Lorde Creptum

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LORDE CREPTUM

© edição brasileira: Editora Pulo do Gato, 2015

© texto e imagens: Gustavo Piqueira

coordenação editorial MÁRCIA LEITE e LEONARDO CHIANCA

editora assistente THAIS RIMKUS

revisão ANA LUIZA COUTO

projeto gráfico e diagramação GUSTAVO PIQUEIRA | CASA REX impressão INTERGRAF

As imagens fotográficas pertencem ao acervo pessoal de Nair Leonardi Ferrari, que gentilmente cedeu os direitos de reprodução ao autor para uso nesta obra.

A edição deste livro respeitou o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Piqueira, Gustavo

Lorde Creptum / Gustavo Piqueira. - 1. ed.

São Paulo: Editora Pulo do Gato, 2015.

ISBN 978-85-64974-81-4

1. Ficção - Literatura infantojuvenil I. Título. CDD-028-5

Índices para catálogo sistemático:

1. Ficção: Literatura infantojuvenil 028.5

2. Ficção: Literatura juvenil 028.5

1ª edição • maio • 2015

Todos os direitos desta edição reservados.

Rua General Jardim, 482, conj. 22 • CEP 01223-010 • São Paulo, SP, Brasil [55 11] 3214 0228 www.editorapulodogato.com.br

— Que lenço esquisito.

— Bem esquisito.

— De que cor será? Não dá para ver pela foto em preto e branco.

— Roxo.

— Roxo?

— Ninguém usaria um lenço desses se ele não fosse roxo.

— Não?

— Não. Um homem que amarra um lenço desse tamanho no pescoço quer chamar atenção. Não faria sentido se o lenço fosse branco. Ou cinza. Mal seria notado.

— Tem razão.

— Ainda mais com esses óculos escuros.

— O que tem a ver o lenço com os óculos?

— Para que não o reconheçam.

— Por quê?

— Pelo crime que cometeu.

— Crime?

— Crime. Ninguém se disfarça por outro motivo.

— Disfarça? Mas ele não estava usando um lenço roxo exatamente pelo motivo contrário? Chamar atenção?

— Chamar atenção para o lenço roxo, entendeu? A pessoa passa, vê um lenço roxo enorme e não enxerga mais nada. Só o lenço roxo. Nem olha para o resto e o criminoso segue impune. Igual ao Wesley.

— O Wesley é criminoso?

— Não. Narigudo.

— ?

— Com aquele nariz enorme, quando você olha para o Wesley, vê o quê?

— O nariz.

— Exatamente. Só o nariz. Com o lenço roxo é a mesma coisa.

— Entendi… E se for fantasia de Carnaval?

— Um lenço roxo e óculos escuros? Fantasia de Carnaval? Deixe de ser idiota.

— Não fale assim comigo!

— Pense bem: não é uma ideia idiota?

— Não?

— É. É idiota. Mas não fale assim comigo do mesmo jeito.

— Concorda, então, que ele é um criminoso?

— Concordo.

— Lorde Creptum, o assassino do lenço roxo.

— Lorde Creptum?

— Lorde Creptum.

— Ele se chama Lorde Creptum? De onde tirou isso?

— Olhe bem pra ele. Como você acha que um cara desse poderia se chamar? Antônio Carlos?

— Então?

— Tem cara de Lorde Creptum mesmo.

— Lorde Creptum, o assassino do lenço roxo.

— Quem ele assassinou?

— Quem?

— Para ser um assassino é preciso matar alguém.

— Verdade.

— Mas quem ele matou?

— Não sei. Vamos verificar tudo. Espalhe aqui no chão. Se examinarmos com atenção, a gente descobre… Vai, distribua até lá no canto. Pode colocar o abajur em cima da cama, se precisar de mais espaço.

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