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e nergias l impas: Hoje, mais do que nunca



Num tempo em que o mundo muda a um ritmo acelerado, esta edição convida à reflexão sobre os desafios e as oportunidades que marcam a sociedade atual. Da saúde mental à sustentabilidade, da liderança feminina à transformação do setor habitacional, reunimos temas que influenciam o presente e moldam o futuro. A ansiedade generalizada, tema de capa, surge como um dos grandes desafios da atualidade. Num quotidiano cada vez mais exigente, importa compreender os sinais, quebrar preconceitos e reforçar a importância do equilíbrio emocional e do apoio especializado.
Também olhamos para o futuro através das energias renováveis. Hoje, mais do que nunca, falar de energias limpas é falar de responsabilidade, inovação e compromisso com as próximas gerações. Portugal tem dado passos importantes neste caminho, afirmando-se igualmente como um país criativo, capaz de transformar ideias em projetos diferenciadores e competitivos.
Na área da economia, analisamos o papel da intermediação de crédito e as soluções financeiras que podem apoiar famílias e empresas num contexto de constante mudança.
Saber a quem recorrer tornou-se essencial para decisões mais seguras e conscientes.
Destacamos ainda histórias inspiradoras em “Ser Mulher no Mundo”, com exemplos de liderança determinação e sucesso, incluindo mulheres que fazem a diferença no setor da saúde e em áreas tradicionalmente desafiantes. No direito, abordamos questões que impactam diretamente a sociedade, como os direitos da criança e as alterações à Lei da Nacionalidade, temas que levantam novas reflexões jurídicas e sociais.
A arquitetura, os interiores e a reabilitação continuam igualmente em transformação, acompanhando novas exigências de conforto, sustentabilidade e funcionalidade. Paralelamente, a engenharia e o mercado habitacional enfrentam mudanças profundas, impulsionadas pelas casas modulares, pela digitalização e por soluções mais sustentáveis.
Esta edição reúne diferentes perspetivas, especialistas e histórias que ajudam a compreender um mundo em evolução constante. Mais do que acompanhar tendências, procuramos dar voz às ideias, aos projetos e às pessoas que estão a construir o amanhã.
FICHA TÉCNICA: ProPrIedA de e AdmINIs T r Ação: sINóNImos Breves UNIPessoA l, l dA | GerêNCIA de T eNTor A
energias Limpas: Hoje, mais do que nunca
muL Heres no mundo: csos de sucesso
ansiedade generalizada: o inimigo silencioso da mente
a ansiedade generalizada continua a ser conFundida com o stress do quotidiano, levando muitas pessoas a ignorarem sinais de exaustão emocional. a psicóloga eduarda Figueiras explica como o ritmo de vida atual, a pressão social e a normalização do soFrimento psicológico estão a contribuir para o aumento dos casos de ansiedade persistente.

A ansiedade generalizada é confundida com ‘stress do dia a dia’. Que sinais ajudam realmente a distinguir uma preocupação normal de uma perturbação que exige acompanhamento psicológico?
A ansiedade normal surge em situações concretas, como mudanças de vida, casamento ou alterações profissionais, sendo geralmente temporária e desaparece quando o motivo deixa de existir. Já a ansiedade generalizada é persistente, difícil de controlar e interfere com o bem-estar e a qualidade de vida.
Segundo a minha prática clínica e a evidência científica, a ansiedade torna-se problemática quando é intensa e prolongada mesmo após o acontecimento que a desencadeou terminar. As preocupações surgem quase diariamente, muitas vezes sem motivo claro, acompanhadas de pensamentos negativos e catastróficos difíceis de controlar.
O corpo também manifesta esse mal-estar através de tensão muscular, palpitações, respiração acelerada ou outros sinais de somatização. Este quadro afeta o sono, a concentração, as relações e o desempenho profissional ou escolar. Enquanto a ansiedade normal é proporcional ao que estamos a viver, a ansiedade generalizada mantém-se sem motivo concreto e começa a limitar a vida da pessoa.
Até que ponto o estilo de vida atual está a alimentar os casos de ansiedade generalizada?
O estilo de vida atual tem um impacto significativo no aumento destes casos, embora não seja, por si só, a causa da perturbação. O ritmo acelerado da sociedade cria condições que intensificam fatores de risco. Nas consultas, surgem frequentemente relatos de pressão constante para responder a e-mails, mensagens e notificações, dificultando o descanso e mantendo o organismo em estado de ativação contínua. A sensação permanente de urgência favorece estados de alerta e hiper-vigilância.
A realização simultânea de várias tarefas reduz a concentração e aumenta a sensação de perda de controlo, um dos principais gatilhos da ansiedade persistente. A falta de descanso e a comparação social alimentada pelas redes sociais reforçam sentimentos de insuficiência e pressão para corresponder a padrões irreais.
No contexto laboral, cargas excessivas, instabilidade e falta de autonomia são fatores reco-
nhecidos pela Organização Mundial da Saúde como potenciadores de ansiedade. Assim, corpo e mente raramente conseguem regressar ao equilíbrio.
Porque é que a ansiedade “silenciosa” continua a ser tão difícil de identificar?
Muitas pessoas normalizam sintomas que já não são normais. Apesar do sofrimento emocional, conseguem manter uma aparência funcional no trabalho e na vida social, escondendo a exaustão que sentem.
Em consulta, é frequente ouvir relatos de pessoas que convivem há meses ou anos com estes sinais sem procurar ajuda. Algumas acreditam que é normal e outras associam o acompanhamento psicológico a fraqueza e tentam resolver tudo sozinhas.
Vivemos numa sociedade onde o cansaço constante, irritabilidade, insónia ou tensão permanente são vistos como parte da rotina e não como possíveis sinais de ansiedade generalizada. Como muitos sintomas são internos — pensamentos intrusivos, preocupação constante e sensação de alerta — passam despercebidos aos outros. O medo do julgamento leva muitas pessoas a esconder o que sentem e a manter uma imagem de controlo. Em alguns casos, o perfecionismo, a responsabilidade excessiva e a hiperprodutividade tornam-se formas de mascarar a ansiedade.
Nas redes sociais fala-se cada vez mais de saúde mental, mas também se banalizam
conceitos psicológicos. Existe o risco de transformar qualquer desconforto emocional num “diagnóstico”?
Na minha opinião, as redes sociais tornaram a saúde mental mais visível e acessível, ajudando a combater o estigma e a aumentar a literacia nesta área. Muitas figuras públicas partilham testemunhos, incentivando mais pessoas a procurar ajuda. Contudo, existe o risco de difundir informação incorreta ou demasiado simplificada. Muitos conteúdos apresentam listas de sintomas que levam as pessoas a identificar-se facilmente e a fazer autodiagnósticos. Porém, um diagnóstico clínico exige avaliação aprofundada, análise do contexto, duração, intensidade e impacto funcional dos sintomas.
O problema não está em falar de saúde mental, mas na forma como se fala dela. Quando tudo é rotulado como perturbação, perde-se a perceção da gravidade real das condições clínicas e pode atrasar-se o reconhecimento de situações sérias, reforçar estigmas ou incentivar a automedicação.
A ansiedade manifesta-se muitas vezes através do corpo. Ainda existe pouca consciência sobre a ligação entre saúde física e saúde mental?
Ainda existe pouca consciência sobre a ligação entre saúde física e saúde mental, o que dificulta reconhecer que muitos sintomas físicos podem ser manifestações de ansiedade. Quando a ansiedade ativa o organismo como se estivesse constantemente em perigo, o sistema nervoso mantém o corpo preparado para rea-
gir, mesmo sem ameaça real.
Isso ajuda a explicar sintomas como insónias, tensão muscular, fadiga, dores de cabeça, alterações gastrointestinais ou dificuldade em respirar. Este fenómeno chama-se somatização: o corpo expressa aquilo que a mente não consegue processar ou verbalizar.
Muitas vezes, estes sintomas são atribuídos apenas ao stress ou ao cansaço, atrasando o reconhecimento da sua origem emocional. Também se sabe que doenças físicas crónicas aumentam o risco de ansiedade e depressão, tal como problemas psicológicos podem agravar condições físicas.
Em consulta, quais são os medos ou pensamentos mais comuns em pessoas com ansiedade generalizada?
Nas minhas consultas de Psicologia, é comum surgirem medos constantes de que algo corra mal, com antecipação permanente do pior cenário, mesmo sem sinais reais de perigo. Existe também o medo de não agradar aos outros, de não ser suficientemente competente ou de perder o controlo, o que alimenta uma autocrítica intensa e uma sensação de falha iminente.
“O
problema não está em falar de saúde mental, mas na forma como se fala dela. Quando tudo é rotulado como perturbação, perde-se a perceção da gravidade real das condições clínicas e pode atrasar-se o reconhecimento de situações sérias, reforçar estigmas ou incentivar a automedicação.”
Muitas pessoas vivem em estado de vigilância contínua, acreditando que “têm de estar sempre alertas”, o que conduz à exaustão mental. Estes padrões acabam por afetar relações, decisões e autoestima. Nas relações, pode surgir necessidade excessiva de aprovação, dificuldade em expressar necessidades ou receio de conflito. Nas decisões, instala-se a dúvida constante, o medo de errar e, muitas vezes, evita agir para não correr riscos. A autoestima também fica afetada, porque a pessoa duvida de si própria, compara-se com os outros e interpreta o seu desempenho de forma mais negativa do que a realidade justificaria.
Com o tempo, cria-se um ciclo difícil de quebrar: quanto maior for a autocrítica e o autocontrolo, mais ansiedade surge. Por isso, a Psicoeducação é um primeiro passo essencial para ajudar a pessoa a compreender o que está a acontecer e como trabalhar os sintomas.
O que falta compreender sobre o verdadeiro processo terapêutico no tratamento da ansiedade?
Existe uma tendência crescente para procurar
soluções rápidas, seja através de medicação imediata, vídeos motivacionais ou frases inspiradoras nas redes sociais. Embora estes possam trazer alívio momentâneo, não substituem o verdadeiro processo terapêutico.
A terapia não procura apenas eliminar sintomas, mas compreender gatilhos, padrões de pensamento disfuncionais, emoções acumuladas e comportamentos que mantêm o ciclo ansioso. Ensina a reconhecer medos, desenvolver estratégias de regulação emocional e construir uma relação mais saudável consigo próprio.
É um processo gradual, que exige tempo, consistência e prática. A medicação pode ser importante em alguns casos, sobretudo quando a ansiedade é muito elevada, ajudando a criar condições para um melhor trabalho terapêutico, mas não resolve sozinha os padrões que alimentam a ansiedade.
Mais do que “pensar positivo”, a terapia ajuda a compreender porque o corpo reage de determinada forma, porque certos pensamentos se tornam automáticos e como desenvolver novas formas de lidar com o stress e com a vida. Em vez de soluções rápidas, oferece transformação real.
Que mensagem gostaria de deixar a quem vive em constante estado de alerta, mas insiste em ‘aguentar-se sozinho’?
Procurar ajuda não é sinal de fraqueza. Muitas pessoas aprenderam a controlar tudo, a não pedir apoio e a acreditar que admitir fragilidade é falhar. Mas ninguém foi feito para viver permanentemente em modo de emergência.
O corpo e a mente têm limites, e ignorá-los não resolve nada. Pedir ajuda significa reconhecer que merecemos cuidar de nós próprios e que não precisamos de carregar tudo sozinhos. A ansiedade não se resolve apenas com força de vontade, mas com compreensão, tempo e apoio adequado. Não é preciso chegar ao limite para procurar ajuda. Existem caminhos mais leves e toda a gente tem direito a encontrá-los.

