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LIVRO - 30 Anos Ministério da Mulher

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Mulheres com o coração na missão


Mulheres com o coração na missão Francis Matos Divisão Sul-Americana | Brasília – DF | 2025


Expediente

Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia © COORDENAÇÃO GERAL Jeanete Lima de Souza Pinto - Ministério da Mulher REVISÃO Jessica Manfrim PROJETO GRÁFICO Monique Bergmann DESIGN DO SELO COMEMORATIVO Antonio Abreu CAPA Monique Bergmann e Antonio Abreu COLABORADORA Diana Steffen FOTOS Arquivo pessoal das biografadas e da internet ISBN 978-65-88449-02-8

APOIO – Ministério da Mulher Carolina Andrea Berríos León – UU Cristiane Cordeiro da Silva Caxeta – UNoB Cristiane Santana Barreto Lima – UNeB Dalcy Mendizábal Suárez – UP Denise Mückenberger Lopes – USB Elena Beatriz Zubieta de Rojas – UPN Ester Rodrigues Fernandes Leal – USeB Evelin Grace Wandersleben de Bentancor – UA Fernanda Silva Schuabb Couto – UE Lucilene da Cruz Lima Britis – UPS Maria do Rosário Costa e Silva – ULB Marília Barros de Carvalho Dantas – UNB Marza Abelhan Silva Bispo – UCOB Nilvia Ester Streuli de Valda – UB Telma Benedita Onofre Brenha – UCB Waleska Janette Blu Aguirre – UCh IMPRESSÃO Casa Publicadora Brasileira 22696/50778


Dedicatória A todas as mulheres dispostas a encontrar plenitude na missão.


Sumário

Apresentação Prefácio Depoimentos Introdução

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Ellen White (1827 - 1915) Annie Smith (1828 – 1855) Sarepta Henry (1839 – 1900) Lucy Post (1845 – 1937) Maria Huntley (1848 – 1890) Mary Westphal (1860 – 1931) Ana Stahl (1870 – 1968) Anna Knight (1874 – 1972) Aiko Araki – (1890 – 1982) Jessie Halliwell (1894 – 1962) Chessie Harris (1906-1997) Sonya Carson (1928 – 2017) Evelyan Thomas (Sem Data) Vicentina Cortés (1945) Lila Ferreira (1955) Maria Auxiliadora (1955) Maria Rosario Ojalvo (1956) Ana Maria Batista (1960) Flora Abaribe (1960) Susana Chaskelis (1949) Silvia Melo (1961) Jane Monteiro (1963) Idalia Esutiñan (1968) Débora Leite (1970) Esterfilia Ruiz (1973) Andrea Hoffmann (1974) Lislei Martins (1974) Sheila Sousa (1974) María Elisa Avalos (1978) Alejandra Borges (1988)

21 25 29 33 37 41 45 49 53 57 61 65 69 73 77 81 85 89 93 97 101 105 109 113 117 121 125 129 133 137

Homenagem: Heather-Dawn Small (1957 – 2024)

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Eu faço parte dessa história Referências

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Apresentação

Jeanete Lima de Souza Pinto Diretora do Ministério da Mulher Divisão Sul-Americana

O que faz uma mulher comum ter uma vida extraordinária? Certamente não são os títulos, a experiência profissional, os recursos financeiros ou a sua origem. O que transforma uma vida normal em uma história extraordinária é a entrega a um propósito elevado e o cumprimento pleno de uma missão.

Este não é um livro comum. É uma obra comemorativa que celebra os 30 anos do Ministério da Mulher da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Neste precioso material, destacamos 30 histórias de mulheres visionárias, esposas idôneas, mães dedicadas e missionárias destemidas. Cada uma delas, com suas contribuições singulares, deixou um legado que inspira gerações.

A Bíblia nos apresenta mulheres como Joquebede, Débora, Ester, Maria (a mãe de Jesus) e Dorcas, figuras improváveis aos olhos humanos, mas que, nas mãos de Deus, se tornaram agentes de mudanças eternas. No decorrer do tempo, outras mulheres abraçaram o chamado divino e cumpriram seu propósito: Ellen White, Sarepta Myrenda Irish Henry, Anna Knight, Aiko Araki, Chessie Harris e tantas outras que também fizeram da adversidade um caminho para cumprir sua missão. Elas não apenas superaram os desafios que surgiram, mas deixaram registradas histórias de fé, coragem e de impacto duradouro.

Mais do que um registro histórico, estas páginas nos desafiam a refletir sobre o poder transformador da missão. A verdadeira plenitude da vida é encontrada quando vivemos o propósito que o Senhor nos confiou. A missão não apenas dá sentido à nossa existência, mas também nos conecta ao desígnio de Deus de salvar a humanidade e restaurar nosso mundo. Que ao ler cada um desses relatos, você se encha de inspiração e aceite o desafio de escrever, com sua vida, mais um capítulo dessa história que transcende o tempo.

Ainda hoje, com sensibilidade, coragem e compromisso, as mulheres colocam o coração na missão e continuam sendo agentes de transformação em sua família, na igreja, no ambiente de trabalho e na sociedade. Por meio de sua influência, elas servem e salvam, mudando histórias de vida e deixando marcas que ecoarão por toda a eternidade.

Vamos juntas? "Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: 'A quem enviarei, e quem há de ir por nós?' Eu respondi: 'Eis-me aqui, envia-me a mim'" (Is 6:8).

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Prefácio

Galina Stele Diretora do Ministério da Mulher Associação Geral

O Ministério da Mulher da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia comemora 30 anos em 2025! É um marco significativo. No entanto, esse ministério tem uma história mais longa.

artigos e livros. Uma igreja fundada com a participação ativa das mulheres, que se juntaram para orar e estudar a Bíblia, é a mesma que hoje conta conosco, em qualquer parte do mundo.

Muito foi feito nos campos locais ao redor do mundo sob a liderança de mulheres talentosas e dedicadas que trabalham para a igreja e a sociedade. Elas trabalham em diferentes áreas como professoras, evangelistas, médicas, musicistas, escritoras, entre outras atividades. É impossível nomear todas as mulheres que contribuíram para o progresso da igreja e impactaram a vida das pessoas durante esses 30 anos. Neste livro, você conhecerá a contribuição de 30 dessas mulheres dedicadas, que serviram e estão servindo a igreja e suas comunidades com diferentes talentos. É um lembrete vivo de que cada mulher adventista é chamada para cumprir a missão de ser discípulas de Jesus Cristo como membros de Sua igreja mundial.

"Entre as nobres mulheres que tiveram a coragem moral de se decidir em favor da verdade para este tempo, muitas são dotadas de tato, percepção e boas aptidões. Elas serão obreiras bem-sucedidas. O trabalho dessas mulheres cristãs é necessário." (Ellen G. White, Evangelismo, p. 324 [466]).

Ellen White escreveu sobre o importante papel que as mulheres podem desempenhar na igreja, em suas famílias e na sociedade em diversos

Nós somos chamadas a aprofundar nosso relacionamento com Jesus, crescer em nossa vida pessoal e profissional e impactar a vida de outras pessoas por meio dos principais objetivos do Ministério da Mulher. Devemos fazer isso com alegria e amor, seguindo o comando de Jesus: "Vocês são a luz do mundo. [...] Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus" (Mt 5:14,16).

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Depoimentos

Líderes das uniões da Divisão Sul-Americana

Carolina Andrea Berríos León

Cristiane Cordeiro da Silva Caxeta

União Uruguaia

União Noroeste Brasileira

“A mulher que inspira os outros é aquela que alcançou a humildade e compreendeu o seu propósito.” Espero que, ao ler essas histórias maravilhosas, você encontre inspiração para se aproximar de Deus e melhorar seu relacionamento com Ele e com os outros. Nas páginas a seguir, você descobrirá um tesouro de motivação que alimentará seu espírito de serviço, disponibilizando seus talentos para impactar a vida de outras pessoas.

Com imensa gratidão e profunda admiração, celebramos a dedicação, a coragem e o empenho na obra de Deus de cada mulher adventista. Durante essas três décadas, o Ministério da Mulher cresceu e se fortaleceu graças a isso. Você tem sido uma verdadeira guerreira, preparando e ajudando pessoas com amor e devoção, guiando-as para o reino de Deus. Seu trabalho incansável é um testemunho vivo do amor de Deus. Cada sorriso, cada gesto de carinho e cada palavra de conforto são reflexos da graça divina em ação. Você tem sido um farol de esperança, iluminando o caminho de muitos que buscam paz e salvação.

Você descobrirá que também tem qualidades únicas que o Senhor lhe deu e será encorajada a se concentrar no plano e no propósito que Deus tem para você e os seus. Você pode ser de grande influência e inspiração na vida de outra mulher. Você foi chamada para brilhar neste mundo de trevas!

Parabéns às 30 mulheres apresentadas nesse livro e a você por essa jornada extraordinária! Que os próximos anos sejam ainda mais frutíferos e cheios de realizações, sempre sob a proteção e a graça divinas.

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Cristiane Santana Barreto Lima

Dalcy Mendizábal Suárez

União Nordeste Brasileira

União Paraguaia

Há 30 anos, o Ministério da Mulher tem sido uma luz brilhante, capacitando mulheres a serem agentes de mudança em seus lares, igrejas e comunidades. Essa caminhada é marcada pela dedicação, pela fé e pelo desejo de fazer a diferença no mundo, refletindo o amor de Cristo.

Quero expressar minha gratidão e respeito a você mulher que dedicou e dedica sua vida ao serviço no cumprimento da missão. Você tem sido uma verdadeira luz e guia para tantas pessoas que encontraram a verdade e foram apresentadas ao Salvador. Embora você enfrente desafios e dificuldades, lembre-se de que seu trabalho não é em vão. O impacto das suas palavras e ações transcende além do que você pode imaginar, semeando sementes de esperança e fé nos corações de muitos e mudando o curso de suas vidas.

Parabéns a cada mulher que aceitou o chamado para servir, inspirar e transformar vidas. Que este marco seja um convite para continuarmos juntas, promovendo união, esperança e força na missão divina. Este livro contém 30 histórias, mas há milhares de outras mulheres e projetos inspiradores. O que falar sobre a sua história?

Que o nosso Deus a abençoe e fortaleça continuamente, abrace seu coração e lhe dê a certeza de que um dia você estará frente a frente com Ele, quando lhe der a coroa da justiça que preparou para você. Maranata!

Você é parte essencial da trajetória do Ministério da Mulher e juntas podemos ir ainda mais longe. Continue sendo luz e abençoando a todos ao seu redor!

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Denise Mückenberger Lopes

Elena Beatriz Zubieta de Rojas

União Sul Brasileira

União Peruana do Norte

Comemorar 30 anos de existência simplesmente é fantástico. Essa idade é uma das melhores, pois ainda se é jovem, se tem muita vitalidade com a vantagem de ter maturidade. Essa é a realidade do Ministério da Mulher. Somos um departamento jovem, mas com muita experiência acumulada que nos permite ter um programa que atenda às necessidades das mulheres, da igreja e do chamado de Deus na pregação do evangelho.

Ao longo da história, o trabalho missionário das mulheres foi e continua a ser um pilar fundamental no cumprimento da missão. Mulheres de coração generoso e de fé inabalável dedicam não somente seus talentos, mas também seu tempo e seus recursos ao serviço dos outros. Cada oração levantada, cada visita realizada, cada palavra de encorajamento partilhada não ilumina apenas o caminho das pessoas e das famílias que enfrentam dificuldades, desafios e provações, mas também oferece a maravilhosa esperança de uma vida melhor e a oportunidade de salvação.

Parabéns e gratidão devem chegar neste momento a todas as mulheres e líderes que lutaram e construíram essa história destemidamente e também para aquelas que continuam firmes levando essa obra adiante. Embora seja um momento comemorativo, precisamos manter em mente que a grande festividade será quando estivermos diante do Senhor e recebermos Dele o “bem está, serva boa e fiel”. Portanto, não devemos diminuir o ritmo nem os sonhos que Deus plantou desde o início no coração de Sarepta Henry e Ellen White, pois a missão continua. Tenhamos mais amor, mais entrega, mais dependência de Deus, mais vida no Espírito, para juntas, em todas as demais áreas da igreja, e com nossa família, vermos Jesus voltar. Maranata e amém.

Ao mergulhar nas páginas deste livro, que a paixão e a dedicação de cada mulher no trabalho missionário a inspirem profundamente. Além disso, que o exemplo delas a motive a participar ativamente na missão, lembrando sempre que o tempo é curto e que Jesus voltará em breve!

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Ester Rodrigues Fernandes Leal

Evelin Grace Wandersleben de Bentancor

União Sudeste Brasileira

União Argentina

A participação de mulheres na missão vai além do que a história ou os dados revelam. De geração em geração, elas têm aceitado o chamado e cumprido a missão com seu jeito especial de ser e viver. Quantas mulheres marcantes e inspiradoras encontramos nas igrejas! Quantas meninas observam o trabalho desenvolvido por elas e logo estarão prontas para continuar essa jornada de fé e ação?

Ainda me lembro do ano de 1996, quando fui convidada para liderar o Ministério da Mulher em uma associação na Argentina. Eu não conhecia o ministério nem o que deveria fazer. Recebi uma pasta com a figura de uma árvore linda, grande, frondosa, com raízes profundas, tronco forte e copa com folhas e muitos frutos. Pensei: “O que isso significa?”

Nas 30 histórias que este livro contém, você poderá se inspirar ao vislumbrar o que Deus fez, faz e ainda fará por intermédio de mulheres que se entregam a Ele, aceitando seu chamado e agindo em missão. Que o testemunho delas seja inspiração e motivação para você na busca de viver uma verdadeira experiência com Deus, transbordando por meio Dele em missão!

O início não foi fácil: era preciso ganhar espaço junto às mulheres e nas igrejas e percorrer “o caminho caminhando”. Com o passar do tempo, a árvore passou por diversas transformações, mas a transformação mais importante ocorreu em minha vida. Aprendi que servir ao próximo traz felicidade, que amor gera mais amor, que um sorriso fala mais alto do que mil palavras, que fazendo tudo “de acordo com as suas forças” se alcançam maravilhas. Aprendi que o segredo do sucesso é colocar Deus em primeiro lugar. Hoje, a imagem que recebi há 29 anos ainda representa o Ministério da Mulher com objetivos claros, um propósito definido e a missão de levar pessoas aos pés de Jesus. Que essas histórias inspirem você.

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Fernanda Silva Schuabb Couto

Lucilene da Cruz Lima Britis

União Equatoriana

União Peruana do Sul

Ao longo desses 30 anos de um Ministério que inspira, motiva e incentiva mulheres a dedicarem suas vidas ao serviço de Deus e da família, existiram muito mais que histórias especiais. As histórias deste livro celebram a mulher que se entrega ao chamado de Cristo, cuida e constrói.

O Senhor sempre teve um chamado e uma missão para suas filhas, e é importante lembrar que, há três décadas, a igreja decidiu estabelecer o Ministério da Mulher para organizar e valorizar o papel significativo delas na família, igreja e comunidade. Desde a sua criação, o Ministério da Mulher tem sido uma grande bênção como apoio, formação, crescimento espiritual e desenvolvimento das capacidades das mulheres no serviço.

Mulher, você é reflexo do amor de Deus e, por meio da sua vida e do seu exemplo, ensina que a verdadeira força vem de servir, amar e confiar nos planos divinos. Cada oração, cada desafio, cada ato de generosidade, cada sacrifício é um testemunho do propósito de nosso Pai Celestial em sua vida.

Em 1996, tive a alegria de começar a liderar esse ministério em uma das áreas do Sul do Brasil. Nesse tempo, cresci como pessoa, mulher, esposa, mãe e missionária, sentindo-me incluída e chamada por Deus. Acho que esse processo transformador ocorre com todas as mulheres que se envolvem nesse ministério, e é por isso que sou apaixonada por ele! Meu coração transborda de alegria e gratidão a Deus pelos 30 anos do Ministério da Mulher!

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Maria do Rosário Costa e Silva

Marília Barros de Carvalho Dantas

União Leste Brasileira

União Norte Brasileira

A vida espiritual é um processo que envolve crescimento, experiência, comprometimento, amor, fé e comunhão com Deus. É florescer em bênçãos na vida de outras pessoas, vivendo verdadeiramente o discipulado e seguindo os passos de Jesus.

Até parece que foi ontem que tudo começou. Eu estava no meu segundo distrito pastoral quando ouvi falar do Ministério da Mulher. Fiquei encantada! Era tudo novo, parecia algo inalcançável. Logo soube que haveria uma longa jornada pela frente. Começamos a trabalhar firmes e fizemos um retiro espiritual distrital; tudo simples, mas muito especial!

Não é novidade para nós que a grande maioria dos membros de nossas igrejas são mulheres. Mulheres de diferentes dons, talentos, opiniões, experiências espirituais, mas que exaltam um único Deus. Em sua jornada diária, enfrentam seus desafios, confiantes que o Pai do Céu suprirá todas as necessidades. Em meio a dores, angústias, lágrimas e súplicas, seguem confiantes e resilientes, sabendo que Aquele que tudo fez e sabe de todas as coisas, abraça Seus filhos, cuidando, ensinando, acompanhando seu crescimento rumo à eternidade. Celebremos os 30 anos do Ministério da Mulher com esperança e salvação!

Lidero o Ministério da Mulher há 13 anos e me sinto honrada e pequena para viver esta experiência extraordinária ao lado de inúmeras mulheres escolhidas por Deus! Sinto imensa gratidão a Deus pelo privilégio de fazer parte desse momento histórico, pois Ele é o nosso Líder! Agradeço às mulheres que lideraram e lideram junto comigo ao longo destes 30 anos! Quantas histórias construímos juntas! Certamente Deus tem abençoado cada mulher adventista que se desafia na missão, levando pessoas a Jesus.

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Marza Abelhan Silva Bispo

Nilvia Ester Streuli de Valda

União Centro-Oeste Brasileira

União Boliviana

Mulher, Deus te chamou para ser uma protagonista em Sua obra! Ele a criou com dons únicos e talentos especiais que podem transformar vidas e inspirar corações. Não permita que as circunstâncias ou inseguranças limitem o propósito que Ele tem para você. Seja uma fonte de luz, motivação e coragem, refletindo o amor de Cristo em tudo o que faz. Sua voz tem poder, sua história tem impacto e sua fé pode mover montanhas. Use sua criatividade, empatia e determinação para fazer a diferença onde você estiver. Lembre-se: no Senhor, você é capacitada, fortalecida e enviada para cumprir uma missão divina. Levante-se, brilhe e inspire outras a seguirem o chamado de Deus com você!

Lembrar é reviver. Cada lembrança nos conecta com os momentos que marcaram o caminho e as vidas que deixaram sua marca. Histórias do passado que abriram caminho! Histórias do presente que inspiram e motivam! Só podemos agradecer a Deus por usar mulheres com dons únicos, aquelas que, com a sua fé e coragem, transformaram seu ambiente no passado e continuam a fazê-lo hoje. Aproveite o melhor de cada história, compreendendo suas similaridades, sua diversidade e, por que não, com atenção às adversidades? Ao decidir trabalhar para Jesus e ser parte ativa da missão, saiba que, certamente, outras pessoas vão se inspirar em você. A plenitude na missão contagia. Lembre-se de que Deus também quer usar você!

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Telma Benedita Onofre Brenha

Waleska Janette Blu Aguirre

União Central Brasileira

União Chilena

Que alegria poder celebrar três décadas do Ministério da Mulher, um movimento que transforma vidas, fortalece propósitos e inspira mulheres a serem luz no mundo. Cada movimento de oração, cada projeto realizado e cada ato de amor espalhado foi uma peça na construção desse legado. Você, mulher de coragem e fé, é parte essencial dessa história!

“Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário”. Esta afirmação nos esclarece e apresenta a base de toda a nossa ação missionária. Deus nos convida e nos chama com laços de amor para ver e sentir, por meio de nossa própria vida, como cumprir a missão. Deus nos chamou com um propósito especial: ser luz neste mundo. Como mulheres adventistas, temos o privilégio e a responsabilidade de refletir o amor de Jesus em todos os aspectos de nossas vidas. Não tema, pois o Senhor prometeu estar com você em cada passo do seu caminho. Seus dons e talentos são únicos, e Deus os colocou em você para cumprir Sua missão.

Somos uma só voz, chamadas a servir, cuidar e levar esperança a cada coração. Que esses 30 anos sejam um marco de gratidão e um convite para continuar avançando, firmes na missão que Deus nos confiou. Unidas com o Ministério da Mulher, seguiremos firmes, sendo mulheres em missão e instrumentos de transformação e amor.

É hora de nos levantarmos e sermos corajosas, levando esperança a quem ainda não conhece a mensagem de salvação. Ore, estude Sua Palavra e permita que o Espírito Santo a guie. Você não está sozinha. Confie que Deus fará grandes coisas por seu intermédio. O Céu se alegra com cada pessoa que você leva aos pés de Jesus!

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Introdução Ao longo da história, as mulheres têm sido inovadoras, talentosas e corajosas em todas as esferas da sociedade. Seja na ciência, nas artes, na educação ou em qualquer outro campo, suas contribuições são marcadas por visão, perseverança e um profundo compromisso com a transformação do mundo ao seu redor. Na igreja, o cenário não é diferente. As mulheres continuam sendo agentes de mudança e inspiração. Este livro celebra a vida e a missão de 30 mulheres extraordinárias que dedicaram suas vidas à obra de Deus em diferentes partes do mundo. Cada uma, à sua maneira, levou sua voz, seus talentos e sua paixão para o serviço da fé, respondendo ao chamado de Deus com bravura e originalidade. Elas lideraram ministérios e enfrentaram desafios culturais, sociais e espirituais, sempre confiando na força que vem do alto. Atuaram em situações inimagináveis para outras pessoas e para elas mesmas. Esse é o destaque de cada história. Essas mulheres não são apenas exemplos de liderança e resiliência, mas testemunhas vivas do poder do evangelho em ação. Suas histórias

nos lembram que a missão de Cristo é um chamado que transcende gênero, idade ou fronteiras, e que, quando entregamos nossos dons a Deus, Ele faz obras poderosas por nosso intermédio. Suas histórias provam que Deus transforma nosso passado em bênçãos, nossas limitações em oportunidades e nossos talentos em missão. Que essas jornadas fantásticas inspirem novas gerações a seguirem esse caminho de fé e ação, e que cada página deste livro reafirme a grande verdade: você também pode ter seu nome na história. Por essa razão, este livro é interativo e provocativo. Para cada história, estruturamos um projeto missionário para você se inspirar e executar imediatamente. Essas biografias provocarão um movimento transformador em sua vida. E, quem sabe, sua história também não seja parte de um livro? Você também pode escrever a sua história!

Francis Matos Autora

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P

ara uma menina de 9 anos, era difícil ver a irmã gêmea, Elizabeth, seguindo a vida normalmente, enquanto as dores de cabeça constantes, os problemas respiratórios e as dificuldades com a memória não davam sinais de melhora. Aquela pedrada no nariz, recebida a caminho da escola, parecia ter definido permanentemente seu futuro, limitado à vida doméstica. Todos diziam que era um milagre ela ter sobrevivido a três semanas inconsciente.

Por meio de Elizabeth, dos outros seis irmãos e dos pais, Ellen Gould Harmon acompanhava as notícias sobre o avanço do fim da escravidão, já que os abolicionistas formavam um grupo organizado no norte dos Estados Unidos, onde ela morava. O assunto era debatido abertamente nas igrejas, que viviam um movimento de reavivamento chamado de Segundo Grande Despertar. Estar na igreja era uma parte essencial da rotina de Ellen, principalmente por não poder mais retornar à escola. Os pais eram fiéis metodistas e rapidamente ficaram interessados em participar das reuniões lideradas por Guilherme Miller e seus companheiros, ocorridas em várias cidades ao redor e que chegavam a Portland. Miller falava a respeito de suas descobertas sobre a volta de Jesus, e toda a família Harmon se impressionou com a mensagem. Aos 12 anos, Ellen se interessava por assuntos bíblicos, principalmente em busca de respostas espirituais para o sofrimento que, tão jovem, já enfrentava. A forte crença no castigo divino a atormentava e, temendo ser inadequada para servir a Deus, ela se encantou com a possibilidade de se preparar para a iminente volta de Jesus pregada por Miller. Era vibrante ser parte do movimento milerita, que mais tarde passou a chamar adventista.

Ellen White

Já em melhores condições físicas, Ellen decidiu ser batizada durante uma reunião campal em 1842. A família Harmon se aproximava ainda mais dos adventistas e, em 22 de outubro de 1844, juntou-se às pessoas que aguardavam a volta de Jesus.

1827-1915 • ESTADOS UNIDOS

O amanhecer da quarta-feira trouxe uma grande sensação de fracasso e dúvidas para Ellen. Ela tinha sonhado tanto que aquele dia poria fim a todo o sofrimento físico e emocional que sentia, devido à sua condição, e Jesus não havia voltado. 21


Com o passar dos dias, Ellen não se permitia desanimar como via acontecer com pessoas próximas a ela, por isso se juntou a quem também buscava respostas, orando e estudando as profecias, confiando que Jesus não estava errado. Essa decisão de fé e coragem rapidamente a colocou, aos 17 anos, entre as líderes de um grupo de mulheres.

O início da vida a dois foi de restrição financeira. Tiago se dedicava ao campo ou trabalhava esporadicamente na construção de estradas de ferro para manter a família, desejando ter mais tempo para se dedicar a proclamar a mensagem adventista. As viagens missionárias eram voluntárias e continuaram mesmo após o nascimento do primeiro filho, Henry Nichols.

Periodicamente, o grupo se reunia, e aquele parecia ser mais um encontro, quando todas estavam ajoelhadas, orando. De repente Ellen caiu, ficou imóvel e sem respirar, deixando as amigas preocupadas. Todos sabiam das debilidades físicas de Ellen e que ela havia ficado inconsciente por semanas durante a infância.

A criança de poucos meses ficava aos cuidados de amigos de confiança enquanto o casal se dedicava a pregar e a escrever artigos. As viagens eram longas, feitas em carroças ou trenós, enfrentando o clima adverso, com baixas temperaturas e regiões pouco habitadas, cenário comum no norte dos Estados Unidos.

Depois de um tempo, Ellen acordou chorando, dizendo estar muito triste com o que havia visto. Respondendo aos questionamentos sobre o que havia acontecido, Ellen contou que havia sentido o poder de Deus sobre si como nunca antes e que teve uma visão, que envolvia o povo de Deus em uma jornada rumo ao Céu. A notícia rapidamente se espalhou entre os adventistas, e eles entenderam que esta foi uma maneira que Deus encontrou para consolá-los.

Ellen era uma mulher atenta às novidades e logo compreendeu que a imprensa poderia ajudá-los a alcançar mais pessoas. No entanto, Tiago relutou em abandonar a segurança do trabalho no campo para se concentrar exclusivamente na pregação e nas publicações. Em nova visão, Deus confirmou a Ellen o plano, e logo o casal trabalhava exclusivamente no ministério. Ao longo dos anos seguintes, o casal e outros missionários percorreram várias partes dos Estados Unidos pregando, e o número de conversos aumentava a cada dia. As atribuições de liderança e escrita estavam sobrecarregando física e emocionalmente o pastor White, então Ellen passou a escrever cada vez mais.

Uma semana depois, Ellen teve uma nova visão com uma ordem clara para relatar aos outros o que Deus estava falando a ela, mesmo enfrentando forte oposição. Com seu histórico de saúde e timidez, ela sentia-se incapaz de aceitar esse chamado e orou durante várias noites pedindo que outra pessoa assumisse esse papel. Os amigos e a família insistiam para que ela aceitasse e iniciaram uma campanha de oração. Entretanto, a angústia era tão grande que Ellen deixou de comparecer às reuniões para estudo da Bíblia, que aconteciam em sua própria casa, para fugir do assunto. Apenas depois de receber duas novas visões, Ellen finalmente aceitou que seu futuro seria diferente do que qualquer pessoa que a conhecesse bem pudesse imaginar.

Por volta de 1850, eles se mudaram para Michigan, levando consigo os três filhos, a fim de morar em uma casa recebida como doação, com espaço para a gráfica que imprimia as revistas, os artigos e os livros escritos por Ellen White. Grávida do quarto filho, Ellen acompanhou Tiago White na inauguração do primeiro templo adventista do sétimo dia. A chegada de John Herbert White e o seu falecimento três meses depois, marcariam para sempre o ano de 1860, com o antagonismo de emoções vivenciados pelo casal. A maneira escolhida por Ellen para enfrentar o luto foi pregar sobre a volta de Jesus em um encontro de obreiros.

As viagens começaram, e Ellen apresentava seu testemunho sobre a volta de Jesus, relatando detalhadamente a primeira visão. Quando foi para Orrington, cidade do Maine, Estados Unidos, Ellen conheceu o pastor Tiago White, que também pregava pela região. Nos meses seguintes, por diversas vezes, os reencontros não programados em reuniões e campais resultaram em uma boa amizade.

Em 1863, enquanto havia uma agitação pelo fim da escravidão nos Estados Unidos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia era oficializada, já contando com cerca de 125 templos e 3.500 membros. Naquele mesmo ano, Ellen e Tiago perdiam seu primogênito, aos 16 anos de idade, em uma triste sincronia oposta: ver os frutos do ministério se multiplicando enquanto outra dura perda familiar acontecia.

Entre as descobertas compartilhadas entre os adventistas, estava o sábado, confirmado na visão em que Ellen viu o santuário celestial. O entusiasmo pelos assuntos relacionados à Bíblia unia Ellen cada vez mais a Tiago, e eles se casaram em agosto de 1846. A partir de então, as viagens não eram mais solitárias, e o casal White compartilhava a mensagem da volta de Jesus.

As visões de Ellen White continuavam a trazer novos entendimentos sobre a mensagem bíblica em áreas ligadas à saúde, à alimentação e a outros hábitos saudáveis, à educação, ao relacionamento familiar, que impulsionaram a inauguração de hospitais e escolas. 22


Com o crescimento da igreja, os eventos se tornavam cada vez maiores, e quem a conhecia desde a infância, ou ela mesma, se espantava com tamanha capacidade de oratória: Ellen White chegou a pregar para um público de 15 mil pessoas, também expandindo sua participação em eventos e campais na Europa. O livro O Grande Conflito rapidamente se tornou recordista em vendas, aumentando a popularidade de Ellen. Em 1881, aos 60 anos, Tiago White faleceu, depois de enfrentar problemas de saúde possivelmente decorrentes da sobrecarga de trabalho. Durante o funeral do esposo, mais uma vez, Ellen deu demonstrações de sua força ao declarar que nada a impediria de seguir sua missão. Nos anos seguintes, Ellen foi enviada em missões na Europa e, em 1891, foi enviada à Austrália, acompanhada do filho Willie e da nora, onde executou seu trabalho missionário durante nove anos. Em 1900, ao voltar para os Estados Unidos, dedicou-se à escrita de mais livros e às viagens missionárias. A última visão registrada aconteceu por volta de 1909. Em seus últimos anos de vida, a neta Ella acompanhava a avó, especialmente após a queda e fratura do quadril, que a deixou confinada à cama. Em 16 de julho de 1915, falecia aquela que, sem acesso à educação formal, foi mencionada posteriormente entre os cem norte-americanos mais influentes da história, um reconhecimento às mais de 100 mil páginas escritas e aos mais de 150 livros traduzidos em cerca de 160 idiomas e ao seu papel na fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Os livros de Ellen White estão disponíveis gratuitamente no site do Centro White (https://centrowhite.org.br/downloads/ebooks/) e em aplicativos para celular.

PROJETO Como Ellen Gould White, você pode ter um ministério que usa a escrita para pregar às pessoas sobre a volta de Jesus e outros assuntos bíblicos. Se você quer usar a escrita como uma ferramenta de evangelismo e reavivamento, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos de escrita criativa. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Criação de blogs, sites e perfis nas redes sociais para compartilhamento do conteúdo. • Produção de textos curtos com mensagens para posts nas redes sociais ou ferramentas de envio de mensagem.

• Escrita e publicação de devocionais diários nas redes sociais. • Criação de e-books ou revistas digitais sobre temas bíblicos. • Compartilhamento de textos de Ellen White e sua adaptação ao contexto atual. • Formação de grupos permanentes para escrever e divulgar mensagens bíblicas. • Formação de pequenos grupos de estudo e escrita que se reúnam regularmente. • Incentivo à produção de livros, artigos e séries devocionais. • Colaboração com ministérios de comunicação para divulgação.

INOVAÇÃO

• Google Docs / Microsoft Word - Para redigir e compartilhar textos. • Canva / Adobe Spark - Para criar materiais visuais e infográficos. • Zoom / Google Meet - Para realizar reuniões de escrita e orações em grupo.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Redes sociais - Para divulgação e alcance global.


Mulheres com o coração na missão

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E

la tinha apenas dez anos quando se converteu à Igreja Batista, mas, logo que ouviu falar sobre a data da volta de Jesus, juntou-se aos adventistas que esperavam que aquela terça-feira, 22 de outubro de 1844, fosse extraordinária. Como nada aconteceu, Annie decidiu seguir com seus planos de se tornar uma artista.

Além das artes plásticas, Annie amava música e aprender outros idiomas e sonhava em ser professora. Estudando em um seminário exclusivamente feminino, ela se empenhava em explorar as melhores técnicas da pintura a óleo e aprender francês, e logo foi chamada para lecionar em escolas da região. O desenho e a pintura eram hobbies e também seu objetivo profissional, por isso passava horas praticando. Gostava de representar o urbano e o rural, e as flores sempre estavam presentes em suas obras, especialmente as peônias, sua flor preferida. Um dia, enquanto desenhava a cidade de Boston, Estados Unidos, sentiu uma grande pressão em seus olhos e logo notou que estava com dificuldades para enxergar. Aquele parecia ser o fim do sonho de ensinar artes, porque não havia nenhuma expectativa de melhora. Recusou convites para lecionar em outras escolas e decidiu mudar de área, praticando a escrita e produzindo artigos para uma revista feminina e outros jornais. A mãe de Annie suspeitava que não era um bom caminho, pois os assuntos de interesse da mídia não eram alinhados às convicções religiosas da família. Por isso, procurou um pregador adventista, a fim de que ele aconselhasse a filha. José Bates convidou a família para uma reunião na igreja, e Annie aceitou. Na véspera, Annie foi dormir cedo, como sempre fazia, e teve um sonho curioso. Ela sonhou com todos os lugares do local da reunião de Bates ocupados, exceto uma cadeira próxima à porta. No sonho, o culto acontecia normalmente e exatamente na hora em que o pregador abria a Bíblia para começar a ler, a porta se abria e uma jovem sentava naquela cadeira.

Annie Smith 1828-1855 • ESTADOS UNIDOS

Annie seguiu seu dia normalmente e foi para casa se arrumar. Saiu com uma boa folga no horário, mas se perdeu no trajeto e chegou atrasada. Entrou naquele salão no exato momento do sonho e sentiu um certo arrepio com essa lembrança, mas se concentrou no que o pregador dizia. 25


No fim da reunião, Annie e a mãe se aproximaram para conversar com Bates, e, para a surpresa de Annie, ele contou o mesmo sonho e afirmou que, ao notar a chegada dela à reunião, havia mudado seu sermão para ser algo realmente direcionado a ela.

contágio fosse potencialmente rápido. As pessoas estavam com muito medo, porque a tuberculose, naquela época, era uma doença ainda sem cura. Havia um tratamento em um instituto de saúde da região, mas proporcionando apenas alívio temporário dos sintomas.

