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ALGARVE INFORMATIVO 17 de janeiro, 2026
1À CONVERSA COM ANA PAULA MARTINS E PAULO PAULINO | FESTIVAL DE MÚSICA DE CÂMARA ALGARVE DO INFORMATIVO #510 ALGARVE
GINÁSTICA ACROBÁTICA DA APAGL E LOULETANO DESPORTOS CLUBE | CHOQUE FRONTAL AO VIVO DE REGRESSO
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Os GNR festejaram os 45 anos de existência com um estrondoso concerto no Cineteatro Louletano 3
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ÍNDICE Paulo Cunha (pág. 16) Fábio Jesuíno (pág. 18) Nuno Campos Inácio (pág. 20) Paulo Neves (pág. 22) Sílvia Quinteiro (pág. 24) Entrevista Paulo Paulino (pág. 28) Entrevista Ana Paula Martins (pág. 38) Paderne Medieval (pág. 50) Classe de competição de ginástica acrobática da APAGL prepara nova época (pág. 66) «Operação salvar o Natal» da acrobática do Louletano Desportos Clube (pág. 90) Choque Frontal ao Vivo apresenta nova temporada (pág. 110) Festival de Música de Câmara do Algarve no Cineteatro Louletano (pág. 116)
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“Eu é que sou o Presidente da Junta!” Paulo Cunha, professor uerendo caricaturar o autarca local arrogante e vaidoso, usando o bordão humorístico que cristalizou um estereótipo sobre Presidentes de Junta de Freguesia - “Eu é que sou o presidente da Junta!”, Herman José personificou o que alguns candidatos a presidente, seja do que for, pretendem para si e para os «seus». Ao usar e abusar desta expressão de autoridade exibida, põe o dedo na ferida, expondo as pretensões de vários candidatos à direção ou presidência de diversas instituições. «A atração pela presidência» pode resultar de múltiplos fatores: ambição, vocação, vaidade, sentido de missão ou até uma mistura de todos eles. Sendo a política um terreno fértil para o humor, pois é visível, sensitiva e emocional, nela as pessoas reconhecem os tiques dos seus intervenientes e, naturalmente, a caricatura propaga-se e persiste! Falando de política local, a atração pela presidência costuma nascer de três impulsos amplamente humanos: a vontade de transformar, o desejo de reconhecimento e a adrenalina do poder. O desejo de reconhecimento é quase como uma força invisível que molda ALGARVE INFORMATIVO #510
comportamentos, escolhas e até identidades. Não é um capricho, é uma necessidade profundamente enraizada na forma como o ser humano se desenvolve. A psicologia vê a necessidade de reconhecimento como um dos pilares da construção do «eu». Ele atua em várias camadas: a necessidade de pertença, a regulação da autoestima e a motivação. A parte menos boa surge quando o reconhecimento deixa de ser um complemento e passa a ser a única fonte de valor pessoal, levando a manifestar os sintomas de dependência da validação externa: perfecionismo, medo de falhar, ansiedade social, sensação crónica de insuficiência e de agir para agradar, não para ser autêntico. A solução para este sintoma está em integrar o reconhecimento externo com uma base interna sólida, desenvolvendo valores próprios; autoconsciência, autocompaixão e um sentido interno de competência, por forma a que o reconhecimento dos outros deixe de ser uma necessidade vital e passe a ser apenas um reforço positivo. O reconhecimento pode incentivar a coragem, inspirar decisões difíceis e criar um sentido de propósito. Um líder que se sente valorizado tende a liderar com mais clareza e generosidade. Quando o 16
Foto: Daniel Santos
reconhecimento se torna um vício, o líder começa a governar para agradar, não para servir. As decisões deixam de ser estratégicas e passam a ser reativas. A autenticidade desvanece-se. O líder transforma-se num espelho dos desejos alheios, perdendo a sua própria voz. No caso da candidatura ao mais alto cargo da nação, para a realizar os pretendentes à Presidência da República combinam motivos pessoais (ambição, visibilidade, estatuto e reconhecimento), cívicos (serviço público, defesa de valores, convicções políticas e defesa e proteção de causas) e práticos (cumprir os requisitos legais: ser português, ter mais de 35 anos e reunir 7.500 assinaturas). Muitos candidatos procuram a visibilidade e o estatuto que o cargo confere, pois constitui uma 17
plataforma para influenciar as políticas públicas. Mesmo sem poderes executivos diretos, o Presidente da República pode moldar o debate público e vetar leis, deixando assim uma marca simbólica e institucional, algo que atrai pessoas com vontade de construir um legado e ficar na história do país. E você, prezado leitor, estaria preparado para dar o «corpo ao manifesto», candidatando-se a Presidente da República Portuguesa? Eu confesso que não. Senão vejamos: uma campanha exige exposição constante, escrutínio permanente e tomada de decisões rápidas; a crítica pública – justa ou injusta – torna-se diária; a responsabilidade sentida pode gerar ansiedade, exaustão e stress prolongado; a vida pessoal passa a ser analisada, comentada e julgada; uma campanha presidencial exige recursos financeiros significativos; uma campanha malsucedida pode afetar a imagem pública a longo prazo; a agenda é imprevisível e exaustiva; as pressões dos partidos, conselheiros e grupos de interesse podem limitar a autonomia; a necessidade de agradar a múltiplos setores torna a tomada de decisões mais difícil; qualquer declaração pode ter impacto social e diplomático. Não, definitivamente, nem o cargo de «Presidente da Junta» almejaria! Contento-me em partilhar a presidência do lar com a minha mulher, dialogando e estabelecendo consensos para que a família tenha as melhores condições de vida e sobretudo seja feliz. Simples, mas um modelo eficaz para escolher o meu presidente, seja ele qual for e do que for! ALGARVE INFORMATIVO #510
Fábio Jesuíno, empresário ara além dos conflitos armados, travamos hoje uma guerra invisível, a das fake news. Esta luta pelo controlo da informação espalha-se pela Internet e tem consequências reais. Enfrentar esta manipulação global é um desafio coletivo que exige vigilância, consciência e ação de todos. A internet continua a ser um espaço de liberdade, mas a escala e a sofisticação das fake news transformaram-na num campo de batalha central da manipulação global. Estudos recentes mostram que a desinformação é hoje vista como um dos maiores riscos para as democracias e para a estabilidade social em todo o mundo. Nos últimos anos, organismos internacionais passaram a classificar a desinformação como um risco sistémico, capaz de agravar conflitos, crises políticas e desconfiança nas instituições. Relatórios globais de 2025 colocam a desinformação entre as principais ameaças de curto prazo para a Humanidade, ao lado de conflitos armados e choques ambientais. Inquéritos internacionais indicam que a maioria das pessoas está preocupada em distinguir o que é real e falso no espaço ALGARVE INFORMATIVO #510
online, e que a confiança nas notícias tem vindo a cair. Em média, cerca de 58 por cento dos utilizadores em dezenas de países dizem estar preocupados com a dificuldade em saber se uma notícia online é verdadeira ou falsa. A utilização de fake news em eleições continua intensa: no Brasil, para além de 2018, a desinformação desempenhou também um papel relevante nas presidenciais de 2022, com forte circulação de boatos em aplicações de mensagens e redes sociais. Nos EUA, a campanha de 2020 foi marcada por narrativas falsas sobre fraude eleitoral, alimentando ataques à legitimidade do processo democrático. Em Portugal, nas eleições presidenciais de 2026, a desinformação soma, desde novembro de 2025, mais de 7,7 milhões visualizações nas redes sociais, revela um estudo do LabCom – Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior. Desde o início da invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022, o volume de propaganda digital e conteúdos manipulados disparou, com o uso crescente de vídeos e imagens geradas por inteligência artificial para influenciar a opinião pública global. Relatórios europeus e internacionais documentam campanhas coordenadas, 18
maioritariamente pró-russas, que combinam censura interna rigorosa com a disseminação externa de narrativas falsas, visando justificar a agressão militar e desacreditar media independentes. Perante este cenário, apoiar órgãos de comunicação independentes e de qualidade tornou-se ainda mais crucial, pois a maioria dos estudos mostra que as fontes jornalísticas fiáveis continuam a estruturar o debate público, mesmo num ambiente saturado de desinformação. Ao subscrever media independentes, partilhar jornalismo de verificação de factos e exigir transparência às plataformas, cada utilizador reforça a 19
infra-estrutura democrática de informação. No dia-a-dia, há medidas simples que ajudam nesta guerra pela informação, verificar a origem das notícias antes de partilhar, desconfiar de conteúdos sensacionalistas ou sem fonte identificada, recorrer a projectos de fact-checking e usar as ferramentas das próprias redes sociais para denunciar conteúdos falsos. Ao fazer escolhas informadas e responsáveis, cada pessoa contribui para limitar o alcance das fake news e proteger o espaço público digital.
