

ALGARVE INFORMATIVO




ÍNDICE
Mirian Tavares (pág. 14)
Ana Isabel Soares (pág. 18)
Júlio Ferreira (pág. 22)
Valentim Filipe (pág. 26)
Junta de Freguesia de Boliqueime lança Academia Sénior (pág. 30)
Volta ao Algarve em bicicleta (pág. 36)
Taberna by Lucia Ribeiro (pág. 44)
Ginástica rítmica encantou Portimão (pág. 56)
Ciclo de exposições em São Brás de Alportel (pág. 82)
«Vidro Pantera - Estilhaços de Heiner Müller» no Teatro das Figuras (pág. 96)
«Bublé! The Tribute» no Auditório Carlos do Carmo













Onde a água não desagua Mirian Tavares, professora
Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas – é de poesia que estão falando. Manoel de Barros
eis artistas percorrem o país, do sul do Sul ao norte do Norte, passando pelas ilhas: lugares periféricos, espaços marginais. Cada um deles trouxe, e levou, consigo suas experiências e vivências, seus contextos e processos que se comunicaram, ao longo do ano de 2025, em momentos de residência e de reflexão/criação. Criar a partir do território, ou dos territórios, procurando perceber em cada um deles o lugar que a água ocupa na lógica da região – água doce ou salgada, escassa ou abundante, corrente ou submersa. A água na suas diversas formas e funções, também nos seus vestígios, cicatrizes e rotas traçadas pelo correr de rios e pelo movimento das marés. A água cria uma geografia própria, carrega consigo muitas histórias e foi a partir das histórias dos lugares, das suas tradições, e dos seus esquecimentos, que os artistas propuseram percursos particulares, modos diversos de o apreender. Mas há algo que permeia todo o processo e que atravessa todas as criações – a matéria. Cada lugar tem uma materialidade própria e fornece, ou forneceu, materiais, sugeriu ferramentas e modos de apropriação. Da leveza das cascatas de tecido e do exercício de frottage de Milita Doré, passando pelos mapas fluviais de Bertílio
Martins, pela viagem videográfica de Margarida Andrade, pelas personagens mágicas de João Amado, pela síntese de materiais da obra de Patrícia Oliveira até à materialidade evidente das múltiplas peças de Ana Maria Pintora, todas as obras, nas suas diferentes encarnações, são produto matérico de experiências no e com o território.
A segunda exposição do projeto, agora em Loulé, aprofunda as relações entre as obras e os conceitos ao promover um diálogo através da coexistência nos espaços da galeria. As obras são individuais, mas o resultado é fruto de um coletivo de descobertas, de trocas, de interações com os territórios e com as pessoas que vivem efetivamente em cada um desses territórios. Quando refletiu sobre a arte na contemporaneidade, Yves Michaux afirmou que a pergunta hoje já não é “o que é arte”, mas sim “quando é arte”. A arte acontece também na maneira como os artistas ocupam o espaço, e nos modos como refletem sobre este. Em Loulé, a água é escassa, mas os artistas foram ao íntimo da terra e percorreram caminhos ancestrais que permanecem como memória viva de águas que um dia escorreram, que por vezes ainda escorrem, mantendo o território vivo.

Milita Doré decidiu explorar a leveza do tecido e do papel. A água aparece em cascatas de tecido que escorrem pelo chão, como que penetráveis, cortinas de água sempre em movimento. A artista explorou ainda a materialidade dos espaços ao “imprimir” suas asperezas, reentrâncias e propriedades, sobretudo das fontes, dos lugares onde a água outrora habitou. A frottage permitiu à artista trazer consigo uma marca de um espaço longínquo – como a aura benjaminiana, que evoca, simultaneamente, o lugar e a memória.
Os mapas hidrográficos, de cada região experienciada, compõem as séries dos desenhos de Bertílio Martins. Dos cursos dos rios, o artista procurou registar o movimento – elementos mínimos que, mais do que fixar, insinuam, transformando a experiência do visionamento, através do dispositivo de exposição, num gesto performático do público, levado a circular à volta para absorver o todo.
Através de um tríptico, Margarida Andrade sintetiza a experiência do circuito
da água – transportando-a de um lado a outro, trazendo-a até onde ela não desagua. Para Patrícia Oliveira, a exploração dos materiais, e o contraste entre eles, o vidro e a tecelagem nas suas diversas aceções, contemplam as tradições de cada lugar de residência e incorporamse numa peça que se expande e se desfaz, e é reconstituída a cada momento de exposição. João Amado escreveu sobre a sua experiência num livro cuidadosamente cosido, uma narrativa dos lugares e das memórias de cada lugar. A narrativa está também presente nas suas personagens, naqueles que têm braços compridos para abarcar o fluxo das águas e nos que têm as pernas longas, para alcançar a água que escasseia. Na obra de Ana Maria Pintora, cujo processo foi sendo laboriosamente registado e se reflete num fluxo contínuo, as ideias – suas e de outros – entrelaçamse e concretizam-se em peças únicas, constituídas de materiais autóctones, carregadas de lugar para lugar, como abrigos frágeis e, ao mesmo tempo, resistentes, porque permaneceram através dos tempos.
Sem abandonar os processos que os constituíram enquanto tal, cada artista absorveu elementos do espaço desconhecido, ou re-conheceu, através dos olhos dos outros, novas formas de ver e de vivenciar os seus próprios territórios. Esse foi o ponto de partida que, a cada nova exposição, se torna no lugar onde desaguam as experiências transformadas em obras de arte.
Exposição Geografias da Água, de 23 de janeiro a 14 de março
Galeria do Espírito Santo, Loulé
Curadoria: João Serrão e Mirian Tavares
Foto: Isa Mestre


