The woman, the spotlight, and the silence between the lights
“DESCE NUMA BOA”
Txilar celebra o verão com leveza e orgulho
Txilar celebrates summer with lightness and pride
Eu olho para dentro antes de olhar para a lente. A câmara mostra o que faço, mas só o silêncio me lembra quem eu sou.
Fotografia: Cortesia de Nádia Silva
Nádia Silva
A mulher, a exposição e o silêncio entre as luzes
Há rostos que nascem para a luz, mas nem sempre a procuram. Nádia Silva é um desses. Vinda de Cabinda, cresceu entre passagens, concursos e câmaras, aprendendo cedo que a beleza pode ser escudo e também ferida. Foi miss, actriz, apresentadora, mãe. É, sobretudo, uma mulher que se refez a cada etapa, com uma serenidade que desarma e uma força que não se exibe. Entre Lisboa e Luanda, vive no intervalo das fronteiras, entre mundos que partilha com naturalidade rara. No Miradouro da Lua, programa que conduz na RTP África, fala com o mundo, mas é dentro que mais escuta. Primeira mulher negra angolana a apresentar um late night show no canal, transformou a visibilidade em acto de resistência e de afecto. Há nela a herança das mulheres que vieram antes — da avó que curava com as mãos, da mãe que acreditava no poder do estudo, da filha que hoje lhe devolve espelho e futuro. Há também a inquietação de quem vive entre países, sotaques e silêncios, sem nunca deixar de procurar um sentido para a própria voz. Há conversas que não se fazem para responder, fazem-se para escutar o que o silêncio revela. Esta é uma delas.
Tens vivido entre câmaras e silêncios. Como é que se aprende a estar em frente às luzes sem se perder nelas?
Eu olho para dentro antes de olhar para a lente. A câmara mostra o que faço, mas só o silêncio me lembra quem eu sou. Não é sobre nunca me perder, até porque estamos todos sujeitos a isso, é sobre sempre me encontrar de novo para não perder o norte.
Quantas vezes a tua beleza falou por ti quando preferias que fosse a tua voz? Incontáveis. A beleza muitas vezes chegou antes de mim, e eu tive de empurrá-la um pouco para ela sair da frente. Hoje sei que a minha voz é a parte mais bonita de mim. Aprendi a fazer-me ouvir com subtileza e educação. A beleza pode abrir portas — e abre, na verdade, para muita gente —, mas é a palavra que constrói caminhos. A beleza tem um prazo curto, o que fica mesmo são os nossos valores.
Dizem que a televisão é uma casa feita de
reflexos. Quando se apagam as luzes do estúdio, quem é a mulher que fica sozinha diante do espelho?
Quando as luzes se apagam, fica uma mulher que respira fundo, que às vezes está cansada, outras vezes orgulhosa, mas sempre inteira. No silêncio, eu não sou imagem nem personagem. Sou carne, fé, dúvidas e uma vontade muito teimosa de continuar.
Já falaste de assédio e de pressões dentro do meio. O que é que te fez decidir transformar a dor em discurso, em vez de silêncio?
O silêncio adoecia-me. A dor, quando guardada, cria raízes onde não devia e traz problemas muitas vezes irreversíveis. Falar abertamente do assédio e da pressão no meio artístico libertou-me e pode libertar outras mulheres também. Transformo ferida em palavra e palavra em força. É assim que eu curo e caminho. Entendi também que essa transformação não muda apenas o meu trajecto, mas o de muitas outras mulheres que se inspiram na minha história, coragem e voz.
A beleza muitas vezes chegou antes de mim, e eu tive de empurrá-la um pouco para ela sair da frente.
Fotografia: Cortesia de Nádia Silva
Não sou forte apesar das minhas fragilidades, sou forte com elas.
És a primeira mulher negra angolana a conduzir um late night show na RTP África. Que peso carrega essa conquista — é vitória pessoal ou responsabilidade colectiva?
É as duas coisas. É vitória minha, sim, mas é também o eco de mulheres que sonharam chegar antes e o impulso das que virão depois. Quando entro no estúdio, entro com África, com Angola, com Cabinda, com as nossas histórias e com a esperança de que não serei a última. O lugar que ocupo hoje aumenta a minha responsabilidade a cada episódio do Miradouro da Lua, exactamente por ser a primeira, a que está a abrir o caminho, a romper barreiras e crenças. Tento não falhar comigo, e sobretudo com todos aqueles que acreditam na revolução que estamos a fazer.
Em programas como o Miradouro da Lua, a conversa parece simples, mas há sempre um subtexto. O que te move quando entrevistas alguém: curiosidade, empatia ou espelho?
É um triângulo, na verdade. A curiosidade abre a porta, a empatia convida a entrar, e o espelho faz com que a conversa não seja só sobre o outro, mas sobre nós todos. Conversar, para mim, é sempre encontrar humanidade partilhada e, querendo ou não, acabo sempre por sentir uma ligação ao meu entrevistado. É mesmo um processo de partilha mútua. Gosto que o convidado se sinta realmente em casa.
A maternidade muda o corpo, o tempo e a voz. O que é que a tua filha te devolveu de ti própria? Houve algum momento em que te sentiste vulnerável como mãe e percebeste que não precisavas ser perfeita?
A maternidade é dos processos mais contraditórios na vida de uma mulher,
vivemos um misto de sentimentos, sensações e transformações, renascemos, aliás digo sempre que toda mãe nasce duas vezes, as alterações com o físico são um processo inevitável quando decidimos gerar vida dentro do nosso ventre, mas os cuidados pós-parto são fundamentais para que possamos de alguma forma voltar ao nosso estado normal, o corpo mexe muito com o emocional. A minha filha devolveu-me a minha ternura. Ensinou-me que vulnerabilidade também é força. Houve um momento em que percebi que não precisava ser mãe perfeita, só mãe presente. Ela não quer uma heroína, mas sim colo, verdade e amor. Com ela aprendo todos os dias a aproveitar os pequenos momentos, pois tudo passa muito rápido.
A tua mãe e a tua avó não te deixaram fortuna, deixaram-te rumo e conhecimento. Que parte delas ainda te guia quando a vida exige mais?
A fé da minha avó e a coragem da minha mãe. Duas mulheres humildes e cheias de força. Elas ensinaram-me a caminhar com o coração erguido, mesmo quando o mundo tenta encolhê-lo. Carrego os valores delas como bússola, e é impossível perder-me quando sei de onde venho. Ensinaram-me o valor e o poder da educação, e que, onde quer que vá, nunca me esqueça de onde sou.
"Se pensares na educação que tiveste, há algum conselho dos teus pais, crença ou até receio que ainda molda quem és?"
Na verdade, tenho dois: “Não esqueças quem és e de onde vens” e “Estuda, minha filha, o conhecimento é a arma mais poderosa.” Cresci com esses mantras dentro de mim. Ser fiel a mim mesma sempre foi a minha maior força.
E houve algum momento em que percebeste que o teu caminho se desviava — e que nunca mais serias a mesma?
Sim. Foi quando percebi que o meu lugar não era dado, era conquistado. Quando parei de pedir permissão e comecei a existir com autoridade. A partir daí, nunca mais fui pequena para caber em espaços apertados. Conheço o meu valor e exijo respeito pelo mesmo.
O que é que a menina que foste ainda exigiria da mulher em que te tornaste? Que eu continue ousada. Que eu não me acomode. Ela sonhava sem medo e dizia verdades que eu, às vezes, quis suavizar. Hoje honro a coragem dela e deixo-a guiar-me quando o mundo pede silêncio.
Quando o espelho não te reconhece, o que é que ainda escondes dos outros — e de ti?
Escondo o medo de falhar e a tentação de duvidar de mim mesma. Mas tenho aprendido que assumir as minhas sombras me dá mais luz. Não sou forte apesar das minhas fragilidades, sou forte com elas.
Vinda de Cabinda, trazes contigo uma terra quase mítica, tantas vezes esquecida. Que parte dessa origem ainda fala mais alto quando estás em Lisboa, entre sotaques e distâncias?
A raiz. O chão. Cabinda lembra-me que pertenço a uma terra que resiste e que guarda memórias como se fossem tesouros. Levo o perfume do mar, a teimosia da terra e a certeza de que não sou estrangeira em mim. Tenho saudades do nosso sotaque carregado e único, do calor humano, da comida da minha avó e do infinito verde que veste a província de uma ponta à outra. Somos um povo particularmente hospitaleiro e, acima de tudo, sobrevivente.
Entre Portugal e os países que um dia tocou, há uma dor antiga, mas também uma língua que nos une. Acreditas que um dia seremos, de verdade, um só país de vozes entrelaçadas? Acredito na língua como ponte, mas também reconheço as feridas. Não sei se seremos um só país, mas acredito que podemos ser várias nações que se escutam, que se respeitam e que finalmente tratam a memória e a dor com dignidade.
Que lugar ocupa Angola nos teus planos de amanhã — é regresso, ponte ou memória? E, nesse mesmo olhar, entre o que se diz e o que se cala, o que é que ainda precisa de ser dito em voz alta sobre a identidade e o choque cultural que viveste?
Angola é sempre casa, mesmo quando é distância. É regresso, é ponte, é raiz.
Ainda precisamos de falar mais alto sobre identidade, sobre o não-lugar que tantas vezes vivemos entre mundos. Eu existo no meio, mas esse meio também é território. Tenho tido oportunidade de ir muitas vezes a Angola e consigo, de certa forma, amenizar a saudade. Mesmo vivendo fora, continuo ligada ao país. O Miradouro da Lua tem-me proporcionado essa conexão anualmente.
E quando as câmaras e os microfones se desligarem, o que é que farás nesse silêncio?
Vou respirar. Vou escrever. Vou ser só mulher, mãe, filha, amiga. No silêncio, volto para mim. E é dali que nascem as minhas próximas luzes. Tenho inúmeros projectos em carteira, mas não gosto de meter a carroça à frente dos bois. Trabalho com calma e respeito o processo de cada etapa da minha vida, mas sei que parada não vou estar.
“Quando as luzes se apagam, fica uma mulher que respira fundo, que às vezes está cansada, outras vezes orgulhosa, mas sempre inteira.”
Nádia Silva
The woman, the spotlight, and the silence between the lights
There are faces born for the light, though they don’t always seek it. Nádia Silva is one of them. Born in Cabinda, she grew up moving between beauty pageants, contests and cameras, learning early on that beauty can be both a shield and a wound. She was a beauty queen, actress, presenter, and mother. But above all, she is a woman who has remade herself at every stage, with a disarming serenity and a strength that never needs to show off. Between Lisbon and Luanda, she lives in the space between borders, moving between worlds with rare ease. On Miradouro da Lua, the programme she hosts on RTP África, she speaks to the world—but listens mostly inward. The first Black Angolan woman to present a late-night show on the channel, she has turned visibility into an act of resistance—and of affection. She carries the legacy of the women who came before— her grandmother who healed with her hands, her mother who believed in the power of education, and her daughter, who now reflects back to her a mirror and a future. She also carries the restlessness of someone who lives between countries, accents and silences, never ceasing to seek meaning in her own voice. There are conversations not meant to be answered, but to hear what silence reveals. This is one of them.
You’ve lived between cameras and silences. How does one learn to face the spotlight without getting lost in it? I look inward before I look into the lens. The camera shows what I do, but only silence reminds me who I am. It’s not about never getting lost—we all do, at some point. It’s about finding myself again, each time, so I don’t lose my sense of direction.
How often has your beauty spoken for you when you’d have preferred your voice to speak instead?
Countless times. Beauty often arrived before I did, and I had to push it aside so it wouldn’t stand in the way. Today, I know my voice is the most beautiful part of me. I’ve learned to make myself heard with subtlety and grace. Beauty may open doors—and it does, for many
people—but it’s our words that pave the road. Beauty has a short shelf life; what truly endures are our values.
They say television is a house of reflections. When the studio lights go off, who is the woman left alone in the mirror?
When the lights go out, there’s a woman who takes a deep breath—sometimes tired, sometimes proud, but always whole. In silence, I’m neither image nor character. I’m flesh, faith, doubt, and a very stubborn will to keep going.
You’ve spoken openly about harassment and pressure within the industry. What made you choose to turn pain into speech instead of silence? Silence was making me ill. Pain, when bottled up, takes root where it
shouldn’t and often causes irreversible damage. Speaking out about harassment and pressure in the artistic world freed me—and it can free other women too. I turn wounds into words and words into strength. That’s how I heal and move forward. I’ve also come to understand that this transformation doesn’t only alter my path, but the paths of many other women who find inspiration in my story, courage, and voice.
You’re the first Black Angolan woman to host a late-night show on RTP África. Is that achievement a personal victory or a collective responsibility?
It’s both. It’s my personal victory, yes— but it also echoes the dreams of women who came before, and fuels the drive of those still to come. When I enter the studio, I walk in with Africa, with Angola, with Cabinda—with our stories and the hope that I won’t be the last. The place I occupy today increases my responsibility with every episode of Miradouro da Lua, precisely because I am the first—the one opening the path, breaking barriers and challenging beliefs. I try not to fail myself, and above all, not to fail those who believe in the revolution we are building.
On Miradouro da Lua, the conversation often feels simple, yet there's always a subtext. What drives you when you’re interviewing someone—curiosity, empathy or reflection?
It’s really a triangle. Curiosity opens the door, empathy invites them in, and the mirror ensures the conversation isn’t only about the other person—but about all of us. For me, talking is always about finding shared humanity, and whether I mean to or not, I always end up feeling a connection to my guest. It’s truly a process of mutual exchange. I like guests to feel genuinely at home.
Fotografia:
Cortesia de Nádia Silva
Motherhood changes the body, time and voice. What has your daughter given back to you about yourself? Was there ever a moment you felt vulnerable as a mother and realised you didn’t have to be perfect?
Motherhood is one of the most contradictory processes in a woman’s life—we go through a mix of feelings, sensations, and transformations. We’re reborn. I always say every mother is born twice. Physical changes are inevitable when we choose to carry life within us, but postnatal care is essential for us to return, somehow, to a sense of normality. The body messes deeply with our emotions. My daughter gave me back my tenderness. She taught me that vulnerability is also strength. There was a moment I realised I didn’t need to be a perfect mother—just a present one. She doesn’t want a heroine—just hugs, truth and love. With her, I learn daily to cherish the little moments, because everything passes so quickly.
Your mother and grandmother left you no fortune—but they gave you direction and knowledge. What part of them still guides you when life demands more? My grandmother’s faith and my mother’s courage. Two humble women, full of strength. They taught me to walk with my heart held high, even when the world tries to shrink it. I carry their values like a compass—it’s impossible to get lost when I know where I come from. They taught me the worth and power of education, and that no matter where I go, I must never forget where I’m from.
Thinking about the education you received, is there any advice, belief or fear from your parents that still shapes who you are?
Actually, I have two. “Don’t forget who you are and where you come from” and “Study,
my daughter—knowledge is the most powerful weapon.” I grew up with those mantras inside me. Staying true to myself has always been my greatest strength.
Was there ever a moment when you realised your path had shifted—and you would never be the same again?