“Com
o tempo, cria-se um ciclo difícil de quebrar: quanto maior for a autocrítica e o autocontrolo, mais ansiedade surge. Por isso, a Psicoeducação é um primeiro passo essencial para ajudar a pessoa a compreender o que está a acontecer e como trabalhar os sintomas.”

para pedro lima, o mercado da energia solar vive uma evolução “extraordinária”. a aposta em sistemas Híbridos e baterias tornou-se central, com retornos cada vez mais rápidos e um papel decisivo na proteção de Famílias e empresas Face a custos elevados e FalHas da rede.
Em 2022 dizia que a energia solar em Portugal “só agora começou a desenvolver-se”. Passados alguns anos, como avalia esta evolução e de que forma o contexto geopolítico acelerou esse desenvolvimento?
A evolução tem sido extraordinária e pautada por um sentido de urgência. Se em 2022 vivíamos um arranque estruturado, hoje o mercado entende que a transição energética é uma questão de segurança e competitividade económica. Para a Solarshop, focada no fornecimento e apoio a profissionais e instaladores de projetos residenciais, comerciais e industriais (C&I), o contexto geopolítico acelerou exponencialmente a procura por independência da rede. O que antes era visto apenas como um plano financeiro a médio prazo, é agora prioridade imediata. Famílias e empresas recusam-se a continuar reféns da imprevisibilidade tarifária. Produzir a própria eletricidade tornou-se uma das poucas formas de controlar custos fixos num cenário de incerteza global.
“Queremos continuar a liderar com um portfólio premium, uma forte disponibilidade de stock e, sobretudo, capacitação técnica dos instaladores, fornecendo-lhes ferramentas para blindarem os seus clientes contra a instabilidade da rede.”

“Embora a Solarshop atue num modelo B2B e não venda diretamente ao cliente final, a nossa missão é munir os nossos parceiros instaladores com equipamentos mais robustos do mercado. Hoje, o foco absoluto recai nos sistemas híbridos e de armazenamento inteligente.”
Quais são as principais soluções que disponibilizam e de que forma evoluíram face ao que tinham em 2022?
A mudança mais evidente desde 2022 está na resposta tecnológica aos blackouts. Embora a Solarshop atue num modelo B2B e não venda diretamente ao cliente final, a nossa missão é munir os nossos parceiros instaladores com equipamentos mais robustos do mercado. Hoje, o foco absoluto recai nos sistemas híbridos e de armazenamento inteligente.
A passagem da tempestade Kristin foi um “abre-olhos” duríssimo: houve populações inteiras e polos industriais que ficaram semanas consecutivas sem eletricidade, o que é ruinoso. Em resposta, fornecemos baterias de lítio