Ana Isabel Soares, professora
m dos passatempos mais deliciosos ao dispor do ser humano é a observação do comportamento dos animais. Os escritores que o digam (e os pintores, e os fotógrafos, e os escultores, e os cineastas, e...), quanto discorrem, de observar os animais não humanos, sobre intriga, gesto, movimento, intenção. Como se explica a clareza que escritores da Grécia antiga conseguiram nos textos em que explicam mitos fundacionais através da transformação de pessoas em animais ou de animais em pessoas? Essa poesia de metamorfoses (de tradição helénica) viria a tornar-se famosa no século VIII por Ovídio, precisamente no livro a que se chamou Metamorfoses, uma sequência de narrativas sobre como se formou o mundo e como foi decorrendo a sua história até à morte de Júlio César. Não é só em animais, ou de animais, que as entidades míticas de Ovídio se metamorfoseiam; as transformações dão-se também entre humanos (de um género para outro), entre humanos e constelações de astros, ou entre cores. Mas as mais famosas vieram a ser aquelas narrativas em que as transformações têm por protagonistas animais. Podem ser mais fabulosos, como as sereias ou os faunos, ou menos, como andorinhas ou formigas. No Livro VII de Metamorfoses, o
rei Éaco pede a Júpiter que o ajude a salvar o seu povo de uma praga mortal e, ouvindo num relâmpago a voz do pai dos deuses, vê, por baixo de um carvalho dedicado a Júpiter, “formigas acartando grãos, formando longo carreiro, / carregando nas suas minúsculas bocas uma carga enorme, / e talhando o seu caminho na rugosa casca da árvore” (na tradução de Paulo Alberto). Será esse cortejo de formigas que se transformará na multidão de súbditos que regenerará o reino de Éaco – mas o interessante, ali, é perceber como o escritor deteve a atenção no movimento dos insetos, nos seres mínimos que, ainda hoje, continuam idênticas marchas laborais, e o descreveu de maneira que, tantos séculos depois, continuamos a reconhecê-lo. Outros escritores alargaram as descrições e fizeram dos animais não humanos protagonistas de relatos apaixonantes. Para Jonathan Swift, que no século XVIII publicou As Viagens de Gulliver, os cavalos representam a sociedade mais nobre, elevada acima da humana: nos Houyhnhnms (é um verdadeiro desafio, pronunciar o nome que deu àquela raça equina) tem o modelo da melhor organização social). Mais próximo de nós, entre 1936 e 1938, T. S. Eliot empreendeu a tarefa de fixar em verso as imagens e ideias que ia tendo a partir do mundo felino. Desconfiava da sua capacidade de o fazer, e claramente se via submetido,

no quotidiano, à decisão dos gatos (numa carta a Polly Tandy, em dezembro de 1937, escreve que “quando um gato nos adota, nada há a fazer senão aceitá-lo e esperar que o vento mude”). Do seu trabalho em torno dessa ideia resultou em 1939, dedicado aos seus afilhados, o delicioso Livro dos Gatos Práticos do Velho Gambá (que a Assírio & Alvim editou por cá em 2019, em tradução do poeta Daniel Jonas e com ilustrações de Edward Gorey). Eliot duvidava que centrar-se
apenas numa espécie de animais fosse muito entusiasmante: “talvez fosse melhor um livro que coligisse apenas poemas sobre animais”, diria, noutra carta, em 1936, ao editor Geoffrey Faber. Mas acabou por se concentrar nos gatos, e num tipo de gatos a que chamou «Jellicle cats». Foi a partir desse livro que Andrew Lloyd Weber gizou o musical Cats, estreado nos anos 80 e que ainda por aí anda.
Foto: Vasco Célio


Ninguém vai a Deus por engano Júlio Ferreira, inconformado encartado
o passado sábado assisti à missa fúnebre de um amigo. Sentei-me num banco de madeira dura, junto de pessoas mais ou menos conhecidas, e ouvi palavras antigas, repetidas com a convicção cansada de quem acredita mais no ritual do que na explicação ou, no meu caso, de quem repete para não dar nas vistas. Como só fixei duas orações e mais não sei, no meio daquela «lenga, lenga» que todos repetem, querendo mostrar a Deus que são leais e que também merecem um lugar no céu. Foi ali, naquele silêncio desconfortável, tentando esconder a minha ignorância, que numa igreja se denuncia mais rápido do que um telemóvel a tocar, que voltei a reparar na forma como a religião se entranha na nossa vida, na nossa língua. Não só nos grandes discursos, mas também nas palavras pequenas, quotidianas, que usamos sem lhes perguntar o que realmente querem dizer. «Adeus» é uma delas.
Dizemo-la com a leveza de quem fecha uma conversa, quando, na verdade, se trata de um envio. Podemos sempre acreditar que o sentido não é este, que, na pior das hipóteses, «adeus» significa, «vai ali à casa de Deus». Mandar alguém
«a Deus» não é um gesto inocente. Num país católico, só vai a Deus quem deixa de existir neste plano. Ninguém vai a Deus por engano, nem em visita rápida. Vai-se porque acabou.
A reboque do «adeus» surgem as frases de conforto, esse vocabulário nacional cuidadosamente ensaiado para momentos de perda. “Foi para um sítio melhor”, diz-se com um ar de alívio, como se alguém tivesse estado lá e voltado para garantir. Melhor onde, exatamente, e em comparação com o quê, é uma questão que raramente se coloca em voz alta.
Franceses, portugueses e espanhóis (e seus derivados coloniais) usam alegremente esta espécie de maldição sempre que os seus caminhos se separam. Mas nem todos os povos têm este mau feitio dos católicos. Até os italianos, católicos convictos, se aperceberam do significado do termo e criaram o «ciao», palavra ambígua que tanto serve para chegar como para partir, talvez para não se comprometerem demasiado com nenhuma das hipóteses, o que é o mesmo que dizer: «estares aqui ou estares ali, para mim é a mesma coisa».
Os ingleses têm uma maneira mais civilizada de se despedirem; preferem


