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I – Introdução
Nós e a Biodiversidade 06
II – Carteira de Projetos
1. Projeto Florestas de Valor 09 Florestas “em pé” valem mais do que derrubadas
2. Viveiro Cidadão 11
Recomposição florestal da Amazônia e geração de renda
3. Manguezais Brasileiros 12
Conservação, restauração, pesquisa e educação ambiental
3.1. Projeto Uçá 13
3.2. Mangues da Amazônia 13
4. Província Petrolífera de Urucu 14
Referência internacional em atuação sustentável no “coração” da Amazônia
5. No Clima da Caatinga 16
Proteção de recursos hídricos e florestas, além da mitigação de impactos das mudanças do clima no bioma
6. Vale Sustentável 19
Restauração florestal e desenvolvimento sustentável no Semiárido brasileiro
7. Semeando Água 21
Restauração da Mata Atlântica e de corpos hídricos na região do Sistema da Cantareira
8. Reflorestamento da Estação Ecológica de Jataí 23
O maior já realizado em Unidade de Conservação em São Paulo
9. Corredor Caipira 25
Formação de agroflorestas e corredores ecológicos para a conservação e a propagação da fauna e da flora em São Paulo
10. Projetos de Restauração Ecológica em Floresta na Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba 26
Em 10 anos, 5.500 plantas, 51 espécies vegetais nativas, mais de 600 árvores com mais de 10 metros de altura e retorno da fauna
11. Restauração Funcional de Florestas 29
A diversidade funcional e a composição das espécies plantadas aceleram o processo de restauração
12. Reposição Florestal - Reserva Biológica União 31 Importante papel na conservação dos micos-leõesdourados que habitam a região
13. Regeneração Natural como Ferramenta de Recuperação Ambiental de Áreas Alagadas 33
Solução para áreas que servem como berçário, abrigo e proteção contra erosão e enchentes
14. Onde a Onça Bebe Água: Comunidades e Bem Viver 35
Proteção ao Cerrado, às onças-pintadas do bioma e fortalecimento das comunidades locais
15. Passagens de Fauna para Conexão de Fragmentos Florestais 37 Menos obstáculos e riscos, além de maior ganho em biodiversidade
16. Projeto Guapiaçu 38
Restauração ecológica, reintrodução de fauna e educação ambiental na região da Baía de Guanabara
17. Guardiões da Biodiversidade 40
Protagonismo dos povos indígenas na conservação e no manejo sustentável dos recursos naturais
17.1. Raízes do Purus 40
17.2. Projeto Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani 40
17.3. Projeto Biodiverso 41
17.4. Projeto Berço das Águas 41
18. Projeto de Restauração Florestal no Entorno da Área do Brejo no Traçado do Gasoduto Rota 3 43
Proteção ao habitat dos peixes rivulídeos, ameaçados de extinção
19. Floresta Viva (Investimento Socioambiental com Parceiros) 44
Parceria em investimentos para a restauração de biomas brasileiros adotando soluções baseadas na natureza
20. Restaura Amazônia (Investimento Socioambiental com Parceiros) 46
Recuperação de milhões de hectares de áreas degradadas de Floresta Amazônica aliada ao incremento da agricultura familiar e ao desenvolvimento de povos tradicionais
21. Fundo Petrobras de Bioeconomia 49
Financiamento de projetos socioambientais de Bioeconomia e soluções baseadas na natureza que alavancam negócios sustentáveis com impacto social positivo
22. Projeto Coral Vivo 50
Proteção a recifes de coral por meio da pesquisa e da cultura oceânicas
23. Projeto Sensimar – Ambientes Marinhos Sensíveis 53
Criação de rede brasileira de especialistas em corais de águas profundas e plataforma colaborativa
24. Projeto Sig@s Maricás 55
Pesquisa de biodiversidade e uso de geotecnologias para identificar regiões com alta concentração de diversidade biológica e áreas prioritárias para conservação nas Ilhas Maricás
25. Projeto Meros do Brasil 57
Pesquisa científica sobre esses peixes na costa brasileira, preservação e recuperação de suas populações e educação ambiental
26. Projeto Golfinho Rotador 58
Ações em prol da conservação e da sociobiodiversidade do Atlântico Sul, do arquipélago brasileiro de Fernando de Noronha e dos golfinhos-rotadores da localidade
27. Projeto Baleia Jubarte 60
Estudo e proteção da população remanescente das baleias jubarte que se reproduzem em águas brasileiras
28. Viva o Peixe-Boi-Marinho 62
Conservação de espécie em perigo de extinção no Brasil
29. Projeto Aruanã 64
Conservação de tartarugas na Baía de Guanabara
30. Avaliação das Interações de Tartarugas Marinhas com as Atividades de Exploração e Produção 67
Pouquíssima interação com plataformas e embarcações
31. Projeto de Monitoramento de Desovas de Tartarugas Marinhas 69
Identificação de espécies ameaçadas de extinção e geração de informações para a gestão ambiental nos litorais do Amapá e do Pará
32. Tecnologias Ambientais para Inovação e Sustentabilidade na Margem Equatorial (MEq) 70 Mapeamento atual da linha da costa, caracterização ambiental das bacias sedimentares, tecnologias para emergências ambientais e para avaliação de impactos e ganhos em biodiversidade
33. Projeto de Monitoramento Integrado Dedicado na Bacia Sedimentar Foz do Amazonas 72 Guia de identificação de espécies e base de dados ambiental
34. Censo Espaço-temporal de Aves de Ecossistemas Costeiros e Migratórias nas Unidades de Conservação do Amapá 75 36 mil aves registradas de 236 espécies, sendo dez ameaçadas de extinção
35. Aves Migratórias 76
Conservação de aves costeiras e marinhas, proteção de habitats, geração de conhecimento e educação ambiental
36. Projeto Albatroz 78
Redução da pesca incidental de albatrozes e petréis, pesquisa científica para subsidiar políticas públicas de proteção a essas aves e educação ambiental
37. Projeto de Caracterização Ambiental da Área de Instalação do Navio-Plataforma Anita Garibaldi (PCA-Anita) 81 Caracterização do ambiente do fundo do mar
38. Projeto de Monitoramento Ambiental Regional da Bacia de Campos (PMAR-BC) 83 Geração de dados sobre a qualidade ambiental e a biodiversidade marinha da plataforma continental e do talude brasileiros para melhor gerenciamento ambiental da bacia
39. Projetos de Monitoramento de Praias (PMP) 85
Resgate, reabilitação e soltura de milhares de animais a cada ano
40. Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS) 87
29 espécies identificadas, sendo sete ameaçadas de extinção
41. Projeto de Monitoramento da Biota Marinha em Atividades Sísmicas na Bacia de Santos 88 Mamíferos marinhos constituíram o maior número de indivíduos avistados, sendo a baleia jubarte a espécie mais observada
42. Programa de Caracterização Regional da Bacia de Santos - PCR-BS 91
Identificação de novas espécies e legado em biodiversidade para a Ciência
43. Projeto de Monitoramento de Ilhas Costeiras (PMIC) 93
Monitoramento das Unidades de Conservação dos litorais do Rio de Janeiro e de São Paulo
44. Núcleo Operacional de Análise Ambiental de Imagens Marinhas 95
Informações sobre ambientes marinhos sensíveis para orientar operações submarinas e subsidiar licenciamentos ambientais
III. Próximos Passos 96

Nós, da Petrobras, temos ativos e operações em todas as regiões do Brasil e em alguns países do exterior. Onde quer que estejamos presentes, nos segmentos de exploração e produção de óleo e gás, refino, petroquímica, biocombustíveis, energias renováveis, geração de energia, fertilizantes, logística, pesquisa, desenvolvimento e inovação, somos responsáveis. Atuamos de forma íntegra e sustentável, com segurança e eficiência operacional, buscando emissões decrescentes; adotando o reúso de água e reduzindo o consumo; destinando resíduos para reúso, reciclagem e recuperação e reduzindo a geração; aumentando o papel das energias renováveis em nosso portfólio; contribuindo para uma transição energética justa; promovendo a diversidade, a inclusão e o desenvolvimento econômico e social; cuidando das pessoas e respeitando o meio ambiente. É nosso compromisso com a sociedade.
Dada a nossa abrangência e a diversificação das nossas atividades, temos grande interface com a biodiversidade. Interagimos com biomas como Floresta Amazônica, Caatinga (o único bioma exclusivamente brasileiro), Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e sistema costeiro-marinho, assim como com áreas protegidas e sensíveis. Por isso, consideramos que a biodiversidade faz parte do nosso negócio e a integramos a nossa estratégia empresarial.
Estamos atentos ao fato de que a perda de biodiversidade e o esgotamento dos ecossistemas como resultado das atividades humanas são uma realidade global com implicações de longo prazo para economias e sociedades. Sendo assim, buscamos impacto líquido positivo onde atuamos. Vamos além da neutralização de impactos negativos. Geramos benefícios adicionais reais. E geramos valor.
Cumprimos todos os requisitos legais dos países em que atuamos. Adotamos as melhores práticas globais. Cumprimos os compromissos que firmamos em nosso Plano Estratégico 2050 e nosso Plano de Negócios 2025- 2029, amplamente divulgados pela imprensa e disponíveis em nosso site. Mas isso não é tudo.
Concebemos, implementamos, monitoramos e ajustamos, com parceiros, ações focadas na prevenção, na mitigação e na compensação de impactos à biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos onde atuamos.
Só em 2024, investimos R$ 1,1 bilhão em projetos socioambientais que apoiamos voluntariamente, como os da carteira do Programa Petrobras Socioambiental; nos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), que desenvolvemos e executamos em parceria com 49 universidades e institutos e 87 centros de pesquisa, e nos projetos que implementamos em cumprimento a procedimentos de licenciamento ambiental. São cerca de 440 projetos ao todo.
Monitoramos, estudamos e protegemos mais de 6.000 espécies de fauna, sendo cerca de 140 ameaçadas de extinção, além de mantermos 40 Centros de Atendimento à Fauna no Brasil para reabilitação de animais. Da mesma forma, monitoramos, estudamos e protegemos mais de 2.000 espécies de flora, sendo cerca de 65 ameaçadas de extinção. Recuperamos cerca de 7 mil hectares de florestas (70 km2 ou o equivalente a 7.000 mil campos de futebol) e contribuímos para a conservação de 532 mil hectares (5,3 mil km2 ou 532 mil campos de futebol).
Fortalecemos a gestão de 27,9 milhões de hectares de áreas terrestres protegidas, desenvolvendo projetos
e ações educativas relacionados a essas áreas. Contribuímos para a elaboração de 1.032 publicações científicas com base no conhecimento gerado por meio dessas iniciativas, colaborando para o avanço da Ciência. Impactamos cerca de 2 milhões de pessoas por intermédio de ações de educação ambiental. Além disso, graças a nossos projetos socioambientais, propiciamos a geração de 4.475 postos de trabalho permanentes e 424 empregos temporários.
Até 2029, nossos investimentos socioambientais totalizarão cerca de R$ 1,5 bilhão em uma carteira de cerca de 160 projetos do Programa Petrobras Socioambiental e iniciativas relacionados às temáticas oceano, florestas, educação e desenvolvimento econômico sustentável.
Encerramos 2025 com 100% de nossos ativos tendo Planos de Ação em Biodiversidade, que objetivam conservar ou melhorar a biodiversidade onde atuamos, identificando prioridades e ações tangíveis e mensuráveis para implementação.
Somamos a isso ações que implementamos em atendimento ao Compromisso Empresarial Brasileiro para a Biodiversidade, estabelecido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), do qual fazemos parte; à Coalizão Life de Negócios e Biodiversidade, que integramos; à Convenção sobre a Diversidade Biológica; ao Marco Global da Biodiversidade e aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Por fim, participamos de importantes fóruns externos de biodiversidade, nacionais e internacionais, que congregam empresas de diversos setores (Rede de Biodiversidade da Confederação Nacional da Indústria – CNI; Câmara Temática de Biodiversidade e Biotecnologia do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento
Sustentável - CEBDS; Grupo de Trabalho de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos da Ipieca, associação global da indústria de óleo e gás para questões ambientais e sociais; Grupo de Trabalho de Biodiversidade da Câmara de Comércio Internacional - ICC, entre outros). A participação é essencial para conhecermos tendências, conceitos e metodologias; identificarmos boas práticas da indústria; realizarmos trocas técnicas e divulgarmos publicações com orientações a respeito de temas diversos da agenda ambiental e da biodiversidade.
Nas próximas páginas, você vai conhecer um pouco do que estamos fazendo pela biodiversidade e, consequentemente, pela sociedade e pelo planeta. Não apenas provemos energia que assegura prosperidade, de forma ética, justa, segura e competitiva, ao Brasil e aos países para os quais exportamos nossos produtos. Fazemos isso cuidando das pessoas, do meio ambiente e da nossa biodiversidade, como demonstraremos a seguir.
Boa leitura!

Florestas “em pé” valem mais do que derrubadas
Executado pelo instituto Imaflora e patrocinado pela Petrobras desde 2013, o Projeto Florestas de Valor se propõe a manter florestas “em pé” gerando valor por meio da implantação e da manutenção de sistemas produtivos sustentáveis em 480 hectares de floresta e do extrativismo sustentável na Amazônia, promovendo produtos da sociobiodiversidade local.
Entre esses produtos, podemos citar a Copaifera spp. (copaíba); o Dipteryx odorata (cumaru); a Bertholletia excelsa (castanha-do-Brasil); o Theobroma grandiflorum (cupuaçu); o Theobroma cacao (cacau); o Euterpe oleracea (açaí); a farinha de mandioca; os beijus e outros produtos da agricultura familiar.
Para se ter uma ideia, o projeto contribuiu, nos últimos três anos, com mais de R$ 3 milhões para a geração e o incremento de renda para famílias, por meio do manejo e da comercialização de produtos da sociobiodiversidade amazônica e da agricultura familiar. As atividades transcorrem em um mercado ético, sendo os participantes inseridos em um sistema com garantia de origem dos produtos e rastreabilidade em toda a cadeia produtiva.
Firmando parcerias comerciais com comunidades, empresas e escolas públicas interessadas na aquisição dos produtos, o projeto já beneficiou mais de mil integrantes das comunidades tradicionais da Amazônia, entre agricultores familiares e quilombolas de quatro comunidades (Erepecuru; Trombetas; Alto Trombetas I; Mãe Domingas) organizados em cinco associações e uma cooperativa. Para esse público, já foram ofertados mais de 20 treinamentos, foram destinadas três publicações técnicas e foram desenvolvidas campanhas de conscientização sobre o valor da floresta “em pé”.
O projeto tem, ainda, a vantagem de fortalecer a biodiversidade nos territórios indígenas TrombetasMapuera, Nhamundá-Mapuera e Kaxuyana-Tunayana; nas comunidades quilombolas mencionadas e em sete Unidades de Conservação dos estados do Pará e do Amazonas, abrangendo uma área de mais de 10 milhões de hectares.
Por fim, o projeto contribui para a manutenção de estoques de carbono e a redução de emissões de gases de efeito estufa, colaborando para a mitigação da mudança do clima.
Mais informações: www.imaflora.org
Instagram: @florestasdevalor

Recomposição florestal da Amazônia e geração de renda
Realizado pela organização Ecoporé, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto Viveiro Cidadão amplia ações de recomposição florestal de áreas da Amazônia, em Rondônia. Assim, promove o incremento de estoques de carbono, a redução de emissões de gases do efeito estufa, a formação de corredores ecológicos, o retorno da biodiversidade amazônica às áreas restauradas e a conservação da fauna e de todo o bioma.
Em parceria com comunidades rurais e tradicionais, o projeto incentiva a restauração ecológica e a produção agroalimentar em quintais produtivos e sistemas agroflorestais implantados, para a geração de renda de forma sustentável; valoriza conhecimentos tradicionais; promove o cultivo de mudas e o reflorestamento. Além disso, realiza educação ambiental e dispõe de formação técnica em seus âmbitos de atuação. Ao longo de mais de dez anos de existência, possibilitou a restauração de 600 hectares e beneficiou mais de 10 mil pessoas.
Combinando conhecimentos técnicos, saberes tradicionais, armadilhas fotográficas e avistamentos diretos, o projeto realiza o monitoramento participativo da biodiversidade, já que envolve agricultores no processo de acompanhamento do uso, pela fauna, dos fragmentos de vegetação restaurados, tanto para deslocamento quanto como habitat.
Ao todo, são monitoradas 45 espécies da fauna, sendo 45% de mamíferos, 22% de aves, 20% de répteis e 13% de insetos. Entre essas espécies, quatro correm risco de extinção, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, sendo que o macaco-bugio (Alouatta puruensis), o mico-deRondônia (Mico rondoni) e o porco-do-mato queixada (Tayassu pecari) são espécies classificadas como vulneráveis, ao passo que o macaco-aranha (Ateles chamek) é espécie ameaçada.
Saber se as conexões de corredores ecológicos estão beneficiando a biodiversidade, além de ampliar o entendimento de processos ecossistêmicos locais, contribui para o direcionamento de esforços para ampliar os espaços de recomposição florestal e a definição de estratégias para a conservação da fauna. Atualmente, o monitoramento da biodiversidade nas áreas de restauração do projeto Viveiro Cidadão está diretamente relacionado aos planos de ação nacionais para a conservação de espécies ameaçadas de extinção dos grandes felinos, dos pequenos felinos, das aves amazônicas e dos primatas amazônicos.
Mais informações: viveirocidadao.org.br

Tendo em vista que os manguezais, ecossistemas litorâneos de transição entre a terra firme e o mar, têm enorme importância para a vida na Terra e o Brasil é o segundo país do mundo em extensão de manguezais depois da Indonésia e tem a maior faixa contínua de manguezais do mundo, nossa carteira do Programa Petrobras Socioambiental contempla projetos de conservação e restauração desse ecossistema.

