distribuído com o semanário SOL.
Mensal Janeiro de 2020 nº003 Gratuíto
MULHERES DE VALOR Mães, esposas e profissionais de sucesso
ALGARVE histórias de sucesso a Sul
MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA desafios de uma área em mudança
mse A CORAGEM DE SER DIFERENTE
Acabados de entrar num novo ano, precursor de uma década que se abre à conquista e à vontade daqueles que, corajosamente, a queiram desbravar, cada um de nós tem objetivos, metas, desejos e sonhos que quer concretizar. Vamos a isso! Jim Player A Valor Magazine é feita desse material de sonho e vontade, desejo e conquista, um material ténue, mas inquebrável. Nas nossas páginas já demos a conhecer histórias únicas, de superação e trabalho árduo e nesta terceira edição não será diferente. O setor da Corretagem e Mediação abre esta edição, pois sofreu alterações legislativas e a Valor Magazine quis perceber que mudanças práticas isso trouxe para quem é profissional da área.
Mundipharma
Falamos também de Economia Social e dos desafios que essa área guarda; conhecemos Mulheres de Valor, os seus testemunhos incríveis e os conselhos que dão a quem, como elas, quer construir uma carreira; voltamos ao Algarve, pois é uma terra de sonhos concretizados e com histórias que ainda não foram contadas e damos também atenção ao mercado imobiliário nacional e aos desafios que espreitam nesta nova década.
Barcovez
Em 2020, seguimos com a certeza de que ainda existem muitas histórias de Valor para serem contadas. Queremos estar onde estão as histórias, para fazer mais e melhor. Acompanhe-nos nesta jornada!
VALOR - aquilo que uma coisa vale; importância que se atribui ou reconhece a algo ou alguém; qualidade que desperta admiração por alguém; valia, mérito, préstimo; qualidade de quem pratica atos difíceis, extraordinários ou perigosos; valentia; coragem.
CM Chamusca
DESTAQUES
Editorial
Propriedade e Administração: Sinónimos Breves Unipessoal, Lda
Design e Paginação: Rui Fonseca ruifonseca.designer@gmail.com
Gerência detentora de 100% do capital social José Moreira
Gestores de Comunicação: Miguel Machado e Rui Moreira
Sede da Administração, Redação e Edição: Avenida da República, 1622, 7º andar, Frente, sala 19, 4430-193 V.N. Gaia
Jornalistas: Fernando Costa, Andreia Rodrigues e Cátia Barbosa
Somos
Telefone Geral: 223 204 952 | 221 143 269
Os artigos que integram esta edição são da responsabilidade dos seus autores, não expressando a opinião do editor. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos não são da responsabilidade do editor, bem como este não se responsabiliza pelos erros, relativos a inserções que sejam da responsabilidade dos anunciantes. A paginação é efetuada de acordo com os interesses editoriais e demais questões técnicas da publicação, sendo que é respeitada a localização obrigatória - e paga - dos anúncios. É proibida a reprodução desta publicação, total ou parcial, por fotocópia, fotografia ou outro meio, sem o consentimento prévio do editor. "O Estatuto Editorial pode ser consultado no nosso facebook e em https://www.weboost.pt/developer/valormagazine/wpcontent/uploads/2019/09/Estatuto-Editorial.pdf". nos termos do nº1, art.º17º da Lei nº2/99 de 13 de janeiro – Lei de Imprensa".
Email: geral@valormagazine.pt redacao@valormagazine.pt Site: www.valormagazine.pt Facebook: facebook.com/revistavalormagazine LinkedIn: linkedin.com/company/revista-valor-magazine Diretor: José Moreira Editora: Sara Freixo
Fotógrafo de Capa: Rui M. Leal
Ficha Técnica
Somos
Impressão JG- Artes Gráficas, Lda. Rua de Santo António, nº 30, A dos Ralhados, 2710-006 Sintra NIF: 515 541 664 Registo ERC nº 127356 ISSN: 2184-6073 Depósito Legal: 462265/19
CORRETAGEM E MEDIAÇÃO 05 - mse - Ser seguramente diferente 08 - Norsecur - Um setor ainda pouco reconhecido 10 - Mul gaia - Somos apologistas da especialização
ALGARVE: REGIÃO DE VALOR 13 - Jim Player - Legado (agora) com sotaque português 16 - VIP - Saber o que verdadeiramente importa 18 - Check In Portugal - Não procuramos casas mas sim proprietários 20 - D&S Albufeira - Consultoria imobiliária com conceito familiar
ÍNDICE
MULHERES DE VALOR
23 - IVECO - Trabalhar sem paixão produz resultados medianos 26 - Mundipharma - Uma carreira feita de oportunidades 28 - Colégio São Gonçalo - O ensino é uma missão 30 - Visual Thinking - «Já bebeu o sumo da sua empresa?» 32 - Norauto - Liderança feminina: intuição, empa a e relacionamento interpessoal
MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA
33 - D&S Torres Novas - Imóveis enquanto solução de inves mento 34 - Barcovez - Uma ligação cada vez mais sólida com os portugueses
PORTUGAL TECNOLÓGICO
36 - Crowdville - A comunidade de testadores da Clariter
AÇÃO E RESPONSABILIDADE SOCIAL
39 - CM Chamusca - Crescer em Família 42 - Grace -Cidadania empresarial
Corretagem e Mediação
SER SEGURAMENTE DIFERENTE
João Baltazar Mendes CEO
Sendo “diferenciação” a palavra-chave de um percurso na área de seguros que já leva mais de 30 anos de carreira, João Baltazar Mendes é a cara da mse – Corretores e Consultores de Seguros, num caminho que, até hoje, fala por si. Apostando na inovação, dono de uma mentalidade inconformista, desafiante e resiliente, o corretor explicou à Valor Magazine como com as suas ideias tem servido de contracorrente a um sistema segurador cada vez mais concentrado no território nacional.
E
m 1993 surgiu no mercado nacional de mediação de seguros a mse – Mediadora de Seguros de Empresas, consubstanciada num projeto que já trazia consigo mais experiência do que aquela que aparentava, pois João Baltazar Mendes desde cedo desenvolveu funções na área técnica e comercial em diversas companhias de seguros. Numa aposta algo precoce, à procura de novos desafios, o atual corretor formou uma mediadora de seguros, a qual não demorou a espelhar no mercado nacional a personalidade do seu fundador, através da diferenciação que sempre implementou no seu método de funcionar, num mercado bastante tradicionalista e fechado entre ideias convencionais: “Quando formei a mse inicial, foi começar do zero. Sem clientes, como uma folha em branco, como se costuma dizer. Ainda me recordo do primeiro mês de trabalho da empresa, em que no final do mesmo não consegui retirar remuneração para mim. Não foi fácil, de todo, mas quando se trabalha arduamente e se acredita realmente no que se está fazer, as dificuldades tornam-se desafios que gradualmente vão sendo vencidos e ultrapassados”, afirma João Baltazar Mendes, revelando como foi obtido o primeiro grande salto da empresa no mercado: “Nessa época começámos a fazer algumas coisas importantes e diferentes. Apostámos no seguro da prática desportiva, que na altura era desconhecido e claro, provocou estranheza a muitos operadores, mas conseguimos encontrar um operador com uma
“mente” esclarecida que compreendeu o nosso projeto e nos permitiu estabelecer uma parceria, e avançar com o projeto. Após algum tempo, a mse de então estava associada a imensas federações desportivas chegando a mais de 200 mil atletas”.
a primeira aposta na diferenciação
Continuando a trabalhar na área dos seguros desportivos durante vários anos, foi simultaneamente “inovando em métodos de abordagem aos clientes empresariais”, através da criação de pacotes específicos de seguros direcionados para empresas de determinadas atividades e produtos “tailor made” para os seus colaboradores, o que era ainda uma novidade dentro do mercado e que atualmente denominamos de affinities. Esta operação de diferenciação resultou numa operação de dimensões muito superiores às antevistas: “Este crescimento tornou a empresa apetecível e interessante em termos financeiros e de potencial de crescimento, tendo cedido ao final de uns anos à sua venda ao Grupo
05
Corretagem e Mediação
Sonae. O projeto da Sonae foi de tal modo aliciante que entre 2004 e 2008 fiz parte do Conselho de Administração da sociedade corretora daquele grupo financeiro. Este foi um desafio e um projeto muito importante para mim em termos profissionais e pessoais, que nunca esquecerei, e através do qual cresci imenso. A Sonae foi uma escola de gestão que, ao longo de cinco anos valeu por 10 anos de faculdade. Porém, a determinada altura, a minha veia mais empresarial voltou a chamar por mim e segui o caminho que me fazia mais feliz. Todos concordamos que temos sempre que lutar pela nossa felicidade”. DE REGRESSO À DIVERSIFICAÇÃO Em 2012, João Baltazar Mendes, recuperando o nome “mse”, constituiu uma nova empresa e arrancou com o projeto que ainda hoje prossegue: “Comprei uma pequena corretora para ter o alvará da ASF, alterei-lhe o nome original para o que hoje se conhece e comecei este desafio num período de profunda crise económica dos diversos setores da atividade económica. Mais uma vez, a diferenciação compensou e marcámos vários pontos junto ao mercado empresarial, com soluções profissionais e inovadoras para a área dos transportes de passageiros e de mercadorias, setor público, ordens profissionais e outras atividades económicas, incluindo o mercado de retalho. A nossa proposta de valor começou a ser abrangente e conseguimos superar os nossos objetivos, mesmo num contexto muito particular”, explica o corretor.
mse: um dos principais operadores nos seguros de transporte de passageiros A verdade é que num trajeto encarado com uma sucessiva coragem e apoiado numa equipa de recursos humanos com vasta experiência técnica, não tardou a que a diferenciação se fizesse notar: “Ocorreu-nos um nicho de mercado – os táxis. Reparámos que este era um setor que estava, digamos, instalado num marasmo, os profissionais da área não tinham uma proposta de valor efetiva que lhes proporcionasse uma mais valia na área dos seguros e por isso decidimos lançar uma lufada de ar fresco nesta área. O principal obstáculo? Encontrar um parceiro segurador que partilhasse da nossa visão e compreendesse o modo de operar da mse. Um parceiro que nos quisesse acompanhar na aventura de apostar num setor económico tão fechado numa rotina instalada e controlada por um ou dois operadores, que durante anos seguidos nada fizeram para melhorar as condições existentes no mercado. A verdade é que a entrada da mse nesse setor de atividade, com um produto específico e dedicado aos industriais do Táxi, resultou numa “revolução” no mercado. A mse chegou a ser líder de mercado neste segmento e a
06
ter em carteira mais de 3.500 apólices. Este volume de negócio conduziu-nos à abertura de espaços próprios específicos e dedicados a estes profissionais em Lisboa (Telheiras), Porto e Coimbra. Hoje em dia somos nome de referência e são eles, os taxistas, que nos procuram para realizar os seus seguros profissionais e particulares”, revela o corretor. Ao longo destes anos, a mse seguros sofreu, naturalmente, “dores de crescimento, com as limitações do próprio mercado”, mas João Baltazar Mendes garante que essas dificuldades já foram ultrapassadas com “o apoio dos clientes, dos seguradores mas, sobretudo com o entusiasmo e dedicação da sua equipa, bem como com o sentimento intrínseco de não pactuar com os vícios instalados no mercado segurador através de uma irreverência e crítica construtiva e saudável”. Ainda que não querendo ser visto no mercado como o corretor dos transportes de passageiros, a verdade é que a diferenciação e a inovação levaram uma vez mais esta empresa ao encontro do setor do transporte de passageiros. Desta feita, um projeto dirigido aos empresários ligados ao Transporte de Passageiros em Veículos Descaracterizados, os TVDE’s, ou seja aqueles profissionais que se encontram ligados a plataformas eletrónicas para o desenvolvimento do seu negócio. Nesta perspetiva e face à publicação da legislação que regulamenta esta atividade económica, a mse procurou um novo parceiro segurador a quem se aliar e lançar no mercado um pacote de produtos competitivo de seguros legalmente obrigatórios: Automóvel, Responsabilidade Civil e Acidentes Pessoais, no qual incluiu Acidentes de Trabalho, que tem uma importância imensa em qualquer atividade profissional, que é muitas vezes desconhecida dos profissionais por conta própria. Temos utilizado os nossos espaços em Lisboa, Porto e Coimbra para um atendimento mais próximo e personalizado, bem como meios tecnológicos como modo de contactar estes profissionais e disponibilizar-lhes os instrumentos sem os quais não podem operar de modo legal.
