FotoVolt Janeiro 2026

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Solar FV em foco Agenda

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Índice de anunciantes

Marcas de Excelência 2026

O levantamento aponta as marcas mais bem conceituadas de 28 produtos junto a especificadores e usuários especializados Os itens pesquisados incluem equipamentos específicos para instalações de energia solar e armazenamento, como também eletrocentros, transformadores, instrumentos de medição, etc

P ro teção con tra sur tos em sistemas fo tovol taicos – Par te 2

O artigo, segundo da série, destaca a importância da obser vância de normas técnicas sobre proteção contra sobretensões, do posicionamento dos dispositivos de proteção contra surto e das classes de proteção, além da seleção criteriosa dos DPS

Implemen tação de sistema de armazenamen to em usina vir tual de energia

O caso real de uma usina virtual de energia, constituída de planta fotovoltaica e baterias, conectada à rede de baixa tensão, é apresentado no artigo Os resultados demonstraram vantagens tanto para o proprietário da usina quanto para a distribuidora de energia

E mpresas in tegradoras, de consul toria, proje tos e instalações fo tovol taicas

O guia reúne empresas especializadas na integração de sistemas e em uma ampla gama de ser viços técnicos

Apresenta suas principais competências, que vão desde estudos de viabilidade e comissionamento até análise de desempenho, assistência técnica e assessoria para obtenção de financiamento, entre outros.

C a p a Helio Bettega Foto: Shutterstock

O p a p e l e st ra t é g i c o d a s b a t e r i a s n o s e t o r s o l a r

As projeções para 2026 indicam que a geração solar continuará liderando a expansão da matriz elétrica nacional Segundo a Aneel, a fonte responderá por quase metade do crescimento da capacidade instalada, com acréscimo de 4,56 GW 61,7% acima do verif icado em 2025. Ao mesmo tempo, persistem os obstáculos que levaram à desaceleração obser vada no ano anterior, como os recorrentes cortes de geração em g randes usinas solares e as restrições de conexão enfrentadas por projetos de menor porte Diante desse quadro, questões técnicas e operacionais ganham protagonismo e deixam claro que apenas crescer não é suf iciente

Esses sinais evidenciam a necessidade de soluções capazes de ampliar a f lexibilidade do sistema e permitir uma integ ração mais ef iciente da energia solar à rede elétrica. Nesse contexto, os sistemas de armazenamento de energia deixam de ser apenas uma promessa futura e passam a ocupar um papel central na próxima etapa de crescimento do setor

A experiência inter nacional reforça esse movimento O aumento expressivo da implantação de sistemas de armazenamento em mercados maduros demonstra que a combinação entre fontes renováveis e baterias não é apenas uma resposta pontual a desaf ios técnicos, mas um vetor estrutural da transição energética.

Ao possibilitar o deslocamento da geração no tempo, reduzir picos, aliviar redes e prestar ser viços ao sistema, as baterias aumentam a f lexibilidade operacional e contribuem para a estabilidade em cenários de alta penetração fotovoltaica Além disso, os sistemas de armazenamento abrem caminho para novos modelos de operação e de negócio, como os ser viços ancilares e as usinas virtuais de energia.

O artigo publicado nesta edição ilustra esse movimento. Ao apresentar um estudo de caso de uma usina virtual de energia que integ ra sistemas fotovoltaicos e baterias na baixa tensão, o trabalho demonstra como essa combinação pode oferecer suporte à rede, mitigando problemas associados à alta penetração da geração distribuída, como sobretensões, desequilíbrios e f lutuações de tensão, e contribuindo para a preser vação dos sistemas de proteção. Os resultados apontam ganhos técnicos para a distribuidora, com melhoria da qualidade da energia, e benefícios econômicos para o proprietário, ao combinar ser viços ancilares e arbitragem tarifária.

Em síntese, o momento atual da geração fotovoltaica aponta para uma mudança de paradigma A energia solar deixa de ser apenas uma fonte de geração e passa a integ rar um conjunto mais amplo de soluções, capaz de responder de forma inteligente às necessidades do sistema elétrico Assim, 2026 tende a ser menos marcado pela expansão rápida da capacidade instalada e mais por um processo de amadurecimento do setor, no qual se destacam a incor poração de tecnologias, a integ ração ao sistema elétrico e a f lexibilidade operacional

Diretores: Edgard Laureano da Cunha Jr , José Roberto Gonça ves e José Rubens Alves de Souza ( n memor am )

REDAÇÃO

Editor: Mauro Sérg o Crestani ( orna ista responsáve – Reg MTb 19225)

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ISSN 2447-1615

I

N T E R S O L A R S O U T H A M E R I C A ____

A maior feira & congresso da América Latina para o setor solar

A I nt e r s o l a r S o u t h A m e r i c a , a m a i o r fe i r a &

co n g re s s o d a A m é r i c a L a t i n a p a r a o s et o r s o l a r,

e n fo c a o s r a m o s d e fot ovo l t a i c a , p ro d u ç ã o F V

e t e c n o l o g i a s t e r m o s s o l a re s O eve nt o re ú n e

f a b r i c a nt e s , fo r n e ce d o r a s , d i s t r i b u i d o r a s ,

p re s t a d o r a s d e s e r v i ço s e p a rce i r a s d o s et o r

s o l a r, i n ce nt i va n d o u m m e i o a m b i e nt e m a i s

l i m p o , a ce s s o u n i ve r s a l à e n e rg i a e re d u ç ã o

d e p re ço s S o l i d a m e nt e e n r a i z a d a n a A m é r i c a

L a t i n a , a fe i r a d e s t a c a s e u ex p re s s i vo p ot e n c i a l

s o l a r. A I nt e r s o l a r S o u t h A m e r i c a s e r á re a l i z a d a

d e 2 5 a 2 7 d e a g o s t o d e 2 0 2 6 n o m o d e r n o

e b e m l o c a l i z a d o E x p o Ce nt e r No r t e , e m S ã o

Pa u l o , d e nt ro d o eve nt o T h e s m a r t e r E S o u t h

A m e r i c a , a m a i o r a l i a n ç a d e eve nt o s p a r a o s et o r

e n e rg ét i co d a A m é r i c a L a t i n a .

E E S S O U T H A M E R I C A ____

O evento essencial para baterias e sistemas de armazenamento de energia na América Latina

A ees South America, o evento essencial para baterias e sistemas de armazenamento de energia na América Latina, enfoca soluções de armazenamento de energia que apoiam e complementam sistemas energéticos com número crescente de fontes renováveis de energia, integrando prossumidores e veículos elétricos. Com presença consolidada na região, o evento reflete a crescente importância da

integração entre eletricidade, calor e transportes

A mostra especial Element1, integrada à ees, destaca especificamente o alto potencial do hidrogênio verde no Brasil A ees South America será realizada de 25 a 27 de agosto de 2026 no moderno e bem localizado Expo Center Norte, em São Paulo, dentro do evento The smarter E South America, a maior aliança de eventos para o setor energético da América Latina

E L E T R OT EC+E M-P O W E R S O U T H A M E R I C A

A feira de infraestrutura elétrica e gestão de energia

A E l e t r o t e c + E M - P o w e r S o u t h A m e r i c a é o

e v e n t o d e i n f r a e s t r u t u r a e l é t r i c a e g e s t ã o d e

e n e r g i a n a A m é r i c a L a t i n a . A f e i r a d e s t a c a a s

t e c n o l o g i a s d e d i s t r i b u i ç ã o d e e n e r g i a e l é t r i c a ,

b e m c o m o s e r v i ç o s e s o l u ç õ e s d e i n f o r m á t i c a

p a r a g e s t ã o d e e n e r g i a e m r e d e , d e s e r v i ç o s

p ú b l i c o s e d e e d i f i c a ç õ e s S o l i d a m e n t e

e s t a b e l e c i d a n o c o n t i n e n t e , a f e i r a c o n e c t a

p r o f i s s i o n a i s e e m p r e s a s d a s á r e a s d e p r o j e t o , i n s t a l a ç ã o e m a n u t e n ç ã o – d a g e r a ç ã o

d i s t r i b u í d a a t é a d i s t r i b u i ç ã o d e e n e r g i a p o r

r e d e s a é r e a s e s u b t e r r â n e a s S e r á r e a l i z a d a d e

2 5 a 2 7 d e a g o s t o d e 2 0 2 6 d e n t r o d o e v e n t o

T h e s m a r t e r E S o u t h A m e r i c a , a m a i o r a l i a n ç a

d e e v e n t o s p a r a o s e t o r e n e r g é t i c o d a A m é r i c a

L a t i n a .

P O W E R2D R I V E S O U T H A M E R I C A

A feira e congresso fundamental para infraestrutura de recarga e eletromobilidade na América Latina

Power2Drive South America: a feira & congresso fundamental para infraestrutura de recarga e eletromobilidade na América Latina Solidamente estabelecido no continente, o evento evidencia a importância do veículo elétrico para um futuro sustentável de transporte e para sua crescente contribuição na matriz energética A feira

reúne fabricantes, fornecedoras, instaladoras, distribuidoras, administradoras de frotas e de energia, fornecedoras e eletromobilidade e novas empresas Será realizada em São Paulo, dentro do evento The smarter E South America, a maior aliança de eventos para o setor energético da América Latina

Cemig implementa microrrede em Serra da Saudade

Com o objetivo de resolver problemas crônicos de qualidade e conf iabilidade no for necimento de energia elétrica em Serra da Saudade, município menos populoso do Brasil, localizado em Minas Gerais, a Cemig implementou uma microrrede composta por uma usina fotovoltaica e um sistema de armazenamento de baterias (BEES), integ rada a soluções de medição inteligente e automação da rede O projeto recebeu investimento de R$ 7 milhões e conta com 800 módulos solares (500 kWp), geração média mensal de 67,4 mil kWh, e capacidade total de armazenamento de 2,0 MWh, suf iciente para sustentar a demanda energética do município por até 48 horas em caso de falhas no sistema elétrico principal.

Composta por uma usina fotovoltaica e um sistema de ar mazenamento de bater ias (BEES), a micror rede é integrada a soluções de medição inteligente e automação da rede

Devido a limitações estruturais da rede que alimenta o município, Serra da Saudade enfrentava interrupções frequentes e prolongadas, com um DEC anual em tor no de 24 horas e entre 20 e 27 ocorrências por ano. Segundo a companhia, a microrrede permite reduzir signif icativamente esses indicadores “Estamos prevendo um DEC mínimo em Serra da Saudade. Nos testes realizados, o tempo de operação entre a bateria e a fonte principal ou seja, o chaveamento do sistema ocorre em cerca de 32 segundos”, af irmou Henrique Parreiras, engenheiro de gestão de ativos da Cemig. Na prática, a energia gerada pela usina fotovoltaica é armazenada nas baterias Em caso de interrupção no for necimento convencional da Cemig, o sistema realiza automaticamente o chaveamento, e as baterias passam a alimentar a cidade, sendo recarregadas pela própria geração solar. De acordo com a distribuidora, essa autonomia de até 48 horas é suf iciente para que as equipes de manutenção atuem na correção das falhas na rede principal.

Quando o sistema de armazenamento atinge sua carga máxima, a usina fotovoltaica é desligada A decisão está relacionada às características da rede local, que não suporta a injeção da totalidade da geração instalada, estimada em 500 kW, em função de sua fragilidade estrutural e da baixa demanda média do município, em tor no de 150 kW Além disso, a empresa ressalta que há restrições regulatórias que impedem a distribuidora de injetar energia excedente na rede de distribuição

Além da função de backup, o sistema de baterias atua na estabilização da rede elétrica, contribuindo para o controle de tensão e a mitigação de variações De acordo com Parreiras, nesse papel, o BESS funciona de forma semelhante a um compensador síncrono, com a vantagem adicional de for necer potência ativa “Os mesmos inversores utilizados para injetar potência também ajudam a regular a tensão, reduzir variações e estabilizar o sistema dentro dos limites regulatórios”, explicou

Para a Cemig, a microrrede representa uma mudança de paradigma no atendimento a regiões com desaf ios estruturais “A microrrede de Serra da Saudade é um verdadeiro ‘canivete suíço’ tecnológico, que reúne múltiplas funções: backup, regulação de tensão e frequência, além de suporte às atividades de manutenção”, destacou William Alves, superintendente de operações de distribuição da Cemig.

O sistema de armazenamento está conectado ao centro de operações da distribuidora, permitindo o monitoramento contínuo do desempenho da microrrede Todos os equipamentos da rede elétrica local foram moder nizados, incluindo religadores e dispositivos de proteção, possibilitando o chaveamento automático e remoto em caso de ocorrências, sem a necessidade de inter venção manual

Como parte do projeto, foram instalados medidores inteligentes em todas as unidades consumidoras do município A tecnologia permite que os consumidores acompanhem seu consumo de energia em tempo real por meio de aplicativos, além de solicitar desligamentos e religamentos de forma remota

A análise técnica e econômica conduzida pela Cemig indicou que a microrrede é uma alter nativa mais viável do que soluções convencionais de expansão da rede Segundo a companhia, reforços estruturais e a construção de novos alimentadores para garantir dupla alimentação ao município exigiriam investimentos da ordem de R$ 30 milhões “Em vez de uma obra cara, complexa e demorada, optamos por uma solução técnica de rápida implantação e alta ef iciência para a população”, af irma Mar ney Antunes, vice-presidente de Distribuição da empresa

Diante dos resultados obtidos, a Cemig planeja replicar o modelo adotado em Serra da Saudade em outros dez municípios ainda este ano, com investimento estimado em R$ 80 milhões A prioridade será dada a localidades com maior vulnerabilidade no for necimento de energia elétrica e onde a implantação de infraestrutura convencional se mostra técnica ou economicamente inviável.

