A REVISTA DE NEGÓCIOS DO AÇO


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• We will continue delivering the best news and information on the Brazilian steel industry
• Estaremos presentes, como mídia especializada, nos principais eventos que vão movimentar o setor
• We will participate as a media partner in the leading events that will drive the steel sector
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EDITORIAL Um cenário de contradições
QUALIDADE
Trefilação de tubos e barras: precisão e qualidade
PROCESSOS
Aços relaminados e seu papel na industria moderna
POLÍTICA
Setor automotivo reage ao governo
SUSTENTABILIDADE
Presente e futuro em jogo
ENERGIA
Últimas notícias do setor energético
AAnfavea, acompanhada por uma extensa lista de federações, sindicatos e representantes de diversos segmentos da indústria, reagiu duramente à decisão do Gecex, órgão do governo responsável por definir a política tarifária para produtos importados. O motivo foi a prorrogação até o fim do ano da cota de importação isenta de impostos para veículos chineses trazidos nos regimes CKD e SKD, ou seja, semidesmontados para montagem no Brasil. A medida contrariou o entendimento anterior, que previa a vigência do benefício apenas até junho, reforçando mais uma vez a percepção de insegurança jurídica que afeta o ambiente de negócios no país.
Por outro lado, o CEO da Volkswagen, uma das montadoras que, junto com a Anfavea, assinou a carta encaminhada ao presidente da República solicitando a revisão da medida, afirmou que a empresa passará a importar, já no 2º Semestre, autopeças e veículos produzidos em sua unidade na China. Segundo ele, diante da chegada dos carros chineses, o momento exige decisões rápidas para preservar a competitividade, ainda que isso represente uma redução do conteúdo local.
À parte das discussões políticas, esta edição da revista Siderurgia Brasil traz duas ma -
térias dedicadas à qualidade dos aços oferecidos ao mercado. Abordamos os trefilados e os relaminados, processos distintos, porém com o mesmo objetivo: agregar valor aos produtos, elevar seu desempenho, e fornecer matéria-prima de maior qualidade para a indústria. São operações fundamentais para o desenvolvimento de componentes de alta precisão e de inúmeros produtos que simplesmente não existiriam sem essas etapas de transformação.
Também destacamos em nossas páginas o papel da sustentabilidade, em especial a importância da sucata metálica na descarbonização da indústria siderúrgica, processo que vem mobilizando investimentos de cifras bilionárias em todo o mundo. O Brasil, entretanto, continua exportando parcela significativa da sucata gerada por aqui, tema de uma reportagem exclusiva desta edição. Outro destaque é o manifesto da indústria automotiva e seus desdobramentos para a cadeia produtiva nacional sobre a mudança de regras no meio do jogo.
Na seção “ENERGIA”, mostramos que alguns custos vêm caindo graças à ampliação das fontes alternativas. Contudo, o país ainda deixa de avançar mais rapidamente por causa da insuficiência de investimentos em linhas
de transmissão, o que resulta no desperdício de parte da energia gerada.
E a seção “ESTATÍSTICAS” desta edição retratamos a verdadeira gangorra vivida pela economia brasileira. Já na “VITRINE”, destacamos nossa parceria com a INTERFORM – Feira e Congresso de Corte e Conformação de Metais, que será realizada em Joinville, de 15 a 18 de setembro.
Mais uma vez, agradecemos a audiência e a confiança dos nossos leitores. E continuamos contando com suas sugestões e comentários, fundamentais para seguirmos aprimorando o conteúdo das nossas publicações.
Boa leitura!
Henrique Patria Editor-chefe henrique@grips.com.br

Ano 27 – nº 197 – Junho de 2026
Siderurgia Brasil é de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823.755.339.
Diretor: Henrique Isliker Patria
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Capa:
Criação: André Siqueira Fotos: Aços Vic e Freepik
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Observações:
A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores.
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A trefilação é um processo mecânico que qualifica o aço, dando-lhe precisão dimensional e excelente acabamento.
Atrefilação de tubos e barras de aço é um processo de conformação mecânica a frio, considerado um dos mais importantes da siderurgia.
Ele é amplamente usado para obtenção de tolerâncias dimensionais rigorosas, reduzidas ou especiais, perfis diferenciados e acabamento superficial de elevada qualidade. Muitos produtos para serem utilizados exigem dimensões extremamente precisas. Além de melhores propriedades mecânicas, tornando o aço trefilado a solução mais indicada.

