
M A N U A L D O
![]()

M A N U A L D O
São Paulo
Manual do torturador
© Glauco Mattoso, 2026
Editoração, Diagramação e Revisão
Lucio Medeiros
Capa
Concepção: Glauco Mattoso
Execução: Lucio Medeiros
Fotografia: Akira Nishimura
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Mattoso, Glauco
MANUAL DO TORTURADOR / Glauco Mattoso. –– Brasil : Casa de Ferreiro, 2026. 166 Páginas
1.Poesia Brasileira I. Título.
25-1293 CDD B869.1
Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia brasileira
NOTA INTRODUCTORIA ou PONCTUAL CASO DE RUYZINHO [conto 16 de PROMPTOS PONCTOS]
Nós somos dessa mesma geração, Glaucão, que, no regime militar, viu quando os generaes enduresceram aquillo que ja duro se encontrava: do nosso lado, os ultimos resquicios de frageis liberdades democraticas; do lado delles, uma picca ja bem sadica, gozando o pisão dado, de bota, sobre nossas cabecinhas. Sim, fallo do famoso mez de maio e tudo que, depois, accontesceu: pessoas sendo presas, torturadas e mortas, toda a midia censurada, politicos de esquerda perseguidos e tendo que fugir deste paiz, terror e paranoia geral pelos silentes corredores das escholas primarias, secundarias, superiores. Os gruppos de estudantes dispersavam, temendo um delator que se infiltrasse no meio das mais comicas conversas, tentando subversões detectar nos mais futeis commentarios da gallera. Alli por essas epochas, na minha de lettras faculdade, fui amigo dum joven que, de egual edade, tinha rancor dos professores, dos collegas, daquelles que tivessem cultural preparo ou que talento demonstrassem, na vida, para algumas artes ou officios que exigissem certo nivel mental, certo padrão de intelligencia. Emfim, fiz amizade com um typico reaça fascistoide, esse Ezechias, chamado, pelos intimos, de Zeca.
Foi logo no começo dos septenta que Zeca mixturou-se com milicos que estavam no DOI-CODI trabalhando, os quaes o convidaram para ser um desses informantes informaes que tanto caguetavam os suspeitos de estarem a serviço das esquerdas que, então ja clandestinas, pretendiam pegar em armas para combatter as forças governistas. Zeca nem siquer pestanejou e, com prazer, às hostes repressoras adheriu. Passou a dedurar quem quer que fosse sympathico, nas suas relações, ao lado “communista”, mas tambem aos homens entregava aquelles seus antigos e recentes desaffectos, ou seja, si não fosse com a cara dum cara, allegaria aos militares tractar-se dum malefico “communa”. Um dia perguntei ao Ezechias si tinha dedurado um professor de grego, um apolitico subjeito, que nunca se envolvera com “festivas esquerdas” nem com lucta armada. Ahi me disse Zeca que elle simplesmente lhe tinha dado nota zero... Pode? Hem, Glauco? Ja pensou? Um professor passando pelo pau d’arara só por causa duma nota baixa dada ao Zeca, àquelle inutil vagabundo que nunca algum diploma alcançaria... Ja sei, Glaucão: você perguntará qual era meu motivo para ser amigo dum cagueta como o Zeca, alem de proteger-me contra alguma denuncia que fizesse sobre mim. Então vou confessar. Me fascinava
ver scenas de tortura, sim, ver gente soffrendo, pelos methodos mais varios, as dores e vexames que soffriam as victimas, em todos os paizes e tempos, de tyrannicos regimes. Talvez por influencia da catholica noção dos sanctos martyres, que foram cobayas dos tormentos mais atrozes, batti minhas primeiras punhetinhas pensando nessas sadicas sessões mostradas nas gravuras que illustravam as biblias que nós tinhamos em casa. Assim, quando o Zequinha me contou que, sendo um informante, se valia da sua condição para acceitar convites dos milicos para ter accesso, nas prisões, às taes sessões de “pau”, onde ficavam penduradas as victimas dos choques e demais torturas, que seriam por agentes do rigido regime interrogadas, fiquei enthusiasmado de euphoria. Glaucão, esse espectaculo me foi possivel só por causa do Zequinha!
Foi elle que, sabendo do meu gosto por scenas desse typo, fez a magica pergunta: {Ahi, Ruyzinho, cê quer ver um trouxa pendurado no pau, sendo zoado, para a gente tirar sarro?
Eu posso perguntar si elles me deixam levar juncto um amigo quando for, na proxima sessão, me divertir...}
Na noite duma sexta, como num programma qualquer, fomos, eu com elle, até, dum dos districtos, um annexo. Alli se interrogava algum suspeito, não duma corriqueira accusação, mas dessas clandestinas attitudes
que fossem “subversivas” pelo olhar dum simples informante, elle, no caso. Entramos no DOI-CODI e de Ezechias os passos eu segui para chegar à salla de tortura. Appresentado aos rispidos agentes, me sentei ao lado de Ezechias. Ja despido, um homem de seus trinta annos estava aptado pelos pulsos, com as mãos à frente dos joelhos e, por traz dos basicos joelhos flexionados, a barra de madeira suspendia seu corpo, o pendurava como um frango, de cu virado para cyma, com a cara mais voltada ao chão, bem perto dos pés dos que estivessem ao redor. O pau, o pau d’arara! Tão famoso, capaz de metter medo no maior bandido, mais ainda num covarde qualquer que, estando preso, se incrimine depois dumas sessões de electrochoque! Comnosco, uma platéa duns dez vinha ao show assistir, como quem assiste a alguma comedinha alli no circo. De facto, gargalhadas provocavam os berros do subjeito quando, logo de inicio, no seu anus penetrado foi pelo cabo duma vassourinha, daquellas mais curtinhas. Ficou esse pedaço de madeira alli mettido durante todo o tempo, para a nossa risada alegre, sempre que berrava o trouxa ao sentir subitas ponctadas. Com fios pelo sacco, pela picca, alem dos mais sensiveis ponctos pela carona de idiota, aquelle pobre subjeito debatteu-se em agonia, debaixo das descargas successivas,
seguidas de perguntas, mas, às vezes seguidas mesmo só de gargalhadas geraes, ja que ninguem interrogar queria, só zoar mesmo, um barato... O Zeca levantou-se e foi do trouxa tirar uma casquinha, ja que estava, por habito, treinado na tarefa banal de empregar uma machininha de choques, das sessões participando tambem como um algoz efficiente. Então presenciei sua attitude e suas perguntinhas ao refem: {Ahi, seu trouxa! Lembra-se de mim? Não, claro que não lembra! Você nunca me viu, nem me conhesce! Não é mesmo? Mas eu bem que conhesço você, seu communa desgraçado! Você não confessa que é communa? Não? Mas vae depressa confessar! Ahi, gostou? Hem? Gosta disso? Disso tambem gosta? Hem? Quer pedir arrego? Quer pedir? Então lamba meu tennis! Lamba ahi!} Zequinha pressionava, com o pé, o rosto do coitado, cada vez que dava mais um choque e mais risada. O trouxa, de cabeça para baixo, de cara para a sola do Zequinha, tentava para fora pôr a lingua, mas sua cabeçorra mal podia mover-se, sem appoio, nesse exforço. Assim, elle implorava, agonizante, que pena, piedade, emfim, tivessem. Mas elles só pararam quando o cara, talvez tendo um attaque, desmaiou. Dalli foi retirado, quando nós tambem nos retiramos, satisfeitos. Num outro dia, fomos ver alguns pellados prisioneiros sendo usados
à guisa de banaes pannos de chão. Sim, tinham que, pisados pelas botas, chutados e expancados com bastões, lamber aquelle piso de ladrilhos do longo corredor que separava as cellas da tal salla de tortura. É claro que Ezechias se exbaldava e, nesses bons momentos de lazer, fazia que esses pobres prisioneiros lambessem a poeira, não appenas do piso, mas tambem dos tennis delle, que dava ponctapés em cada rosto com maxima alegria, à minha vista. Queria se exhibir, naturalmente, pois elle se gabava dessa sua total intimidade com os homens que pela repressão eram, de facto, maiores responsaveis, mais até que muitos generaes e coroneis. Não, Glauco, não tomei parte em nenhuma sessão de electrochoques, nem siquer de chutes. Nunca! Appenas assisti... Depois daquella phase, ja não tive contacto com o Zeca, que sumiu. Disseram que elle tinha sido morto, mas acho que mudou de identidade e esteve, muitos annos, convivendo tranquillo, na maior civilidade, por vezes como reles funccionario dum centro cultural ou de qualquer privada faculdade, com aquellas pessoas que elle tanto odiou, tanto chamou de communistas e quiz ver soffrendo só por causa das idéas...
O mais bonito typo de tormento, p’ra mim, é pôr a victima enterrada até o pescoço, vendo nivelada a cara aos pés do algoz, todo o momento. Foi na Africa do Sul que este instrumento puniu presos, rendendo gargalhada aos guardas, que ‘inda enchiam de mijada a bocca do detento ja sedento. Caramba! Fico só curtindo a scena por traz duma cegueira torturante, sentindo a dor do negro, doradvante, me pondo em seu logar, soffrendo a pena! Requincte desses, nem o grande Dante cantou numa comedia extraterrena que pune quem mais fundo se condemna: um cego hallucinado e comediante!
Meninos são crueis, si poderosos. No Reich, a Juventude Hitlerista é sempre convidada p’ra que assista nos campos o exterminio dos edosos. Pol Pot e Mao tiveram fervorosos soldados brincalhões, na jamais vista tortura collectiva, à communista. São anjos. Quanto aos presos, criminosos. Nas ilhas Fidji, quem for pego entregue será, trazido preso como veiu, aos filhos dos guerreiros, no recreio, e o ritual da farra é o que se segue. E eu, sendo prisioneiro nesse meio, ainda que ter culpa qualquer negue, é certo que o feitor mirim me cegue, mas, ao lamber seu pé, sei que alegrei-o.
Mirbeau bolla um jardim mirabolante: Alli os suppliciados são mantidos à vista do turista, e seus gemidos se egualam aos dum passaro que cante. Na China fica o bosque verdejante. A fina dama exhibe os seus vestidos emquanto os prisioneiros nus são ridos e goza o algoz seu jugo agonizante. Tortura e ecologia fazem par e o sangue tinge o verde como a flor. Quem mais real scenario vae suppor? Sadismo é la tal qual peixe no mar. Aqui, quem vê se faz torturador se pondo dum algoz tal no logar, gozando o que não posso appreciar, pisando a dor do cego com humor.
Durante a exsecução do regicida a praça ficou cheia de curioso e, nas sacadas, nobres tinham gozo, chupados por mulheres de má vida. Na França isso se deu e, na torcida, estava Casanova, ja garboso, alem de Sade, ainda não famoso, e todos de caceta enrijescida. O réu foi torturado longamente e as cortezans chuparam p’ra caralho, emquanto a multidão ria, fremente, curtindo do carrasco o bom trabalho. Agora retornamos ao presente e eu, cego, condemnado ao meu borralho, masturbo-me lembrando do incidente: Valeu aquelle réu mais do que valho.
Piau, catiripapo, belliscão, rasteira, tranco, tapa, bofetada, sopappo, cacetada, bordoada, biaba, peteleco, pescoção, trompaço, murro, soco, saphanão, tabefe, trolha, cocre, trauletada, pattada, coice, latego, porrada, cotovellada, relho, repellão, pisão, solada, chute, ponctapé, sensorialização, cama-de-gatto, mordaça com funil, merda no pratto, do-in, chodó, massagem, cafuné, bolinação, erotico contacto, relaxamento, tractos de polé, orgia, bacchanal, auto de fé, dor, estrangulamento, assassinato.
Um odio entre dois povos ancestraes levou à guerra. Agora estão em paz. Conservam, todavia, algum rapaz servindo, em captiveiro de animaes. Eunucho, olhos furados e, addemais, os dentes extrahidos, elle faz “fellatio” como só elle é capaz, chupando do inimigo os genitaes. Gengivas que masturbam sem tracção. A lingua ja treinada em titillar. Garganta que supporta a irrumação. Conhescem algum caso similar? Confirmo? Não confirmo? Não sei, não, mas quasi penso em mim, sem vacillar, no sonho recorrente, na noção do orgasmo masochista, a me empolgar.
Tormentos são momentos. Dor eterna é tão insupportavel quanto o gozo que nunca terminasse, caudaloso lençol abbastescendo uma cisterna. Não ha mal que não finde, nem interna pressão total do humor glaucomatoso. Um parto não é sempre doloroso. Nem sempre uma gangrena amputa a perna. A dor, como um orgasmo, é passageira. Não fosse assim, o corpo accostumava. O ferro em braza não fede nem cheira, a menos que se eguale à propria lava. Não sendo, pois, theatro ou brincadeira, sem duvida a tortura é nossa escrava, excepto em se tractando de cegueira, que, quanto mais perdura, mais se aggrava.
Pegaram um tarado que mexia no matto com a filha do pedreiro. Lyncharam-no alli mesmo, qual vespeiro. Correu a farra até o final do dia. Moleques tinham parte na follia. Flambaram o coitado com isqueiro. Seus olhos attulharam com argueiro e a bocca da privada foi bacia. No fim, queimaram vivo o desgraçado p’ra vel-o debatter-se em soffrimento. Achavam o espectaculo engraçado. Me lembro de seu choro e seu lamento, a cara sob a sola do calçado de gente egual a tão mau elemento em tudo que fez, como quem pensado tem quanto ao que meresço no momento.