Atualmente, no âmbito do programa, contamos com dez projetos voluntários apoiados que possuem atuação em manguezais, seja para restauração ou conservação, seja para a conservação de espécies que aí ocorrem. Além disso, em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social –BNDES, apoiamos oito projetos de restauração de manguezais ao longo da costa brasileira, por meio do edital “Manguezais do Brasil”, da iniciativa Floresta (consulte a página 44).
Manguezais estão presentes em diversas regiões costeiras ao redor do mundo e em 1,3 milhão de hectares no Brasil, principalmente ao longo das regiões Norte e Nordeste. Um total de 121 unidades de conservação brasileiras têm manguezais em seu interior, o que representa quase 90% do ecossistema em todo o país.
Os manguezais protegem regiões costeiras, sequestram carbono, mitigam mudanças climáticas, funcionam como berçário e fonte de alimento para espécies diversas e sustentam comunidades economicamente dependentes de seus recursos. Estima-se que entre 70% e 80% das espécies de peixes marinhos de interesse comercial dependem dos manguezais para seu desenvolvimento.
3.1. Projeto Uçá
Um de nossos projetos relacionados a manguezais é o Projeto Uçá, cujo nome faz referência a um caranguejo (Ucides cordatus) comum nesse bioma.
Executado pela ONG Guardiões do Mar e patrocinado pela Petrobras desde 2012, o projeto atua em diversas frentes: pesquisa relacionada a manguezais; conservação de ecossistemas costeiros com foco em manguezais; melhoria da sociobiodiversidade em ecossistemas da Baía de Guanabara e em seu entorno, no estado do Rio de Janeiro; manutenção de serviços ecossistêmicos; educação ambiental, com engajamento de comunidades; valorização de povos tradicionais.
No âmbito do projeto, já foram restaurados 18,2 hectares de manguezais por meio do plantio de 64.500 mudas. Em edições da Operação Limpa Oca, foram retiradas mais de 60 toneladas de resíduos sólidos dos manguezais da Baía de Guanabara por mão de obra contratada oriunda de comunidades tradicionais.
Pesquisas apontaram mudanças no período reprodutivo do caranguejo-uçá, o que é relevante para a comunidade científica, e detectaram a presença de microplástico em várias partes do corpo do animal e em ovos, o que reforça a importância da Operação Limpa Oca. O projeto também fomentou o Turismo de Base Comunitária em manguezais em Guapimirim, no Rio de Janeiro, disponibilizando equipes e insumos para qualificar lideranças nesse âmbito.
Ações de educação ambiental, como Andada do Uçá (itinerante) e Mundo Mangue na Escola (continuada), abrangeram cursos para a formação de multiplicadores e cientistas cidadãos que beneficiaram mais de 600 mil pessoas. Possibilitaram o aumento significativo dos registros de espécies avistadas no aplicativo Inaturalist.
Além disso, foram pioneiras, no Rio de Janeiro, em acessibilidade para pessoas com necessidades especiais, tendo sido lançado um glossário em libras contendo verbetes relacionados ao ecossistema manguezal e outros temas abordados no projeto.
Agora, no âmbito do projeto, inicia-se a restauração de mais 20 hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim.
O projeto integra os mais importantes Conselhos de Unidades de Conservação de sua área de abrangência, assim como a Rede de Conservação Águas da Guanabara (Redagua). Essa rede de projetos, apoiada pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, atua, de forma integrada, no desenvolvimento de pesquisas, na produção e na divulgação de conhecimento e na execução de ações de conservação, educação ambiental, comunicação e inclusão social relacionadas à Região Hidrográfica da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e a seus ecossistemas conectados. A ONG Guardiões do Mar, por sua vez, coordena o Subcomitê Leste da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, tendo sido reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) como parceira oficial para a Década da Restauração de Ecossistemas.
3.2.
Realizado pelo Instituto Peabiru, pelo Instituto Sarambuí e pelo Laboratório de Ecologia de Manguezal (Lama) da Universidade Federal do Pará, o projeto, patrocinado pela Petrobras desde 2021, recupera trechos degradados na maior área contínua de manguezal do planeta, localizada na costa amazônica brasileira, e promove atividades socioeducacionais e socioculturais.
O projeto já reflorestou 16,5 hectares por meio do plantio de cerca de 210.000 mudas e propágulos (estruturas vegetativas que se desprendem de plantas para dar origem a outras plantas), contribuindo para que os manguezais amazônicos estejam bastante preservados. Foi responsável pela elaboração de mapas e diagnósticos que servirão de subsídios para a formulação de planos de manejo desses manguezais visando ao uso sustentável do caranguejo-uçá ( Ucides cordatus ) e da árvore nativa de manguezais conhecida como manguebranco ( Laguncularia racemosa ). Assim, colabora para a continuidade da geração de renda e do sustento das comunidades que vivem dos recursos extraídos dos manguezais da região. Além disso, o projeto sensibiliza a população amazônica quanto à importância dos manguezais e da riqueza ali presente e à necessidade de conservar o ecossistema e adotar práticas de manejo sustentável.
Por fim, o projeto envolve a comunidade local no processo de conservação da biodiversidade dos manguezais amazônicos e na gestão compartilhada de quatro Reservas Extrativistas Marinhas situadas na região.
Mais informações:
Uçá: https://guardioesdomar.org.br/projetos/uca/ Instagram: @projetouca
Mangues da Amazônia: https://manguesdaamazonia.org.br/ Instagram: @manguesdaamazonia

II - Carteira de Projetos
Referência internacional em atuação sustentável no “coração” da Amazônia
Maior caso de sucesso ambiental da Petrobras, a atuação da companhia na Província Petrolífera de Urucu, no Amazonas, para exploração de petróleo e gás natural em plena Floresta Amazônica, é a concretização de um projeto sustentável que comprova o respeito ao meio ambiente e à biodiversidade local, além do cuidado em preservar uma extensa área de floresta em pé em campos de petróleo e gás.
Urucu é a maior reserva provada terrestre de óleo e gás do Brasil, além de ser o terceiro maior produtor de gás da Petrobras. Atualmente, produz cerca de 13 milhões de metros cúbicos de gás natural e 25 mil barris de óleo e condensado diariamente, o que significa 3,5% da produção total de petróleo do país e 80% do gás natural utilizado para gerar energia elétrica para Manaus, a capital do Amazonas, e outros cinco municípios do estado. Produz, também, 950 toneladas de GLP (gás liquefeito de petróleo, ou gás de cozinha) por dia, o que equivale a 80 mil botijões, para abastecer a região Norte do Brasil e parte da região Nordeste. Como o óleo de Urucu é de alta qualidade, constituindo o mais leve entre os óleos processados nas refinarias do Brasil, essas características resultam em seu bom aproveitamento para a produção de derivados nobres, como QAV (querosene de aviação), nafta (petroquímica e gasolina) e diesel.
Em Urucu, há 467 milhões de metros quadrados de área verde mantidos inteiramente preservados para a conservação da biodiversidade local, que inclui onçaspintadas, onças-pardas, antas, gatos-maracajás, gatos-mouriscos, gatos-do-mato-pequenos, cobras,
tamanduás, macacos-prego, macacos-aranha, macacos-barrigudos, botos, araras... São mais de 900 espécies de flora e mais de 600 espécies de fauna registradas em vida livre, no habitat natural delas.
O cuidado com o meio ambiente teve início antes de a Petrobras começar a operar no local, na década de 1980. E lá se vão 37 anos. Levamos a Urucu dez eminentes cientistas de diferentes segmentos da área ambiental para que nos recomendassem como atuar ali de forma sustentável e exemplar. Todas as recomendações foram reunidas em um Plano Diretor de Gerenciamento Ambiental para a Região Amazônica, cumpridas, e as expectativas, excedidas. Dez anos depois, trazidos a Urucu de novo, os cientistas se surpreenderam positivamente com o que viram. Não é por menos que a província é considerada referência ambiental, inclusive no exterior.
Toda as áreas afetadas pelas atividades são recompostas após um trabalho minucioso de catalogação de espécies e recomposição intensiva da cobertura vegetal, abrangendo preparo do solo, descompactação, correção de acidez, adubação verde, drenagem, plantio de espécies nativas, adubação de base, aplicação de cobertura morta, manutenção periódica e monitoramento de resultados. Para isso, há viveiros em Urucu com dezenas de milhares de mudas de cerca de 40 espécies nativas da Amazônia. Criamos Bosques Florestais onde plantamos espécies protegidas por lei, como a seringueira, a copaíba, a andiroba e a castanheira, que é símbolo da Amazônia. Mais de 1,5 milhões de mudas já foram replantadas pela Petrobras em Urucu, inclusive em áreas com acesso apenas fluvial ou por helicóptero.
Resíduos orgânicos produzidos no complexo viram adubo. Materiais recicláveis e demais resíduos são separados e transportados em balsas para destinação sustentável em parceria com empresas licenciadas em Manaus.
A visão de futuro em Urucu é indissociável da busca por novos projetos, como os realizados em parceria com nossa área de Transição Energética, muitos no âmbito do Programa Carbono Neutro. Toda a energia utilizada em Urucu já é gerada do gás natural produzido nos campos. Por sua vez, placas de captação de energia solar foram implantadas para a automação dos poços de petróleo. Além disso, ações e investimentos estão em andamento para reduzirem emissões de gases de efeito estufa na província petrolífera terrestre.
O histórico da atuação da Petrobras em Urucu e, mais amplamente, na Amazônia demonstra ser possível conciliar a produção de óleo e gás na região com a preservação ambiental. Graças a esse histórico, a Petrobras ganhou, em 2024, a concessão para explorar duas novas áreas na região e renovou a concessão para permanecer em duas outras áreas, por um prazo de dez anos. A área total abrange 27 mil m2. O investimento previsto é de cerca de R$ 3,5 bilhões até 2029.
Mais informações: Petróleo no Meio da Amazônia? #Boravê (youtube.com)

II - Carteira de Projetos
Proteção de recursos hídricos e florestas, além da mitigação de impactos das mudanças do clima
Executado pela Associação Caatinga e apoiado pela Petrobras desde 2011, o projeto No Clima da Caatinga é voltado para o único bioma exclusivamente brasileiro, a região semiárida mais biodiversa do mundo. O projeto protege recursos hídricos e florestas da Caatinga por meio de ações de conservação e restauração florestal. Mitiga os efeitos do aquecimento global. Além disso, adapta comunidades rurais ao clima.
A relevância do projeto é enorme. Estudos apontam que restam apenas 11% da área coberta pela vegetação de Caatinga, típica do Nordeste, em comparação com a que se acredita que existiu nas mesmas condições de clima e solo antes da ocupação humana, o que resulta da desertificação. No Brasil, o desmatamento caiu 32,4 % em 2024 em comparação com o ano anterior, mas a Caatinga registrou redução de 13,4 % no mesmo período. Ceará e Piauí não conseguiram reduzir o desmatamento. Ao contrário, nesses estados, houve crescimento de 23% e 5% respectivamente em relação a 2023. O bioma segue pressionado. Em 2024, respondeu por cerca de 14 % da área desmatada nacional. As queimadas ali também continuaram preocupantes. Embora os focos de fogo tenham recuado na maioria dos biomas em 2025, a Caatinga foi exceção. Houve persistentes e recorrentes queimadas e riscos agravados de desertificação. Adicionalmente, o bioma tem papel crucial na regulação climática. Estima-se que, nos períodos de chuva, possa ter sido responsável por quase metade da captura de carbono realizada pelo Brasil entre os anos de 2015 e 2022.
Nesse contexto, o desenvolvimento sustentável de comunidades locais e a manutenção da floresta em pé são estratégias do projeto para promover a proteção da biodiversidade e a manutenção dos serviços
ecossistêmicos, aumentando a resiliência dessas comunidades às mudanças climáticas e à semiaridez.
A área de atuação do projeto abrange os municípios de Fortaleza e Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), tendo como base a Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que ocupa 6.285 hectares.
O projeto possibilitou a criação de cinco unidades de conservação (UCs) e o apoio, por meio de ações de conservação, a sete UCs que preservam cerca de 6,5 mil hectares e estocam mais de 1,6 milhões de toneladas de CO2. Promoveu o plantio de 117.760 mudas, restaurando mais de 100 hectares e contribuindo para a segurança hídrica, a manutenção da biodiversidade e o sequestro de carbono no bioma Caatinga. Tornou disponíveis 1.038 tecnologias sociais compatíveis com o Semiárido (cisternas de placas, fogões ecológicos, biodigestores). Capacitou 2.769 agricultores em boas práticas. Alcançou mais de 100 mil pessoas por intermédio de ações de educação ambiental. Estimulou a sociobioverdidade na Caatinga por meio do manejo da abelha nativa Jandaíra (Melipona subnitida), gerando renda para comunidades locais ao manterem a floresta em pé. Beneficiou 4.000 famílias.
O projeto também apoia e incentiva a realização de pesquisas, assim como iniciativas de reintrodução de fauna; implementa ações para a proteção de habitats; fomenta a implementação de políticas públicas socioambientais, como a Lei Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais do Ceará; tem participação ativa nos planos de ação nacional Aves da Caatinga, Tatu-bola e Insetos Polinizadores e realiza ações de educação ambiental. Além disso, atua na conservação
de espécies, como o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), a onça-parda (Puma concolor), o periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus) e a espécie de primata guaribada-caatinga (Alouatta ululata), a maior parte ameaçada de extinção no Brasil.
Em 2023, o projeto realizou um estudo no qual foi calculado o benefício proporcionado por suas ações relacionadas à água. A análise concluiu que a cobertura florestal da RNSA evita o escoamento de 4.800 megalitros de água anualmente, pela presença das árvores, cujas raízes absorvem água. Torna-se possível, então, menor escoamento superficial de água, maior infiltração de água no solo, menor deposição de sedimentos e maior suporte ao ciclo hídrico em uma região semiárida, onde a água é escassa. O escoamento evitado é o equivalente ao abastecimento anual de mais de 299 mil cisternas de placa com 16 mil litros cada uma, o suficiente para atender uma família durante o período de estiagem na Caatinga.
A avaliação SROI (Social Return on Investment), de Retorno Social do Investimento, realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social indicou que, para cada R$ 1,00 investido pela Petrobras no projeto, foram gerados R$ 7,91 em benefícios socioambientais.
Mais informações: www.noclimadacaatinga.org.br
No Clima Da Caatinga (@noclimadacaatinga)

- Carteira de Projetos
Restauração florestal e desenvolvimento
sustentável no Semiárido brasileiro
O projeto Vale Sustentável visa a recuperar áreas de reserva legal e de preservação permanente pelo enriquecimento da cobertura florestal, além de promover a educação ambiental, o fortalecimento da agricultura familiar e a pesca artesanal nos municípios de Areia Branca, Alto do Rodrigues, Assú, Carnaubais, Guamaré, Galinhos, Macau, Serra do Mel e Porto do Mangue, no estado do Rio Grande do Norte, no Semiárido brasileiro.
Implementado pela Associação Norte-Rio-Grandense de Engenheiros Agrônomos (Anea) em parceria com a Petrobras, o projeto completou 10 anos de atividades em 2023, tendo alcançado resultados significativos até agora: o reflorestamento de 290 hectares, por meio do plantio de 203.584 mudas nativas de 49 espécies diferentes do bioma Caatinga.
Até o ano de 2027, serão restaurados mais de 220 hectares, por meio do plantio de 200.000 mudas nativas, totalizando mais de 500 hectares de áreas restauradas. Para o fortalecimento dos quintais produtivos, já foram distribuídas 29.497 mudas frutíferas. Até 2027, serão entregues mais 22.000, totalizando 51.497.
Buscando contribuir para o desenvolvimento sustentável dos nove municípios de abrangência do projeto e de 25 comunidades rurais e associações de pescadores e marisqueiras, o projeto conta com 38 parcerias que mobilizam o Instituto Nacional de Reforma Agrária, prefeituras, o Instituto Federal de Educação, a Academia, o comitê da bacia hidrográfica do Atlântico Norte Oriental, sindicatos de trabalhadores rurais, associações comunitárias e cooperativas de produtores.
No que se refere ao fortalecimento da agricultura, o projeto já atendeu mais de 5.000 famílias por meio da implantação de quintais produtivos, hortas agroecológicas e meliponários de abelhas nativas, como a Jandaíra (Melipona subnitida), sem ferrão. Essa atuação pretende promover a convivência do homem com o Semiárido, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população local e garantindo a soberania alimentar e a geração de renda provenientes da comercialização do excedente da produção (frutas, legumes, verduras, hortaliças...) e do mel.
Para fortalecer a educação, o projeto Vale Sustentável já capacitou mais de 7.000 pessoas em educação ambiental, atendendo a primeira infância, o ensino fundamental e os níveis médio, técnico e superior. O projeto promove cursos de Gastronomia, manipulação de pescado, associativismo e cooperativismo.
No ciclo atual, o projeto prevê, também, limpeza de praias, rios, manguezais e arborização de áreas urbanas, rurais e de 80 escolas públicas. Além disso, serão formados agentes ambientais, coletores de sementes da Caatinga, multiplicadores e agricultores familiares (na área de conservação dos recursos naturais e práticas agrícolas sustentáveis).
A avaliação SROI (Social Return on Investment) apontou que, para cada R$1,00 investido pela Petrobras no projeto Vale Sustentável, foram gerados R$ 5,05 em benefícios ambientais e sociais.
Mais informações: https://projetovalesustentavel.com.br/ Instagram: @projetovalesustentavel

II - Carteira de Projetos
Restauração da Mata
Atlântica e de corpos
hídricos na região do Sistema da Cantareira
Executado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e patrocinado pela Petrobras desde 2013, o projeto Semeando Água tem por objetivo reverter processos de degradação dos corpos hídricos na região do Sistema Cantareira, um dos maiores sistemas de captação de água do planeta. O sistema abastece mais de 7 milhões de pessoas da região metropolitana de São Paulo, a maior do Brasil, e uma das dez regiões metropolitanas mais populosas do mundo.
Em uma importante área de manancial, seria desejável haver maior cobertura florestal, o que pode ser obtido pela restauração florestal e pelo melhor manejo de sistemas produtivos, sobretudo nas áreas mais vulneráveis, como o entorno de corpos d’água (rios, represas e nascentes) e áreas mais suscetíveis a processos erosivos.
Nesse contexto, o projeto Semeando Água já restaurou mais de 70 hectares (um hectare equivale a 10.000 metros quadrados) e plantou cerca de 150 mil mudas nativas da Mata Atlântica em áreas próximas a nascentes, rios e reservatórios, principalmente. Converteu mais de 100 hectares em sistemas sustentáveis de produção, capacitando mais de 300 produtores rurais para o cultivo nessas terras. Também atuou em mais de 50 propriedades rurais, em oito municípios.
Além disso, o projeto aumenta a conectividade da paisagem, contribuindo para a conservação de várias espécies de fauna e de flora que habitam o Sistema Cantareira, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), o barbudinhodo-sul (Phylloscartes eximius), o camaleãozinho (Enyalius perditus) e a palmeira-juçara (Euterpe edulis).
Mais informações: www.semeandoagua.ipe.org.br/ Instagram: @institutoipe

II - Carteira de Projetos
O maior já realizado em
Unidade de Conservação em São Paulo
Em São Paulo, no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, está sendo realizada a maior restauração florestal já promovida pela Petrobras em uma Unidade de Conservação no estado, a Estação Ecológica de Jataí.
A restauração, exigência de licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama, é uma compensação parcial pelas emissões de gases de efeito estufa geradas nas atividades desenvolvidas pela Petrobras durante um teste de longa duração (TLD) realizado para obter dados e informações sobre o campo de Tupi. O campo produz mais de 800 mil barris de óleo por dia.
A restauração consiste no reflorestamento de, aproximadamente, 425 hectares de vegetação nativa do bioma Cerrado, o que equivalerá à estocagem de 60.000 toneladas de carbono ao longo de 20 anos. Nessa extensão total de terras, subdividida em três porções, foram plantadas 79.844 mudas em 135 hectares (porção 1). Em 140 hectares (porção 2), foram plantadas 97.966 mudas. Finalmente, em cerca de 150 hectares (porção 3), o ciclo de plantio abrangeu 125.438 mudas, encerrando essa fase.
A cobertura do solo com vegetação nativa está sendo monitorada, em parcelas, por amostras, em campanhas semestrais, já tendo havido oito campanhas. Todas as parcelas apresentaram cobertura satisfatória.
A restauração florestal vem beneficiando as espécies da Unidade de Conservação. Na Estação Ecológica de Jataí, há, por exemplo, espécies vegetais ameaçadas de extinção, como sucupira-preta, perinha-do-campo, palmito-juçara e xaxim.
Já no que diz respeito às espécies de fauna, habitam a Unidade de Conservação, entre outras, oito mamíferos (tamanduá-bandeira, bugio, lobo-guará, onçaparda, jaguatirica, rato-do-mato, veado-mateiro e cervo-do-pantanal). Aves são 19 (jaó, mexeriqueira, maracanã-nobre, beija-flor-safira, guaracava-detopete, azulão-verdadeiro, batuqueiro etc.). Peixes são quatro (guaru-listrado-do-cerrado, pacu-prata, trairão e bagrinho-de-emas). Só um réptil é próprio da localidade: o lagarto-de-rabo-azul.
Mais informações: ec.jatai@fflorestal.sp.gov.br