de nova geração para manter ativos os consumos essenciais quando a rede pública falha. No setor empresarial, apostamos em sistemas avançados de gestão de energia que asseguram a continuidade operacional. As baterias deixaram de ser apenas um otimizador de faturas noturnas; são agora o derradeiro ‘seguro de vida’ contra apagões.
Tendo em conta o aumento dos preços da energia, qual é o tempo médio atual para que um cliente recupere o investimento em energia solar?
A equação de viabilidade nunca foi tão favorável e hoje deve ser analisada em duas frentes: poupança direta e custo evitado em inatividade. Nos projetos residenciais executados pelos nossos parceiros, o retorno direto do investimento (ROI) situa-se, em regra, entre os três e cinco anos. No setor Comercial e Industrial, onde o consumo diurno maximiza a eficiência do sistema, esse retorno ocorre frequentemente na janela de dois a quatro anos.
Mas há um fator crucial que altera toda a matemática: o risco operacional. Quanto custa a uma fábrica parar as máquinas durante três dias? Qual é o prejuízo de um supermercado que perde milhares de euros em bens perecíveis num blackout prolongado? Quando somamos a proteção absoluta contra falhas de rede à poupança elétrica diária, o retorno de um sistema com baterias torna-se praticamente imediato na mitigação de risco do negócio.
Portugal tem mais de 2.500 horas de sol por
ano e, ainda assim, o aproveitamento solar fica aquém do potencial. O que falta para que a transição acelere de forma mais consistente? Enfrentamos atualmente dois obstáculos centrais: um infraestrutural e outro comportamental. Do lado infraestrutural, a burocracia nos pedidos de ligação e uma rede envelhecida continuam a não acompanhar a velocidade da transição, dificultando muito a vida aos instaladores.
Por outro lado, a própria cultura de dependência de subsídios, como o PRR ou o Fundo Ambiental, tornou-se no maior travão à adoção do solar. A tecnologia atingiu um nível de maturidade em que o retorno é altamente atrativo por si só, sem necessidade de subsidiação para ser rentável. Contudo, os anúncios destes fundos criam uma paralisação do mercado: famílias e empresas entram num estado de “espera crónica”, suspendendo decisões enquanto aguardam meses por burocracias. O custo desta inação é enorme: o dinheiro perdido nas faturas durante esse período ultrapassa muitas vezes o valor do próprio subsídio.
Que ambições têm para os próximos anos e que mensagem deixa a quem ainda pondera dar o passo?
A ambição central da Solarshop é consolidar-se como parceiro tecnológico estratégico de confiança para os profissionais em Portugal. Queremos continuar a liderar com um portfólio premium, uma forte disponibilidade de stock e, sobretudo, capacitação técnica dos instaladores, fornecendo-lhes ferramentas para blindarem os seus clientes contra a instabilidade da rede.
A mensagem para quem ainda hesita é perentória: o risco hoje já não é investir em energia solar; o verdadeiro risco, que sai muito caro, é não o fazer e continuar exposto. Ficar dependente de uma rede que pode colapsar durante semanas é uma opção inaceitável. A tecnologia está hipertestada, é extremamente rentável e acessível. O momento de garantir segurança e autonomia — com ou sem a ilusão dos subsídios — é agora.
As energias limpas deixaram de ser uma opção para passar a ser uma urgência. Sente que o mercado já está verdadeiramente preparado, ou ainda existe uma distância significativa?
Portugal é um dos líderes europeus na produção e consumo de energia renovável, com cerca de 70% da eletricidade proveniente de fontes limpas em 2025. O país definiu metas ambiciosas, como o PNEC2030 (Plano Nacional de Energia e Clima) e a neutralidade carbónica em 2045 (cinco anos antes da meta avançada pela União Europeia). Contudo, a implementação continua aquém do necessário. A burocracia, a rede elétrica desatualizada e a instabilidade regulatória continuam a travar investimentos e a atrasar projetos.
“A empresa acompanha cesso, desde o projeto
ao cação energética, oferetodas as fases do prolicenciamento e certificendo soluções “chave na mão” que combinam fiabilidade, eficiência e rentabilidade.”
A experiência da INSTAVAC em AVAC tem sido uma vantagem nesta transição sustentável?
Sem dúvida. Os mais de 20 anos de experiência são o principal alicerce nesta transição. O domínio da climatização tradicional permite integrar soluções como aerotermia, energia solar fotovoltaica e solar térmica com rigor e segurança. A INSTAVAC acompanha todas as fases do processo, desde o projeto ao licencia-

nuno nunes deFende que a climatização, a manutenção técnica e a gestão inteligente dos ediFícios são peças-cHave para acelerar a eFiciência energética e a sustentabilidade.

mento e certificação energética, oferecendo soluções “chave na mão” que combinam fiabilidade, eficiência e rentabilidade.
Estamos a subvalorizar o impacto da manutenção técnica na eficiência energética global dos edifícios?
Claramente. A instalação é o ponto de partida, mas é a manutenção preventiva que assegura a eficiência ao longo dos anos. Mas ainda existe a ideia errada de que a manutenção é um custo, quando, na realidade, é um investimento. A manutenção preventiva garante o correto funcionamento da instalação e evita falhas futuras, reduzindo a necessidade de manu-
tenção corretiva. Quando esta manutenção é desvalorizada, um sistema concebido para ser classe A pode, em poucos anos, apresentar consumos equivalentes a uma classe C ou D. Sem acompanhamento técnico qualificado, os sistemas AVAC perdem rendimento, sofrem desgaste prematuro e aumentam os custos energéticos, comprometendo a sustentabilidade e o retorno do investimento.
Os sistemas de Gestão Técnica Centralizada já são vistos como uma necessidade estratégica?
O momento é de transição. Durante anos, os sistemas SACE eram vistos como um extra dispendioso, com a evolução tecnológica, o aumento dos custos energéticos e as exigências de descarbonização, tornaram-se fundamentais para edifícios eficientes. Hoje, permitem monitorização em tempo real, automação inteligente e otimização de consumos de acordo com a ocupação, condições exteriores e tarifas energéticas. Além disso, facilitam a manutenção preventiva, permitindo detetar anomalias remotamente e reduzir custos associados a falhas e paragens.
Como antevê a evolução do setor e qual será o papel da INSTAVAC?
A climatização assumirá um papel central na gestão energética dos edifícios, com maior aposta em bombas de calor, energia solar e digitalização. O conceito Nearly Zero Energy Buildings será cada vez uma realidade e não apenas uma obrigação legal.
A INSTAVAC pretende afirmar-se como parceiro de referência no desenvolvimento de edifícios inteligentes, confortáveis e sustentáveis, sustentando essa visão no legado de rigor e integridade construído ao longo de mais de 20 anos pela gerência cessante, representada por Fernando Pereira.
a solizenergy centra-se em soluções Fotovoltaicas completas, aliando inovação, proximidade e eFiciência. perante um mercado em evolução, marco reis, ceo, deFende maior autonomia energética, democratização do acesso e um Futuro baseado em comunidades de energia e tecnologias resilientes.
A evolução tecnológica e eventos recentes reforçaram essa estratégia. “Já vínhamos a testar soluções com armazenamento há dois ou três anos, mas acontecimentos como o apagão e a tempestade Kristin vieram demonstrar de forma muito concreta a importância de sistemas mais autónomos e resilientes, capazes de reduzir significativamente a dependência da rede elétrica”, refere o CEO. Assim, muitos sistemas atingem níveis de autonomia entre 50% e 70%, dependendo do consumo.
Um dos fatores distintivos é o acompanhamento contínuo do cliente, desde a análise inicial ao pós-venda, com soluções adaptadas ao perfil de consumo. “Não acreditamos em
“Acontecimentos como o apagão e a tempestade Kristin vieram demonstrar de forma muito concreta a importância de sistemas mais autónomos e resilientes, capazes de reduzir significativamente a dependência da rede elétrica.”

A SolizEnergy, fundada em 2020, surgiu após anos de contacto com o setor elétrico e da observação do crescimento do fotovoltaico. “Só faria sentido iniciar um projeto se este tivesse utilidade prática e impacto positivo na vida das pessoas e empresas”, explica Marco Reis. Num mercado em expansão, a empresa optou pela especialização, focando-se em soluções fotovoltaicas e, mais tarde, integrando armazenamento e carregadores para veículos elétricos. “A nossa aposta nunca foi dispersar por várias áreas, quisemos focar-nos totalmente na energia solar e desenvolver soluções cada vez mais completas, eficientes e adaptadas às necessidades reais de cada cliente”.
orçamentos feitos à distância. É no contacto direto que conseguimos perceber quanto o cliente consome durante o dia e à noite, identificar hábitos que possam ser ajustados às suas necessidades e garantir um dimensionamento correto e preparado para o futuro”, reflete o empresário. Esta proximidade inclui ainda monitorização digital do desempenho e identificação de melhorias. “À medida que os clientes acompanham os dados na aplicação, começam a perceber melhor a relação entre produção, autoconsumo e energia injetada na rede, o que os leva naturalmente a adotar comportamentos mais eficientes”, destaca.

