Rua Titânia, 88 – Recanto de Vinhais 65070-580 – São Luís – Maranhão (98) 3236-2076 98 9 8206 7923
CHANCELA
Nasceu em Curitiba-Pr. Licenciado em Educação Física (EEFDPR, 1975), Especialista em Metodologia do Ensino (Convênio UFPR/UFMA/FEI, 1978), Especialista em Lazer e Recreação (UFMA, 1986), Mestre em Ciência da Informação (UFMG, 1993). Professor de Educação Física do IF-MA (1979/2008, aposentado); Titular da FEI (1977/1979); Titular da FESM/UEMA (1979/89; Substituto 2012/13), Convidado, da UFMA (Curso de Turismo). Exerceu várias funções no IFMA, desde coordenador de área até Pró-Reitor de Ensino; e Pró-Reitor de Pesquisa e Extensão; Pesquisador Associado do Atlas do Esporte no Brasil; Diretor da ONG CEV; tem 20 livros e capítulos de livros publicados, e mais de 430 artigos em revistas dedicadas (Brasil e exterior), e em jornais; Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Membro Fundador da Academia Ludovicense de Letras; Membro da Academia Poética Brasileira; Sócio correspondente da UBE-RJ; Premio “Antonio Lopes de Pesquisa Histórica”, do Concurso Cidade de São Luís (1995); a Comenda Gonçalves Dias, do IHGM (2012); Prêmio da International Writers e Artists Association (USA) pelo livro “Mil Poemas para Gonçalves Dias” (2015); Prêmio Zora Seljan pelo livro “Sobre Maria Firmina dos Reis” – Biografia, (2016), da União Brasileira de Escritores – RJ; Diploma de Honra ao Mérito, por serviços prestados à Educação Física e Esportes do Maranhão, concedido pelo CREF/21-MA (2020); Foi editor das seguintes revista: “Nova Atenas, de Educação Tecnológica”, do IF-MA, eletrônica; Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, edições 29 a 43, versão eletrônica; Editor da “ALL em Revista”, eletrônica, da Academia Ludovicense de Letras; Editor das “Revista do Léo”, “Maranha-y”, e “Ludovicus”; Condutor da Tocha Olímpica – Olimpíada Rio 2016, na cidade de São Luis-Ma.
LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ
PAPO - EDITOR
50 ANOS DE MARANHÃO
JUSTIÇA DO MA DETERMINA RETIRADA DO NOME NINA RODRIGUES DE HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
FONSECA, PEDRO HENRIQUE MIRANDA. NINA RODRIGUES NUMA OBRA INÉDITA DO PROFESSOR JOSÉ RIBEIRO DO AMARAL.
HÁ DEZ ANOS – CARREGANDO A TOCHA OLIMPICA
VAZ, LEOPOLDO GIL DULCIO. MEMÓRIAS DE UM PROFESSOR APOSENTADO – O PROFESSOR ESTAVA ERRADO. JP
VAZ, LEOPOLDO GIL DULCIO. A HIFENIZAÇÃO DA FORMAÇÃO DO MARANHENSE., JP
LAZER:ESPORTES,CULTURA&TURISMO
AS CRÔNICAS DE JORGE BENTO AS CRÔNICAS DE OZONIL MARTINS DE SOUZA "ESPORTE" MUITO PECULIAR - Hobby Horsing PEREIRA, LAÉRCIO ELIAS. CEV. 30 ANOS EM 2026
GIRO PELAS ACADEMIAS LITERÁRIAS
ANIVERSARIANTES
MURAL DA ACADEMIA LUDOCICENSE DE LETRAS – JORNAL PEQUENO
REUNIÃO ALL – JANEIRO 2026 SANCHES, EDMILSON. QUINCAS VILANETO: POESIA E CAXIENSIDADE FRANCKLIN, ROBERTO. ENQUANTO EU PUDER, EU TE ACOMPANHO FRANCKLIN, ROBERTO.. MEMÓRIAS DAS MINHAS MEMÓRIAS FERNANDES, CERES COSTA - DESEJOS FRANCKLIN, ROBERTO. A GEOMETRIA DO AFETO
HISTÓRIA(S) DO MARANHÃO
VIRIATO CORRÊA
COMEMORAÇÕES DO FINAL DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL EM SÃO LUÍS DO MARANHÃO CONVENTO DAS MERCÊS, RUA DA PALMA, CENTRO, DÉCADA DE 1950 O ESTADO DO MARANHÃO E A CAPITANIA DO CEARÁ APÓS A EXPULSÃO DOS HOLANDESES – ANO DE 1654. BLOCO VIRA LATA, SÃO LUÍS-MA, 1952
BLOCO VIRA LATA, PRAÇA PEDRO II, 1951 OS NOVOS ACHADOS ARQUEOLÓGICOS NO PIAUÍ EM 2026 SÃO O EQUIVALENTE A ENCONTRAR UM ARQUIVO CORROMPIDO QUE MUDA TODA A VERSÃO OFICIAL DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE NAS AMÉRICAS! MISSA EM AÇÃO DE GRAÇAS MARCA OS 64 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE SUCUPIRA DO NORTE GASPAR, JOÃO BOSCO. 19 DE JANEIRO DE 1604 - MEL REDONDO E O FRANCÊS ADOLF DE MOMBILLE LUTAM CONTRA PERO COELHO DE SOUSA E MARTIM SOARES MORENO, NAS QUEBRADAS DA IBIAPABA. O CASTELO DE GARCIA D'ÁVILA
A BALAIADA: O LEVANTE DOS EXCLUÍDOS E A MÃO DE FERRO IMPERIAL O HOMEM QUE DESCOBRIU O MAIOR RIO DO MUNDO - A DESCIDA DO RIO AMAZONAS (1542)
ACRÍSIO MEMDONÇA, UM VISIONÁRIO - NONATO REIS PERSONALIDADES HISTÓRICAS DE BARRA DO CORDA (MA)
“Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”
Iniciamos um novo ano, sem muitas esperanças para o esporte mãe: tanto o símbolo do Atletismo nacional, o Estádio Célio de Barros completamente abandonado, quanto a Pista de Atletismo do Complexo Canhoteiro ainda não foi reconstruída, após ser demolida para fazer dela um espaço para o São João do Brandão.
Sob a justificativa que precisavam passar o tratos para uma reforma, com recursos provenientes de uma emenda parlamentar, a destruíram e, assim feito, preparam-na para ser um arraial de São João. Em consequência, os atletasdeixaram deterum local paraseus treinamentos, tendoum atletamossido, atropelado, por treinar a rua de acesso ao Complexo.
A Federação, após passar por uma intervenção por parte da CBAt, e nova a eleição para nova Diretoria, também não disse a que veio: tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes!!!
A expressão “tudo fica como dantes, no quartel de Abrantes” significa que nada mudou, tudo continua igual, sem alterações. A frase surgiu em Portugal durante a primeira invasão francesa (1807). O general francês Junot instalou o seu quartel-general na cidade de Abrantes, enquanto em Lisboa nada era feito para resistir ao avanço das tropas. O povo, ao ser perguntado sobre como iam as coisas, respondia: “Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”, ou seja, a situação permanecia inalterada. Hoje, a expressão é usada para indicar estagnação, falta de mudança ou progresso, mesmo quando se esperaria alguma transformação. Há também interpretações mais modernas que associam a expressão ao abandono e decadência de certos lugares, mas o uso mais comum continua sendo o de “nada mudou”
Acabei assumindo, mais uma vez, a editoria da revista eletrônica do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM. A Dilercy me convenceu...
Apesar destes lamentáveis fatos. Este será um ano de comemorações – continuam, pois...
Cinquenta anos de minha chegada ao Maranhão... era 02 de janeiro de 1976, participava da Equipe 49 do Projeto Rondon – Campus Avançado da Universidade Federal do Paraná, com o Prof. Alberto Milleo Filho como seu Diretor. Vim, participei da equipe, cujo projeto foi a realização da segunda colônia de férias. Milleo convidou-me para permanecer, pois seu mandato estava por encerrar e precisava de alguém para dar continuidade ao de deixava – as Colonias de Férias e a Olimpíada Colegial de Imperatriz – OCOI, completada 50 anos ano passado, e hoje JEI -, além de implantar a Educação Física nas escolas e dar continuidade à introdução de diversos esportes. Praticava-se apenas o Voleibol, Futebol de Salão – hoje futsal – Futebol de Campo – com algumas equipes amadoras, e colegiais – e o chamado Futebol de Poeira – hoje, beach soccer.
Fui o introdutor do Handebol, e do Basquetebol, no meio escolar. O Basquete só era praticado no âmbito do 50º BIS. O interventor Estadual, na época, era om ex-oficial da PMMA e um dos maiores atletas de Basquete que o Maranhão teve – o Cel. Bebeto, como era conhecido.
Aceitei o convite, voltei ao Paraná, com a Equipe, e preparei minha volta a Imperatriz, o que aconteceu em março. Milléo já havia providenciado uma vaga como professor na Escola Santa Teresiinha, a criação do Departamento deEducaçãoFísica,RecreaçãoeJogos –DEFER –junto àSecretariadeEducação,ondeassumi a Chefia, e, posteriormente, meu ingresso como professor de educação física na Faculdade de Educação de Imperatriz – FEI - , E e, maio, assinei o contrato com o Ministério do Interior, junto à Fundação Projeto Rondon, no PROFIX, por um ano. Em 1977, prestei concurso para o Estado, para o então Centro de Ensino de 2º Grau Graça Aranha...
Permaneci em Imperatriz até 1978. Em 1979 vim para São Luis. Solicitei exoneração da PMI, do Santa Teresinha, da FEI. Meu contrato com a FUNRONDON já havia terminado, em 1977, e a transferência do Estado, vindo a ser relocado no CE 2o Grau Liceu Maranhense, e colocado à disposição do Plano de Governo João Castelo, quando criação da Secretaria de Desportos e Lazer do Maranhão – SEDEL-MA, primeira secretaria dedicada do Brasil. Quanto à FEI, fora incorporada pela FESM , hoje UEMA, minha exoneração foi cancelada, convertida em licença sem vencimentos, e “readmitido”, vindo a ser transferido para São Luis, parareconhecimento dos cursossuperiores, vistoquetinhapareceres doMEC paralecionarem curso superior, do tempo de Imperatriz, e reconhecimento dos cursos daquela cidade, onde era titular da Cadeira de Educação Física. Vim como titular da cadeira dos diversos cursos da FESM, no processo de reconhecimento. Entrei na então Escola Técnica Federal do Maranhão, depois CEFET-MA, hoje IF-MA, como professor contratado, depois efetivado. Ainda dei aulas na UFMA, quando da criação do curso de Turismo, como professor convidado.
Cinquenta anos...
E neste ano, também, comemorarei os 10 anos de Condutor da Tocha Olímpica nas Olimpiadas do Rio de Janeiro... Acabei conduzindo na cidade de São Luis... Quando abriram as inscrições, o fiz... antes de receber a resposta, recebi correspondência do COI de que havia sido indicado para conduzir a Tocha pela Nissan, por meus serviços prestados ao esporte maranhense. Aceitei! Logo depois, mais uma correspondência, de que havia uma indicação por Imperatriz, também pelo mesmo motivo. Aceitei!E informei na ficha que mandaram, o endereço de São Luis; disseram que não poderiam pagar a passagem e estadia, e teria que arcar com essas despesas. Aceitei, também. Logo, outra correspondência informando mais uma indicação, deste vez por Barreirinhas. Lógico que também aceitei... Informei, então,quereceberatres indicações ecomo eram em datas diferentes, iria às tres. Foi informado que não, só poderia ser em uma cidade e eles mesmos decidiram que seria em São Luis, onde tinha residência. Fica o registro, pois.
Informaram que, se desejasse ficar com a Tocha, deveria pagar uma taxa de R$ 1.980,00. Solicitei a forma de pagamento. A Coca-Cola, uma das patrocinadoras das Olimpiadas informou que pagaria a Tocha de seus indicados. Logo a seguir, o Bradesco fez o mesmo. E a Nissan não ficou atrás: pagaria pela de seus indicados! Feliz, pois, fiquei.
Cabeinformarquenem todos tiveram esseprivilégio; aquelesqueforam indicados pelo Estado,ou Município, que o desejassem, teriam que fazer o pagamento. Foi o que aconteceu com o Mesquita e o Prof. Dimas... Outras pessoas, que não puderam fazer o pagamento, não ficaram com a Tocha.
A minha está muito bem guardada em minha biblioteca, em lugar de destaque.
Logo após a passagem da Tocha por São Luis, foi a Curitiba. Ainda não havia passado por lá... Encontrei alguns atletas do meu tempo em uma pizzaria e levei a Tocha... entre eles, dois atletas olímpicos, que não foram indicados; tiraram fotos com a minha – confesso que ficaram com uma certa inveja. Muitas pessoas, presentes, perguntavam se era verdadeira. E pediram, também uma foto com ela.
É isso... 50 anos de Maranhão, 50 anos do primeiro titulo brasileiro do Handebol maranhense, 10 anos da Condução da Tocha Olímpica... Há muito o que comemorar este ano...
OI NOIS AÍ! SE VOCÊ: "Já foi um "broto". Usou um "Vulcabrás". Teve um toca-fitas. Sabe o que era uma camisa "Volta ao Mundo". Teve uma blusa ban-lon de gola rolê. Usou alguma vez "Lancaster". Dirigiu um fusca ou um opala. Curtiu o seriado de "Zorro e Tonto". Adorava "Rin Tin Tin" e o "Lobo" do "Vigilante Rodoviário". Não perdia um capítulo de "Redenção". Assistia ao "Circo do Arrelia", "Grande Gincana Kibon" e "Programa Pim Pam Pun Estrela". Viu sua mãe usar "Rinso". Mascou chicletes "Adams". Curtia as músicas de "Tom Jones". Viveu a febre dos jeans "Lee" e "Levi's". Torceu nos festivais de MPB da Record ou assistia à Jovem Guarda. Entrou para o movimento Hippie. Usou calça boca de sino e paletó com ombreira. Viu, ao vivo, o homem pisar na lua. Brincou descalço na rua, de "amarelinha", "escondeesconde", "pega-pega", "passar anel", "mão-na-mula", "bola", "jogar pedrinhas na calçada", "passa-passa três 'veiz'", ENTÃO, COM CERTEZA VOCÊ FOI E É FELIZ '
Viva a Vida.
JUSTIÇA DO MA DETERMINA RETIRADA DO NOME NINA RODRIGUES DE HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
Decisão determina que o Estado atualize placas, documentos e registros oficiais da unidade de referência em São Luís.
Justiça do Maranhão declarou nulo o ato que nomeou o Hospital Nina Rodrigues (Foto: Reprodução)
A Justiça estadual do Maranhão declarou nulo o ato administrativo que deu nome ao Hospital Nina Rodrigues, unidade de referência em psiquiatria em São Luís. A decisão reconhece que a denominação viola princípios constitucionais como a igualdade, a moralidade administrativa e a dignidade da pessoa humana, além de afrontar o dever de proteção do patrimônio cultural imaterial e a vedação ao racismo.
A sentença é de autoria do juiz Douglas de Melo Martins, titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da capital. Com a decisão, o Estado do Maranhão deverá adotar todas as providências administrativas necessárias para retirar o nome “Nina Rodrigues” da unidade hospitalar, incluindo a atualização de placas, documentos oficiais, registros administrativos, sistemas de informação e demais atos institucionais.
Na mesma decisão, o magistrado negou o pedido para que o hospital passasse a se chamar “Hospital Juliano Moreira”, em homenagem ao médico baiano, negro, reconhecido como o Pai da Psiquiatria no Brasil. Segundo o juiz, a escolha de um novo nome é competência do Poder Executivo, embora tenha recomendado que a proposta seja avaliada pelo governo estadual.
Ação popular e audiências públicas
A decisão resulta do julgamento de uma Ação Popular proposta pelo advogado Thiago Cruz e Cunha. Na ação, ele sustentou que Raimundo Nina Rodrigues, médico maranhense que dá nome ao hospital desde a década de 1940, foi defensor de teorias de eugenia e do chamado racismo científico no Brasil, baseadas na ideia da existência de raças “superiores” e “inferiores”.
Segundo a ação, Nina Rodrigues defendia, inclusive, a adoção de códigos penais distintos para brancos e negros, o que, na avaliação do autor, torna incompatível a homenagem pública com os valores constitucionais vigentes. O
advogado anexou aos autos uma Nota Técnica da Defensoria Pública da União que trata da retirada de referências a pessoas associadas ao racismo como medida de reparação histórica à população negra.
O tema foi amplamente debatido em duas audiências públicas promovidas pelo Judiciário, realizadas em 21 de novembro de 2024 e 18 de fevereiro de 2025. Os encontros reuniram especialistas, historiadores, juristas, representantes de secretarias estaduais, da Defensoria Pública da União, da Ordem dos Advogados do Brasil –Seccional Maranhão (OAB-MA), de movimentos sociais e familiares de Nina Rodrigues.
Argumentos do Estado
Em sua defesa, o Estado do Maranhão argumentou que a mudança do nome, mais de 80 anos após a nomeação da unidade, poderia causar impacto na identidade institucional do hospital, gerar confusão junto à população usuária do serviço e acarretar custos administrativos e operacionais elevados para a atualização de documentos, sinalizações e sistemas.
O governo também sustentou a possibilidade de resistência por parte de profissionais da saúde e da sociedade em geral, além de defender a preservação do nome como parte da história da instituição.
Racismo estrutural e reparação histórica
Ao analisar o caso, o juiz Douglas Martins destacou que o Supremo Tribunal Federal tem reconhecido, em diversos julgamentos, a existência do racismo estrutural no Brasil e a necessidade de políticas públicas voltadas à promoção da chamada “igualdade como reconhecimento”. Esse conceito, segundo ele, envolve a modificação de padrões culturais e a valorização da diversidade e da diferença.
Nesse contexto, a retirada de símbolos que celebram ou naturalizam a opressão racial passa a integrar um processo mais amplo de reparação histórica. “Impõe-se reconhecer a legalidade, relevância, adequação e razoabilidade da retirada de denominações de locais públicos que façam alusão a pessoas vinculadas a doutrinas e discursos escravistas, racistas ou eugenistas”, afirmou o magistrado na sentença.