Processo de trefilação em funcioamento

A trefilação promove a redução e o alinhamento do material até atingir uma seção uniforme ao longo de toda a sua extensão. O processo consiste em puxar o material através de uma ferramenta cônica denominada fieira, disponível em diversas bitolas, perfis e classes de tolerância, de acordo com as especificações do produto final.
A fieira possui um orifício de diâmetro inferior ao da seção original da peça. À medida que o aço atravessa essa ferramenta, ocorre uma redução controlada da área da seção transversal, proporcionando excelente acabamento superficial, e propriedades mecânicas superiores às obtidas pelo processo de laminação.
Antes de ser trefilado, o aço deve passar por algumas operações preparatórias:
• *Decapagem –* Remoção dos óxidos de
ferro formados durante a laminação a quente.
• *Lubrificação –* Aplicação de sabões especiais, normalmente à base de estearato de sódio ou zinco, ou ainda de outros lubrificantes destinados a reduzir o atrito.
• *Ponteamento ao apontamento –* Redução de uma das extremidades do material para facilitar sua passagem inicial pela fieira. Nessa etapa é criada a chamada “ponta de sacrifício”, necessária para acoplar a peça ao carrinho de tração do banco de trefila. Ao final do processo, essa extremidade é removida e descartada como sucata.
Existem diferentes métodos para obtenção do ponteamento:
• *Usinagem*
• *Laminação*
• *Amassamento*
• *Conformação automatizada*



Todos esses métodos têm como objetivo preparar a extremidade do material para suportar os elevados esforços de tração, que podem atingir várias toneladas.
A trefilação de tubos segue princípios semelhantes, porém requer uma etapa adicional e mais complexa, pois é necessário controlar simultaneamente o diâmetro externo e a espessura da parede do tubo. Usa-se uma nova ferramenta denominada mandril, que irá controlar as dimensões da parede do tubo a ser trefilado.

Concluídos os preparativos, a ponta de sacrifício é fixada ao carrinho do banco de trefila, responsável por aplicar uma força de tração capaz de puxar o material por toda a extensão através da fieira, conferindo-lhe as dimensões especificadas.
Na trefilação de tubos, um mandril é introduzido internamente para garantir a uniformidade da espessura da parede, além de elevado padrão de acabamento interno. Entre as principais vantagens do uso do mandril estão o controle preciso dos diâmetros interno e externo, e a uniformidade dimensional ao longo de toda a extensão do produto.
O atrito gerado entre a fieira, o mandril e o material promovem a transformação do tubo de aço, ajustando suas dimensões, aumentan -

do seu comprimento, e proporcionando excelente qualidade superficial.
Existem, contudo, limites para essa transformação. Em determinadas situações, torna-se necessário realizar tratamentos térmicos intermediários em fornos de passagem, com rigoroso controle de temperatura, velocidade de aquecimento, resfriamento e demais parâmetros operacionais.
As etapas seguintes compreendem o endireitamento e a inspeção dimensional do produto, que podem ser realizados por meios automatizados ou manuais. Quando o aço é trefilado em rolos, como é o caso dos arames, o processo pode incluir o endireitamento e corte em barras, ou a formação de bobinas.
A etapa final consiste na aplicação de um óleo protetivo, fundamental para retardar a oxidação acelerada que pode ocorrer após a trefilação.
Em síntese, a trefilação de tubos e barras é um processo essencial para a obtenção de produtos siderúrgicos com excelente acabamento superficial, propriedades mecânicas superiores às obtidas apenas por laminação, e tolerâncias dimensionais extremamente rigorosas, próximas do limite zero.