Annie decidiu dedicar seu talento de escrita para as publicações adventistas de tão impressionada que ficou. Ela então decidiu escrever uma carta, contando sobre o episódio com Bates e como aquilo havia impactado sua vida espiritual. No mesmo envelope, colocou um poema.

Annie se ausentou da cidade por um tempo, por causa do falecimento do pai. Naquele intervalo de tempo, dois funcionários da editora adoeceram e, em menos de dois anos lutando contra a doença, faleceram. Andrews era cada vez mais próximo de Annie, e ela gostava muito da companhia dele, sonhando com o dia em que pudessem seguir o ministério juntos, assim como seus chefes.

O primeiro poema enviado por ela para o editor-chefe da revista Review foi suficiente para que eles desejassem contratá-la definitivamente. A emoção que Annie conseguia expressar com palavras e rimas, a profundidade do que conseguia dizer em poucas linhas e o seu entusiasmo com Jesus eram a resposta que eles esperavam.

Os sintomas da doença em Annie começaram de forma suave, no outono de 1854. A mudança da temperatura naquele período a fazia pensar e desejar que fosse apenas mais um resfriado que logo passaria. Porém, passados poucos meses, a tosse, a febre, a fraqueza e o emagrecimento vieram de forma avassaladora. Annie se sentia muito fraca para fazer as atividades mais básicas.

Os responsáveis por essa revista eram ninguém menos que Ellen e Tiago White, líderes do movimento adventista. Havia algum tempo que era consenso a necessidade de agregar mais escritores, possibilitando que o casal continuasse a atender aos inúmeros convites para pregar.

Tentou os tratamentos disponíveis, e até houve alguns curtos períodos de melhora, mas ela percebeu que talvez não teria a chance nem de concluir a escrita do seu livro de poemas, um sonho da vida toda. Ela tinha outros concluídos, mas este era o preferido. Annie passou a orar para que Deus permitisse que ela terminasse esse livro.

Annie passou a ser colaboradora oficial da revista. Nos primeiros dias de trabalho, Ellen já notou que o estilo de trabalho dela combinava com o do esposo, e isso foi um alívio rapidamente compartilhado com os amigos. Ele, sempre tão exigente com o padrão de qualidade, sentir segurança em deixar a edição da revista nas mãos de uma jovem era realmente algo surpreendente.

Logo que ela concluiu o material, as providências para a publicação foram tomadas pelo irmão dela, Uriah, que a acompanhava. Muitos textos de Anne estavam organizados em livro, mas ninguém os conhecia. Havia também cerca de dez hinos. Sabendo do sonho da irmã, Uriah aproveitou para que todos os livros dela fossem impressos e desenhou a capa do livro de poemas: uma peônia, a flor preferida de Annie.

Durante o período em que atuou na editora, Annie era bastante dedicada e escrevia muito além do que era publicado. Os poemas ficavam guardados para o dia que pudesse, enfim, publicar um livro. Não eram apenas poemas de temas espirituais: a rotina e sua vida amorosa também eram registrados. Além de poemas, Annie escrevia hinos.

Annie não teve a chance de ter os livros em mãos, pois morreu pouco tempo depois do início da impressão, aos 27 anos. Porém, saber que Deus havia respondido a oração dela e permitido que concluísse a escrita, foi como um fôlego a mais na esperança da volta de Jesus.

Annie estava apaixonada. Um jovem pregador sempre estava presente na editora. John Andrews não gostava do perfil de liderança de Tiago White e parece ter sido esse o motivo de se aproximar de Annie. Para ela, aquela proximidade despertou sentimentos e sonhos de um dia se tornar a esposa dele.

No dia do velório de Annie, John Andrews estava acompanhado de Angeline, sua namorada. As pessoas que sabiam da amizade de Annie e Andrews e percebiam que ela nutria um amor pelo jovem missionário ficaram confusas quanto ao comportamento dele. Ele teria dado esperanças a ela, mesmo envolvido com outra pessoa? Annie soube do relacionamento de Andrews e, por essa razão, teve seu estado de saúde agravado? Andrews havia continuado próximo a

Durante aqueles meses, várias pessoas da região foram acometidas de tuberculose, e não demorou muito para que as pessoas percebessem que estava ocorrendo uma epidemia. Aproximadamente 20 pessoas trabalhavam na editora e residiam próximas, e esse contato entre eles fazia com que o 26


PROJETO

Annie, mesmo sem ter interesses amorosos, apenas em solidariedade a uma doente? Não muito tempo depois do enterro, Ellen White escreveu uma franca e dura carta para Andrews, afirmando que a imprudência dele custara a vida de sua funcionária e amiga. Para Ellen, a amizade foi uma forma de Andrews se contrapor à liderança de Tiago White. Quando os livros ficaram prontos, alguns aceitaram que Annie morreu também de amor. Em um de seus poemas, Annie discorreu sobre ter aprendido sobre falsas amizades, mas este foi uma escrita única entre tantos que relatam a beleza da natureza e o amor a Jesus.

Como Annie Rebekah Smith, você pode ter um ministério que usa a arte para atrair pessoas para temas bíblicos. Se você quer usar a arte, seja criando elementos artísticos ou ensinando a ser artista, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos e workshops de artes plásticas, visuais e criativas. Aproveite cursos gratuitos e on-line em plataformas como Domestika, Udemy ou YouTube.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Organização de oficinas de arte na igreja: pintura, artes manuais, poesia, música e outras formas de expressão artística, aproveitando para o uso de temas bíblicos.

• Desenvolvimento de projetos missionários que utilizem arte para alcançar comunidades carentes ou hospitais, oferecendo momentos de expressão artística ou treinamento.

• Exposições de arte ou recitais com temas espirituais para atrair a comunidade local e membros da igreja.

• Utilização de poesia, música e artes visuais para criar peças para apoio aos departamentos, como na divulgação de eventos e projetos.

• Produção de materiais gráficos e visuais para redes sociais e distribuição. • Formação de grupos permanentes de mulheres artistas para cursos. INOVAÇÃO

• Canva ou Adobe Spark - Para criar e compartilhar artes gráficas e visuais com mensagens bíblicas.

• Procreate ou SketchBook - Para produzir arte visual digital de forma profissional. • SoundCloud ou Spotify - Para compartilhar hinos e poemas musicais. • YouTube ou Instagram - Para divulgar tutoriais, poesias, músicas e outras formas de arte, Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

atingindo um público mais amplo.


Mulheres com o coração na missão

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ra difícil entender porque a mãe sempre era tão crítica e tão pouco amorosa, sendo que ela era apenas uma criança. Parecia que a presença constante da avó e os convites que o pai fazia para que ela o acompanhasse nas viagens missionárias eram propositais, para livrá-la do sofrimento. Sarepta Myrenda Irish cresceu escrevendo poemas, elogiados pelo pai e menosprezados pela mãe.

Ainda bem pequena, Sarepta ganhou uma Bíblia da avó, e foi com ela que seu pai a ensinou a ler, resultando em uma imensa paixão pelas palavras. Durante a infância, Sarepta pouco frequentou a escola. Perto dos 20 anos, o pai a enviou para uma escola em outro estado, e logo os poemas escritos por ela começaram a fazer sucesso. Os professores elogiavam o talento literário e a incentivavam a publicá-los, mas se expor ao risco das críticas era difícil e dolorido, por isso, era preferível usar um pseudônimo. Escolheu Dina Linwood. Sarepta se adaptava bem à rotina no colégio e fazia amigos, e os professores encorajavam o desenvolvimento da habilidade de escrita. O movimento abolicionista que tomava conta dos Estados Unidos despertou o interesse da menina, que estava sempre atenta às causas sociais. Aos poucos, os olhos antes sempre baixos começaram a expressar autoconfiança a cada dia, e Sarepta desejava estar ali para sempre, até que o aviso de que seu pai estava gravemente doente a fez mudar completamente os planos. Era hora de voltar para casa, a fim de cuidar do pai em seus últimos momentos de vida. Passado o enterro do pai, Sarepta foi acolhida por um casal de religiosos, recebendo um lar acolhedor, o que seria uma referência muito importante em sua vida. O reverendo John H. Vincent era seu pastor e amigo, e, com sua esposa, Sarepta foi se desenvolvendo à medida que estudava mais a Bíblia. O sonho da garota era estar preparada para ir ao campo missionário fora dos Estados Unidos. Enquanto o dia não chegava, ela se tornou professora.

Sarepta Henry 1839-1900 • ESTADOS UNIDOS

Aos 22 anos, Sarepta se casou com James Henry, um professor que, como ela, amava poesia. Ele era um incentivador do seu talento e sempre dizia que Sarepta deveria sempre escrever e publicar seus textos, quem sabe livros! Eles eram felizes. Como Sarepta, James desejava estar preparado, porém, seu desejo era ser um soldado. 29


A primeira filha do casal, Mary, nasceu ao mesmo tempo em que Sarepta concluía seu primeiro livro, intitulado Victoria, só publicado algum tempo depois. A maternidade trouxe a Sarepta um sentido novo para a vida, pois ela desejava ser uma boa influência para seus filhos, principalmente ensinando sobre Jesus, como seu pai havia feito com ela.

Quem conhecia Sarepta de perto jamais imaginaria que uma criança, adolescente e depois adulta tão tímida fosse capaz de fazer grandes apresentações públicas. Provavelmente impulsionada pelo desejo ardente de ser uma mãe presente na vida dos filhos e tendo firmes convicções cristãs sobre a abstinência do álcool, ela fez seu primeiro discurso: eloquente, profundo e que desafiava as famílias para tomarem parte nessa luta de proteção à juventude.

Quando Sarepta estava nos primeiros meses da gravidez do terceiro filho, James finalmente foi aceito no exército e convocado para lutar na Guerra Civil. No entanto, em 1865, quando o menino tinha apenas três meses, a vida da família passou por um grande e triste impacto: James foi ferido em batalha e havia ficado tetraplégico. Ele foi transportado de volta para casa. Sarepta precisaria agora se desdobrar para sustentar a família e cuidar do esposo e dos filhos pequenos.

Intimamente, Sarepta lutava contra o sentimento de incapacidade de continuar a ser porta-voz da União de Temperança das Mulheres Cristãs (UTMC), que tinha uma agenda de palestras e grandes apresentações em igrejas, espaços públicos e até discursos para representantes governamentais. O combate ao alcoolismo era o ponto principal da sua luta, e suas apresentações sempre enfatizavam os princípios bíblicos como norteadores para uma sociedade.

Por cerca de quatro anos, Sarepta manteve-se fiel aos votos matrimoniais, cuidando do esposo que diversas vezes foi acometido por infecções. O pagamento recebido das Forças Armadas, ainda que pequeno, garantia a subsistência da família. Porém, quando James faleceu e o salário não mais existia, Sarepta precisou encontrar meios de trabalhar ao mesmo tempo em que era responsável pelos filhos, ainda bem pequenos.

Sarepta sabia que a conscientização era importante, mas que era necessário um controle da venda de álcool, preservando a segurança e a saúde dos jovens e das famílias. Por essa razão, buscou apoio governamental, fazendo uma Petição de Proteção ao Lar. A cada vez que falava, sentia-se mais segura e encantava o público, especialmente, porque falava com propriedade, pois era uma mãe lutando pelo futuro de seus filhos, expandindo a preocupação para a sociedade. Diante de um grupo de governantes apoiadores da indústria do álcool, principalmente por causa dos impostos, de maneira firme e direta Sarepta fez o discurso “Quanto vale um garoto?”, tema de sua palestra que se tornou notícia amplamente divulgada na imprensa.

Quando surgiu a vaga para lecionar em uma escola na vila onde residiam, Sarepta entendeu como providência divina, e por ali permaneceu dois anos até entender que voltar pra Illinois era o melhor a ser feito, pois teria uma rede de apoio formada por amigos enquanto continuava a trabalhar como professora. Com essa decisão, Sarepta pode voltar gradativamente à escrita de artigos e receber uma remuneração melhor. A escrita era onde ela se sentia confortável para expor suas ideias e conselhos. Motivada com a carreira que se firmava, escreveu o livro After the Truth. Com o sucesso das vendas, escrever livros se tornou a principal fonte de renda da família.

Os convites vinham de toda a parte, e as viagens eram longas. Devido à carga de trabalho, Sarepta enfrentou diversos problemas de saúde. Foi nesse contexto que ela se refugiou em Battle Creek, Michigan, para ser atendida na clínica dos adventistas do sétimo dia. Aquele foi o primeiro contato com os adventistas, e, encantada com os ensinamentos sobre saúde e outros temas, Sarepta decidiu estudar a Bíblia e foi batizada em 1896.

Enfrentando todos os desafios que a viuvez impunha, Sarepta era uma mãe amorosa e cuidadosa, por isso não demorou para notar diferenças no comportamento do filho caçula, Arthur, e descobrir que ele estava frequentando um bar.

Depois de curada e pronta para continuar seu trabalho em prol dos jovens e das famílias, Sarepta fez um plano de maior abrangência de temas e ações, estruturando o Ministério da Mulher.

O alcoolismo entre jovens era um grave problema, e Sarepta imediatamente começou um movimento de combate ao consumo de álcool, não apenas para salvar seu filho, mas todos que pudesse. Contatou as mães dos amigos de Arthur e logo expandiu os contatos para outras mulheres da sociedade, liderando uma ação que promovia os bons costumes em todo o país.

Naquele período, Ellen White estava na Austrália, mas as notícias sobre o movimento feminino da igreja chegou até ela, o que a deixou extremamente motivada. Imediatamente escreveu para Sarepta, incentivando-a a expandir as ações. 30


PROJETO

Ellen enviou também uma carta à liderança da igreja, reforçando a relevância do trabalho e o conselho de que isso fosse organizado e inserido na estrutura da denominação. Ao mesmo tempo, Ellen incentivou Sarepta a manter-se próxima da liderança da UTMC, fazendo chegar àquelas mulheres a mensagem do sábado. Por diversas vezes, Sarepta entregou folhetos sobre o tema. Algum tempo depois, Sarepta deixou a direção da UTMC para mobilizar as mulheres adventistas, a fim de que fossem atuantes em suas comunidades. Seu legado de publicações de poesias, artigos e livros marcou a vida de centenas de norte-americanos ao longo dos anos e a história da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Como Sarepta Myrenda Irish Henry, você pode ter um ministério que orienta a sociedade em situações que possam causar prejuízos a ela, encontrando também oportunidades para pregar sobre a volta de Jesus e outros assuntos bíblicos. Se você quer fundar um movimento de apoio social como uma ferramenta de evangelismo e reavivamento, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Estude sobre o tema a ser discutido em livros, na internet ou em cursos. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Palestras educativas em escolas, igrejas e centros comunitários. • Material didático como panfletos, vídeos e apresentações. • Parcerias com organizações não governamentais (ONGs), órgãos do governo e outras instituições.

• Impacto nas mídias locais como rádio, jornais e perfis nas redes sociais. • Envolvimento da comunidade. INOVAÇÃO

• Redes sociais - Para divulgação de campanhas e engajamento da comunidade local. • Google Docs - Para pesquisa das necessidades locais. • Plataformas de e-learning - Para oferecer cursos on-line.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.


Mulheres com o coração na missão

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ecidir ser missionária em outro país aos 50 anos não foi repentino, e sim a concretização de um desejo existente por anos. Lucy foi professora grande parte de sua vida, e, quando surgiu o chamado para a missão no Uruguai, ela não pensou duas vezes. Ela estava empolgada por ser a primeira adventista do sétimo dia a pisar no país.

Desde criança, Lucy sabia das dificuldades de adaptação em outros países por ser filha de europeus que imigraram para os Estados Unidos. Ela também se sentia pronta para as adversidades, lembrando que, aos sete anos, a família havia se mudado para uma região com disputas entre indígenas e colonizadores, tendo ela mesma sobrevivido a massacres por milagre. Lucy cresceu em uma família numerosa, sendo a 11º criança de 14 filhos. Aos 12 anos se tornou professora e era reconhecida por sua eficiência. Embora tenha encontrado vários pretendentes, nunca desejou se casar. Aos 35 anos, ouviu falar dos adventistas do sétimo dia e, dali em diante, a missão seria seu objetivo de vida. O primeiro passo foi frequentar uma escola de instrutores bíblicos, onde aprendeu profundamente a respeito das crenças adventistas e se preparou para ensinar a Bíblia. Lucy ainda se voluntariou para diversas campanhas evangelísticas, ocorridas em vários estados americanos. Por causa de sua liderança, Lucy foi escolhida para participar das sessões da Conferência Geral e rapidamente encontrou meios para se deslocar até Battle Creek. Acompanhando tudo com atenção, ela ficou encantada com os relatos missionários que ouviu e as apresentações dos locais onde a igreja deveria expandir, enviando missionários.

Lucy Post

Grande parte dos que partiam em missão eram casados, e Lucy não queria desistir por ser solteira. Desde que havia se tornado adventista, o desejo de compartilhar a mensagem ardia em seu coração. Quatro anos depois, quando participou pela segunda vez das reuniões da Conferência Geral, Lucy estava decidida a sair dali com um chamado. Quando houve a apresentação sobre os desafios na América do Sul, rapidamente se colocou em pé, afirmando que estava pronta para a missão. Ela soube que, caso fosse aceita, seria a primeira mulher missionária a seguir sozinha para essa parte do mundo.

1845-1937 • ESTADOS UNIDOS

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Naquela reunião, uma conversa rápida com Ellen White, que incentivou sua participação na missão, deixou-a ainda mais segura para isso. Parecia que Deus já havia direcionado esse chamado para ela, já que a família de um dos seus irmãos estava residindo no Uruguai havia pouco tempo.

Pelos próximos dois anos, Lucy continuou trabalhando no Uruguai antes de partir para Buenos Aires, onde se juntou aos outros missionários que ali estavam. Como ainda não sabia se comunicar em espanhol, Lucy foi designada para atuar com uma pessoa que falavam inglês, inclusive assumindo uma classe de Escola Sabatina em inglês. Durante a semana, Lucy realizava múltiplas atividades, como visitação a doentes, aulas de cuidados com a saúde e de culinária, distribuição de literatura e estudos bíblicos, e visitas a pessoas ricas da cidade pedindo ajuda aos pobres.

Um navio estava partindo em poucos dias para o Uruguai, e ela rapidamente comprou a passagem. O trajeto seria maior que o esperado, mas analisando os recursos disponíveis para a passagem e a demora para que outro navio fosse para o Uruguai, ela entendeu que esse “pequeno desvio no trajeto”, passando pela França não seria tão cansativo. Se ela já estava feliz por estar indo para a missão e ter conseguido comprar a passagem a tempo, mais feliz ainda ela estava em perceber que não sentia enjoo, ao contrário de grande parte dos passageiros.

Depois de oito anos atuando como missionária na América do Sul, Lucy retornou aos Estados Unidos, mas ainda não era sua aposentadoria da missão. Ela comprou um cavalo e uma charrete e visitava as pessoas que residiam próximas à propriedade que ela adquiriu. Em pouco tempo, 40 pessoas se tornaram adventistas, graças aos seus esforços.

Antes de embarcar, ela havia sido autorizada pela igreja a passar alguns dias com seu irmão, cunhada e sobrinhas. Lucy chegou em uma sexta-feira, e seu comportamento ao respeitar o sábado já provocou interesse pela Bíblia em menos de 24 horas naquele país.

Lucy Post faleceu aos 91 anos e sempre afirmou que os melhores anos na missão foram vividos na América do Sul.

Logo ela começou a estudar a Bíblia com a família, e, no terceiro sábado, todos já estavam adorando juntos em um culto em casa. Naquele mesmo sábado, dois deles decidiram ser batizados, mas ainda não havia pastor naquele país. Os vizinhos foram sendo chamados, e o número de participantes não parava de crescer. Como Lucy não falava espanhol, ela era traduzida pela sobrinha. Em pouco tempo, havia 12 pessoas convertidas ao adventismo, e a presença de Lucy por ali passou a incomodar o padre local. Lucy precisava ir embora, porque a licença para visitar a família havia terminado. Preocupada com o acompanhamento daquelas pessoas, ela escreveu uma carta ao pastor Frank Westphal, que estava na Argentina como coordenador da missão no continente sul-americano, e ele enviou um missionário suíço que o acompanhava junto com a notícia de que em breve haveria uma reunião da igreja na Argentina. Poucos meses depois, Lucy viajou para Buenos Aires, acompanhada de oito dos seus estudantes da Bíblia, e eles foram batizados como os primeiros frutos de seu trabalho. Ela se lembrou daquelas reuniões, quando ouvia os relatórios dos missionários, desejando se tornar uma, e agora estava ali vivenciando a oficialização da chegada do adventismo no Uruguai. 34


PROJETO Como Lucy Belinda Post, você pode ter um ministério tanto em sua região como fora dela, mesmo tendo mais idade ou sendo aposentada. Tome um tempo para visualizar as habilidades que têm e encontrar formas de aplicá-las em auxílio ao próximo. Se você quer viver ativa na missão, independentemente da idade, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos de voluntariado ou capacitação missionária oferecidos por organizações não governamentais (ONGs) ou pela igreja.

• Aprenda novos idiomas ou habilidades que podem ser úteis em missões locais ou internacionais.

• Busque cursos de liderança ou evangelismo. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Envolvimento em projetos locais de ajuda comunitária, como distribuição de alimentos, visitas a hospitais ou apoio a creches.

• Participação em viagens missionárias, colaborando com evangelismo ou serviços de apoio social.

• Organização de grupos de mulheres aposentadas para desenvolver trabalhos voluntários e missionários contínuos na comunidade.

• Produção de devocionais ou materiais evangelísticos para compartilhar em visitas missionárias ou com vizinhos.

• Colaboração com outros departamentos para levar conforto e esperança a lares de idosos, hospitais ou áreas rurais carentes.

• Criação de grupos permanentes de estudo bíblico e oração, fortalecendo a fé e incentivando a ação missionária.

• Utilização do estilo de vida adventista, especialmente alimentação e exercício, para atrair pessoas da mesma geração.

INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Duolingo - Para aprender um novo idioma e se preparar para missões internacionais. • WhatsApp ou Telegram - Para manter contato com grupos missionários e organizar atividades.

• Canva - Para criar materiais evangelísticos, devocionais e folhetos para distribuição. • Zoom ou Google Meet - Para organizar ou participar de reuniões missionárias de forma remota.


Mulheres com o coração na missão

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T

ragédias sequenciais marcaram a família dela desde antes de seu nascimento e durante sua infância e juventude. Filha de pioneiros adventistas, Maria cresceu envolvida em uma atmosfera de entusiasmo pelo futuro.

A irmã mais velha morreu um ano antes de Maria nascer, e, aos quatro anos, Maria presenciou o acidente que deixou sua mãe, Lucy, gravemente ferida. Enquanto voltavam para casa, após uma reunião com os sabatistas, Lucy caiu da carroça e perdeu a consciência. Rapidamente, os líderes da igreja correram à casa da família para orar por ela, e um milagre aconteceu: no dia seguinte ela acordou e não sentia dores. No ano seguinte, o irmão mais novo de Maria derrubou uma chaleira com água fervente sobre si e faleceu. Maria sentia-se culpada, porque ela havia colocado a chaleira sobre o fogão, e mesmo tendo implorado que o Senhor curasse o irmão, ele havia morrido. A família decidiu se mudar para o estado vizinho, onde o pai, que era fazendeiro, encontrou terras para trabalhar, um grupo de estudos da Bíblia e uma igreja para participar. Por seis anos, a família viveu momentos felizes, mas o pai de Maria morreu de forma repentina, deixando todos devastados. Quatro meses depois, a irmã mais nova de Maria faleceu. Ela tinha apenas 11 anos de idade. Todo o enredo de luto parecia ser duro demais para Maria e Lucy. Em 1870, elas decidiram vender a fazenda e se mudar novamente para um terceiro estado, onde amigos dariam suporte às duas nesse recomeço. Ambas ajudavam nas despesas de casa fazendo trabalhos de costura. Rapidamente Maria se envolveu nas atividades da igreja. Participava ativamente nos cultos e nas ações da Sociedade Missionária Vigilante, um grupo de mulheres que realizava ações como visitação a doentes e idosos, providenciar ajuda para famílias necessitadas e dar estudos bíblicos.

Maria Huntley

Sabendo que havia guardadores do sábado e interessados em regiões mais distantes, impossibilitados de participar dos cultos na igreja, um projeto para envio de folhetos era coordenado por essas mulheres missionárias. Por um tempo, Maria foi a secretária desse grupo, e, em pouco tempo, tornou-se responsável por treinar e coordenar as novas voluntárias.

1848-1890 • ESTADOS UNIDOS

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Um importante projeto surgiu nesse período. De forma individualizada, Maria e outras mulheres escreviam cartas para os membros afastados da igreja. Logo que a sede da igreja foi estabelecida, o trabalho se tornou oficial e Maria atuou como a primeira secretária da New England Tract and Missionary Society (Sociedade Missionária e de Tratados da Nova Inglaterra, em tradução livre).

Tão logo chegou à Califórnia, Maria implementou as estratégias que já tinha visto dar bons frutos em outras regiões e formou duas classes de missionários. De volta a Battle Creek, a tarefa foi organizar institutos de treinamentos intensivos, com carga horária diária e trimestral. Além disso, foi encarregada de produzir materiais de leitura para serem distribuídos nos navios em todo o país.

Com os bons resultados do trabalho, Maria estabeleceu um guia para que outras sociedades fossem abertas em outras partes do país, possibilitando não apenas o envio, mas uma real troca de correspondência e acompanhamento dos interessados.

Curiosamente, Maria também desenvolveu um projeto com crianças, formando pequenos missionários. Por meio de cartas e materiais que ela produziu, o projeto foi bem-sucedido. Apesar de ter uma carreira tão ativa, Maria tinha saúde frágil. Aos 41 anos, estava tão debilitada que ficou internada em estado crítico. Mas, logo que teve uma pequena melhora, fez um pedido para voltar ao trabalho, o que foi negado. A alternativa foi permitir que ela pudesse trabalhar em casa, tendo assistentes para ajudá-la. Ela dava cursos por correspondência, e seu impacto começou a produzir resultados em outros países, com a atração e formação de novos missionários.

Maria passou também a ser escritora das revistas Review and Herald e The True Missionary. Os textos eram tão bons que a revista Signs of the Times os republicava em suas edições. Os relatórios que mostravam o impacto da sociedade liderada por Maria fizeram com que a Associação Geral a oficializasse como ministério. Entretanto, parecia que o trabalho não avançava em outros lugares, mesmo com as orientações de Maria. Assim, ela foi chamada para trabalhar em Battle Creek e criar estratégias que fizessem a sociedade expandir em outras partes.

Quieta, trabalhadora e abnegada, sem buscar créditos por seus esforços e resultados, seu objetivo era ver o trabalho concluído. Foi assim que os colegas de Maria a descreveram em seu funeral. A mãe dela não pôde comparecer à cerimônia, devido a distância e à idade para uma viagem tão longa.

Com o objetivo de alcançar bons resultados, Maria assumiu a visitação e os treinamentos presenciais. As viagens eram cansativas e longas, mas estava determinada a criar sociedades e melhorar as existentes. Rapidamente, ela transformou a sociedade em Battle Creek em um polo modelo, que contava com a participação de estudantes do colégio sob sua liderança.

Os resultados do trabalho de Maria se tornaram ainda mais evidentes após seu funeral, com a dificuldade de encontrar alguém capaz de responder a tantas cartas que chegavam e substituí-la em suas inúmeras atribuições.

Ao mesmo tempo, com o fortalecimento da igreja e a abertura de novas frentes missionárias, Maria foi assumindo novas funções na Associação Geral. Ela era intimamente interessada em assuntos relacionados à saúde, alimentação e higiene. Seus artigos também abordavam o tema, e, por essa razão, ela foi nomeada como colaboradora do Dr. John Kellog. Quando uma escola para missionários surgiu em Lancaster, Massachusetts, Estados Unidos, Maria decidiu voltar para também estar mais próxima da mãe e se tornou uma das instrutoras de aulas missionárias e, na igreja local, uma promotora dos sermões sobre missão, realizados todos os meses. Nesse período, Maria também voltou a estudar. Periodicamente, ela recebia cartas de Ellen White pedindo que assumisse o trabalho na Califórnia ou mesmo na Associação Geral, mas ela sentia que precisava de um tempo antes para cuidar da própria saúde. 38


PROJETO Como Maria L. Huntley, você pode ter um ministério que usa o envio de correspondências com conteúdo espiritual e de outras áreas para alcançar pessoas. A conexão com as pessoas pode ser também pelos meios digitais. Se você quer usar a escrita e cartas como uma ferramenta de evangelismo, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos sobre escrita criativa e comunicação eficaz. • Desenvolva suas habilidades de redação com foco em mensagens de esperança e temas bíblicos.

• Aprenda a utilizar ferramentas digitais para expandir o alcance da sua correspondência. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Envio de cartas espirituais para membros da igreja, familiares e amigos, contendo devocionais e palavras de encorajamento.

• Produção de newsletters ou boletins digitais para compartilhar temas bíblicos e reflexões com um público mais amplo.

• Criação de grupos de correspondência, nos quais membros da igreja podem se conectar e compartilhar cartas de apoio espiritual.

• Distribuição de materiais impressos, como folhetos evangelísticos e estudos bíblicos, por meio do correio ou pessoalmente.

• Parceria com ministérios da igreja para criar uma rede de envio de cartas e e-mails missionários.

• Formação de grupos permanentes de escrita, incentivando a criação e o envio contínuo de conteúdos evangelísticos e devocionais.

INOVAÇÃO

• Mailchimp ou Substack - Para criar newsletters e boletins digitais com conteúdo espiritual. • WhatsApp ou Telegram - Para formar grupos de correspondência virtual e compartilhar mensagens de esperança.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Canva - Para criar cartas e e-mails com design atrativo, tanto no formato impresso quanto digital.

• Zoom ou Google Meet - Para organizar encontros de escrita e treinamento de missionários virtuais.


Mulheres com o coração na missão

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uvir os apelos para que pessoas se voluntariassem para serem missionários na América do Sul, durante as reuniões da Conferência Geral, fez ecoar na memória de Mary os sentimentos que tinha desde garotinha, ao ver o pai como um pregador e sonhar em ser uma missionária. Realizar esse sonho não era possível no momento porque ela tinha acabado de dar à luz a segunda filha do casal, e uma mudança tão drástica não seria viável.

No entanto, quando ouviram a leitura de uma carta solicitando a presença de missionários que falassem alemão, na Améria do Sul, já que muitos imigrantes estavam sendo alcançados pela mensagem recebida por meio da literatura, os olhares de Mary e do marido, o pastor Frank, se cruzaram e não havia mais nenhuma dúvida: eles seriam o primeiro casal ministerial na região e migrariam imediatamente. Na bagagem, além de poucas roupas e alguns livros, a família Westphal levava experiência de trabalho oficial para a igreja. Mary havia estudado no Colégio de Battle Creek e trabalhado como secretária na Associação em Wisconsin, Estados Unidos. Ali, havia conhecido o pastor Franklin, um alemão que havia migrado para os Estados Unidos aos 13 anos. Não havia previsão de um navio para a América do Sul nos próximos meses. Por isso, o casal e os filhos, Charles e Helen, embarcaram em um navio com destino à Inglaterra para depois embarcar em outro com destino à Argentina. A primeira parada aconteceu no Brasil, onde William Thurston, irmão de Mary, desembarcou. Ele também havia atendido ao apelo de ser missionário na América do Sul. Ao chegarem a Buenos Aires e acomodar a família em uma casa, Frank saiu em viagem para conhecer a região e as pessoas que estavam aguardando a chegada de um pastor para serem batizadas. Não era possível acompanhá-lo na viagem, que seria bastante longa, então Mary orava pelo esposo.

Mary Westphal 1860-1931 • ESTADOS UNIDOS

Em uma das viagens realizadas pelo marido, Mary percebeu que o corpo de Helen, que acabara de completar 18 meses, apresentava algumas manchas vermelhas. Logo notou que a febre, cada vez mais alta, era preocupante e, contando com a ajuda de um casal vizinho que acabara de conhecer, Helen recebeu o diagnóstico de sarampo. 41


Frank havia feito um cronograma de viagens, e Mary escrevia cartas para os locais onde o marido passaria, na esperança de que ele pudesse retornar o quanto antes para auxiliá-la nos cuidados com a menina. Logo, Charles também começou a ficar febril, e Mary precisou se desdobrar nos cuidados com os dois filhos.

Em uma das viagens acompanhando o marido, Mary registrou uma espécie de diário, contando suas impressões a respeito das pessoas que conheceu em Crespo. A pobreza local chamava a atenção, mas ela destacava a alegria de ver as crianças cantando os hinos que ela ensinava a eles. Por onde passava, Frank comandava campanhas evangelísticas, e as notícias do Uruguai também eram animadoras. Enquanto isso, Mary comandava e promovia classes da Escolas Sabatina, uma importante forma de pregar a cada sábado. Para potencializar ainda mais o trabalho, dois projetos foram criados: uma revista mensal com notícias da missão, chamada El Faro, e a abertura de uma escola missionária para capacitar os recém-conversos que estavam ansiosos para pregar.

Em alguns dias, Helen faleceu, e Mary precisou lidar sozinha com os detalhes do sepultamento da própria filha. Charles, felizmente, se recuperou. Vários dias depois, em meio a um abraço cheio de lágrimas, Mary contou ao marido o que acontecera. Ele não havia recebido nenhuma das cartas. A morte da filha em um campo missionário poderia desanimá-los, mas, ao contrário, Mary decidiu manter o plano de apoiar o ministério do esposo. Entre outras coisas, ela era responsável por enviar informes sobre o avanço da missão para a sede da igreja, o que era importante para que mais apoio fosse enviado e para a escrita da história da Igreja Adventista na região.

Em 1901, logo depois de seu terceiro filho nascer, Frank pediu um afastamento temporário do Campo, retornando aos Estados Unidos por questões de saúde. Durante os três anos que ali permaneceram, o casal teve mais uma filha, Ruth, e, quando retornaram à América do Sul, se estabeleceram no Chile.

Mary noticiou a primeira semana de oração organizada, que reuniu colportores e outros missionários voluntários pela primeira vez. Eles trabalhavam em diversos pontos do país, e aquele encontro foi importante para o fortalecimento do trabalho. No mesmo informe, Mary animadamente escreveu como 13 pessoas haviam sido batizadas. Logo que chegaram já haviam estabelecido a primeira Igreja Adventista na América do Sul, e a missão avançava rapidamente.

A mesma estratégia foi implementada, com Mary cuidando da família e das áreas de Escola Sabatina e tesouraria da igreja, atendendo também a Bolívia, o Peru e o Equador. Como sempre fazia, Mary se dedicava a escrever notícias e artigos para a Revista Adventista. Mary era uma mãe amorosa e focada em formar missionários. Desde o nascimento da caçula Grace, passou a pensar na necessidade de ter as lições da Escola Sabatina sendo ensinadas de maneira diferente para as crianças. Assim, ela se dedicou a produzir diversos materiais de suporte e de orientação prática para professores de crianças.

Ainda naquele ano, Frank foi eleito presidente da Missão da igreja, que abrangia Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Enquanto o marido estava no Campo, Mary assumia os trabalhos burocráticos e financeiros da missão, sendo tesoureira. Quando a viagem era mais curta, Mary o acompanhava; porém, a maioria delas durava meses. Ao retornar para Buenos Aires, Frank compartilhava o que havia acontecido, para que a igreja fosse informada sobre os 30 fiéis em Santa Catarina, por exemplo. Mary amava escrever sobre os desafios e as soluções encontradas para que as pessoas fossem batizadas.

