Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa
Direção editorial adjunta Luiz Tonolli
Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva
Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira
Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite
Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda
Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam
Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão
Gerência de produção e arte Ricardo Borges
Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)
Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)
Imagem de capa Guilherme Asthma
Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)
Diagramação Estúdio Anexo
Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga
Licenciamento de textos Erica Brambila
Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Tonett, Michely Alves
A conquista : história e geografia : Região Sul : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Michely Alves Tonett, Ricardo de Castilho Selke, Tamires Pereira Duarte Goulart. -- 1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.
Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.
ISBN 978-85-96-06048-6 (livro do estudante)
ISBN 978-85-96-06049-3 (livro do professor)
ISBN 978-85-96-06050-9 (livro do estudante HTML5)
ISBN 978-85-96-06051-6 (livro do professor HTML5)
1. Brasil, Sul - Geografia (Ensino fundamental)
2. Brasil, Sul - História (Ensino fundamental)
3. Estudos regionais I. Selke, Ricardo de Castilho. II. Goulart, Tamires Pereira Duarte. III. Título.
25-290526
CDD-372.8918161 -372.898161
Índices para catálogo sistemático:
1. Região Sul : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.8918161
2. Região Sul : Brasil : História : Ensino fundamental 372.898161
Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427
Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD
Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300
Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br
Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.
Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33
Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375
APRESENTAÇÃO
Cara professora e caro professor,
Esta obra foi elaborada com o propósito de oferecer uma análise histórico-geográfica da região Sul, destacando suas características e particularidades no contexto nacional.
Contemplamos o espaço geográfico da região e seus elementos naturais, como o clima, o relevo e a vegetação, ressaltando de que maneira esses fatores influenciaram os modos de vida, a organização das atividades econômicas e a distribuição populacional ao longo do território. Reconhecemos a diversidade de saberes, tradições e práticas dos diferentes povos que moldaram aspectos fundamentais da cultura regional e permanecem presentes em hábitos e crenças cotidianas. Além disso, destacamos a relevância intelectual, cultural e econômica de seus descendentes.
Nosso objetivo é construir uma narrativa que vá além de estereótipos, trazendo à tona a importância da memória, da cultura e do patrimônio material e imaterial da região. Considerando que o Sul do Brasil é comumente associado às imigrações, buscamos dar visibilidade à pluralidade de povos que compõem sua identidade, explorando suas origens, culturas, hábitos e costumes.
Esperamos que este material contribua de maneira significativa para a sua prática docente, favorecendo reflexões críticas e ampliando o olhar dos estudantes sobre a diversidade e a riqueza da região Sul.
Desejamos um ótimo trabalho!
Vista da Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra (SC), em 2021.
ORGANIZAÇÃO GERAL DA OBRA
A obra é composta de livro do estudante e livro do professor, nas versões impressa e digital.
LIVROS IMPRESSOS
Livro do estudante
Organizado em unidades temáticas. Cada unidade apresenta dois capítulos que desenvolvem os conteúdos a serem trabalhados com a turma.
Livro do professor
Dividido em orientações específicas, em que reproduz o Livro do estudante na íntegra, em miniatura, com respostas na cor rosa, e em orientações gerais, onde há subsídios sobre teoria e prática docente.
LIVROS DIGITAIS
O livro do estudante e o livro do professor também são disponibilizados no formato digital, em HTML, o que oportuniza o acesso ao material em diferentes aparelhos digitais: smartphones, notebooks e tablets, por exemplo.
Além disso, os livros digitais contêm os objetos digitais , que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica e promover o uso de ferramentas digitais presentes no dia a dia. Eles são indicados pelos ícones:
CONHEÇA SEU LIVRO DO PROFESSOR
Este livro do professor apresenta orientações didáticas que visam apoiar a prática pedagógica. Elas estão organizadas em duas partes.
ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS,
DIVIDIDAS EM:
• Introdução à unidade: texto que apresenta os conteúdos ou conceitos desenvolvidos ao longo da unidade.
• Objetivos da unidade: lista dos objetivos de aprendizagem a serem alcançados.
• BNCC: competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular desenvolvidas ao longo da unidade. Também há menções à BNCC da computação e aos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs).
• Encaminhamento: comentários e orientações didáticas para o desenvolvimento dos conteúdos abordados na página do Livro do estudante. Há dicas, complementos de atividades e de respostas e outras informações.
• Organize-se: relação de materiais que devem ser providenciados com antecedência ou algum preparo de sala de aula, pedido para casa etc.
• Atividade complementar: atividades complementares para auxiliar ou ampliar as propostas do Livro do estudante. Elas também podem ser utilizadas como momentos de avaliação.
• Texto de apoio: trechos de textos de circulação social.
• Sugestão para os estudantes: sugestões comentadas de livros, sites, revistas, aplicativos etc. para o estudante desenvolver e aplicar os conhecimentos.
• Sugestão para o professor: sugestões comentadas de livros, sites, revistas, aplicativos etc. para o professor se aprofundar a respeito dos temas trabalhados.
ORIENTAÇÕES GERAIS, AO FINAL DO VOLUME:
Reflexões sobre região, regionalização e história local, pressupostos teórico-metodológicos da obra, considerações sobre o papel do professor, textos para reflexão do professor e muito mais.
SUMÁRIO
ORIENTAÇÕES GERAIS
REFLEXÕES SOBRE REGIÃO E HISTÓRIA LOCAL X
LIVRO REGIONALIZADO E BNCC
DA BNCC
PAPEL DO PROFESSOR E AS AULAS
OLHAR PARA A ALFABETIZAÇÃO XXIII
PROFESSOR PESQUISADOR: INCENTIVO À BUSCA PELO
CONHECIMENTO DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA LOCAL
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM E PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO
ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM
AVALIATIVOS
DE MEMÓRIAS
REGIONALIZADO: REGIÃO SUL
DE CONTEÚDOS
DE PLANEJAMENTO DE ROTINA
MATRIZ DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA
TEXTOS PARA REFLEXÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS
SUGESTÕES DE LEITURA: ESPAÇOS NÃO FORMAIS
LIVRO DO PROFESSOR
HISTÓRIA E GEOGRAFIA – REGIÃO SUL
COMPONENTE CURRICULAR: REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
Michely Alves Tonett
Especialista em História Contemporânea e Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
Bacharela e licenciada em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Assessora, revisora, editora e autora de materiais didáticos.
Ricardo de Castilho Selke
Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Bacharel em Ciências Sociais pela UFSC.
Assessor pedagógico e educador em cursos e oficinas de formação de professores. Autor e editor de materiais didáticos e supervisor editorial.
Tamires Pereira Duarte Goulart
Doutora em Educação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Mestra em Linguística Aplicada pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
Especialista em Atendimento Individualizado — Sala de Recursos pela UCPel.
Graduada em Letras pela UCPel.
Graduada em Pedagogia pelo Centro Universitário Facvest (Unifacvest-SC).
Professora, psicopedagoga, supervisora de ensino e formadora em cursos para professores.
Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa
Direção editorial adjunta Luiz Tonolli
Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva
Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira
Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite
Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda
Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam
Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão
Gerência de produção e arte Ricardo Borges
Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)
Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)
Imagem de capa Guilherme Asthma
Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)
Diagramação Estúdio Anexo
Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga
Licenciamento de textos Erica Brambila
Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Tonett, Michely Alves
A conquista : história e geografia : Região Sul : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Michely Alves Tonett, Ricardo de Castilho Selke, Tamires Pereira Duarte Goulart. -- 1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.
Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.
ISBN 978-85-96-06048-6 (livro do estudante)
ISBN 978-85-96-06049-3 (livro do professor)
ISBN 978-85-96-06050-9 (livro do estudante HTML5)
ISBN 978-85-96-06051-6 (livro do professor HTML5)
1. Brasil, Sul - Geografia (Ensino fundamental)
2. Brasil, Sul - História (Ensino fundamental)
3. Estudos regionais I. Selke, Ricardo de Castilho. II. Goulart, Tamires Pereira Duarte. III. Título.
25-290526
CDD-372.8918161 -372.898161
Índices para catálogo sistemático:
1. Região Sul : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.8918161
2. Região Sul : Brasil : História : Ensino fundamental 372.898161
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Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br
Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.
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APRESENTAÇÃO
Olá, estudantes paranaenses, catarinenses e gaúchos!
Sejam bem-vindos aos estudos de História e Geografia de nossa região Sul.
Este livro será um importante companheiro para o melhor entendimento sobre diversos assuntos relacionados aos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
A partir dele e das trocas com os colegas e o professor, vocês serão convidados a conhecer e analisar a diversidade da natureza, das culturas e da sociedade da região Sul. Também compreenderão a importância dos saberes locais e dos diversos patrimônios dos muitos povos que formam nossa região.
Além disso, vocês serão desafiados a refletir e a propor soluções para problemas de seu cotidiano e de suas comunidades.
Esperamos que este livro colabore para o entendimento sobre seus lugares no mundo e seja um
CLARISSAFRANÇA
CONHEÇA SEU LIVRO
Seu livro da região Sul está dividido em quatro unidades. As aberturas de unidade trazem imagens e atividades que buscam despertar sua curiosidade sobre aquilo que vai ser estudado.
Dentro das unidades, você vai encontrar textos, brincadeiras, fotografias, desenhos, mapas, atividades... Um montão de coisas para descobrir e aprender com a turma.
3. Resposta pessoal. Estimule os estudantes a
comparações entre a paisagem apresentada e as paisagens de seu lugar de vivência. Solicite a eles que apontem as similaridades e as diferenças.
No Descubra mais, há indicações de livros, sites, museus, vídeos e outras fontes culturais.
O glossário explica algumas palavras que talvez você não conheça e dá contexto para elas.
Missões jesuíticas Uma das formas encontradas pelos europeus para ocupar os territórios e tentar controlar os povos indígenas foram as missões ou reduções jesuíticas. Os missionários jesuítas visavam à catequização dos indígenas e os levavam a abandonar seus modos de vida e costumes tradicionais. No século 17, construíram diversas reduções onde hoje estão os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. As reduções eram aldeamentos administrados pelos jesuítas. Nelas, povos indígenas eram responsáveis por todo o trabalho, como o cultivo de alimentos e a criação de gado, além de terem uma rotina de obrigações religiosas cristãs. Observe o mapa com a localização dos Sete Povos das Missões,
QUEM É?
e portugueses ficou conhecida como Guerras Guaraníticas.
No Quem é?, você aprenderá sobre a vida de pessoas importantes para a região.
As atividades de pesquisa, individuais ou em grupo, geralmente estão no Você detetive. Pode ser que você também precise da ajuda de seus familiares e de outros adultos que fazem parte de seu dia a dia nesses momentos.
Este destaque apresenta os principais conceitos estudados, para você encontrar todos com facilidade.
O Para rever o que aprendi, ao final de cada unidade, vai ajudar você e o professor a identificarem o que você já aprendeu e aquilo de que precisa de mais ajuda para aprender.
PARA REVER O QUE APRENDI
paisagem rural e qual fotografia retrata uma paisagem urbana?
b) Quais diferenças você observa entre as duas paisagens retratadas?
Dica: Você sabia que a audiodescrição é um jeito de mostrar uma imagem para uma pessoa com deficiência visual? A audiodescrição é um texto gravado em áudio e permite que uma imagem seja traduzida em palavras, tornando-a compreensível para pessoas que não podem enxergá-la.
c) Observe novamente as fotografias e elabore um texto de audiodescrição para cada uma delas. Destaque aspectos da paisagem do campo e da paisagem da cidade.
2 Quais são as principais atividades econômicas desenvolvidas no campo e nas cidades da região Sul?
3 Quais são os principais produtos agropecuários da região Sul?
Estes ícones mostram como você deve realizar as atividades.
Objetos digitais
a) De acordo com as imagens de satélite, por qual processo a cidade de Chapecó passou entre os anos de
e
Explique como
chegou a essa conclusão. b) No período retratado, você acha que a paisagem da cidade de Chapecó sofreu transformações? Explique.
Estes ícones identificam os objetos digitais presentes no livro. Os materiais digitais apresentam assuntos complementares ao conteúdo trabalhado na obra, ampliando ainda mais sua aprendizagem.
município ou estado. A erva-mate é consumida em diferentes estados do Brasil, assim como em países vizinhos, por exemplo, Uruguai,
imaterial de
Na seção Diálogos , você e a turma vão conhecer semelhanças e diferenças que existem dentro de sua região e em sua região com relação às outras regiões do país.
O Dica traz informações que complementam os assuntos estudados.
Infográfico clicável Mapa clicável
NÃO SE ESQUEÇA DE QUE SEU LIVRO VAI SER USADO POR OUTRO COLEGA NO PRÓXIMO ANO. POR ISSO, CUIDE BEM DO SEU LIVRO E NÃO ESCREVA NELE.
UNIDADE 2 UNIDADE 3
CAMPO E CIDADE NO SUL
VERIDIANA
CAMELO
POPULAÇÃO E FUTURO DO SUL
1 POPULAÇÃO DO SUL
Distribuição
Diversidade étnica e cultural da população
Condições de vida no
Diálogos • Desigualdades de renda no Brasil
Referências bibliográficas comentadas
Objetos digitais
Mapa clicável: Brasil: biomas presentes na região Sul 21
Infográfico clicável: Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo 53
Mapa clicável: Brasil: territórios indígenas da região Sul
Infográfico clicável: Areal da Baronesa
Infográfico clicável: Assaí: um pedacinho do Japão no Brasil
Infográfico clicável: Rio Grande do Sul, o grande produtor de arroz
69
Mapa clicável: Brasil: hierarquia dos centros urbanos da região Sul 97
Infográfico clicável: As Cataratas do Iguaçu 101
Infográfico clicável: Pesca com botos em Laguna: parceria e preservação 138
INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, são apresentados estudos introdutórios sobre a região Sul do Brasil. No Capítulo 1, os estudantes são convidados a refletir sobre o que é uma região e quais aspectos são determinantes para delimitá-la. Logo, discorre-se sobre as divisões do território brasileiro, oferecendo uma visão ampla sobre o Brasil e sobre como o território do país é organizado em unidades político-administrativas: as Unidades da Federação e os municípios. Em seguida, são apresentadas as grandes regiões do Brasil e as diferentes regionalizações do país e problematizados os aspectos que unem Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na região.
No Capítulo 2, exploram-se os aspectos naturais e humanizados da região Sul, contextualizando fatores históricos e geográficos para que os estudantes compreendam as transformações pelas quais ela passou ao longo do tempo. Serão trabalhados, assim, registros de memória e os significados sociais atribuídos a esses espaços. Assim, em um movimento de ampliação, a unidade se desloca do estudo dos espaços mais próximos para a formação territorial dos municípios e das Unidades da Federação e os significados sociais e culturais que lhes são atribuídos, destacando como as culturas e os espaços se constituem e se modificam.
UNIDADE NOSSA REGIÃO SUL
Objetivos da unidade
• Identificar aspectos naturais, humanizados e históricos da região Sul do Brasil.
• Interpretar características dos espaços geográficos, identificando semelhanças que aproximam os estados da região Sul.
• Compreender os conceitos de região e território com exemplos verbais, visuais e cartográficos, considerando a divisão política do Brasil.
• Comparar e discutir diferentes regionalizações do Brasil e da região Sul contextualizando aspectos históricos e geográficos da formação territorial brasileira.
• Caracterizar relevo, hidrografia, clima, vegetação e os atuais problemas ambientais da região Sul.
• Relacionar os recursos naturais da região Sul com a cultura de seus habitantes.
• Propor atitudes de conscientização para conservar o meio ambiente da região Sul.
1 A imagem mostra uma paisagem natural famosa de uma região do Brasil. Você sabe o que significa a palavra região?
2 Em nosso país, por que as paisagens mudam de acordo com o lugar?
3 Você conhece alguma paisagem de seu lugar de vivência que atraia turistas, como mostra a imagem?
1. Resposta pessoal. Esse é um momento propício para levantar os conhecimentos prévios dos estudantes acerca do uso que eles fazem do termo região
2. Resposta pessoal. Verifique se os estudantes apontam alguns fatores, como a variação de clima e os tipos de vegetação e de relevo.
3. Resposta pessoal. Estimule os estudantes a estabelecer comparações entre a paisagem apresentada e as paisagens de seu lugar de vivência. Solicite a eles que apontem as similaridades e as diferenças.
Sugestão para o professor
IBGE EDUCA. Passo a passo: produção de mapas táteis para pessoas com deficiência visual. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/professores/educa -recursos/20774-passo-a-passo-producao-de-mapas-tateis-para-pessoas-com-deficiencia -visual.html. Acesso em: 26 ago. 2025. Nessa página do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), detalha-se a confecção de um mapa tátil com um vídeo e um passo a passo ilustrado. A acessibilidade do material didático é um fator importante para a inclusão. O processo de aprendizagem acontece essencialmente por estímulos sensoriais, a saber: visuais, auditivos e cinestésicos. No planejamento de aulas inclusivas, o uso de recursos de acessibilidade para trabalhar textos, ideias e imagens pode garantir a participação de todos.
Assim, proponha a produção de mapas táteis em sala de aula, utilizando texturas diversas para marcar as diferentes regiões em cada proposta de regionalização do Brasil.
BNCC
Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 4 e 5. Competências específicas de Ciências Humanas: 2, 5 e 7. Competências específicas de Geografia: 1, 3, 4 e 7. Competências específicas de História: 1 e 5.
TCTs: Meio ambiente: educação ambiental; Multiculturalismo: diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula questionando os estudantes o que sabem sobre seu lugar de vivência, como o nome do município e do estado em que vivem, os elementos da natureza que mais se destacam nas paisagens locais, as características do clima etc. Depois, questione-os: vocês já ouviram falar que moramos na região Sul do Brasil? Sensibilize-os para o assunto a ser desenvolvido. Espera-se que os estudantes dialoguem livremente sobre o tema, expondo seus conhecimentos prévios. Nessa sondagem inicial, verifique o uso que fazem da palavra região, procurando distinguir se se aproxima de uma abordagem geográfica ou de uso no cotidiano.
Explore a ilustração da abertura da unidade, buscando relacionar os elementos naturais e humanizados com a região Sul. Pergunte aos estudantes como eles imaginam que está o tempo no dia retratado. Espera-se que percebam que trata-se de um dia frio de inverno. Chame também a atenção para outros elementos da cena, como o chimarrão, a chipa paraguaia e o quati. Reforce, assim, particularidades regionais.
ENCAMINHAMENTO
Converse com os estudantes sobre o que é uma vivência e relacione esse conceito à memória. Explique que o conhecimento que formamos acerca do espaço geográfico do país e do mundo é elaborado continuamente por cada pessoa de diversas maneiras ao longo da vida e se vincula aos lugares que frequentamos, aos que visitamos muito ou ocasionalmente e, ainda, àqueles dos quais ouvimos falar na televisão ou em outros meios de comunicação. Assim, nossas experiências individuais e coletivas nos espaços onde vivemos constituem memórias da nossa história. É importante que os estudantes se conscientizem de que vão se apropriar dos conceitos geográficos apresentados no capítulo com base na percepção espacial que formam em suas experiências cotidianas.
Peça aos estudantes que leiam a representação da mensagem instantânea de aplicativo. Para o fortalecimento do processo de alfabetização, explique que esse gênero textual geralmente é curto e usado para comunicação rápida. Reforce, também, a responsabilidade no uso de tecnologia, comentando que é preciso ter cuidado ao enviar mensagens por aplicativos, evitando o compartilhamento de informações pessoais com pessoas desconhecidas.
Questione os estudantes: como é a paisagem da praia de Torres? E a paisagem do nosso município? Proponha-lhes que comparem coletivamente as diferenças e as semelhanças existentes entre elas. Essa sondagem visa aproximá-los do conceito de região.
Legenda da fotografia: Praia em Torres (RS), em 2025.
REGIÃO E MEU LUGAR DE VIVÊNCIA
Em quais situações você já usou ou escutou a palavra região em seu dia a dia? Consegue se lembrar?
A palavra região costuma ser utilizada para se referir a partes de um todo. Por exemplo, quando alguém está com dores em alguma região do corpo ou nunca visitou determinada região da cidade onde vive.
Leia a mensagem que Júlia, uma menina de 13 anos que mora no município de Blumenau, em Santa Catarina, enviou para sua amiga Bárbara.
Oi, Bárbara! Estou aproveitando as férias com minha família, visitando minha avó que mora em Torres, no Rio Grande do Sul. Estamos curtindo muito as praias da região. Veja esta foto de uma praia que visitamos e adoramos.
Na Geografia, região é uma área do espaço geográfico delimitada a partir de características comuns.
1 Releia a mensagem de Júlia. Você já usou a palavra região de maneira parecida? Compartilhe as ideias com os colegas.
Resposta pessoal. Incentive os estudantes a relatar o uso da palavra região para se referir a determinada área do espaço geográfico.
2 Em casa, pergunte para seus familiares em quais situações eles utilizam a palavra região. Anote os exemplos no caderno e, depois, compartilhe com a turma.
12
Resposta pessoal. É interessante explorar os exemplos trazidos pelos estudantes e compará-los com o conceito de região apresentado em Geografia.
Atividade complementar
Uma sugestão para consolidar a noção de vivência a fim de articulá-la futuramente ao estudo da região é criar com a turma uma caixinha de vivências. Peça aos estudantes que registrem, em uma folha de papel avulsa, uma palavra, uma frase ou um desenho que represente memórias que eles têm sobre o lugar de vivência deles ou sobre um local que tenham conhecido em um passeio ou viagem. Outra possibilidade é que eles tragam um recorte ou uma fotografia. Peça a cada um que conte suas memórias em relação a esse espaço e, depois, guarde a lembrança trazida ou elaborada na caixinha de vivências. Esse material poderá ser retomado posteriormente, conforme o critério adotado pelo professor. Trabalhe esta atividade de modo interdisciplinar com Língua Portuguesa ou Arte, flexibilizando expressão oral e registro escrito para os estudantes que assim demandarem.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Divisões do território brasileiro
O território brasileiro é delimitado por fronteiras e está organizado em 26 estados e um Distrito Federal. Essas 27 unidades são chamadas Unidades da Federação (UFs) e estão separadas umas das outras por divisas.
Os estados estão divididos em unidades menores, chamadas municípios, que por sua vez estão separados uns dos outros por limites. Em cada estado há uma capital, município onde fica a sede do governo estadual. O Distrito Federal (DF) possui uma organização distinta e é dividido em regiões administrativas.
Brasil: político
VENEZUELA GUIANA
Boa Vista
Equador
RORAIMA (RR)
Manaus
AMAZONAS (AM)
ACRE (AC)
Porto Velho Rio Branco
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
ENCAMINHAMENTO
AMAPÁ (AP)
PARÁ (PA)
SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA) COLÔMBIA PERU
RONDÔNIA (RO)
BOLÍVIA
OCEANO PACÍFICO
Capital estadual
Capital federal
Divisa estadual
Fronteira internacional
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Belém Macapá
São Luís Fortaleza
MARANHÃO (MA)
Teresina
PIAUÍ (PI)
CEARÁ (CE)
RIO GRANDE DO NORTE (RN)
PARAÍBA (PB)
PERNAMBUCO (PE)
TOCANTINS (TO)
MATO GROSSO (MT) DISTRITO FEDERAL (DF) BRASÍLIA
Cuiabá
GOIÁS (GO)
MATO GROSSO DO SUL (MS)
PARAGUAI
Campo Grande Natal
Goiânia Palmas
SÃO PAULO (SP)
PARANÁ (PR)
ARGENTINA
SERGIPE (SE)ALAGOAS (AL)
BAHIA (BA)
João Pessoa Recife Maceió Aracaju
Salvador
ATLÂNTICO
MINAS GERAIS (MG) ESPÍRITO SANTO (ES)
Belo Horizonte
Vitória
RIO DE JANEIRO (RJ)
Rio de Janeiro São Paulo Curitiba
SANTA CATARINA (SC)
RIO GRANDE DO SUL (RS)
Trópico de Capricórnio
Florianópolis
Porto Alegre
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.
1 Localize no mapa Brasil: político o estado brasileiro onde você vive.
Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Os estudantes podem responder Paraná, Santa Catarina ou Rio Grande do Sul.
2 Você já visitou alguma outra UF brasileira? Se já visitou, qual?
Respostas pessoais. Incentive os estudantes a relatar suas experiências e a compartilhá-las com os colegas.
25/09/2025 14:49
Atividade complementar Uma possibilidade de trabalho com o mapa proposto na página, para auxiliar os estudantes a se familiarizar com representações cartográficas oficiais da organização político-administrativa do território nacional, é propor-lhes que realizem a montagem de um quebra-cabeça elaborado com uma cópia ampliada do mapa político do Brasil. Aproveite para verificar durante a preparação para a atividade se a turma compreende que as siglas do mapa político do Brasil derivam das letras do nome a que se referem. Cada Unidade da Federação deverá ser cortada formando uma peça. Prepare esse material previamente à realização da atividade, considerando uma cópia do quebra-cabeça para cada grupo de estudantes. Se necessário, comente que podem utilizar o mapa do livro como referência durante a montagem. Essa proposta de atividade prática colaborativa pode ser uma estratégia para favorecer a aprendizagem de estudantes não verbais.
Questione os estudantes se sabem como o território brasileiro é organizado. Explique que o Brasil se organiza em unidades territoriais menores, as Unidades da Federação (UF). Destaque para eles que esse conhecimento será fundamental para o trabalho com as informações históricas e geográficas sobre as regionalizações do país e da região Sul presentes no capítulo.
Proponha uma leitura coletiva sobre as divisões do território brasileiro e relacione a organização das divisões do território do Brasil com o mapa. Explique o que significam o limite municipal e a divisa estadual, a fim de que os estudantes percebam que esses conceitos se referem à delimitação responsável por estabelecer a configuração territorial de municípios e Unidades da Federação (UFs), mas não necessariamente limitam a paisagem natural. Uma ideia é afixar no chão uma fita autoadesiva e dividir a sala de aula com base em algum critério, como uso do espaço (áreas demarcadas para estudo em carteiras, para cantinho de leitura e para o professor), recursos disponíveis, entre outras possibilidades. Assim, eles poderão perceber que, embora possa ser subdividido de acordo com critérios variados, o espaço permanece um todo.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
(EF03CO03) Aplicar a estratégia de decomposição para resolver problemas complexos, dividindo esse problema em partes menores, resolvendo-as e combinando suas soluções.
ENCAMINHAMENTO
Explore os mapas de forma coletiva com os estudantes e realize explicações contextualizadas para que possam compreender a relação entre município, estado e país, destacando que essa é uma ordem crescente de escala geográfica das unidades territoriais brasileiras. Explique que compreender as escalas geográficas é como usar o botão de zoom em um mapa digital: aproximar e afastar a visão nos ajuda a perceber diferentes amplitudes do espaço, desde o mais próximo do nosso próprio olhar até o mais amplo, como se estivéssemos vendo da janela de um avião.
Redirecione o olhar da turma novamente para os mapas e verifique se os estudantes identificam a representação do estado de Santa Catarina no mapa político do Brasil. Em seguida, apresente o mapa com a malha municipal de Santa Catarina. Explore o re-
Municípios e estados
Os municípios são as menores unidades político-administrativas oficiais existentes no território nacional.
A sequência de mapas mostra o território nacional, a localização do estado de Santa Catarina e a localização do município de Florianópolis (SC) no estado.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 92.
Brasil: político
São José Biguaçu Antônio Carlos
São Pedro de Alcântara Santo Amaro da Imperatriz
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Mapa político do estado de Santa Catarina. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. Disponível em: https://geoftp.ibge.gov.br/ cartas_e_mapas/mapas_estaduais_e_ distrito_federal/politico/2015/sc_ politico550k_2015.pdf. Acesso em: 26 mar. 2025.
São Bonifácio Águas Mornas
conhecimento do traçado das divisas entre os estados e a diferenciação do traçado dos limites entre um município e outro. Com base nesse mapa, questione os estudantes sobre os municípios que conhecem. Depois, apresente o mapa de Florianópolis, a capital catarinense, e oriente-os a reconhecer seus municípios vizinhos.
Sugestão para o professor
IBGE EDUCA. Crianças. Mapas. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://educa. ibge.gov.br/criancas/mapas-5.html. Acesso em: 29 ago. 2025.
Nessa página, o IBGE disponibiliza cópias de mapas mudos e mapas para o ensino fundamental de todas as unidades federativas e regiões do Brasil para consulta, impressão e uso escolar. Há também mapas-múndi e mapa da América do Sul.
Agora, observe as malhas municipais dos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, que também estão situados na região Sul.
malha
Trópico de Capricórnio
Rio Grande do Sul: malha
1. Auxilie os estudantes a fazer a pesquisa. Se achar interessante, é possível levar um mapa político do município onde se encontra a escola para mostrar a localização dela no estado e os municípios vizinhos, além de verificar se há algum distrito no município.
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 96.
VOCÊ DETETIVE
1. Com o auxílio do professor, faça uma pesquisa a respeito do município onde sua escola está localizada. Depois, responda às questões no caderno.
a) Em qual estado está situado o município onde fica sua escola?
b) Esse município faz divisa com quais outros municípios?
c) Esse município apresenta algum distrito?
Respostas pessoais.
Atividade complementar
Complemente a exploração do mapa da malha municipal de Santa Catarina com a leitura coletiva dos mapas do Paraná e do Rio Grande do Sul representando a mesma informação espacial. Solicite aos estudantes que comparem os traçados dos limites municipais e expressem suas percepções visuais comparativamente. Por fim, volte a reforçar que a região Sul é formada pelos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
14:49
Converse com os estudantes sobre os modos de organização do espaço dos municípios, destacando que costumam reunir espaços urbano (onde se localiza a sede municipal) e rural, apesar de existirem municípios com predomínio de espaço urbano e outros em que o rural é mais extenso. Questione-os: como é possível caracterizar esses dois modos de ocupação do espaço do município? Peça-lhes que considerem as atividades econômicas mais praticadas, a concentração ou dispersão da população, a infraestrutura construída e os jeitos de as pessoas conviverem e se relacionarem. Ressalte que os espaços urbano e rural são muito interdependentes. Amplie as considerações e questione: que municípios são vizinhos ao seu? Qual é a importância deles? Explique que a relação de vizinhança entre municípios também envolve trocas e interdependência de atividades. Assim, pode ocorrer, por exemplo, de precisarmos ir ao município vizinho para realizar uma consulta médica, comprar algum item ou desfrutar um momento de lazer.
Organize a pesquisa proposta no boxe Você detetive indicando os sites do governo do estado, da prefeitura e do IBGE e outros materiais de consulta. Mostre aos estudantes que a pesquisa pode ser subdividida. Explique que, em vez de buscar todas as informações de uma só vez, convém primeiro identificar o estado em que o município se encontra, depois pesquisar os municípios que o compõem, em seguida, localizar o município de interesse, para então reconhecer os municípios vizinhos e, por fim, verificar se há distritos. Essas etapas facilitam a organização da pesquisa, o uso de diferentes fontes de informação e o trabalho colaborativo em que cada um se responsabiliza por parte da investigação. Ao aplicar a estratégia da decomposição para resolver problemas, os estudantes estão exercitando a habilidade EF03CO03 da BNCC da computação. Por fim, os estudantes devem reunir os resultados para elaborar a resposta final em um parágrafo estruturado com começo, meio e fim, usando conectores que deem coesão ao texto.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a leitura coletiva e dialogada do texto, que apresenta o funcionamento básico do município. Destaque as responsabilidades da prefeitura, que incluem a oferta obrigatória de serviços públicos, como saúde, educação, limpeza e transporte. Questione quais desses serviços os estudantes e seus familiares usam, estimulando-os a perceber situações cotidianas vinculadas ao trabalho do poder público. Explore as imagens da página conduzindo a observação coletiva. Peça aos estudantes que descrevam o que veem e identifiquem a função pública de cada espaço retratado. Proponha a comparação com a realidade local a fim de que se recordem de espaços semelhantes em seu município e reflitam sobre como são frequentados pela população.
1. b) Espera-se que os estudantes entendam o papel da prefeitura na administração do município. Para sanar um problema, o prefeito pode propor projetos de lei, planejar obras e serviços, entre outros.
2. Explique a diferença entre mapa e croqui, destacando que o croqui é um desenho mais simples que esboça localizações relativas de pontos de interesse em determinado trajeto. Com o apoio de ferramentas digitais, localize com os estudantes a prefeitura e a Câmara Municipal, relacionando esses órgãos com a localização das moradias de cada um. Se possível, solicite a inclusão de outros marcos espaciais do município, para ampliar as noções de espacialidade.
Em geral, um município possui uma área urbana e uma área rural e é governado por um prefeito, que é eleito a cada quatro anos.
Muitos municípios podem apresentar uma subdivisão chamada distrito. No entanto, a prefeitura municipal ainda é a responsável por sua administração.
A prefeitura municipal é responsável por cuidar de alguns serviços relacionados ao município e seus moradores. Entre as responsabilidades estão a educação, a saúde, o transporte e a limpeza das ruas. O trabalho do prefeito é fiscalizado pelos vereadores, que também são eleitos a cada quatro anos. Os vereadores criam e aprovam leis na Câmara dos Vereadores.
1 Pergunte aos seus familiares sobre o município onde vocês vivem e anote as respostas no caderno.
a) Qual é o nome do prefeito de seu município?
Resposta de acordo com o município dos estudantes.
b) Quais são alguns dos problemas do seu município? Pesquise o que prefeito pode fazer para resolvê-los.
Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
2 Vocês sabem onde ficam a Prefeitura e a Câmara Municipal do município onde moram? Com o auxílio do professor e de ferramentas digitais, façam um croqui representando a moradia de vocês e a localização desses espaços públicos.
16
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Sugestão para os estudantes
CADERNO DO VEREADOR MIRIM. Novo Hamburgo: Câmara Municipal de Novo Hamburgo, 2017.
A publicação é uma iniciativa da Câmara Municipal de Novo Hamburgo (RS) e apresenta o projeto Vereador Mirim, que propõe a participação de crianças na organização municipal.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Crianças em sala de aula em Bento Gonçalves (RS), em 2023.
Terminal urbano de ônibus em Paranaguá (PR), em 2025.
Hospital municipal em Joinville (SC), em 2025.
Praça no centro histórico de Curitiba (PR), em 2023.
Grandes regiões
A divisão política não é a única maneira de dividir o território do país. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) organiza as 27 Unidades da Federação do Brasil em cinco grandes regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul.
Nessa divisão do território brasileiro, o IBGE levou em conta as características da sociedade, da economia e da natureza desses locais para agrupá-los em regiões. Observe o mapa a seguir.
Brasil: grandes regiões (1988)
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
ENCAMINHAMENTO
Dica: O IBGE é o órgão responsável pelo levantamento de informações e dados da realidade brasileira.
3. Resposta pessoal. Estimule os estudantes a levantar hipóteses a respeito das características em comum que os estados da região apresentam. Por exemplo, eles podem considerar aspectos naturais e sociais.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 92.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 O estado onde você vive faz parte de qual região do Brasil?
3 Em sua opinião, o que há em comum entre os estados que formam a região onde você vive? Com um colega, escreva a resposta no caderno. Da região Sul.
2 Quais são os outros estados que fazem parte da região onde você vive? Responda no caderno.
Os estados que compõem a região são: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A resposta depende do estado onde os estudantes residem.
Atividade complementar
Distribua uma folha de papel avulsa para cada dupla da atividade 3 . Peça a cada estudante que discuta com o colega que melhorias poderia incorporar à própria resposta elaborada para a atividade 3 , a fim de que, em conjunto, possam redigir um único texto. Em seguida, incentive-os a passar a versão final do texto a limpo na folha que foi entregue. Recolha as produções dos estudantes e realize uma exposição das respostas elaboradas por eles, afixando-as em um mural para que possam apresentar suas descobertas acerca do tema trabalhado na atividade.
Outra possibilidade de trabalho é recolher as respostas de cada dupla e distribuí-las de forma aleatória entre os pares, para que realizem a leitura das produções dos colegas.
Explique que a divisão regional oficial do Brasil em cinco grandes regiões organiza o território usando como critérios: localização e proximidade entre as Unidades da Federação, além de características físicas (naturais), econômicas e sociais. Destaque que essa regionalização é uma generalização que nem sempre respeita as especificidades de porções do território. Promova a leitura do texto de forma coletiva. Informe que o IBGE é o órgão federal responsável pela contagem periódica da população e pela execução de diversas pesquisas que reúnem dados socioeconômicos para retratar a realidade do país e subsidiar políticas públicas com informações populacionais confiáveis e atualizadas. 3. Oriente-os a formar duplas e a estabelecer relações entre o lugar de vivência deles e a região a que pertencem. Incentive a elaboração de frases sobre as semelhanças existentes entre os estados da região Sul no caderno. Após a escrita, possibilite as trocas entre as duplas. Espera-se que os estudantes mencionem aspectos como invernos mais rigorosos, ocorrência de matas de araucárias, influência cultural de diversos povos europeus, entre outros.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
ENCAMINHAMENTO
Discuta com os estudantes os aspectos levados em consideração para agrupar os três estados da região Sul, como características geográficas e traços culturais comuns, apesar de apresentarem singularidades importantes.
Verifique se conseguem compreender as informações geográficas representadas no mapa político da região Sul por meio destas questões: quais municípios aparecem em destaque? Quais estados formam a região representada? Quais são os países que fazem fronteira com a região? Qual oceano banha o litoral dos três estados?
Caracterize o que distingue a região Sul das demais regiões: aspectos físicos como o clima subtropical (com verões amenos e invernos mais frios); presença de serras e planaltos; coberturas vegetais como os campos do Pampa gaúcho e a Mata de Araucárias.
Outras características que diferenciam a região estão relacionadas à diversidade cultural e étnica do Sul, que apresenta grande influência de imigrantes europeus (como italianos, alemães, poloneses e ucranianos) que contribuíram para a formação de uma rica variedade de manifestações culturais, tradições e modos de vida.
Região Sul
A região Sul é formada pelos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Esses estados brasileiros apresentam muitas semelhanças, que podem ser percebidas na história, na cultura de seus habitantes e nas paisagens regionais.
Por exemplo, os estados da região Sul costumam registrar temperaturas mais baixas no inverno em comparação com outras regiões do Brasil, o relevo é marcado principalmente por planaltos e a cultura apresenta forte influência dos povos europeus que imigraram para a região.
Sul: político
Rio Grande do Sul
Gentílico: gaúcho ou sul-rio-grandense
Capital: Porto Alegre
Número de municípios: 497
Gentílico: nome usado para indicar onde uma pessoa nasceu ou vive atualmente.
INSTITUTO BRASILEIRO DE
E
Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.
Depois do trabalho de discussão das bandeiras, leia coletivamente os boxes que descrevem cada estado e explore as três paisagens representadas, por exemplo, questionando o estado a que elas pertencem e os elementos naturais e humanizados de cada uma. Explore, também, as semelhanças e as diferenças entre as paisagens. 18
Amplie a exploração das páginas 18 e 19 destacando as bandeiras de cada estado. Reforce que são representativas dos estados e que cores, disposição do texto e ilustrações costumam se associar à história local. Questione: vocês conhecem a bandeira de seu município? Caso a escola tenha essa bandeira, explique o significado de seus símbolos. Discuta o motivo de alguns elementos serem escolhidos para compor uma bandeira e a relação que eles têm com a história e a cultura local.
Fonte:
GEOGRAFIA
ESTATÍSTICA.
Usina do Gasômetro, um ponto turístico de Porto Alegre (RS), em 2024. A usina é um prédio antigo que já foi uma fábrica e hoje é um centro cultural que fica às margens do Lago Guaíba.
ARGENTINA
Paraná
Gentílico: paranaense
Capital: Curitiba
Número de municípios: 399
Museu Oscar Niemeyer, também conhecido como Museu do Olho, um importante ponto turístico no município de Curitiba (PR), em 2022.
Atividade complementar
Divida a turma em três grupos e proponha uma pesquisa sobre a origem dos nomes dos estados da região Sul. Reserve um momento para que compartilhem as descobertas. Exponha oralmente as informações indicadas nas fontes a seguir.
Santa Catarina
Gentílico: catarinense
Capital: Florianópolis
Número de municípios: 295
Ribeirão da Ilha é um bairro histórico em Florianópolis (SC), famoso pelas casas antigas no estilo colonial e pela preservação das tradições dos imigrantes açorianos, em 2022.
1 Observe o mapa Sul: político e responda às questões no caderno com o auxílio da rosa dos ventos.
a) O que está situado ao norte da região Sul?
Ao norte da região Sul estão situados os estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.
b) O que está situado a oeste da região?
A oeste da região estão situados os países vizinhos Paraguai e Argentina.
c) O que está situado ao sul da região?
Ao sul da região está situado o país vizinho Uruguai.
2 Entre os estados da região Sul, qual deles tem o maior número de municípios?
Rio Grande do Sul.
ENCAMINHAMENTO
25/09/2025 14:49
1. Mostre no mapa a rosa dos ventos, ressaltando que esse recurso orienta a leitura cartográfica. Explique que a orientação dos mapas costuma privilegiar o posicionamento do norte na parte superior. A partir dessa direção, são estabelecidas as demais a fim de que se possa indicar a posição geográfica relativa entre as localidades representadas no mapa. Durante a realização da atividade, incentive os estudantes a construir afirmativas completas para expressar as relações espacial, consolidar o raciocínio espacial e praticar a linguagem geográfica, como nestes exemplos: “Ao norte da região Sul estão os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul” e “Ao sul da região Sul se localiza o Uruguai”. Escute atentamente as contribuições de cada um, mesmo quando não estiverem corretas. Valorize as tentativas para gerar um ambiente de confiança que estimula novas participações. Finalize retomando o objetivo da atividade para que os estudantes reconheçam a habilidade mobilizada e a finalidade dela.
O nome Paraná se refere ao Rio Paraná e vem da língua tupi: para significa mar e anã quer dizer parecido, parente. Indica, assim, “rio como o mar” ou “rio semelhante ao mar” (COLOMBO, Renan. Nossa língua. Gazeta do Povo, 14 abr. 2009. Disponível em: https:// www.gazetadopovo.com.br/ educacao/nossa-lingua-b j1t0jirc6y6v2p2gdkh8bz9q/. Acesso em: 26 ago. 2025).
O nome Santa Catarina pode ser uma homenagem à santa católica Catarina de Alexandria (VOCÊ sabia que SC tem uma “Baía dos Perdidos”? Confira algumas curiosidades sobre nosso Estado. Portal do Estado de Santa Catarina, c2025. Disponível em: https://estado.sc.gov.br/ conheca-sc/historia/. Acesso em: 26 ago. 2025).
Ao chegar à foz da Lagoa dos Patos, os portugueses a nomearam erroneamente de Rio Grande. Assim, por estar ao sul do Brasil, o nome do estado passou a ser Rio Grande do Sul (DE ONDE vêm os nomes do Rio Grande do Norte e do Sul? SuperInteressante, 20 fev. 2018. Disponível em: https:// super.abril.com.br/coluna/ oraculo/de-onde-vem-os -nomes-do-rio-grande-do -norte-e-do-sul/. Acesso em: 26 ago. 2025).
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Como sensibilização para o trabalho com regionalização, comece um diálogo com os estudantes sobre campeonatos regionais, tais como de futebol, vôlei ou outros, e indague por que os chamamos regionais.
Proponha algumas questões aos estudantes, partindo da vivência cotidiana, para que entendam que podemos reunir localidades por semelhanças compartilhadas entre elas. Questione, por exemplo: nosso município tem semelhanças com outro município vizinho? Se sim, quais são os critérios que você utilizou para estabelecer essa relação? Entre os bairros de nosso município, existem alguns que compartilham aspectos em comum por algum motivo? Se sim, quais são eles?
Se achar oportuno, faça um breve passeio com os estudantes pelas dependências da escola e proponha que regionalizem o espaço escolar conforme estes critérios: região das salas de aula, região administrativa (diretoria e secretaria), região dos serviços (cozinha, refeitório e banheiros), região de esportes e lazer (quadra, pátio e parquinho).
Explique que um procedimento semelhante é levado em consideração ao dividir o Brasil por regiões e alerte os estudantes de que diferentes critérios foram usados ao longo do tempo para propor as regionalizações do território brasileiro.
Oriente os estudantes a registrar no caderno as ideias mais importantes da leitura da página, identificando os con-
Regionalização
O espaço geográfico pode ser delimitado de diferentes maneiras, variando de acordo com os critérios selecionados. Para delimitar uma região, devem ser levados em consideração elementos em comum, que podem ser naturais, como clima, relevo e vegetação, ou produzidos pela sociedade, como a cultura dos habitantes ou o uso que fazem desses espaços.
Regionalização é o ato de delimitar o espaço geográfico utilizando critérios preestabelecidos.
Os critérios de regionalização podem variar e mudar ao longo do tempo. Também dependem dos objetivos e dos interesses de quem organiza a divisão.
Observe a proposta de divisão do Brasil em três regiões geoeconômicas feita pelo geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger em 1967.
Brasil: regiões geoeconômicas
(FRA)
Complexos regionais
Amazônia
Nordeste
Centro-Sul
Divisão regional oficial Capital
Trópico de Capricórnio
Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante São Paulo: FTD, 2016. p. 47.
Pedro Geiger levou em consideração as características econômicas e o processo histórico de formação do território brasileiro. A região Centro-Sul concentraria espaços que apresentam industrialização avançada e predomínio de áreas urbanas.
20
ceitos abordados no texto. Aproveite o momento para levá-los a elaborar no caderno o conceito de regionalização a partir do que entenderam da leitura. Destaque que, além dos critérios informados no texto, existem outros que podem ser escolhidos pelos elaboradores de regionalizações considerando as distintas finalidades e contextos em que a tarefa é realizada. Isso favorece a consciência do raciocínio geográfico por trás da tarefa de regionalizar um território, além de desenvolver a habilidade de argumentação que considera o emprego de critérios.
O site do projeto Flora Digital traz uma coleção de imagens da flora dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Utilizando ciência cidadã, o site permite que o público geral acrescente fotografias ao acervo.
O território brasileiro também pode ser regionalizado levando em conta aspectos naturais como critério de delimitação. Uma regionalização bastante comum do Brasil é a que considera os biomas existentes no país.
Brasil: biomas
Bioma é o conjunto de vida de determinada área que apresenta tipo de vegetação e condições geológicas e climáticas semelhantes.
Fonte: INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 108. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Quais são as diferenças entre a regionalização do mapa Brasil: regiões geoeconômicas, na página anterior, e a presente no mapa Brasil: biomas? Converse sobre isso com os colegas.
2 Quais critérios foram utilizados em cada regionalização?
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
3 Com o professor e os colegas, estabeleça uma comparação entre as regionalizações presentes nos mapas Brasil: regiões geoeconômicas e Brasil: biomas com a regionalização oficial brasileira elaborada pelo IBGE no mapa Brasil: grandes regiões (1988), na página 17. Escreva no caderno suas impressões.
DESCUBRA MAIS
IBGE EDUCA. Brincadeiras. Rio de Janeiro, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/criancas/brincadeiras-2.html. Acesso em: 16 abr. 2025. No portal IBGE Educa, você pode se divertir enquanto aprende mais sobre nosso país.
Atenção! Os sites indicados ao longo deste material podem apresentar publicidade, que varia dependendo do computador ou do dispositivo utilizado.
Atividade complementar
Para realizar uma proposta interdisciplinar com Arte, divida a turma em pequenos grupos. Forneça a cada grupo um suporte de tamanho grande para desenho, como papel pardo ou cartolina, e materiais de pintura.
Incentive os estudantes a realizar a releitura da bandeira de seu estado. Peça-lhes que levem em consideração elementos atuais que poderiam estar presentes na bandeira, como o momento atual em que vivemos e os aspectos importantes na configuração atual do estado.
Organize um momento para que cada grupo apresente sua produção e explique em quais elementos se baseou para criar bandeira. Finalize a atividade reforçando a ideia central que se queria desenvolver para que os estudantes reconheçam o que aprenderam e a finalidade do que realizaram.
Para abordar a ideia de bioma, busque imagens que exemplificam a fauna e a flora típicas do Sul. Aproveite para trabalhar a interdisciplinaridade com Ciências da Natureza.
1. Estimule os estudantes a estabelecer comparações entre os mapas. Eles podem apontar que o mapa Brasil: regiões geoeconômicas apresenta apenas três regiões contínuas e que a regionalização presente em Brasil: biomas apresenta seis regiões. Além disso, eles podem apontar os nomes dados às regiões, a diferença de extensão de suas áreas e a distribuição pelo território.
2. Espera-se que os estudantes apontem que a regionalização geoeconômica leva em consideração o processo histórico de formação do território brasileiro e aspectos econômicos, ao passo que a regionalização no mapa Brasil: biomas leva em conta aspectos naturais, como biodiversidade, geologia, vegetação e clima.
3. Os estudantes podem apontar que o número de regiões em cada regionalização é diferente, que a extensão e a área das regiões variam e que nas regionalizações geoeconômica e por biomas os limites regionais não coincidem com os da divisão política oficial. Para finalizar, chame a atenção dos estudantes para o boxe Descubra mais e incentive a turma a realizar as brincadeiras propostas no site na sala de informática ou com equipamentos disponíveis na escola. Ressalte que é preciso consumir conteúdos on-line com atenção, evitando passar tempo demais diante de telas.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula propondo aos estudantes que levantem hipóteses e imaginem outras configurações possíveis do recorte espacial da região Sul. Leia os dois mapas históricos destacando que estão conjugadas neles as atuais fronteiras e a divisão política do Brasil com informações históricas indicadas nos títulos.
Comente que o Tratado de Madri foi um acordo significativo na história da América do Sul, assinado em 1750 pelos reis Dom João V de Portugal e Fernando VI da Espanha, redefinindo as fronteiras entre as Américas Portuguesa e Espanhola para pôr um fim nas disputas territoriais entre ambos. Estabeleceram-se, então, novos limites de terras pelo princípio uti possidetis, segundo o qual seriam legítimos de cada um os territórios efetivamente ocupados. O acordo definiu que a Espanha cederia a Portugal o atual território noroeste do Rio Grande do Sul, onde estavam os Sete Povos das Missões, enquanto Portugal cederia a Colônia de Sacramento (atualmente no Uruguai) e teria reconhecida a posse de territórios cuja ocupação portuguesa já estava em curso no atual Paraná e Santa Catarina, além de Mato Grosso e áreas da Amazônia. Esse tratado revogou os anteriores.
A região Sul poderia ter sido diferente
Antes mesmo da chegada dos colonizadores às terras que viriam a ser o Brasil, Portugal e Espanha já haviam firmado um acordo sobre sua divisão: o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, estabelecia uma linha imaginária que dividia as áreas de exploração entre os dois reinos.
Inicialmente, a colonização portuguesa se concentrou nas áreas próximas ao litoral. Mas, com o passar do tempo, avançou para o interior em busca de riquezas naturais, desconsiderando o tratado. Isso causou disputas pelas terras entre Espanha e Portugal, sobretudo as que compõem a atual região Sul. Apenas em 1750 os dois países assinaram o Tratado de Madri, oficializando o domínio de Portugal sobre elas.
Observe, a seguir, os mapas dos dois tratados firmados.
OCEANO PACÍFICO
Terras sob domínio português
Terras sob domínio espanhol
Divisa estadual atual
Fronteira internacional atual
Tratado de Tordesilhas
Trópico de Capricórnio
PACÍFICO
Cidade ou vila Tratado de Madri (1750) Fronteira internacional atual Divisa estadual atual
Para garantir a posse dessas terras, o governo português construiu fortes e fundou vilas e cidades, como é o caso de Rio Grande, em 1737, e de Porto Alegre, em 1772, com o objetivo de proteger e ocupar a região. Nesse processo de consolidação do território sul, a criação de gado se desenvolveu, marcando a economia local.
1. De acordo com o Tratado de Tordesilhas, grande parte do território da região Sul ficava a oeste da linha traçada, ou seja,
1 Das áreas da atual região Sul, quais delas estavam no território espanhol e quais estavam no território português, segundo o mapa Tratado de Tordesilhas (1494) ?
pertencia à Espanha. Apenas uma pequena porção do leste do Paraná e de Santa Catarina estava em território português.
2 O que mudou com o Tratado de Madri?
Os estudantes devem perceber que a maior parte da atual região Sul passou para o domínio oficial de Portugal com a assinatura do tratado. A exceção é uma pequena porção do sul do Rio Grande do Sul.
Sugestão para o professor
CINTRA, Jorge Pimentel. Os limites das capitanias hereditárias do sul e o conceito de território. Estudos de Cultura Material. São Paulo. Anais […]. São Paulo, 2017. v. 25. Disponível em: https://www.scielo.br/j/anaismp/a/cN5btGRBgRxqhfcbTs5N7Hj/. Acesso em: 26 ago. 2025 Ao longo do tempo, a região Sul foi se configurando espacialmente de diferentes formas. É possível ver a configuração das capitanias hereditárias na figura 1 do artigo. 22
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 30.
ESCREVA NO LIVRO.
Tratado de Madri (1750)
Tratado de Tordesilhas (1494)
SONIA
Na primeira metade do século 19, o atual estado do Rio Grande do Sul, então chamado São Pedro do Rio Grande do Sul, foi influenciado pelas ideias republicanas de seus países vizinhos Argentina e Uruguai. Nessa época, o Brasil era uma monarquia.
A Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, iniciou-se em 1835 e durou até 1845. As principais causas da revolta foram os altos impostos aplicados ao charque produzido na região, o que diminuía os ganhos dos produtores, e o descontentamento com as lideranças locais, que defendiam os interesses da monarquia.
Charque: carne bovina desidratada após ser salgada e seca depois de exposta ao Sol.
dedicado ao general
Os rebeldes que lutaram na Revolução Farroupilha receberam o nome de farrapos devido à condição financeira da maioria de seus integrantes, que se vestiam com roupas modestas segundo seus inimigos.
Ao longo do tempo, os farrapos chegaram a declarar a República de Piratini, separando-se do Brasil. Conseguiram, posteriormente, a adesão de Laguna e de Lages, ambas cidades catarinenses, mas acabaram derrotados pelas tropas do império brasileiro.
A memória da Revolução Farroupilha permanece no cotidiano da região, especialmente no Rio Grande do Sul. Seus principais personagens, como Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi, ganharam monumentos e se tornaram nomes de ruas e de cidades.
3 Você já tinha ouvido falar em Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi? Converse com os colegas e o professor.
Resposta pessoal. Os estudantes podem ter ouvido histórias ou participado de festividades relacionadas à Revolução Farroupilha.
Atividade complementar
A Revolução Farroupilha foi um dos movimentos mais significativos da região Sul. Para iniciar o trabalho em sala de aula, provoque os estudantes com uma questão simples e próxima de sua realidade: vocês já comeram charque? Estimule-os a compartilhar suas experiências familiares ou culturais com esse alimento típico. A partir das respostas, explique que o charque foi um dos principais produtos econômicos do Rio Grande do Sul no século XIX, exportado para várias regiões do país, mas que enfrentava altos impostos cobrados pelo governo imperial. O achatamento das margens de lucros dos produtores locais gerava forte insatisfação entre as lideranças da região.
Em uma década de lutas e embates da Revolução Farroupilha, foram reivindicadas melhorias econômicas e sociais para o Sul, assim como a instauração de uma república. Comente com os estudantes o desejo dos farroupilhas de serem independentes do Brasil, o que poderia ter dado outro rumo à história da região Sul, caso o desenrolar das batalhas tivesse sido outro. Essa reflexão ajuda os estudantes a perceber como elementos do cotidiano, como o charque, podem estar profundamente ligados a grandes acontecimentos históricos.
Sugestão para o professor
27/09/2025 10:40
A fim de reforçar o legado e as memórias deixadas pela Revolução Farroupilha na história regional, proponha a construção de um mural das personalidades da Revolução Farroupilha, como Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi, Anita Garibaldi, David Canabarro, entre outras. Oriente a pesquisa em livros ou na internet, sob a supervisão de um adulto, de informações sobre a vida dessas figuras históricas a fim de que os estudantes possam ilustrar uma cena representativa de sua participação nesse movimento. Incentive a reflexão sobre essa produção artística, o motivo da atividade e o sentido do produto elaborado pela turma. Reúna as ilustrações no mural e deixe que sejam apreciadas pela escola.
WIERZCHOWSKI, Leticia. A casa das sete mulheres. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017.
Essa obra literária retrata a Revolução Farroupilha pelo olhar e comando das figuras femininas. Posteriormente, foi adaptada para série televisiva e história em quadrinhos.
Monumento
Bento Gonçalves em Rio Grande (RS), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Inicie o trabalho com o tópico questionando os estudantes: será que diferentes pesquisadores ao regionalizar o Brasil chegam aos mesmos recortes espaciais? Será que uma regionalização elaborada há muito tempo pode se desatualizar diante das transformações socioeconômicas e ambientais do país? Motive os estudantes a refletir sobre o fato de que, com o passar o tempo, verificam-se muitas mudanças, inclusive como ocorreu historicamente com as propostas de regionalização oficial das unidades federativas do Brasil. Oriente os estudantes a ler os mapas e os quadros com informações relacionadas a cada um. Depois, solicite que façam as atividades.
1. Espera-se que os estudantes concluam que em 1940 os estados do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul compunham a região Sul. Em 1945, o Rio de Janeiro não fazia mais parte da região, ao passo que o Território do Iguaçu, criado em 1943, aparece como uma UF nos territórios de Santa Catarina e Paraná. Em 1960, os estados de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul compunham a região Sul.
Região Sul ao longo do tempo
Como vimos, a região Sul nem sempre teve a configuração atual. Observe algumas dessas mudanças nos mapas a seguir.
Brasil: grandes regiões (1940)
Regiões
Norte
Nordeste
Este Centro-Oeste
Sul
Divisão
Trópico de Capricórnio
Brasil: grandes regiões (1945)
Regiões
Norte
Nordeste Ocidental
Nordeste Oriental
Centro-Oeste
Leste Setentrional
Leste Meridional
Sul
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. p. 11.
Divisão regional
Divisa estadual Capital federal Fronteira internacional
Fonte: BENEDICTO, Marcelo; MARLI, Mônica. Cinco faces do Brasil. Retratos: a revista do IBGE, Rio de Janeiro, n. 6, p. 8-12, dez. 2017.
As primeiras regionalizações oficiais, como a de 1940 e a de 1945, adotavam como critério os aspectos físicos, como relevo, vegetação e clima dos territórios.
Também é possível notar a criação de diversos territórios de administração federal na regionalização de 1945. Isso aconteceu no contexto da Segunda Guerra Mundial, para que o governo federal tivesse maior controle sobre áreas estratégicas do território brasileiro.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Quais UFs fizeram parte da região Sul nas regionalizações de 1940, 1945, 1960 e 1988?
2 Em qual das regionalizações apresentadas aparece a configuração atual da região Sul?
3 O que mudou na forma de dividir o Brasil em regiões entre 1940 e 1988? Escrevam no caderno uma lista de semelhanças e de diferenças entre esses modos de regionalizar.
Em 1988, a região Sul aparece com a configuração atual, composta dos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
2. Na regionalização de 1988.
3. Os estudantes podem apontar como semelhanças os fatos de que algumas unidades federativas pertencem à mesma região desde a regionalização de 1940, como é o caso dos três estados da região Sul, que o território já era dividido em grandes regiões e que o critério dos aspectos naturais já era considerado. Como diferenças, eles podem apontar que, em 1940, apenas os aspectos naturais eram considerados e que ao longo do tempo somaram-se os critérios econômicos, sociais e culturais. Os nomes das regiões também mudaram, assim como as unidades federativas que faziam parte de cada uma. Por fim, podem indicar a alteração da configuração estadual, do número e dos limites das regiões.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Brasil: grandes regiões (1960) Brasil: grandes regiões (1988)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. p. 11.
Na proposta de 1960, as regiões passaram a ser entendidas como espaços organizados pelas pessoas ao longo do tempo. Por isso, além das características naturais, essa divisão considerou as atividades econômicas mais comuns em cada região, os modos de vida da população, a circulação de pessoas e de mercadorias entre as regiões.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. p. 9.
A divisão mais recente do território brasileiro é de 1988. Nela, os limites dos estados, como conhecemos hoje, estavam consolidados, e o IBGE organizou o país em cinco grandes regiões com o objetivo de facilitar os estudos sobre as características naturais, sociais, econômicas e culturais de cada parte do Brasil.
4 Por que o Brasil foi dividido de modos diferentes ao longo do tempo? Respondam no caderno.
5 Quais foram os critérios utilizados nas regionalizações de 1940, 1945, 1960 e 1988? Respondam no caderno.
6 Se vocês pudessem criar uma nova divisão do Brasil, quais critérios levariam em conta?
4. O objetivo desta questão é levar os estudantes a expressar o entendimento de que as formas de dividir o Brasil em regiões variaram ao longo do tempo porque respondiam a interesses e necessidades diferentes — administrativos, econômicos, políticos ou científicos. Espera-se que eles percebam que a regionalização não é fixa, mas uma construção social que muda conforme as demandas históricas.
5. Os estudantes devem identificar os critérios que marcaram cada período de regionalização: em 1940, uma divisão administrativa inicial; em 1945, a ampliação para sete regiões incorporando aspectos naturais e socioeconômicos; em 1969, a definição das cinco macrorregiões com base em critérios geoeconômicos e culturais; em 1988, a oficialização dessa divisão pela Constituição. O professor pode reforçar que a atual regionalização resulta de um processo histórico e de ajustes sucessivos.
6. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes escolham critérios que consideram importantes e justifiquem suas escolhas com base nos conteúdos trabalhados até o momento.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
ENCAMINHAMENTO
Para iniciar a abordagem do capítulo, convide a turma a observar a paisagem pela janela da sala de aula e a elencar os elementos naturais e humanizados presentes ou selecione paisagens em fotografias de revistas e sites e peça aos estudantes que as analisem. Em seguida, solicite a leitura em duplas da conversa de Clara com seu irmão Carlinhos, que brincam de buracão.
2. Para contextualizar, indique que a história se passa no Rio Grande do Sul, onde o vento minuano é bastante conhecido e é tão forte que se ouve seu assovio. Esse vento, de origem polar, é frio e seco, mais frequente na região Sul durante o outono e o inverno. Em Santa Catarina e no Paraná, o nome minuano não é tão popular. Comente com os estudantes que a origem do nome do vento remonta a grupos indígenas que habitavam a região antes da colonização.
4. Verifique se é possível organizar os estudantes para realizar a brincadeira na escola. Oriente os estudantes durante toda a atividade, evitando que manuseiem as bolinhas de gude de forma inadequada. Distribua a mesma quantidade de bolinhas a cada estudante, faça um buraco no chão e coloque nele uma bolinha. A uma distância predeterminada, cada jogador deve impulsionar uma bolinha, usando o dedo indicador e o polegar, para tentar acer-
2 ASPECTOS NATURAIS E HUMANIZADOS DO SUL
A cultura da população de uma região costuma ter relação com as características naturais desse lugar.
Cultura é o conjunto de costumes, tradições, crenças e modos de viver de um povo.
Você já parou para observar as paisagens do lugar onde vive? Como são os elementos naturais? Por exemplo, de que cor é a terra? Que tipos de árvore e outras formações vegetais existem? Como são os rios? Você já sentiu o vento no seu rosto?
Leia a conversa de Clara com seu irmão Carlinhos.
CARLINHOS, O VENTO MINUANO ESTÁ MUITO FORTE HOJE!
MINHA PROFESSORA EXPLICOU QUE É UM VENTO FORTE, FRIO, SECO E CONTÍNUO. ESTÁ SENTINDO?
ADORO O VENTO MINUANO! PARECE QUE ESTOU VOANDO!
O QUE É VENTO MINUANO?
1 Como é a paisagem onde as crianças estão brincando?
2 Você já sentiu o vento minuano? Se sim, o que sabe sobre ele?
Espera-se que os estudantes respondam que se trata de uma paisagem situada na área rural, com elementos como árvores, pastagens e criação de animais. Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
3 Qual foi a sensação que Carlinhos teve ao sentir o vento minuano?
A sensação de que estava voando.
4 Do que as crianças estavam brincando?
De buracão, brincadeira com bolinhas de gude.
• Como devemos organizar o espaço para realizar essa brincadeira?
5 Do que você costuma brincar? Sabe dizer se é uma brincadeira típica da região onde você mora?
Respostas pessoais.
4. Espera-se que os estudantes respondam que é necessário um espaço amplo, seguro (distante do movimento dos carros), de preferência em uma rua com terra. Veja mais orientações no Encaminhamento.
tar a que está no buraco. Quem acerta, ganha uma bolinha de cada jogador; quem erra, vai para o fim da fila.
5. Aborde exemplos de brincadeiras típicas da região partindo do relato espontâneo dos estudantes acerca do que costumam brincar para esboçar uma breve caracterização das tradições regionais ligadas à infância. Aproveite o momento para relembrar o buracão, brincadeira originária de Porto Alegre (MAPA DO BRINCAR. Buracão. c2025. Disponível em: https://mapadobrincar.folha.com.br/brincadeiras/bolinha-de-gude/87-buracao. Acesso em: 30 set. 2025). Verifique se os estudantes citam brincadeiras off-line ou se todos preferem brincadeiras digitais, aproveitando o momento para iniciar uma discussão sobre o uso adequado de telas.
NÃO ESCREVA NO LIVRO. CLARISSA
Além dos elementos naturais, o lugar onde vivemos também é formado por elementos humanizados, ou seja, aqueles que são resultado das ações e da cultura humanas. São exemplos de elementos humanizados da paisagem as construções, as ruas, os espaços para o lazer e a convivência, as plantações e as pastagens.
Os espaços do nosso lugar de vivência podem ser classificados em dois tipos.
Os espaços privados são aqueles que têm um dono, sendo necessário ter a permissão dele para utilizá-los. Casas, restaurantes, cinemas e centro comerciais são exemplos de espaços privados.
Os espaços públicos são aqueles de uso coletivo e gratuito. Praias, parques, ruas, calçadas e mercados municipais são alguns exemplos de espaços públicos.
Observe as fotografias dos espaços privados e públicos.
Mercado Público de Florianópolis (SC), em 2024. O mercado é um espaço público de uso livre e coletivo.
Moradias em Ponta Grossa (PR), em 2025. Moradias são exemplos de espaços privados.
6 Quais elementos humanizados você percebe na paisagem de seu trajeto de casa até a escola?
Espera-se que os estudantes identifiquem elementos construídos pela ação humana presentes no trajeto, como casas, prédios, ruas, plantações, entre outros.
7 Quais espaços públicos você mais frequenta no lugar onde vive? Eles estão perto de onde você estuda? Explique. Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Aproveitando que o capítulo perpassa aspectos geográficos, históricos e culturais para consolidar o entendimento de especificidades regionais, crie momentos inclusivos durante as aulas ao promover intercâmbios de saberes, incentivando estudantes que sejam migrantes externos à região a relatar informações e experiências envolvendo os lugares de origem deles. Oriente a leitura do texto para que a turma reflita sobre os espaços privados e públicos e diferencie as características de cada um.
6. Informe as famílias de que os estudantes farão registros (desenhos, anotações, fotografias ou vídeos) do caminho de casa até a escola para compartilhar com os colegas. A realização dessas produções deve ter o auxílio e a supervisão de um adulto. Para isso, as famílias podem programar um dia para percorrer vagarosamente o trajeto de casa até a escola enquanto os estudantes analisam as paisagens. Caso sejam feitas imagens, o familiar pode supervisionar a tarefa da criança de identificar os elementos nos registros feitos.
25/09/2025 16:02
Divida os estudantes em grupos e entregue cartões com imagens ou nomes de espaços (casa, condomínio, praça, praia, unidade básica de saúde, shopping e clube) para que classifiquem e justifiquem cada um. Ao repassar as respostas, construa um painel com a turma no qual os cartões serão afixados em duas colunas. Comente que casa e condomínio são espaços privados, pois pertencem a uma ou mais famílias e só são acessados com permissão. Praça e praia são espaços públicos de uso coletivo e gratuito, embora tenham regras de cuidado e convívio, assim como a unidade básica de saúde, que garante atendimento médico a todos. O shopping é um espaço privado de uso coletivo, aberto à circulação, mas controlado por seus proprietários, assim como o clube, cujo acesso depende de matrícula e associação. Evidencie, assim, que há diversos espaços coletivos que não são públicos, diferenciando situações de acesso livre ou irrestrito, direito coletivo e posse privada. A proposta visa favorecer a compreensão da organização da vida social, da responsabilidade com os outros, do respeito às regras e da consciência cidadã.
7. Antes de propor a realização da atividade, se possível, organize com a equipe gestora da escola e a autorização das famílias um trabalho de campo pelo entorno escolar, identificando os espaços de uso público e privado. Assim, os estudantes terão ampliado seu repertório para responder à atividade com mais assertividade.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Antes de solicitar o uso do livro, escreva o título da página na lousa. Peça aos estudantes que comentem e levantem hipóteses sobre o que vão aprender na aula e aproveite para verificar os conhecimentos prévios da turma sobre o conceito de relevo.
Apoie os estudantes na interpretação dos mapas, considerando informações espaciais nas duas escalas geográficas: a de país e a de região. Comece pela percepção da gradação de cores, que indicam áreas por intervalo de altitude, no caso do mapa Brasil: físico. Questione: quais cores representam áreas mais altas do Brasil? E áreas mais baixas? (marrom-escuro e verde, respectivamente).
Solicite aos estudantes que também leiam os topônimos no mapa e tentem identificar lugares dos quais já tenham ouvido falar ou visto paisagens em programas de televisão, por exemplo. Incentive a escuta interessada e respeitosa entre os colegas, estimulando que comentem ou complementem a fala de outros.
Por fim, direcione a leitura para a localização das ocorrências do símbolo que representa os picos, isto é, os pontos mais altos do relevo brasileiro em relação ao nível do mar. Questione: quantos picos estão na região Sul? (Paraná, Morro da Boa Vista e Capão Doce).
Relevo brasileiro e da região Sul
O relevo é um elemento natural importante para a ocupação humana, já que as formas da superfície influenciam o modo de vida e as atividades econômicas desenvolvidas.
O território brasileiro é marcado por altitudes que não ultrapassam os 3 mil metros. Isso se deve à formação geológica bastante antiga do relevo e ao desgaste pela ação de agentes externos, como a chuva e o vento.
Relevo é o conjunto de formas que fazem parte da superfície terrestre. Altitude é a distância vertical entre o nível do mar e um local específico.