Formação de agroflorestas e corredores ecológicos para a conservação e a propagação da fauna e da flora em São Paulo
O projeto Corredor Caipira objetiva, até 2028, instaurar 115 hectares de florestas e agroflorestas que formem corredores ecológicos para conectar importantes fragmentos florestais nos municípios de Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi, no interior de São Paulo. Assim, o ciclo das águas se mantém e plantas e animais têm ambiente propício para se desenvolverem, dispersando sementes, aumentando a cobertura florestal local e sendo preservada a biodiversidade da região.
O projeto é realizado pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace)/Pteca da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP) e pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Também são parceiros do projeto comunidades locais, acadêmicos, educadores e órgãos ambientais da esfera pública, entre outros.
Na primeira edição do projeto (2021-2022), foram implantados 50 hectares e foi criado um Banco Ativo de Germoplasma (material hereditário) de 15 hectares, para a conservação genética de 20 espécies florestais nativas de relevância econômica e ecológica. Na edição atual, o plantio de vegetação e a recuperação continuam, rumo à meta.
A novidade é que o projeto passa a conectar pessoas às paisagens por meio da educação ambiental e da articulação de políticas públicas, valorizando a rica cultura local e integrando a comunidade aos hectares de florestas e agroflorestas restaurados.
A região de abrangência do projeto tem diferentes tipos de relevo e solos. Devido ao histórico de sua ocupação, combina plantações de cana-de-açúcar, outros cultivos, pastagens e, em pequena parte do território, fragmentos de vegetação nativa de Mata Atlântica e de Cerrado, de alta importância ecológica, contendo centenas de espécies de flora. Já a fauna também possui expressiva diversificação, incluindo espécies ameaçadas de extinção, como o macaco muriqui-do-sul, o lobo-guará, o tamanduá-mirim, o veado-campeiro e a onça-parda.
Mais informações: https://www,corredorcaipira.com.br Instagram: @corredorcaipira

II - Carteira de Projetos
Em 10 anos, 5.500 plantas, 51 espécies vegetais nativas, mais de 600 árvores com mais de 10 metros de altura e retorno da fauna
Executados pelo Laboratório de Ecologia de Florestas Tropicais (Labtrop) da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Laboratório de Ecofisiologia Vegetal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a serviço da Petrobras, os projetos Ecologia e Restauração de Ecossistemas da Planície Costeira no Litoral Norte de São Paulo e Desenvolvimento de Técnicas para a Otimização dos Processos de Avaliação dos Reflorestamentos de Áreas Degradadas por Atividades da Indústria de Óleo e Gás têm enorme relevância. Estão promovendo a restauração ecológica e o ganho de biodiversidade na floresta existente na Área de Preservação Permanente do terreno da nossa Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA) e no entorno desde 2012.
A área de atuação do projeto compreende 1.300m de extensão em ambiente de restingas e florestas de terras baixas do bioma Mata Atlântica, incluindo uma faixa de 50m de largura na margem esquerda do Rio Camburu. A área estava desmatada há mais de 50 anos. O que havia de vegetação ali se resumia a pastagens e gramíneas exóticas, inexistindo conexão com as florestas do entorno.
Em 2012, graças a uma parceria firmada entre o centro de pesquisas, desenvolvimento e inovação da Petrobras, o Cenpes, a UTGCA e a Universidade de São Paulo, foi realizada a restauração ecológica na Área de Preservação Permanente do Rio Camburu no ativo da Petrobras em São Paulo, mediante o plantio de cerca de 15.700 mudas de 48 espécies nativas em 6,5 hectares.
Dez anos depois, em 2022, uma parceria científica entre o Cenpes, o Laboratório de Ecofisiologia Vegetal da UFRJ e o Laboratório de Ecologia de Florestas Tropicais da USP avaliou o processo de restauração realizado. Foi feito um censo da vegetação plantada, que vinha sendo monitorada desde a época do plantio. Foi avaliada uma amostragem ecológica do que havia sido plantado, abrangendo a identificação de todas as espécies que surgiram espontaneamente. Foram analisados os atributos funcionais de todas as espécies amostradas plantadas e nascidas por regeneração natural. A cobertura vegetal foi, também, avaliada. Reunidos esses dados e informações da época do plantio sobre as espécies, os resultados obtidos foram mensurados com base em três indicadores: cobertura vegetal, diversidade taxonômica e diversidade funcional.
O que se verificou foi que, em dez anos, a floresta se desenvolveu satisfatoriamente, ganhando boa cobertura vegetal. A área restaurada possui, hoje, 51 espécies de árvores nativas, 35 plantadas, três replantadas e 16 provenientes da regeneração natural. A densidade de plantas é de, aproximadamente, 882 indivíduos por hectare. O número de plantas se igualou aos valores encontrados em uma floresta de referência e já se observam orquídeas e bromélias nas árvores. A área apresentou um ganho líquido de biodiversidade de nove espécies. Algumas funções do ecossistema já estão sendo recuperadas, tais como a cobertura do solo, o sequestro de carbono e a ciclagem de nutrientes, que consiste na troca de substâncias entre o solo e as plantas, essencial para o desenvolvimento de espécies vegetais e para a saúde do solo.
A restauração da floresta continua em curso, já existindo ali 618 árvores de 14 espécies com altura acima de 10 metros. Entre as espécies vegetais, observamos, por exemplo, algumas herbáceas e epífitas. No que se refere à fauna, a presença de borboletas, besouros, cobras, aves e tatus sugere que há uma retomada da colonização da área por animais, assim como a de importantes processos, como polinização, dispersão, ciclagem de nutrientes e predação.
Por enquanto, os projetos geraram 18 trabalhos apresentados em congressos científicos; 10 trabalhos de iniciação científica ou conclusão de curso; 4 dissertações de mestrado; 1 tese de doutorado e 10 artigos publicados em revistas científicas.
André RibeiroBanco de Imagens Petrobras / O projeto foi testado no terreno da nossa Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba / São Paulo

II - Carteira de Projetos
A
diversidade funcional e a composição das espécies plantadas aceleram o processo de restauração
Resultado de uma parceria entre a Petrobras e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o projeto Restauração Funcional de Florestas objetivou o desenvolvimento de metodologia para avaliação, monitoramento e redirecionamento da restauração ecológica de florestas utilizando a Análise de Trajetória Funcional (ATF) e modelos baseados em atributos funcionais, para otimizar as restaurações realizadas.
A ATF consiste em utilizar os atributos funcionais das espécies plantadas e da regeneração natural como indicadores ecológicos de monitoramento. Ao aplicá-la, pretende-se verificar se a área restaurada está recuperando, também, sua diversidade funcional, diretamente relacionada às diversas funções do ecossistema e à prestação de serviços ecossistêmicos associados, tais como retenção de água, captura de carbono, redução do risco de perda de biodiversidade, entre outros.
Os resultados do projeto, testado no terreno da nossa Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA), em São Paulo, no bioma Mata Atlântica, demonstraram que a diversidade funcional das mudas plantadas e da regeneração natural afetaram a trajetória funcional e, consequentemente, o sucesso da restauração. Além disso, comprovaram que florestas onde foram plantadas tanto espécies com atributos funcionais aquisitivos (crescimento rápido e tolerância ao sol), quanto espécies com atributos funcionais conservativos (crescimento lento e tolerância à sombra) obtiveram maior sucesso em seu desenvolvimento, assemelhando-se mais ao ecossistema de referência do que ocorre em caso de plantios de apenas um grupo funcional.
Atualmente, a Análise da Trajetória Funcional está sendo aplicada a outros biomas em que a Petrobras realiza atividades de restauração florestal, como o Cerrado e a Floresta Amazônica. Entende-se que a metodologia aplicada poderá incrementar e acelerar as restaurações ambientais executadas pela Petrobras na atualidade e no futuro, contribuindo para a manutenção das florestas e para a plena recuperação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos desses ambientes.

II - Carteira de Projetos
Importante papel na conservação dos micos-leões-dourados que habitam a região
Iniciado em 2018 e, atualmente, em fase de manutenção, prevista até 2029, o projeto Reposição Florestal - Reserva Biológica União tem como objetivo a reposição florestal de cerca de 19 hectares de Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas no terreno da Rebio União, em Rio das Ostras, no Rio de Janeiro.
Na Floresta Ombrófila Densa local, uma floresta tropical do bioma Mata Atlântica caracterizada por vegetação densa, ocorrendo em regiões com pouca ou nenhuma estação seca, habita o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), uma espécie endêmica ameaçada. A floresta reposta desempenhará papel crucial na conservação desse animal, na continuidade da espécie por meio dos serviços ambientais essenciais que continuarão sendo oferecidos, na recuperação da Mata Atlântica, na regeneração desse habitat, na conectividade entre fragmentos florestais e no equilíbrio ecológico trazido pela restauração de vegetação nativa e pela erradicação de espécies exóticas.
O projeto atende a uma condicionante do licenciamento ambiental da implantação do Gasoduto Rota Cabiúnas, o Rota 2, que amplia o escoamento do gás natural produzido nos campos do Pré-Sal da Bacia de Santos, interligando as áreas produtoras ao Terminal de Cabiúnas (Tecab), em Macaé, no Rio de Janeiro. É executado por empresas externas com supervisão da Petrobras.
Por enquanto, já foram plantadas 14.900 mudas de espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica na área de abrangência do projeto, as quais têm o seu desenvolvimento monitorado, de modo a atingirem os padrões exigidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Também em cumprimento a uma condicionante ambiental relativa à “Autorização de Plantio”, a espécie exótica eucalipto, amplamente cultivada no passado na área que hoje integra a Rebio União, vem sendo erradicada porque compete com a vegetação nativa.

II - Carteira de Projetos
Iniciado em 2015 e concluído em 2023 com excelentes resultados que continuam sendo colhidos, o projeto teve por objetivo disponibilizar tecnologias para recuperar ecossistemas aquáticos degradados e implantar a regeneração natural para mitigar danos ambientais diretos ou indiretos causados por derramamento de petróleo em vegetação aluvial (que cresce em áreas sujeitas à influência das águas). Abrangeu, também, a indicação de espécies potenciais (vegetais e microrganismos) para a recuperação de áreas atingidas.
A área da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobras, foi utilizada como sítio experimental para a implantação do projeto.
Ressalta-se a importância de projeto pela relevância ecológica das áreas alagadas. São fontes de matéria orgânica para ambientes próximos. Servem de abrigo e berçário para fauna. Contribuem para o controle da erosão. Ajudam a proteger ambientes contra enchentes. Além disso, auxiliam no controle de qualidade da água.
Entre os resultados, em comparação com dados de 2001, 2012 e 2019, verificou-se, ao longo do processo de regeneração, o aumento da diversidade de espécies e formas de vida. Comparando-se a área contaminada com outra sem contaminação, observou-se pouca variação de características funcionais em 15 espécies de várzea. Pode-se constatar que, após 20 anos, a área afetada por petróleo apresenta riqueza de espécies comparável à de uma área preservada com características ecológicas e fisiográficas semelhantes. Constatou-se, também, que as duas espécies de vegetação associadas a ambientes úmidos dominantes na área, Typha domingensis (taboa) e Neocabreria serrulata (cabuçu ou cabuçu-de-água), apresentaram maior tolerância à contaminação por petróleo. Portanto, têm bom potencial para restauração de áreas contaminadas.
Solução para áreas que servem como berçário, abrigo e proteção contra erosão e enchentes
O projeto de regeneração natural, o primeiro envolvendo estudo de longa duração (20 anos) em áreas alagadas afetadas por derrames de óleo, compreendeu monitoramento meteorológico e do lençol freático; das diferentes fases do crescimento e do desenvolvimento das plantas; das flores; das medições das árvores (diâmetro, altura, volume, peso, forma etc.); das comunidades bacterianas do solo; da fisiologia, da anatomia e das estratégias funcionais da vegetação, além de outros.
Por fim, o projeto ainda comprovou a eficiência de um método inovador de descontaminação de solos baseado no controle do fluxo hidráulico em áreas alagadas, para o desprendimento do óleo entranhado no solo e a posterior coleta por meio de mantas absorventes.

II - Carteira de Projetos
Proteção ao Cerrado, às onças-pintadas do bioma e fortalecimento das comunidades locais
Apoiado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental desde 2024 e executado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura), o projeto Onde a Onça Bebe Água: Comunidades e Bem Viver busca proteger o Cerrado pelo combate ao desmatamento, pela promoção da segurança hídrica, pela restauração de áreas naturais e pelo mapeamento dos corredores ecológicos das onças-pintadas do bioma, símbolo da saúde ambiental do Cerrado. Além disso, fortalece comunidades locais por meio da implantação de sistemas agroflorestais (SAFs), que combinam plantio sustentável e conservação ambiental; da inclusão social; da recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e do apoio à primeira infância. A proposta é promover o desenvolvimento sustentável, unindo a conservação da biodiversidade ao bem-estar das comunidades tradicionais. O projeto abrange o Distrito Federal, o Nordeste de Goiás e o Sudoeste da Bahia. A conclusão é prevista para 2027.
A onça-pintada é espécie-chave do Cerrado e indicadora da saúde do bioma porque, como predadora de topo, regula as populações de espécies de que se alimenta, como capivaras, queixadas, pecaris e caititus, evitando superpopulações de herbívoros e degradação excessiva da vegetação que serve como pastagem. Além disso, como a onça depende de cursos d’água limpa para matar a sede, é impactada pelo bom ou mau estado das matas ciliares, que bordeiam e protegem nascentes e rios, assim como pela restauração dessa vegetação promovida pelo projeto. É avistada entre o Parque Nacional de Brasília, a Chapada dos Veadeiros e o Grande Sertão Veredas.
Quanto à importância do Cerrado, o fortalecimento desse bioma significa o fortalecimento do berço das águas do Brasil, essencial à sustentabilidade hídrica nacional e sul-americana.
Ações relevantes do projeto abrangem conservação da biodiversidade, restauração ambiental, desenvolvimento sustentável e fortalecimento comunitário. Redes sociais como Instagram e WhatsApp são utilizadas para divulgar ações e conectar o público-alvo com iniciativas de campo.
Publicações relevantes do projeto são Onde a Onça Bebe Água: Comunidades e Bem Viver e Sistemas Agroflorestais (SAFs): Unindo Conservação e Produtividade.
Mais informações: https://funatura.org.br/projeto/onde-a-onca-bebe-agua-comunidades-e-bem-viver/
Instagram: @onde.a.onca.bebe.agua

II - Carteira de Projetos
Menos obstáculos e riscos, além de maior ganho em biodiversidade
O projeto Passagens de Fauna para Conexão de Fragmentos Florestais consiste na instalação e no monitoramento de passagens destinadas à fauna em região de Mata Atlântica, em caráter experimental, de modo a mitigar efeitos da fragmentação de habitats florestais em mamíferos silvestres causada por oleodutos ou gasodutos que atravessam a mata e a avaliar a efetividade dessas passagens.
O projeto foi desenvolvido pelo centro de pesquisas, desenvolvimento e inovação da Petrobras, Cenpes, em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense e o grupo Eco&Eco, e, desde 2017, vem sendo executado como condicionante ambiental para a renovação da licença de operação de dutos instalados no Rio de Janeiro, na Faixa de Servidão entre Cabiúnas, em Macaé, e a refinaria Reduc, operada pela Petrobras em Duque de Caxias.
Em propriedades privadas da Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado, em zonas de amortecimento da Reserva Biológica Poço das Antas e da Reserva Biológica União, assim como nessas mesmas reservas, foram monitorados, antes e depois da instalação de seis passagens de fauna, mamíferos que vivem principalmente nas árvores. Por exemplo, micosleões-dourados (Leontopithecus rosalia), preguiçasde-coleira (Bradypus torquatus) e ouriços-cacheiros (Coendou spinosus).
Utilizamos sensores de telemetria para rastrear os movimentos dos animais, câmeras automáticas (armadilhas fotográficas) para registrar imagens daqueles que passavam onde os equipamentos estavam instalados e, em alguns casos, marcação individual, para identificar cada animal após a captura e a soltura e poder estudá-lo.
Verificou-se que 40 espécies além das monitoradas transitaram pela faixa de dutos. Resultados parciais indicam que faixas de dutos funcionam como barreiras para as preguiças-de-coleira, alguns ouriços-cacheiros, a depender dos indivíduos, e interferem muito pouco no cotidiano dos micos-leões-dourados.
Foi confirmado, sobre os indivíduos monitorados, o efeito positivo das passagens que conectam copas de árvores. Entretanto, para que esse resultado seja extensivo às populações de mamíferos da região, será necessário monitoramento de longo prazo que comprove que os animais se deslocam entre as áreas, havendo ganhos de biodiversidade e redução de riscos, a fim de que as espécies locais sejam protegidas e conservadas.