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As empresas relaminadoras desempenham papel fundamental, fornecendo produtos em dimensões e especificações muitas vezes indisponíveis no portfólio de produtos oferecidos pelas usinas.
Os aços relaminados são produtos siderúrgicos obtidos por meio do processo denominado relaminação, que consiste na passagem do aço por cilindros laminadores específicos, ajustando sua espessura, dimensões e acabamento superficial às exigências e tolerâncias dos produtos em que serão utilizados. Em outras palavras, trata-se de submeter o aço a uma nova etapa de laminação, adequando-o às dimensões, tolerâncias e propriedades requeridas por suas futuras aplicações.
A relaminação pode ser aplicada tanto a aços planos quanto aos não planos, tais como tarugos, barras, blocos e placas, conferindo-lhes, inclusive, novos
formatos, como cantoneiras, perfis, peças cilíndricas e diversas outras configurações.
O processo pode ocorrer a quente ou a frio. Na relaminação a quente, o material é novamente aquecido a temperaturas elevadas, superiores a 1.000°C, que permitem sua deformação e a obtenção de novos produtos como perfis estruturais, barras, cantoneiras, vergalhões e chapas.
Já na relaminação a frio, sem aquecimento prévio do material, o processo é realizado à temperatura ambiente, ou próxima desta. Nessa condição, é possível obter maior precisão dimensional, melhor acabamento superficial e incremento das propriedades mecânicas por efeito do encruamento. Mesmo os produtos relaminados a frio, dependendo de sua aplicação final, podem ainda passar por tratamentos térmicos ou superficiais, destinados a ampliar suas resistências mecânica, ao desgaste ou proteção contra a corrosão.

ilustrativa de relaminação de aço
A relaminação a quente ocorre pela passagem do material através do relaminador, conforme ilustrado na Figura 1. Trata-se, na prática, de uma segunda etapa de laminação, cujo objetivo é adequar e qualificar o aço, deixando-o nas condições exigidas pelo cliente.
Por sua vez, a relaminação a frio é um processo de maior caráter metalúrgico, utilizado para reduzir a
espessura de chapas, tiras ou bobinas de aço à temperatura ambiente. Seu principal objetivo é melhorar as propriedades mecânicas, a precisão dimensional e o acabamento superficial do material.
Normalmente, o processo se inicia pela decapagem química, a fim de remover a camada de óxidos e demais imperfeições formadas durante o processo de produção do aço.
Os relaminadores podem ser equipamentos simples, compostos por dois ou quatro cilindros, ou ainda por instalações mais sofisticadas, com diversos laminadores atuando em sequência. Durante a deformação a frio, o aço torna-se mais resistente em razão do encruamento de sua estrutura cristalina. Para recuperar sua conformabilidade, realiza-se posteriormente o tratamento térmico denominado recozimento.
Entre as principais características dos aços relaminados a frio se destacam a melhora substancial da planicidade, da aparência superficial e, principalmente, da precisão dimensional, tornando-os ideais para aplicações sujeitas a rigorosos controles de qualidade.
As empresas relaminadoras, tanto a quente quanto a frio, desempenham papel fundamental na cadeia siderúrgica. Elas fornecem produtos em dimensões e especificações adaptadas às necessidades dos clientes, muitas vezes indisponíveis nos produtos padronizados das usinas. Constituem, portanto, um importante complemento na cadeia siderúrgica, agregando valor e ampliando a oferta de produtos siderúrgicos, especialmente para nichos de mercado não atendidos pelas siderúrgicas integradas.
Entre os principais clientes e aplicações dos produtos relaminados, se destacam:
• Indústrias automobilística, de autopeças e de implementos agrícolas;

• Linha branca, fabricação de eletrodomésticos, equipamentos de fitness e móveis de aço;
• Construção civil, com o fornecimento de perfis leves, forros, divisórias, telhas, sistemas drywall, tubos e elementos tubulares, vigas, estruturas metálicas, grades, portões, escadas, e inúmeros outros componentes;

• Indústria mecânica e de equipamentos industriais, na produção de eixos, pinos, parafusos, máquinas e estruturas diversas; e
• Setores ferroviário e metroviário, no fornecimento de fixações, peças de manutenção e componentes de infraestrutura.

Decisão do governo de ampliar a isenção de impostos para veículos elétricos que entrarem no Brasil pelos regimes de CKD e SKD gera forte repercussão na indústria nacional.
Em reunião realizada no dia 23 de junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), órgão do Governo Federal vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), renovou até o final deste ano a medida que isenta do Imposto de Importação os veículos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD) trazidos do exterior para montagem no Brasil. O benefício vigorará pelos próximos seis meses, ou até que seja atingida a cota de importação de US$ 463 milhões.