Corretagem e Mediação
“NÓS NÃO QUEREMOS SER SUBMISSOS. QUEREMOS SER CONTESTATÁRIOS” O rumo da entrevista levou a que a Valor Magazine questionasse João Baltazar Mendes sobre o estado do setor, o que resultou numa resposta perentória de quem conhece muito bem o mercado: “Hoje há excesso de intervenientes na área da mediação profissional. Temos 19 mil agentes inscritos na ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões), mas no quadro de corretores 69 entidades registadas. É um número excessivo para um mercado pequeno como o nosso, e que inevitavelmente conduz a uma imensa falta de profissionalismo que paira no mercado e a um facilitismo tremendo em face do número de comissionistas.”, vinca João Baltazar Mendes, que não esconde a sua preocupação pela excessiva concentração do mercado segurador em Portugal. Cada vez que procuramos um contrato de seguro com contornos mais técnicos e exigentes, temos dois ou três seguradores que podem aceitar ou suportar o negócio. Obviamente que esta é uma situação que cria uma severa desigualdade entre corretores e seguradores, conduzindo a posicionamentos extremos das companhias, tornando-as por vezes “surdas e/ou cegas” ao negócio que não seja o “normal” automóvel ou multirriscos. Não podemos nem queremos ser submissos a estratégias fechadas e antiquadas, pelo que esgrimindo sempre com argumentos válidos, transparentes e consubstanciados, iremos sempre ser contestatários a esse género de comportamentos, em prol da defesa dos melhores e mais importantes interesses dos nossos clientes. Hoje, posso dizer-lhe que as quatro maiores seguradoras representam 70% do mercado”. Não obstante as quatro maiores companhias de seguros em Portugal representarem cerca de 70% da área seguradora nos denominados ramos não vida, de acordo com dados disponibilizados pela ASF relativamente ao último ano, o CEO da mse seguros demonstra esperanças na profissionalização do mercado, até porque as novas ferramentas do setor vão obrigar a uma nova exigência: “Hoje vivemos num mercado mais maduro, mais informado, mais experiente e mais exigente, que, naturalmente, vai exigir mais e melhor serviço de todos os operadores desta atividade, seja através da análise de necessidades, aconselhamento específico e especializado nas diferentes atividades económicas, seja na prestação de um melhor, maior e mais eficaz serviço aos seus clientes. Na mse, a nossa regra e estratégia é a diferenciação a todos os níveis que nos irá, estamos convencidos, conduzir aos patamares que nos propomos alcançar e é por isso que iremos continuar a lutar”, conclui.
07
www.mse-seguros.pt
Corretagem e Mediação
Estrela Santos Gestora de Clientes
Maria do Rosário Amorim Sócia-Gerente
UM SETOR AINDA POUCO
RECONHECIDO Maria do Rosário Amorim teve a sua primeira experiência na área da mediação de seguros aos 18 anos, quando começou a trabalhar na Norsecur, mediadora cativa do Grupo Cerealis. Desde então, a empresa cresceu, expandiu a carteira de clientes e abriu uma agência própria, emancipando-se da empresa onde foi criada. Hoje, Maria do Rosário Amorim é sócia-gerente da Norsecur e concedeu uma entrevista à Valor Magazine, onde falou sobre a evolução dos seguros, da área da mediação e de como os portugueses veem a obrigatoriedade de fazer seguros.
A
Norsecur nasceu pela mão da Amorim Lage, atualmente conhecida como Cerealis, para gerir os seguros da própria empresa fabricante de massas alimentícias, farinhas e outros produtos alimentares. Por esse motivo, a Norsecur estava sediada dentro do edifício sede da Cerealis, na Maia, e foi aí que Maria do Rosário Amorim começou a trabalhar: “Entrei para a empresa aos 18 anos, para o departamento comercial e acabei por assistir o diretor comercial na gestão dos seguros pois, na altura era ele o responsável pela carteira da Norsecur – maioritariamente seguros da empresa, alguns colaboradores e familiares. Quando o diretor comercial saiu, assumi a responsabilidade da
08
da carteira de clientes da Norsecur, como sócia-gerente, passando a ter uma pequena participação da sociedade para cumprir os requisitos exigidos relativamente à gestão da empresa de mediação”. Desde essa altura, a Norsecur alargou a sua carteira de clientes, criando o seu próprio espaço em 2013. Aberto ao público numa das ruas principais de Águas Santas, o escritório da Norsecur já conta com oito anos e Maria do Rosário Amorim diz-se muito satisfeita com a integração da agência na comunidade. “A disponibilidade faz a diferença” É com muito orgulho que a gerente da Norsecur afirma que a taxa de fidelização de clientes se situa nos 90 por cento, justificando o sucesso com a forma de trabalhar e, em simultâneo, com o atendimento: “Temos muita sorte com os nossos clientes, pois são pessoas de valores semelhantes àqueles que partilhamos e, por isso, é muito fácil trabalhar com eles. Por outro lado, reconheço que a forma de tratar quem confia em nós é diferenciada – fazemos questão de não falar c om o s n o s s o s c l i e n te s a p e n a s q u an d o e nv i am o s documentação, quando há um sinistro ou quando é preciso fazer o pagamento. Enviamos brindes, temos o cuidado de ajudar e auxiliar em qualquer esclarecimento ou dúvida e fazemos questão de explicar as cláusulas da apólice”.
Corretagem e Mediação
A confiança dos clientes e o reconhecimento da comunidade fazem Maria do Rosário sentir-se bem no seu trabalho. A noção de responsabilidade social que a Norsecur tem é materializada em apoios ao desporto – futebol, desporto adaptado – e em campanhas solidárias na época de Natal, onde participam os clientes e a restante comunidade: “Se podemos ajudar, nem que seja em pequenas tarefas, fazemo-lo. Estamos inseridos numa comunidade que nos reconhece também por esse espírito de ajuda e disponibilidade”. Os seguros são um negócio de pessoas Embora a área da mediação de seguros ainda tenha um longo caminho a percorrer no ponto de vista de reconhecimento social, Maria do Rosário Amorim admite que muito já mudou, ao longo dos mais de 30 anos em que trabalha no setor: “Antigamente, ser mediador de seguros era uma profissão secundária. Qualquer pessoa podia assumir-se como mediador, e era uma atividade que muitos exerciam nas horas vagas, quando não estavam a trabalhar na sua profissão principal. De alguns anos a esta parte, felizmente, os mediadores têm de reunir um conjunto de requisitos, conhecimentos, comportamentos, que levam a um estatuto profissional que lhes permite ser especialistas nesta área. Não pode ser um setor tratado como segunda opção”. Maria do Rosário Amorim também assume que, para além de ser responsabilidade dos mediadores mudar esta visão social, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundo de Pensões (ASF) tem um papel fundamental no setor, assim como as companhias de seguros e todas as alterações regulamentares que têm vindo a ser implementadas. Trabalhando com cinco companhias de seguros, sendo que maioritariamente a carteira está colocada em duas em particular, a Norsecur oferece uma oferta variada, para particulares e empresas e quer continuar a evoluir: “A implementação da Norma da Responsabilidade Social, com a qual nos identificamos, é um objetivo a concretizar nos próximos anos, a contínua aposta na comunicação digital é essencial para a sustentabilidade do negócio, a garantia da manutenção do padrão de atendimento e serviço que prestamos e um crescimento sustentável são fatores
o nosso atendimento é personalizado e diferenciado
sempre presentes na nossa gestão”. Atualmente com a sua carteira composta por um número superior de clientes particulares face às empresas, Maria do Rosário Amorim quer aumentar o número de clientes empresariais: “Empresas só mudam a mediação dos seguros se tiverem alterações nas direções responsáveis, nova Administração ou algo não corra bem relativamente ao seguro… o desafio é maior, mas estamos confiantes de que vamos conseguir!”.
Corretagem e Mediação
Hélder Pereira
José Manuel Soares
Mário Soares
CEO
Fundador
Paula Moreira
Hugo Monteiro
César Teixeira
"Somos apologistas
DA ESPECIALIZAÇÃO" José Manuel Soares dirige a Multigaia Seguros, que já conta com 45 anos de atividade e recebeu a equipa da Valor Magazine para fazer um balanço desta atividade em constante evolução. Além disso, o aumento do valor do seguro mínimo dos mediadores de seguros independentes – uma medida que entrará em vigor em junho – esteve também em debate.
A
o longo deste tempo, que análise faz do mercado segurador em Portugal?
A Multigaia Seguros vai na sua segunda geração. São 45 anos de dedicação exclusiva a um setor de atividade que tem vindo, ano após ano, a evoluir. Evolução tecnológica, evolução qualitativa dos produtos, cada vez mais abrangentes, evolução na exigência e profissionalização do setor, onde impera hoje uma maior transparência e qualidade na prestação de serviços. A mentalidade portuguesa alterou-se, no que respeita a fazer um seguro? Tem vindo a alterar-se paulatinamente, fruto, como referi anteriormente, de uma maior profissionalização do setor e
10
de uma maior transparência. Atualmente, as pessoas percebem a necessidade dos seguros, de protegerem o seu património, de não correrem determinado tipo de risco e de se prevenirem contra as incertezas do dia-a-dia. Existe cada vez mais informação, mais profissionalização e isso é bom para todos. Quais os prós e os contras do aumento do seguro mínimo dos mediadores de seguros independentes? Este aumento tem muito a ver com a lei da distribuição dos seguros, refletida numa diretiva europeia que prevê uma atualização do atual seguro de responsabilidade civil profissional. A nós, parece-nos bem, aliás esta diretiva comunitária europeia peca pela escassez de medidas, dado que, a nosso ver, perdemos uma grande oportunidade de profissionalizar ainda mais o nosso setor de atividade e de acabar com uma série de “promiscuidades” que existem no nosso setor, como é o caso da Banca e dos contabilistas poderem vender seguros. Somos apologistas da e s p e c i a l i z a ç ã o, p a r a u m a m a i o r t r a n s p a r ê n c i a e profissionalização. Porque é que a mediação de seguros háde ser partilhada em part-time com outra atividade?
Corretagem e Mediação
Que análise faz da regulamentação do setor? Como referi anteriormente, perdeu-se uma grande oportunidade de “limpar o nosso setor de atividade”, mas os lobbies são imensos, e as cedências acabam por acontecer. As pressões são muitas, faltou mais coragem, para dar maior transparência ao setor, apesar de as coisas estarem muito melhor do que estavam há uns anos. Falta uma área académica exclusivamente dedicada aos seguros e à mediação? A meu ver, esta é uma grande lacuna existente e que tarda em aparecer, falta uma Academia em Seguros, não só para quem quer entrar no setor e iniciar a sua atividade profissional, como também, em termos de formação contínua, de aprendizagem contínua, de “refresh”, de valorização profissional aos atuais profissionais do setor, que visem acompanhar a evolução e adequação aos novos tempos. A vida é uma aprendizagem contínua. Como está a Multigaia a lidar com as mudanças inerentes à digitalização e às novas realidades que os mundos físico e virtual apresentam? A mudança é algo inevitável, é necessária, e nós na Multigaia estamos a posicionar-nos nesse sentido, em vários aspetos, sendo que estamos neste momento com um projeto novo na área de marketing digital que tem precisamente a ver com uma nova mentalidade e respetivo posicionamento no mercado. A formação dos ativos é fundamental, atualmente? A formação é indispensável, a aprendizagem contínua, enriquecimento contínuo de um maior conhecimento que nos
permita enfrentar os desafios que temos pela frente, através de cursos, planos individuais de formação, etc. A formação contínua é fundamental para adaptar os recursos humanos às alterações que vão surgindo, bem como para melhorar os índices de produtividade e competitividade na nossa área de atuação. É um ganho para todas as partes. Quais os desafios que a nova década irá trazer para a área dos seguros e seus mediadores? Imensos, altamente desafiantes, em que só os mais preparados sobreviverão, face a tal mudança, não só do ponto de vista tecnológico, como também da exigência da informação, da exigência da transparência, no aumento da qualidade na prestação de serviços efetuada. As elevadas expectativas dos consumidores, cada vez maiores, a maior sofisticação dos mercados financeiros, vai obrigar a uma persistente atualização dos conhecimentos técnicos, teóricos e práticos para acompanhar o desenvolvimento da complexidade do mercado. Inovar com responsabilidade, com seriedade e maior profissionalização na busca da excelência na prestação de serviço ao cliente, este vai ser o grande desafio, provando que o mediador de seguros é um elemento que traz uma mais-valia na relação com o cliente final, intermediando o mesmo, aconselhando-o com seriedade, isenção, rigor e independência em relação às seguradoras. O mediador de seguros é, podemos dizer, um especialista, um profissional que ajuda o cliente a decidir o que é melhor para ele, face às suas necessidades. A dedicação em regime de exclusividade a esta atividade, alicerçada num ambiente de grande confiança e proximidade, mas também de muito conhecimento do cliente final, faz toda a diferença na relação pessoal e profissional.
www.multigaia.com
11
Algarve: região de Valor
legado (agora) com sotaque português Foi no ano de 1968 que o escocês James Player chegou ao Algarve, juntamente com a sua jovem família. O que se designa hoje como Património Cultural de Portugal, a Casa Lumena, foi durante muito tempo a residência que James Player geriu, em Faro, dedicando-se depois a outras áreas de negócio, como por exemplo a criação da primeira publicação em inglês da região, denominada “What’s On In The Algarve” (hoje conhecida como “The News”).
