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V@rvitu – Revista de Ciência, Tecnologia e Cultura da FATEC Itu ITU / SP – No. 4, Junho de 2015

Estudos sobre evasão – contribuições e propostas

Cléo Tibiriçá1

Resumo. Este artigo é um registro de primeiras reflexões e propostas sobre a questão da evasão no ensino superior e, especificamente, no ensino superior tecnológico ministrado pelas IES do CEETEPS. Nele, considera-se que o fenômeno da evasão deva ser equacionado em todas as suas complexas dimensões, tendo em vista que a motivação que o determina raramente se esgota na insatisfação ou na inadequação do sujeito individual (estudante), ancorando-se, sobretudo, em características histórico-estruturais da prática docente, da instituição (FATEC) e do sistema (Ensino Superior / Ensino Superior Tecnológico). Nessa perspectiva, propõe-se uma reflexão sobre ações em curto, médio e longo prazo, que possibilitem ir além da mera quantificação de “perdas” de alunos no decorrer dos semestres, da identificação dos semestres e disciplinas que registram maior ou menor “perda” e contabilização do saldo de concluintes – ações pontuais e necessárias para mapear a existência do problema, mas que não dão conta de revelar as mensagens que ele nos comunica. Por fim, enfatiza-se a importância da gestão democrática e da cultura democrática que ela institui, para a construção colaborativa de um ambiente que acolha estudantes e profissionais da educação e promova formação qualificada em todas as instâncias. Palavras-chave: educação superior; ensino tecnológico; demandas contemporâneas; evasão; permanência Abstract. Studies on evasion – contributions and proposals. This paper is a record of primary thoughts and proposals regarding the matter of evasion in Higher Education and, specially, in the higher technological education ministered by the Higher Education Institutions of Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. The paper considers that the phenomenon of evasion must be solved in all it's complex dimensions, having in mind that the motivation that determines it rarely exhaust itself in insatisfaction or inadequacy of the individual (student), that is specially anchored in the historic and structural characteristics of teaching practices, of the institution (FATEC), and of the system (Higher education/ technological Higher Education). Therefore, an observation is proposed about short, medium and long term actions, that allow the analysis to go beyond the simple quantification of student "losses" during the semesters, as well as beyond the identification of the semesters and disciplines that register higher or lower rates and the accounting of those who finish - punctual and necessary actions to map the existence of the problem, but that are not able to reveal the messages that it is communicating. Finally, the need for a democratic management and for the democratic culture that it implies on, is emphasized, in order to build, in a collaborative manner, an environment that receives the students and the teachers, promoting qualified teaching in all instances. Keywords: higher education, technological education, contemporary demands, evasion, permanence. 1

CEETEPS/CESU, São Paulo, cleonildi.tibirica@cps.sp.gov.br.

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1 Introdução Compreender a evasão como um processo implica superar a postura economicista, derivada da visão essencialmente utilitarista da formação universitária que, se levada a extremos, conduziria, por exemplo, à extinção de alguns cursos que são hoje mantidos quase que exclusivamente pelas universidades públicas. 2

O problema da evasão nos cursos de ensino superior tem sido objeto de muitos estudos, reflexões e ações por parte de todos os envolvidos direta e indiretamente com a área da educação, como se pode verificar no rigoroso relatório realizado pela Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras - MEC/SESU (1997) e em trabalhos mais recentes como os de Baggi; Lopes (2011), Dias; Theophilo; Lopes (2009), Detregiaghi Filho (2012) e Belletati (2011), entre outros. Inserindo-se nesse contexto, o presente trabalho dedica-se a investigar as diferentes dimensões do problema, a fim de contribuir para que as Instituições de Ensino Superior (IES) do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS)3 possam enfrentá-lo com eficiência e responsabilidade. Resulta de pesquisas iniciadas em final de 2014, a partir de literatura publicada a respeito do fenômeno da evasão, sua ocorrência e enfrentamento, em IES públicas e privadas, e da compilação dos conceitos, classificações e estratégias de respostas mais recorrentes, sistematizando-os em um rol de primeiras recomendações. Inicialmente, a função dos estudos realizados era o de coletar dados para subsidiar diagnósticos e descrições estatísticas sobre evasão nas IES do CEETEPS. Tendo em vista a importância e o impacto das discussões sobre o problema, ampliou-se a perspectiva a partir da qual o problema da evasão deve ser olhado, a fim de contribuir para a divulgação e discussão ampla e qualificada sobre as transformações e ações necessárias para tratá-lo. Ao ampliar o escopo de observação e análise do fenômeno da evasão para além de suas dimensões quantitativas, torna-se evidente que ela se configura como apenas um dos sintomas de uma questão mais complexa que se nos apresenta, a da ausência de diálogo entre a educação que praticamos, o estudante que formamos e o contexto contemporâneo. Analisar a evasão e procurar compreendê-la a partir dessa perspectiva pressupõe objetivos um pouco mais ousados, no sentido de investigar o atual status da indispensável comunicação entre a educação, seja ela qual for, e a sociedade que por ela demanda. Para atingir os objetivos propostos, além da Introdução e das Considerações Finais, o texto foi organizado em duas partes. A primeira descreve conceitos, definições e causalidades e a segunda enumera uma série de recomendações para o tratamento da questão da evasão nas IES do CEETEPS. 2

O texto em epígrafe foi extraído de MEC/SESU (1997, p.19) e a preocupação que sinaliza pode ser estendida às instituições de ensino superior tecnológico, em que a oferta de cursos estratégicos para o desenvolvimento do país, se faz ainda mais frequente. 3 As IES do CEETEPS são as Faculdades de Tecnologia (FATEC).

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2 Evasão – definição, tipologia e causas A literatura admite como definição consensual para evasão, “a saída definitiva do aluno de seu curso de origem, sem concluí-lo”4. Por outro lado, muitos estudiosos salientam a importância de definir tipos de evasão5, visto que configuram situações que demandam diferentes tratamentos: 1) Evasão de curso: o estudante desliga-se do curso em situações diversas tais como abandono (deixa de matricular-se), desistência (oficial), transferência ou reopção (mudança de curso), exclusão por norma institucional; 2) Evasão da instituição: o estudante desliga-se da instituição na qual está matriculado; 3) Evasão do sistema: o estudante abandona de forma definitiva ou temporária o sistema educacional de que faz parte (básico, superior etc). O fenômeno da evasão, comum às instituições universitárias no mundo contemporâneo, situa-se num contexto complexo de obstáculos que se constituem entre o desejo e/ou necessidade do estudante pelo ensino superior, as características de sua realidade e as características do sistema e da instituição. Em linhas gerais, não se pode negar que [...]é difícil a permanência no ensino superior para os alunos de setores sociais menos favorecidos, não só pela falta de recursos financeiros, mas também pela falta de aquisição de ‘capital cultural’ ao longo da trajetória de sua vida e seus estudos. [...] A necessidade de um capital cultural marca a evasão nos diversos sistemas educacionais. A conclusão de um curso superior é influenciada igualmente por esse processo; a desigualdade social existente afeta diretamente os setores de menor poder aquisitivo e é motivo de preocupação constante dos sistemas de ensino público e privados (BAGGI; LOPES, 2010, p. 357).

Identifica-se aí uma primeira causa geradora de evasão. A ampliação do acesso à educação superior ampliou a presença nas salas de aulas de estudantes em situação de vulnerabilidade social. Por vezes, o estudante com pouco recurso financeiro não tem sequer como garantir sua locomoção diária para a faculdade, a alimentação necessária para manter seu bom nível físico e intelectual, o custo de material didático mínimo e cópias xerox dos textos requeridos etc. Garantiu-se o acesso do estudante advindo de segmentos sociais vulneráveis ao ensino superior, mas ainda não se garantiu formas de esse estudante arcar com os custos de sua permanência na instituição. Por outro lado, tendo ou não condições materiais de manter-se no ensino superior, o desempenho do estudante pobre em geral será marcado pela defasagem entre seu capital cultural e o capital cultural necessário para transitar pelo ensino superior com alguma 4 5

MEC/SESU (1997, p. 19). Idem. (p. 20).

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naturalidade. Sua permanência no curso, na instituição e, às vezes, até mesmo no sistema, dependerá do suporte pedagógico que se disponibilizará para esse estudante. No entanto, são poucas as instituições preparadas para lidar com este desafio e aptas a disponibilizar o suporte adequado para os estudantes cuja escolaridade anterior está aquém das expectativas do ensino superior. Essa primeira causa – a vulnerabilidade econômica e cultural produzida pela desigualdade social – constitui o núcleo duro do fenômeno da evasão, mas não responde pela totalidade de sua ocorrência. O advento de avançadas tecnologias de comunicação e de informação redesenhou o mundo e as relações que o constituem. As relações humanas em todas as instâncias da vida – a família, a escola, o trabalho etc – alteraram-se profundamente. O sistema escolar, no entanto, em todos os seus níveis, parece ter dificuldades para dialogar em profundidade com essas transformações, o que causa a impressão de que, enquanto do lado de fora o mundo se configura em redes, multidisciplinaridade e relações colaborativas, do lado de dentro, a escola insiste em fazer sobreviver seu modelo centralizado e hierarquizado, estimulador da produção e da avaliação individual. Ora, o “nativo digital” e o “quase nativo digital”6 são representantes de gerações habituadas a buscar informações produzidas e compartilhadas por ‘muitos’ para ‘muitos’, em dispositivos comunicacionais do tipo ‘todos-todos’7 – o modo ‘wiki’ de ser! Para esse perfil de estudante, a comunicação unidirecional do tipo ‘um-todos’8, ‘professor-alunos’, que a escola tende a priorizar, não faz mais sentido. Ele busca no professor a figura do experiente navegante que vai orientá-lo na travessia dos mares de informação e conhecimento, mas encontra, em geral, um sujeito que ainda acredita que dispõe de um saber específico, isolado dos demais saberes, que é só seu, e que, num ato de generosidade, dispõe-se a ‘transmitir’ parte dele para estudantes capazes de ‘absorvê-lo’. 6

Termo criado pelo norte-americano Marc Prensky, para estabelecer a distinção entre esse grupo e o dos imigrantes digitais (outro termo criado pelo autor). Um nativo digital é aquele que nasceu e cresceu com as tecnologias digitais, como videogames, Internet, telefone celular, MP3, iPod, etc. e não tem necessidade de usar o papel nas tarefas com o computador. No sentido mais amplo, refere-se a pessoas nascidas a partir da década de 80, na Era da Informação (que teve início nessa década) e que cresceram com a tecnologia do século 21. (adaptado de https://pt.wikipedia.org/wiki/Nativo_digital). 7 “[...] o dispositivo comunicacional designa a relação entre os participantes da comunicação. Podemos distinguir três grandes categorias de dispositivos comunicacionais: um-todos, um-um e todos-todos. A imprensa, o rádio e a televisão são estruturados de acordo com o princípio um-todos: um centro emissor envia suas mensagens a um grande número de receptores passivos e dispersos. O correio ou o telefone organizam relações recíprocas entre interlocutores, mas apenas para contatos de indivíduo a indivíduo ou ponto a ponto. O ciberespaço torna disponível um dispositivo comunicacional original, já que ele permite que comunidades constituam de forma progressiva e de maneira cooperativa um contexto comum (dispositivo todos-todos).” In Lévy (2010. p. 63) (grifos nossos). 8 Idem.

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Há ainda o estudante que, desdobrando-se entre o trabalho e os estudos, busca encontrar na faculdade um ambiente menos ‘dirigido’, menos ‘regulado’ que o do ensino médio e se depara, geralmente, com ambientes altamente burocratizados e inflexíveis, em que a possibilidade de ações e soluções criativas e inovadoras é comprometida por grades e cronogramas rígidos e por critérios avaliativos tradicionais. Diferentemente do que ele pensava, o ensino superior emula o ensino médio no que diz respeito à hipervalorização das tarefas repetitivas e da nota como fim último de todas as ações do estudante9. Pressionado pela inflexibilidade dos dois espaços em que transita – o trabalho e a faculdade - e pela ausência de diálogo entre eles, esse estudante tende, mais cedo ou mais tarde, a optar pelo trabalho e a evadir do ensino superior, temporária ou definitivamente. É neste contexto que se identifica o que talvez venha a ser o maior obstáculo ao reconhecimento de situações que antecedem a desistência definitiva do estudante e ao tratamento adequado dessas situações: muita ênfase em burocracia e controle; pouca ou nenhuma ênfase em gestão e relações democráticas e participativas. Desta forma, a ausência de diálogo aberto e livre sobre problemas, percepções e contribuições de docentes, discentes e funcionários das instituições, que se verifica na maioria dos contextos de ensino superior e a impossibilidade de discussão e construção coletiva de soluções para os obstáculos enfrentados pelos envolvidos no cotidiano da prática educacional tendem a desestimular os estudantes e a levá-los à evasão. Os estudos em que se baseia este trabalho (MEC/SESU, 1997; Baggi; Lopes, 2011; Dias; Theophilo; Lopes, 2009; e Belletati, 2011) enfatizam a complexidade dos contextos a que os estudantes respondem com a evasão e a prevalência das causas relacionadas a carências materiais e cognitivas10 ou à falta de sintonia entre realidade e expectativa do estudante versus realidade e expectativa da instituição11.Para fins de sistematização, no entanto, é recorrente na literatura o seguinte quadro descritivo de causalidades. Quadro 1: Principais causas da evasão Fonte: adaptado de MEC/SESU (1997) e Dias; Theophilo; Lopes (2009). Causas Internas Problemas de assistência sócio educacional:  Falta de assistência ao estudante de baixa renda; 9

São recorrentes nas avaliações institucionais internas ou em prospecções informais sobre nível de satisfação do alunado, as reclamações sobre estrutura rígida de horários, controles de frequência e de avaliação que repetem algumas situações do ensino médio. 10 Em que se sobressai a defasagem de capital cultural em decorrência das desigualdades socioeconômicas. 11 Essa falta de sintonia se reforça na ausência de diálogo entre a escola e o trabalho - e suas demandas inconciliáveis; e no desestimulo à configuração de instâncias e práticas democráticas no cotidiano escolar.

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Causas Externas

 Falta de monitoria ou monitoria insuficiente;  Grade curricular desatualizada;  Turnos (rígidos, inadequados ou incompatíveis com a realidade do mundo do trabalho);  Falta de atividades de pesquisa e extensão. Problemas didático-metodológicos:  Corpo docente despreparado para desenvolver práticas metodológicas qualificadas, motivadoras e significativas;  Corpo docente desqualificado para as disciplinas ministradas. Problemas administrativos:  Gestão burocrática, centralizadora, vertical e autoritária;  Inexistência de instâncias de participação democrática e colaborativa Deficiências de infraestrutura. Razões socioeconômicas:  Problemas financeiros / Dificuldades para conciliar estudo e trabalho;  Moradia; Dificuldades escolares:  Capital cultural insuficiente;  Deficiência da educação básica;  Repetência; Distância entre domicílio e faculdade:  Transporte / Mobilidade / Difícil acesso à faculdade;  Transferência de domicílio; Descontentamento com o curso e sua futura profissão:  Desmotivação;  Desprestígio da profissão;  Novo interesse; Falha na tomada de decisão em relação ao curso:  Falta de orientação profissional;  Imaturidade;  Curso de segunda opção;  Busca pela herança profissional;  Pressão familiar;  Baixa concorrência.

3 Recomendações para o tratamento da evasão Ainda que embrionário, o presente trabalho evidencia que a complexidade em que se insere o fenômeno da evasão exige ações e transformações articuladas em curto, médio e longo prazo. Com base nas análises e diagnósticos já registrados na literatura e nas discussões 89


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sobre a realidade das IES do CEETEPS, elaborou-se um quadro de recomendações específicas para essas IES, as FATEC.

Neste quadro, pode-se observar tanto sugestões de ações

imediatas que visam responder às demandas das IES, do poder público e da sociedade, por dados, análises e acompanhamento do fenômeno da evasão e suas repercussões na oferta e manutenção dos cursos e turnos, quanto ações de médio e longo prazo, que tratam de problematizar e enfrentar as complexas causas da evasão por meio de ações internas que promovam discussão, conscientização e proposições de estratégias e alternativas de tratamento para a questão. Quadro 2: Recomendações para diagnóstico e enfrentamento da evasão nas FATEC do CEETEPS - início de um processo de reflexão Curto prazo Ação: acolher e acompanhar  Semana de recepção aos calouros: atividades, debates, jogos & outros, com o objetivo de promover a interação entre a) ingressantes e veteranos; b) estudantes de diferentes cursos; c) estudantes e funcionários; d) estudantes e professores. Cada atividade deve ser elaborada e coordenada por um grupo formado por estudantes, funcionários e professores, de modo que durante a programação da semana, a relação humana, pessoal, seja enfatizada, e não as relações hierárquicas ou funcionais;  Acompanhamento: a cada semestre, um professor, um funcionário e um estudante veterano ficam responsáveis por acompanhar uma turma de ingressantes. É recomendável que o trio de acompanhamento se reveze para estar disponível presencial ou virtualmente em diversos dias e horários e possa ouvir os estudantes e auxiliá-los ou encaminhá-los adequadamente a quem possa auxiliá-los;  Implantação de Núcleo de Assistência Estudantil: grupo de pessoas (funcionários, estudantes e/ou docentes) responsáveis pela gestão das políticas públicas de ingresso e permanência (bolsa permanência, bolsa de iniciação científica, bolsa monitoria etc);  Monitoramento: acompanhamento da frequência do aluno pela coordenação de curso; detectado o não comparecimento por duas semanas, é feito o contato para orientação;  Divulgação do curso: realização de eventos de divulgação sobre educação tecnológica e sobre a área profissional do curso; Médio prazo Ação: promover estratégias permanentes de formação, diálogo, interação e desenvolvimento  Aulas abertas: como a maioria dos cursos superiores tecnológicos das FATEC tem a duração de três anos e não dispõe do ciclo básico, em que os estudantes têm contato com diferentes áreas do saber de importância para toda formação humana e profissional, recomenda-se a utilização 90


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Longo prazo

sistemáticado recurso da ‘aula aberta’ para ampliar repertório sobre saberes gerais (geografia, história, matemática, artes, física, economia, política etc). Numa aula aberta de matemática, por exemplo, espera-se não que um conteúdo específico da disciplina seja ‘ensinado’, mas que ou a história da matemática, ou a presença da matemática nas atividades do homem, ou o saber matemático em diferentes culturas – por exemplo – sejam apresentados aos estudantes e debatidos com eles de forma livre e desprovida do caráter de conteúdo para avaliação futura;  Fóruns temáticos: incentivar a organização de espaços de discussão de temas da atualidade, com a participação de estudantes e professores, em que se privilegie o encontro respeitoso entre diferentes ideias, práticas, orientações e posturas. Enfatizar reflexões que possam reforçar valores positivos e desconstruir preconceitos e lugares comuns. Estimular a criação de veículos de divulgação das discussões realizadas nos fóruns (jornal, blog, rádio etc);  Projetos integradores: promover seminário sobre multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e projeto integrador, de que participem professores, coordenadores e estudantes. Esclarecer a origem, natureza e função das atividades integradoras multidisciplinares. Problematizar a relação multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e democracia. Estimular o trabalho colaborativo, independentemente de grades horárias, em espaços presenciais adequados para a realização de pesquisas e ações conjuntas (salas de projeto; co-laboratórios, saguão comunal etc). Atribuir protagonismo ao projeto integrador semestral, incluindo-o nos planos de ensino de todas as disciplinas. Estimular que o desenvolvimento do projeto integrador represente a possibilidade de avaliação em processo e desestimule a ocorrência de diversas provas e diversos trabalhos por disciplina;  Orientação profissional: orientar os estudantes sobre a carreira profissional escolhida, a área do curso, a elaboração de currículo profissional e plano de carreira. A orientação deve ser realizada por professores com formação e experiência nas áreas de gestão de recursos humanos, recrutamento e seleção, e gestão de carreira;  Apoio psicopedagógico: realizar ações de orientação e acompanhamento de alunos que apresentem dificuldades de ordem psicológica e outras que se caracterizem como obstáculos à aprendizagem. Ação: repensar e reformular o currículo dos diferentes cursos  O quê e para quê ensinar: promover seminários sobre currículo, ensino superior e educação tecnológica, de que participem professores, gestores e representantes de estudantes, a fim de dar início a uma profunda reflexão sobre a importância do currículo na formulação dos projetos pedagógicos; 91


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 Eixos temáticos X Disciplinas: reduzir o número de disciplinas de um mesmo eixo temático, a fim de evitar a hiper fragmentação de conteúdos e possibilitar que o conjunto seja contemplado nos projetos integradores, em sua articulação com disciplinas de outros eixos temáticos;  O currículo oculto: promover reflexão sobre o que (‘para o bem e para o mal’) se ensina e se aprende, sem sistematização e sem o estatuto de disciplina, nas relações que se estabelecem no espaço escolar.

