CURRÍCULO E PREMIAÇÕES
AMIR NO TEATRO:
Direções e supervisões
TEATRO AMADOR
1957
CÂNDIDA, de Bernard Shaw. Direção: Amir Haddad. Elenco: Alzira Cunha, Sônia Ferreira, Renato Borghi, entre outros. Auditório do Colégio São Bento, São Paulo. Foi o embrião do Teatro Oficina.
1958
A PONTE, de Carlos Queiroz Telles. Direção: Amir Haddad. Cenários: José Carlos Belluci. Elenco: Albertina Oliveira Costa, Marcus Vinicius, Caetano Zammataro Netto, Alzira Cunha, Dora Miari, Luis Roberto Fortes, Sônia Ferreira e Moracy do Val; e VENTO FORTE PARA UM
PAPAGAIO SUBIR, de José Celso Martinez Corrêa. Direção: Amir Haddad. Cenários: José Carlos Belluci. Elenco: Albertina Oliveira Costa, Marcus Vinicius, Caetano Zammataro Netto, Alzira Cunha, Dora Miari, Luiz Roberto Salinas Fortes, Sônia Ferreira e Moracy do Val. Teatro Novos Comediantes, São Paulo. De 28 a 30/10. Foi a estreia do Teatro Oficina amador.
Prossegue hoje o i Festival de Teatro Amador pela tV. Tem sequência com a apresentação da peça de José Celso Martinez Corrêa […] que será encenada pelo conjunto amador denominado “Oficina”. Como das vezes anteriores, essa produção de Oscar Nimitz e Antunes Filho, que é supervisionada por Cassiano Gabus Mendes, promete ser bastante interessante, devendo atrair as atenções pela sua originalidade e pela sua consistência. […]
É necessário destacar que o grupo “Oficina” é um dos mais novos, surgido recentemente em nossa capital, formado em sua maioria de estudantes universitários. […] É justo, portanto, que se aguarde para logo mais, pelo Canal 3, novo êxito desse elenco teatral amador.1
1962
OS FUZIS DA SENHORA CARRAR, de Bertolt Brecht. Direção: Antonio Ghigonetto. Supervisão da direção (não assinada): Amir Haddad. Montagem amadora com jovens atores; entre eles, alunos do Mackenzie. Ensaios em fins de 1961 para apresentações no iV Festival Nacional de Teatro de Estudantes, promovido por Paschoal Carlos Magno. Elenco: Sérgio Mamberti, Cecília Carneiro, Yara Amaral, Emílio Di Biasi e outros. Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Estreia: de 13 a 21/01/1962.
1962-3
NA UNivERsiDADE DO PARá, EM BEléM
AUTO DA BARCA DO INFERNO, de Gil Vicente. Direção: Amir Haddad;
OS FUZIS DA SENHORA CARRAR, de Bertolt Brecht. Direção: Amir Haddad;
O DILETANTE, de Martins Pena. Direção: Maria Sylvia Nunes.
Repertório do 2º semestre do Serviço de Teatro da Universidade. As direções foram feitas em conjunto pelos professores de interpretação (Amir Haddad), expressão corporal (Yolanda Amadei) e dicção (Carlos de Moura).
1 Diário da Noite, São Paulo, 17 dez. 1958, apud Vento forte para um papagaio subir, cartaz para o I Festival de Teatro Amador.
O INGLÊS MAQUINISTA, de Martins Pena.
Direção: Amir Haddad;
O VELHO DA HORTA, de Gil Vicente. Direção: Amir Haddad;
O DELATOR, de Bertolt Brecht. Direção: Amir Haddad. Elenco: Daniel Carvalho;
CAMINHO REAL, de Anton Tchekhov.
Direção: Amir Haddad.
1964
Na Universidade do Pará, Belém
A HISTÓRIA DO ZOO, de Edward Albee. Direção: Amir Haddad. Com o grupo A Equipe.
FESTIVAL SHAKESPEARE. Direção: Amir Haddad. Belém do Pará.
Em 1964, promoveu-se o Festival Shakespeare, sem dúvida a mais completa contribuição que se fez no Brasil às comemorações do iV Centenário; cenas de Sonhos de uma noite de verão; Otelo; Hamlet; A megera domada; A tempestade; Ricardo III; Macbeth; e O mercador de Veneza; recital de sonetos, cantos e danças da Renascença, conferências e projeções de filmes tirados de peças de Shakespeare.2
TEATRO PROFissiONAl
1959
A INCUBADEIRA, de José Celso Martinez Corrêa. Direção: Amir Haddad. Assistência de direção: Moracy do Val. Cenário: Acácio Assunção.
Figurinos: Dora Miari. Elenco: Etty Fraser, Olympio Pereira de Souza/Edzel Brito, Renato Borghi, Maria Alice Almeida, Dora Miari, Jairo Arco e Flecha/
Paulo Afonso, José Haroldo Silveira, Marco Antonio Rocha, Clovis Besnos. Estreia no Centro Acadêmico Xi de Agosto da Faculdade de Direito de São Paulo em setembro. Estreia profissional do Teatro Oficina, de 5 a 9/9, no Teatro de Arena. Participou do ii Festival de Teatro de Estudante, em Santos (Prêmio Globo para Amir Haddad). A peça foi apresentada também no Grande Teatro Tupi, São Paulo, em 19/10
AS MOSCAS, de Jean-Paul Sartre. Direção e cenários: Jean-Luc Descaves. Produção e assistência de direção: Amir Haddad (Teatro Oficina) e Léo Reisler. Figurino: Thamar de Letay. Pantomima das Moscas: Aida Solon. Elenco: Alzira Cunha, Arabela Bloch, Carlos Queiroz Telles, Clélia Miari, Dora Meirelles, Edzel Brito, Jairo Arco e Flexa, Lúcia Dutra, Adelaide Braga Brasil, Moracy do Val, Homero Capozi, Paulo Afonso Fumes, Léo Reisler, Olga Pagura, Luis Vergueiro, Itoby Corrêa Jr., Rubens Josué, Antônio Carlos, José Olavo e Silvia Portoalegre. Teatro de Alumínio. Teatro das Bandeiras, de 1º a 15/12/1959, no Festival de Teatro Amador Franco-Brasileiro.
A ÚLTIMA FOLHA, de O. Henry. Direção: Amir Haddad para o Grande Teatro Tupi, exibida em 14/12/1959. Adaptação para tV de Zezi Ghizlder. Produção: Adhemar Guerra. Elenco: Glória Menezes, Alzira Cunha, Jairo Arco e Flexa.
1960
CONCHA E CAVALO MARINHO, teleteatro de Carlos Queiroz Telles. Direção: Amir Haddad. Produção: Armando Bógus. Elenco: Armando Bógus, Irina Greco, Rosamaria Murtinho “e outros nomes bem conhecidos do nosso mundo teatral”, segundo o jornal Última Hora do Paraná, no Grande Teatro Tupi, São Paulo.
2 Van Jafa, Teatro na Universidade do Pará, Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 26 jul. 1967, caderno 2.
A ILHA NUA, comédia de J. R. Sousa. Direção: Amir Haddad. Cenário: Darcy Penteado. Produção de Irene de Bojano e Felipe Carone. Com o Pequeno Teatro de Comédia (Ptc). Elenco: Irene de Bojano, Célia Biar, Maurício Barroso, Sérgio Marques, Walter Negrão, Sérgio Albertini, Marina Freire, Francisco Martins e outros. Estreia: 19/04/1960, em benefício dos flagelados de Orós (patrocinada pelo Clube da Lady na apresentação inaugural), Teatro Maria Della Costa, São Paulo.
O MENINO DE OURO, de Clifford Odets. Tradução: Elizabeth Kander. Direção de Amir Haddad (Grupo Teatral da Juventude). Cenografia: Acácio Assunção. Elenco: Adélia Vitória, Waldemar Markievicz, Boris Cipkus, Julio Lerner, Marcos Grawendo, José Serber, Norman Roitburd, Ersth Netto, Amália Zeitel, Clovis Beznos, Henry Ejchel, Samuel Ejchel, Waldemar Repende, Josef Bermann, Isaac M. Wasserman, Carlos Bianco, Isidoro Brochsztain. Inauguração do Teatro de Arte Israelita Brasileiro – Taib. Estreia: 27 a 31/10/1960.
POR AMOR TAMBÉM SE MATA, de Sam Ross. Direção: Amir Haddad. Coordenação: Walter Negrão. Produção de Armando Bógus. Elenco: Irina Grecco, Tarcísio Meira, Cecília Carneiro, Alceu Nunes, Rubens Campos e Armando Bógus (participação especial). Grande Teatro Tupi, São Paulo, em 12/12/1960
1960-1
SE MEU APARTAMENTO FALASSE (APARTAMENTO INDISCRETO), comédia de Claude Magnier. Tradução: Renato Alvim e Gert Meyer. Direção: Amir Haddad. Espetáculo realizado após manifesto assinado por grande parte da classe teatral para que o Teatro Bela Vista fosse devolvido pela Justiça à Cia. Nydia Licia. Elenco: Nydia Licia, Berta Zemel, Ada Hell, Tarcísio Meira, Célia Biar, Wanda Kosmo, Marina Freire e Luciano Gregori.
Teatro Bela Vista, São Paulo. Estreia: 20/10/1960 Estreou também no Teatro Independência de Santos, em 06/03/1961
ABC DO MAR, de Waldyr de Andrade Kopezky (teatralização de uma lenda de Iemanjá). Direção: Amir Haddad. Com a Cia. Nydia Licia. Elenco: Nydia Licia e Sebastião Campos nos papéis principais. Teatro Bela Vista. (Amir Haddad não tem certeza se o espetáculo chegou de fato a estrear, apesar de as divulgações indicarem ser esta a primeira encenação dele após ser contratado como diretor da Cia. Nydia Licia).
1961
QUARTO DE DESPEJO, adaptação de Edy Lima para o livro homônimo de Carolina Maria de Jesus. Direção: Amir Haddad. Assistência de direção: Eduardo Coutinho. Coprodução da Cia. Nydia Licia com o Teatro da Cidade (fundado por Edy Lima, Amir Haddad e Antônio Abujamra). Direção de cena: Franco Assis. Cenário: Cyro del Nero. Execução do cenário: Arquimedes Ribeiro. Música: Carolina Maria de Jesus. Direção de produção: Rubens Jacob. Assistente de produção: J. A. Ultriartt. Contrarregras: Samuel Azevedo e Alberto Nuzzo. Maquiagem: Dr. N g. Payot. Elenco: Ruth de Souza, Cici Pinheiro, Durval Moraes, Francisca Lopes, Jean Thuret, Irene dos Santos, Terezinha de Melo, Marina Luiza, Izaura Bruno, José Francisco, Adelaide Braga, Aparecida Rocha, Célia Biar (atriz convidada), Yvan de Oliveira, Guedes de Souza, Jocir Rodrigues, Penha Marise, Walter Teixeira, Fernando dos Santos, Gilberto de Oliveira, Wolney de Assis, Humberto José, Dina Machado, Nilda Maria, Cristina dos Santos, Aparecida dos Santos, Lauro Bretanha, Maria Helena Soares, Roberto Segreti, Luiz Victor, Oliani, Izabel Moura, Ivany Guimarães, Lincoln Neves, Iracema Ferrari, Rosires Rodrigues, Marcia Ribeiro, Irene dos Santos, Ronei Nogueira, Ary Toledo, Alceu Nunes, Guedes de
Souza, Maurício Nabuco, Franco Assis, Zé Luiz
Pinho, João Carlos Ferrari, Romildo Rodrigues e Orivaldo Serqueira. Estreia: 20/04/1961
Quatro horas da madrugada, ponto de catadores de papéis na rua Brigadeiro Tobias, São Paulo. Uma negra franzina, olhar triste, chegou de mansinho e descansou um velho saco de estopa. Outras negras a olharam de alto a baixo e disseram, quase a uma só voz: “Aqui não: o ponto é nosso!” A negra […] não teve outro remédio senão erguer-se e recomeçar a caminhada. […] Terminou encontrando um “ponto” de gente mais camarada, apesar de alguns olhares desconfiados e das palavras duras de uma negra velha que separava restos de comida dos papéis amarrotados: “Cada vez tem mais gente e menos papel pra catar”. A recém-chegada teve vontade de sair correndo. Mas deixou-se ficar, calada, engolindo em seco. O dia foi imenso, feio, carregado de frases e de gestos tristes – vividos integralmente porque a negra franzina de olhar triste era […] Ruth de Souza […].3
1964
O PATINHO TORTO OU OS MISTÉRIOS DO SEXO, de Coelho Netto. Direção: Antônio Ghigonetto. Supervisão de direção (não assinada): Amir Haddad. Com o Grupo Decisão. Elenco: Sérgio Mamberti, Emílio de Biasi, Suely Franco e outros. Temporada no Rio de Janeiro e em São Paulo.
1964-5
CAMILA, de Arthur Laurents e Jerome Lawrence. Tradução: Edgard Gurgel Aranha e Nydia Licia.
Direção: Amir Haddad. Com a Cia. Nydia Licia. Cenografia: Guido Maroni. Elenco: Nydia Licia, Dina Sfat, Altair Lima, Gil Ayres Pereira, Ivan José, Ivone Hoffmann, Maria Célia Camargo, Marina Freire, Nilson Condé e Rodrigo Santiago. Teatro Bela Vista, São Paulo.
Em 1965, dirigida por Amir Haddad, [Dina Sfat] aparece em Camilla. “Era peça de um norte-americano muito chato. Mas a experiência valeu pelo trabalho com Amir.”4
1966
RECEITA DE VINICIUS, seleção da poesia e da prosa de Vinicius de Moraes por Paulo Mendes Campos. Direção: Amir Haddad. Produção: Grupo O Círculo/Maria Pompeu. Direção musical: Roberto Nascimento. Música: Vinicius de Moraes e Baden Powell. Cenário: Clovis Bueno. Músicos: Roberto de Oliveira (violão), Jorge Arena (tumbadora), Balu (flauta) e Dório Ferreira (contrabaixo). Elenco: Kleber Macedo, Maria Pompeu, Shulamith Yaari, Paulo Porto, Taiguara e Antero de Oliveira. Teatro Miguel Lemos, Rio de Janeiro. Estreia: 23 a 30/04/1966
VERDE QUE TE QUERO VERDE: HISTÓRIA DE UMA PAIXãO, de Federico García Lorca (trechos das obras Bodas de sangue; A casa de Bernarda Alba; O retábulo de Don Cristóbal; Dona Rosita Solteira e Mariana Pineda, além de poemas e canções). Traduções: Walmir Aiala, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Marcos Konder Reis. Direção: Amir Haddad. Coordenação dos textos: Amir Haddad e Aldomar Conrado. Direção musical: Heitor Argôlo. Trilha sonora e arranjos:
3 Audálio Dantas e George Torok, Ruth virou Carolina: Quarto de despejo: no teatro, todo o sofrimento vivido por favelados, O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 6 maio 1961
4 Maurício Gomes Leite, Meu nome é Dina Sfat, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º fev. 1968, caderno B, p. 5 Para ver fotos da encenação, consultar: Antonio Gilberto, Dina Sfat: retratos de uma guerreira, São Paulo: Imprensa Oficial, 2005, p. 30 e 111.
Isaac Karabtchevsky. Cenografia: Clovis Bueno. Figurino: Maria Augusta Dias Teixeira. Preparação física: Luís Maria Olmedo. Grupo Maria Fernanda. Elenco: Maria Fernanda, Isolda Cresta, Paulo Padilha, Roberto de Cleto e Rofran Fernandes. A lista dos músicos que tocaram no espetáculo está ilegível na fonte consultada, podendo ser deduzidos os nomes de Martin de Bilbao (guitarrista gitano) e do quarteto Dircéa de Amorim (soprano), Mário Tolla (tenor), Maria Izabel de Souza (contralto) e Jayme Schuves (baixo). Teatro da Praça (futuro Glaucio Gill). Estreia: 05/05/1966, depois de a data original de estreia, 28 de abril, ter sido adiada.
O Teatro Maria Fernanda inaugura sua temporada de 1966 com um espetáculo-homenagem a García Lorca […] O diretor Amir Haddad e o dramaturgo Aldomar Conrado são responsáveis pela seleção […] que abrange cartas, conferências, composições musicais, poemas e trechos de peças propriamente ditos ao lado de poemas sobre o poeta que no seu conjunto oferecem uma fisionomia biográfica […]. Haddad tem sua segunda direção entre nós. Procede de São Paulo, onde integrou o movimento inaugural do Teatro Oficina, sendo um dos fundadores […].5
O REFÉM, de Brendan Behan. Tradução: Amir Haddad e Lafayette Galvão. Direção: Amir Haddad. Com o grupo Pequeno Teatro Musicado. Coreografia: Sandra Dicken. Elenco: Marília Pera, Betty Faria, Gracindo Jr., Ary Fontoura, Cazarré Filho, Lafayete Galvão, Afonso Stuart, Dudu Barreto Leite, Nestor Montemor, Iara Sarmento e
outros. Teatro do Rio, Rio de Janeiro. Estreia prevista para outubro de 1966, mas não há confirmação de que tenha entrado em cartaz, embora tenha sido ensaiada.
AS CRIADAS, de Jean Genet. Tradução: Pontes de Paula Lima. Direção: Martim Gonçalves; e A FILOSOFIA DA LIBERTINAGEM, de Marquês de Sade. Tradução e adaptação: Aldomar Conrado. Direção: Amir Haddad. Assistente de direção: André Valli. Com o Grupo 3. Cenários e figurinos: Carlos Vergara e Roberto Franco. Coreografia: Esther Ferrando. Elenco Genet: Érico de Freitas, Carlos Vereza e Labanca. Elenco Sade: Monah Delacy, Érico de Freitas, Thais Moniz Portinho e Labanca. Teatro Carioca, Rio de Janeiro.
1967
O CORONEL DE MACAMBIRA, de Joaquim Cardozo. Direção: Amir Haddad. Música: Sérgio Ricardo (27 composições). Coreografia: Iolanda Amadei. Figurinos e cenografia: Sarah Feres. Máscaras: Valter Bocci. Iluminação: José Carlos Reis. Artesanato em couro: Ney Matogrosso, Ricardo e Sérgio Matar. Grupo Tuca Rio. Elenco: Renata Sorrah, Roberto Bomfim, Mônica Arruda, Márcia Fiani e outros. Teatro República, Rio Janeiro. Estreia: 04/05/1967 Teatro Ginástico, Rio de Janeiro, até 02/07/1967. Excursão por Brasília, Teatro Nacional, Sala Martins Pena, de 19 a 27/07/1967
Além dos ensaios propriamente ditos, o grupo está realizando […] uma série de pesquisas, dividida em quatro partes: sociologia do Nordeste, orientada por Colmar Mangueira; crítica literária, orientada por Luís Costa Lima; música, orientada por Sérgio Ricardo; e
5 Van Jafa, Lançamento: Verde que te quero verde: hoje no Teatro da Praça, Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 5 maio 1966, caderno 2, p. 2.
folclore, com orientação de Maria Helena Silveira. […].6
“Sem alterar a estrutura da dança tradicional”, diz o diretor Amir Haddad, “Joaquim Cardozo utiliza uma linguagem difícil para padrões pseudoculturais urbanos, mas que se identifica profundamente com as plateias populares.” Para Haddad, trata-se de uma peça “de esperança e muito amor, sobre um caminho e não sobre um lugar a chegar. Repete-se o ciclo da paixão. A morte do boi, seguida do esquartejamento, é uma comunhão. O boi ressuscita com a chegada de dois personagens que passaram pela peça – o soldado e a aeromoça (que desce do céu para acompanhar os personagens)”, explica o diretor. […] Presente a alguns ensaios e vários espetáculos, Joaquim Cardozo acompanhou de perto a produção e se entusiasmou com a disposição dos jovens atores universitários. “Algumas vezes ele modificou o texto quando encontrávamos dificuldades e apoiou tudo o que fizemos”, conta Haddad. “Chegamos a acrescentar uma parte final, elaborada em conjunto. É um homem extraordinário que ama seu país e não se descuida”. 7
1967-8
DOR DE COTOVELO, show de Cleber Santos. Direção: Amir Haddad. Produção: Maria Pompeu. Com o Grupo 3. Elenco: Maria Pompeu, Fernando Lébeis etc. Rui Bar Bossa, Rio de Janeiro.
[…] E Dor de cotovelo é igualmente o show mais aguardado da temporada e que debutará em
noite de terça no Rui Bar Bossa. E a coisa está pintando pra divertida, de vez que será uma mútua e chorosa gozação. […] E no espetáculo produzido por Maria Pompeu, com texto de Cleber Santos e direção de Amir Haddad, vai ter de tudo [...] Até mesmo receitas para a tal “Dor de cotovelo”. Receitas essas das quais uma será cedida graciosamente por esta vossa escriba. Então, estamos combinados: partamos todos para uma cotovelada-amiga.
E não esqueçam de pedir ao garção […] o drinque que lhe será também graciosamente ofertado: “Cotoveleiro-amigo”.8
1968
O APOCALIPSE OU O CAPETA EM CARUARU, de Aldomar Conrado. Direção: Amir Haddad. Com o Grupo 3/Maria Pompeu. Cenários e figurinos: Joel de Carvalho e Colmar Diniz. Trilha sonora: Geraldo Azevedo. Elenco: José Wilker, Renata Sorrah, Carlos Vereza, Roberto Bomfim, Clarita de Moura, Maria Pompeu, Thelma Reston, Adamastor Câmara, Creusa de Carvalho, Érico de Freitas, Maria Esmeralda Forte, Rafael de Carvalho, Helena Velasco e Simão Khouri (ao todo, 14 artistas que interpretaram 26 personagens). Teatro Nacional de Comédia, Rio de Janeiro. Estreia: 13/03/1968, depois de uma angustiante espera da liberação da censura por parte dos produtores.
OS FANTÁSTIKOS, dramaturgia de Tom Jones. Direção: Amir Haddad. Cenografia: Campelo Neto. Música: Harvey Schmidt. Elenco: Moacir Franco, Silvia Massari, Luiz Carlos Clay, Nestor Montemar, Lafayete Galvão, Kleber Afonso e
6 Tuca-Rio vai estrear, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 mar. 1967, Panorama do Teatro, caderno B, p. 3
7 Departamento de Pesquisa, Joaquim Cardozo: a construção arquitetônica da poesia, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 mar. 1971, caderno B, p. 1
8 Liliana Renata, Cotovelos e receitas, A luta democrática, Rio de Janeiro, 28-9 jan. 1968, seção O show de toda gente, caderno 2, p. 5.
Rogério Cardoso. Teatro das Nações e Teatro Bela Vista, São Paulo, em 23/05/1968.
NUMÂNCIA… OU FICAR A PÁTRIA LIVRE, de Miguel de Cervantes. Adaptação e direção: Amir Haddad. Grupo Teatro Experimental (que comemorava seus dez anos de atividade, tendo sido o primeiro grupo a lançar Beckett no Brasil, com Fim de jogo). Cenário e figurino: Joel de Carvalho. Elenco: Jonas Bloch, Jota Dângelo, Neusa Rocha, Lenice de Almeida, Helvécio Ferreira, José Ribeiro, João Marcos, Lígia Lira, Mamélia Dorneles, Regina Reis, Guido de Almeida, Eduardo Rodrigues, Arildo José, Carlos Alberto Ratton, José Amorim, Sérgio Bini e os meninos Afonso, Márcia, Nena, Vanda e Tinin. Teatro Marília, Belo Horizonte, a convite do grupo. Estreia: 19/09 a 20/10/1968
Um dos mais interessantes e belos espetáculos até hoje realizados no Brasil pela jovem corrente […] teatro de invenção está atualmente em cartaz […]. O Teatro Experimental da capital mineira […] contratou o diretor profissional […] Amir Haddad […] para a realização cênica da tragédia Numância, de Cervantes. O próprio Haddad encarregou-se da adaptação do texto, a começar pelo título […]; os impraticáveis excessos alegóricos do original foram reduzidos […] e a intrincada ação foi tornada mais clara […]. Mas não houve, praticamente, uma adaptação no sentido de atualização do texto ou introdução de elementos inexistentes no original. A história do cerco da heroica cidade ibérica de Numância pelo poderoso exército romano fornecia a Haddad, tal como estava, margem suficiente para uma encenação […] engajada na
sua essência política […] na linha das pesquisas anteriormente empreendidas [incluindo a participação do público e integração entre palco e plateia] […]. O diretor serve-se do texto sem maior cerimônia para dar seu próprio recado político e estético – mas não volta o espetáculo contra o texto e sim amplia seu sentido, eliminando-lhe o caráter de relato de um determinado caso histórico para conferir-lhe a grandeza de uma situação […] cuja atualidade […] é crucial. […]. O grupo dirigido por Jonas Bloch e Jota Dângelo já tem temporada marcada no Teatro Castro Alves em Salvador e estuda a possibilidade de mostrar a tragédia de Cervantes também ao público carioca em janeiro de 1969. 9
A plateia de Belo Horizonte está dando uma verdadeira consagração a Numância…, com a sala sempre lotada em todas as sessões.
A montagem é uma das mais caras já realizadas em Minas.10
1968-9
INSPETOR, VENHA CORRENDO! Comédia policial de Pedro Paulo Veiga Pereira e Pernambuco de Oliveira (P. V. Oliver – conforme apareceu em alguns jornais). Direção: Amir Haddad. Assistência de direção: Alvim Barbosa. Produção: Orlando Miranda e Pedro Paulo Veiga Pereira. Figurino: Olavo Saldanha. Cenário: Pernambuco de Oliveira. Elenco: Glauce Rocha, Paulo Araújo, Paulo Padilha, Napoleão Moniz Freire, Iracema de Alencar, Mário Lago, Alvim Barbosa, Celso Cardoso, Jorge Cherques, Orlando Miranda e Nelson Mariani. Teatro Princesa Isabel. Estreia: 10/12/1968. Estreia de 1969: 10/01, em benefício do Lions Club do Leblon, até dia 15/02/1969
9 Yan Michalski, Minas experimenta com Cervantes, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 out. 1968.
10 João Eustáquio, A boa arte dos mineiros, Manchete, Rio de Janeiro, 9 nov. 1968, n. 864.
[Diz Amir Haddad em reportagem:] Quando fui convidado pelos produtores, aceitei de pronto. Era uma experiência totalmente nova para mim e, ao mesmo tempo, uma pausa, um descanso. Depois da estreia, volto a trabalhar junto à Comunidade, grupo do qual faço parte. […] A história é simples: uma rica senhora inglesa é assassinada e no local se encontram todos os seus possíveis herdeiros, fora a criadagem (é claro que existe um mordomo). Todos são suspeitos, o problema é descobrir qual o verdadeiro culpado. […] É uma peça típica de temporada de verão. […].11
“Quando saí do Teatro Princesa Isabel, após ter assistido à Inspetor, venha correndo!, um denso fog envolvia as ruas de Copacabana. Meu primeiro impulso foi o de felicitar os autores […] e o diretor Amir Haddad por terem conseguido realizar, com tamanha autenticidade, esse extremamente londrino suplemento atmosférico à sua comédia policial brasileira passada na Inglaterra. […] [Mas] Pedro Veiga e Pernambuco de Oliveira perderam, com uma espécie de complexo de inferioridade cultural, a chance de abrir caminho para um gênero que nos faz muita falta: uma peça policial brasileira, passada no Brasil. […] Se [os autores] deixaram de explorar uma mina […], o diretor deixou de explorar outra: um policial inglês escrito por brasileiros não pode deixar de ser um atraente convite a uma gozação em regra de estilo, do clima e dos personagens clássicos do gênero […].12
1969
A CONSTRUÇãO, a partir do texto de Altimar Pimentel. Direção: Amir Haddad (Prêmio Molière). Grupo A Comunidade. Trilha sonora:
Aylton Escobar. Dinâmica corporal: Nelly Laport. Cenário: Joel de Carvalho, Colmar Diniz e Jorge Gomes. Figurinos: Dolores Paixão. Iluminação: José Carlos Reis. Elenco: Jacqueline Laurence, Carmen Silvia Murgel, Rubens Araújo, Norma Dumar, Eva Christian, Duse Naccarati, Hélio Guerra, Conceição Tavares, Geraldo Torres, Colmar Diniz, João Siqueira, Jorge Gomes, Mário Jorge, Marta Satamini, Janete Chermont, Luis Alberto Conceição, Anamaria de Morais, Marcos Batalha, Raimundo Alberto e Paulo César de Oliveira. Estreou no Museu de Arte Moderna (MaM), do Rio de Janeiro, em 25/06/1969 e ficou em cartaz até o fim de julho.
É muito difícil avaliar a qualidade do texto de Altimar Pimentel baseando-se apenas no espetáculo da Comunidade […]. E, no entanto, esse texto deu margem à criação de um espetáculo totalmente anticonvencional que alcança uma dimensão artística absolutamente insuspeitada na leitura da peça, e que nunca poderia ter sido atingida numa encenação mais acadêmica. Diminuído por uma montagem que o relega a um plano secundário […], o texto recebe, paralelamente, uma inesperada e paradoxal consagração como ponto de partida e roteiro para uma obra autônoma que o transcende de longe: a encenação de Amir Haddad. Altimar Pimentel escreveu uma curiosa e pitoresca história sobre um fenômeno eminentemente regional: os romeiros que vão a Juazeiro cultuar a memória de Padre Cícero e pedir a esse santo uma série de milagres são vítimas de um golpe tramado por um falso beato […].
11 Um susto inglês escrito em português, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8-9 dez. 1968, caderno B, p. 7.
12 Yan Michalski, Scotland Yard, Posto Dois, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 dez. 1968.
CLIMA ANTES DA AÇãO – Amir inverteu, de saída, a ordem de importância dos fatores: a trama deixa de ser o centro de interesse e passa a ser um mero pretexto; o clima deixa de ser um pano de fundo e transforma-se na razão de ser e no protagonista do espetáculo. É claro que, para que tal inversão pudesse ser sustentada durante as duas horas do espetáculo, o clima precisa ser […] estendido bem além dos limites dentro dos quais o autor o havia confinado. O diretor consegue essa expansão de duas maneiras: eliminando do ambiente original suas características folclórico-regionais, para substituí-las por uma síntese crítica de um aspecto global da realidade brasileira, e ampliando a intensidade do clima para um grau de constante paroxismo. Surge, assim, uma visão crítica do nosso subdesenvolvimento, de uma violência que talvez só encontre sua semelhante em todo o panorama contemporâneo da arte brasileira nos filmes de Glauber Rocha, com os quais (e principalmente com O dragão da maldade) o espetáculo possui, aliás, evidentes afinidades. […] nenhum espectador, por mais obtuso que seja, deixará de perceber que não é só de Juazeiro de que se trata […]. Apesar […] de terminar com a palavra esperança, o retrato que A construção oferece da vulnerabilidade do nosso povo é imensamente deprimente. […].13
[…] Sem ser unânime, a eleição de Amir Haddad como o diretor do ano [Prêmio Molière de 1969] foi também tranquila. Em duas ocasiões anteriores fui voto vencido ao apontar Fauzi Arap, que este ano apareceu como o único concorrente de Amir; mas desta vez, por mais
que admirasse a encenação de O assalto, minha preferência, como a da maioria dos meus colegas, pertenceu ao diretor de A construção, pelo notável fôlego, inventividade e calor que ele imprimiu ao seu trabalho […].14
CHÁ E SIMPATIA, de Robert Anderson. Direção: Amir Haddad. Assistência de direção: Geraldo Torres. Produção: Renato Aurélio Pedrosa.
Cenário: Luciano Trigo e Colmar Diniz. Figurino: Colmar Diniz. Elenco: Tereza Rachel, Mário Jorge, Paulo Padilha, Claudio Viana, Fernando Rapsold, Francisco Hosanan, Rogério Fróes, Rubens Araújo e Yumara Rodrigues. Teatro Copacabana e Teatro Maison de France, Rio de Janeiro (novembro e dezembro de 1969; completou 100 representações com imenso êxito), Teatro Guaíra, Curitiba (a convite do governador Paulo Pimentel).
1970
AGAMÊMNON, de Ésquilo. Tradução: Mário da Gama Curi. Direção: Amir Haddad. Com o grupo a Comunidade (Teatro de Invenção).
Cenário: Joel de Carvalho (Prêmio Estadual de Teatro). Preparação vocal: Glorinha Beuttenmüller. Dinâmica corporal: Nelly Laport. Ambientação sonora: Cecília Conde. Elenco: Carmem Silva Murgel, Creusa de Carvalho, Maria Esmeralda Forte, Jacqueline Laurence, Rubens Araújo, Mário Jorge, Luiz Armando Queiroz, Duse Naccarati, Marta Sattamini, Colmar Diniz, Marco Mirelli, Hélio Guerra, Luis Alberto Conceição, Paulo César de Oliveira, Lucia Lima, Conceição Tavares e Geraldo Torres. MaM do Rio de Janeiro.
FIM DE JOGO, de Samuel Beckett. Tradução: Amir Haddad, Sergio Britto e João Marschner. Direção:
13 Yan Michalski, Os tapumes derrubados de “A construção” (I), Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º jul. 1969, caderno B.
14 Idem, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 mar. 1970.
Amir Haddad. Cenários e figurinos: Joel de Carvalho (Prêmio Estadual de Teatro). Trilha sonora: Geraldo Torres. Elenco: Sergio Britto (Prêmio Estadual de Teatro), Zilka Salaberry, Fábio Sabag e Napoleão Moniz Freire (que estreou o papel inicialmente anunciado como sendo de Rodolfo Arena). Pré-estreia: 28/09/1970, no Teatro Municipal de Niterói. Teatro do Senac Copacabana (inauguração do espaço dirigido por Sergio Britto).
Estreia: 02/10/1970. Para 07/10, estava prevista sessão beneficente para o Instituto Paissandu, como informou o JB de 30/09/1970
[…] O úNico absurdo: teNtar eXPlicar –Amir Haddad, o diretor, fornece sua interpretação do texto: “Perguntaram a Beckett quem era Godot. Ele respondeu: ‘Se eu soubesse, teria dito na peça’. Fim de jogo é uma história simples […]. O mundo lá fora parece ter acabado. Mas que mundo? A peça se passa dentro ou fora das pessoas? […] Um velho chora. Isso significa que está vivo. A desgraça é muito cômica, só que não rimos mais. Nos acostumamos a ela”.15
No hall do novo Teatro Senac […] uma exposição sobre teatro do absurdo prepara o espectador para o espetáculo […] dirigido por Amir Haddad, [e] produzido por Sergio Britto […] [segundo o qual:] “No momento em que o teatro vive um caos de opiniões e rumos, o teatro do absurdo – Beckett principalmente – representa a mistura de valores tão próxima do nosso momento. […]
Fim de jogo é uma agonia que começa na primeira palavra e termina (ou não) na última. Estou certo de que o público entenderá”. […]
O diretor […] [comenta]: “Esta é a primeira vez que dirijo um texto deste tipo. Interessava fazer porque [não tenho] nenhum preconceito estético. Acho que esta inflação de textos de absurdo só corresponde à proximidade cada vez maior entre eles e à realidade de nossos dias. […]. E não foi por outra razão que a nossa montagem é totalmente realista” [...].16
DEPOIS DO CORPO, de Almir Amorim. Direção: Amir Haddad. Assistência de direção: Eid Ribeiro. Com o grupo A Comunidade. Dinâmica corporal: Nelly Laport. Cenografia: Colmaz Diniz e Joel de Carvalho (Prêmio Estadual de Teatro). Trilha sonora: Geraldo Torres. Elenco: Maria Esmeralda Forte, Rubens Araújo, Mário Jorge. Estreia: 04/12/1970. MaM do Rio de Janeiro. Teatro de Bolso.
Um detalhe curioso: o diretor […] deixou o espetáculo pronto há 10 dias para atender a um compromisso de trabalho em Brasília, onde está dirigindo um curso intensivo de teatro. Na [sua] ausência, os próprios intérpretes ensaiam diariamente para manter a forma e dar os últimos retoques na realização.17
1970-2
A DAMA DO CAMAROTE, vaudeville de Djalma Castro Viana. Direção: Amir Haddad. Produção e remontagem: Mauro Gonçalves, Elza Gomes, Hildegard Angel, Otacílio Coutinho e Alfredo Murphy. Trilha sonora: Geraldo Torres. Cenário: Joel de Carvalho (Prêmio Estadual de Teatro). Elenco: Regina Rodrigues, Mauro Gonçalves, Otacílio Coutinho, Eni Ribeiro, Henriqueta Brieba, Ribeiro Fortes e Paulo Ramos. Teatro
15 Solidão a quatro: Fim de jogo, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 set. 1970, caderno B, p. 4
16 Fim do jogo começa teatro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 out. 1970, caderno B, p. 6
17 Comunidade, provável amanhã, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 º dez. 1970 , seção Do teatro, caderno B, p. 3.
Fonte da Saudade (inauguração do espaço).
Estreia carioca: 30/07/1970. Além das estreias em 07/07/1972, no Teatro Nacional de Comédia, e em 10/08/1972 em Belém do Pará, o espetáculo fez temporadas no Teatro Maison de France e Teatro de Bolso (Rio de Janeiro), entre outras cidades, como Recife (Teatro Santa Isabel), Brasília, Vitória, Goiânia, Belo Horizonte, São João del Rei, Divinópolis, Sete Lagoas, Ouro Preto, Juiz de Fora, Sabará, Florianópolis, no Teatro Álvaro de Carvalho (tac), Curitiba e Porto Alegre.
[O] autor de A dama do camarote, em cartaz no Teatro Maison de France, revê sua peça inicialmente escrita em um ato e montada pela primeira vez em 1952, achando excelentes as adaptações feitas pelo diretor Amir Haddad. Ator, várias peças escritas, pioneiro de radioteatro no Brasil, Castro Viana lembra o tempo de um teatro antigo, sem o palavrão que não aceita, o tempo das companhias teatrais, que também naquela época levavam seus espetáculos para os jardins do Campo de Santana. […].18
Embora a época fosse a atual, o diretor Amir Haddad […] colocou a peça em seu devido lugar: o começo do século, após o consentimento do autor. Esse fato fez com que os acontecimentos se tornassem imediatamente mais verossímeis […]. O assunto é a família, ou melhor, a base dela; o matrimônio e as atribulações a que está sujeito. […]19
A dama do camarote […] fez grande sucesso ao ser montada no Teatro Fonte da Saudade, com
direção de Amir Haddad. Um ano depois, completou 573 apresentações no Teatro Maison de France e no Teatro de Bolso. Em seguida, fez uma bem-sucedida tourné por várias cidades do Brasil. Agora a peça será remontada – estreia sexta-feira no Teatro Nacional de Comédia –com um novo elenco. “Não estou remontando A dama do camarote”, afirma Amir Haddad.
“Mauro Gonçalves é quem fez os ensaios; minha direção se restringe a um trabalho de supervisão semanal. […] Muitas pessoas se perguntam e me perguntam por que, depois de quebrar a relação rígida entre palco e plateia, com o Grupo Comunidade, montei a peça
A dama do camarote, que não tem um conteúdo crítico evidente. Em primeiro lugar, há o problema de sobrevivência; depois, sempre foi um trabalho útil, como pesquisa de linguagem, aprofundado em O marido vai à caça. […].20
1971-2
O MARIDO VAI À CAÇA, comédia em três atos de Georges Feydeau. Tradução: Mário da Silva Britto. Direção e adaptação: Amir Haddad (Prêmio Molière). Cenários e figurinos: Joel de Carvalho. Música: Geraldo Torres. Produção: Sergio Britto Produções Artísticas. Elenco: Fernanda Montenegro, Sergio Britto, Ítalo Rossi, Labanca, Jacqueline Laurence (Prêmio Governador do Estado – Melhor Coadjuvante, papel da porteira, velha senhora que Amir adaptou para ser uma mulher jovem), Luiz Armando Queiroz, Augusto Olímpio, Maria Helena Pader, José Carlos e Luiz Augusto. Teatro Senac, Rio de Janeiro. Um mês antes da primeira pré-estreia, em 07/06/1971, nada menos que outras seis já estavam vendidas.
18 Castro Viana: o tom certo aos 70 anos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20-1 dez. 1970
19 TAC reabre no dia 1º para apresentar A dama do camarote, O Estado de Florianópolis, 18 mar. 1971, p. 3.
20 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 jul. 1972.
“Prognóstico de sucesso”, como anunciava o JB 21 O espetáculo atingiu mais de 200 representações até o final de sua temporada [...].
[…] uma bela lição de como ler entre as linhas. O espetáculo é sem dúvida muito diferente de tudo o que o autor poderia ter imaginado; e, no entanto, tudo aquilo que Feydeau disse ou insinuou na sua peça […] está presente no palco com cristalina clareza. […] Num momento em que os autores do passado costumam ser desmistificados pelos encenadores, Amir Haddad trata Feydeau com a maior simpatia e solidariedade: ele desmistifica, isso sim, todo o mecanismo de censura e autocensura que impedia Feydeau, há 80 anos, de dizer francamente aquilo que as suas peças sugerem de maneira disfarçada e indireta. […] [Trata-se] de uma farsa aparentemente inócua e vazia […]: já o espetáculo é uma contundente crítica à hipocrisia da convivência familiar […]. Todo mundo […] só pensa em tapear os outros em proveito próprio […]. A única preocupação é com as aparências: qualquer um dos personagens venderia a alma ao diabo.22
No artigo de ontem, constatamos a identidade de pensamento entre o texto de Feydeau […] e a empostação do espetáculo de Amir Haddad. Parece-me importante acrescentar logo que o diretor soube construir a sua contundente demonstração crítica sem prejudicar em nada o potencial meramente cômico […] da obra. A inventividade e a verve […] da direção […]
são irresistíveis. O desafio da precisão e da dinâmica, características de Feydeau, é abertamente aceito pelo encenador, que coloca no palco um permanente fogo de artifício de movimentos, gags, efeitos cômicos obtidos através de inflexões, pausas, bruscas mudanças de tom [etc.] […] Embora o espetáculo contenha apenas uma ou duas ceninhas de dança, toda a sua concepção visual parece, por assim dizer, dançada […]. Fernanda Montenegro tem aqui um dos seus desempenhos mais ricos e amadurecidos. […].23
1971
O CASO DO VESTIDO, de Carlos Drummond de Andrade. Direção: Amir Haddad. Coreografia: Rolf Gelewak. Elenco: alunos de Teatro e Dança no 5º Festival de Inverno de Ouro Preto (30 de junho a 31 de julho). Apresentação: 29/07/1971.
No exercício final das aulas do professor Amir Haddad, os alunos improvisam livremente sobre o poema O caso do vestido […]. E, de repente, entre estertores rituais do grupo, ao som de música sertaneja mineira, aparece uma imagem única para representar a mãe e as filhas, personagens do poema: uma mulher subjugada por uma canga, envolta em farrapos. Impossível a tradução verbal, mas o símbolo fala mais alto. E ninguém encomendou nada: foram os jovens que falaram.24
21 Yan Michalski, Jornal do Brasil , Rio de Janeiro, 14 maio 1971 , nota Feydeau, seção Do teatro, caderno B, p. 3
22 Yan Michalski, O marido caçador de aparências [I], Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jun. 1971
23 Ibidem.
24 Paulo Afonso Grisolli, A necessidade de falar, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 ago. 1971 . [N.A.]: O autor era então editor do caderno B, seção de cultura do jornal.
1972-3
TANGO, de Slawomir Mrozek. Tradução: Hélio Bloch. Direção: Amir Haddad. Cenário: Pernambuco de Oliveira (em montagem posterior, cenografia e figurino foram de Joel de Carvalho).
Produção: Tereza Rachel. Elenco: Tereza Rachel, Sergio Britto25, Roberto Bomfim, Renata Sorrah, Elza Gomes, Sadi Cabral, Ari Coslov.