Yes. It was when I realised my place wasn’t something given to me—it was something I had to earn. When I stopped asking for permission and began to exist with authority. From that point on, I never made myself small to fit into tight spaces. I know my worth, and I demand it be respected.
What would the girl you once were still expect from the woman you’ve become? That I stay bold. That I don’t settle. She dreamed fearlessly and spoke truths that, at times, I tried to soften. Today, I honour her courage and let her guide me whenever the world calls for silence.
When the mirror doesn’t recognise you, what do you still hide from others—and from yourself?
I hide the fear of failure, and the temptation to doubt myself. But I’ve learnt that embracing my shadows gives me more light. I’m not strong in spite of my weaknesses—I’m strong with them.
You come from Cabinda—a land almost mythical, so often forgotten. What part of that origin still speaks loudest when you’re in Lisbon, between accents and distances?
The roots. The earth. Cabinda reminds me that I belong to a land that resists and preserves memory like treasure. I carry the scent of the sea, the stubbornness of the soil, and the certainty that I am never a stranger to myself. I miss our strong, unique accent, the warmth of our people, my grandmother’s food and the endless
green that stretches across the province. We are a particularly welcoming people— and above all, survivors.
Between Portugal and the countries it once touched, there’s an old wound—but also a language that unites us. Do you believe we’ll ever truly be one country of intertwined voices?
I believe in language as a bridge—but I also acknowledge the wounds. I don’t know if we’ll be one country, but I believe we can be many nations that listen to one another, that respect each other, and that finally treat memory and pain with dignity.
What role does Angola play in your plans for tomorrow—is it return, bridge or memory? And in that same gaze, between what’s said and what’s left unsaid, what still needs to be spoken out loud about your identity and the cultural shock you experienced?
Angola is always home, even when it’s far. It’s return, it’s bridge, it’s root. We still need to speak louder about identity—about the non-place we often inhabit between worlds. I exist in the in-between, but that middle ground is also a territory. I’ve had the chance to return to Angola often, which helps soothe the longing. Even living abroad, I remain connected to the country. Miradouro da Lua has given me that link every year.
And when the cameras and microphones are switched off, what will you do in that silence?
I’ll breathe. I’ll write. I’ll just be a woman, mother, daughter, friend. In silence, I return to myself. And that’s where my next lights are born. I have numerous projects lined up, but I don’t like to put the cart before the horse. I work with calm and respect the rhythm of each stage in my life—but I know I won’t be still.
44 TXILAR
"Desce numa Boa", a nova campanha da marca
"Desce numa Boa", the brand's new campaign
52 Tony Elumelu e Daniel Chapo
UBA reafirma compromisso com Moçambique
UBA reaffirms commitment to Mozambique
70 888Bets
Renova campos e inspira jovens
Renovates courts and inspires young people
78 Sabores Nórdicos
Um encontro à mesa guiado pelo chef kimmo
A table gathering guided by chef kimmo
90 ALCCM
Voz da prevenção e esperança
A voice of prevention and hope
112 Sabias que/Did you know?
O cheiro da terra molhada viaja quilómetros
The smell of wet earth travels kilometres
28 CASP 2025
Millennium bim reforça apoio às empresas Millennium bim strengthens support for businesses
4 Nádia Silva
A mulher, a exposição e o silêncio entre as luzes
The woman, the spotlight, and the silence between the lights
Na edição deste mês, procuramos apresentar temas que espelham várias dimensões da vida moçambicana. De percursos pessoais a iniciativas comunitárias ou empresariais, da arte à ciência, cada página desta edição procura aproximar o leitor de histórias que inspiram e transformam.
Entre os destaques que trazemos está a trajectória de Nádia Silva, que percorre Cabinda, Lisboa e Luanda sem nunca perder um laço afectivo com Moçambique. Celebramos os vinte anos da AIDGLOBAL, com Susana Damasceno a apresentar o trabalho da associação na promoção da educação infantil e da leitura nas comunidades. Num artigo assinado por Ximena Calero, reflectimos sobre a urgência de uma educação mais prática, capaz de preparar o país para os desafios do presente. Damos igualmente espaço à ALCCM, que leva prevenção e esperança às famílias afectadas pelo cancro da mama, e revisitamos “Teresinha”, projecto que cresceu até se tornar um movimento artístico-solidário reconhecido em todo o país.
À energia da Mozambique Beer Expo 2025 e à renovação da quadra da Sommerschield pela 888Bets que aqui, respectivamente, recordamos e celebramos, juntam-se ainda a CASP 2025, o hacktivismo, a mesa do Chef Kimmo e a ciência da terra molhada. E outras descobertas poderá fazer nas páginas que se seguem.
Voltamos a encontrar-nos no próximo número. Até já.
Dear readers,
In this month’s edition, we seek to present themes that reflect the many dimensions of Mozambican life. From personal journeys to community or business initiatives, from art to science, each page of this issue aims to draw the reader closer to stories that inspire and transform.
Among the highlights we bring you is the trajectory of Nádia Silva, whose path leads from Cabinda, via Lisbon and Luanda, without ever losing an emotional tie to Mozambique. We celebrate the twenty‑year milestone of AIDGLOBAL, with Susana Damasceno outlining the association’s work in promoting early childhood education and reading in communities. In an article by Ximena Calero, we reflect on the urgent need for education that is more practical—able to prepare the country for present challenges. We also give space to the ALCCM, which brings prevention and hope to families affected by breast cancer, and revisit “Teresinha”, a project that has grown into an recognised artistic- solidarity movement across the country.
To the energy of the Mozambique Beer Expo 2025 and to the renewal of the Sommerschield district by 888Bets—which we here remember and celebrate—join the forthcoming CASP 2025, hacktivism, Chef Kimmo’s table and the science of wet earth. And many more discoveries await you in the pages that follow.
We’ll meet again in the next issue. Until then.
Nuno Soares Director
Temos orgulho em fazer parte de histórias que transformam o futuro
Qual é a sua? Venha escrevê-la connosco.
absa.co.mz
Absa
O que as torna únicas não são os palcos onde brilham nem os aplausos que recebem, mas como tocam a vida de quem nelas acredita.
São histórias de sonhos, histórias de quem somos, unidas pelos valores que partilhamos. No seu caminho não existem atalhos. Existe coragem, trabalho, determinação.
E quando encontram o seu verdadeiro propósito, ajudam a escrever os capítulos mais inspiradores das próximas gerações.
Todos os dias, celebramos as histórias que mostram o melhor de Moçambique e temos orgulho em fazer parte delas.
Conheça as nossas histórias
A sua história conta
A AIDGLOBAL – Acção e Integração para o Desenvolvimento Global é uma organização não governamental para o desenvolvimento, sem fins lucrativos, que opera em Portugal e Moçambique, aqui se dedicando à promoção do acesso ao livro, da literacia e de uma educação de qualidade. A sua história teve início a 4 de Novembro de 2005, após uma experiência de voluntariado de Susana Damasceno, sua fundadora, na província de Gaza, no sul do país. Por ocasião do 20º aniversário que agora celebra, a AIDGLOBAL reforça o seu compromisso de trabalho em Moçambique, conforme nos relata Susana Damasceno:
“Na AIDGLOBAL, acreditamos que a mudança acontece pela Educação – a única arma poderosa que arrasa preconceitos e abre caminho para o conhecimento, a compreensão e o respeito mútuo. E é pela Educação que, em Moçambique, temos vindo a desenhar e implementar projectos que respondem a necessidades locais.
Equipámos 32 bibliotecas escolares, sendo 11 do tipo “bi-
bliotchovas” – bibliotecas móveis, criadas pela nossa organização – que se apresentam como solução para escolas onde não há bibliotecas físicas.
No âmbito da nossa aposta de melhorar os níveis de literacia das crianças moçambicanas, lançámos a colecção de livros bilingues Livros para Começar, que materializa uma resposta directa à necessidade de contribuir para o aumento de títulos de literatura infantil. Escritos em português por talentosos escritores moçambicanos, como Venâncio Calisto, Mélio Tinga e Vânia Óscar, são traduzidos para xichangana por Wiliamo Muchanga e Mabjeca Tingana e contam com ilustrações de Suzy Bila, Marisa Bimbo da Costa, Samuel Djive, Ruben Zacarias e Ventura Mulalene. Até ao momento, já distribuímos, gratuitamente, mais de mil exemplares desta colecção em escolas e comunidades da província de Gaza. Reconhecemos e valorizamos o poder transformador da leitura e encantamo-nos com os sorrisos das crianças moçambicanas e portuguesas a quem lemos a mesma história, nas suas línguas maternas, permitindo que cada uma delas sonhe à dimensão da sua criatividade.
Na província de Gaza, criámos seis “escolinhas” comunitárias em áreas rurais do Distrito do Chibuto, que têm vindo a possibilitar o acesso a uma educação pré-escolar, bilingue, que valoriza a natureza e os recursos locais. Ao longo de três anos lectivos (2022 -2025), cerca de 1.300 crianças de três a seis anos de idade frequentaram as escolinhas, tendo-lhes sido disponibilizada, diariamente, uma refeição, para muitas a única do dia.
Criadas no âmbito do projecto Educadores em Movimento – Uma Educação Itinerante para a Primeira Infância (que tem a Fundação Calouste Gulbenkian como principal financiador e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P como co-financiador), as escolinhas são uma resposta à carência de educação para a infância nas comunidades rurais em Moçambique, onde apenas 4% das crianças com menos de 5 anos de idade a ela têm acesso.
Com uma delegação no Chibuto desde 2009, e uma equipa moçambicana, temos vindo a valorizar o que existe em cada comunidade, construindo telheiros comunitários e latrinas, junto a árvores frondosas, porque apostamos na aprendizagem pela natureza, utilizando materiais disponíveis no meio ambiente. Temos ampliado, nas bibliotcho-
vas, o leque de leitura e conhecimentos, usando, entre outros, os referidos livros bilingues, jogos e brinquedos. Muitos dos recursos pedagógicos são manufacturados por artesãos locais, incluindo livros com materiais locais e sustentáveis, como capulanas e sacas de arroz, ao sabor da cultura e tradições moçambicanas. Capacitámos também 46 mulheres das comunidades, 21 das quais trabalham nas seis escolinhas como animadoras/"educadoras em movimento" e, simultaneamente, promovem o papel da mulher como agente activo e educacional na comunidade. A liderança destes serviços educativos assenta num modelo de gestão comunitário que, por via de acções de educação parental, incentiva a participação dos encarregados de educação no processo educativo dos filhos.
Recentemente, através do projecto Acesso a Água e Energia na Escolinha de Chiconelane, foram inaugurados um furo de água potável e uma Mini-Girafa Solar – um projecto de engenharia da Fundação Carlos Morgado – destinada ao carregamento comunitário, com painéis solares, infra-estruturas que visam garantir recursos hídricos e energéticos essenciais para o funcionamento da escolinha comunitária e da escola primária, ambas apoiadas pela AIDGLOBAL, nessa mesma localidade. A criação das infra-estruturas foi possibilitada pela empresa Deloitte, no âmbito da responsabilidade social, na 11ª edição do Programa Pact Fund.
Em poucas palavras, este é o resultado do trabalho que desenvolvemos em Moçambique ao longo das duas décadas da nossa existência e que, com orgulho, nos permite dizer que estão reunidas condições para se Brincar, Aprender e Crescer nas escolinhas comunitárias do Chibuto, tornando as crianças mais activas, perspicazes, atentas e abertas ao mundo. Consequentemente, mais bem preparadas para ingressar no ensino primário oficial.”
Fotografia: Cortesia de AIDGLOBAL
AIDGLOBAL – Action and Integration for Global Development – is a non-profit, non-governmental development organisation working in both Portugal and Mozambique. In Mozambique, the organisation focuses on promoting access to books, literacy, and quality education. Its journey began on 4 November 2005, following a volunteering experience by its founder, Susana Damasceno, in Gaza Province, southern Mozambique. Now celebrating its 20th anniversary, AIDGLOBAL is reaffirming its commitment to impactful work in the region. As Damasceno explains:
“At AIDGLOBAL, we believe that education is the force that drives change – the only powerful tool capable of dismantling prejudice and paving the way to knowledge, understanding and mutual respect. And it is through education that we’ve been designing and implementing projects that respond to local needs in Mozambique.”
To date, AIDGLOBAL has equipped 32 school libraries, including 11 mobile libraries known as bibliotchovas – an innovation developed by the organisation itself – designed for schools without permanent library facilities.
As part of its efforts to improve literacy levels among Mozambican children, AIDGLOBAL launched the bilingual book series Livros para Começar (“Books to Begin With”), directly addressing the lack of children’s literature available in the country. Written in Portuguese by talented Mozambican authors such as Venâncio Calisto, Mélio Tinga and Vânia Óscar, the books are translated into Xichangana by Wiliamo Muchanga and Mabjeca Tingana, and illustrated by artists Suzy Bila, Marisa Bimbo da Costa, Samuel Djive, Ruben Zacarias and
Ventura Mulalene. Over 1,000 copies have already been distributed, free of charge, to schools and communities in Gaza Province. The joy on the faces of Mozambican and Portuguese children hearing the same stories in their native languages is a powerful reminder of the transformative power of reading – allowing each child to dream freely and creatively.
In rural areas of Chibuto District, Gaza Province, the organisation has established six community-based preschools (escolinhas), offering early childhood education in a bilingual setting that embraces nature and local resources. Over a three-year period (2022–2025), approximately 1,300 children aged three to six have attended these preschools. A daily meal is provided – for many children, it is the only meal of the day.
The escolinhas are part of the project Educadores em Movimento – Uma Educação Itinerante para a Primeira Infância (“Educators on the Move – Itinerant Early Childhood Education”), primarily funded by the Calouste Gulbenkian Foundation and co-funded by Camões – Institute for Coop-
eration and Language, I.P. The initiative addresses the acute lack of early childhood education in rural Mozambique, where just 4% of children under the age of five have access to such services.
Operating from a dedicated office in Chibuto since 2009, with a fully Mozambican team, AIDGLOBAL embraces local community strengths, building simple learning structures and latrines beneath large shade trees to promote nature-based education. The bibliotchovas also provide books, games, and toys – including those crafted by local artisans using sustainable materials like capulanas (traditional fabrics) and rice sacks – reflecting the cultural heritage of the region.
The organisation has trained 46 local women, 21 of whom now serve as facilitators or “educators on the move” in the escolinhas, also reinforcing the role of women as active educational agents in their communities. These educational services operate under a community management model that includes parental engagement programmes to encourage families to actively participate in their children’s learning.
Most recently, through the Acesso a Água e Energia na Escolinha de Chiconelane (“Access to Water and Energy at the Chiconelane Preschool”) project, a borehole and a Mini Solar Giraffe – a solar-powered charging station developed by the Carlos Morgado Foundation – were inaugurated. These infrastructures provide essential water and energy to both the community preschool and the local primary school, both supported by AIDGLOBAL. This development was made possible through Deloitte’s corporate social responsibility efforts, as part of the 11th edition of the Pact Fund programme.