A
paixonado pelo golf, James Player ocupou durante anos o cargo de Secretário no Clube de Golfe de Vale do Lobo, paixão essa que não o demoveu de fundar a Jim Player Real Estate & Insurance em Almancil, no ano de 1980, tornando-se inclusive o primeiro mediador de seguros para a comunidade estrangeira. Foi nesse período que Fátima Gonçalves, oriunda da África do Sul, se juntou à equipa criada pelo escocês, agregação essa que dura até aos dias de hoje: “Comecei a trabalhar com o James Player desde 1981. Anos mais tarde, por razões de fiscalidade e de logística, foi formada a sociedade com o nome Jim Player, que se dedicou exclusivamente aos seguros e foi crescendo de uma forma sólida aqui na região”, relata a própria. Em 2007 James Player faleceu, mas Fátima Gonçalves, atual gerente, não se coibiu de manter o legado do fundador, e com muitos obstáculos pela frente, a jovem “aprendiz” sul- africana que chegou na década de 80 tornou-se a cara de uma agência de seguros histórica da costa algarvia. O objetivo inicial da empresa passava por proporcionar aos cidadãos estrangeiros todo o tipo de seguros que lhes fossem necessários, independentemente do facto de serem proprietários de residências de férias ou residentes. Hoje a Jim Player estende-se também ao cliente
português, albergando um leque de nacionalidades e várias parcerias de renome no mercado segurador que permite à agência oferecer diferentes soluções e produtos, num serviço único e exclusivo: “Já me tinha tornado sócia da agência quando o James Player estava vivo.
13
Algarve: região de Valor
Entretanto, com o seu desaparecimento, assumi a gerência. Mas o legado do James Player manter-se-á sempre no ADN da empresa, e isso é uma das razões para não mudarmos de nome. É uma marca já bastante reconhecida na comunidade estrangeira, e é por essa história que ajudamos sempre quem nos conhece há bastante tempo. Ainda hoje essas mesmas pessoas vêm cá pedir conselhos de coisas que nada têm a ver com seguros, o que é engraçado”. Fátima Gonçalves está decidida em manter o conceito que a empresa sempre adotou, com uma pequena exceção: o cliente português. Desta forma, o que era antes quase um monopólio do cidadão estrangeiro, é hoje mais “dividido” e virado para território nacional: “Pessoalmente abri um pouco o caminho para a comunidade portuguesa, o que não era o caso até então. A crise, em 2008, abanou um pouco o equilíbrio que existia entre os diferentes mercados, e foi desde aí que comecei a contactar várias empresas portuguesas, e entramos também na área (dos seguros) de vida, depois do decreto-lei que deixava de obrigar as pessoas a recorrer à banca para ter um seguro“, explica a gerente.
Quando questionada sobre a rede de distribuição dos seguros que operam com os clientes da Jim Player, Fátima Gonçalves responde que os “riscos pessoais ainda correspondem à maioria dos seguros praticados”, num mercado que por si só, nos últimos anos, mudou imenso: “O mercado em si está muito diferente de anteriormente. Agora também temos a área dos multirriscos, dos acidentes de trabalho… nas várias empresas em que operamos, portuguesas ou estrangeiras, há um leque de seguros obrigatórios que já se vão espalhando, e que não estão presos a um único setor, como o do automóvel. Há uma diversidade muito maior”, reitera a gestora.
14
é uma marca já bastante reconhecida na comunidade estrangeira, e é por essa história que ajudamos sempre quem nos conhece há bastante tempo
Fátima Gonçalves reconhece que ainda encontra várias diferenças na mentalidade dos portugueses e na dos estrangeiros, no que toca aos seguros, mas que ao longo do tempo o cliente português tem ganho maior perceção e responsabilidade quando chega o momento de acionar uma salvaguarda: “Eu ainda sou do tempo em que os seguros de vida para a comunidade estrangeira eram impraticáveis, porque os seguros eram muito caros e o capital era muito baixo. Não valia a pena fazerem os seguros por cá, porque como geralmente se tratava de cidadãos com alguma idade, eles não estavam habituados a trabalhar com peanuts. Quando queriam fazer um capital, faziam um capital como deve ser, digamos assim. Valores a rondar um milhão, meio milhão… valores que por cá eram impensáveis. Enquanto o português não pensava, de todo, da mesma forma. Ainda assim, creio que gradualmente isso tem sido alterado”, admite a diretora da agência, que explica a seguir as razões que provocaram essa evolução: “Para começar, as pessoas geralmente não possuíam casa própria, pois eram herdadas da família, ou seja, não havia necessidade de recorrer à banca. Ao longo das décadas esse cenário foi-se extinguindo, e hoje as pessoas quando adquirem uma casa automaticamente têm de fazer um seguro, porque a banca assim o exige. Existe uma maior atenção às gerações futuras, nomeadamente os filhos dos clientes com quem trabalhamos atualmente”, ressalva Fátima Gonçalves, que admite que muitos dos “casos que se veem hoje, em que as pessoas não recorrem a seguros, muitas vezes é apenas porque não tem possibilidade de o pagar e não por opção própria”.
Algarve: região de Valor
Fátima Gonçalves Gerente
quando se faz um seguro de saúde, há sempre duas questões que eu coloco às pessoas - qual o propósito desse seguro e o que se quer pagar No que toca à mentalidade que ainda existe no que respeita à aquisição de seguros, e o estigma de que só se recorre a eles quando “algo de mau acontece”, Fátima Gonçalves não esconde que ainda se trata de um dos maiores obstáculos no setor, tanto para as agências como para os clientes: “Ainda hoje existe essa ideia e vai sempre existir. As pessoas têm de pensar que os seguros não existem para pagar tudo. Os seguros existem para pagar acidentes ou eventos que fogem ao nosso controlo. Por exemplo: há pessoas que vêm aqui para adquirir um seguro de saúde, quando já tem um problema. Isso não funciona, obviamente. As pessoas têm de vir aqui para adquirir um seguro de prevenção, que é bastante diferente. Porque se não o fizerem dessa forma, o que acontece depois? A companhia de seguros não vai pagar, porque vai olhar para o histórico e perceber que havia um antecedente. E quando falo de um seguro de saúde, falo de um seguro de vida ou de outro qualquer”, vinca Fátima Gonçalves.
E foi por falar em saúde, numa área tão delicada, que a Valor Magazine quis perceber como é que a Jim Player escolhe o melhor plano para cada cliente, em função das várias parcerias com as companhias de seguro existentes. Fátima Gonçalves não hesita na resposta e explica que o seu modus operandi está dividido em duas questões essenciais: “Quando se faz um seguro de saúde, há sempre duas questões que eu coloco às pessoas - qual o propósito desse seguro e o que quer pagar. A partir daí eu vou minimizando as propostas mediante essa área. Se a pessoa está preocupada com um seguro para escolher o melhor hospital, pode ser uma situação. Se uma pessoa quer ir ao médico e apenas está preocupado com o custo, as soluções têm de ser outras”.
os seguros existem para pagar acidentes ou eventos que fogem ao nosso controlo A verdade é que independentemente do seguro que o cliente escolher, a Jim Player aparenta estar pronta para qualquer cenário e, acima de tudo, para manter um legado que já dura há mais de três décadas e que se cimentou em diversas áreas da região do Algarve. Porque, para Fátima Gonçalves, não existe maior seguro do que esse valor histórico, e essa confiança que tem atravessado gerações de várias nacionalidades.
15
Algarve: região de Valor
SABER O QUE VERDADEIRAMENTE
IMPORTA Chama-se Very Important Property (VIP), mas facilmente poderia ser tratada como “All in One”. Com um sistema que alberga praticamente todos os passos necessários para a transação de um imóvel, a agência de mediação imobiliária sediada em Faro promete não só continuar a transmitir segurança em cada transação, mas acima de tudo, uma proximidade cada vez mais rara num negócio que será sempre “de pessoas e não de números”.
Gina Mendes Gerente
C
om o apoio de um gabinete jurídico que traz consigo mais de 20 anos de experiência na prática de advocacia, a Very Important Property (VIP) apresenta Gina Mendes, gerente, e Carla Mendes, diretora do Departamento Jurídico, como os maiores trunfos de uma parceria que tem cada vez mais sucesso na região do Algarve. São duas décadas de experiência que não parecem passar ao lado de quem as visita: “O facto de sermos advogadas transmite segurança aos nossos clientes, porque desse modo escusam de procurar ou contratar serviços de advogados
16
Carla Mendes Diretora do Departamento Jurídico
para verificar questões essenciais, como a legalidade da documentação ou para efetuar escrituras. Nós realizamos essas operações diretamente, fazemos o pedido de registo, verificamos a documentação, ou seja, trazemos uma agilidade que dá outro conforto e segurança em termos de legalidade processual e de conformidade jurídica do negócio”, explica a gerente. Carla Mendes sabe, todavia, que o que as diferencia das restantes passa muito pelo tratamento “completo” que oferecem a cada cliente ou investidor, desde a escolha da casa (ou mesmo da região) até ao momento em que entram na mesma, passando muito pelas parcerias instaladas ao longo de todo o processo: “Hoje é habitual vermos um Departamento Jurídico presente neste setor, mas nós tratamos do cliente desde o início até este ter água e luz em casa, e sempre numa comunicação direta. As pessoas reconhecem o nosso rosto e sabem onde nos encontrar”. E prossegue: “Atualmente temos várias parcerias, o que significa que se não tivermos o imóvel que o cliente procura, conseguimos junto de outras imobiliárias ir ao encontro dessas mesmas expectativas. Apresentamos a região, a gastronomia, as festividades de cada cidade... Posteriormente, através da parceria com mediadoras de crédito e de seguros, analisamos a melhor solução para o cliente, sem qualquer custo associado, e fazemos a escritura, os contratos de arrendamento… em suma oferecemos um leque de opções, que resulta num acompanhamento constante até ao momento em que o cliente entra na sua nova propriedade”.
Algarve: região de Valor
A gerente da VIP garante que a lentidão dos processos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) não será motivo para que os investidores estrangeiros mudem de opção, no que toca ao destino a ser escolhido: “O SEF está muito atrasado, tem falta de pessoal e os processos estão muito demorados, mas eu vejo a questão de outra forma - se está assim tão lento é porque a procura também tem sido muita. E quando são muitos a querer, não pode ser por acaso”, ironiza a gerente da agência, que não perdeu a oportunidade para enaltecer Portugal e os seus atributos: “O nosso país pode ter muitos defeitos, mas em termos de clima, localização geográfica, gastronomia e segurança, é um paraíso! Ainda mais se o compararmos ao resto da Europa e do mundo”. Gina Mendes demonstra confiança numa maior celeridade futura, pois o “SEF está agora a tomar medidas para resolver o problema, nomeadamente através da contratação de mais trabalhadores e na sua descentralização pelo país”. Garantindo que também podem ser “representantes fiscais dos clientes e investidores que poderão não estar presentes no país”, Gina Mendes assegura que o objetivo da Very Important Property passa por possuir um serviço completo e próximo, onde os rostos ainda falam mais alto que os números: “Queremos oferecer um serviço personalizado sem qualquer custo para o cliente comprador. A nossa aposta baseia-se na proximidade com os clientes, algo que uma mega-estrutura por si só não consegue garantir”, reitera a gerente, que explica que grande parte da carteira da agência provém exatamente dos investidores que não conseguiram essa proximidade nem a desejada relação de confiança em grupos maiores: “Por isso é que temos a porta aberta nos nossos escritórios. Por mais que o nosso trabalho seja realizado de um modo online, é importante para os nossos clientes saberem que estamos aqui. Não nos podemos esquecer que isto é um negócio de pessoas, não de casas”. Aliás, o nome Very Importante Property (VIP) provém da importância que atribuem a cada imóvel que lhes é confiado: “A nossa oferta abrange todos os setores, uma vez que temos casas desde os 100.000 até aos 15.000.000 de euros”.
As advogadas optaram inicialmente por operar em Lisboa, mas “devido à crescente sobrevalorização e especulação dos imóveis na capital”, foram adivinhando o rumo dos seus clientes e estão atualmente focadas no Algarve, garantido que a região “ainda tem muito para oferecer nas próximas décadas”. Todavia, a agência não descura qualquer área do território nacional, o que permite aos seus clientes investir de forma segura em qualquer ponto do país: “Temos notado que a procura na área metropolitana de Lisboa tem diminuído, enquanto no Algarve o processo é inverso. Triplicámos o número de visitas a casas que fazemos, face ao ano de 2018. É claramente um sinal de que os investidores – portugueses ou estrangeiros - começaram a olhar de outra forma para o sul do país e nós cá estaremos preparadas para essa chegada, baseadas na relação de proximidade que tanto apregoamos” promete Gina Mendes.
www.vipimoveis.pt
17
Algarve: região de Valor
NÃO PROCURAMOS CASAS
MAS SIM
PROPRIETÁRIOS
Evelyn Peitz General Manager
Natural de Caxias, mas filha de pais alemães e com toda uma escola germânica na bagagem, foi com um sotaque mais “fechado” que Evelyn Peitz se instalou no mundo do imobiliário, mas é graças à sua mentalidade aberta que tem conseguido introduzir um sistema de sucesso na região do Algarve e elevar a Check-In Portugal ao patamar mais alto do arrendamento turístico da região.