Solar vai liderar expansão da matriz em 2026

AAneel - Agência Nacional de Energia Elétrica divulgou previsão de aumento de 9 142 MW na potência instalada no Brasil em 2026. A estimativa supera em 23,4% o acréscimo registrado em 2025 ao sistema elétrico brasileiro, que foi de 7 403,54 MW A energia solar será responsável por quase metade do crescimento da capacidade em

com 4,56 GW, 61,7 % a mais que no ano passado

2026, com expansão de 4,56 GW, 61,7% acima do verif icado em 2025, quando a fonte acrescentou 2,82 GW à matriz elétrica Já a eólica deve viver uma desaceleração, com a adição de 1,44 GW, a menor desde 2019 As informações são do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie) mantido pela Aneel

Ao longo do ano passado, 136 usinas entraram em operação comercial, sendo 63 centrais fotovoltaicas, com 2 815,84 MW, 15 termelétricas, com 2 505,77 MW, 43 eólicas (1 825,90 MW), 11 PCHs (199,34 MW), uma hidrelétrica (50 MW) e três CGHs (6,70 MW)

Em 1º de janeiro, o Brasil somou 215 936,9 MW de potência fiscalizada, de acordo com dados do Sistema de Informações de Geração da Aneel, o Siga, atualizado diariamente com dados de usinas em operação e de empreendimentos outorgados em fase de construção Desse total em operação, ainda de acordo com o Siga, 84,63% da potência instalada é de fonte renovável

O Ralie (https://portalrelatorios aneel gov br/Ralie) faz uma abordagem detalhada do crescimento da oferta centralizada de energia elétrica, reunindo informações sobre a expansão da matriz elétrica A ferramenta amplia o acesso aos dados de f iscalização de novas usinas em implantação e facilita o acompanhamento da expansão da oferta de geração de acordo com o ano, região, tipo de fonte de energia, entre outros f iltros Os objetivos são aprimorar a interatividade e for necer mais informações sobre obras de geração Os dados são atualizados mensalmente, com base em inspeções in loco nas obras das centrais geradoras e em relatório de acompanhamento que conta com a contribuição das empresas f iscalizadas

GD fecha 2025 com 43,5 GW de potência instalada

Ageração distribuída (GD) no Brasil deve ter crescimento na ordem de 15% na potência instalada em 2026, segundo a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) “O setor chega ao início do ano com 3,87 milhões de sistemas conectados, distribuídos por 5.565 municípios, de acordo com dados atualizados da Aneel Ao todo, são quase 7 milhões de unidades consumidoras que recebem créditos de energia, somando 43,5 GW de potência instalada e beneficiando 21 milhões de pessoas. Em 2026, a projeção é que a GD alcance a marca de 50 GW de potência instalada”, avalia Carlos Evangelista, presidente da ABGD

B r a s i l u l t r a p a s s a 2 0 G W e m g r a n d e s u s i n a s s o l a r e s

OBrasil superou a marca de 20 GW de potência operacional em usinas solares de grande por te, segundo levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) As solares centralizadas operam atualmente em todos os estados brasileiros, com maior concentração nas regiões de maior ir radiação e infraestr utura instalada O Nordeste responde por 52% da potência instalada, seguido pelo Sudeste, com 46,8% As demais regiões têm par ticipação menor: Sul (0,5%), Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal (0,28%), e Nor te (0,26%)

De acordo com os dados da entidade, desde 2012 o segmento acumulou R$ 87,7 bilhões em investimentos, com a geração de cerca de 601 mil empregos verdes ao longo do período e R$ 29 bilhões em ar recadação tributária para os cofres públicos

Capacidade está distr ibuída por todos os estados, com liderança do Nordeste

Na análise da Absolar, a expansão da capacidade instalada ocor re em paralelo a desafios operacionais do sistema elétrico, especialmente relacionados à integração de fontes variáveis e à necessidade de adequação da infraestr utura de transmissão para o escoamento da geração

Nesse contexto, ainda segundo a Absolar, o crescimento das grandes usinas solares tem ampliado a par ticipação da fonte na matriz elétrica brasileira, reforçando o papel da geração fotovoltaica no atendimento à demanda nacional de energia

O avanço também acompanha o aumento do consumo elétrico associado a setores como indústria, ser viços digitais e novos empreendimentos de infraestr utura, que vêm elevando a demanda por energia em diferentes regiões do país

A fonte solar fotovoltaica representa aproximadamente 99% da potência instalada da geração distribuída no Brasil O número reforça o protagonismo da fonte fotovoltaica no modelo de GD, que se consolidou como a principal porta de entrada para a expansão da energia limpa no País O 1% restante é representado por fontes como biogás a partir de resíduos ag roindustriais, pequenas centrais e sistemas de microgeração hídrica, e biogás oriundo de resíduos urbanos, contribuindo para a diversif icação da matriz, o aproveitamento energético de resíduos e o fortalecimento de soluções locais e regionais.

G eração fotovoltaica será pr incipal fonte,

Do total de sistemas instalados, a classe residencial lidera com mais de 3 milhões de conexões, seguida pelos segmentos comercial e rural Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul concentram parcela relevante da potência instalada, mas a expansão ocorre de forma disseminada, alcançando pequenas e médias cidades e diferentes perf is de consumidores

“Apenas em 2024 e 2025, o País registrou mais de 1,5 milhão de novas conexões Para 2026, além da expansão da potência instalada, a expectativa é de avanço tecnológico, maior integ ração com sistemas de armazenamento na carga (baterias junto aos consumidores) e ampliação de modelos coletivos, como condomínios solares”, destaca o presidente da ABGD

“Além de ampliar o acesso à energia renovável, a geração distribuída traz benefícios econômicos e sistêmicos relevantes, como a redução de perdas na rede elétrica, a postergação de investimentos em transmissão e distribuição, a geração de empregos locais e qualif icados e a atração de capital privado, sem onerar o Estado, com efeitos positivos para a modicidade tarifária no médio e longo prazo, tudo isso mostrado em um estudo detalhado e aprofundado desenvolvido em 2025, coordenado por consultores es-

pecialistas da USP”, completa Carlos Evangelista

Para a ABGD, os dados conf irmam que a geração distribuída deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como parte estrutural do setor elétrico brasileiro “Estamos falando de um modelo que combina energia limpa, desenvolvimento econômico e benefícios diretos à população As perspectivas para 2026 são positivas, desde que haja previsibilidade regulatória, segurança jurídica e investimentos na infraestrutura da rede”, conclui o presidente da ABGD

Renováveis mantêm liderança na Alemanha

As fontes renováveis mantiveram a liderança na matriz elétrica alemã em 2025, respondendo por 55,9% da geração, o mesmo patamar registrado no ano anterior A energia eólica permaneceu como a principal fonte individual, enquanto a solar fotovoltaica avançou e ultrapassou pela primeira vez o lignito, também conhecido por car vão marrom e muito disponível para usinas termelétricas no país Segundo dados da plataforma energy-charts info, do instituto Fraunhofer ISE, a geração eólica totalizou 132 TWh, queda de 3,2% em relação a 2024 em função de condições de vento menos favoráveis Desse volume, cerca de 106 TWh vieram de parques onshore e 26,1 TWh de projetos of fshore A expan-

ABGD projeta crescimento de 15% em 2026

são da capacidade seguiu abaixo das metas of iciais, com a instalação de 4,5 GW em terra e apenas 0,29 GW no mar ao longo do ano

A energia solar fotovoltaica produziu aproximadamente 87 TWh em 2025, alta de 21% na comparação anual Cerca de 71 TWh foram injetados na rede pública, enquanto 16,9 TWh foram consumidos diretamente pelos próprios geradores Ao f inal do ano, a capacidade instalada chegou a 116,8 GWp, após a adição de 16,2 GW, ritmo ainda inferior ao necessário para o cumprimento das metas de 2026

Nos dados de 2025, a geração de eletricidade a partir do lignito na Alemanha caiu para 67,2 TWh, contra 71,1 TWh em 2024 uma redução de cerca de 3,9 TWh ano a ano Essa queda permitiu que, pela primeira vez, a energia solar fotovoltaica superasse o car vão no ranking de fontes do país

Outras fontes renováveis apresentaram desempenho desigual A biomassa respondeu por 41,1 TWh, enquanto a hidrelétrica recuou para 17,8 TWh, impactada por um ano mais seco No total, as renováveis produziram cerca de 278 TWh, ainda aquém da meta oficial de 346 TWh estabelecida para 2025, principalmente em função do atraso na expansão da eólica

Pesquisa mira reduzir custos e materiais em grandes usinas FV

Aexpansão da transição energética na Alemanha, que prevê a instalação de 400 GWp de capacidade fotovoltaica até 2045, traz consigo um desaf io: expandir o parque gerador sem pressionar ainda mais a demanda por recursos estratégicos, como alumínio, cobre e aço. É nesse contexto que o projeto SeVen, desenvolvido pelo Fraunhofer Institute for Solar Energy Systems ISE, aponta a tecnologia de média tensão como uma alter nativa para reduzir custos e aumentar a eficiência no uso de materiais em grandes usinas fotovoltaicas

Embora os preços dos módulos tenham recuado cerca de 80% na última década, os custos associados a balance of system (ou BoS, na sigla em inglês) que engloba inversores, cabos, quadros elétricos e conexão à rede passaram

Fraunho fer ISE estuda ut ilizar média tensão para aumentar a e ciência no uso de mater iais em grandes usinas

A geração a partir de combustíveis fósseis permaneceu relativamente estável A produção a car vão mineral teve leve alta, enquanto as usinas a gás natural ampliaram a geração para 52,4 TWh destinados ao sistema público, favorecidas por preços mais baixos do combustível e pela redução das importações de eletricidade

O sistema elétrico alemão também avançou no armazenamento em baterias, com crescimento de 60% na capacidade de g randes sistemas, que alcançou 3,7 GWh As emissões de CO do setor elétrico f icaram em tor no de 160 milhões de toneladas, mantendo o nível de 2024 e representando uma redução de 58% em relação a 1990.

a representar uma fatia cada vez mais relevante do investimento total e da rentabilidade dos projetos, aponta o instituto em um comunicado Para os pesquisadores do Fraunhofer ISE, a chave para novos ganhos de ef iciência está justamente nesses componentes, tradicionalmente mais intensivos em material “O nosso objetivo é desenvolver um conceito holístico e sustentável para g randes usinas fotovoltaicas, capaz de reduzir o custo de geração de eletricidade e aumentar a eficiência no uso de recursos Avaliamos todo o sistema, desde as strings dos módulos até a conexão com a rede”, afirma Andreas

Hensel, gerente do grupo de Eletrônica de Potência e Tecnologia de Sistemas do instituto.

O projeto SeVen está sendo conduzido no laboratório multi-megawatt do Fraunhofer ISE e avalia usinas acima de 5 MW. A principal inovação está no aumento da tensão de operação para níveis de média tensão, acima de 1 000 V, em substituição aos sistemas convencionais que hoje operam entre 400 V e 880 V em corrente alternada Com tensões mais elevadas, as correntes são reduzidas, o que permite utilizar cabos com menor seção, diminuindo significativamente o consumo de material e os custos de instalação

Além da economia direta em cabos, a redução das correntes melhora o desempenho dos subsistemas e possibilita a diminuição do número de transformadores e equipamentos de Segundo o Fraunhofer ISE, essas mudanças têm potencial para impactar de forma relevante o custo f inal da energia gerada por g randes usinas solares

O projeto prevê o desenvolvimento e a comparação de diferentes topologias e níveis de tensão. A partir do conceito mais promissor, serão construídos um inversor demonstrador e uma string combiner, que passarão por testes laboratoriais. As metas são expressivas: redução de 20% no uso de material em dissipadores de calor, 75% nos cabos e 30% em cobre e ferrite nos materiais de enrolamento.