Restauração ecológica, monitoramento de biodiversidade, apoio à reintrodução de fauna e educação ambiental na região da Baía de Guanabara
Executado pela Ação Socioambiental (ASA) com apoio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental desde 2014, o Projeto Guapiaçu realiza restauração ecológica da Mata Atlântica e de ecossistemas críticos na região da Baía de Guanabara, faz monitoramento da biodiversidade local, apoia a reintrodução de fauna ali, promove a educação ambiental e fortalece a Redagua – Rede de Conservação de Águas da Guanabara (rede de projetos apoiados pela Petrobras implementados na área da Baía de Guanabara).
Atualmente, em todas as suas frentes de atuação, o projeto está atuando no fortalecimento da sociobiodiversidade na região metropolitana do Rio de Janeiro integrando manguezais e florestas ombrófilas, que se caracterizam por terem chuvas durante o ano todo sempre e exigirem sombra forte para viverem, sendo formadas por palmeiras, cipós, epífitas...
Sendo assim, nos últimos três anos, o projeto restaurou 41 hectares de floresta ombrófila densa, com mais de 100 mil mudas de mais de 120 espécies endêmicas da Mata Atlântica, algumas consideradas vulneráveis ou criticamente em perigo, tais como Cambuca (Plinia edulis), Juçara (Euterpe edulis) e Pau-Brasil (Paubrasilia echinata).
Também recuperou cinco hectares de mangue, ecossistema entre os mais ameaçados, associado à Mata Atlântica. Esse trabalho incluiu operações Limpa Oca, que retiraram quase 22 toneladas de resíduos de dentro dos manguezais.
Os reflorestamentos acontecem em terrenos privados de produtores rurais parceiros, que cedem áreas para o plantio de florestas. Até agora, já foram restaurados 41 hectares, que continuam sendo monitorados e recebendo manutenções periódicas.
O monitoramento da biodiversidade é realizado com o auxílio de 90 armadilhas fotográficas. A expectativa é de que se vejam ecossistemas restaurados em que processos ecológicos estejam cada vez mais fortalecidos, formando um grande corredor ecológico, conectando todos os fragmentos de floresta maduros remanescentes, melhorando a genética de espécies vegetais e animais e possibilitando que os ecossistemas sejam autossustentáveis.
Um feito comemorado é o avistamento de 12 muriquisdo-Sul na região do Parque Estadual dos Três Picos, em Cachoeiras de Macacu (RJ), com o auxílio de drone equipado com câmera termal, que captou imagens em infravermelho.
Esses primatas, endêmicos da Mata Atlântica e ameaçados de extinção, são os maiores do continente americano,
podendo medir até 1,5 metros e pesar mais de 12 quilos. No que se refere à refaunação, o projeto reintroduziu antas (Tapirus terrestris) na região, extintas desde 2014 e de grande importância ecológica por serem dispersoras de sementes. Hoje, ali há 22 antas vivendo em liberdade, sendo nove nascidas livres.
Ações de restauração florestal, monitoramento de biodiversidade e do Projeto Guapiaçu integram o Plano de Ação de Biodiversidade do Complexo de Energias Boaventura, da Petrobras, e contribuem para o Plano de Ação Nacional de Proteção dos Ungulados (PAN Ungulados), nome dado a mamíferos com cascos.
No âmbito da educação ambiental, o projeto difunde conhecimentos nas escolas, desde a educação infantil até o ensino médio, e em Unidades de Conservação, onde promove visitas guiadas. Além disso, o Programa de Monitoramento dos Recursos Hídricos já formou 185 monitores ambientais, que realizam análises físico-químicas e biológicas nos principais rios que desaguam na Baía de Guanabara. Milhares de crianças, jovens e educadores já participaram dessas atividades desde o início do projeto
Já no que se refere a geração de emprego e renda, o projeto dá bolsas de auxílio a catadores e catadoras de caranguejos e, por meio de seu Programa de Monitoramento de Recursos Hídricos, já formou monitores que empreenderam análises físico-químicas nos três principais rios que desaguam na Baía da Guanabara. Centenas de bolsas foram concedidas. Igualmente, centenas de monitores foram formados.
por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
A rede desenvolve pesquisas, produz e divulga conhecimento e executa ações de conservação, educação ambiental, comunicação e inclusão social relacionadas à Região Hidrográfica da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e a seus ecossistemas conectados. Tem planejamento estratégico único, objetivos comuns, atuação convergente e compartilha informações técnicocientíficas, metodologias de trabalho, experiências e realizações. É composta pelos projetos Aruanã, Coral
Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil, Uçá e pela Petrobras.
O Projeto Guapiaçu integra a Rede de Conservação Águas da Guanabara (Redagua), apoiada pela Petrobras
Mais informações: https://www.projetoguapiacu.org

Protagonismo dos povos indígenas na conservação e no manejo sustentável dos recursos naturais

Tendo em vista que, no mundo, os povos indígenas são guardiões de cerca de 80% da biodiversidade remanescente, eles desempenham um papel indispensável na conservação e no manejo sustentável dos recursos naturais e os territórios indígenas são os mais preservados do Brasil, apoiamos, por meio Programa Petrobras Socioambiental, 65 projetos que contribuem para o fortalecimento e a autonomia de povos indígenas e de comunidades tradicionais. Não é pouca coisa. Esse total representa 57% do quantitativo de projetos apoiados pelo programa.
, são 105 povos e aldeias indígenas, 88 comunidades quilombolas e outras 164 comunidades tradicionais apoiados. Esse apoio se dá por meio do suporte a ações de conservação do território que envolvem o uso sustentável dos recursos naturais e consideram modos de vida desses grupos, seus
sistemas de produção e conhecimentos relacionados à sociobiodiversidade. Além disso, alinha-se ao Planejamento Estratégico da Petrobras, que prevê ganhos de biodiversidade até 2030, com foco em florestas e oceano, e ampliação, em 30%, do tamanho de áreas de proteção ambiental, tais como Terras Indígenas e Territórios Quilombolas.
Quatro dos projetos mencionados são: Raízes do Purus; Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani; Projeto Biodiverso e Berço das Águas.
17.1. Raízes do Purus
Implementado pela organização indigenista Opan, o projeto tem por objetivos melhorar a qualidade de vida de povos indígenas do Sul e do Sudoeste do Amazonas, conservar a biodiversidade em terras indígenas e contribuir para mitigar mudanças climáticas. O projeto beneficia seis Terras Indígenas abrangendo uma área de 2,3 milhões de hectares. Promove o manejo sustentável de recursos como o pirarucu, a castanha-da-amazônia, o açaí e o óleo de copaíba, gerando renda e fortalecendo a coesão social. A produção desses recursos somou mais de 184 mil kg, gerando cerca de 700 mil reais em faturamento. Em 2023, o projeto ganhou o Prêmio
Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria “Tecnologias Sociais Certificadas”. O projeto tem participação em fóruns de políticas públicas.
Executado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais, promove a gestão sustentável de territórios indígenas Guarani no Rio Grande do Sul.
Abrange ações de reconversão produtiva de áreas, recuperação e conservação da biodiversidade, além
de educação ambiental. Já atuou em três bacias hidrográficas onde conservou três mil hectares, envolvendo mais de 500 indígenas nas ações. Por meio da implantação de roçados tradicionais para uso alimentar e de sistemas agroflorestais, contribui para a segurança alimentar, aliada à manutenção e à ampliação da cobertura vegetal. Nas ações de educação ambiental, aborda temas como coleta, reciclagem e compostagem de resíduos; gestão sustentável do território; medidas ecoeficientes e geração de renda, aproveitando para falar de direitos humanos e equidade de gênero.
O projeto pretende fortalecer a conexão entre povos indígenas e espécies da fauna e flora, como a queixada ou porco-do-mato (Tayassu pecari), espécie ameaçada de extinção no Brasil. Nesse contexto, conservará uma região de grande relevância pela ocorrência de espécies vulneráveis ou criticamente em perigo, dentre as quais mais de 200 serão alvo de ações do projeto.
Vai, também, preservar a diversidade sociocultural em sua área de abrangência, proporcionada pela permanência dos Guarani no território.
17.3. Projeto Biodiverso
Realizado pela ONG Pacto das Águas, abrange mais de 1,4 milhão de hectares de Floresta Amazônica em cinco terras indígenas e uma reserva extrativista localizadas no Noroeste do estado de Mato Grosso.
Tem por objetivo principal mitigar as mudanças do clima por meio da conservação da floresta em pé, envolvendo povos indígenas e seringueiros nesse trabalho em prol do desenvolvimento sustentável
e na manutenção dos estoques de carbono e da biodiversidade. Apoia o fortalecimento de cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros e da agricultura de subsistência. Para isso, fornece apoio, insumos e assessoria técnica para gerenciamento, transporte e distribuição desses produtos, além de fortalecer o sistema de seleção, secagem e armazenamento de castanha nos territórios.
Ademais, fortalece instrumentos de gestão ambiental, territorial e social para maior autonomia das comunidades; acesso a políticas públicas; construção dessas políticas e monitoramento, para produção, geração de renda e conservação ambiental (Programa Nacional de Alimentação Escolar, Programa de Aquisição de Alimentos, Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade e Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
As mulheres indígenas e ribeirinhas são um público prioritário do projeto, a quem são fornecidas capacitações. O projeto beneficia mais de 900 pessoas diretamente e outras 3.000, indiretamente.
17.4. Projeto Berço das Águas:
Realizado pela Operação Amazônia Nativa, atua na implementação de ações do Plano de Gestão Territorial e Ambiental dos territórios Rikbaktsa e na elaboração da segunda etapa do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da TI Apiaká do Pontal e Isolados, envolvendo os municípios de Brasnorte, Apiacás, Cotriguaçu e Juara, no estado de Mato Grosso. Os planos estabelecem ações prioritárias que possibilitam a proteção das áreas, o fortalecimento do manejo tradicional e sustentável de recursos naturais, a
geração de alternativas econômicas para sustento e a manutenção da cultura indígena. Assim, contribuem para a conservação da biodiversidade e a regulação climática na região.
As atividades envolvem apoio aos sistemas de vigilância e monitoramento de áreas, conservação por meio do manejo sustentável, comercialização de castanha e desenvolvimento de alicerces para o turismo de base comunitária na região.
O conjunto das Terras Indígenas apoiadas totaliza mais de 1,3 milhão de hectares, que mantêm estocagem de carbono estimada em cerca de 190 milhões de toneladas, em uma região conservada de significativa importância, pela riqueza de espécies, inclusive raras, pela grande quantidade de espécies de peixes e aves nativas e pela diversidade sociocultural dos habitantes.
Mais informações: Raízes do Purus https://raizesdopurus.com.br/ Instagram: @raizesdopurus
Projeto Ar, Água e Terra: Instragram: @projetoar_agua_e_terra
Projeto Biodiverso: https://pactodasaguas.org.br/projetos/projetobiodiverso/
Instagram: @projetobiodiverso
Projeto Berço das Águas: https://bercodasaguas.org.br/
Instagram: @projetobercodasaguas

II - Carteira de Projetos
Iniciado em 2021 e sendo prevista a sua conclusão para 2029, o Projeto de Restauração Florestal no Entorno da Área do Brejo no Traçado do Gasoduto Rota 3, implementado em Maricá, no Rio de Janeiro, tem por objetivo a reposição florestal de uma área brejosa de 1,33 hectares onde ocorrem peixes ameaçados de extinção, os rivulídeos (Atlantirivulus maricensis). Esses peixes, também chamados “peixes das nuvens”, por surgirem após ciclos de chuvas, vivem em poças e áreas formadas temporariamente, à margem de riachos, por água que empoça quando chove e onde ovos haviam sido deixados antes da seca. O Brasil reúne a maior biodiversidade de rivulídeos no mundo.
No âmbito do projeto, gerido pela Petrobras e executado pela empresa Foco Soluções em Meio Ambiente, já foram plantadas 2.216 mudas. Essa reposição florestal contribui para a proteção do habitat dos rivulídeos, melhora a qualidade da água, favorece o equilíbrio ecológico da área e fortalece a conservação dessa espécie ameaçada. Além disso, deixa um legado para a biodiversidade local.
O projeto atende a uma exigência ambiental estabelecida como condicionante ambiental da Licença de Operação do Gasoduto Rota 3. A condicionante foi emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Proteção ao habitat dos peixes rivulídeos, ameaçados de extinção

II - Carteira de Projetos
Parceria em investimentos para a restauração de biomas brasileiros adotando soluções baseadas na natureza
Iniciativa de investimento socioambiental coletivo (matchfunding) em que aportes feitos são igualados ou superados para alavancar arrecadações e impactos, a Floresta Viva visa a dar suporte a projetos de restauração ecológica pelo plantio de espécies nativas combinado a sistemas agroflorestais em todos os biomas brasileiros. Assim, contribui para preservar a biodiversidade local, tornar recursos hídricos disponíveis, reduzir a erosão, melhorar o microclima, remover dióxido de carbono da atmosfera e gerar empregos, renda e outros benefícios atrelados. A iniciativa, liderada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e integrada pela Petrobras desde 2022, conta com gestão operacional do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
A iniciativa Floresta Viva integra a estratégia da Petrobras de ampliação de investimentos socioambientais em projetos de conservação, restauração e uso sustentável de florestas e outros ecossistemas que aumentam a captura e o armazenamento de carbono e/ou evitam as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Esses projetos, reconhecidos como soluções baseadas na natureza porque a utilizam para resolver desafios sociais, ambientais e econômicos, têm foco na mitigação das mudanças do clima e no aumento da resiliência climática.
Ao longo de sete anos, por meio dos editais “Manguezais do Brasil” e “Corredores de Biodiversidade”, BNDES e Petrobras destinarão R$ 118 milhões (dos quais 50% serão aportados pela Petrobras) a 20 projetos de organizações da sociedade civil selecionados priorizando os biomas Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal. O objetivo é que restaurem 4,2 mil hectares, capturando toneladas de dióxido de carbono da atmosfera e gerando benefícios sociais e ambientais por meio da atuação de organizações da sociedade civil.
No âmbito do edital “Manguezais do Brasil”, a previsão é recuperar 1.700 hectares de manguezais e restingas nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, ecossistemas costeiros de alta relevância ecológica, social e econômica. A restauração ocorre em áreas prioritárias definidas no Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas e de Importância Socioeconômica do Ecossistema Manguezal do Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeICMBio, contribuindo, diretamente, para a proteção da biodiversidade e a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais. Os projetos apoiados contam com parcerias com cerca de 30 instituições e estão em andamento em 13 Unidades de Conservação e 5 Terras Indígenas. As ações incluem a implementação de 11 viveiros de mudas e a formação de grupos de coletores de sementes.
No âmbito do edital “Corredores de Biodiversidade”, a iniciativa apoia projetos de restauração em corredores ecológicos nos biomas Cerrado e Pantanal, abrangendo Bahia, Goiás, Mato Grosso. Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Os objetivos são conectar fragmentos florestais remanescentes para favorecer o deslocamento da fauna e a dispersão de espécies vegetais, além de recuperar áreas estratégicas de bacias hidrográficas, fortalecer a resiliência dos ecossistemas para o enfrentamento de eventos climáticos extremos e consolidar cadeias produtivas locais.
Mais informações: https://www.funbio.org.br/programas_e_projetos/ florestaviva/

II - Carteira de Projetos
Recuperação de milhões de hectares de áreas degradadas de Floresta Amazônica aliada ao incremento da agricultura familiar e ao desenvolvimento de povos tradicionais
Iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiada pela Petrobras, o programa “Restaura Amazônia” busca transformar o “Arco do Desmatamento” (do Leste do Maranhão ao Acre) em “Arco da Restauração” na Amazônia Legal. As áreas de atuação abrangem Unidades de Conservação, Terras Indígenas, territórios de povos e comunidades tradicionais, Áreas de Preservação Permanente, Reservas Legais, áreas públicas não destinadas e pequenas propriedades da agricultura familiar. A iniciativa é financiada com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES sob a coordenação do MMA, e das instituições apoiadoras. A Petrobras foi a primeira empresa a aderir ao projeto.
Em síntese, seis milhões de hectares de áreas degradadas da Floresta Amazônica no “Arco do Desmatamento” serão restaurados até 2030, visando à conservação da biodiversidade, à disponibilidade dos recursos hídricos, à redução da erosão do solo, à melhoria do microclima, à geração de emprego e renda, à segurança alimentar, ao incremento à agricultura familiar, ao desenvolvimento de povos tradicionais (indígenas e quilombolas) e à descarbonização. Nesse período,1,65 bilhão de toneladas de CO2 serão retirados da atmosfera. Já até 2050, terão sido recuperados 24 milhões de hectares de áreas degradadas, uma área superior ao estado de São Paulo. O investimento da Petrobras e do BNDES será de 100 milhões em cinco anos.
O Restaura Amazônia também contribui para a implementação do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) fortalecendo a cadeia produtiva das espécies restauradas, atraindo investimentos, promovendo assistência técnica aos projetos selecionados e consolidando um sistema de monitoramento da recuperação e de sua perenidade enquanto durar o projeto e por anos além.
Editais foram lançados, ao fim de 2024 e em 2025, por meio de chamadas públicas, para a inscrição de projetos de restauração. Foram selecionados, por parceiros gestores, como a Conservation International Brasil (CI Brasil), a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e o Instituto Brasileiro de Administração (Ibam), prioritariamente, projetos de restauração ecológica e produtiva em áreas de assentamentos da reforma agrária, o que consistiu na maior ação já lançada para a recuperação da vegetação nativa em assentamentos no Brasil. Os projetos priorizam a implantação de sistemas agroflorestais que combinam espécies nativas com a produção de alimentos e outros produtos alinhados à vocação produtiva dos territórios.
Em 2025, a Petrobras apoiou três editais que selecionaram nove projetos de restauração de áreas desmatadas nos estados Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão e lançou mais três, cujos resultados sairão em 2026. As iniciativas estão alinhadas ao Plano de Negócios Petrobras 2025-2029, ao Plano Estratégico 2050 da companhia, à Política de Responsabilidade Social da empresa e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODs) de números 13 (ação contra a mudança global do clima) e 15 (vida terrestre) da Organização das Nações Unidas. Além disso, se somam aos esforços da Petrobras para reduzir emissões de gases de efeito estufa, mitigar mudanças climáticas, promover a transição energética justa, neutralizar emissões, reduzir o desmatamento no Brasil, principal fonte de emissões no país, e aumentar investimentos socioambientais em soluções baseadas na natureza.
Mais informações:
Macrorregião 1: https://www.restauraamazonia.ibam.org.br
Macrorregião 2: https://www.restaura-amazonia.fbds.org.br
Macrorregião 3: https://www.conservation.org/brasil/iniciativas-atuais/restaura-amazonia

II - Carteira de Projetos
Criado em 2025 como resultado de parceria entre a Petrobras e a gestora de investimentos sustentáveis Régia Capital, joint venture proveniente da associação entre JGP e da BB Asset, o Fundo de Impacto para Projetos Socioambientais de Bioeconomia e Soluções Baseadas na Natureza (ou Fundo Petrobras de Bioeconomia) pretende alavancar negócios sustentáveis com impacto social positivo no Brasil.
O Fundo Petrobras de Bioeconomia conta com aportes da Petrobras (R$ 50 milhões inicialmente) e de fundos geridos pela Régia Capital (outros R$ 50 milhões) e prevê que parte do retorno financeiro obtido seja utilizada para garantir a escala dos projetos.
O Fundo Petrobras de Bioeconomia adota o modelo Impact Linked Compensation, que associa metas financeiras e resultados socioambientais, para avaliar a performance dos projetos. É pioneiro na utilização desse modelo no Brasil. Conta com governança própria para a seleção de projetos. É gerido pela Régia Capital. Inovador como é, pretende se tornar um hub ou ponto central escalável de suporte para o desenvolvimento do setor de Bioeconomia brasileiro.
Financiamento de projetos socioambientais de Bioeconomia e soluções baseadas na natureza que alavancam negócios sustentáveis com impacto social positivo
O fundo apoia negócios que promovem a conservação de espécies e o extrativismo sustentável, a restauração produtiva pelo plantio de cacau e pelo uso de bioinsumos (biofertilizantes, biofungicidas, biopesticidas...) e promove o desenvolvimento e a replicação de modelos de negócio economicamente viáveis, socialmente inclusivos e ecologicamente responsáveis. São priorizadas e impactadas positivamente áreas críticas no que diz respeito à mudança climática e à preservação da biodiversidade, com foco maior em regiões desmatadas. O fundo contempla, também, projetos com potencial de geração de emprego e renda, além dos que vão gerar créditos de carbono de qualidade comprovada e créditos de biodiversidade.