F
azendo parte da empresa “Número Urbano Lda” e com um percurso com mais de 17 anos, a Check-In Portugal faz toda a gestão e arrendamento de mais de 100 casas espalhadas entre Vilamoura e Albufeira, somando ainda o facto de poder realizar diversos serviços inerentes à atividade. Deste modo a agência não só garante o máximo conforto do hóspede, como oferece uma maior rentabilidade e sustentabilidade para o proprietário. Mas tudo isto não seria possível se Evelyn Peitz, que confessa “ter sido educada com os princípios da Alemanha", o que lhe
18
permitiu retirar “o melhor dos dois mundos” não tivesse apostado num percurso cheio de tentativas e projetos de áreas diferentes, que lhe concedeu ao longo dos anos uma experiência conjunta de versatilidade e que hoje resulta num dos sistemas mais originais e fidedignos da área do imobiliário em Portugal: “Comecei a trabalhar numa empresa de importação de ferramentas, depois passei para a área da moda e acabei por me tornar vendedora de algumas marcas estrangeiras. Até fiz vendas de aspiradores porta-a-porta, e acabei posteriormente por entrar no mercado das casas já aqui no Algarve”, relata Evelyn Peitz.
Algarve: região de Valor
o importante é chegar ao final do ano e o proprietário ter tudo pago, uma casa em condições, e sem grandes estragos “PERCEBI QUE A RENTABILIZAÇÃO ME FASCINAVA” Essa entrada no mercado imobiliário resultou na criação da empresa “Número Urbano Lda”, e iniciou o que seria uma carreira relacionada com a rentabilização de propriedades, um processo que fascinou Evelyn Peitz cada vez mais: “Entrei muito na área dos terrenos, das casas, das ruínas, e rapidamente me apercebi de que todo esse mundo me fascinava. O processo passava por arranjar um artigo urbano – daí o nome da empresa -, e vender esse mesmo terreno com uma mais-valia”, explica a empresária. Com a chegada da crise, em meados de 2008, essa paixão foi aliada a uma possibilidade real de poder ajudar quem estava aprisionado à banca durante esse período: “Quando a crise se deu em Portugal, muita gente ficou aflita para vender, com a corda no pescoço e com o banco a apertar cada vez mais. A minha missão era pegar no imóvel e dar-lhes uma rentabilidade que permitisse ao proprietário pagar a manutenção da casa e as prestações ao banco ou outras dívidas. E isso foi gratificamente porque foi sentir literalmente que o negócio era bom para todos. Permitilhes algum desafogo”. Com o avançar dos anos Evelyn Peitz definiu um sistema no seu processo de arrendamento, que engloba os custos fixos com limpeza, fornecimento de roupa, equipamento e lavandaria, permitindo que a Check-In Portugal oferecesse um valor garantido de rentabilidade ao proprietário, pago mensalmente. A luso-alemã confessa que foi esse sistema que fez a agência crescer no mercado. CONTROLO SOBRE AS CASAS: A GARANTIA DE SUCESSO Esta gestão frutífera fez a empresária perceber que “quanto mais controlo tivesse sobre as casas, melhor funcionava o serviço”, e através de uma relação de confiança com o proprietário, conseguiu implementar um sistema de gestão que lhe proporcionou toda a liberdade necessária para poder rentabilizar cada propriedade como se fosse sua: “Sem nunca querer prejudicar o dono da casa, sinto que com ele afastado do processo vou conseguir melhores resultados. E quando ele fica satisfeito, é
o que verdadeiramente interessa. Oferecemos o valor de rentabilidade garantida, e a partir daí é tudo connosco. Organizamos a casa, colocamos a nossa roupa de cama e toalhas e o proprietário recebe todas as verbas a tempo e horas”. E ressalva: “O importante é chegar ao final do ano e o proprietário ter tudo pago, uma casa em condições, e sem grandes estragos”. Sem ignorar que o turismo “cansa muito as habitações”, Evelyn Peitz concebeu um departamento de manutenção, outro de serviço de check-in/out, um departamento de limpezas e uma lavandaria própria, para garantir uma resposta rápida e eficaz, permitindo assim a conciliação da segurança do proprietário com o maior conforto possível do hóspede. Um sistema que tem operado com grande sucesso, mas que não se torna um desafio fácil, devido às limitações de mão-de-obra que a região oferece, dada a procura em excesso: “Criámos um departamento de manutenção próprio, para assegurar um serviço permanente. Os hóspedes, atualmente, vão para uma casa, encontram uma torneira que pinga, reclamam online no portal, visível para todos os futuros interessados, o que não gostaram na casa, o que, por consequência, limita imensamente o sucesso da casa. O contrário sucede se ele fizer um comentário positivo. Portanto cabe-nos a nós fazer um bom serviço e é isso que temos conseguido até hoje. Mas não escondo que é muito difícil arranjar pessoas qualificadas suficientes para o setor do turismo aqui no Algarve”, conclui.
www.check-in-portugal.com/pt
19
Algarve: região de Valor
CONSULTORIA IMOBILIÁRIA
COM CONCEITO
FAMILIAR Tiago Barros Fernandes Brokers
Criar valor acrescentado enquanto se ajuda as pessoas. O que pode parecer ao leitor uma fórmula muitas vezes repetida, mas raramente concretizada, é também a receita de facto praticada na Decisões e Soluções de Albufeira, onde através da marca 360º e de uma parceria que vai muito além da própria agência, os resultados têm mostrado que é realmente possível conquistar o melhor dos dois mundos.
C
arlos Rascão, diretor da agência Decisões e Soluções de Albufeira, e Sandra Santos, diretora comercial e responsável pelo setor imobiliário. Dois nomes que constituem o pilar principal da agência inaugurada em 2017, mas que representam uma aliança que vai além das quatro paredes do escritório algarvio. Casados há mais de 25 anos, possivelmente não faltariam motivos para perceber como consegue um casal construir uma estrutura de sucesso aliada às paixões de cada um, mas a Valor Magazine foi mais além e tentou perceber como se consegue marcar a diferença, num mercado que não só cresce a uma velocidade estonteante, como muitas vezes é operado meramente em função do lucro.
Sandra Santos Diretora comercial, responsável pelo Departamento Imobiliário
20
Algarve: região de Valor
A Decisões e Soluções é uma empresa nacional que, desde 2003, tem prestado um serviço de aconselhamento personalizado, independente e gratuito, a particulares e empresas. Com o conceito de Soluções 360º, criado entretanto, foi possível à marca operar e aconselhar ao nível da compra, venda e arrendamento de imóveis, tal como ao nível de crédito bancário, seguros, construção de casas e edifícios habitacionais ou industriais, bem como obras de remodelação. Com cerca de 100 agências espalhadas pelo país, foi exatamente dentro deste alicerce circular que a Decisões e Soluções de Albufeira encontrou o seu modo de viver, numa versatilidade que lhes permite ajudar as pessoas com “outra liberdade”. “Eu venho da área da banca, onde estive durante 25 anos. A minha esposa já estava ligada ao setor imobiliário - foi criando o seu próprio caminho, a pulso - e depois encontramos então - de uma forma natural e não premeditada - uma via de podermos abraçar um projeto em conjunto. Vindo eu da área do crédito e seguros, e com a minha mulher na área do imobiliário, acreditámos que poderíamos condensar toda a nossa experiência neste projeto. E é o que temos feito até então, quero acreditar eu, com algum sucesso”, explica Carlos Rascão, diretor da agência, antes de contextualizar o espírito da mesma: “A Decisões e Soluções sempre foi uma empresa muito virada para as pessoas, e foi muito nesse sentido, até pela nossa forma de ser e de viver, que quisemos também entrar neste projeto”. Com um passado sólido e com grande experiência na área do crédito e da construção, Carlos Rascão considera que “as histórias e os casos por vezes penosos” que viu à sua frente ao longo das últimas décadas, nomeadamente na altura da crise, foram também um motivo para se rever no projeto da Decisões e Soluções. Através do formato 360º, o diretor de agência acredita que além do retorno financeiro, as pessoas conseguem realmente encontrar uma solução para muitos dos problemas financeiros, quando recorrem à agência: “Enquanto bancário e também a laborar na recuperação de crédito em plena crise, vi muita coisa triste acontecer, infelizmente. Os casos de particulares afetam-nos sempre mais, como é natural. Ver pessoas com crianças ao colo, a entregar as suas chaves de casa, para mim foi penoso. Custa muito… e, coincidentemente (ou não), foi precisamente neste cenário de crise que a Decisões e Soluções, além da consultoria no crédito e mediação de seguros, entrou também na vertente do imobiliário. Repito, porque é uma empresa de pessoas para pessoas, a DS deu mais um passo em frente para tentar ajudar realmente as pessoas, pela via que já se fazia com o crédito, reestruturando - e agora também pela venda do imóvel. É através dessa globalidade que se instalou o conceito da 360º, pois abrange todas as esferas de atuação que nós precisamos e que os nossos clientes precisam”.
Carlos Rascão Gerente
SETOR IMOBILIÁRIO: A PAIXÃO VENCE A GANÂNCIA Com a região do Algarve cada vez mais a competir com os grandes centros urbanos do país, como Porto e Lisboa, no que toca ao arrendamento e investimento de imóveis, os últimos anos têm demonstrado um crescimento exponencial das agências espalhadas pelo sul do país. Sandra Santos, diretora comercial e responsável pelo setor imobiliário da Decisões e Soluções, começa por explicar que as maiores diferenças que se podem encontrar no setor detetam-se logo no ponto de partida: “Sabemos que neste mercado muitos são os que trabalham olhando unicamente para o valor que poderão ganhar. Sobre a área imobiliária eu tenho um ponto de vista diferente e muito próprio. Para mim é uma paixão, sinto orgulho quando vejo a recompensa de ter ajudado alguém. Claro que o fator remuneratório tem o seu peso, mas, honestamente, a recompensa de podermos ajudar alguém dá-nos muito mais prazer do que qualquer verba que possa daí advir”, reitera Sandra Santos, que não hesita nos valores que tenta transmitir ao resto da sua equipa: “Ser ambicioso é uma coisa, ser ganancioso é outra. Não queremos trabalhar com ninguém que seja ganancioso, porque alguém que o é não pensa em como ajudar os outros, mas sim unicamente no lucro que vai obter. Nesta casa vemos a área imobiliária como um modo de poder ajudar os outros e é muito por causa desse espírito que temos conseguido os resultados obtidos até hoje”, ressalva. decisoesesolucoes.com/agencias/albufeira
leia o artigo na integra em www.valormagazine.pt
21
C
M
Y
M
Y
Y
MY
K
Mulheres de Valor
«TRABALHAR SEM PAIXÃO PRODUZ RESULTADOS MEDIANOS"
Sandra Resende Diretora Geral da IVECO Portugal
Sandra Resende é a diretora geral da IVECO Portugal. Enquanto líder de uma empresa multinacional, que construiu a sua história na área dos veículos comerciais ligeiros e pesados, um setor comummente dominado por homens, Sandra Resende diz nunca ter sentido qualquer discriminação por ser mulher. Fomos conhecer a líder e a mulher que desde abril de 2019 conduz o destino da IVECO Portugal.
natural, como resultado do meu trabalho e envolvimento nas diversas áreas e atividades da empresa. Não posso afirmar que tenha sido um objetivo pré-estabelecido. Mais do que alcançar um cargo de liderança, o que sempre me motivou foram os desafios e a aprendizagem inerentes aos projetos que abracei.
N
o âmbito da sua evolução profissional, teve sempre como objetivo último alcançar um cargo de liderança?
Iniciei a minha atividade profissional como controller numa empresa do Grupo Entreposto e posteriormente na DHL Portugal. Todos os projetos seguintes passaram sempre por funções de direção financeira, em empresas como a MercedesBenz Comercial e a Candy Hoover Portugal. Em setembro de 2010, assumi o cargo de CFO da IVECO Portugal, até à minha nomeação como CEO, em abril de 2019. A minha passagem a diretora geral da IVECO Portugal foi algo que ocorreu de forma
23
Mulheres de Valor
Que características existem na liderança feminina que a tornam eficaz? Não partilho da opinião de existirem características distintas na liderança feminina. A eficácia de um líder não está relacionada com o seu género, mas sim com as suas características e soft skills, com o seu conhecimento do negócio e com a sua capacidade de motivar e gerir os recursos humanos da empresa. Que balanço já é possível fazer sobre o antes e o depois de ter assumido a direção geral da IVECO? Os antigos diretores da IVECO Portugal foram sempre pessoas ligadas à área comercial e de engenharia, enquanto o meu background é financeiro e de gestão, o que permite ter uma visão mais ampla do negócio, que não passe apenas pela venda dos nossos produtos e serviços, mas de todas as áreas que compõem a atividade da IVECO Portugal. Desde a minha nomeação que tem havido um enorme enfoque no sentido de envolver todas as áreas na tomada de decisão. Acredito fortemente que o segredo do sucesso está numa equipa coesa, que trabalha tendo em vista um objetivo comum. O maior balanço que é possível fazer sobre o antes e o depois da minha direção prende-se exatamente com a equipa da IVECO Portugal. Essa foi a minha primeira prioridade. Garantir que temos as pessoas certas, nos locais certos, uma equipa motivada, unida e que partilha dos valores e da estratégia da empresa. Alguma vez sentiu o seu percurso dificultado por ser mulher? Honestamente não. Sei que, infelizmente, essa ainda é uma realidade em muitas áreas e empresas, mas sempre tive a sorte de trabalhar em organizações que me avaliaram pela minha performance e não pelo meu género. Como concilia todas as suas vertentes pessoais, enquanto mãe, mulher, esposa e CEO de uma empresa multinacional num setor tradicionalmente dominado por homens? Nem sempre é fácil, mas tenho um enorme apoio familiar, o que me permite conciliar ambas as vertentes pessoal e profissional. Sem este apoio seria extremamente difícil assumir a liderança da IVECO Portugal, pois tal implica disponibilidade para viajar e estar mais ausente da família em alguns momentos.
24
Que conselhos daria a alguém que está a iniciar a sua carreira profissional e ambiciona construir um percurso sólido? Só é possível construir uma carreira profissional sólida com muito trabalho e dedicação. Praticamente tudo depende de nós, do modo como encaramos e vivemos os desafios, da nossa resiliência, capacidade de aprendizagem e da forma como trabalhamos em equipa. Acima de tudo, devemos agir sempre em consonância com os nossos valores, pelo que devemos escolher empresas e projetos com os quais nos identificamos. Trabalhar sem paixão pelo que se faz, sem nos identificarmos com a cultura e missão da empresa, leva sempre a resultados medianos. A IVECO Quais são os maiores desafios que se colocam diariamente a quem está à frente de uma marca com tantos anos de história? O mercado de veículos comerciais ligeiros e pesados é extremamente competitivo e sofreu mudanças significativas nos últimos anos. As empresas que operam neste setor, mais do que adquirir um produto, procuram a oferta de um serviço integrado. Para se estar presente neste mercado há que investir continuamente nos nossos veículos, adaptando-os às necessidades dos clientes, nomeadamente no que diz respeito ao conforto e segurança do condutor, fiabilidade e redução de consumos, bem como em tecnologias de conectividade, que permitam uma manutenção preditiva dos veículos e um acompanhamento online das performances e trajetos dos mesmos. Os nossos clientes procuram um parceiro que os ajude a maximizar o rendimento do seu investimento. A IVECO tem perfeita noção desta realidade e das exigências do mercado, trabalhamos diariamente no
Mulheres de Valor
sentido de oferecer aos nossos clientes um produto de qualidade associado a um bom serviço de após-venda. Atualmente, fala-se muito sobre Employer Branding e a capacidade das organizações para recrutar e fixar colaboradores que são mais-valias para a empresa. Enquanto líder, o que lhe parece essencial para motivar alguém? Os recursos humanos de uma empresa são o principal fator de sucesso e diferenciação de uma organização. A sua retenção e motivação são fulcrais em qualquer organização e a IVECO não é exceção. Enquanto líder, acredito que a inclusão é essencial para a motivação de um colaborador. Sentir que faz parte da tomada de decisão, da estratégia da empresa. Sentir que faz parte de uma equipa e rever-se no objetivo e liderança da empresa. Um bom líder lidera pelo exemplo. Que características têm de ter os líderes desta nova década e quais os desafios que se lhes vão colocar? A sociedade atual é extremamente dinâmica, em constante mudança. Os mercados e a economia seguem essa tendência. Exigem mudanças de paradigmas constantes, um nível de exigência cada vez maior. As novas tecnologias, a digitalização e conectividade permitem um acesso a informação, produtos e serviços numa escala global. Um líder, nesta nova década, tem de ser capaz de se adaptar à nova realidade do mercado, de acompanhar as exigências do mesmo, de antever as necessidades dos nossos clientes. É imperativa a capacidade de adaptação e resiliência de um líder, ser capaz de marcar a diferença perante os seus clientes e parceiros de negócio. A nível da organização, num mercado de trabalho cada vez mais global, os desafios passam por serem capazes de inspirar os seus colaboradores, de os motivar e reter. Para isso, um líder tem de conhecer os seus colaboradores, ser um team player, ter bem definida a estratégia da empresa e ser capaz de a passar para os seus recursos. Acima de tudo, liderar pelo exemplo. As características pessoais e profissionais acabam por se entrelaçar, no âmbito de uma boa liderança? Na minha opinião sim. O respeito é essencial numa boa liderança e este só se consegue se os colaboradores virem competência e integridade no líder. Não chega apenas um líder ter um bom conhecimento do mercado, ser eficiente no que faz
profissionalmente, tem também de passar uma imagem de integridade à sua equipa. Esta imagem só se consegue se a atuação de um líder, as suas práticas e ações forem coerentes e consistentes com o seu discurso e com o que pede da sua equipa. Como vê o futuro da IVECO e os desafios que assolam este mercado? Positivo. A IVECO é uma empresa com muita experiência e tradição no setor dos veículos comerciais. Atualmente, o mercado tem bastantes desafios: os que já referi anteriormente; um mercado cada vez mais saturado de veículos comerciais, novos e usados e exigências cada vez maiores no âmbito da regulamentação ambiental. A IVECO tem sido pioneira em muita da tecnologia utilizada atualmente no setor, como por exemplo os veículos comerciais pesados movidos a gás natural, com autonomias até 1600 km. Esta tradição irá manterse. A par do forte investimento efetuado na conectividade dos nossos veículos, a aposta da IVECO em energias alternativas, sustentáveis do ponto de vista ecológico e económico, mantém-se, quer no gás natural, onde somos pioneiros e líderes de mercado a nível europeu, como no hidrogénio e eletricidade, do qual é exemplo o acordo de colaboração recentemente assinado com a NIKOLA. A IVECO irá continuar a ser uma empresa de referência. www.www.iveco.com/portugal
25
Mulheres de Valor
UMA CARREIRA feita de oportunidades Sofia Ferreira Country Manager Portugal
Sofia Ferreira está na Mundipharma desde a sua entrada no mercado português, em Dezembro de 2015, e há um ano que é a Country Manager da empresa em Portugal. A gestora, que é uma das mais jovens da organização a nível mundial, conta com uma carreira de quase 20 anos na indústria farmacêutica e é um dos rostos que comprova que as mulheres também foram feitas para os cargos de liderança.
Q
uase a completar 20 anos de carreira na indústria farmacêutica, Sofia Ferreira é, há um ano, a responsável pela Mundipharma em território nacional. "A minha vinda para a Mundipharma surgiu de uma forma muito casual. Estava numa outra empresa, e nem nunca tinha ouvido falar sobre a Mundipharma, quando entrei para este projeto no final de 2015. Fiz parte da equipa inicial que ajudou a construir uma filial da companhia em Portugal. A criação deste projecto surgiu com apenas quatro pessoas e o diretor geral, que veio de outras funções da filial Espanhola e, desde então, a equipa tem vindo a evoluir", conta Sofia Ferreira sobre a evolução de uma pequena start-up para uma marca de excelência, reconhecida tanto pelos seus pares como pelos colaboradores: "A minha principal preocupação, no que respeita aos colaboradores, é fazer com que se sintam bem e felizes”. Estes veem-se como parte de uma família e este espírito é transmitido tanto pelo aspeto informal e descontraído da sede, como pelos encontros dinamizados e que ajudam a que todos se empenhem no que fazem. Construir uma carreira é aproveitar oportunidades Esforçada e bastante dedicada a tudo o que faz, Sofia Ferreira resume a sua entrada e ascensão na empresa como um feliz aproveitar de oportunidades: "Fui aproveitando as oportunidades que me foram
26
dadas. Dá muito trabalho e, por vezes, pode trazer algum desalento, mas a verdade é que aprendi muito ao longo destes anos e o processo de aprendizagem continua", conta a country manager, que afirma que foi com grande prazer que viu o seu trabalho ser reconhecido. Mãe de dois filhos e com um cargo de particular complexidade, Sofia Ferreira defende que as mulheres não devem descurar a vida profissional por causa da pessoal e que é perfeitamente possível equilibrar estas duas vertentes. Creio que, hoje em dia, as oportunidades são dadas da mesma forma, independentemente do género", defende a gestora, embora admita que ainda há muito para fazer. Para a profissional, o género em nada influencia as capacidades de liderança de um bom profissional e é desta forma que tem conduzido os destinos da Mundipharma: "Os valores são os mesmos e o estilo de liderança manteve-se muito semelhante àquele que já existia e que existe em outros países. Temos um estilo agregador em que as pessoas são tidas em consideração em praticamente todas as decisões. Na equipa de direção, sou uma das pessoas mais novas mas a verdade é que fui muito bem aceite por todos. A empresa cresceu e conseguimos atingir os nossos objetivos, sem nunca descurar as pessoas". Quando questionada sobre que conselhos daria a quem inicia agora uma carreira profissional e pretende alcançar um caminho sólido, Sofia Ferreira destaca duas características a ter em conta – não ficar a espera e procurar sempre novas
Mulheres de Valor
novas oportunidades: “Lutem pelas oportunidades que surgirem. Se ambicionam algo, em alguma área, procurem e façam-no saber, sem medo”. Antes de ser country manager da Mundipharma, Sofia Ferreira participou num projeto internacional de desenvolvimento de líderes, que lhe proporcionou desenvolver não só competências, mas também privar com outros lideres da companhia. Em 2019 foi novamente nomeada para outro programa de desenvolvimento onde teve oportunidade de participar em projetos estratégicos para toda a companhia a nível europeu. Num ano em que estava a começar a sua nova função, foi muito exigente, no entanto porque acredita que não se devem desperdiçar oportunidades agarrou mais este desafio. “A base do nosso sucesso são as pessoas” A atual diretora-geral da Mundipharma em Portugal destaca-se pelo largo conhecimento que tem sobre as variadas áreas que compõem a empresa e pela forma como trata as pessoas, independentemente de serem parceiros de negócios ou colaboradores, que têm total autonomia para questionar e apresentar propostas. “A base do nosso sucesso são as pessoas” - esta frase pode ser lida numa das salas de reunião da sede da empresa, que se situa no Lagoas Park, em Oeiras. Nos últimos três anos a Mundipharma tem sido distinguida como uma das melhores empresas para se trabalhar em Portugal. O crescimento da Mundipharma, que atualmente tem um portfólio de produtos na área da diabetes, respiratória, dor e adiçao, tem sido acompanhado de perto pela gestora, que se mostra feliz e orgulhosa por tudo o que a empresa tem estado a alcançar, sem esquecer aquele que é o ADN diferenciador da companhia: "A Mundipharma vai continuar o seu processo de transformação a nível mundial. Vamos continuar a apostar nas pessoas, ao mesmo tempo que vamos entrar em novas áreas. No ano passado lançámos o primeiro biossimilar. A área da diabetes também vai ser muito importante nos próximos anos. Vamos entrar na área dos antifúngicos, na área oncológica. Nos próximos anos vamos continuar a crescer, lançando novos produtos", conclui.
www.mundipharma.pt
27
Mulheres de Valor
O ENSINO L É UMA MISSÃO Idília Ramos fundou o Colégio S. Gonçalo há 10 anos na Luz - Lagos e, em 2019, venceu o Best Team Leader Award. Mulher resiliente, de ideais bem marcados e com uma paixão inesgotável pelo ensino e pelas crianças, lidera uma equipa de 34 pessoas que procura, diariamente, superar-se para garantir que cada dia seja único e cheio de aprendizagens para todos os alunos.
28
iderar uma equipa exige competências únicas e este prémio é a prova disso. O que representa este prémio para si? Este prémio foi, de alguma maneira, um reconhecimento que a minha equipa me deu. Cada uma das 34 pessoas que faz parte da minha equipa respondeu a um questionário da Best Team Leaders e foi com base nos resultados das suas respostas que o prémio me foi atribuído. Por esse motivo, esta vitória é um reconhecimento daquilo que faço todos os dias com eles e para eles e, sobretudo, para que tenhamos um ambiente de equipa que nos satisfaça a todos. Sou apenas a representante da equipa e o prémio é de todos.