Também estão sendo avaliadas oportunidades de economia em dispositivos de proteção, além de soluções mais ef icientes para integ ração no lado CC em usinas híbridas e a incor poração de funções avançadas de monitoramento e análise nas caixas combinadoras

O projeto SeVen conta com a participação das empresas KACO New Energy GmbH e Sumida Components & Modules GmbH, além dos parceiros associados Streamergy GmbH e BayWa r e Solar Projects GmbH A iniciativa

tem previsão de conclusão em 2028 e reforça a tendência de que a inovação em arquitetura elétrica e componentes de sistema será determinante para sustentar o crescimento da energia solar em larga escala nos próximos anos

Fapesp vai apoiar redes de pesquisa em transição energética

AFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou uma chamada de propostas para apoiar a formação de redes de colaboração em pesquisa de transição energética, explorando diferentes áreas do conhecimento e envolvendo diferentes equipes no Estado de São Paulo A chamada faz parte do novo Prog rama de Pesquisa em Transição Energética (PFTE), que busca promover soluções sustentáveis e inovadoras que acelerem a diversif icação da matriz energética, fortalecendo, de

um lado, a competitividade e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono no Estado de São Paulo e no Brasil e, de outro, contribuindo para o alcance das metas climáticas nacionais, ao alinhar seus objetivos ao Plano de Ação Climática (PAC 2050) e ao Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050) do gover no do Estado de São Paulo Interessados em participar da chamada devem alinhar suas propostas a um ou mais dos seguintes eixos temáticos do PFTE:

Tecnologias de Baixo Carbono e Captura, com foco no desenvolvimento de energias renováveis e novos materiais e sistemas para armazenagem, transporte e distribuição de energia;

Ef iciência e Otimização do Uso da Energia, que inclui a descarbonização dos setores de consumo e moder nização da infraestrutura;

Adaptação e Resiliência de Sistemas de Energia, englobando ações e estratégias para fortalecer a resiliência às mudanças climáticas;

Economia, Políticas Públicas e Sustentabilidade, abrangendo mecanismos de f inanciamento da economia de baixo carbono e a avaliação da sustentabilidade ambiental das novas tecnologias

A chamada vai priorizar propostas que respondam a perguntas inovadoras, que deem preferência

a abordagem multidisciplinar e que reúnam g rande potencial de inserção inter nacional

A Fapesp vai apoiar os projetos selecionados na chamada por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa –Projetos Temáticos, que prevê f inanciamento por até 60 meses, prorrogáveis por mais 12

O custo total da proposta deverá ser de até R$ 2,5 milhões, incluindo todos os custos do projeto, inclusive os valores de Reser va Técnica e Reser va Técnica Institucional

A proposta deve ser submetida até 16 de março A chamada está disponível na ínteg ra em: fapesp br/17933

China vai zerar reembolso de imposto a exportações FV

AChina vai cancelar integ ralmente os incentivos de reembolso de exportação do imposto sobre valor ag regado (IVA) para produtos fotovoltaicos a partir de 1º de abril, segundo comunicado conjunto do Ministério das Finanças e da Administração Tributária Estadual divulgado no dia 9 de janeiro

Para produtos de baterias, o ajuste seguirá um cronog rama distinto O reembolso de imposto de importação será reduzido de 9% para 6% entre abril e dezembro, permanecendo nesse

A chamada busca promover soluções sustentáveis e inovadoras que acelerem a diversi cação da matr iz energét ica
Já bater ias terão redução gradual até ext inção total em 202 7

patamar até o f im do período. A eliminação total do benefício está prevista para 1º de janeiro de 2027

As reg ras relacionadas ao imposto sobre o consumo não sofrerão alterações, de acordo com as autoridades chinesas

A medida dá continuidade à revisão da política f iscal para o setor solar, iniciada em novembro de 2024, quando os reembolsos de exportação para wafers, células e módulos fotovoltaicos já haviam sido reduzidos de 13% para 9%

Segundo a Associação da Indústria Fotovoltaica da China (CPIA), desde 2024 as exportações do setor passaram a apresentar crescimento em volume, acompanhado de queda nos preços médios, em meio ao aumento da concorrência nos mercados inter nacionais.

A entidade também apontou que, em alguns casos, os reembolsos f iscais vinham sendo incor porados diretamente aos preços de exportação, reduzindo o efeito do mecanismo de compensação do IVA doméstico.

Com a retirada g radual dos incentivos, a expectativa é de que os preços exter nos ref litam de forma mais direta os custos de produção, reduzindo a exposição do setor a disputas comerciais

(Com informações da Reuters e do China Daily)

Notas

Práticas ESG - A Casa dos Ventos conquistou a Medalha Bronze em avaliação realizada pela EcoVadis, plataforma global de certif icação ESG Segundo a empresa, o resultado a posiciona entre as 35% melhores organizações com desempenho em práticas de ESG A metodologia de avaliação, que é realizada anualmente pela EcoVadis, considera quatro áreas-chave: meio ambiente, práticas trabalhistas e direitos humanos, ética e compras sustentáveis

Crescimento e perspectivas - A TTS Energia registrou crescimento de 20% nos negócios em 2025 no Brasil No período, a empresa comercializou cerca de 370 MWp em projetos para clientes cor porativos, incluindo sistemas fotovoltaicos em telhados, solo, car port, zero-grid, baterias e soluções híbridas Além disso, a empresa ing ressou em g randes empreendimentos fotovoltaicos de geração centralizada Para 2026, a expectativa é alavancar novos negócios ainda no primeiro trimestre e fechar parcerias com empresas que vão participar do LRCAP-BESS O objetivo é oferecer soluções híbridas e customizadas de geração renovável e armazenamento, além de atuar como parceiro tecnológico no desenvolvimento, integração e fornecimento de sistemas

BESS para os vencedores do certame

&$5$&7(5Ì67,&$6 7e&1,&$6

Condutores 2 5mm2 a 6mm2

Diâmetro externo condutor 4,7 a 7mm

Faixa de Temperatura Ambiente -40°C a +85°C

Temperatura Máxima Limite 120°C

Grau de Proteção (IP) IP68

Classe de Proteção/Segurança II

Classe de Sobretensão III

Tipo de Conexão Crimpagem

Material de contato Cobre Estanhado

Material de isolamento PA

Tensão nominal (Vdc) 1500V

Corrente Nominal 2 5/4/6mm2 25A/35A/45A

Classe de chamas (flamabilidade) UL94: V-0

Proteção de todo o sistema, evitando falhas nas conexões, mau funcionamento e danos aos condutores e equipamentos

O conector KSE K4 é usado para conexão serial segura e simples de módulos solares fotovoltaicos, em uma única solução atende condutores de 2,5 a 6mm2 Por possuir moderna tecnologia de produção, sistema de conexão multicontato, componentes e matéria-prima de alta qualidade, oferta alta estabilidade e segurança nas conexões para todo o sistema

P e s q u i s a

M a r ca s d e E xc e l ê n c i a

2 0 2 6

Em mercados nos quais a regulamentação de aceitação técnica de produtos para sistemas fotovoltaicos e armazenamento e energia é comparativamente menos exigente de que em outros (em que pese todo o esforço de normalização na área), é de g rande utilidade uma avaliação abalizada, baseada na experiência prática de especialistas que: tenham dezenas ou centenas de projetos no currículo; e/ou dediquem-se à super visão e manutenção de sistemas No que se refere ao mercado brasileiro, é exatamente isso o que FotoVolt busca oferecer aos leitores com a pesquisa “Marcas de Excelência”, cujos resultados da edição 2026 são aqui apresentados

Os especialistas que participaram da pesquisa atuantes nas áreas técnicas de especif icadoras (empresas de engenharia, integ radoras, instaladoras, construtoras) e de usuárias (empresas do setor de comércio e ser viços, de órgãos da administração direta, de instituições de ensino e outras) receberam em outubro de 2025 um questionário com uma relação de 28 produtos, encabeçada pela pergunta “Para cada produto abaixo relacionado, escreva qual é, em sua opinião, a marca de excelência” Os itens da lista são específ icos

A o fer ta de produtos e equipamentos para sistemas solares fo tovoltaicos e ar mazenamento de energia segue em expansão, at raindo empresas nacionais e est rangeiras Por meio da pesquisa “Marcas de E xcelência”, FotoVolt aponta as marcas mais bem concei t uadas, de 2 8 produtos, junto a especi cadores e usuár ios especiali zados

para instalações de energia solar fotovoltaica (empregados nas diversas etapas típicas, do projeto à manutenção) e para armazenamento da energia gerada (tanto sistemas completos quanto baterias, isoladamente) Figuram também equipamentos como eletrocentros, transformadores elétricos, instrumentos de medição e outros, que não são de uso exclusivo em instalações fotovoltaicas mas nelas são frequentemente presentes e/ou utilizados

Foram obtidas 165 respostas consistentes com o perf il desejado Mesmo não identif icando nominalmente os prof issionais que responderam à pesquisa, dado nosso compromisso assumido com os respondentes, publicamos na página https://www arandanet com.br/assets/pdfs/consultadosme26. pdf uma lista com os nomes das empresas (com as cidades-sedes) a que eles se vin-

Áreas de at uação dos consultados

culam, de maneira a dar ao leitor uma ideia da qualificação do universo e de sua abrangência Concorrem também para esse objetivo os g ráf icos acima, que ilustram a distribuição geog ráf ica da origem das respostas e as áreas de atuação dos consultados dentro das empresas

Da Redação de FotoVolt
Dist r ibuição geográ ca da or igem das respostas

de indicações

Os resultados da compilação e ordenação das indicações desses consultados estão apresentados adiante na forma de tabelas, sendo uma para cada produto Esses resultados são dados em percentuais de cada universo específ ico, que corresponde ao número de questionários que continham resposta para o item em questão os consultados foram orientados a não se manifestarem sobre produtos com os quais não tivessem experiência real, e sendo assim nenhum questionário teve marcas indicadas para todos os itens da lista Mesmo sendo os universos distintos de um ano para o outro, é possível comparar a evolu-

Produto Indicações % da base

Baterias estacionárias

139 84,2

Inversores tipo string 139 84,2

Microinversores 138 83,6

Cabos flexíveis 133 80,6

Módulos de silício monocristalino 120 72,7

Estruturas para montagem em telhados 114 69,1

Conectores MC4 113 68,5

Inversores centrais 111 67,3

Estruturas fixas para montagem em solo 104 63,0

Transformadores trifásicos 100 60,6

Tab II – As 10 marcas que receberam o maior número de indicações em um único produto

Marca Produto Indicações

Fluke Instr umentos para medição grandezas individuais

Clamper Caixas de junção (combiner/string boxes)

26,1 Pr ysmian Cabos flexíveis

Eletrocentros 37 22,4 Weg Transfor madores trifásicos

ção do conceito das marcas junto aos prof issionais, uma vez que as tabelas trazem também os percentuais obtidos por elas na pesquisa do ano passado. Também são destacadas aqui informações acessórias, sempre com o objetivo de for necer um retrato tão minucioso quanto possível do mercado e da força das marcas As tabela I e II trazem, respectivamente: a relação dos itens sobre os quais os consultados mais se

Universo 2026: 148 Universo 2025: 174 Universo 2026: 150 Universo 2025: 181

manifestaram e que, portanto, podem ser considerados os itens de uso mais difundido no setor; e as marcas que receberam mais indicações em um único produto, com os itens correspondentes

Por f im, alertamos para o fato de que, por razões de espaço, as tabelas com os resultados só trazem as marcas que obtiveram no mínimo 2% das indicações de cada universo

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Tab I – Os 10 produtos de uso mais difundido, pela ordem

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Universo 2026: 89 Universo 2025: 128

Tr a ns formador es t ipo seco WEG

A lta conf ia b ili d ad e que impulsiona a ef ic i ê nc ia dos parques fotovoltaicos

Para impulsionar a eficiência e sustentabilidade, a WEG desenvolve soluções de alta confiabilidade para aplicações em plantas de geração de energia renovável

Entre elas, destacam-se os transformadores tipo seco, equipamentos ecologicamente responsáveis e com vida útil elevada, que contribuem diretamente para a eficiência operacional e segurança dos parques fotovoltaicos

P o r q u e e s c o l h e r o s t r a n s f o r m a d o re s t i p o s e c o W E G ?

Projeto otimiz ado pa ra flutuaçõe s típic as da ge raç ão sola r (como va r iaçõe s rá pidas de ir radiaç ão)

Customização para atender diferentes configurações de inversores, sk ids e tensões de rede

Fácil ace s so pa ra a re aliz aç ão das ma nute nçõe s

Se gura nç a ope racional com bai xo r isco de incê ndio

Confor midade com nor mas té cnic as

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Universo 2026: 111 Universo 2025: 129

62/8 (6 ,17(/,*(17(6 48(

R a i o s e s o b r e t e n s õ e s

P

r ot e çã o c o n t ra s u rt o s e m

s i st e m a s

f o t o vo l t a i c o s –

Pa rt e 2

Nesta parte 2 do artigo, são abordadas a seleção dos DPSs, a tecnologia livre de correntes de fuga, e uma análise dos dispositivos integ rados aos inversores fotovoltaicos.

Seleção do DPS correto

Que classe de dispositivo de proteção contra surto (DPS) deve ser escolhida para um SFV? Ao selecionar o DPS adequado, é necessário distinguir entre instalações em telhado e instalações em solo (usinas fotovoltaicas). No primeiro caso, deve ser verif icado se existe ou se é necessário um sistema exter no de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA)

Holzschuh, da Citel (Alemanha)

Para assegurar a disponibilidade da geração de energia, é imperat ivo obser var as nor mas per t inentes à pro teção cont ra sobretensões, o posicionamento dos disposi t ivos de pro teção cont ra sur to e as classes de pro teção, além de selecionar cr i ter iosamente os DPS aspectos t ratados nesta sér ie de dois ar t igos, iniciada em nossa edição anter ior, FotoVolt nº 87

C i e l

Se não houver ou não for necessário um SPDA exter no de acordo com as normas vigentes, é suf iciente um DPS classe II (de preferência uma combinação II + III) como DPS primário e, dado o caso, secundário, tanto do lado c a quanto do lado c c No entanto, para obter uma proteção ideal além dos requisitos mínimos, recomenda-se um DPS combinado classe I + II + III

Se houver um SPDA exter no, a proteção c.a. primária no ponto de entrada da edif icação deve ser um DPS classe I (de preferência um dispositivo combinado classe I+II+III) Se o SFV estiver totalmente na área de proteção do SPDA e se a distância de separação s entre a instalação fotovoltaica e o SPDA for rigorosamente respeitada, dispositivos classe II para o lado fotovoltaico e, se necessário, uma proteção c a secundária, são suf icientes No entanto, é aconselhável o uso de dispositivos classe I para garantir uma proteção abrangente.

