Market Report 52

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MARKET REPORT

Em destaque

SEMANA DE MOLDES 2025: INDÚSTRIA REFLETIU

MERCADOS, TALENTO E TECNOLOGIAS

EDIÇÃO 52

TRIMESTRAL DEZEMBRO 2025

nesta edição

Evolução dos mercados de exportação 04 09 11 13 15 16 18

Semana de Moldes 2025: Indústria refletiu mercados, talento e tecnologias

Encontro da Indústria de Moldes: É Preciso Reinventar o Negócio para assegurar o futuro

Automóveis acumulam 240 kg de Plástico, mas apenas 3% é Reciclado: Bruxelas Prepara Novas Regras a Assegurar o Futuro

O Futuro da Mobilidade: Os Papéis da China, Europa e EUA na Revolução Elétrica

Leiria Posiciona-se para Liderar na Indústria da Defesa com Novo Plano Estratégico

Sustentabilidade Automóvel: Revalorização de Componentes de Plástico

FICHA TÉCNICA

PROPRIEDADE: CEFAMOL - Associação Nacional da Indústria de Moldes

REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: Centro Empresarial da Marinha Grande Rua de Portugal, Lote 18, Fração A - 2430-028 MARINHA GRANDE

TELEFONE: 244 575 150

WWW.CEFAMOL.PT

SEMANA DE MOLDES 2025: INDÚSTRIA REFLETIU MERCADOS, TALENTO E

TECNOLOGIAS

A Semana de Moldes 2025 confirmou o que as empresas sentem no seu dia-a-dia: o sector enfrenta um momento de mudança, marcado por incerteza económica, pressão tecnológica e urgência de reposicionamento internacional. Ao longo de cinco dias, mais de 800 participantes, 90 oradores e diversas entidades oriundos de 12 países, discutiram caminhos para reforçar a competitividade, ganhar escala e responder a mercados cada vez mais exigentes. Da inovação à diversificação, passando pela escassez de talento, inteligência artificial, novos modelos de negócio e a necessidade de cooperação, emergiu uma convicção central: o futuro será desafiante, mas o cluster português de moldes mantém a sua capacidade de adaptação, visão e colaboração.

O ambiente geopolítico instável, as mudanças estruturais do mercado automóvel (principal cliente), a pressão dos prazos e preços desafiam a indústria de moldes à tomada de decisões estratégicas. A Inteligência Artificial (IA), o fabrico aditivo e a digitalização afirmam-se como pilares da transformação tecnológica, enquanto o papel das pessoas, a formação e o reforço das competências dominam a dimensão organizacional.

Esta foi uma das principais conclusões da Semana de Moldes que, organizada pela CEFAMOL, CENTIMFE e Pool-Net, decorreu entre os dias 24 e 28 de novembro, com diversas ações realizadas na Marinha Grande e Oliveira de Azeméis.

Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, sublinhou que, a nível de mobilização do sector nesta edição da Semana de Moldes, os números “demonstram que a indústria portuguesa de moldes permanece no centro das atenções internacionais”. “Num período marcado pela incerteza e

transformação tecnológica acelerada, a indústria revelou visão e capacidade de cooperação”, afirmou.

João Faustino, presidente da CEFAMOL, destacou que a indústria de moldes enfrenta três desafios centrais que exigem ação coordenada: cooperação, posicionamento e acesso a financiamento. “A cooperação deixou de ser apenas um conceito para se tornar uma ferramenta concreta de crescimento, inovação e acesso a mercados internacionais”, salientou, adiantando que empresas, universidades, centros tecnológicos e instituições públicas precisam de trabalhar em conjunto, partilhando conhecimento e competências, sobretudo em tecnologias avançadas e sectores emergentes. “Só através de projetos colaborativos é possível ganhar escala e entrar em áreas que seriam inacessíveis isoladamente, assumindo cada empresa a responsabilidade de procurar parceiros e explorar novas oportunidades de forma conjunta”, defendeu.

União

Em paralelo, no seu entender, o sector “precisa de reforçar o seu posicionamento estratégico e aprofundar a clusterização, diversificando para áreas como mobilidade, dispositivos médicos, defesa e

segurança”. Advertiu que este caminho “depende também do acesso a financiamento, um dos principais bloqueios atuais: margens reduzidas, prazos longos e forte concorrência dificultam o investimento em inovação e reposicionamento”. Apesar do elevado know-how, a indústria necessita de instrumentos financeiros adequados que permitam acelerar a transformação. João Faustino mostrou-se convicto que “será possível desenvolver soluções que reforcem a competitividade e diferenciem o cluster português no contexto internacional”.