É uma dualidade conjugar a necessidade de gestão do colégio enquanto empresa e as perspetivas de desenvolvimento das crianças… O desenvolvimento dos nossos alunos está sempre em primeiro lugar, mas como é óbvio temos de garantir que a organização funciona e ter a capacidade de cumprir com as nossas responsabilidades. No colégio, temos disponível Berçário, Creche, Pré-escolar e 1º Ciclo, o que faz com que os nossos alunos mais velhos tenham 10 anos. Até essa idade, as crianças estão a construir a sua personalidade e, por isso, absorvem e apreendem
Mulheres de Valor
tudo o que veem e sobretudo o que fazem. Por esse motivo, a nossa metodologia de aprendizagem baseia-se essencialmente na ação. Nós temos metodologias práticas de ensino, que os coloca perante quizzes, jogos, trabalhos de grupo, peddy papers, educação artística, atividades manipulativas e de vida prática como a culinária, para que possam aprender os conceitos de interpretação, medidas, assim como outros conteúdos necessários e que integram o programa nacional de ensino. Acredito que a educação tem de ser muito divertida, pois tudo o que se aprende a fazer e a brincar perdura na nossa memória. A minha equipa está sempre atenta a esta forma de ensino e todos os dias todos trabalhamos para dar o melhor às nossas crianças. É preciso sentir o ensino como uma missão, ter uma verdadeira paixão pela área, para chegar ao final do dia realizado, pois trabalhar com crianças é de uma grande exigência. Com 10 anos de vida e sempre em constante evolução, como avalia aquilo que conseguiu alcançar com este colégio? Quando o fundei, fi-lo para que os meus conterrâneos pudessem ter acesso a uma educação cujo conceito normalmente só está disponível nas grandes cidades. Quando começámos, tínhamos 14 alunos, atualmente já são mais de 220 crianças, distribuídas em mais de 11
nacionalidades, num ambiente muito giro e multicultural. Tudo começou como um sonho, o qual ainda não está terminado, nem nunca estará. Estou sempre em busca de novas metodologias e ferramentas, pelo mundo inteiro, para dotar os nossos alunos de competências transversais que possam verdadeiramente fazer a diferença no seu futuro, a nível pessoal e independentemente da profissão que venham a escolher. Neste momento, os alunos praticam diariamente meditação – 2 a 5 minutos por dia, têm uma forte carga horária de inglês desde os 3 anos, o que garante a aprendizagem de uma língua estrangeira desde tenra idade; por outro lado têm, desde os 6 anos, um treino para falar em público, apresentar e defender as suas ideias, com metodologias testadas e comprovadas a nível mundial. A minha aposta este ano está concentrada, essencialmente, em trazer ferramentas ao nível da Inteligência Emocional e Social, quer para a equipa de trabalho, quer para as crianças e, por conseguinte, para as suas famílias. No fundo, trabalho para que todos nós possamos ser melhores amanhã do que fomos ontem e possamos dar um pouco mais de nós ao outro. Tentar melhorar a cada dia é a nossa forma de crescermos um bocadinho todos os dias, nós e as crianças. Esse é o desafio, a nossa missão. leia o artigo na integra em www.valormagazine.pt
www.csgoncalo.pt Foto: Vitor Pina
29
Mulheres de Valor
«JÁ BEBEU O SUMO DA SUA EMPRESA?"
“Tenho Power BI, e agora?” foi o nome escolhido para a primeira sessão de formação da Visual Thinking. O evento, que se realizou a 16 de janeiro, no Inovagaia, em S. Félix da Marinha, contou com a participação de 19 pessoas.
“
Pela experiência de 30 anos que tenho na área da formação inter-empresa, parece-me que conseguimos um recorde”, revela Miguel Caldas, no intervalo da sessão. Miguel Caldas é sócio da Visual Thinking e formador deste evento que, durante sete horas, deu “ferramentas às pessoas que querem iniciar-se em Power BI”. Ligação e tratamento de dados, criação de relatórios, publicação, visualização e partilha foram apenas alguns dos conceitos abordados ao longo do dia. Na assistência, estava também Estela Bastos, CEO da Visual Thinking. A empresária conheceu Miguel Caldas há cerca de 20 anos e, em 2018, embarcaram juntos nesta aventura: “Esta empresa foi criada para dar aos nossos clientes o sumo da sua organização”, revela Estela Bastos. Neste sentido, o início do evento ficou marcado pela apresentação do vídeo que espelha o slogan da Visual Thinking: “já alguma vez bebeu o sumo da sua empresa?”. Com cerca de um ano e meio de existência, a Visual Thinking nasce, assim, com o objetivo de apoiar outras empresas a ter
30
acesso fácil e ágil aos seus dados de apoio à tomada de decisão: "Pretendemos mudar a forma de visualização de dados, através de business intelligence e data visualization, com o foco na elaboração de reporting e dashboards que permitam o acesso fácil e visualmente intuitivo à informação relevante", afirma Estela Bastos, acrescentando que “por outro lado, também desenvolvemos pequenas ferramentas de alto impacto na produtividade das organizações, através da automatização de tarefas por aplicações colaborativas e de produtividade, que permitem que os colaboradores possam focar-se em atividades de valor acrescentado”. A CEO da Visual Thinking afirma ainda que a empresa “está preparada e,continuamente, a preparar-se” para os desafios que a próxima década trará aos “data thinkers”: “Todos os dias tentamos ajustar os nossos processos e as nossas equipas”, revela, confiante num futuro promissor para a sua entidade. "O crescimento está a bater-nos à porta, o que nos poderá mover, a curto prazo, para uma abertura do nosso capital".
Mulheres de Valor
Sensibilidade e equilíbrio na liderança empresarial
Estela Bastos
Estela Bastos é CEO da Visual Thinking e mãe de três filhos. Conciliar a vertente profissional com a vida pessoal nem sempre foi fácil, mas as metas atingidas premeiam a sua determinação..
CEO
A nível profissional, como foi o seu percurso até chegar a CEO da Visual Thinking? Licenciei-me em 1999 e, na altura, entrei numa pequena empresa que entretanto cresceu e tornou-se uma referência nacional no mercado da automação e robótica, onde, até hoje, ainda exerço o cargo de diretora financeira. No entanto, o “bichinho” de ter um projeto próprio existiu desde muito cedo. A Visual Thinking surge em 2018, com o objetivo de criar um projeto diferente, onde pudesse exercer mais do que a função apenas financeira, mas também de direção de um projeto que é mesmo meu. Ao longo deste percurso, alguma vez sentiu que as dificuldades eram maiores por ser mulher? Sem dúvida que senti, principalmente nos momentos em que fui mãe. E, como mãe de três filhos, foram três momentos em que senti a dúvida e a confusão mental e emocional por querer assumir a maternidade com foco. As mulheres que assumem o papel de mãe têm uma dificuldade acrescida em relação ao homem, porque a sociedade ainda está muito focada na ideia de que a mãe é que é a cuidadora da criança. Existem características na liderança feminina que a tornam mais eficaz? Sem sombra de dúvida. Eu acho que nós temos uma sensibilidade que, hoje em dia, é um fator preponderante na liderança de qualquer organização. Uma das dificuldades dos dias de hoje é a retenção de talentos e as mulheres conseguem perceber o que move
individualmente o colaborador e, de alguma forma, conseguem criar condições na organização que vão ao encontro dos objetivos individuais dos colaboradores. Outra característica tem a ver com a conciliação, i.e., em caso de ideias contrárias, a mulher consegue mais facilmente trazer o consenso. A mulher pensa com a razão mas também com o coração e isso faz com que as decisões possam ser um bocadinho mais equilibradas. Que balanço já é possível fazer da sua posição neste cargo? Apesar de ainda não estar na Visual Thinking a tempo inteiro, é um projeto que me move. A área de atuação é uma área em expansão, e criar um projeto de raíz trouxe um novo ímpeto à minha agenda profissional. O balanço é positivo e a organização já transparece alguns pontos que reconheço pessoalmente, nomeadamente a cultura e os valores que incuto em toda a equipa. Que desafios trará a próxima década para os “data thinkers”? Os “data thinkers” têm de ser cada vez mais os que vão “pôr o dedo na ferida” quando colocam as questões aos decisores. Terão que colocar as questões corretas para que, depois, os dados que se vão procurar e transformar em informação relevante sejam os que o decisor necessita. Desafios associados: a segurança dos dados, principalmente quando tratamos de dados pessoais e sensíveis. Será uma década muito interessante, com a cloud a crescer, o 5G já aí à porta, a computação quântica a desenvolver-se a olhos vistos, com ferramentas muito interessantes e economicamente apetecíveis para tornar as nossas organizações ágeis. www.visual-thinking.pt
31
Mulheres de Valor
LIDERANÇA FEMININA: intuição, empa a e relacionamento interpessoal A Norauto está em Portugal há 24 anos e, desde 2005, tem como diretora de Recursos Humanos Fernanda Correia. Foi com ela que conversámos, para perceber como é liderar um departamento numa empresa maioritariamente masculina.
Fernanda Correia Diretora de Recursos Humanos
C
omo contaria a sua história profissional?
Iniciei a minha carreira profissional na Sonae Distribuição e aí despertei o desejo pela área de Recursos Humanos. Em 2005 acedi ao desafio da Norauto para lançar o departamento de Recursos Humanos num contexto multinacional e em expansão. Que características possui a liderança feminina que a tornam eficaz? Independentemente do género todas as pessoas possuem características e competências que as tornam eficazes. Talvez a liderança feminina possua intuição, empatia e capacidade de relacionamento interpessoal e estes sejam fatores diferenciadores. Alguma vez sentiu o percurso dificultado por ser mulher? Ao integrar a Norauto percebi o que é estar rodeada de um universo 80% masculino e até há um ano era a única mulher a integrar o Comité de Direção. Mas o respeito é um valor muito sólido e nunca senti qualquer tipo de discriminação. Que conselhos daria a alguém que está a iniciar a sua carreira? Agir sempre com ética, perceber se existe um match com os valores da empresa, conhecer não apenas a sua missão, mas o negócio em geral e ter capacidade para lidar com diferentes pessoas e contextos, com soluções criativas. Como se caracteriza a Norauto em Portugal? Em Portugal desde 1996, a Norauto tem 600 colaboradores, 28 centros auto, os quais uma Norauto Shop e duas Oficinas Móveis, combinando lojas livre-serviço com oficinas multimarca e apostando cada vez mais
em soluções de mobilidade. Destaca-se pela cultura colaborativa, assente na responsabilidade e autonomia das equipas, com 83% de colaboradores efetivos, 100% com seguro de vida e saúde, alargado ao agregado familiar, prémios de férias, cooptação ou nascimento, uma gestão de proximidade, potenciadora do desenvolvimento do capital humano que permitiu ter 80% de managers fruto de progressão interna. A Norauto tem a sua estratégia de Employer Branding bem definida? Na atual conjuntura económico-social, marcada pelo crescimento e forte concorrência, incorporar talento é fundamental. Difundimos as nossas boas práticas há vários anos através de relações institucionais em universidades, politécnicos e escolas profissionais, o que nos permitiu alargar a nossa notoriedade e incorporar competências cruciais para o negócio. Fomentamos estágios, os quais têm uma taxa de retenção de 80% e os nossos embaixadores internos são o testemunho da nossa cultura colaborativa, de bem-estar e progressão interna. A tipologia da atividade oficinal implica recrutar hardskills, face à evolução e especificidade do setor, porém, a nossa estratégia Employee e Client Centric exige a cada um capacidade de relacionamento interpessoal muito forte, pelo que as softskills como a empatia e a capacidade de trabalhar em equipa são das algumas competências mais valorizadas. Quais os desafios que se avizinham para a área do Recrutamento? Num mercado altamente dinâmico, o principal desafio é o processo de transformação cultural e digital transversal a toda a empresa, numa ótica de Employee e Client Centric e de maior eficácia, um forte desenvolvimento do B2B e B2C e da área da Mobilidade, para além de uma forte aposta no leadership e nas novas competências requeridas no mercado. www.norauto.pt
32
Mediação Imobiliária
IMÓVEIS ENQUANTO SOLUÇÃO DE INVESTIMENTO Catarina Silva é diretora comercial da agência Decisões & Soluções de Torres Novas. Com 14 anos de experiência no mercado imobiliário, Catarina Silva considera que os preços dos imóveis continuarão a subir, enquanto o equilíbrio entre a oferta e a procura não acontecer.
D
e acordo com a sua experiência, o mercado imobiliário está diferente?