desejar que o outro «passe bem», mesmo longe. Se analisarmos o sentido de «goodbye», veremos que este significa algo do tipo «boa passagem», expressão que usamos com a mesma convicção com que dizemos «tem de ser», como se o universo fosse uma repartição pública. «Goodbye» encerra um desejo altruísta, com uma pitada de egocentrismo: que o outro esteja bem, mesmo quando não está perto de nós.
Os alemães são diretos. Sem floreados nem merdices desnecessárias: «auf Wiedersehen» significa «até à vista» e não tem segundos significados. Sem promessas, sem transcendência.
Pessoalmente, gosto da maneira japonesa da despedida, na zona de Tóquio: «mata ai masho». Não faço ideia do que significa, mas que soa bem, soa.
Naquele sábado percebi que nenhuma palavra é suficiente para definir o sofrimento à nossa volta, entre familiares e amigos, na despedida de um amigo. Mas, antes de o padre voltar a pedir uma das poucas orações que sei, o meu repertório religioso não vai muito além disso, percebi que algumas palavras são excessivas. «Adeus» é uma delas. É solene demais para consolar e promete mais do que sabemos cumprir. Foi por isso que, com o meu pai e o meu tio, me recusei a dizer adeus: não para melhor, nem para nenhum lugar que precisasse de explicação. Há ausências que não pedem destino, apenas respeito. Eles ficam onde sempre estiveram: num tempo que já não volta e numa memória que insiste. E talvez seja esse o único lugar onde ainda faz sentido dizer o nome de alguém. O resto é o mundo a andar para a frente sem pedir licença, enquanto eles ficam nas histórias, nos silêncios, nessa sensação incómoda de que o mundo continuou, como se nada tivesse acontecido.
Agora, se me permitem, vão todos morrer longe e o mais tarde possível, de preferência. E desenganem-se se acham que esta é uma crónica de despedida.


Fado nosso de cada dia
Valentim Filipe, músico, professor aposentado, dirigente associativo
oltamos hoje ao tema FADO. Durante várias crónicas iremos abordar as origens, história e até consequências sociais desta forma musical que é tão nossa, tão portuguesa.
Na verdade, não existem elementos seguros para podermos afirmar com certeza a origem do fado, pois versões há para todos os gostos e, como exemplo, podemos referir opiniões de dois dos nossos mais conhecidos musicólogos, como Rui Vieira Nery e Aberto Sardinha, que defendem teses bem diferentes a saber. O primeiro baseia a sua opinião que o fado terá a origem nas modinhas brasileiras como o «Lundum», uma música dos escravos brasileiros e que terá chegado a Portugal na primeira metade do século 19, trazida por marinheiros portugueses, tendo nos anos subsequentes sofrido alterações até chegar ao que é hoje. A suportar esta tese está o facto de que, nas primeiras músicas dentro do género, as letras abordavam sobretudo histórias ligadas, não só ao mar, mas também às terras existentes para além deste.
Já Alberto Sardinha é defensor de que o fado tem as suas origens na Idade Média, tendo por base as cantigas interpretadas por trovadores e jograis, pois contêm características que ainda hoje o fado conserva, defendendo que até as «cantigas de amigo» abordavam a temática do amor tal qual ainda hoje se faz. Teria assim feito um trajeto das feiras e mercados da província para a capital, radicando-se finalmente em Lisboa, onde haveria de se manter durante muitos anos, dando até origem aos chamados retiros de fado.
Seja como for, a palavra «fado» só nos aparece cerca de 1840, significando música popular, com um ritmo particular, tocado na guitarra e que tem por letra poemas chamados fados.
Embora concordemos com a data do aparecimento do termo, o acompanhamento à guitarra é muito duvidoso. Como dissemos, ao chegarem a Lisboa, os jograis começaram a cantar e declamar poemas nos restaurantes da capital, sobretudo à noite em troca do jantar, pois na capital se quedavam vários dias em que duravam os mercados e feiras. Além da refeição obtinham também algum lucro com a vendas aos comensais dos poemas por si elaborados (esta prática ainda hoje se mantém por
parte dos fadistas que vendem os seus discos nos locais onde cantam).
Acontece que já nesse tempo os melhores restaurantes tinham pianistas residentes que começaram a acompanhar os ditos trovadores nas suas atuações, havendo até documentos com imagens condizentes, reforçando assim a tese de que, no início, o fado era acompanhado ao piano e à viola, que normalmente era tocada pelo próprio jogral.
E chegámos assim às casas de fado, matéria a que nos debruçaremos na próxima crónica.




Junta de Freguesia de Boliqueime lança projeto Academia Sénior
Jovens Há
+ Tempo
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
á arrancaram as aulas da Academia Sénior de Boliqueime, a concretização do projeto «Jovens Há + Tempo» destinado a todas as pessoas com 50 ou mais anos que desejem continuar a aprender, partilhar experiências e manter uma vida ativa e participativa na comunidade. As aulas disponíveis são Artes, dinamizadas por Artemisa Santa-Rita; Movimento
Sénior (Ginástica), com Carina Soares; Educação Emocional, programa da Câmara Municipal de Loulé, com Hermínia Martins; Informática, com Cátia Gonçalves; Inglês – nível I, com Angélique Alho; Ervas e Mezinhas, com Patrícia Jacinto; Direitos e Deveres, com Joana Gago; e Poesia, com Domitília Gonçalves.
O pagamento anual é de 10 euros, correspondente ao seguro obrigatório, sendo que as aulas de Movimento Sénior


têm uma mensalidade fixa, paga diretamente ao responsável. Tudo isto e muito mais se ficou a saber, no dia 15 de janeiro, numa sessão conduzida por Nelson Brazão, presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime, que confirmou que o projeto já andava a ser «cozinhado» há algum tempo. “Uma universidade sénior envolvia vários critérios que não se adequavam à realidade de
Boliqueime, por isso, optamos por uma Academia Sénior, para dar uma resposta estruturada às necessidades sentidas na freguesia, permitindo criar dinâmicas regulares de ocupação, convívio e aprendizagem, com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população sénior”, explicou o autarca.


À data da apresentação estavam «matriculados» 19 alunos, mas, apesar das aulas já terem arrancado, as inscrições prosseguem na sede da Junta de Freguesia. “O que todos desejamos é que as pessoas sejam jovens durante muito tempo e estas iniciativas são fundamentais para envolver e manter dinâmica uma faixa etária que, felizmente, é cada vez mais numerosa e ativa no nosso concelho”, referiu, por sua vez, Vasco Cary, do Gabinete de Apoio à Vereação da Câmara Municipal de Loulé, em representação do presidente Telmo Pinto e da vereadora Maria Esteves. “É um projeto bastante importante para que a população desta freguesia tenha acesso a uma ocupação diferenciada. Existem outras respostas no concelho diferentes, mas parecidas,
e é por este caminho que temos que continuar a seguir, no compromisso de fazer mais e melhor por esta comunidade”, reforçou.
As aulas vão ter lugar no edifício da antiga Escola Primária de Boliqueime, mas também poderá ser utilizado o espaço da antiga Junta de Freguesia, na sala de informática da Escola Básica Prof. Dr. Aníbal Cavaco Silva, numa parceria com o Agrupamento de Escolas Eng.º Duarte Pacheco, e no Pavilhão Gimnodesportivo de Boliqueime. “Acho que estão reunidas todas as condições para que o projeto tenha sucesso”, concluiu Nelson Brazão.