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Centralismo - o maior desastre nacional Nuno Campos Inácio, editor e escritor
É
sabido que nenhum detentor do poder abdica voluntariamente do poder que detém.
Este princípio geral da sociedade aplica-se com maior afinco aos detentores do poder político. Por vontade própria eternizarse-iam no exercício do poder, que funciona como uma espécie de dependência, tão ou mais perniciosa do que qualquer outra substância estupefaciente. O poder é, por defeito, centralista, não permitindo mais do que a sua projeção através de cadeias de representação, devida controlada e submissa, que formam uma teia de ressonância, que parece vibrar independentemente, mas que, na verdade, está ligada e dependente daquele que a gerou. Quando o 25 de Abril partiu a teia de um sistema que, mais do centralista, era ditatorial, abriu as portas à descentralização. Uma decisão natural, na medida em que foi tomada por indivíduos que não detinham o poder. O futuro político era uma incógnita e o regionalismo assumiu-se como um travão ao estabelecimento de novas ditaduras, fossem elas de esquerda ou de direita.
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Passados 50 longos anos, a regionalização está por ser feita e o centralismo agudizou-se. A afirmação do Primeiro-ministro de que a regionalização não era uma prioridade para este Governo, não é mais do que o replicar de discursos já gastos de 50 anos de um novo poder centralista, ora liderado pelo PSD, ora pelo PS, mas sem qualquer evolução prática digna de nota. Já as técnicas de propaganda e as manobras de diversão e apaziguamento, vão-se tornando mais eficazes. O centralismo nacional, passando uma imagem que desejava uma descentralização, reuniu as antigas direções regionais numa espécie de governo regional, comandado pelas CCDR’s, cujos dirigentes eram eleitos por um colégio eleitoral, transmitindo uma imagem de independência. Agora, aumentam o número de vicepresidências e o Governo passa a escolher cinco dos sete elementos. O centralismo do Governo Central passou a ter o dobro da eficácia, controlando o poder central e o poder regional, mas permitindo a eleição do Presidente e de um Vice-Presidente. Com esta medida, as CCDR’s transformam-se numa espécie de Câmara Municipal do período do Estado Novo, ou seja, são funcionários administrativos 20
com títulos pomposos, que representam o poder central. Com a autonomia política e administrativa posta em causa, mantémse a organização política que tem conduzido o país para o desastre económico e social, que se vê ser ultrapassada rapidamente por outros países que há poucos anos apareciam classificados como subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento.
permite a criação de valores regionais. Não incentiva o investimento e o desenvolvimento. Tratar tudo de forma igual não é igualdade. A verdadeira igualdade é tratar de maneira igual o que é igual e de maneira diferente o que é diferente. Um Estado central, paternal, encasulado em gabinetes, é um Estado cego, a verdadeira presa da teia gigantesca que, em Portugal, constrói e conserva há 50 anos.
O centralismo mata o espírito de iniciativa local e regional. Impede a tomada de medidas diferenciadoras com vista ao progresso das regiões. Não 21
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Je suis Nuuk* Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha ivo numa ilha, rodeado de gelo. Tenho uma cultura própria, que defendo. Fomos perseguidos por causa da nossa cultura. Agora, de repente, estamos rodeados também por adversários e inimigos. Ou, por antigos amigos que se tornaram adversários, que poderão passar a ser invasores por causa de outros seus e nossos inimigos, também no futuro próximo. Quem consegue viver assim? De repente, apenas 55 mil vizinhos (total dos ilhéus) que se bastavam neste clima gélido, habitantes de uma enorme ilha que ninguém se lembrava, passou a estar no meio de interesses de novas rotas marítimas, por causa do degelo das alterações climáticas, de termos recursos geológicos que interessam a todos e até aos nossos amigos a quem antes cedemos bases militares no nosso território que querem fazer todo seu. Somos todos da NATO e sabíamos em quem confiar em caso de necessidade. Agora isso faz com que tenhamos o inimigo à porta, os que nos circundam e os que nos ameaçam já tomar. Por compra (750 mil milhões de dólares) pelo preço que nos fixaram, ou «por outros meios». Uma ameaça que paira sobre todos nós.
Os nossos inimigos, que nos circundam, devem estar-se a rir da NATO a implodir nas disputas entre aliados por causa de nós e já nem se lembram do apoio à ameaça a leste. Os nossos amigos fazem deslocar meios militares para a nossa ilha para nos defender dos inimigos e do aliado que nos ameaça a todos. Quem consegue viver assim? A ilha que era o nosso mundo passou a ser o palco do mundo, num teste de nervos, negociações e ameaças entre amigos com os demais todos à espreita. Mas estão mesmo a negociar-nos (?) Será o fim das ilhas no mundo, com gelo, sem gelo, desde que tenham recursos que interessem a alguém que se diz mais forte, ou posição estratégica, cultural que interessa a quem tenha mais poder. Eis o novo mundo. E o Canadá tão perto. Vivendo o mesmo dilema com quem divide uma ténue fronteira terrestre que as relações íntimas não faziam antever idêntica ameaça. Mais uma «ilha» que separa os dois gigantes que parecem amigos na divisão «das ilhas», com outro à espreita para também tomar as suas. Quem consegue viver assim?
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Não quero ligar a TV, nem ler os jornais ou ouvir rádios, pois os conflitos de territórios por causa do poder e dos interesses destes amigos/adversários/inimigos deflagram por «todas as ilhas» do mundo. A nova Riviera, com os seus habitantes a serem martirizados ou expelidos, subjugados, para «outras ilhas». A divisão de territórios que eram independentes com filhos arrancados às mães e dispersos entre regiões do invasor para assumirem a sua cultura. Países inteiros, cujos povos vivem na miséria por causa das sanções impostas aos seus regimes que ficam assim ineptos para dirigirem nações, provocando as revoltas, que servem a quem as impôs e a seguir vai salvar, tomando os recursos desses territórios como se fossem seus quintais. É o nosso futuro?
deixemos de decidir sobre o que só nós podemos decidir, ainda. Temos que viver assim, mas sem ser levados pela loucura. Sim, uma nova ordem mundial é necessária a esta desordem. Na ONU e, já antes, no poder decisão na nossa velha Europa.
