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Entrega voluntária à adoção

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Pedruzzi | Neves

É psicóloga, mestre em Psicologia na linha de pesquisa Psicanálise e Cultura, sob orientação da Profa. Dra. Anamaria Silva Neves, com o estudo que deu origem à presente obra. É psicóloga do Tribunal de Justiça de Minas Gerais desde 2006.

É professora titular no Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Autora do livro Família no singular, histórias no plural: a violência física de pais e mães contra filhos (EDUFU) e coautora do livro Violência, abandono e destituição do poder familiar: diálogos entre a Psicanálise e o Direito (Appris).

A temática da entrega legal – para além da identificação e do reconhecimento do desejo feminino como não adstrito a tornar-se mãe – envolve reflexões sobre as condições de precariedade social e desamparo que permeiam o fenômeno, bem como as possibilidades de essas mulheres chegarem aos dispositivos para anunciar suas escolhas. A responsabilidade ética do analista incide em se despir de seu lugar na classe social para escutar as mulheres sem repetir as forças de exclusão existentes na posição que ocupa e, também, considerar como lhe incidem subjetivamente os ideais da maternidade e a naturalização da mulher e mãe.

Entrega voluntária à adoção

Anamaria Silva Neves

A entrega voluntária merece ser tratada, no Poder Judiciário, como uma brecha, um furo no circuito da repetição ao propor esse cuidado com a gestante. Entretanto, é fundamental que esse trabalho viabilize ampliar a discussão relativa à maternidade e à exclusão social, pois pode ocorrer um desvelamento de questões que se encontram no cerne das situações da entrega voluntária à adoção, que suplantam as condições subjetivas da mulher e abarcam o laço social.

A escuta psicanalítica no contexto da Justiça objetiva realizar uma imersão implicada e comprometida, atenta e ética, com estabelecimento do espaço transferencial com as gestantes, permitindo a continuidade dos atendimentos enquanto durou o acompanhamento do processo da entrega legal.

PSICANÁLISE

Daniela Torres Pedruzzi

Daniela Torres Pedruzzi Anamaria Silva Neves

Entrega voluntária à adoção Psicanálise, direito e política

PSICANÁLISE

Quando a Justiça se furta ao lugar de saber sobre o sujeito e permite que a mulher construa sua escolha, restitui esse saber à gestante, com a possibilidade de elaborar sua decisão. Para que isso ocorra, é imprescindível que operadores da Justiça, magistrados, promotores, psicólogos e demais profissionais suspendam as resistências que advêm de seu próprio lugar institucional e simbólico de todo-saber. Deve ser fundamental, nos serviços, a capacidade de reconhecer a entrega (in)voluntária como caminho árido, preconceituoso e cruel trilhado por inúmeras mulheres pobres brasileiras. É prioritário que o atendimento às mulheres gestantes reconheça a desigualdade social, o desamparo discursivo e a rede de apoio precária dessas mulheres, para que novos patamares de intervenção possam ser articulados de forma interinstitucional e interdisciplinar.


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