Brasil: físico
SERRA DE TUMUCUMAQUE SERRAACARAÍ SA PACARAIMA SERRAIMERI
OSERRADODIVISOR UCONTAMANA
OCEANO PACÍFICO
SERRA DOS PACAÁSNOVOS SERRADOCACHIMBO
S E R R A DOS CARAJÁSSERRAPELADA SERRA DO ESTRONDO
CHAPADADASMANGABEIRAS SERRA DA I B I APAB A CHAPADADOARARIPE
CHAPADADOS PARECIS BORBOREMA
SERRA DO CAIAPÓ SÃOLOURENÇO SERRA DE SERRADA BODOQUENA DESANTANA COXILHA DOHERVALSERRA
GERAL
SERRA DA CANASTRA
DO ESPINHAÇO SERRADAMANTIQUEIRA
SERRA DO MAR S
Texto de apoio […] não basta utilizar-se do mapa é necessário educar-se para sua leitura. Apropriando-se de uma frase de Alves (1999), significa dizer que, “o mapa, coisa que se faz com símbolos para representar o espaço, só tem sentido se estiver ligado a um espaço ou não é símbolo, feito de montanhas, rios de verdade, planícies e mares. Saber um mapa é ver, pelos símbolos, o espaço que ele representa”. Entender o mapa desta maneira é compreender que, para a Geografia, ele significa uma representação gráfica do discurso geográfico, importante para uma leitura crítica do mundo. Assim, alfabetizar cartograficamente é permitir que o sujeito ultrapasse a sua utilização “exclusiva” na escola e se aproprie de mais uma das linguagens possíveis para uso no seu próprio cotidiano.
GOMES, Marquiana de Freitas Vilas Boas. Paraná em relevo: proposta pedagógica para construção de maquetes. Geografia: revista do Departamento de Geociências, v. 14, n. 1, p. 208-209, jan./jun. 2005. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/view/6758. Acesso em: 27 ago. 2025.
Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2016. p. 58.
A maior parte do relevo do Brasil é composta de planaltos, que são superfícies muito antigas e geralmente mais elevadas que os terrenos ao seu redor.
Há também as planícies, que são terrenos planos que recebem sedimentos transportados pela água e pelo vento, e as depressões , que são áreas rebaixadas em relação aos terrenos vizinhos.
O relevo da região Sul é marcado pelos planaltos. Nos planaltos, aparecem formações como as serras, presentes em grande parte do território dos estados do Paraná e de Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul.
A Serra Geral é uma cadeia de serras que atravessa os três estados da região. As planícies aparecem próximas ao litoral e ao longo dos rios, e são locais geralmente favoráveis à ocupação humana.
No sul da região, há uma extensa planície conhecida como planície dos Pampas, onde as condições naturais e a abundância de pastagens favoreceram a criação de gado bovino.
Sul: físico PARAGUAI
Avance na leitura cartográfica propondo aos estudantes que analisem as três principais formas de relevo no mapa Sul: relevo. Explique que o mapa generaliza essas formas para propósitos didáticos e que dentro de cada grande área pode haver formas de relevo distintas. Repita a análise feita no mapa físico do Brasil no mapa Sul: físico
Fonte: ROSS, Jurandyr L. S. (org.). Geografia do Brasil. 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 53.
Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante São Paulo: FTD, 2016. p. 91. NÃO ESCREVA NO LIVRO. Respostas de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Incentive-os a relatar as características da superfície no lugar de vivência.
1 Como é o relevo em seu lugar de vivência? A superfície apresenta variações de altitude ou é plana? Anote suas impressões no caderno.
2 Com o professor, discuta se o relevo de seu lugar de vivência auxiliou ou dificultou a ocupação das pessoas.
Incentive os estudantes a discutir como o relevo pode ajudar ou dificultar a ocupação humana. Veja orientações e sugestões de resposta no Encaminhamento.
Atividade complementar
Proponha a construção de um painel com fotografias de diferentes formas de relevo, destacando as características que as diferenciam. Incentive os estudantes a escolher imagens:
• do próprio município;
• de outros municípios do estado onde vivem;
• dos outros dois estados da região Sul.
Eles podem utilizar fotografias cedidas pela família, recortes de revistas e jornais ou imagens impressas de pesquisa on-line supervisionada por um adulto. Ao final, incentive-os a afixar as imagens em uma cartolina ou papel-cartão para compor o painel do relevo.
Dessa forma, os estudantes poderão comparar características do lugar de vivência deles com as de outras localidades na região.
Continue direcionando o estudo das três formas de relevo ainda com base na interpretação dos mapas regionais. Proponha aos estudantes que analisem os cursos dos rios. Explique primeiro que representar rios em linhas azuis é uma convenção cartográfica internacional, pois essa cor é aplicada a qualquer corpo de água. Incentive-os a comparar os traçados dos rios nos dois mapas, investigando quais formas de relevo eles percorrem e como se distribuem. Questione: a maioria dos rios nasce em áreas altas (serras e planaltos) ou em áreas baixas (planícies)? Que cores estão nas nascentes representadas no mapa Sul: físico? Quando acompanhamos com o dedo o curso de um longo rio até sua foz, quais mudanças nos intervalos de altitude ou nas categorias de relevo podem ser notadas?
2. Auxilie os estudantes a reconhecer se o lugar de vivência deles é marcado por relevo acidentado, que torna a ocupação humana mais difícil, ou se é marcado por planícies, mais favoráveis à ocupação humana.
BNCC
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula relembrando o fato de a água ser um bem fundamental para a vida. Sua presença nos ambientes favorece amplamente a ocupação humana e o desenvolvimento das mais diversas atividades produtivas. Em seguida, levante os conhecimentos prévios dos estudantes sobre bacias hidrográficas.
Compare uma bacia hidrográfica a um grande coletor da água que cai da chuva, cujas bordas são delimitadas pelas áreas mais elevadas do relevo. Desse modo, ela corresponde à área onde um rio principal e seus afluentes recebem a água da chuva de forma direta ou indireta pelo escoamento no solo.
As regiões hidrográficas, por sua vez, são definidas pelo poder público e englobam uma ou mais bacias. Nesse caso, o critério de regionalização do espaço representado nesse mapa é a área de abrangência dos principais rios e seus afluentes.
Depois de reforçar as compreensões conceituais, proponha a leitura do texto de forma coletiva. Aproveite esse momento para sistematizar anotações junto à turma ao explorar a interpretação do mapa Sul: regiões hidrográficas, relacionando as explicações com as regiões hidrográficas destacadas.
Hidrografia
Historicamente, os rios têm um papel essencial no fornecimento de água para consumo humano, irrigação de cultivos e transporte de pessoas e de mercadorias. A água subterrânea que vem à superfície e a água da chuva correm por meio de um rio principal, que também recebe água de outros rios, chamados afluentes. Essa rede de rios interligados corre em uma área chamada bacia hidrográfica.
Rio é um curso de água natural que corre de áreas de maior altitude para áreas de menor altitude.
Bacia hidrográfica é uma área do relevo onde um rio principal e seus afluentes correm.
Observe o mapa.
Sul: regiões hidrográficas
Trópico de Capricórn o
Rio Paraná RioIvaí
PARAGUAI
Represa de Itaipu Rio Iguaçu
ARGENTINA
Rio Ibicuí RioJaguari
0 145
Roi J acuí
Rio Paranapanema
R i oTibagi
Rio Negro
Rio Uruguai RioUruguai RioItajaí
R o Sant a M a ri a
URUGUAI PR RS SC MS SP
OCEANO ATLÂNTICO
Riodas Antas Rio Sinos
Regiões hidrográficas
Paraná Atlântico Sudeste
Atlântico Sul
Uruguai
Paraguai
Região Sul Divisa estadual
Fronteira internacional
50° O
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6º ao 9º ano. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. p. 16.
1 Quais regiões hidrográficas existem no estado onde você mora?
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
2 De acordo com o mapa Sul: regiões hidrográficas, quais são os principais rios que atravessam o estado onde você mora? Escreva os nomes de dois rios no caderno.
1. Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Se os estudantes residirem no Rio Grande do Sul, a resposta será: região do Atlântico Sul e do Uruguai.
Se eles morarem em Santa Catarina, as regiões presentes são Atlântico Sul, Uruguai e Paraná. Se eles morarem no Paraná, a resposta será: Paraná, Atlântico Sul e Atlântico Sudeste.
2. Sugestões de resposta para estudantes que morem do Paraná: Rio Paraná, Rio Paranapanema, Rio Ivaí, Rio Tibagi, Rio Iguaçu e Rio Negro. Para estudantes de Santa Catarina: Rio Itajaí, Rio Negro e Rio Uruguai. Para estudantes do Rio Grande do Sul: Rio Sinos, Rio das Antas, Rio Jacuí, Rio Ibicuí, Rio Jaguari e Rio Santa Maria.
Uso da água na região Sul
Várias cidades da região Sul estão localizadas em vales de rios, de forma que as pessoas possam aproveitar suas águas para o consumo e para o desenvolvimento de atividades econômicas. É o caso das cidades nos vales dos rios Tibagi, no Paraná, Itajaí, em Santa Catarina, e Sinos, no Rio Grande do Sul.
As águas dos rios da região também são bastante utilizadas como fonte de geração de energia elétrica. O relevo de planalto, comum na região Sul, faz com que os rios apresentem quedas-d’água em seu caminho, característica muito útil para a geração de energia. Nessas áreas, são construídas barragens de usinas hidrelétricas.
(SC), em 2023.
Barragem da usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), em 2024.
Itaipu é uma das maiores hidrelétricas do mundo e fica na região Sul. Ela foi construída pelo Brasil e pelo Paraguai e é operada em conjunto pelos dois países. Sua barragem represa as águas do rio Paraná e a energia elétrica gerada abastece principalmente as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, além da maior parte do Paraguai.
Apesar de as hidrelétricas gerarem energia elétrica sem emissão de gases estufa e de forma renovável, sua construção acarreta grandes impactos ambientais, pois altera a dinâmica dos rios, afeta a vida animal e alaga grandes áreas ao represar as águas dos rios.
1 Qual é a importância dos rios na vida das pessoas? Converse sobre isso com um colega e escrevam suas conclusões no caderno. Espera-se que os estudantes compreendam a importância dos rios para diversas atividades humanas, como o abastecimento de água para consumo, a geração de energia elétrica, a irrigação das plantações, entre outras atividades.
Atividade complementar
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
ENCAMINHAMENTO
Destaque que a água potável é um bem natural com múltiplos usos cuja disponibilidade depende de vários cuidados ambientais. Permita que cada estudante faça a leitura oral de uma parte do texto, contribuindo para a fluência de leitura. Chame a atenção dos estudantes para que associem o texto à imagem, percebendo a influência do Rio Itajaí-Açu no desenvolvimento de Blumenau (SC).
25/09/2025 20:39
Prepare previamente 12 pares de questões e respostas sobre hidrografia. As respostas devem ser uma só palavra ou expressões simples, e não podem gerar ambiguidade com nenhuma outra questão proposta. Por exemplo: como se chamam os cursos naturais de água que correm de áreas de maior altitude para áreas de menor altitude? (Resposta: rios.) Como se chama a área do relevo onde correm um rio principal e seus afluentes? (Resposta: bacia hidrográfica.) Distribua uma folha de papel avulsa a cada estudante e oriente-os a fazer um quadro com seis espaços.
Escreva na lousa as 12 respostas das questões previamente preparadas. Peça aos estudantes que escolham apenas seis, aleatoriamente, copiando-as no quadro que elaboraram. Faça as questões para eles e perceba se conseguem identificar a resposta correta. Os estudantes que tiverem copiado as respostas correspondentes devem assinalá-las. O(s) vencedor(es) é (são) o(s) que preencher(em) todo o quadro primeiro.
Questione o que sabem sobre as usinas hidrelétricas, mostrando a imagem da barragem da usina de Itaipu. Faça um quadro comparativo na lousa com os pontos positivos e negativos das hidrelétricas, para que compreendam os benefícios e os impactos que essa fonte de energia traz. Exemplos de pontos positivos: ampliam a oferta de empregos e o crescimento econômico e geram energia elétrica com baixa emissão de carbono. Exemplos de pontos negativos: alteram o curso natural dos rios, afetam a vegetação, impactam a vida animal e inundam uma parte considerável de terras, que precisam ser desapropriadas pelos moradores. 1. Promova um momento de roda de conversa para que as duplas apresentem suas respostas e, assim, a turma possa construir uma ideia da importância dos rios que englobe os cuidados necessários para sua conservação.
Rio Itajaí-Açu em meio à cidade de Blumenau
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
ENCAMINHAMENTO
Neste tópico, os estudantes são convidados a compreender a importância da criação de gado na região e do trabalho dos tropeiros na formação de vilas, na abertura de rotas comerciais e no desenvolvimento econômico.
Comente que a criação de gado na região teve início na primeira metade do século XVII com a instalação das missões jesuíticas ao longo da planície do Rio Uruguai, onde as condições naturais favoreciam o desenvolvimento dessa atividade.
Convide os estudantes a realizar a leitura oral coletiva do texto das duas páginas. Faça pausas durante a leitura para reforçar pontos importantes, como a volumosa produção local de charque, os municípios do Rio Grande do Sul nas proximidades de Bagé e Pelotas, o tropeirismo como atividade econômica e outras informações que julgue necessário.
Organize momentos para que os estudantes registrem a compreensão desse processo histórico em frases curtas, palavras-chave, esquemas ou desenhos, respeitando a fluência escrita que cada estudante possui.
Fundação de vilas e cidades
A criação de bois e equinos e a produção de charque são importantes para a região Sul há muito tempo.
O charque era produzido, inicialmente, em grande quantidade em locais próximos a Bagé e Pelotas, municípios do atual Rio Grande do Sul, nas chamadas charqueadas, que se desenvolveram ao longo dos séculos 18 e 19.
Observe a ilustração, que retrata uma vila do Rio Grande do Sul, atual município de Jaguarão, especializada na produção de charque. Equino: animal como cavalo, asno e burro.
Nesse contexto, surgiu o tropeirismo, uma atividade econômica que teve um papel muito importante na região Sul. Essa atividade consistia no transporte de mercadorias por rotas comerciais, o que contribuiu para conectar o litoral ao interior e desenvolver povoados.
Os tropeiros andavam em tropas em cavalos e mulas e levavam gado, charque, tecidos, couro e erva-mate da região Sul para outros lugares da colônia.
Observe na ilustração uma representação de um homem negro escravizado conduzindo tropas.
Escravo negro conduzindo tropas na Província do Rio Grande, de Jean-Baptiste Debret, 1834-1839. Litografia, 38 cm × 57 cm.
Vila do Espírito Santo do Serrito, de Jean-Baptiste Debret, c. 1827. Aquarela sobre papel, 8,7 cm × 24 cm.
Os tropeiros partiam das áreas criadoras de gado, como Viamão e Vacaria no Rio Grande do Sul, em direção a São Paulo e outras regiões do Sudeste, como a feira de Sorocaba, onde havia o comércio de produtos variados.
Ao longo do caminho, os tropeiros paravam em locais de fácil acesso à água, como as margens de rios, onde podiam se alimentar e descansar. Essas paradas, chamadas pousos, foram os núcleos iniciais de vilas e cidades.
As vilas eram menores em tamanho e população em comparação com as cidades. As cidades eram locais de centralização de autoridades, onde se encontrava grande parte das pessoas com poder.
Muitas cidades atuais da região Sul, como Lages e Curitibanos, em Santa Catarina, e Guarapuava, Lapa e Castro, no Paraná, tiveram origem em pousos de tropeiros.
Observe a seguir o mapa com o Caminho do Viamão, conectando os três estados do Sul ao Sudeste pelo comércio.
Caminhos do Viamão (séculos 18 e 19) Trópico de Capricórnio
50° O
CAPITANIA GERAL DE SÃO PAULO
Sorocaba Itapetininga
Carambeí Castro Sengés Itararé Itapeva Buri
Lapa
Passa Dois
Vacaria Lages
CAPITANIA DE SANTA CATARINA
OCEANO ATLÂNTICO
CAPITANIA DE RIO GRANDE DE SÃO PEDRO
Viamão
0 195
Caminho do Viamão
Cidades e vilas
Divisa estadual atual Fronteira internacional atual
Fonte: CÔRTES, João Carlos Paixão. Danças biriva do tropeirismo gaúcho. Porto Alegre: Corag, 2000. p. 52.
1. O destino final dos tropeiros era a cidade de Sorocaba (SP), onde havia uma feira com diversos produtos que eram negociados.
1 Observem o mapa. Partindo de Viamão, qual era o destino final dos tropeiros? Anotem no caderno.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
2 Por que os tropeiros seguiam rotas específicas como o Caminho do Viamão?
Os tropeiros seguiam rotas específicas porque esses caminhos já eram conhecidos e neles havia água, pasto para os animais e lugares para descansar e comprar mantimentos.
Texto de apoio
Explique o mapa histórico Caminhos do Viamão (séculos 18 e 19), que apresenta o caminho percorrido pelos tropeiros. Destaque que, naquele período, as viagens em equinos eram fundamentais no transporte de pessoas e mercadorias. Contudo, elas demoravam meses. Mostre aos estudantes como as coisas mudaram. Hoje, com automóveis e modernas rodovias, o trajeto Viamão-Sorocaba pode ser feito em menos de 20 horas.
Comente que os governantes do Brasil na época, interessados em coletar impostos dos tropeiros, criaram inicialmente postos de pedágio entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. Posteriormente, esses pequenos postos também se transformaram em cidades, como Mafra, em Santa Catarina — um exemplo de como o tropeirismo contribuiu para a fundação de muitos municípios do Sul do Brasil.
Explore no mapa o caminho percorrido pelos tropeiros e peça aos estudantes que identifiquem todas as cidades representadas e comentem o que sabem sobre o porte e as principais características delas.
Por fim, organize os estudantes em duplas para realizar as atividades.
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25/09/2025 20:40
A utilização do Caminho das Tropas de forma intensa perdurou até o século XIX, quando a decadência do ouro fez cair o movimento de tropas do sul até as províncias mais centrais da colônia. Além disso, nos oitocentos, surgiria um novo momento econômico com a produção cafeeira, que estimularia a abertura de novas estradas e a instalação das primeiras ferrovias.
Em meados do século XVIII, o Caminho das Tropas favoreceu a interligação de regiões da colônia, reduzindo a distância entre elas, e promoveu o desenvolvimento de vilas ainda pouco povoadas. Fez crescer atividades econômicas como o comércio de animais e deu impulso ao surgimento de um novo tipo de transporte terrestre de carga, o tropeirismo. A construção de novos caminhos provocou a expansão geográfica e econômica do Sul e do Sudeste, dando origem a histórias e identidades regionais fundadas na atividade dos tropeiros, pecuaristas e comerciantes de animais.
MEMÓRIA DO TRANSPORTE BRASILEIRO. Tropas e tropeiros. São Paulo: Fumtran, c2025. Disponível em: https://memoriadotransporte.org.br/galeria/caminho-das-tropas/. Acesso em: 30 ago. 2025.
SONIA VAZ
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Leia o texto em voz alta, servindo como modelo de leitor para os estudantes. Explore os monumentos aos tropeiros, buscando analisar os detalhes das imagens, como as cores, os objetos e os elementos representados, e comparar os elementos representados nos monumentos com a obra de Debret, da página 32
Verifique a possibilidade de organizar um dia de culinária na escola com receitas típicas feitas de charque e feijão-tropeiro. Para isso, convide as famílias para auxiliar e, assim, expandir o trabalho sobre a influência dos tropeiros no modo de vida da região Sul.
Leia o boxe Descubra mais e incentive a turma a realizar a visita virtual ao Museu do Tropeiro. Para isso, utilize os equipamentos eletrônicos disponíveis na escola ou recomende que os estudantes o acessem em casa, com o auxílio de um adulto. Explique que eles deverão clicar nas setas, simulando o percurso pelo interior do museu, e nos ícones, que trazem material audiovisual para complementar a experiência de visitação. Em seguida, proponha uma roda de conversa para que compartilhem suas impressões acerca da visita virtual.
Tropeirismo e memória
Os monumentos dedicados aos tropeiros são muito comuns na região Sul, principalmente nas cidades por onde eles passavam com suas caravanas. Esses locais celebram a importância dos tropeiros para a história da cidade, com painéis, esculturas, arcos, entre outros tipos de manifestações artísticas.
Ao demarcarem a relevância dos tropeiros nesses locais, busca-se conectar o presente ao passado, indicando a origem histórica da cidade e preservando a memória da região.
Monumento em homenagem ao tropeiro em Palmas (PR), em 2022.
Monumento em homenagem aos tropeiros em São Joaquim (SC), em 2021.
Ainda que o tropeirismo tenha se encerrado no final do século 19, os costumes dos tropeiros estão presentes em numerosas situações do cotidiano dos habitantes da região Sul.
Na culinária, o charque e o feijão-tropeiro, pratos típicos da culinária sulista, nos remetem diretamente à alimentação dessas pessoas que viveram há muito tempo. A própria vestimenta dos tropeiros, com seus chapéus, lenços no pescoço, ponchos e bombachas, se tornou um costume associado aos gaúchos.
DESCUBRA MAIS
MUSEU DO TROPEIRO. Castro, c2025. Disponível em: https://tourmkr.com/ F1JBCiBwya/41601542p&196.75h&90.91t. Acesso em: 22 maio 2025.
O Museu do Tropeiro em Castro (PR) foi o primeiro museu dedicado aos tropeiros do Brasil. Você pode fazer uma visita virtual ao espaço e conhecer mais sobre a história e a cultura do tropeirismo na região Sul.
Sugestão para o professor CAMINHO das tropas. In: RADIN, José Carlos; CORAZZA, Gentil. Caminho das tropas. In: Dicionário histórico-social do oeste catarinense. Chapecó: UFFS, 2018. p. 32-34. Disponível em: https://books.scielo.org/id/rxw94/pdf/radin-9788564905658-07.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025. No verbete “Caminho das tropas”, há uma síntese das principais características do tropeirismo, indicando as razões de seu surgimento e auge, bem como de seu declínio econômico no final do século XIX.
Nomes e memória
É comum encontrar ruas e praças homenageando os tropeiros em cidades da região Sul. Em geral, os nomes de ruas, prédios e monumentos do lugar onde vivemos podem ter relação com personagens da comunidade local que se destacaram social, cultural, política ou historicamente.
Placa da Avenida Brasil Centro, antiga Rua dos Tropeiros, em Passo
Um nome muito comum em ruas e avenidas brasileiras é o de Getúlio Vargas (1882-1954), que foi governador do Rio Grande do Sul e presidente do Brasil. Vargas foi um personagem histórico importante tanto para o Rio Grande do Sul quanto para o Brasil.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
1 Você conhece ou já ouviu falar de alguém que foi homenageado como nome de rua?
2 Com a ajuda do professor, escolham o nome de uma rua que seja uma homenagem a um personagem histórico importante. Pesquisem esse personagem e contem para os colegas o que descobriram.
VOCÊ DETETIVE
Resposta pessoal. Incentive os estudantes a identificar personagens locais que impactaram o local onde vivem. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Em grupo, vocês vão investigar os espaços de memória do local onde vivem.
1. Escolham um monumento de seu município e pesquisem sua história. Registrem no caderno as seguintes informações sobre o monumento:
• nome oficial do monumento e, caso exista, como é popularmente chamado;
• a qual personagem ou a qual evento da história da comunidade ele se refere;
• quando foi construído;
• o que esse monumento representa para a população.
2. Para compartilhar suas descobertas com os outros grupos, criem um vídeo de até um minuto ou um cartaz apresentando o monumento.
Atividade complementar
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
(EF05CO07) Reconhecer a necessidade de um sistema operacional para a execução de programas e gerenciamento do hardware.
ENCAMINHAMENTO
1. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a relacionar os nomes de rua a pessoas ou familiares de pessoas da comunidade, bem como com personalidades importantes para a história local, regional e nacional. No boxe Você detetive, caso optem por produzir cartazes, indique que ele deve conter textos claros e curtos, uma composição de imagens atraente e ser facilmente compreendido pelo público leitor.
25/09/2025 16:03 35
Com a autorização da equipe gestora e das famílias, faça um passeio pelo entorno da escola com a turma. Oriente os estudantes a observar as placas que nomeiam as ruas e a levantar hipóteses sobre o motivo da escolha dos nomes.
Ao retornar à sala de aula, elabore uma lista coletiva com os nomes encontrados e incentive a pesquisa sobre a atuação das pessoas homenageadas em livros ou de forma on-line, com a supervisão de um adulto. Incentive os estudantes a elaborar, em uma folha de papel avulsa, uma minibiografia de cada personalidade pesquisada e uma ilustração que a represente. Destaque que os textos devem ser curtos e enfocar os dados essenciais sobre a vida da pessoa escolhida e o porquê de ela ter sido homenageada. Se possível, realize a atividade em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa, para que os estudantes tenham maior consciência do que é esperado nesse gênero textual. Por fim, construam um painel com as descobertas.
Caso optem pelo videominuto, busque ferramentas gratuitas para auxiliar na edição dos vídeos, como as citadas em: GRECO JUNIOR, Raul. Video-Based Learning: a metodologia ativa como aporte para a educação aberta. 2022. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza) — Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Londrina, 2022. Disponível em: https:// repositorio.utfpr.edu.br/jspui/ bitstream/1/31028/2/videobasedlearning_produto.pdf. Acesso em: 30 ago. 2025. O uso de programas específicos para a edição dos vídeos pode ser também uma oportunidade para desenvolver a habilidade EF05CO07 da BNCC da Computação. Ao final, exponha os cartazes e vídeos produzidos para outras turmas da escola.
Fundo (RS), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Converse com os estudantes sobre como são as estações do ano na localidade onde vivem. Inicie a sondagem dos conhecimentos prévios questionando: de qual estação você mais gosta? Quais roupas usamos mais em cada estação? Quais atividades são propícias nas diferentes estações? Vocês sabem o nome do clima daqui?
Aproveite a conversa para sensibilização e comparação de paisagens locais com diferentes tipos de vegetação. Garanta antecipadamente para esta aula imagens representativas de: vegetação nativa no município, praça ou parque com espécies exóticas, área de pastagem ou monocultura e horta ou quintal agroecológico para contemplar realidades diversas em que seja possível notar a presença de vegetação. Ressalte que o estudo da cobertura vegetal demanda o reconhecimento de plantas trazidas de outras regiões do país e do mundo e de situações de desequilíbrio e devastação ambiental.
Clima e vegetação da região Sul
Os elementos naturais das paisagens interagem entre si. As características da vegetação variam conforme o clima e o relevo local. A presença da vegetação também influencia características do clima, como umidade e temperatura do ar.
A maior parte do território dos estados do Sul está situada ao sul do Trópico de Capricórnio, ou seja, em uma das zonas temperadas do planeta. O clima predominante na região é o subtropical, que apresenta estações do ano bem definidas, chuvas distribuídas ao longo do ano, verões amenos e os invernos mais rigorosos do país. Apenas uma pequena parte do norte do estado do Paraná apresenta clima tropical de altitude, caracterizado por uma estação quente e chuvosa e uma estação fria e seca.
Observe os mapas a seguir.
Sul: climas
co de Capr córnio
Sul: vegetação nativa
de Capricórnio
Fonte: CONTI, José Bueno; FURLAN, Sueli Angelo. In: ROSS, Jurandyr L. S. (org.). Geografia do Brasil 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 107.
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico espaço mundial. São Paulo: Moderna, 2019. p. 121.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Como são o verão e o inverno no município onde você mora?
Resposta de acordo com o município dos estudantes. Incentive os estudantes a relatar as características da estação mais quente e da mais fria no lugar de vivência.
Sugestão para os estudantes
YAMASHITA, Bruna Ester. Alfabeto de plantas: de alecrim a zedoária. Ilustrações: Marilia Goldschmidt. Londrina: Verne, 2022.
Aproveite o estudo da vegetação na região Sul para recomendar aos estudantes a leitura do livro escrito por Bruna Ester Yamashita, natural de Londrina (PR), e ilustrado por Marilia Goldschmidt, nascida em Chapecó (SC). O livro aborda diferentes plantas que usamos em nosso cotidiano, apresentando-as por meio de poemas aos leitores.
2. Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Caso eles morem no Paraná, há a ocorrência de Mata Atlântica, Mata das Araucárias e Cerrado. Caso eles vivam em
Campos
Na planície dos Pampas, há vegetação de Campos, formada principalmente por plantas mais baixas, como ervas e gramíneas. As chuvas são bem distribuídas durante o ano e, sobretudo durante o inverno, ocorrem ventos fortes, frios e secos, como o vento minuano. A vegetação de Campos também pode ocorrer em áreas muito elevadas, como topos de serras.
Mata Atlântica
Nas áreas de clima mais quente e de menor altitude, há ocorrência da Mata Atlântica. Com grande quantidade de chuva e rica biodiversidade, apresenta árvores grandes, com folhas largas e arbustos.
Cerrado
Mata das Araucárias
Em áreas em que o relevo é mais elevado, como a serra gaúcha e a serra catarinense, as temperaturas tendem a ser mais baixas no inverno. A vegetação é adaptada ao frio, como no caso das espécies da Mata das Araucárias, que têm como principal representante o pinheiro-do-paraná (araucária).
Vegetação litorânea
As vegetações de mangue e restinga encontram-se próximas ao litoral, onde o clima é mais úmido e as temperaturas mais altas. Os manguezais apresentam vegetação com raízes submersas e estão localizados na foz de rios, próximos ao mar.
A vegetação de Cerrado aparece em pequenas áreas na região Sul, sobretudo no Paraná. É caracterizada por árvores de porte médio e baixo, com troncos retorcidos.
2 Analise o mapa Sul: vegetação nativa, na página anterior. Quais tipos de vegetação ocorrem no território do estado onde você vive? Responda no caderno.
Santa Catarina, os tipos de vegetação presente são Mata Atlântica, Mata das Araucárias e Campos. Por fim, caso morem no Rio Grande do Sul, os tipos de vegetação são Mata Atlântica, Mata das Araucárias, Campos e vegetação litorânea.
Atividade complementar
Em seguida, leia o texto e compare os mapas Sul: climas e Sul: vegetação nativa, explorando a linguagem cartográfica e os elementos constitutivos dos mapas (título, legenda, escala, fonte, coordenadas e rosa dos ventos) e auxiliando o registro de ideias-chave. A predominância do clima subtropical influencia a ampla ocorrência de florestas úmidas e de campos, pois as chuvas são bem distribuídas no ano. Esse aspecto climático marcante contribui para unir os três estados do Sul em uma região geográfica.
Explore as fotografias da página, incentivando os estudantes a observar e a descrever cada uma das vegetações representadas. Garanta acessibilidade: descreva oralmente as fotografias (cor, porte das plantas, presença de água/sombra), use cartões iconográficos ampliados e, se possível, pranchas táteis simples (papéis com texturas para floresta e gramíneas). Incentive sistematizações ilustradas no caderno com setas acompanhadas de poucas palavras-chave.
25/09/2025 16:03
Organize os estudantes em grupos para fazer um panorama regional dos climas do Brasil. Cada grupo será responsável por pesquisar o clima de uma região do Brasil em fontes impressas e on-line confiáveis para fazer um cartaz ilustrado com as informações geográficas selecionadas. Disponibilize uma folha extra com o mapa físico completo do Brasil e peça aos estudantes que identifiquem no mapa, com pintura, qual região estão estudando. Disponibilize material para a elaboração do cartaz. Incentive-os a inserir figuras ou desenhos que representem o clima da região, como roupas e objetos que combinem com as condições climáticas mais usuais ou, ainda, imagens que remetam às relações entre esse clima, o solo e a vegetação nativa.
Incentive o diálogo e a partilha das informações das diferentes regiões de forma oral e coletiva depois de finalizarem a atividade e proponha comparações com a região Sul questionando: onde é mais frio? Onde é mais quente? Onde as estações são mais definidas? 37
Realize as atividades de forma dialogada, em roda de conversa. Ofereça um momento para registro da resposta da atividade, que pode ser realizado em outro momento. Confira a resposta dos estudantes para verificar se eles compreenderam o conteúdo. Reforce o objetivo da atividade para que eles possam reconhecer a finalidade por trás do que estão aprendendo.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Mata das Araucárias em São Joaquim (SC), em 2021.
Vegetação litorânea na margem de rio em Paranaguá (PR), em 2024.
Vegetação de Campos em Barra do Quaraí (RS), em 2023.
Vegetação de Mata Atlântica em Morretes (PR), em 2023.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula com estas questões de levantamento de conhecimentos prévios: o que aconteceu ao longo do tempo com a vegetação e a fauna da nossa região? Vocês se lembram do que é um bioma?
Interprete o mapa Sul: biomas (2023) com os estudantes, destacando a importância de notarem onde os três biomas se localizam na região e qual é a extensão de cada um deles. Solicite o registro dessas informações geográficas no caderno: o Cerrado ocorre em uma pequena área no nordeste do Paraná, a Mata Atlântica ocupa a maior parte da região e o Pampa abrange o sul do Rio Grande do Sul.
Em seguida, oriente a leitura da fotografia. Peça aos estudantes que elenquem elementos naturais e humanizados na fotografia de Florianópolis, em que é possível observar uma extensa encosta coberta com vegetação, mas parcialmente ocupada por moradias em primeiro plano. Questione se imaginam como deveria ser aquele local antes da ocupação humana.
Biomas e degradação ambiental
Como você já viu, bioma é o conjunto de vida de determinada área que apresenta vegetação, clima e outras condições naturais semelhantes. A região Sul tem três biomas diferentes: Cerrado, Mata Atlântica e Pampa. Observe o mapa a seguir.
A vegetação nativa desses biomas sofreu grandes alterações ao longo do tempo. Grande parte das florestas da Mata Atlântica já foi destruída e muitas plantas e animais que vivem nelas correm risco de desaparecer. Atualmente, mais da metade da população brasileira vive em áreas que antes eram cobertas por florestas ricas em biodiversidade. Grandes cidades da região Sul do país estão situadas em áreas cobertas originalmente pela vegetação desse bioma.
O desmatamento também foi uma das formas de explorar os recursos naturais da região. Muitas árvores, como a canela e o jacarandá, eram cortadas e aproveitadas para a construção de moradias e de móveis, por exemplo.
Recursos naturais são materiais encontrados na natureza e utilizados pelos seres humanos.
Sugestão para os estudantes
Construções e vegetação de Mata Atlântica em Florianópolis (SC), em 2019.
INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE DE SANTA CATARINA. Série Nosso ambiente: documentos. Florianópolis: IMA, c2025. Disponível em: https://www.ima.sc.gov.br/index.php/downloads/ ecossistemas/educacao-ambiental/downloads/cartilhas-nosso-ambiente/serie-nossoambiente? Acesso em: 30 ago. 2025.
Composta de 24 volumes, essa série apresenta ao público infantojuvenil histórias em quadrinhos cujo tema é a proteção ambiental.
Além das florestas da Mata Atlântica, a vegetação presente nos outros dois biomas da região também sofreram grande degradação.
O bioma Pampa, localizado no sul da região, é o mais ameaçado do Brasil atualmente e o menos protegido por Unidades de Conservação. Grande parte do desmatamento da vegetação presente no bioma é causada pelo avanço da agropecuária. Com o desmatamento, o solo desse bioma fica bastante suscetível à um processo chamado arenização. O solo exposto sofre maior erosão e com isso há formação de grandes bancos de areia.
Sul: degradação ambiental (2023)
Veja este mapa que mostra a devastação ambiental nos biomas da região.
Atualmente, há um esforço por parte do poder público e da sociedade para conservar áreas de vegetação nativa e a vida animal nelas. Um exemplo desse tipo de iniciativa foi a criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que tem como objetivo estabelecer áreas de proteção ambiental chamadas Unidades de Conservação.
1. Espera-se que os estudantes percebam que a ação humana modificou bastante os biomas da região. Eles podem apontar que o bioma Mata Atlântica foi o mais alterado.
Fonte: MAPBIOMAS. Sul, degradação ambiental Brasil, c2025. Disponível em: https://brasil. mapbiomas.org/. Acesso em: 27 ago. 2025. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Comparem o mapa Sul: biomas (2023), na página anterior, ao mapa Sul: degradação ambiental (2023). Quais diferenças vocês conseguem perceber? Anotem no caderno.
Incentive os estudantes a pesquisar ações de proteção e cuidado com o espaço onde vivem, destacando que pequenas ações cotidianas podem contribuir
2 Pesquisem o que podemos fazer como cidadãos para proteger a vegetação natural de nosso lugar de vivência.
• Com essas informações, construam um folheto de conscientização para que toda a comunidade fique atenta à necessidade de manter os cuidados com o patrimônio natural.
para a conservação do meio ambiente. Oriente-os a registrar suas descobertas e, a partir delas, desenvolver um folheto, com objetivo de alertar a comunidade sobre medidas de proteção ambiental.
Atividade complementar
Organize-se
• Revistas e imagens impressas da internet para recorte
• Tesoura com pontas arredondadas
• Folhas de papel sulfite
• Cola
• Canetinhas e lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
Avance nas análises com a leitura cartográfica comparada do mapa Sul: degradação ambiental (2023), reforçando as extensas porções do espaço regional cuja ocupação humana alterou as condições naturais, como centro-oeste do Paraná e noroeste do Rio Grande do Sul. Volte ao texto para reforçar a compreensão das atividades produtivas responsáveis por essa transformação.
2. Disponibilize os materiais para que os grupos elaborem o folheto de conscientização e percebam o impacto de pequenas ações, como evitar queimadas, fazer o descarte correto dos resíduos, manter córregos e rios limpos, reciclar e reutilizar materiais, plantar árvores, combater incêndios e conscientizar as pessoas realizando projetos comunitários e palestras.
25/09/2025 16:03
Prepare fichas, em papel-cartão, com os nomes populares e as imagens das espécies ameaçadas protegidas na Unidade de Conservação Parque Nacional de Superagui (PR): papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), gavião-pomba (Leucopternis lacernulatus), sabiá-pimenta (Carpornis melanocephala), jaó-do-sul (Crypturellus noctivagus noctivagus), mico-leão-de-cara-preta (Leontopithecus caissara), ouriço-do-mar (Paracentrotus gaimardi) e onça-parda (Puma concolor capricornensis).
Faça um quadro na lousa com os nomes e as características desses animais, como hábitos de alimentação e hábitat. Distribua as fichas dos sete animais para cada grupo, deixando-as viradas para baixo sobre a carteira. Explique que cada estudante deve pegar uma ficha, sem vê-la, mostrá-la aos demais e fazer questões sobre os hábitos dos animais, como: pode voar? É mais ativo à noite? Vive no mar? Os demais devem responder às questões apenas com sim ou não, até que o estudante acerte o nome. 39
Uma vez que o objetivo do folheto é divulgar informações ou ideias de forma simples para o leitor, as frases devem ser breves e diretas, combinando o texto verbal com imagens (recortes colados ou desenhos). Distribua as produções para a comunidade escolar.
SONIA VAZ
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula questionando os estudantes: quais recursos naturais ou itens feitos a partir deles você e sua família utilizam no dia a dia? Auxilie a turma na troca de ideias, dando exemplos, como a água, para higiene, alimentação e dessedentação; a vegetação, da qual extraímos madeira, alimentos, medicação e combustíveis; os minerais retirados do solo ou subsolo, com os quais se fabricam eletrodomésticos, veículos e materiais para construção, como areia, pedra e argila; entre outros. Espera-se que os estudantes reconheçam a presença dos recursos naturais em seu contexto de vida e os modos pelos quais sua história e sua cultura são influenciadas por eles. Em seguida, peça-lhes que leiam o texto, destacando pontos essenciais da leitura. As atividades propostas convidam a turma a reconhecer recursos naturais típicos de sua região relacionados à culinária. Muitos dos pratos típicos regionais e locais têm relação direta com os produtos naturais comuns em determinada região.
Recursos naturais e cultura
Os recursos naturais de uma região também podem se tornar símbolos que representam um lugar, as identidades culturais de seu povo e sua relação com a natureza. A erva-mate é uma planta típica da Mata Atlântica. Já a araucária, que tem pinhões como sementes, nomeia a Mata das Araucárias.
A erva-mate e o pinhão já eram apreciados pelos povos indígenas e, graças à cultura desses povos, seu consumo se popularizou também entre os europeus colonizadores. Hoje, os habitantes da região Sul consomem essas plantas de diferentes maneiras. Observe estas fotografias.
As folhas de erva-mate passam por um longo processo até a preparação do chimarrão, que consiste na mistura de erva-mate moída com água quente, geralmente servida em uma cuia.
Entrevero, prato típico da região Sul, principalmente do Paraná e de Santa Catarina, feito com uma mistura de carnes, legumes e pinhão.
1 Você ou alguém da sua família consome algum dos alimentos mencionados? Se não, qual é o alimento típico do lugar onde você vive?
Respostas pessoais. Incentive os estudantes a relatar os pratos e bebidas típicos consumidos no lugar de vivência.
2 Você conhece alguma receita que utiliza ingredientes naturais de onde você vive? Pergunte para sua família e compartilhe com os colegas.
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes identifiquem alguma receita que utilize ingredientes naturais encontrados em seu lugar de vivência.
1. Aprofunde aspectos culturais dos estudantes orientando-os a relatar comidas e bebidas que eles e a família consomem no dia a dia e esporadicamente, como o chimarrão que vem da erva-mate, o arroz de carreteiro, o churrasco e outros pratos que utilizem carne, vegetais ou ervas comuns na região. Incentive a escuta entre os colegas e que comentem ou complementem a fala de outros.
2. Procure envolver a família dos estudantes na realização da proposta. Peça-lhes que atentem à estrutura do gênero textual receita, anotando ingredientes e medidas necessárias, bem como o modo de preparo. Uma possibilidade é organizar um livro de receitas da turma, pedindo a cada estudante que transcreva a receita da família em uma folha de papel avulsa e ilustre-a. Ao final, as receitas podem ser grampeadas e, em conjunto, a turma pode produzir a capa e o sumário do livro. Finalize reforçando a ideia central desenvolvida. Relacione-a à habilidade para que os estudantes reconheçam a finalidade do conhecimento que mobilizaram.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
3. Os estudantes poderão indicar que a estrutura física do palacete permanece a mesma, sendo preservada para as gerações futuras. Porém, no passado, o palacete foi a residência
O Palacete Leão Jr., em Curitiba, foi moradia da família de um rico empresário da erva-mate. O edifício de 1902 é um vestígio da importância da erva-mate para a economia e a história paranaenses. Hoje, o palacete é um espaço cultural onde se realizam diferentes atividades artísticas e exposições.
1. Resposta de acordo com o estado e o município dos estudantes. Estimule os estudantes a pesquisar os símbolos que foram escolhidos
Exposição artística no Palacete dos Leões, como é atualmente chamado o antigo Palacete Leão Jr., em Curitiba (PR), em 2024.
de diversas pessoas, um ambiente privado. No presente, é um espaço aberto à visitação e não é habitado por nenhuma família. Sua importância reside na preservação da memória da região e de sua relação com a erva-mate.
Evento realizado no Palacete Leão Jr. em Curitiba (PR), no início do século 20. Na época, o local era uma moradia.
3 Observando as duas fotografias, indique as diferenças e semelhanças entre o palacete no passado e no presente.
VOCÊ DETETIVE
Um estado ou município pode ter diversos símbolos, como é a planta-símbolo de Santa Catarina, Laelia purpurata, um tipo de orquídea encontrada no litoral do estado. Esses símbolos valorizam o território, as culturas e reforçam as identidades locais.
1. Com os colegas, pesquisem quais são os símbolos do município e do estado onde vocês moram. Registrem as descobertas e criem um cartaz com as informações.
Orquídea Laelia purpurata apresentada na Festa das Flores em Joinville (SC), em 2024.
para compor a bandeira do estado e do município, por exemplo, orientando-os sobre a relação desses elementos com a história e a cultura locais.
Sugestão para os estudantes
CORTESIA DO ARTISTA ANTONIO MALTA CAMPOS E SIMÕES DE ASSIS
AJAO (AGREMIAÇÃO JOINVILLENSE DOS AMADORES DE ORQUÍDEAS)
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25/09/2025 16:03 41
SILVA, Thiago. Araponga e Gralha-Azul: uma aventura em Libras. Ilustrações: Ton Marx. Florianópolis: Chroma, 2023.
Convide os estudantes a ler essa história em quadrinhos, protagonizada pela Araponga, uma ave que é símbolo de Santa Catarina, e pela Gralha-Azul, uma ave que é símbolo do Paraná. Na narrativa, ambas as personagens são surdas e se comunicam em Libras para proteger as florestas do Sul do Brasil, por meio da reciclagem e dos cuidados ambientais.
3. Leve os estudantes a perceber as transformações com o passar do tempo que ocorrem em espaços icônicos e representativos de uma época. Estimule o diálogo sobre as diferenças existentes entre um palacete, espaço privado de uso doméstico, posteriormente transformado em museu, espaço público de uso cultural. Questione-os sobre de quem é a responsabilidade de cuidar do palacete e de conservá-lo nos dois casos, relembrando-os do poder público e do papel da secretaria municipal de cultura para promoção de práticas diversificadas de produção artístico-cultural. Sistematize as ideias com a aplicação da proposta do boxe Você detetive. Ao promover a leitura do texto, explique que alguns recursos naturais podem ser tão característicos de determinado local que se tornam símbolos, contribuindo para reforçar sua identidade. Oriente a confecção dos cartazes, pedindo aos estudantes que atentem à estrutura desse gênero textual: deve conter expressões ou frases curtas, de fácil leitura e interpretação, além de imagens chamativas. Para a conclusão da atividade, é essencial que os estudantes possam trocar suas descobertas de forma oral, expondo seus cartazes a partir da identificação de símbolos locais, explicando o motivo de terem sido escolhidos esses símbolos e não outros, para que reforcem a aproximação dos elementos naturais com a história e a identidade local.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula questionando os estudantes: o que é erva-mate e para que a utilizamos? Por que ela é um símbolo regional? Qual é a relação da erva-mate com a cultura da região Sul? Verifique se compreendem que a erva-mate é um símbolo regional muito importante, fortemente relacionado aos costumes da população sulina.
Explore a lenda da erva-mate, relacionando-a à cultura dos povos originários e à transmissão de conhecimento construído sobre as plantas e a vida nas matas. Explique que esse hábito se cristalizou e se expandiu para outras regiões. Se possível, leve os estudantes ao refeitório e mostre o preparo do chimarrão. Por ser preparado com água quente, a demonstração deve ser feita com cuidado e por um adulto. A ideia é apenas mostrar o preparo da bebida, sem oferecê-la, pois, além de oferecer risco de queimaduras, não é recomendável para crianças por ser estimulante.
1. Encoraje os estudantes a contar outras versões da lenda que conheçam. Em seguida, explore a relação que os indígenas têm com o ambiente e como veem o mundo.
2. Outra opção é propor aos estudantes que realizem uma observação participante, acompanhando e registrando os diferentes usos da erva-mate em seus lugares de vivência durante uma semana e fazendo inferências com as informações coletadas.
Lenda da erva-mate
Leia a lenda indígena sobre o surgimento da erva-mate. Diz uma lenda indígena que a solidão entristece o homem. Uni, chefe dos Itabaeté, viu toda sua aldeia partir por causa da guerra. Velho e sem forças para a longa empreitada, ele e sua filha, Yari, ficaram para trás. [...]
Certa vez passou um andarilho pedindo pouso. Uni cedeu. Yari o alimentou. [...] O andarilho, impressionado com o poder de Uni, sacou do sapicuá umas folhas verdes de um perfume inebriante. Em suas mãos as folhas viraram raiz. Da raiz saiu uma planta. Plante-a, espere crescer e beba de suas folhas. Ao dizer isso o andarilho tocou a mão de Yari numa das folhas.
Onde quer que Yari tocasse a terra a planta brotava. Finda a guerra, Uni serviu um chá daquelas folhas aos que voltaram. Sorvia-se a bebida em roda, o círculo avolumava-se. Diversas experiências apreendidas entre histórias. Na aldeia de Uni uma mesma história nunca é igual. Toda voz é uma extensão da imaginação. Preenche o vazio, inclusive o vazio do próprio contador. Graças à erva do andarilho, presente dos deuses, o homem pode compartilhar diferentes mundos.
FERNANDES, Frederico Augusto Garcia. Entre histórias e tererés: o ouvir da literatura pantaneira. São Paulo: Unesp, 2001. p. 21-22.
Sapicuá: bolsa de pano grosso.
A erva-mate tem tanta importância para a economia e para a identidade gaúchas que o Rio Grande do Sul estabeleceu, em 2023, a erva-mate como o primeiro patrimônio cultural imaterial do estado.
Patrimônio cultural é todo bem importante para a memória e a identidade de uma comunidade. Patrimônios culturais podem ser materiais, como monumentos e construções, ou imateriais, como festas, costumes, danças, músicas e modos de preparar alimentos.
1 Você já conhecia essa lenda ou outras histórias sobre a erva-mate? Converse com os colegas sobre isso.
Respostas pessoais. Incentive os estudantes a compartilhar suas percepções sobre a lenda da erva-mate e se conhecem outras histórias sobre ela.
2 Converse com adultos de seu convívio, perguntando sobre como a erva-mate faz parte do cotidiano deles e o que já ouviram falar dela. Depois, compartilhe com os colegas o que você descobriu.
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Resposta pessoal. É interessante que os estudantes perguntem se os familiares deles consomem erva-mate e como esse consumo acontece: em grupo, individualmente, em ocasiões especiais etc.
Sugestão para o professor
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Superintendências. Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: https://www.gov.br/iphan/pt-br/superintendencias. Acesso em: 30 ago. 2025. O site das Superintendências do Iphan é uma fonte oficial e confiável que mostra como o patrimônio histórico e cultural é protegido em cada estado brasileiro. Oferece informações sobre a presença regional do Iphan, exemplos de atuação e contatos locais, o que enriquece as aulas ao possibilitar atividades de pesquisa, comparação e valorização da memória e da cultura em diferentes localidades do país.
25/09/2025 16:03
Erva-mate, chimarrão e tereré DIÁLOGOS
A erva-mate é consumida em diferentes estados do Brasil, assim como em países vizinhos, por exemplo, Uruguai, Argentina, Bolívia e Paraguai. O que varia é a forma de preparo e consumo.
Uma dessas formas é o tereré, bebida feita à base de erva-mate seca, assim como o chimarrão, mas preparada em água fria. O tereré é consumido, tradicionalmente, na região Centro-Oeste (nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e na região Sul (no estado do Paraná), além do Paraguai e da Bolívia.
O tereré foi declarado patrimônio imaterial da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2020, e patrimônio cultural imaterial do Mato Grosso do Sul em 2023. Em 1o de março, comemora-se o Dia do Tereré na cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Quais são as semelhanças e as diferenças entre o tereré e o chimarrão? Escreva no caderno.
2 Existe alguma bebida ou alimento que é considerado patrimônio no lugar onde você vive? Caso não exista, escreva no caderno uma bebida ou um alimento que poderia ser um patrimônio imaterial de seu município ou estado.
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BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
Retome a diferença entre os patrimônios culturais material e imaterial. Explique que os patrimônios são reconhecidos em diferentes escalas geográficas: podem ser municipais ou estaduais, como o Palacete Leão Jr. em Curitiba, um exemplo de patrimônio material estadual do Paraná, e a erva-mate, patrimônio imaterial estadual do Rio Grande do Sul. Além disso, podem ser definidos nacionalmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou como patrimônios mundiais, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
1. Respostas possíveis: o fato de serem duas bebidas à base de erva-mate e que se consomem com o auxílio de uma bomba (semelhanças); o fato de o tereré ser geralmente consumido gelado em uma guampa e o chimarrão ser consumido quente em uma cuia (diferenças).
25/09/2025 16:03
Sugestão para o professor É INDÍGENA a erva-mate!: exposição Eu memória, eu floresta: história oculta. Publicado por: Museu Paranaense. 2021. 1 vídeo (ca. 12 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=71rL33jbLDY&t=29s. Acesso em: 31 ago. 2025. No vídeo, o artista Gustavo Caboco explica como criou as obras da série Exigências da mata, que buscam resgatar as origens da erva-mate, vinculando-a às culturas dos povos originários do Brasil.
2. Caso não haja nenhum alimento considerado patrimônio do lugar de vivência dos estudantes, incentive-os a pensar em critérios que poderiam definir um item como patrimônio estadual ou municipal. Após solicitar a eles que escrevam as respostas no caderno, incentive a troca das respostas entre os estudantes.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
MATHEUS FURTADO
ENCAMINHAMENTO
A seção Para rever o que aprendi é uma das possibilidades para os estudantes sistematizarem os conhecimentos construídos ao longo dos Capítulos 1 e 2 da Unidade 1. Não se configura na única forma de avaliação, visto que o desenvolvimento das habilidades e competências da BNCC é trabalhado de diferentes formas ao longo do Livro do estudante. Neste momento, os estudantes são convidados a revisar conceitos e a sistematizar ideias e reflexões a partir de propostas que retomam os principais temas. Antes que respondam às atividades, questione-os: quais são os assuntos estudados de que vocês se lembram? De que atividade realizada vocês mais gostaram? Qual era o objetivo dela? 4. a) O território brasileiro apresenta divisões regionais diferentes nos dois mapas porque o IBGE, ao longo do tempo, revisou seus critérios de regionalização de acordo com novas demandas de análise e planejamento governamental. Em 1940, a divisão em cinco grandes regiões tinha caráter preliminar e estava apoiada sobretudo em critérios político-administrativos e em delimitações amplas. Em 1988, a regionalização resultou de estudos mais consistentes, integrando fatores naturais, econômicos, sociais e culturais em busca de maior coerência interna e homogeneidade relativa em cada região. As mudanças refletem a evolução das pesquisas geográficas e estatísticas do IBGE, bem como a necessidade histórica de ajustar a regionalização à realidade socioeconômica e territorial do país.
PARA REVER O QUE APRENDI
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
1. Os estudantes devem apontar que região é uma área delimitada do espaço geográfico a partir de características comuns. Essas características podem ser naturais, como o clima e a vegetação, ou produzidas pela sociedade, como
1 Explique o conceito de região no estudo da Geografia.
aspectos históricos e culturais.
2 Quais critérios podem ser utilizados em uma regionalização?
Espera-se que os estudantes respondam que os critérios podem ser naturais, sociais, culturais, econômicos e históricos.
3 Quais são as regiões estabelecidas pela regionalização oficial do território brasileiro, elaborada pelo IBGE em 1988?
que as regiões são: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Os estudantes devem responder
4 Analise estes mapas com duas regionalizações do território brasileiro feitas pelo IBGE em diferentes décadas.
Brasil: grandes regiões (1940)
Regiões
Norte
Nordeste
Este Centro-Oeste
Sul
Trópico de Capricórnio
Brasil: grandes regiões (1988)
Fonte: BENEDICTO, Marcelo; MARLI, Mônica. Cinco faces do Brasil. Retratos, Rio de Janeiro, n. 6, p. 8-12, dez. 2017.
Trópico de Norte Nordeste
Sudeste Centro-Oeste
Sul
Capricórnio
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. p. 9.
a) Quais são os motivos de o território brasileiro apresentar divisões regionais diferentes nos dois mapas? Explique.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
b) Em qual mapa a região Sul apresenta a configuração territorial de hoje?
No mapa 2
5 Quais características naturais foram consideradas para delimitar a região Sul atual?
Algumas características comuns podem ser apontadas, como a predominância do clima subtropical no território dos três estados e o relevo marcado pela presença de planaltos.
Texto de apoio
Há uma forte tendência e a defesa de que a avaliação também deve ser totalizadora, abrangendo todos os aspectos e potencialidades dos estudantes. Quando a avaliação é totalizadora, ela passa a não ser o término, mas o início para mudar o espaço pedagógico e fazer com que conteúdos importantes sejam cada vez mais bem compreendidos pelos estudantes. E quando isso de fato acontece ela assume sua verdadeira função de subsidiar a aprendizagem, deixando de ser utilizada apenas como um recurso de autoridade, que decide sobre os destinos do estudante, e assumindo seu verdadeiro papel de auxiliar a aprendizagem (SOUZA, 2007).
Para isso a avaliação deve acontecer de três formas: formativa, somativa e diagnóstica (HAYDT, 2008; LUCKESI, 2002).
A avaliação formativa é realizada ao longo de todo processo educacional, visando auxiliar nos ajustes necessários para o estudante continuar progredindo na sua aprendizagem. […]
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
6 Identifique as formações vegetais da região Sul e explique as características delas.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Vegetação em Morretes (PR), em 2023.
Vegetação em Castro (PR), em 2023.
7 Explique a importância dos tropeiros na formação de vilas e cidades no Sul do Brasil.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
8 Explique como os recursos naturais da região influenciam o modo de vida e a cultura das pessoas que ali vivem.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
1. Em uma roda com seus colegas, converse sobre: a) o que você já sabia sobre a região Sul do Brasil; b) o que você aprendeu sobre a região Sul do Brasil; c) o que você ainda quer descobrir sobre a região Sul do Brasil.
Resposta de acordo com a autoavaliação dos estudantes.
6. Em São José dos Ausentes (RS), observa-se a vegetação de Campos, marcada por gramíneas e vegetação herbácea, típica de áreas de clima frio. Em Joinville (SC), aparece a vegetação litorânea, associada a áreas litorâneas e alagadiças. Na paisagem de Morretes (PR), está retratada a Mata Atlântica, com árvores altas, grande biodiversidade e clima úmido. Na fotografia de Castro (PR), destaca-se na paisagem a Mata de Araucárias e a presença do pinheiro-do-paraná, adaptado ao clima subtropical e às altitudes elevadas da Serra Geral.
7. Os tropeiros foram fundamentais na ocupação do Sul, porque transportavam gado e mercadorias como charque, tecidos, couro e erva-mate, estabelecendo importantes rotas de circulação econômica pelas quais se desenvolveram vilas e cidades. Assim, contribuíram para integrar economicamente o território e estimular o crescimento urbano.
16:03
A avaliação somativa é realizada na saída, geralmente classificatória e regulatória, permitindo chegar a um resultado final de aprendizagem do estudante. É a avaliação de saída, o produto final, e é quantitativa. […]
E por fim, a avaliação diagnóstica […] é realizada na entrada, chegada do estudante à escola ou a um conteúdo novo, se caracteriza na principal forma de oferecer ao professor um diagnóstico inicial que possibilite identificar se o estudante possui habilidades e conhecimentos para receber novas aprendizagens (HAYDT, 2008).
CORRÊA, Emiliana Aparecida. Evidências de validade e confiabilidade de uma escala de proficiência para avaliação diagnóstica em Matemática com uso da teoria de resposta ao item. 2021. Dissertação (Mestrado em Métodos e Gestão em Avaliação) — Centro Tecnológico — Informática e Estatística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2021. p. 31-32. Disponível em: https://www.pmf. sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/27_08_2021_11.19.32.9ed8c12c42d7b9f0a979b47867955330.pdf. Acesso em: 30 ago. 2025. 45
8. Os campos favorecem a criação de gado e a cultura do chimarrão, ligada à erva-mate. As Matas de Araucária fornecem madeira e pinhão, alimento típico regional. A cultura, a alimentação e as principais atividades produtivas da região se relacionam fortemente às condições naturais locais.
Na autoavaliação, os estudantes devem refletir sobre seu desempenho e engajamento nas atividades e rever os conceitos. Com base no entendimento do que aprenderam e do que ainda precisam desenvolver, é possível traçar objetivos pedagógicos mais bem alinhados e personalizados a cada um para então realizar a avaliação formativa.
Vegetação em São José dos Ausentes (RS), em 2025.
Vegetação em Joinville (SC), em 2022.
INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, conheceremos a formação histórica dos povos da região Sul, buscando valorizar diferentes narrativas e culturas por meio de vestígios materiais e imateriais, de marcos de memória, de monumentos e da oralidade, partindo dos primeiros povos que habitaram a região.
No Capítulo 1, trataremos da história e da memória dos povos indígenas, africanos e seus descendentes e seus legados na região Sul. No Capítulo 2, serão trabalhados os diversos fluxos migratórios ao longo da história da ocupação do Sul e suas distintas contribuições que se firmaram como patrimônios materiais e imateriais na região. Para abordar isso, elementos da memória familiar e coletiva são discutidos para favorecer o entendimento das significações e ressignificações atribuídas pelas populações sulinas às diferentes culturas dos migrantes e seu papel no desenvolvimento cultural, social e econômico do Sul do Brasil.
UNIDADE POVOS DO SUL 2
Objetivos da unidade
• Valorizar a importância dos povos indígenas e africanos na formação da região Sul.
• Discutir a relação dos primeiros grupos indígenas na constituição da região Sul reconhecendo o legado que construíram.
• Conhecer fatores, territórios e personalidades que contribuíram para a formação da memória dos povos originários e africanos ao longo do desenvolvimento da região.
• Refletir sobre ações antirracistas na contemporaneidade, resgatando a potencialidade das contribuições dos povos originários e africanos para as manifestações culturais, econômicas, religiosas e sociais na região e no país.
• Identificar as contribuições dos migrantes no desenvolvimento histórico, cultural, social e econômico da região Sul e da sociedade brasileira.
• Compreender os patrimônios materiais e imateriais como registros da história e da memória das comunidades e dos povos que formaram e formam a região Sul.
Um raio de sol penetrou na floresta, e Estrela Cadente se transformou em Fág, a primeira araucária. Envolta na mesma luz, Lua se transformou em Segsó, a primeira gralha-azul. Até hoje, [...] recolhe e enterra as sementes dos pinhões [...] por todo o território Kaingang. De cada pinhão enterrado, nasce uma nova araucária e mais um Kaingang.
SALVADOR, Mauricio Vēn Tánh; FONSECA, Ana Carolina da Costa e. A araucária e a gralha-azul: uma história dos antigos Kaingang. Porto Alegre: Editora da FMP: Libretos, 2022. Não paginado.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Do que trata o trecho do conto?
2 O que você sabe sobre os povos indígenas do Sul?
3 Os contos fazem parte da história e da identidade de um povo. Quais povos contribuíram para a construção da história da região Sul?
Atividade complementar
Proponha à turma que explore os elementos-chave da lenda (raio de Sol, transformações, pinhão, enterrar, nascer, araucária, povo kaingang) em charadas. Faça um breve estudo do gênero: mostre duas charadas e auxilie os estudantes a perceber que é preciso dar pistas sem entregar a resposta, usar linguagem simples e imprimir ritmo. Ofereça modelos como: o que é, o que é? Cabe na mão, dorme no chão e vira gigante quando acorda? (pinhão). O que é, o que é que ______ [ação], mas _______ [outra pista] e semeia ______?
Ofereça cartões-pista com ícones (semente, pássaro, árvore, luz) para quem precisar de apoio visual. Permita charadas desenhadas (pistas em imagens e uma frase curta). Para quem quiser desafio, sugira incluir um termo Kaingang (Fág/Segsó) como pista, e não como resposta. Por fim, reserve um momento para socialização, fazendo um rodízio de adivinhações.
BNCC
Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 9.
Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 5, 6 e 7.
Competências específicas de Geografia: 2, 4, 5, 6 e 7. Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5 e 6.
TCTs: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras; diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
Explore um trecho da lenda indígena com os estudantes, bem como a ilustração. Comente que o pinhão é um alimento tipicamente consumido na região Sul e explique que as lendas são narrativas simbólicas que nos ajudam a compreender o modo de vida dos povos de que elas fazem parte.
1. Conduza os estudantes para que cheguem à ideia central: a explicação mítica do surgimento da primeira araucária e da primeira gralha-azul. A lenda também trata do ato de enterrar pinhões para produzir novas árvores e, simbolicamente, novos indígenas.
2. Resposta pessoal. Registre os conhecimentos prévios dos estudantes na lousa.
3. Incentive os estudantes a nomear o máximo de povos que participaram da formação da região, oferecendo pistas com imagens e palavras-chave previamente planejadas para esse momento a fim de atender também às necessidades de inclusão de parte dos estudantes.
VERIDIANA
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
ENCAMINHAMENTO
Organize a leitura explicativa do texto, destacando três pontos principais: a antiguidade da ocupação humana, os sambaquis como registros históricos e a importância dos sítios arqueológicos.
1. Interprete cuidadosamente a imagem com os estudantes e incentive-os a seguir três passos: observar formas, cores e posições, inferir o que pode estar representado com base em evidências (formas de araucária: troncos e copas) e justificar quais pistas visuais sustentam a hipótese. Por fim, oriente-os a relacionar a pintura rupestre com a lenda e a ilustração dessa árvore da página anterior.
2. Para realizar a atividade, se possível, providencie o acesso à internet no laboratório de informática. Oriente os estudantes a fazer as buscas dos sítios arqueológicos selecionando informações de fontes confiáveis, como Iphan, museus, universidades, entre outros.
POVOS ORIGINÁRIOS, AFRICANOS E SEUS LEGADOS 1
Estima-se que a ocupação do continente americano começou entre 15 e 20 mil anos atrás. Na atual região Sul do Brasil, os registros mais antigos de ocupação, de aproximadamente 7 mil anos, são dos sambaquianos. Esses povos viveram no litoral e em áreas alagadas. Eles deixaram como vestígios os sambaquis, que são montes de conchas, ossos, rochas e restos de alimentos. Alguns sambaquis eram locais de enterro dos mortos, indicando a existência de rituais funerários entre esses povos.
Atualmente, os sambaquis são sítios arqueológicos, fundamentais para o entendimento dos costumes e modos de vida dos primeiros habitantes do litoral brasileiro.
Sambaqui no sítio arqueológico Garopaba do Sul, em Jaguaruna (SC), em 2021. Nesse sítio se encontra o maior sambaqui do mundo em extensão.
Sítio arqueológico: local onde se encontram vestígios do passado.
Pintura rupestre encontrada na região de Piraí do Sul (PR), em 2021.
A fotografia 2 é um registro de pintura rupestre de cerca de 4 mil anos. Acredita-se que ela foi feita pelos povos ancestrais de comunidades indígenas como os Kaingang e Xokleng.
1 O que é possível identificar na pintura rupestre?
A pintura representa as araucárias, marcantes na paisagem da região Sul até os dias de hoje.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
2 Existem sítios arqueológicos no estado onde vocês moram? Com a ajuda do professor, pesquisem essa informação.
• Depois, conversem sobre a importância de investigar os vestígios para conhecer um pouco mais sobre o passado.
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Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Sugestão para os estudantes
BODENMÜLLER, Celina; ANELLI, Luiz E. ABCDarqueologia. São Paulo: Peirópolis, 2023. Esse abecedário foi construído para encantar e informar de forma leve e cativante, despertando a curiosidade das crianças e o interesse pela divulgação de conhecimentos científicos. Aborda os métodos de datação de carbono e de escavação, o minucioso trabalho dos arqueólogos com os vestígios encontrados, entre outros assuntos.
BNCC
Povos originários
1. Espera-se que os estudantes concluam, observando a ilustração, que a construção de casas subterrâneas era uma forma de adaptação ao clima da região Sul, que apresenta temperaturas baixas em várias épocas do ano. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Os povos indígenas são também chamados povos originários por serem descendentes dos primeiros habitantes das terras que hoje formam o Brasil. Observe no mapa como era a distribuição desses povos pelo território do Sul, de acordo com as famílias ou grupos linguísticos, na época da chegada dos europeus.
Famílias ou grupos linguísticos são conjuntos de povos que compartilham línguas com características semelhantes.
Sul: povos originários (1500) 50° O
MS SP Trópico de Capr córn o
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Mauricio de et al Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 12. SONIA VAZ
OCEANO ATLÂNTICO
Famílias linguísticas
Tupi-Guarani
Jê
Charrua
Divisa estadual atual
Região Sul
Fronteira internacional atual 0 155
Cada povo tinha modos de vida e conhecimentos próprios, bem diferentes dos costumes europeus.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Observe como os Kaingang construíam suas casas subterrâneas. Por que essas casas eram uma tecnologia importante de adaptação dos Kaingang ao ambiente onde viviam?
Os elementos não foram representados em proporção de tamanho entre si.
VERIDIANACAMELO
Sugestão para o professor
Fonte: D’ANGELIS, Wilmar R.; VEIGA, Juracilda. Habitação e acampamentos Kaingang hoje e no passado. Cadernos do CEOM, Chapecó, ano 17, n. 18, p. 231-242, 2014.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
ENCAMINHAMENTO
24/09/2025 13:06
AS CASAS subterrâneas Kaingang. Brasília, DF: Instituto Socioambiental, 18 fev. 2016. Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/acervo/noticias/casas-subterraneas-kaingang. Acesso em: 2 set. 2025.
O conteúdo da página amplia as informações sobre as moradias subterrâneas dos Kaingang, fornecendo descrições sobre a escavação na terra, os revestimentos do piso e do teto encontrados por arqueólogos, as hipóteses em relação aos usos habitacional ou cerimonial, a disseminação dessa cultura de construção por diversas regiões, entre outros aspectos.
Incentive a leitura do mapa começando pelas informações da legenda: cada cor representa uma grande família linguística dentro da qual há diversos povos indígenas. Aproveite o momento para comentar que entre os povos originários havia comunicação mesmo entre diferentes línguas, em razão de essas línguas compartilharem, por exemplo, a mesma origem. Caracterize com os estudantes o exemplo das moradias indígenas, partindo do exemplo ilustrado das casas subterrâneas do povo Kaingang. Relacione o modo de vida desse grupo com os elementos que aparecem na imagem: a fogueira, os objetos de cerâmica e a cestaria. 1. Os estudantes deverão discutir oralmente a tecnologia utilizada nas casas subterrâneas como fator de sobrevivência daquele povo, que enfrentava períodos de frio intenso.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
ENCAMINHAMENTO
Destaque os hábitos e os modos de vida dos Jê e dos Tupi-Guarani de modo que também sejam relacionados com os costumes alimentares que até hoje prevalecem no dia a dia da população do Sul, como os alimentos citados e o consumo da erva-mate no preparo do chimarrão.
Questione-os sobre a relação dos povos Jê e Tupi-guarani com a agricultura e o papel que essa atividade produtiva tem para o desenvolvimento da região Sul. 1. Auxilie os estudantes a interpretar o mapa e a construir a linguagem necessária para expressar relações espaciais relativas entre áreas coloridas representando a distribuição da ocupação dos três grupos indígenas.