Gabeira, em “O que é isso, companheiro?”, fallando do regime militar, descreve o caso, nunca por inteiro, tal como eu gostaria de fallar. Rememorando aquelles tempos idos, depois de preso, agguarda no quartel e vê no corredor outros detidos forçados ao mais sordido papel. Soldados os obrigam a lamber no piso de ladrilhos a sujeira das botas que alli passam, brincadeira que insuffla nos recrutas o prazer. Ainda que com dó dos seus gemidos, curtiu a scena, até que um coronel o fez tapar os olhos e os ouvidos, porem no paladar seu livro é mel. Quem sabe, um dia, um outro ex-guerrilheiro melhor me satisfaça o paladar contando quem lambeu chão de banheiro e as solas que pisaram tal logar.
A scena enquadra o cara ja despido, deitado e manietado ao chão. De costas à camera, o carrasco o pisa. As crostas de terra à pelle adherem. Um gemido da bocca sae da victima. O bandido, de botas, se diverte: “Que tal? Gosta? Agora vae comer a minha bosta!”, advisa e pisa o rosto, tendo rido. Vê-se immobilizada uma cabeça. A bocca, excancarada por um ferro, agguarda que o cocô dentro lhe desça. Assim a descripção da scena encerro: a fim de que o tormento sempre cresça, o algoz lhe vaza um olho. Ouve-se o berro. Escuta a gargalhada quem advessa a sorte entendeu. Acho que eu não erro.
Quem viu “Faces da Morte” achava forte, na epocha, ver scenas de tortura e penas capitaes, mas era pura chanchada comparado ao que, sem corte, se vê pela internet! Ha quem supporte sessões inteiras só curtindo a agrura dum corpo sob a faca que o perfura ou preso a um mechanismo que o entorte! As victimas, raptadas ao acaso, transformam-se em actores principaes de enredos com os quaes não me comprazo. Somente tenho um fremito dos mais carnaes quando me contam que de vaso fecal foi feita a bocca dum rapaz. Sim, sempre me interesso, quando o caso envolve merda, donde tiro o gaz...
Emquanto o condemnado, em plena praça, se extorce no supplicio, uns rapazolas burguezes, zombeteiros e gabolas, terão, como o povão, festa devassa: Assistem à tortura e, achando graça, se despem nas sacadas! As beiçolas das putas lhes babujam sob as solas e a lingua, feminina e docil, passa por puberes prepucios regaçados!
A cada grito agudo do punido, as boccas chupam fundo e causam brados de vozes juvenis em allarido. São eias, orras, urras arrectados de gozo e de alegria! Assim teem sido, alhures ou na França, os resultados de abrir a adolescentes a libido.
Aptado ao pau-de-arara, o preso agguarda que todos se accommodem. Se depara alli o mesmo informante que o dedara. Alguns veem à paizana, outros de farda. {vêm} Inicio da sessão. Alguem não tarda a rir do torturado, cuja cara contorce-se em esgares. A taquara penetra-lhe no cu, que se accovarda. A certa altura, todos tomam parte, tirando uma casquinha. O electrochoque, que alguem maneja até que de mão troque, funcciona livremente e, até que farte, na bocca o prisioneiro sente o toque do tennis do cagueta, o que mais arte revela caso o cara, antes do enfarte, maldiga quem seu rosto chute ou soque.
Foi nosso o melhor “snuff”, onde o alvoroço da turba que lynchava era scenario do audaz cinegraphista no lendario massacre em Matupá, no Matto Grosso. Dois miseros bandidos dão, no insosso marasmo do local, motivo hilario a adultos e moleques que, appós vario supplicio, ‘inda lhes pisam no pescoço! A scena mostra a bota sobre o rosto dum delles, obrigado ao vão pedido -“Não, pelo amor de Deus! Arrependido estou!” -- sob a risada e olés de gosto! Depois atteiam fogo e entra allarido do publico, filmando o quadro exposto -“Rebolla, peão!” -- quando o descomposto par torce-se e experneia! É divertido!
Acharam exaggero quando fallo, em verso, de sessões de lynchamento, tortura e estupro em morros (Juramento, Turano, do Allemão, Borel), meu callo. Num delles (“Microondas” vão chamal-o) o bando sacrifica em fogo lento (ou rapido, ao talante do momento) a victima, o que aos manos é um regalo: Implora pela pelle, esse trambolho, na cara de quem tantos pés encostam... Urinam-lhe na bocca, vazam olho, mutilam penis, lingua, e por fim tostam o contra, o tira, o phoca (nem excolho). Agora, os que em meu verso não appostam que as barbas e o pudor ponham de molho, pois sabem os bandidos do que gostam!
Na cova vertical foi, vivo ainda, mettido. A terra prende o corpo em volta. Appenas a cabeça ao ar se solta, mas a mobilidade alli se finda. A quem o sepultou a scena é linda e della ja se ri toda uma excolta. Inutilmente o preso se revolta e xinga a molecada recemvinda. Aos pés impiedosos dos algozes, o rosto encara solas e biqueiras de botas, de botinas, de chuteiras que pisam, surram, entre alegres vozes. Até que soffra fortes e certeiras biccudas e arda em dores mais atrozes, em cada vez maiores dessas doses, humilha-se uma bocca com sujeiras.
Creanças, no manejo da chibata, são mais encarniçadas que um adulto. De berço ou orpham, principe ou inculto, o infante, castigando, se arrebatta. Que a victima, ammarrada, se debatta elle acha mais gostoso, e nada occulto é o riso, gargalhado como insulto, na bocca do moleque que a maltracta. Punido, alguem mais velho sente a offensa, alem da dor, emquanto o relho estalla. O joven que o maneja ao preso falla brincando, até que ao braço o exforço vença. A cada chibatada, quem vae dal-a aggrava muito mais a atroz sentença e algum desgosto futil ja compensa, pois ri, diz “Yeah!” e ainda chupa balla!
Veridico, é o que consta, e não duvido do caso em que um casal cae na cilada. Com uns, a sacar grana, ella é levada emquanto outros manteem preso o marido. Num sujo banheirinho elle é mantido no chão, mãos para traz, juncto à privada e, quando alguem vae dar uma mijada, respinga-lhe no corpo ja fedido. Fará que seus lamentos se renovem a gangue, que rir sabe muito bem. Maconha fuma um delles, o mais joven, com cara até de filho do refem, e é delle que os pisões mais fortes chovem. As solas dos pivetes se deteem no rosto e, antes que a lingua lhe comprovem na rolla, vae lamber tennis tambem.
Ha dois typos de sadico: o valente, capaz de ser guerreiro, que não corre da raia e cae luctando bravamente, mas, quando vence, faz que o sangue jorre. Battalha finda, é certo que desforre seu impeto na victima impotente. Ja o sadico covarde se soccorre do gruppo, da chantagem, da patente. É deste, caso o callo mais me apperte, que fallo, que mais gosto, pois descompta seus medos no refem sobre quem monta e, emquanto barbariza, se diverte. Desejo que elle seja mais sollerte, desejo ser seu servo, dar-lhe a chance de usar-me e que em meu rosto os pés descanse, que em mim de seus demonios se liberte.
Verdugo melancholico, não via em nada a graça que aos demais encante. Na hora da tortura é que irrompia o riso que marcava seu semblante. Quando em seus labios o animal sorria, satanica era a face num instante. Mas quando elle açoitava, que euphoria! Ao Demo não faltava accompanhante. Em torno todos punham-se a acclamal-o num como que espectaculo de gala.
A scena advolumava cada phallo daquelles que alli vinham desfructal-a e, para não ouvir, em meio ao riso, cantar toda a platéa alli na salla, num khoro em tom crescente, era preciso suppor que uma chibata não estalla.
O video mostra a cara do refem levando ponctapé dum tennis branco, emquanto uma botina dá-lhe o tranco de sola. Os pés que chutam vão e veem. {vêm} Na bocca, o esparadrappo. A voz de alguem mais joven falla rindo: “Inda te arranco o zóio! Por emquanto só te expanco, seu trouxa!” Outro bandido ri tambem. Curioso, ao jornalista mais sabido do caso perguntei. Me disse “Vige!” O tennis, que já está meio encardido, na bocca pisa. A victima se afflige e, em meio ao riso, escuta-se um grunhido. Fallando no resgate, a voz exige que paguem logo. E o tennis do bandido se affasta antes que alli o comparsa mije.
Nalguns paizes, como na Bolivia, vigora a lei do açoite, que perdura. O povo approva: allega que essa dura cultura seja indigena, e revive-a. Os lideres locaes teem uma nivea noção da auctoridade: quem segura o latego decide quanto dura a pena e satisfaz sua lascivia. O numero de golpes no punido varia, não conforme seu delicto, porem conforme o ludico e a libido. Chicote alli se exhibe: emquanto afflicto se sente o criminoso, um convencido “juiz” provoca, em publico, seu grito! Si estou nessa platéa...Ah, tal gemido iria me causar tesão, admitto!
Tortura, na Indonesia, era roptina diaria das prisões: este relato veridico dá compta que o mau tracto supera tudo quanto se imagina. Até mais costumeira que na China, a moda é, sob a sola do sapato, manter o prisioneiro, cujo ingrato destino é supportar quem o domina! O tempo todo ao chão e aos pés exposto, servindo de capacho, a levar chute, pisão, golpes de lucta pelo rosto! Peor é quando exigem que exsecute papel de luctador, lhe sendo imposto que perca para todos com quem lucte! Eu bem que perderia si, supposto, de lingua desse banho nesse bute...
Aqui, quando o regime militar se impunha, occorreu isto numa cella. Os presos se appinhavam, sem restar espaço a alguem deitado dentro della. Então um carcereiro quiz brincar e rir-se do pavor causado àquella gentalha carceraria, cujo azar augmenta porque nunca se rebella. “Cuidado com a cobra!” -- o guarda grita, impune em seu despotico regime, e joga uma serpente em meio à afflicta gallera, que se agita e se comprime. Foi morta, mas alguem sae machucado depois desse espectaculo sublime, emquanto, na cabeça do soldado que brinca, o que practica não é crime.
Emquanto o guerrilheiro é torturado por forças governistas, um agente lhe diz com ironia: “Tem transado a sua companheira com a gente...” Mais tarde, ja na cella, um novo dado lhe passa o carcereiro, mordazmente: “Ninguem meu pau tão bem tinha chupado!”, garante-lhe, sorrindo, frente a frente. “Será que você chupa que nem ella? Será que você tem amor à vida?” E opprime, opprime, até que o gajo fella, em troca de algum somno e de comida. O facto vem descripto com detalhe e disso o delator jamais se olvida, embora, em certos ponctos, alguem falhe: ommitte-se que a bota foi lambida.
Mão livre, mas, ao mesmo tempo, presa. A canga é um instrumento de tortura que torna isso possivel: como a mesa que tenha no seu tampo uma abertura. Appenas a cabeça, sem defesa, accyma fica, e o peso o preso attura. Só come ou bebe aquillo que a vileza do algoz permitte: a bocca abre e segura. Mirbeau descreve a scena: até carniça, aquella podre posta -- Arre! -- asquerosa, attiram sobre a tabua, e ainda attiça a fome do punido quem o goza. Exposto, sob a canga, ao visitante, debaixo da pressão mais dolorosa, o preso o olha com odio, mas garante seu naco e a porcaria acha gostosa.
Na base de Guantánamo, segundo aquelles que la passam temporada, isola-se do resto deste mundo a victima, suspeita ou accusada. Si adepta é do terror, não me approfundo no caso, mas, ainda que culpada, será que com tortura o mais immundo dos crimes é punido, e a voz calada?
Duvido: só nos contam que, la dentro, ao som de chibatadas e correntes, o preso appanha e arrasta-se no centro da roda de soldados sorridentes.
Recebe ponctapés e lambe botas dos guardas, dos curiosos, dos agentes, até que falle e entregue uns idiotas, ou morra, sem a lingua e sem os dentes.
No Irak, a de Abu Ghraib a fama ganha de ser prisão-modello da tortura mais sadica e pornô! Ninguem se accanha de nos contar o que é que se procura: Appenas humilhar! Não foi extranha, portanto, aquella scena que ja dura um tempo na internet e que tamanha offensa provocou numa cultura: Sabendo que no Islam jamais a sola se lambe, beija ou toca, tem quem ache aquillo divertido. Quem controla os carceres questão faz dessa praxe: De cada mussulmano o americano faz graça até que disso o bicco rache e exige, mais que o bicco, mais que o cano, que passe no solado a lingua e engraxe.
Lobato, revoltado, relatava aquillo que os nazistas tinham feito com uma prisioneira: nem de escrava se falla dum tal methodo a respeito: Estava a mulher gravida, e faltava pouquinho para o parto, mas, no leito, aptaram-na: imaginem si alguem trava o espaço de passagem, que é ja estreito! Joelho com joelho, ambas as coxas colladas! Nem que a gente a barra force, descreve essas nuances rubras, roxas, da pelle da mulher que se contorce! Está a parturiente condemnada às dores mais atrozes! Não distorce Lobato o que nos narra, mas de nada addeanta que ella soffra e que se exforce!
Tambem os bandeirantes, como conta Setubal, foram mestres na tortura. O methodo, que aos indios ja remonta, é simples, mas terrivel se affigura: Suspensa numa chorda, só de poncta cabeça ou pés no chão, se dependura a victima no rio, onde ammedronta a todos de piranhas a fartura. Os peixes são vorazes! Logo fica, servindo aos assassinos de recreio, exposto appenas osso, e quem estica alli sua cannella é meio a meio: Metade é ja eskeleto; outra metade, expondo o lado humano que é mais feio, ainda é carne, até que alguem se enfade da scena e o corpo perca seu recheio.
Tambem com caranguejos ja foi dicto podermos, a contento, torturar alguem, e aqui os detalhes não evito contar: o que varia é só o logar. Qualquer sitio deserto, à beiramar, se presta ao espectaculo. Accredito que a victima agonize só de olhar os bichos se junctando e seu agito. Detalhes vocês querem que se arrisquem? Na areia está enterrado, até o pescoço, um corpo, mas a cara será osso depois que aquellas pinças a bellisquem. Detalhes ninguem deixo que confisquem! A scena é lenta: encurta-se a distancia que vae da garra à cara, até que alcance-a, sem palpebra, e seus olhos ja não pisquem.