In summary, this is the legacy AIDGLOBAL has built in Mozambique over the past two decades. It’s a body of work that enables children in Chibuto’s community preschools to play, learn and grow – becoming more curious, aware, and open to the world. As a result, they are better prepared for their transition to formal primary education.
Fotografia: Cortesia de AIDGLOBAL
“Organização empresarial é chave para transformar financiamento em crescimento”
Fotografia: Cortesia de Millennium bim
Millennium bim
O Millennium bim, enquanto banco de referência em Moçambique, reafirma o seu propósito de apoio à economia moçambicana e convida as empresas a aproveitar plenamente as oportunidades de financiamento disponíveis como alavanca para criar valor e assegurar um crescimento sustentável.
Na XX Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2025), durante o Painel 9, dedicado às Opções de Financiamento para o Sector Privado, o Administrador Executivo do Millennium bim para o Corporate e Banca de Investimento, Januário Valente, destacou o compromisso do Banco com o desenvolvimento empresarial em Moçambique. Sublinhou, igualmente, que a preparação das empresas é determinante para que o apoio financeiro se traduza em crescimento real.
Segundo Januário Valente, “para que a banca possa ser um parceiro efectivo, é essencial que as empresas estejam organizadas e apresentem uma gestão robusta. Contabilidade organizada, governação corporativa e planos de sucessão, são factores que reforçam a credibilidade e facilitam o acesso ao financiamento. O Millennium bim está totalmente disponível para estabelecer parcerias que tragam impacto e contribuam para o crescimento sustentável do país.”
O Administrador reforçou ainda que a banca comercial deve ser encarada como aliada no desenvolvimento das empresas, destacando a importância de
relações transparentes e estruturadas entre as partes.
Na mesma conferência, o Millennium bim formalizou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Sociedade de Garantia de Moçambique (SGM). Através de mecanismos inovadores de partilha de risco, este instrumento permite ao Banco reforçar o apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPME), permitindo que mais empreendedores
Fotografia:
possam transformar as suas ideias em negócios sustentáveis.
Adesão do Millennium bim ao Fundo de Garantia Mutuária impulsiona o empreendedorismo nacional
O Millennium bim e a Sociedade de Garantia de Moçambique (SGM) assinaram, no passado dia 12 de Novembro, em Maputo, um Memorando de Entendimento que marca a entrada oficial do Banco no Fundo de Garantia Mutuária, um mecanismo inovador criado para impulsionar o acesso ao crédito das micro, pequenas e médias empresas (MPME). Este acordo, anunciado durante a CASP 2025, teve lugar perante a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, reforçando o compromisso conjunto entre o sector público e o sector privado no fortalecimento da economia nacional.
“Para que a banca possa ser um parceiro efectivo, é essencial que as empresas estejam organizadas e apresentem uma gestão robusta.”
— Januário Valente, Administrador Executivo do Millennium bim
O Millennium bim formalizou um Memorando de Entendimento com a Sociedade de Garantia
de Moçambique para
reforçar o apoio às micro, pequenas e médias empresas.
O acordo foi assinado por Rui Pedro, Presidente da Comissão Executiva do Millennium bim, e Beatriz Freitas, Presidente do Conselho de Administração da SGM.
Criado pelo Governo de Moçambique, com o apoio financeiro do Banco Mundial, no valor de cerca de 40 milhões de dólares, o Fundo de Garantia Mutuária tem como objectivo partilhar o risco de crédito entre o Estado, os bancos e os parceiros financeiros, permitindo que empresas com projectos viáveis, mas sem garantias suficientes, possam obter financiamento em condições mais favoráveis.
Na sua fase inicial, este mecanismo transformador prevê beneficiar mais de 15 mil MPME, muitas delas lideradas por jovens e mulheres empreendedoras, criando oportunidades de acesso ao crédito em condições mais favoráveis e sustentáveis.
“O Millennium bim está comprometido em apoiar o desenvolvimento do sector empresarial moçambicano. Acreditamos que este fundo permitirá a muitas micro, pequenas e médias empresas transformar ideias em negócios sustentáveis, criando emprego e dinamizando a economia nacional. Para nós, apoiar os empresários moçambicanos é apoiar o futuro do país”, afirmou Rui Pedro, Presidente da Comissão Executiva do banco.
Esta adesão representa mais um marco na estratégia do Banco de apoio às MPME e à inovação económica, num ano particularmente simbólico, em que celebra 30 anos de actividade em Moçambique, três décadas de confiança, proximidade e compromisso com o futuro do país.
Com a sua participação na CASP 2025 e a entrada no Fundo de Garantia Mutuária, o Millennium bim renova o seu compromisso com o crescimento económico do país, promovendo a inclusão financeira, incentivando o empreendedorismo e fortalecendo a confiança entre a banca e o tecido empresarial moçambicano.
Millennium bim at
As a leading bank in Mozambique, Millennium bim reaffirms its commitment to supporting the national economy and encourages companies to fully embrace available financing opportunities as a lever to create value and ensure sustainable growth.
Millennium bim, as a leading bank in Mozambique, reaffirms its commitment to supporting the country’s economy and invites businesses to fully seize available financing opportunities as a lever to create value and ensure sustainable growth.
At the 20th Annual Private Sector Conference (CASP 2025), during Panel 9, dedicated to Financing Options for the Private Sector, Millennium bim’s Executive Director for Corporate and Investment Banking, Januário Valente, highlighted the bank’s
commitment to business development in Mozambique. He also stressed that companies’ internal organisation is essential for financial support to result in real growth.
According to Januário Valente, “for banks to be effective partners, it is essential that companies are well-structured and demonstrate sound management. Organised accounting, corporate governance and succession planning are factors that reinforce credibility and ease access to financing. Millennium bim is fully open to building partnerships that bring impact and contribute to the sustainable growth of the country.”
Fotografia: Cortesia de Millennium bim
The Executive also emphasised that commercial banks should be regarded as allies in business development, underlining the importance of transparent, structured relationships between the parties.
At the same conference, Millennium bim formalised a Memorandum of Understanding (MoU) with the Mozambican Guarantee Society (SGM). Through innovative risk-sharing mechanisms, this instrument allows the bank to strengthen support for micro, small and medium-sized enterprises (MSMEs), enabling more entrepreneurs to transform their ideas into sustainable businesses.
Millennium bim and the Mozambican Guarantee Society (SGM) signed, on 12 November in Maputo, a Memorandum of Understanding that marks the bank’s official entry into the Mutual Guarantee Fund, an innovative mechanism created to boost access to credit for micro, small and medium-sized enterprises (MSMEs). This agreement, announced during CASP 2025, took place in the presence of the President of the Republic, Daniel Chapo, reinforcing the joint commitment between the public and private sectors to strengthening the national economy.
The agreement was signed by Rui Pedro, CEO of Millennium bim, and Beatriz Freitas, Chair of the Board of Directors of SGM.
Created by the Government of Mozambique with financial support from the World Bank, in the amount of around 40 million US dollars, the Mutual Guarantee Fund aims to share credit risk among the State, banks and financial partners, enabling businesses with viable projects—but insufficient collateral—to access financing under more favourable conditions.
In its initial phase, this transformative mechanism is expected to benefit more than 15,000 MSMEs, many led by young people and women entrepreneurs, creating opportunities for access to credit on fairer and more sustainable terms.
“Millennium bim is committed to supporting the development of Mozambique’s business sector. We believe this fund will allow many micro, small and medium-sized enterprises to transform ideas into sustainable businesses, creating jobs and boosting the national economy. For us, supporting Mozambican entrepreneurs is supporting the country’s future,” said Rui Pedro, CEO of the bank.
This move represents another milestone in the bank’s strategy to support MSMEs and economic innovation, in a particularly symbolic year in which it celebrates 30 years of activity in Mozambique—three decades of trust, closeness and commitment to the country’s future.
Through its participation in CASP 2025 and entry into the Mutual Guarantee Fund, Millennium bim renews its commitment to the country’s economic growth, promoting financial inclusion, encouraging entrepreneurship, and strengthening trust between the banking sector and Mozambique’s business community.
Educar para produzir: repensar o ensino nas comunidades moçambicanas
Escrito por: Ximena Calero
Num país onde a fome e o desemprego continuam a ser desafios diários, a escola não pode limitar-se a transmitir conteúdos teóricos. Em Moçambique, é urgente repensar o papel da educação nas comunidades, não apenas como meio de alfabetização, mas como ferramenta prática para a sobrevivência, o desenvolvimento e a independência. O país possui vastas terras férteis e um clima que permite múltiplas colheitas anuais, mas, ainda assim, milhares de famílias enfrentam insegurança alimentar. A questão que se impõe é: porque não ensinamos as crianças a produzir alimentos desde cedo? A escola, especialmente no ensino primário e secundário, poderia e deveria ser o primeiro espaço de contacto com a terra, com a produção agrícola e com a consciência ambien-
tal. Nas escolas das comunidades, a criação de hortas escolares deveria ser uma prática obrigatória e contínua. Mais do que um exercício de agricultura, seria uma lição de vida. As crianças aprenderiam sobre o ciclo da natureza, o valor do trabalho colectivo e o respeito pela terra. Ao mesmo tempo, poderiam contribuir para a alimentação escolar, reduzindo custos e fortalecendo a nutrição infantil. A horticultura escolar pode ser uma disciplina interdisciplinar, ligando a biologia, a matemática, a educação ambiental e até a cidadania. Seria uma forma de unir o conhecimento teórico ao prático, preparando jovens conscientes e capazes de transformar as suas realidades.
Voltar ao essencial: o ensino técnico desde cedo Nos tempos dos nossos pais, o ensino técnico fazia
parte do currículo básico. As escolas ensinavam costura, carpintaria, serralharia, jardinagem e outras competências manuais que formavam jovens preparados para a vida. Hoje, muitos estudantes terminam o ensino secundário sem saber sequer como produzir o que consomem ou consertar o que utilizam. É preciso reintroduzir as disciplinas técnicas no currículo nacional, desde os níveis iniciais, para que as novas gerações não dependam apenas do mercado formal, mas possam criar as suas próprias oportunidades. Se o problema do país é a fome, devemos aprender a produzir comida; se o problema é o desemprego, devemos ensinar desde cedo a gerar emprego.
Aprender a criar soluções Educar não é apenas ensinar a ler e a escrever, é ensinar a resolver problemas.
O futuro de Moçambique depende da capacidade das suas crianças e jovens de serem criadores, produtores e inovadores. As escolas poderiam tornar-se verdadeiros laboratórios de desenvolvimento comunitário, onde se experimentam novas formas de agricultura, de reciclagem, de artesanato e de empreendedorismo social. Num contexto de pobreza e escassez de recursos, é na criatividade que está a esperança. A educação moçambicana precisa cultivar essa criatividade desde cedo, incentivando o pensamento crítico e o trabalho com as mãos. Uma criança que aprende a plantar, a costurar, a construir e a consertar,
cresce com a noção de que é capaz de produzir valor e gerar impacto no seu meio. As políticas públicas de educação devem olhar para as comunidades com uma visão prática e sustentável. A escola deve ser o reflexo da realidade em que está inserida, respondendo às necessidades locais. Uma escola rural, por exemplo, pode ser um espaço de experimentação agrícola; uma escola urbana, um centro de formação em ofícios, inovação e gestão de resíduos. Não basta preparar alunos para exames. É preciso preparar cidadãos para a vida. O ensino deve formar jovens que saibam pensar e agir, que possam alimentar-se do que produzem e viver
do que sabem fazer.
Um novo olhar sobre o futuro
Repensar o ensino é, acima de tudo, repensar o futuro de Moçambique. O país tem uma geração jovem, vibrante e cheia de potencial, mas que precisa de ferramentas práticas para transformar esse potencial em progresso. Ensinar a produzir é ensinar a viver com dignidade. Ensinar a criar é ensinar a sonhar. O caminho para um Moçambique desenvolvido começa nas comunidades, e o ponto de partida pode estar nas mãos de uma criança que aprende, com orgulho, a plantar o seu primeiro pé de alface no pátio da escola.
In community schools, the creation of school gardens should be a mandatory and ongoing practice.
Educating to produce: rethinking schooling in Mozambican communities
Written by: Ximena Calero
In a country where hunger and unemployment remain daily challenges, education cannot be limited to the transmission of theoretical knowledge. In Mozambique, there is an urgent need to rethink the role of education in communities –not just as a means of literacy, but as a practical tool for survival, development, and independence.
The country boasts vast areas of fertile land and a climate that allows for multiple harvests each year, yet thousands of families continue to face food insecurity. The question is: why aren’t we teaching children to grow food from an early age? Schools – particularly at the primary and secondary levels – could and should be the first
point of contact with the land, with agricultural production, and with environmental awareness. In community schools, the establishment of school gardens should be a mandatory and ongoing practice. More than just an agricultural exercise, it would be a life lesson. Children would learn about nature’s cycles, the value of collective work, and respect for the land. At the same time, they could contribute to school meals, helping to reduce costs and strengthen child nutrition.
School gardening could become an interdisciplinary subject, linking biology, mathematics, environmental education and even citizenship. It would be a way to bridge theoretical learning with practical experience,
preparing conscious young people capable of transforming their own realities.
Returning to the essentials: vocational education from an early age In our parents’ time, vocational training was part of the basic curriculum. Schools taught sewing, carpentry, metalwork, gardening and other manual skills that equipped young people for life. Today, many students complete secondary school without knowing how to produce what they consume or repair what they use. There is a need to reintroduce technical subjects into the national curriculum from the early years, so that new generations do not rely solely on the formal job market, but are able to create their own opportunities.
If the country’s problem is hunger, we must learn to produce food; if the problem is unemployment, we must teach young people early on how to generate employment.
Learning
to create solutions
Education is not only about teaching children to read and write – it is about teaching them how to solve problems. Mozambique’s future depends on the ability of its children and youth to become creators, producers, and innovators. Schools could become genuine laboratories of community development, where new methods of agriculture, recycling, craftsmanship and social entrepreneurship are tested.
In a context of poverty and limited resources, hope lies in creativity. Mozambican education must nurture that creativity from an early age, encouraging critical thinking and hands-on work. A child who learns how to plant, sew, build and repair grows up with the sense that they can create value and make an impact in their community.
Public education policies must look at communities through a practical and sustainable lens. Schools should reflect the reality of the environment they are part of, responding
to local needs. A rural school, for example, could serve as an agricultural testing ground; an urban school, a hub for vocational training, innovation and waste management. It is not enough to prepare pupils for exams. We must prepare citizens for life. Education should shape young people who know how to think and act, who can feed themselves from what they grow, and live from what they know how to do.
A new perspective on the future
To rethink education is, above all, to rethink the future of Mozambique. The country has a young, vibrant generation full of potential – but they need practical tools to turn that potential into progress.
To teach someone to produce is to teach them how to live with dignity. To teach them to create is to teach them how to dream.
The path to a developed Mozambique begins in its communities – and the starting point might well be a child, proudly planting their first lettuce in the schoolyard.
Desce Numa Boa — uma celebração da leveza, da suavidade e da refrescância que já fazem parte da essência da marca.