Um dos destaques do programa do evento foi a realização da Conferência Internacional ‘Moldes Portugal 2025’, que contou com a participação de oradores nacionais e estrangeiros. Stephan Berz (presidente da ISTMA Europe) foi perentório ao afirmar que a indústria de moldes enfrenta “uma mudança estrutural”. Com quebras globais de 30% a 40%, defendeu que “o molde não é uma commodity” e apelou à união, considerando que “temos de ter força para chegar às OEM”.

Tadahiro Hibata (Moldino, Japão), um dos oradores no debate internacional ‘Fornecedores Globais: Visão sobre Tendências de Mercado’, sublinhou que só há competitividade “pela dife-

renciação e pelo valor, não pelo preço”. Jens Ludtke (Tebis, Alemanha) reforçou, no mesmo apinel, que o sector “tem de mudar sob pena de desaparecer”. Carlos Teixeira (Cheto, Portugal) alertou para um período “muito crítico”, defendendo resiliência e digitalização.

Mercados

Francisco Cudell (UForce Portugal) classificou o atual momento como “uma oportunidade histórica”, no que diz respeito à importância da indústria da defesa e segurança. Considerando que as empresas têm uma oportunidade ímpar de entrar nessa área, deixou, contudo, o aviso: faltam certificações, escala e consórcios. “Se não nos organizarmos agora, perdemos o comboio”, defendeu.

|| Tadahiro Hibata
|| Stephan Berz
|| Jens Ludtke
|| Francisco Cudell
|| Carlos Teixeira

Já no painel centrado na indústria automóvel, Gonçalo Tomé (CIE-Plasfil) afirmou que “o novo normal é este”. A Europa perdeu peso, a China cresceu e as cadeias de abastecimento mudam rapidamente. No seu entender, existem oportunidades, mas as empresas têm de estar atentas e focadas. Um dos exemplos que apontou foi o sector das baterias, que tem crescido muito nos últimos anos.

A Semana de Moldes teve início com a conferência RPD – Rapid Product Development, centrada em três eixos: indústria em transformação, inteligência artificial e computação de alto desempenho, e novas tecnologias para produtos sustentáveis.

A sessão de abertura contou com Cláudia Novo, presidente do CENTIMFE, e Fernando Alfaiate, presidente da Estrutura de Missão Recuperar Portugal – PRR, que destacou a relevância estratégica da indústria de moldes na economia portuguesa, sublinhando que o sector “tem vindo a reinventar-se”, beneficiando das agendas apoiadas pelo PRR.

Cláudia Novo reforçou a capacidade internacional do cluster, afirmando que “exportamos para mais de 80 países”, e defendendo a necessidade de alinhar competitividade, reforço de competências, compliance e presença em mercados estratégicos. “Juntos conseguimos outro alcance”, afirmou.

O painel que se seguiu analisou o impacto das iniciativas estratégicas do PRR, com intervenção inicial de Braz Costa (CTI Alliance), que destacou a importância de chegar cedo ao mercado e manter agendas abertas à inovação.

Várias agendas mobilizadoras apresentaram os seus resultados. Foi o caso da INOV.AM que, com 72 parceiros, já desenvolveu 60 produtos, desde mobiliário impresso em 3D a aplicações de cortiça para mobilidade. Uma outra, a agenda Embalagem do Futuro, apresentou soluções sustentáveis, digitais e inclusivas. Exemplos disso foram a garrafa de vidro mais leve do mundo, contentores biológicos, embalagens inteligentes e recuperadores de cápsulas. A Hi-Rev, muito centrada na transição energética, novos componentes automóveis e materiais de elevado valor. Foi também apresentada a Produtech R3, que envolveu mais de 100 participantes e 85 novos produtos/serviços desenvolvidos, muitos multissetoriais.

Num painel de debate que se seguiu, Pedro Dominguinhos, Presidente da Comissão Nacional de Monitorização do PRR, defendeu que estas agendas “não podem ser um fim em si mesmas” e que é necessária escala internacional.

|| Cláudia Novo
|| Fernando Alfaiate
|| Gonçalo Tomé

Seguiram-se outros painéis, dedicados a temas relacionados com a inovação, como ‘integração da IA no design e engenharia’, e ‘novas tecnologias e produtos sustentáveis’, marcados por intervenções de especialistas internacionais. Foi o caso de Cornelia Rojacher (Fraunhofer IPT) que explicou a aposta em simulação avançada, optical design e utilização de IA para prever falhas e acelerar decisões.

Rui Tocha, do CENTIMFE, sublinhou a importância de abrir a Semana de Moldes com estes temas “decisivos para o futuro do sector”.

Pessoas

O programa debruçou-se também sobre questões organizacionais e estratégicas para o dia-a-dia das empresas. Isso foi notório no Fórum Tech-i9, realizado em Oliveira de Azeméis, que refletiu sobre inovação, cultura organizacional e transformação estratégica, reunindo especialistas e líderes industriais. Em cima da mesa, estiveram questões como a cultura de inovação contínua e as tecnologias digitais (IA, automação, análise de dados), com impacto direto na competitividade da indústria de moldes.

Nuno Silva (Moldit) considerou que a inovação tem de ser um comportamento diário, essencial para a competitividade e a sustentabilidade das organizações. Recordou que os maiores obstáculos continuam a ser a resistência à mudança, a falta de tempo e a ausência de ferramentas estruturadas, sublinhando que a cultura organizacional “começa de cima para baixo” e exige liderança ativa, exemplar e transparente. No caso dos moldes, salientou ainda a urgência de inovar no modelo de negócio.

Ana Sofia Tomás (MarsShot) questionou o estado dos processos internos das empresas, afirmando que “a formação começa na liderança”. No seu entender, a indústria está atrasada na adoção da IA e da transformação digital, sendo necessário mudar mentalidades, qualificar pessoas e reter talento.

Já Cristina Barros (Sinmetro) defendeu que o molde pode, e deve, ser valorizado como serviço, implicando novos modelos de negócio. A fábrica inteligente “deve ser totalmente conectada, com dados integrados e tipificados para identificar com precisão ganhos e perdas”, considerou.

Um outro tema em reflexão foi o papel das pessoas nas organizações. A indústria enfrenta desafios profundos, com a transformação tecnológica, transição geracional, novas expectativas profissionais e escassez de talento. A conferência Talentum Days, em Oliveira de Azeméis, reuniu especialistas em gestão de pessoas para debater como a indústria pode posicionar-se na competição global.

|| Nuno Silva
|| Ana Sofia Tomás
|| Cristina Barros

Mário Henriques (High Play Institute) explicou que as novas gerações têm valores distintos: procuram propósito, feedback contínuo, equilíbrio vida-trabalho, crescimento e relações saudáveis no local de trabalho. “O emprego não é para a vida”, afirmou, sublinhando a importância da gentileza e do acompanhamento próximo. Defendeu a complementaridade entre gerações como vantagem competitiva.

Sílvia Nunes (Michael Page) enfatizou a necessidade de as empresas definirem perfis, requisitos e funções para recrutar, algo ainda pouco comum, no seu entender. Alertou que as organizações também precisam de estar preparadas para ser entrevistadas pelos candidatos. Os jovens procuram salário competitivo, progressão, bom ambiente, formação e localização conveniente, mas o propósito é decisivo para ficarem, advertiu.

Eduardo Castro Marques (Dower Law Firm) considerou que construir equipas de alta performance exige uma cultura de gestão transparente, avaliação de desempenho, planos de carreira, incentivos, gestão da diversidade geracional e alinhamento entre pessoas, processos e estratégia.

Mudanças

No jantar, que reuniu cerca de 70 participantes em Oliveira de Azeméis, o presidente da CCDR-Norte, António Cunha, abordou o tema “Desafios em tempos de mudança”. Comparando o momento atual ao século XVII, o orador defendeu que estamos no centro de uma nova revolução científica impulsionada por temas como a IA, carros elétricos, materiais especiais, computação quântica e genética. No seu entender, a sustentabilidade é essencial, mas “a Europa não pode cumprir sozinha”.

Analisou ainda a transformação digital e os novos modelos de negócio e destacou a necessidade de as empresas criarem valor acrescentado. Para a indústria de moldes, defendeu como caminhos a aposta em novos mercados, como a saúde, aeroespacial, micro e nanotecnologias, bem como o repensar modelos de negócio, como, por exemplo, o ‘mold as a service’.