Quando os filhos se tornaram mais independentes, Mary passou a dedicar mais tempo à missão, sendo nomeada responsável pela atividade missionária da igreja em toda a América do Sul. O acesso a uma educação cristã de qualidade era outro tema que recebia um olhar especial dela, e, por isso, Mary abriu uma escola para ensino de matemática, história, música, inglês e alemão.

Em Gaspar Alto, Santa Catarina, Frank havia enfrentado ameaças do padre da paróquia local a quem alugasse espaço para a igreja, por isso, o culto, a santa ceia e os batismos aconteceram à beira de um rio. Naquele retorno de viagem, Frank contou também sobre os avanços da mensagem no Rio de Janeiro, o que deixou Mary feliz e orgulhosa, pois eram notícias do trabalho de seu irmão, Wiliam.

Com o passar dos anos, Mary começou a sentir os efeitos do trabalho intenso. A carga física e emocional de liderar uma igreja e apoiar o trabalho do esposo estavam impactando sua saúde. Depois de conversar com o esposo, eles decidiram regressar aos Estados Unidos. Charles, que havia se tornado médico, decidiu ficar na América do Sul, local que ele havia aprendido a amar. Embora nunca tenha recuperado a saúde, Mary dedicou seus últimos anos a ensinar 42


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espanhol, desejando preparar missionários que atuassem nos países latinos. Ela fazia questão de dizer que, se pudesse, ela voltaria à missão. Em 1931, Mary faleceu, deixando um legado na área educacional e na Escola Sabatina para crianças, além de muitos registros históricos sobre o avanço da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul. A primeira escola missionária estabelecida pelos Westphal na Argentina se tornou a atual Universidade Adventista del Plata.

Como Mary Thurston Westphal, você pode ter um ministério que dá suporte à liderança ministerial de seu esposo, sendo ele pastor ou um líder voluntário. Você pode ainda registrar os avanços do trabalho para que sirvam de motivação a outros líderes. Se você quer atuar como apoiadora e divulgadora da área ministerial, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Familiarize-se com métodos de documentação, como diários de bordo ou relatórios, para acompanhar o progresso do ministério.

• Invista em leituras, cursos ou workshops que abordem o apoio à dinâmica do trabalho missionário.

• Participe de treinamentos de storytelling e escrita criativa. • Aprenda sobre outros formatos e meios de comunicação: áudio, vídeo, arte gráfica e redes sociais.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Elaboração de relatórios e notícias com registros dos avanços do ministério, com enfoque em dados e histórias.

• Desenvolvimento de materiais digitais ou físicos com linguagem atrativa. • Criação de vídeos e áudios com relatórios e entrevistas. • Criação de rede de apoio e mentoria para esposas, incentivando trocas de experiências e formação de grupos de oração pelas famílias de líderes.

INOVAÇÃO

• Canva - Para criar gráficos e publicações inspiradoras com atrativos visuais e editar áudios e vídeos.

• Google Sites, Google Forms e Google Sheets - Para organizar os registros e materiais, criar questionários e analisar dados.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Anchor - Para gravar pequenos áudios ou podcasts. • Telegram ou WhatsApp - Para o grupo de apoio virtual. • Audacity - Para edição de áudio e criação de podcasts. • WeTransfer ou Google Drive - Para envio de arquivos. • Redes sociais - Para a rede de apoio e interação.


Mulheres com o coração na missão

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A

na conheceu o marido, Ferdinand quando ele foi almoçar no restaurante em que trabalhava. Poucos anos depois, fizeram amizade com um casal adventista que estava prestes a embarcar em missão para a China.

Enquanto aprendiam sobre a Bíblia e sentiam o desejo de compartilhar aquele aprendizado com outras pessoas, Ana e Ferdinand pensavam ser necessária muita coragem para deixar tudo para trás. Ana também tinha muita curiosidade sobre como era estar em um local com pessoas e cultura tão diferentes. Ana não sabia, mas aquele período como garçonete já era parte importante da preparação para a missão que ela e o esposo desempenhariam anos depois. Depois de batizados, Ferdinand entendeu que deveria deixar a vida no campo e cursar enfermagem em um curso preparatório para missionários. Ana também quis estudar e, por ter uma filha, só foi aceita posteriormente. Depois de formados, aceitaram o desafio de cuidar de uma pequena clínica adventista em Ohio, Estados Unidos. Com o trabalho do casal ali, a clínica se tornou um centro de saúde, e Ana e Ferdinand puderam comprar uma casa, um avanço importante para a família que agora tinha duas crianças. Ana estava feliz, mas pensava que deveriam trabalhar no exterior, principalmente quando acompanhou as sessões da Conferência Geral e ouviu falar sobre missão. Como esse era um assunto que a família já tinha conversado anteriormente, Ana apresentou como eles escolheriam o local para ir com base em duas informações: o lugar mais difícil e com mais desafios. Como resposta, eles foram indicados para a missão na Bolívia. Os líderes da igreja não sabiam, mas os Stahl já haviam comparecido para aquela reunião com as malas prontas. Já haviam vendido a casa e estavam prontos para partir imediatamente. E estavam também cientes de que toda a viagem seria custeada pela família.

Ana Stahl

O casal, os filhos e sete baús foram embarcados em um navio que deixou Nova York com destino ao porto de Mollendo, no Peru. A primeira etapa da viagem demorou 20 dias, mas ainda era preciso chegar a La Paz, Bolívia, e para isso a família embarcou em um trem.

1870-1968 • SUÉCIA

Estar a caminho da missão era emocionante, e a euforia causava efeitos físicos, mas nada comparado ao que sentiram quando desembarcaram: 45


náusea, fadiga, dor de cabeça – eram os sintomas da altitude que eles deveriam se acostumar.

As demandas eram intensas. Ana trabalhava na sede da igreja para estar mais perto dos filhos, e Ferdinand realizava longas viagens e missões no interior. A vida em missão havia iniciado há cerca de três anos e novos missionários haviam chegado, mas Ana sentia que não podia parar. Já Ferdinand enfrentava situações perigosas, sofrendo violência, perseguição e ameaça de morte.

Quando Ana caminhou pela primeira vez pelas ruas, as pessoas que por ali circulavam prestavam atenção nela, afinal, a aparência deles era muito diferente. Havia muitos indígenas na região, mas Ana viu mais que isso: muita pobreza, alcoolismo e violência. Eles eram vítimas de abusos praticados por pessoas brancas, fazendeiros e até sacerdotes.

Até que a febre tifoide a parou e a doença quase levou Ana à morte. Os médicos declararam o caso sem esperança, e Chambi cuidou dela, fazendo os tratamentos que conhecia pelo convívio com o casal, até que o esposo estivesse de volta. Quando Ferdinand chegou, Ana já estava pronta e desejando segui-lo na próxima viagem.

Ana decidiu que era preciso se misturar àquelas pessoas para ganhar a confiança delas. Logo ela passou a auxiliar as indígenas no parto e a cuidar da saúde das crianças, sendo chamada de Mamãe. Dessa forma, a outra parte do trabalho realizada por Ferdinand (a quem eles passaram a chamar de Fernando) teve mais sucesso.

Durante o trajeto foram cercados por uma multidão furiosa, atacandoos com porretes, gritando ameaças de que Ferdinand seria morto em breve. Calmamente, Ana disse que todos ali morreriam antes do marido, e aquela fala corajosa e segura parece ter acalmado os ânimos, pois a manifestação parou imediatamente.

Estando na Bolívia, Ana compreendeu que o conhecimento obtido como garçonete, lidando com pessoas da alta sociedade, seria útil na ideia de se relacionar com pessoas de influência para favorecer o trabalho com as famílias que ela ajudava.

Os missionários que chegavam à América do Sul enviavam elogios sobre o trabalho de Ana. Durante uma sessão da Conferência Geral, eles apresentaram um relatório mostrando que naquela data havia na Bolívia mais de 5 mil membros, 78 escolas, 3.700 alunos e mais de 100 professores locais. Eles foram aplaudidos entusiasticamente.

Em um desses contatos, Ana se tornou uma pessoa de confiança da família do embaixador americano na Bolívia e providenciou tratamento para a filha dele em Battle Creek. Como eles pediram que ela os acompanhasse, Ana aproveitou a oportunidade para relatar os avanços e as necessidades da missão na Bolívia e pedir ajuda. Ela foi atendida com o envio de mais uma missionária. A viagem de retorno era longa, e Ana não deixava passar um minuto sem falar de Jesus, distribuindo folhetos para todos os viajantes.

Simultaneamente, Ana e Ferdinand realizavam o mesmo trabalho no território peruano, depois de lutarem para obter a autorização de trabalhar naquele país. O bom relacionamento com pessoas influentes, um talento de Ana, foi importante nessa etapa.

Ana e o marido eram versáteis na missão: começaram com atendimento em saúde, mas aconselhavam sobre agricultura, saneamento, educação e, claro, a Bíblia. Ao mesmo tempo eram capazes de obter ajuda governamental, solidificando o trabalho que desenvolviam.

Ana também sofreu com a malária, e os sintomas foram tão intensos que ela escolheu um local para seu sepultamento. Ferdinand estava fora, mas a tempo de buscar tratamento em um hospital para a esposa. Ana melhorou, mas as sequelas da doença permaneceram para o resto da vida.

Novos missionários começavam a chegar ao país, e Ana era responsável por capacitá-los. O primeiro dos temas era a altitude da montanha, porque mesmo morando ali por anos, Ana ainda não deixava de sentir os efeitos.

Sempre que voltavam aos Estados Unidos, eram convidados a palestrar e aproveitavam para coletar doações para a missão na Bolívia e no Peru. Com os recursos, compraram locais para estabelecer instituições da missão e um barco a vapor, sendo uma ferramenta importante para reduzir o tempo das viagens.

O primeiro nativo a se tornar adventista, Chambi, ajudou muito no estabelecimento das diversas frentes da missão, como a sede e a escola. Os batizados eram convidados a ajudar na ampliação dos espaços, transportando madeira e outros materiais necessários para a obra.

Com a Segunda Guerra Mundial em curso, a família retornou aos Estados Unidos. Em 1950, Ferdinand faleceu, e Ana continuou palestrando nas reuniões 46


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da igreja sobre a missão que ela tanto amou. Em 1968, Ana faleceu. Atualmente, ela dá nome a um hospital e uma clínica no Peru e tem sua história retratada em livros e canções.

Como Ana Cristina Stahl, você pode ter um ministério que capacita missionários para pregarem a mais pessoas sobre a volta de Jesus, de forma presencial ou virtual. Se você quer usar a inspiração para a missão como uma ferramenta para potencializar a pregação, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos missionários que abordam técnicas de pregação, ensino e evangelismo.

• Aprenda sobre o uso de plataformas digitais para evangelismo virtual e alcance global. • Engaje-se em cursos de missiologia e estratégias de pregação para diferentes culturas. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Evento para apresentar os desafios da missão e as histórias de missionários. • Treinamento de missionários locais e virtuais, capacitando-os a levar a mensagem da volta de Jesus a diferentes contextos.

• Organização de viagens missionárias para áreas carentes de evangelismo, tanto no país quanto no exterior.

• Criação de grupos missionários virtuais que atuem por meio de redes sociais e plataformas de vídeo.

• Produção de materiais evangelísticos, como guias de estudo bíblico e vídeos devocionais para distribuição presencial e on-line.

• Formação de equipes permanentes que se dediquem à pregação e ao discipulado, tanto local quanto globalmente.

INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• YouTube ou Facebook Live - Para realizar pregações e estudos bíblicos virtuais ao vivo. • WhatsApp ou Telegram - Para formar grupos de estudo bíblico e discipulado a distância. • Google Meet ou Zoom - Para organizar treinamentos missionários. • Canva ou Adobe Spark - Para criar materiais visuais que reforcem o conteúdo missionário.


Mulheres com o coração na missão

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F

ilha de pai branco e de mãe mestiça, descendente de escravos, a menina não conseguia entender porque não podia frequentar a escola. Os primos por parte de pai iam, e todas as crianças do lado da mãe não podiam. Os pais de Anna tentaram fazer a matrícula, mas esta foi negada. De longe, ela admirava os primos utilizando os livros e desejava aprender a ler também.

Anna teve uma ideia. E se ela ajudasse os primos a realizarem as tarefas que os pais deles ordenavam e em troca eles a ensinassem a ler? Assim fizeram, mas o tempo era pouco para o tanto que ela gostaria. Por isso, sempre corria para a beira do riacho, a fim de fazer as atividades e fixar o que havia aprendido. Primeiro, ela alisava um pedaço da areia da margem, depois pegava um galho de árvore e começava a praticar as letras, as palavras e assim por diante. Com 14 anos, Anna já sabia o suficiente para ensinar e começou a juntar as crianças locais que também não podiam ir à escola. Pintou tábuas com fuligem para ser a lousa e usava um pedaço do calcário do leito do riacho como giz. Ouvir as crianças soletrando o alfabeto era como música aos ouvidos dela. A vila onde Anna morava não ficava próxima a nenhuma cidade grande, e, por essa razão, a presença de um vendedor de assinaturas de revistas na casa dela foi um grande evento. A assinatura custava 1 dólar, e a mãe dela, com muito esforço, fez a aquisição, afinal, ela mesma nunca havia aprendido a ler e estava feliz de ver a filha realizando esse sonho. Em 1891, revistas produzidas pelos adventistas começaram a chegar na casa da família. Ela não sabia, mas a ideia fazia parte de um projeto de um grupo de jovens que enviava materiais novos e usados por correio para pessoas que eles não conheciam. Logo, uma troca de correspondência entre Anna e Embree, a doadora, tornou-se um estudo da Bíblia por correspondência e a decisão de ser batizada.

Anna Knight 1874-1972 • ESTADOS UNIDOS

A igreja mais próxima dali ficava a cerca de 200 quilômetros, e Embree fez contato com um casal de adventistas para receber Anna e assim poder ser batizada. Os pais de Anna ficaram preocupados, pensando ser perigoso viajar sozinha para encontrar desconhecidos, mas ela estava decidida: usou as economias que conseguiu na colheita de algodão e 49


chegou a tempo do dia do batismo, em um dia frio e chuvoso, no encerramento de uma semana de oração.

O trabalho de Anna era acompanhado com muito orgulho por seus amigos de Battle Creek, e eles fizeram uma arrecadação de recursos para construir uma nova escola. Agora era possível ensinar 24 alunos. Além das aulas regulares, Anna ensinava sobre a Bíblia, falando a respeito de hábitos saudáveis e, especialmente, dos perigos do consumo de álcool.

A história de coragem de Anna comoveu os novos amigos, que se empenharam para que ela conseguisse estudar na escola adventista, mas como o país enfrentava um período de segregação racial, os pais de outros alunos protestaram, impedindo-a de estudar ali. A diretora a manteve em sua casa, ensinando-a individualmente, mas assim que o ano letivo terminou, a garota decidiu voltar para casa.

Como as pessoas começaram a reduzir ou até eliminar o consumo de bebidas alcoólicas, a presença de Anna enfureceu os donos de bar, que viram seus lucros caírem dia após dia. Mesmo com ameaças e assédios, ela não desistia. No entanto, começou a andar armada com um revólver para se defender.

Anna já não era mais a mesma pessoa, e seu novo estilo de vida e crenças não foi aceito pela família. Eles também não estavam interessados em compreender o que ela havia aprendido, e os conflitos constantes tornaram insustentável sua presença ali. Anna trabalhou intensamente durante um ano na lavoura para ter dinheiro suficiente para voltar ao Tennessee, Estados Unidos, onde seus amigos adventistas estavam.

No período de férias escolares, Anna foi chamada para ministrar um curso de verão na escola onde os pais de outros estudantes a haviam impedido de se matricular. A aluna perseguida voltava como professora. Em 1901, Anna foi escolhida para ser missionária na Índia, o que a deixou interessada e ao mesmo tempo preocupada com a escola que liderava no Mississipi. Ao saber que um casal de amigos estava pronto a dar continuidade ao programa, ela embarcou, levando consigo o título de primeira missionária afro-americana enviada pelos adventistas do sétimo dia.

Como as famílias naquela região ainda tinham comportamentos racistas, os amigos buscaram oportunidades de estudos em outra escola adventista, e poucos meses depois, com a resposta positiva em mãos, Anna seguiu para Ohio a fim de estudar e trabalhar na cozinha.

Inicialmente Anna trabalhou como enfermeira em um hospital em Calcutá, mas logo foi apresentada a outras necessidades da missão e se disponibilizou a trabalhar em variadas áreas: uma escola, um orfanato e uma gráfica, atuando como contadora, professora, enfermeira e ajudante. Ao perceber que a nutrição dos estudantes era um ponto a ser melhorado, criou um programa para que os alunos cultivassem vegetais em uma horta, a fim de serem adicionados às refeições.

As habilidades de Anna na culinária encantaram desde o primeiro dia. Embora ela estivesse ainda aprendendo sobre a alimentação consumida pelos adventistas, ela estava interessada em preparar pratos saudáveis. Logo duas missionárias se dispuseram a ajudá-la. Quando conheceram mais a fundo a história de Anna e seu desejo intenso de estudar, as novas amigas a incentivaram a cursar Enfermagem para servir a Deus como missionária, assim como elas faziam. Elas rapidamente tomaram essa ideia como um desafio. Juntas, as três moças começaram a escrever cartas para o Sanatório de Battle Creek, onde havia um curso na área. Primeiro, Anna foi aceita no curso preparatório na escola industrial e, um ano depois, iniciava a sua graduação na área de enfermagem.

Por seis anos, Anna trabalhou em diversas partes da Índia, respeitando a cultura e se esforçando para se comunicar com as pessoas na língua local. Um dia, Anna recebeu notícias de sua terra natal que a deixaram preocupada: os contrabandistas de bebidas alcoólicas mostraram toda sua ira, colocando em práticas as ameaças feitas por anos. Eles colocaram fogo na escola, expulsando o casal de missionários que a substituía ali, e a escola foi fechada. Mesmo à distância, ela buscou soluções: pediu à Associação Geral que concedesse uma licença e já anunciou aos alunos que a escola teria as atividades retomadas assim que ela conseguisse retornar ao país.

Depois de formada, Anna foi enviada ao seu estado natal, em uma missão patrocinada por uma organização com o objetivo de abrir uma escola em uma localidade próxima de onde havia crescido. O espaço disponível era uma cabana de madeira, mas ela tinha tudo o que precisava: um imenso desejo de ensinar, livros e outros materiais escolares, enviados por seus amigos. Doze alunos foram matriculados, e a maioria destes eram parentes de Anna, que estavam impedidos de estudar em escolas regulares por causa de sua origem.

Com uma licença de dois anos aprovada, ela embarcou imediatamente para os Estados Unidos e começou seu plano de reconstrução da escola. Naquela 50


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época, a irmã de Anna já tinha condições de ajudá-la na sala de aula, e ela estava pronta para abrir as portas de novo daquele espaço que mudava a vida de tantas pessoas. Ao verem o esforço de Anna, várias pessoas da comunidade se uniram a ela na reconstrução, e ela passou a dividir seu tempo entre a escola e o trabalho como obreira bíblica. Logo, a irmã de Anna estava pronta para assumir a escola sozinha. Nos anos seguintes, as experiências de Anna em várias áreas a levaram a trabalhar em diversas partes dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, ela era constantemente convidada para fazer palestras em faculdades para os negros e todo o seu trabalho a colocou em destaque na sociedade e com instituições bem estabelecidas, apoiando ações como cursos de enfermagem, culinária saudável, higiene, etc. Anna chegou a fazer 500 apresentações em um ano, baseando todo o seu conhecimento nos ensinamentos bíblicos. Por décadas, Anna serviu a igreja oficialmente, até se aposentar aos 70 anos. Naquele ano, 34 escolas estavam sob supervisão da menina que tinha um sonho: estar em uma sala de aula. Como se não acreditasse em tudo o que era capaz de fazer, ao longo de toda sua vida catalogou o número de apresentações, as visitas missionárias, as cartas escritas e até os quilômetros percorridos.

Como Rachel “Anna” Knight, você pode ter um ministério que usa a alfabetização para ajudar pessoas a se desenvolverem e a lerem a Bíblia. Se você quer ensinar a leitura e a escrita como ferramenta de apoio social e de evangelismo, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos e treinamentos voltados para alfabetização de adultos e crianças. • Faça cursos sobre pedagogia e alfabetização (há cursos gratuitos, disponíveis em plataformas como Coursera e Khan Academy).

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Grupos de alfabetização na igreja ou na comunidade, utilizando a Bíblia como base para o aprendizado.

• Aulas de leitura e escrita em comunidades carentes, conectando o aprendizado com temas bíblicos e de crescimento pessoal.

• Parcerias com escolas e centros comunitários para ampliar o alcance. • Criação e distribuição de materiais didáticos simples com histórias bíblicas, visando facilitar o aprendizado.

• Devocionais escritos em linguagem simples para ajudar no desenvolvimento dos alunos. • Uso de ferramentas bíblicas, como guias de estudo e programas de leitura da Bíblia, para promover o hábito de leitura entre os alunos.

INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Duolingo ou Khan Academy - Para promover a interação no aprendizado. • Google Classroom ou WhatsApp - Para organizar aulas e atividades. • Canva - Para criar materiais visuais simples que facilitem o aprendizado. • YouTube - Para encontrar tutoriais e vídeos de alfabetização com conteúdo bíblico.


Mulheres com o coração na missão

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ma coceira nos olhos, a visão um pouco turva e os sintomas piorando dia após dia. Em poucas semanas, a adolescente Aiko Araki ficou completamente cega, e os médicos não tinham um diagnóstico. Era desesperador não entender as razões ou soluções, sendo tão jovem e tudo acontecendo de forma tão rápida.

Como grande parte da população do Japão, Aiko era xintoísta e acreditava que realizar alguns atos de gratidão, ação chamada hinokishin, traria a visão de volta. Então ela começou a ajudar mais as pessoas e, não notando melhora, passou a pensar que talvez o problema fosse mesmo algo espiritualmente mais forte. Assim, a família decidiu renunciar a todas as posses, doando tudo para os mais necessitados, para que Ai, como era chamada, voltasse a enxergar. Mesmo assim, ela continuava cega. Ai sofria por não compreender a razão de não ter obtido resultado nos atos de gratidão, quando alguém lhe disse que ela deveria experimentar outra técnica, chamada tanno, que significa lidar com uma situação triste de forma alegre. Parecia um pouco superficial simplesmente acreditar que, de uma hora para outra, ela deveria olhar para o sofrimento e genuinamente se sentir alegre. Aiko tentou, mas não conseguia encontrar a paz. Não havia outra coisa a fazer a não ser continuar vivendo, mesmo com dificuldade nas ações básicas e na locomoção, a questão mais complexa, já que ela era uma jovem que gostava de passear e sair de casa para conversar com as pessoas. Agora, cega, ela dependia de ajuda para sair até do próprio quarto. Aos poucos, conforme foi ganhando autonomia e aprendendo a se guiar por outros sentidos, Ai começou a se sentir mais animada e confiante. Como a família havia usado todas as economias buscando a cura para ela, Aiko decidiu que era preciso trabalhar para ajudar no sustento da casa. Era comum que pessoas cegas se dedicassem à massoterapia, uma técnica de massagem muito comum no Japão. Por isso, ela se matriculou em uma escola especializada em deficientes visuais.

Aiko Araki 1890-1982 • JAPÃO

Ela gostou das aulas, se sentia útil e poderia ter uma boa carreira. Sempre que chegava em casa, após as aulas, dizia que seria a melhor massoterapeuta da região, e não era raro que membros da família fossem convidados para ajudá-la a treinar a técnica. 53


Pouco depois de completar 20 anos, Aiko conheceu um jovem, e eles decidiram se casar. Eles tiveram um filho juntos, e, não muito tempo depois, seu marido faleceu, vítima de tuberculose. Naquela época, a doença não tinha cura. Ai havia se tornado uma mãe cega e viúva que buscava respostas para isso em sua fé.

Os adventistas eram o grupo mais vigiado por ser uma importação americana. Especialmente após um pacto político chamado Aliança do Eixo, os missionários norte-americanos eram malvistos. Em 1941, com o aumento das tensões que colocavam em risco os pastores e outros obreiros adventistas, a Associação Geral retirou todos os oficiais, o que colocou em pausa a presença oficial da igreja no país.

Em 1914, a Primeira Guerra Mundial começou, e as notícias da guerra chegavam com frequência. Um dia, ao se aproximar de um burburinho que acontecia na rua para entender do que as pessoas estavam falando, Ai encontrou Hide Kuniya, um ex-soldado japonês que havia se tornado pastor adventista.

Aiko continuava falando de Jesus, porém de forma mais comedida e cuidadosa. A mensagem da volta de Jesus contrariava o interesse governamental de que as pessoas continuassem a cultuar o imperador, e os adventistas sabiam que essa questão poderia prejudicá-los.

Havia pouquíssimo tempo que os primeiros missionários ingleses haviam chegado ao país, mas Hide já havia se tornado cristão antes, quando esteve em missão na China. Ao retornar ao Japão, ele havia participado de uma série de estudos bíblicos dos adventistas e sido batizado.

Em 1943, tendo sido avisado de que os adventistas continuavam com suas atividades missionárias, o governo emitiu ordens de prisão contra 42 líderes adventistas japoneses. Para eles, esse era um golpe fatal e final para desestabilizar o avanço da mensagem adventista, que já contava com 1.300 fiéis. Ai foi interrogada por horas e, por ser cega, foi liberada, contanto que não falasse sobre Jesus, e teve sua Bíblia confiscada.

Rapidamente Hide e Aiko se tornaram amigos. Ai teve grande interesse em conhecer uma religião da qual nunca havia escutado, e Hide não só falou quem era Jesus como ministrou estudos bíblicos. Ao final, Aiko decidiu ser batizada. Ela tinha 26 anos quando foi convidada para trabalhar como instrutora bíblica da igreja.

A Segunda Guerra Mundial avançava. A casa de Ai foi destruída nos ataques, e os amigos da igreja estavam desesperados, sem saber o que fazer. Os pastores estavam presos, e eles não tinham a quem recorrer. Assim, Aiko se tornou uma líder para eles. Eram 40 pessoas diariamente sendo amparadas e motivadas por ela, que também enfrentava seus medos, mas escolhia a cada dia confiar que Deus estava cuidando deles.

Como não conseguia ler, Ai idealizou uma maneira de apresentar a mensagem, começando pelos vizinhos. Ela ia até a casa deles e pedia que lessem um trecho específico da Bíblia para ela, e ninguém se negava a fazer essa gentileza, sabendo de sua cegueira. Quando eles terminavam de ler, ela começava a conversar sobre o assunto, e, aos poucos, eles estavam fazendo um estudo bíblico sem ao menos notar. Dessa maneira, Aiko levou muitas pessoas a Jesus.

Não houve um sábado sequer sem que Aiko encontrasse uma maneira de reunir todos para o culto, sem que as autoridades notassem. Os encontros aconteciam em cemitérios, parques ou regiões de floresta, onde todos aguardavam escondidos a chegada de Aiko. A imagem daquela mulher de baixa estatura e frágil não combinava com a força e a coragem que ela transmitia. Quem sabia que ela era cega há tantos anos não entendia como ela conseguia se locomover com tanta rapidez e facilidade, especialmente em locais onde ela não tinha referência espacial.

O crescimento da igreja não era explosivo no Japão, mas o número de conversos aumentava constantemente. Por isso, quando a guerra acabou, Ai se tornou uma missionária licenciada, chamada para liderar a igreja na Ilha de Kyushu. Foi nessa época que ela ganhou sua primeira Bíblia em braile, e agora poderia ler para as pessoas. Ela se sentia útil em pregar, guiar as pessoas e ensinar a quem nunca tinha ouvido falar de Jesus. As coisas iam bem, até o momento que o Japão invadiu a China, iniciando uma guerra. Como forma de controlar seu território e evitar ataques surpresa, o governo japonês aumentou a vigilância sobre a população, principalmente nas reuniões das igrejas cristãs, que eram vistas como suspeitas, já que o cristianismo era uma religião recentemente instalada por intermédio de missionários estrangeiros.

Nos encontros, eles compartilhavam as notícias sobre os fiéis que estavam presos, e não era raro que alguém tivesse morrido durante a semana, na prisão ou em explosões. O Japão sofreu um grande ataque com as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Parecia que a morte seria o fim de todos. 54


PROJETO

Quando a guerra acabou em 1945, todo o grupo de Aiko, formado por 40 pessoas, estava vivo e pronto para testemunhar o milagre que havia experimentado, sendo guiado por uma pessoa com deficiência visual. Mais do que isso, mesmo em um período tão desafiador, outras 13 pessoas haviam se juntado a eles e estavam prontos para serem batizados tão logo os pastores pudessem voltar a trabalhar. Aiko Araki é hoje reconhecida por ter guiado e liderado oficialmente a igreja durante a Segunda Guerra Mundial.

Como Aiko Araki, você pode ter um ministério de liderança, tanto para o acompanhamento dos membros quanto para atrair interessados. Se você quer usar a liderança para gerar transformação na vida das pessoas, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos de liderança e gestão de equipes. Há cursos gratuitos on-line sobre liderança cristã, oferecidos por plataformas como Coursera ou Udemy.

• Participe de workshops de liderança promovidos por sua igreja ou associação. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Organização de grupos de estudo bíblico e oração. • Promoção de iniciativas de mentoria e discipulado. • Apoio aos planos missionários, de voluntariado e de estratégias de evangelismo. • Organização de projetos comunitários que envolvam diferentes departamentos. • Formação de crianças, adolescentes e jovens em liderança. INOVAÇÃO

• Trello ou Google Keep - Para organizar tarefas e projetos de liderança. • Slack ou WhatsApp - Para comunicação eficiente com equipes e líderes. • Zoom ou Google Meet - Para realizar reuniões e treinamentos virtuais. • Redes sociais - Para divulgar os projetos de liderança e envolver a comunidade.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.


Mulheres com o coração na missão

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O

s preparativos para a festa na comunidade estavam adiantados, e a garota de 16 anos estava animada para participar. Jessie tinha ouvido que haveria muita comida boa e dança, o que seria uma oportunidade para ela conhecer pessoas, já que havia acabado de se mudar.

De longe, Jessie ouviu o som de um violino e quando foi chegando mais perto sua atenção foi tomada pelos olhos do violinista, Leo, um rapaz de cerca de 20 anos. Ele mal terminou a música e a chamou para dançar, o que fez o coração de Jessie palpitar. Naquela noite, eles conversaram longamente e o interesse de Leo era evidente. Jessie comentou que trabalhava em um mercado da região, e aquela informação foi importante para os planos de conquista do rapaz. Jessie contou também sobre as conferências públicas dos adventistas do sétimo dia que costumava ir, mas Leo não demonstrou interesse em participar. Leo mudou a rotina de compras para ver Jessie com mais frequência, e logo começaram a namorar. Não muito tempo depois, ficaram noivos. Como ainda estavam estudando, o casamento ficou à espera do fim do curso de engenharia que Leo fazia. Jessie foi batizada, e quando alcançou a idade de ir para a faculdade, ela escolheu fazer enfermagem em Nebraska, Estados Unidos, onde o noivo já residia. Isso era bom para o relacionamento, mas Leo percebeu que o casamento não estava condicionado apenas à formatura dos dois, e sim à decisão de Jessie de não se casar com quem não fosse adventista como ela. Mesmo sem conhecer as crenças adventistas, ele pediu para ser batizado e, dois dias após a formatura, eles se casaram. Com o passar do tempo, a falta de compromisso de Leo com a igreja estava evidente, e Jessie se entristecia e orava para que a situação mudasse.

Jessie Halliwell

O susto de saber que o marido havia se acidentado no trabalho foi substituído pela percepção do que parecia ser uma coincidência. Tendo recebido licença médica por 10 dias, ele estaria livre para acompanhar Jessie nas reuniões, e ela sentia que essa frequência poderia mudar a vida espiritual do esposo. E ela estava certa. A alegria que sentia parecia ser compartilhada pelo bebê que esperava, Jack, que não parava de mexer na barriga da mãe.

1894-1962 • ESTADOS UNIDOS

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Leo não faltava a nenhum encontro e voltava para casa dizendo que queria ser mais que um engenheiro: estava ansioso para ser um missionário. Foi uma surpresa para Jessie quando ele se inscreveu para ir em uma missão, e foi também o motivo de muita preocupação para a família de ambos.

Jessie apreciava a educação e sabia que ela traria oportunidades para aquela população carente que já conhecia e amava. Em cada ponto, as crianças recebiam conhecimento básico, enquanto os mais velhos aprendiam a colportar e obter recursos para cursar uma faculdade. Muitos foram enviados por ela para o Colégio Adventista Brasileiro (hoje Unasp-SP).

Como forma de preparo, o casal participou ativamente de semanas de evangelismo na região, até que o chamado chegou. Em 1921, ao chegar ao porto com as bagagens e ver o navio que os transportaria até o Brasil, Jessie se sentiu ansiosa porque eles não tinham tido oportunidade de aprender português. Depois de cerca de um mês de viagem, chegaram à Bahia.

A passagem da Luzeiro era aguardada pelos ribeirinhos, que de longe os avistava e sacudiam seus lenços em saudação. Leo e Jessie foram a única ajuda médica que essas pessoas receberam durante anos, tratando malária, feridas e úlceras, infecções intestinais, tifo, tracoma, varíola, câncer, parasitas, ancilostomíase, problemas dentários, doenças de pele e outras doenças tropicais. Além disso, acidentes com animais peçonhentos eram rotina de atendimento na lancha, e os partos sempre aconteciam.

O sobrado que seria a casa deles era antigo, mas Jessie estava animada para organizá-lo de maneira agradável para a família. Assim que acomodou a família em casa, Leo visitou a sede da Missão Baiana e tomou conhecimento do desafio que os esperava: não havia recursos.

Depois do atendimento durante o dia, a família ensinava sobre a Bíblia, e era assim durante três dias até o próximo destino. Em cada viagem missionária, eles percorriam quase 20 mil quilômetros durante 6 meses – entre fevereiro e agosto – quando havia melhores condições climáticas.

Como enfermeira, Jessie buscou saber a realidade da saúde local e descobriu que poucas mulheres tinham acesso a hospitais. Então começou a trabalhar realizando partos, cujos pagamentos custeavam o funcionamento da missão e foi assim por vários anos. A segunda filha do casal, Marian, nasceu durante esse período.

Foram muitos desafios enfrentados pelo casal, incluindo situações que colocaram a vida em risco. O trabalho pioneiro entre os indígenas e ribeirinhos recebia reconhecimento do governo brasileiro.

Sete anos depois, Leo chegou em casa com uma notícia: haviam sido chamados para a Missão Baixo Amazonas, a fim de atender uma região extensa que abrangia Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas e Acre. Jessie usou um mapa para ilustrar para os filhos onde iam morar, escondendo a surpresa e o receio de encarar um desafio ainda maior que o primeiro.

Eles aproveitavam as férias para conseguir doações e estudar, especialmente saúde, na Faculdade de Medicina de Loma Linda. O barco precisou de alguns reparos até que a Luzeiro II fosse construída. Depois de 17 anos de serviço, ambos contraíram malária, uma doença comum na região. Era inevitável o contato com os mosquitos transmissores, especialmente porque, no fim da tarde, todos estavam organizando as reuniões: as luzes das projeções atraiam os insetos, mas eram também atrativas para as pessoas que eles desejavam ensinar.

