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B U I L D I N G
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BRASIL
C O N S T RU I N D O U M F U T U RO S U S T E N TÁV E L
ANO2 / Nº3 / 2015
MUSEU DE ARTE DO RIO 1° MUSEU LEED NA AMÉRICA LATINA REVELA HARMONIA ENTRE PASSADO E FUTURO Arab Hoballah, da Unep: redução da utilização de recursos minimiza impactos ambientais Escolas Verdes garantem ambiente propício a uma nova geração consciente EPD: Em busca da transparência ambiental dos produtos VIBEDITORA
índice
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ANO2 / Nº3 / 2015
EDITORIAL...................................................> 3 COLUNA GBC..............................................> 6
GREEN PAGES
ARAB HOBALLAH............................> 8
TIPOLOGIAS..........................................> 12 VIDA SUSTENTÁVEL...................................> 20 DOCUMENTO SIEGBERT ZANETTINI...................................> 24
CAPA
MUSEU DE ARTE DO RIO...............> 30
POR DENTRO ..............................................> 36 DESEMPENHO.............................................> 40 CASA REFERENCIAL....................................> 46 TENDÊNCIAS...............................................> 50 ENERGIA......................................................> 56
EXPO GBC 2015....................................> 58
ECONOMIA..................................................> 54 SOLUÇÕES...................................................> 62 EMPRESAS & PESSOAS................................> 66
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ENTREVISTA
Arab Hoballah Arab Hoballah é doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade de Paris, França, mestre em Economia e Ferramentas de Análise Prospectiva e também em Direito e Relações Internacionais. Nascido no Líbano, em 1954, Hoballah trabalhou em diversas instituições em países em desenvolvimento, incluindo vários anos com projetos do Banco Mundial no Iêmen. Também criou e gerenciou a Comissão do Mediterrâneo sobre Desenvolvimento Sustentável e por 14 anos trabalhou no programa do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) Mares Regionais como Vice-Diretor do Plano Azul e, em seguida, Vice-Coordenador do Plano de Ação do Mediterrâneo (PAM). Atualmente é Chefe de Consumo e Produção Sustentáveis na UNEP, desde 2005. Responsável pela integração de recursos e eficiência em todos os níveis, local, nacional, regional e global em diversos setores (água e energia, edifícios e cidades, indústrias mais limpos e seguros de produção, turismo, alimentação e educação), desenvolvendo metodologias e ferramentas como Dissociação e Avaliação de Ciclo de Vida, cenários e indicadores, rotulagem e aquisições, além de gerir parcerias para estreitar a colaboração com os governos, as empresas e a indústria da sociedade civil. 8
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Qual é o conceito primordial de decoupling? Arab Hoballah. A Decoupling corresponde a "fazer mais e melhor com menos", usando menos materiais e recursos naturais por unidade de produção, reduzindo os impactos sobre o meio ambiente. O aumento da população, o crescimento econômico global e, principalmente, o consumo e os padrões de produção, em grande parte insustentáveis resultaram em aumentos substanciais na extração de recursos naturais, seu processamento, produção, consumo e geração de resíduos. Agora, é óbvio que, com tais padrões insustentáveis, os recursos sobre o nosso único planeta Terra não serão suficientes para satisfazer as nossas necessidades, a não ser que melhoremos nossa eficiência. Ao reduzir a taxa de utilização de recursos por unidade de atividade econômica, a decoupling de recursos traz um bom resultado econômico. E quando mantemos, mesmo melhorando, a produção econômica, reduzindo o impacto ambiental negativo, este impacto da decoupling também traz um bom resultado ambiental. Obviamente, isso requer inovação em todos os níveis e em todos os setores, o que, juntamente com a eficiência integrada, irá apoiar e impulsionar o desenvolvimento econômico para a sustentabilidade.