A indústria precisa, concluiu, de ultrapassar desafios como a dependência do automóvel, a concorrência desleal e a escassez de mão de obra, focando-se nas oportunidades emergentes.

|| António Cunha
|| Mário Henriques
|| Eduardo Castro Marques
|| Sílvia Nunes

ENCONTRO DA INDÚSTRIA DE MOLDES: É PRECISO REINVENTAR O NEGÓCIO PARA ASSEGURAR O FUTURO

Na indústria de moldes, com os mercados em constante transformação, pensar em novos modelos de negócio é, para as empresas, uma necessidade e não apenas uma opção. Esta foi uma das conclusões do Encontro da Indústria de Moldes, promovido pela CEFAMOL, no âmbito do projeto GEST.IM – Estratégia, Sustentabilidade e Transformação da Indústria de Moldes, que reuniu mais de quatro dezenas de empresários e quadros de empresas do sector, no dia 7 de novembro, no Palace Hotel Monte Real, para debater “Novos Modelos de Negócio”.

Para Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, é tempo de agir. “Temos de perceber onde nos vamos posicionar, descobrir nichos e definir caminhos. O sector tem de começar a mudar, passo a passo”, afirmou, exortando as empresas a refletirem em conjunto e a avançarem com soluções concretas. “A CEFAMOL pode apoiar, mas não pode substituir as empresas. A mudança tem de partir delas”, reforçou.

José Morais, da Lexus Consultores, enquadrou o debate, lembrando que “o mundo atravessa uma mudança acelerada à qual não é possível resistir”. Defendeu a importância de repensar os ecossis-

temas de negócio e de considerar novas abordagens comerciais, como o “molde como serviço”, em que o cliente paga pela utilização e não pela compra da ferramenta. “Pode não ser apelativo para os fabricantes, mas é para os clientes. Há mercados recetivos e disponíveis para isso”, disse, alertando que o modelo exige diálogo com a banca e os seguros para mitigar riscos e viabilizar novos formatos contratuais.

“A mudança vai doer, mas é inevitável”, advertiu, adiantando que “a questão é sabermos mudar: como, o quê e com quem”. Defendeu ainda que “a tecnologia é importante, mas o essencial continua a ser o papel das pessoas”.

Já no espaço dedicado à reflexão das empresas, Hugo Carlos (Tecnimoplás) alertou para “o risco crescente de clientes sem liquidez” e defendeu que o sector tem de resolver a questão da propriedade das ferramentas para poder evoluir. Nuno Silva (Moldit) foi perentório: “O problema das empresas é a margem. Só se resolve com inovação. Andamos há tempo demais a olhar; é hora de agir”, advertiu. Paulo Ferreira Pinto (Moldworld) defendeu a criação de novos modelos de negócio, considerando que “há um momento em que as empresas têm de pensar novas abordagens sob pena de não sobreviver”.

União

Para Gonçalo Caetano (Simoldes), “permanecer na zona de conforto vai encerrar empresas”. Por isso, no seu entender, é preciso “profissionalizar a gestão e reinventar o modelo de negócio”. Paulo Gaspar (Moldit) sublinhou que “é fundamental convencer o país sobre a relevância do sector e fazer lobby como outros sectores estratégicos”, de forma a afirmar a indústria de moldes, enquanto Luís Lima (Steelplus) destacou áreas como a manutenção dos moldes

como “uma possibilidade de negócio ainda pouco explorada”, aconselhando as empresas a encará-la como hipótese.

Lino Ferreira (Pearlmaster) alertou que “o preço continua a ser o critério decisivo”, ao mesmo tempo que aconselhou “prudência” na adoção de novos modelos. Já para João Paulino (Delfingen), “uma união forte entre empresas é essencial para competir nos mercados”. No mesmo sentido, Mário Galvão (LGDynamics) lembrou que “a margem também se ganha nas compras”, apelando a que

as empesas trabalhem em processos conjuntos nessa área, que se reflitam em vantagens reais.

Do lado dos fornecedores da indústria, Marco Ruivo (Sigmasoft) apontou oportunidades “em novos materiais e segmentos de mercado” e António Fernandes (CHETO) defendeu que “a eficiência é hoje uma questão de sobrevivência” para as empresas.

No encerramento, Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, deixou o apelo: “O sector tem que reforçar o seu posicionamento e diferenciação. Pode começar-se pelas coisas simples, mas é preciso começar”.

A reflexão sobre o futuro do sector prossegue com os próximos encontros do projeto GEST.IM

– Estratégia, Sustentabilidade e Transformação da Indústria de Moldes, dedicados aos temas ‘Governance e Sustentabilidade’ (11 de dezembro), ‘Escala e dimensão das empresas’ (29 de janeiro) e ‘Integrar e gerir competências’ (26 de fevereiro).

AUTOMÓVEIS ACUMULAM 240 KG DE PLÁSTICO, MAS APENAS 3% É RECICLADO: BRUXELAS PREPARA NOVAS REGRAS

Análise do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia expõe as fragilidades da cadeia de valor automóvel. Apenas 19% do plástico de veículos em fim de vida é efetivamente reciclado, com o restante a acabar em aterros ou incineradoras.

A indústria automóvel europeia enfrenta um paradoxo de sustentabilidade: embora um único veículo ligeiro incorpore hoje cerca de 240 kg de componentes plásticos (entre 14% a 18% da sua massa total), a incorporação de material reciclado na produção de novos carros não ultrapassa, em média, os 3%.

Os dados constam de uma nova análise aprofundada do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia, que visa alicerçar a revisão da diretiva comunitária sobre veículos em fim de vida. O estudo identifica falhas críticas na circularidade do setor — o terceiro maior consumidor de plástico na UE (10% da procura total) — e propõe medidas rigorosas, incluindo metas obrigatórias de incorporação de reciclados.

Produção e Reciclagem

Os investigadores do JRC revelam uma desconexão profunda na cadeia de abastecimento. Enquanto os fabricantes de equipamento original consomem anualmente 5,2 milhões de toneladas de plástico na montagem de veículos, apenas 109.000 toneladas de plástico reciclado “pós-consumo” (o equivalente ao contido em pouco mais de 1 milhão de carros) reentram no ciclo industrial.

A maioria (80%) do material reutilizado atualmente provém de desperdícios industriais (“pré-consumo”), que são mais fáceis de processar, e não dos carros que chegam ao fim da vida útil.

O destino dos veículos abatidos continua a ser ambientalmente custoso. Segundo o relatório, do total de resíduos plásticos gerados por carros velhos:

• 41% acabam em aterros;

• 40% são incinerados para valorização energética;

• Apenas 19% são enviados para reciclagem.

Barreiras Económicas e Técnicas

O estudo identifica quatro bloqueios principais que a nova regulação terá de derrubar:

1. Económicos: O plástico virgem é frequentemente mais barato que o reciclado, e as desmanteladoras priorizam a recuperação de metais, que têm maior valor comercial.

2. Técnicos: O uso crescente de materiais compósitos (polímeros com fibras naturais) melhora a performance e o marketing “verde”, mas torna a reciclagem convencional impossível.

3. Regulatórios: A disparidade de infraestruturas entre os Estados-Membros cria ineficiências no tratamento de resíduos.

4. Culturais: Existe uma resistência na partilha de dados entre empresas por receio de perda de vantagem competitiva.

Metas Obrigatórias Progressistas

Para reverter o cenário, o JRC sugere que Bruxelas avance com uma combinação de incentivos económicos e imposições legais. A recomendação central passa pela definição de metas obrigatórias progressivas para o uso de plástico reciclado em novos modelos, forçando a criação de um mercado para estes materiais.

Outras medidas propostas incluem a exigência de divulgação de informação sobre a composição dos plásticos ao longo da cadeia (uma espécie de rastreabilidade ou passaporte do produto) e o incentivo ao design de veículos que facilitem a desmontagem e triagem.

A Comissão Europeia sublinha que estas propostas servirão de base para o futuro regulamento, que substituirá a Diretiva 2000/53/CE, alinhando finalmente a indústria automóvel com as ambições do Pacto Ecológico Europeu.

O FUTURO DA MOBILIDADE: OS PAPÉIS DA CHINA, EUROPA E EUA NA REVOLUÇÃO ELÉTRICA

A mobilidade elétrica configura uma transformação revolucionária e disruptiva, de progresso. Esta análise debruça-se sobre os principais beneficiários e desafios emergentes nos mercados de veículos elétricos na China, Europa e EUA, explorando as tendências futuras.

A eletromobilidade já está a determinar o futuro. Analistas da “BloombergNEF” esperam que 22 milhões de Veículos Elétricos (VEs) sejam vendidos em todo o mundo este ano, mais 25% do que no ano anterior. Destes, quase 6 milhões serão veículos puramente elétricos a bateria (BEVs). Até 2040, os especialistas de mercado preveem uma quota de 40% de VEs na frota global de automóveis. Isso corresponderia a cerca de 700 milhões de VEs.

A China e o seu Domínio no Mercado de Veículos Elétricos

A indústria automóvel chinesa, em poucos anos, ascendeu a uma superpotência de VEs. Os condutores chineses estão a comprar mais VEs do que nunca e mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Atualmente, a China é responsável por dois terços das vendas globais de VEs. A Europa segue com 17%, os EUA com 7%. No primeiro semestre de 2025, foram vendidos 5,5 milhões de VEs de todos os tipos na China. É um boom, como comprovado pelo seguinte: os VEs na China consomem agora mais eletricidade do que todo o país da Suécia, segundo analistas da Bloomberg.

A Eletromobilidade a Preços Reduzidos

Os carros elétricos na China, com um custo médio de 28.500 dólares (enquanto na Alemanha se fixam nos 44.500 euros), destacam-se por serem mais económicos do que os veículos de combustão. A esta acessibilidade de custo de aquisição junta-se também um valor mais baixo para a eletricidade. De acordo com o “EV Attractiveness

Index 2025” da “BearingPoint” e do Handelsblatt Research Institute, o custo da eletricidade para 100 quilómetros percorridos na China é de 1,01 euros. Na Alemanha, é um valor considerável de 6,60 euros, e nos EUA, 2,89 euros.

“Se o preço for justo, os compradores de automóveis também aceitarão desvantagens percebidas, como a incerteza de autonomia ou o tempo adicional necessário para o carregamento”, explica Aleksandra O’Donovan, responsável pela Mobilidade Eletrificada na BloombergNEF em Londres. Ela identifica a “acessibilidade económica” como um dos fatores-chave para a adoção em massa de VEs. Isto aplica-se globalmente. “A eletromobilidade está atualmente a expandir-se para lá do nicho premium para segmentos de compradores mais sensíveis ao preço. Aqui, os custos operacionais e de manutenção estão a tornar-se mais significativos nas decisões de compra”, afirma a especialista.

Disputa de Clientes

Os Fabricantes de Equipamento Original (OEMs) chineses embarcaram numa disputa competitiva. Contudo, a questão assume uma dimensão política, com Pequim a manifestar-se contra esta guerra de preços prejudicial, embora sem anunciar, até ao momento, medidas concretas. “Cerca de 130 marcas com mais de 400 modelos de VE estão a competir pelos clientes”, de acordo com um estudo da McKinsey de 2024. Patrick Schaufuss, partner da McKinsey, aguarda, portanto, “uma forte orientação para a exportação das marcas chinesas bem-sucedidas”. A Alemanha, com mais de 200 modelos de VE oferecidos, ocupa o segundo lugar atrás da China.

As Marcas Europeias

A transição da China para a Europa, no que toca à mobilidade elétrica, é um passo curto. Schaufuss salienta que “por um lado, haverá uma

sobrecapacidade de mais de 40% no mercado local. Por outro lado, os fabricantes chineses esperam margens mais altas no estrangeiro devido às suas vantagens de custo de até 30% em comparação com os fabricantes ocidentais.”

A BYD já está a construir, a Chery e a Changan também estão a planear fábricas na Europa, em parte para evitar tarifas comerciais. “Os OEMs chineses estão a vir para ficar”, afirma Henner Lehne, Vice-Presidente do Grupo Global de Veículos e Powertrain, Divisão Global de Mobilidade, S&P Global. A sua estratégia “Premium por Tecnologia” relembra o lema “Progresso através da Tecnologia” da Audi.

“Eles têm as marcas europeias na mira”, confirma Aleksandra O’Donovan. O seu objetivo é o “luxo acessível”. “Esperamos um foco no grupo-alvo de ‘profissionais ativos’, onde a lealdade à marca ainda não está fortemente estabelecida”, explica. Assim, oferece boas hipóteses aos OEMs chineses: “Eles ouvem o que os consumidores querem, agem rapidamente e entregam o que os clientes desejam. E agem sem perder tempo.” A notória “velocidade chinesa”. “No entanto”, diz a especialista de Londres, “eles precisarão de tempo para ganhar a confiança dos consumidores.” Parcerias com OEMs ocidentais podem ser úteis aqui – de acordo com O’Donovan, tais colaborações são “prováveis”.

As importações de automóveis provenientes da China são, por enquanto, administráveis, mas as suas elevadas taxas de crescimento são visíveis nos dados da Jato Dynamics: a topseller BYD trouxe cerca de 70.500 unidades para a Europa no primeiro semestre de 2025, mais do que em todo o ano anterior (57.000). Com o SUV híbrido Seal U DM-i, a BYD está a visar o Tiguan 1.5 eHybrid OPF da VW no segmento de gama média.

No entanto, os OEMs chineses confrontam-se com desafios significativos no mercado europeu.

A forte lealdade às marcas e a fidelidade aos fabricantes locais são obstáculos notórios, a par das reservas generalizadas dos consumidores em relação às empresas chinesas. A isto soma-se o facto de, segundo um estudo da Bloomberg Intelligence, apenas 16% dos compradores de automóveis nos cinco maiores mercados europeus estarem dispostos a adquirir um BEV.

Europa em Recuperação

O mercado europeu de VEs parece estar a recuperar rapidamente após a queda em 2024: no primeiro semestre de 2025, a quota de mercado dos carros elétricos subiu para 15,6% (870.000 veículos), face aos 12,5% no mesmo período do ano anterior. Os motores de crescimento são claramente os híbridos plug-in (PHEVs), que representam mais de metade dos VEs.

BYD Seal vs. VW Tiguan

LEIRIA POSICIONA-SE PARA LIDERAR NA INDÚSTRIA DA DEFESA COM

NOVO PLANO ESTRATÉGICO

A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria anunciou, dia 15 de outubro, o avanço de um Plano Estratégico para a Indústria da Defesa. A iniciativa visa capitalizar a robusta capacidade industrial da região, especialmente no setor dos moldes, para posicionar o território numa área que a Europa classificou como prioritária.

Em declarações após a última reunião da CIM deste mandato, Gonçalo Lopes, sublinhou a “importância que a região representa no setor industrial, para poder dar esse contributo ao nível do país”. Destacou a necessidade urgente de “obter financiamento para empresas dos mais diversos setores, em especial os moldes, poderem alavancar os seus negócios nesta área que a Europa colocou como prioritária”.

A reunião, realizada em Regueira de Pontes, Leiria, contou com a presença de autarcas da região, da presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Isabel Damasceno, e do secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, evidenciando o apoio institucional ao projeto.

Gonçalo Lopes, também presidente da Câmara de Leiria, enfatizou a diversidade e capacidade de adaptação da indústria regional, mencionando a Tekever (fabricante de drones) como um exemplo do “know-how” existente. “Este é um desígnio da Europa e de Portugal, e, existindo essa capacidade instalada, temos aqui uma oportunidade importante para podermos adaptar a indústria a esta nova tendência”, afirmou, realçando o apoio da NERLEI CCI e de “setores chaves, como os moldes”.

Isabel Damasceno evidenciou a relevância da defesa para a Europa e o potencial da região de Leiria. “A nossa região tem condições instaladas para poder ser aqui um peso grande nesta indústria da defesa, porque o setor dos moldes é muito im-

portante para a área da defesa e temos um setor de moldes instaladíssimo e com uma enorme qualidade técnica”, referiu. A presidente da CCDRC revelou que, com a reprogramação dos fundos comunitários, a defesa se tornou uma prioridade, havendo uma dotação inicial de 15 milhões de euros para empresas, passível de reforço.

Hélder Reis, por sua vez, saudou a iniciativa da CIM, classificando-a como um “bom princípio”. O secretário de Estado apontou que o plano permite à região alinhar-se com “prioridades nacionais e europeias” e “revitalizar setores de atividade”, como o dos moldes, que enfrentam constrangimentos devido a cenários internacionais como a guerra e políticas comerciais agressivas. Reis destacou ainda a capacidade do setor de moldes “contribuir para outras áreas de produção” que beneficiam a defesa, aguardando agora o detalhe do plano para o enquadrar na estratégia nacional de defesa.

A CIM da Região de Leiria é composta pelos municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós. A expectativa é que este plano estratégico dinamize a economia local e fortaleça a contribuição da região para a segurança e inovação a nível nacional e europeu.

SUSTENTABILIDADE AUTOMÓVEL: REVALORIZAÇÃO DE COMPONENTES DE PLÁSTICO

A BASF, em colaboração estratégica com a Mercedes-Benz, Pöppelmann e ZF, anunciou o desenvolvimento de dois processos de reciclagem inéditos para a Poliamida 6 (PA6), um plástico amplamente utilizado em veículos. Esta solução foi apresentada em detalhe na K 2025, uma das maiores feiras do setor.

Estes avanços permitem transformar componentes de veículos em fim de vida e, inclusivamente, resíduos complexos de trituração em materiais de alta qualidade, prontos para serem reutilizados no fabrico de peças automóveis.

A Reciclagem Química: Despolimerização para Pureza

Um dos processos-piloto desenvolvidos é a reciclagem química através da despolimerização. Neste método inovador, as longas cadeias de poliamida são “partidas” intencionalmente em

monómeros de caprolactama. Após um processo rigoroso de purificação, estes monómeros são ressintetizados, resultando numa Poliamida 6 que atende aos mais elevados padrões de qualidade.

“Este material reciclado cumpre as normas de qualidade exigidas e é totalmente adequado para componentes exigentes na indústria automóvel”, afirma a BASF. A prova de conceito já foi demonstrada pela ZF, que fabricou uma barra estabilizadora para a Mercedes-Benz utilizando esta PA6 reciclada, validando a sua aplicabilidade em componentes críticos do chassis.

A Reciclagem Baseada em Solventes: Transformação de Resíduos Complexos

O segundo processo aborda um desafio ainda maior: os resíduos de trituração de veículos em fim de vida. Esta mistura heterogénea de ma-

teriais, que sobra após a remoção de vidro e metais, era anteriormente um problema para a reciclagem. Contudo, a BASF conseguiu extrair eficientemente a PA6 desses resíduos.

A poliamida assim obtida é então submetida a um novo processo de reciclagem à base de solventes. Diferente da despolimerização, aqui as cadeias poliméricas são seletivamente dissolvidas, limpas e novamente processadas em formulações de PA6 utilizáveis. Este método, que não quebra as cadeias, permite a recuperação de materiais mesmo de fontes mais contaminadas.

A Mercedes-Benz já validou a tecnologia através de um guia de corrente em produção em série, e a Pöppelmann fabricou e testou com sucesso os componentes em condições próximas das de produção.

Impacto Ambiental: Redução

Significativa

de CO2

Para comprovar a sustentabilidade dos novos métodos, a BASF encomendou análises de ciclo de vida (LCA) a uma empresa externa. Os resul-

tados são promissores: ambos os processos de reciclagem demonstram poupanças significativas de emissões de CO2

Esta redução é notável tanto em comparação com a produção de PA6 a partir de matérias-primas fósseis, como em relação aos métodos convencionais de reciclagem de plástico, como a valorização térmica (incineração para produção de energia). Estes dados reforçam o potencial dos projetos para contribuir ativamente para a descarbonização da indústria automóvel e para uma verdadeira economia circular.

O Futuro da Reciclagem Automóvel

Estes desenvolvimentos marcam um passo crucial na direção de uma indústria automóvel mais sustentável, onde o valor dos materiais é mantido e os resíduos são minimizados. A colaboração entre a BASF, Mercedes-Benz, Pöppelmann e ZF destaca a importância da parceria ao longo da cadeia de valor para alcançar inovações impactantes.

Evolução dos Mercados de Exportação

3º Trimestre de 2025

EVOLUÇÃO DO VOLUME DE EXPORTAÇÕES

PESO DOS MERCADOS TRADICIONAIS

NAS EXPORTAÇÕES NACIONAIS”

EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES PARA MERCADOS TRADICIONAIS

EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES PARA PAÍSES EUROPEUS (EXCETO RÚSSIA)

EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES PARA MERCADOS AMERICANOS

EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES PARA ÁFRICA DO SUL, MARROCOS, TURQUIA E RÚSSIA

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