Povos Jê e Tupi-Guarani
A araucária era importante para os povos Kaingang e Xokleng, ambos da família Jê, por causa do pinhão, alimento muito consumido por eles. Esses povos também tinham a tradição de consumir erva-mate, como chá ou preparada para virar chimarrão. Eles se alimentavam de palmito, folhas de mandioca-brava, entre outros alimentos. Além da coleta, caçavam, pescavam e cultivavam produtos como milho, feijão e moranga.
Os povos Kaingang e Xokleng dominaram a atual região Sul durante muito tempo, até a chegada dos Guarani, da família Tupi-Guarani. Os Guarani migraram da região amazônica e expandiram sua presença por boa parte do território. O contato entre povos Jê e Tupi-Guarani nem sempre foi pacífico. Houve conflitos e disputas por terras, principalmente pela resistência dos Jê aos avanços dos Tupi-Guarani sobre as áreas que ocupavam. Os Jê foram aos poucos deslocados para terras mais distantes dos grandes rios e do litoral.
Os Tupi-Guarani caçavam, pescavam e realizavam coleta de moluscos e insetos. Na agricultura, cultivavam milho, mandioca, feijão, amendoim, batata-doce e abóbora. Eles também produziam muitas peças em cerâmica.
Cerâmica guarani do século 15 encontrada em Roca Sales (RS) entre os anos de 2023 e 2024.
1 Observe novamente o mapa Sul: povos originários (1500), na página anterior. Como se distribuíam os povos Jê e Tupi-Guarani na região Sul?
Espera-se que os estudantes observem que os povos Jê ocupavam principalmente o interior do território. Já os povos Tupi-Guarani ocupavam também terras no litoral de quase toda a região Sul.
DESCUBRA MAIS
SALVADOR, Mauricio Vēn Tánh; FONSECA, Ana Carolina da Costa e. A araucária e a gralha-azul : uma história dos antigos Kaingang. Porto Alegre: Editora da FMP: Libretos, 2022.
O livro é um registro da narrativa oral do cacique Mauricio Vēn Tánh Salvador de uma história antiga dos Kaingang.
Atividade complementar
Convide a turma a escrever um bilhete para ser lido no futuro, descrevendo cinco elementos do cotidiano que revelam nosso modo de viver e nossa identidade cultural (podem ser objetos, práticas, palavras, alimentos, músicas e lugares representativos). Oriente os estudantes a nomear cada elemento e a explicar por que é importante. Explique que culturas, em parte, mudam e, em parte, permanecem. Peça-lhes que escolham um ou dois elementos para comparar ontem e hoje, incluindo referências a povos indígenas, reconhecendo sua diversidade e sua presença contemporânea. Forneça exemplos apenas como inspiração: aparelho celular/computador (comunicação), cuias e erva-mate (cultura material), fogueiras/roda de conversa (sociabilidade) e palavras de origem indígena no nosso vocabulário. Finalize questionando: o que mudou? O que permaneceu? Quem criou? Em que contextos (cidade/campo/comunidade)? Exponha os bilhetes em um “mural do futuro”.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Xetá
O povo Xetá, da família Tupi-Guarani, vivia na porção noroeste do Paraná, próximo ao Rio Ivaí, até metade do século 20. Eles caçavam, pescavam e coletavam frutos, mantendo um modo de vida nômade, ou seja, se deslocavam constantemente.
Os Xetá passaram a ter contato com os não indígenas a partir de 1940. A expansão da agricultura e da criação de gado, assim como o estabelecimento das colônias de imigrantes , fez com que os Xetá quase desaparecessem. Atualmente, existem descendentes dos Xetá vivendo em diferentes locais nos estados do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo, não mais em comunidades indígenas.
Bosque dos Xetá em Umuarama (PR), em 2021. O atual município de Umuarama era parte do território habitado pelos Xetá.
Colônias de imigrantes eram áreas que recebiam pessoas vindas de outros países. Nesses locais, os imigrantes recebiam lotes de terras para cultivar e formavam comunidades. Muitas vezes, esses locais já eram ocupados por povos indígenas.
Povos Charrua
Nos atuais territórios do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina viviam os Charrua. Esses indígenas ficavam próximos a importantes rios, como o Uruguai e o Paraná, ocupando a região dos Pampas. Eles praticavam a coleta de frutos, a caça e a pesca. Eram nômades e costumavam se deslocar de acordo com as estações do ano.
Os Charrua eram excelentes guerreiros e resistiram aos europeus de diversas formas, mudando os próprios costumes para se adaptar. Aprenderam a montar cavalos, por exemplo, o que tornou os deslocamentos mais rápidos e ajudou na caça.
Atualmente, os Charrua brasileiros vivem em ambiente urbano e lutam para que seus direitos sejam reconhecidos.
A filmagem retrata o povo Xetá, expulso de suas terras e submetido ao extermínio e à dispersão populacional nas décadas de 1940 e 1950, durante o processo de colonização do noroeste do Paraná.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Continue a leitura sobre os povos originários, agora enfocando os Xetá, um povo da família Tupi-guarani. Destaque o modo de vida nômade desse povo.
Comente que o estabelecimento de colônias de imigrantes foi uma ação da companhia de colonização e imigração do estado paranaense, que, em meados do século XX, passou a lotear terras do governo na porção noroeste para promover a ocupação. Essa invasão do território Xetá também foi provocada pela expansão da atividade cafeicultora e pela abertura de fazendas para atividades pecuária e agrícola.
BNCC
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
ENCAMINHAMENTO
Explore as ideias levantadas no texto sobre os povos indígenas e europeus, buscando tecer reflexões sobre as mudanças territoriais e culturais ocorridas a partir da chegada dos europeus nas terras dos atuais estados do Sul, onde já estavam os indígenas. Reforce que, apesar das trocas culturais, as múltiplas dimensões da violência sofrida pelos povos indígenas culminaram em uma situação de tentativa de extermínio e grave apagamento, cujos efeitos vêm sendo muito lenta e recentemente revertidos por políticas públicas.
1. Elabore um quadro comparativo na lousa com toda a turma modelando e conduzindo a sistematização das informações do texto.
2. Sensibilize os estudantes e organize-os para a pesquisa em grupo. Distribua papéis de mediador do grupo, leitor, escriba, curador de fontes e ilustrador. Disponibilize um conjunto de fontes de pesquisa acessível com impressos curtos, livros e links previamente checados.
Contato entre povos indígenas e europeus
A chegada dos europeus às terras onde atualmente se encontra o Brasil levou a diversas mudanças na vida dos povos indígenas.
Como tinham conhecimento das terras, os indígenas participaram na abertura de trilhas nas matas, conectando diferentes regiões, o que foi importante para os tropeiros. Também transmitiram seus conhecimentos sobre os recursos naturais, como o uso de determinadas plantas para o tratamento de doenças e para o consumo, além de hábitos de higiene pessoal. A contribuição dos indígenas se deu também em algumas palavras utilizadas até hoje, como mate e charque.
O churrasco com a técnica do fogo de chão é uma tradição dos povos indígenas que habitavam os Pampas. Ainda hoje ele é realizado em algumas estâncias e é um traço marcante das práticas culturais do povo gaúcho.
Os povos nativos, porém, sofreram com as mudanças trazidas com a chegada dos europeus. Muitos indígenas foram obrigados a sair dos locais que habitavam, escravizados e forçados a trabalhar na agricultura e na extração de madeira no litoral da atual região Sul.
Churrasco realizado com a técnica de fogo de chão, em Porto Alegre (RS), em 2022.
Estância: fazenda ou grande propriedade rural.
1. Coluna 1: Trocas culturais, muitas mudanças nos costumes, escravização e saída forçada dos territórios que habitavam.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 No caderno, elabore um quadro para registrar o que mudou na vida dos europeus e dos povos indígenas após o encontro entre esses dois povos.
Mudanças na vida dos povos indígenas
Mudanças na vida dos povos europeus
2 Pesquisem outros legados deixados pelos povos indígenas. Reúnam as informações pesquisadas com as descobertas do restante da turma.
• Com a ajuda do professor, organizem uma exposição para toda a comunidade escolar.
Veja mais orientações no Encaminhamento.
1. Coluna 2: Trocas culturais e legados deixados pelos povos indígenas (como técnica do fogo de chão, conhecimentos de plantas para consumo e tratamento de doenças, hábitos de higiene e vocabulário).
Sugestão para o professor
MUSEU DO ÍNDIO – FUNAI. Rio de Janeiro, c2025. Disponível em: https://tainacan.museudoindio. gov.br/. Acesso em: 3 set. 2025. Esse museu mantém amplo acervo etnográfico dos povos indígenas no Brasil, contando com milhares de objetos contemporâneos fotografados que expressam a cultura material de quase 150 povos indígenas brasileiros. Obtidas por doações e compras a partir da década de 1940, as peças são de uso ritual e cotidiano, confeccionadas de madeira, palha, argila, entre outros materiais. Explore o acervo e confira as peças kaingang, xokleng e guarani.
MUSEU ARQUEOLÓGICO DO RIO GRANDE DO SUL. Taquara, c2025. Disponível em: https://marsul.rs.gov.br/. Acesso em: 3 set. 2025.
No site da instituição, há um acervo digital que reúne diversas peças da história pré-colonial da região Sul.
BNCC
Missões jesuíticas
Uma das formas encontradas pelos europeus para ocupar os territórios e tentar controlar os povos indígenas foram as missões ou reduções jesuíticas. Os missionários jesuítas visavam à catequização dos indígenas e os levavam a abandonar seus modos de vida e costumes tradicionais.
No século 17, construíram diversas reduções onde hoje estão os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. As reduções eram aldeamentos administrados pelos jesuítas. Nelas, povos indígenas eram responsáveis por todo o trabalho, como o cultivo de alimentos e a criação de gado, além de terem uma rotina de obrigações religiosas cristãs.
Observe o mapa com a localização dos Sete Povos das Missões, nome dado a sete reduções fundadas por jesuítas espanhóis.
Atualmente, a região onde as missões foram construídas no Rio Grande do Sul é chamada Região das Missões, totalizando 26 municípios. Ela é uma importante rota turística para o estado.
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Mauricio de et al Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 30.
QUEM É?
Sepé Tiaraju (c. 1723-1756) foi um guerreiro e importante chefe guarani que lutou a favor de seu povo em Sete Povos das Missões durante os conflitos decorrentes do Tratado de Madri.
O Tratado previa a saída dos indígenas das reduções, para que os portugueses pudessem ocupar esses territórios. A resistência dos Guarani contra espanhóis e portugueses ficou conhecida como Guerras Guaraníticas.
Estátua de Sepé Tiaraju, em São Miguel das Missões (RS), em 2017.
Jesuíta: membro da ordem religiosa católica Companhia de Jesus, fundada pelo espanhol Inácio de Loyola, em 1534.
Atividade complementar Sepé Tiaraju é uma importante figura que representa o protagonismo dos povos indígenas durante a colonização. Proponha aos estudantes que pesquisem informações sobre a vida dele e escrevam uma breve biografia sobre ele. Trabalhe em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa e explore as características do gênero textual biografia, que conta a história de uma pessoa, elencando períodos, eventos, experiências, feitos e fatos mais significativos da trajetória individual e encadeando essas informações de forma coesa e organizada. Promova um momento de compartilhamento dos textos para que possam ler em voz alta e testar a fluência das construções frasais. Permita registros ilustrados para tornar a atividade acessível a todos.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula com a leitura do texto relacionando pontos como a catequização dos indígenas, quem eram os jesuítas e o que foram as reduções ou missões jesuíticas. Localize-as no mapa Sete Povos das Missões (séculos 17-18) e explore suas denominações, ressaltando a forte relação com os ensinamentos católicos. Comente que, na atualidade, essas localidades são exploradas turisticamente de forma intensa.
Em Quem é?, dialogue sobre a personalidade indígena Sepé Tiaraju e sua relação com o Tratado de Madri e as Guerras Guaraníticas.
Sete Povos das Missões (séculos 17-18)
Área de domínio espanhol
Área de domínio português
Limites atuais do Rio Grande do Sul Missão
São Francisco de Borja
São Nicolau
São Miguel Arcanjo
São Lourenço Mártir São João Batista
São Luiz Gonzaga
Santo Ângelo Custódio
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
ENCAMINHAMENTO
Ainda explorando o protagonismo dos povos indígenas na história da região Sul, continue a temática com a leitura do texto e explore a imagem das ruínas em São Miguel das Missões (RS) e as informações apresentadas.
1. Os estudantes precisam ressignificar o que foi discutido para elaborar um pensamento próprio sobre a importância da Tava Guarani para a cultura, a identidade, a história e a memória desse povo.
2. Espera-se que os estudantes diferenciem os lugares de memória coletiva daqueles que são referências individuais por resgatarem nossas memórias e contarem nosso passado. Desse modo, devem indicar um lugar cujo valor pessoal ou coletivo, considerando os grupos sociais dos quais os estudantes fazem parte, é significativo, explicando os motivos dessa escolha, como as lembranças da infância, a boa convivência experimentada nele, as celebrações culturais, as experiências de aprendizado e as práticas religiosas ou esportivas nele desenvolvidas.
1. A Tava é um local associado à ancestralidade dos povos indígenas da região. Nesse local de memória, os povos indígenas contemporâneos se relacionam com o seu passado a partir do
Tava Guarani
pertencimento, afirmando e reforçando suas identidades.
A Tava Guarani é o lugar de referência para o povo guarani. Localizada no município de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, abriga os remanescentes do antigo povoado da região.
Remanescente: aquilo que resta.
A expressão lugar de referência significa que determinado lugar tem importância para a memória e para a identidade de um povo.
A Tava Guarani é conhecida pelos não indígenas como Sítio de São Miguel Arcanjo. Em 1938, o local foi tombado como patrimônio nacional pelo valor artístico das ruínas. Em 1983, foi declarado patrimônio mundial pela Unesco.
Apenas em 2014 a Tava Guarani foi registrada como patrimônio cultural imaterial brasileiro, reconhecendo os significados dados pelos Guarani Mbyá. Esse reconhecimento ocorreu após uma luta dos povos indígenas contemporâneos, em busca da maior visibilidade e preservação da memória dos povos antepassados Guarani Mbyá.
Leia um texto sobre a importância e os significados da Tava para os Guarani Mbyá.
Por estar visível a todos, tanto aos grandes karaí (lideranças espirituais Guarani) quanto aos juruá (os não indígenas), a Tava é testemunho do passado, pois atesta a presença dos antigos, que caminharam por seu território e deixaram construções em pedra para orientar a caminhada dos Guarani Mbyá contemporâneos. Mas é também local de grande importância para o futuro desse povo, pois evoca ensinamentos do bem-viver, fundamentais para a identidade Guarani.
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Tava: lugar de referência para o povo guarani: dossiê de candidatura. Brasília, DF: Iphan, 2019. p. 13.
1 Expliquem a importância da Tava para os povos indígenas Guarani contemporâneos.
2 Escolha um lugar que seja significativo para você e para sua história. Explique por que você escolheu esse lugar.
54
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes argumentem para justificar a escolha feita, indicando a importância do lugar e o que ele significa na vida deles.
Sugestão para o professor
IHU on-line: Revista do Instituto Humanitas Unisinos, ano X, ed. 340, 28 ago. 2010. Disponível em: https://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao340.pdf. Acesso em: 3 set. 2025. O conceito de bem-viver apresenta significados específicos de acordo com a cultura indígena que o vivencia. Essa edição da revista apresenta vários artigos que especificam quais são os ensinamentos da cultura do bem-viver entre diferentes povos originários.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Ruínas em São Miguel das Missões (RS), em 2023.
BNCC
Terras indígenas
A demarcação de terras indígenas é uma forma de assegurar a sobrevivência dos diferentes povos e de suas culturas, além de contribuir para a conservação do meio ambiente e dos recursos daquela região.
Demarcação de terras indígenas é o reconhecimento oficial do Estado brasileiro de que determinado território pertence a uma comunidade indígena.
Observe o mapa das terras indígenas na região Sul.
Sul: terras indígenas (2024)
OCEANO ATLÂNTICO
0 140
Em identificação/
Com restrição do uso a não indígenas
Identificada (aprovada pela Fundação
Nacional dos Povos Indígenas – Funai)
Declarada
Homologada/Reservada
Divisa estadual Fronteira internacional
Fonte: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Terras indígenas do Brasil: novembro de 2024. São Paulo: ISA, 2024. Disponível em: https://acervo. socioambiental.org/acervo/ mapas-e-cartas-topograficas/ brasil/terras-indigenas-nobrasil-novembro-2024. Acesso em: 14 abr. 2025.
Qual dos estados da região apresenta o maior número de terras indígenas?
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
VOCÊ DETETIVE
1. Pesquise as terras indígenas existentes em seu estado. Escolha uma delas e busque informações sobre sua localização, os povos indígenas que ali vivem, suas tradições e modos de vida. Depois, apresente o que descobriu aos colegas.
Veja mais orientações no Encaminhamento.
Texto de apoio
[…] as Terras Indígenas a serem regularizadas pelo Poder Público devem ser: 1) habitadas de forma permanente; 2) importantes para as atividades produtivas do povo indígena; 3) imprescindíveis à preservação dos recursos necessários ao seu bem-estar; e 4) necessárias à sua reprodução física e cultural.
1. Estudos de identificação: A Funai nomeia um antropólogo para elaborar estudo antropológico e coordenar os trabalhos do grupo técnico especializado […].
2. Aprovação da Funai: O relatório do estudo antropológico deve ser aprovado […].
[...]
4. Declaração dos limites: O Ministro da Justiça terá 30 dias para declarar os limites [...].
5. Demarcação física: Declarados os limites da área, a Funai promove a demarcação física.
6. Homologação: O procedimento de demarcação deve, por fim, ser submetido à presidência da República para homologação por decreto.
INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Como funciona a demarcação? Terras Indígenas no Brasil. Brasília, DF: Instituto Socioambiental, c2025. Disponível em: https://terrasindigenas.org.br/pt-br/demarcacao. Acesso em: 3 set. 2025.
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Conduza a leitura do texto sobre terras indígenas, destacando o que é a demarcação de terras indígenas para explorar no mapa o andamento desse processo conduzido pelo Estado brasileiro de (re)territorialização dos povos originários no Sul. Leia coletivamente a legenda do mapa.
Para a realização do Você detetive , organize a turma em grupos para que cada um pesquise uma terra indígena diferente. Oriente os estudantes a utilizar fontes confiáveis e a registrar suas descobertas ao longo do processo. Ao final, cada grupo deverá produzir um material para apresentar à comunidade escolar.
Valorize a criatividade e a escolha de distintas formas de expressão e formatos de apresentação visando à inclusão e acessibilidade: pode ser cartaz informativo, vídeo, objeto artesanal, apresentação teatral, podcast, entre outros. Para nortear a avaliação da atividade, recomenda-se considerar os registros escritos da pesquisa, observando a seleção de informações e o envolvimento dos estudantes. Finalize reforçando a ideia central a ser desenvolvida e para que os estudantes reconheçam o que aprenderam e a finalidade da atividade.
Trópico de Capricórnio
Rio Grande do Sul.
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula ressaltando aos estudantes que os povos africanos escravizados pertenciam a diferentes etnias, fator que agregou ampla diversidade de conhecimentos, línguas e tradições. Explique aos estudantes que os africanos escravizados e seus descendentes contribuíram com seus conhecimentos técnicos e culturais na configuração das atividades econômicas do período entre os séculos XVI e XIX.
Liste na lousa estas palavras-chave do texto: cultivo/ agricultura, metalurgia, marcenaria, mineração, criação de animais, alfaiataria, sapataria, pesca, áreas portuárias, lavoura, abate de gado e charqueadas. Questione: quais desses trabalhos ou contextos produtivos vocês conhecem ou já ouviram falar? Quais ainda não sabiam que eram realizados/frequentados por africanos escravizados? Reforce a compreensão de que os africanos atuaram em múltiplas áreas produtivas, e não apenas no campo.
Africanos escravizados e libertos
Entre os séculos 16 e 19, cerca de 4 milhões de pessoas foram trazidas à força da África ao Brasil na condição de escravizadas. Elas pertenciam a diversos povos, como iorubás, mandingas e hauçás. Esses povos tinham culturas, costumes, formas de organização e religiosidades diferentes entre si e contribuíram de diversas formas para as culturas brasileiras. Eles também aplicaram seus conhecimentos técnicos nos trabalhos que eram obrigados a realizar, como no cultivo do arroz, na metalurgia e na mineração.
Nas terras que hoje são a região Sul, os africanos escravizados eram a maior parte da mão de obra em diversos trabalhos, como na criação de animais e em outras atividades relacionadas aos tropeiros, nas pequenas lavouras e na agricultura.
Os escravizados foram fundamentais nos trabalhos realizados em sapatarias, alfaiatarias, marcenarias e minas no Paraná, como na busca e exploração do ouro em Paranaguá, fundada em 1648. A presença dos escravizados em Curitiba pode ser vista em uma das primeiras representações da cidade, feita pelo artista Jean-Baptiste Debret (1768-1848), no início do século 19.
Metalurgia: trabalho com metais.
Alfaiataria: local onde são feitas roupas sob medida, como paletós e ternos.
Marcenaria: local onde são fabricados móveis e objetos de madeira.
Coritiba, de Jean-Baptiste Debret, 1827. Aquarela sobre papel, 23 cm × 13 cm.
No litoral de Santa Catarina, africanos escravizados e libertos trabalharam na pesca de baleias, na venda de alimentos nas vias públicas e no embarque e desembarque de produtos em áreas portuárias. No Rio Grande do Sul, eles eram obrigados a realizar diversos trabalhos, principalmente no campo, nas lavouras, no abate do gado e nas charqueadas.
1 Identifique e descreva a presença de pessoas escravizadas na imagem Coritiba, de Jean-Baptiste Debret.
Em primeiro plano, é possível identificar uma pessoa negra trabalhando. Ela está segurando uma ferramenta semelhante a um martelo.
1. A imagem permite interpretar que Curitiba no início do século XIX era uma cidade pequena, em expansão, cuja vida econômica dependia fortemente do trabalho de africanos escravizados em ofícios urbanos, mas também no campo. Comente que havia forte desigualdade entre as elites locais e os trabalhadores negros, mas a presença e a importância desses últimos impulsionaram o desenvolvimento urbano e o florescimento da cultura local.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Lanceiros negros
Os lanceiros negros da Revolução Farroupilha (1835-1845) foram um exemplo da atuação de pessoas escravizadas em favor de seus interesses.
Os rebeldes farrapos passaram a recrutar escravizados para lutar com suas tropas contra o exército imperial, prometendo a eles a liberdade, caso vencessem. Movidos pela promessa da liberdade, esses homens ficaram conhecidos como lanceiros negros.
As tropas de lanceiros negros cresceram e passaram a ter grande destaque nos combates. No entanto, com a proximidade do fim da revolta e a derrota dos farrapos, os comandantes passaram a fazer negociações com o governo imperial. Parte dessas negociações envolveu a entrega das tropas de lanceiros negros às tropas imperiais.
Comandantes da Farroupilha retiraram as armas dos lanceiros negros e ignoraram os avisos de aproximação das tropas imperiais. No episódio que ficou conhecido como Massacre de Porongos, os lanceiros negros foram massacrados pelas tropas imperiais, com a ajuda de seus próprios comandantes.
Atualmente, a memória dos lanceiros negros tem sido resgatada. Por exemplo, eles passaram a ser representados nos desfiles da Semana Farroupilha, realizados entre 13 e 20 de setembro.
Homenagem aos lanceiros negros no Desfile Farroupilha de Caxias do Sul (RS), em 2023.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Você já tinha ouvido falar dos lanceiros negros? O que achou da história deles?
2 Existem comemorações ou homenagens à Revolução Farroupilha em seu município? Faça uma pesquisa seguindo as orientações do professor. Anote o que você descobriu no caderno.
Atividade complementar
Estimule o desenvolvimento de um quiz feito pelos estudantes. Em duplas, incentive-os a elaborar uma questão sobre as ideias e os assuntos já abordados nos estudos realizados até aqui, como uma forma de revisão. Tão importante quanto responder às questões, é elaborá-las. Auxilie na elaboração, abrindo a tipologia de questões: verdadeiro/falso, múltipla escolha, completar, ordenar, associação e situação-problema. Proponha a revisão delas com este checklist: a questão está clara e trata de um único assunto? Usa palavras e conceitos conhecidos pela turma? Está alinhada ao que foi estudado? O gabarito é objetivo e verificável? O nível de desafio é adequado ao ano de ensino?
Quando finalizarem, coloque-as em uma sacola ou caixinha e faça um sorteio para que possam responder às questões uns dos outros. Uma alternativa é realizar uma gincana entre grupos, com somatório dos pontos das questões que acertarem de forma precisa.
BNCC
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
ENCAMINHAMENTO
1. Ao convidar os estudantes a refletir sobre os lanceiros negros, incentive-os a trocar ideias formulando questões abertas para ampliar a reflexão dos colegas (por que você acha isso? O que fez você pensar assim?), além de escutar verdadeiramente os colegas e comentar ou complementar a fala deles. A resposta deve demonstrar compreensão de que a história regional revela injustiças enfrentadas pelos negros, mas também a importância de reconhecer seu protagonismo histórico.
2. Os estudantes devem identificar, de acordo com sua realidade local, se há comemorações como os desfiles da Semana Farroupilha (13 a 20 de setembro), no Rio Grande do Sul, nomes de ruas, praças, escolas ou monumentos relacionados à memória da Revolução Farroupilha.
Retrato de um lanceiro negro, de Juan Manuel Blanes, 1850. Óleo sobre cartão, 36 cm × 24,5 cm.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
RODRIGO ROSSI
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
TCT: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.
ENCAMINHAMENTO
Antes de iniciar a leitura das imagens e do texto, incentive os estudantes a refletir sobre como as tradições religiosas se expressam em festas, rituais e celebrações no cotidiano de suas comunidades. Questione se conhecem festas religiosas locais, como elas acontecem e quais símbolos são utilizados. Esse ponto de partida valoriza os saberes prévios dos estudantes e sensibiliza-os para o estudo do tema. Comente que a religião é um dos legados dos povos africanos.
DIÁLOGOS
Religiosidade afro-brasileira
1. As semelhanças são: rituais de lavagem das escadas, roupas utilizadas pelos afro-brasileiros, ramos e flores. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Analise as duas fotografias.
das escadarias da
Lavagem da escadaria da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, em Curitiba (PR), em 2018.
A fotografia 1 retrata a tradicional Lavagem do Senhor do Bonfim, que acontece no mês de janeiro, há mais de 200 anos, na Bahia. O ritual religioso conta com orações católicas e manifestações de religiões de matrizes africanas. A lavagem das escadarias e do átrio da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim com água de cheiro é realizada pelas baianas ao som de palmas e cânticos.
Átrio: antessala em frente à porta principal. Baianas: nesse contexto, mulheres, em sua maioria negras, que se dedicam à venda de acarajé e outros alimentos de influência africana.
Em Curitiba, na fotografia 2, a lavagem das escadas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito foi inspirada no ritual de Salvador, mas é realizada em novembro, com as comemorações do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Essa igreja tem grande importância para a memória da escravidão em Curitiba, pois foi erguida no mesmo local onde havia uma antiga igreja, demolida em 1931. A antiga igreja foi construída em 1737 por africanos escravizados e libertos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Quais são as semelhanças e as diferenças entre as fotografias 1 e 2?
2 Explique por que a igreja em Curitiba foi escolhida para o ritual retratado.
Porque a igreja atual se encontra em um local onde, até a demolição, em 1931, havia uma igreja construída com o auxílio de uma irmandade de pessoas escravizadas e libertas. O local se relaciona com a história, a memória e a identidade dos afro-brasileiros em Curitiba.
1. Os estudantes podem apontar como diferença os lugares onde os rituais acontecem, pois um acontece em Salvador (BA) e o outro em Curitiba (PR). Peça aos estudantes que comparem: quem participa, como os espaços sagrados aparecem e que elementos culturais afro-brasileiros são visíveis nas duas fotografias. Na imagem de Salvador (BA), destaque a presença das baianas, o cenário da escadaria e a dimensão coletiva da festa. Na de Curitiba (PR), chame a atenção deles para o enfoque nos gestos, nas flores, nos ramos e no caráter ritualístico.
Lavagem
Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador (BA), em 2020.
Quilombos, mocambos e quilombolas
Uma das formas de resistência à escravidão nos períodos colonial e imperial era a fuga para lugares chamados quilombos e mocambos. Os habitantes dos quilombos cultivavam alimentos como milho, banana, inhame e mandioca, que eram trocados e comercializados com vilas e cidades próximas. Era muito comum também que indígenas vivessem nos quilombos.
Atualmente, a memória da resistência à escravidão e das tradições culturais dos quilombolas africanos e indígenas é mantida pelos seus descendentes nas comunidades remanescentes de quilombos
Observe no mapa onde estão as terras quilombolas reconhecidas na região Sul.
Sul: terras quilombolas (2020)
50° O
PARAGUAI ARGENTINA
URUGUAI PR RS SC
Comunidades remanescentes de quilombos são territórios demarcados ou reconhecidos pelo governo brasileiro em um processo chamado titulação. A demarcação dos territórios preserva os costumes, as culturas e garante o direito à terra das pessoas pertencentes a essas comunidades. No entanto, muitos quilombolas ainda lutam para que suas terras sejam reconhecidas.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 113.
1 Qual dos estados da região apresenta o maior número de terras quilombolas?
Rio Grande do Sul.
2 Como a demarcação de terras indígenas e quilombolas ajuda na preservação dos modos de vida desses povos? Anotem a conclusão no caderno.
Espera-se que os estudantes reconheçam que o direito à terra garante que essas comunidades possam manter suas culturas e modos de vida.
Texto de apoio
BNCC
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula levantando os conhecimentos prévios dos estudantes sobre quilombos, mocambos e quilombolas e registre o que eles mencionarem, incentivando a curiosidade e a atenção com as referências e os saberes compartilhados pelos colegas.
2. Auxilie-nos na compreensão de que a demarcação garante o direito constitucional à terra, que permite às populações darem continuidade a práticas tradicionais, como agricultura, pesca, rituais religiosos, línguas e formas próprias de organização social, além de favorecer a transmissão de saberes entre gerações. Ao mesmo tempo, a demarcação contribui para reduzir conflitos territoriais e proteger esses grupos contra invasões, grilagem e violência. Assim, a garantia legal da terra é condição essencial para que indígenas e quilombolas exerçam sua cidadania plena, resistam à marginalização histórica e afirmem seu papel ativo na diversidade cultural brasileira.
24/09/2025 13:06
O uso coletivo do território e a titularização das terras quilombolas é a principal luta encampada pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). […] — Essa é uma questão muito morosa. […] Para uma comunidade ter seu território reconhecido hoje, o RTID [Relatório Técnico de Identificação e Delimitação], demora em média 15 anos. Além disso, tem muitos prazos no Incra para a contestação […]. Esbarramos também na questão do orçamento [...] — explica Rodrigues. São várias as fases do processo. Inicialmente, a Fundação Cultural Palmares (FCP) tem de emitir a Certidão de Autodefinição de Comunidades Remanescentes de Quilombo. Depois, o RTDI [...].
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
ENCAMINHAMENTO
Continue a leitura sobre as comunidades remanescentes de quilombos destacando pontos centrais do texto sobre o Quilombo dos Alpes. Em seguida, explore no mapa os marcadores territoriais.
1. Espera-se que os estudantes identifiquem no mapa do Quilombo dos Alpes a horta, o pomar, a pedreira, a associação comunitária, o campo de futebol e os percursos lúdicos e musicais como elementos relacionados ao dia a dia da comunidade, os terreiros, as trilhas ligadas a divindades e a Casa dos Pretos Velhos como elementos relacionados à religiosidade e as casas de Dona Edwirges como elementos relacionados à história da comunidade. A turma deve reconhecer que esses espaços cumprem funções sociais, culturais e simbólicas fundamentais, pois articulam práticas de subsistência, preservação de tradições religiosas afro-brasileiras e valorização da ancestralidade.
Quilombo dos Alpes
O Quilombo dos Alpes se localiza no município de Porto Alegre (RS). A história dessa comunidade se relaciona com a fuga de Edwirges Francisca Garcia da Silva e de seu marido, Antônio Ramos, de uma fazenda em Charqueadas, onde ele trabalhava com bois. O casal se estabeleceu na região entre o Morro da Glória e o Morro do Teresópolis.
Veja um mapa do Quilombo dos Alpes feito em colaboração entre quilombolas e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nele, aparecem os marcadores territoriais, ou seja, lugares importantes para a vida da comunidade.
1 Analisem o mapa do Quilombo dos Alpes e anotem no caderno elementos que se relacionam com o dia a dia da comunidade, a religiosidade e a história da comunidade.
Veja orientações no Encaminhamento.
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Atividade complementar
Organize os estudantes em grupos para que pesquisem formas de combater preconceitos e racismo contra os povos indígenas e os afro-brasileiros. Solicite a elaboração de um texto no caderno com exemplos de atitudes que fomentem uma sociedade mais justa e inclusiva. Oriente a reflexão sobre a importância da diversidade cultural brasileira, mostrando que esses povos não são apenas parte do passado, mas protagonistas da construção da realidade que vivenciamos no presente. Incentive a valorização de atitudes cotidianas capazes de: evitar estereótipos, valorizar a história local, escutar narrativas desses grupos, denunciar situações de discriminação e apoiar políticas públicas de inclusão. Utilize o jogo de tabuleiro sugerido como disparador da atividade (EDUCAÇÃO antirracista: Porvir lança jogo de tabuleiro em cocriação com professora. Porvir, 7 out. 2025. Disponível em: https://porvir.org/educacao-antirracista-porvir-lanca-jogo-com-professora/. Acesso em: 3 set. 2025).
Fonte: PIRES, Cláudia Luísa Zeferino; BITENCOURT, Lara Machado. Atlas da presença quilombola em Porto Alegre/RS. Porto Alegre: Letra1, 2021. p. 42.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
3. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a refletir sobre artistas negros que nasceram, atuam ou vivem no estado. Caso considere mais adequado, apresente aos estudantes
Arte e resistência
alguns artistas locais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
A arte é uma forma de resistência e de mostrar ao mundo nossa existência. Por meio dela, histórias, memórias, identidades e lutas dos artistas são expressas. Conheça, a seguir, uma artista da região Sul.
Mitti Mendonça (1990-) é uma artista negra nascida em São Leopoldo (RS). Em suas produções, utiliza diferentes materiais e técnicas, como pintura, bordado e colagem, criando obras que celebram sua história, identidade e ancestralidade.
1 Analise a obra Costurar caminhos, de Mitti Mendonça. Quais texturas e detalhes chamam mais sua atenção?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Você já ouvir falar do poeta e jornalista Cruz e Souza? Com o auxílio do professor, faça uma pesquisa a respeito da vida dele.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
3 Você conhece outros artistas negros que nasceram ou vivem no mesmo estado que você? Com os colegas e o professor, organize uma exposição para toda a comunidade escolar, celebrando a obra desses artistas.
O site oferece um mapeamento de artistas negros contemporâneos por unidade federativa do Brasil e pode ser tomado como referência para realizar uma curadoria de obras adequadas à faixa etária e aos interesses dos estudantes durante a criação da exposição.
Organize-se
• Cartolina
• Lápis de cor ou canetinhas
BNCC
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
ENCAMINHAMENTO
Sensibilize os estudantes propondo-lhes que desenhem no caderno uma imagem representativa de como estão se sentindo. Na lousa, elabore um mapa das emoções da turma e associe-o ao conteúdo da aula: práticas diversificadas de produção artístico-cultural, expressão de sentimentos e ideias e fruição das artes, valorizando obras de artistas da região Sul.
1. Espera-se que os estudantes mencionem sobreposições de imagens por colagens, diversificação de texturas e figuras humanas. A resposta deve valorizar a percepção individual sem deixar de destacar que a artista buscou expressar ancestralidade, identidade negra e resistência.
2. João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis (SC). Era filho de africanos que haviam sido escravizados e conquistaram a alforria. Por meio de seus textos, o poeta e jornalista lutou contra a discriminação racial.
3. A exposição deve ser interativa, permitindo aos visitantes ler, observar e dialogar com os trabalhos expostos. Incentive a inclusão de cartazes com frases de sensibilização, trechos de poemas, releituras artísticas e fotografias.
Costurar caminhos, de Mitti Mendonça, 2021. Colagem analógica com intervenções digitais. Dimensões variáveis.
Mitti Mendonça em Porto Alegre (RS), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
ENCAMINHAMENTO
Sensibilize os estudantes despertando neles a curiosidade de conhecer os diversos povos que migraram para o Brasil e, em especial, para a região Sul. Comece a aula perguntando aos estudantes como acontece a ocupação de um território partindo, por exemplo, da formação do próprio bairro ou município. Questione-os: vocês conhecem pessoas de origem alemã, italiana, árabe, japonesa? Sabem por que há povos de diferentes origens na população da nossa região? Quais povos são esses? Acolha os comentários e anote-os em tópicos na lousa.
Conduza a leitura do texto com pausas para destacar ideias centrais, como a ocupação tardia do Sul comparativamente ao Nordeste e ao Sudeste e as disputas territoriais entre Portugal e Espanha, indicando no mapa as porções de território mencionadas no texto.
Ao direcionar a atenção da turma para a leitura do mapa, explique aos estudantes que, para facilitar a compreensão, foi usado um mapa do Brasil com a divisão política atual e a representação das informações históricas de povoamento no século XVIII (quando a configuração do território era diferente). Depois, calcule com eles quanto tempo já passou até os dias atuais.
Por fim, comente a importância da disponibilidade de bens naturais, como água e solo fértil, em terrenos pouco íngremes no litoral e no interior do continente como fator relevante do povoamento progressivo.
OCUPAÇÃO E MIGRAÇÕES NO SUL
Os portugueses chegaram ao atual Brasil em 1500, mas a ocupação do território só começou em 1530, com o estabelecimento das capitanias hereditárias. Vilas e cidades foram fundadas e colonos foram trazidos para garantir o controle das terras pelos portugueses.
Capitanias hereditárias eram divisões do território em porções que tinham como responsável um donatário.
Em comparação com o Nordeste e o Sudeste, a região Sul do Brasil demorou para ser efetivamente ocupada. Ainda assim, determinados territórios da região, como o oeste catarinense, o oeste do Rio Grande do Sul e o território que viria a ser o Uruguai, eram disputados entre Portugal e Espanha.
Observe o mapa que mostra como estava o povoamento do atual Brasil no século 18.
Ao longo da história, diversos povos migraram para a região Sul. Neste capítulo, vamos estudar os açorianos, alemães, italianos, poloneses, ucranianos, japoneses, chineses e povos árabes e seus legados para as culturas da região Sul. Também estudaremos os patrimônios materiais e imateriais dessa região.
Fonte: VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral & Brasil. São Paulo: Scipione, 2019. p. 103-104.
Brasil: povoamento (século 18)
Cidades e vilas Áreas provavelmente sob a influência de cidades e vilas Áreas conhecidas e povoadas de maneira mais ou menos estável, mas sem nenhuma vila ou cidade Fronteira internacional atual
estadual atual
1 De acordo com o mapa, quais cidades e vilas existiam na região Sul no século 18?
Curitiba, Desterro, Laguna, Porto Alegre e Rio Grande de São Pedro.
2 Em qual porção do território estavam concentradas as cidades e vilas do Sul? Escreva no caderno.
Os estudantes devem apontar que os povoamentos estavam concentrados na porção leste do território.
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Atividade complementar
Proponha aos estudantes uma pesquisa em família, convidando-os a conversar com pais, avós ou outros familiares sobre as origens da família. Oriente-os a levantar as seguintes informações: 1. A origem dos sobrenomes materno e paterno e os povos vinculados a esses nomes. 2. Contribuições culturais desses povos (hábitos alimentares, modos de vestir, festas, músicas, profissões, técnicas de trabalho etc.).
Nas situações em que as famílias não conhecerem os registros de suas origens, valorize igualmente a pesquisa de costumes ou histórias transmitidas no dia a dia familiar. Reforce que a diversidade cultural brasileira também se formou pelos povos indígenas e africanos escravizados, cujas marcas estão sobretudo em práticas culturais e sociais.
Promova uma roda de conversa e deixe que todos se sintam à vontade para compartilhar as informações que obtiveram. Acolha as contribuições e valorize o que puderem compartilhar.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA
Açorianos
2. A contribuição dos açorianos na região Sul pode ser observada na gastronomia, na arquitetura, no modo de falar “manezinho”, em lendas e em festas tradicionais.
Um dos grupos que vieram ocupar as terras do Sul para garantir o domínio português no período colonial foram os açorianos, vindos do arquipélago português dos Açores.
Arquipélago: conjunto de ilhas.
Cerca de 6 mil açorianos migraram a partir de 1748 para o litoral de Santa Catarina, para cidades como Florianópolis (antigamente chamada Desterro), Itajaí, Tijucas e Tubarão, e para o Rio Grande do Sul, para cidades como Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha e Gravataí.
Migração ocorre quando pessoas saem de seus lugares de origem para viver em outro lugar. A migração pode acontecer dentro de um mesmo país ou de um país a outro.
Os açorianos vieram em busca de melhores condições de vida e aqui se tornaram pequenos agricultores e pescadores. Sua contribuição para a formação da cultura da região pode ser percebida nas lendas, na arquitetura, nas festas tradicionais e no modo de falar de alguns habitantes de Florianópolis, conhecido como “manezinho”.
Um dos pratos típicos associados aos imigrantes açorianos na atualidade é a tainha, um peixe de água salgada. Em bairros turísticos de Florianópolis, como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, a arquitetura açoriana é uma das atrações. Observe a fotografia.
1 Como você descreveria a arquitetura açoriana em Florianópolis?
Os estudantes podem mencionar as casas geminadas, próximas às outras e com cores bastante vivas. Além disso, as portas e janelas dão direto para a rua.
2 Quais foram as contribuições culturais dos açorianos para a região Sul?
ENCAMINHAMENTO
Comece a leitura sobre os povos açorianos explicando que arquipélago é uma feição geográfica caracterizada pelo agrupamento de ilhas em uma área oceânica. Pesquise e selecione previamente na internet imagens das Ilhas dos Açores para mostrá-las no início da aula, despertando a curiosidade dos estudantes.
Ao abordar o tema da migração, construa uma visão crítica sobre povoamento e colonização e comente que os açorianos não che -
esse estilo arquitetônico e ressalte o nexo entre o lugar de vivência e o tópico em estudo.
2. Realize um levantamento coletivo das contribuições culturais e registre na lousa uma lista com os seguintes tópicos: gastronomia, festas, artesanato, arquitetura e linguagem. Retome o motivo da atividade e o sentido da sistematização de exemplos e aspectos feita coletivamente para viabilizar a elaboração da resposta.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
27/09/2025 10:42
garam a um local inabitado. Havia populações indígenas e africanas escravizadas.
1. Para favorecer a inclusão, prepare um banco de palavras com pictogramas para os estudantes que precisarem de apoio visual e de vocabulário na elaboração da resposta. Para estudantes com TEA/TDAH, ofereça fichas com opções de resposta para que selecionem os elementos de arquitetura que melhor descrevem o estilo arquitetônico açoriano. Permita que registrem em desenho a casa típica, com setas nomeando partes. Questione se no município onde vivem há casas com
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Casas com arquitetura açoriana no bairro Ribeirão da Ilha, em Florianópolis (SC), em 2023.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Organize a sequência de estudos sobre os açorianos na região Sul, destacando as festas tradicionais, heranças desse povo na cultura regional, como exemplo de patrimônio imaterial. Questione sobre festas típicas do lugar de vivência dos estudantes e sobre suas origens migratórias.
1. Incentive a produção escrita do gênero quadrinha, com base na tradição açoriana e no exemplo presente na ilustração do Pão-por-Deus. Trabalhe em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa, destacando a formação de rimas entre as linhas 2 e 4. Explique que quadrinhas são poemas com quatro versos e rimas, que vêm da tradição oral e são de fácil memorização. O Pão-por-Deus é uma manifestação cultural popular de origem portuguesa que ganhou impulso com o Terremoto de Lisboa de 1755. Em meio à pobreza e aos infortúnios, o costume de pedir e dar o pão se intensificou tanto para ajudar os sobreviventes quanto para homenagear as vítimas.
Na atividade Você detetive, auxilie os estudantes a pesquisar em fontes confiáveis as diversas lendas dos
1. Produção pessoal. A atividade permite a interdisciplinaridade com Língua Portuguesa, ao requisitar que os estudantes produzam quadrinhas.
Legados dos açorianos
Entre as festas tradicionais dos açorianos em Santa Catarina, podemos citar a Festa do Divino Espírito Santo e o Boi de Mamão.
A Festa do Divino Espírito Santo é uma tradição religiosa medieval católica celebrada pelos açorianos e ainda presente em nosso cotidiano. Ela pode ocorrer entre os meses de maio e junho, 50 dias após a Páscoa, e varia dependendo do local. Em geral tem início com um cortejo, danças, orações e distribuição de comida.
Já o Boi de Mamão costuma ser associado aos açorianos, mas recebeu influência dos diversos povos que habitaram o estado, como os africanos escravizados.
Outra tradição açoriana presente até os dias atuais, com algumas mudanças vindas do folclore, é o Pão-por-Deus. Antigamente, no dia 1 o de novembro, crianças iam de casa em casa levando pequenos cartões com quadrinhas criadas por elas, pedindo frutas secas, pão e bolo. No Brasil, também surgiu o costume de fazer um Pão-por-Deus para agradar um amigo, um familiar ou uma pessoa querida. Observe a ilustração de um Pão-por-Deus.
TIAGOCERCA
1 Crie e escreva no caderno quadrinhas similares às do Pão-por-Deus. Use a criatividade ao pensar nos quatro versos rimados que formam a quadrinha. • Escolha uma quadrinha para fazer um Pão-por-Deus e presentear alguém importante para você.
VOCÊ DETETIVE
Uma possibilidade de encaminhamento para a atividade é que os estudantes entreguem a quadrinha a um familiar, contribuindo para o envolvimento da família com a proposta.
NÃO ESCREVA NO LIVRO. Você conhece alguma lenda que tenha sua origem relacionada aos açorianos?
1. Com o auxílio do professor, pesquise lendas açorianas. Registre no caderno informações sobre a lenda, como título, personagens e tema central. Em uma conversa com toda a turma, apresente o que descobriu.
Veja orientações no Encaminhamento.
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povos açorianos no Sul do Brasil. Entre tantas, é provável que encontrem, por exemplo, a de Peri e Conceição, a das bruxas de Itaguaçu, a do lobisomem de Ratones e a de Mateus e seu boi de estimação.
Sugestão para o professor VIVA Açores: conhecer é viver. Produzido por: NDTV: Record TV, 2022. 4 vídeos. Disponível em: https://ndmais.com.br/projetos-especiais/viva-acores/documentario/#episodios. Acesso em: 5 set. 2025.
Essa série documental dividida em quatro episódios resgata a história da colonização açoriana em Santa Catarina, detalhando a saga dos portugueses que se fixaram no Sul do Brasil a partir de 1748.
DIÁLOGOS
3. O Boi de Mamão é patrimônio cultural imaterial de Florianópolis
Festas do boi
desde 2019. A festa tem importância histórica e cultural para as comunidades onde ela acontece, mantendo relação com suas identidades.
O Boi de Mamão tem como principal personagem o boi. Nas apresentações, há também o proprietário do boi, o vaqueiro, o doutor, o bernunça (similar a um dragão que engole pessoas) e a Maricota, uma mulher alta e com braços longos. Nessa festa, ocorre a celebração de nascimento, morte e ressurreição do boi.
Existem outras festas populares por todo o Brasil com o tema do boi, inclusive com histórias muito próximas à do Boi de Mamão. Podemos citar como exemplos o Bumba meu Boi, na região Nordeste, e o Festival Folclórico de Parintins no Amazonas, na região Norte. Ambos celebram a ressurreição do boi, com diferenças regionais.
BNCC
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.
1. Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Em Parintins, existe uma disputa entre dois bois-bumbás chamados Boi Caprichoso e Boi Garantido. O festival é uma importante celebração local e atrai muitos turistas.
1 Você já participou de uma festa do Boi de Mamão? Se sim, conte para os colegas como foi. Se não, converse com a turma sobre como você imagina que é a festa.
2. Como semelhanças, os estudantes podem indicar a presença do boi e sua centralidade nas festas. Como diferenças, os estudantes podem indicar que, em Santa Catarina, a celebração é realizada
2 Com base no texto e nas fotografias desta página, aponte semelhanças e diferenças entre o Boi de Mamão e o boi do Festival de Parintins.
com um público reduzido se comparado ao do Festival de Parintins, onde a atração ganha um caráter central no município.
3 Faça uma pesquisa sobre a importância do Boi de Mamão para as comunidades onde ele acontece. Registre no caderno o que descobriu.
Texto de apoio
24/09/2025 13:29
O Boi de Mamão pode fazer parte de atividades relacionadas à cultura, folclore […] na turma do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
[…] Aqui proponho uma possibilidade com base nas seguintes etapas: a) Rodas de conversa sobre a representação artística do “Boi de Mamão”; b) Conhecer as músicas; c) Conhecer os personagens; d) Construção do roteiro; e) Estudos e levantamento de danças, vestimentas, músicas, brincadeiras e repertórios sobre essa cultura local; f) Organização de oficinas para construção das fantasias[...]; g) Ensaios; h) Apresentações.
[…]
Quando o docente da Educação Especial […] busca envolver várias áreas do conhecimento, como o uso da música no ensino escolar, ele resgata o diálogo entre aprendizagens escolares e o dia a dia do aluno.
GOMES, V. O boi de mamão: cultura popular também é escolar. Apae Ciência, v. 21, n. 1, p. 62-72, 2024. Disponível em: https://apaeciencia.org.br/index.php/revista/article/view/407. Acesso em: 5 set. 2025.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula colocando um trecho de música que dialogue com o tema a ser estudado e questione: o que essa música transmite? Como ela se relaciona com o que vamos estudar hoje? Organize, então, a leitura coletiva do texto e das imagens que retratam festividades populares com o tema do boi, incluindo a Festa do Boi de Mamão, no litoral catarinense, com raízes no folclore presente em todo o país (como o Bumba meu Boi, no Nordeste, ou o Boi-Bumbá, no Norte).
1. Incentive os estudantes a relatar suas experiências. Caso alguns não tenham participado, leve imagens para que imaginem como ela ocorre.
2. Na comparação imagética das festividades, amplie e sistematize as informações a fim de que reconheçam diferenças inter-regionais.
3. Depois que a turma compartilhar os resultados da pesquisa, proponha: que tal fazerem uma exposição do Boi de Mamão com materiais recicláveis? Utilizando embalagens diversas, pincéis e papéis coloridos, incentive a criatividade na construção de um brinquedo inspirado no Boi de Mamão. Reserve um momento para exporem as produções e brincarem com elas. Finalize retomando o objetivo das atividades desenvolvidas.
Festa popular do Boi de Mamão em Garopaba (SC), em 2023.
Apresentação do desfile do Boi Caprichoso em Parintins (AM), em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Explore com a turma a temática da imigração europeia na perspectiva histórica da formação territorial da região, baseando-se na interpretação do mapa Sul: principais núcleos de colonização (século 19) , que mescla as divisões política e regional atuais com informações históricas. Pontue o fato de os eslavos terem ocupado apenas o Paraná, ao passo que alemães e italianos se difundiram pelos três estados, alcançando áreas não polarizadas por vila ou cidade.
Ressalte como fator de atração dos imigrantes o interesse pela disponibilidade de recursos naturais (solo fértil, bens minerais e vegetais, água etc.), anunciada pelo governo brasileiro à época. Essa expectativa foi, em parte, frustrada por dificuldades com a falta de infraestrutura.
1. Converse com os estudantes sobre os povos que mais afluíram para o estado onde vivem, tecendo comparações com os outros estados. Para conduzir o raciocínio, vá contabilizando os núcleos de colonização de cada povo por estado e anote na lousa.
Imigração no século 19
Atraídos pela propaganda de melhores condições de vida, muitos imigrantes vieram para a região Sul durante o século 19. Entre esses imigrantes, podemos citar os alemães, os italianos e os eslavos (poloneses e ucranianos). Observe este mapa que apresenta os principais núcleos onde os imigrantes se estabeleceram.
1. Caso os estudantes vivam em Santa Catarina ou no Rio Grande do Sul, devem citar alemães e italianos. Caso vivam no Paraná, além desses dois grupos, devem citar os eslavos (poloneses e ucranianos).
2. Os estudantes devem mencionar os povos indígenas, os povos africanos e seus descendentes, portugueses, espanhóis e outros europeus no período colonial, e os açorianos, no século 18.
Sul: principais núcleos de colonização (século 19)
de Capricórnio
Fonte: GIRARDI, Gisele; VAZ, Jussara Atlas geográfico. São Paulo: FTD, 2016. p. 49.
1 Quais grupos de imigrantes se estabeleceram no estado onde você vive?
2 Segundo o que você já estudou, quais povos já habitavam a região quando esses imigrantes chegaram, no século 19?
DESCUBRA MAIS
LEITE, Pedro. Sofia e Otto : a imigração italiana no Rio Grande do Sul. Ilustrações: Thiago Krening. Porto Alegre: PGL, 2020.
O livro conta as descobertas de Sofia e Otto, levados pelos pais para conhecer um pouco mais sobre a história dos imigrantes italianos em um passeio pela cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
2. Ao refletirem sobre as territorialidades dos povos indígenas e africanos, leve os estudantes a notar a construção da desigualdade social entre imigrantes europeus, africanos e indígenas no acesso à terra durante o povoamento.
Atividade complementar Proponha à turma que cada um se imagine como um imigrante chegando ao Brasil em meados do século XIX. Sensibilize-os despertando a empatia e a alteridade (reconhecimento do outro) para que escrevam um diário de bordo desse dia hipotético em que vivenciaram novas situações e desafios. Trabalhe em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa para caracterizar esse gênero textual. Incentive a imaginação deles questionando: como você está vindo? O que está vendo ao desembarcar? Como está se sentindo no momento da chegada? Quem vem com você? O que você espera viver na nova terra?
Reserve o momento de socialização dos diários de bordo entre a turma e aproveite para ressaltar o motivo da atividade. 66
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Alemães e italianos
Os alemães se estabeleceram na região do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul; no Vale do Itajaí, em Santa Catarina; e na região do Rio Negro, no Paraná. Já os italianos se estabeleceram principalmente na Serra Gaúcha; no Vale do Itajaí, em Santa Catarina; e na região de Curitiba, no Paraná.
Esses imigrantes atuaram na agricultura, na indústria têxtil, na produção e no comércio de alimentos. Seus legados podem ser percebidos de diversas formas na região.
No caso dos alemães, podemos citar a cuca, a chimia, as salsichas e o marreco recheado, um prato típico da Festa Nacional do Marreco em Brusque, Santa Catarina.
A uva era um dos principais alimentos cultivados pelos italianos. Essa fruta e seus derivados permanecem como legado na gastronomia e em festas, como a Festa da Uva na cidade de Colombo, no Paraná, e a Festa da Uva em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
Podemos observar vestígios da influência dos imigrantes alemães na arquitetura, como o enxaimel. Esse estilo tem como principal característica o uso de vigas de madeira que se encaixam e são preenchidas por tijolos, além do típico formato do telhado.
Casa comercial Weege, construída no final do século 19, em estilo enxaimel, em Pomerode (SC), em 2024.
BNCC
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
COHOFF/PULSAR IMAGENS
1 Você percebe a influência dos imigrantes italianos ou alemães no lugar onde vive?
a) Converse com um colega sobre uma festa típica, uma dança, uma comida ou uma construção de seu município ou estado, originária das culturas alemã ou italiana.
b) Escreva um parágrafo no caderno sobre essa herança cultural. Compartilhe sua escrita com o colega.
1. a) Resposta pessoal, de acordo com o estado ou o município onde os estudantes vivem. 1. b) Nesse momento, dialogue com os estudantes sobre sua realidade local, observando se há no município ou nas proximidades festas típicas, danças, comidas ou construções que são legados ou vestígios das imigrações italiana e alemã na região Sul. 67
Atividade complementar
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Organize os estudantes para produzirem um mapa mental sobre as contribuições culturais das imigrações alemã e italiana no Brasil. Oriente-os a estruturar o mapa com quatro eixos principais — culinária, festividades, economia e arquitetura — e a colocar no centro o tema Contribuições da imigração alemã e italiana. A partir daí, devem criar dois ramos principais (alemães e italianos), que se desdobrarão nos quatro eixos. A produção pode ser feita no caderno (registro individual) ou em folhas de papel avulsas (trabalho em dupla). Estimule o uso de cores diferentes para cada origem, símbolos, desenhos ou palavras-chave para tornar o mapa atrativo. Se necessário, faça um esboço inicial das ramificações para guiar os estudantes com dificuldade em organizar ideias de forma gráfica.
ENCAMINHAMENTO
Convide a turma a elaborar um diário coletivo de aprendizados, permitindo que, ao mesmo tempo que estão conhecendo diferentes povos, eles possam relembrar os que foram estudados. Para sistematizar essa progressão, afixe um cartaz ou disponibilize um caderno intitulado imigração . Ele deverá ficar exposto na sala e ser preenchido ao longo dos estudos com tópicos ou frases sobre cada povo e seu legado. Conduza a exploração das informações do texto, destacando palavras-chave e pontos importantes sobre as imigrações alemã e italiana durante a leitura.
1. a) Os estudantes, em diálogo, devem identificar um legado cultural italiano ou alemão em seu lugar de vivência. Circule pela sala para apoiar quem tiver dificuldade em lembrar de exemplos. Nesses casos, prepare previamente referências visuais ou relatos como pistas.
1. b) Reforce que o texto do parágrafo deve ter início, meio e fim. Dê apoio aos estudantes com mais dificuldade de escrita, oferecendo modelos de frases iniciais, como: “A influência italiana pode ser vista em…” ou “Uma comida típica de origem alemã é…”. Estimule o cuidado com a clareza e a objetividade.
Cuca, bolo típico de tradição alemã.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03CO08) Usar ferramentas computacionais em situações didáticas para se expressar em diferentes formatos digitais.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula com a leitura do texto sobre os poloneses e ucranianos, caracterizando as contribuições culturais citadas, bem como as quatro cidades sulinas em que a presença desses povos é marcante.
Destaque a expressão artística ucraniana de pintura à mão em cascas de ovos. Questione se os estudantes já pintaram casca de ovo à mão e se teriam interesse em realizar essa prática.
Na atividade Você detetive, proponha uma aula interdisciplinar com Matemática e Arte. Para a produção do desenho, escolha ferramentas disponíveis na internet. Faça uma demonstração: crie uma elipse para representar o ovo, depois escolha formas (triângulos, retângulos e círculos) para constituir padrões; aplique, então, os comandos duplicar, girar e agrupar. Oriente o uso de paletas de cores simples. Permita que os estudantes elaborem primeiro um rascunho do padrão geométrico escolhido. Por fim, exporte (PNG/PDF) as produções e anexe ao portfólio da turma ou componha um mural de exposição dos desenhos.
Poloneses e ucranianos
Os poloneses chegaram à região Sul na década de 1870, em cidades como Curitiba e Mallet, no Paraná, Vargem Bonita, em Santa Catarina, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A grande maioria desses imigrantes foi trabalhar na agricultura. Podemos perceber os legados da imigração polonesa em diversas áreas, como na dança polca e na culinária com o pierogi , uma massa recheada. Entre as festas típicas, podemos citar a Festa do Pierogi, na cidade de Mallet, no Paraná.
A imigração ucraniana ocorreu na década de 1890. Prudentópolis, no Paraná, é um exemplo de cidade que recebeu muitos desses imigrantes. Apresentações de dança folclórica, pratos típicos, como vareniki, e a igreja ucraniana de São Josafat são algumas das atrações turísticas da cidade.
Polonesa tem casas típicas do início da colonização polonesa na cidade, por volta de 1871, em
A Pêssanka ou Pysanka é o costume ucraniano de colorir e decorar ovos à mão na época da Páscoa. Considerada uma forma de arte, a Pêssanka é tradição em algumas regiões do Sul.
VOCÊ DETETIVE
1. Faça uma pesquisa sobre a arte da Pêssanka, buscando diferentes formas de decoração.
a) Identifique figuras geométricas comuns nas decorações.
b) Se possível, crie digitalmente um desenho no estilo da arte Pêssanka utilizando figuras geométricas e outros elementos de sua escolha.
Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Além da arte Pêssanka (ou Pysanka), existe a Wycinanki, arte polonesa de fazer pequenos recortes de papel com desenhos coloridos e simétricos, geralmente de flores e animais e formas geométricas. Mostre imagens impressas ou projeções de obras Wycinanki para despertar a curiosidade da turma e proponha aos estudantes a organização de uma oficina prática: distribua papéis coloridos e tesouras com pontas arredondadas para que criem seus próprios recortes. Valorize tanto os trabalhos simples quanto os mais elaborados, reforçando que a beleza está na criatividade que cada um escolhe expressar.
Ofereça moldes impressos com figuras simples (flores, estrelas, corações) para quem tiver mais dificuldade com recortes. Permita que façam colagens ou desenhos inspirados no Wycinanki, caso não consigam manipular a tesoura adequadamente. Finalize a atividade retomando a intencionalidade dessa prática e solicitando que registrem no caderno a relação dela com os conhecimentos construídos sobre o tópico em questão.
O Memorial da Imigração
Curitiba (PR), em 2022.
Ovos decorados com a arte da Pêssanka em memorial ucraniano em Curitiba (PR), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1. Resposta pessoal. Os estudantes devem conversar entre si sobre algum legado (como arquitetura, festas e culinária) que conheçam de um dos povos citados na página.
Japoneses, chineses e árabes
Na região Sul, japoneses e chineses migraram sobretudo para o Paraná. Os japoneses chegaram ao Brasil a partir de 1908. Os primeiros imigrantes japoneses vieram para a região Sul em 1909 para trabalhar na construção da estrada de ferro Itararé-Uruguai. Em 1912, eles se fixaram ao longo de regiões no sul e no norte do Paraná. Nos anos seguintes, foram se estabelecendo em outras cidades, como Maringá e Londrina. Os japoneses trabalharam principalmente como pequenos agricultores.
Os imigrantes chineses chegaram ao Brasil ao longo das décadas de 1950 e 1960. Mais associados à vida urbana e ao comércio, eles ainda mantêm suas tradições, como a comemoração do Ano-Novo Chinês.
Libaneses, sírios e outros povos árabes chegaram à região Sul entre o final do século 19 e o início do século 20, formando pequenas comunidades. Esses imigrantes possuíam culturas e religiões diferentes, sendo alguns cristãos e outros muçulmanos. Recentemente, uma nova leva de imigrantes sírios chegou à região, em busca de refúgio devido aos conflitos internos em seu país de origem.
As influências desses imigrantes podem ser observadas na gastronomia, em pratos como quibe, cafta, falafel, e na presença das mesquitas, locais de oração e acolhimento da religião islâmica.
1 Vocês já tinham ouvido falar de algum legado de um dos povos citados nesta página (japoneses, chineses e árabes)? Expliquem.
2 Analise a imagem do Ano-Novo Chinês. O que mais chamou sua atenção?
• Você e sua família comemoram o Ano-Novo? Se sim, como?
2. Resposta pessoal. Os estudantes devem indicar o que mais chamou a atenção deles na fotografia. Eles podem citar a presença do dragão e das lanternas decorativas. 69
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula perguntando aos estudantes se são descendentes de japoneses, chineses, sírios, libaneses ou outros árabes ou se conhecem descendentes desses povos em sua comunidade. Incentive-os a compartilhar histórias, nomes de lugares (ruas, bairros, comércios) ou festividades dessas culturas.
Ao explorar o texto, destaque o fato de que cada um desses grupos chegou em períodos diferentes ao Sul e com motivações específicas (trabalho agrícola, comércio, refúgio). Conduza
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a explicação de modo que percebam que os fluxos migratórios têm causas históricas distintas. Garanta acessibilidade visual e textual, descrevendo as imagens para estudantes com deficiência visual e relendo trechos importantes em voz alta.
1. Os estudantes podem mencionar diversas contribuições culturais, religiosas e econômicas desses povos. Exemplos: japoneses: cultivo agrícola (chás e hortaliças), culinária (sushi, tempurá), artes marciais (jiu-jítsu, judô, caratê) e festividades (Tanabata Matsuri); chineses: culinária (rolinho primavera, chás, uso do arroz em pratos variados)
e comércio urbano (lojas); árabes: culinária ( homus , quibe, faláfel), estilo arquitetônico de edificações religiosas e comércio urbano (lojas e feiras).
2. Respostas pessoais. Com base no que responderam no item anterior, os estudantes podem estabelecer comparações ao relatar como comemoram o Ano-Novo em família. Comente com a turma que a atividade valoriza a leitura de imagens como fonte de informação histórica e cultural demandando o reconhecimento de semelhanças (momentos coletivos de renovação, símbolos de sorte e prosperidade) e diferenças (datas, elementos decorativos e práticas específicas em grupo) nas maneiras de celebrar o Ano-Novo. Ressalte a importância do respeito às diversas tradições e do reconhecimento das múltiplas formas de marcar a passagem do tempo para que os estudantes possam reconhecer o objetivo das atividades propostas nesse estudo. Organize uma anotação no diário coletivo de aprendizados sobre imigração.
BNCC
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
Celebração do Ano-Novo Chinês em Foz do Iguaçu (PR), em 2024.
Mesquita Imam Ali ibn Abi Tálib em Curitiba (PR), em 2021.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula, questionando os estudantes: qual é a lembrança mais antiga que você tem da sua vida? Na sua família, há uma receita, música ou história que sempre é repetida? Há uma festa ou um monumento conhecido por todos no lugar onde você vive? Deixe que se manifestem livremente e use os exemplos que relatarem para ir caracterizando as memórias individuais, familiares e coletivas de modo mais significativo.
1. Amplie essa atividade organizando uma saída de campo para realizar a verificação ou propondo uma pesquisa na escola com o objetivo de levantar informações sobre pessoas que construíram a história da instituição. Explique que esses elementos vão constituindo a memória coletiva.
2. A fotografia mostra objetos presentes em um quarto, como as camas e as mesas de apoio. Assim, a memória desses imigrantes foi representada em objetos antigos, presentes no cotidiano.
Memória familiar e coletiva
Você tem uma memória que é individual, associada à sua vida cotidiana. Além dela, há uma memória que é familiar, de seus parentes mais próximos. Por fim, existe uma memória coletiva que é associada a eventos históricos e culturais de determinada região e compartilhada por muitas pessoas. Essa memória coletiva forma uma identidade comunitária muito importante para os costumes locais e pode ser relembrada em forma de relatos, objetos, monumentos, entre outros elementos.
As imigrações no Sul, por exemplo, podem fazer parte tanto da memória familiar quanto da coletiva. O Museu Ambiência Casa de Pedra é um exemplo de instituição que preserva essa memória. Ele fica em uma casa construída por italianos no final do século 19 e possui objetos relacionados à história desses imigrantes.
Museu Ambiência Casa de Pedra em Caxias do Sul (RS), em 2025.
Podemos citar ainda a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, que é comemorada anualmente relembrando o acontecimento e personagens que participaram dele, como Bento Gonçalves da Silva, Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi. A Farroupilha é importante para a memória coletiva de parte da região Sul.
Monumento em homenagem a Anita Garibaldi, em Laguna (SC), em 2019.
1 No município onde você vive existem monumentos, museus ou outros objetos e espaços relacionados à memória coletiva?
Resposta pessoal, de acordo com o município onde os estudantes vivem.
2 Descreva a fotografia do Museu Ambiência Casa de Pedra e explique como a memória dos imigrantes foi representada.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
3 O que vocês sabem sobre a Anita Garibaldi? Conversem a respeito.
Resposta pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
3. Os estudantes devem retomar ou buscar conhecer um pouco mais sobre essa figura histórica. A vida da revolucionária Anita Garibaldi (1821-1849) foi marcada por acontecimentos que a transformaram em um dos grandes símbolos da participação feminina em lutas políticas e militares no século XIX, época em que as mulheres pouco participavam da vida política de qualquer país. Ela lutou com coragem e estratégia em diversas batalhas no Brasil e na Itália ao lado de seu marido. No site do Museu Histórico Farroupilha, há um acervo digital de fontes históricas, como cartões-postais, fotografias e obras de arte relacionadas à Revolução Farroupilha, que podem ser usadas para aprofundar e ilustrar os conhecimentos a serem abordados com a turma: MUSEU HISTÓRICO FARROUPILHA. c2025. Disponível em: https://www.museufarroupilha.rs.gov.br. Acesso em: 5 set. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Patrimônios: memórias da comunidade
Os patrimônios permitem contar a história, relembrando a memória de uma comunidade, um município, um estado ou do país, considerando os diferentes povos e suas contribuições para as culturas desse lugar ao longo do tempo.
Os patrimônios nacionais são reconhecidos e cuidados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os patrimônios estaduais do Sul são reconhecidos e cuidados pela Coordenação do Patrimônio Cultural (CPC) no Paraná, pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) em Santa Catarina e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado no Rio Grande do Sul. Também existem instituições responsáveis pelos patrimônios nos municípios.
1 Qual é a instituição responsável por reconhecer e manter os patrimônios no estado onde você vive? Anote no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Em seu município existe alguma instituição responsável pelos patrimônios? Se sim, escreva o nome dela no caderno.
Respostas pessoais de acordo com o município onde os estudantes vivem.
3 Nos capítulos anteriores, você conheceu alguns patrimônios materiais e imateriais que fazem parte da região Sul. Folheie o livro e, no caderno, faça uma lista dos patrimônios estudados até o momento.
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DO ESTADO. Porto Alegre: Iphae, c2025. Disponível em: http://www.iphae.rs.gov.br/Main.php?do =paginaInicialAc. Acesso em: 23 jun. 2025.
PATRIMÔNIO CULTURAL PARANÁ. Curitiba: CPC, c2025. Disponível em: https://www.patrimoniocultural.pr.gov.br. Acesso em: 23 jun. 2025. Conheça um pouco mais sobre os patrimônios de cada um dos estados do Sul acessando os sites indicados.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento. 71
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula solicitando aos estudantes que façam um desenho representativo do conceito de patrimônio. Peça-lhes, então, que abram o livro nesta página e verifiquem se o desenho deles corresponde a alguma das ilustrações aqui presentes ou se representa algo diferente. Oralmente, elenque bens culturais com a turma até se habituarem à diversidade de elementos que podem se enquadrar nessa categoria.