52.ª
Volta ao Algarve apresentada com percurso renovado e muitas inovações desportivas
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
52.ª Volta ao Algarve foi oficialmente apresentada, no dia 20 de janeiro, na sede da Região de Turismo do Algarve, em Faro, numa conferência de imprensa que reuniu os principais parceiros e patrocinadores da única prova portuguesa por etapas integrada no circuito mundial ProTour. A organização revelou o percurso completo da edição de
2026 e confirmou a presença de várias das principais equipas do pelotão internacional, incluindo a líder do ranking UCI em 2025.
A prova realiza-se entre 18 e 22 de fevereiro, ao longo de cinco etapas, num total de 697,41 quilómetros cronometrados, num traçado que introduz várias novidades do ponto de vista desportivo e que promete uma corrida mais dinâmica, disputada e imprevisível desde o primeiro dia. E uma
das grandes novidades é a estreia de Vila Real de Santo António como local de partida da Volta ao Algarve.
A primeira etapa, no dia 18 de fevereiro, liga a cidade raiana a Tavira, mantendo a tradição de uma jornada inicial plana e favorável aos velocistas, mas introduzindo um novo elemento já testado nas grandes clássicas belgas: o «quilómetro de ouro», com três sprints bonificados concentrados em pouco mais de um quilómetro, num troço de empedrado da reta histórica da cidade, criando um cenário tático inédito logo na abertura da prova. Neste caso, a tradição do empedrado une-se à modernidade dos sprints agrupados, criando um cenário tático inédito, explosivo e altamente televisivo. Uma combinação que pode agitar a corrida desde o primeiro dia e fazer com que o vencedor da etapa não
seja necessariamente o primeiro líder da Volta ao Algarve.
A segunda etapa parte de Portimão em direção ao Alto da Fóia, na Serra de Monchique, naquela que será a primeira chegada em montanha da edição de 2026. A grande novidade reside na utilização de uma subida inédita, mais seletiva e exigente, com características próprias de um prémio de montanha de primeira categoria. Também aqui vão existir três pontos quentes, dois dos quais pouco antes do início da subida final.
O terceiro dia é dedicado ao Contrarrelógio Individual, com partida e chegada em Vilamoura e passagem por Quarteira. Trata-se de um contrarrelógio urbano de 19,5 quilómetros, com um início mais técnico e um traçado posterior claramente favorável aos especialistas.


No sábado, a quarta etapa liga Albufeira a Lagos, com um circuito final de 32 quilómetros após uma primeira passagem pela meta, oferecendo nova oportunidade aos velocistas, mas com pontos estratégicos que poderão introduzir tensão e cortes no pelotão. A quinta e última etapa, no domingo, parte de Faro com destino ao emblemático Alto do Malhão, em Loulé. A grande inovação passa pela dupla passagem pelo Malhão, integrada num circuito final de
45 quilómetros, numa jornada que promete voltar a ser decisiva para a classificação geral.
No plano global, a edição de 2026 aposta numa corrida mais dinâmica, com a introdução de Pontos Quentes em várias etapas, reforçando a competitividade e a imprevisibilidade da prova. “A identidade da Volta ao Algarve resulta da sua arquitetura, da orografia, do clima, da qualidade das

infraestruturas e do esforço dos organizadores, fatores que explicam o elevado nível de participação atual. Preservando esse sucesso, procurámos tornar a Fóia mais decisiva, equilibrando a luta entre trepadores e contrarrelogistas. Este final, aliado ao desfecho explosivo no Malhão e a um contrarrelógio mais urbano e técnico, oferece mais oportunidades aos trepadores puros. A introdução do Ponto Quente, unindo a portugalidade
do naming a um fenómeno emergente do ciclismo moderno, acrescenta novidade, emoção e movimentos antecipados numa corrida que muitas vezes se decide por segundos. No Algarve, o espetáculo está sempre garantido”, explicou o diretor de prova Ezequiel Mosquera.
João Almeida e Juan Ayuso0 no duelo mais aguardado
A 52.ª Volta ao Algarve contará com um pelotão de luxo, composto por 12 equipas WorldTour, três formações ProTeam e as nove equipas continentais portuguesas. A UAE Team Emirates-XRG, que terminou 2025 no topo do ranking UCI, estará presente no Algarve e traz ao sul do país os quatro ciclistas portugueses da equipa: João Almeida, António Morgado e os irmãos Rui e Ivo Oliveira.
João Almeida será um dos principais candidatos à vitória final, depois de ter sido segundo classificado na edição de 2025, num arranque de temporada que viria a culminar numa das melhores épocas da sua carreira, com triunfos na Volta ao País Basco, Volta à Romandia e Volta à Suíça, além do segundo lugar na Volta a Espanha. A edição de 2026 marcará ainda o aguardado reencontro entre João Almeida e Juan Ayuso, antigos colegas de equipa e agora adversários. Será o primeiro confronto entre ambos desde a saída do espanhol da UAE Team Emirates-XRG para a Lidl-Trek, uma das formações mais fortes em prova.
Há ainda grande expectativa em torno da estreia em Portugal de Paul Seixas, jovem talento de 19 anos da Decathlon

