Fundador de São Paulo, Apóstolo do Brasil
Enviado ao “Novo Mundo” a mando do criador da Companhia de Jesus, Inácio de Loyola, Anchieta chegou aos 19 anos, em 13 de junho de 1553. Em 1554, recebeu de seu superior a missão de subir a Serra do Mar para fundar um Colégio no Planalto de Piratininga. A Atuação do Mestre Anchieta foi tão positiva que famílias de indígenas e portugueses deixavam suas terras e se mudavam para o entorno do Colégio. Aos poucos o casario foi se transformando em aldeamento, este em vila e esta em cidade... Essa megalópole deve sua origem à ação educadora do Apóstolo Anchieta.





A

“Caverna do Diabo”
Antes de termos o celular com câmera, eu viajava com uma Olimpus a tiracolo, e não sabia fotografar muito bem, confesso.
Muitas vezes durante visitas turísticas me distraia em ver tudo, absorver informações sobre o local visitado, que tirar fotos ficava sempre em segundo plano.
O que me salvava eram esses encartes com fotos perfeitas e informações completas. Era muito mais prático, então os adquiria sempre que podia.
Não foi diferente quando fomos visitar a Caverna do Diabo , na região sul do Estado de São Paul o, ali no município de Eldorado Paulista Fernando, da Botucatur Turismo , querido amigo de toda vida, sempre me visitava no Banco com as próximas saídas, e fui com ele nesse passeio. Lembro bem de avistar os bananais pela estrada, perto de Registro , e da Serra de André Lopes , não deixando de comprar na volta, uns docinhos deliciosos.
Era uma beleza esse trajeto até a boca da gruta. A Caverna se abria um dos pontos mais altos da Serra , onde o Ribeirão das Ostras se lançava para o interior da terra por uma abertura e que se dividia em duas partes: do lado direito , entravam as águas do Ribeirão formando uma pequena e barulhenta cachoeira; pelo lado esquerdo , uma escada, no íngreme barranco, que permitia a entrada dos visitantes.
Num dos recintos deparávamos com o Setor Superior que era a primeira divisão da Caverna.
Fiquei maravilhada com os salões ricamente ornamentadas e iluminados. O ponto mais distante ficava a cerca de 500 mts e podiamos percorrer sem dificuldades.
Trabalho deslumbrante da natureza como a sala do Palácio, como o Anfitrião e as Gotas de Leite, a Catedral, no salão próximo se viam os Órgãos, Pretório, Velas, o Caldeirão do Diabo.
Um erudito alemão, Dr. Ricardo Kro-
EXPEDIENTE

ne, em estudos solicitados pelo Governo do Estado de São Paulo sobre as formações cavernosas no Vale do Ribeira do Iguape, que acabou catalogando ali muitas grutas.
Ele descreveu minuciosamente as primeiras galerias, indicando com precisão as
entradas.
Felizmente nessa visita pela Caverna, não experimentei aquela sensação terrível de falta de ar, e quase pânico que senti quando visitei a Gruta do Maquiné, na Bahia, muitos anos atrás.