Quanto à fiabilidade, a empresa aposta em equipamentos com garantias até 25 anos e assistência técnica ágil. “Quando trabalhamos com equipamentos de elevada qualidade e com garantias sólidas, conseguimos oferecer ao cliente uma solução duradoura sem necessidade de intervenções constantes, mantendo sempre um apoio técnico rápido e eficaz quando necessário”.
Para o futuro, Marco Reis prevê uma mudança estrutural: “o mercado fotovoltaico em Portugal está a aproximar-se do seu limite de capacidade”. Neste contexto, a empresa desenvolve projetos para democratizar o acesso à energia renovável, sobretudo em contexto urbano. “Queremos que a energia chegue a todos, incluindo quem não pode instalar sistemas próprios. Através da gestão de comunidades, será possível redistribuir excedentes e garantir acesso a energia limpa a custos reduzidos”, conclui.
A SolizEnergy pretende, assim, liderar a transição energética com inovação, proximidade e compromisso com a sustentabilidade.

sérgio soares destaca o percurso da aliartalentos como uma resposta integrada às necessidades energéticas das empresas, juntando consultoria, engenHaria elétrica certiFicada e soluções Fotovoltaicas para reduzir custos e aumentar a eFiciência.
Como a Aliartalentos evoluiu de consultoria em eficiência energética para uma empresa multifacetada em engenharia elétrica, sistemas fotovoltaicos e gestão de energia, e de que forma essa integração beneficia os clientes?
Desde o início sabia exatamente o que queria para a Aliartalentos: disponibilizar ao cliente um verdadeiro serviço de consultoria capaz de reduzir os custos energéticos das empresas. Para isso, tivemos de dominar duas áreas fundamentais. A primeira está ligada à comercialização de energia, conhecendo profundamente a legislação do setor e as ofertas disponíveis no mercado. A segunda está ligada à engenharia, criando um departamento altamente qualificado e certificado, capaz de garantir credibilidade e qualidade nos serviços prestados.
A junção destas duas vertentes permite-nos oferecer um acompanhamento global aos clientes, tanto na eletricidade como no gás na-
“Conseguimos identificar pre as vantagens e desonde é possível intervir e vantagens de cada opção. apresentar soluções ajusO nosso objetivo é que o tadas à realidade de cada cliente consiga dizer, de minha empresa».” empresa, explicando semforma consciente: «Esta é a melhor solução para a
tural. Conseguimos identificar onde é possível intervir e apresentar soluções ajustadas à realidade de cada empresa, explicando sempre as vantagens e desvantagens de cada opção. O nosso objetivo é que o cliente consiga dizer, de forma consciente: «Esta é a melhor solução para a minha empresa».

A Aliartalentos é uma Entidade Instaladora certificada, que lhe permite assumir a responsabilidade integral de projetos elétricos em baixa e média tensão, bem como prestar o serviço TRE. Na prática, o que significa esta certificação?
Significa que conhecemos a legislação em vigor e que estamos habilitados a projetar e executar instalações elétricas dos nossos clientes. O serviço TRE é uma das maiores responsabilidades que podemos assumir, porque somos nós que verificamos se as instalações dos clientes cumprem todos os requisitos legais e, se necessário, corrigimos anomalias. Muitos empresários ainda encaram este serviço como um custo e não como um investimento na prevenção. Costumo dar o exemplo dos seguros: só lhes damos valor quando precisamos deles.
O mesmo acontece aqui: há a tendência para valorizar mais o “eletricista” do que o enge -
nheiro eletrotécnico. Mas acima de tudo, o mais importante é que os nossos clientes percebam exatamente o que estamos a fazer nas suas instalações e porquê.
A instalação de UPAC com painéis solares fotovoltaicos é uma das vossas áreas de atuação. Que perfil de cliente vos procura mais neste domínio e que retorno podem esperar?
O nosso foco principal são as PME, mas também recebemos pedidos de empresas mais pequenas e de particulares que sentem um peso elevado na fatura da eletricidade. Recentemente instalámos uma UPAC (Unidade de Produção para Autoconsumo) num restaurante perto do nosso escritório e, logo na primeira fatura, o cliente reduziu mais de metade do valor habitual.
O retorno depende muito da utilização dada à energia produzida. Antes de apresentarmos uma proposta, guiamo-nos por diversos critérios técnicos, horários de funcionamento e períodos de maior consumo, para perceber se faz sentido instalar baterias ou não. Também explicamos detalhadamente os equipamentos utilizados, porque os painéis fotovoltaicos não são todos iguais e isso influencia bastante a produção anual de energia.
A Aliartalentos não trabalha para apresentar o preço mais baixo, mas sim a melhor relação qualidade/preço. Preferimos soluções tecnologicamente mais evoluídas que garantem maior eficiência e rentabilidade a longo prazo.
Eficiência energética e energia solar complementam-se? Faz sentido instalar painéis sem otimizar antes os consumos?
Eficiência energética e produção solar não são a mesma coisa. Uma empresa que instala uma UPAC não fica automaticamente mais eficiente, apenas passa a consumir energia de uma fonte alternativa. Eficiência energética significa produzir o mesmo, mas com menor consumo. Por isso, o primeiro passo deveria ser sempre uma Auditoria Energética, para identificar medidas que reduzam os consumos de energia (eletricidade e gás). A sequência mais lógica é otimizar primeiro os consumos e só depois dimensionar a UPAC à nova realidade. Instalar painéis logo à partida não está errado, mas não é a abordagem mais eficiente.
Portugal tem um dos maiores índices de re-

sérgio soarEs
ceo
nováveis da Europa. Onde identifica os maiores atrasos e oportunidades?
O problema não está tanto nos setores, mas na dimensão das empresas. Muitos apoios continuam desenhados para grandes investimentos. No último PRR para a descarbonização, por exemplo, o investimento mínimo era de 400 mil euros. Isso deixa a maioria das PME fora da equação. Tínhamos dezenas empresas preparadas para avançar caso os projetos fossem aprovados, mas nenhuma conseguiu fazê-lo. Depois surgem críticas de que os apoios são sempre
para os mesmos, isto é, as grandes empresas. Felizmente, a Aliartalentos disponibiliza soluções que permitem instalar UPAC sem investimento inicial, pagando apenas através da produção energética, com poupanças imediatas e facilmente comprováveis. Quanto às oportunidades, ainda existem muitas. Há empresários e particulares com excelentes condições para instalar painéis solares, mas que continuam céticos. Outros gostariam de avançar, mas as características das instalações ou a rentabilidade do negócio não o permitem.
“A quem ainda
pondera investir em eficiência energética e autoconsumo solar, digo apenas: não hesitem. O retorno é rápido e vale o investimento. Mas deixo também um alerta: não analisem apenas o preço, porque isso pode transformar-se num erro do qual mais tarde se irão arrepender.”
Que ambições tem a Aliartalentos para os próximos anos?
Tenho consciência de que ainda somos uma pequena empresa, em dimensão, mas somos grandes na qualidade e no rigor com que trabalhamos. E a Aliartalentos não é apenas o Sérgio – é uma equipa altamente qualificada, focada em prestar um serviço de excelência. Queremos crescer de forma sustentada em Portugal, consolidando uma imagem de confiança e proximidade com os clientes, tanto no acompanhamento técnico como no pós-venda. Outra ambição passa pela internacionalização, área onde já estamos a estudar novas oportunidades. A quem ainda pondera investir em eficiência energética e autoconsumo solar, digo apenas: não hesitem. O retorno é rápido e vale o investimento. Mas deixo também um alerta: não analisem apenas o preço, porque isso pode transformar-se num erro do qual mais tarde se irão arrepender.