Substituições posteriores: Jaime Barcelos, Consuelo Leandro, Francisco Dantas, Ivan Setta, Vinicius Salvatore e Selma Caronezzi. Teatro Carlos Gomes, Vitória. Pré-estreia em 07 e 08/04/1972 (após a qual continuaram os ensaios para a estreia carioca). Teatro Tereza Rachel, Rio de Janeiro. Temporada de 19/04 a 31/10/1972. Teatro Paiol, Curitiba. Estreia: 07/03/1973.
Para essa encenação brasileira foi usada a tradução feita por Hélio Bloch da adaptação francesa da qual Laurent Terzieff foi diretor e intérprete. Amir Haddad explica de que maneira: “Tivemos dificuldade em usá-la porque a imposição de nosso espetáculo é muito inclinada para a farsa. A montagem francesa era muito mais séria, mais levada para o pesado, para a discussão filosófica. E achei que o brasileiro não aguentaria cinco minutos dessa discussão […]. Acho que na origem, também, a peça não pretendia essa forma. A matéria é pesada, o conteúdo da maior seriedade, mas tratado de maneira leve. Durante os ensaios fomos descobrindo de que modo aquela matéria podia ser tratada em farsa. E depois, em contato com o público em Vitória, onde Tango estreou, vimos que só era possível. O público ri do começo ao fim.
Não sei até onde percebe a profundidade da peça. […] Como experiência, para mim, foi muito parecido com Fim de jogo, […] me obrigando a uma disciplina. […].
“[…] O europeu já está calejado, sofrido demais, então é cínico. A decadência deles é grande, já conseguem rir com facilidade disso.
Para a gente, a matéria é nova. Os europeus conseguem botar humor em cima do trágico. E a peça discute muito se a tragédia existe ou não existe e acaba chegando à conclusão de que a única coisa que acaba existindo é a farsa.
Mesmo que seja uma farsa deprimente. […]
Isso é uma visão de um continente dilacerado, arrebentado por séculos e séculos de guerra […].
Para nós, da América Latina, as coisas ainda estão sangrando demais […] para a gente poder rir com facilidade. […] Para o europeu, [o personagem do artista] é facilmente reconhecível. Para o europeu, ele é o João Grilo de A compadecida. A gente saca na hora o João Grilo, aquele rapaz esperto que se vira feito louco para sobreviver e que precisa de uma ordem mística ou mágico-religiosa para vencer a realidade […]. É um texto de discussão política. Um texto de um socialista que já dançou o tango. Então ele pode falar. […]” […] “O autor não explica nada [finaliza Amir]. Está lá e você entende. Se não quiser, divirta-se com a situação, que é engraçada. […] É um longo espetáculo. Uma peça para quem gosta de teatro. Europeu gosta de teatro. […]
São três atos. Passados numa casa que não tem janelas, tem portas. Um microcosmo. Que pode ser em qualquer lugar”.26
25 Ver autobiografia de Sergio Britto , O teatro & eu, para mais informações sobre Tango, bem como os demais espetáculos dirigidos por Amir em que Britto tomou parte como ator e/ou produtor (Fim de jogo; O marido vai à caça e Festa de aniversário).
26 Celina Luz, Um tango internacional, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 abr. 1972, caderno B, p. 5.
1973
FESTA DE ANIVERSÁRIO (FELIZ ANIVERSÁRIO), de Harold Pinter. Tradução: Bárbara Heliodora. Direção: Amir Haddad. Produção: Sergio Britto e Adaury Dantas. Cenário e figurinos: Joel de Carvalho. Elenco: Renata Sorrah, Claudio Marzo, Roberto Bomfim, Sergio Britto, Elza Gomes e Afonso Stuart. Teatro Senac. Estreia: 31/01 a 05/04/1973
CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS, colagem de textos de Fernando Arrabal. Adaptação e direção: Victor Garcia, de 1968. Produção: Ruth Escobar. A peça foi levada para Portugal no verão de 1973, em cuja ocasião Amir Haddad foi convidado por Ruth para supervisionar a direção de palco da montagem lusitana, ocorrida num terreno em Cascais, na avenida da República, todas as noites, às 21h45, onde se armou um galpão.27 Segundo a biografia de Ruth Escobar escrita por Álvaro Machado, “a liberação de Cemitério… [foi feita com uma] ressalva importante: a peça deveria ser encenada apenas na vila balneária de Cascais”28 .
1974
SOMMA OU OS MELHORES ANOS DE NOSSAS VIDAS, espetáculo experimental. Idealizado e dirigido: Amir Haddad. Música: Ricardo Pavão. Cenário e figurino: Joel de Carvalho. Iluminação: Jorginho de Carvalho. Coreografia: Nelly Laport. Preparação corporal: Angel Vianna. Elenco: Amir Haddad, Ângela Valério, Haylton Farias, Luís Joseli, Maria Esmeralda, Thaia Perez, Marisa Short, Reinaldo Machado, Vera Setta, Ivo Fernandes, Toninho Vasconcellos, Duca Rodrigues, Zeca Ligiero, Ricardo Pavão. Coordenação de produção e administração: Ivo Fernandes. Teatro João
Caetano, Rio de Janeiro. Temporada: 13 a 30/06/1974 (terça a domingo). Peça suspensa pela censura cerca de um mês após a estreia.
1974-5
LADIES NA MADRUGADA, de Mauro Rasi e Vicente Pereira. Direção: Amir Haddad. Produção: Ney Matogrosso. Elenco: Duze Nacaratti, Rubens Araújo, Patricio Bisso, Luiz Carlos Góes, Lenah Ferreira, Davi Pinheiro. Teatro Treze de Maio, São Paulo. Estreia: 08/1974
1975-6
VAGAS PARA MOÇAS DE FINO TRATO, de Alcyone Araújo. Direção: Amir Haddad. Assistência de direção: Haylton Faria. Produção: Tarcísio Meira e Glória Menezes. Cenário e figurino: Maurício Sette. Sonoplastia: Chico Livio. Elenco: Glória Menezes, Yoná Magalhães, Renata Sorrah. Teatro Treze de Maio, São Paulo. Estreia: 03/07/1975 Teatro da Galeria, Rio de Janeiro. Estreia: 1º/10/1975. Em 1976, Glória Menezes e Renata Sorrah são substituídas por Maria Fernanda Meireles e Débora Duarte, respectivamente.
1975
SÓ DÓI QUANDO RI. Ricardo Pavão, Ricardo Leoni, Ângela Vianna, Hugo Braule, Magnus, Roberto Leite, Boldrini, Walter Jr. e Miguel Gianesi, músicos e solistas do espetáculo Só dói quando ri, produção de Amir Haddad, estrearam anteontem na Faculdade de Niterói e seguem por um circuito off de outras faculdades e colégios. Uma das letras do show: “Tem dias que a gente/ acorda se sentindo/ morando num tempo sem futuro/ num lugar/ aonde tiraram tudo e deixaram
27 Ruth Escobar apresenta Cemitério de Automóveis: espectáculos todas as noites… Cascais. [s.l.; s.n.], Lisboa: 1973. [Tip. Anuário]. 1 cartaz: color.; 82 x 56 cm. Disponível na Biblioteca Nacional de Portugal.
28 Álvaro Machado, [...] metade é verdade: Ruth Escobar, São Paulo: Edições Sesc, 2021, p. 361.
o resto/ da festa que se deu ontem/ uma sujeira, um entulho/ um lugar/ com um sol mais escuro.29
1976
DÁ UMA ENTRADINHA RÁPIDA SÓ PARA VOCÊ
SACAR COMO ESSE HOMEM ME AMA, comédia de Luiz Carlos Góes, originalmente chamada As oprimidas. Direção: Amir Haddad. Duas peças em um ato: Marilda, a oprimilda e Virtuosa e bela, sensata é ela. Com o grupo Teatro Mágico. Produção: Jaci Carvalho. Colaboração: Milon Dutra. Cenário e figurino: Maurício Sette. Iluminação: Jorge de Carvalho. Trilha sonora: Haylton Faria. Elenco: Vera Setta, Rubens Araújo, Luiz Carlos Góes e Ivo Fernandes. Teatro Nacional de Comédia. Estreia: 13/04 a 06/1976.
[…] O Teatro Mágico […] com esse trabalho presta uma homenagem a Joel de Carvalho […].30 […] em produção do Teatro Mágico e com direção de Amir Haddad, [a peça] ganhou a concorrência para a utilização do Teatro Nacional de Comédia, de abril a junho, derrotando 11 outros candidatos. […].31
1979
MEU COMPANHEIRO QUERIDO, baseada no livro então recém-liberado pela censura Inventário de cicatrizes, do preso político Alex Pollari. Direção de Amir Haddad. Roteiro: Stepan Nercessian e Roberto Nascimento. Música: Roberto Nascimento. Iluminação: Jorge de Carvalho. Elenco: Stepan Nercessian e Roberto Nascimento. Teatro da Casa do Estudante Universitário, Rio de Janeiro. Estreia: 13/06/1979
1980
FUNDAÇãO DO GRUPO TÁ NA RUA
1980-99
HOMENS E MULHERES: A ÓPERA. Direção: Amir Haddad. Criação coletiva do grupo Tá na Rua. Antologia musical a partir do cancioneiro popular brasileiro com temáticas em torno das questões entre os gêneros.
Anos 1980 (sem datas precisas)
CORAÇãO MATERNO Encenações da célebre canção de Vicente Celestino. Direção: Amir Haddad. Criação coletiva do grupo Tá na Rua.
[O] clássico do cancioneiro popular constituiu-se como peça fundamental do repertório do grupo durante a intensa fase de experimentação de rua, no início dos anos 1980. A encenação desta música em diversas apresentações de rua permitiu o desenvolvimento de reflexões temáticas sobre o sentimento do homem brasileiro e contribuiu para a pesquisa sobre a construção de uma dramaturgia a partir de materiais não dramáticos. 32
AS “MÁSCARAS” DO TÁ NA RUA. Números diversos de improviso. Direção: Amir Haddad. Criação coletiva do grupo Tá na Rua.
Foram números livres desenvolvidos a partir das características pessoais e da experiência dos atores que compunham a formação original do grupo. Sempre com muito humor e com uma margem enorme para o improviso e a participação da plateia, as “máscaras”
29 Tárik de Souza, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 set. 1975, caderno B, p. 11
30 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 fev. 1976
31 Ibidem.
32 Ibidem.
permitiram o desenvolvimento de uma nova linguagem atorial a partir da apresentação das “especialidades” dos atores: O homem-que-coça-o-saco, a mulher-que-sofre, a mulher-que-grita-rodopia-e-cai, o cigano-que-salta, o negro etc. (Acervo Tá na Rua).33
1981
HOMEM COM H, show de Ney Matogrosso. Roteiro: Ney Matogrosso e Amir Haddad. Direção: Amir Haddad. Cenário e figurinos: Marcos Flaksman. Coreografia: Ciro Barcellos. O show contou com bailarinos e músicos. Fez temporada de dois meses e meio no Canecão, Rio de Janeiro; 22 apresentações lotadas no Anhembi, São Paulo; e outras cidades como Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Recife.
FAMÍLIA TÁ NA RUA. Direção: Amir Haddad. Criação coletiva do grupo Tá na Rua. Ruas da cidade do Rio de Janeiro.
Um grupo de teatro tenta apresentar seu espetáculo na rua, mas os atores, que são todos da mesma família, começam a brigar, demonstrando todas as contradições deste núcleo social da classe média, como o sexo forçado entre os irmãos e a índia-empregada-adotada, a mãe superprotetora, o pai omisso, o filho preferido, a filha rebelde, a santinha e educada etc.34
1982
A MULHER QUE BEIJOU O JUMENTO PENSANDO QUE ERA ROBERTO CARLOS, a partir do texto do cordelista Dílson Silva. Direção: Amir Haddad. Grupo Tá na Rua. Ruas da cidade do Rio de Janeiro.
33 Ibidem.
34 Ibidem.
35 Ibidem.
Espetáculo representativo das pesquisas do grupo sobre as possíveis dramaturgias para espaços abertos. Com humor popular, o texto discute as relações entre cultura popular e cultura de massa a partir da história da moça que beijou o jumento pensando que era o cantor Roberto Carlos. Este texto compõe o material de pesquisas do grupo desde sua formação.35
ENTRA TUDO: VARIEDADES TÁ NA RUA. Direção: Amir Haddad. Criação coletiva do grupo Tá na Rua. Teatro da Casa do Estudante Universitário, Rio de Janeiro. Estreia: 02/08/1982.
O acontecimento marcante da semana é a visita de Ionesco, cujo único desdobramento cênico é, porém, a apresentação especial de A lição, às 17h de hoje, no Teatro Delfin, na presença do autor. Mas a semana terá também outros acontecimentos fugazes, um dos quais previsto para esta noite no Teatro da ceu onde o grupo Tá na Rua (que agora se subintitula mais pomposamente Instituto de Pesquisas sobre o Ser Humano e seu Teatro) estará mostrando, a título excepcional, Entra tudo: variedades Tá na Rua, uma síntese das várias atividades que o grupo vem desenvolvendo há alguns anos, abrangendo os jogos das ruas, as improvisações das oficinas, os trabalhos de textos das aulas e ensaios, as dramatizações de músicas e narrativas etc. Além de mostrar o trabalho bastante pioneiro que o grupo vem realizando, a apresentação de hoje propõe-se a levantar fundos que permitam a ida do diretor Amir Haddad a um Encontro de Teatro Latino-
-Americano a ser realizado em Nova Iorque, para o qual foi convidado […].36
AMAR À TONA Grupo Tá na Rua. Coordenação: Amir Haddad. Teatro da Casa do Estudante Universitário, Rio de Janeiro. Estreia: 20/12/1982
1982-3
MATO GROSSO, show de Ney Matogrosso. Direção: Amir Haddad. Figurinos: Markito. Cenário: Marcos Flaksman. Arranjos: Piska. Figurinos: Claudio Tapeceiro, Luís de Almeida e Markito. Programação visual: Carlos Vergueiro. Máscara: Sérgio Oliveira. Banda: Piska (guitarra), Pedrão (baixo), Sérgio Della Mônica (bateria), Chacal e Sérgio Boré (percussão), Itacir Jr. e Nonô (sopro), Paulo Esteves (teclado), Paulo Garfunkel (flauta), Lino (saxofone) e Donald (trompete). Estreia no Canecão do Rio de Janeiro. Excursionou por São Paulo, Fortaleza, Recife, Salvador, Vitória, Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Acre, Rondônia, Manaus, Belém, São Luís, Teresina, Imperatriz, Brasília, Curitiba, Londrina, Campinas, Bauru, Presidente Prudente, Rio Preto e Uberlândia. Posteriormente, o espetáculo fez turnê internacional, passando por Lisboa, Paris, Frankfurt, Roma, Israel e Suíça, no Festival de Montreux.
Hoje, às 22h, Ney Matogrosso inicia mais uma curta temporada no Canecão (somente até o próximo dia 7) […]. Dirigido pelo mesmo Amir Haddad […] Matogrosso mostrará basicamente as composições do seu último lP […]. Ocupando toda a extensão do palco, o nome Matogrosso (não é alusão ao estado de nascimento […]), do cenário simples de Marcos Flaksman, cresce com a iluminação criada por Amir. De uma
abertura no meio do cenário […] Ney surgirá com um visual “chocante” […]. A segunda parte é mais romântica, com luz suave. […] Mas é na terceira e última, com uma roupa das mais bonitas […] que o espetáculo mostrará o cantor em seu melhor momento. […] O diretor […] em seu segundo trabalho […] com o cantor (já haviam [também] trabalhado anteriormente em teatro) define a atual montagem como “um show que vai mais longe do que o outro”. “O anterior […] era uma revisão […]. E qualquer pessoa que faz um balanço vai adiante. Quando nos reunimos pela primeira vez, não tínhamos a menor ideia do espetáculo, tínhamos somente um disco: Matogrosso, nosso ponto de partida para um espetáculo alegre.” […] Procurando sempre colocar um elemento de teatro, Amir usou desta vez três máscaras esculpidas em madeira, que conseguem bom efeito quando Ney canta Debaixo dos panos. […].37
1982-3
BAR DOCE BAR. Texto, interpretação e direção: Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro. Supervisão (direção de harmonia): Amir Haddad. Música: Tim Rescala. Teatro Cândido Mendes, Rio de Janeiro.
1983
ISTO É ABOIO, XOTE, XAXADO E BAIãO, show de Carmélia Alves, com texto e roteiro do jornalista Carlos Alberto Silva. Direção: Amir Haddad. Com o cantor e compositor Jonga. Teatro Ipanema, Rio de Janeiro. Viagens posteriores para outros estados, como Pernambuco.38 É às 21h de hoje. Neste mesmo horário, até
36 Yan Michalski, Ionesco e outros, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 ago. 1982
37 Diana Aragão, Ney Matogrosso no Canecão: além do musical, um visual chocante, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 out. 1982.
38 Diário de Pernambuco, Recife, 7 jun. 1983, Variedades, caderno Diversões, p. B2.
domingo, continua a pequena temporada de Isto é aboio, [xote,] xaxado e baião. Também poderia ser Veja tudo isso. É show de Jonga, organizado artista que há muito luta para mostrar seu rural estilo, e a veterana Carmélia Alves. Na televisão e no palco permanece a mesma. Estão no Teatro Ipanema e a direção é de Amir Haddad. Depois de muito estar na rua, seu grupo teatral entra em casa para rara experiência que é a responsabilidade em shows. […].39
A COMÉDIA DO CORAÇãO, do poeta, jornalista e dramaturgo Francisco de Paulo Gonçalves (1897-1927). Direção coletiva do grupo Hombu, sob coordenação de Sérgio Fidalgo. Supervisão: Amir Haddad. Cenografia: Sérgio Fidalgo e Carlos Veiga. Cenotécnico: Oracy Flores. Figurino: Carlos Veiga. Direção musical: Ian Guest. Música: Beto Coimbra, Ian Guest e Paulo Gonçalves. Preparação corporal: Graciela Figueiroa, Regina Vaz e Debbie Growald. Desenho de luz: Jorge de Carvalho. Realização: Grupo Hombu. Elenco: Silvia Aderne, Regina Linhares, Sérgio Fidalgo, Tarcísio Ortiz, Ângela de Castro, Fernanda Caetano e Ivanir Calado. Duração: 2h 10min (dois intervalos). Teatro Glauce Rocha, Rio de Janeiro. Temporada: 11/10 a 31/12/1983
Uma vez escolhida A comédia do coração [conta Sérgio Fidalgo], procuramos Amir Haddad e lhe expusemos o nosso problema [de querer um diretor, ao mesmo tempo que o grupo buscava que a concepção geral do espetáculo continuasse sendo coletiva]. Ele respondeu logo: “Mas é exatamente isto o que eu quero”. Estava criada, assim, a função de supervisor, que Amir já havia experimentado em 1982
(com o nome de diretor de harmonia), em Bar doce bar (e no momento repete com o mesmo grupo em A porta, com estreia para breve), mas que parece assumir uma dimensão maior em A comédia do coração. Para Amir, ela atende a solicitações profundas: “Há muito eu tinha vontade de participar de novo da elaboração de um espetáculo. Meu último trabalho como diretor é de 1976. […] O trabalho de rua, que não comporta a função de diretor, tem sido tão absorvente que até agora não nos permitiu criar, como pretendíamos, também outro tipo de espetáculos. Ora, o teatro é uma coisa muito viva dentro de mim, e eu sentia saudade da minha atividade de criador de espetáculos. Mas ao mesmo tempo não me via trabalhando como diretor no sentido tradicional […], nas condições que o esquema do mercado impõe, com pouco tempo de ensaios, dentro de um modelo autoritário, com toda a concepção da encenação saindo de uma só cabeça. Isto seria para mim um retrocesso, já que vivo contestando e discutindo essa noção de autoria do espetáculo. Então, nestes últimos anos, só consegui matar saudades do palco dirigindo dois shows de Ney Matogrosso, onde esses problemas não se colocavam […]”.40
WILL, coletânea de textos e sonetos de William Shakespeare. Tradução: Flávia Maria Samuda. Roteiro e direção: Felipe Pinheiro. Supervisão da direção: Amir Haddad. Música e direção musical: Tim Rescala. Figurinos: Silvia Sangirardi. Iluminação: Luiz Paulo Nenen. Preparação corporal: Cláudio Gaya. Elenco: Angela Rebello, Ariel Coelho, Cristina Gomes, Deni Bloch, Elisa
39 Maria Helena Dutra, Vai do aboio a Rogéria, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 maio 1983
40 Yan Michalski, Com A comédia do coração o Hombu quer conquistar a plateia adulta, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 out. 1983.
Ventura, Laura Vivacqua, Mário Diamante, Ricardo Cardoso e Roberto Jabor. Teatro dos 4.
A primeira impressão ao entrar no Teatro dos 4 para assistir à Will – coletânea de textos shakespearianos sobre alguns casais da sua dramaturgia – é extremamente favorável. A excelente música de Tim Rescala, que mistura sonoridade contemporânea com toques elizabetanos, recebe os espectadores que veem ainda envolvidos por uma ambientação repleta de significados (tochas iluminam as laterais da plateia e no palco um dispositivo cênico, um poster de Shakespeare e luz suave, criam a ilusão da arquitetura elizabetana) […].41
A PORTA, texto e direção: Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro. Supervisão: Amir Haddad. Direção musical e música original: Tim Rescala. Iluminação: Aurélio de Simoni e Luiz Paulo Nenen. Elenco: Pedro Cardoso, Felipe Pinheiro, Tim Rescala, Oscar Bolão, Gilberto Márcio, Luiz Paulo Nenen e Ronaldo Diamante. Teatro dos 4, Rio de Janeiro. Estreia: 17/10 a 20/12/1983.
1984-5
EXTREMOS, de William Mastrosimone. Tradução e adaptação: Carlos Eduardo Dolabella. Direção: Amir Haddad. Elenco: Pepita Rodrigues, Carlos Eduardo Dolabella, Elizabeth Hartmann, Beth Goulart, Yolanda Cardoso, Annamaria Dias. Teatro da Lagoa, Rio de Janeiro. Estreia: 06/1984 Em 1985, temporada em São Paulo.
Os que ainda não assistiram a Extremos, que está comemorando 150 representações no
Teatro da Lagoa (Rio), não precisam se assustar. A violência, […] habilmente dirigida por Amir Haddad, não dá o tom do espetáculo, onde o que predomina mesmo é o humor.42
1984
ENTRA TUDO (VARIEDADES TEATRAIS), colagem de Amir Haddad e grupo Tá na Rua. Dramaturgia coletiva. Direção: Amir Haddad. Integrou o projeto “Novos Rumos, Novas Caras”, criado por Amir no Teatro Villa-Lobos. Ocorreu nos dias 23 e 24/10/1984. Em 06/11, houve mesa-redonda no âmbito do mesmo projeto, em que Amir participou ao lado de Luís Antônio Martinez Corrêa, Paulo Reis, Alcione Araújo e João das Neves. Coordenação da mesa: Yan Michalski.
MORRER PELA PÁTRIA, de Carlos Cavaco. Direção: Amir Haddad. Tá na Rua. Integrou o projeto “Novos Rumos, Novas Caras”, criado por Haddad. Cenografia: Sérgio Silveira. Figurinos: Lucy Mafra. Sonoplastia: Ricardo Pavão. Iluminação: Charles Duclos. Elenco: Amir Haddad, Ricardo Pavão, Sérgio Luz, Lucy Mafra, Artur Faria, Ana Carneiro, Marilena Ribas e Betina Waissman. Teatro Villa-Lobos, Rio de Janeiro. Estreia: 15/11/1984. Foi encenada por mais de três anos.
Escrito em 1936, o texto é baseado na ideologia integralista, vertente brasileira do nazifascismo atuante na década de [19]30 [e que] discute a suposta “ameaça comunista” que pairava sobre o Brasil a partir da perspectiva de uma família de classe média. Este texto foi um material fundamental na pesquisa empreendida por Amir Haddad desde a década de [19]70, visando ao desmonte da linguagem teatral tradicional e
41 Macksen Luiz, Sonoridade contemporânea com toques elisabetanos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 dez. 1983, caderno B, p. 5.
42 Manchete, Rio de Janeiro, 10 nov. 1984, n. 1699.
das estruturas autoritárias reproduzidas pelos coletivos de trabalho.43
O elenco do Teatro Mágico, que, sob a orientação de Amir Haddad, vem se dedicando há vários meses a uma ampla pesquisa de linguagem teatral usando como ponto de partida a peça Morrer pela pátria, de Carlos Cavaco, incorporou agora no seu projeto o estudo do texto de Galileu Galilei, de Brecht. O grupo, que teve recentemente roubada uma eletrola essencial às suas atividades, e que constituía seu único objeto de valor material, solicita aos amigos doação de outra eletrola, “suficientemente velha para dela se desfazerem e suficientemente nova para que possamos dela fazer uso”, e reitera o antigo pedido de doação de móveis e objetos usados […] com características da década de [19]30.44
Entre as estreias, o esperadíssimo Morrer pela pátria, projeto acalentado por Amir Haddad há mais de dez anos. As três estreias da semana começam exatamente no mesmo dia: quinta-feira. Morrer pela pátria […] inicia a temporada no Teatro Villa-Lobos […].45
Morrer pela pátria é um texto inédito e a única peça integralista para teatro de que se tem conhecimento. […]. Não escapam, também, o preconceito contra os judeus, a crítica moral do capitalismo, o nacionalismo exacerbado, a xenofobia. Nada disso é tratado em cena com irreverência ou de forma crítica. Até porque,
como acredita Haddad, o conteúdo ideológico do integralismo revela muito do pensamento de direita brasileira hoje. “Estou tratando a sério porque este pensamento é sério e, a nível de sentimento, ainda está muito arraigado. A gente vai revelar para o público, para quem se identifica e para quem não se identifica, esta ideologia em profundidade e não como discurso racional.” O texto está sendo trabalhado desde 1975 (“é […] nosso antimodelo”) […] e isso […] foi feito com todo o respeito, observando cada vírgula mesmo nos momentos em que o consideravam absurdo ou ridículo. […] Amir aceita que Morrer pela pátria possa gerar reações […].46 Mas lembra que seu grupo trabalha na rua e, muitas vezes, [têm de fazer] afirmações com as quais não concordam [por questão de linguagem]. Nem por isso deixaram de sair, no comício das diretas, [fantasiados] “de família real”. Ele era o rei e passou todo o tempo na frente da passeata mandando que os manifestantes voltassem para casa. “Tá na hora da novela. Tá na hora de servir o jantar.” “Podem ir embora que eu resolvo tudo num instante”, insistia para uma plateia que ou ria, entendendo “o lado lúdico”, ou queria bater-lhe. Como aquela mulher que tentou acertá-lo com a sombrinha sob a alegação de que política é coisa sagrada […] “É provocante mas não provocador porque revela estas contradições. E até as nossas, pois, quando fomos para a rua, também gostaríamos de estar em casa vendo tV, esperando o jantar, deixando o resto para o rei resolver. Nós também temos nossa preguiça de lutar pelas diretas.” […]
43 Fonte: https://teatroderuaeacidade.blogspot.com/2016/07/dramaturgia-contemporanea-teatro-de-rua.html. (Acesso em 1º mar. 2022).
44 Yan Michalski, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 dez. 1976, nota da seção Teatro – Em um ato, caderno B, p. 2.
45 Macksen Luiz, Integralismo, Che, Tancredo, Brecht e Molière, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 nov. 1984.
46 Como de fato gerou por parte de muitos que julgaram ser este o ponto de vista do encenador.
Haddad espera estar com uma linguagem tão clara que não sejam precisas explicações posteriores (embora vá haver debates com o público após os espetáculos, deles saindo as mudanças que definirão as três fases diferentes já previstas para esta montagem). Com isso, o espetáculo será modificado e interrompido duas vezes durante a temporada. Todo o trabalho será desenvolvido pelos atores no dia a dia da representação. […] “Não temos aquela dor, tão comum no esquema empresarial, de dizer isso poderia ter sido feito diferente”, assegura Haddad.47
AS VARIEDADES DE PROTEU, ópera bufa em três atos de Antônio José da Silva (O Judeu). Direção: Amir Haddad. Direção musical: José Maria Neves. Música: Antônio Teixeira. Concepção e execução dos bonecos: Marilda Kobachuk. Elenco: Ricardo Tuttman, Lício Bruno, Antonieta Panfili, Deina Melgaço, Cristina Passos, Daniel Félix, Wilson Aguiar, Remo Maccagnini. Teatro Villa-Lobos, Rio de Janeiro. O espetáculo ocorreu dentro do projeto “Novos Rumos, Novas Caras”, organizado por Amir, então diretor do teatro. Estreia: 24/10/1984
No século XViii não se brincava impunemente com noções como nobreza, casamento, castidade e religião. Antônio José da Silva, conhecido como O Judeu, costumava permear suas peças – escreveu oito, muitas delas musicadas – de severas críticas e rasgadas sátiras a tais conceitos. Talvez por isso tenha sido conduzido à fogueira da Inquisição com 34 anos. Nascido no Rio de Janeiro, de onde partiu ainda menino acompanhando o cativeiro dos pais, ele acaba de voltar. E se mostra em toda sua sagacidade e humor na ópera As variedades de Proteu […]. É uma volta com sabor de ressurreição. Afinal, até o
musicólogo brasileiro José Maria Neves, 41 anos, descobrir no Palácio Ducal de Vila Viçosa, em Portugal, trechos musicais de As variedades e da famosa As guerras de Alecrim e Manjerona, ninguém sabia ao certo como soavam essas peças. E as muitas suposições apontavam para caminhos bastante diferentes dos exibidos pelas partituras de Antônio Teixeira, discípulo de Scarlatti e fértil colaborador do Judeu. […] Nas Variedades de Proteu, apresentadas nessa temporada em 10 récitas distribuídas por três fins de semana consecutivos, os bonifrates revezam-se com cantores, exaustivamente ensaiados por Amir Haddad para pontuarem enfaticamente suas falas e aproveitarem ao máximo a potencialidade de seus corpos. […] Peça de grande qualidade lúdica, As variedades de Proteu é atrevida, inquieta. E aposta na teatralidade mais autêntica, sem vergonha de incitar a conivência com o público, sem pejo de ser emocional. […] E a inclusão, no elenco, de dois personagens mascarados, parentes próximos da commedia dell’arte, é uma chave para a concepção de Amir […]. Montada no ralo orçamento de Cr$ 9 milhões, doados pelo Inacen e Sesc, a ópera do Judeu, surpreendentemente rica musicalmente, cantada em português setecentista, terá sem dúvida o chamariz da novidade. Uma novidade que está sendo ensaiada desde março e que representa um grande investimento para seus recriadores. A Amir coube a difícil tarefa de transformar cantores em atores de teatro em prosa. A José Maria Neves a de garantir que o espírito do Judeu esteja presente na encenação. Para os cantores, escolhidos por concurso realizado no Conservatório, ficaram reservadas as dificuldades naturais de uma
47 Cleusa Maria, O integralismo passado a limpo, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 nov. 1984.
partitura que exige que Caranguejo, por exemplo, criado de Proteu, faça uma declaração à sua amada Maresia, alternando voz plena e falsete. […]
O fio condutor da trama é a história do casamento de Proteu e Nereu, filhos do rei Ponto, com as belas Dorida e Cyrene. […]48
1985
FELISBERTO DO CAFÉ, de Gastão Tojeiro. Direção: Amir Haddad. Cenário e figurino: Naum Alves de Souza. Trilha sonora: Geraldo Torres. Iluminação: Luiz Paulo Nenen. Elenco: Arlete Salles, Roberto Bomfim, Lupe Gigliotti, Rosa Douat, Artur Faria e participação especial de Lafayette Galvão. Produção executiva: Ivo Fernandes. Produção: Walter Marim. Teatro Maison de France, Rio de Janeiro. Estreia: 30/03/1985
Felisberto do café, de Gastão Tojeiro, estreia na quarta-feira no Teatro Maison de France de maneira original, com um ensaio geral franqueado ao público. […] Tojeiro pode ser considerado como um dos melhores representantes do vaudeville nacional. Felisberto do café, com sua trama simples mas bem urdida, é peça típica de um teatro em que as situações cômicas são arranjadas de tal modo que o espectador se envolva com os quiprocós do enredo. Para o diretor Amir Haddad, “a peça é encantadora. É um tipo de dramaturgia brasileira feita até a década de 1940 que nunca teve o devido respeito.
Existe todo um know-how deste tipo de espetáculo que não pode ser desprezado. Neste momento de crise da dramaturgia brasileira é importante recuperar o que é nosso, sem preconceito da burguesia dita culta. A farsa é o gênero mais próximo do popular”.49
C DE CANASTRA, de Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro. Direção: Amir Haddad. Iluminação: Luiz Paulo Nenen. Música: Tim Rescala. Elenco: Felipe Pinheiro e Pedro Cardoso. Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo. Agosto de 1986
C de canastra é perfeitamente coerente com a evolução teatral da dupla Felipe Pinheiro e Pedro Cardoso que, desde Bar doce bar […] recria no palco um estilo de humor bastante peculiar. […] Numa sequência generosa de esquetes – são dois atos que se estendem por 2h15min, com intervalo – nem sempre há dosagem na oferta. A primeira parte é visivelmente menos ágil […]. À maturidade dos autores […] corresponde maior sofisticação e exigências na gama das interpretações. […] A supervisão de Amir Haddad, a correta iluminação […] a bem-humorada música […], os painéis-telões que evocam o cenário para os esquetes do antigo teatro de revista, criam uma cena simples mas eficiente do ponto de vista da comunicabilidade. […] É o teatro brincando, mas sem esquecer as regras de seu jogo.50
48 Vivian Wyler, A ópera sagaz e bem-humorada, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 out. 1984
49 Macksen Luiz, A vez das comédias, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 mar. 1985 Segundo Sérgio Viotti (Dulcina e o teatro de seu tempo, Rio de Janeiro: Lacerda, 2000, p. 75), é bastante provável que esta peça tenha se inspirado noutra de título similar: O café do Felisberto, de Tristan Bernard, que o ator português Chaby Pinheiro lançou em 1912 no Teatro Apolo, e que o ator brasileiro Leopoldo Fróes incluiu em seu repertório na temporada do Palace, em 1916.
50 Macksen Luiz, A brincadeira do jogo teatral, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 maio 1985.
VENHA BRINCAR CONOSCO, show teatral com o grupo Tá na Rua. Direção: Amir Haddad. Com participação do público. Circo Voador, Rio de Janeiro.
MASCULINO E FEMININO. Coletânea de textos de expressivos autores nacionais e estrangeiros, tais como Shakespeare (Ricardo III), Brecht (Galileu Galilei), Wilson Sayão (Pão e água, entre outras), Luiz Carlos Góes (Marilda, a oprimilda, entre outras), sobre o relacionamento homem/mulher.
Direção: Amir Haddad. Elenco: Ricardo Pavão, Lucy Mafra, Artur Faria, Ana Maria Carneiro e grupo Tá na Rua. Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro. Estreia: 10/1985
A greve dos ônibus e uma queda do diretor Amir Haddad obrigaram o grupo Tá na Rua a adiar a estreia de Masculino e feminino para a próxima quarta-feira; mas já a partir de hoje, às 21h, o Teatro Cacilda Becker receberá o público interessado em participar dos ensaios, sem passar pela bilheteria. “Não chamamos o Masculino e feminino de espetáculo”, explica Amir. “Chamamos de cerimônias teatrais que se constroem a partir da participação do público. Nossos atores são como médiuns […]. Com isso, queremos transpor as barreiras do realismo provocando um encontro mais profundo entre ator e espectador. […]” [Aqui] os grandes orixás são Shakespeare e Brecht, e caboclos como Wilson Sayão, Luiz Carlos Góes e Mauro Rasi já estão “encostando”, levando o grupo […] a novas elaborações teóricas para mudar a prática teatral: “[…] acreditamos, como diz Brecht em Galileu, que a verdade é filha do tempo e não da autoridade.
[…]”. Amir não vai esperar a cortina fechar para iniciar um debate sobre as relações de poder; quer discutir logo o relacionamento dos casais, situando-o dentro de um contexto sócio-político-histórico-econômico.51
“Se o teatro está morto, viva o teatro”, diz o incansável Amir Haddad, figura lendária da ribalta carioca […]. Como ator e diretor de cena de Masculino/Feminino, o mineiro […] concretiza a cerimônia que há tanto tempo persegue em busca do espírito vivo do teatro. A improvisação é a mola mestra de suas ideias […].52
A VELOCIDADE DO MUNDO, de Paulo Pontvianne e Marcos Possidente. Direção: Artur Faria. Supervisão: Amir Haddad. Com o Grupo Velô. Cenário e adereços: Carla Benasse. Figurino: Sônia Dias e Marcia Pitanga. Assistente de figurino: Adriana Soares. Iluminação: Eldo Lúcio. Sonoplastia: Hugo Secco. Operador de som: Toth Resende. Produção executiva: Toth Resende e Paulo Reis. Elenco: Iza do Eirado, Silvana Oliveira, Paulo Pontvianne e Marcos Possidente. Teatro de Bolso Aurimar Rocha, Rio de Janeiro. Teatro Jesiel Figueiredo, Natal (rN) e outros.
1985-2006
AUTO DE NATAL “MEU CARO JUMENTO”. Inspirado no poema “O jumento”, de Patativa do Assaré. Direção: Amir Haddad. Elenco: grupo Tá na Rua. Largo da Carioca, Rio de Janeiro: 23/12/1985, às 16h. Gratuito. O espetáculo apresenta a narrativa do nascimento de Jesus Cristo a partir da perspectiva do Jumento, o animal que transportou a família sagrada na fuga de Belém. Espetáculo encenado durante o período das festas de Natal.53
51 Ciléa Gropillo, Teatro não, obra aberta, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 out. 1985
52 No teatro, o Tá na Rua, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 out. 1985.
53 Licko Turle, op. cit.
A representação-festa terá como pontos culminantes um grande presépio formado por todos os participantes e “após deverá ser servida aos presentes uma sopa preparada durante o acontecimento”. Segundo o Tá na Rua, essa ambiciosa montagem tem a intenção de “colocar o Rio de Janeiro no roteiro dos grandes espetáculos contemporâneos em espaços abertos. A apoteose fora da Praça da Apoteose, artistas e povo unidos”.54
1986
QUAL É, GATINHO? de Antônio Bivar. Direção: Amir Haddad. Elenco: Frederico de Francisco e Brigitte de Búzios. Teatro Delfin, Rio de Janeiro. Nova temporada no Teatro de Bolso Aurimar Rocha, ainda em 1986.
GALILEU GALILEI, de Bertolt Brecht. Direção: Amir Haddad. Elenco: Tá na Rua. Praça do Cocotá, Ilha do Governador, em 17/05/1986
FACES: O MUSICAL, de Maria Lucia Priolli, Mauro Perelmann e Pedro Paulo Castro Neves. Direção: Amir Haddad. Direção musical: Mauro Perelmann. Coreografia: Moema Corrêa e Maria Lucia Priolli. Elenco: Clarice Niskier, Ana Teresa, Gustavo Rocha, Maria Lucia Priolli, Flávio Colatrello, Beth Zalcman, Kátia Bronstein, Tereza Seiblitz e outros. Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro. Estreia: 14/10 a 23/11/1986.
1987
THE BEST – A BESTA, texto e direção: Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro (a partir de 12 cenas de seus espetáculos anteriores: Bar doce bar, A porta e C de canastra). Supervisão: Amir Haddad.
Elenco: Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro. Música: Tim Rescala (13 composições). Teatro Tereza Rachel, Rio de Janeiro. Estreia: 13/04/1987 até julho.
ALMA DE BORRACHA, show de Beto Guedes.
Direção: Amir Haddad. Teatro Carlos Gomes. Abril e maio de 1987
Com dez anos de carreira, Beto Guedes lança agora seu sexto LP solo, Alma de Borracha (eMi-Odeon). O título vem de uma canção de Telo e Márcio Borges, mas quem viu aí uma citação ao antológico álbum Rubber Soul, dos Beatles, também acertou. […] Alma de Borracha traz os principais ingredientes da música de Beto Guedes, em melodias rebuscadas e ótimo tratamento instrumental.55
Após dois anos de ausência, o cantor-compositor Beto Guedes gravou um disco e fez um show – Alma de Borracha –, que a Rede Manchete apresenta no domingo, 14/06, às 19h. Gravado ao vivo no Teatro Carlos Gomes, o Especial Beto Guedes terá os maiores sucessos do artista e os melhores momentos do show.56
OS FILHOS DO SILÊNCIO, de Mark Medoff. Tradução: Léo Gilson Ribeiro. Direção: Amir Haddad. Cenários e figurinos: José Dias. Trilha sonora e assistência de direção: Geraldo Torres. Iluminação: Alex Dias. Direção de produção: Pichin Piá. Elenco: Maria Helena Dias, Adriano Reys, Tony Ferreira, Jalusa Barcellos, Lídia Mattos, Roberto de Cleto e Carmen Figueira. Teatro Benjamin Constant, Rio de Janeiro. Temporada: 08/07 a 11/1987
54 Macksen Luiz, O Natal Tá na Rua, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 dez. 1985
55 Antônio Carlos Miguel, Som mineiro, sotaque inglês, Manchete, Rio de Janeiro, 22 nov. 1986.
56 Manchete, Rio de Janeiro, 10-6 jun. 1987.
1987-8
O AMOR NA NOVA REPÚBLICA, de Vicente Pereira, Wilson Sayão e Luiz Carlos Góes (a partir de cinco pequenas histórias: Se você soubesse; O encapuzado; Baralhos dos homens; Marilda, a oprimilda e Indian love call). Direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Elenco: Amir Haddad, Ana Carneiro, Artur Faria, Lucy Mafra e Marcelo Pascoal. Vocal, violão e piano em músicas de Roberto Carlos: Ricardo Pavão, Wando e do próprio Marcelo Pascoal). Botanic, Rio de Janeiro. Até o final de 06/1988.
teto Para o tá Na rua – O grupo Tá na Rua, que inicia temporada amanhã no Botanic com O amor na nova república, está à procura de um teto. […] Por isso, o Tá na Rua se apresenta no dia 16 no Circo Voador para arrecadar fundos a fim de se instalar em novo endereço, já que a atual sede do grupo foi requisitada por seu proprietário […].57
Encenado pelo grupo Tá na Rua, o espetáculo […] [tem] estilo cabaré com esquetes curtos e irônicos que buscam a participação do público.58
1988
CANTANDO PARA O RIO, show de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho de Viola e Jorge Ben. Espetáculo beneficente. Direção: Amir Haddad e Guilherme Araújo. Canecão e Teatro Scala, Rio de Janeiro, em 07/03/1988.
Quem gosta de música popular e pretende ajudar as vítimas das recentes inundações no Rio tem todas as razões para sair de casa na próxima segunda-feira, dia 7, à noite. É que estarão no Rio para dois espetáculos – um no
Canecão, outro no Scala 1 – alguns dos mais importantes cantores, compositores e grupos musicais do país. Cantando para o Rio é o nome escolhido para o show do Canecão […]. Cinco dos maiores artistas brasileiros – Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Jorge Ben e Paulinho da Viola – estarão se apresentando dirigidos por Amir Haddad e Guilherme Araújo. A ideia, que tem o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, surgiu de uma reunião entre o prefeito Saturnino Braga e alguns animadores culturais da cidade […].59
PROJETO 68 X 88/NO BALANÇO DOS ANOS. Leituras. Direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro.
DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA, de Plínio Marcos, em 01/09/1988, às 19h.
SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, em 02/09/1988, às 19h.
OS FUZIS DA SENHORA CARRAR, de Bertolt Brecht, em 08/09/1988, às 19h.
CORDÉLIA BRASIL, de Antônio Bivar, em 09/09/1988, às 19h. Apresentação no Arquivo Geral da Cidade, Rio de Janeiro, em 12/09/1988.