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

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Anchieta: o Apóstolo do Brasil !
No dia 22 de junho de 1980, o Papa João Paulo II beatificou o padre José de Anchieta e foi declarado santo em 3 de abril de 2014 pelo Papa Francisco.
O processo de beatificação do padre, também chamado de apóstolo do Brasil, durou quase 400 anos e teria começado em 1597, após relatos de milagres em São Paulo.
José de Anchieta, nasceu em uma família rica nas Ilhas Canárias, Espanha, em 19 de março de 1534. Aos 14 anos, foi admitido como noviço no colégio jesuíta na Universidade de Coimbra, em Portugal. Cinco anos mais tarde, aos 19 anos, foi convidado a vir para o Brasil como missionário. Era o ano de 1553
Primeiro, aportou em Salvador junto com a armada do segundo governador-geral do Brasil, Dom Duarte da Costa. Ficou por lá menos de três meses e partiu para São Vicente, a primeira vila fundada pelos portugueses, hoje o atual estado de São Paulo. Lá, teve o primeiro contato com os índios.
Junto com o jesuíta português Manoel da Nóbrega, abriram um pequeno colégio e celebraram a primeira missa. Se embrenharam no sertão para aprender a língua tupi e, assim, poder catequizar os índios. As vezes ensinava os índios em latim.
negociador entre tamoios, tupinambás e portugueses
Nessa época, escreveu o Poema em Louvor à Virgem Maria, com mais de cinco mil versos. Foi nomeado sacerdote aos 32 anos. Em 1567, foi nomeado supervisor dos jesuítas no Brasil.
Lutou contra os franceses depois de ajudar na fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Da pequena Vila de São Vicente, expandiram o trabalho missionário por todo o litoral, dos atuais estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Falando tupi-guarani, Anchieta ganhou a confiança das várias tribos de índios que viviam pela costa e foi importante
Para os índios, José de Anchieta foi médico, sacerdote e educador. O fundador de cidades e missionário foi ainda gramático, teatrólogo e historiador. Sem prejudicar o apostolado, escreveu textos em quatro línguas: português, castelhano, latim e tupi, tanto em verso quanto em prosa.
Para o seu processo de beatificação, contou com o depoimento de várias senhoras de São Paulo. Uma delas, Ana Ribeiro, relatou dois milagres. Um com seu filho e o outro com um índio, que foram curados após a intercessão do missionário. Segundo o Vaticano, houve a confirmação de apenas um milagre antes da beatificação do padre José Anchieta.
José Anchieta morreu aos 63 anos, em 09 de Junho de 1597, em Reritiba, atual Anchieta, no Espírito Santo. Os índios levaram seu corpo numa viagem de 80 quilômetros até Vitória, onde foi sepultado.
O beato José Anchieta foi canonizado (ou seja declarado santo) pelo Papa Francisco em 3 de abril de 2014, que dispensou a confirmação de um segundo milagre. Foi um dos processos mais longos da história. Segundo o teólogo Luiz Osvaldo Leite, a demora na santificação de Anchieta pode ser atribuída à perseguição sofrida pelos jesuítas no século XVIII.

Momentos Felizes
CAVALGADA
Domingo pela manhã por volta de nove horas, ele ouve um barulho muito forte no asfalto que circunda sua casa. Curioso veste rapidamente sua melhor roupa domingueira e dirige-se à calçada e se assusta com a enorme quantidade de cavalos e cavaleiros fazendo o maior tropel. Vinham em formação alinhada como nos dias festivos e nas datas cívicas. Passavam a impressão de como estivessem se preparando para fazer uma daquelas cargas de cavalaria que ele tanto gostava de ver no cinema. Acontece que cavalo no cinema é uma coisa; na vida diária é outra muito diferente.

Os cavalos não tinham o ímpeto e a fúria dos cavalos cinematográficos. Ele não conseguia enxergar dentre todos os cavaleiros, e eram muitos, um Dom Quixote ou o intrépido General Custer.
Os cavalos chegaram em passos de trote e o som que faziam era devido as ferraduras batendo forte sobre o asfalto. Embora engalanados com coletes, bonés, bombachas e esporas reluzentes, os cavaleiros lembravam um pouco aqueles veranistas que, depois de tomar uma boa ducha de águas sulfurosas, decidem alugar um cavalo para dar um passeio no parque e nas ruas da cidade turística.
Ele como os demais curiosos ali reunidos não estranharam aquele movimento cavalar. A cidade está
Roque Roberto Pires de Carvalho
acostumada a vê-los transitarem com aquele ar orgulhoso de cavalo gordo e bem tratado, cavalo de mordomia, com aveia, alfafa e baia arejada e limpa, disputando um grande prêmio e também aqueles já velhinhos e cansados puxando uma carrocinha ou uma charrete mas que nesse domingo participavam desse grande festival, festival que eles, sequer, sabiam do que se tratava para receberem tantos aplausos. O cruzamento daquela rua começou a receber outros curiosos, inclusive muitas crianças apareceram para aplaudir os cavaleiros e os cavalos, trazendo nas mãos cata-ventos coloridos e espalhando papel picado nas pessoas e nas calçadas.
O entusiasmo era contagiante, entretanto os animais abusaram muito da liberdade proporcionada por aquela festa e lotaram de esterco ruas e esquinas, sobrecarregando os encarregados da limpeza pública quando da varredura na segunda-feira. A cavalgada continuou sua trajetória, afastando-se dali e procurando um local onde animais e cavaleiros pudessem saciar a sede, refrescar-se do imenso calor e contar as lorotas ouvidas naquela manhã domingueira. Ele satisfeito por ter visto algo inusitado retornou ao lar, sentou-se em uma poltrona e ligando a televisão, deparou-se com os terríveis anúncios e chatíssimos programas. Desligou a televisão e foi andar pela cidade.