A decisão provocou forte e imediata reação da Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no país, acompanhada por manifestações de protesto de outras importantes entidades, tais como o Sindipeças e as federações das indústrias de diversos estados, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná.
Por outro lado, o governo confirmou que a importação de veículos prontos e acabados continuará sem qualquer sistema de cotas. Já o cronograma de elevação tarifária para veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in importados permanece inalterado, atingindo alíquota de 35% a partir de janeiro de 2027.
A medida original de redução do imposto de

importação para veículos elétricos desmontados foi adotada após solicitação da montadora chinesa BYD. A empresa, uma das principais fabricantes chinesas de veículos eletrificados, já possui unidade industrial em operação na Bahia, onde atualmente realiza a montagem dos veículos, prometendo concluir em breve a nacionalização completa de sua produção.
Foto: Freepik
“A Anfavea lamenta e vê com grande preocupação a decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) de restabelecer incentivos à importação de veículos elétricos desmontados e semidesmontados (CKD e SKD).
A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças, como atestaram dezenas de manifestações públicas assinadas por sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria nos últimos dias.
A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país.
As cotas para importação de kits de veículos elétricos se encerraram em fevereiro de 2026, conforme definido pelo governo após amplo debate com o setor produtivo. Agora, a mudança ocorre em detrimento dos interesses de empresas e de
milhares de trabalhadores distribuídos por nove estados brasileiros.
Ao prolongar benefícios que haviam sido criados como temporários, o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento com base nas regras previamente estabelecidas.
Ao mesmo tempo, a indústria respondeu aos estímulos da política pública. As fabricantes anunciaram R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033, destinados a novas formas de propulsão, eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores.
A decisão também contraria as sinalizações
que orientaram investimentos anunciados sob as regras vigentes, e gera insegurança para as empresas que estruturaram seus projetos considerando o cronograma estabelecido pelo próprio governo.
A Anfavea continuará defendendo a descarbonização, que inclui a eletrificação da frota, a concorrência e a ampliação da oferta de veículos ao consumidor brasileiro. O que está em debate não é a transição energética, que já está em curso e não vai parar. O que está em discussão é qual modelo de desenvolvimento o país pretende incentivar para a nova mobilidade, e qual espaço será reservado à produção nacional nesse processo.”



A sucata de aço é um pilar estratégico para o Brasil ao integrar sustentabilidade ambiental, desenvolvimento econômico e competitividade industrial. Ela reduz a dependência de extração mineral, economiza energia e água e posiciona o país globalmente na transição para a descarbonização e economia circular.
Otema, aliás, fez parte do importante conteúdo apresentado pelo o Instituto Nacional de Reciclagem (INESFA) durante sua participação oficial, em novembro do ano passado, na COP30, o maior fórum global dedicado a discutir as mudanças climáticas sob o foco da sustentabilidade.
Para Clineu Alvarenga, presidente da entidade de classe, esse evento representou uma importante oportunidade para destacar a reciclagem como um vetor capaz não só de fortalecer o desenvolvimento econômico, mas também de contribuir decisivamente para a proteção ambiental.
Com efeito, a reciclagem é a rota mais rápida, barata e direta para o desenvolvimento sustentável do Brasil. E isso ao longo de toda a trajetória de mais de 70 anos de atividade no país, expondo benefícios claros como redução da emissão de CO2, economia de energia e água, e preservação dos recursos naturais.
Contudo, apesar de essa agenda ter sido recebida com grande entusiasmo na COP30, o setor ainda enfrenta vários e sérios obstáculos em seu caminho, desde a política relacionada aos catadores e às cooperativas, até

aquela que envolve os processadores, que está longe de ser homogênea e de atingir um estágio ideal. O principal deles é o sistema tributário brasileiro, em que pese a PEC 34/2025 – a chamada “PEC da Reciclagem” –, atualmente em fase de montagem de Comissão Especial na Câmara do Deputados. “Porém, infelizmente o governo já se posicionou contrário à PEC, devido ao impacto fiscal que ela poderá ocasionar. Mas estamos mantendo reuniões com a Receita Federal para encontrarmos um meio termo na tributação que contemple a todos”, mantém a esperança Alvarenga.
Com efeito, apesar de todos os atributos