Como é que se pode aplicar a decoupling ao ciclo de vida dos produtos? AH. Considerando-se uma perspectiva de ciclo de vida na avaliação da decoupling, ou seja, abordando decoupling em todo o ciclo de vida de um sistema de produção/consumo desde a aquisição de matéria-prima através do processamento e fabricação, uso/consu-
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mo e descarte de resíduos e reciclagem, existem duas grandes vantagens. Em primeiro lugar, uma abordagem de ciclo de vida ajuda a identificar os pontos no sistema onde existem maiores ineficiências, e, portanto, onde a decoupling pode ser alcançada com o menor número de intervenções e mais eficazmente. Por exemplo no setor automotivo a maior parte do consumo de recursos e impactos ambientais ocorrem durante a fase de utilização (associado ao consumo de combustível); portanto, os esforços para dissociar o valor econômico ou a funcionalidade de tais impactos ambientais devem centrar-se na fase de utilização (por exemplo, fazendo com que o carro seja mais eficiente em termos de combustível), a fim de ser mais significativos (sem esquecer que a ação em outras fases do ciclo de vida também pode ser importante e necessária). Em segundo lugar, na verdade, permite a avaliação da decoupling real em oposição a decoupling parcial; por exemplo, se um país terceiriza a indústria mais poluente vai fazer com que seus impactos no mercado interno sejam dissociados da performance econômica; no entanto, esses impactos ainda vão ocorrer (em outro lugar), a menos que o país também tenha reduzido o consumo de produtos relacionados, e a decoupling de modo real pode não ter acontecido (a menos que a produção seja mais eficiente nos países onde esses setores foram terceirizados). Decoupling e seu "motor de eficiência" deve aplicar-se em todas as etapas e fases da cadeia de valor, desde a extração até o processamento, desde a produção até o consumo, a partir da disposição da reutilização e reciclagem. Todas as fases do ciclo de vida dos produtos podem estar sujeitas a decoupling, utilizando menos recursos naturais e redução dos impactos sobre o meio ambiente. Para
um produto, seja um produto de consumo ou um edifício, o design é um processo crítico e um importante passo para a utilização de menos recursos, melhoria posterior na aquisição adequada e na conscientização almejada da educação para o uso, consumo e descarte responsável. Quais são as ações do governo e as empresas para promover a decoupling? E quais os obstáculos? AH. Uma vez que os governos e as corporações têm claramente entendido as oportunidades e benefícios da decoupling e deficiência, é essencial que as autoridades públicas criem e implementem o quadro político necessário que incentiva e induza a eficiência, fornecendo informações adequadas e incentivos necessários, se for o caso; enquanto que as empresas devem incorporar a cultura da decoupling, com menos recursos e redução da poluição, em toda a sua cadeia de valor, investindo mais em inovação. No entanto, investir em decoupling pode não ser fácil para as pequenas e médias empresas, uma vez que eles podem precisar de alguns investimentos e tecnologias apropriadas não disponíveis no mercado local. Para o efeito, é importante que as partes interessadas e tomadores de decisão garantam que o sistema financeiro pode responder às exigências relacionadas, para apoiar a pesquisa e inovação necessárias, bem como garantir a
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Os projetos citados abaixo e outros que completariam essa longa descrição são exemplos executados com soluções arquitetônicas e sistemas construtivos que possuam controle de qualidade nos elementos produzidos industrialmente usando tecnologia limpa e principalmente segura.
EVO Atelier Zanettini Arquitetura -1984
Respeito profundo pela paisagem, a retomada da rua interna, evolução antiga da galeria de circulação da primeira casa própria construída, a racionalidade do setor hidráulico, o controle da curva necessária, entre outros aspectos. A primeira obra brasileira bioclimática e ecoeficiente, que sintetiza de conceito, equilíbrio, simplicidade e magia na sua interação com meio ambiente.
Residência Rodolfo Galvani - 1977 Atualidade de seus espaços, acolhimento dos ambientes, clareza formal e refrescante cobertura verde.
Residência Ilha Bela - 1976 Escola Estadual Dracena em São Paulo - 1976 Para-sóis horizontais acima dos blocos soltos dos ambientes de trabalho; ventilação natural para garantir a renovação do ar e melhorar o conforto térmico dos ambientes.
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As características físicas de um terreno com 12m de desnível determinaram a implantação em quatro níveis, onde as linhas geométricas promovem a adequação topográfica e a volumetria sinuosa de decks e varandas que se alternam, planos, cilindros e um prisma triangular que dialogam entre si compondo uma unidade complexa e agradável.