O juiz ressaltou ainda que nomes de prédios e instituições públicas possuem forte dimensão simbólica, pois projetam valores e referências coletivas. Para ele, a manutenção do nome Nina Rodrigues ultrapassa o aspecto meramente administrativo e pode impactar negativamente a memória social de grupos historicamente vulnerabilizados. “O nome não se apresenta apenas como questão administrativa, mas como elemento que pode violar a dimensão cultural da Constituição”, destacou.
Fundamento em tratados internacionais
A decisão também se apoia em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, promulgada pelo Decreto nº 10.932/2022, e a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 65.810/1969.
Segundo o magistrado, essas convenções possuem status de norma constitucional e constituem marcos fundamentais no enfrentamento global ao racismo. Ao aderir a esses tratados, o Brasil assumiu o compromisso de combater a discriminação racial e suas causas estruturais, adotando tanto medidas proibitivas quanto políticas compensatórias voltadas à promoção da igualdade. “A igualdade deve ser compreendida como um processo histórico e social em curso”, concluiu.
Quem foi Nina Rodrigues
Raimundo Nina Rodrigues (1862–1906) foi um médico maranhense reconhecido como um dos pioneiros da medicina legal no Brasil e fundador da antropologia criminal brasileira. No entanto, sua produção intelectual esteve fortemente vinculada a teorias hoje amplamente reconhecidas como racismo científico.
Nina Rodrigues, de jaleco branco, em um laboratório da Faculdade de Medicina da Bahia (Foto: Arquivo Nacional)
Inspirado nos estudos de craniologia do italiano Cesare Lombroso, Nina Rodrigues defendia a ideia de que negros e indígenas pertenciam a “raças inferiores”, supostamente mais impulsivas e inclinadas ao crime. Para ele, a miscigenação seria um fator de degeneração física e moral da população brasileira.
Em textos como “Mestiçagem, degenerescência e crime”, o médico chegou a afirmar que o cruzamento entre raças “antropologicamente diferentes” produziria indivíduos desequilibrados e incapazes de se adaptar ao clima e às condições sociais do país. Essas ideias influenciaram teorias criminológicas que passaram a associar criminalidade a grupos raciais específicos.
Juliano Moreira e a psiquiatria humanizada
Em contraponto a esse pensamento, o médico psiquiatra baiano Juliano Moreira é apontado por estudiosos como o Pai da Psiquiatria no Brasil e um dos pioneiros no combate ao racismo científico na área médica. Negro, Moreira foi aluno e posteriormente colega de docência de Nina Rodrigues, mas se tornou um crítico das teses raciais defendidas pelo antigo professor.
Juliano Moreira foi responsável por impulsionar um modelo mais humanizado de tratamento em saúde mental no país. Entre 1895 e 1902, realizou cursos e estágios em instituições da Alemanha, França, Inglaterra, Escócia, Bélgica, Holanda, Itália e Suíça, onde teve contato com os principais avanços científicos da época.
Para ele, as doenças mentais estavam associadas a fatores como alcoolismo, sífilis, verminoses e condições sanitárias e educacionais precárias e não à mestiçagem. Sua tese de formatura, que propunha novas abordagens sobre a sífilis, teve repercussão internacional. As ideias de Juliano Moreira só começaram a ganhar maior reconhecimento no Brasil a partir da década de 1950, cerca de dez anos após o hospital maranhense ter recebido o nome de Nina Rodrigues.
A decisão judicial reacende o debate sobre memória, reparação histórica e o papel do poder público na revisão de homenagens oficiais à luz dos valores constitucionais contemporâneos.
PEDRO HENRIQUE MIRANDA FONSECA
Membro fundador da Sociedade Brasileira de História da Medicina
Membro fundador da Academia Cururupuense de Letras
Membro correspondente da Academia Maranhense de Medicina
Membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
Quando uma decisão judicial anacrônica que determinou a retirada do nome de Nina Rodrigues da mais importante instituição psiquiátrica do Maranhão, convém lembrar que nem sempre a sua Província natal se comportou em relação a ele como madrasta. E aqui é oportuno lembrar o que disse sobre ele o Professor José Ribeiro do Amaral, que dispensa apresentação, pelo seu alto valor intelectual e o inestimável serviço que prestou à educação do Maranhão,
Avizinhava-se o centenário da independência nacional e o preclaro mestre elaborou então uma obra onde destacava a participação de ilustres maranhenses na vida brasileira na Literatura, Ciência, Medicina, Direito, etc.
E entre esses maranhenses ilustres o autor incluiu Raymundo Nina Rodrigues. Após fazer um breve histórico da sua trajetória, destaca o seguinte: criminalista, etnógrafo e patologista era um dos médicos mais notáveis do Brasil em sua época e, segundo o Professor Aluízio de Castro, que o conheceu pessoalmente, foi a “primeira cabeça do seu tempo.” Além disso tinha um grande coração, bondade angelical e era lanho no trato. A sua cultura científica era vasta e respeitada entre os seus pares. Teve obras traduzidas para o francês, a língua científica universal da época, e trabalhos publicados em prestigiadas revistas nacionais e estrangeiras. Encerra afirmando que Nina Rodrigues “em toda sua vida, não teve um só dia perdido para o trabalho.”
A se concretizar essa mudança de nome (cabe recurso), não será a primeira vez que a sua Província madrasta o apunhala. A primeira vez foi no episódio que, estudando a farinha de mandioca na alimentação maranhense, concluiu que ela, quando exclusiva, era responsável pela fraqueza que acometia a maioria dos seu habitantes, o que lhe valeu a alcunha de “Dr. Farinha Seca”, fato que o magoou profundamente e ocasionou sua mudança para Salvador. Queixou-se em artigo publicado na Pacotilha, o mesmo jornal onde publicara o seu estudo, em 1º de agosto de 1888, da grande mágoa que lhe causou “o procedimento injusto, desleal e pouco digno de um colega, que em porta de botica, (...). chamou o ridículo sobre mim e a minha interessante propaganda.”
Desta vez, a punhalada vem com a mudança de nome da instituição sob alegação de ser ele racista. Ora, analisar o final do século XIX com olhos do século XXI é um tremendo anacronismo. Além do que, ao longo de suas pesquisas, foi percebendo fissuras nas teorias científicas da época. Podemos citar, como exemplos, os casos do Antônio Conselheiro, o de Lucas da Feira e o de Marcelino Bispo.
Infelizmente a sua morte prematura em 1906 não lhe permitiu rever os postulados científicos de então. Isto só viria a acontecer na década de vinte do século XX com Franz Boas e sua Antropologia Cultural. Se substituirmos na obra de Nina Rodrigues os termos raça por cultura e mestiçagem por aculturação, os seus anunciados adquirem atualidade. Espero que não se repita em pleno século XXI a punhalada ocorrida no século XIX e o que o Estado do Maranhão não se comporte como padrasto repetindo a Província que lhe foi madrasta.
Por fim, acho que a sociedade tem vários problemas prementes, para se preocupar, simplesmente, com uma mudança de nome de uma instituição respeitável e que não apunhale, de novo, um rebento ilustre numa decisão anacrônica.
FONTES: AMARAL, José Ribeiro do – Rymundo Nina Rodrigues. In: AMARAL, José Ribeiro do – O Maranhão no centenário da independência 1822 – 1922, São Luís, sem edição, 1921, páginas 263 – 268.
FONSECA, Pedro Henrique Miranda – Nina Rodrigues: Revisão de uma acusação. Jornal Pequeno, São Luís, sexta-feira, 13 de maio de 2022, página 8.
FONSECA, Pedro Henrique Miranda - - Nina Rodrigues e o regime alimentar do Maranhão. In: FONSECA, Pedro Henrique Miranda – Recortes: Colaborações para a imprensa, Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2023, páginas 20 – 23. Rio de Janeiro, sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, às 21:10 horas.
LAZER:ESPORTES, CULTURA&TURISMO
jorge-olimpio-bento.pdf (up.pt)
JORGE BENTO COM MANUEL CONSTANTINO
Crônicas de JORGE OLIMPIO BENTO
"As armas e os barões assinalados / Que da ocidental praia Lusitana / Por mares nunca de antes navegados / Passaram ainda além da Taprobana / Em perigos e guerras esforçados / Mais do que prometia a força humana / E entre gente remota edificaram / Novo Reino, que tanto sublimaram".
A consagração do direito a uma vida digna, realizada no caminho de perseguição da felicidade, implica a presença acrescida do desporto, a renovação das suas múltiplas práticas e do seu sentido. Sendo a quantidade e qualidade do tempo dedicado ao cultivo do ócio criativo (do qual o desporto é parte) o padrão aferidor do estado de desenvolvimento da civilização e de uma sociedade, podemos afirmar, com base em dados objetivos, que nos encontramos numa era de acentuada regressão civilizacional. Este caminho, que leva ao abismo, tem que ser invertido urgentemente.
Professor Catedrático Jubilado da Universidade do Porto jorge-olimpio-bento.pdf
1. SERÁS TODOS OS DIAS UM SONHADOR (daqueles que imaginam e propõem coisas elevadas).
2. ALIMENTARÁS A ALMA E A CONSCIÊNCIA (olha que são criaturas exigentes e sensíveis).
3. APRENDERÁS E CULTIVARÁS A LÍNGUA PORTUGUESA (usa a norma culta e fala com clareza, destemor e firmeza).
4. ACOLHERÁS O ANJO DA ESPERANÇA (tê-lo-ás sempre à mão contra os ventos do mal).
5. NAMORARÁS OS LIVROS (podes praticar a poligamia com eles).
6. EXERCITARÁS A BUSCA DA LIBERDADE E VERDADE (sem sujeição a elas não somos humanos).
7. PARTICIPARÁS NA EDIFICAÇÃO DO MUNDO (enche o teu de ética e estética).
8. CUIDARÁS DA NATUREZA (procura melhorar a tua condição moral).
9. QUESTIONARÁS A VIDA E A SOCIEDADE (ambas são passíveis de modificação).
10. RECONHECERÁS QUEM TE ABRIU CAMINHOS (a ingratidão é uma marca do inumano).
NO DIA DE ANO NOVO E DA PAZ
Peçamos que na Terra reine a simplicidade e no deserto haja sempre um copo de água. Se crescermos, que seja para nos tornarmos crianças! Nas nossas mãos fica muito bem um raminho de hortelã e nos olhos o brilho do céu. Verde e azul são as cores dos fios da esperança e da transcendência. Com eles podemos tecer uma renda delicada para os dias que virão; e uma toalha de linho para a mesa da Paz, transbordante do Pão e Vinho da Solidariedade e Interajuda universal.
INCENDIÁRIOS PERVERSOS
Sun Tzu (544-496 a.C.), general, estrategista e filósofo chinês, ajuizou: “Um homem mau queimará a sua própria nação até ao chão, só para governar sobre as cinzas.”
Os factos confirmam o acerto da avaliação do autor do tratado ‘A Arte da Guerra’. Não encontramos tais casos apenas no passado, como, por exemplo, o incêndio de Roma por Nero, segundo diz a tradição. Também no presente é notória, a quem não se recuse a ver, a existência de governantes que, para salvar a pele e a carreira, não hesitam em atiçar a fogueira da guerra e queimar as vidas dos concidadãos. Eis o novo normal.
CIVILIZAÇÃO DO ESPETÁCULO
Mário Vargas Llosa teceu um retrato preciso do nosso tempo. Os tristes dias do presente confirmam-no inteiramente. A toda a hora somos inundados por imagens e narrativas que transmitem atoardas e informações descabeladas. Tudo é aceite com naturalidade; não se questiona a falta de idoneidade nem a veracidade das fontes. Alastra o ambiente de farra grotesca, de crescente desumanização, de anestesia ética, de total ausência
de escrúpulos e de neutralidade moral, sempre a favor dos mais fortes. Os que mentem e vendem mantras estupefacientes da lucidez, recebem aplausos; os que acordam a razão com interrogações incómodas, são alvo de desdém, censura e ostracismo. Lembro-me bem dos anos da imberbe juventude em que, nos fins-de-semana, íamos ao cinema, no Carlos Alberto ou na Trindade, e assistíamos aos filmes de cowboys com tiros e mortos a esmo. Saíamos de lá em estado de euforia, com o vácuo da alma repleto de violência gratuita. Hoje o cenário repete-se, não nos salões decinema, masnos debatesdos canais detelevisãoenas redes sociais. Aboçalidadedas palavras, aleviandade dos seus autores, a falta consciente à verdade, a manipulação intencional das pessoas e a promoção da contracultura de morte, destruição e derramamento de sangue do outro, tudo serve para engalanar o espetáculo feérico que atrai ‘gostos’, aumenta os índices de audiência e torna esta era berçário de adolescentes crónicos. Estes tomam a vilania porcoragem, a esperteza por inteligência, o individualismo por liberdade, o desmoronar da sociedade por progresso. Isto não vai ficar por aqui; o desvario tem pernas para andar.
DOMINGO DE ROMARIAS E PROMESSAS
Os sinos andam esbaforidos a tocar a rebate, convocando deputados, autarcas e fieis para as romarias. Nelas fazem-se grandiloquentes promessas aos santinhos do costume pela salvação do baixinho, dançarino e campeão dos trambiques. Porém o tempo é de nuvens espessas; estas não deixam que o clamor chegue ao céu.
ESCREVER PARA SABER MELHOR
Não possuo o diploma de conselheiro da escrita. Preciso de muito esforço para elaborar um texto escorreito. Todavia, ao longo da aventura de escrever e ler, apurei a degustação e o saboreio dos textos. Por exemplo, causam-me arranhadelas na pele e na vista frases obesas do pronome pessoal ‘eu’. Na feitura do rascunho, aquele ainda pode aparecer, mas na correção atiro-o para o caixote do lixo. Dá trabalho o amanho da frase de modo a dispensá-lo, porém o ganho é imenso: além da formulação ficar incomparavelmente mais bela, sinto por dentro o canto uníssono da alteridade a sobrepor-se à desafinação da egolatria. Afinal, a aparência induz a essência, a exercitação na superfície repercute-se na configuração da intimidade.
DUAS MULHERES
Uma exala o charme próprio das damas de honra da plutocracia. Com pose de opulência e deslumbramento rebaixa-se ao papel de atriz trágica e miserável, trai a nação, bajula o ogre, entrega a integridade e a honra, e vilipendia a presunção de dignidade e a noção de liberdade. Nada vale e tudo serve para chegar ao poder a esta figura medíocre e vil, galardoada pela hipocrisia. Vai apodrecer numa nota de rodapé da história. A outra, filha de um guerrilheiro torturado até à morte pela CIA, é uma criatura de aspeto franzino. Aparenta ter medo, mas enfrenta o monstro, fazendo das fraquezas forças para tentar preservar a independência do país. Se conseguir resistir e realizar o intento, o seu nome crescerá em cada dia e ficará na lembrança dos vindouros
JOGO DE GANHOS NAS PERDAS
A vida é um cenário repleto de lições e oportunidades de aprendizagem. Do princípio até ao fim estamos sempre num jogo de sublimação das faltas e de ganhos nas perdas. Podemos aprender a adquirir ‘coisas’ que elevam: o sentido da admiração, a confissão e emenda do erro, o dever de trocar as convicções por outras mais fundadas, a humildade das asserções e posições, a naturalidade
da diferença e da dúvida, a saudação do mérito alheio, o trato humano de próximos e distantes, a coragem da verdade e da indignação contra a indecência, falsidade e mentira, a leveza das palavras, a graciosidade dos gestos, a gentileza e lhaneza das atitudes, o competir sem ofender e ferir, a lucidez, maturidade e serenidade das avaliações.
Podemosaprendertambémaperderpesosinibidoresdevoar:aarrogânciaepotestade,aegolatriaegabarolice, a pesporrência e vaidade, a ganância e inveja, o ódio e rancor, a raiva e sede de vingança, o orgulho e preconceito, a crispação e ameaça, o frenesim e o impaciência, a amargura e dureza das expressões, o desânimo e desespero.
Neste balanço tudo é acrescento e soma: quanto mais se perde, mais se ganha!
CRÔNICASDEOZIEL MARTINSDESOUZA
O DECLÍNIO DA EDUCAÇÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS
''ESTUDANTES DE PEDAGOGIA ESTÃO ENTRE OS PIORES CLASSIFICADOS NO ENEM''
Recente divulgação de dados do Inep veiculados pela CNN mostra que os cursos superiores mais procurados no Brasil são Pedagogia,AdministraçãoeDireito, entreoutros; cursostécnicos eas Engenharias não aparecem entre os 10 mais procurados.
Esteéum dado preocupante,quandosesabequeos estudantes dePedagogiaestão entreos piores classificados no Enem, que Administração mostra um profundo retrocesso na procura por parte de empresas e o Direito é um curso saturado no mercado de trabalho brasileiro. Talvez, os estudantes de Direito não saibam que o Brasil tem mais faculdades (1.200) do que os EUA (200). Considerando que a população brasileira é de 220 milhões e dos EUA é de 350 milhões é possível ver o absurdo que foi criado, fruto da procura por concursos que levem a cargos
Enquanto isto as Engenharias e cursos ligados à Tecnologia de Informação tem baixa procura o que nos leva a concluir que o caminho que está sendo trilhado, diferentemente de países asiáticos, está, absolutamente, errado.
Mas, é importante frisar que os objetivos estabelecidos para a Educação não são orientados pelo MEC. O Brasil como membro da ONU segue a cartilha definida pela Unesco que, desde sua criação, milita pela governança global. A ideia é trocar o conhecimento pela submissão e o responsável para que isto seja executado é o professor, inocente útil, fazendo o papel desejado pelos ideólogos a serviço da governança global.
Como está explícito no volume Idas diretrizes Toward World Undestanding: “O Jardim da Infância tem papel significativo na educação infantil. Não somente pode corrigir muitos desvios adquiridos no contexto familiar, mas prepara a criança para a convivência em grupos rumo à integração da sociedade mundial.” Em outra citação a Unesco torna mais claro seu objetivo: “Como já mencionamos a família é que geralmente polui a
mentedas crianças com sentimentos nacionalista.Aescoladeve combateros hábitos familiares quefavorecem o chauvinismo.”