Txilar lanca campanha “Desce Numa Boa”
O mercado moçambicano de cerveja está a mudar — e rapidamente. Depois de muitos anos expostos maioritariamente a cervejas mais pesadas, os consumidores começaram a perceber essa diferença e, hoje, procuram opções mais leves, refrescantes e fáceis de beber. Esta tendência, cada vez mais visível nas mesas e encontros pelo país, reflecte um novo estilo de consumo: cervejas com bom sabor, mas que não pesem no paladar nem na rotina. É precisamente neste novo momento que a Txilar reafirma o seu propósito.
A campanha que celebra a leveza da nova geração de consumidores
Com o objectivo de reforçar a qualidade e a autenticidade da sua receita, a Txilar lançou a nova campanha, “Desce Numa Boa” — uma celebração da leveza, da suavidade e da refrescância que já fazem parte da essência da marca. Tilar sempre foi uma cerveja pensada
para o clima, a energia e as ocasiões moçambicanas: leve, fácil de beber e perfeita para acompanhar o verão que, por aqui, dura quase o ano inteiro. Agora, esta característica ganha voz, música e movimento numa campanha vibrante, jovem e carregada de energia positiva.
Uma campanha nacional: música, juventude e orgulho local
“Desce Numa Boa” chega com uma linguagem moderna e uma estética musical que dialoga directamente com o público jovem adulto, valorizando também o orgulho nas nossas raízes.
Para celebrar a diversidade e riqueza cultural do país, a marca preparou uma edição limitada de rótulos inspirada nas principais capitais provinciais de Moçambique. Cada garrafa
torna-se não apenas um brinde, mas uma homenagem às cidades que dão ritmo ao país — de Maputo a Nampula, de Tete à Beira. Esta abordagem não só reforça o posicionamento local da Txilar como também cria um forte vínculo emocional com os consumidores, que se reconhecem nas cores, símbolos e expressões das suas províncias.
“Mais do que uma activação comercial, Desce Numa Boa é uma declaração sobre o que Txilar representa.”
Promoção nacional com prémios de cortar a respiração
Para tornar o verão ainda mais emocionante, a campanha inclui uma promoção inédita nas caricas das garrafas de 500 ml, oferecendo aos consumidores a possibilidade de ganhar prémios instantâneos e participar nos grandes sorteios nacionais. A mecânica é simples: consumir Txilar, abrir a garrafa e ficar atento ao que está por baixo da carica. A campanha transforma cada momento de convívio numa oportunidade de ganhar. Entre os prémios destacam-se telemóveis, colunas JBL, Six packs de Txilar, camisetes exclusivas e os grandiosos prémios finais: dois carros zero quilómetros, que serão sorteados em Dezembro e Fevereiro.
Fotografia: Cortesia de Heineken Moçambique
Reforçar o que Txilar sempre foi
Mais do que uma activação comercial, “Desce Numa Boa” é uma declaração sobre o que Txilar representa. Numa altura em que o consumidor moçambicano procura leveza, equilíbrio e sabor suave, a marca lembra que já nasceu com essas características — e que está preparada para acompanhar esta nova geração de apreciadores de cerveja leve, refrescante e feita para o clima do país. Txilar reforça assim o seu posicionamento no segmento mainstream, destacando-se como a cerveja moçambicana que entende e acompanha a evolução dos hábitos de consumo locais.
Um brinde ao verão, à leveza e a Moçambique
Com uma campanha moderna, musical e cheia de energia, a Txilar convida todos a celebrar o verão moçambicano com uma cerveja que, literalmente, desce numa boa. Entre rótulos especiais, prémios nacionais e um espírito jovem que percorre o país de norte a sul, a marca promete marcar o verão — e reforçar, mais uma vez, o orgulho de ser feita para Moçambique.
“Com uma campanha moderna, musical e cheia de energia, a Txilar convida todos a celebrar o verão moçambicano.”
Mozambique’s beer market is changing — and fast. After many years of being exposed mainly to heavier beers, consumers are beginning to notice the difference and are now seeking lighter, more refreshing, and easy-to-drink options. This growing trend, increasingly visible at tables and social gatherings across the country, reflects a new style of consumption: beers with good flavour that don’t weigh on the palate or disrupt the routine. It is precisely in this moment that Txilar reaffirms its purpose.
A campaign that celebrates the lightness of a new generation of consumers
With the aim of reinforcing the quality and authenticity of its recipe, Txilar has launched its new campaign, Desce Numa Boa — a celebration of the lightness, smoothness, and refreshment that are already part of the brand’s essence. Txilar has always been a beer designed for
Mozambique’s climate, energy, and occasions: light, easy to drink, and perfect for accompanying a summer that, in this part of the world, lasts almost all year round. Now, this quality takes on voice, music, and movement in a vibrant, youthful campaign full of positive energy.
A national campaign: music, youth, and local pride
Desce Numa Boa comes with a modern tone and a musical aesthetic that speaks directly to young adult audiences, while also celebrating pride in our roots.
To honour the cultural diversity and richness of the country, the brand has prepared a limited-edition label series inspired by the main provincial capitals of Mo-
zambique. Each bottle becomes not just a toast, but a tribute to the cities that give rhythm to the country — from Maputo to Nampula, from Tete to Beira. This approach not only strengthens Txilar’s local positioning but also creates a strong emotional bond with consumers, who see themselves in the colours, symbols, and expressions of their provinces.
A national promotion with breathtaking
prizes
To make the summer even more exciting, the campaign includes a brand-new promotion under the caps of 500ml bottles, giving consum ers the chance to win instant prizes and take part in major national draws. The mechanics are simple: drink Txilar, open the bottle, and check under the cap. The campaign turns every moment of togetherness into a chance to win. Prizes include mobile phones, JBL speakers, Txilar six-packs, exclusive t-shirts, and the grand prizes: two brand-new cars, to be raffled in De cember and February.
Reinforcing what Txilar has always stood for
More than a commercial activation, Desce Boa is a statement about what Txilar represents. At a time when Mozambican consumers are looking for lightness, balance, and smooth fla vour, the brand reminds us that it was born with these qualities — and is ready to accompany this new generation of beer lovers who prefer light, refreshing brews made for the local climate. Txi lar thus reinforces its position in the mainstream segment, standing out as the Mozambican beer that understands and follows the evolution of local consumption habits.
A toast to summer, light ness, and Mozambique
With a modern, musical, and energetic paign, Txilar invites everyone to celebrate the Mozambican summer with a beer that, quite lit erally, desce numa boa. Between special edition labels, national prizes, and a youthful spirit that sweeps across the country from north to south, the brand promises to make its mark on the summer — and once again, to reaffirm the pride of being made for Mozambique.
Fotografia: Cortesia de Heineken Moçambique
Tony Elumelu e Daniel Chapo
UBA fortalece compromisso com Moçambique e África
Fotografia: Cortesia de UBA
Tony Elumelu e Daniel Chapo
UBA fortalece compromisso com Moçambique e África
Tony Elumelu, presidente do grupo United Bank for Africa (UBA) e fundador da Fundação Tony Elumelu, reuniu-se, no passado dia 12, com o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo.
Avisita ao país, que reafirma a dedicação do UBA ao desenvolvimento sustentável em todo o continente, é parte da digressão pan-africana de Tony Elumelu em curso com o objectivo de promover colaborações económicas mais fortes. A reunião também proporcionou uma oportunidade para Elumelu reafirmar o compromisso duradouro do UBA de apoiar a agenda económica de Moçambique através de investimentos direccionados em sectores-chave de crescimento, como energia, agricultura, turismo e infra-estruturas.
Elumelu enfatizou a necessidade de África aproveitar os seus abundantes recursos naturais, a sua população jovem dinâmica e o seu capital interno crescente para acelerar o desenvolvimento inclusivo. Falou sobre a importância da colaboração entre o sector privado e o governo para libertar todo o potencial do continente, afirmando: “O progresso de África será definido pela nossa capacidade de aproveitar os nossos pontos fortes, investir estrategicamente e desenvolver soluções locais que transformem vidas e economias”.
Em resposta, o Presidente Daniel Chapo elogiou o compromisso de longa data do UBA com o avanço da inclusão financeira e o crescimento do sector privado em toda a África. Destacou o progresso que Moçambique tem feito em sectores críticos, incluindo energia, agricultura e turismo, e expressou optimismo quanto ao aprofun-
damento da colaboração com o UBA para fortalecer essas áreas. Em particular, acolheu a ideia de que o UBA está preparado para apoiar o desenvolvimento económico de Moçambique.
Desde a sua criação, o UBA Moçambique tem continuado a expandir a sua presença e a fortalecer a sua posição como um parceiro fundamental no desenvolvimento nacional. Através de soluções bancárias inovadoras e estratégias centradas no cliente, o banco continua empenhado em contribuir de forma significativa para a transformação da economia, em consonância com a sua missão mais ampla de impulsionar o crescimento de África.
Elumelu esteve acompanhado por executivos importantes, incluindo o presidente da UBA Moçambique, Felipe Mandlate; o diretor executivo/CEO da UBA África, Sola Yomi-Ajayi; o diretor-geral/CEO da UBA Moçambique, Pedro Maranguene; o director de operações do Grupo UBA, Emmanuel Lamptey; e o executivo do Grupo de Serviços Financeiros, Samuel Ocheho.
Esta visita a Moçambique surge na sequência dos recentes compromissos de Tony Elumelu com os presidentes do Quénia e da Zâmbia, reforçando ainda mais o compromisso estratégico do Grupo UBA em cultivar parcerias governamentais fortes, capacitar subsidiárias e aprofundar o investimento nas economias mais promissoras de África.
Fotografia: Cortesia de UBA
A digressão pan-africana de Tony Elumelu reafirma a dedicação do UBA ao desenvolvimento sustentável em todo o continente.
“O progresso de África será definido
pela nossa capacidade de aproveitar os nossos pontos fortes, investir estrategicamente e desenvolver soluções locais que transformem vidas e economias.”
— Tony Elumelu, Presidente do grupo UBA
President Daniel Chapo praised UBA’s longstanding commitment to advancing financial inclusion and private sector growth.
Tony Elumelu and Daniel Chapo
UBA reinforces commitment to Mozambique and Africa
Tony Elumelu, Chairman of United Bank for Africa (UBA) Group and founder of the Tony Elumelu Foundation, met with the President of the Republic of Mozambique, Daniel Chapo, on the 12th of this month.
The visit, which underscores UBA’s dedication to sustainable development across the continent, forms part of Tony Elumelu’s ongoing pan-African tour aimed at fostering stronger economic partnerships. The meeting also offered an opportunity for Elumelu to reaffirm UBA’s longstanding commitment to supporting Mozambique’s economic agenda through targeted investments in key growth sectors such as energy, agriculture, tourism and infrastructure.
Elumelu stressed the need for Africa to harness its abundant natural resources, dynamic youth population and growing domestic capital to accelerate inclusive development. He highlighted the importance of collaboration between the private sector and government in unlocking the continent’s full potential, stating: “Africa’s progress will be defined by our ability to leverage our strengths, invest strategically, and develop local solutions that transform lives and economies.”
In response, President Daniel Chapo praised UBA’s longstanding commitment to advancing financial inclusion and private sector growth across Africa. He highlighted the progress Mozambique has made in critical sectors including energy, agriculture and tourism, and expressed optimism about
deepening collaboration with UBA to further strengthen these areas. In particular, he welcomed UBA’s readiness to support the country’s economic development.
Since its establishment, UBA Mozambique has continued to expand its footprint and reinforce its role as a key partner in national development. Through innovative banking solutions and customer-focused strategies, the bank remains committed to making a meaningful contribution to economic transformation, in line with its broader mission to drive Africa’s growth.
Elumelu was accompanied by senior executives including UBA Mozambique Chairman Felipe Mandlate; UBA Africa Executive Director/CEO Sola Yomi-Ajayi; UBA Mozambique Managing Director/CEO Pedro Maranguene; UBA Group Chief Operating Officer Emmanuel Lamptey; and Group Financial Services Executive Samuel Ocheho.
This visit to Mozambique follows recent engagements between Tony Elumelu and the Presidents of Kenya and Zambia, further reinforcing UBA Group’s strategic commitment to building strong government partnerships, empowering subsidiaries, and deepening investment in Africa’s most promising economies.
Fotografia: Cortesia de BCI
de 2.000 participantes
em 2025
BCI reforça literacia financeira mais
No âmbito do seu compromisso com a inclusão financeira, o BCI desenvolveu ao longo de 2025 diversas iniciativas de literacia financeira, alcançando mais de 2.000 pessoas em todo o país. As acções abrangeram crianças, jovens, estudantes universitários, artistas e comunidades locais, promovendo hábitos de poupança, gestão responsável do dinheiro e sustentabilidade.
Entre as iniciativas levadas a cabo, destacou-se o Projecto de Literacia Financeira e Sustentabilidade, desenvolvido em várias escolas, durante o Mês da Poupança. O programa envolveu dezenas de alunos em projectos criativos sobre poupança e sustentabilidade, culminando numa gala de reconhecimento onde os melhores projectos foram premiados. A Escola Secundária Dom Bosco conquistou o 1º lugar, seguida pela Escola Secundária da Malhangalene (2º lugar) e pela Escola Solidariedade (3º lugar).
Na cerimónia de entrega de prémios, o
Administrador do BCI Luís Aguiar enalteceu o empenho e criatividade dos jovens, afirmando que "é um orgulho e um gosto ter projectos tão válidos, que revelam dedicação e talento". Luís Aguiar dirigiu ainda um agradecimento especial a todos os participantes "pelo papel positivo e pela excelente colaboração na concretização desta iniciativa, que reflecte o compromisso conjunto com a educação financeira e o desenvolvimento juvenil".
A 13ª edição da Global Money Week, sob o lema "Reflicta antes de seguir: finanças sábias hoje, sucesso amanhã", constituiu outro marco importante da estratégia de
Fotografia: Cortesia de BCI
educação financeira do banco. A iniciativa decorreu em escolas, universidades e mediatecas do BCI em Maputo e Beira, oferecendo aos participantes palestras, sessões interactivas e demonstrações práticas sobre empreendedorismo, orçamento pessoal e literacia financeira.
Complementando estas acções, o BCI promoveu sessões de formação em instituições como a Escola Portuguesa, o Externato Cantinho do Céu, o Externato Linda e a Associação Kutsaka. Estas
actividades envolveram alunos, encarregados de educação e jovens embaixadores, com foco em gestão financeira, hábitos de consumo consciente e empreendedorismo social.
Estas iniciativas reflectem o compromisso contínuo do BCI em contribuir para uma sociedade mais informada e financeiramente responsável, consolidando o seu papel como parceiro activo no desenvolvimento sustentável de Moçambique.
“Ao longo de 2025, o BCI desenvolveu diversas iniciativas de literacia financeira, alcançando mais de 2.000 pessoas em todo o país.”
A 13ª edição da Global Money Week realizou-se sob o lema "Reflicta antes de seguir: finanças sábias hoje, sucesso amanhã".