Muito conhecido como estúdio, laboratório e oficina e local responsável pela experimentação de inúmeras soluções construtivas de novos materiais. Importante também por ser o 1º edifício em aço no Brasil totalmente industrializado montado em 35 dias e desmontado há um ano, em perfeito estado de preservação, para ser montado em outra área.
Escolas Panamericanas de Arte -1989 e 1996 São até hoje os mais conhecidos e visitados símbolos da arquitetura do aço do País, motivo de contínuas visitações, eventos, lançamentos e estudos de escolas de arquitetura e continuamente escolhidos por alunos como objetos de estudo; Fotos cedidas por Zanettini Arquitetura
A casa de Atibaia - 1974
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OLUCÃO Ç documento
Cenpes - Centro de pesquisas da Petrobras
Casa Limpa – ECO 1992
Projeto de 2006 a 2008 e obra concluída em 2010, considerada a obra mais completa em inovação, tecnologia, ecoeficiencia e sustentabilidade da América Latina e ganhadora dos prêmios Green Building Brasil em 2011 e Green Nation Fest de 2012.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal Brasília, em 2009 Considerado o “Primeiro Fórum Sustentável do Judiciário Brasileiro” em estrutura metálica e utilização pela primeira vez de mantas de aço inox para proteção da radiação térmica nas fachadas. Designado de Fórum do Meio Ambiente ganhou um selo federal comemorativo dos Correios.
Primeiro projeto com todos os atributos que constituem hoje o conceito de sustentabilidade;
Hospital e Maternidade São Luiz – Unidade Anália Franco Primeira versão em estrutura metálica e por solicitação do grupo executivo da obra, teve a estrutura substituída por concreto em 2004, finalizado em 2007 e vencedor do Prêmio Destaque Saúde Projeto Predial no V Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa.
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Sede e Centro de Pesquisa da Schlumberger O edifício integra princípios de sustentabilidade na forma e função dos espaços projetados, onde há presença constante de áreas verdes, iluminação e ventilação corretas, além de sistemas operacionais flexíveis que permitem fácil operação e manutenção. Um conjunto que assegura a renovação do ecossistema natural, permite fáceis ampliações futuras da estrutura em aço e minimiza os impactos resultantes da intervenção urbana na paisagem.
Centro de Convenções da Unicamp, em 2010 É constituído de um auditório para 1800 pessoas e que pode ser dividido em três menores além de várias salas de reuniões de grupos, locais de exposição, restaurante e outros ambientes. Teve uma reestruturação viária anexando grande estacionamento, praça pública e grande área verde no entorno. O auditório com forma acústica assim como todo o conjunto utiliza estrutura metálica e importantes soluções de sustentabilidade. Toda a água da cobertura é recolhida num espelho d’água paisagisticamente situado que acumula toda a captação das águas pluviais das coberturas e as águas de reuso.
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Integrar para certificar Por Verônica Soares
Fotos: © ARUP
Equipe integrada de projetistas e consultores garante economia e segurança para obtenção da certificação LEED
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opularmente, o custo das construções sustentáveis ainda é um dos principais entraves que circulam no imaginário de quem tem uma obra pela frente e precisa tomar decisões acerca de sua realização. Além do receio de que o orçamento saia do controle, muitos clientes desconhecem as especificidades da certificação LEED e acabam contratando profissionais avulsos, que não estão aptos a acompanhar todo o processo da construção e, posteriormente, certificar os empreendimentos. No entanto, já existem soluções no mercado brasileiro para este cenário, que podem garantir redução de custos e de riscos no processo de certificação: as equipes integradas.