Aproveite e relembre a turma de que os patrimônios podem ser materiais (bens físi-
mento na sala de informática para explorar os sites indicados no boxe Descubra mais. Além disso, a turma poderá, nesse contexto, responder à questão da próxima atividade.
2. Proponha nova consulta rápida à internet para que busquem a instituição municipal responsável pelo cuidado do patrimônio cultural. Sugira que comecem pelo site da secretaria municipal de cultura, pois esse órgão tem como atribuição a ampla gestão das questões culturais em escala local. Caso encontrem associações de bairro ou grupos culturais que se engajem em ações comunitárias que buscam preservar o patrimônio, valorize esse tipo de iniciativa.
3. Oriente os estudantes a fazer a busca no livro consultando os tópicos página a página, em uma releitura rápida. Ao final das atividades, promova uma roda de conversa sobre as respostas.
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
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cos, como construções e edificações, monumentos e marcos, sítios arqueológicos e históricos, conjuntos urbanos e paisagísticos, infraestruturas históricas, objetos móveis e acervos e patrimônio natural com valor cultural) e imateriais (que se referem a práticas no âmbito da vida social de um povo, como ofícios, expressões musicais, corporais, cênicas e lúdicas, celebrações, saberes, modos de preparação culinária etc.).
1. Os estudantes devem consultar no texto didático a instituição mencionada para cada estado do Sul. Se possível, reserve um mo-
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
ENCAMINHAMENTO
Na leitura desse texto, os estudantes conhecerão exemplos de patrimônios materiais que representam parte da constituição histórica e da paisagem do Sul. Destaque os que foram mencionados em cada estado e analise coletivamente as imagens. Questione-os: por que essas edificações são consideradas historicamente importantes? Estimule-os a observar os elementos arquitetônicos das edificações nas fotografias: estilo colonial, uso de pedra e cal e janelas simétricas. Relacione esses elementos às influências da colonização portuguesa e das populações locais indígenas, africanas e imigrantes.
Patrimônios materiais da região Sul
Vamos conhecer alguns patrimônios materiais reconhecidos pelo Iphan em cada um dos estados da região Sul.
Entre os patrimônios do Paraná, podemos citar os centros históricos de Antonina, Lapa e Paranaguá. Eles são patrimônios reconhecidos pelo Iphan por sua importância para a história nacional e local. As construções nesses centros históricos são exemplos da arquitetura colonial brasileira.
A Igreja de São Benedito se encontra na área tombada do centro histórico de Paranaguá. Ela foi a primeira igreja erguida por negros escravizados para culto do santo. A igreja foi tombada como patrimônio paranaense em 1962 e como patrimônio nacional em 1967.
Entre os patrimônios materiais de Santa Catarina, podemos destacar o núcleo original da cidade de São Francisco do Sul e o Sistema de Fortificações da Ilha de Santa Catarina. Essas construções se relacionam com o período colonial e têm importância tanto para a história de Santa Catarina quan Igreja
Converse com os estudantes sobre a importância da preservação dos patrimônios materiais para nossas memórias coletivas. Se possível, convide um mediador cultural para participar de uma roda de conversa com a turma sobre os patrimônios culturais do município. Atividade complementar
Proponha aos estudantes que elejam um patrimônio material do município onde vivem — pode ser um prédio histórico, uma praça, uma estátua, uma ponte ou qualquer marco local da memória coletiva. Em duplas, eles deverão elaborar um desenho à mão livre (croqui) representando o caminho da escola até o patrimônio escolhido. Para isso, devem atentar a detalhes das ruas de interesse e elencar pontos de referência que ajudem nessa orientação espacial.
Disponibilize folhas de papel avulsas e lápis coloridos para que elaborem o croqui. Ao final, promova a exposição das produções e estimule a comparação entre os trajetos recriados, incentivando-os a perceber se as variações existentes entre eles não inviabilizam o principal: a interpretação do caminho a seguir.
de São Benedito no centro histórico da cidade de Paranaguá (PR), em 2024.
No Rio Grande do Sul, podemos citar o núcleo urbano de Santa Tereza, construído por imigrantes italianos entre os séculos 19 e 20, e a Vila de Santo Amaro do Sul, construída pelos açorianos.
1 Por que a Igreja de São Benedito, no Paraná, a Fortaleza São José da Ponta Grossa, em Santa Catarina, e o núcleo urbano de Santa Tereza, no Rio Grande do Sul, são considerados patrimônios materiais?
VOCÊ DETETIVE
São considerados patrimônios materiais pela importância para a história e a memória do Brasil e dos estados onde estão localizados.
1 Façam uma pesquisa para descobrir se existe algum patrimônio material reconhecido no município onde vocês vivem.
a) Elaborem um cartaz com informações sobre esse patrimônio. Vocês podem inserir as características, quando foi construído e a importância dele para a história do município.
b) Insiram um título e fotografias ou desenhos do patrimônio.
c) Ajudem o professor a expor todos os cartazes produzidos em um espaço na sala de aula.
• Caso não exista nenhum patrimônio reconhecido, escolham uma construção ou um objeto que vocês acham que deveria ser patrimônio material do município para realizar a proposta.
Produção coletiva. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Na leitura desse texto, os estudantes devem perceber que os patrimônios materiais fazem parte da constituição histórica e da paisagem da região Sul. Destaque o patrimônio citado em cada estado e promova a leitura coletiva das fotografias.
Para a realização da atividade do boxe Você detetive , aproveite a atividade complementar proposta na página anterior e, com base nela, organize os estudantes para que possam buscar as informações. Divida a turma em grupos heterogêneos, garantindo que cada estudante possa contribuir de acordo com suas habilidades (pesquisa, escrita, desenho, colagem, organização). Se alguns relatarem dificuldade de acesso à internet em casa, organize um momento de pesquisa em sala com o uso de materiais impressos ou recursos digitais disponíveis na escola.
Oriente os grupos a ilustrar e organizar as informações do patrimônio em tópicos simples: nome, características físicas, data de construção (exata ou aproximada). Para estudantes com dificuldades de aprendizagem, simplifique as instruções, oferecendo frases-modelo ou perguntas-guia que possam responder para construir o cartaz.
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Explique aos estudantes que eles deverão escrever individualmente no caderno, em cinco minutos, o maior número possível de palavras relacionadas a patrimônios culturais e históricos da região Sul de que se lembrarem (sem consultar o Livro do estudante).
Após o tempo estipulado, peça aos estudantes que contem para a turma quais foram os seus registros, promovendo um momento de socialização.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Núcleo urbano de Santa Tereza (RS), em 2022.
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
ENCAMINHAMENTO
O conteúdo das páginas 74 e 75 explora de forma detalhada alguns exemplos de patrimônios imateriais dos estados da região Sul. Inicie a explanação sistematizando na lousa as informações sobre os patrimônios citados. Destaque a importância do Iphan para as pesquisas históricas e o mapeamento dos bens culturais do país.
Ressalte que o patrimônio imaterial se preserva pelo uso, pela vivência e pela transmissão contínua entre as pessoas, e não apenas pela documentação. Se uma festa deixa de ser realizada e um saber deixa de ser ensinado, eles correm o risco de desaparecer. Desse modo, os patrimônios imateriais se preservam por meio da transmissão de ensinamentos entre gerações (mestres e familiares ensinam cantos, histórias, modos de fazer e saberes tradicionais); pela realização de celebrações coletivas, em festas, danças e rituais que mantêm viva a memória cultural; por práticas cotidianas, como a pesca e a produção de objetos artesanais e o uso de plantas medicinais; e pelo reconhecimento e valorização social, garantidos por escolas, comunidades, museus e políticas públicas que ofereçam condições para a sua continuidade.
Patrimônios imateriais da região Sul
A Festa do Divino Espírito Santo de Guaratuba e a canção Bicho do Paraná, composta por João Lopes (1950-2020), são patrimônios reconhecidos pela Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná. A canção se tornou muito conhecida na década de 1980 e até hoje o termo bicho do Paraná é utilizado pelos paranaenses para se referir a si mesmos.
Leia um trecho da canção.
A gente que nasceu no mato
No mato tem que morar
No mato a gente se ajeita
BICHO do Paraná. Compositor e intérprete: João Lopes. In: JOÃO Lopes. São Paulo: Continental, 1981. LP, faixa 1.
O Fandango Caiçara é reconhecido como patrimônio imaterial pelo Iphan. De origem portuguesa e espanhola, é uma expressão popular de dança, poesia, festa e música feita com diversos instrumentos, incluindo a viola caiçara. Ele ocorre em algumas áreas de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina.
1 Você conhecia a canção Bicho do Paraná?
Resposta pessoal.
2 A canção se refere a uma pessoa que vive na área urbana ou na área rural? Explique com trechos da canção.
A canção se refere a uma pessoa que vive na área rural. Trechos como “A gente que nasceu no mato”, “No mato tem que morar” e “No mato a gente se ajeita” fazem referência a elementos do campo.
3 Você conhece alguma canção que possa representar o estado onde você vive? Se sim, qual?
• Explique por que essa canção pode representar seu estado.
Respostas pessoais de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento. 74
74
1. Se possível, reserve um momento para que a turma ouça a canção Bicho do Paraná. Assim, os estudantes podem ativar mais facilmente as lembranças para dizer se a conhecem ou não. Aproveite para interpretar a letra com eles, comentando sobre a presença de humor, como na oposição construída entre “gato de Ipanema” e “bicho do Paraná”.
3. Incentive a pesquisa de canções do estado onde os estudantes moram. No Rio Grande do Sul, a canção Eu Sou do Sul, do grupo Os Serranos, homenageia o estado. Em Santa Catarina, duas canções intituladas Santa Catarina, uma de Teixeirinha e a outra composta por Tonico (da dupla Tonico e Tinoco), Nhô Zoli e Carlito, expressam carinho pelo povo e pelas terras catarinenses. No Paraná, as canções Paraná querido, interpretada por Milionário e José Rico, e Rainha do Paraná, de Lourenço e Lourival, exaltam o estado.
Fandango Caiçara em Paranaguá (PR), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
A Procissão do Senhor dos Passos, que acontece em Florianópolis (SC), é reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan. Tradição religiosa desde o século 18, a procissão ocorre todo ano, quinze dias antes da Páscoa.
Já a Pesca Artesanal da Tainha é reconhecida como patrimônio imaterial de Bombinhas e do estado de Santa Catarina pela Fundação Catarinense de Cultura. É uma tradição de origem indígena que, atualmente, reúne pessoas e saberes repassados de geração em geração. A pesca ocorre durante os meses de maio a julho, quando os cardumes de tainha passam pela costa brasileira.
O modo de fazer artesanato com palha de butiá, palmeira que existe em Torres, no litoral norte do estado do Rio Grande do Sul, é um exemplo de patrimônio imaterial do estado. Há 150 anos essa atividade é passada de geração em geração. Além da importância histórica e econômica, a arte das mulheres de Torres tem significado ecológico, pela conservação ambiental dos butiazais.
VOCÊ DETETIVE
1. Façam uma pesquisa para descobrir se existe algum patrimônio imaterial reconhecido no município onde vocês vivem.
a) Elaborem um cartaz com informações sobre esse patrimônio: as características, quando a tradição começou e sua importância para a história do município.
b) Não se esqueçam de dar um título e afixar fotografias ou desenhos que representem elementos do patrimônio.
c) Ajudem o professor a expor todos os cartazes produzidos em um espaço na sala de aula.
• Caso não exista nenhum patrimônio reconhecido, escolham uma tradição que vocês acham que deveria ser patrimônio imaterial do município.
Produção coletiva. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Explique o que é patrimônio imaterial: festas, saberes, tradições, modos de fazer, músicas, danças, lendas e costumes que fazem parte da identidade de uma comunidade.
Mostre as imagens da página (pesca da tainha e artesanato com palha de butiá) e peça aos estudantes que descrevam o que veem. Incentive-os a levantar hipóteses: o que está acontecendo nessa cena? Para que serve esse objeto de palha? Ressalte que a imagem da esquerda retrata uma atividade comunitária, que exige cooperação.
Realize a leitura coletiva, destacando palavras-chave. Questione os estudantes: por que a pesca da tainha depende do período do ano? O que significa dizer que um saber “é passado de geração em geração”? Quais são os riscos de essas práticas desaparecerem?
Explique à turma que patrimônio imaterial não significa algo “menos importante” que o material, mas sim que sua preservação depende da continuidade das práticas das pessoas em seus contextos de vida, e não apenas da conservação de um objeto físico.
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Sugestão para o professor FUNDAÇÃO CATARINENSE DE CULTURA. Patrimônio imaterial. Florianópolis, 25 fev. 2010. Disponível em: https://www.cultura.sc.gov.br/a-fcc/patrimoniocultural/patrimonio-imaterial# mestre-de-artes-e-oficios. Acesso em: 7 set. 2025.
Valdeonira Silva dos Anjos (1935), artesã e professora de Florianópolis, foi a primeira mestra de Artes e Ofícios reconhecida pela FCC, em 2022, pelo trabalho com a arte do fuxico. Além de preservar essa tradição, atuou como educadora, carnavalesca e líder cultural, sendo também fundadora da Associação das Mulheres Negras Antonieta de Barros (Amab), dedicada à valorização da mulher negra e à discussão de políticas públicas.
Para realização da atividade proposta no boxe Você detetive, trabalhe coletivamente com a turma e busque auxílio de pessoas que trabalhem na secretaria de cultura municipal. Se não houver nenhum registro de patrimônio imaterial no município, pesquise e elenque exemplos no estado. Os cartazes podem conter desenhos, frases e palavras que remetam a patrimônio. Quando concluídos, organize a exposição na sala de aula.
Pescadores se preparando para a pesca da tainha em Florianópolis (SC), em 2023.
Peças artesanais produzidas a partir das folhas de butiá em Porto Alegre (RS), em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ENCAMINHAMENTO
A seção Para rever o que aprendi é um momento para cada estudante retomar as temáticas desenvolvidas na unidade, relembrar fatos e elaborar ideias para uma aprendizagem significativa que teça relações com o dia a dia de cada um. Diante disso, busca-se a participação de todos no nível de leitura e escrita em que se encontram, atentando sempre ao letramento.
Caso algum estudante não demostre fluência em leitura e escrita e necessite responder oralmente ou em desenhos, permita que a aprendizagem seja sistematizada também dessa forma.
1. Espera-se que os estudantes elaborem um pequeno texto ou produzam desenhos com legendas que destaquem diferentes heranças culturais deixadas pelos povos indígenas na região Sul. Entre elas, podem ser citadas: o cultivo e consumo de alimentos como pinhão, milho, mandioca e palmito; o uso de ervas nativas no preparo de chás e para o tratamento de doenças, incluindo a erva-mate, que deu origem ao hábito do chimarrão; a técnica de preparo de alimentos em fogo de chão, associada mais tarde ao churrasco; hábitos de higiene, como o banho diário; além da incorporação de palavras e nomes próprios de origem indígena ao vocabulário regional, como guri, capivara, cutia, Paraná, Curitiba. Outras referências podem incluir modos de organização social, respeito à natureza e conhecimentos sobre o manejo sustentável dos recursos naturais.
PARA REVER O QUE APRENDI
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
1 Os povos originários deixaram um grande legado para a região Sul do Brasil.
• Com base no que você aprendeu, elabore um pequeno texto ou desenhos com legendas sobre as heranças culturais dos indígenas para os estados de nossa região.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Leia o trecho da reportagem.
2 a) Comunidades remanescentes de quilombos são territórios demarcados ou reconhecidos pelo governo brasileiro que garantem o direito à terra da população quilombola.
Localizada na Vila Mapa, zona leste de Porto Alegre, a Escola de Tradição Quilombola de Matriz Africana do Quilombo Família de Ouro teve seu projeto de ampliação e diversificação de atividades [...].
A programação é composta por oficinas de comidas tradicionais, tambor, produção de Axós (vestes tradicionais), danças quilombolas e de povos tradicionais, produtos naturais quilombolas e contação de histórias dos povos tradicionais. [...]
MIGLIORANZA, Cristiane. Educação escolar quilombola tem como foco a memória, o respeito às diferenças e o exercício da cidadania. Jornal da Universidade UFRGS, Porto Alegre, 14 nov. 2024. Disponível em: https://www.ufrgs.br/jornal/educacao-escolar-quilombola-tem-como-foco-a-memoria-o -respeito-as-diferencas-e-o-exercicio-da-cidadania. Acesso em: 18 jun. 2025.
a) O que são comunidades remanescentes de quilombos?
b) Quem são as pessoas que vivem nas comunidades remanescentes de quilombos?
Essas pessoas são os quilombolas.
c) De acordo com o texto, o que os estudantes também aprendem na escola quilombola? Por que é importante que eles aprendam essas coisas?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
3 Os imigrantes deixaram diferentes legados para a história e as culturas da região Sul, como na culinária, no artesanato, em festas e construções. Desenhe ao menos um legado deixado pelos açorianos.
Produção pessoal. Os estudantes devem reconhecer que os açorianos deixaram legados como as lendas, a culinária e o estilo arquitetônico das casas.
2. c) De acordo com o texto, os estudantes da escola quilombola têm acesso a aulas e oficinas voltadas para a cultura e as tradições quilombolas, como o preparo de comidas típicas, a produção de vestes tradicionais, o aprendizado de músicas e toques de tambor, além de danças e narrativas quilombolas. Espera-se que os estudantes compreendam que essas práticas não são apenas atividades culturais, mas representam o próprio processo de transmissão de saberes e valores ancestrais que fortalecem a identidade da comunidade. Ao repassar o legado às novas gerações, garantem-se a continuidade da memória coletiva, a valorização da história dos quilombos e a preservação de seus modos de vida, tradições e resistência frente às desigualdades sociais.
3. Espera-se que os estudantes elaborem desenhos representativos de lendas e narrativas populares; arquitetura de casas simples com fachadas, portas e janelas coloridas e telhados de duas águas; festas religiosas e folclóricas, como a Festa do Divino Espírito Santo e a do Boi de Mamão.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
4 Nas fotografias 1 e 2 , temos exemplos de um patrimônio material e um patrimônio imaterial da região Sul. Observe as fotografias e comente o significado dos patrimônios para a história da região.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Basílica Nossa Senhora das Dores em Porto Alegre (RS), em 2021.
5 Quais países disputaram a posse da região Sul no processo de colonização do Brasil?
Portugal e Espanha.
da formação territorial do Brasil, já que os dois impérios buscavam expandir suas áreas de influência na América do Sul. No caso específico da região Sul, tratava-se de uma área de grande importância estratégica e econômica, utilizada para criação de gado, produção agrícola e ligação com o interior do continente.
6. A caracterização da participação dos lanceiros negros nos combates da Revolução Farroupilha deve ser feita considerando que essas tropas cresceram e se destacaram nos combates e atuaram visando aos seus interesses de liberdade.
6 Explique a atuação e a importância dos lanceiros negros durante a Revolução Farroupilha.
6. Os lanceiros negros foram uma importante unidade de combate durante a Revolulção Farroupilha. Sua existência mostra como os negros escravizados atuaram na Revolução Farroupilha de acordo com seus interesses, pois lutaram com a promessa de alforria. Eles foram traídos por seus comandantes no Massacre de Porongos.
7 Elabore um parágrafo indicando quais foram os povos que formaram a região Sul.
Os estudantes devem citar desde os povos originários até os imigrantes mais recentes: povos indígenas, negros africanos escravizados e seus descendentes, europeus (portugueses, espanhóis, alemães, ucranianos, poloneses e italianos) e asiáticos (japoneses, chineses e povos árabes).
1. Em uma roda com seus colegas, converse sobre: a) o que você já sabia sobre os povos e patrimônios da região Sul; b) o que você aprendeu sobre os povos e patrimônios da região Sul; c) o que você ainda quer descobrir sobre os povos e patrimônios da região Sul.
Respostas de acordo com a autoavaliação dos estudantes.
ENCAMINHAMENTO
4. Ressalte que, na fotografia 1 , retrata-se um patrimônio material, representado pela igreja, que conta a história da região materializada em um espaço com função religiosa e um estilo arquitetônico e artístico peculiar, que remonta a tradições europeias. Na fotografia 2, exemplifica-se um patrimônio imaterial, representado pelo chimarrão, bebida preparada com erva-mate, uma prática tradicional nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Esses
7. Espera-se que os estudantes reconheçam que a população da região Sul foi formada historicamente pela presença e interação de três grandes grupos: povos indígenas originários, povos africanos trazidos na condição de escravizados e imigrantes transcontinentais (sobretudo europeus e, em menor escala, asiáticos). A seção de autoavaliação possibilita aos estudantes refletir sobre o seu processo de aprendizagem.
Espera-se que os estudantes discutam a importância dos povos e patrimônios por eles legados a sucessivas gerações no processo de constituição da história e das culturas do Sul, citando exemplos do próprio cotidiano para caracterizar bens culturais materiais e imateriais.
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patrimônios materiais e imateriais guardam parte da história regional e compõem as memórias dos povos que contribuíram para as culturas e as identidades de cada estado. Por isso, conhecê-los e preservá-los é uma forma de nos apropriarmos da nossa história enquanto gaúchos, catarinenses e paranaenses.
5. Espera-se que os estudantes reconheçam que os países que disputaram a posse da região Sul no processo de colonização foram Portugal e Espanha. A atividade favorece a retomada de um aspecto essencial
Igreja
Pessoa servindo chimarrão em Porto Alegre (RS), em 2022.
INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, a temática do campo e da cidade no Sul e a compreensão das dinâmicas dos espaços urbanos e rurais da região são abordadas. Para isso, são exploradas ideias contextualizadas, como as atividades humanas, as atividades econômicas, os impactos ambientais e as transformações nas paisagens. No Capítulo 1 , os estudantes vão caracterizar os espaços rurais da região, analisando os impactos ambientais decorrentes das atividades humanas. Também vão entrar em contato com informações acerca da Guerra do Contestado, um dos principais conflitos no campo da história brasileira. No Capítulo 2, são abordadas as transformações nas paisagens urbanas e a caracterização da infraestrutura e da hierarquia das cidades da região Sul, enfatizando mudanças e permanências no espaço onde os estudantes vivem. As atividades econômicas que predominam nas cidades também são abordadas, assim como os espaços de memória, as desigualdades entre as cidades brasileiras e a interconexão entre campo e cidade.
UNIDADE3 CAMPO E CIDADE
NO SUL
Objetivos da unidade
• Identificar especificidades e relações da vida no campo e na cidade, considerando fluxos econômicos, de informações e de ideias da região Sul.
• Compreender, com base em exemplos verbais, visuais e cartográficos, as características dos espaços rural e urbano, identificando as transformações nas paisagens do campo e da cidade.
• Caracterizar diferentes modos de viver considerando as particularidades do campo e da cidade, por meio dos registros de memórias e eventos significativos da região.
• Relacionar os recursos naturais da região Sul e as culturas de seus habitantes com as atividades econômicas desenvolvidas no campo.
• Problematizar ações de impacto ambiental no campo e na cidade da região Sul.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Quais elementos da paisagem do campo você consegue identificar?
2 E quais elementos da paisagem da cidade você consegue identificar?
3 Campo e cidade se relacionam. Como você acha que acontece essa relação?
Atividade complementar
Para favorecer a compreensão das diferenças e relações entre campo e cidade, uma proposta lúdica e inclusiva é recorrer à literatura infantil. A leitura contribui para a ampliação do repertório cultural, desperta o interesse e possibilita aos estudantes fazer conexões com a própria vivência. Além disso, o recurso literário estimula a imaginação e favorece diferentes estilos de aprendizagem, sendo especialmente positivo para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que se beneficiam do estímulo auditivo e narrativo. Nesse sentido, a fábula de Esopo “O rato do campo e o rato da cidade” pode ser lida ou dramatizada em sala. Ao contrapor os modos de vida do campo e da cidade, a história desperta reflexões sobre semelhanças, diferenças e interdependências entre esses espaços, conectando-se de forma significativa à observação da ilustração proposta na abertura da unidade.
BNCC
Competências gerais da Educação Básica: 1, 3, 4 e 9. Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 5, 6 e 7.
Competências específicas de Geografia: 3, 4, 5, 6 e 7. Competências específicas de História: 1, 3, 4 e 5. Habilidades: EF03GE02, EF03GE04, EF03GE09, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE04, EF04GE07, EF04GE09, EF04GE10, EF05GE01, EF05GE02, EF05GE08, EF05GE09, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI07.
BNCC da computação: EF03CO07.
TCTs: Cidadania e civismo: vida familiar e social; Multiculturalismo: diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
1. Podem ser citados como elementos da paisagem do campo: plantações, área de pastagem com gado, tratores, árvores, galpões para estoque de madeira, moradias afastadas e estrada de terra.
2. Os elementos que caracterizam a paisagem da cidade são: prédios altos, ruas asfaltadas com sinalização, supermercado, farmácia, fábrica de móveis, parque infantil em praça, semáforos, ônibus, carros e intenso movimento de pessoas e veículos.
3. Registre na lousa duas colunas (campo e cidade) e vá preenchendo com os estudantes, enumerando as características de cada um. Finalize com uma seta dupla entre elas, mostrando que há trocas constantes. O campo fornece alimentos e matérias-primas para a população e as atividades produtivas na cidade. A cidade oferece à população do campo múltiplos serviços, comércio diversificado, indústrias e infraestrutura instalada.
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a leitura coletiva destacando a presença marcante da agricultura familiar no Sul do Brasil e sua relação com o espaço rural. Comente que, segundo o Censo de 2022, 12 a cada 100 pessoas viviam no campo no Sul.
Relacione o texto com a descrição da imagem retratando a pequena propriedade em Nova Petrópolis. Estimule-os a identificar elementos visuais que reforçam a ideia de organização em pequenas áreas, como pomares e hortas próximas à moradia. Comente como as condições naturais, o relevo e a cobertura vegetal influenciam na produção, permitindo destacar a importância da agricultura de subsistência e seu papel no abastecimento das famílias e comunidades locais.
Na sequência, proponha a sistematização dos conceitos em destaque. A noção de agricultura de subsistência pode ser reforçada por exemplos do que as famílias poderiam plantar para consumo próprio.
CAMPO NO SUL
Uma característica marcante do espaço rural da região Sul é a presença da agricultura familiar, em que atividades são realizadas em pequenas propriedades pelas próprias famílias.
No espaço rural, ou campo, predominam plantações, criações de animais, matas, estradas e construções mais esparsas.
O campo da região Sul apresenta grande número de pequenas e médias propriedades rurais. Isso acontece, principalmente, porque o governo brasileiro dividiu as terras em pequenos lotes e distribuiu a imigrantes nos séculos 19 e 20.
Os aspectos naturais da região também ajudaram para esse tipo de organização. As áreas planas, como os Pampas, eram interessantes para a criação de gado, enquanto as áreas de serra eram aproveitadas para a agricultura de subsistência
Plantações de frutas em pequena propriedade rural em Nova Petrópolis (RS), em 2024.
Agricultura de subsistência consiste na produção agrícola voltada para o consumo dos agricultores e de suas famílias e comunidades.
DESCUBRA MAIS
LANDGRAF, Lebna. Pequenas propriedades são 70% dos estabelecimentos produtores de soja no Brasil. Brasília, DF: Embrapa, 25 jun. 2024. Disponível em: https:// www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/90344299/pequenas-propriedades-sao-70-dos-estabelecimentos-produtores-de-soja-no-brasil. Acesso em: 5 jun. 2025.
A reportagem mostra que, dos 196 mil estabelecimentos agrícolas produtores de soja na região Sul, 157 mil são pequenas propriedades.
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Atividade complementar
Disponibilize o texto do site da Embrapa, sugerido no Descubra mais, de forma física ou virtual. Com base nessa leitura, proponha aos estudantes a elaboração de um mapa conceitual com as ideias centrais do texto, sintetizando os apontamentos. Alguns pontos importantes a serem abordados são: o produto agrícola em destaque na reportagem e os números de pequenas propriedades nos estados da região Sul. Essa proposta pode ser realizada de forma coletiva, individual ou em grupos. Essa prática fortalece a compreensão dos textos informativos, aproxima os estudantes de dados atuais sobre a conjuntura do campo no Sul e desenvolve a habilidade de relacionar informações textuais com imagens e exemplos concretos.
Embora a agricultura familiar seja muito comum na região Sul, também existem grandes propriedades rurais onde são cultivados gêneros agrícolas em larga escala, como soja, arroz, milho e trigo. Essas terras costumam pertencer a empresas ou a poucas pessoas. Observe as fotografias.
Plantações de soja e milho em grande propriedade rural em Xanxerê (SC), em 2025.
Plantação de arroz irrigado em grande propriedade rural em Agudo (RS), em 2023.
Quando muitas propriedades ficam nas mãos de poucos donos, o acesso de pequenos produtores à terra se torna mais difícil, o que pode causar desigualdades no campo. Em alguns casos, as pessoas são forçadas a deixar as terras onde sempre viveram por não terem acesso a insumos agropecuários para produzir ou por assim serem condicionadas por grandes fazendeiros.
Quando isso acontece, o direito à terra é violado, comprometendo a dignidade das pessoas que vivem no campo.
Insumo agropecuário: produto utilizado na agropecuária para aumentar a produção, como fertilizante, ração, maquinário e medicamento.
Direito à terra é o direito de morar, trabalhar e aproveitar os recursos de um pedaço de terra. Isso envolve plantar, criar animais e, a partir dessas atividades, sustentar a si e a própria família.
A falta de acesso à terra não é um problema recente. No passado, muitas famílias da região Sul enfrentaram desafios na busca por terras para viver e plantar. Um exemplo disso foi a Guerra do Contestado, que ocorreu no início do século 20.
1 Vocês vivem no campo? Se não, vocês conhecem o campo do município onde vivem?
Respostas pessoais. Incentive os estudantes a trocar impressões a respeito da área rural do município onde vivem.
• Conversem com os colegas sobre os elementos presentes na paisagem rural.
Espera-se que os estudantes apontem elementos presentes no campo, como plantações, criação de animais,
construções esparsas, estradas, silos de armazenagem de grãos, entre outros.
Atividade complementar
Organize a leitura do texto, ampliando a reflexão promovida com base em uma conversa sobre a agricultura familiar e as grandes extensões de terra. Oriente os estudantes a analisar cada contexto das fotografias, que mostram diferentes formas de uso da terra no espaço rural. Estimule-os a perceber que, nas pequenas propriedades, predominam a diversidade de pequenos cultivos e a produção para o consumo da própria família ou para a venda em pequena escala; já nas grandes propriedades, há o predomínio da monocultura voltada ao mercado.
Introduza a noção de agricultura familiar, um modelo de produção e trabalho rural comum na região Sul, no qual a gestão do negócio e a execução do trabalho são de responsabilidade das pessoas de uma mesma família. Alguns fatores expressivos para caracterizar a agricultura familiar são: mão de obra familiar; gestão familiar da renda e dos investimentos; diversificação da produção; cuidado ambiental com vistas à sustentabilidade e à preservação da biodiversidade e busca por alternativas de manejo agroecológico.
24/09/2025 13:56 81
Apresente aos estudantes a informação de que o município gaúcho de Canguçu (RS), localizado na Serra dos Tapes, recebeu, por meio da Lei nº 14.638/2023, o título de Capital Nacional da Agricultura Familiar. Explique que grande parte de sua população vive no meio rural, dedicada à produção agropecuária diversificada em pequenas propriedades (minifúndios). Ressalte que Canguçu é o município com o maior número de minifúndios do Brasil e das Américas, com cerca de 14 mil propriedades rurais, das quais a maioria tem entre 5 e 25 hectares.
Em seguida, proponha-lhes que façam uma pesquisa orientada sobre esse município e os principais produtos cultivados ali. Indique como foco da investigação alguns alimentos de destaque na agricultura familiar local.
Organize a atividade em etapas: discussão inicial, pesquisa em fontes seguras, socialização e síntese coletiva. Construa com a turma um quadro que destaque o nome do município, suas características (número de propriedades, tamanho médio, população rural) e exemplos de produtos cultivados.
1. Promova um debate entre os estudantes, ouvindo suas experiências sobre características e elementos que observam no campo do município em que vivem, traçando comparativos entre as paisagens rurais comuns entre os municípios e estados da região.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
ENCAMINHAMENTO
Antes de promover a leitura do texto, dialogue com os estudantes sobre a Guerra do Contestado, que foi um conflito armado da região Sul associado com a luta por terras, especialmente das pessoas que viviam em pequenas propriedades no campo e foram desapropriadas para que acontecesse a construção de infraestrutura ferroviária.
Conduza a leitura em mais de um formato para retomada dos fatos, por exemplo, uma leitura silenciosa e outra coletiva. Questione os estudantes: por que essa região era tão disputada? Qual era o interesse do governo por trás da construção da ferrovia?
Durante as explicações, aborde o significado da expressão “escoar produção”, que quer dizer transportar produtos para vender em diversas localidades.
Conflitos no campo: a Guerra do Contestado
Entre 1912 e 1916, ocorreu um dos principais conflitos no campo da história brasileira: a chamada Guerra do Contestado.
Na época, as divisas entre os estados do Paraná e de Santa Catarina estavam sendo contestadas, ou seja, estavam em disputa entre os dois estados. Essa região disputada era rica em madeira e erva-mate.
Paralelamente a isso, o governo federal, interessado em conectar o Rio Grande do Sul a São Paulo, iniciou o projeto de construção de uma linha ferroviária. Com a ferrovia, chamada Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (EFSPRG), os estados do Sul poderiam escoar sua produção agropecuária para o Sudeste de maneira mais eficaz.
A construção da ferrovia ficou a cargo de uma empresa dos Estados Unidos, que recebeu a autorização para explorar as áreas próximas do trajeto. A empresa estava autorizada a comercializar terras e a extrair riquezas naturais, como a madeira.
Observe o mapa que mostra a região contestada entre o Paraná e Santa Catarina e o trajeto da EFSPRG.
O conflito se desenvolveu a partir da reunião de fiéis em torno de José Maria, um curandeiro e rezador, chamado monge pelas pessoas da região. José Maria e seus fiéis se instalaram em Irani, município catarinense, mas logo foram atacados pelo Regimento de Segurança do Paraná em um confronto que resultou na morte do monge.
Fiel: seguidor de uma pessoa, ideia, grupo ou crença.
Explore no mapa os locais onde foi planejada a construção da linha ferroviária, conectando os estados do Sul ao estado de São Paulo. Discuta os pontos positivos desse projeto e as consequências ambientais e sociais negativas, como desmatamento e vulnerabilidade de agricultores em razão da falta de terras e de condições adequadas para viver e produzir. Texto de apoio
Fonte: ARRUDA, José Jobson de. Atlas histórico básico. 17. ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 45.
Sul do Brasil: Guerra do Contestado (1912-1916)
O nome Contestado não faz jus à complexidade do movimento que eclodiu no sul do Brasil no ano de 1912. A contestação dos limites territoriais entre Paraná e Santa Catarina foi apenas uma das muitas fagulhas a despertar uma das maiores revoltas sociais ocorridas no campo em território nacional. Apesar de insuficiente, o título diz muito sobre aqueles que possuem poder de registrar os feitos históricos, assim como sobre a prioridade política na resolução desse conflito: com a intervenção federal na região — ocorrida em setembro de 1914 —, urgia eliminar a disputa entre as lideranças políticas dos estados vizinhos e impedir que o movimento se alastrasse para além das fronteiras paranaenses e catarinenses. Tais disputas colocavam em risco o domínio das oligarquias e ameaçavam comprometer o jogo político nacional.
[…]
Em suas ações, os sertanejos do Contestado construíram pauta de reivindicações elaboradas a cada nova ação de combate. Entre as exigências constavam a deposição política
Trópico de Capricórnio
Florianópolis Marcelino Ramos Passo Fundo
Maria Uruguaiana Videira Campos Novos
No entanto, o movimento foi crescendo e ganhando novas lideranças. Reuniram-se a ele opositores dos donos de terra, desempregados da ferrovia e da madeireira, fazendeiros, grupos de povos indígenas, descendentes de escravizados e pessoas pobres em geral expulsas de suas terras durante a construção da ferrovia. Vilas no interior da floresta, onde o acesso era difícil para as tropas, eram utilizadas como esconderijos, chamados redutos.
Diversas batalhas ocorreram até que, em 1915, o exército brasileiro desmobilizou totalmente o movimento do Contestado. Redutos em Taquaruçu, Caraguatá, Santa Maria e São Pedro, em Santa Catarina, foram destruídos. O final do conflito se deu em 1916, quando os governos de Santa Catarina e Paraná assinaram um acordo estabelecendo a divisa entre os dois estados.
Fazendeiros e moradores da área do Contestado, em Três Barras (SC), em 1915.
1 Leiam o trecho transcrito de um relato oral. Trata-se do depoimento de um sobrevivente que ficou em um reduto durante a Guerra do Contestado. [...] Passamos muita fome. A fraqueza era grande. Quando a guerra terminou, conseguimos fugir para um sítio de um amigo de meu pai. Ele nos deu água com mel. Um copo para cada um. Me senti nascendo de novo, de tão fraco que estava. Neste sítio do amigo do meu pai, um tal de Domingos Beja, muitas famílias que fugiram do último reduto estavam escondidas.
MACHADO, Paulo Pinheiro. Guerra, cerco, fome e epidemias: memórias e experiências dos sertanejos do Contestado. Topoi, v. 12, n. 22, p. 184, jan./jun. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/topoi/a/g7TjcVHxBkHjZ85pwRxcQ7b/. Acesso em: 20 maio 2025.
• Segundo o trecho, como eram as condições de vida nos redutos?
Os estudantes poderão indicar que o trecho se refere a uma condição de vida difícil, com fome, fraqueza e medo da perseguição realizada pelas tropas militares.
Peça aos estudantes que observem a fotografia de moradores da área do Contestado. Questione-os: quem aparece na imagem? Como estão vestidos? O que a fotografia pode nos revelar sobre a vida das pessoas naquele período?
Destaque que, além dos registros escritos, as imagens também ajudam a compreender o cotidiano dos envolvidos à época em que se desenrolaram os fatos em estudo.
Sobre o trecho que descreve o apoio dos monges, cabe salientar que, deslocados de suas terras, esses trabalhadores receberam o apoio de monges, que eram homens que pregavam a religião cristã em várias regiões de Santa Catarina. Esses monges se tornaram muito populares tanto pelo apoio que davam aos que os procuravam quanto por feitos atribuídos a eles, como o de curar pessoas.
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de coronéis da região, a resolução do litígio de limites territoriais favorável à Santa Catarina, o deslocamento da Southern Brazil Lumber and Colonization Company, madeireira e colonizadora de terra multinacional instalada na região, a punição dos crimes cometidos contra mulheres e e crianças mortas em ações militares, a distribuição e o reconhecimento de título de propriedade de terras aos sertanejos e a deposição do presidente da República, Hermes da Fonseca.
Estima-se que o movimento dominou uma área com aproximadamente 80 mil pessoas. A expansão do movimento, bem como suas reivindicações, preocupou não apenas os governantes dos estados do Paraná e de Santa Catarina, como também a imprensa nacional da época e o presidente Hermes da Fonseca.
RODRIGUES, Rogerio Rosa. Guerra do contestado. c2025. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GUERRA%20DO%20CONTESTADO.pdf.
Acesso em: 11 set. 2025.
1. Projete ou leia em voz alta o depoimento transcrito. Explique que esse é um relato oral, ou seja, uma memória narrada por alguém que viveu a experiência. Destaque a importância de considerar diferentes fontes históricas para compreender um acontecimento histórico. Caracterize as consequências negativas do conflito, por meio da análise do depoimento de um sobrevivente. Identifique com os estudantes, no texto, onde estão as marcas que informam o envolvimento e o sofrimento do sobrevivente com a guerra.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
ENCAMINHAMENTO
Para utilizar o site do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), devem ser selecionados como campos de busca: Variável (quantidade produzida em toneladas); Produto das lavouras temporárias e permanentes (de acordo com a produção que se quer verificar; Ano; Unidade territorial. Explique aos estudantes agricultura é um dos caminhos de desenvolvimento econômico de uma região; por meio dela, as famílias se sustentam e a dinâmica econômica, que envolve produção, circulação e consumo, acontece gerando riqueza e atendendo a diversas necessidades.
1. Espera-se que os estudantes identifiquem que, no Paraná, a produção de soja acontece no norte, no sul e no oeste do estado. Em Santa Catarina, a produção está concentrada no oeste. No Rio Grande do Sul, a soja é cultivada no norte, no oeste e no sul. A produção de milho ocorre nos três estados: no Paraná, se concentra no norte e no oeste do estado; em Santa Catarina, a produção é maior no oeste; por fim, no Rio Grande do Sul, essa produção predomina no norte.
Atividades econômicas no campo
A agropecuária e o extrativismo vegetal e mineral são as principais atividades econômicas desenvolvidas no campo da região Sul. Apesar disso, as atividades econômicas das áreas rurais estão cada vez mais diversificadas, com a presença de fábricas, comércio e variados tipos de serviços.
Agricultura
O site do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra) permite o acesso a dados estatísticos por meio do uso de filtros específicos. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Alguns dos produtos agrícolas mais cultivados na região são soja, milho, arroz e trigo. Observe os mapas desses cultivos agrícolas no Sul.
Sul: produção de soja e milho (2023)
Sul: produção de arroz e trigo (2023)
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/5457. Acesso em: 28 abr. 2025.
Além desses cultivos, destacam-se o de cana-de-açúcar no Paraná, o de maçãs em Santa Catarina e o de uvas no Rio Grande do Sul.
1 Observe o mapa Sul: produção de soja e milho (2023) . Em quais áreas esses produtos são cultivados? Utilize as direções cardeais para indicar a localização.
Espera-se que os estudantes identifiquem no mapa que a produção
de soja e milho ocorre nos três estados. Veja mais orientações no Encaminhamento.
2 Observe o mapa Sul: produção de arroz e trigo (2023). Em quais áreas esses produtos são cultivados? Utilize as direções cardeais para indicar a localização.
Espera-se que os estudantes identifiquem que a produção de arroz está concentrada no Rio Grande do Sul, sobretudo no sul do estado. Já o trigo é produzido principalmente no norte do Rio Grande do Sul e no centro e no oeste do estado do Paraná.
Atividade complementar
Proponha aos estudantes a realização de um ditado coletivo de palavras relacionadas à vida no campo e às atividades de agricultura e pecuária. Para iniciar, estimule uma conversa breve de sensibilização, questionando: quais palavras vêm à mente quando vocês pensam na vida no campo? Anote algumas na lousa como exemplos e incentive que cada estudante escolha e registre em seu caderno uma palavra de sua preferência. Em seguida, organize o ditado coletivo: cada um será responsável por ditar sua palavra para os colegas, que deverão registrá-la no caderno. Caso haja repetição, a palavra será escrita apenas uma vez por toda a turma, evitando duplicidades. Ao final, faça a correção coletiva das palavras, repassando ortografia, significados e possíveis usos no contexto da vida no campo. Sugestões de palavras: agricultura, pecuária, animais, plantação, agricultor, milho, soja, feijão, trator, estrada, ovelha, suíno, bovino, galinha e ave. Permita que estudantes com dificuldade de escrita registrem as palavras em forma de desenho ou com o apoio de um colega.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
Trópico de Capricórnio
BNCC
Pecuária
Os três estados do Sul se destacam na criação de aves (galináceos), com quase metade da produção brasileira em 2023, e de suínos, com mais da metade do rebanho nacional.
Galináceo: grupo de aves que inclui galinhas, frangos, perus, perdizes, faisões, entre outras.
A criação de bovinos é importante, sobretudo nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. A região Sul é a maior produtora de leite no país, responsável por mais de um terço da produção nacional em 2023. O Rio Grande do Sul também se destaca como grande criador de ovelhas (ovinos), com o terceiro maior rebanho do país. Observe os mapas com a distribuição da pecuária no território da região.
Sul: rebanhos bovino e suíno (2023)
Sul: rebanhos galináceo e ovino (2023)
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO ATLÂNTICO
Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa pecuária municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/3939. Acesso em: 28 abr. 2025.
Outra produção significativa na região, principalmente no estado de Santa Catarina, é a de ostras, vieiras e mexilhões. A região Sul é responsável pela quase totalidade da produção brasileira desses moluscos.
1 Compare os mapas desta página com os mapas da página anterior. Como as informações foram representadas? Quais são as semehanças e as diferenças entre os eles?
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
Sugestão para o professor
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
ENCAMINHAMENTO
Inicie o tópico destacando para a turma que a atividade pecuária é marcante na região Sul. Os três estados se destacam pela criação de aves (galináceos). O estado do Paraná detém o maior rebanho de aves do país. A atividade, denominada avicultura, inclui a criação de galinhas e galos, perus, codornas, patos, marrecos, pavões, entre outros.
1. Os estudantes devem comparar os mapas e perceber que eles representam informações por meio de ícones. No entanto, eles apresentam informações diferentes. Os mapas da página 84 apresentam os principais cultivos agrícolas na região. Já os mapas da página 85 apresentam os principais rebanhos da região. Nos quatro mapas, as informações são representadas por meio de ícones de diferentes tamanhos. Nos mapas da página 84, os tamanhos diferentes indicam a produção de gêneros agrícolas em toneladas; já na página 85, os mapas apresentam o tamanho do rebanho em cabeças.
24/09/2025 13:56
NUNES, Karine. Manual básico para acesso ao Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). Florianópolis: CCA: UFSC, 2020. Disponível em: https://lemate.paginas.ufsc.br/ files/2020/08/Manual-SIDRA-versão-agosto-2020.pdf. Acesso em: 11 set. 2025.
O texto fornece um passo a passo para o uso do Sidra e disponibiliza os dados coletados e tratados pelo IBGE em cartogramas, gráficos e quadros.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Trópico de Capricórnio
Trópico de Capricórnio
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula sondando conhecimentos prévios dos estudantes e questione-os: que outras atividades econômicas podem ser desenvolvidas no campo? Só existem indústrias no espaço urbano?
Explique que, diferentemente de outras indústrias que se concentram nas áreas urbanas, a agroindústria se instala próximo às áreas de produção agropecuária buscando como vantagens: redução de custos logísticos (ao estar perto das áreas produtoras, diminui-se o transporte de matérias-primas perecíveis evitando perdas); agregação de valor ao produto local (o campo passa a fornecer produtos industrializados); geração de emprego e renda (a presença da indústria no campo dinamiza a economia local); integração entre agricultura, pecuária e indústria (cria-se uma rede produtiva mais completa e sustentável).
Continue a abordagem com estes questionamentos: vocês conhecem algum recurso natural que pode ser extraído da natureza? Qual? Para que usamos recursos como o carvão e o calcário? De onde extraímos a madeira e o pinhão? Encaminhe a leitura do texto de forma silenciosa e coletiva. Selecione algumas imagens na internet sobre os minerais mencionados no texto, como calcário e carvão mineral, e sobre a atividade extrativista vegetal e a silvicultura para que possam explorar o assunto de forma visual, o que fornece estímulos diferentes para atender a distintos estilos de aprendizagem.
Agroindústria
Ainda que a maior parte das indústrias na região Sul se situe nas cidades, as que estão presentes no campo têm um papel importante. A agroindústria da região Sul, por exemplo, apresenta os maiores índices do país na produção de embutidos e carne de bovinos e suínos, além de ter uma produção expressiva de sucos de frutas e creme de leite.
Agroindústria se refere à produção de itens industrializados por meio da transformação de recursos originados da agricultura e da pecuária.
Cultivo e extração de recursos naturais
Com relação ao extrativismo vegetal na região Sul, além da coleta do pinhão, destaca-se também a silvicultura, principalmente o cultivo de pínus nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. A madeira produzida nessa atividade abastece as indústrias de móveis e de papel e fornece lenha.
Silvicultura: cultivo e manejo de árvores para obtenção de produtos florestais, como a madeira e a resina.
A mineração também é uma atividade econômica presente no campo da região Sul. Os recursos explorados que mais se destacam são o calcário e o carvão mineral. O calcário é utilizado em diversas atividades, como correção da acidez do solo e fabricação de cimento. O maior produtor de calcário na região Sul é o Paraná. Já a maior parte das reservas de carvão mineral está no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Atividade complementar
Apresente aos estudantes a seguinte situação: dois irmãos herdaram terras com características distintas. Joaquim recebeu um campo amplo, com solo mais seco, terrenos em declive, capim e araucárias. Jonas herdou uma área menor com solo fértil, úmido, próximo a cursos de água, em terreno plano e de fácil acesso. Considerando as características de cada lote herdado pelos irmãos, em que tipo de atividade econômica cada um pode pensar para o uso dessas terras?
Estimule os estudantes a relacionar as atividades econômicas apresentadas nos estudos já realizados (agricultura, pecuária, extrativismo vegetal e mineral). Promova um debate de ideias sobre o caso entre os estudantes, acolhendo-os e refletindo sobre as possibilidades por eles apresentadas. Em suma, espera-se que a pecuária e o extrativismo vegetal sejam realizados no campo de Joaquim. Já o campo de Jonas é mais favorável para a agricultura.
Unidade agroindustrial próxima a plantação de soja em Campo Mourão (PR), em 2022.
Impactos ambientais no campo
As atividades mineradoras desenvolvidas na região, como as de calcário e carvão mineral, podem causar a poluição dos rios e das águas subterrâneas, pois os resíduos gerados e os produtos químicos usados na mineração podem contaminar a água. Além disso, a extração desses recursos exige a retirada da vegetação e de grandes quantidades de terra, o que favorece a erosão do terreno.
Outra situação relacionada aos impactos ambientais no campo é a poluição das águas e do solo causada pelo uso de pesticidas. De acordo com o IBGE, mais da metade das propriedades que praticam agricultura no Sul utilizam pesticidas em suas plantações.
Quando os pesticidas são usados de forma inadequada, podem contaminar rios e lagos, tornando a água imprópria para o uso e o consumo. Além disso, a vegetação e os animais aquáticos, como peixes, também são prejudicados.
VOCÊ DETETIVE
Mina de calcário em Almirante Tamandaré (PR), em 2025.
Pesticida: produto químico usado para combater insetos, fungos e outras ameaças à plantação.
1 Vocês conhecem outros problemas ambientais que acontecem no campo no estado onde moram?
a) Escolham uma atividade econômica desenvolvida no campo no estado onde vocês moram.
b) Identifiquem onde essa atividade econômica acontece e o que ela produz.
c) Façam uma lista dos impactos ambientais que ela causa, como desmatamento, contaminação do ar, da água e do solo e prejuízo à biodiversidade.
d) Organizem um cartaz explicando a atividade econômica escolhida, seus impactos ambientais e como esses impactos podem ser diminuídos.
Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
Organize-se
24/09/2025 13:56 87
• Cartolina ou papel kraft
• Folhas de papel sulfite A4
• Canetinhas, pincéis e lápis de cor
ENCAMINHAMENTO
Questione o que está retratado na imagem e qual é a relação dessa situação com as ideias trazidas pela leitura. Explique aos estudantes que, embora as atividades econômicas sejam importantes, sociedade, governo e empresas devem estabelecer medidas e estratégias que amenizem danos ambientais causados pela ação humana. Uma possibilidade é recuperar, por meio de reflorestamento, as áreas degradadas.
Para o desenvolvimento da atividade do Você detetive, converse com a turma sobre atividades econômicas realizadas no campo do estado onde vocês moram que causem danos ambientais.
Depois de escolhida a atividade econômica, auxilie-os no levantamento dos impactos ambientais causados. É possível conduzir um momento para pesquisa coletiva na sala de informática para os grupos identificarem o que se pede da atividade econômica por eles escolhida. Para a criação do cartaz, disponibilize os materiais e organize o espaço adequado para o desenvolvimento das produções. Nesse momento, os estudantes podem pesquisar medidas para mitigar os problemas ambientais, como fiscalização do uso de pesticidas pelas autoridades, estudo de impacto ambiental antes da instalação de áreas de mineração, replantio de vegetação nativa desmatada, entre outras. Possibilite a cada grupo fazer as trocas de suas reflexões com o grande grupo.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.
ENCAMINHAMENTO
1. Espera-se que os estudantes compreendam que a criação dessa data tem como objetivo preservar e valorizar as línguas de imigração e tradições culturais ainda presentes na região Sul, mesmo que de modo remanescente. As respostas podem destacar ainda a importância da data para: fortalecer identidades locais, especialmente em comunidades rurais; reconhecer a herança cultural dos imigrantes que ajudaram a formar o Brasil; promover o respeito à diversidade linguística, mostrando que a coexistência de diferentes línguas e culturas enriquece a sociedade; e conscientizar sobre a preservação cultural, já que muitas dessas línguas e costumes correm risco de desaparecer.
Diversidade cultural no campo
Na região Sul, é no campo que as tradições, os costumes e a arte de diferentes grupos e comunidades tradicionais ainda são mais presentes e celebrados.
Descendentes de imigrantes italianos durante a 37a Semana Cultural Italiana, no distrito de Vale Vêneto, em São João do Polêsine (RS), em 2022.
Exemplos disso são as línguas faladas pelas populações rurais da região trazidas por seus antepassados, que imigraram para o Brasil para trabalhar no campo. Algumas delas, conhecidas como línguas de imigração, são o pomerano, o talian e o hunsriqueano.
Em alguns municípios da região, essas línguas são ensinadas junto à língua portuguesa. No município de Pomerode (SC), por exemplo, são ensinados também o pomerano e o alemão.
O talian, com origem nas variedades do italiano, tem um dicionário próprio usado no município de Serafina Corrêa (RS). Além disso, é língua cooficial em outros municípios da região Sul.
Já o hunsriqueano se originou do contato do dialeto alemão hunsrückisch com a língua portuguesa aqui no Brasil.
Atualmente, essas línguas são faladas tanto no espaço rural quanto no urbano, mas são utilizadas com mais frequência no campo.
Essa herança linguística e cultural dos imigrantes foi reconhecida oficialmente no estado do Rio Grande do Sul, que instituiu a data de 21 de fevereiro como o Dia Estadual da Língua Materna e das Línguas e Culturas Locais.
1 O Dia Estadual da Língua Materna e das Línguas e Culturas Locais, do Rio Grande do Sul, coincide com o Dia Internacional da Língua Materna, definido pela Unesco.
• Em sua opinião, por que é importante celebrar esse dia?
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes concluam que a celebração é importante para preservar as línguas e as culturas e valorizar a diversidade e a identidade.
Texto de apoio
Esse dia [Dia internacional da língua materna] foi aprovado na Conferência Geral da Unesco de 1999 e tem sido observado em todo o mundo desde 2000. [...]
As sociedades multilíngues e multiculturais existem por meio de suas línguas, que transmitem e preservam conhecimentos e culturas tradicionais de forma sustentável. A diversidade linguística está cada vez mais ameaçada, à medida que mais e mais línguas desaparecem.
Em âmbito mundial, 40% da população não tem acesso à educação na língua que fala ou entende. No entanto, avanços estão sendo realizados na educação multilíngue, e cada vez mais aumenta a compreensão sobre sua importância, particularmente na educação infantil, além do maior comprometimento com seu desenvolvimento na vida pública. UNESCO. Dia internacional da língua materna. c2025. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/days/mother-language. Acesso em: 9 set. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
A diversidade cultural no campo da região Sul favorece o crescimento do turismo rural. Essa atividade econômica aproveita a beleza das paisagens naturais e valoriza tradições e costumes locais, como festividades e culinária típica. O turismo rural colabora com a economia e o desenvolvimento local e favorece a preservação das tradições e o sustento da população dessas localidades. A colônia Witmarsum, no município de Palmeira (PR), recebe muitos turistas atraídos por paisagens do campo e pela história e cultura dos moradores. A região recebeu imigrantes europeus, especialmente russos-alemães, e é possível perceber sua influência cultural no modo de vida, nos costumes e na culinária, que inclui o pão no bafo, prato tombado como patrimônio imaterial do município. O prato é uma combinação de carne suína e pão fermentado, cozidos no vapor da própria carne.
Na colônia Witmarsum também fica a casa principal da antiga Fazenda Cancela, que é tombada como patrimônio histórico do estado. Nesse local funciona o Heimat Museum Witmarsum, um museu onde é possível aprender sobre como era a vida das pessoas que viviam na região no passado.
2 Você conhece tradições, costumes, artes ou festividades presentes na área rural de seu lugar de vivência? Faça uma pesquisa a respeito do tema.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
VOCÊ DETETIVE
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1. Escolha um lugar de seu estado onde ocorre o turismo rural. Pesquise em meios digitais como ele é, o que as pessoas podem fazer no local, quais comidas típicas existem e quais festas acontecem. Depois, prepare um folheto e uma apresentação, como se você fosse um guia turístico.
Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
ENCAMINHAMENTO
Explique que os russos-alemães eram menonitas, um grupo religioso cristão originado na Europa no século XVI. Devido às perseguições sofridas durante o século XX, muitos migraram para a América em busca de melhores condições de vida. Outra característica dessa comunidade é o uso de diferentes línguas no dia a dia. Além do português, muitas pessoas ainda falam alemão e Plautdietsch, um idioma de origem alemã comum entre os menonitas. Essas línguas fazem parte da cultura e da história do povo
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menonita, e mantê-las vivas é uma forma de preservar os laços com seus antepassados. 2. Convide os estudantes a relatar experiências em que tenham realizado um passeio no campo. Comente que muitos desses locais são formas de nos aproximarmos da cultura de povos imigrantes. A pesquisa pode ser feita por meio de sites ou de entrevistas com moradores da área rural do município.
Para realizar a atividade do Você detetive, organize os estudantes para que escolham um local de turismo rural em seu estado. Oriente-os a realizar a pesquisa em fontes di-
gitais confiáveis, como sites de secretarias de turismo, cultura ou agricultura, e incentive a verificação das informações em mais de uma fonte. Eles devem levantar dados sobre como é o local, o que as pessoas podem fazer lá, quais comidas típicas e festividades fazem parte da experiência turística e quais elementos históricos ou culturais estão preservados. Disponibilize uma lista prévia de sites oficiais, como os de secretarias de turismo ou de cultura, e identifique com eles características que permitem reconhecer informações confiáveis.
Trabalhe em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa a fim de explicitar as características do gênero textual folheto. Mostre modelos de folhetos impressos ou digitais e destaque suas características: título atrativo, uso de imagens e informações curtas e objetivas.
Em seguida, cada grupo apresentará o folheto em sala de aula, simulando o papel de um guia turístico que apresenta o local para visitantes. Isso contribuirá para o desenvolvimento da oralidade e da organização de ideias.
BNCC
(EF03CO07) Utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para pesquisar e acessar informações.
Pão no bafo, receita de origem russo-alemã.
Heimat Museum, na Colônia Witmarsum, em Palmeira (PR), em 2025.
BNCC
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Inicie uma conversa enfatizando que a desigualdade no campo acontece porque alguns grupos têm muita terra, acesso a máquinas modernas, investimentos e boas estradas para escoar sua produção, enquanto outros, muitas vezes, têm pouca ou nenhuma terra, trabalham para os outros, têm dificuldades para conseguir água, energia elétrica, internet, ou para vender o que plantam.
Durante a leitura do texto, ressalte o conceito de latifúndio com base na observação da imagem e na definição de hectare.
Os estudantes podem ter dificuldade para compreender a unidade de medida de metros quadrados e de hectare. Para facilitar a compreensão, esse conteúdo pode ser desenvolvido de forma interdisciplinar com Matemática, utilizando elementos próximos da realidade dos estudantes (como a área ocupada pela escola ou por um campo de futebol) para construir aproximações com a medida hectare.
A desigualdade no acesso à terra é um problema antigo no Brasil e está presente em todas as regiões do país. A atual distribuição desigual das terras está ligada ao regime escravagista, à produção agrícola baseada na grande propriedade e ao processo de ocupação do território ao longo da história. Todas essas características limitaram ou impediram o direito às terras das pessoas mais pobres, dos povos indígenas e dos africanos e seus descendentes. Isso se reflete no modo como as terras estão divididas ainda hoje.
grande fazenda no Brasil no século 19.
Atualmente, existem propriedades rurais de tamanhos bem diferentes no território brasileiro. Algumas são muito grandes, com mais de 2 500 hectares, equivalente a 3 500 campos de futebol. Por outro lado, há propriedades menores, com até 50 hectares, que equivalem a 70 campos de futebol.
Hectare: unidade de medida de área muito utilizada para medir estabelecimentos rurais. Equivale a 10 000 m².
De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, 81 de cada 100 estabelecimentos agropecuários brasileiros tinham até 50 hectares; no entanto, eles ocupavam uma pequena parte da área total. Apesar de haver uma quantidade menor das propriedades com mais de 2 500 hectares, elas ocupavam uma porção significativa da área total. Isso revela uma grande concentração de terras.
Texto de apoio
Ao longo dos últimos cinco séculos, algumas leis foram determinantes para forjar a organização fundiária do Brasil. A Sesmaria foi um instituto jurídico português que normatizava a distribuição de terras destinadas à produção agrícola, que foi transplantado para o Brasil em 1531. A sua principal função era estimular a produção e isso era patente no seu estatuto jurídico. Buscava-se garantir o uso produtivo da terra e o sucesso do esforço de povoamento. Foi, portanto, um viabilizador do processo de apropriação do território brasileiro. Além das Sesmarias, houve a “brecha camponesa”, que foi a concessão de pequenos lotes de terra aos escravizados para produzir gêneros agrícolas voltados para subsistência e para o mercado interno.
Em 1850, a Lei de Terras (Lei n. 601, de 18.09.1850) foi a primeira iniciativa no sentido de organizar a propriedade privada no Brasil e a dispor sobre o direito agrário. No caso de posse, regularizaram-se todas as terras cultivadas.
Interior da Fazenda do Governo, de Victor Frond, cerca de 1861. Litografia, 40 cm × 50 cm. A obra de arte retrata uma
A região Sul apresenta uma distribuição menos desigual de terras que o restante do Brasil. No Censo Agropecuário de 2017, as grandes propriedades da região, com mais de 2 500 hectares, ocupavam uma área total menor do que as pequenas propriedades, que têm área de até 50 hectares. Esses dados revelam que a região Sul do Brasil apresenta grande quantidade de pequenas propriedades e que, somadas, elas ocupam uma área maior que a dos latifúndios. Essa estrutura fundiária é também reflexo das políticas de distribuição de pequenos lotes de terra para os imigrantes europeus feita pelo governo brasileiro nos séculos 19 e 20.
Estrutura fundiária: forma como as terras estão distribuídas em determinado local.
Tempora mutantur, de Pedro Weingärtner, 1898. Óleo sobre tela, 110,3 cm × 144 cm. A tela de Pedro Weingärtner retrata um casal de colonos europeus trabalhando em uma propriedade rural da região Sul no século 19.
O Centro-Oeste é a região brasileira com a distribuição de terras mais desigual, onde poucas pessoas são donas de áreas muito grandes. No Censo Agropecuário de 2017, as grandes propriedades da região ocupavam mais da metade da área total, ao passo que as pequenas propriedades correspondiam a uma área bem menor.
Essa estrutura fundiária do Centro-Oeste é reflexo do histórico de ocupação da região, que ocorreu devido à expansão das criações de gado em grandes áreas. Além disso, a atual produção voltada à exportação de gêneros agrícolas, como a soja e o milho, e de carne bovina em grandes propriedades intensificou a concentração de terras na região.
1 Quais são as razões da alta concentração de terras na mão de poucas pessoas no Brasil? Anote no caderno.
Apresente o quadro de Pedro Weingärtner, oriente os estudantes a observar os elementos visuais e questione-os: quem aparece na obra? O que eles estão fazendo? Como é a paisagem? Como a cena ilustra a presença de imigrantes europeus no campo sulista? Explique que a pintura ajuda a compreender como os imigrantes se inseriam no processo de ocupação da terra. Peça que relacionem a imagem ao texto e questione: como a chegada dos imigrantes europeus ajudou a moldar a estrutura fundiária do Sul?
Ao continuar a leitura da página, comente que, para incentivar a produção agropecuária em larga escala no Centro-Oeste, o governo ofereceu ajuda aos produtores, como empréstimos e isenção de impostos, para que produtores rurais acessassem as terras e se instalassem na região. Em razão desse forte incentivo estatal, muitas pessoas de outras partes do Brasil, e especialmente do Sul, migraram. Um exemplo disso é o município de Sinop, em Mato Grosso, criado por migrantes do Paraná.
Os estudantes devem apontar que a distribuição de pequenos lotes de terra aos imigrantes europeus foi um fator importante para que a estrutura fundiária da região Sul fosse menos desigual. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Por quais motivos a região Sul apresenta uma estrutura fundiária menos desigual que o restante do Brasil? Anote no caderno.
24/09/2025 13:56 91
A Lei também determinou a permissão de venda de terras aos estrangeiros e […] dificultou o acesso à terra por parte da população indígena, africana e de seus descendentes, produzindo desigualdades presentes até os dias atuais no espaço rural brasileiro.
Ao Estado, estabeleceu o direito de reservar terras para a colonização indígena, para a fundação de povoamentos, para a abertura de estradas etc. Em 1946, a Constituição dos Estados Unidos do Brasil foi a primeira a tratar das terras devolutas como uma espécie de terra pública.
Em 1964, com o Estatuto da Terra […], o Estado passava a garantir o direito ao acesso à terra para quem nela trabalhava, trazendo a ideia de justiça social e função social da terra. Ele deu origem a uma vasta gama de leis que regulamentam a reforma agrária, salário mínimo, moradia rural, colonização, o uso temporário do solo, a posse e a política agrícola tributária.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas do espaço rural brasileiro. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. p. 46.
1. Aproveite para retomar aspectos históricos da ocupação territorial, tecendo uma reflexão sobre a mão de obra escravizada em larga escala, o que reforçou a concentração de terras; a longa permanência de práticas de latifúndio com monoculturas voltadas à exportação; a expansão das criações de gado em grandes áreas, que manteve a posse de terras concentrada; e a ausência de uma reforma agrária efetiva.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.
ENCAMINHAMENTO
Neste capítulo, o espaço urbano no Sul é explorado sob as seguintes perspectivas: urbanização, instalação de infraestrutura, transformações da paisagem por diversas atividades, organização das cidades em rede e construção de espaços de memória.
Comece a aula escrevendo na lousa cidade e construa um acróstico com a turma com palavras que remetam a características desse espaço (C: construções, comércio; I: indústria, internet; D: deslocamento; A: avenidas, apartamentos; D: desenvolvimento, diversidade; E: empregos, escolas).
Organize a leitura do texto e elucide o conceito de urbanização. Analise a paisagem de Curitiba, retratada na fotografia, que é a cidade mais populosa da região, e questione: quais são as outras duas cidades mais populosas do Sul? Citeas para a turma: Porto Alegre (RS) e Joinville (SC), que não corresponde à capital catarinense, como seria de esperar, já que as capitais de estado são a sede do governo e concentram a gestão pública, o que acaba atraindo mais pessoas.
1. Discuta com a turma os motivos que influenciam o processo de urbanização, como a maior disponibilidade de empregos distribuídos por mais setores, maior acessibilidade a serviços públicos básicos, como saúde e educação, além da diversificação da atividade comercial, industrial, financeira e de serviços.
CIDADES NO SUL 2
1. A maior parte da população deixou a área rural e passou a viver em cidades.
Na paisagem da cidade , há maior concentração de pessoas e de construções do que na área rural. A cidade também é chamada espaço urbano
Atualmente, a região Sul apresenta uma população predominantemente urbana. De cada 100 pessoas que moram na região, 88 vivem no espaço urbano. O processo de urbanização da região ganhou força a partir da segunda metade do século 20.
Urbanização é o processo de crescimento das cidades e o aumento da população que vive no espaço urbano em relação à população que vive no espaço rural.
As cidades começaram a atrair moradores do campo por oferecerem mais oportunidades de emprego, impulsionadas pela industrialização, além de maior acesso a mercadorias e serviços como saúde e educação. O avanço da tecnologia e o aumento do uso de máquinas nas atividades do campo fizeram com que muitos trabalhadores rurais perdessem seus empregos e decidissem buscar trabalho e melhores condições de vida nas cidades da região Sul. Essa migração é chamada êxodo rural.
1 Por que muitas pessoas decidiram sair do campo e ir morar nas cidades?
Espera-se que os estudantes apontem a busca por oportunidades de emprego e maior acesso a serviços essenciais.
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Atividade complementar
Organize uma atividade prática de construção coletiva com blocos de montar. Organize a turma em pequenos grupos e apresente a seguinte situaçãoproblema: “A população das cidades está aumentando. Muitas pessoas estão deixando o campo para ir à cidade em busca de novas oportunidades. Imaginem que vocês precisam construir uma cidade, utilizando peças de encaixe para representar a infraestrutura necessária para acomodar todos os migrantes e deixar espaço para as pessoas que ainda vão se mudar para essa cidade, motivadas pela qualidade de vida que ela proporcionará. Como vocês vão organizar os espaços de moradia, de trabalho, de lazer e de proteção da natureza? Como vão garantir que a cidade ainda poderá crescer no futuro?”. Entregue a cada grupo uma quantidade de blocos de montar, representando os recursos disponíveis para planejar e organizar o espaço urbano. Após a construção da cidade, incentive cada grupo a dialogar sobre as estratégias que utilizaram para estruturar o crescimento do espaço urbano.
Edifícios em Curitiba (PR), em 2023. Curitiba é a maior cidade da região Sul.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1. Incentive os estudantes a comentar aspectos da infraestrutura da cidade do município onde vivem. Eles podem fazer comentários a respeito do acesso ao saneamento básico, do
Infraestrutura urbana
transporte público coletivo, das vias pavimentadas, da iluminação pública, entre outros.
O maior acesso a infraestrutura, moradia e empregos é um fator que levou pessoas que viviam no campo a ir para as cidades. Serviços e equipamentos como saneamento básico, transporte público, energia elétrica, limpeza e iluminação públicas e ruas pavimentadas fazem parte da infraestrutura urbana, ou seja, elementos que ajudam a cidade a funcionar de forma organizada.
Saneamento básico é o conjunto de serviços que envolve coleta de lixo, coleta e tratamento de esgoto, limpeza das ruas, abastecimento de água para consumo e manejo da água das chuvas.