CMA CGM Team, descrito como uma das maiores promessas do ciclismo internacional, tendo já sido terceiro no último Campeonato da Europa. É apontado por muitos como o próximo francês capaz de vencer o Tour. Entre as estrelas já confirmadas ou com presença prevista contam-se ainda Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), Julian Alaphilippe (Tudor Pro Cycling Team), Filippo Ganna (INEOS Grenadiers) ou Arnaud De Lie (Lotto Intermarché), entre outros nomes de referência do pelotão mundial.
Um produto de excelência para promover o Algarve
Para além da vertente desportiva, a Volta ao Algarve afirma-se como um produto turístico de excelência, promovendo o território a nível nacional e internacional, através de cinco dias de corrida que percorrem paisagens diversas
e atraem milhares de espectadores à região. “É uma montra de excelência para o destino, pela sua dimensão internacional e pela ampla visibilidade que garante em múltiplos mercados estratégicos. Para além do espetáculo desportivo, a prova reforça o posicionamento do Algarve como território preparado para acolher grandes eventos e contribui para captar visitantes também fora da época alta”, confirma André Gomes, Presidente do Turismo do Algarve. “Num ano atípico, marcado pela realização de eleições autárquicas, o trabalho no terreno começou necessariamente mais tarde. Ainda assim, fizemos questão de introduzir um conjunto de inovações que tornam a corrida mais interessante do ponto de vista desportivo. A nova parceria com a Eme Sports representa um passo importante para tornar a Volta ao Algarve ainda mais profissional e ajustada aos tempos atuais”,
acrescenta Cândido Barbosa, Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo.
RTP e Eurosport garantem transmissão global
Todas as etapas da Volta ao Algarve poderão ser acompanhadas em direto na RTP2 e na RTP Play, em território nacional. A distribuição internacional está a cargo da Warner Bros Discovery, através dos canais Eurosport e HBO Max, garantindo um alcance estimado de 14,8 milhões de lares em todo o mundo.
Em 2025, a Volta ao Algarve obteve um impacto global recorde de 36,5 milhões de euros, segundo o estudo realizado pela Universidade do Algarve e pela Cision. O impacto económico direto na região foi de 8,6 milhões de euros, enquanto o retorno mediático ascendeu a 27,9 milhões de euros. A prova registou
1.525 notícias, 56,9 milhões de impressões, foi transmitida para 78 países e gerou mais de 4,5 milhões de impressões nas redes sociais. A marca Algarve destacou-se com um retorno mediático superior a 24 milhões de euros.
Algarve Granfondo corre-se em Lagos
Tal como em anos anteriores, a 52.ª Volta ao Algarve integrará no seu programa o Algarve Granfondo, no dia 21 de fevereiro, uma viagem de imersão pelas paisagens mais genuínas e menos conhecidas do interior algarvio, onde os participantes poderão optar entre dois desafios: os 130 quilómetros do Granfondo ou os 90 quilómetros do Mediofondo. Com partida de Lagos, são esperados mais de 1.000 ciclistas amadores nesta que é a prova de participação popular da Volta ao Algarve.




Taberna by Lucia Ribeiro transporta a cozinha tradicional algarvia
para o século XXI
Formada em Gestão Internacional e Espanhol, Lucia Ribeiro não resistiu ao chamamento da jaleca e frequentou cursos de cozinha no Algarve e em Londres. Trabalhou com nomes como Gordon Ramsay, Paul Walsh, Claude Bosi e Dieter Koschina e, em 2023, decidiu aventurar-se por conta própria, com o Taberna by Lucia Ribeiro em Almancil. Os menus assentam sobretudo na cozinha tradicional algarvia, mas com um toque moderno, à século XXI, e a forte adesão de público, nacional e estrangeiro, demonstram que a aposta foi bemsucedida.
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Adriana Urbano
atural de Armação de Pêra e mãe de dois filhos, Lucia Ribeiro formou-se em Gestão Internacional e Espanhol, em Londres, onde viveu mais de metade da
sua vida. Trabalhou na banca e, em 2012, seguiu o seu instinto e investiu num curso de cozinha no Algarve, região que ainda hoje a apaixona. Incentivada pelos formadores, regressou a Londres, onde frequentou um curso de Alta Cozinha no Le Cordon Bleu.
Seguiram-se quatro anos em que colaborou com nomes sonantes da cozinha como Gordon Ramsay, Paul Walsh, Claude Bosi e Dieter Koschina. O percurso londrino acabou por lhe abrir portas para regressar a Portugal, onde trabalhou com Dieter Koschina no Vila Joya, antes de ser Head Chef do MIMO Algarve, no Pine Cliffs Resort, em 2018, onde dirigiu aulas de culinária, experiências gastronómicas como supper clubs ou showcookings. A este currículo junta-se a apresentação do programa «Cozinhamos Contigo», do canal Casa e Cozinha, deu formação na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve e foi Executive Chef do Morgado do Quintão, em Lagoa.
Em 2023 lança-se a solo e abre um restaurante em nome próprio, Taberna
by Lucia Ribeiro, o antigo Poço d’Almancil, onde o conceito servido à mesa é o da comida tradicional algarvia, mas com uma nova roupagem. De facto, sem nunca esquecer os produtos e sabores da região, a chef inova nas técnicas usadas e aposta forte na apresentação. O menu, que varia ao longo do ano consoante as épocas, aproxima a serra e o mar enquanto promove a partilha. A carta de vinhos tem mais de 250 referências, de norte a sul, passando pelas ilhas, e são maioritariamente nacionais.
Na decoração, o estilo mix and match traz um ambiente descomprometido, que pretende deixar à vontade todos os que visitam o espaço. O interior do restaurante tem 34 lugares sentados e 4 ao balcão, ao passo que a esplanada conta com 16 lugares. “Abrir um


restaurante em nome próprio e poder receber, na primeira pessoa, feedback de clientes nacionais e internacionais que se tornam visitas regulares, é a confirmação de que fiz a escolha certa quando decidi mudar de área há mais de 15 anos. É certo que as responsabilidades aumentam, mas poder tomar as minhas próprias decisões tem sido extremamente compensatório. No entanto, toda a equipa foi vital para a implementação do restaurante e sucesso das iniciativas realizadas até então, e sê-lo-á também para o que ainda queremos fazer no Taberna by Lucia Ribeiro, onde as mulheres assumem praticamente a totalidade dos cargos”, adianta a Head Chef e proprietária Lucia Ribeiro.
De facto, quem conhece Lucia reconhece-lhe as aptidões
comunicacionais e sabe-a incapaz de fazer uma só coisa. Prova disso são os jantares vínicos de sucesso iniciados durante a época baixa e os workshops, culinários e vínicos, que realiza na Taberna para grupos de amigos, família ou até empresas. “Eu nasci dentro da hotelaria, por detrás de balcões e bares, era pequenina e já me punha em cima das grades de cerveja para servir imperiais aos clientes. Os meus pais trabalhavam em hotelaria e desde os 8 anos de idade que faço as refeições em casa, debaixo das saias da minha avó, da minha tia, da minha mãe, da minha madrinha, de toda a gente. Sempre tive uma família de mulheres grandes cozinheiras e, antigamente, tínhamos que ajudar na lida, a apanhar os ovos, a ir à horta buscar os tomates e as couves, preparar, lavar. Sempre estive muito envolvida nesse lado das coisas e