Considera que as energias renováveis já deixaram de ser uma opção para passar a ser uma necessidade?
Atualmente, já são uma necessidade, não só pelas questões ambientais, mas também por ajudarem a reduzir os custos de energia e dar mais autonomia às famílias.
Tem-se verificado uma alteração no comportamento dos consumidores, com um aumento na procura de novas soluções, sobretudo no momento de compra ou renovação da habitação. Verifica-se ainda resistência, principalmente, devido ao avultado investimento e ao facto de as habitações não estarem preparadas para este tipo de soluções.
Qual é o verdadeiro ponto de viragem entre uma casa “convencional” e uma casa energeticamente eficiente e como é que ajudam a fazer essa transição?
Ajudamos os clientes a encontrar a melhor solução dentro das suas necessidades, fazendo estudos adaptados aos consumos médios e alinhando-os com as melhores soluções disponíveis no mercado. O nosso objetivo é manter o conforto da família, sem propor só o que é mais eficiente no papel.
De que forma tornam mais acessível e adaptável o investimento em energias renováveis?
Iniciamos sempre por uma visita ao local, para efetuar um estudo dos consumos e das condições existentes. Personalizamos o projeto, mantendo o foco no conforto do cliente e indo ao encontro da poupança pretendida.
Apresentar soluções sem antes conhecer todas as nuances seria induzir em erro a tomada de decisão ou até criar expectativas inadequadas.
A manutenção é muitas vezes o lado menos visível, mas pode ser decisiva para o desempenho dos sistemas. Que negligências vê com frequência?
Constata-se uma elevada iliteracia por parte do consumidor sobre manutenção, devido à falta de informação percetível a quem não possui conhecimentos técnicos. Vivemos numa sociedade consumista, em que somos levados a descartar “o velho” e a comprar “o novo”. A falta de conhecimento agrava esta situação. O elevado custo para o cliente, aliado à falta de consciência da sua real necessidade, dificulta esta adesão. É necessário que se dê a conhecer que a manutenção não só prolonga a vida útil dos equipamentos, como garante um retorno do investimento.
O que distingue uma solução realmente sustentável de uma solução apenas “moderna”? Observamos os novos lançamentos no merca-
a pensarcasa tem acompanHado o crescente interesse dos consumidores por soluções como painéis Fotovoltaicos e bombas de calor. para pedro aleixo, as energias renováveis são Hoje uma necessidade, exigindo soluções personalizadas que aliem conForto, poupança e sustentabilidade real.
“Iniciamos
sempre por uma visita ao local, para efetuar um estudo dos consumos e das condições existentes. Personalizamos o projeto, mantendo o foco no conforto do cliente e indo ao encontro da poupança pretendida.”
do que impressionam com gadgets, de forma a captar a atenção do cliente. Mas falham nos consumos reais, mascarando a falta de sustentabilidade com novas funcionalidades.
Um equipamento sustentável tem de ser “híbrido”, não só pelo seu valor, mas também pela questão ambiental. Tem de estar preparado para evoluir! As necessidades dos clientes evoluem. O equipamento deve permitir crescer e acoplar outras soluções, sem obrigar à sua substituição. Isso sim, é sustentabilidade real!
Infelizmente verifico cada vez mais marcas a seguirem o caminho oposto, a fecharem os seus sistemas, cortando essa possibilidade logo desde o início.

A vossa experiência nos mercados sueco, português e espanhol revelou alguma tendência quanto à velocidade da transição energética na Europa?
Na Europa, a transição energética não está limitada pela ambição, mas pela execução. A principal conclusão é que já é impulsionada por fatores económicos: deixou de ser uma questão de ‘se’ e passou a ser de ‘quão rápido’.
A velocidade depende da facilidade de agir para empresas e consumidores, e quando se elimina a complexidade – no licenciamento, nas infraestruturas ou no acesso a capital – as decisões aceleram. O nosso foco é remover sobretudo a barreira do capital. Ainda assim, na Península Ibérica, o licenciamento e a rede continuam atrasados, travando a execução.

Como explicam a vossa proposta a empresas que veem a energia fotovoltaica como complexa ou arriscada?
Simplificamos: não é sobre tecnologia, mas sobre custo, risco e controlo. Muitas empresas estão expostas à volatilidade dos preços sem perceber o impacto nas suas margens.
O que oferecemos é uma forma de assumir esse controlo, sem investimento inicial: zero capex, zero opex, sem risco operacional ou de desempenho. Assim, deixa de ser apenas sustentabilidade e passa a ser competitividade. Hoje, na maioria dos setores, a energia é um custo demasiado relevante para ser ignorado.
O vosso modelo de “energia solar como serviço”, com investimento inicial zero e PPA
daniel nilsson, cHieF sales oFFicer, deFende que a transição energética na europa já é inevitável e guiada por Fatores económicos, mas travada por barreiras como licenciamento, rede e Financiamento. ao simpliFicar o acesso à energia solar sem investimento inicial, a brigHt sunday posiciona a energia como alavanca de competitividade.
“O nosso foco é remover capital. Ainda assim, na ciamento e a rede continusobretudo a barreira do Península Ibérica, o licenam atrasados, travando a execução.”
de longo prazo, contraria a lógica tradicional de compra de ativos energéticos. Que implicações traz o futuro do financiamento da energia limpa?
Mostra que a propriedade é menos relevante do que o acesso e os resultados. As empresas querem energia fiável e acessível, não ser operadoras. Também evitam alocar capital a infraestruturas quando podem investi-lo nas suas operações principais, com retornos mais elevados. Só faz sentido investir em ativos que sejam centrais para o seu negócio – e a energia não é exceção. E é claramente para aí que o mercado está a evoluir.
Com instalações e equipas no Porto, Espanha e Suécia, como adaptam a execução dos projetos às realidades locais mantendo a consistência europeia?
Para clientes multinacionais, consistência é essencial. Por isso, o nosso modelo comercial, contratos, gestão de risco e execução são iguais em

todos os mercados, garantindo confiança e previsibilidade. Em paralelo, é essencial ter equipas locais com forte conhecimento no terreno. Mas prazos de licenciamento, limitações da rede e engenharia variam muito entre países. Essa complexidade local deve ser gerida internamente, não transferida para o cliente. Para nós, é assim que se escala sem perder fiabilidade.
Qual é o principal argumento para uma empresa avançar com um projeto solar?
As decisões avançam quando são financeiramente claras e estrategicamente sólidas. Mas o timing é crucial: na Península Ibérica, os preços estão relativamente baixos face à volatilidade recente, sendo o momento ideal para fixar preços de longo prazo. Esperar pela subida contraria esse objetivo.
Num contexto geopolítico incerto, quem avança agora reduz custos, ganha previsibilidade e vantagem competitiva – e a previsibilidade é decisiva.
diogo Ferreira explica como a solartecnica transForma a energia numa solução completa e personalizada, aliando rigor técnico, acompanHamento próximo e inovação para garantir autonomia, conFiança e preparação para um Futuro energético mais inteligente em portugal.
Como é que a visão da SolarTecnica sobre energia, enquanto “liberdade, segurança e futuro”, se traduz na prática?
Para nós, a energia deixou de ser apenas poupança. Reduzir a fatura é importante, mas hoje representa liberdade, segurança e futuro. Liberdade, por reduzir a dependência da instabilidade dos preços. Segurança, porque uma solução bem dimensionada, instalada com rigor e, quando necessário, com baterias e sistemas anti-apagão, protege o cliente perante falhas da rede. Futuro, porque a transição energética é inevitável e exige imóveis mais eficientes e autónomos.
Na prática, isto reflete-se no nosso método de trabalho. Não vendemos apenas equipamentos: analisamos consumos, condições técnicas, exposição solar, quadro elétrico, espaço disponível, perfil de utilização e objetivos do cliente. Só depois recomendamos uma solução. A nossa missão é que o cliente não compre apenas painéis solares, mas tranquilidade energética, confiança e uma solução ajustada à sua realidade.
O que considera ser o maior diferencial da SolarTecnica face a outras empresas do setor?
O nosso maior diferencial está na combinação entre rigor técnico, acompanhamento humano e responsabilidade após a venda. Num setor onde muitas propostas se baseiam no preço, acreditamos que uma solução energética só é boa se for bem diagnosticada, explicada, instalada e acompanhada.
Muitos clientes chegam a pensar apenas em painéis solares, mas mostram preocupações maiores, como falhas de energia. Nesses casos, a resposta pode exigir inversor híbrido, bateria, sistema de backup e uma explicação clara sobre o que fica protegido e os limites reais do sistema. Assim, o cliente deixa de comprar “um kit” e passa a compreender a solução, sentindo que foi ouvido e que a resposta foi construída à sua medida. Para nós, esse é o verdadeiro valor: confiança e responsabilidade.
Como funciona a avaliação técnica gratuita e o que os clientes mais valorizam?
A avaliação técnica gratuita, por videochamada
“A nossa cultura de atendimento assenta em quatro palavras: calma, segurança, conhecimento e responsabilidade. Sabemos que o cliente faz um investimento importante e precisa de confiança.”
ou presencial, é uma das etapas mais importantes do nosso processo, porque transforma uma intenção de compra numa solução concreta e segura. Primeiro fazemos uma qualificação inicial para perceber consumos, tipo de habitação ou empresa, objetivos e preocupações. Depois avançamos para a visita técnica, onde avaliamos o local dos painéis, orientação, sombras, tipo de cobertura, acessos, quadro elétrico, proteções, passagem de cabos, local para inversor e bateria, e possíveis limitações técnicas. Mais do que medir, queremos que o cliente perceba o
que está a ser analisado e porquê.
O feedback mais comum é a clareza: os clientes sentem que compreenderam o que vão comprar e valorizam ainda o facto de identificarmos, antecipadamente, possíveis problemas. Para nós, uma boa instalação começa no diagnóstico.
Como é que garantem que o cliente se sente acompanhado desde o primeiro contacto até ao pós-instalação?
Garantimos essa experiência através de processo, equipa e cultura. O acompanhamento