positivos da reciclagem de sucata de aço, o setor responsável por ela enfrenta esse grande obstáculo que pode comprometer seu desenvolvimento. O presidente do INESFA é categórico ao afirmar que a recente aprovação da Reforma Tributária – que deveria simplificar e modernizar a cobrança de impostos – acaba repercutindo como uma ameaça ao favorável e inteligente processo de reutilização da liga. E isso porque a RT tende a sobretaxar materiais reciclados, dificultando a competitividade frente aos insumos virgens.
“Esse contrassenso trava o progresso da ‘Economia Verde’ no país, alerta Alvarenga. E uma das consequências disso é que o discurso ambientalista do governo perde consistência diante dessa política tributária, pois a reciclagem é a atividade que mais contribui para o meio ambiente. Em paralelo, tributação elevada desestimula as empresas recicladoras, e agrava a vulnerabilidade dos catadores, mais de um milhão de pessoas que
dependem diretamente dessa atividade para sua sobrevivência, a maioria deles atuando na informalidade. E a formalização dessa base ainda não cresceu exatamente devido à situação tributária no Brasil.
Apesar dos desafios, o setor de sucata ferrosa vem apresentando resultados expressivos. Porém, isso não se faz sentir exatamente nas vendas realizadas para o mercado doméstico – cujos valores exatos ou financeiros detalhados não são divulgados pelo INESFA –, até porque se estima que 94,9% do volume da sucata ferrosa recuperada no Brasil é reaproveitada pelas próprias usinas siderúrgicas nacionais, e ainda pelas fundições, sendo que a estimativa de absorção desse ciclo fique entre 8 e 9 milhões de toneladas anuais. Ou seja, as vendas externas são apenas de volumes excedentes não comercializados no Brasil, colocados para o mercado internacional.

Assim, no cenário das vendas evolução mais sensível vem das exportações. Prova disso é que as exportações dela bateram recorde no ano passado, com a comercialização de 885.732 toneladas, um aumento de 28,2% em relação ao total de 2024. E as vendas externas em 2025 superaram em 10,7% o recorde anterior, de 2023, quando chegaram a 800 mil toneladas. Apenas em dezembro do ano passado, as exportações somaram 74.690 toneladas, incremento de 75% em relação ao mesmo mês de 2024, com 42.672 toneladas, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia.
E os resultados do setor registrados em março de 2026 foram emblemáticos, quando o volume de sucata ferrosa exportada foi de 93.415 toneladas, um aumento de 52% em comparação ao mesmo mês de 2025, quando atingiram 61.484 toneladas, segundo os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia. E isso fez que acumulado de janeiro a março, as vendas externas neste ano chegassem a 236.661 toneladas, uma alta de 32,5% em relação ao 1º Trimestre de 2025, que apresentou um total de 178.583 toneladas.
Cauteloso, embora esses números chamem a atenção, o presidente do INESFA afirma que eles possam ser um reflexo direto da preocupação do setor com eventuais mudanças no PIS/Cofins, o que levou à antecipação de exportações desses materiais. E isso, naturalmente, deixa no ar a dúvida de saber se esse se trata de um movimento pontual, ou de uma nova dinâmica ou tendência para um futuro, digamos, menos auspicioso, uma vez que essa cobrança pode derivar para a bitributação da economia circular, que, aliás, assim como a indústria, já paga tributos em etapas anteriores, e não deveria ser taxada novamente no momento da venda da sucata ferrosa.
Então, a única saída tangível é monitorar de perto o que vai acontecer. “Para 2026, a perspectiva está direcionada integralmente à Reforma Tributária. Precisamos do apoio de todos para a aprovação da PEC 35/2025, porque ela representa uma evolução mundial no entendimento da tributação, para que todos ganhem cada vez mais quando se recicla”, finaliza Clineu Alvarenga.