BCI strengthens financial literacy over 2,000 participants in 2025
As part of its commitment to financial inclusion, BCI developed several financial literacy initiatives throughout 2025, reaching more than 2,000 people across the country. These actions included children, young people, university students, artists and local communities, promoting savings habits, responsible money management, and sustainability.
Among the initiatives carried out, the Financial Literacy and Sustainability Project, developed in several schools during Savings Month, stood out. The programme involved dozens of students in creative projects on saving and sustainability, culminating in a recognition gala where the best projects were awarded. Dom Bosco Secondary School won 1st place, followed by Malhangalene Secondary School (2nd place) and Solidariedade School (3rd place).
At the award ceremony, BCI board member Luís Aguiar praised the commitment and creativity of the young people, stating that “it is a pride and a pleasure to have such valuable projects, which show dedication and talent.” Luís Aguiar also gave special thanks to all participants “for the positive role and excellent collaboration in making this initiative possible, which reflects the shared commitment to financial education and youth development.”
Dom Bosco Secondary School secured first place in the Financial Literacy and Sustainability Project.
under the theme “Plan your money, plant your future: wise finances today, success tomorrow”, marked another milestone in the bank’s financial education strategy. The initiative took place in schools, universities and BCI media libraries in Maputo and Beira, offering participants lectures, interactive sessions and practical demonstrations on entrepreneurship, personal budgeting and financial literacy.
In addition to these actions, BCI held training sessions at institutions such as the Portuguese School, Externato Cantinho do Céu, Externato Linda, and the Kutsaka Association. These activities involved students, parents and young ambassadors, focusing on financial management, conscious consumption habits, and social entrepreneurship.
The 13th edition of Global Money Week,
These initiatives reflect BCI’s ongoing commitment to contributing to a more informed and financially responsible society, consolidating its role as an active partner in the sustainable development of Mozambique.
Fotografia: Cortesia de BCI
Fotografia e texto por: Mariano Silva
Depois de quase 10 quilómetros de subidas íngremes e descidas traiçoeiras, chego exausto ao acampamento. A copa cerrada das árvores filtra a luz da tarde numa penumbra permanente. O rubor das chamas rompe o silêncio e as conversas misturam-se com lendas e mitos sobre os espíritos que habitam a floresta do Monte Mabu, esse lugar onde basta dar poucos passos para sentirmos o peso do sagrado sobre nós. À noite, deitado na tenda, ouço a quietude da floresta que parou para nos escutar, um silêncio que nos desmonta por dentro para nos devolver com outra consciência sobre a importância de preservar lugares como este. O monte Mabu não é apenas um destino, é um mundo vivo que só se revela a quem aceita escutá-lo. E ali, no meio da sua sombra milenar, ouvi o bater profundo do seu coração.
888Bets renova campos e inspira jovens
AQuadra Desportiva Polivalente da Sommerschield, em Maputo, ganhou nova vida. O espaço, antes gasto pelo tempo e pelo desuso, renasceu com cor, frescura e propósito graças ao projecto As Novas Cores da Juventude, uma iniciativa da 888Bets que une desporto, arte e desenvolvimento comunitário. A cerimónia oficial de entrega decorreu a 14 de Novembro de 2025 e reuniu moradores, jovens atletas, representantes municipais e membros da marca, num momento marcado por entusiasmo e sentimento de pertença. Este é o primeiro passo de um projecto ambicioso que pretende chegar a várias províncias do país, reabilitando campos comunitários e criando locais de convivência que promovem bem-estar, inclusão e orgulho local. Para a 888Bets, não se trata apenas de pintar superfícies ou instalar equipamentos. É um compromisso genuíno com as comunidades, alinhado com a sua estratégia ESG, que orienta a actuação da empresa em três eixos essenciais: sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e transparência na gestão.
Um campo que conta histórias
O espaço foi transformado pelo talento de Sebastião Coana, artista moçambicano cuja assinatura visual combina simbologia cultural, ritmo cromático e expressões que dialogam directamente com o quotidiano das comunidades. O campo, agora vibrante, é mais do que um local para treinar. É também um ponto de encontro, um mural aberto, um símbolo de renovação. “A verdadeira sustentabilidade começa nas pessoas. Quando damos cor e vida aos espaços, damos também novas possibilidades às comunidades”, afirmou o artista, explicando que a pintura partiu de elementos culturais locais e procurou criar uma ponte intuitiva entre arte, identidade e prática desportiva. Coana guiou ainda um workshop com jovens da zona, que aprenderam técnicas de pintura civil, industrial e artística. Um gesto que ultrapassa o acto de decorar paredes e se transforma numa oportunidade de capacitação e possível geração de rendimento. “É um grande orgulho saber que as artes plásticas podem gerar auto-emprego e caminhar lado a lado com o desporto”, acrescentou.
Um legado que começa no presente
Para a 888Bets, esta acção é apenas o início. Romero Bay, Director Geral da marca em Moçambique, descreveu o projecto como “o lançamento da primeira pedra” de um plano mais amplo de responsabilidade social. “A nossa intenção é replicar esta iniciativa em todo o território nacional”, sublinhou. “Queremos que cada campo conte uma história de superação, energia e comunidade. Acreditamos que o impacto real nasce quando transformamos lugares e tocamos vidas.” A empresa reforça ainda que o
Fotografia: Cortesia de 888Bets
desporto é um veículo poderoso de transformação, especialmente para a juventude. Em Moçambique, o basquetebol é treino, disciplina, convivência e esperança. Requalificar espaços onde os jovens possam praticar basquetebol, futebol, andebol ou outras modalidades, de forma segura e inclusiva, é investir directamente no futuro. O campo recebeu, por isso, várias melhorias estruturais, incluindo painéis solares que permitem a utilização do espaço ao final da tarde e durante a noite, garantindo segurança e incentivando a prática desportiva fora do horário escolar ou laboral. Além disso, a 888Bets mantém diálogo aberto com o município e procura novos parceiros que desejem apoiar iniciativas semelhantes. Mais tarde, a marca perspectiva dinamizar actividades adicionais, como torneios entre bairros e distritos, embora o foco imediato seja a reabilitação dos campos.
Uma parceria que devolve vida às cidades
O Conselho Municipal de Maputo saudou a iniciativa, destacando a importância das parcerias público-privadas na requalificação de infra-estruturas urbanas e na promoção de oportunidades para os jovens. O impacto do projecto ultrapassa o desporto. Toca a dimensão urbana, cultural e social da cidade, reforçando laços comunitários e reaproximando os moradores dos seus espaços. Com As Novas Cores da Juventude, a 888Bets reafirma o lugar que pretende ocupar no país: o de parceira activa da sociedade, promotora de inclusão e defensora de um futuro mais vibrante, seguro e sustentável. Se a primeira quadra é o começo, o movimento que se avizinha tem potencial para transformar paisagens, histórias e gerações. Maputo assistiu ao nascimento de um projecto que colore o presente e inspira o amanhã.
A Quadra Desportiva Polivalente da Sommerschield, em Maputo, ganhou nova vida graças
ao projecto As Novas Cores da Juventude.
Fotografia: Cortesia de 888Bets
The Multi-Purpose Sports Court in Sommerschield, Maputo, has gained new life. The space, once worn by time and disuse, was reborn with colour, freshness and purpose thanks to the New Colours of Youth project, an initiative by 888Bets that combines sport, art and community development. The official handover ceremony took place on 14 November 2025 and brought together residents, young athletes, municipal representatives and members of the brand, in a moment marked by enthusiasm and a sense of belonging. This is the first step of an ambitious project that aims to reach several provinces across the country, rehabilitating community courts and creating spaces for social interaction that promote well-being, inclusion and local pride. For 888Bets, it is not just about painting surfaces or installing equipment. It is a genuine commitment to communities, aligned with its ESG strategy, which guides the company’s actions in three essential areas: environmental sustainability, social responsibility, and transparency in governance.
A court that tells stories
The space was transformed by the talent of Sebastião Coana, a Mozambican artist whose visual signature combines cultural symbolism, chromatic rhythm, and expressions that speak directly to the daily lives of the communities. The court, now vibrant, is more than just a training space. It is also a meeting point, an open mural, a symbol of renewal. “True sustainability begins with people. When we bring colour and life to spaces, we also bring new possibilities to communities,” said the artist, explaining that the painting was inspired by local cultural elements and sought to create an intuitive bridge between art, identity and sport. Coana also led a workshop with local youth, who learned civil, industrial and artistic painting techniques. A gesture that goes beyond decorating walls and becomes an opportunity for skills development and potential income generation. “It is a great sour-
ce of pride to know that the visual arts can generate self-employment and go hand in hand with sport,” he added.
A legacy that starts in the present
For 888Bets, this action is just the beginning. Romero Bay, General Director of the brand in Mozambique, described the project as “the laying of the first stone” of a broader social responsibility plan. “Our intention is to replicate this initiative across the entire national territory,” he stressed. “We want each court to tell a story of resilience, energy and community. We believe that real impact is born when we transform places and touch lives.” The company also emphasises that sport is a powerful vehicle for transformation, especially for youth. In Mozambique, basketball means training, discipline, social interaction and hope. Requalifying spaces where young people can practise
basketball, football, handball or other sports, in a safe and inclusive way, is a direct investment in the future. The court, therefore, received several structural improvements, including solar panels that allow the space to be used in the late afternoon and evening, ensuring safety and encouraging sports practice outside school or working hours. In addition, 888Bets maintains an open dialogue with the municipality and is seeking new partners interested in supporting similar initiatives. Later on, the brand plans to promote additional activities, such as tournaments between neighbourhoods and districts, although the immediate focus remains on rehabilitating the courts.
A partnership that brings cities back to life
The Municipal Council of Maputo welcomed the initiative, highlighting the importance of public-private partnerships in the requalification of urban infrastructure and in the promotion of opportunities for young people. The impact of the project goes beyond sport. It touches the urban, cultural and social dimensions of the city, strengthening community ties and reconnecting residents with their spaces. With The New Colours of Youth, 888Bets reaffirms the role it intends to play in the country: an active partner of society, a promoter of inclusion, and a defender of a more vibrant, safe and sustainable future. If the first court is just the beginning, the movement ahead has the potential to transform landscapes, stories and generations. Maputo witnessed the birth of a project that colours the present and inspires tomorrow.
Saboresnórdicos
e encontros à mesa com o
Chef Kimmo
No dia 6 de Novembro, a Fundação Fernando Leite Couto recebeu um jantar especial conduzido pelo chef finlandês Kimmo, convidado pela Embaixada da Finlândia em Moçambique no âmbito de um projecto de diplomacia gastronómica. A ocasião celebrou os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países, unindo sabores do norte europeu e ingredientes moçambicanos num diálogo culinário inesperado.
“Durante este projecto descobri uma grande variedade de pratos de peixe e marisco”, contou o chef, ainda encantado com a diversidade do litoral moçambicano. Para ele, cozinhar em Maputo foi mais do que um exercício profissional: foi uma oportunidade de partilhar técnicas e aprender novas formas de olhar o mar.
Com uma carreira construída entre a Ásia e a Europa, Kimmo habituou-se a transportar ideias e inspirações de cada país por onde passa. “É sempre interessante apresentar combinações nórdicas a quem as experimenta pela primeira vez. O meu objectivo é criar pratos autênticos, que mantenham os sabores reconhecíveis da minha cultura”, explicou.
Kimmo descreve a culinária finlandesa como uma celebração de combinações simples e genuínas: peixe fumado com endro, cogumelos do bosque com
Fotografia: Cortesia da Embaixada da Finlândia
natas ácidas, pão de centeio com manteiga e bagas silvestres em múltiplas variações. “São sabores que contam a história da Finlândia. Trazê-los a um novo público é uma forma de diálogo cultural.”
Trabalhar fora do seu país ensinou-lhe também a ser flexível. “Aprendi a substituir ingredientes por produtos locais, mantendo os métodos tradicionais como a defumação. Depois de vários anos em Itália, comecei a misturar ingredientes finlandeses em pratos italianos, criando uma verdadeira troca cultural num prato só.”
Em Moçambique, Kimmo rendeu-se à combinação de marisco e coco, que descreve com entusiasmo. “Adoro marisco, e misturá-lo com coco é simplesmente delicioso.” O prazer de experimentar, diz, é o que o mantém criativo: “É uma forma de continuar activo, de aprender sempre algo novo e de compreender melhor o que os estrangeiros mais apreciam na gastronomia do meu país.”
Mais do que receitas, o chef acredita no poder humano da mesa. “À volta de uma refeição, as pessoas ficam de bom humor, falam mais, partilham emoções. Em pouco tempo, criam-se memórias duradouras. É a forma mais humana e eficaz de fazer amigos e construir relações.” E acrescenta com um sorriso: “Tenho conhecido pessoas incríveis em Moçambique. A comida é uma linguagem universal que nos faz entender uns aos outros, celebrar as diferenças e o que temos em comum.”
Kimmo deixa o país com o paladar cheio de novas descobertas e o coração alimentado por amizades. Afinal, como ele próprio resume, o segredo está em “fazer novos amigos em cozinhas pelo mundo”.
Nordicflavours and shared tables with Chef Kimmo
On 6 November, the Fernando Leite Couto Foundation hosted a special dinner led by Finnish chef Kimmo, invited by the Embassy of Finland in Mozambique as part of a culinary diplomacy initiative. The occasion marked 50 years of diplomatic relations between the two nations, blending Northern European flavours with Mozambican ingredients in an unexpected culinary exchange.
“Throughout this project, I discovered a remarkable variety of fish and seafood dishes,” the chef shared, still captivated by the richness of Mozambique’s coastline. For Kimmo, cooking in Maputo was more than a professional endeavour — it was an opportunity to exchange techniques and gain new perspectives on the ocean’s bounty.
Having built a career across Asia and Europe, Kimmo has grown accustomed to carrying ideas and inspirations from each country he visits. “It’s always fascinating to introduce Nordic combinations to people experiencing them for the first time. My goal is to create authentic dishes that retain the recognisable flavours of my culture,” he explained.
He describes Finnish cuisine as a celebration of honest, uncomplicated pairings: smoked fish with dill, fo -
Fotografia: Cortesia da Embaixada da Finlândia
rest mushrooms with sour cream, rye bread with butter, and wild berries in countless variations. “These are flavours that tell Finland’s story. Sharing them with new audiences is a form of cultural dialogue.”
Working abroad has also taught him the art of adaptation. “I’ve learnt to swap out ingredients for local alternatives while preserving traditional methods like smoking. After several years in Italy, I began mixing Finnish ingredients into Italian dishes, creating a true cultural exchange on a plate.”
In Mozambique, Kimmo was quickly won over by the combination of seafood and coconut, which he describes with enthusiasm. “I love seafood, and pairing it with coconut is simply delicious.” The joy of experimenting, he says, is what keeps him inspired: “It’s how I stay engaged, constantly learning something new and gaining insight into what foreigners most appreciate about my country’s food.”
But for the chef, it goes far beyond recipes — he believes in the human power of the table. “Around a meal, people lighten up, talk more, share emotions. In no time, lasting memories are made. It’s the most human and effective way to make friends and build connections.” Smiling, he adds: “I’ve met incredible people in Mozambique. Food is a universal language that helps us understand one another, celebrate our differences, and find common ground.”
