Ao longo da leitura desta obra, entendi por que implico com assertivas como “fulano de tal é uma pessoa muito humana”, “o hospital oferece tratamento humanizado”, entre tantas outras que equacionam a natureza sapiens a um alto grau de respeito à dignidade alheia. A autora nos instiga a considerar nossa atávica propensão à intolerância. Antes mesmo de conhecer alguém (tarefa sempre nublada e incompleta), tendemos a idealizar ou… depreciar. Triunfamos sobre a alteridade que nos aflige, num ímpeto defensivo, atribuindo-lhe faltas e excessos. Irrompemos neste mundo tão precariamente e aqui vivemos sedentos de amor, por isso mesmo constituindo a espécie mais afeita a dogmatismos, a fanatismos, a racismos e a todas as formas de ataque às diferenças. Odiamos o que frustra nossas ânsias narcísicas.
Carolina Scoz
Psicanalista, professora livre-docente (IPUSP)
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Psicanalista, membro efetivo e analista didata pela International Psychoanalytical Association (IPA). Docente e supervisora clínica nas Sociedades Brasileiras de Psicanálise de Campinas (SBPCamp) e São Paulo (SBPSP). Diretora Científica da SBPCamp. Atuou por muitos anos como supervisora institucional em serviços de saúde e ambulatoriais. Publicou artigos em livros no Brasil, França e Colômbia, além da Revista Brasileira de Psicanálise, Revista Ide e Jornal de Psicanálise. Sua família sempre foi dedicada à educação, à cultura e a projetos sociais, na cidade de São Paulo e Piracicaba.
PSICANÁLISE
O espelho partido
nossas intolerâncias, tanto próprias, como alheias. Todos nós dependemos do contato humano para suportar a busca pela verdade, e é no encontro analítico, com sua potência dialógica e transformadora, que encontramos possibilidades de transitarmos pelo humano, em nós mesmos e no outro.
Marina F. R. Ribeiro
Adriana M. N. de Oliveira
Adriana Maria Nagalli de Oliveira
O espelho partido
Nunca perderá a importância um livro como este, que ilumina as feições da hostilidade, essa força psíquica destrutiva, às vezes sorrateira, e profundamente humana.
Oliveira
A metáfora do espelho partido serve como um fio condutor neste livro, no qual Adriana habilmente reflete as múltiplas facetas da intolerância acirrada que permeiam a nossa contemporaneidade. O livro apresenta de forma sensível como os discursos de polarização têm ganhado espaço, contribuindo para uma sociedade cada vez mais fragmentada. A autora nos convida a encarar a intolerância, que se manifesta de diversas formas, como um espelho que revela nossas próprias humanidades. Ela indica como o narcisismo das pequenas diferenças se viraliza por meio de algoritmos que alimentam a espetacularização, a alienação e a fragmentação social. Adriana compreende a intolerância como um tecido complexo, entrelaçado por fios históricos, sociais e emocionais. Sua reflexão remete à ética da complexidade de Edgar Morin, ressaltando a importância da empatia e da abertura ao diálogo como elementos essenciais para enfrentarmos
Refrações da tolerância e da intolerância no mundo contemporâneo Coord. Marina F. R. Ribeiro PSICANÁLISE
11/07/2025 16:27