não pode depender apenas da boa vontade de uma pessoa; tem de estar desenhado dentro da empresa. Por isso, estruturamos cada fase da jornada: primeiro contacto, qualificação, avaliação técnica, proposta, adjudicação, planeamento, instalação, conclusão, documentação, legalização e pós-venda.
O cliente precisa de sentir que sabe em que fase está, que existe alguém responsável pelo processo e que a empresa não desaparece depois da venda. É por isso que damos tanta importância ao Customer Care e ao Customer Success, desde a confirmação das instalações até ao apoio documental e acompanhamento após a instalação.
A nossa cultura de atendimento assenta em quatro palavras: calma, segurança, conhecimento e responsabilidade. Sabemos que o cliente faz um investimento importante e precisa de confiança. Numa empresa em crescimento há desafios, mas cada desafio deve gerar melhoria de processo, controlo e aprendizagem.
Como vê o futuro da energia em Portugal e que papel a SolarTecnica pretende assumir?
Vejo o futuro da energia em Portugal mais descentralizado, inteligente e orientado para a autonomia. Durante muitos anos, famílias e empresas foram consumidoras passivas: pagavam a eletricidade e tinham pouco controlo sobre os custos. Esse modelo está a mudar. Hoje, cada casa e cada empresa pode produzir parte da sua energia, armazená-la, geri-la melhor e ficar menos vulnerável à instabilidade dos mercados.
Portugal tem excelentes condições para a energia solar, mas o futuro não será apenas instalar painéis. Será integrar painéis, baterias, sistemas inteligentes, climatização, mobilidade elétrica e backup. A energia deixará de ser vista apenas como despesa e passará a ser estratégica na casa e na empresa.
A SolarTecnica quer desempenhar um papel ativo nessa transformação, ajudando a elevar o padrão do setor. Mas queremos crescer com responsabilidade: soluções bem dimensionadas, instalações seguras, acompanhamento próximo e comunicação transparente. A nossa ambição é ser uma empresa de referência nacional em soluções energéticas, não apenas pelo volume, mas pela confiança que geramos.

diogo fErrEira
diretor
“O acompanhamento não pode depender apenas da boa vontade de uma pessoa; tem de estar desenhado dentro da empresa. Por isso, estruturamos cada fase da jornada: primeiro contato, qualificação, avaliação técnica, proposta, adjudicação, planeamento, instalação, conclusão, documentação, legalização e pós-venda.”
Wagner santos destaca a sustentabilidade como prioridade estratégica em portugal, com uma aposta em renováveis, eFiciência e integração inteligente, posicionando a bronzimática como parceira na descarbonização.

wagnEr santos gerente

De que forma tem sentido uma mudança na procura por soluções mais sustentáveis em Portugal?
Sentimos uma mudança de paradigma: a sustentabilidade deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma necessidade operacional. Na Bronzimática, o cliente já não procura apenas o menor custo de investimento inicial, mas sim o menor custo de ciclo de vida. Também a instabilidade dos combustíveis fósseis acelerou a transição para sistemas com fluidos naturais e tecnologias de alta eficiência. Hoje, em Portugal, existe uma consciência crítica: a refrigeração e a climatização são agora áreas fundamentais para a resiliência económica das empresas.
Desde a última entrevista, notou uma evolução da procura ativa por soluções em energias renováveis?
Sim, claramente. Passamos da “sensibilização” para a “implementação estratégica”. Hoje, a integração de bombas de calor de alta temperatura e a ligação a sistemas solares fotovoltaicos são exigências padrão.
Os nossos clientes procuram eletrificar o aquecimento e otimizar o desempenho térmico para reduzir dependências externas. Na Bronzimática, posicionamo-nos na vanguarda desta integração, garantindo que a refrigeração comunica de forma inteligente com a produção de energia renovável dos edifícios.
O mercado já está preparado para integrar plenamente soluções renováveis? Tecnicamente, estamos preparados e existe engenharia de excelência. Contudo, o desafio operacional está na complexidade da integração. É aqui que a Bronzimática se diferencia. O mercado nacional evoluiu, mas ainda há um caminho a percorrer na descarbonização industrial e de grandes edifícios. A nossa experiência diz-nos que a solução não passa apenas por instalar equipamentos modernos, mas por desenhar sistemas capazes de gerir a variabilidade das renováveis, mantendo a estabilidade térmica exigida pelos processos.
Que inovações considera mais críticas para reduzir a pegada energética sem comprometer a fiabilidade?
Destacam-se a utilização de fluidos naturais, como o CO₂ em sistemas transcríticos, e a recuperação total de calor. Não podemos continuar a desperdiçar energia térmica para a atmosfera. Este foco na eficiência extrema levou o nosso trabalho a ser selecionado pela International Energy Agency (IEA). Estaremos em Viena, no final deste mês, a expor soluções de descarbonização, provando que a engenharia portuguesa está na vanguarda das melhores práticas mundiais.
“Este foco na eficiência extrema levou o nosso trabalho a ser selecionado pela International Energy Agency (IEA). Estaremos em Viena, no final deste mês, a expor as nossas soluções de descarbonização, provando que a engenharia portuguesa está na vanguarda das melhores práticas mundiais.”
As empresas como a Bronzimática terão de evoluir para parceiros estratégicos?
Essa evolução já aconteceu connosco. Deixámos de ser apenas instaladores técnicos para nos tornarmos consultores de transição energética, estamos a trabalhar para tal! Apostamos numa “Engenharia de Confiança”, onde os clientes confiam-nos a gestão da sua fatura energética e a redução da pegada de carbono. Esta mudança reflete-se numa abordagem holística, otimizando um ativo financeiro e ambiental.
A seleção para representar este projeto em Viena, confirma esta metamorfose e o nosso compromisso com o futuro energético global.
Fábio o liveira destaca que a Huaca e nergy aposta numa relação de proximidade e em soluções personalizadas para ajudar Famílias e empresas a reduzir custos, aumentar a e F iciência energética e acelerar a transição para um modelo mais sustentável.
A transição energética tem assumido um papel central na estratégia de famílias e empresas. Ainda assim, persistem obstáculos que atrasam uma adoção generalizada. “Uma parte significativa da população ainda enfrenta limitações financeiras, o que dificulta a adoção imediata de soluções solares, apesar do seu claro retorno a médio e longo prazo”, explica Fábio Oliveira.
O responsável acrescenta que existe ainda “algum défice de informação”, fator que contribui para uma perceção menos clara do verdadeiro valor das soluções solares. Ainda assim, acredita que “com a evolução do mercado, maior acesso a financiamentos, crescente literacia energética e o trabalho que o Governo terá de fazer nesta área, estas barreiras tenderão a reduzir-se”.
A empresa trabalha tanto com particulares como empresas, mas as diferenças entre projetos são significativas. Nos particulares, o foco está sobretudo na redução da fatura energética e no aumento da autonomia. Já nas empresas, os projetos assumem uma dimensão mais estratégica, envolvendo maiores consumos, mais complexidade técnica e um impacto direto na otimização de custos operacionais. É também neste segmento que, regra geral, se verifica “um maior potencial de poupança, exigindo simultaneamente maior rigor técnico e planeamento especializado”.