Fascinio exerce o açoite entre os que estão no gozo do poder: como é gostoso ter ammarrado alguem que disse não àquillo que queriamos! É o gozo! Quem lategos maneja é caprichoso: lambadas, as applica elle com mão certeira, de maneira que o orgulhoso converta-se num misero chorão. Altiva, pensa a victima em, calada, soffrer, e nisso o cerebro trabalha sem nunca dar motivo à gargalhada do sadico, um prazer que orgasmo valha. A chibatada accerta-lhe a virilha e sangra-lhe o caralho. A dor se expalha nas nadegas, no sacco... Dentes rilha, mas berra, e nisso o sadico gargalha!
“Si queres uma imagem do futuro, é um cothurno pisando um rosto humano...”, diz Orwell pela bocca do mais duro carrasco, que a seu preso inflige o damno. Si Winston entendeu, um tanto obscuro paresce, mas o poncto orwelliano mais nitido reside neste puro conceito, que o carrasco impõe, uffano: “Um mundo de pisar ou ser pisado...”, sem chances, antagonico, binario. Assim será o futuro baseado em odio e humilhação! Que a gente encare-o! Não faz o auctor nenhuma prophecia. De facto o vejo, caso aqui compare-o, parelho: ja o passado offerescia exemplos do poder totalitario.
Peor tortura é, para Winston, ser com rattos confrontado! Disso sabe seu sadico carrasco e, de prazer, allarga o riso, a poncto de que babe. É Winston collocado, para ter mais medo, até que aquillo tudo accabe, de cara na gaiola onde, a querer sahir, um camundongo appenas cabe. Appavorado, o preso chora, berra, sabendo-se indefeso. Assim se sente, e todo mundo sente, na Inglaterra, aquillo que sentiu o dissidente. Emquanto o Grande Irmão a tudo assiste, tyrannico, cruel, omnipresente, alegre está o carrasco, e o preso triste, olhando aquelle ratto à sua frente.
Aquelle Alexandrinho teve seu momento mais famoso emquanto estava num palco: do espectaculo o apogeu é quando o filme em close a scena grava. A fim de demonstrar que se rendeu e deve obedescer, o joven lava, usando sua lingua, o que um plebeu nojento e sem escrupulos mandava: “Tá vendo essa botina? Limpe a sola!” No livro o tal solado oppressor fede e sobre sua bocca a bota colla, depois que, ja prostrado, o joven cede. Em jubilo, a platéa delle ri, pois rir dum desgraçado nada impede, emquanto Anthony Burgess faz alli que um ser humano o automato arremede.
Bandido valentão, Lucio não quiz fallar ao delegado, e até lhe excarra! Terá de chupar rolla, porque diz o tira que vae ser, então, na marra! E foi o Lucio Flavio, pelos vis agentes, transformado, como narra Louzeiro, em chupador, ante os quadris dum macho, adjoelhado! E fazem farra! Nem bem adjoelhou, um tira empurra seu rosto com o pé. Si elle se exquiva, appanha ainda mais. Si não é surra, é rolla e humilhação o que elle leva! Por fim, entra um caralho em sua bocca com pose de erecção torpe e lasciva e, emquanto a bocca não pode estar oca, o som das gargalhadas mais se eleva.
Tolera um anthropologo que alguem, si for duma “cultura” differente, estupre, ou escalpelle, ou attormente com sadicos requinctes um refem. “Faz parte do folklore...” E tudo bem! Folklore justifica que se invente um methodo cruel, a sangue quente, e allegue-se que seculos ja tem.
Na “civilização” não se tolera que os homens pelos homens sejam alvo de abuso e exploração... Ah, quem nos dera! Crê nisso só quem seja bem pappalvo! A coisa não mudou na actual era. Mas, sendo “cultural”, ninguem a salvo está da atrocidade: que sou fera vestida, de saber estou é calvo!
Vandré nunca escondera uma intenção bem sadica, sahisse vencedora a tal revolução. Que vingadora justiça elle pretende ter à mão? Açoite! Exactamente! No patrão, no pae, no general... A assustadora desforra era a “madeira” que ja fora, talvez, “de dar em doido” na prisão. Provindo da aroeira, o tal cipó no lombo “vae descer até quebrar”! Geraldo quer surrar mesmo sem dó, sem mesmo disfarsar de algoz um ar! Que valvula ao sadismo, hem? Pensem só! Si, sob o communismo, algum logar do mundo fosse assim, desfeita em pó estava uma utopia secular!
Perverso e pervertido, eu participo, o tempo todo, desse verbo impuro chamado “perverter”. Mas, si sou duro no verso, soffro e faço o falso typo. Eu fodo, arrombo, roubo, estupro e extripo no symbolo, somente, admitto. Juro, comtudo, que quem viu e está no escuro mais sadico é que um “kapo” teuto ou nippo.
Cruel e revoltado, meu desejo é ser torturador, mas indefeso, submisso e subjugado é que me vejo, inerme e enclausurado no meu vezo. Sem amor proprio, ou brio, ou nojo, ou pejo, odeio, mas me humilho e, sob o peso da bota de quem vê, meu malfazejo impulso alvo é do riso e do desprezo.
Nas aulas de tortura, Mitrione nos dava, aos brazileiros, o apparato da technica. Mas acho muito chato deixar que um instructor nos direccione. “Picana”? “Submarino”? “Telephone”? Não basta! É necessario que o sapato nos lamba o prisioneiro! Eu só maltracto alguem si riso e gozo proporcione! Os cabos e sargentos assim dizem durante uma sessão demonstrativa, pedindo que mais filmes se reprisem, imagens de cor cada vez mais viva. Convem que taes detalhes mais se frisem: Na tela, o preso arrasta-se, se exquiva das botas, caso os sadicos lhe pisem a cara, e molha as solas com saliva.
Bandidos todos somos, e até mais que o bruto criminoso, condemnado por roubo ou homicidio. Nosso lado villão, porem, se esconde entre os “normaes”. Por sermos conscientes, racionaes, sabemos nos conter e, em meio ao gado humano, nos portamos. Delegado algum que nos prendesse houve jamais! A sós, na phantasia, é que nós pomos em practica a tortura, a crueldade, e somos o carrasco que não fomos na sordida, animal humanidade. Dariam meus assommos varios tomos! Eu macto, expanco, estupro! Ao proprio Sade provoco inveja! Os Bacchos, Neros, Momos, Caligulas, eu tranco attraz de grade!
Feliz e sorridente, em seu plantão, chegou o carcereiro karateka e alguem irá servir-lhe de peteca, levando, entre outros golpes, o chutão. O agente se diverte, rindo à bessa. Excolhe um prisioneiro e, mal da cella o leva para o pateo, ja começa a nelle practicar. O preso appella: “Não batte muito forte, por favor!”
Sorri-lhe o practicante, cujo tennis não deixa nem os dentes nelle indemnes, depois que a bocca chuta com vigor. A surra, por instantes, até cessa. Ainda adjoelhado, appós aquella sequencia de pattadas, nem que peça arrego, mais recebe, ja banguela. De novo os duros golpes dados são. Do tennis o solado até careca ficou: nem só no piso é que elle breca. Num rosto mais pisou do que no chão.
Os termos são, ao povo, giria clara: “corró”, “correccional”... por duro crivo o preso passa e soffre o “correctivo”. A um bicho o prisioneiro se compara. Ou soffre, ou morre, quando não se evade. Punido “moralmente”, seu castigo consiste em “accaptar” com “humildade” aquillo que fizer o algoz comsigo. Castigo “psychologico”, é o que adopta o agente, mas o preso sacrifica a bocca, quando chupa a porca picca, e a lingua, quando lambe a bruta bota. Emquanto mentaliza a liberdade, tambem o preso ralla seu umbigo no chão, a rastejar do muro à grade, e allarga, no joelho, um corte antigo. De facto, liberdade é coisa rara. Entendam bem: “tortura” é relativo conceito, si ao regime eu sobrevivo, até si não livrei da nausea a cara.
Robben, duro, foi um osso: o apartheid usa, alli, farda. O fardado é bem mais moço. São os presos de cor parda. Enterrado até o pescoço, o detento negro agguarda que lhe urine, qual num poço, bocca addentro, o branco guarda. O branquello abre a braguilha, tira o pau e se imagina superior. Sorrindo, humilha quem engole o que elle urina. Rente ao piso, o prisioneiro, que a vingança só rumina, bebe o mijo. Mas, primeiro, lambe a sola da botina.
Foi suffoco, na Argentina, o regime militar!
Torturou-se até menina bem novinha! Vou contar: Estudante, ella termina como puta em lupanar: ammarrada, se destina a morrer e, antes, chupar! Que nem pense em ser experta! Ja tapado o seu nariz, a coitada ainda quiz respirar de bocca aberta. Bocca assim é como offerta!
Um soldado, até a goela, mette a rolla, que ella fella. Si demora, a morte é certa!
Em Mauthausen, campo nazi, hitlerista juventude se diverte a olhar quem quasi morto esteja e se desnude. Aos internos, ja na phase terminal, a turma allude com gracejo que extravase um sadismo agudo e rude: “Olha aquelle! Que magrella! Que tal vermos si elle appella para a nossa piedade? Hem? Façamos que elle brade!” E um coitado a turma queima vivo, vendo que elle teima, sem fazer tudo que aggrade aos meninos, fans de Sade.
(1)
[3821/3888/3941/3999]
Effeito pedagogico a tortura exerce no accusado dalgum crime. Aos outros, a tortura mais exprime ainda, e mais temivel se affigura.
Não basta torturar, porem: a dura didactica resulta mais sublime naquillo que, em tyrannico regime, se pode utilizar por gana pura.
Allude a theoria ao que garante, na practica, conforme accyma exposto, maior auctoridade ao governante:
Suggere-se pisar, do réu, no rosto, um methodo adviltante e degradante que emprega, ao torturar, o algoz com gosto.
(2)
Alem da força physica, assegura um rei o seu poder quando reprime qualquer opposição, caso se anime, de prompto, a fazer uso da censura.
Aquelles que produzem a cultura (a imprensa, a intelligencia, até quem rhyme versinhos) luctam contra quem opprime, a menos que alguem cale essa bravura.
Ao typico censor, mais importante será mostrar que nunca está disposto a livros liberar, de Sade a Dante.
Aos textos jornalisticos, imposto lhes seja só fallar do que levante os animos, jamais dalgum desgosto.
(3)
Synonymo será a democracia de tudo quanto abballa o dia-a-dia.
Evite-se, portanto, um ir-e-vir civil que seja livre: uma barreira somente aos militares vae se abrir.
Assim, um só partido se suggere que tenha, na Assembléa, ou no Senado, poder majoritario: um deputado se eleja facil quando ao rei adhere.
Um gruppo poderá se reunir appenas si a policia acceite ou queira, jamais si um guru peça, ou si um fakir.
Qualquer religião que se annuncia ordeira e conformista, é benta e pia.
(4)
Na guerra, o dictador tropas envia à frente de battalha, e aos seus se allia.
Será conveniente decidir que accordos militares de fronteira se assignem, quer com principe ou emir.
Em caso de aggressão externa, um choque, com maxima e geral repercussão, se allegue contra os perfidos que estão trahindo a patria, e às armas se convoque.
Havendo prisioneiros, vão sentir na carne o que é tortura: na fogueira, no açoite... e possa o povo ver e rir.
Si acaso esteja mal a economia, declare-se uma guerra, ‘inda que fria.
Vê-se, em close, quando a agulha se approxima e um olho fura dum refem do crime... Embrulha meu estomago a tortura. Os moleques gritam “Ulha!” quando assistem, pois a dura scena gozam: quem vasculha a internet é mau, sem cura. Mostra o filme (e a garotada se diverte) quando cada dente arrancam dum coitado que se encontra ja ammarrado. E você? Quem vê tal video seu amigo é? Pois convide-o e me vejam ser cegado por um gruppo tal, bem sado.
(1)
O juiz quiz que elle seja condemnado à morte. Quem cumpre as ordens e appedreja o coitado, quiz tambem. Desaffectos seus, da egreja ou do exercito, estão, sem dó, querendo que se veja um cirquinho, e se entreteem. Participam, com orgulho, da tortura: que elle grunha como um porco! Um pedregulho o risonho algoz empunha. Quando a pedra, em cheio, accerta de quem fora ja poz unha numa palpebra entreaberta, rindo, o povo testemunha.
(2)
A segunda pedra pega bem na bocca e os dentes quebra. Na platéa, um ex-collega do accusado urra e celebra. A terceira pedra cega um dos olhos: se requebra no estertor quem se relega, contra as regras de Genebra. Quando a quarta pedra attinge com extrema precisão o nariz da viva esphinge, brota sangue em borbotão. Quincta, sexta... e mais se exvae quem trahiu sua nação inclemente e, agora, attrae a sedenta multidão.
Confesse, desgraçado! Foi você, não foi? Está doendo? Você vae sentir mais dor ainda! Esse seu ai está fracco, qualquer babaca vê! Vou dar mais um apperto! Caso eu dê na dose certa, então você se trae! Ahi, confessa tudo! E, quando um cae, os outros tambem dansam... Diga! O que? Não pode supportar? Mas eu ainda não tive chance para tudo pôr em practica! Tem cada coisa linda! Tem choque, ferro em braza, expannador no rabo, tem tortura que não finda! Respire! Ande, responda! Muita dor ja sente? Puxa! Agora sim, bemvinda é sua cara, afflicta de pavor!