Com as ideias importadas de desconstruir a família, apoiar ações lideradas por feministas radicais e, implantar a ideologia de gênero, bem como a destruição da linguagem e da capacidade de raciocínio estão criadas as condições para desestruturar tudo que se levou séculos para se construir e regular.
“Uma frase sem verbo, outra sem sujeito e uma terceira sem objeto é o cotidiano do professor reduzido a adivinhar ou inventar sentido para não reprovar o aluno. As consequências são profundas no plano da estruturação intelectual, porque a linguagem é o suporte do pensamento. Expressão caótica, portanto, reflete e causa desorganização mental.” Frase de Jean Marie Lambert em seu Livro A Clonagem das Mentes. Se a ideia é criar uma população submissa, sem capacidade de pensar e uma elite virtuosa nos moldes do filme Elysium, a largada está dada!
NOTASSOBRE ESPORTES,LAZER, EDUCAÇÃOFÍSICA
"ESPORTE" MUITO PECULIAR *
Imagine um estádio repleto de cavaleiros competindo em alta velocidade sobre seus animais, mas com uma diferença radical: o que leva o cavaleiro à linha de chegada não é um cavalo, nem mesmo um animal, mas sim uma cabeça de tecido sobre um cabo de madeira. O nome desse curioso esporte é Hobby Horsing, e embora pareça uma brincadeira de criança, na Finlândia está atraindo a atenção de cada vez mais pessoas e se tornou uma disciplina séria com mais de 10.000 praticantes. Popularmente conhecida como "equitação vegana", essa tendência busca saltar dos quintais para os palcos olímpicos, impulsionada pela juventude.
No Hobby Horsing, todo o esforço recai sobre o "cavaleiro", que deve imitar com suas próprias pernas os complexos movimentos da doma clássica e do salto de obstáculos.
Além de correr e saltar, a disciplina combina ginástica, atletismo e técnica para imitar o galope com precisão.
Apesar de atualmente contar com campeonatos nacionais massivos e uma cultura própria que cresce em popularidade, o mundo está dividido em suas opiniões entre aqueles que consideram uma forma inclusiva de esporte e os que negam que possa ser concebido como tal.
A imperatrizense Regiane Borges, de 26 anos, vai representar Imperatriz e o Maranhão no Jungle Fight Championship 144, considerado o maior evento de MMA da América Latina. A competição acontece às 20h, na cidade do Rio de Janeiro, no BOP.
Regiane enfrenta Bia Tavares, do Amapá, em um confronto válido pela categoria até 57 kg, em um duelo que promete fortes emoções no card do evento.
Representando a academia Ribas Family, a luta coloca frente a frente Maranhão x Amapá, reforçando a presença do Norte e Nordeste no cenário nacional do MMA.
O Jungle Fight terá transmissão pelo SporTV e Combate, com exibição em TV aberta pela Globo, após o programa Altas Horas.
Estamos na torcida! @borges.tatalia
GRANDE NOTÍCIA! A partir do dia 01º de março, a cidade de São Paulo vai receber os principais skatistas do mundo para a disputa do Mundial de Skate.
O torneio vai acontecer no Parque Cândido Portinari, ao lado do Parque Villa-Lobos. Rayssa Leal, Augusto Akio, Gui Khury e Raicca Ventura são os brasileiros listados provisoriamente como cabeças de chave.
Getty Images
#rayssaleal #skate #mundialdeskate #esporte
CEV. 30 ANOS EM 2026
Por Laércio Eliaas Pereira (Autor). Em Blog do Laércio, 2026.
A conversa num intervalo com cerveja no curso do Núcleo de Informática Biomédica da Unicamp, com o criador do Hospital Virtual Brasileiro e diretor do NIB, Renato Sabbatini, marcou a primeira conversa sobre a criação do Centro Esportivo Virtual. 18 de janeiro de 1996.
Eu já tinha trabalhado com o Sabbatini no tempo em que fui professor de Handebol da FEF-Unicamp e coordenador da Comissão da Biblioteca.
Em 1987 ele fez a palestra de abertura do I SImpósio Brasileiro de Informática e EF&Esporte.
A abertura do Simpósio, uma promoção da FEF Unicamp e o CBCE - que ajudou a fechar as contas da gestão do Presidente que vos fala - foi uma palestra do Sabbatini (sim, costumamos documentar em vídeo desde 1987)
Simulação em Computadores na Formação de Professores e Possíveis Aplicações na área de Educação Física & Esportes
Não por acaso, o Simpósio foi aberto pelo João Tojal, diretor da FEF-Unicamp e meu chefe na época, depois orientador quando voltei pra Unicamp como estudante pra matar a tese do doutoramento que tinha começado na ECA USP, em Ciências da Informação, como "O fluxo de informação em EF&Esportes no Brasil",
A tese recomeçou na Unicamp como uma proposta de um CD com informações sobre a área: informação para professores e estudantes de Educação Física.
Mas, virou a proposta de um portal - Centro Esportivo Virtual - no dia 18 de janeiro de 1996..
São Paulo será o centro do skate mundial entre 1º e 8 de março, reunindo os melhores skatistas do planeta para o Mundial de Skate, com disputas simultâneas nas modalidades street e park, algo inédito no calendário. #RedeRonaldo #Skate
O evento acontece no Parque Cândido Portinari, ao lado do Parque Villa-Lobos, após a etapa inicialmente prevista para 2025 em Washington ser adiada e remarcada para este ano na capital paulista. Você curte Skate? Acompanhe nosso boletim e se viu no #Explorar siga para mais conteúdos #Esporte #Brasil
VOCÊ É GIGANTE, ALESANDRO!
Campeão brasileiro e sul-americano sub-20 no arremesso do peso, recordista do Campeonato Brasileiro Sub20 e medalhista do Troféu Brasil aos 18 anos de idade
Este foi o ano de Alessandro Borges, que recebe o Troféu Fictor de Jovem Destaque Masculino no Prêmio Melhores do Atletismo Loterias Caixa 2025
V Encontro Nacional de Historiadores do Esporte
APRESENTAÇÃO
LOCAL
CRONOGRAMA
INSCRIÇÕES
PROGRAMAÇÃO
NORMAS PARA SUBMISSÃO
Apresentação
O Encontro Nacional de Historiadores do Esporte foi criado com o objetivo de reunir, em anos pares, os pesquisadores que frequentam, em anos ímpares, o Simpósio Temático História do Esporte e das Práticas Corporais no âmbito do Simpósio Nacional de História da ANPUH.
Desde sua primeira edição, realizada no Rio de Janeiro com posterior passagem por Minas Gerais e Bahia, o Encontro Nacional de Historiadores do Esporte tem se estabelecido como espaço de dialogicidade, socialização e publicização de trabalhos em torno da História do Esporte. Em 2026, pela primeira vez, o evento chegará à região Norte do Brasil.
O V Encontro Nacional de Historiadores do Esporte ocorrerá na cidade de Belém, no período de 7 a 9 de julho de 2026, e contará com apoio da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e do grupo de pesquisa
RessignificaЯ. O evento será dedicado à memória do Prof. Rafael Fortes Soares (1978-2024), uma das principais referências em História do Esporte e personagem de destaque na consolidação deste campo de estudos no Brasil.
Editor da “Recorde: Revista de História do Esporte”, primeiro periódico da América Latina dedicado ao tema, Rafael era professor da UNIRIO e foi um dos idealizadores do Encontro Nacional de Historiadores do Esporte. Sua produção intelectual, rigor científico e compromisso com a formação de novos pesquisadores foram decisivas para fortalecer a comunidade de historiadores do esporte.
Por sua inestimável contribuição, a 5ª edição do Encontro Nacional de Historiadores do Esporte pretende honrar a memória de Rafael Fortes, dando continuidade ao evento que ele contribuiu para idealizar e consolidar.
Comissões
Coordenação Geral
Profª. Drª. Carmen Lilia da Cunha Faro (RessignificaЯ/UEPA)
Comissão Organizadora
Profª. Drª. Eliane do Socorro de Sousa (RessignificaЯ/UEPA)
Profª. Ms. Giselle dos Santos Ribeiro (RessignificaЯ/UEPA)
Profª. Ms. Luanna da Silva Lima (RessignificaЯ/UEPA)
Prof. Ms. Raphael do Nascimento Gentil (RessignificaЯ/UEPA)
Prof. Ms. Welison Alan Gonçalves Andrade (RessignificaЯ/UEPA)
Comissão Científica
Profª. Drª. Aline Gomes Machado (UFBA)
Prof. Dr. André Alexandre Guimarães Couto (Cefet/RJ)
Profª. Drª. Christiane Garcia Macedo (UFMG)
Prof. Dr. Coriolano Pereira da Rocha Junior (UFBA)
Prof. Dr. Douglas da Cunha Dias (UFPA)
Prof. Dr. Elcio Loureiro Cornelsen (UFMG)
Prof. Dr. Emerson Duarte Monte (UEPA)
Profª. Drª. Silvana Vilodre Goellner (UFPel)
Prof. Dr. Victor Andrade de Melo (UFRJ)
Profª. Drª. Vivian Luiz Fonseca (UERJ)
Profª. Drª. Viviane Rocha Viana (UNEB)
Prof. Dr. Welington da Costa Pinheiro (UFPA)
Comissão de Infraestrutura
Julia Corrêa Bruno (CEDF/UEPA)
Raul da Silva Brazão (CEDF/UEPA)
V
Encontro Nacional de Historiadores do Esporte realização:
Belém-Pará
QUINTO LUGAR!
Marlon Zanotelli faz quinto lugar em evento cinco estrelas no Qatar. O brasileiro fez resultado expressivo em prova com obstáculos em 1,50m que combina penalidades por faltas com o tempo de percurso. Já Santiago Lambre ficou em 18º
GIROPELAS ACADEMIAS LITERÁRIAS
DA SACADA DA ALL, UM PEDIDO AOS CÉUS
Aocairdatarde, quando SãoLuís trocaoazul dodiapelo douradomansodoentardecer,asacadadaAcademia Ludovicense de Letras na praça João Lisboa parece suspensa entre dois mundos. De um lado, o rumor antigo das ruas de pedra; do outro, o silêncio respeitoso que só os livros sabem guardar. É ali que, dizem os que ainda acreditam no invisível, algo extraordinário acontece.
Naquele instante em que o sino distante marca a hora e o vento brinca com as páginas abertas, Maria Firmina dos Reis se faz presença. Não vem em carne, mas em luz. Não caminha: flutua com a dignidade serena de quem nunca precisou gritar para ser eterna. Seu vestido parece tecido de palavras antigas, e seus olhos carregam a mansidão de quem conheceu a dor, mas escolheu a esperança.
Maria Firmina aproxima-se da sacada da Academia. ali, onde tantos sonhos literários já foram sussurrados, ela se detém. O movimento é simples, quase humano: inclina-se levemente, como quem reconhece algo maior do que si. E então, num gesto que mistura reverência e ternura, ajoelha-se não no mármore frio, mas no espaço sagrado da fé.
Diante dela, invisível aos olhos comuns, mas claro aos olhos da alma, está Nossa Senhora do Carmo. Mãe do cuidado e do amparo, Senhora do manto que protege e acolhe. Maria Firmina baixa a cabeça, e o silêncio se transforma em oração.
Mãe do Carmelo, murmura ela, guarda esta casa de letras. Protege os que aqui escrevem, os que leem, os que sonham. Que nenhuma vaidade se sobreponha à verdade, que nenhuma palavra fira mais do que cure. Dálhes humildade para aprender, coragem para escrever e amor para servir.
O vento, cúmplice da cena, atravessa a sacada e percorre os corredores da Academia. Passa pelas estantes, toca lombadas antigas, acaricia manuscritos. Cada acadêmico, mesmo sem saber por quê, sente um leve aquecimento no peito como se alguém tivesse acendido uma pequena chama de fé.
MariaFirmina continuaseupedido. Falados jovens escritores queaindavirão,dos quetropeçam nas primeiras frases, dos que carregam dúvidas e medos. Pede que a palavra seja ponte, nunca muro. Que a literatura seja gesto de caridade. Que escrever seja também uma forma de rezar.
Nossa Senhora do Carmo não responde com palavras. Responde com presença. Seu manto se estende, invisível, sobre a sacada da ALL, envolvendo-a inteira prédio, livros, memórias e pessoas. Um manto feito de silêncio bom, desses que não calam, mas ensinam a escutar.
Quando a noite enfim se instala e as luzes da cidade se acendem, Maria Firmina se ergue. Seu rosto agora traz um sorriso discreto, quase maternal. Antes de partir, toca levemente o parapeito da sacada, como quem sela um pacto sagrado entre a fé e a palavra E assim, todas as vezes que alguém passar pela Academia Ludovicense de Letras e sentir que ali há algo além de livros uma paz inexplicável, uma responsabilidade maior será porque, em alguma tarde dourada, Maria Firmina dos Reis se rendeu aos pés de Nossa Senhora do Carmo, pedindo proteção não apenas para os acadêmicos, mas para a própria alma da literatura maranhense.
ROBERTO FRANCKLIN
Caminhamos lado a lado, sem pressa, naquele corredor que parecia conduzir não apenas a um destino, mas a um tempo suspenso. Minha mão segurava a mala, a outra era segurada pela dele pequena, quente, confiante. À minha frente, o mundo seguia em movimento; atrás de mim, vinha o passado inteiro. E ali, ao meu lado, estava o presente mais bonito que a vida me deu.
Meu neto caminhava com passos curtos, mas decididos. Às vezes apertava mais forte minha mão, como quem reafirma um pacto silencioso. E, de repente, vinha a frase, dita com naturalidade, como se fosse a coisa mais simples do mundo:
Vô Caca… enquanto eu puder, vou te acompanhar.
Elenão sabe, masessaspalavras têmum peso imenso. Nãosãoapenas palavras deumacriança.Sãopromessas puras, ditas sem cálculo, sem medo do tempo, sem noção de finitude. São palavras que não conhecem despedidas.
Eu, que já caminhei tantos corredores na vida alguns de vitórias, outros de perdas, sigo agora aprendendo a andar mais devagar. Não por cansaço, mas para não perder nenhum detalhe desse instante. O jeito como ele olha para frente. O jeito como confia. O jeito como acredita que estar junto é algo eterno.
Enquanto caminhávamos, pensei que um dia os papéis podem se inverter. Talvez seja ele quem segure minha mão com mais firmeza. Talvez seja eu quem precise acompanhar seus passos. Mas, naquele momento, nada disso importava. O que importava era esse agora: dois corpos em ritmos diferentes, mas com omesmo destino. O mundo pode correr, os anos podem passar, os corredores podem mudar. Mas aquela frase ficará para sempre guardada em mim, como um abrigo:
Vô Caca, enquanto eu puder, vou te acompanhar.
E eu sigo, emocionado, caminhando… porque enquanto ele puder me acompanhar, eu nunca estarei sozinho.
INAUGURADA A BIBLIOTECA PROF. WILSON PIRES FERRO
Mais uma expressiva contribuição da Academia Ludovicense de Letras à cultura maranhense... Meu paiherói merece esta grande homenagem. Professor, historiador, escritor, poeta, ele viveu para os livros e agora os livros o imortalizam...
ROBERTO FRANKLIN
Criar uma biblioteca para uma Academia de Letras é muito mais do que reunir estantes e volumes encadernados; trata-se de um gesto de responsabilidade cultural, um compromisso silencioso e duradouro com a memória coletiva e com o futuro da palavra escrita. É erguer um espaço onde o passado dialoga com o presente e prepara o caminho para o amanhã, fazendo da biblioteca o verdadeiro coração pulsante da instituição, aquele que irriga ideias, preserva vozes e mantém viva a tradição literária. Ontem, esse horizonte de aspirações tornou-se realidade pelas mãos e pelo empenho do Dr. Osmar, que ao inaugurar este espaço, consolidou um tesouro em múltiplas camadas onde agora repousam as obras dos imortais que já cumpriram sua missão intelectual, os livros daqueles que hoje defendem e renovam os valores da língua e as produções que ainda estão por vir, aguardando leitores atentos e mentes curiosas.
Sob esta nova realidade estabelecida, o território de pesquisa rigorosa e de contemplação sensível ganha vida, unindo manuscritos, primeiras edições, revistas, correspondências e estudos críticos em um patrimônio que ultrapassa gerações, onde cada volume guardado não é apenas papel e tinta, mas testemunho de época, de pensamento, de estilo e de identidade. Mais do que um depósito de livros, a biblioteca concretizada pelo Dr. Osmar afirma-se como um espaço vivo, de circulação constante e de encontros fundamentais entre escritores, leitores, estudantes e pesquisadores, funcionando como um lugar onde se entra para consultar uma obra e se sai carregando novas perguntas, onde a leitura desperta vocações, provoca debates, alimenta projetos e fortalece o amor pela língua.
Entre mesas silenciosas e corredores de estantes, constrói-se diariamente uma pedagogia da curiosidade e do respeitopelo saber,pois manteresseacervoorganizado,atualizadoeacessível étambém afirmarpublicamente o compromisso da Academia com a democratização do conhecimento. Este gesto de abertura para a comunidade, acolhendo escolas e universidades e estimulando o diálogo entre tradição e inovação, reflete um profundo zelo institucional e uma reverência pelo patrimônio intelectual que ajudou a moldar a sociedade. Assim,cadaprateleiratorna-seum eloentretemposdistintosecadalivroum conviteàpermanênciadacultura, garantindo que o legado literário não apenas se conserve, mas se renove continuamente, assegurando que a palavra continue sendo celebrada, estudada e transmitida às próximas gerações como um bem precioso, vivo e indispensável.