Se a distância de separação s entre o sistema fotovoltaico e o SPDA exter no

não for obser vada, todos os DPSs devem ser classe I (de preferência I + II + III). No caso de usinas fotovoltaicas em solo, a situação é diferente: devido à extensa área e ao fato de que a estrutura de montagem dos módulos fotovoltaicos atua como um SPDA exter no em malha, estes sistemas sempre pressupõem um SPDA exter no. Portanto, em todos os pontos devem ser aplicados DPSs classe I com capacidade mínima de descarga Iimp de 5 kA. O uso de DPSs que não apenas atendam aos requisitos mínimos de capacidade de descarga, mas também ofereçam valores de descarga mais altos, pode prolongar signif icativamente a vida útil destes dispositivos A vida útil estendida contribui para a confiabilidade e segurança a longo prazo de todo o SFV

Tecnologia de DPSs sem corrente de fuga

Outro fator crítico é a tecnologia utilizada nos DPSs Os dispositivos mais comuns são baseados em varistores de óxido metálico (MOV, na sigla em inglês) Estes componentes são ef i-

Michael

cazes no controle de sobretensões, mas também têm suas desvantagens Uma das principais é que eles apresentam uma corrente de fuga inerente, ainda que seja mínima. A corrente de fuga faz com que o MOV envelheça com o tempo, o que leva a um aumento desta corrente, acelerando ainda mais o processo de envelhecimento. Ademais, a corrente de fuga pode reduzir a resistência de isolamento da instalação devido à capacitância parasita

Embora estes efeitos não tenham impacto signif icativo em pequenos SFVs, eles são importantes em usinas fotovoltaicas de médio a g rande porte Neste caso, onde múltiplos DPSs são instalados, a capacitância parasita em função das correntes de fuga pode se acumular a tal ponto que a resistência de isolamento total do sistema seja consideravelmente reduzida Em conjunto com fatores ambientais, tais como, por exemplo, variações na umi-

dade do ar devido ao or valho matinal ou à chuva, a resistência de isolamento pode decrescer ainda mais

Tal decréscimo pode fazer com que o sistema de super visão de isolamento da instalação acione o desligamento, ou que o SFV já não possa ser ligado pela manhã O resultado são perdas de produção de energia desnecessárias, embora o SFV esteja tecnicamente perfeito, sem falhas e instalado em conformidade com todas as normas aplicáveis

Para mitigar estes problemas, é recomendável usar DPSs livres de corrente de fuga, em substituição àqueles baseados exclusivamente em MOVs Uma solução possível é a tecnologia VG (patenteada da Citel), com centelhadores a gás (GSGs, na sigla em inglês), que proporcionam isolamento galvânico

A tecnologia VG impede efetivamente as correntes de fuga para a terra, eliminando as capacitâncias parasitas que reduzem a resistência de isolamento,

além de impedir as correntes de fuga f luindo sobre superfícies isolantes, entre fases Sem as correntes de fuga, não ocorre o envelhecimento passivo dos MOVs, o que prolonga a vida útil dos DPSs Em suma, a tecnologia VG garante uma resistência de isolamento estável, reduz desligamentos desnecessários e prolonga a vida útil dos dispositivos de proteção, resultando em um SFV mais conf iável e ef iciente

Limites de desempenho dos DPSs integrados em inversores

Nos últimos anos, tor nou-se comum o fato de que os fabricantes de inversores fotovoltaicos incor porem dispositivos de proteção contra surto em seus equipamentos, geralmente indicados apenas como classe II No entanto, muitas vezes trata-se mais de uma estratégia de marketing do que

de uma solução confiável para proteção contra sobretensão Um dos principais problemas dos DPSs integ rados é a falta de especif icações técnicas detalhadas. Informações críticas, como a corrente nominal de descarga (In) e a corrente máxima de descarga (Imax), são frequentemente omitidas ou insuficientes. Sem estas informações não se pode determinar se os DPSs atendem às normas, como a IEC 61643 [2], ou se suportam as condições ambientais e operacionais específicas do local de aplicação Mesmo que atendam a todas as normas, eles geralmente satisfazem apenas os requisitos mínimos, que podem ser insuficientes em cenários nos quais as condições locais exigem capacidades de descarga mais elevadas Por exemplo, se o ambiente for suscetível a surtos mais intensos devido a frequentes descargas atmosféricas, ou se a instalação incluir um SPDA externo, pode ser necessário um DPS classe I. Nestes casos, um DPS integ rado classe II por si só não ofereceria proteção suf iciente, sendo necessária a instalação de um DPS exter no adicional antes do inversor. Apenas alguns fabricantes de inversores trabalham em cooperação com fabricantes de DPSs conhecidos, que garantem que seus produtos não apenas cumprem os requisitos normativos, mas os superam Em geral resultam desta cooperação DPSs com valores de descarga mais elevados, que garantem uma proteção mais robusta e uma vida útil mais longa do dispositivo Além disso, tais fabricantes podem obter certif icações exter nas, que atestam a qualidade e a conformidade de seus DPSs com as normas e propiciam ao usuário f inal uma segurança adicional.

Inversores contendo DPSs integ rados classe I são raros, mesmo que se trate de um recurso opcional No entanto, se um DPS classe II for suf iciente para a aplicação, a escolha da solução classe I integ rada ao inversor representa diversas vantagens Em

particular, esta conf iguração pode oferecer uma proteção signif icativamente maior contra sobretensões, de modo que os componentes sensíveis no inversor f icam melhor protegidos contra possíveis danos Além disso, a vida útil dos DPSs integ rados classe I é consideravelmente mais longa quando as condições locais indicam que apenas surtos de manobra são esperados A vida útil prolongada reduz a frequência de manutenção ou necessidade de substituição, contribuindo para a conf iabilidade e ef iciência gerais do SFV

O processo para mitigar surtos de tensão e correntes parciais de raios pressupõe que estes eventos de alta energia penetrem inicialmente no inversor, porque só então o DPS entra em ação para desviar e conduzir para a terra essas correntes potencialmente nocivas Esta sequência representa um ponto fraco considerável

Os surtos são eventos de alta frequência, o que signif ica que podem se propagar de modo complexo e imprevisível num inversor Ao atravessar o inversor, eles podem induzir tensões em componentes sensíveis adjacentes, não necessariamente por meio de conexões diretas, mas por acoplamento indutivo ou capacitivo Ou seja, a energia do surto pode ser transferida sem contato direto para partes críticas do inversor, por meio dos campos eletromagnéticos de alta frequência

A imprevisibilidade desses efeitos tor na difícil minimizar completamente os riscos, mesmo com um DPS integ rado bem projetado A natureza sensível da eletrônica moder na dos inversores ag rava este problema, pois mesmo pequenas interferências podem prejudicar o desempenho ou causar falhas

Para reduzir esses riscos, é recomendável impedir que sobretensões e correntes parciais de raios atinjam o inversor, o que pode ser feito mediante a instalação de um DPS exter no. Assim, a energia do surto será desviada para a terra antes de que possa

adentrar o inversor. Um DPS exter no também facilita a manutenção, pois geralmente é mais fácil de inspecionar e substituir do que um DPS integ rado. Em resumo, pode-se af irmar que os DPSs integ rados em inversores fotovoltaicos muitas vezes não são suf icientes para garantir a conf iabilidade e a segurança do sistema a longo prazo, especialmente em ambientes com maior risco de sobretensão É altamente recomendável instalar DPSs exter nos adicionais, adequados às condições específ icas da instalação

Coordenação eficaz dos DPSs adicionais

O ponto crucial na instalação de um DPS adicional antes do inversor, em adição aos DPSs integ rados, é a coordenação correta entre estes dispositivos Se a proteção de um inversor depender de DPSs em cascata, é essencial assegurar que, perante um surto, o primeiro e mais potente elemento de proteção seja ativado primeiro Isso garante que a descarga de energia mais intensa seja absor vida ou desviada antes de atingir os DPSs instalados a jusante, que geralmente são mais sensíveis e menos capazes de lidar com g randes descargas de energia. Uma coordenação adequada contribui para a ef icácia de todo o sistema de proteção contra surtos. Para tanto, é necessário ter acesso às especif icações técnicas detalhadas de cada dispositivo, a f im de poder determinar a configuração de proteção adequada. Como já dito, os dados detalhados de DPSs integ rados muitas vezes não estão disponíveis nos inversores A falta destas informações pode dif icultar a coordenação adequada entre os diversos dispositivos, o que aumenta a complexidade da instalação e o risco de proteção insuf iciente

A tecnologia VG patenteada da Citel permite que os DPSs a montante atuem mais rapidamente do que os dispositivos a jusante, assegurando a proteção

sem necessidade de ajustes adicionais ou conf igurações complexas, além de prolongar a vida útil dos componentes

Conclusão

Surtos de tensão, especialmente originários de descargas atmosféricas indiretas ou operações de manobra na rede, podem estressar o isolamento e reduzir a vida útil das instalações, razão pela qual a proteção contra esses fenômenos é de suma importância As normas IEC 62305 [1] e IEC 61643 [2] contêm diretrizes para a elaboração de sistemas ef icazes de proteção contra raios e surtos Tais normas enfatizam a importância de medidas de proteção externas e internas, inclusive dispositivos de proteção contra surtos para proteger componentes sensíveis Embora DPSs integ rados em inversores sejam cada vez mais comuns, eles em geral proporcionam apenas proteção básica e nem sempre atendem aos requisitos específ icos do local de aplicação Os dispositivos integ rados também podem, inadvertidamente, causar danos aos inversores antes que eles possam atuar. Portanto, é aconselhável usar DPSs adicionais exter nos, conforme explanado Para uma proteção ideal, é fundamental não apenas satisfazer às normas, mas também dimensionar criteriosamente os DPSs Esta abordagem aumenta a conf iabilidade do sistema, e minimiza potenciais tempos de inatividade e custos de manutenção Em última análise, assegura a ef iciência e a segurança a longo prazo dos geradores fotovoltaicos

R e f e r ê n c i a s

[1] IEC 62305:2025 - SER Protection against lightning – Todas as partes

[2] IEC 61643-01:2024 - Low -voltage surge protective devices - Part 01: General Requirements and test methods

[3] IEC 61643-12:2020 - Low -voltage surge protective devices - Part 12: Surge protective devices connected to low -voltage power systems - Selection and application principles

[4] IEC 61643-32:2017 - Low -voltage surge protective devices - Part 32: Surge protective devices connected to the d.c. side of photovoltaic installationsSelection and application principles

[5] IEC 60364-4-44:2024 RLV - Low -voltage electrical installations - Part 4-44: Protection for safety - Protection against voltage disturbances and electromagnetic disturbances

[6] IEC 60364-5-53:2019+AMD1:2020+AMD2:2024 CSV - Low -voltage electrical installations - Part 5-53: Selection and erection of electrical equipment - Devices for protection for safety, isolation, switching, control and monitoring

[7] IEC 60364-7-7122025 - Low -voltage electrical installations - Part 7-712: Requirements for special installations or locations - Solar photovoltaic (PV) power supply installations.

Artigo publicado originalmente na revista alemã de – das Elektrohandwerk, edição SoHe/Fotovoltaica 2025 Copyright Hüthig GmbH, Heidelberg e München www elektro net Publicado por FotoVolt sob licença dos editores Tradução e adaptação de Celso Mendes

E s t u d o d e c a s o

I m p l e m e n t a ç ã o d e s i s t e m a d e a r m a z e

n a m e n t o

e m u s i n a v i r t u a l

d e e n e r g i a

Nos últimos anos, a micro e minigeração distribuída (MMGD) no Brasil tem apresentado um crescimento exponencial Apenas em 2024, foram incor porados 8,85 GW, totalizando 35,6 GW de potência instalada em todo o País [1]. Esse rápido avanço tem imposto novos desaf ios ao sistema de distribuição de energia elétrica, que precisa se adaptar para absor ver essa expansão Entre os principais problemas associados à alta penetração da geração distribuída, destacam-se sobretensões, desequilíbrios e f lutuações de tensão, além do comprometimento dos sistemas de proteção, entre outros [2]

Aqui se descreve o caso real de uma usina vir t ual de energia, const i t uída de usina fo tovoltaica e bater ias, conectada à rede de baixa tensão no Tocant ins, bem como seus pr incipais bene f ícios Os resultados demonst raram vantagens tanto para o propr ietár io da usina quanto para a dist r ibuidora de energia, e o ferecem subsídios para a for mulação de diret r i zes regulatór ias e comerciais aplicadas nacionalmente

Para mitigar esses impactos, distribuidoras vêm adotando soluções tradicionais, como a divisão de circuitos e o recondutoramento de redes [3]. No entanto, destaca-se o potencial da integ ração de sistemas de armazenamento por baterias (BESS – Batter y Energy Storage System) aos circuitos de baixa tensão.

A aplicação desse recurso visa oferecer ser viços de suporte à rede,

contribuindo para a melhoria da qualidade da energia elétrica for necida Ademais, a implementação do BESS pode impulsionar a criação de novos modelos de negócio, expandindo as possibilidades de atuação no setor elétrico A aplicação do BESS tem apresentado crescimento escalável a nível mundial, considerando as quedas nos preços de tecnologias de armazenamento de energia, crescimento da inserção de energias renováveis, necessidade de suporte à rede e oportunidades de negócios no mercado de energia [4] Em 2024, a implantação de BESS cresceu em 53%, considerando o cenário global [5] Nesse contexto, destacam-se países como China, que deteve

67% das aplicações com BESS, e Estados Unidos e Canadá com 40 GWh instalados [5] O mercado de armazenamento segue em expansão, com contínuos planos de crescimento e desenvolvimento de tecnologia. A Austrália, por exemplo, possui projeção de implementação de 55 GWh de sistemas de baterias até 2030 e 170 GWh até 2050 [4].