(1)
Às tropas discursando, o general nipponico que occupa, na Koréa, a aldeia, da victoria deu a idéa mais practica: dominio sexual! {Soldados! Isto é nosso, agora! Aval nos deu o Imperador! E então, qual é a devida recompensa? Que a plebéa nos sirva como puta, em sexo oral! As femeas chuparão nosso caralho! Os machos limparão a nossa bota com suas linguas! Eis o seu trabalho! Assim um prisioneiro se devota!} Ao menos eu, na lyra, à funcção calho! Symbolica rhetorica? A derropta foi sordida: dos homens eu detalho que sujo foi o trampo e dura a quota.
(2)
No Irak, o americano ordens escuta, tambem, dum general: {Homens! Agora é nosso este paiz! Ou collabora comnosco o povo, ou soffre a força bruta! Serão como cachorros! Quem os chuta e pisa bem fará! Quem “Passa fora!” e “Lambe a bota!” grita-lhes melhora a propria estima e vale o que desfructa!} Levaram os soldados tão ao pé da lettra esse discurso, que a prisão de Abu Ghraib assistiu demais, até: as photos para sempre mostrarão. Abbaixo da mais infima ralé, de quattro, o irakiano lattiu, não ouviu sinão risadas, sua fé no Islam viu sob a sola, e até o Corão!
Contou Jacobo Timerman que a fina menina na prisão cahiu e presa la fica. Era estudante. Foi burgueza. Agora lhe restou lavar latrina. Mais uma das que irão, numa Argentina tomada por milicos, indefesa, chupar rolla dos guardas, pôr a mesa, limpar, engraxar bota: eis a roptina. Levou sola na cara, violada foi pelo “cabecita negra” e quasi morreu sob a “picana”: está domada, submette-se ao algoz que se extravase. Agora faz de tudo, dedicada. Dobrou-se e, ja passada a peor phase, nem acha que chupar rolla a degrada. Capaz é que com outra, até, se case.
Batteram muito nelle! Muito tapa na cara, bofetada que arde e estalla!
Tambem uma cinctada! Quer leval-a alguem pela bochecha ou pela nappa? Depois, lhe deram murros! Não excappa ninguem de ser surrado nessa escala crescente, si o subjeito não se abballa com simples peteleco... É nova etapa!
Agora, leva chutes e, rasteira soffrida, ponctapés até na cara!
A bocca, ja sangrando, se excancara! Um olho, quasi, attinge uma biqueira!
Costellas fracturadas, se prepara algum dos aggressores para, à beira do sadico prazer, quebrar inteira a sua cabeçorra a pau e vara!
Da primeira chicotada desviou-se. Quasi excappa. Porem, antes que se evada, outra estalla feito tapa. Excorrega. Um pé, de chapa, no nariz dá-lhe a lambada. Ja de sangue a roupa empappa. Por soccorro elle ja brada. Como um “bicho” a soffrer trote ou detento nas galés, leva surra de chicote e, de quebra, uns ponctapés.
Pouco caso não fizesse!
Evitasse dar olés!
Relho agora a turma desce! Pode um homem contra dez?
Qualquer Estado Islamico paresce cediço, prescindivel, si se tracta de viva queimar uma amante chata, cheireta, pertinaz, que intrigas tece. Martins Fontes, num metro que padesce de excesso na syllabica sonata, a morte commemora de insensata e louca salamandra, com finesse. Humanos tambem curtem uma scena de gente que, queimada viva, morre berrando, debattendo-se e, num porre tão sadico, outra graça gozam, plena. Ao fogo ja ninguem bruxas condemna, mas bem que queimar vivo nos occorre aquelle presidente que mais torre a nossa paciencia assaz serena.
{Bandido bom não é bandido morto, appenas! É preciso tortural-o bem, antes de mactal-o, Glauco! Fallo sem força de expressão nem descomforto! Meu poncto é bem directo, não é torto, mas sei que vou pisar, Glauco, no callo daquelles humanistas! Que regalo, na bronha, proporciona tal desporto! Deleite é torturar bandidos, ja que falta não farão! Mas o melhor é quando lhes arranco os olhos! Mor barato o desespero delles! Ah!} -- Você nunca pensou como será que podem se vingar? Olhe em redor! Estão bem do seu lado! Não, major! Melhor outra punheta ver si dá!
Lamber o chão? Fazer alguem usar a lingua nessa sordida funcção? No Orkut era commum alguem, na mão de sadicos, passar por tal azar. Nas redes é possivel encontrar imagens em que todo um sujo chão terá que ser lambido. Risos são ouvidos. As prisões são bom logar. Na nossa dictadura, diz Gabeira, assim se torturou. O preso tinha que limpo deixar onde se caminha com botas militares. Ha quem queira? Às vezes algemado, de colleira em volta do pescoço, foi a minha lembrança que excitou a punhetinha: Nas botas se lambeu, tambem, sujeira.
Bons tempos, Glauco, quando se podia punir com castração e com cegueira alguem que, na segunda, até primeira vez, tenha demonstrado rebeldia! Depois de cego, fica a autonomia do gajo reduzida a verdadeira prisão sem grade. Mesmo que elle queira fugir, não pode, noite sendo, ou dia. Você bem sabe, Glauco. Um prisioneiro cegado obedescer vae, sem direito a queixa, ao carcereiro. Me deleito com isso. Do que rolla bem me inteiro. É pena que não rolle em brazileiro presidio, mas, emfim, acho bem feito. Você não vae dizer que é preconceito, não é? Não fosse, Glauco, um punheteiro!
Ja tenho o meu ORVIL, Glauco! Não fallo dum Orwell, não! ORVIL mesmo, o contrario de “livro”! Um detalhado promptuario dos methodos que pisam no seu callo! Surpreso ficará! Vou impactal-o! Você reparará, caso compare-o aos livros esquerdistas, que scenario diverso olhei: de Sade fui no emballo! Proponho torturar, no captiveiro, os nossos inimigos, com requincte maior de crueldade, tendo uns vinte carrascos para cada prisioneiro! Sim, typo lynchamento, Glauco! Pincte la, quando nós vencermos! Mas, primeiro, teremos que sahir deste atoleiro chamado “pandemia”! Ah, puta accincte!
No ORVIL, “livro” que lido foi de traz p’ra frente, militares negam tudo: que tenham torturado, que desnudo ficou o seu regime, ja sem gaz... Accusam as esquerdas como más e perfidas, o povo como mudo refem do terrorismo que um estudo demanda p’ra voltar a patria à paz. Discordo, cara! Affirmo que tortura rollou, sim, mas foi optimo que tenha rollado, Glauco! Assim se desempenha a força, a auctoridade que perdura! Meu sonho, si vencermos nós, da pura moral (você não vale) é, com ferrenha vontade, torturar quem não me venha lamber as botas numa dictadura!
Duvido de você, quando me diz que exsiste boa gente em cada lado! Si sou de esquerda, quero fuzilado ver um dos “bons”! Assim serei feliz! Aquelle que equilibre dois Brazis, por mais que seja bemintencionado, meresce simplesmente ser tractado com toda a cortezia que condiz: Teremos boa balla, paredão tambem bom, para cada desses tão bomzinhos, porem cuja posição se opponha ao socialismo de plantão! Mas antes, Glauco, quero vel-os chão lambendo pelo pateo da prisão! Rirei quando pedirem meu perdão por terem sido neutros na questão!
Gravura vi, Glaucão, que lhe interessa. Carrascos trez accabam de cegar um homem, cujo oval globo ocular tirado foi da cara, mas sem pressa. Seu outro olho sahir tambem vae, nessa sessão de cegação. Falta passar a faca, que dum delles a brincar está na mão e quasi que a attravessa. Detalhe interessante que, evidente, nos salta à vista: algozes de pau duro estão, fora das calças. Glauco, juro! Aquillo mexe mesmo com a gente! Mais um detalhe: rosto sorridente exhibem elles. Quasi ja no escuro total, o desgraçado mostra puro terror no olhar que resta. A gente sente.
Te quero descrever, Glaucão, a scena que vi numa veraz photographia.
Foi n’Africa do Sul, quando valia o rigido regime em sua pena.
Do preso o queixo roça na terrena poeira. Até o pescoço la se enfia o corpo. Na cabeça, à luz do dia, o forte sol luz batte nada amena.
Dois jovens guardas pisam na cabeça, que está das sujas botas ao alcance. Teem elles, quanto queiram, boa chance de tudo fazer nella que envilesça.
Pisar, chutar, mijar, mandar a advessa e secca lingua achar que rolle e danse na sola das botinas. De relance, notar pude. Suppuz que o pau lhes cresça...
Glaucão, o conde Dracula fascina tambem quando o real delle se falla! Sim, por predilecção é que elle empala seus varios desaffectos! É roptina! Glaucão, empalação é mesmo fina e linda tradição! Vale exaltal-a! Em vez de ter logar só numa salla fechada, arma na praça a grande gala! A lança que enrabou o prisioneiro no solo desse espaço bem fincada está, para que o povo dê risada das suas contorções o tempo inteiro! Até que o gajo morra, vae, primeiro, sangrar devagarinho, como cada veado que se enrabe, caso nada viscoso lubrifique seu trazeiro!
Tens, Glauco, uma noção do que seria um ratto na boceta, até no cu dum pobre prisioneiro que, ja nu, esteja aptado pela tyrannia?
Não, Glauco, o ratto, mesmo, só se enfia alli porque não teve outro menu!
Cercado, sem passagem, sabes tu por onde tal bichinho ousar iria?
Si o ratto não tiver outra sahida excepto um orificio natural, irá forçar, cavar caminho, mal podendo se mexer! Alguem duvida?
Coitada da abertura que decida fechar-se aos movimentos do animal! Será bem dolorido, Glauco, o tal tractor tentando abrir uma avenida!
Aptado pelos pulsos, mãos accyma da altura da cabeça, sem nenhuma cueca siquer, mesmo que elle assuma uns ares dignos, logo desanima. Começa a sessão, nesse extremo clima de euphorico recreio. Se advoluma o publico na arena, à qual ja rhuma até molecadinha que se mima. As habeis chibatadas dadas são nas nadegas, nas coxas, não somente nas costas. O punido os golpes sente arderem e rebolla na afflicção. Provoca as gargalhadas do povão por causa dessa dansa que, indecente, paresce “estripetise” e faz a gente pensar num cabaré. Não é, Glaucão?
Levaram o teimoso bandoleiro, que nada confessara, à salla ao lado. Por ordem do orgulhoso delegado, o gajo foi queimado com isqueiro! Sim, Glauco! Dei um google! Sim, me inteiro dos factos! Foi todinho chammuscado! Na poncta das orelhas, no suado pezão, no sacco roxo, no trazeiro... Você ficou com pena do pezão, não é? Talvez você não o queimasse! Talvez nelle exfregasse sua face, apposto, pois conhesço o seu tesão! Mas delle não tiveram pena, não! Só deram gargalhadas! Si enxergasse, veria você como goza a classe dos tiras, que teem tedio no plantão!
Mulheres estupradas na prisão o foram com maior frequencia, vejo, com homens confrontadas. O desejo de posse e o de tortura primos são. Concordas tu commigo, não, Glaucão? Reparo, todavia, que sem pejo alguns torturadores esse ensejo desfructam sobre machos mais à mão. Fiquei sabendo, Glauco, por um tira agora apposentado, que deleite immenso se tem, caso não acceite chupar, nem dar a bunda alguem prefira. O preso se debatte, se revira, mas urra, penetrado sem azeite! Si topa a fellação, ora, approveite (fallou o tira) a deixa: à “causa” adhira!
Usou o prisioneiro uma cangalha, que alguns estão chamando de gollilha. A argolla no pescoço mais humilha aquelle que incidiu em grave falha. Num campo o condemnado ja trabalha forçado, sob açoite, e ja se pilha rebelde e rancoroso. Os dentes rilha de raiva a cada golpe que lhe valha. “Tiraram de mim tudo! O meu orgulho, a minha dignidade! Fui forçado, debaixo de lambadas, o solado das botas a lamber! Ah, tive engulho! Mas quero me vingar! Farei barulho, com minha banda, para que esse lado rockeiro ouvido seja! Revoltado sou! Nunca a rir eu canto! Não empulho!”
No crime, tribunal tem é juiza, agora, Glauco! Ouviu fallar da Dama?
Na hora de attender a quem reclama, a Dama as punições não suaviza! Hem? Ouça a gravação de quem pesquisa e escuta as ordens della! A dama chama alguem ao cellular e, secca, trama a morte de quem numa bolla pisa: “Aquelle você fura com facão!
Mas fura bem aos poucos, tá ligado?
Tem mais é que sangrar! O resultado precisa demorar mesmo um tempão!
Num outro dei o tiro numa mão, depois na perna, até que foi furado todinho! Penou muito, o desgraçado! No fim ‘inda na bocca dei pisão!”
As taes “experiencias”, na Allemanha nazista, são, sim, “medicas”, Glaucão! Serviram para alguma coisa! São remedios, é mais cura que se ganha! Concordo que houve casos de tamanha maldade que envergonham a nação... Exemplo? O da coceira, diversão duns sadicos doutores, cruel sanha! Não soube? Elles prendiam o subjeito com pulgas, muitas pulgas! Ammarrado, sem ter como coçar-se, esse coitado soffria loucamente! Era bem feito! Desculpe! Eu quiz dizer que não acceito um caso desses, cujo resultado de nada addeantou e nenhum dado rendeu, excepto o sadico proveito!
O methodo de Milgram eu queria testar nos meus alumnos, Glauco! Ouviste fallar? Ao electrodo não resiste quem erre na licção de todo dia! Pensaste? Cada alumno ammarraria eu numa cadeirinha! Dedo em riste, lhe faço uma pergunta que elle, triste, não sabe responder, nem saberia! Errou? Não respondeu? Levou um choque electrico, num nivel que incommoda, aos poucos, mais e mais! Elle se açoda, se estressa, até que, soffrego, se toque! Hem? Sou ou não bom mestre? Se colloque alguem no meu logar, e será foda deixar de desfructar! Está na moda ser sadico! Percebes meu enfoque?