NADA Dez esquetes coordenados por Amir Haddad. Entre eles: Tarzan e Jane; A festa; Falando com Nossa Senhora; O futebol ou os desanimados; Música em 24 quadros por segundo e Um amor distraído. Elenco, cenários e figurinos: Pedro Cardoso, Tim Rescala
57 Macksen Luiz, Teto para o Tá na Rua, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 jun. 1988
58 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jun. 1988.
59 Enxurrada de socorro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 mar. 1988, caderno B, p. 1.
e Felipe Pinheiro (que também contracenam com imagens em vídeo, onde aparecem outros atores convidados) e músicos: Oscar Bolão (bateria), Dazinho (saxofone) e Omar Cavalheiro (contrabaixo). Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro. Estreia: 30/11/1988 60
SE LIGA LEBLON. Pagode e gafieira. Apresentação da Intrépida Trupe, grupo Coringa, Amir Haddad, Clara Sandroni, Conexão Japeri, Blues Etílicos, Hojerizah, Sapatilhas Ascendentes e o elenco de O califa da rua do Sabão. Dia 04/12/1988 (domingo), às 14h, praia do Leblon, Rio de Janeiro. Entrada Franca.61
1989
SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar. Direção: Amir Haddad (Prêmio Shell). Assistência de direção: Ana Carneiro. Cenografia e adereços: Miriam Obino. Figurino: Judith Bellini. Iluminação: Eric Nielsen. Direção musical e trilha sonora: Ricardo Pavão. Programação visual: Jorge Caetano. Divulgação: Ana Paula Araripe. Coordenação de produção: Eduardo Ramos. Produção executiva: Bianca Amorim e Cristiana Garbritch. Espetáculo de formatura dos alunos da Casa das Artes de Laranjeiras (cal). Elenco: Adriana Passos, Ana Paula Araripe, Antonella Batista, Araken Ribeiro, Bianca Amorim, Cristiane Larin, Cristina Garbritch, Déborah Vasconcellos, Flávia Bessone, Gilberto da Paz Caetano, Gisele Rodrigues, Jackeline Barroso, João Bosco Amaral, João Renato Teixeira, Jorge Caetano, Judith Bellini, Leonardo Netto, Leonardo Saboya, Lucia Talabi, Luiz Ferhar,
Malu Valle, Marcelo Orofino, Márcia Amaral, Marília Reston, Mário José Paz, Myrian Chebabi, Patrícia Schueller, Paula Magalhães, Renata Sabino, Roberto Palladini, Sarah Navarro, Silvano Monteiro, Sirley Alaniz, Waldir Gadelha, Walter Linhares e Wellington Júnior. Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro. Temporada: 11/03 a 02/04/1989. Nova temporada no Teatro Sesc Tijuca, Rio de Janeiro, de 20/04 a 28/05/1989
1989-91
UMA CASA BRASILEIRA, COM CERTEZA, de Wilson Sayão (Prêmio Shell), a partir de cinco peças curtas do autor: Caviar e champagne; Coca-Cola e sanduíche; Que que você acha?; Pão e água e Você está pronto?. Direção: Amir Haddad. Com o grupo
Tá na Rua (Amir Haddad, Lucy Mafra, Ricardo Pavão, Rosa Douat, Roberto Black e outros).
Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro I, Rio de Janeiro, após ter sido adiada em 27/03/1990 devido ao Plano Collor. O espetáculo inicialmente se chamaria Uma questão de classe, e só reuniria três peças curtas e uma cortina. Estreia: 02/05/1990. 62
1990
A MACACA. Texto e direção: Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro. Supervisão: Amir Haddad. Cenário: Ricardo Cardoso. Figurino: Silvia Sangirardi. Iluminação: Castelar. Música: Tim Rescala. Elenco: Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro. Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Estreia: 29/06/1990. Teatro dos 4, Rio de Janeiro: de 13/08 a 03/10/1990
MACBETH, de William Shakespeare. Leitura. Projeto Drama (RioArte), Ciclo Shakespeare.
60 Macksen Luiz, Lady Macbeth, Tarzan, Jane e o milagreiro Bacanán, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 27 nov. 1988, p. 26
61 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 4 dez. 1988, seção Pagode e gafieira, p. 19.
62 Macksen Luiz, Sayão no palco, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 jan. 1990, caderno B, p. 2.
Direção: Amir Haddad. Elenco: Vera Holtz (Lady Macbeth), Amir Haddad (Rei Duncan), grupo Tá na Rua e convidados, Jitman Vibranovsky, Haylton Faria, Henrique Cukierman, Elisa
Fernandes, Ivo Fernandes, Geraldo Torres e Pedro Lage. Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro, em 03 e 04/09/1990
AMOR COM AMOR SE PAGA, de França Júnior.
Direção: Amir Haddad. Cenografia: José Dias. Figurino: Ana Teresa. Iluminação: Luiz Paulo Nenen. Trilha sonora: Tim Rescala. Elenco: Vera Holtz, Stella Miranda, Carlos Loffler, Antônio Pompeo, Alexandre Marques. Ruas do Rio de Janeiro. Gratuito. De 03 a 06/07 e 10/07/1990
1991
O MAMBEMBE, de Arthur Azevedo e José Piza. Direção: Amir Haddad. Direção musical e composições: Ricardo Pavão. Dramaturgia e música: Geraldo Torres. Iluminação: João
Antônio e Wilson Reiz. Assistente: Renato e Pedro. Operador: Edmur. Cenografia e figurinos: Marco Antônio Palmeira. Assistentes: Paula
Brawne e Patrícia Borsói. Costureiras: Shirley e Shirlene. Preparação corporal: Ausonia Bernardes Monteiro. Operador de canhão: Fábio Araújo.
Fotografia: Beatrice Sasso. Pianistas: Deborah Levy e Paula Faour. Pintor: Berg Berlin. Programação visual: Alexandre Mofati. Direção de cena: José Maurício Moreira e Sávio Moll.
Produção: o grupo. Produção executiva: Eduardo Ramos, Alexandre Mofati, Cláudio Boeckel e Wagner Dias. Elenco: Adriana Correia/Zélia
Cristina (Duncan), Adriana Lima, Alessandra Oliveira, Alexandre Mofati, Cláudio Boeckel, Fátima Wachowicz, Fernanda Seixas, Isabela Leal, Josette Babo, José Maurício Moreira, Leticia Hees, Marcelo Vianna, Marcio Ricciardi, Maribel Solines, Natércia Campos, Rita Porto, Rodrigo Cherulli, Sávio Moll, Simone Maria, Tatiana France, Úrsula Brando e Wagner de Miranda. Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro. Temporada: 10/04 a 05/07/1991 63
A ESFINGE DO ENGENHO DE DENTRO, de Wilson
Sayão. Direção: Amir Haddad. Cenário e figurino: José Dias. Iluminação: Aurélio de Simoni. Ambientação sonora: Ricardo Pavão. Elenco: Dill Costa, Ricardo Petraglia e Vanda Lacerda. Teatro Cândido Mendes, Rio de Janeiro. Estreia: 02/10/1991
1992-8
PRA QUE SERVEM OS POBRES? Dramaturgia elaborada a partir de dois textos dos sociólogos Oscar Lewis e Herbert Ganz. Adaptação e direção: Amir Haddad. Elenco: grupo Tá na Rua. Rio de Janeiro e Festival de Cádiz de 1992.
1992-5
FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País), de Stanislaw Ponte Preta. Direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Leitura teatralizada das crônicas de Sérgio Porto. Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro.
Espetáculo baseado nas crônicas jornalísticas
63 Três apresentações foram feitas na Sala Sidney Miller (rua Araújo Porto Alegre, 80) em 3, 4 e 5 de julho de 1991, dentro no projeto Espaço Vivo – A Ribalta das Escolas de Teatro, numa versão apenas musical da peça, intitulada Mambembe canta Mambembe (que seria retomada com outra ficha técnica em 2004 sob a produção de Ricardo Pavão). Nela, os atores cantavam e Amir Haddad narrava o enredo de Arthur Azevedo. Após a primeira apresentação, segundo o Jornal do Brasil de 3 de julho, houve a palestra “A modernidade do texto”, ministrada por Amir.
de […] Stanislaw Ponte Preta, que com seu humor irônico e crítico traça um panorama social, político e comportamental da vida carioca e brasileira.64
1992
A JURITI, de Viriato Corrêa. Direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Espetáculo de rua, realizado em diversos locais da cidade do Rio de Janeiro.
RODA. Direção: Amir Haddad. Rio de Janeiro.
PRA QUE SERVEM OS POBRES?/FEBEAPÁ. Trechos das duas peças apresentadas pelo grupo Tá na Rua.
Direção: Amir Haddad. Teatro Glaucio Gill, Rio de Janeiro. Apresentações em 09/1992
MISQUÉCI. Texto, direção e interpretação: Pedro Cardoso. Texto e codireção: Amir Haddad. Ensaios abertos no Teatro Ipanema, Rio de Janeiro.
Além dos monólogos já em cartaz nos teatros cariocas, não param de estrear montagens com um só ator em cena. Começam no dia 29 os ensaios abertos, no Teatro Ipanema, de Misquéci, escrito, dirigido (em parceria com Amir Haddad) e interpretado por Pedro Cardoso. […].65
O DONO DA FESTA, de Pedro Cardoso. Direção: Amir Haddad e Pedro Cardoso. Cenário: Gringo Cardia. Vídeos: Marcelo Tas. Com Pedro Cardoso. Teatro Ipanema, Rio de Janeiro. Estreia: 06/11/1992.
O texto […] é de impressionante atualidade. O personagem se movimenta facilmente por
64 Licko Turle
[…] temáticas […] do homem contemporâneo: emociona-se e nos emociona, como alguns dos melhores e mais absurdamente humanos personagens de Barthes […], de Cioran […] e de um Borges […]. Para Pedro Cardoso, seu personagem é a mass media de si mesmo; desorganizado, sem sossego, referenciado pelo outro […]. É evidente o prazer do público e do ator. Já autores e, principalmente, encenadores, tendem a assisti-la com uma máscara de desconfiança e inquietação. […] Talvez o desconforto dos encenadores modernos diante desse tipo de ator se explique na advertência de Roubine: todas as teorias de encenação contemporânea, de Craig a Artaud, “têm por objetivo impor a autoridade absoluta do realizador sobre todos os elementos que contribuem para o espetáculo e, notadamente, sobre o ator.” […] Enfim, não uma relação paritária de artista para artista, mas […] nitidamente autoritária, em que o encenador estabelece o que é bom para o espetáculo e para o próprio ator […].66
O TEATRO CÔMICO, de Carlo Goldoni. Tradução: Renato Icarahy. Direção: Amir Haddad. Assistente de direção: Lula Braga. Cenografia e Figurino: Marco Antônio Palmeira e Patrícia Borsói. Iluminação: Wilson Reiz. Direção musical: Ricardo Pavão. Elenco: (atores da Casa das Artes de Laranjeiras): Alexandre Bretas, Andréa Azevedo [fazendo seu début como atriz], Andréia Pimentel, Anna Silveira, Carla Lima, Delano Avelar, Fernando Harstein, Gabriela Moraes, Luciana Mantuano, Neusa Kapolo, Paula Veras, Ronaldo Madruga e Vanessa Lyns. Paço Imperial, Rio de Janeiro. Temporada: 01 a 20/12/1992.
65 Macksen Luiz, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, nota Monólogo, seção Entreato, caderno B, p. 7.
66 Márcio Vianna, A aventura de um ator só no palco, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 dez. 1992.
1993-4
A SAGA DA FARINHA Musical criado e dirigido coletivamente pelo grupo do Teatro da Uerj (Tuerj). Iluminação: Aurélio de Simoni. Coreografia: Wanderley Gomes. Direção musical: Caíque Botkay. Música: Paulo Moura, Gabriel Moura, Caíque Botkay e José Paulo Pessoa (bateria de escola de samba). Cenografia: Lafayette Galvão. Elenco: Amir Haddad, Claudia Borioni, Ricardo Petraglia, Alice Borges, Anselmo Vasconcellos, entre outros. Teatro da Universidade do Rio de Janeiro e Teatro Carlos Gomes. Estreia: 04/1994.
1993
FEBEAPÁ REVISITADO (FESTIVAL DE BESTEIRAS QUE
ASSOLA O PAÍS) OU O TREM TÁ ATRASADO OU JÁ
PASSOU, de Stanislaw Ponte Preta. Direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Sonoplastia: Geraldo Torres. Produção e administração: Ivo Fernandes. Elenco: Ana Carneiro, Artur Faria, Bernardo Guerreiro, Lucy Mafra, Paulo Pereiras, Roberto Blake, Sandro Valério e outros. Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro ii, Rio de Janeiro. Temporada: 02 a 12/03/1993.
O espetáculo Febeapá […] leva o grupo Tá na Rua […] a vários pontos da cidade neste fim de semana: sexta, às 16h, na Central do Brasil; sábado, às 19h, na Praça Serzedelo Correia (Copacabana); e domingo, às 16h, na Praça Garota de Ipanema (Arpoador). O espetáculo apresenta sete crônicas e outros casos de Febeapá […].67
BRASIL, MOSTRA A TUA CRÔNICA. Textos de Fernando Sabino, Carlos Eduardo Novaes e Sérgio Cabral. Direção: Ricardo Pavão.
Supervisão: Amir Haddad. Inauguração da Casa do Tá na Rua, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro, em 26/08/1993. Elenco: atores da Casa das Artes de Laranjeiras (cal).
tá Na rua eM casa – O grupo Tá na Rua, um dos ocupantes da Quadra da Cultura […], inaugura no dia 26 de agosto, com a estreia de Brasil, mostra a tua crônica, um espaço para teatro. Com capacidade para 150 espectadores, a nova casa de espetáculos será aberta com montagem produzida pelo Grêmio Recreativo Cultural, dirigida por Ricardo Pavão e com supervisão de Amir Haddad. O elenco […], que pretende apresentar o país através de [crônicas] é composto por atores formados pela Casa das Artes de Laranjeiras.68
TURANDOT, última ópera de Giacomo Puccini (finalizada por Franco Alfano), com libreto de Giuseppe Adami e Renato Simoni. Direção geral e mise en scène: Nelson Portella. Regente: Maestro Romano Gandolfi. Maestros auxiliares: Talitha Peres, Otacílio Ferreira Lima Filho, Gilson Moura, Maria Antônia Nogueira. Cenário: Mário Monteiro. Figurinos: Mário Borriello. Direção musical: Maestro Sérgio Kuhlmann. Assistente de direção: Lucia Martini. Direção de figuração (comparsaria): Amir Haddad. Assistentes de direção de comparsaria: Ana Carneiro e Lucy Mafra. Coordenação: Ivo Fernandes. Assistente: Sula Villela. Criação de luz: Peter Gasper. Direção de produção: Marilene Gondim. Dopiones (substitutos dos solistas principais): Celinelena Ietto e Pedro Gattuso. Elenco (resumido): Paulo
Fortes, Rita Contijo, Licio Bruno, Marcos Menescal, Claudio Mascarenhas, Valdir Ribeiro, Daniel Muñoz, André Heller, Mirna Rubin,
67 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 7-13 maio 1993, seção Agenda, p. 22.
68 Macksen Luiz, Tá na Rua em casa, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 ago. 1993, caderno B, p. 2.
Maude Salazar. Elenco da comparsaria (resumido): Malu Valle, Ursula Brando, Ricardo Pavão, Lucy Mafra, Roberto Black, Alessandra Oliveira, Ana Carneiro, Betina Waissman, Ivo Fernandes, Marcelo Orofino, Marcelo Vianna, Mariah da Penha, Rosana Prazeres, Roberto Nunes e outros. Praça da Apoteose/Sambódromo, Rio de Janeiro.
Amanhã, o templo do samba vira palco para o maior espetáculo cênico do mundo: a ópera. Até domingo, o público carioca poderá curtir na Praça da Apoteose, Turandot, de Giacomo Puccini, produzida por Nelson Portella. Orçada em us$ 750 mil, Turandot se desenvolve em 1800 metros quadrados, com 307 componentes: 93 músicos, 100 integrantes no coro, 20 cantores e 83 atores. Verdadeira superprodução. São esperadas 20 mil pessoas por espetáculo […]. No comando […] estão ainda Amir Haddad (direção de comparsaria), Sérgio Kuhlamnn (diretor musical), Mário Borriello (figurinista), Mário Monteiro (cenário) […]. Haddad diz que Turandot não ficará restrita ao palco. “Lançamos o espetáculo para a plateia, trabalhando alguns elementos com público. [A ópera] foi criada para ser apresentada ao ar livre, o que é difícil de executar. Procurei dar agilidade ao movimento dos coros e dos atores. Os atores, nas extremidades, alargam a ação do coro, que fica no centro”, explica Amir. […]. Depois [da pequena temporada carioca] o espetáculo viaja pelo Brasil, voltando ao Rio no início de 1994 […].69
1993-4
SEU DESEJO É UMA ORDEM, show músico-teatral
com canções de Chico Lá. Direção: Amir Haddad. Elenco: Chico Lá, André Munhoz, Mariah da Penha, Lucy Mafra e outros. Casa do Tá na Rua. Temporada: 1993 até 26/02/1994 70
1994
PIXINGUINHA, de Fátima Valença. Direção: Amir Haddad. Cenografia: Lidia Kosovski. Figurino: Ney Madeira. Iluminação: Renato Machado. Direção musical: Tim Rescala. Coreografia: Jaime Aroxa. Elenco: Drica Moraes, Fernando Eiras, Malu Valle e Marcelo Vianna. Músicos: Jayme Vignoli (cavaquinho e violão), Josimar Carneiro (violão 7 cordas), David Ganc (flauta, flautim e saxofone alto), Humberto Araújo (flauta, saxofone soprano, saxofone tenor), Oscar Bolão (bateria e percussão). Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro ii, Rio de Janeiro. Temporada: 05 a 21/01/1994
Cabe agora ao diretor Amir Haddad mergulhar nas seis décadas de prolífica atividade artística do mestre Pixinguinha e recuperar uma parte importante não só da biografia de um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos como também jogar novas luzes sobre um dos períodos mais ricos da vida cultural do Rio de Janeiro e do Brasil […].71
FESTA DE REINAUGURAÇãO DO THEATRO
ALBERTO MARANHãO. Direção: Amir Haddad. Natal (rN).
1994-5
O AUTOFALANTE (encenado dois anos antes com
69 Jorge Luiz Brasil, Turandot reina no templo do samba, O Fluminense, Rio de Janeiro, 16 set. 1993
70 Show informando ser o último dia, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 fev. 1994, seção Agenda, caderno B, p. 5
71 Márcio Pinheiro, Pixinguinha é revisitado: estreia hoje musical que homenageia obra do compositor, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 jan. 1994, caderno B, p. 5.
o título O DONO DA FESTA), de Pedro Cardoso. Direção: Amir Haddad. Elenco: Pedro Cardoso. Teatro Hilton, Teatro Cândido Mendes e, anos depois, Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, Rio de janeiro. Reestreia: 04/2007.
1995
O DIA DA CRIAÇãO, de Amir Haddad e Pedro Cardoso. Direção: Amir Haddad. Elenco: Pedro Cardoso, Amir Haddad, 38 atores do grupo Tá na Rua e formandos da Casa das Artes de Laranjeiras (cal). Cerimônia de entrega do Vii Prêmio Shell. Canecão, Rio de Janeiro, em 07/03/1995
As grandes estrelas de uma festa de entrega de prêmios são, obviamente, os premiados. Na festa do Vii Prêmio Shell para o Teatro Brasileiro, terça-feira à noite no Canecão, a história foi diferente: o homem de teatro mais celebrado da noite foi o veterano diretor Amir Haddad, que sequer concorria às premiações […]. Mas realizou o impressionante espetáculo Dia da criação, bolado especialmente para a festa. A montagem é uma alegoria da criação do mundo por Deus e da criação do teatro pelos profissionais do setor. O diretor Gabriel Vilella […] ficou impressionado com a inventividade do colega. […] Quase toda a classe teatral carioca estava presente, da atriz Renata Sorrah aos atores Sergio Britto e Marília Pêra (homenageados que entregaram os prêmios aos melhores atores), passando por Ary Fontoura, Louise Cardoso, Diogo Vilela, Domingos de Oliveira, entre outras estrelas. […] Numa premiação praticamente sem polêmicas, a única unanimidade da noite foi mesmo o show de Amir Haddad, que contou com cenas ousadas, como a reencarnação de Adão e Eva,
completamente nus para serem vestidos na hora, pelo melhor figurinista. O diretor saboreava o sucesso: “Acho que o espetáculo foi tão bom que pretendo ampliá-lo e montá-lo de novo no Teatro da Uerj. Além disso, a Shell está querendo fazer um catálogo com o texto e as fotos da montagem”, comemorava. O espetáculo de Amir, escrito e apresentado em parceria com o ator Pedro Cardoso – vestido de mulher –, realmente roubou a festa da premiação. Dia da criação […] funcionou como um suporte originalíssimo para a entrega dos prêmios. Cada uma das oito categorias incluídas na premiação foi precedida por uma história da respectiva atividade, comparada com a criação do mundo. A história do primeiro ato de Deus – “fazer a luz” –, por exemplo, introduziu a premiação do iluminador. […] Ao final, a maior fila de cumprimentos era justamente para Amir Haddad, que ganhou em prestígio, mesmo dos principais premiados.72
1995-6
CENAS DA SELVA E DA CIDADE. Direção: Amir Haddad para a romaria profana, antecedendo a Festa do Círio de Nazaré. Projeto Auto do Círio. Escola de Teatro da Universidade Federal do Pará/ Secretaria do Estado de Cultura do Governo do Pará, Belém (Pa).
ESTA NOITE SE IMPROVISA, de Luigi Pirandello. Adaptação: Álvaro de Sá. Direção: Amir Haddad. Cenografia: José Gomes. Figurino: Samuel Abrantes. Iluminação: Aurélio de Simoni. Direção musical: Charles Kahn. Elenco: atores formandos da Casa das Artes de Laranjeiras (cal): Bernardo Guerreiro, Aída de Oliveira, Ana Carla Dias, Ana Cuba, Ana Paula Cavalheiro, Cláudia Lopes, Ignes
72 Hugo Sukman, A peça que ninguém premiou: espetáculo de Amir Haddad supera o brilho das estrelas da noite de entrega do VII Prêmio Shell, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 mar. 1995, caderno B, p. 8.
Ferbes, Marcia Monteiro, Maria Amélia Martins, Mirna Cláudia, Otávio Teixeira, Renato Wiemer, Claudio Mendes e Will Magalhães. Participação especial: Amir Haddad (como o personagem
Diretor da Companhia). Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro. Estreia: 17/04 a 10/05/1995
EXORBITÂNCIAS: UMA FARÂNDULA TEATRAL.
Inspirado nas obras dos autores Adélia Prado, Afonso Romano de Sant’Anna, Almodóvar, Anton Tchekhov, Beatriz Carolina Gonçalves, Caio Fernando Abreu, Campos de Carvalho, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, Dalton Trevisan, Eduardo de Filippo, Fernando Pessoa, Haroldo Costa, Heiner Müller, Jorge Daniel, Marici Salomão, Patrícia Mello, Pierre Louis, Luigi Pirandello, Samuel Beckett, Thomas Bernard, William Blake, William Forbith e William Shakespeare. Direção geral: Antônio Abujamra. Direção de cenas: Amir Haddad, Ademar Guerra, André Correa, Beth Goulart, João Fonseca, entre outros. Com o coletivo Os Fodidos Privilegiados. Cenário e figurino: Charles Möeller. Iluminação: Milton Giglio. Elenco: Antônio Abujamra, Beth Goulart, Claudia Missura, Fernando Vieira, Guta Stresser, Sofia Torres e outros. Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro.
1996
O MERCADOR DE VENEZA, de William Shakespeare. Tradução: Bárbara Heliodora. Dramaturgia: Paul Heritage. Direção de Amir Haddad (Prêmio Sharp). Assistentes de direção: Sérgio Luz e Lucy Mafra. Pesquisa: Ivan Capeller. Cenografia e figurinos: Hélio Eichbauer. Assistente de cenários e figurinos: Dedé Veloso.
Iluminação: Ivan Marques. Direção musical: Tato Taborda. Músicos do Quinteto Carioca de Metais: Lélio Alves (trombone) Luciano Oliveira (trompa), Alexandre Inácio (trompete). Preparação corporal:
Rossella Terranova. Joias: Ricardo Filgueiras. Adereços: Márcia Machado. Máscaras: Marcílio Barroco. Chapéus: Manuel Proa. Caracterização: Vavá Torres. Programação visual: Visiva. Direção de produção: Caio de Andrade (Atonal Comunicação). Produção executiva: Tereza Durante. Assistente de produção: Cleide Escobar. Elenco: Pedro Paulo Rangel, Maria Padilha, Deborah Evelyn, Tuca Andrada, André Stock, Angela Rebello, Cândido Damm, Henri Pagnoncelli, Ilya São Paulo (também tocando alaúde), Ivo Fernandes, Marcos Breda (também tocando bandolim), Maurício Gonçalves, Paulo Cruz etc. Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro I, Rio de Janeiro. Temporada: de 12/01 a 10/03/1996 Teatro Municipal de Niterói. Estreia: 15/03/1996 (temporada de duas semanas).
MACBETH, de William Shakespeare. Tradução: Scarlett Moon, com versificação de Caíque Botkay, Gilberto Loureiro e Lafayette Galvão. Direção: Amir Haddad. Grupo do Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Tuerj). Iluminação: Aurélio de Simoni. Elenco: Amir Haddad (Rei Duncan da Escócia), Claudia Borioni (Lady Macbeth), Ricardo Petraglia e outros. Teatro Nelson Rodrigues, Rio de Janeiro.
Há mais de três anos formando atores e plateias […], o Tuerj […] estreia neste domingo Macbeth […]. Para mostrar o lado popular [de] Shakespeare, o grupo formado por atores profissionais, estudantes da Uerj e moradores da comunidade, deixou de lado as traduções empoladas da obra e partiu para uma adaptação bem brasileira. […] “É um desafio grande mas se nós, que somos uma companhia fora do eixo comercial, não arriscarmos, quem vai fazer?”, pergunta Amir Haddad, um dos 27 diretores do grupo. No palco do Nelson
Rodrigues os 62 atores do Tuerj contam a tragédia de Macbeth […]. Para a confecção dos figurinos foi usado material reciclado. Há desde armaduras feitas com anéis de metal de latas de refrigerantes até saias de guerreiros produzidas com cobertores. “Pode até ser bonito, mas não estamos preocupados com o lado estético do espetáculo, mas com o ideológico”, diz Amir.73
NA VILA DE VITÓRIA, auto de José de Anchieta. Direção: Amir Haddad. Cidades de Anchieta e Vitória (es).
1997
A AVENTURA DO TEATRO Texto e direção: Emmanuel Santos, a partir de livro de Maria Clara Machado. Supervisão: Amir Haddad. Teatro Glaucio Gill. Estreia: 08/03/1997
CABARÉ TÁ NA RUA. Criação coletiva do Grupo Tá na Rua. Direção: Amir Haddad. Casa do Tá na Rua, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro.
A turma da peça […] investe numa festa romântica brega. Os dJs Nery e Turcano tocam tangos, boleros e salsa enquanto os atores do espetáculo fazem performances 74
O novo espetáculo do Tá na Rua já tem data para estreia. Mas, antes do dia 12/03, quando entra em cartaz, Cabaré Tá na Rua, uma casa de diversão poderá ser visto pelo público. O espetáculo dirigido por Amir Haddad terá uma pré-estreia festiva amanhã, às 21h, na qual serão apresentadas cenas e performances musicais. Na próxima semana, nos dias 4 e 5, haverá ensaios abertos, às 19h. A curta
temporada será de 12 a 27 de março, sempre às quartas e quintas-feiras, às 19h.75
AUTO DE NATAL, baseado em poema de Patativa do Assaré. Direção: Amir Haddad. Fundação José Augusto, Secretaria de Estado de Cultura do Governo do Rio Grande do Norte (rN); Secretaria Municipal de Cultura, Anchieta (es) e Secretaria Municipal de Cultura, São José do Rio Preto (sP).
1997-8
NOITE DE REIS, de William Shakespeare. Tradução: Jorge Wanderley. Dramaturgia Paul Heritage. Direção: Amir Haddad (indicação ao 3º Prêmio Cultura Inglesa de Teatro). Cenário: Hélio Eichbauer. Figurino: Biza Vianna (indicação ao Prêmio Cultura Inglesa). Direção musical e trilha sonora: Tim Rescala. Iluminação: Aurélio de Simoni. Preparação corporal: Rossella Terranova. Elenco: André Gonçalves, Bernardo Guerreiro, Cláudia Abreu (indicação ao Prêmio Cultura Inglesa), Cláudio Mendes, Daniel Dantas, Érico de Freitas, Felipe Rocha, Ivo Fernandes, João Grilo, Malu Valle, Marcelo Vianna, Pedro Cardoso (indicação ao Prêmio Cultura Inglesa), Renata Sorrah, Sandro Valério, Tonico Pereira (Prêmio Cultura Inglesa) e outros. Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro I, Rio de Janeiro. Estreia: 09/1997. Temporada no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro, de 08/01/1998 até 15/02/1998.
1998
DESABRIGO, de Antônio Fraga. Adaptação e direção: Amir Haddad. Elenco: Pedro Cardoso, Antonio Pedro, Andréa Dantas, Anselmo Vasconcellos, Ivo Fernandes, Roberto Black
73 Shakespeare traduzido para o cordel, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 15-21 nov. 1996
74 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16-22 maio 1997, seção Para dançar.
75 Tribuna da Imprensa/Tribuna Bis, Rio de Janeiro, 28 fev. 1997, box Acontece, nota Pré-estreia, p. 6.
e outros.76
O espetáculo, que deve ser apresentado nos Arcos da Lapa, dentro do Rio Cena Contemporânea no segundo semestre desse ano, já está todo esboçado na cabeça do diretor. […] Desabrigo fala da decadência do Mangue, da região do baixo meretrício e da Lapa. […] Nos anos [19]40, a Lapa agonizava. Fraga conta a história de um dos últimos malandros da região e de seu sugestivo nome: Desabrigo. […] “[O autor] foi uma espécie de Guimarães Rosa da marginália e, por isso, a adaptação para o teatro não foi fácil. Por outro lado, os tipos de Fraga são excepcionalmente afeitos ao palco”, diz Amir. […] O diretor foi apresentado a Antônio Fraga nos últimos anos de vida do escritor pelo cineasta Luiz Carlos Prestes Filho. “Conversávamos muito no Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa, na época dirigido pelo Luiz Carlos e ocupado pelo tNr. Depois que ele morreu, quis homenageá-lo […] É claro que pesou o fato de Fraga falar com paixão do bairro que abrigou o Tá na Rua. “Ele disseca de forma original o bairro que amo. Para se ter
uma ideia, um dos personagens é um poste da Light que conversa com as pessoas em inglês. […]”, conta. […] “Hoje percebo que decidi encenar Desabrigo principalmente por este poder que Fraga tem de revelar a força da língua portuguesa. Longe de qualquer dramaticidade forçada, ele vivia na língua a paixão do tempo presente […]”, poetiza Amir.77
GALVEZ, IMPERADOR DO ACRE Dramaturgia: Luiz Carlos Góes a partir do romance de Marcio Souza. Direção: Amir Haddad. Figurino: Samuel Abrantes. Iluminação: Lucia Chediek. Elenco: atores profissionais locais e amadores oriundos de oficina dada por Amir por cerca de 6 meses em Belém do Pará. Teatro da Paz, Belém, de 07 a 14/11/1998.
O diretor da peça, Amir Haddad, tem uma capacidade especial em lidar com a realidade. Uma curiosidade que descobre detalhes, valoriza atitudes e aproveita ao máximo o lado interessante das coisas, da verdade e beleza que as pessoas podem ter. […] Olhos atentos deverão lembrar por bastante tempo o pássaro na festa de D. Irene, os barcos navegando à
76 Segundo Amir Haddad, o espetáculo foi abortado às vésperas da estreia, provavelmente por falta de patrocínio. Por ter sido inteiramente concebido, Amir julgou-o, entretanto, como trabalho finalizado, razão pela qual solicitou que constasse nesta cronologia.
77 (Uma obra à espera de ser descoberta: Amir Haddad ensaia peça do escritor, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jan. 1998, caderno B, p. 2.) Sobre o escritor, o jornal informava na página anterior: “Capítulo de luxo em qualquer compêndio sobre a literatura brasileira, a Geração de 45, marcada profundamente pela Segunda Guerra Mundial e pela ditadura varguista, é cultuada por ter apresentado ao público medalhões como Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector. Quatro anos depois de morrer esquecido no município de Queimados, na Baixada Fluminense, o carioca Antônio Fraga, um dos escritores mais importantes desta mesma geração, ressurge das cinzas com a dramatização de seu romance Desabrigo pelo diretor Amir Haddad, a realização de um musical de Hélio de Assis sobre o mesmo texto e, principalmente, o lançamento de toda sua obra pela editora Relume-Dumará. Uma das mais exatas e belas radiografias do antigo centro da cidade […] chega às livrarias este semestre, com um imperdoável atraso de cinco décadas. […].” (Eduardo Graça, O porta-voz da marginália, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jan. 1998, caderno B, p. 1.)
noite, os 11 filhos de Nilza Maria […]. Como é bonita aquela movimentação entre os atos ritmada por um lundu, por um carimbó ou can-can, ocupando todo o palco como chuva lavando o chão… (deve ser difícil orquestrar tanta desordem). As sequências de dança entre as cenas estão como que a ligar um cortejo, típico do teatro medieval católico e renascentista. Antes da Reforma Protestante o teatro era o evangelho vivo, mas também crítica social e instrumento de educação. É essa referência que pontua todo o espetáculo cujo reforço está na presença do narrador […]. Como narrativa épica, Galvez remete-nos à tradição popular, a um certo improviso. […] Amir lançou um olhar sobre a Amazônia que não é só o inscrito no romance de Márcio Souza […], mas fruto de oficinas desenvolvidas ao longo da preparação do espetáculo. Galvez é uma obra coletiva […].78
AUTO DE NATAL, cortejo dramático e encenação do poema “Um auto de Natal”, do autor nordestino Racine Santos. Direção: Amir Haddad. Capitania das Artes, Secretaria Municipal de Cultura de Natal (rN).
1998-9/2004-5/2009
OS IGNORANTES. Texto e direção: Pedro Cardoso. Supervisão: Amir Haddad. Cenário e figurino: Gringo Cardia. Trilha sonora e músicos: Maria
Thereza Madeira e Rodolfo Cardoso; Bolão (percussão), Rui Alvim (clarinete), entre outros. Com Pedro Cardoso. Teatro do Leblon, Sala Marília Pêra, Rio de Janeiro: 09/1998. Teatro Nacional, Sala Villa-Lobos, Brasília: 10 e 11/06/2005
Teatro Fashion Mall, Rio de Janeiro: 09/2009. O monólogo […] elaborado […] a partir do
cordel Os ignorantes, de José de Oliveira, chega ao Teatro do Leblon […] com a inevitável expectativa do público, sedento por sonoras gargalhadas. […] Foi assim […] em sua primeira investida no país dos monólogos ao interpretar O autofalante, e lá se vão 16 anos, com direção de Amir Haddad, hoje responsável pela supervisão […].79
1999
GALHOFAS E GARGALHADAS MACHADIANAS: O RIO DE JANEIRO DE MACHADO DE ASSIS, de Amir Haddad. Direção de arte: Rosa Magalhães. Coreografia: Angel Vianna. Direção musical: Marcos Leite. Elenco: grupo Tá na Rua, Amir Haddad, Pedro Cardoso. Confeitaria Colombo e Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro. No dia 19/04/1999 ocorreu o pré-lançamento do espetáculo, que integrou as celebrações pelos 160 anos de Machado de Assis. Zezé Motta e Ivone Hoffmann entrariam em apresentação futura.
A comemoração de um aniversário acabou se transformando num presentão para os fregueses da Confeitaria Colombo na tarde de ontem. Quem estava na casa tomando chá por volta das 17h teve direito a ganhar um pedaço de bolo e a cantar parabéns para um aniversariante para lá de ilustre: o escritor Machado de Assis –personificado pelo ator Amir Haddad […]. Vestido com roupas de época, Amir […] bebeu champanhe, comeu bolo e circulou pela Colombo em companhia da mulher, Carolina de Assis, e dos amigos Olavo Bilac e José do Patrocínio. A encenação […] agradou ao público, que pôde até conhecer o fundador da Colombo, o português Manuel Lebrão, vivido por Cláudio Mendes. […] Da Colombo os atores foram para a abl num carro
78 Andréa Sanjad, Os méritos de Galvez, O Liberal, Belém, 19 nov. 1998.
79 Eduardo Graça, Os ignorantes, estreia esperada, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 set. 1998.
do Corpo de Bombeiros. Lá houve outra festa com direito a banda, coquetel e discursos de Machado de Assis. O evento, promovido pelo Secretaria Municipal de Cultura e pela Abl, foi idealizado pela pesquisadora Heloise Montenegro […].80
“No meu tempo era mais fácil. Bastava um empreguinho público para poder escrever à vontade. Hoje, para fazer arte, é preciso captar”, reclamava, entre um biscoito e outro, o Machado de fraque e cartola incorporado por Haddad.81
UM GOSTO DE MEL (A taste of honey), de Shelagh Delaney. Direção: Amir Haddad. Direção musical: Ricardo Pavão. Música ao vivo com quarteto de violões, teclado, baixo e bateria (20 canções).
Cenografia: Lídia Kosovski. Figurino: Samuel Abrantes. Maquiagem e cabelo: Carlinhos Mello. Elenco: Juliana Teixeira, Tamara Taxman, Delano Avelar, Fernando Almeida e Paulo Pereira. Sesc Copacabana, Arena, Rio de Janeiro. Estreia: 16/07 a 12/09/1999.
O diretor teatral Amir Haddad assistiu à peça Um gosto de mel pela primeira vez há 40 anos. Detestou.82 Escrita pela inglesa Shelagh Delaney na década de 1950, a peça rompeu com ditames da época, foi sucesso de público e crítica. A montagem brasileira, porém, fez o diretor sair83 com a sensação de que não vira nada de mais. Agora Amir resolveu resgatar a modernidade do texto. Adaptou-o e dirige a nova montagem […]. Na encenação de Amir,
em vez de na cidade de Lancashire, a história se passa na Copacabana dos anos 1960. 84
1999-2000
AUTO DA LIBERDADE, de Joaquim Crispiniano
Neto. Dramaturgia: Amir Haddad (roteiro escrito por encomenda de Amir Haddad). Direção: Amir Haddad. Produção e assistência de direção: Ricardo Pavão. Produção executiva: Toinha Lopes. Sonoplastia: Roberto Black. Figurino: Lucy Mafra. Treinamento feito por componentes do Tá na Rua (Lucy Mafra, Ana Carneiro, Ricardo Pavão etc.).
Cortejo a céu aberto com mais de 300 atores profissionais e amadores locais, atuando em 3 carros alegóricos produzidos pela própria equipe, gerida por Ricardo Pavão. Mossoró (rN).
2000
CAPIXABAÉCHIQUE. Espetáculo de poesia. Direção: Amir Haddad. Teatro Rival, Cinelândia, Rio de Janeiro. Com Elisa Lucinda. Estreia: 21/02/2000.
DESFILE BRASIL 500 ANOS. Direção cênica: Amir Haddad no desfile cívico que marcou as comemorações dos 500 anos da nossa história, em Salvador, no dia 23 de abril, retratados com base num roteiro elaborado por três historiadores baianos. Com a coordenação geral de Rosa Magalhães. Realização: Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo.
80 Tarde com Machado: atores revivem o passado em festa para escritor, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 jun. 1999, caderno Cidade, p. 22
81 Denise Lopes, Machado de Assis de volta ao Rio: Grupo Tá na Rua revive o escritor em chá na Colombo e discurso na Academia, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 abr. 1999, caderno B, p. 8
82 Talvez, não à toa, já que foi a peça que encerrou as portas do TBC
83 Sair do TBC, em 1960, onde atuavam Nathalia Timberg, Leonardo Villar e Amélia Bittencourt.
84 Gostinho diferente, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 jul. 1999, caderno B, p. 9.
FEIRA DE CULTURA DE MACAPÁ. Direção: Amir Haddad do cortejo artístico-cultural da cidade nas ruas de Macapá. Realização: Governo do Estado do Amapá.
AUTO DE NATAL – MEU CARO JUMENTO. Direção: Amir Haddad da celebração popular do último réveillon do milênio, no Forte de Macapá. Realização: Governo do Estado do Amapá.
2000-2
O AVARENTO, de Molière. Tradução: Bandeira Duarte. Direção: Amir Haddad. Cenografia: Lídia Kosovski. Adereços e figurino: Ney Madeira. Iluminação: Aurélio de Simoni. Direção musical e trilha sonora: Tato Taborda. Música: Kiko Horta e Queca Vieira. Coreografia: Rossella Terranova. Elenco: Tonico Pereira (Harpagon, Prêmio Governador do Estado), Alessandra Negrini, Dira Paes, André Gonçalves, Angela Rebello, Daniel Rolim, Emilio de Melo, Gaspar Filho, Ivo Fernandes, Leonardo Vieira, Sandro Valério e Xando Graça. Estreia: 26/05 a 27/08/2000 no Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro I, Rio de Janeiro. Em cartaz no Teatro Sesi até 03/02/2002 (nova temporada).
SÓ A VERDADE SALVA, de Racine Santos. Direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Rio de Janeiro.
O espetáculo é concebido como uma imensa encenação comunitária, dentro de uma concepção espetacular original desenvolvida por Haddad junto ao tNr, denominada liturgia carnavalizada, e que envolve grande número de cidadãos na realização do espetáculo.85
85 Licko Turle, op. cit.
86 Licko Turle, op. cit.
2001
FEIRA DE CULTURA DE MACAPÁ. Direção: Amir Haddad do cortejo artístico-cultural da cidade nas ruas de Macapá com a exposição da Feira do Psda. Realização: Governo do Estado do Amapá.
IV FESTIVAL DE ARTES DE GOIÁS VELHO. Direção:
Amir Haddad do espetáculo de abertura do Festival de Artes de Goiás a partir da festa profana do “Fogaréu” nas ruas da cidade de Goiânia.
Realização: Agepel – Agência Goiana de Cultura
Pedro Ludorico Teixeira.
2001-2
MãO NA LUVA, de Oduvaldo Vianna Filho. Direção: Amir Haddad. Cenografia: Hélio Eichbauer. Iluminação: Maneco Quinderé. Elenco: Maria Padilha e Pedro Cardoso. Teatro dos 4, Rio de Janeiro, de 24/08 a 28/10/2001. Com Tuca Andrada. Teatro Nacional, Sala Villa-Lobos, Rio de Janeiro, em 02 e 03/05/2002.
A REVOLTA DE SãO JORGE CONTRA OS INVASORES
DA LUA, de Erotildes Miranda dos Santos. Direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Anfiteatro dos Arcos da Lapa, Rio de Janeiro.
Temporada: 14 e 15/12/2002.
Peça baseada em literatura de cordel que conta a chegada de três astronautas americanos que aportam na Lua e se encontram com São Jorge, que os expulsa de lá com sermão e espada, tendo como pano de fundo a corrida armamentista e a polaridade entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria.86
2002
A PAZ, de Aristófanes. Tradução: Mario da Gama Kury. Adaptação e dramaturgia: Álvaro de Sá.
Direção: Amir Haddad. Assistência de direção: Lucy Mafra. Cenografia: Nello Marrese. Adereço: Márcia Marques. Figurino: Filomena Mancuzo.
