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Revista GBC Brasil #2

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GBC REVISTA

BRASIL

ANO1 / Nº2 / 2014

CO N S T R U I N DO

U M

F U T U RO

GREENBUILDING BRASIL 2014: POSIÇÃO DO BRASIL CONSOLIDA-SE NO CENÁRIO MUNDIAL Centro Empresarial Senado: arquitetura que revitaliza o entorno. Processo integrado reforça multidisciplinaridade Parque da Cidade busca selo LEED ND em prol do compromisso com a cidade

SU ST EN T Á VEL


índice

EDITORIAL....................................................> 3 COLUNA GBC...............................................> 6

GREEN PAGES

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO...........> 8

INOVAÇÃO...................................................> 12 PROJETOS EM DESTAQUE..........................> 16

CAPA

GREENBUILDING BRASIL 2014.................> 22

EXPO GBC 2014 ..........................................> 32 GREEN CHOICE AWARDS ..........................> 36 PROCESSO INTEGRADO.............................> 38 ND/URBANISMO..........................................> 42 REFERENCIAL GBC BRASIL CASA...............> 46 TENDÊNCIAS................................................> 52 ECONOMIA..................................................> 54

GUIA DE MATERIAIS......................> 58

PLATAFORMA..............................................> 64

DEPOIMENTOS........................................> 66

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EarthWise™ CenTraVac™ Resfriador Centrífugo Primeiro resfriador com declaração de produto ambiental.

Desenvolvido por youcanmkt.com

Primeiro e único do mundo a receber o registro de Declaração de Produto Ambiental (Environmental Product Declaration), em linha com os requisitos da norma ISO 14025. Tal registro qualifica o resfriador a obter crédito material e de recursos para otimização e divulgação do produto na construção conforme a versão 4 da certificação LEED® (Leadership in Energy and Environmental Design). Extremamente rigorosa, a avaliação do ciclo de vida realizada conforme os padrões ISO considera todas as fases do resfriador, incluindo a produção inicial das matérias-primas - como o cobre e o aço -, o consumo de energia durante sua vida útil média de acordo com o Air Conditioning, Heating and Refrigeration Institute (AHRI) e a recuperação de metais ao final da vida útil do equipamento.

Esperamos a sua visita na Expo Greenbuilding Brasil, que será realizada de 5 a 7 de agosto no Transamerica Expo Center em São Paulo - SP. O nosso stand está localizado na rua B, número 7. Venha conhecer as inovações da Trane.

© Trane 2014. Todos os direitos reservados. A Trane pertence à família de marcas da Ingersoll Rand, incluindo Club Car®, Ingersoll Rand® e ThermoKing®. A Ingersoll Rand é um líder mundial na criação e sustentação de ambientes seguros, confortáveis e eficientes


inovação

GREEN PAGES

ENTREVISTA

Fernando Henrique Cardoso O sociólogo, cientista político, filósofo, professor universitário e ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, foi o keynote speaker do 5º Greenbuilding Brasil, e através de sua vasta experiência como estadista brindou a todos os presentes na cerimônia de abertura com as convicções que nortearam seu período como chefe de estado, em que confrontou as principais nações do mundo desenvolvido no momento em que se discutiam as questões relacionadas ao aquecimento global colocando frente a frente o posicionamento dos países emergentes e das nações desenvolvidas. Nesta entrevista exclusiva, Fernando Henrique Cardoso reafirma a atualidade destas discussões e a importância do movimento sustentável liderado em nosso país pelo Green Building Council Brasil. 8

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expo gbc 2014

ENTREVISTA

Johannes Kreissig, DGNB

Em entrevista à Revista GBC Brasil, Johannes Kreissig fala sobre a experiência dele no 5º Greenbuilding Brasil. Kreissig é membro fundador do DGNB (Conselho Alemão de Construção Sustentável), membro do conselho e diretor executivo da DGNB. Além disso, é membro do Conselho Internacional do DGNB e membro do círculo interno do WorldGBC.

Como foi a sua experiência durante a Conferência Internacional 2014 Greenbuilding Brasil e Expo? Você acha que o evento satisfaz as expectativas dos Delegados do World GBC? O evento mais do que correspondeu às expectativas: a sessão de abertura com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi verdadeiramente impressionante, como foi o amplo leque de sessões interessantes que foram todas visitadas. Os nossos anfitriões do Green Building Council Brasil destacaram-se na criação de um evento memorável e inspirador. Um dos slogans do Greenbuilding Brasil é "o lugar para aprender e ensinar", uma vez que a maioria dos participantes, palestrantes e conferencistas têm um grande conhecimento sobre os edifícios verdes e indústria da construção. Qual é a sua impressão sobre os profissionais da construção sustentável no Brasil? O setor da construção no Brasil tem um enorme potencial: é vibrante, está se desenvolvendo muito rapidamente, e em um mercado tão dinâmico existe uma verdadeira agitação para a construção sustentável.

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expo gbc 2014

Durante a Sessão de Abertura o GBC Brasil anunciou algumas conquistas em relação ao movimento de construção verde no Brasil. Algumas dos gráficos do estudo de mercado mostram que cerca de 10% do PIB da Construção Civil Nacional em 2013 buscava a certificação, mas em termos de volume de construção o percentual de participação de construção verde ainda é baixo. Ela mostra que as transformações foram feitas de cima para baixo. Como poderíamos fazer isso também acontecer de baixo para cima? Como em todos os lugares, precisamos chegar a um amplo leque de interessados e obter as mensagens através de uma forma que todos possam facilmente entender e colocar em prática. As discussões da sustentabilidade devem tocar a todos: políticos, profissionais de construção, os proprietários do edifício, estudantes, alunos, trabalhadores de escritório, e as famílias em casa. Se conseguirmos alcançar este ponto de vista, podemos realmente mudar a forma como as pessoas pensam sobre o ambiente construído, as decisões que tomam sobre isso, e a qualidade que eles esperam. As iniciativas voluntárias, como a Certificação do DGBN (Conselho Alemão de Construção Sustentável) trabalham junto com regulamentação legal para transformar o mundo em que vivemos. É realmente uma combinação de baixo para cima, de cima para baixo e tudo mais! Como o DGNB opera na Alemanha? Para promover a sustentabilidade e difundir o conhecimento, os principais especialistas de várias disciplinas dentro da construção e da indústria imobiliária se uniram para fundar o Conselho Alemão de Construção Sustentável (DGNB) no Verão de 2007. Nós desenvolvemos o sistema de certificação DGNB, a fim de promover ativamente a construção sustentável. O sistema descreve e avalia edifícios e bairros eficientes em recursos, economicamente sustentáveis e ecologicamente amigáveis, que oferecem aos seus usuários um nível de conforto ideal e uma elevada qualidade de vida. Além disso, o Conselho dedica-se a promover a construção sustentável através da partilha de conhecimentos valiosos, fornecendo treinamento específico e sensibilização da opinião pública sobre esta importante questão. Com uma adesão crescente de atualmente 1.200 empresas, o DGNB é a plataforma central da Alemanha para a construção sustentável - o que torna o parceiro ideal para o crescente mercado da construção sustentável. Você era um dos cinco palestrantes no Greenbuilding Brasil dirigindo a sessão sobre o Sistema DGNB. Conte-nos sobre certificação DGNB. O Sistema DGNB pode ser aplicado a novos edifícios, edifícios existentes ou projetos de remodelação, em edifícios individuais ou bairros inteiros, e aborda os seis aspectos-chave da construção sustentável: o ambiente, a economia, os aspectos socioculturais e funcionais, tecnologia, processo e local. Princípio central do Sistema DGNB é que

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tendências

Gerando a

própria energia Marcio Tanaka, LEED GA, é Diretor de Enovasolar. Engenheiro Eletricista, pela Escola Politécnica da USP e MBA pelo INSPER, é um especialista em Energias Renováveis e Eficiência Energética.

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Brasil possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo. Embora seja um fator muito positivo, isto por si só não garante uma matriz equilibrada. Vivemos atualmente um cenário preocupante, com riscos de falta de energia e elevados custos. O cenário de curto prazo ( 2 a 4 anos ) - aponta para um significativo incremento dos preços de energia ao consumidor, reflexo da escassez de energia hidroelétrica e intensa utilização de termelétricas, em grande parte movidas a fontes fósseis, mais caras e poluentes. Outro ponto de preocupação tem a ver com a garantia de abastecimento de energia nos momentos de pico de consumo, situações cada vez mais frequentes por todo o Brasil, principalmente pelo uso intensivo de climatização nos edifícios. Vemos um futuro com muitos desafios no campo energético e o desenvolvimento sustentável neste setor passa fundamentalmente por uma melhor distribuição das fontes de geração.

A Geração Distribuida

Forte tendência em diversos Países, este conceito de geração incentiva a produção renovável de energia próximo ou no próprio local de consumo, tornando assim o suprimento energético muito mais sustentável e equilibrado. Dentro deste conceito, os edifícios geram sua própria energia através energia solar fotovoltaica, micro turbinas eólicas, biomassa e outras fontes renováveis, reduzindo assim a dependência de fontes nem sempre sustentáveis. Regulamentada em 2012, a Resolução Normativa No. 482 define critérios para facilitar o acesso de micro e mini geradores a rede de

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distribuição e propõe a criação de um sistema de compensação de energia, para que a energia gerada e não consumida, possa ser aproveitada em momento futuro. Com base na resolução, hoje no Brasil centenas de edifícios estão gerando sua própria energia com a possibilidade de injetar o excedente na rede elétrica, reduzindo custos com energia e contribuindo para a redução das emissões de poluentes.