“Quem quer assistir quando o preso for à salla do pau para se ferrar?” -- Eu! -- Eu! -- Dois caguetinhas seu azar quizeram ver, curtir a sua dor. Vibravam ambos. Quiz o tennis pôr na cara do coitado um delles, ar fazendo, de carrasco, no logar, suppondo que será torturador. Uns choques a levar, no pau de arara, a victima sentiu na bocca a sola do tennis do cagueta, que lhe exfolla o labio, se exfregando pela cara. Jamais exquescerá. Bem que tentara! Aquella gargalhada a lhe echoar ficara na memoria. Sim, um par de meros informantes mostrou tara!
(1)
Eu gosto de pisar, mas quem me accusa de sadico jamais pensou naquillo que rolla si commette algum vacillo o membro duma gangue da Yakuza! Precisa ver, Glaucão! A turma abusa! Calçando o tal tamanco nesse estylo banal dos samurais, vae aggredil-o o gruppo lynchador! Você deduza! Então, ja deduziu? Exacto! O tal subjeito, de cabeça ao nivel raso, se enterra até o pescoço, tendo o prazo de vida reduzido ao principal: Pisado foi! Chutado tambem! Mal pediu, mal implorou! Acho o seu caso bastante divertido, pois me embaso na scena quando penso num rival!
(2)
Em outro filme, está bem ammarrado o gajo que lynchado ja será! Da gangue japoneza alguem lhe dá innumeros pisões de todo lado! Precisa ver, Glaucão! Do seu aggrado seria aquelle lance em que elle está de cara ante excarninho tennis, la não muito branco, um tanto detonado! Em close, esse pisante era do cara que fora seu rival e namorara a mesma companheira! Assim, iria vingar-se e, ciumento, o cara ria! Os chutes se succedem! Na agonia, aquelle condemnado viu a fria risada do rival, de cuja tara foi victima, ao beijar a sola amara!
Disseram que esse gajo torturado foi, Glauco, mas tortura... Ah, não acceito! Então não se tortura mais direito! Do typo não acceito um falso dado! Filmaram? Pois deviam ter filmado! E photos? Não ha photos? O subjeito até tem maxillar no mais perfeito estado! Deveriam ter quebrado! Serviço foi de porco, porra! Caso eu fosse torturar alguem, primeiro furava, Glauco, os olhos! Prisioneiro na minha mão é cego! Os olhos vazo! Você, Glauco, se queixa do descaso com cegos nesta terra? Não, parceiro! Ainda não viu nada! Com isqueiro e machina de choques... eu arraso!
(1)
Ja muito pesquisei, mas poucos dados junctei sobre o que rolla na cadeia em termos da real tigella cheia de merda, dada aos presos maltractados! Mas rolla muito, Glauco! São forçados, assim como os internos numa feia prisão para pirados, a ter, creia você, tal refeição, esses coitados! Uns casos collecciono... No primeiro, forçaram um menor (que ja tentara mactar a mãe) a, fundo, sua cara metterno sujo vaso do banheiro! Fizeram que lambesse, sob um cheiro horrivel, o cocô que se junctara alli! Se divertiram, nessa tara que excita, que fascina, ao que me inteiro!
(2)
Num outro caso typico, o subjeito, detido por ter roubos commettido, demora a confessal-os. Ao bandido dirão os policiaes que foi bem feito... Bem feito, sim, Glaucão, pois teve peito o gajo para achar que ser punido não ia pela audacia! Faz sentido? Ninguem nas mãos dos tiras tem proveito! Um video foi gravado. Mostra a cara de nojo do subjeito, que terá, na marra, que comer a merda ja cagada por um tira que tem tara! Sim, come! Cada troço se compara a um gommo de linguiça, mas nem dá, Glaucão, para suppor como será o gosto que rendeu scena tão rara...
(3)
Lambeu cocô, chichi, numa latrina, um entre seus alumnos. Um só, não: alguns, que eram judeus. Esse allemão é Streicher, professor que, impune, ensigna. Ensigna, em Nuremberg, e disciplina impõe, cruel e rigida: só vão passar os que tiverem mais tesão na caça aos “inferiores”. É roptina. A turma dos mais sadicos admira seu masculo guru, dão gargalhada na hora de levar um camarada judeu ao sanitario. O gruppo pira. O joven, de joelhos, que respira aquelle cheiro horrivel, se degrada, passando a lingua alli, da molecada ouvindo que seu nojo é de mentira.
(7)
Vi com meus proprios olhos, Glauco, quando estive trabalhando no districto, um preso que comeu merda! Não cito qual era, mas prenderam todo o bando! Um delles foi teimoso! Foi teimando, negando mudamente! Estava fricto! Levaram à retrete esse maldicto! Iria, ja, cumprir qualquer commando! A cara alguem lhe empurra na privada, affunda até que em merda se suffoque! Luctar quer, mas lhe applicam muito choque e emfim elle engolir vae a cagada! Engole, engole, Glauco! Come cada pedaço que boiou, tal como gnocchi, na sopa de chichi! Dei bom enfoque nos troços, Glauco? O toque, emfim, aggrada?
(8)
Ouvi fallar, Glaucão, que na Koréa do Norte exsistem campos de trabalho forçado onde elles chupam o caralho dos guardas, comem merda com platéa! Si for verdade, Glauco, horrivel é a vidinha desses presos! Si não falho na analyse, comer só bosta attalho é para a morte, em dupla diarrhéa! Será que morrem mesmo? O ser humano é muito resistente e bem se adapta a tudo nesta vida, se constata! Não creio que será tão feio o damno! Comer cocô? Não, disso não me uffano! Mas, antes que um algoz desses me batta, melhor é degustar, na mais sensata opção, o cagalhão dalgum tyranno!
(9)
Os guardas, na prisão salvadorenha, segundo me disseram, tinham plena licença para armar aquella scena coprophaga! Satan lhes deu a senha! Eis como toda a acção se desempenha: Os presos comem merda numa arena, à vista da platéa que, sem pena, diverte-se na sanha mais ferrenha! Debaixo de chicote, come cada detento um cagalhão e tudo grava alguem que gargalhadas sempre dava perante essa afflicção dum camarada! Cheguei a ver um filme! Se degrada bastante quem a bocca tem escrava a poncto de comer o que nos trava, Glaucão, o paladar da pheijoada!
Eu gosto de ver, vate, esse scenario de campo de trabalho, ou de prisão!
Eu gosto quando nunca dizer não alli me irá nenhum presidiario! Adoro ver um homem (acho hilario) de quattro, rastejando pelo chão!
Eu mando e, de joelhos, elle então me chupa, appós sentir gosto urinario!
Um homem, quando fica adjoelhado na minha frente e chupa, satisfaz as minhas taras, Glauco! Sou capaz de nelle descomptar meu lado sado!
Me excita que elle esteja condemnado, cumprindo pena! Até que você faz papel desse que nunca terá paz na vida, que lhe resta, de forçado!
Aqui neste paiz tem mais humano regime um criminoso: condemnado appenas a doar, compensa o damno e presta alguns serviços ao Estado.
Nós somos democraticos! Ninguem é preso ou torturado nesta terra! No maximo, sim, pune-se quem erra fazendo com que aquillo que elle tem de seu seja doado e, disso alem, impondo que trabalhe! Nosso plano será recuperal-o e vel-o, uffano, cumprindo o seu dever de cidadão! Ninguem direito algum, todos dirão, aqui neste paiz tem mais humano!
Terá seu patrimonio confiscado, sentença mais que justa! Mas tambem as corneas doará! Sim, fica sem visão, mas passa a algum necessitado seu approveitamento! Não me evado das minhas convicções de renomado jurista quando digo que um culpado de crime, na cadeia, não se emenda! Assim se exempla, em nosso (à parte a renda) regime, um criminoso condemnado!
Prisão não regenera ninguem, mas treinar o delinquente para, como callista ou pedicuro, achar o pomo que calha ao seu trabalho, isso é que faz justiça à sociedade! Sim, com paz de espirito é que affirmo: o mais insano bandido se arrepende e seu enganno lamenta para sempre quando, cego, mais util nos será! Com menos ego, appenas a doar, compensa o damno!
Nos nossos pés, treinado, o massagista practica seu officio com extrema pericia! Soluciona-se o problema das vagas em presidios, ja que, vista não tendo, elle não foge! Então, invista na causa popular, com resultado politico, o governo! O que arrecado eu, sendo o governante, é taxa plena! Portanto, o massagista paga a pena e presta alguns serviços ao Estado!
Talvez, si do islamophobo a cabeça cortar, o Estado Islamico apparesça.
Um gay, uma mulher, um extrangeiro... Em publico, o carrasco os decapita, sorrindo, e a scena filmam por inteiro! Mas outros “infieis” estão, na fita, morrendo... E os torturou todos, primeiro, o sadico e fanatico sunnita!
Alguns crucificados... Alguem grita, de penis amputado... Um outro, sem os olhos, erra às tontas... A desdicta das virgens menininhas vae alem da atroz escravidão, jamais descripta nas midias: mais chiqueiro do que harem!
Um xeique exclaresceu: a mulher tem total obrigação de dar prazer ao homem. Assim, tracta-se, tambem, de sexo oral: a bocca ante o dever de sujos paus chupar! Portanto, quem cegou, cappou, mactou... fará valer!
“Sim, fui torturador! Ja no DOI-CODI, admitto, trabalhei! Que mal ha nisso? Cumpri com meu dever! Ordens cumpri! Fiquei na moita appenas para não poderem patrulhar, os revanchistas! Agora fallar posso, Glauco! Ou é bonito ser sincero só si for de esquerda quem assume que é da lucta armada defensor, Glauco? Responda!”
-- Eu, hem? Si não respondo, você pode até me torturar! No seu serviço eu não trabalharia. Si escrevi O QUE É TORTURA, admitto que, ao tesão do algoz, fujam os proprios masochistas, pois acho que você pode seu pé mandar que beijem, lambam, sem auctor ser desse crime, ou cumplice. Quem chuta ou pisa não precisa da atroz onda!
Um sadomasochista não quer só de mentira dominar ou ser submisso, mas isso não exige que quem ri da agrura dum captivo seja tão adepto dum regime de fascistas que appenas utilizam sua fé no gozo para a toda parte impor os proprios interesses. Eu à puta que va quero quem minhas crenças sonda!
{Lhe conto, Glauco, tudo bem do jeito que estava accontescendo. O criminoso da epocha não era, como agora, “soldado” da facção, embora agisse em bando. Então, o “modus operandi” do assalto a residencias incluia um typico sadismo no que implica “zoar”, “barbarizar”, “esculachar”: as victimas, em casa sequestradas por certo tempo, viam-se forçadas a torpes e humilhantes situações.}
{Ninguem hoje se lembra, mas affeito ficou o bando armado a algum famoso e sabio pae-de-sancto que, na hora dos passes no terreiro, por crendice geral impõe que o “mano” sempre mande a victima sujar-se em porcaria fecal, beber chichi, chupar a picca mijada, comer merda, no logar se pôr da prostituta, gargalhadas ouvindo, vendo filhas estupradas por brutos e malvados bandidões.}
{Você percebe, Glauco, que o subjeito se sente “protegido” quando o gozo sacia, tendo o corpo, sem demora, “fechado” quando goza, como disse à midia a magistrada, que de grande saber se jacta. Claro que, hoje em dia, nenhum desses chavões se justifica. Mas isso não impede que algum lar ainda alguem invada com saphadas e porcas intenções, euphemizadas na midia com identicos chavões.}
-- Percebo, sim, sem duvida. Approveito taes casos em meus versos, pois Mattoso é marca registrada que não cora no tracto do problema. Nem tolice eu acho os ritos afros, nem quem ande fechando o corpo otario, que dum guia joguete seja. A fonte é muito rica. Si for superstição, si for vulgar ou não, materia prima às desvairadas rhapsodias me tem dado, que inspiradas são tanto por Satan quanto Camões.
Durante a dictadura na Argentina, collegas de prisão dum tal de Chango narraram a desdicta. Ser judeu valeu-lhe mais cruel perseguição por parte dos agentes carcerarios. Tiravam-no da cella. Ja no pateo, um guarda {le hacía mover} justo {la cola, que ladrara como un perro, las botas le chupara.} Foi chocante {lo bien que lo hacía}, si {imitaba al perro}, sim, {igual que si lo fuera!} {Si no satisfacía al guardia} a gosto, o algoz só {le seguía}, assim, {pegando}... Ouvindo os companheiros seus lattidos, suppunham ser, de facto, algum cachorro, tal era do rapaz fiel a voz ao tymbre que exigia seu algoz.
No seculo passado, foi roptina dos presos ser cachorro. Não me zango si fazem de mim isso, pois o meu tesão é masochista. Mas eu não queria ser judeu na mão de varios algozes argentinos. Que me tracte o leitor dessa maneira, nem me assusto, pois quando um cego soffre não tem erro. Comtudo, differente foi, durante os annos de Videla, a scena braba. Agora, puppy players fazem cera, cu doce, dengo, manha. Si indisposto, o cão nem obedesce a algum commando mais firme de seu dono. Os divertidos brinquedos dos gays nunca meu exporro suscitam, mas o cego tem um “boss” cruel em cada mente, e mais feroz.
(para Lucio Medeiros, amigo e leitor attento)
Macacos, ou Vigario Geral, ou Pedreira, ou Juramento, ou do Urubu... Tambem Villa Vintem, tambem Koréa... Visiveis, mas difficil seu accesso. O traffico usa alli seu tribunal e quem o desaffia alli será queimado vivo: o riso da gallera que assiste é garantido. O trafficante trazer uns pneus mandou. Seu desaffecto (alguem que está devendo, um seu rival, reporter, informante, ex-namorada) entrar vae pelo tubo de borracha.