“Privilegiamos uma relação de proximidade e uma análise cuidada de cada projeto, garantindo que cada solução é desenhada à medida das necessidades específicas de cada cliente, com foco na eficiência, rentabilidade e sustentabilidade a longo prazo.”
A promessa de poupanças de 30% a 80% nas faturas é apelativo, mas Fábio Oliveira deixa claro que “a fiabilidade das previsões depende de uma análise técnica rigorosa baseada em dados reais de consumo, perfis horários e características específicas de cada instalação”. Para isso, recorrem a ferramentas de simulação que permitem projetar a produção energética e o impacto na fatura do cliente.
panha também a evolução estratégica da empresa: afirmar-se como gestora integrada de energia, integrando soluções como carregadores elétricos, serviços de manutenção, eletricidade e consultoria especializada. “Queremos tornar-nos parceiros globais na gestão de energia”, destaca.
Situada em Vila Nova de Foz Côa, a Huaca Energy procura diferenciar-se através de uma abordagem centrada no cliente. “Privilegiamos uma relação de proximidade e uma análise cuidada de cada projeto, garantindo que cada solução é desenhada à medida das necessidades específicas de cada cliente, com foco na eficiência, rentabilidade e sustentabilidade a longo prazo”, sublinha.
Outro dos pilares da atuação é o acompanhamento técnico contínuo, começa com diagnóstico energético detalhado, seguido pelo dimensionamento da solução, seleção de equipamentos, instalação e monitorização permanente. “Mais do que uma intervenção pontual, procuramos assegurar uma relação de longo prazo com o cliente”, destaca. Esta visão acom-
O futuro do setor, admite, passará por soluções integradas e tecnologicamente interligadas. Num contexto marcado pela instabilidade geopolítica, o armazenamento assume um papel estratégico essencial, permitindo “maximizar o aproveitamento da energia produzida, aumentar a rentabilidade dos sistemas fotovoltaicos e reforçar a segurança energética, mesmo em cenários de falha de energia”, conclui.

www.huacaenergy.pt
geral@Huacaenergy.pt
i sabel m oreira destaca a crescente a F irmação das mul H eres no setor, o re Forço da regulação e da personalização do serviço, e garante que o objetivo passa por esclarecer os clientes, combater reservas e consolidar um negócio assente no rigor, na proximidade e no impacto positivo na vida das Famílias.
Que experiências foram determinantes para chegar à função que desempenha?
O meu percurso profissional evoluiu de forma natural na área financeira, sempre assente na relação com pessoas. Sou licenciada em Direito e iniciei a minha atividade profissional como consultora de seguros durante 15 anos e que foi determinante para desenvolver uma visão prática, humana e responsável da gestão financeira das famílias. Em 2019 entrei na área da intermediação de crédito, que me permitiu aprofundar ainda mais a minha ligação ao cliente e ao impacto real das decisões financeiras na vida das pessoas. Foi um desafio e uma confirmação de propósito.
Diria que os momentos mais marcantes foram sempre aqueles em que percebi que o meu trabalho ajudou alguém a concretizar objetivos ou simplesmente a tranquilidade de uma decisão bem tomada.
Como tem sido afirmar-se enquanto mulher na área financeira e que mudanças tem observado nos últimos anos?
O percurso tem sido feito com consistência, dedicação e muito foco no valor que entrego. Apesar de historicamente masculino, o setor tem vindo a mudar de forma clara. Hoje, vejo cada vez mais mulheres em posições de liderança e funções técnicas relevantes, o que enriquece o setor. No meu caso, sinto que a abordagem mais empática, próxima e orientada para a escuta tem sido uma mais-valia na construção de confiança com os clientes. Mais do que provar alguma coisa, o objetivo sempre foi fazer bem feito, e isso acaba por falar por si.
Que conselhos daria a mulheres que querem seguir carreira na área financeira?
Acreditem na vossa capacidade, mesmo sem todas as respostas. A área financeira exige rigor, aprendizagem contínua e resiliência, mas também oferece enormes oportunidades de crescimento. Não tenham receio de começar, mesmo que o caminho ainda pareça incerto. O contacto com o cliente é uma escola

“O setor evoluiu de forma muito significativa, sobretudo em profissionalização, regulação e proxio cliente está mais infor-
que obriga a uma resposta midade ao cliente. Hoje, mado e mais exigente, o mais especializada e transparente.”
constante, onde cada pessoa, situação e objetivo ajudam a construir uma experiência real. E é isso que faz a diferença a longo prazo.
Como têm acompanhado a evolução do setor de intermediação de crédito e têm respondido às necessidades dos clientes?
O setor evoluiu de forma muito significativa, sobretudo em profissionalização, regulação e proximidade ao cliente. Hoje, o cliente está mais informado e mais exigente, o que obriga a uma resposta mais especializada e transparente.
Procuro acompanhar essa evolução com atualização constante, rigor técnico e, acima de tudo, capacidade de adaptação às necessidades de cada família. Não existem soluções iguais para todos, e essa personalização é cada vez mais essencial.
Qual é o impacto da literacia financeira nas decisões das famílias e de que modo a vossa atuação tem sido fundamental para a sua capacitação?
A literacia financeira é um dos pilares mais importantes na tomada de decisões conscientes. Muitas famílias decidem com base em informação incompleta ou pouco clara, o que pode ter impactos significativos a médio e longo prazo. O nosso papel é precisamente o de simplificar, esclarecer e orientar, traduzindo o “financeiro complexo” em linguagem acessível. Assim, contribuímos para decisões mais informadas e seguras. Mais do que intermediar crédito, procuramos esclarecer as pessoas de forma a entenderem melhor as suas opções.
Que conselhos daria a quem ainda tem reservas sobre a intermediação de crédito? É natural ainda existir alguma reserva, sobretudo por desconhecimento sobre o papel do intermediário de crédito. O que sempre procuro transmitir é que o nosso foco diário é encontrar soluções
ajustadas, com transparência, rigor, isenção e acompanhamento permanente e personalizado em todas as etapas do processo. Quando as pessoas percebem que existe um acompanhamento profissional, regulado e centrado no seu interesse, a perceção muda completamente.
Quais são os vossos principais objetivos estratégicos para os próximos anos e de que forma perspetiva a evolução do negócio? Pretendemos consolidar a confiança dos clientes e reforçar a proximidade local, garantindo um serviço cada vez mais personalizado e eficiente. Como parte da rede Doutor Finanças, queremos continuar a crescer com base na confiança, rigor e impacto positivo na vida das pessoas.
Acredito que o futuro da intermediação de crédito será cada vez mais transparente e orientado para a literacia financeira. E é nesse caminho que queremos continuar a evoluir.



