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A perda de si

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Chiantaretto

Jean-François Chiantaretto

Este livro parte da perspectiva de que a autoanálise empreendida por Freud em textos autobiográficos configura um convite para que os psicanalistas se questionem sobre as escritas de si (autobiografia, diários íntimos, autoficção…). No entanto, a expressão “escrita de si” também se refere, de forma mais ampla, ao uso que Freud fez da escrita em primeira pessoa para criar a psicanálise – em um diálogo consigo mesmo, que institui o outro (o leitor) como testemunha de um pensamento em construção. Partindo da escrita sobrevivente – com destaque para Imre Kertész –, Chiantaretto propõe uma reflexão a respeito da sobrevivência como um modo de ser e de pensar, característica da clínica dos limites. Viver é perder. Cada um deve consentir em morrer no próprio processo da vida, aceitar a perda de si na escolha dos possíveis e na possibilidade da perda do outro. No entanto, há outra figura dessa perda, que caracteriza os funcionamentos chamados limites em sua dimensão melancólica: a perda de si no outro que desapareceu para si mesmo. Ou, dito de outra forma, a incorporação, pelo infans, da negação que o outro primordial infligiu a si próprio. Como sobreviver a essa forma inaugural de perda de si?

Coordenador Daniel Kupermann

A perda de si

A perda de si

Filósofo e psicólogo, Jean-François Chiantaretto é psicanalista e membro do Quatrième Groupe. Vive e trabalha em Paris. É professor emérito de Psicopatologia Clínica na Université Sorbonne Paris Nord, onde dirigiu, entre outros projetos, a Unidade Transversal de Pesquisas Psicogênese e Psicopatologia. Desde 1995, seus livros são guiados pela questão da interlocução interna, abordada a partir da autoanálise na escrita e da clínica dos limites.

A importância clínica das elaborações de Chiantaretto é [...] a de contribuir para a delicada compreensão do trabalho do psicanalista às voltas com a ausência de si no outro (no investimento do analisando), com o esvaziamento do seu pensamento na situação transferencial, e com o manejo de um ódio emudecido pela figura do auto-ódio que o paciente limite porta em sua irredutível negatividade. Chiantaretto situa, assim, o analista que se defronta com o paciente limite também na condição de sobrevivente; um sobrevivente que conta apenas com a escrita de si para não desaparecer frente ao testemunho do analisando, evitando, assim, destruí-lo de uma vez por todas por meio de um retraumatismo na própria situação analítica.

Jean-François Chiantaretto

Daniel Kupermann

PSICANÁLISE SEM FRONTEIRAS

PSICANÁLISE

PSICANÁLISE SEM FRONTEIRAS

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A perda de si by Editora Blucher - Issuu