são os sabores e os cheiros desse tempo que me trouxeram à Taberna”, conta a entrevistada.
“Alta gastronomia tem os dias contados”
Neste acolhedor e caloroso restaurante
Lucia Ribeiro junta, então, o mar e a terra, influenciada pelas memórias de uma avó de Armação de Pera e de outra avó de Messines. “Fruto do meu historial, dos restaurantes todos por onde passei, as minhas técnicas são um bocadinho mais rebuscadas do que uma cozinheira tradicional em casa, fui adaptando receitas com um pequeno twist da minha parte”, refere, acrescentando que a decisão de trocar o mundo das finanças pela culinária foi bastante fácil de tomar. “Escritório das 9 às 5, em frente a um computador, it’s
not me, não dá. Na crise de 2009/2010 estava grávida da minha filha, estive de baixa com gravidez de risco, o meu marido na altura disse-me para ficar um ano em casa com a menina, que depois logo se via o que se fazia. Entretanto, rebentou a bolha, não havia trabalho no mercado financeiro e eu já não conseguia estar mais tempo em casa”, recorda.
Lucia Ribeiro decide então tirar um curso à noite na Escola de Hotelaria e Turismo de Faro, 200 horas, o formador, o Chef Marcelino, disse-lhe que tinha imenso jeito, o que a levou a inscrever-se num curso profissional de três anos. Contudo, o rumo acabou por ser o Le Cordon Bleu e passou um ano com a mãe e as crianças em Londres. Terminada a formação, de volta às origens, ao Algarve, para o percurso já descrito, e assistiu na primeira fila ao boom da alta

cozinha em território nacional e à euforia em torno dos chefs de cozinha. E não hesita quando afirma que “a alta gastronomia tem os dias contados”. “Podemos inventar, inventar, inventar, mas a nossa comida tradicional é a melhor coisa que existe e acho que as pessoas se esqueceram um bocadinho disso. A internacionalização dos pratos, principalmente no Algarve, porque queremos agradar aos turistas estrangeiros, não faz sentido, porque eles adoram a nossa comida. Tenho total capacidade para fazer fine dining e, para manter a minha mente aberta e criativa, organizo todos os meses jantares vínicos, de outubro a abril. Aí brinco um bocadinho ao fine dining, mas as pessoas, no dia-a-dia, querem comer comida de verdade. Querem olhar para o prato e saber o que é que estão a comer”, frisa Lucia Ribeiro.


Depois de escolhido o caminho a seguir, aposta total na cozinha antiga, mas confecionada de forma mais moderna, «desenhar» a carta não foi muito complicado, porque é uma grande estudiosa da gastronomia do Algarve. “Leio muito, falo imenso com as velhotas, pesquiso as nossas raízes, e continuo a lembrar-me dos aromas, dos cheiros, do estalar dos alimentos. Algumas receitas são o resultado de erro, erro, erro, até chegar onde quero, porque, infelizmente, já não tenho muita gente que me conte como se cozinhava antigamente, tenho uma tia e uma madrinha”, indica Lucia Ribeiro.
Chegar ao antigo Poço d’Almancil não foi imediato, a chef andou alguns anos à procura do espaço ideal, no máximo com 35 lugares, mas, quando entrou no estabelecimento e contatou com “aquele
toque algarvio”, viu logo que a procura tinha terminado. Quanto aos clientes, “é um mix maravilhoso” “Foi acontecendo naturalmente, os portugueses, os curiosos, os turistas estrangeiros, tenho gente a vir de todo o Algarve cá comer, de Portimão de propósito por causa da minha cataplana, de Lagos para fazer experiências gastronómicas comigo”, diz, sorridente. “A Carta de Comida é fácil de gerir, na minha cabeça está tudo formatado. Depois, tornei-me uma alucinada no que diz respeito à Carta de Vinhos, tenho mais de 250 referências de todas as regiões do país, sei onde estão todas as garrafas, e até ao final do mês entram mais 30 referências. Portugal tem um vinho fantástico, cabe-nos a nós divulgar isso, e já tenho também 15 ou 20 referências algarvias”, destaca.




Viver uma experiência gastronómica é o caminho a seguir, defende Lucia Ribeiro, aliás, 25 por cento dos clientes do Taberna by Lucia Ribeiro nem pede menu. “Simplesmente dizem-me para mandar comida para a mesa e preciso ter sempre quatro ou cinco vinhos fora da Carta, sempre, sempre, sempre, sempre. Depois tenho aqueles clientes no verão que me ligam a pedir cabeça de pargo assada no forno, ou uma caldeirada de lulas ou chocos. Havendo matéria-prima, que às vezes não há, faço tudo pelos meus clientes, seja um casal ou uma família inteira de 10 pessoas”, garante.
Lucia Ribeiro trabalha já com um grupo de fornecedores selecionados, quando tem workshops ou aulas, vai ao mercado com os alunos escolher os produtos, e todos os dias vai à praça de peixe. O problema é, adivinhe-se, a mão-de-obra.
“Neste momento estou sozinha no fogão e faço a sala também à noite, porque os jovens só querem ir para restaurantes com estrelas Michelin e para hotéis famosos e não querem passar pela nossa gastronomia. Não se apercebem que não são chefes quando terminam a escola de culinária, que são apenas cozinheiros. Podem ter tirado grandes notas, mas não têm experiência, precisam acordar para a vida”, desabafa a entrevistada. “As pessoas querem trabalhar de segunda a sexta, não querem trabalhar ao fim de semana, não querem trabalhar à noite, por causa da família. Eu entendo, sou uma mãe, tenho dois filhos, e trabalho à noite há 15/20 anos. As pessoas, hoje, não querem fazer esses sacrifícios, portanto, não sei qual vai ser o futuro da restauração”, questiona.