Recifes de coral são estruturas vivas formadas pelo acúmulo de esqueletos de animais e vegetais e que abrigam uma enorme diversidade de algas, peixes e outros organismos. Embora cubram apenas 1% do fundo dos oceanos, abrigam 25% de todas as espécies marinhas. Para sua construção, é necessária a atuação conjunta de uma infinidade de seres que formam uma complexa teia de associações e eventos em sucessão. Mantêm-se fixos no mesmo local no ambiente marinho até o fim de suas vidas. Ao todo, 30% das regiões costeiras do mundo possuem recifes coralíneos. No Brasil, 30% da costa tropical apresentam essas estruturas.
Os recifes de coral e os ambientes coralíneos são estruturas extremamente sensíveis a distúrbios ambientais e estão entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo. O aquecimento global os impacta acarretando problemas como a acidificação da água, antes alcalina, e o branqueamento dessas formações (os corais, devido ao aquecimento das águas, expulsam de seu corpo algas que os alimentam e lhes conferem as cores vibrantes, ficam vulneráveis para camuflarem e abrigarem a biodiversidade, esta se afasta, eles adoecem mais facilmente por isso e podem morrer). O branqueamento é uma das principais causas de morte dos corais. A acidez das águas dos oceanos também compromete a vida nos recifes. Cerca de 27% destes ambientes já foram efetivamente perdidos e previsões indicam que, no ritmo atual, uma perda semelhante ocorrerá nos próximos 30 anos.
Objetivando monitorar e proteger os recifes de coral, promover a educação e a comunicação ambiental para sensibilizar pessoas sobre essas formações e a importância de preservá-las e contribuir para a criação de políticas públicas a respeito, nasceu o Projeto Coral Vivo
Patrocinado pela Petrobras desde 2006 e executado pelo Instituto Coral Vivo, o projeto atua divulgando a importância da conservação da biodiversidade dos ambientes coralíneos nos estados Bahia, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro e dialogando com diferentes grupos sociais sobre o tema e assuntos correlatos. Integram esses grupos estudantes, professores, líderes comunitários, pescadores, empreendedores da indústria pesqueira e profissionais do turismo.
O Projeto Coral Vivo oferece, a estudantes de graduação, mestrado e doutorado de todos os cursos, a oportunidade de participarem do Programa de Extensão Universitária na Base do Projeto Coral Vivo localizada em Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, na Bahia. O programa é uma ação educativa que complementa a vivência acadêmica para que se aprendam os conteúdos na prática.
Além disso, o projeto divulga publicações, em seu site, para públicos infantil (Tá Limpo”, “Mar de Cores”, “A Teia das Águas”... ), escolar (“Coral Vivo vai à Escola”, “Educação Ambiental na Educação Básica – Conservação e Sustentabilidade”..), universitário (“Manual do Curso de Formação de Jovens”) e profissional (“Conhecendo os Recifes Brasileiros”, “Turismo Sustentável em Ambientes Recifais”, “Manual de Ecossistemas Marinhos e Costeiros para Educadores”...).
Até hoje, o projeto já produziu e divulgou 38 publicações, contribuiu para a formulação de políticas públicas, que promoveram o Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos, realizou ações de educação ambiental em escolas e formou 290 pessoas no Programa de Extensão Universitária na Base do Projeto Coral Vivo. Somente em 2025, secretarias de Educação de 24 municípios adotaram livros do projeto em suas redes por meio do Programa Literatura Atlântica, alcançando mais de 206 mil estudantes.
O Projeto Coral Vivo integra duas redes de relevância regional e nacional, a Rede de Conservação Águas da Guanabara (Redagua) e a Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Rede Biomar). Ambas as redes trabalham pela conservação da biodiversidade, por meio de ações educativas, de comunicação, socioeconômicas, de inclusão social, de restauração ambiental e de embasamento de políticas públicas.
Mais informações: www.coralvivo.org.br

II - Carteira de Projetos
Criação de rede brasileira de especialistas em corais de águas profundas e plataforma colaborativa
Iniciado em 2016, concluído em 2022 e tendo gerado base científica relevante até agora, o Projeto Sensimar - Ambientes Marinhos Sensíveis, foi um projeto amplo e pioneiro no Atlântico Sul que englobou o estudo de ambientes de corais de águas profundas (encontrados em profundidades de, aproximadamente, 200 a 1.200 metros) e rodolitos (algas calcárias arredondadas) ao longo da margem continental sudeste brasileira onde estão nossos principais campos offshore de produção de petróleo e gás.
Desenvolvido pela Petrobras em parceria com instituições de Ciência e Tecnologia nacionais e internacionais, promoveu estudos biológicos, ecológicos e de avaliação de impacto em ambientes marinhos sensíveis, corais de águas profundas (foco principal) e rodolitos.
De forma pioneira, o projeto foi responsável pela instalação, na Bacia de Campos, de um observatório submarino para avaliação de bancos de recifes de corais. Também, em seu âmbito, houve o primeiro estudo de manutenção de corais profundos em experimentação em laboratório no Brasil. Além disso, o projeto promoveu experimentos em laboratório com algas calcárias expostas a óleo cru e à mistura óleo-dispersante e gerou o estado da arte em recuperação natural e induzida de bancos de algas calcárias.
O estudo gerou dados inéditos no Atlântico Sul sobre reprodução, conectividade e diversidade genética de corais profundos, sua ecologia e dinâmica espaçotemporal, níveis de tolerância a alguns estressores em experimentos de laboratório, bem como a ampliação do conhecimento das espécies através da descrição taxonômica e molecular.
Visando à ampliação e à divulgação do conhecimento científico gerado pelo projeto para a sociedade, foram realizadas oficinas sobre corais de águas profundas em congressos científicos nacionais e internacionais; feitas apresentações em congressos; publicados artigos científicos em periódicos especializados e foi estabelecida colaboração com o programa de pesquisa multidisciplinar internacional iAtlantic, que avaliou e monitorou a saúde de ecossistemas de águas profundas e de mar aberto.
Isso não é tudo. Foram criadas a Rede Brasileira de Especialistas em Corais de Águas Profundas (Rede CoralProf) e uma plataforma colaborativa online, Decode, com fins científicos, para a disponibilização e o compartilhamento de dados e imagens do fundo marinho.
Como importante reconhecimento a sua contribuição científica, o Projeto Sensimar foi o vencedor do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica em 2024.
A base científica gerada pelo projeto subsidia, hoje, o desenvolvimento de novas abordagens operacionais visando a evitar, reduzir e mitigar impactos sobre os referidos ambientes sensíveis, promovendo uma atuação mais sustentável em ambientes de corais de águas profundas e de algas calcárias e dando ampla abrangência aos resultados alcançados.

Pesquisa de biodiversidade e uso de geotecnologias para identificar regiões com alta concentração de diversidade biológica e áreas prioritárias para conservação nas Ilhas Maricás
No âmbito do projeto, estão sendo realizadas expedições científicas para monitorar a biodiversidade marinha da região que incluem mergulhos científicos, censos visuais de peixes, registros fotográficos e coletas de espécimes. Até o momento, foram identificados 102 táxons (unidades de classificação em Biologia utilizadas para agrupar organismos) de invertebrados marinhos, incluindo espécies endêmicas da costa brasileira, como o coral-cérebro (Mussismilia hispida). Também foram registradas 84 espécies de peixes, algumas classificadas como vulneráveis ou criticamente ameaçadas, como a raia-sapo (Myliobatis goodei), a raia-borboleta (Gymnura altavela) e a garoupa-verdadeira (Epinephelus marginatus), 24 espécies de macroalgas e uma tartaruga marinha (Chelonia mydas ou tartaruga-verde).
Um dos destaques do ambiente subaquático é o recife artificial resultante do naufrágio do navio Moreno, em 1874, que, atualmente, abriga diversas espécies marinhas e confere valor histórico ao arquipélago.
Como parte fundamental do projeto, o geoprocessamento é utilizado para mapear e representar, espacialmente e de forma precisa, a geografia, a biodiversidade e a geodiversidade das Ilhas Maricás. Utilizando imagens obtidas por satélite, drones ou outras tecnologias, são processados os dados obtidos e geradas as informações que ajudam a identificar áreas prioritárias para conservação, orientar pesquisas e compreender melhor o território. Além disso, o projeto investiga a história geológica das ilhas, desde sua formação até agora, assim como os efeitos de mudanças climáticas ao longo do tempo, por meio da análise de rochas, estruturas geológicas e fósseis.
Como um dos resultados dessa abordagem integrada, será desenvolvido um Sistema de Informação Geográfica (SIG) colaborativo, que reunirá as informações obtidas em uma plataforma acessível, possibilitando, a pesquisadores e à comunidade, consultarem dados, utilizarem e, por meio de Ciência Cidadã, contribuírem.
O Projeto Sig@s Maricás, apoiado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental desde 2024 e executado pela Firjan/Senai, combina pesquisa de biodiversidade e geotecnologias para identificar regiões com alta concentração de diversidade biológica e áreas prioritárias para conservação nas Ilhas Maricás, na costa do estado do Rio de Janeiro. Além disso, o projeto promove a sensibilização ambiental de crianças, jovens e adultos, com base no conhecimento sobre a fauna e a flora locais e as ameaças a que estão sujeitas.
No ambiente terrestre, a Ilha Principal vem sendo investigada em caminhadas livres, o que já resultou na identificação de 90 espécies vegetais, das quais 18 são endêmicas da Mata Atlântica, como a samambaiaflecha (Asplenium douglasii). Também foram registradas 22 espécies de aves, um réptil terrestre (Salvator merianae ou lagarto teiú) e dois mamíferos (Cavia sp. ou preá e Capra hircus ou cabra). A presença de cabras é preocupante, uma vez que se trata de espécie exótica que exerce potenciais impactos sobre a vegetação, a fauna local e o solo.
As Ilhas Maricás têm enorme relevância. Abrigam uma rica biodiversidade com espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Além disso, fornecem importantes serviços ecossistêmicos, em especial para comunidades caiçaras que dependem da pesca artesanal. Por isso, o projeto também investe em ações de educação ambiental, divulgação científica e capacitação junto à comunidade local, tendo realizado, por enquanto, 44 eventos, com mais de mil pessoas impactadas. Mais informações: Instagram: @sigasmaricas

II - Carteira de Projetos
Pesquisa científica sobre esses peixes na costa brasileira, preservação e recuperação de suas populações e educação ambiental
Realizado pelo Instituto Meros do Brasil em parceria com instituições de ensino e pesquisa que compõem a Rede Meros do Brasil, o Projeto Meros do Brasil, apoiado pela Petrobras desde 2007, visa a estudar os peixes meros no que diz respeito a biologia da conservação, genética, valoração ambiental, aquacultura e poluição marinha e a gerar subsídios para preservar e recuperar suas populações distribuídas na costa brasileira (do Amapá a Santa Catarina, em nove estados). Além disso, atua na educação ambiental junto a crianças, adultos e comunidades tradicionais sobre a importância dos meros e contribui para a criação de políticas públicas de conservação da espécie e dos ambientes costeiros e marinhos.
Os meros, ameaçados de extinção, sofreram declínio populacional significativo nos últimos 65 anos. Suas populações já se reduziram em mais de 80% devido à pesca desordenada, à destruição de seu habitat, à poluição, ao comportamento dócil e por se reproduzirem somente em idade de sete a dez anos, o que é muito tempo para um peixe. Por isso e dada a sua importância ecológica, visto que são predadores de topo de cadeia que se alimentam de outros peixes e de invertebrados, servem de alimento para peixes limpadores e são moradia para parasitas, são protegidos por lei. Sua captura é proibida. Constitui crime ambiental e gera multa e/ou detenção.
O mero é a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico e a segunda maior do mundo. Pode medir até 2,5m e pesar mais de 400 kg. Tem o corpo amarelo amarronzado, esverdeado ou acinzentado e espinhos no dorso. Habita manguezais ao nascer e, depois, recifes de corais ou rochosos, destroços de naufrágios e estuários. Come lagostas, caranguejos, polvos, raias, tartarugas, peixes
menores e até tubarões, projetando a mandíbula e sugando a presa. Pode viver cerca de 40 anos. Existem indicativos de que todos os meros nascem fêmeas. Quando adultos, seus únicos predadores naturais são os tubarões.
Em 23 anos de atividades até o ano de 2025, completados no Dia Nacional do Mero, 21 de setembro, o projeto contabiliza realizações relevantes. Em especial, em nove estados do país onde tem pontos focais (Pará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina) e 53 municípios, ao longo de 1.500km da costa brasileira.
Nos últimos quatro anos, foram monitorados 256 meros e a maior agregação deles no Brasil, em Santa Catarina. Foram produzidas 22 publicações sobre o animal e seus habitats, o maior volume total divulgado por qualquer instituição. A equipe do projeto atuou em 26 unidades de conservação ambiental observando meros, habitats, cadeia alimentar, movimentação, agregações reprodutivas. Realizou mais de 315 ações de educação ambiental. Hoje, o projeto é referência mundial em meros.
O Projeto Meros do Brasil integra duas redes de relevância regional e nacional, a Rede de Conservação Águas da Guanabara (Redagua) e a Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Rede Biomar). Ambas as redes trabalham pela conservação da biodiversidade, por meio de ações educativas, de comunicação, socioeconômicas, de inclusão social, de restauração ambiental e de embasamento de políticas públicas. Mais informações: https://merosdobrasil.org

II - Carteira de Projetos
Ações em prol da conservação e da sociobiodiversidade do Atlântico Sul, do arquipélago brasileiro de Fernando de Noronha e dos golfinhosrotadores da localidade
Executado pela ONG Centro Golfinho Rotador desde 1990 e apoiado pela Petrobras há 25 anos, por intermédio do Programa Petrobras Socioambiental, o Projeto Golfinho Rotador é responsável pela concepção e pela implementação de ações em prol da conservação e da sociobiodiversidade do Atlântico Sul (porção do Oceano Atlântico localizada ao Sul do Equador, separando as Américas do Sul e África), do arquipélago brasileiro de Fernando de Noronha, situado no estado de Pernambuco, e dos golfinhos-rotadores da localidade.
O Projeto Golfinho Rotador estuda os golfinhos (ocupação do arquipélago, distribuição, alimentação, ecologia comportamental, genética, encalhes, interação com o Turismo...). Propõe, divulga e fiscaliza normas de conservação de golfinhos e baleias e de Fernando de Noronha. Por meio da educomunicação ambiental, sensibiliza ilhéus e visitantes quanto à necessidade de se preservarem golfinhos e o nosso planeta. Já impactou mais de 450 mil pessoas com essa atividade. Além disso, fomenta o ecoturismo por meio da formação de ilhéus. A meta do projeto é ser referência mundial na conservação dos ecossistemas insulares oceânicos por meio da educomunicação e da pesquisa sobre os golfinhos.
O golfinho-rotador é um golfinho oceânico de mar aberto e águas costeiras tropicais e subtropicais. Possui bico longo e fino, com a parte mais distante do tronco preta. Possui dorso preto, lateral cinza-clara e ventre branco. Executa saltos em forma de pirueta rodando várias vezes em torno do eixo do corpo antes de retornar à água.
Daí veio o seu nome. Atinge 1,90 metros em média, pesa entre 65 e 78kg e vive por cerca de 35 anos. Mais de 99,99% dos golfinhos avistados em Fernando de Noronha pertencem à espécie dos golfinhos-rotadores.
No arquipélago, a análise dos dados reunidos pela equipe do projeto ao longo de mais de 30 anos sobre os golfinhos-rotadores apontou que quem manda são as fêmeas. Ali, a sociedade é matriarcal, com estrutura familiar baseada nos laços entre mães, filhos e irmãos. As fêmeas são o elo genético, cultural e afetivo entre os indivíduos da espécie. Escolhem seus parceiros sexuais. Criam os filhos sem os machos, demonstrando um vínculo profundo com os filhotes e ensinando a eles os comportamentos essenciais à vida. Permanecem fiéis ao território, passando quase toda a vida nas águas ao redor de Fernando de Noronha e garantindo estabilidade à população local de golfinhos-rotadores. São solidárias nas relações com outras fêmeas, colaborando em partos e cuidando dos filhos umas das outras, o que aumenta as chances de sobrevivência da prole, ainda mais considerando que cada fêmea pode gerar poucos filhotes ao longo da vida. Cabe a elas, também, transmitir a herança genética. Os machos adultos flutuam entre diferentes unidades familiares, sem estabelecer laços duradouros.
Por conta das ações de preservação desenvolvidas pelo Projeto Golfinho Rotador e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, a frequência de golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha permanece praticamente a mesma desde que o Projeto Golfinho Rotador foi iniciado. Os golfinhos-rotadores continuam a visitar seus locais de preferência, a Baía dos Golfinhos, a Baía de Santo Antônio e a Enseada entre Ilhas, em 95% dos dias do ano. Buscam essas áreas para descansarem, reproduzirem-se, cuidarem dos filhotes e se refugiarem quando há tubarões por perto.
Já em relação a Fernando de Noronha e ao Atlântico Sul, onde o arquipélago se localiza, o projeto protege e conserva a qualidade ambiental e as condições de vida da fauna e da flora locais. Compatibiliza o turismo organizado com a preservação dos recursos naturais. Além disso, concilia a ocupação humana no território de Fernando de Noronha com a proteção ao meio ambiente.
A visitação é regulada. Apenas embarcações e veículos credenciados são permitidos. É proibido acampar, pernoitar e acender fogo nas praias. E, é claro, é preciso respeitar os animais. Não se pode matar, capturar, perseguir, nem alimentar nenhum deles.
O projeto integra a Rede Biomar, juntamente com os projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo e Meros do Brasil.
Mais informações: https://www.golfinhorotador.org.br Instagram: @golfinhorotador
II - Carteira de Projetos