Os numeros, ninguem os informou. Não é que seja aquillo algum tabu. Appenas se varia. Quem idéa tiver, para augmentar o seu successo perante a molecada, tem aval do chefe. Morra a victima, que está bem viva, appenas cega talvez! Mera questão de expancamento que, durante o previo julgamento, foi correcto demais ou foi de menos: ritual de farra e diversão geral, mais nada. Que seja crime barbaro quem acha?
Demora a agonizar. Melhor o show será si o condemnado, ao olho nu, caretas mais fizer para a platéa. “Por isso o corpo delle eu attravesso no meio duns seis pneus, de modo tal que braços, pernas, prendam-se e não va fugir dalli.” Deleite é o que se espera que renda aquella scena, jus a Dante fazendo, rosto exposto ao predilecto dos methodos mortaes. O carnaval desfila na avenida, mas ja cada vez mais é superado: outro se excracha.
Detalhe interessante: elle fallou (à midia um dos bandidos, em tom cru, nos conta) que da victima não é a erecta a posição melhor. “Eu peço que o ponham é deitado. Assim eu mal estico o pé, pois sua cara ja alcanço facilmente...” Que severa, extrema, dolorosa, degradante maneira de mactar, hem? Eis, no tecto de pedra dos Brazis, o cultural exemplo duma technica advançada que royalties não cobra, siquer taxa.
Relatam-me: na Arabia, actualmente, a practica sunnita recrudesce. Quem pensa que internet é livre para protestos, condemnado será como qualquer outro sacrilego. Será, em publico filmado, flagellado.
Até turistas filmam. Quanta gente diverte-se com isso! Si estivesse alli, tambem eu, logico, filmara: a todos os demais nisso me sommo. Me dizem que, entre aquelles que vêem, ha quem queira, até, nas botas ser babado!
Explica-se: o punido tem, na frente de todos, que lamber, antes da prece e dumas chibatadas, com a cara nas botas do carrasco ou, num assommo da parte deste, lambe quem está appenas assistindo como sado.
Não posso me fazer de indifferente perante tal castigo. Me enduresce a picca quando um cego se compara à victima. Meu gozo não embromo e digo que desejo lamber ja o tennis dum turista mais folgado.
Um arabe que livre pense e tente ser, logo saberá, caso não cesse seus memes de postar, que quem se azara é elle. Provará do amargo pomo na sola da botina. Provará aquillo que provei ao ser cegado.
{Então, Glaucão, na certa te provoca angustia a proporção em que a cegueira usada fora para a punição ou para a represalia, quando o globo podia ser queimado pelo ferro em braza, ser furado ou simplesmente tirado com os dedos, imagino que sem anesthesia... Ja pensaste, Glaucão, si tu vivesses nesse escuro regime? Bastariam teus poemas mais leves para à pena costumeira tu seres condemnado! Ouso dizer que, quando teus dois olhos prestes ja a serem arrancados estivessem, verias do carrasco o olhar risonho e, logo appós a barbara extracção, risadas ouvirias, nada mais podendo divisar na cara assaz cruel e zombeteira do rapaz, suppondo-se mais joven o carrasco...}
-- Mais longe vou, si scena tal te choca: Alem duma agonia, da caveira me sendo retirados como são os olhos, e de estar eu, feito bobo, causando o riso delle, mal meu berro cessasse de echoar, esse inclemente carrasco quereria meu destino mais cedo completar. Esse contraste do cego, para aquelle que fez furo nos olhos seus, daria bellos themas poeticos. Supponho que elle queira usar-me como objecto de prazer, fazendo-me chupar, o que lhe dá tesão mais requinctado. Não se exquescem os sadicos de serem, no meu sonho, rapazes caprichosos. O tesão, tu sabes, mais augmenta si normaes os olhos do oppressor forem e más as chances do opprimido. Não estás a achar graça do lance em que eu me lasco?
{Te sentes victimado, Glauco? Pois então pensa naquelles que, em qualquer nação, regime ou epocha, serão cegados na prisão, suppostamente a fim de doar corneas, mas tambem por uma disciplina commodista por parte do regime: quem não tem visão difficilmente foge, não reage nem recusa quando o novo e rude carcereiro nelle busca alguma diversão impiedosa. Que pensas disso, Glauco? Não te sentes, às vezes, invejoso desses presos? Não queres masochista ser, Mattoso?}
-- Amigo, nem calculas! Os meus dois globões glaucomatosos nem siquer dariam boas corneas, porem não me falta phantasia nesta mente devassa. Me imagino, sim, refem dum joven carcereiro, que da vista perfeita bem desfructa. A rir, me vem o agente exigir prompta fellação, applica bofetões. Si me commovo por outros, por mim nunca. Me chammusca o joven, me machuca. Por fim goza gostoso, bocca addentro. Dos agentes, aquelle não deixou jamais illesos os cegos. A sonhar, vejo o seu gozo.
Puxar pela memoria requeria o facto. Eis que puxei o quanto pude. Requinctes de sadismo, no regime cubano, uns escriptores no detalhe relatam, como aquelle em que o subjeito, sabendo que irá, para trabalhar, ao campo de forçados, antes é levado frente ao publico risonho a fim de confessar o seu delicto: de idéas discordar. Reconhescendo seu “erro”, pedirá perdão ao povo, que ri da sua cara, pois aquillo em nada reduzir vae sua pena.
Então eu dou palpite que riria melhor a tal platéa si a attitude do preso, mais humilde, ante seu crime, tivesse que ser. Maximo acchincalhe seria que lambesse elle, no peito e até na sola, a bota popular de cada cidadão dessa ralé. Achando ser delirio o que supponho, appenas eu commento que me excito com esse panorama tão horrendo. É quando perguntar si me commovo alguem vae, pois me informam que, ao estylo daqui, sadicos entram mesmo em scena:
“Mas, Glauco, isso occorreu no dia a dia da nossa dictadura! Alguem se illude com falsas negativas? Todo um time bem craque em torturar (Mas não expalhe, sinão vae dar idéa!) tinha feito que cada prisioneiro, ao implorar perdão, lambesse os tennis ou o pé descalço dum cagueta cujo sonho ter era tal prazer! Acha bonito, Glaucão, tudo o que estava accontescendo?” Respondo que, bonito, não. De novo, porem, eu lhes affirmo que tranquillo me sinto. Ter tesão ninguem condemna.
Relatam nossos proprios torturados detalhes do papel que desempenha o typico cagueta no odioso regime militar. Em livro, o preso nos conta que informante, no paiz, jamais faltava: algum discreto moço podia ser quem ia, ao “entregar” suspeitos, convidado ser por um agente do DOI-CODI a, si quizesse, sessões presenciar. Um delles deu resposta a tal pergunta nestes termos: -- Ahi, quer assistir? Quer ver um show legal de pau de arara? Foi você que o caso dedurou. Quer assistir? -- Uau, si quero! Posso mesmo? Uau!
Narrou o preso: Foram muito usados os methodos banaes nessa ferrenha usina de tortura. Tinha gozo maior que o dos carrascos um obeso baixote, delator dum infeliz vizinho communista. Num pau grosso ficou dependurado, com um par de fios connectados ao bumbum, ao sacco, ao penis, para rezar prece, o tal de “subversivo”. Se fodeu bonito, como achou, si nós soffrermos a curra, tal gordinho, a quem eu sou egual ao torturado, que mal vê o pé que em suas fuças insistir irá, pisando como num degrau.
No baile do navio, o açoite estalla. Sorrindo, o capitão é quem lhes falla à noite, em pleno mar: “Gozemos destes negros prisioneiros! Vibrae rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dansar!”
Castro Alves diz que é sonho tal visão do algoz chicoteando os que alli estão dansando pela noite. Mas elle reconhesce que a viagem é longa. Divertindo-se, assim agem os brancos, tendo o açoite.
Alem de, num porão infecto, por semanas, viajar, ser do feitor joguete do chicote será fatal ao negro quando em terra chegar, ja que esse baile não se encerra naquelle naval trote.
Tambem no pellourinho o escravo iria dansar, quando a platéa de alegria vibrasse, gargalhando, Pois cada chicotada provocava na bunda rebollados. Bunda escrava, que usada foi, a mando.
Depois de a ter usado, o branco quiz censura ao carnaval, neste paiz, por ordem lhes impor. Agora os negros mandam neste baile. Só o cego, revoltado contra o braille, escravo é, sem ter cor.
O braille é como o tronco, o pellourinho, que nunca permittir o que escrevinho iria, si eu o usasse. A bunda não rebollo, mas pé batto emquanto nestas teclas desaccapto a mesma rica classe.
Eu era de menores monitor. Lotado num presidio carioca, provei da violencia meu sabor.
Quem sabe dessa scena nem se choca. Appós ver fracassado o seu motim, vae dar a molecada a curra em troca.
Voltando para casa quando vim, fui por algum pivete, fatalmente, reconhescido. Quasi foi meu fim.
Rendido, da pistola ja na frente, levado fui ao morro pelo gruppo daquelle vingativo delinquente.
Em meio a muito riso, vaia, apupo, aptado estive em arvore e, sacando o sarro, fui pedindo: “Não! Não chupo!”
Chupei, comtudo, ouvindo-lhe o commando, levando tapa, murro, cusparada de todo o jovial e bruto bando.
Chupei, sim, o sebento pau de cada moleque da favella, pois meu medo ver era a minha pelle ser queimada.
No morro, o “microondas” era, a dedo, o methodo mortal de exsecução, por isso, sem vacillo, a bocca eu cedo.
Imploro que, na pilha de pneus, não me mettam, não me queimem devagar, servindo da platéa à diversão.
Somente quando o chefe auctorizar se macta alguem assim. O joven liga e pede permissão, no cellular.
O chefe não permitte, pois amiga uma alma pena teve e me poupou de martyr virar, tanto que fiz figa.
Queimado não morri, mas o meu show vazou nos cellulares. Chupador virei, viralizei. Queimado estou.
Foi Alvaro de Campos quem fez essa maritima, terrivel ode, embora tambem calma, nostalgica, na qual o bardo vae, no porto, divagando.
Tambem vou divagar. Elle começa navios descrevendo, dos de agora. Aos poucos, retrocede ao infernal dominio dos piratas, nem sei quando.
Importa-me tocar no que não cessa, cruel, de incommodar-me: o que vigora no codigo dos mares e fatal se torna a quem refem foi do desmando.
Commum, a quem os mares attravessa, é o berro de quem perde a vista. Chora, ou, como diz o Campos, uiva, tal e qual cachorro uivando, quando em bando.
Gostavam os piratas, rindo à bessa, duns olhos arrancar, arrancar fora das orbitas, appenas pelo mal que, em gozo, practicavam... É nefando!
Calculo, ca commigo, si interessa tal coisa pesquisar. Barasch ignora, tal como outros auctores, o gruppal prazer de quem estava no commando.
Appós tomar, pilhar, não ha quem meça a sanha desses sadicos. Affora demais crueis supplicios, ritual virou enuclear, ver nego urrando.
Cegados, os coitados ja sem pressa vagueiam a gemer. Nada melhora o quadro. Ja correram, carnaval fizeram. O scenario ficou brando.
Depois, implorarão. Numa promessa qualquer ‘inda crerão. Alguem explora aquella vil cegueira. Sexo oral alguem exigirá, delles gozando.
Assim os interpreto, pois processa meu verso o que o leitor, sem culpa, adora da culta lyra: a abjecta bacchanal que Campos suscitou e que eu expando.
Um homem, quando perde a liberdade e sua independencia, se reduz àquillo que se applica a quem faz jus a alguma punição da sociedade, na ronda do rondó correccional.
Não basta estar recluso attraz de grade! Ceguemol-o! Privado elle da luz, se torna obediente! Até suppuz jamais haver um cego que se evade, na ronda do rondó correccional.
Com minha experiencia de jurista, constato que cegal-o é o melhor meio de fugas evitar! Si perde a vista, alem do mais, subjeita-se ao que leio accerca da cegueira: quem resista não ha, quanto ao castigo e quanto ao freio, na ronda do rondó correccional.
Qual sadico Jesus perdoaria em caso dum pedido de perdão?
Aquelle que, valente e destemido, tortura alguem appós vencel-o numa renhida lucta, para lhe cobrar o preço da derropta na disputa?
Ou outro, o mais covarde dos dois sadicos, aquelle que só goza si estiver em gruppo, protegido por impune poder dictatorial ou militar e, quando solitario, se defeca de medo do opponente? Certamente Jesus perdoaria aquelle mais covarde, que tortura alegremente appenas quem não pode reagir.
Dahi por qual motivo Jesus dá valor a Zebedeu, que, tendo um olho, por cyma dos ceguinhos tripudia.
Elle era ‘schizophrenico, mas nem por isso precisava assassinado ser pelos militares desse jeito, Glaucão! Foi ammarrado, foi jogado num minimo cubiculo, onde estavam os ares ja tomados pelo gaz!
Morreu asphyxiado rapidinho, mas isso não retira as evidencias de intenso soffrimento nessa morte! Em summa, mais um caso de tortura!
Si, em vez dum louco, fosse com um cego, ahi talvez até se desculpasse tal facto, ‘ocê não acha, menestrel?
Comtudo, nesse caso, os militares poriam sobre sua cara a bota!
Depois, então, fariam todo o resto!
Mas, Glauco, o pessoal está pegando demais, mas demais mesmo, no meu pé! Tá certo que empreguei nesse subjeito aquillo tudo que elles me ensignaram no curso: choque electrico, cigarro, agulha, palmatoria, abuso oral, rectal, nasal, dental e genital! Si quasi que mactei o desgraçado, a culpa não foi minha! Quem mandou o cara ser tão fragil? Supportasse melhor, ora! Affinal, aquelle curso que todos frequentamos no quartel foi feito para macho, pois tambem a gente é torturada, a fim de estar sciente do que rolla com a pelle dos outros, Glauco! O cara que encarasse a barra que elle iria aguentar, porra! Mas deixe estar! Problemas eu com isso não tenho! No governo, muita gente me entende, me protege e me dá appoio! Quem sabe eu seja até recompensado!