Quem é nosso amigo/adversário/inimigo? Quem consegue viver assim? Afinal, quem decide sobre os nossos recursos, investimentos, dívida futura criada para novas prioridades. Ao serviço de quem? Je suis Nuuk. Todos somos afinal, queiramos ou não, estamos reféns desta loucura que se nos impõe como amiga. De forma brutal. Não percamos nós o sentido da responsabilidade, da moderação e não 23
Saibamos assumir o momento. Sim, Portugal tem ativos humanos que lideram o momento e história para poder contribuir. Paulo Neves, em memória das vítimas, no início de 2026, nos principais conflitos «nesta ilha» do Universo que é a Terra - RússiaUcrânia; Israel-Hamas; Sudão; Mianmar; Síria; Iêmen; Etiópia; República Democrática do Congo; África Subsaariana (Nigéria, Mali e Burkina Faso); Ásia: (India e Paquistão); Região do Cáucaso (Azerbaijão e Armênia); Irão; Venezuela…; …. E ainda estamos a meio de janeiro. *Capital da Gronelândia (onde vivem a maior parte dos groenlandeses), território autónomo da Dinamarca.
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Matar o tempo Sílvia Quinteiro, professora im a um salão perto de casa. Começar o ano novo com cabelo velho é meio caminho andado para correr mal. Quase tão arriscado quanto errar na cor da lingerie. Sento-me e aguardo. À minha frente, três mulheres apertam-se num pequeno sofá. Olho em volta. Procuro, em vão, a clássica mesinha das revistas. Pergunto onde está. A cabeleireira explica que já não existe: — Agora toda a gente traz o telemóvel e lê o que quer. Fico em silêncio. Concentro-me também eu no pequeno ecrã. Mas protesto por dentro. O que é uma ida à cabeleireira sem revistas cor-de-rosa? Sem a leitura do signo de há três meses? Sem a notícia que nos relembra a festa de casamento da atriz que, entretanto, já se divorciou, reconciliou e voltou a separarse? Onde estão as páginas puídas por dedos curiosos e descuidados, a capa que teima em agarrar-se ao último agrafo? Sinto falta do ritual.
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E o silêncio? Como perceber a ausência da conversa neste espaço? Da bisbilhotice com cheiro a laca e óleo de permanente? Não me refiro ao comentário lacónico sobre quem vai entrar no próximo reality show ou quem faleceu na telenovela. Falo do mexerico suculento, capaz de transformar uma cidade numa pequena aldeia. Nada de comentários avulsos — “esta anda a levar injeções para emagrecer”, “a outra esticou tanto a cara que mal mexe os olhos”. Nada disso! O que se exige é calhandrice da boa, feita com empenho, reveladora de talento para meter o nariz onde não se é chamado. Por este andar, deixamos de saber da vida dos vizinhos — da real e da outra. Não resisto a encetar conversa. Liberto a bisbilhoteira que há em mim e pergunto por novidades. Sendo a única que não tem como deitar as mãos a outra distração, a cabeleireira aproveita de imediato a deixa. Falamos da saúde de algumas clientes habituais, do curso do filho, da reparação do carro do marido, do batizado da neta de uma amiga comum e da madrinha que nem se deu ao trabalho de pintar as raízes… A cavaqueira alastra-se rapidamente à sala. Apenas uma senhora mantém os olhos presos ao telemóvel e não reage. 24
Penso em como somos constantemente bombardeados com frases que nos procuram motivar com a ideia oposta, a do tempo como oportunidade, como promessa, como bem precioso: “tens uma vida inteira à tua frente”, “tens 365 amanheceres à tua espera”, “a cada dia aguarda-te um novo recomeço”…
— A dona Fátima nem sequer ouve — provoca a cabeleireira. — Estou-te a ouvir muito bem — responde, sem levantar a cabeça. — Não tenho é interesse nenhum em saber da vida dos outros. Se está gorda, se está magra, se levava a mala a “conduzir” com os sapatos. — Largue o TikTok, senhora. Fale lá com a gente, D. Fátima? — insiste a cabeleireira. —Deixa-me estar quieta. O “TrokTrok” é para matar o tempo. Vê mas é se te despachas. — responde. “Matar o tempo”. Fico presa à expressão. Não deixa de ser curiosa, principalmente vinda de alguém que claramente há muito passou a barreira dos 80. 25
E o que fazemos nós à primeira oportunidade? Matamos o tempo. Somos criaturas paradoxais. Celebramos os dias que se abrem diante de nós, lamentamos a todo o momento o facto de esta vida “ser dois dias” e, ainda assim, ficamos eufóricos quando completamos “mais uma volta ao sol” ou nos despedimos do ano velho. Como se viver fosse uma obrigação e houvesse alívio em riscar mais um ano da lista. Este já passou! Até que chega a aposentação e ficamos sem saber como aviar tanto tempo livre. Vale-nos sermos portugueses e termos a sorte de viver num país onde o Estado cuida tão bem de nós que nos vai poupar a essa angústia até aos 66 anos e 11 meses. Convenhamos: é um grande descanso. ALGARVE INFORMATIVO #510
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“Regras de ordenamento do território limitam muito o desenvolvimento de Alcoutim”, reconhece Paulo Paulino A habitação e a melhoria de serviços básicos como o abastecimento de água potável e o saneamento são algumas das prioridades elencadas por Paulo Paulino, Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, para os próximos quatro anos. O concelho do interior algarvio continua a enfrentar grandes desafios para atrair e fixar população, devido à falta de infraestrutura e à dispersão das povoações, e a revisão do Plano Diretor Municipal pretende precisamente adaptar as regras de ordenamento do território para permitir novas construções. Na conversa falou-se igualmente da Ponte Internacional do Guadiana, uma obra crucial que depende de financiamento e colaboração entre Portugal e Espanha para se tornar realidade.
