PNLD 2027 Anos Iniciais - A Conquista - Regional Nordeste - Volume Único

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LIVRO DO PROFESSOR

HISTÓRIA E GEOGRAFIA – REGIÃO NORDESTE

COMPONENTE CURRICULAR: REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Carla Silvino de Oliveira

Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

Mestra em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Licenciada em História pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Pesquisadora na área de Educação e Ensino de História.

Professora Adjunta da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Lorena Stephanie Santos Cerqueira

Especialista em Educação, Cultura e Diversidades pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Licenciada em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Trabalha com Educação e Formação Política na área de Educação para as relações étnico-raciais e de gênero.

Educadora popular com atuação em Quilombos Educacionais e ativista do Movimento de Mulheres Negras.

Autora e revisora de materiais didáticos.

Nacelice Barbosa Freitas

Doutora em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Licenciada em Estudos Sociais pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Professora do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela UEFS.

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Professora do Programa de Pós-graduação em Planejamento Territorial (PLANTERR) –Mestrado Profissional e do Programa de Pós-graduação em Rede Nacional para o Ensino de Ciências Ambientais (PROFCIAMB). VOLUME

3 o , 4 o e 5 o anos

Copyright © Carla Silvino de Oliveira, Lorena Stephanie Santos Cerqueira, Nacelice Barbosa Freitas, 2025

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira

Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite

Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda

Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão

Gerência de produção e arte Ricardo Borges

Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)

Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)

Ilustração de capa Guilherme Asthma

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Anexo

Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga

Licenciamento de textos Erica Brambila

Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alex Rodrigues, Bruna Menezes, Daniel Bogni, Lhaiza Morena, Lápis 13B

Cartografia Allmaps, Dacosta Mapas, Renato Bassani, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Oliveira, Carla Silvino de

A conquista : história e geografia : Região Nordeste : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Carla Silvino de Oliveira, Lorena Stephanie Santos Cerqueira, Nacelice Barbosa Freitas. -- 1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.

ISBN 978-85-96-06036-3 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06037-0 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06038-7 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06039-4 (livro do professor HTML5)

1. Brasil, Nordeste - Geografia (Ensino fundamental) 2. Brasil, Nordeste - História (Ensino fundamental) 3. Estudos regionais I. Cerqueira, Lorena Stephanie Santos. II. Freitas, Nacelice Barbosa. III. Título.

CDD-372.8918131 25-290456

-372.89813

Índices para catálogo sistemático:

1. Região Nordeste : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.8918131

2. Região Nordeste : Brasil : História : Ensino fundamental 372.89813

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Este livro é um instrumento pedagógico sobre a História e a Geografia do Nordeste, no qual são apresentadas orientações que vão desde os pressupostos teóricos até exemplos práticos de atividades.

O objetivo desta obra é auxiliar o docente na mediação entre os conteúdos propostos e a realidade dos estudantes da região Nordeste, fortalecendo o vínculo entre o saber escolar e a experiência de vida.

Professor, utilize este livro como ferramenta flexível, adaptando as orientações de acordo com a especificidade de sua turma, do território onde atua e das condições concretas de sua escola.

Bom trabalho!

As autoras.

Vista do centro histórico de Olinda (PE), com a cidade de Recife (PE) ao fundo, em 2025.

ORGANIZAÇÃO GERAL DA OBRA

A obra é composta de livro do estudante e livro do professor, nas versões impressa e digital.

LIVROS IMPRESSOS

Livro do estudante

Organizado em unidades temáticas. Cada unidade apresenta dois capítulos que desenvolvem os conteúdos a serem trabalhados com a turma.

Livro do professor

Dividido em orientações específicas, em que reproduz o Livro do estudante na íntegra, em miniatura, com respostas na cor rosa, e em orientações gerais, onde há subsídios sobre teoria e prática docente.

LIVROS DIGITAIS

O livro do estudante e o livro do professor também são disponibilizados no formato digital, em HTML, o que oportuniza o acesso ao material em diferentes aparelhos digitais: smartphones, notebooks e tablets, por exemplo.

Além disso, os livros digitais contêm os objetos digitais , que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica e promover o uso de ferramentas digitais presentes no dia a dia. Eles são indicados pelos ícones:

CONHEÇA SEU LIVRO DO PROFESSOR

Este livro do professor apresenta orientações didáticas que visam apoiar a prática pedagógica. Elas estão organizadas em duas partes.

ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS, DIVIDIDAS

EM:

• Introdução à unidade: texto que apresenta os conteúdos ou conceitos desenvolvidos ao longo da unidade.

• Objetivos da unidade: lista dos objetivos de aprendizagem a serem alcançados.

• BNCC: competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular desenvolvidas ao longo da unidade. Também há menções à BNCC da computação e aos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs).

• Encaminhamento: comentários e orientações didáticas para o desenvolvimento dos conteúdos abordados na página do Livro do estudante. Há dicas, complementos de atividades e de respostas e outras informações.

• Organize-se: relação de materiais que devem ser providenciados com antecedência ou algum preparo de sala de aula, pedido para casa etc.

• Atividade complementar: atividades complementares para auxiliar ou ampliar as propostas do Livro do estudante. Elas também podem ser utilizadas como momentos de avaliação.

• Texto de apoio: trechos de textos de circulação social.

• Sugestão para os estudantes: sugestões comentadas de livros, sites, revistas, aplicativos etc. para o estudante desenvolver e aplicar os conhecimentos.

• Sugestão para o professor: sugestões comentadas de livros, sites, revistas, aplicativos etc. para o professor se aprofundar a respeito dos temas trabalhados.

ORIENTAÇÕES GERAIS, AO FINAL DO VOLUME:

Reflexões sobre região, regionalização e história local, pressupostos teórico-metodológicos da obra, considerações sobre o papel do professor, textos para reflexão do professor e muito mais.

SUMÁRIO

MENSAGEM-CHAVE AO PROFESSOR

OLHAR PARA A ALFABETIZAÇÃO

REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES E MATERIAL DE APOIO

DA APRENDIZAGEM

AVALIATIVOS

LIVRO DO PROFESSOR

HISTÓRIA E GEOGRAFIA – REGIÃO NORDESTE

COMPONENTE CURRICULAR: REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Carla Silvino de Oliveira

Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

Mestra em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Licenciada em História pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Pesquisadora na área de Educação e Ensino de História.

Professora Adjunta da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Lorena Stephanie Santos Cerqueira

Especialista em Educação, Cultura e Diversidades pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Licenciada em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Trabalha com Educação e Formação Política na área de Educação para as relações étnico-raciais e de gênero.

Educadora popular com atuação em Quilombos Educacionais e ativista do Movimento de Mulheres Negras.

Autora e revisora de materiais didáticos.

Nacelice Barbosa Freitas

Doutora em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Licenciada em Estudos Sociais pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Professora do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela UEFS.

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Professora do Programa de Pós-graduação em Planejamento Territorial (PLANTERR) –Mestrado Profissional e do Programa de Pós-graduação em Rede Nacional para o Ensino de Ciências Ambientais (PROFCIAMB). VOLUME

3 o , 4 o e 5 o anos

Copyright © Carla Silvino de Oliveira, Lorena Stephanie Santos Cerqueira, Nacelice Barbosa Freitas, 2025

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira

Edição Luiza Sato (coord.), Carina de Luca, Carolina Tiemi Hashimoto Shiina, Juliana Albuquerque, Juliana Prado da Silva, Lucas dos Santos Abrami, Mariana de Lucena, Tami Buzaite

Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda

Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna Moreirão

Gerência de produção e arte Ricardo Borges

Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)

Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)

Ilustração de capa Guilherme Asthma

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.), Juliana Signal, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Anexo

Coordenação de imagens e textos Elaine Cristina Bueno Koga

Licenciamento de textos Erica Brambila

Iconografia Karine Ribeiro de Oliveira, Jonathan Santos, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alex Rodrigues, Bruna Menezes, Daniel Bogni, Lhaiza Morena, Lápis 13B

Cartografia Allmaps, Dacosta Mapas, Renato Bassani, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Oliveira, Carla Silvino de

A conquista : história e geografia : Região Nordeste : 3º, 4º e 5º anos : ensino fundamental : anos iniciais : volume único / Carla Silvino de Oliveira, Lorena Stephanie Santos Cerqueira, Nacelice Barbosa Freitas. -- 1. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: Regionalizado de história e geografia.

ISBN 978-85-96-06036-3 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06037-0 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06038-7 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06039-4 (livro do professor HTML5)

1. Brasil, Nordeste - Geografia (Ensino fundamental) 2. Brasil, Nordeste - História (Ensino fundamental) 3. Estudos regionais I. Cerqueira, Lorena Stephanie Santos. II. Freitas, Nacelice Barbosa. III. Título.

CDD-372.8918131 25-290456

-372.89813

Índices para catálogo sistemático:

1. Região Nordeste : Brasil : Geografia : Ensino fundamental 372.8918131

2. Região Nordeste : Brasil : História : Ensino fundamental 372.89813

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Olá, estudante!

Bem-vindo aos estudos sobre a História e a Geografia do Nordeste!

Este livro é um convite para embarcar em uma grande aventura pelo mundo da cultura, da memória e da identidade dos povos nordestinos.

Ao folhear estas páginas, você vai descobrir quanta coisa fascinante existe nesta região: histórias de luta e resistência, tradições que atravessam gerações, paisagens únicas e modos de vida que revelam a riqueza da diversidade cultural do Nordeste.

Mais do que conhecer acontecimentos e lugares, este livro convida a refletir criticamente sobre o passado e o presente, compreendendo como as transformações históricas, sociais e ambientais influenciam a realidade que vivemos hoje.

Esperamos que, ao longo da jornada, você se sinta parte desta história, reconheça a importância das memórias e tradições e descubra novas formas de reconhecer e valorizar o espaço e as culturas nordestinas.

Aventure-se, questione, aprenda e compartilhe suas descobertas com colegas, professores e pessoas ao seu redor.

Aproveite cada página desta viagem!

As autoras.

DANIEL BOGNI

CONHEÇA SEU LIVRO

Seu livro da região Nordeste está dividido em quatro unidades. As aberturas de unidade trazem imagens e atividades que buscam despertar sua curiosidade sobre aquilo que vai ser estudado. Dentro das unidades, você vai encontrar textos, brincadeiras, fotografias, desenhos, mapas, atividades... Um montão de coisas para descobrir e aprender com a turma.

Ao longo do tempo, diferentes povos circularam pela região Nordeste: alguns passaram a viver na região, outros saíram dela para viver em outros locais. Há, ainda, os que se deslocaram pelo território da região entre cidades e estados. Nomes de ruas e avenidas, monumentos, festas populares, comidas, mú- sicas, contos, entre outras tradições, são registros da história e da memória dos nordestinos que vivem no Nordeste e nas demais regiões do Brasil. O Nordeste é uma região formada por distintas culturas, incluindo as dos povos indígenas, dos africanos, dos europeus e seus descendentes. Cada pessoa, grupo ou comunidade tem seu jeito de viver, de falar, de se vestir e de festejar, e tudo isso faz parte da nossa riqueza cultural. As culturas se transformam ao longo do tempo, se misturam com outras e se reinventam. A música é uma das formas de expressão das culturas de um povo. Por meio dela, podemos conhecer a história, os costumes, os conflitos e até os sentimentos de uma sociedade. Na região Nordeste, por exemplo, o forró, o xote, o baião, o maracatu e o samba de coco manifestam não apenas tradi- ções musicais,

2021. Você conhece todos os estilos musicais citado no texto? Tem algum preferido? Qual é o estilo musical mais popular no lugar onde você vive? Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989),

e outras manifestações culturais na cidade onde vivem? Conversem a respeito.

No Quem é? , você aprenderá sobre a vida de pessoas importantes para a região.

No Descubra mais, há indicações de livros, sites, museus, vídeos e outras fontes culturais.

O glossário explica algumas palavras que talvez você não conheça e dá contexto para elas.

Este destaque apresenta os principais conceitos estudados, para você encontrar todos com facilidade.

As atividades de pesquisa, individuais ou em grupo, geralmente estão no Você detetive . Pode ser que você também precise da ajuda de seus familiares e de outros adultos que fazem parte de seu dia a dia nesses momentos.

Na seção Diálogos, você e a turma vão conhecer semelhanças e diferenças que existem dentro de sua região e em sua região com relação às outras regiões do país.

Os nomes dos lugares guardam histórias DIÁLOGOS

Os nomes dos países, estados e municípios contam parte da história dos lugares e não são escolhidos por acaso. Um exemplo disso é o município de Fortaleza, capital do Ceará. Fortaleza tem esse nome por causa da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, um forte construído no século 17 pelos holandeses, sob o nome de Forte Schoonenborch, e depois tomado pelos portugueses e rebatizado.

Forte: construção

Já o município de Teresina, capital do Piauí, recebeu esse nome em homenagem à imperatriz Teresa Cristina (1822-1889), esposa do imperador Dom Pedro II (1825-1891). Teresina foi fundada com o nome de Vila Nova do Poti, em 1852. A capital da então província do Piauí foi transferida de Oeiras para Teresina, com o apoio da imperatriz. O caso do município de Cuiabá, capital do Mato Grosso (estado da região Centro-Oeste), é diferente dos anteriores: não se sabe exatamente a origem do nome Cuiabá Os historiadores apresentam diferentes versões. Uma das mais conhecidas afirma que Cuiabá deriva do termo guarani kuayaverá que significa “rio das lontras brilhantes”. O termo teria evoluído para cuyaverá cuiavá e, por fim, Cuiabá.

no caderno e compartilhe as informações com os colegas.

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1 Observe as fotografias.

a) Qual fotografia retrata uma paisagem rural e qual fotografia retrata uma paisagem urbana?

b) Quais diferenças você observa entre as duas paisagens retratadas?

no Encaminhamento.

c) Elabore um texto de audiodescrição para cada fotografia. Evidencie elementos das paisagens característicos do campo e da cidade.

Dica: Audiodescrição é um texto gravado em áudio que permite uma imagem ser traduzida em palavras, tornando-a compreensível para pessoas que não podem enxergá-la.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

2 Quais são as principais atividades de trabalho desenvolvidas no campo?

As principais atividades desenvolvidas no campo são o extrativismo

3 Quais são as principais atividades de trabalho desenvolvidas na cidade?

O Dica traz informações que complementam os assuntos estudados.

Estes ícones mostram como você deve realizar as atividades.

Objetos digitais

Oralmente Em grupo

Estes ícones identificam os objetos digitais presentes no livro. Os materiais digitais apresentam assuntos complementares ao conteúdo trabalhado na obra, ampliando ainda mais sua aprendizagem.

O Para rever o que aprendi, ao final de cada unidade, vai ajudar você e o professor a identificarem o que você já aprendeu e aquilo de que precisa de mais ajuda para aprender.

Em dupla

NÃO SE ESQUEÇA DE QUE SEU LIVRO VAI SER USADO POR OUTRO COLEGA NO PRÓXIMO ANO. POR ISSO, CUIDE BEM DO SEU LIVRO E NÃO ESCREVA NELE.

PARA REVER O QUE APRENDI

UNIDADE 1

SOCIEDADE E NATUREZA NO NORDESTE

1 CAMPO DO NORDESTE

2 CIDADES DO NORDESTE

POPULAÇÃO E FUTURO DO NORDESTE

Sudene e desenvolvimento

Referências bibliográficas comentadas

Objetos digitais

Mapa clicável: Climas da Região Nordeste do Brasil

Infográfico clicável: Vida no Manguezal: natureza e sociedade

Infográfico clicável: Caju: tradição cultural

Mapa clicável: Territórios Indígenas da região Nordeste

Mapa clicável: Territórios quilombolas na região Nordeste

Infográfico clicável: Babaçu, a “mãe palmeira”

Infográfico clicável: Pelourinho

Infográfico clicável: Literatura de cordel

Infográfico clicável: Catadores de Mangaba

INTRODUÇÃO À UNIDADE

A unidade propõe aos estudantes que reflitam sobre os lugares de vivência e suas paisagens, criando vínculos entre eles e a região Nordeste.

No Capítulo 1, os estudantes são convidados a refletir sobre quais elementos naturais e humanizados constituem a paisagem de seu lugar de vivência e a da região. Logo, discorre-se sobre os espaços públicos e privados e a relação de pertencimento com determinados lugares. A turma também poderá refletir sobre os patrimônios da região Nordeste. Em seguida, são apresentadas as grandes regiões do Brasil e as diferentes regionalizações do país ao longo do tempo, bem como a divisão dos estados do Nordeste em municípios e a existência de sub-regiões. Por fim, abordam-se os nomes dos locais e sua relação com a história.

No Capítulo 2 , os estudantes poderão aprofundar o estudo das paisagens analisando suas transformações ao longo do tempo e suas características físicas, como relevo, hidrografia e clima. No trabalho com biomas e vegetação, vão analisar a relação entre esses dois conceitos e refletir sobre impactos ambientais no Nordeste, como queimadas e desmatamento. Por fim, vão aprender sobre como o Rio São Francisco conecta diferentes regiões do Brasil.

Assim, a abordagem proposta nesta unidade fortalece a consciência identitária e o sentimento de pertencimento ao Nordeste.

UNIDADE

MEU NORDESTE

Município de Piranhas, no estado de Alagoas, em 2023. Ao fundo, aparece o rio São Francisco, o mais importante da região Nordeste do Brasil.

Objetivos da unidade

• Identificar elementos naturais e humanizados presentes nas paisagens e suas transformações ao longo do tempo.

• Diferenciar espaços públicos de espaços privados.

• Reconhecer os lugares de memória no cotidiano e sua importância cultural.

• Relacionar paisagem, memória e identidade.

• Compreender os conceitos de região e regionalização.

• Valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial do Nordeste.

• Compreender o relevo, o clima e a hidrografia no Nordeste.

• Perceber como a vegetação e os biomas do Nordeste se relacionam entre si.

• Analisar os impactos ambientais na região.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Você já esteve em alguma paisagem parecida com a da fotografia? Se sim, conte como foi sua experiência.

2 Quais elementos aparecem na paisagem retratada?

3 Quais elementos retratados também existem em seu lugar de vivência?

4 Você já ouviu o termo região? Se sim, em quais situações?

Sugestão para o professor

BNCC

Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 4, 9 e 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5 e 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 6 e 7.

Competência específica de História: 1.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE04, EF03GE05, EF03GE09, EF04GE05, EF04GE09, EF04GE10, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI09.

BNCC da computação: EF03CO07, EF04CO08.

TCTs : Cidadania e civismo: educação em direitos humanos; Meio ambiente: educação ambiental; Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

Caso haja estudantes com dificuldade na comunicação, é possível solicitar as respostas por escrito.

1. Resposta pessoal. Instigue os estudantes a recordar e a contar também os cheiros que sentiram e os sons que ouviram.

2. A paisagem retratada apresenta elementos naturais e elementos derivados das atividades humanas.

30/09/2025 20:21

IBGE EDUCA. Passo a passo: produção de mapas táteis para pessoas com deficiência visual. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/professores/educa -recursos/20774-passo-a-passo-producao-de-mapas-tateis-para-pessoas-com-deficiencia -visual.html. Acesso em: 4 set. 2025.

Para tornar o Livro do estudante mais acessível, recomenda-se que o conteúdo apresentado nele seja comentado e, se possível, ilustrado com o uso de outros recursos. O material produzido pelo IBGE Educa apresenta como utilizar mapas táteis em sala de aula. Com o uso de texturas diversas, é possível destacar os variados aspectos de diferentes tipos de mapa.

3. Espera-se que os estudantes identifiquem os elementos existentes no lugar de vivência deles com base na comparação com os elementos que foram identificados na paisagem da fotografia.

4. Respostas pessoais. Incentive os estudantes a falar livremente em quais contextos e com quais significados eles ouviram ou usaram essa palavra.

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

TCT: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

Ao longo do capítulo, os estudantes são convidados a observar, a reconhecer e a valorizar os elementos que compõem as paisagens em seu cotidiano, diferenciando elementos naturais e humanizados e relacionando-os à história e às atividades econômicas locais.

Incentive os estudantes a comparar a imagem do município de São Luís com fotografias que mostrem praias em outros municípios do Nordeste, e também com paisagens do município onde vivem, explorando as semelhanças e as diferenças entre as imagens. A observação das paisagens ao seu redor permite que os estudantes compreendam a diversidade de formas naturais e construídas que compõe o lugar de vivência deles.

EU E O MEU LUGAR

O lugar onde você vive apresenta elementos com os quais você já se identifica: as cores e os formatos das casas dos vizinhos, os cursos dos rios, os estabelecimentos comerciais e os equipamentos públicos.

Todos esses elementos fazem parte da paisagem do lugar onde você vive.

A paisagem é tudo o que percebemos do espaço por meio de nossos sentidos. Ela pode ser formada por elementos naturais, como rios e vegetação, ou por elementos humanizados, que são aqueles construídos por seres humanos, como edificações e pontes.

Os elementos da paisagem variam de acordo com as características naturais, com a história de como o espaço foi ocupado e com as atividades econômicas desenvolvidas no local.

Observe a fotografia a seguir.

Município de São Luís, no estado do Maranhão, em 2024.

1 Escreva no caderno os elementos naturais e os elementos humanizados que aparecem nessa paisagem.

Os estudantes podem citar o mar, a faixa de areia e a vegetação costeira como elementos naturais, e os edifícios, as vias pavimentadas e os veículos como elementos humanizados.

Atividade complementar

Proponha a realização de uma visita de observação ao entorno da escola para reconhecer os elementos que formam as paisagens locais. Para isso, solicite previamente a autorização dos familiares dos estudantes e da direção da escola, indicando os recursos necessários para realizar a proposta. Caso haja estudantes que apresentem dificuldade de locomoção, verifique se o percurso escolhido é acessível.

Durante a visita, solicite aos estudantes que classifiquem os elementos das paisagens em naturais ou humanizados e prestem atenção aos detalhes. Ao retornar para a sala de aula, instrua-os a escolher uma das paisagens que viram e a representá-la por meio de um desenho. Nesse momento, além dos elementos da paisagem, oriente os estudantes para que reflitam sobre como querem representá-la: quais seriam as cores mais adequadas, as formas, como representar as texturas etc. Assim, do ponto de vista interdisciplinar, a exploração do tema pode se articular com Arte.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Agora, observe a fotografia do Parque São Bartolomeu, no estado da Bahia.

Escultura Oxum, do artista plástico Bel Borba, no Parque São Bartolomeu, no município de Salvador, no estado da Bahia, em 2022.

O Parque São Bartolomeu se destaca por ter uma das maiores áreas de Mata Atlântica conservadas em espaço urbano no Brasil. Ele está localizado em uma área que, tempos atrás, foi ocupada por populações indígenas e comunidades quilombolas, entre elas o Quilombo do Urubu, liderado por Zeferina no século 19. Esse parque apresenta uma paisagem natural que se conecta com elementos históricos e culturais.

QUEM É?

Zeferina viveu no século 19 e fundou, em 1826, o Quilombo do Urubu, onde fica o atual bairro de Pirajá, no município de Salvador, no estado da Bahia. Ela liderou indígenas e pessoas negras escravizadas na luta pela liberdade. Zeferina é uma referência de mulher negra e nordestina que lutou por melhores condições de vida.

MURAL

Zeferina, de Dalton Paula, 2018. Óleo sobre tela, 59 cm × 44 cm. MUSEU DE ARTE ASSIS CHATEAUBRIAND, SÃO PAULO, SP, BRASIL EDUARDO MACHADO/AGÊNCIA

2 Com a ajuda do professor, pesquise informações sobre a escultura retratada na fotografia do parque. Compartilhe suas descobertas com os colega s. A escultura homenageia Oxum, uma divindade feminina cultuada no candomblé e em outras religiões de matriz africana.

Sugestão para o professor

Caso haja alguma manifestação de preconceito relacionada à apresentação da escultura do Parque São Bartolomeu, organize uma roda de conversa com os estudantes, ressaltando a importância de reconhecer o direito à liberdade de crença e a valorização da diversidade.

Explique que o Parque São Bartolomeu foi construído em uma área anteriormente ocupada por populações indígenas e comunidades quilombolas. O lugar, portanto, tem relação com a história e a memória dessas populações na região Nordeste. Outros elementos do parque, como a Praça de Oxum e as cachoeiras de Nanã, Oxum e Oxumaré, também fazem referência a religiões de matrizes africanas, legados dos povos escravizados e de seus descendentes, como um modo de reconhecer e valorizar a cultura negra no Brasil.

ESCREVA NO LIVRO. 13

30/09/2025 20:21

ZEFERINAS: guerreiras da vida. Publicado por: Prefeitura do Salvador. 2019. 1 vídeo (ca. 27 min).

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sNpfSE2p4-s. Acesso em: 6 set. 2025. O documentário apresenta a história de Zeferina por meio de imagens e relatos. Também são retratadas as histórias de vida de quatro mulheres que moram em um conjunto habitacional que a homenageia.

Se possível, exiba para os estudantes alguns trechos do documentário selecionados previamente por você. Dessa maneira, eles poderão aumentar o repertório de informações acerca da figura histórica de Zeferina.

Durante a leitura do boxe Quem é?, explique aos estudantes que não há datas de nascimento e morte conhecidas para Zeferina pela falta de registros. Comente com eles a frase: “Zeferina é uma referência de mulher negra e nordestina que lutou por melhores condições de vida”. Incentive-os a comentar de quais outras referências de mulheres negras do Nordeste, como Zeferina, já ouviram falar. Eles podem citar personalidades históricas, artistas, lideranças comunitárias, entre outras. Se julgar adequado, instrua-os a fazer uma pesquisa sobre o tema e a compartilhar o que descobriram com os colegas. Esse trabalho favorece o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

NÃO

BNCC

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

TCT: Cidadania e civismo: educação em direitos humanos.

ENCAMINHAMENTO

O estudo sobre os espaços públicos e privados contribui para que os estudantes desenvolvam a noção de cidadania ativa e responsabilidade coletiva.

Incentive-os a comentar o que sabem sobre o poder público e a listar os espaços públicos governamentais que conhecem, como o prédio da Prefeitura, a Câmara de Vereadores e a sede do governo estadual. Nesse momento, o objetivo é o reconhecimento de espaços públicos; o trabalho mais aprofundado com as iniciativas do poder público será feito no Capítulo 2 da Unidade 4.

Em seguida, instigue os estudantes a observar a imagem da página. Verifique se eles conseguem identificar na fotografia a orla e a duna, termos presentes no glossário.

Auxilie-os a compreender como o espaço da praia é ocupado. Leve-os a perceber que se trata de um espaço público, onde as pessoas podem circular, desde que respeitem as regras de boa convivência.

1. A atividade deve ser conduzida de modo a valorizar tanto as vivências diretas quanto os relatos indiretos, garantindo a participação de todos.

Espaços públicos e privados

Nos nossos lugares de vivência, existem os espaços públicos e os espaços privados

O espaço público recebe os cuidados do Poder Público e pode ser usado por todas as pessoas. Ninguém é dono do espaço público, porque ele é de uso comum da população.

Alguns exemplos de espaço público são ruas e calçadas, praças e parques, escolas públicas, postos de saúde e hospitais públicos, bibliotecas e museus públicos.

A praia de Ponta Negra é um espaço público que fica no município de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Ela tem uma orla extensa com dunas muito altas, que são um dos cartões-postais do município. Por essa praia, passam todos os dias moradores, comerciantes e turistas. É um espaço onde as pessoas caminham, andam de bicicleta, se encontram para conversar, contemplam a paisagem e nadam no mar.

Orla: faixa de terra que fica junto ao mar. Duna: acúmulo de areia transportada pelo vento.

1 Você já foi a alguma praia com a orla parecida com a da praia de Ponta Negra? Se sim, conte aos colegas como foi. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a contar suas experiências em contato com a praia ou o mar, caso eles as tenham vivido. Veja mais orientações no Encaminhamento. Poder Público: conjunto de órgãos e instituições que representam o Estado; governo.

Sugestão para os estudantes

MEIRELLES, Beatriz. “Essa rua é nossa!”: aprendendo a conviver no espaço público. São Paulo: Scipione, 2005. O livro apresenta as regras de convivência no espaço público da rua, trabalhando as noções de cidadania e de convivência.

Orla da praia de Ponta Negra, no município de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O espaço privado pertence a uma pessoa, a uma família ou a uma empresa. Só quem é dono ou tem a permissão do dono pode usar esse espaço.

Alguns exemplos de espaço privado são casas, apartamentos, lojas, mercados e farmácias. Sua casa, por exemplo, é um espaço privado. Só entra nela quem você e sua família permitem, certo?

Prédios residenciais e edifícios térreos no município de Teresina, no estado do Piauí, em 2023.

Saber a diferença entre espaço público e espaço privado nos ajuda a cuidar melhor dos nossos lugares de vivência e a respeitar os direitos de cada um.

No espaço público, todas as pessoas têm o direito de ir e vir, desde que respeitem regras básicas de boa convivência. No espaço privado, precisamos respeitar o direito do proprietário, pois não é um espaço aberto em que qualquer pessoa pode entrar sem autorização.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

2 Escreva no caderno três exemplos de espaços públicos e três exemplos de espaços privados localizados no município onde você mora.

3 Escolha um espaço público ou privado que você frequenta e escreva no caderno as regras de convivência dele.

4 Quando você frequenta espaços públicos, como ruas, parques e praças, você percebe equipamentos que permitem a acessibilidade de pessoas gestantes, idosas e com deficiência? Qual é a importância desses equipamentos? Escreva no caderno.

Sugestão para o professor

Ao destacar as regras de convivência nos diferentes espaços, bem como ao trabalhar recursos de acessibilidade voltados a pessoas idosas, com deficiência e gestantes, os conteúdos da página mobilizam o TCT Cidadania e civismo: educação em direitos humanos

2. Espera-se que os estudantes citem, como exemplos de espaços públicos, praças, ruas, avenidas, calçadas, escolas, hospitais ou bibliotecas; como exemplos de espaços privados, residências (incluindo a própria), lojas, padarias, lanchonetes, entre outros.

3. Os estudantes podem escolher diversos espaços que frequentam. Se escolherem a sala de aula, por exemplo, devem apontar que devem manter o espaço limpo, precisam pedir permissão para falar, entre outras regras. Eles também podem citar: não jogar lixo nas praças, respeitar as filas em supermercados, não danificar os equipamentos públicos e pedir permissão para entrar em espaços privados.

30/09/2025 20:21

NAUdCAST: acessibilidade em foco. Publicado por: NAU UEMA. 2023. 3 vídeos (ca. 70 min), Disponível em: https://www.youtube.com/playlist?list=PLnTRyu_rL3BOnTpMjiK_X98TsyNB5IJwj. Acesso em: 7 set. 2025.

Produzido pelo Núcleo de Acessibilidade da Universidade Estadual do Maranhão (NAU), o podcast apresenta discussões sobre temas relacionados a educação, acessibilidade e inclusão.

4. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes reconheçam a importância de equipamentos de acessibilidade para garantir a igualdade de direitos e a inclusão social. É possível que eles já tenham percebido rampas de acesso para pessoas em cadeira de rodas, pisos táteis e informações em braile para pessoas cegas, barras de apoio em banheiros para pessoas com mobilidade reduzida, entre outros itens de acessibilidade. Esses equipamentos são importantes para garantir o uso do espaço por pessoas com dificuldade de locomoção.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

Organize-se

• Lápis de cor

• Folhas de papel avulsas

ENCAMINHAMENTO

Os lugares de memória, como feiras, igrejas, festas populares ou casas de família, ajudam a criar laços afetivos com o espaço. Ao reconhecer que esses lugares guardam histórias, lembranças e tradições, os estudantes compreendem que fazem parte de uma herança cultural que os conecta às gerações passadas. Esse reconhecimento é fundamental para fortalecer o sentimento de pertencimento e o orgulho de ser nordestino.

1. Produção pessoal. Entre os elementos da paisagem no trajeto casa-escola, os estudantes podem incluir ruas, praças, casas, árvores, entre outros. Oriente-os a pensar não só nos aspectos visuais, mas também em sons, cheiros ou lembranças afetivas. Comente que esses elementos fazem parte de nossas paisagens e de nossas memórias.

2. Resposta pessoal. Verifique se os estudantes representaram elementos naturais e humanizados. Com a turma, reflita sobre a supressão de elementos naturais no decorrer dos processos históricos em razão de fatores como o aumento populacional e a mudança das relações estabelecidas entre os seres humanos e a natureza. Ao final, pode-se promover uma exposição dos textos acompanhados de imagens em um mural com o título “Lugares que guardam histórias”.

Paisagem e memória

Você já pensou o que leva uma pessoa a se sentir parte do lugar onde mora? Algumas pessoas podem responder a essa pergunta assim: “Porque eu nasci aqui!”. Mas será que só nascer em um lugar faz com que as pessoas se sintam parte dele?

Criamos laços com nossos lugares de vivência porque convivemos com as pessoas e com tudo o mais que faz parte das paisagens desses lugares: as ruas, as casas, os prédios e os diversos cheiros, sons, cores e até sabores. Quando gostamos de um lugar e temos boas lembranças dali, dizemos que ele é um lugar de memória

Lugares de memória guardam muito da nossa história. Esses lugares podem ser, por exemplo, a casa de nossos familiares e amigos, repletas de objetos, cheiros, sons e histórias.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Em uma folha de papel avulsa, desenhe elementos da paisagem que chamam sua atenção no trajeto entre sua casa e a escola onde você estuda.

2 Em sala de aula, compartilhe com os colegas e o professor os elementos da paisagem que você representou. Explique qual é a importância desses elementos para o lugar onde você vive.

Atividade complementar

Proponha uma visita a um espaço de memória local, como um museu, um centro cultural ou um arquivo histórico do município. Para isso, peça autorização previamente aos familiares dos estudantes e à direção escolar, apresentando os recursos necessários durante a visita. Verifique se o local a ser conhecido tem algum programa específico para a visitação de grupos escolares. Confira as regras que devem ser seguidas antes da ida ao local, durante e após a visita (como o preenchimento de formulários de avaliação da experiência). Caso haja estudantes com deficiência na turma, verifique se o espaço oferece recursos de acessibilidade. A proposta auxiliará os estudantes a conectar o presente às histórias do passado e a desenvolver a percepção de mudanças e permanências.

LHAIZA MORENA

Paisagens do Nordeste: a Feira de Caruaru

Na região Nordeste, as paisagens também podem nos lembrar, por exemplo, do cheiro da comida no fogão de lenha, do som do forró nas festas de São João e da vista da feira livre.

A Feira de Caruaru, no estado de Pernambuco, existe desde o século 18. Ela é patrimônio cultural imaterial do Brasil. Esse título foi dado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um órgão que protege e preserva o patrimônio cultural de nosso país.

Patrimônio é o conjunto dos bens de um Estado ou uma nação. Eles podem ser materiais , como prédios e igrejas, ou imateriais , como festas populares e danças, e são transmitidos de geração em geração. Esses bens constituem uma herança cultural coletiva.

Na Feira de Caruaru, é possível encontrar de tudo um pouco: frutas, legumes, verduras, flores, raízes e ervas medicinais, entre outras plantas, além de roupas, acessórios e diversos itens. A feira também tem dois mercados famosos: o Mercado de Farinha e o Mercado da Carne.

VOCÊ DETETIVE

1. Respostas pessoais. Ao longo da conversa, os familiares dos estudantes podem explorar um edifício, uma rua, uma feira ou qualquer outro espaço importante para a história do município.

1. Peça a uma pessoa de sua família que escolha um lugar do município onde você mora que guarde a cultura e a memória local. Siga as orientações do professor para obter as informações necessárias.

2. Escreva no caderno um texto contando o que você descobriu. Se possível, traga uma imagem do lugar para compartilhar com a turma.

Incentive os estudantes a identificar os lugares de memória do município, com base na história da população local do passado e do presente. Trabalhe a relação entre paisagem, cultura e memória por meio da oralidade e dos registros escrito e imagético.

Atividade complementar

BNCC

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados. (EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

ENCAMINHAMENTO

Proponha a leitura do texto e a observação da imagem da página. Depois, pergunte: você já foi a uma feira parecida com a Feira de Caruaru? Se sim, o que você mais gostou de ver, ouvir, sentir ou comer nessa feira?

Em Você detetive, oriente os estudantes a perguntar aos familiares as seguintes questões: qual é o nome do lugar? Por que ele tem esse nome? Quais fatos históricos ocorreram nesse lugar? Por quais mudanças ele passou? Essas questões podem ser registradas por escrito no caderno, para servir de roteiro à entrevista.

30/09/2025 20:21

Apresente a seguinte proposta aos estudantes: você conhece alguém que tenha vivido em outro bairro, município ou estado, e que se sente muito bem no lugar onde mora atualmente? Se sim, pergunte a essa pessoa como é a relação dela com o lugar e as pessoas do lugar onde ela vive. Registre suas descobertas no caderno e, depois, compartilhe-as com os colegas.

Caso haja estudantes não verbais ou com dificuldade na comunicação, é importante auxiliá-los a registrar as questões por escrito, a fim de que os familiares respondam a elas.

Organize os estudantes em uma roda de conversa, para que eles compartilhem seus registros. Caso não conheçam nenhuma pessoa que tenha essa relação de pertencimento com outro local que não o que nasceu, instigue-os a fazer uma pesquisa sobre uma personalidade que não nasceu na região Nordeste, mas que se sente ou se sentia pertencente a ela.

As respostas esperadas incluem a identificação de praças, igrejas, feiras, mercados, ruas ou edifícios que sejam marcos culturais da comunidade. Oriente os estudantes a registrar não apenas o nome e a função desses lugares, mas também as transformações ao longo do tempo. Sugere-se incentivar os estudantes a trazer imagens, fotografias ou desenhos para compartilhar com a turma, promovendo a articulação entre memória individual e coletiva.

Faça uma roda de conversa para que todos possam compartilhar as imagens e as explicações. Assim, eles poderão trabalhar sua percepção e a escuta dos colegas, construindo a noção de memória coletiva.

Feira de Caruaru, no município de Caruaru, no estado de Pernambuco, em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

ENCAMINHAMENTO

Proponha a leitura do texto e a observação do mapa da página. Verifique se os estudantes entendem o conceito de região, identificando as Unidades da Federação que a compõem.

Refletir sobre as regiões do Brasil é fundamental para o entendimento da diversidade dos aspectos naturais, humanos, econômicos e culturais do território. Ao compreender que fazem parte de uma região com identidade própria, os estudantes aprendem a valorizar tanto a diversidade interna quanto a unidade construída historicamente.

Para apoiar o planejamento docente, recomenda-se que as atividades sejam desenvolvidas de maneira dialógica, incentivando os estudantes a refletir sobre as percepções do lugar de vivência e a relação com a região.

1. Os estados da região Nordeste são: Maranhão (MA), Piauí (PI), Ceará (CE), Rio Grande do

Regiões do Brasil

Norte (RN), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Alagoas (AL), Sergipe (SE) e Bahia (BA).

Atualmente, o território brasileiro está organizado em 26 estados e um Distrito Federal. Essas 27 unidades são denominadas Unidades da Federação (UFs). Os estados brasileiros estão agrupados oficialmente em cinco grandes regiões. A atual divisão regional leva em consideração características naturais, econômicas e sociais. Ela foi criada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1988, com a finalidade de facilitar o levantamento de informações e dados a respeito da realidade brasileira.

Uma região é uma porção do espaço geográfico delimitada com base em características comuns.

No mapa a seguir, observe a distribuição das grandes regiões e quais UFs fazem parte de cada uma delas.

Brasil: grandes regiões

GUIANA

(FRA)

COLÔMBIA

RORAIMA (RR)

AMAZONAS (AM)

RONDÔNIA (RO) ACRE (AC) PARÁ (PA)

PERU

AMAPÁ (AP) PIAUÍ (PI) CEARÁ (CE)

(MA)

TOCANTINS (TO)

GOIÁS

BOLÍVIA

PARAGUAI CHILE

ARGENTINA

URUGUAI

(PE)

SERGIPE (SE)

(AL) PARANÁ (PR)

SÃO PAULO (SP)

2. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes respondam que os estados da região Nordeste foram agrupados porque apresentam características comuns, sejam elas naturais, sejam econômicas ou sociais.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 92.

1 Localize o estado e a região onde você mora no mapa Brasil: grandes regiões. Quais estados fazem parte dessa região?

2 Em sua opinião, por que esses estados foram agrupados na mesma região?

3 O mapa Brasil: grandes regiões pode ser utilizado para qual finalidade? Converse com o professor e os colegas.

Incentive o debate entre os estudantes. Eles podem responder que o mapa pode ser utilizado pelo governo brasileiro para administrar o país e guiar políticas públicas.

Atividade complementar

Para que os estudantes consigam localizar espacialmente os estados da região Nordeste, pode-se propor a confecção de um quebra-cabeça da região. Para isso, providencie um mapa da região em tamanho ampliado e cole-o em um suporte rígido, como papelão. Recorte os estados e distribua as peças entre os estudantes, organizados em grupos, solicitando a eles a montagem do quebra-cabeça.

Podem ser formados nove grupos, cada um responsável por um estado da região. Ao final, os estudantes podem se organizar para montar todas as peças em conjunto.

SONIA

BNCC

Regionalização

2. Espera-se que os estudantes apontem que o critério é diferente. O IBGE leva em consideração características naturais, econômicas e sociais na regionalização oficial do país, ao passo que a regionalização em biomas leva em conta apenas aspectos naturais.

A delimitação de uma região pode ser feita em diferentes escalas, agrupando países, estados, municípios e até mesmo bairros.

Assim, além da divisão do Brasil em cinco grandes regiões, existem outras possibilidades de regionalização. Um exemplo é a que leva em conta os biomas do país.

Regionalização é o ato de delimitar o espaço geográfico a partir de características comuns.

Bioma é o conjunto de vida de determinada área que apresenta tipo de vegetação e condições geológicas e climáticas semelhantes.

Brasil: biomas

VENEZUELA

OCEANO PACÍFICO Equador

SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA)

CHILE PARAGUAI

Tipos de bioma

Amazônia

Mata Atlântica

Cerrado

Pantanal

Caatinga

Pampa

Divisa estadual

Fronteira internacional

URUGUAI

1. Espera-se que os estudantes apontem que são levadas em conta características naturais do território brasileiro na regionalização em biomas.

ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 108.

1 Quais características são levadas em consideração na regionalização do território brasileiro em biomas?

2 O critério utilizado na regionalização em biomas é o mesmo utilizado pelo IBGE na regionalização oficial do Brasil? Compare os mapas com as duas regionalizações.

ESCREVA NO LIVRO. 19

Sugestão para os estudantes

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

ENCAMINHAMENTO

Proponha a leitura do texto e a observação do mapa da página. Espera-se que os estudantes percebam que o processo de regionalização considera características em comum em um território. Assim, um mesmo território pode fazer parte de diferentes regiões, a depender dos critérios utilizados na regionalização.

Trabalhe o conceito de biomas em interdisciplinaridade com Ciências da Natureza. Apresente aos estudantes os critérios utilizados na definição de um bioma. Em seguida, verifique se eles percebem que, na região Nordeste, ocorrem quatro biomas diferentes.

30/09/2025 20:21

SOUSA, Mauricio de. Dorinha e Turma da Mônica brincando pelo Brasil: região Nordeste. São Paulo: Fundação Dorina Nowill, 2021. Entre os personagens da Turma da Mônica está Dorinha, personagem com deficiência visual. Nessa obra, os estudantes vão descobrir juntos as características naturais e culturais da região Nordeste. O livro é composto em braile. Também acompanha uma versão em áudio com audiodescrição das ilustrações.

Incentive os estudantes a comparar os mapas Brasil: grandes regiões (na página 18 ) e Brasil: biomas (nesta página). Peça que observem as áreas representadas em cada mapa e pergunte se elas são iguais. Pergunte também como essas áreas foram representadas nos mapas: por meio de cores, fios ou outros recursos. Solicite a eles que reflitam sobre como o mapa Brasil: biomas pode ser utilizado. Mencione que é um mapa muito útil para guiar políticas públicas de proteção do meio ambiente e para realizar o monitoramento do desmatamento, por exemplo.

OCEANO
NÃO

BNCC

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

ENCAMINHAMENTO

Promova a leitura do texto de maneira coletiva. Explique que o Brasil passou por diversas regionalizações ao longo do tempo. Verifique se os estudantes compreendem que a regionalização de 1913 se baseou em aspectos físicos do território, como clima, vegetação e relevo.

Ao realizar a leitura do mapa da página, auxilie os estudantes na localização dos pontos cardeais indicados. Para facilitar a compreensão deles acerca dos termos destacados no boxe Dica, proponha que desenhem uma rosa dos ventos em uma folha de papel avulsa. Para essa proposta, recomenda-se o uso de régua e de um riscador preto (como lápis, caneta hidrocor ou giz de cera).

Em seguida, auxilie os estudantes a recortá-la, com o uso de uma tesoura com pontas arredondadas. Solicite que coloquem a rosa dos ventos recortada sobre a região central do Brasil, representada no mapa. Na sequência, peça a eles que identifiquem qual região está ao norte da rosa dos ventos (Setentrional), qual está ao sul (Meridional) e qual está a leste (Oriental). Auxilie-os no entendimento da localização da região Norte Oriental. Não é esperado, nesse momento, que a turma saiba identificar pontos colaterais da rosa dos ventos; por isso, o trabalho do professor é essencial para garantir a compreensão da localização das regiões representadas no mapa.

Regionalizações no decorrer do tempo

O Brasil já apresentou diversas regionalizações. Você sabia que os estados do Nordeste, por exemplo, nem sempre fizeram parte da mesma região?

Uma das primeiras propostas de regionalização do Brasil foi feita pelo geógrafo Delgado de Carvalho (1884-1980) em 1913. Essa proposta de divisão regional foi realizada com base em critérios naturais, como o clima, a vegetação e o relevo. Observe o mapa.

Brasil: grandes regiões (1913)

ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Divisão territorial brasileira 2002 Rio de Janeiro: IBGE, 2002. Disponível em: http://www. ipeadata.gov.br/doc/ divisaoterritorialbrasileira_ ibge.pdf. Acesso em: 16 abr. 2025.

Dica: Setentrional, Meridional, Oriental e Ocidental são termos associados à localização, sinônimos dos pontos cardeais. Setentrional é o mesmo que Norte, Meridional indica Sul, Oriental se refere a Leste e Ocidental significa Oeste

Nessa regionalização, os estados do atual Nordeste aparecem divididos em duas regiões:

• Norte Oriental: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, que apresentam características de transição entre a Amazônia e o semiárido e elevadas temperaturas.

• Oriental: Sergipe e Bahia, que apresentam clima tropical úmido e solos férteis, com altas temperaturas e elevada incidência de chuvas.

Texto de apoio

[...] Contrapondo-se ao que era regra, Delgado de Carvalho propôs um conhecimento mais científico da geografia. Execrou a mera nomenclatura, defendendo um estudo que partisse da geografia física elementar. [...]

[...]

Carvalho propôs, também, que o meio em que vive o aluno se tornasse, em qualquer tema abordado nas aulas de geografia, assunto principal de estudo. As noções sobre outras regiões deveriam ser somadas como informações a mais, de caráter suplementar e comparativo.

ROCHA, Genylton Odilon Rêgo da. Por uma geografia moderna na sala de aula: Rui Barbosa e Delgado de Carvalho e a renovação do ensino de Geografia no Brasil. Mercator: Revista de Geografia da UFC, Fortaleza, ano 8, n. 15, 2009. p. 88.

Na década de 1940, o IBGE elaborou sua primeira divisão regional oficial. Foram delimitadas sete regiões: Nordeste Ocidental e Nordeste Oriental, Leste Setentrional e Leste Meridional, Centro-Oeste, Norte e Sul. Observe o mapa.

Brasil: grandes regiões (1945) 60º

TERR.

DE FERNANDO DE NORONHA

TERR. DO ACRE

TERR. DO GUAPORÉ

TERR. DE PONTA PORÃ TERR. DO IGUAÇU

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. p. 11.

Apesar de os aspectos naturais ainda predominarem como principal critério na regionalização de 1945, também foram considerados fatores econômicos e sociais, como renda, acesso à educação, saúde e indicadores associados à economia de cada estado.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 O estado onde você mora está situado em qual região na regionalização de 1913?

2 O estado onde você mora está situado em qual região na regionalização de 1945?

DESCUBRA MAIS

DREGUER, Ricardo. O surfista e o sertanejo: encontro do mar com o sertão. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2020.

Beto é um garoto surfista que precisa se mudar do Rio de Janeiro, na região Sudeste, para Pernambuco, na região Nordeste. Em sua nova casa, ele conhece João, um sertanejo que tem um cabrito de estimação.

Observe com os estudantes as mudanças na divisão territorial na década de 1940. Comente que, em 1942, o território de Fernando de Noronha foi criado, posteriormente sendo agrupado à região Nordeste Oriental.

Explique aos estudantes que essas mudanças e permanências fazem parte da consolidação da região Nordeste durante o processo histórico de formação do território brasileiro. Como estratégia de aprofundamento e recomposição de aprendizagens, sugere-se a construção de uma linha do tempo comparando as diferentes regionalizações do Brasil estudadas.

1. Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Caso os estudantes morem nos estados do Maranhão, do Piauí, do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco ou de Alagoas, a região era a Norte Oriental. Caso eles residam nos estados de Sergipe ou da Bahia, a região era a Oriental.

2. Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Caso eles morem nos estados do Maranhão ou do Piauí, a região era a Nordeste Ocidental. Se eles residem nos estados do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco ou de Alagoas, a região era a Nordeste Oriental. Por fim, se eles vivem nos estados da Bahia ou de Sergipe, a região era a Leste Setentrional. Texto de apoio

30/09/2025 20:21

A terceira definição de região é proveniente do período pós Segunda Guerra Mundial, no qual se iniciou o movimento de renovação da Geografia enquanto ciência. [...], a Geografia não podia escapar às enormes transformações ocorridas em todos os domínios científicos após 1950. As modificações vivenciadas a partir do início da segunda metade do século XX, principalmente as inerentes às novas tecnologias desenvolvidas, levaram inúmeros pesquisadores a refletir e buscar novas possibilidades teóricas e metodológicas. Neste momento, os dados estatísticos passam a ser mais importantes do que a observação, as regiões passam a ser criadas em gabinetes, longe da observação do campo, sendo resultantes do agrupamento destes dados.

COSTA, Bárbara Cardinale Policarpo Currículo de Geografia e contemporaneidade: como fica a questão da regionalização do espaço brasileiro no contexto da globalização? 2017. Trabalho de conclusão de curso de especialização (Análise regional e ensino de Geografia) — Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2017. p. 23.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

ENCAMINHAMENTO

Promova a leitura do texto e a observação do mapa da página com os estudantes. Por meio deles, poderão reconhecer o Nordeste como uma unidade delimitada na década de 1970, a partir de aspectos comuns. Em seguida, é importante conversar sobre os estereótipos que eventualmente os estudantes ainda consideram ser associados à região onde moram. 3., 4. e 5. Oriente os estudantes para que imaginem a rosa dos ventos no centro da região. Se preferir, eles também podem utilizar novamente a rosa dos ventos elaborada no Encaminhamento da página 20 . Neste momento, eles ainda não se apropriaram das direções colaterais.

Região Nordeste

Na década de 1970, foram delimitadas as cinco grandes regiões atuais: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Observe o mapa, que apresenta os estados da região Nordeste.

Nordeste: político

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.

1 Localize no mapa Nordeste: político o estado onde você vive.

2 Você já visitou algum estado da região Nordeste além do estado ond e você mora?

Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a relatar suas viagens a outros estados da região.

3 Quais estados se localizam a oeste da região Nordeste?

Os estados do Pará, do Tocantins e de Goiás. Veja mais orientações no Encaminhamento.

4 Quais estados se localizam ao sul da região Nordeste?

5 O que está situado ao norte e a leste da região Nordeste?

Os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Veja mais orientações no Encaminhamento. O oceano Atlântico. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor SANTIAGO, Octávio. Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste. Belo Horizonte: Autêntica, 2025.

A obra apresenta um panorama da formação da região Nordeste, questionando preconceitos históricos que foram associados a ela. Dessa maneira, a leitura busca promover uma visão questionadora dos estigmas que foram atribuídos ao povo nordestino e valorizar sua diversidade étnica e cultural.

Antes do Nordeste

No período em que o Brasil foi colônia de Portugal, a porção nordestina do território ainda não era chamada Nordeste. O interior da região, entre os atuais estados do Maranhão e de Pernambuco, era denominado Sertão de Dentro. Já a parte mais próxima do litoral era chamada Sertão de Fora.

A criação de gado foi uma importante atividade nesse período. Ela influenciou tradições que continuam vivas até hoje na região Nordeste, como o costume de comer carne de charque, também chamada carne do sertão ou carne-seca. Esse tipo de carne era conservado com sal, uma técnica que os indígenas usavam.

Essa atividade econômica também influenciou outros aspectos da vida no Nordeste, como o uso do couro. Nos séculos passados, muitos produtos eram feitos de couro: as roupas dos vaqueiros, as selas dos cavalos e até os móveis, como cadeiras e camas.

O Museu do Ciclo do Couro foi fundado em Nova Olinda, no Ceará, para preservar a memória e a tradição do trabalho com esse material.

Exposição no Museu do Ciclo do Couro, Memorial Espedito Seleiro, em Nova Olinda (CE), em 2023.

QUEM É?

Espedito Seleiro (1939-) é um artista natural do município de Arneiroz (CE), mas se mudou para Nova Olinda (CE) ainda na infância. Ele é filho de vaqueiro e aprendeu desde criança a trabalhar com couro. Seu Espedito é reconhecido como mestre da cultura brasileira, uma pessoa que ajuda a manter viva a tradição nordestina.

Espedito Seleiro em fotografia de 2016.

1 Como é chamada a carne de charque no município onde você mora?

Resposta pessoal. Dependendo do município onde os estudantes vivem, a carne de charque também pode ser chamada carne de sol, carne do sul, jabá, entre outros termos locais.

2 Existe algum objeto feito de couro em sua casa ou na casa de familiares? Se sim, escreva no caderno que objeto é esse e para que serve. Respostas pessoais. Os estudantes podem citar objetos como par de sandálias, bolsa e móveis (cadeiras, mesas, bancos, entre outros).

Sugestão para os estudantes

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Verifique o que os estudantes entendem do termo colônia. Explique que o período colonial se refere à época em que o Brasil era subordinado ao governo da metrópole portuguesa. Explique que as diversas formas de utilizar a terra à época estavam relacionadas aos interesses dos europeus.

A apresentação das maneiras de denominar o Nordeste durante o Brasil Colônia contribui para a compreensão de que as regiões não são realidades naturais imutáveis, mas construções históricas relacionadas a interesses políticos, econômicos e culturais.

30/09/2025 20:21

NONATO, Flávia. Espedito Seleiro: um menino, um mestre. Ilustrações: Alisson Flor. Fortaleza: CeNE, 2020.

O livro ilustrado apresenta a biografia de Espedito Seleiro para as crianças. Na narrativa, é possível acompanhar o trabalho do artesão desde o primeiro objeto produzido por ele: um pequeno baú para presentear sua mãe.

Espera-se que os estudantes identifiquem a pecuária como elemento fundamental para a expansão econômica regional. As atividades os levam a reconhecer as riquezas da região, como o charque e o couro. Assim, eles vão aprender a valorizar a cultura regional, entendendo os aspectos que definem e diferenciam o Nordeste das outras regiões brasileiras.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

(EF04CO08) Reconhecer a importância de verificar a confiabilidade das fontes de informações obtidas na Internet.

ENCAMINHAMENTO

Incentive os estudantes a comparar os três mapas da página. Espera-se que eles situem Aracaju dentro do mapa que representa a malha municipal de Sergipe, bem como percebam que o estado está representado no mapa político do Brasil. Espera-se que os estudantes façam a leitura da legenda de cada mapa e percebam a representação das Unidades da Federação (delimitada pelo fio da divisa estadual) e dos municípios (delimitada pelo fio do limite municipal). Explore também a intenção dos cartógrafos na elaboração de cada um dos mapas.

Verifique se, após a exploração coletiva dos mapas, os estudantes compreenderam a relação entre município, estado e país. Destaque que essa é uma ordem crescente de escala geográfica das unidades territoriais brasileiras. Chame a atenção deles para o efeito de zoom composto entre os mapas, o que indica que um território se situa espacialmente dentro do outro. Se possível, para essa exploração, apresente mapas do município em formato digital para a turma, mostrando que a aproximação e o afastamento com o uso do zoom permitem observar representações cartográficas em diferentes escalas.

Municípios do Nordeste

Os estados brasileiros estão divididos em unidades menores, chamadas municípios. Em cada estado existe uma capital, que é o município onde fica situada a sede do governo estadual.

A sequência de mapas mostra o território nacional, a localização do estado de Sergipe e a localização do município de Aracaju (SE) no estado.

Sergipe: malha municipal

Brasil: político 0º

Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Mapa político dos estados de Alagoas e Sergipe Rio de Janeiro: IBGE, 2015. Disponível em: https://geoftp. ibge.gov.br/cartas_e_mapas/ mapas_estaduais_e_distrito_ federal/politico/2015/al_se_ politico450k_2015.pdf. Acesso em: 23 jul. 2025.

Sugestão para o professor

Trópico de Capricórnio OCEANO PACÍFICO

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 92.

Nossa Senhora do Socorro

São Cristóvão Laranjeiras Aracaju

Itaporanga d'Ajuda

Barra dos Coqueiros

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Coleção de mapas municipais. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/cartas-e-mapas/ mapas-municipais/31452-colecao-de-mapas-municipais.html. Acesso em: 13 set. 2025. Na página, é possível encontrar mapas de todos os municípios brasileiros, com um macrolocalizador indicando sua localização na Unidade da Federação. É possível consultar o material para mostrar aos estudantes o mapa do município onde eles vivem, bem como sua localização em relação ao estado.

A região Nordeste é composta de nove estados, todos eles subdivididos em municípios e, em alguns casos, em distritos. Observe o mapa a seguir, que apresenta a malha municipal de todos os estados da região.

Nordeste: malha municipal

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 96.

VOCÊ DETETIVE

1. Com o auxílio do professor, faça uma pesquisa a respeito do município onde a escola está localizada. Depois, responda às questões no caderno.

a) Em qual estado está situado o município onde fica a escola?

b) Esse município faz limite com quais outros municípios?

c) Esse município apresenta algum distrito?

Respostas pessoais. Auxilie os estudantes a fazer a pesquisa. Se achar interessante, é possível levar um mapa político do município onde se encontra a escola para mostrar a localização dela e os municípios vizinhos, além de verificar se há algum distrito no município.

Atividade complementar

Incentive a leitura do texto e do mapa da página. Peça aos estudantes que apontem com o dedo onde imaginam que se situa o município onde vivem. Se preferir, eles também podem utilizar novamente a rosa dos ventos elaborada no Encaminhamento da página 20 para indicar a localização do município. Auxilie a turma a identificar se o município está ao norte, ao sul, a leste, a oeste ou na parte central do estado.

Após essa sondagem inicial, conduza a realização da proposta do Você detetive. Se possível, realize-a em formato digital, orientando os estudantes a buscar mapas do município em fontes confiáveis. Saber distinguir quais fontes de informação são confiáveis é um requisito importante para o trabalho da habilidade EF04CO08 da BNCC da computação. Espera-se que os estudantes percebam que as fontes de instituições de pesquisa e ensino tendem a ter um grau de confiabilidade maior, bem como o site oficial da prefeitura do município. Oriente-os a recorrer a essas fontes durante a pesquisa do mapa do município na internet.

02/10/2025 10:32

Proponha a composição de legendas em um mapa mudo do Brasil. Oriente os estudantes a colorir cada região do mapa de uma cor e a incluir título e legenda, bem como cotas com os nomes dos estados.

Se julgar oportuno, também podem ser apresentados mapas mudos do estado e do município onde os estudantes vivem. Nesse caso, eles devem igualmente colorir os mapas, explicando a cor utilizada na legenda, além de atribuir um título e cotas que indiquem quais locais estão sendo representados. Os mapas mudos podem ser encontrados em: IBGE EDUCA. Mapas mudos do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/professores/ educa-recursos/18964-mapas.html#texto--single__section--6. Acesso em: 8 set. 2025.

Limite municipal Divisa estadual
SONIA VAZ
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

Organize-se

• Lápis de cor

• Folhas de papel avulsas

• Fotografias do município

ENCAMINHAMENTO

Incentive a leitura do texto, do mapa e das imagens das páginas 26 , 27 e 28 , a fim de que os estudantes possam identificar e analisar os aspectos definidores das sub-regiões do Nordeste. Espera-se que eles consigam observar os elementos que as individualizam e as diferenciam entre si.

Incentive-os a relacionar os aspectos naturais, demarcados pelos biomas (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia), e a área de transição entre as sub-regiões. Ao trabalhar a sub-região Meio-Norte, comente que, na porção oeste dessa sub-região, predomina o clima equatorial, com altas médias de temperatura e alta pluviosidade. Na faixa central, o clima tropical predomina, ao passo que na porção leste ocorre o clima semiárido. Explique à turma que mais de 300 mil trabalhadoras rurais vivem em função da extração de coco-babaçu. O trabalho mais aprofundado com as comunidades e os povos tradicionais da região Nordeste será feito no Capítulo 2 da Unidade 4. Nessa abordagem inicial, espera-se que os estudantes entendam a inter-relação entre alguns produtos extraídos da natureza e as diferentes atividades de trabalho.

Sub-regiões do Nordeste

Como a região Nordeste tem uma grande extensão territorial e abrange nove estados com diversas características naturais, sociais e econômicas, ela apresenta suas próprias sub-regiões. São estas: Meio-Norte, Zona da Mata, Agreste e Sertão. Observe o mapa.

Nordeste: sub-regiões

Fonte: VASCONCELLOS, Regina; ALVES FILHO, Ailton P. Novo atlas geográfico ilustrado e comentado. São Paulo: FTD, 1999. p. 16.

Meio-Norte

A sub-região Meio-Norte compreende todo o estado do Maranhão e o oeste do estado do Piauí. Essa sub-região apresenta características de transição entre os biomas Caatinga, Cerrado e Amazônia.

O Meio-Norte apresenta uma rica vegetação de transição chamada Mata dos Cocais, com a presença de palmeiras, como o babaçu, a carnaúba, o buriti e o açaí, bastante importantes para a economia local.

Sugestão para os estudantes

Mulher quebradeira de coco-babaçu coletando frutos em Igarapé do Meio (MA), em 2023.

3a MOSTRA Sonora Brasil: Quebradeiras de coco e babaçu (MA). Publicado por: Teatro Sesc-Senac Pelourinho. 2015. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=uuhl1rA92tk&list=RDuuhl1rA92tk&start_radio=1. Acesso em: 8 set. 2025.

Sugira aos estudantes que assistam à apresentação do grupo Quebradeiras de coco-babaçu do Maranhão. Em seguida, relacione a necessidade de conservação das riquezas naturais à importância da vegetação do Meio-Norte para a economia local.

Zona da Mata

A sub-região conhecida como Zona da Mata abrange o litoral nordestino desde o Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. Devido à proximidade com o mar, apresenta um clima tropical úmido, com altas temperaturas e muitas chuvas distribuídas ao longo do ano.

A vegetação predominante nessa sub-região é a Mata Atlântica, que se configura como uma das formações vegetais mais ameaçadas do país. Isso se deve ao processo histórico de ocupação e expansão urbana, iniciado do litoral para o interior do território.

A conservação da vegetação é ameaçada pela expansão das cidades e pelo avanço de grandes empreendimentos. Observe a fotografia.

Vista aérea de construções na praia de Redinha e dunas de Genipabu ao fundo, em Natal (RN), em 2024.

Agreste

A faixa que corresponde à sub-região Agreste está localizada entre a Zona da Mata e o Sertão. É uma área de transição, não tão quente e seca quanto o Sertão, nem tão úmida quanto a Zona da Mata.

A região apresenta solos pedregosos e profundos, relevo acidentado e rios intermitentes ou temporários, que dependem da ocorrência das chuvas para manter seu curso. O Parque Nacional Serra de Itabaiana é uma Unidade de Conservação situada nessa sub-região.

Pedregoso: em que há alta concentração de pedras.

Vista aérea do Parque Nacional Serra de Itabaiana, em Itabaiana (SE), em 2024.

30/09/2025 20:21

Texto de apoio [...] No entanto, até meados da década de 1910, a representação do Nordeste estava predominantemente ligada a percepções ambientalistas e eugênicas, o que limitou a análise crítica das questões de classe na região. Uma mudança teórica significativa ocorreu em 1963 com a publicação de “A Terra e o Homem no Nordeste” por Manuel Correia de Andrade. Nesta obra, Andrade adotou uma abordagem multidimensional, considerando fatores naturais, sociais e econômicos para analisar as sub-regiões nordestinas. Assim, desafiou a visão homogênea do Nordeste, tornando-se um pioneiro na geografia crítica brasileira, abordando as relações de produção e de trabalho no espaço agrário nordestino, adotando uma perspectiva dialética. [...]

ROCHA, Gerlane Gomes da. A formação territorial do Nordeste brasileiro em Manuel Correia de Andrade: um estudo sobre a sua atualidade. 2023. Trabalho de conclusão de curso de especialização (Licenciatura em Geografia) — Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2023. p. 6.

Durante a leitura do texto da página, incentive os estudantes a comentar quais são as semelhanças e as diferenças entre cada uma das sub-regiões do Nordeste citadas. Ao trabalhar a Zona da Mata, oriente-os a observar a imagem. Em seguida, questione: a vegetação na imagem está bem conservada? Espera-se que eles percebam que, ainda que haja trechos de vegetação visíveis, grande parte do espaço da vegetação nativa foi tomada por construções.

Durante a leitura do texto referente à sub-região Agreste, comente com os estudantes que as Unidades de Conservação são áreas de proteção da fauna e da flora. Nesse momento, a valorização e a proteção do ambiente devem ser consideradas prioritárias para a preservação de espécies ameaçadas. No Capítulo 2 da Unidade 4, o tema das Unidades de Conservação na região Nordeste será aprofundado.

ENCAMINHAMENTO

Peça aos estudantes que identifiquem as características da região, reconhecendo que o clima semiárido não abrange todo o Nordeste e que, ao longo da faixa litorânea, onde se concentra a maior parte da população, não há incidência de seca. Assim, eles podem compreender que a região Nordeste é diversa em clima, paisagens e modos de vida. Certifique-se de que os estudantes entendem que o Sertão apresenta grande diversidade de fauna e flora. Explique que há cerca de 3 150 espécies de plantas com flores, das quais cerca de 720 são endêmicas, ou seja, só são encontradas nesse território (A FLORA da Caatinga. Guararapes: Associação Caatinga, c2025. Disponível em: https://www. acaatinga.org.br/a-flora-da -caatinga/. Acesso em: 9 set. 2025).

1. Caso os estudantes morem no Maranhão, a única sub-região existente no território é o Meio-Norte. Se eles morarem no Piauí, as sub-regiões Meio-Norte e Sertão estão presentes. Caso vivam no Ceará, a única sub-região presente no estado é o Sertão. Por fim, se morarem no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas, em Sergipe e na Bahia, as sub-regiões Sertão, Agreste e Zona da Mata estão presentes. Em Você detetive , espera-se que os estudantes analisem com atenção os registros que fizeram do lugar de vivência. Auxilie-os a comparar seus registros com as características das sub-regiões do Nordeste.

Sertão

O Sertão é a maior sub-região do Nordeste e abrange a maioria dos estados da região.

Vegetação de Caatinga, típica do Sertão, em Santa Luzia (PB), em 2023.

Grande parte da sub-região está inserida no bioma Ca atinga. O clima predominante do Sertão é o semiárido, caracterizado por períodos prolongados sem chuvas e altas temperaturas. A vegetação de Caatinga está adaptada a essas condições climáticas, sendo composta de árvores de pequeno porte e arbustos com troncos retorcidos e espinhos.

O Sertão apresenta grande diversidade de espécies de animais e plantas. São exemplos de espécies vegetais do Sertão: cactos, bromélias, leguminosas, aroeira, barriguda e umbuzeiro.

Bromélia no Parque Estadual Sítio Fundão, em Crato (CE), em 2023.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Observe novamente o mapa Nordeste: sub-regiões da página 26. Qual (ou quais) sub-região(ões) abrange(m) o estado onde você vive?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

VOCÊ DETETIVE

1. Com a orientação e a supervisão do professor, faça um estudo do meio no município onde você vive. Tire fotografias, faça desenhos e descrições dos elementos naturais e humanizados da paisagem. Depois, compare as características do seu município com as das sub-regiões do Nordeste que você estudou.

Veja mais orientações no Encaminhamento.

Sugestão para os estudantes

HAURÉLIO, Marcus. O encontro da cidade criança com o Sertão menino. Ilustrações: Laerte Silvino. São Paulo: Editora do Brasil, 2018. Em formato de cordel, o livro conta a história do encontro de dois primos: José Silva, menino do sertão de Alagoas, e João Wenceslau da Costa, menino da cidade de São Paulo. Guiados pelo saber da vó Sinhana, juntos eles descobrem algumas das tradições populares do Sertão.

DIÁLOGOS

Os nomes dos lugares guardam histórias

Os nomes dos países, estados e municípios contam parte da história dos lugares e não são escolhidos por acaso.

Um exemplo disso é o município de Fortaleza, capital do Ceará. Fortaleza tem esse nome por causa da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, um forte construído no século 17 pelos holandeses, sob o nome de Forte Schoonenborch, e depois tomado pelos portugueses e rebatizado.

Forte: construção murada que servia para a defesa de um território.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

ENCAMINHAMENTO

Vista aérea da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, em Fortaleza (CE), em 2025.

Já o município de Teresina, capital do Piauí, recebeu esse nome em homenagem à imperatriz Teresa Cristina (1822-1889), esposa do imperador Dom Pedro II (1825-1891). Teresina foi fundada com o nome de Vila Nova do Poti, em 1852. A capital da então província do Piauí foi transferida de Oeiras para Teresina, com o apoio da imperatriz.

O caso do município de Cuiabá, capital do Mato Grosso (estado da região Centro-Oeste), é diferente dos anteriores: não se sabe exatamente a origem do nome Cuiabá. Os historiadores apresentam diferentes versões. Uma das mais conhecidas afirma que Cuiabá deriva do termo guarani kuayaverá, que significa “rio das lontras brilhantes”. O termo teria evoluído para cuyaverá, cuiavá e, por fim, Cuiabá.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

1 Você sabe a origem e o significado dos nomes do município e do estado onde vive? Pergunte a seus familiares sobre o que eles sabem a respeito do assunto ou pesquise em páginas confiáveis na internet. Anote suas descobertas no caderno e compartilhe as informações com os colegas.

Atividade complementar

30/09/2025 20:21

Proponha aos estudantes a construção de um mapa toponímico coletivo. Para isso, eles deverão pesquisar nomes de municípios nordestinos de origem indígena. Por meio de uma representação cartográfica, deverão registrar os nomes pesquisados, sua localização no mapa e sua origem.

A atividade visa fortalecer a percepção de que os nomes dos lugares revelam histórias compartilhadas e distintas, consolidando nos estudantes uma visão crítica e identitária do território.

O estudo da origem dos nomes de cidades como Fortaleza, Teresina e Cuiabá demonstra que a toponímia carrega marcas históricas, culturais e sociais, permitindo criar paralelos dentro da própria região (como as capitais nordestinas que homenageiam personagens históricos, referências religiosas ou elementos da natureza) e fora dela (como o caso de Cuiabá, com origem indígena, em contraste com os nomes de origem colonial portuguesa).

Ao comentar a mudança do nome Vila Nova do Poti para Teresina, explique que, nesse caso, houve a troca de um nome que fazia referência à cultura dos povos indígenas (poti é uma palavra da língua tupi-guarani que significa “camarão”) pelo nome de uma representante do governo imperial da época. 1. Resposta de acordo com o município e o estado da turma. Podem-se propor outras questões sobre a origem dos nomes de bairros e ruas do lugar de vivência, para que sejam respondidas pelos estudantes e seus familiares. Sugira que consultem documentos, mapas antigos e jornais regionais, se possível, para encontrar as respostas. Após o levantamento, devem registrar as descobertas no caderno. Encerre o trabalho promovendo uma roda de conversa para socializar as informações encontradas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

ENCAMINHAMENTO

Verifique se a turma consegue identificar os recursos naturais associados a atividades econômicas em cada uma das fotografias da página.

Em seguida, pergunte aos estudantes: quais são os principais agentes naturais e humanizados que atuam na transformação das paisagens nordestinas? Espera-se que eles respondam que os elementos naturais da região estão diretamente ligados à ocupação do território e ao desenvolvimento das atividades econômicas, como agricultura, pecuária, mineração, extração de recursos naturais e turismo. Dessa maneira, espera-se que eles percebam como os recursos naturais são utilizados na construção civil, na fabricação de produtos e de medicamentos, entre outros.

1. Estabeleça uma conversa inicial com os estudantes a respeito da relação entre a sociedade e a natureza. Selecione aspectos naturais do lugar de vivência e os relacione às atividades humanas ali desenvolvidas, como algum rio importante para o abastecimento do município ou cultivos agrícolas que são viabilizados pelo clima ou por outras características naturais presentes. A reflexão pode ser ampliada perguntando como essas atividades impactam a paisagem e quais medidas podem ser tomadas para conservar os recursos naturais.

SOCIEDADE E NATUREZA NO NORDESTE

Características como relevo, hidrografia, clima e vegetação são de grande importância para a ocupação humana e para o desenvolvimento de atividades econômicas, como agricultura, pecuária, extração de recursos naturais e turismo.

Recursos naturais são materiais encontrados na natureza e utilizados pelos seres humanos de diversas maneiras, como na alimentação, na construção civil e na fabricação de variados produtos, por exemplo, medicamentos e móveis.

Fruticultura de uvas e mangas irrigada com as águas do rio São Francisco, em Petrolina (PE), em 2022. A presença de rios possibilita sua utilização em atividades como a agricultura.

Mina de calcário em São Desidério (BA), em 2024. A mineração é uma atividade que depende de aspectos naturais, como a presença de jazidas, que estão associadas ao processo de formação e às características do relevo.

1 Você percebe como os aspectos naturais influenciam as atividades humanas em seu lugar de vivência? Converse com os colegas e o professor.

Resposta pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor

REVISTA EDUCAÇÃO EM QUESTÃO. Natal: UFRN, c2025.

A Revista Educação em Questão é publicada desde 1987 pelo Centro de Educação e pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). É uma publicação que conta com quatro edições anuais, com artigos originais e inéditos. Atualmente, com mais de 60 volumes lançados, é uma referência na área educacional. Nela, é possível encontrar artigos sobre educação ambiental, prática pedagógica, educação inclusiva, entre outros.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Transformação das paisagens

As paisagens ao nosso redor estão em constante transformação. Essas mudanças acontecem por meio de agentes de transformação, que podem ser elementos da natureza ou a interferência realizada pelos seres humanos. Os agentes naturais são elementos como vento, chuva, geleiras, terremotos e erupções vulcânicas. A ação do vento, da água e das geleiras causa a erosão das superfícies, transformando as paisagens ao longo do tempo. Os sedimentos transportados por esses agentes se depositam em outras áreas.

Sedimento: material que se solta da superfície em processos de erosão, como pedaços pequenos de rocha e solo.

Erosão é o desgaste de uma superfície provocado pela ação das águas dos rios, dos mares e da chuva, além dos ventos e do derretimento de geleiras.

A ação humana consiste na construção de prédios, casas, rodovias, desmatamento da vegetação para atividades econômicas, entre outras intervenções. As paisagens nordestinas são bem diversas. Observe as imagens.

VOCÊ DETETIVE

1. Pesquisem notícias com exemplos de transformações das paisagens na região.

• Selecionem uma transformação ocasionada por agentes naturais e uma causada pela ação humana.

2. Elaborem um cartaz com as manchetes das notícias e apresentem os agentes responsáveis pelas transformações.

Produção coletiva. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF03CO07) Utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para pesquisar e acessar informações.

Organize-se

• Folhas de papel sulfite

• Cartolina ou papel-cartão

• Tesoura com pontas arredondadas

• Cola

• Jornais, revistas ou notícias impressas

ENCAMINHAMENTO

Promova a leitura do texto da página com os estudantes, sanando eventuais dúvidas que eles possam ter. Em Você detetive, auxilie os estudantes a pesquisar notícias regionais na internet, em jornais e revistas. Verifique se eles conseguem identificar quais são exemplos de alterações causadas por agentes naturais e quais são fruto de ações humanas. O cartaz coletivo com as manchetes deve destacar os agentes envolvidos e seus efeitos, incentivando os estudantes a perceber como a mídia registra essas mudanças e como elas afetam a vida cotidiana.

20:45

Se possível, organize uma visita a um parque nacional, reserva ecológica, museu de ciência ou centro de pesquisa regionais. Solicite autorização previamente aos familiares dos estudantes e à direção da escola. Verifique se o espaço oferece visitas guiadas a grupos, se tem recursos de acessibilidade e quais são as orientações fornecidas.

A proposta também pode ser feita virtualmente. Ver: SERRA das Almas: tour virtual. Crateús: No Clima da Caatinga, c2025. Disponível em: https://www.noclimadacaatinga.org.br/ reservanaturalserradasalmas/. Acesso em: 9 set. 2025.

Para a pesquisa feita em formato digital, incentive os estudantes a utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para encontrar as manchetes, como seleção das palavras-chave e aplicação de filtros de data para encontrar notícias mais recentes. Dessa maneira, é possível trabalhar a habilidade EF03CO07 da BNCC da computação.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Pedra Furada, formação rochosa erodida pela ação do vento no Parque Nacional da Serra da Capivara, em Coronel José Dias (PI), em 2024.
Cidade de Campina Grande (PB), em 2025. A paisagem da localidade foi intensamente transformada pela ação humana.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

ENCAMINHAMENTO

O estudo do relevo é um dos pontos de partida para compreender como a sociedade nordestina se organizou historicamente e como se relaciona, até hoje, com o meio natural. É importante incentivar os estudantes a reconhecer o relevo como parte de sua vida cotidiana, na subida de uma serra, na vista de um vale ou nos paredões de chapadas que marcam o Sertão. Auxilie-os a identificar as principais formas de relevo da região, destacando suas características físicas e sua importância para a ocupação humana, as atividades econômicas e a organização do espaço.

Se possível, selecione previamente imagens de alguns locais cujos nomes aparecem indicados no mapa Nordeste: físico. Apresente as fotografias selecionadas aos estudantes. Em seguida, pergunte: vocês acham que a paisagem retratada é um planalto, uma planície ou uma depressão? Por quê? Aproveite esse momento de sondagem inicial para verificar o que os estudantes já conhecem sobre o tema.

Relevo do Nordeste

A superfície do território brasileiro é marcada por altitudes modestas. Isso acontece principalmente por conta de sua formação geológica antiga. Observe os mapas a seguir.

Altitude é a distância vertical entre o nível do mar e um local específico.

Brasil: físico

Nordeste: físico

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2016. p. 58.

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante São Paulo: FTD, 2016. p. 93.

Ao notar as variações de altitude, é possível perceber também características do relevo. O relevo é um elemento natural importante para a ocupação humana, já que as formas da superfície influenciam o modo como as pessoas vão realizar construções e as atividades econômicas que vão desenvolver.

Relevo é o conjunto de formas que fazem parte da superfície terrestre.

Há três grandes formas de relevo presentes no território do Brasil e da região Nordeste: planaltos, planícies e depressões.

Sugestão para o professor

LOPES PINTO, B. et al . Aula de campo e maquete: procedimentos didáticos para o ensino de Geomorfologia na escola básica. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE GEOMORFOLOGIA, 10., 2014, Manaus. Anais [...]. Manaus: Sinageo, 2014. Disponível em: https://www.sinageo.org.br/2014/ trabalhos/8/8-60-1055.html. Acesso em: 9 set. 2025.

O artigo relata uma proposta pedagógica desenvolvida em uma escola de Itabuna (BA). A discussão sobre o relevo do município, marcado por encostas côncavas, levou os estudantes a observar as características topográficas do entorno da escola. Após um trabalho de campo, que consistiu na visita ao entorno escolar, os estudantes se reuniram para a construção de suas maquetes topográficas.

OCEANO ATLÂNTICO

Nordeste: relevo

As depressões se caracterizam por serem áreas mais rebaixadas em relação aos terrenos ao redor. Elas são formadas por meio da ação da erosão ao longo do tempo. No Nordeste, está presente a Depressão Sertaneja do São Francisco. Nessa forma de relevo, está situado o leito do rio São Francisco, muito importante para a sub-região do Sertão.

Depressão Sertaneja em Quixadá (CE), em 2015.

Fonte: ROSS, Jurandyr L. S. (org.). Geografia do Brasil. 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 53.

Os planaltos são áreas geralmente mais elevadas que seu entorno. Nessa forma de relevo, predominam a erosão e a perda de sedimentos. Os planaltos estão situados no interior do território do Nordeste.

Formações de relevo da Chapada Diamantina, em Palmeiras (BA), em 2024. A Chapada Diamantina está localizada nos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste.

As planícies são formas de relevo caracterizadas por serem áreas de deposição de sedimentos ao longo de milhares de anos. No Nordeste, as planícies se estendem por todo o litoral. Todas as capitais estaduais, com exceção de Teresina (PI), estão situadas nas planícies litorâneas.

Planície litorânea em Ipojuca (PE), em 2022.

1 Com a turma, localize as áreas de planícies, planaltos e depressões no mapa Nordeste: relevo

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

2 Como é o relevo em seu lugar de vivência? A superfície apresenta variações de altitude ou é plana? Anote suas impressões no caderno.

Respostas de acordo com o lugar de vivência dos estudantes.

Atividade complementar

Peça aos estudantes que comparem os mapas Nordeste: físico (página 32) e Nordeste: relevo (nesta página). Questione: qual a semelhança e a diferença entre esses mapas? Espera-se que eles respondam que a principal semelhança é a área retratada; também podem responder que os dois mapas tratam de características da superfície terrestre. Como diferença, espera-se que eles percebam que, enquanto o mapa Nordeste: físico apresenta uma legenda de cor para indicar a variação de altitude de cada um dos locais representados, o mapa Nordeste: relevo classifica as diferentes formas de relevo existentes na região. Estimule a turma a argumentar como o relevo influencia a construção de cidades, estradas, barragens e atividades agrícolas.

1. Incentive os estudantes a encontrar cada um dos tipos de relevo indicados no mapa Nordeste: relevo . Peça a eles que observem a legenda de cores do mapa e verifiquem a quais áreas cada uma se aplica e o que representa. Espera-se que eles consigam identificar as planícies, onde se concentram as capitais nordestinas (exceto Teresina), os planaltos no interior e a depressão, associada ao leito do rio (São Francisco).

30/09/2025 20:45

Organize a turma em grupos de cinco estudantes. Peça a eles que construam uma maquete do relevo da região Nordeste. Nessa maquete, deverão aparecer os principais tipos de relevo encontrados na região, ou seja, planícies, planaltos e depressões. Para a construção, cada grupo deverá utilizar materiais recicláveis ou reutilizáveis. Auxilie os estudantes durante todo o processo de confecção da maquete. Verifique se os materiais escolhidos por eles são adequados, evitando aqueles que sejam cortantes. Ao final, peça aos estudantes que componham uma legenda e um título para a maquete.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

ENCAMINHAMENTO

Para ampliar os conhecimentos sobre a hidrografia nordestina, é importante oferecer referências e recursos que valorizem a produção cultural, científica e educativa da própria região, possibilitando que os estudantes compreendam o papel dos rios e das bacias hidrográficas não apenas do ponto de vista geográfico, mas também do ponto de vista histórico, cultural e social.

Uma possibilidade de aprofundamento do tema é verificar se há barragens, estações de tratamento de água ou açudes próximo à escola que ofereçam visitas monitoradas a grupos escolares. Caso haja, verifique a possibilidade de realizar esse estudo de meio com a turma, solicitando previamente autorização à direção da escola e aos familiares. Além de levar em conta as orientações necessárias durante a visita, é preciso verificar se há no local recursos de acessibilidade que permitam a inclusão de estudantes com deficiência da turma.

Assim, pode-se fortalecer o vínculo dos estudantes com a realidade hídrica de sua região e consolidar a aprendizagem sobre a importância da água para a vida social, econômica e cultural, entendendo como a hidrografia do Nordeste é importante para dar significado à realidade regional.

Hidrografia do Nordeste

A água é fundamental para a vida, e sua presença favorece a ocupação do território pelos seres humanos. Historicamente, os rios têm um papel essencial no fornecimento de água para consumo, irrigação de cultivos, transporte de pessoas e de mercadorias.

Rio é um curso de água natural que corre de áreas de maior altitude para áreas de menor altitude. Geralmente, é formado por nascente, afluente e foz.

Um rio principal tem afluentes, que são outros rios que deságuam ao longo de seu curso. A área da superfície onde uma rede de rios corre recebe o nome de bacia hidrográfica

Bacia hidrográfica é uma área do relevo onde um rio principal e seus afluentes correm.

Observe o mapa a seguir.

Nordeste: regiões hidrográficas

RioGrande

RioCarinhanha

Rio Jacaré

Rio ItapicuruRioVaza-Barris

RioCapivariRioJacuípe

RioParaguaçu

de Contas

Pardo

Amazônica Tocantins-Araguaia

Atlântico Nordeste Ocidental

Parnaíba Atlântico Nordeste Oriental

São Francisco

Atlântico Leste Atlântico Sudeste

Paraná

Rio Rio intermitente

Região Nordeste Divisa estadual

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 110.

Sugestão para os estudantes

BONFIM, João Bosco Bezerra. São Chiquinho ou o rio quando menino. Ilustrações: Mateus Rios. São Paulo: Biruta, 2012.

Escrito pelo poeta cearense João Bosco Bezerra Bonfim, o livro narra a história do Rio São Francisco em versos. Ao longo das páginas, também é possível observar ilustrações das paisagens por onde ele corre.

A leitura pode instigar um debate sobre a memória e a cultura popular ligada à água. Verifique se o livro está disponível na biblioteca da escola e realize a discussão da obra em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa, trabalhando o gênero literário cordel.

SONIA

Veja a seguir as características de algumas dessas bacias hidrográficas.

São Francisco em

Bacia do rio São Francisco

O rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, no estado de Minas Gerais, na região Sudeste, e desemboca no oceano Atlântico. Todo o seu curso percorre o território brasileiro. É o único rio perene no Sertão.

A água do rio é aproveitada para o desenvolvimento de diversas atividades, como pesca, navegação, irrigação e fornecimento de energia.

Bacia do Parnaíba

A Bacia do Parnaíba abrange os estados do Maranhão, Piauí e parte do Ceará. O rio principal nasce na Chapada das Mangabeiras e serve de divisa natural entre os estados do Maranhão e do Piauí. Essa bacia hidrográfica tem alguns afluentes temporários. É importante para o abastecimento de água, o desenvolvimento da agricultura, o turismo e a pesca, mas enfrenta desafios em decorrência dos impactos ambientais, que afetam a disponibilidade hídrica e a navegação.

Rio Jaguaribe em Aracati (CE), em 2020.

Bacia do Atlântico Nordeste Oriental

A Bacia do Atlântico Nordeste Oriental se localiza nos estados do Ceará, da Paraíba, do Rio Grande do Norte, de Pernambuco e de Alagoas.

Os rios que compõem essa bacia hidrográfica são economicamente importantes por fornecer recursos hídricos para a irrigação, além do abastecimento de água para a população.

Certifique-se de que os estudantes compreendem quais são os principais rios e bacias hidrográficas da região. Explique que um rio perene é um rio que tem água no leito o ano todo. Já um rio intermitente é aquele que seca em determinados períodos. Durante a leitura, destaque os usos da água em atividades cotidianas e econômicas, discutindo os problemas ambientais provocados por esses usos.

1. Maranhão: Atlântico Nordeste Ocidental, Tocantins-Araguaia e Parnaíba; Piauí: Atlântico Nordeste Oriental e Parnaíba; Ceará: Atlântico Nordeste Oriental e Parnaíba; Rio Grande do Norte: Atlântico Nordeste Oriental; Paraíba: Atlântico Nordeste Oriental; Pernambuco: Atlântico Nordeste Oriental e São Francisco; Alagoas: Atlântico Nordeste Oriental e São Francisco; Sergipe: Atlântico Leste e São Francisco; Bahia: Atlântico Leste e São Francisco.

1 Observe o mapa Nordeste: regiões hidrográficas, na página anterior. Quais regiões hidrográficas existem no estado onde você vive?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.

2 Quais são os principais rios que atravessam o estado onde você mora? Escreva o nome de um desses rios no caderno.

Resposta de acordo com o estado dos estudantes. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor BRASIL. Ministério da Integração Nacional e do Desenvolvimento Regional. ANA lança aplicativo gratuito com dados de rios e chuvas em todo o Brasil. Brasília, DF: ANA, 18 nov. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/ana/pt-br/assuntos/noticias-e-eventos/noticias/ana-lanca -aplicativo-gratuito-com-dados-de-rios-e-chuvas-em-todo-o-brasil. Acesso em: 10 set. 2025. Na notícia publicada na página da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), há hiperlinks que direcionam para a aquisição gratuita do aplicativo Hidroweb Mobile. Nele, é possível acompanhar dados das estações hidrometeorológicas de todo o Brasil. O aplicativo também pode ser acessado diretamente no navegador, em: SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE RECURSOS HÍDRICOS (SNIRH). Hidroweb Mobile. Brasília, DF: ANA, c2025. Disponível em: https://www.snirh.gov.br/hidroweb-mobile/mapa. Acesso em: 10 set. 2025.

30/09/2025 20:45

2. Espera-se que os estudantes identifiquem os principais rios que atravessam o estado onde moram e expliquem a importância deles para a população. Eles podem utilizar o mapa Nordeste: regiões hidrográficas ( página 34 ) para identificar os nomes dos rios. Amplie a reflexão incentivando-os a pesquisar como é feito o uso da água no Nordeste e os desafios ligados à escassez em áreas semiáridas, bem como sua importância para a navegação (transporte de pessoas e mercadorias) e a alimentação (por meio da pesca). Incentive-os também a comentar se há poluição nos rios mencionados, identificando se há lançamento de esgoto não tratado.

Rio
Santa Maria da Boa Vista (PE), em 2023.
Rio Parnaíba, divisa estadual do Maranhão à esquerda e Piauí à direita. Fotografia tirada em Teresina (PI), em 2023.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

ENCAMINHAMENTO

Incentive os estudantes a comparar cada um dos climas estudados com o lugar de vivência deles. Explique como o clima e as variações climáticas têm impacto sobre o uso da terra, levando à necessidade de adaptação das comunidades. Espera-se que os estudantes reconheçam que, em grande parte da região, faz calor o ano todo, pois no semiárido as chuvas são escassas e concentradas; já no litoral, há maior umidade e precipitações mais regulares.

1. Caso os estudantes morem na Bahia, no Rio Grande do Norte, na Paraíba ou em Pernambuco, os climas presentes nos territórios desses estados são o tropical atlântico, o tropical e o semiárido. Caso eles morem em Sergipe ou em Alagoas, os climas presentes são o tropical atlântico e o semiárido. Caso morem no Ceará ou no Piauí, ocorrem os climas tropical e semiárido. Caso morem no Maranhão, estão presentes os climas tropical e equatorial úmido.

2. e 3. Respostas de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Incentive-os a analisar os ritmos do clima no lugar onde vivem. É interessante que eles apontem características como variações de temperatura, regimes de chuva e períodos mais secos.

Climas do Nordeste

O território da região Nordeste está inteiramente situado na faixa intertropical, ao sul do equador e ao norte do Trópico de Capricórnio. Por conta disso, os climas da região apresentam médias de temperatura elevadas ao longo do ano. Observe o mapa a seguir.

Nordeste: climas

0 170

Tipos de clima

Equatorial úmido

atlântico Tropical de altitude

Semiárido

Região Nordeste

Divisa estadual

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2016. p. 60.

Equatorial úmido: ocorre no oeste do Maranhão, em uma área de transição para o bioma Amazônia. Esse clima é caracterizado por ser quente e úmido. A temperatura do ar é elevada e chove bastante ao longo do ano.

Tropical: ocorre em diversas áreas da região. Ele é caracterizado por duas estações bem definidas: uma úmida e quente e outra seca e com temperaturas mais amenas.

Tropical atlântico: é caracterizado pelas chuvas frequentes e temperaturas elevadas. Ele ocorre em parte da extensão litorânea do Nordeste, principalmente na parte leste. No inverno, há alta precipitação pela influência das entradas das frentes frias e, no verão, há tempestades tropicais.

Semiárido: ocorre principalmente na sub-região do Sertão. Apresenta temperaturas elevadas e chuvas mal distribuídas ao longo do ano, pois são concentradas em curto período. A irregularidade e a concentração das chuvas entre três e cinco meses provocam um longo período de estiagem.

Precipitação: queda de água do céu nos estados líquido ou sólido.

Respostas de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.

1 Observe o mapa Nordeste: climas. Quais são os climas que ocorrem no seu estado?

2 Como é a média de temperaturas? Faz calor o ano todo?

3 Há um período em que ocorrem mais chuvas ou elas são distribuídas ao longo do ano?

Atividade complementar

Retome os conceitos de tempo e clima, trabalhados no livro disciplinar de Geografia. Em seguida, proponha aos estudantes que elaborem um diário do tempo. Peça a eles que anotem a temperatura, a ocorrência de chuvas e a sensação térmica ao longo de uma semana. Eles podem anexar ao diário outras informações que julgarem interessantes por meio de desenhos e anotações. Ao final, devem comparar suas observações com as previsões meteorológicas locais, a fim de verificar como o diário revelou características do tempo atmosférico do lugar de vivência.

30/09/2025

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

BNCC

Biomas e vegetação do Nordeste

Os elementos naturais das paisagens interagem entre si. As características da vegetação variam conforme o clima e o relevo local. A presença da vegetação também influencia características do clima, como umidade e temperatura do ar. Existem diferentes tipos de clima e vegetação no território da região Nordeste, dando origem a diversos biomas. As áreas da vegetação nativa não coincidem exatamente com a área dos biomas, já que esse conceito é mais abrangente e leva em consideração clima, fauna e flora locais. Observe os mapas.

Nordeste: biomas

Cerrado

Mata Atlântica Amazônia

Caatinga

Região Nordeste Divisa estadual 0 230

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 108.

Nordeste: vegetação nativa

restinga, jundu)

Região Nordeste Divisa estadual 0 230

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2016. p. 64.

1 Reúna-se com um colega. Observem novamente o mapa Nordeste: biomas . Quais biomas estão presentes no estado onde vocês vivem? Anotem no caderno.

Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.

DESCUBRA MAIS

FARIAS, Camila. Dia nacional da caatinga, 28 de abril. Brasília, DF: INSA, 28 abr. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/insa/pt-br/assuntos/noticias/dia-nacionalda-caatinga-28-de-abril. Acesso em: 11 jun. 2025.

No dia 28 de abril, é comemorado o Dia Nacional da Caatinga. Você pode acessar o site e conhecer mais sobre a importância desse dia para a região Nordeste.

Atenção! Os sites indicados ao longo deste material podem apresentar publicidade, que varia dependendo do computador ou dispositivo utilizado.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

ENCAMINHAMENTO

Conduza a explicação dos conteúdos apresentados na página de modo que a turma possa compreender a diversidade de biomas presentes na região Nordeste, bem como a de vegetação.

Incentive a leitura comparativa dos mapas Nordeste: biomas e Nordeste: vegetação nativa , a fim de que os estudantes compreendam que as áreas de vegetação não coincidem exatamente com os limites dos biomas. Com essa finalidade, instigue-os a perceber as semelhanças entre os mapas (como a área apresentada) e suas diferenças, por meio da leitura atenta da legenda de cada um deles.

30/09/2025 20:45

Sugestão para o professor “ÁRIDA”, game de produção nacional, coloca mulher negra e nordestina como heroína. Portal

Geledés, São Paulo, 26 dez. 2018. Disponível em: https://www.geledes.org.br/arida-game-de -producao-nacional-coloca-mulher-negra-e-nordestina-como-heroina/. Acesso em: 10 set. 2025. O texto apresenta a concepção de um jogo de videogame que retrata o Sertão nordestino e que foi contemplado com incentivo da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Se possível, exiba o trailer do jogo, indicado na matéria, e verifique se os estudantes conseguem reconhecer elementos do bioma Caatinga presentes nele.

1. Caso os estudantes morem no Maranhão, os biomas existentes no território são Amazônia, Caatinga e Cerrado. Caso eles morem no Piauí, os biomas são Cerrado e Caatinga. No Ceará, somente o bioma Caatinga está presente. No Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e em Sergipe, há ocorrência dos biomas Mata Atlântica e Caatinga. Na Bahia, há três biomas presentes: Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica.

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ENCAMINHAMENTO

Aborde com a turma a diversidade de vegetação da região. Se julgar interessante, antes de promover a leitura da página, organize os estudantes em seis grupos e peça a cada um deles que estude as características de um tipo de vegetação apresentado no texto. Em seguida, peça a cada grupo que apresente o que descobriu ao restante da turma, colaborando para uma construção coletiva do conhecimento.

Mostre a distribuição da vegetação litorânea no mapa Nordeste: vegetação nativa (página 37) e verifique se os estudantes percebem que ela ocorre em todos os estados da região Nordeste. Ao apresentar a vegetação Mata Atlântica, mostre que sua área de ocorrência no mapa Nordeste: vegetação nativa não é exatamente igual à do bioma Mata Atlântica no mapa Nordeste: biomas ( página 37 ). Em seguida, peça a eles que localizem a vegetação Mata dos Cocais e verifiquem sua ocorrência entre a vegetação da Floresta Amazônica e a vegetação de Cerrado e Caatinga.

Explique à turma que a vegetação de Mata Atlântica sofreu um grande impacto ambiental ao longo do tempo. Os estudantes devem compreender que a devastação dessa vegetação foi resultado da ocupação histórica do território e da expansão das cidades e da agropecuária. Verifique se compreendem que essa perda da cobertura vegetal também pode ampliar a impermeabilização do solo, devido ao asfaltamento e à pavimentação.

Vegetação litorânea

As vegetações de mangue e restinga aparecem no litoral da região Nordeste, onde o clima tropical atlântico, mais úmido e com temperaturas mais altas, favorece sua ocorrência.

Os manguezais apresentam vegetação com raízes submersas e estão localizados na foz de rios, próximos ao mar.

Vegetação de restinga na Ilha de Itamaracá (PE), em 2024.

Biodiversidade: variedade de seres vivos, como plantas, animais e microrganismos, em determinada área.

Como você já estudou, a Mata dos Cocais é uma vegetação de transição entre a vegetação de Caatinga e de Cerrado e a vegetação da Floresta Amazônica. Está situada sobretudo nos territórios dos estados do Maranhão, do Piauí, na sub-região denominada Meio-Norte, e no estado do Ceará. Apresenta diferentes espécies de palmeiras, como o buriti e o babaçu, importantes para a economia e a cultura da região.

Atividade complementar

A Mata Atlântica ocorre em áreas próximas ao litoral, onde os climas tropical atlântico e tropical favorecem a formação de uma vegetação florestal densa e rica em biodiversidade. A Mata Atlântica apresenta árvores grandes, com folhas largas e arbustos.

A fundação das primeiras cidades nordestinas foi responsável pelo desmatamento de grande parte da Mata Atlântica. Árvores de grande porte, como pau-brasil, jacarandá, ipê e peroba, foram retiradas para dar lugar à construção das cidades e para o desenvolvimento da agropecuária.

Atualmente, algumas dessas espécies, como o pau-brasil e o jacarandá, estão ameaçadas de extinção.

Vegetação de Mata Atlântica em Área de Proteção Ambiental (APA), em Ubatã (BA), em 2025.

Verifique se é possível realizar entrevistas com moradores que utilizam recursos naturais, como o babaçu e o buriti, para a realização de atividades econômicas, artesanato, por exemplo. Se a proposta for viável, elabore um convite coletivo com a turma e explique o objetivo da conversa. Outra possibilidade de desenvolvimento da proposta, após a visita do convidado à escola, é construir um canteiro com a turma. Para isso, selecionem mudas de plantas nativas do Nordeste. Supervisione os estudantes durante toda a atividade de plantio, auxiliando-os a executar as tarefas de cavar a terra, plantar a muda e regá-la. Essa proposta pode ser encaminhada em interdisciplinaridade com Ciências da Natureza.

Mata Atlântica
Mata dos Cocais
Palmeiras de babaçu típicas da Mata dos Cocais em Esperantina (PI), em 2022.

Caatinga

Essa vegetação é típica das áreas de ocorrência do clima semiárido. No Nordeste, abrange a sub-região do Sertão. Mandacaru, facheiro e xiquexique são algumas das plantas típicas dessa vegetação, que é adaptada aos longos períodos sem chuva. É comum que algumas espécies da vegetação da Caatinga apresentem espinhos e troncos lenhosos e que percam as folhas na época de seca, características que dificultam a perda de água. Grande parte dessa vegetação foi destruída por queimadas e desmatamentos.

Floresta Amazônica

A Floresta Amazônica está presente no oeste do estado do Maranhão. A vegetação tem como característica alta densidade vegetal, com espécies rasteiras, arbustivas e arbóreas. Há presença de árvores de grande porte, com 30 a 50 metros de altura. Apresenta uma grande biodiversidade e importância ambiental para o restante do país, já que sua existência regula o regime de chuvas em todo o território brasileiro.

Xiquexique entre a vegetação de Caatinga no Parque Nacional da Serra das Confusões, em Caracol (PI), em 2024.

Siga mostrando a distribuição da vegetação no mapa Nordeste: vegetação nativa (página 37). Verifique se os estudantes percebem que a vegetação de Caatinga ocorre em todos os estados da região Nordeste, exceto o Maranhão. É importante se certificar de que eles não apresentam preconceitos em relação a essa vegetação, instigando-os a conhecer a diversidade da flora da Caatinga.

A vegetação de Cerrado ocorre na região Nordeste nas áreas de clima tropical, como oeste da Bahia e sul do Maranhão e do Piauí. Essa vegetação tem como características a presença de espécies rasteiras, além de árvores e arbustos de porte médio, muito conhecidos por seus galhos retorcidos e adaptados às condições de períodos chuvosos e épocas de estiagem.

Vegetação de Cerrado no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Cocos (BA), em 2024.

2 Observe novamente o mapa Nordeste: vegetação nativa, na página 37 Quais são as vegetações presentes no estado onde você vive? Anote a resposta no caderno.

Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Veja mais orientações no Encaminhamento.

3 As vegetações coincidem com os biomas presentes nos estados? Explique no caderno.

Os estudantes devem perceber que, apesar de ocorrerem algumas correspondências, há maior diversidade de tipos de vegetação dentro da área de abrangência dos biomas. Isso acontece porque o bioma é um conceito que leva em consideração, além do tipo de vegetação, outros aspectos, como clima e fauna.

Sugestão para o professor

02/10/2025 10:33

CAMPELO, Ana Karine Ribeiro. Reserva particular do patrimônio natural Serra das Almas: análise de projetos de educação ambiental visando à sustentabilidade no bioma Caatinga. 2016. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Ciências Ambientais) — Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/bitstream/ riufc/31181/1/2016_tcc_akrcampelo.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

A pesquisa mapeia e analisa projetos de educação ambiental que foram desenvolvidos na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Serra das Almas, no bioma Caatinga. Entre eles estão projetos que incentivam a visitação à RPPN, capacitam professores e estudantes para a implantação de hortas e fazem a gestão de resíduos sólidos.

Mostre que a vegetação de Cerrado ocorre no Maranhão, no Piauí e na Bahia. Auxilie os estudantes a perceber que, na região Nordeste, a vegetação de Floresta Amazônica está presente exclusivamente no Maranhão. Comente que nesse estado também ocorre a vegetação de campos, caracterizada pela presença de grama e geralmente associada a terrenos de relevo plano. 2. Caso os estudantes morem no estado do Maranhão, as vegetações presentes são vegetação litorânea, campos, Floresta Amazônica, Mata dos Cocais e Cerrado. No Piauí, há a ocorrência de vegetação litorânea, Mata dos Cocais, Cerrado e Caatinga. No Ceará, aparecem vegetação litorânea, Mata dos Cocais e Caatinga. No Rio Grande do Norte, as vegetações presentes são vegetação litorânea, Mata Atlântica, Mata dos Cocais e Caatinga. Nos estados da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas e de Sergipe, estão presentes a vegetação litorânea, a Mata Atlântica e a Caatinga. Na Bahia, aparecem a vegetação litorânea, a Mata Atlântica, a Caatinga e o Cerrado.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Cerrado
LUCIANO QUEIROZ/PULSAR IMAGENS
Rio Turiaçu em meio à Floresta Amazônica, em Pedro do Rosário (MA), em 2024.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

ENCAMINHAMENTO

Verifique se a diferença entre bioma e vegetação está clara para os estudantes. Espera-se que eles compreendam que bioma é um conceito mais amplo, que abarca não só a formação vegetal, mas também a interação entre ela e a fauna, o solo e o clima de uma área. Já a vegetação se refere à cobertura vegetal.

Em seguida, comente que os impactos ambientais atingem o bioma como um todo, e não só sua vegetação. Queimadas para a abertura de pasto, por exemplo, têm um forte impacto na biodiversidade da fauna e da flora de uma área. O desmatamento excessivo também pode levar à erosão do solo.

Ao trabalhar diretamente com a degradação ambiental e a necessidade de conservação, é mobilizado o TCT Meio ambiente: educação ambiental. Estimule a reflexão dos estudantes sobre o fato de a responsabilidade pela conservação dos biomas ser coletiva, ou seja, dizer respeito a toda a sociedade.

Certifique-se de que os estudantes compreendem os principais problemas que afetam os biomas da região, como a devastação do Cerrado pela agricultura de grãos e algodão, a desertificação e as queimadas na Caatinga e a exploração predatória da Amazônia maranhense.

Impactos ambientais no Nordeste

Como você já estudou, as atividades econômicas transformam as paisagens. Muitas dessas atividades causam impactos no ambiente. Veja a seguir impactos ambientais negativos nos biomas do Nordeste.

Amazônia

A rica biodiversidade da Amazônia maranhense está bastante ameaçada pela expansão de atividades agropecuárias predatórias, que retiram a vegetação nativa para dar lugar a áreas de cultivo e a pastagens. Além disso, a exploração ilegal de madeira e a construção de estradas também são fatores que causam a perda da cobertura vegetal e a redução da biodiversidade.

Nos últimos anos, o Maranhão tem apresentado altos índices de desmatamento, e estima-se que a maior parte da Floresta Amazônica no estado já foi devastada.

Áreas desmatadas de Floresta Amazônica, em Pedro do Rosário (MA), em 2024.

Caatinga

Cerrado

O Cerrado é um bioma que abriga grande biodiversidade, mas que sofre grande impacto das atividades humanas, principalmente com o avanço da agricultura e da pecuária sobre suas áreas. Nos últimos anos, esse bioma tem sido o que mais perde área de vegetação nativa no país.

A expansão do cultivo do algodão e de grãos, como a soja e o milho, causa grandes impactos na biodiversidade do Cerrado.

Área desmatada de Cerrado em São Desidério (BA), em 2024.

A Caatinga apresenta fauna e flora diversificadas e adaptadas aos períodos de seca. Mesmo com essa biodiversidade, atividades predatórias, como o desmatamento e a caça, têm reduzido algumas espécies de animais e vegetais.

A irregularidade e a escassez das chuvas no semiárido, somadas ao uso inadequado do solo, impulsionam o processo de desertificação e degradação. Entre as principais causas desse processo, destacam-se a utilização da área para o pastoreio intensivo, a expansão das atividades agrícolas e o desmatamento por queimadas.

Incêndio em vegetação de Caatinga em Madalena (CE), em 2023.

Texto de apoio

Em uma pesquisa [...], na qual buscava observar a perspectiva dos estudantes, jovens e adultos de Itapetim-PE a respeito do semiárido, assim como o contato que apresentaram com relação ao meio, os resultados mostraram que a grande maioria interagia de modo superficial. De acordo com os autores, os estudantes não apresentavam uma relação de pertencimento a aquele meio.

Deste modo, é importante que, no contexto escolar, tanto o educador quanto a escola, particularmente da região semiárida da Caatinga, proporcionem um ensino-aprendizagem que desperte nos alunos a valorização e a importância do seu bioma [...].

TAVARES, Isamara Santos. Bioma Caatinga: percepção de estudantes do 9o ano da zona rural de Arapiraca-AL. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas) — Universidade Federal de Alagoas, Arapiraca, 2024. p. 25.

RUBENSCHAVES/PULSARIMAGENS
ANDREDIB/PULSAR IMAGENS
RICARDOTELES/PULSARIMAGENS

Mata Atlântica

A Mata Atlântica foi o bioma brasileiro mais degradado ao longo do tempo. Por causa do histórico de ocupação do território brasileiro, a vegetação da Mata Atlântica foi bastante desmatada, desde o período colonial até os dias atuais. As principais cidades do Nordeste e grande parte das atividades econômicas desenvolvidas na região estão na área desse bioma.

Atualmente, a expansão das cidades e de atividades como a agropecuária são causadoras da degradação da Mata Atlântica.

Cidade de Maceió (AL), em 2022. Grande quantidade de cidades da região Nordeste foi construída em áreas ocupadas pela vegetação do bioma Mata Atlântica.

Agora, observe o mapa que mostra as áreas com vegetação nativa e as áreas degradadas em cada um dos biomas do Nordeste.

Nordeste: degradação ambiental (2023)

Fonte: MAPBIOMAS. Nordeste, degradação ambiental. c2025. Disponível em: https:// brasil.mapbiomas.org/. Acesso em: 27 jun. 2025.

1 Analisem o mapa Nordeste: degradação ambiental (2023). Depois, respondam no caderno.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) Qual bioma foi mais modificado pela ação humana?

b) Os biomas presentes no estado onde vocês vivem foram degradados?

Levantem hipóteses para explicar por que isso aconteceu.

Sugestão para o professor

30/09/2025 20:45

LIRA, Jéssica Gouveia; RIBEIRO, Elâine Maria dos Santos; LIMA, Regina Lúcia Félix de Aguiar. Jogo Animacards caatingueiros: conhecendo os animais vertebrados da Caatinga e entendendo sua importância. Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA) , v. 15, n. 6, p. 99-118, 2020. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/346733122_Jogo_ Animacards_Caatingueiros_conhecendo_os_animais_vertebrados_da_Caatinga_e_enten dendo_sua_importancia. Acesso em: 10 set. 2025.

Publicado por três pesquisadoras da Universidade de Pernambuco, o artigo apresenta um jogo didático para trabalhar com os estudantes a biodiversidade da Caatinga. As cartas, o tabuleiro e as regras do jogo estão disponíveis para impressão no próprio artigo, servindo de instrumento didático para o trabalho com o tema.

Utilize o mapa Nordeste: degradação ambiental (2023) para realizar uma análise coletiva. Incentive os estudantes a comparar a degradação ambiental do estado onde vivem com o quadro geral da região. Auxilie-os a identificar os problemas decorrentes dos impactos ambientais a cada um dos biomas representados no mapa. Aproveite a discussão para valorizar as fontes locais de produção do conhecimento, como jornais regionais que reportam secas, queimadas ou preservação. Se possível, acesse alguns desses materiais com os estudantes, mostrando como os problemas ambientais são retratados e as soluções que são apresentadas para eles. 1. a) Espera-se que os estudantes percebam que a ação humana modificou bastante a cobertura vegetal nativa do bioma Mata Atlântica. Eles podem ainda apontar que a Amazônia maranhense também foi bastante degradada. b) Os estudantes devem identificar os biomas presentes no estado onde vivem e verificar se eles sofreram muitas alterações decorrentes da ação humana. Depois, eles devem levantar hipóteses sobre as causas dessas degradações, relacionando-as ao crescimento das cidades e ao uso inadequado do solo. Além disso, devem avaliar os impactos ambientais decorrentes da ampliação do agronegócio, que, com a expansão das áreas agrícolas, promove o desmatamento, influenciando a perda da biodiversidade, as mudanças climáticas e a degradação dos solos.

SONIA VAZ

BNCC

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

Organize-se

• Folhas de papel sulfite

• Cartolina ou papel-cartão

• Tesoura com pontas arredondadas

• Cola

ENCAMINHAMENTO

Instrua os estudantes a observar novamente o mapa Nordeste: regiões hidrográficas (página 34) e identificar o traçado do Rio São Francisco. Comente que, ao longo do tempo, diferentes populações fizeram uso das águas do rio para atividades cotidianas, econômicas e de transporte.

Trabalhe em interdisciplinaridade com Arte para analisar a obra Rio São Francisco e o Forte Maurício, de Frans Post. Questione que elementos naturais e humanizados são retratados pelo artista. Verifique se os estudantes percebem que a obra retrata o uso do rio para transporte (com a presença de embarcação) e defesa do território (com a construção de um forte em suas margens). Se quiser exibir a obra de modo ampliado à turma, é possível encontrá-la em: LOUVRE. Rio São Francisco e o Forte Maurício ( Le Rio San Francisco et le fort Maurice, avec un “capivara” (gros rongeur) au premier plan, au Brésil). Paris: Louvre, c2025. Disponível em: https://collections.louvre.fr/ en/ark:/53355/cl010062029. Acesso em: 11 set. 2025.

Rio da integração nacional DIÁLOGOS

O rio São Francisco recebe a denominação “rio da integração nacional” por conectar as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Isso acontece porque sua bacia hidrográfica banha os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e Goiás, além do Distrito Federal.

Historicamente, o rio São Francisco foi um aspecto natural importante para diferentes povos e comunidades que habitavam suas margens. Povos originários já utilizavam suas águas para a navegação e para a pesca.

O rio também foi importante para os colonizadores europeus e utilizado para o transporte de pessoas e mercadorias, para o desenvolvimento de atividades econômicas, como a agropecuária, e para objetivos militares e estratégicos, como assegurar o controle do território da colônia.

Observe a pintura a seguir, feita no período colonial. Ela representa um forte holandês construído na foz do rio São Francisco.

Rio São Francisco e o Forte Maurício, de Frans Post, 1625-1650.

Óleo sobre tela, 60 cm × 95 cm.

Por ser o único rio perene a atravessar o Sertão, o São Franciso se tornou essencial para as atividades agropecuárias. No século 17, ele era conhecido como “rio dos currais”, por conta das fazendas que foram instaladas em suas margens por criadores de gado.

Atualmente, o rio São Francisco ainda apresenta grande importância econômica. Além do potencial para navegação, suas águas abastecem importantes cidades do Nordeste, como Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Suas águas também são utilizadas para a agricultura, com destaque para a produção de frutas, e para a geração de energia hidrelétrica. Ao longo de sua extensão, foram construídas usinas hidrelétricas, como as usinas de Xingó (na divisa entre Alagoas e Sergipe) e Sobradinho (BA).

Sugestão para o professor

SALVE São Francisco. Intérpretes: Geraldo Azevedo et al. Compositores: Geraldo Azevedo et al. Brasil: Biscoito Fino, 2015. 1 CD.

Com 12 faixas dedicadas a homenagear o Rio São Francisco, o CD conta com participações de convidados nascidos em diferentes estados banhados pelo rio. As letras ressaltam a importância de cuidar das águas do Rio São Francisco e de preservar as tradições associadas a ele.

Se possível, selecione algumas faixas que julgue adequadas à faixa etária dos estudantes e reproduza-as em sala de aula. Pergunte o que eles entenderam das letras das canções e como elas se relacionam ao conteúdo que aprenderam sobre o Rio São Francisco.

MUSEU DO LOUVRE. PARIS, FRANÇA

Por sua importância econômica e social, a intensa utilização de suas águas também causou grandes transformações e impactos ambientais ao longo do tempo. Atualmente, o rio também é afetado pela poluição. O lançamento de esgoto não tratado e a contaminação por pesticidas afetam a qualidade da água, a biodiversidade e a segurança hídrica das regiões por onde o rio passa.

Pesticida: produto químico usado para combater insetos, fungos e outras ameaças à plantação.

A importância de conservar o São Francisco é conhecida pelas populações que habitam suas margens. O rio também é chamado carinhosamente de “Velho Chico”, devido à sua importância para essas populações.

A lenda do caboclo-d’Água conta a história do ser mítico que habita a região e é visto como protetor do rio. Leia a seguir um trecho dela.

O caboclo-d’Água é uma criatura que vive no rio São Francisco. Dizem que ele ajuda seus compadres e persegue os barranqueiros e pescadores com os quais antipatiza virando suas canoas, criando ondas enormes, derrubando barreiras e afugentando os peixes.

ALVES, Januária Cristina. Abecedário de personagens do folclore brasileiro e suas histórias maravilhosas Ilustrações: Berje. São Paulo: FTD: Sesc São Paulo, 2017. p. 80.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Explique a importância econômica e social do rio São Francisco para a população do Nordeste.

2 Façam uma pesquisa a respeito da transposição do rio São Francisco. Para isso, sigam as orientações do professor.

• Organizem um cartaz explicativo e façam uma apresentação.

1. Os estudantes devem apontar que o rio é importante em diversas esferas. Suas águas são utilizadas no transporte de pessoas e mercadorias, no abastecimento de cidades, para a pesca, na irrigação de cultivos agrícolas, na pecuária e na geração de energia elétrica.

2. Instrua os estudantes a seguir este roteiro para realizar a pesquisa, em livros ou em fomato digital, com a supervisão de um adulto:

a) Qual é o objetivo desse projeto de transposição? (O projeto consiste em deslocar parte das águas do Rio São Francisco com o objetivo de levar água a áreas do Sertão que não estão próximas do rio e que sofrem pela escassez de chuvas.);

b) Quais obras de infraestrutura estão envolvidas nele? (As obras envolvem a construção de canais, estações de bombeamento, reservatórios e barragens.);

c) Quais seriam os benefícios desse projeto para a população do Nordeste? (A transposição beneficiaria a população das regiões onde o novo curso do rio passaria, com aumento da disponibilidade de água.);

30/09/2025 20:45

Sugestão para o professor UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO. Petrolina: Univasf, c2025. Disponível em: https://www.univasf.edu.br. Acesso em: 11 set. 2025.

A Univasf foi a primeira universidade federal implantada no interior do Nordeste, com o objetivo de levar o ensino público de qualidade ao Semiárido. Sua página reúne pesquisas acadêmicas diversas sobre a bacia do Rio São Francisco.

Na aba “História”, é possível conhecer os eventos que levaram à fundação da universidade e sua importância para a região.

d) Quais seriam os impactos ambientais e sociais desse projeto? (Os impactos são numerosos. Os estudantes podem citar a perda da biodiversidade do rio, o desmatamento, o aumento da erosão, a expulsão de populações que residem em áreas das obras, a perda de terras agricultáveis e a redução de peixes essenciais para a pesca de comunidades locais.)

Auxilie os estudantes a dispor as informações que descobriram em um cartaz. Eles podem ilustrá-lo ou pesquisar fotografias que queiram anexar a ele. Auxilie-os a recortar e a colar as imagens.

Poluição na orla do rio São Francisco em Juazeiro (BA), em 2021. Ao fundo, é possível ver Petrolina (PE).
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Na seção Para rever o que aprendi, os estudantes poderão sistematizar os conhecimentos construídos ao longo dos Capítulos 1 e 2 da Unidade 1. Essa também é uma oportunidade para trabalhar a recomposição das aprendizagens, garantindo o direito à aprendizagem de toda a turma.

Oriente os estudantes para que realizem as atividades no caderno, de maneira individual. Por ter o objetivo de retomada de conteúdos vistos anteriormente, elas podem ser utilizadas como uma das formas de avaliação da turma. É importante ressaltar que as atividades e a autoavaliação não são as únicas propostas de avaliar os estudantes. O desenvolvimento das habilidades e das competências da BNCC, trabalhado de diferentes maneiras ao longo do Livro do estudante, também cumpre esse papel.

4. A exposição O mundo do Sertão permite aprofundar temas desenvolvidos ao longo da unidade, como o uso do couro. Se possível, acesse o site com os estudantes e mostre que a exposição está dividida em espaços distintos. Questione a quais desses espaços (Ocupar, Viver, Trabalhar, Cantar, Criar, Crer e Migrar) eles creem que o couro está relacionado e incentive-os a argumentar por quê. Leve-os a perceber que a fotografia da atividade, por exemplo, está ligada ao espaço Trabalhar, por apresentar objetos de trabalho dos vaqueiros: CAIS DO SERTÃO. O mundo do Sertão. Recife: Empetur, 2025. Disponível em: https://caisdosertao.pe. gov.br/gestao. Acesso em: 24 jul. 2025.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1 Explique os conceitos de lugar de memória e patrimônio.

Lugar de memória tem relação com a história pessoal de cada um. Patrimônio é um conjunto de bens relacionado à memória e à história de uma comunidade.

2 Explique o conceito de região no estudo da Geografia.

3 Quais critérios podem ser utilizados em uma regionalização?

Espera-se que os estudantes respondam que os critérios podem ser naturais, sociais, culturais, econômicos e históricos.

4 Observe a fotografia a seguir.

2. Os estudantes devem apontar que região é uma área delimitada do espaço geográfico a partir de características comuns. Essas características podem ser naturais, como o clima e a vegetação, ou produzidas pela sociedade, como aspectos históricos e culturais.

Objetos de trabalho de vaqueiros sertanejos, nos quais se destaca o uso de couro, na Exposição Mundo do Sertão, no Centro Cultural Cais do Sertão, em Recife (PE), em 2022.

• Qual é a relação entre o uso do couro e a história do Nordeste?

5 Leia o trecho da notícia a seguir.

O uso do couro tem relação com a importância da criação de gado na história do Nordeste, principalmente durante o período colonial. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Chegada da chuva gera mudança radical na paisagem do sertão; vídeo mostra antes e depois

Em três meses, os tons amarelados se transformam no verde exuberante. Especialista explica estratégias das plantas do semiárido para suportar a escassez de água. […]

As plantas do semiárido brasileiro contam com algumas estratégias para sobreviver neste clima. Boa parte das espécies de árvores perde as folhas nos meses sem chuva [...].

“Perder folhas é uma estratégia para evitar a perda de água. Elas perdem as folhas para diminuir a evapotranspiração” […].

BRITO, Thaís. Chegada da chuva gera mudança radical na paisagem do sertão; vídeo mostra antes e depois. G1 Ceará, 16 mar. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2025/03/16/chegada-da-chuva -gera-mudanca-radical-na-paisagem-do-sertao-video-mostra-antes-e-depois.ghtml. Acesso em: 28 jun. 2025.

Texto de apoio

A avaliação diagnóstica consiste em identificar as capacidades e habilidades individuais e coletivas, os conhecimentos prévios dos alunos, de maneira contínua, facilitando o planejamento docente, de modo a contribuir com a aprendizagem. Luckesi (2005, p. 43) ressalta que “a avaliação terá de ser diagnóstica, deverá ser o instrumento dialético do avanço, terá de ser o instrumento do reconhecimento dos caminhos percorridos e da identificação dos caminhos a serem perseguidos”.

[...]

A avaliação formativa vem sendo cada vez mais utilizada nas escolas como uma proposta de alternativa à avaliação tradicional e caracteriza-se pela regulação do ensino e autorregulação das aprendizagens, possibilitando ao docente acompanhar a aprendizagem do aluno, de modo a contribuir no seu desenvolvimento. [...]

[...]

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

a) O texto menciona o clima semiárido. Em que sub-região do Nordeste ele é predominante?

No Sertão.

b) Explique as principais características dessa sub-região, como clima e vegetação.

c) Segundo o texto, qual é o motivo de boa parte das árvores da vegetação da Caatinga perder as folhas durante os períodos de seca?

6 Observe a imagem a seguir.

Os estudantes devem ler o texto e localizar a informação de que a perda das folhas é uma estratégia dessas plantas para evitar a perda de água.

a) O que está retratado na fotografia?

5. b) Espera-se que os estudantes apontem que o Sertão é a maior sub-região do Nordeste. O clima predominante é o semiárido, caracterizado por períodos prolongados sem chuvas e altas temperaturas. O principal tipo de vegetação é a Caatinga, que consiste em árvores de pequeno porte com troncos retorcidos e espinhos.

Plantação e vegetação de Cerrado em Correntina (BA), em 2024.

b) Cite as consequências que essa alteração na paisagem causa.

O desmatamento causa a degradação do solo e a perda de vida animal e vegetal.

Espera-se que os estudantes respondam que a fotografia mostra uma área de vegetação de Cerrado desmatada para abrir espaço para atividades agrícolas.

1. Faça uma avaliação do trabalho que você realizou durante os estudos. Para isso, utilize a escala a seguir.

Aprendi. Aprendi parcialmente. Não aprendi.

• Aprendi sobre o lugar onde vivo?

• Aprendi o que é lugar de memória e patrimônio?

• Aprendi o que é região e o que é regionalização?

• Aprendi por que o Brasil está dividido em regiões?

• Aprendi quais estados fazem parte da região Nordeste?

• Aprendi sobre os aspectos naturais da região Nordeste?

• Aprendi sobre impactos ambientais no Nordeste?

Espera-se que os estudantes possam revisar cada assunto que compõe os capítulos estudados com base em temáticas principais. É fundamental auxiliá-los a cada tópico com a retomada de ideias construídas ao longo das conversas em sala de aula.

É importante que o momento de avaliação proposto na seção seja trabalhado de modo a contemplar toda a turma. Caso haja estudantes com necessidades educativas específicas (NEE), trabalhe em conjunto com os profissionais de atendimento educacional especializado para providenciar as melhores soluções.

Durante as atividades individuais, para evitar fuga de demanda, alerte os estudantes sobre o começo, o meio e o fim das atividades. Em alguns casos, pode ser necessário que alguns estudantes façam pausas durante a realização da proposta, como os estudantes com baixa visão, que podem sentir fadiga durante a leitura e a escrita das respostas. Já os estudantes que não escrevem podem responder oralmente ou ditar sua resposta para um colega escrevê-la.

Durante a autoavaliação, os estudantes devem refletir não apenas sobre os conceitos aprendidos, mas também sobre seu desempenho e engajamento nas atividades. Nesse momento, é importante também pensar em estratégias e recursos para facilitar o processo de autoavaliação de estudantes com deficiência. Estudantes não verbais, por exemplo, podem utilizar ícones para expressar o que aprenderam, o que aprenderam parcialmente e o que não aprenderam.

30/09/2025 20:46

A avaliação somativa é aquela realizada ao final do processo de ensino com a finalidade de identificar o que foi aprendido pelo aluno, visando classificação de acordo com o nível de aprendizagem. [...]

[...]

A avaliação é uma tarefa e responsabilidade do docente, no entanto não deve se limitar a ele. É interessante incentivar os alunos a participarem ativamente do processo avaliativo. Os critérios de avaliação dependem do tipo de avaliação utilizada, das competências a serem desenvolvidas ou aprimoradas, dos objetivos propostos e também das percepções docentes.

MOTA, Cinthya Raquel Pimentel da. Avaliação da aprendizagem e ética da responsabilidade no ensino médio: a perspectiva docente na dinâmica de sentidos da teoria e da prática. 2023. Tese (Doutorado em Educação) — Centro de Educação, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/26867/1/CinthyaRaquelPimentelDaMota_Tese.pdf Acesso em: 11 set. 2025.

As atividades e as autoavaliações de todos os estudantes devem ser igualmente valorizadas, ainda que haja diferenças em relação à média da turma. De maneira lúdica, acolhedora e positiva, mostre que cada um possui as próprias habilidades e dificuldades.

INTRODUÇÃO À

UNIDADE

Nesta unidade, os estudantes são convidados a conhecer e valorizar a diversidade histórica e cultural dos povos que formam a região Nordeste.

No Capítulo 1, serão apresentados alguns dos vestígios mais antigos da presença humana no território, que guarda marcas de povos que viveram ali há milhares de anos. Também se discutem a importância dos povos originários, suas formas de organização, tradições e resistências diante do processo de colonização. Além disso, serão trabalhados a chegada de africanos escravizados, suas contribuições sociais, religiosas e culturais e os processos de resistência que deram origem a quilombos e comunidades remanescentes ainda existentes. O estudo busca desenvolver nos estudantes o reconhecimento do Nordeste como território de diversidade, memória e resistência, fortalecendo o sentimento de pertencimento e valorização de sua história.

No Capítulo 2, serão apresentados temas relativos aos fluxos de pessoas que entraram e saíram do Nordeste e seus legados culturais. Além disso, serão trabalhadas algumas formas de expressão cultural, como a música, por meio do samba de coco, o forró e o maracatu. As lendas, os contos e os mitos serão trabalhados como formas de o povo nordestino transmitir dos saberes e de entender o mundo. Por meio da análise dos vestígios materiais, como os engenhos, fortificações, entre outros, serão discutidos a ocupação do território e os vestígios deixados pelo passado colonial. Para finalizar, tratamos das migrações dos nordestinos para outras regiões do país, suas contribuições e resistência cultural.

UNIDADE

POVOS DO NORDESTE 2

Objetivos da unidade

• Reconhecer a diversidade étnica e cultural da região, valorizando o papel dos povos indígenas, africanos e seus descendentes na formação da sociedade nordestina.

• Compreender a importância da memória, da tradição e da oralidade na preservação das culturas locais e regionais.

• Relacionar práticas culturais, sociais e religiosas dos povos do Nordeste às transformações históricas ocorridas ao longo do tempo.

• Interpretar fontes diversas (vestígios arqueológicos, relatos orais, músicas, artefatos culturais) para construir sentidos sobre a formação do Nordeste.

• Valorizar o patrimônio cultural material e imaterial da região como parte integrante da identidade coletiva.

• Refletir sobre os diversos fluxos de pessoas que constituíram e constituem a história e as identidades do Nordeste.

Atividade complementar

1 Descreva a cena e os objetos representados na ilustração.

BNCC

Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 3, 4, 6, 9 e 10.

2 Você já visitou algum museu ou centro de memória sobre a história da região Nordeste? Se sim, conte como foi. Se não, converse com a turma sobre o que você acha que veria no local.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento. Respostas pessoais.

47

01/10/2025 15:26

Proponha a criação de um minimuseu da turma. Peça aos estudantes que tragam objetos, fotografias ou relatos de familiares que representem memórias em sua comunidade. Caso seja viável, faça uma visita presencial ou virtual a museus da região, como o Museu do Homem Americano (PI) ou o Museu Afro-Brasileiro (BA), para que os estudantes possam explorar esses ambientes e coletar informações e ideias para construir o minimuseu. Sempre que possível, trabalhe a história em espaços não formais de aprendizagem, valorizando a oralidade, a memória coletiva e as práticas socioculturais contemporâneas.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 4, 6 e 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4 e 5.

Habilidades: EF03GE02, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE06, EF04GE10, EF05GE01, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI07.

BNCC da computação: EF04CO02.

TCTs: Multiculturalismo: diversidade cultural e educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras; Meio ambiente: educação ambiental; Cidadania e civismo: educação em direitos humanos.

ENCAMINHAMENTO

1. Peça aos estudantes que descrevam a cena, identificando elementos expostos, como a vestimenta do Toré, os instrumentos musicais e a vestimenta do maracatu, relacionando-os às culturas indígenas e afro-brasileiras. Essa primeira observação ajuda a aproximar os conteúdos da unidade às vivências cotidianas, destacando a importância de espaços de memória e museus na preservação da história.

2. Espera-se que os estudantes expressem percepções sobre a importância desses espaços como guardiões da história e memória coletiva. Caso não tenham visitado nenhum museu, devem ser incentivados a imaginar o que encontrariam em um lugar como esse.

DANIEL BOGNI

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

ENCAMINHAMENTO

Discuta com os estudantes a importância de sítios arqueológicos como o Parque Nacional Serra da Capivara, promovendo discussões sobre memória coletiva e preservação. Amplie a discussão, comentando que os sítios arqueológicos do Nordeste guardam pistas valiosas sobre os primeiros povos que viveram na região. Os achados arqueológicos revelam que o Nordeste foi uma das primeiras regiões do Brasil a serem ocupadas por seres humanos. Expanda os exemplos de sítios arqueológicos na região Nordeste. Em Central (BA), há muitos sítios arqueológicos com pinturas rupestres, como o Toca da Serra do Cipó e o Toca da Janela dos Macacos. Também há sítios arqueológicos em Carolina (MA), no Lajedo de Soledade, em Apodi (RN), no Brejo da Madre de Deus (PE) e em Delmiro Gouveia (AL).

1. Explore a imagem das pinturas rupestres, deixando que os estudantes suponham o que elas podem significar. Essas pinturas provavelmente contam histórias do dia a dia dos nossos antepassados, como a caça de animais, as danças, os rituais e a vida em grupo.

POVOS ORIGINÁRIOS, AFRICANOS E SEUS LEGADOS

Alguns dos vestígios mais antigos da ocupação humana no Nordeste estão no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, que abriga alguns dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo. Esse parque também conta com o Museu da Natureza.

No Parque Nacional Serra da Capivara, existem mais de mil sítios com pinturas rupestres e outros vestígios da ocupação humana, como ferramentas, que podem ter entre 12 mil e 50 mil anos. Esses vestígios foram estudados e protegidos graças ao trabalho da arqueóloga Niède Guidon, que liderou escavações e pesquisas no local.

O Parque foi reconhecido como patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1991.

Pinturas rupestres no sítio arqueológico Toca do Boqueirão da Pedra Furada, no Parque Nacional Serra da Capivara, em Coronel José Dias (PI), em 2024.

Vestígio: marca, sinal, registro. Arqueóloga: cientista que busca e estuda vestígios deixados por povos antigos.

1 O que você consegue identificar na pintura rupestre?

A pintura rupestre representa animais e seres humanos. No centro da imagem, é possível identificar um animal e seu filhote. Acima, encontra-se uma cena que parece ser de caça.

QUEM É?

Niède Guidon (1933-2025) foi uma cientista que ficou muito conhecida por seu trabalho no Parque Nacional Serra da Capivara (PI).

Niède Guidon em São Raimundo Nonato (PI), em 2016.

Existem muitos outros sítios arqueológicos no Nordeste. A Pedra do Ingá, em Ingá (PB), tem inscrições que ainda desafiam os pesquisadores com relação aos seus significados. Sítios arqueológicos em Canhoba (SE) revelam vestígios de sepultamentos e cerâmicas dos povos originários.

Sugestão para o professor

PARQUE Nacional Serra da Capivara. São Raimundo Nonato: Fumdham, c2025. Disponível em: https://fumdham.org.br/. Acesso em: 14 set. 2025. O site da Fundação Museu do Homem Americano disponibiliza conteúdos digitais sobre o Parque Nacional Serra da Capivara, ampliando a possibilidade de trabalho com a arqueologia brasileira.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
TIAGO

O Geopark Araripe, localizado na região do Cariri (CE), é o primeiro geoparque das Américas reconhecido pela Unesco. Abriga uma série de sítios paleontológicos que revelam fósseis de animais e plantas que viveram há milhões de anos.

Sítio paleontológico é um lugar com fósseis com importância científica e cultural.

Museu de Paleontologia

Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (Urca), em Santana do Cariri (CE), em 2023.

Fóssil: vestígio preservado de seres antigos. Podem ser ossos, conchas, pegadas, entre outros.

Além dos sítios, o Geopark Araripe possui museus. Um deles é o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (Urca). O museu apresenta uma coleção de fósseis de plantas e de animais, como troncos de árvores, folhas de samambaia, insetos, peixes, anfíbios e até dinossauros.

2 Qual é a importância dos fósseis? E por que é importante preservar os sítios arqueológicos e paleontológicos?

VOCÊ DETETIVE

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Veja orientações no Encaminhamento.

1. Com ajuda de um adulto, descubra o nome de um sítio arqueológico em seu município ou próximo a ele. Para isso, siga as orientações do professor.

2. Com as informações, monte um guia turístico sobre esse sítio arqueológico reforçando a importância desses vestígios para a história da comunidade.

DESCUBRA MAIS

GEOPARK ARARIPE. Crato: Geopark Araripe, c2025. Disponível em: https://geoparkararipe.urca.br/. Acesso em: 11 ago. 2025. Acesse o site para conhecer um pouco mais sobre o Geopark Araripe.

Texto de apoio

Leia o texto com os estudantes e pergunte se algum deles imagina o que estuda a Paleontologia. Explique que se trata da ciência que estuda os seres vivos que viveram na Terra há milhões de anos, como dinossauros, plantas antigas e animais marinhos que desapareceram antes mesmo de existirem os seres humanos. Os cientistas paleontólogos fazem pesquisas por meio dos fósseis, que são restos ou marcas desses seres preservados em pedras. Esses fósseis ajudam a entender como era a vida no passado, como os ambientes mudaram e como os seres vivos evoluíram com o tempo. Traga a discussão para o âmbito regional e introduza o Nordeste como uma das regiões mais ricas em fósseis, com destaque para o Geopark Araripe, no Ceará, onde foram encontrados fósseis raros.

01/10/2025 14:30

Os museus têm o importante dever de desenvolver o seu papel educativo, de atrair e ampliar o público de sua comunidade, da localidade ou do grupo que eles servem. Interagir com a comunidade e promover o seu patrimônio são partes integrantes do papel educativo dos museus.

GALVÃO, G. K. A. A relação museu‑visitante: o caso do Museu do Homem do Nordeste. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 26., 2011, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: ANPUH, 2011. Disponível em: https://anpuh.org.br/uploads/anais simposios/pdf/2019 01/1548856594_ fcc499362fe21506943cc7531d8851e6.pdf. Acesso em: 11 set. 2025.

2. Os fósseis nos ajudam a entender como era a vida no passado. Os sítios arqueológicos e paleontológicos são importantes pelos vestígios que abrigam, pois são formas de saber mais sobre a vida no passado. No Você detetive, oriente os estudantes para que utilizem um roteiro de pesquisa com as seguintes informações: vestígios encontrados e idade aproximada deles; se existe alguma ação de conservação, museu ou instituição que cuida dos vestígios e do sítio arqueológico e, se sim, qual; se esse sítio arqueológico pode ser visitado.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Leia o texto com os estudantes para introduzir o assunto sobre os povos originários na região Nordeste. Em seguida, promova a leitura do mapa Brasil: povos originários (1500), identificando a localização dos diferentes grupos linguísticos. Aponte e discuta com os estudantes a diversidade linguística e cultural dos povos originários no Nordeste.

2. Instrua os estudantes a se organizarem em grupos e fazerem o que se pede. Depois de selecionarem a lenda, auxilie-os na estruturação da apresentação. É necessário expor o nome da lenda, o povo a que ela pertence e o fenômeno que ela busca explicar.

Povos originários

Antes da chegada dos europeus ao Brasil, o território nordestino era densamente habitado por diversos povos indígenas, também chamados povos originários. Observe no mapa como era a distribuição desses povos pelo território em 1500, de acordo com seus grupos linguísticos

Grupos linguísticos são conjuntos de línguas com uma origem comum.

Cosmologia: conjunto de teorias para explicar a origem do Universo.

Brasil: povos originários (1500)

Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Mauricio de et al Atlas histórico escolar 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 12.

Aruaque

Caraíba

Kariri

Pano

Tucano

Charrua

Outros grupos

Divisa estadual atual

Divisão regional atual

Os povos originários do Nordeste viviam em aldeias, desenvolviam atividades como a agricultura, a pesca, a coleta e a caça. Eles estruturavam suas sociedades com base em laços familiares, alianças políticas e uma relação de respeito com a natureza.

Essas comunidades não eram homogêneas. Elas apresentavam variações nas cosmologias, nas formas de ocupação do território e nas tradições culturais.

1 Analise o mapa Brasil: povos originários (1500) . Qual povo ocupava a maior parte do litoral da região Nordeste? E a maior parte do interior?

Os Tupi-Guarani ocupavam a maior parte do litoral e os Jê ocupavam a maior parte do interior.

2 As lendas indígenas explicam a origem do mundo, os fenômenos da natureza e a relação das pessoas com os espíritos do ponto de vista dos indígenas.

• Pesquisem uma lenda indígena sobre o tempo e os ciclos da natureza e organizem uma apresentação.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

Uma forma de expandir o trabalho com as lendas é por meio de dramatizações, produção de cartazes ou ainda da organização de uma roda de conversa com representantes de comunidades indígenas da região. O trabalho pode ser interdisciplinar com Língua Portuguesa (produção de textos narrativos ou relatos) e Arte (dramatização de lendas).

Trópico
BOLÍVIA PERU
Grupos

Resistência indígena e colonização

Quando os europeus chegaram às terras que atualmente são o Brasil, impuseram um projeto de dominação com base na escravização, na catequese forçada e na exploração das terras e dos recursos naturais.

Os aldeamentos eram um modelo de organização muito utilizado pelos colonizadores durante o período colonial. Os povos indígenas eram levados para esses locais e obrigados a viver sob regras impostas por missionários católicos, principalmente jesuítas. Muitas vezes, eles eram proibidos de praticar seus costumes e de falar suas línguas.

Catequese: ensinamento sobre a fé católica.

Jesuíta: membro da Companhia de Jesus, ordem religiosa católica fundada em 1534 pelo espanhol Ignácio de Loyola.

Casa maior do Colégio Fazenda Tejupeba, local de missão jesuíta no Brasil colonial, em Itaporanga D’Ajuda (SE), em 2024.

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

TCT: Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

Os indígenas resistiram às imposições e aos avanços dos europeus de diversas formas. Entre os mais importantes movimentos de resistência está a chamada Revolta dos Tapuia ou Confederação dos Kariri. Ela foi uma articulação de diversos povos indígenas do Sertão, como os Janduí, os Kariri, os Icós e os Paiacu, entre 1651 e 1720. Os indígenas enfrentaram os colonizadores utilizando seus conhecimentos de guerra e do próprio território, realizando ataques a fazendas e cidades coloniais e fugas para áreas de difícil acesso aos colonizadores. A revolta terminou com muitos indígenas mortos e deslocamentos forçados.

1 No lugar onde vocês vivem existe algum vestígio do período colonial, como construção, atividade econômica ou costume? Se sim, qual?

Respostas de acordo com o lugar de vivência dos estudantes.

2 No caderno, escreva uma carta para os povos indígenas do passado, expressando sua admiração ou apoio, com base no que aprendeu sobre a Confederação dos Kariri.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

30/09/2025 21:25

Como atividade complementar, instrua os estudantes a fazer uma pesquisa sobre episódios de resistência indígena atuais, para mostrar que a resistência ainda é um tema atual. Proponha, então, que busquem em fontes confiáveis quem são os defensores dos povos indígenas nos dias de hoje na região Nordeste.

Como exemplos de lideranças indígenas contemporâneas, os estudantes podem citar figuras como Sonia Guajajara, Cacique Babau Tupinambá ou Cacique José Guilherme. Dialogue com os estudantes sobre a continuidade da luta pelos direitos originários.

1. Previamente, faça uma pesquisa e busque exemplos de vestígios coloniais em sua cidade ou região, como igrejas, missões, antigas fazendas, entre outros. É recomendável usar fontes regionais (atas de câmaras municipais, jornais históricos) como recursos didáticos, fortalecendo a relação entre passado e presente. Essa atividade também pode reforçar o trabalho com memória oral caso proponha entrevistas com moradores mais velhos sobre os vestígios coloniais locais.

2. Durante a escrita da carta de apoio aos povos indígenas históricos, espera-se que os estudantes desenvolvam empatia, senso de pertencimento e compreensão histórica crítica. Essa atividade pode ser trabalhada de forma interdisciplinar com Língua Portuguesa na produção das cartas e exposição de opiniões.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

Povos indígenas do Nordeste contemporâneo

Os povos indígenas do Nordeste resistiram ao longo do tempo, mantendo suas tradições vivas, reinventando formas de existir e lutando pelos seus direitos. Atualmente, eles participam da política, defendem a natureza, fortalecem suas culturas e escrevem sua própria história.

Conheça um pouco mais sobre alguns povos que vivem hoje no Nordeste.

Os Pankararu são um povo indígena que vive na região de Tacaratu, no Sertão de Pernambuco. Muitos vivem em uma aldeia em Brejo dos Padres, criada no ano de 1802 pelo governo e por religiosos que reuniram diversos povos indígenas na localidade.

Os Pankararu mantêm muitas de suas tradições. Eles ensinam os mais jovens a importância do respeito à natureza, à história dos seus antepassados e à força da união entre os povos indígenas. Os encantados, os cantos sagrados e as danças continuam sendo parte importante da vida pankararu.

O Toré, comum a muitos povos indígenas do Nordeste, é uma das tradições presentes atualmente. Leia o trecho de uma canção cantada pelos Pankararu durante o Toré.

Estava nas matas, estava nas matas Tirando mel, tirando mel.

Mas oh, quem chegou? Os Pankararu!

Mas oh, quem chegou? Os Pankararu!

Mas quem tá cantando? Os Pankararu!

Mas quem tá cantando? Os Pankararu!

Mas quem tá pisando? Os Pankararu!

Mas quem tá pisando? Os Pankararu!

Mas quem tá dançando? Os Pankararu! Mas quem tá dançando? Os Pankararu!

[ESTAVA nas matas]. Intérpretes: Indígenas Pakararu. In: CANTANDO as culturas Indígenas. Coletivo Thydewa, c2025. Disponível em: http://thydewa.org/downloads/cantando.pdf Acesso em: 2 ago. 2025.

1 Analise a letra da canção e responda às questões no caderno.

a) Quais versos revelam um pouco do dia a dia dos Pankararu?

b) Quais palavras da canção se relacionam com música e dança?

de um alimento consumido pela comunidade, o mel.

1. a) “Estava nas matas, estava nas matas” e “Tirando mel, tirando mel” revelam a relação dos Pankararu com a natureza e a coleta
NÃO ESCREVA NO LIVRO. 1. b) Cantando, pisando e dançando
ALEX RODRIGUES

Os Kariri viviam principalmente no Sertão, em áreas que hoje fazem parte dos estados do Ceará, do Piauí, da Bahia, de Pernambuco e de Alagoas. Como consequência da presença europeia, esse povo se espalhou por várias regiões e se dividiu em diferentes grupos, como os Kariri de Crateús, no Ceará, os Kariri do Piauí e os Kiriri da Bahia.

Ana Kariri (1972-) é uma artista plástica, poeta e líder indígena do povo kariri-banabuê do Povoado Malacaxeta, na Paraíba. Suas obras tratam a resistência e as culturas dos povos indígenas do Nordeste.

Ana Kariri em São José dos Campos (SP), em 2025.

Os Fulni-ô vivem em Águas Belas, em Pernambuco, e são os únicos da região que ainda falam sua língua tradicional, chamada yathê.

Em 1832, a pedido de pessoas não indígenas, os Fulni-ô cederam parte de suas terras para a construção de uma capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Com o tempo, essa doação acabou dando origem à cidade de Águas Belas. Mais tarde, em 1861, o governo imperial decidiu dividir as terras do antigo aldeamento entre indígenas e não indígenas, o que prejudicou muito os direitos dos Fulni-ô. Hoje em dia, os Fulni-ô seguem tradições da fé católica, celebrando Nossa Senhora da Conceição como padroeira da aldeia, mas sem abandonar suas tradições indígenas.

Padroeira: santa escolhida como protetora de um grupo social ou de um local.

Os conteúdos aqui trabalhados incentivam os estudantes a identificar a presença indígena no Nordeste atual, compreender a diversidade cultural e social desses povos, reconhecer as lutas por território e direitos e valorizar suas manifestações culturais.

Enfatize aos estudantes a importância de entender a origem e a história dos povos indígenas. Para isso, organize os estudantes em uma roda de conversa e faça a intermediação. É importante pontuar que os povos indígenas não querem apenas se lembrar do passado, mas também participar ativamente do presente, ensinando suas histórias para os mais jovens, valorizando a cultura, a educação e a convivência com a natureza.

Explique aos estudantes que, durante o Toré, os participantes realizam uma dança circular, que pode acontecer em fila ou em pares, acompanhada de cantos e sons produzidos por instrumentos como maracás, zabumbas, gaitas e apitos. Cada comunidade tem o próprio estilo de Toré, com variações nas músicas, nos ritmos e nas formas de expressão. Um momento especial do ritual é a invocação dos Encantados, que são entidades espirituais da tradição indígena. A presença dos Encantados é representada pelo Praiá, uma vestimenta tradicional feita de palha.

Sugestão para o professor

01/10/2025 15:27

KARIRI, A. M. S. Ay Tendioké: histórias e memórias de mulheres originárias do Nordeste, quilombolas e outras etnias. Rio de Janeiro: Panóplia, 2024.

O livro da líder indígena Ana Kariri conta a história de mulheres indígenas e quilombolas que lutam para preservar suas culturas mesmo fora de seus territórios.

Crianças indígenas kiriris em Barreiras (BA), em 2022.
LUCASLACAZRUIZ/FOTO

ENCAMINHAMENTO

Apresente os indígenas Tabajara por meio do significado da palavra. Tabajara na língua tupi significa “senhor da aldeia”, o que mostra a importância desse povo desde os tempos antigos. Além da luta política para manter suas tradições vivas, os Tabajara se destacam na organização de festas, encontros culturais e ações para proteger o meio ambiente, especialmente nas áreas de serra e sertão onde vivem. Em muitas comunidades, os mais velhos ensinam aos jovens a história de seus antepassados e os costumes antigos, como o uso de plantas medicinais e o respeito à natureza.

Contextualize os estudantes sobre a história dos Tupinambá, comentando que muitos desses povos foram levados para aldeamentos jesuíticos. Posteriormente, os fazendeiros de cacau também tomaram conta de muitas dessas terras. Os Tupinambá, no entanto, continuaram vivendo nas terras de seus antepassados, e, na década de 1990, começaram um movimento de mobilização para afirmar sua identidade indígena que se destaca até hoje. Atualmente, muitas famílias indígenas no sul da Bahia afirmam sua ancestralidade ao utilizar o sobrenome Tupinambá.

2. A imagem 1 mostra um manto tupinambá com penas vermelhas. A imagem 2 mostra indígenas tupinambás de Olivença (BA) aguardando a chegada do manto tupinambá no Rio de Janeiro (RJ). Essas pessoas estão com vestimentas, acessórios e pinturas corporais relacionadas à sua cultura.

3. A imagem 2 mostra indígenas no presente, valorizando um item dos seus ancestrais, ou seja, valorizando sua história e seu passado, representados na imagem 1

Os Tabajara viveram por muitos séculos na região litorânea e nas serras do Ceará e do Piauí. Atualmente, vivem em diversas regiões dos dois estados. Mesmo enfrentando muitos desafios, eles resistem e lutam para manter vivas suas tradições.

Os Tupinambá são um povo indígena que vive no litoral da Bahia, principalmente na região de Olivença, em Ilhéus. Os Tupinambá fazem parte de um grupo maior de povos que viviam naquela região desde antes da chegada dos europeus, além dos Tupiniquim, dos Tabajara, dos Aimoré, dos Botocudo e dos Kamakã. Eles foram um dos primeiros povos a ter contato com os europeus.

Os Tupinambá usavam mantos com penas coloridas em suas cerimônias religiosas. Durante a colonização, muitos desses mantos foram levados para a Europa e alguns deles ainda se encontram em museus por lá. Em 2024, um dos mantos, que estava em um museu na Dinamarca, foi devolvido ao Brasil e incorporado ao acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Manto tupinambá no Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ), em 2024.

Indígenas tupinambá de Olivença esperando para recepcionar o manto vindo da Dinamarca, no Rio de Janeiro (RJ), em 2024.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

2 Analisem e descrevam as imagens 1 e 2

3 Como as imagens 1 e 2 se relacionam?

Os Tremembé vivem no litoral entre o Ceará e o Maranhão. A partir do século 18, foram levados para as chamadas missões religiosas e passaram muitos anos lutando e resistindo para manterem suas tradições. Atualmente, pedem a demarcação de quatro áreas no litoral do Ceará, onde suas terras são ameaçadas pela construção de hotéis, resorts e indústrias. Em 2003 foi homologada a Terra Indígena Tremembé Córrego do João Pereira, a primeira reconhecida no estado do Ceará, uma vitória para os indígenas.

Expanda a apresentação sobre os Tremembé citando o aldeamento de Almofala, no litoral do Ceará, um dos mais importantes centros da vida tremembé. Mesmo depois de suas terras serem invadidas por grandes fazendeiros (latifundiários) no século XIX, muitos Tremembé permaneceram ali, resistindo e mantendo vivo o ritual do Toré. Em 1898, famílias tremembés se dispersaram da região da igreja de Almofala, que foi coberta pelas areias de uma duna. Por muito tempo, os Tremembé foram chamados de “caboclos” ou “descendentes de índios”, o que escondia sua verdadeira identidade indígena. Mas, nos anos 1980, eles começaram a se organizar e reivindicar o reconhecimento de sua etnia. Desde então, passaram a lutar para que suas terras fossem reconhecidas como Terras Indígenas, com direito à proteção, moradia e preservação cultural.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Os Pataxó vivem no sul da Bahia e se dividem em dois grupos principais: os Pataxó e os Pataxó Hã-Hã-Hãe. Eles são descendentes de vários povos que habitavam a costa do Brasil na região aonde os europeus chegaram em 1500.

No ano de 1861, os Pataxó foram reunidos com outros povos indígenas, como os Tupiniquim, os Menyã e os Botocudo, formando uma aldeia chamada Barra Velha. Durante muito tempo, os Pataxó viveram quase sem contato com não indígenas. No entanto, nos anos 1950, o governo decidiu criar o Parque Nacional do Monte Pascoal, o que causou muitos conflitos. Várias famílias indígenas foram obrigadas a sair da região, mas algumas permaneceram e fundaram novas aldeias. Uma dessas aldeias é a Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Na aldeia, os Pataxó trabalham com artesanato e turismo, divulgando sua história e cultura.

VOCÊ DETETIVE

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

1. Escolham um povo indígena do Nordeste e pesquisem informações sobre ele, como língua, organização social, religião, costumes, rituais e celebrações.

2. Produzam um cartaz com fotografias e ilustrações para expor as informações.

3. No dia combinado com o professor, cada grupo apresentará suas descobertas sobre o povo indígena pesquisado para toda a turma.

Atividade complementar

BNCC

(EF04CO02) Reconhecer objetos do mundo real e/ou digital que podem ser representados através de registros que estabelecem uma organização na qual cada componente é identificado por um nome, fazendo manipulações sobre estas representações.

ENCAMINHAMENTO

No Você detetive, os estudantes terão a oportunidade de sintetizar os estudos sobre os povos indígenas contemporâneos. O objetivo dessa atividade é reconhecer a diversidade indígena da região e compreender que o Nordeste sempre foi um espaço de muitos povos e culturas, antes e depois da colonização. Se possível, proponha que a apresentação dessa pesquisa seja aberta para a comunidade escolar. Assim, o papel da escola como espaço de construção coletiva de memória e pertencimento é reforçado.

A fim de que os estudantes compreendam que existem informações que podem ser organizadas de acordo com categorias, sugira a eles que organizem as informações sobre todos os povos apresentados em registros, como em um quadro ou planilha on-line

30/09/2025 21:25

Como atividade complementar, proponha à turma uma investigação histórico-geográfica sobre os povos indígenas do Nordeste por meio de representação em mapa. Os estudantes devem identificar, localizar e marcar os estados e territórios correspondentes aos seguintes povos indígenas: Potiguara, Tabajara, Tupinambá (litoral do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco); Kariri, Xukuru, Pankararu (interior da Paraíba e de Pernambuco); Tupinambá, Pataxó, Tuxá (sul e Recôncavo da Bahia); Karapotó, Kariri-Xocó (Alagoas e Sergipe); Tremembé, Tabajara (Ceará e Piauí).

Na representação, sugira cores diferentes para facilitar a leitura do mapa. Um exemplo é usar círculos vermelhos para os povos do litoral e quadrados verdes para os povos do interior. Instrua-os a compor também as legendas. Caso algum estudante tenha dificuldade em orientação visuoespacial, busque organizar duplas ou grupos para que eles possam se ajudar.

Estudantes na Escola Indígena Pataxó Coroa Vermelha em Santa Cruz Cabrália (BA), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

TCT: Cidadania e civismo: educação em direitos humanos.

ENCAMINHAMENTO

Na seção Diálogos, é importante conduzir a atividade como um exercício de aproximação crítica entre diferentes contextos, permitindo que os estudantes estabeleçam paralelos e diferenças tanto dentro da própria região Nordeste quanto em relação a outras regiões do Brasil. O objetivo central é promover a percepção de que os fenômenos sociais, culturais, históricos e ambientais se manifestam de forma diversa, ainda que apresentem pontos de convergência.

Após a leitura do texto, proponha a observação do mapa Brasil: Terras Indígenas (2024). Incentive os estudantes a observar onde há maior e menor concentração de TIs, fazendo comparações intra e inter-regionais. Caso haja algum estudante com baixa visão ou dificuldade em orientação visuoespacial, considere projetar o mapa de forma aumentada para melhor leitura.

DIÁLOGOS

Terras Indígenas

As Terras Indígenas (TIs) são uma forma de garantir a sobrevivência dos diferentes povos indígenas e de suas culturas, além de contribuir para a conservação do meio ambiente e dos recursos da região.

O Nordeste tem poucas Terras Indígenas em comparação com outras regiões do Brasil. Esse baixo número de TIs tem relação com a história da ocupação do Nordeste, já que a região foi o ponto de entrada dos colonizadores europeus no século 16. A ocupação e a colonização resultaram no extermínio de diversos povos indígenas e em deslocamentos forçados. Ainda assim, diversos grupos resistiram e resistem até hoje, lutando pelos seus direitos.

A baixa quantidade de TIs no Nordeste, portanto, não significa ausência indígena, mas sim a dificuldade de reconhecimento das terras por parte do Estado brasileiro.

Brasil: Terras Indígenas (2024)

Trópico de Capricórnio

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

Sudeste

Sul

Fonte: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Brasil: Terras Indígenas (2024). c2025. Disponível em: https://acervo. socioambiental.org/ acervo/mapas-e-cartas -topograficas/brasil/ terras-indigenas-no -brasil-novembro-2024. Acesso em: 14 abr. 2025.

1 De acordo com o mapa, qual região do Brasil apresenta mais Terras Indígenas?

A região Norte é a que tem a maior quantidade de Terras Indígenas atualmente.

2 Existem mais Terras Indígenas no interior do território brasileiro ou no litoral?

Por que será que isso aconteceu?

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

No campo inter-regional, pode-se contrastar a realidade do Nordeste, onde as TIs são escassas, com a região Norte (especialmente na Amazônia Legal), que apresenta grande quantidade de áreas demarcadas, explorando com os estudantes as razões históricas, geográficas e políticas dessa diferença, como o processo de colonização, a expulsão de povos originários e os movimentos de resistência.

Explique aos estudantes que a ameaça às TIs impõe desafios urgentes, como ampliar os processos de demarcação, garantir os direitos territoriais previstos na Constituição de 1988 e combater a discriminação que historicamente invisibilizou os povos indígenas na região. A luta pela terra é, antes de tudo, uma luta por dignidade, autonomia e preservação da diversidade cultural do país. Promova uma discussão com a turma sobre a importância de reconhecer as TIs. Incentive o uso de ideias como justiça e cidadania em busca dos direitos indígenas.

2. Espera-se que os estudantes respondam que há mais TIs no interior do território brasileiro. Essa situação pode ser explicada pelo fato de a colonização ter sido iniciada pelo litoral.

Africanos escravizados

Entre os séculos 16 e 19, cerca de 5 milhões de africanos foram trazidos à força para serem escravizados no Brasil. Essas pessoas vieram de diferentes regiões da África e tinham culturas e modos de vida diversos. No Brasil, foram forçados a trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar, na criação de animais e em atividades diversas nas cidades e vilas.

Os africanos escravizados trouxeram consigo os saberes de seus povos, como técnicas de agricultura e pecuária, conhecimentos de engenharia e culinária. Mesmo escravizados, criaram formas de resistência, como a preservação de suas tradições (crenças religiosas, línguas e costumes) e a formação de quilombos. Observe o mapa.

Engenharia: campo que aplica conhecimentos, por exemplo, na construção de casas, prédios, pontes, entre outras edificações.

Rota dos africanos escravizados para o Brasil (séculos 16 e 19)

Cabo Verde OCEANO ATLÂNTICO

Bissau Ajudá Lagos São Jorge da Mina São Tomé

Belém São Luís

AMÉRICA DO SUL

OCEANO PACÍFICO

Cabinda

Luanda Benguela Cassanje Moçambique

OCEANO ÍNDICO Recife Salvador Rio de Janeiro

Fonte: SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006. p. 82.

A maior parte dos africanos escravizados foi trazida para o Nordeste brasileiro, principalmente para o território do atual estado da Bahia. Entre os principais povos estão os bantos (ou bantus), os sudaneses e os guineanos-sudaneses muçulmanos

1 De acordo com o mapa, quais cidades da atual região Nordeste recebiam os escravizados? São Luís, Recife e Salvador.

ENCAMINHAMENTO

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural; educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

21:25

Inicie o estudo sobre os africanos escravizados com um levantamento de conhecimentos prévios dos estudantes sobre a escravidão no Brasil. Contextualize a região Nordeste como ponto de instalação dos engenhos de açúcar e polo de desembarque dos escravizados trazidos da África. Pergunte aos estudantes o que eles sabem sobre as formas de resistência e os saberes e costumes trazidos, adaptados e mantidos pelos escravizados. É possível citar a culinária, tendo como exemplos o acarajé e a feijoada, a religiosidade, como o candomblé, as danças, como a capoeira, e as línguas. Nesse ponto, reforce o lugar dos escravizados não apenas como vítimas, mas como sujeitos de resistência. Aproveite o momento para dialogar com os estudantes sobre as diversas formas de resistência mesmo na condição de escravizados.

Equador Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explore a imagem da página, explicando que a baiana de acarajé não é apenas uma vendedora ambulante, mas também guardiã de uma memória coletiva, símbolo de resistência cultural e de afirmação da identidade. Seu ofício está intimamente ligado ao culto aos orixás do candomblé. Do ponto de vista alimentar, o acarajé é mais do que um alimento: é um elo entre passado e presente. Ele carrega os saberes da culinária africana e a adaptação desses conhecimentos ao território brasileiro. A venda do acarajé nas ruas, muitas vezes em tabuleiros típicos, é uma forma de sustento econômico e de empoderamento feminino.

Os bantos vieram principalmente de Angola, Congo e Moçambique. Entre os anos de 1580 e 1850, boa parte dos africanos trazidos ao Brasil como escravizados eram bantos. Muitos foram levados para estados como Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo, e para a região Centro-Oeste.

Os sudaneses eram povos como os iorubás, jejes, fantis e ashantis. Vinham do antigo Reino de Benin (atual Nigéria), do antigo Reino do Daomé (atual Benin) e da Costa do Ouro (atual Gana). O principal destino deles foi a Bahia.

Os iorubás trazidos da atual Nigéria, chamados de nagôs, estabeleceram-se principalmente no Recôncavo baiano. Esses grupos trouxeram consigo uma religiosidade centrada nos cultos aos orixás.

O ofício das baianas de acarajé reúne práticas ancestrais, saberes tradicionais, religiosidade, vestimentas simbólicas e uma rica cultura alimentar, profundamente enraizados nas heranças africanas trazidas para o Brasil, especialmente pelas mulheres de matriz iorubá. Foi reconhecido oficialmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2005.

Os guineanos-sudaneses muçulmanos incluíam povos como os fulas (ou fulanis), mandingas, haussás e tapas, e eram chamados de malês. Na cidade de Salvador, na Bahia, desenvolveram redes de apoio e de instrução em escrita árabe, além de manterem vestimentas e práticas religiosas do islamismo. Em 1835, lideraram a Revolta dos Malês, um dos mais expressivos levantes urbanos contra a escravização no Brasil.

Recôncavo baiano: região em torno da Baía de Todos-os-Santos.

Matriz: origem ou fonte.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

2 Com o auxílio do professor, pesquise o que foi a Revolta dos Malês e anote no caderno suas descobertas.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

VOCÊ DETETIVE

1. Pesquise espaços de memória, museus ou monumentos dedicados à memória de pessoas negras e descendentes de escravizados no estado onde você vive.

2. Escolha um deles e busque as seguintes informações:

a) Como se chama, onde se encontra e quando foi inaugurado.

b) Se é uma homenagem a uma pessoa ou a um episódio histórico específico.

c) Características do espaço ou do monumento.

Veja orientações no Encaminhamento. Caso os estudantes não encontrem nenhum espaço ou monumento, incentive-os a imaginar como esse espaço ou monumento deveria ser.

2. A Revolta dos Malês foi uma das maiores e mais importantes rebeliões de pessoas negras escravizadas no Brasil. Ela aconteceu na cidade de Salvador, capital da Bahia, no ano de 1835. Os malês eram bastante organizados e planejavam conquistar a liberdade religiosa e acabar com a escravidão. Como forma de resistência, os malês usavam a escrita em árabe (para organizar a revolta em segredo), as vestimentas típicas muçulmanas e os ensinamentos religiosos islâmicos. Conduza uma discussão com os estudantes sobre a revolta. É importante que eles entendam que houve resistência à escravidão e reconheçam a cultura, a religião e a identidade africana como forma de resistência e preservação da memória de quem lutou por justiça. Atente ao trabalho de combate aos diferentes tipos de preconceito, caso necessário. Em Você detetive, auxilie os estudantes a pesquisar a existência de espaços de memória, museus ou monumentos em jornais, revistas, livros e em sites confiáveis na internet. Oriente-os a escolher um deles, aprofundando a pesquisa para encontrar as informações solicitadas. Caso exista um espaço ou monumento próximo à escola, você pode orientá-los a realizar a pesquisa sobre ele, valorizando a reflexão sobre os marcos de memória na comunidade.

Baiana com acarajés em Salvador (BA), em 2025.

Quilombos: resistência e memória

Uma das formas de resistência dos escravizados foi a organização de quilombos, onde pessoas fugidas da escravização se reuniam para viver de maneira livre, buscando segurança para praticar suas culturas. Um deles foi o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, a maior e mais duradoura comunidade de escravizados fugidos do país, que chegou a ter 20 mil habitantes.

Atualmente, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas, é um espaço simbólico e histórico fundamental para a valorização da memória do povo negro no Brasil. Esse parque foi construído no local onde o Quilombo dos Palmares existia.

Além de sua importância histórica e cultural, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares tem grande potencial turístico. É um dos principais destinos do turismo afro-étnico no Brasil e recebe anualmente visitantes de todo o país e do exterior, sobretudo no mês de novembro, quando é celebrado o Dia da Consciência Negra. Nessa ocasião, há cerimônias, apresentações artísticas, rodas de capoeira, debates e homenagens a Zumbi e Dandara, dois líderes do Quilombo dos Palmares, fortalecendo a identidade afro-brasileira.

1 Em sua opinião, qual é a importância de existir um lugar como o Parque Memorial Quilombo dos Palmares?

Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes indiquem a importância de lugares como o Parque Memorial para a valorização da história dos escravizados e seus descendentes.

BNCC

ENCAMINHAMENTO

Pergunte aos estudantes o que eles sabem sobre os quilombos ou se conhecem alguma liderança quilombola, como Zumbi e Dandara. Promova a leitura do texto sobre o Quilombo dos Palmares, apresentando a formação dos quilombos como espaços de resistência e liberdade.

O Quilombo dos Palmares não era apenas um refúgio de pessoas fugidas do cativeiro, mas também símbolo de resistência afro-brasileira. Era uma organização social complexa, formada por dezenas de mocambos, que abrigava milhares de homens, mulheres e crianças que construíram ali uma sociedade baseada em valores coletivos, no cultivo da terra e na defesa de sua liberdade.

de Parque Memorial Quilombo

30/09/2025 21:25

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

Comente com os estudantes que a existência das comunidades remanescentes de quilombos contemporâneas como lugares de memória e identidade é uma forma de valorizar essas identidades afrodescendentes, fortalecendo os vínculos entre passado, presente e futuro.

Conduza a conversa sobre valorização da memória ao destacar o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. O Parque foi idealizado para celebrar a herança cultural e política dos povos afrodescendentes. Esse espaço é usado atualmente para atividades educativas, celebrações culturais e eventos que reconstroem e atualizam a história da resistência negra no Brasil.

Para as pessoas negras do Brasil contemporâneo, o parque é um espaço de orgulho, pertencimento e resistência. Ele permite o reencontro com as raízes africanas, promove a valorização da história, que por muito tempo foi apagada, e oferece uma possibilidade concreta de construir uma narrativa de protagonismo.

Vista
dos Palmares na Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

ENCAMINHAMENTO

Organize uma roda de conversa com os estudantes a fim de eles refletirem sobre a importância da demarcação e titulação dessas terras para preservar os modos de vida tradicionais, como agricultura, pesca artesanal, religiosidade e transmissão oral de saberes.

Observe o mapa Nordeste: comunidades remanescentes de quilombos (2020) com os estudantes. Chame a atenção deles para os estados com maior concentração de comunidades remanescentes de quilombos. O mapa convida os estudantes a compreender a territorialidade das comunidades remanescentes de quilombos como parte fundamental da luta por igualdade, justiça social e direitos humanos.

O mapa permite compreender o território como construção histórica e social.

Comunidades remanescentes de quilombos

Atualmente, a memória da resistência à escravidão e das tradições culturais dos quilombolas africanos e indígenas é mantida pelos seus descendentes nas comunidades remanescentes de quilombos (CRQs).

As comunidades remanescentes de quilombos estão em todos os estados nordestinos, com destaque para Maranhão, Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí. Essas comunidades estão distribuídas em áreas urbanas e rurais e preservam práticas tradicionais de agricultura, culinária, religiosidade e saberes transmitidos oralmente. Observe o mapa.

Nordeste: comunidades remanescentes de quilombos (2020)

Fase do processo administrativo

PACÍFICO Não disponível

Relatório técnico

Titulado

Divisa estadual

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 113.

1 De acordo com o mapa, quais estados da região apresentam o maior número de terras quilombolas?

Comunidades remanescentes de quilombos são territórios demarcados ou reconhecidos pelo governo brasileiro em um processo chamado titulação. Bahia e Maranhão.

2 Como a demarcação de terras indígenas e quilombolas ajuda na preservação dos modos de vida desses povos? Anotem a conclusão no caderno.

Espera-se que os estudantes reconheçam que o direito à terra garante que essas comunidades possam manter suas culturas e seus modos de vida. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Sugestão para os estudantes

PODCAST Brinquedos Populares. Episódio 02: coco de roda. Publicado por: Podcast Brinquedos Populares. 2022. 1 vídeo (ca. 16 min). Podcast . Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=gDi1OtcA3a0. Acesso em: 11 set. 2025.

O podcast apresenta o coco de roda, dança nordestina herdada e presente na cultura do povo negro das comunidades remanescentes de quilombos.

SONIA

Comunidade Remanescente de Quilombo Rio dos Macacos

A Comunidade Remanescente de Quilombo Rio dos Macacos se localiza em Simões Filho, na Bahia. É uma comunidade que se baseia na atividade da pesca artesanal e, por isso, também é considerada uma comunidade pesqueira.

O mapa a seguir, feito pelos quilombolas e pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresenta o território da comunidade.

Fonte: CORDEIRO, Paula Regina; OLIVEIRA, Luana (coord.). Nova cartografia social do Nordeste: Quilombo do Rio dos Macacos, Cruz das Almas: EdUFRB, n. 2, jul. 2021. p. 14-15.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Analisem o mapa da Comunidade Quilombola e Pesqueira Rio dos Macacos. Anotem no caderno elementos que se relacionam com o dia a dia e com a religiosidade da comunidade e um problema ambiental que enfrentam.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

VOCÊ DETETIVE

Veja orientações no Encaminhamento.

Os povos africanos trazidos para o Brasil tinham culturas, religiões e modos de vida diversos.

1 Façam uma pesquisa sobre as contribuições culturais desses povos para o Brasil.

BNCC

Observe o mapa de cartografia social da página com os estudantes e pergunte a eles o que está sendo representado nele e qual é a diferença entre esse mapa e os vistos até o momento. É esperado que eles notem elementos culturais e históricos sendo representados.

1. Sugestões de resposta:

• Para o dia a dia da comunidade: pesca artesanal, extrativismo, roça, sede da Associação, poço, campo de futebol, trilha da horta e pomar.

• Para religiosidade: gameleiras, encantados, Terreiro Uzó Maiambaia de Izambe.

• Para problema ambiental que enfrentam: poluição. No Você detetive, instrua os estudantes a reler o trecho do Livro do estudante que trata dos bantos, sudaneses e guineanos-sudaneses muçulmanos (páginas 57 e 58) e a extrair informações sobre contribuições culturais.

Organize os estudantes em grupos, estimulando o debate. Auxilie-os na pesquisa, caso necessário. Alguns exemplos de contribuições desses povos são:

• Bantos: línguas africanas, culinária (feijoada, angu), ritmos (capoeira, samba de roda) e saberes agrícolas.

02/10/2025 10:35

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

• Sudaneses (nagôs): religiões afro-brasileiras (candomblé Ketu), culto aos orixás, formação de terreiros, vestimentas litúrgicas.

• Guineanos-sudaneses muçulmanos (malês): conhecimento da língua árabe, ensino religioso islâmico, vestimentas, redes de apoio e resistência cultural.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que a música, as festas populares e os registros de memória, como nomes de ruas, monumentos e tradições, ajudam a pensar a contribuição dos povos indígenas, africanos, europeus e migrantes na construção cultural da região Nordeste. Inicie a discussão tocando trechos curtos de cada gênero citado. Promova uma

NORDESTE: MIGRAÇÕES E CULTURAS DE UM POVO 2

Ao longo do tempo, diferentes povos circularam pela região Nordeste: alguns passaram a viver na região, outros saíram dela para viver em outros locais. Há, ainda, os que se deslocaram pelo território da região entre cidades e estados.

Nomes de ruas e avenidas, monumentos, festas populares, comidas, músicas, contos, entre outras tradições, são registros da história e da memória dos nordestinos que vivem no Nordeste e nas demais regiões do Brasil.

O Nordeste é uma região formada por distintas culturas, incluindo as dos povos indígenas, dos africanos, dos europeus e seus descendentes. Cada pessoa, grupo ou comunidade tem seu jeito de viver, de falar, de se vestir e de festejar, e tudo isso faz parte da nossa riqueza cultural. As culturas se transformam ao longo do tempo, se misturam com outras e se reinventam.

A música é uma das formas de expressão das culturas de um povo. Por meio dela, podemos conhecer a história, os costumes, os conflitos e até os sentimentos de uma sociedade. Na região Nordeste, por exemplo, o forró, o xote, o baião, o maracatu e o samba de coco manifestam não apenas tradições musicais, mas também modos de vida ligados ao campo, à fé, às festas populares e à luta social. Tanto que o Iphan declarou as matrizes tradicionais do forró como patrimônio cultural em 2021.

Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.

1 Você conhece todos os estilos musicais citado no texto? Tem algum preferido?

2 Qual é o estilo musical mais popular no lugar onde você vive?

Mulheres dançam samba de coco na comunidade remanescente de quilombo Mundo Novo em Buíque (PE), em 2023.

roda de conversa sobre quais sons são mais familiares aos estudantes e em quais contextos sociais ou festivos eles aparecem. Essa prática fortalece a oralidade, a escuta e o diálogo cultural. Estimule a valorização da cultura musical nordestina como parte da memória e identidade da região.

Acolha as respostas pessoais dos estudantes, valorizando a diversidade de vivências culturais e incentivando-os a verbalizar, escrever e socializar seus raciocínios.

1. Espera-se que os estudantes reconheçam alguns estilos (forró, xote, baião, maracatu, samba de coco) e indiquem preferências pessoais.

2. O objetivo é que os estudantes identifiquem qual manifestação musical é mais presente em seu lugar de vivência, a depender da realidade cultural.

Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), de Exu, Pernambuco; Marinês ou Inês Caetano de Oliveira (1935-2007), de São Vicente Férrer, Pernambuco; Dominguinhos ou José Domingos de Morais (1941-2013), de Garanhuns, Pernambuco; e Jackson do Pandeiro ou José Gomes Filho (1919-1982), de Alagoa Grande, Paraíba, são alguns artistas do forró. Suas músicas falam da vida no Sertão e das culturas do Nordeste. O maracatu nação, ou maracatu de baque virado, é uma manifestação cultural afro-brasileira com origem em Pernambuco. Ele celebra a identidade e a tradição dos povos africanos e seus descendentes no Brasil. Leia, a seguir, um trecho de uma toada tradicional de maracatu.

A bandeira é brasileira Nosso rei vem de Luanda Salve Dona Emília Princesa pernambucana.

A BANDEIRA é brasileira. Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/ uploads/ckfinder/arquivos/DOSSIE_MARACATU_ NA%C3%87%C3%83O.pdf. Acesso em: 15 ago. 2025.

Toada: canto que se alterna entre um solista e o coro.

3 Analise a letra da toada tradicional de maracatu e indique, no caderno, quais trechos fazem referência:

a) à ancestralidade africana; b) ao legado como parte da cultura brasileira.

“Nosso rei vem de Luanda”.

“A bandeira é brasileira”, “Princesa pernambucana”.

4 Vocês percebem a influência afro-brasileira em festas, músicas e outras manifestações culturais na cidade onde vivem? Conversem a respeito.

Resposta pessoal.

QUEM É?

Marinês (1935-2007) foi a primeira mulher a liderar um grupo de forró e ficou conhecida como Rainha do Xaxado.

Atividade complementar

30/09/2025 21:32

Proponha a construção de um “mapa sonoro” com a turma. Separe os estudantes em grupos com quatro ou cinco integrantes. Peça a eles que conversem sobre músicas presentes em seus grupos sociais e espaços de convivência. Oriente os estudantes a realizar registros dessas músicas. Sugira que gravem áudios ou registrem trechos das letras, indicando onde essas músicas estão presentes. O registro também pode ser feito com os estudantes cantando ou tocando um trecho da música.

Em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa, oriente a produção de textos descritivos sobre a música. Em um trabalho com Artes, sugira a dramatização de danças.

Para estudantes com diferentes necessidades de aprendizagem, pode-se usar recursos como vídeos curtos, ilustrações dos instrumentos musicais ou dramatizações coletivas.

Reforce a importância de Jackson do Pandeiro aos estudantes explicando que ele era cantor, compositor e multi-instrumentista. Jackson do Pandeiro levou para todo o Brasil os sons do coco, do baião e do forró, mostrando o valor das culturas nordestinas.

Explique aos estudantes que existe o maracatu nação, ou maracatu de baque virado, e o maracatu rural. O maracatu rural surgiu em áreas da zona da mata pernambucana, associando-se às tradições do carnaval e incorporando elementos do trabalho no campo, como o uso de roupas coloridas e de instrumentos típicos, como o gonguê e o ganzá. Explicar essa diferenciação amplia as possibilidades de diálogo sobre a diversidade cultural do Nordeste.

Sugestão para o professor

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INRC do Maracatu Nação: inventário nacional de referências culturais. Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: http:// portal.iphan.gov.br/uploads/ ckfinder/arquivos/DOSSIE _MARACATU_NAÇÃO.pdf. Acesso em: 15 set. 2025. O dossiê de registro do maracatu nação apresenta imagens e trechos de letras, além de explorar a história e as referências dessa manifestação cultural.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Marinês, em 1961.
FERNANDA MONTEIRO
REPRODÇÃO/ACERVOARQU

BNCC

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

ENCAMINHAMENTO

Peça antecipadamente aos estudantes que conversem com moradores mais velhos do lugar de vivência sobre cantigas, contos e lendas locais. Peça a eles que registrem as conversas por escrito em um pequeno texto, em desenhos ou com áudios e vídeos. No caso de estudantes com restrições de movimento nos membros superiores, solicite aos responsáveis que realizem e enviem esses registros escritos. Convide os estudantes a apresentar seus registros para toda a turma.

Histórias contadas por povos do Nordeste

Por meio de contos, lendas e canções, os povos do Nordeste transmitem a outras gerações seus saberes, modos de vida e as formas como entendem o mundo.

As lendas indígenas nordestinas falam da natureza como um ser que ensina e protege. No Sertão, os povos pankararu e truká, por exemplo, contam sobre a Cobra Grande que vive no fundo do rio São Francisco, guardando suas águas. Há também lendas que explicam a origem do fogo, dos trovões e do milho.

Os contos e as cantigas afro-brasileiras vieram com os africanos escravizados. Na Bahia, por exemplo, as lendas contam que as lágrimas de Oxum se confundem com as águas doces dos rios, enquanto Xangô faz a justiça com seus trovões.

Os povos ribeirinhos que vivem às margens do rio São Francisco contam diversas lendas sobre seres que vivem em suas águas e as protegem, como a mãe-d'Água e o caboclo-d'Água. Para se protegerem desses seres, os povos passaram a utilizar as carrancas nas proas de seus barcos. As carrancas são uma manifestação artística, mas atualmente também representam uma fonte de renda para esses povos.

1 Existe algum conto, lenda ou cantiga popular no município onde você vive?

Resposta pessoal.

DESCUBRA MAIS

MUSEU NACIONAL DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA . c2021. Disponível em: https://museuafrobrasileiro.com.br/. Acesso em: 15 ago. 2025.

No site do museu é possível aprender um pouco mais sobre a história, os costumes, a religiosidade e as tradições dos povos africanos que ajudaram a construir as culturas do Brasil.

Para estudantes com necessidades específicas, utilize recursos visuais (cartazes, ilustrações, vídeos), músicas e dramatizações, que ampliam as formas de expressão e compreensão.

1. Conduza a pergunta de maneira inclusiva, reconhecendo as diferentes experiências culturais dos estudantes e abrindo espaço para relatos familiares e comunitários.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Carrancas utilizadas em proas de navios que navegavam pelo rio São Francisco, em Petrolina (PE), em 2023.

Leia a seguir um trecho da lenda indígena de como surgiu a macaxeira (ou mandioca), alimento muito consumido na região Nordeste.

Nasceu uma indígena linda e a mãe e o pai tupis espantaram-se:

— Como é branquinha esta criança!

[...] Mani parecia esconder um mistério. Uma bela manhã, não se levantou da rede.

[...]

E sorrindo, Mani morreu. Os pais a enterraram dentro da própria oca . [...] Um dia perceberam que do túmulo de Mani rompia uma plantinha verde e viçosa

[...] Cavaram pouco e, à flor da terra, viram umas raízes grossas e morenas, quase da cor dos curumins, nome que dão aos meninos indígenas. Mas, sob a casquinha marrom, lá estava a polpa branquinha [...].

— Vamos chamá-la Mani-oca, resolveram os indígenas.

A LENDA da Mandioca (lenda dos indígenas tupi). Adaptação: Maria Thereza Cunha de Giacomo. Ilustrações: Heinz Budweg. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1977. (Coleção lendas brasileiras, n. 7). Disponível em: http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/ projetos/jogo/lenda.asp. Acesso em: 18 jul. 2025.

Oca: tipo de moradia indígena. Viçosa: que tem vigor.

2 Quem é a personagem principal da lenda e o que aconteceu com ela?

3 Que relação essa lenda tem com a macaxeira?

4 Vocês gostam de macaxeira? Como esse alimento costuma ser consumido no estado onde vocês vivem?

Sugestão para o professor

Leia com os estudantes a lenda da mandioca. Permita que eles façam comentários ou tirem dúvidas sobre a lenda. Explique aos estudantes que para os povos indígenas a natureza é fonte de vida, proteção e sabedoria, e as lendas ensinam a respeitá-la. A história da mandioca mostra a origem de um alimento essencial para muitos povos indígenas e para muitos não indígenas no Nordeste atualmente.

2. A personagem principal é Mani, uma menina indígena que nasceu branca. Mani morreu, mas pouco tempo depois se transformou em um pé de macaxeira (ou mandioca).

3. Essa lenda conta como surgiu a macaxeira (ou mandioca) de acordo com os povos indígenas.

4. Permita que os estudantes compartilhem seus conhecimentos. Estimule-os a reconhecer formas de consumo da macaxeira pela sua família e pela comunidade.

Atividade complementar Em grupos, oriente os estudantes a pesquisar lendas e contos que tratam da relação entre os povos indígenas e a natureza. Incentive-os a pesquisar em bibliotecas locais, museus ou realizar entrevistas com pessoas da comunidade que conheçam histórias transmitidas oralmente.

30/09/2025 21:32

FÉLIX, Cícero. Carrancas na vanguarda. Francisco: Revista Digital e Colaborativa da Ufob, n. 1, mar. 2022. Disponível em: www.revistafranciscoufob.net/carrancas. Acesso em: 15 set. 2025. O artigo apresenta um panorama histórico das figuras de proa, contextualizando o surgimento da carranca. Apresenta, ainda, a carranca por meio das narrativas de figuras lendárias nos rios e da arte popular.

Proponha aos grupos que façam uma representação artística (um desenho, um cordel ilustrado, uma dramatização ou um cartaz) que mostre como os povos originários compreendem e ensinam o cuidado com a natureza, de acordo com o que pesquisaram. Peça aos estudantes que apresentem a representação criada para toda a turma.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

ENCAMINHAMENTO

Faça a leitura da página desenvolvendo a educação patrimonial ao valorizar engenhos, construções coloniais e tradições culturais como vestígios da história; e a educação para a diversidade cultural, que reconhece a contribuição de indígenas, africanos e europeus na formação social do Nordeste. Questione os estudantes se imaginam quais seriam os possíveis impactos da exploração do pau-brasil e da monocultura da cana-de-açúcar sobre o meio ambiente e os modos de vida indígenas.

Aproxime o conteúdo dos estudantes utilizando registros e fontes de memória da ocupação do estado onde os estudantes vivem no período

Formação histórica do Nordeste

Os portugueses chegaram ao território brasileiro pela atual região Nordeste, no sul da Bahia. O pau-brasil começou a ser enviado para a Europa por volta de 1510. Essa foi uma das primeiras atividades econômicas do Brasil colonial, na qual os portugueses ofereciam objetos comuns na Europa aos indígenas e estes, em troca, extraíam o pau-brasil. Com o passar do tempo, essa relação se tornou mais injusta e violenta: muitos indígenas foram escravizados, expulsos de seus territórios e até mortos.

A partir de 1530, os colonizadores passaram a efetivamente ocupar terras e fundaram vilas e cidades, como São Salvador da Bahia de Todos-os-Santos (atual Salvador, na Bahia) em 1549, Olinda (Pernambuco) em 1537 e Nossa Senhora das Neves (atual João Pessoa, na Paraíba) em 1585.

Ainda no século 16, os portugueses começaram o cultivo da cana-de-açúcar, especialmente na capitania hereditária de Pernambuco. Essa atividade se espalhou para outras capitanias, como a da Bahia. No atual estado de Alagoas, que pertenceu à capitania de Pernambuco até o século 19, o cultivo de cana-de-açúcar representa uma importante atividade econômica até hoje.

Capitanias hereditárias eram divisões do território em porções que tinham como responsável um donatário.

O cultivo da cana-de-açúcar deixou diversos vestígios materiais e culturais no Nordeste, como os antigos engenhos e o costume de produzir e consumir rapadura.

Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, instalado em um engenho do século 16 e tombado pelo Iphan em 1944. Candeias (BA), em 2022.

colonial. Caso seja possível, organize visitas a engenhos tombados, museus que tratam da temática do período colonial, centros culturais e patrimônios históricos locais. Apresente fotografias de marcos históricos locais, como igrejas antigas, monumentos, ruas com nomes de figuras coloniais, incentivando os estudantes a perceber a permanência de referências coloniais no cotidiano.

Sugestão para os estudantes

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Fototeca região Nordeste. Brasília, DF: Iphan , c2025. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/fototeca/detalhes/22/fototeca -regiao-nordeste. Acesso em: 15 set. 2025.

A página apresenta imagens de conjuntos urbanos, relacionados à exploração do açúcar, criação do gado e garimpo, que são tombados como patrimônios no Nordeste.

Um olhar pelas influências europeias

Em muitas cidades do Nordeste, construções antigas como fortificações, igrejas, pontes, casarões e praças contam histórias do tempo em que portugueses, holandeses e franceses ocuparam essa região. Essas construções foram feitas com técnicas e estilos trazidos da Europa utilizando o trabalho de indígenas e africanos escravizados. Ao observar esses locais, podemos nos perguntar: o que eles nos contam sobre o tempo da colonização? Que marcas desse passado ainda podemos ver no presente?

Observe, a seguir, imagens da Ponte Maurício de Nassau, em Recife, em diferentes períodos.

da

Luis

do

e Franz

1863. Litografia

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Descreva a paisagem nas duas imagens.

2 Observe as imagens e cite mudanças e permanências na paisagem.

3 Existe alguma construção antiga no município onde você vive? Se sim, compartilhe com o professor e os colegas o que você sabe sobre ela.

BNCC

ENCAMINHAMENTO

Evidencie aos estudantes o contraste entre as duas imagens, que mostram não apenas a passagem do tempo, mas também a permanência de certos marcos históricos e culturais na paisagem urbana. Explique a eles que a ponte que vemos hoje não é a mesma representada na gravura. A atual Ponte Maurício de Nassau foi inaugurada em 1865 e, desde então, passou por várias mudanças e reformas.

1. A gravura remete ao século XIX e mostra pedestres, animais de carga e pequenas embarcações navegando pelo Rio Capibaribe, com a Ponte Maurício de Nassau destacada em segundo plano. Os trajes das pessoas, assim como a presença de animais, reforçam o caráter colonial e rural da cena. Já na imagem atual, a paisagem ao redor transformou-se, com prédios altos ao fundo, a iluminação pública e o asfalto às margens do Rio Capibaribe indicam o crescimento vertical e a modernização da infraestrutura urbana.

2. A ponte permanece, mas agora inserida em um contexto urbano altamente modernizado. Sua estrutura foi reformada, pintada com cores vivas como vermelho e amarelo, adaptando-se ao trânsito de veículos motorizados e à presença de pedestres.

30/09/2025 21:32

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

3. Incentive os estudantes a refletir sobre construções antigas do município, como um monumento, uma praça antiga, uma casa etc.

Vista
Ponte Nova
Recife, de
Schlappriz
Heinrich Carls,
colorida à mão sobre papel, 27 cm × 35,5 cm.
Ponte Maurício de Nassau, em Recife (PE), em 2017.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que o Palácio de La Ravardière fica no centro histórico de São Luís e é a sede atual da prefeitura. O centro histórico de São Luís foi reconhecido como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1997. Explique também que a estátua se encontra próxima do local onde existiu, até a segunda metade do século XVIII, o Palácio de Friburgo, construído por Maurício de Nassau entre 1640 e 1642.

A presença francesa e holandesa

Durante os séculos 16 e 17, outros povos europeus tentaram ocupar o Nordeste. Os franceses invadiram partes do Maranhão e fundaram a cidade de São Luís em 1612. Os holandeses chegaram à região em 1624, quando tentaram invadir a Bahia, mas foram expulsos pelos portugueses no ano seguinte. Voltaram em 1630, invadiram os atuais estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, e ficaram até 1654. Durante esse período, o governador holandês Maurício de Nassau (1604-1679) realizou reformas em Recife, como a construção de pontes, jardins e observatórios.

1. O Palácio de La Ravardière, em São Luís (MA), foi construído pelos franceses por volta de 1689. A estátua de Maurício de Nassau, em Recife (PE), mostra a importância do holandês para a história da cidade.

Estátua de Maurício de Nassau na Praça da República, em Recife (PE), em 2022.

Fachada do Palácio de La Ravardière, em São Luís (MA), em 2024. Esse prédio foi construído pelos franceses por volta de 1689.

1 Analisem as imagens e as legendas e expliquem por que elas mostram vestígios que se relacionam com a presença dos franceses e holandeses no Nordeste.

2 Quais vestígios da história da colonização do Nordeste existem no estado onde vocês vivem?

Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Eles podem apontar a presença de vestígios como construções (monumentos relacionados a personagens do período colonial ou construções do período colonial) ou hábitos (como produzir e consumir rapadura e outros alimentos).

Sugestão para o professor BRASILIANA ICONOGRÁFICA. Registros do Recife. c2025. Disponível em: www. brasilianaiconografica.art.br/artigos/20224/registros-do-recife. Acesso em: 15 set. 2025. O artigo apresenta diversos registros da cidade do Recife ao longo dos anos.

LACROIX, Maria de Lourdes Lauande. A criação de um mito. Outros Tempos, v. 2, p. 54-80. Disponível em: www.outrostempos.uema.br/index.php/outros_tempos_uema/article/download/ 381/316/1292. Acesso em: 15 set. 2025.

O artigo apresenta as versões e interpretações sobre a história da fundação de São Luís, capital do Maranhão.

2. Para realização da atividade, auxilie os estudantes a identificar características do período colonial no estado onde vivem. O atual território do Nordeste teve a colonização ligada à produção do açúcar. Na maior parte do território, houve o cultivo do açúcar, mas existem exceções como o Piauí que teve uma colonização iniciada a partir do interior, por meio da criação de gado. Ainda assim, a colonização do Piauí teve relação com o cultivo do açúcar, pois o gado era levado para abastecer as regiões açucareiras do litoral.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Fortificações

Durante o período colonial, as fortificações, fortes ou fortalezas eram construídos com a intenção de manter a ocupação e proteger os territórios. A cidade de São Luís, no Maranhão, por exemplo, foi ocupada por diferentes povos europeus. Em 1531, os portugueses e espanhóis já tinham passado por lá, mas a cidade só começou a ser construída em 1612, quando dois nobres franceses, Daniel de La Touche e François de Rasilly, chegaram para erguer um forte. Eles queriam criar a chamada “França Equinocial” no Brasil. O forte recebeu o nome de Saint-Louis, em homenagem ao rei da França da época, Luís 13 (1601-1643), mas foi demolido em 1766. Em seu lugar, foi erguido o Palácio dos Leões, atual sede do governo do Maranhão.

Você sabia que a maior construção de defesa feita pelos portugueses no século 17 fica no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco? Essa fortificação, chamada Forte de Nossa Senhora dos Remédios, foi construída em cima de um morro, entre o porto de Santo Antônio e a Praia do Cachorro.

Forte de Nossa Senhora dos Remédios, no arquipélago de Fernando de Noronha (PE), em 2024. Em 1961, ele foi tombado como patrimônio histórico pelo Iphan.

VOCÊ DETETIVE

Veja mais orientações no Encaminhamento. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1. Pesquise uma fortificação construída durante o período colonial no estado onde você vive. Caso não encontre nenhuma, escolha uma fortificação em algum estado vizinho ao seu. Siga as orientações do professor.

2. Elabore um folheto turístico apresentando as informações que pesquisou.

Texto de apoio

BNCC

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

ENCAMINHAMENTO

Apresente as fortificações ou construções defensivas no estado de vivência dos estudantes. Caso não seja possível realizar uma visita presencial, pode-se utilizar recursos digitais, como passeios virtuais ou imagens de acervos disponíveis na internet.

Para realização da atividade em Você detetive, oriente os estudantes a usar diferentes fontes de pesquisa, como livros didáticos, sites institucionais como o do Iphan, jornais locais, entrevistas com moradores, visitas a museus ou arquivos públicos.

30/09/2025 21:32

O trabalho com patrimônio nos anos iniciais do ensino fundamental pode ser feito da seguinte maneira:

Pode-se procurar explorar a materialidade do patrimônio, pois, para essa faixa etária, o concreto, os objetos em si, ainda são muito importantes e bastante eficazes para se conseguir os objetivos esperados. É interessante também explorar as potencialidades desse patrimônio e não o usar somente como meras ilustrações, é preciso constituir os questionamentos corretos que propiciem reflexões.

OLIVEIRA, Almir Félix Batista de. O aprendizado da História por meio do patrimônio cultural. Interações, Campo Grande, v. 23, n. 1, p. 19-33, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.20435/inter.v23i1.3159. Acesso em: 21 set. 2025.

Caso não exista fortificação no estado, sugira a escolha de um forte em outro estado, como o Forte dos Reis Magos (RN), o Forte de Nossa Senhora da Assunção (CE), o Forte de Santo Antônio da Barra (BA) ou o Forte de Nossa Senhora dos Remédios (PE). Explique a importância de observar o estado de conservação desses patrimônios e discutir as políticas de preservação.

Para a elaboração do folheto turístico, incentive o uso de recursos como desenhos, colagens, mapas e textos curtos, que valorizem a história e o potencial turístico da fortificação escolhida. O material pode ser socializado com a turma em uma exposição ou mural coletivo.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Incentive os estudantes a verbalizar e registrar seus raciocínios sobre os fatores das migrações, acolhendo diferentes experiências, já que muitos podem ter familiares migrantes. Em seguida, realize uma leitura coletivado texto. A leitura pausada é importante para a inclusão de estudantes com diversas condições de aprendizagem.

Ao abordar as migrações nordestinas, é importante pontuar que a questão da seca deve ser analisada em conjunto com as condições socioeconômicas e políticas. Historicamente, o Nordeste passou por processos de concentração fundiária, a dependência da monocultura (cana-de-açúcar, algodão) e, sobretudo, sofreu com a falta de investimentos públicos em infraestrutura, industrialização e políticas sociais de longo prazo. Esses elementos agravaram os efeitos da seca.

Explique que o Museu do Algodão, em Campina Grande (PB), está instalado em uma antiga estação ferroviária do início do século XX.

Por que tantos nordestinos migraram?

Ao longo da história da formação do Brasil, muitas pessoas que viviam no Nordeste migraram, ou seja, precisaram deixar seus lugares de origem e buscar outros para viver. As migrações do povo nordestino aconteceram por razões políticas, econômicas e sociais.

Um desses motivos foi a concentração de terras decorrente do sistema de capitanias hereditárias. Esse sistema distribuiu as terras do Nordeste de maneira desigual, pois deu grandes porções para poucas famílias. Durante muito tempo, o campo nordestino foi dominado por grandes fazendas voltadas principalmente para a criação de gado e a monocultura, como o cultivo da cana-de-açúcar. Os trabalhadores, em sua maioria, viviam em condições difíceis, com pouco acesso à terra e poucos direitos.

Monocultura: cultivo de um só produto, geralmente para exportação.

No século 18, o Nordeste continuou sendo uma região marcada pela produção de açúcar. No entanto, o preço do produto caiu no mercado internacional, e outros locais, como as ilhas do Caribe, começaram a se destacar nesse comércio. Diante dessa crise, o algodão passou a ser cultivado para exportação, especialmente nos atuais estados do Maranhão, do Ceará, da Paraíba e do Piauí.

O chamado ciclo do algodão fez com que cidades como São Luís, no Maranhão, Fortaleza, no Ceará, e Campina Grande, na Paraíba, crescessem rapidamente. Pessoas de diferentes lugares se mudaram para os locais que se destacavam com a produção de algodão em busca de emprego. Fábricas foram construídas, estradas e ferrovias foram abertas, e a vida urbana mudou.

Museu do Algodão em Campina Grande (PB), em 2025. O museu é dedicado à memória do ciclo do algodão e sua importância para a cidade.

Texto de apoio

O Museu do Algodão de Campina Grande (MACG) foi criado por força do Projeto de Lei nº 24, de 13 de fevereiro de 1973, [...]

A Estação Great Western Railway Brazil de Campina Grande foi inaugurada em 2 de outubro de 1907, [...] essa edificação evoca os tempos em que a cidade passou a fazer parte do rol daquelas que poderiam julgar-se modernas por poder contar com esse precioso bem que significava um dos maiores avanços da técnica e da ciência [...]. Portanto, não sem razão, a Estação foi convertida em símbolo de grandeza ao qual a cidade é frequentemente associada. Assim sendo, ligam-se, simbolicamente, com a instituição do MACG dois signos de poder e modernização que reforçam a instituição de um padrão progressista de memória para a cidade: o trem e o algodão.

CABRAL FILHO, Severino. A memória em disputa: o Museu do Algodão de Campina Grande-PB, 1973-2013. Revista Memória em Rede, Pelotas, v. 4, n. 11, jul./dez. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/ index.php/Memoria/article/view/9417. Acesso em: 16 set. 2015.

Com o tempo, a produção de algodão enfrentou desafios, como pragas que destruíram plantações e a concorrência com as produções de algodão feitas em outras regiões e países. A economia nordestina enfraqueceu, causando desemprego e pobreza, o que fez com que muitas pessoas migrassem.

Na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, o Brasil passou a investir mais na indústria, principalmente na região Sudeste. Nesse período, o governo incentivou a substituição de importações, ou seja, passou a investir na fabricação de alguns itens antes comprados de outros países. Nesse contexto, as novas fábricas e a oferta de empregos no setor industrial atraíram muitos migrantes nordestinos.

Na década de 1970, o governo brasileiro investiu em infraestrutura e indústrias, o que gerou crescimento econômico, mas também aumentou a desigualdade social. A região Sudeste se transformou no principal centro industrial do país, enquanto o Nordeste continuava com poucos investimentos. Essa diferença aprofundou as desigualdades, levando ainda mais nordestinos a migrar.

Migrantes nordestinos na Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo (SP), na década de 1940.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Por que tantas pessoas deixaram o Nordeste ao longo da história? Cite dois motivos explicados no texto.

2 Explique por que o algodão foi importante para a economia do Nordeste e por quais motivos essa atividade entrou em crise.

Atividade complementar

A migração em massa, principalmente durante o século XX, esteve ligada à busca por trabalho e melhores condições de vida em regiões mais industrializadas, como o Sudeste e, mais tarde, o Centro-Oeste e o Norte do Brasil. Assim, é importante destacar para os estudantes que os deslocamentos se devem a uma combinação de fatores que envolvem a ausência de políticas públicas consistentes para reduzir as desigualdades regionais. A compreensão crítica desse processo contribui para romper visões estereotipadas e reforçar a leitura do Nordeste como uma região de resistência, criatividade e contribuição decisiva para a identidade nacional.

1. Muitas pessoas deixaram o Nordeste ao longo da história devido à concentração de terras, à pobreza e à ausência de políticas públicas para o campo. Também migraram em busca de melhores condições de vida onde havia mais empregos nas fábricas e em obras públicas.

2. Durante o século XIX, o algodão foi o principal produto de exportação do Nordeste, trazendo crescimento para diversos municípios, como Fortaleza (CE) e São Luís (MA). O produto entrou em crise por causa de pragas e da concorrência com outras regiões e outros países.

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Proponha a realização de uma exposição sobre a migração nordestina. Peça aos estudantes que façam uma pesquisa de fontes sobre as migrações de nordestinos para outras regiões do Brasil. Auxilie-os nesse levantamento, que pode ser realizado com entrevistas com adultos para compreender histórias familiares, consultas a jornais de época, atas de câmaras municipais, livros de memorialistas, músicas de artistas nordestinos (como Dominguinhos e Patativa do Assaré), bem como fotografias e relatos orais de migrantes. É possível também organizar visitas a museus locais que abordem a migração.

Após o levantamento de fontes, sugerimos algumas produções para a exposição: a produção de mapas que mostrem os principais fluxos de saída do Nordeste, a transcrição dos relatos ou entrevistas em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa e a produção de gráficos populacionais simples em interdisciplinaridade com Matemática.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
ACERVO

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Explore o cartaz com os estudantes fazendo uma leitura crítica. Questione-os se o cartaz cumpre bem a função de uma propaganda, ou seja, se passa uma visão otimista da Amazônia. O cartaz queria convencer os nordestinos de que a Amazônia era um lugar de oportunidades, mas, na realidade, muitos trabalhadores viveram em condições difíceis.

Caso considere adequado, apresente mais cartazes produzidos por Jean-Pierre Chabloz no contexto do programa da borracha empreendido por Getúlio Vargas.

Fluxos migratórios

Muitas vezes, o poder público estimulou a saída de trabalhadores da região Nordeste. Para convencer as pessoas a migrar, os governos utilizavam campanhas de propaganda.

Um recurso utilizado por essas campanhas era a divulgação dos destinos, principalmente as cidades do Sudeste, como locais de oportunidades, com salários altos e uma vida confortável. Entretanto, nem sempre os migrantes encontravam qualidade de vida, pois muitos se submeteram a salários baixos, moradias precárias e dificuldades para se adaptar ao novo lar.

A imagem a seguir mostra um cartaz de propaganda divulgado pelo governo brasileiro na década de 1940. Nela, a região amazônica, rica em látex, aparecia como um local de muita fartura e riqueza para os trabalhadores.

O objetivo era convencer os nordestinos a irem para a Amazônia como “Soldados da Borracha”, nome dado aos trabalhadores recrutados para trabalhar na extração do látex na região amazônica.

Outro exemplo de movimento migratório dos nordestinos foi durante a construção de Brasília, nos anos 1950, para a inauguração da nova capital em 1960. Mais tarde, com a criação do estado do Tocantins na região Norte e a expansão da industrialização no Sudeste, surgiram outros fluxos migratórios do Nordeste para essas regiões.

1. O cartaz mostra

uma construção em meio à floresta e um trabalhador extraindo látex. A escolha das cores e a forma como o trabalho foi representado têm a intenção de mostrar a Amazônia como um destino cheio de oportunidades de trabalho, onde

os trabalhadores encontrariam uma vida tranquila.

Vida nova na Amazônia, cartaz de propaganda feito em 1943 pelo pintor suíço Jean-Pierre Chabloz (1910-1984).

Látex: matéria-prima da borracha.

1 Observe e descreva o cartaz. Que mensagem ele queria passar?

Sugestão para o professor

MORAES, Ana Carolina Albuquerque de. Rumo à Amazônia, terra da fartura: Jean-Pierre Chabloz e os cartazes concebidos para o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia. 2012. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2012. Disponível em: https://repositorio.unicamp.br/ acervo/detalhe/881982. Acesso em: 16 set. 2025.

A dissertação analisa quatro cartazes produzidos por Jean-Pierre Chabloz (1910-1984) enquanto atuou como desenhista publicitário do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA), durante o governo Getúlio Vargas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

DIÁLOGOS

O Bumba Meu Boi do Maranhão e o Boi-Bumbá da Amazônia são expressões culturais que têm como personagem principal o boi.

No Maranhão, o Bumba Meu Boi é celebrado nos bairros e nas comunidades, principalmente nas festas de São João. Existem diferentes grupos que fazem a apresentação, e cada um tem um “sotaque” diferente. Sotaques são os diversos estilos e expressões da brincadeira, com características únicas em termos de dança, ritmo, instrumentos e vestimentas. Em 2019, essa manifestação foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial da humanidade pela Unesco.

Já na região Norte, na cidade de Parintins, no Amazonas, o Boi-Bumbá ganhou um formato mais competitivo, pois lá dois bois disputam qual é o melhor no Festival de Parintins. O Boi Garantido é representado pela cor vermelha, e o Boi Caprichoso, pela cor azul. Todos os anos, durante três noites, os dois grupos se apresentam no Bumbódromo, uma arena construída especialmente para essa competição. A festa foi reconhecida pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial em 2017.

Apresentação do grupo Famosão Bumba Meu Boi durante Festa de São João em São Luís (MA), em 2023.

Apresentação do Boi-Bumbá Caprichoso na arena do Bumbódromo, em Parintins (AM), em 2025.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 No caderno, crie um quadro para comparar as semelhanças e as diferenças entre o Bumba Meu Boi do Maranhão e o Boi-Bumbá da região Norte.

2 Você já conhecia o Bumba Meu Boi do Maranhão ou o Boi-Bumbá da região Norte? Se sim, conte aos colegas o que você sabe.

3 Em seu município ou estado também existe uma festa do boi? Converse com os adultos de sua família para saber mais e registre suas descobertas no caderno. Depois, compartilhe essas descobertas com a turma.

Atividade complementar

BNCC

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

Organize-se

• Cartolina

• Lápis de cor

• Materiais recicláveis

• Papel colorido

ENCAMINHAMENTO

Esta é uma oportunidade para trabalhar o TCT Multiculturalismo: diversidade cultural

1. Os estudantes podem indicar como semelhança a figura do boi e como diferenças as formas como são celebrados e onde as apresentações acontecem.

30/09/2025 21:32

Organize a turma em quatro grupos. Peça ao grupo 1 que pesquise e escreva um pequeno resumo sobre a origem da lenda do boi do Bumba Meu Boi do Maranhão, listando os principais personagens e explicando o papel de cada um na história (Pai Francisco, Mãe Catirina, dono do boi, curandeiros etc.). Oriente esse grupo a preparar uma apresentação breve para os colegas, dramatizando ou contando a história. Solicite ao grupo 2 que produza um cartaz com imagens (desenhadas ou impressas) e palavras-chave que representem o Bumba Meu Boi do Maranhão. Peça ao grupo 3 que pesquise o Boi-Bumbá de Parintins e elabore um cartaz destacando as principais características do Boi Garantido e do Boi Caprichoso e explicando o que é o Bumbódromo e como funciona o festival. O grupo 4 deve pesquisar e reproduzir as cores, bandeiras ou símbolos dos dois bois de Parintins com materiais recicláveis ou papel colorido.

2. Se possível, exiba trechos de vídeos curtos sobre o Bumba Meu Boi do Maranhão e o Boi-Bumbá de Parintins. Destaque os elementos principais das duas manifestações como história, personagens, música, figurinos etc.

3. Se considerar adequado, apresente aos estudantes outras fontes sobre as manifestações culturais, como entrevistas com brincantes, reportagens, músicas gravadas, fotografias e livros. É possível também incentivar a visita a espaços de cultura popular.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

ENCAMINHAMENTO

Ao valorizar a presença nordestina em diferentes regiões do Brasil, trabalha-se a educação para os direitos humanos. A educação patrimonial é desenvolvida com foco em espaços como a Feira de São Cristóvão, que preservam e ressignificam tradições nordestinas. Além disso, a educação para a cidadania é trabalhada quando se discute a importância da cultura nordestina na formação da identidade nacional.

Peça aos estudantes que descrevam os elementos presentes na fotografia. Em seguida, questione-os sobre como esses elementos representam as culturas nordestinas. Relembre a importância do couro para a economia, as culturas e as identidades do Nordeste.

Resistência e valorização da cultura

nordestina

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, a migração nordestina não foi um ato de sofrimento ou submissão. Foi uma forma de resistência. Ao migrar, os trabalhadores buscam qualidade de vida e formação profissional. Além disso, criam comunidades culturais para fortalecimento dos laços de solidariedade.

Ao longo da história, as culturas nordestinas encontraram formas de resistir e se reinventar, mesmo longe de sua terra de origem. Um exemplo importante dessa resistência cultural é o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, no Rio de Janeiro, também conhecido como Feira de São Cristóvão.

A feira começou de maneira simples, nos anos 1940. O local era um ponto de encontro dos nordestinos e de venda de produtos típicos da região Nordeste, como doces e farinhas.

A partir dos anos 2000, a Feira de São Cristóvão passou por grandes mudanças. A prefeitura do Rio de Janeiro, com órgãos como o Iphan e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), transformou o espaço em um Centro de Tradições Nordestinas.

Sugestão para os estudantes

PATRIMÔNIO na mesa: Feira Nordestina de São Cristóvão. Publicado por: Alerj Digital. 2024. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: https://youtu.be/E2wj-vpQoN4. Acesso em: 16 set. 2025. O vídeo produzido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro apresenta a Feira Nordestina de São Cristóvão enfatizando sua importância turística, histórica, cultural e gastronômica.

Produtos típicos da região Nordeste à venda na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ), em 2021.

As duas fotografias a seguir mostram momentos diferentes da história da Feira de São Cristóvão.

Na fotografia 1 , podemos notar que as barracas eram montadas ao ar livre. Mesmo com pouca estrutura, os feirantes e os visitantes mantinham a vivência com os elementos da cultura nordestina por meio da culinária, da música e de outras expressões culturais.

A fotografia 2 mostra a feira atualmente, agora em um espaço estruturado. O local ganhou cobertura, palco para apresentações artísticas, áreas de alimentação e lojas permanentes. Hoje, a Feira de São Cristóvão é um dos lugares mais importantes para as culturas nordestinas no Brasil fora do Nordeste, atraindo turistas e moradores do Rio de Janeiro.

1 Conversem sobre as contribuições da migração nordestina para o desenvolvimento do Brasil.

Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes reconheçam o importante papel dos migrantes nordestinos no desenvolvimento do país, valorizando a população da região e sua história de luta e resistência.

2 Vocês têm familiares que migraram para outra região do Brasil? Se sim, compartilhem mais informações.

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

Auxilie os estudantes na análise das fotografias da Feira de São Cristóvão na década de 1990 e em 2025. Explique a eles o contexto da fotografia 1. Essa época ficou marcada pelo esforço coletivo dos migrantes nordestinos, que, longe de seu lugar de origem, criaram um espaço de encontro, resistência e afirmação das identidades culturais. Reforce aos estudantes que o fato de a feira ter ganhado uma cobertura e ter aumentado significa o reconhecimento de sua importância econômica, cultural e turística para a cidade do Rio de Janeiro, para os nordestinos que lá vivem e para os nordestinos de todo o Brasil.

2. Permita aos estudantes compartilharem as histórias familiares. Peça a eles que comentem para onde seus familiares migraram, se permaneceram lá ou se voltaram para o Nordeste e como foi essa experiência para a pessoa que migrou e para o restante da família que ficou no Nordeste.

30/09/2025 21:32

Proponha uma atividade interdisciplinar com Língua Portuguesa e Arte na qual os estudantes devem produzir um cartão-postal para seus parentes que migraram. Caso o estudante não tenha nenhum parente que migrou, peça a ele que imagine essa situação em sua família. Em um lado do cartão-postal, o estudante deve desenhar uma paisagem do estado onde vive. No outro lado do cartão, ele deve escrever um pequeno texto para o parente que migrou. Finalize com uma exposição em sala, reunindo todos os cartões.

Feira de São Cristóvão no Rio de Janeiro (RJ), na década de 1990.
Feira de São Cristóvão no Rio de Janeiro (RJ), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

1. Sítios arqueológicos são locais onde foram encontrados vestígios deixados por povos antigos, como ferramentas, pinturas e cerâmicas. Eles são importantes porque ajudam a entender como os primeiros habitantes do Nordeste viviam. Os estudantes podem citar como exemplo o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que guarda pinturas rupestres de mais de 12 mil anos.

2. A Confederação dos Kariri foi um movimento de resistência formado por diversos povos indígenas do sertão nordestino, como os Janduí, Paiacu, Kariri e Icós, entre 1651 e 1720. Eles resistiram à invasão portuguesa usando estratégias de guerra, alianças e fugas. A Confederação dos Kariri mostra a força e o protagonismo histórico dos povos indígenas diante da violência colonial.

3. a) Os estudantes podem citar Toré, cultivo de mandioca, uso de pinturas corporais etc.

3. b) Os estudantes podem explicar que os povos indígenas do Nordeste possuem línguas e alguns costumes diferentes entre si.

4. Fuga para formar quilombos, manutenção de suas religiões e criação de redes de apoio entre os escravizados.

5. O Quilombo dos Palmares foi um dos maiores quilombos do Brasil, onde viveram africanos, indígenas e outros grupos em busca de liberdade.

6. Povos indígenas (Tabajara, Tupinambá, Tremembé, Potiguara, Pataxó, Fulni-ô etc.), portugueses, africanos (por exemplo, iorubás, bantos e jejes, entre outros), holandeses, franceses, entre outros.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1 O que são sítios arqueológicos e qual é a importância deles para a compreensão da história do Nordeste brasileiro? Cite um exemplo estudado na unidade.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

2 O que foi a Confederação dos Kariri e qual sua importância na história da resistência indígena no Brasil?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

3 Alguns povos indígenas do Nordeste compartilham costumes, mas têm diferentes línguas, costumes, modos de vida e tradições culturais.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) Cite um costume compartilhado por povos indígenas do Nordeste.

b) Explique, com suas palavras, por que podemos dizer que os povos indígenas do Nordeste são diversos. Utilize exemplos.

4 Quais foram as principais formas de resistência dos povos africanos escravizados na região Nordeste? Cite pelo menos duas formas.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

5 O que foi o Quilombo dos Palmares?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

6 Quais povos chegaram ao Nordeste ou viveram na região ao longo do tempo? Escreva o nome de pelo menos três grupos.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento. povos saberes grupo histórias africanos tempo marcas

7 Reescreva o texto a seguir no caderno completando as lacunas com as palavras do quadro.

povos   marcas   Nordeste   saberes africanos   histórias   tempo   grupo

Nordeste

A região do Brasil carrega muitas , tradições e Tudo o que vemos e vivemos hoje foi construído ao longo do por diferentes , como os indígenas, os e os europeus. Cada que aqui chegou ou já vivia nesse território deixou que ainda hoje podemos ver, ouvir e sentir.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

8 Desenhe um vestígio cultural e um vestígio material que faz parte do seu município ou de algum município próximo. Pode ser uma construção antiga, uma festa popular, uma comida típica ou um objeto característico da região.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

• Escreva uma legenda explicando o que seu desenho representa e por que esse vestígio cultural é importante para a história do Nordeste.

9 Imagine que você está contando para alguém de outra região os costumes e as tradições do Nordeste. Escolha dois costumes ou tradições e explique por que são importantes para as culturas da região.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

10 Sobre as migrações nordestinas desde o século 20, responda:

10. a) Os governos incentivaram as migrações dos nordestinos porque precisavam de mão de obra em outros lugares do Brasil.

10. b) Os nordestinos encontravam trabalho pesado, salários baixos, moradias precárias e dificuldades para se adaptar. Na Amazônia, por exemplo, eles enfrentaram doenças, fome, solidão e condições de vida muito difíceis.

a) Por que os governos incentivaram as migrações de trabalhadores nordestinos para outras regiões?

b) Quais foram as principais dificuldades enfrentadas pelos migrantes nordestinos nos locais de destino?

c) Explique a importância de locais como a Feira de São Cristóvão para os nordestinos que migraram.

1. Faça uma avaliação do trabalho que você realizou durante os estudos. Para isso, utilize a escala a seguir.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento. Aprendi. Aprendi parcialmente. Não aprendi.

• Aprendi o que são sítios arqueológicos e a importância deles para a história do Brasil e do Nordeste?

• Aprendi a história e as culturas dos povos indígenas do Nordeste?

• Aprendi sobre a diversidade dos povos africanos que vieram para a região Nordeste?

• Aprendi a importância dos quilombos e das comunidades remanescentes de quilombos no Nordeste?

• Aprendi sobre vestígios materiais e culturais dos diversos povos que habitaram o Nordeste?

• Aprendi sobre migrações para o Nordeste e de nordestinos para outras regiões do Brasil? Espera-se que os estudantes possam revisar cada assunto que compõe os capítulos estudados com base em temáticas principais. É fundamental auxiliá-los a cada tópico com a retomada de ideias construídas ao longo das conversas em sala de aula. 77

ENCAMINHAMENTO

30/09/2025 21:32

8. O desenho pode representar, por exemplo: um grupo de capoeira; uma festa junina; uma igreja antiga do município; um prato típico, como o baião de dois, a pamonha e o mungunzá; uma dança, como o maracatu e o coco. Legendas possíveis: “Desenhei a festa de São João porque ela é muito tradicional no meu município e tem danças e comidas típicas do Nordeste.”; “Esse é o acarajé, uma comida que veio da cultura africana e é muito importante e consumida principalmente na Bahia.”; “Esse é o Forte dos Reis Magos, que foi construído pelos portugueses em Natal, no Rio Grande do Norte.”; “Desenhei um grupo de capoeira, que é uma luta e dança africana que faz parte da nossa cultura.”. Se possível, monte um varal na sala de aula com os desenhos da turma.

9. Os estudantes podem citar danças, comidas típicas e canções, comer tapioca, porque vem dos povos indígenas e é uma comida feita de macaxeira (ou mandioca) etc. Incentive a turma a usar exemplos locais e da própria vivência.

10. c) Lugares como a Feira de São Cristóvão representam um espaço de encontro, resistência e afirmação das identidades culturais dos nordestinos.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

A unidade propõe aos estudantes a reflexão sobre o espaço rural e o espaço urbano, considerando sua interdependência, ou seja, como esses espaços se complementam e interpenetram.

No Capítulo 1, os estudantes são convidados a refletir sobre as características do campo na região Nordeste. Para isso, são discutidas as relações de trabalho no campo, a agricultura, as práticas agrícolas, a pecuária, o extrativismo e o turismo rural. Também são apresentados alguns desafios do campo do Nordeste, como desigualdades inter-regionais e o impacto ambiental provocado pelo desmatamento e pelo uso de pesticidas. Para saber como contornar essas situações, os estudantes aprenderão sobre as práticas sustentáveis no campo.

No Capítulo 2, são abordadas as características referentes às cidades do Nordeste, desde sua formação até a urbanização e a expansão da mancha urbana. A rede urbana, as relações de trabalho na cidade e a interdependência com o campo também são temas abordados. Além disso, no capítulo os estudantes poderão aprender sobre problemas urbanos e os espaços de memória nas cidades. Em uma perspectiva inter-regional, poderão aprender sobre fenômenos sociais que têm forte impacto na organização e inclusive na localização de uma cidade.

Assim, a abordagem proposta nesta unidade fortalece a consciência em relação tanto às características que diferenciam campo e cidade quanto à sua interdependência.

UNIDADE CAMPO E CIDADE NO NORDESTE 3

Paisagem rural em Vitória da Conquista (BA), em 2025.

Objetivos da unidade

• Identificar as características do campo e da cidade na região Nordeste e sua interdependência.

• Conhecer características das práticas agrícolas e da pecuária na região.

• Entender as diferenças entre espaço rural e espaço urbano e diferenciar o trabalho nesses dois espaços.

• Distinguir agricultura comercial da agricultura familiar no Nordeste.

• Compreender a importância do extrativismo e do turismo rural para o campo do Nordeste.

• Analisar os impactos da desertificação para o desenvolvimento das atividades agrícolas.

• Descrever práticas sustentáveis aplicadas na agricultura da região Nordeste.

• Conhecer a formação das primeiras cidades no Nordeste, bem como os espaços de memória urbanos.

• Compreender a rede urbana no Nordeste e os problemas associados a ela.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Qual das fotografias representa uma paisagem do campo? Descreva elementos dessa paisagem.

2 Qual delas representa uma paisagem da cidade? Descreva elementos dessa paisagem.

3 Você reside no campo ou na cidade?

4 Em sua opinião, existe uma relação de dependência entre campo e cidade? Ou eles são espaços totalmente independentes um do outro? Explique sua resposta.

ENCAMINHAMENTO

3. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Peça a eles que compartilhem se vivem no campo ou na cidade e que descrevam elementos que caracterizam seu lugar de vivência.

4. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes compreendam que existe uma relação de interdependência entre campo e cidade, ou seja, que um espaço não funciona totalmente sem o outro. Não é necessário que eles aprofundem suas justificativas nesse momento.

BNCC

Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5 e 7.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE04, EF03GE05, EF03GE09, EF04GE01, EF04GE04, EF04GE06, EF04GE07, EF04GE09, EF04GE10, EF05GE08, EF05GE09, EF05GE12, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI09.

BNCC da computação: EF03CO03, EF05CO07.

01/10/2025 11:19

Incentive os estudantes a observar a paisagem rural (imagem à esquerda) e a paisagem urbana (imagem à direita) do município de Vitória da Conquista, na Bahia. Em seguida, discuta oralmente as questões propostas com a turma. Caso haja estudantes não verbais, sempre indique a possibilidade, em atividades orais, de registrar as respostas no caderno para outro estudante lê-las para a turma.

1. A fotografia à esquerda representa uma paisagem do campo. Os principais elementos dessa paisagem são a presença de vegetação e de pasto, poucas moradias e ruas sem pavimentação.

2. A fotografia à direita representa uma paisagem da cidade. A maior parte dos elementos dessa paisagem é derivada das ações humanas, como edifícios, veículos automotivos, vias asfaltadas, casas, entre outros.

TCTs: Meio ambiente: educação ambiental; Economia: trabalho; Saúde: saúde e educação alimentar e nutricional; Multiculturalismo: diversidade cultural; Ciência e tecnologia: ciência e tecnologia.

Paisagem urbana em Vitória da Conquista (BA), em 2025.

BNCC

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

Promova a leitura do texto e a observação da imagem da página. Explique que os dados mencionados fazem parte do Censo agropecuário brasileiro, que investiga informações dos estabelecimentos e das atividades agropecuárias do Brasil (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo agropecuário brasileiro. Rio de Janeiro: IBGE, 2017. Disponível em: https:// censoagro2017.ibge.gov.br/. Acesso em: 12 set. 2025).

Verifique se os estudantes compreendem as informações numéricas apresentadas ao longo da página. Se julgar produtivo, trabalhe em interdisciplinaridade com Matemática. Convide os estudantes a elaborar representações para os dados indicados, como gráficos e tabelas. Dessa forma, eles poderão reforçar a compreensão de que a maioria das pessoas da região Nordeste (cerca de 78%) vive nas cidades, enquanto 22% vivem no campo, bem como entender que a maioria dos trabalhadores rurais (cerca de 79%) trabalha em pequenas propriedades.

Com base no trabalho com os dados, evidencie a existência tanto das pequenas propriedades familiares, onde é desenvolvida a produção voltada para o sustento da família, quanto a das grandes propriedades (ou latifúndios), que produzem em grande escala para a comercialização.

CAMPO DO NORDESTE

A cada 100 pessoas que vivem na região Nordeste, aproximadamente 22 vivem no campo, também conhecido como espaço rural.

No campo, ou espaço rural, predominam plantações, criações de animais, matas, estradas e construções mais espaçadas.

Na região Nordeste, a cada 100 estabelecimentos rurais, aproximadamente 79 são pequenas propriedades. No entanto, esses estabelecimentos ocupam pouco mais de um terço da área rural. Isso quer dizer que os grandes estabelecimentos ocupam a maior parte do campo do Nordeste, mesmo sendo menos numerosos.

Hectare: unidade de medida de área muito utilizada para medir estabelecimentos rurais. Equivale a 10 000 m².

As propriedades menores, com menos de 50 hectares, empregam a maior parte das pessoas que trabalham no campo. No Nordeste, 80 a cada 100 trabalhadores do campo trabalham nesse tipo de propriedade.

As grandes propriedades empregam menos pessoas, já que nelas é comum o uso intenso de máquinas agropecuárias e de tecnologia, o que substitui o trabalho de diversas pessoas. No Nordeste, apenas três a cada 100 pessoas que trabalham no campo estão ocupadas nesse tipo de propriedade.

1 Por que as grandes propriedades empregam menos pessoas que as pequenas propriedades?

Espera-se que os estudantes apontem que o uso de tecnologia é mais intenso nas grandes propriedades e que uma máquina realiza o trabalho de diversas pessoas.

Sugestão para os estudantes

VALE, Benjamim Pessoa. Quando eu voltar para o Sertão. Ilustrações: Fernanda Rodrigues. São Paulo: Ciranda na Escola, 2023.

Verifique se o livro está disponível na biblioteca da escola para promover a leitura da obra entre a turma. Comente que o autor nasceu em uma área rural do Maranhão e se mudou para áreas urbanas para concluir sua especialização médica. Certifique-se de que a turma percebe que a obra promove a valorização de elementos da zona rural, como o chão de terra, o banho de bica e os alimentos frescos.

Moradias à margem do Rio Paramopama em São Cristóvão (SE), em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Trabalho no campo

As principais atividades econômicas desenvolvidas no campo da região Nordeste estão relacionadas ao setor primário da economia, como a agricultura, a pecuária e o extrativismo vegetal, animal e mineral. No entanto, no campo também estão presentes atividades como o comércio, a prestação de serviços e a indústria.

Boa parte do que é produzido no campo é consumida nas cidades, onde está a maior parte da população brasileira e da região Nordeste. As matérias-primas e os alimentos extraídos e produzidos no espaço rural chegam às cidades por meio de vias de circulação, como rodovias, ferrovias e hidrovias.

A população do campo também utiliza diversos produtos e serviços provenientes das cidades, onde há maior concentração de indústrias, de comércio e de pessoas prestando serviços. As máquinas agrícolas fabricadas em polos industriais urbanos e utilizadas em plantações são exemplos dessa relação.

1 Você sabe a origem dos produtos que consome em seu dia a dia? Com auxílio de pessoas que moram com você, faça uma lista de três produtos com origem no campo e três com origem na cidade.

Espera-se que os estudantes identifiquem alimentos e outros produtos consumidos

DESCUBRA MAIS

por eles no dia a dia e os classifiquem de acordo com o local de produção. Eles podem mencionar alimentos in natura produzidos no campo e produtos industrializados produzidos na cidade.

A FORÇA do campo: Nordeste brasileiro se torna polo exportador de frutas. Publicado por: Jornal da Record. 2021. 1 vídeo (ca. 7 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=EW-BuAVWpuc. Acesso em: 30 jul. 2025.

A reportagem aborda a fruticultura no vale do rio São Francisco e sua importância econômica nas exportações brasileiras e para as pessoas que trabalham nessa atividade econômica.

Atividade complementar

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

Incentive a leitura e a observação da imagem da página. Verifique se os estudantes identificam as principais atividades econômicas desenvolvidas no espaço rural, como a agricultura, a pecuária e o extrativismo vegetal. Explique que todas essas atividades fazem parte do setor primário da economia. Comente que o setor secundário (indústria e construção civil) e o setor terciário (comércio e prestação de serviços) também estão presentes no campo, ainda que em menor escala. Certifique-se de que os estudantes identificam que grande parte dos alimentos sai da área rural para abastecer a área urbana, enquanto os moradores do campo utilizam bens e serviços oferecidos pela cidade. Dessa forma, compreenderão a interdependência entre campo e cidade.

01/10/2025 11:19

Para enriquecer o estudo, leve para a sala de aula imagens da cadeia produtiva de alguns alimentos. Organize os estudantes em grupos de três integrantes e distribua as imagens embaralhadas.

Peça a eles que organizem as imagens, indicando a ordem da cadeia produtiva. Por exemplo: a cadeia produtiva do suco processado de caju começa na atividade agrícola (o plantio do cajueiro e a colheita do caju), passa pelo processamento (produção mecanizada do suco), pela distribuição (em transporte por via rodoviária, por exemplo), pela venda (que pode acontecer em lojas comerciais da cidade) até chegar ao consumidor final.

Pergunte aos estudantes se eles sabem o que é produzido no espaço rural de seu município. Se possível, solicite que investiguem e troquem informações com os colegas sobre a questão. Em seguida, peça que escrevam no caderno os nomes dos produtos pesquisados. Espera-se que relacionem o tema estudado com a realidade onde vivem.

Vaqueiro conduzindo gado bovino em Taperoá (PB), em 2020.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

ENCAMINHAMENTO

Ao discutir o conteúdo da página com os estudantes, retome a informação de que, na região Nordeste, a cada 100 estabelecimentos rurais, aproximadamente 79 praticam a agricultura familiar. É a região do país que apresenta a maior quantidade de estabelecimentos rurais desse tipo.

Explique que a agricultura familiar é um importante modelo de produção e de geração de renda. Ela ajuda a melhorar a qualidade de vida e o suprimento alimentar de muitos nordestinos.

A pesquisa proposta em Você detetive pode ser feita em livros ou de forma digital, com a supervisão de um adulto. Outra possibilidade é convidar pequenos produtores rurais do lugar de vivência para explicar à turma quais são os programas e as iniciativas de apoio aos agricultores.

Agricultura

A agricultura familiar é a produção no campo realizada por pequenos produtores que vivem daquilo que cultivam. Além de vender parte da produção, muitas famílias consomem os próprios alimentos.

A agricultura familiar nordestina enfrenta uma série de desafios. É comum que os agricultores familiares não tenham acesso a insumos, como fertilizantes, pesticidas e maquinário agrícola, portanto a produção acontece em pequena escala.

Apesar disso, os estados têm criado programas de apoio a pequenos produtores, incluindo a criação de associações e cooperativas. Uma das formas de ajuda é facilitar a compra de equipamentos, por meio de empréstimos com juros menores e crédito rural acessível.

A agricultura familiar é um importante modelo de produção e de geração de renda. Ela ajuda a melhorar a qualidade de vida de muitas comunidades do interior do Nordeste.

1. Com auxílio do professor, pesquise programas de auxílio a pequenos produtores do seu lugar de vivência ou estado.

a) Qual tipo de produtor rural pode ser beneficiado?

b) Qual tipo de apoio o programa pesquisado oferece ao pequeno produtor?

Espera-se que os estudantes pesquisem programas e iniciativas de apoio no lugar de vivência ou estado em que moram. Os programas podem oferecer apoio técnico, orientações sobre gestão, crédito para compra de insumos, entre outros.

Sugestão para o professor

BRASIL. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. FNE 2026 fortalece agricultura familiar, microcrédito e economia criativa no Nordeste. Gov.br, Brasília, DF, 12 set. 2025. Disponível em: www.gov.br/mdr/pt-br/noticias/fne-2026-fortalece-agricultura-familiar -microcredito-e-economia-criativa-no-nordeste. Acesso em: 15 set. 2025.

No texto, é possível encontrar informações sobre programas de financiamento para projetos de agricultura familiar no Nordeste, como o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado. Se julgar adequado, indique a notícia como uma fonte de referência para os estudantes realizarem a proposta em Você detetive

Plantação de mandioca em pequena propriedade em São Sebastião (AL), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A agricultura familiar no Nordeste é responsável pela maior parte da produção de alguns alimentos básicos da dieta do brasileiro. Os principais produtos cultivados pela agricultura familiar no Nordeste são arroz, feijão e mandioca. Observe o gráfico.

Nordeste: produção de arroz, feijão e mandioca da agricultura familiar (2017)

O site do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra) permite o acesso a

dados estatísticos por meio do uso de filtros específicos. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo agropecuário 2017 Rio de Janeiro: IBGE, 2017. Disponível em: https://sidra.ibge.gov. br/tabela/6957. Acesso em: 17 jul. 2025.

Agora, observe o mapa da produção desses cultivos na região.

Nordeste: produção de arroz, feijão e mandioca (2023)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/5457. Acesso em: 17 jul. 2025.

1 Observe o mapa Nordeste: produção de arroz, feijão e mandioca (2023). Em quais áreas existe maior produção? Use as direções cardeais para indicar a localização.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

01/10/2025 11:19

Proponha aos estudantes o plantio de feijão na horta ou canteiro da escola. Inicialmente, a atividade pode ser trabalhada em interdisciplinaridade com Ciências da Natureza, solicitando a cada um que coloque um grão de feijão em um copo com um pedaço de algodão molhado. Depois de acompanhar a germinação, os estudantes devem ser orientados a plantar as mudas em um canteiro ou na horta da escola.

Organize a turma em grupos e estabeleça as funções de cada um: preparo da terra, plantio e rega. Prepare o espaço que seja o mais adequado para o plantio das mudas cultivadas pelos estudantes. Organize as tarefas até o dia da colheita. Dessa forma, eles poderão acompanhar o crescimento das vagens, as etapas de amadurecimento do grão até que possa ser consumido e a colheita.

Auxilie os estudantes na interpretação do gráfico Nordeste: produção de arroz, feijão e mandioca da agricultura familiar (2017) Essa pode ser uma oportunidade para trabalhar em interdisciplinaridade com Matemática, fortalecendo habilidades relacionadas à leitura e à compreensão de gráficos. Para mais orientações sobre como usar os filtros do Sidra, ver NUNES, Karine. Manual básico para acesso ao Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). Florianópolis: CCA: UFSC, 2020. Disponível em: https://lemate.paginas.ufsc. br/files/2020/08/Manual-SI DRA-versão-agosto-2020.pdf. Acesso em: 22 jul. 2025. Interprete com a turma o mapa Nordeste: produção de arroz, feijão e mandioca (2023) a partir do título e da legenda, identificando os valores da produção. 1. Espera-se que os estudantes identifiquem a produção de feijão acima de 22 036 toneladas, a produção de arroz acima de 20 967 toneladas e a produção de mandioca acima de 156 251 toneladas como as maiores da região. Sendo assim, eles devem apontar que a produção de arroz se concentra nos estados do Maranhão e Piauí principalmente. Também há grande produção no leste de Sergipe. A maior produção de feijão acontece no oeste, sul e norte da Bahia, no centro de Pernambuco e no norte do Ceará. Por fim, a produção de mandioca é mais difusa, com áreas de grande produção no sul e no norte da Bahia, no norte do Maranhão, no norte e no sul do Piauí e do Ceará, a leste e oeste de Pernambuco e Alagoas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Arroz Feijão Mandioca

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

TCT: Ciência e tecnologia: ciência e tecnologia.

ENCAMINHAMENTO

1. A respeito dos cultivos representados no mapa Nordeste: produção de cana-de-açúcar, soja e milho (2023), os estudantes devem apontar que a produção de cana acontece principalmente no litoral dos estados da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas. Já a soja é cultivada em maior quantidade no oeste da Bahia, no sul do Piauí e no sul e oeste do Maranhão. Por fim, o milho está concentrado no oeste e no norte da Bahia, no sul do Piauí e no sul do Maranhão. Já no mapa Nordeste: produção de banana, manga, cacau e uva (2023), os estudantes devem perceber que a produção de banana está concentrada sobretudo no sul e oeste da Bahia e no leste dos estados de Pernambuco e Paraíba. Já a produção de manga acontece no sul, no norte e a oeste da Bahia, além de a oeste do estado de Pernambuco. O cacau apresenta uma produção bastante concentrada no sul do estado da Bahia. Por fim, a produção de uva está concentrada no norte da Bahia e a leste e oeste de Pernambuco.

Agricultura comercial

O espaço rural do Nordeste passou por grandes transformações a partir da década de 1980, com o desenvolvimento da agricultura comercial na região. Esse modelo de produção agrícola funciona em larga escala e em grandes propriedades, com o uso de grandes quantidades de insumos, como fertilizantes e pesticidas, e o auxílio de tecnologias, como sistemas de irrigação e máquinas agrícolas.

Atualmente, a região Nordeste apresenta vastas plantações de produtos para consumo interno e para exportação, como cana-de-açúcar, soja, milho e algodão. Também se destaca a produção de frutas, como banana, coco, manga, laranja, mamão, uva e maracujá. Observe a localização de alguns desses cultivos nos mapas.

Nordeste: produção de cana-de-açúcar, soja e milho (2023)

Nordeste: produção de banana, manga, cacau e uva (2023)

Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/5457. Acesso em: 17 jul. 2025.

1 Observe novamente os mapas. Utilize as direções cardeais para indicar as principais áreas de cultivo de cada um dos gêneros agrícolas representados.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Texto de apoio

Com um olhar espacial, a partir das concepções cartográficas, podemos aperfeiçoar nossa leitura social do mundo, buscando a formação da cidadania consciente do seu papel, enquanto construtores e participantes de uma sociedade. [...]

A Geografia apoia-se na linguagem cartográfica através das informações contidas nos símbolos e convenções, os quais, considerados como arranjos de caráter representativo, são figurações associativas que utilizam-se de ponto, linha ou qualquer outra figura que possa, de maneira simples e imediata, representar os aspectos cartográficos (PORTO, 2004). [...]

LEITE, Maria Adeni Clementino. A cartografia escolar como metodologia na formação de professores de Geografia na Universidade Estadual da Paraíba. 2017. Dissertação (Mestrado em Geografia) — Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2017. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/ bitstream/123456789/14053/1/Arquivototal.pdf. Acesso em: 13 set. 2025.

Regiões como o Vale do Açu, no Rio Grande do Norte; o Baixo Jaguaribe, no Ceará; e o Matopiba se destacam nesse modelo de agricultura.

Matopiba: acrônimo formado pelas siglas dos estados do Maranhão (MA), do Tocantins (TO), do Piauí (PI) e da Bahia (BA). O estado do Tocantins pertence à região Norte do país.

Com essa transformação na agricultura, surgiram novas profissões no interior do Nordeste. Além dos agricultores, passaram a existir vagas para técnicos agrícolas, operadores de máquinas, trabalhadores em empresas de embalagem de frutas e pessoas especializadas na área de exportação. A transformação da economia local mudou o mundo do trabalho, que antes era essencialmente familiar. As paisagens rurais também sofreram transformações, e é possível perceber elementos como grandes lavouras com uso de tecnologia e silos de armazenagem de grãos.

Plantação de milho e silos de armazenagem de grãos ao fundo, em Uruçuí (PI), em 2022.

Plantações de milho e algodão na região denominada Matopiba, em São Desidério (BA), em 2024.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

2 Com um colega, converse sobre como as transformações tecnológicas do campo impactaram o mundo do trabalho.

3 Com a ajuda do professor, pesquise quais tipos de produtos agrícolas são cultivados no município onde você vive. Anote no caderno.

Sugestão para o professor

Continue a exploração da agricultura comercial no Nordeste comentando com os estudantes as tecnologias indicadas. Verifique se eles conseguem associar essas tecnologias ao surgimento de novas profissões no campo. Se julgar interessante, promova uma pesquisa entre os estudantes sobre essas profissões. Organize-os em grupos para pesquisar o que fazem os técnicos agrícolas, os operadores de máquinas, os trabalhadores em empresas relacionadas a processamento e exportação de alimentos do campo, entre outros.

Outra possibilidade é que os estudantes realizem entrevistas com profissionais do município que trabalham em áreas rurais ligadas ao uso de tecnologia. Nesse caso, incentive-os a anotar as respostas no caderno para compartilhá-las posteriormente com a turma, em uma roda de conversa.

2. Os estudantes devem explicar como o avanço tecnológico no campo contribuiu para o surgimento de novas profissões, como técnicos agrícolas, operadores de máquinas, trabalhadores da agroindústria e profissionais do mercado de exportações.

01/10/2025 11:19

CONEXÃO Agro: Matopiba diversifica culturas e é referência em tecnologia. Publicado por: CNN Brasil. 2022. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: www.youtube.com/watch?v=wS0K_y_ 7Q9w. Acesso em: 13 set. 2025. O vídeo apresenta a importância do Matopiba para a produção agrícola brasileira e sua relação com a tecnologia. Também é ressaltado como as práticas agrícolas dessa área têm sido associadas cada vez mais a recursos que possibilitem uma produção sustentável. Explique que essa é uma prática importante, pois os estados que fazem parte da região chamada Matopiba estão entre os que mais desmatam no Nordeste. Essa área inclui territórios importantes para a conservação ambiental, como terras indígenas, comunidades quilombolas, Unidades de Conservação e assentamentos da reforma agrária.

3. É possível fazer uma pesquisa na internet e acessar a página da prefeitura do município para identificar os produtos agrícolas cultivados. É possível que alguns municípios apresentem apenas agricultura no espaço urbano, mas ela pode ser mencionada também. Caso eles não encontrem dados do município, é possível expandir o recorte geográfico para a região do município ou até para o estado.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

ENCAMINHAMENTO

Ao explicar as práticas agrícolas que contribuem para o crescimento da agricultura no Nordeste, indique como cada uma é usada e se há impactos ambientais relacionados à sua utilização.

Incentive os estudantes a realizar uma pesquisa sobre a vassoura-de-bruxa, em livros e em material digital, com a supervisão de um adulto.

Organize a turma em grupos de cinco integrantes e distribua folhas de papel sulfite. Oriente-os a criar um folheto informativo sobre: 1) quais alimentos são atingidos por esse fungo; 2) quais são suas causas; 3) como é transmitido; 4) como evitá-lo. Oriente-os a dobrar cada folha de papel sulfite em três partes. Eles deverão criar uma capa, na primeira face do folheto, e compor os nomes de seus elaboradores na última face. Em cada uma das outras quatro partes, deverão compor as informações que pesquisaram acompanhadas de ilustrações.

Ao final, recolha a produção da turma e avise que os folhetos serão distribuídos entre agricultores do município. Para isso, verifique se é possível realizar o envio dos folhetos por correio ou fotografá-los e enviá-los de forma digital para associações agrícolas locais.

Práticas agrícolas

A agricultura do Nordeste apresentou crescimento nos últimos anos, e o avanço da tecnologia e das práticas agrícolas tem um papel importante nesse processo. Práticas como adubação do solo, utilização de fertilizantes e pesticidas, irrigação, uso de máquinas e melhoramento de sementes contribuem para a maior produtividade no campo.

Nas áreas de clima úmido do Nordeste, o excesso de umidade pode prejudicar os cultivos. A cultura do cacau é um exemplo de produção afetada pelo excesso de umidade, que favorece a proliferação de uma praga denominada vassoura-de-bruxa. Essa doença fúngica destrói as plantações atacando as folhas e os frutos desde a década de 1990, e preocupa os agricultores até hoje.

Plantação de cacau no sistema cabruca, que consiste em plantar sob a sombra da floresta nativa, em Uruçuca (BA), em 2025.

Fruto do cacau atacado por fungos que causam a doença vassoura-de-bruxa, em Ilhéus (BA), em 2022.

Nesse caso, as técnicas agrícolas são fundamentais para o combate à praga. Alguns exemplos dessas técnicas são o uso racional de fungicidas e o desenvolvimento de variedades de cacau mais resistentes à vassoura-de-bruxa.

Sugestão para o professor

SANTOS, Dayvid Souza. Panorama da socioeconomia solidária do território litoral sul da Bahia. 2019. Dissertação (Mestrado em Engenharia Industrial) — Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/29350/1/ DAYVID%20SOUZA_DISSERTA%c3%87%c3%83O_FINAL_PEI.UFBA.pdf. Acesso em: 13 set. 2025.

A dissertação apresenta um estudo sobre as formas de economia solidária que apareceram no território litoral sul da Bahia após a infestação de vassoura-de-bruxa em várias plantações de cacau.

Ao longo da pesquisa, o autor busca ressignificar a ideia de que a economia do local não reagiu à crise da produção cacaueira, analisando exemplos de empreendimentos econômicos solidários.

Algumas práticas também garantem a produção em meio a climas adversos para os cultivos, como é o caso do clima semiárido, predominante no Sertão nordestino.

Entre essas práticas, destacam-se o uso de cisternas, a irrigação por gotejamento e o plantio de culturas que se adaptam a longos períodos de estiagem, como algumas variedades de algodão e de feijão.

As cisternas são grandes reservatórios construídos para armazenar a água da chuva. Quando a chuva cai nos telhados das casas, a água é levada por calhas até a cisterna, onde fica guardada para ser utilizada no período de seca. Observe o esquema, que mostra uma cisterna de placas.

Representação do funcionamento de uma cisterna de placas

Os elementos não foram representados em proporção de tamanho entre si. Foram utilizadas cores-fantasia.

LÁPIS 13B

1. Captação da água

A água da chuva cai no telhado da casa e escorre pela calha até a cisterna.

2. Cisterna

A água é armazenada na cisterna.

Fonte: NO DIA mundial da água, Ministério alerta para cuidado com as cisternas. Agência Gov, Brasília, DF, 22 mar. 2024. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202403/no-dia-mundial-da-agua-mds -alerta-para-importancia-do-cuidado-com-as-cisternas. Acesso em: 18 jul. 2025.

Produtores rurais também estão investindo no cultivo de cana-de-açúcar, adaptando-o ao clima da região. Na técnica de gotejamento, a água é liberada gota a gota diretamente no solo, na base das plantas, por meio de um sistema de tubos pelos quais a água é transportada.

Esse avanço permite aos produtores rurais monitorar e garantir o fluxo de água para o cultivo da cana-de-açúcar mesmo diante da irregularidade das chuvas.

1 Explique no caderno como o avanço da tecnologia e das práticas agrícolas aumentou a produtividade da agricultura.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Sugestão para os estudantes

CEDRAZ, Antônio. Turma do Xaxado: cisternas nas escolas. Salvador: Cedraz, 2011.

87

01/10/2025 14:55

A publicação apresenta a Turma do Xaxado aprendendo sobre a importância das cisternas nas escolas. Verifique se os estudantes já conhecem os personagens da história em quadrinhos, que buscam representar a diversidade cultural da zona rural nordestina.

Se julgar interessante, promova a leitura de outras histórias da Turma do Xaxado e verifique se os estudantes conseguem identificar as características do campo da região Nordeste sendo retratadas.

Verifique se os estudantes entendem a importância de práticas como o uso de cisternas, a irrigação por gotejamento e o plantio de culturas na agricultura do Nordeste. Auxilie-os a compreender as etapas retratadas na ilustração, que representam o armazenamento de água de chuva em uma cisterna.

Comente que, no Semiárido, existe o Projeto Cisternas nas Escolas, que atua em escolas de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí (no Nordeste) e Minas Gerais (no Sudeste). Se possível, exiba a eles o seguinte vídeo sobre o projeto: A CISTERNA que transforma. Publicado por: Articulação do Semiárido Brasileiro. 2016. 1 vídeo (ca. 9 min). Disponível em: https:// asabrasil.org.br/projeto/cis ternas-nas-escolas. Acesso em: 13 set. 2025.

Faça uma roda de conversa após a exibição e questione quais foram suas impressões sobre o vídeo e como acreditam que as cisternas beneficiam a região. Se não for possível reproduzir o vídeo em sala de aula, conduza a roda de conversa com base no que aprenderam por meio da leitura do texto e da observação da ilustração na página. 1. Os estudantes podem mencionar exemplos apresentados no livro, como avanço de práticas e técnicas de combate a pragas, de modo a impedir a perda da produção. Além disso, há práticas como armazenamento de água para utilização em períodos de seca, o que favorece a irrigação de cultivos em épocas de irregularidade das chuvas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

ENCAMINHAMENTO

Ao discutir o tema da pecuária com a turma, comente que o Nordeste apresenta o segundo menor rebanho bovino entre as regiões brasileiras, à frente apenas da região Sul. A produção leiteira da região merece destaque, já que o Nordeste é o terceiro maior produtor nacional, atrás do Sul e do Sudeste.

Explique que a pecuária pode ser desenvolvida de forma extensiva e intensiva e que, no Nordeste, predomina a prática extensiva de criação do gado.

Incentive os estudantes a comparar os dois mapas da página, verificando o que apresentam de semelhante (a área em destaque e a apresentação de rebanhos) e de diferente (os tipos de rebanho indicados).

1. Os estudantes podem apontar que há alta concentração de bovinos no centro, oeste e sul do estado da Bahia e a oeste e no centro do Maranhão. Quanto à criação de suínos, podem apontar que há forte criação no sul da Bahia, no leste de Pernambuco, no oeste do Ceará e no norte do Piauí e do Maranhão. Em relação ao rebanho galináceo, os estudantes devem indicar altas produções no oeste e centro da Bahia, no leste de Pernambuco e no norte do Ceará.

Pecuária

A pecuária é uma atividade que se destina à criação de animais com a finalidade de obter produtos para consumo humano, como carne, ovos, leite e couro. Os principais animais criados no Nordeste são os gados bovino, suíno, caprino e ovino.

A criação de aves é outra atividade pecuária importante da região, com um rebanho de galináceos de 206,9 milhões de cabeças. A região também é a terceira maior criadora de suínos do país, atrás das regiões Sul (com mais da metade do rebanho nacional) e Sudeste.

Galináceo: grupo de aves que inclui galinhas, frangos, perus, perdizes, faisões, entre outras.

Observe a localização de algumas dessas criações nos mapas.

Nordeste: rebanhos bovino e suíno (2023)

São Luis

Nordeste: rebanho galináceo (2023)

São Luis

Teresina

Rebanho suíno

Rebanho bovino (em cabeças) (em cabeças)

Rebanho galináceo (em cabeças)

Fonte dos mapas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Pesquisa da pecuária municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/3939. Acesso em: 18 jul. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Analise os mapas Nordeste: rebanhos bovino e suíno (2023) e Nordeste: rebanho galináceo (2023) . Utilizando as direções cardeais, escreva no caderno como estão distribuídos os rebanhos bovino, suíno e galináceo.

Texto de apoio

Com efeito, a produção de leite, como qualquer outra atividade agropecuária no Nordeste, em geral, e no Semiárido, em particular, está sujeita à instabilidade pluviométrica que caracteriza esse regime climático, bem como pelas oscilações de temperatura [...]. [...]

Todas as atividades utilizadas no manejo do rebanho que afetam a capacidade de produção de leite estão diretamente condicionadas ao contexto pluviométrico. Instabilidades de chuvas, diferenciais de balanço hídrico, são capazes de influenciar, e, até mesmo, de comprometer a produção de leite [...].

ALVES, Leopoldina Braga. Sinergias entre as instabilidades climáticas e a produção de leite no Ceará. 2024. Dissertação (Mestrado em Economia Rural) — Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2024. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/77896/7/2024_dis_lbalves.pdf. Acesso em: 13 set. 2025.

A região Nordeste é a maior criadora de caprinos e ovinos do Brasil. A cada 100 caprinos criados no país, 96 estão no Nordeste, e a cada 100 ovinos, aproximadamente 71 estão na região. A Bahia é o estado com os maiores rebanhos caprino e ovino, se guida de Pernambuco.

Observe o mapa com a localização da pecuária caprina e ovina na região.

Nordeste: rebanhos caprino e ovino (2023)

P27-1-RND11-U-03-LA-LMA-007

Rebanho caprino (em cabeças)

Rebanho ovino (em cabeças)

Rebanho ovino (em cabeças)

Manejo de ovelhas em meio à plantação de café arábica em Taquaritinga do Norte (PE), em 2025.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa da pecuária municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/ Tabela/3939. Acesso em: 18 jul. 2025.

A região Nordeste também apresenta a maior produção de peixes e de camarões do Brasil. A piscicultura nordestina responde a quase um quinto da produção nacional, e a região abriga praticamente toda a carcinicultura do Brasil. O estado do Ceará sozinho produz 57 de cada 100 camarões, seguido do Rio Grande do Norte, que produz aproximadamente 19 de cada 100.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Carcinicultura: criação de camarões em viveiros, para comercialização.

2 Com o professor e os colegas, compare os mapas das páginas 88 e 89. Como as informações foram representadas?

3 Com a ajuda do professor, pesquise quais tipos de atividade pecuária são desenvolvidas no município onde você vive. Anote a resposta no caderno.

Sugestão para os estudantes

Incentive os estudantes a comparar o mapa Nordeste: rebanhos caprino e ovino (2023) aos mapas Nordeste: rebanhos bovino e suíno (2023) e Nordeste: rebanho galináceo (2023), da página anterior. Leve-os a perceber como esses rebanhos se distribuem em cada um dos estados da região Nordeste. Certifique-se de que eles compreendem com qual finalidade cada um dos mapas foi elaborado e o que retratam.

Verifique se, com base na leitura do mapa Nordeste: rebanhos caprino e ovino (2023), os estudantes percebem que há grande concentração de caprinos no norte da Bahia e no oeste de Pernambuco. Já a criação de ovinos está concentrada no centro e no norte da Bahia, no oeste de Pernambuco, no sul do Piauí e na porção central do Ceará.

2. Os estudantes devem apontar que os rebanhos foram indicados por ícones que representavam cada tipo de criação. Eles foram distribuídos espacialmente pelo território da região Nordeste e apresentam diferentes tamanhos, de acordo com a quantidade de cabeças.

89

01/10/2025 11:19

SOUZA, Elizângela Maria de. Conhecendo os peixes do Rio São Francisco de forma divertida. Petrolina: IFSertãoPE, 2024.

Por meio de atividades, o livro apresenta espécies de peixes do Rio São Francisco, explicando a importância de respeitar as regras definidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar sua captura. Se possível, associe a leitura da obra à discussão sobre a importância da piscicultura no Nordeste.

A obra também contém atividades em Libras e braile, a fim de promover a inclusão.

3. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. É possível fazer uma pesquisa na internet e acessar a página da prefeitura do município para identificar quais criações de animais existem. Caso eles não encontrem dados do município, é possível expandir o recorte geográfico para a região do município ou até para o estado.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

ENCAMINHAMENTO

Comente que, no Maranhão, a cada 100 pescadores, 56 são mulheres e, na Bahia, esse número passa para 58. Explique que os outros três estados do Brasil com uma quantidade maior de pescadoras profissionais também se situam no Nordeste: Pernambuco (com 55% de mulheres), Sergipe (com 62% de mulheres) e Alagoas (com 58% de mulheres). Se possível, leia com eles a notícia: BRASIL. Ministério da Pesca e Aquicultura. Brasil tem mais de 1 milhão de pescadores profissionais e 49% são mulheres. Gov.br, Brasília, DF, 21 nov. 2023. Disponível em: www. gov.br/mpa/pt-br/assuntos/ noticias/brasil-tem-mais-de -1-milhao-de-pescadores -profissionais-e-49-sao-mu lheres. Acesso em: 14 set. 2025.

Explore a proposta em Você detetive com os estudantes. Podem ser utilizadas diferentes fontes de pesquisa, como a internet, livros, jornais, ou entrevistas com trabalhadores extrativistas da região. Os estudantes devem buscar diversas formas de extrativismo, como o vegetal, o animal e o mineral. É importante orientá-los a registrar suas pesquisas no caderno. Promova uma roda de conversa para os estudantes apresentarem suas descobertas e ressalte a importância dessas atividades para a economia.

Extrativismo

O extrativismo é uma atividade econômica que consiste na retirada de recursos da natureza. A pesca, a coleta de frutos e sementes e a mineração são exemplos de atividades extrativistas. Essas atividades também são importantes no espaço rural do Nordeste.

Maranhão e Bahia, por exemplo, estão entre os três estados brasileiros com a maior quantidade de pescadores profissionais do país.

Outro destaque é a extração de babaçu nos estados do Maranhão e do Piauí. Esses frutos são utilizados, principalmente, para a produção de óleos. Já a extração das folhas da carnaúba é uma atividade importante no estado do Ceará. A partir delas é obtida uma cera utilizada em alimentos, medicamentos, entre outros produtos.

A extração de sal marinho, sobretudo no Rio Grande do Norte, também é uma atividade relevante. Quase toda a produção brasileira de sal está concentrada nesse estado, principalmente nos municípios de Mossoró, Macau e Areia Branca. O sal marinho é utilizado diariamente na alimentação.

Por fim, a mineração também é importante no Nordeste. Destacam-se as produções de cobre, ferro e ouro na Bahia e de ouro no Maranhão.

VOCÊ DETETIVE

Os estudantes podem utilizar a internet sob a supervisão de um adulto para realizar essa pesquisa. Eles podem encontrar diferentes tipos de extrativismo, como o vegetal, o animal e o mineral.

1. Com auxílio do professor, pesquise quais atividades extrativistas existem no estado onde você mora.

Sugestão para o professor

CARYOCAR Coriaceum: piqui e as mulheres da Chapada do Araripe. Direção: Valéria Pinheiro, Adriana Pimentel e Marcelo Paes de Carvalho. Jati: ABCVatá, 2023. Documentário (ca. 20 min).

O extrativismo do pequi é uma atividade econômica com fortes impactos na vida social e nas tradições culturais de mulheres sertanejas da região do Cariri cearense.

O documentário traz entrevistas com mulheres extrativistas e propõe a reflexão sobre o risco de extinção do pequi na área devastada da Floresta Nacional do Araripe, no Ceará.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Turismo rural

O turismo é uma atividade que movimenta tanto as cidades quanto o campo da região Nordeste, contribuindo para a geração de renda e para a valorização da cultura local e da natureza.

O Nordeste tem paisagens rurais que atraem turistas do Brasil todo. As pinturas rupestres do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, são exemplos de atrações turísticas localizadas no campo. No Ceará, o GeoPark Araripe, com seu patrimônio paleontológico, é um importante polo turístico e cultural. Na Paraíba, vale a pena conhecer o Lajedo do Pai Mateus e sua riqueza arqueológica. Em Pernambuco, os turistas podem conhecer o Parque Nacional do Catimbau e visitar as comunidades remanescentes de quilombos dessa região.

O turismo ecológico é uma boa oportunidade de conhecer tradições e culturas locais, além de vivenciar um pouco da vida no espaço rural.

VOCÊ DETETIVE

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1. Escolha uma localidade de seu estado onde ocorre o turismo rural.

2. Pesquise, se possível em meios digitais, algumas de suas características: como ele é, o que as pessoas podem fazer lá, se há comidas típicas ou festas tradicionais.

3. Prepare um folheto e uma apresentação como se você fosse um guia turístico divulgando esse local para visitantes.

Sugestão para os estudantes

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF05CO07) Reconhecer a necessidade de um sistema operacional para a execução de programas e gerenciamento do hardware.

ENCAMINHAMENTO

Durante a pesquisa proposta em Você detetive, oriente os estudantes a utilizar fontes oficiais do estado (como sites de secretarias de turismo ou cultura), a registrar as informações e a selecionar as imagens. Algumas opções são: Chapada das Mesas (Maranhão); rota turística de sítios e fazendas em Teresina (Piauí); a região do Brejo Paraibano (Paraíba); Parque Nacional do Catimbau (Pernambuco); Reserva Natural Serra das Almas (Ceará); Parque Estadual da Pedra da Boca (Rio Grande do Norte); Parque Memorial Quilombo dos Palmares (Alagoas); Cânion do Xingó (Sergipe); Parque Nacional da Chapada Diamantina (Bahia).

01/10/2025 11:19

SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Parque Nacional Serra da Capivara. Brasília, DF: SGB, c2025. Disponível em: https://geoportal.sgb.gov.br/360serradacapivara/. Acesso em: 22 set. 2025.

O site oferece a possibilidade de realizar um tour virtual pelo Parque Nacional Serra da Capivara. Durante a visita, mostre aos estudantes que esse parque alinhou conservação histórica e ambiental. Projetado para receber visitantes de forma sustentável, também se tornou uma importante fonte de trabalho para as comunidades locais.

Depois, os estudantes devem organizar o material pesquisado para elaborar um folheto turístico com as principais informações e imagens a respeito do local. Se possível, verifique a possibilidade de utilizar um software ou aplicativo gratuito para a diagramação dos folhetos. Essa pode ser uma oportunidade para mostrar aos estudantes que a opção do programa a ser instalado precisa ser compatível com o sistema operacional, trabalhando assim a habilidade EF05CO07 da BNCC da computação.

Montanhistas aproximando-se do Vale do Capão, no Parque Nacional da Chapada Diamantina, em Palmeiras (BA), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

TCTs: Meio ambiente: educação ambiental; Saúde: saúde.

ENCAMINHAMENTO

Ao comentar os efeitos do desmatamento na área rural, pode-se retomar o mapa Nordeste: degradação ambiental (2023), na página 41, com a turma. Ressalte que o desmatamento no Nordeste está diretamente ligado à produção intensiva de soja e à criação de gado. A retirada da vegetação natural não só destrói o hábitat de muitas espécies, como também provoca o aumento da emissão de gases de efeito estufa, como o gás carbônico (CO2), que agrava as mudanças climáticas.

Desafios no campo do Nordeste

Como você já estudou, o espaço rural do Nordeste passou por muitas mudanças nas últimas décadas. O avanço do agronegócio, com grandes criações de animais e plantações de grãos, frutas e outras culturas voltadas para exportação, trouxe desenvolvimento econômico para algumas áreas.

Agronegócio: conjunto de atividades econômicas que derivam das produções agrícola e pecuária e seu comércio ou estão relacionadas a ela.

No entanto, também causou impactos ambientais e sociais. Entre esses impactos, está o uso descontrolado de pesticidas. Nas regiões de produção agrícola comercial do Nordeste, pessoas que vivem perto das plantações sofrem com a contaminação da água, do solo e do ar. Os efeitos são graves: problemas respiratórios, doenças de pele, intoxicações e até casos de malformações em bebês.

O desmatamento é outro problema que afeta o meio ambiente e as comunidades que vivem próximas às plantações e pastagens. Muitas vezes, empresas agropecuárias e madeireiros avançam sobre áreas ocupadas por pequenos produtores, terras indígenas e territórios quilombolas, o que causa desmatamento e destruição de recursos naturais que são essenciais para a sobrevivência dessas comunidades.

O desmatamento e a pecuária também podem levar à desertificação de áreas que antes eram cobertas pela vegetação. A criação de rebanhos de caprinos e ovinos prejudica o crescimento da vegetação da Caatinga em áreas do Sertão do Nordeste. Os animais comem a vegetação, que demora a nascer novamente.

Comente que o uso indiscriminado de pesticidas também pode impactar a saúde da população, causando, por exemplo, problemas respiratórios e doenças de pele. Aproveite essa discussão para trabalhar o TCT Saúde: saúde

Durante o trabalho com os impactos ambientais que a criação de rebanhos caprinos e ovinos pode causar, retome o mapa Nordeste: rebanhos caprino e ovino (2023), na página 89, verificando quais áreas e estados tendem a ser mais afetados por esses problemas.

Outra ação que gera impacto ambiental no campo nordestino é a prática da queimada ou coivara, que consiste em queimar uma determinada área antes do plantio, pois as cinzas enriquecem os solos. Hoje em dia, essa prática não é mais incentivada, porque o uso do fogo traz desvantagens, além do risco de incêndios.

Aeronave pulverizando pesticidas em plantação de algodão em São Desidério (BA), em 2024.

Na Bahia, há projetos de replantio de espécies típicas da Caatinga para combater esse problema. Leia o texto.

Uma das maiores iniciativas de restauração da Caatinga segue em curso na Bahia para alegria de dezenas de comunidades que estão vendo a mata renascer no sertão. Trata-se do projeto “Recaatingamento”, conduzido pelo IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada) [...].

[...]

Nas áreas de manejo, que somam mais de 30 mil hectares, são aplicadas técnicas simples para restauro do que foi depredado e conservação do que resta. Muitas vezes, as tecnologias baseiam-se no conhecimento tradicional que a própria comunidade possui. [...]

[...]

O objetivo é impedir que cabras e ovelhas entrem na área a ser restaurada e comam os brotos [...] de espécies nativas, algumas endêmicas, que serão espalhadas pelo local [...].

Frágil mas com alta capacidade de regeneração, a Caatinga não tardou a recompensar a comunidade de fundo de pasto Melancia, em Casa Nova, uma das primeiras contempladas pelo Recaatingamento.

CARAMEL, Lilian. ‘Abelhas voltaram’: premiado, projeto ‘recaatinga’ parte do sertão da Bahia. Ecoa UOL, Campo Formoso, 30 out. 2022. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2022/10/30/premiado -projeto-recaatingamento-beneficia-comunidades-do-semiarido-baiano.htm. Acesso em: 4 ago. 2025

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Quais são os impactos ambientais e sociais das atividades econômicas do campo?

2 De acordo com o texto, qual é o objetivo do projeto “Recaatingamento”? Como isso é feito?

Atividade complementar

Certifique-se de que os estudantes entendem as transformações no campo nordestino e os desafios ambientais atuais. Questione: como podemos produzir alimentos sem destruir a natureza? Quais políticas públicas poderiam ajudar as comunidades locais? Qual é o papel de cada cidadão (inclusive os estudantes) na defesa do meio ambiente? Por que é importante pensar em formas sustentáveis de desenvolvimento para o Nordeste?

Relacione a discussão com a realidade local: há algum problema ambiental no município ou região onde os estudantes vivem? Se possível, traga notícias recentes sobre o tema para fortalecer a conexão com o cotidiano. Espera-se que eles concluam que é muito importante que os governos, os produtores e a sociedade busquem alternativas mais sustentáveis, que combinem produção de alimentos com a conservação do meio ambiente e o respeito aos povos tradicionais, como os indígenas e os quilombolas.

1. Os estudantes podem apontar impactos como a contaminação da água, do ar e do solo por pesticidas, o desmatamento da vegetação nativa e a invasão de áreas ocupadas por pequenos produtores, terras indígenas e territórios quilombolas.

01/10/2025 11:19

Organize os estudantes em grupos e proponha que consultem as embalagens de produtos alimentícios que têm em casa. Solicite que anotem os nomes dos produtos que foram produzidos no Nordeste, bem como os nomes dos estados indicados na embalagem. Para realizar a atividade, distribua uma cópia do mapa político da região Nordeste a cada grupo. Solicite que elaborem um ícone para cada um dos alimentos pesquisados, indicando-o na legenda do mapa. Em seguida, proponha que ilustrem o ícone sobre o estado em que o alimento foi produzido.

Em uma roda de conversa, peça a cada grupo que apresente o mapa que elaborou aos colegas, a fim de que possam comparar os diferentes tipos de alimentos produzidos na região e o caminho que percorrem até serem consumidos no lugar de vivência dos estudantes.

2. Os estudantes devem responder que o objetivo do projeto é restaurar a vegetação da Caatinga no estado da Bahia. As comunidades aplicam técnicas com base em conhecimentos tradicionais para conservar e restaurar áreas. Uma maneira é evitar que o gado se alimente de brotos de espécies nativas.

Área em processo de desertificação em Gilbués (PI), em 2022.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

TCT: Saúde: educação alimentar e nutricional.

ENCAMINHAMENTO

Comente com os estudantes as práticas sustentáveis no campo, evidenciando a agricultura orgânica como um meio para cuidar do ambiente e da saúde das pessoas.

Outras práticas sustentáveis que podem ser comentadas com os estudantes são as utilizadas pelas comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto. Entre elas, praticam-se a extração de recursos naturais, a agricultura familiar e a criação do gado em locais de pastagem coletivos, que pertencem a toda a comunidade.

Explique também o consórcio nas entrelinhas, que é a prática agrícola de se cultivar uma segunda espécie vegetal nas áreas entre as linhas de cultivo de uma cultura principal.

Em Você detetive, os estudantes podem apontar sugestões como agricultura familiar, reflorestamento, agroecologia, proteção de terras tradicionais, aprovação de leis ambientais mais rígidas e definição de políticas públicas específicas para minimizar os impactos ambientais. Promova uma roda de conversa com a turma para socializar as respostas. Proponha aos estudantes que façam uma apresentação ao final da atividade, que pode fazer parte de uma campanha de conscientização a ser divulgada entre a comunidade escolar.

Práticas sustentáveis no campo

Muitos dos produtores do Nordeste praticam a agricultura orgânica. Essa modalidade é utilizada por produtores que têm como objetivo o cuidado com o ambiente e a saúde das pessoas.

Agricultura orgânica é um tipo de agricultura no qual não são utilizados pesticidas nem adubos químicos, além de haver cuidados com a qualidade do solo e o uso da água.

Na agricultura orgânica, os produtores adotam maneiras naturais de combater pragas, como a introdução de animais que se alimentam delas. Também são utilizados adubos orgânicos, geralmente produzidos a partir de resíduos orgânicos do próprio estabelecimento rural, que são reaproveitados. Além disso, há rotação de culturas para que o solo possa se regenerar e manutenção de vegetação nativa para diminuir a erosão.

Outra prática sustentável é o fecho e fundo de pasto. Ela é desenvolvida por povos tradicionais e consiste na utilização coletiva de áreas para a realização das atividades pecuárias, especialmente a criação do gado bovino, caprino e ovino. O método contribui para a conservação do solo e da vegetação nativa, além de fortalecer a relação entre agricultores e criadores de gado, o que aumenta o sentimento de pertencimento à comunidade.

Trabalhador rural conhecido como fecheiro maneja gado em área comunitária, em Correntina (BA), em 2024.

1 Por que os alimentos cultivados na agricultura orgânica são considerados mais saudáveis? Anote no caderno.

Os estudantes devem apontar que esse tipo de agricultura não utiliza pesticidas e adubos químicos que podem ser prejudicais à saúde de seres humanos.

VOCÊ DETETIVE

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1. Pesquisem duas possíveis ações para ajudar a reduzir os impactos ambientais e sociais negativos das atividades econômicas rurais no Nordeste.

2. Em uma roda de conversa, compartilhem suas respostas e soluções.

Sugestão para o professor

FONTES, Humberto Rolemberg; MARTINS, Carlos Roberto. Consórcio nas entrelinhas. Embrapa, Brasília, DF, 8 dez. 2021. Disponível em: www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tec nologica/cultivos/coco/producao/sistema-de-cultivo/consorcio-de-culturas/consorcio-nas -entrelinhas. Acesso em: 14 set. 2025.

O artigo oferece informações sobre a prática de consórcio nas entrelinhas na região litorânea do Nordeste.

SALATI, Paula. Gente do campo: conheça as comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto. G1, 30 abr. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/agro-a -industria-riqueza-do-brasil/noticia/2022/04/30/gente-do-campo-conheca-as-comunidades -tradicionais-de-fundo-e-fecho-de-pasto.ghtml. Acesso em: 14 set. 2025.

A reportagem apresenta informações sobre as comunidades de fundo e fecho de pasto.

ANDRE DIB/PULSAR
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DIÁLOGOS

Desigualdades no campo

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

Na região Nordeste, a estrutura fundiária no espaço rural é marcada pela elevada concentração de terra. Embora existam muitas propriedades pequenas, elas ocupam uma área reduzida do total de terras da região. A maior parte da área está nas mãos de poucas pessoas, enquanto muitos trabalhadores rurais não têm a posse da terra.

A atual distribuição de terras no Nordeste e no Brasil está ligada à divisão do território em capitanias hereditárias, ao histórico de ocupação, à escravidão e à produção assentada na grande propriedade e na monocultura.

Esses fatores dificultaram, e até impediram, o acesso de diversos grupos sociais à terra. Os maiores prejudicados foram a população pobre, os povos indígenas e africanos escravizados e seus descendentes.

Grande propriedade rural em Paty do Alferes (RJ), cerca de 1885. A alta concentração de terras é uma característica histórica do campo brasileiro.

Estrutura fundiária: forma como as terras estão distribuídas em determinado local.

Essa distribuição desigual acontece de forma diferente entre as regiões brasileiras. Na região Sul, por exemplo, a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários é menor. Essa situação é resultado das políticas de distribuição de pequenos lotes de terra no Sul para os imigrantes europeus feita pelo governo brasileiro nos séculos 19 e 20.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Converse com os colegas e escreva no caderno quais são os motivos da alta concentração de terras nas mãos de poucas pessoas no Brasil e no Nordeste.

2 Com a ajuda do professor, escreva no caderno as razões pelas quais as regiões Nordeste e Sul apresentam estruturas fundiárias distintas.

Texto de apoio

95

01/10/2025 11:19

A questão fundiária no Brasil se arrasta há séculos, gerando muita polêmica, conflitos e tentativas fracassadas de solução. O Nordeste, em especial, onde historicamente as atividades do campo desempenham importante papel econômico e social, mesmo diante das intempéries climáticas da semiaridez, é a região brasileira com maior concentração de população rural [...].

[...]

Vale salientar, logo nesse primeiro momento, que de acordo com Aguiar et al. (2006), a questão da distribuição fundiária é um dos aspectos mais importantes em qualquer processo de desenvolvimento agrícola [...]

MEDEIROS, Cleyber Nascimento de. Mapeamento da concentração da posse da terra na região Nordeste e no estado do Ceará: 1970/2006. Textos para Discussão, Fortaleza, n. 115, jan. 2016. Disponível em: www. ipece.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/45/2014/02/TD_115.pdf. Acesso em: 15 set. 2025.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

TCT: Economia: trabalho.

ENCAMINHAMENTO

Comente com os estudantes o fato de que a atual distribuição desigual de terras do Nordeste se relaciona diretamente ao regime da escravidão, à produção agrícola baseada na grande propriedade e ao processo de ocupação do território ao longo da história.

1. Espera-se que os estudantes indiquem como principal motivo o processo histórico de colonização, que foi alicerçado na grande propriedade de base monocultora, principalmente nos cultivos de cana-de-açúcar, café, cacau, e na criação de gado bovino. Além disso, eles podem mencionar o regime de escravidão que vigorou no Brasil e que não permitia que o escravizado tivesse acesso à terra.

2. Espera-se que os estudantes relacionem a maior concentração de terras da região Nordeste aos fatores ligados ao agronegócio de base monocultora para exportação, enquanto a região Sul apresenta menor concentração de terras nas mãos de poucas pessoas por causa da distribuição de pequenas propriedades a imigrantes europeus que chegaram no fim do século XIX e início do século XX.

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BNCC

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

ENCAMINHAMENTO

Após o estudo mais aprofundado da zona rural no Nordeste, neste capítulo será abordada a área urbanizada dos municípios. Se possível, em arquivos públicos, jornais locais ou livros de memorialistas, busque fotografias antigas de alguns municípios da região. Traga também fotografias atuais desses mesmos municípios e apresente-as à turma. Em seguida, pergunte: quais são as semelhanças entre uma fotografia e outra? E quais são as diferenças? Há mais vegetação na fotografia antiga ou na atual? E construções?

Siga os questionamentos de acordo com os elementos que estiverem em evidência nas fotografias. Espera-se que, por meio da comparação, os estudantes comecem a perceber algumas características do processo de urbanização da região, que serão aprofundadas ao longo do capítulo.

Incentive os estudantes a descrever os elementos urbanos de suas próprias cidades, como vias, construções, equipamentos públicos e espaços de lazer, articulando-os com os exemplos apresentados no Livro do estudante. Estimule-os também a contar o que sabem sobre a formação e a organização atual do município. Eles podem citar centros e periferias, áreas históricas e bairros novos, ou áreas mais comerciais em contraste com áreas residenciais.

2 CIDADES DO NORDESTE

1. Espera-se que os estudantes façam uma descrição da paisagem urbana do município onde vivem. Eles podem descrever como são as vias de circulação e mencionar a quantidade de construções, a presença de equipamentos como escolas, hospitais, bibliotecas, espaços de lazer, entre outros.

A cidade é o espaço urbano de um município. Em geral, nesse espaço estão concentradas pessoas, construções, vias de circulação e atividades econômicas diversas.

É comum que o espaço urbano apresente mais infraestrutura que o campo, como ruas e avenidas pavimentadas, postos de saúde, hospitais, escolas, entre outros equipamentos.

Infraestrutura: estrutura básica necessária para o desenvolvimento de diversas atividades humanas.

Também é uma característica da cidade concentrar comércios, indústrias e serviços que nem sempre estão presentes no campo. São exemplos os grandes supermercados, bancos, fábricas de produtos variados e espaços de cultura e lazer, como cinemas, teatros e casas de espetáculos.

Concentração de prédios e construções em Maceió (AL), em 2022.

As cidades não são apenas espaços onde grande parte das pessoas mora e trabalha. Elas guardam histórias, mudam com o tempo e se organizam de formas diferentes. Vamos conhecer melhor as cidades da nossa região: como elas surgiram, como se transformaram ao longo do tempo e como se organizam hoje em dia.

1 Descreva os elementos presentes na paisagem da cidade do município onde você mora.

Sugestão para o professor

PONTES, Beatriz Maria Soares; CASTILHO, Cláudio Jorge Moura de (org.). As cidades históricas do Nordeste brasileiro. Recife: UFPE, 2021. Disponível em: https://editora.ufpe.br/ books/catalog/view/263/272/796. Acesso em: 16 set. 2025.

Ao longo da obra, é apresentado o panorama da formação de algumas cidades históricas do Nordeste, como Salvador, Cachoeira, Porto Seguro, Bom Jesus da Lapa e São Félix (Bahia), São Luís (Maranhão), Recife e Olinda (Pernambuco), Marechal Deodoro (Alagoas), João Pessoa (Paraíba), São Cristóvão (Sergipe), Icó e Juazeiro do Norte (Ceará).

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Primeiras cidades do Nordeste

A partir de 1500, com a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, as paisagens passaram a ser transformadas intensamente. Com a exploração do pau-brasil, uma parte significativa da Mata Atlântica foi desmatada. A partir da década de 1530, os primeiros povoados e vilas do território brasileiro surgiram com a implantação do sistema de capitanias hereditárias. Muitos desses núcleos estavam localizados no Nordeste, como o povoado de São Cristóvão de Sergipe d’EI Rei (atual São Cristóvão, em Sergipe) e as vilas de Olinda (Pernambuco) e de São Salvador da Bahia de Todos-os-Santos (atual Salvador, na Bahia).

Com o crescimento populacional e urbano, muitos povoados e vilas se tornaram cidades. Alguns povoamentos se tornaram cidades mais cedo, como Salvador, em 1549; outros mais tarde, como Recife, em 1823.

As primeiras cidades nordestinas cresceram e seus bairros assumiram diferentes funções. As funções dependiam da localização dos bairros em relação ao porto marítimo, que era a principal via de chegada e partida de pessoas e mercadorias. Geralmente, as cidades se dividiam em:

• Cidade Alta: ponto privilegiado, como o alto dos morros, onde se tinha uma visão ampla da região.

• Cidade Baixa: área mais baixa, próxima ao mar ou às margens de rios. Concentrava depósitos de armazenamento comercial, portos marítimos e fluviais.

Fluvial: referente a rio.

Vista da cidade de Salvador, de autor não identificado, 1860. Aquarela sobre papel, 29,1 cm × 46,7 cm.

1 Descreva a imagem considerando o porto marítimo e a divisão em cidade alta e baixa.

A imagem mostra Salvador a partir do mar. Nela, é possível visualizar a cidade baixa, em primeiro plano, e a cidade alta, em segundo plano.

2 Na cidade do município onde você vive existe alguma divisão do espaço semelhante à divisão em cidade alta e baixa?

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor

BNCC

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

ENCAMINHAMENTO

Retome com a turma o que já estudaram sobre os impactos ambientais no Nordeste, no Capítulo 2 da Unidade 1. Peça a eles que analisem novamente o mapa Nordeste: degradação ambiental (2023), na página 41, observando o trecho de Mata Atlântica que foi desmatado.

Peça aos estudantes que observem a imagem da página. Se possível, trabalhe em interdisciplinaridade com Arte, solicitando que prestem atenção às cores, às formas e à representação da cidade de Salvador na aquarela. Caso julgue interessante apresentar a obra com mais detalhes, é possível exibi-la ampliada por meio da seguinte página: BRASILIANA ICONOGRÁFICA. Vista da cidade de Salvador, 1860. Disponível em: https://www. brasilianaiconografica.art.br/ obras/19810/vista-da-cidade -de-salvador. Acesso em: 16 set. 2025.

01/10/2025 12:10

SANTOS, Milton. O centro da cidade de Salvador: estudo de geografia urbana. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2024. Originalmente a tese de doutorado de seu autor, o geógrafo baiano Milton Santos, o livro analisa não só o centro da cidade de Salvador, mas também o Recôncavo Baiano e o estado da Bahia, vistos em perspectiva nacional e mundial.

Promova a comparação entre temporalidades e incentive os estudantes a reconhecer transformações nas paisagens e funções urbanas. Proponha uma discussão sobre como a colonização impactou a organização das cidades e sobre o papel estratégico de portos e bairros no desenvolvimento econômico e social do Nordeste colonial. 2. Resposta de acordo com o município dos estudantes. Caso a cidade do município de vivência não apresente essas características, pergunte aos estudantes se eles percebem algum tipo de divisão diferente dessa, como entre centro e periferia.

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BNCC

(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.

ENCAMINHAMENTO

Trabalhe com os estudantes os dados numéricos apresentados na página em interdisciplinaridade com Matemática. Solicite a eles que reorganizem os dados sobre a população residente na área urbana e na área rural ao longo do tempo em gráficos ou tabelas.

Explique que os dados indicados foram retirados dos Censos 2010 e 2022 (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População por situação do domicílio. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https:// censo2022.ibge.gov.br/pa norama/. Acesso em: 16 set. 2025; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Sinopse do Censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. Disponível em: https://www.ibge.gov. br/estatisticas/sociais/sau de/9662-censo-demografi co-2010.html?=&t=destaques. Acesso em: 7 out. 2025). Explique que, no processo de urbanização, a vegetação nativa geralmente é retirada para dar lugar a casas, prédios e ruas. O solo passa por um processo de impermeabilização, para facilitar a circulação de veículos automotores. Construções antigas são demolidas para dar espaço a edifícios mais modernos.

1. Os estudantes podem indicar a presença de edifícios altos, postes com fiação elétrica e construção de um muro na margem do rio.

2. Os estudantes podem indicar a permanência de dois edifícios, um deles sendo a Assembleia Legislativa do estado de Pernambuco.

Urbanização e transformação das paisagens

Em 1960, a cada 100 habitantes da região Nordeste, 34 viviam nas cidades. Em 1980 esse número aumentou para aproximadamente 50 a cada 100. Já em 2022, de acordo com o Censo Demográfico daquele ano, cerca de 78 pessoas a cada 100 viviam no espaço urbano do Nordeste.

A região passou por um acelerado processo de urbanização. Isso aconteceu por causa da industrialização e da maior oferta de empregos nas cidades, o que levou à migração em massa de pessoas vindas do campo.

Urbanização é o processo de crescimento das cidades e aumento da população que vive no espaço urbano.

O processo de urbanização causou a transformação das paisagens urbanas do Nordeste. Observe as fotografias.

Assembleia legislativa provincial de Pernambuco e arredores, em Recife (PE), por volta de 1910.

Assembleia legislativa de Pernambuco e arredores, em Recife (PE), em 2021.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Quais mudanças são visíveis nessa localidade ao longo do tempo?

2 Quais aspectos da paisagem permaneceram?

Sugestão para os estudantes

MARIANO, Igo. Meu Recife, minha cidade. Ilustrações: Milena Assunção. Natal: Timbú, 2023. O escritor pernambucano Igo Mariano apresenta diversas informações e lugares de memória de Recife (PE) nesse livro. Caso os estudantes vivam em Pernambuco, convide-os a ler a narrativa e a comparar o que já sabiam do município com o que aprenderam ao longo da leitura. Caso eles vivam em outros estados do Nordeste, estimule a leitura e a comparação entre a história de Recife com a de municípios de seu próprio estado.

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O crescimento das cidades é percebido pela expansão da mancha urbana

Mancha urbana é a área onde há concentração de construções da cidade e onde a circulação de pessoas e mercadorias é mais intensa.

Observe as imagens de satélite a seguir, que mostram o aumento da mancha urbana de Teresina, capital do Piauí, e de Timon, no Maranhão, ao longo do tempo.

3 Quais são as diferenças entre as quatro imagens de satélite de Teresina e Timon? Anotem a resposta no caderno.

4 Quais transformações vocês acham que ocorreram na paisagem de Teresina e de Timon? Anotem a resposta no caderno.

Espera-se que os estudantes levantem hipóteses sobre as mudanças causadas pela urbanização de Teresina e de Timon, como o desmatamento da vegetação nativa e o surgimento de novas construções. Entre 1985 e 2020, houve um grande crescimento da mancha urbana da área representada, em razão da urbanização das cidades de Teresina e Timon.

Texto de apoio

Conhecendo a audiodescrição

01/10/2025 12:10

Em linhas gerais, a audiodescrição traduz imagens em palavras para que pessoas cegas e com baixa visão possam ter acesso ao seu conteúdo (Franco e Silva, 2010, p. 23).

O recurso também amplia o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, com TDAH, autistas, disléxicos, idosos e outras pessoas sem deficiência (Motta, 2016, p. 2).

Qual a importância da audiodescrição para as pessoas com deficiência visual?

Na falta da visão, as imagens mentais são construídas através de outras pistas, mas sem a audiodescrição, faltam muitas informações. As imagens enfeitam, reforçam ou compõem a informação. [...]

INSTITUTO FEDERAL DA PARAÍBA. A audiodescrição e o uso dos seus princípios nas descrições informais. João Pessoa: IFPB, 20 jul. 2021. Disponível em: https://www.ifpb.edu.br/assuntos/fique-pordentro/a-audiodescricao-e-o-uso-dos-seus-principios-nas-descricoes-informais. Acesso em: 16 set. 2025.

Verifique se os estudantes compreendem o conceito de mancha urbana. Se possível, apresente imagens de satélite do município onde a escola se situa. Questione se conseguem identificar a mancha urbana, ou seja, a área com maior concentração de construções da cidade.

Explique aos estudantes que as imagens de satélite ajudam a observar e a compreender a expansão da mancha urbana. Encaminhe a atividade de observação das imagens da página de modo que os estudantes comparem duas fotografias por vez.

Pergunte: o que há de diferente entre as fotografias de Teresina em 1985 e em 1996? E entre 1996 e 2010? Por fim, questione: quais são as diferenças entre as imagens de 2010 e 2020?

Uma possibilidade, a fim de tornar a atividade mais inclusiva, é solicitar a alguns estudantes que elaborem uma audiodescrição de cada uma das imagens. Explique que a audiodescrição é uma técnica de descrição de imagens que torna textos visuais mais acessíveis. Ao elaborar a descrição de cada uma das fotografias, espera-se que os estudantes consigam identificar quais áreas foram tomadas pela mancha urbana ao longo do tempo.

Após a discussão oral e a identificação das mudanças, solicite aos estudantes que respondam às questões propostas na página, anotando as respostas no caderno.

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As imagens de satélite mostram a mancha urbana de Teresina (PI) e Timon (MA) em 1985, 1996, 2010 e 2020.
Teresina (PI)
Teresina (PI)
Teresina (PI)
Teresina (PI)
Timon (MA)
Timon (MA)
Timon (MA)
Timon (MA)

BNCC

(EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.

(EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.

Organize-se

• Papel vegetal

• Lápis de cor

ENCAMINHAMENTO

Durante a leitura do texto da página, incentive os estudantes a perceber como as cidades do Nordeste estão organizadas em rede e a compreender o papel de metrópoles, capitais regionais e centros locais. Explique que as capitais regionais podem ser divididas entre capitais regionais A, B e C, por ordem de influência. Isso também acontece com os centros sub-regionais e os centros de zona, que podem ser divididos em A e B.

Em seguida, proponha um diálogo comparativo entre a realidade do município dos estudantes e as hierarquias urbanas mais amplas, instigando a percepção das diferenças e semelhanças intrarregionais. É essencial favorecer que os estudantes verbalizem seus raciocínios e compartilhem suas observações com a turma.

Certifique-se de que os estudantes percebam que as metrópoles nordestinas concentram maior diversidade de serviços e influenciam capitais regionais, centros sub-regionais e locais. Comente que habitantes de cidades de menor porte podem precisar se deslocar para obter um atendimento médico mais específico ou ter acesso a serviços de lazer, por exemplo.

Rede urbana do Nordeste

Existem cidades com variados tamanhos populacionais no Nordeste. Elas estão interligadas entre si em uma rede urbana e exercem influência umas sobre as outras. Essa relação de influência das cidades maiores sobre as menores é denominada hierarquia urbana

Rede urbana é uma interligação entre cidades. Dentro dessa interligação, elas formam um sistema de fluxo de pessoas, de mercadorias e de informações. Hierarquia urbana é a ordem de influência das cidades em uma rede urbana.

Em geral, as cidades grandes, como as capitais dos estados nordestinos, oferecem um conjunto maior de serviços que as cidades menores. Elas têm hospitais que realizam procedimentos cirúrgicos mais complexos, universidades, grandes supermercados e centros comerciais.

Metrópole é um grande centro urbano que concentra diversas funções e exerce influência sobre uma determinada área.

Essas cidades apresentam mais atividades econômicas e dispõem de maior oferta de bens e serviços. Elas estão no posto mais alto da hierarquia urbana da região. As capitais estaduais Aracaju, Maceió, Natal, Teresina, São Luís e João Pessoa e cidades como Juazeiro do Norte, Caruaru e Vitória da Conquista estão logo abaixo na hierarquia e são consideradas capitais regionais.

Texto de apoio

Nas duas últimas décadas, as cidades paraibanas passaram por processos de reestruturação urbana e econômica que foram responsáveis por conduzir a construção de novos arranjos e dinâmicas na rede urbana. [...] As cidades ora apresentadas foram alvos de transformações em suas estruturas urbanas, diante da ampliação da oferta de serviços educacionais e de saúde, assim como da dinamização ocorrida nos setores comercial, financeiro e informacional. Dessa forma, a rearticulação observada na rede urbana paraibana se deve à multiplicação no número de hierarquias urbanas, que se deu a partir da inserção e multiplicação dos conteúdos anteriormente mencionados. [...] OLIVEIRA, Tayan Araújo de; GOMES, Rita de Cássia da Conceição. Reconfigurações na rede urbana paraibana: os papéis urbano-regionais desempenhados pelos centros sub-regionais e centros de zona. Geotemas, Pau dos Ferros, v. 14, 2024. Disponível em: https://periodicos.apps.uern.br/index.php/GEOTemas/article/view/6187/4432. Acesso em: 16 set. 2025.

Cidade de Fortaleza (CE), em 2022. Fortaleza é a maior cidade da região Nordeste e a quarta maior do Brasil.
A região Nordeste conta com três metrópoles: Fortaleza, Recife e Salvador.

O esquema e o mapa mostram como se organiza a hierarquia urbana da região Nordeste.

Capitais

Nordeste: hierarquia urbana (2018)

1 São os principais núcleos urbanos da região.

2 São núcleos urbanos importantes, com grande grau de influência.

3 Exercem influência sobre vários municípios em seu entorno.

4 São cidades de menor porte e que influenciam poucas cidades vizinhas.

5 São cidades de influência restrita aos limites do próprio município.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Regiões de influência das cidades 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. p. 12.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Observe o mapa Nordeste: hierarquia urbana (2018). Anote no caderno o centro urbano mais influente do estado onde você vive.

2 Imaginem esta situação-problema: vocês precisam auxiliar um morador de uma pequena cidade do Nordeste que busca acesso a serviços médicos especializados.

a) Em quais cidades da região você recomendaria que essa pessoa procurasse esses serviços? Expliquem o motivo no caderno.

b) Com o auxílio do professor, elaborem um mapa da região Nordeste com a localização dessas cidades para ajudar a família.

Sugestão para os estudantes

1. Caso os estudantes vivam no Maranhão, eles devem indicar a capital regional São Luís. Caso eles vivam no Piauí, espera-se que apontem a capital regional Teresina. Se eles vivem no Ceará, devem apontar a metrópole Fortaleza. Caso vivam no Rio Grande do Norte, devem apontar a capital regional Natal. Caso vivam na Paraíba, devem apontar a capital regional João Pessoa. Caso vivam em Pernambuco, espera-se que indiquem a metrópole Recife. Se eles vivem em Alagoas, devem indicar a capital regional Maceió. Se eles vivem em Sergipe, devem apontar a capital regional Aracaju. Por fim, se viverem na Bahia, devem indicar a metrópole Salvador.

2. a) Espera-se que os estudantes apontem que as cidades Fortaleza, Recife e Salvador apresentam maior acesso a esse tipo de serviço, já que são metrópoles com grande número de habitantes e maior disponibilidade de serviços médicos.

12:10

COLEÇÃO A cidade da gente. São Paulo: Olhares, c2025. Disponível em: https://acidadeda gente.com.br/livros. Acesso em: 16 set. 2025. Com livros produzidos por estudantes das escolas públicas municipais, a coleção apresenta o espaço e o patrimônio de diferentes cidades. Entre as cidades retratadas estão Crato (Ceará), João Pessoa (Paraíba) e Timon e Balsas (Maranhão).

Na aba Atividades do site, há orientações de como os estudantes podem mapear os espaços que fazem parte de sua própria cidade.

2. b) Oriente os estudantes a fazer o contorno do mapa Nordeste: hierarquia urbana (2018) em um papel vegetal e a localizar as metrópoles da região: Fortaleza, Recife e Salvador. Eles também podem usar ferramentas digitais, que fornecem imagens de satélite, para obter a base cartográfica necessária. Peça aos estudantes que pintem a representação cartográfica que elaboraram e criem uma legenda com a indicação das cidades localizadas por eles.

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SONIA VAZ
Metrópoles

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

ENCAMINHAMENTO

Incentive os estudantes a perceber como as atividades econômicas impactam diretamente seu cotidiano, identificando indústrias, comércios e serviços presentes em seu município.

Durante a observação do mapa Nordeste: indústria (2022), explique que na Bahia existem os centros industriais de Aratu, nos municípios de Simões Filho e Candeias, e do Subaé, em Feira de Santana. Em Aratu existem indústrias de metais, eletrônicos, bebidas e fertilizantes. Em Subaé são produzidos bens como alimentos, bebidas, peças de metal, medicamentos e produtos químicos.

1. Os estudantes devem apontar que há maior concentração de indústrias nas áreas próximas às capitais estaduais. Os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará se destacam com maior quantidade de empresas industriais de transformação.

Trabalho na cidade

As principais atividades econômicas do espaço urbano do Nordeste são a indústria, o comércio e a prestação de serviços

Na região Nordeste, é possível destacar o polo industrial de Camaçari, na Bahia. Esse polo conta com empresas do setor petroquímico, químico, farmacêutico, metalúrgico, automotivo, de celulose e de fertilizantes.

Em Pernambuco, há o Complexo Industrial Portuário de Suape, situado nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. Nele há produção petroquímica, naval, siderúrgica, alimentícia e de bebidas.

O Ceará é referência nacional na produção da indústria têxtil. As principais indústrias do setor estão situadas em municípios próximos a Fortaleza, e parte importante da sua produção é exportada para países da América Latina.

No mapa, observe a distribuição da atividade industrial na região.

Nordeste: indústria (2022)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cadastro central de empresas. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/9528. Acesso em: 4 ago. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

1 Analise o mapa Nordeste: indústria (2022). Em quais áreas há maior concentração de indústrias na região?

Sugestão para o professor

DINIZ, Daniel. Indústria mais RN 45. Entrevistadora: Juliska Azevedo. [S. l.]: Fiern, 21 set. 2023. Podcast. Disponível em: https://www.fiern.org.br/podcast-industria-mais-rn-entrevista -reitor-da-ufrn-daniel-diniz/. Acesso em: 16 set. 2025.

O podcast Indústria Mais RN é produzido pela Unidade de Comunicação da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern). No episódio indicado, é realizada uma entrevista com o reitor, à época, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Durante sua fala, o entrevistado destaca a importância da UFRN em rankings nacionais e internacionais de empreendedorismo.

Natal
João Pessoa
Maceió
Aracaju
Recife
Teresina
SONIA VAZ

Além da atividade industrial, as cidades do Nordeste apresentam grande concentração de comércio e de prestação de serviços. No início de 2025, a cada 100 pessoas que trabalhavam na região, aproximadamente 71 estavam relacionadas ao comércio e à prestação de serviços, 18 à indústria e à construção civil e 11 à agropecuária e ao extrativismo.

O turismo é uma atividade de prestação de serviços que se destaca na região Nordeste. Os centros históricos de cidades como Recife e Olinda (PE), Salvador (BA) e São Luís (MA) são reconhecidos como patrimônios mundiais pela Unesco e atraem turistas do Brasil e do mundo.

A região também conta com belas paisagens naturais. Praias urbanas como Boa Viagem, em Recife (PE), Tambaú, em João Pessoa (PB), Ponta Negra, em Natal (RN), Pajuçara, em Maceió (AL), e Iracema, em Fortaleza (CE), são muito procuradas por turistas brasileiros e estrangeiros.

A atividade turística movimenta a economia de diversos centros urbanos e comunidades rurais da região. No entanto, a falta de investimentos em infraestrutura por parte do setor público é uma questão a ser remediada para que o turismo possa aproveitar todo o potencial das paisagens do Nordeste.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

2 Quais tipos de comércio e serviços existem no município onde vocês moram? Citem um exemplo de cada no caderno.

3 Quais são os pontos turísticos das cidades do estado onde vocês vivem? Vocês já visitaram algum desses lugares? Anotem no caderno.

Atividade complementar

Estimule os estudantes a reconhecer os diferentes tipos de comércio, serviços e pontos turísticos existentes em sua realidade local e regional, compreendendo como essas atividades integram a dinâmica econômica, social e cultural do município e do estado.

Trabalhe os dados numéricos apresentados na página, certificando-se de que os estudantes compreendam o que significam. É possível trabalhar em interdisciplinaridade com Matemática, construindo um gráfico ou uma tabela com a indicação da proporção de pessoas no Nordeste que trabalham no comércio e na prestação de serviços, na indústria e na construção civil e na agropecuária e no extrativismo.

Caso as informações sejam trabalhadas no formato de gráfico, é possível dispô-las de forma acessível, com o auxílio de um ábaco, por exemplo. Para descobrir mais propostas para tornar a leitura de gráficos mais inclusiva, veja: SIMULADOR de gráfico para deficientes visuais. Publicado por: IBGE. 2016. 1 vídeo (ca. 14 min). Disponível em: https://you tu.be/XoHt1-OYBsQ. Acesso em: 16 set. 2025.

01/10/2025 12:10

Proponha uma pesquisa em que os estudantes vão identificar e valorizar diferentes formas de trabalho da comunidade. Espera-se que, dessa maneira, compreendam sua importância para a economia local e para a vida cotidiana, ao mesmo tempo que analisam como essas atividades impactam a paisagem urbana.

A pesquisa consistirá em uma entrevista em família ou na comunidade sobre os diferentes tipos de trabalho realizados no município, composta das seguintes perguntas:

a) Qual é o seu trabalho? Há quanto tempo você o realiza?

b) O que mudou nesse trabalho ao longo dos anos?

c) Qual é a importância dele para a cidade ou o bairro?

Os registros podem ser feitos em forma de texto, desenho, gravação de áudio, vídeo ou fotografias. Explique que, caso haja registro de voz ou imagem do entrevistado, deve ser solicitada sua autorização.

2. Resposta de acordo com o município onde os estudantes vivem. Eles podem citar variados tipos de comércio, como lojas de roupas, de eletrônicos, supermercados, e de prestação de serviços, como telefonia, oficinas mecânicas, lavanderias, entre outros.

3. Resposta de acordo com o estado dos estudantes. É possível realizar uma pesquisa no site do governo do estado a respeito dos pontos turísticos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Casario colonial e igrejas no centro histórico de Salvador (BA), em 2025.
Banhistas na praia de Pajuçara em Maceió (AL), em 2022.

BNCC

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

(EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.

Organize-se

• Lápis de cor

ENCAMINHAMENTO

Incentive os estudantes a perceber, de forma integrada, como o campo e a cidade não são espaços isolados, mas complementares, que articulam consumo e produção. Solicite a eles que imaginem como um pequeno produtor da área rural pode utilizar meios de comunicação para gerir sua produção. Espera-se que os estudantes concluam que ele pode entrar em contato com informações sobre crédito a produtores rurais, por exemplo, vinculadas a órgãos sediados na cidade; também pode fazer uso das redes de comunicação para estabelecer contatos que permitam a comercialização de sua produção na área urbana.

Crie situações em que os estudantes possam compartilhar experiências pessoais, como viagens a áreas rurais ou urbanas. Questione como se deslocaram (por estradas pavimentadas ou sem pavimentação, por avião ou por barco, por exemplo). Verifique se conseguem relacionar suas experiências com o mapa Nordeste: redes de transporte (2021).

Interdependência entre campo e cidade

Campo e cidade são dois espaços bem diferentes, com características próprias, mas que estão conectados por fluxos de mercadorias, pessoas e informações, em uma relação de interdependência. A produção de alimentos e matérias-primas no campo abastece a cidade. Por sua vez, na cidade predominam atividades industriais que produzem itens também consumidos no espaço rural. No Ceará, por exemplo, o algodão produzido no campo é destinado principalmente à indústria têxtil localizada nas cidades. Com essa matéria-prima, são fabricados tecidos e roupas. Além disso, há geração de emprego e renda tanto no espaço rural quanto no urbano. No sul da Bahia, sobretudo nos municípios de Ilhéus e Itabuna, há grande produção de cacau. Esse fruto é a matéria-prima do chocolate, que é produzido em indústrias geralmente localizadas nas cidades.

O espaço urbano também concentra maior diversidade de comércio e serviços. Por isso, atraem pessoas do espaço rural que muitas vezes não têm acesso a eles em seu lugar de vivência.

Por fim, as redes de comunicação atuais permitem a troca de informações entre o campo e a cidade de forma quase instantânea. O que acontece no campo é noticiado na cidade em pouco tempo e vice-versa.

Esse fluxo de mercadorias e pessoas no Nordeste acontece por meio de uma rede de transportes composta de rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. Observe o mapa.

Nordeste: redes de transporte (2021)

Fonte: INSTITUTO

BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 149.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Explique como as principais cidades da região estão conectadas ao restante do Nordeste. Anote no caderno.

Os estudantes devem responder que as principais cidades estão conectadas por variadas construções de infraestrutura, como rodovias, portos e aeroportos.

Texto de apoio

[...] Um levantamento que nasce para diminuir a expressiva ausência de pessoas do Nordeste nas coberturas da imprensa nacional. O Guia Nordeste de Fontes Jornalísticas, elaborado pelo Observatório da Vida Agreste (OVA) da UFPE, do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), se somou à Cajueira, curadoria do jornalismo independente nos estados do Nordeste, na confecção do primeiro banco de fontes nordestinas do país.

O levantamento faz parte da nova Rede Cajueira, plataforma que agrega um banco de profissionais da comunicação baseados no Nordeste e ainda um agregador de notícias dos veículos de jornalismo independente da região. [...]

OBSERVATÓRIO da Vida Agreste, do CAA-UFPE, e Cajueira atuam juntos na criação do primeiro banco de fontes do Nordeste. Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 24 nov. 2023. Disponível em: https://www.ufpe.br/cac/destaques/-/asset_publisher/5oMn4ZTTDJpm/content/observatorio-da-vidaagreste-do-caa-ufpe-e-cajueira-atuam-juntos-na-criacao-do-primeiro-banco-de-fontes-do-nordeste/40615. Acesso em: 17 set. 2025.

SONIA VAZ

Esses fluxos revelam que cidade e campo não são espaços isolados. Leia a história em quadrinhos.

COM O TIO FRANCISCO.

VAMOS AO SÍTIO DELE NAS FÉRIAS.

COM QUEM A MAMÃE ESTÁ CONVERSANDO?

MÃE, QUANTO TEMPO LEVA O VOO DE RECIFE A PETROLINA?

TIO FRANCISCO!

UMAS DUAS HORAS, FILHA.

VOCÊS VIERAM BEM NA ÉPOCA DA COLHEITA! AGORA ESSAS MANGAS VÃO SER TRANSPORTADAS E VENDIDAS EM TODO O PAÍS.

NOSSA, QUE LEGAL, TIO!

OLHA, PAI! SÃO AS MANGAS DO TIO CHICO!

OLÁ, BIANCA! MINHA QUERIDA!

POIS É, FILHA. AS MANGAS VIERAM LÁ DE PETROLINA!

2 Qual é o produto cultivado no campo e consumido na cidade mencionado nos quadrinhos?

Os estudantes devem identificar que o produto é a manga.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

3 No caderno, desenhem as etapas pelas quais o produto cultivado na história passou, desde o plantio no campo até a sua venda na cidade.

Produção pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Sugestão para o professor

01/10/2025 15:06

NEVES, Karina Fernanda Travagim Viturino. Relação cidade-campo: estudo da produção do conhecimento na ciência geográfica brasileira a partir dos anais dos Encontros Nacionais de Geografia Agrária (Enga). 2010. Dissertação (Mestrado em Geografia) — Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2010. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/19762/1/KARI NA%20NEVES.pdf. Acesso em: 17 set. 2025.

A partir dos anais dos Encontros Nacionais de Geografia Agrária (Enga) de 1978 a 2009, a autora estabelece uma análise das transformações nas relações sociais de produção e de trabalho que aconteceram no Brasil a partir da década de 1960.

Divida os estudantes em grupos de quatro integrantes e peça que façam a leitura da história em quadrinhos de modo que cada um fique responsável pelas falas de um personagem. Em seguida, proponha uma breve dramatização da situação. Ao realizar a dramatização, espera-se que os estudantes representem o processo em ordem sequencial. Dessa maneira, poderão dramatizar também o plantio, os cuidados necessários com a mangueira durante o crescimento, a colheita, o transporte até a cidade, a venda nos espaços de comércio (como feiras e supermercados) e, por fim, o consumo pela população. Acolha as diferentes formas de expressão dos estudantes, entendendo que a atividade privilegia não apenas a memorização das falas da história em quadrinhos, mas também a capacidade de organizar informações, representar processos e compreender relações entre espaços geográficos. Essa atividade favorece o desenvolvimento do pensamento temporal e espacial, além de possibilitar a articulação interdisciplinar com Ciências da Natureza, ao estudar os ciclos de produção agrícola e os cuidados ambientais. 3. Os estudantes devem elaborar uma sequência de desenhos que ilustrem o processo de cultivo e colheita das mangas no campo e seu transporte e venda na cidade. Eles podem desenhar o plantio das mudas de manga, o crescimento das árvores, a colheita, seu transporte em caixas por meio de máquinas, como empilhadeiras e caminhões, sua chegada à cidade e venda em uma feira livre.

DUAS SEMANAS DEPOIS...

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

(EF03CO03) Aplicar a estratégia de decomposição para resolver problemas complexos, dividindo esse problema em partes menores, resolvendo-as e combinando suas soluções.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

Organize-se

• Folhas de papel sulfite

• Lápis de cor

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar o tema dos problemas urbanos, incentive os estudantes a elaborar hipóteses sobre as causas de cada um e se conseguem propor soluções para enfrentar esses desafios. Certifique-se de que eles compreendem os problemas ambientais e sociais associados ao crescimento desordenado das cidades.

Problemas urbanos

As paisagens do Nordeste foram bastante transformadas pelos processos de urbanização e industrialização. A construção de moradias, a pavimentação de ruas e avenidas e a instalação de fábricas alteram profundamente a paisagem natural e causam impactos no meio ambiente, com consequências para a população.

A grande concentração de pessoas existente no espaço urbano requer infraestrutura para evitar e reduzir a poluição das águas, do ar e do solo. O descarte inadequado de resíduos e a ausência de coleta e tratamento de esgoto estão entre os principais problemas urbanos da região Nordeste. De cada 100 domicílios da região, 83 têm coleta de lixo e apenas 43 estão conectados à rede de esgoto.

Resíduo: material descartado após o uso pelos seres humanos. Os resíduos podem ser reutilizados ou reciclados.

Quando os resíduos não recebem o descarte adequado e o esgoto não é coletado e tratado, eles acabam contaminando o solo e a água, o que favorece a disseminação de doenças entre a população.

No Livro do estudante, o tema é aprofundado com exemplos visuais e dados sobre coleta de lixo e rede de esgoto, permitindo aos estudantes compreender como questões estruturais impactam diretamente a qualidade de vida nas cidades nordestinas. Verifique se os estudantes têm alguma dificuldade na compreensão dos dados apresentados. Uma possibilidade é trabalhar em interdisciplinaridade com Matemática, elaborando conjuntamente uma tabela e um gráfico com os dados de quantos municípios do Nordeste têm e quantos não têm acesso à rede de esgoto e à coleta de lixo.

Descarte irregular de resíduos em Natal (RN), em 2024.
Canal contaminado com esgoto em Caucaia (CE), em 2022.

O crescimento das cidades muitas vezes ocorre de maneira desordenada. Por conta da desigualdade social, a população mais pobre se vê obrigada a ocupar áreas de risco, como as encostas de morros, de modo irregular.

A retirada da vegetação para a construção de moradias deixa o solo mais suscetível à erosão em períodos de fortes chuvas, o que torna essas áreas sujeitas a desastres como deslizamentos de terra. Frequentemente, o poder público falha em não realocar a população para áreas seguras, e esses desastres ambientais causam muitas vítimas.

VOCÊ DETETIVE

Produção pessoal. Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1. Com o auxílio do professor, pesquise problemas urbanos significativos na região onde você mora, como descarte inadequado de resíduos, poluição da água, do solo e do ar, entre outros.

a) Escolha um problema urbano. Explique como ele é causado e quais são suas consequências para as pessoas e o meio ambiente.

b) Se for possível mapear a localização desse problema urbano, elabore um croqui com a localização dele.

c) Depois, pesquise medidas e atitudes que possam melhorar a situação. Essas medidas podem ser tomadas pelo poder público e pela população.

2. Com o material pesquisado, organize uma apresentação para mostrar o que você descobriu. Use a representação cartográfica elaborada para localizar o problema e fotografias ou desenhos para ajudar a explicá-lo. Exponha, também, as soluções encontradas.

3. A apresentação pode ser feita para outras turmas da escola ou para a comunidade escolar.

Sugestão para o professor

Na seção Você detetive, espera-se que os estudantes atentem às questões urbanas mais próximas da realidade deles, buscando compreendê-las e analisar criticamente suas causas e consequências.

Trabalhe a proposta em articulação com a habilidade EF03CO03 da BNCC da computação, dividindo um problema em partes menores. Assim, antes da representação cartográfica, os estudantes serão levados a identificar questões como o descarte inadequado de resíduos, a poluição da água, do solo e do ar, entre outras, e pensar em suas causas, como falta de infraestrutura, ausência de políticas públicas, consumo excessivo e hábitos inadequados da população. Por fim, deverão listar suas consequências, como impactos ambientais, prejuízos à saúde da comunidade e degradação das paisagens urbanas, antes de representar o problema em um mapa. Nesse processo, espera-se que desenvolvam não apenas competências geográficas, mas também uma postura cidadã, capaz de compreender causas, consequências e responsabilidades sociais e políticas diante dos desafios urbanos. Eles também devem identificar que órgão público é o responsável pela solução do problema.

01/10/2025 12:10

SANTOS JÚNIOR, José Amilton et al. Resíduos sólidos: o desafio da educação ambiental na comunidade rural de Uruçu – Gurinhém/PB. Educação Ambiental em Ação, v. 9, n. 35, mar./maio 2011. Disponível em: https://www.revistaea.org/pf.php?idartigo=982. Acesso em: 17 set. 2025. O artigo apresenta um projeto de tratamento de resíduos sólidos que foi realizado na comunidade de Uruçu, em Gurinhém, na Paraíba. Entre as atitudes adotadas pelos membros da comunidade, estão a realização de mutirão de limpeza, a aquisição e a distribuição de tambores para coleta seletiva, a recomposição da flora de áreas degradadas pelo depósito de lixo e a confecção de artesanato, como bijuterias, a partir de materiais reutilizáveis.

Os estudantes podem produzir um croqui simples indicando a localização do problema, prática que fortalece o uso da linguagem cartográfica e o exercício da espacialização.

Lonas nas encostas para evitar deslizamentos durante as chuvas em bairro de Recife (PE), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

TCTs: Meio ambiente: educação ambiental; Multiculturalismo: diversidade cultural.

ENCAMINHAMENTO

O Livro do estudante apresenta exemplos como Canudos (Bahia), Jaguaribara (Ceará) e Glória (Bahia), cidades que foram destruídas, inundadas ou transferidas em razão de conflitos e construções de grandes obras de infraestrutura.

Recomenda-se realizar a leitura do texto de modo a ampliar a compreensão sobre os impactos sociais, culturais e ambientais desses processos. Como aprofundamento, pode-se explorar a dimensão emocional e identitária da população deslocada, estimulando debates sobre os pontos positivos e negativos associados a grandes projetos de infraestrutura.

Caso julgue interessante, apresente outros exemplos de cidades que tiveram grande parte de seu território alterada por processos naturais e históricos. Podem ser citados Casa Nova, Pilão Arcado, Sento Sé e Remanso, na Bahia, que foram inundadas para a construção da hidrelétrica de Sobradinho. Já Rodelas e Barra do Tarrachil, também na Bahia, além de Itacuruba e Itaparica, em Pernambuco, foram alagadas para a construção da usina Luiz Gonzaga. Comente que essas alterações radicais no território de uma cidade podem ter fortes impactos na vida de comunidades tradicionais e ribeirinhas. O alagamento da cidade de Itacuruba, por exemplo, levou todo o povo pankará que ocupava a região a ser deslocado para uma nova localização.

Cidades que mudam de local DIÁLOGOS

Você já imaginou uma cidade inteira deixar de existir? Ou um local que foi cheio de vida virar uma cidade-fantasma? Isso já aconteceu e ainda acontece em algumas localidades do Brasil. As cidades estão sempre em movimento: algumas crescem e se desenvolvem, e outras desaparecem ou são deslocadas de seu território original. Acompanhe alguns exemplos.

No final do século 19, Canudos, na Bahia, chegou a ter cerca de 25 mil habitantes. Foi considerada uma ameaça ao governo da época devido à influência do religioso Antônio Conselheiro (1830-1897). Após vários conflitos, que ficaram conhecidos como a Guerra de Canudos (1896-1897), a cidade foi completamente destruída pelo Exército em 1897. O território original foi submerso pelas águas do Açude Cocorobó, construído nas décadas de 1950 e 1960. A atual cidade de Canudos foi reconstruída em outra área, próxima à antiga. Em períodos de estiagem, ainda é possível visualizar ruínas da antiga Canudos.

Açude: reservatório de água para usos diversos, como abastecimento, agricultura ou geração de energia. Estiagem: seca, falta de chuvas.

Com a construção da Barragem de Itaparica, nos anos 1980, a antiga cidade baiana de Glória foi inundada. Suas ruínas podem ser vistas quando o nível do reservatório está baixo.

Texto de apoio

Barragem: represamento de água para geração de energia em usina hidrelétrica.

A Usina Hidrelétrica de Sobradinho é um dos maiores lagos artificiais do mundo, com 4 214 km² de área e capacidade para armazenar 32,2 km³ de água. Situada no norte do estado da Bahia, foi construída na década de 1970. A UHE Luiz Gonzaga, também conhecida como Lago de Itaparica, foi construída em 1988 e tem uma área inundada de 150 km, com uma superfície de 83 400 hectares nos estados da Bahia e de Pernambuco. Além de impactos ambientais, a maior consequência, e que se estende até os dias atuais, são os impactos humanos. Em Itacuruba, a prefeitura chegou a pedir, no início da década de 2010, ajuda ao governo do estado e ao Ministério da Saúde para instalar um centro de acolhimento transitório, dedicado exclusivamente para cuidar da saúde mental da população. Na época, quase um terço dos moradores adultos tinha prescrição médica para tratamentos com remédios antidepressivos e similares.

Ruínas da Igreja de Santo Antônio, da antiga Canudos, e, ao fundo, Açude Cocorobó no Parque Estadual de Canudos, em Canudos (BA), em 2021.

No Ceará, a cidade de Jaguaribara foi alagada para a construção do Açude Castanhão, o maior reservatório de água do estado. Seus antigos moradores foram transferidos para Nova Jaguaribara, uma cidade planejada.

Em 1963, a cidade de Barra Velha, em Minas Gerais, na região Sudeste, foi inundada para a construção do reservatório da Usina Hidrelétrica de Furnas. A cidade de São José da Barra foi planejada e construída para receber muitos moradores da antiga Barra Velha. As ruínas de Barra Velha atualmente se encontram sob as águas do reservatório de Furnas.

1 Identifique uma semelhança nas histórias das cidades que desapareceram na Bahia, no Ceará e em Minas Gerais.

2 Como vocês acham que as pessoas se sentiram saindo de suas casas contra a própria vontade? Conversem sobre pontos positivos e negativos na construção de obras como as citadas no texto.

DESCUBRA MAIS

NARRADORES de Javé. Direção: Eliane Caffé. Brasil, 2003. 1 vídeo (100 min). O filme retrata as dificuldades de uma comunidade prestes a desaparecer em razão da construção de uma represa.

Se possível, exiba trechos de Narradores de Javé, indicado na seção Descubra mais. O filme tematiza a perda do território de uma comunidade devido à construção de uma represa. Com base no filme, estimule os estudantes a refletir sobre os sentimentos da população ao ser retirada de seu lugar de origem e a discutir as contradições entre desenvolvimento econômico e preservação da vida comunitária. Por fim, eles podem relacionar essas experiências com realidades semelhantes de sua região, fortalecendo o vínculo entre conteúdo escolar e vivências locais.

1. As cidades foram inundadas para a construção de açudes ou barragens, ou seja, foram inundadas para obras de infraestrutura. Espera-se que os estudantes percebam que essa não é uma situação restrita ao âmbito regional, pois são indicadas cidades tanto do Nordeste quanto do Sudeste no texto.

01/10/2025 12:10

Muitos anos se passaram, os cenários mudaram, mas as lembranças ficaram. É o que conta a cacique Pankará, Cícera Leal. Ela, assim como todo seu povo, foi retirada da antiga Itacuruba para uma nova localização. “Foi muito doloroso ver uma população toda sendo transferida na incerteza do que poderia vir pela frente. Toda uma identidade cultural foi deixada para trás. Éramos um povo que tinha seu hábitat natural baseado na agricultura, pesca e caça. Estávamos deixando submersa nas águas do reservatório do lago de Itaparica toda uma riqueza que, na sombra da dúvida, enchia nossos corações de medo de não termos nesse novo espaço as mesmas certezas de terra com grande fertilidade, fauna e flora abundantes [...].

GOES, Azael; CAVALCANTE, Juciana. Cidades submersas pelo São Francisco guardam saudades e tristezas. Comitê da Bacia hidrográfica do Rio São Francisco, Belo Horizonte, 1º mar. 2021. Disponível em: https://cbhsaofrancisco.org.br/noticias/novidades/cidades-submersas-pelo-sao-francisco-guardam -saudades-e-tristezas/. Acesso em: 17 set. 2025.

2. Auxilie os estudantes a compreender os pontos positivos e negativos dessas construções. Eles podem apontar como ponto positivo a construção de obras de infraestrutura que podem ser utilizadas coletivamente. Como ponto negativo, eles podem indicar a remoção de pessoas de seus lugares de vivência, ocasionando mudanças nos seus modos de vida.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Veja respostas e orientações no Encaminhamento.
Usina hidrelétrica de Furnas em São José da Barra (MG), em 2024.

BNCC

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da prefeitura e da câmara de vereadores etc.) e identificar suas funções.

ENCAMINHAMENTO

1. Organize com os estudantes uma visita guiada à sede de algum órgão do poder público municipal. É interessante que eles entendam as funções de cada órgão e como ele está organizado. Após a visita, é possível solicitar um breve texto sobre o que eles acharam mais interessante.

Espaços de memória nas cidades

Nas cidades ficam as sedes das instituições que administram os municípios e os estados. Elas formam o poder público

Poder público é o conjunto de instituições que organiza a vida coletiva da população.

No Nordeste, muitos desses órgãos públicos estão em prédios históricos, que ajudam a contar e preservar a história e a memória das cidades e das pessoas que nela vivem. Em São Cristóvão, no estado de Sergipe, por exemplo, a câmara municipal funciona em uma construção do século 18. Esse prédio fica na Praça São Francisco, considerada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Outro exemplo é a cidade de Cachoeira, na Bahia, onde a câmara municipal ocupa uma construção do século 18 que também serviu de sede para o governo provisório durante a luta pela independência da Bahia, entre 1822 e 1823.

Essas construções não são apenas locais de trabalho, mas também símbolos da história, das culturas e das lutas políticas das populações nordestinas. Por isso, é importante conhecê-las, visitá-las e preservá-las como parte dos patrimônios das cidades.

Prédio da câmara municipal no centro histórico de Aracaju (SE), em 2024.

Veja orientações no Encaminhamento.

1 Com auxílio do professor, organizem uma visita guiada à prefeitura ou à câmara municipal da cidade onde está localizada a escola de vocês.

Texto de apoio

Uma das estratégias utilizadas para a valorização dos patrimônios histórico-culturais consiste na sua articulação com as práticas pedagógicas no sentido de possibilitar a sua apropriação pelos membros de uma determinada comunidade. Dentre elas podemos citar as aulas-passeio e mais recentemente o turismo pedagógico [...].

O turismo pedagógico torna-se mais consistente quando promove o conhecimento acerca dos lugares não institucionalizados pelas políticas públicas de preservação do patrimônio, porém reveladores de experiências de vida de grupos sociais específicos, os denominados lugares de memória.

CUTRIM, Kláutenys Dellene Guedes et al. Turismo pedagógico e apropriação dos lugares de memória em São Luís (MA). Revista Turismo & Cidades, São Luís, v. 1, n. 2, jul./dez. 2019. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/turismoecidades/article/view/12379. Acesso em: 17 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Nas cidades existem diversos espaços de memória, como praças, estátuas e nomes de ruas. Esses espaços podem contar a história de uma comunidade, valorizando acontecimentos históricos, pessoas ou movimentos sociais importantes para o local. É uma forma de valorizarmos a luta pela cidadania e igualdade em nosso país.

Em 2023, por exemplo, foi inaugurado em Salvador, capital da Bahia, o monumento a Maria Felipa, uma mulher negra liberta nascida na Ilha de Itaparica, no estado da Bahia, que trabalhava como marisqueira.

Monumento a Maria Felipa em Salvador (BA), em 2023.

Apesar de a Independência do Brasil ter sido declarada em 7 de setembro de 1822, existiram diversos conflitos pelo Brasil para expulsão definitiva dos portugueses de todo o território. Alguns deles resultaram na Independência da Bahia, em 2 de julho de 1823. Esses conflitos contaram com a atuação de diversos personagens como Maria Felipa, uma figura importante até hoje na tradição oral das cidades do Recôncavo Baiano e de Itaparica e nas comemorações anuais de 2 de julho em Salvador. A Independência da Bahia é feriado estadual.

2 Leia um trecho de reportagem sobre Maria Felipa.

Ela [Maria Felipa] é retratada como uma mulher negra, marisqueira, que trabalhava na indústria baleeira, e sobretudo, uma das grandes heroínas da guerra da independência do Brasil e da Bahia, em 2 de julho de 1823, quando finalmente houve a rendição e fuga dos portugueses.

SILVEIRA, Evanildo da. Quem foi Maria Felipa, a escravizada liberta que combateu marinheiros portugueses e incendiou navios. BBC News Brasil, 6 ago. 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62353785. Acesso em: 18 ago. 2025.

A presença de prédios como prefeituras, câmaras municipais e assembleias legislativas mostra como o poder público ocupa espaços importantes nas cidades. Esses edifícios, muitas vezes considerados patrimônios históricos, são símbolos da vida política, das decisões públicas e da relação entre o povo e o governo. Muitos desses prédios foram construídos há séculos e testemunharam momentos marcantes da história regional. Uma possibilidade de aprofundamento do tema é solicitar aos estudantes que pesquisem a origem de nomes de lugares de memórias no entorno da escola, como o próprio nome da escola, o da rua onde está localizada, o do bairro e o de outros locais próximos.

• Em seu lugar de vivência, existem espaços que buscam valorizar a memória de mulheres e de pessoas negras? Explique a importância de valorizarmos essa memória.

Sugestão para os estudantes

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

01/10/2025 12:10

VALLE, Cássia; PALMEIRA, Luciana. Felipa. Ilustrações: Leonardo Malavazzi. Sumaré: Mostarda, 2025. (Coleção Meu primeiro Black Power).

O livro apresenta a história de Maria Felipa em uma perspectiva antirracista, ressaltando o papel protagonista de pessoas negras na história do Brasil. A narrativa adapta para o público infantojuvenil a pesquisa realizada pelas autoras para recuperar dados dessa importante figura histórica.

2. Resposta de acordo com o lugar de vivência dos estudantes. Eles devem reconhecer a importância de valorizar a memória de grupos excluídos, como mulheres e pessoas negras, que é uma forma de promover a cidadania e a igualdade no Brasil. Nesse momento, inicie um diálogo em sala de aula sobre a importância dos povos africanos e afrodescendentes na formação das culturas brasileiras e, por consequência, do Nordeste do Brasil. Verifique se há nomes de logradouros públicos no município, por exemplo, que homenageiam mulheres e pessoas negras. Discuta a origem desses nomes com os estudantes, levando-os a refletir sobre como esses grupos foram retratados ao longo da história.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A seção Para rever o que aprendi oferece um momento de sistematização dos conteúdos desenvolvidos ao longo da unidade, criando a oportunidade de consolidar aprendizagens. As questões propostas envolvem o reconhecimento de paisagens rurais e urbanas, a produção de audiodescrição, a identificação das atividades econômicas predominantes no campo e na cidade, bem como a análise dos impactos ambientais decorrentes das ações humanas nos espaços urbanos do Nordeste.

Espera-se que os estudantes consigam, ao responder às atividades, distinguir com clareza as características dos espaços rural e urbano.

1. b) Os estudantes podem apontar diferenças como a quantidade de construções presentes na paisagem urbana, além da presença de veículos automotores e de ruas asfaltadas. Na paisagem rural, há poucas construções e bastante vegetação nativa. 1. c) Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes desenvolvam uma audiodescrição das paisagens retratadas. Eles devem apontar detalhes das fotografias para que pessoas com deficiência visual e com baixa visão possam entender o que está retratado. Ressalte que essa técnica também é inclusiva para pessoas com deficiência intelectual, pessoas com transtorno do espectro autista, pessoas idosas e outras, com e sem deficiência. É interessante que eles enfatizem as características urbanas e rurais presentes nas fotografias.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1 Observe as fotografias.

a) Qual fotografia retrata uma paisagem rural e qual fotografia retrata uma paisagem urbana?

Os estudantes devem identificar que a fotografia 1 retrata uma paisagem rural e a fotografia 2 retrata uma paisagem urbana.

b) Quais diferenças você observa entre as duas paisagens retratadas?

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

c) Elabore um texto de audiodescrição para cada fotografia. Evidencie elementos das paisagens característicos do campo e da cidade.

Dica: Audiodescrição é um texto gravado em áudio que permite uma imagem ser traduzida em palavras, tornando-a compreensível para pessoas que não podem enxergá-la.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

2 Quais são as principais atividades de trabalho desenvolvidas no campo?

As principais atividades desenvolvidas no campo são o extrativismo e a agropecuária.

3 Quais são as principais atividades de trabalho desenvolvidas na cidade?

As principais atividades desenvolvidas na cidade são o comércio, a indústria e a prestação de serviços.

Sugestão para o professor

II WEBINAR de acessibilidade e inclusão da UPE. Publicado por: UPE – Universidade de Pernambuco. 2024. 1 vídeo (ca. 100 min). Disponível em: https://youtu.be/sr7h7ln2Qpo. Acesso em: 17 set. 2025. No evento, além da discussão de políticas de inclusão adotadas pela Universidade de Pernambuco (UPE), são apresentados parâmetros gerais sobre como respeitar a Lei Brasileira de Inclusão e tornar o ambiente educacional mais acessível para todos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Madalena (CE), em 2023. Arapiraca (AL), em 2022.

4 Explique como as atividades humanas transformam os espaços urbanos do Nordeste e quais são os principais problemas ambientais decorrentes.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

5 Observe as fotografias do município de Luís Eduardo Magalhães, no estado da Bahia.

a) Quais são as diferenças entre as duas fotografias?

b) O que explica a diferença entre as imagens?

6 Com base no que você estudou, explique o que são espaços de memória nas cidades e por que eles são importantes.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

1. Faça uma avaliação do trabalho que você realizou durante os estudos. Para isso, utilize a escala a seguir.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento. Aprendi. Aprendi parcialmente. Não aprendi.

• Aprendi como está organizado o espaço rural do Nordeste?

• Aprendi quais são os principais impactos ambientais no campo?

• Aprendi sobre a urbanização e as transformações urbanas no Nordeste?

• Aprendi como a rede urbana do Nordeste está organizada?

• Aprendi quais são as principais atividades econômicas desenvolvidas nas cidades do Nordeste?

• Aprendi sobre os problemas urbanos no Nordeste?

• Aprendi o que são os espaços de memória nas cidades do Nordeste? Espera-se que os estudantes possam revisar cada assunto que compõe os capítulos estudados, com base em temáticas principais. É fundamental auxiliá-los a cada tópico com a retomada de ideias construídas ao longo das conversas em sala de aula.

Texto de apoio

É importante incentivar a participação ativa e a verbalização dos raciocínios dos estudantes sempre que possível. Dessa maneira, são favorecidos o debate coletivo e a construção de respostas em grupo, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada um.

4. Espera-se que os estudantes compreendam que a industrialização e a urbanização transformam as cidades do Nordeste. A construção de moradias, a pavimentação de ruas e avenidas, e a instalação de fábricas, entre outras atividades, podem gerar problemas ambientais, como contaminação do solo, da água e do ar, a diminuição da área ocupada originalmente pela fauna e pela flora do local etc.

5. a) Os estudantes devem apontar que houve grande expansão da mancha urbana do município, com a construção de muitas edificações ao redor das estradas que existiam em 1984. Além disso, houve grande desmatamento para dar lugar às construções da cidade e para o desenvolvimento de atividades agropecuárias.

01/10/2025 12:10

Partindo do pressuposto de que “ninguém melhor que o sujeito que aprende para conhecer o que realmente sabe” (MENDÉZ, 2002, p. 18) cabe não negligenciar na escolha de instrumentos de avaliação tais que promovem a autoavaliação do aluno. É mais uma técnica de avaliação da aprendizagem escolar que o professor poderá usar em suas práxis pedagógicas. Esta técnica permite ao aluno participar de maneira proativa e, sobretudo, promotora no processo de ensino e aprendizagem. Este, por sua vez, assume atitude crítica e responsabiliza-se por seus atos, avalia suas potencialidades e fraquezas, analisa o que aprendeu e em que precisa melhorar.

CONCEIÇÃO, José Luis Monteiro da. Instrumentos de avaliação formativa: panorama e percepção docente. 2018. Dissertação (Mestrado em Educação) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2018. Disponível em: https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/11519/2/JOSE_LUIS_MONTEIRO_CONCEICAO.pdf. Acesso em: 17 set. 2025.

5. b) Espera-se que os estudantes apontem que o processo de urbanização de Luís Eduardo Magalhães e o desenvolvimento de atividades econômicas no espaço rural transformaram radicalmente a paisagem.

6. Os espaços de memória nas cidades podem ser praças, estátuas, construções e nomes de ruas. Esses espaços são importantes porque contam a história das comunidades que lá vivem e do Brasil.

Luís Eduardo Magalhães (BA), em 1984. Luís Eduardo Magalhães (BA), em 2020.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

A unidade propõe aos estudantes a reflexão sobre a população nordestina e o futuro do Nordeste, buscando o entendimento sobre quem são os habitantes da região e quais são as perspectivas para o futuro.

No Capítulo 1, os estudantes são convidados a refletir sobre a composição da população e sua diversidade. Também poderão estudar o crescimento e o envelhecimento da população da região. As diversas correntes migratórias relacionadas ao Nordeste serão abordadas, bem como migrações recentes, de retorno e migrações externas. Ao estudar as condições de vida, os estudantes poderão entender algumas das causas que levam à desigualdade social.

O Capítulo 2 aborda como se constrói a cidadania na região Nordeste. Para isso, são estudados os movimentos sociais, os direitos dos povos e das comunidades tradicionais e ações de combate ao racismo. Como exemplo de exercício de cidadania na região, é analisado o uso de cartografia participativa em uma comunidade remanescente de quilombo de Pernambuco. A fim de entender as perspectivas que delineiam o futuro do Nordeste, são abordadas as características do desenvolvimento regional, incluindo a região do Semiárido. Também são vistas ações que auxiliam a construir um desenvolvimento mais sustentável, como o uso de fontes de energia renovável e a presença de Unidades de Conservação no Nordeste.

UNIDADE POPULAÇÃO E FUTURO DO NORDESTE 4

Objetivos da unidade

• Identificar aspectos da população do Nordeste, como sua composição e distribuição ao longo do território.

• Entender os principais motivos dos movimentos migratórios relacionados à região.

• Compreender indicadores e dinâmicas da população do Nordeste.

• Analisar os fatores determinantes da desigualdade social no Nordeste.

• Reconhecer os direitos de povos e comunidades tradicionais.

• Reconhecer a importância de ações de combate ao racismo e da cartografia participativa na construção de uma sociedade mais democrática.

• Compreender aspectos do desenvolvimento regional e as potencialidades socioambientais e turísticas do Semiárido.

• Valorizar práticas sustentáveis, como o uso de fontes de energia renovável e a proteção de Unidades de Conservação

Sugestão para o professor

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 O que está retratado na ilustração? Quais elementos mais chamam a sua atenção?

2 Como é a população do lugar onde você mora? Ela é numerosa ou pequena?

3 As pessoas que vivem no mesmo lugar que você têm as mesmas características, origens e costumes ou elas são diversas?

30/09/2025 22:08

NÓBREGA, Zulmira. A festa do maior São João do mundo: dimensões culturais da festa junina na cidade de Campina Grande. 2010. Dissertação (Doutorado em Cultura e Sociedade) — Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2010. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ bitstream/ri/8976/1/Zulmira%20Nóbrega.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.

A tese analisa as características da comemoração da festa de São João em Campina Grande, na Paraíba. Entre os aspectos estudados estão as atividades econômicas geradas pela festa, a transmissão midiática e a presença de brincadeiras ao longo das comemorações.

BNCC

Competências gerais da Educação Básica: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 9 e 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 4, 5, 6 e 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5 e 7.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE09, EF04GE01, EF04GE02, EF04GE06, EF04GE10, EF05GE01, EF05GE02, EF05GE12, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI05, EF03HI07, EF03HI09.

BNCC da computação: EF03CO03, EF03CO04, EF03CO07, EF05CO08.

TCTs: Economia: educação fiscal; Multiculturalismo: diversidade cultural e educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

1. Os estudantes devem responder que a ilustração mostra uma celebração da festa de São João. É possível ver muitas pessoas de diferentes idades, tipos físicos e etnias se divertindo, dançando e comendo pratos típicos, como maçã do amor, curau, milho verde, bolo de milho e mungunzá.

2. Incentive-os a descrever a população do lugar de vivência. Caso não saibam se a população do município é numerosa, solicite que façam uma pesquisa em meios digitais, como a página oficial da prefeitura.

3. Incentive os estudantes a descrever a população do lugar de vivência a partir da diversidade de origens e costumes.

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

ENCAMINHAMENTO

Ao comentar a periodicidade do Censo, explique aos estudantes que ele já sofreu adiamentos por motivos de força maior, como foi o caso da pandemia de covid-19. Espera-se que os estudantes compreendam que a entrevista realizada pelos recenseadores do IBGE é importante para coletar informações sobre a população brasileira, suas características e suas condições de vida. Com base nesses dados, os governos municipais, estaduais e federal podem elaborar políticas públicas mais eficientes.

Analise com a turma os dados apresentados no gráfico Brasil: população por região (2022). Verifique se os estudantes compreendem as informações presentes nele, bem como a indicação de que mais de um quarto da população do Brasil reside no Nordeste. Certifique-se de que os estudantes também percebam, pela análise do gráfico, que a região Nordeste tem a segunda maior população do Brasil. Relacione a concentração populacional da região com o processo histórico de formação territorial e de ocupação do litoral desde o período colonial.

116

POPULAÇÃO DO NORDESTE

A cada 10 anos, o Brasil realiza o Censo Demográfico para coletar dados a respeito da população brasileira. Por meio do Censo, ficamos sabendo de aspectos da população como quantidade de pessoas, sexo, cor, religião, escolaridade, condições de vida, renda, entre muitos outros. Os recenseadores do IBGE, instituição responsável pelo Censo, visitam todos os domicílios do país para entrevistar os moradores e coletar as informações.

Segundo os dados do Censo realizado em 2022, a região Nordeste apresentava aproximadamente 54,7 milhões de pessoas, mais de um quarto da população brasileira, que é de aproximadamente 203 milhões. Observe o gráfico.

Brasil: população por região (2022)

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022. ibge.gov.br/panorama/ index.html. Acesso em 2 jul. 2025.

Ainda de acordo com o Censo 2022, o estado mais populoso da região é a Bahia, e o estado que tem a menor população é o Sergipe.

1 Analise o gráfico Brasil: população por região (2022).

a) Qual é a região mais populosa do país?

A região mais populosa do Brasil é o Sudeste, com 84,8 milhões de habitantes.

b) Qual é a região menos populosa?

A região menos populosa é o Centro-Oeste, com 16,3 milhões de habitantes.

c) No caderno, liste as regiões brasileiras por ordem crescente de população. Qual é a posição do Nordeste com relação à população do Brasil?

Os estudantes devem elaborar uma lista na ordem: Centro-Oeste, Norte, Sul, Nordeste e Sudeste. O Nordeste é a segunda região mais populosa do Brasil.

Atividade complementar

Proponha aos estudantes que realizem um censo demográfico na escola. Eles podem fazer as entrevistas apenas entre a própria turma, com outras turmas que cursam o mesmo ano escolar, com turmas que estudam no mesmo período que eles ou com todas as turmas da escola. Adapte o recorte do censo a ser realizado por eles de acordo com a realidade escolar e a possibilidade de fazer as entrevistas com estudantes e funcionários da escola. Indique que eles deverão anotar o número total de estudantes entrevistados, a idade, a etnia, o sexo e o nível de escolaridade. Uma possibilidade é dividir os estudantes em grupos e somar as respostas coletadas ao final. Se possível, trabalhe em interdisciplinaridade com Matemática, criando tabelas e gráficos com os dados coletados pela turma.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1. Os estudantes devem responder que as áreas em cores mais escuras apresentam maior concentração de pessoas, ao passo que as mais claras têm menos habitantes.

Distribuição da população

A maior parte da população do Nordeste está localizada próxima ao litoral. Das nove capitais nordestinas, oito estão na faixa litorânea da região. Teresina, capital do Piauí, é a única situada no interior. Conforme você estudou anteriormente, os colonizadores europeus começaram a ocupar o território brasileiro pelo litoral. Por causa desse processo de ocupação, a densidade demográfica das áreas próximas ao litoral é maior do que em áreas situadas no interior da região.

Densidade demográfica é o número de habitantes por quilômetro quadrado, ou seja, o número total de habitantes de um local dividido pela sua área.

Nordeste: densidade demográfica (2022)

2. A população está concentrada nas áreas próximas ao litoral em todos os estados da região, nas capitais estaduais e em seus arredores.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 118.

1 O que as diferentes cores do mapa representam?

2 Localize no mapa o estado em que você mora e responda: onde está localizada a maior concentração de pessoas?

3 Quais são as áreas de menor densidade demográfica da região? Indique utilizando as direções cardeais.

Os estudantes devem apontar que áreas no interior da região apresentam menor densidade demográfica, como o oeste da Bahia e o sul do Piauí e do Maranhão.

Texto de apoio

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

ENCAMINHAMENTO

Explique que no litoral nordestino foram desenvolvidas as principais atividades econômicas e construídas as primeiras cidades. A ocupação do interior do território aconteceu em momento posterior.

Auxilie os estudantes durante a leitura do mapa Nordeste: densidade demográfica (2022). Espera-se que eles percebam que a análise do mapa permite afirmar que a distribuição da população na região Nordeste é desigual, com o maior contingente de pessoas ocupando a faixa litorânea.

30/09/2025 22:08

As regiões do Brasil, por sua vez, apresentam populações e taxas de crescimento bastante distintas [...], fruto de uma combinação de fatores, incluindo a economia local, oportunidades de emprego, migração e taxas de natalidade diferentes em cada uma delas, além da história particular dos processos históricos de povoamento e urbanização. [...] [...]

Assim como a dinâmica populacional é heterogênea entre as grandes regiões e entre estados, o mesmo se observa no interior de cada UF. [...] FUSCO, Wilson; OJIMA, Ricardo. Censo demográfico 2022: reflexões iniciais sobre a região Nordeste. Nota técnica Fundaj-Dipes. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 10 jul. 2023. Disponível em: www.gov.br/fundaj/ pt-br/composicao/dipes-1/publicacoes/relatorios-de-pesquisas/censo-demografico-2022-reflexoes-iniciaissobre-a-regiao-nordeste.pdf. Acesso em: 18 set. 2025.

Proponha aos estudantes que pesquisem no Censo demográfico de 2010 qual era a população do estado onde eles moram naquele ano. Em seguida, peça que comparem com os dados da população do Censo de 2022. Para realizar a consulta, eles podem acessar as páginas: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo2022. ibge.gov.br/panorama. Acesso em: 18 set. 2025; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. Disponível em: https://biblioteca .ibge.gov.br/index.php/ biblioteca-catalogo?view= detalhes&id=249230. Acesso em: 9 out. 2025.

Pergunte: a população se manteve, aumentou ou reduziu? Depois de escutar as respostas da turma, explique que, entre o Censo de 2010 e o de 2022, todos os estados do Nordeste tiveram crescimento populacional.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA VAZ

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03CO04) Relacionar o conceito de informação com o de dado.

ENCAMINHAMENTO

Analise os gráficos da página com os estudantes. Certifique-se de que conseguem compreender que eles apresentam como a população do Nordeste é diversa etnicamente, além de apontar a distribuição da população residente por sexo.

Retome com os estudantes a importância de os censos demográficos serem realizados periodicamente. Explique que eles oferecem elementos para que o Estado construa o planejamento econômico e a definição de políticas públicas específicas para a população.

Em Você detetive, para encontrar os dados da composição étnica e por sexo da população, os estudantes podem acessar o panorama do Censo 2022: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://censo 2022.ibge.gov.br/panorama. Acesso em: 18 set. 2025.

Utilize os dados encontrados por eles para construir, coletivamente, informações sobre a composição da população do estado onde eles vivem. Dessa forma, será possível trabalhar a habilidade EF03CO04 da BNCC da computação.

Composição da população

A população da região Nordeste é bastante diversa étnica e culturalmente. No questionário realizado pelo Censo, o recenseador pergunta ao morador como ele se declara em relação à sua cor ou raça. As opções são raça ou cor branca, preta, parda, amarela ou indígena.

A maior parte da população do Nordeste é parda. Isso é fruto da miscigenação entre brancos europeus, africanos e indígenas ocorrida na região desde o início da colonização.

Miscigenação: mistura de diferentes etnias.

No questionário aplicado pelo recenseador, a pessoa entrevistada também responde o seu sexo ao nascer. Há uma diferença considerável na quantidade de homens e mulheres na região Nordeste.

Observe os dados da região nos gráficos a seguir.

Nordeste: população residente, por cor ou raça (2022)

Nordeste: população residente, por sexo (2022)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/9605. Acesso em: 28 abr. 2025.

VOCÊ DETETIVE

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://sidra. ibge.gov.br/tabela/9514. Acesso em: 28 abr. 2025.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

1. Com auxílio do professor ou das pessoas que moram com você, pesquise a composição da população do estado onde você vive. Depois, compare os dados encontrados com os gráficos Nordeste: população residente, por cor ou raça (2022) e Nordeste: população residente, por sexo (2022) . Há muitas diferenças?

Sugestão para os estudantes

TÔRRES, Paola; TABAJARA, Auritha. Tuiupé e o maracá mágico. Ilustrações: Tai. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2024.

Paola Tôrres é uma escritora cordelista nascida em Pernambuco. Auritha Tabajara, nascida na aldeia de Ipueiras, no Ceará, é a primeira autora indígena a publicar cordéis no Brasil. Nesse livro, as escritoras apresentam a história de Tuiupé, uma menina indígena que mostra ao leitor as tradições e histórias de seu povo.

Verifique se o livro está disponível na biblioteca escolar e relacione sua leitura aos dados sobre a presença da população indígena no Nordeste. Certifique-se de que os estudantes entendem que o fato de ser a segunda população menos numerosa da região não a torna menos diversa.

Sexo Homens Mulheres
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
SONIA

Diversidade cultural no Nordeste

A variada composição étnica da população do Nordeste é reflexo das diferentes origens das pessoas que habitam a região. Essa diversidade também se reflete na grande variedade de manifestações culturais e artísticas, como danças, ritmos musicais, culinária, religião, contos e lendas.

O reisado é uma tradição que faz referências à religião cristã, legado dos europeus, mas também a elementos das culturas populares de outros povos que compõem o Nordeste, como os povos africanos escravizados e seus descendentes e os povos indígenas. O reisado é considerado patrimônio imaterial de Pernambuco desde 2014.

Grupo Reisado Mirim da Comunidade Remanescente de Quilombo Inhanhum em Santa Maria da Boa Vista (PE), em 2023.

O Aragwaksã é um ritual que ocorre todo ano em comemoração ao reconhecimento do território pataxó. Acontece desde 1998 e pode durar até três dias. Durante a festa, os Pataxó realizam rituais como o Awe, batizados, casamentos, danças e cantos. Participam da festa os Pataxó que vivem na aldeia Reserva da Junqueira, mas também os que vivem em outros locais e outros povos indígenas. O tambor de crioula é uma expressão cultural afro-brasileira com dança circular, canto e tambores. Sua origem está ligada à história de resistência dos povos africanos escravizados e seus descendentes no Maranhão. É considerado patrimônio imaterial pelo Iphan desde 2007.

Indígenas pataxó na aldeia Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro (BA), em 2024.

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

Grupo Tambor de Crioula Coroa de São Benedito na Comunidade Remanescente de Quilombo Santa Rita em Bequimão (MA), em 2024.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 Explique por que o reisado, o Aragwaksã e o tambor de crioula são manifestações culturais que mostram a diversidade da população do Nordeste.

2 Reflita sobre alguma manifestação cultural e artística do estado onde você vive. Você sabe qual é a origem dela?

Sugestão para o professor

119

30/09/2025 22:08

ARAGWAKSÃ 2023. Publicado por: Instituto Pataxó de Etnoturismo. 2025. 1 vídeo (ca. 6 min). Disponível em: www.youtube.com/watch?v=ygLcGMKqZnE. Acesso em: 18 set. 2025. O vídeo entrevista alguns dos participantes do Aragwaksã celebrado em 2023, revelando sua importância para a manutenção das tradições do povo pataxó. Se possível, exiba alguns trechos do vídeo para os estudantes, questionando quais foram suas impressões sobre o ritual e como ele mostra a diversidade cultural da região.

ENCAMINHAMENTO

1. As três expressões culturais se relacionam à história e às culturas dos europeus, africanos e indígenas que formaram a população do Nordeste. 2. Resposta de acordo com o estado onde os estudantes vivem. Eles podem elencar manifestações culturais como danças, ritmos musicais, artesanato, entre outros. Auxilie a turma na pesquisa sobre a origem da manifestação em fontes confiáveis.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

ENCAMINHAMENTO

Verifique se os estudantes compreendem de que forma a população de determinado lugar pode aumentar ou diminuir, seja pelo número de nascimentos (natalidade), seja pelo número de mortes (mortalidade), seja pela migração.

Conduza a discussão sobre o tema evidenciando outros fatores que levaram a população a ter menos filhos, como o aumento do custo de vida e o maior acesso a métodos contraceptivos.

Ao observar o gráfico Brasil e grandes regiões: taxa de fecundidade (1940-2022), os estudantes poderão perceber como a taxa de fecundidade vem diminuindo na região Nordeste e nas outras regiões do Brasil. A proposta pode ser ampliada organizando a turma em seis grupos, cada um responsável por representar uma região ou os dados totais da taxa de fecundidade no Brasil.

Distribua um barbante de cor diferente a cada grupo. Em um suporte mais resistente, como papelão ou papel-cartão, deixe traçados os eixos do gráfico na malha quadriculada. Componha também as indicações de anos e quantidade de filhos. Em seguida, peça a cada grupo que cole o barbante no papelão ou papel-cartão. Eles devem atentar aos pontos indicados na malha quadriculada, reproduzindo os dados do gráfico. Essa atividade pode ser trabalhada em interdisciplinaridade com Matemática.

Crescimento da população

A população de determinado local cresce quando o número de nascimentos é maior que o número de mortes dentro do período selecionado, geralmente um ano. Ela também pode crescer caso receba muitos imigrantes.

Taxa de natalidade é o número de nascidos vivos ao longo de um ano em determinado local.

Taxa de mortalidade é o número de mortes ao longo de um ano em determinado local.

Taxa de fecundidade é a estimativa do número médio de filhos que uma mulher teria ao longo de sua vida fértil em determinado local.

Nas últimas décadas, houve um aumento da atuação das mulheres no mercado de trabalho e de sua participação no sustento familiar. As mulheres passaram a estudar por mais anos e a ter maior acesso a métodos de controle de natalidade. Esses fatores levaram as mulheres a ter menos filhos, o que diminuiu o tamanho das famílias e desacelerou o crescimento da população.

Brasil e grandes regiões: taxa de fecundidade (1940-2022)

Sudeste Brasil Sul Centro-Oeste Norte

Fonte: BELLO, Luiz; RUBINSTEIN, Licia. Censo 2022 mostra um país com menos filhos e menos mães. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, 30 jun. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/ agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43837-censo-2022-mostra-um-pais-com-menos-filhos -e-menos-maes#:~:text=por%20grupos%20religiosos.-,Em%201960%2C%20a%20Taxa%20de%20 Fecundidade%20Total%20(TFT)%20do,e%201%2C60%20no%20Nordeste. Acesso em: 18 ago. 2025.

1 O que é possível perceber analisando os dados mostrados no gráfico?

Os estudantes devem identificar a queda da fecundidade em todas as regiões do Brasil ao longo do tempo.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Envelhecimento da população

As regiões Nordeste e Norte são as que apresentaram a maior redução do número de nascimentos nos últimos anos. Comparando os anos de 2000 e 2023, o número de nascimentos no Nordeste diminuiu de 1,1 milhão para 705,6 mil pessoas, enquanto no Norte a queda foi de 377 mil para 285 mil, segundo informações do IBGE. No Brasil, houve a redução de nascimentos de 3,6 milhões em 2000 para 2,5 milhões em 2023.

Além disso, de modo geral, a população brasileira está vivendo mais. A soma desses fatores resulta no envelhecimento da população. Leia o texto a seguir.

A população brasileira está envelhecendo rapidamente e atingiu um dos maiores índices de envelhecimento do mundo. De acordo com o recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2023, a proporção de idosos no Brasil quase duplicou. Em 2070, os idosos deverão representar cerca de 38% da população, passando dos atuais 33 milhões, em 2023, para 75,3 milhões. [...]

FRACCARO, Paulo Henrique. O rápido envelhecimento da população brasileira ameaça sobrecarregar o SUS. CNN Brasil, 10 set. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/forum-opiniao/o-rapido -envelhecimento-da-populacao-brasileira-ameaca-sobrecarregar-o-sus/. Acesso em 18 ago. 2025.

VOCÊ DETETIVE

Grupo de pífanos Moisés, composto de pessoas idosas, apresentando-se em Caruaru (PE) durante a Festa de São João, em 2022.

BNCC

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

Pífano: instrumento musical de sopro semelhante a uma flauta.

1. Com auxílio do professor, pesquise medidas que o poder público no Nordeste e no Brasil precisa tomar para se preparar para o envelhecimento da população.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Atividade complementar

30/09/2025 22:08

Se possível, convide profissionais da área de saúde para discutir sobre o tema do envelhecimento da população e a importância de cuidar da saúde das pessoas idosas. Verifique com a direção da escola a possibilidade de organizar o evento de forma aberta à comunidade escolar.

Uma vez que estejam definidos o horário e a data do evento, solicite aos estudantes que elaborem um convite para entregar aos familiares. Com base na pesquisa realizada em Você detetive, é também possível solicitar aos estudantes que confeccionem um panfleto sobre as políticas públicas para as pessoas idosas e distribui-lo no dia do evento.

Espera-se que, além de ser uma maneira de envolver a comunidade escolar de forma participativa, a fala dos profissionais da área da saúde e o folheto distribuído pela turma possam contribuir para a conscientização sobre os direitos das pessoas idosas.

(EF03CO07) Utilizar diferentes navegadores e ferramentas de busca para pesquisar e acessar informações.

ENCAMINHAMENTO

Em Você detetive, incentive a turma a realizar uma pesquisa de forma digital sobre o tema, utilizando diferentes navegadores e ferramentas de busca, de forma a trabalhar a habilidade EF03CO07 da BNCC da computação. Eles podem consultar, por exemplo, o site da prefeitura do município e do estado para conhecer algumas das diferentes políticas públicas voltadas às pessoas idosas da região. Entre elas, podem estar medidas como promoção de campanhas de vacinação destinadas a essa faixa etária, construção de equipamentos de acessibilidade e de lazer, entre outros.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Verifique se os estudantes conseguem compreender como acontecem os movimentos migratórios na região Nordeste e em outras regiões do Brasil, refletindo sobre suas principais causas e consequências.

Auxilie os estudantes na leitura dos mapas. Analise o significado de cada fluxo migratório com eles, a fim de que percebam o que representam as setas no mapa e como sua espessura está relacionada à quantidade de migrantes. Associe as condições difíceis de vida no espaço rural do Nordeste, como falta de infraestrutura e condições climáticas desfavoráveis, às migrações representadas no mapa Brasil: migrações (1950-1970)

Migrações: o vaivém da população

Como você já estudou, o Nordeste tem um histórico longo e único de movimentos migratórios para outras regiões brasileiras.

Entre 1950 e 1970, grande parte da população nordestina vivia no espaço rural. Muitas dessas pessoas se encontravam em áreas de predomínio do clima semiárido, onde a produção agropecuária era intensamente afetada por longos períodos sem chuva. Esses fatores fizeram com que a população se deslocasse para outras regiões, como o Centro-Oeste, o Norte e sobretudo o Sudeste, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, em busca de oportunidades de emprego e de acesso a serviços essenciais. A construção da nova capital, Brasília, também atraiu muitas pessoas do Nordeste que buscavam trabalho.

Brasil: migrações (1950-1970)

Brasil: migrações (1970-1990)

Principais fluxos migratórios no período

Região Nordeste atual

Divisa estadual Fronteira internacional

Principais fluxos migratórios no período

Região Nordeste

Divisa estadual atual Fronteira internacional

Fonte dos mapas: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 35. ed. São Paulo: Ática, 2019. p. 135.

Durante o período de 1970 a 1990, os fluxos para as regiões Sudeste e Norte persistiram. No entanto, o fluxo migratório para o Sudeste foi menos intenso nesse período se comparado ao período de 1950 a 1970.

As migrações aconteciam também no contexto do êxodo rural, em direção principalmente a cidades do Sudeste. Já a migração para a região Norte era motivada pela busca de emprego em atividades como a agropecuária e a mineração.

Sugestão para os estudantes

DREGUER, Ricardo. O homem-pássaro: história de um migrante. São Paulo: Moderna, 2014. O livro conta como o menino Pedro migra da região do Cariri, no Ceará, nos anos 1950, para São Paulo, Paraná, Brasília e Amazonas nas décadas que se seguem.

Se o livro estiver disponível para leitura na biblioteca da escola, sugira-o aos estudantes e compare a rota realizada pelo protagonista com os fluxos de migração indicados nos mapas das páginas 122 e 123

30/09/2025 22:08

SONIA VAZ
SONIA VAZ

Na década de 1990, os padrões migratórios da região Nordeste apresentaram algumas mudanças. Apesar do fluxo de pessoas para o Sudeste, também houve um fluxo inverso, chamado migração de retorno

Migração de retorno é um fluxo composto de pessoas que migraram anteriormente e que depois resolveram voltar para seus locais de origem.

Brasil: migrações (1990-2000)

Brasil: migrações (2005-2010)

Principais fluxos migratórios no período

Região Nordeste

Divisa estadual Fronteira internacional

Principais fluxos migratórios no período

Região Nordeste

Divisa estadual Fronteira internacional

Fonte dos mapas: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 35. ed. São Paulo: Ática, 2019. p. 135.

Entre 2005 e 2010, é possível notar que a migração de retorno com origem na região Sudeste se intensificou para estados da região Nordeste, embora o fluxo de pessoas do Nordeste para o Sudeste ainda apresentasse grande importância no período.

1 Por qual motivo as setas que aparecem nos mapas apresentam espessuras tão diferentes?

Os estudantes devem perceber que a espessura das setas indica a intensidade do fluxo migratório representado, ou seja, o número de pessoas que migrou.

2 Por qual motivo o cartógrafo decidiu representar as migrações dessa maneira?

Os estudantes devem responder que desse modo fica mais fácil visualizar os fluxos migratórios ocorridos no período, como origem e destino, além da intensidade.

3 Ao longo do século 20, muitos nordestinos migraram, principalmente, para cidades da região Sudeste. Explique por que isso aconteceu.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

Texto de apoio

3. Os estudantes devem explicar que condições difíceis de vida no espaço rural do Nordeste, falta de infraestrutura, além de condições climáticas desfavoráveis, levaram a população a migrar em direção a diversas regiões do país, principalmente para centros urbanos do Sudeste. Essas pessoas buscavam melhores condições de vida, de emprego e acesso a serviços essenciais, como saúde e educação.

Se julgar interessante, apresente o mapa Saldos migratórios e principais fluxos migratórios (presente no artigo BRITTO, Vinicius; FERREIRA, Claudia. Censo 2022: 19,2 milhões de pessoas vivem fora de sua região de nascimento. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, 27 jun. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias. ibge.gov.br/agencia-noticias/ 2012-agencia-de-noticias/ noticias/43815-censo-202219-2-milhoes-de-pessoasvivem-fora-de-sua-regiao-denascimento. Acesso em: 19 set. 2025).

123

30/09/2025 22:08

O retorno é um processo complexo como a migração, em um sentido estrito, o migrante de retorno é compreendido pelo indivíduo que deixou sua região de nascimento, residiu por algum momento em uma região diferente e com certo tempo retorna a seu local de origem. [...] [...]

Apesar de a região Nordeste historicamente se apresentar como área de expulsão populacional, principalmente pela perda de mão de obra, na última década os estudiosos das migrações no Brasil têm demonstrado haver alterações significativas em sua dinâmica migratória, principalmente pelas contracorrentes de retorno. Embora permaneçam os saldos migratórios negativos nos estados nordestinos, é possível perceber uma intensificação da dinâmica migratória intrarregional [...].

OLIVEIRA, Herick Cidarta Gomes de; COSTA, Jose Vilton; OJIMA, Ricardo. Migração de retorno para a região do Semiárido setentrional brasileiro. Mercator, Fortaleza, v. 18, e18023, 2019. Disponível em: https:// share.google/IsnsmWGPY0wXYy8et. Acesso em: 19 set. 2025.

OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
de Capricórnio
Trópico de Capricórnio
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Certifique-se de que os estudantes compreendem que a região Nordeste nas últimas décadas é grande receptora de migrantes do Sudeste que retornam aos seus locais de origem.

Migrações recentes e de retorno

O Nordeste é um grande receptor de migrantes que retornam aos seus locais de origem. Grande parte dos migrantes que retornam à região Nordeste chega do Sudeste.

Nas últimas décadas, a região Nordeste apresentou melhora nas condições de vida de sua população, com maior acesso a infraestrutura, serviços essenciais e empregos. Isso incentivou a volta de pessoas que migraram em décadas anteriores.

Apesar de a região continuar perdendo população, há uma redução na intensidade desse fenômeno. Leia o texto a seguir.

Entre as unidades da federação do Nordeste destaca-se a Paraíba, que apresentou [...] um saldo migratório positivo de 31 mil indivíduos. Esse resultado [...] é relevante por ser o único estado na região a registrar taxa positiva no ano de 2022.

Esse saldo migratório positivo da Paraíba foi impulsionado pelos fluxos oriundos de São Paulo (22,3%) e Rio de Janeiro (20,0%), possivelmente vinculados ao movimento de retorno, assim como de Pernambuco (20,4%), refletindo a interconexão entre os dois estados [...].

BRITTO, Vinicius; FERREIRA, Claudia. Censo 2022: 19,2 milhões de pessoas vivem fora de sua região de nascimento. Agência IBGE, Rio de Janeiro, 28 jun. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/ noticias/43815-censo-2022-19-2-milhoes-de-pessoas-vivem-fora-de-sua-regiao-de-nascimento. Acesso em: 18 ago. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 O texto aponta que um estado da região Nordeste apresenta saldo migratório positivo.

a) Qual é esse estado?

Os estudantes devem identificar que se trata da Paraíba, que apresentou saldo positivo de 31 mil pessoas.

b) Qual é a origem dos principais fluxos migratórios para esse estado?

Os fluxos migratórios têm origem principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

VOCÊ DETETIVE

1. Faça uma entrevista com uma pessoa que migrou e que depois retornou para o seu local de origem. Caso não conheça ninguém nessa situação, você pode fazer uma pesquisa sobre alguém que migrou para responder às seguintes questões.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

a) Por qual motivo você migrou inicialmente?

b) Por qual motivo decidiu retornar para o seu local de origem?

Em Você detetive, os estudantes podem realizar a entrevista ou fazer uma pesquisa na internet a respeito das motivações de migrantes da região Nordeste em se mudar para outras regiões e depois retornar. Eles podem listar as motivações para a migração inicial, como falta de emprego e de acesso a serviços essenciais, além de melhores oportunidades no local de destino. Como motivos para o retorno, eles podem citar a melhoria das condições de vida no local de origem, com maiores oportunidades de emprego e acesso a infraestrutura, além de questões pessoais, como saudades da família e da cultura do lugar de vivência. Enriqueça a atividade propondo a todos que apresentem aos colegas suas entrevistas, enfatizando a importância da oralidade e da memória na interação com cada entrevistado. Estimule-os a refletir sobre o Nordeste e sua relação com as outras regiões do Brasil, discutindo as trocas culturais provenientes das migrações.

DIÁLOGOS

Migrações externas

Como você estudou, a região Nordeste é uma área de expulsão populacional. Isso quer dizer que há mais pessoas que migram do Nordeste do que pessoas chegando para viver na região. No entanto, há imigrantes estrangeiros vivendo nos estados nordestinos.

A Venezuela é o principal país de origem dos imigrantes estrangeiros no Brasil e no Nordeste. Essas pessoas imigraram por causa da severa crise econômica pela qual o país passa. A principal porta de entrada é pelo estado de Roraima, na região Norte.

Além dos venezuelanos, imigrantes de países como Argentina, Bolívia, Colômbia e Paraguai, entre outros, também estão presentes no território brasileiro. Observe o mapa que mostra o país de residência anterior mais comum entre as pessoas que imigraram para o Brasil.

Brasil: país de residência anterior mais comum (2022)

COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA SURINAME

Equador

PERU

OCEANO PACÍFICO

Bolívia

CHILE

BOLÍVIA

PARAGUAI

Paraguai

Argentina

Colômbia

Guiana Francesa (FRA)

Venezuela

Estados Unidos

Divisa estadual Fronteira internacional

ARGENTINA

URUGUAI

FRANCESA (FRA)

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge. gov.br/panorama/mapas. html?tema=pais_mais_ comum&recorte=N3. Acesso em: 18 ago. 2025.

1 De acordo com o mapa, qual é o país de residência anterior mais comum entre as Unidades da Federação?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

2 Qual é o país de residência anterior mais comum entre as pessoas que imigraram para o estado onde você mora?

Atividade complementar

BNCC

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural e educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

125

01/10/2025 15:20

A fim de conhecer e valorizar as tradições trazidas pelos imigrantes, proponha aos estudantes que organizem uma feira cultural. Esta é uma oportunidade para trabalhar o TCT Multiculturalismo: diversidade cultural e educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras. Os estudantes podem ser divididos em três grupos, cada um deles responsável por pesquisar danças, pratos típicos, ritmos musicais, entre outros aspectos culturais dos países com maior quantidade de imigrantes no Nordeste: Argentina, Colômbia e Venezuela.

No dia da feira, os grupos podem apresentar cartazes com a pesquisa que fizeram, trazer pratos típicos para compartilhar com os colegas, dançar os ritmos pesquisados, entre outras possibilidades. Caso haja estudantes na turma vindos de outros países, verifique se gostariam de compartilhar suas experiências em uma roda de conversa durante a feira.

1. Os estudantes devem responder que na maior parte das UFs, o país de residência anterior mais comum de imigrantes é a Venezuela. 2. Resposta de acordo com o estado onde os estudantes moram. Caso eles morem em Pernambuco, Sergipe, Piauí, Ceará ou Paraíba, o país mais comum é a Venezuela. Caso eles vivam em Alagoas ou Maranhão, o país mais comum é a Colômbia. Por fim, se eles morarem no Rio Grande do Norte ou na Bahia, o país mais comum é a Argentina.

SONIA VAZ

BNCC

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Comente com a turma que o Nordeste vem melhorando seus índices de desenvolvimento econômico e social nas últimas décadas. Em 2024, a região teve o maior crescimento da renda do trabalho no Brasil, registrando um aumento de 13%, de acordo com estudo da FGV Social, da Fundação Getulio Vargas. Sergipe (32,47%), Pernambuco (19,78%), Bahia (19,42%) e Paraíba (18,62%) apresentaram o maior crescimento entre todos os estados do país. Além disso, as desigualdades sociais na região diminuíram, com pessoas historicamente excluídas obtendo ganhos de renda maiores (BRASIL. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Nordeste lidera crescimento da renda do trabalho em 2024, aponta FGV. Gov.br, Brasília, DF, 17 abr. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mds/ pt-br/noticias-e-conteudos/ desenvolvimento-social/noticias-desenvolvimento-social/ nordeste-lidera-crescimento -da-renda-do-trabalho-em -2024-aponta-fgv. Acesso em: 9 out. 2025.

Condições de vida

Nas últimas décadas, o Nordeste vem melhorando seus índices de desenvolvimento econômico e social. De acordo com estudo da FGV Social, da Fundação Getúlio Vargas, a região teve o maior crescimento da renda do trabalho no Brasil em 2024.

Os estados de Sergipe, Pernambuco e Bahia apresentaram o maior crescimento da renda entre todos os estados do país. Além disso, grupos historicamente excluídos, como negros, mulheres e pessoas com baixa escolaridade, tiveram aumento da renda, o que diminuiu a desigualdade social.

Mesmo com os avanços, a região Nordeste ainda apresenta renda mensal per capita mais baixa que o restante do país. Observe os dados a seguir.

Grandes regiões: renda mensal per capita (2024)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua anual Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov. br/tabela/7531. Acesso em: 3 jul. 2025.

Essa disparidade de renda é reflexo do processo histórico de formação do país. As regiões Sul, Sudeste e, atualmente, Centro-Oeste foram privilegiadas por atividades econômicas rentáveis ao longo dos séculos 20 e 21. Nas regiões Sul e Sudeste está concentrada a maior parte da indústria brasileira, o que trouxe investimentos em infraestrutura e serviços. O Centro-Oeste experimenta hoje um grande salto no rendimento de sua população em decorrência do avanço do agronegócio.

1 Analise os dados do gráfico Grandes regiões: renda mensal per capita (2024) No caderno, liste as regiões por ordem crescente de renda.

Os estudantes devem fazer uma lista na seguinte ordem: Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Sugestão para o professor

PAZ, Edson Geraldo Nascimento da et al. Desigualdade de rendimentos por gênero no Nordeste do Brasil: uma análise das mudanças entre 2019 e 2023. In: ENCONTRO REGIONAL DE ECONOMIA, 30., 2024, Aracaju. Anais [...]. Aracaju: Anpec, 2024. Disponível em: www.anpec. org.br/encontro/2024/submissao/files_I/i13-0ba30734d1fbdfd86e22e326a580488f.pdf. Acesso em: 9 out. 2025.

O artigo discute as disparidades de renda entre homens e mulheres no Nordeste com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2019 e 2023. Embora aponte uma diminuição das disparidades no período estudado, o artigo analisa como essa redução está atrelada ao nível de renda, mostrando que ainda são necessárias políticas públicas mais eficazes para garantir a equidade salarial.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

A disparidade de renda entre as regiões também se reflete em outros aspectos essenciais, como acesso à saúde e à educação. Um exemplo é o acesso ao saneamento básico. Uma boa cobertura de saneamento básico previne doenças e infecções gastrointestinais e é essencial para uma boa qualidade de vida para a população. Observe o gráfico.

Nordeste: saneamento básico (2022)

Conectados à rede de esgoto

Abastecidos pela rede de água

Presença de banheiro de

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022. ibge.gov.br/panorama/ index.html. Acesso em: 19 ago. 2025.

Por fim, o acesso à educação no Nordeste também tem apresentado avanços nas últimas décadas, com alguns estados alcançando resultados de excelência, como é o caso do Ceará. Em 2024, o estado apresentou, ao lado do Paraná, o resultado mais alto do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

2 Observe novamente o gráfico Nordeste: saneamento básico (2022) Como você avalia a cobertura de coleta de esgoto na região?

3 Quais medidas o poder público deve tomar para melhorar os indicadores que você estudou?

DESCUBRA MAIS

FEITOSA, Gabriela. Ceará tem sete das dez cidades com maiores notas no fim do ensino fundamental do Brasil; veja ranking do Ideb. G1 Ceará, 15 ago. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/educacao/noticia/2024/08/15/cearatem-sete-das-dez-cidades-com-maiores-notas-no-fim-do-ensino-fundamental-dobrasil-veja-ranking-do-ideb.ghtml. Acesso em: 10 set. 2025. A reportagem traz os resultados do estado do Ceará no Ideb.

Sugestão para o professor

Incentive os estudantes a analisar os dados do gráfico Nordeste: saneamento básico (2022). Trabalhe o tema do saneamento básico em interdisciplinaridade com Ciências da Natureza, indicando quais precauções são necessárias para a prevenção de doenças gastrointestinais. Espera-se que os estudantes concluam, por exemplo, que ferver ou filtrar a água são atitudes importantes para prevenir essas enfermidades.

Na indicação em Descubra mais, os estudantes poderão refletir sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ceará. A reportagem evidencia que, no ano de 2024, sete dos dez municípios com as maiores notas do Brasil, no fim do ensino fundamental, estavam no estado do Ceará. Comente que os outros três municípios mais bem classificados no ranking estão localizados no estado de Alagoas. Verifique se percebem que isso significa que, apesar das desigualdades históricas vividas pelo povo do Nordeste, a região consegue ser referência na aprendizagem da leitura e da escrita.

127

01/10/2025 15:20

CONHEÇA a história de três escolas nota 10 no Ideb 2023. Publicado por: Ministério da Educação. 2024. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: www.youtube.com/watch?v=lc-9X8W6oWY. Acesso em: 20 set. 2025. O vídeo apresenta entrevistas com a comunidade escolar de três das escolas nota 10 no Ideb 2023. Todas as instituições de ensino indicadas se situam em municípios do Nordeste: em Custódia (Pernambuco), em Coruripe (Alagoas) e em Coreaú (Ceará).

2. Os estudantes devem chegar à conclusão de que o percentual de domicílios atendidos por coleta de esgoto na região é muito baixo, menos da metade do total.

3. Os estudantes devem responder que o poder público é responsável por tomar medidas para aumentar a renda da população na região Nordeste, prover infraestrutura básica de saneamento e investir em educação para melhorar a aprendizagem dos estudantes da região.

uso exclusivo
Atendidos por coleta de lixo
Domicílios
SONIA VAZ

BNCC

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

ENCAMINHAMENTO

Certifique-se de que os estudantes compreendem que a desigualdade social no Nordeste não é relativa apenas a renda, mas também se refere a oportunidades e acesso a direitos, por exemplo, entre mulheres, pessoas negras e indígenas. Verifique se eles percebem a importância de promover a equidade social, valorizando vozes historicamente silenciadas.

Faça a leitura do gráfico Nordeste: renda mensal, por ou raça (2024) em conjunto com os estudantes. Peça a eles que comparem os tamanhos das colunas do gráfico e identifiquem a diferença do rendimento mensal. É importante que eles relacionem o gráfico com as informações do texto na página.

Desigualdade social no Nordeste

Assim como o restante do Brasil, a região Nordeste é marcada por profundas desigualdades sociais. Há elevada concentração de renda na mão de poucas pessoas, ao passo que grande parte da população vive com rendimentos muito baixos. Existem áreas que contam com boa infraestrutura, como coleta de esgoto, água encanada, calçamento adequado, iluminação pública e acesso a equipamentos públicos e privados de saúde, educação, lazer e transporte. Já em outras, essa infraestrutura e o acesso a serviços são ausentes. Em geral, a população mais pobre vive nestas áreas.

Um dos principais motivos da desigualdade social atual no Brasil e no Nordeste é o histórico de exclusão de grupos sociais no país. Pessoas negras e indígenas sofreram com a colonização e a escravidão, processos que duraram séculos. Mesmo após a abolição da escravidão, esses grupos permaneceram marginalizados, sem acesso a empregos de qualidade, educação, saúde, além de sofrer preconceito e discriminação.

Observe no gráfico como isso se reflete na renda das pessoas.

Nordeste: renda mensal, por cor ou raça (2024)

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua anual Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge. gov.br/tabela/7441. Acesso em: 3 jul. 2025.

em 2024. A desigualdade social se manifesta na paisagem.

Texto de apoio

Apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, as desigualdades de rendimento entre gêneros são persistentes ao longo dos anos no Brasil, onde as mulheres tendem a apresentar médias salariais inferiores à dos homens apesar do aumento da participação feminina no referido mercado. As diferenças salariais, de acordo com o estudo, podem estar associadas às diferenças de produtividade, em geral relacionadas às diferenças de capital humano; à segregação ocupacional; ou às preferências pelo lado da demanda por trabalhador que podem gerar a discriminação de gênero no mercado de trabalho.

ESTUDO revela queda na diferença salarial entre homens e mulheres no Ceará. Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará, 7 mar. 2024. Disponível em: https://www.ipece.ce.gov.br/2024/03/07/ estudo-revela-queda-na-diferenca-salarial-entre-homens-e-mulheres-no-ceara. Acesso em: 20 set. 2025.

Moradias precárias em primeiro plano e edifícios de alto padrão ao fundo em Recife (PE),
Cor ou raça
Parda Branca Preta
SONIA VAZ

Além da desigualdade social entre pessoas de diferentes origens, existe uma grande desigualdade entre homens e mulheres no Nordeste. Isso se deve à exclusão das mulheres no acesso aos estudos, ao voto e ao mundo do trabalho por muitos anos.

Artesãs quilombolas confeccionando peças com fibras de buriti em Barreirinhas (MA), em 2024. O buriti é uma palmeira comum na região amazônica.

Por causa de histórico de exclusão, até hoje os rendimentos das mulheres são mais baixos que os dos homens, mesmo com elas apresentando maiores níveis de escolaridade que eles. É comum as mulheres sofrerem preconceito no ambiente de trabalho e receberem menos que homens no mesmo cargo. Observe a tabela.

Nordeste: renda mensal, por sexo, em reais (2024)

Sexo

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua anual. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7444. Acesso em: 3 jul. 2025.

Veja respostas e orientações no Encaminhamento.

1 De acordo com o gráfico Nordeste: renda mensal, por cor ou raça (2024), na página anterior, pessoas de qual cor ou raça obtêm menor rendimento na região? Explique os motivos no caderno.

2 O que é possível concluir analisando os dados da tabela Nordeste: renda mensal, por sexo, em reais (2024)? Anote no caderno.

Sugestão para o professor

Trabalhe os dados apresentados na página de forma que os estudantes compreendam as causas que levam o rendimento das mulheres ser inferior ao dos homens na região Nordeste, mesmo apresentando maiores níveis de escolaridade do que eles.

Verifique se há no município algum museu que apresente dados sobre a participação feminina na história da região, sobre associações de mulheres que se uniram para exercer uma atividade econômica ou informações que revelem o panorama histórico de exclusão das mulheres na sociedade. Solicite autorização previamente aos familiares e à direção da escola e oriente os estudantes acerca das regras que devem ser seguidas durante a visitação.

1. Os estudantes devem identificar que pessoas negras apresentam os menores rendimentos na região. Eles podem explicar que essas pessoas ainda sofrem as consequências do processo de escravidão e da subsequente exclusão que esses grupos sofreram mesmo após a abolição. Pessoas negras tiveram menos acesso à educação e a empregos de qualidade.

30/09/2025 22:08

MUSEU CASA OFICINA DE DONA DINHA. Nova Olinda, c2025. Disponível em: https://cadastro. museus.gov.br/pontos-de-memoria/museu-casa-oficia-de-dona-dinha. Acesso em: 20 set. 2025. O museu é uma homenagem ao trabalho de Dona Dinha, que produz redes desde os 12 anos. Se possível, discuta o acervo do museu com os estudantes, verificando se eles conseguem perceber a importância de seu trabalho de artesã, não só para o próprio sustento, mas também como um modo de fazer que foi repassado de geração em geração.

2. Os estudantes devem analisar os dados e perceber que as mulheres apresentam renda menor que os homens na região Nordeste. Isso acontece por causa da exclusão das mulheres do acesso aos estudos, ao voto e ao mercado do trabalho por muitos anos.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

Organize-se

• Folhas de papel sulfite

• Lápis de cor

ENCAMINHAMENTO

1. A atividade é uma oportunidade de troca de opinião e para decidir juntos o que pode ser feito para tornar o ambiente escolar melhor para todos. Combine com os estudantes uma data para a assembleia. Incentive uma conversa sobre o que os estudantes gostariam de melhorar na escola. Peça a eles que façam uma lista dos problemas encontrados. Conversem sobre como estudantes e funcionários da escola podem resolver esses problemas juntos. Após a discussão, solicite a eles que escrevam uma carta coletiva com as propostas, assinada por todos. Se possível, a carta pode ser encaminhada à direção ou ao conselho escolar.

DEMOCRACIA E CIDADANIA NO NORDESTE

Você já pensou como são criadas as leis do país onde vivemos? No Brasil, a Constituição Federal de 1988 foi criada com a participação social de vários grupos e garantiu direitos amplos para todos os brasileiros. Ela assegura os direitos a educação, saúde, moradia, transporte e segurança, entre outros. As leis garantidas pela Constituição se relacionam com nosso sistema político, a democracia.

A Constituição brasileira também é conhecida como constituição cidadã. Cidadania é exercer direitos, como estudar, ser protegido pelas leis e votar. Também é cumprir deveres, como respeitar as leis, pagar impostos e cuidar dos espaços públicos.

Há ainda outra forma de exercer a cidadania, relacionada à participação social nas decisões da comunidade. Trata-se da cidadania ativa , que acontece, por exemplo, quando as pessoas participam das decisões políticas, votando e fiscalizando os governantes, e fazem parte de movimentos sociais.

Indígenas na assembleia constituinte em Brasília (DF), em 1988.

1 Vocês vão participar de uma assembleia para propor ideias que possam melhorar a escola. Para isso, sigam as orientações do professor.

Produção coletiva. Veja orientações no Encaminhamento. Democracia é o sistema político que garante a um povo o direito de escolher seus governantes, expressar suas opiniões e participar das decisões do governo e das comunidades.

Atividade complementar

Peça aos estudantes que listem os espaços públicos próximos de seu lugar de vivência e suas funções. Em uma roda de conversa, incentive-os a apresentar os espaços que conseguiram identificar. Se possível, proponha uma visita a um dos locais indicados pela turma, como Câmara Municipal, Prefeitura, praças, museus e centros culturais.

Verifique se o espaço oferece programas de visita monitorada a grupos e se é possível agendá-la. Solicite autorização previamente às famílias e à direção da escola e compartilhe as orientações a serem seguidas durante a visita.

Essa abordagem favorece a contextualização e a valorização da história local, aproximando o conteúdo escolar da vivência dos estudantes e promovendo o engajamento social como prática de cidadania.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Existem muitos grupos com participação social no Nordeste. Veja alguns exemplos.

Conselhos escolares

Ajudam nas decisões relativas à comunidade escolar.

2. A atividade tem como objetivo desenvolver nos estudantes a compreensão de democracia, cidadania ativa e participação social, mostrando que todos podem contribuir para melhorar o lugar onde vivem. Conduza um debate sobre a atividade por meio de questões como: além do voto, de que outras formas podemos participar de ações para melhorar nosso município? Por que é importante que todos sejam ouvidos nas decisões? O que significa ser um cidadão ativo?

Associações de moradores

Discutem os problemas e as melhorias de que um bairro precisa.

Movimentos sociais

Desenvolvem projetos para a melhoria de vida de uma comunidade. Podem ser, por exemplo, organizações não governamentais (ONGs) e organizações da sociedade civil (OSC).

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento.

2 No Brasil, as pessoas podem votar, dar opiniões, ajudar a construir as decisões governamentais. Em sua opinião, isso é o suficiente para exercer a cidadania?

3 Com os colegas, crie uma proposta para melhorar seu lugar de vivência. Depois, compartilhem a ideia com a turma por meio de um desenho.

Sugestão para o professor

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SILVA, Givanildo da; SILVA, Alex Vieira da; SANTOS, Inalda Maria dos. O conselho escolar na legislação da gestão democrática na rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte. Revista Eletrônica Científica Ensino Interdisciplinar, Mossoró, v. 6, n. 16, abr. 2020. Disponível em: https://periodicos.apps.uern.br/index.php/RECEI/article/view/1615. Acesso em: 21 set. 2025.

O artigo analisa a função dos conselhos escolares, no Rio Grande do Norte, para a consolidação da gestão democrática. Visando à construção coletiva da educação pública, esses conselhos atuam por meio da descentralização da gestão escolar e da paridade na representação de distintos segmentos da comunidade escolar e local.

3. Organize os estudantes em grupos de três a quatro integrantes. Promova uma conversa inicial sobre os problemas e as potencialidades do município onde os estudantes vivem. Pergunte, por exemplo: se vocês pudessem mudar algo no lugar onde vivem, o que seria? O que vocês fariam? Incentive-os a pensar em soluções viáveis, relacionadas a temas como educação, saúde, meio ambiente, cultura, lazer, transporte e segurança. Depois, cada grupo deve ilustrar sua proposta para apresentá-la à turma, explicando por que é importante. Estimule a escuta e o respeito às opiniões dos colegas. Por último, se for possível, organize uma votação democrática para que a turma escolha as ideias mais criativas e relevantes. Destaque a importância do voto consciente. Pode-se utilizar uma caixa com uma pequena abertura como urna, na qual cada estudante deverá depositar uma cédula com seu voto. Ao final, pode ser feita uma contagem de votos com toda a turma.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural; educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

Verifique se os estudantes compreendem que cidadania envolve não apenas direitos individuais, mas também coletivos, como os direitos de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, cipozeiros e pescadores artesanais, reconhecidos pelo Decreto nº 6.040/2007: BRASIL. Decreto n. 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 8 fev. 2007.

1. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes concluam que esses povos e essas comunidades mantêm práticas sustentáveis, conservam o meio ambiente e os saberes

Direitos dos povos e das comunidades tradicionais

No Brasil, existem 28 povos e comunidades tradicionais reconhecidos pelo decreto no 6.040, de 2007. São, por exemplo, ribeirinhos, indígenas, quilombolas, cipozeiros, pescadores artesanais e extrativistas. Esses grupos representam a diversidade cultural do país e têm seus próprios modos de vida. Esses povos e comunidades encontram na agricultura familiar, na pesca, na caça e no extrativismo de plantas e frutos suas principais fontes de sustento. Eles mantêm uma forte relação com o território, desenvolvendo práticas produtivas sustentáveis e preservando saberes passados de geração em geração.

O Nordeste tem uma grande diversidade de povos e comunidades tradicionais. Em Santo Amaro do Maranhão, no Maranhão, por exemplo, os moradores da comunidade de Travosa se dedicam à coleta de mariscos em manguezais, que é uma forma de pesca artesanal.

Mulher da comunidade de Travosa selecionando mariscos no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, em Santo Amaro do Maranhão (MA), em 2024.

pessoais. Veja orientações no Encaminhamento.

1 Por que os povos e as comunidades tradicionais são importantes para a proteger a cultura e o meio ambiente? Explique sua resposta aos colegas.

2 Pesquise um povo ou uma comunidade tradicional de seu estado. Siga as orientações do professor para realizar a pesquisa, depois a anote o que você descobriu no caderno.

2. Instrua os estudantes a pesquisar as seguintes informações e anotá-las no caderno: a) o nome desse povo ou da comunidade; b) uma atividade econômica exercida; c) uma prática de proteção ao meio ambiente que adota; d) uma tradição cultural mantida há gerações. Incentive-os a consultar livros e meios digitais, com a supervisão de um adulto. Outra possibilidade é propor que eles entrevistem um membro da comunidade escolar que pertença a um povo ou comunidade tradicional. Caso os estudantes vivam no Maranhão, poderão pesquisar, por exemplo, sertanejos, pescadores e quebradeiras de coco-babaçu. Caso vivam no Piauí, no Ceará, no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas, em Sergipe ou na Bahia, podem pesquisar povos e comunidades tradicionais da Caatinga, em: POVOS e comunidades tradicionais. Mais sobre a Caatinga. Brasília, DF: ISPN, c2025. Disponível em: https://ispn.org.br/biomas/caatinga/povos-e-comunidades -tradicionais-da-caatinga. Acesso em: 22 ago. 2025. 132

passados de geração em geração, sendo essenciais para a diversidade cultural e a proteção da biodiversidade brasileira.

Respostas
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Ações de combate ao racismo

Em um país democrático, espera-se que todas as pessoas tenham os mesmos direitos e oportunidades. Contudo, as desigualdades sociais e econômicas do Brasil ainda são grandes e prejudicam fortemente as populações negras.

No Nordeste, essas desigualdades são percebidas, por exemplo, na falta de saneamento básico em comunidades remanescentes de quilombos e em salários menores, mesmo ao cumprir as mesmas funções de pessoas brancas.

O racismo é uma realidade que precisa ser superada. O Nordeste é a região com maior quantidade de políticas públicas antirracistas, que são mais de 400. Além delas, os movimentos sociais podem contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária.

Na Bahia, por exemplo, surgiu a primeira associação negra do Brasil: a Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD). Criada inicialmente para auxiliar pessoas escravizadas a obter alforria, hoje a SPD atua na defesa dos direitos das populações negras.

Entre as ações que a SPD realiza estão o suporte psicológico a mulheres negras e a manutenção de uma casa de apoio a estudantes africanos e quilombolas.

VOCÊ DETETIVE

Faixa na sacada da sede da Sociedade Protetora dos Desvalidos em Salvador (BA), em 2024.

BNCC

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

(EF05CO08) Acessar as informações na Internet de forma crítica para distinguir os conteúdos confiáveis de não confiáveis.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural; educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

ENCAMINHAMENTO

1. No Nordeste, as desigualdades causadas pelo racismo podem ser vistas todos os dias. Por outro lado, existem iniciativas, inclusive governamentais, para mudar essa realidade. Pesquise ações de movimentos sociais ou dos governos para combater o racismo e melhorar a vida da população negra em seu município ou estado.

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

Texto de apoio

30/09/2025 22:18

Racismo é um sistema de opressão estruturante das sociedades. Por meio da criação de uma hierarquia entre os grupos raciais, estabelece privilégios políticos, econômicos, sociais e simbólicos para um grupo em prejuízo dos demais. Pode também ser definido como um sistema ideológico de hegemonia racial.

Preconceito racial é uma opinião ou julgamento negativo previamente concebido a respeito de um determinado grupo racial, podendo ou não resultar em discriminação.

Discriminação racial é a materialização do racismo e do preconceito racial por meio de ação pessoal ou coletiva e de ações administrativas ou institucionais.

COELHO, Amanda Oliveira et al Guia sobre racismos. Diversidade. São Paulo: Unesp, c2025. Disponível em: https://educadiversidade.unesp.br/guia-de-reconhecimento-orientacao-e-enfrentamento-aos-racismos. Acesso em: 23 ago. 2025.

A pesquisa em Você detetive pode ser feita por meio de entrevistas com familiares dos estudantes ou membros da comunidade que participem de movimentos sociais de combate ao racismo, valorizando a memória e a oralidade. Outra possibilidade é que os estudantes façam a pesquisa de forma digital, com o auxílio de um adulto, desenvolvendo assim a habilidade EF05CO08 da BNCC da computação. Podem ser sugeridos sites de organizações regionais e portais de universidades nordestinas que mantêm grupos de pesquisa sobre relações étnico-raciais, ressaltando para os estudantes por que esses conteúdos são de fontes confiáveis.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03CO03) Aplicar a estratégia de decomposição para resolver problemas complexos, dividindo esse problema em partes menores, resolvendo-as e combinando suas soluções.

ENCAMINHAMENTO

Auxilie os estudantes a analisar o mapa da página. Verifique se entendem que a produção de mapas pela própria comunidade é um ato político e de cidadania ativa, pois contribui para dar visibilidade às demandas sociais e para subsidiar políticas públicas.

Pergunte aos estudantes quem foi o elaborador do mapa. Espera-se que respondam que foram membros da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC). Se possível, procure outra representação gráfica do local, como mapas gerados a partir de imagens de satélite, a fim de compará-la com o mapa da AQCC. Peça aos estudantes que analisem as semelhanças e as diferenças entre cada representação. Explore também o processo de luta pela terra de comunidades remanescentes de quilombos ao discutir o papel da cartografia social na demarcação de territórios.

Cartografia participativa

Observe o mapa a seguir, elaborado por membros da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC), localizada em Salgueiro, em Pernambuco.

Sítio

Catulezeiro

Serra

Hortaliça/batata

Hortaliça/abóbora

Milho

Feijão

Extração Caruá

Umbuzeiro

Pedra

Cruzeiro

Caldeirão

Extração de barro

Banda de pífano

Açude

Represa

Cerca

Pontos históricos

Trancelim (dança)

Esporte/Futebol

Bumba-meu-boi

Igreja Evangélica

Igreja Católica

Rio/riacho

Estrada

Estrada interrompida na época de chuva

Escola

Biblioteca

Criação de animais

Fonte: ASSOCIAÇÃO QUILOMBOLA DE CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS. Nova cartografia social dos povos e comunidades tradicionais do Brasil: Quilombolas de Conceição das Crioulas: Salgueiro, Pernambuco. Brasília, DF: AQCC, 2007. p. 6-7. Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/ sites/default/files/documents/03d00257.pdf. Acesso em: 21 ago. 2025.

Sugestão para o professor

RODRIGUES, Thaís. Conceição das Crioulas realiza 4º Encontro com as artes, as lutas, os saberes e os sabores em Salgueiro (PE). Brasília, DF: Conaq, 24 jul. 2025. Disponível em: https:// conaq.org.br/conceicao-das-crioulas-realiza-4o-encontro-com-as-artes-as-lutas-os-saberes-e-ossabores-em-salgueiro-pe. Acesso em: 23 set. 2025. No texto, é possível conhecer mais sobre a articulação da AQCC na construção de uma relação de pertencimento com a comunidade por meio da educação. Se possível, apresente o fôlder do 4º Encontro com as artes, as lutas, os saberes e os sabores em Salgueiro (PE) aos estudantes e discuta os elementos acrescentados ao mapa, como o logotipo da associação, a frase atribuída a seu Vicente e a frase “Crioulas: orgulho de ser quilombola”, levantando hipóteses sobre o que significam. Também é possível apresentar algumas fotografias da página virtual à turma, a fim de que conheçam mais da comunidade retratada.

Os símbolos usados no mapa da AQCC mostram a realidade vivida: áreas de plantações, locais de criação de animais, casas, igrejas, pontos históricos e espaços de memória cultural. A importância desse mapa vai além de registrar espaços geográficos. O mapa também é um documento cultural, que expressa a riqueza das tradições locais.

Uma comunidade que elabora mapas com base em seus conhecimentos e vivências faz uso da cartografia participativa . Esses mapas ajudam a identificar os problemas da comunidade e a definir as políticas públicas necessárias para resolvê-los.

A cartografia participativa pode ser considerada um exercício de cidadania, pois envolve as comunidades no processo de mapeamento de seus territórios. Isso promove a inclusão social e a participação mais ativa nas tomadas de decisões que afetam as vidas das pessoas.

1 Analisem o mapa da AQCC. Quais elementos da tradição cultural dos habitantes do local estão representados?

Respostas possíveis: banda de pífano, trancelim (dança) e bumba meu boi.

• Escolham um desses elementos e façam uma pesquisa sobre ele. Com base em suas descobertas, organizem com o professor uma apresentação da tradição cultural pesquisada.

Produção coletiva. Veja orientações no Encaminhamento.

2 Elaborem uma representação da escola utilizando a cartografia participativa. Para isso, sigam estes passos.

Produção coletiva. Veja orientações no Encaminhamento.

1. Decidam quais espaços serão representados: a escola inteira, uma parte do espaço ou a escola e seu entorno?

2. Quais problemas do espaço escolar podem ser representados?

3. Façam uma lista dos elementos que serão indicados na legenda. Para isso, criem um desenho para representar cada elemento.

4. Façam o mapeamento da escola e apliquem os elementos indicados na legenda nos locais corretos do mapa. Ao final, façam uma roda de conversa para apresentar seu mapa aos colegas e pensar em possíveis soluções para os problemas indicados.

30/09/2025 22:18

1. A partir da pesquisa realizada, pode ser feita uma proposta interdisciplinar com Arte. Assim, se possível, os estudantes podem utilizar ou criar instrumentos, com materiais de fácil acesso, para a banda de pífanos, e dançar o trancelim. Outra possibilidade é incentivá-los a elaborar uma representação do bumba meu boi.

Organize-se

• Folhas de papel sulfite

• Lápis de cor

Sugestão para o professor ASSOCIAÇÃO QUILOMBOLA DE CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS. Nova cartografia social dos povos e comunidades tradicionais do Brasil: Quilombolas de Conceição das Crioulas: Salgueiro, Pernambuco. Brasília, DF: AQCC, 2007. Disponível em: https://acervo.socioambiental. org/sites/default/files/documents/03d00257.pdf. Acesso em: 21 ago. 2025.

A publicação apresenta a organização social do AQCC, o histórico de lutas da comunidade pela terra, a infraestrutura do território e as áreas de conflito. A fim de valorizar as tradições da comunidade, também são indicados seus lugares de memória.

2. A atividade trabalha com a resolução de problemas. Os passos indicados auxiliam os estudantes a dividir um problema em partes menores (identificação do espaço a ser representado e dos problemas existentes) antes de pensar em intervenções ou medidas para diminuí-lo. É possível integrar essa atividade à carta coletiva com propostas para a melhoria da escola, realizada na página 130; nesse caso, os estudantes deverão identificar espacialmente os problemas que indicaram na carta. Auxilie-os a verificar se as soluções para o problema encontradas durante a assembleia podem ser enriquecidas com a representação cartográfica. A proposta permite também o trabalho com a EF03CO03 da BNCC da computação. Se possível, auxilie-os a consultar mapas com imagens de satélite do espaço escolar para terem como referência. Nesse caso, indique sites confiáveis que permitam localizar o entorno do espaço escolar. Ao final, os estudantes podem compartilhar o mapa elaborado com a comunidade escolar, por exemplo, explicando quais problemas foram identificados e como é possível encontrar caminhos para resolvê-los.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
TEL COELHO/ GIZ DE CERA

BNCC

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a discussão sobre o tema perguntando aos estudantes: para vocês, o que significa desenvolvimento sustentável para o Nordeste? As respostas esperadas incluem reconhecer que o desenvolvimento envolve melhoria da qualidade de vida, acesso a serviços básicos e direitos sociais, proteção ao meio ambiente e oportunidades de trabalho digno.

Retome as características sobre o clima semiárido, estudado no Capítulo 2 da Unidade 1, e verifique se os estudantes conseguem diferenciá-lo do espaço apresentado no mapa Nordeste: Semiárido (2022). Mostre que a área retratada no mapa engloba aspectos além do clima, sendo delimitada por leis (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Semiárido. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https: //www.ibge.gov.br/apps/ quadrogeografico/pdf/21_ Semiarido.pdf. Acesso em: 21 set. 2025.).

Desenvolvimento regional

Nas últimas décadas, a região Nordeste tem se desenvolvido cada vez mais. Entretanto, o desenvolvimento não está relacionado apenas à economia. Ele precisa ser acompanhado de direitos sociais que levem à melhoria da vida das pessoas, como o acesso à saúde, à educação e a oportunidades de trabalho digno. No Nordeste, esses direitos serviram de base para a criação de políticas públicas que ajudaram a melhorar a vida de milhares de pessoas. Nos estados da Bahia, do Piauí, do Ceará e do Maranhão, por exemplo, foi implementado um programa governamental com o objetivo de ampliar o acesso à energia elétrica no campo e em áreas remotas. Esse mesmo programa atendeu a outras UFs do Brasil, principalmente em áreas remotas da Amazônia.

Desenvolvimento no Semiárido

O Semiárido é uma região complexa, pois nela existem áreas urbanas e rurais, agricultura de sequeiro e irrigada, agricultura moderna (mecanizada) e familiar, grandes indústrias e polos de comércio, por exemplo.

Muitas vezes, as características naturais do Semiárido são definidas de maneira negativa. Assim, suas potencialidades e possibilidades socioambientais não são destacadas, colocando a semiaridez como um problema regional e até nacional.

A área do Semiárido é delimitada por lei e abrange o território de 1 477 municípios, a maior parte deles localizada no Nordeste. Observe o mapa.

Fonte: INSTITUTO

BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Semiárido Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/ apps/quadrogeografico/ pdf/2022_080_semiarido.pdf. Acesso em: 9 ago. 2025.

Sugestão para os estudantes

Agricultura de sequeiro: técnica agrícola que depende exclusivamente das águas das chuvas para o cultivo.

Nordeste: Semiárido (2022)

AGOSTINHO, Cristina. O flautista do Cariri. Ilustrações: Walter Lara. Belo Horizonte: Mazza, 2024. O livro é uma adaptação do conto O flautista de Hamelin, uma narrativa oral coletada pelos Irmãos Grimm. Verifique se os estudantes conhecem alguma versão da história, trabalhando em intertextualidade com Língua Portuguesa. Em seguida, apresente os elementos culturais do Semiárido que são retratados na narrativa, como o instrumento musical pífano, a infestação de preás e as ilustrações que retratam a vida do protagonista no Ceará, na região do Semiárido.

O Semiárido é favorável à produção de uvas, por causa de sua baixa umidade e da alta incidência de sol o ano todo, entre outras razões. Isso beneficia agricultores do eixo Juazeiro (BA)-Petrolina (PE).

O turismo no Semiárido tem a vantagem de o clima ter poucas variações na região. Um dos destaques são as atrações turísticas desenvolvidas próximas ao Rio São Francisco. Veja como esse rio é retratado em um conto do escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953).

[...] Nunca vi tanta água junta, meus amigos. É um mar: engole o Ipanema em tempo de cheia e pede mais. Está sempre com sede. Não há rio com semelhante largura. Vossemecês pisam na beira dele, olham para a outra banda, avistam um boi e pensam que é um cabrito.

RAMOS, Graciliano. Uma canoa furada. In: RAMOS, Graciliano. Histórias de Alexandre Ilustrações: André Neves. Rio de Janeiro: Record, 2013. E-book

1 Pesquisem um exemplo de atração turística no Semiárido nordestino e localizem-na no mapa Nordeste: Semiárido (2022), na página anterior. Em seguida, respondam às questões no caderno.

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento.

a) Em que município(s) essa atividade ocorre?

b) Quais são seus principais atrativos?

c) Ela é desenvolvida de forma sustentável, protegendo o meio ambiente?

• Em uma roda de conversa, apresentem o que descobriram aos colegas.

DESCUBRA MAIS

ÁGUA viva: mulheres e o redesenho da vida no semiárido do Rio Grande do Norte. Publicado por: Canal da FBB, 2015. 1 vídeo ( ca. 5 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jmfflq-dPPM. Acesso em: 21 ago. 2025. Para melhorar a irrigação das plantações, mulheres do semiárido do Rio Grande do Norte desenvolveram um sistema de filtragem para reaproveitamento da água com a palha do coqueiro.

Vossemecê: forma antiga da palavra você 137

Sugestão para o professor

O AUTO da compadecida. Direção: Guel Arraes. Brasil, 2000. 1 vídeo (104 min).

30/09/2025 22:18

Adaptado da obra do escritor paraibano Ariano Suassuna (1927-2014), o filme narra a história de dois nordestinos, Chicó e João Grilo, destacando a cultura popular e a tradição religiosa da região. A obra também traz elementos que remetem à literatura de cordel, como construções em versos nas falas dos personagens.

Leia com os estudantes o trecho do conto Uma canoa furada, do escritor Graciliano Ramos (1892-1953). Em interdisciplinaridade com Língua Portuguesa, explique que esse escritor alagoano retratou em algumas de suas obras as dificuldades enfrentadas pela população habitante do Semiárido. Certifique-se de que os estudantes entendem o trabalho literário com a linguagem, explicando que o Rio São Francisco é descrito do ponto de vista de um personagem. Comente que o rio mais largo do mundo, ainda que também brasileiro, é o Rio Amazonas. Para finalizar o trabalho de exploração do trecho, peça que desenhem o Rio São Francisco com base nas descrições do conto. 1. Auxilie os estudantes na identificação da atração turística no mapa, verificando se sua localização corresponde à área abarcada pelo Semiárido. Os estudantes podem fazer a pesquisa em livros ou de forma digital, com o auxílio de um adulto. Caso exista uma atração turística no semiárido próxima ao lugar de vivência dos estudantes, incentive-os a refletir coletivamente sobre as questões propostas. Outra possibilidade é organizar uma visita da turma à atração pesquisada. Nesse caso, solicite autorização previamente aos familiares e à direção da escola e verifique quais são as orientações da instituição gestora da atração turística para visitas escolares.

Embarcações no Rio São Francisco, em Aracaju (SE), em 2020.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

TCT: Economia: educação fiscal.

ENCAMINHAMENTO

Ao explicar o que são incentivos fiscais e financeiros, aproveite para trabalhar o TCT Economia: educação fiscal. Reforce o conhecimento de que tributos são arrecadados pelo Estado e destinados a diversas áreas, visando à melhor organização do país. Em seguida, explique que os incentivos fiscais de instituições públicas podem ser uma forma de direcionamento dos tributos arrecadados da população.

Comente que, atualmente, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) é um dos principais órgãos responsáveis por planejar e coordenar políticas de desenvolvimento para a região. Seu papel vai muito além do incentivo à industrialização, como ocorreu nas décadas de 1960 e 1970. Hoje, a Sudene atua de forma integrada para reduzir desigualdades regionais e promover um desenvolvimento que seja econômico, social e ambientalmente sustentável.

A Sudene também é responsável por administrar incentivos fiscais e linhas de crédito para investimentos produtivos, atraindo empresas para áreas estratégicas do Nordeste e contribuindo para a geração de empregos e renda.

Sudene e desenvolvimento regional DIÁLOGOS

Com o objetivo de corrigir as desigualdades no Nordeste, em 1959, o governo federal criou a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Esse órgão era responsável por planejar a solução de problemas regionais, como desemprego e êxodo rural.

Visando fortalecer a indústria nacional, nas décadas de 1960 e 1970, vários centros e distritos industriais foram inaugurados no Nordeste, com incentivos fiscais e financeiros dados pelo governo federal.

Esses estabelecimentos industriais, muitas vezes, favoreciam empresários na utilização de recursos existentes na região e de mão de obra barata. A má gestão dos recursos públicos tornou a Sudene um alvo de críticas, o que levou à sua extinção em 2001.

A Sudene ressurgiu em 2007 com o objetivo de reduzir desigualdades regionais. Hoje, ela atua nos nove estados do Nordeste e em municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo, no Sudeste.

Polo Industrial

1 Leia a manchete desta notícia.

Sudene

destaca papel da Caatinga na redução do aquecimento global e amplia ações de preservação do bioma

BRASIL. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Sudene destaca papel da Caatinga na redução do aquecimento global e amplia ações de preservação do bioma. Brasília, DF: Sudene, 28 abr. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/sudene/pt-br/assuntos/noticias/sudene-destaca-papel-da-caatinga-nareducao-do-aquecimento-global-e-amplia-acoes-de-preservacao-do-bioma. Acesso em: 22 ago. 2025.

• Por que ações de preservação da Caatinga são importantes no desenvolvimento da região Nordeste?

Espera-se que os estudantes respondam que a proteção dos recursos naturais da região é uma estratégia importante para permitir que o Nordeste continue se desenvolvendo e possa continuar planejando seu futuro de forma sustentável.

Texto de apoio

Coordenada por Celso Furtado, a Sudene propunha uma série de mudanças estruturais, onde a implementação da industrialização na região Nordeste portava-se como condição essencial à reversão do quadro socioeconômico nordestino [...].

O declínio das chamadas Superintendências de Desenvolvimento Regional no país se deu, entre outros fatores, em virtude da falta de credibilidade que se instalou em torno desses órgãos, abrindo assim, precedentes para seu encerramento e/ou reestruturação. No caso da Sudene, devido a uma série de denúncias e irregularidades, esta Superintendência teve suas ações encerradas no ano de 2001, sendo concomitantemente substituída pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene).

PEREIRA, Livia Jordana Assis; ALVES, Larissa Silva Ferreira; LIMA JÚNIOR, Francisco O’ de. Planejamento e desenvolvimento regional sob a égide do Estado: a experiência da Sudene. Colóquio: Revista do Desenvolvimento Regional, Taquara, v. 19, n. 3, p. 4-18, jul./set. 2022.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
de Camaçari (BA), em 2025. Esse polo petroquímico contou com incentivos governamentais da Sudene para iniciar suas operações em 1978.

Fontes de energia renovável no Nordeste

As fontes de energia renovável são fundamentais para reduzir a emissão de gases do efeito estufa e diminuir os impactos ao meio ambiente, além de gerar empregos e movimentar a economia de um território.

A região Nordeste desempenha um importante papel na geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis, principalmente a eólica e a solar. As características climáticas e a localização geográfica são fundamentais para potencializar a geração de energia elétrica a partir dessas fontes.

A energia eólica é uma fonte de energia renovável originada pela força dos ventos. Atualmente, o Nordeste gera um pouco mais de 90% de toda a energia eólica do país.

Já a energia solar, também chamada fotovoltaica, é gerada pela captação da luz e do calor do sol através de placas solares. Os altos níveis de radiação solar é um dos fatores que favorece a geração de energia a partir dessa fonte no Nordeste.

1 Leia o trecho desta notícia.

O protagonismo do Nordeste do país nos avanços da capacidade instalada do Sistema Interligado Nacional (SIN), com destaque para a geração fotovoltaica e eólica, mostra que a região gera mais energia elétrica do que consome, ou seja, um balanço positivo. [...]

BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Nordeste é visto como grande gerador e exportador de energia renovável. Brasília, DF: MME, 15 dez. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/ nordeste-e-visto-como-grande-gerador-e-exportador-de-energia-renovavel. Acesso em: 22 ago. 2025.

• O que leva o Nordeste a se destacar na geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis? Responda no caderno.

A localização geográfica e as características climáticas são propícias para a exploração de fontes de energia renováveis, principalmente a eólica e a solar.

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

ENCAMINHAMENTO

Retome o conteúdo da página 138 explicando que, no campo da sustentabilidade, a Sudene tem ampliado seu apoio a projetos de energia renovável, principalmente nos setores eólico e solar, que têm transformado o Nordeste em um dos maiores produtores de energia limpa do país. Esses projetos ajudam a diversificar a matriz energética brasileira, reduzem a emissão de gases de efeito estufa e criam oportunidades econômicas para a região.

Comente que, no caso da fonte eólica, a região tem um grande destaque em relação ao país, sendo responsável por gerar mais de 90% desse tipo de energia (BOLETIM ANUAL 2024. São Paulo: ABEEólica, 2024. Disponível em: https://abeeolica. org.br/wp-content/uploads /2025/05/424_ABEEOLICA_ BOLETIM-ANUAL-2025_PT_ Final-Aprovado.pdf. Acesso em: 22 ago. 2025).

30/09/2025 22:18

Sugestão para o professor FILHOS do vento. Direção: Rogério Bié e Euziane Bastos. Brasil, 2023. Documentário (ca. 69 min).

O filme revela conflitos socioambientais na instalação de um parque eólico, em 2008, na comunidade quilombola do Cumbe, em Aracati, no Ceará.

O objetivo do documentário não é criticar a transição para uma fonte de energia renovável, mas mostrar que a relação de uma comunidade com seu território deve ser respeitada por grandes empreendimentos. Assim, tanto o planejamento quanto a instalação de parques eólicos deveriam ser realizados de maneira a não prejudicar modos de vida tradicionais nem ecossistemas próprios de um local.

Se achar pertinente, comente também com os estudantes o caso do Complexo Eólico Tucano, na Bahia, e do Parque Eólico Cajuína, no Rio Grande do Norte, que são operados apenas por mulheres. Explique que o objetivo dessas contratações é garantir a equidade de oportunidades de emprego em uma área que costuma empregar majoritariamente homens.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Parque Eólico Dunas de Paracuru, em Paracuru (CE), em 2023.

BNCC

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a discussão sobre as Unidades de Conservação (UCs) no Nordeste perguntando aos estudantes: por que é importante proteger áreas específicas da natureza? Quais impactos a destruição de um bioma pode trazer para a vida das pessoas?

As respostas esperadas incluem reconhecer que as UCs preservam espécies animais e vegetais, mantêm nascentes e rios, ajudam a regular o clima e permitem o uso sustentável dos recursos naturais pelas populações que delas dependem. É importante que os estudantes associem a existência de UCs ao bem-estar da comunidade, entendendo que seu uso é coletivo e sua proteção é um dever de todos. Ao reconhecer a função das UCs na proteção de biomas e na garantia de recursos para comunidades tradicionais, espera-se que os estudantes desenvolvam noções de sustentabilidade e de corresponsabilidade na conservação da natureza.

Unidades de Conservação no Nordeste

Não há desenvolvimento pleno de uma sociedade sem a proteção do meio ambiente. Uma maneira importante de cuidar da natureza é delimitar áreas protegidas, as Unidades de Conservação (UCs).

Veja alguns exemplos de UCs em cada um dos biomas do Nordeste.

Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses, em Alcântara (MA), em 2024. A UC está localizada no bioma Amazônia.

Sugestão para o professor

BRASIL. Decreto nº 12.363, de 17 de janeiro de 2025. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 jan. 2025. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/ decreto/D12363.htm. Acesso em: 22 ago. 2025.

O decreto aprovou o XI Plano Setorial para os recursos do mar, estabelecendo as diretrizes para a gestão e o uso sustentável dos recursos marinhos no Brasil. Se julgar interessante, trace paralelos entre a área protegida pelo decreto e a área das Unidades de Conservação na região Nordeste, mostrando que ambas contribuem para a proteção do ambiente.

Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, em Alto Parnaíba (MA), em 2023. A UC está localizada no bioma Cerrado.
Parque Nacional da Serra do Teixeira, em Teixeira (PB), em 2024. A UC está localizada no bioma Caatinga.
Reserva Ecológica dos Manguezais, em Barra de São Miguel (AL), em 2024. A UC está localizada no bioma Mata Atlântica.

1. Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento. Observe o mapa das UCs no Nordeste.

Nordeste: Unidades de Conservação (2023)

Fonte: MAPBIOMAS. Nordeste, Unidades de Conservação (2023). Brasil, c2025. Disponível em: https://plataforma.brasil.mapbiomas.org. Acesso em: 27 jun. 2025.

ESCREVA NO LIVRO.

1 Siga as orientações do professor e pesquise uma Unidade de Conservação no estado onde você mora. Anote o que você descobriu no caderno. Se for possível, o professor poderá agendar uma visita com a turma a essa UC.

2 O professor vai dividir a turma em nove grupos e sortear um estado do Nordeste para cada um. Cada grupo será responsável por representar o estado em uma maquete.

Atenção!

Caso seja necessário uso de tesoura, utilizem uma com pontas arredondadas.

• Vocês podem escolher, entre os elementos que estudaram ao longo do livro, aqueles que são mais representativos do estado. Podem ser as tradições culturais, as Unidades de Conservação, os pontos turísticos, entre outras possibilidades.

• A maquete ficou pronta? É hora de chamar a família e a comunidade escolar para conhecer toda a região Nordeste!

Produção coletiva. Veja orientações no Encaminhamento.

Organize-se

• Materiais recicláveis ou reutilizáveis para confecção de maquete

• Riscadores diversos, como canetas hidrocor e giz de cera

• Cola

• Tesoura com pontas arredondadas

1. Verifique se os estudantes conseguiram identificar os itens relacionados à UC. Se for possível realizar a visita, solicite previamente autorização aos familiares dos estudantes e à direção da escola. Compartilhe com as famílias uma lista dos itens importantes para a visita, como o uso de roupas e tênis confortáveis para caminhada, aplicação de protetor solar e de repelente de insetos, entre outros. Além disso, podem-se incluir entrevistas com guarda-parques, lideranças comunitárias ou pesquisadores, integrando o conhecimento científico e o saber local.

141

01/10/2025 15:14

Sugestão para o professor UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO BRASIL. Brasília, DF: ISA, c2025. Disponível em: https:// uc.socioambiental.org/mapa. Acesso em: 22 set. 2025.

O site permite filtrar as Unidades de Conservação do Brasil por Unidade da Federação, município, instância (federal ou estadual), bioma, bacia hidrográfica e categoria. Se possível, acesse a página com os estudantes durante a realização da pesquisa proposta na atividade 1.

2. Organize os estudantes em nove grupos. Em seguida, realize um sorteio com os nomes dos estados do Nordeste, atribuindo um a cada grupo. A atividade pode ser desenvolvida em interdisciplinaridade com Arte, de modo que os estudantes possam experimentar diferentes possibilidades de representação dos elementos que mais lhes chamam a atenção no estado que lhes foi atribuído. Eles podem dispor na maquete elementos que representem mitos, canções, danças, aspectos naturais, fatos históricos, entre outros. Auxilie-os a planejar quais elementos querem representar, quais materiais utilizarão e como será a montagem da maquete. Instrua-os a utilizar principalmente materiais recicláveis ou que seriam descartados para construir a maquete. Ao final, elaborem um convite coletivo para convidar as famílias e a comunidade escolar para conhecer o trabalho produzido.

NÃO
SONIA VAZ

ENCAMINHAMENTO

Antes de solicitar aos estudantes que respondam às atividades, incentive-os a expressar o que aprenderam e a expor eventuais dúvidas que tenham.

Em seguida, escreva alguns dos principais conceitos vistos ao longo da unidade na lousa, para formar um mapa mental. Peça aos estudantes que auxiliem a completar o mapa, indicando outros conceitos e ideias-chave relacionados ao que aprenderam e escrevendo-os no caderno.

A seção tem como objetivo retomar e consolidar os principais conceitos e aprendizagens da unidade, permitindo aos estudantes que façam uma síntese crítica do estudo.

1. A concentração da população nordestina no litoral é reflexo da ocupação do território brasileiro desde o período colonial. Das nove capitais da região, oito estão na faixa litorânea, e as pessoas são atraídas para esses municípios em busca de trabalho e de uma vida melhor.

2. b) A instituição é responsável por planejar a solução de problemas e, assim, diminuir as desigualdades regionais. Espera-se que os estudantes concluam que, para realizar esse planejamento e prever políticas públicas necessárias, a Sudene precisa conhecer quais são as populações que habitam o Nordeste, bem como suas necessidades e os problemas que enfrentam.

PARA REVER O QUE APRENDI

Vamos rever o que estudamos na unidade? Responda às questões no caderno.

1 Por que a maior parte da população do Nordeste está concentrada na faixa litorânea?

Veja resposta no Encaminhamento.

2 Leia o trecho desta notícia.

A população indígena na Região Nordeste do País aumentou 152,6% em 12 anos. É o que apontam dados do boletim temático da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), divulgado na quarta-feira, 16, com base no Censo de 2022 [...].

PASTANA, Ana. Nordeste tem crescimento de 152% da população indígena, aponta boletim. Cenarium, Manaus, 19 abr. 2025. Disponível em: https://revistacenarium.com.br/nordeste-tem-crescimento-de-152-dapopulacao-indigena-aponta-boletim/. Acesso em: 23 ago. 2025.

a) Além da população indígena, que outras populações do Nordeste aparecem no Censo 2022?

As populações parda, branca, preta e amarela.

b) Qual é o papel atual da Sudene na região Nordeste? Por que essa instituição publicou um boletim temático sobre os povos indígenas na região?

Veja respostas no Encaminhamento.

3 No caderno, associe as informações representadas pelas letras às informações indicadas pelos números.

Resposta: A: 3; B: 1; C: 4; D: 2.

Energias eólica e solar Mapas elaborados com base em conhecimentos e vivências de uma comunidade.

da cidadania relacionado à participação social nas decisões da comunidade.

Texto de apoio

A avaliação da aprendizagem da pessoa com deficiência deve considerar as condições cognitivas emergentes e as possibilidades de superação, não devendo, portanto, se limitar à verificação das capacidades consolidadas, do conhecimento previamente adquirido. A avaliação de verificação do desempenho escolar torna-se assim nociva, visto que ocasiona a realização de prognósticos negativos do aluno com deficiência, que será visto como detentor de uma condição de aprendizagem debilitada (Beyer, 2005).

[...]

A avaliação da aprendizagem voltada para o aluno com deficiência é um elemento pedagógico de grande importância, que pode auxiliar ou dificultar a inclusão do aluno na instituição de ensino. Para uma verdadeira avaliação da aprendizagem inclusiva, faz-se necessário levar em consideração uma série de fatores, tais como o conhecimento das necessidades apresentadas pela pessoa com deficiência, a adequação dos instrumentos avaliativos conforme as especificidades do perfil do aluno, o uso de uma avaliação

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

4 Observe uma obra da artista cearense Alexia Ferreira e leia o texto sobre ela.

Em Sagrada, as presenças femininas evocam o cuidado e a abundância. As casas, tema recorrente em sua obra, traduzem uma ideia de segurança e acolhimento, muitas vezes precária — ou mesmo ausente — na infância de crianças negras de comunidades marginalizadas no Brasil.

EXPOSIÇÃO coletiva “O poder de minhas mãos” no Sesc Pompeia. Arte Ref, Cotia, 11 ago. 2025. Disponível em: https://arteref. com/exposicoes-e-eventos/exposicaocoletiva-o-poder-de-minhas-maos-no-sescpompeia/. Acesso em: 23 ago. 2025.

a) Por que as casas podem ser um elemento precário ou ausente na vida de crianças negras em algumas comunidades?

país, que atinge fortemente a população negra.

4. a) Espera-se que os estudantes concluam que isso é um reflexo da desigualdade social no Espera-se que os estudantes respondam que sim, pois ajuda a dar visibilidade à história e à cultura da população negra.

b) Para você, retratar a população negra em um ambiente de cuidado e acolhimento é um exemplo de atitude antirracista? Explique.

c) Em uma folha de papel avulsa, faça uma colagem que represente a diversidade cultural da população negra no Nordeste.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento.

1. Faça uma avaliação do trabalho que você realizou durante os estudos. Para isso, utilize a escala a seguir.

Aprendi. Aprendi parcialmente. Não aprendi.

• Aprendi sobre a composição e a distribuição da população nordestina e sua diversidade cultural?

• Aprendi sobre as migrações históricas e recentes do Nordeste?

• Aprendi sobre a desigualdade social e as condições de vida da população?

• Aprendi sobre a democracia e as formas de cidadania ativa, como cartografia participativa?

• Aprendi os direitos de povos e comunidades tradicionais e populações negras?

• Aprendi sobre o desenvolvimento regional e a importância das fontes de energia renováveis?

• Aprendi o que são as Unidades de Conservação e sua distribuição no Nordeste? Espera-se que os estudantes possam revisar cada assunto que compõe os capítulos estudados, com base em temáticas principais. É fundamental auxiliá-los a cada tópico com a retomada de ideias construídas ao longo das conversas em sala de aula.

Organize-se

• Tesoura com pontas arredondadas

• Folhetos, jornais e revistas

• Papéis coloridos

• Cola

ENCAMINHAMENTO

30/09/2025 22:18

formativa e diagnóstica que considere a construção individual do aprendiz e possa realizar um diagnóstico com a finalidade de intervenções que possibilitem o avanço do conhecimento do aluno (Beyer, 2005; Brasil, 2005a; Luckesi, 2005, 2001).

A avaliação inclusiva deve ser prospectiva, ou seja, deve realizar um diagnóstico das condições cognitivas emergentes do aluno que apresenta algum tipo de deficiência, não devendo, portanto, se limitar à verificação das suas capacidades adquiridas. Esse tipo de avaliação superficial aparece como nociva, tendo em vista que pode rebaixar as expectativas dos profissionais da Educação, especialmente do professor, em relação a esse grupo específico. [...]

BENEVIDES, Marta Cavalcante. Avaliação da aprendizagem de alunos com deficiência: estudo de caso em uma instituição de ensino superior da rede pública de Fortaleza-Ceará. 2011. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação Brasileira, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2011. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/3643. Acesso em: 22 set. 2025.

4. c) A colagem deve representar a diversidade cultural da população negra, reforçando a pluralidade de identidades e contribuições. Instrua os estudantes a utilizar tesouras com pontas arredondadas e auxilie-os durante a execução da atividade. Eles podem utilizar imagens impressas de pesquisas ou folhetos, jornais e revistas para fazer o recorte e a colagem. Separe também papéis coloridos e incentive-os a recortar casas, como as presentes na obra Sagrada, de Alexia Ferreira. Ao final, pode ser organizada uma exposição com a produção da turma. Trabalhe em interdisciplinaridade com Arte, destacando os elementos da colagem enquanto técnica artística. Veja, por exemplo, o seguinte verbete: COLAGEM. In : ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural. Itaú Cultural, c2025. Disponível em: https://enciclo pedia.itaucultural.org.br/ termos/79953-colagem. Acesso em: 22 set. 2025. Na autoavaliação, espera-se que os estudantes possam revisar cada assunto que compõe os capítulos estudados, com base em temáticas principais. Incentive os estudantes a preencher conscientemente a escala de aprendizagem, reconhecendo o que aprenderam bem e o que precisam revisar.

Sagrada, de Alexia Ferreira, 2024.

Referências bibliográficas comentadas

ASSOCIAÇÃO QUILOMBOLA DE CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS. Nova cartografia social dos povos e comunidades tradicionais do Brasil : Quilombolas de Conceição das Crioulas: Salgueiro, Pernambuco. Brasília, DF: Projeto Nova Cartografia Social dos Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil, 2007. Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/ sites/default/files/documents/03d00257.pdf. Acesso em: 26 ago. 2025.

Esse material destaca a importância da cartografia social como instrumento de resistência e preservação da identidade cultural.

BEZERRA, J. A. Rede urbana interiorizada: novas conformações do território no Nordeste brasileiro. Sociedade & Natureza , Uberlândia, v. 32, p. 392-403, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sn/a/ tghysSVrzjcdM3xrMbyWYJw/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 26 ago. 2025.

LIVRO DO ALUNO

O artigo aborda a urbanização interiorizada no Nordeste brasileiro, evidenciando o papel da reestruturação econômica e a emergência de novas centralidades urbanas afastadas das metrópoles tradicionais da região.

BONFIM, E. de S.; DURAZZO, L. Retomadas linguísticas indígenas no Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo: um mapeamento etnográfico. Scielo , São Paulo, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/ SciELOPreprints.6508. Acesso em: 26 ago. 2025.

Esse trabalho analisa os processos de revitalização e retomada de línguas indígenas no Nordeste e nos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, na região Sudeste.

BRASIL. Decreto n o 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política nacional de desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 fev. 2007.

Esse documento oficial estabelece as diretrizes para a proteção e o desenvolvimento sustentável dos povos e das comunidades tradicionais, reconhecendo sua importância cultural e ambiental.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: https://basenacional comum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 25 ago. 2025.

A Base Nacional Comum Curricular tem por objetivo garantir as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver durante a educação básica.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada . Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/ crianca-alfabetizada. Acesso em: 25 ago. 2025.

O documento apresenta possibilidades didáticas para a recomposição das aprendizagens, visando garantir a alfabetização de todos os estudantes brasileiros até o 2 o ano do ensino fundamental.

CORREIA, I. A.; OJIMA, R. Emigração e imobilidade no Nordeste brasileiro: adaptação ou resistência? Revista de desenvolvimento econômico, Salvador, ano 19, v. 3, n. 38, p. 175-192, dez. 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.21452/rde.v3i38.5080. Acesso em: 26 ago. 2025.

O estudo aborda os motivos que levam muitas pessoas do Nordeste a permanecer no local de origem e como programas governamentais podem auxiliá-las.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Bens culturais registrados . Brasília, DF: Iphan, c2025. Disponível em: http://colaborativo. ibict.br/tainacan-iphan/. Acesso em: 26 ago. 2025. O site apresenta o conceito de patrimônio e mostra as diversas manifestações culturais reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro. Entre os patrimônios imateriais, inclui festas, rituais, modos de fazer e celebrações que têm forte presença no Nordeste.

MILANEZ, F. et al . Existência e diferença: o racismo contra os povos indígenas. Direito e praxis , Rio de Janeiro, n. 3, v. 10, p. 2161-2181, 2019. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revista ceaju/article/view/43886. Acesso em: 26 ago. 2025. Com contribuições de lideranças indígenas, o artigo aprofunda a discussão sobre o racismo estrutural contra povos indígenas, tema central para a compreensão das desigualdades históricas no Brasil.

NASCIMENTO, A. do. O genocídio do negro brasileiro : processo de um racismo mascarado. Rio de Janeiro: Perspectiva, 2016.

A obra explicita o racismo estrutural no Brasil, denunciando as formas históricas e contemporâneas de exclusão da população negra.

ORIENTAÇÕES GERAIS

LIVRO REGIONALIZADO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

A produção de um livro regionalizado de História e Geografia representa um compromisso com a valorização das identidades culturais, históricas e ambientais do Nordeste brasileiro. Em uma sociedade marcada por desigualdades e invisibilidades históricas, este material reforça a importância de colocar a região Nordeste no centro do processo educativo, promovendo uma aprendizagem significativa e situada.

A abordagem regional é relevante para as diferentes dimensões formativas, pois o processo de construção de identidade regional permite aos estudantes reconhecerem-se como sujeitos históricos e geográficos, inseridos em uma coletividade com tradições, valores e memórias próprias; pelo meio da discussão do turismo cultural e ambiental, despertamos os estudantes para a identificação, reconhecimento e valorização dos patrimônios materiais e imateriais, incentivando práticas de preservação e conscientização social; a regionalização estimula a conscientização ambiental ao articular a relação ser humano e ambiente, destacando desafios como seca, desertificação, poluição e degradação, mas também exemplos de convivência sustentável com o semiárido.

Por meio das artes regionais estimulamos o reconhecimento e a valorização das manifestações socioculturais, como a literatura de cordel, o reisado, o maracatu, o forró, a xilogravura, entre outras expressões da experiência humana que configuram as identidades do Nordeste. E a regionalização oportuniza a representatividade de diferentes sujeitos históricos, pois dá visibilidade a povos indígenas, afrodescendentes, quilombolas, sertanejos, ribeirinhos e demais grupos que fazem parte da formação histórica da região. A integração entre a região Nordeste e as demais regiões do país possibilita a comparação com realidades semelhantes entre estados de diferentes regiões, ampliando a compreensão das interdependências culturais, sociais e econômicas.

Assim, o livro regionalizado de História e Geografia orienta a consciência histórica e geográfica crítica, permitindo que os estudantes compreendam o Nordeste em sua diversidade e complexidade.

Casas de arquitetura colonial no Pelourinho, em Salvador (BA), em 2023.

PRESSUPOSTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA OBRA

Esta obra está sustentada em três grandes referenciais: Geografia crítica : Abordagem que busca compreender o espaço e o território como produto social, fruto de disputas, transformações e permanências; Educação Histórica : campo de estudo que defende a formação da consciência histórica como eixo do ensino de História, promovendo o pensamento crítico e reflexivo do presente e suas relações com o passado; Documentos curriculares: a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os currículos estaduais da região Nordeste, que orientam as competências gerais e específicas dos anos iniciais do ensino fundamental, além de outros documentos oficiais, como as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e as leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que dispõem sobre História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.

Os conceitos e as categorias da Geografia, se vistos sob o ponto de vista crítico associados ao cotidiano, conduzem tanto para o entendimento da realidade, quanto para a não aceitação da naturalização da miséria e a banalização da exclusão. O ensino de Geografia que orienta a proposta do livro regionalizado coloca a relação ensino-aprendizagem como um instrumento de leitura socioespacial.

A Geografia, portanto, oferece instrumentos para entender como os elementos naturais e humanizados se relacionam, conferindo especificidades espaciais. O espaço geográfico deve ser analisado e compreendido a partir da relação sociedade-natureza por meio dos conceitos de território, paisagem, lugar, natureza e região, este último descrito no próximo tópico deste livro do professor. O território, analisado enquanto produto da sociedade, compreende apropriação do espaço sustentado na ideia de limite, como revelação das relações de poder sobre uma determinada área. É, portanto, espaço de controle, dominação e vigilância.

Se a nossa compreensão da realidade regional depende da localização, de saber onde estamos, é a dimensão do lugar que contribui para a apreensão do real, a partir da afetividade, da ideia de pertencimento, fator essencial para o direcionamento da construção da identidade regional. Sobre o conceito de lugar, Carlos, afirma que o “lugar é a base da reprodução da vida e pode ser analisado pela tríade habitante-identidade-lugar. [...] É o espaço passível de ser sentido, pensado, apropriado e vivido através do corpo” (CARLOS, Ana Fani Alessandri. O lugar no/do mundo. 2. ed. São Paulo: FFLCH, 2007. p. 17-18).

No livro regionalizado a paisagem é tratada como o espaço primaz para a percepção dos estudantes quanto aos aspectos que são responsáveis pela configuração espacial, no sentido de permitir uma leitura sobre a realidade vivida, seja no campo ou na cidade, além de identificar os elementos naturais e humanizados dessa realidade.

Na visão de Santos, “tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons etc.” (SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988. p. 61).

Servindo de base para decifrar o espaço geográfico, a natureza pode ser entendida sob dois aspectos, descritos por Milton Santos como primeira natureza e segunda natureza. A primeira natureza se apresenta na sua forma original sem a interferência humana e a segunda é resultado da ação humana mediada pelo trabalho.

A verdade, porém, é que, com o avanço da técnica, os objetos criados substituem cada vez mais os objetos naturais, mas aparecem também como objetos naturais aos olhos das novas gerações. É a história de sua produção que distingue a natureza herdeira do natural e a que provém do artifício.

SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988. p. 61.

A educação histórica constitui um aporte teórico consistente, especialmente na busca de diálogo com realidades regionais e para a promoção de aprendizagens significativas. Nessa perspectiva, a História é entendida como um conhecimento interpretativo, construído a partir da análise de vestígios do passado e orientado para dar sentido ao presente e projetar o futuro. Não se trata apenas de narrar “o que aconteceu”, mas de compreender processos, relações de causa e consequência e diferentes pontos de vista sobre os acontecimentos.

Como destaca a tradição da educação histórica, aprender História é desenvolver a capacidade de orientar-se no tempo, articulando experiência, interpretação e ação. Fundamentada na epistemologia da História, essa abordagem desloca o ensino do lugar de mera transmissão de informações factuais para o desenvolvimento do pensamento histórico, promovendo nos estudantes habilidades como análise de evidências, empatia histórica, compreensão de causalidade e construção de narrativas temporalmente coerentes.

Para Barca, “a mudança em História é concebida de forma complexa e problemática, sem um sentido fixo ou uma direção determinada” (BARCA, Isabel. Educação histórica: vontades de mudança. Educar em Revista, Curitiba, n. 42, p. 59-71, out./dez. 2011. Disponível em: https://www. scielo.br/j/er/a/9Y39tCG5wd7wcz9FfSHXjLF/?lang=pt. Acesso em: 23 set. 2025), o que implica que o ensino precisa oferecer experiências que permitam aos estudantes compreenderem simultaneamente permanências e rupturas, bem como diferentes ritmos das transformações sociais.

Nessa direção, o uso de fontes históricas em sala de aula é essencial, pois aproxima os estudantes da lógica de investigação do historiador e os convida a construir interpretações próprias sobre o passado. Fotografias, mapas, objetos, relatos orais e documentos escritos possibilitam que os estudantes analisem e problematizem criticamente vestígios do passado, desenvolvam hipóteses e articulem relações de contraponto entre as evidências.

Lee reforça que "para compreendermos a História, precisamos falar de situações específicas do passado e de promovermos a sua interpretação" (LEE, Peter. Progressão da compreensão dos alunos em História. In: BARCA, Isabel (org.). Perspectivas em educação histórica. Braga: Universidade do Minho, 2001. p. 14), ou seja, compreender que o conhecimento histórico é construído a partir da análise de evidências e que essas evidências estão abertas a múltiplas interpretações. Ao incorporar esse princípio, o livro regionalizado contribui para que a aprendizagem de História seja mais ativa e investigativa.

Assim, a obra busca articular memórias locais, experiências comunitárias e conexões globais, oferecendo aos estudantes oportunidades de perceberem-se como agentes de transformação e de compreenderem seu papel na construção do futuro.

Entre os princípios metodológicos que orientam o livro estão a investigação histórica alicerçada no uso de fontes históricas diversificadas — materiais, imateriais, escritas, orais, visuais e cartográficas —, na valorização do patrimônio cultural nordestino — incluindo sítios arqueológicos, festas populares, tradições orais e cultura alimentar —, e na articulação entre tempo, espaço e memória, favorecendo o diálogo entre História e Geografia. Também se incentiva o protagonismo discente por meio de projetos de investigação, atividades de campo e produções coletivas, bem como a valorização do papel do professor como pesquisador do cotidiano local, articulando o saber da cultura escolar ao saber comunitário.

Dessa forma, o livro regionalizado não apenas ensina a pensar historicamente, mas promove uma educação emancipatória, entendida como prática de liberdade. Ao incentivar a leitura crítica do mundo, a obra possibilita que os estudantes se reconheçam como sujeitos históricos e protagonistas de sua própria história, desenvolvendo autonomia intelectual e consciência política. Freire lembra que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989, p. 13), e, nesse sentido, o estudo da História regionalizada permite problematizar o presente, compreender as relações de poder e propor caminhos para a transformação social. Assim, o livro contribui para a formação de cidadãos críticos, éticos e engajados, capazes de intervir na realidade de forma criativa e comprometida com a construção de uma sociedade mais justa e democrática.

Reflexões sobre região e história local

O conceito de região ganhou importância para os estudos geográficos no século XIX, na França, com Vidal de la Blache, sendo atualmente considerado um dos termos mais tradicionais da Geografia. Sua compreensão é fundamental por estar diretamente relacionada à noção de diferenciação de áreas, oferecendo elementos para o entendimento das especificidades espaciais, seja pelos aspectos ligados à natureza, seja pelos decorrentes dos elementos culturais, seja pelo desenvolvimento econômico e tecnológico.

Santos afirma que “[...] o estudo regional assume importante papel nos dias atuais, com a finalidade de compreender as diferentes maneiras de um mesmo modo de produção se reproduzir em diferentes regiões do Globo, dadas as suas especificidades” (SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988. p. 47).

A região pode ser entendida como uma entidade autônoma, definida pelas especificidades que a individualizam ou conferem uma identidade diante de um outro espaço, sem, contudo, constituir um fragmento isolado desse espaço.

Segundo Corrêa, a região “pode ser vista como um resultado da lei do desenvolvimento desigual e combinado, caracterizada pela sua inserção na divisão nacional e internacional do trabalho e pela associação de relações de produção distintas” (CORRÊA, Roberto L. Região e organização espacial. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000. p. 24).

A complexidade da definição do conceito pode induzir a limites conceituais, devendo-se ter o cuidado de não incorrer na generalização ou mesmo na individualização que represente isolamento. Lencioni afirma que:

[...] o conceito de região está vinculado à ideia de parte de um todo. Nesse sentido, conduz diretamente a ideia de divisão e à questão da dimensão das partes. Mas, cada parte é igualmente parte de um todo, mas também se constitui numa totalidade. Essa possibilidade de ser, ao mesmo tempo, parte e todo só pode ser compreendida se tomarmos a concepção dialética da totalidade; considerando-a como uma totalidade aberta em movimento.

LENCIONI, Sandra. Região e Geografia. São Paulo: USP, 2009. p. 27-28.

A extensão territorial do Brasil o coloca como o maior país da América Latina. Essa dimensão continental permite uma diversidade de paisagens naturais e humanizadas, além da diversidade étnica, resultante da miscigenação de diferentes povos. A pluralidade que se manifesta faz com que seja necessário dividir partes do território nacional, buscando uma delimitação que organize as especificidades, ou seja, uma regionalização que tem por função fundamental facilitar a compreensão da realidade nacional.

A divisão regional não implica separação ou recorte das partes, mas uma forma de unir sem perder, ou mesmo negligenciar, as especificidades, pois cada detalhe tem valor e importância em expressar a essência da nação, fator fundamental para a consolidação da identidade nacional. Nessa perspectiva a região se estabelece como mediadora entre local e nacional, já que as especificidades regionais não estão desvinculadas do espaço nacional. A região integra o nacional e dele faz parte, expondo o que se sobressai em cada dimensão determinada pelo recorte regional.

As semelhanças e diferenças regionais indicam que o território nacional se apresenta de forma articulada ou integrada às regiões. Cabe destacar que a regionalização não é um processo que expressa fragmentação, mas reflete a busca da consolidação da identidade nacional brasileira, mediante o fortalecimento das identidades regionais. Tem-se assim a integração nacional/regional numa perspectiva de cooperação, elemento fundamental para definição de políticas públicas específicas que tenham por meta a mitigação de problemas sociais regionais e nacionais.

A identidade regional nordestina não se desvincula da identidade das demais regiões do Brasil. Pelo contrário, elas se articulam, se completam e se interpenetram. Estudar as relações inter e intrarregionais é fundamental para o entendimento da dinâmica do território nacional no que se refere a diversos aspectos, como trocas econômicas, movimentos migratórios e relação campo-cidade.

A história regional amplia o olhar para além do cotidiano imediato e busca compreender processos históricos que se desenvolveram em um território maior, delimitado por identidades e características comuns — no caso, o Nordeste brasileiro. A região é entendida como um espaço intermediário entre o local e o nacional, no qual se articulam fatores políticos, econômicos, culturais e sociais.

O estudo da história regional possibilita identificar semelhanças e diferenças entre localidades, destacando as redes de circulação de pessoas, mercadorias, ideias e tradições. Contudo, é preciso cuidado para não reduzir o Nordeste a uma realidade homogênea, desconsiderando sua diversidade interna — sertão, agreste, litoral, metrópoles e comunidades tradicionais. Por exemplo: analisar o ciclo do algodão, as secas e as migrações, ou manifestações culturais como o forró, o maracatu e o cordel, observando suas formas distintas nos diferentes estados da região.

A história local, por sua vez, ganha maior significado quando relacionada à regional. O estudo de uma comunidade deve estar conectado a processos mais amplos que marcaram o Nordeste, como a invasão europeia, a escravização, as migrações, a modernização das cidades e as políticas públicas. Da mesma forma, a história regional só se concretiza no cotidiano das comunidades, cidades e sujeitos concretos, que vivenciam esses grandes processos históricos. Essa articulação favorece a construção de uma consciência histórica crítica, permitindo que o estudante perceba:

• como fenômenos globais e nacionais impactam sua vida cotidiana;

• como sua comunidade participa da formação de uma identidade regional;

• como o local e o regional se influenciam mutuamente ao longo do tempo.

Por exemplo, ao estudar o fenômeno das secas no Nordeste (história regional) em diálogo com relatos de moradores sobre estratégias de convivência com a falta de água (história local); ou ao investigar a história de um quilombo da comunidade e relacioná-la ao processo mais amplo de resistência negra no Nordeste.

Plantação de bananas irrigada por canal de irrigação em Guadalupe (PI), em 2022.

O Eu, o Outro e o Nós

Utilizado como fio condutor da obra, o reconhecimento do Eu, do Outro e do Nós foi inspirado tanto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), quanto em concepções da educação histórica e da Geografia crítica. Ele ajuda o professor a orientar os estudantes na construção da identidade individual e coletiva.

Os conhecimentos específicos na área de Ciências Humanas exigem clareza na definição de um conjunto de objetos de conhecimento que favoreçam o desenvolvimento de habilidades e que aprimorem a capacidade de os alunos pensarem diferentes culturas e sociedades, em seus tempos históricos, territórios e paisagens (compreendendo melhor o Brasil, sua diversidade regional e territorial). E também que os levem a refletir sobre sua inserção singular e responsável na história da sua família, comunidade, nação e mundo.

[...] A Geografia e a História, ao longo dessa etapa, trabalham o reconhecimento do Eu e o sentimento de pertencimento dos alunos à vida da família e da comunidade.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

• O Eu: o ponto de partida é o estudante. Ele é levado a refletir sobre suas experiências, suas memórias e os espaços que frequenta. Esse movimento reforça o protagonismo discente e valoriza a história de vida como parte do conhecimento escolar.

• O Outro: na sequência, o estudante reconhece a diversidade de sujeitos, culturas e grupos sociais com os quais convive. O foco aqui é desenvolver respeito às diferenças e compreender que a identidade se constrói no diálogo e na convivência com o diverso.

• O Nós: por fim, o livro propõe a construção de uma identidade regional, socialmente construída a partir de semelhanças e diferenças inter e intrarregionais. Esse Nós não é fixo, mas dinâmico, constantemente atualizado pela interação entre memória, cultura, território e história. O eixo “o Eu, o Outro e o Nós” dialoga com as competências gerais da BNCC e das Ciências Humanas, que propõem o exercício da empatia ― no caso, a empatia histórica ―, do diálogo, da identificação de conflitos e possibilidades de resolução e da cooperação. Na Geografia, articula-se com a habilidade de reconhecer-se como sujeito que vive em diferentes espaços, relacionando-os entre si. Na História, conecta-se à habilidade de identificar permanências e mudanças nas formas de vida de grupos sociais e culturais.

Exemplos didáticos

O eu

Atividade : peça para os estudantes desenharem o lugar de que mais gostam em seu bairro e contarem por que esse espaço é importante para eles.

Objetivo : trabalhar memória individual e sentimento de pertencimento.

O outro

Atividade: organize uma roda de conversa para que os estudantes compartilhem tradições familiares (como comidas, músicas e festas).

Objetivo : valorizar a diversidade cultural presente na sala de aula e nas comunidades.

O nós

Atividade: construir coletivamente um mapa cultural da cidade ou da região, registrando festas populares, patrimônios históricos e manifestações artísticas.

Objetivo: compreender a identidade regional como resultado da diversidade, articulando o local ao regional.

Tempo, espaço e memória

O ensino de História e Geografia nos anos iniciais deve ser visto como um campo integrado, em que tempo e espaço são dimensões inseparáveis da experiência humana. O tempo histórico, envolve compreender mudanças e permanências, rupturas e continuidades na vida das comunidades, povos e culturas. O espaço geográfico refere-se ao espaço vivido, transformado e ressignificado pelos sujeitos, com base nas interações sociais, econômicas, ambientais e culturais. E, por fim, a memória é o elo que conecta tempo e espaço, pois guarda as lembranças, as narrativas e os símbolos que conferem sentido à experiência coletiva.

Por exemplo, ao estudar um rio da comunidade, o professor pode trabalhar a Geografia (usos do rio, impactos ambientais), a História (como a comunidade se organizava em torno do rio) e a memória (relatos de pescadores, festas ou lendas locais associadas ao rio).

Cartografia

A cartografia constitui-se em uma linguagem importante para embasar os conteúdos escolares, principalmente no que diz respeito à Geografia e outros componentes das Ciências Humanas, e deve ocorrer valorizando o desenvolvimento de habilidades de modo que possa conduzir o estudante na análise e interpretação das relações socioespaciais. Neste livro, são propostas atividades para que os estudantes compreendam e façam leituras e elaboração de diferentes representações do espaço geográfico e, especificamente, da região.

Souza salienta que “A linguagem cartográfica é, a nosso ver, uma das que indubitavelmente devem ser utilizadas no ensino, pois representa a territorialidade dos diferentes fenômenos, razão de ser da própria ciência geográfica” (SOUZA, José Gilberto de; KATUTA, Ângela Massumi. Geografia e conhecimentos cartográficos . São Paulo: Editora Unesp, 2000. p. 60.).

A alfabetização cartográfica se dá de forma gradual e, por isso, é necessário apresentar atividades que objetivam desenvolvê-la desde os anos iniciais para que, dessa forma, os estudantes consigam adquirir as competências e as habilidades necessárias. Para isso, é preciso que o professor faça uso de metodologias diferenciadas, levando em consideração o desenvolvimento cognitivo dos estudantes nas diferentes faixas etárias. Nessa perspectiva, Não se pode esquecer, ainda, o fato de que existem diferentes mapas para diferentes usuários. Aparentemente, isso é simples, embora em termos de ensino é fundamental que se faça a diferenciação, porque muitas vezes o professor utiliza-se do mapa que tem em mãos, não fazendo a diferenciação ou não fazendo a seleção dos principais elementos que os seus alunos têm condição de ler.

SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri et al. (org.). A geografia na sala de aula. 9 ed. São Paulo: Contexto, 2018. p. 95.

O conhecimento cartográfico é uma ferramenta relevante para todo o processo de compreensão da realidade regional.

Barcos de pesca artesanal na beira do Rio Vaza-barris, em Aracaju (SE), em 2021.

LIVRO REGIONALIZADO E BNCC

Como já mencionado nos pressupostos teórico-metodológicos, o livro regionalizado tem como alicerce a BNCC e os currículos estaduais da região Nordeste.

A BNCC é o documento normativo do Ministério da Educação, publicado em 2018. Ela define as aprendizagens essenciais que orientam a educação básica em todo o país, com o objetivo de promover o desenvolvimento integral dos estudantes, assegurando direitos de aprendizagens e desenvolvimento em consonância com o que propõe o Plano Nacional de Educação (PNE).

[...] BNCC e currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em ação. São essas decisões que vão adequar as proposições da BNCC à realidade local, considerando a autonomia dos sistemas ou das redes de ensino e das instituições escolares, como também o contexto e as características dos alunos. [...]

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, incentiva-se a valorização das vivências individuais e familiares e, gradativamente, ampliam-se as aprendizagens, abrangendo a comunidade local, o município, o estado, a região e, por fim, o país, trabalhando diferentes escalas sem perder de vista a importância do contexto local.

Nesse período da vida, as crianças estão vivendo mudanças importantes em seu processo de desenvolvimento que repercutem em suas relações consigo mesmas, com os outros e com o mundo. Como destacam as DCN, a maior desenvoltura e a maior autonomia nos movimentos e deslocamentos ampliam suas interações com o espaço; a relação com múltiplas linguagens, incluindo os usos sociais da escrita e da matemática, permite a participação no mundo letrado e a construção de novas aprendizagens, na escola e para além dela; a afirmação de sua identidade em relação ao coletivo no qual se inserem resulta em formas mais ativas de se relacionarem com esse coletivo e com as normas que regem as relações entre as pessoas dentro e fora da escola, pelo reconhecimento de suas potencialidades e pelo acolhimento e pela valorização das diferenças.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

No livro regionalizado, a BNCC aparece como referência estruturante. O livro foi elaborado a partir de:

• Competências gerais da BNCC ― especialmente as que envolvem pensamento crítico, reconhecimento e valorização da diversidade cultural, responsabilidade socioambiental e cultura digital.

• Competências específicas de Ciências Humanas, de História e de Geografia ― articulando os conteúdos ao desenvolvimento da consciência histórica e do pensamento geográfico.

• Habilidades selecionadas de História e Geografia para os anos iniciais do ensino fundamental ― cada capítulo dialoga diretamente com habilidades descritas na BNCC, trabalhando os componentes de modo integrado.

As habilidades de História correspondem ao 3º ano e focam na identificação dos grupos populacionais e eventos locais, valorização das culturas diversas, reconhecimento de patrimônios e marcos históricos, análise dos registros de memória e das diferenças entre comunidades, além do mapeamento dos espaços públicos, promovendo uma compreensão aprofundada do espaço vivido e da história local.

As habilidades de Geografia relacionadas ao 3º ano voltam-se ao reconhecimento das características do espaço próximo, das paisagens e das interações entre elementos naturais e humanos. Já as habilidades referentes ao 4º ano ampliam essa análise para contextos mais abrangentes, estimulando a leitura e a análise cartográfica, e abordando temas como diversidade cultural e sua distribuição no espaço, fluxos migratórios, relação entre campo e cidade e organização político-administrativa do Brasil. As habilidades do 5º ano selecionadas para essa proposta aprofundam o estudo dos aspectos socioeconômicos e seus reflexos no espaço, por meio da análise crítica das dinâmicas populacionais, das desigualdades sociais e das transformações urbanas. Além disso, buscam desenvolver a autonomia e o senso de responsabilidade ao promover o entendimento do papel dos órgãos públicos e da participação social na melhoria das condições de vida nas comunidades.

O raciocínio histórico-geográfico é favorecido por meio do trabalho integrado dessas habilidades e da exploração dos Temas Contemporâneos Transversais (TCT), estimulando a observação, a pesquisa, a reflexão e o diálogo, elementos essenciais para a formação de cidadãos conscientes e protagonistas. O esquema a seguir apresenta os TCT, de acordo com a BNCC:

Meio ambiente

Educação Ambiental Educação para o consumo Ciência e Tecnologia

Ciência e Tecnologia

Economia

Trabalho

Educação Financeira

Educação Fiscal Multiculturalismo

Diversidade Cultural

Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasilerias

TCT

Saúde

Saúde

Educação Alimentar e Nutricional

Cidadania e civismo

Vida Familiar e Social Educação para o Trânsito Educação em Direitos Humanos Direitos da Criança e do Adolescente Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso

Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos 2019. Brasília, DF: SEB, 2019.

Somado a isso, há a preocupação de auxiliar no desenvolvimento de habilidades de educação digital e midiática ao utilizar, principalmente nas atividades de pesquisa, habilidades dos três eixos da BNCC da computação: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. Nas orientações específicas deste livro do professor há a indicação, no início de cada unidade, das competências, habilidades e TCT da BNCC que estão sendo mobilizados. Isso ajuda o professor a compreender o fio condutor da proposta pedagógica, planejar aulas que articulem a leitura, a interpretação de fontes, a construção de narrativas e o pensamento espacial, além de relacionar o ensino de História e de Geografia a outras áreas do conhecimento.

Estrutura da BNCC

A BNCC está orientada pelos princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN). As aprendizagens essenciais devem assegurar o desenvolvimento das dez competências gerais da educação básica a fim de que os estudantes “contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 8. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025).

COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4. Utilizar diferentes linguagens ― verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital ―, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10 Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular Brasília, DF: SEB, 2018. p. 9-10.

Na BNCC, o ensino fundamental está organizado em cinco áreas do conhecimento. Cada área de conhecimento estabelece competências específicas que explicitam como as competências gerais se aplicam na área.

Para o livro regionalizado de História e Geografia, destacamos as competências específicas de Ciências Humanas.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS

PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.

2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo.

3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social.

4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.

6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular Brasília, DF: SEB, 2018. p. 357.

Fortaleza da Barra do Rio Grande, ou Forte dos Reis Magos, na foz do Rio Potengi, em Natal (RN), em 2023.

No ensino fundamental, a área de Ciências Humanas abriga os componentes curriculares de História e de Geografia. Para cada um desses componentes curriculares, há as competências específicas do componente.

Acompanhe a seguir as competências específicas de História.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA PARA

O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.

2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.

3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.

4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.

6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica.

7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

João Pessoa (PB), em 2025.

Cada componente curricular apresenta um conjunto de habilidades. As habilidades estão relacionadas a objetos de conhecimento que, por sua vez, são estruturados em unidades temáticas. A seguir, você encontra as habilidades de História selecionadas para o livro regionalizado.

História – 3º ano

Unidades temáticas

Objetos de conhecimento

As pessoas e os grupos que compõem a cidade e o município

O “Eu”, o “Outro” e os diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a cidade e os municípios: os desafios sociais, culturais e ambientais do lugar onde vive

Habilidades

(EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc. (EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes.

O lugar em que vive

Os patrimônios históricos e culturais da cidade e/ou do município em que vive

(EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados.

A noção de espaço público e privado

A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.)

(EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

(EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes.

A produção dos marcos da memória: formação cultural da população

(EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam.

A cidade, seus espaços públicos e privados e suas áreas de conservação ambiental

(EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções.

Agora, acompanhe as competências específicas de Geografia.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE GEOGRAFIA

PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas.

2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história.

3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.

4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas.

5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia.

6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza.

7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 366.

A seguir, você encontra as habilidades de Geografia selecionadas para o livro regionalizado.

Geografia – 3º ano

Unidades temáticas

O sujeito e seu lugar no mundo

Conexões e escalas

Objetos de conhecimento

A cidade e o campo: aproximações e diferenças

Paisagens naturais e antrópicas em transformação

Mundo do trabalho

Matéria-prima e indústria

Natureza, ambientes e qualidade de vida

Impactos das atividades humanas

Habilidades

(EF03GE02) Identificar, em seus lugares de vivência, marcas de contribuição cultural e econômica de grupos de diferentes origens.

(EF03GE04) Explicar como os processos naturais e históricos atuam na produção e na mudança das paisagens naturais e antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os a outros lugares.

(EF03GE05) Identificar alimentos, minerais e outros produtos cultivados e extraídos da natureza, comparando as atividades de trabalho em diferentes lugares.

(EF03GE09) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos.

Geografia – 4º ano

Unidades temáticas

O sujeito e seu lugar no mundo

Conexões e escalas

Objetos de conhecimento

Território e diversidade cultural

Mundo do trabalho

Formas de representação e pensamento espacial

Geografia – 5º ano

Unidades temáticas

O sujeito e seu lugar no mundo

Processos migratórios no Brasil

Relação campo e cidade

Unidades político-administrativas do Brasil

Territórios étnico-culturais

Formas de representação e pensamento espacial

Trabalho no campo e na cidade

Habilidades

(EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira.

(EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF04GE04) Reconhecer especificidades e analisar a interdependência do campo e da cidade, considerando fluxos econômicos, de informações, de ideias e de pessoas.

(EF04GE05) Distinguir unidades político-administrativas oficiais nacionais (Distrito, Município, Unidade da Federação e grande região), suas fronteiras e sua hierarquia, localizando seus lugares de vivência.

(EF04GE06) Identificar e descrever territórios étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, reconhecendo a legitimidade da demarcação desses territórios.

(EF04GE07) Comparar as características do trabalho no campo e na cidade.

Sistema de orientação (EF04GE09) Utilizar as direções cardeais na localização de componentes físicos e humanos nas paisagens rurais e urbanas.

Elementos constitutivos dos mapas (EF04GE10) Comparar tipos variados de mapas, identificando suas características, elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças.

Natureza, ambientes e qualidade de vida

Objetos de conhecimento

Habilidades

Dinâmica populacional (EF05GE01) Descrever e analisar dinâmicas populacionais na Unidade da Federação em que vive, estabelecendo relações entre migrações e condições de infraestrutura.

Diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais

(EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

Mapas e imagens de satélite (EF05GE08) Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes.

Representação das cidades e do espaço urbano (EF05GE09) Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes cidades, utilizando mapas temáticos e representações gráficas.

Gestão pública da qualidade de vida

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

PAPEL DO PROFESSOR E AS AULAS

No contexto desta obra, o professor é compreendido como agente social e cultural que contribui para a formação de sujeitos críticos, conscientes e atuantes em suas comunidades. Ele é mediador entre o conhecimento escolar e a realidade vivida pelos estudantes e sua função vai além do ensino do conhecimento histórico e geográfico: é provocar questionamentos, fomentar diálogos, estimular a pesquisa e desenvolver empatia histórica e respeito às diferenças. O professor deve atuar para que os estudantes compreendam que a História e a Geografia são ferramentas para compreender e interpretar o mundo e transformá-lo.

Exemplo prático: ao trabalhar a seca no Nordeste, o professor deve instigar os estudantes a pensar sobre como a população enfrenta esse fenômeno e quais políticas e tecnologias podem ser desenvolvidas para convivência com o semiárido.

O docente deve se ver como pesquisador da realidade local e regional. Isso significa valorizar fontes próximas: relatos da comunidade, jornais locais, arquivos escolares, cartografias municipais, tradições orais. O professor pode estimular os estudantes a realizar pesquisas de campo, entrevistas e observações do espaço vivido. Essa postura investigativa fortalece o vínculo da escola com a comunidade e permite que a aprendizagem seja significativa e situada.

Orientações gerais para o trabalho docente

• Inicie a aula a partir de uma questão problematizadora, algo que instigue a curiosidade dos estudantes.

• Utilize este livro didático como ponto de partida para diálogos e pesquisas.

• Incentive a participação ativa dos estudantes, promovendo rodas de conversa, assembleias de turma e projetos coletivos.

• Explore os espaços não formais de aprendizagem: museus, feiras, praças, parques, centros culturais, igrejas e terreiros.

• Estimule os estudantes a construir diários de memórias locais e registros fotográficos da comunidade, fortalecendo a conexão entre escola e território.

• Adeque as aulas às diferentes realidades e necessidades de aprendizagem, tais como: trabalhar com recursos visuais (fotografias, mapas, infográficos), que favorecem estudantes com dificuldade de leitura; planejar atividades que envolvam múltiplas linguagens (visual, oral, escrita, corporal), garantindo acessibilidade a estudantes com deficiência; usar recursos como mapas táteis, audiodescrição e legendas, quando possível.

• Estimule projetos coletivos que dialoguem com Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Matemática e Ciências da Natureza.

• Permita que os estudantes escolham como apresentar seus trabalhos (cartaz, texto, vídeo).

• Valorize a diversidade de experiências, incentivando que cada estudante contribua a partir de sua vivência.

Canal de Moxotó.

Transposição do Rio São Francisco em Custódia (PE), em 2025.

Prática docente

A prática docente no ensino de História e Geografia regionalizadas deve articular teoria e prática, buscando referenciais que sustentem o trabalho pedagógico e ampliem a compreensão crítica da realidade. A pedagogia crítica de Paulo Freire nos lembra que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p. 25). Assim, a prática do professor deve ser dialógica, problematizadora e participativa.

Autores como Saviani e Libâneo contribuem para compreensão da função social da escola e a importância da mediação do professor na construção de saberes socialmente relevantes (SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 43. ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2018; LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Alternativa, 2004).

No ensino de Geografia, Milton Santos reforça que o espaço é produto de relações sociais, o que convida os estudantes a pensar a realidade para além da paisagem natural, situando-o como território de cultura, resistência e inovação (SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado . São Paulo: Hucitec, 1988).

No campo da História, José Carlos Reis propõe uma reflexão crítica sobre as interpretações do passado brasileiro e seus usos políticos (REIS, José Carlos. As identidades do Brasil : de Varnhagen a FHC. 9. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006). Essa perspectiva incentiva o estudante a perceber a História como ferramenta para interpretar a realidade e participar ativamente na construção de uma sociedade mais justa.

O professor, ao articular essas referências, encontra caminhos para organizar sequências didáticas que valorizem a cultura insurgente, favoreçam a interdisciplinaridade e promovam o desenvolvimento integral dos estudantes.

Estratégias e recursos de adaptação

A sala de aula é marcada pela diversidade de sujeitos: estudantes com diferentes experiências culturais, condições socioeconômicas, modos de aprender e necessidades específicas. Por isso, o planejamento didático deve ser flexível, oferecendo múltiplas possibilidades de acesso ao conhecimento.

Para que o ensino de História e Geografia seja significativo, é fundamental que o professor adote estratégias que considerem a diversidade dos estudantes e suas realidades concretas. Isso pode ser feito por meio de atividades que partam do cotidiano dos estudantes, como o levantamento das práticas locais, a análise de mapas participativos do bairro, registros fotográficos das paisagens ou produções artísticas inspiradas na cultura regional.

A inclusão deve ser compreendida como princípio básico, promovendo práticas que envolvam todos os estudantes e reconheçam a diversidade como riqueza. Isso inclui adaptações de linguagem, uso de recursos visuais, táteis e sonoros, além de metodologias colaborativas que favoreçam a participação plena. A personalização das atividades possibilita múltiplas formas de registro, como desenhos, textos, áudios ou dramatizações, de modo a respeitar as potencialidades de cada estudante. Trabalhos em grupo e práticas cooperativas também devem ser incentivados, favorecendo a troca entre diferentes estilos de aprendizagem. Por fim, o compromisso com a inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais exige atenção especial. Não se trata apenas de adaptações técnicas, mas de garantir que todos tenham pleno direito ao conhecimento em um ambiente escolar que valoriza a equidade e o pertencimento.

Educação inclusiva

A educação inclusiva é uma abordagem educacional que busca garantir que todos os estudantes tenham acesso à educação de qualidade, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, intelectuais, sociais ou culturais. De acordo com a Política Nacional de Educação Especial, trata-se de uma modalidade que perpassa todos os níveis e etapas de ensino, assegurando a matrícula e a participação do público-alvo da educação especial (BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: MEC; São Paulo: Semesp, 2020).

• Estudantes no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ― transtorno do neurodesenvolvimento que pode trazer prejuízo nas áreas de comunicação, socialização e/ou comportamento.

• Estudantes com altas habilidades ou superdotação ― transtorno do neurodesenvolvimento em que o indivíduo manifesta elevado potencial, seja em uma área específica ou de forma combinada (intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade).

• Estudantes com deficiências ― prejuízos e/ou impedimentos em diferentes esferas, que podem ser físicos, intelectuais, mentais ou sensoriais.

A Política Nacional de Educação Especial (PNEE) também está alinhada ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante o direito à educação em igualdade de condições e oportunidades, assegurando um “sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida” (BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência. 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019. p. 19).

Mais do que cumprir uma obrigação legal, incluir é um compromisso ético e social que transforma a escola em um espaço mais democrático e humano. Escolas inclusivas preparam cidadãos capazes de conviver com a diversidade, respeitar diferentes formas de ser e aprender e contribuir para uma sociedade mais justa.

A inclusão não é um ato pontual, mas um processo contínuo de transformação da cultura escolar, que exige reflexão, planejamento e abertura para mudanças.

Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde pode ser instrumento de auxílio para o professor, pois oferece uma visão ampla do estudante, considerando suas capacidades, limitações e o impacto do ambiente em sua formação (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Lisboa, 2004. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/arquivos/CIF.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025).

Com a CIF, observa-se:

• que o estudante consegue realizar de forma independente;

• o que realiza com apoio;

• o que ainda não consegue realizar

Para que as adaptações das aulas sejam realmente eficazes, é fundamental que o professor reconheça em qual momento da aprendizagem o estudante se encontra. Isso significa observar não apenas o conteúdo que ele já domina, mas também as habilidades que ainda está desenvolvendo e aquelas que exigem apoio mais intenso.

Adaptações dos espaços de aprendizagem

Independentemente da infraestrutura escolar disponível, é possível promover melhorias no ambiente para favorecer a inclusão, como as sugestões a seguir.

• Mobiliário acessível: mesas e cadeiras adaptadas para diferentes necessidades, que podem ser confeccionadas ou ajustadas com o apoio da comunidade.

• Circulação livre: retirar obstáculos, facilitar acesso a todos os espaços e prever áreas de apoio.

• Recursos visuais e táteis: mapas táteis, sinalização em braile, pictogramas e cores contrastantes para facilitar orientação pela escola.

• Controle de estímulos: uso de cortinas, painéis acústicos ou cantos tranquilos para estudantes com sensibilidade sensorial.

• Áreas multifuncionais: espaços que permitam o trabalho individual e em grupo, com flexibilidade para diferentes atividades.

Mesmo pequenas mudanças, como reorganizar a sala de aula para melhorar a circulação das pessoas ou criar cantos temáticos de aprendizagem, podem gerar grande impacto na participação e no conforto dos estudantes.

Preparação para o acolhimento

Para que a inclusão seja efetiva, é necessário preparar não apenas o espaço, mas também as pessoas, conforme as sugestões a seguir.

• Conhecer o histórico e as características do estudante, ouvindo a família e, sempre que possível, ele próprio.

• Adaptar o planejamento, considerando diferentes formas de acesso ao conteúdo.

• Utilizar metodologias ativas que permitam múltiplas formas de participação e expressão.

• Estimular a colaboração entre os colegas, criando um clima de apoio mútuo. É importante promover rodas de conversa com a turma, atividades de sensibilização e trabalhos cooperativos, construindo uma cultura de respeito.

Envolvimento de toda a comunidade escolar

Para que seja sustentável, a inclusão precisa da participação de toda a comunidade escolar.

• Gestores: garantem formações, articulam recursos e lideram o processo de mudança.

• Famílias: compartilham informações sobre os estudantes e fortalecem a parceria escola-casa.

• Estudantes: aprendem a valorizar a diversidade e a colaborar com os colegas.

• Comunidade: pode apoiar com recursos, voluntariado e parcerias, como doações de materiais ou adequações físicas simples.

Essa rede de apoio amplia o alcance das ações inclusivas e fortalece o sentimento de pertencimento, essencial para que todos participem plenamente da vida escolar.

Inclusão de outros públicos

Além dos estudantes amparados na NEE, muitos outros podem ser público de um olhar inclusivo e atento por parte da escola. Crianças com outros transtornos, como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia, Transtorno Opositor Desafiador, crianças estrangeiras, estudantes LGBTQIAP+, estudantes em situação de vulnerabilidade social, cultural e econômica são alguns exemplos.

Adaptações como inspiração

As orientações e adaptações sugeridas neste livro do professor, ao longo das orientações específicas, foram elaboradas para inspirar, não para impor modelos fechados. Cada estudante e cada comunidade escolar têm características e realidades próprias, e é natural que uma sugestão precise ser modificada ou substituída por outra mais adequada ao contexto.

Indicações de leitura

BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial: equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: MEC; São Paulo: Semesp, 2020.

Documento orientador que estabelece princípios, diretrizes e ações para a inclusão. Essencial para compreender a base normativa da inclusão no Brasil.

LACERDA, Lucelmo. Autismo: compreensão e práticas baseadas em evidências. Curitiba: Marcos Valentin de Souza, 2020.

Apresenta evidências científicas que podem ampliar as possibilidades de manejo e organização das aulas. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015. O livro aborda a educação inclusiva, discutindo os passos necessários para implantá-la e ressaltando suas vantagens.

Mensagem-chave ao professor

O ensino de História e Geografia, especialmente em um livro regionalizado, tem como objetivo formar sujeitos capazes de interpretar sua realidade, valorizar sua cultura e atuar de forma crítica na transformação social.

A sala de aula é um espaço de relação entre sujeitos diferenciados, revelando a complexidade do papel do educador, que necessita de estar apto a conduzir sua prática de forma comprometida e eficiente. Têm-se, assim, uma preocupação em conhecer quais e como devem ser ensinados os temas e conceitos, as identidades e potencialidades dos estudantes e os problemas que emergem no convívio na sala de aula, que poderão conduzir a avanços e retrocessos no processo educativo.

O conhecimento visto por alguns como “produto, sendo enfatizados os resultados das aprendizagens e não o processo” (DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sociocultural.

Educação e Sociedade , Campinas, v. 17, n. 56, p. 140, 1996) não pode ser o único elemento que define as etapas da experiência educativa.

Assim, no desenvolvimento do ensino e aprendizagem, o processo é o fator mais relevante, pois é por meio dele que pode ser efetivado um ensino de qualidade e uma aprendizagem significativa. A sala de aula passa a ser considerada como um espaço de formação, tanto do professor quanto dos estudantes, ou seja, uma formação pedagógica e também sociocultural. Sendo assim, percebe-se como diferentes fatores interferem na prática docente e como se tornam necessários alguns referenciais para direcionarem a prática educativa.

Alguns desses referenciais são adquiridos no processo de formação inicial do professor, outros são conquistados por meio da prática profissional e da formação continuada. Zabala afirma que os referenciais teóricos são de grande importância, por isso devem ser utilizados no planejamento e no auxílio da resolução de problemas vivenciados em determinadas situações escolares (ZABALA, Antoni. A prática educativa : como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998).

A escola, enquanto instituição social, tem um papel central na formação de sujeitos críticos, capazes de compreender o mundo em que vivem e de atuar na transformação desses sujeitos. O professor, por sua vez, é mediador desse processo e precisa ultrapassar a ideia de transmissor de conteúdos prontos. Seu papel envolve possibilitar a leitura crítica da realidade, incentivando os estudantes a interpretarem o espaço em que vivem, identificarem os problemas que os afetam e reconhecerem-se como protagonistas de mudanças possíveis.

A educação, entendida como processo de socialização e de construção contínua da cultura, está presente em todas as instituições sociais. Contudo, na escola ela assume características próprias, pois trata-se de um espaço de educação intencional e sistematizada, que demanda preparo, orientação e rigor (RIOS, Terezinha Azerêdo. A dimensão ética da aula: ou o que nós fazemos com eles. In : VEIGA, Ilma P. A. (org.). Aula : gênese, dimensões, princípios e práticas. Campinas: Papirus, 2010. p. 73-93).

É necessário, portanto, compreender o ambiente no qual estamos inseridos. Os sujeitos que chegam à escola são marcados pela diversidade, reflexo dos desenvolvimentos cognitivo, afetivo e social desiguais em virtude da quantidade e qualidade de suas experiências e relações sociais prévias e paralelas à escola (DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sociocultural. Educação e Sociedade , Campinas, v. 17, n. 56, p. 141-173, 1996).

Em determinados contextos, marcados pela estigmatização, a escola tem a função social de ressignificar essas narrativas, trazendo à tona a potência das culturas insurgentes, ou seja, saberes e práticas que resistem, reinventam e constroem alternativas de existência e convivência. Desenvolver a atividade educativa, nessa perspectiva, implica reconhecer que o espaço não é apenas cenário, mas resultado de práticas sociais, disputas histórias e resistências.

Assim, ensinar Geografia, por exemplo, não se limita a apresentar mapas e localizações, mas a formar o olhar investigativo sobre o território vivido, ampliando a consciência sobre como o espaço é produzido. A escola deve, portanto, ser lugar de valorização das experiências locais e de construção de um currículo que dialogue com a vida concreta dos estudantes, reconhecendo-os como sujeitos históricos e culturais.

Para que o ensino seja significativo, o professor precisa assumir uma postura de pesquisador, aproximando-se da realidade local com curiosidade e espírito investigativo. Isso não significa transformar-se em acadêmico, mas cultivar a prática de observar, registrar e analisar o cotidiano da comunidade. A pesquisa docente pode incluir entrevistas com moradores mais antigos, levantamento de festas, práticas religiosas, modos de produção e organização comunitária, além da leitura de documentos e jornais regionais. Paulo Freire afirma que “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago” (FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia : saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p. 15).

Além disso, o conhecimento teórico subsidiará sua prática, auxiliando na compreensão da realidade na qual está inserido para de fato nela intervir. Os conhecimentos historicamente produzidos pelas sociedades devem ser apropriados como instrumentos de transformação da realidade, e de superação das desigualdades. O papel da teoria é oferecer aos professores perspectivas de análise para compreenderem os contextos históricos, sociais, culturais de si mesmos como profissionais, nos quais se dá sua atividade docente, para neles intervir, transformando-os (PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência . 3. ed. São Paulo: Cortez, 2008).

Essa postura investigativa amplia o repertório do professor e possibilita que a sala de aula se torne um espaço de produção de conhecimento, não apenas de reprodução. Em contextos regionais, o professor-pesquisador contribui para desvelar aspectos invisibilizados, como os modos de cultivo adaptados ao clima, as tecnologias sociais, as expressões artísticas e culturais que emergem da resistência popular.

Ao envolver os estudantes nessa perspectiva, a escola cria condições para que eles aprendam a valorizar a história de sua própria comunidade e a situá-la em uma dimensão mais ampla, compreendendo como o local se articula ao regional, nacional e global. Isso significa que os estudantes passam a perceber que o espaço onde vivem não é isolado, mas está permanentemente em relação com outros lugares e escalas.

O movimento de articulação entre escalas amplia a compreensão de que o território local é parte de uma totalidade mais complexa. Ao aprender a relacionar as práticas cotidianas da comunidade, como a produção artesanal, as festas populares e os modos de resistência, com os contextos regionais e nacionais, os estudantes desenvolvem não apenas a consciência crítica, mas também o sentimento de pertencimento. Eles reconhecem que sua identidade cultural é singular e, ao mesmo tempo, dialoga com outras identidades.

Em suma, essa abordagem fortalece a função social da escola de formar cidadãos capazes de interpretar criticamente o mundo, compreender sua inserção nele e agir de forma transformadora, valorizando suas raízes e, ao mesmo tempo, ampliando horizontes para além de sua comunidade imediata.

Olhar para a alfabetização

O livro regionalizado visa encaminhar estudantes e professores para a leitura do mundo, numa perspectiva de transformação. O ensino sobre o Nordeste deve ter como premissa o fortalecimento da identidade regional, levando em consideração a alteridade.

Paulo Freire, discutindo a importância do ato de ler, afirmou que “a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente” (FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989. p. 9). Nessa perspectiva, a leitura é um ato que encaminha a interpretação da realidade quando a leitura da palavra associa-se diretamente à vida.

Ler e escrever devem, então, ser entendidos como meio que permitem a compreensão da realidade, visando à sua transformação. O desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita é um compromisso de todas as áreas, constituindo-se em prática docente de todos os componentes curriculares.

Ensinar é ensinar a ler para que o aluno se torne capaz dessa apropriação, pois o conhecimento acumulado está escrito em livros, revistas, jornais, relatórios, arquivos. Ensinar é ensinar a escrever porque a reflexão sobre a produção de conhecimento se expressa por escrito. GUEDES, Paulo Coimbra. SOUZA, Jani Mari de. Introdução: leitura e escrita são tarefas da escola e não só do professor de português. In: NEVES, Iara Conceição Bitencourt et al. (org.). Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: UFRGS, 2004. p. 15.

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) tem por objetivo “subsidiar ações concretas dos estados, municípios e do Distrito Federal para a promoção da alfabetização de todas as crianças do país” (BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/centrais-de-conteudo/ publicacoes/institucionais/compromisso-nacional-crianca-alfabetizada.pdf. Acesso em: 14 set. 2025).

Em 2024, a região Nordeste apresentava baixas taxas de alfabetização, com exceção do estado do Ceará, que era a UF melhor posicionada nacionalmente, o que indica a necessidade de reverter essa condição (BRASIL. Ministério da Educação. Avaliações e exames educacionais: avaliação da alfabetização: resultados. Brasília, DF: Inep, 2025. Disponível em: https://www.gov. br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/avaliacao-da-alfabetizacao/ resultados. Acesso em: 24 set. 2025).

Os conteúdos expostos no livro pretendem, portanto, contribuir com o que é proposto pelo CNCA, uma vez que ensinar e aprender devem ter por meta a emancipação dos sujeitos.

Arco de Nossa Senhora de Fátima no centro da cidade de Sobral (CE), em 2025.

Referências suplementares e material de apoio

Reflexões sobre a prática docente

Refletir sobre a prática é condição essencial para o desenvolvimento profissional. O professor deve avaliar não apenas o desempenho dos estudantes, mas também suas próprias escolhas metodológicas e os resultados de suas intervenções. A reflexão crítica ajuda a identificar quais estratégias funcionam melhor, como promover maior inclusão e de que forma garantir que o aprendizado seja significativo. Indicação de leitura:

SCHÖN, Donald. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

O autor propõe uma formação profissional cujo aprender através do fazer seja privilegiado, valorizando a interação professor-estudante em diferentes situações práticas.

Identidade regional

Trabalhar com um livro regionalizado exige que o professor se torne mediador da identidade cultural. A identidade regional deve ser vista como construção social e histórica, marcada por semelhanças, diferenças e contradições. O professor é chamado a reconhecer que ensinar História e Geografia do Nordeste é também formar consciência cidadã. Indicações de leitura:

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2018.

O autor reflete sobre a definição de Nordeste, imposta pelo Sul, expondo os discursos estereotipados, que impõem um dizer e ver sobre a região, que não corresponde à realidade.

SANTIAGO, Octávio. Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste. São Paulo: Autêntica, 2025.

Resultado da pesquisa de doutorado do autor, a obra revela como o preconceito contra os nordestinos foi historicamente construído a partir de interesses políticos, econômicos e simbólicos.

Subsídios teóricos para lidar com diferentes realidades e vivências

A diversidade é marca constitutiva das salas de aula. É preciso pensar em estratégias que promovam aprendizagem para todos. Diferenciar atividades, considerando diferentes ritmos de aprendizagem. Utilizar metodologias ativas (projetos, jogos, debates, dramatizações) que permitam a participação de todos. Garantir acessibilidade (mapas táteis, textos ampliados, legendas, apoio à oralidade, recursos digitais, audiodescrição de vídeos). Indicação de leitura:

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2006.

A autora defende que a inclusão é um direito de todos, sendo necessário práticas docentes que considerem as especificidades de cada estudante, a formação continuada dos professores e um espaço que seja acolhedor e participativo para todos.

Como organizar visitas e a importância dos espaços de memória

Os espaços de memória — museus, praças, feiras, igrejas, quilombos, aldeias indígenas, sítios arqueológicos — são salas de aula ampliadas. Visitas pedagógicas permitem aos estudantes compreenderem o conhecimento histórico e geográfico de forma vivencial e crítica. A preparação é fundamental: antes da visita, o professor deve problematizar o local; durante a atividade, deve guiar a observação; após a visita, deve propor registros (texto, desenho, fotografia, dramatização). A escola, ao articular-se com a comunidade, reforça seu papel como espaço de diálogo e transformação social. Indicação de leitura:

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, n. 10, p. 7-28, 1993. Texto que aborda a história contemporânea da França a partir do relacionamento memória/nação.

ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM

Segundo Zabala, o processo de ensino e aprendizagem é constituído a partir das relações que se estabelecem entre professor, estudantes e conteúdo de aprendizagem (ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998).

Acompanhar a aprendizagem é tarefa fundamental no processo educativo, pois permite ao professor identificar avanços, dificuldades e necessidades de seus estudantes, orientando o planejamento pedagógico e a seleção das estratégias mais adequadas. Nesse sentido, compreendemos a avaliação não como um ato isolado ou punitivo, mas como um movimento contínuo, que se articula ao ensino e ao aprendizado.

Modelos avaliativos

Diversos modelos avaliativos podem ser utilizados, cada um com objetivos e funções específicos. Compreender a especificidade de cada modelo é essencial para que a avaliação cumpra sua função social: contribuir para a formação integral do sujeito. Quando articuladas, as três modalidades de avaliação garantem não apenas a verificação de resultados, mas, sobretudo, a promoção de aprendizagens significativas e o respeito à diversidade presente em sala de aula.

Avaliação diagnóstica

A avaliação diagnóstica é realizada no início de um período letivo ou de uma unidade de estudo e tem como finalidade identificar os conhecimentos prévios, habilidades já adquiridas e possíveis lacunas de aprendizagem. É fundamental para orientar o planejamento do professor, pois permite compreender o ponto de partida adequado aos estudantes e ajustar as propostas pedagógicas à realidade da turma.

A avaliação diagnóstica é aquela realizada no início de um curso, período letivo ou unidade de ensino, com a intenção de constatar se os alunos apresentam ou não o domínio dos pré-requisitos necessários, isto é, se possuem os conhecimentos e habilidades imprescindíveis para as novas aprendizagens. É também utilizada para caracterizar eventuais problemas de aprendizagem e identificar suas possíveis causas, numa tentativa de saná-los.

HAYDT, Regina Cazaux. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. São Paulo: Ática, 1992. p. 16-17.

Avaliação formativa

[...] A avaliação formativa considera que o aluno aprende ao longo do processo e que vai reestruturando o seu conhecimento através da atividade que executa. Do ponto de vista cognitivo, a avaliação formativa centra-se na compreensão do funcionamento da construção do conhecimento.

O enfoque deste tipo de avaliação refere-se às representações mentais do aluno e às estratégias utilizadas, para chegar a um determinado resultado. Os erros são objetos de estudo, pois revelam a natureza das representações ou estratégias elaboradas pelo estudante. Este tipo de avaliação toma diferentes matizes de significado nas últimas décadas. Começa por contribuir para um ensino adequado e uma aprendizagem eficaz, depois passa a ser entendida como um meio que procura interpretar e compreender os processos desenvolvidos pelos alunos na construção do seu saber.

PERES, A. T. D. O uso de critérios de avaliação na resolução de problemas. 2012. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade de Lisboa, Lisboa, 2012. p. 28. Disponível em: https://repositorio.ulisboa.pt/ bitstream/10451/7690/1/ulfpie042957_tm.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

Assim como cada estudante chega à escola com uma bagagem sociocultural diferente, as formas de aprender ao longo do processo de ensino e aprendizagem também são singulares. Por

isso, a avaliação formativa ou reguladora tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento dos estudantes, identificar dificuldades e propor intervenções que favoreçam avanços. Nessa perspectiva, a avaliação deixa de ser apenas um registro e passa a ser um recurso pedagógico, oferecendo subsídios para que o professor reorganize a prática e os estudantes reflitam sobre sua própria aprendizagem (ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998). No contexto das práticas pedagógicas, a seção Para rever o que aprendi é uma oportunidade estruturada para estimular esse exercício reflexivo. Composta de duas páginas de atividades de revisão ao final de cada unidade, ela permite que o estudante sistematize conteúdos, reforce conceitos e identifique pontos que precisam de retomada. Essa prática favorece a progressão e a recuperação de aprendizagens, uma vez que oferece um momento de consolidação dos conhecimentos construídos ao longo da unidade.

Avaliação somativa

Segundo Zabala, a avaliação somativa é geralmente aplicada ao final de uma unidade, bimestre ou etapa do ensino, buscando verificar o nível de aprendizagem alcançado em relação aos objetivos propostos(ZABALA, Antoni. A prática educativa : como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998). Ela está mais associada a notas e registros oficiais da escola para fins de suprir os requisitos de aprovação. No entanto, sua importância vai além da certificação, pois permite avaliar o percurso realizado, consolidar as aprendizagens e valorizar cada progresso obtido pelos estudantes.

Autoavaliação

A autoavaliação é um exercício reflexivo que permite ao estudante analisar seu desempenho, identificar avanços, reconhecer dificuldades e planejar ações para superação de desafios. Segundo Silva, Bartholomeu e Kondo, a autoavaliação é um mecanismo diagnóstico que auxilia os estudantes a terem uma visão mais clara de suas potencialidades e limitações, contribuindo para a autonomia e para o desenvolvimento de competências metacognitivas (SILVA, Kleber Aparecido da; BARTHOLOMEU, Maria Amélia Nader; KONDO CLAUS, Maristela M. Autoavaliação: uma alternativa contemporânea do processo avaliativo. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 89-114, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbla/a/ 7trGtMHc6mNFdF4QqFDG4YD/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 set. 2025).

Além das atividades de revisão, ao final da seção Para rever o que aprendi há uma proposta de autoavaliação, que funciona como um guia para que os estudantes registrem suas percepções sobre o próprio desempenho. Nas Orientações específicas deste livro do professor, são fornecidos subsídios para que o docente oriente esse momento de forma dialógica, transformando-o em um espaço de construção de sentido e de corresponsabilidade pelo processo de ensino e aprendizagem. Assim, a autoavaliação deixa de ser apenas uma formalidade e passa a integrar uma cultura avaliativa mais democrática, que valoriza a autonomia do estudante e a personalização das estratégias de ensino.

Afinal, como avaliar?

Sobre o termo avaliar, Jussara Hoffmann entende que se trata de um processo de acompanhamento do percurso escolar, durante o qual ocorrem mudanças em múltiplas dimensões, com a intenção de favorecer ao máximo o desenvolvimento do estudante. Para a autora, a avaliação escolar, especificamente, só fará sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para melhorar a aprendizagem (HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora : uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2014).

Nesse sentido, diversifique os instrumentos avaliativos: questionários, produções escritas, desenhos, mapas, dramatizações, rodas de conversa. Priorize processos coletivos, como trabalhos em grupo, projetos interdisciplinares, assembleias escolares.

Incentive entrevistas com moradores antigos, líderes comunitários ou mestres da cultura. Promova atividades de oralidade em sala de aula, resgatando narrativas, lendas, músicas e práticas culturais da região. Valorize as visitas aos espaços não formais de aprendizagem, como museus, arquivos públicos, praças, festas tradicionais, marcos históricos e centros culturais. Registre o percurso de aprendizagem, valorizando tanto os avanços individuais quanto os resultados coletivos. Use a avaliação como momento de escuta e diálogo, em que os estudantes compreendem o que aprenderam e o que precisam desenvolver mais.

Assim, a avaliação no contexto desta obra é entendida como processo inclusivo, crítico e formativo, que envolve estudantes, escola, família e comunidade ao propor, por exemplo, a organização de uma exposição escolar sobre a história local, com objetos, fotografias e relatos trazidos pelos estudantes e suas famílias.

A memória coletiva e a oralidade são fontes históricas fundamentais, especialmente para compreender culturas populares, tradições orais e experiências de grupos sociais invisibilizados. Trabalhar com essas fontes contribui para que os estudantes entendam a pluralidade da História e desenvolvam uma postura crítica diante das narrativas oficiais. Também fortalece o sentimento de pertencimento e valoriza a contribuição de cada sujeito para a história da comunidade. Como instrumento de avaliação para o livro regionalizado do Nordeste, sugerimos o Diário de memórias, descrito a seguir.

Diário de memórias

O Diário de memórias é um recurso proposto pela obra para tornar a avaliação mais participativa e reflexiva, além de permitir a valorização da memória oral e da história local, ampliando o repertório histórico e cultural dos estudantes. No Diário de memórias, cada estudante registra histórias de vida, experiências cotidianas, observações de campo, relatos de familiares. Pode ser feito em forma de portifólio, mural ou arquivo digital.

Exemplo prático: após uma visita a um espaço de memória (igreja, feira, mercado, comunidade quilombola, comunidade indígena), os estudantes escrevem ou desenham suas impressões no Diário de memórias, que será revisitado ao final da unidade.

Escultura feita durante oficina de argila em escola na comunidade quilombola de Muquém (AL), em 2022.

Oficina de artesanato em escola na comunidade quilombola de Muquém (AL), em 2022.

Estudantes do ensino fundamental em escola em Igarapé do Meio (MA), em 2023.

REGIONALIZADO: REGIÃO NORDESTE

Este livro regionalizado de História e Geografia do Nordeste tem como objetivos principais os itens a seguir.

• Promover o reconhecimento e valorização das identidades nordestinas, reconhecendo o patrimônio material e imaterial da região Nordeste.

• Desenvolver a consciência histórica e o pensamento geográfico, possibilitando aos estudantes compreenderem-se como sujeitos históricos inseridos em um espaço socialmente construído.

• Articular diferentes escalas de análise ― local, regional, nacional e global ―, favorecendo a compreensão de pertencimento e diversidade.

• Estimular a pesquisa e a curiosidade, aproximando os estudantes das fontes históricas e da cartografia como instrumentos de interpretação da realidade.

• Contribuir para a formação da consciência de si e do outro, fundamentada no respeito à diversidade, na sustentabilidade e na participação social.

Ele está estruturado de forma a garantir coesão interna e progressão pedagógica. Para isso, foi organizado em unidades temáticas, cada uma composta por capítulos interdisciplinares de História e Geografia, cujo fio condutor é a articulação entre tempo, espaço e memória, permitindo que os estudantes compreendam a si mesmos no diálogo com o Eu, o Outro e o Nós.

Exemplo prático de progressão

O Eu: estudante como sujeito histórico e geográfico, com identidade e memória próprias.

Estudante observa os espaços de sua comunidade.

local

O Outro: os diferentes grupos e culturas que convivem e interagem no espaço nordestino.

Estuda as migrações e formações históricas do Nordeste.

regional

O Nós: a identidade regional construída socialmente, fruto de semelhanças e diferenças inter e intrarregionais.

Relaciona práticas culturais com processos de transformação e resistência.

3

Escala regional-nacional

Compreende o perfil atual da população nordestina, seus desafios e potencialidades.

Unidade 4

Escala regional-global

Unidade 1
Escala
Unidade 2
Escala
Unidade

Quadro de conteúdos

O quadro a seguir mostra a distribuição dos conteúdos e das respectivas habilidades da BNCC ao longo das unidades e capítulos.

VOLUME ÚNICO

MEU NORDESTE

1. Eu e o meu lugar

• Espaços públicos e privados

• Paisagem e memória

Paisagens do Nordeste: a Feira de Caruaru

• Regiões do Brasil

• Regionalização

Regionalizações no decorrer do tempo

• Região Nordeste

Antes do Nordeste

Municípios do Nordeste

Sub-regiões do Nordeste

DIÁLOGOS: Os nomes dos lugares guardam histórias

2. Sociedade e natureza no Nordeste

• Transformação das paisagens

• Relevo do Nordeste

• Hidrografia do Nordeste

• Climas do Nordeste

• Biomas e vegetação do Nordeste

• Impactos ambientais no Nordeste

DIÁLOGOS: Rio da integração nacional

PARA REVER O QUE APRENDI

1. Povos originários, africanos e seus legados

• Povos originários

• Resistência indígena e colonização

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 4, 7.

Competências específicas de História: 1.

Habilidades: EF03GE02, EF04GE05, EF04GE09, EF04GE10, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI09.

BNCC da computação: EF04CO08.

TCT: Cidadania e civismo: educação em direitos humanos; Multiculturalismo: educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 9, 10. Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 6, 7.

Competências específicas de História: 1.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE09, EF04GE10.

BNCC da computação: EF03CO07.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental.

POVOS DO NORDESTE

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 3, 4, 6, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

• Povos indígenas do Nordeste contemporâneo

DIÁLOGOS: Terras indígenas

• Africanos escravizados

Quilombos: resistência e memória

• Comunidades remanescentes de quilombos

Comunidade Remanescente de Quilombo

Rio dos Macacos

2. Nordeste: migrações e culturas de um povo

• Histórias contadas por povos do Nordeste

• Formação histórica do Nordeste

Um olhar pelas influências europeias

A presença francesa e holandesa

Fortificações

• Por que tantos nordestinos migraram?

Fluxos migratórios

DIÁLOGOS: Bumba meu boi e Boi-Bumbá

• Resistência e valorização da cultura

nordestina

PARA REVER O QUE APRENDI

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 4, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5.

Habilidades: EF03GE02, EF04GE01, EF04GE06, EF04GE10, EF05GE01, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI07.

BNCC da computação: EF04CO02.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental; Cidadania e civismo: educação em direitos humanos; Multiculturalismo: diversidade cultural, educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 3, 4, 6, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 4, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5.

Habilidades: EF04GE02, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI07.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural.

VOLUME ÚNICO

CAMPO E CIDADE NO NORDESTE

1. Campo do Nordeste

• Trabalho no campo

Agricultura

Pecuária

Extrativismo

Turismo rural

•Desafios no campo do Nordeste

• Práticas sustentáveis no campo

DIÁLOGOS: Desigualdades no campo

2. Cidades do Nordeste

•Primeiras cidades do Nordeste

•Urbanização e transformação das paisagens

•Rede urbana do Nordeste

•Trabalho na cidade

•Interdependência entre campo e cidade

• Problemas urbanos

DIÁLOGOS: Cidades que mudam de local

•Espaços de memória nas cidades

PARA REVER O QUE APRENDI

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4, 6, 7, 8, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE05, EF03GE09, EF04GE04, EF04GE06, EF04GE07, EF04GE09, EF04GE10, EF03HI01.

BNCC da computação: EF05CO07.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental, educação para o consumo; Saúde: saúde, educação alimentar e nutricional; Ciência e tecnologia: ciência e tecnologia; Economia: trabalho.

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4, 5, 6, 7, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Habilidades: EF03GE04, EF03GE09, EF04GE01, EF04GE04, EF04GE07, EF05GE08, EF05GE09, EF05GE12, EF03HI01, EF03HI03, EF03HI04, EF03HI05, EF03HI06, EF03HI09.

BNCC da computação: EF03CO03.

TCT: Meio ambiente: educação ambiental; Multiculturalismo: diversidade cultural.

POPULAÇÃO E FUTURO DO NORDESTE

1. População do Nordeste

• Distribuição da população

• Composição da população

Diversidade cultural no Nordeste

• Crescimento da população

Envelhecimento da população

• Migrações: o vaivém da população

Migrações recentes e de retorno

DIÁLOGOS: Migrações externas

• Condições de vida

Desigualdade social no Nordeste

2.Democracia e cidadania no Nordeste

• Direitos dos povos e das comunidades tradicionais

•Ações de combate ao racismo

•Cartografia participativa

• Desenvolvimento regional

Desenvolvimento no Semiárido

DIÁLOGOS: Sudene e desenvolvimento regional

•Fontes de energia renovável no Nordeste

•Unidades de Conservação no Nordeste

PARA REVER O QUE APRENDI

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 2, 3, 4, 5, 7.

Habilidades: EF03GE02, EF04GE01, EF04GE02, EF05GE01, EF05GE02, EF05GE12, EF03HI01, EF03HI03.

BNCC da computação: EF03CO07.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural, educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

Competências gerais da educação básica: 1, 2, 4, 5, 6, 7, 9, 10.

Competências específicas de Ciências Humanas: 1, 2, 3, 4, 6, 7.

Competências específicas de Geografia: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Competências específicas de História: 1, 3, 4, 7.

Habilidades: EF03GE02, EF03GE09, EF04GE01, EF04GE06, EF04GE10, EF05GE02, EF05GE12, EF03HI05, EF03HI07, EF03HI09.

BNCC da computação: EF03CO03, EF05CO08.

TCT: Multiculturalismo: diversidade cultural e educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras; Economia: educação fiscal.

PLANEJAMENTO E DIVERSIFICAÇÃO DAS AULAS

O planejamento é essencial para garantir que os objetivos da obra sejam alcançados de forma organizada e coerente com a realidade escolar. Ele deve ser entendido como um instrumento flexível, que pode ser adaptado às condições locais, ao tempo disponível e às necessidades dos estudantes. Para adaptar a obra às suas necessidades e a de seus estudantes, sugerimos a utilização das matrizes de planejamento a seguir. Elas facilitam a organização de rotinas estruturadas, fundamentais para o processo de inclusão, mas permitem inovação e personalização. Assim, o planejamento proposto busca equilibrar organização e flexibilidade, oferecendo ferramentas concretas para gerir os conteúdos de forma significativa e participativa.

Matrizes de planejamento de rotina

Planejamento de rotina diária

Acolhida

Discussão inicial

Desenvolvimento das aulas

Receber os estudantes; registrar a data e a rotina do dia; conversar brevemente sobre novidades, acontecimentos ou combinados.

Propor uma questão instigante relacionada ao tema da aula ou a acontecimentos do cotidiano. Estimular argumentação, escuta e respeito às opiniões. Pode ser em roda ou em pequenos grupos.

Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.

Intervalo/lanche Pausa para alimentação e recreação.

Desenvolvimento das aulas

Fechamento

Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.

Síntese das aprendizagens: o que foi descoberto, quais dúvidas surgiram, como aplicar no cotidiano. Espaço para reflexão crítica e registro final.

Escola no Quilombo Imbiral Cabeça Branca em Pedro do Rosário (MA), em 2024.

Planejamento de rotina de aula

O modelo de matriz para planejamento de rotina de aula considera 90 minutos, ou seja, dois períodos de aula de 45 minutos.

Aquecimento (5 min)

Apresentação (20 min)

Desenvolvimento (20 a 30 min)

Sistematização (15 min)

Encerramento (10 min)

Autoavaliação (10 min)

Momento inicial, buscando o engajamento dos estudantes por meio de uma proposta afetiva. Possibilidade de recursos: cartaz, imagem, vídeo curto, podcast, contação de história, execução de atividade manual (dobradura, desenho), resolução de problema, jogo, brincadeira, passeio pela escola, reflexão.

Início da aula. Apresentação da temática/conteúdo a ser desenvolvida. Recursos

Para aprendizagem ativada pelo estímulo auditivo: conversa, música, leitura oral, sons.

Para aprendizagem ativada pelo estímulo visual: vídeo, cartaz, mapa visual, imagens, brinquedo, livro, leitura silenciosa, uso de gestos.

Para aprendizagem ativada pelo estímulo cenestésico: massa de modelar, colagem, escrita, maquetes, desenhos, práticas em outros espaços, uso do corpo.

Propostas orais e escritas, com sistematização das aprendizagens de modo individual, em dupla ou coletivo.

Registro das aprendizagens.

Revisão do conteúdo com perguntas, debates ou atividades criativas (diário de bordo, quiz, dramatização, jogo etc.)

Reflexão acerca das atitudes e aprendizagens do dia.

Planejamento de roteiro pedagógico

Este modelo de matriz oferece um roteiro prático que visa garantir que cada capítulo do livro do estudante seja trabalhado com intencionalidade pedagógica.

Etapa

Início do capítulo

Diagnosticar saberes prévios

Desenvolvimento Explorar conceitos

Sistematização Organizar aprendizagens

Roda de conversa com imagens locais

Leitura de textos, análise de mapas, entrevistas

Construção de linha do tempo, mapa cultural da comunidade etc.

Encerramento Ampliar sentidos Exposição na escola com participação da comunidade

Perguntas problematizadoras

Trabalho em grupo, visitas de campo

Registro em diário de memórias

Produção coletiva (cartaz, mural, apresentação)

Orientação do professor Apresentação e autoavaliação

Projeto interdisciplinar

Relato escrito ou oral do processo

Matriz de sequência didática

Os conteúdos do livro também podem ser organizados e ampliados por meio de sequências didáticas.

Apresentamos, a seguir, um modelo de matriz de sequência didática que pode ser utilizado no planejamento de sequências didáticas para o material regionalizado e também para qualquer outro componente curricular que julgar pertinente.

Identificação

Componente

Período de duração

Tema

Objetivos de aprendizagem

BNCC

Preparação

Encaminhamento Pré-requisitos

Título da sequência didática. Turma em que será aplicada.

Componente(s) curricular(es) envolvidos.

Número de aulas previstas.

Conteúdo principal a ser explorado. Também pode ser um objeto de conhecimento da BNCC ou um capítulo/parte do livro didático.

Objetivo geral e objetivos específicos (por aula), bem como justificativa pedagógica.

Competências, habilidades, Temas Contemporâneos Transversais (TCT).

Materiais e recursos utilizados em toda a sequência, como as páginas do livro didático, itens de papelaria, equipamentos digitais, autorizações dos familiares, entre outros.

Também é importante considerar possíveis adaptações para estudantes com diferentes necessidades de aprendizagem.

Conhecimentos prévios esperados dos estudantes.

Apresentação Sensibilização para o tema.

Aulas

Observações gerais

Conclusão

Avaliação

Desenvolvimento da sequência didática. A quantidade varia de acordo com a proposta.

Discussão entre os estudantes e apresentação dos resultados.

Verificação da aprendizagem e dos objetivos de aprendizagem atingidos.

Espaço para o registro do professor.

Diversificação das aulas

Além do planejamento, sugerimos a diversificação dos formatos das aulas e do modo de organizar a turma.

Variar a organização da sala de aula ajuda a manter os estudantes motivados e valoriza diferentes formas de participação. O trabalho colaborativo também é uma excelente estratégia pedagógica, pois permite que, além da interação com o outro, os estudantes aprendam e ensinem seu par, em um processo de ensino e aprendizagem significativo.

• Trabalhos em duplas ou grupos: permitem cooperação e respeito às diferenças.

Modelo de organização da sala de aula em grupos.

Modelo de organização da sala de aula em duplas.

• Rodas de conversa: favorecem a escuta ativa e o protagonismo dos estudantes.

Modelo de organização da sala de aula em círculo.

• Uso de espaços alternativos: atividades em espaços fora da sala de aula, como o pátio, praças, museus, mercados, quilombos, aldeias indígenas. Possibilitam a observação e compreensão de diferentes fenômenos, bem como a coleta de dados. Lembre-se de que, para organizar trabalhos de campo e atividades fora do espaço escolar, é necessário solicitar autorização dos familiares dos estudantes e da gestão escolar.

• Assembleias escolares: viabilizam a discussão coletiva para tomada de decisões sobre o espaço da sala, a organização de projetos e os problemas da comunidade.

Modelos de organização da sala de aula para assembleias.

• Aprendizagem por projetos: integra diferentes disciplinas e promove o engajamento com temas reais.

Construa uma rotina clara para a turma, mas permita momentos de flexibilidade para projetos e atividades comunitárias. Planeje sempre com intencionalidade pedagógica: cada atividade deve estar vinculada a um objetivo e a, pelo menos, uma habilidade da BNCC. Valorize a diversidade de ritmos e estilos de aprendizagem, permitindo que todos participem e expressem suas ideias.

TEXTOS PARA REFLEXÃO

Professor pesquisador, professor reflexivo ou o quê?

Apontamentos para formação e a pesquisa

A respeito da motivação para o surgimento dos conceitos de professor pesquisador, que se aliou à pesquisa-ação, e de professor reflexivo, nota-se que as origens de ambos diferem radicalmente. [...]

A pesquisa-ação foi a terminologia empregada para nomear um movimento de professores ingleses, na década de 1960, que estavam alterando o currículo no contexto escolar, impulsionando a pesquisa-ação em educação. Tal alteração partia da preocupação quanto à pertinência dos conteúdos escolares à vida dos alunos, de maneira que seus estudos não fossem tomados como algo desinteressante. Foi um processo em que os professores assumiram sua prática como local de construção de hipóteses sobre o modo mais adequado de levar seus alunos a interessarem-se pelos saberes veiculados pela escola e que, uma vez comprovadas, poderia levar à construção de uma teoria curricular. [...] Havia, portanto, uma preocupação direta e objetiva com a educação dos alunos.

No Brasil, o termo pesquisa-ação pôde nomear um movimento que teve origem na vivência de professores atentos ao fato de que as teorias que tinham servido de base à sua formação inicial não deram conta de fomentar uma prática educativa em que fosse possível a inserção de alunos oriundos de diferentes contextos socioculturais. Ao retornarem aos cursos de formação em nível de graduação, [...] esses professores passaram a exigir que as explicações teóricas que estavam sendo dadas servissem às demandas que o ensino público apresentava. Tal fato desencadeou, por parte de alguns setores das faculdades de educação, o olhar sobre sua produção, com vistas a subsidiar essas demandas. É emblemática a fala [...] de um professor-aluno no curso de formação: “Olha, se você não me disser para que serve esse negócio aí na hora que eu for dar aula, me desculpe, mas eu vou embora, porque eu tenho mais o que fazer”.

É possível perceber que os movimentos de professores [...] nascem das necessidades que esses profissionais possuem de atender seus alunos. Ambos os movimentos, na Inglaterra e no Brasil, foram fomentados valendo-se do contexto escolar e expandidos à academia, notadamente para o campo educacional, reclamando a revisão de seus princípios. No entanto, essa revisão, ainda por se consolidar, precisa ser retomada de modo que se volte para as possibilidades da escola com seus sujeitos, reafirmando-os como produtores de conhecimento.

O conceito de professor reflexivo, entretanto, [...] torna evidente que a prática dos profissionais ligados à engenharia, arquitetura e desenho, além do conhecimento tácito que os leva a lidar com situações rotineiras, possui também um necessário componente reflexivo que permite a esses profissionais solucionar problemas com os quais não tinham se deparado anteriormente, ampliando assim um repertório de soluções que, uma vez repensado e descrito verbalmente, pode caracterizar uma teoria. Dessa maneira, Schön propõe uma formação tutorada e uma aprendizagem na ação para formar profissionais reflexivos naquelas áreas, considerando que o ensino derivado delas “possui um tipo particular de aprender-fazendo que deve ser mediado pelo diálogo entre tutor e estudante” [...].

Essas propostas foram deslocadas para servir de embasamento à formação de “professores como profissionais reflexivos” [...]. Não há, como no caso anterior, um movimento de elaboração originado na escola que tenha se estendido ao âmbito acadêmico.

Enquanto as ideias de Schön ganhavam espaço no contexto educacional, [...] o movimento de professores, que motivou na Inglaterra o surgimento do conceito do professor como pesquisador e a própria pesquisa-ação em educação, foi sendo incorporado ao conceito desenvolvido para explicar a prática de um profissional reflexivo. Essa pluralização em torno do conceito, embora tenha auxiliado na difusão da ideia de que o professor é um produtor de conhecimento [...], contribuiu muito pouco para o estado inicial das primeiras iniciativas do que foi considerado pesquisa-ação tanto na Inglaterra quanto no Brasil. [...] “Desde as primeiras iniciativas de ‘ação-pesquisa-ação’ até os dias atuais, surgiram inúmeras outras denominações, tais como ‘práticas de pesquisa-ação’, ‘pesquisa-reflexiva’ etc., cuja contribuição para o estado inicial que motivou o movimento foi muito pequena”. [...]

A teoria que permitiu a construção do conceito de professor reflexivo, no que se refere a sua adequação interna e externa, apresenta coerência e sustentação no e para o campo na qual se desenvolveu e foi pioneiramente apresentada [...]. Ao se tentar traduzi-la para a área educacional, especificamente para o campo de formação de professores, a teoria começa a apresentar fragilidades, sobretudo em seus aspectos externos, pois desconsidera os limites de sua aplicabilidade em situações que diferem essencialmente da prática dos profissionais no âmbito da qual emergiu.

A prática de professores envolve a formação de diferentes sujeitos sociais que se desenvolvem para ter sua singularidade considerada e respeitada. Ninguém, sobretudo no Brasil, tem o desejo de se desenvolver para ser como o outro, “mas para construir um terceiro, formado com um pouco de cada um e por um tanto de ineditismo” [...]. Além disso, o contexto no qual essa prática se desenvolve é intercultural, diverso e plural, assim como os sujeitos para os quais se destina.

Sem levar em conta tais aspectos, as dificuldades em se manter quaisquer teorias que se desenvolvam no e para o campo educacional se avultam. Esse é o caso do conceito de professor reflexivo que, dada sua natureza, parece não se adequar enquanto teoria explicativa para a educação, além de se mostrar implicado numa lógica de produção de conhecimento que tende a se aliar a projetos de formação aligeirados e responsabilizar quase que exclusivamente os professores pela educação em contextos escolares.

No entanto, os movimentos de professores caracterizam-se como o esboço de uma construção teórica que se pode mostrar adequada à educação. A partir deles, revela-se uma possibilidade para se (re)configurar o conceito de professor pesquisador no âmbito em que sua coerência interna e externa estejam evidentes.

Partindo desses movimentos, ainda como um delineamento a ser reforçado e/ou reescrito em determinados aspectos, pode-se traçar um conceito de professor pesquisador como parte de um processo de pesquisa no qual:

a) Estejam implicados professores ou professores e pesquisadores que, produtores do conhecimento que são, buscam compreender a natureza dos fenômenos educativos em razão da necessidade de aprendizado dos alunos e de sua formação humana;

b) Sejam consideradas a interculturalidade e a pluralidade como partes inerentes à sociedade e aos sujeitos que se desenvolvem nela;

c) A reflexão seja concebida como processo humano que se dá, individual e coletivamente, em busca de entendimento a respeito dos diferentes aspectos sociais, psicológicos, afetivos, políticos e educacionais.

FAGUNDES, Tatiana Bezerra. Os conceitos de professor pesquisador e professor reflexivo: perspectivas do trabalho docente. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 21, n. 65, p. 1-18, 2016.

Desenho Universal para a Aprendizagem: contribuições para a prática pedagógica

A proposta do DUA pauta-se na criação e aplicação de estratégias que envolvem acessibilidade a todos, visando condições para que as pessoas possam aprender sem barreiras [...]. Dessa forma, é desejável que as práticas pedagógicas sejam subsidiadas, tanto no planejamento quanto na ação do professor, pela perspectiva do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e, resulte em proposta inclusiva.

O Desenho Universal parte da compreensão de que é possível se dispor de recursos e ações que atenda a todas as pessoas e, no caso da escola, a todos os estudantes. Dito de outra forma, a título de exemplo buscamos o conceito de rampa. A rampa é um recurso que serve tanto às pessoas que apresentam uma deficiência física e dificuldade de locomoção quanto por pessoas que não apresentam nenhuma deficiência, como um idoso, uma pessoa obesa ou uma mãe empurrando um carrinho de bebê.

Assim, partindo do pressuposto da acessibilidade para todos, independentemente das condições ou impedimentos, emerge a ideia de integração de tal conceito aos processos de ensino e aprendizagem. Assim, o ensino é pensado para atender as necessidades variadas dos alunos, pois além das barreiras físicas, também existem hoje as barreiras pedagógicas.

O DUA não é um modelo ou uma preferência pedagógica, mas uma abordagem cuja ênfase está na necessidade de renovar as práticas devido às transformações da nossa realidade educativa atual. Realidade que [...] ainda se expressa num antagonismo fundamental entre demandas e especificidades dos estudantes e o currículo, denominado de tamanho único [...] o qual é oferecido de modo padronizado, engessado e imposto.

Portanto, o DUA consiste em um conjunto de princípios baseados na pesquisa e constitui um modelo prático cujo objetivo consiste em potencializar as oportunidades de aprendizagem para todos os estudantes público-alvo da Educação Especial ou não.

Na prática pedagógica, o DUA pode auxiliar na iniciativa que educadores e demais profissionais têm ao adotarem modos de ensino de aprendizagem adequados, escolhendo e desenvolvendo materiais e métodos eficientes, de modo que sejam elaborados de forma mais justa e aprimorados para avaliar as aprendizagens dos estudantes.

Desse modo, ao contrário das ideias que visualizam adaptações específicas para um aluno em particular, em determinada atividade, pensa-se em formas diferenciadas de ensinar o currículo para todos os estudantes [...].

Na prática, ao se propiciar materiais concretos para o aprendizado de conteúdos matemáticos para um aluno cego, por exemplo, tal recurso, normalmente, é pensado e adaptado para os alunos-alvo da turma, porém, na perspectiva do DUA, o mesmo material pode ser utilizado por todos da sala de aula e, beneficiar outros estudantes na compreensão dos conteúdos ensinados.

O DUA assume o pressuposto de estratégias ligadas a elaboração e aplicação de um currículo flexível, que visa facilitar o ensino e a aprendizagem [...].

É embasado em pesquisas da Neurociência sobre como a pessoa aprende e, portanto, consiste em princípios e estratégias correlacionadas a acessibilidade para o aprendizado procurando remover as barreiras que dificultam o ensino e a aprendizagem, beneficiando desta forma todos os estudantes, uma vez que “[...] não existe um único meio de representação de conteúdo, já que os processos de apreensão não ocorrem da mesma maneira para todos” [...].

OSALIN, Mariliz Cristiane. Desenho universal para a aprendizagem: contribuições para a prática pedagógica. Paranaguá: Unespar, 2022. E-book

Como ser um educador antirracista

A escola é o espaço de formação humana por excelência; ela é um complexo social fundamental na nossa constituição, tanto no âmbito social, pensando na coletividade, quanto no aspecto individual, a partir da nossa construção subjetiva.

A escola é um complexo social fundamental no processo de transformação da realidade social; ela é influenciada pelo sistema, ao passo que, em contrapartida, também o influencia, uma vez que forma as pessoas que vão ocupar e ajudar a construir todas as demais instâncias sociais. Nesse sentido, a escola precisa ser uma forte aliada no enfrentamento das opressões estruturais, fundamentalmente o racismo.

Mais que uma opção, deve ser um compromisso histórico, um dever da escola, ser antirracista. A escola e, por sua vez, a professora e o professor precisam pautar a equidade racial em toda a sua estrutura: no corpo profissional, principalmente na ocupação dos espaços de poder escolares; na construção curricular, pautando os conhecimentos ancestrais africanos e indígenas fora de um lugar de estereotipagem e de rebaixamento, representar graficamente as pessoas negras e indígenas na estética da escola a partir de um lugar de positivação; fomentar a leitura de literatura negra e indígena nas proposições didáticas escolares; organizar na escola programas de formação de professores/as a partir da óptica do letramento racial; apresentar intelectuais e personalidades negras e indígenas aos/às estudantes, objetivando ressignificar a noção de humanidade e inteligência ainda hoje.

[...]

[...] o meu desejo para todos/as os/as educadores/as deste país é que possamos assumir com afeto o compromisso de sermos “doadores de memórias” que socializam os conhecimentos sistemáticos historicamente desenvolvidos pelo coletivo para as novas gerações, visando a formação humana desses sujeitos, mas que compreendem de maneira fundamental o papel crucial da nossa profissão na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

O papel social de professores e professoras na nossa sociedade é lindo e imenso; desejo também que um dia sejamos vistos/as e valorizados/as do modo que merecemos, e que essa valorização seja mensurada a partir da relevância e da grandiosidade da “missão” que executamos diariamente.

Para qual sonho você educa?

Feliz dia para todos/as os/as professores/as do país que se engajam diariamente num projeto de transformação social que oportuniza uma vida digna e repleta de perspectivas de futuro para nossa juventude. O dia dos professores é celebrado em 15 de outubro, mas é todo dia que um/a professor/a se levanta para ajudar a juventude a construir sonhos emancipatórios. Feliz dia para você que, apesar das dificuldades, semeia e constrói um tempo de esperança.

A professora, o professor, é um portal que une as memórias e os conhecimentos do mundo antigo à construção do mundo que está por vir. Um abraço carinhoso para você, professora, em você, professor, que chegou até aqui buscando respostas para a melhoria de suas práticas. É de gente assim, disposta e engajada, que a educação brasileira tanto necessita.

CARINE, Barbara. Como ser um educador antirracista São Paulo: Planeta, 2023. E-book

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS

ABREU, João Capistrano de. Caminhos antigos e povoamento do Brasil . 2. ed. Rio de Janeiro: Briguiet, 1960.

O autor descreve a expansão territorial brasileira e a importância dos caminhos de povoamento do Brasil, observando a direção da expansão territorial, assim como a consolidação das fronteiras e consolidação dos núcleos de povoamento.

AB’SÁBER, Aziz Nacib. Os domínios de natureza no Brasil : potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê, 2003.

O autor propõe uma classificação dos domínios morfoclimáticos e fitogeográficos, ou seja, áreas que apresentam características semelhantes de relevo, vegetação e clima.

AB’SÁBER, Aziz Nacib. Problemática da desertificação e da savanização no Brasil intertropical.  Geomorfologia , São Paulo, n. 53, p. 1-19, 1977.

O autor discute os processos de degradação ambiental no Brasil e analisa as causas naturais e antrópicas desses fenômenos, os impactos no meio ambiente e nas comunidades, e propõe soluções e estratégias para mitigar esses problemas e promover a conservação dos ecossistemas brasileiros.

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes . São Paulo: Cortez, 2018.

O autor reflete sobre a definição de Nordeste, imposta pelo Sul, expondo os discursos estereotipados, que impõem um dizer e ver sobre a região, que não corresponde à realidade.

ANDRADE, Manuel Correia de. A questão do território no Brasil . São Paulo: Recife: Hucitec, 1995.

O texto expõe a formação territorial do Brasil, situando a pecuária, a evolução das vilas e cidades do Brasil colonial e os problemas do separatismo em nível nacional.

ANDRADE, Manuel Correia de. A terra e o homem do Nordeste . São Paulo: Atlas, 1986.

O autor desenvolve um estudo regional, especialmente sobre a questão agrária do Nordeste, definindo as diversificações regionais internas.

ANDRADE, Manuel Correia de. O Nordeste e a questão regional . São Paulo: Ática, 1988.

O autor define o Nordeste e explica as desigualdades regionais no Brasil. Analisa a importância da região, refletindo a produção do Nordeste ao situar os problemas regionais e o processo de industrialização, além de tratar do papel da Sudene. BARCA, Isabel. Educação histórica: vontades de mudança. Educar em Revista , Curitiba, n. 42, p. 59-71, out./dez. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/er/a/9Y39tCG5wd7w cz9FfSHXjLF/?lang=pt. Acesso em: 23 set. 2025.

A obra explica como os estudantes constroem significados sobre a mudança histórica, reconhecendo simultaneamente permanências e rupturas. Para o professor, oferece subsídios de planejamento de aulas que favoreçam o desenvolvimento de uma consciência histórica crítica, indo além da narrativa linear e estimulando a reflexão sobre diferentes pontos de vista. BARCA, Isabel. Marcos de consciência histórica de jovens portugueses. Currículo sem Fronteiras, v. 7, n. 1, p. 115-137, jan./ jun. 2007. Disponível em: http://www.curriculosemfronteiras. org/vol7iss1articles/barca.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.

O artigo apresenta um mapeamento das formas pelas quais os jovens constroem narrativas sobre o passado e se orientam no tempo. Para a prática docente, ajuda a identificar em que nível de consciência histórica os estudantes se encontram, permitindo ao professor propor atividades que estimulem progressões conceituais, incentivando a construção de narrativas mais consistentes sobre a história local e regional.

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jul. 1990. Estatuto que assegura proteção integral da criança e do adolescente, até 18 anos, garantindo seus direitos fundamentais e promovendo seu pleno desenvolvimento.

BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 abr. 1999.

Lei que institui a educação ambiental como componente da educação, promovendo a formação de cidadãos conscientes, críticos e participativos no cuidado com o meio ambiente.

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 março de 2008. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 mar. 2008.

Lei que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena no currículo da educação básica.

BRASIL. Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025. Dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 13 jan. 2025.

Lei que dispõe sobre a utilização por estudantes de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos de ensino da educação básica.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : computação: complemento à BNCC. Brasília, DF: SEB, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/ escolas-conectadas/BNCCComputaoCompletodiagramado. pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

Complementando a BNCC, o documento propõe incluir conteúdos e habilidades relacionadas à educação digital, integrando a computação na educação básica.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

Documento normativo que define as competências, as habilidades e as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada . Brasília, DF: SEB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/centrais-de-conteudo/ publicacoes/institucionais/compromisso-nacional-crianca -alfabetizada.pdf. Acesso em: 14 set. 2025.

Visando garantir a alfabetização de todos os estudantes brasileiros até o 2º ano do ensino fundamental, o documento articula ações entre municípios, Unidades da Federação e União, apresentando possibilidades didáticas ao professor para recomposição das aprendizagens.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica . Brasília, DF: SEB, 2013. Esse documento propõe a base nacional comum para orientar a organização, o desenvolvimento e a avaliação das propostas pedagógicas nas redes de ensino do país, buscando garantir educação de qualidade, desenvolvimento integral dos estudantes e a formação de cidadãos éticos, tolerantes e responsáveis.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana . Brasília, DF: MEC, 2013. Documento oficial do Ministério da Educação que propõe reflexões sobre a prática docente com a intenção de valorizar a identidade cultural afro-brasileira e africana.

BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial : equitativa, inclusiva e com aprendizado ao longo da vida. Brasília, DF: MEC; São Paulo: Semesp, 2020. Documento que estabelece diretrizes para garantia de uma educação especial digna e eficiente, orientando práticas pedagógicas que assegurem acessibilidade, participação e aprendizagem.

BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos. Brasília, DF: SEB, 2019. Disponível em: https://basenacionalcomum. mec.gov.br/images/implementacao/contextualizacao_temas_ contemporaneos.pdf. Acesso em: 21 jul. 2025. Esse documento propõe os Temas Contemporâneos Transversais, prezando pela integração entre diferentes áreas, como forma de relacionar os conhecimentos desenvolvidos no ambiente escolar às questões atuais da vida em sociedade.

BRASIL. Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Estatuto da pessoa idosa . Brasília, DF, 2003. Estatuto que assegura os direitos fundamentais e a prioridade em políticas públicas, saúde, educação e assistência social às pessoas com mais de 60 anos.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. 2 ed. Brasília, DF: MS, 2014. Disponível em: https://bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_ brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 15 ago. 2025. Esse documento orienta políticas e práticas voltadas à alimentação saudável, considerando direitos à saúde e à nutrição.

BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas : guia sobre uso de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom, 2025. Esse documento visa nortear políticas públicas e práticas profissionais oferecendo recomendações, devidamente embasadas, sobre o uso adequado de dispositivos digitais por crianças e adolescentes.

BRASIL. Senado Federal. Estatuto da pessoa com deficiência. 3. ed. Brasília, DF: Coordenação de Edições Técnicas, 2019. Normativa que consolida direitos e garantias fundamentais para a cidadania e inclusão plena das pessoas com deficiência.

BRESCIANI, Maria Stella. A cidade: objeto de estudo e experiência vivenciada. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 6, n. 2, p. 9-26, 2004. Disponível em: https://rbeur. anpur.org.br/rbeur/article/view/113. Acesso em: 3 out. 2025.

A autora define o conceito de cidade, evidenciando as especificidades urbanas e as condições de vida nas cidades contemporâneas.

CARINE, Barbara. Como ser um educador antirracista . São Paulo: Planeta, 2023.

A autora, fundadora da primeira escola afro-brasileira do país, discute sobre como a educação e a escola podem ser pensadas a partir de perspectivas não ocidentalizadas.

CARLOS, Ana Fani Alessandri. A "Geografia urbana" como disciplina: uma abordagem possível. Revista do Departamento de Geografia , São Paulo: USP, v. esp. 30 anos, p. 92-111, 2012.

A autora apresenta o processo de constante transformação da realidade urbana, colocando os principais desafios no que se refere à compreensão da problemática urbana na atualidade.

CARLOS, Ana Fani Alessandri. O lugar no/do mundo. 2. ed. São Paulo: FFLCH, 2007.

A autora trata dos conceitos de lugar, globalização, Estado, capitalismo e reprodução por meio de uma análise crítica do espaço em três planos: o espaço, a metrópole e o lugar.

CARLOS, Ana Fani Alessandri et al. (org.). A geografia na sala de aula . 9. ed. São Paulo: Contexto, 2018.

Os autores discutem como ensinar Geografia em sala de aula, abordando temas como cartografia, cidadania, cinema, televisão, metrópole, educação e compromissos sociais.

CASTELLAR, Sônia M. V.; VILHENA, Jerusa. Ensino de Geografia . São Paulo: Cengage Learning, 2010.

Cada capítulo desse livro é dedicado a um tema da metodologia de ensino em Geografia, como a representação cartográfica.

CASTRO, Iná Elias de. O mito da necessidade : discurso e prática do regionalismo nordestino. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992.

Nesse livro, a autora objetiva ampliar o entendimento sobre as relações políticas das elites da região Nordeste em relação ao centro de poder nacional, expondo suas consequências na construção do espaço regional.

CASTRO, Iná Elias de. Seca versus seca: novos interesses, novos territórios, novos discursos no Nordeste. In : CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo César da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato (org.). Brasil : questões atuais da reorganização do território. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

A autora discute o Nordeste colocado como locus da pobreza e o poder das elites regionais no panorama político nacional.

CORRÊA, Roberto Lobato. Região e organização espacial 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.

O autor desenvolve uma discussão sobre os conceitos de região e organização espacial, considerando a definição dos mesmos como fundamental para ampliar o debate sobre a relação sociedade-natureza na ciência geográfica.

DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sociocultural. Educação e Sociedade, Campinas, v. 17, n. 56, p. 141-173, 1996.

O autor discute a escola como um espaço sociocultural, construído pela comunidade, ou seja, um lugar que valoriza as diferenças, as experiências e o contexto de vida de cada estudante, devendo ser entendida como um espaço de formação integral.

FAGUNDES, Tatiana Bezerra. Os conceitos de professor pesquisador e professor reflexivo: perspectivas do trabalho docente. Revista Brasileira de Educação , Rio de Janeiro, v. 21, n. 65, p. 1-18, 2016.

A autora traz uma problematização sobre os conceitos de professor pesquisador e professor reflexivo, sob o ponto de vista teórico-conceitual com o objetivo de assinalar como foram utilizados e aplicados no âmbito na prática educativa na educação básica.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler : em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

O autor reflete sobre a importância do ato de ler a realidade, ou seja, compreender o mundo e que esse processo encaminha para a transformação social e libertação.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia : saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. O autor defende uma prática educativa que estimule a autonomia dos sujeitos, alicerçada nos saberes dos educandos, na ética, na liberdade e na esperança. A produção do conhecimento deve partir do cotidiano, relacionando teoria e prática para a construção da uma reflexão crítica sobre a realidade, visando a sua transformação.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 68. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

A obra apresenta o conceito de educação como prática de liberdade e a pedagogia dialógica baseada no diálogo horizontal entre educador e educando. Para o uso do livro didático, a obra sugere que o professor estimule a problematização da realidade, possibilitando que os estudantes identifiquem opressões históricas e construam caminhos de emancipação coletiva.

FREITAS, Nacelice Barbosa. O descoroamento da princesa do sertão : de “chão” a território, o “vazio” no processo da valorização do espaço. 2014. Tese (Doutorado em Geografia) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2014. O estudo enfoca a diferença litoral versus sertão, onde o social e o político estão submetidos ao crivo do capital em suas múltiplas determinações.

FREITAS, Nacelice Barbosa. Urbanização e modernização industrial das cidades médias da Bahia: um olhar sobre Feira de Santana. In : LOPES, Diva Maria e HENRIQUE, Wendel (org.). Cidades médias e pequenas : teorias, conceitos e estudos de caso. Salvador: SEI, 2010. p. 125-142.

O artigo é uma proposta de explicação do processo de urbanização e industrialização em cidades médias, desenvolvendo uma análise sobre as cidades da Bahia.

GARCIA, Carlos. O que é nordeste brasileiro . 5. ed. São Paulo: Ática, 1986.

O autor analisa a existência de vários nordestes, identificando as regiões naturais, assim como a relação riqueza e pobreza, os seres humanos e a seca no Nordeste.

GODOY, Paulo Roberto Teixeira de. A cidade no Brasil: período colonial. Caminhos de Geografia , Uberlândia, v. 12, p. 8-15, 2011.

O texto é uma apresentação sobre o processo de urbanização e a importância das cidades para a consolidação do processo de colonização.

GUEDES, Paulo Coimbra; SOUZA, Jani Mari de. Leitura e escrita são tarefas da escola e não só do professor de português. In : NEVES, Iara Conceição Bitencourt et al . (org.). Ler e escrever : compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: UFRGS, 2004. p. 19-24.

Os autores elaboram uma reflexão sobre a importância da leitura e da escrita na prática educativa e as colocam como função de desenvolvimento de todos os componentes curriculares.

GUERRA, Antônio Teixeira. Dicionário geológico e geomorfológico . 7. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1987.

Dicionário dos termos geológicos e geomorfológicos, fundamentais para o conhecimento sobre os seus significados.

HAYDT, Regina Cazaux. Avaliação do processo ensino-aprendizagem . São Paulo: Ática, 1992.

A autora apresenta textos práticos e sistematizados acerca do tema avaliação.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora : uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2014.

A autora defende a ideia de avaliação como acompanhamento das manifestações dos estudantes e apresenta diferentes estratégias para atingir esse objetivo.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Contém um conjunto de mapas e cartas geográficas que servem de apoio para pesquisa, além de indicar informações sobre o território nacional.

LEE, Peter. Progressão da compreensão dos alunos em História. In : BARCA, Isabel (org.). Perspectivas em educação histórica . Braga: Universidade do Minho, 2001. p. 13-27.

O autor explica como os estudantes evoluem na compreensão dos conceitos históricos de segunda ordem, como evidência, causalidade e narrativa. Para o professor, a obra orienta sobre a importância de trabalhar com fontes históricas, propor problematizações e desenvolver o raciocínio histórico de forma gradual.

LENCIONI, Sandra. Observações sobre o conceito de cidade e urbano. Espaço e Tempo, São Paulo, n. 24, p. 109-123, 2008.

A autora apresenta algumas observações importantes que contribuem para o entendimento e definição dos conceitos de cidade e urbano.

LENCIONI, Sandra. Região e Geografia. São Paulo: Edusp, 2009.

A autora aborda as origens do conhecimento geográfico, da região como objeto de estudo, do positivismo lógico, da fenomenologia e do marxismo, além das perspectivas teóricas contemporâneas para a geografia regional.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática . São Paulo: Cortez, 2013.

O autor expõe a didática como elemento fundamental para a formação docente, indicando os fundamentos da teoria como essencial para conduzir o processo de ensino e aprendizagem e promover uma prática crítica e reflexiva.

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola : teoria e prática. Goiânia: Alternativa, 2004.

O autor apresenta a escola como espaço de aprendizagem que articula dimensões pedagógicas, administrativas e sociais, visando a uma gestão democrática e transparente.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. 7. ed. São Paulo: Cortez, 1998.

O autor discute a importância de uma avaliação que considere e valorize o contexto e as experiências dos estudantes. Propõe uma reflexão pensando em um modelo de avaliação que colabore para o crescimento e aprendizado dos educandos.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar : pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2006.

A autora defende que a inclusão é um direito de todos, sendo necessárias práticas docentes que considerem as especificidades de cada estudante, a formação continuada dos professores e um espaço que seja acolhedor e participativo para todos.

MOTTA, Diana Meirelles da; AJARA, Cesar. Configuração da rede urbana do Brasil. Revista paranaense de desenvolvimento , Curitiba, n. 100, p. 7-25, jan./jun. 2001.

A discussão envolve a caracterização da rede urbana do Brasil e a leitura sobre as tendências da evolução urbana, abordando as transformações decorrentes do crescimento demográfico e espacial das cidades. A análise tem por função oferecer elementos para definição de política urbana nacional.

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História , n. 10, p. 7-28, 1993.

Texto que aborda a história contemporânea da França a partir do relacionamento memória/nação.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Modo capitalista de produção, agricultura e reforma agrária . São Paulo: Labur, 2007.

O artigo expõe a caracterização e as tendências da rede urbana no Brasil, identificando as transformações decorrentes do crescimento demográfico que impactam no crescimento das cidades.

OSALIN, Mariliz Cristiane. Desenho universal para a aprendizagem : contribuições para a prática pedagógica. Paranaguá: Unespar, 2022. E-book Esse e-book apresenta fundamentos teóricos e propostas práticas para a implementação do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) na educação básica, com foco na inclusão escolar.

PERES, A. T. D. O uso de critérios de avaliação na resolução de problemas . 2012. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade de Lisboa, Lisboa, 2012. Disponível em: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/7690/1/ ulfpie042957_tm.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

Dissertação que comenta como os estudantes do 1º ano usam os critérios de avaliação na resolução de problemas.

PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência . 3. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

As autoras evidenciam a importância de compreender o estágio como instrumento de pesquisa na formação dos professores, sobretudo propondo uma reflexão crítica relacionando a teoria e prática docente.

REIS, José Carlos. As identidades do Brasil : de Varnhagen a FHC. 9. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006. Reis analisa as diferentes interpretações da história do Brasil produzidas desde o século XIX até o período contemporâneo, discutindo como cada uma delas construiu uma imagem de “nação brasileira”. Para o professor, o livro é uma oportunidade de problematizar em sala de aula como a História é usada para legitimar projetos políticos e identitários, incentivando os estudantes a refletir criticamente sobre o conceito de identidade nacional e suas permanências e rupturas. Essa abordagem contribui para desenvolver a consciência histórica dos estudantes e para que percebam a História como instrumento de compreensão e transformação da realidade.

RIOS, Terezinha Azerêdo. A dimensão ética da aula: ou o que nós fazemos com eles. In : VEIGA, Ilma P. A. (org.). Aula : gênese, dimensões, princípios e práticas. Campinas: Papirus, 2010. p. 73-93.

A autora discute que toda prática docente envolve decisões éticas, pois a sala de aula não se resume ao ensino de conteúdos. A prática pedagógica implica compromisso e respeito às diferenças e potencialidades de cada estudante.

SANTIAGO, Octávio. Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste. São Paulo: Autêntica, 2025.

Resultado da pesquisa de doutorado do autor, a obra revela como o preconceito contra os nordestinos foi historicamente construído a partir de interesses políticos, econômicos e simbólicos.

SANTOS, Milton. A urbanização brasileira . São Paulo: Hucitec, 1993.

O autor contribui com uma ampla discussão sobre a urbanização brasileira, explicando a mudança do Brasil agrário para o Brasil urbano.

SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988.

O autor desenvolve uma discussão teórico-conceitual sobre o objeto da geografia, definindo os conceitos e categorias de análise necessários à sua compreensão, em uma perspectiva crítica.

SANTOS, Milton. O centro da cidade de Salvador : estudo de Geografia urbana. 2. ed. São Paulo: Edusp; Salvador: EduFBA, 2008.

O autor descreve o centro da cidade de Salvador, situando-a como a primeira capital do Brasil, especificando as características e a importância da cidade fortaleza desde o período colonial.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia . 43. ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2018.

O autor propõe que a escola seja um espaço de direito social e instrumento de transformação da sociedade, por meio de uma pedagogia que leva em consideração as desigualdades sociais e econômicas.

SCHÖN, Donald. Educando o profissional reflexivo : um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

O autor propõe uma formação profissional cujo aprender através do fazer seja privilegiado, valorizando a interação professor-estudante em diferentes situações práticas.

SEABRA, Odette Carvalho de Lima. Metropolização: a reprodução do urbano na crise da sociedade do trabalho. Cidades : Grupo de Estudos Urbanos, Presidente Prudente, v. 1, n. 1, p. 415-433, 2004.

A autora reflete sobre a formação da metrópole como processo de produção do espaço, produção política e cultural, específica da sociedade urbana.

SILVA, Kleber Aparecido da; BARTHOLOMEU, Maria Amélia Nader; KONDO CLAUS, Maristela M. Autoavaliação: uma alternativa contemporânea do processo avaliativo. Revista Brasileira de Linguística Aplicada , Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 89-114, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ rbla/a/7trGtMHc6mNFdF4QqFDG4YD/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 set. 2025.

O artigo apresenta a autoavaliação como um recurso diagnóstico e formativo, capaz de promover autonomia e senso crítico no estudante.

SILVA, Selma Aparecida Santos; OLIVEIRA JUNIOR, Israel de; FREITAS, Nacelice Barbosa Freitas; LOBÃO, Jocimara Souza Britto. Mapeamento participativo e paisagem: as faces da deterioração ambiental em Feira de Santana BA. In : LOBÃO, Jocimara Souza Britto; OLIVEIRA, Ana Isabel Leite; OLIVEIRA JUNIOR, Israel de (org.). Cartografia social : (re)descobrindo saberes. Feira de Santana: UEFS, 2022. p. 147-186.

O texto faz uma reflexão sobre a problemática ambiental decorrente do processo de industrialização, colocando a cartografia participativa como uma aliada na construção de caminhos para o envolvimento da comunidade.

SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e médio. In : CARLOS, Ana Fani Alessandri et al. (org.). A geografia na sala de aula . 9. ed. São Paulo: Contexto, 2018. p. 92-108.

A autora reflete sobre a importância da cartografia no ensino de geografia, considerando os mapas um instrumento de compreensão e domínio espacial.

SOUZA, José Gilberto de; KATUTA, Ângela Massumi. Geografia e conhecimentos cartográficos. São Paulo: Unesp, 2000. Os autores defendem que a alfabetização cartográfica e a análise de mapas precisam fazer parte do ensino de Geografia.

SPOSITO. Maria Encarnação B. Capitalismo e urbanização São Paulo: Contexto, 2005.

A autora explica a relação entre a urbanização, enquanto processo, e a cidade, como forma concretizada desse processo.

TEIXEIRA, Jonatan Nunes; OLIVEIRA, Paulo Custódio de. Movimento armorial: a dualidade entre o erudito e o popular. Revista de Literatura, História e Memória , v. 13, n. 22, p. 163-174, 2017.

O autor analisa o Romance d’A pedra do reino e O príncipe do sangue do vai-e-volta, situando-os no Movimento Armorial, que tem por objetivo desenvolver uma arte erudita alicerçada nas especificidades da cultura popular nordestina.

VICTOR, Adriana; LINS, Juliana. Ariano Suassuna : um perfil biográfico. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

As autoras expõem o perfil biográfico de Ariano Suassuna, a relação dele com a sua família e a importância das suas obras para o entendimento da cultura nordestina.

ZABALA, Antoni. A prática educativa : como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

O autor discute o processo de aprendizagem a partir das “dimensões da prática educativa”, propondo uma abordagem reflexiva sobre a prática docente, enfatizando a relevância de compreender a organização social dos estudantes, e sua interferência no processo de consolidação do conhecimento.

ZABALA, Antoni; ARNAU, Laia. Como aprender e ensinar competências . São Paulo: Artmed, 2010.

Os autores apresentam diversas abordagens do ensino por competências, explorando algumas metodologias inovadoras, como a formação de “competências para a vida”.

ZAIDAN FILHO, Michel. O fim do Nordeste & outros mitos . São Paulo: Cortez, 2001.

O autor analisa o destino das políticas regionais no Nordeste e a construção da identidade regional no contexto da globalização.

Sugestões de leitura: espaços não formais

Veja, a seguir, algumas sugestões de leitura que discorrem acerca da aprendizagem, principalmente de História, em espaços não formais, considerando as especificidades da região Nordeste.

ALCANTARA, Thyara Freitas. Repensando espaços museológicos: povos indígenas no Nordeste, museus e ensino de História. Revista de Ciências Humanas Caeté , v. 3, n. 1, p. 136-150, 2021. Disponível em: https://www.seer. ufal.br/index.php/revistadecienciashumanascaete/article/ view/11923. Acesso em: 24 set. 2025.

Esse artigo problematiza as narrativas museológicas acerca dos povos indígenas do Nordeste, apontando silenciamentos históricos e tensionamentos identitários. A autora propõe o uso dos museus como espaços colaborativos de ensino de História e como instrumentos de valorização de memórias coletivas subalternizadas. A reflexão é importante para uma prática docente crítica e para o desenvolvimento de projetos de educação patrimonial que dialoguem com a diversidade étnica e espaços não formais de ensino.

ARAÚJO, Fábio José de. Espaços não escolares como ambientes de aprendizagem em Tianguá-Ceará . Formiga: MultiAtual, 2024.

Esse livro apresenta uma abordagem teórico-prática sobre o papel dos espaços não escolares como complemento à prática docente. São analisados diferentes ambientes educativos, como museus, centros de ciências, casas de memória, jardins botânicos e planetários. A obra é especialmente relevante para professores interessados em incorporar à sua prática a educação em espaços não formais e em contextos comunitários, pois realiza um mapeamento dos espaços educativos existentes em Tianguá (CE) e propõe formas de articulação com o currículo escolar.

LIMA, André Luiz de Paula Chaves. De templo a fórum : Museu do Ceará, educação patrimonial & ensino de História. 2020. Dissertação (Mestrado em Ensino de História) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/server/api/ core/bitstreams/16b3e62b-1a5f-48be-ac92-545f55530627/ content. Acesso em: 24 set. 2025.

A dissertação explora o potencial educativo do Museu do Ceará, propondo práticas didáticas a partir da metodologia dos “objetos geradores”. O trabalho é consistente e traz contribuições significativas para a formação de professores e para a integração entre escola e museu.

SANTOS, Claudiana Ribeiro. Ensino de história e articulação entre espaços formais e não formais de aprendizagem em Ribeira do Pombal, Bahia, Brasil . 2021. Dissertação (Mestrado) – Curso de Ensino, Universidade do Vale do Taquari, Lajeado, 2021. Disponível em: https://www. univates.br/bdu/items/2d13893a-799f-423f-a342-207582e decf6. Acesso em: 24 set. 2025.

A dissertação analisa a percepção de professores de História do Ensino Fundamental em Ribeira do Pombal (BA) sobre ouso de espaços não formais no processo de ensino e aprendizagem. O estudo evidencia que práticas pedagógicas que ultrapassam os limites da sala de aula — como visitas a museus, parques e espaços comunitários — contribuem para conectar saberes escolares com as experiências de vida dos estudantes. Ao adotar a abordagem qualitativa e entrevistas com docentes, a autora mostra que a articulação entre espaços formais e não formais fortalece a construção da cidadania, amplia o senso crítico dos estudantes e valoriza a história local e regional.

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