Depois da Inauguração da Biblioteca Prof. Wilson Pires Ferro, fizemos uma visita ao Decano da Academia Brasileira de Letras, Ex-Presidente do Brasil, José Sarney, ocasião em que lhe entregamos o convite para a posse da nova Diretoria e Conselho Fiscal da ALL e nos solidarizamos com a corrente de orações pela recuperação da saúde da ex-governadora Roseana Sarney e conversamos sobre arte, cultura e literatura nos âmbitos local , regional e nacional
Membros da Academia Ludovicense de Letras (ALL), à frente o presidente Osmar Gomes, visitaram o expresidente José Sarney, a quem entregaram o convite para a posse da nova Diretoria e do Conselho Fiscal da ALL, marcada para o dia 5 de fevereiro
Acadêmicos visitam Sarney
Em clima de prestígio e celebração cultural, o presidente da Academia Ludovicense de Letras (ALL), Osmar Gomes, acompanhado de membros da instituição, entre eles Daniel Blume, Roberto Franklin, Antônio Noberto, Alexandre Lago, Sônia Amaral e Vavá Melo, foi recebido pelo decano e imortal da Academia Brasileira de Letras, o ex-presidente José Sarney, a quem entregaram o convite para a posse da nova Diretoria e do Conselho Fiscal da ALL, marcada para o dia 5 de fevereiro.
O encontro também foi marcado por conversas sobre arte, cultura e literatura, além de votos de pronta recuperação à deputada federal e ex-governadora Roseana Sarney.
ROBERTO FRANKLIN
Há lembranças que não envelhecem. Elas apenas se acomodam dentro da gente, como móveis antigos numa casa de infância: rangem quando tocados, cheiram a madeira guardada, a papel amarelado, a tardes quentes e risos largos. Quando fecho os olhos, São Luís reaparece diante de mim não como é hoje, mas como era uma cidade menor no mapa e imensa no coração de um menino que aprendia o mundo pela rua, pela bola chutada sem medo, pelo Natal que chegava sem pressa e pelo Carnaval que explodia em cores na calçada.
O Natal era um acontecimento sagrado. Não apenas pela data, mas pelo ritual da espera. Havia uma solenidade silenciosa nos dias que o antecediam: as conversas baixas dos adultos, os pacotes escondidos, a ansiedade que fazia o tempo andar mais devagar. E então vinha o momento supremo: os presentes. Não eram muitos, nem extravagantes, mas tinham alma. Entre todos, há um que permanece intacto na minha memória um caminhão de madeira, confeccionado na oficina de marcenaria do SENAI. Não era apenas um brinquedo; era uma obra de arte aos olhos de um garoto. Liso, firme, cheiro de madeira recém-lixada, rodas que giravam com dignidade de máquina séria. Eu o empurrava pelo chão como se estivesse conduzindo cargas preciosas por estradas imaginárias. Talvez ali, sem saber, eu já aprendesse a respeitar o trabalho manual, a beleza do que é feito com cuidado, o valor das coisas simples que duram para sempre.
Os finais de semana eram territórios livres. A Praça da Alegria fazia jus ao nome. Íamos de bicicleta, em bandos ruidosos, disputando quem chegava primeiro, levantando poeira, rindo sem motivo. Jogávamos bola até o sol começar a cair e as mães aparecerem nos portões, mãos na cintura, convocando para casa. Não havia celulares, nem urgências digitais havia apenas o apito improvisado de alguém gritando “última!”, o joelho ralado exibido como troféu, a água gelada tomada no copo de alumínio. A praça era escola de convivência, academia de imaginação, território de liberdade.
E o Carnaval… ah, o Carnaval de rua. Em São Luís, naquela época, o bom era ir para a rua, misturar-se, suar, cantar, correr atrás dos blocos, e não sentar numa arquibancada para ver desfile passar como se fosse espetáculo distante. A festa era vivida por dentro. O confete grudava no suor, a serpentina se enroscava no pescoço, a música vinha de todos os lados. Era democracia pura: rico e pobre, adulto e criança, todos pulando no mesmo chão irregular, sob o mesmo sol ardente, embalados por marchinhas e batuques que pareciam não querer acabar nunca.
Havia também os domingos de futebol, que eram quase liturgias familiares. Os jogos do Moto noSanta Izabel, depois no Nhozinho Santos, primeiro ao lado do meu pai figura alta e segura, que explicava jogadas, xingava o juiz com elegância contida e vibrava como menino nos gols e, mais tarde, com meu irmão Franklin, companheiro de arquibancada, cúmplice de emoções esportivas, parceiro de comentários e silêncios tensos quando o placar não ajudava. O estádio era uma aula de pertencimento. Aprendi ali que torcer é uma forma de amor, dessas que sofrem, gritam, se decepcionam e voltam na semana seguinte com esperança renovada.
As gincanas da Rádio Difusora AM 680 eram outro capítulo à parte. A cidade inteira parecia sintonizada na mesma frequência. Havia desafios, enigmas, corridas, disputas que mobilizavam bairros inteiros. Era uma época em que o rádio não apenas informava ele organizava a alegria coletiva. As pessoas se reconheciam pela voz do locutor, comentavam na esquina, discutiam resultados, torciam como se fosse final de campeonato. A infância ganhava contornos épicos nessas competições improvisadas, e cada vitória, mesmo pequena, parecia digna de medalha invisível.
E vinha o Dia da Raça, com seus desfiles que reuniam todos os colégios. Uniformes passados com capricho, bandeiras tremulando, professores atentos, alunos orgulhosos, passos ensaiados na véspera. A cidade se alinhava nas calçadas para assistir, como se aquele cortejo estudantil fosse um espelho do futuro meninos e meninas marchando, sonhando, sem saber ainda que o tempo haveria de levá-los para longe daqueles dias de calça curta e camisa branca.
Hoje, quando revisito essas cenas, percebo que não estou apenas lembrando fatos. Estou revivendo sensações: o cheiro da madeirado caminhãozinho, ovento no rostoaopedalarnapraça, ogrito degol ecoandono estádio, o som distante do rádio ligado na cozinha, a batucada do Carnaval descendo a rua, o sol refletindo nos botões dourados dos uniformes escolares. São memórias que me moldaram, que me ensinaram a amar a cidade, a família, a rua, o coletivo.
São, no fundo, memórias das minhas memórias camadas de tempo empilhadas dentro de mim, como álbuns invisíveis que só o coração sabe folhear. E cada vez que volto a elas, descubro que aquele menino ainda mora aqui: empurrando um caminhão de madeira pelo chão, correndo atrás de uma bola na praça, pulando Carnaval na rua, entrando no estádio de mãos dadas com o pai, acreditando que a vida, como aquelas tardes antigas, sempre pode ser generosa quando a gente aprende a guardá-la em forma de lembrança.
INFORMATIVO
Estivemos na Secretaria de Cultura do Município de São Luís, em diálogo com o Secretário Adjunto Henrique Almeida, ondetratamos dediversos assuntos deinteresse da ALL,inclusive doplanoB parao Sarau "VOZES DA ILHA". O TEATRO DA CIDADE, onde funcionou o Cinema Rox, está disponível das 17 às 21 horas.
O SARAU SERÁ REALIZADO NO TEATRO DA CIDADE ( ANTIGO CINE ROX) DEVIDO AO PERÍODO CHUVOSO.
Parabenizo a confreira Clores Holanda, coordenadora do Sarau "VOZES DA ILHA", da Academia Ludovicense de Letras, juntamente com a confreira Dilercy Adler e o confrade Antônio Ailton, pela brilhante entrevista na TV Mirante, ao lado do ator Josimael e a atriz Linda Barros, os quais elevaram ainda mais o brilho do nosso sodalício. Esse será sempre o sentido da nossa gestão: Prestigiar todos os confrades e confreiras no fazer brilhar a nossa ALL. quarenta membros, quarenta cabeças pensando e agindo , oitenta mãos estendidas.
SARAU VOZES DA ILHA REÚNE POESIA, MÚSICA E SAMBA EM SÃO LUÍS
Evento gratuito acontece nesta quinta-feira (29), no Teatro da Cidade, declamação de poemas, atrações musicais e samba-enredo em homenagem a Maria Firmina dos Reis.
Por: Da Redação29 de Janeiro de 2026
Poesia, música e samba se encontram nesta quinta-feira (29) durante o Sarau Vozes da Ilha, evento promovido pela Academia Ludovicense de Letras (ALL), no Teatro da Cidade, no Centro Histórico de São Luís. A programação começa a partir das 17h e tem entrada gratuita.
Com clima de Carnaval, o sarau propõe uma ocupação cultural do espaço, reunindo escritores, poetas, músicos, artistas e o público em geral em uma celebração da cultura maranhense. A iniciativa faz parte das primeiras ações da nova diretoria da ALL e busca ampliar o diálogo da instituição com a sociedade.
Ao longo da tarde e da noite, o público poderá acompanhar declamações de poemas, leituras de textos literários e apresentações musicais. Entre os destaques estão as performances de Linda Barros e Josimael Caldas e a apresentação de violino com Hélio Bonfim. Membros da Academia também participam com declamações, além de poetas convidados, que poderão se inscrever no local.
Um dos momentos mais aguardados do evento será a apresentação do samba-enredo em homenagem a Maria Firmina dos Reis, patrona da Academia Ludovicense de Letras, pela Escola de Samba Turma da Mangueira. O enredo, apresentado no Carnaval de 2020, destacou a trajetória da escritora maranhense e rendeu à escola o terceiro lugar na disputa daquele ano.
Maria Firmina dos Reis (1822–1917) é considerada a primeira romancista negra do Brasil e uma das figuras mais importantes da história literária do Maranhão. Autora do romance Úrsula, publicado em 1859, ela também atuou como educadora, abolicionista e defensora da igualdade social, deixando um legado reconhecido nacionalmente.
Fundada no bairro do João Paulo, a Turma da Mangueira é a escola de samba mais antiga de São Luís, com 97 anos de história. A agremiação já havia homenageado Maria Firmina em 1977.
Ceres Costa Fernandes
Há os sonhos/desejos por etapa de vida. Os não materializados escondem-se em nossa mente; por vezes sonhamos com eles inda frescos como se, novamente, os desejássemos.
Na mais tenra infância, juntamente com o desejo de ser atriz, prontamente frustrado pela mãe no dizer que as atrizes passavam ferro quente no rosto para tirar rugas e depois prendiam a pele sobrante com alfinetes, havia o sonho de casar com o príncipe da Noruega, provocado pelo pai, Aonde essa menina vai parar crescendo assim, só casando-a com um norueguês. E, para ele, apenas um príncipe mereceria a sua filha, logo, o marido seria o príncipe da Noruega. Desencanto, não veio nenhum pedido da Casa Real Norueguesa. Já mais idosa, aos sete anos, sobreveio a paixão por uma pulseira de ouro com pedras coloridas, entrevista na vitrine de uma joalheria. Foi-lhe oferecida, mais tarde, como moeda de troca. Perdeu o timing, e foi-se o desejo. Desejos vão e vêm, o ano nascente pede reformular desejos, recuperar sonhos, promessas de novas ações. Entretanto, desejos escapam-nos e os perdemos; o que importa hoje não é o que importava ontem; coisas imprescindíveis? Rimos delas. Se amores, dizemos depois da paixão, como pude ...? Amores diluem-se no tempo, sonhos de ter e ser transmudam-se, perdem o valor qual papel-moeda amarelecido entre colchões. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, já dizia Camões. E ela desejou príncipes mais próximos, a Noruega é muito fria, desdenha a raposa, vale contar que encontrou uns príncipes, que se foram, coaxando, atédescobrirquea palavracerta era companheiro e nãoprincipe; desejou fortementeum automóvel azul-bebê, cor que, graças aos céus, saiu de moda quando pôde comprar um; desejou um catamarã, que se chamaria Brilha-nas-Ondas, qual o bumba-boi de São Bento lembrado pela mãe, “Chegou Brilha-nas-Onda fazendo a terra tremer”, e a mãe cantava, “Ê passarinho, quantas pena furta-cor, com teu biquinho encarnado e teus olhinho matadô.” Realizou o desejo através dos filhos e, hoje, teme por eles no mar.
Presa na torre de Rapunzel, tranças cortadas, sonhou voltar a estudar mais que tudo, pesadelos e pesadelos de estar na rua de uniforme e descalça; na sala de aula, sem livros e cadernos; expulsa por estar grávida; punida por freiras implacáveis; caindo em abismos. Esse desejo não se perdeu, foi perseguido, sem tréguas. Libertas Quae Sera Tamem.
Dos três desejos exigidos ao ser humano pensante, alcançou todos, plantou livros e bordou jornais, colheu filhos e netos à mancheia, escreveu as árvores que encontrou e persegue flores. Os demais deixam de merecer registro, vieram e foram sem deixar marcas. Às vezes, a cafona pulseirinha flutua em algum sonho, deve ser símbolo de algo que lhe escapa.
Em 2020, quais sonhos, desejos, resoluções retomaremos? Quanto a mim, além da Paz Universal, equilibrada na ponta das espadas de mandatários aloprados, ansiada por todos, serei modesta, contentar-me-ei com a volta de um tanto de saúde que vem nos escapando, a mim e ao meu companheiro, desde o ano velho e, se a tanto me permitirem o engenho e a arte, apreciarei o desencantar dos meus livros já escritos e não publicados, antes que saiam de uso e apreço os livros de papel
A GEOMETRIA DO AFETO
ROBERTO FRANKLIN
Se eu olhar para o menino que fui, não espere encontrar um aluno exemplar, também nunca repetir ano. Meu caderno nunca foi um espelho de ordem; minhas contas eram imprecisas e as datas históricas se perdiam no labirinto daminhadistração.Eueraum devotodointervalo. Minhamatéria favoritaerao risosolto,a conversa que se esticava na calçada e aquele tropeço do coração quando alguém especial cruzava o meu caminho, mudando o eixo do meu mundo sem sequer notar.
Fui o filho do meio esse "entre-lugar" na geografia da casa. Nem a trilha aberta pelo primogênito, nem o brilho travesso do caçula. Eu era a ponte, a travessia, tentando entender se eu era o centro ou apenas o cenário. No fundo, eu era uma mistura de pressa e sonho, alguém que já desconfiava que a vastidão do mundo jamais caberia na margem de um livro escolar.
O tempo, esse escultor silencioso, fez o seu trabalho. Trouxe rugas que são parágrafos de história e cicatrizes que carrego como condecorações. Hoje, aos 71 anos, percebo a grande ironia: a escola me deu o mapa, mas foi a vida que me deu o chão. A matemática me ensinou a somar, mas foi a perda que me ensinou o valor do que resta. A geografia nomeou os países, mas foram as paixões que me levaram a lugares que nenhum GPS alcança.
Minha verdadeira formação veio dos joelhos dobrados pelas quedas e dos encontros que me serviram de arrimo. Veio das decisões tomadas com o estômago frio e o coração quente. Hoje, olho no espelho e vejo um homem que não se define por diplomas, mas por ser amado, respeitado e, acima de tudo, inteiro.
Peço perdão à aritmética, mas meu celular hoje resolve os números. Já a vida... essa continua sendo uma conta de cabeça, feita sem calculadora, no improviso do afeto e na coragem de continuar somando dias à minha história. Sigo grato. Afinal, a lição mais valiosa não foi escrita com giz no quadro-negro, mas com o próprio tempo, na pele e na alma.
Na tarde do dia 08 de janeiro, na sede da AMCLAM, a Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares reuniu-se com os artistas Josias Sobrinho, Chiquinho França, Tutuca Viana e Rogerinho para iniciar as tratativas do projeto FELICAM – 1ª Feira de Livros das Academias de Letras do Maranhão.
A FELICAM será desenvolvido em 2026 e reunirá atividades literárias, artísticas e científicas, com palestras, rodas de conversa, contação de histórias, oficinas criativas para crianças, apresentações culturais, lançamentos e comercialização de livros.
A reunião foi conduzida pelo presidente Cel. Carlos Furtado e contou com a participação de acadêmicos da AMCLAM e do presidente da Academia Cururupuense de Letras, Paulo Avelar.
Um grande encontro da literatura, da música e da identidade cultural maranhense está nascendo!
JOSÉ PAULO DE CARVALHO ALVIM:
PATRONO DA CADEIRA Nº 3 – 135 ANOS DE NASCIMENTO
Fundador da Sociedade Mutuária Pinheirense, imortalizado na memória e gratidão dos pinheirenses. O estimado Zé Alvim nasceu em Codó, em 10 de janeiro de 1891, e faleceu em Pinheiro, em 9 de dezembro de 1952.
Farmacêutico pioneiro, fundou em 1911 a Farmácia da Paz, tornando-se referência na saúde da população pinheirense. Sua dedicação ultrapassou as fronteiras locais ao participar de expedições científicas lideradas por Carlos Chagas, adquirindo vasta experiência no estudo das doenças tropicais da Amazônia. De espírito comunitário e liderança ética, deixou como maior legado a Sociedade Mutuária Pinheirense (1937), instituição de ajuda mútua que oferecia apoio financeiro e material em doenças, emergências e funerais, criando uma rede de proteção social num tempo de escassez de políticas públicas.
Aocelebrar135 anos deseunascimento, a AcademiaPinheirense de Letras reverenciasuamemóriae reafirma o valor de sua obra, eternizada na história e na gratidão dos pinheirenses, hoje lembrada em uma das principais avenidas da cidade.
SANCHES, EDMILSON. QUINCAS VILANETO: POESIA E CAXIENSIDADE.
ESCRITOR LANÇA QUATRO LIVROS NESTA SEXTA-FEIRA, ÀS 19H, NO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE (UEMA – RUA RIO BRANCO, CAXIAS)
ILUSTRAÇÃO: CAPA DOS QUATRO LIVROS.
LANÇAMENTO DOS LIVROS DE QUINCAS VILANETO
Quando – 16 de janeiro de 2026 /// Hora: 19h /// Local: auditório do Centro de Ciências da Saúde (UEMA), pela entrada da Rua Rio Branco (“rua das óticas”) – Centro – Caxias – MA (a frente do Centro de Saúde fica na Travessa Quininha Píres, 105, Centro).
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Ano que vem, 2027, ele completará um século. Marcará setenta anos de vida e contará 30 anos de nascimento (ou estreia) como autor, autor publicado em livro, livro individual, seu, autoral. Portanto, somados, brindaremos a um homem centenário. Cem anos de vida natural mais a vida autoral.