Iluminação: Wilson Reiz. Direção musical: Ricardo Pavão. Elenco: 20 atores formados pela Casa das Artes de Laranjeiras (cal): Agnes Leal, Bárbara Gmeiner, Beatriz Campos, Bianca Bulcão, Daniel Rolim, David Lima, Eliane Vantini, Fabiene Rangel, Geovanna Pires, Gisele Alves, Janaína Bastos, José Paulo Sagga, Mariana Costa
Pinto, Mariana Marciano, Naiara Bolpetti, Fernando Rodrigues, Rafael Bellard, Renata Beltrame, Renata Maior, Renato de Sousa, Thuane Rocha e Vinícius Ferreita. Teatro Glaucio
Gill. Temporada: 04 a 28/04/2002. Espetáculo em comemoração aos 20 anos da cal.
Em clima de comédia grega, o diretor [Amir Haddad] prepara surpresas para interagir com o público. Por exemplo, para entrar pela porta que leva ao caminho da paz, os atores contam com a ajuda do público que, com cordas, puxam a porta de três metros até que ela seja derrubada. Na peça, a paz está presa em uma caverna e a humanidade dominada pela guerra e pela desordem. Para pedir ajuda ao céu [para que a Paz seja libertada], um simples homem do campo vai aos deuses. Quando chega, a surpresa: o céu está vazio e os deuses foram embora horrorizados com os conflitos da humanidade […].87
CIDADEZINHA QUALQUER, de Pedro Antônio Paes e Walter Daguerre, a partir de três poemas de Carlos Drummond de Andrade (sobre amor,
memória e religiosidade). Direção: Amir Haddad. Iluminação: Aurélio de Simoni. Quadrilha Companhia de Teatro. Teatro Sesi, Rio de Janeiro. Estreia: 24/10 a 22/12/2002
De três poemas de Carlos Drummond de Andrade – Cidadezinha qualquer (1930), Os dois vigários (1962) e Quadrilha (1930) –, Pedro Antônio Paes e Walter Daguerre compõem a narrativa do espetáculo […], que costura com a presença de um homem em cena, pronto a ser levado por um anjo, as memórias recolhidas numa mala de viajante. […]. Amir Haddad investiu numa encenação despojada, sem artifícios ou pirotecnia, buscando reproduzir a singeleza poética do texto. O diretor acondiciona a montagem no cenário de uma certa melancolia, tratando aquelas pequenas vidas soltas num passado mítico com “ingenuidade” retirada da relação com uma geografia de afetos. […] Haddad utiliza cantigas de roda e canções religiosas, dando ao espetáculo contorno “regional” […].88
VIVA TEATRO. Cordenação e execução: Amir Haddad, para o Festival realizado nas ruas da cidade de Armação de Búzios.
Realização: Prefeitura Municipal de Armação de Búzios (rJ).
2003
O CASTIÇAL, de Giordano Bruno. Tradução: Jorge Wanderley. Direção: Amir Haddad. Iluminação: Aurélio de Simoni. Elenco: Amir Haddad, Mariah da Penha, Angela Rebello, Leonardo Bricio, Nelson Portella (barítono), entre outros (25 atores). Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro. Temporada: 13/02 a 06/04/2003
87 Os caminhos para a paz, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 26 abr.-2 maio 2002 p. 58. 88 Macksen Luiz, Memórias na mala de um viajante, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 nov. 2002.
Pela primeira vez chega a um palco latino-americano O castiçal, único texto dramatúrgico do filósofo, astrônomo e matemático Giordano Bruno (1548-1600), visionário napolitano que acabou queimado na fogueira, acusado de heresia pelo Santo Ofício. Apresentado ao texto pelo professor italiano Camilo Bonani, o diretor Amir Haddad logo se apaixonou pela peça e tratou de se encarregar da primeira montagem brasileira, assinando a direção e encabeçando o elenco. […] O castiçal […] narra um dia da vida de um bando de marginais napolitanos que sobrevivem de aplicar golpes em cidadãos endinheirados. […].89
2003-6
DAR NãO DÓI, O QUE DÓI É RESISTIR ou EM PAZ
COM A DITADURA. Direção: Amir Haddad. Criação coletiva do grupo Tá na Rua (pesquisa de textos, iluminação, ambiência cênica, figurino, sonoplastia, produção e realização). Sonoplastia: Roberto Black. Elenco: Amir Haddad, Licko Turle, Ricardo Pavão, Alessandro Perssan, Alexandre Santini, Clara Soria, Bárbara Astro, Miguel Campelo, Daniel Rolim. Projeto Porto dos Palcos (Armazém do Rio, Avenida Francisco Bicalho, Armazém 5 e Praça Mauá), em 1/2004. Palácio Capanema, de 31/03 a 02/04/2004 e Circo Voador, em 09/2004, e outros. (O espetáculo integrou ainda o evento “1964-2004: 40 anos de resistência cultural”, que traçou um panorama dos principais acontecimentos políticos, culturais e artísticos da vida brasileira neste período.)
2004
MAMBEMBE CANTA MAMBEMBE, sobre texto de Arthur Azevedo. Direção: Amir Haddad. Produção: Ricardo Pavão (Camarote Brasil). Adereços e cenografia: Carlos Nunes. Figurino: Biza Viana. Iluminação e operação de luz: Aurélio de Simoni. Música: José Pizza e Ricardo Pavão. Elenco: Amir Haddad, Ricardo Pavão, Teresa Seiblitz, Eron Cordeiro, Angela Rebello, Xando Graça, Sérgio Cleto, Geovana Pires, Miguel Campelo, Alessandro Perssan, Fernando Rodrigues e outros. Teatro Villa-Lobos, Armazém 5 do Cais do Porto, lonas de cultura, Rio de Janeiro.90
Idealizado pelo gestor da Rede Municipal de Teatros, Miguel Falabella, o megafestival de teatro tem início nesta quinta-feira, no Armazém 5 do Cais do Porto. Para o evento, foram selecionados, entre 520 concorrentes, 52 espetáculos, 39 adultos e 13 infantis. Foram montados no local quatro teatros, todos réplicas de navios: o Italiano Grande (de 400 lugares), o Italiano Pequeno (de 200), o Arena Grande (de 160) e o Arena Pequena (de 60). Além das apresentações, o evento contará com praça de alimentação, livraria e bazar. De quinta a domingo, sessões [de diversas peças, entre elas] O mambembe, espetáculo de Amir Haddad [produzido por Ricardo Pavão] com elenco que reúne, entre outros, Teresa Seiblitz e Leonardo Vieira (21h) […].91
SANTO ANTÔNIO E A SEREIA DO MAR. Adaptação do grupo Tá na Rua para o Cordel de Mivelino F. Silva,
89 Rachel Almeida, Sensualidade e humor na boca do povo, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 14-20 fev. 2003, p. 30
90 Diferentemente do Mambembe canta mambembe formado pelo mesmo elenco da formatura da CAL de 1991, apresentado na Sala Sidney Miller em 1991, esta produção da empresa de Ricardo Pavão incorporou atores do elenco original, além de artistas do Tá na Rua e outros profissionais.
91 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9-15 jan. 2004.
originalmente chamado Antônio de Lisboa e a sereia do fundo do mar, no contexto das comemorações do 196º aniversário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A apresentação ocorreu no galpão do Solar da Imperatriz, às 13h. Entrada franca.92
2005-25
A ALMA IMORAL, a partir do livro homônimo de Nilton Bonder. Adaptação, roteiro e concepção cênica: Clarice Niskier (Prêmio Shell 2007 de Melhor Atriz). Supervisão: Amir Haddad. Cenário: Luiz Martins. Figurino: Kika Lopes. Iluminação: Aurélio de Simoni. Com Clarice Niskier. Leituras em 2005. Temporada de estreia: 21/07 a 13/08/2006, Espaço Sesc Copacabana, Sala Multiuso, Rio de Janeiro. Temporadas diversas no eixo Rio-São Paulo e por todo o Brasil, em muitos espaços, ressaltandose a frequência no Teatro Eva Herz – sP (dentro da Livraria Cultura da avenida Paulista). A peça se mantém em cartaz por mais de 18 anos.
A atriz e roteirista Clarice Niskier pôs o ponto final na adaptação para o teatro do livro A alma imoral, do rabino Nilton Bonder. “O livro é extraordinário. Desconstrói e reconstrói os conceitos de corpo e alma, traidor e traído. É um livro corajoso que aproxima religião e biologia, tradição e traição, clone e mutante”, diz Clarice, que fará leitura do texto, dia 2, no Teatro Tablado, com a presença do autor da obra. A artista, aliás, tem feito leituras do texto em casas de amigos e para plateias de até 80 pessoas, como no caso do auditório da Livraria da Vila, em Sampa, cidade na qual repetirá a dose, hoje, na empresa Philarmonia Brasileira.93
2007
BRINCANDO EM CIMA DAQUILO, de Dario Fò e Franca Rame (composto ainda de três histórias: Uma mulher sozinha; Volta ao lar e Temos todas a mesma estória). Direção: Otávio Müller (primeira direção do ator). Supervisão e dramaturgia: Amir Haddad. Cenografia: Bia Lessa. Figurino: Claudia Kopke. Iluminação: Samuel Betts. Trilha sonora: Dany Roland. Preparação corporal: Dani Lima. Elenco: Debora Bloch (primeiro monólogo da atriz). Ensaios abertos no Teatro da Universidade Federal Fluminense (uFF), Niterói, em 23, 24, 29 e 30/06/200794. Teatro dos 4, 07/2007 e 08/2007 (até 5/08). Teatro Nacional, Sala Villa-Lobos, Brasília: 27 e 28/10/2007
O projeto reúne na ficha técnica dois diretores em funções diferentes da de encenadores: Amir Haddad, na dramaturgia, e Bia Lessa como cenógrafa. “Sempre admirei o Amir, inclusive já trabalhamos juntos como atores e ele teve uma generosidade imensa neste trabalho. […] Amir é meu mestre, sempre aprendo muito com ele” [diz Debora Bloch]. […]. Na dramaturgia, Amir fez um trabalho de compreensão do texto e dos autores do espetáculo. “Dario Fò e Franca Rame fazem uso da improvisação e estabelecem o contato direto com o público, características essenciais ao teatro que recupera a vida, sem ser sagrado. […] “Acredito que toda mulher adoraria que o homem assistisse a essa peça, pois ela abre uma reflexão em torno do relacionamento homem e mulher de forma muito espontânea. […]95
92 Florença Mazza, Quase um bicentenário de curiosidades: Jardim Botânico comemora 196 anos e preserva memória do Brasil Colônia, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jun. 2004, caderno Cidade, p. A20
93 Heloisa Tolipan, Cult hebraico, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 jun. 2005, caderno B, p. B10
94 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 jun. 2007; O Fluminense, Niterói, 23 jun. 2007.
95 Márcia Erthal, Mais atual impossível, Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 27-9 jul. 2007.
2007-8
UM BOÊMIO NO CÉU, de Catulo da Paixão Cearense. Dramaturgia e direção: Amir Haddad. Cenografia: Hélio Eichbauer. Figurino: Biza Vianna. Iluminação: Aurélio de Simoni. Direção musical: José Maria Braga. Músicos: Deyvisson de Vasconcelos (clarineta), Adriano Palma (violão) e Marcos Tannuri (cavaquinho). Elenco: José Mayer, Antonio Pedro Borges, Aramis Trindade e Kátia Brito. Teatro Villa-Lobos, Rio de Janeiro. Estreia: 17/08/2007. Teatro Popular de Niterói: de 05 a 14/10/2007.
Aos 70 anos, o mineiro Amir Haddad sabe que está na moda, mas não gosta disso. Diretor de Um boêmio no céu […] que estreou ontem no Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, está emendando um trabalho atrás do outro. [São citados: A alma imoral; Brincando em cima daquilo; O autofalante; e Auto dos angicos]. […]
“Às vezes, a direção pode ser uma prisão, onde você tem que lidar não só com a arte mas com questões burocráticas: mercado, prazos, procedimentos, hierarquias…”, analisa Haddad.
“E eu gosto é de administrar as liberdades alheias. É muito gostoso quando um ator chega ao teatro sabendo o que quer. Quando analisamos juntos como levar determinado texto à cena”.96
Um trabalho com alma brasileira. É assim que o ator José Mayer define Um boêmio no céu, […] que estreia no dia 05/10 no Teatro Popular de Niterói. O texto foi encontrado por Vera Fajardo, mulher de Mayer, em um sebo de livros, há 10 anos. De lá para cá, o ator idealizou e elaborou o projeto, preservando a ideia dos holofotes até que ficasse pronta. […] Para o ator,
que completa 40 anos de carreira em 2008, a identificação do público com a peça se deve aos elementos da alma e da identidade brasileira presentes no texto. O poeta maranhense […] é mais conhecido por sua canção Luar do sertão, um hino ao Brasil telúrico do interior […].97
VIRGULINO
FERREIRA E MARIA DE DÉA: AUTO DE ANGICOS, de Marcos Barbosa. Dramaturgia e direção: Amir Haddad. Produção: Marcos Palmeira. Cenografia e figurino: Nello Marrese. Iluminação: Paulo César Medeiros. Trilha sonora: Caíque Botkay. Elenco: Adriana Esteves e Marcos Palmeira. Espaço Sesc, Mezanino, Rio de Janeiro. Temporada carioca: 19/10 a 09/12/2007. Teatro da Universidade Católica (Tuca), São Paulo, temporada paulistana: 27/03 a 1º/06/2008. Teatro Nacional, Sala Villa-Lobos, Brasília: 09/2008
Em agosto, quando começaram os ensaios […], Marcos Palmeira e Adriana Esteves foram informados pelo diretor Amir Haddad que, para ele, não bastava uma exibição de seus dotes como atores em cena. Para viver Lampião e Maria Bonita, seria preciso elaborar uma visão crítica do mundo, sempre discutida em equipe. Sem melindres, ambos dizem que cumpriram a tarefa na preparação da peça, que estreia nessa quinta-feira para convidados no Espaço Sesc, em Copacabana, depois de fins de semana de aquecimento em Duque de Caxias, Petrópolis e Niterói. […] Num processo de ensaios desafiador, seguindo a linha politizada do diretor, a sintonia entre os atores ajudou. […] “Fujo dessa naturalidade postiça das novelas”, observa Haddad. “E da tendência do teatro atual de olhar
96 Rachel Almeida, Em cena, a força de Amir: requisitado diretor nega que esteja na moda, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 ago. 2007.
97 Tála Rocha, José Mayer leva a alma brasileira para o palco, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 set. 2007.
para o próprio umbigo, do psicologismo ou existencialismo. Minha ambição são os épicos. Só falo do particular para denunciar um quadro social abrangente.” […] “Estudei muito – revela [Adriana]. Posso dizer que em 37 anos de vida e 18 de carreira nunca passei por dois meses tão enriquecedores. Para o Amir, o teatro é um exercício de se abrir os horizontes.”98
Não nos interessa […] a reprodução caricata ou ‘realista’ de Lampião. Não é nem a cartucheira nem o chapéu de aba virada que nos atraem, mas sim saber que todo o imaginário brasileiro é preservado pela saga desse herói bandoleiro, misto de bandido e justiceiro, amado pelo povo cada vez mais e temido pelas elites que dominavam e controlavam as terras do Nordeste.99
MEMÓRIA TÁ NA RUA Textos: grupo Tá na Rua.
Dramaturgia: Alexandre Santini. Direção: Amir Haddad. Figurino: Miguel Campello. Direção musical: grupo Tá na Rua. Sonoplastia: Alessandro Perssan. Elenco: Aldo Perrota, Alessandro Perssan, Alexandre Santini, Ana Cândida Baesso, Herculano Dias, Ingrid Medeiros, Letícia Almeida, Licko Turle, Mery Alentejo, Miguel Campello, Mônica Saturnino, Tathiane Mattos. Teatro Carlos Gomes, Vitória, em 18/10/2008
A peça revela momentos marcantes da vida brasileira e mundial das últimas décadas. Como numa trouxa de retalhos, o espetáculo apresenta um panorama de acontecimentos variados que vão desde o desfile da Beija-Flor
em 1989 até o assassinato do presidente chileno Salvador Allende. A ordem de cenas era definida por meio de um sorteio em que a plateia retirava de uma cartola fragmentos de memórias. De dentro dessa cartola as cenas se revelam a partir de letras de canções populares, fatos históricos nacionais ou não, referências teatrais etc. Não há nenhum compromisso com a linearidade ou as unidades de tempo, lugar e ação. Estreou em 2007 e é, segundo Amir, um avanço dramatúrgico importante para o grupo após a montagem de Dar não dói…100
2008
LAVANDO A ALMA, de Thalita Carauta. Direção: Rodrigo Sant’Anna. Supervisão: Amir Haddad. Elenco: Thalita Carauta. Teatro Cândido Mendes, Rio de Janeiro.
[Sinopse:] Hefesta é uma lavadeira com o dom de lembrar de todas as suas encarnações passadas.101
TEATRO SEM ARQUITETURA, DRAMATURGIA SEM
LITERATURA, ATOR SEM PAPEL. Criação coletiva do grupo Tá na Rua. Direção: Licko Turle. Supervisão: Amir Haddad. Participação do grupo As Três Marias, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto.
AUTO DE NATAL. Seleção de textos de vários autores. Direção: Amir Haddad. Elenco: grupo Tá na Rua. Largo da Carioca, Rio de Janeiro, com ceia oferecida ao final do espetáculo em confraternização do público com os artistas.
98 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2007 [data imprecisa].
99 Amir Haddad, Virgulino Ferreira e Maria de Déa: Auto de Angicos. Programa do espetáculo.
100 Licko Turle, op. cit.
101 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 29 ago.-4 set. 2008, seção Teatro.
O [tNr] leva para a praça o seu Auto de Natal se propondo a levar não apenas a história do nascimento de Jesus, mas a estabelecer um espaço de representação em que o sagrado e o profano se unam para falar de amor. Uma colagem de diferentes textos sobre o tema, de Patativa do Assaré, Carlos Drummond de Andrade, Racine dos Santos, Mário de Andrade e Vinicius de Moraes, com narração e direção de Amir Haddad.102
2009
BODAS DE SANGUE, de Federico García Lorca.
Tradução: Rúbia Prates Goldoni. Direção: Amir Haddad. Cenografia: Hélio Eichbauer. Figurino: Biza Vianna. Iluminação: Felipe Lourenço. Trilha sonora: Alessandro Perssan. Músicas originais e direção musical: Caíque Botkay e Ronaldo Mota. Elenco: Adriana Seiffert, Alice Morena, Antônio Firmino, Bia Junqueira, Brisa Calleri, Catarina Abdalla, Clara Soria, Evelyn Raposo, Gabriela Haviaras, Gustavo Mello, Íris Bustamante, Janine Goldfield, Jitman Vibranovski, Karan Machado, Léo Rosa, Letícia Spiller, Lorena da Silva, Luiz
Octávio Moraes, Marcello Melo, Márcia do Valle, Márcio Louzada, Maria Lúcia Lima, Mônica Saturnino, Nando Rodrigues, Netinho, Paulo Antunes, Paulo Pereira, Rosa Douat, Solange Padilha e Tereza Seiblitz. Espaço Tom Jobim, Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Estreia: 30/01 a 12/04/2009. 103
Após comandar o evento de inauguração do Teatro Tom Jobim, em outubro, com a performance cênica Evocando Tom, o diretor
Amir Haddad está de volta ao espaço onde estreia neste sábado Bodas de sangue, do escritor e poeta Federico García Lorca. […] “É inestimável a importância dessa peça para o repertório de uma cidade de balneário como a nossa. […]”. Com o escrito em mãos, após ter sido convidado pela atriz Ivone Hoffman, o diretor tratou de abrir uma oficina de reciclagem de atores para reconstruir a trágica história […]. “[…] Lorca se tornou um alvo por causa de suas condutas e sua disposição de luta. Não à toa foi morto aos 33 anos pela polícia de Franco.” […] Ao montar um coletivo de 30 componentes, Amir fez com que todos se revezassem durante quatro meses na encenação dos papéis. O método garantiu maior liberdade de ação e pensamento aos atores. […] “A liberdade, representada na peça pela loucura e inadequação de Leonardo, é praticamente impossível em um mundo conservador repleto de restrições, preconceitos, e que nos trancafia em valores morais […]”, dispara.104
SANTA MARIA DO CIRCO, de David Toscana.
Tradução: Maria Alzira Brum Lemos. Adaptação e direção: Ivo Fernandes. Supervisão: Amir Haddad. Assistência de direção: Walter Daguerre. Direção de arte: Hélio Eichbauer. Cenário e figurino: Marieta Spada. Iluminação: Aurélio de Simoni. Operador de luz: Marcelo de Simoni. Direção musical, trilha e composição: Caíque Botkay. Operadora de som: Marcela Perrone. Máscara: José Toro-Moreno. Preparação corporal: Marina Salomon. Produção: Sula Villela. Elenco: Antonio Pedro (quintas e sábados), Xando Graça (sextas e
102 Únicas apresentações, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 19-25 dez. 2008, seção Teatro, p. 32
103 Foi a primeira peça em temporada do Espaço Tom Jobim.
104 Luiz Felipe Reis, Paixão e violência andaluzas: Amir Haddad atualiza um dos belos dramas urais de Federico García Lorca, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 jan.-5 fev. 2009.
domingos), Anselmo Vasconcellos, Andrea Dantas, Aurélio de Simoni, Biá Napolitani, Glaucio
Gomes, Isaac Bernat, Lourival Prudêncio, Marina Salomon e Thiago Magalhães. Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro II, Rio de Janeiro. Temporada: 21/05 a 05/07/2009
AS MENINAS, de Luiz Carlos Góes e Maitê Proença (baseada no livro Uma vida inventada, de Proença).
Direção: Amir Haddad. Produção: Francisco Accioly e Tereza Durante. Cenografia: Cristina Novaes. Figurino: Beth Filipecki. Iluminação: Paulo César Medeiros. Elenco: Analu Prestes, Clarisse Derzié Luz, Vannessa Gerbelli, Patricia Pinho e Sara Antunes. Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro, em 07/2009.
Em meio aos preparativos da montagem para Bodas de sangue, de Federico García Lorca, Amir Haddad estava completamente envolvido com o ambiente feminino quando recebeu o convite de Maitê para dirigir As meninas. “É impossível conhecer a Maitê e não ficar completamente envolvido. Digo isso em todos os planos. Ela é um perigo”, brinca Haddad. […] “Não faço direção de uma peça pronta. Só depois do primeiro mês de estreia é que o espetáculo começa a comunicar de forma clara e nítida o que é. […]”, explica. Até perto do lançamento, Maitê seguia como assistente de direção, mas achou melhor deixar o controle nas mãos de Haddad.105
SIMPLESMENTE EU, CLARICE LISPECTOR.
A partir de textos e entrevistas de Clarice Lispector.
Roteiro e direção: Beth Goulart. Assistência: André Frazzi e Sandro Karnas. Supervisão: Amir Haddad. Iluminação: Maneco Quinderé. Assistente de iluminação: Russinho. Operador de luz: Fabio Prestes. Cenografia: Ronald Teixeira e Leobruno Gama. Diretor de palco: André Boneco. Contrarregra: Pablo Paixão. Figurino: Beth Filipecki. Figurinista assistente: Thanara Schönardie. Camareira: Renata Morais. Direção de movimento: Márcia Rubin. Preparação vocal: Rose Gonçalves. Trilha sonora: Alfredo Sertã. Operador de som e vídeo: Hiram Ravache. Criação de vídeo: Fabian. Edição de vídeo: Glaucio Ayala. Visagismo: Westerley Dornellas. Fotografia: Fabian e Lenise Pinheiro. Programação visual: João Gabriel Carneiro. Com Beth Goulart. Duração: 55 min. Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro I, Rio de Janeiro. Temporada: 13/08 a 04/10/2009. Também teve temporadas no Teatro Odylo Costa Filho, Uerj, Rio de Janeiro e no Teatro Renaissance, São Paulo.
[Sinopse:] A partir de quatro personagens femininas marcantes da obra de Clarice Lispector, a atriz Beth Goulart traz para a cena reflexões sobre temas como criação, vida e morte, solidão e loucura.106 Numa tessitura de recortes e fios, os textos se entrelaçam com costura amorosa, que Beth Goulart deixa à mostra através de atmosfera delicada, em que as palavras ganham dimensão mais humana do que literária. […] São momentos de uma obra que não pretendem traçar qualquer linha biográfica ou analisar, teoricamente, a escrita, mas retratar alguém que se confrontou com a existência […]. A própria Beth assina a
105 Luiz Felipe Reis, Gargalhada de velório: com direção de Amir Haddad, Maitê Proença exibe seu segundo texto autoral, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 3-9 set. 2009, p. 37.
106 Estreias, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 7-13 ago. 2009, seção Agenda, p. 36.
direção, com supervisão de Amir Haddad, e reproduz no palco o tom do roteiro.107
PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA Roteiro e interpretação: Elisa Lucinda. Direção: Amir Haddad. Teatro da Universidade Federal Fluminense (uFF), Niterói. Temporada até 13 de setembro. Segundo o programa “a poetisa e atriz interpreta textos e poemas que expressam a urgência e a inquietude na busca por uma existência plena do homem contemporâneo”108 .
GALILEU GALILEI, de Bertolt Brecht. Com o grupo Tá na Rua. Apresentação de cenas da peça, como a do Pequeno Monge e a do Telescópio. Vitória (es).
2009-14
MESTRE CAEIRO, O DESCOBRIDOR DA NATUREZA (depois rebatizada de A NATUREZA DO OLHAR).
Roteiro: Elisa Lucinda e Geovana Pires, a partir de poemas de Fernando Pessoa. Assistência de direção: Daniel Rolim. Supervisão: Amir Haddad. Elenco: Elisa Lucinda e Geovana Pires. Estreia nacional em Brasília, em 31/01/2009, no Brasília
Alvorada Hotel (Projeto Palco Brasília, no contexto da Semana Brasil-Portugal)109. Sesc Tijuca, Rio de Janeiro, temporada de 11 a 20/04/2014
Teatro Cândido Mendes, Rio de Janeiro, de 03 a 07/09/2014 e outros.
2009-11
O SANTO INQUÉRITO, de Dias Gomes. Supervisão geral: Amir Haddad. Iluminação: Aurélio de Simoni. Elenco: Marianna Mac Niven, Claudio
Mendes, Expedito Barreira. Sesc Copacabana, Teatro de Arena, Rio de Janeiro. Temporada de 26/11 até 20/12/2009. No Teatro do Jockey, Rio de Janeiro, temporada até 29/05/2011
Com criação coletiva do elenco e supervisão geral de Amir Haddad, a peça entra em cartaz após mais de três décadas de sua última encenação em 1977 e reforça a importância do autor para a dramaturgia brasileira, 10 anos depois de sua morte, num acidente de trânsito em São Paulo. […] Para Amir o texto serve como testemunho de um teatro que pensava o país como um todo. “É o resgate da memória de um antigo pacto social que os artistas tinham com o desenvolvimento do Brasil. É algo que se perdeu”, lamenta. “A peça expõe esse rompimento gerado pela ditadura e nos mostra como realmente é difícil ser livre. Tanto ontem como hoje.” […] “[…] com Amir, abrimos a questão política para além do período em que a peça foi escrita”, observa Mendes, que além de ator é idealizador da montagem.110
2010
ESCOLA DE MOLIÈRES. Textos de Moliére. Tradução: Lorena da Silva e Luiz Octávio Moraes. Dramaturgia e direção: Amir Haddad. Assistência: Miguel Campelo. Direção musical: Ricardo Pavão. Música original: Edu Viola. Cenografia: Cristina Novaes. Iluminação: Felipe Lourenço. Figurino: Patrícia Nunes e Miguel Campelo. Máscaras: Paulo Formagini. Elenco: Miguel Campelo, Ana Bugarim, Angela Rebello, Alice Morena, Catarina
107 Macksen Luiz, Beth Goulart oferece corpo e sentimentos à escritora: atriz, que também dirige a peça, tem atuação sutilmente refinada, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 2009
108 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 10-6 abr. 2009, seção Agenda Teatro, p. 38
109 Ricardo Daehn, Ponte entre dois mundos, Correio Braziliense, Brasília, 30 jan. 2009, Especial, p. 8
110 Luiz Felipe Reis, Heroína pura e libertária: com direção de Amir Haddad, texto de Dias Gomes é montado após 30 anos, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 27 nov.-3 dez. 2009.
Abdalla, Érida Castello Branco, Marcio Louzada, Pedro Medina, Solange Padilha, Teresa Seiblitz, André Dale e outros. Espaço Tom Jobim, Rio de Janeiro. Temporada: 30/07 a 19/09/2010
2011
UM DOMINGO NA PRAÇA Dramaturgia e direção: Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua. Rio de Janeiro.
ANÁRGIROS: NãO PODEMOS VENDER O QUE
TEMOS DE MELHOR PARA DAR. Criação coletiva do grupo Tá na Rua.
O Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil realizará amanhã, às 16h, o Seminário Artes e Saúde Pública, no Largo da Lapa. O encontro reunirá diversos profissionais ligados à arte, como atores, diretores, historiadores e muito mais. O grupo Tá na Rua abrirá a atividade com o espetáculo Anárgiros 111
[…] estou com um espetáculo grande do Tá na Rua chamado Anárgiros. É sobre as pessoas que não cobram dinheiro pelos seus trabalhos. Foi baseado na vida de Cosme e Damião, que eram médicos e instituíram a saúde pública ao se recusarem a cobrar pela cura das pessoas. Nessa eu trabalho como diretor e como ator também112
“aNárgiro – (s.m.) Que não tolera o dinheiro.” (Dicionário informal) […] Os anárgiros desestabilizam a ordem natural das coisas. Jesus Cristo foi anárgiro. […] Para os pobres, Cristo era um anjo. Para a igreja judaica da época, um demônio. […] Se o anargirismo se alastra, o mundo se despedaça, mas para não desmoronar sobre si mesmo, o mundo precisa dos anárgiros.113
2012-3
AMOR E ÓDIO EM SONATA. Drama familiar de Liev Tolsói. Concepção, texto e direção: Leonardo Talarico. Supervisão: Amir Haddad. Cenário e figurino: Marcelo Marques. Trilha sonora: Leonardo Talarico. Elenco: Amandha Monteiro, Juliana Weinem. Teatro Solar de Botafogo.
Temporada: 17/03 a 27/05/2012. Centro Cultural da Justiça Federal. Temporada: 24/07 a 29/08/2013. 114
2012-8
A VINGANÇA DO ESPELHO: A HISTÓRIA DE ZEZÉ
MACEDO, de Flávio Marinho. Direção: Amir Haddad. Cenário: Afonso Tostes. Figurino: Fernanda Fabrizzi. Iluminação: Paulo Denizot. Trilha sonora: Alessandro Perssan. Elenco: Betty Gofman, Tadeu Mello, Antônio Fragoso, Marta Paret, Mouhamed Harfouch. Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro (ensaios abertos desde janeiro de 2012). Teatro Leblon, Sala Marília Pêra, Rio de Janeiro, de 20/06 a 25/08/2013. Itaú Cultural, São Paulo, de 12 a 15/09/2013
111 Seminário de artes e saúde pública, Portal da Prefeitura do Rio de Janeiro, 16 nov. 2011. Fonte: http://www. rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?id=2301612. (Acesso em 4 abr. 2022).
112 Amir Haddad vive cego Tirésias em Édipo Rei, Portal Globo.com Teatro, 9 nov. 2012. Fonte: http://redeglobo. globo.com/globoteatro/boca-de-cena/noticia/2013/09/amir-haddad-vive-o-cego-tiresias-em-ediporei.html. (Acesso em 4 abr. 2022).
113 Amir Haddad, “Anárgiros”, Teatro de rua e a cidade (blog), 13 jun. 2015. Fonte: https://teatroderuaeacidade. blogspot.com/2015/06/anargiros.html. (Acesso em 4 abr. 2022).
114 Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 23 jul. 2013.
Zezé Macedo, primeira-dama da chanchada e atriz brasileira que mais atuou em filmes até hoje, será homenageada […]. Em quase duas horas de espetáculo, [a peça] conta a história de uma companhia de teatro que se prepara para encenar a vida [da atriz]. A partir desse enredo metalinguístico, [a história] é traçada de forma não linear […]. Zezé era muito conhecida por seus papéis cômicos na televisão, no rádio e no cinema. […] estrelou 108 longas-metragens, sendo a primeira e única atriz brasileira a realizar tal feito. Outra característica que chamava a atenção em Zezé era sua capacidade de humanizar as personagens, fazendo o público rir e sentir compaixão ao mesmo tempo. 115
2013
ARY BARROSO: DO PRINCÍPIO AO FIM. Texto e direção: Diogo Vilela. Supervisão artística: Amir Haddad. Arranjos e direção musical: Josimar Caneiro. Elenco: Diogo Vilela, Tânia Alves, Ana Baird, Marcos Sacramento, Alan Rocha e outros. Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro. Temporada: 18/01 a 31/03/2013
[O espetáculo é] centrado nos últimos dias do compositor de “Aquarela do Brasil” que, acamado com total atenção da esposa, é chamado para ser homenageado pela escola de samba Império Serrano e tema do desfile daquele ano (1964). Assim, Ary vai relembrando sua vida, a criação de sucessos e a presença de personalidades e amigos, como Carmen Miranda, Lamartine Babo e Aracy Cortes, compondo um painel da vida artística das décadas de 30/40 116
2013-4
À BEIRA DO ABISMO ME CRESCERAM ASAS, de Maitê Proença, a partir da ideia original de Fernando Duarte. Direção: Clarice Niskier e Maitê Proença. Supervisão de direção: Amir Haddad. Cenário: Cristina Novaes. Figurino: Beth Filipecki. Trilha Sonora: Alessandro Perssan. Direção de Movimento: Angel Vianna. Preparação Vocal: Rose Gonçalves. Elenco: Maitê Proença/ Ana Lucia Torre (2014) e Clarisse Derzié Luz. Theatro Net Rio, Sala Tereza Rachel, Rio de Janeiro, em 11/2014
2014
2 X MATEI, de Matei Visniec. Tradução: Pedro Sette-Câmara. Direção e cenografia: Gilberto Gawronski. Supervisão: Amir Haddad. Elenco: Guida Vianna e Gilberto Gawronski. Teatro Poeirinha, Rio de Janeiro. Temporada: 26/03 a 18/05/2014.
UM RECITAL À BRASILEIRA. Supervisão: Amir Haddad. Figurino: Cristina Cordeiro. Elenco: Geovana Pires e Elisa Lucinda. Teatro Leblon, sala Tônia Carrero, Rio de Janeiro. Temporada: 10/04 a 03/05/2014
SONHO DE UMA NOITE DE VERãO, de William Shakespeare. Direção: Monique Carvalho e Robson Sanchez. Supervisão: Amir Haddad. Elenco: Gabriela Garcia, Thiago Prado, Ricardo Damasceno, Rodrigo Viegas etc. Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, em 27/07/2014.
A VIDA SEXUAL DA MULHER FEIA. A partir da obra de Claudia Tajes. Adaptação: Julia Spadaccini.
115 A vingança do espelho: a história de Zezé Macedo, Itaú Cultural, 28 ago. 2013. Fonte: https://www.itaucultural.org.br/a-vinganca-do-espelho-a-historia-de-zeze-macedo. (Acesso em 4 abr. 2022).
116 Box de divulgação, Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4, 5 e 6 jan. 2013, na seção Autêntico Janeiro Teatral, caderno Artes, p. C2.
Direção: Otávio Müller. Supervisão: Amir Haddad. Com Otávio Müller. Teatro dos 4, Shopping da Gávea, Rio de Janeiro. Temporada: 13/06 a 27/07/2014. Teatro da Unip, Brasília, em 08 e 09/11/2014.
“Eu sou aquela que quando cruza a sala a caminho da xerox, ouve dois colegas do escritório falando em voz supostamente baixa: entre a Ju e a morte, quem você escolheria?” É com esse clima que a escritora gaúcha Claudia Tajes começa o bem-humorado best-seller A vida sexual da mulher feia publicado em 2005 e que, este ano, foi adaptado ao teatro […]. Em cena, o ator Otávio Müller vive a personagem central rebatizada de Maricleide.117
CONSTRUÇãO, de Adilson Dias. Direção:
Alexandre Gomes. Supervisão: Amir Haddad. Elenco: Alexandre Gomes, Alessandra Fernandes, Carol Murray, Claudia Maria. Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, em 25/10/2014.
2014-7
A LISTA, de Jennifer Tremblay. Direção artística: Amir Haddad. Direção geral: Clarice Niskier. Cenário: Luiz Martins. Figurino: Kika Lopes. Iluminação: Aurélio de Simoni. Música original e direção de produção: José Maria Braga. Com Clarice Niskier. Teatro Eva Herz. Estreia: 14/11/2014, juntamente com o lançamento do livro homônimo no Brasil. Entre outros espaços, o espetáculo passou pelo Teatro do Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, Teatro da Livraria da Vila, São Paulo etc.
Ainda cultivando o sucesso de A alma imoral, a atriz Clarice Niskier se impôs mais um desafio. No monólogo dramático da canadense Jennifer Tremblay, a intérprete dá vida a uma mulher dominada pelas tantas atribuições do dia a dia. Perfeccionista, ela anota cada obrigação a cumprir, dos serviços domésticos aos favores devidos aos amigos próximos.118
2016
FALAR DA BAIXADA. A partir da obra de Gênesis Torres. Direção: Alexandre Gomes, Carol Murray, Vina Santos e Wellington Fagner. Supervisão: Amir Haddad. Elenco: Alexandra Afonso, Gil Souza, Junior Melo, Levi Duarte e outros. Praça ao lado do Teatro Ziembinski, Rio de Janeiro.
Apresentação: 24/06/2016.
NEFELIBATO, de Regiana Antonini. Direção: Fernando Philbert. Supervisão: Amir Haddad. Com Luiz Machado. Porão da Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro. Temporada: 14/10 a 04/12/2016.
2016-23
ANTÍGONA, de Sófocles. Tradução: Millôr Fernandes. Adaptação e dramaturgia: Amir Haddad e Andrea Beltrão. Direção: Amir Haddad. Ambientação: Fábio Arruda e Rodrigo Black. Figurino: Antônio Medeiros e Guilherme Kato. Iluminação: Aurélio de Simoni. Com Andrea Beltrão. Teatro Poeirinha. Temporada: 18/11 a 18/12/2016. Sesc Consolação, São Paulo: 2019
Sucesso no Rio de Janeiro no final do ano passado, o monólogo “Antígona”, protagonizado por Andréa Beltrão, estreia
117 Rebeca Oliveira, Beleza nem sempre é fundamental… Correio Braziliense, Brasília, 7 nov. 2014
118 Dirceu Alves Jr. A lista, Veja São Paulo, 2014. Fonte: https://vejasp.abril.com.br/atracao/a-lista/#. (Acesso em 4 abr. 2022).
na sexta (12) uma temporada no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. […] Antígona é fruto do casamento incestuoso de Édipo e Jocasta. Na peça, a personagem está enclausurada em uma caverna depois de ter sido condenada à morte por ter desobedecido seu tio Creonte.119
2017-8
A MULHER DE BATH, de Geoffrey Chaucer. Adaptação: Maitê Proença. Direção: Amir Haddad. Com Maitê Proença. Teatro XP Investimentos, Rio de Janeiro. Temporada: 06 a 29/04/2018.
2017
SHAKESPEARE E OS ORIXÁS: A TEMPESTADE, de William Shakespeare. Adaptação: Érida Castello Branco. Direção: Amir Haddad. Elenco: Alice Morena, Paulinho Andrade, Renata Batista. Teatro Ziembinski, Rio de Janeiro, em 04/02/2017
A MULHER INVISÍVEL, de Maria Carmem Barbosa. Direção: Amir Haddad. Assistência e dramaturgia: Érida Castello Branco. Cenário: Fernando Mello da Costa. Figurino: Pedro Sayad. Iluminação: Aurélio de Simoni. Elenco: Catarina Abdalla. Teatro Nelson Rodrigues, Rio de Janeiro. Estreia: 23/11/2017.
“A minha estreia como atriz foi num monólogo. Eu tava começando, nem profissional era, mas já era ousada. Eu mesma criei o texto, uma divertida lavadeira. O Amir Haddad viu,
gostou e falou comigo. A partir daí nos tornamos amigos. Depois do meu último trabalho com ele (“Escola de Molieres”, 2010), eu comecei a pensar em fazer um monólogo com ele dirigindo. Um sonho para qualquer ator. Outros trabalhos foram surgindo e o projeto foi sendo adiado. Agora, o produtor Miguel Colker idealizou o projeto da “Mulher Invisível” e me deu essa oportunidade tão sonhada! Então eu penso que a minha maior expectativa é em relação à continuidade do processo a partir da entrada do público. Com o Amir a gente continua pensando o espetáculo até o último dia da temporada. E isso é maravilhoso. O espetáculo fica vivo.
O público vai me dar o gás necessário e juntos nós vamos voar!”120
2017-8
AVELHA. Dramaturgia: Flávio Rabelo, Ivana Iza e Tainan Costa Canário. Direção: Flávio Rabelo. Supervisão de direção: Amir Haddad. Supervisão de dramaturgia: Clarice Niskier. Elenco: Ivana Iza.
Estreia: 04/2017, por dois meses em Maceió (al). Prêmio Nacional Myrian Muniz de Teatro 2014 e Prêmio Municipal Edital das Artes Eris Maximiano 2015. Teatro Hermeto Pascoal, Sesc, Arapiraca (al).
Reestreia: 27 e 28/07/2018, às 19h.
2017-24
ME DÁ TUA MãO, de Clovys Sampaio Torres. Desconstrução: Amir Haddad. Produção executiva: Aide Torres e Val Pires. Figurino:
119 Dirceu Alves Jr, Antígona de Andrea Beltrão chega ao Sesc Consolação na sexta: dirigida por Amir Haddad, a atriz protagoniza monólogo adaptado da tragédia grega de Sófocles, Veja São Paulo, 8 maio 2017. Fonte: https://vejasp.abril.com.br/coluna/na-plateia/antigona-de-andrea-beltrao-chega-ao-sesc-consolacao-na-sexta. (Acesso em 22 abr. 2022).
120 Catarina Abdalla estreia A mulher invisível no Rio, Globo Teatro, 24 nov. 2017. Fonte: https://redeglobo. globo.com/globoteatro/noticia/catarina-abdalla-estreia-mulher-invisivel-no-rio.ghtml. (Acesso em 22 abr. 2022).
Zenilda Sampaio Torres. Fotografia e vídeos: Luiz Paulin. Iluminação: Carlos Nascimento. Trabalho vocal: Digue Lima. Elenco: Clóvys Tôrres. Teatro União Cultural, São Paulo. Estreia: 1º/07/2017; 13ª
Feira do Livro de Foz do Iguaçu, na Arena Literária, em 10/09/2017, às 18h. Demais temporadas em mais de 40 cidades brasileiras: Americana, Campinas, Santos, Bragança Paulista, Santo André, São Bernardo, Cascavel, Rio de Janeiro etc., e em países como Paraguai e Portugal.
2017-24
RE-ACORDAR. Criação coletiva a partir de cenas de O coronel de Macambira, de Joaquim Cardozo, poemas de Marta Klagsbrunn e relatos e reflexões de participantes do Tuca Rio. Direção e dramaturgia: Amir Haddad. Direção musical e gravação das músicas originais de Sérgio Ricardo: Luiz Cláudio Ramos. Elenco: Amir Haddad (narrador), Alberto Strozenberg, Dora Zaverucha, Márcia Fiani, Marta Klagsbrunn, Mônica Arruda, Regina Célia Dantas, Renata Sorrah, Ricardo Valle, Roberto Bomfim, Sérgio Alevato e Victor Hugo Klagsbrunn.121
2018
MINHA, de Wilson Sayão. Direção: Fátima Leite. Supervisão: Amir Haddad. Cenário: Fernando Mello da Costa. Figurino: Liliam Butini. Iluminação: Aurélio de Simoni. Elenco: Osvan Costa. Teatro Dulcina, Rio de Janeiro. Temporada: 09/06 a 08/07/2018
RUGAS, de Herton Gratto. Direção: Amir Haddad. Cenário e figurino: Lorena Sender. Iluminação: Marcelo Camargo. Preparação corporal: Claudiana Cotrim. Preparação vocal: Vanja Freitas. Elenco: Vanja Freitas e Claudiana Cotrim. Teatro Maison de France, Rio de Janeiro. Temporada: 31/10 a 12/12/2018.