os serviços de intermedi Ação de crédito são Gr Atuitos
medicred, unipessoal lda está registado no banco de portugal, com o numero de registo 0007957, como intermediário de crédito vinculado, sem regime de exclusividade, tendo celebrado contrato com as seguintes entidades: banco santander totta, s.a.; caixa geral de depósitos, s.a.; union de créditos inmobiliários, s.a., establecimiento Financeiro de crédito (sociedad unipersonal) - sucursal em portugal; bankinter, s.a. - sucursal em portugal; banco ctt, s.a.; banco bpi s.a.; novo banco, s.a.; a banca corporación bancaria, s.a., sucursal em portugal. medicred, unipessoal lda está autorizado a: i) apresentação ou proposta de contratos de crédito a consumidores; ii) assistência a consumidores, mediante a realização de atos preparatórios ou de outros trabalHos de gestão pré-contratual relativamente a contratos de crédito que não tenHam sido por si apresentados ou propostos; iii) celebração de contratos de crédito com consumidores em nome dos mutuantes e iv) prestação de serviços de consultoria. marca detida pelo doutor Finanças unipessoal lda.

“Com a tecnologia, conseguimos ter mais controlo, mais precisão e permite dar mais confiança e uma ideia muito mais clara do resultado final ao cliente. No fundo, o nosso papel é antecipar o máximo possível e gerir imprevistos da melhor forma.”
a projectline aFirma-se pela resiliência, gestão integrada de projetos e proximidade ao cliente, num modelo que alia modelação 3d, rigor de custos, sustentabilidade e inovação para responder aos desaFios de um setor em transFormação.
A ProjectLine surgiu da necessidade de uma mudança profissional de Susana Marum e rapidamente se destacou num mercado exigente. “Sempre estive mais ligada à obra, ao contacto direto com os clientes e à dinâmica dos projetos, que me proporcionam maior diversidade, desafio e motivação”, explica. O arranque coincidiu com a incerteza da pandemia, tornando o processo mais exigente, mas também revelador quanto ao tipo de empresa que pretendia construir. “Essa fase ensinou-me o valor da resiliência, da adaptação e da confiança no percurso traçado, mesmo em contextos adversos”.
Com atividade sobretudo em zonas de elevado valor imobiliário, atua tanto em construção nova, como em projetos de alteração e legalização. “Não trabalhamos apenas com clientes que adquirem um lote para construir uma nova habitação, mas também com aqueles que já possuem imóveis e precisam de alterar, modernizar ou legalizar”, destaca.
sustentabilidade e tecnologia como motores de inovação
Num setor em que a obra é, muitas vezes, valorizada apenas quando já está em curso, a ProjectLine distingue-se por acompanhar todo o ciclo do projeto, ajudando o cliente a perceber o que é possível fazer, quanto poderá custar e que resultado poderá esperar. “Não somos apenas uma empresa de gestão e coordenação de projetos. Acompanhamos o cliente desde a viabilidade do projeto, arquitetura, especialidades, topografia, gestão e coordenação de obra até à sua concretização”, sublinha a empresária.
Além disso, a sustentabilidade e a inovação ganharam um peso crescente na construção. Para Susana Marum, trata-se de um caminho ine-


vitável num mercado cada vez mais exigente. “Procuramos integrar essas preocupações logo na fase de conceção, encontrando soluções que sejam tecnicamente sólidas, mas também preparadas para o futuro”. Também a aposta em tecnologia, com recurso à modelação 3D e estimativas de custo, permite antecipar soluções, reduzir erros e reforçar a segurança na tomada de decisão. “Com a tecnologia, conseguimos ter mais controlo, mais precisão e permite dar mais confiança e uma ideia muito mais clara do resultado final ao cliente. No fundo, o nosso papel é antecipar o máximo possível e gerir imprevistos da melhor forma”.
relação de conFiança e visão de crescimento
Para a CEO, o verdadeiro valor de um projeto está na relação construída com o cliente ao longo do processo. “Executar um projeto é apenas uma parte do trabalho. O mais importante é construir uma relação de confiança”. Esta visão traduz-se numa comunicação constante, acompanhamento próximo e uma resposta contínua às necessidades dos clientes. “Costumo dizer que construímos sonhos, não apenas projetos”. Por outro lado, a aposta numa equipa jovem e numa presença digital ativa reforça esta proximidade e permite acompanhar novas formas de interação e comunicação.
Num setor pressionado pela escassez de mão de obra qualificada, burocracia e evolução tecnológica, a ProjectLine pretende crescer com uma equipa multidisciplinar, parceiros de confiança e uma forte componente tecnológica. “Queremos continuar a crescer mantendo a nossa essência, mas adaptando-nos às novas exigências do setor e do mercado”, conclui.
josé gonçalves acredita que muitas empresas continuam a FalHar por gerir decisões Financeiras de Forma isolada. numa conjuntura marcada pela volatilidade e pressão económica, deFende uma abordagem integrada, assente em planeamento, literacia Financeira e gestão de risco estratégica.
Na sua perspetiva, quais são os maiores erros que as empresas continuam a cometer quando falamos de visão financeira integrada e tomada de decisão a longo prazo?
Nas empresas, o maior erro é gerir por silos. Tesouraria, financiamento, seguros, impostos e investimento são tratados como decisões independentes, quando todos condicionam a mesma coisa: crescer com segurança. O tempo também tem custo: capital parado perde valor, mas capital mal aplicado retira liquidez. Antes de procurar soluções, é essencial mapear obrigações, prazos e riscos.
Num contexto marcado por inflação, volatilidade dos mercados e crescente pressão regulatória, como a Safebrok ajuda empresas e investidores a equilibrar prudência financeira com ambição de crescimento?
Começamos por separar o que tem funções diferentes. Numa empresa, liquidez operacional, reservas, impostos e excedentes não devem estar no mesmo “bolso”. Para investidores e famílias, a lógica é semelhante: fundo de emergência, crédito habitação, seguros, poupança e investimento têm papéis distintos. A Safebrok ajuda a organizar estas decisões, procurando soluções adequadas ao perfil, prazo e liquidez necessária.
“Numa empresa, liquidez operacional, reservas, impostos e excedentes não devem estar no mesmo “bolso”. Para investidores e famílias, a lógica é semelhante: fundo de emergência, crédito habitação, seguros, poupança e investimento têm papéis distintos.”

A Safebrok posiciona-se como uma rede independente de gestores focada nas necessidades reais do cliente. Na prática, como é que essa independência se traduz numa vantagem competitiva face aos modelos tradicionais do setor financeiro?
A independência traduz-se na liberdade de
diagnosticar antes de recomendar. Não partimos de uma solução pré-definida, mas da realidade de cada cliente: património, objetivos, riscos, créditos, seguros, liquidez e horizonte temporal. Esta visão permite ligar decisões que, no modelo tradicional, surgem separadas. A vantagem não está apenas em encontrar produtos, mas em dar coerência à vida financeira do cliente.
Fala-se muito de gestão de risco, mas poucas organizações conseguem transformar essa análise em valor concreto para o negócio. Que metodologias ou abordagens considera essenciais para antecipar riscos sem comprometer oportunidades?
Antecipar risco exige organização. Primeiro, distinguir capital de operação, reservas, obrigações futuras e capital de crescimento. Depois, simular cenários: subida de taxas, atrasos nos recebimentos, financiamento ou oportunidades inesperadas. Uma empresa que sabe que liquidez pode mobilizar e que riscos tem protegidos decide melhor. O objetivo não é evitar risco, é assumi-lo com critério.
Para os próximos anos, acredita que as empresas estão preparadas para uma cultura de gestão financeira verdadeiramente 360º? Que transformação considera ainda necessária ao nível da liderança e da literacia financeira empresarial?
A cultura 360º ainda não está consolidada. