GBC G R E E N
REVISTA
B U I L D I N G
C O U N C I L
BRASIL
C O N S T RU I N D O U M F U T U RO S U S T E N TÁV E L
ANO 3 / 2016
10ª EDIÇÃO
GREENBUILDING BRASIL 2016: O PODER DA TRANSFORMAÇÃO EM NOSSAS MÃOS
FÁBRICA “O BOTICÁRIO” NA BAHIA E BRADESCO ALPHA BUILDING SÃO DESTAQUE Uma nova abordagem na Avaliação do Ciclo de Vida dos Edifícios A hora e a vez dos NET Zero Energy Buildings
COBERTURA DO PRINCIPAL EVENTO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL NO BRASIL
VIBEDITORA
índice
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BRASIL
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ANO 3 / Nº10 / 2016
EDITORIAL...................................................> 3 COLUNA GBC..............................................> 6
GREEN PAGES
MICHELE OLIVIERI...........................> 8
COLUNA CBIC.............................................> 12
PROJETOS DESTAQUE.........................> 14
DESEMPENHO.............................................> 22 CONSTRUINDO HISTÓRIA..........................> 25 ESTÁ ABERTO O CREDENCIAMENTO
INOVAÇÃO..................................................> 26 DA PRINCIPAL FEIRA DE CONSTRUÇÃO
SUSTENTÁVEL DO BRASIL!
CAPA Faça agora o seu credenciamento on line gratuito!
Todos Conectados por um Futuro Mais Sustentável!
COBERTURA DO EVENTO..............> 34 www.informagroup.com.br/greenbuilding/credenciamento
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AGOSTO
2016
O PODER DA TRANSFORMAÇÃO EM SUAS MÃOS
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A Greenbuilding Brasil Conferência Internacional & Expo pede o seu apoio VISÃO DA AMÉRICA....................................> 74 para ampliar ainda mais este conceito no Brasil! Participe Conosco!
Participe da feira Greenbuilding e saiba como utilizar práticas POLÍTICAS PÚBLICAS..................................> 78 sustentáveis de forma estratégica. Você é uma peça chave para fazer a diferença!
TENDÊNCIAS...............................................> 82 Acesse o nosso site para mais informações: www.informagroup.com.br/greenbuilding
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REALIZAÇÃO
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PARCERIA ESTRATÉGICA
ORGANIZAÇÃO
EVENTO SIMULTÂNEO
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COMPLEXO EZ TOWERS Maior sistema VRV da América Latina
COMPLEXO EZ TOWERS Maior sistema VRV da América Latina Maior sistema VRV da América Latina
Destaque do Ano SMACNA 2015 Destaque do Ano Destaque do Ano SMACNA SMACNA 2015 2015
A vantagem do sistema de A do de climatização A vantagem vantagem do sistema sistema declimatização climatização aplicado é a redução da carga térmica aplicado é a redução dadacarga dos aplicado é a redução cargatérmica térmica dos dos condicionadores com economia de energia condicionadores com economia de de energia condicionadores com economia energia para o empreendimento. para o empreendimento. para o empreendimento. Principais Principais parceiros: parceiros:
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Coluna CBIC
Não há outro caminho para o futuro da construção senão o da inovação A indústria da construção civil, inexoravelmente, precisa lidar com um volume gigantesco de dados, e envolve muitas pessoas, organizações e empresas, com motivações diversas, capacitações e limitações diferentes, que realizam inúmeros processos e trocas de informações durante a realização de qualquer empreendimento, mesmo os mais simples.
Sobre os Materiais utilizados Segundo o pesquisador da USP, Prof. Dr. Ubiraci Espinelli,, se compararmos a indústria da construção civil com a automobilística, quanto às quantidades de materiais utilizados, e usando médias, concluiríamos que, a construção utiliza 100 vezes mais materiais em peso (ou massa) que a indústria automobilística. Significa que se conseguíssemos economizar apenas 1%, em massa, na nossa indústria, equivaleria a todo o consumo anual de materiais da indústria automobilística. E ainda, para obter os agregados utilizados nas nossas construções, acabamos gerando crateras, enquanto os resíduos sólidos produzidos pelas construções geram montanhas, que consomem combustíveis fósseis para serem transportados, poluem nossas vias e nossos rios e entulham e emporcalham o nosso mundo. Alguns já calcularam que a construção civil joga fora 1 a cada 3 prédios construídos. O Prof. Ubiraci conceitua que “perda é toda quantidade de material consumida além da quantidade teoricamente necessária, que é aquela indicada no projeto e seus memoriais, ou demais prescrições do executor, para o produto que está sendo executado”. Sobre a mão-de-obra utilizada e a produtividade média Thomas Bock1 , líder da área de construções e robótica da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, publicou no ano passado um artigo no qual afirma que os métodos convencionais da construção civil já teriam alcançado seus limites de produtividade e que, portanto, a indústria estaria estagnada já há alguns anos. Como evidência, compara dados de produtividade da mão-de-obra de outras indústrias, com a construção civil. O pesquisador alemão cita também algumas tendências mundiais, como a mudança do perfil demográfico e o envelhecimento da po-
Wilton Silva Catelani consultor BIM da Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC
pulação produtiva, que, combinada com a redução das taxas de natalidade, estariam aumentando ainda mais a pressão sobre as economias da maioria dos países do mundo, que não teriam outra saída senão aumentar sua eficiência e produtividade, para garantir algum crescimento e alcançar um relativo equilíbrio econômico.
Os fatores que induzem (ou exigem?) a inovação Para aumentar nossos desafios, o mundo tem ficado cada vez mais complexo e exigente. Com o envelhecimento da chamada geração ´baby-boomer´, substituída pelos ´milleniuns´, até os hábitos e exigências dos consumidores também estão mudando. Hoje já temos novas formas de produzir coisas, como a produção aditiva (impressoras 3D) ou subtrativa (fresas controladas por computadores). Os próprios produtos também têm mudado muito, e agora precisam atender a novos requisitos tecnológicos de design e de desempenho. Podemos mencionar ainda que há novas formas de acesso aos capitais, como o ´crowd funding´, novas maneiras de trabalhar colaborativamente, com equipes ´virtuais´ que são capazes de desenvolver projetos e tarefas complexas, mesmo sem nunca ter estado pessoalmente e fisicamente juntas. Agora temo também novas possibilidades de acesso a ilimitadas capacidade de processamento, através da ´nuvem´, recursos que antes só eram acessíveis a grandes empresas, capazes de realizar altíssimos investimentos. E no Brasil, ainda vivemos um período de estagnação econômica, que tem afetado especialmente a indústria da construção civil. Há certo consenso entre os principais autores que pesquisam e estudam as causas das inovações nas empresas, de que a maioria dos fatores que são indutores das inovações, estaria relacionada às pressões econômicas, competição no mercado, necessidade de diferenciação e que, em última instância, se resumiria na necessidade da melhoria do desempenho total. Ou seja, as empresas costumam mudar e inovar, muito mais em função da ´dor´ do que por ´amor´. O BIM como alavanca de inovação na indústria da construção civil Considerem que uma reação bastante oportuna para responder a este momento complexo e doloroso que estamos vivendo na indústria
1 Thomas Bock (Chair of Building Realization and Robotic, Technical University, Munich, Germany), publicado no artigo “The future of construction automation: Technological disruption and the upcoming ubiquity of robotics” (2015).
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Câmara Brasileira da Indústria da Construção
da construção civil no Brasil, seria a migração para o BIM – Building Information Modeling. Adotar BIM significa tomar a decisão de inovar. Por definição, BIM é aplicável a todo o ciclo de vida de um empreendimento, desde as etapas mais iniciais, quando um ´objeto a ser construído´ ainda está sendo criado e conceituado, abrangendo as fases de projeto e especificações, a própria fase de construção até a gestão das edificações ou instalações (ativos) já construídos, ocupados e utilizados. Neste último caso, os usos mais comuns do BIM estão diretamente relacionados à gestão da manutenção e da ocupação dos espaços. Como BIM é abrangente demais, esta é uma das causas que dificultam seu correto entendimento e emperram uma mais ampla adoção. Há também muito ruído e imprecisão nas informações sobre a tecnologia. Muitos pensam que BIM é somente software, usado apenas para o desenvolvimento de projetos e, na verdade, trata-se de um conjunto de processos, políticas e ferramentas, que em conjunto, quando bem planejadas e implementadas, oferecem novos recursos para os diversos profissionais que atuam na indústria da construção. Com o BIM pode-se criar um modelo virtual (e muito preciso) de um edifício, construindo-o digitalmente. Quando completado, este modelo pode conter não apenas as medidas e geometrias, mas também o inter-relacionamento entre seus componentes, seus inúmeros atributos e todos os dados importantes para dar suporte à gestão de todo o ciclo de vida de uma edificação. Outros pensam que um único modelo BIM resolve tudo e, definitivamente, não é assim que funciona. É preciso definir claramente e previamente qual o principal propósito de uso de um modelo BIM, antes de iniciar o seu desenvolvimento. Assim, podemos desenvolver macro-modelos BIM, nas fases mais iniciais do ciclo de vida; ou ´modelos autorais´ (ou ´projetos autorais´; modelos de construção, para estudar e ensaiar o processo de construir um edificação ou instalação ou ainda, também podem ser desenvolvidos modelos BIM específicos para a gestão da operação e manutenção de uma construção ou instalação já construída, pronta e ocupada (em uso e operação). Mas, se fôssemos reduzir ao máximo, a parte mais importante do BIM é o ´I´ de ´informações´; que devem ser corretamente criadas, integradas num modelo digital, que poderão então ser distribuídas, acessadas e utilizadas em todo o ciclo de vida de uma edificação.
Os principais ganhos e valores do BIM O benefício mais imediato de migrar para o BIM é a visualização tridimensional, não apenas da edificação completa, mas também de todas suas instalações, subsistemas e componentes. Mas nem tudo o que é 3D é BIM; entretanto, se for BIM, será 3D. Muitas pessoas que participam dos empreendimentos de construção, não são engenheiros e arquitetos e tem dificuldades para entender e realmente ´enxergar´, com precisão, um projeto representado apenas com desenhos técnicos. Algumas dessas pessoas podem ser proprietários e investidores, ou seja, podem ser participantes de fundamental importância no empreendimento. As quantidades de componentes e serviços podem ser extraídas au-
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tomaticamente dos modelos BIM. Isso significa maior produtividade e confiabilidade no processo de orçamentação e planejamentos. Com BIM pode-se ensaiar a obra virtualmente num computador e, antes de executar qualquer atividade no endereço real da obra, testar soluções não apenas para os subsistemas que serão, de fato, incorporados na edificação, mas também para os recursos necessários para a execução da obra, como os transportes verticais, bandejas de proteção, instalações provisórias. Nas soluções BIM, as interferências entre os diferentes subsistemas (arquitetura, estruturas, instalações, etc.) podem ser detectadas antecipadamente e automaticamente, gerando projetos e edificações mais consistentes e reduzindo significativamente as indefinições deixadas para solução na obra. Inúmeros outros benefícios podem ser listados como a redução dos riscos dos empreendimentos, a preservação da memória das decisões tomadas, maior aderência dos empreendimentos aos projetos, especificações e planejamentos, redução de erros, de retrabalhos, de conflitos e desgastes.
Lembrem-se: BIM não é novo, o que é novo é o acesso da construção civil a ele. Soluções similares ao BIM já tem sido utilizadas em outras indústrias, com outros nomes, por exemplo, na indústria automobilística e aeroespacial, onde a repetição de um mesmo projeto (escala de produção) viabiliza o um investimento maior do desenvolvimento dos projetos; ou nas construções offshore, onde a complexidade logística também justifica maiores investimentos nas fases de concepção e detalhamento. Então o que é novo, na verdade, é o acesso da construção civil a esta tecnologia, viabilizada pelo ´barateamento´ dos softwares e também do hardware, porque hoje, um notebook nem precisa ter uma configuração muito especial para oferecer uma grande capacidade de processamento, que é um dos requisitos necessários para ´rodar´ satisfatoriamente os softwares BIM. Por entender que esta é uma das mais importantes inovações gerenciais dos últimos anos, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com o Senai Nacional, publicou em julho deste ano, a Coletânea Implementação do BIM para Construtoras e Incorporadoras para tornar a plataforma ainda mais acessível às empresas do setor, a fim de que esse diferencial competitivo seja democratizado. A Coletânea está disponível gratuitamente para download: http://cbic.org.br/bim/ O BIM veio para ficar, pesquisem, observem, fiquem atentos ao que anda acontecendo em várias partes do mundo e mesmo aqui no Brasil. Em pouco tempo a adoção BIM deixará de ser opcional e passará a ser compulsória. Lembrem-se também que para esta mudança, não convém ´sair fazendo´ como nós brasileiros gostamos de fazer as coisas. Todas as melhores implantações foram feitas através de projetos formais, com a definição de projetos-pilotos e contaram com um bom nível de planejamento prévio e controle. Mãos-a-obra e boa sorte!
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expo gbc 2016
ACV para Edifícios Fotos: ©Divulgação Sustentech
Uma nova abordagem sobre Avaliação do Ciclo de Vida
Cinthia Kawano
Marcos Casado
Pamella Kahn
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Estudo de caso apresentado na Expo Greenbuilding 2016 demonstrou redução de 30% nas emissões anuais de CO2 através da implementação da análise do ciclo de vida de edifício
A
discussão de avaliação do ciclo de vida de produtos e processos já é uma realidade no âmbito da construção sustentável. Esta é uma demanda já praticada por diversas empresas do Brasil e do mundo, principalmente, no que tange a certificação ambiental LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), concedido pelo US Green Building Council, e disseminado pelo GBC Brasil em nosso país. Com a nova versão da certificação, o LEED v.4, que inclui em suas diretrizes a análise do ciclo de vida dos materiais através de certificações de terceira parte, o setor começa a se aprofundar e a se preocupar mais fortemente com a questão da sustentabilidade em todo o processo de produção. Essa onda de ACV (Análise do ciclo de Vida) entra em uma abordagem mais aprofundada, que não somente a do processo de produção dos materiais, mas engloba a ACV de todo o edifício. Em uma ação pioneira, a consultoria em sustentabilidade, Sustentech, apresentou um case focando na ACV do edifício, em uma das sessões educacionais da última edição da GreenBuilding Brasil Conferência Internacional e Expo. “Decidimos fazer este projeto piloto devido à atualização da certificação
LEED, que também contempla um crédito para a ACV do Edifício”, afirma Marcos Casado, engenheiro da Sustentech.
ACV para Edifício para o LEED A certificação LEED versão 4 foca de forma mais consistente em avaliação do ciclo de vida na categoria que aborda Materiais e Recursos, que aborda aspectos sobre a transparência e declaração ambiental de produtos dos materiais.. Nesta mudança houve também a inclusão do aspecto ACV para edificação, porém, este item é considerado como crédito. Apesar disso, o atendimento deste crédito gera 3 pontos, uma pontuação significativa de acordo com Pamella Kahn, arquiteta e consultora de sustentabilidade da Sustentech. “Este é um grande diferencial, pois se você aplica a ACV do edifício em uma construção nova, seguindo os critérios da versão 4 do LEED, você já sai com 3 pontos na frente. Porém, não é somente a pontuação que é o mais importante, mas sim incorporar este processo com a utilização da ferramenta desde a concepção do projeto. Com isso, é possível obter ganhos maiores, além de ter parâmetros para tomada de decisões importantes durante a fase de projeto”, explica.
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Fotos: Divulgação
expo gbc 2016
As categorias de impactos da opção Avaliação do Ciclo de Vida do Edifício do crédito Redução do Impacto do Ciclo de Vida do Edifício do referencial LEED BD+C v4 são: Aquecimento global; Depleção da camada de ozônio; Acidificação; Eutrofização; Formação de oxidantes fotoquímicos; e Depleção de recursos não renováveis. De acordo com a arquiteta e consultora da Sustentech, a concepção do Estudo de ACV para edifício para a Loja Riachuelo em Ipanema, amparado por um software com banco de dados, além de contemplar os aspectos de materiais, foi incluída a avaliação sobre o impacto do sistema de ar condicionado, iluminação, painéis fotovoltaicos e reuso de água. “O interessante da ferramenta é que às vezes você tem três produtos e os três possuem EPD, você tem o desempenho de cada um, bem como seus diferentes impactos na construção.”, explica Pamella. Para ela, ainda há muitos materiais que se enquadram como requisitos de inovação, mas esta é uma questão que, a partir de agora será mais cobrada tanto dos fornecedores e fabricantes quanto nos projetos LEED. “A versão v4 em questão de materiais está sendo muito desafiadora, pois existem vários aspectos que o mercado brasileiro ainda não atua forte, mas aí entra a questão de puxar-
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mos o mercado para que isso se torne comum”, afirma.
Ferramenta online eToolLCD A ferramenta utilizada para realização da ACV do edifício é da empresa eTool, desenvolvida na Austrália, focada na análise do ciclo de vida do edifício com cerca de 300 avaliações em todo o mundo. A ferramenta tem a função de integrar todos os players olhando a parte da aplicação do produto no edifício. O software eToolLCD (Life Cycle Design) foi desenvolvido em 2010 por engajados em sustentabilidade com a intenção de auxiliar o processo de avaliação de uma edificação. Trata-se de uma ferramenta intuitiva, focada em desempenho, que gera um relatório de fácil entendimento. A ferramenta possui um banco de dados australiano e asiático em relação aos materiais. Entretanto, as informações relacionadas à energia são fornecidas pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) brasileira. A ferramenta não se limita apenas a um tipo de edificação, de forma a abranger diversas tipologias e apresenta multi-indicadores como resultado. “Nós achamos interessante desenvolver este trabalho no Brasil. Junto veio a questão do LEED v4, que já tinha um crédito
específico para ACV do edifício, e a utilização desta ferramenta permite visualizar quais os benefícios permitindo avaliar quais os benefícios ou desvantagens o produto traria para o edifício e assim, ter um parâmetro consistente para a escolha adequada do material”, destaca Marcos Casado. Para fins de análise, é necessário imputar os dados dos produtos no software. É possível incluir os dados da ACV do produto no software, no caso de o mesmo já haver uma EPD (Declaração Ambiental de Produtos), caso o produto não tenha uma declaração ambiental, esta análise é feita através do banco de dados disponível no sistema. “É um processo integrado que depende das informações tanto dos produtos quanto do edifício, quanto mais informações temos no banco de dados, mais completo e transparente será a avaliação do impacto do edifício”, diz Pamella Kahn. A utilização deste recurso como ferramenta de projeto contribui para tomadas de decisões mais assertivas, definição de estratégias adequadas e de acordo com a capacidade do projeto, além de entender o impacto de cada uma das soluções e sistemas que são definidos para a execução de determinadas construções. Estas estratégias bem definidas atreladas aos resultados simulados, transformam-se em fortes argumentos para fazer estas escolhas, além de fornecer uma margem mais segura para tomada de decisão dos clientes. A ferramenta é uma plataforma online que já vem sendo utilizada em diversos países, como Inglaterra, e países da Ásia, porém o forte de atuação se concentra na Austrália. Para a Sustentech, a intenção é aderir o software como uma ferramenta de projeto. Independente da certificação ou não. Mas, de acordo com a arquiteta e consultora de sustentabilidade Cinthia Kawano, ainda há uma questão a ser observada. “A preocupação maior é o banco de dados, no Brasil ainda não temos muitos produtos com EPDs, por isso nós não contamos com um acervo muito generoso de informações para alimentar o software. Então este é um dos grandes desafios nesta questão”, justifica.
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visão da américa
LEED Lab: Ensinando a sustentabilidade na prática A PARTIR DE ENTREVISTA COM
David Dominguez
Coordenador do LEED Lab Iberoamericana / LEED Lab México
A
busca pelo desenvolvimento sustentável caminha a passos largos em todo mundo, principalmente quando se aborda a questão capacitação profissional. Atualmente, os GBCs espalhados pelo mundo oferecem cursos profissionalizantes para os profissionais de diversas áreas relacionadas à construção sustentável. Porém, ainda existem lacunas a serem preenchidas no que tange a construção sustentável no âmbito acadêmico. Mas esta realidade vem mudando conforme o avanço e a conscientização da sustentabilidade nas construções em toda América Latina. Exemplo disso, é o trabalho que a Universidade Católica da América, na cidade do México, vem desempenhando com a aplicação do LEED Lab Iberoamericano, comprovando que a melhor forma de aprender é na prática. O LEED Lab, é um curso de laboratório interdisciplinar lançado pela Universidade Católica da América, em colaboração com o U.S. Green Building Council Center for Green Schools, que promove a capacitação de estudantes no processo da certificação LEED a fim de promover
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o desenvolvimento de futuros líderes. A aplicação do LEED Lab é realizada em edifícios existentes no próprio campus em que os estudantes estão alocados. Esta é uma estratégia que pode resolver com sucesso soluções práticas em um mercado direcionado pela sustentabilidade implementando medidas de sucesso em construções dentro e até mesmo fora do campus. Os edifícios do próprio campus são uma oportunidade para os estudantes se aproximarem dos processos intrínsecos à certificação LEED, dando-lhes a chance de avaliar o desempenho dos edifícios existentes, além de controlar os sistemas construtivos inerentes à aplicação da certificação. Este é um exemplo de como fazer parte da transformação necessária no âmbito da construção sustentável na América Latina.
Sessão: Aprendizagem Projetual na Expo Greenbuilding Brasil 2016 O projeto LEED Lab foi apresentado na última edição da Greenbuilding Brasil 2016 Conferência Internacional e Expo, na sessão educacional Aprendizagem projetual para catali-
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visão da américa
Lançamento do LEED Lab em Washington, reunindo Universidade Iberoamericana, proprietário do empreendimento e Centro para as Escolas Verdes
sar mudanças na América Latina, ministrada por profissionais altamente renomados como David Dominguez, da Edmonds International, Hector Miranda, da Red Regenerativa e desenvolvedor do primeiro LEED Lab no Peru, e Mauricio Ramirez, arquiteto da Lendlease.
Primeiro dia de aula do LEED Lab em Washington
Vantagens e desafios
Para David Dominguez, a experiência como palestrante na 7° Expo Greenbuilding Brasil 2016 foi uma experiência enaltecedora. Em sua primeira apresentação no país ressalta a importância do evento e a receptividade das pessoas. “O Brasil é um país muito interessante e com grande potencial para o desenvolvimento sustentável, e o Greenbuilding Brasil é o lugar perfeito para compartilhar experiências de mercado”, destaca.
Os desafios na aplicação e metodologia LEED Lab em instituições de ensino superior provêm de diversas partes, segundo Dominguez, pois passa pela adoção do programa por parte da instituição de ensino, o edifício a ser certificado e os próprios alunos. “É importante analisar cada um dos desafios apresentados e avaliar possíveis opções de soluções. O capital intelectual realmente não é um problema, como a América Latina tem provado estando na vanguarda das questões de desenvolvimento sustentável e processos de certificação LEED, além de contar com pessoal treinado e centenas de projetos certificados”, explica.
Para o arquiteto, a tendência na construção verde é de avanço, a ponto de se tornar única opção de se projetar e construir edifícios. Dominguez explica que é muito importante investir no desenvolvimento sustentável, pois pensar e projetar de forma sustentável não é necessariamente mais caro, pelo contrário, a poupança é para a vida. Esta prática, além de contribuir para preservação do meio ambiente, também contribui diretamente para a crescimento da economia local.
As vantagens são claras e enriquecedoras para os alunos em relação à aquisição da experiência de um projeto real. Para os estudantes iniciantes, o processo de aprendizagem permite que absorvam um conhecimento maior de sistemas mais complexos, com AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) e sistema de eletricidade, que são acompanhados de perto por instrutores qualificados, além de ter o apoio de GBCI (Green Business Certification Inc.) para responder
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a perguntas e comentários diretamente aos estudantes durante o processo. No caso de estudantes em períodos mais avançados, as chances são maiores que a implantação do processo saia de acordo com o esperado para garantir a certificação, o que garante maior assertividade na implementação do LEED Lab. Neste sentido, também há algumas vantagens para o cliente, que enxerga o processo como uma oportunidade em relação aos custos, e garantir um precedente importante para implantação dos processos em futuros projetos, através do próprio LEED Lab ou processos paralelos, além de obter uma certificação real, bem como seus consequentes benefícios. Apesar das claras vantagens há alguns entraves que tornam a viabilidade desta aplicação um pouco mais resistentes. De acordo com Dominguez, os custos associados ao processo de registro da certificação LEED associados às políticas orçamentárias e manutenção das instituições se tornam mais rigorosas. “O problema reside principalmente no aspecto monetário, como em países em desenvolvimento e emergentes, em que as instituições trabalham com recursos escassos”, ressalta Dominguez.
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