2018-24
ASSIM FALAVA ZARATUSTRA: UMA TRANSVALORAÇãO DOS VALORES. Dramaturgia: Amir Haddad sobre os sermões da obra homônima de F. Nietzsche. Roteiro: Amir Haddad e Viviane Mosé. Trilha sonora: Máximo Cutrim. Elenco: Tá na Rua (improvisações), Amir Haddad (Zaratustra) e Viviane Mosé (comentários). Clube Manouche, Rio de Janeiro: 12/11/2018. Teatro Glaucio Gill, Rio de Janeiro: de 16/11 a 07/12/2018. Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rio de Janeiro, em 02/2019. Houve apresentações em diversas outras datas e locais, entre eles, o Clube Manouche novamente (subsolo da Casa Camolese), em 26/03/2020, e o Centro Cultural Tá na Rua, de 10 a 25/09/2022.
Na cobertura onde mora em Santa Teresa, no Rio, com vista para a baía da Guanabara, o diretor – que faz 84 anos nesta sexta-feira –expõe […] “Teatro virtual não existe, é igual a sexo por telefone, vai contra a natureza. Não sou um voyeur, se tem uma suruba rolando eu caio dentro.” […] Haddad está há um ano e meio impedido de levar sua arte para os
121 Em 5 de março de 2022, às 17h, via Zoom, foi feita uma apresentação virtual do espetáculo, produzida pela TUCAARTE – Associação Tuca de Arte e Cultura, com a seguinte ficha técnica: Seleção e edição das fotos: Marta Klagsbrunn. Direção de imagem: Máximo Cutrim. Assistência de direção, produção executiva e relações com o público: Márcia Fiani. Sonoplastia: Evandro Castro. Arte visual e divulgação: Mônica Arruda. Revisão do texto: Regina Célia Dantas. Participam da trilha sonora: Jacqueline Dowek, Márcia Fiani, Ma Lúcia Porciúncula e Regina Célia Dantas.
Administração: Sérgio Alevato. Em 31 de agosto de 2022, às 19h, houve apresentação presencial de Re-acordar na sede do Tá na Rua.
espaços públicos […]. A cena do artista com o microfone na mão conduzindo uma trupe de atores por ruas e praças vai ficar para depois. “A humanidade ainda está vivendo uma situação de coito interrompido, como se alguém batesse violentamente à porta na hora H”, diz. Em razão da pandemia, ele viu esvaziar a festa dos 40 anos do Tá na Rua. “Foi um coitão e acabamos virando uns coitados.” Na banheira ao som de Billie Holliday, ele posa relaxado para um ensaio e, com uma taça de vinho tinto em punho, anuncia para agosto uma curta temporada, e virtual, de Assim falou Zaratustra, ao lado de sua colaboradora dramatúrgica Viviane Mosé. […] “É um espetáculo que venho fazendo desde 2018, já apresentei pedaços no Instagram, contrariando minhas convicções”, afirma o diretor que, assim como Zaratustra, “só acreditaria num Deus que soubesse dançar”. Fora da banheira, vestindo camisa azul, gorro na cabeça e chinelo, o homem de 1,70 metro e 85 quilos anda com cuidado mas com propulsão, que é a maneira como ele fala também. Haddad mantém velhos hábitos, como de se autodirigir. […] É difícil pensar em outro diretor com um corpo de trabalho que, aos 84 anos, tenha sido tão singular em sua multiplicidade. Com plena consciência da carreira de extraordinária riqueza e longevidade, Haddad ultimamente só liga a tV para ver canais esportivos ou de outros países. Sobre passar o tempo em casa à espera de voltar às ruas, ele faz um rápido resumo. “Tive que aumentar muito meu nível de masturbação e ceder ao laptop, aprendi o mínimo necessário.”122
2019-22
A ESPERANÇA NA CAIXA DE CHICLETES PING PONG, de Clarice Niskier, inspirado na obra musical de Zeca Baleiro. Supervisão: Amir Haddad. Assistência: Maria Eugênia. Produção: Niska Produções Culturais. Direção de produção: José Maria Braga. Iluminação: Aurélio de Simoni. Cenário: José Dias. Figurino: Kika Lopes. Música e supervisão musical: Zeca Baleiro. Preparação de voz: Rose Gonçalves. Com Clarice Niskier (indicação ao Prêmio aPca). Estreia: Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro. Temporada: 03 a 18/11/2021.
2020
SOMBRAS NO FINAL DA ESCADARIA, de Luiz
Carlos Góes (seu último texto). Direção: Amir Haddad. Assistência de direção e trilha sonora: Máximo Cutrim. Direção de arte: Beli Araújo. Assistência de direção de arte: Vannessa Gerbelli. Iluminação: Paulo Denizot. Visagismo e maquiagem: Diego Nardes. Cabelo: Lucas Souza. Fotografia: Guga Melgar. Realização: Teatro da Gente e Bloco Pi Produções/Joaquim Vicente Fares. Com Vannessa Gerbelli. Estreia on-line: 06/10/2020, temporada até 27/10
COISAS DE MãE, adaptação de Clarice Niskier do livro Coisas de mãe para filha. Supervisão: Amir Haddad. Leitura encenada que estreou on-line no Teatro Petra Gold durante a pandemia. Apresentada eventualmente como leituras em eventos.
2020-24
RIOBALDO (da Trilogia Grande sertão: veredas), adaptação de Gilson de Barros para Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa. Direção: Amir Haddad. Iluminação: Aurélio de Simoni. Cenário e figurino: Karla de Luca. Programação visual:
122 “Teatro virtual é como sexo por telefone, vai contra a natureza”, diz Amir Haddad, O Tempo, Rio de Janeiro, 1º jul. 2021.Fonte: https://www.otempo.com.br/super-noticia/opiniao/dulce-bravo/teatro-virtual-e-como-sexo-por-telefone-vai-contra-a-natureza-diz-amir-haddad-1.2506797. (Acesso em 22 abr. 2022).
Guilherme Rocha e Mikey Vieira. Elenco: Gilson de Barros (indicação ao Prêmio Shell nas categorias Dramaturgia e Ator). Teatro Sérgio Porto, Rio de Janeiro: 07/03/2020 Lives e transmissões virtuais da peça no período da pandemia. Sessões na Casa de Cultura Laura Alvim; Sala eletroacústica da Cidade das Artes; Teatro Glaucio Gill; Teatro Sérgio Cardoso (sP) etc.
2021
CORAÇãO DE CAMPANHA, de Clarice Niskier.
Direção: Clarice Niskier. Supervisão de direção: Amir Haddad. Figurino: Kika Lopes. Iluminação:
Aurélio de Simoni. Trilha original: Zé Braga. Fotografia: Dalton Valerio. Niska Produções. Elenco: Clarice Niskier e Isio Ghelman. Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Temporada: 17/06 a 08/08/2021. Passou por cidades como Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e por espaços como Teatro PetraGold e Teatro Morumbi Shopping.
NINGUÉM DIRÁ QUE É TARDE DEMAIS, de Pedro Medina. Direção: Amir Haddad. Assistente de direção: Renato Reston. Idealização e realização: Rose Dalney, Túlio Rivadávia e Marcio Sam.
Direção musical: Lucio Mauro Filho. Assistente de direção musical: Leandro Lapagesse. Iluminação: Aurélio de Simoni. Cenografia: José Dias. Figurino: Carol Lobato. Fotografia: Larissa Marques. Elenco: Arlete Salles, Edwin Luisi, Pedro Medina e Alexandre Barbalho. Teatro Riachuelo, Rio de Janeiro: 1º/10/2021. Teatro das Artes (Shopping Eldorado), São Paulo: 02/09/2022
AUTO DE NATAL, do grupo Tá na Rua. Direção: Amir Haddad. Apresentação do tradicional auto natalino do grupo em retrospectiva do que foi o ano de 2021. Fotografia: Pedro Prado. Arte gráfica: Evandro Castro Neto. Largo da Lapa, em 16/12/2021 e na Cinelândia, em 17/12/2021, Rio de Janeiro.
2022
A PONTE E A ÁGUA DE PISCINA, de Alcides Nogueira. Leitura dramatizada. Direção: Amir Haddad. Elenco: Françoise Forton (que gravou da uti do hospital São Vicente, na Gávea, poucos meses antes de falecer), Beatriz Campos e Jarbas Cardona. Temporada de estreia (on-line – vídeo gravado): 16 a 23/03/2022, às 21h, via Youtube da Barata Produções.
VIRGINIA. Dramaturgia de Claudia Abreu a partir da vida e da obra de Virginia Woolf. Direção: Amir Haddad. Codireção: Malu Valle. Direção de movimento: Marcia Rubin. Figurino: Marcelo Olinto. Iluminação: Beto Bruel. Trilha sonora: Dany Roland. Operação de som: Bruna Moreti. Assistência de iluminação/operação de luz: Igor Sane. Operação de som nos ensaios: Máximo Cutrim. Design gráfico: Carolina Pinheiro. Fotografia: Rogério Faissal e Pablo Henriques. Assessoria de imprensa: Vanessa Cardoso. Direção de produção: Dadá Maia. Produção associada: Claudia Abreu, Dadá Maia e Mário Canivello. Com Claudia Abreu. Temporada de estreia: 09/07 a 07/08/2022, Sesc 24 de Maio, São Paulo. Temporada de 21/10 a 20/11/2022 no Teatro XP Investimentos, Rio de Janeiro.
AUTO DE NATAL 2022, do grupo Tá na Rua. Cinelândia (em frente ao Teatro Municipal), em 08/12 e no Largo da Lapa, em 09/12, Rio de Janeiro.
2023-4
O DIABO NA RUA NO MEIO DO REDEMUNHO (da Trilogia Grande sertão: veredas), adaptação de Gilson de Barros para Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa. Direção: Amir Haddad. Cenário e direção de arte: José Dias. Figurino: Ana Luiza. Programação visual: Guilherme Rocha e Mikey Vieira. Elenco: Gilson de Barros. Estreia: 1º a 16/04 no Centro Cultural Justiça Federal, Rio
de Janeiro; de 28/04 a 28/05 no Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo.
O JULGAMENTO DE ZÉ BEBELO (da Trilogia
Grande sertão: veredas), adaptação de Gilson de Barros para Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa. Direção: Amir Haddad. Cenário e direção de arte: José Dias. Figurino: Ana Luiza. Programação visual: Mikey Vieira. Elenco: Gilson de Barros. Rio de Janeiro e São Paulo.
2023
I FESTIVAL DE TEATRO AMIR HADDAD. Direção: Amir Haddad. Idealização e curadoria: Máximo Cutrim. Coordenação: Maria Helena da Cruz.
Direção de produção: Maria Ines Vale Produções. Direção criativa: Criação Máxima e Amnah Asad/ Noix. Produção executiva: Isis Martins. Direção de marketing: Evandro Castro Neto. Programação visual: Farpa/Leandro Felgueiras. Grupo Tá Na Rua: Renata Batista, Máximo Cutrim, Evandro Castro, Rozan Borges, Luciana Pedroso, Carol Eller, Daniel Ávila, Marcelo Evangelista, Maria
Clara Coelho e Giovanna Cherly. Cenografia e
Direção de palco: Ana Paula Casares. Iluminação e operação de luz: Paulo Denizot. Figurino: Renata Batista. Assessoria de imprensa: Marrom Glacê
Assessoria – Gisele Machado e Bruno Morais.
Vídeo: Fabio Pereira e Evandro Castro Neto.
Fotografia: Marcos Batista e Mariana Pêgas. Foto divulgação: Vidafodona. Ass. de foto: Lara Pazini.
Gaffer: Stirling. Assistentes de produção: Raphael Pena e Maíra Athayde. Coordenação técnica: Guilherme Penedo. Operação de som: Jackson Marques. Exposição: Clélio de Paula – Tecnologia 3D; Chico Couto – Montagem de Vídeo; Isadora Figueira – Curadoria; Ana Paula Casares –Cenografia; Cinemateca do MaM – Digitalização de Acervo. Local: Centro Cultural Casa do Tá na Rua – avenida Mem de Sá, 35, Lapa – Rio de
Janeiro (rJ). Período: 3 a 16 de julho (8 e 9 de julho, sem programação). Programação gratuita a partir das 16h. Espetáculos Teatrais sempre às 20h –Ingressos r$ 20,00. Informações e programação completa: Instagram.com/festivalamirhaddad.
HOMENAGEM AOS 90 ANOS DE JOãOSINHO TRINTA. Direção: Amir Haddad. Espetáculo do grupo Tá na Rua. Apoio: Alayde Alves (colecionadora da arte do Carnaval). MaM, Rio de Janeiro, em 25/11.
AUTO DE NATAL DO TÁ NA RUA. Direção: Amir Haddad. Criação coletiva do tNr. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Tá na Rua. Espetáculo de variedades que narra acontecimentos do ano entrelaçados às liturgias do Natal, com música, dança e teatro. Ao final, é ofertada uma ceia para as pessoas em situação de rua e todo o público presente.
Cinelândia, em 14/12, Praça Tiradentes, em 15/12, Arcos da Lapa, em 16/12, sempre às 16h.
2024
II FESTIVAL DE TEATRO AMIR HADDAD
OFICINAS E INCURSõES DO TÁ NA RUA NAS RUAS DO RIO DE JANEIRO.
OFICINA DE DESINICIAÇãO TEATRAL, com Amir Haddad e Tá na Rua.
AUTO DO RENASCIMENTO - A FAIXA DE GAZA É AQUI, Criação coletiva de Amir Haddad e Grupo Tá na Rua. Cinelândia, Largo da Carioca e Arcos da Lapa.
TEATRO 123
1956
O NOVIÇO, de Martins Pena. Direção: Flávio Rangel. Elenco (parcial): Moracy do Val, Sérgio D’Antino, Amir Haddad (em pequenos papéis de meirinhos). Teatro São Paulo, São Paulo.
1983
VIA SACRA. Encenação religiosa realizada pelo Instituto Municipal de Arte e Cultura (Imac), pela Prefeitura do Rio de Janeiro, Arquidiocese do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Educação e Cultura. 1º de abril de 1983, Sexta-feira Santa, às 18h. Estações: Convento de Santo Antônio, Igreja de São José, Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso e escadaria da Câmara dos Vereadores, Cinelândia, além de repetição na íntegra em palco armado nos Arcos da Lapa. Elenco: Amir Haddad (Pilatos), Jorge Gomes, Zózimo Bubul, Jitman Vibranovski, Irma Alvarez, Myriam Pérsia, Araci Cardoso, Renato Godinho e outros (em um total de 60 atores e 100 figurantes).
1992
A MACONHA DA MAMãE É MAIS GOSTOSA, de Dario Fò. Tradução: Claudia Borioni. Direção: Ricardo Petraglia. Iluminação: Aurélio de Simoni. Produção: Rita Calábria. Elenco: Amir Haddad (padre), Antonio Pedro, Anselmo Vasconcellos, Vic Militello, Ernesto Piccolo, Cândido Damm e Joana Motta. Teatro Municipal do Centro de Convivência de Campinas, estreia: 17/06/1992 Teatro da Praia, Rio de Janeiro, estreia: 02/07/1992.
Em Campinas, o baseado da mamãe virou caso de polícia. Não foi à toa. O carro de som que passeava pela cidade paulista fazendo a propaganda da “mercadoria” entoava um jingle pra lá de instigante: “Maconha, emoção pra valer/ Maconha é um raro prazer”. Resultado: a atriz Vic Militello foi presa sob suspeita de incitação ao uso da droga e só conseguiu ser libertada depois que a delegada de plantão foi convencida de que a música fazia parte de um “contexto” contrário às viagens alucinógenas, embora de título ambíguo. Depois de resolvida a questão, os campinenses puderam, enfim, assistir, durante uma semana, às apresentações [da peça] […] [que] estreia hoje […] no Teatro da Praia, em Copacabana. Escaldada, a produção não vai usar a mesma tática publicitária, até porque ela é enganosa. Amir Haddad, um dos atores, explica: “Isolado, o jingle dava mesmo a entender que o texto faz a apologia da droga, e não queremos vender uma coisa diferente do que as pessoas vão encontrar no teatro. Foi um equívoco involuntário. […]” Mas também não é moralista. Escrita em 1976, [ela] discute o uso e a repressão às drogas e coloca em xeque instituições como a Igreja e a polícia […].124
1998
DEUS, de Woody Allen. Tradução: Sérgio Flaksman. Direção: Mauro Mendonça Filho. Cenário: Lia Renha. Figurino: Pedro Sayão. Iluminação: Maneco Quinderé. Música: Dani Roland. Preparação corporal: Duda Maia. Elenco: Amir Haddad, Murilo Benício, Cristina Aché, Frank Menezes, Thereza Piffer, Ângela Figueiredo, Otávio Müller, Bel Garcia, Gulu Monteiro, José Eduardo, Isabel
123 Os casos em que Amir Haddad trabalha como ator em peças também dirigidas por ele constam na lista de suas direções.
124 Denise Moraes, O tóxico sobe ao palco: peça de Dario Fò discute a maconha sob ótica política, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 jul. 1992.
Muniz Lyra, André Corrêa, Tadeu Mello, Manuela Dias e Adilson Azevedo. Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro I, Rio de Janeiro, 01/1998
O elenco contribuiu decisivamente para que Deus mantenha a sintonia do humor em alta voltagem. […] Amir Haddad também demonstra, numa interpretação de alto nível cômico (perde um pouco a mão como Dioniso), o bom ator que se desenvolveu através da linguagem do teatro de rua.125
Inédita no Brasil, a peça do cineasta […] foi escrita em 1975 e ambientada na Grécia, no século 5 antes de Cristo. Ela pretende extrair humor a partir de dois temas básicos: a existência de Deus e o poder do artista.126
2011
SHAKESPARQUE. A partir de obras líricas e dramáticas de William Shakespeare (Romeu e Julieta, Hamlet, A tempestade, A megera domada etc.).
Tradução: Bárbara Heliodora. Proposta inspirada no “Shakespeare in the Park” que acontece anualmente no Central Park, em Nova York.
Direção: Paulo Reis. Direção cênica: José Roberto Mendes. Iluminação: Rogério Emerson e colaboração dos alunos de Cenografia e Indumentária e de Iluminação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Figurino: Márcia Pitanga. Cenário: José Dias. Direção musical: Fernando Berditchevsky. Direção de jograis biográficos: Claudio Baltar. Elenco: Amir Haddad, André Mattos, Alexandre Barillari, Angela Rebello, Samara Felippo, Jandir Ferrari, Lorena da Silva,
Tereza Seiblitz, Rodrigo Nogueira, Cristina Flores, Otto Jr., Antonio Pedro e Claudia Alencar. Produção executiva: Pagu Produções Culturais. Parque Lage (em torno da piscina), Rio de Janeiro. Temporada: 04 a 27/02/2011.
O som do espetáculo será todo ao vivo. Nomeado Shakesparque, o espetáculo, inspirado no tradicional evento Shakesperiando que ocorre todos os anos no Central Park, em Ny, também veio, segundo Paulo Reis, do sucesso que sua montagem de A tempestade fez há quase 30 anos atrás no Parque Lage. “Há anos vinham insistindo para que eu remontasse o espetáculo e só agora, quase trinta anos depois, eu sinto que chegou a hora”, explica o diretor. Graças à enorme procura para participação, a ideia de fazer trechos, e não uma peça completa, apareceu. As obras escolhidas para a exibição serão: Ricardo III (por Lorena da Silva e Jandir Ferrari), A megera domada (Tereza Seiblitz e André Mattos), Romeu e Julieta (Cristina Flores e Rodrigo Nogueira), Sonho de uma noite de verão (Cláudia Alencar e Antônio Pedro), Hamlet (Samara Felippo e Alexandre Barillari), Macbeth (Angela Rebello e Otto Jr.) e A tempestade (Amir Haddad). As senhas para entrar serão distribuídas 2 horas antes do início do espetáculo. O espaço abrigará apenas 260 lugares por apresentação.127
2011-2
ÉDIPO REI, de Sófocles. Direção: Eduardo Wotzik. Elenco: Amir Haddad (Tirésias), Rogério Fróes, Gustavo Gasparani, Eliane Giardini, César
125 Macksen Luiz, Saborosa chanchada metafísica, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 jan. 1998
126 Lionel Fischer, Todo o poder da criação, Manchete, Rio de Janeiro, 7 fev. 1998, p. 92
127 Espetáculo a céu aberto traz Shakespeare a Parque Lage. Fonte: https://www.querodiscutiromeuestado.rj.gov.br/noticias/3194-espetaculo-a-ceu-aberto-traz-shakespeare-a-parque-lage. (Acesso em 22 abr. 2022).
Augusto, Fabianna de Melo e Souza, Pietro Mário Bogianchini, Thiago Magalhães, Nina Malm e Louise Marrie. Temporada: 21 a 26/11/2011, Sesc Copacabana, Rio de Janeiro.
Clima de confraternização na leitura de Édipo Rei, anteontem, no Espaço Sesc, em Copacabana, no projeto Autopeças […]. Integrante da companhia, Gustavo Gasparani escolheu a leitura da popular tragédia grega. No elenco, Renata Sorrah, que se dividiu entre o Coro e Corifeu, espécie de narradora da trama, Pedro Paulo Rangel, Nelson Xavier, Isio Ghelman, e o diretor Amir Haddad, acompanhado de um séquito fiel ao teatro, formado pelas “alunas do Amir” Letícia Spiller e Cristiana Oliveira.128
No mesmo dia, em nota próxima:
A presença de Amir Haddad no palco arena do Sesc foi tamanha que, ao longo da leitura, ele chegou a quebrar a cadeira na qual estava sentado. Da tragédia fez-se a comédia, para deleite da plateia. O veterano diretor aproveitou o incidente para elevar a temperatura do local, atirando o que restou do acessório de cena escada do teatro abaixo.129
Haddad interpreta Tirésias, o cego adivinhador que, por sinal, rouba a cena dialogando com Édipo no início da peça. O experiente ator não cabe dentro do teatro, tamanha é sua força e domínio sobre a personagem a quem dá vida.130
2025
HADDAD E BORGHI: CANTAM O TEATRO, LIVRES EM CENA, criação e direção: Eduardo Barata.
CINEMA
1977
AJURICABA: O REBELDE DO AMAZONAS. 131 Longa-metragem (100 min.). Gênero: aventura. Direção: Oswaldo Caldeira. Baseado em caso verídico ocorrido na Amazônia do século XViii. Elenco: Amir Haddad, Rinaldo Ceres, Paulo Villaça, Nilso Parente, Emmanuel Cavalcanti, Fregolente, Carlos Eduardo Novaes, Sura Berditchevsky e Maria Silvia. (Filme premiado no Festival de Brasília de 1977.)
ANA. Curta-metragem de ficção. Direção e argumento: Raimundo Bandeira de Mello. Fotografia: Edgar Moura. Elenco: Ângela Valério, Miguel Oniga, Sergio Britto, Manfredo Colasanti, Ney Sant’Ana, Hilda Mello, Ivo Fernandes, Amir Haddad, Thaia Perez e outros.
Ana, Corpos e Catiti-Catiti são mais três filmes de ficção concorrentes ao 5° Festival Brasileiro de Curta-Metragem. O Festival, promoção Jornal do Brasil/Shell, será realizado de 21 a 25 de novembro no Cinema 1 e Cinemateca do MaM, distribuindo um total de cr$ 150 mil em prêmios. […] Ana é em 16 mm e em cores. A sinopse apresenta duas mulheres que moram juntas. Uma é atriz, Ana, que sofre as dificuldades de conseguir trabalho no mercado. A outra, Marta, ao chegar em casa encontra uma carta da amiga. A partir da leitura da carta, Marta reconstrói as circunstâncias que
128 Deuses e enigmas, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 nov. 2008, caderno B, p. 8
129 Ibidem.
130 Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 nov.-2 dez. 2012
131 Filme disponível no Youtube em: <https://www.youtube.com/watch?v=1H8NQPSiUSg>. (Acesso em 22 abr. 2022).
levaram Ana a um estado de depressão e desilusão entre a contradição do que “se quer e o que se é obrigado a fazer”.132
1992
PERDI A CABEÇA NA LINHA DO TREM 133 Curta-metragem (15 min.). Direção: Estevão Ciavatta Pantoja. O tema mistura samba e misticismo e teve como locação o Café e Bar Flor da Lapa. Elenco: Helena Ignez, Nélson Sargento, Duda Mamberti, Cândido Damm, Ana Cristina, Carla Alexandar, Marcelo Santiago, Silvana Weaver, Amir Haddad (participação especial como vendedor de panelas) e outros.
1996
DOCES PODERES. Longa-metragem (102 min.).
Gênero: comédia. Direção: Lcia Murat. Elenco: Amir Haddad, Stepan Nercessian, Antônio Fagundes, Sérgio Mamberti, Marisa Orth, Otávio Augusto, Elias Andreato, Zezé Polessa, Luís Melo e outros.
2002
SEPARAÇõES. Longa-metragem (116 min.). Gênero: comédia/romance. Direção: Domingos de Oliveira. Elenco: Amir Haddad, Domingos de Oliveira, Luís Melo, Pedro Cardoso, Maria Ribeiro, Ricardo Kosovski e outros.
CHãO DE ESTRELAS. Longa-metragem (90 min.).
Direção: Marcus Vinícius Faustini. Gênero: documentário, cujo tema é a situação do ator. Elenco: Amir Haddad, Fernanda Montenegro, Sergio Britto, Alberto Damit. Teatro Villa-Lobos, Rio de Janeiro. Estreia: 08/11/2002
Realizado com a desenvoltura de um documentarista veterano, Chão de estrelas seduz pela forma incisiva como Faustini, que assume o papel de entrevistador, aborda os personagens, evitando dar margem à pieguice em bate-papos com figuras como Alberto Damit, ator que fez greve de fome em frente ao prédio da tV Globo. Mesmo nomes consagrados da classe teatral brasileira, como Fernanda Montenegro, Sergio Britto e Amir Haddad, são tratados sem tom de bajulação que os supervalorize em detrimento de rostos menos consagrados.134
SUSPIROS REPUBLICANOS AO CREPÚSCULO DE UM IMPÉRIO. Curta-metragem (12 min.). Direção: Rosane Svartman e José Lavigne. Elenco: Caio Junqueira, Débora Lann, Domingos de Oliveira, Gutti Fraga, Perfeito Fortuna, Amir Haddad (Marechal Deodoro), José Wilker (narrador) e outros. Pré-estreia no Festival Curta Cinema, Rio de Janeiro, com início em 29/11/2002.
2003
O HOMEM DO ANO. Longa-metragem (113 min.).
Gênero: drama. Direção: José Henrique Fonseca. Baseado no livro O matador, de Patrícia Melo.
Elenco: Amir Haddad (Gonzaga), José Wilker, Murilo Benício, Wagner Moura, Claudia Abreu, Jorge Dória, Lázaro Ramos, Agildo Ribeiro, Mariana Ximenes, Perfeito Fortuna etc.
HARMADA. Longa-metragem (100 min.). Gênero: comédia dramática. Direção: Maurice Capovilla. Elenco: Amir Haddad (ator e preparador do núcleo
132 Reportagem e ficção se destacam no 5° Festival Jornal do Brasil/Shell, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 out. 1977, caderno B, p. 8
133 Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=7SqDxw-987s. (Acesso em 18 out. 2022).
134 Rodrigo Fonseca, Dramas para além do palco: documentário enfoca situação do ator, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 nov. 2002.
de idosos do elenco), Antonio Pedro, Malu Galli, Cecil Thiré, Paulo César Pereio, Joana Medeiros, João Velho e outros.135
2005
O VENENO DA MADRUGADA. Longa-metragem (118 min.). Gênero: drama. Direção: Ruy Guerra. Elenco: Amir Haddad (Dom Sabas), Juliana Carneiro da Cunha, Nilton Bicudo, Tonico Pereira, Fábio Sabag, Fernando Alves Pinto e outros.
2007
APORIAS CONJUMINADAS. Longa-metragem (125 min.). Gênero: ficção. Direção: Vinicius Bandera. Elenco: Amir Haddad, Carmélia Alves, Marcus Cinelli, Santa Clara, Carlos Mossy, Jerry Adriani, Katia D’Angelo, Bárbara Santos, Rolo, Roni Valk, Paulo Rafael Pizarro etc.
MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL:
OU FICAR A PÁTRIA LIVRE OU MORRER PELO
BRASIL. Longa-metragem (103 min.). Gênero: documentário. Direção: Silvio Tendler. Elenco: Amir Haddad, Cássio Gabus Mendes, Dira Paes, Chico Diaz, Maíra Lemos, José Serra, Ferreira Gullar e outros.
2009
DZI CROQUETTES. Longa-metragem (110 min.).
Gênero: documentário. Direção: Tatiana Issa e Raphael Alvarez. Elenco: Amir Haddad, Claudio Tovar, Gilberto Gil, Liza Minelli, Marília Pêra, Betty Faria, Pedro Cardoso, Claudia Raia, Nelson Motta e outros.
UTOPIA E BARBÁRIE. Longa-metragem (120 min.).
Gênero: documentário. Direção: Silvio Tendler. Elenco: Amir Haddad (narrador), Chico Diaz (narrador), Letícia Spiller (narradora), Dilma Rousseff, Ferreira Gullar, Eduardo Galeano e outros.
2011
O VENENO ESTÁ NA MESA. Média-metragem (50 min.). Gênero: documentário. Direção: Silvio Tendler. Elenco: Amir Haddad, Eduardo Galeano, Dira Paes, Júlia Lemmertz, Caco Ciocler e outros.
2012
CIRANDEIRO. Longa-metragem (71 min.).
Gênero: documentário. Direção: Cláudio Boeckel. O filme tem como tema o próprio Amir Haddad e o teatro de rua. Elenco: Amir Haddad e grupo
Tá na Rua.136
2013
TUDO QUE MOVE. Longa-metragem (95 min.).
Direção: Thiago Gomes. Gênero: documentário. Elenco: Amir Haddad, Hugo Carvana, Stênio
Garcia, Nélida Piñon, Elke Maravilha, Zezé
Motta, Beth Carvalho, Tia Surica e outros.
2018
COMO VOCÊ ME VÊ? Longa-metragem (113 min.).
Gênero: documentário. Direção: Felipe Bond.
Elenco: Amir Haddad, Tonico Pereira, Cássia Kiss, Osmar Prado, Letícia Sabatella, Babu Santana, Tonico Pereira, Matheus Nachtergaele, Stênio Garcia e outros.
O BEIJO NO ASFALTO. A partir da obra de Nelson Rodrigues. Longa-metragem (98 min.). Direção
135 O making of pode ser visualizado em: https://www.youtube.com/watch?v=HPtmRwoouuA. (Acesso em 18 out. 2022).
136 Documentário disponibilizado pelo diretor Claudio Boeckel ao autor deste livro para fins de consulta.
e roteiro: Murilo Benício. Produção: República Pureza, Murilo Benício e Marcello Ludwig Maia. Adaptação da peça homônima, mesclando linguagem cinematográfica e teatral. Figurino: Valeria Stefani. Música tema: “A vida é ruim”, de Caetano Veloso, interpretada por Ney Matogrosso. Fotografia: Walter Carvalho. Elenco: Fernanda Montenegro (como dona Matilde), Amir Haddad (ator convidado, como diretor da peça), Stênio Garcia (ator convidado), Lázaro Ramos, Débora Falabella, Otávio Müller, Augusto Madeira e outros.
PAISAGEM: UM OLHAR SOBRE BURLE MARX. Longa-metragem (72 min.). Gênero: documentário. Direção: João Vargas Penna. Narração: Amir Haddad.
2021
POROPOPÓ. Longa-metragem (80 min.). Gênero: Família. Direção: Luís Antônio Igreja. Roteiro: Denise Bernardes e Rodrigo Parra. Elenco: Amir Haddad, André Abujamra, André Garcia Alvez, Daniel Gonzaga, Letícia Pedro, Luigi Montez, Ludmila Silva. Lançamento: Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, 23/10/2021.
2022
LEDOR VADOR E A ALMA NO TEATRO. Curta-metragem acadêmico (23 min.). Gênero: documentário. Idealização, direção e produção: Maria Eduarda Jerke, a partir do processo de montagem do espetáculo A alma imoral. Estação Net Botafogo, Rio de Janeiro. Elenco: Amir Haddad, Clarice Niskier e equipe do espetáculo. Pré-estreia: 17/12/2022
TELEVISãO
1986
CAMBALACHO. Participação especial em setembro na novela das 19h da tV Globo, de Silvio de Abreu. Direção: Jorge Fernando e Antônio Rangel. Exibição: 10/03 a 04/10/1986.
As gravações de Cambalacho agitaram Petrópolis na última sexta-feira. Quase todo o elenco da novela participou. Lá, foram feitas cenas dos julgamentos de Leonarda Furtado [Naná] (Fernanda Montenegro) e Andréia (Natália do Vale). Roberto de Cleto acabou não fazendo o papel do médico envolvido com a morte de Antero (Mário Lago). Em seu lugar, gravou Luís Sérgio Lima e Silva. Também fizeram participações: Amir Haddad, como o juiz [presidindo o julgamento de Naná], e Luiz Magnelli, vivendo o promotor.137
1993
AGOSTO Minissérie das 22h30 da tV Globo, de Jorge Furtado e Giba Assis Brasil. Direção: Paulo José, Denise Saraceni e José Henrique Fonseca. Direção geral: Paulo José. Direção artística: Carlos Manga. Adaptação de romance homônimo de Rubem Fonseca. Elenco: Amir Haddad (Afiador de facas), Lima Duarte, Ary Fontoura, Cláudio Corrêa e Castro, Elias Gleizer, Léa Garcia, Hugo Carvana, José Mayer, José Wilker, Mário Lago, Othon Bastos, Letícia Sabatella, Lúcia Veríssimo, Milton Gonçalves, Sérgio Mamberti e outros.
A minissérie foi exibida de 24/08/1993 a 17/09/1993
Os coadjuvantes de luxo que têm aparecido –Paulo Gracindo, Mário Lago, Lima Duarte, Amir Haddad, Silvia Bandeira – transformam
137 Hildegard Angel, Cambalacho movimenta Petrópolis, Jornal do Commercio, Manaus, 16 set. 1986, seção Por dentro da TV, Momento, p. 20.
qualquer ceninha em ótimos momentos. […]. A edição da minissérie, na verdade, está muito mais perto da linguagem cinematográfica do que a que a gente se acostumou a ver em novelas de tV. É mais correto falar em montagem em vez de edição.138
1994
MEMORIAL DE MARIA MOURA Minissérie exibida pela TV Globo de 17/05 a 17/06/1994, às 22h30 Adaptação do romance homônimo de Rachel de Queiroz, escrita por Jorge Furtado e Carlos Gerbase. Colaboração: Glênio Póvoas e Renato Campão. Direção: Denise Saraceni, Mauro Mendonça Filho, Marcelo de Barreto e Roberto Farias. Direção artística: Carlos Manga. Elenco: Glória Pires, Cléo Pires, Kadu Moliterno, Cristiana Oliveira, Zezé Polessa, Miriam Pires, Sebastião Vasconcellos, Amir Haddad (Mascate) e grande elenco.
2003
CAROL & BERNARDO. Especial exibido pela tV Globo em 23/12/2003, às 22h40. Roteiro: Bruno Mazzeo e Cláudio Torres Gonzaga. Direção: Mauro Mendonça Filho. Elenco: Andrea Beltrão, Eduardo Moscóvis, Amir Haddad (cubano), Paulo Betti, Iara Jamra, Otávio Müller, Ricardo Pavão etc.
2004-5
COMO UMA ONDA. Novela das 18h da tV Globo, de Walther Negrão, com colaboração de Fausto Galvão, Jackie Vellego, Lucio Manfredi e Renato Modesto. Direção geral Dennis Carvalho e Mauro Mendonça Filho. Exibição de 22/11/2004 a 17/06/2005. Amir Haddad interpretou o papel de Menez, numa participação especial com o Grupo Tá na Rua, que formou “um grupo de mendigos
sem nenhuma compostura”139. Elenco: Ricardo Pereira, Elias Gleizer, Mel Lisboa, Laura Cardoso, Alinne Moraes, Cauã Reymond, Hugo Carvana, Denise Del Vecchio, Marcos Caruso, Débora Duarte, Louise Cardoso e outros.
2008
A GRANDE FAMÍLIA. Temporada 8, episódio 19, “A maldição dos Carrara”. Série da tV Globo. Episódio escrito por Cláudia Jouvin, Maurício Rizzo e Marcello Gonçalves. Direção: Maurício Farias. Elenco: Marieta Severo, Marco Nanini, Pedro Cardoso, Andrea Beltrão, Lúcio Mauro Filho, Guta Stresser. Participação especial: Amir Haddad (Viana). Exibido em 07/08/2008
2010
S.O.S EMERGÊNCIA. Episódio “Sim senhor, sim senhora”. Série exibida pela tV Globo. A 1ª temporada de que Amir participa foi exibida entre 04/04 e 18/07/2010. Autores: Angélica Lopes, César Cardoso, Cláudia Gomes, Daniel Adjafre, Gabriela Amaral, Marcius Melhem e Paulo Cursino (1ª temporada). Direção geral: Mauro Mendonça Filho. Elenco: Ney Latorraca, Marisa Orth, Bruno Garcia, Ellen Roche, Alessandra Negrini, Antônio Pitanga, Cássio Gabus Mendes, Arlete Salles, Duda Mamberti, Amir Haddad (Afonso) e outros.
2017-8
SOB PRESSãO Série da tV Globo exibida às 22h30 Direção: Andrucha Waddington e Mini Kerti. A 1ª temporada foi transmitida entre 25/07 e 19/09/2017 (com 9 episódios); a 2ª temporada, entre 08/10 e 18/12/2018 (com 11 episódios); a 3ª, por fim, entre 02/05 e 25/07/2019 (com 14 episódios). Elenco: Amir Haddad (seu Benedito), Camilla Amado
138 Artur Xexéo, No Brasil, honestidade dá úlcera, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 set. 1993.
139 Rachel Almeida, Por um teatro libertário, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 jul. 2005.
(sua esposa, dona Lúcia), Júlio Andrade, Marjorie Estiano, Bruno Garcia, Stepan Nercessian, Fernanda Torres, Marcelo Serrado, Drica Moraes, Ângela Leal, Zezé Motta e outros.
2019
ÓRFãOS DA TERRA Novela das 18h da tV Globo, exibida entre 02/04 e 28/09/2019. Autoras: Duca
Rachid e Thelma Guedes. Escrita por: Dora Castellar, Aimar Labaki, Carolina Ziskind, Cristina Biscaia. Colaboração: Cristina Biscaia.
Direção: Alexandre Macedo, Bruno Safadi, Pedro Peregrino e Lúcio Tavares. Direção-geral: André Câmara. Direção artística: Gustavo Fernandez. Elenco: Julia Dalavia, Renato Góes, Herson Capri, Letícia Sabatella, Carmo Dalla Vecchia, Marco Ricca, Ana Cecília Costa, Amir Haddad (como Tito Faiek, avô de Laila, na Síria, com participação no início da novela) e grande elenco.
2024
JUSTIÇA 2. Série de Manuela Dias (indicada ao Emmy Internacional como Melhor Série Dramática em sua primeira temporada de 2016). Colaboração: Walter Daguerre e João Ademir. Direção: Mariana Betti, Pedro Peregrino e Ricardo França. Direçãogeral e artística: Gustavo Fernandez. Globo Play e tV Globo. Elenco: Amir Haddad, Maria Padilha, Marco Ricca, Helena Kern, Juan Paiva, Murilo Benício, Paolla Oliveira etc.
AMIR PROFESSOR
1962 a 1965: Escola de Teatro da Universidade Federal do Pará, Belém.
1966 a 1973: Escola de Teatro da Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do
Rio de Janeiro (FeFierJ – antigo Conservatório Nacional de Teatro), Rio de Janeiro.
1968 a 1978: Escola de Teatro Martins Pena, Rio de Janeiro.
1990 (setembro): pedagogo convidado da Escola Internacional de Teatro da América Latina e do Caribe – Machurrucutu (aldeia de gado leiteiro perto de Havana), Cuba.
1992 a 1995: Formação do Núcleo de Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Tuerj), Rio de Janeiro.
1980 até o presente: Escola Carioca do Espetáculo Brasileiro, do grupo Tá na Rua, Rio de Janeiro.
FORMAÇÃO E ORIENTAÇÃO DE NÚCLEOS DE PESQUISA TEATRAL 140
1978
Grupo Palco e Rua – trabalho de implantação, junto à Secretaria de Cultura e Turismo de Ouro Preto (Mg).
1995
Projeto caetÉs – Centro Amazônico de Experimentação Teatral; implantação do núcleo de trabalho em Belém, como assessor especial da Secretaria de Estado de Cultura – Governo do Pará.
1996
eXPedições descoloNizadoras – Projeto Hoje tem espetáculo, da Fundação José Augusto; oficinas teatrais realizadas em diversos municípios do Rio Grande do Norte: Natal, Mossoró, Ceará Mirim, Caicó.
140 Angela Rebello, Somma ou Os melhores anos de nossas vidas: arqueologia de um exercício teatral. Monografia (bacharel em Artes Cênicas) – CLA-Unirio, Rio de Janeiro, 2005, p. 182.
escola de cultura, coMuNicação, oFícios e artes (Ecoa) – Instituto Dragão do Mar. Secretaria da Cultura e Esporte do Estado do Ceará. Implantação e realização de oficinas teatrais em Fortaleza (ce).
CURSOS TEMPORÁRIOS 141
1978-81
Cursos livres em diversas cidades brasileiras, pela Confederação Nacional de Teatro Amador (Confenata): Brasília (dF), Boa Vista (rr), Cuiabá (Mt), São Paulo (sP) entre outras.
Cursos livres da Federação de Teatro Associativo do Estado do Rio de Janeiro (Fetaerj), em diversas cidades do estado do Rio de Janeiro: Campos dos Goytacazes, Resende, Volta Redonda entre outras.
Curso de reciclagem de atores, pela Secretaria de Cultura do Espírito Santo.
Curso de reciclagem para atores profissionais, pelo Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro (rJ).
1982
Curso livre pela Fundação Teatro Guaíra (Pr).
1983
Curso de treinamento de atores, pela Secretaria de Cultura de Juiz de Fora (Mg).
1987
i Festival Latino-Americano de Arte e Cultura (Flaac)/Universidade Federal de Brasília; curso livre; Brasília (dF).
1988
Curso livre no XVii Festival de Artes de São Cristóvão (se).
141 Ibidem, p. 183.
1989
O ator no musical. Festival de Inverno de Minas Gerais/Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte (Mg).
Espaço/ator. ii Mostra Latino-Americana de Teatro, Londrina (Pr).
1992
Participação no Projeto Trianon – Academia Doris Cunha, Campos dos Goytacazes (rJ).
O ator do espaço aberto – oficina. Vi Festival Universitário de Blumenau (sc).
1993
O teatro libertado e o ator no espaço aberto –oficina. ii Encontro Brasileiro de Teatro de Grupo. Oficina Cultural Candido Portinari, Ribeirão Preto (sP).
1994
Oficinas de teatro de rua, no Espaço Oficina Mazzaropi, pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (sP).
O teatro libertado e o ator do espaço aberto –i Porto Alegre em Cena, Porto Alegre (rs).
1996
O teatro de Shakespeare. Fórum Shakespeare Internacional – British Council/Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (rJ).
Iniciação teatral. Espaço Cultural Finep, Rio de Janeiro (rJ).
142
PROJETOS ESPECIAIS
1984
Escola viva, projeto de ação cultural desenvolvido na Escola Municipal Arruda Negreiros, em Nova Iguaçu (rJ), por meio do Projeto Educação e os diversos contextos culturais do país, do Ministério da Educação e Cultura.