Para se locomover era necessário navegar. No entanto, os barcos a vapor não ofereciam conforto nem segurança, e não chegavam a todos os lugares: eles precisavam usar barcos menores. O casal começou a sonhar em ter a própria lancha. Como estava aproximando o período de férias, Jessie teve a ideia de irem aos Estados Unidos e coletar doações para a construção ou compra de um barco próprio.

Durante 24 anos, Jessie atuou em serviços de saúde e educação, chegando a locais inóspitos, navegando pelos rios da Amazônia. Depois foram enviados para fortalecer a missão em terra firme. A saúde foi usada como ferramenta, e a clínica no andar de baixo da casa da família se transformou hoje no Hospital Adventista de Belém.

A ideia não era apenas ter um meio de transporte para percorrer os mais de 64 mil quilômetros de rios, mas fazer do barco a casa da família e o ponto de atendimento para as pessoas que encontrassem no caminho. Depois de alguns meses de trabalho, a lancha ficou pronta, e Jessie resolveu inaugurá-la com uma garrafa de guaraná, bebida típica da região que eles apreciavam. À lancha, eles deram nome de Luzeiro.

Pelo trabalho social realizado, o casal foi condecorado pelo governo brasileiro antes de retornar aos Estados Unidos. 58


PROJETO Como Jessie Viola Halliwell, você pode ter um ministério que percorre regiões distantes para levar auxílio médico e educacional a populações em situação de vulnerabilidade. Se você deseja atuar na obra médico-missionária, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos em primeiros socorros, enfermagem básica e educação em saúde.

• Aprenda sobre cuidados preventivos de saúde e como aplicá-los em diferentes contextos culturais.

• Busque formação em métodos de ensino para alfabetização e educação básica. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Atendimento médico em comunidades vulneráveis, oferecendo cuidados preventivos e tratamentos básicos.

• Implementação de programas de educação em saúde, abordando higiene, nutrição e bem-estar geral.

• Criação de aulas de alfabetização e suporte educacional para crianças e adultos em regiões remotas.

• Distribuição de kits de primeiros socorros e materiais educativos, promovendo saúde e bemestar.

• Formação de equipes de voluntários para realizar missões médicas e educacionais em áreas de difícil acesso.

• Parceria com organizações de saúde e organizações não governamentais (ONGs) para ampliar o alcance do ministério médico-missionário.

INOVAÇÃO

• Google Maps ou Waze - Para planejar e organizar rotas para áreas remotas. • WhatsApp ou Telegram - Para coordenar equipes de voluntários e manter contato com Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

as comunidades atendidas.

• Zoom ou Google Meet - Para oferecer treinamentos on-line em saúde e educação para as populações locais e voluntários.

• Canva - Para criar materiais educativos sobre saúde e bem-estar para distribuição em missões.


Mulheres com o coração na missão

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P

or alguma razão, aquela espiga de milho que acabara de colher pareceu ecoar as vozes das crianças que a haviam cercado no dia anterior na escola. Naquele dia, ela havia levado um pedaço de pudim, uma comida simples, mas os colegas não tinham nada para comer. Uma delas havia perguntado: “Vocês são ricos?”

Olhando para cada grão do milho, a menina de oito anos se pôs a pensar como seria possível alguém pensar que ela era rica. Chessie era neta de escravos. Seu pai trabalhava nas terras de outra pessoa em troca de parte da colheita, e, desde muito pequena, ela tinha uma jornada diária intensa: depois da aula, ia para a lavoura e, enquanto fosse dia, trabalhava com o pai. Daquele dia em que levou pudim à escola em diante, Chessie não conseguia parar de pensar em como poderia mudar a realidade e fazer com que as crianças que ela conhecia tivessem pelo menos milho para se alimentar. Chessie era uma garota de riso largo e fácil, mas poucos imaginariam que em seu coração, mesmo sendo tão pequena, havia um incômodo tão grande com o que acontecia ao redor. Aos 14 anos, Chessie sabia que a educação era o único caminho que a levaria a isso. Decidiu ir para um internato. Sabendo que os pais não teriam condições de financiar os estudos, trabalhou duro na colheita de algodão, juntando dinheiro para as despesas iniciais. O patrão dizia que ela era mais rápida do que qualquer homem adulto. Enquanto estudava, Chessie trabalhava como empregada doméstica na casa do fundador da escola, onde aprendeu a cozinhar e observar o comportamento das pessoas de classes mais altas.

Chessie Harris

Quando a família dela deixou a zona rural e se mudou para Ohio, Estados Unidos, Chessie voltou a morar com eles e encontrou um emprego de recepcionista em um consultório médico. Embora a região tivesse um melhor desenvolvimento, as ruas estavam cheias de crianças abandonadas e passando fome. Se estivesse voltando do trabalho e encontrasse uma criança na rua, Chessie a levava para casa. Era a chance de alimentá-la e tentar encontrar alguém que pudesse acolher definitivamente ou adotar.

1906-1997 • ESTADOS UNIDOS

Quando Chessie se casou, George tinha dois filhos, mas a casa estava ficando menor a cada ano: fora as crianças que ela acolhia, eles tiveram 61


dois filhos. Não demorou muito para que eles decidissem se mudar para uma fazenda, onde teriam espaço para tantas crianças. O casamento havia unido duas pessoas que tinham um profundo desejo de ajudar crianças.

para casa mesmo que fosse na carroceria. Algumas pessoas a chamavam de louca, porque muitas crianças tinham comportamentos complicados, devido às famílias desestruturadas que tinham ou à situação que viviam. Isso não era o que Chessie enxergava.

Chessie amava trabalhar na igreja, usando seus talentos na Escola Sabatina. No fundo, Chessie sempre gostou de estar com as pessoas, e, naqueles encontros semanais na igreja, ela se sentia com energia para atuar na área social. Além do interesse em prover as necessidades físicas daquelas crianças, ela sabia da importância de apresentar Jesus a elas.

Os filhos de Mamãe Harris cresciam e, logo que possível, mudavam-se para cuidar da própria vida. Haviam se tornado enfermeiros, professores, advogados, pastores e formado suas próprias famílias. Alguns deles se tornaram notáveis na sociedade e contribuíam com o lar de Chessie em retribuição ao que haviam recebido ali.

Passado algum tempo, quando voltou a morar na zona urbana, Chessie observava as crianças – a maioria negra como ela – vasculhando o lixo à procura de comida e dormindo em calçadas. A casa da família ficava cada vez mais lotada: em um dia, ela chegava com crianças que cozinhavam grãos para um bebê que não parava de chorar de fome, em outro com um garoto comendo restos de carne em um lata, e no seguinte com um bebê, e como não havia espaço, e foi preciso improvisar, colocando-o dentro do baú.

Toda essa história passou a ter destaque na sociedade ao despertar atenção da imprensa local. Enfim, começaram a receber as primeiras doações, vindas das pessoas, do governo e de igrejas. Por volta de 1980, quando atingiu a marca de 1.200 crianças acolhidas, o estado do Alabama criou o Dia de Chessie Harris, e a fotografia dela circulou em vários veículos de imprensa, e uma revista de distribuição nacional a chamou de “heroína não reconhecida da América”.

A situação estava ficando insustentável, mas Chessie sabia que não podia parar. Era a promessa feita no milharal, e ela precisava cumprir! Algumas vezes, as pessoas chegavam em sua casa, batiam à porta e pediam ajuda. O país enfrentava uma grave crise financeira, o que obviamente afetava os recursos disponíveis para cuidar de tanta gente.

Depois que o trabalho passou a ser reconhecido, Chessie passou a desempenhar funções administrativas no lar. No entanto, com o olhar sempre atento às necessidades das pessoas ao redor, ela percebeu que a população idosa, especialmente moradora da zona rural necessitavam de ajuda. Chessie criou um projeto para auxiliar essas pessoas com transporte, ao mesmo tempo que permanecia ativa na igreja, como anciã e professora da Escola Sabatina, atuando no departamento infantil.

O casal buscou apoio de entidades governamentais e filantrópicas, mas as respostas demoravam. Chessie sabia que não poderiam esperar, afinal, as crianças estavam expostas a todos os riscos: às baixas temperaturas no inverno, às doenças e à violência, tanto sendo vítimas quanto cooptadas para se tornarem agente criminosos.

As pessoas ficavam espantadas com a extensão da agenda de Chessie. Durante toda a vida, ela havia se dedicado também aos estudos. Tudo que fosse possível aprender, Chessie cursava, fiel à afirmação que fizera a si mesma na adolescência: de que os estudos a levariam a melhores condições de ajudar as pessoas.

Assim, mesmo com escassos recursos provenientes das economias da família, eles abriram oficialmente uma instituição, que daria oportunidades de lutar por investimento. Chessie era conhecida na cidade como Mamãe Harris, e ela era mesmo uma mãe para eles. O trabalho não se resumia a oferecer comida e um teto: ela e o esposo ofereciam um lar onde cuidavam de todos como filhos: ensinando boas maneiras, incentivando os estudos, oferecendo formação profissional e os levando para a igreja.

Em abril de 1989, Chessie recebeu um telefonema da Casa Branca. Passado o momento de acreditar que era um trote, ela ouviu atentamente as orientações para participar de um evento com a presença do então presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush. Naquela cerimônia, Chessie receberia o reconhecimento nacional: o Prêmio de Ação Voluntária. Ela não sabia descrever a força que a movia, apenas foi capaz de dizer que o amor que sentia era algo além da capacidade humana de tentar descrever.

A cada dia, o carro de Chessie era maior, até que ela passou a circular de caminhonete para que as pessoas acolhidas pudessem ser transportadas 62


O trabalho de Chessie também recebeu o reconhecimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A Universidade Andrews concedeu a ela um doutorado honorário na área social. Sempre que podia, Chessie compartilhava sua experiência em eventos, motivando o voluntariado em projetos que beneficiam pessoas em situação de rua. Aos 91 anos, o coração que sonhou com crianças bem alimentadas, protegidas e sonhadoras parou de bater. O lar fundado por Chessie é uma sólida instituição em funcionamento até hoje.

PROJETO Como Chessie Walker Harris, você pode ter um ministério que apoia moradores de rua e crianças em situação de vulnerabilidade, oferecendo alimentação e suprindo outras necessidades, como encaminhamento a instituições de acolhimento ou formação e recolocação no mercado de trabalho. Se você quer usar a solidariedade nessa área como uma ferramenta de transformação, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos sobre serviço social e cuidado com pessoas em situação de rua.

• Aprenda sobre as melhores práticas em projetos de apoio social em cursos gratuitos de organizações não governamentais (ONGs) e promovidos pela igreja.

• Busque formação em primeiros socorros e assistência básica para atuar em áreas de risco. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Distribuição de alimentos e roupas em áreas carentes ou de alta vulnerabilidade social. • Organização de feiras de emprego e treinamentos para capacitação profissional. • Encaminhamento de pessoas para centros de acolhimento e reabilitação. • Criação de redes de voluntariado para visitas regulares a comunidades de rua. • Parceria com instituições locais para oferecer cursos de formação e assistência social. • Produção de materiais evangelísticos e devocionais específicos para essa população. • Implementação de programas de alfabetização e suporte educacional para crianças em situação de rua.

• Abordagem de representantes governamentais para criação de projetos e leis que promovam a dignidade humana.

INOVAÇÃO

• Google Forms ou Trello - Para organizar o cadastro e acompanhamento dos atendimentos. • WhatsApp ou Telegram - Para a comunicação entre voluntários e grupos de ação social. • Canva - Para criar materiais visuais que incentivem a participação da comunidade e Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

divulguem os projetos.

• Google Meet ou Zoom - Para realizar reuniões de planejamento com voluntários e treinamentos on-line.


Mulheres com o coração na missão

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P

ensar em ser chamada na escola onde os filhos estudavam ou que eles deixariam de frequentar as aulas provocava crises de ansiedade em Sonya. Ela mesma não era familiarizada com o ambiente escolar, já que só havia cursado até a terceira série, mas havia outra questão: ela não sabia ler e escrever. Isso lhe causava dificuldades e vergonha – esse era um segredo guardado a sete chaves, nem os filhos sabiam. O seu maior objetivo como mãe era que seus filhos estudassem.

Sonya percebia que os dois meninos estavam apresentando desempenho inferior aos colegas de classe e estava ficando preocupada. Quando o caçula, Ben, mostrou o boletim, ela soube identificar que aquela anotação vermelha não era bom sinal. Ela sabia que precisava ajudar os filhos, mas não sabia como. O fato de ela trabalhar em três empregos, tendo que sair antes dos filhos acordarem e chegar tarde da noite não iria mudar tão cedo, já que os recursos eram suficientes apenas para a subsistência deles. A questão não era apenas o boletim sair do vermelho, era o desejo de que os filhos avançassem, porque a educação era a única chance que eles teriam. Sonya não disse nada a respeito do boletim de Ben. Apenas se retirou por um instante. Ajoelhou-se pedindo sabedoria a Deus. A oração foi respondida instantaneamente com uma lembrança. Sonya sempre observava os patrões e seus filhos. Havia televisão nas casas onde ela trabalhava, mas todos ali – crianças e adultos – liam mais do que assistiam. Confiando na resposta de Deus, mesmo sem ter um plano estruturado, Sonya começou a conversar com os meninos, fazendo-os lembrar da história dela e de como chegaram até ali.

Sonya Carson

Aos 13 anos, ela havia se casado com um veterano do Exército americano, 15 anos mais velho, e eles tiveram dois filhos. Anos mais tarde, Sonya descobriu que o marido tinha uma segunda família e pediu o divórcio. Aquele foi um momento de grande impacto na vida dos filhos.

1928-2017 • ESTADOS UNIDOS

Para conseguir cuidar deles, Sonya mudou-se para Boston, Estados Unidos, onde a irmã dela morava e se prontificou a ajudar. Ali eles tiveram o contato com os adventistas do sétimo dia, e Sonya foi batizada. Ela trabalhava de domingo a sexta-feira como empregada doméstica, e todos iam à igreja aos sábados, sem falta. 65


Sonya lutava contra a depressão naquela época, e essas lembranças fortes vieram na memória. Ela conseguiu disfarçar uma lágrima que insistia em cair. Os meninos pareciam não entender onde aquela conversa terminaria, já que a mãe raramente tinha tempo para conversar.

Um dia, ao ouvir a mãe abrir a porta voltando do trabalho, Ben fez o grande aviso: ele havia sido eleito o melhor aluno da turma! Sonya soltou a bolsa no chão e envolveu os dois filhos em um abraço. Curtis também era aluno de destaque e aquela era a melhor notícia dos últimos tempos para ela. Era o momento de confessar que aqueles vistos nos relatórios eram apenas uma estratégia de fazê-los chegar aonde ela sabia que eles seriam capazes de estar.

Pensou em falar sobre ser analfabeta; porém, mudou repentinamente de ideia quando ela entendeu o motivo de Deus ao fazê-la lembrar da estante de livros dos patrões durante a oração. Era isso! Seus filhos teriam a rotina totalmente mudada para os padrões que ela via na casa dos ricos. Sonya olhou fundo nos olhos dos filhos e determinou que o tempo assistindo TV seria drasticamente reduzido e que cada um deles deveria ler dois livros por semana, fazer um relatório e apresentar a ela.

Nenhuma mãe entrou na formatura do ensino médio mais orgulhosa que a mãe de Ben e Curtis. Sonya sabia o que havia passado para chegar até ali, e seu coração batia até descompassadamente ao lembrar que o filho havia sido aceito para o curso de Medicina em uma das mais renomadas instituições de ensino dos Estados Unidos: a Universidade Yale.

Sem gostar muito da nova ideia, os meninos afirmaram ter compreendido. Quando Sonya se deitou para dormir naquela noite, ficou pensando como analisaria os relatórios dos filhos, se nem conseguiria lê-los. A ideia veio imediatamente, e ela riu. Todas as semanas, ela dizia aos filhos que quem sabe ler pode aprender tudo o que quiser saber, e os meninos até repetiam a frase, de tão rotineiro que aquilo se tornou.

Como seriam os dias longe do filho ou como conseguiriam o custeio dessa fase escolar, Sonya não sabia, mas estava confiante de que era mãe dos melhores estudantes de Detroit. Ao longo da adolescência, os meninos também haviam ingressado no mercado de trabalho, conseguindo até ajudá-la nas finanças. Certamente Deus os ajudaria a encontrar meios de se manterem e receberem bolsas de estudo.

Quando Ben e seu irmão, Curtis, apresentavam relatórios, Sonya fingia que os lia, fazia marcações e vistos. Ela fazia comentários de elogios, mas tecia alguns pedidos de melhorias e mais empenho. De alguma forma, ela descobria quando o filho não estava tão seguro com o que apresentava, e ela se aproveitava disso.

Depois de formado, Ben se tornou neurocirurgião do hospital pediátrico mais famoso do país e ficou mundialmente conhecido por liderar a equipe médica que fez a primeira separação de gêmeos siameses unidos pela cabeça. Sempre que perguntado sobre sua história, Ben destaca o papel de Sonya Carson em sua vida. A carreira do doutor Ben Carson se tornou muito relevante para a comunidade, levando-o a concorrer à presidência dos Estados Unidos. A história de Sonya e seus filhos está retratada em livros e filmes mundialmente conhecidos.

Não demorou muito para que os resultados acadêmicos dos meninos dessem sinais de melhora e isso refletisse na autoconfiança deles. Receber e levar o boletim para a mãe era motivo de sorriso, mesmo que ela só conseguisse notar o progresso pela cor, sem compreender as demais anotações dos professores.

Inspirados no que Sonya ensinou sobre o poder da educação, Ben e sua esposa fundaram a Carson Scholars Fund, uma instituição que incentiva programas de leitura e premia estudantes que apresentam alto nível acadêmico.

De novo, Sonya se utilizava da observação do comportamento dos filhos para fazê-los continuarem avançando: sempre os incentivando, dizendo palavras de afirmação e bênção e, ao mesmo tempo, desafiando-os a darem o melhor de si. Quando as coisas pareciam boas, Sonya precisou lidar com alterações no comportamento de Ben. Ele não sabia explicar porque sentia tanta raiva, mas percebia que a cada conversa e oração com a mãe ele se reencontrava. Aos poucos, o menino de 14 anos aprendeu mecanismos de autocontrole. 66


PROJETO Como Sonya Carson, você pode criar estratégias para apoiar seus filhos e também um ministério que apoia outros pais e mães a incentivarem os filhos a alcançarem altos níveis na área educacional. A ação pode ser de orientação e formação dos pais e atividades com crianças e adolescentes, com o objetivo de despertar o desejo por um futuro melhor, ao estudarem e lerem mais. Se você quer usar a educação de filhos como uma ferramenta de desenvolvimento e ensino da paternidade e da maternidade à luz da Bíblia, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre educação parental e desenvolvimento infantil. • Engaje-se em treinamentos sobre orientação de pais e técnicas de ensino para crianças e adolescentes promovidos por instituições e pela igreja.

• Aprenda sobre gestão do tempo e métodos de incentivo ao estudo, como programas de leitura e planejamento familiar.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Criação de grupos de apoio e orientação para pais, promovendo palestras sobre educação de filhos à luz da Bíblia.

• Organização de atividades educativas para crianças e adolescentes, como clubes de leitura e projetos de incentivo ao estudo.

• Implementação de programas de reforço escolar e orientação vocacional. • Produção de materiais educativos que incentivem o estudo da Bíblia. • Parceria com educadores e psicólogos cristãos para oferecer orientação especializada aos pais.

• Formação de grupos permanentes de pais para trocar experiências e orar pelos filhos. • Promoção das atividades dos clubes de aventureiros e desbravadores. INOVAÇÃO

• Google Classroom ou WhatsApp - Para organizar atividades educacionais e grupos de Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

estudo para crianças e adolescentes.

• Canva - Para criar materiais visuais que ajudem pais a incentivarem o aprendizado em casa.

• Zoom ou Google Meet - Para organizar reuniões on-line com pais e palestras sobre educação e desenvolvimento infantil.


Mulheres com o coração na missão

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A

razão pela qual negros tinham baixa escolaridade e trabalhavam em subempregos sempre incomodava a menina Evelyan. Quando tinha dez anos, ela leu um artigo no jornal que mostrava que a situação não se limitava aos Estados Unidos, onde vivia.

Na África, as condições sociais e econômicas eram terríveis, e isso deixava as pessoas mais suscetíveis a doenças. O apartheid, regime político de segregação racial na África do Sul, estava em seu auge e as pessoas negras eram proibidas de receber atendimento médico. Evelyan gostava de ler e apreciava conhecer as diferentes culturas africanas. Nos materiais aos quais tinha acesso, havia muita informação a respeito de países com fome, violência e guerras. Evelyan cresceu sem seu pai biológico, mas foi adotada e amada por seu padrasto, James, que sempre a incentivava a sonhar grande, desviando seus olhos da realidade e dizendo que nem todos os negros estavam destinados a uma carreira de menor destaque. Ele dizia que, com esforço nos estudos, ela poderia ser o que quisesse. Quando Evelyan começou a dizer que gostaria de ser médica, ele comprou brinquedos e livros, fazendo uma espécie de imersão com a menina. Ela cresceu sonhando em ser médica missionária. Na igreja, lia e ouvia relatos de missionários enviados a outros países e pensava ser aquilo o que gostaria de fazer para o resto da vida. Com muito esforço, os pais de Evelyan a matricularam em escolas adventistas, primeiro estudando na Universidade La Sierra e depois na Universidade da Califórnia, mas alcançou seu alvo quando foi aceita pela Universidade de Loma Linda para o curso de Medicina.

Evelyan Thomas

Como o foco de Evelyan era servir como missionária, ela decidiu cursar algumas especialidades que, segundo suas pesquisas, eram importantes para as missões. Ao longo dos anos, tornou-se cirurgiã geral, obstetra, ginecologista e anestesista.

* DATA DE N A S CIM E N TO DE S CON H E CIDA

Evelyan recebeu convites para que assumisse trabalhos locais, e um dos seus professores acreditava que, se ela encontrasse um marido logo, a ideia de ir para outros países seria deixada de lado. Quando Evelyan conheceu Lindsay Thomas, um linguista e professor universitário, as ideias de missão se tornaram ainda mais fortes.

*ESTADOS UNIDOS

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A infância de Lindsay tinha sido difícil, e, com muito esforço, havia se alistado para as Forças Armadas com o único objetivo de acessar os benefícios de acesso à educação. Não fazia muito tempo que ele havia se tornado adventista, no Arizona, mas já era um excelente pregador.

Pouco a pouco, de viagem em viagem, e com o apoio de doadores, o trabalho foi se tornando sustentável, e os missionários leigos passaram a ser treinados para dar estudos bíblicos, aprendendo a fazer captação de interessados e apelos. A Abokin incluía a participação de mulheres e crianças.

Quando se casaram, Evelyan e Lindsay passaram a compartilhar os projetos de serem missionários: ele na área de educação e ela na área médica. Assim, em 1964, foram enviados para servir na Costa do Marfim. Quando pôs os pés em solo africano, Evelyan voltou à infância, na época em que tinha dez anos e pensava que alguém deveria começar uma mudança naquele continente.

Durante décadas, Evelyan também ministrou cursos de evangelismo. Eram três semanas de aulas intensivas, de cerca de seis horas por dia, seis dias por semana. Cada participante do curso recebia uma Bíblia na própria língua e outros materiais, tudo financiado pelos doadores norte-americanos. Após a formatura, parte dos evangelistas era contratada, com salários pagos pela Abokin, o que fez com que o adventismo crescesse muito nos países onde Evelyan e Lindsay passavam.

Imediatamente iniciaram projetos de atendimento médico e de pregação. Para eles, essa era a melhor forma de iniciar a vida a dois, já que ambos estavam felizes e haviam encontrado propósito na missão. Dois anos depois, eles foram chamados de volta aos Estados Unidos.

Os programas missionários estavam cada vez mais fortes e bem-estruturados, e Evelyan começou a sentir um desejo de se dedicar mais à área médica. Ela desejava deixar um atendimento permanente para os africanos, o que daria a eles chance de diagnóstico e tratamento não só no período em que ela estava ali. Evelyan acreditava que esse projeto seria motivador para que outros médicos dedicassem um período de sua vida atendendo àquelas pessoas.

Não houve mais chamado oficial pela igreja. Mesmo assim, eles retornaram para a África inúmeras vezes, mas com recursos próprios: eles trabalhavam por algum tempo nos Estados Unidos e novamente embarcavam para a África. Também durante a estadia, Lindsay era chamado para lecionar nas universidades, e Evelyan podia se dedicar ao serviço médico voluntário.

Em 1999, Evelyan fundou a PAPS Team International, uma instituição focada no atendimento preventivo e no tratamento de câncer de mama em comunidades pobres dos países africanos. O projeto recebe apoio da Universidade de Loma Linda, que incentiva estudantes e médicos a dedicaram períodos ao atendimento nesses locais. Mais de 20 mil pessoas já foram atendidas em cinco países onde as clínicas de atendimento foram estabelecidas.

Lindsay era um evangelista nato e, embora tivesse uma carreira na área educacional, escolhia os países para onde iam com base em estratégias missionárias.. Por onde passavam, ele realizava séries missionárias que batizavam centenas de pessoas, e igrejas eram fundadas. Evelyan era sempre presente e apoiadora na missão.

O próximo passo dado por Evelyan foi um projeto que também homenagearia o seu maior incentivador, seu padrasto James. Ela criou o James Alfred Smith Scholarship Fundation, para patrocinar os estudos de médicas, que, assim como ela, podem servir como missionárias na África.

Nos períodos de retorno aos Estados Unidos, o casal se dedicava a fazer contatos com doadores, arrecadando fundos para os projetos na África. Mesmo depois do nascimento do único filho do casal, eles continuaram a realizar viagens missionárias sequenciais. Mas eles queriam mais.

Junto com o esposo, Evelyan trabalhou como médica nos seguintes países: Senegal, Costa do Marfim, Gana, Ruanda, Burundi, Nigéria, Libéria, Serra Leoa, Zaire, Quênia, Camarões, Tanzânia, Malawi, Uganda, Egito, Togo, Benin, África do Sul, Lesoto, Suazilândia, Moçambique, Madagascar, Zâmbia, Zimbábue e Botsuana. Ao todo, estiveram em mais de 30 países.

Por isso, eles fundaram uma associação sem fins lucrativos chamada Abokin, Inc. Esta iniciativa contava com o apoio de adventistas americanos para a formação de missionários leigos africanos. Abokin significa “amigos da África”, mas a ideia deveria começar uns passos atrás: para ensinar a Bíblia era preciso saber ler e grande parte da população não era alfabetizada. Outra barreira era a variedade de línguas e dialetos presentes em uma só comunidade. Um terceiro fator impeditivo era a falta de ferramentas para trabalhar, como materiais nas línguas locais.

Em 2015, Evelyan ficou viúva, recebendo as homenagens feitas pela igreja que relembrou as mais de 60 mil pessoas que Lindsay levou a Cristo com o apoio da esposa, totalizando mais de 110 mil convertidos por meio da Abokin. 70


PROJETO

Evelyan doou parte importante para a construção de um complexo multiuso, que atende 1.200 estudantes na Universidade Adventista da África. O sonho de Evelyan de ver todas as pessoas tendo acesso a tratamentos médicos e mulheres com carreiras bem-estabelecidas ultrapassa gerações.

Como Evelyan Patterson Thomas, você pode ter um ministério que usa a prevenção ao câncer para apoiar mulheres. O projeto pode incluir suporte a mulheres que já enfrentam a doença. Não é preciso ser médico, mas é possível engajar profissionais de saúde nesse ministério. Se você quer usar o combate ao câncer como uma ferramenta social e de missão, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de palestras e workshops sobre prevenção ao câncer e cuidados de saúde feminina.

• Busque formações sobre aconselhamento emocional e apoio a pacientes com câncer. • Engaje-se em cursos que abordam cuidados paliativos e formas de suporte a pacientes. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Organização de palestras educativas sobre prevenção ao câncer de mama e de colo do útero.

• Criação de grupos de apoio emocional e espiritual para mulheres diagnosticadas com câncer.

• Parceria com profissionais de saúde para realizar exames preventivos gratuitos e orientação em comunidades carentes.

• Distribuição de materiais informativos sobre prevenção e tratamentos disponíveis. • Acompanhamento de mulheres em tratamento, oferecendo visitas e apoio prático. • Produção de devocionais e mensagens de esperança para pacientes em tratamento. • Implementação de campanhas de conscientização na igreja e na comunidade. • Criação de grupo de oração para pessoas que estão em tratamento e seus familiares. INOVAÇÃO

• Google Forms ou Typeform - Para realizar pesquisas na comunidade. • WhatsApp ou Telegram - Para organizar grupos de apoio e comunicação entre as participantes.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Canva - Para criação de folhetos informativos e campanhas visuais sobre prevenção ao câncer.

• Zoom ou Google Meet - Para organizar encontros on-line com profissionais de saúde e grupos de apoio.


Mulheres com o coração na missão

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P

ouco se falava sobre os rumos que o país seguia, mas, desde pequena, Vicentina experimentou os efeitos das dificuldades financeiras da família em decorrência da crise política. Desde cedo também, ela aceitou que não poderia estudar, porque o acesso à educação era limitado. Com tantos impedimentos era natural que a menina crescesse sem grandes sonhos.

Ainda bem jovem, Vicentina se envolveu com um rapaz e foi morar com ele. Em pouco tempo, ela se viu mãe de duas crianças que cresceriam na mesma situação, caso ela não encontrasse meios de trabalhar. Vicentina foi para a escola, não para estudar, mas para ser merendeira e, assim, sustentar os filhos. Ela sentia-se importante por participar do desenvolvimento de crianças que, como os filhos dela, certamente teriam um futuro diferente. Quando soube que o Hospital Antonio Tirado Lanas seria inaugurado na cidade, Vicentina se candidatou para a vaga de auxiliar geral, o que significava cuidar da higienização do ambiente e ajudar os enfermos no autocuidado. Os pacientes internados em hospitais naquele país, sem distinção de idade ou condições de saúde, recebiam a visita dos familiares apenas uma vez por semana, tornando ainda mais valioso o trabalho das auxiliares no hospital. Um dia, Vicentina foi convidada a participar de um culto na Igreja Adventista do Sétimo Dia, que ficava no centro da cidade. Gostou tanto que aceitou estudar a Bíblia e passou a ser visita frequente. Quando decidiu ser batizada, Vicentina enfrentou uma dura oposição em casa, pois o marido pediu que ela escolhesse entre ele a igreja. Não teve dúvidas e separou-se dele.

Vicentina Cortés 1945 • CHILE

Em sua rotina de trabalho, Vicentina notou que os pacientes precisavam mais do que alguém que os ajudasse a tomar banho ou a limpar-se após as necessidades fisiológicas. Ela notava que muitos não melhoravam ou recebiam alta porque as condições físicas os impediam de se alimentarem corretamente. Eles recebiam as refeições, mas simplesmente não conseguiam levá-las à boca. Vicentina passou então a usar seu intervalo de almoço e descanso para ajudar as pessoas mais debilitadas a comer. No entanto, eram tantos os que precisavam dessa ajuda voluntária, que se tornou impossível que ela atendesse a todos sozinha. Às vezes, era preciso permanecer no hospital mais tempo para auxiliar mais pessoas.

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Como membro ativo da igreja, ela passou a pensar como seria importante que outras mulheres pudessem se unir a ela. Vicentina sabia que o que ela fazia era tão importante quanto o trabalho dos enfermeiros e médicos, já que, com melhores condições nutricionais, os pacientes respondiam melhor ao tratamento. Se houvesse mais mulheres para alimentar os pacientes, haveria mais tempo para conversar com eles sobre seus medos, sonhos e encontrar oportunidades para falar de Jesus.

as voluntárias. O pastor realizou treinamentos de missão, ensinando-as como aproveitar as oportunidades para falar de Jesus, com temas de maior interesse e necessidade. No hospital, as mulheres foram treinadas a respeito de doenças, tipos de alimento, cuidados de higiene e outros temas relevantes para o trabalho que desenvolveriam. Vicentina continuava com as atividades individuais, em seus horários de descanso, enquanto esperava o resultado do processo.

Ao longo do tempo, Vicentina percebeu como aquele trabalho voluntário havia melhorado sua vida emocional e espiritual, dando a ela um senso de propósito e pertencimento que jamais havia experimentado. Buscando atender melhor a cada dia, passou a perguntar para médicos, enfermeiros e outros profissionais do hospital sobre os diferentes tipos de alimentação disponibilizados e as doenças de cada enfermo, com o objetivo de evitar riscos de acidente ao alimentá-los e também providenciar melhores condições de acesso à comida, de acordo com a necessidade.

No dia 1º de maio de 1990, Vicentina obteve a autorização para entrar naquele hospital acompanhada de outras 25 mulheres, prontas para servir. Elas eram conhecidas como as Senhoras de Azul, devido a roupa que usavam, e se tornaram um alento tanto para os pacientes quanto para as famílias que não tinham permissão para acompanhar os parentes. Agora havia tempo para conversar com os pacientes e proporcionar ainda mais conforto para eles. Vários se interessavam por estudar a Bíblia e, mesmo quando saiam do hospital, passavam a frequentar a igreja.

A ideia de ampliar o atendimento não saía da cabeça de Vicentina, mas as restrições de acesso ao hospital eram muito grandes, até para familiares. Em 1990, as famílias passaram a ter acesso aos doentes três vezes por semana, mas apenas após o horário da alimentação.

O sucesso do projeto de Vicentina se tornou conhecido em outras igrejas, e outros grupos foram criados, até que a iniciativa se tornou um projeto oficial do Ministério da Mulher em todo o Chile. Em 2006, com a instituição do Projeto Hospital Amigo, as famílias puderam acompanhar seus familiares internados, mas o projeto persistiu, naquele momento chamado de Senhoras de Rosa e agora Voluntariado de Acompanhamento Espiritual Adventista.

Percebendo o movimento de ampliação de acesso entre internados e familiares, Vicentina sentiu-se mais confiante para conversar com sua chefe imediata sobre o que vinha fazendo e sua ideia. A atuação de Vicentina já era observada, bem como os resultados, por isso, ela encontrou apoio para avançar com a proposta.

Existem outras necessidades que as mulheres adventistas continuam atendendo em hospitais, e o grupo liderado por Vicentina permanece ativo diariamente. Além de acompanhar os pacientes cujas famílias não podem dar suporte a eles, as visitas para conversas e ensino da Bíblia continuam ocorrendo. O acompanhamento dos familiares das pessoas internadas tem se mostrado uma importante ferramenta de apoio emocional e espiritual.

Ao lançar a ideia na igreja, Vicentina viu que teria mãos suficientes para que dezenas de pacientes pudessem ser ajudados diariamente. Com o apoio da chefia, marcou uma reunião com a direção do hospital e apresentou seu projeto voluntário.

Em 2024, Vicentina assistiu ao batismo de oito pessoas como resultado do trabalho que, ao longo de décadas, levou dezenas de pessoas a Jesus. Durante a pandemia da covid-19, com o acesso aos hospitais exclusivo para equipes de saúde, o grupo de Vicentina organizou arrecadação e envio de materiais de higiene pessoal aos pacientes. Aos 80 anos, ela permanece atuante.

A legislação vigente no país não permitia que grupos fossem formados, e esse seria o primeiro impasse para o projeto. Para que o plano avançasse, seria necessário que a igreja oficialmente requisitasse as autorizações do governo, anexando documentos ao processo e detalhando exatamente o que as mulheres fariam. Outra exigência das autoridades era que o projeto fosse contínuo. Com o apoio do pastor local, o processo foi iniciado. Enquanto as questões burocráticas eram resolvidas, Vicentina começou a credenciar e capacitar 74


PROJETO Como Vicentina Clementina Rojas Cortés, você pode ter um ministério que auxilia pessoas que estão internadas em hospitais e clínicas. Se você quer apoiar pessoas enfermas com cuidados no aspecto físico, emocional e espiritual, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos em capelania hospitalar ou voluntariado em saúde. • Faça cursos e leia sobre escuta ativa, aprendendo a ouvir sem julgamento e a oferecer palavras de conforto.

• Aprenda atividades lúdicas para usar com crianças internadas. • Aprenda sobre música. • Conheça o sistema de saúde local. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Organize grupos para realizar visitas regulares a pacientes em hospitais e clínicas. • Realize campanhas para montagem de kits com itens essenciais, como produtos de higiene, livros devocionais e alimentos leves.

• Estabeleça um ministério de oração para os enfermos e suas famílias. • Promova atividades lúdicas com histórias, brincadeiras e música nos hospitais. • Realize ações de apoio emocional e espiritual para os profissionais de hospitais e clínicas. INOVAÇÃO

• WhatsApp - Para envio de mensagens de apoio espiritual. • Google Meet e Zoom - Para reuniões virtuais. • Canva - Para criar materiais informativos. • Vakinha ou PayPal - Para organizar doações destinadas a apoiar pacientes e suas famílias.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Google Forms - Para criar formulários com o objetivo de mapear hospitais que aceitam voluntários e centralizar informações úteis.


Mulheres com o coração na missão

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E

nquanto se preparava para o grande dia do casamento, aos 24 anos, ela sonhava em ter uma família estável e feliz. Lila havia crescido em uma família tradicional, recebeu uma educação rígida e julgava que o modelo de relacionamento dos pais seria repetido. Porém, isso não aconteceu.

Problemas de comunicação e de infidelidade a deixavam sem esperança. Por causa da educação que recebeu em casa, o divórcio não era uma opção, mas ela sabia que não precisava passar por aquilo. Nesse período, Lila e Oscliden tiveram duas filhas. Lila era professora em uma escola pública, e o marido, mecânico. Frequentemente, Lila voltava para casa muito triste, pois notava através do comportamento e do desempenho dos alunos que a vida em casa era um grande problema e um fator que estava impactando o futuro deles. Lila temia que as filhas também se prejudicassem por causa do que acontecia na própria casa. Um dia, Lila recebeu um casal que estava visitando todas as famílias daquela rua, convidando as mulheres para um curso de culinária que estavam promovendo de forma gratuita. Lila se inscreveu e passou a participar das aulas e a observar como aquele casal se dava bem. Não demorou muito para Lila saber que ele era um pastor adventista que, junto com a esposa, estava na região fazendo um trabalho missionário. Eles ofereceram estudos bíblicos, e, depois de relutar um pouco, Lila aceitou que os encontros acontecessem em sua casa. Toda a família participava. Lila se interessou quando aprendeu sobre o sábado e o estado dos mortos; porém, não aceitou o apelo para o batismo. As lembranças da infância e da juventude, quando o pai afirmava que mudar de partido político e de religião eram sinais de falta de caráter pareciam ecoar. Essas vozes só não foram mais altas do que a surpreendente resposta de Oscliden, que desejava ser batizado e ter uma nova vida com Jesus.

Lila Ferreira

Sem sentir um desejo genuíno, Lila também concordou em ser batizada. Ela estava surpresa com as mudanças no comportamento do esposo e não queria que o relacionamento voltasse ao que era. Ainda sem muita confiança de que a transformação seria duradoura, Lila passou a frequentar os cultos na igreja. A rotina em casa também era outra, agora vendo Oscliden orando e a convidando para estudarem a Bíblia juntos.

1955 • PARAGUAI

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Aos poucos, Lila foi percebendo que a nova atmosfera da casa estava contagiando a todos: as crianças estavam mais calmas e seguras e o casamento estava restaurado. Oscliden estava mais presente e era respeitoso, e ela mesma se sentia mais fortalecida emocionalmente. Ela vivia o casamento com o qual havia sonhado tanto!

havia alcançado: visitação às famílias, curso de culinária como primeiro contato, aconselhamento familiar para fortalecer os vínculos e ensino da Bíblia por meio de estudos individuais e pequenos grupos. Com convites para locais cada vez mais longe, a logística do casal, que agora tinha quatro meninas, era milimetricamente organizada. Para as igrejas que dispunham de uma sala anexa onde pudessem se hospedar, Lila montou um kit com todos os itens básicos para a estadia durante, no mínimo, uma semana. Para as igrejas onde não havia espaço extra para acomodar a família, eles carregavam uma barraca no porta-malas, que poderia ser montada em qualquer espaço próximo ao templo.

Lila compreendia o motivo, a raiz daquela nova vida, e passou a pensar em como isso poderia alcançar outras pessoas. A falta de conhecimento bíblico sobre os fundamentos do matrimônio, a educação de filhos e a relevância da estrutura familiar para a sociedade haviam causado grandes prejuízos nos anos iniciais do seu casamento e na vida das filhas. Tudo parecia restaurado agora. Lila sentia que deveria iniciar o quanto antes.

No carro da família estava tudo o que precisavam para a missão: alimentos que podiam ser preparados em um fogão portátil, utensílios de cozinha, roupas de cama e colchão. Eles não precisavam de muito, já que o trabalho diário começava cedo, com as visitas e acompanhamento dos interessados, e só terminava à noite, quando as palestras e o culto eram encerrados. Muitas vezes, Lila percebia que estava admirando sua família e agradecendo a Deus por eles serem felizes. O ministério sempre foi sustentado pelo casal.

Decidiu começar acompanhando mais de perto a vida familiar dos alunos da escola onde trabalhava, dedicando mais tempo para ouvir e aconselhar, tanto as crianças quanto os pais. As mudanças acadêmicas começaram a acontecer rapidamente, o que surpreendeu até a própria Lila. Os demais professores, antes tão críticos ao fato de Lila ter se tornado adventista, admiraram as transformações visíveis no comportamento e desenvolvimento dos alunos de Lila e a melhora do relacionamento com os pais, e buscaram conhecer mais sobre a Bíblia.

Os anos foram passando, as filhas se casaram e Lila se aposentou. Agora eles teriam mais dias na agenda para dar continuidade ao ministério que salvava a própria família e outras todos os dias.

Em casa, ao conversar sobre o que acontecia na escola, Lila e Oscliden decidiram transformar a própria história em ministério, tornando o atendimento às famílias uma estratégia para pregar. O próprio testemunho serviria de modelo para casais que estavam enfrentando dificuldades.

Ao longo do tempo, Lila e o esposo passaram a atuar como conselheiros de família. Eles promovem a escuta dos casais e os ajudam a encontrarem formas de mudarem comportamentos e melhorarem o relacionamento. Muitas famílias enfrentam dificuldades na área financeira, e Lila compreende como isso afeta a vida da família. Por isso, a ajuda material sempre está presente para famílias que precisam, para que juntos se fortaleçam nas outras áreas do relacionamento.

Primeiro, eles começaram a agir na própria igreja, promovendo encontros que falavam de educação de filhos e vida a dois, com especial destaque à importância da oração e do culto em família. Tanto Lila quanto o esposo sabiam que a oração era um convite para que Deus estivesse dentro das casas, promovendo transformação nas pessoas.

A intenção do casal não se restringe a esse aspecto, já que eles mantém uma meta anual de batismos. O trabalho, realizado há quase 40 anos, levou centenas de pessoas a conhecerem a Igreja Adventista do Sétimo Dia, e Lila se emociona ao falar de cada uma das decisões, na mesma medida em que se emociona ao lembrar das três alunas que foram batizadas no começo do ministério. O próprio casamento restaurado é bênção a ser compartilhada.

Aos poucos, a iniciativa foi se expandindo, e eles recebiam convites das igrejas próximas. Lila e o esposo sabiam que esse era um assunto importante para as famílias adventistas, mas estavam certos de que não deveriam ficar restritos ao público interno. A estratégia adotada para alcançar pessoas não adventistas para as Semanas de Família que promoviam nas igrejas poderia ser a mesma que os 78


PROJETO Como Lila Mercedes Ruiz Diaz de Ferreira, você pode ter um ministério que apoia as famílias, atuando na orientação sobre relacionamentos e educação de filhos, ensinando a evitar os fatores que provocam divórcios e problemas na paternidade. Se você deseja usar a restauração de famílias como uma ferramenta de evangelismo e reavivamento, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre aconselhamento familiar e desenvolvimento de crianças e adolescentes e leia materiais relativos ao tema.

• Aprenda técnicas de mediação de conflitos e resolução de problemas para atuar em situações de crise familiar.

• Aprenda sobre sexualidade, finanças, comunicação, desenvolvimento do cérebro, entre outros temas relacionados com a área de atuação.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Sessões de aconselhamento para casais e pais, ajudando-os a superar dificuldades e a fortalecer seus relacionamentos.

• Organização de visitas à família e encontros regulares para estudos bíblicos focados no tema.

• Realização de workshops ou seminários sobre casamento e paternidade. • Aconselhamento a jovens casais (antes e depois do casamento). • Acompanhamento de jovens pais. • Rede de apoio para as famílias que enfrentam problemas com os filhos. • Distribuição de materiais na comunidade. INOVAÇÃO

• Canva - Para criar materiais visuais, como panfletos, e-books e cartilhas sobre temas familiares, com dicas e orientações práticas.

• Google Forms - Para criar questionários e entender as necessidades específicas das famílias participantes, ajudando a adaptar o conteúdo do ministério.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• WhatsApp ou Telegram - Para compartilhamento de conteúdos. • Zoom ou Google Meet - Para realizar aconselhamento, workshops e grupos de estudo on-line.

• Redes sociais - Para compartilhamento de mensagens e lives sobre o tema.


Mulheres com o coração na missão

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A

os oito anos, ela foi dedicada aos espíritos e passou a ser submetida a diferentes rituais. Maria Auxiliadora havia desmaiado algumas vezes na escola logo na primeira semana de aulas, e, como a mãe não obteve um diagnóstico médico, levou-a a uma consulta com um pai de santo da região e saiu de lá convencida de que a garota deveria ser preparada no terreiro, por ter o dom da mediunidade. Nunca mais voltou a estudar.

Dora, como era chamada, havia passado os primeiros anos de vida morando com a avó em um casebre, porque a mãe não tinha condições de sustentá-la, e do pai só sabia que ele a havia abandonado, era um homem bravo e morava na capital. Quando chegou a época de ir à escola, Dora voltou a morar com a mãe, mas outras pessoas entraram no cenário, definindo o futuro dela. Com a indicação do líder espírita, ao invés de enviar a filha para outro lugar, a mãe de Dora preferiu que o terreiro fosse instalado em sua casa. Durante cinco anos, ela acompanhou a filha sendo submetida aos rituais com animais, roupas, bebidas, isolamento completo por meses e até mutilações no corpo. Dora não entendia e apenas cumpria o que era ordenado. No entanto, nem mesmo a posição de futura médium evitaria que Dora precisasse trabalhar desde muito nova, o que era comum na região.

Maria Auxiliadora 1955 • BRA SIL

Aos 15 anos, ao ser levada pelo pai de santo para um ritual na capital, Dora se revoltou e decidiu abandonar o terreiro, mesmo com ameaças de que seria morta por causa daquela decisão. Encontrou um trabalho em uma padaria e procurou pelo pai, que, embora fosse um estranho para ela, passava a sensação de que ter alguém por perto poderia ajudá-la, quando precisasse. Pouco tempo depois, Dora conheceu e se envolveu com um rapaz desempregado, alcoólatra e que batia nela constantemente. Ela seguia com o relacionamento, já que não nutria expectativa de uma vida diferente. Ter um lugar para morar era tudo o que desejava. Se casasse poderia morar na casa da sogra, por isso, decidiu confessar que não era mais uma moça virgem, porque o pai obrigaria o rapaz a se casar com ela. Na saída do cartório, depois que o sogro foi embora, o rapaz surrou Dora mais uma vez, e essa rotina permaneceu por bastante tempo, mesmo

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depois do nascimento do primeiro filho. Dora trabalhava com o que aparecia e sustentava a família, inclusive a sogra, também alcoólatra.

o que desagradou o esposo, levando-o a separar-se dela. Dora estava decidida a não mais abandonar Jesus. Ela via e sentia as mudanças que Deus estava realizando em toda a sua família, por isso voltou a morar com a mãe.

Quando conquistou seu primeiro trabalho com carteira assinada, Dora decidiu se separar. Além das surras, Dora descobriu que o marido havia se envolvido com a irmã mais nova dela e gastado o dinheiro que havia conseguido economizar.

Entretanto, uma sucessão de problemas começou a acontecer: os filhos saíram da igreja e se envolveram com crimes, a mãe de Dora morreu e a casa em que elas moravam desabou. Dora ficou sozinha, sentindo que uma grave provação tentava afastá-la dos caminhos do Senhor.

Então saiu de casa, alugou um pequeno espaço e nos próximos oito anos teve mais três filhos de pais diferentes. Ela doou o filho mais novo logo após o nascimento e os demais deixava com a mãe, quando saía para trabalhar.

Dora foi agraciada com uma casa em um povoado afastado de onde morava, e ficou radiante quando descobriu que havia um pequeno grupo de adventistas ali. As reuniões passaram a acontecer na casa dela. Em poucos meses, muitos batismos aconteceram e uma igreja foi formada.

Dora levava uma vida dupla, desconhecida dos familiares e amigos, regada a sexo sem compromisso e bebida. Quando o expediente no bar em que trabalhava era encerrado, ela aceitava convites de desconhecidos para outras festas e só voltava para casa pela manhã, quando todos pensavam que o expediente dela havia terminado.

O desejo de Dora era dar estudos bíblicos, mas ela não sabia ler. A primeira estratégia foi decorar tantos versículos quanto pudesse. Depois, chamou amigas para acompanhá-la e, ao mesmo tempo, começou a aprender as primeiras sílabas e ser capaz de fazer leituras mais simples.

Dessa forma, a vida de Dora foi piorando e, sem dinheiro e com o vício em bebida cada vez mais grave, ela foi acolhida pela irmã mais velha. As condições financeiras não eram boas, mas a irmã estava decidida a ajudá-la a recomeçar, talvez encontrando um marido. Aos 28 anos, Dora se envolveu com um idoso que conheceu, apenas buscando estabilidade, mas decidida a levar uma vida honesta. Entretanto, esse homem sentia muito ciúme, bateu nela e, quando ela decidiu se separar, passou a difamá-la, dizendo que ela era prostituta. Daquele momento em diante, Dora tomou a firme posição de que jamais alguém teria motivo para rebaixá-la daquela maneira.

O envolvimento na missão passou a preencher a vida de Dora de uma maneira que ela nunca havia sentido antes. Ela também se casou com um homem adventista, que era diácono na igreja. Pouco tempo depois, Dora decidiu abrir uma classe bíblica em outra localidade, ainda sem a presença adventista e, no decorrer do trabalho, uma igreja foi plantada ali. Quando já havia vários membros, ela decidiu que seria o momento de partir para uma nova empreitada evangelística. Começou o trabalho e inaugurou outra igreja, que passou a frequentar. À medida que ensinava sobre Jesus, Dora aprendia a ler por meio da Bíblia.

Dora se voltou completamente ao trabalho. Montou uma barraca na feira e passou a vender frutas. Algum tempo depois, foi viver com um viúvo que trabalhava como pescador, e a vida parecia seguir em uma normalidade.

Acompanhando um encontro digital promovido pelos adventistas, chamado Sala 157, Dora acompanhou o testemunho de uma pessoa, viciada em álcool e moradora de rua, que havia sido acolhida, mudado de vida e se tornado adventista do sétimo dia. Dora passou a sentir que Deus a inspirava a olhar para um grupo de homens alcoólatras que se reuniam para beber próximo à casa dela. Quando passavam por ela na rua, alguns a cumprimentavam, e cada bom dia soava para ela como um grito de socorro.

Em uma quarta-feira, um homem bem-vestido comprou frutas na barraca de Dora. Depois de conversarem um pouco, ele a convidou para ir à igreja. Como o marido pescava em alto mar durante as noites, Dora foi para a igreja uma vez acompanhada dos filhos, sem que ele soubesse, mas não voltou mais. Na mesma época, a mãe de Dora também havia sido convidada para ir à igreja e começou a frequentar os cultos, levando os netos, e a estudar a Bíblia. Quando o filho mais velho de Dora decidiu ser batizado, aos 12 anos, ela passou a ir aos cultos.

Dora decidiu abordá-los para falar de Jesus a eles. Passou a visitá-los semanalmente, e o grupo aumentava a cada dia. Às vezes, alguns ainda estavam alcoolizados, mesmo assim, se esforçavam para ouvi-la falar de Deus durante a classe bíblica.

Mesmo sem saber ler, Dora ficava encantada com o que aprendia. O contato com novos amigos fez com que ela não quisesse mais ir ao forró e nem beber, 82


PROJETO

Muitos do grupo estavam em situação de desnutrição, um dos efeitos do vício. Ao perceber essa condição, Dora passou a preparar sopa para entregar a eles a cada encontro. Ela os aconselhava e, quando encontrava oportunidade, agendava consultas com médicos psiquiatras e em programas governamentais de apoio a dependentes químicos. Chamada de mãe por eles, ela os acompanhava nos atendimentos. Graças a esses esforços, dois jovens se curaram do vício, começaram a trabalhar e foram batizados. Dez por cento dos rendimentos que Dora recebe da aposentadoria e da pensão, ela dedica ao trabalho social desenvolvido há dois anos com dependentes químicos. Um dos filhos de Dora foi preso em outro estado, e ela envia ajuda para aquisição de produtos de higiene básica e complementação da alimentação. Como não aprendeu a escrever, não consegue enviar cartas ao filho, e apenas tem comunicação quando ele consegue telefonar. Depois de 42 anos, Dora reencontrou o filho que entregou para adoção.

Como Maria Auxiliadora Santos Feitosa, você pode ter um ministério que atua com dependentes químicos, incentivando-os a abandonar o vício com conselhos, visitas a médicos e estudo da Bíblia. Se você quer atuar com esse grupo de forma missionária, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre aconselhamento e recuperação de dependentes químicos. • Aprenda os aspectos psicológicos e emocionais do vício, além de técnicas de escuta ativa.

• Engaje-se em estudos bíblicos e sobre missão em contextos de marginalização. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Visitas regulares a dependentes químicos, promovendo diálogo e encorajamento para a superação dos vícios.

• Estudos bíblicos com temas de esperança e restauração. • Rede de apoio para tratamento, incluindo profissionais da saúde, como médicos e

psicólogos, e orientação dos dependentes para buscarem tratamentos adequados e supervisionados.

• Grupos de oração e encorajamento. • Atividades de reintegração social e profissional. INOVAÇÃO

• Canva - Para desenvolver materiais visuais sobre autocuidado e apoio espiritual. • Google Forms - Para organizar cadastros de participantes e voluntários. • Zoom ou Google Meet - Para realizar estudos bíblicos e grupos de apoio on-line. • Trello ou Asana - Para organizar e monitorar o progresso de cada participante, criando

um fluxo de atividades que inclua visitas, sessões de aconselhamento e consultas médicas.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Ko-fi ou Apoia.se - Para captar recursos que ajudem a financiar tratamentos e materiais de apoio.


Mulheres com o coração na missão

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E

m 2020, as primeiras horas após o decreto para que tudo fosse fechado e que ninguém saísse de casa foram assustadoras para Maria Rosario e o marido, que eram idosos, porém mantinham uma rotina muito ativa. Desde que se tornou adventista, aos 20 anos, a presença nos cultos regulares da igreja, o trabalho missionário frequente e a participação em atividades sociais eram características marcantes de Maria Rosario.

A pandemia da Covid-19 era um momento de incerteza, e Maria Rosario mantinha os olhos atentos ao noticiário mundial. Além disso, outra situação preocupante ocorria na vizinhança, e nem ela e nem o esposo deixariam de agir: uma enchente havia causado estragos nas casas próximas e, contrariando as orientações das autoridades e da família, o esposo de Maria Rosario saiu para ajudar os vizinhos. Poucos dias depois, os fortes sintomas apareceram, os exames confirmaram a infecção pelo coronavírus, e eles foram colocados em quarentena Embora precisassem de atendimento hospitalar, não havia vagas, por isso, foi montada uma estrutura na própria casa para que médicos próximos à família pudessem atender o casal de idosos. Maria Rosario se recuperou em três meses, mas a situação do esposo piorava a cada dia Ao mesmo tempo em que via o caso do esposo se agravar, Maria Rosario buscava obter informações sobre os estudantes da Bíblia que ela visitava com frequência. Desde que se tornou adventista, ao ser convidada para a Semana Santa por uma amiga e receber estudos bíblicos de um pastor, Maria Rosario nunca estivera nenhuma semana longe do ensino da Palavra de Deus. Fosse por meio dos estudos individuais ou das classes bíblicas ao longo de mais de quatro décadas, ter estudantes da Bíblia havia sido seu propósito de vida. Os estudantes eram encontrados de diversas maneiras, como o Projeto Rosas, que envolvia dezenas de mulheres em ações de voluntariado, sempre lideradas por Rosário, e como o Brigada Lucas 15:10, em que Rosário engajava médicos, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde e promovia atividades de ajuda comunitária. As ações não se restringiam à cidade onde eles moravam e ajudavam em outras províncias sempre que eram chamados.

Maria Rosario 1956 • BOLÍVIA

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No entanto, entre março e dezembro daquele ano, Rosario não saiu de casa. O marido, que a cada dia tinha menos capacidade pulmonar, necessitou de oxigênio em um momento de extrema gravidade da doença. Dez meses depois de contrair a doença, no Natal, ele foi curado.

Até o fim completo das restrições, Rosario coordenou encontros coletivos para estudo da Bíblia por meio da plataforma Zoom e realizou chamadas de vídeo através do WhatsApp para aqueles que preferiam um atendimento mais individualizado. Depois que as igrejas abriram as portas, os alunos de Rosario foram convidados a congregar de forma presencial nos cultos e nos encontros de pequenos grupos.

As restrições de circulação ainda estavam intensas, mas Rosario sentia que precisava acompanhar com mais proximidade as pessoas com quem antes ela estudava a Bíblia. Alguns haviam perdido familiares e enfrentavam o luto, e outros haviam sido infectados, embora tivessem conseguido se curar. Rosario sabia que o medo, a ansiedade e outros problemas emocionais eram também uma pandemia, mais silenciosa.

Ao longo dos anos pós-pandemia, Rosario percebeu que a estratégia de dar estudos bíblicos de forma digital não era uma opção apenas nos momentos em que as igrejas estavam fechadas. Muitas pessoas que visitam a igreja preferem aprofundar os estudos bíblicos de forma virtual, seja pela facilidade de tempo e distância, seja por se sentirem mais adaptadas a esse formato.

A própria Rosário sentia-se diferente, mais sozinha e isolada. A gratidão pela cura do marido e a dela própria era evidente, mas não havia cultos nem classes de estudo da Bíblia; estavam todos separados.

Desde então, Rosario passou a mesclar sua oferta de estudos da Bíblia, o que surpreende as pessoas, especialmente por ver que uma pessoa idosa domina a tecnologia e está apta a ensinar a Bíblia por meio dela. A verdade é que ela mesma se surpreende com a nova forma que encontrou para evangelizar, intitulando-se missionária digital.

Nos meios de comunicação, Rosario via reportagens e relatos de pessoas que tentavam manter a rotina de trabalho e o convívio social por meio da tecnologia. Mas Rosário não tinha conhecimento das ferramentas nem dos equipamentos que possibilitavam aquelas chamadas em vídeo, individuais ou em grupos. Aos 64 anos, Rosario sabia usar o básico dos aparelhos telefônicos.

Ao longo dos anos, Rosário viu as decisões migrarem do virtual para os longos abraços após o batismo. Ela compreendeu também que a nova possibilidade de fazer o que a moveu durante toda a vida trouxe de volta seu entusiasmo e a certeza de que os meios digitais podem ajudá-la a levar a Palavra de Deus a pessoas em várias partes do mundo.

Rosário decidiu arriscar e sair às ruas, procurando pessoas para interagir e falar de Deus, mas as pessoas não estavam dispostas a atendê-la. Voltou para casa e ficou pensativa, orando para que algo acontecesse, tanto para alcançar outras pessoas quanto para voltar a se sentir bem e viva.

Além dos estudos bíblicos, Rosario utiliza o WhatsApp para envio de receitas, músicas e materiais sobre saúde, educação e família.

Naqueles dias, os meios de comunicação noticiaram um curso gratuito para quem quisesse aprender a usar a plataforma Zoom – a iniciativa governamental tinha patrocínio da Unesco. Rosario pensou ser uma boa oportunidade também para passar o tempo. Logo Rosario compreendeu que seria bom adquirir um celular com mais tecnologia para usar com o computador, que já era bastante velho, mas ainda não era possível trocar. Rosário participou dos seis meses de curso, visando aprender o melhor uso da tecnologia para pregar. Um grupo com cinco pessoas interessadas foi criado. Rosario promoveu o primeiro encontro de forma presencial na igreja, com o distanciamento indicado pelas autoridades de saúde. O objetivo era ter um contato mais humano antes de ir exclusivamente para o meio digital. 86


PROJETO Como Maria Rosario Udaeta Ojalvo, você pode ter um ministério que usa os meios digitais para pregar sobre a volta de Jesus e transmitir outros assuntos bíblicos. Se você quer usar a tecnologia como uma ferramenta de evangelismo e reavivamento, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre evangelismo digital e estratégias de comunicação on-line. • Aprenda técnicas de criação de conteúdo para mídias digitais, como edição de vídeo, design gráfico e redação para redes sociais.

• Estude sobre marketing digital e SEO para otimizar o alcance do conteúdo e engajar mais pessoas com a mensagem.

• Esteja atualizado sobre lançamentos de novas tecnologias e equipamentos. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Produção de conteúdos em vídeo, áudio ou PDF para serem compartilhados digitalmente. • Transmissão de lives para pregar e interagir com o público em tempo real, permitindo perguntas e respostas sobre temas bíblicos.

• Estudos bíblicos usando aplicativos de mensagens ou plataformas digitais. INOVAÇÃO

• Canva - Criação de materiais para distribuição no meio digital. • OBS Studio - Software gratuito para transmissões ao vivo. • Anchor - Plataforma gratuita para criação de podcasts. • Hootsuite ou Buffer - Para programar postagens nas redes sociais. • Google Analytics - Para acompanhar o alcance das postagens e entender o perfil do público, ajudando a otimizar o conteúdo de acordo com o engajamento.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Redes sociais - Para realizar transmissões ao vivo e publicar vídeos.


Mulheres com o coração na missão

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O

s gritos da mãe ao ser espancada pelo marido bêbado ecoavam na mente da menina, enquanto ela percorria a mata fechada com os irmãos mais novos a procura de um abrigo seguro. A pobreza era o menor do problemas para Ana Maria, que, aos dez anos, viu a mãe ir embora para viver com outro homem, abandonando os filhos. Por toda a noite, Ana Maria havia implorado à mãe para não abandoná-la, mas o sol do amanhecer fez a imagem do barco em que a mãe estava desaparecer no horizonte.

Frequentemente, Ana Maria também era muito espancada pela mãe, mas de alguma forma sentia-se ligada a ela. Naquela manhã, a garota passou algum tempo olhando para o rio, como costumava fazer, mas o sentimento era outro. As águas que antes ela imaginava trazerem uma vida melhor agora levavam a mãe dela para longe. Naquele dia, Ana Maria foi a responsável por cuidar e alimentar os irmãos mais novos, até que o pai chegasse do trabalho. A decisão dele diante da notícia da fuga da esposa foi entregar cada uma das crianças para uma família diferente, dizendo-se incapaz de cuidar delas. Ana Maria não teve sorte. Foi dada para uma família de comerciantes da região que a tratavam como empregada. Ali ela também foi vítima de maus-tratos e estupro. Depois de um tempo, em uma nova família, a mesma situação: houve um dia em que apanhou tanto que os vizinhos se compadeceram e pediram que a família a livrasse daquele sofrimento. Por um tempo, morou com a tia, livrando-se pelo menos das surras. Um tempo depois, foi morar com o pai, em situação precária, sonhando em encontrar alguém que a tirasse daquela situação. Aos 17 anos, conheceu um homem mais velho e ficou grávida, mas ele não assumiu a criança. Na mesma época, soube da oportunidade de trabalhar em casas de famílias na capital, mas, quando a filha nasceu, foi mandada embora.

Ana Maria

O hospital entrou em contato com a mãe de Ana Maria, e ela a acolheu com a criança. A vida era sofrida, e o relacionamento, complicado. Sem documentos pessoais, trabalhava na informalidade em serviços pesados na construção civil. As costas dela doíam muito.

1960 • BRA SIL

Passado algum tempo, foi procurada pelo mesmo homem, pai de sua filha, e engravidou novamente, mas, pouco depois de o filho nascer, descobriu que ele mentia e tinha uma familia. 89


Algum tempo depois, Ana Maria engravidou novamente e, sem ter condições para cuidar da criança, entregou o menino para uma família. De alguma forma, ela sentia que precisava mudar de vida, e por isso deu um passo importante ao fazer seus documentos, o que a possibilitou encontrar um trabalho com registro em carteira.

O movimento das águas acalmava o coração da mulher, sempre levada de volta às lembranças da menina que passou a temer a noite - por tudo o que acontecia quando a escuridão caía. Ana Maria estava grata por ter possibilitado melhores condições aos próprios filhos e a si mesma, mas sentia que a vida eterna descrita na Bíblia deveria acontecer o quanto antes e ela tinha responsabilidade para que a volta de Jesus se tornasse realidade.

Na empresa, Ana Maria via uma moça que cantava enquanto trabalhava e passou a admirá-la, achando-a distinta e educada. Ao perguntar sobre ela, soube que era cristã e isso a fez pensar que ser cristã poderia ser o caminho para um futuro melhor. Ao se aproximar da colega, ouviu sobre a Bíblia, especialmente sobre o sábado.

Enquanto pensava em como poderia ir além na missão, Ana Maria foi abordada pelo pastor interessado em alugar o barco para levá-lo a comunidades distantes, onde faria séries de evangelismo. Aquele pedido foi a resposta que Ana Maria aguardava. Prontamente fez os acertos com o pastor: bastava custear o combustível, que tanto ela quanto o marido não só cederiam a embarcação como estariam presentes nas viagens missionárias.

A mãe de Ana Maria a aconselhava a se encontrar com Adelson, um rapaz que estaria disposto a ficar com ela. Ele era policial militar, responsável e aceitava os dois filhos dela. Entendendo ser uma oportunidade, ela juntou as poucas roupas que tinha e se mudou no dia do primeiro encontro.

Ao chegar às comunidades, Ana Maria saía cedo para visitar as famílias. Para aqueles que necessitavam de ajuda material, eles entregavam alimentos que haviam comprado com recursos próprios e as poucas doações que recebiam. Durante todo o dia, Ana Maria fazia convites para as palestras e os cultos à noite. Voltava ao barco apenas para se alimentar. Era o momento que notava os tornozelos inchados de tanto caminhar.

No novo bairro, Ana Maria abordou uma mulher que passava pela rua, perguntando sobre uma igreja que guardasse o sábado. Recebeu a indicação da Igreja Adventista e começou a frequentar os cultos. Como ainda estavam se conhecendo e pela velocidade com a qual foram morar juntos, Ana Maria ainda não sabia que toda a família de Adelson era adventista e ele mesmo havia sido, estando então afastado. Ele não foi contrário à decisão de Ana Maria ser batizada, porém, ele mesmo demoraria 25 anos para decidir voltar para a igreja.

À noite ficava emocionada ao ver as pessoas saindo do meio da escuridão para ouvirem atentamente a mensagem da Bíblia, apresentada pela Abelhinha, como passou a ser chamada. A cada viagem, o casal preparava dezenas de pessoas para o batismo.

Durante muitos anos, Ana Maria morou no interior, enquanto o marido trabalhava em outro município. Ele visitava a família frequentemente, mas, na rotina diária, ela se sentia sozinha. Por essa razão, envolvía-se na missão, pregando na comunidade onde residia. O primeiro evangelismo aconteceu em uma aldeia. Quando o marido enfim foi rebatizado, ele passou a ajudá-la.

Com o passar do tempo, mais pessoas se interessaram em participar das viagens missionárias em edições curtas. O barco não era próprio para transportar pessoas, mas navegava em sua lotação máxima, muitas vezes no meio da escuridão, vencendo as situações de perigo causadas por tempestadades e avarias no motor. O que encontravam e o que faziam enchiam o coração de Ana Maria de esperança ao imaginar a volta de Jesus.

Ana Maria participava de todas as atividades da igreja, atuando até como ajudante de pedreiro na construção do templo. Ela também buscava se envolver em ações sociais na comunidade: Ela sabia a dor da fome e da miséria, se compadecia ao ver as crianças desnutridas e em situação de risco na região e queria possibilitar a elas uma infância diferente da que ela teve.

Em uma das viagens, ao vivenciarem um sério problema no leme no meio do rio e cercados pela floresta, Ana Maria clamou a Deus por um novo barco. Não demorou muito para que um madeireiro se interessasse em fazer negócio. O barco era perfeito para transportar madeira, e ele trocaria por uma lancha de passageiros. Para a troca, Ana Maria e o esposo deveriam pagar a diferença, mas não tinham condições para isso. Cientes da responsabilidade e

Adelson era um sonhador e queria ter um barco, sempre lembrando da brincadeira de criança com barquinhos de papel. Em uma oportunidade, vendeu um terreno e adquiriu uma embarcação. Ana Maria preferia dormir no barco, ainda que ele fosse velho e não tivesse nenhum tipo de iluminação. 90


PROJETO

da necessidade, oraram e confiaram que Deus proveria os meios para que as prestações fossem pagas. Batizaram a lancha de “Escolhidos para a missão”. Ana Maria assumiu o comando da lancha, enquanto o esposo cuidava das máquinas no convés. Sem a orientação de GPS ou bússola, sempre que se depara com entroncamentos de rios, chama o marido à cabine para que ele indique o trajeto. Ana Maria sente que tudo que tem é bênção a ser compartilhada, especialmente quando recorda o passado de privação e provações enfrentado desde a infância. As cicatrizes nos ossos do crânio e a dor nas costas, no local onde apanhava, insistem em lembrá-la do passado, mas ao admirar os rios agora tem o sentimento de que as águas que antes representaram o abandono, hoje significam compromisso pessoal, um caminho ao encontro de pessoas que recebem a esperança, assim como ela um dia sonhou.

Como Ana Maria da Silva Batista, você pode ter um ministério que atenda comunidades distantes e isoladas para realizar atividades sociais e ensinar a Bíblia. Se você quer realizar viagens missionárias , aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de treinamentos em evangelismo e atuação comunitária. • Aprenda sobre as culturas locais, necessidades específicas das regiões de difícil acesso, respeito e valorizacão das particularidades de cada comunidade.

• Estude sobre logística de missões para garantir o transporte seguro de suprimentos e a organização das atividades no campo missionário.

• Estude sobre a busca de recursos e patrocínio. • Estude sobre formatos e ferramentas de comunicação. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Oficinas sobre cuidados básicos de saúde, higiene e educação. • Distribuição de materiais essenciais, como alimentos, roupas e outros suprimentos para auxiliar comunidades carentes e promover o bem-estar.

• Eventos de conscientização e envolvimento social. • Criação de parcerias locais com lideranças comunitárias para entender melhor as necessidades locais e estabelecer uma presença constante.

• Estudos bíblicos e discipulado. • Criação de peças de comunicação para divulgação de histórias e resultados das missões. INOVAÇÃO

• Google My Maps - Para mapear e planejar as rotas das viagens missionárias, marcando pontos de interesse e facilitando a logística de deslocamento.

• Garmin inReach - Para comunicação via satélite em áreas sem sinal de celular. • Trello ou Asana - Para organizar e coordenar as tarefas da equipe missionária. • Canva - Para criar materiais educativos, informativos e de divulgação. • Google Drive - Para armazenar materiais, planilhas e informações, facilitando o compartilhamento entre os membros da equipe.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• SPOT Gen4 - Localizador por satélite que envia atualizações de localização e possui função de emergência para casos extremos.

• WhatsApp - Para comunicação em tempo real entre os membros da equipe missionária, facilitando o alinhamento e resolução de questões imediatas durante as viagens.

• Redes sociais - Para compartilhar histórias, fotografias e resultados das viagens missionárias.


Mulheres com o coração na missão

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S

er parte de uma família polígama não era estranho para a menina, pois a prática é comum na Nigéria. Flora tinha nove irmãos, de mães diferentes, e todos participavam ativamente das reuniões e projetos da Igreja Católica. A frequência era rigorosamente controlada pelo pai. Ele acreditava que o desenvolvimento espiritual dos filhos era muito importante.

Os pais de Flora eram funcionários públicos, e isso permitia que ela e as demais crianças crescessem em ambiente estável financeiramente. Envolvida nas atividades sociais da igreja que frequentava, durante a adolescência, Flora visitou hospitais algumas vezes. Quando chegou a hora de ir para a faculdade, Flora escolheu as áreas de Biologia e Educação, sem saber ao certo o que aconteceria quando realmente tivesse o diploma em mãos. Pensava em ser professora. No último ano de faculdade, Flora percebeu que passou a ser abordada por algumas pessoas que a chamavam de Chinyere, visivelmente confundindo-a com outra moça. A situação aconteceu com tanta frequência que Flora buscou conhecer a sósia, descobrindo que era alguém que estava fazendo treinamento na Escola de Enfermagem do Hospital Universitário de Enugu. Logo, as duas se tornaram amigas e passaram a compartilhar as histórias engraçadas das pessoas, quando entendiam que estavam enganadas. Mas havia uma diferença entre elas que, para Flora, era muito clara e evidente. Chinyere não usava brincos grandes, como todas as mulheres que ela convivia e também ia à igreja aos sábados. Para Flora, não se enfeitar com grandes joias, especialmente para ir à igreja, era algo muito estranho, porque, as joias eram um fator de embelezamento da mulher. Foi a primeira vez que ela ouviu falar sobre os adventistas do sétimo dia.

Flora Abaribe

Foi a primeira vez também que Flora viu Enyinnaya Harcourt Abaribe, um professor universitário que estava na cidade para uma das visitas que frequentemente fazia à irmã, Chinyere. A amizade entre as duas estudantes se fortalecia e sempre que Enyinnaya estava na cidade, os três se encontravam. Não demorou muito para que Chinyere visse que Flora e o irmão deveriam ser mais que amigos e decidiu juntá-los, como casal.

1960 • NIGÉRIA

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O pedido de casamento aconteceu no final de 1985, e Flora aceitou, com a condição de que pudesse continuar a usar brincos. Flora acompanharia o marido à igreja aos sábados, por não ser um grande sacrifício para ela, mas, sobre os brincos, ela teve uma ideia que aplicou por algum tempo: ao chegar à igreja, ela os removia e voltava a colocá-los assim que entrava no carro.

eram atendidas contavam para outras viúvas, porque o número de pedidos de ajuda não parava de crescer. Flora levou o assunto ao marido, e eles passaram a refletir sobre o papel que deveriam ter como cristãos. Por ser uma questão ampla e cultural, a solução não é tão simples ou rápida, e a fome não espera. O casal então decidiu dedicar parte das próprias economias para atender rotineiramente essas mulheres e reservou o dia 1º de janeiro para abrir as portas da própria casa a grupos de viúvas para distribuir donativos em uma grande ação. Na primeira vez, em 2011, o casal atendeu cerca de 60 viúvas, e ao longo dos 14 anos em que o projeto é realizado, o número saltou para 700 mulheres a cada ano.

Enyinnaya não fazia comentários contrários ao costume da esposa, mas estrategicamente a envolvia a cada dia mais nas atividades da igreja. Entretanto, Flora sempre trazia o assunto à tona, dizendo que o adorno era essencial para que uma mulher fosse considerada bonita e atraente. Em uma das vezes em que conversaram sobre o assunto, o marido respondeu pacientemente que ele não via as joias no rosto de Flora, nem mesmo quando ela as usava.

Ao ver o grupo aglomerado em frente da casa, antes de abrir o portão, Flora fica assustada e insegura sobre a quantidade de donativos que ela e o marido conseguiram comprar. Essa é uma iniciativa que não recebe ajuda governamental ou de qualquer outro tipo. Entretanto, como se fosse no milagre relatado na Bíblia, tem sido possível entregar às viúvas arroz e outros alimentos, além de fertilizantes para que elas consigam plantar e ter um meio se autossustento.

Aquela declaração intrigante e romântica marcou profundamente o interesse de Flora em estudar mais sobre o tema na Bíblia. Havia dois anos que frequentava regularmente os cultos quando Flora completou os estudos bíblicos e decidiu ser batizada. Oficialmente, ela passou a se envolver no ministério infantil, tornando-se uma professora profundamente interessada em levar as crianças a Jesus. Flora teve três filhos, dois meninos e uma menina. A carreira do marido na área acadêmica dava à família uma situação confortável. Vivendo no país mais populoso da África, com alto índice de pobreza, graves conflitos étnicos e perseguição religiosa, ainda que vivessem em uma região menos perigosa, não era possível para a família estar alheia a todos os efeitos nas pessoas. Havia muita necessidade de ajudar.

Quando abre os portões da própria casa, Flora tem a oportunidade de falar sobre Jesus e orar com as mulheres. Entre abraços e sorrisos, ela se empenha para acolhê-las e de alguma forma mostrar que entende que a dor do luto já é uma carga grande para lidar. Por isso, Flora e o marido sempre destacam que essas mulheres são seres criados e amados por Deus e que haverá um dia em que a dor e a morte não mais existirão.

Em 2008, Enyinnaya foi eleito vice-governador de uma província e, mais tarde, senador. De uma hora para outra, mulheres foram atraídas para a porta da casa de Flora, buscando ajuda. Era a primeira vez que ela mergulhava no contato com um grupo tão vulnerável do país: as viúvas.

Flora também apresenta mensagens reforçando a autoestima, algo necessário, pois, assim que os maridos falecem, muitas são obrigadas a cortarem os cabelos, usarem roupas escuras e se isolarem por um período, o que provoca questões também na visão que elas têm de si mesmas.

Flora sabia que perder o marido na Nigéria era quase um decreto de pobreza, falta de acesso à saúde, abuso físico e sexual, e morte. A prática de abandonar as viúvas e culpá-las pela morte dos maridos, colocava mulheres em situação de abandono. Havia histórias de mulheres forçadas a beber a água usada para lavar o cadáver do marido como prova de culpa ou inocência pela morte e, por serem impedidas de acessar à herança, eram levadas à mendicância como única forma de sobrevivência.

A nova percepção de Flora sobre a beleza essencial feminina, a despeito dos adornos, a ajuda a compartilhar o tema com mais autoridade. Flora é capaz de dizer a elas que não as vê como viúvas, de cabelos curtos ou vestindo roupas escuras, e sim como mulheres que merecem ser respeitadas e têm direito de seguir a vida. A problemática vivenciada pelas viúvas nigerianas não é uma questão simples de ser solucionada. Embora exista, desde 2015, uma lei nacional contra a violência, nem todos os estados aderiram. Nesses locais, as práticas culturas continuam existindo independentemente da legislação.

Elas batiam à porta da casa de Flora em busca de comida, roupas e assistência financeira. Com o tempo, Flora teve a certeza de que aquelas que 94


PROJETO

Além de serem impedidas de usufruir dos bens da família, elas enfrentam o acesso limitado às linhas de crédito, o que torna impossível que trabalhem para sustentar os filhos e a si mesmas. Muitas são vítimas da grande proliferação do HIV, tornando ainda mais grave o fato de terem acesso limitado à saúde. Enquanto isso, Flora e o esposo seguem dando condições de vida e sustento para centenas de mulheres.

Como Florence Nwamaka Abaribe, você pode ter um ministério que auxilia viúvas a recomeçarem no aspecto emocional, financeiro e espiritual. Se você quer alcançar essas mulheres e ajudá-las a enfrentarem o luto e terem uma nova oportunidade de vida, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Entenda as dificuldades enfrentadas pelas viúvas na sua região. • Faça cursos ou participe de palestras sobre como apoiar emocionalmente mulheres em luto.

• Estude sobre direitos das viúvas. • Estude sobre finanças e orçamento familiar. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Reúna as viúvas para momentos de partilha e oração, fortalecendo-as emocional e espiritualmente.

• Realize campanhas regulares para arrecadação de alimentos e itens básicos. • Ofereça cursos rápidos para que elas possam aprender um ofício e recomeçar financeiramente, atuando em áreas como costura, culinária, artesanato ou tecnologia básica.

• Organize workshops sobre como voltar ao mercado de trabalho e criar pequenos negócios. • Ensine gestão de recursos pessoais e planejamento financeiro. • Apoie as viúvas a reivindicarem direitos como pensões ou heranças em parceria com advogados voluntários, organizando mutirões de orientação jurídica.

• Conecte-se com organizações que já atuam na causa para ampliar o alcance do trabalho. INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Google Meet - Para encontros virtuais. • Canva - Para criar materiais informativos. • Trello - Para organizar atividades do projeto. • Catarse ou Vakinha - Para levantar recursos financeiros para o projeto.


Mulheres com o coração na missão

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A

prática da leitura e o aprendizado de idiomas sempre foram incentivados pelos pais da menina, que era filha única de um imigrante suíço. Susana cresceu em um colégio adventista, onde os pais estudaram e depois trabalharam, por isso, a participação nas atividades da igreja sempre fizeram parte da rotina dela.

Quando tinha aproximadamente oito anos, a mãe de Susana teve um sarcoma, um tipo de câncer ósseo cujo tratamento inicial foi a amputação da perna. O caso era sério e havia o risco da doença ter se espalhado. O pai de Susana fez uma oração pedindo que a esposa ficasse viva pelo menos até que a filha crescesse. Como ainda era muito criança, inicialmente Susana não se dava conta da gravidade, embora as constantes idas a médicos mostrassem que o problema era sério. Algum tempo depois, a família viajou para a Suíça, onde foram atendidos por um profissional adventista que produziu uma prótese, uma perna ortopédica, para ela. Dessa forma, ela poderia se movimentar quase que normalmente e acompanhar o desenvolvimento da filha. Aos poucos a rotina foi voltando à normalidade, e a mãe se adaptou completamente ao uso da perna mecânica. Apenas aos 17 anos, Susana soube da oração do pai, durante um momento de agradecimento que ele fez por ainda desfrutar da companhia da esposa, que estava saudável. Saber daquele milagre deixou Susana profundamente emocionada e, ainda naquele dia, ela decidiu que dedicaria seu talento para Deus, através da educação, seguindo o sonho de também ser uma professora. Para isso, cursaria Geografia e Francês, depois de concluir o ensino médio na escola onde cresceu e que, mais tarde, se tornaria a Universidade Adventista del Plata, na Argentina.

Susana Chaskelis 1949 • ARGENTINA

Durante os estudos, ainda no Ensino Médio, Susana conheceu Luis, que mais tarde ingressaria na faculdade de Teologia. Eles namoraram por seis anos, até se casarem. Ambos se tornaram profissionais no colégio onde haviam estudado. O casal compreendia profundamente os propósitos da Educação Adventista. Com o tempo, Luis passou a servir à rede educacional em outras unidades que atuam em regime de internato, e Susana o acompanhava, atuando especificamente com os jovens e também assumindo funções na área educacional.

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Susana se interessava profundamente pelo aprendizado de idiomas. Como os pais falavam francês em casa, cresceu bilingue, falando também o espanhol. Ao longo dos anos, continuou estudando, tornando-se fluente em português e inglês.

os estudos de jovens que desejavam ser professores. A iniciativa foi organizada para que funcione como um empréstimo, onde o jovem pode devolver o investimento em dinheiro ou com serviço na Educação Adventista. Em paralelo a esse projeto, Susana e o marido começaram a comprar livros para formar uma biblioteca na Argentina, quando fosse o momento de retornar para o país natal. Toda a literatura estava em inglês, com o objetivo de ser utilizada em pesquisas e para os estudante melhorarem a fluência no idioma. Além do uso de recursos pessoais para a aquisição de livros, eles conseguiram muitas doações, totalizando mais de 6 mil títulos.

No período em que Luis atuou na Divisão Sul-Americana, dirigindo a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), Susana se afastou pela primeira vez da educação, atuando como primeira líder no Ministério da Mulher na Divisão sul-Americana, que dava seus primeiros passos, ainda na fase de implementação.

Em 2019, quando decidiram voltar definitivamente para a Argentina, o casal enviou um container repleto de livros. Ao chegarem, encontraram um espaço onde antes havia um supermercado para instalar a biblioteca de atendimento gratuito à comunidade local.

Quando Luis foi nomeado reitor da Universidade Adventista del Plata, Susana teve a alegria de voltar a servir na área da educação formal, acompanhando de perto estudantes que precisavam de apoio em suas necessidades básicas, especialmente aqueles que viviam em ambientes humildes, ou eram provenientes de outros países. Por 38 anos, Susana desenvolveu um ministério silencioso com a alegria de poder devolver a Deus seu talento, enquanto celebrava a bênção de ter tido a mãe viva durante a própria adolescência, como ela havia rogado a Deus.

Aos poucos, outras dez professoras aposentadas se uniram a Susana como voluntárias do projeto para atender os estudantes diariamente na biblioteca. O projeto de patrocínio de estudos para a formação de professores completou 20 anos de existência em 2024, tendo formado mais de 200 profissionais.

Depois de alguns anos, o casal foi chamado para atuar na Associação Geral, e eles se mudaram para os Estados Unidos. Sempre que conversavam, falavam da importância de formar professores que fossem alinhados com a filosofia da Educação Adventista, especialmente porque, em algumas áreas da pedagogia, era perceptível a queda na formação de novos professores. Outro fator que Susana desejava fortalecer era a formação linguística de jovens e adolescentes. Ela sabia que dominar outro idioma abre portas profissionais e também para a missão e sentia que os jovens sul-americanos eram despreparados nessa área, embora tivessem muito desejo de servir e habilidades cuja demanda em missão era alta. Havia muitos jovens que poderiam ser enviados para outros países como missionários, mas a falta de fluência na língua local impossibilitava esse envio. Susana e Luis começaram a pensar que talvez esse tema deveria ser o foco de um ministério para desenvolverem juntos, quando a aposentadoria chegasse. Ficar parados não era uma alternativa. No entanto, Susana percebeu que não poderia esperar mais. Ainda faltava algum tempo para a jubilação, mas as necessidades eram imediatas. Ao ser contratada para um segundo trabalho, como editora e tradutora de materiais produzidos pela Igreja Adventista, ela decidiu dedicar o salário para custear 98


PROJETO Como Susana Chaskelis Schulz, você pode ter um ministério que potencializa o acesso à educação, custeando a formação de estudantes, abrindo bibliotecas, ensinando idiomas, entre outras ações. Se você quer apoiar crianças e jovens a terem um futuro melhor e obter apoio de outras instituições, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre gestão de projetos sociais. • Aprenda técnicas de ensino de idiomas e métodos de alfabetização. • Desenvolva habilidades em mediação de leitura e contação de histórias. • Estude sobre captação de recursos e parcerias institucionais. • Conheça a realidade educacional de sua comunidade. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Criação de bibliotecas comunitárias com livros didáticos e literários. • Realização de campanhas para arrecadação de materiais escolares e livros. • Oferecimento de aulas gratuitas de reforço escolar ou idiomas. • Promoção de oficinas de leitura, escrita e interpretação de textos. • Conectar crianças e jovens com bolsas de estudo a programas educacionais. INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• WhatsApp - Para divulgar aulas, eventos e campanhas. • Google Classroom - Para organizar conteúdos e oferecer cursos on-line. • Canva - Para criar materiais visuais atraentes, como cartazes e convites. • Vakinha ou Benfeitoria - Para arrecadar fundos para projetos educacionais. • Kobo ou Kindle - Para disponibilizar e-books gratuitos em bibliotecas digitais. • Google Maps - Para mapear e divulgar locais que precisam de bibliotecas ou apoio educacional.


Mulheres com o coração na missão

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E

nquanto sentava-se ao lado da mãe para ouvir as histórias sobre os missionários, a mente da pequena garota viajava ao imaginar os perigos e milagres vivenciados por aquelas pessoas. Ela se encantava ao notar que o amor para com aqueles que ainda nem conheciam era o que os motivava a deixar suas casas e até países a caminho da missão.

Filha de um casal adventista, Silvia e os irmãos sempre estudaram em escolas adventistas, beneficiados por bolsas parciais de estudos. O restante do pagamento das mensalidades era feito pelos pais e pelo próprio trabalho dos filhos, mesmo ainda crianças. Promover a educação para os filhos era o maior objetivo do pai de Silvia, mesmo que a alimentação em casa fosse escassa. Ela cresceu em estado de desnutrição, o que a fez desmaiar de fome algumas vezes. A família recebia cestas básicas e roupas frequentemente doadas pelo departamento de assistência social da igreja. Silvia guardava um segredo. Apaixonada por histórias da Bíblia, ela sentia um desconforto com histórias que relatavam a bênção da primogenitura. Sendo ela a mais velha de cinco irmãos, não entendia o motivo de não ter esse direito apenas por ser mulher. Silvia não comentava com ninguém, somente dedicava orações a Deus para que essa lei fosse mudada e ela fosse abençoada. Aos oito anos, Silvia iniciou uma classe bíblica com as amigas, impactada pelas histórias e músicas de missionários que ouvia na igreja. Mesmo tão pequena, Silvia sentia que tinha um chamado especial de Deus e queria mais ainda a bênção da primogenitura. O empenho missionário de Silvia em dar estudos bíblicos era tão profundo que o pastor distrital decidiu contratá-la como obreira bíblica, com um pequeno salário por meio período. Por ser muito nova e muito pequena pela baixa nutrição, inicialmente a comissão da igreja foi contrária, pois estavam também preocupados com a segurança dela ao visitar casas em que havia apenas homens. Depois de conversarem muito sobre o assunto, a aprovação foi concedida.

Silvia Melo 1961 • BRA SIL

A igreja priorizava assim a entrega de endereços exclusivamente de mulheres interessadas. Tanto os pais de Silvia quanto os membros da igreja e o pastor a orientaram a não entrar na casa onde houvesse homens e ela repetia a orientação mentalmente todos os dias. 101


Um dia, ao procurar por uma mulher, Silvia foi atendida pelo filho dela, chamado Elias, que insistiu que ela entrasse. Obediente, Silvia saiu dali o mais rápido que pode. Ao voltar outro dia, foi novamente atendida pelo rapaz, que disse que gostaria de receber estudos. A solução encontrada pela menina foi sentar-se do lado de fora da cerca da casa, enquanto o rapaz ficava do lado de dentro, evitando assim que ela estivesse em situação de perigo enquanto ensinava a Bíblia.

Com esse resultado, a sede administrativa da igreja solicitou que Silvia reunisse o grupo para novos movimentos missionários. Cada um ia para uma tenda ou igreja, e assim Silvia enfrentou o desafio que a fez compreender que já havia recebido a bênção da primogenitura: pela primeira vez, ela foi oradora em uma série evangelística e sentiu Deus dizendo que a principal bênção para os primogênitos é espiritual. Cerca de 20 localidades foram impactadas naquele estado. A notícia se espalhou e a agenda de Silvia, agora chamada de Missionária Silvia, estava repleta de convites, incluindo as regiões Nordeste e Norte do Brasil. Além da consolidação do envio de obreiros, o investimento na construção de igrejas também foi crescendo, naquele momento, com o apoio dos amigos.

Os estudos aconteceram nesse formato até que, ao fazer apelo para o batismo, Silvia foi surpreendida pela voz de alguém que respondeu positivamente de dentro da casa – era o pai de Elias, que ouvira todo o estudo e havia aceitado a Jesus. No dia marcado, toda a família foi batizada.

Quando o banco em que Vildo trabalhava entrou em falência, ele foi um dos poucos funcionários que conseguiram receber a indenização. Com esse dinheiro, decidiram abrir uma pequena escola, em um espaço alugado, enquanto ainda continuavam trabalhando. Ter uma escola que oferecesse educação cristã era um dos sonhos do casal.

Durante dois anos, Silvia atuou como obreira bíblica da igreja e vários batismos aconteceram. O trabalho que ela desenvolvia chamava atenção dos membros das outras igrejas, que a convidavam para dirigir classes bíblicas. Cursando o magistério, Silvia foi convidada para atuar em séries evangelísticas em tendas instaladas na região, o que a deixava mais próxima do sonho de ser uma missionária. No último evangelismo que participou, aos 18 anos, Silvia encontrou Vildo, que se tornaria seu esposo um ano depois. Saber o quanto ele era envolvido na igreja e que era também um instrutor bíblico foram as primeiras razões para que ela se apaixonasse.

As bênçãos financeiras também começaram a ser percebidas pela família. Com o tempo, uma nova unidade foi aberta, com apoio do dono do imóvel que haviam alugado para a primeira escola e, com a providência divina, o casal pôde ainda adquirir o imóvel onde já estavam. Mesmo com a responsabilidade de gerenciar uma empresa em seu início, Silva continuava dedicando longos períodos para evangelizar, mesmo nas férias e nos feriados.

A vida a dois era um pouco mais confortável financeiramente, porque Silvia já atuava como professora, enquanto o marido era funcionário de um banco. Parecia inacreditável que a menina, antes bolsista, agora dava aulas na mesma escola. Os salários permitiam pagar as contas, sem luxos, mas parte importante da renda familiar do casal era utilizada para ajudar pessoas que precisavam. Muitas vezes, era necessário reduzir o próprio consumo para isso.

A proporção de bênçãos percebidas por Silvia a impulsionavam a ir além. Um convite para participar de um evangelismo na África a levou a manter uma rotina de visitas anuais frequentes, que já ultrapassam 28 séries de 20 a 40 dias, nas quais Silvia e missionários custeados por ela falavam para um público de milhares de pessoas.

Ao retornar de uma das visitas à família, em Goiás, Vildo contou a Silvia que a igreja onde os pais frequentavam fecharia as portas. Imediatamente começaram a pensar como solucionar aquele problema, fizeram as contas do salário de ambos e decidiram cortar ainda mais os gastos pessoais para custearem um missionário no local. Ele seria hospedado e alimentado por uma família local, enquanto Silvia e o esposo pagariam um salário.

Nem o esposo nem o filho podem acompanhá-la na missão, mas acompanham de perto os relatos de missão, contados com o mesmo entusiasmo da menina que deu seu primeiro estudo bíblico através de uma cerca. Ao mesmo tempo que evangeliza, Silvia direciona alimentos, roupas, remédios e materiais escolares para habitantes de Moçambique, Guiné-Bissau e Angola. No extremo do Brasil, há 13 anos, a tribo indígena caxinauá é atendida por missionários adventistas de modo contínuo e visitas periódicas de Silvia.

Encontraram um teólogo recém-formado, disposto a iniciar o trabalho e permanecer ali por um ano. Naquele período, a cada feriado ou férias, o casal e alguns amigos viajavam para contribuir com a missão; e esse investimento resultou em uma igreja com 80 membros.

Com tantas viagens, muitas vezes Silvia esteve em situações de perigo por causa da violência e das doenças, especialmente em zonas tropicais e de 102


PROJETO

pobreza. Como suporte a esse ministério, um grupo de 150 intercessores, coordenados por Silvia, oram diariamente para que a mensagem alcance os lugares mais distantes. Quando olha para trás e relembra a menina desnutrida, recebendo educação cristã e se encantando com as histórias de missionários, Silvia sente que a contrariedade sobre o tema da primogenitura a levou a viver uma intensa vida de comunhão e missão com Deus. Esse caminho com Cristo a faz se sentir abençoada por ter sido a primeira filha de Daniel e Alzira. A maior alegria de Silvia é se apresentar: “Meu nome é Missionária Silvia.” Desde 2010, Silvia patrocina o trabalho de 20 missionários no Brasil e na África e custeia a mensalidade de dezenas de crianças em escolas adventistas.

Como Silvia Barbosa de Melo, você pode ter um ministério que patrocina e envia missionários. Você também pode ir a campo, no seu país ou no exterior. Se você quer desenvolver um ministério de evangelismo, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Aprenda sobre técnicas de evangelismo em contextos culturais diversos em livros e treinamentos.

• Estude sobre a logística e o planejamento de viagens missionárias. • Engaje-se em cursos de captação de recursos e financiamento missionário. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Organização de treinamentos para preparar missionários com o objetivo de atuar em diferentes contextos culturais, abordando tanto evangelismo quanto adaptação cultural.

• Campanhas de arrecadação de fundos para apoiar missionários em suas despesas e necessidades de campo.

• Formação de rede de patrocinadores e missionários. • Organização de viagens missionárias para locais estratégicos, com uma preparação logística completa para os voluntários.

• Produção ou aquisição de materiais de evangelismo em linguagem e idioma apropriados à missão.

• Arrecadação de donativos para locais carentes. • Criação de materiais de comunicação para divulgar os resultados missionários e engajar mais pessoas.

INOVAÇÃO

• Fundly ou GoFundMe - Para captação de recursos para missões. • Google Forms - Para captar informações de patrocinadores, voluntários e missionários. • WhatsApp Business - Para comunicação com patrocinadores e apoiadores. • Google Sheets - Para gerenciamento financeiro e monitoramento das doações e despesas, facilitando a transparência e o controle do orçamento.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Canva - Para criar materiais visuais atraentes e informativos, usados em campanhas de arrecadação de fundos, informativos para patrocinadores e atualizações de campo.

• Mailchimp - Para envio de e-mail de marketing, impactando uma audiência maior. • Zoom - Para realizar treinamentos e reuniões de alinhamento com missionários. • Rede sociais - Para compartilhar histórias inspiradoras.


Mulheres com o coração na missão

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A

os nove anos, ela passou a prestar atenção à rotina de uma idosa que morava perto de sua casa. Não demorou muito para fazer amizade com ela e começar a ajudá-la nas tarefas de casa, ainda que não soubesse fazer tudo e nem alcançasse o fogão. Jane sempre foi uma menina sorridente, cheia de entusiasmo e que gostava de se envolver com outras pessoas.

Enquanto os pais moravam na zona rural, Jane morava com a avó para que pudesse ter acesso à escola. Boa aluna e falante, sempre chamava atenção dos professores. Logo se tornou também professora de catecismo na igreja que frequentava. Aos 18 anos, ela se tornou membro de uma tradicional igreja da região, onde gostava muito de estar e se casou. Entretanto, havia algo ali que a incomodava por anos: Por que as mulheres não podem pregar? Por que não podem assumir posição de liderança? Por que os encontros das mulheres da igreja são exclusivos para mulheres que já fazem parte da denominação? Jane sentia que sua essência de liderança estava sendo aniquilada por anos em seus maiores diferenciais: a vontade e habilidade de falar em público e o desejo de impactar a vida de outras pessoas com ações sociais. Na vida profissional, a carreira permitia que ela fizesse isso, trabalhando para empresas e instituições que ofereciam aulas preparatórias para o mercado de trabalho e cursos profissionalizantes. Quando enfrentou um divórcio, após 25 anos de casada, Jane voltou à cidade de origem e sentia que muita coisa precisava ser colocada em seus devidos lugares. Ela imaginava que, de alguma forma, deveria se reencontrar com a menina cheia de vida e liberdade que havia sido, mas agora com um importante adicional: ela servia a Deus e isso não mudaria.

Jane Monteiro

Não demorou muito para que as habilidades e disponibilidade de Jane para atuar na área social resultasse em um convite para dar aulas em um projeto da prefeitura. No primeiro dia, Jane conheceu duas mulheres adventistas e ficou surpresa quando elas contaram que atuavam em um projeto social voltado para crianças carentes em um bairro próximo.

1963 • BRA SIL

Na semana seguinte, Jane compareceu ao projeto em que 30 crianças participavam de aulas de musicalização, promovidas gratuitamente pelo 105


filho de uma dessas mulheres. Jane entendeu que poderia contribuir para que o projeto pudesse ter mais apoio.

comentou sobre a dificuldade de mudar de vida, já que desde a adolescência estava envolvido com a criminalidade. Jane passou a aconselhá-lo. Porém, poucos dias depois, o rapaz foi preso.

Já se intitulando voluntária do projeto desde o primeiro dia, ela decidiu trazer o conhecimento profissional adquirido na área de projetos sociais. Ela ficava encantada ao perceber que as mulheres tinham um departamento voltado para elas e autorização para atuar em todos os outros que quisessem.

Em alguns dias, Jane receberia um recado que, pela primeira vez, a deixou com receio de pregar. O rapaz pedia que ela fosse visitá-lo no presídio, pois ela era a única pessoa que realmente se importava com ele nos últimos anos, e ele queria continuar estudando a Bíblia.

Pouco tempo depois, Jane aceitou estudar a Bíblia e ainda no oitavo estudo bíblico tomou a decisão de ser uma adventista do sétimo dia. Desde o primeiro dia em que participou de um culto na igreja, ela já se imaginava ajudando os diferentes tipos de departamentos e, em todos eles, percebia oportunidades de realizar ações para a comunidade e criar vínculos para estudos bíblicos.

Ir a uma penitenciária nunca esteve nos planos de Jane, e, por um tempo, ela relutou, acomodada na desculpa de que apenas familiares dos apenados podem ter acesso ao presídio. Até que o rapaz enviou um novo recado, pois tinha conseguido na administração da cadeia a autorização para que ela entrasse como amiga.

O primeiro ministério foi os desbravadores, cuja rotina dinâmica de atividades dentro e fora da igreja a interessavam muito, ainda mais pelo fato de a direção daquele clube estar nas mãos de uma mulher. A amizade entre elas se firmou na ação: Jane assumiu uma unidade como capelã.

Vencidos o medo e o constrangimento de acessar uma penitenciária pela primeira vez, Jane voltou da primeira visita disposta a retornar todos os meses para continuar ensinando a Bíblia para aquele rapaz e para os outros que ele tinha convidado para conhecê-la. Aos poucos, o grupo foi crescendo chegando a 20 detentos estudando a Bíblia.

Os projetos sociais desenvolvidos pelos adolescentes do clube se tornaram ainda mais constantes. Acostumada a criar e executar ações de voluntariado, Jane implementou na igreja o projeto Doutores da Esperança, que promove a visitação periódica a pessoas que estão internadas em hospitais da cidade, com muita música e brincadeiras.

Estar sozinha em um ambiente exclusivamente masculino, e sendo eles pessoas que praticaram crimes, reforça na mente de Jane a relevância que as mulheres têm na pregação do evangelho, podendo ter vez e voz não apenas dentro da igreja, mas na comunidade.

Ao voltar para a cidade natal, Jane também se tornou responsável pelos cuidados dos pais idosos. Na rotina diária, mantém horários exclusivos para dar estudos bíblicos, individuais ou em classes bíblicas, e as ações sociais.

Aliado ao trabalho que desenvolve na penitenciária, Jane organizou um projeto voltado para que os membros da igreja se conectem com os vizinhos e as pessoas nos arredores da igreja. Embora homens participem, muitas mulheres encontram protagonismo nas ações sociais que Jane coordena.

Seja como professora de Escola Sabatina na classe dos adolescentes, na Missão Calebe, na Ação Solidária Adventista, em projetos do Ministério da Mulher e em todas as atividades nas quais ela julga ter chance de utilizar seus talentos, Jane sempre se coloca à disposição.

Aos sábados, elas organizam um café da manhã ou chá da tarde e realizam visitas para essas pessoas, buscando conhecer também as necessidades delas para que possam ajudar. Essa estratégia tem resultado em um aumento do número de estudos bíblicos e maior entusiasmo na igreja.

Embora a essência missionária e as oportunidades de liderança a coloquem em posição de criação e organização dos projetos, Jane se esforça para que seu papel não se limite à posição de coordenação, pois estar entre as pessoas e em ação é o que a faz se conectar com a menina e a adolescente ativa e atenta que sempre foi. Quando um novo vizinho se mudou para a casa da frente, Jane rapidamente fez amizade com ele e ofereceu estudo bíblico. Ao longo das aulas, o rapaz 106


PROJETO Como Jane Batista Monteiro, você pode ter um ministério que ensina a Bíblia em presídios ou instituições socioeducativas. Se você quer desenvolver um ministério presencial ou virtual com pessoas que cometeram crimes e delitos, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Busque conhecimento sobre as permissões da justiça e meios de acesso aos apenados. • Participe de cursos sobre capelania e evangelismo em contextos de privação de liberdade para entender os desafios e as abordagens adequadas.

• Aprenda sobre psicologia e estratégias de escuta ativa para oferecer apoio emocional por meio de cursos e leituras.

• Engaje-se em estudos bíblicos e cursos de interpretação para melhor comunicar a mensagem da Bíblia de forma acessível e transformadora.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Envio de materiais como guias de estudo bíblico, livros e Bíblias. • Ensino da Bíblia por correspondência com cartas personalizadas. • Encontros presenciais para escuta, aconselhamento e estudo da Bíblia. • Divulgação de oportunidades de estudo e trabalho durante o cumprimento da pena. • Formação de rede de apoio com profissionais do Direito, da saúde e outras áreas de apoio.

• Formação de rede de apoio espiritual para oração e ensino. • Apoio material, com doação de alimentos e vestuário. • Formação de ministério de apoio aos familiares dos apenados. INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Canva - Para criar materiais visuais e cartas personalizadas. • Google Drive - Para organizar e armazenar documentos. • Microsoft Word e Google Docs - Para redação e edição de cartas e correspondências. • Trello - Para gerenciar e organizar tarefas. • Microsoft Teams ou Zoom - Para realizar treinamentos, reuniões e apoio aos voluntários.


Mulheres com o coração na missão

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O

calor das chamas, a fumaça, o desespero dos pais tentando tirar cada um dos dez filhos através de uma escada fariam parte das cenas que voltariam à memória daquela menina durante toda a infância e adolescência. A morte de um dos dez irmãos, durante aquele incêndio, traumatizou Idalia que, mesmo com apenas quatro anos de idade, foi impactada pelo luto.

Idalia nasceu em um lar simples, como filha de agricultor que precisava mudar frequentemente à procura de trabalho. Ela não tinha sonhos, exceto o desejo de que a família se fixasse em algum lugar, para que estudasse na mesma escola e sentisse mais segurança. Isso aconteceu em uma região afastada, onde o único meio de transporte eram os cavalos. O pai trabalhava fazendo carvão, e Idalia e os irmãos ajudavam no ensacamento do produto. Aos 12 anos, Idalia entendeu que precisava trabalhar fora e encontrou uma vaga em um hotel da cidade. Ela se empenhava no trabalho, mas nunca se arriscou em janelas altas, por causa do trauma da infância. A carga horária no hotel era grande, e ela ficava exausta, mas era necessário para que os irmãos mais novos tivessem o que comer. Muito cedo, Idalia se casou. Era o caminho natural na vida das meninas naquela região, assim como ser mãe ainda bem jovens. Idalia teve dez filhos, como a mãe. Aos 35 anos, com o filho mais novo com dois meses de idade, ela sentia que não podia mais suportar tanto sofrimento e clamou a Deus por socorro. O marido, viciado em álcool e drogas, praticava atos de violência doméstica frequentemente. Idalia sabia que deveria tomar alguma atitude, ao mesmo tempo que se sentia culpada por pensar em divórcio. Em sua formação católica, havia compreendido que o casamento seria até que a morte os separasse, mas a morte que se aproximava era a dela, deixando os filhos à mercê de um pai violento.

Idalia Esutiñan 1968 • EQUADOR

Naquela noite, quando o marido saiu para beber, Idalia orou como nunca antes, pedindo que Deus a ajudasse a tomar a decisão correta, que lhe desse paz. Diferente das outras noites, o marido não retornou de madrugada, e, pela primeira vez em anos, Idalia dormiu toda a noite e acordou segura de que a separação imediata era o melhor a se fazer. 109


Procurou as autoridades para fazer o pedido do divórcio, ciente de que agora deveria encontrar meios para sustentar dez crianças sozinha. Devido aos traumas da infância e aos abusos sofridos no casamento, Idalia passou a vivenciar problemas emocionais que precisaram de ajuda profissional.

Eles conseguiram um terreno, mas não tinham condições para construir um templo. Congregavam em um estrutura feita de bambu, sonhando ter condições de equipar o espaço. Com o empenho de todos os irmãos, compraram cadeiras e caixa de som, e Idalia conseguiu ajuda de uma norte-americana, Alícia, uma cliente de massagem de Idalia, a quem ajudou a se recuperar. Alícia participava de projetos sociais na região, ensinando sobre higiene bucal.

Idalia melhorou, encontrou trabalho e, com muita dificuldade, foi cuidando dos filhos. Ela vivenciou a morte de uma filha, com um ano e nove meses. Depois, quando as duas filhas mais velhas se casaram, Idalia voltou a enfrentar problemas emocionais. Como fora mãe bem cedo, as filhas eram suas melhores amigas, e agora ela se sentia sozinha novamente.

Por ter estudado os meios de melhorar a própria saúde física e emocional, Idalia havia aprendido sobre os remédios da natureza e passou a usar todo o conhecimento como estratégia missionária. Ao conhecer Alícia, teve a oportunidade de apresentar a igreja e conseguir a doação de mil dólares e a compra de cadeiras para a igreja.

Idalia conheceu Amado. A documentação do divórcio não estava pronta, por isso, decidiram morar juntos. O relacionamento era bom, a vida seguia estável, e ela trabalhava em uma venda de frutas. Dois colportores peruanos foram àquela cidade como parte de um projeto evangelístico para a chegada da Igreja Adventista e visitaram Idalia, oferecendo livros e convidando-a para ir aos programas. As filhas e os genros também participaram.

Idalia e o marido atuavam com pequenos grupos, distribuíam livros missionários e faziam projetos sociais de entrega de alimentos e roupas em comunidades carentes. Isso fez com que a igreja se fortalecesse.

Aquela foi a primeira vez que Idalia leu a Bíblia, porque, na missa católica, a leitura é feita pelos padres. Os colportores e evangelistas estudavam a Bíblia e faziam questão que as pessoas acompanhassem. Como resultado daquele programa evangelístico, algumas pessoas foram batizadas, mas Idalia e Amado precisavam aguardar a documentação do divórcio.

Eles foram contratados como instrutores bíblicos e passaram a atuar em uma região com altos índices de violência, como roubos, sequestros e tráfico de drogas. Muitas pessoas estavam abandonando suas casas, mas quando o controle militar foi instaurado, Idalia e o marido puderam atuar, ministrando cerca de 200 estudos bíblicos.

Um dos filhos de Idalia, também chamado Amado, trabalhava na construção civil, em um emprego conquistado por indicação do padrasto. Idalia estava em casa quando um dos filhos chegou correndo para contar que Amado havia se acidentado, e ela demorou um pouco para entender que seu filho havia falecido. Durante o sepultamento, Idalia sentia dores físicas, causadas pela dor do luto.

O envolvimento de Idalia e o esposo não se limita ao tempo dedicado em pregações ou estudos bíblicos. Quando o grupo foi inaugurado, o casal fez um empréstimo para a compra de equipamentos como microfones e computador. Outros missionários norte-americanos contribuíram com doações para a compra de materiais que também possibilitassem o trabalho dos departamentos infantis e dos clubes de aventureiros e desbravadores iniciados na igreja. Para Idalia, ter um local fixo para adorar é um desejo de infância.

Pensamentos autopunitivos, como se fosse a causadora da morte por ter se divorciado, e de culpa, pelo marido ter indicado o enteado para a vaga de trabalho, foram expressos em grande revolta. Mais uma vez, ela se defrontava com a morte.

Idalia se sente preocupada especialmente com jovens e crianças, e a motivação para o trabalho missionário vem da esperança na volta de Jesus, o que curou o luto pelas perdas enfrentadas ao longo da vida.

No caso do irmão e da filha, ela pensava que a salvação estava garantida por serem crianças. Mas e o filho? Por meses, Idalia enfrentou a dor do luto, mas com uma diferença. Ela se voltou para o estudo da Bíblia e pôde encontrar conforto.

Desde que se tornou adventista, Idalia e o esposo traçaram um plano para plantar igrejas em três localidades sem a presença adventista. Assim que a primeira igreja for estabelecida e a liderança escolhida, eles estarão prontos para seguirem para outra região.

Como estratégia também indicada pelos médicos, Idalia se envolveu cada vez mais com os programas sociais e espirituais da igreja. Iniciou um projeto de oração e estudo da Bíblia com mulheres, próximo à praia. 110


PROJETO Como Idalia Jaqueline Chila Esutiñan, você pode ter um ministério que planta e constrói templos, com recursos próprios ou com apoio de patrocinadores. Se você quer aumentar a presença adventista, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre captação de recursos e gestão de projetos. • Aprenda planejamento e execução de obras para entender as etapas e os requisitos necessários na construção de templos.

• Engaje-se em estudos sobre plantio de igrejas. • Aprenda a usar ferramentas e peças de comunicação para ampliar a divulgação dos projetos.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Campanhas de captação de recursos para financiar as construções. • Criação de uma rede de patrocinadores e voluntários que desejam contribuir com recursos ou mão de obra para os projetos de construção.

• Pesquisas e mapeamento de locais que necessitam de um templo adventista, priorizando áreas carentes de apoio espiritual.

• Coordenação de atividades de construção, desde a aquisição de materiais até o acompanhamento da obra, garantindo que o projeto avance conforme planejado.

• Organização de inaugurações e eventos comunitários para integrar a igreja à comunidade e potencializar as atividades evangelísticas.

INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Kickstarter ou GoFundMe - Para campanhas de financiamento coletivo. • Trello ou Asana - Para organizar as etapas dos projetos de construção. • Google My Maps - Para mapear as áreas prioritárias. • Canva - Para criar materiais de divulgação das campanhas de arrecadação. • WhatsApp Business - Para manter a comunicação com patrocinadores e voluntários. • Google Sheets - Para o controle financeiro.


Mulheres com o coração na missão

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A

rotina da menina de oito anos começava cedo, a caminho da lagoa para a pesca de sururu, um molusco utilizado para a alimentação. Débora achava que o trajeto de volta parecia muito mais longo e demorado devido ao peso da bacia sobre a cabeça com todo o resultado da pesca e por causa do sol escaldante.

De acordo com a idade, cada uma das sete crianças tinha uma tarefa definida para contribuir com a sobrevivência da família, e todos estudavam. Sobre Débora pesava uma responsabilidade um pouco maior, já que desde cedo foi informada de que estava sendo preparada para suceder à mãe, que era líder espiritual em um terreiro de candomblé. Resignada a esse futuro e sem ao menos sonhar com algo diferente, aos 15 anos, Débora conheceu um rapaz, e um ano depois teve o primeiro filho. As condições eram ainda mais difíceis: a pesca de sururu continuava necessária, ainda morando na casa da mãe, só que agora cuidando de uma criança. Alguns anos depois, houve uma grande cheia, e a Defesa Civil removeu todas as famílias daquele bairro, levando-as para outro local: um acampamento com barracas de lona, temporariamente cedidas pelo Exército. Nesse momento, Débora passou a morar apenas com o filho. Vivendo no acampamento, Débora conheceu um rapaz católico e decidiu se casar com ele. Pela primeira vez, ela tinha uma casa onde morar com seu filho e uma sensação de ter atingido o ápice da boa vida, em comparação ao que tinha enfrentado até ali. Sérgio trabalhava como motorista e gostava de ler a Bíblia. Quando falava sobre o tema com Débora, dizia que, se tivesse que escolher entre Jesus e ela, escolheria Jesus, e isso a deixava com muita raiva, ao mesmo tempo que a deixava intrigada para conhecer mais sobre o que ele falava.

Débora Leite

Uma das irmãs de Débora também havia se casado e mudado para outro local. Sempre que se encontravam, ela buscava falar da Bíblia e da Igreja Adventista, da qual agora ela fazia parte. Ainda que não desse muita atenção no momento, ao voltar para casa, Débora e o marido buscavam conferir o que ela dizia. Embora gostasse da Bíblia, Sérgio não gostava dos adventistas, mesmo sem nunca ter pisado em uma igreja da denominação.

1970 • BRA SIL

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Em um final de tarde de domingo, contrariada porque o marido havia ido jogar bola e a deixara sozinha, Débora decidiu sair a procura de uma igreja, levando o filho consigo. No entanto, ela não queria qualquer igreja, e sim a mesma que a irmã frequentava e a que o marido não gostava, como uma forma de afrontá-lo.

Dez anos depois de ser batizada, Débora notou um pequeno caroço na coxa que incomodava, e foi feita uma cirurgia para removê-lo. Seis meses depois, o caroço reapareceu ainda maior e agora o resultado monstrou que era um câncer, chamado sarcoma. Além da cirurgia, seria necessário submeter-se à radioterapia, e a médica de Débora marcou o retorno para uma data posterior ao fim do tratamento para novos exames, que avaliariam o estágio da doença. Ela não sentia desespero, apenas a confiança de que, caso a cura acontecesse, seria ainda mais missionária.

Encontrou um templo ainda em construção, com pouco conforto, mas com pessoas calorosas e uma mensagem que preencheu seu coração. Quando voltou para casa, Débora comunicou ao esposo que passaria a frequentar aquele templo e que ele deveria ir também, porque era diferente do que ele imaginava ser: não havia barulho em excesso e outras coisas que ele se incomodava e imaginava estar presente em todas as igrejas que não fossem católicas.

Várias vezes o hospital agendou as sessões, mas, por algum motivo, desmarcava. Enquanto isso, Débora mantinha sua rotina e agenda missionária. Seis meses depois, sem nunca ter feito nenhuma sessão de radioterapia, Débora se apresentou à médica para avaliar os resultados da ressonância magnética.

Havia um impedimento que Débora precisava lidar: a própria religião que ela professava até aquele momento e toda a preparação para se tornar uma mãe de santo. Quando Débora comunicou que desejava ser uma adventista e não mais membro do candomblé, passou a enfrentar perseguições, tanto dos fiéis quanto das entidades espíritas, com ameaças de morte.

A primeira pergunta da médica foi sobre as sessões de radioterapia, e Débora relatou as diversas vezes que marcou e o hospital cancelou, mas que acreditava que estava curada. Entretanto, a médica precisava dos resultados dos exames. Na data da entrega dos resultados, a médica constatou que não havia mais nenhum sinal da doença.

Ela estava convicta, pois havia conhecido a Deus e cria no poder Dele. Passado algum tempo, Débora, o esposo e o filho, que já tinha 11 anos, foram batizados. Pela primeira vez, Débora desejou aprender algo e começou a observar a irmã, que era bastante ativa na igreja e comandava séries evangelísticas. Desde a infância, Débora era um a menina corajosa e falante, mas nunca havia pensado que essa característica poderia ser um dom.

Além das séries de evangelismo, Débora se especializou como instrutora de classes bíblicas. Todos as tardes, ela mantém uma rotina diária de estudos bíblicos nas casas. Quando um aluno se forma, Débora logo segue para o próximo da lista. Esse foi um compromisso assumido durante o grave diagnóstico que enfrentou, e Débora não tem planos de desistir dele.

Todos os evangelismos que a irmã liderava, Débora acompanhava e pensava no quanto gostaria de fazer o mesmo, mas não comentava com outras pessoas. Sentia que precisava de mais conhecimento bíblico para não falar coisas erradas nem contrárias à doutrina. Isso fez com que ela se aprofundasse ainda mais no estudo da Bíblia.

Na igreja, passou também a liderar um grupo de oração intercessória com as mulheres. Quando se tornou diretora do Ministério da Mulher estendeu esse projeto para toda a igreja. Há horários preestabelecidos para que os membros diariamente orem por pessoas afastadas da igreja, doentes ou que ainda não conhecem a Bíblia.

Pouco tempo depois, o pastor incentivou Débora a liderar um evangelismo durante 30 dias e a capacitou para isso. Ela se preparou, fez cursos de oratória e, acompanhada do esposo, pregou as 30 noites sequencialmente. Como resultado, oito pessoas foram batizadas.

Ao longo desse ano, Sérgio também se tornou um evangelista. Às vezes, eles realizam as séries juntos; em outras, cada um vai para um lado. A filha e o filho de Débora também se tornaram evangelistas, e essa sim é uma sucessão que Débora sempre sonhou em perpetuar. Até hoje, mais de 500 pessoas foram batizadas pelo trabalho de Débora e sua família.

A partir dali, Débora não parou mais. A cada três meses liderava outras séries à noite e, durante o dia, visitava as pessoas em suas casas e dava estudos bíblicos. Na segunda oportunidade como evangelista foram 48 batismos. 114


PROJETO Como Maria Débora de Amorim Oliveira Leite, você pode ter um ministério que promova séries evangelísticas em locais sem a presença adventista. Se você quer usar seu talento com oratória e capacitar outras missionárias a fazerem o mesmo, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos de oratória e evangelismo. • Aprenda técnicas de pregação e desenvolvimento de séries evangelísticas. • Aprenda a elaborar sermões. • Engaje-se em estudos bíblicos e teológicos para fortalecer o conteúdo das mensagens. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Séries evangelísticas presenciais em locais como praças públicas, tendas, salões alugados ou igrejas.

• Workshops de oratória para capacitar outras mulheres missionárias. • Distribuição de materiais evangelísticos, como folhetos e guias de estudo. • Criação de uma rede de oração em prol do trabalho missionário. • Organização de pequenos grupos e classes bíblicas após as séries evangelísticas, para atendimento dos interessados.

• Coleta e distribuição de donativos, como roupas, brinquedos e alimentos. • Engajamento de patrocinadores para compra de brindes e Bíblias. INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Canva - Para desenvolver materiais visuais para as séries evangelísticas. • OBS Studio - Para gravar ou transmitir os sermões. • Zoom ou Google Meet - Para realizar treinamentos on-line com as missionárias. • Google Drive - Para compartilhar materiais de estudo, sermões e outros recursos. • Google Maps - Para identificar regiões e comunidades onde não há presença adventista. • Patreon ou Apoia.se - Para captar recursos de apoiadores.


Mulheres com o coração na missão

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E

star na casa do tio-avô era um momento muito esperado por Esterfilia. As longas histórias contadas antes de dormir e a paciência para repetir quantas vezes ela pedisse eram os pontos altos dos dias que a menina passava com o senhor alto, de cabelos prateados e expressivos olhos verdes. Aquele homem amável havia sido muito importante também para o pai de Esterfilia, quando havia ficado órfão e fora acolhido por ele.

A vida na zona rural ofereceu uma infância livre e alegre, com brincadeiras em rios e no ambiente de agricultura. A cidade ficava distante, e, ao chegar à adolescência, Esterfilia precisou se mudar para dar continuidade aos estudos. Em sequência, começou a trabalhar, casou-se, tornou-se mãe e, devido a distância, não conseguia visitar o pai com tanta frequência quanto gostaria. Embora o irmão fosse cristão e frequentemente falasse sobre Jesus, Esterfilia acreditava que a vida poderia ser desfrutada sem regras rígidas da religião. Em 1999, quando a filha tinha 5 anos, Esterfilia fez a matrícula dela na escola adventista. Sem ter condições de custear a mensalidade, foi beneficiada pela concessão de uma bolsa de 50%. A menina sempre contava coisas que aprendia na escola. Quando participava dos seminários realizados para os pais, Esterfilia gostava muito das mensagens que ouvia e sentia que Deus a estava chamando. Naquele mesmo ano aceitou ser batizada. Ela passou a sentir um profundo desejo de compartilhar o que conhecia e começou a dar estudos bíblicos com frequência. Como resultado do trabalho, dezenas de pessoas foram batizadas. Contratada para atuar profissionalmente na Educação Adventista, Esterfilia se sentia ainda mais relevante para a missão, já que tinha a oportunidade de diariamente apresentar Jesus para estudantes e famílias. E assim fez durante 18 anos.

Esterfilia Ruiz 1973 • PERU

Posteriormente, trabalhando no setor responsável por receber os dízimos e as ofertas, conhecendo o destino de cada centavo doado dentro do plano de evangelismo da igreja, Esterfilia passou a sonhar com a missão em outros países. No entanto, ao estudar mais o tema, conscientizou-se de que há muito trabalho onde mora, e é possível encontrar pessoas dispostas a ouvir a Palavra de Deus, especialmente grupos mais vulneráveis. 117


Os idosos sempre chamaram a atenção de Esterfilia, especialmente por se preocupar com a segurança deles. Acompanhar os últimos meses de vida do pai a fez ainda mais atenta às dificuldades que muitos idosos enfrentam. O peso dos anos traz dificuldades para fazer coisas que antes eram fáceis, e muitas vezes eles são vítimas de abusos e abandono.

abandono que muitos sentiam e na sensaçao de serem uma carga para as pessoas da família. Ao fim do curso, vários deles foram batizados. Desde que o ministério começou, três idosos do grupo faleceram, porém, tiveram a oportunidade de conhecer e se entregarem a Jesus. Esterfilia sempre soube que a primeira estratégia para falar de Jesus era se calar e ouvir o que eles tinham a dizer.

Esterfilia se tornou amiga de dois idosos. Gostava de visitá-los para conversar, ouvir suas histórias, ver se estavam bem ou precisando de algo e aproveitava para deixar uma breve e despretenciosa mensagem sobre a Bíblia. Com o passar do tempo, percebeu que a cada visita tinha um idoso a mais, e o grupo chegou a dez idosos em dois meses. Eles eram tão interessados nos temas bíblicos que Esterfilia propôs realizar um curso bíblico.

A escuta ativa mostrava que ela se importava com as necessidades e os sentimentos e abria oportunidades para esclarecer questionamentos mais profundos, como os temas das doenças e da morte, por exemplo. Ela ressaltava que nenhum assunto era irrelevante quando provocava dúvidas ou incertezas e que falar sobre isso muitas vezes significa cura.

Os encontros aconteciam em uma praça central da cidade, em um local arborizado. Havia a presença de pregadores de outras denominações no mesmo espaço, mas os amigos de Esterfilia diziam gostar de estar com ela porque os ouvia, não os condenava por ter outras crenças e ensinava com calma e educação.

Ao comentar sobre o projeto com os amigos, o interesse dos idosos e a capacidade de compreensão dos temas bíblicos, ele desperta curiosidade. Esterfilia acredita que assim como as crianças, os idosos fazem parte de um grupo vulnerável que precisa de uma atenção especial na missão, mas ela entende que para as novas gerações há muito mais empenho e certa normalidade na atuação.

A chegada de Esterfilia à praça no horário marcado era celebrada por aplausos e alegres cumprimentos dos idosos, que se intitulavam filhos de Esterfilia. Antes de tudo, momentos de confraternização davam a oportunidade para eles compartilharem os desafios da semana e as necessidades que enfrentavam. Muitos viviam problemas financeiros ou de saúde, e sempre que possível encontravam ajuda com a nova amiga. Para eles, estar com Esterfilia trazia o mesmo efeito de terapia, e não era raro que ela fosse chamada de psicóloga.

Da mesma forma que entende que muitos idosos podem contribuir para a pregação, enquanto têm condiçoes, ela acredita que é preciso criar programas e materiais para atrair e ensinar essas pessoas. Olhar o rosto de cada idoso e relembrar as boas memórias da infância fez Esterfilia sonhar em voltar para o local onde viveu e abrir a primeira igreja adventista ali.

Enquanto isso, ao visualizar aquele grupo de homens e mulheres que aprendeu a amar, os olhos de Esterfilia sempre buscavam encontrar os olhos de dois idosos: um que tem traços parecidos com os de seu pai e outro que lembra muito seu tio-avô, que ela tanto amou na infância. Depois de realizar um curso bíblico com 21 idosos, Esterfilia decidiu aproveitar um material recém-lançado pela Rede Novo Tempo, chamado Sentimentos. O conteúdo do material, abordando o aspecto emocional, fez com que eles se abrissem a respeito do que sentiam, muitos deles percebendo estarem em estado de depressão. A cada encontro, eles sentiam como se estivessem se curando das dores do passado e do presente, especialmente no que diz respeito ao preconceito e 118


PROJETO Como Esterfilia Ruiz Flores, você pode ter um ministério de apoio aos idosos, acolhendoos na área emocional e realizando iniciativas de apoio às demandas da rotina e ensino espiritual. Se você quer promover o evangelismo para a terceira idade, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre cuidados com idosos, escuta ativa e psicologia para terceira idade.

• Aprenda sobre o evangelismo adaptado para idosos, utilizando uma abordagem sensível e acolhedora.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Grupos de convivência e escuta onde os idosos possam compartilhar histórias e experiências. • Auxílio em atividades cotidianas como compras, pagamentos e outras necessidades. • Acompanhamento em consultas médicas e demais serviços. • Ensino do uso de celular e tecnologia. • Promoção de atividades recreativas e de bem-estar, como exercícios físicos, artesanato e oficinas.

• Rede de suporte incentivando a participação dos familiares e uma vivência harmoniosa e acolhedora.

• Estudos bíblicos para idosos com linguagem simples. • Materiais com letras grandes. INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Canva - Para criar materiais visuais mais simples e acessíveis. • YouTube - Para apresentar estudos bíblicos e mensagens espirituais. • Redes sociais - Para compartilhar fotografias e histórias, incentivando a participação das famílias.


Mulheres com o coração na missão

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Q

uando engravidou do primeiro filho, ela vivia o sonho de infância: enfim teria uma criança toda sua para cuidar. Desde pequena, Andrea gostava tanto de brincar de boneca que seu primeiro trabalho, aos 12 anos, foi como babá. Aos 14, depois de tanto pedir para a mãe, ganhou outra criança: um irmão, adotado pela família, completando dois casais de filhos.

Entretanto, a notícia da chegada do primeiro filho competia com o medo que Andrea sentia após o diagnóstico de câncer recebido pelo marido. Por causa disso, a vida financeira também teria um grande impacto, e, durante os nove meses de gestação, eles foram mudando de casa, para imóveis menores e mais baratos. Além de não conseguir trabalhar, era necessário custear parte do tratamento. Como gerente de setor em uma empresa do ramo de confecções, as costureiras se empenharam em produzir o primeiro vestido de gestação para que Andrea usasse. Com esforço, ela fazia o enxoval básico para o bebê. A chegada do primeiro filho aconteceu em momento próximo a outras duas bênçãos: a cura do esposo de Andrea e a aprovação em um programa governamental para a compra de um apartamento, com prestações inferiores ao que eles pagavam de aluguel. Sem nenhuma religião, Andrea passou a sentir que Deus estava ajudando sua família, mas não sabia o que fazer com aquele sentimento. Três anos depois, quando Andrea engravidou da segunda filha, enfrentou mais uma situação de saúde que colocava em risco a gestação. Um novo milagre fez brotar novamente o sentimento de gratidão e a impressão de que precisava de alguma maneira conhecer mais a Deus.

Andrea Hoffmann 1974 • BRA SIL

Andrea morava ao lado da casa da cunhada, e, vizinha a ela, morava a sogra da cunhada, que era adventista. Um convite para participar de uma semana de oração levou a todos para a igreja, e, desde o primeiro dia, Andrea sentiu como se acessasse a todas as respostas sobre o que fazer com aquelas impressões e sentimentos a respeito de Deus. Ao final daquele programa evangelístico, Andrea e o esposo estavam decididos a serem batizados. Depois de batizados, Andrea foi convidada para participar da recepção da igreja. No entanto, ela tinha outro desejo: queria se envolver

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nos ministérios infantis. Como visitante na série de evangelismo, ela e o esposo haviam ficado encantados com o aprendizado que as crianças tiveram, e Andrea queria fazer disso o seu ministério.

de Andrea era uma menina, por isso, ela investiu também na confecção de uma faixa de crochê e pontos mais delicados. A entrega do primeiro kit foi como se uma luz acendesse dentro do coração de Andrea, que naquele momento também enfrentava uma depressão. As roupinhas aqueceriam os bebês e também o coração de Andrea.

Assim, ao mesmo tempo que estaria perto dos filhos, contribuiria para o desenvolvimento de outras crianças da igreja. Por ser recém-batizada, foi designada para atuar como auxiliar na classe da Escola Sabatina, mas, no ano seguinte, já foi eleita como diretora do Ministério da Criança da igreja.

Imediatamente, ela passou a buscar mães necessitadas. Visitou unidades de atendimento básico de saúde, oferecendo seu trabalho e solicitando a indicação de mães que estivessem precisando de enxoval. O kit, na época, continha uma touca, um casaco e um par de sapatinhos.

Andrea mantinha uma vida profissional corrida. Na empresa onde ela começara como auxiliar havia 18 anos, ela ocupava o posto de gerente. Tudo isso acumulado ao apoio à empresa do esposo e aos cuidados da casa e dos filhos. Tamanha responsabilidade e falta de tempo para o autocuidado, provocou impactos na saúde. Isso transformaria a missão de Andrea completamente, embora seja possível notar que Deus a preparara para isso havia muito tempo.

Com o aumento da procura, Andrea precisou buscar doações de materiais e de mais voluntários. Encontrou um grupo de senhoras que se reuniam semanalmente para confeccionar roupas de bebê, mas com uma estratégia diferente. Todas faziam um único modelo, o que significava que no momento da doação, as mães recebiam apenas uma peça, e a ideia de Andrea ampliava a quantidade de peças para cada criança.

Em 2014, Andrea foi submetida a uma cirurgia de garganta, que exigia grande repouso, especialmente evitar falar; portanto, estava impedida também de executar suas atribuições na igreja.

Andrea também movimentou mulheres e idosos da igreja, e a iniciativa foi se tornando mais forte, com atendimento a hospitais. A cada semana, nasciam 20 crianças em uma maternidade pública da cidade, e o grupo de Andrea, chamado Mãos Talentosas, passou a confeccionar enxovais para cada uma delas.

Acostumada à vida agitada, Andrea entendeu que deveria buscar uma ocupação, mas não sabia em quê. Ao chegar no salão de beleza, viu que a manicure a aguardava fazendo crochê e, sem nunca ter feito qualquer trabalho manual ou artesanato, Andrea pediu que a manicure ensinasse os pontos básicos, para que ela fizesse um cachecol para si mesma, a fim de ocupar o tempo.

Tudo era entregue embalado como presente, em visitas presenciais feitas pela própria Andrea, que aproveita a oportunidade para falar sobre amamentação e outras orientações importantes para as mães.

Procurando por orientações em revistas, Andrea foi se tornando capaz de fazer outros tipos de produto, mas já estava pronta para voltar ao trabalho. Algum tempo depois, Andrea foi submetida a outra cirurgia, que novamente a colocou em repouso. Dessa vez, ela já sabia como ocupar o tempo e voltou a fazer crochê.

A igreja abriu as portas para acolher o grupo de “crocheteiros”, que chegou a somar 50 voluntários, entre homens e mulheres, incluindo idosos. Embora o trabalho aconteça diariamente em casa, essa oportunidade de trabalho conjunto funciona como terapia, em que os voluntários conversam, trocam descobertas e modelos e traçam planos. Os encontros também são oportunidades para falar de Jesus, porque boa parte dos voluntários não são adventistas.

Quando uma colega de trabalho visitou Andrea em casa, comentou que tinha uma vizinha necessitando de enxoval para o bebê que nasceria em breve. Andrea logo pensou em levantar e organizar doações para ajudar essa família, ao mesmo tempo que teve a ideia de produzir algumas peças em crochê para presentear.

As doações são captadas por meio de posts feitos por Andrea nas redes sociais. Mais de 310 mães recebem enxovais do Projeto Mãos Talentosas a cada ano, e, a cada enxoval entregue, Andrea relembra as próprias dificuldades nas gestações e como isso a levou em direção ao seu propósito. Em 2025, o projeto completa dez anos.

Novamente, Andrea voltou à pesquisa em revistas, buscando modelos para toucas, sapatinhos e casaquinhos. A primeira criança a receber as doações 122


PROJETO Como Andrea Viviane Hoffmann, você pode ter um ministério que usa as habilidades manuais para produzir enxovais e outras roupas para famílias carentes. Se quer usar o artesanato como ferramenta de evangelismo, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos de costura, bordado, crochê ou tricô, aprimorando suas habilidades para produzir enxovais e roupas de qualidade.

• Aprenda sobre gestão de projetos sociais, incluindo captação de recursos e organização de equipes de voluntários para ampliar o alcance do ministério.

• Engaje-se em estudos sobre o valor do serviço cristão e a importância de ajudar o próximo como forma de evangelismo.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Produção de enxovais para bebê, roupas de frio e outras peças essenciais para famílias carentes.

• Workshops de atividades manuais e artesanato. • Formação de rede de voluntários para produção. • Inclusão de jovens e adolescentes no projeto. • Distribuição de enxovais e roupas em comunidades carentes e hospitais, incluindo mensagens • • •

bíblicas e de encorajamento. Criação de uma rede de patrocinadores que possam contribuir com materiais ou apoio logístico. Eventos de conscientização e arrecadação de materiais como tecidos e linhas. Bazares e outras estratégias para arrecadação de fundos.

INOVAÇÃO

• Canva - Para criar materiais de divulgação e cartões para serem colocados nos enxovais. • WhatsApp Business ou Telegram - Para manter contato com voluntárias e coordenar o trabalho em grupo.

• Google Forms - Para cadastrar voluntárias e registrar doações, facilitando a organização das equipes e do estoque de materiais.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• YouTube ou Instagram - Para acessar e compartilhar tutoriais. • Trello ou Asana - Para organizar o fluxo de produção e distribuição, acompanhando as etapas desde a confecção até a entrega.

• Ko-fi ou Apoia.se - Plataformas de financiamento coletivo para arrecadação de donativos.


Mulheres com o coração na missão

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A

os oito anos, ela sofreu um grave acidente que queimou grande parte do seu pescoço e rosto. As cirurgias para reconstrução foram uma etapa dolorosa na vida de Lislei, que cresceu em um lar adventista bem-estruturado. Para evitar que a filha ficasse traumatizada com a própria imagem, os pais retiraram todos os espelhos de casa e se empenharam para que ela tivesse sempre uma atitude forte e resiliente na vida.

As 20 cirurgias reparadoras, realizadas durante anos, exigiam evitar completamente o sol, e, por essa razão, as atividades escolares eram bem coordenadas com o colégio adventista. Infelizmente, ela não pôde participar do clube de aventureiros e desbravadores. Mesmo com todas essas questões, Lislei cresceu ativa na igreja e participava especialmente na área musical, tocando piano, que aprendeu com a mãe. Quase todos os dias, Lislei enfileirava cadernos no chão, como se tivesse alunos imaginários, e estudava enquanto brincava de ser professora. Alguns até imaginaram que essa seria a escolha, mas Lislei não teve a menor dúvida ao escolher a faculdade de Fisioterapia ao prestar vestibular. Ela havia notado o quanto a dificuldade de mobilidade a interessava. Ao longo do curso escolheu focar em idosos, mas devido ao excelente desempenho acadêmico, emendou o curso de graduação nos estudos de mestrado, mudando-se para a capital. Sempre ativa na igreja, o primeiro caminho para se envolver era a música, por meio do piano e dos corais. Quando concluiu o mestrado, voltou ao interior – para a mesma cidade onde havia se graduado – a fim de cursar o doutorado. A vida realmente parecia levá-la para a docência, só que não de crianças pequenas, mas de estudantes de Fisioterapia.

Lislei Martins

Em um culto de quarta-feira à noite, ao ir à igreja que frequentou durante a graduação, Lislei conheceu um jovem diácono, que não era membro anos atrás quando ela estivera ali. Não demorou muito para que começassem a namorar e decidissem se casar.

1974 • BRA SIL

Com o objetivo de continuar os estudos, Lislei compreendeu que era importante prestar concurso para docência em uma faculdade pública, onde havia maior investimento em pesquisa, possibilitando o 125


pós-doutorado. Foi aprovada em uma cidade de outro estado, e isso apressou os planos do casamento.

Depois de algum tempo, a atividade foi condensada em três dias, aumentando ainda mais o interesse da comunidade. Lislei convidava residentes da faculdade sob sua supervisão e, com a participação de adventistas de todas as igrejas da cidade, promovia atendimento profissional de qualidade, e a cada ação havia pedidos de estudos bíblicos.

A chegada à nova cidade e à nova igreja não foi diferente. Lislei e seu esposo se prontificavam para ajusar na igreja e logo começaram a planejar atividades que realmente colocassem os membros para atuar junto à comunidade. No novo trabalho, ela ingressou como docente na área de Saúde da Pessoa Idosa e desenvolveu pesquisas na área de envelhecimento humano e longevidade, aplicando os conceitos bíblicos nas análises.

Lislei idealizou a contabilização dos resultados obtidos pelos participantes para ter fundamentação científica com o objetivo de ampliação do projeto. A mudança de hábitos na comunidade era perceptível, mas a formalização do projeto traria ainda mais reconhecimento. Todos os participantes recebiam seus índices de saúde antes e após o programa, e a transformação era surpreendente.

Durante algum tempo, Lislei e o esposo coordenaram um projeto na área da saúde, cujo objetivo era que os membros da igreja adquirissem novos hábitos e que o impacto na vida deles provocasse o interesse de outras pessoas para a mensagem adventista. Logo ela compreendeu que essa estratégia gerava resultados em prazo mais longo do que ela gostaria.

A pesquisa foi muito bem acolhida entre os pesquisadores, possibilitando a expansão por intermédio da Secretaria de Saúde do município. Lislei elaborou uma estratégia para que os agentes de saúde primeiro fossem submetidos ao processo, percebessem os resultados na própria vida e se tornassem propagadores dos bons hábitos entre as pessoas que eles atenderiam em casa. Devido ao volume de participantes – 70 agentes – o projeto foi realizado nas unidades básicas de saúde.

Eles foram convidados a iniciar os trabalhos no Espaço Novo Tempo da cidade. A visita à casa que sediaria as atividades fez com que a mente de Lislei imediatamente idealizasse a utilização do imóvel por pessoas não adventistas. Piscina, sauna, cozinha e a sala que funcionava como auditório deveriam ser palco de um grande movimento de orientação prática dos oito remédios da natureza.

Com os resultados obtidos, Lislei e sua equipe partiram para implementar o projeto entre os professores, a fim de que eles fossem propagadores dos bons hábitos entre os estudantes, resultando em transformação nas famílias. A aprovação da Secretaria de Educação veio junto com a pandemia em 2020, quando todas as atividades presenciais na escola foram suspensas.

O projeto foi desenhado prevendo uma semana de intensa orientação e acompanhamento prático, iniciada no domingo e terminando no sábado com o remédio da fé em Deus, abordando a necessidade da espiritualidade. A cada grupo, 15 pessoas seriam acompanhadas por Lislei e sua equipe, aprendendo a incluir um novo bom hábito a cada dia.

O projeto foi adaptado para o meio digital e teve a participação de mil pessoas. A cada mês, Lislei aplicava o ensinamento de um pilar da saúde e os participantes tinham o compromisso de incluir o novo hábito à rotina, de modo a concluir o período com um novo estilo de vida. Naquele momento, onde todas as pessoas estavam preocupadas em manter o sistema imunológico forte, o projeto foi um sucesso ainda maior.

O nome escolhido para a iniciativa, New Start, é um acróstico para Nutrition (nutrição), Exercise (exercício), Water (água), Sunshine (sol), Temperance (moderação), Air (ar), Rest (repouso) e Trust (fé). A divulgação começou em setores da sociedade para que os convidados pudessem se sentir mais confortáveis com o vínculo preexistente com quem atuava no projeto como voluntário.

Ao apresentar a fé como um remédio importante para a saúde física e mental, Lislei também se apoia em estudos científicos. Nas palestras, ela tem a oportunidade de falar sobre a própria fé, assim como aproveita o tema do descanso para falar do sábado e o da alimentação para falar sobre alimentos puros e impuros. Como a espiritualidade é o último dos tópicos apresentados, Lislei e a equipe sempre disponibilizam questionários para as pessoas que desejam continuar estudando a Bíblia.

O projeto era caro, pois previa o fornecimento dos produtos naturais para os participantes, mas era realizado quatro vezes ao ano, patrocinado pelo próprio grupo. Quando passaram a enfrentar dificuldades para dar continuidade à ação, foram abençoados pelo investimento de um membro da Federação dos Empresários Adventistas. 126


PROJETO

Para os outros itens do New Start, a equipe também faz acompanhamentos posteriores, com grupos para exercícios físicos e aula de culinária, por exemplo, fortalecendo ainda mais o vínculo com os participantes e tendo oportunidades em longo prazo de oferecer estudos. Ao fim da pandemia, o projeto foi iniciado na vizinhança do Espaço Novo Tempo, que havia mudado de endereço. Aulas de exercício físico foram ministradas na garagem do imóvel e logo despertaram a atenção da comunidade. O carinho das pessoas por Lislei era tanto que a elegeram como presidente da Associação de Moradores do Bairro, mesmo residindo em outra localidade. Como próxima etapa, Lislei deseja se aproximar das crianças nas escolas, vestindo-se de vovó. Como as máscaras dos oito remédios são a receita do sucesso para cativar e manter o foco, agora ela quer mostrar uma idosa que tem boas condições de saúde. Ao longo do ministério, Lislei sempre teve a parceria do esposo, responsável pela administração das doações, da logística e dos filhos, presentes em todas as palestras, representando os remédios dados por Deus. A Semana Uberaba Mexa-se pela Vida faz hoje parte do calendário oficial da cidade, por meio de um decreto.

Como Lislei Jorge Patrizzi Martins, você pode ter um ministério que usa o ensino dos bons hábitos de saúde como estratégia missionária. Se você quer alcançar a comunidade, recrutar patrocinadores e ter apoio governamental para essa iniciativa missionária, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre saúde preventiva e bem-estar e estude os oito remédios da natureza.

• Aprenda sobre captação de recursos e construção de parcerias. • Engaje-se em cursos de saúde pública e políticas de bem-estar. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Organize oficinas com temas como nutrição, exercícios físicos, higiene e saúde mental, educando a comunidade sobre hábitos saudáveis e os remédios da natureza.

• Promova campanhas locais em escolas, igrejas e centros comunitários sobre a importância de hábitos saudáveis para a longevidade.

• Faça parcerias com profissionais de saúde, escolas e faculdades com o objetivo de ter apoio técnico e credibilidade para o projeto.

• Forme grupos de atividades físicas, como caminhada, exercícios ao ar livre e aulas de alongamento na comunidade.

• Desenvolva parcerias com empresas locais e órgãos governamentais, mostrando como o projeto contribui para o bem-estar da população e o impacto social positivo.

INOVAÇÃO

• Canva - Para criar folhetos, pôsteres e materiais visuais educativos para as campanhas. • WhatsApp ou Telegram - Para compartilhar dicas de saúde e informações sobre eventos e atividades.

• Google Forms - Para realizar pesquisas de interesse e avaliar o impacto das atividades. • Redes sociais - Para compartilhar conteúdo educativo e divulgar os eventos e as campanhas.

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• Zoom ou Google Meet - Para organizar workshops e palestras on-line. • Trello ou Asana - Para planejar e monitorar as atividades e campanhas, organizando tarefas e acompanhando o projeto, garantindo eficiência na execução.

• Patreon ou Apoia.se - Para captar doações.


Mulheres com o coração na missão

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L

ogo que nasceu, ela foi deixada pela mãe na casa dos avós paternos, onde foi recebida, mas não aceita ou acolhida. Por ser fruto de um relacionamento extraconjugal e ser negra, Sheila teria um teto, alimento e iria à escola, mas teria que se responsabilizar por toda a limpeza e cuidados da casa. Não havia espaço para sonhos, somente o desejo de sair daquela situação para outra que ela desconhecia.

No início da adolescência, Sheila conheceu um rapaz, fugiu de casa e teve um filho com ele, mas o relacionamento não durou muito. A responsabilidade de um relacionamento e de cuidar de uma criança estava longe da liberdade que ela desejava ter. Sheila queria ir a festas, como as moças da idade dela faziam. Depois de um tempo morando com uma amiga, foi expulsa daquela casa. Sheila sobrevivia e sustentava o filho trabalhando em casas de famílias e morando de favor ou em locais abandonados. Um dia, Sheila se apaixonou por um homem e logo ficou grávida. No entanto, quando nasceu, a criança não tinha as características do namorado, então Sheila entendeu que era filho de um homem que ela havia se envolvido sexualmente, sem compromisso. O relacionamento acabou. Agora com duas crianças pequenas, a situação de Sheila estava ainda mais complicada. Sempre que chovia, o quarto que os abrigava alagava completamente. Sheila amava os filhos, mas compreendia que não tinha condições de cuidar deles, por isso decidiu levar o filho mais novo para um lar de acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade e entregou o filho mais velho para o pai. Enquanto trabalhava buscando uma solução para receber o filho de volta e eliminar o risco de que ele fosse adotado por outra família, Sheila conheceu um rapaz que havia sido adventista, e eles passaram a morar juntos. Ela se tornou amiga do cunhado, membro ativo da igreja, e começou a estudar a Bíblia com ele, decidiu ser batizada e, um tempo depois, foi trabalhar como colportora.

Sheila Sousa 1974 • BRA SIL

Esse período coincidiu com o prazo final das autoridades para que ela recebesse o filho de volta ou o entregasse para a adoção, mas o parceiro de Sheila não aceitava a criança, por isso eles se separaram. Sheila abandonou de vez a fé. Foi morar com uma amiga, se envolveu com bebidas alcoólicas e festas. 129


Em uma noite reencontrou um amigo de infância. Depois de um período de namoro, eles se casaram, e Sheila trouxe o filho mais velho para morar com eles. Sheila frequentemente se lembrava da igreja e da paz que sentia, conversava sobre isso com o marido, mas não tinha forças para voltar. No entanto, depois de um assalto violento que sofreu, Sheila visitou a igreja e lá permaneceu: o marido foi batizado e Sheila, rebatizada.

definitiva para salvar a si mesma e ao filho. Ela desejava não repetir os erros da mãe e abandonar um filho.

Em um evento na igreja sobre missão, Sheila soube da necessidade de obreiros missionários no sul do estado para um período de 30 dias iniciais e posterior efetivação. O trabalho consistia em acompanhar os recém-batizados, frutos das séries de evangelismo que aconteciam na região. O marido de Sheila ficou provisoriamente com as crianças e, quando ela foi oficialmente contratada, a família também se mudou.

Depois de ser acolhida provisoriamente por algumas pessoas, Sheila e o filho foram morar em um sítio da família, que estava praticamente abandonado. As condições eram muito precárias, mas ela estava disposta a recomeçar. Sheila sentia como se aquela fosse a última chance de sua vida.

Lembrando-se da melhor época da sua vida, Sheila buscou a ajuda de pessoas que pertenciam à Igreja Adventista. Livres das drogas e do álcool, ela havia retornado ao trabalho, e o filho trabalhava como flanelinha. A vida parecia tomar uma curva de crescimento.

Sheila frequentava a igreja assiduamente, por isso foi visitada por uma mulher, chamada Nilta, que ficou muito preocupada com a situação que viu. Naquele mesmo dia, Nilta disse que Sheila deveria dormir na casa dela todas as noites.

Passados cerca de três meses, Sheila teve dificuldade de relacionamento com alguns membros da igreja que frequentava e, mais uma vez, abandonou os caminhos do Senhor.

Naquelas noites, com alimento fresco e roupa de cama cheirosa, Sheila sentiu como se tivesse voltado à infância, recebendo um cuidado que jamais tivera. Nilta agia como uma mãe, preocupada em ensinar bons comportamentos, dar bons conselhos e educar, exatamente como fazia com a própria filha.

O alcoolismo e as festas voltaram a fazer parte da rotina de Sheila, até que a família decidiu voltar para a cidade onde moravam. Entretanto, Sheila não desejava mais permanecer casada e novamente estava sozinha com os filhos, em uma situação um pouco mais confortável: na separação de bens após o divórcio, ela ficou com uma casa.

Pelo histórico de vida, Sheila não sabia reagir quando era vítima de zombarias ou maus-tratos, e consequentemente era comum que ela chorasse muito. Aos poucos, Nilta ensinou a Sheila como deveria responder respeitosamente às pessoas em situações desagradáveis, fortalecendo a autoestima da mulher, como se fosse uma menina ainda.

Com o fim do relacionamento, Sheila se aproximou das drogas e se tornou viciada, perdendo tudo o que tinha para custear o vício, chegando a se prostituir para comprar mais entorpecentes. O filho mais velho voltou a morar com o pai e o mais novo, que tinha 12 anos, também se envolveu com drogas e passou a morar nas ruas, enquanto Sheila vivia em uma região de tráfico.

Envolvida nas ações missionárias e sociais da igreja, Sheila dava estudos bíblicos e passou a notar que havia pessoas que precisavam de apoio, especialmente mulheres que, como ela, não tinham formação e emprego. Nesse período, conheceu Vilson, que, tempos depois, se tornaria seu esposo.

Três anos depois, quando o traficante amigo de Sheila foi preso, ela encontrou forças para buscar ajuda. Havia alguns dias que ela ouvia uma voz pedindo para que voltasse para a casa da avó, aquela que tinha abandonado no começo da adolescência e, mesmo sem compreender as razões, decidiu seguir o conselho.

Juntos, eles deram início a um projeto social para atender pessoas em situação de vulnerabilidade, e a primeira iniciativa consistia em arrecadar e doar alimentos e roupas. No entanto, essa iniciativa era uma solução temporária e paliativa, e Sheila queria mais. Não havia recursos próprios para atender todas as demandas que apareciam, então ela passou a buscar apoio da comunidade e de autoridades.

Ao retornar, foi atendida por um tio, que ofereceu alimento, roupas e um lugar para ficar por um período. Sheila não conseguia se esquecer do filho que se encontrava nas ruas e, com o apoio do tio, procurou até encontrá-lo: sujo e bastante magro. O garoto foi enviado para uma clínica para tratamento contra o vício. Sheila compreendeu que precisava de uma mudança de vida

Oficialmente chamado de Instituto Amor Verdadeiro, o projeto passou a ajudar mulheres que desejavam empreender, direcionando-as para cursos e buscando apoio para que tivessem suprimentos para iniciar o negócio. 130


Em uma etapa posterior, o instituto passou a atender mães de crianças atípicas. Consciente das dificuldades enfrentadas por elas, Sheila iniciou um trabalho de resgate da autoestima e do aspecto psicológico, além de proporcionar apoio material e direcionamento para que elas tivessem acesso a benefícios governamentais. O Amor Verdadeiro, que dá nome ao projeto, é exemplificado também com o cuidado espiritual, parte importante do atendimento prestado pelo instituto. Devido à boa reputação do projeto, que funciona no mesmo sítio onde Sheila renasceu, periodicamente 25 mulheres são atendidas. Atualmente, vários setores da sociedade compartilham doações em dinheiro. Outra fonte de renda do projeto é a venda de objetos. Esses recursos são revertidos para as mulheres atendidas. Sheila dirige o instituto ao lado do marido e é visitada frequentemente pelos filhos e pela neta.

PROJETO Como Sheila Cristina Freitas Sousa, você pode ter um ministério que apoia e capacita mulheres, incluindo mães de crianças atípicas, para que possam ter renda própria, acesso a políticas governamentais e amparo emocional e espiritual. Se você quer atuar com mulheres como ferramenta de evangelismo, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos sobre empreendedorismo feminino, direitos e políticas públicas voltadas para mulheres, com foco em independência financeira e cidadania.

• Aprenda sobre apoio psicológico e espiritual. • Estude as necessidades das mulheres da comunidade para adaptar o ministério às situações reais, incluindo capacitação e apoio prático.

• Encontre políticas públicas disponíveis e os requisitos para obtenção. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Workshops de empreendedorismo e finanças, incentivando a autonomia. • Orientação para políticas públicas com encontros e materiais informativos, facilitando o acesso a benefícios e recursos.

• Rede de apoio emocional e espiritual para compartilhamento de experiências. • Eventos de inclusão e conscientização, como palestras que abordem os desafios e direitos de mães de crianças atípicas, por exemplo.

• Distribuição de materiais educativos e inspiradores. INOVAÇÃO

Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

• WhatsApp Business - Para rede de comunicação e suporte com as participantes. • Canva - Para criar folhetos, cartazes e materiais educativos físicos e digitais. • Google Calendar - Para agendar e organizar workshops, reuniões de apoio e eventos. • Trello - Para gerenciar tarefas e organizar o fluxo das atividades. • Google Forms - Para coletar informações sobre necessidades, interesses e feedbacks. • Redes sociais - Para compartilhar histórias de sucesso e mensagens inspiradoras.


Mulheres com o coração na missão

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E

la cresceu em uma grande família, sendo a penúltima de 11 filhos, dos quais oito eram mulheres. Enquanto o pai se esforçava para sustentar a todos com o salário de professor de matemática, María Elisa via a mãe cuidando da casa, dos filhos e do esposo, e ainda trabalhando para contribuir com o orçamento familiar. Isso sempre a deixou encantada pensando na força, capacidade e resiliência feminina, mesmo não sabendo dar nome à admiração que sentia. María Elisa sentia orgulho de ter o mesmo nome da mãe, entre tantas irmãs.

Aos cinco anos, após assistir a cura milagrosa de sua mãe após um derrame cerebral, também a viu se tornar adventista do sétimo dia e mudar toda a rotina da família. As imagens de santos foram jogadas fora, a sexta-feira se tornou um dia de preparação e o sábado um dia especial, com a presença no culto da igreja. Novas atividades foram adicionadas à agenda tão cheia da mãe, que agora também dedicava grande parte do tempo em ações sociais, especialmente levando comida aos mais necessitados e ensinando a Bíblia. Em todas elas, Elisa estava presente, primeiro apenas assistindo, por causa da idade, e depois se tornando parte ativa do ministério da mãe. Elisa cresceu servindo à igreja, e aos 15 anos, decidiu ser batizada. Ainda na adolescência e juventude, foi bastante ativa na igreja, especialmente nas atividades do Ministério Pessoal, na Escola Sabatina e como secretária. Na faculdade onde estudava Jornalismo, Elisa se tornou amiga de Nilton, para quem ela deu estudos bíblicos. Ele decidiu ser batizado. A amizade se transformou em namoro, depois em casamento e em um envolvimento na missão, agora como casal.

María Elisa

Depois de formada, Elisa foi contratada para trabalhar na área de relações públicas do governo, uma posição de destaque e influência, com um excelente salário. No entanto, ela se deparou com situações em que a função exigia atividades incompatíveis com sua fé e decidiu abandonar a carreira promissora.

1978 • PERU

Elisa não sentia medo, pois sempre se recordava dos ensinamentos obtidos ainda na infância, a respeito da fidelidade. Junto com o marido, abriu um negócio em que era possível guardar os mandamentos e testemunhar, 133


pois se tornaram prósperos. Em 2012, eles tiveram uma filha, e, anos depois, mudaram-se para a capital.

Jesus, mas não sabia como, visto que seu círculo social era muito reduzido, um aconselhamento a fez entender que havia a oportunidade de estudar a Bíblia com a cuidadora que a acompanhava diariamente em sua casa.

Ao escolherem uma igreja para congregar, Elisa logo se envolveu nas atividades que trabalhavam com as crianças, acompanhando de perto o desenvolvimento da filha. Ela era atuante no clube de aventureiros e no departamento infantil, mas sentia um desejo de se envolver ainda mais na missão.

A cada relato, Elisa se sentia ainda mais motivada e emocionada, recordando o exemplo da mãe. Essa também foi a razão de envolver a filha, Mariana, nas atividades da igreja, sempre que possível. Nos retiros espirituais e outros encontros que promovia, Elisa enfatizava a força da mulher na missão e as oportunidades que todas tinham de levarem outras pessoas ao batismo.

No ano seguinte, ao ser nomeada líder do Ministério da Mulher, sentiu-se motivada a desenvolver atividades que engajassem mulheres na missão, de maneira mais intencional e vibrante. Dentro de si carregava o entusiasmo de sua mãe e as lembranças de como a liderança feminina havia sido importante na igreja onde frequentou quando criança e jovem.

Todos os domingos, as mulheres lideradas por Elisa se reúnem para orar e depois realizam um mutirão de visitação. Um grande projeto chamado Oficina Missionária oferece atendimento à comunidade na área de psicologia, nutrição, medicina em geral, assessoria jurídica, oficinas de costura e reforço escolar. Para María Elisa, é como se todo esse movimento potencializasse as ações que, ainda menina, ela identificou como sendo a essência da mulher adventista.

Ao mesmo tempo em que era uma das mais novas, Elisa percebia que desempenhava um papel de liderança dentro da própria família, como conselheira e auxiliadora nas necessidades que as irmãs enfrentavam. De alguma maneira, o fato de ter sido uma filha temporã e ter crescido envolvida nas atividades da igreja, havia dado uma maturidade maior e uma aptidão para liderar e discipular outras mulheres.

Atualmente, com o apoio do esposo, Elisa está envolvida em um grande projeto, que conta com a participação de mulheres sob sua liderança: evangelizar o bairro e plantar uma igreja naquela comunidade, inspirada no exemplo de liderança da mãe.

Durante os projetos que organizava na igreja, Elisa entendeu que o conhecimento adquirido durante o trabalho em relações públicas permitia que ela contribuísse ainda mais no Ministério da Mulher. Era como se tivesse sido moldada para ser uma líder feminina ao longo de toda a vida, carregando não apenas o nome da mãe, mas sua paixão pela missão. Quando se tornou líder distrital do Ministério da Mulher, desenvolveu planos para que as mulheres de todas as igrejas se movimentassem em ações missionárias. O primeiro passo foi incentivá-las a se capacitarem, realizando um curso de liderança. O movimento resultou na formação de 120 missionárias e os projetos começaram a multiplicar. Mais mulheres passaram a realizar séries de evangelismo, porque se sentiam seguras para falar em público. Algumas mulheres formaram grupos de oração, outras fundaram pequenos grupos para ensino da Bíblia, e muitas se envolveram em ações sociais. À medida que os testemunhos eram compartilhados e os batismos aconteciam, mais mulheres procuravam Elisa para que fossem ajudadas a encontrar o próprio lugar na missão. A uma senhora idosa que gostaria de levar uma pessoa a 134


PROJETO Como María Elisa Neciosup Avalos, você pode ter um ministério que engaja e capacita mulheres para que descubram seu propósito; desenvolvam-se pessoal, profissional e espiritualmente; e impactem a comunidade com projetos sociais e missionários. Se você quer liderar outras mulheres, aproveite as dicas a seguir.

CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Workshops de autoconhecimento e propósito sobre seus talentos e aspirações com o objetivo de se dedicar à missão.

• Capacitação em projetos sociais e missionários nas áreas de desenvolvimento, planejamento e execução de projetos.

• Palestras e oficinas sobre habilidades profissionais, comunicação, liderança e relacionamento corporativo.

• Desenvolvimento de conteúdos para o fortalecimento da autoestima, resiliência e confiança para que mulheres se sintam capacitadas a agir.

INOVAÇÃO

• Zoom ou Google Meet - Para organizar workshops e eventos de desenvolvimento

pessoal e profissional on-line, permitindo que mulheres de diversas localidades participem.

• Slack ou WhatsApp Business - Para criar comunidades virtuais. • Canva - Para desenvolver materiais visuais e conteúdos educativos inspiradores para distribuição física ou digital.

• Google Forms - Para realizar pesquisas que identifiquem os interesses e necessidades

das participantes, ajustando os conteúdos e as atividades de acordo com os feedbacks.

• Patreon ou Apoia.se - Para captar recursos e patrocínios de forma recorrente, possibilitando a sustentabilidade dos projetos sociais e missionários.

• Trello ou Asana - Para organizar e gerenciar as etapas de cada projeto. Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.


Mulheres com o coração na missão

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S

empre que estava de férias, Alejandra ficava atenta a todos os passos do primo, Henry. A menina era muito pequena quando o primo perdeu a visão, em decorrência de uma meningite. Depois disso, todas as brincadeiras que faziam juntos envolviam estratégias para driblar essa diferença e, na pureza infantil, tudo era naturalmente adaptado.

Henry sempre foi uma criança animada, resiliente e corajosa; no entanto, de alguma forma, essa incapacidade do primo de enxergar fazia com que Alejandra ficasse mais atenta às pessoas com deficiência física. Alejandra sempre foi uma menina curiosa e bastante falante, não apenas com os amigos, mas com adultos; por isso, ela sabia mais do que as crianças da idade dela sobre as causas das deficiências e as dificuldades enfrentadas por pessoas que nasciam sem ou perdiam alguma habilidade no decorrer da vida. Aos oito anos, Alejandra frequentemente usava o transporte coletivo com a mãe e ficava encantada ao ver pessoas conversando por meio da linguagem de sinais. Ela não conseguia tirar os olhos dos dedos se movimentando de maneira rápida. Era um mundo à parte e extremamente instigante. Alejandra soube que aquela era uma linguagem utilizada por surdos e disse à mãe que gostaria de aprender, para interagir com eles. Sempre que via alguém surdo na rua, Alejandra pensava em como poderia conversar – entender o que a pessoa estava falando.

Alejandra Borges 1988 • URUGUAI

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Aquela não era uma preocupação típica da idade, mas, de tanto insistir, os pais de Alejandra encontraram uma escola para um curso básico de Língua de Sinais Uruguaia (LSU). A maioria dos alunos era formada por adultos e, entre as crianças, Alejandra era a única estudante que não tinha nenhum parente ou amigo surdo. Suas razões para aprender eram diferentes. Aprender a usar as mãos com leveza e incluir outras expressões corporais para completar a mensagem era o máximo para Alejandra. A cada dia, ela compartilhava com os pais, irmãos e até colegas da escola os novos aprendizados e se encantava a cada descoberta das saudações e outras frases básicas.


Algum tempo depois, um irmão de Alejandra teve seu primeiro contato com os adventistas do sétimo dia, por meio de um amigo. A menina, o irmão e a mãe frequentavam assiduamente os cultos, mas lutavam contra os impedimentos do pai e do irmão mais velho. Ainda criança, Alejandra orava para que eles aceitassem fazer parte da igreja e, algum tempo depois, o batismo aconteceu.

com a criação de um projeto oficial da Igreja Adventista para os surdos. A proposta do projeto é capacitar membros para se comunicarem por meio da LSU, começando por uma igreja. Ao saberem de um local onde os cultos têm tradução, os surdos se deslocam até esse templo. Com o trabalho, a frequência dos surdos aumentou, e eles começaram a se motivar também para o evangelismo. Agora eles mesmos podem pregar e convidar os amigos para frequentar a igreja, pois sempre há alguém fazendo a tradução.

Aos 12 anos, Alejandra pediu aos pais para que pudesse participar de um curso mais aprofundado de LSU. Ao acompanhar o desenvolvimento do primo vencendo os desafios que a falta de visão impunha, ela se tornava consciente de que deveria ser importante para pessoas que precisavam de ajuda, mas que tinham limitações por não conseguirem ouvir ou falar.

Embora os surdos sejam alcançados pelos materiais gráficos produzidos pela igreja, por saberem ler, Alejandra sabia que era necessário ter algo mais humanizado e personalizado para eles. Especialmente depois que começou a trabalhar na Rádio Novo Tempo, na Central de Atendimento aos Ouvintes, ela passou a entender ainda mais a necessidade de ampliar os projetos e eventos para alcançar as comunidades de surdos.

Participando do clube de aventureiros e, posteriormente, de desbravadores, Alejandra se engajava em programas missionários da igreja, mas naquele momento não havia nenhum surdo frequentando os cultos. Ela sentia que não havia conexão entre o que aprendia e até desejava ter como carreira e missão. Em 2006, quando completou 15 anos, Alejandra comecou a orar pedindo que Deus unisse seu talento e conhecimento de LSU com a missão de alguma forma. Ela se lembrava de como Deus tinha atendido sua oração para que o pai aceitasse a Jesus e tinha certeza que essa também seria respondida. Logo ela soube que uma criança surda, chamada Mariana, estava começando a frequentar a igreja, e Alejandra se dispôs a fazer a tradução dos momentos do culto.

Assim que começou a interpretar os cultos na igreja, Alejandra atuava sozinha. Com o passar do tempo e o estabelecimento do ministério, dois membros da igreja decidiram se inscrever em cursos para serem capazes de fazer a tradução, dividindo a tarefa com Alejandra. O esposo de Alejandra também aprendeu a LSU e atua nesse ministério, e as filhas começaram a estudar. Alejandra se emocionava ao ver as filhas, ainda tão pequenas, imitando os gestos que ela fazia, especialmente nas músicas.

Ao mesmo tempo que os olhos de Mariana brilhavam por compreender o que estava sendo apresentado, Alejandra vibrava pela sensação de ter a oração atendida tão rapidamente e compreender que poderia implementar um ministério de acolher pessoas surdas na igreja e buscar oportunidades de conversar e apresentar a Jesus entre pessoas que jamais entraram em um templo.

Graças a esse ministério, três surdos foram batizados e outros começaram a estudar a Bíblia. Os resultados foram importantes também para que esse ministério fosse implementado em outras igrejas e que todos os materiais de mídia produzidos contassem com a versão de LSU, atendendo a mais pessoas.

A partir daquele momento, a presença de surdos nos cultos começou a aumentar. Alejandra estabeleceu estratégias para se comunicar e desenvolver amizades com essas pessoas, ciente de que a dificuldade de comunicação os deixava à margem de programas desenvolvidos pelas igrejas.

Enquanto vê o primo cego vencendo as limitações com autonomia, ela sonha em encontrar cada vez mais surdos sendo ensinados sobre a Bíblia e se tornando missionários mais atuantes.

Ao contrário de pessoas ouvintes, que poderiam conhecer a Jesus por outros meios e até vão a uma igreja por livre iniciativa, os surdos não sentem esse desejo porque sabem que os cultos consistem em mensagens apresentadas de maneira oral. Além de ser um ministério, comunicar-se com os surdos é uma carreira para Alejandra. Ela se matriculou na faculdade e aceitou o convite para colaborar 138


PROJETO Como Alejandra Borges, você pode ter um ministério que usa a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para atender surdos na igreja e nos estudos bíblicos e promover classes para interessados em serem intérpretes. Se você quer alcançar a comunidade surda, aproveite as dicas a seguir.

CAPACITE-SE

• Participe de cursos de Libras para se tornar fluente e apta. • Aprenda sobre as necessidades específicas da comunidade surda. • Engaje-se em treinamentos para formar intérpretes. CAMPO MISSIONÁRIO E FERRAMENTAS DE AÇÃO

• Organização de grupos de estudo bíblico para surdos, utilizando a Língua Brasileira de Sinais e materiais visuais que facilitem a compreensão.

• Cultos inclusivos com interpretação. • Classes de formação para intérpretes. • Materiais educativos para surdos com investimento no formato visual. • Inserir legenda ou Libras em vídeos evangelísticos existentes. INOVAÇÃO

• VLibras - Ferramenta gratuita de tradução para Libras que pode ser utilizada para auxiliar na criação de conteúdos acessíveis em vídeo ou texto.

• Canva - Para criar materiais em formato visual e acessíveis para a comunidade surda. • Zoom ou Google Meet - Para estudos bíblicos e treinamentos on-line, possibilitando o acesso de surdos e intérpretes.

• Redes sociais - Para compartilhar vídeos com mensagens bíblicas em Libras. • OBS Studio - Para gravar ou transmitir ao vivo estudos bíblicos e cultos com interpretação Escaneie o QR CODE e conheça mais sobre as mulheres com o coração na missão.

em Libras.


Mulheres com o coração na missão

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HOMENAGEM


Heather-Dawn Small 1957-2024 • TRINIDAD E TOBAGO

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A

menina de Trinidad e Tobago, que aceitou a Jesus ainda aos 11 anos, atuou no Ministério da Mulher durante 26 dos 30 anos em que serviu à Igreja Adventista. Ela deixou um legado reconhecido em todo o mundo.

A caçula de três filhos sempre foi confundida como primogênita, devido à sua maturidade. Aluna comprometida e focada, ao cursar a faculdade, decidiu também trabalhar para realizar seus sonhos. Em 1995, começou a trabalhar para a igreja como assistente do presidente da Caribbean Union College, onde ela também estudou. Pouco tempo depois foi nomeada como líder do Ministério da Criança e do Adolescente e, em 1998, assumiu o Ministério da Mulher da mesma União. Em 2001, Heather se tornou diretora associada do Ministério da Mulher, na Associação Geral, e, em 2005, foi nomeada diretora mundial do ministério, criando uma iniciativa de proteção à mulheres, mundialmente conhecida.

LEGADO Em outubro de 2009, Heather fez parceria com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) para lançar o Projeto End It Now na América do Sul, chamado de Quebrando o Silêncio. Ao longo dos anos, o Quebrando o Silêncio se tornou a iniciativa mais ambiciosa da Igreja Adventista para mobilizar os membros contra o abuso e a violência em todo o mundo. Desde 2009, a Igreja Adventista reserva o quarto sábado de agosto como o dia da ênfase e do incentivo para a igreja ir à comunidade e promover a conscientização sobre o abuso, o empoderamento das vítimas e o apoio àquelas cujas vozes não foram ouvidas. Heather-Dawn casou-se com Joseph Leyland Alexander Small e teve três filhos. Ela concluiu o bacharelado em Inglês pela Universidade Andrews, nos Estados Unidos. Enquanto servia como diretora do Ministério da Mulher da Associação Geral, ela completou seu mestrado em Liderança com especialização em Cuidado Pastoral Para Mulheres e, antes de falecer, era candidata ao doutorado em Estudos Interculturais. 143


Eu Faço Parte dessa História Inspirada pelas biografias que leu, escreva agora a sua própria história. Relate suas emoções, seu processo de desenvolvimento, seu encontro com Cristo e de que forma seu ministério tem impactado vidas. Em seguida, dedique um tempo para detalhar o funcionamento do seu projeto, a fim de compartilhá-lo com outras mulheres.

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Meu projeto

Campo missionário e ferramentas de ação

Capacite-se

Inovação

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Referências AIKO ARAKI

Michael W. Campbell, “Hidden Figures: Stories of Adventist Women”, Seventh-Day Adventist Church, Stories & Commentaires, 7 de setembro de 2023, disponível em <https://www.nadadventist. org/news/hidden-figures-stories-adventist-women>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

“Ai Araka (1890-1982)”, Women’s Ministries, disponível em <https://women.adventist.org/aiaraki>, acesso em 17 de janeiro de 2025. Benjamin Baker, “Only the Eyes Were Lost: The Life of Ai Araki”, Mission 360°, disponível em <https://am.adventistmission.org/v4n3-20>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

ANNIE REBEKAH SMITH

John G. Beach, Notable Wonem of Spirit: The Historical Role of Women in the Seventh-Day Adventist Church ([s.l.]: Southern Pub. Association, 1976).

“1855: Annie Smith”, Practica Poetica: Adventist Christian Poetry and Hymns, disponível em <https://www.practicapoetica.com/adventist-poetry-and-hymns/annie-smith/>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

ANA STAHL

“Annie Rebekah Smith 1828-1855”, disponível em <http://www.iamaonline.com/Bio/Annie_ Rebekah_Smith.htm>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

Adriana Seratto, “O Apóstolo dos Índios”, Revista Adventista, 25 de julho de 2018, <https:// www.revistaadventista.com.br/da-redacao/destaques/o-apostolo-dos-indios/>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

“Annie Smith: Her Life and Love (Part 1)”, Hymns for Worship, disponível em <https://hymnsforworship. org/annie-smith-her-life-and-love-part-1/>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

“Ana Stahl (1870-1968)”, Women’s Ministries, disponível em <https://women.adventist.org/anastahl>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

“Annie Smith: Her Life and Love (Part 2)”, Hymns for Worship, disponível em <https://hymnsforworship. org/annie-smith-her-life-and-love-part-2/>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

Carolyn Azo, “Indígenas defenderam pioneiros adventistas no Peru”, Igreja Adventista do Sétimo Dia (site), 3 de julho de 2016, disponível em <https://noticias.adventistas.org/pt/indigenasdefenderam-pioneiros-adventistas-no-peru/>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

“Annie Smith – Short Life, Huge Impact”, Lineage, disponível em <https://lineagejourney.com/read/ annie-smith-short-life-huge-impact/>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

Charles Teel, “Revolutionary Missionaries in Peru: Fernando and Ana Stahl”, Spectrum, 8 de outubro de 2009, disponível em <https://spectrummagazine.org/post-archives/1988revolutionary-missionaries-peru-fernando-and-ana-stahl/>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

Erica Richards, “A Artista Cristã que Morreu aos 27 Anos”, Ler pra Crer, 26 de julho de 2011, disponível em <https://lerpracrer.wordpress.com/2011/07/26/a-artista-crista-que-morreu-aos-27anos/#:~:text=Annie%20Rebekah%20Smith%20foi%20pioneira,ao%20movimento%20milerita%2C%20 em%201844>, acesso em 17 de janeiro de 2025.

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ELLEN WHITE

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MARY T. WESTPHAL

SONIA CARSON

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