4 Considerações finais A construção de uma sociedade justa e sustentável está diretamente ligada à qualidade da educação que se pratica nas instituições de ensino e à efetividade do diálogo que essas instituições estabelecem com os agentes sociais, por meio de seu currículo, das práticas democráticas de sua gestão, de suas ações enquanto instituição social no sentido de promover o desenvolvimento pessoal e profissional dos sujeitos e o desenvolvimento local, regional e nacional. Contemporaneamente, o processo de expansão e interiorização da educação superior tem salientado uma face conflitante dessa dinâmica de expansão, que se configura nos índices de retenção e evasão identificáveis em todos os níveis e modalidades de ensino. A questão merece destaque e investimento analítico, na medida em que pode significar um risco às aspirações da sociedade por um país soberano, democrático, justo, isonômico e sustentável, além de cientifica e tecnologicamente desenvolvido. Entretanto, não basta admitir a educação como direito fundamental. É necessário concretizar e prover as ações que permitam a garantia desse direito. Nesse sentido, tanto a CF, em seu art. 206, quanto a LDB, em seu art. 3º, indicam os seguintes princípios, com relação direta com o sucesso escolar, para que o processo educacional ocorra de forma efetiva: a igualdade de condição para o acesso e permanência na escola, a garantia do padrão de qualidade, a valorização do profissional da educação escolar e a vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. ” (MEC/SETEC, 2014, p. 15).

O fortalecimento da educação superior tecnológica e de seu papel estratégico para a consolidação de uma sociedade sustentável depende da qualidade e da intensidade de nosso envolvimento nessa discussão sobre o que fazer para que nossos estudantes, além de chegar às nossas instituições, nelas permaneçam com o interesse, o bom desempenho, a qualidade de aprendizagem e a alegria de que qualquer processo formativo necessita, para sua plena realização. Qualquer ação, no entanto, só poderá gerar transformação e resultado se construída a partir de discussões sistemáticas, abertas e democráticas a ocorrerem internamente, em cada IES do CEETEPS, e externamente, no âmbito dos agrupamentos regionais da Instituição, em 92


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que gestores, docentes, funcionários e discentes, possam refletir, à luz do contexto de sua unidade e de sua região, alternativas de enfrentamento, a exemplo das sugestões acima relacionadas. Não ampliar a reflexão e a busca de alternativas para a questão da evasão, portanto, pode significar não só o esvaziamento das IES, mas também o fechamento de cursos considerados estratégicos. Para a sociedade, o resultado pode ser a atrofia do desenvolvimento humano, tecnológico e científico, com impactos negativos sobre a soberania do país. Afinal, como dizia H. G. Wells (apud GADOTTI, 2000, p. 3) “A história da Humanidade é cada vez mais a disputa de uma corrida entre a educação e a catástrofe”. Resta-nos evitar a vitória da segunda.

5 Referências BAGGI, Cristiane Aparecida e LOPES, Doraci Alves. Evasão e avaliação institucional no ensino superior: uma discussão bibliográfica. In Avaliação (Campinas); Sorocaba, SP, v.16, n.2, p.355-374, jul.2011. BELLETATI, Valéria Cordeiro Fernandes. Dificuldades de alunos ingressantes na universidade pública: indicadores para reflexões sobre a docência universitária. Tese de doutorado. São Paulo: s.n., 2011. DETREGIAGHI FILHO, Edson. A evasão escolar na educação tecnológica: o embate entre as percepções subjetivas e objetivas. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012. DIAS, Ellen Christine; THEÓPHILO, Carlos Renato e LOPES, Maria Aparecida. Evasão no ensino superior: estudo dos fatores causadores de evasão no Curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES – MG. Disponível em www.congressousp.fipecafi.org/web/artigos102010/419.pdf. Acessado em 03/01/2015. GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. São Paulo em Perspectiva. vol.14 no.2 São Paulo Apr./June 2000. Acessado em 26 de fevereiro de 2015. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2010. MEC/SESU. Relatório da Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras. Brasília: ANDIFES/ABRUEM/SESU/MEC. 1997. MEC/SETEC. Documento orientador para a superação da evasão e retenção na rede federal de educação profissional, científica e tecnológica. Brasília: MEC, 2014.

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