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina ALGARVE INFORMATIVO #510
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aulo Paulino foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim há sensivelmente três meses, com o PS a ter maioria na Autarquia, na Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia, o que garante estabilidade política para o presente mandato. E o principal desígnio é, assume, aumentar a atratividade de Alcoutim, de modo a conseguir fixar mais pessoas neste território de baixa densidade localizado junto ao Rio Guadiana e na fronteira com o Alentejo. “E, para isso, é necessário investir no território, investir em comunicação, investir em serviços básicos, para que as pessoas tenham condições de vida e conforto para cá permanecerem. A questão da habitação é fundamental, assim como o saneamento básico, porque ainda existem algumas povoações onde não existe essa oferta pública. O nosso concelho tem 566 quilómetros e mais de 100 povoações espalhadas pelo seu território e é difícil chegar a todas elas, mas esta também é uma prioridade”, afirma o edil alcoutenejo. Quanto ao abastecimento de água potável, é uma realidade em todas as povoações, mas em algumas delas a sua qualidade pode ser ainda melhor e, noutras casos, é preciso aumentar a sua abundância. “Chegamos ao mês de agosto e há períodos em que se verificam algumas falhas de água. Já apresentámos candidaturas aos fundos comunitários e queremos realmente apostar nestas duas áreas”. O turismo é entendido como crucial para o desenvolvimento da economia 29
local, por via da hotelaria e restauração, e Paulo Paulino quer promover mais o território, “mostrar aquilo de bom que oferecemos para atrair público, para criar mais dinâmicas”. “Temos o Rio Guadiana, variadíssimos percursos pedestres que percorrem o nosso concelho no sentido norte/sul e leste/oeste, temos a nossa arquitetura e paisagem, três ribeiras que atravessam o nosso território – Vascão, Foupana e Odeleite – com bastante interesse do ponto de vista ambiental. É tudo isto que temos que dar a conhecer, a par das tradições, gastronomia e artesanato. São muitos aspetos positivos que nos tornam mais atrativos para o público em geral”, defende o entrevistado. Paulo Paulino começou por falar em melhorias no abastecimento de água, mas esclarece que a água que chega às torneiras das pessoas cumpre todos os requisitos de qualidade para ser consumida, e com excelência. “Nos sítios onde a água não chegava com a melhor qualidade possível, tivemos o cuidado de colocar estações de tratamento, mas queremos oferecer água ainda melhor do que aquela que fornecemos neste momento. O saneamento básico é uma carência nos pontos mais pequenos do concelho e tudo temos feito, nos últimos 12 anos, para debelar essas diferenças e para que aquelas pessoas que vivem no ponto mais distante do centro da vila tenham exatamente a mesma oferta daquelas que moram na sede do concelho. Queremos ser o mais abrangentes possível, criando, assim, uma maior coesão no território, para que toda a gente tenha as mesmas ALGARVE INFORMATIVO #510
oportunidades, independentemente do sítio onde vivam”, frisa. Pretende-se atrair pessoas para todo o território, há muitas pequenas povoações, habitações dispersas, mas depois colocam-se as questões do ordenamento do território. Como está a situação da Estratégia Local de Habitação de Alcoutim, questionamos. “As regras de ordenamento do território realmente limitam-nos, isso é um facto. Estamos neste momento a rever o Plano Diretor Municipal, que não vai ser uma carta branca para se fazer tudo aquilo que se queira, mas queremos adaptar este instrumento às nossas necessidades”, adianta Paulo Paulino. “Os perímetros de expansão urbana estavam calculados de uma forma que, muitas vezes, não olhava sequer à orografia do terreno, às condições do ALGARVE INFORMATIVO #510
terreno, se o terreno é particular ou público, se é possível construir naquele espaço que está livre ou não. Estamos a redesenhar estes perímetros de forma a que seja realmente possível construir e aproveitar essas bolsas de terreno. Muitas vezes, o que constava nas zonas de expansão urbana eram escarpas com grandes percentagens de inclinação, ninguém lá ia construir uma casa. Se retirarmos esses espaços do lado sul e os colocarmos noutro lado, a situação melhora”, explica. Tal não significa que os problemas de falta de habitação fiquem resolvidos, “porque vivemos num território rural com especificidades completamente distintas dos territórios urbanos, mas as regras que se aplicam são exatamente iguais nos dois contextos”. “Vamos tentando sempre arranjar formas de 30
contornar ao máximo as limitações e constrangimentos com que nos debatemos e acredito que, na vila de Alcoutim, poderá vir a ser possível, e necessário, aplicar a nova Lei dos Solos. No que toca à Estratégia Local de Habitação, tínhamos cerca de 22 habitações previstas. Já construímos cinco, estão adjudicadas mais cinco, e vamos avançar, este ano, com mais quatro, independentemente de conseguirmos ou não financiamento. É certo que houve mudanças nas regras do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, mas o principal problema que sentimos em Alcoutim é a dificuldade de arranjar empreiteiros que façam estas obras. Os primeiros concursos ficaram todos desertos, as últimas cinco casas adjudicadas começaram nos 700 mil euros e acabaram na ordem do 1,3 milhões de euros”, revela o autarca. “Isto deve-se muito à falta de mão de obra, vive-se um boom de construção, o PRR veio contribuir um pouco para essa realidade, e isso influencia negativamente os territórios de baixa densidade. Se as empresas têm trabalho ao pé da porta, não faz sentido fazerem 200 quilómetros para ir trabalhar”.
A vontade de criar cursos profissionais em Alcoutim As incertezas quanto ao financiamento da construção de habitação não têm sido, entretanto, um problema para o Município de Alcoutim, garante Paulo Paulino, “porque vamos adaptando a despesa à nossa receita”. “Se, por 31
acaso, conseguirmos realmente a cobertura desses fundos, isso dá-nos margem para poder continuar a investir, mas, neste momento, vamos por nossa conta e risco e de acordo com as nossas possibilidades orçamentais, mas não será por causa desses constrangimentos que deixaremos de construir fogos para quem deles precisa”, assegura o entrevistado. Diferente é o cenário da Ponte Internacional do Rio Guadiana, cuja construção tinha financiamento assegurado pelo PRR, mas tal afigura-se praticamente impossível, uma vez que todas as obras apoiadas por esse programa devem estar concluídas até 31 de agosto do corrente ano. Um anseio de décadas das populações dos dois lados do rio que poderá ainda não ser desta que será tornado realidade. “Se não houver fundos, sejam do governo ou comunitários, aí realmente não temos hipótese de avançar com a obra. Estarmos, neste momento, sem sequer um projeto aprovado, é algo que não depende em nada, nem do Município de Alcoutim, nem do governo nacional”, sublinha Paulo Paulino. “Licenciar uma obra no nosso país não é fácil, licenciar uma obra que necessita de diversos pareceres entre dois países é muito mais complicado. Há alguns anos que andamos de volta deste processo, do lado de Espanha havia o trabalho acrescido da ligação da ponte à rede de estradas nacional, cujo projeto está a evoluir. A Comissão Técnica Mista para a aprovação do projeto está criada, já reunimos duas vezes e acredito que na próxima reunião consigamos ter o parecer positivo para avançar. Depois é ALGARVE INFORMATIVO #510
aguardar pela conclusão do projeto das acessibilidades em Espanha, para finalmente termos um projeto, passados 60 anos, com a concordância dos dois países e em condições de avançar para um Concurso Público Internacional. Coloca-se depois o problema do financiamento, Espanha tem o dinheiro disponível para os acessos e nós contamos com a boa vontade do governo nacional para que, através do Orçamento de Estado ou de outras medidas, se concretize a obra”. ALGARVE INFORMATIVO #510
Voltando a falar da atratividade do concelho de Alcoutim, outra questão importante para a equipa liderada por Paulo Paulino é a mobilidade e a melhoria das estradas, tendo sido adjudicada uma empreitada no valor de 700 mil euros para alcatroamento, para tornar os percursos mais seguros e próximos e assim fomentar a coesão territorial. “Queremos que viver na vila de Alcoutim ou em Cabaços, na freguesia de Vaqueiros, seja exatamente a mesma coisa”, reitera o entrevistado, considerando que a educação e a saúde 32
são outras matérias fundamentais. “A nossa vontade é criar cursos profissionais na escola de Alcoutim para aumentar a oferta de ensino no nosso concelho e assim atrair mais jovens. Uma parte significativa dessa escola não está atualmente a ser ocupada e poderia vocacionar-se para o ensino profissional, e numa primeira fase na proteção civil, uma área onde existe uma lacuna em termos de formação e onde existe procura, inclusive para os países de língua oficial portuguesa”, observa. “Na saúde, temos dois médicos para 2 mil e 600 utentes. Acredito que, se formos para concelhos do Algarve Litoral, haverá muito mais utentes por médico. E conseguimos isto porque o Município criou um incentivo mensal para que se fixassem médicos no concelho. Temos igualmente dois fisioterapeutas, um contratado pelo Município e outro colocado pela ULS Algarve, tendo em conta que Alcoutim tem uma população envelhecida que necessita de bastantes cuidados nesta especialidade. Existe uma lacuna, mas não há pessoas disponíveis no mercado, na terapia da fala, mas, se conseguirmos manter a coisa como está, não nos podemos queixar em matéria de saúde. E temos a Unidade Móvel de Saúde com um médico e um enfermeiro que opera sobretudo em zonas mais afastadas dos centros de saúde e onde há pessoas com idade mais avançada, nomeadamente doentes de diabetes, que devem ser vistos com uma determinada periodicidade. Ora, se os doentes não vão ao Centro de Saúde, vai o médico ter com eles para os acompanhar de forma conveniente”. 33