Marcelo Nudel, líder da equipe de sustentabilidade da Arup do Brasil
A proposta é simples, mas, ao mesmo tempo, inovadora: oferecer a contratação de equipes multidisciplinares de projeto, que incluam as principais disciplinas, como elétrica, hidráulica e estrutura, juntamente com o processo de consultoria para a certificação. O projeto, ao invés de ter que passar por revisões terceirizadas para verificação de não conformidades, já sai dos escritórios dentro dos padrões da certificação, prontos para o envio à auditoria dos órgãos certificadores e posterior execução. Essa oferta já é muito comum fora do Brasil e vem ganhando força no país. Para Marcelo Nudel, líder da equipe de sustentabilidade da Arup do Brasil, para que se compreendam os benefícios dessa escolha, deve-se olhar para a complexidade intrínseca dos projetos sustentáveis, que exigem uma série de critérios para a obtenção da certificação. “A edificação verdadeiramente sustentável requer plena interação
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“TENTAR RESOLVER PROBLEMAS DE FORMA ISOLADA, COM CADA PROFISSIONAL ATUANDO NOS LIMITES DE SUA DISCIPLINA TÉCNICA, É INCOMPATÍVEL COM O QUE O MERCADO INTERNACIONAL ENTENDE, HOJE, POR UM EDIFÍCIO VERDADEIRAMENTE SUSTENTÁVEL” Marcelo Nudel, Arup do Brasil
entre seus subsistemas e suas partes individuais. Sistemas de ar-condicionado e luminotécnica dialogam com a envoltória no equilíbrio entre conforto térmico, lumínico e eficiência energética. No campo da hidráulica, o uso eficiente da água depende, por exemplo, da geometria do edifício no processo de captação de águas pluviais e do projeto de paisagismo na especificação de espécies de baixo consumo”, explica o arquiteto. Do ponto de vista operacional do edifício, os principais benefícios da contratação integrada de equipes em projetos sustentáveis, incluindo os certificados, são o funcionamento otimizado e a integração entre sistemas, que culminam em melhorias reais em desempenho energético e no uso da água, além da satisfação e conforto dos usuários e da melhora na eficiência e precisão nos processos de manutenção. A integração de todas as disciplinas técnicas e da consultoria leva à redução de revisões, reuniões e emissões de relatórios, o que se traduz na significativa redução nos prazos e o custo final dos trabalhos. Nesse sentido, Arthur Brito, Diretor Executivo e arquiteto da Kahn do Brasil, acredita
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que as equipes integradas são a “quebra do estigma do sustentável mais caro”. Para ele, esse novo paradigma se fundamenta na reversão da atual ineficiência projetual gerada pela sistemática de projetos com disciplinas isoladas. “Equipes de projeto integradas aproveitarão decisões de projeto inteligentes como, por exemplo, a definição conceitual das zonas de tomada de ar em posições com menor incidência de ilhas de calor, equilíbrio entre orientação, tamanho e sombreamento das aberturas, posicionamento de centrais de infraestrutura predial menos demandantes de estruturas de cabeamento e distribuição. Sem falar na solução às constantes incompatibilidades de projeto, que geram retrabalhos e aditivos de custos de obra, por falta de integração”, relata Brito. Conforme explica Marcelo Nudel, o processo convencional de consultoria para certificações no Brasil envolve, geralmente, de onze a quinze atores, entre cliente, consultor em certificação, arquiteto, paisagista e os diversos projetistas das engenharias complementares. A metodologia típica de consultoria que se estabeleceu no país tende a ser ineficiente e costuma ter inúme-
ras etapas básicas, incluindo uma série de relatórios longos e reuniões de acompanhamento, além de diversas revisões do projeto por parte do consultor, tornando a comunicação entre o consultor de certificação e os diversos projetistas complexa e demorada. “Trabalhando de forma multidisciplinar, integrando os trabalhos dos engenheiros projetistas e do consultor dentro da mesma empresa, incorporadores podem reduzir as etapas da certificação e os custos de projeto, além de controlar melhor os riscos”, reforça Nudel, após analisar o cenário nacional. Na Arup, há um processo de coordenação interna para a certificação em um total de três atores: Arup, cliente e arquiteto. “Nomeamos um gerente de projeto que possui habilidades multidisciplinares e entende os detalhes e mecanismos dos processos de certificação. Esse gerente é o contato principal do cliente para questões relativas à gestão do projeto, integração entre as disciplinas, compatibilização e acompanhamento do processo de certificação”, explica. Já na Kahn do Brasil, Arthur Brito destaca que o histórico de especialização em projetos
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