Mas, Glauco, veja só! Si la de cyma exemplo vem da propria auctoridade, dizendo que enaltesce quem tortura, honrando uma memoria assaz notoria que tinha aquelle infame general, por que não poderei eu, que sou guarda civil, me impor mettendo o pé na cara dum obvio delinquente que, no chão, ficou, por meus collegas, reduzido a mero verme, inerme, inerte e docil?
Você, que ja levou meu pé na cara, bem sabe que não piso com pressão tão forte, que tem sola de borracha, macia, a minha bota! Não se lembra? Então! Estão fazendo disso, Glauco, um cynico cavallo de battalha, appenas tempestade em coppo d’agua!
Você fallou, Glaucão, desses caguetas que sallas de tortura frequentavam só para appreciar o que rollava com esses prisioneiros. Mas eu sei de fonte limpa, Glauco, que elles não appenas assistiam, mas curtiam, tambem, participar dessas torturas! Você ja fallou disso? Do tesão maior desses caguetas que dos proprios carrascos, ja fallou? Ja disse tudo!
Você fallou dos morros cariocas, do forno microondas, das torturas que excitam os moleques nas favellas... Agora filmam tudo, menestrel, não só para a alludida diversão, mas para adviso dar aos moradores accerca do poder dessas facções! É pena que não possa assistir, Glauco, mas, quando um trahidor é condemnado, é lindo contemplar aquelle riso aberto, pelas boccas juvenis, expondo uma alegria até que pura!
Glaucão, que fixação que você tem no raio da tortura de enterrar alguem até que fique só de fora, ao nivel do chão, sua cabeçorra exposta aos ponctapés ou aos pisões!
Você ja commentou essa tortura em varias partes, epochas e scenas! Coitados dos que ficam alli, sob os chutes e soladas, menestrel!
Não tinha que expor tanta agrura, Glauco!
Conhesço um camarada que, este não, siquer posso chamar de camarada.
De esquerda, mas de esquerda que, extremada demais, acha que é pouco um paredão.
“Não, Glauco! Si esquerdista sou, então não tenho que ser brando ou terno, nada!
Guevara me desculpe: é these errada!
Não temos que ter molle coração!”
“Nos campos de trabalho quero pôr aquelles dissidentes todos, porra!
Que soffram, na afflicção, no horror, na dor!”
“Quem queira divergir, Glaucão, que morra!
Até você, si contra a gente for!
Não pense que, incapaz, risco não corra!”
Agente fui e tenho uma tremenda saudade dos porões da dictadura, Glaucão! Tanta alegria tive, pura, emquanto torturava alguem com venda!
Você nem precisava! Não se offenda, mas acho o mor barato uma tortura causar em cego! O cara não attura soffrer? Mais dará gozo que me renda!
Ah, Glauco! Quantos methodos eu punha em practica! Agua, fogo, choque, “estrupo”! Sem freio, sem temor nem testemunha!
Às vezes eu sozinho, outras em gruppo, que sarro, cara! Pena que nem unha ‘rancamos, hoje, e só meu dedo chupo...
Você pegou regime tão fechado por causa de delicto muito feio?
Agora terá chance, sem receio, de estar em liberdade neste Estado.
Quer ser um carcereiro? O condemnado será preso politico. Chamei-o sabendo que você terá recreio no tracto dos communas, desse gado.
Nos campos nós mantemos quem perdeu emquanto nós ganhavamos. Os tracte peor do que soffreu qualquer judeu.
E então, topa? Belleza. Você batte, estupra, queima, cega... Nesse breu que fique quem leis nossas não accapte.
Bebês decapitados? Nem o Estado Islamico chegou a tanto, cara! Queimaram, mutilaram, tudo para causar maior impacto, maior brado!
Não, Glauco! Li bastante! Estou lembrado das coisas pavorosas que essa tara dos gruppos terroristas fez! Tomara que nunca alguem se exquesça desse lado!
Sim, piccas amputadas, sim, nos cus espetos enfiados, sim, sei disso, poeta! Que é que disso se deduz?
Sadismo, sim, sadismo! Não attiço polemicas, Glaucão! Mas bebês nus, em postas... De Satan, só, foi serviço!
Vi quando o otario, o trouxa, a duras penas, levando umas porradas, era posto, na praia, de joelhos. O seu rosto sangrava, mas quem via, ria, appenas.
Os sadicos garotos, que nem hyenas, soltavam gargalhada. A contragosto, o otario os chuparia. Foi-lhe imposto um baita affan! Gravaram essas scenas.
Foi posto num buraco. Bem distante estive, mas vi tudo. Conferi, depois, as scenas. Nada que me expante.
Na areia até seus hombros, de chichi banharam-no. Sim, soube que estudante foi, cada, dum collegio por aqui.
Emfim chegou meu dia de deixar aquelle captiveiro! Vocês não calculam como soffre um cidadão que caia, dos bandidos, no radar!
Appenas por calçar um caro par de tennis, dos de griffe, elegantão, me entaipam! Sim, fiquei ao rés do chão, aos pés de quem quizesse me zoar!
Pisaram-me na cara, com Rainha, com Conga, até com Nike, por vingança! Adidas nos pezões, tambem, um tinha!
Depois me libertaram, mas quem dansa, no caso, sae descalço! Fica a minha versão: não lambi tennis de creança!
No tempo ja longinqua, a scena dista, mas temos que lembrar. No patamar de cyma, a divertir-se e gracejar, estava a Juventude Hitlerista.
No pateo, os judeus presos, sob a vista dos jovens, se moviam devagar, às cegas, rastejando, para dar prazer àquelle publico nazista.
Sem roupas, mãos e pés aptados, iam e vinham, se rallando pelo piso, emquanto os crueis jovens delles riam.
Agora, quando ouvindo estão um riso angelico (ou mengelico), os que viam aquillo um dejavu teem, impreciso.
Tortura? Sim, tortura! Acho legal! Devia ser, talvez, legalizada! Assim preencheria logo cada bandido sua ficha criminal!
Os methodos? São livres! Affinal, nenhum policial receia nada! Cigarro, choque electrico, porrada, chibata, aguenta tudo um marginal!
Effeito pedagogico mais forte ainda nós teremos humilhando o gajo! Ora, ha com elle quem se importe?
O piso que elle lamba! Que commando receba para andar, temendo a morte, de rastos, sob as solas, e eu gozando!
Um preso ja ammestrado normal acha lamber o chão, passar a lingua nessa poeira accumulada, que interessa appenas aos solados de borracha.
A fim de evitar surras, se despacha na hora, ao ouvir ordens e, depressa, de quattro se colloca. Ahi, começa ouvindo bem que alguem o bicco racha.
Risonho, o carcereiro cospe e pisa em cyma desse excarro que elle mesmo soltara alli na lage pouco lisa.
O preso sua lingua passa, a esmo, no cuspe empoeirado, um extra, à guisa do gosto de farofa com torresmo.
Fallei ja disso, Glauco. Nos Estados Unidos, propuzeram que quem seja às grades condemnado, de bandeja ja doe suas corneas: são cegados.
Vantagens haverá, de varios lados. As corneas servirão a quem esteja daquillo precisando. Uma cereja no bollo é que estarão disciplinados.
Um cego prisioneiro não consegue fugir. Não se rebella contra nada. Em summa, não ha coisa à qual se negue.
É commodo ordenar que dê chupada e engula sem chiar. Alguem que cegue nem pode dedurar quem o degrada...
Da torre de vigia, algum gaiato observa aquella afflicta multidão de internos trabalhando, sem perdão nem pena, capinando qualquer matto.
Risadas dão os guardas si insensato é o typo de trabalho, pois estão, por vezes, a quebrar pedras, sinão appenas rastejando ao sol ingrato.
Commum é de gattinhas ver alguem levando ponctapés, chutes na cara, cothurnos que lamber tendo, tambem.
A vida de internato se compara, no caso dos menores, ao tal “bem estar” duma FEBEM antiga, à clara.
Num outro caso biblico, quem for vencido numa guerra poderá servir de escravo, Glauco, pois não ha nenhuma restricção nesse sector!
De guerra prisioneiros, ao sabor daquillo que quizer quem delles ja tornou-se capataz, irão a má vontade supportar, com pranto e dor!
Alguns dos capturados são cegados, a fim de que obedesçam sem nenhum signal de reacção frente aos soldados!
Você sabe, Glaucão, que é bem commum que sejam muitos delles estuprados, mas isso não lhe causa trauma algum...
Fiquei sabendo, Glauco! Um carioca me disse que prestou serviço para a nossa dictadura, que jogara no carcere escriptores! Sem fofoca!
Nem sempre quem escreve ser masoca deseja... Ahi que mora a questão, cara! Os presos que lamber tiveram rara sujeira, alli no piso dessa toca!
Das cellas para o pateo, um corredor havia, a ser lambido, onde cothurnos pisavam... Um horror, é de suppor!
Quaesquer horarios, sempre, em quaesquer turnos, serviam para a farra! Gozador, o gajo mais curtiu os mais nocturnos...
Conhesço um gringo, Glauco, que luctara na guerra americana, mas doente voltara para a America. Se sente o cara assaz culpado duma tara...
Remorsos sente, claro, pois foi, para diversos prisioneiros, inclemente na sadica tortura, a ferro quente, a faca, a choque electrico... Humilhara!
Lamberam suas botas todos, antes de serem mortos nessa atroz tortura. Agora, nem mais usa taes pisantes...
Prefere, só de tennis, à procura sahir dos seus clientes, os amantes do chute e do pisão... Tudo tem cura!
Um lider camponez deu entrevista agora mesmo, mestre, e disse bem: Até pode tardar, mas logo vem o proximo regime communista!
Primeiro, os sovieticos conquista tiveram, que implantou o que ninguem suppunha: a nossa lucta, agora sem temor, bem diffundida, dada a pista!
Em breve, voltaremos, globalmente potentes! A fascista burguezia que nosso paredão agguarde e enfrente!
Mas, antes, menestrel, o que eu queria dizer é que estarei, todo contente, impondo aos inimigos a agonia!
Estou decepcionado com a nossa esquerda, pois defendo uma tortura politica, penal, como a que fura os olhos, usa açoite, emfim, da grossa!
Caracas ou Havana sempre endossa tal practica! Aqui, toda a gente jura que é feio torturar! Ninguem segura, assim, as dissidencias! Ha quem possa?
Agora, da direita sou adepto, pois ella aqui tortura como la nas outras dictaduras, sem ter veto!
Commigo você, Glauco, não está de accordo? Ora, devia ja, directo, ter ido cortar canna, camará!
Fallar não vou num campo de “trabalho forçado”. Nem dizer “concentração” eu quero, Glaucão! Acho uma noção de morte, de exterminio: um acto falho.
Aos presos condemnados eu me valho dum termo de geral applicação: “colonia penal”. Prompto! Todos vão penar, cada macaco no seu galho!
Irão, sim, trabalhar, mas cada qual na sua vocação. Quem sem visão está, ser pode escravo sexual...
Proponho que elle cumpra a fellação nos proprios carcereiros, ja que egual chupeta taes agentes não terão...
Na marra, aquelle inerme prisioneiro começa a rallamber o sujo piso interno do presidio, sob o riso do joven carcereiro, sobranceiro.
A lingua, rente ao tennis por inteiro filmado na sessão, faz indeciso e exquivo movimento. Tambem fiz o serviço, recolhendo cada argueiro.
Os ciscos adherindo vão à minha rallada lingua. A baba molha a lage pisada pelo tennis, que é Rainha.
Embora degradado pelo ultraje, não deixo de exbarrar, em recta linha, num tennis que combina com o traje.
Não, Glauco, supportar você não ia! Fizeram-me lamber todo um banheiro! Sim, isso mesmo! O piso, por inteiro coberto da mais grossa porcaria!
Levei chutes na cara! Valentia nem pude exhibir! Só de lembrar, beiro a nausea! Minha lingua tal chiqueiro lavou na marra, porra! A turma ria!
Senti de mijo o cheiro, senti gosto de bosta mixturada com poeira de tanta sola suja! Fui exposto!
Filmaram tudo, Glauco! Não, não queira achar que poderei erguer o rosto de novo! Não foi mera brincadeira!
(1)
DE INIMIGO (1/3) [12.801/12.803]
Sim, Glauco, obriguei esse desaffecto meu, esse vil rival, a ficar preso na areia, até seus hombros. Meu desprezo iria aguentar, fora algum dejecto.
Meus ‘parças o forçaram. Logo, quieto estava, alli enterrado. Senti teso o pau, vendo o semblante que, indefeso, olhava-me com odio. Fui directo:
“Ahê, cuzão! Cabou a valentia? Na sua cara, ahê, sente meu pé! Não gosta? Quer biccuda?” A turma ria.
Fizemos que lambesse. Fiz até que sua bocca abrisse. Eu disse: “Enfia o bicco da botina! Ahê, mané!”
(2)
Lhe disse que talvez dalli sahisse com vida si lambesse, si chupasse as solas, as biqueiras. Desse impasse achou que excapparia? Que tolice!
Nós riamos à bessa, Glauco! Ri-se à bessa quem se vinga, quando nasce aquella sensação gostosa. Classe não tenho, nunca tive, ja lhe disse.
Aos poucos, nós fizemos do coitado a bolla que se pisa, que se chuta de leve e com mais força... Achei gozado!
Gemia, supplicava... A gente escuta pedidos de perdão. Até me enfado curtindo humilhação dum fidaputa...
E então, Glaucão? Contei tudo o que quiz saber? Não, não mactei o desgraçado. Appenas o cegamos, não me evado da culpa. Meresceu, esse infeliz.