Em termos desportivos, Alcoutim é uma referência na canoagem e futsal, mas também existem vários atletas de trail running que conquistam prémios por todo o país. O padel está em crescimento, de modo que a autarquia está a avaliar a possibilidade de se construir um recinto próprio. “Como não temos uma zona desportiva, um complexo, onde nos permita fazer essa construção, não queremos fazer coisas desagregadas, sem um fio condutor, sem as necessárias infraestruturas de apoio. Estamos, por isso, a estudar a hipótese de colocar um campo de padel junto ao Centro Náutico”, indica o presidente da Câmara Municipal de Alcoutim. Do desporto para a cultura e para os eventos, Paulo Paulino entende que os espaços existentes na vila de Alcoutim estão adequados à procura, o mesmo não acontecendo em Martim Longo, dando o exemplo da Feira da Perdiz. “É nossa intenção comprar um terreno onde se consigam colocar tendas para eventos, não construir um pavilhão, resolvendo os problemas orográficos com que nos debatemos por vezes em determinadas organizações. No Pereiro, junto ao parque de caravanas, existe, por exemplo, um terreno devidamente preparado para montar tendas de forma modelar, com infraestruturas básicas como casas de banho e uma zona de piqueniques, e é isso que queremos replicar em Martim Longo”, revela o entrevistado. Para o Rio Guadiana também existem projetos, ideias, que não constam do ALGARVE INFORMATIVO #510
Orçamento de 2026 porque, conforme se adivinha, os recursos são limitados, e que se prendem com as acessibilidades. “Há que virar a vila mais para o rio, dinamizar espetáculos com este cenário maravilhoso, com Sanlucar do outro lado”, preconiza Paulo Paulino. E, por falar em acessibilidades, o edil lembra que, hoje, tanto ou mais importante que as estradas de alcatrão são as «estradas digitais», a fibra e as redes GSM. “Está ALGARVE INFORMATIVO #510
em desenvolvimento um projeto de colocação de fibra em todo o interior do país, a empreitada já foi adjudicada, e essa medida vai atingir cerca de 1.300 habitações no concelho de Alcoutim. Temos fibra em todas as sedes de freguesia, vai-se agora alargar ao restante território”, destaca o autarca. Qual será, então, o futuro do concelho em termos de dinâmica económica, lançamos já em final de conversa. 34
desenvolvimento do território. Em torno dos painéis fotovoltaicos vão sendo criadas algumas empresas locais de prestação de serviços operacionais que geram emprego e atividade económica e acredito que, em torno desta indústria da energia, apareçam cada vez mais soluções que contribuam para o aumento de emprego”, analisa Paulo Paulino. “O turismo é, sem dúvida, uma área que pode gerar frutos importantes e a navegabilidade do Rio Guadiana é também bastante importante. Em Alcoutim temos igualmente bons produtos autóctones, disso é exemplo a marca «Feito no Zambujal», uma empresa com base no nosso porco que tem apostado com êxito em produtos que valorizam a qualidade. Espero que sirva de inspiração para outros promotores que desejem aproveitar o potencial do concelho, a paisagem, os produtos, os saberes, encontrando mercados que paguem o justo valor por eles”.
“Obviamente que temos que aproveitar as melhores potencialidades de cada território e não podemos esperar que venha para aqui uma grande indústria, será através do somatório das pequenas coisas que se conseguirão resolver os problemas. A agricultura faz sentido, a pastorícia também, existem igualmente empresas de caça no concelho que trabalham muito bem, têm imenso público e contribuem bastante para o 35
Está visto que, em Alcoutim, não serão de esperar obras de muitos milhões de euros, porque a autarquia não tem condições financeiras para tal, mas sim “muitas obras, empreitadas e projetos de menor dimensão que realmente melhorem a vida da população”. “O que faz sentido é trabalhar para as pessoas e com as pessoas, criando as melhores condições para quem cá vive e para quem deseja para cá vir. E que saibam que aqui encontram qualidade de vida e um município que estará sempre atento às suas necessidades e tendo as pessoas como primeira preocupação”, finaliza Paulo Paulino. ALGARVE INFORMATIVO #510
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Habitação, Saúde, Educação e Desporto em destaque no Orçamento de Tavira para 2026 A Câmara Municipal de Tavira arranca 2026 com um orçamento de aproximadamente 61,5 milhões de euros e nas prioridades incluem-se a construção de habitação social, a reabilitação de escolas e melhorias na saúde e no parque desportivo. A falta de financiamento do governo gera, porém, incertezas e implica à procura de parcerias com o setor privado, ao passo que o ordenamento do território complica o desenvolvimento do setor primário.
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina na Paula Martins foi eleita para mais um mandato como Presidente do Município de Tavira, com maioria no executivo camarário, mas não no que toca à Assembleia Municipal e ao conjunto de Juntas de Freguesia. Um cenário onde será necessário, por isso, encontrar consensos para concretizar as obras, projetos e medidas que constam do Orçamento para 2026 e que ronda os 61,5 milhões de euros, montante ao qual se deverá juntar o saldo de gerência que andará à volta dos 19 ou 20 milhões de euros. “Será um orçamento global entre os 75 e os 80 milhões de euros, superior ao de 2025, muito por força também das obras que temos no terreno e de outras que estão para começar, desde logo a Unidade de Consultas Externas, um investimento de 10 milhões de euros na área da saúde. Está já também consignada a obra para 24 casas de habitação social e mais 24 para ALGARVE INFORMATIVO #510
assinatura de contrato, a que se soma uma série de pavimentações de estradas fora da cidade”, começa por dizer Ana Paula Martins. A edil destaca igualmente uma nova instalação desportiva em Santa Luzia que permitirá a prática de atletismo, assim como as obras da Extensão de Saúde de Cabanas e da Escola Primária de Santa Catarina, mas um problema que se coloca à grande maioria dos autarcas, e Tavira não é exceção, são os concursos de empreitadas que ficam desertos. Saúde e Educação foram duas das competências transferidas do poder central para o poder local, com diversas obras de requalificação, ampliação e, inclusive, construção de novos equipamentos, a acontecerem à custa dos orçamentos municipais, reconhece Ana Paula Martins “Nós temos financiamento do PRR para duas destas obras, tanto a de Cabanas como a da Unidade de Consultas Externas, mas não na totalidade. Na Unidade de Consultas Externas, por exemplo, só 38
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recebemos 4 milhões de euros, ou seja, a Câmara Municipal está a colocar 6 milhões de euros. Na Extensão de Saúde de Cabanas, a comparticipação da autarquia é de cerca de 200 mil euros… e isto se estiver tudo pronto até agosto, o que será muito difícil. Se não estiver pronto, corremos o risco do PRR retirar o financiamento, e aí será tudo custeado a 100 por cento pela autarquia”, frisa a entrevistada. A decorrer está o processo para a reabilitação total da Escola Secundária de Tavira, elencada como Prioridade 1 e com candidatura aberta para o Algarve 2030. Mais preocupante está, de facto, a habitação, com Ana Paula Martins a não saber se virá, ou não, o tão prometido financiamento do IHRU – Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana. “São cerca de 8 milhões de euros aplicados em 48 casas, para já custeados pelo orçamento da autarquia, que também ALGARVE INFORMATIVO #510
se começa a esgotar, pelo que esperamos que haja, de facto, algumas comparticipações da parte do poder central”, indica a presidente da Câmara Municipal de Tavira. “Estes oito milhões nós conseguimos suportar, mais não, e está em cima da mesa a construção de mais 54 fogos. O município pode recorrer à banca, mas não interessa ter capacidade de endividamento se depois não conseguirmos pagar as mensalidades. Até tinha havido notícias que o Governo ia injetar mais mil milhões de euros para financiar mais 52 mil casas, para somar às 26 mil financiadas pelo PRR, portanto, aguardamos que o IHRU nos diga alguma coisa. Inclusivamente, no âmbito do PRR, adquirimos mais 15 casas, num investimento de cerca de 4 milhões de euros, para conseguirmos acomodar agregados no âmbito do 1.º Direito, e continuamos sem certezas em relação ao seu financiamento”, lamenta 40
Ana Paula Martins. “É algo que me espanta imenso, porque apela-se muito à execução dos projetos do PRR, até março teremos as pessoas instaladas nestes 15 fogos – e é isso que se pretende –, mas sempre na incerteza se vamos receber o devido dinheiro da parte do IHRU”.