Kimmo leaves the country with a palate enriched by new discoveries and a heart full of friendship. As he puts it himself, the secret lies in “making new friends in kitchens around the world.”
Fotografia: Helton Perengue
Beer Expo 2025
A estreia que elevou a fasquia da cultura cervejeira no país
Maputo assistiu, no dia 25 de Outubro, no Hotel Cardoso, ao nascimento de um novo marco na agenda cultural e gastronómica do país. A primeira edição da Mozambique Beer Expo apresentou-se como uma celebração vibrante da cultura cervejeira, reunindo marcas, produtores, entusiastas e curiosos num ambiente descontraído, informativo e profundamente energizante. Organizada pelo Connoisseur Prestige Club, a Revista Xonguila, o Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA) e A Malta do Vinho, e com o patrocínio do Banco Sólido e do próprio Hotel Cardoso, a Expo mostrou, desde o primeiro instante, a sua ambição: colocar Moçambique no mapa dos grandes eventos internacionais do sector, com identidade própria e forte ligação ao público.
Uma primeira edição que deixou marca
O encontro contou com a presença de marcas nacionais e internacionais que apresentaram os seus portfólios de forma criativa e envolvente. HEINEKEN Moçambique, Cervejas de Moçambique (CDM), Maputo Beer Club, Grupo Mega, Superbock, Mafalala Cervejas, Bazaruto Brewing Company, Clau Trading, Gelarte, entre outras, criaram espaços interactivos onde cada visitante pôde explorar sabores, texturas, histórias e métodos de produção. A ousadia esteve particularmente visível nas cervejas desenvolvidas exclu-
sivamente para esta edição, como a cerveja de chá balacate ou a surpreendente cerveja de morango. Criações que despertaram curiosidade, estimularam conversas e mostraram o potencial criativo dos produtores nacionais. Ao longo do dia, os participantes vivenciaram uma experiência memorável, desde as provas guiadas até às demonstrações técnicas, passando por desafios lúdicos e momentos musicais. O ambiente foi sendo moldado por um público sempre curioso e participativo, que circulava entre os diferentes espaços em busca de novos aromas,
Fotografia: Miguel Peral
Fotografia: Helton Perengue
aprendizagens e encontros descontraídos.
Conhecimento em primeiro plano
A aposta na vertente formativa foi um dos alicerces do evento. As Beer Talks ofereceram sessões de 20 minutos sobre estilos, história, ingredientes, harmonizações, construção de portfólios, marketing e inovação. Um formato breve, directo e acessível, ideal para despertar interesse e aprofundar saberes. Para reforçar o lado educativo, a Expo contou com o envolvimento do INATUR, de alunos do curso técnico-profissional da Escola Portuguesa de Moçambique e de alunos da Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane, uma unidade da Universidade Eduardo Mondlane, que viajaram desde aquela província para participar. A presença destes grupos sublinhou a importância de aproximar o sector académico da dinâmica empresarial. O Circuito da Cerveja – Beyond the Glass, um percurso com dez estações, permitiu acompanhar todo o processo cervejeiro, desde os grãos e a malteação até à fermentação, carbonatação e construção de estilos. Painéis interactivos, explicações de especialistas e pequenas demonstrações transformaram o circuito numa verdadeira viagem sensorial e pedagógica.
Um festival vivo, múltiplo e vibrante
O mainstage trouxe momentos de grande animação, desde a cerimónia de abertura
até às actuações de Matilde Conjo, da Banda Manga Rosa e dos sets das DJ Amanda e DJ Degroeth. A música, aliada ao ambiente descontraído e à vista privilegiada do Hotel Cardoso, elevou o espírito do evento. No food court foram apresentados pratos criados com inspiração cervejeira, favorecendo harmonizações simples e cheias de sabor. As zonas instagramáveis, os beer games, e o espaço dedicado à arte e sustentabilidade completaram uma cenografia pensada para surpreender e entreter.
A decoração, inspirada nos grandes beerfests, combinou elementos rústicos com o branding das marcas, criando um cenário acolhedor e memorável.
O início de uma tradição
O feedback foi notavelmente positivo. O sucesso da estreia elevou a fasquia para as próximas edições, que terão o desafio de manter e superar o nível apresentado. A Mozambique Beer Expo nasce com a ambição de se tornar um encontro anual, sempre em Outubro, alinhado com os grandes eventos internacionais do sector. Esta primeira edição mostrou que Moçambique tem espaço, talento e público para construir uma referência própria no mundo da cerveja. O país ganha, assim, uma nova tradição. Um evento que junta entretenimento e conhecimento celebra a inovação local e reforça o orgulho na criatividade moçambicana.
A primeira
edição
da
Mozambique Beer Expo foi uma vibrante celebração da cultura cervejeira.
On 25 October, the city of Maputo witnessed the launch of a new milestone in Mozambique’s cultural and gastronomic calendar. Hosted at the iconic Hotel Cardoso, the first edition of the Mozambique Beer Expo delivered a vibrant celebration of brewing culture, bringing together brands, producers, enthusiasts and the simply curious in a relaxed, informative and high-energy atmosphere. Organised by the Connoisseur Prestige Club, Revista Xonguila, the Mozambican-German Cultural Centre (CCMA) and A Malta do Vinho – and sponsored by Banco Sólido and Hotel Cardoso itself – the Expo made its ambitions clear from the outset: to place Mozambique on the global map of leading beer events, with its own distinct identity and deep public connection.
A first edition that made its mark
The event welcomed both national and international beer brands, who showcased their portfolios in creative and engaging ways. HEINEKEN Mozambique, Cervejas de Moçambique (CDM), Maputo Beer Club, Grupo Mega, Superbock, Mafalala Cervejas, Bazaruto Brewing Company, Clau Trading and Gelarte, among others, created interactive spaces where visitors could explore flavours, textures, stories and brewing techniques. Bold innovation stood out, particularly with beers developed exclusively for this edition – including a balacate tea beer and a surprising strawberry beer. These creations sparked curiosity, inspired conversations and highlighted the creative potential of local brewers. Throughout the day, attendees enjoyed a memorable experience, from guided tastings and technical demos to playful challenges and live music. The lively, inquisitive crowd moved through the various spaces in search of new aromas, insights and laid-back encounters.
Learning at the heart of the event
A strong educational focus was one of the event’s cornerstones. The Beer Talks
offered concise 20-minute sessions on styles, history, ingredients, pairing, portfolio development, marketing and innovation. Designed to be brief, direct and accessible, the format successfully piqued interest and deepened knowledge. To reinforce the learning element, the Expo involved INATUR, students from the technical-professional course at the Portuguese School of Mozambique, and students from the Higher School of Hospitality and Tourism in Inhambane – a branch of Eduardo Mondlane University – who travelled from their province to take part. Their participation underlined the importance of bridging academic learning with industry practice. The Circuito da Cerveja – Beyond the Glass, a ten-station journey, walked visitors through the full brewing process –from grain and malting to fermentation, carbonation and style development. With interactive panels, expert commentary and small demonstrations, the circuit became a truly sensory and educational experience.
A lively, eclectic and vibrant festival
The mainstage delivered lively performances from the opening ceremony
Fotografia: Helton Perengue
through to sets by Matilde Conjo, Banda Manga Rosa, and DJs Amanda and Degroeth. Music, combined with the laid-back setting and the panoramic views from Hotel Cardoso, lifted the spirit of the event. In the food court, dishes inspired by beer brought flavourful pairings to the fore. Instagrammable zones, beer games, and dedicated spaces for art and sustainability added to the immersive setting. Drawing from major international beerfests, the décor blended rustic elements with brand-specific aesthetics to create a warm, memorable visual identity.
The start of a new tradition
Feedback from participants was over-
whelmingly positive. The success of this debut raised the bar for future editions, which now face the exciting challenge of matching – or exceeding – the high standards set. The Mozambique Beer Expo launches with the ambition to become an annual event, always in October, aligned with the world’s top beer festivals. This first edition proved that Mozambique has the space, talent and audience to craft its own signature event in the world of beer. The country has gained a new tradition – one that combines entertainment and knowledge, celebrates local innovation and reinforces pride in Mozambican creativity.
Educar, apoiar e incentivar o diagnóstico precoce tornou-se o eixo central de um movimento que se recusa a deixar alguém para trás.
Fotografia: Cortesia de Sílvia Sacur
Voz
da prevenção e esperança
A Associação de Luta contra o Cancro da Mama – Outubro Rosa Moçambique (ALCCM-ORM) nasceu de uma necessidade urgente e profundamente humana: aproximar informação, apoio e esperança das pessoas afectadas pela doença num país onde o diagnóstico tardio, o medo e a falta de conhecimento continuavam a custar vidas. Desde o primeiro momento, o propósito ficou claro. Educar, apoiar e incentivar o diagnóstico precoce tornou-se o eixo central de um movimento que se recusa a deixar alguém para trás, independentemente da idade, género ou condição social.
OOutubro Rosa Moçambique ganhou força por compreender, desde cedo, que nenhuma sensibilização é verdadeiramente eficaz se não estiver ancorada na realidade cultural e social do país. A associação trabalhou sempre com a linguagem, as vivências e os desafios locais, adaptando cada mensagem às necessidades reais das comunidades. Mais do que uma campanha anual, tornou-se uma plataforma de acolhimento e transformação, onde informação e afecto caminham lado a lado.
A Feira da Família deste ano foi um exemplo claro dessa missão em acção. Reuniu cerca de trezentas pessoas durante todo o dia, num ambiente marcado por cumplicidade, energia e solidariedade. A Caminhada Rosa Familiar, orientada pelo coach Mauro Raja,
abriu o encontro com movimento e simbolismo. Seguiram-se actividades que aproximaram pais e filhos, desde yoga guiado por Lisa Yvonne a demonstrações de defesa pessoal da Associação Nacional de Tang Soo Do, que trouxe campeões africanos e um campeão mundial, além de uma vibrante secção de capoeira com o grupo Manganga. A saúde esteve no centro do evento com a MSS (Medical Support Services), que realizou check-ups básicos e promoveu palestras rápidas sobre nutrição e bem-estar, conduzidas pelo Dr. Humberto Xavier e pela enfermeira Blanca. O testemunho da sobrevivente Alcinda Chavane acrescentou profundidade emocional ao dia, lembrando que estatísticas ganham rosto e voz quando partilhadas por quem viveu a realidade do cancro da mama.
A música e a dança refor-
çaram a alegria do encontro, com actuações de Jay Arghh, Idelsa, a banda Os Manguinhas, Kátia Vanessa, os DJs Adilson e Kosmic Keys e o grupo MozLatin Movement, que levou famílias inteiras a partilharem um momento leve e descontraído. A recolha de donativos superou expectativas, com produtos de higiene, alimentos e água que foram posteriormente entregues aos pacientes da oncologia do Hospital Central de Maputo. Esses bens foram acompanhados pelos “Bilhetes da Esperança”, mensagens e desenhos preparados pelas famílias presentes na feira. A entrega representou muito mais do que apoio material. Para os pacientes, significou conforto, dignidade e a certeza de não estarem sozinhos; para a associação, confirmou a força da comunidade e a confiança dos parceiros, entre os quais Casino Polana, Joga Bets, Medical Su-
Fotografia: Cortesia de Sílvia Sacur
pport Services, Grupo Evolution, Água da Namaacha, Grindrod, IMP Diagnostics, Eu Crio, Grupo Perfect, Emotion, Farmácias Maria Elisa, MozLatina Multi Services, Moztickets, Revista Xonguila, Promotion Media Services, TV Sucesso, Njando Produções, Lambda, ALCC e AMN.
Ao longo dos anos, a ALCCM-ORM consolidou conquistas que mudaram o modo como Moçambique olha para o cancro da mama. Foi pioneira no lançamento do Outubro Rosa no país, em 2016, numa época em que o
tema não ocupava espaço nas rádios, televisões ou redes sociais. Levou informação onde ela não chegava e tornou-se referência para escolas, instituições e comunidades que hoje procuram activamente as suas formações. Prestou apoio emocional, financeiro e prático a inúmeras pessoas em tratamento e estendeu a sua presença para além de Maputo, alcançando também unidades de saúde nas regiões centro e norte. Fez nascer parcerias nacionais e internacionais que ampliaram o alcance do movimento e testemunhou um aumento
real do diagnóstico precoce, resultado directo da sensibilização contínua.
Mas o caminho continua repleto de desafios. Muitas pessoas continuam sem acesso fácil ao diagnóstico precoce. Persistem barreiras culturais que atrasam a procura de ajuda e faltam recursos para levar informação às zonas mais remotas. O apoio psicológico contínuo é insuficiente e a criação de mais grupos de suporte depende de meios financeiros ainda limitados. Mesmo assim, cada dificuldade tem servido como motivação.
A colaboração com parceiros, artistas e instituições tem sido determinante. Eles trazem recursos, visibilidade e legitimidade a uma causa que precisa de todos. A associação acredita que o futuro passa precisamente por reforçar estas alianças e levar a mensagem sobretudo às comunidades que chegam aos centros de saúde em estágios avançados por falta de informação. As lições aprendidas no terreno revelaram que cada história é diferente e merece ser ouvida, que a coragem se manifesta de múltiplas formas e que ninguém deveria enfrentar o cancro da mama sozinho, porque o afecto é tão essencial quanto o tratamento.
Para este artigo, a Xonguila contou com a colaboração de Sílvia Sacur, Vice-Presidente do Conselho Fiscal da Associação da Luta Contra o Cancro da Mama – Outubro Rosa Moçambique, onde também assume as funções de responsável de Marketing, Comunicação, Parcerias e Projectos.
Para o próximo ano, estão previstas novas
campanhas comunitárias, o reforço das formações e palestras, mais acções em zonas periféricas e a expansão da Feira da Família, para que se torne ainda mais inclusiva. A associação quer fortalecer os programas de apoio psicossocial e aumentar o alcance das actividades de rastreio e prevenção.
E a ALCCM-ORM deixa uma mensagem simples, directa e profundamente humana às famílias moçambicanas. Conhecer o corpo é cuidar. Tocar, sentir e observar são actos de prevenção. Ignorar sinais é um risco que não se deve correr. Procurar ajuda a tempo é uma escolha que pode salvar vidas. O cancro da mama não escolhe género, idade ou aparência; todos devem estar atentos. Quando cada pessoa se cuida e cuida dos seus, toda a comunidade ganha força. E é precisamente dessa força colectiva que o movimento vive, porque juntos, como a ALCCM-ORM nunca se cansa de lembrar, somos mais fortes.
Fotografia: Cortesia de Sílvia Sacur
The Associação de Luta contra o Cancro da Mama – Outubro Rosa Moçambique (ALCCM-ORM) was born from an urgent and deeply human need: to bring information, support and hope closer to those affected by breast cancer in a country where late diagnoses, fear and lack of awareness continued to cost lives. From the very beginning, its purpose was clear. Education, support and early detection became the pillars of a movement determined to leave no one behind—regardless of age, gender or social standing.