A gente, nessas phases juvenis, accerta as differenças, para aggrado de todos os tesões, com um boccado de sarro, ou diversão, como se diz.
Faltou algo? Bebeu chichi, comeu cocô, nada deixamos que faltasse. Quem nelle mais mijou alli fui eu.
A areia lhe exfregamos pela face a poncto de cegal-o. Hoje no breu está de vez... Curtiu o desenlace?
Nos centros clandestinos de tortura nós eramos, na propria, bons de facto! Tivemos que esconder, mestre, eu constato, aquillo que faziamos! Não dura!
Segredo não se guarda! Ninguem jura boquinha de siry fazer e, ingrato, alguem sempre dedura quem de gatto sapato fez um preso! Quem segura?
O ORVIL diz que é melhor, então, tornar legaes, officiaes, os centros taes! Assim, será “serviço militar”!
Glaucão, que tal? Eu quero, por demais, virar torturador! Quero pisar na cara dos civis, esses bossaes!
Na salla de tortura a gente tem que estar se divertindo, menestrel! Ja temos que dar duro no quartel, mas ha, tambem, lazer! Ainda bem!
Segundo o ORVIL, podemos usar, sem limites, o cigarro, os choques... Quem quizer, pode estuprar o cara, ao bel prazer, pode ser, mesmo, bem cruel!
Sim, Glauco, ja metti, naquella salla, a rolla numa bocca! Sim, chupal-a um preso fiz, no meio da sessão!
Sim, claro que exporrei! E por que não? Nem sempre esse communa appenas ralla a lingua no chão! Pode engolir galla!
SONNETTO DO DOI-CODI [12.935]
Nós davamos risada, Glaucão, ora! Devia doer, claro, mas não era na nossa pelle, mesmo... O que se espera dum centro de tortura? Alguem, la, chora!
A gente era “alcagueta”, mas de fora ninguem ficava! A tara da gallera era assistir a tudo! Quem não quer a desgraça alheia achar gostosa? Bora!
Alguem, no corredor, o chão lambia por ordem dum agente, mas a gente ficava alli, curtindo! Uma alegria!
Ja li, no ORVIL, que está ficando urgente a volta desses centros! Que seria do sarro sem alguem que se attormente?
Nós, como mercenarios, vamos para qualquer logar. Um gruppo temos, sim. Não macto só por grana. Para mim, melhor é torturar antes. É tara.
Tentamos capturar bem vivo o cara e, quando conseguimos, ha festim. Sim, Glauco, prolongamos o seu fim ao maximo. Ninguem isso declara.
Cadaver enterrado, mais ninguem saber quer si morreu assim, assado. Ah, como dá prazer cada refem!
Si faço chupar? Claro que sim! Sado não perde tempo! O cara ainda tem anxeio de ser (Trouxa!) libertado...
Na salla de tortura, ao lado dum cagueta, assisti, mudo. Um militante de esquerda appanhou muito... Riu bastante aquella atroz platéa. Algo commum.
Brutal foi! Lhe exfollaram o bumbum! Usaram choque electrico durante mais tempo do que um medico garante. Seu recto não deixaram em jejum.
Um frango, num espeto, parescia o gajo, nu, naquelle pau de arara... Nem para descrever dá, num sonnetto!
É disso que me lembro. Si der para narrar tal lance em versos, eu prometto que conto o que rollou com outro cara.
Na frente de battalha, a meninada dá tiros de verdade em tudo quanto se mova alli por perto, sob o manto das cores inimigas. Dão risada.
Pegar um homem vivo lhes aggrada. Melhor que metralhal-o, sem expanto dos velhos habitantes, é rir tanto ou mais, causando morte prolongada.
Torturam o opponente guerrilheiro, à vista do povão, tal como quem é frango contra aranha em gallinheiro.
Piccando vão, aos poucos, o refem na poncta dos punhaes. Pisam, primeiro, com gosto no seu rosto, os olhos sem.
Aquelle que interroga algum bandido detido não tem muita paciencia com gente que se nega a contar. Vence a razão de quem indaga, não duvido.
Mas, caso o preso teime, decidido a nada revelar, uma sciencia se impõe: a da tortura. Havendo urgencia, respostas surgem. Mas... resta a libido.
Trabalham os agentes, mas tambem divertem-se e bom sarro tiram, ora! Quem foi que não chupou, si soffreu? Hem?
Os methodos variam, mas quem chora no pau, pau chupará. Mais tarde, sem chiar, implora a rolla. Até decora.
Odeio os humanistas, menestrel! Defendo uma tortura, sim, “de estado”! Não creio que meresça algum coitado cuidados, si está preso num quartel!
Alli si estiver, é por ser fiel às causas que, de esquerda, teem causado discordias e tumultos! Não me evado de nada! Assumo tudo, no papel!
Das theses da direita fui auctor, poeta! Quem quizer, basta ler um dos livros que escrevi para me expor!
Detesto um ideario que, commum nas rodas humanistas, faz suppor que pense em attemptados só bebum...
Glaucão, vou lhe explicar pausadamente os passos do meu methodo, que calha àquelle que deseja ter, sem falha, controle sobre escravos, thema quente...
Primeiro, venda applique. Quem se sente cegado não reage. Esse trabalha melhor com sua bocca. Mas ‘cê ralha, em caso de recusa do invidente.
Si segue recusando uma chupeta, ‘ocê lhe ensignará, com a chibata, a ser obediente, esse cegueta...
O cego berrará, caso ‘ocê batta com força. Depois, caso ‘ocê lhe metta mais fundo, terá mente mais cordata...
SONNETTO DO REVANCHISMO [13.782]
Si eu fosse, menestrel, o presidente aqui desta nação, não deixaria que tudo se frustrasse! Mas um dia ainda voltaremos, és sciente!
Bem sabes tu que iremos dessa gente, emfim, nos desforrar com alegria e sede de vingança! Acho que eu ia mactar todo communa pela frente!
Pegassemos uns vivos, ah, poeta, iriam soffrer muito na tortura! Ou achas que essa acção não é correcta?
Teremos que voltar à linha dura, sinão, Glaucão, ninguem mais se punheta nem goza quando os olhos delles fura!
Assim que retirado foi da cella, batti nelle e mandei lamber o chão!
Foi linda a scena! Aquella lambeção alegre me deixou! Que scena bella!
No piso de cemento toda aquella escoria apprisionada fiz questão de ver engattinhando! Deu tesão! Alli muita poeira se exfarella!
Poeira das botinas dum soldado, poeira até dos tennis dum menino que tenha a protecção do delegado!
É sadico o moleque, eu vaticino, pois foi de seu talante e seu aggrado pisar nos prisioneiros! E é franzino...
Glaucão, ja me infiltrei, sim, num quartel, a fim de espionar o que essa gente pretende fazer caso, de repente, se encontre no poder, ao prazer bel!
Até ja me passei por coronel, fingi que mactaria lentamente os nossos inimigos e, contente, torturas proporia, menestrel!
Propuz que torturassemos com toda a nossa crueldade! Que se foda aquelle communista arruaceiro!
Mas logo perceberam que, na roda, eu era alienigena! Foi foda! Comeram-me! Estupraram meu trazeiro!
DO COLLABORACIONISMO [13.913]
Na França, a Resistencia à nazi bota foi brava, mas, de vez em quando, alguem cahia, apprisionado. Só quem tem coragem, nessas horas, se devota...
Ja victima do chiste e da chacota foi quem collaborou, feito um refem covarde, com os nazis. Hoje vem à tonna alguma typica anecdota.
Um desses delatores, pego por alguem da Resistencia, torturado foi como qualquer ratto: sem pudor...
Furaram os seus olhos e, cegado, não pôde ver, dos sadicos, a cor das botas que calaram o seu brado...
Mattoso, te contar quero um dos casos bastante parescidos com os teus sonnettos a respeito dessa gente que fica, até por dias, enterrada appenas de cabeça para fora, tortura que se chama “sand necktie”, segundo o que tu mesmo pesquisaste. Aqui, de “entaipamento” foi chamado tal typo de supplicio, muito usado por brancos, nas prisões sulafricanas, só para punir negros que estivessem as regras do regime transgredindo. No caso brazileiro que te quero contar, sequestradores mantiveram um chefe de familia, até que quasi morresse, em captiveiro desse typo. Sei disso porque fui vizinho delles num sitio onde meus thios passavam ferias e sempre me levavam juncto para que eu, nesse bom “lazer”, desestressasse um pouco dos estudos estaffantes. Eu era adolescente e, para alguem que esteja accostumado com a vida urbana, aquellas ferias poderiam ser tanto um puro tedio quanto um jeito de estar me divertindo com mosquitos, serpentes ou aranhas, quer dizer, depende só dalgum poncto de vista. Na ausencia dos meus primos, que comnosco não tinham vindo, pude me sentir sozinho para algumas adventuras, mas, pelo lado opposto, me faltava aquella companhia animadissima que tanto os molecotes appreciam. Tentei, naquelles dias, explorar melhor as redondezas, à procura
de scenas photographicas à minha fiel e velha camera, taes como a teia das aranhas gigantescas na matta, alli pertinho da varanda do sitio. {Que perigo!}, opinei sempre. Mas fui photographar essas bichanas e, quando ja voltava ao casarão dos thios, cruzei com nosso tal vizinho, que, para disfarsar, me deu bom dia, sorriu e perguntou o que eu fazia alli. Lhe respondi de bom humor, porem desconfiei que estava appenas sondando para ver si eu ja sabia que tinham seus comparsas enterrado, da casa ao lado perto, o seu refem, mantido só de cara para fora, levando uns ponctapés ou simplesmente pisões da turma toda, todo o tempo, alem de estar, de todos os insectos, terrestres, voadores, à mercê. O joven que me vira alli pensou que eu tinha ja advistado o prisioneiro, por isso quiz sympathico mostrar-se, a fim de que eu pensasse se tractar dum caso de vingança, meramente, ou seja, algo que sarro me inspirasse tambem, como si eu cumplice virasse daquillo que inventassem a respeito do gajo sequestrado. Mas tu sabes, Mattoso, que eu cabreiro sempre fui e logo suspeitei das intenções do joven que me dera seu bom dia. Assim que notei uma cabecinha la longe, destaccando-se no chão, fingi que nem ligava si esse gajo supplicios estivesse supportando. Sorrindo, perguntei ao bandidão: {Pegaste esse ladrão ahi no flagra?
Ou elle quiz roubar a tua mina?
A tua turma nelle ja pisou bastante? Te vingaste delle, mano?}
O joven bandidão retribuiu
o sarro que tirei e convidou-me a vir para mais perto do refem, tirar algumas photos do coitado, pisar na cara delle, si eu quizesse. “É mesmo, minha turma ja pisou bastante nelle! Quer pisar tambem?”
Me fiz, então, de cumplice e cheguei bem perto desse rosto com meu pé, seus labios cotucando com a poncta do tennis encardido de poeira. Ao nivel dos pisões e chutes, quem até pelo pescoço se enterrou não pode questionar ninguem, appenas pedir por agua, nunca por soccorro. Por isso o sequestrado nem gemeu, sentindo do meu tennis a biqueira na bocca, pressionando os labios seccos.
{E tua turma? Aonde foram? Não estão pisando nelle por que, mano?} “Ah, logo voltam. Deram um rollê.”
O joven procurava ganhar tempo até que seus comparsas retornassem. Ahi, provavelmente, eu correria perigo. Poderiam me mactar, até mactar meus thios, alli do lado. Podiam enterrar-me quasi todo, assim como fizeram com o gajo que estava dos meus tennis ao alcance. Eu era archivo vivo. Caso o gajo morresse nesse estado deploravel, é claro que eu seria testemunha, a menos que tambem fosse enterrado e juncto com o gajo fallescesse, podendo mesmo um tiro pela cara
levar antes que em algo mais pensasse. Pensei rapidamente. Esse bandido armado não estava nesse instante, sinão ja me teria ammeaçado e feito prisioneiro. Delle, então, tractei de despedir-me e fui andando depressa, antes que fosse buscar sua pistola, seu fuzil, uma arma assim. Ao sitio corri para advisar meus thios sobre esse possivel sequestrado e sobre essa suspeita vizinhança. Tithia, appós ligar para a policia, de carro nos levou para logar seguro. Tithio, devo dizer, era ja meio doentinho da cabeça, pensava devagar, por isso sua mulher sempre tomava as providencias. Do sitio duns parentes nós voltamos à scena desse crime só depois que estava no local toda a policia, que veiu com reforços e chegou depressa, para a nossa admiração. Acharam o refem ‘inda com vida, mas muito desnutrido. Certamente teria alli morrido, caso nós tardassemos appenas um pouquinho. O joven bandidão, com seus amigos, no pé ja dera a tempo, com certeza. Estavam foragidos e nem sei si foram, num momento posterior, detidos, nem si suas fichas foram, ao menos, levantadas. Não importa, Mattoso. O que me importa, neste caso, é ter pensado rapido, ter tido de espirito presença, pois salvei a vida de pessoas outras, fora a minha, claro. Como rollaria o lance, si não fosse desse jeito,
aos meus thios, à familia delles, caso daquellas coisas todas não soubessem? Do sitio meus thios logo se livraram, frustrados com taes ferias, as presentes, passadas e futuras, ja que sempre algum interessado, ou seja, algum otario, tem vontade de morar na zona rural, menos polluida, ou para suas ferias possuir a tal “casa no campo” de que fallam. Mas, Mestre, diz-me. Como tu farias, Mattoso? Ja pensaste si estivesses alli, pisando o rosto dum refem que nem siquer soubesses quem seria? Pensaste que podias ser tu mesmo aquelle sequestrado que na cara levava tantos chutes e pisões? Melhor é nem pensares nisso. Um cego nas mãos de taes bandidos, ou nos pés, teria, dos destinos, o peor. Não achas? Hem, Mattoso? Não respondes?