PROT e PDM têm que ser repensados Proporcionar uma habitação condigna às pessoas é o que se deseja, e é para responder às necessidades das populações que os autarcas são eleitos, mas a verdade é que uma Câmara Municipal não pode gastar todo o seu orçamento na habitação. “Estamos a falar, entre aquisições e construções, em cerca de 12 milhões de euros e, se não recebermos uma parte desse valor, obviamente que vamos pôr em risco outras obras que também temos que fazer. Precisamos construir um novo pavilhão desportivo em Tavira, porque o nosso está com uma taxa de ocupação a 100 por cento, se calhar a 120 por cento, não conseguimos acomodar mais modalidades. Ao fim-de-semana, a rotação dos jogos é enorme, precisamos realmente de um novo pavilhão e estamos a desenvolver o seu projeto. O Pavilhão da Luz de Tavira precisa de uma reabilitação e os concursos ficaram desertos, o Passadiço de Cabanas também está a precisar de uma reabilitação e o concurso já ficou deserto três vezes. Há um projeto para campos de padel num loteamento que é anexo aos nossos campos de ténis, estamos num 41
processo de troca de terrenos para fecharmos a malha do nosso complexo desportivo”, revela, assumindo que “os investimentos em habitação social e saúde vão deixar o orçamento muito mais fragilizado para podermos desenvolver outras obras”. Neste contexto, entre os projetos que estão em perigo contam-se a requalificação do Parque Verde do Séqua e a reabilitação das frentes ribeirinhas até à ponte da EN 125, com Ana Paula Martins a lembrar que a resolução dos problemas de habitação não é uma responsabilidade das autarquias. “O Governo tem que arranjar formas e meios de financiar, quer por via do Orçamento de Estado, quer por via de fundos comunitários ou outros”, frisa, acrescentando que, com a conclusão destas obras, ficarão mais ou menos respondidas as necessidades identificadas no âmbito do 1.º Direito. “Adquirimos, no anterior mandato, um loteamento onde vamos desenvolver os outros 54 fogos e aí já ponderamos que sejam de construção a custos controlados. Há projetos para desenvolver alguma habitação a custos controlados nas freguesias de Santa Catarina e Santo Estevão, temos um terreno na Luz de Tavira que também poderia servir para este fim, só que agora temos que ir à procura de financiamentos, ou de parcerias com empresas privadas”, indica a entrevistada. “Existiam algumas cooperativas de construção e habitação na cidade, mas perderam um bocadinho o seu dinamismo e estão praticamente a fechar, o que é mau”, acrescenta. ALGARVE INFORMATIVO #510
Relativamente à nova Lei dos Solos, não teve grande repercussão em Tavira porque a maior parte do terreno agrícola do concelho está classificado como A ou B, portanto, terrenos de alta qualidade, o que, logo à partida, os coloca como não elegíveis. “Para além disso, praticamente todo o concelho confina com o aproveitamento hidroagrícola, portanto, também não pode ser convertido desta forma simplificada em solo urbano. Aliás, acho que, no geral, esta lei não vai resolver nenhum problema no país”, declara. “Precisamos de olhar profundamente para a Lei dos Solos, que nasceu na sequência de uma crise financeira provocada em certa medida pela especulação imobiliária. Se o futuro for restringir o solo urbano, se esta metodologia que o Governo arranjou de transformar o rústico em urbano não é aplicável em grande parte dos concelhos, como é que nós conseguimos construir”, questiona Ana Paula Martins. “Ou estamos numa zona de REN, ou estamos numa zona de RAN, sabemos que as casas antigamente eram muito pequenas e que as ampliações são limitadas, porque têm que estar a 50 metros do extremo do terreno. Se a pré-existência está num sítio, é ali que se pode reconstruir, e isso deixa as pessoas sem muitas hipóteses. O ordenamento do território poderia, e deveria, ser revisto, o que não significa construir tudo em todo o lado”, defende a autarca. “O PROT tem que ser repensado, assim como os PDM, de modo a conseguirmos ter áreas de expansão onde se possa responder às necessidades das pessoas”, reforça. ALGARVE INFORMATIVO #510
Burocracia atrasa cada vez mais os projetos Sobejamente conhecido pela sua vertente turística e pelas atividades e serviços a ela associados, o concelho de Tavira respira também saúde na agricultura, mas Ana Paula Martins 42
lamenta, mais uma vez, os constrangimentos que o ordenamento do território coloca ao setor primário. “Quando uma exploração agrícola investe e se moderniza, emprega uma grande quantidade de técnicos especializados, de engenheiros agrónomos, de pessoal que trabalha na logística, na produção, embalamento e 43
expedição e, portanto, precisa ampliar as suas instalações e o PROT tem aqui regras muito fechadas. Isso constitui um entrave ao desenvolvimento da agricultura”, observa a edil tavirense. No que toca ao Parque Industrial, ainda possui alguns lotes para venda, e Ana Paula Martins entende que o Algarve ALGARVE INFORMATIVO #510
devia apostar mais na atração de indústrias limpas, de tecnologia. “O Algarve tem uma qualidade de vida bastante interessante, no geral temos bom tempo, uma vida mais calma, boas vias de comunicação, um aeroporto internacional, a universidade. Tavira poderia acolher um parque tecnológico, obviamente que com apoio do Estado ou de fundos comunitários”, refere. Já no que diz respeito à pesca, está praticamente circunscrita ao polvo de Santa Luzia. “Desde que a lota fechou em Tavira, em 2018 ou 2019, temos que levar o pescado para Olhão. A Docapesca disse que iria relocalizar a lota para as 4 Águas, mas o processo tem passado por vários problemas. Para além disso, não há muitos jovens a querer vir para o setor da pesca, porque é uma atividade dura e porque existem várias restrições que não motivam as novas gerações, a não ser aqueles que já crescem nesta vida e que acabam por ALGARVE INFORMATIVO #510
herdar os negócios de família e tentam dar-lhes continuidade”, analisa a entrevistada. “Santa Luzia tem uma doca dedicada exclusivamente ao polvo, daí ter tanta dinâmica, mas é preciso refletir seriamente sobre que futuro queremos para o setor da pesca”. A intensa vida cultural tem sido outra mais-valia para a atratividade do concelho de Tavira e 2025 viu, finalmente, renascer o Teatro Municipal António Pinheiro. Tal não significa que está encerrado o ciclo de investimento no território, garante Ana Paula Martins. “Ainda temos o Núcleo Fenício para desenvolver, que será mais um dos núcleos do Museu Municipal de Tavira. Queremos fazer um concurso de ideias e, até final do mandato, ter o projeto pronto para ir para a empreitada. A ver se conseguimos também financiamentos para ajudar depois na construção”, aponta. E, numa cidade 44