Dessa forma, a ampla escalabilidade dos sistemas de armazenamento permite a implementação de inúmeras soluções no mercado de energia, considerando as principais necessidades e interesses dos agentes envolvidos As Usinas Virtuais de Energia (UVEs), também denominadas como Virtual Power Plants (VPP), se consolidam como uma dessas soluções, voltadas para o gerenciamento de energia, de forma coordenada, por meio da integ ração de Recursos Energéticos Distribuídos (REDs), como

Paloma Greiciana de Souza Dias Costa, Julio Cesar de Souza e Silva, Gustavo Machado Goulart e José Eduardo Pereira da Silva, do Grupo Energisa
Usina híbr ida com sistemas fo tovoltaicos e BESS – Ser viços ancilares para o sistema a maior rentabilidade para o propr ietár io

fontes de geração renovável e sistemas de armazenamento [6]. Nesse sentido, este trabalho apresenta uma UVE implantada no estado do Tocantins, pelo Grupo Energisa, com o objetivo de analisar e validar os benefícios da operação dos REDs integ rados aos circuitos de baixa tensão

UVE: caso real no Tocantins

A UVE implantada no Tocantins (mostrada aqui na página 28) possui dois tipos de ativos: usinas fotovoltaicas e BESS Esses recursos constituem usinas híbridas e usinas puramente BESS Cada banco de baterias considerado possui 239 kWh e cada usina fotovoltaica possui 100 kWp (c c )/73 kW (c a ) Essas unidades estão conectadas ao mesmo alimentador. A f igura da página anterior apresenta uma das usinas híbridas implantadas

Com medição no trafo

Com medição no trafo

Recarga

Descarga

Reativo noturno

Libera fotovoltaico

Controle respeita imites de tensão da UC (ou transformador em caso de perda de medição da UC) e potência do transformador

BESS: carrega em taxa reduzida FV: Injeta potênc a ativa defin da, ma s a parcela que a bateria está absor vendo

BESS: carrega em determinadas taxas de potênc a FV: In eta potência at va definida no controle, mais a parcela que a bateria está absor vendo

BESS: descarrega em determinadas taxas de potência FV: Período de ba xa geração Injeta potência ativa definida no controle, menos a parcela que a bateria está injetando

FV: após a final zação do despacho da bateria, njeta-se potência reativa pelo nversor fotovolta co, definida com base no controle

FV: ibera fotovoltaico – período entre 5h e 8h da manhã

F ig 1 – Descr it ivo da operação das usinas híbr idas

O modo de operação implementado para as usinas híbridas é baseado na absorção de energia da geração fotovoltaica da própria usina e o despacho no horário de ponta, considerando restrições de tensão no ponto de conexão da usina e carregamento do transformador do circuito. Além disso, após a finalização do despacho

Sem medição no trafo

Recarga

Descarga fixa

Reativo noturno

Controle não injeta potência ativa na rede durante o dia, e despacha uma taxa fixa de potência at va reduzida durante a noite

BESS: absor ve apenas a geração fotovo taica da híbr da FV: a geração fotovoltaica cessa caso a bateria atinja SoC máximo

BESS: Injeção de 20 kW, dado o período de aumento de demanda

FV: após a fina ização do despacho da bateria, injeta-se potênc a reativa pelo inversor fotovoltaico, caso haja medição na UC

Descrição e resultados da operação

As usinas híbridas e puramente BESS possuem peculiaridades na forma de operação no circuito de baixa tensão Além disso, também foi possível aplicar o controle de tensão com uma usina puramente fotovoltaica, utilizando o ativo da unidade híbrida. Os tópicos a seguir apresentam os principais destaques e resultados considerados no funcionamento de cada RED.

Operação: Híbr ida

A f igura 1 apresenta o modo de operação implementado para a usina híbrida, juntamente com a descrição do sistema de controle aplicado

Deve-se destacar que a referência de tensão utilizada para o controle da operação é proveniente da própria unidade consumidora (UC), ou seja, da medição realizada no ponto de conexão da usina. Entretanto, em caso de perda de comunicação com esse medidor, o sistema passa a utilizar como referência a tensão medida no transformador Adicionalmente, ressalta-se a f lexibilidade do sistema para lidar com a perda da medição no transformador: mesmo na ausência dessa referência, a operação da usina não é interrompida, garantindo maior robustez e continuidade no funcionamento

Ativa – PCS (kW)

Reativa – Inversor Fotovoltaico (kvar)

No que tange aos resultados da operação, a f igura 2 demonstra um determinado dia de funcionamento de uma das usinas híbridas. O gráfico apresentado exibe limites que são considerados no controle, como os de tensão da UC, cujos valores mínimo

Potência Ativa – Inversor Fotovoltaico (kW)

State of Charge – Bateria (%)

e máximo determinados para estudo são 213 V e 228 V, respectivamente, e o de potência aparente do transformador, cuja potência nominal é 45 kVA mas a restrição na lógica de controle considera 40 kVA, contemplando um limite operacional seguro para evitar sobrecargas Além disso, adotou-se o sentido positivo para injeção de energia e negativo para carga A descrição detalhada do funcionamento pode ser dividida em trechos ao longo do dia:

• Entre 0h00 e 5h00 – Para o dia analisado no g ráf ico da f igura 1, o despacho da bateria foi realizado até às 2h00, aproximadamente, permitindo a manutenção dos níveis de tensão da UC e potência do transformador dentro dos limites adequados A tensão do transformador também foi analisada, e se manteve na faixa de controle durante a operação Com a f inalização da capacidade de descarga do BESS, o inversor fotovoltaico inicia o despacho de potência reativa para controle de tensão, mantendo-a em valores satisfatórios Nota-se uma limitação da injeção de reativo, considerando que a potência aparente do transformador estava próxima ao limite permitido

• Entre 5h00 e 8h00 – O inversor fotovoltaico encerra o controle de tensão com potência reativa e, dessa forma, nota-se uma queda de tensão no transformador, mas sem violação do limite mínimo estabelecido Além disso, inicia-se a geração fotovoltaica e o despacho de potência ativa pelo inversor

• Entre 8h00 e 10h00 – O BESS inicia o processo de carga lenta, def inida por uma taxa f ixa reduzida para absorção de energia, que pode ser interrompida caso haja limitação de tensão

• Entre 10h00 e 18h00 – O BESS inicia o processo de recarga variando conforme a tensão e potência aparente no transformador Nota-se que próximo ao horário de 12h00 a absorção de energia pelo PCS (inversor da bateria) é limitada pela potência no transformador Além disso, após a f inalização

da recarga, próximo às 16h00, há uma determinada elevação de tensão e potência no transformador, o que provoca a limitação do despacho de potência ativa pelo inversor fotovoltaico Outro aspecto relevante na conf iguração híbrida é que o BESS prioriza a absorção da energia fotovoltaica gerada pela própria usina.

• A par tir de 18h00 – No horário de ponta, o BESS inicia a injeção de energia, reduzindo o pico de demanda e aumentando a capacidade de hospedagem de carga do transformador

Dessa forma, foi possível obser var que o desempenho da usina híbrida prioriza o consumo de energia gerada pela própria UC e despacha no horário de ponta, ou seja, opera com postos horários possibilitando a aplicação de arbitragem tarifária. No entanto, há um g rande potencial para a prestação de ser viços ancilares, dada a efetividade no controle de tensão diur no e notur no, além da limitação de carregamento do transformador do circuito Operação: Simulação de controle de usina puramente foto voltaica na híbr ida – A operação das usinas fotovoltaicas foi analisada utilizando o ativo das híbridas, ou seja, o banco de baterias foi desligado para essa operação. O controle é baseado na limitação de injeção de potência ativa dos inversores, com base no limiar de tensão da UC Além disso, durante a noite, injeta-se potência reativa para manter os níveis de tensão adequados A f igura 3 apresenta a operação de controle de geração fotovoltaica

Para este caso, a limitação de tensão máxima também é def inida em 228 V e a potência nominal do transformador do circuito é 112,5 kVA

• A par tir de 5h00 – Nota-se que, ao longo do dia, especialmente durante o pico de geração, restringe-se constantemente a injeção de potência ativa pelos inversores fotovoltaicos, para manter a tensão da UC dentro do limite do controle No início da manhã

Dataset

04:00 08:00 12:00 16:00 20:00

Tensão - Transformador (V)

Tensão - UC (V)

16, sexta-feira - maio - 2025

Potênc a Ativa - Transformador (kW)

Potência AparenteTransformador (k VA)

Potência At va – Inversor Fotovoltaico (kW)

Potência Reat va – Inversor Fotovo ta co (kvar)

F ig 3 – Operação de usina puramente fo tovoltaica implantada no Tocant ins

e no período da tarde, as limitações à injeção de energia pelo inversor são reduzidas, mas ainda ocorrem, dada a proximidade com a referência de tensão. Os níveis de carregamento se mantêm adequados durante toda a operação

Com medição no trafo

Contro e respe ta imites de tensão da UC (ou transformador em caso de perda de medição da UC)e potênc a do transformador

BESS: carrega em determinadas taxas de potência

Descarga

BESS: descarrega em determinadas taxas de potência

Sem medição no trafo

Descarga fixa

F ig 4 – Descr it ivo da operação de usina puramente BESS

Controle não injeta potência ativa na rede durante o dia e despacha uma taxa fixa de potência ativa reduzida durante a noite

Recarga fixa em 20 kW

Injeção de 20 kW, dado o período de aumento de demanda

Recarga
Recarga

V e 228 V. No entanto, a potência nominal do transformador do circuito é 75 kVA. Para essa conf iguração, têm-se os seguintes resultados:

• Antes de 10h00 – No período da madrugada e início da manhã,

o BESS permanece fora de operação devido à indisponibilidade de energia armazenada, uma vez que o despacho de energia foi f inalizado no f im do dia anterior. Nota-se que a potência aparente no transformador se aproxima da referência nominal quando o BESS não opera

Dataset

ceita gerada, em detrimento dos impactos que podem ser provocados na rede

• Entre 10h00 e 18h00 – Após as 10h00, o BESS inicia o processo de carga, mantendo os níveis de tensão da UC e tensão e potência aparente do transformador dentro dos limites adequados. Cabe ressaltar que quando a bateria cessa o carregamento, há uma elevação de tensão no transformador

• Após 18h00 – No período de alta demanda de carga, o BESS inicia o despacho de energia Após o término da injeção de energia, nota-se uma elevação na potência aparente do transformador, atingindo valores nominais.

Dessa forma, pode-se evidenciar que durante o período de operação do BESS, os níveis de carregamento do transformador e de tensão foram mantidos dentro dos limites estabelecidos pelo controle Assim como a usina híbrida, o sistema se mostrou ef icaz na operação com postos horários e suporte à rede, simultaneamente

Análise dos resultados

Na visão da distribuidora, o modo de operação dos REDs possui caráter restritivo, dado o objetivo de garantir a qualidade de energia fornecida às unidades consumidoras. Em contrapartida, na visão do cliente que possui os REDs, o foco principal é a maximização de re-

Nesse sentido, o modo de operação da usina virtual de energia implantada no Tocantins constitui o ponto ótimo entre essas soluções, agregando os valores da arbitragem tarifária para geração de receita e a prestação de suporte à rede da distribuidora A figura 6 demonstra um comparativo em diferentes cenários de operação dos REDs. As funcionalidades voltadas para suporte à rede, como controle de tensão, carregamento e f luxo reverso, não são atendidas para o modo de operação, voltado para a maximização de receita, constituindo um modelo de negócio na visão de um cliente que investe em baterias, por exemplo. No modelo que abrange os principais interesses da distribuidora, a arbitragem tarifária não é contemplada, uma vez que o foco são as restrições dos níveis de tensão, carregamento e inversão de f luxo Por f im, o modo de operação VPP analisado incor pora características de ambos os modelos e apresenta

F ig 5 – Operação de usina puramente BESS implantada no Tocant ins

potencial para atender aos interesses de diferentes agentes do setor elétrico, tor nando-se uma alter nativa atrativa sob diversas perspectivas operacionais e comerciais.

Conclusões

De forma geral, foi possível obser var que a operação dos ativos demonstrou robustez na capacidade de atuação dentro do controle proposto O sistema apresenta g rande f lexibilidade para o atendimento com ser viços ancilares nas mais variadas condições elétricas da rede de distribuição A atuação do controle de potência no transformador de distribuição consegue manter os níveis de carregamento dentro de limites aceitáveis, controlando a injeção de potência da UFV e carga e descarga do BESS. Além disso, as usinas híbridas ainda possuem o adicional de controle de tensão com potência reativa por meio dos inversores fotovoltaicos.

Em adição, deve-se destacar que, de forma simultânea à prestação de ser viços ancilares, os sistemas operam em postos horários def inidos, absor vendo e injetando o máximo de energia na rede, dentro dos limites de carregamento do transformador e tensão permitidos Dessa forma, a solução desenvolvida está apta a atuar na arbitragem de preço, visando obter maior rentabilidade, dado que foi implementada com sucesso a gestão dos modos de operação.

Considerando a efetividade da operação, que concilia de forma otimizada os interesses tanto dos clientes com REDs quanto da distribuidora, é essencial avançar na consolidação de diretrizes regulatórias voltadas à prestação de ser viços ancilares na rede de baixa tensão. Tal avanço é fundamental para assegurar a devida remuneração aos agentes que prestam suporte à rede, tor nando essa solução mais atrativa no contexto do setor elétrico.

Dessa forma, embora ainda existam avanços necessários no contexto brasilei-

ro para viabilizar a aplicação dos REDs em um mercado de f lexibilidade, os resultados obtidos com a usina virtual de energia demonstram a viabilidade técnica da solução e oferecem bases concretas para o avanço de estratégias voltadas à sua ampliação no Brasil

Ag radecimentos – O trabalho proposto foi viabilizado com o apoio do Grupo Energisa e utilizou o know -how do projeto de P&D 00032-2204/2022 – “Desenvolvimento de sistemas de GD fotovoltaica remota e armazenamento de energia de forma distribuída ao longo de alimentadores, com funções de arbitragem de preços (HFP-HP) e prestação de serviços ancilares locais para melhoria da qualidade da energia elétrica em circuitos secundários de distribuição”, em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia e a Pontifícia Universidade Católica

Referências

[1] Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica: Micro e minigeração distribuída de energia elétrica cresceu 8,85 GW em 2024 2025 Disponível em: https://www gov br/aneel/ptbr/assuntos/ noticias/2025/micro-e-minigeracaodistribuidade-energia-eletrica-cresceu-8-84-gwem-2024 Acesso em: 15 maio 2025

[2] Guimaraes, Lariane Heloisa; Silva, Katia Lopes; Gazzani, Mauro Hemerly: Os impactos da expansão da geração distribuída nos sistemas de distribuição de energia elétrica “Caderno Pedagógico”, v 22, n 1, p e13451-e13451, 2025

[3] Hernandes, Leonardo: Custos de reforços de redes de distribuição de baixa tensão na presença de microgeração distribuída 2024 Tese de Doutorado

[4] Antunes, Fábio; e Stevens, Amber: Understanding the BESS market in Australia. 2024.

[5] Hughes, Iola: Global BESS deployments soared 53% in 2024 2025 Disponível em: https:// www energy-storage news/global-bessdeployments- soared-53-in-2024/ Acesso em: 15 maio 2025

[6] Rouzbahani, Hossein Mohammadi; Karimipour, Hadis; Lei, Lei: A review on virtual power plant for energy management “Sustainable energy technologies and assessments”, v 47, p 101370, 2021

Artigo originalmente apresentado no congresso Eletrotec+EM-Power, realizado em São Paulo de 26 a 28 de agosto de 2025 Publicado em FotoVolt, com adaptações, sob permissão dos autores e da direção do congresso

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Atria Eenergy (19) 98988-0372 luis banzato@atriaeenergy com br

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Ideia Soluções (14) 99670-9767 contato@ideiasoltec com br

JF Energia (12) 99664-3100 contato@jfenergiasolar com

Mecatrônica Solar (16) 98813-9523 mecatronicamb@hotmail com

PD Energy (19) 99171-1316 samuel@pdenergy com br

Solefic (18) 3528-5048 solefic@solefic com br

Solstício (19) 3305-1153 comercial@solsticioenergia com

Soluteq (16) 98152-2434 contato@soluteq com br

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Wiretech (12) 99792-7019 r ui machado11@hotmail com

Obs.: Os dados constantes deste guia foram for necidos pelas próprias empresas que dele par ticipam, de um total de 71 empresas pesquisadas Fonte: Revista Fotovolt, dezembro de 2025

Este e muitos outros guias estão disponíveis on-line, para consulta Acesse https://www.arandanet.com.br/revista/fotovolt/guias e confira Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias Basta preencher o for mulário em www arandanet com br/revista/fotovolt/guia/inserir/

2 0 2 6, o q u

e n ã o e n t r o u n o p roj et o — e e nt ro u n a co nta

“ Mui tos investimen tos seguiram mais a lógica do mercado nanceiro do que a do sistema elé trico.

Cap tou-se recurso primeiro, estruturou-se o veículo depois, e a engenharia foi chamada para viabilizar o que já estava decidido ”

Osetor elétrico brasileiro não entra em 2026 por uma mudança tecnológica Entra pelo acerto de contas entre projetos já executados, estruturas f inanceiras frágeis e decisões técnicas tomadas sob premissas que deixaram de se sustentar. Para alguns, o problema já está operando, conectado e faturando menos do que o previsto. Para outros, o problema é mais silencioso: o projeto que não entra e a empresa que depende dele para existir.

Durante anos, engenharia e orçamento foram tratados como etapas independentes, a despeito de toda a experiência de engenharia que deveríamos ter (é sempre bom lembrar que a engenharia brasileira foi pioneira em prospecção de petróleo em águas profundas, que f izemos a maior rede de transmissão em CC, e tivemos g randes empresas de construção) O projeto fechava tecnicamente; o CapEx fechava economicamente A compatibilização entre ambos era presumida.

Em parte relevante dos investimentos recentes, a engenharia deixou de operar como instância de veto e passou a funcionar como instrumento de viabilização f inanceira O projeto não era desenvolvido para resistir ao sistema, mas para caber na estrutura de capital já captada. Ajustavam-se premissas técnicas para acomodar cronog ramas f inanceiros, e não o contrário

Essa inversão produziu projetos que não eram formalmente corretos, e quando eram, mostravam-se estruturalmente frágeis. O risco não desapareceu; apenas foi empurrado para frente no tempo Enquanto havia crescimento, crédito e novas captações, o problema permanecia invisível Quando o f luxo se interrompe, a engenharia reaparece não como solução, mas como evidência tardia de que o risco nunca foi tratado Nesse modelo, o projeto deixa de responder à pergunta “isso se sustenta tecnicamente?” e passa a responder apenas a “isso fecha a conta agora?”. O sistema elétrico tolerou esse deslocamento por um período. Em 2026, deixa de tolerar

Depois

da Bonança, vem a Tempestade

A China, a partir de abril, suspenderá os subsídios f iscais para módulos fotovoltaicos e baterias. Isso não criou o problema, apenas retirou o amortecedor Projetos foram estruturados com margens mínimas, cronog ramas comprimidos e tolerância quase nula a desvios Qualquer correção técnica era tratada como exceção. Quando o custo sobe, quando a engenharia exige ajustes ou quando a execução se mostra mais complexa do que o previsto, a conta deixa de fechar Não apenas para o

investidor, mas para quem depende do projeto para faturar, girar caixa e sustentar a operação

Golias também sofre

Na GC, o curtailment assombra. O curtailment intensif ica esse efeito de forma direta Ele não afeta apenas a rentabilidade de ativos existentes; afeta a disposição de investir em novos empreendimentos. Se a energia gerada pode não ser integ ralmente escoada, o projeto deixa de ser decisão técnica e passa a ser aposta. E quando o investimento vira aposta, a decisão é adiada

Quando os projetos morrem

Os projetos morrem no momento em que a engenharia deixa de ter resposta técnica suf iciente para sustentar a decisão

É nesse ponto que a queda na demanda por novos projetos se tor na decisiva

Não se trata de desaceleração conjuntural ou ajuste momentâneo. Trata-se de suspensão de decisão Projetos f icam “ em análise” por meses. Propostas não são assinadas Estudos não viram obra O setor não para por falta de tecnologia ou de competência técnica. Para porque ninguém aceita assumir risco que não consegue mais precif icar

Esse travamento atinge a cadeia inteira EPCistas médios e g randes veem seus contratos minguarem e suas estruturas f icarem desproporcionais ao volume de obra Integ radores pequenos perdem

previsibilidade de caixa e passam a operar no limite Distribuidores f icam expostos a estoques, crédito concedido e margens comprimidas Empresas não quebram apenas por erro operacional isolado; quebram por ausência prolongada de novos projetos que sustentem a estrutura montada em anos de expansão

Fatos dolorosos

A paralisação atual não deve ser confundida com prudência Em muitos casos, ela é consequência direta da incapacidade técnica de responder às perguntas certas Quando engenharia, regulação e remuneração deixam de convergir, a decisão não é adiada por cautela ela é suspensa por ausência de base técnica defensável.

Esse vazio não nasce apenas da incerteza regulatória Ele é ag ravado por um déf icit real de qualif icação técnica para lidar com sistemas mais complexos, riscos combinados e cenários não lineares. O problema não é a existência de variáveis difíceis, mas a falta de repertório técnico para enquadrá-las, delimitá-las e assumir responsabilidade sobre elas

O engenheiro que não assina hoje não o faz apenas por conser vadorismo Em muitos casos, não assina porque sabe que não consegue justif icar, técnica e economicamente, as premissas exigidas para viabilizar o projeto. Falta método, falta domínio regulatório e falta capacidade de traduzir risco sistêmico em decisão técnica concreta. O silêncio decisório não é neutralidade; é sintoma de um sistema que deixou de produzir respostas conf iáveis e de prof issionais que não foram preparados para construí-las.

Projetos não estão sendo adiados porque o setor espera melhores condições. Estão sendo abandonados porque ninguém consegue afirmar, com responsabilidade técnica, onde o risco termina ou sequer se ele é mensurável Quando a complexidade aumenta e a quali-

f icação não acompanha, a decisão não falha por excesso de rigor Falha por ausência de competência para decidir.

Negócios têm risco

O risco não foi assumido; foi criado pela ausência de uma resposta técnica que nunca existiu

Muitos desses investimentos seguiram mais a lógica do mercado financeiro do que a do sistema elétrico Captou-se recurso primeiro, estruturou-se o veículo depois, e a engenharia foi chamada para viabilizar o que já estava decidido

Usinas de investimento que não performam, equipamentos que queimam, retor nos que não se materializam

Riscos do negócio? Os investidores eram qualif icados?

Promessas de mercado em crescimento, venda de cursos e treinamentos miraculosos Empresas pequenas que não sobrevivem ao primeiro ano.

Quando a realidade técnica se impõe, ou seja, de que energia é engenharia, não há margem, não há colchão e não há tempo

E em um mercado altamente alavancado, é tempestade formada

No Brasil, até o passado é incerto

A insegurança regulatória aprofunda esse bloqueio A indef inição das reg ras de compensação após 2029 não apenas afeta o futuro distante Ela congela decisões no presente Quando não há reg ra clara, o projeto não avança. E quando o projeto não avança, não há EPC, não há integ rador, não há distribuidor A cadeia não entra em crise abrupta; entra em asf ixia lenta

No mercado livre, o efeito é semelhante e cumulativo O f im do desconto de TUSD para novos consumidores elimina um dos últimos gatilhos de mig ração justamente no momento em que o risco regulatório aumenta. Projetos que estavam “ quase fechados” voltam para a gaveta Outros simplesmente

morrem antes de nascer O impacto não aparece nos discursos institucionais; aparece no caixa das empresas e na redução silenciosa de equipes, operações e capacidade instalada.

Esse movimento já se materializou Empresas desapareceram Outras sobreviveram apenas por fusões e aquisições Não por estratégia de crescimento, mas por necessidade de sobrevivência O M&A, nesse contexto, não é sinal automático de maturidade setorial. É mecanismo de contenção de dano quando a demanda por novos projetos deixa de sustentar a estrutura existente.

Na próxima etapa, a discussão deixa de ser técnica ou regulatória. Passa a ser outra, mais incômoda: quem ainda tem fôlego f inanceiro para esperar e quem já está fora do jogo antes mesmo que a reg ra seja escrita O setor não enfrenta uma crise de conf iança, mas de resposta técnica. Enquanto a engenharia não reassumir o papel de instância de veto sobre o sistema real, a decisão seguirá suspensa Nas próximas edições, nesta coluna, o foco avança: o que já está sendo ignorado nas decisões que vêm aí, quais perguntas técnicas seguem sem resposta e quem f icará exposto quando decidir antes delas voltarem a ser a reg ra.

Nos vemos na próxima edição

* Engenheiro eletricista da Sinergia Consultoria, com grande experiência em instalações fotovoltaicas, conselheiro da ABGD - Associação Brasileira de Geração Distribuída e diretor técnico do Sindistal RJ - Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Rio de Janeiro, Vinícius Ayrão apresenta nesta coluna aspectos técnicos de projeto e execução das instalações fotovoltaicas. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões pelo e-mail: fv projetoinstalacao@arandaeditora com br, mencionando em “assunto” “Coluna Projeto e Instalação”

2 0 2 6, o a n o d a c o n s o l i d a çã o d a m o b i l i da d e e l ét r i ca n o B ra s i l

“ E m 2026, a tendência é que a regulação passe a tra tar a recarga não como exceção, mas como par te in tegran te do sistema elé trico, criando um ambien te mais seguro para concessionárias, operadores e investidores”

Aano passado foi de g rande importância para a mobilidade elétrica no País: os veículos eletrif icados passaram a representar uma parcela relevante das vendas de automóveis e, sobretudo, o veículo elétrico deixou de ser visto apenas como uma curiosidade tecnológica Em 2025, muitos consumidores passaram a comprar veículos elétricos porque já os viam circulando nas ruas, porque se identif icavam com o design, com o silêncio ou com a experiência de uso, e não necessariamente por um interesse técnico ou ambiental profundo. Em termos de difusão de inovação, esse movimento sinaliza que a mobilidade elétrica ultrapassou a fase dos inovadores e alcançou a etapa dos chamados early adopters, que já representam uma fatia signif icativa do mercado

Esse avanço no perfil de adoção ajuda a compreender o papel de 2026 no desenvolvimento do setor Com volumes já consolidados ao final de 2025, a mobilidade elétrica passa a operar em um novo patamar, no qual o debate deixa de estar centrado na novidade e se desloca para questões de escala, viabilidade econômica e infraestrutura de recarga e integração com o setor elétrico. Mais do que um ano de ruptura, 2026 se apresenta como o início de uma fase de maturidade, em que o veículo elétrico deixa definitivamente o campo da tendência emergente e passa a ser tratado

como parte permanente da infraestrutura energética e urbana do País.

Tendências de mercado

Os números consolidados de 2025 ajudam a contextualizar essa transição com maior precisão Segundo dados da ABVE [1], entre 2021 e 2025 o Brasil registrou vendas acumuladas de 393 797 veículos elétricos plug-in, considerando exclusivamente BEVs e PHEVs Desse total, 181 542 unidades foram comercializadas apenas em 2025, o que signif ica que quase metade de toda a frota plug-in brasileira foi formada em um único ano Em dezembro de 2025, foram vendidos 26 511 desses veículos, volume 78% superior ao registrado no mesmo mês de 2024, reforçando o caráter ainda acelerado do crescimento, agora sustentado por volumes absolutos cada vez mais relevantes

Esse crescimento não se deu apenas em quantidade, mas também em diversidade e perf il de consumo. A consolidação de marcas asiáticas ampliou de forma signif icativa a oferta de modelos eletrif icados, pressionando preços e acelerando a aceitação do consumidor Ao mesmo tempo, os híbridos plug-in passaram a ocupar um papel estratégico como solução intermediária, compatível com a realidade brasileira de infraestrutura

ainda em expansão A partir de 2026, o foco do mercado tende a se deslocar da quantidade de lançamentos para o uso efetivo dos veículos, o desempenho operacional e a sustentabilidade econômica das soluções ofertadas

Esse ritmo de crescimento obser vado até 2025 ajuda a sustentar as projeções para os próximos anos, que indicam a continuidade da expansão da frota eletrif icada ao longo da segunda metade da década, porém com uma mudança clara no perf il da demanda A partir de 2026, tende a crescer a participação de frotas cor porativas, logística urbana, veículos de uso intensivo e ser viços compartilhados, segmentos nos quais a decisão de adoção é guiada menos pelo apelo do produto e mais pela ef iciência operacional. Esse movimento desloca o eixo do mercado da simples venda de veículos para a necessidade de soluções robustas de recarga, gestão e conf iabilidade operacional, nas quais software, operação e ser viços passam a concentrar parcela crescente do valor gerado.