Quanto ao futuro da Taberna by Lucia Ribeiro, nos próximos meses há nova Carta para surpreender os clientes, sem fugir à «receita mágica» que lhe garantiu o sucesso, e há espaço para mais aventuras, assegura. “E nada arrependida de ter largado o mundo das finanças, é aqui que está a minha paixão. Podia ganhar muito mais dinheiro na minha antiga vida, até mesmo a trabalhar num hotel, seria tudo mais fácil, mas é isto que gosto. O filho mais velho (20 anos) está a estudar em Londres há um ano e meio, trabalha numa revista de moda, vai agora para Paris – sou uma mãe super orgulhosa. Depois, tenho a minha pestinha de 14 anos, mas daqui a alguns anos também vai partir em busca dos seus sonhos. Eduquei dois filhos para o mundo, tenho aqui o meu terceiro filho … e quem sabe se não haverá uma Taberna em Londres”, deixa no ar Lucia Ribeiro.





Ginástica Rítmica deslumbrou no Portimão Arena
Portimão Arena assistiu, no fimde-semana de 10 e 11 de janeiro, ao VII Torneio de Ginástica Rítmica organizado pelo CIRM – Clube Instrução Recreio Mexilhoeirense, com o apoio da Federação de Ginástica de Portugal, da Associação de Ginástica do Algarve e do Município de Portimão, entre outros patrocinadores. A competição contou com a presença de 230 ginastas a
defender as cores de 13 clubes vindos de todo o país, do norte a sul e passando, inclusive, pelas ilhas, avaliados por um coletivo de 30 juízes.
Foram dois dias intensos de muita emoção, competição e, acima de tudo, de enorme companheirismo, porque, independentemente de fazerem parte do ACDCL, ADA, AGRA, CCRCCR, CDACM, CIRM, CNM, CRDV, CRF, CSSPF, EGA, GFC, SFUAP ou VCQ, as jovens pertencem, em primeiro lugar, à saudável família da ginástica rítmica. E, nas
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
bancadas, os familiares e adeptos desta modalidade olímpica não se pouparam nos aplausos e gritos de incentivo às atletas dos escalões benjamins, infantis, iniciadas 1.ª e 2.ª divisões, juvenis 1.ª e 2.ª

divisões, juniores 1.ª e 2.ª divisões, seniores 1.ª e 2.ª divisões, que mostraram os seus dotes na corda, arco, bola, maças, fita e movimentos livres.



































































































Ciclo de Exposições em São Brás de Alportel combina Arte, Memória e Identidade
m 2026, São Brás de Alportel promete ser um ponto de encontro para a arte e a cultura, com um ciclo de exposições que abrange pintura, escultura, desenho, artesanato, artes visuais e património documental. Ao longo do ano, o público poderá explorar uma agenda
diversificada num conjunto de espaços culturais do concelho, designadamente, a Galeria Municipal, o Centro de Artes e Ofícios e o Centro Museológico do Alportel, mas também o átrio do CineTeatro, o Oribá e uma diversidade de outras ofertas. O programa reúne exposições de artistas locais, regionais, nacionais e internacionais, bem como de associações e projetos coletivos, e foi
Texto: Daniel Pina

apresentado, no dia 15 de janeiro, pela presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Marlene Guerreiro, e por Sónia Silva, coordenadora do Gabinete de Gestão Cultural e Eventos.
A Galeria Municipal inicia o ano com a exposição «Postais Ilustrados: Uma viagem pelo mundo e pela história» e continua com propostas que cruzam memória, experimentação artística, tradição e contemporaneidade, incluindo arte jovem, projetos de sensibilização ambiental e mostras inclusivas. No Centro de Artes e Ofícios, as exposições destacam a criação, saber-fazer e ligação às tradições, com iniciativas que promovem o diálogo entre a arte contemporânea e as heranças culturais,


como a mostra «Traços do Sul –Criatividade, Inovação e o Prazer de Viver» e exposições de cerâmica, pintura e artesanato. Já o Centro Museológico do Alportel foca-se na valorização do património material e imaterial, com exposições sobre artesãos locais, pintura contemporânea, escultura e a identidade da região. Paralelamente, o átrio do São Brás Cineteatro Jaime Pinto continua a afirmar-se como um espaço complementar para pequenas exposições, ampliando a oferta cultural e dando visibilidade a novos artistas.
A Galeria Municipal recebe, ao longo de 2026, 13 exposições, a primeira das quais, em janeiro, é «Postais ilustrados: uma viagem pelo mundo e pela história», uma parceria com os Amigos da Filatelia que conta, como de costume, com o apoio dos CTT e que apresenta coleções raras e de prestígio. Em fevereiro, José Amândio Pereira traz «Perceções», com desenhos efetuados num iPad. Março é tempo de receber «Quil Sonhos» de Marie Line Decroix, artista belga que mostra as colchas que produz ao longo de meses a fio. A pintura chega, em abril, com «O fim de uma era» de Ana António Gill, mostra que marca um ponto de transição na sua trajetória artística. Como é costume, a arte jovem toma conta da Galeria Municipal em maio, com a sexta edição do «Artreve-te». José Manuel Belchior e Vítor do Carmo Lourenço chegam em junho com «São Brás de Alportel –Gentes e Memórias», uma mostra documental que já vai na sua quarta edição.
O segundo semestre de 2026 começa com «Pão e Vinho: a essência da cultura»

de Corre Pé, uma exposição que celebra a cultura portuguesa através de dois dos seus alimentos mais emblemáticos. O projeto nasce de uma reflexão sobre as raízes culturais portuguesas, o gesto de partilhar, o valor simbólico dos alimentos e a espiritualidade que permeia a mesa.
Cláudia Martins, estudante de pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, apresenta, em agosto, «Luciferasis» e, em setembro, mais pintura, desta feita de