Edifícios Sustentáveis

Neste contexto, edifícios têm um papel relevante em futuro cada vez mais dependente de energia. Hoje respondem por mais de 40% da energia consumida no Brasil (BEN - Balanço Energético Nacional/2014). Atualmente, diversas edificações geram, por fontes renováveis, total ou parcialmente sua energia no próprio local, mas este número é bastante limitado frente às condições extremamente favoráveis que temos por aqui. Ao contrário de Países como Alemanha, EUA e Japão onde a geração distribuída vem sendo desenvolvida há muitos anos, estamos no inicio do processo de desenvolvimento. A reduzida escala ainda torna o investimento inicial mais elevado, alongando o retorno de investimento e reduzindo as taxas de retorno. A boa noticia é que embora atrasados neste processo, estamos verificando o rápido desenvolvimento da cadeia fotovoltaica, eólica e outras fontes de GD, a adoção destas tecnologias já é viável em muitas regiões do país. Condições favoráveis para isso não faltam!

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Vegetação, uma chave para a água nas cidades Ricardo Cardim é Diretor da SkyGarden Paisagismo Sustentável e Mestre em Botânica pela Universidade de São Paulo.

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ssunto discutido à exaustão nos últimos meses, a escassez hídrica em algumas cidades brasileiras estão criando cenários que até pouco tempo atrás eram apenas previsões trágicas de ambientalistas ditos radicais. Na metrópole paulistana, com mais de vinte milhões de pessoas, grande parte da população já sentiu o problema diretamente nas suas torneiras secas, incluindo este que escreve essas linhas e hoje acordou sem água em casa. Mas como chegamos a tal situação em um "país rico por natureza" e onde a água doce parecia infinita? Logicamente as respostas são complexas e exigem muitas pesquisas. Mas um ponto é fato – tratamos muito mal nossas bacias hidrográficas nas últimas décadas. A mata ciliar, aquela floresta nativa que acompanha os corpos de água e os protege como os cílios dos olhos, inexiste em grande parte das margens dos reservatórios, nascentes e cursos de água que os alimentam. Basta ver fotos de satélite na internet. Em São Paulo, nas represas de Guarapiranga e Billings, a ocupação irregular de bairros densamente povoados facilitada desde os anos 1970 por ações políticas inescrupulosas acabou com as matas ciliares e sepultou sob concreto e esgoto suas nascentes e riachos. Antes das margens se estenderem por causa do baixo nível de água, era comum ver casas e canos de despejo diretamente sobre o espelho de água da represa. E as notícias desde 2012 também não tem sido favoráveis para a vegetação ribeirinha em todo o Brasil. Com as polêmicas mudanças promovidas no Código Florestal, as suas diretrizes atuais para as matas ciliares seguem na contramão da preservação da água em quantidade e qualidade, principalmente a médio e longo prazo. Entre outros benefícios, a vegetação, principalmente a nativa, filtra as águas das chuvas e as retêm nas raízes e lençol freático, que depois seguem para o reservatório lentamente, umidifica o ar e também evita a erosão das margens e o assoreamento, o que diminui a capacidade de estocagem do reservatório.

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No último século, de intensa urbanização no Brasil, a regra foi a segregação dos corpos de água da malha urbana, relegando-os a poluição, canalização e a inutilidade. Exemplo clássico é o Rio Tietê em São Paulo, que hoje deve seu volume principalmente ao esgoto originado da água canalizada, e não mais de nascentes. Assim, as cidades se tornaram cada vez mais dependentes de água externa, seguindo uma lógica da prospecção de novas "fronteiras hídricas". No meio construído, o verde tem papel fundamental na gestão hídrica, retendo a água da chuva e enxurradas, e alimentando o lençol freático (uma árvore segura até 70% da chuva na sua copa e lentamente a encaminha para o solo). As profundas raízes das árvores trazem a água inacessível na superfície para o ar, através da fotossíntese, e melhora a qualidade de nossa respiração, além de favorecer as precipitações. E qual o papel do edifício verde nessa questão água e vegetação? Podem ser muitos, mas ainda poucos explorados no Brasil. Primeiramente temos que mudar a equivocada mentalidade de que a vegetação em um Green Building é apenas um sorvedouro de água, algo a ser estrategicamente equacionado a fim de estimular espécies de baixo ou zero consumo. Um paisagismo que não consome água e não a transforma em umidade no ar é um jardim inútil para o meio ambiente, formação de precipitações e clima urbano. A questão é equilibrar o necessário consumo de água e sua relação com os serviços ambientais. Tirar a vegetação e sua evapotranspiração de um local é condená-lo a se transformar em um deserto. Dessa forma, telhados verdes com sedum ou suculentas, plantas exóticas (adaptadas) de climas diferentes e também baixa densidade de vegetação não podem ser "sustentáveis" e nem adequados. Ocupar as áreas verdes do empreendimento com espécies nativas regionais, evoluídas nas condições climáticas locais, com ampla densidade vegetal e formação de microclima, prevendo irrigação automatizada e controlada, oriunda de fontes de água alternativas, pode ser a melhor estratégia para contribuir com um ciclo hídrico urbano harmonioso na realidade brasileira e ajudar na abundância de água.

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