Levantamento recente da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), divulgado pela CNN Brasil, mostra que os custos de geração de energia solar, eólica e dos sistemas de armazenamento em baterias registraram quedas históricas nos últimos 15 anos. O estudo também indica que os preços dessas tecnologias deverão continuar em trajetória de redução ao longo da próxima década.
Como reflexo disso, o custo médio da chamada energia renovável firme apresentou forte recuo. O indicador internacional, que era de US$ 100 por megawatt-hora (MWh) em 2020, passou para uma faixa entre US$ 54 e US$ 82/ MWh em 2025. Esse cenário aumenta a atratividade dos investimentos e acelera a substituição de combustíveis fósseis por fontes limpas em diversos países.
No Brasil, a maior competitividade das energias renováveis favorece o desenvolvimento econômico e a modernização industrial. Especialistas destacam que a redução dos cus -
tos beneficia tanto consumidores comerciais quanto residenciais, ampliando o acesso à microgeração, e proporcionando economia nas despesas com energia.
Para aproveitar plenamente esse ciclo de barateamento projetado pela Irena, o país ainda precisa avançar na modernização de sua infraestrutura de distribuição elétrica. Segundo Anderson Oliveira, CEO Operacional da Eco Power, empresa especializada em projetos de energias renováveis, a expansão sustentável do setor depende da descentralização da geração e de investimentos tecnológicos compatíveis com a realidade das redes nacionais.
Já Náchila Oliveira, CEO de Estratégias da mesma empresa, ressalta que o crescimento dos projetos de energia renovável e o avanço das matrizes inteligentes terão papel decisivo na otimização dos sistemas interligados, contribuindo para maior eficiência energética e a redução da sobrecarga das redes de distribuição.


O Conselho de Administração da Petrobras aprovou investimentos da ordem de US$ 1,2 bilhão para o desenvolvimento de uma planta de combustível renovável, destinada a aviação, conhecido como BioQAV, e diesel renovável. O projeto será desenvolvido na sua refinaria Presidente Bernardes (RPBC), que está localizada no estado de São Paulo, no município de Cubatão.

Segundo o relatório Global Market Outlook for Solar Power 2026-2030, da SolarPower Europe, com a participação da Absolar, o Brasil caiu da quarta para a quinta posição entre os maiores mercados fotovoltaicos do mundo, atrás de China, Índia, Estados Unidos e Alemanha. O levantamento considera a capacidade adicionada em 2025 por grandes usinas e sistemas de geração distribuída, instalados em telhados,
A dotação de recursos está incluída no plano estratégico da Petrobras para o período 2026-2030. Após a aprovação pelo Conselho, a companhia dará prosseguimento à fase final de contratação do projeto, confirma a empresa. A nova planta deverá iniciar suas operações em 2030, e irá produzir até 15 mil barris/dia de combustíveis renováveis
fachadas e pequenos terrenos. A perda de posição é atribuída aos cortes de geração renovável sem ressarcimento aos investidores, às dificuldades de conexão à rede e às restrições por alegada inversão de fluxo. Também pesaram o elevado custo do capital, a volatilidade cambial e as altas tarifas de importação de equipamentos fotovoltaicos.
Fonte: Absolar

A força do mercado interno continua sustentando a indústria automotiva brasileira. Segundo a Anfavea, em maio, a produção de autoveículos atingiu 253,6 mil unidades, crescimento de 15,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e o melhor resultado para um mês de maio desde 2019. Com isso, a produção acumulada alcançou 1,126 milhão de unidades nos cinco primeiros meses do ano, alta de 7,1%, superando a marca de 1 milhão de veículos um mês antes do registrado em 2025. O avanço da produção reflete principalmente o forte crescimento das vendas de automóveis, que aumentaram 21,5%, impulsionadas também pelo programa Carro Sustentável. Os comerciais leves, como picapes, vans e furgões, cresceram 7,7%, enquanto caminhões e ônibus registraram quedas de 15,1% e 16,3%, respectivamente.
Os emplacamentos somaram 274,7 mil unidades em maio, alta de 10,6% sobre abril, e de 21,7% na comparação anual. No acumulado do ano, as vendas atingiram 1,148 milhão de veículos, avanço de 16,4%.
Por sua vez, os veículos eletrificados tiveram participação recorde de 19,5% nas vendas de maio. Os elétricos puros somaram 21 mil unidades, e os híbridos, 30,7 mil. As importações também cresceram, com destaque para os veículos chineses, cujas vendas avançaram 86,6%.
Já as exportações seguem preocupando o setor. Em maio foram embarcadas 37,4 mil unidades, cravando o segundo mês consecutivo de queda. No acumulado do ano, os embarques recuaram 20%, refletindo principalmente a redução das vendas para Argentina, Uruguai e Chile.
Fonte: Anfavea


A siderurgia brasileira registrou desempenho positivo em maio de 2026. A produção de aço bruto alcançou 2,8 milhões de toneladas, volume 2,4% superior ao registrado em maio de 2025. A produção de laminados somou 2 milhões de toneladas, com avanço de 0,7%, os semiacabados destinados à venda atingiram 792 mil toneladas, crescimento expressivo de 15,7%.
As vendas internas chegaram a 1,8 milhão de toneladas, alta de 1,3% na comparação anual. O consumo aparente de produtos siderúrgicos totalizou 2,1 milhões de toneladas. As exportações somaram 645 mil toneladas, equivalentes a US$ 449 milhões, recuo de 35,0% em volume e 34,3% em valor. E as importações atingiram 312 mil toneladas e US$ 322 milhões, com quedas de 55,4% e 45,2%, respectivamente.
No acumulado do ano, a produção de aço totalizou 13,4 milhões de toneladas, redução de 1,9% frente ao mesmo período de 2025 e a produção de laminados somou 9,5 milhões de toneladas (-3,7%), enquanto os semiacabados para venda cresceram 6,1%, alcançando 3,5 milhões de toneladas.
As vendas internas atingiram 8,7 milhões de toneladas, avanço de 0,9%, enquanto o consumo aparente chegou a 10,8 milhões de toneladas, queda de 4,1%. As importações somaram 2,4 milhões de toneladas e US$ 2,3 bilhões, retrações de 17,0% e 14,3%. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, as exportações alcançaram 4,4 milhões de toneladas e US$ 2,9 bilhões, com alta de 7,8% em volume e queda de 2,8% em valor.
Fonte: Instituto Aço Brasil


Conforme vem sendo observado desde o início de 2026, a produção mundial de aço bruto continua apresentando desempenho abaixo do registrado no ano anterior. De acordo com levantamento da Worldsteel Association, a produção global alcançou 157,9 milhões de toneladas em maio, volume 0,3% inferior ao apurado no mesmo mês de 2025, confirmando a tendência de desaceleração MUNDIAL
Entre os principais produtores mundiais, a China permaneceu na liderança com produção de 84,4 milhões de toneladas. O resultado representou uma retração de 2,7% em comparação maio de 2025. A Índia manteve a segunda posição, produzindo 14,1 milhões de toneladas, crescimento de 1,9%, enquanto os Estados Unidos registraram uma das maiores altas entre os grandes produtores, com 7,5 milhões de toneladas e avanço de 9,2%.
O Japão produziu 7,0 milhões de toneladas, aumento de 1,7%, seguido pela Coreia do Sul, com 5,4 milhões de toneladas e crescimento de 3,3%.
A Rússia, cuja produção é estimada pela Worldsteel, registrou 5,6 milhões de toneladas, com queda de 5,4% em relação a maio de 2025.
Depois aparecem a Turquia, com 3,4 milhões de toneladas (+8,9%); a Alemanha, com 3,2 milhões de toneladas (+7,3%); o Brasil, com 2,8 milhões de toneladas (+2,4%); e o Vietnã, que apresentou o maior crescimento percentual entre os dez maiores produtores, com 2,6 milhões de toneladas, volume 27,2% superior ao registrado um ano antes. Essas variações demonstram comportamentos distintos entre os principais mercados siderúrgicos mundiais.
Fonte: Worldsteel Association


O mês de maio marcou uma retomada nas vendas de aços planos no mercado interno pelas distribuidoras e revendedoras. Segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA), as operações das distribuidoras cresceram 8,7% em relação a abril, alcançando 341,3 mil toneladas, ante as 314,0 mil toneladas no mês anterior. Na comparação com maio de 2025, quando foram comercializadas 328,9 mil toneladas, o avanço foi de 3,8%.
As compras realizadas junto às usinas nacionais também apresentaram desempenho positivo, registrando alta de 2,3% sobre abril. O volume adquirido atingiu 340,6 mil toneladas, frente a 333,0 mil toneladas no mês anterior. Em relação a maio do ano passado, quando as compras somaram 339,5 mil toneladas, o crescimento foi de 0,3%.
Com esse movimento, os estoques tiveram leve redução de 0,1% em comparação a abril, passando de 1.157,6 mil para 1.156,9 mil toneladas. O giro de estoque encerrou maio em 3,4 meses, ainda acima do nível considerado ideal pelo setor, que é de 2,8 meses.
Já as importações recuaram 27,4% frente a abril, totalizando 120,9 mil toneladas, contra 166,6 mil toneladas. Na comparação anual, a queda foi ainda mais expressiva, de 71,1%, ante as 417,9 mil toneladas registradas em maio de 2025. O resultado pode refletir a conclusão dos processos antidumping, que estabeleceram novas tarifas de importação para determinados produtos siderúrgicos.
O presidente do INDA, Carlos Loureiro, demonstrou otimismo e acredita que o desempenho registrado em maio possa se repetir em junho.
Fonte: INDA