1997
Projeto de criação do Centro Internacional de Formação e Desenvolvimento em Teatro e Educação, em Anchieta (es), em convênio com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Anchieta (es).
SEMINÁRIOS, PALESTRAS
E CONFERÊNCIAS 143
1976
Teatro e o Teatro Brasileiro. Palestrante. Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Departamento Cultural. Setor Teatro, Rio de Janeiro (rJ).
1988
ii Seminário da Crítica Teatral. Mesa-redonda: a voz dos criticados. Debatedor. Inacen/Minc, Rio de Janeiro (rJ).
1989
Seminário: a produção teatral e o contexto do país. Conferencista. Xiii FestiMinas, Belo Horizonte (Mg).
Seminário: Cultura e Politica Latino-Americano. Participação no painel: Perspectivas de trabalho Cultural na América Latina. Instituto Latino Americano de Desenvolvimento Econômico e Social (Ildes) (sP). Hotel Copacabana Palace, Rio de Janeiro (rJ).
142 Ibidem, p. 184
143 Ibidem, p. 185.
Seminário: s o s. Morte Civil. Moderador. Associação das Prostitutas do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)/Centro de Educação e Humanidades, Rio de Janeiro (rJ).
Três chaves do pensamento original: Eros, mito e logos. Mesa-redonda: o espaço de Eros. Debatedor. Curso de extensão. Universidade Santa Úrsula. Vice-reitoria comunitária/ Serviço de Atividades Sócio-Culturais, Rio de Janeiro (rJ).
1990
iii Mostra Latino-Americana de Teatro –iV Forum da Cultura. Conferencista. Tema: Reencontro com as origens no teatro do final do século, Londrina (Pr).
Balanço dos anos [19]80 e perspectivas para [19]90. Debate. Participação. Universidade Aberta (Univerta), Rio de Janeiro (rJ).
V Encontro Renner de Teatro. Palestrante, Porto Alegre (rs).
1991
Seminário: Espaço vivo: a ribalta das escolas de teatro. Palestrante. Tema: A modernidade do texto: “O mambembe”, de Arthur Azevedo e José Piza, Rio de Janeiro (rJ).
O ator nos espaços abertos. Palestra. Auditório da rFFsa. Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, Fortaleza (ce).
1992
Projeto Barbante: um encontro com o mundo da leitura. Prefeitura Municipal de São Gonçalo/ Secretaria Municipal de Educação e Cultura, São Gonçalo (rJ).
Seminário Ecoa. Palestrante. Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, Fortaleza (ce).
1994
i Seminário sobre cultura brasileira, para criação da Casa de Cultura do Brasil. Diretor convidado – Consulado Geral do Brasil. Nova York (Estados Unidos).
Duelo na boca de cena. Debate Amir Haddad/Jorge Takla. Fax-cruzado. Publicação: JB, 11 de janeiro de 1996.
I Seminário de Teatro de Rua de Angra dos Reis. Palestrante, Angra dos Reis (rJ).
Seminário de leitura Módulo Zero. Pro-Ler: Projeto Nacional de incentivo à leitura. Expositor. Tema: Leitura e linguagens. Universidade Estadual de Feira de Santana (ba).
1995
Jornada de Debates: Educação e desenvolvimento humanizado. Debatedor. Auditório Senai. Secretaria da Educação do Estado do Rio de Janeiro (rJ).
1996
Festival Nacional de Teatro Isnard Azevedo –Ano 4. Palestrante. Teatro Álvaro de Carvalho, Florianópolis (sc).
1997
ii Encontro Anglo-Brasileiro. Fórum de Teatro. Debatedor. Centro Cultural Banco do Brasil/ Espaço Cultural dos Correios, Rio de Janeiro (rJ).
Seminário de cenografia. Mesa-redonda: espaço da rua como cenário. Participação. Serviço Social do
144 Ibidem, p. 187.
Comércio (Sesc-sP); Sociedade Cultural Flávio Império; Sesc Pompeia (sP).
17º Festival Nacional de Teatro de São José do Rio Preto. Seminário de Teatro Contemporâneo. Expositor. Tema: O que é teatro de rua? –Tendências da encenação contemporânea.
São José do Rio Preto (sP).
7ª Jornada Nacional de Literatura. Pro-Ler: Projeto Nacional de incentivo à leitura. Palestrante, Passo Fundo (rs).
2001
Ensino Fundamental do Programa Escola que Vale em Catas Altas (Mg). Workshop de demonstração da linguagem do Grupo Tá na Rua. Coordenação da Vale do Rio Doce.
Viii Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (ce). Tema: Teatro de Rua no Brasil.
ARTIGOS PUBLICADOS 144
1980
Coluna Cultural. Em: Panorama Cultural. Niterói: agosto 1980, ano i, n. 2
Coluna Cultural. Em: Panorama Cultural. Niterói: setembro 1980, ano i, n. 3
Coluna Cultural. Em: Panorama Cultural. Niterói: outubro 1980, ano i, n. 4
1988
Teatro: magia sem mistério. Em: Cultura Rio. Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro (rJ).
1993
A construção do espetáculo. Em: Oficinas do sonho: a Beija-Flor vista do barracão. Catálogo da exposição/documentário fotográfico de Valtemir Valle. Museu de Arte Contemporânea/usP, São Paulo (sP).
1994
O espaço. Em: Tântalo. Boletim de comunicação, educação e cultura. Reconstrução/Ceco. Joinville, maio-junho 1994
DEPOIMENTOS 145
1991
Depoimento à Fundação Museu da Imagem e do Som (Mis). Governo do Estado do Rio de Janeiro/ Secretaria de Cultura (rJ).
1994
Depoimento/conversa com Maria Lúcia Dahl, para o livro A década do depois, publicado pela Editora Quarted.
PREMIAÇÕES 146
1959
Melhor diretor, com o espetáculo A incubadeira, de José Celso Martinez Corrêa; no ii Festival Nacional de Teatro de Estudantes.
1968
Prêmio Molière, com o espetáculo A construção, de Altimar Pimentel.
1970
Prêmio Molière, com o espetáculo O marido vai à caça, de Feydeau.
1972
Prêmio Governador do Estado do Rio de Janeiro, com o espetáculo Tango, de Mrozek.
1989
Prêmio Shell, com o espetáculo Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, de Vianinha e Ferreira Gullar.
1997
Prêmio Sharp, com o espetáculo O mercador de Veneza, de William Shakespeare.
HOMENAGENS147
1986
Moção de congratulações da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (rJ).
1988
Diretor convidado da I Mostra Latino-Americano de Teatro/XVii Festival Universitário de Teatro de Londrina, Londrina (Pr).
1990
Diretor convidado do V Festival Íbero-Americano de Cadiz (Espanha).
1995
Medalha de Honra ao Mérito Pedro Ernesto, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (rJ). Homenagem especial no 5º Festival Internacional de Artes Cênicas (Fiac), São Paulo (sP).
145 Ibidem, p. 187
146 Ibidem, p. 189.
147 Ibidem, p. 190.
1998
Convidado de Honra do 10º Festival Internacional de Teatro Experimental, Cairo (Egito).
Título de Cidadão honorário, conferido pela Câmara Municipal de Natal (rN).
2006
Ordem do Mérito Cultural na categoria
Comendador, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, Brasília.
2018
Prêmio da Associação dos Produtores de Teatro (aPtr).
2019
Título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
2023
Prêmio em Salvador
Homenageado no 29º Prêmio Braskem de Teatro, na quarta-feira, dia 29 de novembro, no Teatro
Sesc Casa do Comércio, em Salvador (ba).
A cerimônia foi intitulada “Afeto, um auto de amor ao teatro”. O prêmio é uma realização da Caderno 2 Produções, com patrocínio da Braskem e do Governo da Bahia.
2024
Homenagem a Amir Haddad e Renato Borghi durante a 34ª edição do Prêmio Shell de Teatro.
2025
Eleito membro vitalício da Academia LíbanoBrasileira de Letras, Artes e Ciências. Evento de posse no Consulado Geral do Líbano.
OUTRAS ATIVIDADES E PERCURSOS
Como se viu até aqui, inumeráveis são os cursos, intervenções públicas, comissões de festivais, entre outras atividades de que Amir Haddad tomou parte ao longo de sua trajetória. Inventariá-las seria possível, dada a farta documentação de sua carreira. Mas optei por registrar apenas algumas, a título de amostragem – o que em quantidade já é muito –, pois não fazem senão o papel de colorir tipologias e naturezas de cada proposta ao longo de sua vida.
A exposição completa das atividades documentadas quase diariamente pelos principais veículos de imprensa do Brasil tornaria o material, de resto, desnecessário para uma maior dimensão de seu nível de atuação artística, política, social, pedagógica e pessoal, citado centenas de vezes por artistas, comentadores ou humoristas que usaram seu perfil como referência de qualidade para analogias e observações analíticas sob os mais variados âmbitos. Aí vai “um pouco” do que Amir andou fazendo fora de suas direções e atuações principais.
1960
Manifesto por Nydia
Assinado em setembro por vários artistas em prol da atriz Nydia Licia, reivindicando a retomada de seu direito ao uso do Teatro Bela Vista, que ocorreu em 20 de outubro de 1960, com a estreia do espetáculo Apartamento indiscreto, dirigido por Amir Haddad.
1961
Curso Prático de Teatro
Instituto Cultural Israelita-Brasileiro convida seus associados e interessados a participarem do “Curso Prático de Teatro” ministrado pelo diretor Amir Haddad. Todas as quartas-feiras, às 20h30, em sua sede social à rua Três Rios, nº 252. 148
148 Nossa voz: semanário israelita-brasileiro, ano XV, São Paulo, 16 nov. 1961
1966
Conferência na Escola Martins Pena, Rio de Janeiro
Também a Escola de Teatro Martins Pena, que parece querer sair um pouco da sua tradicional letargia através de atividades extracurriculares, vai promover um ciclo de conferências sobre teatro. A série será inaugurada pelo diretor Gianni Ratto […]. Bárbara Heliodora, Rubem Rocha Filho, Luís Carlos Maciel, João das Neves, Yan Michalski, Paulo Afonso Grisolli, Amir Haddad [entre outros] são os outros conferencistas que estão sendo convidados […].149
1967
I Seminário de Dramaturgia Carioca
A sessão de hoje do I Seminário de Dramaturgia Carioca, a ser realizada às 21h no Conservatório Nacional de Teatro, está sendo aguardada com particular interesse: segundo ouvimos dizer, a peça a ser lida, Satã morre de asma em Copacabana, de Luciano Zajdsznajder, promete dar margem a muitas controvérsias e polêmicas. É uma
chanchada sinfônica, com música de Flávio Silva, e será lida por atores do Tuca sob direção de Amir Haddad.150
Comissão de Avaliação da Escola Martins Pena
O Secretário de Educação da Guanabara, Sr. Gama Filho, destinou ontem uma comissão composta pelos senhores Pascoal Carlos Magno, Yan Michalski, Paulo Afonso Grisolli, Napoleão
Moniz Freire e Amir Haddad para estudar e elaborar projeto destinado a reformar a Escola de Teatro Martins Pena. A comissão tem 30 dias para apresentar relatório. O estado de abandono em que se encontra a [escola] foi denunciado em reportagem publicada pelo [Jornal do Brasil] no último dia 29/10, onde se revelava que, além da falta de professores, o prédio se encontra em situação precária, inclusive sem luz elétrica.151
[…] não se tratou, portanto, de uma Comissão Interventora dotada de poderes executivos, conforme foi insinuado […]. A tarefa foi realizada sem qualquer ônus para os cofres do Estado. O parecer não sugeria, em absoluto, o fechamento sumário da Escola Martins Pena.152
Teatro João Caetano
O João Caetano ganhou novo diretor: Amir Haddad que, entre outros trabalhos, tem o de direção de Verde que te quero verde e Coronel de Macambira para o Tuca, que, assim, perderá sua colaboração.153
Informa Amir Haddad, Diretor do Teatro João Caetano, que o sistema de refrigeração daquela casa de espetáculo já se acha ligado, em fase de experiências, e que deverá estar em pleno funcionamento para a temporada de Homem de papel, a ser iniciada depois de amanhã.154
149 Conferência na Martins Pena, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 maio 1966, seção Panorama do Teatro, caderno B, p. 6
150 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º set. 1967, seção Panorama do Teatro, nota Seminário, caderno B, p. 5
151 Comissão vai dizer como está escola, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 nov. 1967, caderno 1, p. 4
152 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 fev. 1968
153 Revista O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 18 nov. 1967, p. 125
154 João Caetano refrigerado, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 nov. 1967, nota na seção Panorama do Teatro, caderno B, p. 3.
1968
Gente Nova em Livro
A Editora Expressão e Cultura acaba de lançar em bonita e original apresentação gráfica o livro
Gente nova, nova gente [ver bibliografia consultada desta biografia], que estuda a participação da jovem geração brasileira nas atividades artísticas. Na parte relativa ao teatro, a cargo de Luís de Lima, são apresentados os resultados de uma pesquisa sociológica realizada através de um questionário respondido por 250 jovens que se dedicam ao teatro, e ainda entrevistas feitas com alunos do Conservatório Nacional de Teatro, com integrantes do Tablado, com os autores Antônio Bivar e Carlos Aquino, e com o Diretor Amir Haddad. O livro é ilustrado com belas fotografias de Édson Cláudio.155
Teatro no Colégio Brasil
O Colégio Brasil, cujo Departamento de Teatro obedece à orientação de João Rui Medeiros, promoverá de 4 a 27/03 um ciclo de conferências subordinadas ao título Um panorama da dramaturgia ocidental, do realismo intimista até nossos dias. Fernando Peixoto, Luís Carlos Maciel, Martim Gonçalves, Heitor O’Duvyer, Bárbara Heliodora, Amir Haddad e José Celso Martinez Corrêa figuram entre os conferencistas.156
No Festival Amador
O Festival Brasileiro de Teatro Amador, promovido pela Associação de Teatro Amador, anuncia para
esta noite, amanhã e domingo as apresentações de As Troianas, de Eurípides, em adaptação de Sartre, pelo elenco do Mabe. Os espetáculos são realizados no Teatro Nacional de Comédia, às 21h. A Comissão Julgadora do Festival é integrada por três diretores profissionais: Amir Haddad, B. de Paiva e Paulo Afonso Grisolli.157
1970
Leitura de Dias Gomes no Opinião
Odorico, de Dias Gomes, é o programa desta noite na série de leituras de textos nacionais inéditos que o Centro Cultural Sigla Viva está promovendo com absoluto sucesso na Cinemateca do MaM. A peça […] será lida por um numeroso elenco, que ensaiou sob a direção de Amir Haddad e no qual se destacam as presenças de Isabela, Maria Pompeu, Janet Chermont, Nildo Parente, Amândio, Carlos Aquino e Roberto de Cleto. A leitura está marcada para as 20h30 e a entrada é franca.158
Leitura de Maria Helena Kuhner no Opinião
Os dentes de tigre, de Maria Helena Kuhner, direção de Amir Haddad. O evento integrou o Ciclo de Leituras no Teatro Opinião, coordenado por Maria Pompeu e Carlos Aquino. Data: segunda, 24/08/1970. 159
Haddad fala de Beckett Dando prosseguimento ao ciclo de conferências
155 Yan Michalski, Gente nova em livro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jan. 1968
156 Teatro no Colégio Brasil, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 jan. 1968, nota na seção Panorama do Teatro, caderno B, p. 3
157 No festival amador, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º nov. 1968, nota na seção Panorama do Teatro, caderno B, p. 3
158 Yan Michalski, Leitura de Dias Gomes, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jan. 1970, nota na seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3
159 Idem, Os dentes do tigre em leitura, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23-4 ago. 1970, coluna Preços e despedidas, caderno B, p. 4.
sobre o teatro de absurdo e de vanguarda que está sendo realizado no Teatro do Senac, Amir Haddad falará às 18h30 de hoje sobre Beckett e a Tradição Irlandesa. Amir Haddad é o diretor de Fim de jogo, de Beckett, em última semana de apresentações no mesmo Teatro do Senac.160
Revista diferente
Em março, o Teatro Casa-Grande deverá apresentar um espetáculo de revista bastante diferente das realizações tradicionais do gênero. A direção será de Amir Haddad, a cenografia de Joel de Carvalho, e os textos estão sendo especialmente encomendados a vários dramaturgos de destaque, entre os quais José Vicente e Antônio Bivar.161
O […] Casa-Grande, que pretende apresentar em março uma grande revista dirigida por Amir Haddad e subordinada ao tema “Rio, ex-Capital Federal”, solicita aos autores e compositores […] sketches, cenas, crônicas, canções etc. relacionados com o assunto […].162
O comentarista e técnico de futebol João Saldanha é autor de um dos quadros da revista Rio, ExCapital Federal que o Teatro Casa-Grande apresentará em março, com direção de Amir Haddad. Reinaldo Jardim, Eneida, Paulo Afonso Grisolli, Sérgio Cabral e Luís Carlos Maciel são
alguns dos outros autores cujos textos integrarão a revista.163
1971
Curso no Teatro Senac
De 10/03 a 21/07, ocorreu o primeiro de dois cursos idealizados por Sergio Britto no Teatro Senac com a seguinte equipe de professores: Amir Haddad, Bárbara Heliodora, Gianni Ratto, Henrique Oscar, Sergio Britto e Yan Michalski. Nele, segundo o periódico Luta Democrática, deveriam ser estudados “os movimentos estéticos e as experiências estilísticas do fim do século XiX ao presente [XX]. Serão ministradas vinte aulas”164 sobre teatro realista, impressionista, brasileiro e as teorias e métodos de interpretação de Stanislavski a Grotowski.
Voz na Comunidade
O grupo Comunidade promove um curso completo de dicção e impostação de voz para atores no qual há 10 vagas abertas a integrantes de qualquer elenco carioca. O curso será ministrado por Glorinha Beuttenmüller, professora da Escola de Teatro da Fefieg e preparadora vocal da Comunidade. […] Por outro lado, a Comunidade vem realizando atualmente um seminário interno, no qual estão sendo examinadas em profundidade a filosofia, a estrutura e as atividades do grupo. Uma vez encerrado o seminário, serão iniciados os ensaios da próxima produção da Comunidade: uma
160 Idem, Haddad fala de Beckett, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 nov. 1970, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3
161 Idem, Revista diferente, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 dez. 1970, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3
162 Idem, Casa-Grande busca colaboradores, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 jan. 1971, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3.
163 Idem, João Saldanha dramaturgo, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 jan. 1971, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3
164 Idem, Do realismo ao teatro de hoje em: Cursos no teatro do Senac, Luta Democrática, Rio de Janeiro, 7-8 fev. 1971, seção Teatro, caderno B, p. 2.
adaptação de Candide, 165 de Voltaire, com direção de Amir Haddad.166
V Festival de Inverno de Ouro Preto
Belo Horizonte (sucursal) – A Universidade Federal de Minas Gerais divulgou ontem o programa do V Festival de Inverno de Ouro Preto, que será levado às cidades históricas Caeté, Congonhas do Campo, Diamantina, Mariana, Sabará, São João Del Rei e Tiradentes, com aulas de Artes Plásticas, Música, Teatro e Dança. Em Ouro Preto serão realizados cursos complementares de Cultura Brasileira, Estética, Festival Mirim e o Festival de Corais, com aulas para crianças professores e pais, num total de 700 alunos, que deverão providenciar suas inscrições até o dia 28. As solenidades de abertura do Festival estão marcadas para o dia 30. 167
No programa do V Festival de Inverno de Ouro Preto, a ser realizado de 30/06 a 31/07, consta um Curso de Teatro e Dança que obedece à direção geral de Silvia Orthof, é integrado por Amir Haddad (Interpretação), José Antônio de Sousa (Improvisação) [entre outros]. As inscrições devem ser dirigidas até 28/06 à Secretaria do Festival de Inverno […], de 1 a 31/07. 168
Núcleo de Atividades Criativas
O encenador Amir Haddad dirigirá, no recéminaugurado Núcleo de Atividades Criativas, na
rua Marques, 15, um laboratório de interpretação, expressão corporal e pesquisa de forma e de movimento através do corpo e da palavra.
O laboratório é aberto a jovens e adultos que não precisam necessariamente destinar-se à carreira teatral. […] Haddad utilizará pequenos trechos de dramaturgia brasileira contemporânea.169
Conferências polêmicas
O Curso Popular de Arte do MaM e o Grupo Comunidade promovem uma série de conferências que são realizadas aos domingos, às 16h. As palestras caracterizam-se por títulos voluntariamente paradoxais, um tom polêmico e uma procura de amplo debate com o público.
A série foi inaugurada domingo passado por Amir Haddad, que falou sobre o tema Por que acho que o diretor teatral deve desaparecer? Para os próximos domingos estão previstas as conferências de Fernanda Montenegro (Por que acho necessário o mito da atriz?), Aldomar Conrado (Por que acho o espetáculo mais importante que o texto?), Sergio Britto (Por que acho que o ator convencional não pode fazer o novo teatro?), Bárbara Heliodora (Por que gosto do novo teatro?), Yan Michalski (Por que acho desnecessária a crítica teatral?) e Maria da Glória Beutenmüller (Por que acho desnecessária a palavra no novo teatro?). A entrada é franca.170
165 Entretanto, essa montagem não chegou a estrear.
166 Yan Michalski, Voz na Comunidade, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 mar. 1971, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3.
167 Reitoria da UFMG divulga programação do V Festival de Inverno de Ouro Preto, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º jun. 1971, 1º caderno, p. 10.
168 Yan Michalski, Ouro Preto, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 jun. 1971, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3.
169 Amir Haddad no NAC, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 ago. 1971, seção Panorama dos cursos, caderno B, p. 3
170 Yan Michalski, Conferências polêmicas, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1971, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3.
A caça e o caçador
O Grupo Comunidade, sob direção de Amir Haddad, continua realizando o trabalho preparatório para a encenação de A caça e o caçador, de Francisco Pereira da Silva, e espera apresentar o espetáculo em 1972, como sempre no Museu de Arte Moderna.171 Esta montagem não chegou a estrear.
Teatro Hoje
A apresentação [da peça A oração, de Arrabal, por alunos da Escola Martins Pena, dirigida por Silvio Campanha] introduzirá uma série de quatro palestras sobre o tema Teatro Hoje, a serem realizadas [na Biblioteca Regional de Copacabana] […], nos dias 23 (Teatro do Absurdo, por Heloísa Maranhão), 24 (Teatro de Arrabal, por José Arrabal), 25 (Direção no Teatro Moderno, por Amir Haddad) e 26 (O Ator no Teatro Moderno, por Silvio Campanha). Entrada franca para as palestras e a apresentação de A oração. 172
1972
Curso no Teatro Senac
Incentivado pelo sucesso dos [cursos livres] que realizou no ano passado, [Sergio Britto] lança terçafeira um Curso de Extensão Cultural onde dará
aulas ao lado de Bárbara Heliodora e Amir Haddad. Ao mesmo tempo prossegue com os dois laboratórios para atores e aspirantes que funcionam desde janeiro. […] O Curso de Extensão Cultural que só contará com aulas práticas vai durar quatro meses sempre às terças-feiras no Teatro Senac.173
I Simpósio de Teatro Escolar, Amador e Infantil
Promoção da Divisão de Teatro da Guanabara, com sessões diárias às 16h, no foyer do Teatro João
Caetano. [De 19 a 23/06 haverá] sessões dedicadas ao Teatro Infantil, com conferência de Amir Haddad, Rosa Benedetti Magalhães, Pernambuco de Oliveira, Lúcia Benedetti, Maria Lúcia Amaral.174
Síndica, qual é a tua?
Peça de Luiz Carlos Góes. Direção: Amir Haddad. Produção: Ruth Escobar. Cenário: Hélio Eichbauer.
Elenco: Ruth Escobar, Assunta Perez, Jonas Mello, Airton Faria, Regina Braga, Nuno Leal Maia, Claudio Mamberti etc. 175
Rute está no Rio. E junto dela, oito jovens atores paulistas que vieram ensaiar Síndica, qual é a tua?
Numa inversão de papéis, Rute trouxe o elenco até
171 Comunidade, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 nov. 1971, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3
172 Teatro hoje, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 nov. 1971, seção Panorama do teatro, caderno B, p. 3
173 Cursos em novo papel, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26-7 mar. 1972, caderno B, p. 8
174 Yan Michalski, Simpósio oportuno, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º jun. 1972, caderno B, p. 2
175 Após dois meses de ensaios aproximadamente, a peça não estreou, mas consolidou a amizade entre Amir e Ruth Escobar. O trabalho estrearia no Teatro Ipanema, com Marília Pêra, dirigida por Antonio Pedro, apenas em 1976, contando no elenco com Jacqueline Laurence, Nelson Xavier, Buza Ferraz e outros. “Porém, em Síndica, a pândega convivência entre o diretor [Amir Haddad], o autor e o elenco, em ensaios que se prolongaram por semanas no Rio antes de se transferirem à rua dos Ingleses [Teatro Ruth Escobar, São Paulo], incluiu uso esporádico de ácido lisérgico, o que entretanto não ajudou a protagonista a alcançar a psicologia de ‘uma personagem muito distante da realidade de Ruth’, como explica Haddad: ‘A síndica era uma maconheira carioca muito louca, bem longe da portuguesa (sic) de São Paulo’, e após mais dois meses de ‘ensaios perdidos’ no Teatro do Meio, a montagem foi cancelada. ‘Ela não conseguiu fazer e senti pena, pois sempre insistiu muito em seu lado de atriz e nunca deu muito certo’, lembra Haddad. […].” (Alvaro Machado, […] metade é verdade – Ruth Escobar, São Paulo: Edições Sesc, 2021, p. 295).
o diretor – Amir Haddad –, pois “não compreendo este texto dirigido por ninguém mais”. [E Amir não poderia se ausentar do Rio neste período] […] Rute Escobar dança vivamente ao som da música espanhola. O movimento do xale preto, o sorriso de dentes enormes, os sons emitidos com graça. Totalmente entregue a si mesma, ela deixa-se levar pela música e acompanha os outros atores no exercício proposto por Amir. No palco improvisado, onde há apenas um colchão, eles brincam, cantam, gritam, dançam ou simplesmente falam. […]. “Só o Amir está conseguindo fazer com que eu abra determinadas comportas em mim, perante ele e todo o elenco. De repente, fiquei vulnerável. E descobri que isso me tornou mais forte ainda.” […] “Quero o Amir dentro do grupo [que pretendo criar em São Paulo], junto com outro diretor, Celso Nunes, o cenógrafo Hélio Eichbauer e Carlos Queirós [Telles], que fez a adaptação de Camões [referência à peça A viagem].176
Crise de público no teatro Não existe […] assunto mais difundido do que crise de público. […] Considerado por muitos como pai do moderno teatro brasileiro, o diretor e ator Ziembinsky tem ultimamente proposto […] uma explicação desanimadora do problema: o brasileiro […] simplesmente não gosta de teatro […].
Procurando investigar o assunto, dois diretores –o próprio Ziembinsky e Amir Haddad –, um jovem ator – Aílton de Faria, de São Paulo, – um cenógrafo – Joel de Carvalho – e um crítico –Yan Michalski –, durante duas horas debateram o pouco interesse do brasileiro […] e seus motivos diretos e indiretos.177
1973
A posição do artista diante da atividade teatral
O Teatro Senac promove uma série de conferências sobre o tema com início marcado para o dia 09/01. Sempre das 17h às 18h, no próprio teatro […] as palestras estão a cargo do crítico Yan Michalski (dia 9), Luis Carlos Ripper (dia 11), José Luís Liggiero Coelho (dia 18), Sergio Britto (dia 23), Amir Haddad (dia 25).178
Curso de Comunicação Social O Conjunto Universitário Cândido Mendes e a Diretoria de Extensão e Expansão Universitária ofereceram, a partir de 20/03/1973, os cursos de Teatro como Comunicação com Amir Haddad; Cinema como Comunicação com Alex Viany; Novas Teorias Psicológicas da Comunicação com Maria da Glória Ribeiro; e Teorias e Diferentes Filosofias de Comunicação com Carlos Henrique Escobar e Marco Aurélio Luz.
Às armas
Dia 4 de maio de 1973, (depois de ser adiada duas vezes), foi inaugurada a Sala Molière na Aliança Francesa de Copacabana. O JB179 informava que o novo espaço serviria “de sede a um novo núcleo de atividades teatrais”, o qual desenvolveria a peça Às armas, de Miguel Oniga, com direção do próprio autor e elenco composto por recém-formados da Fefieg, Dilberto Silva, Edil Magliari, Elsa de Andrade, Glória Soares e Luís Rial Joselli, sob a orientação de Amir Haddad. Antes da estreia, entretanto, a peça foi apresentada em préestreia no Teatro Senac, em 30 de abril.
176 Gilse Campos, Ruth Escobar, um teatro sem preconceitos, Jornal do Brasil, Rio de janeiro, 17 ago. 1972
177 Problemas, soluções, caminhos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 out. 1972, caderno B, p. 4
178 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 jan. 1973, caderno B, p. 7
179 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 abr. 1973, seção Panorama, caderno B, p. 3
Será em Copacabana a Sala Molière (assim será batizada) e abrigará o grupo de Amir Haddad. A primeira peça a ser montada, segundo os planos, deverá ser Às armas, de Miguel Oniga.180
1974
Óperas cômicas no Municipal
Estudo, junto à direção do Teatro Municipal, para a montagem de duas óperas cômicas: Campanelo e Amélia vai ao baile. Nenhuma chegou a estrear, assim como a Madame Butterfly, anunciada em 9 de março de 1974 pelo JB181, cuja direção também seria de Amir.
II Festival Nacional de Teatro Amador –Petrópolis
Ocorrido de 30/08 a 08/09/1974, na sede do Petropolitano Futebol Clube, e promovido com o Serviço Nacional e Estadual de Teatro, com patrocínio da Prefeitura Municipal de Petrópolis. Amir Haddad integrou o júri ao lado de nomes como Ziembinski, José Arrabal, Pernambuco de Oliveira, Orlando Maciel, Augusto da Costa e Maria Helena Kühner. Vinculadas ao festival, foram ainda dadas palestras e aulas sobre teatro brasileiro. Amir falou sobre direção teatral.
Tempo de Teatro Cuiabá
Curso intensivo de uma semana com professores como Amir Haddad (Interpretação); Fanny Abramovich (Teatro infantil); Ausonia Bernardes (Expressão corporal), entre outros.182
1974-80
Atuação junto ao Movimento de Teatro Independente do Rio de Janeiro (rJ).183
1975
Seminário Teatro Hoje
A Associação Pró-Teatro da Tijuca está promovendo durante esta semana o seminário Teatro Hoje. Os debates serão sempre às 20h e o de hoje abordará Os problemas do ator brasileiro com a participação de Paschoal Carlos Magno, Fernanda Montenegro, Otávio Augusto, Beth Mendes, Regina Casé e do crítico convidado Yan Michalski. O programa de amanhã será A técnica de direção no Brasil com a presença de Flávio Rangel, Fernando Torres, Amir Haddad, Amilton Vaz Pereira e do crítico José Arrabal. No Tijuca Tênis Clube, […] entrada franca.184
1975-6
Ciclo de Leituras “A feira enquanto é tempo” Entre os eventos da programação da feira, foi realizada a leitura de Calma que o Brasil é nosso, criação coletiva do grupo a partir de textos de diversos autores, em 05/08/1975. Direção de Amir Haddad, com seu grupo Espirra Gato – nome informal que por um período o grupo de Amir usou internamente – no Teatro da Divina Providência.
O Teatro Mágico, que sob direção de Amir Haddad está trabalhando há vários meses [em] Calma que o Brasil é nosso, solicita doação ou empréstimo de material iconográfico, livros, discos e móveis usados da década de 1930.
180 Zózimo Barrozo do Amaral, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 abr. 1973, nota Incentivo, caderno B, p. 3.
181 Celina Luz, Programação quase completa, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, seção Da música, caderno B, p. 5
182 Yan Michalski, O bom exemplo mato-grossense, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 nov. 1974, caderno B, p. 2
183 Angela Rebello, op. cit., 2005, p. 188
184 Yan Michalski, Debates na Tijuca, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 abr. 1975, caderno B, p. 7
O grupo está também interessado em manter contato com especialistas ligados à área das ciências humanas. O professor de história Ademar Nunes e o arquiteto Ricardo Souza já estão colaborando com o projeto.185
1976
A retirada
Felicito o Serviço Nacional de Teatro. Afinal o sNt conseguiu reunir, no último dia 20/07 a suposta nata da crítica teatral carioca. O encontro, realizado a portas abertas para o público no Teatro Cacilda Becker, foi dos mais inquietantes. Escassa plateia, a classe praticamente ausente, pessoas se retirando durante o debate. Entretanto, embora parecendo injusta tamanha falta de receptividade, a crítica provou que teve o tratamento que merece. Pois não fossem os apartes inteligentíssimos do Sr. Amir Haddad, a embarcação seria tragada no naufrágio. […]. Pedro B. O. Guimarães Junior, Rio.186
II Seminário de Teatro
A Associação Pró-Teatro da Tijuca promove o seu ii Seminário de Teatro sob o patrocínio do sNt, com sessões às 20h, no Clube Municipal (rua Haddock Lobo, 359). Programa: […] dia 7/10 –
Teatro Oficina (expositor: Fernando Peixoto; debatedores: Amir Haddad e Macksen Luiz).187
1977
Depoimento para livro Vários profissionais de teatro – Marília Pêra, Ney Latorraca, Norma Bengel, Vera Setta, Betina
Viany, Gracinda Freira, Amir Haddad, […] Othon Bastos, entre outros, deram seus depoimentos ao crítico Wilson Cunha e à escritora Heloneida Studart para o livro A primeira vez (à brasileira), que está sendo lançado pela Editora Nosso Tempo.188
1978
A rainha do rádio Bella [Beyla] Genauer está ensaiando, sob a direção de Amir Haddad, e para lançamento no Teatro Senac, a comédia A rainha do rádio, de Carlos Saffioti Filho, que na versão original dirigida em São Paulo por Antônio Abujamra tinha Cleyde Yáconis no desempenho de seu papel único.189
Já estão escolhidos os espetáculos que ocuparão o Teatro Nacional de Comédia nos três horários do Projeto Mutirão. De 1°/08 a 3/09 serão apresentados A rainha do rádio190 […]. Direção de Amir Haddad [entre outros espetáculos].191
Ouro Preto tem curso de teatro A situação do teatro contemporâneo estará em debate hoje no curso de formação e desenvolvimento de grupos teatrais aberto na última sexta-feira pelo Serviço Nacional de Teatro [em convênio com a Secretaria Municipal de Turismo e a Coordenadoria de Cultura de Minas] dentro do programa de dinamização do Teatrinho Barroco de Ouro Preto, antiga Casa de Ópera de Vila Rica, construída em 1741 e em processo de restauração. Do curso, supervisionado pelo diretor
185 Yan Michalski, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 jun. 1976, seção Em um ato, caderno B, p. 8
186 A retirada, do leitor Pedro B O. Guimarães Junior, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 jul. 1976, seção Cartas, caderno B, p. 2
187 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 set. 1976
188 Yan Michalski, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 jun. 1977, seção Em um ato, caderno B, p. 2
189 Yan Michalski, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 abr. 1978, seção Em um ato, caderno B, p. 2
190 Entretanto, este espetáculo não chegou a estrear.
191 Macksen Luiz, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 jul. 1978, seção Em um ato, caderno B, p. 8.
Amir Haddad, participam grupos teatrais de Belo Horizonte, Ouro Preto e Mariana.192
Curso no Teatro dos Quatro
O Teatro dos Quatro anuncia o início das atividades de seu setor de cursos com a promoção de um Curso para Iniciantes dirigido a jovens entre 16 e 26 anos, sem qualquer experiência anterior. […] Será ministrado por Amir Haddad, Sergio Britto, Hamilton Vaz Pereira e Eric Nielsen e orientação vocal a cargo de Maria da Glória Beuttenmüller.193
O Teatro dos Quatro prossegue hoje seu Ciclo de Debates do Teatro Brasileiro com palestra do diretor Amir Haddad sobre A História do Teatro que Não Entrou para a História (as fases pelas quais passou o teatro brasileiro).194
Centro Experimental Cacilda Becker
O grupo de Amir, que antecedeu imediatamente o Tá na Rua, e foi seu precursor (inclusive com formação praticamente idêntica) ocupou o Cacilda Becker por um período para seguir desenvolvendo suas investigações acerca da linguagem teatral empreendidas por Amir.
O sNt selecionou três projetos de pesquisa que ocuparão, nos próximos meses, as novas salas a serem inauguradas no Centro Experimental Cacilda Becker e farão jus a um auxílio de cr$ 51 mil cada: Calma que o Brasil é nosso, a cargo de um grupo liderado por Amir Haddad, […] se propõe “a buscar uma expressão de ator e formas de
produção que resultem num espetáculo que contenha em si a possibilidade de um novo teatro capaz de resgatar a linguagem popular”.195
1979
Espaço do Encontro
“O projeto Zanoni Ferrite traz hoje para o Espaço do Encontro, no Teatro Casa-Grande, Amir Haddad, Amélia Toledo, Luiz Carlos Maciel, Kleber Santos, Macksen Luiz e Pedro Galvão, que debaterão aspectos atuais da cultura brasileira.”196 Sailormoon, Joel Barcelos, Orlando Mollica e Jards Macalé.197
Theatre of Latin America
Nova Iorque – […] a organização nova-iorquina Tola – Theatre of Latin America […] resolveu reunir um numeroso grupo de artistas de virtualmente todos os países do Continente para, através de uma ampla gama de laboratórios práticos realizados em conjunto, tomarem conhecimento de propostas e técnicas que estão sendo trabalhadas desde o Norte do Canadá até o Sul da Argentina.
Paralelamente, espetáculos representativos vindos de alguns destes países forneceriam um pequeno mostruário dos resultados alcançados [...]. Para cumprir este programa, o Encontro foi subdividido em três etapas. A primeira, em Washington, abrangia apenas as apresentações dos espetáculos participantes, no Kennedy Center. Durante a segunda, os mesmos espetáculos continuaram sendo apresentados, agora em Nova Iorque […]. [A última e mais importante das etapas],
192 Ouro Preto tem curso de teatro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 maio 1978, caderno 1, p. 16
193 Macksen Luiz, Saíram da turma deste curso alguns dos integrantes da formação original do Tá na Rua, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 jul. 1978, seção Em um ato, caderno B, p. 4
194 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 set. 1978, seção Teatro, caderno B, p. 6
195 Yan Michalski, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 out. 1978, seção Em um ato, caderno B, p. 2
196 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 mar. 1979, seção Teatro, caderno B, p. 7.
197 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 mar. 1979, nota caderno Serviço, p. 8.
que acaba de encerrar-se, reuniu todos os participantes […] tendo por cenário […] o monumental campus do Connecticut College […] e as instalações da Fundação O’Neill […]. Uma pequena frota de ônibus especialmente arrendados transportava entre os dois locais a pequena multidão de participantes entre os quais os brasileiros Amir Haddad, César Vieira, Regina Casé, Hamilton Vaz Pereira, João Chaves, Maurício Sete, Ruth Escobar, Celso Frateschi, Tácito Borralho, Cecília Conde, Eric Nielsen, além deste redator e de parte do elenco de Macunaíma 198
Documentário As máscaras da TV Educativa Por falar em Amir Haddad, ele e seu Grupo de Niterói estarão presentes hoje às 21h, no programa As máscaras, da tV Educativa, mostrando um trabalho de laboratório por eles desenvolvido em cima do texto de As confrarias, de Jorge Andrade.199
Mutirão cultural
No sábado, na programação Mutirão Cultural, será apresentado no Conjunto Residencial da Polícia Militar (Rua Major Jorge Martins, em Olaria) uma série de eventos: como criatividade, às 10h, com trabalhos com crianças e adolescentes; teatro às 17h com a montagem da peça História de cordel, dirigida por Amir Haddad, e o Circo
Treme-Treme, às 17h30, além de show de música popular, a partir das 18h10. 200
Métodos de Trabalho no Teatro Brasileiro de Hoje
A Associação Carioca de Críticos Teatrais promoverá em outubro e novembro, com a colaboração do Sindicato dos Artistas e Técnicos e sob o patrocínio do sNt, uma série de quatro cursos que obedecerá a uma concepção […] inédita entre nós. Trata-se de um ciclo de ateliers práticos de direção-interpretação intitulado Métodos de Trabalho no Teatro Brasileiro de Hoje. Com este ciclo, que será realizado no Teatro Experimental Cacilda Becker, a acct pretende colocar ao alcance dos participantes inscritos e, eventualmente selecionados […], os processos de trabalho equacionados por quatro encenadores nacionais –Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa, Amir Haddad, Augusto Boal – que souberam reconhecidamente elaborar, ao longo dos anos, um autêntico sistema pessoal de criação teatral […]. Por outro lado, cada workshop será documentado através de um diário de bordo e o conjunto do material assim obtido será posteriormente divulgado pelo sNt […]. Cada atelier terá cinco dias de duração […].201
O workshop de Amir, terceira etapa do ciclo, ocorreu de 05 a 09/11.
198 Embora tivesse tudo para dar certo, os passos organizacionais dados pela TOLA pareceram ser maiores do que suas pernas, segundo Michalski. O evento contou com personalidades como Arthur Miller e Edward Albee, mas nem por isso foi excelente. Muitos workshops ao mesmo tempo, má organização, má logística de deslocamento entre locais distantes etc. Mesmo assim, para o crítico do Jornal do Brasil, tudo valeu a pena pela congregação humana de tantas culturas e pelos encontros que, para além dos eventos oficiais, acabaram propiciando trocas enriquecedoras. (Yan Michalski, Contra o isolamento, em busca da integração (I), Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 jul. 1979).
199 Yan Michalski, Em um ato, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 out. 1979
200 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 31 out. 1979, nota Mutirão Cultura, seção Serviço Turístico –Na cidade, caderno B, p. 10
201 Yan Michalski, Quatro diretores mostram métodos de trabalho, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1979.
Morrer pela pátria
O Grupo de Niterói, liderado por Amir Haddad, na reta final da sua longa pesquisa com vistas à montagem do espetáculo Morrer pela pátria, mostra seu trabalho a todos os interessados às sextas-feiras, a partir das 19h, na Sala Joel de Carvalho do Teatro Experimental Cacilda Becker. Estes contatos fazem parte do processo de pesquisa e as informações deles extraídas serão incorporadas nesta fase final dos ensaios. O mesmo Grupo de Niterói volta hoje, às 21h, ao programa As máscaras, da TV Educativa, para a segunda parte da demonstração – iniciada na semana passada – das suas técnicas de laboratório, usando como exemplo trechos de As confrarias, de Jorge Andrade.202
Teatro Municipal de Cuiabá
Amir Haddad e o arquiteto Jorge Vale foram recebidos em 13/11/1979, em Cuiabá, no gabinete do prefeito Gustavo Arruda, para entregar o anteprojeto (exposto numa maquete) do Teatro Municipal de Cuiabá, a eles encomendado pela municipalidade por meio do prof. Carlos Rosa, Diretor do Departamento de Cultura e Turismo. Discorreram sobre as funcionalidades modernas artisticamente concebidas para o novo teatro.203
Exercício de Natal na TV Educativa
Apresentação de cenas de textos escolhidos por Amir Haddad, Paulo Mendes Campos e Jonas Resende em torno do tema natalino.
Às 21h de 24/12/1979, no canal 2, foi ao ar o
Exercício de Natal sob direção de Amir Haddad,
com Yoná Magalhães, Denise Bandeira, Vera Setta, Stepan Nercessian, Camilla Amado [e outros].204
Balanço dos anos 70
O Univerta – Instituto de Produtos Culturais –promove nos dias 28 e 29/01 e 4, 5, 8 e 12/02, sempre das 19h às 22h, no auditório da abi, um ciclo de debates intitulado Balanço dos anos 70.