Sua (nossa) cidade natal, Caxias, deve(ria) ter orgulho de um “coroa” desses, que chega à plena maturidade com a mesma jovem viva/cidade pois vive vívida e moçamente sua terra mátria, seu chão pátrio. Vive Caxias tanto em sua poesia quanto com os pés já que Joaquim-Neto-sempre-acompanhado-de-QuincasVilaneto não deixa de, a pé, percorrer os pertos e longes caxienses.
Joaquim écomoochamo,deJoaquimVilanovaAssunçãoNeto ouQuincasVilanetoestabeleceunatural e culturalmente esse compromisso com sua (nossa) terra, ela que tão intensa e desmesuradamente não deixamos de (en)cantar é “o incontido orgulho de ser caxiense”...
Desde sua obra inaugural, “Balaio de Ilusões”, que ressaltam esse liame vilanetiano com a terra onde se apartou do umbigo e onde jogou fora dentes infantes clamando “mourão, mourão, toma este dente doente e me dê um são”. Já na primeira orelha do livro de estreia se destaca que “seus poemas”, “seus “textos possuem vigor e beleza estética admiráveis, [...] impregnados de Caxias”.
Nas muitas conversas que (man)tivemos, em mensagens curtas comentando os poemas mais recentes que ele envia ou em textos alongados (geralmente prefácios, que ele ousa me convidar a cometê-los), não deixei arreparar e anotar esse sentimento de caxiensidade, ora nostálgico, ora crítico, ora essa...
Não direi muito dos quatro livros; ao menos, transcreverei abaixo só uns trechos do prefácio que fiz para dois deles.
Neste 16 de janeiro de 2026, o autor caxiense Quincas Vilaneto lança, de uma lapada só, quatro novos livros, escritos e impressos e deixados “na moita”, que nem bom vinho envelhecendo... Com perfume de letras, o autor envolve seus conterrâneos caxienses e o filho “devolve” parte de seus “feitos” para Caxias, sua “alma mater”, mãe nutridora terrena e espiritual.
Joaquim Vilanova Assunção Neto, o Quincas Vilaneto, volta a Caxias.
Pois bons filhos e bons autores à casa tornam... (EDMILSON SANCHES, caxiense)
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“POEMAS
PARA BOLINAR
A ALMA”, de Quincas Vilaneto
(trecho do prefácio de Edmilson Sanches)
Como humilde revisor e modesto editor desta mais recente obra vilanetiana, tive, ex officio, o privilégio de ler, reler e treler os originais dos Poemas para Bolinar a Alma.
Diversas leituras, diversas gratificações. Ganha-se ante a densidade poética de Quincas Vilaneto, o domínio do ofício de colocar transcendências em versos. Ganha-se com os surpreendimentos (surpresas com encantamentos) ante o renovar semântico de palavras e frases, de substância e sentido, de signo e significado. Mas, sobretudo, e para mim particularmente, ganha-se em “caxiensidade” (o amor ao chão natal, Caxias) e em revivências de cores, odores, primores e até amores da minoridade e sabores verbivocais, audíveis, sentíveis e sensíveis na memória da infância.
Sim, embora se coloquem à disposição para o desfrute estético do leitor poroso, os poemas trazem palavras e expressões e traduzem memórias e emoções próprias de quem criançou-se, meninou-se, rapazoteou-se no mesmo habitat espaço-temporal que Quincas Vilaneto habitou e vivenciou. São as palavras com cheiro de terra (a terra natal) e gosto de infância.
Foi assim que, recebendo um livro, ganhei de gode um portátil sistema de teletransporte, com certas palavras e expressões me levando para a mais distante das lonjuras, na mais rica das viagens: a viagem para dentro de si mesmo e a distância entre o agora e o passado para sempre, passado incapaz/impossível de ser outro tempo.
[...]
Tome, leitor, este livro e abra-o. Conceda ao Autor o benefício da leitura e da certeza pois, como está aqui, em um “Poema perdido”, “não se pode negar abrigo / a quem desafia as palavras”. (E. S.)
“VILA POESIA”, de Quincas Vilaneto (trecho do prefácio de Edmilson Sanches)
Vilaneto e eu escrevemos no O Pioneiro, o saudoso semanário da cidade, que não resistiu à morte de seu diretor, o igualmente saudoso Vítor Gonçalves Neto, meu amigo, nem aos esforços de um grupo de talentosos caxienses que, por um tempo, em tocante exemplo de união e ideal, deram alguma sobrevida àquele jornal, que ainda circulou por algumas edições mais.
[...]
Se Quincas Vilaneto antecipa que não é fácil escrever poesias, imagine só escrever metapoesia(s)... Mas Quincas escreve e ainda quero achar que ele, um afilhado das Musas, o faz sem dificuldade, sem desespero, sem noites ou manhãs ou tardes de pestana, insone...
Um dia, não me contendo com o (e)terno retorno aos termos, aos versos, aos poemas autorreferenciados, disse ao Quincas Vilaneto que os temas mais presentes em sua obra (Caxias e a metapoesia) deveriam merecer um livro... e o baita Poeta aderiu de modo positivo e operante. Disse sim e já foi fazendo mais poemas...
Para reconhecer a cidade natal ou a metalinguagem na obra vilanetiana não precisa que da primeira à última linha seus poemas se estejam impregnados ou emprenhados de construções metapoéticas ou de (ex)citações, odes e elegias acerca das características, das acontecências ou da toponímia caxienses. Quincas faz versos gráficos, não cartas geográficas. O Poeta sabe quando dar nomes e, muitas das vezes, por um pedaço da casca se pode saber de que árvore se trata... [...]
Duvidar da utilidade e, mais que isso, da necessidade da poesia é duvidar da humanidade seja o coletivo das pessoas, seja o conjunto dos sentimentos humanos. Quincas Vilaneto soma sua voz e resposta a esse “nonsense” pragmatista. Relembre-se a estúpida pergunta de um juiz de Leningrado (hoje São Petersburgo, Rússia), em fevereiro de 1964, em processo contra o poeta Josef (ou Iossif) Brodski: “Qual é a utilidade de seus ‘assim chamados’ versos?”
[...]
Vila Poesia torna-se agora referência para os que quiserem andar pela Princesa do Sertão com sentimentos, da infância à maturidade. Bem-vindos à Praça Gonçalves Dias, ao rio Itapecuru, ao Alto dos Negros, ao pirão de parida e ao moque da Dica, ao Riacho do Ouro e à lama (medicinal) de Veneza, ao Morro do Alecrim e seu Mirante da Balaiada, às igrejas Catedral (Nossa Senhora dos Remédios) e São Benedito, à loja Matoense e ao bar do Cantarele, ao colégio Silvandira Guimarães, às ruas Aarão Reis e do Cisco, às almas poéticas de Déo Silva e Cid Teixeira de Abreu...
E se Vila Poesia não é “et pour cause...” – um “guia” completo da cidade, seu Autor o é. Chame pra conversa o Quincas Vilaneto e ele se derramará todo e lhe mostrará o “caminho do rio”, onde “o sol passeia / com os que têm sede” (“Com o tempo”). O roteiro será longo e agradável, pois, para o Autor, Caxias é “Mãe querida”, e “[...] não há em ti / nada que eu não reconheça / e tudo o que sou e tenho / vivemos juntos para sempre” (“Ser caxiense”). Com elevada caxiensidade, o Poeta proclama, como canino citadino que mija em postes para demarcar território: “Foi aqui que nasci / herdeiro dos teus becos / [...]” (“Herança”).
Entre as inumeráveis utilidades da poesia, este livro revela uma: dar vida.
[...]
Guia local, repertório sentimental, poesia literal e literariamente poética, este livro reitera, amplia e eleva o lugar de Quincas Vilaneto na poesia caxiense e maranhense. O Autor não liga pra isso. O que lhe interessa é cantar sua cidade e encantar(-se) com a poesia.
Porque neste livro, a partir do título, “Vila” é a cidade-inspiração, e “Poesia” é a do filho inspirado Quincas Vilaneto.
SOCIEDADE DOS POETAS ESQUECIDOS:
LUCANO DOS REIS
Por LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ ALL / IHGM / APB / CEV
Estavaprocurando dados sobreLAURAROSADOS REIS,bibliotecária daSeCult aotempodo JomarMoraes, para colaborar na reconstituição da biblioteca do IHGM, demonstrando empenho e conhecimento técnico ao organizar livros e documentos históricos. Posteriormente, foi eleita sócia do IHGM, ocupando a cadeira nº 1, patrocinada por Claude D’Abeville. Essa cadeira já havia sido ocupada por figuras ilustres como Pe. José Maria Lemercier, Jerônimo José de Vibeiros e Monsenhor Ladislau Papp.
LUCANODOSREIS- (frequentementegrafadoLucanodosReisouLucanoReis)foiumpoetamaranhense, associado à tradição lírica e trovadoresca do estado, sendo reconhecido por sua poesia mística e religiosa. Aqui está um resumo da biografia e obra de Lucano dos Reis:
Nascimento e Morte: Nasceu em São Luís do Maranhão no dia 10 de dezembro de 1903 e faleceu em 5 de janeiro de 1931.
Perfil Literário: Era um poeta de estilo místico e religioso. Ficou notabilizado no cenário literário maranhense por sua produção poética, destacando-se o seu famoso soneto "Farol de Alcântara".
Obra Póstuma: Sua obra foi reunida no livro Escombros, publicado em 1931.
Estilo: Sua poesia é descrita como terna e lapidada, muitas vezes comparada a diamantes por sua delicadeza. Ele também é referenciado por "Trova do Tempo", que reflete sobre a vida, o amor e o ódio.
Ele é considerado um dos autores integrantes da "Poesia dos Brasis" focada no Maranhão.
Nasceu em São Luis do Maranhão as 10-12-1903, onde faleceu em 5-1-1931. Escombros, 1931, obra póstuma. Celebrou-se, tal como Felix d´Anvers, com um único soneto “Farol de Alcântara”.
RAMOS, Clovis. Minha terra tem palmeiras... (Trovadores maranhenses) Estudo e antologia Rio de Janeiro: Editora Pongetti, 1970. 71 p. Ex. bibl. Antonio Miranda
Com letras de ouro, escrito Tenho no peito o teu nome,
Um tormento que me aprazo, Um prazer que me consome!
Duas estrelas teus olhos Que se exilaram dos céus Para livrar-me da vida De escolhos e de escarcéus!
São teus olhos duas almas, Mas duas almas de luz, Que evangelizam bondades, Como dois novos Jesus!
São dois belos diamantes Os formosos olhos teus, Diamantes lapidados
CERTA FEITA - ISSO FOI UM POUCO ANTES DE CONHECER O POETA E JORNALISTA SALGADO MARANHÃO - LI NUM JORNAL IMPRESSO, NA SEÇÃO DE LITERATURA, O PONTO DE VISTA DE UM CRÍTICO LITERÁRIO ACERCA DA TRÍADE SUCESSÓRIA DE GERAÇÕES QUE FIGURAM COMO OS MELHORES POETAS DO BRASIL, E ELE EXPLICAVA O PORQUÊ. EIS A SEQUÊNCIA CITADA PELO CRÍTICO: CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (MINEIRO), FERREIRA GULLAR (MARANHENSE) E SALGADO MARANHÃO (MARANHENSE).
ABERTURADOANOACADÊMICO2026
PRIMEIRAASSEMBLEIAGERAL
30DEJANEIRO
NO AICLA INDICA DESTE FINAL DE SEMANA, QUEM ASSINA AS DICAS É O NOSSO IMORTAL NICO BEZERRA, COM SUGESTÕES QUE ATRAVESSAM O CINEMA, A LITERATURA E A MÚSICA BRASILEIRA.
CINEMA: “BYE BYE BRASIL”, DE CACÁ DIEGUES. UM CLÁSSICO QUE PERCORRE O PAÍS E REVELA O BRASIL PROFUNDO, MÚLTIPLO E EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO.
LITERATURA: “OS TAMBORES DE SÃO LUÍS”, DE JOSÉ MONTELLO. UMA OBRA-PRIMA DA LITERATURA NACIONAL, POTENTE, HISTÓRICA E NECESSÁRIA.
MÚSICA: A BANDA LOGOS, COM LETRAS REFLEXIVAS E UMA SONORIDADE QUE
MARCOU ÉPOCA.
HISTÓRIA(S)DO MARANHÃO
VIRIATO CORRÊA, batizado Viriato Correa Baima do Lago Filho, (Pirapemas, Maranhão, 23 de janeiro de 1884 Rio de Janeiro, 10 de abril de 1967) foi jornalista, escritor, dramaturgo, teatrólogo e político, tendo exercido um mandato como deputado à Assembleia Legislativa do Maranhão e dois mandados como deputado federal no fim da Primeira República. É gigantesca sua produção escrita, especialmente contos infanto-juvenis.
Notoriamente um homem mestiço, passou por um processo público de "branqueamento" na década de 1930, auge do racialismo científico, como pode ser visto no registro tomado no dia de sua recepção na Academia Brasileira de Letras, em outubro de 1938.
A fotografia mais antiga, da década de 1910, com dedicatória do escritor, pertece ao "Álbum de Fran Paxeco". Apesar das idiossincrasias da IA, a colorização releva aspectos interessantes de sua fisionomia.
Acervo de Diogo Guagliardo Neves.
COMEMORAÇÕES
MARANHÃO
Jornal a Pacotilha, de 16 de dezembro de 1918, trouxe as celebrações do armistício:
Ocorreu em 15 de dezembro de 1918, um imponente desfile de pessoas e automóveis, partindo da Praça Deodoro em São Luís, até a Praça João Lisboa, se fundo narrou minuciosamente o Jornal A Pacotilha, em sua edição de número 295, publicada em 16 de dezembro de 1918.
Em dois parágrafos destacou o prestigiado veículo de informação a participação dos Saulnier de Pierrelevée na efeméride, senão vejamos:
A festa da vitória
No primeiro deles discorreu o jornal: "[...] dentro do carro iam mlles, Eugênia Saulnier de Pierrelevée, Maria de Nazaré, e Carmem Salgadilha, representando a República Franceza, a Lorena e Alsácia, à frente o Dr. Ed. Saulnier de Pierrelevée; [...]".
Já no segundo parágrafo destacado mencionou o jornal: "[...] No automóvel do cônsul francês, a senhorita Eugênia S. de Pierrelevée trajava de República Francêza, segundo o modelo oficial,- túnica branca, mangas largas, gregas doiradas, diadema prateado, com o dístico - Honneur et Patrie, empunhando uma riquíssima bandeira, bordada. [...]
CONVENTO DAS MERCÊS, RUA DA PALMA, CENTRO, DÉCADA DE 1950
Mais uma fotografia feita de um bloco de Carnaval posando defronte ao Convento das Mercês, antigo Quartel da PM, na Rua da Palma, no Centro, na área do Desterro. Acreditamos que essa fotografia seja dos anos 1950, mais ou menos, mas não temos tanta certeza. Na imagem, podemos ver os brincantes bem padronizados com suas fantasias e o símbolo do bloco estampado no peito. Não temos certeza de que bloco seria, mas perguntando para os antigos brincantes e personagens do nosso velho Carnaval, temos uma resposta. De acordo com o pesquisador Luiz Carlos Martins, conhecido como Lulu do bloco Os Versáteis, ele nos fala que essa imagem é bem provável é o bloco Ases do Ritmo. Nome que nos era estranho, mas decidimos consultar o oráculo da Hemeroteca Digital.
Pesquisando nos jornais maranhenses do acervodaHemerotecaDigital da BibliotecaNacional sobreahistória do bloco Ases do Ritmo, podemos informar que foi um bloco fundado em 1946, com a direção de um cidadão chamado Raimundo Fidelis, tendo como padrinho o folião Lauro Serra. Ases do Ritmo com certeza saíam pelas ruas da cidade, tocavam em bailes e participavam de concursos carnavalescos que aconteciam todo ano no período momesco. Infelizmente, não sabemos quanto tempo esse bloco durou.
Olhar uma imagem dessa, tentar escrever algo sobre, requer uma coragem e saber que um dia vai errar feio, mas vale tentar responder. Como dito em outras postagens, fazer uma arqueologia imagética do Carnaval de São Luís das antigas, principalmente em épocas anteriores à década de 1970, é mais difícil do que fazer de outras manifestações culturais, mas vamos tentar fazer esse tipo de resgate, mesmo que as nossas informações e leituras sejam insuficientes com várias lacunas, mas é o que conseguimos pelo menos tentar responder para não deixar a imagem sem nenhuma leitura prévia. Publicar essa imagem esperando sempre uma contribuição e também uma correção, porque também podemos nos equivocar mesmo com boas intenções.
: Acervo de Luiz Carlos Martins, conhecido como Lulu do Bloco Os Versáteis
Texto e Pesquisa: São Luís Memória(@slzmemoria)
Informa o historiador Gustavo Barroso, que no ano de 1842 “morava em Viçosa o maranhense Inácio João de Magalhães [neto do francês Jean Fontenele], que, com sua mulher, dona Mariana, viera, escorraçado pelos Balaios, do Brejo dos Anapurús, onde residia, trazendo bens e escravos”, entre os quais, Luiz e Antônio. Certo dia, “a boca da noite, o amo perguntou a dona Mariana, conforme costumava: - O Luiz já foi por capim para o meu cavalo? Era um animal de muita estimação, cardão-rodado, marchador, de rego aberto, que o negro tratava com todo desvelo. Dona Mariana respondeu: - Não Inácio, o Luiz foi se deitar com muita dor dum lado. Está bem [disse Inácio], então eu mesmo vou levar o capim. Foi.
Mal o maranhense se aproximou da manjedoura, carregando o feixe de capim, estrondou um bacamarte bocade-sino do lado das pedras. Largou das mãos o que levava, bambaleou como um ébrio e procurou alcançar a porta da sala de jantar, onde tombou morto”. Inácio foi morto “em virtude dum plano que haviam assentado para se livrarem do senhor e ficarem na dependência de dona Mariana”. Francisco Lopes, amigo da vítima, “comunicou a Inácio João de Barcellos e Rosa Maria Fontenele [filha de Jean Fontenele], o assassinato do filho. Quem seria o criminoso? Esta era a pergunta que todos se faziam e ninguém atinava em responder. A polícia andava tonta. A viúva desinteressava-se do assunto. Somente o amigo fiel, Francisco Lopes, queria firmemente achar o assassino. Examinando as horrendas feridas produzidas pela carga brutal do boca-de-sino, despejada quase à queima-roupa, encontrou vestígios da bucha com que a arma fora socada: raspa de taboca. Chamou a atenção para o fato e logo apareceu um menino que lhe veio dizer: - Ainda ontem de tarde eu vi o negro Luiz mais o negro Antônio conversando na beira da lagoa e raspando uma taboca (...). Interrogados separadamente (...) ambos confessaram o crime com todos os pormenores (...). O Júri de Viçosa condenou ambos os pretos à morte [ambos foram enforcados]”.