Quando iniciei a minha atividade na área imobiliária, em 2006, tínhamos um mercado a funcionar em alta, provavelmente com um desequilíbrio entre a oferta e a procura, em que a oferta disponível superava a procura existente, facto que também terá contribuído para a conjuntura que se seguiu, com um mercado caótico, sem financiamento por parte da banca e com muitos proprietários a não conseguirem cumprir os serviços de dívida assumidos com a banca. Esta conjuntura veio trazer uma nova realidade para o mercado, com a banca a acionar as garantias hipotecárias ou a aceitar como pagamento os imóveis que tinham sido objeto de financiamento. Por outro lado, com a banca a financiar só a aquisição dos seus próprios imóveis, o parque imobiliário sofreu uma depreciação no seu valor (média de 20%), sem que, ao contrário do que se verificou noutros países europeus, tenha ocorrido uma real “bolha imobiliária”. Este período (2011/2016), coincidente com uma conjuntura internacional também desfavorável, foi também o momento da intervenção da Troika em Portugal. A partir de 2017, começaram a existir sinais de retoma do mercado, muito por força da reabertura da “torneira” do crédito bancário, sobretudo de crédito à habitação, com os bancos a pretenderem “encher” de novo as suas carteiras. Este processo tem sido evolutivo, a todos os níveis. Sentindo essa avidez dos bancos e recordando os tempos recentes, o regulador, Banco de Portugal, teve necessidade de intervir, criando um conjunto de medidas macroprudenciais, com o objetivo de que a história recente não se repetisse. Neste momento, existe um claro desequilíbrio entre a oferta (escassa) e a procura (excessiva), com a formação dos preços em contínua ascensão e a avaliação bancária dos imóveis a acompanhar essa curva evolutiva e ascensional. As previsões para 2020 apontam para uma ligeira desaceleração no crescimento dos preços, ainda que seja estimado um crescimento médio de 4,5% no preço dos imóveis. Em síntese, temos hoje um mercado completamente diferente, na medida em que o desequilíbrio entre a oferta e a procura se inverteu, conforme acima referido.
Catarina Silva Diretora Comercial
Esta dinâmica existente nos valores praticados atualmente é sustentável para os próximos anos? Enquanto não existir produto novo no mercado que satisfaça a procura existente e mantendo-se a “torneira” do crédito bancário aberta, em minha opinião, os preços continuarão a subir. No longo prazo é sempre esperada uma valorização dos ativos imobiliários. Podemos ainda apontar para o facto de, cada vez, mais existirem investidores em busca de investimentos imobiliários, retirando os seus ativos financeiros da banca tradicional, onde a rentabilidade dos mesmos é nula. Especificamente em Torres Novas, que análise faz do mercado? É um mercado em crescendo nos últimos anos, onde neste momento existe uma grande procura a nível de imóveis novos para aquisição, assim como para o mercado de arrendamento. Enquanto agência D&S, que soluções disponibiliza aos clientes? Temos os serviços de Intermediação de Crédito, Mediação Imobiliária, Construção de Imóveis, Obras e Mediação de Seguros. Como antecipa a nova década? Com novos desafios em todas as áreas, com o surgimento de novos stakeholders, com evolução tecnológica permanente a todos os níveis, com a permanente necessidade de adaptação e evolução, com novas oportunidades em todas as áreas, tudo isto com uma cada vez maior velocidade e um maior grau de exigência para todos os profissionais que operam nestas áreas.
Rua Capitão Salgueiro Maia, Lote 7 R/C Esq 2350-811 Torres Novas ct.silva@decisoesesolucoes.com
+351 924 134 436
decisoesesolucoes.com/agencias/torresnovas
Mediação Imobiliária
Tiago Barros Fernandes Broker
Tiago Barros Fernandes conheceu a área imobiliária há cerca de 13 anos e, desde então, confessa que não mais quis sair do setor. Atualmente, é o broker da Remax Barcovez, cujo principal mercado se centra em Arcos de Valdevez e Ponte da Barca. Numa área onde a Natureza é rainha, Tiago Barros Fernandes (TBF) vê ainda um grande potencial de crescimento, mas alerta para a necessidade de uma alteração legislativa no que respeita ao mercado de arrendamento.
A
Barcovez nasceu em 2006. De então para cá, que mudanças sofreu o mercado imobiliário?
e Ponte da Barca têm precisamente a maior área do Parque Nacional Peneda-Gerês.
T.B.F.: Há 10 anos, a mediação imobiliária não era igual à que existe atualmente. Hoje temos de estar constantemente a evoluir, em busca de formação e novas soluções para oferecer aos clientes.
O parque industrial também aumentou, o que permitiu que mais pessoas se instalassem na região, criando também maior dinamismo no que respeita às atividades culturais e à necessidade de construção de novos edifícios de habitação.
Além disso, o mercado do Alto Minho, nomeadamente Arcos de Valdevez e Ponte da Barca também mudou. Se antes falávamos de um mercado fechado, desconhecido dos estrangeiros e investidores, atualmente o mercado é aberto, dinâmico e o facto de algumas iniciativas culturais terem trazido notoriedade a Arcos de Valdevez permitiu que se começasse a olhar para este mercado imobiliário de uma forma diferente. Foi valorizado. A somar a todas estas questões está ainda o facto de cada vez mais, as pessoas procurarem a qualidade de vida inerente ao facto de viver em comunhão com a Natureza e Arcos de Valdevez
34
Mediação Imobiliária
Como se analisa a dinâmica entre a procura e a oferta? Existe uma necessidade subjacente ao arrendamento – logo após sair de casa dos pais, uma mudança de local de trabalho – e, atualmente, existe já quem não queira ter casa própria. Eu acredito que só se melhoram as condições de arrendamento em Portugal quando tivermos uma lei de arrendamento clara e acessível a todos, pois neste momento os proprietários estão praticamente desprotegidos, em detrimento dos inquilinos, o que faz com que muitas pessoas não queiram colocar os imóveis que têm disponíveis no mercado, pois consideram que, avaliando o risco, o arrendamento não é atrativo nem compensatório. Existem casas suficientes no mercado, mas os proprietários não as arrendam com receio do que possa acontecer à propriedade. Assim, aqueles que optam por arrendar os imóveis, tentam nesta fase rentabilizar da melhor forma os seus ativos, sendo que a escassa oferta de imóveis no mercado de arrendamento, leva a uma oferta com um valor de renda mais elevado. O ideal seria conseguir alterar esta lei, para proteger um pouco mais os proprietários. Noutros países, já existem seguros de renda, por exemplo, o que permite que uma seguradora haja como fiadora do inquilino. Além disso, todos os registos financeiros e de segurança social do inquilino têm de ser validados antes da assinatura do contrato de arrendamento.
em Portugal, uma pessoa pode ganhar 1500 euros, apresentar o recibo ao proprietário e este não ter conhecimento de que 750 euros já estão penhorados. Não há uma validação obrigatória da documentação
No que respeita ao mercado da compra, as taxas de juro estão muito baixas, o que pode levar as pessoas a querem comprar casa, em vez de arrendar. Porém, o Banco de Portugal quis garantir que a crise que vivemos há poucos anos não se repetiria e assegurou que as pessoas teriam, no mínimo, 10% de entrada para conseguir adquirir uma habitação. É ótimo se as pessoas perceberem que, quanto mais dinheiro juntarem, melhor será o seu spread, bem como a prestação mensal e ainda ficam com uma margem de negociação alargada, caso surja algum problema inesperado.
A Barcovez é Intermediária de Crédito desde julho deste ano. Para além deste, que outros serviços disponibilizam? O nosso objetivo é estar sempre presente no processo do cliente, seja ele comprador ou proprietário. Ajudamos, nomeadamente na análise documental, se houver alguma situação processual que esteja em falta ou que precise de correção, o nosso departamento jurídico e processual pode acompanhar na resolução da situação. No que respeita ao serviço de intermediação de crédito, estamos credenciados pelo Banco de Portugal desde julho deste ano. Isso permite-nos apresentar aos clientes várias propostas com o objetivo de os ajudar a desenvolver e a escolher a melhor proposta de crédito, a que mais se ajusta ao seu caso. A mais-valia da intermediação de crédito prende-se com o facto de simplificarmos a linguagem técnica e bancária, o que faz os clientes ficarem mais à vontade para questionar e entender efetivamente o contrato que se propõe. Dispomos também de análises de seguros e de soluções no ramo da energia e das telecomunicações. Queremos garantir que o cliente consegue ter todos os serviços num só lugar, personalizados de acordo com as suas necessidades. Como antecipa a nova década que se avizinha? Acredito que não vamos voltar a passar por uma crise como aquela que atravessámos, mas também antecipo que teremos alguma estabilidade, porque há mercados que já atingiram uma dinâmica tão elevada que não será sustentável por muito mais tempo. Todavia, não é o caso de Arcos de Valdevez, já que o único preço por metro quadrado que aumentou foi o dos apartamentos, pois surgiram construções novas desta tipologia e, também, porque quem vem morar para Arcos opta por ficar a viver. Neste mercado ainda com características rurais, além dos apartamentos, também se transacionam terrenos e casas rústicas, bem como moradias. No que respeita ao país, Portugal ainda é considerado um país muito barato para comprar casa, por isso iremos continuar a ter um forte investimento estrangeiro. No que concerne à Barcovez, em 2018 crescemos cerca de 60 por cento e em 2019 o crescimento rondou os 25 por cento. Continuamos a aumentar a nossa equipa – já somos 25 – e queremos dinamizar uma estrutura no que respeita à intermediação de crédito e serviços associados. Poderemos ter de estudar o nosso plano de expansão, mas ainda temos muito para crescer em Arcos de Valdevez e Ponte da Barca.
http://barcovez.com
35
Portugal Tecnológico
A comunidade dos testadores da Clariter A Clariter define-se como uma empresa B2B, que desenha soluções para que os seus clientes alcancem a excelência no desempenho dos seus canais digitais. Para perceber se um canal digital tem o desempenho esperado pelos seus utilizadores, a Clariter criou a Crowdville, uma comunidade online que testa se portais, aplicações, produtos e serviços, em fase de desenho, criação ou utilização, correspondem ao objetivo das organizações, enquanto se identificam oportunidades de melhoria. Tommaso Lucentini, Community Director e Blanca Dominguez, Community Manager em Portugal, explicaram exatamente como esta comunidade funciona.
O
que é a Crowdville?
A Crowdville é uma comunidade online que nasceu em Itália no ano de 2014. Em 2015 expandiu-se para Inglaterra tendo, durante os quatro anos seguintes, consolidado a sua presença nesses mercados. Em 2018 foi tomada a decisão de alargar a comunidade a Portugal. Durante o ano de 2019 a Crowdville Portugal cresceu fortemente através do lançamento de campanhas e do estabelecimento de parcerias, desempenhando um papel relevante no mercado português. A Crowdville usa a metodologia do crowdsourcing - utilização da contribuição e colaboração de um conjunto alargado de pessoas para realizar uma tarefa pré-determinada. Com a Crowdville, uma comunidade de pessoas testa produtos através da plataforma com o objetivo de acelerar a identificação dos problemas, permitindo uma resolução mais rápida. Atualmente, a comunidade Crowdville conta com mais de 70 mil utilizadores a nível internacional. Como funciona a Crowdville? O acesso à Crowdville é feito através da sua página web, depois do registo inicial ter sido feito, o novo membro (crowder) deverá completar
36
Blanca Dominguez Community Manager Portugal
Portugal Tecnológico
a sua primeira missão. Pretende-se com esta tarefa ajudá-lo a compreender como funciona a Crowdville. Com a conclusão da missão anterior, o novo crowder deverá participar em Descobre a Crowdville, abrindo o acesso a uma série de quatro missões: Crowdbank, Crowdmedia, Crowdshop e Crowdphone. Durante estas quatro missões, o novo crowder irá dar a sua opinião sobre cada um destes setores e terá a possibilidade de ganhar cupões da Amazon com um valor de 90£ no final do mês. Adicionalmente, logo que os crowders tenham o seu perfil completo, podem aceder à nossa rede social interna Otium, onde podem ver as notícias, as publicações de outros utilizadores e interagir com eles. Existe também uma secção onde se encontram todas as missões ativas e as missões já finalizadas em Portugal. Como funcionam as “missões”? As missões são as campanhas que organizamos para a comunidade de crowders. Existem diferentes tipos de missões de acordo com o produto ou o serviço que pretendemos testar: missões que têm a finalidade de encontrar bugs numa app ou site, missões para completar um questionário sobre a experiência de um produto ou serviço, ou missões onde é necessário completar certas ações no exterior para testar um determinado produto ou serviço. As missões têm uma duração estimada de 3 dias mas, dependendo dos resultados a atingir no fim de cada missão, esta pode ser alargada. Cada missão pode ter mais ou menos requisitos, por isso é essencial estar seguro do que é pedido antes de participar. Os requisitos podem ser tão variados como ter um dispositivo específico, ter uma conta criada numa app ou ser cliente fixo de uma empresa. Contudo, durante 2019, o grosso das missões que propusemos aos nossos membros da Crowdville consistiram em encontrar bugs numa app ou site, reportar as falhas e preencher um questionário sobre a sua experiência como utilizador. Apesar das missões se assemelharem a uma diversão para alguns dos crowders, o resultado das tarefas executadas por estes tem um valor significativo para os nossos clientes. Na hora de reportar falhas os crowders têm de preencher um documento com informação sobre os bugs, como foram encontrados, preencher evidências e incluir uma informação pormenorizada sobre o bug. Pela parte da Crowdville, contamos com técnicos cuja função é avaliar todos os bugs que são reportados, decidir se são válidos, sendo assim aprovados ou rejeitados e, finalmente, produzir os relatórios finais para os nossos clientes. O Crowdsourcing é uma boa ferramenta para testar, no dia-a-dia, produtos e serviços? Permite ter uma noção real do comportamento dos produtos? Consideramos ser a ferramenta ideal e é esse o nosso valor acrescentado. Usando esta técnica, damos à comunidade a oportunidade de opinar sobre um produto e ajudar-nos a descobrir,
Tommaso Lucentini Community Director
num curto espaço de tempo, quais são as falhas que nele reconhecem. Graças a esta técnica, podemos obter centenas de bugs em menos de 72h e contribuir para a melhoria de um produto e serviço. Além disso, os crowders sentem que têm uma missão e que são parte de um projeto para melhorar a sociedade! Para os nossos clientes, a utilização desta metodologia permite compreender quais são os problemas que enfrentam os seus utilizadores ao usar o seu produto e qual a experiência que estes percecionam. Com toda esta informação obtida com o nosso apoio, o nosso cliente poderá elaborar soluções eficazes que eliminem as dificuldades encontradas. Qual o perfil das pessoas que participam na Crowdville e qual é o método que utilizam para as selecionar e participar nas missões? O perfil das pessoas é extremamente variado, uma vez que não existem restrições para pertencer a esta comunidade. Tipicamente, temos três grupos de crowders, mas aconselhamos ao leitor a ler o nosso artigo online para saber mais sobre os perfis da comunidade. Essa comunidade já existe em Portugal? Onde a podemos encontrar? Nasceu em janeiro de 2019 e cresceu rapidamente em Portugal, utilizando a plataforma portuguesa e fornecendo várias missões à comunidade, formada por novos utilizadores que se juntaram aos primeiros que colaboravam connosco. Podem encontrar a Crowdville em: www.crowdville.net/pt, registar-se e preencher o seu perfil em poucos minutos! Embora 2019 tenha sido o primeiro ano da Crowdville em Portugal, estamos muito contentes pelo número de utilizadores que temos na plataforma e estamos a trabalhar continuamente para fornecer cada dia missões mais atrativas e que proporcionem uma excelente experiência aos nossos crowders! Esperamos que o nosso leitor se torne num novo membro da comunidade! www.claritergroup.com www.crowdville.net/pt 37
Ação e Responsabilidade Social
Crescer em Família Tendo em consideração a elevada taxa de envelhecimento do concelho de Chamusca e a importância de encontrar novos modelos que contribuam para a integração das pessoas mais idosas na comunidade, Cláudia Moreira, Vice-presidente da Câmara Municipal de Chamusca e detentora do pelouro da Ação Social, explicou à Valor Magazine quais as medidas e iniciativas pelas quais tem lutado, de forma a estabelecer cada vez mais equilíbrio e envolvência entre todos os chamusquenses.
S
endo o segundo concelho com o maior índice de envelhecimento na região do Tejo, com um indicador de “285 idosos por cada 100 jovens”, Cláudia Moreira não hesita em detetar as lacunas que podem ser trabalhadas no concelho para combater esse fator, não obstante as limitações financeiras que poderá encontrar pelo caminho: “Para além de termos uma densidade populacional muito reduzida, os nossos habitantes estão dispersos num território que é muito grande, o que nos obriga a acompanhar os casos quase individualmente. Nesse sentido, todos os projetos que temos vindo a desenvolver permitem exatamente fazer face a estas exigências que o nosso território tem. Desde a questão do acompanhamento aos seniores, à questão do envelhecimento ativo, temos desenvolvido imensas iniciativas”, afirma a Vice-presidente, que não descura “as famílias com carências que têm um poder de compra bastante limitado”. AÇÃO SOCIAL : QUE INICIATIVAS? Quais são, então, as iniciativas que tem marcado toda a componente social da Câmara Municipal de Chamusca nos últimos anos? Cláudia
Cláudia Moreira Vice-presidente e Vereadora de Ação Social
Moreira responde: “Contamos com apoios a extratos sociais desfavorecidos, através de um regulamento que nos permite apoiar famílias em dificuldades, no pagamento das contas de casa, como a renda, a luz ou a água. Temos apostado na requalificação de habitações
39
Ação e Responsabilidade Social
que estão vulneráveis, temos várias habitações municipais com custos bastante acessíveis e dispomos ainda de uma loja solidária, em que apoiamos famílias com roupa para todas as idades”. A vereadora, formada em Psicologia, conta também no seu gabinete com parcerias com vários associações e grupos de trabalho, como a APAV, e admite que nos últimos anos a ação social do concelho “tem sido cada vez mais encarada como parte inerente de uma intervenção social efetiva”. A CULTURA COMO INSTRUMENTO SOCIAL “Não conseguimos desassociar a ação social de outras áreas como a educação, cultura e o desporto”, revela a pronto Cláudia Moreira, quando questionada acerca da agregação da comunidade da Chamusca, numa operação que não olha a idades: “Se queremos uma vila cada vez mais informada e participativa, então essas áreas tornamse fundamentais”, explica. “No que toca à cultura, promovemos o contacto em várias formas de expressão artística, através de uma agenda cultural que apresentamos de dois em dois meses”. A mais recente medida da câmara chamusquense foi apostar numa biblioteca itinerante que, segundo a vereadora, “mais do que livros, leva afetos”: “Estamos a chamar cada vez mais as pessoas à biblioteca, e à progressão da leitura, encurtando a distância sobre a mesma. A biblioteca itinerante que criamos serve exatamente para levar os livros a todas as nossas freguesias, o que também ajuda no acompanhamento das pessoas mais idosas. É sempre mais um local onde podem conversar com alguém, partilhar memórias, e claro, ler”.
a ação social do concelho “tem sido encarada como parte inerente de uma intervenção social efetiva
a mais recente medida foi apostar numa biblioteca itinerante
UNIVERSIDADE SÉNIOR Confirmando que para a Câmara Municipal de Chamusca as pessoas mais idosas estão sempre presentes no projeto, Cláudia Moreira retratou o desenvolvimento das universidades seniores, que já são cinco em todo o concelho. Financiadas pela Câmara e viabilizadas por vias de acordos administrativos com as juntas de freguesia, o boom das universidades tem sido aproveitado "para promover a intergeracionalidade”, segundo explica a própria. E não fica por aqui: “Os seniores passaram a ter um papel mais ativo e as crianças tem aprendido a viver com uma proximidade muito maior. Já não se realiza, por exemplo, uma festa nas escolas do concelho, sem que esses dois mundos não estejam ambos presentes. Os seniores passaram a estar muito presentes nas atividades escolares. Isto cria laços que achamos francamente positivos”, vinca. “Há pessoas que entram na universidade sénior e que parecem rejuvenescer 10 anos durante esse trajeto. É com muita felicidade que oiço alguns locais dizerem-me que estavam em casa à espera que a morte chegasse e que agora há uma data de novas distrações durante o dia que os fazem encarar a vida de uma forma diferente”, regozija a Vice-presidente, não escondendo o orgulho nos resultados obtidos no concelho.
Ação e Responsabilidade Social
Através do âmbito das universidades seniores, a Câmara de Chamusca, administrada pelo Presidente Paulo Queimado, tem desenvolvido outros projetos de ação social, que foram já candidatados ao “Portugal Inovação Social”, e não deixa de parte as atividades diferenciadas, como o yoga: “É algo que não é comum aqui, o que dificulta arranjar alguém que possa ensinar. É algo que faz parte do projeto “Asas no Tempo”, um dos projetos candidatados, e que permite levar o yoga às universidades seniores, sendo mais uma disciplina extra para motivar ainda mais quem lá está”, elucida Cláudia Moreira. Outro projeto em curso é o HIVEWORK, projeto esse de promoção e apoio ao empreendedorismo de base local, que passa por integrar pessoas em situação de desemprego com as necessidades e dinâmicas locais. Dentro desse âmbito, a vereadora explica que se tratam de “pequenas atividades que se podem fazer em qualquer altura e em qualquer lugar, para obter algum rendimento extra”, suportado pela “criação de uma oficina comunitária, que uma pessoa pode usar para experimentar e desenvolver os seus próprios produtos”. A autarquia conta também com uma “fábrica do empreendedor”, onde “é apoiada a criação de novos negócios ou já existentes, pois existem muitos negócios que são geridos com base familiar, e torna-se necessário o auxílio em muitas das burocracias que existem hoje”. Cláudia Moreira vinca que “a ideia é ajudar não só os novos empreendedores, mas também os que já existem e que devem continuar saudáveis”.
últimos anos: “É nas festas que as famílias se reúnem. A comunidade chamusquense precisa de se encontrar para ter a sua coesão e criar relações”, conclui a vereadora.
A EDUCAÇÃO COMO BASE DE INTEGRAÇÃO No que toca à geração mais nova, a Câmara não só tem despendido cerca de um milhão de euros na área da educação – num orçamento anual que não chega aos 10 – como tem promovido diversas atividades que promovem a linguagem corporal “como o yoga e a dança”, numa filosofia que faz por combater a ideia, que muitas vezes, as pessoas são educadas “do pescoço para cima”. A música também tem sido parte integrante do processo, com aulas em diferentes módulos, como parte integrante do crescimento de qualquer criança, como por exemplo a iniciativa escolar em que todos os alunos (da pré-primária e ensino básico) escovam os dentes a seguir ao almoço, no próprio estabelecimento escolar. Relativamente a eventos de dinamização e promoção territorial, a Câmara de Chamusca apresentará de 1 a 3 de Março o III Festival do Cogumelo da Parreira, organizado em parceria com a União de Freguesias de Parreira e Chouto. Para Cláudia Moreira, mais do que apoiar os produtos locais e dar destaque a um produto com história na região, o Festival é mais uma oportunidade de reforçar o sentido de comunidade que tem sido crescente no concelho, ao longo dos www.cm-chamusca.pt
41
Ação e Responsabilidade Social
CIDADANIA EMPRESARIAL balanço positivo
futuro promissor
Margarida Couto Presidente em representação da Vieira de Almeida & Associados
O Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (GRACE) foi fundado no ano 2000, por um grupo de multinacionais que reconheceu a importância dos “Objetivos de Desenvolvimento do Milénio”, onde se destacava o conceito de cidadania empresarial. Quase 20 anos passados sobre a sua fundação, a Valor Magazine quis saber qual o balanço da sua criação e falou com Margarida Couto, presidente deste organismo.
Q
uando criaram o GRACE, em 2000, a cidadania empresarial era já um tema que vos preocupava?
Em 2000, o clima que se vivia em Portugal era estável a nível financeiro, social e político, mas apesar de terem sido lançados nesse ano os “Objetivos de Desenvolvimento do Milénio”, as questões ambientais ou de responsabilidade social das empresas não eram abertura de noticiários nem sequer consideradas temas prioritários. Contudo, um pequeno grupo de multinacionais mais atento, pelo seu contexto internacional, àquelas que seriam as novas tendências a nível global, e com práticas de Cidadania Empresarial em diversos países, decidiu trazer esse tema para a agenda corporativa nacional, fundando assim o GRACE. Qual foi o primeiro impacto que este assunto teve nas empresas e nas instituições com quem contactavam? Os primeiros contactos realizados com empresas, organizações governamentais e associações internacionais foram extremamente gratificantes, pois permitiram-nos preparar o caminho para as empresas desenvolverem e implementarem uma estratégia de cidadania corporativa. O envolvimento com a comunidade já existia, mas eram práticas pontuais, maioritariamente centradas em contribuições financeiras e algumas ações com entidades sem fins lucrativos. Tudo isso entretanto mudou.
Que balanço fazem no que diz respeito ao implemento da cidadania empresarial e da responsabilidade social nas empresas? O balanço é muito positivo e o futuro parece-nos muito promissor. Hoje, o GRACE conta com 177 empresas associadas, comprometidas com práticas responsáveis e cientes de que o seu papel na sociedade mudou e de que tem de levar em linha de conta os interesses de todos os seus stakeholders e não apenas o interesse acionista. As empresas começam também a desenvolver o seu negócio de forma alinhada com os ODS e com um sentido de propósito. A existência de cidadãos consumidores cada vez mais atentos e empoderados, também contribuiu para a mudança de paradigma a que começamos a assistir. Que medidas são mais necessárias, atualmente? É necessário que os gestores assumam a liderança nesta caminhada, pois são as empresas as detentoras dos meios económicos, humanos, tecnológicos e de inovação que são precisos para operar a verdadeira transformação na sociedade. Aos governos caberá a adoção de políticas públicas que convirjam para esta mudança positiva. www.grace.pt
leia o artigo na integra em www.valormagazine.pt
42
Arcos de Valdevez e Ponte da Barca