Cenário regulatório

A consolidação do mercado em 2026 está diretamente associada ao amadurecimento do ambiente regulatório À medida que a mobilidade elétrica ganha escala, a ausência de reg ras claras deixa de ser tolerável e passa a representar um entrave ao investimento estruturado Discussões recentes sobre a conexão de estações de recarga à rede elétrica indicam uma mudança de postura institucional,

com maior atenção à padronização técnica, à def inição de responsabilidades e à previsibilidade regulatória. Esse avanço regulatório é fundamental para permitir a integ ração mais ef iciente entre mobilidade elétrica e planejamento energético. Embora o impacto ag regado da frota eletrif icada na demanda nacional de eletricidade ainda seja limitado, os efeitos locais já se tor nam perceptíveis em áreas urbanas, corredores rodoviários estratégicos e operações de frotas Em 2026, a tendência é que a regulação passe a tratar a recarga não como exceção, mas como parte integ rante do sistema elétrico, criando um ambiente mais seguro para concessionárias, operadores e investidores.

Mercado internacional

Sob a ótica inter nacional, 2026 deve ser marcado pela redução contínua nos preços das baterias, movimento impulsionado pela escala global de produção, especialmente na China, e pela adoção crescente de químicas de menor custo, como o LFP (fosfato de ferro-lítio). Em mercados mais maduros, como China, Europa e Estados Unidos, a mobilidade elétrica já é tratada de forma integ rada às políticas industrial e energética, e o debate deixou de se concentrar na adoção inicial para avançar sobre ef iciência de custos, expansão ordenada da infraestrutura, resiliência das redes e organização das cadeias de suprimento. Esse cenário inter nacional tem implicações diretas para o Brasil Embora os veículos eletrif icados ainda estejam majoritariamente concentrados em segmentos de maior valor agregado, a tendência de queda nos preços internacionais das baterias, combinada à pressão crescente sobre os custos e a competitividade dos veículos a combustão inter na, começa a reduzir essa diferença Relatórios técnicos e projeções setoriais indicam que o biênio 2025–2026 será decisivo para testar a capacidade do

País de converter investimentos recordes em uma infraestrutura de recarga robusta e acessível, condição essencial para que o Brasil avance da fase de adoção para a consolidação como um polo relevante de soluções associadas à economia de baixo carbono [2, 3].

Oportunidades e desafios

Diante desse contexto, 2026 se apresenta como um ano chave para a expansão e qualif icação da infraestrutura de recarga no Brasil. O forte crescimento da frota eletrif icada obser vado até 2025 cria uma demanda concreta por soluções capazes de atender usuários f inais, frotas e operações de uso intensivo, exigindo não apenas a instalação de carregadores, mas a oferta de ser viços associados, como gestão energética, monitoramento, manutenção, faturamento e garantia de disponibilidade Nesse cenário, a infraestrutura deixa de ser um f im em si mesma e passa a ser um meio para viabilizar a experiência do usuário e a ef iciência operacional dos negócios

Ao mesmo tempo, tor nam-se mais evidentes os gargalos estruturais do setor elétrico, que em muitos casos limitam ou inviabilizam a expansão da recarga em locais estratégicos. É nesse ponto que soluções baseadas em sistemas de armazenamento de energia, como BESS, ganham relevância crescente. A combinação de portfólios de carregadores com soluções de armazenamento permite contor nar restrições de rede, reduzir custos de demanda e viabilizar projetos que, de outra forma, seriam tecnicamente ou economicamente inviáveis Para prof issionais e empresas capazes de integ rar infraestrutura de recarga, ser viços digitais e BESS em uma oferta única, abre-se uma oportunidade clara de diferenciação e de criação de valor em um mercado que entra rapidamente em sua fase de maturidade

Conclusão

O ano de 2025 tende a ser lembrado pelo forte crescimento do setor e pela presença cada vez mais visível dos veículos eletrificados no cotidiano das pessoas. Já 2026 deve marcar a consolidação da tecnologia no Brasil, com a entrada de novas marcas, aumento da competitividade, estratégias de preços mais agressivas e maior diversidade de soluções disponíveis ao consumidor. Além disso, iniciativas estruturantes como o programa Mover devem impulsionar a eletrificação de frotas de transporte público em diversas cidades, ampliando o acesso à mobilidade elétrica e contribuindo para sua efetiva democratização. A mobilidade elétrica deixa de ser promessa e passa a ser operação. Para empresas, investidores e formuladores de políticas públicas, compreender essa mudança de fase será determinante para atravessar a década com sustentabilidade técnica, econômica e regulatória

Referências

[1] ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico: Eletrificados crescem dez vezes mais do que o conjunto do mercado em 2025, com 224 mil veículos vendidos Disponível em: https://abve org br/ eletrificados-crescem-dez-vezes-mais-do-queconjunto-do-mercado-em-2025-com-224-milveiculos-vendidos/

[2] EPE – Empresa de Pesquisa Energética: Caderno de Eletromobilidade 2024. Nota Técnica CA-EPEDPG-SDB-2024-08 Disponível em: https://www epe gov br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/ publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao804/topico-709/CA-EPE-DPG-SDB-2024-08 Eletromobilidade 2024 08 30 pdf

[3] Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores: Anuário da Indústria Automobilística Brasileira 2025 Disponível em: https://anfavea com br/site/ wp-content/uploads/2025/06/DIGITALANUARIO-2025ALT.CAP .4 compressed.pdf

* Rafael Cunha é engenheiro eletricista e COO da startup movE Eletromobilidade Nesta coluna, discute aspectos da mobilidade elétrica: mercado, estrutura, regulamentos, tecnologias, afinidades entre veículos elétricos e geração solar fotovoltaica E-mail: veletricos@arandaeditora com br, mencionando no assunto “Coluna Veículos Elétricos”

A g e n d a

No Brasil

Intersolar Brasil Nordeste – O Intersolar Brasil Nordeste acontecerá no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, em 28 e 29 de abril. Constituído de congresso e feira, o evento enfocará energia solar, armazenamento de energia, H2V e outros assuntos. Realização: Solar Promotion, FMMI e Aranda Eventos Informações: https://www intersolar-summit-brasil.com/nordeste.

Hidrogênio – A primeira edição brasileira do Hyvolution, evento dedicado ao hidrogênio e descarbonização, vai ser realizada nos dias 16 e 17 de junho, no Centro de Convenções do Distrito Anhembi, em São Paulo. A expectativa é receber cerca de 6 mil visitantes, mais de 800 congressistas e pelo menos 100 marcas expositoras Entre o público-alvo estão executivos de empresas, especialistas, investidores e representantes do poder público. O objetivo é impulsionar empreendimentos e políticas sustentáveis voltadas à transição energética e reforçar a importância do tema em âmbito nacional e internacional Mais informações em https://www hyvolution com

The smar ter E – O The smarter E South America 2026 acontecerá de 25 a 27 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, congregando os eventos: Intersolar South America - A maior feira & congresso para o setor solar da América do Sul; ees South America - Feira de baterias e sistemas de armazenamento de energia; Eletrotec+EM-Power South America - Feira de infraestrutura elétrica e gestão de energia; e Power to Drive South America - Feira de produtos e ser viços para eletromobilidade Organização de Solar Promotion International GmbH, Freiburg Management and Marketing Inter national e Aranda Eventos & Congressos Informações: www.t hesmartere.com.br.

Cursos

Gestão em energias renováveis – A AHK Rio oferece o curso de Gestão em Energias Renováveis (GENRE), com ênfase nas tecnologias solar, eólica, biomassa e outras

O conteúdo é desenvolvido a partir da expertise alemã e adaptado à realidade brasileira por especialistas da Coppe/ UFRJ Composto de módulos gerenciais e técnicos, o curso é oferecido em formato online e combina conteúdos assíncrono e síncrono Os blocos abordam temas como: Fundamentos da energia; Mercado de energia elétrica; Gestão de projetos e rentabilidade; Gestão energética e ISO 50.001; Mudança de clima e comércio de emissões; Programa de Eficiência Energética da Aneel (PEE); Energia solar; Energia eólica; Biomassa e biogás; Outras energias renováveis; Geração distribuída e smart grid; e Microrredes elétricas. Mais informações: https://brasilien rio.ahk.de/pt/cursos/genre?utm campaign=genre 0205&utm medium= email&utm source=RD+Station

Fundamentos de energia FV – O Canal Solar oferece o curso EAD Fundamentos de energia fotovoltaica, que aborda noções básicas sobre funcionamento dos painéis solares; conversão de luz solar em eletricidade; benefícios da energia solar e sua atuação na redução da conta de luz; dicas sobre identificação do potencial solar da região; dimensionamento de sistemas; tendências do mercado; e oportunidades de carreira na indústria fotovoltaica O treinamento é ministrado por Bruno Kikumoto, engenheiro eletricista pela Udesc - Universidade Estadual de Santa Catarina, com mestrado em Engenharia Elétrica pela Unicamp - Universidade Estadual de Campinas A carga horária é de cerca de 17h. Mais informações em https://cursos canalsolar com br

Senai-SP – O curso de aperfeiçoamento profissional Energia Solar FotovoltaicaTecnologias e Aplicações, do Senai SP, com carga horária de 24 horas, visa desenvolver competências para a avaliação da viabilidade técnica e financeira da implementação de sistemas de energia solar fotovoltaicos, diagnosticando fatores de consumo de energia, identificando tecnologias e equipamentos, e propondo soluções de acordo com normas e determinações dos órgãos regulamentadores

Inscrições em www.sp.senai.br/curso/ energia-solar-fotovoltaica-tecnologias-eaplicacoes/89542

No exterior

SolarPower Summit – O SolarPower Summit 2026 vai acontecer em 5 e 6 de maio, em Bruxelas, Bélgica Estruturado em torno do tema “Solar+: Solar e Armazenamento garantindo a segurança energética da Europa”, o evento vai tratar da combinação de energia solar e armazenamento aplicada aos setores da economia europeia. A expectativa é reunir mais de 500 representantes da indústria, formuladores de políticas públicas, entre outros profissionais do setor elétrico. Informações: https://solarpowersummit org

Workshop Cired – A 10ª edição do Cired Workshop será realizada nos dias 9 e 10 de junho, em Bruxelas, Bélgica. O evento, que terá como tema central “Implementando inovações bem-sucedidas em redes de distribuição”, deve reunir cerca de 500 especialistas da área, abordando três grandes eixos: novos métodos para planejamento de redes confiáveis, resilientes e sustentáveis; experiências práticas na implementação de inovações; e regulamentações e práticas para fomentar inovação e reduzir riscos. Uma exposição paralela complementa a programação Mais informações: https://2026brussels.cired.net/.

Intersolar Europe – A Intersolar Europe 2026, composta por conferência e exposição e considerada um dos principais eventos globais da indústria solar, ocorrerá entre os dias 23 e 26 de junho, no Messe München, em Munique, Alemanha O foco da feira é conectar negócios solares, destacando tendências de mercado, inovações tecnológicas e modelos de negócios emergentes. Os temas principais do congresso incluem tecnologias fotovoltaicas, usinas solares e sistemas térmicos solares, com oportunidades para networking, participação em conferências lideradas por especialistas e exposição de soluções. Informações no site www intersolar de

Atransição energética global, impulsionada pela expansão de fontes renováveis como a solar e a eólica, impõe um desa o estrutural: a var iabilidade. A geração a partir do sol e do vento não é constante, criando desequilíbrios entre a oferta e a demanda. Nesse cenário, os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) emergem como a tecnologia estratégica para garantir a estabilidade e a e ciência do sistema elétrico moder no.

A variabilidade tem diversas características desfavoráveis que podem ser amenizadas por baterias: a rápida oscilação na geração instantânea; a falta de geração acionável quando necessário; e o excesso de geração em certos horários Esse último resulta em um efeito conhecido como curtailment (ou corte de geração)

Em 2025, estimativas apontam que o Brasil perdeu cerca de 20% do potencial de geração eólica e solar devido a restrições na rede (na transmissão e na falta de capacidade de consumo), acumulando um prejuízo nanceiro bilionário. Vale dizer, esse problema ocorre no mundo todo em sistemas com elevada capacidade de fontes variáveis

O BESS permite absor ver o excedente gerado em momentos de baixa demanda (como o meio-dia solar) e o devolve à rede quando a demanda é alta e a geração renovável é escassa (operação chamada de time-shifting). Essa função ameniza a “Cur va do Pato” (que ilustra o pico de consumo no nal da tarde, quando a geração solar cai), evitando o acionamento de usinas térmicas fósseis, mais caras e poluentes.

B a t e r i a s , va r i a b i l i d a d e e o s d e s a f i o s b ra s i l e i ro s

“ O BESS paga encargos de uso da rede e impostos ao carregar (como carga) e novamen te ao descarregar (como gerador) Essa dupla cobrança reduz a e ciência econômica do ciclo em cerca de 30 % a 40 %”

Barreiras econômica e regulatória

Apesar da necessidade técnica, a adoção do BESS no Brasil é limitada por barreiras econômicas: a carga tributária sobre equipamentos (majoritariamente importados) podem representar até 79% do custo total de um sistema BESS no país [1], sendo o ICMS o principal componente (cerca de 36% desse montante). Com o maior custo de capital, o tempo de retor no do investimento se eleva, tornando o BESS economicamente inviável em muitos projetos

O segundo grande desa o é a falta de regulamentação e de um modelo de remuneração claro Até mesmo a caracterização da operação é problemática, pois o BESS paga encargos de uso da rede e impostos ao carregar (como carga) e novamente ao descarregar (como gerador). Essa dupla cobrança reduz a e ciência econômica do ciclo em cerca de 30% a 40% [2]

A Aneel tem trabalhado para de nir regras para BESS por meio da Consulta Pública nº 39/23, que prevê inclusive a remuneração por ser viços ancilares (como regulação de frequência, atualmente restrito a geradores conforme REN 1.030/20).

Consumidores Intensivos

Com a sobra conjuntural de energia, projetos de eletrólise de hidrogênio e de data centers têm visto o Brasil como um país com disponibilidade de energia renovável. No entanto, pela natureza variável dessa energia, será essencial que esses novos consumidores tragam consigo soluções para que a falta de

energia nos horários de pico notur nos não se ag rave, tais como investimentos em usinas despacháveis (hidrelétricas com reser vatórios, termelétricas a gás natural ou sistemas BESS).

Conclusão

O armazenamento de energia em baterias é mais do que uma tecnologia complementar; é um pilar fundamental para a consolidação da transição energética. Sua adoção em larga escala amenizaria o problema da variabilidade e do curtailment, maximizando a utilização de fontes renováveis, além de conferir resiliência e exibilidade à rede e acelerar a substituição de usinas caras e poluentes.

A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta que a capacidade global de armazenamento precisará ser multiplicada por seis até 2030 para que os objetivos climáticos sejam alcançados [3]. Investimentos em BESS, portanto, não são apenas uma questão de e ciência operacional, mas uma estratégia imperativa para um futuro energético limpo e e ciente

Referências

[1] https://megawhat uol com br/economia-epolitica/carga-tributaria-representa-79-docusto-de-sistemas-de-baterias-no-brasil/

[2] https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/ os-entraves-tributarios-ao-armazenamentode-energia-renovavel-em-baterias

[3] https://www iea org/reports/renewables2025/renewable-electricity

* Carlos Dornellas é diretor da Alma Solar Energia; Marcelo Gregol e João Bortotti são sócios na Dínamo Energia

João Bortotti, Carlos Dornellas e Marcelo Gregol*

Pro d u to s

Monitoramento de raios

A Romiotto disponibiliza ao mercado as soluções BTD-300 e BTD-200 para monitoramento contínuo de descargas atmosféricas Os sistemas não emitem

sinal, e são baseados na medição do campo elétrico atmosférico O BTD-300 realiza a detecção de raios nuvem-solo e intranuvem, com raio de cobertura de até 83 km, oferecendo monitoramento contínuo, baixa necessidade de manutenção e alta precisão A solução conta ainda com interface digital para integ ração com sistemas de alarme, permitindo a antecipação de eventos críticos a partir do aumento do campo elétrico, antes da ocorrência das descargas Já o BTD-200 é voltado a aplicações de menor área, com faixa de medição de até 35 km O sistema permite acesso simultâneo de até cinco usuários, monitoramento em tempo real do estado de alerta de raios, sobreposição de mapas com zonas de alerta conf iguráveis e registro automático de eventos para análise posterior https://romiotto.com.br

Controlador de energia

O SolaX XHub, for necido pela SolaX, é um controlador de energia para residências Ele coordena a geração fotovoltaica, o carregamento e descarregamento de bateria, carregamento de

veículos elétricos, operação da bomba de calor e as cargas domésticas É equipado com o mecanismo Xchedule, que analisa de forma contínua e em tempo real as condições operacionais para tomar decisões automatizadas com o objetivo de maximizar o valor econômico. Conta com previsões de geração fotovoltaica e de consumo de carga a cada 15 minutos, indexação dinâmica de preços da eletricidade e estimativa de irradiação baseada em condições meteorológicas De acordo com a empresa, a solução pode aumentar a receita do sistema em 50% ou mais, dependendo da questão tarifária e da conf iguração

https://br.solaxpower.com

Módulo bifacial

Fabricado com polietileno, o duto é f lexível, resistente a impactos e à pressão do solo, e conta com versões com proteção contra os raios solares. Segundo a empresa, o produto é leve, fácil de manusear e identif icado, evitando erros na aplicação.

A versão 450 N é indicada para instalações enterradas sem tráfego pesado, e a 680 N, voltada para locais com menor profundidade e circulação de trânsito

A linha é aprovada pelas normas da ABNT, e está disponível em bobinas de 50 e 100 metros, com pronta entrega para todo o Brasil, af irma a fabricante.

A Helius Sunlink PV fabrica o Helius Anti-Dust, módulo bifacial com células N-Type TOPCon desenvolvido para reduzir perdas associadas ao acúmulo de poeira, água e pequenos detritos. De acordo com a empresa, o design estrutural do módulo favorece

o escoamento natural e a liberação de partículas ao longo das bordas. O produto está disponível em duas versões: Helius Genesis+ Anti-Dust, com potências entre 605 W e 630 W e ef iciência de até 23,3%, e Helius Genesis Anti-Dust, na faixa de 575 W a 590 W, com ef iciência de até 22,8%.

https://www helius de v

Duto corrugado

A Fortlev Solar desenvolveu a Condufort, uma linha de duto corrugado para proteger f ios e cabos em sistemas de energia solar e instalações elétricas.

Gestão remota

www for tle v com br

A Globalsat Group integ ra soluções de IoT e comunicação para gestão remota e inteligente de ativos em áreas críticas, como as usinas solares, entre outras redes de distribuição em regiões remotas e isoladas De acordo com a empresa, em ambientes de difícil acesso, a conectividade satelital elimina a necessidade de deslocamentos frequentes, reduzindo a pegada de carbono e garantindo continuidade operacional sem consumo adicional de combustíveis fósseis. As soluções contam com sensores conectados via satélite, que permitem o controle de performance, a previsão de falhas e a detecção de anomalias, destaca a companhia.

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Refor ma do setor elétr ico vs. modicidade tar ifár ia

Uma análise da TR Soluções, que avaliou os impactos tarifários de nove alterações promovidas pela nova legislação sobre a composição das contas de luz em todo o país, aponta que a reforma do setor elétrico, instituída pela Lei nº 15.269/2025, pode resultar em uma redução média de 7% nas tarifas de energia para consumidores residenciais ao longo dos próximos 12 anos Segundo o estudo, a queda projetada decorre de uma redução aproximada de 11% na Tarifa de Energia (TE) e de 4% na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) Entre os principais fatores analisados estão a criação do Encargo Complementar de Recursos (ECR), mudanças nos critérios de rateio da CDE, o f im do desconto para energia incentivada a novos consumidores livres, a abertura do mercado

para consumidores de baixa tensão e novas reg ras para contratação de energia de reser va, incluindo hidrelétricas de até 50 MW. Para mensurar os efeitos, a TR Soluções comparou dois cenários com o Ser viço para Estimativa de

Tarifas de Energia (SETE): um sem a aplicação da nova lei e outro considerando integralmente as mudanças De acordo com a empresa, os impactos na TUSD tendem a ocorrer no curto prazo, enquanto os efeitos sobre a TE se distribuem no médio e longo prazo, especialmente em função das novas premissas de contratação de energia de reser va www.tr solucoes.com/conteudo/ ar ticles/refor ma do setor eletr ico vai ter modicidade tar ifar ia

Demanda crescente em 2026

O setor de energia deve iniciar 2026 em um cenário

de expansão acelerada da demanda, impulsionada pela eletrif icação de frotas e processos industriais, pelo avanço dos data centers e pela maior adoção de tecnologias ligadas à inteligência artif icial, conforme prevê os estudos 2026 Renewable Energy Industr y Outlook e 2026 Power and Utilities Industr y Outlook, elaborados pela Deloitte. No contexto global, enquanto Estados Unidos e Europa dependem fortemente de políticas públicas para acelerar a transição, o Brasil se destaca por já possuir uma matriz majoritariamente limpa As fontes renováveis respondem por quase metade da oferta inter na de energia e por mais de 90% da nova capacidade instalada nos últimos anos, com protagonismo da geração hidrelétrica, eólica e solar. O documento aponta que, segundo projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico, haverá crescimento médio anual de 3,8% no pico de carga do Sistema Interligado Nacional entre

2025 e 2029, exigindo expansão coordenada da geração e da transmissão Os estudos também ressaltam que a diversif icação da matriz é fundamental para reduzir a exposição a riscos climáticos e macroeconômicos, além de reforçar a necessidade de um ambiente regulatório mais ágil Para as empresas do setor, 2026 tende a ser marcado pela digitalização intensiva de processos, maior uso de inteligência artif icial em manutenção preditiva e gestão de ativos, e pelo fortalecimento da resiliência das cadeias de suprimentos Nesse cenário, as renováveis devem consolidar sua posição como base para um sistema energético mais seguro, sustentável e competitivo

www.deloitte.com.br

R e t ra ç ã o e m 2 0 2 5 ex p õ e g a rg a l o s e r e f o r ç a n e c e s s i d a d e d e t ra n s f o r m a çã o

“ 2026 será cheio de incer tezas e desa os, exigindo que o se tor avance em inovação, e ciência e novos modelos de negócios; a combinação da geração solar com armazenamen to de energia é uma opor tunidade estra tégica”

Após anos de forte expansão, o setor solar brasileiro viveu, em 2025, um período de retração, ajustes e necessidade de adaptação O mercado enfrentou desa os regulatórios, operacionais e macroeconômicos, que impactaram tanto os grandes empreendimentos quanto os pequenos e médios sistemas A queda nos investimentos, os entraves à conexão e o elevado custo de capital redesenharam o ritmo de crescimento do setor, que, apesar do cenário adverso, segue demonstrando resiliência, relevância econômica e papel estratégico na transição energética do Brasil.

A queda registrada em 2025 foi da ordem de 29% na potência adicionada incluindo as g randes usinas e os pequenos sistemas nos telhados e terrenos , com um total de 10,6 GW, ante os 15 GW registrados em 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)

Os investimentos trazidos pelo setor solar ao Brasil em 2025 também foram menores em comparação ao ano anterior, saindo de um patamar de R$ 54,9 bilhões em 2024 para R$ 32,9 bilhões em 2025, uma queda de 40%.

Esta retração tem relação direta com os prejuízos nanceiros impostos aos grandes geradores solares, resultado da falta de ressarcimento pelos recorrentes cortes de geração sofridos pelas grandes usinas Já nos pequenos e médios sistemas fotovoltaicos, os obstáculos de conexão sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de uxo de potência

são a principal causa da desaceleração, que têm levado a uma onda de negativas contra consumidores interessados em gerar a própria energia limpa e renovável localmente

Em relação ao contexto geral da economia, o mercado solar enfrentou um cenário macroeconômico com alto custo de capital para acesso a linhas de nanciamento, decorrente da crescente taxa básica de juros ao longo de 2025, somada à alta volatilidade do dólar e alíquotas elevadas no imposto de importação de equipamentos fotovoltaicos. Esses fatores impactaram negativamente a tomada de decisão de investimentos em novos projetos.

Mesmo com menor atração de investimento, o setor gerou mais de 319,8 mil empregos verdes em 2025, espalhados por todo o território nacional Desde 2012, a fonte solar trouxe ao País mais de R$ 282,6 bilhões em investimentos acumulados e mais de 1,9 milhão de novos postos de trabalho

Atualmente, a fonte solar representa 24,5% da potência instalada da matriz elétrica nacional, posicionando-se como a segunda maior fonte do País. Para 2026, projeções da Absolar apontam para a incorporação de mais 10,6 GW de potência instalada em sistemas solares centralizados e distribuídos

Diante deste cenário, a Absolar trabalhará em várias frentes institucionais e regulatórias, incluindo propostas a serem apresentadas aos candidatos à Presidência da República e candidatos aos Governos dos Estados A associação se colocará à disposição para contribuir com a construção de prog ramas, políticas, incentivos e estra-

tégias para a solução urgente de temas críticos como a compensação nanceira pelos cortes de geração, a superação dos obstáculos de conexão de pequenos e médios sistemas de geração própria e a regulamentação adequada dos sistemas de armazenamento de energia elétrica, contribuindo para a atração de novos investimentos, geração de empregos verdes e aceleração da transição energética sustentável e competitiva do Brasil e dos Estados brasileiros

Outras frentes de atuação da entidade incluem a necessidade de expansão da infraestrutura elétrica de transmissão e distribuição, a inclusão dos agentes nos debates regulatórios sobre recursos energéticos distribuídos, o aprimoramento da operação do sistema elétrico, a de nição de reg ras adequadas para os Leilões de Reser va de Capacidade (LRCAP) de Armazenamento, a valoração dos custos e benefícios da geração distribuída, a modernização das tarifas de energia elétrica e a implantação infralegal da reforma do setor elétrico, fruto da Lei nº 15 269/2025

O ano de 2026 será turbulento, cheio de incertezas e desa os A atual conjuntura exige que o setor solar avance em inovação, e ciência e novos modelos de negócios Neste cenário, a combinação da geração solar com tecnologias de armazenamento de energia elétrica é uma oportunidade estratégica para ampliar o suprimento, aumentar a segurança da operação e fortalecer desenvolvimento competitivo e sustentável do Brasil

* Bárbara Rubim é VP de Geração Distribuída da Absolar e CEO da Bright Strategies; Rodrigo Sauaia é CEO da Absolar; e Ronaldo Koloszuk é Presidente do Conselho de Administração da Absolar

Bárbara Rubim, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk*

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