Fonte: Trecho do livro “O Livro dos Enforcados” de Gustavo Barroso. Imagem de ilustração colhida na Internet.
Por João Bosco Gaspar, pós-graduado em História, Cultura e Patrimônio, Tianguá Ceará
ANO DE 1654.
Após a capitulação holandesa de 1654, o Estado do Maranhão foi reorganizado sob o governo de André Vidal de Negreiros, agora com o nome de “Estado do Maranhão e Grão-Pará”. Naquela ocasião, André Vidal recebeu do rei de Portugal um Regimento com 58 artigos para melhor gerir o novo governo do Maranhão. O Estado do Maranhão era constituído pelas capitanias do Ceará, Maranhão, Pará, Cumá, Caeté, Ilha Grande de Joanes (Marajó) eCabodoNorte(Amapá). Osdois primeirosartigos doRegimento tratavam, exclusivamente, da capitania real do Ceará. Vejamos:
1º - Procurais certificar-vos do estado em que se acha a Capitania do Ceará, para sua defesa, e como se hão os portugueses com os gentios naturais, aos que fareis confiar, e conservar a amizade, e boa correspondência como dantes, e também vos informareis do estado em que está a mina de prata que se diz que os holandeses fabricaram, e se é de algum rendimento, e se está longe do porto do mar (...). 2º - Fareis tomar por lista todas as pessoas que na Capitania do Ceará me estão servindo, e em que postos, para serem matriculadas no livro de matricula desse dito Estado, e de lá lhe mandareis fazer seu pagamento, na conformidade das pessoas que nele servem, e era uso e costume antes que os holandeses ocupassem aquela praça (...)”.
Fonte: Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal - AHU_ACL_CU_009, Cx. 3\Doc. 363 (1)
Por João Bosco Gaspar – Pós-graduado em História, Cultura e Patrimônio, Tianguá – Ceará
A ILHA DE UPAON-AÇU (TAMBÉM CONHECIDA COMO ILHA DE SÃO LUÍS), COM O NOME DE ORIGEM TUPI-GUARANI, 'YPA'ŨGÛASU" SIGNIFICA "ILHA GRANDE".
Teve origem como uma pequena aldeia indígena, antes de virar uma cidade e ser fundada em 8 de setembro de 1612 pelos franceses Daniel de La Touche e François de Rasilly, que estabeleceram a colônia da França Equinocial, nomeando a cidade em homenagem ao Rei Luís XIII da França; embora fundada pelos Franceses, ela foi depois conquistada pelos portugueses em 1615, tornando-se um importante polo colonial português. A invasão Holandesa em São Luís do Maranhão, ocorreu no ano de 1641, quando uma esquadra holandesa aportou na ilha, iniciando um período de ocupação que durou até a expulsão definitiva dos invasores em 1644, consolidada após vitórias luso-brasileiras.
Como em qualquerparte domundo (atéos diasdehoje)povos deorigem nativasãoexpulsos eoucolonizados, porém a narrativa de uma história baseada em fatos não sobrepõe uma pseudo realidade fictícia criada através de emoções unitárias.
"Vão - se os dedos, ficam - se os anéis!"
A 12 DE JANEIRO DE 1759 - PROCESSO DOS
TÁVORA: É PROFERIDA A SENTENÇA
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Os Távora são considerados culpados e condenados, Dom Francisco de Távora e seus dois filhos, José Maria e Luís Bernardo, foram condenados à morte com suplicio por espancamento e depois queimados. Brás Romeiro, grande amigo de Luís Bernardo, também teve o mesmo fim. D. Leonor Távora foi decapitada. O nome da família Távora foi proibido. O palácio do duque de Aveiro foi destruído e o seu chão salgado para impedir que alguma coisa ai nascesse. O Padre jesuíta Gabriel Malagrida, também acusado no processo dos Távoras foi condenado à morte na fogueira. O resto da família Távora, Aveiro, Alorna e Atouguia, entre eles o bispo de Coimbra D. Miguel da Anunciação, foram presos sendo mais tarde mandados libertar por D. Maria I, que sempre acreditou na inocência dos Távora e que todo o processo foi uma “construção” Sebastião José de Carvalho e Melo, Secretário de Estado do rei D. José I.
Fonte: História de Portugal – Dir José Matoso – Círculo de Leitores
A Serra da Capivara, no Piauí, acaba de se tornar o centro de um debate científico global que está utilizando tecnologia de ponta para desafiar teorias estabelecidas há décadas. Novas escavações e a aplicação de métodos de datação por luminescência opticamente estimulada (OSL) e espectrometria de massa com aceleradores indicam que a presença humana no Brasil pode ser milhares de anos anterior ao que a teoria "Clovis First" sugere. Estamos falando de um "erro de sistema" nas cronologias oficiais que coloca o Brasil no centro da evolução tecnológica primitiva.
O que realmente impressiona a comunidade do Tecnolupa é o uso de inteligência artificial para analisar os padrões das pinturas rupestres e dos artefatos de pedra lascada. Algoritmos de reconhecimento de imagem estão comparando os traços da Serra da Capivara com outros sítios ao redor do mundo, encontrando correlações de técnicas de ferramentas que sugerem uma migração muito mais complexa e tecnológica do que imaginávamos. A arqueologia digital em 2026 transformou o solo do Piauí em um banco de dados gigante que está sendo processado por supercomputadores para simular as rotas desses primeiros brasileiros.
Agrandepolêmicaresidenavalidaçãodessesartefatos.Enquantoalguns cientistastradicionaisainda resistem, a precisão da tecnologia de datação atual não deixa margem para muitas dúvidas: as fogueiras e ferramentas encontradas têm idades que ultrapassam os 50 mil anos. Isso significa que precisamos de um novo "software" para entender a migração humana. Se os humanos chegaram aqui tanto tempo antes, como eles cruzaram os oceanos ou continentes? A tecnologia de análise de DNA antigo em sedimentos (eDNA) está sendo a chave para tentar identificar esses pioneiros sem a necessidade de encontrar esqueletos completos.
Além da ciência de campo, a Serra da Capivara está recebendo investimentos massivos em museologia digital. Tours em realidade aumentada permitem que visitantes vejam como os antigos habitantes produziam suas ferramentas e como era o ecossistema da época, com megafauna caminhando pelo sertão. É a tecnologia servindo de ponte entre o passado mais remoto e o futuro digital, preservando um código cultural que ficou enterrado por milênios e que agora, graças à tecnologia brasileira e internacional, finalmente pode ser lido.
A importância desses achados para a tecnologia de construção e materiais também é relevante. Estudar como as tintas minerais das pinturas rupestres resistiram por dezenas de milhares de anos sob o sol do Piauí inspira novas pesquisas em nanotecnologia e pigmentos duráveis. A Serra da Capivara é, literalmente, um arquivo de soluções tecnológicas ancestrais que sobreviveram ao tempo. O Brasil não é apenas o país do futuro; as descobertas de 2026 provam que somos o país de um passado tecnológico e resiliente que o mundo ainda está tentando compreender.
Estamos diante de uma mudança de paradigma. A ciência não é estática, e a tecnologia é a ferramenta que nos permitequestionaro óbvio. ASerradaCapivaraprovaqueosolo brasileiroguardasegredos quepodem mudar a nossa posição no mapa da inteligência humana global. O Piauí é o nosso laboratório mais antigo, e o que ele está revelando agora é apenas o começo de uma nova história.
Você acredita que a ciência deve abandonar teorias antigas imediatamente quando a tecnologia de datação apresenta números que chocam o sistema tradicional?
Fontes: Nature Archaeology, Revista FAPESP, National Geographic, Instituto National de Arqueologia (Piauí 2026).
MISSA EM AÇÃO
GRAÇAS MARCA OS 64 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE SUCUPIRA DO NORTE
Na noite deste domingo, 11 de janeiro, a Igreja Matriz de Santa Teresinha foi palco de um momento especial de fé e celebração: a Missa em Ação de Graças pelos 64 anos de Emancipação Política de Sucupira do Norte. A celebração foi presidida pelo pároco do município, Padre Raimundo.
O momento reuniu autoridades locais, entre elas o prefeito Marcony Santos, o vice-prefeito Professor Neto, vereadores e secretários municipais, além de fiéis e moradores da cidade.
Durante a celebração, foi relembrada a trajetória histórica de Sucupira do Norte, emancipada em 13 de janeiro de 1962. Em sua mensagem, Padre Raimundo destacou a importância da democracia e reforçou a responsabilidade compartilhada entre gestores públicos e a população no cuidado e desenvolvimento do município.
A missa também contou com a presença da ex-prefeita Marize Milhomem, primeira mulher a governar Sucupira do Norte, filha do ex-prefeito Raimundo Barros Milhomem (in memoriam), que esteve à frente da gestão municipal por três mandatos.
Lideranças políticas, como Leilton Sá, e demais convidados participaram da celebração, que foi encerrada com um momento de confraternização, onde um lanche foi servido a todos os presentes.
Um encontro marcado pela fé, pela história e pelo orgulho de ser sucupirense.
Existe no Arquivo do Conselho Ultramarino, uma ordem do rei de Portugal enviada ao governador Pedro de Mello, esclarecendo que à Capitania do Ceará era parte integrante do Estado-Colônia do Maranhão, porém, naquela ocasião, estava sendo socorrida e provida pela Capitania Pernambuco.
“Dom Pedro de Mello, havendo visto o que me escrevestes em razão de não obedecer as vossas ordens o capitão da Capitania do Ceará (...), é que também avisou André Vidal de Negreiros, acerca de o não poder socorrer enquanto governador do Maranhão, me pareceu dizer-vos que ainda a dita capitania vos é subordinada, e o virá a ser em tudo, quando do Maranhão poder ser socorrida e provida, por de presente o ser somente de Pernambuco, por ordem minha, contudo convém a meu serviço que por hora não inoveis neste particular coisa alguma, enquanto eu não mandar ordenar outra coisa, do que quis avisar para o ser entendido. Em Lisboa, a 28 de julho de 1659”.
Em 1663 o governador Rui Vaz de Siqueira, em petição enviada ao Conselho Ultramarino, ratificou o pedido de Pedro de Mello, na tentativa de recuperar a Capitania do Ceará.
“Representei a Vossa Majestade antes de vir tomar posse deste governo [do Maranhão], as conveniências que seriam do serviço de Vossa Majestade, era se restituir a ele [governo do Maranhão] a Capitania do Ceará que é de sua Repartição e de presente se socorre de Pernambuco; e Vossa Majestade houve por seu serviço, nas dúvidas que o governador [de Pernambuco] Francisco de Brito [Freire] teve com o Capitão do Ceará, resolveu que a dita Capitania não estava subordinada ao seu governo, e que o governador do Brazil [Francisco Barreto de Meneses] tomasse conhecimento deste negócio, havendo de distância da praça do Ceará a da Bahia 500 léguas, e a esta de São Luís do Maranhão menos de 140, e sendo a sobredita praça de sua Repartição [do Maranhão] como se me respondeu no Conselho de Vossa Majestade.
Fonte: Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal – AHU-Maranhão, Cx. 04, Doc. 470.
Por: João Bosco Gaspar – Pós-graduado em História, Cultura e Patrimônio, Tianguá – Ceará.
19 DE JANEIRO DE 1604 - MEL REDONDO E O FRANCÊS ADOLF DE MOMBILLE LUTAM CONTRA PERO COELHO DE SOUSA E MARTIM SOARES MORENO, NAS QUEBRADAS DA IBIAPABA.
A aldeia de Mel Redondo (Viçosa do Ceará), foi a primeira das 70 tabas da Ibiapaba, conquistada pela Bandeira de Pero Coelho de Sousa e Martim Soares Moreno no ano de 1604. Pero Coelho de Sousa recebeu a incumbência do governador Geral do Brasil, Diogo Botelho, para "conhecer e conquistar as Províncias de Jaguaribe, Siará e Mel Redondo (Ibiapaba)".
Por João Bosco Gaspar, pós-graduado em História, Cultura e Patrimônio, Tianguá Ceará
O CASTELO DE GARCIA D'ÁVILA
O Castelo de Garcia d'Ávila, em Praia do Forte, litoral norte da Bahia, foi iniciado em 1551 e concluído em 1624. Suas ruínas estãoentreas mais antigas do Brasil.Foi amaioredificaçãoportuguesaconstruídano Brasil, até a época. Garcia d'Ávila (c.1528 - 1609) era um agricultor na Comenda de Rates, em Portugal, e amigo (provavelmente parente, talvez filho bastardo) de Thomé de Sousa, o comendador. Chegou na Bahia em 29 de março de 1549, junto com Thomé de Sousa. Em 1º de junho do mesmo ano foi nomeado feitor e almoxarife da Cidade do Salvador e da Alfândega. Posteriormente recebeu sesmarias em Itapagipe, Itapuã e Tatuapara, onde começou a construir uma torre, em 1551. Esse foi o maior feudo do Brasil. Seguiu-se a construção de um solar com a Capela de Nossa Senhora da Torre.
Garcia d'Ávila não teve filhos com sua esposa Mécia Rodrigues, mas sim com uma índia tupinambá, batizada de Francisca Rodrigues. Isabel d'Ávila, filha desse casal, teve núpcias com o fidalgo genovês Gil Vicente de Vasconcelos. Falecido o marido, Isabel casou-se com o fidalgo da casa real Diogo Dias, neto do português Diogo Álvares Caramuru e a Índia Dona Catarina Paraguaçu, o primeiro casal cristão do Brasil. O herdeiro do grande latifúndio de Garcia d'Avila foi Francisco Dias d’Ávila Caramuru, filho de Isabel d’Ávila
Dessas uniões descenderam muitos nobres baianos, inclusive os barões de Pirajá e de Jaguaripe.
A Torre de Garcia d'Ávila, construída em estilo medieval, era um posto de observação estratégico e recebeu o nome de Torre Singela de São Pedro de Rates. No século XIX, durante a Guerra da independência do Brasil (1822-1823), serviu de base ao Exército Libertador de Cachoeira (1823), fornecendo destacamentos de cariris armados com flechas e bordunas. Com os seus recursos exauridos após a Guerra e a extinção dos morgadios no Brasil a partir de 1835, a Casa da Torre foi progressivamente abandonada, transformando-se em ruínas. Apenas a Antiga Capela dos Castelo foi Restaurada
Em13dedezembrode1838,explodiunoMaranhãoaBalaiada,umdosepisódiosmaiscomplexoseprofundos da História brasileira. Diferente de outras revoltas do período regencial, que muitas vezes eram lideradas por elites locais, a Balaiada destacou-se por envolver uma massa heterogênea de segmentos sociais marginalizados, como vaqueiros, artesãos, caboclos e escravizados fugidos. A revolta foi alimentada por uma profunda crise econômica na produção de algodão e pela opressão das oligarquias locais.
A população pobre livre sofria com os preços abusivos dos alimentos e a falta de perspectivas, mas o estopim foi o ódio ao "Pega". Este era o recrutamento militar forçado imposto pelo governo provincial, que arrancava homens de seus lares para servir ao exército. Para essas famílias, cada filho recrutado representava um braço a menos no sustento diário, empurrando muitos caboclos a viverem como fugitivos nas matas para escapar das tropas oficiais. O movimento ganhou contornos épicos com figuras como Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o "Balaio", e o líder quilombola Cosme Bento das Chagas.
Parasufocaro movimento,o Império agiu com uma"mãodeferro" implacável, enviandoocoronel Luís Alves de Lima e Silva para assumir o comando das forças militares e o governo da província. A estratégia imperial não se limitou ao campo de batalha; foi uma campanha de pacificação violenta e sistemática. Lima e Silva reorganizou as tropas, isolou os focos de resistência e utilizou uma rede de espionagem para desarticular os rebeldes.Osrevoltososcapturados eram frequentementeexecutadosousubmetidosacastigos exemplarespara servir de alerta a outros possíveis insurgentes.
A repressão foi tão eficaz e brutal que rendeu a Lima e Silva o título de Barão de Caxias, marcando o fim do conflito em 1841. O saldo foi de aproximadamente 12 mil mortos, a maioria camponeses e escravizados. Ao esmagar a Balaiada, o Império reafirmou sua autoridade centralizadora, deixando claro que não toleraria ameaças à unidade nacional ou à ordem social vigente.
Lançada originalmente em 1998, a obra “O Negócio do Brasil” de Evaldo Cabral de Mello é um legítimo manual de “realpolitik” que ressoa na instabilidade geopolítica atual. Analisando a disputa pelo Nordeste no século XVII, percebe-se que a multipolaridade e a competição entre grandes potências já ditavam o destino das nações. O declínio espanhol e a ascensão das Províncias Unidas criaram um vácuo de poder similar à atual transição sistêmica global entre os blocos de poder.
O "negócio" citado pelo autor revela a essência da guerra econômica. O açúcar era a commodity estratégica, equivalente ao petróleo. A soberania sobre o território não foi reconquistada apenas pelo heroísmo militar, mas sim comprada nas instâncias de Haia. O pagamento de 63 toneladas de ouro e cessão de entrepostos no oriente mostram que o destino das periferias é moldado pelo capital de metrópoles, numa dinâmica onde o lucro precede qualquer noção de soberania nacional.
A instabilidade atual, marcada por conflitos por procuração, encontra paralelo na Guerra dos Trinta Anos, que transformou o Atlântico em tabuleiro de um embate europeu. Portugal, potência média sob cerco, exerceu uma diplomacia de sobrevivência, equilibrando-se entre exigências britânicas e a hostilidade holandesa. Hoje os Estados enfrentam dilemas similares: como garantir a integridade territorial em um mundo onde o direito internacional é subjugado pela força bruta do poder geoeconômico dominante.