A sessão dedicada ao teatro, junto à literatura, está marcada para 29/01, e será – como as outras –coordenada pelo professor Manoel Maurício de Albuquerque, tendo como debatedores Fernando Torres, Amir Haddad, Ivo Barbieri, Antônio Torres, Carlos Henrique Escobar e este redator [Yan Michalski].205
1980
Jurado no desfile das Escolas de Samba de Cuiabá (Mt).206
Jornada de Teatro Alternativo
Demonstração prática do Grupo de Teatro Niterói e do Grupo Tá na Rua, ambos dirigidos por Amir Haddad, ilustrando os seus métodos de preparação do ator com ênfase nas diferenças entre representação em recinto fechado e ao ar livre. Após a demonstração, leitura de textos inéditos, no Teatro Experimental Cacilda Becker [...].207
Paixão de Cristo carioca
O fato de já existirem outras Paixões de Cristo encenadas em vários locais do Brasil só vem
202 Yan Michalski, Em um ato, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 nov. 1979, caderno B, p. 9
203 Gustavo recebe anteprojeto do Teatro Municipal, O Estado de Mato Grosso, 14 de nov. 1979, capa, p. 1
204 Natal quase esquecido, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 dez. 1979, seção Televisão, caderno B, p. 11.
205 Yan Michalski, Escolhendo os melhores de 1979, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 jan. 1980.
206 Angela Rebello, op. cit., 2005, p. 188.
207 Licínio Neto, Teatro alternativo: novos rumos, Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 11 mar. 1980. p. 11; Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 mar. 1980.
comprovar, na opinião dos coordenadores da festa, o sucesso da Semana Santa no Rio […]. O texto escrito por José Paulo Moreira da Fonseca possibilita ao povo participar do espetáculo […]. Está dividido em três partes fundamentais […]. O texto aprovado pelo cardeal Dom Eugênio Salles será interpretado ao vivo por 63 atores no Rio e 105 figurantes em palcos armados junto às igrejas da Candelária, S. Francisco de Paula, S. Benedito, Convento de Santo Antônio, São José e Nossa Senhora do Bonsucesso. Nos Arcos, os grupos divididos pelas igrejas em três elencos se juntam para a Síntese das Estações […]. Para o diretor Aderbal Júnior, essa é a primeira incursão teatral com um cenário tão grande e um elenco tão numeroso. […] Só Cristo são três: Jorge Gomes, Jitman e Roque Bittencourt. Maria será interpretada por Miriam Carmem e Regina Rodrigues. Pilatos por Amir Haddad. João por Adelmar de Oliveira e Carlos Pimentel, dois atores de 16 anos. Todos vestidos por Maria Carmem, com adereços de Ferdy Carneiro e assistidos por Maria Pompeu, diretora de produção, Heli Celano e Luiz Joseli.208
Seminário Nacional sobre Censura
O Seminário Nacional sobre Censura de Diversões Públicas, a ser promovido pelo Ministério da Justiça e pelo Conselho Superior de Censura nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, já tem definido os temas, datas, debatedores, expositores e convidados. […] No Rio de Janeiro, tendo como local a Sala Funarte, […] será realizado nos dias 28, 29 e
30/05, devendo participar como expositores Aderbal Júnior, […] Aldir Blanc, Jô Soares, […] Amir Haddad, Antonio Pedro, […] Paulo César Pinheiro, Walmor Chagas e Yan Michalski [entre outros].209
1981
Jurado no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (rJ).210
Livro Censores de pincenê e gravata Censores de pincenê e gravata, de Sônia Salomão Khéde, que será lançado hoje, a partir das 21h, na Livraria do Pasquim, é um estudo sobre a atuação da censura sobre o teatro brasileiro.211 [O livro] constitui-se de duas seções principais. A primeira desenvolve uma reflexão sobre a atividade do Conservatório Dramático Brasileiro […]. A segunda se compõe de depoimentos prestados por intelectuais envolvidos com a censura nos últimos dezessete anos. Entre os entrevistados, se encontram Yan Michalski, Carlos Henrique Escobar, Chico Buarque de Hollanda, Plínio Marcos, Afrânio Coutinho, Amir Haddad, João Chaves, José Louzeiro e Orlando Miranda.212
1982
Participação no iii Festival Latino Americano de Teatro Popular, em Nova York (Estados Unidos).213
Dramaturgia inovadora
Na seção “Cartas” do JB de 28 de abril de 1982,
208 Ciléa Gropillo, A Paixão no Rio, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 abr. 1980
209 Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 maio 1980 Informações complementares também em: Yan Michalski, Teatro posto de castigo? Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 maio 1980
210 Angela Rebello, op. cit., 2005, p. 188
211 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 nov. 1981, seção Informe, 1º caderno, p. 6
212 Estes você tem que ler, O Pasquim, Rio de Janeiro, 26 nov.-2 dez. 1981, n. 648. (A seção divulgou o livro com o mesmo texto e imagem também nas edições seguintes, n. 649 e 650).
213 Angela Rebello, op. cit., 2005, p. 188.
o dramaturgo Vicente Pereira reivindica reconhecimento do crítico Yan Michalski citando Amir Haddad como exemplo de um grande diretor que o tem como autor de qualidade:
Conforme o artigo de Yan Michalski, do dia 12 de abril, É preciso fazer alguma coisa, nada de novo tem acontecido na dramaturgia nacional. Sinto-me ofendido como autor, pois em sua crítica sobre a minha última peça, A noite do Oscar, o crítico chamou-me de “comediógrafo original e inegavelmente talentoso”, apesar de ter feito várias restrições ao meu texto. Como, agora, sou invalidado sem uma menção sequer no referido artigo? […] Amir Haddad, por exemplo, um dos citados, está ensaiando há um ano uma peça minha, O espelho da carne, que ele escolheu entre muitos textos, alguns até dos premiados de que Yan Michakski tanto fala, por genuína afinidade com o meu texto. Estaria ele louco? Não acredito. […] Se não está aí o erro, arrisco um palpite: há novos autores, novos atores, diretores etc. mas onde estão os novos críticos? […] Vicente Pereira, Rio de Janeiro.214
Anônima
Na matéria “Conto de fadas no Tablado”, de Macksen Luiz, o crítico faz um resumo da programação teatral do Teatro Tablado, sendo
Anônima, com direção de Amir Haddad, um dos espetáculos, que, entretanto, provavelmente não chegou a estrear até onde foi possível apurar.
Na quinta-feira [07/10], Anônima, de Wilson Sayão. Direção de Amir Haddad com o grupo Tá na Rua, tendo Duse Nacaratti como atriz convidada.215
Manifestação teatral solitária Hoje, véspera de Natal, os teatros estão fechados. […] A manifestação teatral solitária deste dia fica por conta do espetáculo do grupo Tá na Rua que poderá ser visto a partir das 14h, começando no Largo da Carioca, prosseguindo na Cinelândia e terminando no Passeio Público. Vale a pena assistir a esta encenação dedicada ao Natal, já que Amir Haddad, responsável pelo grupo, desenvolve há muitos anos trabalho teatral voltado para a rua e as comemorações natalinas são pretexto para que possa testar a linguagem do teatro ao ar livre e ampliar sua comunicação. A ideia do Tá na Rua é muito simples: com uma trouxa de roupas (os figurinos), quase 30 atores, e um megafone conta três histórias.
São narrativas sobre a data assinadas por Fernando Pessoa, Patativa do Assaré e Mário de Andrade. Ainda que os textos tenham um tom entre o melancólico e o triste, Amir acredita que [eles] transmitam alegria e esperança à plateia. Pelo menos esta é sua intenção. “O Natal é um tempo de muitas esperanças. E nossas histórias procuram, na maneira como são contadas, um tom esperançoso.”
Mas já amanhã, muitos espetáculos estarão de volta, alguns anunciando os últimos dias.216
Projeto de Integração Escola/Comunidade
Na matéria seguinte, o crítico teatral Yan Michalski retoma brevemente a eclosão de um movimento de teatro de rua no Brasil nos anos 1980, reconhecendo na história do Tá na Rua o pioneirismo carioca, ao que se segue uma entrevista com Amir Haddad, que menciona as investigações do trabalho do Grupo de Niterói em torno de Morrer pela pátria, de Carlos Cavaco, entre outros dados relevantes à sua formulação ética, ideológica e estética de um teatro
214 Vicente Pereira, Dramaturgia inovadora, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, seção Cartas, 28 abr. 1982, caderno B, p. 2
215 Macksen Luiz, Conto de fadas no Tablado, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 out. 1982.
216 Macksen Luiz, Descanso natalino e saídas de cena, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 dez. 1982.
não aprisionado pela arquitetura representativas de valores ideológicos com os quais entendeu ser preciso romper.
Na sala de que dispõe na [ceu], o grupo [Tá na Rua] está reunido, acertando detalhes para as atividades do dia seguinte – um domingo – a serem realizados em Nova Iguaçu, onde desenvolve um filão paralelo ao seu trabalho, participando, numa escola pública junto a um grupo de professores do Projeto de Integração Escola/ Comunidade lançado pela Funarte e pelo Inacen. […] O problema do espaço aberto apareceu com maior clareza quando o grupo foi fazer aulas e exercícios numa quadra de basquete. Amir comenta: “Ali eu vi que cada vez que o ator abria o peito, precisava de um espaço maior: e começou a me aparecer a relação entre espaço e política. Daí para a rua foi um passo. E este passo não foi dado por mim, mas pelos jovens atores do elenco, que tomaram a iniciativa de ir à rua quando eu estava ausente, participando de um encontro internacional em Nova Iorque. Para mim […], este passo seria apesar de tudo mais difícil, por mais que eu tivesse informações de trabalhos desenvolvidos ao ar livre por importantes grupos estrangeiros, o Odin da Dinamarca, o Living Theatre, o Bread and Puppet… […] 217
1983
Sem verba para a Via-Sacra Por falta de verbas, segundo o prefeito Jamil Haddad, a encenação da Via-Sacra não será feita esta noite nos Arcos da Lapa, quebrando uma tradição de 3 anos. Em protesto, os artistas que
participariam do espetáculo decidiram montar, no palco sob os Arcos, A nossa Via-Sacra, uma ideia do ator Amir Haddad ([sem] parentesco com o prefeito Jamil), que ontem desabafou: “Estamos sendo crucificados. Caímos no conto da Via-Sacra ou do Primeiro de Abril [referência à data de publicação da matéria]. Acabou a paixão e vamos começar a lutar pelo nosso dinheiro.” O espetáculo custaria Cr$ 24 milhões e, no dia em que tomou posse, o prefeito […] autorizou Aderbal Júnior [Aderbal Freire-Filho], diretor de teatro, a levar o projeto adiante. Na segunda passada, […] Aderbal foi informado de que Jamil Haddad tinha decidido reduzir a verba para Cr$ 6 milhões. […] “Se pararmos hoje e não fizermos o espetáculo, já há um gasto feito. Se continuarmos, precisaremos de mais dinheiro, pois não temos como fazer a encenação sem gastar mais nenhum tostão. […]”, dizia ontem Amir.218
Programa televisivo Noites Cariocas
Revista diária no canal 9, TV Record. Scarlett Moon e Nelson Motta esquentam as Noites cariocas batendo papo com: João Saldanha, Amir Haddad, Guilherme Araújo e Jane di Castro (travesti). Nesta sexta, às 23h, na sua telinha [tV Record].219
1984
Edital para ocupação do Teatro Villa-Lobos No contexto de um edital polêmico de ocupação dos teatros Villa-Lobos, Glaucio Gill, Armando Gonzaga e Arthur Azevedo, o grupo Tá na Rua
217 Yan Michalski, Em busca de nova seiva, o teatro vai à rua, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 dez. 1982, caderno B, p. 2. Ler matéria inteira em: https://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=030015 10&pasta=ano%20198&pesq=%22Em%20busca%20de%20nova%20seiva,%20o%20 teatro%20vai%20%C3%A0%20rua%22&pagfis=87302. (Acesso em 22 abr. 2022).
218 Prefeitura nega verba e o Rio não terá Via-Sacra, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º abr. 1983, caderno 1, Cidade, p. 4
219 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 maio 1983, seção Esportes, p. 2
empatou com o grupo Teatro do Despertar, ambos concorrendo ao Teatro Villa-Lobos. O júri sugeriu a fusão dos projetos de ambos os coletivos, o que se revelou inviável, donde se seguiu o desempate em favor do Teatro do Despertar.
Com o julgamento da concorrência para a ocupação dos teatros Villa-Lobos, Glaucio Gill, Armando Gonzaga e Arthur Azevedo, a Funarj acaba de cumprir os termos do polêmico edital que introduziu fortes alterações na política de ocupação das suas salas de espetáculo: agora elas são cedidas por um prazo de até dois anos – com avaliações semestrais – a grupos ou companhias que apresentem projetos de relevância cultural […] Amir Haddad […], antes de tomar conhecimento do desempate que o desclassifica era de opinião de que o Villa-Lobos poderia ser usado não só pelos dois projetos empatados mas também por vários outros grupos […]. [Sobre a aparente contradição entre o nome do grupo Tá na Rua e a iniciativa de se candidatar à ocupação de um espaço fechado, Amir esclareceu:] “Nós fazemos muitas coisas além dos nossos trabalhos de rua; e as diversificações só não crescem por falta de espaço. De certo modo começamos a ficar confinados à rua. Temos muitas malas contendo material que, uma vez aberto, poderá explodir. Nossos atores têm também vivência do espaço fechado; e mesmo o espetáculo de rua, para crescer, precisa passar pelo palco. […] Claro que a opção nos trazia também riscos: participar das contradições do Poder, institucionalizar o trabalho num momento em que ele se desenvolve bem sem estar institucionalizado. Mas já que nos colocamos como um grupo da nova realidade, e já que o edital, pelo menos na aparência, favorecia esse clima de emergência, achamos que nos cabia participar.220
A arte do co-mando Segundo edição de 19 de março de 1984 do JB, Amir Haddad seria um dos professores a ministrar cursos livres da Casa das Artes de Laranjeiras, ao lado de outros ministrantes como Sergio Britto, Aderbal Júnior, Luís de Lima etc. O tema de Amir foi A arte do co-mando (direção teatral)
Biografia de Chiquinha Gonzaga
Intervenção cênica do Tá na Rua, no foyer e escadarias do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na ocasião do lançamento da biografia de Chiquinha Gonzaga escrita por Edinha Diniz221. O grupo recriou cenas da vida da maestrina, enquanto na Cinelândia a Banda da Polícia Militar tocou músicas de Chiquinha, entre outras apresentações, inclusive coreográficas e da Bateria da Mangueira. Data: 28/05/1984
Projeto Novos Rumos
Na noite de terça-feira [16/10] o Teatro Villa-Lobos parecia uma grande feira medieval repleta de saltimbancos que mostravam suas habilidades, todos fantasiados e maquiados dançando ao som de tambores e de música variada. Desta forma o Grupo Tá na Rua apresentou […] o Projeto Novos Rumos que ocupará o Villa-Lobos nos seis meses seguintes. Pela amostra de anteontem pode-se constatar a ousadia do grupo liderado por Amir Haddad […]. Amir e seu grupo desenvolveram técnicas de sensibilização de plateias de rua, buscaram uma “dramaturgia” para o ar livre, repensaram técnicas de interpretação […]. A entrada no Villa-Lobos determinará um ajustamento da proposta de rua ao confinamento das paredes da sala de espetáculos, mas ao mesmo tempo possibilitará a montagem de Morrer pela pátria
220 Yan Michalski, Ventos novos nos teatros da Funarj, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 jan. 1984.
221 Edinha Diniz, Chiquinha Gonzaga: uma história de vida, Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1999.
(estreia prometida para o dia 15/11) […]. Há de tudo na proposta de ocupação do Villa-Lobos pelo Tá na Rua. Desde espetáculos de dança (Reabrindo o salão de danças, de Regina Miranda) a ópera (As variedades de Proteu […]), experiências teatrais alternativas (grupos formados por alunos da [cal] e da Escola Martins Pena) e profissionais (Encouraçado botequim inicia temporada no dia 1º/11). E o que surpreende é que esta programação variada e extensa está confirmada até março, quando se encerra a primeira fase do projeto. Pretende-se a ocupação de todas as dependências do Villa-Lobos, do hall ao palco, como se o Tá na Rua procurasse trazer a liberdade do teatro sem paredes para uma sala convencional. É uma promessa e uma possibilidade de dinamizar a temporada teatral carioca, especialmente num momento em que não há grandes perspectivas para um teatro mais experimental e alternativo.222
I Encontro Teatral do Pará
O I Encontro Teatral do Pará continuará no próximo dia 28/10, às 18h30, com a apresentação de Amir Haddad na Sala de Dança do Teatro da Paz.
O objetivo desse encontro é viabilizar a troca de informações e universalizar o fazer teatral, assim como criar condições para o intercâmbio cultural.223
Dia Nacional da Ciência e da Cultura
Intervenção artística do Tá na Rua com cena de espancamento de um negro (feita pelo ator Roberto Silva) por Amir Haddad (que convidava o público a fazer o mesmo porque “o negro está acostumado a apanhar”), em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Rio. A dramatização integrou a programação do Dia Nacional da Ciência e da
Cultura, organizada pelo Departamento Geral de Cultura da Secretaria Municipal de Educação, em 05/11/1984
1985
Projeto musical Rock e seus irmãos –shows de diversos artistas
Dentro da programação da temporada de férias (festival de inverno) do Circo Voador, chamado Rock e seus irmãos, que previa vários shows, no domingo, 14/7/1985, apresentaram-se Eduardo Dussek, Amir Haddad e Orquestra Tabajara.
Circo Voador.
Mudando de conversa
As atrações do programa Mudando de Conversa na semana de 16 a 20/12 são: Maria Padilha e Eduardo Tolentino, Maria Lucia Dahl e Thais Portinho, Guida Vianna e Eduardo Machado, Carlos Fernando e Paulo Rafael e um Especial com o diretor de teatro Amir Haddad. O programa tem a coordenação e apresentação de Suzana Luz e é veiculado de 2ª a 6ª, pela Rádio Mec/ aM 224
1986
Auto de Fundação da Cidade do Rio de Janeiro
O primeiro evento da nova Secretaria Municipal de Cultura será o Auto de Fundação da Cidade do Rio de Janeiro aproveitando o cenário natural da enseada de Botafogo. O espetáculo, dirigido por Ginaldo de Souza, acontecerá no dia 2/03, lançado como ponta de lança de uma programação cultural que Amir Haddad, assessor do secretário Antonio Pedro, pretende desenvolver em várias frentes. No
222 Macksen Luiz, Da rua para o Villa-Lobos: os vários grupos que participam do Projeto Novos Rumos ocupam o palco do Teatro Villa-Lobos com entusiasmo, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 out. 1984
223 Diário do Pará, 27 out. 1984, nota chamada Teatro na coluna Repórter diário, Editoria Nacional, 20 set. 2023, às 15h13, p. 5.
224 Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 19 dez. 1985, seção Agenda, Editoria Serviço, p. 4.
planejamento da secretaria, o setor teatral receberá bom tratamento. Estão previstas a liberação de verbas para concluir as obras dos dois teatros da Escola Martins Pena e a fixação do Teatro João Caetano como “sede” para espetáculos musicais. Amir afirma que haverá apoio à atividade profissional muito provavelmente na forma de financiamento de montagens. Mas o que destaca como prioritário é o apoio ao que chama de “atividades emergentes”, aquelas que se manifestam perifericamente, “que estão tentando vir à tona”. Amir cita os grupos de teatro que não conseguem sobreviver, por falta de sustentação, a um ou dois espetáculos. A maneira de fazer emergir essas manifestações culturais é através da criação de polos culturais pela cidade. A secretaria armaria uma lona, ponto de convergência dos elencos, a partir da qual os criadores tivessem como se firmar. Mas Amir se apressa a dizer: “não se pretende impor a ação do município, mas apenas estimular”. Bons propósitos, que se ajustam aos do novo Ministro da Cultura, Celso Furtado.225
Tá na Rua em Cuiabá
O grupo Tá na Rua viaja para Cuiabá, onde, a partir de quarta-feira, dará curso de 10 dias que incluirá oficinas, técnicas de teatro de rua e de palco, além da apresentação do espetáculo Masculino e feminino. Amir Haddad, responsável pelo grupo, pretende estabelecer um núcleo do Tá na Rua na capital do Mato Grosso.226
I Fórum de Produtores
Profissionais de Cultura
Em 31/3/1986, Amir integrou o i Fórum de Produtores Profissionais de Cultura, promovido
pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, no Teatro Casa Grande, junto de outros nomes como Hugo Carvana, Ana Arruda, Antonio Pedro, Carlos Vergara, Albino Pinheiro, Paulo José, Aquiles (MPb4), Glorinha Kalil e as participações especiais de Roberto Saturnino, Jó Rezende e Jaime Lerner. O evento foi aberto ao público.
Curso “Só pela grana”
Tá esquisito na França, no México e por aqui a barra também está pesada. Imagine, bicho, que o Amir Haddad, a última trincheira do amor ao teatro não comercial, abriu inscrições para o curso Só pela grana. O homem anda desencantado com o plano Cruzado, “cansado de ser admirado e não ser recompensado” e bolou o curso “com o declarado intuito de ganhar algum dinheiro”. Calma, Amir. O pessoal vai te ajudar. Por favor, leitores: façam já suas inscrições de segunda a sexta, das 14h às 20h, na rua do Resende, 18 [sede do Tá na Rua, naquele momento]. Teatro é uma barra, bicho.227
Diretor do Departamento
Geral de Ação Cultural Amir Haddad toma posse como Diretor do Departamento Geral de Ação Cultural pela Prefeitura do Rio de Janeiro, na gestão do prefeito Saturnino Braga e do Secretário de Cultura Antonio Pedro. Na ocasião da posse, houve uma apresentação do Grupo Tá na Rua, além de música ao vivo e bonecos gigantes. Câmara dos Vereadores, em 07/1986
Especial na TV Educativa sobre Amir Haddad EM uM ato – […] Além da estreia no sábado, na tV Manchete, de A magia do teatro (cinco programas
225 Macksen Luiz, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 fev. 1986, seção Teatro, caderno B/Especial, p. 9 226 (supõe-se que era Macksen Luiz, mas não aparece o nome dele), Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 mar. 1986, seção Teatro, interino caderno B/Especial, p. 9.
227 Tutty Vasques, Será que Cannes gosta da gente, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 maio 1986.
sobre a História do Teatro), o aficionado do palco terá na sexta na tV Educativa, em Sexta Independente, especial sobre a experiência do diretor Amir Haddad com seu grupo Tá na Rua. Os […] anos de atividade desse elenco […] serão analisados por Jorge Fernando, Sergio Britto, Renata Sorrah e Augusto Boal.228 [A direção do especial foi de Ricardo Pavão, embora não tenha assinado por motivos internos da emissora].
A despeito de a série A magia do teatro, da Manchete, ter sido avaliada negativamente pela crítica Marília Martins, o especial sobre o Tá na Rua recebeu elogios:
O destaque na abordagem de manifestações teatrais pela tV, ficou, sem dúvida, por conta do belíssimo documentário da tVe, feito em torno dos 10 anos [oficialmente 6] do grupo Tá na Rua, liderado por Amir Haddad. Aqui, sim, do roteiro aos flagrantes de rua, aos depoimentos e à edição, todo o programa mereceu um acabamento primoroso. Foram mostrados números “clássicos” dos espetáculos do grupo […]. O roteiro deu conta da novidade radical do trabalho do grupo, apresentando sua prática de organização do espaço cênico (a roda, o “espaço sem hierarquias”), as bandeiras, as máscaras, os figurinos e, sobretudo, a contagiante participação popular […]. Além disto, houve ótimas intervenções de Augusto Boal (falando dos conflitos e dos limites de um espetáculo no interior de uma sala e sua relação autoritária com a plateia).229
1987
Gregório de Matos na TVE hoJe, 21h20 – Gregório de Matos Guerra: sua obra mística, lírica, satírica e erótica. Participação de Maria
Bethânia, Gilberto Gil, Walmor Chagas, Luís de Lima, Jonas Bloch, Amir Haddad, Ariel Coelho, Felipe Carone, Eduardo Portela, Antonio Houaiss, Celso Cunha e Fernando Peres – Sexta Independente, tVe, Canal 2 – Mec/ Funtevê.230
I Festival de Inverno da UFRJ Entre a programação, dividida nas áreas de música, dança, teatro e vídeo – segundo JB de 22/07/1987, na coluna “Teatro de arena abriga shows às quintas feiras” dentro da matéria “uFrJ organiza laboratório de ideias”, de Roni Lima, Caderno Cidade, p. 05 –, Amir Haddad participou com uma Oficina de Teatro dada em 31/07, às 12h, no campus Praia Vermelha, Urca.231
Semana da Violência e da Indignação
dce/usu – adusu – aNdes – Comitê p/ Liberdade de Expressão e Organização convidam: Venha indignar-se na USU – Semana Violência e Indignação. segunda-feira – 8h30 – Fernando Gabeira, ciclo de debates com [diversos nomes, entre eles] Amir Haddad.
Local: Rua Fernando Ferrari, 75 232
4º FestRio
Pelo segundo ano consecutivo, o FestRio ensaiará uma inauguração de gala. Em tese, exige-se o traje a rigor, respeitado ano passado por menos de 50% da plateia. A exigência foi desmoralizada quando Caetano Veloso apareceu de camisa de linho. Não foi barrado e, atrás dele, ninguém mais. A noite promete ser longa e variada […]. A cerimônia de abertura, com direção de Amir Haddad, já poderá ser aproveitada desde a calçada, quando
228 Macksen Luiz, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 nov. 1986, coluna Em um ato, seção Teatro, caderno B/ Especial, p. 9
229 Marília Martins, O palco no vídeo, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 dez. 1986
230 Box publicitário sem título, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 fev. 1987
231 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 jul. 1987, nota única de Extras, seção Hoje no Rio, caderno B, p. 4.
232 Box de divulgação, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 out. 1987.
autofalantes irradiarão trilhas sonoras de filmes nacionais e estrangeiros.233
1988
Curso de Mergulho Teatral na CAL
Cursos de cinema e vídeo com Lauro Escorel, Marinnete Barros e Tizuka Yamasaki, e de mergulho teatral com Amir Haddad, Ivan Albuquerque e outros, no dia 20/06/1988
Oficina de Expressão Teatral – Teatro UFF
Ministrada por Amir Haddad, com duração de oito semanas e carga horária de 64 horas [...]. Amir foi convidado pela […] Associação de Trabalhadores em Artes Cênicas de Niterói.234
Revista Cultura Rio
Primeiro número da Revista Cultura Rio é lançado pela Câmara Municipal de Cultura em 13/08/1988 235
Prêmio Especial do Shell para o Tá na Rua
O melhor ator da noite, Pedro Cardoso, estava coberto de razão. Uma festa “de todos os loucos do teatro”, como o jantar de entrega do Prêmio Shell para o Teatro Brasileiro, anteontem, no Golden Room do Hotel Copacabana Palace, só poderia esbanjar animação. […] O mais aplaudido da noite foi o vencedor do prêmio especial, o grupo Tá na Rua, liderado por Amir Haddad, que perdeu sua sede este
ano por falta de verbas. Amir confessou “a maior emoção” por ser fotografado ao lado dos apresentadores da noite, os atores Tônia Carrero e José Wilker – “Eles são o máximo para nós” – e anunciou o desejo de dividir a premiação com os outros três indicados, caso ela fosse de 1 500 otNs (o prêmio era de 370 otNs, cerca de cz$ 1 776 000).
A indicação de um de seus concorrentes, o Teatro dos Quatro, foi a única recebida sem qualquer entusiasmo pelo público.236
1989
Curso “Os caminhos do ator e do moderno teatro brasileiro”
Entre 07 e 30/11/1989, Amir Haddad deu o curso […] pelo Centro Cultural Banco do Brasil. Outros foram os participantes do projeto […] tais como Bia Lessa, Sergio Britto, Glorinha Beuttenmüller e Hamilton Vaz Pereira.237
1990
Festival de Londrina
O Festival Internacional de Londrina 3ª Mostra Latino-Americana de Teatro, que acontece entre 19/06 e 1o/07/1990 na cidade paranaense, reunirá 16 países, com destaque para os grupos Centro Per La Sperimentazione e La Ricerca Teatrale di Pontedera, da Itália. […] Na programação de seminários e debates serão analisados assuntos como […] Reencontro com as origens do teatro do final do século,
233 Susana Schild, Vai começar a festa, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 nov. 1987, caderno B, p. 1
234 Amir Haddad ministra Oficina de Teatro na UFF, Jornal do Brasil, Niterói, 30 jul. 1988, p. 10
235 Com artigos, entre outros, de Ana Arruda, Eurico Nogueira França, Rachel Jardim, Sérgio Cabral e Amir Haddad – num texto sobre “um mergulho no teatro feito dentro de um presídio”, segundo a matéria “Cultura Rio: um olhar novo sobre a realidade carioca”, O Pasquim, 29 jul. 1988, p. 5. Disponível em: <https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=124745&pesq=%22Revista%20Cultura%20Rio%22&pasta=ano%20198&hf=memoria.bn.br&pagfis=32147>. (Acesso em 22 abr. 2022).
236 Márcia Cezimbra, Uma festa de teatro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 dez. 1988.
237 Box publicitário, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 out. 1989, caderno B, p. 3.
com a participação de Amir Haddad, Flora Lauten, do grupo Buendía, de Cuba, entre outros.238
1991
UTI – Unidade de Teatralização Intensiva
O grupo Tá na Rua, de Amir Haddad, inicia hoje o curso uti […], às segundas e terças, durante três semanas no Teatro Gláucio Gil, transformado em Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, em Copacabana.239
CCBB do Rio comemora dois anos
O Centro Cultural Banco do Brasil vai comemorar dois anos no próximo dia 12/10 com uma grande festa de rua, reunindo artistas de várias áreas, comandados pelo experiente Amir Haddad. Há bons motivos para festejar.240
Literatura – série Teatro do Texto
Na série Teatro do Texto, Amir Haddad dirige dramatização de trechos da obra de Moacyr Scliar, às 18h30, com entrada franca, na Biblioteca Nacional.241
[Na mesma série], Amir dirige trechos de obras de Ignácio de Loyola Brandão, às 18h30, com entrada franca, na Biblioteca Nacional.242
[…] atores sob a direção de Amir Haddad interpretam trechos da obra de Antônio José de Moura, às 18h, na Biblioteca Nacional.243
Leitura dramatizada da obra de Antônio Barreto. Direção de Amir Haddad, com o grupo Tá na Rua. Saguão Nobre da Biblioteca Nacional, às 18h30, entrada franca.244
Jogral O grito da terra
A apresentação do referido jogral se constituiu como um preparativo para o evento ecológico “Terra e Democracia” que, em 1991, realizou-se a partir de 11 de agosto em sete regiões do Grande Rio.
Domingo – 16h – Atores de Niterói fazem o jogral O grito da terra, de Betinho, com direção de Amir Haddad.245
Domingo na Quinta
O grupo de teatro Tá na Rua dirigido por Amir Haddad apresenta esquetes sobre preservação do meio ambiente. O projeto, que continua por mais três domingos, prevê ainda a presença de monitores orientando grupos de piquenique em relação à coleta seletiva do lixo. A partir das 10h, na Quinta da Boa Vista.246
238 Macksen Luiz, nota Festival de Londrina, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 jun. 1990, seção Entreato, caderno B, p. 2
239 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 maio 1991, coluna Cursos, caderno Cidade, p. 4
240 Lucia Rito, Quem é quem na cultura carioca, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jun. 1991, subtítulo CCBB, caderno B, p. 8
241 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 2-8 ago. 1991, seção Agenda, p. 56
242 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 9-15 ago. 1991, seção Agenda, p. 50
243 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 16-22 ago. 1991, seção Agenda, p. 50
244 Teatro de Texto, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 ago. 1991, seção Roteiro, subitem Teatro, caderno B, p. 5
245 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 30 ago.-5 set. 1991.
246 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 13-19 set. 1991, seção Grátis, p. 38.
Literatura
Na série Teatro do Texto, Amir Haddad coordenou uma dramatização de poemas de Moacyr Félix, às 18h30, com entrada franca, na Biblioteca Nacional (Cinelândia).247
O diretor Amir Haddad coordena leitura de contos de Luiz Vilela, às 18h30, com entrada franca, na Biblioteca Nacional (Cinelândia).248
Leitura dramatizada da obra de Olga Savary. Direção de Amir Haddad. Saguão Nobre da Biblioteca Nacional, av. Rio Branco [...]249
II Fórum de Dança Contemporânea do Rio de Janeiro
Entre 25 e 30/11/1991, aconteceu o II Fórum de Dança Contemporânea do Rio de Janeiro, do qual Amir Haddad participou numa mesa-redonda ao lado de outros artistas como Angel Vianna, Cássia Navas, Ivaldo Bertazzo, Marilena Ansaldi, Rubens Corrêa e outros.
Festa dançante A noite de um desempregado
A festa […], com participação de Amir Haddad e do grupo teatral Tá na Rua, anima a noite do Circo Voador a partir das 21h.250
Banho de cheiro no Rio
Ao longo desse tempo [11 anos de Tá na Rua], [Amir] e o grupo – tem um núcleo fixo de oito pessoas e mais de 40 atores flutuantes –apresentaram espetáculos nas praias de Ipanema,
nos becos do Centro, nas favelas dos morros e nas mais distantes praças da periferia. Foi assim que ele conheceu a grande cidade e aprendeu a amar um Rio que vai muito além do túnel do Leme. Na sexta, Amir estará à frente dos grupos afros, afoxés, ciganos e esotéricos que vão fazer a lavagem simbólica da estátua de Gandhi, na Cinelândia, e dar um banho de cheiro na cidade. Mesmo participando do descarrego, Amir não está entre os que proclamam o baixo astral do Rio. “Sou mineiro, criado em São Paulo e desenvolvido no Rio. Tenho o café e o leite na veia. Mas o que me mantém vivo é a identidade cultural do Rio de Janeiro.251
Mergulho teatral
A cal está oferecendo o curso “Mergulho teatral” com os professores Amir Haddad, Carlos Gregório, Clóvis Levi, Marcos Fayard etc. Estão sendo oferecidas turmas nos horários da manhã, tarde e noite. O curso terá duração de três semanas, com quatro horas diárias de aula, de segunda a sexta, abrangendo interpretação, improvisação, expressão corporal e expressão vocal e música.252
II Encontro Latino-Americano de Educação
De 13 a 16/09/1992, no RioCentro. Amir Haddad e o Tá na Rua integraram a programação do núcleo de “Atividades lúdicas – diferentes linguagens: expressão de ritmos do mundo” com o espetáculo teatral O teatro que Colombo não viu. 253
247 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 27 set.-3 out. 1991, p. 50
248 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 4-10 out. 1991, seção Agenda, p. 52
249 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 nov. 1991, seção Roteiro, caderno B, p. 5
250 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 29 nov.-5 dez. 1991, seção Agenda, p. 52
251 Cleusa Maria, Vamos dar um banho de cheiro no Rio, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 dez. 1991
252 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 dez. 1991, nota Teatro II, caderno Cidade, p. 4.
253 Box publicitário sobre o Encontro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 set. 1992, caderno 1, p. 13.
1993
Comitê contra a Miséria
Preparativos para a semana de 7 de setembro quando cerca de 500 artistas se empenharam em lutar contra a fome por meio de shows, peças e atividades ligadas à cidadania e com intuito de arrecadar cestas básicas e dinheiro para pessoas necessitadas. Entre a programação da Semana da Arte contra a miséria e pela vida, ocorreu em 14 de setembro, às 20h, o espetáculo Cidadão, no Teatro Municipal, dirigido por diversos diretores, como Aderbal Freire-Filho, Amir Haddad, Augusto Boal, Gerald Thomas, Marcio Vianna, Moacyr Góes, entre outros. No elenco: Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira, Tônia Carrero, Marieta Severo, Maitê Proença, entre outros.254
Na próxima quarta, às 15h, no auditório da Uerj, será lançado o Comitê Rio de Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. Confirmaram presença os atores Paulo Betti, Joana Fomm, Augusto Boal e Amir Haddad.255
O espetáculo […] começava nas escadarias do teatro. Ali o público era recebido pelo grupo Tá na Rua que mais tarde, escoltado por Amir Haddad, invadiria a plateia para contar a história de um “morto que em vida foi muito dado a falcatruas, chegando até a ser candidato a vereador”. E enquanto Renata Sorrah, Marieta Severo e Maitê
Proença falavam no palco contra a “cultura da aceitação”, a atriz Carla Marins, do lado de fora do teatro, recitava trechos da peça 1999. Também subiram ao palco Cecil Thiré, Tônia Carrero e Luiza Thiré. As duas – avó e neta – improvisaram um trecho de Álbum de família 256
1994
Festival de Teatro de Curitiba
A terceira edição do Festival […] termina neste fim de semana como a maior de todas até agora. Um público de 40 mil pessoas assistiu às 16 peças encenadas em teatros e na rua e à programação paralela que incluiu uma mostra de cinema, debates e uma exposição fotográfica. […] Dois espetáculos se sobressaíram – Pixinguinha, de Amir Haddad, e Amanhã será tarde demais e depois de amanhã nem existe, de Denise Stoklos – obtendo avaliação “ótima” de 100% e 91% das plateias, respectivamente. Pixinguinha – um espetáculo musical com participação do neto do compositor, Marcelo Vianna – fez o público cantar em duas noites de apresentação no Aeroanta.257
Rodas de Leitura
A série Rodas de Leitura continua em julho, inaugurando já na próxima semana as leituras de teatro com nomes importantes dos palcos brasileiros lendo trechos de peças do passado e contemporâneas. Amir Haddad, por exemplo,
254 Denise Moraes, A arte faminta: artistas da cidade aderem à campanha contra a fome e prometem parar o Rio durante a “Semana da arte contra a miséria e pela vida”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro 30 ago. 1998, caderno B/Roteiro, p. 6
255 Não foi possível localizar, mas diante das informações que encontrei para a contextualização, esta nota ficou irrelevante. O que acha de colocarmos numa nota de rodapé, apenas para não perder a informação? Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 abr. 1993
256 Denise Moraes, Artistas criam “receita” para combater a fome, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 set. 1993
257 Martha Feldens, Cai o pano em Curitiba: Quarenta mil pessoas lotaram as 16 peças do Festival de Teatro, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 mar. 1994, caderno B, p. 8.
lerá Bertolt Brecht; Zezé Polessa lerá Nelson Rodrigues; Paulo José lerá Flávio Márcio; Naum Alves de Souza lerá uma peça sua. Hoje, a leitura começa com Chacal, às 16h, e continua com Adélia Prado, às 18h30. 258
A partir do dia 05/07, o projeto Rodas de Leitura do ccbb inicia sua etapa final com um mês dedicado ao teatro. Aderbal Freire-Filho e Amir Haddad são os convidados do mês.259
1995
Debate sobre adolescência – projeto Zinema O projeto Zinema do Estação Icaraí já é “a melhor praia de domingo” dos adolescentes de Niterói. Hoje, às 11h, é a vez [do filme] Garotos perdidos (Lost boys), de Joel Schumacher. O envolvimento de um garoto com jovens vampiros motociclistas é o mote para o debate da adolescência como rito de passagem, com o diretor de teatro Amir Haddad e o professor de literatura Júlio César Valadão Diniz, mediados pelo ator Daniel Lobo.260
Fórum Shakespeare
Anunciada: a participação da técnica de voz e fala
Glorinha Beuttenmüller e dos diretores de teatro Celso Nunes e Amir Haddad no Fórum Shakespeare, que se realizará de 4 a 29/07, no Centro Cultural dos Correios, no Rio.261
Rio em clima de festa do interior
Junho já sei foi, mas nunca é tarde para entrar numa quadrilha. Nesta sexta, a roça invade o Largo da Lapa com o evento Festa do interior. Dirigidos por Amir Haddad, centenas de bailarinos de 83 municípios do interior do estado trazem 34 danças típicas. Além da tradicional quadrilha, vai ter folia de reis, ciranda, caninha verde e boi pintadinho, além de danças africanas, portuguesas, alemãs, finlandesas e italianas. “Queremos valorizar a cultura das cidades do interior”, diz Licko Turle, produtor do evento.262
Comemorações para o CCBB
No próximo dia 12 o [ccbb] completa seis anos.
A celebração começa com novidades [como] o evento Descoberta de um novo mundo, dirigido por Amir Haddad.263
Testemunhas da criação
Leitura dramatizada da peça [Testemunhas da criação] de Domingos de Oliveira. Com Sergio Britto, Enrique Diaz, Aderbal Freire-Filho, Amir Haddad. Fundação Planetário. […] Grátis. Única apresentação. 264
“Oportunidade cultural única”
Vai ser difícil acontecer de novo, a RioCult-95 e stá realizando 20 workshops sobre temas como teatro, literatura, dança, artes plásticas, vídeo,
258 Poesia na voz do autor: Adélia Prado e Chacal leem seus poemas hoje na biblioteca do CCBB, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 jun. 1994, caderno B, p. 3
259 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 jul. 1994, nota na seção Marcadas, caderno Cidade, p. 23
260 Pequenos vampiros no Estação, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 jan. 1995, seção Zoom, caderno Niterói, p. 2
261 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 maio 1995, nota Anunciada, seção Cidade, p. 27
262 Roberta Oliveira, Rio em clima de festa do interior, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 28 jul.-3 ago. 1995, p. 46
263 CCBB vai lançar revista cultural, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º out. 1995, caderno B, p. 2
264 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 nov. 1995, nota de divulgação na seção Agenda de teatro “Grátis”, caderno B, p. 6.
quadrinhos, música, fotografia, capoeira e tarô, com os profissionais mais representativos de cada área. […] [Dia 13, das 16h às 19h] […] [o 3º workshop do dia é Teatro de rua, com Amir Haddad].265
1996
Participação no grupo de debates para desenvolvimento do Plano Estratégico de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo do Rio de Janeiro (rJ).266
Interpretação e palavra em Shakespeare
Sergio Britto, Amir Haddad e Alcione Araújo discutem Interpretação e palavra em Shakespeare, às 18h30, com entrada franca, no Espaço Cultural Finep.267
Políticas culturais na universidade pública
O Grupo de Teatro da Uerj promove dia 21, no Teatro Noel Rosa, o debate Políticas culturais na universidade pública, com Sábato Magaldi, Leonardo Boff, Fernando Gabeira, Amir Haddad e Geraldo Carneiro.268
1997
Ciclo Oito Décadas de SBAT
Leitura da peça Jurity. De Viriato Corrêa. Direção de Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua e
convidados. Centro de Estudos de Dramaturgia da sbat. […]. Grátis.269
Debate após peça Us Juãos i os Magalis […] texto e direção de César Vieira. Com o Teatro Popular União e Olho Vivo. Lona Cultural Hermeto Pascoal. […] Depois do espetáculo haverá debate com Amir Haddad, Augusto Boal e Aderbal Freire-Filho.”270
Festa paralela na Lapa Aproveitando o clima mambembe [da] cidade, várias companhias de teatro nativas do Rio resolveram promover sua própria festa e mostrar que a produção marginal pode ser tão boa – ou melhor – quanto a oficial. O festival paralelo é o Lapa RioOff, que pelo segundo ano consecutivo agita os casarões da UniLapa. “Não fizemos uma seleção dos melhores, nem eliminamos os piores, como é costume nos festivais oficiais. Queremos é trazer à tona a variedade e originalidade da produção subterrânea carioca”, diz Amir Haddad. O diretor está no comando do evento, acompanhado do dramaturgo Augusto Boal. Em clima democrático, o festival reúne grupos veteranos, como o Teatro do Oprimido e o Tá na Rua, a estudantes e oficinas de teatro.271
265 Box publicitário “Oportunidade cultural única”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 dez. 1995, caderno B, p. 9
266 Angela Rebello, op. cit., 2005, p. 188
267 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 out. 1996, seção Ideias/Livros – Agenda, p. 2.