Estudo e proteção da população remanescente das baleias jubarte que se reproduzem em águas brasileiras
Administrado pelo Instituto Baleia Jubarte, o Projeto Baleia Jubarte, que conta com patrocínio da Petrobras desde 1996, tem por missão estudar e proteger a população remanescente de baleias jubarte que se reproduzem em águas brasileiras. Afinal, quando foi criado, em 1988, essa espécie de baleia estava ameaçada de extinção. Atualmente, após mais de 35 anos de existência do projeto, as baleias jubarte se recuperaram quase que totalmente no Brasil.
A estimativa atual é de que, aproximadamente, 35.000 baleias jubarte visitem a costa brasileira entre os meses de junho e novembro anualmente. Essas baleias atingem até 16 metros de comprimento e podem pesar cerca de 40 toneladas. São facilmente identificáveis pela coloração quase negra do corpo, pela nadadeira dorsal típica da espécie, pelas grandes nadadeiras peitorais, que podem chegar a 1/3 do comprimento do corpo, sendo brancas geralmente, e pela cauda cuja face inferior possui padrões de coloração em branco e preto que são únicos para cada indivíduo, possibilitando sua identificação individual.
As baleias saem da Antártica, onde passam o verão se alimentando de krill, e migram para as águas tropicais e subtropicais do Brasil, durante o inverno e a primavera, em busca de águas mais quentes para a reprodução, o nascimento de seus filhotes, a amamentação e o ensino dos comportamentos iniciais aos novatos.
Buscando assegurar a recuperação plena da espécie, o Projeto Baleia Jubarte atua em três frentes – pesquisa científica, educação ambiental e políticas para a conservação.
Na frente de pesquisa científica, por meio de várias linhas de pesquisa, a longo prazo, o projeto estuda a biologia das baleias jubarte, seu comportamento e as necessidades de
conservação da espécie. Durante o período reprodutivo das baleias, o projeto realiza cruzeiros de pesquisa, tanto no Banco dos Abrolhos como em outras regiões, registrando o número de grupos e indivíduos da espécie, além de outros dados de relevância científica (impactos sofridos pela poluição dos oceanos por plásticos, por tintas de embarcações, por compostos químicos que deprimem o sistema imunológico ou reprodutivo das baleias; risco de colisão com embarcações etc. ). Os dados são compartilhados com parceiros, para potencializar os trabalhos. O projeto possui o maior catálogo de fotoidentificação da espécie mantido por uma única instituição, abrangendo mais de 8.000 animais.
Nessa frente de pesquisa, o número crescente de populações de baleias jubarte, assim como a intensa navegação comercial global têm acarretado um crescente número de colisões com embarcações, o que constitui um novo desafio para o Projeto Baleia Jubarte. Nesse contexto, o projeto vem trabalhando em parceria com a ONG internacional Great Whale Conservancy no Brasil, a fim de realizar mais estudos e propor recomendações voluntárias para a redução de riscos de colisões. O Terminal Almirante Barroso, da Transpetro, foi a primeira instalação portuária do país a adotar as recomendações.
Na frente de educação ambiental, os Espaços Baleia Jubarte recebem milhares de visitantes todos os anos. Dispõem de atividades de sensibilização, educativas e informativas. Além disso, promovem e orientam o turismo responsável de observação das baleias. Documentários institucionais e sobre bichos do mar, a natureza, infantis e publicações estão disponíveis, para download, no site do projeto, para educadores, pais, estudantes e interessados. Alguns exemplos são as cartilhas infantis Momo: Assim Nasce uma História e Cartilha Educativa Baleia Jubarte
– para Colorir, assim como as publicações Baleia Jubarte Responde, Manual de Boas Práticas – Observação de Baleias e Manual de Ecossistemas Marinhos e Costeiros.
Já na frente de políticas públicas, o Instituto Baleia Jubarte e o Projeto Baleia Jubarte colaboram com autoridades públicas e com organismos internacionais para que as políticas públicas referentes à conservação das baleias, do meio marinho, e ao uso sustentável do mar e de seus recursos sejam embasadas por conhecimento técnico-científico de ponta sobre esses assuntos, graças à experiência de mais de três décadas de trabalho adquirida pelo Instituto Baleia Jubarte.
Em termos de abrangência, no Brasil, o Projeto Baleia Jubarte atua, diretamente, em toda a costa da Bahia, tendo bases na Praia do Forte, em Caravelas e em Itacaré; no Espírito Santo, tendo base em Vitória, e em Ilhabela, em São Paulo e no Rio de Janeiro, por meio de parcerias com instituições locais que também trabalham pela conservação de baleias, de golfinhos e do ambiente marinho. Em âmbito internacional, o projeto integra o Fórum para a Conservação do Mar Patagônico e participa de reuniões sobre tratados internacionais relevantes, como a Comissão Internacional da Baleia e a Convenção de Espécies Migratórias.
O Projeto Baleia Jubarte integra a Rede Biomar, juntamente com o Projeto Albatroz, o Projeto Coral Vivo, o Projeto Golfinho Rotador e o projeto Meros do Brasil. Mantida com recursos da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, a rede é integrada por alguns dos projetos de conservação marinha mais importantes do Brasil e que têm como um de seus pilares a educação ambiental.
Mais informações: https://merosdobrasil.org

II - Carteira de Projetos
Conservação de espécie em perigo de extinção no Brasil
Realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos e apoiado pela Petrobras desde 2013, o projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho conserva a espécie que dá nome ao projeto e seus habitats, que são ecossistemas costeiros e estuarinos brasileiros, promovendo a participação social nas ações desenvolvidas. O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), afinal, é espécie classificada como “em perigo” de extinção. Enfrenta ameaças como perda de habitat, poluição, pesca acidental e colisão com embarcações. O projeto conta com 25 parcerias, firmadas com universidades, institutos, associações, colônias de pesca e secretarias municipais.
Os esforços do projeto estão direcionados à implementação de ações nas seguintes frentes: pesquisa sobre a espécie (ampliação do conhecimento), manejo, identificação de ameaças, fortalecimento de Áreas Marinhas Protegidas, desenvolvimento tecnológico (ampliação da diversidade de transmissores satelitais para o monitoramento de peixes-bois e tartarugas-marinhas), sensibilização ambiental, desenvolvimento comunitário sustentável, participação em fóruns de políticas públicas e atendimento imediato a animais encalhados (vivos ou mortos).
A área de abrangência do projeto compreende a região Nordeste do Brasil, ampliando-se para a região Norte do país, em trechos como a costa do estado do Amapá. No Nordeste, na costa do Piauí, está previsto um diagnóstico das áreas de incidência dos peixes-boismarinhos, incluindo os recursos ecológicos utilizados pela espécie e ameaças. Já na costa do Amapá, sendo cerca de 90% da superfície ainda inalterados pela ação humana e 72% do território legalmente protegidos, o que caracteriza o trecho mais bem conservado da faixa tropical do Brasil, será conduzido um estudo mais realista e completo sobre os peixes-bois-marinhos brasileiros do que os disponíveis na atualidade.
Um dos marcos recentes do projeto foi o nascimento do Favo, descendente de uma fêmea de peixe-boi-marinho reintroduzida no estado da Paraíba, o que comprova a relevância da reintrodução da espécie na natureza pelo projeto. Outros oito peixes-bois marinhos haviam sido reintroduzidos na natureza em ciclo anterior do projeto, que se estendeu de 2021 a 2023.
O projeto mobiliza pescadores, moradores das áreas que abrange e estudantes nas atividades realizadas, criando e ampliando uma rede de colaboradores, resgatando tradições, cultura e valores e promovendo a continuidade e a valorização desses elementos. Além disso, promove o desenvolvimento econômico local, apoiando o turismo de observação dos peixesboi-marinhos e arranjos produtivos locais, como capacitações em meliponicultora e a confecção de artesanato na Eco-Oficina Peixe-Boi & CIA, onde são criados produtos para a venda representando a fauna aquática brasileira.
Os resultados do projeto, tais como a produção de 14 artigos técnicos e científicos, de cinco capítulos de livro e de 13 resumos apresentados em congressos (internacionais e nacionais), contribuem para estratégias globais de conservação da biodiversidade, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Década do Oceano e Década da Restauração de Ecossistemas, promovidas e lideradas pela ONU. Além disso, contribuem para a implementação de estratégia de conservação da espécie no Brasil, descrita no Plano de Ação Nacional para a Conservação do Peixe-Boi-Marinho.
Mais informações: https://vivaopeixeboimarinho.org Instagram: @vivaopeixeboimarinho
Acervo LittoralisA tartaruga-verde ou aruanã dá nome ao projeto / Baía de Guanabara / Rio de Janeiro

II - Carteira de Projetos
Conservação de tartarugas na Baía de Guanabara
Realizado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais Littoralis e patrocinado pela Petrobras desde 2022, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Projeto Aruanã, cujo nome significa “tartaruga-verde”, pesquisa as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, a maior parte ameaçada de extinção no país (tartaruga-cabeçuda, tartaruga-depente, tartaruga-verde, tartaruga-oliva e tartarugade-couro). Conserva essas espécies e os ambientes costeiros e marinhos que frequentam. Além disso, promove atividades de sensibilização e educação ambiental, já tendo impactado mais de 22 mil pessoas por meio dessas iniciativas. A área de abrangência do projeto é o Rio de Janeiro, principalmente a região da Baía de Guanabara, área de grande relevância ecológica.
O projeto realiza capturas intencionais de tartarugas marinhas, marcação e acompanhamento de indivíduos para pesquisas científicas, em parceria com universidades, instituições públicas e privadas, ONGs e redes, com o intuito de ampliar o conhecimento sobre a ecologia e formas de uso do habitat pelas tartarugas. Por meio dessas iniciativas, já se constatou que o litoral da região metropolitana do Rio de Janeiro, incluindo a Baía de Guanabara, é uma importante área de alimentação da tartaruga-verde e da tartaruga-cabeçuda.
No âmbito do seu programa Ciência Cidadã, o projeto recebe e reúne, em uma plataforma colaborativa, registros de ocorrência de tartarugas marinhas não só no estado do Rio de Janeiro, como de outros locais, contabilizando mais de 400 registros em menos de dois anos, o que fornece subsídios para futuras ações de conservação desses animais.
Já no que se refere à educação ambiental, o projeto mantém uma exposição fixa aberta ao público e gratuita, em sua sede, na praia de Itaipu, no município de Niterói, onde exposições itinerantes e atividades visam a disseminar a cultura oceânica, a importância das tartarugas marinhas e saberes tradicionais de comunidades ligadas ao mar. Além disso, implementa um novo centro de visitação pública em Niterói, na recém-criada unidade de conservação municipal do Parque do Morcego.
Atualmente, o Projeto Aruanã está ampliando a pesquisa científica realizada, as áreas de capturas intencionais e o monitoramento de indivíduos, estendendo sua atuação, no Rio de Janeiro, à Marina da Glória, em parceria com o AquaRio, e ao município de Paraty.
Mais informações: https://projetoaruana.org.br Instagram @projetoaruana

II - Carteira de Projetos
Pouquíssima interação com plataformas e embarcações
No estado de Sergipe, em áreas costeiras, praias (Pirambu, Abaís, Barra dos Coqueiros e Caueira) e áreas offshore (ultramarinas), a Petrobras apoia o projeto Avaliação das Interações de Tartarugas Marinhas com as Atividades de Exploração e Produção, executado pelos parceiros Salt e Fundação Tamar. A iniciativa é exigência de licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama.
O projeto consiste na abordagem de tartarugas-oliva (Lepidochelys olivaceae) durante a subida para desova nas praias do litoral sergipano, na captura desses animais e na marcação, para rastreamento por satélite, transmissão de dados coletados (posição, profundidade que habita, profundidade máxima de mergulho, tempo de mergulho, rota, temperatura da água...) e análise desses dados.
Por enquanto, observou-se que o número de aparições de tartarugas é grande durante o ano em todo o litoral sergipano. Elas percorrem três rotas principais. Uma rota, na direção Sul, vai de Sergipe até o litoral paulista. Outra rota, para o Norte, vai até a Guiana Francesa passando pela Foz do Amazonas. A terceira rota cruza o Oceano Atlântico em direção ao continente africano.
As tartarugas mergulham em profundidades máximas de 190 a 200 metros. Nadam em águas de temperatura entre 20° e 25°C aproximadamente, sendo que, em alguns casos, em águas abaixo de 15ºC.
A maior parte desses animais sai de Sergipe e migra para o Sul, atingindo as regiões costeiras dos estados Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, indo até o litoral Sul do estado de São Paulo.
Observou-se que é pouquíssima a interação entre as tartarugas, as plataformas da região e as embarcações que não sejam pesqueiras.
Ao todo, 30 tartarugas da espécie oliva, com tamanhos entre 66cm e 77cm e peso entre 29kg e 47kg, foram monitoradas por cerca de 5.050 dias até agora
Mais informações: https://monitoramentosergipe.saltambiental.com.br/ mapper/

II - Carteira de Projetos
Coordenado pela Petrobras e executado pela Mineral Engenharia e Meio Ambiente Ltda. com apoio da Fundação Pró-Tamar no primeiro ciclo, realizado de 2022 a 2024, o Projeto de Monitoramento de Desovas de Tartarugas Marinhas teve por objetivo identificar e monitorar praias de desova de tartarugas marinhas nos litorais do Amapá e do Pará, marcar indivíduos, rastrear por satélite e, assim, obter informações sobre os animais daquelas localidades, seu comportamento e habitats que utilizam. O projeto atendeu a exigência de licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama. As informações contribuirão para a gestão ambiental na Margem Equatorial e para biólogos e cientistas brasileiros.
tartaruga-de-couro ou gigante (Dermochelys coriacea). Dessas espécies, são ameaçadas de extinção as tartarugas-cabeçudas, as tartarugas-de-pente, as tartarugas-oliva e as tartarugas-de-couro.
Identificação de espécies ameaçadas de extinção e geração de informações para a gestão ambiental nos litorais do Amapá e do Pará
O projeto abrangeu mapeamento das praias arenosas locais (443 trechos de praias em 314 km de extensão, sendo 30 trechos no Amapá e 413 trechos no Pará); mapeamento participativo das áreas de desova, com auxílio das comunidades locais (202 integrantes de 51 instituições); e monitoramento noturno (durante o período reprodutivo das tartarugas) e diurno de 11 trechos de quatro praias selecionadas, totalizando 57,3 km, com base em dados obtidos nas etapas anteriores.
Houve registros de tartarugas marinhas (174 encalhes), desovas (52), biometria dos animais encontrados (78 mortos e 82 vivos), anilhamentos de tartarugas (64), marcação com transmissor (5), ninhos cujos ovos eclodiram (20), filhotes que nasceram (1079). Foram identificadas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil: tartaruga-verde ou aruanã (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivácea), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e
Das tartarugas marcadas com transmissor, uma tartaruga-oliva permaneceu na região da nidificação no período monitorado. Três outras se deslocaram por áreas costeiras ao longo da plataforma continental, iniciando migração no sentido da Guiana Francesa, provavelmente retornando a suas áreas de alimentação, e chegando a percorrer quase 2.000km. Já a tartarugade-pente se deslocou em uma área reduzida, provavelmente entre pequenos sítios de alimentação da espécie ao longo da plataforma continental brasileira em frente ao Norte do Brasil, onde as águas são escuras e não são conhecidos muitos bancos de corais.
As informações, apresentadas em eventos científicos (Red ASO Tortugas, em 2023, e 20º Congresso LatinoAmericano de Ciências do Mar, em 2024), passaram a fazer parte do banco de dados da Petrobras.
Em 2025, o segundo ciclo do projeto foi iniciado, agora sendo executado pela empresa Arvut Meio Ambiente, para consolidar esforços de monitoramento na região, obtendo dados ambientais por um período mais longo. A previsão é que esteja concluído em 2027.
Mais informações: site: ProjetosAmbientais_FZA-59 (arcgis.com)

Mapeamento atual da linha da costa, caracterização ambiental das bacias sedimentares, tecnologias para emergências ambientais e para avaliação de impactos e ganhos em biodiversidade
Iniciado em 2022 e estendendo-se até 2029, o conjunto de projetos de pesquisa denominado Tecnologias
Ambientais para Inovação e Sustentabilidade na Margem Equatorial, resultado de parceria entre a Petrobras, 23 instituições de Ciência e Tecnologia nacionais e internacionais, a Marinha do Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Serviço Geológico do Brasil, é de enorme relevância. Os projetos têm por objetivo caracterizar o ambiente marinho e costeiro para que se atue, com responsabilidade social e ambiental, na avaliação do potencial da Margem Equatorial como nova fronteira exploratória para a indústria de petróleo e gás.
Pretende-se antecipar a geração de conhecimento sobre a região e seus aspectos de maior sensibilidade ambiental, por meio de pesquisas científicas realizadas com parceiros, para atingir os objetivos específicos de realizar a caracterização ambiental regional das cinco bacias da Margem Equatorial (Foz do Amazonas, ParáMaranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar), desenvolver tecnologias para a detecção imediata de emergências operacionais e o acionamento da primeira resposta em até 4h e estabelecer métricas para avaliação do impacto na biodiversidade visando a alcançar ganho líquido (maior do que as perdas) no contexto das operações na Margem Equatorial.
A Margem Equatorial (MEq) é uma região que compreende as bacias hidrográficas do Norte do Brasil entre os estados do Amapá e do Rio Grande do Norte. Tem potencial exploratório reconhecido por apresentar características geológicas semelhantes às da Guiana e do Suriname, onde já foram descobertas reservas de petróleo estimadas em mais de 13 bilhões de barris. A Petrobras, inclusive, já atuou na MEq, tendo perfurado
mais de 700 poços, e obteve licença de operação para pesquisa exploratória em águas profundas do Amapá. Pelas características do óleo e pela previsão dos volumes existentes, a MEq é muito promissora. Mas todo o seu potencial ainda não foi avaliado.
Em termos ambientais, a MEq reúne ambientes biologicamente complexos, sensíveis e de grande importância ecológica e econômica, caracterizados por rica diversidade de vida marinha influenciada por grandes rios aportando, diversidade de habitats, altas temperaturas, luz solar abundante, correntes costeiras e oceânicas intensas e ventos constantes, o que exige conhecimento em bases científicas sólidas que possibilite o uso sustentável dos recursos locais.
O conjunto de projetos teve início após o centro de pesquisas, desenvolvimento e inovação da Petrobras, o Cenpes, ter criado uma carteira de projetos voltada para a caracterização dos ecossistemas da região e o desenvolvimento de soluções para prevenir e mitigar eventuais riscos ao meio ambiente inerentes à atividade de Exploração e Produção de petróleo.
Atuando em manguezal, ambientes costeiros e oceânicos, ambientes pelágicos (mar aberto) e bentônicos (fundo do mar) da margem continental brasileira (desde a linha da costa até 3.500 metros de profundidade), incluindo ambientes recifais, o conjunto de projetos é bastante completo.
A caracterização ambiental regional abrange a coleta de dados primários na coluna d’água e de amostras de sedimentos por equipes embarcadas em navios dotados de equipamentos especializados para a pesquisa oceanográfica. O uso de imagens obtidas por sensoriamento remoto e por veículos autônomos equipados com sensores completa esse trabalho, gerando dados geológicos, físicos, químicos e biológicos que serão integrados com o uso de modelagem estatística e aprendizado de máquina (Machine Learning), passando a compor um banco de dados georreferenciado para uso pela Petrobras e por parceiros.
O mapeamento e a caracterização dos ambientes recifais está sendo realizado pela aquisição de dados geofísicos de alta resolução e oceanográficos, assim como por filmagens por veículo remotamente operado (ROV) e/ou câmeras rebocadas e pela coleta de amostras de fundo do oceano e de organismos. Técnicas inovadoras com coleta de DNA ambiental (e-DNA) estão sendo amplamente utilizadas.
Para o monitoramento da megafauna marinha, o uso de drones e a aplicação de Inteligência Artificial para detecção, identificação e quantificação de mamíferos, quelônios e aves, com auxílio de um banco de imagens, permitirá cobrir a grande extensão da MEq, minimizar as dificuldades de acesso às regiões costeiras, tais como manguezais e planícies lamosas, e reduzir riscos para os pesquisadores.
Projetos para aprimorar a resposta a emergências ambientais ocasionadas por vazamento de óleo envolverão o uso de drones e outros tipos de veículos autônomos, que, por meio de sensores embarcados, gerarão dados, em tempo real, reunidos e integrados em um portal, para detecção de contingências, acompanhamento e emissão de alertas. Uma plataforma de domínio público também será utilizada, com séries de dados de alerta sobre manchas de óleo.
Por fi m, pretende-se atualizar o mapeamento da sensibilidade da linha da costa (cartas SAO – Sensibilidade Ambiental ao Óleo) na Margem Equatorial. Serão aprimorados parâmetros utilizados para a modelagem de dispersão de óleo, necessária a ações de contingência, incorporando novos parâmetros de intemperismo do óleo (combinação de processos químicos, físicos e biológicos que acarreta alterações na composição original do petróleo quando cai no mar). Além disso, será desenvolvida a modelagem espaço-temporal dos impactos socioambientais na região estudada e sobre serviços ecossistêmicos, para aplicação em ferramentas digitais geoespaciais na avaliação de impactos que se acumulam.
Mais informações: https://petrobras.com.br/quem-somos/novas-fronteiras