com tanto património, há depois várias manutenções a justificarem-se, como são o caso do Palácio da Galeria e do Arquivo Municipal. “E ainda existe um projeto que eu gostaria muito de levar por adiante, nas antigas instalações da GNR, um espaço multiusos dedicado aos jovens e à cultura, onde pudéssemos acolher residências artísticas, fazer exposições, promover encontros”. Um projeto que será difícil de avançar no presente mandato 2024-2029, porque todos os processos são mais complicados nos tempos que correm, avisa a autarca. “Entre fazer o projeto, rever o projeto, lançar a empreitada e as obras começarem a andar no terreno, passam praticamente três ou quatro anos, e sempre a trabalhar rápido. Há poucas empresas de construção capacitadas para obras de grande dimensão, falta mão-de-obra, os concursos ficam vazios, e tudo isto atrasa as empreitadas”, esclarece a presidente da Câmara Municipal de Tavira. “Criaram-se diversos constrangimentos administrativos porque achamos que estamos num país onde somos todos bandidos, pelo que é cada vez mais difícil pôr obra no terreno e, sobretudo, concluí-la num mandato. Parece que estamos sempre a prometer e nunca a concretizar. Por exemplo, estas empreitadas de habitação social que estamos agora a arrancar, começaram a ser preparadas há quatro anos”. Outro sonho para o futuro deverá nascer nos antigos serviços municipais em frente ao edifício do teatro, para acolher atividades das múltiplas 45
associações locais. E pretende-se criar também mais espaços culturais nas freguesias e dotar os já existentes de equipamentos técnicos mais modernos, para que continue a haver cultura em todos os pontos do concelho. De volta ao Teatro Municipal António Pinheiro, cuja obra ficou concluída em fevereiro de 2025 e teria inauguração prevista para junho, contratempos no ar condicionado acabaram por atrasar novamente a sua abertura. “Foram três meses muito preenchidos porque toda aquela programação estava prevista para seis meses. Tem sido um êxito e já todos nos habituámos a ir ao Teatro. Tavira estava muito sedenta de cultura, nomeadamente de teatro e bailado, de eventos que não podíamos fazer em espaços abertos, e muito menos no Inverno. Sabemos que a cultura não dá lucro, mas é fundamental na vida das pessoas, portanto, há que continuar a investir nela”.
Os investimentos invisíveis que as pessoas já dão por adquiridos Habitação, saúde, educação, desporto e cultura são responsáveis por grande parte do orçamento municipal para 2026 e compõem boa parte do programa para um mandato de quatro anos pautado por várias incertezas, sobretudo no que toca às fontes de financiamento das obras. Mas Ana Paula Martins relembra ainda todas as «despesas invisíveis», os investimentos feitos pelas câmaras municipais em muitos serviços que são dados como uma certeza pela população. E não esquece as verbas transferidas para ALGARVE INFORMATIVO #510
as Juntas de Freguesia, este ano na ordem do 1,8 milhões de euros, mais 400 mil euros concedidos em bolsas de estudo, mais apoios financeiros atribuídos às escolas, contratosprograma assinados com os clubes e associações, transporte escolar, de doentes e de pessoas com mobilidade reduzida. “São despesas correntes que absorvem uma fatia importante do orçamento e que, se as deixássemos de realizar, as pessoas iriam sentir um forte impacto nas suas vidas diárias. Há coisas que, se calhar, não valorizamos tanto porque já as temos, de forma gratuita, há vários anos, mas, no dia em que a Câmara Municipal deixar de ter capacidade para as pagar, notamos logo essa diferença”, sublinha a edil. Melhorar a vida de quem vive nas freguesias implica também investimentos constantes, “o que é perfeitamente justificável, porque Tavira não é apenas a cidade”, afirma Ana Paula Martins. “Somos um concelho com uma vulnerabilidade enorme aos incêndios, portanto, investimos também forte na gestão de faixas de combustível, na limpeza de terrenos, no apetrechamento dos bombeiros, até mesmo para o transporte dos doentes que deveria ser realizado pelo INEM. Quando se fala da possibilidade de se fechar a Delegação do Algarve do INEM, as pessoas não podem ficar passivas, têm que se manifestar. Ao passar-se as ambulâncias todas para os bombeiros, estamos a ficar dependentes de associações humanitárias que, infelizmente, não têm muitas vezes orçamentos suficientes para dar resposta às ALGARVE INFORMATIVO #510
necessidades das pessoas. Como é que compram mais ambulâncias? Como é que contratam mais pessoal?”, dispara a edil tavirense. “Pensa-se demasiado na parte financeira das coisas e esquece-se a qualidade do serviço que se vai prestar”, lamenta. As obras físicas debatem-se com os constrangimentos burocráticos já abordados, entre eles pareceres de diversas entidades, com Ana Paula Martins a dar o exemplo concreto da requalificação das margens do Rio Gilão. “Entramos pela APA porque é no rio, depois na CCDR porque é REN, depois as Infraestruturas de Portugal porque a ponte passa por cima, depois a Capitania. Enviamos os projetos, 46
chegam os pareceres, temos que alterar os projetos, e o cidadão não tem perceção de tudo isto e julga que as câmaras municipais não fazem nada”, diz a entrevistada, que lamenta ainda que as oposições por vezes sejam mais complicadas do que deveriam ser. “Quando estamos em campanha, discutimos muito a politiquice, as coisinhas pequenas, se calhar mais do que aquilo que eventualmente é mais importante e interessante para as pessoas. Depois, eu, se fosse oposição, abstinha-me na votação do orçamento, porque, se governasse, teria propostas diferentes. Não ia votar contra a habitação social que o executivo em funções vai construir, contra o centro de saúde que vai fazer”, assegura. “Às 47
vezes as oposições não são construtivas, quando o fim último deveria ser o mesmo para todos os partidos, o melhor para as pessoas, o aumento da qualidade de vida, o desenvolvimento do território. Se formos comparar os programas eleitorais, se calhar não há muitas diferenças, e depois vota-se contra o orçamento. Devemos todos fazer lobby a favor da nossa terra, porque é isso que nós precisamos”, defende Ana Paula Martins. “Mas, no geral, temos conseguido trabalhar com a oposição, Tavira nem é dos concelhos onde ela impeça que o trabalho se faça. Conversa só para mandar abaixo, para denegrir, não é bom para ninguém”, conclui a entrevistada. ALGARVE INFORMATIVO #510
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Paderne regressou mais uma vez à Idade Média Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e 1 a 4 de janeiro, o Paderne Medieval transportou os visitantes para o período entre os séculos V e XV, transformando as ruelas estreitas num verdadeiro festival de cheiros e sabores, com iguarias típicas, artes e ofícios tradicionais e performances alusivas à era medieval. Integrado na programação de Fim de Ano do Município, o evento proporcionou uma experiência cultural singular, de grande divertimento e a pensar em toda a família. O Paderne Medieval arrancou no Dia de Ano Novo, com a abertura do mercado e ALGARVE INFORMATIVO #510
a arruada dos trovadores, que anunciaram a visita de El-Rei D. Dinis. O ponto alto do primeiro dia foi o Cortejo Régio pelas ruas do burgo e a entrega, por D. Dinis, da Carta de Doação do Castelo de Paderne à Ordem de Avis. Durante o certame, residentes e turistas assistiram a uma programação variada que recriou os hábitos e costumes da Idade Média, incluindo bailias e folias, leilões de escravos, torneios de armas a cavalo, teatro de fogo e duelos de esgrima. Entre o burburinho da feira e o aroma dos petiscos servidos nas tabernas tradicionais, a animação foi uma constante, com personagens medievais, música, dança, malabaristas, rábulas e histórias que deram vida à aldeia. 50
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Classe de competição de ginástica acrobática da APAGL prepara nova época Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina classe de competição de ginástica acrobática da APAGL – Associação dos Pais e Amigos da Ginástica de Loulé realizou a sua habitual prova de controlo, no final de 2025, no Pavilhão Municipal Professor Joaquim Vairinhos, em Loulé, para dar a conhecer em primeira mão, aos familiares das atletas, os esquemas com que vai «atacar» a nova temporada desportiva. ALGARVE INFORMATIVO #510
Com os primeiros torneios regionais a acontecerem já em fevereiro, as jovens atletas, e um jovem atleta, às ordens das treinadoras Lígia Silva, Rita Nascimento e Carina Rosa fizeram vibrar a assistência com coreografias poderosas e que fazem sonhar a APAGL com muitas medalhas e títulos nacionais, à semelhança do que vem sucedendo nos últimos anos. As mudanças de pares e trios também já é habitual, pelo que a classe de competição da temporada 2025/2026 será constituída por Sofia Diogo/ Carina Passarinho/Maria 66
Inês Gomes, Diana Batista/Camila Capela, Beatriz Deodato/Kateryna Ilchyshyn/Núria Gil, Núria Sequeira/Matilde Silva, Leonor Agostinho/Mariana António/Margarida Lucas, Carolina Navio/Beatriz Barreira, Diana Agostinho/Carolina Barriga/Matilde Figueiras, Lourenço Gil/Isis Guerreiro, Lia Fortes/Lia Sousa/Maria Carvalho, Ionela Masnita/Isabel Conceição/Lara Cruz, Lara Rodrigues/Érica Cabrita, Sílvia
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Cardoso/Maria Carolina Coelho, Petra Ponte/Vitória Rodrigues/Rita Vieira, Júlia Pinto/Vitória Guerreiro, Leonor Soares/Andreia Curac/Elizaveta Grosu, Eva Mendes/Sara Mendes, Matilde Sousa/Mafalda Reis/Eva Braniste, Anna Zablotska/Mia Calabria, Bruna Viegas/Leonor Mestre/Sofia Paixão, Alícia Calancea/Eva Rita, Eva Pereira/Ulyana Mazuric/Sofia Carvalho, Ana Maria Cuth/ Laura Inácio e Stella Afonso/ Matilde Rodrigues/ Maria Beatriz Guedes.
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Ginástica acrobática do Louletano Desportos Clube apresentou «Operação Salvar o Natal» Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina secção de ginástica acrobática do Louletano Desportos Clube levou a cabo, no dia 20 de dezembro, a «Operação Salvar o Natal», no Pavilhão Municipal Professor Joaquim Vairinhos, em Loulé. O Sarau de Natal ALGARVE INFORMATIVO #510
colocou no praticável largas dezenas de membros das classes Iniciação 1, Iniciação 2, Formação Pré-Competição, Competição 1, Competição 2 e Moretis, que fizeram as delícias dos familiares com esquemas e coreografias que atestaram o talento dos ginastas que defenderão as cores do Louletano na presente temporada desportiva de ginástica acrobática. 90
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Choque Frontal ao Vivo dá a conhecer a sua nova temporada Texto: Daniel Pina| Fotografia: Choque Frontal ao Vivo restes a comemorar o seu 9.º aniversário, o Choque Frontal ao Vivo revela os próximos convidados que vão marcar presença no programa ao longo dos primeiros meses do ano, numa programação que celebra a diversidade, a autenticidade e a força da música portuguesa contemporânea.
embaixador desta tradição e prepara atualmente o seu primeiro disco a solo.
A 22 de janeiro, o programa recebe Rúben Luz Lameira, um dos atuais representantes do Cante Alentejano, com uma carreira de cerca de 25 anos e atuações em vários palcos internacionais. Natural de Rosário, Almodôvar, destacou-se no The Voice Portugal como
No dia 26 de março, o palco é de Zinha, cantora e compositora que integrou a equipa de Fernando Daniel no The Voice Portugal 2024 e lançou nesse ano o EP de estreia «Sad/Happy». Encontra-se atualmente a preparar o segundo EP, com edição prevista para o início de 2026.
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Segue-se, a 26 de fevereiro, José Francisco, nome em afirmação na música nacional, cuja participação no The Voice Portugal 2024 reforçou um percurso já marcado por temas de sucesso online e pela integração do single «Primeira Vez» na banda sonora da novela «A Protegida», da TVI.
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portuguesa contemporânea. O ciclo encerra a 28 de maio com Ana Tereza, cantora e compositora algarvia de raízes rock e pop retro, que lançou recentemente o single «O Natal não é Quando o Homem Quiser», uma canção intimista e autoral que reflete a sua identidade musical e narrativa.
A 23 de abril, Marta Lima apresenta-se no Choque Frontal ao Vivo. Natural de Lagos, lançou os EPs «Murmúrio» e «Postal em Branco» e tem marcado presença em alguns dos principais palcos e festivais nacionais, afirmando-se como uma das vozes emergentes da música 111
Como sempre, a entrada é gratuita, com convites disponíveis na quinta-feira anterior a cada espetáculo, no horário de funcionamento do TEMPO e limitados a dois por pessoa. Produzido, realizado e apresentado por Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, o Choque Frontal ao Vivo conta com o apoio da Padaria e Pastelaria Delícias (Portimão), da CVA – Comissão Vitivinícola do Algarve e do Município de Portimão.
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CINETEATRO LOULETANO ACOLHEU ESTREIA DO 1.º FESTIVAL DE MÚSICA DE CÂMARA DO ALGARVE Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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Cineteatro Louletano viveu, no dia 9 de janeiro, uma noite incrível, com criações de Mozart, Schumann (Clara e Robert) e Beethoven naquele que foi o lançamento do novo Festival de Música de Câmara do Algarve. O festival terá uma cadência anual e oferecerá em 2026 um programa empolgante e diversificado com músicos de renome internacional. A pianista Wu Qian, que foi diretora artística do Surrey Hills International Festival no Reino Unido durante 15 anos, é a Diretora Artística do Festival no Algarve, uma iniciativa sem fins lucrativos em que as receitas reverterão na íntegra para instituições locais de ensino de
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música. Os músicos também oferecerão masterclasses e outras oportunidades de formação para estudantes de música. Esta estreia do Festival de Música de Câmara do Algarve, na cidade de Loulé, é organizada em colaboração com a Câmara Municipal de Loulé e o Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado e contou com os músicos Pablo Barragan (Clarinete), Isang Enders (Violoncelo), Juho Pohjonen (Piano) e Wu Qian (Piano), que interpretaram Sonata in C major for piano four-hands, K. 521 de Wolfgang Amadeus Mozart, Three Romances for Violin and Piano, Op. 22 (arr. for clarinet) de Clara Schumann, Fantasiestücke for Cello and Piano, Op.73 de Robert Schumann e Trio in B-flat major, Op.11 de Ludwig Van Beethoven.
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