268 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 out. 1996.
269 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 abr. 1997, seção Agenda de Teatro, caderno B, p. 5.
270 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1-7 ago. 1997
271 A UniLapa era uma associação cultural criada em 1992 e composta por oito grupos e entidades detentoras do uso das casas que hoje compõem o corredor da avenida Mem de Sá, onde fica a sede do Tá na Rua. Amir chegou a ser presidente da associação em 1993. (Festa paralela agita a Lapa, Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 17-23 out. 1997 p. 37.)
1998
Ciclo de leituras Brasil Comédia
Bicho do mato, de Luiz Iglezias. Direção de Amir Haddad. Com Amir Haddad, Juliana Teixeira e grupo Tá na Rua. Centro de Estudos de Dramaturgia do sbat. 272
Ciclo de entrevistas
Começa hoje, no ccbb, um ciclo de entrevistas com alguns dos mais importantes diretores teatrais brasileiros em atividade. Abertas ao público e coordenadas pelo dramaturgo inglês Paul Heritage, as entrevistas serão publicadas no livro Conversando com os deuses?, que segue os mesmos moldes da publicação inglesa In contact with Gods? Directors talk theatre. E edição brasileira trará entrevistas originais com Peter Brook e Robert Wilson, entre outros, numa edição dupla com as entrevistas brasileiras, que se realizarão no auditório do 4º andar do [ccbb], sempre às 17h, com distribuição de senhas meia hora antes. Augusto Boal abre o projeto hoje. É o único que também está na edição inglesa. Amanhã o entrevistado é o crítico Sábato Magaldi. Em seguida, as entrevistas se realizarão em dupla. Sexta falam Amir Haddad e Aderbal Freire-Filho; terça, dia 21, Gabriel Vilella e Ulysses Cruz; quarta, 22, Bia Lessa e Eduardo Tolentino; e sexta, 24, Antunes Filho e Gerald Thomas. Segundo Heritage, a escolha dos diretores procurou ser a mais representativa. “Mas diretores importantes como José Celso Martinez Corrêa e Antônio Abujamra, por exemplo, não encontraram tempo na agenda”, explica o dramaturgo, que está no Brasil para coordenar o projeto e desenvolver um outro, de teatro nas penitenciárias.273
Ciclo Brecht
Uma das principais iniciativas das comemorações do centenário do dramaturgo alemão […], o Ciclo Brecht apresenta hoje no Espaço Cultural dos Correios a leitura de Antígona, de Sófocles, com direção de Camilla Amado. […] O Ciclo Brecht tem apoio do Jornal do Brasil, Instituto Goethe, Editora Paz e Terra e Rádio Opus FM, e prossegue na próxima terça com palestra do diretor Amir Haddad, que fala sobre Vida de Galileu, acompanhado de uma leitura de cena da peça pelo diretor e ator Antonio Pedro.274
Corredor Cultural –
A Lapa é a cara de Zumbi
O Instituto Palmares de Direitos Humanos, a Federação dos Blocos-Afro do Rio de Janeiro, o Grupo Tá na Rua do diretor Amir Haddad e o Centro de Teatro do Oprimido organizaram uma festa para comemorar o Dia da Consciência Negra, que acontece no dia 20/11. O evento terá [oficinas e, entre outras coisas] exposição dos figurinos do Tá na Rua.275
Festival Cena Aberta
O festival […], realizado até domingo pelos grupos que recebem apoio do governo federal, agora também tem sua versão off. O diretor Amir Haddad, do grupo Tá na Rua, que participa da mostra oficial com um grande Auto de Natal a se realizar nos Arcos da Lapa no domingo, comanda o festival paralelo.276
272 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 mar. 1998, seção Agenda.
273 Entrevistas no CCBB reúnem dramaturgos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jul. 1998, caderno B, p. 3
274 Ciclo Brecht tem leitura de Antígona, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 out. 1998, caderno B, p. 3
275 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 20-6 nov. 1998, nota referente aos eventos de sexta-feira, p. 38.
276 Cena aberta ganha uma versão paralela, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 dez. 1998, caderno B, p. 3.
1999
A batalha do forte dos reis magos
A Fundição Progresso não quer saber de descanso e abre suas portas hoje para o pessoal que pretende emendar as comemorações da passagem de ano com muito samba no pé. […] Na sexta, além do pessoal da escola de samba da Tijuca, o grupo Tá na Rua de Amir Haddad dramatizará, com a participação de cerca de 50 atores, o carro alegórico do Salgueiro, A batalha do forte dos reis magos.277
Tá na Rua Cai no Carnaval
O teatro também tem vez no desfile das escolas de samba. O grupo de Amir Haddad, promove a partir da próxima segunda e até 14/02 a já tradicional Oficina de Carnaval. Os cortejos dramáticos são uma das mais importantes fontes de pesquisa do grupo. O desfile na avenida é aqui entendido como um treinamento dos atores em espaços abertos. A oficina termina em plena Sapucaí no domingo de Carnaval, com o desfile dos atores no carro alegórico Fortaleza dos reis magos 278
Escola Tá na Rua
Após 19 anos de desenvolvimento de uma linguagem teatral, o grupo criado por Amir Haddad, realiza um sonho: inaugura, segunda-feira, o Instituto Tá na Rua. E oferece 10 bolsas integrais e 40 parciais (50%) nas Oficinas de desenvolvimento e formação do ator cidadão (com duração de três meses) para os primeiros leitores que apresentarem a [revista] Programa no Teatro Glauce Rocha […], a partir das 10h desta sexta-feira.”279
Gavetas Abertas Leitura da peça Severina Pau Brasil, de José Ribamar Neves. Direção: Amir Haddad. Com Ruddy Trigo, Vanda Lacerda e outros, no Centro de Estudos de Dramaturgia da sbat, em 14 de abril.
Ato Público “desenforca” Tiradentes Tiradentes será “desenforcado” hoje, em ato histórico-cultural que se inicia às 12h na Assembleia Legislativa e se deslocará para a praça a qual o herói dá nome, onde, em cadafalso armado em frente ao Teatro João Caetano, o mártir da Independência, até ali representado por um boneco, se transforma em homem, vivido por um ator. Promovido pelas secretarias estaduais de Cultura e Segurança, e pela Assembleia Legislativa, o “desenforcamento” tem coordenação do historiador Joel Rufino dos Santos e direção artística de Amir Haddad e Haroldo Costa. O ato terá como fundo musical o samba-enredo Exaltação a Tiradentes, feito por Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva para o desfile de 1949 do Império Serrano.280
Anos 1000: uma leitura do milênio através de Shakespeare Leitura de Rei Lear. Direção: Aderbal Freire-Filho e Gilray Coutinho: com Amir Haddad, Adriana Maia e outros, no Teatro João Theotônio, do Centro Cultural Cândido Mendes.
Ágora agora – debate
Evento do ccbb que reuniu nomes da cultura às terças e quintas para debaterem a respeito do “que ficará marcado e o que será jogado no lixo” em
277 Denise Lopes, Fundição abre o ano com samba, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1º jan. 1999
278 Tá na Rua cai no Carnaval, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jan. 1999, caderno B, p. 3
279 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 2-8 abr. 1999, seção Ofertas, p. 42.
280 Ato Público “desenforca” Tiradentes, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 abr. 1999, caderno B, p. 3.
cada uma das expressões artísticas manifestadas ao longo do século XX.
O ccbb promove, a partir de terça-feira, o evento 7 artes, 1 debate: permanência e descarte. […] No dia 09/11, Amir Haddad e Eduardo Wotsik discutem Ágora agora: entre o palco e a praça 281
Em casa na Tunísia
Na ocasião de sua ida a Tunísia, Amir apresentou a comunicação “O teatro e a cidade – o ator e o cidadão” em novembro, na qual, entre outras coisas, dizia:
“[…] Há uma possibilidade teatral imanente no cidadão e nos ritos de convivência, não prevista na vida da cidade e consequentemente não levada em conta, embora continuamente se manifeste – numa festa, numa barraca de cachorro-quente, num camelô que vende alguma coisa, em tudo. Parto do princípio de que o que provoca isso é a divisão que se estabeleceu, ao longo dos últimos 300 anos, entre teatro e cidade, entre cidadão e artista.
A cidade mudou, o teatro não. […] O produto mais avançado das pesquisas que venho desenvolvendo no Brasil, junto ao grupo Tá na Rua, é a realização de grandes espetáculos festas, atualmente concebidas como imensos cortejos, a que denominamos liturgia carnavalizada. […] Se por um lado o processo então realizado nos proporcionou descobertas importantes em relação ao jogo do ator, levando-nos a uma atuação desenvolvida, que apresentava uma realidade, ao invés de representá-la […], por outro a demolição da linguagem […] foi […] dando passagem a uma
linguagem cada vez mais livre […]. Foi o contato com uma plateia heterogênea […] que nos obrigou a nos desarmarmos, a rever nossas atitudes […]. Peter Burke, historiador, em seus estudos sobre cultura popular, ao investigar o aparecimento da dicotomia cultura erudita/ cultura popular – que surgiu justamente nessa fase em que se estruturou a sociedade burguesa – faz uma análise muito interessante sobre a obra de Bakhtin e considera que este, quase explicitamente, desenvolve o pensamento de que popular é tudo aquilo que se rebela contra o estabelecido. […]; viramos o teatro de cabeça para baixo, como um saltimbanco […]. Nosso referencial eram os camelôs e os artistas de rua; eram aqueles camelôs que vendiam mágicas, vendiam remédios para calo e mil outras bugigangas. Nós os observávamos enquanto faziam teatro para vender suas mercadorias: como seguravam a roda, como esquentavam o espaço de atuação, como brincavam com o público […]. A nossa recusa em relação ao teatro burguês – hoje nós sabemos identificar melhor – não se limitava a diferenças políticas e/ou ideológicas. Ela se relacionava também à mudança que ocorrera intrinsecamente no teatro, a partir do momento em que este sofrera um deslocamento em seu eixo religioso […]. Vivemos num mundo protestante, mas nossa cultura, no Brasil, é de origem católica, medieval e também islâmica! […] E aí o que aflorou foram as procissões religiosas que vi na minha infância e das quais participava toda a cidade. Principalmente uma, a mais dramática de todas, que era emocionante e da qual eu adorava participar – a procissão do encontro. Uma parte dela saía de uma das igrejas da cidade, ao mesmo tempo em que
281 Corpo é um dos temas em debates no CCBB, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 out. 1999, caderno Ideias – Livros, especial Fragmentos do corpo, seção Debates, p. 2.
uma outra saía de outra igreja; e ambas se encontravam em determinado ponto. Uma encenação! Uma trazia Jesus Cristo carregando a cruz e a outra, Maria; quando se cruzavam na rua, ela via o filho sendo castigado. Eram aquelas duas estátuas balançando. […] O produto mais avançado de nosso trabalho – os cortejos – não é um produto de mercado, uma beleza a ser vendida. […]; como a procissão de Osíris, no Egito, em que se representava a vida do deus; como o TAZIYÉ – O martírio de Hassan e Hussein, na Pérsia, onde os maometanos contam teatralmente, numa praça, a história da sangrenta guerra que estalou entre os herdeiros de Maomé, após sua morte. Ou, ainda, como alguns grupos africanos contemporâneos ligados à tradição, com suas danças teatralizadas. […] É um espetáculo escrito no espaço e com o corpo, tanto dos atores quanto das pessoas que passam […]. Basta jogar um sinal forte, que eles o reconhecem rapidamente. Há, dentro do povo, a força dos mitos gregos. […].”282
2000
7º Festival de Teatro –
Universidade Veiga de Almeida
De 18 a 28/10/2000, Amir foi jurado ao lado de outros profissionais.
Leitura de Abajur lilás , de Plínio Marcos
Ciclo de Leituras ac/dc, antes e depois do ai-5, promovido por Amir Haddad e pela atriz Maria
Padilha, que vinha inovando em sua carreira. A proposta era apresentar leituras de dramaturgia brasileira. Amir Haddad dirigiu a leitura de Abajur lilás, de Plínio Marcos, um ano após a morte do autor, com um elenco que, entre outros, contava com Louise Cardoso e Thelma Reston, no Teatro Glória.283
Leitura de Roda viva , de Chico Buarque
Um verdadeiro happening marcou a leitura […] na noite de terça, no Teatro Glória. Foi o encerramento do ciclo ac/dc, de leitura de peças escritas antes e depois da censura – projeto idealizado pelo diretor Amir Haddad e pela atriz Maria Padilha, diretora do teatro. Um iluminado José Celso […] comandou a leitura no palco e na plateia, lotada de artistas cariocas, convidando os presentes a entrarem no clima da peça, fazendo parte do coro, dançando e soltando as feras possíveis. […] Numa noite repleta de clímax, o ator Otávio Müller foi um dos mais fortes no papel do Anjo, empresário do protagonista, e Amir Haddad, como o Capeta, personificando a mídia.284
2001
Oficina de Carnaval Tá na Rua
O grupo de teatro Tá na Rua, de Amir Haddad, começa hoje sua Oficina de Carnaval; os integrantes vão desfilar na Unidos do Cabral, cujo enredo homenageia Zeca Pagodinho.285
Leituras dramatizadas –
João Cabral de Melo Neto
Trechos da obra de João Cabral foram lidos no
282 Comunicação de Amir Haddad, proferida em seminário durante o Festival Internacional de Teatro Africano realizado em Túnis, Tunísia, evento do qual participou como presidente do júri em novembro de 1999
283 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 nov. 2000, caderno B, p. 5 Outras informações referentes ao ciclo foram encontradas em: Diretores destacam as parcerias, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 dez. 2000, caderno B, p. 2
284 Mônica Riani, Clima de celebração na leitura de Roda Viva, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 dez. 2000.
285 Danuza Leão, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 fev. 2001, nota na seção Calçadão, caderno B, p. 3.
Teatro 3 do ccbb, selecionados por Clarisse Fukelman com direção geral de Amir Haddad. Entre a programação, Amir dirigiu, em parceria com Luiz Fernando Lobo, Cabral dramaturgo –poemas dramáticos, com Chico Diaz e Gilberto Miranda em 16/05/2001 e O auto do frade, em 17/05/2021. Entre outros atores que participaram do ciclo, estiveram Arlete Salles, Camila Pitanga e Nelson Xavier.
Diretor do Teatro Carlos Gomes –coração do Rio
No âmbito municipal, [o secretário municipal de cultura] Artur da Távola anunciou a escalação dos responsáveis pelos teatros da prefeitura. No Teatro Carlos Gomes, Amir Haddad, do grupo Tá na Rua; no Delfin/UniverCidade, o diretor Moacir Chaves; no Planetário, a atriz Elizabete Savalla; no Ziembinski, a atriz Claudia Jimenez; no Aurimar Rocha/Café Pequeno, Cláudio Botelho e Charles Müller. Como antes, a sala do espaço cultural Sérgio Porto fica destinada à vanguarda. O Glória ainda está vago.286
Praças – Pré-lançamento do projeto de ocupação do Carlos Gomes, por Amir Haddad. Com o grupo Tá na Rua (16h30), Mestre Zé de Vina e Mamulengo Riso do Povo (17h) e Forró Macambira e Adryana bb (18h). Praça Tiradentes […]. Grátis.287
2002
Debates, teatro e concertos – Paris 1900
Paralelamente à exposição Paris 1900, o [ccbb] sedia, a partir da próxima terça, o seminário internacional belle époque e modernidade, que vai reunir até 4/07
[…] um elenco de pensadores dispostos a discutir diferenças e semelhanças assumidas entre Rio e Paris na virada do século XX [como política, urbanismo, ciência, arte, moda sociologia, literatura etc.] […] Pequenas encenações dramatúrgicas abrirão as noites de debates. Os textos teatrais foram criados com base em 200 fontes de pesquisa […]. O elenco é composto por Nathalia Timberg (na abertura), Giulia Gam, Eva Wilma, Louise Cardoso, Tonico Pereira, José Wilker, entre outros atores, dirigidos por Amir Haddad e Ana Kfouri.288
AfroReggae
Parceria – O AfroReggae conquistou um belo parceiro. […] Amir Haddad vai trabalhar com a oNg O diretor assinará a direção da primeira peça do Levantando a lona, grupo de circo do AfroReggae. A estreia é no final de agosto, na Favela do Cantagalo.289
Artaud e Brecht
Palestra em 08/09/2002, às 20h30, no Teatro Villa-Lobos, sobre Artaud e Brecht.
2003
Tá na Rua tá na Porto da Pedra –Os donos da rua: um jeitinho brasileiro de ser a Vez do PoVo Nas ruas – Enredo social por enredo social, a Beija-Flor pode ter o mais explícito e engajado (sobre a fome), mas o Porto da Pedra não fica atrás, ao falar, na Sapucaí, da vida e das mazelas do povo que vive nas ruas. “É um tema forte, mas não é triste”, diz o carnavalesco da agremiação, Mário Borriello. A brincadeira começa desde a comissão de frente, bolada pelo grupo Tá na Rua (nome bem adequado para a ocasião), do
286 Mônica Riani, Cultura na boca de cena, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 abr. 2001
287 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 set. 2001, nota sem título, divulgação na seção Agenda, caderno B, p. 6
288 Debates, teatro e concertos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 maio 2002, caderno B, p. 10.
289 Marcia Peltier, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jul. 2002, nota Parceria, caderno B, p. 3.
diretor Amir Haddad. Os 15 componentes da comissão montarão cenas do cotidiano das esquinas cariocas ao longo do desfile.290
Curso de Introdução à Leitura de Textos Teatrais
A Estação das Letras promove [curso] com o produtor e ator Amir Haddad, e continua com os cursos de férias […].291
Projeto de leituras “Arqueologia do Riso Brasileiro” – peças O primo da Califórnia e A maldita parentela Promovido pelas atrizes Guida Vianna e Angela Rebello, o projeto [Arqueologia do Riso, realizado por quatro segundas-feiras desde 1º/09/2003] é dedicado a comédias musicadas brasileiras do século XiX [por meio de leituras acompanhadas do piano de Maria Teresa Madeira]. Na próxima segunda, leitura de O primo da Califórnia, de Joaquim Manuel de Macedo, sob direção de Amir Haddad. [Sempre na] Sala Baden Powell.292
Na próxima segunda, a série chega ao fim com as leituras de A maldita parentela, de França Júnior, com direção de Amir Haddad, e O califa da rua do sabão, de Artur Azevedo, dirigida por Luiz Arthur Nunes. Sala Baden Powell.293
2004
Aniversário do Jardim Botânico
No domingo [13/06], a Cia. Chronos de Teatro apresenta, às 10h, no gramado do Centro de Visitantes, o espetáculo Um jardim de histórias com fatos importantes que marcaram os 196 anos do Jardim Botânico [do Rio]. Às 13h, no Solar da Imperatriz, atividades no Ateliê de Criação com ensaios das músicas e cenas do cordel Antônio Lisboa e a sereia do fundo do mar294, dirigido por Amir Haddad.295
Ele nasceu no entorno de uma fábrica de pólvora, abrigou chineses que por lá fumaram ópio e, graças ao insucesso de uma plantação de chá, tornou-se uma das mais belas áreas verdes da Zona Sul. O Jardim Botânico, que completa hoje 196 anos, abriga […] relíquias que vão além das deslumbrantes palmeiras […]. Fundado em 1808 por Dom João VI, o jardim é um baú de histórias curiosas, memória viva do Brasil colônia. Parte desta trajetória será narrada hoje a partir das 10h […]. A festa inclui apresentação do cordel dirigido por Amir Haddad (às 13h, no Solar da Imperatriz) e trilhas no Morro das Margaridas […].296
Haddad em Mossoró […] o diretor pioneiro da vanguarda nacional, do teatro de rua e de tantas coisas bacanas do teatro brasileiro, apronta mais uma: inaugura
290 A vez do povo das ruas, Jornal do Brasil/Revista de Domingo, Rio de Janeiro, 2 mar. 2023, n. 1 400, p. 31
291 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 jul. 2003, nota na seção Campus, caderno Ideias, p. 2
292 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 12-8 set. 2003, nota na seção Agenda, p. 22
293 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 19-25 set. 2003, nota na coluna Teatro, seção Agenda Extra, p. 23
294 Este cordel, de Mivelino F. da Silva, junto de Iraildes ou A moça que beijou um jumento pensando que era Roberto Carlos (de Dílson da Cruz) e A revolta de São Jorge contra os invasores da lua (de Erotildes Miranda dos Santos), foi trabalhado no curso que Amir Haddad deu no Teatro dos 4 em 1978-9, segundo nos informa a tese de Mestrado de Ana Maria Pacheco Carneiro, p. 237
295 Jornal do Brasil/Revista Programa, Rio de Janeiro, 11-7 jun. 2004, seção Agenda Grátis, p. 35.
296 Florença Mazza, Quase um bicentenário de curiosidades, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jun. 2004.
dia 05/08 o Teatro Municipal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.297
Teatro sobre trilhos
Amir Haddad está montando um espetáculo itinerante pelas ruas de Santa Teresa que vai contar a história de antigos moradores ilustres do bairro, como Machado de Assis, Arthur Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Gilda de Abreu, Laurinda Santos Lobo, Manuel Bandeira e Vicente Celestino. Experiente no assunto […], Amir transformará o tradicional bondinho em palco durante cada apresentação de Galhofas e gargalhadas – O bonde de Machado de Assis [já realizado em 1999], que percorrerá quatro estações próximas das casas onde viveram os personagens. A produtora cultural Heloise Montenegro, que assina o projeto, já conseguiu apoio dos governos federal, estadual e municipal para estrear a peça em 06/2005 298
2005
Capitão Doidão
Chama-se Capitão Doidão o projeto que será lançado hoje no Rio para transformar em atores 40 internos de instituições psiquiátricas. O diretor Amir Haddad e o ator Antonio Pedro coordenarão o programa, apoiado pelo Ministério da Saúde. Um dos alunos é autor da primeira peça a ser encenada pelo grupo.299
25 anos de rua
Por falar em dar vivas, o Instituto Tá na Rua […] comemora 25 anos. Vai ser dia 16, no Circo Voador, com várias celebrações: do convênio com o MinC para a realização do “Tá na Rua Brasil/ Escola
Carioca do Espetáculo Brasileiro”; do lançamento do projeto “Memória Tá na Rua”, com a Petrobrás; da participação do grupo no Ano Brasil-França, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura do Rio [ocasião na qual o grupo foi a Paris em 08/2005]. Amir merece todas as festas. Talentoso, combativo e de vanguarda sempre.300
2006
“Justa homenagem” a Rubem Braga Rubem Braga será homenageado nos próximos 5 dias em sua terra natal, Cachoeiro de Itapemirim, na 1ª Bienal que leva seu nome. O escritor terá sua obra resgatada em ciclo de debates, palestras […] e performances de amigos famosos como Tônia Carrero, Elisa Lucinda, Amir Haddad, Ferreira Gullar, Affonso Romano de Sant’Anna etc.301
Amir presidente da República em chiste do JB Surpreendente. Foi a exclamação dos leitores ao receberem, na manhã de ontem, o Caderno b Intervenção, o primeiro de uma série em que personalidades do meio cultural criam edições especiais […]. A estreia coube ao diretor e autor de teatro Aderbal Freire-Filho. Diante do resultado, nomes como o sambista Moacyr Luz, a atriz Andréa Beltrão, o cantor e compositor Oswaldo Montenegro e o artista plástico Xico Chaves ressaltaram a ousadia da proposta e do projeto gráfico dos designers Fabio Arruda e Rodrigo Bleque, sob coordenação de Aderbal. Com a proximidade das eleições, o diretor se debruçou sobre o tema “A cultura nu poder”, ao lado de intelectuais, artistas e jornalistas do primeiro
297 Hildegard Angel, Haddad em Mossoró, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 jul. 2004, caderno A19
298 Heloisa Tolipan, Teatro sobre trilhos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 dez. 2004, editoria Gente, caderno B, p. 10
299 Boechat, Teatro cabeça, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 maio 2005, caderno País, p. A6
300 Hildegard Angel, 25 anos de rua, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 ago. 2005, p. A16.
301 Heloisa Tolipan, Justa homenagem, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 maio 2006, caderno B, p. 8.
escalão, como Alcione Araújo, José Miguel Wisnik, Villas-Bôas Correa e Amir Haddad, este na pele de um utópico presidente do Brasil.”302
O presidente Amir Haddad, de ascendência árabe, junta o antifundamentalismo, o tropicalismo, o alcoolismo (da Lapa, pois ele pessoalmente é abstêmio) e o humanismo para combater o cinismo, o esnobismo, o estrabismo (menos o meu), o banditismo e o abismo. É diretor de teatro, ator, caixeiro-viajante da cultura e foi escolhido presidente da república do outro Brasil por aclamação e com o uso da força (da força maior e da força de expressão).
Assim como já houve o presidente pé de valsa, agora é a hora do presidente tá na rua. Amir recentemente desmontou Nelson Rodrigues, em Botafogo, e Shakespeare, na Lapa, e reinventou o teatro, o ator e o próprio homem. No Catete, para onde a sede do governo do Brasil voltará, isto é, outra vez para perto do povo, Amir pode desmontar deus e o diabo e inventar de vez o governo nu. [...] Amir Haddad, presidente do Brasil. O ator, diretor de teatro, o mestre, o poeta Amir Haddad.303
Teatro para não atores
De 17 a 31/10/2006, Amir lecionou com o Tá na Rua o curso livre “Teatro para não atores” pela Casa de Cultura da Estácio. No anúncio, Amir assinava o seguinte convite: “A experiência teatral prepara o ser humano para a vida social, afetiva e profissional.”304
Ordem do Mérito Cultural Em 08/11/2006, Amir recebe a Ordem do Mérito Cultural na categoria Comendador, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, Brasília, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da cultura Gilberto Gil.
Nesta quarta-feira, dia 8 de novembro, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Cultura, Gilberto Gil, entregaram as insígnias da Ordem do Mérito Cultural 2006 a personalidades e instituições que se destacaram por sua contribuição à cultura brasileira […]. Em seu pronunciamento, o ministro Gilberto Gil disse estar diante “de dedicados semeadores de hoje e de outrora, gente que plantou seus pomares mundo afora, neste e em outros continentes. […].” O teatrólogo Amir Haddad fez o pronunciamento em nome de todos os agraciados. Haddad ressaltou as ações do Ministério da Cultura frisando que apenas a poucos anos a cultura do País começou a notar a “diferença entra existir e avançar”. São três as categorias da premiação: Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro. Nesta 12ª edição, foram contemplados um total de 46 agraciados, dos quais 41 estiveram presentes ou mandaram representantes na última quarta-feira no Palácio do Planalto […]305
302 Os leitores da cultura no poder, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 2006, caderno B, p. 3
303 Perfil e entrevista com Amir Haddad. Perguntas feitas por Villas-Boas Corrêa, Tales Faria, Emir Sader, Ana Maria Tahan, Augusto Nunes, Cristovam Buarque e José Maria Eymael (Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 2006, Intervenção, caderno B, p. 8-11). Trata-se de um breve perfil não assinado (e bem-humorado, como todos da série) que precede uma entrevista com Amir. É possível que sua autoria seja de Aderbal Freire-Filho, idealizador desse caderno especial.
304 Box publicitário, Jornal do Brasil/Editora Barra, Rio de Janeiro, 15 out. 2006, p. 3
305 Celebração da Diversidade Cultural Brasileira: MinC homenageia com a Ordem do Mérito Cultural personalidades e instituições, Portal da Cultura/Ministério da Cultura, 8 nov. 2006. Fonte: http://thacker. diraol.eng.br/mirrors/www.cultura.gov.br/site/o-ministerio/ordem-do-merito-cultural/ordem-do-merito-cultural-2006/index.html. (Acesso em 22 set. 2023).
Show de Gil – Dia dos Direitos Humanos
A garoa fina não desanimou a plateia carioca que foi aos shows do evento Iguais na Diferença, que comemorava 58 anos da declaração universal dos direitos humanos. […] A festa teve o ministro da cultura Gilberto Gil como o mestre-de-cerimônias. […]. Na abertura do evento, o diretor Amir Haddad leu a carta da Declaração Universal dos Direitos Humanos.306
2007
Vir, ver e aprendendo e Por Falar eM… – Ao lado de Amir Haddad, Fernanda [Montenegro] se juntará, a partir de setembro, ao próximo devaneio do diretor que convidou a atriz para participar de um grupo de estudos. “Serão dois meses de intenso trabalho progressivo dividido entre oficinas, debates e muita leitura. Espero que daí nasça algo proeminente”, disse Fernanda. E o nome do projeto, antecipou a atriz, não poderia ter um título melhor: vir, ver e aprendendo. 307
2008
Cuidado com o Cão
Conversa com Amir sobre a relação diretor/ator no processo de criação, após uma das apresentações da peça Cuidado com o cão, de Tarcísio Lara Puiati, com direção de Renato Farias, com a Companhia de Teatro Íntimo.
Lei geral do teatro em xeque Em audiência pública no Senado, projetos da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (ce) recebeu críticas e foi alvo de divergência por parte
de diversos representantes da classe artística do Brasil que ali se reuniram para discutir políticas culturais que deixem de privilegiar apenas o eixo Rio-São Paulo, entre outras reivindicações.
Com orgulhosos 50 anos de vida e paixão pelo teatro, […] Amir Haddad pediu que os senadores tratem o anteprojeto da Lei Geral do Teatro como se fosse legislação sobre a pena de morte. “Tremam de medo. Vamos com cuidado. É a vida do país, a identidade, o afeto”, alertou ontem durante mais uma audiência pública no Senado [ao lado da atriz Irene Ravache, de Ney Piacentini e outros], na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (ce). As palavras de um dos mais importantes homens de teatro do Brasil soaram como eco para grito de segmentos das artes cênicas que se sentem excluídos da proposta nacional, esboçada a partir da experiência de produtores do eixo Rio-São Paulo.308
2009
Cidadão Carioca
Amir recebe o Título de Cidadão Carioca. […] o ator e diretor teatral Amir Haddad (72) foi condecorado Cidadão Carioca na sede do grupo fundado por ele, Tá na Rua, no Rio. Mineiro de Guaxupé, Amir cresceu em São Paulo mas vive na Cidade Maravilhosa desde 1965 “Todos já me viram nas ruas da cidade fantasiado, falando de política nas praças com meu grupo”, disse ele. O título foi entregue pelo amigo e vereador Stepan Nercessian (55). “Sou um profundo admirador do Amir, um homem incrível, batalhador. Todas as pessoas que amam o teatro já tiveram contato com
306 Julio Calmon; Patricia Strelt, Dia dos Direitos Humanos termina com show de Gil, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 dez. 2006
307 Heloisa Tolipan, E por falar em… Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 abr. 2007, coluna Gente, caderno B, p. 8
308 Sérgio Maggio, Lei geral do teatro em xeque – Política Cultural, Correio Braziliense, Brasília, 30 abr. 2008, caderno C, p. 2
ele. O Rio tinha que reconhecê-lo”, elogiou Stepan. Atualmente, Amir dirige o espetáculo As Meninas, escrito por Maitê Proença e Luiz Carlos Góes.309
Um título na berlinda
A escritora Lygia Fagundes Telles está triste com a produção da peça As meninas, texto inédito de Maitê Proença com direção de Amir Haddad, que estreia amanhã, na Casa de Cultura Laura Alvim. “Fiquei muito conturbada quando soube do título da peça. Minha agente, Lúcia Riff, ligou para os produtores e pediu que mudassem o título”, desabafou Lygia, ontem, à coluna, em ddd de São Paulo. […] O produtor da peça, Fernando Padilha, contou que também conversou com Amir, alertando que a montagem virá para o Rio em 2010 a Voz do diretor – “A gente pensou em mudar o título, mas a burocracia é grande. Poderíamos perder o patrocínio. Não queremos que Lygia nos interprete mal”, desculpou-se Haddad, acrescentando que tudo não passou de coincidência e Maitê entrará em contato com a escritora. “Vem ver a peça que é boa. Com qualquer nome”, finalizou.310
À flor da pele
A emoção tomou conta da veia dramática de Letícia Spiller, na aula de interpretação dada pelo diretor Amir Haddad, anteontem, no Espaço Tom Jobim. A atriz recitou, de cabeça, um poema de sua autoria sobre o “amor aos seres humanos”, no meio da roda formada por Cláudia Ohana, Catarina Abdalla, Leonardo Vieira e Tonico Pereira. O clima festa-em-
família durou até o fim da aula, quando todos dançaram ao som de Carinhoso, de Pixinguinha.311
2010
Moção de Aplauso
ele Merece – O diretor Amir Haddad recebe Moção de Aplauso do presidente da Comissão de Cultura da Alerj, Alessandro Molon, pelos 30 anos do Tá na Rua.312
Cidadão Fluminense
Por ementa de autoria de Alessandro Molon (de 12/05/2010), Amir Haddad recebe, no dia de seu aniversário, o Título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro.
2014
Inauguração da Sala de Espetáculos Amir Haddad A sala foi inaugurada na Fábrica de Atores e Material Artístico, escola livre de teatro em Nova Iguaçu que, em 10/05/2014, homenageou seu patrono dando-lhe o nome à sala de espetáculos. Página do grupo: http://projetofama.blogspot.com.
Diálogos com Amir Haddad
Série de quatro entrevistas, que Amir conduziu com Marília Pêra (28/10/2014), José Celso Martinez Corrêa (04/11), Renata Sorrah (11/11) e Aderbal Freire-Filho (18/11) no Teatro Cacilda Becker, com público e entrada franca, promovida pela Funarte.
O primeiro dia da série Diálogos com Amir Haddad teve histórias sobre os bastidores de montagens,
309 Diretor carioca Amir Haddad é cidadão carioca: os aplausos dos atores Maitê Proença e Stepan Nercessian, Caras, 13 jul. 2009, Redação, Arquivo on-line. Fonte: https://caras.uol.com.br/arquivo/diretor-teatral-amir-haddad-e-cidadao-carioca.phtml.(Acesso em 22 set. 2023).
310 Heloisa Tolipan, Um título na berlinda, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 jul. 2009, caderno B, p. 8
311 Heloisa Tolipan, À flor da pele, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jul. 2009, caderno B, p. 8
312 Christovam de Chevalier, Ele merece, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 31 mar. 2010, caderno Cidade, p. A16.
encontros memoráveis, personagens polêmicos, peças que marcaram épocas, confissões e desabafos. Por quase duas horas, a atriz Marília Pêra abriu suas memórias para falar sobre sua trajetória no teatro, na primeira entrevista ao diretor Amir Haddad […]. A plateia, em sua maioria formada por jovens estudantes e profissionais do teatro, ouviu com atenção e encantamento as saborosas histórias contadas pela atriz. […] Iniciativa do Centro de Artes da Fundação Nacional de Artes, o projeto propõe encontros entre personalidades do teatro brasileiro e o público. […]”313
[…] Hoje (4), às 19h, será realizado o segundo encontro do projeto – o primeiro foi no Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro, com Marília Pêra. O entrevistado da vez é o diretor, autor e ator paulista José Celso Martinez Corrêa. A conversa acontecerá no Teatro Oficina, com entrada gratuita e aberta ao público. Nas entrevistas, Amir Haddad questiona os artistas sobre suas experiências na arte teatral, a trajetória na carreira, a troca com outros colegas de ofício, e seus trabalhos, dos mais antigos aos mais recentes. A ideia é transmitir ao público o processo criativo dos artistas sob a ótica de Amir Haddad, diretor que, por sua vez, passou por diversas fases do teatro brasileiro, experimentando variados estilos, desde o teatro tradicional ao teatro de rua. Filmadas, todas as entrevistas serão disponibilizadas, posteriormente, no portal da Funarte, para acesso como fonte de pesquisa e informação.314
2017
Medalha Tiradentes
Em 28 de novembro de 2017, o então deputado Eliomar Coelho entregou a Medalha Tiradentes a Amir Haddad, em homenagem celebrada na sede do grupo Tá Na Rua, na Lapa, que contou com apresentações dos artistas do grupo.
2018
Prêmio da APTR –Associação dos Produtores de Teatro
Em 9 de maio de 2018, Amir Haddad e o Tá na Rua foram homenageados na 12ª edição anual do Prêmio aPtr, realizado no Theatro Net Rio, em Copacabana, apresentado por Renata Sorrah, com a presença dos integrantes do Tuca carioca.
Homenageados da 13ª Fita –Festival Internacional de Teatro de Angra
Vai ser dada a largada para a maior festa do teatro brasileiro. Nesta sexta, dia 14/09, começa a 13ª edição da Festa Internacional de Teatro de Angra. […] Em 2018, o festival inovou e homenageará uma atriz, um ator e um diretor. Regina Duarte, Tonico Pereira e Amir Haddad formam a trinca […].315
2019
Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
Amir é agraciado com o título de Doutor Honoris
Causa da uFrJ em 20 de março de 2019, às 17h, no
313 Fonte: https://sistema.funarte.gov.br/noticias-antigas/?p=70786. (Acesso em 22 set. 2023).
314 Amir Haddad entrevista Zé Celso no Teatro Oficina, Portal da SP Escola de Teatro, 4 nov. 2014. Fonte: https:// www.spescoladeteatro.org.br/noticia/amir-haddad-entrevista-ze-celso-no-teatro-oficina. (Acesso em 22 set. 2023).
315 Regina Duarte, Tonico Pereira e Amir Haddad são homenageados na 13ª Fita: evento começa nesta sexta-feira, dia 14, e reunirá 51 atrações até o dia 30 de setembro em Angra dos Reis, da Redação, Gente de Sucesso VIP, 12 set. 2018. Fonte: https://www.gentedesucessovip.com.br/entretenimento/teatro/2715-regina-duarte-tonico-pereira-e-amir-haddad-sao-homenageados-na-13-fita. (Acesso em 22 abr. 2022).
salão Pedro Calmon (Palácio Universitário, campus Praia Vermelha). Além do homenageado, compuseram a mesa da cerimônia o reitor Roberto Leher, o coordenador do Fórum de Ciência e Cultura, Carlos Vainer, e a atriz Renata Sorrah, responsável pela saudação ao homenageado. Após a solenidade aberta ao público, houve apresentação [com danças e cantos] do grupo Tá na Rua e participação do tucaarte. Estiveram presentes também personalidades como os atores Tonico Pereira, Arlete Salles, Bete Mendes, Camilla Amado, Cristina Pereira, o professor Chico Alencar, entre outros.
12ª Edição do Festival Internacional de Teatro Niterói em Cena em homenagem a Amir Haddad
De 17 a 29 de setembro de 2019, ocorreu o festival no Teatro Popular Oscar Niemeyer e nos bairros do Barreto, Santa Bárbara e São Lourenço, contando com quatro mostras: a Mostra Adulta de Peças, a Mostra Infantojuvenil de Peças, a Mostra Artistas de Rua e a tradicional Mostra Cenas Curtas, com artistas brasileiros e de países como Bélgica, Peru, Colômbia etc.
A homenagem a Amir Haddad se deve à relevância de sua obra no cenário teatral brasileiro. No encerramento do festival, no dia 29 de setembro, às 20h, haverá o espetáculo solo “Assim Falava Zaratustra”, estrelado pelo próprio homenageado com a participação de Viviane Mosé (poetisa, psicóloga e filósofa). Além da apresentação de seu espetáculo, Haddad ministrará uma oficina. Todo ano o evento presta
tributo a um grande artista do teatro nacional. Já foram agraciados Ariano Suassuna, Augusto Boal e Cecília Boal. A programação completa e detalhada do evento pode ser acessada em: www.niteroiemcena.com.br.316
2020
Live “Memória Brasil”
Em 9 de julho de 2020, Amir participa da série de lives produzidas por Thiago Sogayar Bechara no contexto da pandemia do novo coronavírus.
O bate-papo sobre carreira e cultura brasileira aconteceu às 15h e está disponível no Youtube.317
2021
Festival Latitude 40º – Ciclo de Conversas Amir participa como orador do tema “Desvendando um sentido comum” em 6 de novembro de 2021, transmitido às 14h na Argentina e às 18h em Portugal, encerrando o festival virtual cujo intuito é a partilha de processos artísticos na comunidade iberoamericana.
Embaixador da ONG Entre o céu e a favela “Arte, inclusão e transformação social para crianças, jovens e mulheres na 1ª favela do Brasil – Morro da Providência”
Falar sobre Amir é falar sobre a sorte dos encontros. Criador do grupo Tá na Rua, que acolheu nossa fundadora Cintia Santana ao longo de 7 anos, Amir é um dos grandes alicerces da transformação que nos fizeram chegar até aqui. Receber sua visita em nossa sede, apresentar cada detalhe desse espaço que também tem tanto de
316 12ª edição do “Niterói em Cena” começa nesta terça, O Fluminense, 15 set. 2019. Fonte: https://www.ofluminense.com.br/editorias/cultura/2019/09/1119990-12---edicao-do--niteroi-emcena--comeca-nesta-terca.html. (Acesso em 22 set. 2023).
317 Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=n0CsnhbJvz0&t=2031>. (Acesso em 22 set. 2023).
sua história marcada, é um orgulho imenso. Hoje, Amir é nosso Embaixador da Transformação, título [afetivo] que resume o poder que sua obra e potência têm de transformar vidas a apoiar histórias e jornadas.318
Em sua conta pessoal, na mesma data, Cintia Santana ainda escreveu:
Existiu uma vida antes do teatro e uma vida depois do teatro na minha jornada. Teatro esse que você trouxe pra mim no meio da praça, e eu que me apresentava para aqueles que assistiam, fui apresentada a mim mesma, a tudo que eu podia ser, crescer e viver! Gratidão, mestre, por tanto!319
2022
Oficina-espetáculo “O ator/atriz dos espaços abertos”
Na quinta, 10 de março de 2022, às 16h, ocorreu a oficina apresentada pelo Tá na Rua com Amir para os oficineiros no largo da Lapa. O encontro foi o primeiro evento de rua que o grupo fez em 2022, amplamente divulgado nas redes sociais do Tá na Rua e do diretor.
TÁ NA RUA VOADOR
Oficina “O desenvolvimento do ator/atriz que carnavaliza o teatro e teatraliza o carnaval” em oito encontros ateliê de FaNtasias – Em parceria com a Recicloteca, Ana Paula Casares será condutora da oficina livre de confecção de fantasias e adereços, por meio de reutilização de materiais carnavalizados, onde cada participante deverá
criar sua fantasia para o baile final. – Estudo de musicalidade e ritmos carnavalescos: Traga seus instrumentos e vamos criar liturgias carnavalizadas! Trazendo a força ancestral do tambor para as ruas do Rio em um cortejo Dionisíaco. – O baile: A apoteose da vivência. Uma noite no circo que será um resgate das memórias dos antigos carnavais, dos grandes bailes de máscaras, com a verdadeira essência de uma festa popular. O Tá na Rua e os participantes serão os anfitriões da noite ao lado de atrações especiais como: Bloco Céu na Terra e Cia de Mystérios e Novidades, que partilham dos mesmos valores: a resistência através da poesia.320
2024
Participação no curso “A modernização do teatro brasileiro: perspectivas para um debate crítico ( 1920-1950)”, oferecido por Thiago Sogayar Bechara. Nos dias 03, 10, 17 e 24 de abril de 2024, o autor deste livro ministrou o referido curso de forma online, pela empresa Épikos, sendo o último dia de encontro uma aula de Amir Haddad, como convidado especial, para dar seu testemunho histórico acerca do período de modernização do qual ele fez parte. Diversos integrantes e elementos fundadores do Tá na Rua participaram, ainda, como alunos, dos quatro dias de curso, tais como Ricardo Pavão, Ana Carneiro e Máximo Cutrim.
318 Post da ONG em seu Instagram @entreoceueafavela, em 29 nov. 2021
319 Instagram @cinsantanaecf, em 29 nov. 2021
320 Texto extraído do release de divulgação produzido pelo Tá na Rua referente à oficina realizada por Amir Haddad e seu grupo de 5 a 28 de abril 2022, às terças e quintas.