Em 2022, aproximadamente 64 em cada 100 moradias da região Sul eram atendidas por rede de coleta de esgoto, e 91 em cada 100 tinham acesso a rede de abastecimento de água. Esses dados mostram que o índice de coleta de esgoto ainda precisa melhorar. No mesmo ano, 95 em cada 100 moradias apresentavam coleta de lixo.
Algumas cidades da região Sul são referência de mobilidade urbana O sistema de transporte público de Curitiba é reconhecido internacionalmente por sua eficiência. Curitiba foi uma das primeiras cidades do Brasil a implantar faixas exclusivas para ônibus, tornando-se um modelo para outras cidades do país.
Mobilidade urbana é a capacidade das pessoas de se deslocar nas cidades.
1 Converse com os colegas a respeito da infraestrutura urbana da cidade do município onde vocês vivem.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a temática questionando os estudantes: o que vocês entendem como qualidade de vida? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida é a maneira como as pessoas se sentem em relação à própria vida, se estão felizes, seguras, com oportunidades de aprender, trabalhar, ter lazer e cuidar da saúde. Comente que a qualidade de vida depende de vários fatores e pode variar de pessoa para pessoa. Mas quando falamos de qualidade de vida nas cidades, nos referimos à garantia de acesso
Brasil a implantar faixas exclusivas para ônibus, tornandose um modelo para o país.
1. Espera se que os estudantes citem a presença de serviços e construções que fazem a cidade funcionar, como: ruas asfaltadas, calçadas, praças, escolas, hospitais, postos de saúde, terminais e estações de transporte público, estabelecimentos comerciais organizados em galerias ou grandes edifícios, fábricas, prédios e condomínios residenciais, iluminação pública, coleta de lixo, abastecimento de água, saneamento e rede elétrica. Podem também indicar áreas de lazer, espaços culturais e segurança pública. Caso perceba estudantes citando apenas objetos isolados (carros, bicicletas) sem relacioná los à ideia de infraestrutura, ajude os a relacionar esses objetos às construções necessárias para que possam ser usados pela população. Selecione previamente imagens para apoiar a ideia de pensar em estruturas viárias, terminais, estações e outros elementos que são implantados e distribuídos no espaço para viabilizar a circulação.
25/09/2025 15:54
a educação, saúde, moradia, emprego, saneamento básico e lazer, principalmente. Comente que os serviços essenciais e os espaços comunitários precisam ser pensados e bem distribuídos territorialmente para melhor atender a população. Organize a leitura do texto, de maneira compartilhada, reforçando a compreensão dos conceitos de infraestrutura urbana, saneamento básico e mobilidade urbana.
Durante a análise das fotografias, comente que o sistema de transporte público de Curitiba é reconhecido internacionalmente por sua eficiência e foi um dos primeiros municípios do
Gari realizando limpeza pública em Joinville (SC), em 2025.
Ônibus biarticulado parado em terminal tubular em Curitiba (PR), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparandoos a outros lugares.
(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.
ENCAMINHAMENTO
Providencie previamente fotografias de locais conhecidos do município e inicie a aula sensibilizando os estudantes para o tema. Questione os: vocês já viram fotografias antigas do lugar onde vivem? Em caso afirmativo, que mudou de lá para cá? Organize a leitura coletiva do texto, enfatizando que as transformações na paisagem se intensificam à medida que a população aumenta e as atividades econômicas se desenvolvem naquele espaço.
1. É preciso buscar reconhecer elementos nas duas fotografias para perceber o que está ou não em ambas e, desse modo, caracterizar o que configura mudanças nessa paisagem.
2. Os estudantes podem mencionar que ainda permanecem construções e ruas pavimentadas com disposição similar à paisagem antiga. Permanecem alguns edifícios altos já presentes em 1970 e parte da área verde que está em segundo plano.
Urbanização e transformação das paisagens
A urbanização causa transformações nas paisagens de maneira bastante significativa. A vegetação nativa é retirada para dar lugar a casas, prédios e ruas. O solo passa por um processo de impermeabilização, para facilitar a circulação de veículos automotores. Alguns rios que atravessam as cidades são canalizados para controlar o curso da água e abrir espaço para construções. Todas essas ações causam impactos ambientais.
Impermeabilização: processo que impede que a água atravesse uma superfície.
As cidades da região Sul cresceram gradativamente ao longo do século 20 e suas paisagens também sofreram transformações. Compare estas imagens.
Vista aérea da região central e da Avenida Brasil, em Cascavel (PR), na década de 1970.
1. Os estudantes podem apontar a construção de muitos edifícios altos nos quarteirões vizinhos da avenida. Também houve o plantio de árvores no canteiro central da avenida e a construção de uma ciclofaixa nele. Por fim, podem apontar o aumento do fluxo de veículos.
Vista aérea da cidade de Cascavel (PR), em 2022.
1 Quais mudanças são visíveis nessa localidade ao longo do tempo?
2 Quais elementos permaneceram na paisagem ao longo do tempo?
Veja sugestão de resposta e mais orientações no Encaminhamento. 94
94
Atividade complementar
Proponha à turma a elaboração de um álbum de fotografias do espaço urbano do município onde vivem contendo legendas explicativas, pequenos textos comparativos e até depoimentos de familiares ou moradores mais antigos, valorizando a memória e as diferentes perspectivas sobre o mesmo espaço urbano. Solicite aos estudantes que concentrem na mesma página do álbum imagens antigas e atuais dos locais de interesse da turma, favorecendo a visualização comparada do antes e depois das paisagens. Desse modo, podem perceber como as transformações vão se evidenciando.
Cada estudante pode incluir uma fotografia antiga dos espaços urbanos usando o acervo da família ou buscar referências em acervos públicos, arquivos digitais ou sites oficiais que reúnem registros históricos. Por meio de ferramenta de mapas digitais, a turma pode fazer o comparativo da transformação local virtualmente com imagens digitais. Outra possibilidade é organizar uma saída de campo para que os estudantes tirem novas fotografias dos lugares escolhidos.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
3. Espera-se que os estudantes apontem que é possível perceber o surgimento de construções nas áreas próximas aos limites da mancha urbana e que a cidade cresceu ao longo dos anos.
Estas imagens de satélite mostram o crescimento da mancha urbana no município de Balneário Camboriú, no litoral do estado de Santa Catarina.
Mancha urbana é a área em que há concentração de construções da cidade e onde a circulação de pessoas e mercadorias é mais intensa.
As imagens de satélite mostram a mancha urbana de Balneário Camboriú (SC) em 1985, 1995, 2010 e 2020.
3 Quais são as diferenças entre as quatro imagens de satélite de Balneário Camboriú (SC)? Anotem a resposta no caderno.
4 Quais transformações vocês acham que ocorreram na paisagem de Balneário Camboriú (SC)? Anotem a resposta no caderno.
Espera-se que os estudantes respondam que a urbanização de Balneário Camboriú acarretou a retirada da vegetação nativa, a impermeabilização do solo e a construção de novos edifícios. 95
Sugestão para o professor
ENCAMINHAMENTO
25/09/2025 21:39 95
RETRATOS do Camboriú: documentário. Publicado por: Observatório de Interações no Ambiente. 2021. 1 vídeo (ca. 23 min). Disponível em: https://www.youtube.com/live/51IAUDsbYuc. Acesso em: 14 set. 2025.
O documentário descreve o curso do Rio Camboriú até a foz com grande riqueza de detalhes, revelando a íntima relação entre o rio, a cidade e a vida das pessoas que ali habitam. O foco no rio não deixa de dar visibilidade ao entorno ocupado e transformado pelo crescimento urbano. Com uma narrativa imagética sensível, apresenta o rio como um patrimônio natural e cultural, essencial para compreender a identidade local. Ao mesmo tempo, permite refletir sobre as tensões entre conservação ambiental e expansão urbana.
Comece preparando o olhar dos estudantes para a análise das quatro imagens de satélite. Orienteos a identificar elementos comuns a todas: o mar à direita, as faixas de praia, o contorno do litoral, os morros, a cobertura vegetal em tons de verdeescuro e as áreas construídas em tons de cinza. Oriente os a observar direções do crescimento (ao longo da praia e em direção aos vales), processos observados (espraiamento e adensamento da ocupação) e áreas estáveis (morros e vegetação). A comparação entre os anos evidencia como a mancha urbana cresceu, adensou e se conectou a áreas adjacentes. 4. Na imagem de 1985, observase o contorno da área construída mais contínua, concentrada junto à orla da praia e à desembocadura do rio. Oriente que comparem o contorno feito antes com o que aparece na imagem de 1995. Eles devem identificar o alongamento da mancha urbana ao longo das praias e sinais de espraiamento no interior dos vales, acompanhando o curso dos rios. Na imagem de 2010, além das junções entre manchas, ocorreu o adensamento de construções na orla e o avanço para o interior do continente, ocupando fundos de vale. Em 2020, a mancha urbana estava mais extensa e contínua ao longo da baía e mais difundida para o interior, com poucos intervalos entre os trechos construídos.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a abordagem solicitando aos estudantes que, em duplas, leiam os balões em voz alta. Aproveite o momento para explorar a interdisciplinaridade com Língua Portuguesa, caracterizando o gênero textual histórias em quadrinhos. Estimule os estudantes a associar as compreensões das linguagens verbal e não verbal. Sugira a leitura dos quadrinhos mais de uma vez para apoiar os estudantes com dificuldade.
Em seguida, questioneos: onde a irmã do menino foi estudar? Onde a curitibana que conversa com a irmã do menino mais costuma ver pessoas de fora da capital? Quais motivos fazem as pessoas se deslocar para a capital paranaense? Os estudantes devem perceber que as falas expõem necessidades e motivos concretos: estudo, serviços médicohospitalares, trabalho e relações familiares. Explique que a rede urbana é como uma teia de cidades ligadas entre si por vias e serviços de transporte e pela movimentação de pessoas, mercadorias e dinheiro. Mostre que, nos quadrinhos, personagens de distintas origens se referem a deslocamentos para Curitiba, o que exemplifica essa profunda e dinâmica interligação urbana e demonstra a polarização exercida pela capital paranaense, isto é, sua centralidade em relação às demais cidades do estado.
Questione: todas as cidades oferecem os mesmos serviços? Peça aos estudantes que respondam usando os exemplos das cidades cita
Rede urbana do Sul
As cidades da região Sul estão interligadas em uma rede urbana e exercem influência umas sobre as outras. Nessa rede de cidades, há uma hierarquia urbana. Metrópoles e cidades com grandes populações desenvolvem mais atividades econômicas e dispõem de maior oferta de bens e serviços. O Sul conta com três metrópoles: as capitais Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).
Rede urbana é um conjunto de cidades que apresentam conexões e interagem entre si.
Hierarquia urbana é a ordem de influência das cidades em uma rede urbana. Metrópole é uma cidade de grande porte que apresenta alto poder de atração sobre as populações de cidades próximas.
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DESCUBRA MAIS
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE Cidades. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/. Acesso em: 25 abr. 2025. Nessa página há muitas informações interessantes sobre as cidades da região Sul.
das na história: Palmeira e Curitiba. Eles devem perceber que somente algumas cidades dispõem de ampla oferta de serviços especializados, como é o caso da capital paranaense. Por isso, as pessoas precisam se deslocar até Curitiba, que, entre as cidades com que estabelecem conexões, está em uma posição mais alta na hierarquia urbana, pois concentra serviços diversificados que não há em cidades menores.
Conclua o raciocínio demostrando, desse modo, que Curitiba é uma metrópole: uma cidade de grande porte que atrai pessoas para estudar, trabalhar, buscar atendimento médico, acessar opções de lazer e cultura e manter relações familiares. Os exemplos nos quadrinhos ilustram essa capacidade de atração e concentração de atividades.
Ao explorarem a sugestão do boxe Descubra mais, auxilie os estudantes a utilizar o portal do IBGE indicado para encontrar informações e estatísticas confiáveis de todas as cidades do Brasil. Destaque a confiabilidade dos dados que pesquisamos e a busca em sites de órgãos oficiais e de referência como fontes seguras para o levantamento e a checagem de informações.
1. Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Hierarquia urbana
O esquema e o mapa mostram como está organizada a hierarquia urbana da região Sul.
1 São os principais núcleos urbanos da região.
2 São núcleos urbanos importantes, com grande grau de influência.
3 Exercem influência sobre vários municípios em seu entorno.
4 São cidades de menor porte e que influenciam poucas cidades vizinhas.
5 São cidades de influência restrita aos limites do próprio município.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Regiões de influência das cidades: 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. p. 12.
ATLÂNTICO
Metrópoles
Capitais regionais
Centros sub-regionais Centros de zona
Divisa estadual Fronteira internacional
1 Imaginem que vocês precisam ajudar pessoas de uma pequena cidade na região Sul que buscam atendimento com médicos especialistas.
a) Em quais cidades da região vocês recomendariam que essas pessoas procurassem atendimento? Expliquem o motivo no caderno.
b) Com o auxílio do professor, elaborem um mapa da região Sul com a localização dessas cidades para ajudar as pessoas. Veja sugestões de resposta e mais orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Proponha uma atividade de escrita de cartas sobre as metrópoles brasileiras. Organize a turma em cinco grupos e sorteie as metrópoles do Sul e de outras regiões. Cada grupo vai pesquisar, sob a orientação do professor, dados populacionais, econômicos e territoriais, além de atrações culturais e curiosidades. Com as informações levantadas e selecionadas, os estudantes vão escrever uma carta ao grupo que lhe foi destinado contando suas descobertas. Uma sugestão de organização é: o grupo A endereça sua carta para o grupo B, que, por sua vez, vai escrever para o grupo C, o qual destinará sua carta para o grupo D, cuja carta vai para o grupo E, que remeterá sua carta, por fim, ao grupo A.
Entregue os materiais para a confecção da carta (folha de papel avulsa, canetas, lápis e envelopes) e, antes da redação, relembre as características desse gênero: local, data, saudação, corpo do texto, despedida e assinatura. Durante o momento de leitura, incentive os grupos a escrever uma resposta comentando do que mais gostaram de saber.
Avance na abordagem do tema combinando o objetivo da leitura: diga aos estudantes que eles vão descobrir como as cidades do Sul podem ser ordenadas e classificadas segundo sua centralidade na rede urbana. Comente que a descrição está no esquema e a classificação foi representada cartograficamente, permitindo a visualização da importância relativa de inúmeras cidades da região.
Decodifique com a turma a legenda do mapa, mostrando que a cor e a forma de cada ponto indicam o nível hierárquico: o hexágono vermelho indica metrópole; o quadrado laranja indica capital regional; círculos maiores amarelos e menores verdes indicam, respectivamente, centros sub-regionais e centros de zona. Quanto menor for o símbolo, menor será área de influência.
1. a) Os estudantes devem recomendar que a família procure atendimento em cidades maiores, de nível capital regional ou metrópole, pois essas concentram hospitais de referência, médicos especialistas e serviços de alta complexidade. Espera-se que eles citem Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.
1. b) Oriente os estudantes a fazer o contorno do mapa Sul: hierarquia urbana (2018) em um papel vegetal e a localizar as metrópoles da região: Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Depois disso, oriente-os a completar o mapa com legenda, escala, fonte, título e coordenadas.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Sul: hierarquia urbana (2018)
Trópico de Capricórnio
Curitiba
Porto Alegre Florianópolis
OCEANO
SONIA VAZ
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF03CO07) Utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para pesquisar e acessar informações.
ENCAMINHAMENTO
Ao iniciar a leitura desta página, explique aos estudantes que nas cidades encontramos diferentes atividades econômicas, como indústria, comércio e serviços. Caracterize, de modo simples, a indústria: atividade que transforma matériasprimas em produtos que usamos no dia a dia. Para tornar o conceito mais próximo, peça aos estudantes que citem exemplos de objetos industrializados presentes na sala de aula ou em casa e questione: como são produzidos?
Em seguida, destaque a diferença entre campo e cidade utilizando recursos visuais, como esquemas simples na lousa para tornar o processo claro e acessível com desenho de gado leiteiro → leite → fábrica → caixa de leite → transporte → mercado consumidor.
Na sequência, leia com a turma o texto do tópico Indústria e os exemplos dos estados sulinos, ajudando os estudantes a relacionálos a produtos que conhecem no cotidiano. Questioneos: vocês já viram roupas com etiquetas que trazem o nome de uma cidade? Já ouviram falar de marcas de carros fabricados no Paraná?
Atividades econômicas nas cidades
Diversas atividades econômicas são desenvolvidas no espaço urbano. As principais são a indústria, o comércio e os serviços.
Indústria
A indústria é uma atividade muito importante para a economia da região Sul. No Paraná se destacam indústrias de alimentos, de papel e celulose e de eletrodomésticos. A indústria automobilística também é relevante no estado, e existem fábricas de veículos em cidades como São José dos Pinhais, Curitiba, Campo Largo e Ponta Grossa.
Santa Catarina se destaca na produção industrial de alimentos, máquinas e materiais elétricos, como eletrodomésticos, motores, baterias e cabos elétricos, especialmente na cidade de Jaraguá do Sul. A indústria têxtil também é importante no estado, destacando-se as cidades de Blumenau, Brusque, Jaraguá do Sul e Gaspar.
Indústria automobilística em São José dos Pinhais (PR), em 2023.
O Rio Grande do Sul é forte na produção industrial de alimentos, de máquinas e equipamentos, como tratores e motores, e de produtos derivados de petróleo. As cidades de Caxias do Sul e Santa Rosa são importantes nesse tipo de produção.
Atividade complementar
Leve para a sala de aula vários rótulos e/ou embalagens de produtos industrializados de uso cotidiano e organizeos em uma mesa para que todos possam visualizálos. Em seguida, organize os estudantes em duplas e entregue um para cada dupla, explicando que vão observálo com atenção e responder oralmente ou por escrito algumas perguntas. Para facilitar a participação de quem tem dificuldade de leitura, leia coletivamente os rótulos em voz alta, destacando as informações principais, e incentive um colega a auxiliar o outro na interpretação.
Oriente as duplas a identificar qual é o produto, a observar o que mais chama a atenção no rótulo, a reconhecer o nome da indústria fabricante, a localizar o município e o estado onde essa indústria está, a verificar se está em uma metrópole e a identificar qual é a matériaprima do produto. Reúna a turma em roda para socializar as informações e garantir que todos compreendam a ligação da atividade industrial com o estudo da rede urbana.
Interior de uma indústria têxtil de malhas, em Brusque (SC), em 2025.
Observe no mapa a distribuição espacial das indústrias na região Sul.
Sul: indústria (2022)
PARAGUAI
ARGENTINA
URUGUAI
Porto Alegre
Curitiba
OCEANO ATLÂNTICO Trópico de Capricórn
Explore com a turma a interpretação do mapa Sul: indústria (2022). Oriente a leitura da legenda, destacando que os círculos ordenados em diferentes tamanhos indicam a quantidade de indústrias em cada localidade. Explique que, quanto maior for o círculo, maior será a concentração de parques industriais.
Florianópolis
Número de empresas industriais de transformação por município
Divisa estadual Fronteira internacional
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cadastro Central de Empresas. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://sidra.ibge.gov. br/tabela/9528. Acesso em: 11 jun. 2025.
1 De acordo com o mapa, em quais áreas há maior concentração de indústrias na região Sul? Utilizem as direções cardeais para indicar a localização e anotem no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
VOCÊ DETETIVE
1. Faça uma pesquisa para descobrir se existem indústrias na cidade do município onde você vive ou nas cidades próximas. Selecione uma indústria e utilize o roteiro a seguir.
a) Onde fica a indústria e quantas pessoas trabalham lá?
b) Que tipo de produto é fabricado?
c) Você já utilizou o produto fabricado por essa indústria?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Para revisar os conceitos já abordados, organize os estudantes em duplas e peça-lhes que consultem o livro para listar os tópicos. Cada dupla deve elaborar uma pergunta curta sobre um desses assuntos, registrando-a em um pedaço de folha de papel. Exemplos: quais cidades do Sul são metrópoles? O que muda na paisagem de um município que se urbaniza? Qual é a principal matéria-prima usada na indústria automobilística? O que é infraestrutura urbana?
Recolha as questões e coloque-as em uma caixinha. Organize a turma em roda e coloque uma música para animar a atividade. Deixe a caixinha passar de mão em mão até que a música pare. Quem estiver com a caixinha retira uma questão e a lê em voz alta para que a turma responda coletivamente. Complemente as respostas com explicações e exemplos. A dinâmica é uma maneira lúdica de retomar e consolidar as aprendizagens, garantindo a participação de todos e dando aos estudantes a oportunidade de contribuir na elaboração das respostas coletivas.
1. Os estudantes precisam retomar a noção de orientação por direções cardeais para responder. Espera-se que eles concluam que a atividade industrial é marcante no leste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e no oeste, norte e leste do Paraná. Também podem dizer que ficam próximas às capitais dos estados. Para realização da atividade em Você detetive, é importante o apoio da família para o levantamento, a checagem e a seleção de dados em fontes confiáveis. Se no município não houver parque industrial, oriente-os a escolher um município próximo que seja industrializado. Prepare uma ficha ou um cartaz com pictogramas que representem os itens a serem pesquisados (indústria, trabalhadores, usos do produto) para ajudar os estudantes com dificuldade de leitura. Havendo a possibilidade, organize a visitação a uma indústria.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
ENCAMINHAMENTO
Comece a aula sensibilizando os estudantes para o tema e questione os: se vocês fossem abrir uma loja na área urbana do município, o que venderiam? Deixe que compartilhem as ideias deles e despertem o interesse, além de mobilizar a memória de experiências pessoais relacionadas ao comércio e aos serviços.
Caracterize a atividade comercial como a venda de produtos (como roupas, alimentos e brinquedos) e explique o papel do comércio no desenvolvimento econômico das cidades. Diferencieo da prestação de serviços, que acontece quando um profissional ou uma empresa realiza uma atividade para ajudar o cliente ou paciente em troca de pagamento. Nesse caso, não se entrega um produto, mas sim um trabalho que atende a uma necessidade.
Comente que algumas cidades se destacam nessas atividades, como as capitais estaduais Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). Além delas, cidades como Londrina e Maringá, no Paraná; Itajaí e Blumenau, em Santa Catarina; e Caxias do Sul e Canoas, no Rio Grande do Sul, também concentram muitos comércios e serviços, atraindo a população de municípios próximos.
Para explicar os portos, compareos à porta da casa, por onde entram e saem produtos. Questione os estudantes: que produtos vocês
1. Resposta pessoal. Os estudantes podem citar estabelecimentos comerciais, como lojas e mercados, e algum tipo de prestação de serviço, como empresas de telefonia móvel ou serviços de reparos de automóveis.
Comércio e serviços
O comércio e a prestação de serviços são as atividades econômicas que mais empregam pessoas na região Sul. De acordo com o IBGE, no início de 2025, em cada 100 pessoas ocupadas na região, 68 trabalhavam nesses setores.
O comércio e a prestação de serviços também movimentam grande parte da economia da região Sul, já que de cada 100 reais de riqueza produzidos 63,5 reais são provenientes dessas atividades.
São exemplos de comércio os mercados, as lojas em centros comerciais, as feiras livres e as quitandas, que muitas vezes comercializam produtos vindos diretamente do campo.
Já a prestação de serviços inclui estabelecimentos como salões de beleza, serviços de transporte, pet shops, escolas, consultórios médicos, restaurantes e lanchonetes, entre muitos outros.
Portos
O setor portuário oferece um serviço essencial para a economia da região Sul. Por meio dos portos, é possível enviar produtos fabricados na região para outras partes do Brasil e até para outros países. Também é por eles que chegam mercadorias de fora do Sul.
Na região Sul, os portos que mais se destacam são os de Itajaí e Navegantes (SC), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS).
1 Quais tipos de comércio e serviço existem na cidade do município onde você mora? Cite um exemplo de cada tipo de atividade.
2 Quais são os tipos de serviços mais utilizados pela turma? Converse com os colegas sobre isso.
Resposta pessoal.
100
acham que chegam pelo porto? E o que sai daqui para outras cidades e países? Comente a relevância econômica desse tipo de infraestrutura instalada, que gera renda e empregos e tende a atrair imigrantes.
1. Proponha aos estudantes que listem o comércio e os serviços ofertados próximos à escola. Essa atividade contribui para reconhecer a organização do espaço urbano e refletir sobre o acesso a esses serviços em diferentes áreas da cidade. Para sistematizar a pesquisa e a escrita da lista, organize os estudantes para que façam um croqui da localização dos estabelecimentos comerciais em relação à escola.
2. As respostas podem incluir serviços de saúde (consultas médicas e a dentistas), educação (cursos livres e cursos regulares), transporte público e privado (táxi e carros de aplicativo), serviços domésticos (fornecimento de água tratada e energia elétrica e coleta de lixo), serviços de telecomunicações (telefonia celular e internet) e serviços de cuidados pessoais (cabeleireiros).
15:54
Rua comercial no centro de Porto Alegre (RS), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
25/09/2025
Turismo
1. Respostas pessoais. Estimule os estudantes a mencionar os destinos turísticos e quais atrações turísticas eles visitaram.
Segundo o Ministério do Turismo, a região Sul recebeu mais de 1,3 milhão de turistas estrangeiros em 2024. Muitos dos visitantes são de países da América do Sul, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. Há também visitantes brasileiros de outras regiões.
No Rio Grande do Sul, as cidades gaúchas de Gramado e Canela se destacam internacionalmente como destinos turísticos. Ambas estão situadas na Serra Gaúcha e são conhecidas por seus invernos frios e pela arquitetura inspirada em construções europeias.
Avenida na cidade turística de Gramado (RS), em 2022.
No Vale do Itajaí, em Santa Catarina, cidades como Blumenau e Pomerode atraem turistas por conta da forte influência da cultura alemã, que é percebida na arquitetura, nos museus e em eventos. No litoral, destinos como a capital Florianópolis e Balneário Camboriú se destacam pela excelente infraestrutura, com muitos comércios, restaurantes, opções de lazer e eventos culturais.
Orla da cidade de Balneário Camboriú (SC), em 2024.
No Paraná, um dos principais destinos turísticos é a cidade de Foz do Iguaçu, localizada na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Além de paisagens naturais impressionantes do município, a cidade tem uma ampla infraestrutura hoteleira. Entre os atrativos mais famosos estão o Marco das Três Fronteiras e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo. Outro destaque é o turismo de compras, aproveitando a proximidade com cidades do Paraguai e da Argentina.
do Iguaçu, em Foz do Iguaçu
em 2024.
1 Você já visitou algum destino turístico na região Sul? Se sim, qual motivo levou você a visitar o local?
2 Faça um desenho desse destino turístico no caderno. Depois, mostre seu desenho para os colegas. Produção pessoal. Caso os estudantes não tenham visitado pontos turísticos, auxilie-os na pesquisa de imagens de algum ponto para que possam desenhá-lo.
Sugestão para o professor
BNCC
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula sensibilizando os estudantes para o tema do turismo e questioneos: vocês já viajaram para uma localidade conhecida regional ou nacionalmente? O que viram lá que chamou a atenção? Caso alguns nunca tenham viajado, incentiveos a relatar os lugares que conhecem pela televisão, internet ou por relatos de familiares.
Conduza a leitura guiada das fotografias da página e questione: o que atrai visitantes para esses locais? Ajude os a perceber elementos arquitetônicos, notável beleza natural, praia, parque de diversão, serviços de hotelaria e infraestrutura turística.
Conduza a leitura dos textos. Incentive os estudantes a pensar qual é a relação do turismo com o lazer e a importância desses momentos para favorecer aspectos sociais e afetivos, reforçar o valor dos patrimônios naturais e culturais e impulsionar a economia. Explique que o turismo é uma atividade que gera empregos e movimenta comércio e serviços, como hotéis, pousadas e restaurantes.
25/09/2025 23:08
BRASIL. Ministério do Turismo. Mapa do turismo 2025: programa de regionalização do turismo. Brasília, DF: MTur, c2025. Disponível em: www.mapa.turismo.gov.br/mapa/init.html#/home. Acesso em: 15 set. 2025.
O Mapa do Turismo Brasileiro foi elaborado como um guia das localidades do Brasil mais importantes para receber visitantes. Ele é uma ferramenta para o planejamento de melhorias no turismo em cada região. Nesse portal, é possível consultar um mapa interativo das regiões turísticas oficiais das cinco macrorregiões do país. Ao clicar sobre o grupo de municípios que compõem uma região turística, ficam disponíveis o nome que intitula a região, os certificados e as certidões emitidas pelo governo federal para atestar a categorização de determinado conjunto de municípios na atividade turística do país. Ao selecionar a macrorregião Sul, o usuário verá 60 regiões turísticas para um total de 611 municípios.
1. Liste na lousa espaços urbanos com atrações turísticas que os estudantes visitaram a fim de ampliar o repertório da turma.
2. Reserve um momento para a socialização das produções entre os estudantes a fim de fortalecer o senso de autoria e o reconhecimento de distintas formas de representar um local apenas com a lembrança dele.
Cataratas
(PR),
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Organize a leitura compartilhada do texto. Destaque o trecho que reforça o fato de pessoas negras e indígenas terem lutado contra diferentes formas de opressão, a exemplo da primeira engenheira negra do Brasil, homenageada com uma estátua no Paraná.
Conclua com esta ideia: monumentos e estátuas também são mensagens sobre os valores e as trajetórias de vida que uma sociedade escolhe lembrar e valorizar.
Questione: quais personalidades negras e indígenas são ou foram destaque na comunidade local? Leve-os a refletir sobre a condição de grupos sociais vulneráveis na comunidade e sobre o que cabe a cada um de nós fazer para contribuir com o respeito a todas as pessoas e a valorização genuína da diversidade.
Espaços de memória nas cidades
Estudamos que nas cidades existem diversos espaços de memória, como praças, estátuas e nomes de ruas. Esses espaços podem contar a história de uma comunidade, valorizando acontecimentos históricos, pessoas ou movimentos sociais importantes para a formação da região.
Atualmente, busca-se dar mais visibilidade a personagens históricos que foram marginalizados ao longo do tempo, como pessoas indígenas e negras. Muitas dessas pessoas lutaram contra diferentes formas de opressão e desigualdade nesses espaços de memória. É uma forma de valorizarmos a luta pela cidadania e pela igualdade no país.
Em 2024, por exemplo, a prefeitura de Curitiba inaugurou no centro da cidade a estátua de Enedina Alves Marques (1913-1981). Enedina nasceu em Curitiba e foi a primeira engenheira negra do Brasil, formando-se em Engenharia Civil em 1945.
em 2025.
Enedina se sobressaiu nos estudos, ingressando na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná em 1940. Na época, cursos como engenharia eram ocupados, em sua maioria, por homens brancos. Em 2023, Enedina foi registrada no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, onde se encontra uma lista com personagens importantes para a história do Brasil.
Texto de apoio
O que torna a História uma ciência e disciplina é o trabalho do historiador frente aos acontecimentos. O meio em que vivemos traz marcas do passado, a história está presente em todos os espaços, e é por meio dela que construímos nossas representações de símbolos e entendimentos cotidianos. Ensinar História para crianças começa a partir do pressuposto de que professores e alunos fazem parte da história como sujeitos, estão na escola, e o ensino se dá a partir de um currículo que não é neutro [...].
Trata-se, portanto, de uma perspectiva que visa a reconstrução do ato de ensinar e aprender História a partir do estudo da historicidade dos sujeitos do processo, das relações das diferentes temporalidades e da diversidade das realidades histórico-culturais.
[...]
A formação do aluno/cidadão [...] começa a se desenvolver ao longo de toda a vida do aluno, tanto no espaço escolar quanto fora dele.
Estátua de Enedina Alves Marques, localizada no centro de Curitiba (PR),
Em Santa Catarina, podemos destacar a presença de homenagens em espaços públicos a Antonieta de Barros (1901-1952). Nascida em Florianópolis, ela trabalhou como professora e jornalista e foi a primeira mulher negra eleita para um cargo público na história do Brasil. Em 1935, assumiu o mandato de deputada estadual por Santa Catarina.
Diversas ruas, escolas e até prédios da prefeitura de Santa Catarina receberam o nome de Antonieta de Barros para homenageá-la.
1 Em seu lugar de vivência, há algum espaço que busque valorizar a memória de pessoas negras? Explique a importância de valorizarmos essa memória.
VOCÊ DETETIVE
Veja mais orientações no Encaminhamento.
1. Pesquise nomes de praças, ruas, hospitais e outros espaços públicos próximos à escola. Escolha dois desses espaços (você pode incluir sua escola entre eles) e busque as seguintes informações sobre os nomes deles.
a) Em caso de nome de uma pessoa, busque quem foi ela, quando nasceu, profissão e contribuição para a comunidade.
b) Em caso de um evento histórico, busque informações sobre esse evento.
c) Por que o espaço tem esse nome.
1. Resposta pessoal. Nesse momento, inicie um diálogo em sala de aula sobre a importância dos povos africanos e de seus descendentes na formação das culturas brasileiras e, por consequência, do Sul do Brasil. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Avance com a turma na abordagem dos espaços de memória e questione: vocês conhecem mulheres negras homenageadas em nosso estado ou município?
25/09/2025 15:54
Dessa forma, os professores devem considerar como fontes para se ensinar História todos os veículos materiais que possam dar subsídios para se construir conceitos e aprendizagens. O professor, ao ampliar suas fontes e modificar as dinâmicas em sua prática de ensino, possibilita o confronto e o debate de diferentes saberes. As mudanças devem vir acompanhadas de significados e melhorias, cultivando uma atitude reflexiva e incentivando o pensamento crítico [...].
A História se preocupa com a compreensão das experiências humanas ao longo do tempo, do entendimento da existência de diversas maneiras de relações, pensamento e vivências. Assim, o estudo de História desde os primeiros anos de escolaridade é importante para que a criança possa conhecer e perceber os grupos e as diversidades que levem à compreensão das relações e das modificações sociais ocorridas ao longo do tempo. [...]
RUCKSTADTER, Vanessa Campos Mariano; MARCOLINO, Gabrieli de Assis. O museu como possibilidade no ensino de História nos anos iniciais do ensino fundamental: uma revisão integrativa de literatura. Pedagógica, Chapecó, v. 25, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.22196/rp.v25i1.7550. Acesso em: 19 set. 2025.
1. Aproveite para fazer com a turma um levantamento dos espaços de memória dedicados aos povos africanos e seus descendentes no contexto local. Reforce que a importância de valorizar esses espaços se justifica pelo silenciamento e apagamento histórico da presença e participação dos povos africanos e afrobrasileiros no país e pela longa reprodução de uma sociedade marcada pelo racismo. Para realizar a pesquisa proposta no boxe Você detetive, os estudantes devem buscar entender os modos pelos quais foi valorizada a memória de personalidades no lugar onde vivem. Orienteos a utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para acessar e selecionar informações considerando a confiabilidade das fontes. Se necessário, incentive, durante a pesquisa, o reconhecimento de pessoas que se destacaram, como Francisco Alves Mendes Filho (19441988), também conhecido como Chico Mendes, ambientalista acreano; João de Deus Nascimento (17711799), um dos líderes de uma revolta política na Bahia, intitulada Conjuração Baiana; e Maria Quitéria de Jesus (17921853), heroína na Guerra da Independência do Brasil. Em relação à região Sul, é possível indicar Getúlio Vargas (1882 1954), presidente do Brasil, Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida como Anita Garibaldi (18211849), revolucionária na Revolução Farroupilha, Marcílio Dias (18381865), marinheiro durante a Guerra do Paraguai, e Zilda Arns Neumann (19342010), médica sanitarista.
Retrato de Antonieta de Barros.
Mural dedicado a Antonieta de Barros criado pelo artista Gugie Cavalcanti na lateral de um prédio no centro de Florianópolis (SC), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparandoos a outros lugares.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico raciais e étnico culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Proponha o jogo de bingo para sensibilizar os estudantes. Cada dupla receberá oito palavras e expressões relacionadas ao tema (ar, água, solo, poluentes, resíduos, congestionamento, deslizamento de terra, inundações). Enquanto os estudantes leem rapidamente o conteúdo da dupla de páginas, devem marcar na cartela do bingo toda vez que encontrarem uma palavra, imagem ou ideia a ela relacionada. Ao final, faça a turma levantar hipóteses questionando: quais fenômenos e processos vamos aprender nesta aula?
Em seguida, proponha a leitura crítica do texto, tecendo observações sobre a relação entre os fenômenos ambientais descritos e a realidade vivenciada pelos estudantes. Para que a aprendizagem seja significativa, eles devem estabelecer essa relação. Por isso, é fundamental abordar a temática de modo cuidadoso e empático, visto que muitos estudantes podem enfrentar alguma situação direta e indiretamente no cotidiano que reflita desdobramentos socioeconômicos dos problemas urbanos em questão.
Problemas urbanos
As cidades também são espaços com problemas e desafios. Muitas cidades da região Sul sofrem com problemas urbanos, como poluição do ar, da água e do solo, congestionamentos, descarte inadequado de resíduos, alagamentos e crescimento desordenado.
Além de emitir gases poluentes, o excesso de veículos prejudica a mobilidade urbana. Florianópolis, em Santa Catarina, é um exemplo de cidade que enfrenta grandes problemas de mobilidade urbana. O sistema viário da cidade e a grande quantidade de veículos prejudicam o trânsito local.
As inundações são outro grande problema de cidades da região Sul. Em 2024, grandes inundações atingiram muitos municípios do Rio Grande do Sul, incluindo a capital Porto Alegre. Elas foram causadas tanto por fatores da natureza, como as chuvas muito fortes e a cheia dos rios, quanto por ações humanas. Fatores como solo coberto por asfalto, construções em áreas que alagam, além da falta de cuidados com barreiras que deveriam conter a água, pioraram ainda mais a situação.
A cheia do Rio Guaíba causou inundações de grandes proporções em Porto Alegre (RS), em 2024.
Atividade complementar
O tema das cheias pode ser trabalhado como um momento de acolhimento e reflexão sobre os desafios urbanos, sempre com sensibilidade, pois muitas pessoas e comunidades ainda sentiam os efeitos desses acontecimentos mesmo após 2024. Ao abordar o ocorrido no Rio Grande do Sul, incentive a turma a compreender como fenômenos naturais e ações humanas se combinam para gerar impactos urbanos. Proponha uma roda de conversa para valorizar atitudes de solidariedade, colaboração e cuidado com o próximo, mostrando que, em situações difíceis, também surgem exemplos de união e apoio entre vizinhos, comunidades e instituições, próximas ou distantes. Esse olhar humano ajuda a transformar o aprendizado e impulsionar a empatia e a cidadania.
Avenida congestionada por excesso de veículos em Florianópolis (SC), em 2024.
O crescimento das cidades muitas vezes ocorre de maneira desordenada. As construções em encostas estão sujeitas a desastres como deslizamentos de terra, que podem causar muitas vítimas.
Por conta da desigualdade social, a população mais pobre se vê obrigada a ocupar áreas de risco como encostas de morros e acaba sofrendo com as consequências de desastres ambientais e urbanos.
Em 2008, chuvas intensas atingiram a região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, o que ocasionou o deslizamento das encostas dos morros, causando diversas perdas à população.
1 Vocês acham que todas as pessoas das cidades são afetadas da mesma forma pelos problemas ambientais urbanos? Anotem a resposta no caderno.
Veja sugestão de resposta e mais orientações no Encaminhamento.
VOCÊ DETETIVE
1. Com o auxílio do professor, pesquise um problema urbano na região onde você mora, como descarte inadequado de resíduos, poluição da água, do solo e do ar, congestionamentos, entre outros. Se for possível mapear a localização desse problema urbano, elabore um croqui com a localização dele. Pesquise também soluções para esse problema.
2. Com o material pesquisado, organize uma apresentação para mostrar o que você descobriu.
3. A apresentação pode ser feita para outras turmas da escola ou para a comunidade escolar.
Espera-se que os estudantes se atentem às questões urbanas mais próximas da sua realidade, buscando compreendê-las e analisando criticamente suas causas e consequências. Por fim, a
partir do conhecimento construído, propõe-se que reflitam e sugiram soluções. 105
ENCAMINHAMENTO
1. Conduza uma reflexão com a turma sobre as disparidades sociais e econômicas encontradas entre grupos sociais de uma população, de modo que a turma perceba que os modos como os problemas ambientais afetam diferentes grupos urbanos são diversos. Demonstre como essas disparidades influenciam diretamente a vulnerabilidade material e o sofrimento enfrentados por quem tem que lidar com problemas ambientais no espaço urbano.
25/09/2025 15:54 105
Para a realização do boxe Você detetive , organize os estudantes em grupos e peça-lhes que definam os recortes espacial e temático que serão adotados. Repasse com a turma o objetivo: caracterizar um problema urbano regional.
Explicite esquematicamente na lousa cada passo em linguagem simples: (1) localizar a ocorrência do problema; (2) mostrar evidências dele em fotos ou matérias jornalísticas, por exemplo; (3) explicar causa e consequências; (4) propor soluções; (5) montar uma apresentação com as informações da pesquisa.
Para que os grupos elaborem um croqui, forneça mapas mudos ou bases cartográficas simplificadas dos recortes espaciais condizentes com a abrangência dos problemas urbanos de cada um. Reforce que a representação deve ter orientação, título, legenda (incluindo símbolos para problema e local de solução, por exemplo), setas (indicando fluxo de água e sentido do tráfego, se for pertinente) e outros símbolos convenientes. Ofereça um modelo, se necessário, e liste ao lado dele os elementos essenciais: título (local e tema), norte, legenda e escala aproximada.
Se possível, solicite aos estudantes que apresentem soluções em três âmbitos: individual, comunitário (mutirão/monitoramento) e do poder público. Convém também que indiquem o impacto positivo dessas medidas. Forneça apoio para estudantes com maior dificuldade, como glossário ilustrado, tempo extra e tutoria entre pares.
Organize-se
• Cartolina, papel kraft ou papel pardo para confecção de cartazes com mapas, fotografias e propostas
• Fitas adesivas, cola e tesoura com pontas arredondadas para montagem dos painéis
• Computador e projetor (se disponível) para organização das apresentações em formato multimídia
Encosta de morro onde houve deslizamento de terra em Blumenau (SC), em 2008.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
TCT: Cidadania e civismo: vida familiar e social.
ENCAMINHAMENTO
Inicie retomando a ideia de que o Brasil é um país de dimensões continentais e com regiões muito diversas. Questione os estudantes: vocês acham que as cidades crescem e se estruturam do mesmo jeito em todas as grandes regiões do país? Registre as hipóteses na lousa. Esse momento ajuda a mobilizar conhecimentos prévios e desperta curiosidade sobre o tema.
Projete ou leia com a turma o gráfico sobre urbanização das grandes regiões. Retome a compreensão dos elementos básicos: título, legenda e eixos — anos no eixo horizontal e porcentagem de população urbana no eixo vertical. Peça aos estudantes que observem e comparem quais linhas estão mais altas e mais baixas em diferentes décadas. Reforce a leitura questionando: qual região aparece com maior urbanização durante todo o período?
Desigualdade entre as cidades brasileiras DIÁLOGOS
No Brasil, a maioria da população passou a viver em cidades apenas em meados da década de 1960. Observe o gráfico.
Grandes regiões: pessoas vivendo em cidades (1950-2022)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Séries históricas e estatísticas Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series. aspx?vcodigo=pop122; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022. ibge.gov.br/panorama/indicadores.html?localidade=BR. Acessos em: 5 maio 2025.
O processo de rápida urbanização do Brasil, especialmente a partir da década de 1960, teve diferentes caraterísticas a depender da região do país. Por exemplo, podemos observar que atualmente a região mais urbanizada é a Sudeste. A região Sul está em terceiro lugar, atrás da Centro-Oeste.
O Sudeste é mais urbano que outras regiões há muito tempo. De acordo com o gráfico, havia uma grande desigualdade entre o Sudeste e o restante do país já na década de 1950. Alguns motivos dessa desigualdade entre as regiões do Brasil foram a produção de café no Sudeste e o enriquecimento de grandes proprietários rurais. Boa parte dessa riqueza foi investida nas cidades entre o final do século 19 e o início do século 20.
Ao longo do século 20, houve grande investimento na indústria, como a automobilística, o que concentrou essa atividade econômica
Amplie a análise explicando que a urbanização não ocorreu de forma homogênea porque cada grande região tem sua história econômica e social. Cite exemplos de processos significativos, como a industrialização no Sudeste com capital financeiro alavancado pela atividade cafeeira, a ocupação tardia do Centro-Oeste impulsionada pelo subsídio governamental à produção agropecuária, as dificuldades sociais e fundiárias estruturais enfrentadas pela população no Nordeste, entre outros.
Sugestão para o professor INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022: panorama. Rio de Janeiro: IBGE c2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/. Acesso em: 15 set. 2025. O site do Censo 2022 apresenta um panorama detalhado dos indicadores populacionais do Brasil, baseado nos dados coletados e tratados.
1. c) Em 2022, a região Sudeste apresentava a maior concentração de pessoas em áreas urbanas, enquanto o Nordeste apresentava o menor número.
especialmente na região Sudeste. Isso reforçou um processo de desigualdade econômica e atraiu migrantes de várias regiões do Brasil, interessados em encontrar empregos e melhorar suas condições de vida. Já o Sul do Brasil se tornou predominantemente urbano em meados da década de 1970, quase duas décadas depois da região Sudeste.
Linha de montagem de indústria automobilística em São Paulo (SP), em 1955.
1. a) Em 1950, a região Sudeste apresentava o maior número de pessoas vivendo em cidades. A região Centro-Oeste apresentava o menor número de pessoas vivendo em cidades no período.
As regiões do Brasil apresentam diferentes níveis de urbanização, o que acarreta diferenças na infraestrutura, no acesso a serviços públicos, como saúde e transporte, e nas atividades econômicas. Essas diferenças não acontecem só entre as regiões do país. Existem desigualdades dentro de uma mesma região e até em uma mesma cidade. Em muitas cidades brasileiras, há bairros bastante desenvolvidos, com vias pavimentadas, hospitais, escolas e transporte, e outros bairros que têm pouca estrutura e menos serviços.
1 Analisem novamente o gráfico Grandes regiões: pessoas vivendo em cidades (1950-2022) e respondam às questões.
a) Qual região tinha o maior número de pessoas vivendo nas cidades em 1950? E qual tinha o menor número?
b) Em 2022, a maior parte da população morava no campo ou nas cidades? Isso acontece em todas as regiões?
Em 2022, a maior parte da população se concentrava nas cidades em todas as regiões do Brasil.
c) Qual região apresentava o maior número de pessoas vivendo nas cidades em 2022? E qual região tinha o menor número?
2 Quais foram os motivos que levaram a região Sudeste a se urbanizar antes das demais regiões? Compartilhe suas impressões com os colegas.
Os estudantes devem apontar fatores como a riqueza gerada pela produção de café, que foi investida nos centros urbanos da região, e os investimentos em indústrias, que atraíram pessoas de outras regiões para as cidades do Sudeste.
Atividade complementar
Avance com os estudantes na leitura conjunta do texto da seção. Durante a abordagem do tema, destaque três aprendizagens principais: a urbanização brasileira ocorreu em ritmos diferentes entre as grandes regiões; o Sudeste se urbanizou primeiro em razão de fatores econômicos e históricos; as desigualdades regionais também se materializam nas diferentes condições de infraestrutura e qualidade de vida nas cidades brasileiras.
1. Reforce a correta interpretação dos dados do gráfico e leve os estudantes a perceber que as informações populacionais extraídas dele permitem caracterizar e comparar amplos processos da história recente do país associados a questões sociais e econômicas.
2. Os estudantes devem expressar seu entendimento a respeito de fatores mencionados no texto. Antes de compartilhar a resposta com o grupo, reserve um momento para que possam registrar no caderno como explicariam os motivos com suas próprias palavras e como chegaram à resposta. Isso favorece a tomada de consciência do desenvolvimento do raciocínio e da argumentação.
25/09/2025 15:54
Proponha à turma um jogo de verdadeiro ou falso para o aprofundamento da leitura do gráfico. Escreva em cartões ou na lousa uma lista de afirmações sobre a urbanização das grandes regiões brasileiras. Os estudantes devem então levantar cartões verdes (verdadeiro) ou vermelhos (falso). Se não houver cartões, podem usar os braços: braços cruzados (falso) e braços abertos (verdadeiro). Leia cada afirmação em voz alta e solicite a resposta. Em cada rodada, comente e peça a um estudante que explique. Afirmações sugeridas: Em 1950, o Sudeste já tinha o maior número de pessoas vivendo em cidades (verdadeiro). Em 2022, o campo ainda concentrava a maior parte da população brasileira (falso). O Nordeste foi a região que se urbanizou mais rapidamente no século XX (falso). A industrialização e os investimentos são fatores da urbanização precoce do Sudeste (verdadeiro). As cidades brasileiras têm as mesmas condições de infraestrutura (falso). O Sul tornouse predominantemente urbano quase 20 anos depois do Sudeste (verdadeiro).
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
ENCAMINHAMENTO
Para iniciar a aula de maneira envolvente, providencie uma sacola de compras com alimentos comuns, como maçã, arroz, leite e pão, e leve-a para a sala. Proponha aos estudantes a reflexão: qual caminho de produção cada um desses itens percorreu até chegar aos consumidores? À medida que retira cada item, questione sua origem, destacando que o pão depende do cultivo do trigo, o leite, da ordenha da vaca e a maçã, do cultivo em pomares.
Faça a leitura compartilhada do texto, destacando os seguintes termos: agricultura familiar, cinturões verdes, matérias-primas, indústrias e interdependência.
Organize a turma em duplas e oriente-as a construir fluxogramas simples (com setas e símbolos), mostrando o encadeamento de etapas do processo de produção de um item, por exemplo tomate, leite ou couro. Eles devem indicar: cultivo, extração ou criação no campo → transporte → chegada à fábrica na cidade → transformação industrial → distribuição → consumo. Use esses fluxogramas para reforçar a noção de interdependência de atividades desenvolvidas em espaços muitas vezes distantes entre si.
Por fim, proponha à turma reflexões sobre as relações entre o espaço urbano e o espaço rural, potencializando a compreensão da importância de cada um para a dinâmica de produção, circulação e consumo que constitui o mundo do trabalho.
Campo e cidade conectados
As cidades e o campo apresentam características diferentes, mas que se complementam. No campo, são produzidos muitos dos alimentos que consumimos no dia a dia, como carnes, leite, milho, arroz, frutas e hortaliças. Na região Sul, a agricultura familiar tem um papel muito importante nesse processo, abastecendo feiras livres, mercados municipais e restaurantes das cidades.
As áreas próximas aos centros urbanos, onde esses produtos são cultivados, são chamadas cinturões verdes. Isso ocorre nos arredores de Curitiba, por exemplo, especialmente nos municípios da região metropolitana. Os cinturões verdes funcionam como fornecedores de alimentos frescos e saudáveis, facilitando o acesso e o consumo, já que diminuem a distância entre as áreas de produção e as cidades.
Feira livre com produtos do campo na cidade de Rio Grande (RS), em 2025.
Além dos alimentos, o campo fornece matérias-primas, como a madeira, extraída em áreas rurais do Paraná, e o couro, obtido em propriedades do Rio Grande do Sul. Esses materiais são levados para as cidades, onde são transformados pelas indústrias em móveis, papel, roupas e alimentos embalados. Um exemplo é a indústria de calçados em Novo Hamburgo (RS), que utiliza o couro vindo do campo na produção de sapatos. Esses produtos fazem parte não só do dia a dia de quem mora nas cidades, mas também são transportados e vendidos para pessoas que vivem no campo.
Sugestão para os estudantes
ROCHA, André Santos da; GUIA, Eric Vidal Ferreira da. Entre o campo e a cidade. Rio de Janeiro: Instituto AlfaeBeto, 2018.
A obra narra a viagem de Tici, uma menina que parte da cidade grande para visitar a fazenda da família, acompanhada do avô e da prima. Ao longo do percurso, ela observa a transformação das paisagens e, já no campo, conhece de perto as atividades agrícola e pecuária. Com a mediação do avô, descobre como a produção de alimentos e matérias-primas se desenvolveu historicamente — das primeiras comunidades até a modernização do campo — e como esses processos contribuíram para o crescimento das cidades.
1. b) Os estudantes devem elaborar uma sequência de desenhos que ilustrem o processo de cultivo, colheita, transporte e venda das maçãs na cidade. Eles podem desenhar o plantio
As máquinas agrícolas fabricadas em cidades e utilizadas no campo são outro exemplo da relação de interdependência entre esses espaços na região Sul. Os polos industriais de Montenegro e Horizontina, no Rio Grande do Sul, se destacam nessa atividade.
Estudos que ajudam a melhorar a produção rural, feitos em universidades geralmente situadas em grandes cidades, são outro exemplo da relação campo-cidade. Por fim, há ainda o movimento de pessoas entre cidade e campo para estudar, usar serviços de saúde ou até passear, como no turismo rural.
1 Leiam a história em quadrinhos que mostra algumas relações estabelecidas entre o campo e a cidade. Depois, façam o que se pede.
ESTOU ANSIOSA PARA VER AS PLANTAÇÕES DE MAÇÃ DA TIA CÉLIA.
JÚLIA!OLÁ,MINHA QUERIDA! TIA CÉLIA!
ENCAMINHAMENTO
Prepare os estudantes para ler cada balão de fala em voz alta imprimindo prosódia à leitura da narrativa. Em seguida, questione: qual é o produto em destaque? Que lugares apareceram na história? (campo, Urubici; cidade, Tubarão, feira livre). Que etapas aparecem representadas? (plantio/colheita, transporte, venda na feira).
VAMOS CHEGAR EM BREVE EM URUBICI, FILHA!
AS MAÇÃS VÃO SER TRANSPORTADAS E VENDIDAS EM TODO O PAÍS!
NOSSA, QUE LEGAL, TIA!
DUAS SEMANAS DEPOIS
POIS É, FILHA. AS MAÇÃS VIERAM LÁ DE URUBICI E AGORA ESTÃO SENDO VENDIDAS AQUI!
OLHEM! AS MAÇÃS DA TIA CÉLIA!
a) Qual é o produto cultivado no campo e consumido na cidade mencionado nos quadrinhos? Anotem no caderno.
Os estudantes devem identificar que o produto é a maçã.
b) Em uma folha de papel avulsa, desenhem as etapas pelas quais o produto cultivado na história passou, desde o plantio no campo até a venda na cidade.
das mudas de macieira, o crescimento dos vegetais, a colheita das maçãs, seu transporte em caixas por meio de máquinas, como empilhadeiras e caminhões, sua chegada à cidade e a venda em uma feira livre.
Sugestão para os estudantes
25/09/2025 15:54
DREGUER, Ricardo. O ciclista e o pantaneiro: encontro do vale com o Pantanal. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2020.
A obra integra a série Encontros Brasileiros e oferece uma oportunidade de perceber contrastes regionais do Brasil e a riqueza do convívio entre culturas por meio de histórias de crianças que se mudam de uma região para outra. Neste volume, conhecemos Fred, um garoto de Pomerode, em Santa Catarina, que adora pedalar por trilhas nas serras do Sul. Quando sua família se muda para o Pantanal, bioma do Centro-Oeste, ele precisa lidar com as diferenças de paisagem, clima e modos de viver. Lá, Fred encontra Pedro, um menino pantaneiro que prefere cavalgar pelos campos alagados. Entre a bicicleta e o cavalo, nasce uma amizade que mostra como cada região tem suas riquezas e como as diferenças podem aproximar as pessoas.
1. Espera-se que os estudantes percebam, nos quadrinhos, a relação estabelecida entre o plantio de maçãs em Urubici (no campo) e sua chegada às feiras e aos mercados das cidades, mostrando o percurso do alimento do local de produção até o consumidor.
1. b) Oriente as duplas a criar uma sequência de 6 a 8 quadros em uma folha avulsa para desenhar as etapas do processo produtivo da maçã do pomar até sua comercialização. Incentive a criatividade nessas produções: podem usar cores para diferenciar campo e cidade, incluir personagens, representar as máquinas, o caminhão e as bancas de feira. Ao final, monte o Mural da Maçã com as sequências desenhadas, organizando-as em linha do tempo na parede da sala. Deixe que cada dupla apresente o seu trabalho, explicando como optou por destacar visualmente certas características e aspectos do percurso do produto. Essa partilha fortalece o senso de autoria e promove a comparação entre diferentes formas de pensar um processo socioeconômico.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ENCAMINHAMENTO
A seção Para rever o que aprendi possibilita retomar e consolidar os conhecimentos construídos pelos estudantes, sistematizando o que aprenderam, trazendo reflexões que teceram durante o estudo e aprofundando o diálogo com as temáticas em foco.
1. a) Incentive os estudantes a justificar a resposta e reforce o fato de as paisagens revelarem usos e ocupações diferentes do espaço. No campo, atividades agropecuárias e extrativistas predominam; na cidade, comércio, serviços e construção civil.
1. b) Para facilitar a compreensão das diferenças, proponha a elaboração de um quadro comparativo com duas colunas referentes às paisagens rural e urbana para listar os elementos de cada uma.
1. c) Explique a importância do recurso da audiodescrição e oriente os estudantes a optar por frases objetivas, descrevendo formas, cores, tamanhos e posições dos elementos. A seguir, uma possibilidade de resposta. Fotografia 1 (paisagem rural): A imagem mostra um campo verde coberto por gramíneas e onde pastam animais de criação. Ao fundo, há uma construção simples e algumas árvores. No canto esquerdo, passa uma estreita estrada de terra. O céu está sem nuvens e o dia está ensolarado. Não há pessoas ou veículos. Fotografia 2 (paisagem urbana): A imagem mostra em visão frontal a longa descida de uma rua asfaltada de faixa dupla e sentido único, com diversos carros em movimento e outros es
PARA REVER O QUE APRENDI
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
1 Observe as fotografias.
1. b) Os estudantes podem apontar diferenças como a quantidade de construções e pessoas presentes na paisagem urbana, além da presença de veículos automotores e de rua asfaltada. Na paisagem rural, há criação de animais, poucas construções e uma estrada de terra.
1 2
a) Qual fotografia retrata uma paisagem rural e qual fotografia retrata uma paisagem urbana?
Os estudantes devem identificar que a fotografia 1 retrata uma paisagem rural e a fotografia 2 retrata uma paisagem urbana.
b) Quais diferenças você observa entre as duas paisagens retratadas?
c) Observe novamente as fotografias e elabore um texto de audiodescrição para cada uma delas. Destaque aspectos da paisagem do campo e da paisagem da cidade.
Resposta pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Dica: Você sabia que a audiodescrição é um jeito de mostrar uma imagem para uma pessoa com deficiência visual? A audiodescrição é um texto gravado em áudio e permite que uma imagem seja traduzida em palavras, tornando-a compreensível para pessoas que não podem enxergá-la.
2 Quais são as principais atividades econômicas desenvolvidas no campo e nas cidades da região Sul?
3 Quais são os principais produtos agropecuários da região Sul?
Algumas das principais produções agrícolas são as de soja, milho, arroz e trigo. Já os principais rebanhos criados na região são o galináceo e o suíno. A região também é uma grande produtora de leite. Veja sugestão de resposta e orientações no Encaminhamento.
tacionados apenas do lado direito, onde se concentram postes e fiação elétrica e construções mais baixas em primeiro e segundo plano. Do lado esquerdo, há árvores enfileiradas e uma ciclovia na calçada. Ao fundo, ocupando todo o horizonte, há uma grande concentração de prédios residenciais e comerciais altos.
2. No campo sulino, predominam o cultivo de soja, milho, arroz, trigo, uva, maçã e fumo, além da criação de gado bovino, aves e suínos. Também há destaque para a silvicultura de pínus e eucalipto, utilizados na produção de papel, móveis e energia. Nas cidades do Sul, concentramse atividades do setor industrial alimentício, metalúrgico, moveleiro, têxtil, calçadista e automotivo, comércio e serviços.
3. Estimule os estudantes a relacionar os produtos citados com seu cotidiano, por exemplo: pão de trigo, arroz no almoço, frango e leite consumidos diariamente. Proponha uma atividade prática de elaboração de um cardápio com alimentos típicos produzidos no Sul, reforçando o vínculo entre a produção agropecuária e a alimentação cotidiana dos habitantes da região.
Arroio do Tigre (RS), em 2024.
Passo Fundo (RS), em 2025.
4 Cite alguns dos problemas urbanos presentes em cidades da região Sul.
Os estudantes podem citar problemas urbanos como congestionamentos, enchentes e ocupação de áreas de encostas.
5 Observe as imagens de satélite da cidade de Chapecó (SC).
Chapecó (SC), em 1984.
Chapecó (SC), em 2020.
5. a) Os estudantes devem explicar que Chapecó passou por um processo de urbanização. Eles devem apontar a expansão da mancha urbana da cidade, o que significa o crescimento da população urbana de Chapecó.
5. b) Os estudantes devem responder que sim, que, com a urbanização, a paisagem da cidade de Chapecó
a) De acordo com as imagens de satélite, por qual processo a cidade de Chapecó passou entre os anos de 1984 e 2020? Explique como você chegou a essa conclusão.
passou por transformações, como construção de novos edifícios, pavimentação de ruas e surgimento de novas atividades econômicas.
b) No período retratado, você acha que a paisagem da cidade de Chapecó sofreu transformações? Explique.
1. Em uma roda com seus colegas, converse sobre:
a) o que você já sabia sobre os espaços rural e urbano da região Sul;
b) o que você aprendeu sobre os espaços rural e urbano da região Sul; c) o que você ainda quer descobrir sobre os espaços rural e urbano da região Sul.
Resposta de acordo com a autoavaliação dos estudantes.
4. Alguns problemas das cidades da região Sul são os congestionamentos de carros e motos, que causam muito trânsito, e as inundações, que acontecem quando chove muito e a drenagem da água é prejudicada. Em alguns lugares, as pessoas moram em encostas e isso pode trazer risco de deslizamentos. Também há poluição do ar e barulho por causa do trânsito e das indústrias. Em alguns bairros, o esgoto não recebe tratamento adequado, e em outros
urbana ocupa áreas vizinhas, reduzindo o espaço destinado a atividades rurais. Reforce que a leitura de imagens de satélite é uma ferramenta importante na Geografia porque permite analisar as transformações espaciais ao longo do tempo. Proponha aos estudantes que elaborem um quadro comparativo 1984 e 2020 (ex.: extensão da mancha urbana, adensamento da mancha urbana inicial, ocupação de áreas antes rurais, infraestrutura, densidade populacional) a fim de sistematizar as observações.
15:55
falta resíduos ou eles são mal descartados. Existem diferenças grandes entre os bairros mais ricos e os mais pobres, e muitas famílias não têm casa própria, morando em áreas irregulares. Tudo isso mostra que o crescimento rápido das cidades traz muitos desafios para serem resolvidos.
5. Estimule os estudantes a observar não apenas a área ocupada, mas também as diferenças de tonalidade e textura nas imagens, relacionando cores claras a áreas construídas e cores escuras à vegetação ou áreas agrícolas. Oriente-os a perceber como a expansão
A autoavaliação encoraja cada estudante a perceber a relevância para a vida cotidiana daquilo que aprendeu. Destaque que não há respostas certas ou erradas, mas se trata de um momento de autoconhecimento e metacognição que possibilita reconhecer avanços e intencionalidades da aprendizagem, além de permitir identificar aspectos que ainda precisam ser entendidos e aprofundados. Sugere-se conduzir a atividade em três etapas: leitura coletiva das afirmações, assegurando que todos compreendem o tópico do conteúdo mencionado, realização da avaliação individual, discussão em grupo ou plenária e, por fim, breve socialização. Questione: quais temas vocês perceberam que aprenderam mais? Quais assuntos vocês sentem que precisam revisar? Essa troca ajudará a valorizar os aprendizados coletivos e mapear dificuldades.
INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, estudaremos a população e o futuro da região Sul considerando suas características demográficas, a diversidade étnica e cultural, as tendências dos movimentos migratórios recentes, as dinâmicas das populações das fronteiras, os fatores de segregação socioespacial e os condicionantes da qualidade de vida da população residente.
No Capítulo 1 , desenvolveremos o estudo de temas demográficos e sociais emergentes que dialogam com o papel da escola como espaço de reflexão, criação de projetos de vida e de transformação social. Além disso, a ampla caracterização das desigualdades socioeconômicas e espaciais contribui para a construção do pensamento analítico e crítico em relação às demandas de inclusão e equidade.
No Capítulo 2 , de forma cuidadosa, são abordados temas afeitos ao exercício da cidadania e às estruturas do poder público nos âmbitos municipal e estadual, as quais são indutoras da história da região e impactam cotidianamente a vida da população. Também se discutem os atuais desafios de participação popular e as demandas por protagonismo social na busca pela efetivação dos direitos humanos com vistas ao desenvolvimento regional e ao fortalecimento dos canais de participação popular. Desse modo, são discutidas, sob diferentes enfoques, as possibilidades para o futuro da região reconhecendo a importância da consciência social e ambiental, da ampliação das oportunidades e das atividades produtivas.
POPULAÇÃO E FUTURO DO SUL 4
Objetivos do capítulo
• Analisar as características da população do Sul, considerando dados e aspectos demográficos, geográficos e históricos.
• Refletir sobre a ancestralidade e as memórias familiares como elementos que fortalecem identidades e ampliam a compreensão da diversidade cultural da região Sul e do Brasil.
• Identificar causas e consequências da desigualdade social e da segregação socioespacial, relacionando-os às experiências vividas no cotidiano.
• Discutir soluções e possibilidades para o desenvolvimento social no Sul, considerando desafios da desigualdade social na região.
• Caracterizar a estrutura do poder público e os canais de participação popular e sua relação com a qualidade de vida da população e o planejamento do futuro da região com base na cidadania e na coletividade.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento. HIRO
1 A população do seu lugar de vivência é numerosa ou pequena?
2 Você sabe o que é diversidade ? Se não souber, procure o significado da palavra no dicionário e discuta com os colegas.
3 Agora que vocês discutiram o significado de diversidade, façam uma análise da população do lugar de vivência. Ela é diversa?
Atividade complementar
Retome a imagem da praça pública. Distribua um conjunto de cartões coloridos para cada estudante. As cores representarão aspectos da diversidade: azul: gostos e preferências (comida, brincadeiras e música, por exemplo); verde: modos de aprender (quem gosta de desenhar, escrever, ouvir histórias ou brincar ao ar livre); amarelo: origens ou histórias familiares (de onde vêm os avós, festas típicas da família e sotaques); vermelho: características físicas (altura, cabelo, tom de pele, uso de óculos, aparelho nos dentes etc.).
Oriente os estudantes a escrever ou desenhar em seu cartão. Após concluírem as produções, todos fixam seus cartões em um grande painel no formato de praça (uma cartolina com árvores, bancos, casas desenhadas pelo professor ou pela turma). Assim, construirão juntos a representação de outra praça da diversidade. Nas reflexões, questione: o que descobrimos sobre a turma? Leve-os a perceber que, dentro da própria sala, há muita diversidade e que ela deve ser respeitada e valorizada.
BNCC
Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 5, 6, 7, 9 e 10.
Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 5, 6 e 7.
Competências específicas de Geografia: 1, 3, 4, 6 e 7.
Competências específicas de História: 1, 4, 5 e 7.
TCTs: Economia: trabalho; Cidadania e civismo: educação em direitos humanos, direitos da criança e do adolescente e processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso; Meio ambiente: educação ambiental.
ENCAMINHAMENTO
1. Incentive os estudantes a perceber como se caracteriza o adensamento populacional em seu município. Caso não consigam expor colocações pertinentes nem reconhecer se é pouco ou muito populoso, leve-os a compará-lo com outras localidades, como municípios mais próximos ou a capital do estado.
2. Comece pesquisando com os estudantes o significado da palavra diversidade. Trabalhe de forma interdisciplinar com Língua Portuguesa durante a consulta ao dicionário e explore contextos em que a diversidade está presente, enfocando a diversidade populacional.
3. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. É muito provável que vivam em um município com pessoas de diferentes origens étnico-culturais.
BNCC
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula questionando os estudantes sobre dados demográficos do Sul e do Brasil, em comparação a outras grandes regiões: qual dos estados sulinos vocês acham que têm a maior população? E qual grande região brasileira é a mais populosa?
Após a sondagem inicial, leia o texto e interprete o gráfico com a turma. Comente que os números representados em cada coluna são bem grandes e revelam uma contagem simples da quantidade total de habitantes em cada grande região e, por isso, representam dados absolutos
Reforce a compreensão de que eles estão aprendendo a ler os números de habitantes de cada região do Brasil em quantidade total, como se fosse uma grande contagem de pessoas. Alerte-os de que, mais adiante, eles vão começar a lidar com dados populacionais em percentual. Explique que o percentual demonstra a proporção que cada parte tem em relação ao todo e isso significa compreender qual é o tamanho da “fatia” da população de cada grande região em relação à população do Brasil inteiro. Assim, é possível comparar realidades.
Finalize destacando os dados demográficos evidenciados no gráfico: o Paraná é o estado mais populoso do Sul, que é a terceira grande região em quantidade total de habitantes.
POPULAÇÃO DO SUL
O Brasil realiza periodicamente o Censo demográfico para contar a população do país e coletar dados sobre suas características sociais e econômicas. O Censo é produzido pelo IBGE e foi realizado pela última vez no ano de 2022. De acordo com os dados do Censo 2022, o Paraná é o estado mais populoso da região Sul. Em 2022, moravam nesse estado mais de 11,4 milhões de pessoas. Em seguida, vem o Rio Grande do Sul, com 10,9 milhões de habitantes e, por fim, Santa Catarina, que contava com 7,6 milhões de moradores. A população total da região Sul, em 2022, era de aproximadamente 30 milhões de pessoas e correspondia a 14,7% da população total do Brasil. Observe o gráfico.
Brasil: população por região (2022)
Habitantes
1. A região mais populosa do Brasil é a Sudeste, com 84,8 milhões de habitantes. Explique aos estudantes que esse número corresponde a cerca de 41,8% da população do país.
Brasil (total): 203 080 756 pessoas
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html. Acesso em: 2 jul. 2025. NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 De acordo com o gráfico Brasil: população por região (2022) , qual é a região mais populosa do país?
2 Qual é a região menos populosa?
2. A região menos populosa é a Centro-Oeste, com 16,3 milhões de habitantes. Explique aos estudantes que esse número equivale a cerca de 8% da população brasileira.
3 Em população, a região Sul fica em qual posição entre as regiões brasileiras?
De acordo com os dados, a região Sul é a terceira mais populosa, ficando à frente das regiões Centro-Oeste e Norte, e atrás das regiões Nordeste e Sudeste.
Atividade complementar
Proponha à turma a elaboração de uma lista com o nome de 15 municípios próximos do município onde está situada a escola. Pesquise com os estudantes, no portal IBGE Cidades, o número de habitantes de cada município da lista. Oriente-os a copiar no caderno um ranking, do município mais populoso ao menos populoso, registrando o nome e o número de habitantes. Organize os estudantes em duplas solidárias para que aqueles com dificuldade de leitura, escrita ou atenção tenham o apoio de um colega durante o jogo. Peça, então, a cada dupla que produza uma cartela de bingo com seis espaços. Em cada espaço deve constar o nome de um município do ranking.
Inicie o jogo sorteando os itens da lista. Ao anunciar cada sorteio, cite apenas o número de habitantes. Oriente-os a ouvir com atenção e relacionar esse número ao município correspondente e marcar se estiver na cartela.
Finalize o jogo destacando que será vencedora a dupla que primeiro preencher a cartela.
SONIA VAZ
Distribuição da população
A população está distribuída de forma desigual pelo território da região Sul. Existem áreas com menor número de moradores e outras com maior concentração de pessoas.
A variação na densidade demográfica ocorre por motivos como o histórico de ocupação, aspectos naturais e atividades econômicas desenvolvidas.
Densidade demográfica é o número de habitantes por quilômetro quadrado, ou seja, o número total de habitantes de um local dividido pela sua área.
As áreas de maior concentração de pessoas na região Sul estão localizadas próximas às capitais e às grandes cidades dos estados, como Londrina e Maringá (PR), Joinville e Blumenau (SC) e Caxias do Sul e Canoas (RS).
Já as áreas com menor densidade demográfica concentram-se, principalmente, nas porções oeste e sul do Rio Grande do Sul, onde predominam as áreas rurais e as atividades agropecuárias. Também é possível notar áreas com menos pessoas no norte do Rio Grande do Sul e no sul de Santa Catarina. Nessas áreas há presença de serras que dificultam a ocupação.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 118.
1 Observem o mapa Sul: densidade demográfica (2022)
a) As pessoas estão distribuídas de forma uniforme no território dos três estados da região Sul? Compartilhem ideias sobre o tema.
b) Utilizem as direções cardeais para apontar as áreas com menor e com maior densidade demográfica no estado onde vocês vivem. Anotem a resposta no caderno. Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
ENCAMINHAMENTO
Comece a aula ativando conhecimentos prévios dos estudantes e questione: em quais partes do nosso município há mais gente junta? E onde há menos? Escreva na lousa termos para apoiar a construção do raciocínio: centro, bairros residenciais, avenidas principais e área rural. Comente que, de modo análogo, eles vão analisar o Sul com a mesma lógica.
Retome o passo a passo de leitura de mapas. Oriente a turma a seguir a sequência: ler o título para identificar o tema representado,
aborde o tema em interdisciplinaridade com Matemática. 1. a) A distribuição populacional entre os municípios não é uniforme, pois alguns municípios têm muitos habitantes e outros têm poucos. Isso se deve a diversos fatores, como os processos históricos de ocupação, aspectos naturais, atividades econômicas desenvolvidas, grau de urbanização, entre outros.
1. b) Aproveite para retomar o uso das direções cardeais com a análise do mapa. Caso eles morem no Paraná, as áreas de maior densidade demográfica são a leste do estado, ao redor da capital Curitiba, a norte e a oeste. A porção central e sul do estado apresenta áreas de menor densidade populacional. Caso os estudantes vivam em Santa Catarina, as áreas de maior densidade são a leste e a norte do estado. As áreas com menos pessoas estão na parte central e sul do estado. Por fim, caso eles vivam no Rio Grande do Sul, a área de maior densidade está situada a leste, nos arredores da capital Porto Alegre. As áreas menos habitadas estão situadas no sul do estado.
BNCC
observar o minimapa do Brasil para localizar a região, identificar as siglas dos estados (PR, SC, RS) e as capitais, observar a rosa dos ventos e a escala. Avance para a leitura da legenda de baixo para cima. Comece do menor intervalo (até de 2 a 10) para o maior (mais de 100 hab.) e crie uma frase-resumo para anotarem no caderno: quanto mais escura for a cor, mais pessoas haverá por km². Se possível, entregue cartões com as faixas de cores.
26/09/2025 18:33
Pode ser que os estudantes ainda não dominem o conceito de km² nessa faixa etária. Auxilie-os na compreensão das informações e
(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Sul: densidade demográfica (2022)
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
PARAGUAI
URUGUAI
ARGENTINA
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.
(EF03CO04) Relacionar o conceito de informação com o de dado.
TCT: Cidadania e civismo: processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula comentando qu e a contagem oficial de uma população costuma caracterizar dois grandes aspectos: quantidade de homens e mulheres e distribuição por faixa etária. Discuta o fato de existirem mais mulheres que homens não apenas no Sul, pois essa realidade se repete nas demais grandes regiões. Leve os estudantes a interpretar o gráfico e fazer constatações expressando os dados em afirmativas completas, como: jovens e adultos no Sul constituem a maioria da população; crianças, adolescentes e pessoas idosas apresentam proporções muito próximas entre si. Aproveite para explicar que, no Brasil, uma pessoa é considerada idosa quando tem 60 anos ou mais de idade, mas internacionalmente a referência muda para 65 anos ou mais.
Explique aos estudantes o conceito de expectativa de vida. É importante que eles entendam que esse dado é uma estimativa de anos que se espera que uma pessoa viverá e que está intimamente relacionado às condições de vida em determinado local.
Características da população
De acordo com dados do IBGE, existem mais mulheres do que homens vivendo nos estados da região Sul. São 14,58 milhões de homens e 15,35 milhões de mulheres. A cada 100 pessoas na região, aproximadamente 51 são mulheres e 49 são homens. Pode parecer uma diferença pequena, mas isso representa cerca de 770 mil mulheres a mais, um número maior que toda a população de Joinville, o município mais populoso de Santa Catarina.
A maior parte da população da região Sul é formada por jovens e adultos, com idades entre 15 e 59 anos. Em seguida, vêm as crianças e os adolescentes, de 0 a 14 anos. A menor parte é composta de pessoas idosas, com 60 anos ou mais.
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/9514. Acesso em: 28 ago. 2025. Faixa etária
Apesar de apresentar a maior parte da população na faixa etária de jovens e adultos, a região Sul está entre as regiões com a maior proporção de pessoas com mais de 60 anos, ficando atrás somente da região Sudeste. Isso acontece por diversos fatores, como o aumento da expectativa de vida ao longo do tempo.
Os habitantes do Brasil e da região Sul passaram a viver mais tempo devido à melhoria das condições de vida, da infraestrutura e dos avanços da medicina. Expectativa de vida é a quantidade de anos que se espera que uma pessoa viva ao nascer. Também é chamada esperança de vida.
Sugestão para os estudantes
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Meu IBGE. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://meuibge.ibge.gov.br/. Acesso em: 18 set. 2025. Nessa página, o usuário navega por dados do Censo 2022 de modo customizado e comparado para obter o seu “retrato”. Depois de preencher um curto formulário com dados pessoais (moro em; nasci em; sou do sexo; minha cor/raça é), o usuário deve clicar em “Eu no Brasil” para descortinar gráficos com ilustrações e interface amigável que revelam: a faixa em que se enquadra na pirâmide etária e a porcentagem de população com essa idade, a porcentagem da população mais velha que o usuário, a proporção de brasileiros que declararam ter a mesma cor/raça, como é esse dado no município informado, a proporção de pessoas dessa cor/raça, nessa faixa etária e no município de domicílio que são alfabetizadas, a porcentagem de casas nesse município, a proporção de domicílios com rede de esgoto nesse contexto, a proporção de quilombolas e indígenas na população municipal e a porcentagem de áreas urbanizadas do município informado.
Crianças e adolescentes Jovens e adultos Pessoas idosas
Sul: população por faixa etária (2022) SONIA VAZ
Ao mesmo tempo, as famílias passaram a ter menos filhos. A partir da segunda metade do século 20, tornou-se mais comum que as mulheres escolhessem se dedicar a uma carreira, estudar por mais tempo e optar por ter menos filhos ou nenhum. Além disso, houve também maior acesso à informação sobre contraceptivos e planejamento familiar. A junção desses fatores ocasionou a queda na taxa de fecundidade.
Taxa de fecundidade é uma estimativa, em determinado local, da média de filhos que cada mulher teria ao longo da vida.
A região Sul apresentava uma taxa de fecundidade de 1,5 filho por mulher em 2022, a segunda menor entre as regiões brasileiras, atrás somente do Sudeste. Esse dado indica uma possível diminuição da população da região no futuro, caso não ocorra imigração de pessoas para o Sul, já que esse número é menor que o necessário para a reposição populacional, ou seja, o número de filhos que substituiria os pais de cada criança. Todos esses fatores apontam para um envelhecimento da população da região, ou seja, um aumento gradual da proporção de pessoas idosas no total da população.
Pessoas idosas jogando em praça no centro de Nova Palma (RS), em 2025.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
1 Quais medidas precisam ser tomadas pelo poder público para atender uma população mais envelhecida nos próximos anos?
VOCÊ DETETIVE
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
1. Com o auxílio do professor, façam uma pesquisa sobre a proporção de pessoas com mais de 60 anos na população do estado onde vocês vivem.
2. Depois, comparem esses dados com o gráfico Sul: população por faixa etária (2022), na página anterior, e anotem as conclusões no caderno.
ENCAMINHAMENTO
Questione a turma: será que hoje as famílias têm mais ou menos filhos do que antigamente? Por quê? Incentive os estudantes a pensar em exemplos familiares. Depois de exporem as considerações, explique que esse fenômeno acontece em todo o Brasil e se relaciona com escolhas pessoais, mudanças sociais e acesso a informações.
1. Os estudantes devem se sensibilizar para pensar nas medidas que favorecem a qualidade de vida desse grupo, como maior
acesso a serviços médicos e cuidados à saúde, assistência social, acessibilidade, segurança e adequada oferta de opções de atividades físicas, culturais, acadêmicas, esportivas e profissionais.
Para a proposta de pesquisa do boxe Você detetive, organize a turma para que se dirijam à sala de informática ou usem os dispositivos conectados à internet para o levantamento solicitado no portal do IBGE, o órgão que disponibiliza dados oficiais. É interessante que comparem se o estado onde vivem apresenta uma proporção maior ou menor de pessoas idosas
em relação aos dados gerais da região Sul. Caso vivam no Paraná, 16,5% das pessoas são idosas. Se for em Santa Catarina, 15,5% das pessoas estão nessa faixa etária. Por fim, no Rio Grande do Sul, cerca de 20,1% das pessoas têm 60 anos ou mais de idade. Ao comparar com os dados da região, é possível perceber que Santa Catarina e Paraná têm uma proporção menor de pessoas idosas em relação ao Sul como um todo, enquanto o Rio Grande do Sul supera a média.
BNCC
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura. (EF03CO04) Relacionar o conceito de informação com o de dado.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Para iniciar a aula, questione os estudantes retomando ideias e conceitos mobilizados na abertura, como: o que vocês entendem por diversidade étnica? E diversidade cultural? O que é autodeclaração? Em que aspectos cotidianos podemos perceber essa diversidade? Acolha as contribuições da turma, cuidando para criar um ambiente de confiança que sempre estimule novas participações.
Organize a leitura coletiva do texto e relacione o parágrafo de síntese (“a maior parte da população do Sul se declarava branca. No entanto, uma parcela significativa da população é composta de pessoas pardas, pretas, amarelas e indígenas”) com o que o gráfico revela. Reforce o vocabulário: população, faixa/ cor ou raça, dado absoluto e proporção. Pode ser que os estudantes não dominem a leitura de números da ordem do milhão e das centenas de milhares, tornando necessário propor um trabalho em interdisciplinaridade com Matemática.
Ao analisarem as fotografias do evento cultural japonês e da dança alemã, questione-os: que elementos culturais vocês reconhecem nas roupas, nos instrumentos e nas danças? Quais são as semelhanças e diferenças? Explique que esses são exemplos entre muitos: a diversidade também inclui ma-
Diversidade étnica e cultural da população
A população da região Sul apresenta grande diversidade étnica e cultural. No Censo demográfico, o recenseador do IBGE pergunta ao morador como ele se autodeclara sobre sua cor ou raça: branca, preta, amarela, parda ou indígena.
Sul: população residente, por cor ou raça (2022)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2022 Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://sidra.ibge. gov.br/tabela/9605. Acesso em: 28 abr. 2025.
Em 2022, a maior parte da população do Sul se declarava branca. No entanto, uma parcela significativa da população é composta de pessoas pardas, pretas, amarelas e indígenas. Essa diversidade se reflete na cultura da região, manifestada de diferentes maneiras, como danças, músicas, festividades, moda, artesanato, pratos típicos, línguas e religiosidades.
1 Façam uma pesquisa a respeito da composição étnica da população do estado onde vocês vivem. Registrem o que descobriram no caderno.
Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.
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trizes indígenas e afro-brasileiras, além de outras migrações. Comente que é importante evitar estereótipos e generalizações.
1. Para realizarem a pesquisa, sugira o acesso ao portal: CENSO 2022: panorama. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html. Acesso em: 18 set. 2025. Caso os estudantes vivam no Paraná, a população do estado é composta de 64,6% de brancos, 4,3% de pretos, 30% de pardos, 0,9% de amarelos e 0,2% de indígenas. Em Santa Catarina, a população branca corresponde a 76 ,3%; a preta, a 4,1%, a parda, a 19,2%; a amarela, a 0,2% e a indígena, a 0,2%. No Rio Grande do Sul, a composição é de: 78,4% de brancos, 6,5% de pretos, 14,7% de pardos, 0,1% de amarelos e 0,3% de indígenas.
Apresentação musical em evento que celebra a herança cultural japonesa, em Londrina (PR), em 2024.
Apresentação de dança folclórica alemã em Agudo (RS), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ENCAMINHAMENTO
Ancestralidade
Conhecer as histórias das pessoas mais velhas de sua família e das pessoas dos diferentes grupos que fizeram parte da região onde você mora é uma forma de valorizar e preservar as memórias e a ancestralidade.
Observe a obra Herança, da artista Rusha.
Ancestralidade: aquilo que foi recebido dos antepassados.
QUEM É?
Rhaianny Silva Pinto (1996-), é uma artista plástica gaúcha conhecida como Rusha. Suas obras exploram ideias de ancestralidade, memória, identidade, resistência e simbologia negra.
Herança, de Rusha Silva, 2022. Colagem e acrílica sobre madeira, 20 cm × 30 cm.
A obra apresenta uma menina beijando a testa de uma pessoa idosa. As duas estão com um galho de arruda na orelha, planta popularmente utilizada para afastar energias negativas. Ao fundo, aparecem folhas da espada-de-são-jorge, também associadas à proteção, inclusive em algumas religiões de matriz africana.
A artista acredita que a figura dos mais velhos deve estar sempre presente, pois eles ajudaram na construção dos lugares onde vivemos e mantiveram vivas muitas tradições originárias.
1 Com o auxílio do professor, elabore um quadro para preservar as memórias de sua família.
Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
TCT: Cidadania e civismo: processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.
Organize-se
23:19
• Tela para pintura, tinta e pincéis ou folhas avulsas, lápis de cor e papéis coloridos
• Revistas
• Tesoura com pontas arredondadas
• Cola
• Canetinhas coloridas
Inicie a aula questionando os estudantes: que heranças recebemos de nossos familiares e ancestrais? Organize a leitura do texto para cada um ler uma parte. Dialogue com os estudantes levando-os a reconhecer que, mais do que árvore genealógica, a ancestralidade nos faz perceber a extensa e complexa trama viva de vínculos interpessoais próximos e distantes, saberes tradicionais, práticas sociais, valores e memórias, que apontam para o passado, o próprio presente e o futuro. Finalize reforçando o quanto é possível fortalecer a autoestima quando nos situamos em uma história maior.
1. Forneça os materiais para a produção do quadro e proponha a execução em interdisciplinaridade com Arte. Oriente os estudantes a representar as pessoas mais velhas de sua família na sua produção e a completar a obra com elementos relacionados à cultura regional. Peça-lhes que assinem a obra e a exponham para o restante da turma em um momento de socialização e apreciação artística coletiva. Ao final, comente o conjunto das produções dos estudantes para fazer com que a turma compreenda o motivo da atividade e o sentido mais amplo do que foi elaborado.
NÃO ESCREVA NO LIVRO. RUSHASILVA/ACERVO
Rusha Silva no Rio de Janeiro (RJ), em 2024.
BNCC
(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
ENCAMINHAMENTO
Explore com a turma a interpretação dos processos históricos impulsionadores dos movimentos migratórios recentes, com base na análise comparada dos mapas temáticos da página. Conduza a leitura silenciosa e oral do texto, enfatizando a descrição de processos e fatores. Ressalte o fato de esses movimentos perfazerem a segunda metade do século XX e o início do XXI, o que permite relacioná-los à história de vida de familiares e conhecidos.
Estimule a percepção de que, embora ambos representem migrações no Brasil, cada mapa foi elaborado para destacar fenômenos em momentos diferentes e, por isso, apresenta um conjunto único de símbolos para representar movimentações populacionais. Incentive os estudantes a descrever o que observam detalhadamente antes de você explicar os detalhes.
Movimentos migratórios recentes
Durante a segunda metade do século 20, a migração interna foi o movimento migratório mais recorrente na região Sul, com pessoas de outras regiões do Brasil mudando-se para os estados da região e também com habitantes do Sul migrando para outras regiões brasileiras.
No período de 1950 a 1970, o principal fluxo migratório presente na atual região Sul foi a saída de pessoas dos três estados em direção à região Norte do país. Esse fluxo era composto, sobretudo, por famílias do campo em busca de novas terras para desenvolver atividades agropecuárias. Nesse período, também é possível observar a chegada de migrantes vindos da região Nordeste do país à região Sul.
Brasil: migrações (1950-1970)
Principais fluxos migratórios no período
Região Sul atual
Divisa estadual Fronteira internacional
Brasil: migrações (1970-1990)
Principais fluxos migratórios no período
Principais fluxos migratórios no período
Região Sul atual
Região Sul atual
Divisa estadual Fronteira internacional
Divisa estadual Fronteira internacional
2019. p. 135.
No período de 1970 a 1990, o fluxo de pessoas em direção aos estados da região Norte se intensifica e os estados da região Centro-Oeste também passam a receber pessoas vindas do Sul. Esse fluxo é motivado pela expansão das atividades agropecuárias. Nesse mesmo período, há também um fluxo de brasileiros da região Sul para o país vizinho Paraguai. Entre 1990 e 2000, os fluxos migratórios na região Sul se modificam bastante. A migração de pessoas para o Centro-Oeste e o Norte sofre uma grande diminuição. Nesse período, é possível perceber fluxos entre os próprios estados da região Sul e o movimento de pessoas em direção a São Paulo.
Texto de apoio
As mudanças no processo migratório nacional tiveram, a partir dos anos 70, o deslanchar de suas transformações. [...] Apesar da centralidade migratória no Sudeste — São Paulo e Rio de Janeiro, foram os dois estados dessa região que já haviam assistido a uma redução em seus volumes de imigrantes dos anos 70 para os 80 [...]. O Sudeste, que chegava a ter um movimento migratório que envolvia quase 5 milhões de pessoas nos anos 70, diminuiu este volume para 4,3 milhões no período 1981-1991.
BAENINGER, Rosana. Migrações internas no Brasil século 21: evidências empíricas e desafios conceituais. In: CUNHA, José Marcos Pinto da (org.). Mobilidade espacial da população: desafios teóricos e metodológicos para o seu estudo. Campinas: Unicamp, 2011. p. 72-73. Disponível em: https://www.nepo.unicamp.br/publicacoes/livros/mobilidade/Mobilidade_Espacial_da_ Popula%C3%A7%C3%A3o.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.
Fonte dos mapas: SIMIELLI, M. E. Geoatlas. 35. ed. São Paulo: Ática,
Também acontece um pequeno fluxo de pessoas vindas do Mato Grosso do Sul (região Centro-Oeste), mas que eram originárias de estados da região Sul, como o Paraná.
Brasil: migrações (1990-2000)
OCEANO
Brasil: migrações (2005-2010)
Fonte dos mapas: SIMIELLI, M. E. Geoatlas. 35. ed. São Paulo: Ática, 2019. p. 135.
Entre 2005 e 2010, nota-se um fluxo importante de pessoas migrando de São Paulo para Santa Catarina. Observa-se também a migração de pessoas para o Mato Grosso do Sul, impulsionada, em parte, pela expansão da agropecuária no estado.
Segundo o Censo demográfico de 2022, entre 2017 e 2022, a maioria das pessoas que moravam na região Sul tinha nascido ali mesmo. No entanto, foi também nesse período que mais pessoas de outras regiões passaram a se mudar para o Sul.
Nesse período, Santa Catarina foi o estado que mais recebeu novos moradores no país, passando São Paulo, que desde 1991 liderava nesse aspecto. Esse crescimento migratório se deve, principalmente, à economia do estado, que atrai pessoas em busca de empregos e qualidade de vida, entre outros fatores.
1 Há diferenças na largura das setas dos mapas apresentados nas páginas 120 e 121. Converse com os colegas e o professor sobre o que elas significam.
2 Esses mapas podem ser utilizados para quais finalidades?
Converse com os estudantes sobre a espessura das setas e verifique se eles conseguem identificar que a espessura delas significa a intensidade do fluxo migratório. Ver resposta e orientações no Encaminhamento.
3 Quais foram os principais fluxos migratórios presentes ao longo do tempo no estado onde você vive? Anote no caderno.
Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.
Texto de apoio
A Região Sul passa de saldo migratório negativo para um saldo positivo [no quinquênio 2005-2010], demonstrando capacidade de retenção de população, embora sejam observadas trocas populacionais entre os estados dessa região com maior intensidade. O estado de Santa Catarina foi determinante na composição do saldo migratório da Região Sul, atraindo população do Paraná e Rio Grande do Sul e, em menor intensidade, de outras regiões do país.
JARDIM, Antonio de Ponte; ERVATTI, Leila Regina. Migração interna na primeira década do século XXI: subsídios para as projeções. In: ERVATTI, Leila Regina; BORGES, Gabriel Mendes; JARDIM, Antonio de Ponte (org.). Mudança demográfica no Brasil do século XXI. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv93322.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.
Avance nas interpretações dos fenômenos migratórios, preparando o olhar dos estudantes para ler os dados nos dois mapas desta página.
2. Os mapas podem ser utilizados para a compreensão da dinâmica populacional da região, o que pode fomentar desde estudos acadêmicos até a execução de políticas públicas.
3. Verifique se os estudantes concluíram que, no período de 1950 a 1970, os três estados sulinos apresentaram expressivo fluxo migratório para o território de Rondônia e um fluxo considerável de pessoas do Rio Grande do Sul para o Paraná, estado que também recebeu migrantes do Nordeste. De 1970 a 1990, os três estados mantiveram um grande fluxo migratório para o Norte e o expandiram para o Centro-Oeste. Houve também migração do Paraná para o Paraguai e a chegada de migrantes de estados do Nordeste, sobretudo para o Paraná. De 1990 a 2000, houve fluxo migratório do Rio Grande do Sul e do Paraná para Santa Catarina e migrantes de São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul para o Paraná. Houve, ainda, migrantes saindo de São Paulo para o Rio Grande do Sul e vice-versa. De 2005 a 2010, predominaram no Brasil migrações interestaduais. Assim, os estados do Sul apresentaram significativos fluxos migratórios intrarregionais. Os movimentos inter-regionais foram registrados com São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados de regiões distintas, mais próximos do Sul.
Trópico de Capricórnio
OCEANO
OCEANO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Principais fluxos migratórios no período
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Continue a abordagem do tema migrações, sensibilizando a turma para que avancem engajados no tema e expandam o olhar para os fluxos de pessoas que vêm de fora do Brasil. Questione: o que vocês levariam na mala se tivessem que deixar o país hoje? Capture a imaginação e os sentimentos que expressarem em relação a essa situação desafiadora de adaptação às condições de vida em outro país. Fortaleça o acolhimento e a empatia entre as crianças. Organize a leitura do texto, com pausas para destacar ideias centrais como o entendimento do gráfico. Mostre o gráfico sobre a origem dos imigrantes recentes e questione quais países se destacam e por quê. Explique o contexto do Haiti e da Venezuela, relacionando com acontecimentos externos ao Brasil, como terremotos, crises políticas e econômicas. Esse momento favorece o desenvolvimento de uma visão ampliada e articulada de múltiplas escalas geográficas que se conectam ao cotidiano no lugar de vivência da turma.
Migrações externas
A partir de 2010, os maiores fluxos migratórios em nosso país tinham origem no Haiti e na Venezuela.
Após um terremoto que assolou o Haiti em 2010, as condições de vida nesse país se tornaram difíceis. O Brasil foi um dos locais escolhidos por milhares de haitianos interessados em recomeçar suas vidas no exterior.
Sul: origem de imigrantes recentes (2022)
Venezuela HaitiParaguaiArgentina UruguaiEstadosUnidosColômbia Portugal Cuba Peru
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/ indicadores.html?localidade=N2[4]. Acesso em: 2 jul. 2025.
Hoje em dia, o Sul, junto com o Sudeste, é uma das regiões do país que mais contratam imigrantes. Algumas das cidades que mais recebem imigrantes na região são Curitiba (PR), Chapecó (SC), Foz do Iguaçu (PR) e Florianópolis (SC).
1 Responda no caderno: quais são os três países com o maior número de imigrantes, de acordo com o gráfico?
A partir de 2015, muitos venezuelanos vieram ao Brasil em busca de melhores condições de vida, já que a Venezuela enfrentava uma crise econômica severa. O principal fluxo migratório ocorre para a região Norte, principalmente para o estado de Roraima. Uma vez dentro do Brasil, muitos venezuelanos buscam outras regiões quando têm a oportunidade. Venezuela, Haiti e Paraguai.
2 Você conhece alguma pessoa que veio de outro país para morar no Brasil? Compartilhe com a turma essa história.
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes compartilhem histórias da família ou de outras pessoas que conhecem.
3 Explique por que é importante receber bem os imigrantes.
Resposta pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.
122
Se no seu contexto escolar houver estudantes venezuelanos e haitianos, convide-os para uma roda de conversa para que possam relatar como eram as vivências de suas famílias e como se sentem em solo brasileiro.
24/09/2025
Muitos haitianos habitam o Rio Grande do Sul, em regiões como o Vale do Taquari. Em Santa Catarina, cidades como Itajaí, Navegantes, Joinville, Concórdia e Videira recebem muitos imigrantes também. No Paraná, podemos destacar Curitiba, uma das principais cidades de destino para os venezuelanos, recebendo, a depender do ano, a maioria deles, seguida de Manaus (Amazonas), São Paulo (São Paulo) e Dourados (Mato Grosso do Sul).
2. Aproveite a correção da atividade para explicar que o censo levanta dados de pessoas que não residiam no Brasil cinco anos antes da data de referência em que ele é realizado.
3. Espera-se que os estudantes reconheçam a importância de acolher as pessoas com solidariedade e respeito, demonstrando princípios dos direitos humanos, como dignidade, acolhimento, segurança e oportunidade.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
País de origem
SONIA VAZ
Populações das fronteiras
A proximidade da região Sul com países como Paraguai, Uruguai e Argentina facilita o trânsito de pessoas, de mercadorias e as trocas culturais. A maior movimentação na fronteira ocorre com a Argentina, seguida pelos fluxos com o Paraguai e o Uruguai.
Foz do Iguaçu (PR), que faz fronteira com Puerto Iguazú (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai), é um exemplo de cidade com intensa circulação de pessoas. Muitas delas cruzam a fronteira diariamente para trabalhar, fazer compras e visitar familiares, por exemplo. Essa movimentação, somada ao atrativo natural das Cataratas do Iguaçu, torna a região um importante destino turístico por causa do turismo de compras.
Existem outras cidades que se destacam por suas dinâmicas de fronteira, com grande circulação de pessoas e intensa movimentação do comércio e do turismo de compras. Alguns exemplos são: Guaíra (PR), que faz divisa com Salto del Guairá, no Paraguai; Dionísio Cerqueira (SC), que faz fronteira com Bernardo de Irigoyen, na Argentina; Uruguaiana (RS), que faz fronteira com Paso de los Libres, na Argentina; e Sant’ana do Livramento (RS), que faz fronteira com Rivera, no Uruguai.
Marco das Três Fronteiras em Foz do Iguaçu (PR), em 2024. Esse ponto turístico tem vista para a fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai.
DESCUBRA MAIS
TALLEI, Jorgelina. A menina que falava portunhol . Ilustrações: Lorena Silva Martins. Foz do Iguaçu: Telha, 2024.
O livro é resultado de um projeto realizado com uma escola de Foz do Iguaçu, no qual os estudantes deveriam contar histórias sobre sua vida em uma região de fronteira. Uma dessas histórias, de criação coletiva, foi publicada pela escritora Jorgelina Tallei.
BNCC
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
ENCAMINHAMENTO
Aborde o tema das populações das fronteiras instigando a imaginação dos estudantes sobre a vida nesse contexto geográfico específico. Explique que o principal exemplo abordado na página corresponde a um caso de cidades-gêmeas, isto é, municípios reconhecidos pelo governo federal pela forte integração territorial, econômica e cultural que estabelecem entre si. Em seguida, conduza a leitura do texto e destaque pontos centrais na lousa.
24/09/2025 18:31
Sugestão para o professor PORTUÑOL. Direção: Thais Fernandes. Produção: Mariana Mêmis Müller, Fabiano Florez e Jéssica Luz. Brasil, Globo Filmes, 2020. 1 vídeo (ca. 70 min).
O documentário aborda a cultura das regiões de fronteira do Brasil com os demais países da América Latina, como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Nessas regiões, as pessoas falam português, espanhol, guarani e portunhol, uma fusão de português e espanhol. Alguns municípios visitados na produção estão no Sul.
Converse sobre as cidades dos três estados que se destacam nesse contexto e questione os estudantes se conhecem alguma delas. Proponha a pesquisa de fotografias que retratem situações cotidianas garantindo a estudantes com dificuldade de aprendizagem que se apropriem dessa caracterização de contexto.
BNCC
(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Condições de vida no Sul
Existem diversos indicadores sociais para avaliar as condições de vida de uma população. Os principais são o acesso à saúde, à educação e ao trabalho, bem como a renda dos habitantes e a desigualdade entre eles.
Saúde
O acesso à saúde é muito importante para uma boa qualidade de vida. A expectativa de vida da população é mais alta em locais que apresentam boa cobertura de saneamento básico e maior acesso a postos de saúde e a hospitais. Observe a tabela.
Sul: expectativa de vida ao nascer (2019)
Estado
Anos
Paraná 77,9
Santa Catarina 79,9
Rio Grande do Sul 78,5
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Tábua completa de mortalidade para o Brasil: 2019. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https:// biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/ periodicos/3097/tcmb_2019.pdf. Acesso em: 3 jul. 2025.
Na região Sul, as pessoas têm expectativa de vida ao nascer maior do que a média brasileira, que era de 76,6 anos em 2019. Santa Catarina era o estado com a maior expectativa de vida do país nesse período.
Educação
O número de anos de estudo de uma pessoa geralmente está relacionado a melhores perspectivas de trabalho e de renda no futuro. Um indicador importante de acesso à educação é a taxa alfabetização. Na região Sul, 96,5% das pessoas são alfabetizadas.
Sul: taxa de alfabetização de pessoas com mais de 15 anos (2022)
Estado Taxa de alfabetização (%)
Paraná 95,7
Santa Catarina 97,3
Rio Grande do Sul 96,9
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https:// sidra.ibge.gov.br/tabela/9543. Acesso em: 3 jul. 2025.
Os estados da região Sul apresentam taxas de alfabetização mais altas do que a média brasileira, que era de 93% em 2022.
Comece a aula questionando os estudantes ainda com o livro fechado: o que significa ter boas condições de vida? Forneça uma pista para a resposta: elas dependem da conjugação de fatores materiais (socioeconômicos), ambientais e culturais. Escute as ideias e as colocações da turma e anote na lousa palavras-chave do tema que surgirem. Conduza uma leitura guiada da tabela de expectativa de vida e informe que esses dados de longevidade derivam de uma projeção do IBGE pré-pandemia e, por isso, sem interferência do fenômeno que impactou sobremaneira a estatística de mortalidade no país. Peça a eles que comparem os números dos três estados e levantem hipóteses que expliquem o fato de as pessoas viverem, em média, um pouco mais em Santa Catarina. Cite fatores como saneamento, cobertura de serviços médico-hospitalares, educação, segurança alimentar, boas condições de trabalho e lazer. Amplie as reflexões mostrando que essas condições dependem da ação de toda a sociedade e do planejamento e execução de políticas públicas com essa finalidade.
No tópico Educação, leve os estudantes a pensar na importância de saber ler e escrever para acessar empregos que demandem especialização, alcançar maior renda e interpretar de forma qualificada informações de todas as áreas da vida. Peça a eles que imaginem situações cotidianas em que a leitura é indispensável para a realização das tarefas.
Avance nas análises propondo aos estudantes uma comparação: imaginem um bolo que precisa ser dividido entre todos os moradores. A renda gerada por todas as atividades econômicas de uma localidade é o bolo e o per capita é a fatia de igual tamanho distribuída a cada habitante. Na realidade, a renda das famílias varia muito em relação a esse valor de referência. O fato de ainda haver famílias em situação de pobreza atesta a distribuição desigual da riqueza e das oportunidades no contexto regional, que espelha o nacional.
Trabalho e renda
Em 2024, a média de renda mensal por pessoa no Sul era de R$ 2.499, enquanto a renda per capita (ou seja, por pessoa) brasileira, no mesmo ano, era de R$ 2.020.
Sul: renda per capita (2024)
Estado Renda per capita (em reais)
Paraná 2.438
Santa Catarina 2.544
Rio Grande do Sul 2.532
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua anual. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7531. Acesso em: 3 jul. 2025.
Em 2023, foi observado que 14,8% da população do Sul vivia em situação de pobreza, com renda abaixo da linha considerada mínima no Brasil. Mesmo sendo a região do país com a menor proporção de pessoas vivendo na pobreza, ainda é preciso melhorar muito para que todos tenham uma vida digna.
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
A Organização das Nações Unidas (ONU) utiliza o Índice de Desenvolvimento Humano como forma de avaliar as condições de vida em determinado local. Esse índice leva em consideração três aspectos: acesso à saúde, à educação e à renda. O IDH varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano do local.
Sul: IDH (2021)
Estado IDH
Paraná 0,769
Santa Catarina 0,792 Rio Grande do Sul 0,771
Fonte: PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. Painel IDHM Brasília, DF: Pnud, 2025. Disponível em: https://www.undp.org/pt/brazil/ desenvolvimento-humano/painelidhm. Acesso em: 4 jul. 2025.
No mesmo período, o IDH do Brasil era de 0,766; portanto, os estados do Sul apresentam IDHs acima da média nacional, considerados altos. Em 2021, Santa Catarina tinha o terceiro maior IDH, o Rio Grande do Sul tinha o quinto, e o Paraná tinha o sétimo.
VOCÊ DETETIVE
1. Pesquise o que é o Sistema Único de Saúde (SUS) e como esse sistema auxilia na qualidade de vida dos brasileiros. Anote suas descobertas no caderno.
2. No dia combinado com o professor, compartilhe suas descobertas com a turma.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Para estabelecer o diálogo sobre a tabela do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), explique que ele é uma medida global, utilizada para comparar a situação socioeconômica dos países e leva em conta três dimensões principais: Renda Nacional Bruta per capita ; educação (média de anos de escolaridade e expectativa de anos de estudo); e saúde (expectativa de vida ao nascer). Já o Índice de Desenvolvimento Municipal (IDHM) é uma adaptação do IDH, criada especificamente para medir o desenvolvimento dos municípios brasileiros.
No boxe Você detetive, ao pesquisar em fontes oficiais do governo, os estudantes concluirão que o SUS é responsável pela gestão das ações e dos serviços de saúde gratuitos para todos. Sua atuação engloba a saúde da família, os serviços hospitalares de urgência e emergência, a vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e a assistência farmacêutica. Exemplifique com fontes confiáveis:
• BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Único de Saúde : SUS. Brasília, DF: MS, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ pt-br/sus. Acesso em: 20 set. 2025.
• BRASIL. Ministério da Saúde. SUS: a saúde do Brasil. Brasília, DF: MS, 2011. Disponível em: https://bvsms. saude.gov.br/bvs/publi cacoes/sus_saude_bra sil_3ed.pdf. Acesso em: 20 set. 2025. Sugestão para o professor INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA et al Atlas do desenvolvimento humano no Brasil. c2025. Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br. Acesso em: 21 set. 2025. Nessa plataforma oficial, é possível consultar o IDHM de cada município brasileiro, além de outros indicadores socioeconômicos. Esse índice é uma adaptação do índice global e se baseia em longevidade, acesso à educação e padrão de vida (por renda per capita). É recomendável navegar junto com a turma pelos diversos recursos do relatório dinâmico (mapas, tabelas e gráficos interativos), projetando a tela para que todos acompanhem os infográficos de seu município descortinando dados de população, saúde, educação, renda, habitação, vulnerabilidade social, meio ambiente e participação política. Mostre como selecionar diferentes municípios e incentive as análises. Comente com a turma que esse atlas pode ser tornar uma referência de pesquisa no estudo geográfico em escala municipal.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
ENCAMINHAMENTO
Comece a aula propondo aos estudantes que conversem sobre o que entendem por desigualdade no dia a dia: pode ser no transporte, no acesso à saúde, na escola ou nas oportunidades de lazer. Considere os exemplos dos estudantes sem julgamentos, reforçando que se trata de um fenômeno social.
Apresente o texto da página destacando o processo histórico de exclusão de negros, indígenas e mulheres. Ressalte que a escravidão e a colonização deixaram marcas que ainda afetam as condições de vida da população, mas essas heranças históricas não significam destino imutável.
Apresente a fotografia e leia com a turma a legenda sobre a comunidade do Arvoredo. Explique que a falta de moradia digna é uma consequência da dificuldade de acesso à habitação regular por conta própria ou com o auxílio de políticas públicas com essa finalidade.
Nessa abordagem, garanta que as colocações transcorram sem estigmatizar a população mais pobre e sem naturalizar estereótipos sobre pobreza, favela ou cor da pele. Promova o respeito às experiências de colegas que possam viver situações próximas.
Desigualdades sociais no Sul
Apesar de apresentar bons índices de desenvolvimento humano, a região Sul enfrenta profundas desigualdades entre seus habitantes. O Brasil é um país que apresenta grande concentração de renda, ou seja, há muita riqueza na mão de poucas pessoas, enquanto a maior parte das pessoas tem renda baixa ou até nenhuma renda. A região Sul do país sofre do mesmo problema. Uma das razões para a desigualdade social é o histórico de exclusão de grupos como negros, indígenas e mulheres. O processo histórico de colonização e a escravidão, que vigorou no país por mais de 300 anos, teve grande efeito negativo sobre as populações negra e indígena. Mesmo após a abolição da escravidão, a população negra permaneceu à margem da sociedade brasileira. Essa população sofreu preconceito e discriminação, sendo relegada a trabalhos mal remunerados e a condições de vida inferiores às do restante da população.
Relegada: tratada com desprezo.
Observe os dados na tabela.
Sul: renda média mensal, por cor ou raça, em reais (2024)
Estado
Cor ou raça
Branca Preta Parda
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua anual. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7441. Acesso em: 3 jul. 2025.
Comunidade do Arvoredo, também conhecida como Favela do Siri, em Florianópolis (SC), em 2023. A falta de moradias levou a população a ocupar irregularmente dunas presentes no município.
Texto de apoio
A chamada segregação socioespacial na Grande Florianópolis não é um fenômeno recente, pelo contrário: trata-se de um processo, atualmente em curso acelerado, vigente na região desde a passagem do século XIX ao século XX, quando da ocupação da região insular da Grande Florianópolis e da pressão para que a população negra deixasse de habitar o centro da cidade. Assim, desde o início do século XX a expansão da ocupação urbana promoveu as primeiras pressões (tanto econômicas como sociais) que removeram a população pobre e negra que habitava o centro da cidade e que passou a fixar-se em áreas de encostas do Maciço Central do Morro da Cruz, num primeiro momento. “Os morros da Mariquinha e do Mocotó foram ocupados por homens e mulheres de baixa renda, sendo que muitos eram ex-escravos que trabalhavam em casas de família na área central de Florianópolis ou no mercado público da cidade” [...].
MAGALHÃES, Luís Felipe; TONIN, Vitor Hugo. Segregação socioespacial na Grande Florianópolis: alguns apontamentos históricos e estatísticos. Revista Necat, ano 4, n. 7, p. 77, jan./jun. 2015. Disponível em: https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/revistanecat/article/view/4485/3415. Acesso em: 23 set. 2025.
Além da desigualdade de raça ou cor, a população da região Sul também apresenta diferentes condições de vida entre homens e mulheres.
A conquista dos direitos das mulheres no Brasil aconteceu há pouco tempo, principalmente no século 20. No entanto, ainda existem grandes disparidades no rendimento entre homens e mulheres, além de desigualdades no acesso a oportunidades e no tratamento que recebem. Observe os dados na tabela.
Sul: renda média mensal, por sexo, em reais (2024)
ENCAMINHAMENTO
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua anual. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7444. Acesso em: 3 jul. 2025.
Vendedora trabalhando em barraca de pães e bolos caseiros em Santa Maria (RS), em 2021.
1 Observem novamente a tabela Sul: renda média mensal, por cor ou raça, em reais (2024), na página anterior. O que é possível concluir a respeito da desigualdade por cor ou raça na região Sul? Anotem no caderno.
2 Agora, observem novamente a tabela Sul: renda média mensal, por sexo, em reais (2024). O que é possível concluir sobre a desigualdade entre os sexos na região Sul com base nos dados apresentados? Ao analisar os dados, os estudantes podem concluir que os homens apresentam renda média mensal mais alta do que as mulheres em todos os estados. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
25/09/2025 21:10
Divida a turma em grupos de 4 a 5 estudantes para criar um cartaz ou mural temático com o título “Como podemos construir a igualdade no Brasil começando do lugar onde vivemos?”. Cada grupo deve escolher uma ideia prática para combater desigualdades na escola e na comunidade. Incentive-os a expressar essa ideia conjugando recursos textuais e imagéticos, como desenhos e frases curtas de impacto. Disponibilize cartolina e folhas coloridas e reserve o momento em que os grupos apresentarão suas produções à turma. Cole os cartazes no mural da escola ou em um espaço de ampla circulação e finalize reforçando três mensagens: as desigualdades de raça/cor e de gênero são históricas e sociais; todos têm direito às mesmas oportunidades; a escola é um espaço para aprender a respeitar e valorizar as diferenças, construindo juntos um futuro mais justo. Essa produção coletiva criativa promove empatia, engajamento, senso crítico e cidadania e reforça o motivo de estudar esse tema.
Inicie a aula lembrando à turma que as mulheres fizeram conquistas importantes no Brasil no último século: direito ao voto, inserção no mercado de trabalho formal, direito à licença-maternidade, entre outras. Explique que, apesar desses avanços, ainda persistem desigualdades de gênero, constatadas estatisticamente por levantamentos dos proventos do trabalho assalariado, como exposto na tabela da página. Peça aos estudantes que observem os dados de renda média mensal de homens e mulheres no Sul e anotem o que se pode depreender da estatística: em todos os estados, os homens recebem mais do que as mulheres. Conduza as análises com estes questionamentos: o que esses dados revelam sobre as oportunidades que homens e mulheres encontram no mercado de trabalho? A diferença de rendimentos significa que as mulheres trabalham menos? Quais fatores sociais e culturais podem explicar essa desigualdade? Como a divisão das tarefas de casa e o cuidado familiar influenciam a vida profissional das mulheres? Deixe que os estudantes exponham o que sabem. Detecte e combata estigmas ou estereótipos que possam surgir. Leve-os a compreender que as diferenças de salário se relacionam com barreiras sociais estruturais perpetradas na sociedade. 1. Os dados apresentados permitem concluir que a população branca apresenta rendimentos consideravelmente mais altos que as populações parda e preta e que esta última tem a menor renda em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Trabalhe de forma interdisciplinar com Matemática para que realizem procedimentos de cálculo.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
Organize-se
• Cartolina ou papel pardo grande (painel)
• Papéis coloridos, revistas, jornais e folhetos para recorte
• Canetinhas, lápis de cor e giz de cera
• Tesouras com pontas arredondadas
• Cola ou fita adesiva
• Régua
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula instigando a comparação entre os bairros do município onde vivem. Questione os estudantes: quais deles vocês acham que têm mais serviços e infraestrutura? Quais parecem ter menos? Se possível, providencie previamente imagens para esse diálogo retratando bairros de alto padrão e bairros populares para que a turma diferencie a infraestrutura instalada e os recursos disponíveis. Leia coletivamente o texto, garantindo a apreensão do conceito de segregação socioespacial.
1. Explicite aos estudantes que a atividade tem como finalidade estimular a reflexão crítica sobre o direito à cidade, provocando o pensamento crítico e criativo em torno da ideia de um espaço urbano mais justo e igualitário. Ao elaborar o painel, eles deverão demonstrar o valor da equidade no acesso a serviços essenciais, como saúde, educação, transporte, segurança e lazer.
DIÁLOGOS Segregação socioespacial
Você já percebeu como existem bairros bem diferentes uns dos outros dentro de uma mesma cidade? Em alguns bairros, a pavimentação das ruas está em boas condições, existem calçamento adequado e acessível, iluminação pública, escolas, pontos de ônibus, água encanada e coleta de esgoto. Geralmente, esses bairros são habitados por pessoas com renda mais alta. No entanto, parte da população não consegue viver em bairros com boa infraestrutura devido ao alto custo das moradias. Segundo o Censo demográfico de 2022, 967 mil pessoas viviam em favelas e comunidades urbanas na região Sul. Nessas áreas das cidades, a infraestrutura e os serviços públicos não existem, são incompletos ou precários. Isso mostra como as cidades podem ser divididas socialmente. Esse tipo de divisão injusta tem um nome: segregação socioespacial.
Acessível: algo que pode ser alcançado ou utilizado por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Casas da Ilha dos Marinheiros, em Porto Alegre (RS), em 2025, às margens do lago Guaíba. Nessa e em outras comunidades, muitas famílias vivem sem acesso a saneamento básico.
Por isso, é muito importante que o poder público crie planos e projetos para melhorar a vida das pessoas, pois todos têm direito à moradia, à educação, à saúde e ao transporte de qualidade, não importando sua renda. Assim, podemos construir uma sociedade mais justa e com oportunidades para todos.
1 Em grupo, criem um painel com imagens e frases que mostrem como seria a cidade ideal, onde todas as pessoas teriam os mesmos direitos e oportunidades.
Produção pessoal.
• Depois, apresentem o trabalho para a turma e expliquem como os elementos escolhidos tornariam a cidade mais justa e igualitária.
Espera-se que os estudantes apresentem aspectos relacionados à igualdade de acesso a serviços como saúde, educação, transporte, segurança e lazer.
Texto de apoio
O estudo publicado na Revista Brasileira de Estudos de População [em 2023] analisou a segregação residencial por raça (segregação racial) e renda (segregação econômica) nas cidades brasileiras. [...] os resultados para a segregação residencial por raça demonstraram que este problema é mais evidente nas cidades do Sul e do Sudeste do Brasil. [...]
As capitais do Sul e Sudeste foram as cidades com maior segregação para pessoas pretas, pardas e toda a população negra (pretos e pardos). Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo são os estados que apresentaram os indicadores mais significativos de segregação racial.
ARAÚJO, Walisson. Cidades do Sul e do Sudeste do Brasil lideram índices de segregação racial e econômica, aponta estudo. Cidacs, 11 jan. 2024. Disponível em: https://cidacs.bahia.fiocruz.br/2024/01/ cidades-do-sul-e-do-sudeste-do-brasil-lideram-indices-de-segregacao-racial-e-economica-aponta-estudo/. Acesso em: 23 set. 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Desigualdades de renda no Brasil
Existem diversos motivos complexos para a desigualdade de renda entre as regiões do Brasil, que envolvem fatores econômicos, históricos e geográficos.
Observe o gráfico.
Grandes regiões: renda per capita (2024)
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua anual Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/7531. Acesso em: 3 jul. 2025.
Conforme o gráfico de 2024, as regiões Sul e Sudeste do Brasil apresentam as duas maiores rendas per capita, enquanto as regiões Norte e o Nordeste possuem as duas menores. A região Centro-Oeste, principalmente por causa do desenvolvimento econômico associado ao agronegócio, desde a década de 1990, também tem se desenvolvido economicamente de forma rápida.
Ao longo do século 19 e início do século 20, houve incentivos governamentais aos imigrantes europeus que vieram para a região Sul. Associados a uma melhor distribuição de terras, esses benefícios permitiram uma distribuição menos desigual de renda na região. Um exemplo disso é que a agricultura familiar desempenha um papel muito importante no Sul do Brasil até os dias de hoje.
Contudo, apesar de apresentar os melhores índices de renda do Brasil, a região Sul também possui desigualdades econômicas entre os estados que a compõem, que apresentam índices diferentes nos indicadores de saúde, educação, trabalho e renda.
1 Reveja as tabelas das páginas 124 e 125. O que elas revelam sobre as desigualdades entre os estados da região Sul? Responda no caderno.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Texto de apoio
A luta pelo direito à cidade passou a ser depositária das expectativas de mudança, das projeções de justiça, democracia e igualdade na cidade. E isso não só por parte dos movimentos sociais, mas também [...] por parte da academia. [...] No caso da luta por habitação, falar em direito à cidade aponta para uma dimensão coletiva maior que não está inscrita no direito à moradia. Não ter casa não significa apenas não poder permanecer fisicamente na cidade, mas não pertencer a seus laços sociais. Conseguir emprego ou usufruir da maioria dos serviços públicos tornam-se tarefas praticamente impossíveis sem endereço fixo, por exemplo. Com a negação do direito à moradia e do acesso à habitação, o pertencimento à cidade também é negado — e essa dimensão não é só individual, na medida em que determina quem pode fazer parte da cidade. TAVOLARI, Bianca. Direito à cidade: uma trajetória conceitual. Novos Estudos Cebrap, ed. 104, v. 35, n. 1, p. 106, mar. 2016. Disponível em: http://www.ser.puc-rio.br/Direito_a_Cidade_TAVOLARI_Bianca.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
BNCC
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
TCT: Cidadania e civismo: educação em direitos humanos.
ENCAMINHAMENTO
Esta seção é uma oportunidade de contemplar a problematização da desigualdade feita ao longo do capítulo colocando a região Sul em perspectiva com as demais regiões.
1. Os estudantes devem observar que, mesmo o Sul apresentando uma das maiores rendas per capita do Brasil, existem desigualdades internas entre seus estados. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não apresentam os mesmos patamares de renda. Há diferenças tanto entre os estados quanto dentro de cada um deles. Além disso, as tabelas do capítulo mostram desigualdades quando se comparam homens e mulheres e pessoas de diferentes cores/raças.
A análise das desigualdades regionais de renda permite discutir com os estudantes que o acesso a uma vida digna — com moradia, saúde, educação, trabalho e lazer — é um direito humano fundamental. Quando esse direito é violado, compromete-se a coesão social, a solidariedade e a justiça. A renda é mais do que uma questão econômica, é um compromisso ético e coletivo.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula explorando as imagens. Questione os estudantes: quais são os nossos direitos e deveres na escola? E na comunidade? E no município? Destaque a importância das ações do poder público para usufruirmos dos direitos. Após esse momento de trocas, conduza a leitura do texto e converse com a turma sobre outros espaços que eles conhecem e que representam o poder público.
1. São funções dos vereadores: elaborar leis municipais, fiscalizar as ações do prefeito e do poder executivo local, representar os interesses da população no Legislativo municipal. A quantidade de vereadores é um número definido pela Constituição Federal e pela Lei Orgânica municipal. Assim, a turma deve levantar o dado específico para o seu município.
2. Auxilie os estudantes a consultar na internet a localização desses prédios públicos no município. De posse das informações, eles podem elaborar o croqui da localização desses edifícios.
CIDADANIA E COLETIVIDADE
O planejamento do futuro da região e do país depende das pessoas. Essas pessoas podem se organizar por meio do poder público e de movimentos sociais.
O poder público é o conjunto de órgãos que planeja e administra um território.
As pessoas que formam o poder público, como presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores, são eleitas pela população. Os serviços oferecidos por pessoas que trabalham para o poder público são chamados serviços públicos.
1 Com o auxílio do professor, pesquise a função dos vereadores e quantos existem no seu município. Anote as respostas no caderno.
2 Você sabe onde ficam a prefeitura e a Câmara Municipal do município onde você vive? Com os colegas, elabore uma representação cartográfica da localização desses espaços.
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1. Os vereadores elaboram as leis municipais e fiscalizam o trabalho do prefeito. O número de vereadores varia de acordo com o tamanho da população do município. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Para sensibilizar os estudantes no tema da cidadania, proponha a avaliação da acessibilidade no espaço escolar. Convide a turma a observar as dependências da escola: salas de aula, corredores, pátio, banheiros, entrada principal, biblioteca, laboratórios etc. Peça a eles que registrem em desenhos e fotografias os recursos de acessibilidade disponíveis. Comente que ela se materializa em várias dimensões: arquitetônica e urbanística: rampas de acesso, piso tátil, vagas reservadas, banheiros acessíveis; comunicacional e linguística: uso de Libras, legendas, audiodescrição, materiais em braile e comunicação alternativa para pessoas não verbais; atitudinal: respeito, empatia, valorização da diversidade e conscientização da comunidade escolar; digital: leitores de tela, textos alternativos para imagens, contraste adequado e teclas de atalho; instrumental: tecnologias assistivas, como próteses e órteses. Promova o compartilhamento das observações considerando cada uma das dimensões citadas.
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DIEGO GRANDI/SHUTTERSTOCK.COM
CHICO FERREIRA/PULSAR IMAGENS
Palácio Iguaçu, em Curitiba (PR), em 2025.
Centro Administrativo do Governo do Estado de Santa Catarina em Florianópolis (SC), em 2024.
Palácio Piratini, em Porto Alegre (RS), em 2022.
JONATÃ ROCHA/SECOM
Participar das audiências públicas é uma das maneiras de ajudar a transformar e a melhorar o lugar onde vivemos. As audiências públicas são momentos em que as pessoas podem conversar com representantes do poder público, apresentar suas ideias, indicar situações que precisam de atenção e sugerir soluções para problemas públicos.
As audiências também servem para que a população opine sobre mudanças nas leis, proponha obras públicas, intervenha em questões ambientais, de transporte, de saúde, de educação e muito mais.
Audiência pública a respeito de prédios históricos e culturais em Curitiba (PR), em 2025.
Atualmente, muitas das audiências públicas também acontecem pela internet, por meio de uma plataforma especial. Isso facilita a participação de mais pessoas, mesmo aquelas que não podem estar presentes no local.
Os movimentos sociais são formados por grupos de pessoas que se organizam para praticar ações relacionadas a mudanças sociais, políticas, ambientais ou econômicas. Geralmente se estabelecem em organizações da sociedade civil (OSCs) ou organizações não governamentais (ONGs).
Os movimentos sociais dialogam com o poder público e, geralmente, se manifestam em passeatas, protestos e outras formas de mobilizações sociais.
Existem muitos movimentos sociais na região Sul envolvidos em questões sociais, como o combate à discriminação racial, melhorias no acesso e na qualidade do transporte público, da saúde, da educação, entre outras.
3 Pesquisem um movimento social atuante em seu município ou estado e comentem as principais reivindicações dele.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
24/09/2025 16:06
Sugestão para o professor ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE PROTEÇÃO AO AMBIENTE NATURAL. Porto Alegre, c2025. Disponível em: https://www.agapan.org.br/. Acesso em: 5 out. 2025.
Fundada em 1971 em Porto Alegre, a associação é um marco importante por ser uma das primeiras entidades ambientalistas do Brasil.
3. Os estudantes podem citar o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que tem como foco a defesa dos direitos das populações desalojadas por projetos hidrelétricos. Há, ainda, movimentos de agricultura familiar e agroecologia, como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, ligada à Central Única dos Trabalhadores (Fetraf-Sul/CUT), que tem como foco políticas públicas que apoiem os pequenos agricultores, a produção de alimentos saudáveis e o desenvolvimento rural sustentável. Diferentes movimentos sociais da região Sul se organizaram como forma de resistência para a preservação da memória e do legado dos povos formadores da região. Presente no Rio Grande do Sul, o Coletivo Atinúké é formado por mulheres negras e dá visibilidade à contribuição das pessoas negras na região Sul. No Paraná, há a presença da Pastoral Afro-Brasileira (PAB), organização vinculada à Igreja Católica, que apoia ações sociais e o combate à discriminação contra os povos quilombolas da região. Em Santa Catarina, há o Movimento Negro Unificado, que também foca ações sociais contrárias à desigualdade e apoia os povos quilombolas. Ainda com relação ao fortalecimento e promoção da colaboração entre povos indígenas do Sul (Kaingang, Guarani, Xetá e Xokleng), há o movimento Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpin-Sul).
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ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula escrevendo a palavra cidadania na lousa para fazer um acróstico com a turma. Auxilie-nos com algumas palavras caso necessário: nação, inclusão, atitude, entre outras. Depois desse aquecimento, organize a leitura individual e silenciosa do texto. Destaque, em seguida, o que está associado à cidadania e o que é ser um cidadão. Explique que a cidadania não se limita apenas a ter direitos, mas também envolve assumir deveres e responsabilidades. Valorize exemplos do cotidiano dos estudantes, aproximando conceitos abstratos de vivências concretas: respeitar regras de convivência na escola; preservar o patrimônio; e participar de atividades comunitárias, como campanhas e mutirões.
1. Espera-se que os estudantes compreendam que o exercício da cidadania não se esgota em ações individuais isoladas, mas se fortalece quando todos participam ativamente, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.
2. Algumas outras práticas: preservar o espaço público, participar de decisões coletivas, ajudar a comunidade, pagar impostos e exercer solidariedade em momentos de calamidade pública. Valorize respostas que tragam ações concretas do cotidiano (mutirão de limpeza, apoio a colegas, campanhas de arrecadação, rodas de conversa sobre direitos), aproximando o conceito de cidadania da realidade da escola e da comunidade.
1. Espera-se que os estudantes entendam que sim, concluindo que no exercício da cidadania trabalha-se para atingir um objetivo em comum, que beneficiará toda a sociedade.
Cidadania no Sul e no Brasil
Como morador da região Sul e do Brasil, você é um cidadão brasileiro. Você sabe o que significa ser um cidadão?
Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva [...].
PARANÁ. Secretaria de Justiça e Cidadania. O que é ser cidadão. Curitiba: SJC, c2025. Disponível em: https://www.justica.pr.gov.br/Pagina/O-que-e-ser-Cidadao. Acesso em: 18 jul. 2025.
A cidadania está associada a direitos e deveres universais. Todas as pessoas que vivem no Brasil, sem exceção, devem respeitar as mesmas leis. Logo, ser um cidadão é ter uma participação consciente na sociedade. É ter direito a oportunidades similares e o dever de combater as diversas formas de desigualdade existentes em nosso país, como o preconceito, o racismo e a vulnerabilidade social.
evento climático extremo em 2024, com chuvas intensas e enchentes que desalojaram muitas famílias.
1 A cidadania é uma prática que depende da participação coletiva?
2 Quais práticas e atitudes são associadas à cidadania? Converse com a turma e, em seguida, registre sua resposta no caderno.
Resposta pessoal. Os estudantes podem indicar o respeito às leis, o direito ao voto e a defesa de direitos, como acesso à saúde, à educação, à moradia e a um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Sugestão para o professor
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Intersetorial de Saúde Indígena. Brasília, DF: CNS, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/ camaras-tecnicas-e-comissoes/cisi. Acesso em: 24 set. 2025.
Faz parte da Comissão Intersetorial de Saúde Indígena no Conselho Nacional de Saúde a Arpin-Sul, um movimento social regional pelo direito à saúde da população indígena. Ela estabelece parcerias de cooperação financeira, política e jurídica e luta pelo respeito aos direitos indígenas.
Voluntários distribuindo doações em Roca Sales (RS), em 2024. O Rio Grande do Sul sofreu um
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Direito à saúde
O Sistema Único de Saúde (SUS) é público, universal e gratuito. O atendimento realizado pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com médicos e enfermeiros, é muito importante na região Sul.
No Rio Grande do Sul, também se destaca o programa Saúde 60+ RS, que promove melhor qualidade de vida para as pessoas idosas.
QUEM É?
Zilda Arns (1934-2010) nasceu em Santa Catarina e foi fundadora da Pastoral da Criança. Formou-se em Medicina e lutou pelo avanço e pela universalização da saúde pública.
Zilda Arns em Brasília (DF), em 2004.
S
BNCC
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
ENCAMINHAMENTO
1 Em seu lugar de vivência, existem hospitais ou UBS acessíveis? Você já precisou ir a um desses locais para procurar atendimento?
Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.
Direito à alimentação saudável e adequada
A alimentação saudável e adequada é um direito básico. Toda pessoa deve ter acesso a alimentos de qualidade e na quantidade necessária. Leia uma notícia sobre um encontro no Rio Grande do Sul voltado à capacitação de merendeiros.
Com o tema “Seletividade Alimentar e Merenda Escolar”, o encontro teve como objetivo qualificar o atendimento às crianças, em especial às que estão dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo uma alimentação mais inclusiva e acolhedora nas escolas.
SÃO JOSÉ DO NORTE. Secretaria de Educação e Cultura. SMEC promove formação sobre seletividade alimentar e inclusão na merenda escolar. São José do Norte: SEC, 25 jul. 2025. Disponível em: https:// saojosedonorte.rs.gov.br/noticias/smec-promove-formacao-sobre-seletividade-alimentar-e-inclusao-namerenda-escolar. Acesso em: 4 ago. 2025.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
1 Pessoas no espectro autista podem apresentar dificuldades na alimentação, como alta seletividade e hipersensibilidade. Vocês sabem o que isso significa? Conversem com os colegas e o professor.
2 Como as necessidades de alimentação dos estudantes são atendidas em sua escola? Faça uma entrevista com os responsáveis pela alimentação para descobrir.
Sugestão para o professor
16:06
AUTISMO E REALIDADE. Leis e direitos: convivendo com o TEA. c2020. Disponível em: https://autismoerealidade.org.br/convivendo-com-o-tea/leis-e-direitos. Acesso em: 24 set. 2025. O site oferece um guia de referência de cidadania, direitos e inclusão, mostrando que a legislação busca garantir às pessoas autistas igualdade de oportunidades em saúde, educação, transporte, trabalho e vida social.
1. Na atividade do tópico Direito à saúde , converse sobre a quantidade de hospitais públicos e UBS no município e a importância dessa infraestrutura de saúde pública e peça aos estudantes que relatem experiências que tiveram. Ao abordar o direito à alimentação, explique que uma alimentação saudável não se resume a nutrientes: ela deve considerar a cultura alimentar e o modo de vida de cada pessoa ou grupo social.
1. Na atividade do tópico Direito à alimentação saudável e equilibrada , os estudantes devem concluir que a inclusão na alimentação, como no caso do transtorno do espectro autista (TEA), mostra que cidadania também é respeitar as diferenças e garantir que todos tenham acesso aos mesmos direitos.
2. A merenda escolar é essencial na construção da segurança alimentar no Brasil. Organize uma conversa entre os merendeiros e nutricionistas da escola com os estudantes, verificando quais produtos são selecionados para a composição dos pratos e se são consideradas, por exemplo, alergias ou necessidades específicas de grupos de estudantes.
SÉRGIOLIMA/FOLHAPRES
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
ENCAMINHAMENTO
Na sequência, organize a leitura do texto destacando a importância de as crianças frequentarem a escola. Escolha alguns direitos previstos no ECA para apresentar aos estudantes, como momento de fortalecimento da cidadania. Faça isso de forma interdisciplinar com o componente de Língua Portuguesa, trabalhando a leitura de um texto da esfera jurídica. Relacione o direito à educação com a ideia de transformação social. Reforce que aprender não é apenas acumular conhecimento, mas também desenvolver habilidades e competências para compreender e transformar a realidade.
1. Os estudantes podem argumentar considerando a necessidade de menos estudantes por sala de aula ou a longa distância das escolas para pessoas que vivem na zona rural, por exemplo. Como soluções possíveis, podem propor a construção de mais escolas cuidando de sua distribuição espacial.
2. As respostas dos estudantes devem explicitar o reconhecimento da importância da diversidade e da representatividade em espaços reservados à transmissão de saberes. É esperado que mencionem que a presença de pessoas negras em funções, posições e espaços sociais de prestígio na educação contribui para combater o racismo e inspirar crianças, jovens e adultos.
Direito à educação
O direito à educação está previsto tanto na Constituição Federal quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). É importante que a educação seja protegida e garantida pelo poder público e pela sociedade. A partir da educação, as pessoas compreendem a vida a seu redor e criam ferramentas
1 Você acha que há escolas para atender igualmente toda a população de seu lugar de vivência? Se não, o que poderia ser feito para melhorar essa situação?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Leia o texto sobre Maria Lurdes Gonzaga, conhecida como Dona Uda.
Sua trajetória como educadora resultou em um convite inesperado: em 1986, Uda foi a primeira mulher negra a integrar o Conselho Estadual de Educação [de Santa Catarina]. [...] Em uma época onde ainda não se ousava falar de racismo, Uda resistia e ensinava cada um de seus alunos: “Negro é lindo, negro pode, negro é capaz”.
• Em sua opinião, como a representatividade negra na educação pode ajudar a construir uma sociedade mais justa?
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
Atividade complementar
Proponha à turma a criação de um jogo de tabuleiro para que os estudantes reconheçam situações cotidianas de respeito ou violação do direito à saúde, à alimentação e à educação, desenvolvendo a cooperação, a reflexão e a ludicidade. Comece construindo o tabuleiro em uma cartolina ou folha de papel pardo grande. Desenhe um percurso simples, formado por casas que levam do ponto de partida até a chegada, semelhante aos jogos de trilha. Peça que ilustrem o tabuleiro com desenhos, imagens e símbolos que remetam aos direitos estudados. Em seguida, elabore com a turma cartas com frases curtas indicando um episódio de garantia ou de violação de direitos, como: “a escola oferece frutas na merenda (avance duas casas)”; “o principal hospital está longe da comunidade e não há transporte público até ele (volte duas casas)”; “crianças participam de uma oficina de leitura (avance três casas)”. Se desejar, mantenha o tabuleiro em sala de aula como recurso permanente, ampliando-o com novos exemplos de direitos conforme o estudo avança.
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DIÁLOGOS
2. Espera-se que os estudantes respondam que podemos cobrar do poder público políticas que favoreçam a educação, promover conscientização
Educação e desigualdades regionais
sobre a importância da educação no combate às desigualdades, entre outras atitudes.
O número médio de anos que uma pessoa estuda ao longo da vida é um dos indicadores coletados no Censo. Observe o gráfico.
Grandes regiões: número médio de anos de estudo (2022)
Fonte: INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo
Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/10062. Acesso em: 29 jun. 2025.
Algumas pesquisas apontam que as diferenças entre as grandes regiões estão relacionadas à desigualdade socioeconômica. Nas regiões socioeconomicamente mais favorecidas, houve maior investimento ao longo do tempo na educação, na infraestrutura das escolas, nas políticas de apoio à população e nas oportunidades de estudo e trabalho.
Em regiões onde as pessoas estudam menos anos ao longo da vida, diversos fatores podem ser a explicação, como problemas de infraestrutura, investimentos insuficientes na educação e falta de apoio do poder público no acesso e na permanência de crianças e jovens nas escolas. Muitos jovens também acabam tendo de trabalhar desde cedo para ajudar suas famílias e, por isso, abandonam os estudos.
1 Em 2022, qual foi o número médio de anos de estudo na região Sul?
Em 2022, o número médio de anos de estudo na região Sul foi de 9,9 anos.
2 Como cidadãos, o que podemos fazer para diminuir as desigualdades na educação?
Texto de apoio
[...] A garantia do direito à educação de qualidade a todos os cidadãos é um enorme desafio, especialmente em uma sociedade desigual como a brasileira, dado [...] o peso das condições socioeconômicas e dos recursos familiares sobre o alcance educacional dos estudantes. Ou seja, nestes contextos, ao sistema educacional cabe a tarefa hercúlea de buscar, tanto quanto possível, minorar os efeitos da origem social sobre o desempenho escolar. [...] Mesmo entre os fatores intraescolares, há uma série de elementos cuja resposta às políticas e intervenções públicas são indiretas e mediadas por diversas variáveis e fortemente sensíveis aos contextos específicos [...].
COSTA, Bruno Lazzarotti Diniz; BRANDÃO, Lucas Augusto de Lima. Capacidade docente e desigualdades educacionais no Brasil: avanços e desafios em uma década. Revista de Sociologia e Política, v. 32, p. 15, 2024.
BNCC
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
TCT: Cidadania e civismo: direitos da criança e do adolescente.
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula reforçando o papel da educação na construção de uma sociedade do conhecimento, capaz de elevar progressivamente seu desenvolvimento humano. Proponha aos estudantes a leitura do gráfico. Explique a natureza do dado e peça a eles que identifiquem as regiões com maior e menor média. Organizados em grupos, trabalhe em interdisciplinaridade com Matemática, orientando a leitura dos dados do gráfico.
Finalize comentando com os estudantes que, no Censo 2022, a região Sul, por exemplo, apresentou grande diferença no número de anos de estudo entre habitantes considerando a categoria cor ou raça. Pessoas brancas acumularam, em média, 10,3 anos de estudo, enquanto pessoas pardas atingiram 9,0 anos e pessoas negras alcançaram 9,2 anos — um reflexo histórico e social do regime de escravidão que vigorou no país por mais de três séculos e excluiu a população negra do ensino e da maioria dos direitos cidadãos no país.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
ENCAMINHAMENTO
Continue o diálogo com a turma sobre os direitos essenciais e conduza a leitura do texto destacando as funcionalidades urbanísticas de calçadas, ciclovias, sinalização de trânsito, transporte público e o direito à acessibilidade.
Destaque também que, por meio das redes de transporte, o acesso a outros direitos é facilitado. Identifique no mapa diferentes tipos de transporte. Questione quais deles os estudantes conhecem.
1. Estabeleça um diálogo em sala de aula sobre a questão da mobilidade para os moradores, enfatizando a relevância de dispor de calçadas bem cuidadas, permitindo a acessibilidade nas vias públicas, de ciclofaixas e ciclovias como meios de locomoção e lazer, e do transporte público de qualidade. Analise se, no município ou região, há vias com acessibilidade para as pessoas com deficiência. Por fim, peça aos estudantes que, ao sair da escola, observem em seu trajeto a educação para o trânsito, enfatizando o respeito às leis e os cuidados necessários ao se locomover nas vias públicas.
2. Auxilie a leitura do mapa e proponha, se for conveniente, uma pesquisa sobre o estado onde vivem, ampliando as informações disponíveis sobre transporte para que reflitam sobre o impacto que essa infraestrutura provoca na vida da população.
Direito ao transporte
O direito de ir e vir com segurança é uma parte dos direitos sociais de uma população. Ter calçadas conservadas, ciclovias, ruas bem sinalizadas e transporte público eficiente, por exemplo, é muito importante para a locomoção adequada das pessoas e para o transporte de mercadorias. É fundamental também que os espaços públicos sejam acessíveis, permitindo que as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida se locomovam com segurança e autonomia.
Redes de transporte
O fluxo de mercadorias e pessoas acontece por meio de uma rede de transportes composta de rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. Observe o mapa.
Sul: redes de transporte (2021) SONIA VAZ
50º
Porto Alegre
Aeroporto
Porto Internacional Nacional
Marítimo
Fluvial
OCEANO ATLÂNTICO
Florianópolis
Capital estadual
Divisa estadual
Fronteira internacional
Rodovia Pavimentada
Em pavimentação
Ferrovia Hidrovia
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.
Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. p. 149.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
1 Como vocês avaliam a mobilidade em seu município? Com o auxílio do professor, reflitam sobre o tema.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
2 Observe novamente o mapa Sul: redes de transporte (2021) . Quantos portos e quantos aeroportos existem no estado onde você mora?
Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem.
Sugestão para o professor
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS. Transporte municipal: orientações sobre a regulação dos serviços. Brasília, DF: CNM, 2019. Disponível em: https://cnm.org.br/biblioteca/ exibe/3389. Acesso em: 25 set. 2025.
Essa publicação oferece um panorama prático e estratégico para a regulação dos serviços de transporte municipal. Apresenta conceitos, referências normativas e instrumentos regulatórios que os gestores podem utilizar para organizar, planejar e controlar o transporte público em seus municípios. O material aborda temas como competências municipais, contratos operacionais, fiscalização, tarifas, indicadores de desempenho e transparência.
Para o professor, é uma fonte rica de informações e proposições para fundamentar debates sobre o direito ao transporte, a regulação pública e os desafios da mobilidade urbana. Pode servir como base de leitura e inspiração para atividades em sala de aula que discutam como os municípios podem garantir a oferta de transporte público de qualidade, acessível e equilibrado financeiramente.
24/09/2025 16:06
Trópico de Capricórnio
Direitos da mulher
A mulher ocupa um papel social muito importante na história da região Sul, exemplificado com Anita Garibaldi, Enedina Alves Marques, Antonieta de Barros, Zilda Arns, Uda Gonzaga e a figura da prenda gaúcha.
Apesar disso, as mulheres são vítimas de muitas injustiças. Para garantir que elas sejam protegidas, valorizadas e reconhecidas, existem leis e movimentos sociais regionais e nacionais.
Para que mulheres e homens recebam salários iguais quando realizam a mesma função em uma empresa, há a Lei da Igualdade Salarial. Já a Lei Maria da Penha oferece assistência às vítimas de violência doméstica e familiar.
No Paraná, o governo estadual instituiu o Código Estadual da Mulher Paranaense, que consolida a legislação paranaense ligada à defesa de direitos das mulheres.
Código: conjunto de leis.
No âmbito da segurança pública, podemos destacar a Rede Catarina de Proteção à Mulher, liderada pela Polícia Militar de Santa Catarina, que tem como objetivo a prevenção da violência contra a mulher.
Como exemplo de movimento social e luta pelos direitos, no Rio Grande do Sul temos o Meninas Crespas. O objetivo do projeto é resgatar a identidade negra e o poder feminino.
1a Marcha das Mulheres Indígenas, em frente à prefeitura de Porto Alegre (RS), em 2024. Elas reivindicavam direito à terra, à saúde e à educação.
BNCC
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
(EF05CO08) Acessar as informações na Internet de forma crítica para distinguir os conteúdos confiáveis de não confiáveis.
ENCAMINHAMENTO
Avance com a turma no estudo dos direitos e conduza a leitura do texto, destacando os exemplos de medidas que os estados da região Sul estão colocando em prática para garantir os direitos das mulheres. Para ampliar o diálogo, reveja com os estudantes a tabela Sul: renda média mensal, por sexo, em reais (2024) , apresentada na página 127 do Capítulo 1 desta unidade.
1 Vocês vão fazer uma pesquisa sobre mulheres que mudaram a história de seu lugar de vivência. Vocês podem fazer a escolha com base nos nomes de ruas e instituições do município que homenageiam mulheres.
• Se possível, seu professor poderá levá-los em uma visita para conhecer essas instituições, ruas e outros locais do município.
• Anotem o que descobriram no caderno e compartilhem sua pesquisa com a turma em uma roda de conversa.
Resposta pessoal. Auxilie os estudantes a pesquisar, em fontes confiáveis, biografias de figuras femininas importantes na história do município.
Atividade complementar
24/09/2025 16:06
Proponha à turma um jogo rápido, que pode ser denominado Direito em Ação. Apresente cartões com situações do cotidiano. As duplas dizem que direito está em jogo e que atitude é adequada. Mantenha o foco em soluções e redes de apoio, sem expor casos reais. Situações sugeridas para os cartões: meninas e meninos participam de um campeonato esportivo, mas só os meninos recebem uniformes novos; uma mulher deseja participar das reuniões da associação do bairro, mas não é convidada a falar; mulheres indígenas fazem uma caminhada pedindo melhores condições de saúde em sua aldeia; uma cientista cria um projeto de robótica, mas seu trabalho quase não é divulgado.
Entregue os cartões e dê um minuto para cada dupla pensar. Cada dupla compartilha em voz alta: “O direito é...” e “A atitude correta seria...”. Registre na lousa as respostas em duas colunas: direitos e atitudes de respeito. Finalize mostrando que todas as situações estão ligadas aos direitos das mulheres.
1. Conduza a investigação organizando as duplas para pesquisar mulheres que marcaram o município e foram homenageadas em nomes de ruas, escolas, postos de saúde, centros culturais etc. Oriente o uso de fontes confiáveis, como site da prefeitura, câmara municipal, acervos de museus locais e bibliotecas. Cada dupla deve reunir fotografias e informações, como quem foi, o que fez, quando viveu e por que merece ser lembrada. Caso seja viável, convide uma mulher de destaque na comunidade para falar sobre seu trabalho. Nesse caso, garanta que os estudantes tenham tempo de preparar perguntas com antecedência e ensaiar como ouvir e agradecer.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BNCC
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
TCT: Meio ambiente: educação ambiental.
Organize-se
• Cartolina ou papel kraft
• Lápis de cor, canetinhas ou gizes de cera
• Tesouras com pontas arredondadas
• Cola ou fita adesiva
ENCAMINHAMENTO
Inicie a aula conduzindo a leitura coletiva do texto e da fotografia retratando coleta de latas de alumínio para reciclagem.
1. Conduza uma pesquisa coletiva com os estudantes sobre programas que incentivem o cuidado e a proteção ambiental no município ou no estado. Sugira a consulta a fontes como sites oficiais da prefeitura, das secretarias municipal ou estadual do meio ambiente.
Consciência ambiental
Quase 82% dos municípios da região Sul têm coleta seletiva. Os trabalhadores da reciclagem desempenham um papel fundamental na gestão de resíduos sólidos, separando e encaminhando materiais recicláveis para o reaproveitamento.
Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), a região Sul apresentou em 2024 os melhores serviços de limpeza urbana e cuidado com os resíduos sólidos em todo o país.
Latas de alumínio coletadas para reciclagem em Arapongas (PR), em 2024.
1 Você conhece algum programa ou projeto do município ou do estado onde você mora voltado ao cuidado do meio ambiente? Se sim, qual? Se não, pesquise com a ajuda do professor.
Resposta pessoal. Auxilie os estudantes a pesquisar, em fontes confiáveis, projetos e iniciativas que visam à proteção e ao cuidado do meio ambiente. Veja orientações no Encaminhamento.
VOCÊ DETETIVE
Veja orientações no Encaminhamento.
1. Vamos praticar a cidadania. Siga este passo a passo para realizar a atividade com sua turma. Lembre-se de anotar tudo no caderno.
a) Reúnam-se em grupos e conversem sobre o que poderia melhorar na sua cidade ou bairro. Façam uma lista das necessidades.
b) Elaborem uma representação cartográfica para localizar os pontos de instalação das melhorias.
c) Com a ajuda do professor ou de pessoas que vivem com vocês, descubram quais órgãos da cidade cuidam das questões listadas.
d) Criem um cartaz com uma proposta de solução para os problemas escolhidos. Usem a criatividade para mostrar suas ideias de forma clara e atrativa.
e) Agora é hora de apresentar as ideias do grupo. Imaginem que estão em uma audiência pública e que vocês e os colegas são representantes do poder público responsáveis por cuidar desses assuntos.
No boxe Você detetive, os grupos podem elencar diferentes necessidades que identificarem. Oriente a utilização de ferramentas on-line com base cartográfica de navegação em imagens de satélite, por exemplo, para elaborarem a representação cartográfica, como as disponíveis em: IBGE: MAPAS. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://portaldemapas.ibge.gov.br/ portal.php#homepage. Acesso em: 25 set. 2025.
Para montar o cartaz, distribua os materiais necessários e oriente os grupos a selecionar imagens, dados e informações que subsidiem a caracterização a ser feita.
Organize a apresentação dos grupos cuidando para que imaginem o ambiente de uma audiência pública. Os estudantes devem expor o problema escolhido e sua localização e, em seguida, descrever as soluções pensadas para implementação por parte dos agentes do poder público responsáveis. Reserve o momento do debate, no qual os participantes da audiência possam se manifestar.
ENCAMINHAMENTO
Outra forma importante de cuidar da natureza é a criação de áreas protegidas, chamadas Unidades de Conservação (UCs). Essas áreas podem ser criadas pelos governos federal, estadual ou municipal.
As Unidades de Proteção Integral são voltadas para a pesquisa e proteção da biodiversidade.
Já as Unidades de Uso Sustentável são fundamentais para os povos tradicionais que vivem nesses locais, pois podem extrair seus recursos de forma responsável e sustentável. Elas também podem ser aproveitadas economicamente, desde que isso não cause danos à natureza, como com turismo sustentável e ações de educação ambiental.
Existem diversos exemplos de UCs na região Sul, como o Parque Nacional de Aparados da Serra, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Paraná, existe o Parque Nacional do Iguaçu, onde está localizada a parte brasileira das Cataratas do Iguaçu, e o Parque Estadual de Vila Velha. Observe o mapa que mostra as UCs existentes na região Sul.
Sul: Unidades de Conservação (2023)
Fonte: MAPBIOMAS. Sul, Unidades de Conservação (2023). Brasil, c2025. Disponível em: https://plataforma.brasil. mapbiomas.org. Acesso em: 27 jun. 2025.
Unidades de Conservação
ODS e consumo consciente. Publicado por: Instituto Akatu. 2019. 1 vídeo (ca. 5 min). Disponível em: https://youtu.be/z6Y_gucyzsk. Acesso em: 7 jul. 2025. Conheça os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que definem caminhos para alcançarmos o futuro que desejamos.
Sugestão para os estudantes
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIOVERSIDADE. Unidades de Conservação. Brasília, DF: ICMBio, c2025. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/ biodiversidade/unidade-de-conservacao. Acesso em: 25 set. 2025.
O site do ICMBio reúne informações atualizadas sobre as diferentes categorias de UCs existentes no Brasil, explicando suas funções, objetivos e formas de manejo. O material apresenta exemplos de áreas protegidas em todo o país, destacando sua importância para a proteção da biodiversidade, a pesquisa científica, o uso sustentável dos recursos naturais e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e turismo responsável.
Trata-se de uma fonte confiável e acessível que pode ser explorada com os estudantes para ampliar as percepções suscitadas pelo mapa de UCs do Sul e construir o entendimento sobre a relevância das UCs na proteção dos biomas e no cumprimento dos ODS.
Prossiga no estudo questionando os estudantes: quais áreas vocês conhecem que são ambientalmente protegidas? Se tivessem que escolher uma área no município onde vivem para ser protegida, qual seria? Por quê? Acolha as colocações e registre na lousa os exemplos citados. Use essa sensibilização inicial para, na sequência, abordar a noção de Unidades de Conservação (UCs).
Interprete o mapa que evidencia as áreas protegidas da região. Oriente a observação da legenda e, em seguida, peça aos estudantes que descrevam a distribuição das UCs em todos os estados do Sul. Explique à turma que o que aparece como ponto no mapa se refere a delimitações de unidades que não alcançam uma área representável como mancha nessa escala.
Proponha uma pesquisa sobre uma Unidade de Conservação no estado onde os estudantes moram. Oriente-os a pesquisar em sites oficiais a respeito das UCs. Peça que anotem no caderno as seguintes informações: nome da UC; município(s) onde ela está localizada; tipo de vegetação que existe na área; um exemplo de animal que vive nesse local. Ao final, incentive os estudantes a apresentar o que descobriram em uma roda de conversa.
Trópico de Capricórnio
OCEANO ATLÂNTICO
DESCUBRA MAIS
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
Organize-se
• Tecido, papelão, cartolina ou materiais reutilizados
• Tesoura com pontas arredondadas
• Cola ou fita adesiva
ENCAMINHAMENTO
Comece questionando: vocês já ouviram falar na palavra Ubuntu? O que acham que significa? Registre na lousa as hipóteses levantadas pelos estudantes, valorizando o conhecimento prévio e despertando a curiosidade da turma. Em seguida, comente que vão conhecer uma história africana sobre essa filosofia de vida. Proponha aos estudantes a leitura do trecho narrativo da página em voz alta, de forma expressiva. Em seguida, peça que façam a dramatização da corrida proposta pelo forasteiro, correndo de mãos dadas até um ponto da sala ou do pátio da escola. Essa encenação ajuda a vivenciar corporalmente o princípio da cooperação. Depois, retome com a turma a interpretação do enredo: por que as crianças da história não quiseram competir? Questione, nesse momento, sobre valores humanos que as diferentes culturas trazem e agregam ao nosso modo de vida. Relacione a filosofia Ubuntu e a cultura africana com a vida cotidiana. Explique o significado de “eu sou porque nós somos” com exemplos da vivência da turma em sala de aula.
Modo de vida Ubuntu
Você já ouviu falar em Ubuntu? Leia este texto.
Resposta pessoal. Incentive um diálogo entre os estudantes, para que possam expressar
Certa vez, um forasteiro que visitava uma tribo africana quis brincar com as crianças e sugeriu um jogo. Ele colocou uma cesta cheia de doces embaixo de uma árvore e propôs uma corrida, uma competição. Disse que quem chegasse primeiro até a árvore poderia ficar com a cesta.
Riscou uma linha de partida no chão e deu o sinal combinado: — Um, dois, três e já!
Imediatamente, os pequenos deram as mãos e correram até a árvore. Chegaram juntos e compartilharam, felizes, o prêmio.
O homem ficou bastante intrigado e perguntou: — Mas por que vocês correram juntos se apenas um poderia ganhar e ficar com todas as guloseimas?
Uma das crianças respondeu:
— Ubuntu! Como um de nós poderia ficar feliz enquanto os outros estivessem tristes?
BODENMÜLLER, Celina; PRANDO, Fabiana. Ubuntu e outras histórias africanas. São Paulo: Elo Editora, 2020. p. 21-22.
A ideia de Ubuntu se manifesta por diálogo, tolerância, reconciliação, perdão, inclusão, solidariedade e diversidade. Esse modo de vida ajuda os povos africanos a lidar com seus problemas diários de forma positiva por meio dos valores passados de geração em geração.
Essa filosofia se torna ainda mais significativa quando refletimos sobre os desafios ao considerar nosso futuro.
1 A filosofia Ubuntu diz que “eu sou, porque nós somos”. Em sua opinião, o que isso significa?
suas posições diante da ideia apresentada pela filosofia de que juntos somos mais fortes.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Explique aos estudantes que não há um histórico preciso que indique a quais países da África a origem desse conceito está relacionada. Se achar interessante, leia com eles o seguinte texto: UBUNTU: a filosofia africana que nutre o conceito de humanidade em sua essência. São Paulo: Geledés, 13 mar. 2016. Disponível em: https://www.geledes.org.br/ubuntu-filosofia -africana-conceito-de-humanidade-em-sua-essencia/. Acesso em: 15 set. 2025.
1. A frase pode ser interpretada pelos estudantes como a ideia de que cada pessoa existe e é feliz em função do coletivo, da comunidade e das relações que estabelece com os outros. As pessoas não são plenamente realizadas sozinhas, pois precisam umas das outras para aprender, conviver, crescer e partilhar alegrias e dificuldades.
2 Agora, você e toda a turma vão retomar o que aprenderam com seu livro da região Sul e as aulas do professor para trabalhar em um projeto final!
Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.
1. Confeccionem um estandarte com textos e imagens que servirá como resposta para esta pergunta: que futuro nós queremos para a região Sul?
2. Considerem os diferentes aspectos que vocês estudaram, como a natureza, as atividades econômicas, entre outros. Lembrem-se da filosofia Ubuntu: “Como um de nós poderia ficar feliz enquanto os outros estivessem tristes?”.
3. Escolham o material para confeccionar o estandarte. Pode ser tecido, papelão ou cartolina. Busquem também reaproveitar itens que seriam descartados, dando um novo uso a eles.
4. Façam desenhos, colagens e textos para representar a ideia de vocês no estandarte.
5. Completem com fitas ou outros enfeites.
6. Combinem com o professor um modo de apresentar o trabalho para sua família e a comunidade escolar.
Estandarte é um tipo de bandeira que pode ser decorada por imagens, cores e símbolos. Ele costuma representar um grupo de pessoas que apresentam características ou objetivos em comum.
Atenção!
Manuseie apenas tesouras com pontas arredondadas, e sob a supervisão do professor.
Sugestão para o professor
UBUNTU: sou porque somos: XX Prêmio Arte na Escola Cidadã. Publicado por: Instituto Arte na Escola. 2019. 1 vídeo (ca. 7 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tAGIrfp-D40. Acesso em: 25 set. 2025.
O vídeo apresenta um projeto escolar premiado que trabalhou a filosofia Ubuntu com estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental, por meio de atividades artísticas, leituras e produções coletivas. As imagens mostram como a ideia de que “eu sou porque nós somos” pode ser vivenciada na prática escolar, estimulando cooperação, identidade e pertencimento. Pode ser utilizado em sala de aula para inspirar reflexões sobre solidariedade e para motivar trabalhos coletivos significativos.
2. A proposta desta atividade é criar um momento de culminância, celebrando tudo o que foi aprendido ao longo da unidade por meio de palavras, textos, ilustrações, colagens, arte e símbolos coletivos. O trabalho será concretizado na confecção de um estandarte coletivo, que funcionará como um símbolo das aprendizagens e expectativas da turma. Essa produção deve ser conduzida ao longo de mais de uma aula, permitindo reflexões amplas sobre o conjunto de aspectos naturais, culturais, sociais e econômicos estudados, relacionando-os à filosofia Ubuntu e fortalecendo o sentimento de pertencimento e responsabilidade em relação ao lugar onde vive. Incentive a adoção de estratégias cooperação, dividindo as tarefas em etapas e valorizando as contribuições singulares de cada um. Para recortar tecidos, pode ser necessário auxiliar os estudantes usando uma tesoura própria para costura. Se for o caso, garanta que apenas você faça o uso desse objeto. O projeto se encerra com a exposição dos estandartes para a comunidade escolar e para as famílias, reforçando o protagonismo e o sentido coletivo da aprendizagem.
ENCAMINHAMENTO
Nesta seção, os estudantes têm a oportunidade de sistematizar suas aprendizagens, relembrar temas importantes e, o mais essencial, ter autonomia nos processos de leitura, escrita, interpretação e desenvolvimento do raciocínio geográfico.
Prepare um momento motivador para a realização da avaliação e da autoavaliação, com um ambiente tranquilo e aconchegante. Leia as questões para que tenham melhor entendimento. Valorize o processo de construção do conhecimento e não apenas respostas memorizadas, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento crítico, criativo e analítico. Em momento posterior, revise todas as questões de forma coletiva para verificar potencialidades, fragilidades e caminhos em direção a aprendizagens significativas.
1. a) A presença de imigrantes venezuelanos em um município do Sul praticando beisebol, esporte tradicional do seu país de origem, expressa como os imigrantes trazem consigo costumes, práticas culturais e formas de lazer, enriquecendo a diversidade cultural onde escolhem viver. Conduza a reflexão mostrando que a diversidade cultural não se limita à gastronomia ou língua, mas se expressa também no esporte, na música e em diversas manifestações.
1. b) Os movimentos migratórios recentes, como os de haitianos e venezuelanos, contribuíram para a formação social e cultural da região Sul, diversificando a população na perspectiva étnico-cultural, trazendo novas práticas e compondo a força de trabalho local. Estimule os estudantes a
PARA REVER O QUE APRENDI
Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.
1 Observe a fotografia. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
Imigrantes venezuelanos jogando beisebol, considerado o esporte nacional da Venezuela, no Parque Alfredo Werner Nyffeler, em Maringá (PR), em 2024.
a) Como a fotografia se relaciona à diversidade cultural trazida pelos imigrantes?
b) Explique a importância dos movimentos migratórios recentes, como os dos haitianos e venezuelanos, na formação da população da região Sul.
2 No caderno, associe as informações representadas pelas letras com as informações indicadas pelos números.
Poder público
Presidente, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores B Movimentos sociais
Resposta: A: 3; B: 1; C: 2.
Pessoas que formam o poder público. 1
2
3
Grupos de pessoas que se organizam fora do poder público para praticar ações relacionadas a mudanças na sociedade.
Responsável por planejar e administrar um território, como país, estado ou município.
refletir sobre como a chegada de diferentes grupos migrantes transforma as cidades, desde a economia até os costumes. É importante reforçar a ideia de que a migração é um fenômeno histórico e contínuo, que contribui para a pluralidade da sociedade brasileira.
2. Reforce a importância de diferenciar os papéis: o poder público como um conjunto de instituições, os representantes políticos como pessoas que ocupam cargos dentro dessas instituições e os movimentos sociais como forças organizadas da sociedade civil que reivindicam direitos ou melhorias, como associações de bairro, sindicatos e coletivos culturais ou ambientais.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
3 Você acha que o acesso à saúde é igual para todos os brasileiros? Explique a sua resposta.
Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
4 Explique o que é cidadania e qual é sua importância para a sociedade.
5 Descreva uma ação de cidadania importante:
Cidadania é um conjunto de direitos e deveres comum a todas as pessoas, que permite uma convivência em sociedade de forma justa.
a) na famí lia. b) no município. c) na escola. d) no estado.
Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.
6 As merendas escolares são preparadas de forma a priorizar uma alimentação saudável. Observe esta imagem.
do espaço, participar das decisões coletivas, seguir regras e respeitar colegas e professores; no estado: votar periodicamente nas eleições, acompanhar e cobrar políticas públicas.
6. Os estudantes devem montar cardápios equilibrados, incluindo alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais, leguminosas e proteínas. Devem também considerar produtos típicos da região. Consulte a publicação: BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: MS, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov. br/bvs/publicacoes/guia_ alimentar_populacao_ brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 25 set. 2025.
• Com a ajuda do professor, consulte o Guia alimentar para a população brasileira. No caderno, elabore um cardápio com três refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar), seguindo as indicações de alimentação saudável do guia. Não se esqueça de incluir alimentos e produtos regionais nas refeições elaboradas por você.
7 Como é a acessibilidade em sua escola? Veja resposta e orientações no Encaminhamento.
preparando comida em escola municipal em Cambé (PR), em 2021. Resposta pessoal, de acordo com as indicações do Guia alimentar para a população brasileira e os alimentos e produtos da região.
1. Em uma roda com os colegas, converse sobre: a) o que você já sabia sobre a população do Sul e cidadania; b) o que você aprendeu sobre a população do Sul e cidadania; c) o que você ainda quer descobrir sobre a população do Sul e cidadania.
Respostas de acordo com a autoavaliação dos estudantes.
ENCAMINHAMENTO
3. Os estudantes devem perceber que o acesso à saúde não é igualitário. É importante que mencionem desigualdades regionais, socioeconômicas e de infraestrutura, que fazem com que alguns grupos sociais tenham mais dificuldades em obter cuidados médico-hospitalares. Estimule-os a exemplificar situações cotidianas: distância de hospitais em áreas rurais, demora em atendimentos, falta de médicos em determinadas regiões. Valorize a reflexão crítica, estimulando a capacidade de argumentação dos estudantes.
4. Os estudantes devem reconhecer a importância da cidadania para garantir equidade, igualdade, respeito às diferenças e justiça social.
24/09/2025 16:06
7. Os estudantes devem observar se há rampas, corrimãos, pisos táteis, banheiros adaptados, comunicação acessível (por Libras, por exemplo) e se essas estruturas realmente são utilizadas e funcionam. Caso a escola não seja acessível, eles podem retomar as propostas para implementar esses recursos. A autoavaliação é um momento fundamental para que os estudantes desenvolvam autonomia sobre o próprio processo de aprendizagem. Mais do que revisar conteúdos, fortalece-se a capacidade de refletir sobre o que sabem, como aprenderam e de que forma podem avançar. Reforce que cada registro revela um percurso único de compreensão e de construção do conhecimento.
5. A cidadania se pratica com protagonismo social em diferentes escalas geográficas e contextos, desde o ambiente familiar até o nível político mais amplo. Assim, são exemplos de ações na família: ajudar nas tarefas domésticas e respeitar os familiares; no município: participar de campanhas de vacinação, de reciclagem de resíduos e outras ações comunitárias; na escola: cuidar
Merendeira
Referências bibliográficas comentadas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt -br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518 _versaofinal.pdf. Acesso em: 31 jul. 2025.
O documento normativo tem como objetivo garantir aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver durante a educação básica.
BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada . Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/ crianca-alfabetizada. Acesso em: 31 jul. 2025.
Visando garantir a alfabetização de todos os estudantes brasileiros até o 2º ano do ensino fundamental, o documento articula ações entre municípios, Unidades da Federação e União, apresentando possibilidades didáticas ao professor para recomposição das aprendizagens.
LIVRO DO ALUNO
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍS -
TICA. Atlas do espaço rural brasileiro. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: https://www.ibge. gov.br/apps/atlasrural/#/home. Acesso em: 27 jul. 2025.
O material reúne informações e análises sobre o uso e a ocupação do espaço rural brasileiro, por meio da apresentação de mapas e dados.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.
O material apresenta mapas, gráficos e informações sobre os mais diversos temas relacionados aos territórios brasileiro e mundial.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2022: indígenas: primeiros resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/ liv102018.pdf. Acesso em: 27 jul. 2025.
A publicação traz os principais dados do censo mais recente, com abordagem centrada em características populacionais dos povos indígenas e sua distribuição no território brasileiro.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cidades e estados do Brasil . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://cidades.ibge.gov. br. Acesso em: 27 jul. 2025.
A plataforma reúne e divulga dados detalhados de municípios e Unidades da Federação brasileiros, com informações territoriais, demográficas, econômicas, sociais e de infraestrutura.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Censo 2022 . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/ panorama. Acesso em: 27 jul. 2025.
O site apresenta os principais dados do censo mais recente da população brasileira. As informações permitem análises sobre a distribuição territorial e o crescimento populacional, entre outras.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agropecuária . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/ explica/producao-agropecuaria. Acesso em: 27 jul. 2025.
A página traz informações sobre a atividade agropecuária no Brasil, possibilitando também análises por Unidade da Federação.
LESSA, B. Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo Santana do Livramento: Sfera, 2009.
A obra introduz o tema da formação da identidade gaúcha ao longo do tempo e apresenta a constituição sócio-histórica do território e seus conflitos.
MACHADO, P. P. Lideranças do Contestado. Campinas: Editora da Unicamp, 2004.
O livro analisa a diversidade social da região associada à Guerra do Contestado, enfatizando questões culturais, religiosas e temporais, bem como as principais personalidades desse conflito.
MAMIGONIAN, B. G.; VIDAL, J. Z. História diversa : africanos e afrodescendentes na ilha de Santa Catarina. Florianópolis: EdUFSC, 2021.
O livro apresenta as irmandades, os quilombos e a participação ativa dos africanos e seus descendentes na formação econômica e cultural de Florianópolis.
ROSS, J. L. S. (org.). Geografia do Brasil . 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005.
A obra apresenta uma análise geográfica do território brasileiro, abordando com profundidade teórica seus aspectos físicos, sociais, econômicos e ambientais.
SCORTEGAGNA, A.; REZENDE, C. J.; TRICHES, R. I. (org.). Paraná, espaço e memória : diversos olhares histórico-geográficos. Curitiba: Bagozzi, 2005.
A obra analisa a formação do Paraná a partir da geologia, do clima e da ocupação, além de abordar os principais temas históricos da região, a exemplo do tropeirismo.
ORIENTAÇÕES GERAIS
LIVRO REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA
O livro didático regionalizado tem como principal objetivo aproximar a escola da comunidade, conectando vivências e conhecimentos, experiências e teoria, passado e presente. Os conteúdos e habilidades contextualizados à realidade local contribuem para que os estudantes reconheçam e analisem criticamente o lugar onde vivem, valorizem suas características, compreendam-se como parte de uma região inserida em um contexto mais amplo e desenvolvam uma atuação consciente e participativa, tanto na sua comunidade quanto no mundo.
Nesse sentido, a abordagem interdisciplinar torna-se indispensável para um estudo mais amplo e completo do espaço regionalizado. Conhecimentos de História e Geografia, articulados com Arte, Língua Portuguesa, Matemática e outros componentes, possibilitam a compreensão da complexidade que envolve a representação de uma região e de seu povo.
Mesmo uma abordagem regional precisa considerar singularidades internas do espaço estudado. É essencial, portanto, que os saberes e percepções locais sejam incentivados e valorizados, garantindo que os estudantes se sintam parte do processo de aprendizagem e percebam sua realidade como importante e legítima.
O trabalho com diferentes escalas — do local ao regional e do regional ao nacional — enriquece a compreensão da diversidade brasileira. Nesta obra, o recorte regional segue os critérios de regionalização do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permitindo analisar de forma detalhada as partes do território e entender as dinâmicas que distinguem cada região.
A valorização das características e da história da região desperta também um senso de responsabilidade voltado à conservação dos elementos naturais da paisagem e à valorização e salvaguarda dos modos de vida, expressões culturais e artísticas que caracterizam as identidades local e regional.
Com essa proposta, o material busca promover uma aprendizagem significativa e contextualizada, baseada no respeito às especificidades regionais e no desenvolvimento do olhar crítico sobre os fenômenos que transformam cada espaço.
Vista aérea da cidade de Porto Alegre (RS), em 2025.
PRESSUPOSTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA OBRA
Esta obra está sustentada em três grandes referenciais:
Ensino de História
Documentos curriculares
Ensino de Geografia
Acerca dos documentos curriculares, destacamos que a obra se alinha à proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), na qual se prioriza o protagonismo dos estudantes na construção do conhecimento, considerando suas experiências, relações e percepções sobre o meio onde vivem (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025).
Precisamos destacar, também, o papel que a Lei 11.645 de 2008 teve na educação básica, sendo norteadora em nossa coleção na intenção de abordar, de maneira integrada aos temas, problemáticas que remetem aos povos indígenas, africanos e seus descendentes. A lei estabelece: Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. § 1º O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.
BRASIL. Casa Civil. Lei no 11.645, de 10 de março de 2008. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 10 ago. 2025.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais também foram fundamentais para a concepção da obra. O documento indica a valorização da cultura e do patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro. Ao longo do livro, o professor terá diversas oportunidades de abordar esse tema.
Realçamos, a partir desse trecho, que a história dos povos africanos e indígenas na região Sul precisa ter, por parte do professor, a mesma relevância que a cultura de origem europeia recebe. É comum a falsa ideia de que a região Sul é “europeia” na gastronomia, em suas festas populares, vestuários, ignorando todo o patrimônio cultural dos povos originários e africanos. Ao enfatizá-los no livro, temos como intuito a valorização das diferentes culturas formadoras da região.
Por fim, ao propor uma análise das grandes regiões do Brasil, é necessário assumir um trabalho integrado, que considere a complexidade do espaço e da multiplicidade de fatores que o constituem e o fazem único. Esse olhar exige compreender e valorizar diferentes dimensões (naturais, sociais, econômicas, culturais, históricas e políticas) e como elas se inter-relacionam. Assim, o estudo das regiões convida a superar abordagens fragmentadas e possibilita ao estudante mobilizar conhecimentos construídos em diferentes componentes curriculares, especialmente História e Geografia.
Notas sobre História
Esta obra se insere em um contexto de alterações historiográficas que nos remetem à Escola dos Annales, oficialmente fundada em 1929, e sua compreensão de que a História, como ciência que é, deveria ampliar as possibilidades de pesquisa do historiador, valendo-se da interdisciplinaridade, abordando costumes, mentalidades, memória e fontes orais.
A história oral, tão relevante para a análise de agentes históricos particularmente ignorados pela história política, como os africanos escravizados e libertos, as mulheres e as pessoas mais pobres, em geral, faz parte dessa herança da Escola dos Annales, presente especialmente nos estudos da Nova História, a partir da segunda metade do século XX. Como observam Silva e Silva:
Quando os historiadores começaram a se apossar da memória como objeto da História, o principal campo a trabalhá-la foi a História Oral. Nessa área, muitos estudiosos têm-se preocupado em perceber as formas de memória e como esta age sobre nossa compreensão do passado e do presente. [...]
Mas a memória não é apenas individual. Na verdade, a forma de maior interesse para o historiador é a memória coletiva, composta pelas lembranças vividas pelo indivíduo ou que lhe foram repassadas, mas que não lhe pertencem somente, e são entendidas como propriedade de uma comunidade, um grupo.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2014. p. 276.
A história oral é capaz de analisar uma forma milenar de conhecimento humano: a transmissão de informações, sabedorias e aprendizagens entre pessoas de diferentes gerações a partir da memória e da prática cotidiana.
Notas sobre Geografia
O entendimento da ciência geográfica sofreu importantes transformações ao longo do tempo. Segundo Moura e Alves, a Geografia moderna tem seu início no século XIX, em um contexto de avanços científicos, navegações e expansão europeia (MOURA, Jeani Delgado Paschoal; ALVES, José. Pressupostos teórico-metodológicos sobre o ensino de geografia: elementos para a prática educativa? Geografia , Londrina, v. 11, n. 2, p. 309-320, 2002). Nesse momento, a disciplina priorizava interesses políticos e econômicos, o que levou à sua institucionalização no campo do ensino. Por esse motivo, a princípio, esteve fortemente atrelada a ideais nacionalistas. De acordo com os autores, a Geografia passou a ser uma disciplina estruturada na educação básica a partir da década de 1930, apresentando inicialmente um caráter descritivo e voltado à memorização, sendo fortemente influenciada pela escola francesa.
Foi em meados da década de 1970, com pensadores como Milton Santos, que a vertente crítica da Geografia aflorou e a disciplina ganhou uma conotação analítica e questionadora que pretendia aproximar os estudantes da realidade social.
Assim, o ensino deste componente passou a priorizar a leitura e a reflexão sobre o mundo, para formação de cidadãos conscientes e para o desenvolvimento do raciocínio espacial. Nesse contexto, o objeto de estudo da Geografia é o espaço geográfico, ou seja, o produto das relações da sociedade e da natureza. Novas correntes trouxeram elementos que vieram a enriquecer as reflexões propostas por essa ciência, como a Geografia Humanista e Cultural, que emergiu a partir da década de 1970. Essa vertente propõe que [...] deve-se compreender a paisagem, não somente, através da materialidade, mas considerar sua imaterialidade. Além da arquitetura, da música, das festividades, das vestimentas, da gastronomia, da linguagem, das danças, entre outros códigos culturais visíveis,
as normas, as crenças, os valores e as ideologias também produzem a paisagem porque orientam a conduta dos indivíduos pertencentes a uma cultura, norteando a produção do “visível” representativo desse grupo.
CAETANO, J. N.; BEZZI, M. L. Reflexões na geografia cultural: a materialidade e a imaterialidade da cultura. Sociedade & Natureza, Uberlândia, v. 23, p. 465, 2011.
Por conseguinte, os estudos culturais, especificamente os relacionados aos códigos representativos de uma cultura, contribuem para a compreensão dos aspectos sociais, simbólicos e da sua manifestação na paisagem. Esses estudos permitem realizar levantamentos do patrimônio cultural, fornecendo subsídios para ações que promovam essas potencialidades culturais.
Na atualidade, a análise crítica segue necessária e fundamental para compreensão das dinâmicas e contradições sociais, ambientais e econômicas em diferentes escalas (local, regional, nacional, global). A articulação entre as escalas é essencial para que os estudantes compreendam a pertinência dos conhecimentos na análise do seu entorno, valorizando a realidade em que eles vivem e seus saberes e características.
Segundo a BNCC, a educação geográfica contribui para a formação do conceito de identidade, expresso de diferentes formas: na compreensão perceptiva da paisagem, que ganha significado à medida que, ao observá-la, nota-se a vivência dos indivíduos e da coletividade; nas relações com os lugares vividos; nos costumes que resgatam a nossa memória social; na identidade cultural; e na consciência de que somos sujeitos da história, distintos uns dos outros e, por isso, convictos das nossas diferenças.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Além do espaço geográfico, alguns outros conceitos centrais da Geografia são fundamentais no estudo e no entendimento das análises promovidas no componente curricular: lugar, paisagem, território, região e natureza. A importância desses conceitos no processo de ensino e aprendizagem reforça a ideia de uma Geografia integradora, que vai além da crítica ou da análise das relações sociedade e natureza, mas também considera as experiências e as relações subjetivas construídas em um determinado espaço, que lhe atribuem significado e sentimento de conexão, identificação e pertencimento.
Reflexões sobre região e história local
O conceito de região é fundamental no estudo das temáticas espaciais, porém vai além da ciência geográfica.
Conforme Gomes, existem três grandes vertentes de compreensão acerca do termo (GOMES, Paulo Cesar da Costa. O conceito de região e sua discussão. In : CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato. Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 67). A primeira delas relaciona-se ao uso cotidiano da palavra, permeado pelo senso comum, no contexto em que se associa à localização e à extensão de um determinado espaço com características que o diferenciam das demais áreas. Nessa concepção, não há uma precisão de limites, critérios fixos ou um nível de escala definido. A segunda dimensão refere-se a recortes oficiais, com fins administrativos e organizacionais, visando à gestão, mas também ao estabelecimento de hierarquia entre os espaços. Por fim, há a concepção acadêmica, que permeia o estudo de diversas ciências, como Biologia e Geologia. Nesse entendimento, o conceito de região relaciona-se à espacialização dos fenômenos, à área que corresponde a determinado domínio, como o clima, a fauna ou o solo.
Para a Geografia, trata-se de um conceito-chave complexo, que envolve debates acerca do uso comum e, também, epistemológico. Uma das formas de abordar essa complexidade foi a
distinção entre região natural e região geográfica, classificações desenvolvidas por diferentes correntes da ciência geográfica, em diferentes momentos históricos. A região natural teria como foco o meio ambiente, que seria o principal responsável por moldar a sociedade; já a região geográfica seria resultado da interação do meio natural e da sociedade, em uma configuração única e específica do contexto analisado.
Concepções mais recentes reconhecem a complexidade e a dificuldade de estabelecer uma definição concisa do conceito. De acordo com o geógrafo Rogério Haesbaert, [...] podemos falar de uma região como arte-fato (com hífen), no meio de um continuum que se estende desde o recorte analítico, instrumento metodológico proposto pelo investigador para efeito de sua pesquisa, até o espaço de ações concretas de sujeitos sociais que efetivamente constroem articulações regionais, sejam eles hegemônicos (como as empresas e o Estado), sejam subalternos (como os povos tradicionais). [...]. Por isso regionalizar, seja como processo concreto de construção de regiões (pela divisão do trabalho, pelo regionalismo e/ou pelas identidades regionais), seja como recorte analítico variável segundo os critérios propostos pelo pesquisador, é sempre uma forma, mais explícita ou mais sutil, de exercício do poder. Nesse exercício político é fundamental que se reconheçam as partes, divisões, sem, contudo, menosprezar os processos conjuntos de des-articulação.
HAESBAERT, R. Região. GEOgraphia, Niterói, v. 21, n. 45, p. 119-120, 2019. Disponível em: https://periodicos.uff.br/geographia/article/view/28995. Acesso em: 12 ago. 2025
Este conceito foi amplamente analisado e reinterpretado ao longo do tempo, acompanhando as transformações sociais, políticas, econômicas globais, bem como a própria evolução da ciência geográfica.
[...] a região esteve no centro de diversos debates que ainda hoje animam as discussões epistemológicas da geografia. O primeiro deles é, como vimos, aquele delineado pelas noções de região natural e de região geográfica. O que está em jogo nestas duas noções é o peso diferente atribuído às condições naturais como modelo explicativo para interpretar a diversidade na organização social. Se a geografia se define como o campo disciplinar que analisa a relação entre a sociedade e o meio ambiente, que critérios são definitivos na demarcação da diversidade espacial, aqueles advindos das características naturais ou aqueles definidos pela cultura? Poderíamos encontrar uma solução de consenso ao dizer que se trata de uma relação dinâmica em que há uma reciprocidade de influências [...].
GOMES, Paulo Cesar da Costa. O conceito de região e sua discussão. In: CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato. Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 67.
Em outras palavras, o conceito de região, na Geografia, abrange a relação recíproca entre meio e sociedade, e é um caminho para compreensão do espaço em que se vive e como ele é organizado. A cartografia exerce um papel fundamental na construção do conceito de região ao permitir a representação visual e a delimitação espacial que materializa as diferentes formas de regionalização, que é o processo de definição e estudo das regiões.
Haesbaert considera “região enquanto conceito, instrumento de interpretação do real, e regionalização enquanto instrumento de investigação, de forma análoga ao método de periodização dos historiadores” ( apud CUNHA, L. A. G. Sobre o conceito de região. Revista de História Regional, v. 5, n. 2, p. 51, 2007. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/rhr/ article/view/2107. Acesso em: 11 ago. 2025).
Desse modo, a regionalização é uma forma de explorar e compreender os processos sociais, culturais e econômicos que transformam os espaços regionais. Isso ocorre pois se trata de um método dinâmico que permite classificar o espaço utilizando variados critérios, conforme os objetivos de uma análise e o contexto da investigação.
Em suma,
[...] A concepção de região, mais recentemente, adquire significados múltiplos, incluindo a dimensão cultural. Nos últimos anos pode-se observar a possibilidade de região ser compreendida como proposição política sob um espaço, pode ser compreendida como expressão de uma forma de espacialização do trabalho, como também ser compreendida como espaço identitário para um determinado grupo social, que se consolida nos regionalismos e que se expressa pelo hibridismo do político, do econômico e do cultural, enquanto construção de representações que fortaleçam a identidade.
SUERTEGARAY, D. M. A. Notas sobre a epistemologia da Geografia. Cadernos Geográficos, Florianópolis, n. 12, maio 2005. Disponível em: https://cadernosgeograficos.paginas.ufsc.br/files/2016/02/Cadernos -Geogr%C3%A1ficos-UFSC-N%C2%BA-12-Notas-sobre-a-Espistemologia-da-Geografia.-Maio-de-2005.pdf. Acesso em: 11 ago. 2025.
Por fim, a estruturação da obra a partir dessa concepção de análise regional está alinhada à utilização do conceito de região na investigação das relações inter e intrarregionais. Isso possibilita compreender como diferentes áreas se articulam e se diferenciam, e como a escala local pode dialogar com as dinâmicas nacionais e até globais, contribuindo com o entendimento do espaço geográfico como um produto social e histórico.
O contexto atual corresponde a um destes momentos dentre os quais o conceito de região ganhou importância. Isso porque, a globalização torna mais complexos os processos de regionalização e algumas alternativas e possibilidades do conceito de região passam pela consideração da região — enquanto fração do espaço geográfico catalisadora de determinadas relações e convenções — como um ator social fundamental na transformação de comunidades regionais e locais.
CUNHA, L. A. G. Sobre o conceito de região. Revista de História Regional, v. 5, n. 2, p. 53, 2007. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/rhr/article/view/2107. Acesso em: 11 ago. 2025.
Ao abordarmos temas relacionados à história local, devemos partir do pressuposto de que ela faz parte de uma história mais abrangente, a nacional, que, por consequência, se relaciona à internacional. Como observa Erinaldo Cavalcanti, em sua análise do conceito de história local:
O que se entende por local? Local em relação a quê? Para quem? O que é local para uns pode, igualmente, ser global para outros. O reordenamento na vida de famílias que são afetadas pelas atividades da mineração, no sul do estado do Pará, por exemplo, trata-se de uma questão local? Se estivermos falando de trabalhadores e trabalhadoras que vivem em uma vila que foi afetada pelas ações da extração do minério, poderíamos afirmar que se trata de uma história local?
Em que dimensões seria uma história local, já que essas histórias são construídas, atravessadas, redirecionadas e ressignificadas com os desdobramentos da extração de minério, atividade desenvolvida com todas as relações de poder do chamado capitalismo globalizado?
CAVALCANTI, Erinaldo. História e história local: desafios, limites e possibilidades. Revista História Hoje, v. 7, n. 13, p. 274, 2018. Disponível em: https://rhhj.anpuh.org/RHHJ/article/view/393/271. Acesso em: 10 ago. 2025.
Por exemplo: a Guerra do Contestado (1912-1916), ocorrida onde atualmente se localizam os territórios de Santa Catarina e Paraná, pode ser compreendida enquanto uma questão local, afetando unicamente esses dois estados. Entretanto, ao analisarmos a história local do conflito, nos deparamos com uma questão nacional: a incapacidade do governo federal da época em demarcar as terras da região de maneira racional e técnica, somado à sua intervenção militar para encerrar o conflito. Por fim, do ponto de vista internacional, temos na região o investimento externo em ferrovias, como a Brazil Railway Company, em um contexto histórico de crescimento de trocas comerciais entre nações, onde o Brasil estava inserido na condição de fornecedor de matérias-primas.
Nesse sentido, a história local é compreendida como a “história pequena”, reduzida e “micro” em certo sentido, por ter um espaço e limite físico muito bem delimitado, diminuto se comparado à outra história, a história nacional e internacional. Se a “grande história” se volta a eventos e personagens de influência e impacto pelo menos nacional, a “pequena história” busca refletir sobre as pessoas cotidianas que viveram em uma região, seus costumes, crenças, modos de vida. É por essa razão que a história oral, assentada na memória, é tão valiosa para a história local.
O exemplo histórico relacionado à Guerra do Contestado nos ajuda a compreender o sentido de um livro regionalizado. Afinal, o que define uma história local? Em primeiro lugar, devemos notar que o próprio conceito e sentido de região Sul no Brasil passou por diversas transformações ao longo do tempo, e nada nos impede de refletir que esse conceito seja revisto e alterado no futuro.
Porém, ainda que o conceito de região Sul estabelecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística seja histórico e possivelmente temporário, isso não nos impede de notar que atualmente a região tem características geográficas, climáticas, econômicas, sociais e culturais em comum, compartilhando espaços de memória que possibilitam o seu agrupamento em uma das cinco grandes regiões que formam o Brasil.
Do ponto de vista histórico, precisamos analisar três conceitos pertinentes a essa ideia de região: identidade, cultura e memória.
Iniciando uma reflexão sobre o primeiro conceito, o que é identidade e como ela se relaciona com uma história local? Possivelmente, temos como definição de identidade a noção de semelhança entre pessoas: semelhança nos costumes, nas crenças e no modo de organizar a sua vida. Ela é uma construção social, pois não é natural. Compartilhar uma identidade é estar unido a um sentimento de conexão com outras pessoas, a partir da centralidade de uma cultura. É importante observar, especialmente em um livro regionalizado, de que a identidade tem um aspecto complexo, pois ao mesmo tempo em que une pessoas, ela pode excluir outros grupos. Essa discussão é necessária, pois, ao abarcar os temas do livro, o estudante precisa compreender a sua própria identidade, sem ter a necessidade de excluir a de outros.
Cultura, em seu sentido mais abrangente, se refere a tudo aquilo que é apreendido (SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2014. p. 276), remetendo à ideia do antropólogo Edward Tylor (1832-1917) de que os seres humanos, por meio do convívio social entre si, estabelecem hábitos, linguagens e costumes que regem o comportamento de determinada sociedade. Todos nós, habitantes da região Sul, dialogamos com culturas que nos moldaram e que nós ajudamos a moldar. Ao estudarmos a cultura de uma região, precisamos observá-la em diálogo com outras, mas ao mesmo tempo, notando a sua própria lógica, aquilo que a torna única e diferente das outras — sem nunca cairmos em um ranking, onde uma seria pior do que outra. O conceito de memória é individual e social ao mesmo tempo. Tradicionalmente, pensamos na memória como algo individual, pertencente à nossa vida cotidiana: a memória da nossa infância, dos nossos relacionamentos, entre outras. O sociólogo que melhor compreendeu e analisou a existência de uma memória coletiva, social por excelência, foi o francês Maurice Halbwachs (1877-1945). Em seu entendimento, a memória capaz de perdurar no tempo só pode ser social, em contraponto à individual, que é efêmera (HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006). Dessa maneira, a memória que abordamos no livro é a história de comunidades. Esses três conceitos — identidade, cultura e memória social — podem ser compreendidos em um sentido plural. Logo, não há uma única cultura, identidade ou memória social no Sul, mas sim uma pluralidade de culturas existindo e dialogando na região.
LIVRO REGIONALIZADO E BNCC
De acordo com a BNCC, nos anos iniciais do ensino fundamental, incentiva-se a valorização das vivências individuais e familiares, que enriquecem o processo de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, as práticas lúdicas, os diálogos e a escuta sensível se fazem pertinentes e estão presentes no material, assim como a exploração de outros espaços além da sala de aula, como bibliotecas, museus, praças, pontos turísticos e marcos históricos da região.
[...] É nessa fase que os alunos começam a desenvolver procedimentos de investigação em Ciências Humanas, como a pesquisa sobre diferentes fontes documentais, a observação e o registro – de paisagens, fatos, acontecimentos e depoimentos — e o estabelecimento de comparações. Esses procedimentos são fundamentais para que compreendam a si mesmos e àqueles que estão em seu entorno, suas histórias de vida e as diferenças dos grupos sociais com os quais se relacionam. [...]
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 355. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf Acesso em: 30 set. 2025.
Na obra, gradativamente o aprendizado se amplia além das experiências individuais, abrangendo a comunidade local, o município, o estado, a região e, por fim, o país, trabalhando diferentes escalas sem perder de vista a importância do contexto local. Para além das relações sociais e das experiências culturais, o espaço natural e físico também é abordado, com o objetivo de construir uma visão ampla e integrada das percepções sobre o espaço. O estudo da interação entre as atividades humanas e o meio físico é fundamental para a formação de um olhar analítico e crítico sobre o espaço vivido.
A partir desse entendimento, torna-se possível o desenvolvimento da percepção da articulação entre espaço e tempo vividos, dimensões integradas da experiência humana. A BNCC destaca que o espaço vivido é compreendido como um espaço biográfico, conectado às trajetórias pessoais e coletivas dos estudantes, e sua relação com os lugares de vivência. Com relação ao tempo vivido, a obra busca integrar elementos da memória coletiva e da história oral às análises, enfatizando a importância dessas para a construção do conhecimento histórico-geográfico e para a valorização das diversas identidades culturais presentes no espaço estudado.
Essa abordagem interdisciplinar amplia a compreensão do espaço geográfico como um produto social e histórico, possibilitando que o professor conduza as reflexões de forma integrada, articulando conceitos de História e Geografia a partir do cotidiano dos estudantes e das comunidades onde vivem. Em resumo, a obra propõe um caminho metodológico que valoriza a escuta, o diálogo e a investigação, incentivando a construção de um olhar analítico sobre o espaço e as diversas histórias que nele se cruzam.
O conceito de espaço é inseparável do conceito de tempo e ambos precisam ser pensados articuladamente como um processo. Assim como para a História, o tempo é para a Geografia uma construção social, que se associa à memória e às identidades sociais dos sujeitos. Do mesmo modo, os tempos da natureza não podem ser ignorados, pois marcam a memória da Terra e as transformações naturais que explicam as atuais condições do meio físico natural. Assim, pensar a temporalidade das ações humanas e das sociedades por meio da relação tempo-espaço representa um importante e desafiador processo na aprendizagem de Geografia.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 361. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Com o objetivo de favorecer o desenvolvimento da compreensão sobre o espaço geográfico e as relações que nele se estabelecem, em paralelo à construção do entendimento sobre
o tempo histórico, foram selecionadas habilidades dos anos iniciais do ensino fundamental, referentes aos componentes curriculares de História e Geografia.
As habilidades de História correspondem ao 3º ano e focam na identificação dos grupos populacionais e eventos locais, valorização das culturas diversas, reconhecimento de patrimônios e marcos históricos, análise dos registros de memória e das diferenças entre comunidades, além do mapeamento dos espaços públicos, promovendo uma compreensão aprofundada do espaço vivido e da história local.
As habilidades de Geografia relacionadas ao 3º ano voltam-se ao reconhecimento das características do espaço próximo, das paisagens e das interações entre elementos naturais e humanos. Já as habilidades referentes ao 4º ano ampliam essa análise para contextos mais abrangentes, estimulando a leitura e a análise cartográfica, e abordando temas como diversidade cultural e sua distribuição no espaço, fluxos migratórios, relação entre campo e cidade e organização político-administrativa do Brasil. As habilidades do 5º ano selecionadas para essa proposta, aprofundam o estudo dos aspectos socioeconômicos e seus reflexos no espaço, por meio da análise crítica das dinâmicas populacionais, das desigualdades sociais e das transformações urbanas. Além disso, buscam desenvolver a autonomia e o senso de responsabilidade ao promover o entendimento do papel dos órgãos públicos e da participação social na melhoria das condições de vida nas comunidades.
O raciocínio histórico-geográfico é favorecido por meio do trabalho integrado dessas habilidades e da exploração dos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs), estimulando a observação, a pesquisa, a reflexão e o diálogo, elementos essenciais para a formação de cidadãos conscientes e protagonistas. O esquema a seguir apresenta os TCTs, de acordo com a BNCC:
Meio ambiente
Educação Ambiental Educação para o consumo
Ciência e Tecnologia
Ciência e Tecnologia
Multiculturalismo
Diversidade Cultural
Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasilerias
Economia
Trabalho
Educação Financeira
Educação Fiscal
Saúde
Saúde
Educação Alimentar e Nutricional
Cidadania e civismo
Vida Familiar e Social Educação para o Trânsito Educação em Direitos Humanos Direitos da Criança e do Adolescente Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso
Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Temas contemporâneos transversais na BNCC: proposta de práticas de implementação 2019. Brasília, DF: SEB, 2019. p. 7. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/implementacao/guia_pratico_temas_contemporaneos.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Somado a isso, há a preocupação de auxiliar no desenvolvimento de habilidades de educação digital e midiática ao utilizar, principalmente nas atividades de pesquisa, habilidades dos três eixos da BNCC da computação: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital.
Estrutura da BNCC
A BNCC é o documento normativo que define as aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver até o final da educação básica. Ela está orientada pelos princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN).
As aprendizagens essenciais devem assegurar o desenvolvimento das dez competências gerais da educação básica, a fim de que os estudantes “contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 8. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025).
COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10 . Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 9-10. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf Acesso em: 30 set. 2025.
Na BNCC, o ensino fundamental está organizado em cinco áreas do conhecimento. Cada área de conhecimento estabelece competências específicas que explicitam como as competências gerais se aplicam na área.
Para o livro regionalizado de História e Geografia, destacamos as competências específicas de Ciências Humanas.
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.
2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo.
3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social.
4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.
6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 355. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Ilha do Mel, em Paranaguá (PR), em 2020.
No ensino fundamental, a área de Ciências Humanas abriga os componentes curriculares de História e de Geografia. Para cada um desses componentes curriculares, há as competências específicas do componente. Acompanhe, a seguir, as competências específicas de História.
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.
2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.
3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.
4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.
6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica.
7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 402. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Cada componente curricular apresenta um conjunto de habilidades. Essas habilidades estão relacionadas a objetos de conhecimento que, por sua vez, são estruturados em unidades temáticas. A seguir, você encontra as habilidades de História selecionadas para o livro regionalizado.
História – 3o ano
Unidades temáticas Objetos de conhecimento Habilidades
As pessoas e os grupos que compõem a cidade e o município
O “Eu”, o “Outro” e os diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a cidade e os municípios: os desafios sociais, culturais e ambientais do lugar onde vive
(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc. (EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.
O lugar em que vive
Os patrimônios históricos e culturais da cidade e/ou do município em que vive
(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.
A noção de espaço público e privado
A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.)
(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados
(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.
A produção dos marcos da memória: formação cultural da população
(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.
A cidade, seus espaços públicos e privados e suas áreas de conservação ambiental
(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.
Agora, acompanhe as competências específicas de Geografia.
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE GEOGRAFIA
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas.
2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história.
3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.
4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas.
5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia.
6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza.
7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 366. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
A seguir, você encontra as habilidades de Geografia selecionadas para o livro regionalizado.
Geografia – 3o ano
Unidades temáticas Objetos de conhecimento
O sujeito e seu lugar no mundo A cidade e o campo: aproximações e diferenças
Conexões e escalas Paisagens naturais e antrópicas em transformação
Mundo do trabalho Matéria-prima e indústria
Natureza, ambientes e qualidade de vida Impactos das atividades humanas
Habilidades
(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.
(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.
(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.
(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.
Geografia – 4o ano
Unidades temáticas
O sujeito e seu lugar no mundo
Objetos de conhecimento
Território e diversidade cultural
Conexões e escalas
Habilidades
(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.
Processos migratórios no Brasil (EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.
Relação campo e cidade
Unidades político-administrativas do Brasil
(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.
(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.
Territórios étnico-culturais (EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.
Mundo do trabalho Trabalho no campo e na cidade (EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.
Formas de representação e pensamento espacial
Sistema de orientação (EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.
Elementos constitutivos dos mapas
(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.
Geografia – 5o ano
Unidades temáticas
O sujeito e seu lugar no mundo
Formas de representação e pensamento espacial
Objetos de conhecimento
Natureza, ambientes e qualidade de vida
Habilidades
Dinâmica populacional (EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.
Diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais
(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.
Mapas e imagens de satélite (EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.
Representação das cidades e do espaço urbano (EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.
Gestão pública da qualidade de vida (EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.
PAPEL DO PROFESSOR E AS AULAS
A prática docente é uma ação que está em constante desenvolvimento e é uma caminhada que vai além do ato de planejar uma aula para uma turma. Cada professor é um ser de histórias, espaços, permanências, descobertas, aprendizagens e ressignificados. O professor, ao carregar e ser história, cumpre seu papel de oportunizar momentos para vivenciar, problematizar, pensar e refletir sobre fatos, desafios e atitudes de cidadania e de transformação social. Para Nóvoa, “nossas histórias influenciam nossos pensamentos, nossas concepções e construções de conceitos, afinal, é impossível separar o eu profissional do eu pessoal" (NÓVOA, António. Vidas de professores . Porto: Porto Editora, 1992. p. 17).
O professor é também um agente transformador que contribui com a formação social dos estudantes, garantindo um espaço de diálogos, reflexões e trocas entre pares (estudante-estudante, estudante-professor, estudante-família, estudante-sociedade, estudante-ambiente), focalizando no respeito mútuo e no trabalho colaborativo. Uma das ideias mais interessantes para que o estudante seja protagonista social e da sua própria história é o incentivo ao trabalho colaborativo.
O trabalho, a experiência, o pensar colaborativo é uma das tendências para o futuro da humanidade, em que a soma de talentos e esforços de um grupo possibilita a transformação de espaços e situações.
A escola também é o espaço para a construção da ampliação de repertórios. Cada aula é uma oportunidade para vivenciar algo diferente, algo que não está no cotidiano, mas está no mundo. Por isso, as experiências com vários gêneros textuais, artes, danças, esportes, culturas, culinárias, línguas são essenciais; para que no decorrer do ano letivo, o estudante amplie seu repertório e conheça outras possibilidades.
Pacheco revela que
O conhecimento escolariza-se quando são selecionados conteúdos, pertencentes a determinadas áreas do saber, em detrimento de outros, e cuja institucionalização educacional lhe confere um significado histórico-social, pois cada sociedade estabelece parâmetros para a integração dos indivíduos nas organizações formais.
PACHECO, J. A. Educação, formação e conhecimento. Porto: Porto Editora, 2014. p. 66.
Nesse contexto, a escola e o professor se tornam agentes não apenas de transmissão de conhecimentos formais, mas de pensamento crítico, cidadania e transformação social. O papel do professor, enquanto agente social, possibilita ao estudante a concretização do letramento, por exemplo. As vivências no ambiente escolar convidam o estudante a ampliar a reflexão e a criticidade, fazendo com que ideias e conteúdos ganhem significado e sentido para cada um. Cada aula, assim, é uma oportunidade de transformar vidas, realidades e a própria sociedade. Cada aula é uma possibilidade de acreditar e potencializar o desenvolvimento do estudante, instigando seu pensamento, reflexão e ampliando o repertório para resolução de problemas. A partir desse pensamento, entendemos que o ser professor acontece no percurso, na trajetória e, para isso, é fundamental a troca com outros professores. Nas trocas, fortalecemos a nossa prática, sendo que:
[...] a docência é marcada por relações sociais que interferem diretamente na construção da identidade profissional e os valores sociais mobilizados nessas relações agregam sentido e significado para a profissão docente e é preciso considerar que ao iniciar a carreira, os/as professores/as não chegam sozinhos/as na sala de aula, pois carregam consigo uma série de sentimentos, valores, crenças, saberes e ideais que foram construídos ao longo da sua trajetória pessoal, social e cultural.
CAMPOS, V. et al. Imagens e identidades da docência: ser, tornar-se e fazer-se professor, professora. Ensino em ReVista, v. 27, n. 1, p. 97, 2020.
Da mesma forma, o estudante quando chega à escola também não chega sozinho, traz consigo suas experiências, conhecimentos prévios, valores, saberes. E, juntos, no processo, professor e estudante descobrem caminhos de construírem conhecimentos com intencionalidade, valores sociais e possibilidade de transformação.
Olhar para a alfabetização
Incentivar um estudante protagonista significa dar espaço para que ele possa construir suas aprendizagens e se desenvolver de várias formas. Nesse sentido, auxiliar no desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita, interpretação e compreensão é fundamental. Ler e escrever são processos cognitivos que precisam ser aprendidos pelo cérebro, não são inatos; além disso são habilidades aperfeiçoadas ao longo de nossas vidas (COSENZA, R. M. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011). Compreender e interpretar são habilidades que precisam ser privilegiadas no dia a dia da sala de aula, pois fortalecem a construção do conhecimento em qualquer área do conhecimento.
Um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento dessas habilidades é a exploração de diferentes gêneros textuais, em especial aqueles voltados ao campo de atuação da vida cotidiana. Além disso, tão importante quanto o estudante ler, é ouvir o professor como um modelo leitor, com velocidade, prosódia e precisão. Os textos do material didático são excelentes oportunidades para isso. Nesse sentido, a obra acompanha os pressupostos do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que prevê [...] garantir a alfabetização de todas as crianças do país até o final do 2º ano do ensino fundamental, além de recuperar as aprendizagens afetadas pela pandemia, de 100% das crianças matriculadas no 3°, 4° e 5° ano. O programa é um esforço conjunto entre a União, estados, Distrito Federal e municípios [...].
BRASIL. Secom. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, c2025. Disponível em: https://www.gov.br/secom/ pt-br/acesso-a-informacao/comunicabr/lista-de-acoes-e-programas/compromisso-nacional-crianca-alfabetizada. Acesso em: 7 out. 2025.
Dinâmicas de leitura
Cabe destacar que, em sala de aula, é possível variar o formato de leitura. Selecionamos algumas dinâmicas que podem ser utilizadas nesses momentos (ver KLEIMAN, A. Oficina de leitura: teoria e prática. Campinas: Pontes, 1993).
• Leitura silenciosa : realizada de modo interno, é preciso ter uma grande capacidade de foco e concentração, já que a interpretação do que está escrito passa diretamente para a mente da criança, um exercício importante para aqueles estudantes que desenvolvem aprendizagem, sobretudo, pelo estilo de aprendizagem visual.
• Leitura oral: realizada por meio do exercício da expressão com a voz de o que está sendo lido, ajuda na concentração e no entendimento das ideias. É um excelente recurso para aqueles estudantes que desenvolvem aprendizagem, sobretudo, pelo estilo de aprendizagem auditivo. Pode ser realizada de forma individual ou coletiva.
• Leitura reflexiva: realizada de forma silenciosa ou oral, mas com foco em refletir sobre o que está sendo lido, com pausas para pensar sobre o texto e se aprofundar no conteúdo, destacando ideias centrais e fazendo mapas conceituais para organização das informações. Excelente recurso para estudantes que desenvolvem aprendizagem, sobretudo, por meio do estilo de aprendizagem cenestésico.
É importante planejar as ações pedagógicas, levando em conta esses três formatos de leitura dos textos e das propostas apresentadas no livro regionalizado.
Professor pesquisador: incentivo à busca pelo conhecimento da história e da geografia local
O pensar científico é uma das competências que permite a conexão entre os conhecimentos teóricos e científicos e a realidade em que estamos inseridos, buscando a identificação e solução de problemas cotidianos, fazendo um elo entre o que aprendemos na escola e o que vivenciamos no dia a dia.
A aprendizagem significativa é aquela que ao se conectar com a realidade do estudante, traz significado e mudança. Assim, o professor que trabalha com a regionalidade deve principiar pelos fundamentos históricos e geográficos da região Sul para incentivar a busca de soluções para desafios sociais, ambientais e locais.
Entre as premissas que qualificam o professor regional como pesquisador, destacamos as seguintes características:
• mediador de conhecimentos, permite a busca diária de repertório pelos estudantes;
• estimulador de memórias, trazendo história e fatos passados para serem suportes na formulação de novas possibiidades;
• resgatador de identidades por meio do conhecimento do lugar de vivência do estudante;
• incentivador do trabalho colaborativo, da inovação e do pensamento crítico;
• exemplo de pesquisador ativo, atento às fontes e locais de pesquisa.
O professor se faz, então, um mediador necessário na condução da construção do conhecimento e da análise da realidade local. A exploração de múltiplas fontes e espaços não formais de aprendizagem, como museus, monumentos públicos, espaços comunitários, centros culturais, parques, praças, entre outros, oferecem oportunidades de contextualização, aprendizagem e conexão dos estudantes com a história e geografia do espaço em que vivem.
Visitas a espaços de memória, como museus e centros culturais, são sugeridos para uma investigação sobre os modos de vida, possibilitando uma experiência concreta que aproxima os estudantes da cultura e da história. Outra atividade que contribui com o processo de aprendizagem, enriquecimento pessoal e valorização cultural, é o diálogo com membros da comunidade. Se possível, promova rodas de conversa que envolvam a comunidade ou oportunize aos estudantes a experiência de investigação por meio de entrevistas a familiares em um projeto mais amplo, como a reconstrução de histórias locais. Essas abordagens são formas de valorizar a memória coletiva e promover a reflexão sobre as mudanças ao longo do tempo.
[...] a educação não formal capacita os indivíduos a se tornarem cidadãos, sendo que seus objetivos não são dados a priori, se constroem no processo interativo, gerando um processo educativo, onde o educar surge como resultado do processo voltado para os interesses e as necessidades que dele participa.
A construção de relações sociais com base em princípios de igualdade e justiça social, quando presentes num dado grupo social, fortalece o exercício da cidadania. A transmissão de informação e formação política e sociocultural é uma meta na educação não formal, preparando os cidadãos, educando-os para a civilidade, em oposição à barbárie, ao egoísmo, individualismo.
O que se nota é que esses espaços possibilitam para as escolas e seus alunos e educadores, uma gama de atividades diversas, em que a socialização é muito presente, o aumento do conhecimento é agregado e a utilização do mesmo se torna real e possível, além da aprendizagem, passar a ser totalmente significativa. [...]
ARRUDA, A. L. de et al. Espaços não formais na educação. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 9, p. 1374, 2021.
Na diversificação de fontes que auxiliam no estudo da região, o perfil pesquisador do professor tende a se destacar. No caso específico da História e Geografia regional, importantes
recursos podem ser encontrados em arquivos públicos e particulares, bibliotecas locais, Câmara de Vereadores, por exemplo, e em diferentes formatos, como jornais, documentos oficiais, livros de memorialistas, filmes, entrevistas, fotografias, obras de arte e músicas, dentre tantos outros.
Outros recursos bastante pertinentes são os mapas, cartas topográficas, croquis e fotografias aéreas, que, enquanto representações do espaço, permitem melhor visualizar os fenômenos e compreender as dinâmicas, permanências e transformações ocorridas ao longo do tempo.
Ao entender a cartografia escolar como uma metodologia de ensinar geografia estabelecem-se as estratégias de aprendizagem para o desenvolvimento dos conteúdos que têm como objetivo desenvolver a capacidade de fazer análises geoespaciais para estabelecer conexões, relacionar e analisar os fenômenos. Não se trata de inventar métodos especiais e mirabolantes para ensinar geografia. Trata-se de pensar estratégias que sejam significativas para os estudantes aprenderem a ler um mapa e ler a realidade.
CASTELLAR, Sonia Maria Vanzella. Cartografia escolar e o pensamento espacial fortalecendo o conhecimento geográfico. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 7, n. 13, p. 215, 2017.
Nesse sentido, a cartografia também pode ser compreendida como uma linguagem mediadora na construção do conceito de região, pois auxilia na delimitação dos recortes espaciais (seja ele um município, um estado, uma região), permite analisar características desse espaço, como aspectos físicos, econômicos, sociais, culturais, viabiliza comparações entre diferentes áreas e ainda permite a identificação de relações entre elas, como fluxos de pessoas e de mercadorias.
BARROS, Jussara. Visitando um museu. c2025. Disponível em: https://educador.brasilescola.uol.com. br/estrategias-ensino/visitando-um-museu.htm. Acesso em: 11 ago. 2025. A postagem apresenta algumas dicas para visitação a museus.
Gaúchos manejando gado em área alagada do pampa em Alegrete (RS), em 2023.
Educação inclusiva
A educação inclusiva é uma abordagem educacional que busca garantir que todos os estudantes tenham acesso à educação de qualidade, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, intelectuais, sociais ou culturais. De acordo com a Política Nacional de Educação Especial, trata-se de uma modalidade que perpassa todos os níveis e etapas de ensino, assegurando a matrícula e a participação do público-alvo da Educação Especial (BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: MEC; São Paulo: Semesp, 2020).
• Estudantes no Transtorno do Espectro Autista (TEA): transtorno do neurodesenvolvimento que pode trazer prejuízo nas áreas de comunicação, socialização e/ou comportamento.
• Estudantes com altas habilidades ou superdotação: transtorno do neurodesenvolvimento em que o indivíduo manifesta elevado potencial, seja em uma área específica ou de forma combinada (intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade).
• Estudantes com deficiências: prejuízos e/ou impedimentos em diferentes esferas, que podem ser físico, intelectual, mental ou sensorial.
A Política Nacional de Educação Especial (PNEE) também está alinhada ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante o direito à educação em igualdade de condições e oportunidades, assegurando um “sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida” (BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência. 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019. p. 19).
Mais do que cumprir uma obrigação legal, incluir é um compromisso ético e social que transforma a escola em um espaço mais democrático e humano. Escolas inclusivas preparam cidadãos capazes de conviver com a diversidade, respeitar diferentes formas de ser e aprender e contribuir para uma sociedade mais justa. A inclusão não é um ato pontual, mas um processo contínuo de transformação da cultura escolar, que exige reflexão, planejamento e abertura para mudanças.
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde pode ser instrumento de auxílio para o professor, pois oferece uma visão ampla do estudante, considerando suas capacidades, limitações e o impacto do ambiente em sua formação (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Lisboa, 2004. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/arquivos/CIF.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025).
Com a CIF, observa-se:
• o que o estudante consegue realizar de forma independente;
• o que realiza com apoio;
• o que ainda não consegue realizar
Para que as adaptações das aulas sejam realmente eficazes, é fundamental que o professor reconheça em qual momento da aprendizagem o estudante se encontra. Isso significa observar não apenas o conteúdo que ele já domina, mas também as habilidades que ainda está desenvolvendo e aquelas que exigem apoio mais intenso.
Adaptações dos espaços de aprendizagem
Independentemente da infraestrutura escolar disponível, é possível promover melhorias no ambiente para favorecer a inclusão, como as sugestões a seguir.
• Mobiliário: acessível: mesas e cadeiras adaptadas para diferentes necessidades, que podem ser confeccionadas ou ajustadas com o apoio da comunidade.
• Circulação livre: retirar obstáculos, facilitar acesso a todos os espaços e prever áreas de apoio.
• Recursos visuais e táteis: mapas táteis, sinalização em braile, pictogramas e cores contrastantes para facilitar orientação pela escola.
• Controle de estímulos: uso de cortinas, painéis acústicos ou cantos tranquilos para estudantes com sensibilidade sensorial.
• Áreas multifuncionais: espaços que permitam o trabalho individual e em grupo, com flexibilidade para diferentes atividades.
Mesmo pequenas mudanças, como reorganizar a sala de aula para melhorar a circulação das pessoas ou criar cantos temáticos de aprendizagem, podem gerar grande impacto na participação e no conforto dos estudantes.
Preparação para o acolhimento
Para que a inclusão seja efetiva, é necessário preparar não apenas o espaço, mas também as pessoas, conforme as sugestões a seguir.
• Conhecer o histórico e as características do estudante, ouvindo a família e, sempre que possível, ele próprio.
• Adaptar o planejamento, considerando diferentes formas de acesso ao conteúdo.
• Utilizar metodologias ativas que permitam múltiplas formas de participação e expressão.
• Estimular a colaboração entre os colegas, criando um clima de apoio mútuo. Com a turma, é importante promover rodas de conversa, atividades de sensibilização e trabalhos cooperativos, construindo uma cultura de respeito.
Envolvimento de toda a comunidade escolar
Para que seja sustentável, a inclusão precisa da participação de toda a comunidade escolar.
• Gestores: garantem formações, articulam recursos e lideram o processo de mudança.
• Famílias: compartilham informações sobre o estudante e fortalecem a parceria escola-casa.
• Estudantes: aprendem a valorizar a diversidade e a colaborar com os colegas.
• Comunidade: pode apoiar com recursos, voluntariado e parcerias, como doações de materiais ou adequações físicas simples.
Essa rede de apoio amplia o alcance das ações inclusivas e fortalece o sentimento de pertencimento, essencial para que todos participem plenamente da vida escolar.
Inclusão de outros públicos
Além dos estudantes amparados na NEE, muitos outros podem ser público de um olhar inclusivo e atento por parte da escola. Crianças com outros transtornos, como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia, Transtorno Opositor Desafiador, crianças estrangeiras, estudantes LGBTQIAP+, estudantes em situação de vulnerabilidade social, cultural e econômica são alguns exemplos.
Adaptações como inspiração.
As orientações e adaptações sugeridas neste livro do professor, ao longo das orientações específicas, foram elaboradas para inspirar, não para impor modelos fechados. Cada estudante e cada comunidade escolar têm características e realidades próprias, e é natural que uma sugestão precise ser modificada ou substituída por outra mais adequada ao contexto.
Indicações de leitura
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: MEC; São Paulo: Semesp, 2020. Documento orientador que estabelece princípios, diretrizes e ações para a inclusão. Essencial para compreender a base normativa da inclusão no Brasil.
LACERDA, Lucelmo. Autismo: compreensão e práticas baseadas em evidências. Curitiba: Marcos Valentin de Souza, 2020. Apresenta evidências científicas que podem ampliar as possibilidades de manejo e organização das aulas.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015. O livro aborda a educação inclusiva, discutindo os passos necessários para implantá-la e ressaltando suas vantagens.
Estratégias de aprendizagem e personalização do ensino
O cérebro humano é capaz de aprender de diferentes maneiras, em especial, a partir dos estilos de aprendizagem visual, auditivo e cenestésico (ALMEIDA, K. R. de. Descrição e análise de diferentes estilos de aprendizagem. Revista Interlocução, Belo Horizonte, v. 3, n. 3, p. 38-49, 2010).
A aprendizagem estimulada pelo estilo visual necessita de direcionamentos visuais, como atividades de leitura, de observação de imagens e de vídeos. A aprendizagem estimulada pelo estilo auditivo requer direcionamentos que estimulem as entradas auditivas, como diálogos, podcasts , músicas. A aprendizagem estimulada pelo estilo cenestésico compreende os direcionamentos “mão na massa”, ou seja, práticas concretas, orientadas para fazer e construir. Nessa perspectiva de variação de recursos e estratégias de aprendizagem, aproximamo-nos da teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner, que amplia as possibilidades para um fazer pedagógico a partir da diversidade e da potencialidade de cada estudante (GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. São Paulo: Artmed, 1995).
• Inteligência lógico-matemática: alta capacidade para conclusões e ideias que partem da razão, pensamento lógico, afinidade com número, problemas e desafios lógicos.
• Inteligência linguística: alta capacidade com oralidade, escrita e outras formas de comunicação e expressão, bem como de análise e interpretação de ideias e informações.
• Inteligência espacial: alta capacidade de percepção visual e espacial, permitindo maior habilidade na interpretação e criação de imagens visuais gráficas, como mapas.
• Inteligência musical: alta capacidade para produzir, compreender e identificar os diferentes tipos de som, reconhecendo padrões tonais e rítmicos
• Inteligência corporal-cenestésica: alta capacidade para as experiências físicas e de movimento, com habilidade de equilíbrio, coordenação e expressão por meio do corpo.
• Inteligência interpessoal: alta capacidade para socialização, com habilidade para reconhecer e entender os sentimentos, motivações e desejos de outras pessoas.
• Inteligência intrapessoal: alta capacidade para reconhecer a si mesmo, percebendo sentimentos, motivações e desejos.
• Inteligência naturalista: alta capacidade para se relacionar com a natureza, extrema sensibilidade e envolvimento com a paisagem nativa.
Desenho Universal da Aprendizagem
A proposta do Desenho Universal da Aprendizagem (DUA) é aproximar o planejamento diário do professor a todos os estudantes, ou seja, proporcionar a todos os discentes, com ou sem necessidades educacionais especiais, oportunidades iguais de aprendizagem, independentemente de suas habilidades, necessidades e competências (OLIVEIRA, Ray. Desenho universal para aprendizagem. Sala de Recursos Revista, 18 out. 2022. Disponível em: https://salade recursos.com.br/desenho-universal-para-aprendizagem /. Acesso em: 31 ago. 2025).
Princípios do Desenho Universal da Aprendizagem
1. Proporcionar múltiplos meios de envolvimento.
Estimular o interesse dos estudantes e motivá-los para a aprendizagem recorrendo a múltiplas formas.
2. Proporcionar múltiplos meios de representação. Apresentar a informação e o conteúdo em múltiplos formatos para que todos tenham acesso.
3. Proporcionar múltiplos meios de ação e expressão.
Permitir formas alternativas de expressãoo e de demostração das aprendizagens.
Na sequência, apresentamos algumas dicas que podem auxiliar a adaptar as propostas e o uso do livro para diferentes necessidades de aprendizagem.
• Identifique o nível de alfabetização em que os estudantes se encontram e invista em práticas voltadas à fluência leitora.
• Permita que o livro didático seja utilizado por todos os estudantes, adaptando as propostas ao nível de cada um. Por exemplo, se não sabem ler e escrever com fluência, permita que leiam e identifiquem palavras simples ou mesmo letras nos textos.
• Classifique, de acordo com as potencialidades de cada estudante, as atividades que ele consegue fazer sozinho e as que consegue fazer com apoio.
• Em caso de existência de diversas propostas que visam ao desenvolvimento da mesma habilidade, escolha as que são essenciais para aquele momento.
• Se o estudante não consegue realizar nenhuma das propostas do livro sobre determinado assunto, sugira outras atividades no caderno, elaboradas de acordo com o Plano Educacional Individualizado (PEI), que permitam o desenvolvimento do mesmo assunto por meio de diferentes linguagens.
PEI é o planejamento individualizado para cada estudante que necessita de adaptações em seu currículo. Ele é elaborado por uma equipe multiprofissional.
• Faça com o estudante o planejamento da rotina do dia, além de combinados sobre qual será o reforçador de recompensa ao terminar a meta diária
• Gerencie um comando por vez, se a atividade propuser mais de um. À medida que o estudante conseguir desempenhar um comando, explique o próximo.
• Relacione as informações do material ao dia a dia, ao lugar de vivência dos estudantes. Esses são possíveis caminhos de adaptação do material, visando ao atendimento do maior público de estudantes.
Organização da sala de aula
Dentro da sala de aula também é possível pensar em diferentes organizações do espaço que fujam da rotina enfileirada, a fim de promover a interação entre os estudantes, tornando as aulas mais dinâmicas. Observe algumas possibilidades:
Organização em grupos para troca de ideias e trabalhos mão na massa.
Organização em duplas para atividades de conversa com um colega.
Organização em U ou semicírculo para que todos da turma consigam ser vistos.
Essas organizações proporcionam vivências, olhares e trocas diferentes. A ideia do trabalho colaborativo permite que, além da interação com o outro, o estudante ensine seu par e aprenda com ele, em um processo de ensino-aprendizagem significativo.
ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM
Enquanto docentes, quando pensamos em acompanhamento da aprendizagem, precisamos retomar algumas premissas básicas: quais são as habilidades essenciais para o nível de escolarização dos estudantes; quem são esses estudantes; o que sabiam; o que desenvolveram; e qual a finalidade das aprendizagens vivenciadas. A ideia de avaliação aqui proposta transcende provas e testes descontextualizados e memorizados, valorizando as diferentes formas de expressão e de comunicação para a construção do conhecimento. Nesse sentido, Luckesi discute que
O educando não vem pra escola para ser submetido a um processo seletivo, mas sim, para aprender e, para tanto, necessita de investimento da escola e de seus educadores, tendo em vista efetivamente aprender. Por si, não interessa ao sistema escolar que o educando seja reprovado, interessa que ele aprenda e, por ter aprendido, seja aprovado. O investimento necessário do sistema de ensino é para que o educando aprenda e a avaliação está a serviço dessa tarefa. Assim sendo, entre nós educadores, há necessidade de investir na “aprendizagem da avaliação”.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2002. p. 16.
Assim, acompanhar a aprendizagem é aprender a avaliar, possibilitando ao estudante diferentes formas para demonstrar sua aprendizagem, considerando o pleno desenvolvimento de cada um e a interdisciplinaridade multifatorial. Por isso, além de testes e provas escritas, é essencial que as propostas pedagógicas oportunizem o desenvolvimento de atividades como portifólios, seminários, saraus, debates orais, ditados, podcasts, vídeos, produções de textos verbais e não verbais, cartazes, murais, entre outras tarefas que possibilitem ao estudante demonstrar o que aprenderam.
Modelos avaliativos
A seguir, trataremos de alguns modelos avaliativos que devem sempre acompanhar a prática contextualizada do professor.
Avaliação diagnóstica
Momento indispensável para a organização e a sondagem inicial do professor em relação à turma. Tem como objetivo principal identificar os conhecimentos prévios, habilidades, potencialidades e dificuldades dos estudantes, bem como expectativas que serão um forte embasamento para o professor iniciar, planejar, ajustar, repensar sua prática pedagógica. O diagnóstico alavanca a construção de uma aprendizagem significativa, que prevê mudanças de rotas e reorganização de estratégias. Para Luckesi, “a avaliação não seria somente instrumento de aprovação ou reprovação dos alunos, mas sim um instrumento de diagnóstico de sua situação, tendo em vista a definição de encaminhamentos adequados para sua aprendizagem” (LUCKESI, Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2002. p. 58). Uma das palavras-chave da avaliação diagnóstica é acolhimento, o professor acolhe o estudante, a turma, as realidades, os contextos e investe em aprendizagens significativas. Pode ser realizada por meio de diferentes recursos como um teste, uma conversa, uma roda de questionamentos, uma produção escrita, um jogo, um cartaz. Avaliação somativa
Um modelo de avaliação amplamente conhecido e utilizado no ambiente escolar para sintetizar e medir o aprendizado do estudante ao final de um período, seja ele um bimestre, trimestre, semestre ou ano letivo. É um modelo debatido pioneiramente por Scriven, quando discute sobre o papel de uma avaliação final que serve para julgar o valor dos currículos inteiramente acabados (SCRIVEN, M. The methodology of evaluation: perspectives on curriculum evaluation. AERA Monograph Series on Curriculum evaluation, Chicago, Rand Mc-Nally, n. 1, p. 39-83,1967).
Conta com um conjunto de recursos padronizados que visam a um determinando conjunto de habilidades ou objetos do conhecimento, como provas, testes padronizados, trabalhos de conclusão e exames, resultando em uma nota, conceito ou classificação que define a aprovação ou reprovação do estudante. Pode não ter resultados positivos, principalmente se for considerada de forma isolada, como sendo o único ou mais importante pilar do acompanhamento da aprendizagem.
Avaliação formativa
Com o objetivo de olhar para o desenvolvimento das aprendizagens de forma contínua e ir além de notas e médias descontextualizadas, a avaliação formativa busca oferecer constantes feedbacks aos estudantes, que permitem a reorganização do processo de ensino e aprendizagem, possibilitando mudanças de planos sempre que necessário. Ela valoriza a caminhada dos estudantes e se aproxima da perspectiva da BNCC. Hoffmann, quando afirma que a avaliação formativa deve dar ao professor as "pistas" de como os estudantes estão aprendendo, discorre: […] esse paradigma pretende opor-se ao modelo do "transmitir-verificar-registrar" e evoluir no sentido de uma ação avaliativa reflexiva e desafiadora do educador em termos de contribuir, elucidar, favorecer a troca de ideias entre e com seus alunos, num movimento de superação do saber transmitido a uma produção de saber enriquecido, construído a partir da compreensão dos fenômenos estudados. […] Professor e aluno buscando coordenar seus pontos de vista, trocando ideias, reorganizando-as.
HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma prática emconstrução da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2009. p. 67.
Não se trata apenas de dar uma nota, mas de dialogar sobre o erro, de entender por que o erro aconteceu e de ajudar os estudantes a superá-lo. Existem muitas possibilidades pedagógicas para o processo avaliativo formativo ser validado: trabalhos colaborativos, trabalhos em grupo, roda de conversa, produção de cartazes, podcasts, vídeos, teatros, tarefas avaliativas, produção de textos, questões dissertativas, testes, entre tantas outras atividades do cotidiano da sala de aula que possibilitam o olhar integral do desenvolvimento de cada estudante.
Autoavaliação
É essencial destacar que a autoavaliação é um modelo de acompanhamento da aprendizagem que permite a reflexão dos próprios estudantes e até mesmo do professor com o objetivo de compreender como está o processo de aprendizagem, o que está resultando em aprendizagens significativas e o que pode ser repensado e ajustado levando em conta a perspectiva dos estilos de ensino e aprendizagem. Haydt compreende que a autoavaliação “apresenta a inegável vantagem de permitir que o aluno constate por si mesmo quais são seus pontos fortes e fracos, e considera o que lhe compete fazer para melhorar, assumindo as responsabilidades de seus atos" (HAYDT, R. C. C. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. 5. ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 153-156). Assim, momentos em sala de aula em que o professor pode escutar o estudante, em que ele se autoavalie, que registre suas dificuldades e avanços, não somente nos aspectos cognitivos, mas também em participação, engajamento, envolvimento, socialização e organização são oportunidades que contribuem para a construção do conhecimento de um estudante protagonista.
O Desenho Universal da Aprendizagem (DUA) no processo avaliativo
A avaliação é um recurso que precisa caminhar junto e de maneira coerente com o planejamento do professor. É um momento de compreender e interpretar o dia a dia da sala de aula, partindo da realidade dos estudantes e das intencionalidades pedagógicas. Nesse sentido, o DUA é também uma possibilidade de oportunizar diversificadas maneiras de cada estudante demonstrar o que aprendeu.
Diário de memórias
Viver as aprendizagens sobre o entendimento regional e local é oportunizar aos estudantes o pertencimento de quem somos em meio às vivências e experiências constituídas pelos espaços históricos e geográficos. Uma das formas de resgatar essa perspectiva é por meio do investimento na oralidade. Os contos, as lendas, os trava-línguas, as histórias contadas de geração em geração, que ouvimos e reproduzimos, tornam-se um excelente recurso para enriquecer a proposta pedagógica deste material e fomentar as ideias e os temas debatidos. Além disso, atividades coletivas de produção de portfólios, cartazes, murais, seminários e debates orais são ações necessárias à incorporação de uma prática pedagógica que atende as necessidades do educando e possibilita que a construção do conhecimento aconteça por diferentes vias.
O diário de memórias é uma prática que pode ser rotineira nas aulas de Ciências Humanas, na busca do envolvimento e pertencimento dos estudantes com os assuntos desenvolvidos. Uma possibilidade de aplicação é a construção de um diário de memórias ao final de cada aula, por meio de registros que podem variar entre texto, desenho, pintura, nuvem de palavras, mapa conceitual ou diário de bordo, que registre as experiências vivenciadas a cada aula. Seu uso é uma oportunidade de também revisar, a cada nova temática, as aprendizagens já consolidadas.
Além disso, no intuito de ampliar, valorizar e divulgar as aprendizagens da turma, podemos pensar em criar espaços dentro da escola para que o diálogo com a comunidade ganhe destaque por meio de entrevistas com pessoas locais que contribuem para a história e as memórias do município, conversas com personalidades locais engajadas em atividades sociais e movimentos voluntários, galerias de exposição das atividades realizadas em sala de aula para familiares e comunidade escolar, resgate de brincadeiras e culinárias típicas de regiões e culturas diferentes. Todos esses momentos também devem ser registrados no diário de memórias.
Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR), em 2022.
REGIONALIZADO: REGIÃO SUL
Esta obra foi estruturada para proporcionar uma compreensão integrada e abrangente da região Sul do Brasil, articulando conteúdos de História e Geografia, bem como de outros componentes curriculares. O objetivo principal é oferecer aos professores uma ferramenta que permita trabalhar os conteúdos por meio de diferentes abordagens, conectadas ao cotidiano dos estudantes e à realidade da região.
O fio condutor das aprendizagens é a progressão Eu — Outro — Nós, uma abordagem que parte da realidade imediata de cada estudante (Eu) para, gradualmente, ampliar sua visão e compreensão do mundo ao seu redor, ou seja, da identidade coletiva construída a partir da memória compartilhada, da diversidade cultural e da relação entre espaço e sociedade (Nós). A esse respeito, a BNCC destaca:
Os indivíduos desenvolvem sua percepção de si e do outro em meio a vivências cotidianas, identificando o seu lugar na família, na escola e no espaço em que vivem. O aprendizado, ao longo do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, torna-se mais complexo à medida que o sujeito reconhece que existe um “Outro” e que cada um apreende o mundo de forma particular.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 403. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Essa trajetória pedagógica possibilita aos estudantes construir uma compreensão da região onde vivem, fortalecendo seu sentimento de pertencimento e valorizando as histórias e culturas que a definem, contribuindo para a formação de uma identidade regional. Ao mesmo tempo, promove o reconhecimento e o respeito às diversidades presentes na região e para além dela. A obra está organizada em quatro unidades temáticas, cada uma com dois capítulos, que exploram desde a paisagem natural até as dinâmicas sociais, econômicas, culturais e históricas que caracterizam a região, utilizando recursos imagéticos e cartográficos para melhor contextualização e enriquecimento das análises.
• Unidade 1 — Nossa região Sul : aborda os aspectos naturais e humanizados da região, incluindo relevo, clima, recursos naturais, hidrografia e vegetação, além de elementos importantes da memória coletiva, como os nomes de lugares e os espaços de memória que marcam a história local. Também apresenta a divisão territorial do Brasil com foco na regionalização e no reconhecimento do espaço vivido pelos estudantes.
• Unidade 2 — Povos do Sul : são estudados os povos originários, os africanos e seus legados, e os grupos migratórios que formaram a população da região Sul, como açorianos, alemães, italianos, poloneses, ucranianos, japoneses, árabes e judeus. Essa unidade enfatiza a contribuição de cada grupo para a formação cultural, social e econômica da região, valorizando o patrimônio material e imaterial.
• Unidade 3 — Campo e cidade no Sul: explora a relação entre os espaços rurais e urbanos, destacando as transformações econômicas, ambientais e sociais que ocorrem em ambos os contextos. Temas como a Guerra do Contestado, atividades econômicas, turismo rural, urbanização, problemas urbanos e desigualdades são abordados para mostrar as conexões entre campo e cidade, assim como os impactos das atividades humanas no meio ambiente.
• Unidade 4 — População e futuro do Sul: trata das características demográficas, culturais e sociais atuais da região, abordando questões de cidadania, direitos sociais, movimentos migratórios recentes, desigualdades e formas de organização social. Essa unidade também destaca a riqueza cultural do Sul por meio das artes e da consciência ambiental, além de promover reflexões sobre a identidade regional e o modo de vida comunitário.
Quadro de conteúdos
O quadro a seguir mostra a distribuição dos conteúdos e das respectivas habilidades da BNCC ao longo das unidades e capítulos.
VOLUME ÚNICO
NOSSA REGIÃO SUL
1. Região e meu lugar de vivência
• Divisões do território brasileiro
Municípios e estados
Grandes regiões
• Região Sul
• Regionalização
A região Sul poderia ter sido diferente
Região Sul ao longo do tempo
2. Aspectos naturais e humanizados do Sul
• Relevo brasileiro e da região Sul
• Hidrografia
Uso da água na região Sul
• Fundação de vilas e cidades
Tropeirismo e memória
• Clima e vegetação da região Su Biomas e degradação ambiental
Recursos naturais e cultura
Lenda da erva-mate
DIÁLOGOS: Erva-mate, chimarrão e tereré
PARA REVER O QUE APRENDI
1. Povos originários, africanos e seus legados
• Povos originários
Povos Jê e Tupi-Guarani
Povos Charrua
• Contato entre povos indígenas e europeus
Missões jesuíticas
• Terras indígenas
• Africanos escravizados e libertos
Lanceiros negros
DIÁLOGOS: Religiosidade afro-brasileira
Quilombos, mocambos e quilombolas
• Arte e resistência
2. Ocupação e migrações no Sul
• Açorianos
Legados dos açorianos
DIÁLOGOS: Festas do boi
• Imigração no século 19 Alemães e italianos Poloneses e ucranianos
• Japoneses, chineses e árabes
• Memória familiar e coletiva
• Patrimônios: memórias da comunidade Patrimônios materiais da região Sul Patrimônios imateriais da região Sul PARA REVER O QUE APRENDI
Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4, 5.
Competências específicas de Ciências Humanas: 2, 5, 7.
Competências específicas de Geografia: 1, 3, 4, 7.
TCT: Cidadania e civismo: direitos da criança e do adolescente.
Meio ambiente: educação ambiental.
PLANEJAMENTO
O planejamento é essencial para garantir que os objetivos da obra sejam alcançados de forma organizada e coerente com a realidade escolar. Ele deve ser entendido como um instrumento flexível, que pode ser adaptado às condições locais, ao tempo disponível e às necessidades dos estudantes. Para adaptar a obra às suas necessidades e às necessidades dos estudantes, sugerimos a utilização das matrizes de planejamento a seguir. Elas facilitam a organização de rotinas estruturadas, fundamentais para o processo de inclusão, mas permitem inovação e personalização. Assim, o planejamento proposto busca equilibrar organização e flexibilidade, oferecendo ferramentas concretas para gerir os conteúdos de forma significativa e participativa.
Matriz de planejamento de rotina
Planejamento de rotina diária
Acolhida
Discussão inicial
Desenvolvimento das aulas
Receber os estudantes; registrar a data e a rotina do dia; conversar brevemente sobre novidades, acontecimentos ou combinados.
Propor uma questão instigante relacionada ao tema da aula ou a acontecimentos do cotidiano. Estimular argumentação, escuta e respeito às opiniões. Pode ser em roda ou em pequenos grupos.
Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.
Intervalo/lanche Pausa para alimentação e recreação.
Desenvolvimento das aulas
Fechamento
Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.
Síntese das aprendizagens: o que foi descoberto, quais dúvidas surgiram, como aplicar no cotidiano. Espaço para reflexão crítica e registro final.
Planejamento de rotina de aula
O modelo de matriz para planejamento de rotina de aula considera 90 minutos, ou seja, dois períodos de aula de 45 minutos.
Aquecimento (5 min)
Apresentação (20 min)
Desenvolvimento (20 a 30 min)
Sistematização (15 min)
Encerramento (10 min)
Autoavaliação (10 min)
Momento inicial, buscando o engajamento dos estudantes por meio de uma proposta afetiva.
Possibilidade de recursos: cartaz, imagem, vídeo curto, podcast, contação de história, execução de atividade manual (dobradura, desenho), resolução de problema, jogo, brincadeira, passeio pela escola, reflexão.
Início da aula. Apresentação da temática/do conteúdo a ser desenvolvida(o).
Recursos
Para aprendizagem ativada pelo estímulo auditivo: conversa, música, leitura oral, sons.
Para aprendizagem ativada pelo estímulo visual: vídeo, cartaz, mapa visual, imagem, brinquedo, livro, leitura silenciosa, uso de gestos.
Para aprendizagem ativada pelo estímulo cenestésico: massa de modelar, colagem, escrita, maquete, desenho, práticas em outros espaços, uso do corpo.
Propostas orais e escritas, com sistematização das aprendizagens de modo individual, em dupla ou coletivo.
Registro das aprendizagens.
Revisão do conteúdo com perguntas, debates ou atividades criativas (diário de bordo, quiz, dramatização, jogo etc.)
Reflexão acerca das atitudes e aprendizagens do dia.
Matriz de sequência didática
Identificação
Componente
Período de duração
Tema
Objetivos de aprendizagem
BNCC
Preparação
Encaminhamento
Pré-requisitos
Título da sequência didática Turma em que será aplicada
Componente(s) curricular(es) envolvidos.
Número de aulas previstas.
Conteúdo principal a ser explorado. Pode ser, também, um objeto de conhecimento da BNCC ou um capítulo/uma parte do livro didático.
Objetivo geral e objetivos específicos (por aula), bem como justificativa pedagógica.
Competências, habilidades, temas contemporâneos transversais.
Materiais e recursos utilizados em toda a sequência, como as páginas do livro didático, itens de papelaria, equipamentos digitais, autorizações dos familiares, entre outros.
Também é importante considerar possíveis adaptações para estudantes com diferentes necessidades de aprendizagem.
Conhecimentos prévios esperados dos estudantes.
Apresentação Sensibilização para o tema.
Observações gerais
Aulas
Desenvolvimento da sequência didática. A quantidade varia de acordo com a proposta.
Conclusão Discussão entre os estudantes e apresentação dos resultados
Avaliação Verificação da aprendizagem e dos objetivos de aprendizagem atingidos.
Espaço para o registro do professor.
TEXTOS PARA REFLEXÃO
Aproveite os textos de reflexão a seguir como inspiração para aprimorar sua prática. Reflita sobre sua realidade e adapte as sugestões à sua turma e ao contexto local. Incentive a troca de experiências com outros docentes, fortalecendo a formação continuada.
A abordagem regional como tradição do currículo da geografia escolar
Sobre a abordagem regional […] A compreensão da importância do conceito de região para a Geografia como ciência é um passo fundamental […]. Afinal, este conceito passa por expressivas transformações no seio da ciência geográfica, fato que lhe confere uma especificidade ligada, inclusive, à identidade da disciplina escolar Geografia. […] é preciso esclarecer que o pensamento segundo a lógica regional, no interior da ciência geográfica, tem seu sentido construído em oposição àquele que obedece a uma lógica sistemática. […]
[…] [a] distinção entre uma Geografia Geral, sistemática ou tópica e uma Geografia Regional ou “especial” nasce com a própria Geografia como um todo, pois desde os antigos gregos podemos dissociar uma perspectiva de reflexões mais gerais e outra de caráter mais sintético e particularizado. […] Ao regional caberia, sempre, o papel mais efetivo da chamada “síntese” geográfica, traduzida pelo estudo de áreas específicas que manifestaria a unidade entre físico e humano, entre rural e urbano, entre geral e particular — tarefa raramente bem-sucedida […] Assim, diferentemente da lógica sistemática, que orienta trabalhos temáticos mais gerais para o estudo do espaço, a lógica regional se aplica aos trabalhos que privilegiam certos espaços, sendo que a unidade espacial vai sendo definida pela diferenciação entre as formas de organização das sociedades no espaço, ou seja, as formas de interação do homem com o meio. Nos trabalhos regionais, o recorte espacial é bem definido, e a descrição de suas particularidades é o principal objetivo. […] a Geografia Regional “propõe a realização de monografias, análises circunscritas à área enfocada que buscam chegar a um conhecimento profundo dela, pela descrição e observação dos fenômenos e elementos presentes, no limite tendendo à exaustão”. […]
Foi curioso constatar, porém, que na elaboração de um currículo específico para a formação de professores, a Geografia Regional tornou-se disciplina obrigatória, tendo assim mais destaque do que outras supostamente mais valorizadas no currículo do bacharelado. Estes dados evidenciam que a própria comunidade acadêmica, ao ter que pensar um currículo específico para a formação de professores, reconheceu a necessidade de valorizar a Geografia Regional. Aqui é interessante perceber como as práticas escolares produzem sentidos sobre a Geografia acadêmica, ao mesmo tempo em que são produzidas por estes. […] Um embate evidente no processo foi justamente aquele que se propõe a romper com a lógica tradicional e regional na escola, em favor de uma Geografia mais pautada em temas gerais. A certeza inicial de se produzir um currículo mais integrado foi abalada, uma vez que se considerou, em certos momentos, a organização dos conteúdos de forma regional mais “didática” […]. Entendo […] que tais configurações do saber escolar não estão livres de conflitos como este, já que o saber científico se depara também com os constrangimentos do espaço escolar, os quais geram resistências e refratam mudanças advindas das pesquisas científicas. Assim, defendo que o conhecimento escolar em Geografia é crítico e ao mesmo tempo marcado pela tradição regional. As proporções em que esta mescla ocorre são dadas pelo “jogo” de forças que se configura na negociação entre as finalidades escolares, os conhecimentos cotidianos e científicos. […] Articular informações ou atualidades à localização de cidades/países é algo que enriquece as possibilidades de perspectivas de se pensar e compreender os fatos: como opinar criticamente sobre um atentado em Damasco se eu não sei onde fica esta cidade? Além da escola, onde mais as pessoas podem ter acesso de forma sistematizada a estas informações? […]
A integração dos fenômenos físicos e humanos — necessidade que parece consensual — vem sendo mesclada com arranjos tradicionais do ensino, com o objetivo de se produzir um nexo mais adequado aos alunos. Além disso, os critérios regionais de organização dos conteúdos muitas vezes acabam prevalecendo e “dando suporte” a formas inovadoras de tratar certos temas tradicionais. […]
VILELA, C. L. A abordagem regional como tradição do currículo da Geografia escolar. Giramundo: Revista de Geografia do Colégio Pedro II, v. 3, n. 5, p. 32-39, 2017. Disponível em: https://portalespiral.cp2.g12.br/index.php/GIRAMUNDO/article/view/1354. Acesso em: 12 ago. 2025.
O debate atual: como entender a região frente ao processo “homogeneizador” da globalização e à pós-modernidade
[…] Não haveria, talvez, uma receita de Geografia na pós-modernidade, nem, muito menos, uma nova corrente específica desse momento ou uma categoria especial. A diferença reside na possibilidade da pluralidade, do tempo vivido como simultaneidade, do espaço, entendido como global, regional e local, de uma nova abordagem da escala. Mesmo que a região não seja uma categoria-chave, o estudo regional, nesta perspectiva, pode-se dizer que é contemplado de forma privilegiada, à medida que esse momento dá ênfase ao heterogêneo, às particularidades, à diferença. […]
Frente à globalização, mesmo na tentativa de anulação das diferenças a partir da homogeneização do espaço, as diferenças regionais emergem paulatinamente. […] “as regiões são o suporte e a condição de relações globais que de outra forma não se realizam”. Mesmo que se afirmem que a região não mais exista, continuaremos a vivê-la ou assisti-la nas diversas expressões materializadas na sociedade e utilizada como mecanismos de ações políticas de planejamento.
[…] “a região continua a existir, mas com um nível de complexidade jamais visto pelo homem".
[...]
CARVALHO, G. L. Região: a evolução de uma categoria de análise da geografia. Boletim Goiano de Geografia, Goiânia, v. 22, n. 1, p. 146-148, jan./jun. 2002.
Sobre
a formação do professor-pesquisador
[…] A unificação da pesquisa científica com a prática profissional requer não somente a reconceitualização do magistério como uma profissão ancorada na própria Ciência. São necessárias também modificações nos sistemas subjacentes ao conhecimento, principalmente às relativas a desenvolvimento, validação e implementação de dados de pesquisa nas salas de aula. Na literatura educacional, pelo menos dois modelos direcionados para aplicação do conhecimento são proeminentes: o modelo linear e o modelo pragmático […].
Na abordagem linear, modelo conceitual mais tradicional sobre a aplicação do conhecimento […], a comunidade científica desenvolve e valida inovações educacionais e os professores aplicam-nas de forma passiva. Nessa perspectiva, os pesquisadores são percebidos como entidades que fornecem soluções prontas, visto que os professores são considerados meros consumidores “de um produto acabado”. […]
[…] embora a pesquisa científica seja capaz de identificar os principais efeitos de um procedimento, falha em considerar as interações que ocorrem quando um grande número de variáveis situacionais está envolvido. Dentre essas variáveis, figuram a história de vida do professor em ação, suas emoções, cultura e contexto em que está inserido […].
O modelo pragmático, por outro lado, sugere que o conhecimento que emana da prática pode ser considerado funcional e válido, independentemente de pesquisas e teorias formais […]. Esse tipo de conhecimento […] se refere a práticas que jamais foram
validadas por pesquisas empíricas, mas são utilizadas, com sucesso, por professores em sala de aula. […]. No modelo pragmático, o professor é percebido como produtor e implementador de práticas educacionais que funcionam, enquanto a comunidade científica é caracterizada como produtora de estratégias que, em geral, são passíveis de aplicação apenas em ambientes rigorosamente controlados.
[…]
A reconceitualização da relação entre pesquisa e prática é, nesse contexto, decisiva em Educação. É necessário ir além do modelo linear, sem ignorar o conhecimento científico. […]
[…] para muitos professores, a teoria e a pesquisa discutidas no âmbito acadêmico ocupam um papel secundário em sua formação como educadores. O instinto e a experiência adquiridos em sala de aula, por outro lado, passam a ser consideradas fontes principais de conhecimento […].
A formação do professor pesquisador
A literatura científica tem sugerido que professores expostos a cursos e práticas de pesquisa em programas de formação ou aperfeiçoamento de professores tendem a apresentar uma atitude mais positiva a respeito da realização de pesquisas em sala de aula […]. De fato, o Council for Exceptional Children (Conselho da Criança Excepcional — Estados Unidos) inclui habilidade de pesquisa como uma competência essencial a ser desenvolvida pelo educador […]. São muitos os motivos para capacitar o professor em atividades de pesquisa no ambiente natural. Primeiramente, essa habilidade possibilitaria esse profissional a formular questões de pesquisa condizentes com o contexto da sala de aula, em vez de serem baseadas em suposições meramente teóricas. […] Segundo, estudos conduzidos em ambientes naturais, como a sala de aula, favorecem a generalização dos resultados e aumentam a validade social da pesquisa […]. Em terceiro lugar, os professores assumiriam maior responsabilidade por suas decisões pedagógicas, uma vez que estariam capacitados a identificar os procedimentos que surtiram melhores resultados e sob quais condições […]. Em quarto lugar, o professor poderia utilizar métodos experimentais na sala de aula para avaliar os efeitos de um procedimento de ensino ou fazer comparações entre diferentes práticas. […].
Apesar dos benefícios em capacitar professores a realizarem pesquisa em sala de aula, alguns fatores tornam essa prática, por vezes, de difícil implementação. A carga de trabalho dos professores, o pouco incentivo oferecido pelos gestores, a falta de oferta de cursos de pesquisa em programas de formação de professores, a dificuldade de relacionamento entre professores e pesquisadores e a ausência de financiamento […] são algumas razões encontradas na literatura.
NUNES, D. R. P. Teoria, pesquisa e prática em educação: a formação do professor-pesquisador. Educação e Pesquisa, v. 34, n. 1, p. 99-103, 2008.
Os conceitos de região
A ideia de região é muito ampla, diferindo dependendo da corrente em que a definição esteja inserida. Os geógrafos não tratam esta definição de forma tão harmônica. Quando lermos qualquer definição de região, é importante saber em que período ela foi feita para que o entendimento sobre a ideia seja completa, pois o contexto é muito necessário. O termo região não apenas faz parte do linguajar do homem comum, como também é dos mais tradicionais em geografia (CORRÊA, 2003, p.22). De fato, o conceito de região é o mais antigo trabalhado na geografia, e tem uma importância muito grande na disciplina. Para Corrêa (2003, p.22), corroborando o pensamento lablachiano, o conceito de região está ligado à noção fundamental de diferenciação de áreas, quer dizer, a aceitação de que a superfície é constituída por áreas diferentes entre si. Haesbaert (2010, p.32) fala que muitos geógrafos consideravam a geografia um estudo apenas para divisão de áreas, uma ciência corológica, delegando à geografia um papel descritivo (ideográfico). Os geógrafos antiga-
mente tratavam a disciplina apenas como descritiva, corroborando para o não aprofundamento na sua compreensão. [...]
[...]
Hoje, o conceito de região é entendido como um espaço formado por certas articulações no âmbito de uma sociedade globalizada. Essa região é definida a partir de recortes múltiplos, destacando-se, nesses recortes, elementos fundamentais, como a relação de pertencimento identitário entre seres humanos e sua terra, as políticas praticadas nas regiões, a questão do controle, e a gestão de um território (GOMES apud RÊGO, 2013, p. 6).
A Geografia crítica vai dar continuidade ao novo entendimento sobre o conceito de região referente aos conceitos de Geografia Tradicional e da Nova Geografia, a partir do que será decidido que região vai ser uma estrutura já formada na qual já ocorreu o processo de regionalização e territorialização, contendo uma cultura natural nesse espaço ou material definidos.
Em 1967, foi elaborada, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a divisão regional do Brasil em cinco macrorregiões (sendo a mais conhecida das divisões regionais do Brasil): Região Norte, Região Nordeste, Região Sudeste, Região Sul e Região Centro-Oeste. Baseada em critérios político-administrativos, os limites de cada região coincidem com as fronteiras estaduais. Essa divisão em macrorregiões é bastante utilizada, devido os dados estatísticos do IBGE serem organizados levando em conta esta divisão.
Essa divisão proposta pelo IBGE serve como referência até os dias atuais para analisarmos as regiões brasileiras. Pelas idas e vindas dos estudos regionais, pode-se dizer que este é importante para compreensão das múltiplas maneiras de produzir e reproduzir as diferentes áreas mundiais, considerando a dialética entre regional-global. Com o estudo das regiões é possível compreender todo o sentido do espaço, seja na visão econômica, social, cultural, ambiental e na sua totalidade de fenômenos. Além disso, as regiões ajudam no planejamento administrativo, sendo uma forma de descentralizar estudos sobre o território.
COELHO, Leonardo Rafael Santos; MACÊDO, Luana Silva Marques de. O conceito de região na geografia escolar. Ensino em perspectivas, Fortaleza, v. 4, n. 1, 2023. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectivas/article/view/11233/10007. Acesso em: 7 out. 2025.
Sobre a abordagem das questões ambientais
Do lúdico ao crítico: como abordar debates ambientais nos Anos Iniciais […]
Nos Anos Iniciais, recomenda-se priorizar uma abordagem lúdica, interdisciplinar e contextualizada, valorizando o interesse, curiosidade e sensibilidade das crianças. “Devemos respeitar o desenvolvimento cognitivo e a realidade socioambiental em que os estudantes estão inseridos. É importante trabalhar a educação ambiental de maneira crítica, por meio de projetos, metodologias ativas e contato direto com a natureza” […]. […].
[…] Para a educação ambiental, podemos destacar alguns objetivos […]:
1. Desenvolver percepção e conhecimento sobre o meio ambiente, do micro (o contexto dos alunos) ao macro (cidade, estado, país e planeta).
2. Promover sensibilização ambiental com diálogo e reflexão.
3. Fomentar atitudes responsáveis e sustentáveis por meio do exemplo.
4. Estabelecer a relação entre os estudantes e a natureza com atividades de reconhecimento e imersão.
5. Estimular a cidadania ambiental.
A meta, então, deve ser a de garantir a aproximação das crianças com as questões socioambientais e estimular a aproximação do universo do estudante em relação à natureza.
KROPIDLOSKI, Í. Do lúdico ao crítico: como abordar debates ambientais nos Anos iniciais. Nova Escola, São Paulo, 9 abr. 2025. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/22135/como-abordar-debates -ambientais-nos-anos-iniciais. Acesso em: 12 ago. 2025.
Identidade regional
A língua como um elemento unificador
[…] um dos elementos mais fortes de unificação de um povo e de um país é a sua língua.
[…] a língua portuguesa falada no Brasil não pode ser considerada um dialeto da língua de Portugal, e sim uma variante do português, haja vista que ambas as línguas tiveram uma evolução separada a partir do século XVI, por uma série de razões que fazem com que elas apresentem diferenças estruturais, tornando possível inferir que ambos são idiomas distintos. […]
Gaúchos, um exemplo de identidade regional[...]
Engana-se quem pensa que a identidade e a cultura gaúcha se resumem a determinados elementos como o chimarrão, o churrasco e os trajes típicos, pois a população do Rio Grande do Sul apresenta traços identitários bastante expressivos. Como forma de compreender a questão da identidade desse povo é preciso ter em mente alguns fatores como a localização desse estado numa posição geográfica fronteiriça (fazendo divisa com o Uruguai ao sul e com a Argentina ao oeste), ocupando uma posição privilegiada, definida por guerras históricas.
Para afirmar o pertencimento dessa população como parte do povo brasileiro, foi preciso negar a influência castelhana na região, ocupada pelos espanhóis graças ao Tratado de Tordesilhas […]. Em 1737, uma expedição lusitana foi enviada a região para garantir o domínio das terras para Portugal, expulsando os espanhóis. A partir de 1825, a região volta a ser alvo de disputas. Desta vez entre Argentina e o Império brasileiro, por causa do domínio do Rio da Prata.
Esses inúmeros conflitos dos quais o Rio Grande do Sul fez parte são fundamentais para o entendimento da cultura, identidade e história locais. […]
A língua, os costumes, as manifestações religiosas e a identidade da população do Rio Grande do Sul são reflexos das diversas culturas que compõem a sua sociedade. Por sua vez, a cultura desses grupos étnicos é indissociável da identidade do povo do Rio Grande do Sul, mesmo que apresentem características peculiares. […] “a cultura imigrante de origem europeia, a cultura das nações indígenas e dos negros constituem-se neste todo como subculturas, que através da valorização das memórias étnicas coletivas têm procurado manter e/ou reconstruir suas próprias identidades. As manifestações e revivências culturais, especialmente, dos negros e dos indígenas, apontam para uma reconstrução de sua história e relevância na formação do Rio Grande do Sul, como de resto do país”. […]
OCTAVIANO, Carolina. As características regionais e a identidade nacional brasileira. ComCiência, Campinas, n. 118, 2010. Disponível em: https://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci _arttext&pid=S1519-76542010000400006&lng=pt. Acesso em: 11 ago. 2025.
Interdisciplinaridade entre Geografia e História
[…] Ensinar História e Geografia deve ser propiciar aos estudantes o entendimento de si mesmos enquanto agente e sujeito histórico (que age no tempo) e geográfico (que produz transformações no espaço). […] “à Geografia, cabe a sistematização no plano do espaço, cabendo-a à História, no plano do tempo. […] Porém, não é possível agir no espaço sem agir no tempo. Tampouco é possível dissociar as transformações produzidas no espaço das transformações produzidas ao longo do tempo. […].
[…]
[…] é de suma importância que os professores destas disciplinas construam abordagens interdisciplinares. Somente assim, seus alunos poderão construir saberes verdadeiramente significativos, por meio dos quais conseguem, enquanto seres histórica e geograficamente determinados, inter-relacionar suas vivências e suas histórias particulares, à história coletiva, bem como situar seus lugares de vivência no campo vasto do espaço geográfico globalizado. A Geografia e a História têm seus saberes, seus conceitos e suas categorias tomadas de empréstimo ou tornados referência por professores das demais disciplinas, por exemplo, quando estes precisam, de início, localizar seu objeto de estudo, a si mesmos ou seus alunos, no tempo e no espaço. Ao fazê-lo realizam, ainda que de modo inconsciente e não intencional, uma abordagem que dialoga com a interdisciplinaridade. […] [...]
Quando um professor de Geografia aborda a temporalidade em suas aulas, isto é, quando toca a dimensão temporal dos fenômenos geográficos, ele já está pisando na zona de intersecção a Geografia (espaço) e a História (tempo). Um exemplo desse movimento no sentido da interdisciplinaridade — e dessa interdisciplinaridade que move o saber em direção à totalidade — pode ser observado quando do estudo de uma das categorias geográficas mais básicas e fundamentais: a paisagem. A paisagem é uma dimensão do espaço cuja análise e entendimento depende, necessariamente, do pressuposto que ela está em processo, no tempo. Precisamente por isso, a paisagem, em suas diferentes conformações, enquanto mosaico de diferentes intervenções humanas, em diferentes épocas, se apresenta também como uma dimensão de tempo. […]
CARDOSO, L. A. Interdisciplinaridade entre Geografia e História. Geografia Grapiúna, v. 3, n. 3, p. 56-59, 23 ago. 2023.
Vista aérea das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), em 2022
Como ser um educador antirracista
A escola é o espaço de formação humana por excelência; ela é um complexo social fundamental na nossa constituição, tanto no âmbito social, pensando na coletividade, quanto no aspecto individual, a partir da nossa construção subjetiva.
A escola é um complexo social fundamental no processo de transformação da realidade social; ela é influenciada pelo sistema, ao passo que, em contrapartida, também o influencia, uma vez que forma as pessoas que vão ocupar e ajudar a construir todas as demais instâncias sociais. Nesse sentido, a escola precisa ser uma forte aliada no enfrentamento das opressões estruturais, fundamentalmente o racismo.
Mais que uma opção, deve ser um compromisso histórico, um dever da escola, ser antirracista. A escola e, por sua vez, a professora e o professor precisam pautar a equidade racial em toda a sua estrutura: no corpo profissional, principalmente na ocupação dos espaços de poder escolares; na construção curricular, pautando os conhecimentos ancestrais africanos e indígenas fora de um lugar de estereotipagem e de rebaixamento, representar graficamente as pessoas negras e indígenas na estética da escola a partir de um lugar de positivação; fomentar a leitura de literatura negra e indígena nas proposições didáticas escolares; organizar na escola programas de formação de professores/as a partir da óptica do letramento racial; apresentar intelectuais e personalidades negras e indígenas aos/às estudantes, objetivando ressignificar a noção de humanidade e inteligência ainda hoje.
[...]
[…] o meu desejo para todos/as os/as educadores/as deste país é que possamos assumir com afeto o compromisso de sermos “doadores de memórias” que socializam os conhecimentos sistemáticos historicamente desenvolvidos pelo coletivo para as novas gerações, visando a formação humana desses sujeitos, mas que compreendem de maneira fundamental o papel crucial da nossa profissão na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
O papel social de professores e professoras na nossa sociedade é lindo e imenso; desejo também que um dia sejamos vistos/as e valorizados/as do modo que merecemos, e que essa valorização seja mensurada a partir da relevância e da grandiosidade da “missão” que executamos diariamente.
Para qual sonho você educa?
Feliz dia para todos/as os/as professores/as do país que se engajam diariamente num projeto de transformação social que oportuniza uma vida digna e repleta de perspectivas de futuro para nossa juventude. O dia dos professores é celebrado em 15 de outubro, mas é todo dia que um/a professor/a se levanta para ajudar a juventude a construir sonhos emancipatórios. Feliz dia para você que, apesar das dificuldades, semeia e constrói um tempo de esperança.
A professora, o professor, é um portal que une as memórias e os conhecimentos do mundo antigo à construção do mundo que está por vir. Um abraço carinhoso para você, professora, em você, professor, que chegou até aqui buscando respostas para a melhoria de suas práticas. É de gente assim, disposta e engajada, que a educação brasileira tanto necessita.
CARINE, Barbara. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta, 2023. E-book.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS
ALMEIDA, K. R. de. Descrição e análise de diferentes estilos de aprendizagem. Revista Interlocução, Belo Horizonte, v. 3, n. 3, p. 38-49, 2010.
Explicita o processo de aprendizagem sob a perspectiva de diferentes estilos. A discussão possibilita que o professor avalie atividades e propostas considerando os estilos de aprendizagem visual, auditivo e cenestésico.
ARRUDA, A. L. de et al . Espaços não formais na educação. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação , v. 7, n. 9, p. 1370-1380, 2021.
Analisa a atuação do pedagogo em espaços de educação não formais, destacando metodologias e contribuições para formação dos estudantes.
BARROS, Jussara. Visitando um museu . c2025. Disponível em: https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias -ensino/visitando-um-museu.htm. Acesso em: 11 ago. 2025. Discute a importância de visitas pedagógicas a museus na formação crítica e cultural dos estudantes.
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A relevância do patrimônio cultural e da memória . Brasília, DF: MCTI, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/cnpq/ pt-br/assuntos/noticias/cnpq-em-acao/a-relevancia-dopatrimonio-cultural-e-da-memoria. Acesso em: 11 ago. 2025. Discute a importância da preservação do patrimônio cultural brasileiro, destacando o papel das políticas de memória e do Estado na proteção e valorização da diversidade cultural do país.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : computação: complemento à BNCC. Brasília, DF: SEB, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/ escolas-conectadas/BNCCComputaoCompletodiagramado. pdf. Acesso em: 30 set. 2025. Complementando a BNCC, propõe incluir conteúdos e habilidades relacionadas à educação digital, integrando a computação na educação básica.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_ EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025. Norteia a educação básica, sendo uma referência nacional para currículos e políticas educacionais.
BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos 2019. Brasília, DF: SEB, 2019. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/ contextualizacao_temas_contemporaneos.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.
Propõe os Temas Contemporâneos Transversais, prezando pela integração entre diferentes áreas como forma de relacionar os conhecimentos desenvolvidos no ambiente escolar às questões atuais da vida em sociedade.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana . Brasília, DF: MEC, 2013. Propõe reflexões sobre a prática docente com a intenção
de valorizar a identidade cultural afro-brasileira e africana nos currículos.
BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada . Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/centrais-de-conteudo/ publicacoes/institucionais/compromisso-nacional-crianca -alfabetizada.pdf. Acesso em: 31 jul. 2025.
Compromisso que articula ações entre municípios, Unidades da Federação e União para alfabetização de todas as crianças até o 2º ano do ensino fundamental e para a recomposição das aprendizagens.
BRASIL. Casa Civil. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Diário Oficial da União, Brasília , DF, 10 mar. 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 10 ago. 2025. Lei que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena no currículo da educação básica.
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial : equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília: MEC; São Paulo: Semesp, 2020. Estabelece diretrizes para garantia de uma educação especial digna e eficiente, orientando práticas pedagógicas que assegurem acessibilidade, participação e aprendizagem.
BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência . 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019.
Normativa que consolida direitos e garantias fundamentais para a cidadania e inclusão plena das pessoas com deficiência.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jul. 1990. Assegura proteção integral da criança e do adolescente, até 18 anos, garantindo seus direitos fundamentais e promovendo seu pleno desenvolvimento.
BRASIL. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1º out. 2003.
Assegura os direitos fundamentais e a prioridade em políticas públicas, saúde, educação e assistência social às pessoas com mais de 60 anos.
BRASIL. Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012. Estabelece as diretrizes curriculares nacionais para a educação ambiental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 jun. 2012.
Estabelece as diretrizes relacionadas à educação ambiental como componente essencial da educação, prezando pela formação ética e cidadã, voltada às práticas de preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável.
BRASIL. Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025. Dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jan. 2025.
Lei sobre a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica . Brasília, DF: SEB, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/acesso-a -informacao/media/seb/pdf/d_c_n_educacao_basica_nova. pdf. Acesso em: 30 set. 2025. Propõe a base nacional comum para orientar a organização, desenvolvimento e avaliação das propostas pedagógicas nas redes de ensino do país, buscando garantir educação de qualidade, desenvolvimento integral dos estudantes e formação de cidadãos éticos, tolerantes e responsáveis.
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira : promovendo a alimentação saudável. 2. ed. Brasília, DF: MS, 2014. Orienta políticas e práticas voltadas à alimentação saudável, considerando direitos à saúde e à nutrição.
BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas : guia sobre uso de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom, 2025. Norteia políticas públicas e práticas profissionais oferecendo recomendações, devidamente embasadas, sobre o uso adequado de dispositivos digitais por crianças e adolescentes.
BURKE, P. A escola dos Annales (1929-1989 ): a Revolução Francesa da historiografia. São Paulo: Unesp, 1997. Analisa o impacto da transformação historiográfica associada à Escola dos Annales, observando as semelhanças e diferenças entre suas várias gerações, do início até o final do século XX.
BURKE, P. O que é história cultural? Rio de Janeiro: J. Zahar, 2004.
Apresenta uma síntese das origens, dos métodos, dos debates historiográficos e dos principais conceitos associados à História Cultural, observando suas influências na antropologia cultural, destacando suas diferentes correntes, como história das mentalidades, micro-história e estudos sobre memória.
CAETANO, J. N.; BEZZI, M. L. Reflexões na geografia cultural: a materialidade e a imaterialidade da cultura. Sociedade & Natureza , Uberlândia, v. 23, p. 453-466, 2011.
Aborda a Geografia Cultural com base nos conceitos de paisagem e código cultural, refletindo sobre as relações entre espaço, cultura e identidade.
CAMPOS, V. et al . Imagens e identidades da docência: ser, tornar-se e fazer-se professor, professora. Ensino em ReVista , v. 27, n. 1, p. 93-117, 2020.
Convida a uma reflexão sobre a constituição da docência e os percursos que são tecidos pelo próprio movimento do ser professor e das práticas pedagógicas que fazem o professor em seu dia a dia.
CARINE, Barbara. Como ser um educador antirracista . São Paulo: Planeta, 2023.
Discute sobre como a educação e a escola podem ser pensadas a partir de uma abordagem decolonial.
CASTELLAR, S. M. V. Cartografia escolar e o pensamento espacial fortalecendo o conhecimento geográfico. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 7, n. 13, p. 207-232, 2017. Explora a importância da cartografia no ensino da Geografia, e como ela se faz um instrumento fundamental nas práticas didáticas específicas do componente curricular.
CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato. Geografia : conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. Referência para o estudo da ciência geográfica, oferece
uma visão abrangente e crítica dos principais conceitos e temas da disciplina, abordando aspectos da geografia física e da geografia humana.
CARVALHO, G. L. Região: a evolução de uma categoria de análise da geografia. Boletim Goiano de Geografia , Goiânia, v. 22, n. 1, p. 135-153, jan./jun. 2002.
Discute a evolução do conceito de região no pensamento geográfico, abordando diferentes correntes teóricas e rupturas paradigmáticas.
CAVALCANTI, Erinaldo. História e história local: desafios, limites e possibilidades. Revista História Hoje, v. 7, n. 13, p. 272-292, 2018. Disponível em: https://rhhj.anpuh.org/RHHJ/ article/view/393/271. Acesso em: 10 ago. 2025.
Analisa o conceito de história local no campo da historiografia contemporânea, observando seus diversos sentidos no ensino de História.
COELHO, Leonardo Rafael Santos; MACÊDO, Luana Silva Marques de. O conceito de região na geografia escolar. Ensino em perspectivas , Fortaleza, v. 4, n. 1, 2023. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectivas /article/view/11233/10007. Acesso em: 7 out. 2025.
Artigo que faz uma revisão bibliográfica de autores que abordam o conceito de região e de autores que trabalham com o ensino de Geografia.
COSENZA, R. M. Neurociência e educação : como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011. Aborda o processo de aprendizagem e de desenvolvimento humano com base nas premissas da Neurociência, ampliando as reflexões sobre o cérebro e como esse conhecimento é fundamental para potencializar as práticas pedagógicas.
CUNHA, L. A. G. Sobre o conceito de região. Revista de História Regional , v. 5, n. 2, p. 39-56, 2007. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/rhr/article/view/2107. Acesso em: 11 ago. 2025.
Discute de maneira clara o conceito de "região", destacando sua relevância para a Geografia. O autor apresenta um panorama da evolução do conceito e das diferentes abordagens em contextos diversos e ao longo do tempo. Além disso, propõe reflexões sobre as definições, os critérios e as limitações práticas da aplicação do conceito no processo de regionalização.
FUENTES, Daniel (org.). Neuropsicologia : teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2014.
O tema aqui abordado é o neurodesenvolvimento cerebral, em especial a neuroplasticidade, que é a capacidade do sistema nervoso de estar em constante modificação.
GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas : a teoria na prática. Porto Alegre: Artmed, 1995.
Discute os variados estilos de inteligência.
HAESBAERT, R. Região, diversidade territorial e globalização. GEOgraphia , Niterói, v. 1, n. 1, p. 15-39, 2009. Disponível em: https://periodicos.uff.br/geographia/article/ view/13361. Acesso em: 12 ago. 2025.
Discute a relevância contínua do conceito de região na contemporaneidade, mesmo em um contexto de globalização. O autor destaca como a diversidade territorial se manifesta por meio de desigualdades econômicas e diferenças culturais, abordadas por correntes como o marxismo e o pós-estruturalismo. A análise enfatiza a complexificação do conceito de região, refletindo a relação local-global.
HALBWACHS, M. A memória coletiva . São Paulo: Centauro, 2006.
Estudo que o autor denomina “contextos sociais da memória”, apresenta conceitos de memória coletiva, memória como fenômeno social e memória histórica.
HAYDT, R. C. C. Avaliação do processo ensino-aprendizagem . 5. ed. São Paulo: Ática, 1997.
Analisa o processo de ensino e aprendizagem, tecendo reflexões sobre a construção do conhecimento com base no desenvolvimento dos estudantes.
HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Educação e Realidade, 1991. Contempla uma abordagem na perspectiva construtivista sobre o processo avaliativo nos ambientes escolares, proporcionando uma reflexão ao professor sobre sua prática pedagógica.
HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora : uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2009.
Discute a avaliação na perspectiva mediadora e formativa, bem como amplia as possibilidades de acompanhamento da aprendizagem de forma significativa com sugestões práticas para o professor.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Mapas, gráficos e informações sobre os mais diversos temas relacionados aos territórios brasileiro e mundial.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2022 : indígenas: primeiros resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102018. pdf. Acesso em: 27 jul. 2025. Principais dados do censo realizado em 2022, com abordagem centrada em características populacionais dos povos indígenas e sua distribuição no território brasileiro.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cidades e estados do Brasil . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br. Acesso em: 27 jul. 2025.
Plataforma que reúne e divulga dados detalhados de municípios e Unidades da Federação brasileiros, com informações territoriais, demográficas, econômicas, sociais e de infraestrutura.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Censo 2022 . Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama. Acesso em: 27 jul. 2025.
Principais dados do censo da população brasileira realizado em 2022. As informações permitem análises sobre a distribuição territorial e o crescimento populacional, por exemplo.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agropecuária . Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/producaoagropecuaria. Acesso em: 27 jul. 2025.
A página traz informações sobre a atividade agropecuária no Brasil, possibilitando também análises por Unidade da Federação.
KLEIMAN, A. Oficina de leitura : teoria e prática. Campinas: Pontes, 1993.
A autora, ao longo dos capítulos, busca um diálogo sobre o processo de aquisição de leitura e os desafios que encontramos em sala de aula para tal.
LESSA, B. Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo. Santana do Livramento: SferaSRP Editora de Artes, 2009. Introduz o tema da formação da identidade gaúcha ao longo do tempo e apresenta a constituição sócio-histórica do território e seus conflitos.
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar : estudos e proposições. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
A avaliação é discutida considerando quem são os estudantes, sua realidade, o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa e os modelos avaliativos que contribuem para isso.
LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem na escola. In : LIBÂNEO, José Carlos; ALVES, Nilda (org.). Temas de pedagogia : diálogos entre didática e currículo. São Paulo: Cortez, 2012.
Avaliação inclusiva que possibilita o pleno desenvolvimento é a tônica dessa obra, que conversa sobre as possibilidades e modelos avaliativos na prática pedagógica.
MACHADO, P. P. Lideranças do Contestado . Campinas: Unicamp, 2004.
Análise da diversidade social da região associada à Guerra do Contestado, enfatizando questões culturais, religiosas e temporais, bem como as principais personalidades desse conflito.
MAMIGONIAN, B. G.; VIDAL, J. Z. História diversa : africanos e afrodescendentes na ilha de Santa Catarina. Florianópolis: EdUFSC, 2021.
Apresenta as irmandades, os quilombos e a participação ativa dos africanos e seus descendentes na formação econômica e cultural de Florianópolis.
MOURA, Jeani Delgado Paschoal; ALVES, José. Pressupostos teórico-metodológicos sobre o ensino de geografia: elementos para a prática educativa? Geografia , Londrina, v. 11, n. 2, p. 309-320, 2002.
Aborda a história do pensamento geográfico, além de discutir fundamentos teórico-metodológicos do ensino de Geografia e propor reflexões sobre a prática docente.
NÓVOA, António. Vidas de professores . Porto: Porto Editora, 1992.
Oferece uma reflexão sobre a profissão docente por meio de uma análise do que significa ser professor e como essa identidade se construiu ao longo do tempo.
NUNES, D. R. P. Teoria, pesquisa e prática em educação: a formação do professor-pesquisador. Educação e Pesquisa , v. 34, n. 1, p. 97-107, 2008.
Propõe uma análise crítica a respeito da teoria e prática educacional, discutindo a formação do professor-pesquisador e a colaboração entre academia e escola.
OCTAVIANO, Carolina. As características regionais e a identidade nacional brasileira. ComCiência , Campinas, n. 118, 2010. Disponível em: https://comciencia.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S1519-76542010000400006&lng=pt. Acesso em: 11 ago. 2025.
Analisa a diversidade cultural e étnica brasileira, destacando como elementos históricos, linguísticos e culturais contribuem para formação da identidade nacional e regional.
OLIVEIRA, Ray. Desenho universal para aprendizagem. Sala de Recursos Revista, 18 out. 2022. Disponível em: https://sala derecursos.com.br/desenho-universal-para-aprendizagem/. Acesso em: 31 ago. 2025.
Reflete sobre a prática pedagógica, destacando a importância de novas ferramentas e da adaptação das práticas de acordo com o contexto.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), Lisboa, 2004. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/arquivos /CIF.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025. Oferece um referencial para compreensão da saúde e funcionalidade das pessoas, considerando fatores sociais, biológicos e individuais. Por esse motivo, trata-se de uma ferramenta de análise e promoção de práticas inclusivas em diferentes áreas.
PACHECO, J. A. Educação, formação e conhecimento Porto: Porto Editora, 2014.
A obra nos convida à reflexão crítica sobre as práticas educacionais, o papel do currículo e a importância de uma formação de professores que seja capaz de formar sujeitos autônomos e pensantes.
ROSS, J. L. S. (org.). Geografia do Brasil . 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005.
Apresenta uma análise geográfica do território brasileiro, abordando com profundidade teórica seus aspectos físicos, sociais, econômicos e ambientais.
SCORTEGAGNA, A.; REZENDE, C. J.; TRICHES, R. I. (org.). Paraná, espaço e memória : diversos olhares histórico-geográficos. Curitiba: Bagozzi, 2005.
Analisa a formação do Paraná a partir da geologia, do clima e da ocupação, além de abordar os principais temas históricos da região, a exemplo do tropeirismo.
SCRIVEN, M. The methodology of evaluation: perspectives on curriculum evaluation. AERA Monograph Series on Curriculum evaluation, Chicago, Rand Mc-Nally, n. 1, p. 39-83, 1967. Conversa sobre as metodologias avaliativas que possibi-
litam um olhar para a realidade dos estudantes e considera seu processo. Discute as perspectivas histórias de avaliação e seu progresso ao longo do tempo.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos . São Paulo: Contexto, 2014. Descreve diversos conceitos pertinentes ao ensino de História.
SOARES, M. Alfabetização : a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.
Tece importantes reflexões sobre as possibilidades de alfabetização em um contexto que vai além dos métodos e parte da realidade da criança.
SOARES, M. Alfaletrar : toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2020.
Reflete sobre o letramento e a alfabetização de forma significativa e contextualizada.
SUERTEGARAY, D. M. A. Notas sobre a epistemologia da Geografia. Cadernos Geográficos, Florianópolis, n. 12, maio 2005. Disponível em: https://cadernosgeograficos. paginas.ufsc.br/files/2016/02/Cadernos-Geogr%C3%A1ficos -UFSC-N%C2%BA-12-Notas-sobre-a-Espistemologia-da -Geografia.-Maio-de-2005.pdf. Acesso em: 11 ago. 2025. Aborda a construção científica do conhecimento geográfico, partindo da análise da produção da ciência geográfica do final do século XIX e indo até as projeções para o futuro, centrando a análise na produção do século XX.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente . São Paulo: Martins Fontes, 1984. Aborda a relação dos estudantes, suas interações e a construção do conhecimento.
Sugestões de leitura: espaços não formais
Veja, a seguir, algumas sugestões de leitura que discorrem acerca da aprendizagem, principalmente de História, em espaços não formais, considerando as especificidades da região Sul.
COSTA, Renato Pinheiro da; BRITO, Adilson Junior Ishihara. Ensino de História em espaços educativos não formais: perspectivas teórico-metodológicas na formação docente de licenciatura. História & Ensino , Londrina, v. 28, n. 2, p. 129-149, jul./dez. 2022. Disponível em: https://ojs.uel.br/ revistas/uel/index.php/histensino/article/view/43064. Acesso em: 13 set. 2025.
Artigo que analisa o papel dos espaços educativos não formais nas aulas de História, enfatizando a importância desse tema na formação intelectual dos professores.
INÁCIO, Julia Farias. Projeto “escolas no museu” : uma experiência com ensino de história no Museu Histórico de Santa Catarina (2003 a 2008). 2014. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado e Licenciatura em História) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014. Disponível
Trabalho acadêmico que analisa o papel do Museu Histórico de Santa Catarina (MHSC) com escolas da região, observando o trabalho pedagógico do museu na constituição de saberes históricos.
SOUZA, Andressa da Rosa; MACHADO, Neli Teresinha Galarce; MELO, Stella Maria Carvalho de. Um espaço não escolarizado e a história regional. Revista Eletrônica Trilhas da História , v. 14, n. 28, p. 204-224, 2024. Disponível em: https://trilhasdahistoria.ufms.br/index.php/ RevTH/article/view/19257. Acesso em: 13 set. 2025.
Valendo-se do estudo da arquitetura da Praça Matriz do município de Taquari (RS), o texto analisa a contribuição de diversos povos para a formação dos patrimônios da região.