O painel do Impostômetro, instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), registrou no sábado, 27 de junho, às 9h09, a marca de R$ 2 trilhões em tributos pagos pelos brasileiros desde o início de 2026. O montante reúne impostos, taxas e contribuições arrecadados pelas esferas federal, estadual e municipal.
A marca foi alcançada seis dias antes do registrado em 2025, quando o mesmo valor foi atingido em 3 de julho, indicando crescimento de 3,1% na arrecadação. Dez anos atrás, em 2015, o Brasil chegou a R$ 2 trilhões apenas
Foto: ACSPDivulgação

em 9 de dezembro. E em 2025, quando o Impostômetro marcou a citada cifra, os gastos públicos já haviam ultrapassado R$ 2,58 trilhões. Para deixar registrado, em 2026 o Gasto Brasil já se aproxima de R$ 2,7 trilhões.
No último dia 18 de junho, a Armco, tradicional empresa que opera no mercado brasileiro desde 1900 com sua fábrica localizada em Jacareí, onde tem capacidade instalada de processar até 22.000 toneladas/mês de aço, realizou um encontro envolvendo parceiros, clientes e fornecedores com o objetivo de estreitar os laços do relacionamento e mostrar as suas mo -

dernas instalações, linhas e processos industriais. Além da visita técnica, os participantes assistiram a uma palestra com José Di Ferraiuolo, consultor e especialista em gestão financeiro-empresarial, com mais de 30 anos de experiência. Os organizadores se mostraram satisfeitos com o encontro, e estudam a realização de outros eventos com a mesma finalidade.
Foto: Divulgação
Segundo nota publicada no portal “Autoindústria”, o chairman executivo da Volkswagen América do Sul reconhece que os desafios provocados pela chegada dos veículos chineses exigem ações rápidas para não perder a competitividade.

Dessa forma, a empresa passará a importar da China sistemas para os híbridos da marca a serem produzidos no Brasil e na Argentina, bem como a importar carros elétricos que a
VW China lançará em 2026 e 2027, e ainda participar do desenvolvimento de veículos a serem fabricados tanto na China, como na América do Sul. “Sei das vantagens de lá. Eles trabalham em dois turnos diários de dez horas, e têm eficiência brutal. No desenvolvimento de carros e peças, são 40% a 50% mais rápidos do que a Europa”, afirmou o executivo.
O portal e a revista Siderurgia Brasil e a Messe Brasil se uniram e irão apresentar na edição de agosto o “CADERNO ESPECIAL INTERFORM”, com destaque para todos os expositores da feira – que acontece em Joinville/ SC, entre os dias 15 e 18 de setembro de 2026.
Durante a feira, está confirmada a realização do Congresso sobre Inteligência Artificial Aplicada à indústria, dedicado à aplicação prática da fer -
ramenta nos ambientes produtivos, reunindo especialistas, executivos, pesquisadores, desenvolvedores de tecnologia, além de lideranças industriais para discutir os impactos e oportunidades da IA na manufatura.


Os expositores terão condições especiais de participação no “CADERNO ESPECIAL INTERFORM”. - Saiba mais e confirme a sua participação diretoria@grips. com.br,ou pelo WhatsApp (11) 99633-6164!
O Governo do Estado de São Paulo lançou o Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar. O documento estabelece diretrizes, metas e ações para orientar a atuação do estado na prevenção, redução e mitigação da poluição por resíduos sólidos nos ambientes costeiros e marinhos, ao longo do horizonte de dez anos.
Dados utilizados na construção do documento mostram que resíduos sólidos foram identificados em 100% das praias analisadas ao longo do litoral brasileiro, sendo que 91% deles são compostos por plástico. O documento tam-
bém prevê a implantação de programas de monitoramento de microplásticos e pellets em praias e áreas estuarinas, com o mapeamento de pontos críticos de escape e acúmulo de resíduos
Fonte: Secretaria de Meio Ambiente Infraestrutura e Logística de São Paulo