Evaldo nos ensina que a geopolítica é uma constante de interesses. O Brasil holandês foi o laboratório de uma ordemondeocomércio éacontinuaçãodaguerraporoutrosmeios.Adiplomaciadeoutrorarefleteaspressões de hoje: o controle de recursos é o motor histórico.
Fonte: MELLO, Evaldo Cabral de. O negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste (1641-1669). 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Imagem: atores relevantes nas negociações do Brasil holandês: Johan de Witt (Países Baixos), D. João IV (Portugal), Felipe IV (Espanha), Luís XIV (França) e Carlos II (Inglaterra).
ITAREMA, SITUADOS NO SIARA (CEARÁ) AOS 28 DE ABRIL DE 1649". Mapa de autoria de Mathias Beck. Arquivo Nacional dos Países Baixos.
No ano 1637, o território do Ceará, (atual Cidade de Fortaleza) foi tomado por uma força de 126 homens sob o comando de George Gartsman. Isso foi o resultado de um trabalho conjunto dos Holandeses com os índios nativos.
O forte de São Sebastião, ocupado por apenas 33 soldados sob as ordens de Bartolomeu Brito, logo caiu, ante a força do ataque dos holandeses.
A ocupação do Ceará pelos batavos visava igualmente ao estabelecimento de um posto de apoio logístico para conquista do Maranhão, bem como a manutenção da capitania de Pernambuco, à medida que se afastavam cada vez mais os portugueses dos centros produtores de açúcar. Havia, ainda, interesses na extração de produtos minerais, principalmente sais, âmbar e especialmente prata, que supunham, fosse abundante no Ceará.
No forte conquistado, ficaram 45 homens liderados por Hendrick Van Ham, enquanto Gartsman conduzia os portugueses prisioneiros para o Rio Grande do Norte. Posteriormente, em 1640, o comando do forte passou para Gedeon Morris de Jorge, um dos grandes estrategistas da ocupação holandesa no Ceará.
Em 1644, quando Gedeon Morris e sua tropa retornava das batalhas no Maranhão, foram mortos numa emboscada organizada por índios Potiguares que se rebelaram contra os Holandeses. Com a emboscada desse ano, o Fortim de São Sebastião também foi destruído.
Segundo relato de Adriaen van der Dussen:
"Depois da expedição do Chile, soube Nassau que estalara no Ceará nova revolta. Bandos de brasileiros, chamados à guerra, tinham tomado ardilosamente o forte ocupado pelos holandeses e o arrasaram, trucidando o governador [do Ceará] Gedeon Morris, todos os soldados da guarnição e até os trabalhadores estabelecidos não longe dele, nas salinas de Upanema"
Cinco anos depois os holandeses retornaram ao Ceará, agora sob o comando de Matias Beck que buscou uma reconciliação com os indígenas. Mandou erguer na Colina Marajaitiba, às margens do Riacho Pajeú o Forte de Shoonenborch, cujo nome era uma homenagem ao governador do Brasil-Holandês. Os holandeses passaram os cinco anos seguintes procurando minérios em terras cearenses – em Itarema, na Ibiapaba e em Maranguape, mas não obtiveram sucesso com essa empreitada.
Elemento de sua equipe a merecer destaque especial é o ministro Kempins, oficiante protestante e hábil conhecedor do idioma indígena, que logo se introduz entre os índios, batizando-os, casando-os e "imprimindo entre álea boa ordem e disciplina christã". Na história do Ceará holandês é ele o único missionário conhecido, sendo assinalados os serviços que prestou a Beck.
Com a seca de 1651-54 e, principalmente, com a rendição holandesa em Pernambuco, o Forte Shoonenborch ficou quase esquecido. Os índios locais, incitados por nativos fugidos de Pernambuco, passaram a se indispor com os holandeses.
Por esse motivo, chegaram a matar alguns soldados e a sitiar o Forte Schoonenborch. Finalmente, conforme o acordo de rendição entre flamengos e lusitanos, em 1° de junho de 1654, Matias Beck e seus soldados deixaram pacificamente o Ceará.
Holandeses se casaram com mulheres indígenas no Ceará desconhecendo-se dados exatos sobre suas descendências. Câmara Cascudo julga que a familia Gracismã é descendência desses holandeses. "Creio que a família Gracismã no agreste do Rio Grande do Norte é originária de Garstman, o comandante do Castelo de Xauim, antigo forte dos Rei Magos. É uma suposição que a própria família aceita como verdadeira . No Ceará
dos fins do século XVII e princípios do século XVIII, encontramos também elementos portadores do nome Gracisman (ou Grasisman), os quais aqui estiveram ou aqui possuíram terra.
O povoamento do vale do Jaguaribe, como bem lembra o Barão de Studart, está intimamente ligado ao nome de Theodosio de Gracisman. A 28 de maio de 1707 o capitão-mor Gabriel da Silva do Lago concede uma légua de terra na ribeira do Jaguaribe a Maria Siqueira, ao comissário de cavalaria Theodosio de Grasisman, ao capitão Gregorio de Grasis-man e a Florencia Dornellas.
Foi dramático o epílogo do domínio holandês nas terras do Ceará. O homem e a natureza davam-se aqui as mãos na tarefa comum de hostilizar o estrangeiro, agindo em relação ao nórdico como o fizeram para com o luso. Tal como o desditoso Pero Coelho que, arrostando uma luta incessante contra os elementos, tudo perdeu no vão intento de domar a terra, o holandês não foi mais feliz meio século depois. Tudo perdeu na terra de onde nada levou. Por pouco se livrando da sorte de Gedeon Morris de Jonge e sua gente, nem por isso Mathias Beck escapou ao estigma com que um fatalismo inexorável selava Ceará o destino dos seus primeiros colonizadores.
"Vivi desde o ano de 1649 até o ano de 1654 no meio de grandes dificuldades e privações", dirá Mathias Beck em sua carta
Em 24 de janeiro de 1542, o explorador espanhol Francisco de Orellana iniciou uma das expedições mais extraordinárias da história: a navegação completa do Rio Amazonas. Ele foi o primeiro europeu a percorrer todo o curso do maior rio do mundo, enfrentando correntezas desconhecidas, fome, doenças e conflitos com povos indígenas.
Durante a jornada, Orellana relatou batalhas contra mulheres guerreiras, o que inspirou o nome “Amazonas”, em referência às lendárias amazonas da mitologia grega. Embora os relatos tenham sido questionados por séculos, a expedição revelou ao mundo a grandiosidade da floresta amazônica e sua complexa rede de rios. A viagem teve impacto profundo na exploração da América do Sul, abrindo caminhos para mapas mais precisos e despertando o interesse europeu pela região. O Rio Amazonas passou a ser reconhecido como uma das maiores maravilhas naturais do planeta, símbolo de biodiversidade, mistério e riqueza ambiental.
Essa expedição marcou um dos capítulos mais ousados da história das grandes
ACRÍSIO MEMDONÇA, UM VISIONÁRIO
NONATO REIS
Se tivesse que retratar a natureza de Acrísio Mendonça, usando apenas uma palavra, esta seria “desbravador”. Poucas pessoas se lançaram à conquista de seus objetivos com tamanha coragem, volúpia e determinação. Isso numaépocaemquearodadotempopareciagirarnumritmomenor,eavidasedavadeformalenta,preguiçosa mesmo, o que destoava da pressa com que Acrísio ia pavimentando o seu caminho.
Foi desportista, político (exerceu mandatos de vereador e Prefeito de Viana), pecuarista, industrial, e carnavalesco, além de pai amoroso, que fez dos filhos sua razão maior de existir.
Pelo lado ancestral, devo dizer que Acrísio vinha a ser primo do meu pai, embora os dois tenham tido pouca aproximação durante o tempo em que viveram. Nem sei dizer ao certo se o meu pai votou nele nas eleições que disputou.
Nasceu em 1910, filho de Mariano Mendonça, o Nhonhô, rico fazendeiro, que formara um belo patrimônio, como vaqueiro da Santa (Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Viana, dona da Fazenda Bacazinho, que na fase áurea chegou a contabilizar mais de duas mil cabeças de gado), função que exerceu de 1906 a 1944.
O fio condutor desta narrativa é o livro “Acrísio Mendonça, um vencedor”, do escritor Alexandre Abreu, auditor do Tribunal de Contas do Estado e genro do homenageado. A obra, lançada no final do ano passado, na Academia Vianense de Letras, é uma primorosa compilação de notas de jornal, relatos de família e consulta de livros e documentos.
Nela, o autor reconstitui não apenas o perfil do homenageado, mas oferece uma bela apresentação da Fazenda Nazaré, na divisa dos municípios de Matinha e Viana, considerada pela família de Acrísio, como a joia da coroa, e em perfeito estado de conservação até os dias atuais.
Em que pese as posses do pai, a vida de Acrísio, entre a infância e a adolescência, foi marcada por dificuldades e desafios. Acrisío não queria ficar preso ao lugar. Sonhava dar sequência aos estudos em São Luís, depois ir morar no Rio de Janeiro, onde residia o seu tio Sálvio Mendonça. Nhonhô impunha resistência. Ele acreditava que os filhos, transferindo-se para a capital, acabariam por se entregar à diversão, e terminariam por arruinar o patrimônio familiar
Assim, Acrísio teve que se virar sozinho. Prestes a completar 19 anos, pegou um barco e desembarcou na Rampa Campos Melo. Foi morar em uma pensão, na Rua de Santana, o que o obrigou a se lançar atrás de
trabalho, para garantir a sua sobrevivência. No começo sobreviveu fazendo pequenos serviços; três anos depois, conseguiu seu primeiro emprego, na empresa Lundgren Tecidos, proprietária das Casas Pernambucanas. Ali cresceu rapidamente. Em 1937 foi transferido, a pedido, para Pinheiro, ocupando o cargo de gerente da empresa. De lá foi para Viana, também como gerente, onde permaneceu até 1938.
Na passagem por São Luís, aos 26 anos, decidiu criar, junto com outros amigos, um clube carnavalesco, o Globo Folia, que fez um sucesso tremendo, e lhe rendeu uma pequena fortuna. “Era dinheiro a rodo”, assinala Alexandreemseulivro.Comessedinheiroeleconcretizariaumdosseusgrandessonhos:acompradaFazenda Nazaré, exemplar de rara beleza, criado possivelmente na segunda metade do século XIX.
Em 1936 afazenda foialeilão,eAcrísio aarrematoupor$5.550,00(cinco mil equinhentos réis dos herdeiros de Antônio Bezerra de Melo. À época a fazenda possuía um engenho a tração animal, para o fabrico de açúcar eaguardentedecana,três moendashorizontais,alambiquescomcasadeengenho,alémdeumacasademorada de alvenaria, construída em tijolos e madeira de lei e assoalhada de madeira.
Com os investimentos realizados por Acrísio, a Fazenda Nazaré se tornaria uma referência na fabricação de cachaçaeaçúcar,alémdevastacriaçãodegadoecultivoagrícola.Aomadquirirafazenda,Acrísioimaginação fazer dela um pouso eventual, para os dias de veraneio, porém, nunca mais saiu de lá, dela fazendo a sua morada definitiva.
Em 1939, envolvido com as atividades esportivas do município, organizou um time de futebol, do qual se tornou treinador e presidente, e rumou para São Luís, onde fez grandes apresentações com clubes tradicionais da capital, tendo como palco o Estádio Santa Isabel.
A passagem por São Luís foi tão marcante que ganharia notas de destaques nos principais jornais da capital. O zagueiro Expedito Gonçalves, membro da equipe, foi contratado pelo Maranhão Atlético Clube, e mais trade chegou a defender grandes clubes do futebol brasileiro, como Vasco da Gama e Santos Futebol Clube. Em 1948, disputou sua primeira eleição para vereador, e venceu. Dois anos depois tentou a prefeitura e perdeu para Luís Couto. Em 1961, concorreu outra vez, e foi derrotado por José Pereira Gomes. Porém, em 1965, a sorte lhe sorriu, e ele se tornou o 38 (trigésimo oitavo) prefeito de Viana.
Sobre a eleição que disputou com José Gomes, lembro de uma história pitoresca que acabou caindo no anedotário popular. Naquele época a apuração dos voto era feita em Vitória do Mearim, o que levava vários dias para conhecer-se o resultado. Um dia, ao cair da noite, Tomaz Gomes, pai do candidato vitorioso, passava a cavalo pelo Ibacazinho, vindo de Viana, e os moleques se aproximaram dele, querendo saber as novidades. Perguntaram-lhe:
- Seu Tomaz, quem ganhou a eleição?
Ao que Tomaz, já com idade avançada e a voz arrastada, respondeu; _ Foi Zequinha. Foguete no rabo de vocês.
O estampido para os lados da Fazenda Nancy, onde residia o velho Tomaz, se estenderam noite adentro.
Depois que cumpriu o seu mandato de prefeito já no final de 1970, Acrísio abandonou a política e passou a se dedicarapenasàsatividadesdeempresário.Graçasasuavocaçãodesbravadora,inauguroulinhasdetransporte coletivo, interligando São Luís a Viana, São Luís a Anajatuba e São Luís a Presidente Dutra, levando e trazendo passageiros a bordo dos ônibus da sua empresa Nossa Senhora de Nazaré. Abriu o leito do que viria a ser, anos depois, a rodovia MA-014, que interligaria por terra, toda a região da baixada à capital, São Luís. Acrísio faleceu em 2005, aos 95 anos, no Hospital Português, São Luís. Partiu para o plano celeste rodeado dos filhos, que era a sua grande paixão, feliz e em paz com a vida.
...
Do livro A mulher do Próximo, com lançamento para junho.
Foto histórica de BDC (TB de 15dez2025)
PERSONALIDADES HISTÓRICAS DE BARRA DO CORDA (MA)
Estão identificados
Da esquerda para direita:
Em pé:
- Olimpio Fialho (poeta, editor do jornal O Norte);
- Sebastião Cesar de Miranda: (neto do Melo Uchôa);
- Marcelino César de Miranda (deputado estadual, juiz de Direito);
- Quarto personagem ainda não identificado; Sentados:
- José Maria de Miranda Uchôa (Zé Biliza);
- Belizana (mãe do Zé Biliza);
- José Maria Melo Uchoa (Manezin das Varas);
Quem puder identificar outros personagens, escrevam nos comentários;
Nota da Redação
Com ajuda da Inteligência Artificial, a foto acima recebeu cores; Abaixo, a foto original.
SÃO LUIS MEMÓRIA- IGREJA
SÃO JOÃO BATISTA( DO VINHAIS VELHO)
A igreja de São João Batista ou "Igreja do Vinhais Velho" foi criada em 20 de outubro de 1612, 42 dias após a fundação de São Luís-MA, o Vinhais Velho fez 400 anos em 2012.
Em 1612, a Missão Francesa, depois de fundar um forte -Saint Louis - e as primeiras construções civis, saíram em visita pela Ilha, quando então conheceram Eussauap, que em passagens diversas do relato do padre Claude d’Abeville conta que era a segunda comunidade indígena em população na Upaon Açu - Ilha de São Luís. Segundo o capuchinho, neste lugar foi erguida pelos índios uma capela, com uma grande cruz, devidamente benzidas pelos padres capuchinhos na ocasião da visita.
A igreja desabou no século XIX e foi reconstruída entre 1829 e 1838. Passou novamente por reformas em 1854, reconstruída em 1875 (após novamente arruinada, dando sua configuração arquitetônica atual) e restaurada em 1985.[1]
IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA DE VINHAIS, A HISTÓRIA DE SÃO LUÍS PASSA POR AQUI
Registros históricos indicam que essa igrejinha, localizada na comunidade do Vinhais Velho, foi erigida em outubro de 1612, cerca de um mês após a chegada da França Equinocial, missão que culminou com a fundação de São Luís. A primeira missa dos colonizadores teria sido celebrada na igrejinha do Vinhais Velho, que ficava em meio à aldeia de Uçaguaba, habitada por índios tupinambás e corsários franceses que aqui aportaram no final do século XVI, por volta de 1594. A igreja foi demolida e reconstruída várias vezes, até chegar ao formato atual. O historiador Antonio Guimarães De OLiveira Guimarães garante que a igreja do Vinhais Velho é a primeira erguida no Maranhão
FOTO ATUAL DA IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA DO VINHAIS VELHO, A MAIS VELHA DE SÃO LUIS
" A primeira igrejinha erguida no local onde hoje está a Igreja de São João Batista foi construída pela Missão Francesa, em 1612. Depois de fundar o forte São Luís (que deu origem à capital maranhense) e as primeiras construções civis, os franceses saíram em visita pela Ilha, quando então conheceram Eussauap(?). Em diversos relatos o padre Claude d’Abbeville descreve ser a segunda comunidade indígena em população na Upaon-Açu - Ilha de São Luís. Segundo o capuchinho, neste lugar foi erguida pelos índios uma capela, com uma grande cruz, devidamente benzidas pelos padres.
Foi feita de palha, pelas mãos de seus primitivos habitantes, ajudados certamente pelo Sr. De Pizieux e os franceses que com ele ali residiam. Em 20 de outubro de 1612, de acordo com historiadores, foi batizada e rezada a primeira missa na capela, provavelmente pelo padre francês Arséne de Paris, ajudado por Claude D’Abbbeville.
Em 5 de maio de 1829, a Câmara pediu ao Presidente a construção de uma igreja, por ter desabado a que havia. A reconstrução da igrejinha do Vinhais foi feita por D. Marcos Antonio de Souza, concluída antes de 1838, pois ao fim deste ano pede para ser enterrado nela, caso venha a falecer em São Luís. Em 1875, encontra-se novamente arruinada. Neste período, é mais uma vez reconstruída, recebendo a atual arquitetura.
VINHAIS VELHO.-
História
Inicialmente, o local era habitado pelos índios tupinambás, onde existia a aldeia de Eussaup ("lugar onde se comem caranguejos"), até ser conquistado pelos franceses em 1612, no processo de formação da França Equinocial.[1]
A aldeia também ficou conhecida como Miganville, em razão de nela residir o francês David Migan, que se tornou uma liderança entre os indígenas e servia de tradutor para a administração francesa.[1]
Em 1615, os portugueses tomaram o controle de São Luís, tendo sido instalada a primeira missão jesuíta do Maranhão, passando a se chamar Uçaguaba e, posteriormente, Aldeia da Doutrina.[1]
Com a expulsão dos padres jesuítas pela Coroa Portuguesa, seus bens foram confiscados e a Aldeia da Doutrina tornou-se a Vila de Vinhais, contando com Câmara e juiz. Sua origem seria a vila portuguesa de Vinhais, localizada no distrito de Bragança.[1]
Em 1835, a Vila do Vinhais foi incorporada ao município de São Luís. [1]
Passou a se chamar Vinhais Velho com o surgimento do Conjunto Habitacional Vinhais (1979) e do Recanto do Vinhais.
O Vinhais Velho abriga uma comunidade de 3 mil moradores, muitos deles pessoas humildes e descendentes das antigas populações coloniais e pré-coloniais. O bairro tem ainda a Igreja de São João Batista, o Cemitério do Vinhais Velho (construído em 1690), e o Porto do Vinhais Velho, feito com pedras e utilizado pelos pescadores, catadores de caranguejos marisqueiros da região para atracar canoas, que já foram o principal meio de transporte no igarapé do Vinhais, afluente do rio Anil. O estilo de vida rural da comunidade seria bastante afetado pela construção da Via Expressa.[2]
Igreja São João Batista, Vinhais Velho, Primeira Metade do Século XX
Fotografias que mostram aspectos externos e internos da Igreja São João Batista, localizada no Vinhais Velho, nas margens da Via Expressa. Vinhais Velho ou simplesmente Vinhais, é um dos lugares que tem importância no que tange aos indígenas e as ações dos jesuítas na época colonial, por esses motivos que essas fotografias estariam no Arquivo Central do Iphan, localizado no Rio de Janeiro. Provavelmente, essas fotografias foram feitas na primeira metade do Século XX. Agora, imagina a trajetória que o pesquisador, o fotógrafo ou o pesquisador fotógrafo teve para chegar ao Vinhais quando não existia uma estrada terrestre, tinha que pegar uma canoa para chegar no cais do Vinhais. O pesquisador que chegou até o Vinhais para fazer esses registros, com certeza era maranhense ou teve ajuda de algum pesquisador maranhense que conhecia essas localidades históricas que são distantes da urbe. Um dos maranhenses que conhecia São Luís e ia para todos os cantos da cidade, passando por estradas de terra, pegando embarcações, atravessando distâncias e obstáculos, era o vianense Raimundo Lopes. Raimundo Lopes foi o primeiro pesquisador que realizou os primeiros processos de tombamentos no Maranhão, quando surgiu o Iphan no fim dos anos 1930.
Lembrando que esse belo patrimônio quase foi destruído ou mutilado com a construção da Via Expressa, mas graças aos moradores, pesquisadores e militantes que lutaram para evitar impactos maiores.
: Arquivo Central do Iphan(@iphangovbr)
Texto e Pesquisa: São Luís Memória(@slzmemoria)
Igreja São João Batista, Vinhais Velho, Primeira Metade do Século XX
Fotografias que mostram aspectos externos e internos da Igreja São João Batista, localizada no Vinhais Velho, nas margens da Via Expressa. Vinhais Velho ou simplesmente Vinhais, é um dos lugares que tem importância no que tange aos indígenas e as ações dos jesuítas na época colonial, por esses motivos que essas fotografias estariam no Arquivo Central do Iphan, localizado no Rio de Janeiro. Provavelmente, essas fotografias foram feitas na primeira metade do Século XX. Agora, imagina a trajetória que o pesquisador, o
fotógrafo ou o pesquisador fotógrafo teve para chegar ao Vinhais quando não existia uma estrada terrestre, tinha que pegar uma canoa para chegar no cais do Vinhais. O pesquisador que chegou até o Vinhais para fazer esses registros, com certeza era maranhense ou teve ajuda de algum pesquisador maranhense que conhecia essas localidades históricas que são distantes da urbe. Um dos maranhenses que conhecia São Luís e ia para todos os cantos da cidade, passando por estradas de terra, pegando embarcações, atravessando distâncias e obstáculos, era o vianense Raimundo Lopes. Raimundo Lopes foi o primeiro pesquisador que realizou os primeiros processos de tombamentos no Maranhão, quando surgiu o Iphan no fim dos anos 1930.
Lembrando que esse belo patrimônio quase foi destruído ou mutilado com a construção da Via Expressa, mas graças aos moradores, pesquisadores e militantes que lutaram para evitar impactos maiores.
: Arquivo Central do Iphan(@iphangovbr)
Texto e Pesquisa: São Luís Memória(@slzmemoria)
SÃO LUIS MEMÓRIA.
Vinhais Velho, Primeira Metade do Século XX
Fotografia que mostra o Vinhais Velho, mas na época dessa foto o lugar se chamava apenas Vinhais. Podemos ver uma casa, mata e a Igreja São João Batista. Essa área está mudada um pouco, a igreja de São João Batista se mantém firme. Vinhais Velho fica as margens da Via Expressa. Vinhais Velho ou simplesmente Vinhais, é um dos lugares que tem importância no que tange aos indígenas e as ações dos jesuítas na época colonial, por esses motivos que essa fotografia estaria no Arquivo Central do Iphan, localizado no Rio de Janeiro. Provavelmente, essa foto feitas na primeira metade do Século XX. Agora, imagina a trajetória que o pesquisador, o fotógrafo o pesquisador fotógrafo teve para chegar a Vinhais quando não existia uma estrada terrestre, tinha que pegar uma canoa para chegar no cais do Vinhais. O pesquisador que chegou até o Vinhais para fazer esses registros, com certeza era maranhense ou teve ajuda de algum pesquisador maranhense que conhecia essas localidades históricas que são distantes da urbe. Um dos maranhenses que conhecia São Luís e ia para todos os cantos da cidade, passando por estradas de terra, pegando embarcações, atravessando distâncias e obstáculos, era o vianense Raimundo Lopes. Raimundo Lopes foi o primeiro pesquisador que realizou os primeiros processos de tombamentos no Maranhão, quando surgiu o Iphan no fim dos anos 1930.
Lembrando que esse belo patrimônio quase foi destruído ou mutilado com a construção da Via Expressa, mas graças aos moradores, pesquisadores e militantes que lutaram para evitar impactos maiores.
: Arquivo Central do Iphan(@iphangovbr)
Texto e Pesquisa: São Luís Memória(@slzmemoria)
Vinhais Velho, Primeira Metade do Século XX
Fotografia que mostra o Vinhais Velho, mas na época dessa foto o lugar se chamava apenas Vinhais. Podemos ver uma casa, mata e a Igreja São João Batista. Essa área está mudada um pouco, a igreja de São João Batista se mantém firme. Vinhais Velho fica as margens da Via Expressa. Vinhais Velho ou simplesmente Vinhais, é um dos lugares que tem importância no que tange aos indígenas e as ações dos jesuítas na época colonial, por esses motivos que essa fotografia estaria no Arquivo Central do Iphan, localizado no Rio de Janeiro. Provavelmente, essa foto feitas na primeira metade do Século XX. Agora, imagina a trajetória que o pesquisador, o fotógrafo o pesquisador fotógrafo teve para chegar a Vinhais quando não existia uma estrada terrestre, tinha que pegar uma canoa para chegar no cais do Vinhais. O pesquisador que chegou até o Vinhais para fazer esses registros, com certeza era maranhense ou teve ajuda de algum pesquisador maranhense que conhecia essas localidades históricas que são distantes da urbe. Um dos maranhenses que conhecia São Luís e ia para todos os cantos da cidade, passando por estradas de terra, pegando embarcações, atravessando distâncias e obstáculos, era o vianense Raimundo Lopes. Raimundo
Lopes foi o primeiro pesquisador que realizou os primeiros processos de tombamentos no Maranhão, quando surgiu o Iphan no fim dos anos 1930.
Lembrando que esse belo patrimônio quase foi destruído ou mutilado com a construção da Via Expressa, mas graças aos moradores, pesquisadores e militantes que lutaram para evitar impactos maiores.
: Arquivo Central do Iphan(@iphangovbr)
Texto e Pesquisa: São Luís Memória(@slzmemoria)
COMPLETAMENTE INCAPAZ
Eu sou advogado, escritor, cineasta, membro da Academia Maranhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Militei na vida pública durante 40 anos, como deputado estadual, deputado federal e constituinte, secretário de estado, e não sabia até hoje quem foi Frederico Pereira de Sá Figueira.
Agora pensem bem. Se eu que fui tudo isso, que tinha e tenho acesso a muitas informações não sabia disso, imaginem quem não tem oportunidade de conhecer ou saber o mínimo para ser realmente um cidadão. Será que alguém assim está preparado para decidir os nossos destino?
Meu pai dizia uma frase muito importante: “quem não sabe é como quem não vê”. Como colocar nosso destino nas mão de quem não tem capacidade. Precisamos dar capacidade, qualificar as pessoas para que tenhamos melhores dias.
Assistam ao vídeo constante do link abaixo e saibam vocês também que foi Frederico Figueira.
Alguns vão dizer que isso não importa, que não muda nada a nossa vida saber quem foi Frederico Figueira, mas ele serve aqui apenas como metáfora. O sujeito da questão é o conhecimento, a capacidade de discernimento que ele traz.
Não saber nos torna cego, surdo, mudo e tetraplégico, nos torna completamente incapaz. https://www.instagram.com/reel/DTynfM2lO2P/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwN
QUEM FOI FREDERICO FIGUEIRA
O escritor Jorge Abreu, que mora em Barra do Corda, escreveu e fotografou neste início de outubro de 2015 os resquícios da casa onde morou o barra-cordense Frederico Figueira (1849-1924), que está em reforma no centro de Barra do Corda. O escritor Abreu para melhor divulgar quem foi Frederico Figueira, resgatou artigo de Heider Moraes, publicado no jornal Turma da Barra em 2012. O TB publica o post de Abreu na íntegra com o artigo Frederico, o grande:
"A demolição da casa em que morou Frederico Figueira, aqui mostrada por mim, ontem [sexta-feira 9 de outubro], me motivou a transcrever, aqui um artigo do jornalista Heider Moraes, escrito há um tempo para o jornal Turma da Barra. O momento é bastante oportuno, para que possamos saber mais sobre esse grande homem, jornalista e político dos mais importantes entre os séculos XIX e XX. Com vocês, o artigo, que considero brilhante!
"Frederico Pereira de Sá Figueira morreu com 75 anos.
Conta-seque a cidade de Barrado Corda parou naquele8dejulhode 1924parasedespedirdo “velho paladino da imprensa”, sublinha Carlota Carvalho no livro ‘O Sertão’. “Homem extraordinário” classificou Dunsche de Abranches no livro “A esfinge de Grajaú.” O professor Galeno Brandes registra em sua obra “Barra do Corda na história do Maranhão” que Figueira era “o príncipe do desprendimento”. O governador Luís Domingues disse: “é um predestinado.”
Na história barra-cordense há poucos, muito poucos nomes em que se possa identificar como figuras exponenciais, para figurarem como verdadeiros fundadores de Barra do Corda. Um deles chama-se Frederico Figueira, um homem de máxima grandeza na acepção melhor da palavra.
Pois bem, na Arcádia Barra-Cordense tenho-o como meu patrono, um padrinho que muito me inspira, a começar por ter sido jornalista. Anos e anos foi repórter, redator-chefe e editor do mais longevo jornal que circulou entre os barra-cordenses. Chamava-se ‘O Norte’, fundado em novembro de 1888, no final do século 19, que duraria quase meio século. Figueira o comandou por 35 anos. Uma vida.
Na verdade, Figueira é parte de uma geração fenomenal. Uma geração de ouro, que conseguiu a proeza de unir a parte intelectual, política e econômica. Despontam, em seu tempo, além dele próprio, nomes como de Isaac Martins, Francisco de Melo Albuquerque, Epifânio Moreira e Antonio Rocha Lima, entre outros que praticamente na totalidade quase nada sabemos do que fizeram, mas o pouco é o bastante para dizer que legaram uma vasta influência cultural.
Essageração deourofundoujornais, escolas,bibliotecas, bandas demúsicaerevelou muitos emuitostalentos, homens e mulheres da qualidade de um Maranhão Sobrinho, nosso poeta símbolo. Mas há ainda desconhecidos vates como Alfredo Assis de Castro e Mariana Luz.
O primeiro foi um dos fundadores da Academia Maranhense de Letras, mas um e outro inexplicavelmente continuam desconhecidos até mesmo entre os barra-cordenses. E a lista é bem maior, muito maior.
Um outro trabalho que tem a participação de Figueira é na educação. Por um bom tempo, ali no final do século 19 início do 20, Barra do Corda em termos de educação, tinha bons colégios, era um oásis no sertão maranhense, afirma Carlota Carvalho em ‘O Sertão’, livro bíblia sobre as cidades do centro-sul maranhense.
Mas em sua vasta biografia, Figueira começa como vereador, torna-se depois promotor público, em seguida é um dos intendentes de Barra do Corda, cargo tal qual o de prefeito. Depois prossegue como deputado estadual, federal, presidente da Assembléia Legislativa e governador do Maranhão.
Bem certo que na qualidade de governador maranhense passou pouco tempo. Foi governador interino nos idos de 1916, quando quase consegue emplacar a ferrovia que redimiria o sertão. Dos 584 quilômetros projetados para a ferrovia, 40 ainda foram iniciados entre Coroatá, que passaria por Barra do Corda, até Carolina.
Diz-nos a história que Figueira era um homem magro, pequeno no físico e na altura, tinha pouco mais de 1m50, mas adquirira uma bela cultura, era persistente e detalhista em seus ideais tal qual um gigante na luta pelo desenvolvimento de Barra do Corda.
Das longas viagens entre a capital Rio de Janeiro até Barra do Corda, entre navios e lanchas, uma certa feita trouxe mudas e mudas de palmeiras imperiais, certamente parentes daquelas que dom João VI plantara no Jardim Botânico na então capital brasileira. Figueira plantou-as em volta da praça Melo Uchôa.
Háseutempofoium homempreocupadocomecologia.Portodacidadebarra-cordenseplantaraárvores.Além das palmeiras imperiais, tinha preferência por mudas de figueiras, árvores que atraem diversos tipos de passarinhos e transforma as ruas num palco de linguajar poético.
Sabe-se também da existência de uma boa biblioteca que havia na cidade até a morte de Frederico Figueira. A biblioteca sumiu, desapareceu e não se sabe dos resquícios de notícias do que teria ocorrido com aquele acervo. O que foram feitos dos livros?
Da mesma forma, quanto às edições do jornal O Norte, que eram publicados em tamanho tabloide e circulava pelas cidades do Maranhão, do Pará e do Goiás, hoje Tocantins. O jornal O Norte era lido na tocantinense cidade de Porto Nacional distante quase mil quilômetros da cidade cordina.
Na biblioteca Benedito Leite em São Luís ainda é possível encontrar algumas edições d’O Norte. Naquelas páginas foram registradas matérias memoráveis e históricas sobre o ideário daquela geração, que era a derrubada do império e a instalação do regime republicano. Há também artigos sobre o massacre do Alto Alegre, em 1900, quando Barra do Corda se tornaria notícia em todo mundo.
Frederico Figueira podemos dizer que foi além do seu tempo. A sua doação ao jornalismo, à educação e a cultura é exemplar. Durante 35 anos o jornal O Norte manteve-o em circulação, atravessou a alta do preço da importação do papel por efeito da primeira grande guerra mundial, papel que tinha preço regulado por moedas fortes.
Em seu tempo, a educação barra-cordense também ganhou qualidade. Nomes como do Colégio Santa Cruz, do InstitutodeBarrado Corda,doExternato Maranhense,dopróprio Externato Frederico Figueiraea primeira escola pública José do Patrocínio Martins Jorge ficaram gravadas para sempre na história barra-cordense.
Frederico Pereira de Sá Figueira morreu com 75 anos. Conta-se que a cidade de Barra do Corda parou naquele 8 de julho de 1924 para se despedir do “velho paladino da imprensa”, sublinha Carlota Carvalho no livro ‘O Sertão’. “Homem extraordinário” classificou Dunsche de Abranches no livro “A esfinge de Grajaú.” O professor Galeno Brandes registra em sua obra “Barra do Corda na história do Maranhão” que Figueira era “o príncipe do desprendimento”. O governador Luís Domingues disse: “é um predestinado.”
Ainda menino, lembro das explicações da minha avó Luzia Araújo Franco sobre aquela sepultura no meio do Campo da Paz em forma de obelisco que guarda os restos mortais de Frederico Figueira. Minha avó discorreu sobre o jornalista que com respeito máximo chamava de ‘Coronel’. Ao relatar como foi a despedida de vida de Frederico Pereira de Sá Figueira disse: “Foi um dos maiores sepultamentos que eu vi em vida”. E completou: “Foi um grande homem.”
*Heider Moraes é jornalista
(TB 2 nov 2012)"
#barradocorda #maranhãohistória
HÁ
40 ANOS
O PALÁCIO LA RAVARDIÈRE ERA INCENDIADO (1986)
Não, não era uma luta entre franceses e portugueses pela retomada da cidade de São Luís. A insatisfação não era com Maria de Médici ou Felipe II. Era o povo revoltado com a primeira prefeita eleita de São Luís, Maria Gardênia Santos Ribeiro Gonçalves (PDS) e seu vice Raimundo Nonato da Silva (Jairzinho), que haviam anunciado, dois dias antes da posse, a demissão de 14 mil servidores admitidos na gestão anterior no período eleitoral.
O cumprimento do Decreto de demissão em massa no dia 2 de janeiro de 1986 e a postura irredutível de Gardênia nas negociações com a oposição levou milhares de manifestantes para frente da Prefeitura entre os dias 6 e 8 de janeiro. Segundo relatório confidencial, a Polícia Estadual só interveio após os atos de vandalismo.
Faltam 91 dias para os 100 anos do Jornal O Imparcial.
Créditos : Ribamar Pinheiro (foto 1 e 2) / O Imparcial.