What set Outubro Rosa Moçambique apart from the outset was its understanding that awareness efforts are only truly effective when rooted in the cultural and social realities of the country. The association has consistently worked with local languages, experiences and challenges, shaping every message to reflect the real needs of the communities it serves. Far more than an annual campaign, it has evolved into a welcoming, transformative platform—where information is delivered with empathy and care.
This year’s Feira da Família (Family Fair) embodied this mission in action. Around 300 participants came together for a full day of connection, energy and solidarity. The day began with the Caminhada Rosa Familiar, a symbolic family walk
led by coach Mauro Raja. The programme followed with a variety of activities designed to bring parents and children closer—from yoga sessions guided by Lisa Yvonne, to self-defence demonstrations by the National Tang Soo Do Association, featuring African champions and a world champion, and a lively capoeira segment from the Manganga group.
Health took centre stage, with basic check-ups provided by Medical Support Services (MSS), as well as short talks on nutrition and wellbeing led by Dr Humberto Xavier and nurse Blanca. A particularly moving moment came with the testimony of breast cancer survivor Alcinda Chavane, reminding everyone that behind the statistics are real people with powerful stories.
Music and dance added to the celebratory spirit of the event, with per-
formances by Jay Arghh, Idelsa, the band Os Manguinhas, Kátia Vanessa, DJs Adilson and Kosmic Keys, and MozLatin Movement, who got entire families up and dancing. The donation drive exceeded expectations, collecting hygiene products, food and water, which were later delivered to cancer patients at Maputo Central Hospital. Alongside these essential items were “Bilhetes da Esperança” (“Hope Notes”)—messages and drawings created by families at the fair. For patients, these offerings meant more than material aid—they provided dignity, comfort and a sense of solidarity. For the association, they reaffirmed the strength of community and the trust of partners including Casino Polana, Joga Bets, Medical Support Services, Grupo Evolution, Água da Namaacha, Grindrod, IMP Diagnostics, Eu Crio, Grupo Perfect, Emotion,
ALCCM pioneered the launch of Pink October in the country in 2016, at a time when the topic had no presence on radio, television or social media.
Farmácias Maria Elisa, MozLatina Multi Services, Moztickets, Revista Xonguila, Promotion Media Services, TV Sucesso, Njando Produções, Lambda, ALCC and AMN.
Over the years, ALCCMORM has secured transformative achievements, changing the way Mozambique approaches breast cancer. It pioneered the launch of Outubro Rosa in the country in 2016, at a time when the topic had no space in mainstream media or social platforms. The association took information to places where none had previously reached and became a point of reference for schools, institutions and communities now actively seeking its training and awareness programmes.
It has provided emotional, financial and practical support to countless patients and expanded its presence beyond Maputo, reaching health units in central and northern regions. National and international partnerships have widened the movement’s reach, and there has been a tangible increase in early diagnoses—a direct result of its ongoing awareness efforts.
But the path ahead is still lined with challenges. Many people still lack access to early diagnosis. Cultural barriers continue to delay the search for help, and resources are scarce for spreading information to remote areas. Long-term psychological support remains limited, and the expansion of support groups is hindered by financial constraints. Yet, every obstacle has served as further motivation.
Collaboration with partners, artists and institutions has proven vital, providing resources, visibility and legitimacy to a cause that requires collective effort. The association firmly believes the future lies in strengthening these alliances and ensuring the message reaches communities who still arrive at health centres in late stages of the disease due to lack of awareness. Lessons learned in the field have shown that every story is unique and deserves to be heard; that courage takes many forms; and that no one should face breast cancer alone—because care and compassion are as essential as treatment.
For this article, Xonguila spoke with Sílvia Sacur, Vice-President of ALCCMORM’s Audit Committee,
who also leads the association’s Marketing, Communications, Partnerships and Projects portfolio.
Looking ahead to next year, ALCCM-ORM plans new community campaigns, expanded training and talks, more outreach in peripheral areas, and a larger, more inclusive edition of the Feira da Família. The association aims to strengthen psychosocial support programmes and broaden the reach of its screening and prevention activities.
And ALCCM-ORM leaves the Mozambican public with a simple, powerful, human message: knowing your body is caring for it. Touching, feeling and observing are acts of prevention. Ignoring the signs is a risk that should never be taken. Seeking help in time is a choice that can save lives. Breast cancer does not discriminate—it can affect any gender, age or appearance. We must all be vigilant. When each person looks after themselves and their loved ones, the whole community grows stronger. And it is from that collective strength that this movement draws its power—because together, as ALCCM-ORM never tires of reminding us, we are stronger.
Hacktivismo e ciberactivismo, o novo poder das massas
O mundo digital transformou-se num espaço onde se discutem ideias, se contestam decisões e se molda a opinião pública.
O mundo digital transformou-se num espaço onde se discutem ideias, se contestam decisões e se molda a opinião pública. Esta presença constante da tecnologia na vida quotidiana criou novas formas de acção colectiva, desde campanhas amplificadas nas redes sociais até operações digitais com impacto global. É neste contexto que se enquadram o hacktivismo e o ciberactivismo, fenómenos que têm ganho expressão em vários países, inclusive em Moçambique, mas cuja análise exige uma abordagem equilibrada e informada.
Ociberactivismo assenta na mobilização através da internet. Petições, movimentos de solidariedade, denúncias e campanhas informativas mostram como as plataformas digitais se tornaram espaços de participação cívica. Diversas causas conseguiram maior visibilidade graças ao esforço coordenado de cidadãos que encontram na rede uma ferramenta prática para sensibilizar e gerar debate. Esta dinâmica não substitui o activismo tradicional, mas amplia a capacidade de influenciar políticas públicas, fiscalizar instituições e promover diálogo entre grupos distintos.
Já o hacktivismo, apesar de frequentemente associado a episódios mais disruptivos, tem uma natureza variada. A sua motivação pode surgir de ideais ligados à transparência, defesa de direitos, protecção de comunidades vulneráveis ou contestação de decisões governamentais e empresariais. Embora existam acções que levantam questões legais e éticas, o fenómeno é também expressão de uma sociedade cada vez mais informatizada, onde o domínio tecnológico passou a ser uma forma de intervenção pública.
A crescente sofisticação das tecnologias trouxe, porém, novos desafios. Os deepfakes, por exemplo, tornaram-se um dos instrumentos digitais mais discutidos da actualidade. Com recurso a inteligência artificial, permitem criar vídeos e gravações de voz praticamente indistinguíveis de conteúdos reais. Esta capacidade de manipulação introduz riscos sérios para a confiança pública. Um vídeo fabricado pode afectar reputações, alimentar narrativas falsas e condicionar decisões colectivas antes de ser desmentido. O impacto é tanto maior quanto mais rápida for a circulação de informação numa sociedade hiperconectada.
O poder de influência no ambiente digital deixou de depender apenas da força de uma ideia. Passou a depender também da capacidade de produzir, editar e disseminar conteúdos com aparente autenticidade. Plataformas sociais tornaram-se espaços de grande alcance, onde uma publicação pode chegar a milhares de pessoas em poucos minutos. Esta velocidade cria oportunidades para informar e educar, mas
seus sistemas de segurança e a adaptar estratégias de comunicação a um ambiente onde rumores se propagam de forma quase imediata. A sociedade civil, por sua vez, ganha um papel central na criação de espaços de esclarecimento que fortaleçam a confiança colectiva.
Navegar este novo ecossistema exige prudência, espírito crítico e compreensão do funcionamento das tecnologias que moldam a opinião pública. O hacktivismo, o ciberactivismo e os deepfakes representam facetas distintas do mesmo fenómeno, o de um mundo em que a participação cívica migra para o digital e onde a informação, verdadeira ou falsa, tem poder para influenciar comportamentos.
também para confundir e manipular, sobretudo quando a origem dos conteúdos não é facilmente identificável.
Em Moçambique, tal como noutros países, estes fenómenos colocam desafios importantes. A literacia digital torna-se essencial para que os cidadãos consigam distinguir informação credível de conteúdos manipulados. Instituições públicas e privadas são chamadas a reforçar os
Estamos diante de uma era em que o debate público acontece tanto no ecrã como nas ruas. Cabe às sociedades equilibrar inovação e responsabilidade, liberdade de expressão e rigor, criatividade e cautela. O desafio não está apenas no que a tecnologia permite fazer, mas no modo como cada comunidade decide utilizá-la para construir um futuro mais informado e resiliente.
The digital world has become a forum where ideas are debated, decisions are challenged, and public opinion is shaped. This constant
presence of technology in daily life has given rise to new forms of collective action – from viral social media campaigns to globally impactful digital operations. Within
this evolving landscape, hacktivism and cyberactivism have emerged as powerful tools of civic engagement, gaining ground across many countries, including
Mozambique. Yet these phenomena require careful, balanced analysis.
Cyberactivism revolves around mobilisation through the internet. Online petitions, solidarity movements, whistleblowing and information campaigns demonstrate how digital platforms have become vital spaces for civic participation. Numerous causes have gained increased visibility thanks to the coordinated efforts of citizens using the internet to raise awareness and spark dialogue. While this form of activism does not replace traditional methods, it expands the reach and influence of public action, enabling scrutiny of institutions and encouraging conversations across societal divides.
Hacktivism, often associated with more disruptive episodes, encompasses a broad range of motivations. These may be rooted in calls for transparency, the defence of rights, the protection of vulnerable communities, or opposition to government or corporate decisions. Though some actions raise legal and ethical concerns, hacktivism is also an expression of a digital society in which technological expertise becomes a means of public intervention.
Yet, the increasing sophistication of digital tools presents new challenges. One of the most debated is the rise of deepfakes – videos or voice recordings generated with artificial intelligence that are virtually indistinguishable from authentic content. This ability to manipulate reality poses serious risks to public trust. A fabricated video can damage reputations, fuel false narratives and sway collective decisions before it is exposed as fake. The impact is amplified by the rapid spread of information in hyperconnected societies.
In this environment, influence is no longer determined solely by the strength of an idea. It now also hinges on the ability to produce, edit and distribute content that appears genuine. Social media platforms have become powerful channels where a single post can reach thousands within minutes. While this speed offers opportunities for education and awareness, it also opens the door to confusion and manipulation, especially when the origin of content is unclear.
In Mozambique, as elsewhere, these dynamics present real challenges. Digital literacy is increasingly essential to help
citizens distinguish credible information from manipulated content. Public and private institutions alike must strengthen their cybersecurity and adapt their communication strategies to a world where rumours can spread in seconds. Civil society, meanwhile, plays a key role in creating spaces for clarity and dialogue that reinforce collective trust.
Navigating this new digital ecosystem calls for caution, critical thinking and a sound understanding of the technologies shaping public discourse. Hacktivism, cyberactivism and deepfakes represent distinct facets of the same phenomenon: a world in which civic participation has moved online, and where information – true or false – holds immense power to influence behaviour.
We are living in an age where public debate takes place both on the screen and in the streets. Societies must find a balance between innovation and responsibility, freedom of expression and accuracy, creativity and caution. The challenge lies not only in what technology makes possible, but in how each community chooses to use it to build a more informed and resilient future.
Teresinha, a força de uma história que se tornou movimento
Há projectos que nascem pequenos e discretos, quase como um sussurro, e há outros que, desde o primeiro gesto, anunciam o caminho inteiro. O Projecto Teresinha pertence à segunda categoria. Quando Lisié Champier o criou, em 2017, fê-lo com a convicção de que aquela semente iria crescer. “Imaginei a sua força no futuro, pois queria que passasse por cinco formatos diferentes de comunicação: exposições, livros, teatro, filme e novela ou minissérie”, recorda. A visão estava ali, íntegra, antes de qualquer aplauso. Oito anos depois, essa visão transformou-se num dos movimentos artístico-solidários mais singulares de Moçambique. Da literatura às artes visuais, dos hospitais aos auditórios, do livro ao cinema, Teresinha ganhou vida e boca própria, tocando leitores, doentes, estudantes e artistas de todo o país.
Um projecto que levou arte onde ela raramente chega
As primeiras mostras foram decisivas. Em 2017, Lisié e o fotógrafo português Mariano Silva apresentaram “Teresinha – Uma Vida em Moçambique”, uma exposição que juntava poesia e imagem. Não ficou confinada a galerias: instalou-se no Hospital Central de Maputo, numa parede criada de raiz pelos autores. A ideia era simples e poderosa. “Eu queria um lugar que abrangesse a sociedade moçambicana e que motivasse. O hospital é, muitas
vezes, carenciado de entretenimento e pode ajudar no processo de cura”, explica a autora. Graças ao Projecto Teresinha, Lisié Champier foi também uma das 60 mulheres seleccionadas de um universo superior a 700 candidatas de todo o país, no âmbito do programa “Be Like a Woman”, uma iniciativa da Ernst & Young em parceria com a New Faces and New Voices. O impacto foi imediato. Pacientes e acompanhantes liam aqueles versos enquanto aguardavam consulta. Alguns procuraram Lisié nas redes sociais para agradecer. Um dos testemunhos que nunca esqueceu veio de uma jovem cuja mãe fazia tratamento no HCM: “até a mãe conseguia entender de uma única vez tudo o que eu escrevia, era como se eu estivesse ali ao lado”, descreve. Outra história mar-
cou-a profundamente. Uma jornalista brasileira, Rebeca, contactou-a a partir do Hospital Central da Beira, poucas semanas depois da passagem do ciclone Idai. Disse ter visto a exposição e queria comprar o livro. Lisié ficou incrédula. A sua prima garantira-lhe que tudo estava destruído. Mas não. “Estavam 22 molduras nas paredes e apenas duas se tinham partido.” Para Lisié, foi impossível não atribuir o episódio à protecção de Santa Teresinha de Menino Jesus, a quem dedica o projecto.
Teresinha, um espelho colectivo Embora tenha nascido da imaginação da autora, Teresinha deixou rapidamente de ser apenas personagem. Tornou-se símbolo. Tornou-se voz. Tornou-se país. “Existe de mim, sim, Lisié, mas também da Maria, Madalena, Yumira, Silvina, Paula, e de muitas outras. Existe a inspiração realística de milhares de mulheres moçambicanas”, afirma. Por isso, cada livro da trilogia revela uma fase diferente da protagonista e da própria autora. O primeiro surge em poesia, acompanhado de cem fotografias. O segundo abandona o verso para abraçar a prosa. O terceiro mergulha numa Teresinha real, marcada pela ansiedade e pelo luto, vividos no período da covid-19.
2025: o ano da viragem
Fotografia: Cortesia de Lisié Champier
O Projecto Teresinha alcançou o seu ponto mais alto em 2025. Não só pela maturidade artística, mas porque duas obras — um filme e um novo livro — consolidaram a sua expansão. No dia 3 de Outubro, o Auditório do BCI encheu-se para a estreia oficial de Teresinha – Uma Vida em Moçambique e para o lançamento do terceiro livro, É Verdade, Teresinha! Beijos às Meninas e Abraços aos Homens. Ambos receberam aplausos calorosos. O filme é o primeiro do país inteiramente dedicado à declamação poética. São 21 poemas filmados, interpretados por Lisié e por mais de 40
convidados — artistas, comunicadores, músicos e figuras públicas. Sobre esta aventura, a autora fala com emoção: “Sempre quis ter um filme de declamação de poesia, mas não imaginava em que altura seria e, de repente, estava a acontecer.” A génese foi inesperada. Depois de uma entrevista, em Outubro de 2024, a realizadora Sheymen Abdurremane entusiasmou-se com a ideia. Voltou a procurá-la no início de 2025 e, apesar das dificuldades do país naquele período, a autora decidiu avançar. Primeiro, gravaram poemas. Depois, vieram amigos e familiares. “Foi fantástico ver como estavam a adorar fazer papel de actores e poetas.” É Verdade, Teresinha! encerra a trilogia literária. O título tem origem numa lembrança do pai de Lisié e resume a essência do projecto: afecto, memória e cura. É um livro íntimo, onde a autora fala da ansiedade, do luto e da força silenciosa que tantas mulheres carregam.
Apoios que moldaram o caminho
Desde a primeira hora, o BCI tornou-se peça fundamental deste percurso. “O BCI já é parte do Projecto Teresinha, é assim que eu vejo”, diz Lisié. O banco não apenas acolheu lançamentos como patrocinou deslocações, disponibilizou espaços e impulsionou a divulgação pública do projecto. Em 2025, voltou a ser anfitrião da grande estreia e manteve apoio através das Mediatecas e da sua política de responsabilidade social. O reconhecimento institucional soma-se à força da comunidade. O director do Hospital Central de Maputo, Dr. Mouzinho Saíde, afirmou que recebeu o projecto “de braços abertos por ser um apoio importante para a cura dos doentes”. Para o sector da saúde, Teresinha é mais do que arte: é bem-estar.
Um futuro vivo, em construção
A criatividade de Lisié Champier está longe de esgotar-se. Em 2025, a autora
anunciou novos capítulos para o Projecto Teresinha, entre eles uma peça de teatro, com estreia prevista para 2026 e focada na infância da protagonista, a expansão das exposições para novos hospitais, incluindo a Beira, que falta para cumprir o plano inicial, o desenvolvimento da “Série Teresinha”, uma novela televisiva pensada para alcançar o grande público, e ainda um conjunto de actividades educativas, como concursos de fotografia e oficinas de escrita para jovens. Questionada sobre o que a move a continuar, responde com simplicidade: “É incutir no povo moçambicano a continuidade e a confiança numa esperança que sempre foi nossa, e numa fé que vai aumentando a cada dia.” No fundo, Teresinha é isto: uma história real e ficcional ao mesmo tempo, literatura e vida, arte e cura. É um projecto que começou como homenagem a uma mulher, mas hoje celebra milhares. É uma iniciativa sociocultural com impacto nos hospitais, nos auditórios, nas escolas e na televisão. É Moçambique a olhar-se ao espelho, com coragem. Lisié Champier espera que, para as novas gerações, o Projecto Teresinha represente “o amor de uma família, a força de uma filha, a cura da ansiedade, a fé e a real Teresinha”. E espera que continue a inspirar. De Moçambique para o mundo — como um dia sonhou.
Fotografia: Cortesia de Lisié Champier
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Some projects begin quietly, almost like a whisper. Others, from their very first gesture, seem to declare their full path ahead. The Teresinha Project falls into the latter category. When Lisié Champier created it in 2017, she did so with a firm belief that the seed she was planting would grow. “I envisioned its strength in the future. I wanted it to span five different formats: exhibitions, books, theatre, film and a telenovela or miniseries,” she recalls. The vision was there—whole and clear—long before the applause. Eight years on, that vision has blossomed into one of Mozambique’s most unique artistic and solidarity-driven movements. From literature to visual arts, hospitals to auditoriums, books to cinema, Teresinha has come to life—finding its voice and reaching readers, patients, students and artists across the country.
A project that took art where it rarely reaches
The first exhibitions were pivotal. In 2017, Lisié, along with Portuguese photographer Mariano Silva, presented Teresinha – A Life in Mozambique, an exhibition blending poetry and imagery. But it didn’t remain confined to galleries—it was installed at Maputo Central Hospital on a custom-built wall. The idea was simple yet powerful. “I wanted a space that embraced Mozambican society and
offered motivation. Hospitals often lack entertainment, and that can support healing,” she explains.
The project brought recognition too. Lisié was selected as one of 60 women from over 700 applicants across the country for the Be Like a Woman programme—an initiative by Ernst & Young in partnership with New Faces and New Voices. The impact was immediate. Patients and carers read the verses while waiting for appointments. Some reached out via social media to express their thanks. One testimonial Lisié never forgot came from a young woman whose mother was receiving treatment at the hospital: “Even my mum understood everything I wrote at once—it was like I was right there beside her.” Another story left a lasting impression: Rebeca, a Brazilian journalist, contacted her from Beira Central Hospital weeks after Cyclone Idai, saying she’d seen the exhibition and wanted to buy the book. Lisié was stunned. Her cousin had assured her the hospital had been destroyed—but it hadn’t. “There were 22 framed pieces on the wall, and only two had been damaged.” For Lisié, the moment felt like a sign—protection from Saint Thérèse of Lisieux, to whom the project is dedicated.
Teresinha, a collective mirror Though Teresinha was born from the author’s imagination, she quickly became more than just a character—she became a symbol, a voice, a reflection of a nation. “There’s a part of me in her, yes, but also of Maria, Madalena, Yumira, Silvina, Paula and many others. She’s inspired by the lived experiences of thousands of Mozambican women,” Lisié shares. Each book in the trilogy reflects a different stage in both the character’s and the author’s journey. The first is poetic, accompanied by a hundred photographs. The second
moves into prose. The third delves into a real-life Teresinha shaped by anxiety and grief during the Covid-19 period.
2025: a turning point
The Teresinha Project reached a major milestone in 2025—not only in artistic maturity but with the release of two major works: a film and a new book. On 3 October, the BCI Auditorium was filled for the official premiere of Teresinha – A Life in Mozambique and the launch of the third book, It’s True, Teresinha! Kisses for the Girls and Hugs for the Boys. Both received a warm welcome. The film is the first in the country dedicated entirely to spoken poetry. It features 21 filmed poems, interpreted by Lisié and over 40 guest contributors—artists, musicians, media personalities and public figures. “I always dreamed of making a poetry film, but never imagined when it would happen—and suddenly, it was,” Lisié says. The journey began after an interview in October 2024. Filmmaker Sheymen Abdurremane was captivated and returned in early 2025 to begin filming. Despite challenges in the country at the time, Lisié pressed on. They started with poem recordings, and soon friends and family joined. “It was incredible to see how much they enjoyed stepping into the roles of actors and poets.”
It’s True, Teresinha! closes the literary trilogy. Its title comes from a memory of Lisié’s father and encapsulates the essence of the project: affection, memory and healing. It’s an intimate work that explores anxiety, mourning and the quiet strength carried by so many women.
Support that shaped the journey
From the outset, BCI (Banco Comercial e de Investimentos) has played a vital role. “BCI is already part of the Teresinha Project—that’s how I see it,” says Lisié. The bank hosted launches, sponsored travel, offered venues and supported public engagement. In 2025, it once again
hosted the major premiere and continued its backing through media libraries and social responsibility programmes. Institutional recognition joined forces with community support. Dr Mouzinho Saíde, Director of Maputo Central Hospital, said the project was welcomed “with open arms for being a valuable aid in patient healing.” For the healthcare sector, Teresinha is more than art—it’s wellbeing.
A living future in progress
Lisié Champier’s creativity shows no sign of slowing. In 2025, she announced new chapters for the Teresinha Project. Among them: a theatre production set to premiere in 2026 focusing on the protagonist’s childhood; expansion of exhibitions to more hospitals—including Beira, the last remaining site to complete the original plan; the development of Teresinha: The Series, a TV drama aimed at wider audiences; and a series of educational initiatives such as photography contests and writing workshops for young people. When asked what keeps her going, Lisié answers simply: “It’s about instilling in Mozambicans a sense of continuity and belief in a hope that has always been ours—and a faith that grows stronger each day.” At its core, Teresinha is just that: a story both real and imagined, literature and life, art and healing. It began as a tribute to one woman, but now honours thousands. It’s a sociocultural initiative making its mark in hospitals, auditoriums, schools and on screens. It is Mozambique, gazing into its own reflection with courage. Lisié Champier hopes that, for future generations, the Teresinha Project represents “a family’s love, a daughter’s strength, the healing of anxiety, faith—and the real Teresinha.” And she hopes it continues to inspire. From Mozambique to the world—just as she once dreamed.
O cheiro da terra molhada pode viajar quilómetros
Em África, há um aroma reconhecível e marcante: o perfume fresco e terroso libertado quando a água da chuva toca no solo. Este cheiro tem nome — petricor — e nasce de uma combinação de substâncias naturais libertadas do chão e das plantas. Levado pelo vento ele pode percorrer grandes distâncias. A principal responsável é a geosmina, produzida por bactérias do género Streptomyces, que habitam a Terra desde antes dos dinossauros. Durante períodos secos, permanecem adormecidas no pó. Quando o solo
volta a ganhar humidade, libertam compostos que se misturam no ar. O nariz humano consegue detectar geosmina em concentrações incrivelmente baixas — o equivalente a uma única gota diluída numa piscina olímpica.
Em Moçambique, este aroma pode surgir em locais muito distintos: nas estradas de terra vermelha de Tete, nas margens verdes do rio Zambeze, nos jardins urbanos de Maputo depois de uma rega, ou nas praias de areia escura da Zambézia quando a chuva se mistura com a maresia.
É um lembrete silencioso de como, em África, a vida se reconstrói gota a gota e memória a memória.
O petricor também desperta memórias. Para alguns, lembra a infância passada entre poças e lama. Para outros, evoca a frescura das tardes nas machambas, o cheiro das ruas molhadas num dia quente ou o momento em que a brisa muda e traz a promessa de colheitas.
Este aroma é um sinal de que a água e a terra voltaram a unir forças para alimentar plantas, activar sementes e renovar ecossistemas. É um lembrete silencioso de como, em África, a vida se reconstrói gota a gota — e memória a memória.
The scent of rain on dry earth can travel for miles
Across Africa, there’s a scent that’s both familiar and striking — the fresh, earthy perfume released when rain meets dry ground. This smell has a name: petrichor. It’s the result of a blend of natural substances released from soil and plants, carried by the wind across long distances.
At the heart of this aroma is geosmin, a compound produced by Streptomyces bacteria — ancient organisms that have lived in the earth since long before the age of dinosaurs. During dry spells, they lie dormant in the dust. But once moisture returns to the soil, they release aromatic compounds that rise into the air. The human nose is remarkably sensitive to geosmin — capable of detecting it in concentrations as low as a single drop in an Olympic-sized swimming pool.
In Mozambique, this scent can emerge in all kinds of places: on the red-dirt roads of Tete, along the lush banks of the Zambezi River, in Maputo’s urban gardens after watering, or on the dark sand beaches of Zambézia as rain blends with the sea air.
Petrichor is also a trigger for memory. For some, it recalls childhood afternoons splashing through puddles and mud. For others, it evokes the coolness of evenings spent in the machambas, the smell of damp streets on a hot traduzday, or that moment when the breeze shifts and carries the promise of a coming harvest.
It is a sign that water and earth have reunited to nourish plants, awaken seeds and renew ecosystems. A quiet reminder that in Africa, life is rebuilt drop by drop — and memory by memory.
The human nose can detect geosmin in incredibly low concentrations, the equivalent of a single drop diluted in an olympic-size swimming pool.
Todos os anos, por esta altura, ele parava no mesmo ponto da avenida. Ficava ali, encostado ao muro gasto, à espera que o jacarandá deflagrasse em flor. Para quem o via, parecia apenas um homem a apreciar a cidade. Mas aquele ritual tinha raiz mais funda. Começara no dia em que percebeu que a memória, essa companheira antiga, já não caminhava ao seu lado com a mesma segurança.
O médico avisara que certas lembranças iriam abrir clareiras, primeiro discretas, depois mais largas. E assim aconteceu. Datas que antes lhe eram sagradas perdiam-se no fundo da cabeça. Nomes de pessoas próximas ficavam suspensos, como se houvesse dentro dele gavetas que se recusavam a fechar. Ele tentava rir da situação, mas havia dias em que sentia o mundo a desfocar-se à sua volta.
Foi então que decidiu escolher um sinal. Algo simples, constante, capaz de o chamar de volta quando tudo começasse a perder nitidez. Escolheu o jacarandá. Ainda guardava com nitidez — essa sim, intacta — a tarde em que o vira pela primeira vez a florescer. Estava com ela num banco baixo, a dividir um lanche improvisado. Ela comentou que aquelas flores tinham a cor de uma alegria tímida. Ele nunca esqueceu o modo como ela o dissera, nem o riso leve que se espalhou quando o vento lançou pétalas sobre os dois.
Depois que ela partiu, a árvore transformou-se no fio que o ligava ao que realmente importava. Sempre que o roxo irrompia na copa, sentia que um pedaço do passado regressava por instantes, devolvido pelo tempo como um gesto de misericórdia.
Agora, diante da árvore, esperava outra vez. O tronco erguia-se sólido, paciente. Ele aproximou-se e pousou a mão na casca rugosa, como quem pede licença. Murmurou: “Se floresceres hoje, prometo que não me perco.” Ficou ali, com uma esperança pequena, mas obstinada a pulsar-lhe no peito.
Minutos depois, uma única pétala soltou-se, frágil, quase imperceptível. Ele sorriu. Não sabia se era o início da floração ou apenas um resto preso a um galho. Mas isso não tinha peso. Para ele, aquela pétala bastava. Era sinal.
E por um instante, só um, o mundo voltou a alinhar-se à sua frente. Como se dissesse: ainda estás aqui. Ainda és tu.
Pintado Gaspar
O epitáfio do Josemar Araújo e outros ateus do criador
De Ernestino Maute
Entre o sagrado e o profano, a fé e a dúvida, surge Josemar Araújo, um homem que ousou escrever seu próprio epitáfio antes da morte, uma despedida sarcástica ao Criador em quem jamais acreditou.
Neste livro de contos intensos e provocadores, Ernestino Maute mergulha nas vidas de homens
The Epitaph of Josemar Araújo and other atheists of the Creator
By Ernestino Maute
Between the sacred and the profane, faith and doubt, emerges Josemar Araújo, a man who dared to write his own epitaph before death—a sarcastic farewell to the Creator in whom he never believed.
In this collection of intense and provocative short stories, Ernestino Maute delves into the lives of men and women who walk on the margins of belief, questioning divine existence and defying destiny with sharp words and weary hearts.
Each character a universe; each story an uncomfortable mirror of the human condition, where the absurd and the existential converge with poetry, irony and brutal truth.
e mulheres que caminham à margem da crença, questionando a existência divina e desafiando o destino com palavras afiadas e corações exaustos.
Cada personagem, um universo, cada história, um espelho desconfortável da condição humana, onde o absurdo e o existencialismo se cruzam com poesia, ironia e verdade brutal.