Maria de Deus, com «A originalidade da arte». Numa parceria com a «Águas do Algarve» é exibida, em outubro, «A água e o mar para mim», uma exposição de chapéus de chuva que nasceu de um desafio lançado às IPSS da região. Yvonne Rotgans e Jacqui Brinkhorst dão a conhecer, em novembro, «Na mistura», uma exposição de pintura e mosaicos 3D, e o ano termina com «A arte da diversidade» da responsabilidade da
AAPACDM – Associação de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais.
Rumando ao Centro de Artes e Ofícios, 2026 começa com o trabalho da Associação de Criativos do Sul, que em janeiro e fevereiro mostra «Traços do Sul Criatividade», com trabalhos de desenho, pintura, fotografia e artesanato. Seguemse, em março e abril, Helena e Nuno Barros, com «Superfície das memórias». O casal trabalha carvão e aguarela e

descobriu recentemente a paixão pela pintura no azulejo e cerâmica. A pintura regressa, em maio e junho, com «Portas» de Carola Colley e, em julho e agosto, mais pintura, agora com «Traços de Arte» de Maria de Deus Alves. Andrea Fonseca é a senhora que se segue, em setembro e outubro, com «Pormenores do interior ao litoral», painéis artísticos de tecido criados numa harmonia entre a tradicionalidade, as cores e a sustentabilidade. A derradeira mostra do ano está a cargo da Associação Esfera Triunfante, com o artesanato de «Tradições que persistem».
Olhando para o Centro Museológico do Alportel, o ciclo de exposições arranca da melhor maneira, com artistas da casa,
isto é, da Sociedade Recreativa Alportelense, que de janeiro a março levam ao espaço «Artes cá da Terra»». A mostra reúne seis artistas que trabalham madeira, empreita, palma, cortiça, renda e tecido. De março a maio, Ana Sota divulga a sua pintura com «Expressões da cor» e, de junho a agosto, também em pintura, surge «Reunião das artes: O lago das ninfas e os vestidos da MU» de Tatiana Silva. O programa de 2026 termina com Carola Collet e a exposição «Nós», de agosto a outubro, com esculturas de parede que exploram o nó como símbolo de união, proteção e plenitude.

























«VIDRO PANTERA – ESTILHAÇOS SUBIU AO PALCO DO TEATRO
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

ESTILHAÇOS DE HEINER MÜLLER» TEATRO DAS FIGURAS

o momento em que se assinalam os 30 anos da morte do dramaturgo alemão, o Teatro de Ferro e a Alma d'Arame decidiram criar um espetáculo-visita-guerra-relâmpago ao universo de Heiner Müller. Fragmentos da sua poesia e do seu teatro animam corpos, espaços, objetos, máscaras e até marionetas em «Vidro Pantera –Estilhaços de Heiner Müller», que foi a cena, no Teatro das Figuras, nos dias 16 e 17 de janeiro. Um espetáculo onde aristocratas e ditadores, soldados, amantes, vivos e mortos, dialogam com figuras maiores da mitologia e da cultura europeia numa tensão este-oeste que Heiner Müller tão bem soube sintetizar.
«Vidro Pantera» é um espetáculo feito de estilhaços, de pedaços de textos, e neste caminho entrecortado e caleidoscópico acabamos por descobrir um Müller que é simultaneamente autor e ator nos dramas que escreveu e que viveu. Inquietante do princípio ao fim, com encenação de Igor Gandra, cenografia de Amândio Anastácio e música de Carlos Guedes, «Vidro Pantera – Estilhaços de Heiner Müller» é interpretado por Guilherme Vieira, Mariana Ferreira, Matilde Gandra e Rui Oliveira e pela cantora Catarina Perdigão. É uma cocriação e produção do Teatro de Ferro e Alma d'Arame, com coprodução do Teatro das Figuras. A Alma d’Arame e o Teatro de Ferro são estruturas financiadas pela República Portuguesa/Cultura, Juventude e Desporto, Direção Geral das Artes.
















































«BUBLÉ! THE TRIBUTE» ESGOTA CARLOS DO CARMO EM DUAS

Texto: Ricardo Coelho| Fotografia: Ricardo Coelho
DUAS NOITES MEMORÁVEIS


o âmbito das comemorações dos 253 anos da Criação do Concelho de Lagoa, o Auditório Carlos do Carmo recebeu, nos dias 16 e 17 de janeiro, o espetáculo «Bublé! The Tribute», que registou duas noites de sala esgotada e conquistou o público com uma produção de elevada qualidade artística.
Interpretado por Tiago Rodrigues, o espetáculo apresentou um tributo rigoroso e elegante ao universo musical de Michael Bublé, destacando-se pela forte presença em palco, autenticidade vocal e uma cuidada componente cénica e audiovisual. Mais do que um concerto, «Bublé! The Tribute» proporcionou uma
experiência envolvente que aliou música, imagem e emoção.
O espetáculo dividiu-se em dois momentos distintos. A primeira parte foi dedicada aos temas de Natal que marcaram a carreira do artista canadiano, acompanhados por uma cenografia evocativa da época festiva. Na segunda parte, o público foi conduzido por uma seleção dos grandes clássicos de Michael Bublé, num repertório que cruzou swing, jazz, pop e soul.
Arranjos musicais detalhados deram nova vida a temas como «It’s a Beautiful Day», «Cry Me a River», «Always On My Mind», «Feeling Good», «Everything» e «Home», reforçando a identidade e o rigor artístico da produção. Todos os elementos do espetáculo — desde a decoração de palco ao desenho de luz e



conteúdos multimédia — foram pensados ao pormenor, contribuindo para uma apresentação visualmente sofisticada.
Em palco, Tiago Rodrigues esteve acompanhado por um naipe magníficos de músicos profissionais, sob a direção artística de Joaquim Andrés (guitarra em dois temas) e direção musical de Carlos Santos (piano) e Josué Gomes (bateria). Integraram ainda a formação Bony Godoy (baixo e stick bass), Diogo Costa (guitarras), Filipe Valentim (saxofones), Roberto Costa (trompete) e Melanie Salomão, que, além dos backing vocals,
participou em vários duetos. Destaque também para a participação dos bailarinos André e Alexia, no tema «Sway».
«Bublé! The Tribute» afirmou-se como um espetáculo de grande classe, emoção e respeito pela obra original, merecendo o reconhecimento do público presente.
Trata-se de uma produção com forte potencial de circulação nacional e internacional, capaz de levar a elegância e a intemporalidade da música de Michael Bublé a novos públicos.






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