II - Carteira de Projetos
Guia de identificação de espécies e base de dados ambiental
O Projeto de Monitoramento Integrado Dedicado na Bacia Sedimentar Foz do Amazonas, cujo primeiro ciclo foi realizado de 2021 a 2024, como exigência de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), gerou um legado. Construiu uma importante base de dados ambientais sobre a região e produziu um guia de identificação de mamíferos, aves e quelônios das bacias sedimentares da Foz do Amazonas e de Barreirinhas.
O projeto, coordenado pela Petrobras e executado pela Mineral Engenharia e Meio Ambiente Ltda., objetivou, por meio de monitoramentos visual e acústico, registrar aves, mamíferos e tartarugas marinhas e adquirir dados oceanográficos para ampliar o conhecimento da região e, assim, identificar possíveis impactos da atividade de perfuração marítima exploratória na biodiversidade e nos ecossistemas locais.
Cruzeiros oceanográficos saíram de Belém até a área oceânica onde temos blocos exploratórios, a mais de 2.000 metros de profundidade, e voltaram navegando em águas rasas, ao longo da costa do Amapá.
Para monitoramento visual, foram utilizados equipamentos como binóculos, câmeras fotográficas, GPS, rádios VHF portáteis, notebook com software apropriado. Para monitoramento e perfilagem acústicos, optou-se por utilizar hidrofones, sensores, software específico, entre outros itens. Já para a perfilagem oceanográfica, foi utilizada uma sonda multiparamétrica, apta a mensurar parâmetros como condutividade, oxigênio, pressão, temperatura, pH, coletar água e sedimentos para análises físicas, químicas e da biota aquática e medir velocidades e vazões de correntes.
Entre os cetáceos, o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) apresentou o maior número registrado e a maior frequência de ocorrências. Destacaram-se avistagens de indivíduos da família Ziphiidae, de cetáceos dentados, como baleias-bicudas, de difícil observação dada a sua raridade. Entre as aves, o trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) apresentou a maior frequência de ocorrência e numérica. Já entre os quelônios, apenas a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) foi observada.
Cetáceos e quelônios foram avistados principalmente em profundidades de mais de 200m. No caso das aves, a maior concentração ocorreu na área oceânica onde as profundidades são maiores e em águas mais rasas na altura do Parque Nacional Cabo Orange, havendo uma concentração menos expressiva na região de estuário (entre a terra e o mar) desde a Foz do Rio Amazonas.
Todas as espécies avistadas foram registradas e compõem o Guia de Identificação de Espécies da Fauna Marinha das Bacias da Foz do Amazonas e de Barreirinhas.
Em 2025, iniciou-se o segundo ciclo desse projeto, executado pela empresa Arvut Meio Ambiente, para ampliar, ainda mais, a base de dados obtida. A conclusão é prevista para 2027.
Mais informações:
site: ProjetosAmbientais_FZA-59 (arcgis.com)

II - Carteira de Projetos
Realizado de 2022 a 2024, o projeto Censo EspaçoTemporal de Aves de Ecossistemas Costeiros e Migratórias nas Unidades de Conservação do Amapá gerou informações relevantes para o manejo de habitats de aves da área de abrangência do projeto, em sintonia com o Plano Nacional de Ação de Aves Limícolas (que vivem em ambientes úmidos, onde obtêm alimentação) e Migratórias. Além disso, monitorou a qualidade ambiental nas áreas estudadas e aperfeiçoou conhecimentos sobre as rotas migratórias de espécies que frequentam as Unidades de Conservação para se alimentarem e permanecerem durante o inverno, indo embora depois.
O projeto foi coordenado pela Petrobras, executado pela Ambipar Response Control Environmental Consulting S.A. e atende a exigência de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ao todo, foram registradas, em oito campanhas trimestrais, 36.000 aves de 236 espécies, sendo dez dessas espécies listadas como ameaçadas de extinção no Brasil em portaria do Ministério do Meio Ambiente brasileiro de 2022, ou em âmbito mundial, na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN)
Merece destaque a observação das espécies que ainda não haviam sido registradas em nenhuma das Unidades de Conservação monitoradas pelo projeto, embora tivessem sido avistadas em outras localidades do Amapá: as aves limícolas batuiruçu (Pluvialis dominica), maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus), maçarico-de-asa-branca (Tringa semipalmata) e maçarico-de-sobre-branco (Calidris fuscicollis), o garajau-real ou trinta-réis-real (Thalasseus maximus) e o joão-de-barriga-branca Mazaria propinqua.
36 mil aves registradas de 236 espécies, sendo dez ameaçadas de extinção
As áreas do censo, todas no estado do Amapá, totalizando mais de 116 mil hectares, abrangeram ecossistemas costeiros das Unidades de Conservação; o litoral sem cobertura vegetal (praia e bancos de lama) e matas paludosas (de solos muito úmidos, entremeadas por banhados) do Parque Nacional Cabo Orange; a Estação Ecológica de Maracá-Jipioca e a Reserva Biológica Lago Piratuba.
A execução do projeto consistiu na realização de campanhas de levantamento de espécies de aves de ambientes costeiros e migratórias por meio de censo por observação, por drone e por captura de animais em rede de neblina e marcação de espécimes migratórios com geolocalizadores satelitais para determinação de sua rota.
Em 2025, para ampliar a base de dados obtida, foi iniciado o segundo ciclo do projeto, que está sendo executado pela empresa Arvut Meio Ambiente. A conclusão é prevista para 2027.
Todos os dados georreferenciados do projeto ficarão armazenados na base de dados da Petrobras.
Mais informações: site: ProjetosAmbientais_FZA-59 (arcgis.com)

II - Carteira de Projetos
Conservação de aves costeiras e marinhas, proteção de habitats, geração de conhecimento e educação ambiental
Apoiado pela Petrobras, desde 2020, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Projeto Aves Migratórias (PAM) promove a conservação de aves costeiras e marinhas; protege seus habitats, assim como os de outras espécies que compartilham os ecossistemas litorâneos do Norte-Nordeste brasileiro; gera conhecimento de suporte à priorização de áreas para elaborar e executar ações de conservação desses animais; registra sítios importantes para a conservação das espécies que estuda e que protege e realiza ações de educação ambiental.
Além disso, estabelece conexões com comunidades tradicionais litorâneas, como pescadores, por meio da relação deles com as aves. Assim, promove o uso sustentável dos recursos naturais, a conservação de espécies e ecossistemas e incentiva a confecção de artesanato, pinturas e cânticos relacionados às aves. Assim, de modo a valorizar a cultura local, gerar renda e promove o bem-estar social.
A área de atuação do projeto abrange Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amapá, incluindo a Margem Equatorial brasileira.
O projeto enfoca oito espécies de aves costeiras ameaçadas de extinção no Brasil, altamente impactadas pela ação humana: maçarico-de-papo-vermelho, maçarico-de-costas-brancas, maçarico-rasteirinho, batuíra-bicuda, maçarico-de-bico-torto, trinta-réis-debando, trinta-réis-real e trinta-réis-róseo. Até agora, já registrou 16 sítios importantes para a conservação dessas espécies no litoral do Semiárido brasileiro, compreendendo os estados Ceará e Rio Grande do Norte, além de prospectar novas áreas nos estados Amapá, Pará, Maranhão e Piauí.
No âmbito da educação ambiental, o projeto incentiva a participação ativa do público em atividades científicas. Por meio das iniciativas “Jovens Cientistas” e “Ciências é para Garotas”, apoia o protagonismo juvenil em escolas e creches formando jovens líderes defensores das Ciências e do meio ambiente. Já no Centro de Visitantes dos Cajuais, dispõe de recursos educativos e atividades interativas que promovem a educação ambiental, sensibilizando o público quanto à importância das aves migratórias.
O projeto contribui com insumos para dois Planos de Ação Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, um focado em aves marinhas e outro, nas aves limícolas migratórias, que se alimentam de pequenos invertebrados no lodo, em áreas úmidas. Presta contribuição, também, a vários planos estratégicos e grupos de trabalho de abrangência internacional. Como integrante do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental do Cabo Orange, no Oiapoque (no Amapá), por exemplo, o projeto contribui para a elaboração e a implementação de planos de manejo das aves migratórias, a promoção de pesquisas científicas no seu âmbito de atuação e o desenvolvimento de estratégias para o uso sustentável dos recursos naturais.
Mais informações: http://www.projetoavesmigratorias.org Instagram: @projetoavesmigratorias

Redução da pesca incidental de albatrozes e petréis, pesquisa científica para subsidiar políticas públicas de proteção a essas aves e educação ambiental
Realizado pelo Instituto Albatroz com patrocínio da Petrobras desde 2006 e apoio de universidades e institutos de pesquisa, o Projeto Albatroz dedicase à conservação de albatrozes e petréis, que estão entre as aves marinhas mais ameaçadas de extinção. A principal missão do projeto é reduzir a captura incidental dessas aves na pesca com espinhel, evitando que, ao se aproximarem de barcos em busca de alimento, sejam fisgadas, arrastadas para o fundo do mar e morram. Além disso, o projeto desenvolve pesquisas que subsidiam políticas públicas e promove ações de educação ambiental e cultura oceânica.
Albatrozes são aves oceânicas adaptadas para viverem sobre o mar quase todo o seu tempo de vida, indo para terra apenas para se reproduzirem. Possuem bicos em forma de gancho para capturarem presas como peixes, crustáceos e moluscos na superfície do mar. Sua plumagem é espessa para a proteção contra o frio das regiões antárticas e subantárticas, onde as aves passam parte da vida. Suas asas estreitas e longas são adaptadas para voos planados em que percorrem distâncias planetárias. São capazes de dar a volta ao continente antártico gastando pouca energia. Regressam à terra a cada um ou dois anos para se reproduzirem. Constroem ninhos em ilhas distantes e alimentam seus filhotes ali, revezando-se com seus parceiros. Alguns albatrozes podem atingir 3,5 m de uma extremidade à outra das asas quando abertas, tornando-se as maiores aves em envergadura do mundo. Pesam até 11 kg. Vivem por mais de 70 anos.
No Brasil, as espécies mais frequentemente avistadas são o albatroz-de-nariz-amarelo-doatlântico e o albatroz-de-sobrancelha-negra. Menos frequentemente, também ocorrem o albatroz-arisco, o albatroz-de-capuz-branco, o albatroz-de-mantoclaro, o albatroz-de-cabeça-cinza e o albatroz-negro, com envergaduras que variam entre 2 m e 2,5 m e enfrentando diferentes níveis de ameaça de extinção. Por aqui, também passam os albatrozes gigantes, todos ameaçados de extinção, como o albatrozviageiro, o albatroz-real, o albatroz-de-tristão e o albatroz-real-do-norte. Nenhuma dessas onze espécies faz seus ninhos em terras brasileiras, mas todas visitam nossos mares, principalmente no Sul e no Sudeste do Brasil, em busca de alimento.
O Projeto Albatroz protege essas aves produzindo e disseminando conhecimento. O Programa Albatroz na Escola (PAE) leva educação ambiental a alunos e professores, promovendo ações lúdicas, enquanto o Coletivo Jovem Albatroz estimula jovens lideranças entre 15 e 29 anos a multiplicarem práticas de conservação marinha por meio da educação ambiental e do protagonismo juvenil. No Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha do Projeto Albatroz , em Cabo Frio (RJ), estudantes, educadores, pescadores, turistas e moradores da Região dos Lagos se aprofundam na cultura oceânica e aprendem sobre a biologia e a conservação de albatrozes e petréis e a biodiversidade marinha.
Por meio das redes sociais, o Projeto Albatroz complementa e amplia esse trabalho, promovendo o conhecimento de forma acessível a diversos públicos. Pelo seu site institucional, também alcança a sociedade divulgando publicações desenvolvidas por sua equipe de educadores ambientais, pesquisadores e comunicadores, as quais ficam disponíveis na biblioteca virtual.
O Projeto Albatroz possui unidades em Santos (SP), Cabo Frio (RJ), Itajaí e Florianópolis (SC), Rio Grande e Imbé (RS), consolidando-se como referência nacional na conservação de aves oceânicas e na educação ambiental marinha.
O projeto integra a Rede Biomar , juntamente com os projetos Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Meros do Brasil .
Mais informações: www.projetoalbatroz.org.br
Instagram: @projetoalbatroz

II - Carteira de Projetos
Caracterização do ambiente do fundo do mar
Quando aprovamos o Projeto de Revitalização dos Campos Maduros de Marlim e Voador na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, previmos a instalação de dois navios-plataforma nessas locações, os FPSOs (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência)
Anna Nery e Anita Garibaldi. Assumimos, também, um compromisso: realizar uma campanha de caracterização do ambiente do fundo do mar, o que ocorreu antes da instalação das unidades ali.
Uma campanha oceanográfica foi, então, realizada, em 2023, englobando coleta de amostras de sedimentos em uma área de 12,56 km², onde foram distribuídas
22 estações de amostragem em profundidades de 600 a 700m. As amostras foram encaminhadas a laboratórios de diferentes empresas e universidades para a caracterização da área em relação a granulometria, teor de carbonatos, composição elementar da matéria orgânica, metais, semimetais e hidrocarbonetos. Da mesma forma, por meio da análise da macrofauna bentônica presente nas amostras, levantamos dados acerca de composição taxonômica, densidade, riqueza, diversidade e dominância da comunidade. Nesse trabalho, estiveram envolvidos, entre outros profissionais, 14 especialistas que atuaram na descrição e na identificação dos organismos marinhos (poliquetas, crustáceos e moluscos).
Ao todo, foram registrados 527 morfotipos de alta diversidade biológica dos grupos Polychaeta (minhocas do mar), Crustacea (pequenos camarões), Mollusca (moluscos), Anthozoa (pequenas anêmonas), Echinodermata (estrelas do mar) e Porifera (esponjas), entre outros.
Todos os organismos foram destinados a instituições públicas para tombamento, o que significa que terão seu valor ambiental reconhecido pelo poder público, estarão legalmente protegidos e ficarão disponíveis como objetos de estudos científicos.

II - Carteira de Projetos
O Projeto de Monitoramento Ambiental da Bacia de Campos (PMAR-BC) integra coleta, interpretação e armazenamento de dados para gestão ambiental dos empreendimentos da bacia. Iniciou-se em 2017 e continua em andamento, atendendo a condicionantes das Licenças de Operações das Unidades Estacionárias de Produção (UEPs) na Bacia de Campos e tendo sido aprovado pelo órgão ambiental brasileiro (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama).
No que se refere a resultados parciais, o projeto identificou 754 espécies distintas de poliquetas (361), crustáceos (198) e moluscos (195) no sedimento. Na coluna d’água, 158 espécies de larvas de peixes e 156 morfotipos de zooplâncton, sendo o Copepoda o mais abundante.
Geração de dados sobre qualidade ambiental e biodiversidade marinha da plataforma continental e do talude brasileiros para melhor gerenciamento ambiental da bacia
No âmbito do projeto, estão sendo gerados dados sobre a biodiversidade da plataforma continental (prolongamento natural submerso do continente) e do talude ou declive continental (região do fundo do oceano que se estende da borda da plataforma continental até a planície abissal, marcando a transição entre a crosta continental e a crosta oceânica) brasileiros, incluindo os corais de águas profundas da região.
Até agora, foram empreendidas duas campanhas oceanográficas, em 2019 e 2023, em que mais de 1.800 amostras para avaliação de parâmetros físicoquímicos da água, do sedimento e biológicas foram coletadas em profundidades de 100, 400, 700, 900 e 1.300 metros. As amostras obtidas na coluna d’água oceânica foram utilizadas para avaliação, por exemplo, de séries de carbono, fitopigmentos, hidrocarbonetos etc. Já as amostras obtidas no sedimento do fundo do mar passaram por avaliação de granulometria, teor de carbonatos, composição elementar da matéria orgânica, metais, semimetais, hidrocarbonetos, macrofauna bentônica (do fundo do mar). Esse trabalho gerou um total de 141.318 resultados considerando amostras de água e de sedimento.
Quanto aos impactos em corais de águas profundas acarretados por sistemas submarinos (plataformas, dutos flexíveis, dutos rígidos...) na Bacia de Campos, foram avaliados por meio de milhares de horas de vídeos gravados por veículos remotamente operados (ROVs) e levantamentos geofísicos. Essa avaliação foi conduzida, pois, no passado, quando ainda havia limitação de tecnologias de imageamento para detectar a presença de corais na região, estes foram afetados pelas instalações submarinas. Entretanto, foi identificado que o impacto físico atingiu área pouco representativa de corais de águas profundas, tendo em vista a cobertura total dessas formações na bacia.
O projeto, até agora, já gerou uma base de dados geoespacial atualizada anualmente e entregue ao Ibama demonstrando a distribuição de corais na região. Além disso, possibilitou a definição de um projeto de monitoramento de pontos de contato entre bancos de corais de águas profundas e estruturas submarinas, de modo que seja feito um acompanhamento da biodiversidade da região e de respectivos organismos sentinelas (que monitoram a saúde dos ecossistemas, atuando como indicadores precoces de riscos ambientais).

