Depois do ataque, os dois homens perceberão mortificados, cada um por si, que, devido à barreira natural fornecida pela floresta adjacente, que se estende até o topo de uma colina vizinha, qualquer som natural que ocorra atrás das árvores é abafado, amortecido, quase eliminado pela topografia.
Na verdade, mesmo que uma banda marcial universitária chegasse pelo alto daquele platô, um colono não a ouviria até que os pratos estalassem bem na sua cara.
Lilly Caul permanece tranquila e alheia ao ataque por vários minutos. Apesar das coisas terem começado a se desenrolar com grande velocidade ao seu redor, o barulho das vozes e dos martelos retinido é substituído pelos gritos dispersos das crianças. Lilly continua enfiando furiosamente estacas no chão — confundindo os berros dos mais novos com brincadeiras — até o momento em que Josh agarra a gola de seu moletom.
— O quê... — Lilly se contrai com o susto, voltando-se para o homem com uma expressão surpresa.
— Lilly, temos que...
Josh mal termina a primeira parte da frase quando uma figura sombria e cambaleante sai das árvores a menos de 4 metros de distância. Ele não tem tempo de correr, não tem tempo de salvar Lilly, não tem tempo de fazer nada além de arrancar o martelo da mão da garota e empurrá-la para longe do perigo.
Lilly cai e rola instintivamente antes de se situar e se levantar de novo, com um grito preso no fundo da garganta.
O problema é que o primeiro cadáver que entra cambaleando na clareira — um errante alto e pálido usando uma bata hospitalar suja, com metade do ombro faltando e as fibras dos tendões pulsando como vermes — é seguido por mais duas criaturas. Uma mulher e um homem, ambos com bocas que parecem valas abertas, lábios descorados vertendo bílis preta, olhos de botão fixos e vidrados.
Os três se aproximam com o característico passo espasmódico, as mandíbulas estalando, os lábios deixando entrever dentes enegrecidos, como piranhas.
Nos vinte segundos que os três errantes levam para cercar Josh, a cidade de tendas passa por uma mudança rápida e dramática. Os homens vão buscar suas armas caseiras, aqueles que têm pistolas levam a mão aos coldres improvisados. Algumas das mulheres mais ousadas agarram tábuas de madeira, ganchos de feno, forcados e machados enferrujados. Guardiães correm com suas crianças pequenas para dentro dos carros e das cabines das caminhonetes. Punhos cerrados esmurram pinos. Caçambas traseiras são fechadas com estrondo. 17