar um novo uso a objetos que iriam para o lixo. Reciclar é separar os resíduos corretamente (como latas de alumínio, papéis e plásticos), para que eles possam ser transformados em algo novo.

A proposta do Você detetive trabalha com a resolução de problemas. O roteiro de pesquisa auxilia os estudantes a dividir um problema em partes menores (identificação do impacto ambiental e sua representação de forma cartográfica) antes de pensar em intervenções ou medidas para diminuí-lo. A pesquisa em sites deve ser supervisionada e orientada por um adulto, com a indicação de fontes confiáveis. Caso cada grupo de estudantes pesquise um impacto ambiental diferente no município, é possível combinar os dados posteriormente em uma única representação cartográfica, verificando diferentes pontos em que o local sofre com os impactos negativos no ambiente. Auxilie os estudantes na elaboração dos mapas, utilizando ferramentas digitais gratuitas (a BNCC da computação apresenta diferentes possibilidades). A proposta permite o trabalho com a EF03CO03 da BNCC da computação.

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(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

ENCAMINHAMENTO

Ao abordar as práticas sustentáveis no campo, destaque para os estudantes que o meio ambiente é parte fundamental da vida, da cultura e das relações sociais das populações que vivem em áreas rurais, especialmente dos povos indígenas.

A fotografia que mostra o manejo sustentável do pirarucu pelos indígenas paumaris pode ser utilizada como exemplo concreto de como o uso responsável dos recursos naturais pode gerar resultados positivos para o meio ambiente e para a comunidade. Essa abordagem mostra a relação equilibrada entre natureza e sociedade e valoriza os saberes de povos tradicionais e das suas formas próprias de interação com o território.

Incentive os estudantes a reconhecer que conservar a natureza também é garantir o futuro de todos.

Destaque que a agricultura orgânica é uma prática sustentável que busca conservar o meio ambiente e promover a saúde, ao evitar o uso de pesticidas. Destaque para os estudantes que a agricultura orgânica não corresponde apenas a produtos livres de agrotóxicos; está relacionada, também, à conservação das matas ciliares e dos recursos hídricos e à saúde do agricultor familiar.

Práticas sustentáveis no campo

O meio ambiente é parte da sobrevivência, da identidade, da cultura, das relações sociais e do modo de vida de muitas pessoas no campo. As chamadas práticas sustentáveis visam utilizar os recursos no presente sem comprometer seu uso no futuro.

Observe a fotografia. Ela mostra uma ação dos indígenas paumaris voltada ao manejo sustentável do pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo. Com o apoio da Operação Amazônia Nativa (Opan), a iniciativa resultou no aumento da população do pescado no território.

Manejo sustentável do pirarucu na Terra Indígena Paumari (AM) em 2023.

Outra forma de prática sustentável é a agricultura orgânica . Nela, são utilizados os recursos da própria natureza no ciclo de produção, sem pesticidas

Pesticida: produto químico utilizado para combater pragas, mas que polui o ambiente se usado inadequadamente.

Nos últimos anos, o estado do Tocantins tem intensificado a produção de orgânicos. O estado também é o pioneiro na comercialização direta de produtos orgânicos aos consumidores.

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Você costuma consumir produtos orgânicos? Se sim, quais?

Espera-se que os estudantes concluam que a inserção de alimentos orgânicos na alimentação permite que sejam consumidos produtos sem pesticidas, além de incentivar a produção sustentável. Respostas pessoais.

• Para você, é importante incluir o consumo de produtos orgânicos na alimentação? Por quê?

Sugestão para o professor

SPADOTTO, Cláudio Aparecido; GOMES, Marco Antonio Ferreira. Agrotóxicos no Brasil. Brasília, DF: Embrapa, 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao -tecnologica/tematicas/agricultura-e-meio-ambiente/qualidade/dinamica/agrotoxicosno-brasil. Acesso em: 14 set. 2025.

Esse estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresenta dados sobre o uso de pesticidas no Brasil e no mundo.

Uma solução encontrada para combater o desmatamento foi a criação de leis de proteção ambiental. Estabelecidas pelo governo, elas têm o objetivo de proteger o meio ambiente e regular o uso dos recursos naturais. Uma dessas leis é o Código Florestal, que estabelece normas para proteger a vegetação nativa.

A criação de reservas extrativistas foi outra forma criada para garantir o uso sustentável dos recursos naturais. Essas áreas de vegetação nativa são protegidas por lei e cedidas a populações tradicionais, que se mantêm principalmente por meio do extrativismo.

Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri (AC), em 2022.

Práticas como o reflorestamento também podem ter um impacto positivo para o ambiente. Por volta do ano 2000, os indígenas surui paiter, ligados às atividades extrativistas e que habitam a Terra Indígena Sete de Setembro, decidiram plantar mudas e reflorestar o território. Nasceu, então, o projeto Pamine, que na língua desses povos significa “o renascer da floresta’”.

QUEM É?

Chico Mendes (1944-1988) foi um ativista ambiental, conhecido por lutar pela conservação da Amazônia. Ele foi o responsável por promover a criação de reservas extrativistas.

VOCÊ DETETIVE

1. Com o auxílio de um familiar, pesquise outra iniciativa baseada em ações ou conhecimentos dos povos tradicionais e que ajudam a proteger o meio ambiente da região Norte. Compartilhe o resultado com os colegas.

Os estudantes devem identificar e apresentar uma prática de proteção ao meio ambiente realizada por povos tradicionais da região Norte, como indígenas, ribeirinhos ou extrativistas. Veja orientações no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

sustento, especialmente para populações tradicionais que vivem do extrativismo. Essa abordagem permite explorar o princípio da conexão, ao relacionar leis, sociedade e meio ambiente, e o da diferenciação, ao mostrar como diferentes grupos utilizam e protegem os territórios de formas específicas.

No Você detetive, abra a possibilidade de os estudantes citarem quaisquer iniciativas de povos tradicionais que tenham impacto ambiental positivo. Espera-se que os estudantes mencionem ações como o uso sustentável da floresta, o respeito aos períodos da pesca, os sistemas de plantio que mantêm a vegetação nativa ou outras formas de cuidar da natureza com base em saberes locais.

A forma de exposição dessa pesquisa pode se adaptar ao perfil e às necessidades de alguns estudantes da turma. O resultado da pesquisa pode ser registrado no caderno, apresentado em cartazes na sala de aula ou em um mural coletivo na escola (para incentivar outras turmas a cuidar melhor do lugar onde vivem) ou, ainda, compartilhado oralmente em sala de aula, incentivando o diálogo e a valorização dos conhecimentos tradicionais. Se considerar pertinente, sugira a divulgação em suportes digitais (em um blog, por exemplo).

25/09/2025 10:09

A educação ambiental desde os Anos Iniciais do Ensino Fundamental é essencial para a compreensão da importância de cuidar da natureza e do lugar de vivência. Não jogar resíduos nos rios e em outros locais inadequados, respeitar os animais, usar a água de forma consciente e evitar queimadas são atitudes que podem ser ensinadas em casa, na escola e nas comunidades. Quando as crianças aprendem desde cedo que o rio onde a família pesca ou de onde obtém água precisa estar limpo, elas se tornam defensoras do ambiente em que vivem. A educação ambiental ajuda a manter viva a relação entre as pessoas e a natureza, tão presente na cultura e nos modos de vida da região Norte.

Ao tratar das leis de proteção ambiental, como o Código Florestal e as reservas extrativistas, destaque a importância da regulação do uso dos recursos naturais e da conservação da vegetação nativa. Explique aos estudantes que essas medidas buscam equilibrar conservação e

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RICARDO AZOURY
Chico Mendes em Xapuri (AC), em 1988.

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

Comente com os estudantes sobre o processo de colheita do açaí, em que os coletores sobem nas palmeiras (açaizeiros) com um instrumento chamado peconha. Aproveite para relembrar sobre esse processo, já comentado no Capítulo 1. É importante ter em vista que, para alguns estudantes, esse processo faz parte do cotidiano, enquanto para outros pode ser uma novidade. Adapte sua exposição para acolher as observações daqueles que conhecem de perto esse processo ou para explicar essa prática àqueles que a desconhecem. Relembre também sobre o transporte fluvial (estudado em capítulo anterior), que é usado para levar o fruto do açaí até as cidades.

Faça a leitura das imagens e respectivos textos com a turma, pedindo aos estudantes que enumerem as atividades econômicas do campo e da cidade que foram representadas. Verifique se todos compreenderam a relação entre esses dois espaços. No Você detetive, incentive a turma a pesquisar sobre algum produto regional cultivado ou produzido nos arredores do município ou da comunidade de vivência. Instrua os estudantes a não escolher como objeto de pesquisa um produto industrializado que venha de uma localidade fora da região. Dê exemplos de produtos que

Conexões: campo e cidade

Vamos entender como funciona a conexão do campo e da cidade?

O açaí é colhido no campo da região Norte.

Na cidade, o açaí é comercializado.

Depois, ele é transportado pelos rios por meio de barcos.

Na cidade, também são comercializados produtos industrializados, como o celular, que pode ser adquirido por pessoas do campo.

Entender essa interdependência é essencial para valorizar todos os modos de vida presentes na região Norte.

VOCÊ DETETIVE

Você sabe de onde vêm os produtos que consome no dia a dia?

1. Com o auxílio de um familiar, pesquise um alimento presente no seu cotidiano.

a) Ele pode ter origem em qual município?

b) Provavelmente, ele vem de agricultura familiar?

c) Qual caminho ele pode ter realizado para chegar até você?

2. Anote as respostas no caderno e compartilhe os resultados com os colegas.

Para a atividade proposta, os estudantes podem resgatar a resposta da atividade 2 da página 84 e aprofundá-la. O resultado da pesquisa pode ser anotado no caderno, em cartazes ou compartilhado em um debate com a turma.

são comumente usados no dia a dia e que sejam produzidos na região. Há municípios que apresentam produtos característicos daquele lugar, como: a farinha, em Bragança, no estado do Pará; o cacau (e seus derivados, como o chocolate), em Altamira, também no Pará; o coco de babaçu (e seus derivados, como a cocada), em Buriti do Tocantins, no estado do Tocantins. A pesquisa também pode ter como foco produtos que fazem parte da economia e da cultura locais.

25/09/2025 10:09

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DIÁLOGOS

Desigualdades do campo na região Norte

O espaço rural do Norte apresenta características que o diferenciam de outras regiões do país. Um exemplo é a mecanização no espaço rural da região Norte e em outras regiões do Brasil. Somente 6 a cada 100 propriedades rurais utilizam tratores no Norte, enquanto nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste esse número é muito maior. A cada 100 propriedades da região Sul, por exemplo, 40 contam com tratores para desenvolver atividades agrícolas. Devido à presença de extensas áreas de vegetação nativa, o Norte também apresenta maior proporção de pessoas praticando atividades agropecuárias em áreas de mata e floresta naturais que em outras regiões do Brasil. Outra diferença é que os grandes estabelecimentos rurais do Norte são voltados em sua maioria para a criação de animais. Aproximadamente 80 a cada 100 desses estabelecimentos são dedicados à pecuária, enquanto a média do Brasil para esse tipo de propriedade é de 60 a cada 100. Uma evidência disso é o crescimento do rebanho bovino da região. Observe o gráfico.

Norte: rebanho bovino (1985-2023)

Milhões de cabeças

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Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa da pecuária municipal Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mpa/pt-br/assuntos/noticias/ppm_2023_ v51_br_informativo.pdf. Acesso em: 11 jul. 2025.

Entre 1985 e 2023, o Norte foi a região que teve a maior evolução no aumento do número de cabeças de gado. Nesse período, muitos agricultores e pecuaristas de outras regiões migraram para a região Norte em busca de terras para cultivar e criar animais. O avanço das atividades agropecuárias na região nas últimas décadas também causou o desmatamento de grandes áreas para abrir pastagens para os animais.

1

Converse com os colegas e o professor: por qual motivo o rebanho da região Norte cresceu tanto nas últimas décadas?

Incentive os estudantes a levantar hipóteses que respondam à questão. Eles podem apontar que houve a migração de diversas famílias rurais para a região Norte nesse período em busca de terras e que isso impulsionou atividades como a pecuária.

ENCAMINHAMENTO

Auxilie os estudantes na leitura dos dados apresentados no gráfico, pois eles podem ter dificuldade para entender os dados apresentados. É possível trabalhar o conteúdo em interdisciplinaridade com Matemática.

1. Amplie a reflexão proposta na atividade, comentando com os estudantes que o rebanho bovino cresceu na região Norte também pela disponibilidade de terras baratas, o que atraiu pecuaristas graças a incentivos do governo a políticas de ocupação das terras voltadas à agropecuária e ao aumento da demanda de carne, que exigiu mais áreas de pasto. Aproveite a atividade para desenvolver o TCT Economia: trabalho, relacionando as práticas econômicas da região com a oferta de trabalho.

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas. TCT: Economia: trabalho.

10:09

Para aprofundar o tema, exponha para os estudantes algumas imagens de fazendas no Sul, por exemplo, que são mecanizadas e de fazendas na região Norte que não utilizam maquinário de forma tão intensiva.

A mecanização acaba sendo um exemplo de desigualdade existente entre o espaço rural do Norte e de outras regiões do Brasil. Você pode explicar que isso acontece, entre outros fatores, por conta do histórico de ocupação de cada uma das regiões, já que o Sul e o Sudeste foram colonizados antes e receberam mais investimentos em agricultura do que o Norte. Além disso, desde o início da colonização, predominaram na região Norte atividades extrativistas, como a extração do látex nos séculos XIX e XX, enquanto no Sul e no Sudeste se desenvolveu a agricultura.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a aula explorando o gráfico Norte: população do campo e da cidade (1960 e 2022). Ao apresentar o conceito de êxodo rural, utilize exemplos locais ou regionais para mostrar como a mecanização das atividades agrícolas reduziu a necessidade de mão de obra no campo, levando muitas famílias a se deslocar para áreas urbanas. 1. Na região Norte, em 1960, havia mais pessoas vivendo no campo do que na cidade. Explique que, a cada 100 habitantes da região, 64,5 viviam no espaço rural e 35,5 viviam no espaço urbano. Entre 1960 e 2022, houve diminuição da população vivendo no campo (cuja proporção passou a ser de 21,5 a cada 100 pessoas) e aumento da população vivendo na cidade (que passou de 35,5 para 78,5 a cada 100 pessoas). A maior presença de pessoas nas cidades, em 2022, também se relaciona à expressiva quantidade de pessoas que saíram do campo por melhores oportunidades de emprego ou por falta de trabalho devido ao crescimento da mecanização das áreas rurais, por exemplo.

CRESCIMENTO DAS CIDADES E DESAFIOS URBANOS 2

Observe o gráfico a seguir.

Norte: população do campo e da cidade (1960 e 2022)

Fontes: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População por situação do domicílio. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Sinopse do Censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=9&uf=00. Acessos em: 20 jun. 2025.

Atualmente, a maior parte das pessoas da região Norte mora nas cidades. Esse aumento da população urbana ocorreu em grande parte devido ao êxodo rural.

Êxodo rural é a migração de pessoas do campo para a cidade, geralmente motivada pela procura de melhores condições de vida, principalmente de trabalho.

O êxodo rural também está ligado a uma maior mecanização de atividades econômicas do campo, o que diminui a necessidade de mão de obra.

1 Como as informações apresentadas no gráfico Norte: população do campo e da cidade (1960 e 2022) se relacionam ao êxodo rural na região Norte? Responda no caderno. Veja resposta no Encaminhamento.

Atividade complementar Proponha aos estudantes que façam uma pesquisa sobre o município onde vivem para que identifiquem se nele predomina população rural ou população urbana. Antes de realizar a pesquisa, promova uma conversa com a turma, a fim de que os estudantes exponham suas hipóteses. Em seguida, conduza a pesquisa buscando o nome do município na página de divulgação dos dados do Censo demográfico de 2022: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População por situação do domicílio. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama. Acesso em: 24 set. 2025. No campo de busca da página, basta digitar o nome do município. Em seguida, deve-se buscar o gráfico População por situação do domicílio. A pesquisa pode ser repetida para obter os dados do estado onde os estudantes vivem.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

DIÁLOGOS

Ocupação do território brasileiro

Você sabia que o processo de ocupação não aconteceu da mesma maneira em todas as regiões do Brasil?

O processo de colonização do país criou núcleos urbanos nas áreas próximas ao litoral das atuais regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

A ocupação das regiões Norte e Centro-Oeste pelos portugueses aconteceu mais tarde devido à dificuldade de acesso a seus territórios, localizados em áreas longe do litoral e com vegetação densa. A dificuldade de acesso a essas regiões persistiu ao longo do tempo, o que dificultou o crescimento de seus núcleos urbanos.

Entre as décadas de 1970 e 1980, a região Norte foi alvo de diversas políticas públicas que tinham como objetivo integrar a Amazônia ao restante do Brasil, além de explorar seus recursos naturais e de industrializar a região. Houve também o incentivo da ida de pequenos agricultores do Sul e do Nordeste para a região com a promessa de terras e benefícios.

Porém, esses projetos de desenvolvimento causaram impactos ambientais e conflitos por terras. Além disso, nem todos os estados e regiões foram beneficiados com o crescimento econômico idealizado por essas iniciativas.

Cidade de Porto Velho (RO), em 2024. A cidade apresentou crescimento com a exploração de minérios na região, na segunda metade do século 20.

1 Por quais motivos a ocupação da região Norte pelos colonizadores portugueses aconteceu mais tarde que em outras regiões do país?

2 Explique, no caderno, como o governo brasileiro promoveu a ocupação e a exploração de recursos na região Norte, na segunda metade do século 20.

Veja resposta no Encaminhamento.

1. Espera-se que os estudantes apontem que a região Norte apresentava maiores barreiras para a ocupação, como a distância do litoral, a presença da Floresta Amazônica e a vastidão de territórios no interior do país.

Sugestão para o professor

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

ENCAMINHAMENTO

25/09/2025 10:04

SCHMIDT, Maria Auxiliadora; BARCA, Isabel; MARTINS, Estevão de Rezende. (org.). Jörn Rüsen e o ensino de História. Curitiba: UFPR, 2011. O livro evoca diversos marcos na urbanização brasileira e da região Norte, em uma sequência cronológica que mostra a continuidade do processo até a configuração na atualidade. Segundo Jörn Rüsen, uma narrativa histórica que privilegie a construção temporal e abarque passado, presente e futuro é fundamental para o fomento de uma consciência histórica na aprendizagem dos estudantes.

Como exemplo de políticas públicas implementadas entre as décadas de 1970 e 1980 para a integração, a industrialização e a exploração de recursos naturais na região Norte, pode ser citada a construção de hidrelétricas, rodovias e ferrovias. Explique que, antes de 1970, o Brasil tinha apenas cinco capitais com mais de 1 milhão de habitantes. Em 1991, já faziam parte desse conjunto 11 capitais, sendo duas da região Norte: Belém e Manaus (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Sinopse do censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. Disponível em: https:// censo2010.ibge.gov.br/sinopse/ index.php?dados=6. Acesso em: 25 set. 2025).

2. Espera-se que os estudantes respondam que o governo brasileiro criou políticas públicas com o intuito de integrar a região ao restante do país, incluindo o incentivo à instalação de indústrias, à exploração de recursos naturais e à migração de pequenos agricultores.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

ENCAMINHAMENTO

Ao abordar processos de urbanização na região Norte, apresente aos estudantes os diferentes fatores que influenciaram a formação e expansão urbana, como a proximidade de rios, a construção de rodovias e o planejamento urbano. Mencione, como exemplos, Macapá (Amapá), Belém (Pará) e Manaus (Amazonas), que se desenvolveram às margens de grandes rios; Rio Branco (Acre) e Porto Velho (Rondônia), que cresceram com investimentos em infraestrutura, como rodovias e ferrovias; e Palmas (Tocantins) e Boa Vista (Roraima), que tiveram ocupação planejada. Assim, poderão ser identificadas as semelhanças e as diferenças entre os processos de urbanização.

Oriente os estudantes na análise das fotografias da página. Verifique se identificam o Rio Amazonas ao fundo da fotografia do Parque Meio do Mundo, em Macapá, no Amapá. Em seguida, incentive-os a observar o traçado em leque de Boa Vista, em Roraima, incentivando a percepção de como a localização geográfica e as decisões de planejamento moldam o espaço urbano. Trabalhe também o princípio da localização, situando em um mapa político da região as cidades mencionadas no texto.

Como as cidades crescem na região Norte

Fundada em 1758, a cidade de Macapá (AP) cresceu voltada para o Rio Amazonas. Já Belém (PA), fundada em 1616, surgiu às margens da Baía do Guajará, próxima ao Rio Pará. Manaus (AM), criada em 1669, se formou ao lado do Rio Negro, aproveitando o transporte fluvial.

Rio Branco (AC), fundada em 1882, começou como um acampamento às margens do Rio Acre. Na década de 1960, a criação de novas rodovias integrando-a ao restante do país, como a BR-364, foi responsável por um grande desenvolvimento.

Porto Velho (RO), fundada em 1914, surgiu como ponto de apoio para a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, junto ao Rio Madeira.

Outras cidades da região Norte também nasceram a partir de estradas, mas tiveram sua ocupação planejada. É o caso de Palmas (TO), inaugurada em 1989, construída para ser a nova capital do Tocantins e estruturada para se expandir de forma organizada. Boa Vista (RR), fundada em 1890, foi planejada no estilo de um leque, ao longo do Rio Branco.

Com o passar do tempo, as cidades cresceram e formaram bairros novos e afastados do centro, em um processo de urbanização

Urbanização se refere ao crescimento das cidades e ao aumento da população que vive nelas em relação à área rural.

100

Atividade complementar

Proponha aos estudantes que conversem com familiares ou pessoas mais velhas de seu município ou sua comunidade para saber quais elementos naturais ou construídos influenciaram o crescimento e a organização de seu lugar de vivência. Instrua-os a compartilhar o que descobriram com os colegas, em uma roda de conversa. Para garantir a participação de toda a turma, possibilite aos estudantes que, alternadamente, se expressem por meio de desenhos, escrita, dramatização ou com o uso de recursos digitais. Acolha com atenção e interesse todas as contribuições. Esta atividade incentiva a reconstrução de histórias da vida local ao longo do tempo. É importante que os estudantes reconheçam que a realização da proposta possibilita que compreendam as mudanças e permanências em seu lugar de vivência. Além disso, entrar em contato com as histórias trazidas pelos colegas contribuirá para a ampliação do conhecimento e do repertório de todos os estudantes.

Parque Meio do Mundo com o Rio Amazonas ao fundo, em Macapá (AP), em 2024. O parque tem esse nome por estar próximo à linha do equador.
Cidade de Boa Vista (RR), em 2024. Na imagem, é possível ver seu planejamento em estilo de leque.

O crescimento das cidades nem sempre coincide com a ampliação da sua rede de infraestrutura urbana. Quando não há planejamento, a ocupação de áreas na periferia das cidades pode enfrentar problemas como enchentes, dificuldades de acesso ao transporte e a outros direitos, como saúde e educação.

Periferia: área que fica mais distante do centro das cidades.

Infraestrutura urbana se refere a um conjunto de elementos que permite o bom funcionamento de uma cidade, como a presença de água encanada e de energia elétrica em moradias e o acesso a hospitais, escolas e a uma rede de transporte eficiente.

No processo de urbanização, algumas cidades se desenvolvem mais e formam metrópoles. Essas cidades têm maior oferta de serviços, que por vezes são utilizados por habitantes de cidades vizinhas. Na região Norte, Manaus e Belém são exemplos de metrópoles.

Metrópole é uma cidade com grande poder de influência sobre outros núcleos urbanos próximos.

Rio Negro em Manaus (AM), em 2025. Os rios são um importante meio de deslocamento entre a metrópole Manaus e as cidades próximas.

1 Pesquisem sobre seu lugar de vivência para responder às questões. Vocês podem utilizar meios impressos ou digitais, com a supervisão de um adulto.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) Quais elementos da infraestrutura urbana estão presentes no lugar onde vocês vivem?

b) E quais não estão presentes ou poderiam ser aprimorados?

Sugestão para os estudantes

SOUSA, Mauricio de. Sou um rio. Ilustrações: Mauro Sousa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021. O rio, principal personagem desse livro, é o mote para que o leitor reflita sobre o problema da poluição urbana e perceba como o crescimento das cidades muitas vezes está ligado à passagem de um curso de água.

ENCAMINHAMENTO

Se possível, solicite aos estudantes que busquem as capitais dos estados da região Norte em um site que permita observação de imagens de satélite. Eles também podem buscar fotografias antigas dessas capitais, a fim de compreender melhor seu processo de urbanização ao longo do tempo.

Proponha perguntas para estimular a reflexão sobre o surgimento de bairros ou comunidades em áreas ocupadas de forma irregular e suas implicações para o meio ambiente. Depois, questione: quais políticas públicas poderiam reduzir esses problemas?

1. a) Espera-se que os estudantes identifiquem se em seu lugar de vivência há elementos que correspondam a uma infraestrutura urbana adequada, como transporte eficiente para diferentes locais do município, rede de água e esgoto, presença de postos de saúde e de escolas em quantidade suficiente para atender à população. b) Caso os estudantes identifiquem itens de infraestrutura urbana que não existem em seu lugar de vivência ou que precisam de aprimoramento, incentive-os a argumentar para defender seu ponto de vista, explicando o porquê de as estruturas atuais serem inadequadas para atender a população. É possível ampliar a atividade instruindo os estudantes a propor, de forma coletiva, soluções para os problemas identificados e a comunicá-las em canais de participação social, como o site da Prefeitura do município.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

ENCAMINHAMENTO

Cite exemplos de regiões metropolitanas, como a Região Metropolitana de Belém, no Pará, que integra municípios como Ananindeua e Marituba, e a Região Metropolitana de Manaus, no Amazonas, que inclui cidades como Iranduba e Manacapuru, conectadas por pontes e transporte fluvial. Ressalte que as grandes distâncias entre as diferentes regiões metropolitanas do Norte são decorrentes da presença dos rios e da floresta, o que torna os deslocamentos e a oferta de serviços mais desafiadores.

Oriente a leitura do mapa Norte: regiões metropolitanas (2021), destacando que nesse mapa, para fins didáticos, foram indicados os municípios principais de cada região metropolitana. Explique à turma que nem sempre os nomes dos municípios correspondem aos nomes das regiões metropolitanas; Caracaraí (RR), por exemplo, situa-se na Região Metropolitana Central, e Caroebe (RR) situa-se na Região Metropolitana do Sul.

2. É importante observar que, em alguns casos, pode haver mais de uma região metropolitana próxima, como nos municípios situados ao norte do estado do Amazonas e a sudoeste do Tocantins.

Regiões metropolitanas

Cidades próximas podem crescer e estabelecer uma forte relação de interdependência. A área formada por esse grupo de cidades é chamada região metropolitana

Observe o mapa.

Norte: regiões metropolitanas (2021)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 151.

As regiões metropolitanas também enfrentam desafios relacionados à urbanização. Alguns exemplos são o trânsito intenso, a falta de moradias adequadas e a poluição do meio ambiente.

Na região Norte, por causa das grandes distâncias, dos rios e das florestas, a formação das regiões metropolitanas tem características bem específicas. Os serviços de infraestrutura, como a distribuição de gás, água e energia elétrica, são pontos relevantes na interligação das cidades das regiões metropolitanas.

1 Observem o mapa Norte: regiões metropolitanas (2021). Quantas regiões metropolitanas existem na região Norte?

Espera-se que os estudantes leiam o mapa e apontem que há dez regiões metropolitanas na região.

2 Com a ajuda do professor, pesquisem se o município onde vocês vivem faz parte de alguma região metropolitana. Se não, qual é a região metropolitana presente em seu estado ou a mais próxima a ele?

102

Resposta de acordo com o município dos estudantes. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor

COSTA, Marco Aurélio (org.). 50 anos de regiões metropolitanas no Brasil e a política nacional de desenvolvimento urbano: no cenário de adaptação das cidades às mudanças climáticas e à transição digital. Brasília, DF: Ipea, 2024. Disponível em: https://www. observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2024/03/222938_LV_50-anos_ BOOK.pdf. Acesso em: 16 set. 2025. Essa publicação, organizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresenta 16 capítulos com estudos sobre metrópoles e regiões metropolitanas no Brasil.

25/09/2025

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BOLÍVIA
COLÔMBIA
VENEZUELA

Hierarquia urbana

As cidades fazem parte de uma rede urbana. Dentro dessa rede, as cidades se organizam conforme seu tamanho, oferta de serviços e importância para a região, o que recebe o nome de hierarquia urbana

4 5 O esquema e o mapa mostram como está organizada a hierarquia urbana.

1 São os principais núcleos urbanos da região.

2 São núcleos urbanos importantes, com grande grau de influência.

3 Exercem influência sobre vários municípios em seu entorno.

4 São cidades de menor porte e que influenciam poucas cidades vizinhas.

5 São cidades de influência restrita aos limites do próprio município.

Norte: hierarquia urbana (2018)

Metrópoles Capitais Regionais Centros Sub-Regionais Centros de zona

Divisa estadual Fronteira internacional

Metrópoles Capitais Regionais Centros Sub-Regionais Centros de zona

Divisa estadual Fronteira internacional

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Regiões de influência das cidades 2018 Rio de Janeiro: IBGE, 2020. p. 12. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalog o?view=detalhes&id=2101728. Acesso em: 18 jun. 2025.

1 Observe o mapa Norte: hierarquia urbana (2018). Quais são as metrópoles da região?

2 Com auxílio do professor, compare o mapa Norte: hierarquia urbana (2018) com o mapa Norte: regiões metropolitanas (2021), na página anterior. Como as informações foram representadas em cada um dos mapas? Manaus, no Amazonas, e Belém, no Pará. Veja resposta no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

Ao explorar o mapa Norte: hierarquia urbana (2018), destaque para os estudantes como as cidades da região Norte se organizam e se conectam dentro da hierarquia urbana. Mostre as metrópoles, como Manaus e Belém, e explique seu papel de concentrar serviços e influenciar amplas áreas ao redor. Aponte também as capitais regionais e os centros sub-regionais. Ressalte que, no Norte, a presença de rios e áreas de floresta condiciona a forma como os deslocamentos e as conexões de pessoas, mercadorias e informações se estabelecem, sendo os transportes fluvial e aéreo fundamentais para manter a integração entre os municípios.

Relacione o conceito de rede e hierarquia urbana à realidade local, mostrando como cidades maiores concentram serviços especializados (como hospitais de alta complexidade e universidades) que atendem moradores de municípios vizinhos. Para facilitar a compreensão, pergunte aos estudantes se alguém da família deles já precisou se deslocar para outra cidade para estudar, procurar emprego ou ter acesso a serviços de saúde.

Identifique no mapa, de forma aproximada, onde se localiza o município onde a escola está situada; se for o caso, indique quais são os centros urbanos mais próximos nos quais a população pode buscar serviços que não estejam disponíveis localmente.

2. Os estudantes devem perceber que no mapa Norte: hierarquia urbana (2021), as regiões metropolitanas foram representadas por polígonos com cor diferente do restante do mapa. Esses polígonos representam as áreas da regiões metropolitanas. Já no mapa Norte: hierarquia urbana (2018), as cidades foram representadas por ícones diferentes, cada um representando um grau da hierarquia urbana.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

(EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.

Boa Vista
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

ENCAMINHAMENTO

Mencione que, diferentemente de outras regiões do Brasil, onde as rodovias predominam, em vários estados nortistas a população circula principalmente por barcos; os cursos de água conectam comunidades, cidades menores e capitais. Essas rotas são essenciais para o transporte, o comércio e o acesso a serviços, e os rios sustentam a integração social, econômica e cultural da região. É importante mencionar alguns exemplos de vias de transporte, para facilitar a compreensão. No Acre, as cidades de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo se ligam a cidades maiores principalmente por meio do transporte fluvial. No Amapá, são os rios a principal via de transporte de cargas entre as cidades de Macapá e Santana. Em Rondônia, o rio Madeira é a segunda maior hidrovia do Norte, atrás apenas da Hidrovia do Amazonas. O rio Madeira possibilita o transporte de grãos e de pessoas. Nesse estado, do porto de Guajará-Mirim, há transporte de pessoas e mercadorias não somente para cidades de outros estados e do Brasil, mas também para o país vizinho, a Bolívia. Em Roraima, a capital Boa Vista tem uma ligação fluvial importante com Santa Maria do Boiaçu, uma vila de Rorainópolis, e Caracaraí, principalmente para atividades comerciais. No Tocantins, o Rio Tocantins liga a cidade de Miracema do Tocantins a cidades maiores e a outros estados, como o Pará e o Maranhão.

Mobilidade e comunicação

Na região Norte, com a crescente urbanização, muitas formas de mobilidade e comunicação presentes nas áreas urbanas têm chegado também à s áreas rurais.

Mobilidade é o deslocamento das pessoas em um espaço.

Redes de transporte

Entre cidades menores e maiores, o rio é uma via de circulação importante, como ocorre com a interligação fluvial entre Macapá e Santana, no Amapá.

Interligação fluvial é a ligação entre cidades feita por rios, bastante presente na região Norte.

As estradas também ajudam a conectar cidades, como a rodovia BR-364 em Rondônia e a BR-153 em Palmas. Também existem algumas ferrovias que transportam pessoas e mercadorias na região. Contudo, há lugares da região Norte onde as estradas apresentam problemas que afetam a circulação, como falta de pavimentação ou pavimentação irregular. As estradas e ferrovias também podem atravessar áreas de conservação ambiental e, por vezes, adentram ecossistemas sensíveis.

Ecossistema: sistema de interação entre os seres vivos e o meio ambiente.

Importantes vias fluviais atravessam o Pará, como a Hidrovia do Amazonas e a Hidrovia Tapajós-Xingu. No Amazonas, o principal corredor de transporte de cargas e de passageiros é a Hidrovia Solimões-Amazonas, essencial para o comércio e o acesso a diversos municípios.

Destaque também a importância das estradas, como a BR-364 e a BR-153, ressaltando que, em alguns trechos, problemas de pavimentação ou travessia por áreas de conservação exigem soluções planejadas para reduzir impactos ambientais. Nesses casos, melhorar a mobilidade exige conciliar o conforto e a segurança das pessoas trafegando pelas estradas com a diminuição do impacto negativo ao meio ambiente. Uma das formas de reduzir o impacto negativo é planejar nessas vias alguns locais para passagem aérea e subterrânea de animais.

Elevação sobre a ferrovia para a passagem da fauna, na Floresta Nacional de Carajás, em Parauapebas (PA), em 2017.

Além dos transportes por rios, estradas e ferrovias, a utilização da via aérea também é importante para o desenvolvimento da região em áreas onde as distâncias entre os municípios são grandes e nem sempre há outra possibilidade de acesso.

Cada meio de transporte tem seus desafios. Durante as épocas de seca, a navegação em alguns trechos de rios pode se tornar difícil ou ser interrompida por meses. Nas épocas de chuva, estradas e rodovias podem ficar intransitáveis. O transporte aéreo costuma ser mais caro e, por isso, é inacessível à maioria da população.

Observe o mapa.

Norte: redes de transporte (2021) Rio Branco

COLÔMBIA

Nacional

Marítimo Fluvial Pavimentada Sem pavimentação Ferrovia Hidrovia

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

VENEZUELA

GUIANA FRANCESA (FRA)

OCEANO ATLÂNTICO

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 149.

1 Imaginem que uma pessoa precisa se deslocar de Manaus (AM) até Porto Velho (RO). Observem novamente o mapa Norte: redes de transporte (2021) e respondam: quais tipos de transporte poderiam ser utilizados?

• Entre os meios de transporte indicados, qual vocês acreditam ser o mais vantajoso? Justifiquem. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que, na região Norte, a via aérea é um importante meio de transporte, principalmente entre municípios em que as distâncias são grandes e as opções de acesso por terra ou por rios são limitadas. Em muitos locais, apenas aviões de pequeno porte conseguem pousar, devido à ausência de aeroportos maiores. O transporte aéreo contribui diretamente para o desenvolvimento e a integração da região. É essencial, também, para o transporte de medicamentos, alimentos e outros suprimentos, além de realizar o deslocamento rápido de pacientes para hospitais que oferecem atendimento especializado. Ao explorar o mapa Norte: redes de transporte (2021), destaque que ele apresenta as principais vias de transporte na região Norte, incluindo aeroportos internacionais e nacionais, portos marítimos e fluviais, além das redes rodoviária e hidroviária. Como se trata de um mapa complexo, com muitas informações, faça a leitura das representações com os

estudantes. Mostre como os símbolos e as cores da legenda ajudam a identificar cada via representada e a compreender sua importância para a integração regional. Instrua os estudantes a localizar no mapa as cidades que têm aeroportos, observando a diferença entre os internacionais e os nacionais, e a perceber como as hidrovias e rodovias estão distribuídas pelo território. Enfatize que, no Norte, a combinação de hidrovias, rodovias e transporte aéreo é fundamental para superar as grandes distâncias e conectar comunidades urbanas e rurais.

1. Para ir de Manaus (AM) até Porto Velho (RO), é possível utilizar dois meios de transporte: rodoviário e aéreo. Pelo transporte rodoviário, existe uma rodovia sem pavimentação que conecta as duas capitais. Porém, as más condições de tráfego podem tornar o percurso lento e difícil, principalmente no período chuvoso. Pelo transporte aéreo, a viagem é a mais rápida, durando poucas horas entre os aeroportos de Manaus e Porto Velho, mas é também a mais cara e, por isso, menos acessível ou vantajosa. O meio mais vantajoso depende do critério adotado: se a prioridade for tempo, o deslocamento aéreo é o mais eficiente. O transporte rodoviário pode ser uma opção, mas enfrenta problemas estruturais e a duração seria mais longa.

Boa Vista
Manaus
Belém
Macapá

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Pergunte como os estudantes se comunicam com pessoas que estão distantes; é possível que indiquem aplicativo de mensagens, videochamada e outras formas de comunicação por internet. Comente que nem sempre as formas de comunicação utilizaram recursos tecnológicos digitais como esses, pois foram se alterando ao longo do tempo.

Destaque para os estudantes que os meios de comunicação estão acessíveis em diversos espaços do campo, incluindo comunidades e territórios indígenas. Aproveite para trabalhar possíveis estigmas sobre o modo de vida dos povos indígenas, ressaltando que essas comunidades podem preservar sua cultura inserindo em seu cotidiano objetos tecnológicos que possam fortalecer sua identidade e melhorar seu dia a dia. Comente a importância do acesso a alertas meteorológicos e a divulgação de notícias relacionadas à comunidade, por exemplo. Incentive-os a refletir sobre a relevância de diferentes tecnologias computacionais estarem disponíveis para as comunidades e seu uso em diferentes contextos.

Redes de comunicação

Em áreas rurais, a conectividade pode ser limitada. Isso leva ao uso de meios de comunicação que não dependem de sinal de internet, como radiotransmissores.

Meios de comunicação são os diferentes recursos e tecnologias utilizados para permitir o contato entre as pessoas, bem como o acesso à informação e ao entretenimento.

Instalação de internet de alta velocidade na aldeia Palimiú, na Terra Indígena Yanomami, em Alto Alegre (RR), em 2023.

1 Leia o trecho de uma notícia e responda às perguntas. NÃO

Os primeiros pontos de internet banda larga chegaram às comunidades da região há cerca de 10 anos [...]. Edson Baré [liderança do povo Baré e diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro] relembrou que, antes disso, a radiofonia era a principal ferramenta de comunicação entre as mais de 750 comunidades distribuídas ao longo de mais de 13 milhões de hectares. A conexão à internet via satélite, segundo ele, trouxe avanços significativos nas áreas da saúde, educação e segurança.

FERNANDES, Vanessa. Rede Wayuri promove debate sobre uso da internet em comunidades indígenas. Brasília, DF: Instituto Sociambiental, 2 jun. 2025. Disponível em: https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/rede-wayuri-promove-debate-sobre-uso-da -internet-em-comunidades-indigenas. Acesso em: 5 jul. 2025.

a) De acordo com a notícia, qual era a principal ferramenta de comunicação nas comunidades antes da chegada da internet via satélite?

A principal ferramenta era a radiofonia.

b) O que mudou com a ampliação da conectividade?

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A rapidez no envio e na recepção de mensagens, o que permitiu melhoras em outras áreas, como saúde, segurança e educação.

Texto de apoio

O indígena pode ser moderno sem deixar de ser quem ele é. Somos pessoas comuns, usufruindo das ferramentas contemporâneas como qualquer outra.

Acreditar que o ato de se comunicar, que é um dos pilares das redes sociais, não tem relação com as inúmeras sociedades indígenas é um tremendo equívoco. As culturas originárias são baseadas e transmitidas pela oralidade. A comunicação também é ancestral e faz parte de nossas vidas desde os tempos imemoriais.

LOURENÇO, Juliana. Indígenas conectadas: a internet para quebrar estereótipos. In: POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Brasília, DF: ISA, 25 nov. 2024. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/es/Not%C3%ADcias?id=230189. Acesso em: 18 set. 2025.

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BRUNO
KELLY

Permanências e mudanças

Ao longo do século 20, muitas paisagens da região Norte passaram por um processo de urbanização. A transformação de espaços rurais em núcleos urbanos trouxe uma série de modificações às paisagens.

Observe dois registros da cidade de Cruzeiro do Sul (AC), com 48 anos de diferença entre eles.

1 2

Entre as fotografias, ainda que haja elementos de mudança, podem ser observados aspectos que permaneceram, como a presença da catedral e de áreas arborizadas.

O processo crescente de urbanização de nossa região também tem características relacionadas ao meio ambiente amazônico. Até a década de 1960, predominavam as cidades da floresta, geralmente pequenas e dependentes dos rios, ligadas à natureza e aos modos de vida rurais e mais tradicionais.

A partir dos anos 1960, surgiram as cidades na floresta, no contexto dos projetos de desenvolvimento e integração nacional executados pelo governo federal durante a ditadura civil-militar (1964-1985). O governo federal daquela época alegava que poucas pessoas viviam na Amazônia, ignorando os povos originários que moravam nela e o modo como eles ocupavam o espaço. Assim, o governo estimulou que pessoas de outros locais viessem morar na Amazônia.

1 Quais são as semelhanças e diferenças entre as duas fotografias de Cruzeiro do Sul (AC)?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

próximos que fazem parte do cotidiano.

1. Oriente os estudantes a observar atentamente as duas imagens, com especial atenção para as alterações na paisagem em relação aos espaços verdes e às construções (edifícios e vias públicas, como ponte e ruas, além da presença de veículos). Semelhanças: a presença da catedral e de áreas arborizadas ao fundo dela. Diferenças: na fotografia 1, é possível ver poucas casas e muitas áreas arborizadas, com ruas de terra e sem a presença de veículos. Na fotografia 2, notam-se uma quantidade maior de elementos humanizados e um processo de urbanização mais intenso, com mais edifícios, ruas asfaltadas com veículos estacionados e postes de transmissão de energia elétrica. É possível ampliar a discussão das mudanças e permanências indicando as diferenças de técnicas de obturação das duas fotografias.

BNCC

(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.

25/09/2025 10:05

Para aprofundar o trabalho com o conteúdo da página, retome os conteúdos sobre elementos naturais, no Capítulo 2 da Unidade 1. Você pode exemplificar indicando um trecho de um rio da região amazônica que ainda não sofreu interferência do ser humano, destacando seus elementos naturais. Comente com os estudantes que, ao longo dos anos, muitas das cidades na floresta tiveram sua paisagem alterada.

Pergunte aos estudantes se têm conhecimento sobre algum local que era inabitado ou onde predominava a área verde, com poucas construções ou modificações feitas pelo ser humano, e onde atualmente há moradias, além de apresentar ocupação e interferência humana.

Se possível, eleja um ponto histórico ou turístico de seu município que seja conhecido pelos estudantes e mostre a eles uma imagem atual e outra mais antiga desse local. Essa atividade facilita a compreensão de que as paisagens estão em constante transformação, incluindo espaços

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Entorno da Catedral Nossa Senhora da Glória, em Cruzeiro do Sul (AC), em 1976.
Entorno da Catedral Nossa Senhora da Glória, em Cruzeiro do Sul (AC), em 2024.

ENCAMINHAMENTO

Para aprofundar a compreensão dos estudantes sobre transformações na paisagem e crescimento de mancha urbana, é possível aproximar a discussão ao espaço de vivência. Para isso, utilize uma plataforma que apresente imagens de satélite para a comparação do município ou bairro em que os estudantes residem ou da escola atualmente e esse mesmo espaço anos atrás.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) disponibiliza um mapa com imagens de satélite para acesso gratuito. Comente com os estudantes que o Brasil possui um dos acervos de imagens de satélite mais antigos do mundo, que remonta à década de 1970: INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS. Catálogo. São José dos Campos: Inpe, c2025. Disponível em: https://www.dgi.inpe.br/ catalogo/explore. Acesso em: 24 set. 2025.

Observe as imagens de satélite.

As imagens de satélite e as fotografias aéreas são importantes recursos para analisar mudanças em um espaço. Por meio delas, é possível verificar, por exemplo, o crescimento da mancha urbana e como o processo de urbanização transforma as paisagens.

Mancha urbana é a área da cidade com maior concentração de construções, como prédios e casas, e com maior circulação de pessoas, bens e mercadorias.

Texto de apoio

Presentes na estrutura urbana regional em realidades que caracterizam dois extremos de cidades na Amazônia, “cidades da floresta” e “cidades na floresta” são apenas “tipos ideais” para se pensar a complexidade da vida urbana na região. Por esse motivo não se pode entendê-las como sendo excludentes e duais. Pelo contrário, a convivência de relações, de temporalidades, de espacialidades e de padrões territoriais faz-nos reconhecer a complexidade do processo de urbanização na região, remetendo-nos à coexistência de diversas temporalidades e espacialidades, marcadas por uma e por outra, notadamente em realidades relativamente mais transformadas pelos novos processos.

TRINDADE JÚNIOR, Saint-Clair Cordeiro da. Das “cidades na floresta” às “cidades da floresta”: espaço, ambiente e urbanodiversidade na Amazônia brasileira. Papers do Naea, Belém: Naea, n. 321, p. 5-6, dez. 2023. Disponível em: https://periodicos.ufpa.br/index.php/pnaea/article/view/11281. Acesso em: 18 set. 2025.

1985
As imagens de satélite mostram a mancha urbana de Porto Velho (RO) em 1985 e em 1995.

Nas imagens de satélite, é possível perceber que houve uma expansão da mancha urbana de Porto Velho (RO) entre 1985 e 2020.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

2 Quais são as semelhanças e diferenças entre as quatro imagens de satélite de Porto Velho (RO)?

3 Observem a barragem da Usina de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), na imagem de 2020. Em seguida, comparem as imagens de satélite de 2006 e 2020 e comentem os impactos ambientais dessa construção.

Sugestão para o professor

ROMAN, Clara. A solução para o caos ambiental de Belo Monte está na mesa do Ibama. Brasília, DF: ISA, 24 mar. 2023. Disponível em: https://www.socioambiental.org/noticias -socioambientais/solucao-para-o-caos-ambiental-de-belo-monte-esta-na-mesa-do-ibama. Acesso em: 18 set. 2025.

A reportagem trata dos impactos da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu.

Auxilie os estudantes na leitura das imagens e indague-os sobre as diferenças que observam entre elas. Comente os impactos ambientais e sociais da construção de usinas hidrelétricas, destacando que, embora nos municípios próximos sejam realizadas obras de infraestrutura, como construção de moradias, escolas e hospitais, muitas famílias têm de ser deslocadas, e seu modo de vida é alterado.

2. Incentive os estudantes a anotar no caderno as semelhanças e diferenças e a organizar suas observações em quatro colunas. Espera-se que os estudantes percebam, na parte inferior esquerda da mancha urbana de Porto Velho, que houve alagamento de áreas com construções ribeirinhas entre 2006 e 2020. Isso gerou desapropriação de famílias que viviam no local e desmatamento.

3. Explique aos estudantes que barragem é uma barreira artificial para conter grandes quantidades de água e criar lagos artificiais. Informe que a construção da hidrelétrica foi iniciada em 2008, mas que ela começou a operar em 2012, com a obra concluída apenas em 2017. Utilize a cota na imagem de 2020 para mostrar aos estudantes onde a usina se situa. Incentive-os a relacionar a demanda de geração de energia elétrica ao crescimento das cidades. Explique que a Usina de Santo Antônio abastece outras regiões do país, mas algumas de suas turbinas são dedicadas exclusivamente a abastecer as demandas de energia elétrica de Rondônia e do Acre.

As imagens de satélite mostram a mancha urbana de Porto Velho (RO) em 2006 e em 2020.
Barragem da hidrelétrica de Santo Antônio
Porto Velho
Rio Madeira
2. e 3. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

ENCAMINHAMENTO

Inicie uma discussão indagando o que os estudantes sabem sobre os motivos que levaram à construção da rodovia, os benefícios e os problemas que essa obra provocou. Pergunte, então, que prejuízos a obra pode ter gerado na natureza amazônica.

Comente com a turma a importância dessa rodovia federal para o desenvolvimento da região, mencionando que ela corta o país de leste a oeste e foi construída com o objetivo de integrar a Amazônia ao restante do país. A obra iniciou em 1970 e nunca foi totalmente concluída.

Se possível, apresente aos estudantes imagens da floresta ainda intocada, em momento anterior à construção do empreendimento, e leve-os a perceber como a natureza se modificou com a implantação da Rodovia Transamazônica.

Obras e seus impactos

Com os projetos da ditadura civil-militar, a população das cidades aumentou. Também houve outras mudanças na região Norte, com o surgimento de algumas atividades econômicas e o desaparecimento de outras.

Entre as mudanças mais impactantes nas paisagens da região Norte nesse período está a construção de rodovias, como a BR-230, conhecida como Rodovia Transamazônica. Houve também a instalação de redes de energia elétrica e de comunicação.

Observe as fotografias da época de sua construção.

DESCUBRA MAIS

POVO Tenharim será indenizado por danos causados pela construção da rodovia Transamazônica. Publicado por: MPF AM. 2021. 1 vídeo (ca. 5 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=P_dwXuk2rHQ&t=38s. Acesso em: 15 ago. 2025.

O vídeo mostra impactos que a construção da Transamazônica teve na vida de povos indígenas da região.

Sugestão para o professor

SOUZA, Cesar Martins de. A região dos desejos e das aventuras: diálogos sobre grandes projetos de integração e desenvolvimento na Amazônia nos séculos XIX e XX. Cadernos do Ceom, Chapecó, v. 31, n. 48, p. 21-29, 2018. Disponível em: https://bell.unochapeco.edu. br/revistas/index.php/rcc/article/view/4287 Acesso em: 18 set. 2025.

No artigo indicado, o autor trata da exploração da região amazônica desde o período colonial, afirmando que ela sempre foi vista como um espaço a ser conquistado e explorado economicamente, sem que houvesse preocupação com os impactos ambientais.

Construção da Rodovia Transamazônica em trecho no Pará, em 1972.
Placa indicando a abertura da Rodovia Transamazônica em Altamira (PA), na década de 1970.

1. a) Os estudantes devem registrar um relato sobre uma mudança no espaço da cidade ou na comunidade, como a construção de estradas, pontes, casas ou praças, comparando como

A construção da Transamazônica foi uma das principais obras do projeto de desenvolvimento da Amazônia, pois serviria para ligar a região Norte à região Nordeste.

era antes e como ficou. No relato, também deve ser mencionado se a natureza foi conservada ou modificada.

Na época em que começou a ser construída, a natureza era vista como um obstáculo a ser vencido.

Para a construção da rodovia, árvores centenárias foram derrubadas, o desmatamento atingiu 100 milhões de metros quadrados, milhões de metros de terra foram escavados, pontes foram erguidas e atividades como o transporte de madeira ilegal foram facilitadas.

Na mídia, eram frequentes as reportagens e os anúncios publicitários destacando a ideia de que a vegetação da Amazônia deveria ser removida em nome do desenvolvimento e da construção de obras. Veja a reprodução de uma página de revista publicada na época.

A natureza da região Norte era entendida como um recurso a ser explorado sem limites e que nunca acabaria. E por isso, o meio ambiente e também a população da região foram severamente afetados. Os povos e as comunidades tradicionais foram bastante prejudicados, já que tiveram de sair de seus territórios para dar lugar a atividades econômicas e projetos de infraestrutura como hidrelétricas.

Página de uma revista de 1982 enfatizando a ideia de empreender uma luta contra a natureza no estado de Rondônia.

VOCÊ DETETIVE

1. Converse com um familiar ou outra pessoa adulta que vive com você e pergunte: nos últimos anos, qual foi a maior mudança que aconteceu no espaço da cidade ou na comunidade onde você vive? Foi feita alguma obra? Se sim, a natureza foi conservada?

a) Peça para a pessoa contar, com detalhes, como esse local era antes e como ficou depois.

b) Com base nessa conversa, faça um desenho em uma folha de papel avulsa representando as mudanças ocorridas.

1. b) Produção pessoal. O desenho deve representar a mudança relatada pela pessoa adulta e mostrar elementos de antes e depois, como áreas verdes, construções ou ruas.

Sugestão para o professor

Problematize com os estudantes a forma como a natureza era vista por muitas pessoas no período em que a Rodovia Transamazônica começou a ser construída, no início da década de 1970. Pergunte à turma: a natureza da região amazônica ainda é vista como obstáculo aos ganhos econômicos? Atualmente, existe um equilíbrio entre as atividades econômicas e a conservação do meio ambiente? Incentive os estudantes a expor suas ideias a respeito do tema.

Comente com os estudantes que, embora a Rodovia Transamazônica tenha sido construída, entre outros objetivos, para facilitar a ligação entre diversos espaços na região Norte e conectá-la a outras regiões, a falta de manutenção e de investimentos na rodovia provoca muitas dificuldades no trajeto de carros e caminhões, principalmente nos estados do Pará e do Amazonas.

No Você detetive, promova a exposição dos desenhos no mural da sala de aula e explore com a turma características semelhantes nas representações que fizeram, do campo ou da cidade. Deixe-os explicar à vontade suas representações, se assim desejarem. Essa exploração possibilita a análise das mudanças relatadas e o desenvolvimento do pensamento computacional.

25/09/2025 10:05

TRANSAMAZÔNICA: uma estrada para o passado: temporada 1. Direção: Jorge Bodanzky  e Fabiano Maciel. São Paulo: HBO: Ocean Films, 2021. 6 vídeos (ca. 360 min).

A série confronta documentos e filmagens produzidos no início da construção da estrada com um retrato atualizado dos espaços modificados por sua passagem.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
REPRODUÇÃO/ACERVO

ENCAMINHAMENTO

1. Ao trabalhar com as fotografias, incentive os estudantes a comparar as características das paisagens rural e urbana, identificando elementos como tipos de construções, pavimentação das vias, presença de áreas verdes e organização do espaço. Incentive a observação atenta para que percebam como o uso e a ocupação do solo diferem entre campo e cidade. Proponha que elaborem audiodescrições detalhadas, valorizando aspectos visuais, sons que podem caracterizar cada paisagem e possíveis sensações que cada uma delas pode transmitir, reforçando a importância da acessibilidade e do respeito à diversidade. Essa atividade desenvolve o princípio da diferenciação, ao reconhecer contrastes e especificidades de cada espaço. Pode ser realizada de forma interdisciplinar com Língua Portuguesa, com foco na elaboração das descrições.

O objetivo da atividade é familiarizar os estudantes com esse recurso de acessibilidade, sem exigir que dominem seus aspectos técnicos. Caso os estudantes nunca tenham tido contato com esse recurso antes, selecione alguns exemplos para mostrar a eles.

Alguns exemplos de descrição de imagens podem ser encontrados em: ACESSIBILIDADE: audiodescrição. Publicado por: De criança para criança. 2017. 63 vídeos (ca. 230 min). Playlist. https://www.youtube.com/ watch?v=yQcegKENpyM& list=PL6YnW7obbfhRnhK4Y 7ijTmqvoofY5S9Qq&index=. Acesso em: 18 set. 2025.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1. a) Os estudantes devem identificar que a fotografia 1 retrata uma paisagem rural e a fotografia 2 retrata uma paisagem urbana.

1 Observe as fotografias.

1. c) Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes elaborem um texto descritivo das paisagens retratadas. Eles devem apontar detalhes das fotografias para que pessoas com deficiência visual possam entender o que é retratado. É interessante que eles enfatizem as características urbanas e rurais presentes nas fotografias.

1. b) Os estudantes podem apontar diferenças como a maior quantidade de construções e a presença de ruas pavimentadas na paisagem urbana. Na paisagem rural, há presença de poucas construções, ruas de terra e maior quantidade de vegetação.

a) Qual fotografia retrata uma paisagem rural e qual retrata uma paisagem urbana?

b) Quais diferenças você observa entre as duas paisagens retratadas?

c) A partir da leitura das fotografias, elabore um texto de audiodescrição para cada uma delas destacando aspectos da paisagem do campo e da paisagem da cidade.

Dica: Você sabia que a audiodescrição é um recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência visual? Ela permite que uma imagem seja traduzida em palavras, por meio de áudio, possibilitando a compreensão por pessoas que não podem enxergá-la.

2 Na região Norte, quais são as principais atividades realizadas no campo?

As principais atividades desenvolvidas no campo são o extrativismo e a agropecuária.

3 E quais são as principais atividades realizadas na cidade?

As principais atividades desenvolvidas na cidade são o comércio, a indústria e a prestação de serviços. 112

Sugestão para o professor

SCHEER, Claudia. Apostila audiodescrição 2020/21: oficina de capacitação de professores. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para cegos: Condeca, 2021. Disponível em: https:// trocandosaberes.com.br/wp-content/uploads/2022/03/02-Apostila-de-Audiodescricao.pdf. Acesso em: 18 set. 2025.

Essa apostila apresenta um histórico sobre a evolução das audiodescrições e trata das técnicas gerais para a produção de conteúdo com audiodescrição. Também traz sugestões de audiodescrições para atividades didáticas em sala de aula.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Macapá (AP), em 2022.
Tocantínia (TO), em 2022.

4 Observe as fotografias do município de Canaã dos Carajás (PA).

dos Carajás (PA), em 1984.

a) Quais são as diferenças entre as duas fotografias?

b) O que explica as diferenças entre as imagens?

4. b) Espera-se que os estudantes apontem que o processo de urbanização de Canaã dos Carajás transformou radicalmente a paisagem.

dos Carajás (PA), em 2020.

1. Avalie sua participação individual e de seu grupo durante as aulas. Utilize a escala:

Respostas de acordo com a autoavaliação dos estudantes.

Sim. Um pouco. É preciso melhorar.

Avaliação de meu trabalho individual

a) Consegui entender o conteúdo?

b) Consegui cumprir as tarefas?

c) Consegui explicar minhas ideias quando solicitado?

d) Consegui colaborar com meu grupo?

Avaliação do trabalho em grupo

a) Conseguiram cumprir as tarefas?

4. a) Os estudantes devem apontar que houve grande expansão da mancha urbana do município, com a construção de muitas edificações ao redor das estradas que existiam em 1984. Além disso, houve grande desmatamento para dar lugar às construções da cidade e para o desenvolvimento de atividades econômicas.

b) Conseguiram ouvir a opinião dos outros com respeito?

c) Conseguiram trabalhar de forma colaborativa?

Atividade complementar

4. Comente com os estudantes que Canaã dos Carajás, município situado no sudeste do Pará, apresentou grande crescimento populacional entre 2010 e 2022, por conta da atividade mineradora, que atraiu muitos migrantes. Oriente os estudantes na realização da autoavaliação; explique as perguntas, caso eles tenham dúvidas, garantindo que todos tenham compreendido. Eles devem responder às perguntas em relação às percepções de cada um, no trabalho individual e no trabalho em grupo. Explique a eles que não há resposta certa ou errada e que o objetivo da atividade é que todos possam perceber que o aprendizado está sempre sendo construído e que algumas atitudes podem ser revistas.

Se possível, disponha as cadeiras e carteiras da turma em um semicírculo, deixando que alguns estudantes compartilhem suas percepções caso se sintam à vontade. Finalize reforçando que reconhecer as dificuldades também é um sinal de aprendizado e que o mais importante é perceber como cada um pode evoluir nos próximos trabalhos.

25/09/2025 10:05

Como atividade final, promova uma roda de conversa em que sejam retomados os principais temas e conceitos trabalhados na unidade: atividades econômicas do campo, práticas sustentáveis no campo, interdependência entre campo e cidade, urbanização, infraestrutura urbana, hierarquia urbana, redes de transporte e de comunicação, mudanças nas paisagens e impactos ambientais relacionados ao crescimento das cidades. Pergunte à turma: os conteúdos estudados na unidade ampliaram a sua compreensão sobre as mudanças ocorridas onde você vive? E sobre os desafios que estão relacionados ao crescimento das cidades e à instalação de obras de infraestrutura?

Para fechar a unidade, promova uma roda de conversa, retomando os principais conceitos trabalhados na unidade: região, critérios de regionalização, identidade cultural, características naturais da região, impactos ambientais e sustentabilidade.

Canaã
Canaã

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, discorre-se sobre a distribuição da população, sua composição por diferentes grupos étnico-raciais e como as formas de vida se organizam.

Também são apresentados os movimentos migratórios e o impacto da chegada de imigrantes nas últimas décadas. A unidade aborda ainda os direitos sociais e as desigualdades de renda e de acesso à saúde, educação e moradia, destacando as lutas de grupos sociais como mulheres, indígenas e quilombolas, além da importância da participação social e organização política.

Por fim, os conteúdos da unidade convidam a refletir sobre a importância da participação social e da organização política local para melhorar as condições de vida da população da região Norte.

BNCC

Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE04, EF03GE09, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE06, EF04GE07, EF05GE01, EF05GE02, EF05GE12, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI07, EF03HI09.

BNCC da computação: EF03CO03, EF03CO07, EF03CO08, EF04CO02.

TCT: Cidadania e civismo: educação em direitos humanos, direitos da criança e do adolescente; Multiculturalismo: diversidade cultural.

POPULAÇÃO, DIREITOS E PARTICIPAÇÃO SOCIAL 4

Objetivos da unidade

• Conhecer a composição da população da região Norte, explorando sua diversidade étnico-racial, distribuição geográfica e principais características demográficas.

• Entender os fluxos migratórios que marcaram a história da região, tanto os deslocamentos internos quanto a chegada de imigrantes, e como esses movimentos transformaram o espaço nortista.

• Refletir sobre os direitos de diferentes grupos sociais, como indígenas, quilombolas, mulheres e populações em situação de vulnerabilidade, reconhecendo suas lutas por território, igualdade e acesso a serviços básicos, e sobre os desafios enfrentados por esses grupos.

• Investigar formas de participação social e política em âmbito municipal na região Norte, compreendendo o papel das lideranças comunitárias e dos governos em diferentes esferas na garantia dos direitos da população.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Como é a população do lugar onde você vive? Ela é numerosa ou é pequena?

2 Você sabe o que é diversidade? Se não souber, procure o significado da palavra no dicionário.

3 Agora que você já sabe o significado da palavra diversidade, faça uma análise da população do lugar onde você vive: ela é diversa?

ENCAMINHAMENTO

Peça aos estudantes que observem a ilustração com atenção e identifiquem os elementos presentes, como construções históricas, barracas de artesanato, pessoas circulando e interagindo, bicicleta transitando na ciclovia e rampa de acessibilidade. Incentive-os a compará-la com o lugar onde vivem: o que é semelhante? O que é diferente? Leve-os também a perceber a diversidade das pessoas representadas. Inicie as atividades convidando os estudantes a apresentar suas impressões gerais sobre os habitantes do lugar onde vivem. Ao abordar a diversidade, relacione o conceito à realidade nortista, destacando que indígenas, quilombolas, ribeirinhos, migrantes e imigrantes integram a população da região Norte. Incentive-os a falar sobre as origens familiares. Mesmo em contextos mais homogêneos, amplie a discussão com exemplos de municípios da região Norte que apresentam grande diversidade populacional, como Belém, Manaus ou Boa Vista. Isso colabora para que os estudantes reconheçam e valorizarem a pluralidade cultural da região.

1. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Incentive-os a descrever se, na opinião deles, há muitos ou poucos habitantes no lugar onde vivem; em seguida, informe se é um município populoso ou não.

2. Incentive o debate entre os estudantes sobre o significado da palavra. Enfatize a abordagem sob o prisma da diversidade da população da região, para além da diversidade demográfica. Explique à turma que diversidade, nesse contexto, significa multiplicidade de etnias, culturas, idiomas, religiões, entre outros aspectos.

3. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Caso o município onde está situada a escola tenha uma população com aspectos mais homogêneos, amplie a discussão e comente sobre municípios vizinhos com maior número de habitantes.

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a aula comentando com os estudantes que, neste capítulo, eles vão aprender mais sobre a população nortista: quem somos, como vivemos e como está distribuída a população na região.

Em seguida, proponha uma reflexão à turma, questionando: de que forma nos organizamos? Será que todos os habitantes da região têm acesso aos mesmos direitos, como saúde, educação e transporte?

Explore o conceito de população absoluta, utilizando exemplos próximos da realidade dos estudantes, como o número de habitantes da cidade onde vivem. Em seguida, apresente dados populacionais do Censo 2022. Comente que, nesse Censo, a população da região Norte era de 17,3 milhões de habitantes. Compare com outras regiões do Brasil por meio do gráfico disponível na página, promovendo uma leitura coletiva dos dados. Incentive-os a refletir sobre os dados apresentados, questionando por que uma região tão extensa tem população menor que outras com área menor. Explique que a população brasileira, nesse último Censo, é de 203 080 756 habitantes.

POPULAÇÃO DA REGIÃO NORTE

De acordo com os dados do Censo 2022, a população total da região Norte era de 17,3 milhões de pessoas, o que corresponde a aproximadamente 8,5% da população absoluta do Brasil.

População é o conjunto de pessoas que vive em um lugar, como uma cidade, um estado ou uma região.

População absoluta é o número total de habitantes de um lugar, uma região ou um país. Quando a população absoluta de um país é elevada, dizemos que esse país é populoso.

Observe o gráfico.

Brasil: população por região (2022)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov. br/panorama/index.html. Acesso em: 2 jul. 2025.

O estado mais populoso da região Norte é o Pará, com aproximadamente 8,1 milhões de pessoas, e o menos populoso é Roraima, com 636 mil pessoas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 De acordo com o gráfico Brasil: população por região (2022), qual é a região mais populosa do Brasil?

A região mais populosa do Brasil é o Sudeste, com 84,8 milhões de habitantes, o que corresponde a 41,8% da população do país.

2 Em relação à população, o Norte fica em qual posição dentre as regiões brasileiras?

De acordo com os dados do Censo 2022, a região Norte é a 4ª mais populosa, à frente apenas da região Centro-Oeste.

116

Texto de apoio

Censo Demográfico – Fonte mais completa de informações sobre a situação de vida da população brasileira, realizada a cada 10 anos, cujos resultados sobre as características da população e dos domicílios são utilizados para analisar a tendência anual de crescimento da população verificada entre um censo e outro, e para avaliar os fatores que compõem sua dinâmica demográfica, tais como natalidade, mortalidade e migração. Censo – Pesquisa estatística que produz informações sobre a totalidade de uma população e suas características. No Brasil, realizam-se o Censo Demográfico e o Agropecuário. Ambos utilizam os setores censitários como base logística para a coleta de entrevistas. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Malha municipal digital e áreas territoriais 2023. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. p. 39. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102152.pdf. Acesso em: 8 out. 2025.

Distribuição da população

A região Norte é a maior região do Brasil em extensão territorial, representando quase metade do território nacional.

No entanto, como você viu, a população do Norte não é numerosa, ocupando a posição de segunda menos populosa do país. Isso faz com que a região tenha uma baixa densidade demográfica , ou seja, o Norte é pouco povoado.

Densidade demográfica é o número de habitantes por quilômetro quadrado, isto é, o número total de habitantes de um local dividido pela sua área.

A densidade demográfica do Norte é de apenas 4,51 habitantes por quilômetro quadrado e a população está distribuída de forma irregular pelo território. Observe o mapa.

Norte: densidade demográfica (2022)

1. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.

Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 118.

A variação na densidade demográfica ocorre por diversos motivos, como o processo histórico de ocupação, os aspectos naturais e as atividades econômicas desenvolvidas. A população nortista está concentrada principalmente nas capitais dos estados e em cidades localizadas ao longo dos rios.

1 Observe o mapa novamente e aponte as áreas com menor e com maior densidade demográfica no seu estado.

ENCAMINHAMENTO

históricos e econômicos. Finalize relacionando a densidade com o acesso a serviços públicos e qualidade de vida. 1. Em geral, as áreas de maior densidade demográfica na região Norte são as próximas às capitais estaduais. Caso os estudantes vivam no Acre, as áreas de menor densidade estão no interior do estado, ao sul e a oeste. Se eles morarem no Amazonas, devem apontar que há grandes áreas com baixa densidade ao norte, a oeste e ao sul do estado. Caso morem em Rondônia, há uma pequena área com densidade mais baixa ao sul do estado. Se eles viverem em Roraima, devem apontar que as porções oeste e sul do estado são pouco densas em população. Caso eles vivam no Amapá, a área menos densa está ao norte e a leste do estado. Se eles forem habitantes do Pará, há áreas de densidade demográfica baixa ao norte e ao sul do estado. Por fim, caso eles vivam no Tocantins, devem apontar áreas a oeste, a leste e ao sul do estado.

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

25/09/2025 11:01

Trabalhe o conceito de densidade demográfica explicando que um lugar pode ser extenso em área (grande em tamanho), mas ter baixa densidade populacional (pouca gente morando nele).

Proponha aos estudantes que comparem o lugar onde vivem com outros municípios próximos, identificando diferenças e semelhanças na ocupação do território.

Explore, então, o mapa Norte: densidade demográfica (2022), destacando áreas mais e menos povoadas da região Norte. Peça aos estudantes que observem a legenda e localizem as capitais dos estados, identificando onde a população está mais concentrada. Pergunte: por que essas áreas têm maior densidade? Qual é o papel dos rios nessa ocupação? Que fatores dificultam a presença de pessoas em outras áreas? Proponha aos estudantes que elaborem hipóteses sobre a distribuição populacional com base em aspectos naturais,

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
OCEANO ATLÂNTICO

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

(EF04CO02) Reconhecer objetos do mundo real e/ou digital que podem ser representados através de registros que estabelecem uma organização na qual cada componente é identificado por um nome, fazendo manipulações sobre estas representações.

ENCAMINHAMENTO

Para fazer um exercício de reconhecimento e reflexão sobre racialidade com os estudantes, pergunte a eles qual cor ou raça eles se identificam, de acordo com as opções elencadas pelo IBGE (branca, preta, parda, indígena ou amarela). Acolha todas as respostas e justificativas, sem fazer julgamentos ou correções.

Retome aspectos históricos estudados em capítulos anteriores, ressaltando que a diversidade étnica e racial da região Norte está relacionada à trajetória histórica dos povos originários e da ocupação, que conjugou o branco, o indígena e o negro. É importante ressaltar a grande concentração de populações indígenas na região Norte.

Composição étnica da população

A população da região Norte apresenta grande diversidade étnica. No censo demográfico, o recenseador do IBGE pergunta ao morador como ele se autodeclara em relação à sua cor ou raça: branca, preta, amarela, parda ou indígena. Isso significa que a própria pessoa diz como ela se identifica quanto à sua cor ou raça.

Observe os dados da região no gráfico.

Norte: população residente, por cor ou raça (2022)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022 Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/ tabela/9605. Acesso em: 20 set. 2025.

A maior parte das pessoas que vive no Norte se autodeclara parda, refletindo a forte presença de descendentes de indígenas e africanos na região. Esse fator resulta de um processo histórico de miscigenação e formação cultural único.

A região abriga cerca de 3% da população indígena autodeclarada do Brasil, o maior percentual entre todas as regiões, o que evidencia a importância dos povos originários na constituição da identidade nortista. Além dos indígenas, há comunidades remanescentes de quilombos e afrodescendentes, contribuindo com saberes, tradições e modos de vida que enriquecem a cultura local.

VOCÊ DETETIVE

Veja resposta e orientações no Encaminhamento. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Façam uma pesquisa a respeito da composição étnica da população do estado onde vocês vivem. Depois, comparem os dados encontrados com o gráfico Norte: população residente, por cor ou raça (2022)

É importante que os estudantes se percebam como parte dessa história, conhecendo a própria história e a de sua família e seus antepassados. Você pode orientá-los a fazer, no caderno, uma arvore genealógica. Pode ser uma oportunidade para os estudantes compartilharem com os colegas suas origens e observarem semelhanças e diferenças nas histórias de suas famílias. No Você detetive, oriente a turma na realização da pesquisa no site do IBGE https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html. Auxilie-os a encontrar os dados do estado em que vivem. Incentive-os a comparar os resultados de sua pesquisa com os dados apresentados no gráfico Norte: população residente, por cor ou raça (2022) Eles podem observar, por exemplo, se há diferenças significativas entre os dados de seu estado e os da região Norte como um todo. Esta é uma oportunidade para trabalhar a habilidade EF04CO02 da BNCC da computação.

Movimento social indígena e quilombola

Os movimentos sociais indígenas e quilombolas têm como base a resistência desses povos desde o início da colonização europeia. Suas lutas e resistências se relacionam principalmente à conservação do meio ambiente e ao reconhecimento da posse de seus territórios tradicionais.

Muitos desafios em comum enfrentados por povos indígenas e quilombolas se devem às frequentes invasões de suas terras por garimpeiros, madeireiros e grandes proprietários rurais. De acordo com o IBGE, na Amazônia legal, apenas 46,5% das comunidades indígenas vivem em territórios demarcados. Já em relação aos quilombolas, apenas 19% das comunidades remanescentes de quilombos possuem a titularidade de suas terras.

Outra pauta importante está relacionada ao acesso desses povos aos serviços públicos e direitos fundamentais, como saúde e educação. Leia o texto.

Ivanilde, do Quilombo do Rosa, no Amapá, emocionou os participantes ao chamar a atenção dos representantes do governo para a necessidade urgente de assistência básica aos quilombos. “No meu quilombo não tem assistência médica, não tem escola, não tem água potável. Pedimos moradias dignas [...] o que a gente quer é ‘fazejamento ’”, desabafou.

[...] “Nós temos esse direito, nós somos capazes, sim. Nós temos a inteligência de concorrer de igual para igual com todos, mas o mundo é desigual com a gente”, ressaltou. [...]

Fazejamento: formação de quilombos.

FASOLO, Carolina. “O mundo é desigual com a gente”: movimento quilombola e governo debatem Política de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola. Brasília, DF: Instituto Socioambiental, 16 maio 2024. Disponível em: https://socioambiental.org/noticias-socioambientais/o-mundo-e-desigual-com-gente-movimentoquilombola-e-governo-debatem. Acesso em: 24 jul. 2025.

1 Quais são as dificuldades enfrentadas por indígenas e quilombolas em seus territórios tradicionais? Anotem no caderno.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

à destruição da biodiversidade. Comente com os estudantes sobre a carência de políticas públicas em relação à assistência à saúde, como para combater a desnutrição, coibir doenças como a malária, implementar postos de saúde e garantir o acesso a medicamentos. Nesses territórios muitas vezes a infraestrutura é insuficiente, com falta de água potável, energia elétrica ou estradas adequadas. Muitas moradias também são precárias, inexistindo saneamento básico.

BNCC

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

25/09/2025 19:25

Relembre aos estudantes, de maneira sucinta, os marcos que conformam a presença e resistência dos indígenas e negros na região Norte. Comente com a turma que, embora as comunidades indígenas e quilombolas enfrentem uma dificuldade histórica no acesso a serviços e políticas públicas na região Norte (e em todo o país), há de se destacar a resistência e a luta dessas populações pelo acesso a esses direitos. 1. Os estudantes podem apontar que esses povos sofrem com a invasão de suas terras por garimpeiros, madeireiros e grandes proprietários rurais. Além disso, podem mencionar a falta de assistência médica, água potável, escolas e moradias dignas nessas áreas. A atividade pode ser ampliada com a realização de um debate entre os estudantes sobre medidas ou ações que poderiam garantir o direito desses povos. Destaque aos estudantes que o garimpo ilegal pode levar à contaminação das águas por mercúrio, à violência e

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Povo indígena Gavião, de Rondônia, em protesto contra o Marco Temporal em Brasília (DF), em 2025.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a apresentação do conteúdo contextualizando com a realidade local: pergunte aos estudantes se conhecem alguém que veio de outra região ou se suas famílias têm histórico de migração. Explique os fluxos migratórios do século XX como resposta à busca por trabalho, terra e melhores condições de vida. Utilize os mapas da página para mostrar os principais movimentos migratórios para diferentes regiões do país e incentive a reflexão dos estudantes com perguntas como: por que a região Norte atraiu tantos migrantes? Que mudanças esses movimentos migratórios causaram na região? Incentive-os a relacionar os movimentos migratórios com a formação da população atual e as transformações no uso da terra e nas cidades.

Movimentos migratórios recentes

Durante a primeira metade do século 20, milhares de pessoas de outras regiões do Brasil migraram para a atual região Norte para trabalhar na extração de látex, em estados como Acre, Amazonas e Rondônia.

Entre 1950 e 1970, ocorreram fluxos migratórios de pessoas do Nordeste e do Sul para estados nortistas em busca, sobretudo, de novas terras para desenvolver atividades agropecuárias.

Dica: O estado do Tocantins foi criado somente em 1988. Foram indicados os limites da atual região Norte para que você tenha uma referência.

Brasil: migrações (1950-1970)

TERRITÓRIO

Principais fluxos migratórios no período

Região Norte atual

Divisa estadual Fronteira internacional

Brasil: migrações (1970-1990)

Principais fluxos migratórios no período

Região Norte atual

Divisa estadual atual Fronteira internacional

Fonte:

A partir da década de 1970, a descoberta de áreas de garimpo atraiu migrantes de várias partes do Brasil. Locais como Serra Pelada, no Pará, e arredores de cidades como Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR) se tornaram polos migratórios, marcados por crescimento desordenado, conflitos e degradação ambiental.

No mesmo período, o governo federal incentivou a migração de famílias do Sul do país, principalmente pequenos agricultores e pecuaristas. Esses grupos se estabeleceram no estado de Rondônia e no sul do Pará, onde contribuíram para o avanço da fronteira agrícola na região.

Utilize o mapa Brasil: migrações (1950-1970) para iniciar a análise dos fluxos migratórios. Peça aos estudantes que observem as setas indicando as direções dos deslocamentos e identifiquem de quais regiões partiram os migrantes e para onde foram. Questione: quais estados nortistas receberam mais pessoas? O que motivou essa migração? Quais atividades econômicas estavam em expansão na época? Relacione os movimentos ao crescimento de cidades, à abertura de áreas rurais e à construção de estradas. Incentive os estudantes a identificar os impactos desses fluxos na formação das comunidades locais e na diversidade cultural da região.

Ao explorar o mapa Brasil: migrações (1970-1990), destaque os principais fluxos para a região Norte e relacione com o contexto histórico da época. Aponte que, a partir da década de 1970, o governo federal intensificou políticas de ocupação da Amazônia, como a abertura da Rodovia Transamazônica, que atraiu milhares de migrantes do Sul em busca de terras e oportunidades. Comente que áreas como Rondônia e o sul do Pará se transformaram com a chegada de pequenos agricultores, pecuaristas e garimpeiros, especialmente em locais como Serra Pelada. Ressalte também que esse processo ocorreu simultaneamente à criação da Zona Franca de Manaus (iniciada em 1967), que atraiu migrantes de várias partes do Amazonas e de estados vizinhos em busca de emprego na indústria.

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 35. ed. São Paulo: Ática, 2019. p. 135.
SONIA VAZ
SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 35. ed. São Paulo: Ática, 2019. p. 135.

Entre 1990 e 2000, os fluxos migratórios para a região Norte diminuíram. Um dos principais fluxos foi o de migrantes com origem no Nordeste.

Também houve a intensificação de fluxos dentro da região Norte, como os movimentos entre Rondônia e Amazonas e Pará e Amapá. Esse movimento interno aconteceu por conta da crescente urbanização dos estados de destino.

Brasil: migrações (1990-2000)

OCEANO PACÍFICO

Principais fluxos migratórios no período

Região Norte

Divisa estadual Fronteira internacional

Brasil: migrações (2005-2010)

Principais fluxos migratórios no período

Região Norte

Divisa estadual Fronteira internacional

Por outro lado, também ocorreram fluxos migratórios de pessoas do Norte em direção ao Centro-Oeste e ao Sudeste, principalmente para São Paulo, onde havia mais oportunidades de emprego e acesso a serviços como saúde e educação.

Entre 2005 e 2010, muitas pessoas saíram do Pará e do Amazonas em direção ao Centro-Oeste, sobretudo para o Distrito Federal e para o estado de Goiás, em busca de empregos, estudo e melhores condições de vida.

Os deslocamentos dentro da própria região Norte merecem destaque. Pessoas se mudaram de uma cidade para outra dentro do mesmo estado ou entre estados vizinhos, como entre o Pará, o Amapá e o Amazonas. Isso mostra que a população da região está cada vez mais conectada entre si, circulando em busca de trabalho, estudo ou para ficar mais perto da família.

familiares e econômicos. Incentive as reflexões da turma, indicando que os fluxos impactam as cidades, a cultura e o modo de viver local.

1. Explique aos estudantes que, nos mapas de fluxos migratórios, a largura das setas é uma forma visual de indicar a maior ou menor quantidade de pessoas que se deslocaram.

2. Oriente os estudantes na identificação, com base em pesquisas e conhecimentos prévios, dos principais fluxos migratórios do estado onde vivem, considerando movimentos de entrada e saída de pessoas ao longo do tempo. Explique a eles que a resposta deve incluir migrações vindas de outras regiões do Brasil, de países vizinhos ou deslocamentos internos entre municípios do próprio estado. É possível usar mapas regionais, relatos de pessoas da comunidade e fontes locais para apoiar a construção da resposta com base no contexto dos estudantes.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Existem diferenças na largura das setas dos mapas apresentados. Converse com os colegas e o professor sobre o que elas significam.

2 Quais são os principais fluxos migratórios que ocorreram ao longo do tempo no estado onde você vive? Anote a resposta no caderno. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

11:01

Explore o mapa Brasil: migrações (1990-2000), destacando os fluxos internos entre estados da região Norte, os movimentos de saída para o Sudeste e o Centro-Oeste e a migração para estados nortistas em busca de áreas para agricultura. Relacione esses deslocamentos à urbanização e à busca por terras, trabalho e serviços. Explique que a ocupação do sul do Pará, do Amazonas e de Rondônia provocou o avanço sobre áreas de floresta, contribuindo para o desmatamento. Reflita com a turma sobre como essas migrações alteraram as paisagens e os modos de vida na cidade e no campo, bem como as formas de uso da terra.

Ao explorar o mapa Brasil: migrações (2005-2010), destaque os fluxos de saída do Pará e do Amazonas rumo ao Centro-Oeste, especialmente entre saindo do Pará e do Tocantins em direção a Goiás, motivados pela busca por trabalho, estudo e melhores condições de vida. Comente que os movimentos migratórios dentro da própria região Norte, entre cidades e estados vizinhos, estão relacionados à ampliação das conexões regionais, à urbanização e à circulação por motivos

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 35. ed. São Paulo: Ática, 2019. p. 135.
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
Trópico de Capricórnio
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

Ao abordar as migrações externas, destaque que a região Norte se tornou, a partir de 2010, porta de entrada de um fluxo maior de imigrantes haitianos e venezuelanos para o Brasil. Explique que, após o forte terremoto que assolou o Haiti em 2010, muitos haitianos entraram no Brasil pelo Acre, e boa parte seguiu para outras regiões do país, como Sudeste e Sul, em busca de emprego. Já os venezuelanos que imigraram para o Brasil especialmente a partir de 2015, devido à crise em seu país, permaneceram majoritariamente na região Norte, especialmente em Roraima e no Amazonas. Incentive a reflexão dos estudantes a esse respeito perguntando: por que os venezuelanos ficaram na região e os haitianos, não? Como essas migrações impactaram a vida nas cidades que os acolheram? Incentive a turma a refletir sobre o acolhimento, os desafios e as contribuições desses grupos para a cultura e o cotidiano nortistas.

Apresente os dados do Censo 2022, no último parágrafo do texto, destacando que quase metade dos venezuelanos no Brasil vive na

Migrações externas

A partir de 2010, a região Norte passou a ser uma das principais portas de entrada para migrantes internacionais no Brasil. Dois grupos se destacam nesse período: os haitianos e os venezuelanos.

Após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010, milhares de haitianos deixaram seu país em busca de melhores condições para viver. Muitos entraram no Brasil pela fronteira do Acre, vindos do Peru.

Já os venezuelanos começaram a chegar com mais intensidade a partir de 2015, por causa da crise econômica, política e social em seu país. A principal porta de entrada é o estado de Roraima. Muitos venezuelanos ficaram na própria região Norte, principalmente em Roraima, nas cidades de Pacaraima e Boa Vista. Outros se instalaram em Manaus e em outras capitais nortistas. No entanto, a maior parte dos imigrantes que entra no Brasil pela região Norte se desloca para outras regiões do país em busca de empregos e acesso a infraestrutura.

O Censo 2022 mostra que, naquele ano, havia 271 514 venezuelanos no Brasil, formando o maior contingente de estrangeiros em solo brasileiro. Desse total, 124 767 viviam na região Norte, o que correspondia a 46% dos imigrantes dessa nacionalidade.

1 Por que muitos imigrantes que entram no Brasil pela região Norte acabam se mudando para outras regiões do país?

Porque buscam melhores condições de vida, emprego e mais oportunidades em regiões que contam com mais infraestrutura e empregos.

2 Qual grupo de migrantes internacionais tem permanecido em maior número na região Norte nos últimos anos?

• Em quais estados e cidades eles se concentram?

Os venezuelanos. Muitos deles permanecem no estado de Roraima, principalmente nas cidades de Pacaraima e Boa Vista, em Manaus (AM) e em outras capitais do Norte.

122

região Norte. Explique que essa presença significativa contribuiu para transformar o território em um espaço marcado pela convivência entre diferentes culturas, idiomas, costumes e modos de vida. Pergunte aos estudantes: como a chegada de tantos imigrantes pode alterar os modos de vida no município, no bairro ou na escola? Incentive a turma a refletir sobre os desafios e as riquezas dessa diversidade, relacionando com experiências locais e possíveis mudanças percebidas na alimentação, no comércio, na linguagem e nas relações sociais. Esta é uma oportunidade para trabalhar o TCT Multiculturalismo: diversidade cultural.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Abrigo para acolhida de imigrantes venezuelanos em Boa Vista (RR), em 2022.

Populações das fronteiras

Os estados da região Norte fazem fronteira com diversos países, como Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e com a Guiana Francesa, que é um departamento ultramarino pertencente à França. Essa proximidade favorece trocas comerciais e culturais com os habitantes dos países vizinhos. Essa convivência faz com que brasileiros e estrangeiros compartilhem produtos, músicas, festas e até palavras em idiomas diferentes. Tudo isso ajuda a construir uma cultura rica e cheia de influências, reforçando o quanto a região Norte é um lugar de encontros e diversidade. Em Tabatinga (AM) e Leticia, na Colômbia, as pessoas atravessam a fronteira todos os dias para estudar, trabalhar ou fazer compras. É comum que a população utilize as moedas dos dois países para adquirir mercadorias no dia a dia.

Placa no município fronteiriço de Tabatinga (AM), em 2022.

1 Existem influências culturais da população de países vizinhos no seu lugar de vivência? Siga as orientações do professor para conhecer um pouco mais sobre as culturas de outros países.

orientações no Encaminhamento.

DESCUBRA MAIS

BACELLAR, Clarissa. Saiba quais cidades-gêmeas são encontradas na Amazônia Internacional. Portal Amazônia , 9 jun. 2022. Disponível em: https:// portalamazonia.com/amazonia-internacional/saiba-quais-cidades-gemeas-sao -encontradas-na-amazonia-internacional/. Acesso em: 28 jul. 2025.

A reportagem explica o que são cidades-gêmeas e apresenta uma lista de cidades da Amazônia pertencentes a essa categoria.

ENCAMINHAMENTO

1. Caso os estudantes conheçam uma pessoa de origem estrangeira que vive em um lugar próximo a eles, oriente-os a conversar com essa pessoa, na companhia de um adulto de sua família, perguntando a respeito de elementos de sua cultura, como comidas e roupas típicas, festividades, canções, contos, entre outros. Caso os estudantes não conheçam ninguém que tenha nascido em um país estrangeiro, peça a eles que façam uma pesquisa a respeito de elementos da cultura de outros países presentes no lugar onde vivem.

Atividade complementar Proponha uma Feira da Amizade, em que os estudantes poderão expor painéis ou estandes com objetos, comidas típicas, vídeos ou dramatizações que mostrem a integração da cultura nortista com as culturas de pessoas de outros países da América do Sul. A feira é uma oportunidade para trabalhar o TCT Multiculturalismo: diversidade cultural.

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

13:22

Ao abordar o tema das populações das fronteiras, destaque que a região Norte tem limites com seis países e um território na América do Sul, o que favorece uma convivência direta entre brasileiros e estrangeiros. Explique como essa proximidade estimula trocas comerciais, culturais e linguísticas e influencia a vida cotidiana na região. Incentive os estudantes a perceber como as trocas e a convivência com pessoas de outros lugares fazem do Norte um espaço multicultural e dinâmico.

Comente com os estudantes que entre os países fronteiriços há rotas de circulação, rios que servem de divisa natural, cidades-gêmeas e pontos de entrada de pessoas e mercadorias. Com isso, eles podem compreender a importância geográfica das fronteiras e entender como a posição territorial favorece as trocas culturais e comerciais. Essa observação amplia a noção de pertencimento à América do Sul e fortalece o entendimento da diversidade regional e internacional presente na região Norte.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

NÃO ESCREVA NO LIVRO. Veja

BNCC

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Destaque para os estudantes que as regiões Nordeste e Norte têm os piores índices de acesso ao saneamento básico no Brasil. Contribuem para isso uma infraestrutura deficiente, a dispersão geográfica da população e a falta de investimentos, além de dificuldades relacionadas a características da própria região, com destaque para sua extensa área territorial e a existência de florestas abundantes e particularidades ambientais que dificultam a implementação e manutenção dos sistemas de saneamento básico.

Antes de propor aos estudantes que respondam às atividades, relembre que o acesso ao saneamento básico não é diferente apenas entre todas as regiões do Brasil, mas também entre os estados que formam a região Norte. Destaque os diversos fatores que contribuem para isso, como a extensão territorial e a diferença de investimentos. Incentive os estudantes a refletir se sua família e comunidade têm acesso à água potável e ao saneamento básico.

1. Espera-se que os estudantes comentem entre si suas observações sobre o acesso ao saneamento básico no lugar onde vivem (água tratada, coleta e tratamento de esgoto, coleta de lixo e limpeza urbana). Para auxiliar a discussão, pesquise dados sobre porcentagem de moradias conectadas à

Condições de vida no Norte

O acesso a serviços de saúde, como postos de atendimento e hospitais, e a uma boa cobertura de saneamento básico são muito importantes para a qualidade de vida e contribuem para a longevidade da população. No entanto, muitas pessoas que vivem na região Norte enfrentam a falta desses recursos, visto que apenas 24,4% dos domicílios são conectados à rede de esgoto e somente 56,4% são abastecidos pela rede geral de água. Isso significa que uma parte significativa da população da região não tem acesso a saneamento básico

Saneamento básico é o conjunto de serviços de abastecimento de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, coleta de lixo e limpeza urbana que ajuda a manter a saúde das pessoas e a conservar o meio ambiente.

Observe a tabela com os dados por estado.

Norte: domicílios conectados à rede de esgoto (2022)

Estado Domicílios (em %)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022 Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html. Acesso em: 2 jul. 2025.

Veja orientações no Encaminhamento.

Despejo de esgoto a céu aberto e descarte de lixo inadequado próximo a igarapé, em Terra Santa (PA), em 2024.

1 Como é o acesso ao saneamento básico no lugar onde você vive?

2 De acordo com a tabela, qual é a porcentagem de moradias no seu estado que estão conectadas à rede de esgoto?

rede de esgoto no site do município onde a escola está localizada. Incentive-os, então, a relacionar essa informação ao contexto de seu lugar de vivência. Espera-se que os estudantes descrevam como é o acesso à água e ao esgotamento sanitário em sua casa, rua, bairro ou comunidade. Eles podem apontar se há ou não água encanada, se ela é tratada, como o esgoto é descartado e se há coleta regular de lixo. A atividade também promove a troca de experiências entre os estudantes, respeitando diferentes realidades e incentivando a reflexão sobre as desigualdades no acesso aos serviços públicos.

2. Antes de propor a realização da atividade, pergunte aos estudantes, para incentivar a reflexão e a discussão: todas as moradias no estado onde vivemos têm acesso à água tratada? E como é a situação do tratamento de esgoto? Os dados percentuais de cada estado podem ser obtidos na tabela “Características dos domicílios”, no site Censo 2022: panorama, já citado (disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html; acesso em: 23 set. 2025).

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O acesso à educação é um fator fundamental para o desenvolvimento da região. A quantidade de anos estudados pelas pessoas está diretamente relacionada a melhores perspectivas de trabalho e de renda no futuro. Um indicador importante de acesso à educação é a taxa de alfabetização da população. Na região Norte, aproximadamente 92% das pessoas são alfabetizadas.

Entre 2010 e 2022, a taxa de analfabetismo entre os povos indígenas caiu bastante na região Norte, passando de 31,3% para 15,3%. Isso mostra que cada vez mais pessoas indígenas estão indo à escola e aprendendo a ler e escrever, o que pode representar um passo importante para que esses povos garantam seus direitos e fortaleçam suas comunidades.

Um grande desafio para melhorar o acesso à educação na região é a distância entre as residências dos estudantes e os estabelecimentos de ensino. Algumas crianças precisam percorrer longas distâncias andando ou viajando de barco por horas para chegar à escola.

municipal em Portel (PA), em 2024.

O acesso a empregos e à renda também é um aspecto essencial para que a população tenha uma boa qualidade de vida. Em 2024, a renda média mensal por pessoa na região Norte era de 1 389 reais, enquanto a renda per capita brasileira no mesmo ano era de 2 020 reais.

Em 2023, cerca de 38% dos nortistas viviam abaixo da linha da pobreza nacional. Isso significa que grande parte das pessoas ainda não tinha renda suficiente para garantir recursos básicos para uma vida digna.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

3 A partir da leitura dos dados apresentados, como podemos avaliar as condições de vida da população da região Norte em áreas como educação, saúde e trabalho? Converse com a turma e, depois, anote as conclusões no caderno.

4 Quais medidas podem ser tomadas pelo poder público para melhorar as condições de vida da população da região Norte?

ENCAMINHAMENTO

domicílios com insegurança alimentar grave (9,5%), seguido do Amazonas (9,1%) e do Amapá (8,4%).

Muitas vezes, as populações que vivem em áreas mais isoladas, como indígenas e quilombolas, estão nas situações mais precárias. Existe dificuldade de transporte de alimentos com as grandes distâncias entre as cidades e as comunidades mais afastadas. A própria dinâmica enchente e vazante dos rios afeta a oferta de alimentos.

3. A partir da leitura dos dados, espera-se que os estudantes concluam que as condições de vida de muitas pessoas da região Norte precisam melhorar. O acesso ao saneamento básico na região ainda é bastante baixo, e há necessidade de gerar empregos de qualidade para aumentar a renda da população. Também é necessário facilitar o acesso às escolas, para diminuir ainda mais a taxa de analfabetismo e para que, com a educação, as pessoas possam ter melhores perspectivas de acesso ao trabalho e à renda.

4. Os estudantes podem apontar medidas como: construção de infraestrutura que amplie a coleta de esgoto e o acesso à rede de água; construção de escolas e oferta de transportes que facilitem o acesso a escolas e geração de empregos para aumentar a renda dos trabalhadores.

25/09/2025 11:01

Mencione os diferentes meios de transporte usados pelos estudantes da região Norte para chegar às escolas. Se possível, pesquise na internet e mostre à turma diferentes formas de deslocamento: a pé, em ônibus ou vans escolares, em barcos ou lanchas, como as que são usadas no transporte escolar em algumas escolas da prefeitura de Manaus.

Ainda sobre as condições de vida da população da região Norte, você pode aprofundar a discussão sobre a grande porcentagem de pessoas que vivem abaixo do nível de pobreza, ressaltando que a situação é baseada em uma desigualdade social histórica no Brasil e que está presente em nossa região.

Comente com os estudantes que o Norte é a região em que as pessoas têm maior dificuldade em ter uma alimentação digna e equilibrada. Em 2023, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), o Pará era o estado brasileiro com maior proporção de

Escola
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

TCT: Cidadania e civismo: educação em direitos humanos.

ENCAMINHAMENTO

Pergunte aos estudantes se, na opinião deles, há grande desigualdade de renda no bairro ou na comunidade onde vivem. Incentive-os a levantar hipóteses sobre o que poderia ser feito para que as pessoas tivessem uma condição de vida melhor.

Destaque a importância de o poder público promover políticas que possam ampliar o acesso ao direito a uma vida digna, com igualdade de condições e oportunidades.

É importante que os estudantes compreendam que as desigualdades sociais e as condições inadequadas de vida são resultantes de processos históricos e estruturas econômicas que caracterizam a sociedade contemporânea em todo o mundo e que elas não são naturalmente estabelecidas. Esta é uma oportunidade para trabalhar o TCT Cidadania e civismo: educação em direitos humanos.

Desigualdades sociais no Norte

A região Norte apresenta desigualdades sociais acentuadas, assim como o restante do país. O Brasil é um país com grande concentração de renda, ou seja, existe muita riqueza nas mãos de poucas pessoas, enquanto muitas pessoas têm renda baixa ou até nenhuma renda.

A desigualdade social também se reflete nas paisagens urbanas do Norte. Você já percebeu como existem bairros bem diferentes uns dos outros dentro de uma mesma cidade? Em alguns bairros, a pavimentação das ruas está em boas condições, há calçamento adequado e acessível, iluminação pública, escolas, pontos de ônibus, água encanada e coleta de esgoto. Geralmente, esses bairros são habitados por pessoas com renda mais alta.

No entanto, parte da população não consegue viver nesses bairros devido ao alto custo das moradias. De acordo com o Censo 2022, aproximadamente 19% da população da região Norte vive em favelas e comunidades urbanas. Nessas áreas das cidades, a infraestrutura e os serviços públicos são inexistentes, incompletos ou precários. Isso mostra como as cidades podem ser divididas socialmente.

É comum que moradores de bairros pouco desenvolvidos precisem percorrer grandes distâncias para acessar serviços e estabelecimentos como escolas e hospitais. Mesmo com todas essas dificuldades, a população que mora nessas áreas tem os mesmos direitos de quem vive em áreas com melhor infraestrutura. Por isso, é importante que o poder público encontre formas de levar os serviços até onde as pessoas estão.

Palafitas construídas na margem de canal do Rio Negro em primeiro plano; ao fundo, estão edifícios de um bairro da cidade de Manaus (AM), em 2022.

Texto de apoio

De acordo com dados informados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o atual Índice de Gini do Brasil está em 0,543.

Esse coeficiente mede o nível de desigualdade dos países conforme a renda, a distribuição de riqueza e os níveis de educação de uma sociedade. Quanto mais próximo de zero estiver esse valor, melhor para aquele país, o que nos mostra que ainda há um longo caminho para o Brasil nessa questão.

A desigualdade social por aqui é um legado do período colonial, que se deve à influência ibérica, à escravidão e aos padrões de posses latifundiárias. Aspectos como racismo estrutural, discriminação de gênero, alta tributação de impostos e o desequilíbrio da estrutura social só agravam a desigualdade brasileira.

ENTENDA as causas da desigualdade social e como afeta a população. Oxfam Brasil, São Paulo, 6 jul. 2021. Disponível em: https://www.oxfam.org.br/blog/entenda-as-causas-dadesigualdade-social-e-como-afeta-a-populacao. Acesso em: 23 set. 2025.

Um grande causador da desigualdade social é o histórico de exclusão de grupos como negros, indígenas e mulheres. O processo histórico de colonização e a escravidão, que vigorou no país por mais de 300 anos, tiveram grande impacto negativo sobre as populações negra e indígena.

Mesmo após a abolição da escravidão, a população negra permaneceu à margem da sociedade brasileira, sofrendo preconceito e discriminação até os dias de hoje, exercendo trabalhos mal remunerados e sendo relegada a condições de vida inferiores às do restante das pessoas.

Observe os dados na tabela.

Norte: renda média mensal, por cor ou raça, em reais (2024)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7441. Acesso em: 3 jul. 2025.

A diferença de rendimentos também pode ser notada ao analisar a remuneração atribuída a homens e mulheres. Na região Norte, os homens ganham em média 2 593 reais por mês, enquanto a renda mensal das mulheres é de 2 245 reais.

1 Analisando os dados da tabela Norte: renda média mensal, por cor ou raça, em reais (2024), responda às perguntas no caderno.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) O que é possível concluir a respeito da desigualdade por cor ou raça no estado onde você vive?

b) O que é possível concluir a respeito da desigualdade por cor ou raça em toda a região Norte?

ENCAMINHAMENTO

Comente com os estudantes que, mesmo depois da abolição da escravidão, o estado não forneceu nenhuma indenização às pessoas escravizadas ou condições para que elas tivessem uma vida digna depois de libertas. Isso influenciou profundamente a vida daquelas pessoas, de seus filhos, de seus netos, e assim por diante.

É importante comentar, também, que hoje existem leis e políticas públicas que buscam garantir igualdade de direitos aos descendentes dos africanos escravizados. Se julgar conveniente, mencione a política de cotas, que, entre outras características, reserva algumas vagas para pretos e pardos entrarem na universidade, por exemplo. Mencione que esse é um exemplo de iniciativa do governo para tentar oferecer as mesmas oportunidades aos diversos grupos e reduzir as desigualdades sociais.

O conteúdo da página possibilita a análise de aspectos das desigualdades que caracterizam a população brasileira, em especial a da região Norte, reconhecendo as desigualdades étnico-raciais e a necessidade de políticas públicas para combatê-las.

1. Oriente os estudantes a retomar o texto e ler novamente as informações contidas na tabela, para que respondam à questão tendo como parâmetro os dados apresentados. Se necessário, relembre os pontos mais relevantes dos tópicos já abordados no capítulo a respeito das desigualdades na região Norte. Espera-se que os estudantes interpretem os dados apresentados na tabela e concluam que a população branca tem rendimentos consideravelmente mais altos que a população preta e a parda. Eles podem apontar também que a população preta é a que apresenta menor renda nos estados do Acre, Pará, Amapá e Tocantins.

Sugestão para o professor

NERY, Pedro Fernandes. Extremos: um mapa para entender a diversidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2024.

Este livro apresenta análises de dados sobre as desigualdades sociais, políticas, econômicas e regionais do Brasil, que podem embasar propostas de ações que gerem mudanças no país.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar o trabalho com a página, fale sobre a importância do trabalho das mulheres nos mais diversos setores da sociedade e da economia nortistas, tanto na cidade quanto no campo. Comente sobre o trabalho das quebradoras (ou quebradeiras) de coco. As comunidades das quebradeiras de coco-babaçu são formadas por mulheres que obtêm seu sustento (e muitas vezes de toda a sua família) do extrativismo vegetal, especialmente nos estados do Tocantins, Piauí e Pará, na região amazônica.

Promova uma leitura coletiva do relato reproduzido na página, realizado por uma integrante do movimento social de mulheres ribeirinhas de Gurupá, no estado do Pará. Pergunte aos estudantes, depois da leitura, com que propósitos mulheres como as que formam esse grupo se unem, o que elas fazem para cuidar da natureza e como podemos seguir o exemplo delas.

1. Os estudantes devem apontar que as mudanças climáticas causam secas que afetam

Movimento das mulheres na região Norte

os rios e a saúde das crianças da comunidade.

O movimento social das mulheres da região Norte tem como protagonistas trabalhadoras da cidade e do campo, entre elas indígenas, quilombolas, ribeirinhas e quebradoras de coco.

Elas lutam pela defesa de seus territórios, do meio ambiente da região e pela proteção de suas famílias e delas mesmas. Dentre suas reivindicações também estão igualdade salarial e maior participação política.

Biólogas trabalhando em Santa Isabel do Rio Negro (AM), em 2022. O protagonismo feminino e a igualdade entre os gêneros contribuem para uma sociedade mais justa.

Leia o trecho de um texto a seguir sobre a atuação do coletivo de mulheres ribeirinhas de Gurupá, no Pará.

Aqui, as mulheres não só enfrentam as consequências diretas das mudanças climáticas, como a seca que afeta os rios e a saúde das crianças, mas também lideram iniciativas para mitigar esses impactos. Nosso projeto dos Guardiões Ambientais de Ribeirinho não se limita a defender os recursos naturais; ele é um testemunho vivo do compromisso comunitário e da força feminina.

BENJAMIN. Rosângela. Artigo de opinião: Fortalecendo a conscientização e a participação comunitária na Amazônia. Le Monde Diplomatique, 21 mar. 2025. Disponível em: https://diplomatique. org.br/artigo-de-opiniao-fortalecendo-a-conscientizacao-e-a-participacao-comunitaria-na-amazonia/. Acesso em: 6 jun. 2025.

1 Como as mudanças climáticas impactam a população ribeirinha de Gurupá?

Comente com os estudantes que o coletivo de mulheres de Gurupá promove a conscientização ambiental por meio de aulas, campanhas de limpeza e educação sobre práticas sustentáveis.

Atividade complementar

Como atividade auxiliar, propomos a realização de uma pesquisa com familiares ou responsáveis pelos estudantes. Peça a eles que perguntem em casa se existem mulheres na família, no bairro ou na comunidade que reivindicam algum direito e lutam por ele. Essa ação social não precisa ser necessariamente grandiosa, podendo se constituir em atitudes cotidianas, como a reivindicação por acesso a serviços de saúde, como uma consulta médica, por melhorias na rua ou no bairro ou ainda ações para que os filhos ou pessoas da família tenham acesso à educação, por exemplo.

Essas informações podem ser anotadas no caderno e depois compartilhadas em uma roda de conversa com o professor e a turma.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

DIÁLOGOS

Desigualdades regionais

1. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Eles podem citar políticas governamentais que incentivem a construção de infraestrutura, como equipamentos de saúde e educação, vias de circulação, empreendimentos que gerem empregos, entre outras.

Como você já estudou, o Brasil é um país bastante desigual. Essa desigualdade de renda também pode ser percebida entre as populações das outras regiões brasileiras. Observe o gráfico.

Grandes regiões: renda per capita (2024)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/7531. Acesso em: 3 jul. 2025.

Algumas das razões para que essas diferenças ocorram estão relacionadas ao processo histórico de formação do país, às atividades econômicas desenvolvidas em cada região e aos investimentos pelo poder público em infraestrutura e serviços para a população.

Desde a metade do século 19, as regiões Sul e Sudeste foram privilegiadas pelas políticas públicas em razão da alta concentração de atividades econômicas rentáveis, tanto no campo quanto nas cidades. Esse é um dos motivos pelos quais essas regiões apresentam melhores condições de vida atualmente. Nas últimas décadas, foram criadas políticas públicas com o objetivo de amenizar essas disparidades por meio de investimentos em regiões menos desenvolvidas. Na região Norte, o governo brasileiro estabeleceu planos de crescimento, com incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico, visando atrair investimentos para a infraestrutura e os serviços públicos, além de criar empregos e gerar renda para a população.

1 Com o auxílio do professor, pesquisem políticas públicas existentes no lugar onde vocês vivem que visam melhorar as condições de vida da população.

ENCAMINHAMENTO

políticas adotadas ao longo do tempo. Destaque que, desde a metade do século XIX, as atuais regiões Sul e Sudeste receberam mais atenção por concentrarem atividades econômicas rentáveis. Comente também que, nas últimas décadas, foram criadas políticas públicas para reduzir essas diferenças, incluindo, na região Norte, planos de desenvolvimento voltados à infraestrutura, aos serviços públicos e à geração de empregos. Vale mencionar, também, que muitas pessoas no Brasil vivem com rendimentos abaixo do necessário para manter uma vida digna, enquanto uma pequena parcela da população concentra boa parte da riqueza.

1. Para tornar a atividade mais dinâmica, proponha aos estudantes que se reúnam em grupos e pesquisem exemplos concretos de investimentos públicos ou projetos de desenvolvimento no estado ou no município, como obras de transporte, programas de incentivo tecnológico ou iniciativas de preservação ambiental com geração de renda. Oriente os estudantes para que iniciem a pesquisa buscando informações em fontes confiáveis, como o site oficial da prefeitura, portais do governo estadual e reportagens de jornais locais. Eles podem procurar por programas e projetos recentes voltados a saúde, educação, transporte, habitação ou geração de empregos.

25/09/2025 11:01

Apresente o gráfico de renda per capita nas grandes regiões brasileiras, destacando as diferenças entre os dados das regiões. Explique aos estudantes o que significa renda per capita (o cálculo da divisão da renda total da população pelo número de pessoas daquele grupo) e como esse indicador revela desigualdades econômicas. Comente que a região Norte (R$ 1.389) e a região Nordeste (R$ 1.319) apresentavam, em 2024, valores inferiores à média do Brasil, que era de R$ 2.020, enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentavam renda superior à média. Incentive a reflexão com perguntas como: por que algumas regiões têm renda mais alta? Que fatores históricos, econômicos e sociais influenciam esses resultados? Proponha aos estudantes que relacionem esses dados ao acesso a oportunidades de trabalho, à infraestrutura e aos investimentos públicos nessas regiões.

Explique aos estudantes que as desigualdades regionais no Brasil têm raízes históricas e estão ligadas ao tipo de atividade econômica desenvolvida, aos investimentos públicos e às

BNCC

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnicoculturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

ENCAMINHAMENTO

Explore as ilustrações em Formas de organização e cidadania com os estudantes, pedindo que eles descrevam o que está acontecendo nas cenas. Essa é uma forma de atrair a atenção deles para o conteúdo e também de auxiliar estudantes cegos ou com baixa visão. Explique para os estudantes que o exercício da cidadania não é feito apenas em grandes espaços públicos ou momentos específicos, como as eleições. A cidadania também pode ser exercida na escola, na comunidade, na sua igreja ou espaço religioso etc. É essencial que os estudantes percebam que a cidadania é exercida tanto no usufruto de direitos quanto na obrigação da realização dos deveres por cada um.

Apresente exemplos de situações cotidianas em que os estudantes exercem sua cidadania, por exemplo, quando não sujam a sala de aula porque isso é um dever que eles devem cumprir ou quando emitem suas opiniões respeitosamente, sem ofender nenhum colega, usufruindo do direito de expressão. Incentive-os a oferecer outros exemplos.

CIDADANIA E PARTICIPAÇÃO POPULAR

Na região Norte, as pessoas vivem em diferentes lugares e cada um deles tem a própria forma de organização. Observe a ilustração.

Formas de organização e cidadania

com a

Já nas cidades, podem ser feitas reuniões com governantes para

Essas formas de organização ajudam a resolver questões do dia a dia e garantir direitos como saúde, educação, moradia e transporte. Participar desses espaços é exercer a cidadania.

Cidadania é participar da vida em sociedade conhecendo e cumprindo seus deveres e exercendo seus direitos.

1 Onde ficam a prefeitura e a Câmara Municipal do município onde vocês vivem? Elaborem uma representação cartográfica da localização desses espaços.

Veja mais orientações no Encaminhamento.

1. Proponha um projeto cartográfico investigativo. Peça aos estudantes que, a partir da história local, façam uma pesquisa sobre a prefeitura e a Câmara Municipal do município onde vivem. Se possível, faça uma saída a campo com os estudantes para que a turma conheça a localização dessas instituições pessoalmente. Se a saída a campo não for possível, realize uma discussão com os estudantes sobre a relação deles com os espaços públicos em questão, pergunte se eles já viram ou visitaram esses espaços. O objetivo desta atividade é que os estudantes reconheçam a prefeitura e a Câmara Municipal como órgãos que fazem parte do município e da comunidade e que também estão presentes no seu cotidiano, mesmo que seja como parte da paisagem.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Em uma aldeia, decisões podem ser tomadas
participação da comunidade e a escuta dos mais velhos.
buscar melhorias para a comunidade. BRUNA

Importância da participação popular

Na região Norte, a atuação do poder público varia conforme o lugar. Muitas comunidades rurais e urbanas possuem lideranças que não fazem parte do governo, mas que têm grande importância local. Elas orientam os vizinhos, organizam mutirões e defendem os direitos coletivos por meio da participação popular

Além dessas lideranças individuais, as pessoas somam forças nas associações comunitárias.

Existem associações de agricultores, pescadores, indígenas, moradores e mães, por exemplo. Essas organizações se reúnem para resolver problemas da comunidade de forma coletiva, apresentar pedidos ao poder público, planejar festas e ações comunitárias, entre outras atividades.

Mutirão: organização de um trabalho de forma coletiva e voluntária para beneficiar uma comunidade.

Reunião de representantes do Conselho Consultivo da Floresta Nacional do Tapajós, com participação de moradores da comunidade de Jamaraquá, em Belterra (PA), em 2024.

VOCÊ DETETIVE

Produção coletiva. Veja orientações no Encaminhamento.

1. Pensem nos problemas de sua rua, escola ou comunidade. O que poderia melhorar?

2. Com a ajuda de imagens de satélite, localizem a área afetada por esse problema. Em seguida, elaborem uma representação cartográfica no caderno.

3. Escrevam uma frase curta com uma proposta de mudança.

4. Em conjunto, escolham uma das ideias levantadas pelos colegas.

5. Com o auxílio do professor, encaminhem a proposta por um canal de participação social.

ENCAMINHAMENTO

BNCC

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

(EF03CO03) Aplicar a estratégia de decomposição para resolver problemas complexos, dividindo esse problema em partes menores, resolvendo-as e combinando suas soluções.

(EF03CO07) Utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para pesquisar e acessar informações.

(EF03CO08) Usar ferramentas computacionais em situações didáticas para se expressar em diferentes formatos digitais.

11:18

Explique aos estudantes que cada associação nasce a partir de necessidades específicas, mas todas compartilham o objetivo de promover o bem-estar coletivo e ampliar a participação popular. A proposta do Você detetive possibilita aos estudantes desenvolver as habilidades de observar, analisar, decompor e propor soluções para problemas reais de sua comunidade, além de incentivar o uso de diferentes ferramentas de busca e ferramentas computacionais em situações didáticas. Auxilie-os a utilizar sites confiáveis com imagens de satélite para localizar e representar o problema espacialmente no caderno. Incentive a escolha democrática de uma das ideias levantadas pelos grupos, orientando que embasem suas opiniões nas representações cartográficas elaboradas. Explique que a decisão pode considerar a urgência do problema ou a viabilidade da solução. Conduza a votação de forma organizada e, em seguida, ajude-os a identificar a instituição mais adequada para encaminhar a proposta, como a associação de bairro, a diretoria da escola ou a prefeitura.

BNCC

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que as lutas sociais perduram por gerações, inclusive o movimento social de seringueiros. Recorde os estudantes da atuação de Chico Mendes como um importante líder das comunidades extrativistas. Explique que lideranças jovens como Raiara Barros mostram a necessidade da luta contínua para preservação de direitos e territórios.

2. Inicie a atividade com uma roda de conversa perguntando aos estudantes se conhecem algum movimento social. Divida a turma em grupos e oriente os estudantes a pesquisar um dos movimentos sociais que conhecem ou a buscar outro que atue no munícipio ou estado onde vivem. Forneça o roteiro a seguir com as informações que os estudantes devem buscar em suas pesquisas: a) nome do movimento social; b) que direito ou melhoria reivindica; c) estratégias adotadas por esse movimento, como protestos, reuniões, abaixo-assinados, arrecadação de fundos etc. Sugira aos estudantes a pesquisa em sites e em redes sociais oficiais dos

1. Espera-se que estudantes respondam que os seringueiros ajudam a conservar a floresta praticando o extrativismo sustentável e inspirando o cuidado nas gerações mais novas.

Participações nas comunidades nortistas

Diversas comunidades se destacaram ao longo da história da região Norte por suas iniciativas de participação e organização social. Agora, você vai aprender sobre dois movimentos sociais que se destacam na região: o dos seringueiros e o dos atingidos por barragens.

Movimento social dos seringueiros

A organização do movimento dos seringueiros surgiu a partir de 1980 para impedir a expulsão deles das terras onde viviam e combater o desmatamento dos seringais. Um de seus criadores foi Chico Mendes.

A ocupação pacífica de áreas de floresta, também chamada de empate, era uma das estratégias dos seringueiros com o objetivo de barrar a ação dos madeireiros. Eles fundaram a Aliança dos Povos da Floresta e o Conselho Nacional dos Seringueiros, que em 2009 passou a se chamar Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Hoje em dia, essas organizações seguem lutando pelo extrativismo sustentável e inspirando novas gerações. Um exemplo é a liderança seringueira Raiara Barros, que se tornou a mais jovem mulher a exercer esse papel em 2023, ao assumir a presidência da Associação de Produtores e Produtoras Agroextrativistas do Seringal Floresta e Adjacências, na Comunidade Rio Branco, em Xapuri (AC).

Raiara Barros, liderança seringueira em Xapuri (AC), em 2024.

1 Como o movimento de seringueiros ajuda a conservar a floresta?

2 Pesquisem um movimento social que atue no município ou no estado onde vocês vivem. Quais são as principais reivindicações dele?

movimentos e a realização de entrevistas com membros, na companhia de adultos responsáveis. Após a conclusão da pesquisa, a sistematização dos resultados pode ser feita por meio de apresentação dos grupos ou uma roda de conversa com a turma.

Sugestão para o professor

MEIRA, Márcio. O sistema de aviamento. In: MEIRA, Márcio. A persistência do aviamento: colonialismo e história indígena no Noroeste Amazônico. São Carlos: EdUFSCar, 2018. E-book Disponível em: https://books.scielo.org/id/bwwtm/pdf/meira-9786586768435-06.pdf. Acesso em: 17 set. 2025.

O artigo trata do aviamento, um sistema baseado na persistência de dívidas e relação hierárquica entre patrão e freguês, que ainda persiste em algumas relações de trabalho em áreas da região Norte.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Movimento social dos atingidos por barragens

A construção de hidrelétricas geralmente envolve o alagamento de grandes áreas. Além da perda de meios de subsistência relacionados ao extrativismo, algumas comunidades podem ser forçadas a se deslocar.

Na década de 1980, foi criado o Movimento dos Atingidos por Barragens, em que foram organizadas várias comissões por todo o Brasil para investigar os danos aos direitos das pessoas prejudicadas pela construção de hidrelétricas.

Em 2016, foi iniciada a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará. Entre os impactos causados por sua construção, estão a mudança no fluxo e na qualidade da água, o prejuízo a espécies que habitavam o local e a destruição de hábitats dos peixes.

Pescadores junto a árvores mortas devido à inundação para a construção da Usina de Belo Monte, em Vitória Grande do Xingu (PA), em 2017.

Leia o trecho de notícia.

Ribeirinhos de comunidades em dois municípios do Amapá realizaram, nesta sexta-feira (14), um protesto em frente à sede da Justiça Federal, na zona norte de Macapá. O objetivo era pressionar o Judiciário a julgar o processo que apura a responsabilidade pela mortandade de peixes no Rio Araguari, ocorrida no início das operações da hidrelétrica Cachoeira Caldeirão.

‘AINDA estamos aqui’: Ribeirinhos aguardam 9 anos por decisão sobre mortandade de peixes. Seles Nafes, Macapá, 14 mar. 2025. Disponível em: https://selesnafes.com/2025/03/ainda-estamos-aqui-ribeirinhos-aguardam-9-anos-pordecisao-sobre-mortandade-de-peixes/. Acesso em: 31 jul. 2025.

1 A construção da hidrelétrica Cachoeira Caldeirão começou em 2013, em Ferreira Gomes, no Amapá. Como ela pode ter afetado a população de peixes do local?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Texto de apoio

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

25/09/2025 11:18

O trecho a seguir trata do caso do Rio Xingu, onde a construção da usina de Belo Monte causou a morte de mais de 85 mil peixes, afetando as pessoas que viviam da pesca. Os pescadores foram retirados da beira do rio e de suas casas para serem remanejados para os chamados Rucs, Reassentamentos Urbanos Coletivos, bairros construídos com uma estrutura parca e incapaz de manter a sociabilidade de uma classe que antes era acostumada com o rio em frente às suas casas e que, de repente, tem de conviver com a distância, a falta da água em suas torneiras e a falta da saúde e educação para seus filhos. [...] Por causa de Belo Monte, o pescador não deixou apenas de pescar. Ele deixou de ser pescador. MONGABAY. Os impactos da usina de Belo Monte sobre os peixes do Rio Xingu. Ecoa Uol, 24 maio 2023. Disponível em: www.uol.com.br/ecoa/colunas/noticias-da-floresta/2023/05/24/os-impactos-da-usina-debelo-monte-sobre-os-peixes-do-rio-xingu.htm. Acesso em: 17 set. 2025.

Explique aos estudantes que a construção de uma usina hidrelétrica, como a de Belo Monte, por um lado, pode beneficiar centros urbanos que recebem a energia que é gerada lá, mas, por outro lado, pode prejudicar outras áreas, como é o caso da Volta Grande do Xingu e suas comunidades. 1. Espera-se que os estudantes concluam que a construção de uma hidrelétrica pode destruir os hábitats dos peixes e, assim, levar à sua mortandade. O movimento das comportas altera o fluxo da água e pode impactar a movimentação dos peixes no rio. A atividade pode ser trabalhada em interdisciplinaridade com Ciências da Natureza.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

ENCAMINHAMENTO

Reforce para os estudantes que, por ser a maior região do Brasil em extensão, e a menos populosa por quilômetro quadrado, existe uma maior dificuldade para o alcance da população às políticas públicas. Por isso, ações específicas são necessárias para que a população que vive mais afastada dos centros com mais serviços tenha acesso a saúde, como é o caso representado na fotografia.

1. Incentive os estudantes a relatar experiências e verifique se eles identificam as funções dos diferentes equipamentos e serviços voltados à saúde. É importante ter cautela a respeito de relatos de experiências dolorosas, como é o caso do tratamento de enfermidades e outras ocorrências. Promova um ambiente de acolhimento e respeito para que os estudantes possam contar suas histórias.

2. Os estudantes podem citar, por exemplo, a necessidade de instalação de mais hospitais, postos de saúde ou UBSF no estado onde vivem. Outra possibilidade é citar o uso da telemedicina em regiões mais isoladas.

Iniciativas de transformação social no Norte

A região Norte apresenta vulnerabilidades em áreas como saúde, educação e meio ambiente.

Saúde

Os maiores desafios na implantação de saúde de qualidade na região Norte são o tamanho do território e as grandes distâncias entre os lugares de vivência de parte da população e os locais de assistência médica. Uma das soluções para esse problema é a criação de políticas públicas que levem em conta as características geográficas da região. Um exemplo são as Unidades Básicas de Saúde Fluviais ( UBSF), barcos com vários equipamentos e serviços voltados à saúde básica das comunidades ribeirinhas. Outras iniciativas para resolver os problemas da área de saúde da região são baseadas em inovações tecnológicas, como a telemedicina. O uso de drones para logística e entrega de medicamentos é outro exemplo de proposta que vem sendo desenvolvida para atendimento da região Norte.

Barco hospital no Rio Mamoré em Guajará-Mirim (RO), em 2020. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 No seu lugar de vivência, existem postos de saúde e hospitais acessíveis? Vocês já utilizaram esses equipamentos?

2 Como seria possível melhorar o acesso ao atendimento médico no estado de vocês? Elaborem uma lista de soluções e, no dia combinado com o professor, façam uma apresentação aos colegas.

Atividade complementar

A extensão territorial dificulta a assistência a todas as partes da região Norte. Por isso, soluções tecnológicas, como telemedicina, facilitam o acesso a atendimento médico em áreas mais isoladas do território. Compartilhe a manchete a seguir com os estudantes.

Com programa Wi-Fi Brasil, telemedicina chega a comunidade no Baixo Madeira

COM programa wi-fi Brasil, telemedicina chega a comunidade no Baixo Madeira. Agência Gov, Brasília, DF, 2 jan. 2025. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202501/programa-wi-fi-brasil-levaacesso-a-telemedicina-para-comunidade-no-baixo-madeira. Acesso em: 18 set. 2025. Em seguida, pergunte: qual é a importância da tecnologia na área da saúde na região Norte? Espera-se que os estudantes respondam que a tecnologia permite que a saúde chegue a espaços mais distantes, transpondo barreiras geográficas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Drone: veículo aéreo não tripulado.

Educação

Para cuidar da educação na região Norte, algumas iniciativas vêm sendo tomadas pelo governo federal e pelas próprias comunidades rurais, ribeirinhas e extrativistas. Um exemplo é o Coletivo Jovens Educadores Ambientais, no Tocantins. Leia o texto sobre esse projeto.

O Coletivo Jovens Educadores Ambientais, iniciativa do Movimento dos Direitos Humanos e Ambientais no Tocantins (MedhTO) e apoiado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), consolidou-se em 2024 como uma referência em educação socioambiental no Estado. [...]

O projeto é coordenado pelas estudantes Maria Otília e Isadora Reis da Rocha, que utilizaram ferramentas tecnológicas para promover a conscientização ambiental e a justiça climática, alcançando diferentes públicos e ampliando o debate sobre a preservação do meio ambiente.

COLETIVO Jovens Educadores Ambientais do MedhTO é referência em educação socioambiental no Estado. Palmas: Portal Socioambiental Vozes do Tocantins, 2024. Disponível em: https://portalsocioambiental-to. com.br/2025/01/03/coletivo-jovenseducadores-ambientais-do-medhto-ereferencia-em-educacao-socioambientalno-estado/. Acesso em: 10 set. 2025.

Coletivo Jovens Educadores Ambientais exibindo o filme Amazônia Viva em escola de Palmas (TO), em 2024.

Esse projeto aproxima o ensino das escolas à realidade social e ambiental vivida pelos estudantes e pelas comunidades em seu dia a dia. Por meio do uso de tecnologias diversas, é priorizada uma educação voltada ao campo, às águas e às florestas.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 A partir do que vocês viram sobre o Coletivo Jovens Educadores Ambientais, como vocês imaginam que é possível unir tecnologia e conservação do meio ambiente?

2 Se vocês fizessem parte de um coletivo de educação ambiental, o que defenderiam? Quais ações tomariam para atingir seus objetivos?

Atividade complementar

BNCC

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

ENCAMINHAMENTO

1. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes se baseiem no exemplo do coletivo para pensar em outras tecnologias que poderiam ser aplicadas, como jogos virtuais, uso de simuladores para verificar os impactos ambientais em uma área, entre outras propostas.

2. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes listem temas que considerem pautas importantes, como a manutenção da água potável, a conservação das florestas e a preservação de espécies. Eles podem indicar atitudes que tomariam, com base no uso de tecnologias ou em outros recursos, para promover a educação ambiental.

25/09/2025 11:18

Esta atividade propõe que os estudantes façam parte de uma iniciativa para melhorar a escola. Divida a turma em grupos e peça que reflitam sobre o que poderia ser melhorado e quais ações poderiam ser tomadas para isso. Sugira alguns temas relacionados à rotina escolar, como a limpeza da escola, por exemplo. Oriente os estudantes a pensar em ações que afetem positivamente toda a comunidade escolar, ou seja, os estudantes, professores e outros funcionários da escola. Peça aos grupos que registrem suas propostas no caderno e incentive-os a apresentá-las para toda turma em um dia combinado. Depois das apresentações, conduza uma conversa com os estudantes, na qual devem escolher a proposta mais viável, e auxilie a turma a aplicá-la.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

TCT: Cidadania e civismo: direitos da criança e do adolescente.

ENCAMINHAMENTO

Após a leitura do texto, peça aos estudantes para analisar o gráfico. Auxilie-os a comparar a realidade da região Norte com outras regiões do país. Incentive-os a refletir sobre como fatores sociais, culturais e econômicos influenciam as oportunidades de acesso e permanência na escola. Explique que esses dados revelam um desafio coletivo e que políticas públicas e iniciativas comunitárias podem contribuir para reduzir as desigualdades.

Desigualdades na educação brasileira DIÁLOGOS

Na região Norte, o número de anos estudados varia de acordo com a cor ou raça das pessoas. As pessoas autodeclaradas brancas têm em média 9,7 anos de estudo. As pessoas autodeclaradas pretas têm 8,4 anos e as indígenas, 7 anos.

Já quando analisamos os dados segundo o sexo na região, notamos que as mulheres têm mais anos de estudo, com 9,4 anos em média, enquanto os homens têm 8,5. O número de anos estudados é maior entre as mulheres em todo o país.

A média de anos de estudo no Brasil é de 9,5 anos, e é possível perceber que esse indicador varia entre as regiões do Brasil. Observe o gráfico.

Brasil e grandes regiões: número médio de anos de estudo (2022)

2. Auxilie os estudantes a realizar as pesquisas em sites confiáveis, como os das UFs da região. Espera-se que encontrem políticas públicas para programas de transporte escolar para comunidades distantes, investimentos na infraestrutura das escolas e ações específicas de apoio à educação indígena e ribeirinha, que buscam garantir maior inclusão e permanência dos estudantes na escola. Sugestão para o professor

1. O número médio na região Norte foi de 8,9 anos. A média nacional foi de 9,5, portanto, a região Norte está abaixo da média nacional.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022 Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/10062. Acesso em: 13 ago. 2025.

Essa desigualdade entre as regiões pode ser explicada pela condição socioeconômica da população de cada local. Alguns fatores, como distância, diferenças culturais, além de escolas mal equipadas, tornam o acesso à educação desigual.

1 Observe o gráfico. Qual foi o número médio de anos de estudo na região Norte? E como esse dado se compara à média nacional?

2 Com o auxílio do professor, pesquise políticas públicas voltadas para a educação na região Norte. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

CARMO, Eraldo Souza do; CUNHA, Franciely Farias da; PRAZERES, Maria Sueli Corrêa dos. Transporte escolar na Amazônia: uma análise dos condicionantes de acesso de estudantes ribeirinhos à escola do campo. Revista Brasileira de Educação do campo, Tocantinópolis, v. 5, e6897, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufnt.edu.br/index.php/campo/article/ view/6897/17324. Acesso em: 18 set. 2025.

O artigo analisa a aplicação de políticas públicas de transporte escolar para as escolas no campo no município de Cametá (PA).

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

Meio ambiente

Para proteger a Floresta Amazônica, algumas iniciativas governamentais têm sido colocadas em prática na região. Uma delas é o programa Floresta+, que busca valorizar quem promove ações como prevenção de desmatamento e de incêndios. Com esse programa, iniciativas de proteção da vegetação nativa podem receber apoio financeiro.

Entre as áreas beneficiadas estão pequenas propriedades agrícolas, assentamentos, comunidades indígenas e Unidades de Conservação.

Outra política do governo federal que ajuda a combater o desmatamento ilegal é o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor). Ele controla e rastreia a extração de madeira e outros produtos da floresta na Amazônia Legal.

O Sinaflor também beneficia quem trabalha com a extração legal da madeira, dando mais segurança para essa atividade econômica.

Extração legal da madeira de ipê-roxo em Ferreira Gomes (AP), em 2024.

VOCÊ DETETIVE

Vamos descobrir iniciativas de proteção do meio ambiente na região Norte?

Produção coletiva. Veja orientações no Encaminhamento.

1. Com o auxílio de uma pessoa adulta, pesquisem exemplos dessas iniciativas na internet ou por meio de conversas com seus familiares. Vocês também podem entrevistar membros de organizações de sua comunidade.

2. Para apresentar os resultados, elaborem um cartaz com as iniciativas que vocês pesquisaram. Vocês podem procurar imagens e fotografias na internet, em revistas, jornais e outros materiais.

3. Com o auxílio do professor, montem um mural com todas as iniciativas pesquisadas.

Atividade complementar

BNCC

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

Organize-se

• Cartolina

• Cola

• Tesoura com pontas arredondadas

• Revistas, jornais ou imagens impressas de iniciativas ambientais na região

ENCAMINHAMENTO

25/09/2025 20:06

Nesta atividade os estudantes devem relacionar os programas apresentados (Floresta+ e Sinaflor) com a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), destacando como essas iniciativas incentivam a cidadania e a responsabilidade socioambiental. Organize a turma em grupos e peça que cada um elabore cartazes ou mapas mentais mostrando de que forma a proteção da floresta pode impactar positivamente a vida das comunidades locais e o futuro da região. Em seguida, promova uma roda de conversa para que os grupos compartilhem suas produções, ressaltando a importância da participação social na defesa do meio ambiente. A atividade mobiliza os estudantes a perceber a relação entre conservação ambiental, exercício da cidadania e qualidade de vida, em consonância com os princípios da PNEA.

Em Você detetive, auxilie os estudantes a identificar e apresentar iniciativas voltadas à proteção do meio ambiente na região Norte, como projetos de preservação de igarapés, ações de reflorestamento, programas de coleta seletiva, mutirões de limpeza e trabalhos desenvolvidos por associações comunitárias, escolas ou órgãos governamentais. Sugira que eles realizem entrevistas com familiares e moradores da comunidade que conheçam práticas locais de conservação. Peça aos estudantes que organizem os resultados de suas pesquisas em cartazes com textos e imagens, compondo um mural coletivo que valorize as diferentes iniciativas encontradas. Esse mural pode ser exposto na sala de aula ou em outros espaços da escola, promovendo a socialização do conhecimento e a conscientização ambiental em toda a comunidade escolar.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

Verifique se os estudantes se recordam de aspectos dos cultivos agrícolas e da produção agropecuária, estudados no Capítulo 1 da Unidade 3. Comente com os estudantes que os povos tradicionais, como as comunidades indígenas, ao desenvolver atividades econômicas também promovem a conservação do meio ambiente e a sustentabilidade. Exemplos como o dos povos waiwai e yanomami mostram que ganhos financeiros e conservação ambiental podem coexistir e que explorar os recursos naturais pode também ser um meio para a conservação.

Auxilie os estudantes a compreender a relação entre a atividade econômica com os costumes, culturas e práticas dos povos waiwai e yanomami. Explique que essa é uma forma de valorização do conhecimento ancestral, o que se constitui também em uma forma de resistência cultural indígena.

Reforce aos estudantes que a produção de alimentos da região Norte não se resume apenas a atividades extrativistas. Há uma participação importante da região na exportação de produtos da agricultura e da pecuária.

Os povos da floresta e a economia

Alguns dos destaques econômicos da região Norte estão ligados à grande quantidade de recursos naturais que a região apresenta.

No Pará, os Kayapó realizam a extração e o processamento de castanhas para a exportação.

Castanhas coletadas pelos indígenas kayapós em Tucumã (PA), em 2023.

Em Roraima, organizações indígenas dos povos Waiwai e Yanomami também realizam essa atividade, fundamental para o sustento de famílias, a conservação ambiental e a preservação de suas culturas indígenas. Leia o texto.

Com a força da castanha, povo waiwai cuida da floresta e do nosso futuro

Em Roraima, no período chuvoso, as famílias waiwai se reúnem e passam semanas na mata coletando castanha. Além de ser fonte de alimento, passou a ser a principal fonte de renda. [...]

As mulheres estão presentes em todos os momentos e têm papéis importantes na coleta da castanha. [...]

O papel delas é fundamental para manter o legado dos seus antepassados: a ancestralidade no manejo da castanha. Elas organizam todo o processo, desde a busca da lenha na floresta, à preparação do fogo para cozinhar e assar. Lavam, separam, descascam as castanhas para se transformarem nos mais variados pratos típicos.

ARAGÃO, Tainá. Com a força da castanha, povo waiwai cuida da floresta e do nosso futuro. Boa Vista: Instituto Socioambiental, 28 jul. 2022. Disponível em: https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/ com-forca-da-castanha-povo-wai-wai-cuida-da-floresta-e-do-nosso-futuro. Acesso em: 30 jul. 2025.

1 Por que a castanha é importante para os povos Waiwai?

A castanha é fonte de alimento, sustento de famílias, além de fazer parte da cultura waiwai.

2 O que podemos aprender com o modo como os Waiwai coletam e utilizam a castanha?

Espera-se que os estudantes respondam que é possível usar os recursos da natureza com respeito, valorizando o trabalho coletivo, os saberes passados pelos mais velhos e o cuidado com o meio ambiente.

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Sugestão para o professor

MAROCCOLO, Julianna Fernandes et al. O protagonismo de organizações indígenas na estruturação da cadeia produtiva da castanha-da-amazônia no estado de Roraima, Amazônia brasileira. Interações, Campo Grande, v. 22, n. 1, p. 19-35, 2021. Disponível em: https://www.alice. cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1132199/1/cpafro-18571.pdf. Acesso em: 18 set. 2025.

O artigo trata do protagonismo dos povos indígenas na produção da castanha-da-amazônia em Roraima.

O CAMINHO da castanha do povo indígena waiwai. Publicado por: Instituto Socioambiental. 2022. 1 vídeo (ca. 7 min). Disponível em: www.youtube.com/watch?v=ezkd3hiL87w. Acesso em: 18 set. 2026.

O vídeo mostra as etapas de trabalho envolvidas na produção de castanha e a importância desse produto para o povo waiwai.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

As atividades econômicas realizadas pelos povos da floresta frequentemente se relacionam ao manejo florestal sustentável. Essa é uma solução importante para a conservação do ambiente da região Norte, pois permite a exploração econômica de produtos da floresta protegendo sua biodiversidade e ecossistemas.

Entre as pessoas que praticam o extrativismo na região Norte, muitas fazem parte de cooperativas , que ajudam a organizar a produção e facilitam o acesso ao mercado consumidor. Um exemplo é a Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona).

Lideranças locais em Belterra, no Pará, criaram a cooperativa em 2005. Desde o início ela foi guiada por práticas de manejo florestal sustentável e comunitário. Os produtos comercializados beneficiam as famílias que vivem na Floresta Nacional do Tapajós (Flona).

3 Por que o manejo sustentável é importante para os povos da floresta e para o meio ambiente?

Porque permite tirar da floresta produtos como a castanha e o óleo protegendo as árvores, ajudando as famílias a usufruir da natureza no futuro.

4 Como as cooperativas ajudam as pessoas que vivem na floresta?

Elas ajudam organizando a produção, garantindo que todos ganhem com o trabalho e que a floresta continue sendo protegida.

DESCUBRA MAIS

COOPERATIVA de extrativista da Amazônia gera renda da floresta em pé. Publicado por: Imazon Institucional. 2024. 1 vídeo (ca. 5 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=o3h86Ok8_io. Acesso em: 30 jul. 2025.

O vídeo apresenta o trabalho realizado pela Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte. Com a comercialização de produtos como a castanha-do-pará, o cumaru, a andiroba e a pimenta indígena assîsî, é possível gerar renda para povos indígenas, quilombolas e assentados.

Sugestão para o professor

Explore com os estudantes a fotografia explicando como ela mostra o manejo florestal sustentável. Explique aos estudantes que a coleta de óleo de copaíba antes era realizada por meio de cortes feitos com machado na copaibeira. No entanto, esses cortes causavam danos graves à árvore, levando-as muitas vezes à morte. Atualmente, esse corte é feito de forma a gerar o menor impacto possível, permitindo à árvore se regenerar. Enfatize aos estudantes que, após a perfuração para retirada do óleo, a copaibeira precisa ficar um tempo em descanso para se recuperar e que isso é feito no manejo florestal sustentável.

25/09/2025 11:18

HOMMA, Alfredo Kyngo Oyama (ed.). Extrativismo vegetal na Amazônia: história, ecologia, economia e domesticação. Brasília, DF: Embrapa, 2014. Disponível em: https://www. alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1016712/1/Cap1.pdf. Acesso em: 18 set. 2025.

O documento apresenta um panorama do extrativismo vegetal na Amazônia.

MIRANDA, Katiuscia Fernandes et al. Manejo florestal sustentável em áreas protegidas de uso comunitário na Amazônia. Sociedade & Natureza, v. 32, p. 778-792, 2020. Disponível em: www.scielo.br/j/sn/a/ncCv5JbRYYMfYNXtrJD78mt/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 18 set. 2025.

O artigo apresenta dados de manejo sustentável em áreas protegidas utilizadas por comunidades tradicionais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Trabalhador da Coomflona coletando óleo de copaibeira em Belterra (PA), em 2025.

BNCC

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

Explore o tema do turismo sustentável, incentivando os estudantes a refletir sobre como essa prática pode conciliar geração de renda, preservação ambiental e valorização cultural. Explique que, na região Norte, comunidades indígenas e ribeirinhas têm se tornado protagonistas nesse tipo de turismo.

Oriente os estudantes a relacionar o conceito de turismo sustentável com o respeito às tradições locais, como a dança parixara do povo macuxi, mostrando que o turismo pode fortalecer as identidades culturais ao mesmo tempo que contribui para a conservação da natureza. Estimule-os a pensar em outras práticas culturais e ambientais de suas próprias comunidades que poderiam ser valorizadas de modo semelhante.

Turismo sustentável

A região Norte também tem protagonismo no turismo sustentável. Esse tipo de turismo gera renda para as famílias da população local, ajuda a preservar a cultura tradicional e contribui para a proteção do meio ambiente.

Turismo sustentável é um tipo de turismo que tenta diminuir os impactos negativos de suas atividades no meio ambiente e nas comunidades do lugar visitado.

Algumas ações de turismo sustentável promovem principalmente a valorização da cultura e dos modos de vida de povos indígenas e ribeirinhos.

Na comunidade indígena Raposa I Serra do Sol, em Roraima, o turismo sustentável local promove práticas que valorizam a cultura do povo macuxi e geram renda para os moradores. Leia o texto a seguir sobre o uso da dança parixara como uma das práticas do turismo sustentável dessa comunidade.

Localizada em Roraima, no município de Normandia, a Comunidade Indígena Raposa I é o território dos Macuxis, um dos povos originários que habita o solo brasileiro há gerações. A comunidade mantém sua tradição e modo de viver ancestral, buscando a valorização de sua cultura, costumes e modo de vida. Ao mesmo tempo, empenha-se no aumento de trabalho e renda para os seus moradores, um reflexo do desenvolvimento do turismo sustentável em seu território. […]

O dia amanhece cedo e o simbolismo em cada experiência traz consigo a identidade daquele povo, como a tradição da Dança Parixara e a entrada na Trilha Cultural da Cachoeira da Raposa […].

BRASIL. Ministério do Turismo. Tradições milenares e uma rica cultura: conheça mais sobre os atrativos turísticos da Comunidade Indígena Raposa I. Brasília, DF: MT, 29 fev. 2024. Disponível em: https://www.gov. br/turismo/pt-br/assuntos/noticias/tradicoes-milenares-e-uma-rica-cultura-conheca-mais-sobre-os-atrativosturisticos-da-comunidade-indigena-raposa-i. Acesso em: 10 set. 2025.

Indígenas macuxis durante dança parixara, na comunidade indígena Raposa I Serra do Sol, em Normandia (RR), em 2021.

Sugestão para o professor

EXPERIÊNCIAS do Brasil Original: depoimentos Comunidade Raposa I. Publicado por: Ministério do Turismo. 2024. 1 vídeo (ca. 9 min). Disponível em: www.youtube.com/watch? v=U7NBkJogDS8. Acesso em: 18 set. 2025.

O vídeo apresenta, por meio de depoimentos dos moradores da Comunidade Indígena Raposa I, como os indígenas se organizaram para praticar e como mantêm o turismo sustentável.

O turismo sustentável também é muito praticado no Arquipélago do Marajó, no Pará. Entre as ações promovidas, estão o incentivo ao consumo de produtos feitos no arquipélago e a valorização de manifestações da cultura, como o artesanato e o carimbó.

O Arquipélago do Marajó é o maior arquipélago fluviomarítimo do mundo e suas praias são muito procuradas e apreciadas pelos turistas.

Já o carimbó, outra atração turística importante, é uma dança com forte influência de culturas africanas e indígenas que está muito ligada à história do Arquipélago do Marajó. Leia um trecho de canção.

Eu cantei meu carimbó

Lá na ilha do Combu

Nas margens do rio Guamá

LUA Jaci. Compositora e intérprete: Dona Onete. In: BANZEIRO. Brasil: Mais um Discos, 2017. 1 CD, faixa 6.

Dona Onete em São Paulo

QUEM É?

Fluviomarítimo: banhado tanto por água de rios quanto por água do mar.

Dona Onete (1939-) é uma cantora e compositora nascida no Arquipélago do Marajó, no município de Cachoeira do Arari (PA). Conhecida como a rainha do carimbó, sua obra é patrimônio cultural imaterial paraense.

1 Qual é o objetivo do turismo sustentável na região Norte?

Gerar renda para as comunidades nortistas e contribuir para a conservação do meio ambiente e das culturas tradicionais.

2 Pesquisem uma prática de turismo sustentável em seu município ou estado. Depois, façam uma apresentação aos colegas.

Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Veja orientações no Encaminhamento.

VOCÊ DETETIVE

Espera-se que os estudantes, com a ajuda dos familiares, elejam uma personalidade que divulga a cultura da região Norte.

1. Pesquise uma manifestação artística ou uma personalidade do Norte que, assim como Dona Onete, divulga e valoriza a cultura regional.

2. Converse com seus familiares e peça ajuda para realizar esse levantamento.

3. Em uma roda de conversa, apresente o que descobriu aos colegas.

Sugestão para o professor

MULHERES no carimbó: ocupação Dona Onete. Publicado por: Itaú Cultural. 2023. 1 vídeo (ca. 9 min). Disponível em: www.youtube.com/watch?v=zbStm4I71wc. Acesso em: 18 set. 2025. Com base no exemplo de Dona Onete, o vídeo apresenta como as mulheres saíram de uma posição de coadjuvantes para protagonistas no carimbó, posição que antes era reservada aos homens.

ENCAMINHAMENTO

Apresente o exemplo do turismo sustentável no Arquipélago do Marajó, no Pará, destacando como a valorização de manifestações culturais, como o artesanato e o carimbó, fortalece a identidade da comunidade e atrai visitantes de forma responsável.

1. Espera-se que os estudantes identifiquem e pesquisem uma prática de turismo sustentável existente no município ou estado em que vivem, destacando como ela contribui para a preservação ambiental, a geração de renda e a valorização das culturas locais. Combine um dia para que todas as duplas possam apresentar o exemplo de turismo sustentável pesquisado. Os estudantes podem apresentar a pesquisa que realizaram de forma oral, se possível exibindo imagens do que foi pesquisado. Eles podem agrupar essas informações em um cartaz ou em uma apresentação por meio de slides , por exemplo. Proponha uma roda de conversa para que discutam quais práticas parecem mais interessantes e quais das experiências turísticas apresentadas pelos colegas gostariam de vivenciar. A atividade busca estimular a reflexão sobre como o turismo pode ser uma ferramenta de transformação social e ambiental na própria comunidade.

(SP), em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

1. c) Os estudantes devem responder que as maiores concentrações populacionais da região Norte estão nas capitais estaduais e seus arredores. Eles também podem apontar maior presença de pessoas no leste do Pará.

2. a) Os estudantes devem explicar que o processo de formação do país, com base na escravidão, excluiu diversos grupos sociais, entre eles os africanos escravizados e seus descendentes. Mesmo após a abolição da escravidão, a população negra permaneceu à margem da sociedade brasileira, sem acesso à educação e a empregos, além de sofrer discriminação racial. Isso se reflete até hoje na renda dessa população. b) Espera-se que os estudantes indiquem que, além dos negros, a população indígena e as mulheres também apresentam rendimentos inferiores. Eles podem explicar que a população indígena sofreu por muitos anos com a exclusão social e a falta de acesso a direitos básicos. Eles também podem citar que as mulheres foram excluídas por muito tempo das decisões políticas no país e que muitas vezes eram impedidas de trabalhar.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1. a) Os estudantes devem responder que a região Norte apresenta baixa densidade demográfica. Eles podem apontar que grande parte da região apresenta densidades de menos de 10 pessoas por km².

1 Analise o mapa a seguir.

Brasil: densidade demográfica (2022)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar . 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 118.

2 Leia o texto.

a) De acordo com o mapa, a região Norte do Brasil tem alta ou baixa densidade demográfica em comparação com as outras regiões?

b) De acordo com o mapa, onde está situada a maior parte da população do Brasil?

c) Onde existe maior densidade demográfica na região Norte? Você pode utilizar direções cardeais para indicar.

Em áreas próximas ao litoral. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [...] mostra que as pessoas brancas têm um rendimento mensal quase duas vezes maior do que as negras.

ALMEIDA, Pauline. Brancos têm rendimento cerca de 40% maior do que negros, mostra pesquisa do IBGE. CNN Brasil, Rio de Janeiro, 11 nov. 2022. Disponível: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/ macroeconomia/brancos-tem-rendimento-cerca-de-40-maior-do-que-negros-mostra-pesquisa-do-ibge/. Acesso em: 15 ago. 2025.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) O que pode explicar a diferença de rendimentos entre pessoas brancas e negras em todo o Brasil?

b) Quais outros grupos sociais da região Norte sofrem com a desigualdade social? Explique.

Sugestão para os estudantes

BRANCOS têm rendimento cerca de 40% maior do que negros, mostra IBGE: expresso CNN. Publicado por: CNN Brasil Economia. 2022. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=WmOjkfRfqyQ. Acesso em: 8 out. 2025.

O vídeo, que apresenta dados sobre a disparidade entre os rendimentos de pessoas negras e pessoas brancas, pode ser apresentado aos estudantes como um complemento à realização da atividade 2

25/09/2025 11:18

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

3 Observe a fotografia.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) A imagem mostra problemas sociais de grande relevância. Quais são eles?

b) O que pode ser feito para solucionar os problemas retratados na fotografia?

1. Avalie sua participação individual e de seu grupo durante as aulas. Utilize a escala:

Respostas pessoais de acordo com a autoavaliação dos estudantes.

Sim.    Um pouco.    É preciso melhorar.

Avaliação do meu trabalho individual

a) Consegui entender o conteúdo?

b) Consegui cumprir as tarefas?

c) Consegui explicar minhas ideias quando solicitado?

d) Consegui colaborar com meu grupo?

Avaliação do trabalho em grupo

a) Conseguiram cumprir as tarefas?

b) Conseguiram ouvir a opinião dos outros com respeito?

c) Conseguiram trabalhar de forma colaborativa?

Sugestão para o professor

3. a) Os estudantes devem responder que a fotografia mostra uma moradia precária em área sem infraestrutura, como limpeza pública, coleta de resíduos e serviços de saneamento básico, como coleta de esgoto.

b) Os estudantes podem responder que o poder público tem o dever de fornecer infraestrutura para a população que vive nessa área, como prover coleta de resíduos e esgoto e limpeza pública. Eles também podem sugerir que as pessoas sejam realocadas para moradias dignas, em áreas com infraestrutura.

25/09/2025

AGUIAR, Jonathan Fernandes; MAIA, Maria Vitória Campos Mamede. Autoavaliação colaborativa nos anos iniciais do Ensino Fundamental: “é avaliar junto, é fazer atividade junto”. Pesquiseduca, Santos, v. 10, n. 22, set./dez. 2018. Disponível em: https://periodicos.unisantos. br/pesquiseduca/article/view/764. Acesso em: 8 out. 2025.

Com base em relatos de estudantes dos anos iniciais, os autores propõem uma reflexão sobre a importância de realizar autoavaliações de forma colaborativa.

Moradia sobre palafitas e córrego contaminado por esgoto em Manaus (AM), em 2025.

Referências bibliográficas comentadas

ABRAMOVAY, R. Amazônia : por uma economia do conhecimento da natureza. São Paulo: Elefante, 2019.

O livro critica o modelo predatório de ocupação da Amazônia, que tem o desmatamento como alicerce, e defende uma economia mais sustentável.

BECKER, B. K. As Amazônias : ensaios sobre geografia e sociedade na região amazônica. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2015. v. 1.

O livro reúne textos importantes da geógrafa Bertha K. Becker sobre a Amazônia, com destaque para análises da geopolítica e da gestão territorial. A autora interpreta a região como espaço estratégico para o Brasil, marcado por fronteiras em constante transformação.

LIVRO DO ALUNO

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 31 jul. 2025.

O documento visa garantir as aprendizagens essenciais que devem ser desenvolvidas por todos os estudantes durante a educação básica.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada . Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/crianca-alfabetizada. Acesso em: 31 jul. 2025.

O documento apresenta possibilidades didáticas ao professor para recomposição das aprendizagens, visando garantir a alfabetização de todos os estudantes brasileiros até o 2o ano do ensino fundamental.

DAL’ASTA, A. P.; AMARAL, S.; MONTEIRO, A. M. V. Um modelo para a representação espaço-temporal do fenômeno urbano na Amazônia Contemporânea. Políticas Públicas & Cidades , Curitiba, v. 5, n. 2, p. 17-37, 2017.

O artigo propõe um modelo explicativo do fenômeno urbano na Amazônia através de três sistemas: os elementos materiais, as mudanças realizadas e os valores difundidos no espaço urbano.

FREIRE, S. Amazonês : expressões e termos usados no Amazonas. 2. ed. Manaus: Valer, 2017.

O livro reúne um conjunto de expressões e termos típicos da região Norte, principalmente do estado do Amazonas. Além disso, apresenta uma discussão sobre o preconceito linguístico e a necessidade de valorização da diversidade da língua portuguesa.

GARNELO, L. Especificidades e desafios das políticas públicas de saúde na Amazônia. Cadernos de Saúde Pública , Rio de Janeiro, v. 35, n. 12, p. e00220519, 2019.

O artigo apresenta os desafios que a saúde enfrenta na Amazônia, como as grandes distâncias geográficas, a heterogeneidade socioambiental e a deficiência na oferta dos serviços.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Censo 2022 . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/ panorama. Acesso em: 27 jul. 2025.

O site apresenta os principais dados do censo mais recente da população brasileira. As informações permitem análises sobre a distribuição territorial e o crescimento populacional, entre outras.

INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA AMAZÔNIA. Gestão florestal : produtos florestais não madeireiros. Manaus: Idesam, 2018.

A cartilha informativa apresenta o potencial econômico e ambiental dos produtos florestais não madeireiros da Amazônia. O material busca fortalecer a economia local, gerar renda para comunidades tradicionais e incentivar a conservação da floresta.

RAMOS, C. de M.; BATISTA, R. E. C.; IAPARRA, A. I. “Mandioca dos índios”: narrativas e memórias das relações inauguradas entre humanos e plantas na fronteira Oiapoque (Amapá-Brasil). Revista de História da UEG , Morrinhos, v. 12, n. 2, p. e222313, 2023.

O artigo aborda o processo de domesticação da mandioca através da narrativa dos povos indígenas Palikur e Wajãpi. SILVA, V. V. da; SILVA, R. G. da C. Amazônia, fronteira e áreas protegidas: dialética da expansão econômica e proteção da natureza. Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 25, p. 1-21, 2022.

O artigo discute a tensão entre a expansão das fronteiras econômicas e a conservação ambiental na Amazônia, com foco nas áreas protegidas.

VENÂNCIO, M.; CHELOTTI, M. C. Colonização e apropriação do território amazônico: a exploração das “drogas do sertão” e a mão de obra indígena. GeoNordeste , São Cristóvão, ano 34, n. 1, p. 41-54, jan./jun. 2023.

O texto aborda a colonização da Amazônia no século 16 e a estratégia portuguesa da exploração das drogas do sertão para proteção do território contra invasões estrangeiras.

ORIENTAÇÕES GERAIS

LIVRO REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Este Livro do professor parte da compreensão de que a ideia de região é mais do que um conceito geográfico: é um ponto de partida para pensar a educação com identidade, pertencimento e diálogo com o território. Ao tratar da região Norte, não falamos apenas de uma área no mapa, mas de um espaço vivido e construído por diferentes povos — indígenas, quilombolas, ribeirinhos, migrantes, caboclos extrativistas e pessoas urbanas — cujas histórias e modos de vida moldam a paisagem e a cultura locais.

A proposta deste material regionalizado é valorizar a diversidade do Norte em suas múltiplas dimensões: física, humana, social e simbólica. A floresta, os rios, os campos, o cerrado, as ilhas e as cidades aparecem não apenas como paisagens, mas como espaços que expressam relações históricas entre as comunidades e a natureza.

A compreensão da região Norte pela perspectiva interdisciplinar é essencial para fortalecer a identidade e o sentimento de pertencimento dos estudantes ao território em que vivem. A História e a Geografia, ao dialogarem entre si, revelam como povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, migrantes e populações urbanas construíram modos de vida que se entrelaçam com a floresta, os rios e as cidades. Essa leitura é ampliada com a contribuição de outros componentes curriculares: as Ciências da Natureza ajudam a entender a biodiversidade que sustenta a cultura alimentar e os saberes tradicionais; a Matemática possibilita interpretar dados sobre população e economia; as Linguagens, como Língua Portuguesa e Arte, registram, narram e celebram as manifestações culturais e revelam práticas comunitárias que também são marcas da identidade nortista.

Dessa forma, o estudo da região Norte não se limita a uma descrição de paisagens ou fatos históricos, mas se transforma em uma experiência formativa que valoriza a diversidade e dá sentido ao aprendizado. A interdisciplinaridade permite aos estudantes perceber a região como um espaço vivo e em constante transformação, no qual seus modos de falar, de se alimentar, de festejar, de se locomover e de se organizar socialmente fazem parte de um patrimônio coletivo. Ao integrar as diferentes áreas do conhecimento, a escola fortalece vínculos entre passado e presente, entre natureza e cultura, e contribui para que cada estudante se reconheça como sujeito ativo na construção da identidade regional e nacional.

Cruzeiro do Sul (AC), em 2020.

PRESSUPOSTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA OBRA

A construção deste livro se alicerça na história da região Norte do Brasil. No entanto, nem sempre a historiografia atribuiu relevância para a história regional. Foi apenas no fim da década de 1980 que a história regional passou a figurar em pesquisas e trabalhos. Em grande parte, por conta de uma nova maneira de se pensar a história que surgiu na França em 1929 e ficou conhecida como Nova História. A história local ou regional aproxima o historiador do seu objeto de estudo, ou seja, da região, do estado e do município e deixa de buscar temas distantes para se aproximar de processos históricos que acontecem em espaços mais próximos (SILVA, Luis Carlos Borges da. A importância do estudo de história regional e local no ensino fundamental. In : SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 27., 2013. Rio Grande do Norte. Anais [...]. Rio Grande do Norte, 2013. Disponível em: http://snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1372277415_ ARQUIVO_Artigo-HistoriaRegional_NATAL_.pdf. Acesso em: 6 out. 2025).

Para que a aprendizagem seja significativa, é necessário que os estudantes percebam no livro didático o retrato da história, do espaço e da cultura de sua região, ou seja, da região Norte. Contudo, não se trata aqui de privilegiar apenas a história de nossa região, esquecendo-nos de contextos mais abrangentes. A intenção é destacar a importância dos processos históricos importantes para a população nortista, sem esquecer sua relação com a história do Brasil e do mundo. O que se busca é a inversão do papel que geralmente a história da região Norte ocupa em outros materiais didáticos: o papel secundário. Nesta obra, a nossa região, a nossa população e a nossa cultura serão protagonistas.

A função deste livro é ser mais uma ferramenta para que você e os estudantes não discutam apenas uma história e um espaço distantes ― com personagens que não fazem parte de seu contexto ―, mas que também se enxerguem como protagonistas da história de sua cidade, de seu estado e de nossa região. Para isso, o processo de ensino e aprendizagem pode ser enriquecido com visita a arquivos públicos e particulares, pesquisa em atas de câmaras de vereadores, jornais, monumentos, fotografias, músicas regionais e diversas outras fontes históricas. Este livro oferece possibilidades para que você, professor, seja o guia desse processo, tendo como base a experiência regional nortista que já possuímos.

Além disso, a construção deste livro se apoia na compreensão de que a Geografia é uma ciência fundamental para ler criticamente a realidade e o espaço vivido, concebido e percebido. No caso da região Norte, como seus rios, florestas, cidades e campos, essa perspectiva torna-se ainda mais necessária, pois aqui o espaço geográfico revela a profunda relação entre sociedade e natureza, expressa nas práticas de povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, migrantes e populações urbanas. Ao tratar da região, parte-se do princípio de que o espaço não é apenas um recorte físico ou natural, mas um território vivo, carregado de significados, identidades e pertencimentos.

Metodologicamente, o ensino da Geografia aqui proposto articula diferentes escalas de análise, pois parte do espaço local ao global, sempre valorizando a realidade dos estudantes. As atividades priorizam a observação, a descrição, a análise e a reflexão crítica, com uso de mapas, gráficos, imagens e textos. Já as práticas interdisciplinares dialogam com a História, as Ciências da Natureza, a Matemática, a Arte e a Língua Portuguesa. Alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), este livro garante a abordagem da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena, fundamentais para a compreensão da diversidade da região Norte. Além disso, dialoga com as Diretrizes para a Educação Ambiental (Resolução CNE/CEB nº 2/2012), reconhecendo a Floresta Amazônica, os rios e a biodiversidade como elementos que estruturam modos de vida, saberes tradicionais e desafios socioambientais que caracterizam o povo nortista. Dessa forma, a proposta pedagógica fortalece a identidade dos estudantes e contribui para a formação de cidadãos críticos, conscientes de seu pertencimento e de sua responsabilidade no cuidado com a região Norte e com o Brasil (CALLAI, Helena Copetti. Estudar o lugar para

compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (org.). Ensino de geografia: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2002. p. 83-95; CASTELLAR, Sônia. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Contexto, 2007; SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996).

Nos anos iniciais da educação básica é fundamental despertar nos estudantes as noções temporais, como duração, simultaneidade, mudanças e permanências. É importante ter em mente que noções complexas como essas são estabelecidas por meio de um processo de aculturação, do qual faz parte o livro didático e a escolarização em curso (SCHMIDT, Maria Auxiliadora Moreira dos Santos; CAINELLI, Marlene. Ensinar História. São Paulo: Scipione, 2009). A literatura especializada recomenda que o alcance dessas noções pelos estudantes seja realizado a partir da comparação de diferentes períodos históricos e expressões como durante, enquanto, ao mesmo tempo que para que se familiarizem com relações entre diferentes contextos, com o reconhecimento de semelhanças e diferenças, permanências e transformações sociais, econômicas e culturais. Outra ferramenta valiosa é o trabalho com fatos e espaços perto da realidade dos estudantes, que aqui se constitui na história da região Norte. O protagonismo da história local apresenta benefícios imediatos e aumenta o potencial de aprendizagem, com atividades que podem ser desenvolvidas de forma coletiva com pesquisas no espaço vivenciado pelos estudantes e sua comunidade, demonstrando de uma forma mais palpável a constituição de fontes históricas e o processo da construção da narrativa histórica (SCHMIDT, Maria Auxiliadora Moreira dos Santos; CAINELLI, Marlene. Ensinar História . São Paulo: Scipione, 2009; OTTO, Clarícia. O ensino de História nos primeiros anos de escolarização: produzir e mediar conhecimentos. In: CARVALHO, Diana et al. Relações interinstitucionais na formação de professores. Araraquara: Junqueira & Marin; Florianópolis: Fapeu, 2009. p. 167-185; BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2009; OLIVEIRA, Sandra Regina de. O tempo, a criança e o ensino de História. In: ROSSI, Lúcia Sabongi de; ZAMBONI, Ernesta (org.). Quanto tempo o tempo tem! 2. ed. Campinas: Alínea, 2005. E-book; OLIVEIRA, Sandra Regina de. Os tempos que a História tem... In: BRASIL. Ministério da Educação. História: ensino fundamental. Brasília, DF: SEB, 2010. (Coleção explorando o ensino). p. 35-58).

É indispensável também que o primeiro plano constituído pela experiência regional seja articulado com o contexto nacional e global, fornecendo aos estudantes as ferramentas necessárias para que perceba a história acontecendo em sua região, mas que também relacione essa história da qual faz parte àquela que se desenrola em outras partes do Brasil e do mundo (BERGAMASCHI, Maria Aparecida. O tempo histórico no ensino fundamental: estudos sociais: outros saberes e outros sabores. Porto Alegre: Mediação, 2002).

Dessa forma, o aprendizado histórico dos estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental deve ser alicerçado na realidade e no espaço mais próximos e, a partir dessa base, são realizadas conexões, comparações e reflexões que abarquem outros espaços e experiências. Isso não quer dizer que a realidade local tenha complexidade menor, mas sim que a reflexão histórica dos estudantes nortistas acione elementos importantes para a identidade da população da região, como sua história, sua formação étnico-racial e sua cultura.

Tempo, espaço e memória

A obra foi organizada com o objetivo de promover uma aprendizagem significativa, situada e crítica, conectando os estudantes à realidade da região Norte e aos seus modos de vida. A estrutura do livro segue uma progressão temática por unidades e capítulos, cada um com propostas que articulam saberes escolares aos conhecimentos do território. Os conteúdos foram pensados para dialogar com as habilidades da BNCC e respeitam a progressão dos anos iniciais do ensino fundamental, com atividades que favorecem o desenvolvimento da autonomia, da investigação e do pertencimento.

A abordagem do tempo , espaço e memória percorre toda a obra de forma integrada. O tempo é compreendido não apenas como cronológico, mas como vivência histórica e cultural: os estudantes são convidados a refletir sobre permanências e transformações em suas comunidades, tradições e experiências familiares. O espaço é tratado a partir do lugar vivido, com ênfase nas paisagens naturais e humanas da Amazônia, nas relações entre cidade, campo, floresta e rios, e nas formas diversas de ocupação e organização dos territórios. A memória, por sua vez, é mobilizada como ferramenta de construção da identidade, valorizando relatos orais, narrativas locais e histórias de vida, essenciais para compreender o presente e projetar o futuro. Ao longo da obra, textos, imagens, boxes conceituais, atividades e sugestões de práticas (com e sem o uso de tecnologia) foram cuidadosamente planejados para valorizar as experiências dos estudantes e reforçar o vínculo entre escola e comunidade. A proposta pedagógica parte do local para o global, promovendo um olhar atento às realidades da região Norte e fortalecendo o papel da escola como espaço de diálogo entre saberes tradicionais e científicos, entre o tempo vivido e o tempo aprendido.

Com isso, a essência da presente obra são as especificidades, a identidade e a cultura da região Norte. Nessa construção, consideramos tanto valores simbólicos (comidas, costumes, língua e suas variações, entre outros) como sociais (a memória, o tempo e o espaço).

A região Norte é entendida como uma junção cultural de identidades e memórias que se entrelaçam no espaço amazônico através do tempo: é composta de variadas identidades e, por isso, também de diferenças. Aqui, coexistem ribeirinhos, caboclos, indígenas, negros, brancos, homens e mulheres, que muitas vezes vieram de outras regiões em busca de melhores condições de vida. É preciso ultrapassar a noção de demarcação territorial, ou seja, a delimitação dos limites e fronteiras da região Norte: trata-se de um mosaico que une as experiências vivenciadas por todos os estados que a compõem, no entanto, também é importante demarcar as diferenças existentes entre as diversas realidades vivenciadas em cada estado e em cada município (HAESBAERT, Rogério. Região, diversidade territorial e globalização. GEOgraphia, [s. I.], v. 1, n. 1, p. 15-39, 1999).

Existe em nossa região uma experiência compartilhada que, segundo Edward Thompson, é inerente à consciência e à cultura dos sujeitos de determinada comunidade. Por isso, é preciso considerar a existência de história, formação étnico-racial e cultura que fazem parte da realidade do povo nortista e que foram construídas pela população amazônica (THOMPSON, Edward. A miséria da teoria: ou um planetário de erros. Tradução: Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar, 1981).

Neste livro, serão abordados pontos importantes para a constituição da experiência compartilhada nortista, ou seja, os aspectos físicos do território, a natureza amazônica, a cultura, as sociabilidades e as memórias daqueles que vivem nessa parte do país.

A relação da população nortista com espaço amazônico é historicamente construída e conforma o modo de vida dos habitantes da região, inclusive nas grandes cidades, relacionando-se intimamente com o curso dos rios, o ritmo de chuvas, as plantas e os frutos característicos do Norte, os animais silvestres presentes nesse espaço etc. Desse modo, a relação da população nortista com a natureza se apresenta como um bem imaterial e cultural (ANDRADE, Francisca Marli Rodrigues de; GÓMEZ, José Antonio Caride. Educação ambiental e formação docente na Amazônia brasileira: contextos universitários e realidades cotidianas. Rev. Diálogo Educ ., Curitiba, v. 17, n. 55, p. 1598-1618, out. 2017).

Assim, é necessária a reflexão sobre como os diferentes grupos sociais nortistas se apropriam dos espaços na região e os associam a uma identidade específica, que se destrincha em diversas representações sobre o território amazônico. A representação de espaço para os estudantes terá como referências os locais que delineiam a identidade cultural de suas comunidades e que permeiam o seu cotidiano, como escola, igrejas, postos de saúde, pontes etc.

Também serão essenciais nesse processo de reconhecimento os elementos naturais, como a importância da disposição das águas dos rios e igarapés, que intercalam maré baixa e alta;

com os ciclos produtivos da região e o clima que varia entre verão e inverno amazônicos, entre outros aspectos. Além disso, são importantes os aspectos culturais e simbólicos das comunidades nortistas como as festas, as tradições do lugar, as situações de conflitos e problemas sociais, além dos problemas ambientais que existem no território (LIMA, Marcos Vinícius da Costa; COSTA, Solange Maria Gayoso da. Cartografia social das crianças e adolescentes ribeirinhas/quilombolas da Amazônia. Geografares , n. 12, 2012. Disponível em: https://periodicos. ufes.br/geografares/article/view/3189. Acesso em: 2 out. 2025).

A região Norte também emerge como um polo estratégico na preservação do meio ambiente e na sustentabilidade, em muito decorrente da relação de suas populações tradicionais com a natureza, em um cenário no qual o meio ambiente vem sofrendo grande impacto em todo o planeta (ANDRADE, Francisca Marli Rodrigues de; GÓMEZ, José Antonio Caride. Educação ambiental e formação docente na Amazônia brasileira: contextos universitários e realidades cotidianas. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 17, n. 55, p. 1598-1618, out. 2017).

Essa relação histórica, social e cultural com a natureza da população nortista emerge como um ponto de resistência. Nesse sentido, as práticas pedagógicas voltadas a esse aspecto podem ser uma importante ferramenta de resistência social, cultural e ambiental, tornando-se um ponto de partida para reflexões didáticas e pedagógicas que atrelem a dimensão simbólica nortista com a defesa do território e da natureza amazônica (ANDRADE, Francisca Marli Rodrigues de; GÓMEZ, José Antonio Caride. Educação Ambiental e formação docente na Amazônia brasileira: contextos universitários e realidades cotidianas. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 17, n. 55, p. 1598-1618, out. 2017).

A relação com a natureza e com o espaço geográfico também se entrelaça com a memória coletiva, pois muitas vivências do passado individual acabam se imbricando com elementos do passado coletivo (HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva . 2. ed. São Paulo: Centauro, 2013; BENJAMIN, Walter. A modernidade e os modernos. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2000). Memória e história estão atreladas à comunidade local e à regional e são acionadas pelos currículos que abarcam os anos iniciais do ensino fundamental. É nessa etapa que os estudantes precisam reconhecer as pluralidades e as diferenças existentes em suas comunidades, a partir de práticas e estratégias didáticas que recuperem a memória e a história da realidade conhecida por eles.

Nesse sentido, é fundamental que a escola, as práticas e as metodologias que dela emergem sejam um terreno fértil para a valorização da pluralidade, pertencimento étnico-racial e experiências sociais dos estudantes. Assim, o bairro e a escola podem ser ponto de partida para que se familiarizem com diferentes fontes históricas das quais fazem parte registros e memórias, história oral, imagens e fotografias, reportagens impressas ou em audiovisual, entre outras. É essencial que as memórias e os conhecimentos prévios dos estudantes sejam tratados como registros históricos e que haja protagonismo deles em relação à construção dessa história. A investigação dessa história mais próxima e a exposição de diferentes formas de recuperar esse passado devem ser estimuladas nos anos iniciais do ensino fundamental (ZUCCHI, Bianca Barbagallo. O ensino de História nos anos iniciais do ensino fundamental: teoria, conceitos e uso de fontes. São Paulo: SM, 2012).

Nesse sentido, é essencial que os estudos históricos e geográficos tenham como ponto de partida a realidade vivenciada pelos estudantes, na qual tem curso a história e a formação de memórias individuais e coletivas. Tal direcionamento tem como objetivo a percepção e o reconhecimento dos estudantes como sujeitos históricos e sociais que atuam e modificam a realidade nortista. Com isso, nesta obra, a base do ensino da História e da Geografia se torna a realidade e o espaço mais próximos dos estudantes, tornando a dimensão regional nortista o plano principal das práticas educativas e pedagógicas que versam sobre as Ciências Humanas.

Reflexões sobre região e história local

Neste ponto da obra, é importante conceituar história regional e história local. José D’Assunção Barros propõe uma conceituação específica para cada um desses conceitos. A história regional seria “um lugar integrado a um sistema [...] com sua própria dinâmica interna, suas regras, sua totalidade interna” e a história local seria um “espaço que se liga a outra espacialidade mais ampla” (BARROS, José D’Assunção. História local e história regional: a historiografia do pequeno espaço. Revista Tamoios, São Gonçalo, v. 18, n. 2, p. 48, 2022). Como você vê, ambas as definições são importantes no estudo da região Norte; visto que nos possibilita, por um lado, entender a dinâmica especifica do âmbito local (cidades, bairros, comunidades) com suas particularidades e contradições e, por outro, permite analisar delimitações maiores (como estados e áreas mais abrangentes) e perceber a região Norte como integrante da nação brasileira.

Segundo Circe Bittencourt, a história regional adquire especial importância nos anos iniciais do ensino fundamental, pois o currículo concede mais espaço para o trato da história da região (BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2009). Nesse sentido, é importante delimitar e aprofundar a história e as características específicas da região Norte e, ao mesmo tempo, estabelecer diálogos como territórios mais abrangentes, como o país, a América e o mundo. Esse processo de aproximação entre o Norte e outros espaços fomenta a base para a compreensão da história e do espaço como esferas que se conectam, interferem uma na outra e se modificam mutuamente.

Para isso, é importante consideramos a região Norte um espaço que ultrapassa o aspecto geográfico, mas que congrega outros aspectos fundamentais para a construção de uma identidade regional, como a cultura, a história e a formação étnico-racial. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins compartilham especificidades que os congregam como uma região, cada um desses estados apresenta particularidades e características que os tornam únicos, o que também podemos dizer das cidades que formam esses estados e assim por diante. Logo, embora seja correto afirmar que existe uma identidade regional compartilhada por todos os estados da região, é necessário ressalvar que dentro desse enorme tecido social existem também realidades particulares e múltiplas. Com isso, podemos refletir sobre a diversidade regional nortista como um cosmo que abriga dentro de si diversos microcosmos tão numerosos quanto as diversas realidades existentes na região Norte (HAESBAERT, Rogério. Região, diversidade territorial e globalização. GEOgraphia, [s. I.], v. 1, n. 1, p. 15-39, 1999).

Além disso, é importante destacar que o conceito de região apresenta uma grande polissemia, não apenas nas significações teóricas, mas no próprio senso comum. Por isso, é importante delimitar o sentido adotado nesta obra para um conceito tão abrangente. A região aqui estudada se refere para além de um recorte espacial, formado pelos estados do Acre, Amapá Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Também nos remetemos às culturas, às identidades e às vivências que existem nesses espaços, que convergem em uma experiência vivenciada pelos habitantes nessa parte do país. Entretanto, esses mesmos aspectos podem apresentar diferenças e desigualdades nos diversos tecidos sociais que formam o que denominamos região Norte. Nesse sentido, é essencial demarcar as práticas sociais que delimitam e particularizam o conceito de região de acordo com o espectro em que é utilizado. O conceito de região deve se alinhar com a análise das relações de poder, do modo de produção e das relações sociais que se estabelecem no território em questão. Para isso, é necessário ter em vista a escala mais adequada como fenômeno geográfico, tendo em vista outros elementos para além do parâmetro espacial. É necessário, portanto, abordar também a constituição histórica do espaço analisado para que se reflita a complexidade do conceito de região (NÓBREGA, Pedro Ricardo da Cunha. Reflexões didáticas sobre o conceito de região na Geografia. Revista Tamoios , v. 11, n. 1, p. 107-130, 2015).

Tendo em vista que a própria definição de região advém de uma ação regionalizadora (ou seja, de um processo em que a homogeneidade é usada pelo pesquisador para obter uma abstração resultante de uma ação administrativa e burocrática), são necessários alguns cuidados para que a discussão não se limite a generalizações ou simplificações das características espaciais e humanas do espaço em questão.

Tendo isso em vista, podemos apontar que “a região, no limite, é concebida como um arranjo de características culturais entre um grupo social e um conjunto de lugares. A região é um conjunto de apropriações realizadas a partir de elementos simbólicos que revelam uma conexão dos indivíduos com a terra que ocupam” (NÓBREGA, Pedro Ricardo da Cunha. Reflexões didáticas sobre o conceito de região na Geografia. Revista Tamoios , v. 11, n. 1, p. 118, 2015). Com isso, pode se referir aos estados que formam a região Norte, mas pode abrigar também outras possibilidades dentro desse macrocosmo nortista. É a identidade cultural que vai conectar os habitantes desse enorme território, mas também são elementos dessa identidade cultural que podem diferenciar uma pessoa que vive no Acre de outra que mora em Roraima, por exemplo.

É preciso destacar também que, diante de um processo de globalização frenética, a existência de uma regionalização ― com fatores espaciais e similaridades culturais que formam a identidade de determinado espaço ― passa a ser ferramenta de resistência em um cenário em que homogeneizar torna-se regra. Por isso, é indispensável perceber o conceito de região como um instrumento para destacar a agência de indivíduos que fazem parte do cotidiano da comunidade escolar, abarcando as trajetórias e a reprodução material de um contexto maior, abarcado pela região Norte.

Tendo como base essa discussão, sugerimos que, ao tratar do conceito de região com os estudantes, destaque-se que a região Norte, embora apresente características espaciais e humanas que permitem a regionalização desse espaço, apresenta diferenças e particularidades pertencentes aos espaços abarcados pela denominação de região. Por isso é importante destacar como o microcosmo constituído por estados, cidades e bairros, entre outros, são espaços que compartilham características com o todo nortista, bem como apresentam especificidades únicas que podem não ser compartilhados por todo o tecido social da região Norte.

Assim, a região congrega aspectos naturais (como o bioma amazônico), econômicos (atrelados à produção e à circulação de pessoas e mercadorias, como o extrativismo e a pecuária desenvolvidas no Norte), políticos (como as reivindicações de representatividade no cenário nacional) e étnico-raciais (demarcados pela luta e forte presença dos povos tradicionais na região).

Outro conceito importante no estudo da região são as escalas. Com isso, propomos diálogos entre a esfera regional e a nacional, incluindo o movimento inverso. É possível, por exemplo, relacionar acontecimentos e problemáticas locais a ações e movimentos que acontecem na esfera nacional. Pode-se discutir sobre os povos tradicionais, principalmente as comunidades indígenas da região, que têm protagonismo na luta, em âmbito nacional, por preservação ambiental, demarcação de terras e respeito a direitos já conquistados. Em relação à conexão entre o nacional e o local, pode-se destacar movimentos e políticas que abrangem todo o território nacional e são incorporados e ressignificados no espaço nortista. As políticas ambientais são um exemplo disso, visto que são traduzidas de modo distinto para nossa região, ainda que tenham sido pensadas para todo o território nacional. Ademais, segundo Roberto Corrêa, o conceito de região ― junto com os conceitos de espaço, território, lugar e paisagem ― compõe a base científica da Geografia (CORRÊA, Roberto Lobato. Espaço: um conceito-chave da Geografia. In : CASTRO, Iná Elias de et al . Geografia : conceitos e temas. 15. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012, p. 15-47). Nesse sentido, o trabalho com o conceito de região deve evocar os princípios lógicos da Geografia, isto é,

localização, distribuição, rede, conexão, extensão, delimitação e escala geográfica (MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em Geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2015). O princípio de localização existe desde as primeiras civilizações e fornece resposta para o lugar onde as coisas e as situações se posicionam. Esse princípio possibilita o entendimento de diferentes fenômenos espaciais protagonizados pelos seres humanos no território.

Por conseguinte, a distribuição é um princípio que envolve a organização do espaço geográfico por meio das práticas que constroem a espacialidade em que as ações são praticadas em um lugar específico. Esse princípio ancora a discussão de fenômenos geográficos distribuídos de diversas formas, assim como as práticas sociais realizadas nesses espaços. Dessa forma, na educação básica esse princípio deve ser utilizado unindo e articulando os aspectos sociais e naturais para que os estudantes tenham acessos a uma interpretação espacial abrangente, que inclui fenômenos sociais e naturais (LUZ NETO, Daniel Rodrigues Silva; LEITE, Cristina Maria Costa. Elementos constituintes do raciocínio geográfico: uma discussão teórica para a educação básica. Revista Signos Geográficos, v. 3, p. 1-17, 2021).

Além disso, o princípio de rede, desenvolvido desde a Revolução Industrial, possibilita realizar conexões entre fenômenos econômicos, políticos e culturais em um determinado espaço geográfico. Com as novas tecnologias, essas conexões são simultâneas e estabelecem um novo tipo de relação. Assim, o princípio de rede permite a reflexão sobre as relações espaciais e pode ser utilizado na sala de aula para auxiliar os estudantes na articulação entre diversos conceitos geográficos, conformando um entendimento das dinâmicas espaciais e a compreensão de uma realidade globalizada (LUZ NETO, Daniel Rodrigues Silva; LEITE, Cristina Maria Costa. Elementos constituintes do raciocínio geográfico: uma discussão teórica para a educação básica. Revista Signos Geográficos, v. 3, p. 1-17, 2021).

Também é importante evocar o princípio da conexão , que abarca a articulação e a interligação entre fenômenos em uma cadeia de causa e efeito. Sendo assim, a reflexão em torno de uma região não pode se limitar apenas aos aspectos referentes a esse espaço específico; deve também considerar dinâmicas e processos que acontecem em todo o mundo. Ao refletir sobre a região Norte, é indispensável também abordar fenômenos e aspectos exógenos que se relacionam e interferem na dinâmica regional (LUZ NETO, Daniel Rodrigues Silva; LEITE, Cristina Maria Costa. Elementos constituintes do raciocínio geográfico: uma discussão teórica para a educação básica. Revista Signos Geográficos, v. 3, p. 1-17, 2021).

O princípio da extensão possibilita a compreensão do tamanho e da grandeza da região Norte e auxilia a análise de um espaço geográfico de dimensão tão extensa que não pode ser entendido por uma análise superficial. Nesse sentido, o princípio de extensão se alia ao de delimitação, recurso fundamental para a análise dos fenômenos que acontecem em uma região tão grande como a nortista. Assim, tais conceitos permitem ao professor recortar uma fração do espaço e da realidade correspondente a ele, para posteriormente articulá-lo com a totalidade da região (LUZ NETO, Daniel Rodrigues Silva; LEITE, Cristina Maria Costa. Elementos constituintes do raciocínio geográfico: uma discussão teórica para a educação básica. Revista Signos Geográficos, v. 3, p. 1-17, 2021).

Por fim, o princípio da escala geográfica é essencial na prática pedagógica para que os estudantes entendam e reflitam sobre os diversos níveis geográficos, como a esfera local, regional, nacional e global. Assim, a escala permite que os fenômenos estudados na dimensão local e regional também estejam atrelados às dimensões nacional e global. Com a escala, que compreende também os desdobramentos sociais e naturais do espaço geográfico, permite-se que os estudantes localizem, relacionem e sintetizem dinâmicas espaciais em diversas dimensões (LUZ NETO, Daniel Rodrigues Silva; LEITE, Cristina Maria Costa. Elementos constituintes do raciocínio geográfico: uma discussão teórica para a educação básica. Revista Signos Geográficos, v. 3, p. 1-17, 2021).

Em suma, todos os princípios mencionados são bases do raciocínio geográfico na educação e permitem a contextualização espacial dos fenômenos e a reflexão sobre a realidade vivenciada tanto em nível regional quanto nacional e mundial.

Tendo em vista a necessidade da análise concomitante entre a perspectiva local, regional, nacional e global para a construção de uma sociedade mais democrática, é necessária a discussão de diferentes realidades e sujeitos (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Brasília, DF: SEB, 2018). Assim, devemos romper com a perspectiva eurocêntrica, que concede protagonismo apenas ao homem branco, europeu e colonizador e coloca em um papel secundário todos os outros sujeitos, inclusive aquele proveniente de uma realidade regional específica, como a da região Norte. Na construção de um ensino de História mais democrático, a memória se torna um instrumento poderoso que, por meio da oralidade, perpassa as experiências e lembranças individuais que também conformam a realidade coletiva de determinado espaço. Assim, a história oral, a partir de memórias individuais, concede protagonismo a sujeitos que antes não tinham voz (GOMES, Joelton Rezende; PIMENTA, Jussara Santos. Pesquisa-ação, memória e oralidade: perspectivas para o ensino de história. Debates em Educação, v. 17, n. 39, p. e16889-e16889, 2025).

A história oral pode ser utilizada nas práticas pedagógicas por meio do abandono de práticas que limitam a história ao protagonismo de grandes nomes, datas e períodos específicos, excluindo sujeitos histórica e economicamente minorados, como a população negra, os povos indígenas, as mulheres e outros que, em geral, são ignorados por uma história tradicional. Para romper com o ensino de História que não permite aos indivíduos se reconhecerem como artífices dos processos estudados, é necessário que os sujeitos da realidade vivenciada na comunidade, na escola e em outros ambientes sejam postos em evidência. Nesse processo de subversão, a história oral é fundamental para dar voz às pessoas que fazem parte da realidade cotidiana dos estudantes. Isso se dá por meio do contato com experiências e memórias de pessoas próximas, como pais, avós e outros familiares, além de adultos presentes na realidade dos estudantes. Nesse sentido, esta obra procurou adicionar, entre as atividades e reflexões propostas, a participação ativa de pessoas e familiares que cercam o estudante, assim como suas experiências e memórias que também fazem parte da história da comunidade, da cidade, do estado e da própria região Norte.

Com isso, estimula-se o confronto entre duas perspectivas distintas: uma moldada pela historiografia oficial, também presente nesta obra, e outra moldada pelas experiências e memórias de pessoas comuns, no que Edward Thompson chamou de história vista de baixo (THOMPSON, Edward. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos . Tradução: Alexandre Fortes e Antônio Luigi Negro. Campinas: Unicamp, 2001). O entrelaçamento entre essas duas perspectivas possibilita aos estudantes se perceberem como sujeitos nos processos históricos estudados. Para além disso, essa prática permite ultrapassar a simples assimilação de informações, levando os estudantes a também acrescentar, ratificar ou contestar as informações apresentadas. Assim, a utilização da história oral em sala de aula não significa ignorar as narrativas consolidadas pela historiografia, mas acrescentar novas perspectivas e experiências.

Sendo assim, as ferramentas até aqui expostas visam fornecer possibilidades para que o estudo do espaço e da história da região Norte seja realizado de modo a conceder protagonismo e autonomia aos estudantes. É no reconhecimento do pertencimento e da agência de si próprios e das pessoas em seu entorno na construção do espaço e da história que os estudantes adquirem autonomia intelectual para a crítica e a construção em uma sociedade mais democrática e pautada na justiça social.

ESTRUTURA DA BNCC

A BNCC é o documento normativo que define as aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica. As aprendizagens essenciais devem assegurar o desenvolvimento das dez competências gerais da educação básica a fim de que os estudantes “contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 8).

Ao tratar dos anos iniciais do ensino fundamental, a estrutura da BNCC inclui unidades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades. Veremos, a seguir, uma parte desse conteúdo.

COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4. Utilizar diferentes linguagens ― verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital ―, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10 . Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 9-10.

Na BNCC, o ensino fundamental está organizado em cinco áreas do conhecimento. Cada área de conhecimento estabelece competências específicas que explicitam como as competências gerais se aplicam na área.

Para o livro regionalizado de História e Geografia, destacamos as competências específicas de Ciências Humanas.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS

PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.

2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo.

3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social.

4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.

6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 357.

Manaus (AM), em 2023.

No ensino fundamental, a área de Ciências Humanas abriga os componentes curriculares de História e de Geografia. Para cada um desses componentes curriculares, há as competências específicas do componente. Acompanhe, a seguir, as competências específicas de História.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA

PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.

2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.

3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.

4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.

6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica.

7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 402.

Tefé (AM), em 2025.

Cada componente curricular apresenta um conjunto de habilidades. Tais habilidades estão relacionadas a objetos de conhecimento que, por sua vez, são estruturados em unidades temáticas. A seguir, você encontra as habilidades de História selecionadas para o livro regionalizado.

História – 3º ano BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 410-411.

Unidades temáticas Objetos de conhecimento Habilidades

As pessoas e os grupos que compõem a cidade e o município

O “Eu”, o “Outro” e os diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a cidade e os municípios: os desafios sociais, culturais e ambientais do lugar onde vive

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

O lugar em que vive

Os patrimônios históricos e culturais da cidade e/ou do município em que vive

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.)

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

A produção dos marcos da memória: formação cultural da população

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

A noção de espaço público e privado A cidade, seus espaços públicos e privados e suas áreas de conservação ambiental

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

Agora, acompanhe as competências específicas de Geografia.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE GEOGRAFIA

PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas.

2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história.

3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.

4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas.

5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia.

6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza.

7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 366.

A seguir, você encontra as habilidades de Geografia selecionadas para o livro regionalizado.

Geografia – 3º ano

Unidades temáticas Objetos de conhecimento

O sujeito e seu lugar no mundo

A cidade e o campo: aproximações e diferenças

Conexões e escalas Paisagens naturais e antrópicas em transformação

Habilidades

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

Mundo do trabalho Matéria-prima e indústria (EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

Natureza, ambientes e qualidade de vida

Impactos das atividades humanas

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

Geografia – 4º ano

Unidades temáticas

O sujeito e seu lugar no mundo

Conexões e escalas

Objetos de conhecimento

Território e diversidade cultural

Habilidades

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

Processos migratórios no Brasil (EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

Relação campo e cidade

Unidades político-administrativas do Brasil

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

Territórios étnico-culturais (EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

Mundo do trabalho Trabalho no campo e na cidade (EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

Formas de representação e pensamento espacial

Sistema de orientação (EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

Elementos constitutivos dos mapas

Geografia – 5º ano

Unidades temáticas

O sujeito e seu lugar no mundo

Formas de representação e pensamento espacial

Objetos de conhecimento

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

Habilidades

Dinâmica populacional (EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

Diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

Mapas e imagens de satélite (EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.

Representação das cidades e do espaço urbano (EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.

Natureza, ambientes e qualidade de vida

Gestão pública da qualidade de vida (EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

Livro regionalizado e a BNCC

O objetivo da BNCC constituiu-se na uniformização dos currículos de todo o Brasil e no acesso de todos os estudantes a conteúdos mínimos, complementados por uma parte diversificada. Contudo, antes da BNCC, já na década de 1990, outros documentos procuraram delimitar um denominador comum para os currículos. Entre essas políticas estão os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), ainda em vigor. Com essas normativas, já é possível entrever uma proposta de currículo nacional que apontava para um processo de centralização da educação com parâmetros curriculares e as avaliações institucionais.

A construção da BNCC começou ainda em 2014, resultando na formulação, em 2018, da terceira e última versão, que se encontra em vigor em todos os estados e munícipios. Segundo o Plano Nacional de Educação (PNE), o ensino deveria ser composto por 60% de conteúdos comuns e 40% de conteúdos que abarcassem as especificidades regionais, isto é, uma parte diversificada. No caso desta obra, a parte diversificada é composta da experiência compartilhada por pessoas da região Norte: história e geografia regionais, formação étnico-racial singular, diversidade territorial e cultura local (GONÇALVES, Andressa da Silva. Os currículos nortistas à luz da BNCC: a educação para as relações étnico-raciais no ensino de História nos anos finais do ensino fundamental na região Norte (2015-2022). Belém: Home, 2025).

Nesse sentido, as diretrizes da BNCC são claras ao prescreverem que a parte comum deve garantir os conteúdos mínimos para todos os estudantes da rede pública em qualquer parte do país. Da mesma forma, a parte diversificada deve assegurar que a identidade e a cultura das diferentes regiões sejam incorporadas à educação básica.

Propomos, assim, que a presente obra seja uma ferramenta para que a cultura nortista tenha o devido espaço nos anos iniciais do ensino fundamental. Assim, a parte diversificada pode se transformar em uma ferramenta para que escolas e professores tenham um papel central em pensar o currículo aplicado no cotidiano escolar dos estados da região Norte. Ao longo desta obra, busca-se delinear a especificidade da identidade regional a partir da diversidade territorial, de permanências e mudanças históricas, de expressões e tradições regionais de campos e cidades nortistas, da diversidade do povo nortista ― composta por indígenas, afro-brasileiros, ribeirinhos, quilombolas, descendentes de europeus ― e das reivindicações e movimentos sociais protagonizados pelo povo nortista.

Dunas do Jalapão, em Mateiros (TO), em 2025.

Tais temas serão tratados tendo a diversidade regional como protagonista das reflexões encaminhadas, sem deixar de realizar os diálogos necessários com outros estados e regiões para contextualizar a temática trabalhada.

O raciocínio histórico-geográfico é favorecido por meio do trabalho integrado das habilidades selecionadas para o livro regionalizado e da exploração dos Temas Contemporâneos Transversais (TCT), estimulando a observação, a pesquisa, a reflexão e o diálogo, elementos essenciais para a formação de cidadãos conscientes e protagonistas. O esquema a seguir apresenta os TCT, de acordo com a BNCC:

Meio ambiente

Educação Ambiental

Educação para o consumo

Ciência e Tecnologia

Ciência e Tecnologia

Economia

Trabalho

Educação Financeira

Educação Fiscal

TCT

Multiculturalismo

Diversidade Cultural

Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasilerias

Saúde

Saúde

Educação Alimentar e Nutricional

Cidadania e civismo

Vida Familiar e Social

Educação para o Trânsito

Educação em Direitos Humanos

Direitos da Criança e do Adolescente

Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso

Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Temas contemporâneos transversais na BNCC: proposta de práticas de implementação 2019. Brasília, DF: SEB, 2019. p. 7. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br images/implementacao/guia_pratico_temas_contemporaneos.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

Somado a isso, há o compromisso de apoiar o desenvolvimento de habilidades de Educação Digital e Midiática ao utilizar, sobretudo nas atividades de pesquisa, habilidades dos três eixos da BNCC da Computação: Pensamento computacional, Mundo digital e Cultura digital.

PAPEL DO PROFESSOR E AS AULAS

Nesta obra, o professor é compreendido como sujeito ativo na construção do conhecimento, com papel essencial na valorização da cultura, da memória e dos saberes do território onde atua. Mais do que aplicar conteúdos, ele atua como mediador entre o conhecimento sistematizado e a realidade dos estudantes, exercendo sua prática com escuta, sensibilidade e intencionalidade pedagógica. No contexto amazônico, esse papel ganha ainda mais relevância, pois o professor é muitas vezes a principal referência de acesso ao conhecimento crítico, científico e cultural na comunidade. Ao planejar suas aulas com base nesta obra, o professor tem liberdade para explorar os conteúdos para além do livro, adaptando-os à realidade local, às experiências dos estudantes e às especificidades do território. Ele é incentivado a incorporar histórias da comunidade, saberes tradicionais, práticas coletivas, eventos locais e conhecimentos transmitidos oralmente por gerações. Seu domínio sobre o conhecimento regional e sua capacidade de contextualizar os temas fazem com que o ensino ganhe sentido e pertencimento.

É muito importante que o professor reflita sobre a própria prática, pois, a partir disso, constrói-se a identidade docente. Mais do que planejar conteúdo ou conduzir atividades, o professor precisa analisar continuamente a relação com os estudantes, de que maneira suas escolhas pedagógicas contribuem para a aprendizagem de acordo com cada contexto social e como sua postura diante da turma pode favorecer o desenvolvimento dela. Nesse movimento de reflexão permanente, o docente vivencia a educação como um processo de diálogo, no qual tanto o educador quanto os estudantes aprendem, se transformam e constroem sentidos para o mundo em que vivem.

Ao pensar sua prática no contexto da região Norte, o professor deve considerar a diversidade cultural, social e linguística presente na sala de aula. Cada estudante traz consigo histórias de vida, saberes tradicionais, memórias familiares e modos próprios de compreender o território. Reconhecer e valorizar essas diferenças fortalecem o sentimento de pertencimento e cria um ambiente de respeito mútuo, no qual todos podem se expressar e aprender. Refletir sobre a prática significa, portanto, indagar-se sobre como esses saberes entram na aula, como se relacionam com o conhecimento escolar e de que forma contribuem para formar sujeitos críticos e conscientes.

O papel social do professor vai além da transmissão de conteúdos: ele é mediador de experiências, facilitador de encontros e construtor de pontes entre a escola e a comunidade. Sua atuação envolve responsabilidade ética e compromisso com a formação integral dos estudantes, considerando não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também a formação cidadã e a valorização das identidades locais, elemento tão importante na perspectiva da região Norte.

Nesse processo, torna-se evidente que a função da escola não é apenas preparar para avaliações ou conteúdos formais, mas formar cidadãos capazes de compreender a si mesmos, de valorizar sua história e de agir coletivamente para transformar a realidade. Quando o professor analisa sua prática com esse olhar, fortalece o sentido da educação como bem comum e como direito de todos, promovendo a escola como espaço de pertencimento, diálogo e construção democrática do conhecimento.

O livro serve como apoio, mas é o olhar do professor que transforma as páginas em caminhos de diálogo com o território que se ocupa — os rios, as florestas, as cidades, os mercados, as festas, os modos de falar e de viver da região Norte. As escolhas metodológicas, as escutas e a abertura ao território permitem aos estudantes aprender com o mundo que os cerca e se reconhecer como parte dele.

Nesse sentido, o professor é também um agente de valorização da cultura local, fortalecendo identidades e construindo pontes entre os saberes escolares e os saberes da comunidade. Sua prática contribui para formar sujeitos críticos, enraizados em sua realidade e conscientes do valor de sua história, de sua língua, de suas lutas e de seu território.

Professor pesquisador

Ser professor na região Norte requer assumir um importante papel na atividade de pesquisa, que vai além do ambiente acadêmico ou das universidades: é a pesquisa do cotidiano ― no bairro, na comunidade ―, junto aos moradores e a todos que, de alguma forma, atuam nesses espaços. Mais do que ensinar conteúdos prontos, é papel do professor estimular os estudantes a investigar, observar, registrar e refletir sobre o lugar onde vivem, fazendo com que a prática docente se torne cada vez mais viva, conectada à realidade e profundamente enraizada na história e na geografia locais. Entre os caminhos possíveis para essa investigação estão os arquivos públicos, nos quais podem ser encontrados documentos oficiais, registros de fundação de municípios, mapas e relatórios que revelam como o território foi organizado e transformado ao longo do tempo. Já em arquivos particulares, muitas vezes guardados por famílias ou instituições religiosas, é possível acessar cartas, diários e fotografias que mostram aspectos íntimos da vida cotidiana, memórias de trabalho e tradições familiares que ajudam a compreender o modo de ser das comunidades nortistas.

Outro recurso precioso são os livros de ata das Câmaras de Vereadores. Esses documentos permitem acompanhar as decisões políticas locais, os debates sobre infraestrutura, educação, saúde e meio ambiente. Ao consultar essas atas, o professor e seus estudantes podem perceber como as escolhas políticas moldaram o espaço urbano e rural da região. Os jornais também se destacam como fonte, pois registram o que foi considerado relevante em diferentes épocas, desde anúncios publicitários e festas até notícias de enchentes, epidemias, obras públicas ou movimentos sociais. A análise de reportagens permite discutir tanto o conteúdo explícito quanto as visões e os valores de cada período.

As fotografias e os monumentos oferecem outra porta de entrada para a investigação. Uma fotografia antiga pode mostrar como uma praça, um mercado ou uma rua foram transformados com o passar do tempo. Já os monumentos ajudam a entender o que uma comunidade escolheu lembrar e homenagear: heróis locais, fatos históricos, lutas sociais ou símbolos culturais. Questionar por que certos personagens são celebrados e outros silenciados é um exercício importante para estimular a leitura crítica do espaço público.

A história oral também ocupa lugar de destaque. Ouvir os mais velhos da comunidade, mestres de saberes tradicionais, pescadores, agricultores e líderes comunitários é uma forma de acessar memórias que não estão nos livros. Essas entrevistas podem revelar histórias de migração, modos de trabalho, festas, lutas e crenças que compõem a identidade regional. O professor, ao promover essas escutas, mostra aos estudantes que cada indivíduo é portador de saberes e que a oralidade é uma fonte legítima de conhecimento.

Há ainda os livros de memorialistas, que registram lembranças pessoais ou coletivas sobre cidades e comunidades. Eles oferecem narrativas ricas sobre a vida cotidiana, costumes e transformações urbanas e rurais. O mesmo ocorre com filmes e músicas, que carregam representações simbólicas da região: canções que falam dos rios, das florestas e da vida nas cidades; filmes e documentários que revelam modos de viver e de lutar dos povos amazônicos. Trabalhar com essas produções culturais em sala de aula amplia a sensibilidade e conecta os estudantes a linguagens diversas.

Por fim, o cotidiano das pessoas também é uma fonte acessível e muito significativa. Observar como a comunidade se organiza, quais tradições preserva, como utiliza o espaço, o que celebra em suas festas e o que consome em sua alimentação é uma forma poderosa de compreender a identidade local. Ao trazer essas observações para a sala de aula, o professor ajuda os estudantes a perceberem que sua vida, sua família e sua comunidade também fazem parte da história e da geografia da região e, por conseguinte, do país.

Assumir-se como professor pesquisador não significa ter todas as respostas, mas estar aberto a fazer perguntas com os estudantes e a buscar informações nas múltiplas fontes disponíveis. Cada documento, relato ou objeto da cultura pode ser uma chave para compreender o presente e interpretar o passado. O professor que adota essa postura oferece aos estudantes não apenas conhecimento, mas também a experiência de investigar, refletir e se reconhecer como parte da história e do território em que vive.

Organização do trabalho de campo e de entrevistas

No ensino de História e de Geografia que ultrapasse a simples transmissão de conhecimento, estratégias pedagógicas são fundamentais para uma aprendizagem significativa e que abarque o espaço e o cotidiano dos estudantes. Entre essas estratégias estão a educação patrimonial e o diálogo com a história local por meio das memórias e das experiências das pessoas que fazem parte da comunidade (HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. Fundamentos da educação patrimonial. Ciências & Letras: revista da Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras. Porto Alegre: Fapa, n. 27, p. 25-35, jan./jun. 2000. (Educação e patrimônio histórico-cultural); INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Educação patrimonial: histórico, conceitos e processos. Brasília, DF: Iphan, 2014).

Visitas a espaços de memória

Recomendamos que as visitas guiadas a espaços de memória ― museus, casas de memória, centros de ciências, entre outros ― sejam conectadas com o assunto trabalhado em sala de aula. Veja algumas etapas para que esta prática pedagógica seja produtiva.

• Planejamento: Depois de definir o local, é importante estabelecer os objetivos de aprendizagem. Por exemplo, ao visitar um museu você pode definir como objetivo a comparação entre o presente e o passado de uma cidade ou um bairro. Além disso, é recomendado um contato prévio com o local para agendar o dia e o horário da visita.

• Contextualização: É importante introduzir o tema central da visita ainda em sala de aula, com os estudantes, assim como a história e as características do espaço a ser visitado. Estabeleça também um roteiro de observação e compartilhe com os estudantes.

• Visitação : Durante a visita, é importante orientar os estudantes sobre regras e respeito ao espaço e a outros visitantes. Guie-os por meio de perguntas e comentários sobre os objetos mais importantes.

• De volta à sala de aula: É produtivo que, depois da visita, haja a consolidação do aprendizado por meio da socialização das experiências. Essa etapa pode ser feita por meio de exposição, mural, seminários ou releituras do que foi visto.

Realizando entrevistas

As entrevistas são a base da história oral, que reconstitui, por meio de experiências e memórias de pessoas da comunidade, a história local. Além disso, fomentam uma aprendizagem significativa em que os estudantes percebem as pessoas de seu cotidiano participando ativamente da história. Para isso, sugerimos algumas etapas:

• Planejamento: Defina o tema a ser investigado, por exemplo, a história da escola, do bairro ou da comunidade. Estabeleça quem serão as pessoas entrevistadas, que podem ser avós, pais, líderes da comunidade, entre outros. Defina também o formato em que serão realizadas as entrevistas, que podem ser presenciais ou por meio de chamada ou videochamada, com intermediação do professor.

• Orientação dos estudantes : Elabore com os estudantes um roteiro de perguntas. Tente incluir perguntas abertas, cujas respostas ultrapassem o simples sim ou não. É importante dividir as tarefas: quem fará as perguntas ao entrevistado, quem anotará ou gravará, entre outras. Finalmente, oriente os estudantes a serem educados com os entrevistados.

• A entrevista: Durante a entrevista, garanta que o local esteja silencioso e confortável. Além disso, é importante que você seja o mediador, realizando as apresentações, atentando-se para possíveis desvios de foco e redirecionamentos.

• Análise e divulgação : Em posse da gravação ou das anotações, explique que esse material também é uma fonte histórica, relevante na constituição da história oral. Promova uma discussão sobre as informações e as memórias acessadas nesse processo e realize a socialização dos resultados por meio de um mural de memórias, de um podcast, de uma linha do tempo, entre outros recursos.

Linguagem cartográfica

A Cartografia é uma linguagem fundamental para compreender o espaço e, na educação básica, atua como mediadora da construção do conceito de região. Como lembra Castrogiovanni, mapas não são apenas representações técnicas, mas formas de ver e interpretar o mundo (CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos et al. (org.). A Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: AGB, 1998). Ao utilizá-los em sala de aula, o professor possibilita que os estudantes visualizem as paisagens que os cercam e entendam que cada mapa revela escolhas, recortes e olhares sobre a realidade. Na região Norte, a Cartografia ganha papel ainda mais significativo, pois permite visualizar a organização da vida em meio a rios, florestas, cidades e áreas rurais. Por meio dela, os estudantes compreendem a dimensão da região, percebendo sua vastidão e podendo comparar sua área a outros territórios, o que evidencia a importância do Norte dentro do Brasil e no cenário mundial. Mapas históricos e atuais ajudam a identificar permanências e transformações, enquanto croquis e mapas mentais revelam como cada comunidade percebe e representa seu próprio espaço.

Dessa forma, a Cartografia possibilita desenvolver o raciocínio geográfico, tornando os estudantes capazes de relacionar o espaço local ao regional, ao nacional e ao global. Mais do que técnica, o uso de mapas em sala de aula fortalece a identidade nortista, amplia a noção de pertencimento e mostra que a região não é apenas um recorte oficial, mas um espaço de vida, memória e cultura. Ao compreender a grandeza e a diversidade do Norte por meio da Cartografia, os estudantes constroem uma visão crítica e sensível sobre seu território e sua inserção no mundo.

Formas de organização da turma

No que se refere à organização da turma, podem-se utilizar estruturas além do modelo enfileirado. Existem outras possibilidades que podem dinamizar as práticas pedagógicas, oferecendo protagonismo aos estudantes e potencializando sua participação no processo de aprendizagem. Essas alternativas vão ao encontro do que Paulo Freire chamou de educação libertadora, visto que os estudantes têm mais facilidade para contribuir dialogicamente nas aulas que rompem com o processo em que o professor deposita o saber e os estudantes recebem sem que haja a modificação do saber (FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005).

A sala de aula pode se modificar de acordo com o momento e com a prática pedagógica em curso. A seguir, enumeram-se algumas possibilidades.

Meia-lua ou U: o formato favorece o contato entre o professor e os estudantes, além de favorecer atividades que utilizem a lousa. Essa organização prioriza o contato visual entre os sujeitos presentes na sala de aula e estimula diálogos coletivos, sem que o professor perca a atenção da turma. Sugere-se esse formato para práticas pedagógicas em que ocorram diálogos, apresentações, reuniões e palestras.

Duplas ou trios: essa organização favorece um contato maior e mais direto entre os estudantes, porque possibilita a colaboração, o auxílio mútuo, a comunicação e a troca de ideias. Estimula a aprendizagem individual e coletiva, o contato físico e de ideias e o trabalho conjunto dos estudantes. Também pode favorecer atividades de produção de texto, discussão de ideias e resolução de problemas.

Grupos com quatro ou mais: nesse tipo de organização, a sala é dividida em grupos maiores para favorecer a interação e a colaboração entre os estudantes e a construção conjunta de ideias ou proposições. Nesse formato é profícuo formar grupos de estudantes com habilidades e características diferentes para que a interação seja mais colaborativa e diversa. Esse formato é recomendado em trabalhos em grupo, debates, projetos e outras dinâmicas.

Educação inclusiva

A educação inclusiva é uma abordagem educacional que busca garantir que todos os estudantes tenham acesso à educação de qualidade, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, intelectuais, sociais ou culturais. De acordo com a Política Nacional de Educação Especial, trata-se de uma modalidade que perpassa todos os níveis e etapas de ensino, assegurando a matrícula e a participação do público-alvo da Educação Especial (BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: MEC; São Paulo: Semesp, 2020).

• Estudantes no Transtorno do Espectro Autista (TEA): transtorno do neurodesenvolvimento que pode trazer prejuízo nas áreas de comunicação, socialização e/ou comportamento.

• Estudantes com altas habilidades ou superdotação: transtorno do neurodesenvolvimento em que o indivíduo manifesta elevado potencial, seja em uma área específica ou de forma combinada (intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade).

• Estudantes com deficiências: prejuízos e/ou impedimentos em diferentes esferas, que podem ser físico, intelectual, mental ou sensorial.

A Política Nacional de Educação Especial (PNEE) também está alinhada ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante o direito à educação em igualdade de condições e oportunidades, assegurando um “sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida” (BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência. 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019. p. 19).

Mais do que cumprir uma obrigação legal, incluir é um compromisso ético e social que transforma a escola em um espaço mais democrático e humano. Escolas inclusivas preparam cidadãos capazes de conviver com a diversidade, respeitar diferentes formas de ser e aprender e contribuir para uma sociedade mais justa. A inclusão não é um ato pontual, mas um processo contínuo de transformação da cultura escolar, que exige reflexão, planejamento e abertura para mudanças.

Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde pode ser instrumento de auxílio para o professor, pois oferece uma visão ampla do estudante, considerando suas capacidades, limitações e o impacto do ambiente em sua formação (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Lisboa, 2004. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/arquivos/CIF.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025).

Com a CIF, observa-se:

• o que o estudante consegue realizar de forma independente;

• o que realiza com apoio;

• o que ainda não consegue realizar

Para que as adaptações das aulas sejam realmente eficazes, é fundamental que o professor reconheça em qual momento da aprendizagem o estudante se encontra. Isso significa observar não apenas o conteúdo que ele já domina, mas também as habilidades que ainda está desenvolvendo e aquelas que exigem apoio mais intenso.

Adaptações dos espaços de aprendizagem

Independentemente da infraestrutura escolar disponível, é possível promover melhorias no ambiente para favorecer a inclusão, como as sugestões a seguir.

• Mobiliário: acessível: mesas e cadeiras adaptadas para diferentes necessidades, que podem ser confeccionadas ou ajustadas com o apoio da comunidade.

• Circulação livre: retirar obstáculos, facilitar acesso a todos os espaços e prever áreas de apoio.

• Recursos visuais e táteis: mapas táteis, sinalização em braile, pictogramas e cores contrastantes para facilitar orientação pela escola.

• Controle de estímulos: uso de cortinas, painéis acústicos ou cantos tranquilos para estudantes com sensibilidade sensorial.

• Áreas multifuncionais: espaços que permitam o trabalho individual e em grupo, com flexibilidade para diferentes atividades.

Mesmo pequenas mudanças, como reorganizar a sala de aula para melhorar a circulação das pessoas ou criar cantos temáticos de aprendizagem, podem gerar grande impacto na participação e no conforto dos estudantes.

Preparação para o acolhimento

Para que a inclusão seja efetiva, é necessário preparar não apenas o espaço, mas também as pessoas, conforme as sugestões a seguir.

• Conhecer o histórico e as características do estudante, ouvindo a família e, sempre que possível, ele próprio.

• Adaptar o planejamento, considerando diferentes formas de acesso ao conteúdo.

• Utilizar metodologias ativas que permitam múltiplas formas de participação e expressão.

• Estimular a colaboração entre os colegas, criando um clima de apoio mútuo. Com a turma, é importante promover rodas de conversa, atividades de sensibilização e trabalhos cooperativos, construindo uma cultura de respeito.

Envolvimento de toda a comunidade escolar

Para que seja sustentável, a inclusão precisa da participação de toda a comunidade escolar.

• Gestores: garantem formações, articulam recursos e lideram o processo de mudança.

• Famílias: compartilham informações sobre o estudante e fortalecem a parceria escola-casa.

• Estudantes: aprendem a valorizar a diversidade e a colaborar com os colegas.

• Comunidade: pode apoiar com recursos, voluntariado e parcerias, como doações de materiais ou adequações físicas simples.

Essa rede de apoio amplia o alcance das ações inclusivas e fortalece o sentimento de pertencimento, essencial para que todos participem plenamente da vida escolar.

Inclusão de outros públicos

Além dos estudantes amparados na NEE, muitos outros podem ser público de um olhar inclusivo e atento por parte da escola. Crianças com outros transtornos, como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia, Transtorno Opositor Desafiador, crianças estrangeiras, estudantes LGBTQIAP+, estudantes em situação de vulnerabilidade social, cultural e econômica são alguns exemplos.

Adaptações como inspiração.

As orientações e adaptações sugeridas neste livro do professor, ao longo das orientações específicas, foram elaboradas para inspirar, não para impor modelos fechados. Cada estudante e cada comunidade escolar têm características e realidades próprias, e é natural que uma sugestão precise ser modificada ou substituída por outra mais adequada ao contexto.

Indicações de leitura

BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: MEC; São Paulo: Semesp, 2020. Documento orientador que estabelece princípios, diretrizes e ações para a inclusão. Essencial para compreender a base normativa da inclusão no Brasil.

LACERDA, Lucelmo. Autismo: compreensão e práticas baseadas em evidências. Curitiba: Marcos Valentin de Souza, 2020. Apresenta evidências científicas que podem ampliar as possibilidades de manejo e organização das aulas.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015. O livro aborda a educação inclusiva, discutindo os passos necessários para implantá-la e ressaltando suas vantagens.

Recursos de adaptação

Na sequência, apresentamos algumas dicas que podem auxiliar a adaptar as propostas e o uso do livro para diferentes necessidades de aprendizagem.

• Identifique o nível de letramento e alfabetização em que os estudantes se encontram e invista em práticas voltadas à fluência leitora.

• Permita que o livro didático seja utilizado por todos os estudantes, adaptando as propostas ao nível de cada um. Por exemplo, se não sabem ler e escrever com fluência, permita que leiam e identifiquem palavras simples, ou mesmo letras, nos textos. Incentive também a compreensão dos temas trabalhados nos capítulos, para ampliação de repertório e engajamento.

• No caderno do estudante, adapte os enunciados das questões para que sejam curtos e diretos, mantendo apenas o comando principal de cada tarefa.

• Classifique, de acordo com as potencialidades de cada estudante, as atividades que ele consegue fazer sozinho e as que consegue fazer com apoio, incentivando a autonomia, de forma gradativa.

• Em caso de existência de diversas propostas que visam ao desenvolvimento da mesma habilidade, escolha as que são essenciais para aquele momento.

• Se o estudante não consegue realizar nenhuma das propostas do livro sobre determinado assunto, sugira outras atividades no caderno, elaboradas de acordo com o Plano Educacional Individualizado (PEI), que permitam o desenvolvimento do mesmo conteúdo por meio de diferentes linguagens.

PEI é o planejamento individualizado para cada estudante que necessita de adaptações em seu currículo. Ele é elaborado por uma equipe multiprofissional.

• Elimine os estímulos distratores para o estudante, por exemplo, colando notas adesivas, que são facilmente removidas, sobre o texto da página, de modo que o estudante analise primeiro as imagens e, depois, somente o texto.

• Faça com o estudante o planejamento da rotina do dia, além de combinados sobre qual será o reforçador de recompensa ao terminar a meta diária.

• Em alguns casos, ofereça o livro já aberto na página proposta para que o estudante não se desorganize em função da ordem numérica.

• Gerencie um comando por vez, se a atividade propuser mais de um. À medida que o estudante conseguir desempenhar um comando, explique o próximo.

• Leituras longas podem ser apresentadas com sequências de imagens e leituras em voz alta para auxiliar o processamento visual e auditivo.

• Relacione as informações do material ao dia a dia, ao lugar de vivência e à realidade dos estudantes.

Esses são possíveis caminhos de adaptação do material, visando ao atendimento do maior público de estudantes, que podem ser utilizados como inspiração para a realidade e as necessidades locais.

Palmas (TO) em 2022.

Desenho Universal da Aprendizagem

A proposta do Desenho Universal da Aprendizagem (DUA) é aproximar o planejamento diário do professor a todos os estudantes. Um planejamento inclusivo é aquele que permite estratégias que contemplem todos os estilos de aprendizagem por meio de uma aula que possibilite a construção do conhecimento por diferentes caminhos.

O objetivo do DUA é proporcionar a todos os discentes, com ou sem necessidades educacionais especiais, oportunidades iguais de aprendizagem, independentemente de suas habilidades, necessidades e competências (OLIVEIRA, Ray. Desenho universal para aprendizagem. Sala de Recursos Revista, 18 out. 2022. Disponível em: https://saladerecursos.com.br/desenhouniversal-para-aprendizagem/. Acesso em: 31 ago. 2025).

Nesse contexto, para que a personalização do ensino aconteça, precisamos refletir sobre “o que” da aprendizagem; o “como” da aprendizagem; e o “porquê” da aprendizagem (CAST. Universal Design for Learning guidelines. Wakefield: Cast, 2011). Essa visão considera que cada um de nós tem um perfil de aprendizagem singular, portanto, aprendemos por diferentes vias. A partir do DUA, entendemos que existem vias, instrumentos, recursos e propostas pedagógicas que são inclusivas ao atenderem às necessidades de toda a turma, e não apenas de uma parcela.

A neuroplasticidade e as janelas de oportunidade são, nesse contexto, dois fatores que devem ser ponderados no planejamento inclusivo. A neuroplasticidade é a capacidade que o sistema nervoso tem, em nível celular, de se modificar através da experiência, o que revela a importância dos estímulos corretos, a partir das janelas de oportunidade, ou seja, do investimento de habilidades, considerando os marcos do neurodesenvolvimento (FUENTES, Daniel (org.). Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2014). Dessa forma, um planejamento na perspectiva especial-inclusiva leva em conta os seguintes princípios:

1. Proporcionar múltiplos meios de envolvimento.

Estimular o interesse dos estudantes e motivá-los para a aprendizagem recorrendo a múltiplas formas.

2. Proporcionar múltiplos meios de representação.

Apresentar a informação e o conteúdo em múltiplos formatos para que todos tenham acesso.

3. Proporcionar múltiplos meios de ação e expressão.

Permitir formas alternativas de expressão e de demostração das aprendizagens.

Elaborado com base em: CAST. Universal Design for Learning. c2025. Disponível em: https://www.cast.org/impact/universal-design-for-learning-udl. Acesso em: 5 out. 2025.

O caminho proposto pelo DUA para o engajamento diário e as relações construídas em sala de aula é o uso de recursos diversos que permitam o reconhecimento, a promoção e o envolvimento de todos os estudantes diante das aprendizagens e do desenvolvimento de habilidades. O estudo contempla a perspectiva inclusiva com base no Desenho Universal da Aprendizagem, abordando os conceitos e as ideias centrais da teoria.

ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM

As variadas formas de avaliação têm como principal função coletar dados que auxiliem professor e estudantes no desenvolvimento de competências e habilidades. Assim, no fim do processo educativo, os estudantes podem compreender e aplicar o conteúdo exposto. A avaliação é essencial também para o professor, que poderá verificar se as estratégias, as metodologias e os materiais aplicados estão trazendo os resultados esperados. Além disso, a avaliação da aprendizagem deve ser incorporada ao longo do processo de ensino e aprendizagem com objetivos claros quanto à utilização e à importância, sem que se torne um elemento burocrático. A avaliação ultrapassa o sentido de atribuição de notas e de medição de conhecimento. Mais do que isso, os resultados obtidos devem instigar a investigação sobre o progresso ou avanço dos estudantes e buscar estratégias para remediar possíveis problemas. De acordo com Philippe Perrenoud, a avaliação deve servir como instrumento para ajudar os estudantes a aprender e auxiliar o professor a ensinar (PERRENOUD, Philippe. Não mexam na minha avaliação: para uma aprendizagem sistêmica da mudança pedagógica. In: ESTRELA, A.; NÓVOA, A. Avaliações em educação: novas perspectivas. Porto: Porto Editora, 1993. p. 74-174). Logo, longe de se limitar a aprovação ou reprovação, o professor deve utilizá-la tendo em vista que o estudante é um ser social e que a escola tem como objetivo formar cidadãos críticos e capazes de construir conhecimento tendo como base o que é aprendido em sala de aula (LUCKESI, C. C. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Rev. Pátio, v. 3, n. 12, Porto Alegre: Artmed, 2000. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2511.pdf. Acesso em: 2 out. 2025).

Com isso, o processo avaliativo não deve se limitar a percepções pontuais e voltadas para habilidades e capacidades específicas, mas sim focar no acompanhamento cuidadoso do progresso dos estudantes tanto nas temáticas específicas como na orientação para o desenvolvimento de habilidades individuais. Assim, de acordo, com Jussara Hoffmann, a avaliação, mais do que verificar se os estudantes estão aprendendo, deve constatar como eles estão aprendendo e em que circunstâncias (HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma relação dialógica na construção do conhecimento. São Paulo: Ideias, 2008).

Dessa forma, convidamos o professor a conceber a avaliação como uma ferramenta para auxiliar seu trabalho e proporcionar aos estudantes uma aprendizagem mais proveitosa. Propomos que os instrumentos avaliativos sejam utilizados como facilitadores do processo de ensino e aprendizagem encaminhado cotidianamente pelo professor. A avaliação, portanto, de ser um instrumento burocrático e de controle para se tornar uma prática para a formação de sujeitos críticos e socialmente mais conscientes.

Parque do Rio Branco, em Boa Vista (RR), em 2021.

Modelos avaliativos

Discutiremos a seguir três tipos de avaliação que podem ser acionados durante o processo de ensino e aprendizagem.

Diagnóstica

A avaliação diagnóstica tem a função de diagnosticar não apenas possíveis problemas e dificuldades, mas também identificar o conhecimento prévio dos estudantes sobre determinada temática. Esse tipo de avaliação pode ocorrer no início do ano letivo ou de uma unidade temática e não tem a finalidade de quantificar, por meio de notas, o conhecimento do estudante. Esse processo avaliativo também auxilia no planejamento de métodos e estratégias adequados ao desenvolvimento do conhecimento já alcançado por determinado grupo de estudantes. Assim, tendo em mãos o panorama do conhecimento prévio, é possível realizar o encadeamento de ações, meios e estratégias que possam dialogar e se ancorar nele, proporcionando, assim, uma aprendizagem significativa e que leve em conta as dificuldades e potencialidades dos estudantes. Para Cipriano Luckesi, são inseparáveis a ação de diagnosticar e o ato da tomada de decisão. Segundo o autor, o diagnóstico passa também por acolher o conhecimento dos estudantes por meio de um diálogo que leve em conta a constituição integral deles, para que assim se alcance uma base sólida para a prática educativa (LUCKESI, Cipriano. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Rev. Pátio, v. 3, n. 12, 2000. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg. br/biblioteca/imagem/2511.pdf. Acesso em: 2 out. 2025). Essa forma de avaliação se aproxima de uma perspectiva libertadora, em que a forma clássica de avaliar ― na qual se apontam os culpados e os erros cometidos ― seja substituída por informações que viabilizem reflexão e transformação nas práticas educativas encaminhadas cotidianamente.

Dessa forma, a avaliação diagnóstica vai ao encontro de uma prática pedagógica consciente, em que o planejamento é a base de um trabalho de construção que tem como ponto de partida o conhecimento prévio do estudante, elencando as aprendizagens já consolidadas, as dificuldades e as potencialidades. A importância dessa avaliação ultrapassa a simples medição e quantificação e busca, a partir do entendimento dos estudantes como seres complexos e integrais, estratégias para o desenvolvimento de habilidades e para a mitigação de possíveis dificuldades (MORAIS, Marcia Beatriz Xavier et al. Avaliação diagnóstica no processo de ensino-aprendizagem dos anos iniciais do ensino fundamental. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 7., 2020. Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande, 2020. Disponível em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2021/ TRABALHO_EV151_MD1_SA102_ID9003_29072021143849.pdf. Acesso em: 2 out. 2025).

Sugerimos que avaliação diagnóstica seja usada não apenas no início do ano letivo, do semestre ou do bimestre, mas durante todo o processo de ensino e aprendizagem, aliando-a à exposição de novos conteúdos, pois ela pode servir como uma bússola durante o ano letivo, orientando o avanço, o reforço e até a retomada de conteúdos, habilidades e competências.

Formativa

A avaliação formativa, também conhecida como contínua, tem íntima relação com a avaliação diagnóstica.

Para além da adequação de metodologias e práticas pedagógicas, a avaliação formativa é utilizada para auxiliar na identificação de especificidades e dificuldades relacionadas a grupos de estudantes e no progresso individual, tendo em vista a melhoria contínua do processo de ensino e aprendizagem.

Essa avaliação busca fornecer, de forma adequada, retornos sobre o progresso dos estudantes, assim como dos pontos a melhorar, possibilitando orientá-los sobre como se deve estudar sem esperar a conclusão de uma etapa ou a avaliação final.

Dessa forma, a avaliação formativa pode ser utilizada durante o processo de aprendizado para o aperfeiçoamento do percurso. Recomenda-se, assim, que o professor forneça um parecer sobre o desempenho dos estudantes antes da atribuição de uma nota ou da conclusão do processo de avaliação. Isso permite que eles reflitam sobre seu desempenho, procurando adequar sua forma de estudo.

Para isso, é necessário que tais meios de avaliação sejam simples, não muito extensos e que possam ser usados com frequência durante as aulas, a fim de obter informações contínuas e atualizadas sobre o progresso dos estudantes, permitindo também ao professor avaliar sua forma de ensino, fortalecer ou redirecionar suas metodologias e objetivos.

Entre os instrumentos, as avaliações e os procedimentos que podem ser utilizados em sala de aula estão: a observação da turma para a percepção de frequência, comportamento e rendimento nas atividades; questionários e avaliações atitudinais para verificar a percepção dos estudantes em relação a aulas e conteúdos, professor e colegas; exposição e apresentação de trabalhos em que os estudantes precisem se expressar oralmente, assim como cooperar com os colegas e organizar-se coletivamente; provas de rendimento para avaliar a internalização dos conteúdos ou a fragilidade do aprendizado, em que os estudantes acionem habilidades e competências cognitivas; tarefas extracurriculares que avaliem a execução de determinados procedimentos, como pesquisas e organização de informações, entre diversas outras práticas cotidianas.

É fundamental ter em vista que quaisquer instrumentos avaliativos acionados devem ser compatíveis com a metodologia, o tamanho da turma, os recursos disponíveis, a conjuntura social dos estudantes e os objetivos pretendidos pelo professor (ANDRIOLA, Wagner Bandeira; ARAÚJO, Adriana Castro. Potencialidades da avaliação formativa e somativa. Revista Eletrônica Acta Sapientia, v. 5, n. 1, 2018. Disponível em: https://actasapientia.com.br/index.php/acsa/ article/view/23. Acesso em: 2 out. 2025).

Também é importante reforçar que deve haver um retorno célere e produtivo aos estudantes sobre seu desempenho e aprendizado. Assim, a avaliação formativa gera efeitos positivos a curto prazo, refletindo na totalidade do processo de ensino e aprendizagem, além de introduzir e testar novas estratégias que auxiliem os estudantes no aperfeiçoamento de seu aprendizado, permitindo uma intervenção pedagógica imediata.

Somativa

Enquanto as avaliações diagnóstica e formativa são aplicadas no início e durante o processo de ensino e aprendizagem, a avaliação somativa tem como principal objetivo aferir o resultado da aprendizagem dos estudantes ao final de um percurso, como no término do trimestre, do semestre ou do ano letivo. Essencialmente, a avaliação somativa tem a função de verificar se os estudantes atingiram os objetivos de aprendizagem, o que resulta em uma nota ou classificação. Nesse tipo de avaliação, os estudantes não integram o processo avaliativo, cujo responsável é o professor ou os avaliadores externos, se forem exames em larga escala.

Entre as características intrínsecas da avaliação somativa estão a sintetização e a quantificação das aprendizagens, traduzindo-as em resultados. Essas avaliações geralmente são aplicadas de forma retrospectiva para medir o processo pedagógico encaminhado, podendo ser também prospectiva, se influenciar nas ações e perspectivas dos estudantes. Além disso, em geral, têm base em padrões pré-definidos, com a utilização de provas escritas, exames nacionais e outros instrumentos formais que possam medir o aprendizado dos estudantes.

A avaliação somativa também abarca os processos de verificação e quantificação do aprendizado da escola e do sistema educacional. Assim, fornece dados sobre a qualidade e o nível do alcance dos objetivos, habilidades e competência pretendidos pelo professor, pela escola, por entes federativos, por documentos educacionais e por políticas públicas. A partir desses resultados, é possível o planejamento de ações pelos gestores escolares, a adequação de políticas públicas e ações governamentais para melhoria do ensino.

A literatura especializada aponta diversos problemas no que se refere à avaliação somativa, sobretudo no que diz respeito à redução do currículo aos aspectos quantificáveis, sem a consideração da absorção de habilidades mais complexas, como a reflexão e o pensamento crítico. Além disso, a avaliação somativa pode ser motivo de pressão pela obtenção de notas, o que pode limitar a autonomia dos professores e das estratégias pedagógicas que fujam dos métodos tradicionais (SANTOS, Leonor. A articulação entre a avaliação somativa e a formativa, na prática pedagógica: uma impossibilidade ou um desafio? Ensaio: avaliação e políticas públicas em educação, v. 24, p. 637-669, 2016).

No entanto, consideram-se também os aspectos da avaliação somativa que proporcionam a classificação e a progressão dos estudantes que poderão prosseguir para o próximo nível e a obtenção de dados sobre o desempenho da turma, que servirá de base para tomada de decisão do professor, da escola ou até mesmo da formulação e adequação de políticas públicas. Contudo, para não se tornar um método meramente burocrático e classificatório, é necessário que essa avaliação seja implementada e articulada com outros instrumentos avaliativos, como avaliação formativa e diagnóstica. Essa articulação pode ser realizada com a utilização de dados e informações obtidos por meio de instrumentos somativos nos processos de aprendizagem formativos, tendo o cuidado para respeitar as características e os propósitos de cada um desses processos (SANTOS, Leonor. A articulação entre a avaliação somativa e a formativa, na prática pedagógica: uma impossibilidade ou um desafio? Ensaio: avaliação e políticas públicas em educação, v. 24, p. 637-669, 2016).

Diário de memórias

O diário de memórias é uma proposta avaliativa que valoriza o protagonismo dos estudantes e sua relação com o território. Pensado para a realidade da região Norte, permite que estudantes ribeirinhos, urbanos, indígenas ou de comunidades tradicionais registrem suas vivências, histórias locais, saberes familiares e aprendizados escolares ao longo do tempo.

Por meio de relatos, desenhos, palavras e lembranças, os estudantes articulam o conhecimento formal com a sua própria experiência, reconhecendo-se como sujeitos que aprendem com o lugar onde vivem. Para o professor, o diário torna-se uma forma sensível de acompanhar o percurso de cada estudante, observando como ele se envolve com os temas e constrói sentidos a partir da cultura e do ambiente que o cercam.

Mais do que avaliar conteúdos, o diário fortalece vínculos com a comunidade e estimula uma aprendizagem viva, reflexiva e enraizada na realidade amazônica.

Macapá (AP) em 2024.

REGIONALIZADO: REGIÃO NORTE

Os anos iniciais do ensino fundamental têm uma ligação inerente com as experiências obtidas durante a educação infantil, além de fornecer a base de que os estudantes precisam para percorrer os anos finais do ensino fundamental. Para isso, é indispensável fortalecer a capacidade de investigação e de formulação de hipóteses, as reflexões, as aplicações e as sínteses para o desenvolvimento de novos conhecimentos.

Nesse sentido, a narrativa exposta nesta obra didática é conduzida através da relação “Eu, o Outro e Nós”, ou seja, a partir dos espaços e experiências sociais e culturais mais próximas vão se construindo percepções e questionamentos sobre si e os outros, além do entendimento das identidades individual e social. Parte-se, então, do espaço e das culturas mais próximas dos estudantes, como a escola, a rua, o bairro, passando pela comunidade, pelo município, pelo estado até pela formação da região. O alicerce dessa obra é a experiência compartilhada nortista e os elementos inerentes à identidade regional, respeitando e destacando as especificidades de cada estado presente na região Norte. A base para o reconhecimento dos estudantes como sujeito social é o seu posicionamento dentro da diversidade cultural regional. Pretende-se que o estudante reconheça o seu espaço regional, e os grupos que dele fazem parte, e adquira progressivamente a percepção do “eu” como o seu próprio posicionamento dentro desse contexto social e regional. Com essa conformação, o estudante pode se perceber como protagonista da história e do espaço onde está posicionado. Busca-se colocar no centro da discussão a identidade regional nortista, compreendendo-a como mosaico de semelhanças e diferenças entre os sete estados que compõem a nossa região e, também, as diversas cidades, comunidades e povos que constituem a realidade nortista.

É importante destacar também que, embora o plano principal seja a história, o espaço e os povos que formam a população e as culturas do Norte, relações com outros espaços e regiões também possibilitam que os estudantes, ao mesmo tempo que se vejam como sujeitos históricos posicionados na região Norte, reconheçam a diversidade regional e nacional de um país de proporções continentais como o Brasil.

A construção de uma obra que tem como protagonismo a região Norte apresenta a subversão de um panorama simbólico em que geralmente outras localidades aparecem como elementos centrais na narrativa didática. A intenção é posicionar a população nortista, sua história, seu território e cultura como agente condutor de todas as temáticas expostas.

A obra está organizada em quatro unidades temáticas, cada uma com dois capítulos, que exploram desde a paisagem natural até as dinâmicas sociais, econômicas, culturais e históricas que caracterizam a região, utilizando recursos imagéticos e cartográficos para melhor contextualização e enriquecimento das análises.

Porto Velho (RO), em 2025.

Na Unidade 1, são apresentados estudos introdutórios sobre a região Norte do Brasil. A partir da conceituação de região e da abordagem sobre as diferentes regionalizações do território brasileiro, os estudantes são convidados a refletir sobre o espaço, as identidades e a riqueza cultural da região. Também são exploradas características naturais, como relevo, clima, vegetação e hidrografia, em associação aos aspectos culturais e ao modo de vida da população.

A Unidade 2 trata da formação histórica da região Norte e dos diferentes povos e culturas que a compõem. São apresentados os primeiros povos que habitavam o território, o processo de ocupação e de colonização da região Norte e aspectos da cultura dos povos originários. Nesse contexto, são trabalhados vestígios materiais encontrados em sítios arqueológicos da região e apresentados conceitos fundamentais para o trabalho historiográfico e a construção do conhecimento histórico pelos estudantes. Ainda no contexto do Brasil colonial, são abordadas formas de resistência dos indígenas à exploração e aculturação, além do papel dos aldeamentos missionários com esses grupos e também na formação de vilas e cidades. Apresentam-se aos estudantes o conceito de Terras Indígenas e sua importância para a preservação de nossa cultura. Em seguida, são trabalhadas as contribuições dos povos africanos na formação cultural da região Norte. Já no contexto do período imperial, abordam-se as tensões políticas e sociais do pós-independência, incluindo revoltas como a Cabanagem e sua importância para a história da região e do país. Ao final, há o estudo dos fluxos migratórios para a região Norte até tempos mais recentes.

Na Unidade 3 , os estudantes serão convidados a explorar os espaços rurais e urbanos do Norte, reconhecendo suas particularidades. O objetivo é conduzi-los à compreensão das diferenças entre campo e cidade, observando modos de vida, atividades econômicas e impactos ambientais que marcam esses territórios, por meio da leitura de imagens, análise de textos e vivências cotidianas. Depois, os estudantes irão investigar o crescimento das cidades nortistas, observando seus desafios e transformações. Com base em mapas e fotografias de satélite, o professor poderá estimular reflexões sobre desigualdades urbanas, impactos ambientais e participação cidadã nas cidades.

A Unidade 4 trata da população da região Norte e da diversidade que marca o território nortista. São apresentados dados populacionais, como a composição étnico-racial, a distribuição de renda e o acesso à saúde, à educação e à moradia, destacando as lutas de grupos sociais como mulheres, indígenas e quilombolas. Por fim, explora-se a importância da participação social e da organização política local para melhorar as condições de vida da população nortista.

(PA), em 2023.

Belém

Quadro de conteúdos

O quadro a seguir mostra a distribuição dos conteúdos e das respectivas habilidades da BNCC ao longo das unidades e capítulos.

VOLUME ÚNICO

REGIÃO NORTE E SUAS CARACTERÍSTICAS

1. Região Norte e identidade regional

• Regiões brasileiras e regionalização

• Região Norte

DIÁLOGOS: Outras regionalizações

Divisões administrativas do Norte

• Identidade nortista

Identidade nortista e comida

Identidade nortista e natureza

Identidade nortista e línguas

Identidade nortista e lendas

2. Aspectos naturais e humanizados

• Formas do nosso relevo

• Rios que moldam a região Norte

DIÁLOGOS: Transporte hidroviário

• Chuva e calor: clima da região Norte

• Além da floresta: vegetação da região Norte

• Biomas da região Norte

• Paisagens nortistas: impactos ambientais e sustentabilidade

PARA REVER O QUE APRENDI

Competências gerais da educação básica: 1, 2.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 3. Competências específicas de Geografia: 3, 4.

Competência específica de História: 1.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE05, EF04GE01, EF04GE05, EF04GE10, EF03HI01.

BNCC da Computação: EF05CO08.

TCT: Meio ambiene: educação ambiental; Multiculturalismo: diversidade cultural.

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 6, 9.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 5, 7.

Competência específica de História: 1.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE05, EF03GE09, EF04GE10, EF05GE08, EF05GE12, EF03HI01. BNCC da Computação: EF04CO08.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

FORMAÇÃO HISTÓRICA DA REGIÃO NORTE

1. Primeiros povos e início da colonização

• Formação do nosso povo

• Ocupação ancestral

Pinturas rupestres

Outros vestígios

• Cerâmica marajoara

• Culturas maracá e tapajônica

Cerâmica indígena e identidade nortista

• Povos indígenas em 1500

• Administração colonial Organização administrativa nos séculos 17, 18 e 19

• Drogas do sertão

DIÁLOGOS: Atividades econômicas no Brasil colonial

2. Diferentes povos, diferentes culturas

• Aldeamentos missionários

DIÁLOGOS: Terras Indígenas

• Presença africana

• Quilombos e comunidades remanescentes de quilombos

Comunidades remanescentes de quilom-

bos do Rio Andirá

• Norte e independência

• Cabanagem

• Migrações na região Norte Ciclo da borracha: memória e migração

Outras migrações PARA REVER O QUE APRENDI

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 3, 4, 5.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 4, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE05, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE05, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05. BNCC da Computação: EF05CO08.

TCT: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras, diversidade cultural.

Competências gerais da educação básica : 1, 2, 3, 4, 5, 9.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 4, 7.

Competência específica de História: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Habilidades: EF04GE01, EF04GE02, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI07, EF03HI09.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

3 4

VOLUME ÚNICO

CAMPO E CIDADE: DIFERENÇAS E CONEXÕES

1. Paisagens e modos de vida no campo e na cidade

• Atividades econômicas

• Atividades econômicas no campo

Extrativismo

Agricultura

Pecuária

• Atividades econômicas na cidade

Indústria

Comércio e serviços

• Impactos ambientais

• Práticas sustentáveis no campo

• Conexões: campo e cidade

DIÁLOGOS: Desigualdades do campo na região Norte

2. Crescimento das cidades e desafios urbanos

DIÁLOGOS: Ocupação do território brasileiro

• Como as cidades crescem na região Norte

• Regiões metropolitanas

• Hierarquia urbana

• Mobilidade e comunicação

Redes de transporte

Redes de comunicação

• Permanências e mudanças

Obras e seus impactos

PARA REVER O QUE APRENDI

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 3, 4, 6, 7.

Competências específicas de História: 5.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE05, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE04, EF04GE07, EF04GE09, EF05GE08, EF05GE09, EF03HI07.

BNCC da Computação: EF03CO03.

TCT: Economia: trabalho; Meio ambiente: educação ambiental.

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 3, 4, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 3, 4, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 4, 5.

Habilidades: EF03GE04, EF04GE02, EF04GE04, EF04GE10, EF05GE08, EF05GE09, EF03HI01, EF03HI03.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

POPULAÇÃO, DIREITOS E PARTICIPAÇÃO SOCIAL

1. População da região Norte

• Distribuição da população

• Composição étnica da população

Movimento social indígena e quilombola

• Movimentos migratórios recentes

Migrações externas

• Populações das fronteiras

• Condições de vida no Norte

Desigualdades sociais no Norte

DIÁLOGOS: Desigualdades regionais

2. Cidadania e participação popular

• Importância da participação popular

Participação nas comunidades nortistas

• Iniciativas de transformação social no Norte

Saúde

Educação

DIÁLOGOS: Desigualdades na educação

brasileira

Meio ambiente

• Os povos da floresta e a economia

• Turismo sustentável

PARA REVER O QUE APRENDI

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE04, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE06, EF05GE01, EF05GE02, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI07.

BNCC da Computação: EF04CO02.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural; Cidadania e civismo: educação em direitos humanos.

Competências gerais da educação básica: 1, 3, 4, 5, 6, 7, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 5, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 4.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE09, EF04GE06, EF04GE07, EF05GE02, EF05GE012, EF03HI03, EF03HI07, EF03HI09. BNCC da Computação: EF03CO03, EF03CO07, EF03CO08.

TCT: Cidadania e civismo: direitos da criança e do adolescente; Multiculturalismo: diversidade cultural.

PLANEJAMENTO

O quadro de conteúdos da obra constitui-se em uma opção de condução dos conteúdos presentes, mas a sequência pode ser adaptada conforme a realidade e a necessidade locais. Por exemplo, a identidade regional e todo o mosaico cultural nortista podem ser trabalhados em outubro no estado do Pará, mês em que ocorre o Círio de Nazaré, e em junho no Amazonas, quando há a festa do boi-bumbá.

Para adaptar a obra às suas necessidades e a de seus estudantes, sugerimos a utilização das matrizes de planejamento de rotina a seguir como apoio.

Matrizes de planejamento de rotina

Planejamento de rotina diária

Acolhida

Discussão inicial

Desenvolvimento das aulas

Receber os estudantes; registrar a data e a rotina do dia; conversar brevemente sobre novidades, acontecimentos ou combinados.

Propor uma questão instigante relacionada ao tema da aula ou a acontecimentos do cotidiano. Estimular argumentação, escuta e respeito às opiniões. Pode ser em roda ou em pequenos grupos.

Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.

Intervalo/lanche Pausa para alimentação e recreação.

Desenvolvimento das aulas

Fechamento

Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.

Síntese das aprendizagens: o que foi descoberto, quais dúvidas surgiram, como aplicar no cotidiano. Espaço para reflexão crítica e registro final.

Planejamento de rotina de aula

O modelo de matriz para planejamento de rotina de aula considera 90 minutos, ou seja, dois períodos de aula de 45 minutos.

Aquecimento (5 min)

Apresentação (20 min)

Desenvolvimento (20 a 30 min)

Sistematização (15 min)

Encerramento (10 min)

Autoavaliação (10 min)

Momento inicial, buscando o engajamento dos estudantes por meio de uma proposta afetiva. Possibilidade de recursos: cartaz, imagem, vídeo curto, podcast, contação de história, execução de atividade manual (dobradura, desenho), resolução de problema, jogo, brincadeira, passeio pela escola, reflexão.

Início da aula. Apresentação de temática/conteúdo a ser desenvolvido.

Recursos

Para aprendizagem ativada pelo estímulo auditivo: conversa, música, leitura oral, sons.

Para aprendizagem ativada pelo estímulo visual: vídeo, cartaz, mapa visual, imagens, brinquedo, livro, leitura silenciosa, uso de gestos.

Para aprendizagem ativada pelo estímulo sinestésico: massa de modelar, colagem, escrita, maquetes, desenhos, práticas em outros espaços, uso do corpo.

Propostas orais e escritas, com sistematização das aprendizagens de modo individual, em dupla ou coletivo.

Registro das aprendizagens.

Revisão do conteúdo com perguntas, debates ou atividades criativas (diário de bordo, quiz, dramatização, jogo etc.)

Reflexão acerca das atitudes e aprendizagens do dia.

Matriz de sequência didática

O conteúdo da obra também pode ser organizado e ampliado por meio de sequências didáticas. Apresentamos, a seguir, um modelo de matriz de sequência didática que pode ser utilizada no planejamento de sequências didáticas para o material regionalizado e, também, para qualquer outro componente curricular que julgar pertinente.

Identificação

Componente

Período de duração

Tema

Objetivos de aprendizagem

BNCC

Preparação

Pré-requisitos

Apresentação

Encaminhamento

Aulas

Conclusão

Título da sequência didática

Turma em que será aplicada

Componente(s) curricular(es) envolvidos.

Número de aulas previstas.

Conteúdo principal a ser explorado. Também pode ser um objeto de conhecimento da BNCC ou um capítulo/parte do livro didático.

Objetivo geral e objetivos específicos (por aula), bem como justificativa pedagógica.

Competências, habilidades, Temas Contemporâneos Transversais (TCT).

Materiais e recursos utilizados em toda a sequência, como as páginas do livro didático, itens de papelaria, equipamentos digitais, autorizações dos familiares, entre outros.

Também é importante considerar possíveis adaptações para estudantes com diferentes necessidades de aprendizagem.

Conhecimentos prévios esperados dos estudantes.

Sensibilização para o tema.

Desenvolvimento da sequência didática. A quantidade varia de acordo com a proposta.

Discussão entre os estudantes e apresentação dos resultados.

Avaliação Verificação da aprendizagem e dos objetivos de aprendizagem atingidos.

Observações gerais

Espaço para o registro do professor.

TEXTOS PARA REFLEXÃO

“O território entre o rio e a floresta”: contribuições sobre a educação do campo e o ensino de geografia na Amazônia ribeirinha

A abordagem sobre a educação do campo, ensino de Geografia e o território na Amazônia ribeirinha é complexa e interligada por diferentes aspectos, pois dentro do espaço amazônico há diversos modos de vida, dinâmica econômica e múltiplas regionalidades conectadas por uma cultura amazônica que se expressa na mistura que envolve o “fenótipo amazônico”, o sotaque, a religiosidade, a culinária, a logística etc. A Amazônia é uma região vasta, diversificada, logo, nada homogênea, configurando-se em variedades, de paisagens, de lugares, de territórios e territorialidades é, na verdade constituída de “amazônias” [...].

[...]

[...] diferentes grupos culturais locais elaboram e reelaboram saberes, práticas, valores, costumes e mitos: são caboclos, ribeirinhos, indígenas, extrativistas, agricultores, quilombolas, entre outros, assim, a região amazônica possui uma cultura própria, apresentando uma pluralidade sociocultural, rica em biodiversidade com distintas populações, em que suas trajetórias são firmadas e cada dia mais reconhecida.

No entanto, essa estreita relação entre o rio e a floresta influencia significativamente a vida das populações amazônicas, [...] a partir desse intercâmbio orgânico, o rio para além de um simples corpo d’água, aparece nesses espaços como parte integral da vida, cultura e identidade das populações amazônicas e se manifesta em seu sentido mais amplo como um elemento vital para a sobrevivência, carrega significados simbólicos profundos e serve como um espaço para o lazer, contemplação e práticas religiosas.

Sob o mesmo ponto de vista, é salutar entender que a integração da população ribeirinha no ambiente escolar, não só se trata de uma questão de inclusão social, mas também uma oportunidade de enriquecimento coletivo. Ao acolher esses grupos na educação formal, estamos reconhecendo e, em tese, valorizando suas culturas e seus conhecimentos tradicionais, promovendo uma educação mais diversificada e inclusiva. Além disso, ao superar as barreiras de acessibilidade educacional enfrentadas pelos ribeirinhos, constrói-se um caminho para um desenvolvimento mais igualitário e sustentável nas comunidades ribeirinhas.

Deste modo, a educação ofertada para os povos ribeirinhos não deve ser imposta de “cima para baixo”, mas desenvolvida em colaboração com as comunidades locais, respeitando e valorizando seus conhecimentos tradicionais e formas de organização social. Isso implica em uma abordagem pedagógica capaz de integrar seus saberes, promovendo uma educação contextualizada e relevante para as realidades dessas populações. Além do mais, é fundamental realizar ponderações acerca das barreiras geográficas e infraestruturais que muitas vezes dificultam o acesso dessas comunidades à educação formal, exigindo medidas específicas para superar tais desafios, como o uso de tecnologias educacionais adaptadas à realidade ribeirinha e o investimento em transporte escolar adequado.

Com base nisso, entendemos que a vivência política e cultural dos povos ribeirinhos está intrinsecamente ligada à sua relação com a natureza, de onde retiram o seu meio de vida a partir de uma lógica simbiótica. Portanto, qualquer abordagem educacional para esse público deve considerar o território como ponto de partida, os saberes tradicionais, as práticas espirituais, as formas de organização social e a transmissão de conhecimentos sobre o território, estes como dito construídos e sustentados por essa conexão simbiótica com a natureza.

PANTOJA, R. A.; BORGES, H. S.; OLIVEIRA, M. “O território entre o rio e a floresta”: contribuições sobre a educação do campo e o ensino de geografia na Amazônia ribeirinha. Revista Território e Cidadania, Vitória, n. 3, v. 1, e3653.

O ensino de História nas escolas indígenas amazônicas: a perspectiva

de uma intelectual mulher

O ensino de História nas escolas indígenas tem sido uma tarefa complexa e sempre desafiante para todas as comunidades indígenas brasileiras, incluindo as escolas urbanas de vários grupos. Mas a questão é bastante significativa considerando a importância estratégica atual, em escala nacional e internacional, da Amazônia nestes últimos anos. Mais do que nunca se entrelaçam problemas de sobrevivência física e cultural dos povos indígenas da região com os problemas políticos, econômicos e ambientais que se relacionam à própria sobrevivência de vida no planeta Terra. Assim, um primeiro aspecto a considerar sobre o ensino de História nas escolas indígenas é o de situar-se, cada comunidade, neste momento presente em uma teia de relações entre presente-passado-futuro.

Sempre tenho considerado fundamental a reflexão inicial sobre as relações de tempo e espaço de cada comunidade para o ensino escolar (construído sobre outra lógica temporal e espacial nos currículos nacionais). Temos, neste aspecto, de considerar a importância do estudo escolar envolver a história da comunidade pelas suas próprias origens — as da ancestralidade do povo, pelas narrativas dos mais velhos, dos xamãs… A história antiga, de cada povo, é conteúdo histórico fundamental, mesmo que haja alunos “convertidos” à história das Bíblias que se espalham pelas comunidades e cidades brasileiras. Assim, quero dizer, que esta história antiga de cada povo amazônico tem que estar presente sempre nos currículos e apresentada sob diferentes aspectos e temáticas.

Um aspecto fundamental é o de considerar o lugar de cada comunidade de homens e mulheres junto às demais espécies e seres da natureza. Assim, as relações homem-natureza vivenciadas nos rituais e na vida cotidiana devem ser preservadas como fonte de sabedoria do próprio povo. Aprendi muito sobre esta concepção de História Antiga com minhas experiências junto ao povo Terena de Mato Grosso do Sul com os cursos com os professores das comunidades de Cachoeirinha, Limão Verde e outras. No decorrer do curso os professores solicitaram que escrevesse um livro de História dos Terena em português para que servisse para as escolas das próprias comunidades e para as escolas dos “Purutuyé” — brancos. Também com minhas experiências nos cursos de organização de currículo de História com os Timbira da região junto ao Tocantins (Maranhão e Tocantins atual) a história Antiga estava presente sempre e relacionava-se às questões básicas do presente por eles vividos. Primeiro desejavam saber as razões da chegada (as viagens pelos mares e regiões tão distantes) dos “brancos” no território dos Timbira. Por que realizavam trocas e comércio tão diferenciados (por exemplo, o dinheiro e não trocas por produtos... etc.)? Neste sentido, a própria concepção de tempo Antigo para cada sociedade indígena é diferente e é demarcada por tempos diferentes, embora em comum tenham a relação com a invasão dos “cristãos brancos”. Existem os momentos históricos das migrações, dos confrontos com outros grupos indígenas, de períodos de mais abundância ou doenças… Do ponto de vista político, para além do cultural e religioso, a História Antiga e suas fontes diversas que as narrativas mantêm vivas servem para o entendimento da delimitação atual dos territórios de cada povo antes do contato com os brancos, assim como as diferenças com os atuais confrontos.

[...]

Destaco ainda que, para além de estabelecermos os conteúdos históricos, temos sempre que estar atentos aos métodos de ensino. Neste aspecto é importante vocês, professores, debaterem a importância das aprendizagens tradicionais pela oralidade, pela capacidade da observação do entorno das matas, dos rios e riachos, do céu, das estrelas, dos caminhos além do sentido da audição. A aprendizagem pelos sons e imagens deve se associar à aprendizagem pela escrita e leitura. Mas, neste aspecto, acho que vocês têm mais que me ensinar. Apenas ressalto que precisam estar atentos ao uso dos modernos audiovisuais e ensinar aos alunos a ter um método de recepção das informações para entender, mas também saber criticar as mensagens e informações recebidas.

[...]

[...] a escola e seu currículo têm um significado importante na formação de crianças e jovens, e a permanência do ensino etnocêntrico mantém mentes formadas para a exaltação do homem branco, da manutenção de uma formação política baseada no direito da propriedade particular como base da riqueza social e justifica seu poder sobre a extinção de outros seres vivos. A História, como disciplina que estuda a vida de homens e mulheres em todos os tempos, tem que cumprir este seu sentido, e na escola não se pode apenas estudar a história de alguns povos considerados como privilegiados ou designados por Deus para cumprir desígnios predestinados. Temos que ensinar a história da humanidade em seu percurso diversificado, conflituoso, mas que também criou as artes, as festas, a solidariedade, as formas de curar doenças. [...]

COSTA, Marcella Albaine Farias da; SILVA, Naiara Moreira da; SANTOS, Sérgio Barbosa dos. O ensino de História nas escolas indígenas amazônicas: a perspectiva de uma intelectual mulher. Textos e Debates, v. 30, n. 1, p. e8241, 2024. Disponível em: https://revista.ufrr.br/textosedebates/article/view/8241. Acesso em: 20 set. 2025.

Como ser um educador antirracista

A escola é um complexo social fundamental no processo de transformação da realidade social; ela é influenciada pelo sistema, ao passo que, em contrapartida, também o influencia, uma vez que forma as pessoas que vão ocupar e ajudar a construir todas as demais instâncias sociais. Nesse sentido, a escola precisa ser uma forte aliada no enfrentamento das opressões estruturais, fundamentalmente o racismo.

Mais que uma opção, deve ser um compromisso histórico, um dever da escola, ser antirracista. A escola e, por sua vez, a professora e o professor precisam pautar a equidade racial em toda a sua estrutura: no corpo profissional, principalmente na ocupação dos espaços de poder escolares; na construção curricular, pautando os conhecimentos ancestrais africanos e indígenas fora de um lugar de estereotipagem e de rebaixamento, representar graficamente as pessoas negras e indígenas na estética da escola a partir de um lugar de positivação; fomentar a leitura de literatura negra e indígena nas proposições didáticas escolares; organizar na escola programas de formação de professores/as a partir da óptica do letramento racial; apresentar intelectuais e personalidades negras e indígenas aos/às estudantes, objetivando ressignificar a noção de humanidade e inteligência ainda hoje.

[...]

[...] o meu desejo para todos/as os/as educadores/as deste país é que possamos assumir com afeto o compromisso de sermos “doadores de memórias” que socializam os conhecimentos sistemáticos historicamente desenvolvidos pelo coletivo para as novas gerações, visando a formação humana desses sujeitos, mas que compreendem de maneira fundamental o papel crucial da nossa profissão na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

O papel social de professores e professoras na nossa sociedade é lindo e imenso; desejo também que um dia sejamos vistos/as e valorizados/as do modo que merecemos, e que essa valorização seja mensurada a partir da relevância e da grandiosidade da “missão” que executamos diariamente.

Para qual sonho você educa?

Feliz dia para todos/as os/as professores/as do país que se engajam diariamente num projeto de transformação social que oportuniza uma vida digna e repleta de perspectivas de futuro para nossa juventude. O dia dos professores é celebrado em 15 de outubro, mas é todo dia que um/a professor/a se levanta para ajudar a juventude a construir sonhos emancipatórios. Feliz dia para você que, apesar das dificuldades, semeia e constrói um tempo de esperança.

A professora, o professor, é um portal que une as memórias e os conhecimentos do mundo antigo à construção do mundo que está por vir. Um abraço carinhoso para você, professora, em você, professor, que chegou até aqui buscando respostas para a melhoria de suas práticas. É de gente assim, disposta e engajada, que a educação brasileira tanto necessita.

CARINE, Barbara. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta, 2023. E-book

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS

ANDRADE, Francisca Marli Rodrigues de; GOMEZ, José Antonio Caride. Educação ambiental e formação docente na Amazônia brasileira: contextos universitários e realidades cotidianas. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 17, n. 55, p. 1598-1618, out. 2017. Os autores discutem as formações insuficientes voltadas aos professores da região Norte, sobretudo no enfrentamento dos desafios da região.

ANDRIOLA, Wagner Bandeira; ARAÚJO, Adriana Castro. Potencialidades da avaliação formativa e somativa. Revista Eletrônica Acta Sapientia , v. 5, n. 1, 2018. Disponível em: https://actasapientia.com.br/index.php/acsa/article/view/23. Acesso em: 2 out. 2025.

O artigo aborda as características e potencialidades da avaliação formativa e somativa na educação escolar.

BARROS, José D’Assunção. História local e história regional: a historiografia do pequeno espaço. Revista Tamoios, São Gonçalo, v. 18, n. 2, p. 22-53, 2022.

O autor aborda as relações entre história regional e local, defendendo que os dois conceitos não se contrapõem, mas se complementam.

BENJAMIN, Walter. A modernidade e os modernos. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2000.

Nesse livro, o autor aborda a modernidade, com suas contradições, avanços técnicos e a perda, em algum nível, da experiência humana.

BERGAMASCHI, Maria Aparecida. O tempo histórico no ensino fundamental: estudos sociais: outros saberes e outros sabores. Porto Alegre: Mediação, 2002.

O artigo aborda o tempo para além da cronologia, abarcando também as mudanças e as permanências que acontecem em uma sociedade. Além disso, defende a superação de uma perspectiva linear e eurocêntrica na construção de um ensino de História que contribua para a consciência histórica e cidadã.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2009.

O livro ramifica-se em diversas discussões sobre as teorias e metodologias do ensino de História, o que inclui a formação de professores e práticas pedagógicas na sala de aula. Além disso, a autora aborda os currículos, livros didáticos e políticas educacionais no Brasil.

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ L8069.htm. Acesso em: 19 set. 2025.

O ECA é um documento oficial que consolida os direitos de crianças e adolescentes no Brasil.

BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Institui a política nacional de educação ambiental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 abr. 1999. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/L9795.htm. Acesso em: 19 set. 2025. Documento oficial que estabelece diretrizes para a educação ambiental integrada a todos os níveis de ensino.

BRASIL. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 3 out. 2003.

Lei brasileira que regula os direitos das pessoas com 60 anos ou mais, que protege esses indivíduos e lhes garante dignidade.

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena". Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2008.

Essa lei tornou obrigatório o ensino de História e cultura afro-brasileira e indígena em todas as escolas do país, públicas ou privadas, em todos os níveis de ensino.

BRASIL. Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025. Dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 13 jan. 2025. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-15.100-de-13de-janeiro-de-2025-606772935. Acesso em: 30 set. 2025.

Lei que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais em escolas da educação básica de todo o país.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 jun. 2012. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/ dmdocuments/rcp002_12.pdf. Acesso em: 19 set. 2025.

Documento oficial que estabelece diretrizes para educação ambiental em todos os níveis da educação básica.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009. Institui as diretrizes operacionais para o atendimento educacional especializado na educação básica, modalidade educação especial. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 2009. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/dm documents/rceb004_09.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

Parecer que garante alinhamento do ensino às diretrizes nacionais e ao desenvolvimento integral dos estudantes, estabelecendo princípios e fundamentos para a educação básica no Brasil.

BRASIL. Ministério da Cidadania. Guia sobre uso de dispositivos digitais . Brasília, DF, 2025. Disponível em: https://www. gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-criancas-eadolescentes/guia/guia-de-telas_sobre-usos-de-dispositivos -digitais_versaoweb.pdf. Acesso em: 19 set. 2025.

Documento oficial com recomendações a respeito de dispositivos digitais, com base em evidências científicas e práticas internacionais.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 2 out, 2025.

Documento normativo que orienta o currículo nacional. A obra é referência obrigatória para a definição de objetivos de aprendizagem e competências.

BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC . Brasília, DF: MEC, 2019. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ implementacao/contextualizacao_temas_contemporaneos. pdf. Acesso em: 2 out. 2025. Orienta a abordagem de temas transversais como cidadania, direitos humanos e sustentabilidade.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : computação: complemento à BNCC. Brasília, DF: SEB, 2022. Acesso em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas conectadas/BNCCComputaoCompletodiagramado.pdf. Acesso em: 2 out. 2025.

Apresenta orientações para a inserção da computação na educação básica, com o fim de ampliar possibilidades de uso de tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada . Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/centrais-de-conteudo/ publicacoes/institucionais/compromisso-nacional-criancaalfabetizada.pdf. Acesso em: 31 jul. 2025.

Visando garantir a alfabetização de todos os estudantes brasileiros até o 2º ano do ensino fundamental, o documento articula ações entre municípios, Unidades da Federação e União, apresentando possibilidades didáticas ao professor para recomposição das aprendizagens.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Brasília, DF: SEB, 2013.

Documento oficial do Ministério da Educação, propõe reflexões sobre a prática docente, com a intenção de valorizar as identidades culturais afro-brasileira e africana.

BRASIL. Ministério da Educação. Política nacional de educação especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: Semesp, 2020.

Estabelece diretrizes para garantir equidade e inclusão na educação especial. Para a obra, orienta práticas que asseguram a participação de todos os estudantes.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: MS, 2014.

Documento oficial que esclarece recomendações para uma alimentação equilibrada e saudável.

BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019. Define direitos e garantias para pessoas com deficiência. Para a obra, reforça a necessidade de uma educação inclusiva e acessível em todas as etapas.

CARINE, Barbara. Como ser um educador antirracista . São Paulo: Planeta, 2023

Discute sobre como a educação e a escola podem ser pensadas a partir de uma abordagem decolonial.

CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos et al. (org.). A Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: AGB, 1998. O autor trata das diferentes dimensões dos mapas, como a simbólica, a subjetiva e a educativa, reforçando que não são meras representações técnicas do espaço.

CORRÊA, Roberto Lobato. Espaço: um conceito-chave da Geografia. In: CASTRO, Iná Elias de et al Geografia: conceitos e temas. 15. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 15-47.

O texto discute o conceito de espaço, como aspecto essencial de Geografia, visto que é modificado pelas ações humanas e, por isso, configura-se como uma intercessão entre o aspecto natural e social.

COSTA, Marcella Albaine Farias da; SILVA, Naiara Moreira da; SANTOS, Sérgio Barbosa dos. O ensino de História nas escolas indígenas amazônicas: a perspectiva de uma intelectual mulher. Textos e Debates, v. 30, n. 1, p. e8241, 2024. Disponível em: https://revista.ufrr.br/textosedebates/article/view/8241. Acesso em: 20 set. 2025.

Nessa entrevista, Circe Bittencourt, referência no ensino de História, fala sobre o ensino nas escolas indígenas amazônicas.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

Nessa obra clássica e essencial, Freire defende uma educação transformadora e dialógica, em oposição àquela em que o professor apenas deposita conhecimento nos estudantes.

GOMES, Joelton Rezende; PIMENTA, Jussara Santos. Pesquisa-ação, memória e oralidade: perspectivas para o ensino de História. Debates em Educação, v. 17, n. 39, p. e16889-e16889, 2025.

Os autores relacionam a pesquisa-ação, memória e oralidade em uma intrincada metodologia voltada ao ensino de História. Com isso, busca-se romper com o ensino tradicional e conceder protagonismo aos grupos marginalizados, por muito tempo excluídos da história.

GONÇALVES, Andressa da Silva. Os currículos nortistas à luz da BNCC: a educação para as relações étnico-raciais no ensino de História nos anos finais do ensino fundamental na região Norte (2015-2022). Belém: Home, 2025.

A obra investiga os currículos estaduais nortistas que foram reestruturados pela BNCC. Advoga-se que para a implementação de uma aprendizagem significativa é necessário considerar a experiência compartilhada pelas estudantes na região Norte, o que compreende sua história, cultural e formação étnico-racial.

HAESBAERT, Rogério. Região, diversidade territorial e globalização. GEOgraphia, [s. I.], v. 1, n. 1, p. 15-39, 1999.

O artigo propõe uma reflexão crítica sobre o conceito de região no contexto da crescente diversidade territorial e da globalização, que, embora tenda a uniformizar práticas e espaços, também intensifica processos de diferenciação e fragmentação territorial.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva . 2. ed. São Paulo: Centauro, 2013.

A tese defendida pelo autor centra-se na construção social da memória que não pode ser considerada um fenômeno exclusivamente individual, além de diferenciar memória de história.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma relação dialógica na construção do conhecimento. São Paulo: Ideias, 2008.

Nesse livro, a autora defende que a avaliação deve ser um processo baseado na reflexão, no diálogo e no incentivo aos estudantes.

HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. Ciências & Letras: revista da Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras. Porto Alegre: Fapa, n. 27, p. 25-35, jan./jun. 2000. (Educação e patrimônio histórico-cultural).

A autora busca conceituar a educação patrimonial como uma prática educativa de valorização do patrimônio cultural.

HYPOLITO, Álvaro Moreira. Padronização curricular, padronização da formação docente: desafios da formação pós-BNCC. Práxis Educacional, v. 17, n. 46, p. 35-52, 2021.

O autor discute a formação de professores em um contexto de padronização moldado pelas diretrizes da BNCC.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: indígenas: primeiros resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge. gov.br/visualizacao/livros/liv102018.pdf. Acesso em: 27 jul. 2025. A publicação traz os principais dados do Censo mais recente, com abordagem centrada em características populacionais dos povos indígenas e sua distribuição no território brasileiro.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cidades e estados do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br. Acesso em: 27 jul. 2025. A plataforma reúne e divulga dados detalhados de municípios e Unidades da Federação brasileiros, com informações territoriais, demográficas, econômicas, sociais e de infraestrutura.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Censo 2022 . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama. Acesso em: 27 jul. 2025. O site apresenta os principais dados do Censo mais recente da população brasileira.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agropecuária . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria. Acesso em: 27 jul. 2025.

A página traz informações sobre a atividade agropecuária no Brasil, possibilitando também análises por Unidade da Federação.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICPO NACIONAL. Educação patrimonial: histórico, conceitos e processos. Brasília, DF: Iphan, 2014.

A obra apresenta a educação patrimonial como fundamental para a compreensão dos patrimônios históricos pela sociedade. Além disso, abordam-se as mudanças do conceito de educação patrimonial ao longo do tempo.

LIMA, Marcos Vinícius da Costa; COSTA, Solange Maria Gayoso da. Cartografia social das crianças e adolescentes ribeirinhas/ quilombolas da Amazônia. Geografares, n. 12, p. 76-113, 2012. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/geografares/article/ view/3189. Acesso em: 2 out. 2025.

Trata da aplicação da cartografia social como ferramenta de representação do território por crianças e adolescentes de comunidades ribeirinhas e quilombolas da Amazônia.

LUCKESI, C. C. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Rev. Pátio, v. 3, n. 12, 2000. Disponível em: https://www.nescon. medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2511.pdf. Acesso em: 2 out. 2025

Para Luckesi, a avaliação deve ser diagnóstica, contínua e processual, com vistas a identificar o desenvolvimento e a dificuldade dos estudantes. Sendo assim, a avaliação torna-se um instrumento para guiar a ação pedagógica indicando as intervenções necessárias para o sucesso da aprendizagem.

LUZ NETO, Daniel Rodrigues Silva; LEITE, Cristina Maria Costa. Elementos constituintes do raciocínio geográfico: uma discussão teórica para a educação básica. Revista Signos Geográficos, v. 3, p. 1-17, 2021.

O artigo realiza uma discussão sobre o raciocínio geográfico na educação básica. Salienta-se que o ensino de Geografia deve ultrapassar o aspecto de memorização e avançar para a prática e inter-relação de diversos elementos, como localização, distribuição, conexão e escala.

MORAIS, Marcia Beatriz Xavier et al . Avaliação diagnóstica no processo de ensino-aprendizagem dos anos iniciais do ensino fundamental. In : CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 7., 2020. Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande, 2020. Disponível em: https://editorarealize.com.br/ editora/anais/conedu/2021/TRABALHO_EV151_MD1_SA102_ ID9003_29072021143849.pdf. Acesso em: 2 out. 2025.

Os autores destacam a importância da avaliação diagnóstica nos anos iniciais do ensino fundamental, visto que permite a percepção do conhecimento prévio dos estudantes, auxiliando o planejamento do professor e a inserção de intervenções.

MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em Geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2015.

Para o autor, a Geografia é uma ciência que estuda a construção social do espaço. Dessa forma, realiza-se a crítica a perspectivas neutras sobre o espaço, visto que este é um produto histórico, social e político.

NÓBREGA, Pedro Ricardo da Cunha. Reflexões didáticas sobre o conceito de região na Geografia. Revista Tamoios, v. 11, n. 1, p. 107-130, 2015.

Nesse texto, discutem-se a complexidade e as modificações do conceito de região. Para o autor, a região não é delineada apenas pelo espaço natural, mas constitui-se em uma construção intelectual e social.

OLIVEIRA, Sandra Regina de. O tempo, a criança e o ensino de História. In: ROSSI, Vera Lúcia Sabongi de; ZAMBONI, Ernesta (org.). Quanto tempo o tempo tem! 2. ed. Campinas: Alínea, 2005. E-book

Por meio de entrevistas, a autora investiga como as crianças compreendem o tempo histórico e como essa compreensão pode ser trabalhada no ensino de História nos anos iniciais do ensino fundamental.

OLIVEIRA, Sandra Regina de. Os tempos que a História tem... In: BRASIL. Ministério da Educação. História: ensino fundamental. Brasília, DF: SEB, 2010. p. 35-58. (Coleção explorando o ensino).

Nesse texto, a autora aponta que o ensino de História deve superar a linearidade e trabalhar com diversas temporalidades e percepções do tempo. Além disso, sugere que se paute a simultaneidade de acontecimentos, continuidades e rupturas para a compreensão do tempo histórico.

OTTO, Clarícia. O ensino de História nos primeiros anos de escolarização: produzir e mediar conhecimentos. In: CARVALHO, Diana et al Relações interinstitucionais na formação de professores. Araraquara: Junqueira & Marin; Florianópolis: Fapeu, 2009. p. 167-185.

Nesse texto, a autora salienta a importância de um ensino de História nos anos iniciais do ensino fundamental que se baseie na construção e na mediação de conhecimentos históricos significativos para a faixa etária.

PANTOJA, R. A.; BORGES, H. S.; OLIVEIRA, M. “O território entre o rio e a floresta”: contribuições sobre a educação do campo e o ensino de geografia na Amazônia ribeirinha. Revista Território e Cidadania, Vitória, n. 3, v. 1, e3653, 2025.

Esse artigo analisa diferentes aspectos do território ribeirinho e seu significado na educação do campo.

PERRENOUD, Philippe. Não mexam na minha avaliação: para uma aprendizagem sistêmica da mudança pedagógica. In: ESTRELA, A.; NÓVOA, A. Avaliações em educação: novas perspectivas. Porto: Porto Editora, 1993. p. 74-174.

O autor defende que para uma efetiva mudança em avaliações engessadas, deve-se alterar todo o sistema pedagógico de forma sistêmica, com a transformação de outras práticas pedagógicas, formação de professores e redefinição da aprendizagem na sala de aula.

SANTOS, Leonor. A articulação entre a avaliação somativa e a formativa, na prática pedagógica: uma impossibilidade ou um desafio?. Ensaio: avaliação e políticas públicas em educação, v. 24, p. 637-669, 2016.

A autora discute a possibilidade de articulação entre avaliação formativa e avaliação somativa. Argumenta-se que embora os processos avaliativos tenham objetivos diferentes, a articulação entre eles é possível.

SCHMIDT, Maria Auxiliadora Moreira dos Santos; CAINELLI, Marlene. Ensinar História. São Paulo: Scipione, 2009. Nesse livro, discorre-se sobre as metodologias e os desafios contidos no ensino de História, que ultrapassa a tradicional memorização de datas e personagens, e pauta-se se na construção do conhecimento pelo estudante.

SILVA, Luis Carlos Borges da. A importância do estudo de história regional e local no ensino fundamental. In : SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 27., 2013. Rio Grande do Norte. Anais [...]. Rio Grande do Norte, 2013. Disponível em: http://snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1372277415_ ARQUIVO_Artigo-HistoriaRegional_NATAL_.pdf. Acesso em: 6 out. 2025.

O autor indica a importância de se utilizar a história regional e local no ensino fundamental, visto que temas mais próximos da realidade dos estudantes tornam a aprendizagem mais significativa.

Sugestões

THOMPSON, Edward. A miséria da teoria: ou um planetário de erros. Tradução: Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. Nesse livro, o autor advoga a favor da adoção teórica do materialismo histórico e da tradição humanista contra o estruturalismo delineado por Louis Althusser.

THOMPSON, Edward. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Tradução: Alexandre Fortes e Antônio Luigi Negro. Campinas: Unicamp, 2001.

O livro analisa a formação da classe operária inglesa durante a Revolução Industrial, com destaque para a agência desse grupo social na formação do operariado, que não pode ser vista apenas como um resultado da dimensão econômica.

TURA, Maria de Lurdes; MACEDO, Elizabete; MARCONDES, Maria Inês. Parâmetros Curriculares Nacionais: uma análise dos conceitos de cidadania, qualidade e diversidade cultural. Revista Educação em Questão, [S. l.], v. 9, n. 2, p. 59-81, 1999.

A partir da análise dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o artigo aborda os conceitos de cidadania, qualidade e diversidade cultural.

ZUCCHI, Bianca Barbagallo. O ensino de História nos anos iniciais do ensino fundamental: teoria, conceitos e uso de fontes.

São Paulo: SM, 2012.

Nesse livro, advoga-se pela construção do pensamento crítico através de conceitos históricos, o que ultrapassa a simples memorização de eventos, datas e personagens. Discute-se como ferramenta central no ensino de História a utilização de fontes históricas diversas ― como fotografias, documentos e objetos.

de leitura: espaços não formais

DAMASCENO, Luiz Victor. História local e educação patrimonial : a feira livre de Bragança do Pará como espaço de aprendizagem histórica. 2023. Dissertação (Mestrado em Ensino de História) – Campus Universitário de Ananindeua, Universidade Federal do Pará, Ananindeua, 2023. O autor aborda em sua dissertação a história local e a educação patrimonial no ensino de História. O estudo explorou o patrimônio cultural a partir da vivência e da experiência proporcionada pela feira livre da cidade de Bragança, no Pará. Destaca-se a importância de a aprendizagem histórica ter como base a memória e a história local. Apresenta-se uma prática pedagógica pautada na história oral e na pesquisa de um espaço não formal em que os estudantes puderam refletir sobre sua própria identidade e historicidade a partir das memórias e comunidades em seu entorno.

SOUZA, Rayanne da Silva. Espaços não formais e ensino de História no ensino fundamental : uma revisão de literatura. Tese (Pós-graduação Lato Sensu em Práticas Pedagógicas) – Instituto Federal do Espírito Santo, Cefor, 2025. Por meio de uma revisão integrativa, a autora aborda as

concepções presentes na literatura sobre os espaços não formais, em que se aponta a importância desses ambientes para diversificar a aprendizagem. Segundo a autora, as pesquisas sobre o tema instrumentalizam os ambientes não formais especialmente no ensino da história local nos anos iniciais do ensino fundamental. Assim, essa abordagem se constitui como uma potencialidade pedagógica na aprendizagem histórica e na construção de uma história mais próxima da vivência dos professores e estudantes.

TRINDADE, Daniela. Aulas passeio promovendo o ensino de História e Ciências nas séries iniciais. Revista Areté : Revista Amazônica de Ensino de Ciências, [ s. l.], v. 8, n. 15, p. 154-164, maio 2017.

Nesse artigo, a autora narra uma experiência de ensino que articulou História e Ciências em visitas a espaços naturais e históricos promovendo, entre outras discussões, a problematização entre problemas ambientais e intervenções históricas e urbanas. Tanto em ambientes formais quanto em não formais, houve a produção de conhecimento pelos estudantes através de textos e imagens.

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