II - Carteira de Projetos
A Petrobras executa quatro Projetos de Monitoramento de Praias (PMPs), nas Bacias de Santos, de Campos, do Espírito Santo, de SergipeAlagoas e Potiguar, que, somados, abarcam o litoral de dez estados brasileiros e constituem a maior iniciativa desse tipo do mundo. Os projetos são executados como condicionantes de licenciamento ambiental federal, por meio de contratos que envolvem 35 organizações de pesquisa e conservação especializadas em fauna marinha, as quais atuam em parceria com comunidades locais.
Os projetos também reúnem informações sobre as espécies monitoradas, inclusive 25 ameaçadas de extinção, o que subsidia ações dos Planos de Ação Nacionais de Espécies Ameaçadas , coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Contribuem para a formulação de políticas públicas sobre a biodiversidade marinha. Além disso, constituem fontes de pesquisa para a elaboração de publicações. Todos os monitoramentos são fiscalizados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Resgate, reabilitação e soltura de milhares de animais a cada ano
Os projetos consistem no monitoramento de três mil quilômetros da costa brasileira, no registro de aves, tartarugas e mamíferos marinhos (golfinho, baleia, peixe-boi e leão-marinho) encontrados mortos ou debilitados e no encaminhamento a uma rede de 40 instalações veterinárias. Ali, informações obtidas aprofundarão os conhecimentos existentes sobre a saúde da fauna marinha e as principais ameaças enfrentadas. Além disso, servirão como subsídios para ações de conservação das espécies monitoradas.
Só em 2024, foram encontrados 29.209 animais dos grupos monitorados na área de abrangência dos projetos. Do total, 4.085 estavam vivos e foram encaminhados para atendimento e tratamento veterinários, para posterior devolução à natureza em locais adequados às características de cada espécie. Animais mortos foram encaminhados para necropsia, a fim de se identificarem as causas dessas mortes. Interação com a pesca, colisão com embarcações, resíduos lançados nos mares, agressões e atos de vandalismo são as causas mais comuns relacionadas à ação humana.
A população participa ativamente dos projetos, acionando as equipes de monitoramento, por telefones divulgados, assim que avista algum animal marinho vivo ou morto nas praias.
Mais de 262 mil animais encalhados nas praias já foram identificados no âmbito dos Projetos de Monitoramento de Praias .
Todos os PMPs executados pela Petrobras podem ser acionados pelo telefone 0800-728-9001 (SAC Petrobras), teclando 01 (animais em praia) em seguida.

O projeto, concebido em atendimento a exigências de licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é executado, na atualidade, pela empresa de consultoria ambiental Socioambiental Consultores Associados, a serviço da Petrobras e sob sua supervisão técnica e gerencial.
Realizado em ambientes costeiro e oceânico, o projeto abrange extensos 272.567 km² e alcança distâncias de até 350 km da costa e profundidades maiores que 2.000m. Foi subdividido em três ciclos de execução – o Ciclo de Curto Prazo, de 2015 a 2021; o Ciclo de Médio Prazo, de 2021 a 2027, e Ciclo de Longo Prazo, após 2027.
musculus), baleia-fin (Balaenoptera physalus), baleia-sei (Balaenoptera borealis), baleia-franca-austral (Eubalaena australis), cachalote (Physeter macrocephalus), boto-cinza (Sotalia guianensis) e toninha (Pontoporia blainvillei).
Até o momento, já foram colocados transmissores em 131 indivíduos de 15 espécies para monitoramento de seus movimentos e coleta de dados acústicos e imagens.
Também foram realizadas 639 biópsias em 21 espécies de cetáceos para realização de estudos biológicos.
Mais de 100 trabalhos já foram publicados (artigos científicos, monografias, dissertações, teses etc.) envolvendo instituições nacionais e internacionais, com base em informações coletadas no âmbito do projeto.
29 espécies identificadas, sendo sete ameaçadas de extinção
As coletas de dados são feitas por meio de abordagens diretas (avistagem por equipe embarcada, monitoramento acústico, telemetria e avistagem aérea) e indiretas (análises genéticas, de biomarcadores, bioquímicas, de fotoidentificação e monitoramento de lesões aparentes de pele), para investigar aspectos da biologia dos cetáceos e avaliar o estado atual de suas populações e os potenciais impactos decorrentes de atividades de exploração, produção e escoamento de petróleo e gás natural na região.
O PMC-BS é um dos mais robustos projetos de monitoramento de cetáceos já realizado no mundo. Está prestando relevante contribuição para o conhecimento e a proteção desses animais no Oceano Atlântico.
Iniciado em 2015 e tendo previsão de encerrar-se quando a Petrobras concluir todas as suas atividades na região, o Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS) tem como objetivo principal avaliar potenciais impactos das atividades de exploração, produção e escoamento de petróleo e gás natural sobre os cetáceos na bacia. Além disso, visa a contribuir para a conservação desses animais, por meio do seu monitoramento por longo prazo.
No segundo ciclo de execução do projeto, etapa em andamento, foram identificadas, na Bacia de Santos, 29 espécies de cetáceos, sendo 21 odontocetos (cetáceos com dentes, como golfinhos e baleias com dentes) e oito misticetos (baleias de barbatana ou verdadeiras, que têm barbatanas bucais para filtrar alimentos em lugar dos dentes), distribuídos em sete famílias. Sete espécies (25,9%) constam da Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção: baleia-azul (Balaenoptera
Mais informações:
https://comunicabaciadesantos.petrobras.com.br/ programa-ambiental/projeto-de-monitoramento-decetaceos-pmc.html
https://comunicabaciadesantos.petrobras.com.br/

II - Carteira de Projetos
Mamíferos marinhos constituíram o maior número de indivíduos avistados, sendo a baleia jubarte a espécie mais observada
Há décadas, a Petrobras realiza atividades sísmicas ou levantamentos geofísicos para a obtenção de informações sobre o subsolo marinho por meio da emissão de sinais sonoros no ambiente marinho e da captação das ondas refletidas pelas camadas do subsolo naquele ambiente. Assim, busca descobrir novos reservatórios de petróleo e gás, além de monitorar reservatórios já em produção. Nesse contexto, como exigência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no processo de licenciamento ambiental, a Petrobras, por meio de empresas de aquisição de dados geofísicos contratadas, implementa o Projeto de Monitoramento da Biota Marinha (PMBM) em atividades sísmicas que realiza.
O projeto, que segue as diretrizes do Guia de Monitoramento da Biota Marinha em Pesquisas Sísmicas Marítimas (Ibama, 2018), visa a gerar dados sobre a ocorrência e o comportamento de mamíferos (golfinhos, baleias etc.) e quelônios (tartarugas) marinhos na Bacia de Santos, de modo a mitigar os impactos das atividades sísmicas da Petrobras sobre esses grupos.
Sendo assim, desde 2021, em águas profundas e ultraprofundas da bacia, nas áreas dos campos Sapinhoá, Tupi-Iracema, Itapu, Aram, Iara e Búzios no período diurno, quando há boas condições de visibilidade, observadores embarcados monitoram os animais citados e, sempre que um animal é detectado em um raio de 1.000 metros em relação à posição das fontes sísmicas (canhões de ar comprimido que emitem ondas sonoras), as atividades sísmicas são interrompidas. Somente são retomadas quando não há avistagem de animais em um raio de 1.000 metros ao redor da fonte por um período de 30 minutos de varredura e, posteriormente, durante o aumento gradual da potência da fonte até o alcance da potência máxima.
Uma análise preliminar dos dados gerados desde 2021 pelo monitoramento nos campos citados foi realizada. Em mais de 15.000 horas de observação, foram avistados cerca de 7.079 animais. Houve predominância de avistagens de espécies oceânicas e costeirooceânicas. Em junho e julho, houve o maior número de avistagens. A baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) foi a espécie mais avistada, devido a suas migrações sazonais, de águas polares ou subpolares para águas mais quentes, por causa da chegada do inverno nessas regiões, para se reproduzir e ter filhotes. O pico da migração das grandes baleias que passavam pela região (misticetos, ou baleias que possuem barbatanas bucais para filtrar alimentos, em lugar dos dentes) ocorreu entre junho e novembro.
Já o maior número de indivíduos avistado foi de mamíferos aquáticos pertencentes à ordem dos odontocetos (cetáceos com dentes), de grande predominância em novembro, dezembro e maio, mas de ocorrência registrada ao longo de todo o ano, destacando-se os golfinhos-pintados-pantropicais (Stenella attenuata).
Entre os quelônios, apenas 29 indivíduos foram registrados, sendo a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) a espécie mais observada.
Mais informações:
https://comunicabaciadesantos.petrobras.com.br/

II - Carteira de Projetos
Identificação de novas espécies raras e legado em biodiversidade para a Ciência
Realizado pela Petrobras em parceria com nove universidades brasileiras (USP, Unesp, Unifesp, UFRJ, UFF, Uerj, UFPR, FURG e PUC-Rio), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Instituto Socioambiental e o Instituto de Pesca do Estado de São Paulo, como parte do desenvolvimento do Pré-Sal da Bacia de Santos, o Programa de Caracterização Regional da Bacia de Santos foi uma das maiores iniciativas da indústria offshore mundial. Destacou-se pela dimensão e pela abrangência do trabalho de campo empreendido e pela relevância dos resultados em âmbito mundial, que são um legado permanente para a Ciência.
Afinal, o programa, que também atendeu a exigências de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vai muito além. Abrangeu uma área equivalente à extensão territorial da Alemanha; descreveu espécies novas; detectou outras muito raras; analisou características meteorológicas e oceanográficas, a qualidade da água e de sedimentos; atualizou mapas de sensibilidade dos sete principais estuários da região por meio de drones e geoprocessamento de última geração; gerou 130 trabalhos científicos; alavancou 30 linhas de pesquisa mobilizando cerca de 300 pesquisadores e enriqueceu o acervo de museus e coleções científicas brasileiras.
De modo a tudo isso ser possível, a Petrobras utilizou laboratórios montados em navios oceanográficos para avaliação de amostras químicas, físicas, biológicas e geológicas, tecnologias para a coleta de sedimentos, água do mar e organismos marinhos e imagens de satélites. Ao todo, foram 365 dias de trabalho no mar.
O programa avaliou os ecossistemas e a biodiversidade de uma área de 350 mil km2 do Oceano Atlântico, entre Florianópolis, no estado de Santa Catarina, e Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. Nesse trabalho, foram registradas quase 18 mil espécies que habitam a região, incluindo bactérias, organismos que compõem o plâncton, bentos (comunidades de organismos do fundo de ambientes aquáticos), peixes, baleias, golfinhos, quelônios (por exemplo, tartarugas marinhas) e aves. Além disso, foi analisado como as correntes e a temperatura, a salinidade e a qualidade da água e dos sedimentos influenciam a distribuição dessas espécies.
No âmbito do programa, foram descritas 37 espécies novas para a Ciência (por exemplo, um novo gênero e espécies de Loricifera, Scaberiloricus samba gen. et sp.nov., organismo microscópio que vive entre grãos de sedimentos marinhos) e 13 espécies (por exemplo, a família de crustáceos Akanthophoreidae e oito espécies de moluscos) que não se sabia que ocorriam na Bacia de Santos, uma das áreas mais estudadas do Brasil.
Identificou-se, também, na Bacia de Santos, a presença de duas outras espécies muito raras, a de um minicrustáceo denominado Megacalanus princeps, só antes observado uma vez no Atol das Rocas, no Brasil, e a de uma ave marinha do gênero Pterodroma, um petrel até então nunca registrado no litoral brasileiro.
Além disso, o projeto concluiu a atualização de cartas de sensibilidade ambiental da região, que agora abrangem um inventário de 2.273 espécies e 194 Unidades de Conservação mapeadas e servem para o planejamento e a implementação de ações de resposta a emergências ambientais.
Mais informações: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202309/pre-salgera-legado-inedito-para-ciencia-brasileira https://comunicabaciadesantos.petrobras.com.br

II - Carteira de Projetos
O projeto atua em três unidades de conservação (UCs) federais de proteção integral brasileiras: o Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras), localizado no Rio de Janeiro, e, em São Paulo, a Estação Ecológica Tupinambás (ESEC Tupinambás) e o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes (REVIS Alcatrazes).
O projeto enfoca a caracterização e o monitoramento da biodiversidade marinha por meio do registro e da identificação das espécies de invertebrados e macroalgas dos costões rochosos das seis ilhas e ilhotas do MONA Cagarras, assim como o monitoramento dos ninhais de aves marinhas nas três UCs.
Biodiversidade bentônica
Monitoramento de Unidades de Conservação nos litorais do Rio de Janeiro e de São Paulo
Demandado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como parte do processo de Licenciamento Ambiental da Etapa 3 do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos (conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama) e executado pelo Instituto Mar Adentro (IMA) por meio de um Termo de Cooperação firmado com a Petrobras, o Projeto de Monitoramento de Ilhas Costeiras (PMIC) monitora as unidades de conservação dos litorais do Rio de Janeiro e de São Paulo.
O PMIC já identificou mais de 250 espécies de organismos bentônicos (aqueles que vivem no fundo marinho), incluindo invertebrados e macroalgas bentônicas, tendo obtido registros inéditos na região do MONA Cagarras. Os resultados foram obtidos em 234 mergulhos científicos realizados em 121 campanhas embarcadas.
O PMIC contabiliza, aproximadamente, 2.500 milhas náuticas navegadas na região, obteve mais de 25 mil fotografias submarinas e depositou mais de 1.000 exemplares da fauna e flora em diversas coleções científicas do Museu Nacional-UFRJ e do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Aves marinhas
O PMIC também monitora as aves marinhas atobámarrom e fragata nas ilhas da área de atuação do projeto. Durante os dois primeiros anos, foram realizadas 173 saídas de campo para o MONA Cagarras e Alcatrazes, totalizando mais de 3.400 horas dessa atividade.
Já foram anilhados 399 fragatas e 218 atobás-marrons, dos quais foram coletados dados biológicos e clínicos, além de amostras de sangue e penas. Os resultados comporão um banco de dados inédito sobre as condições clínicas de animais saudáveis em seu ambiente.
Cerca de 600 ninhos já foram identificados e marcados nas três UCs, como parte do acompanhamento do sucesso reprodutivo das aves.
O levantamento populacional é feito pelo PMIC por dois métodos: o tradicional, que abrange contagens em solo, e o uso de imagens aéreas captadas por drones, abordagem inédita no Brasil no que diz respeito às espécies em questão. A tecnologia tem se mostrado uma ferramenta promissora, oferecendo maior precisão e alcance em áreas de difícil acesso.
Todos esses dados são importantes para a preservação e o manejo destes ninhais, que constituem as maiores colônias de fragata do Atlântico Sul.
Cetáceos
No caso dos cetáceos, como o litoral do Rio de Janeiro é um corredor migratório para baleias e golfinhos, o projeto se propôs a organizar um banco de dados e a desenvolver um banco de imagens de cetáceos reunindo resultados de monitoramentos anteriores realizados na região do MONA Cagarras e no entorno entre 2004 e 2019. As imagens possibilitarão identificar espécies e indivíduos por meio de marcas naturais nos corpos deles e monitorar ocorrências, comportamentos e deslocamentos das espécies nessa região.

II - Carteira de Projetos
Informações sobre ambientes marinhos sensíveis para orientar operações submarinas e subsidiar licenciamentos ambientais
Implantado na Petrobras em 2015, o Núcleo Operacional de Análise Ambiental de Imagens Marinhas, em atividade, constituído por analistas ambientais e de geoprocessamento, fornece, à Petrobras, informações sobre ambientes marinhos sensíveis, visando a orientar as operações submarinas da companhia e a subsidiar processos de licenciamento ambiental. Afinal, os ambientes marinhos sensíveis propiciam abrigo, alimentação e áreas para a reprodução a diversas espécies.
O núcleo obtém imagens geradas por veículos de operação remota (ROVs) em qualquer região marinha do Brasil onde a Petrobras atue, tanto em ambientes rasos, quanto em profundidades superiores a 2.000 metros. Então, integra essas imagens a dados de levantamentos de sonares e a dados de geoposicionamento de precisão, possibilitando o mapeamento, a identificação e a caracterização dos ambientes em questão.
Essas informações conferem assertividade à análise da viabilidade ambiental de projetos submarinos, indicando alternativas que possibilitem a mitigação de impactos físicos das instalações e operações submarinas da companhia a ambientes marinhos sensíveis próximos.
Enfim, a atuação do Núcleo Operacional de Análise Ambiental de Imagens Marinhas contribui para tornar os projetos submarinos da Petrobras mais sustentáveis, além de aumentar nosso conhecimento sobre a biodiversidade marinha.

Agora, assim como outros países signatários do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, o Brasil tem metas a serem alcançadas até 2030 e vamos colaborar para que sejam atingidas. É o caso da meta aplicável a empresas, de monitorarmos, avaliarmos e divulgarmos, de forma transparente, nossos riscos, dependências e impactos em relação à biodiversidade.
Também contribuiremos para a execução do plano nacional de biodiversidade brasileiro (Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade –Epanb), que objetiva conservar a biodiversidade do Brasil (proteger espécies ameaçadas, gerenciar áreas protegidas...); promover o uso sustentável de recursos naturais brasileiros; garantir a repartição justa dos benefícios provenientes do usufruto da biodiversidade do território e promover a educação ambiental.
Reportes ambientais, voluntários na atualidade, como já fazemos, serão obrigatórios conforme parâmetros globais estabelecidos.
Continuaremos trabalhando para conquistar mais créditos de carbono de alta qualidade e que tragam benefícios ambientais e sociais além da eliminação de toneladas de carbono da atmosfera ou das emissões evitadas. Buscaremos, também, obter créditos de biodiversidade, que estão sendo criados e concedidos, mediante critérios rigorosos, ao passo que está sendo estruturado um mercado nesse âmbito.
Nesse contexto, construímos Planos de Ação em Biodiversidade para nossos ativos e unidades
operacionais e administrativas e implementaremos daqui para a frente, assim como continuaremos a desempenhar papel crucial no fomento à proteção da biodiversidade do país megadiverso que é o Brasil.
Implementaremos e apoiaremos ações e projetos de conservação e restauração que não apenas protejam os ecossistemas, mas, também, contribuam para a mitigação da mudança climática e para a promoção da sustentabilidade. Ainda por cima, podendo gerar benefícios socioeconômicos para localidades em que atuamos, já que ecossistemas saudáveis são essenciais para setores como Agricultura, Turismo e Pesca, importantes pilares da economia brasileira.
Entre os projetos socioambientais que continuaremos a apoiar, constam os de conservação e restauração de florestas em todos os biomas brasileiros, conservação dos oceanos e obtenção de ganhos em biodiversidade, como se pôde ver pelos exemplos citados nessa publicação.
Por meio de nosso centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação, o Cenpes, em parceria com o Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), daremos continuidade ao trabalho, em andamento, de adaptação de métricas de avaliação de impacto líquido de biodiversidade que são referências internacionais aos ecossistemas terrestres, costeiros e aquáticos continentais brasileiros. Já como iniciativa inédita no Brasil e no mundo offshore, também o Cenpes, em parceria com o Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), começa a definir os critérios para a criação de métricas para a avaliação de impacto líquido de biodiversidade em ambientes marinhos.
As métricas nos possibilitarão, onde quer que tenhamos novos projetos e operações, quantificar e avaliar nossos impactos de biodiversidade de forma cada vez mais precisa. Assim, teremos estratégias, processos, projetos e ações mais eficazes, identificaremos melhor oportunidades de ganhos em biodiversidade e estaremos mais aptos a buscar a melhoria contínua de modo a alcançarmos o estado da arte.
Para nós, a proteção à biodiversidade está diretamente relacionada a nossa responsabilidade socioambiental, que implica atuação ética e consciente na interação das nossas operações com o meio ambiente e com as comunidades dos locais onde atuamos ou do entorno, que dependem dos serviços ecossistêmicos.
Queremos ser referência, no setor de óleo, gás e energia, na implementação de práticas de conservação e uso sustentável da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Além disso, queremos inspirar e influenciar outras empresas a fazerem o mesmo ou mais e melhor, por meio do nosso exemplo.
Vamos adiante!



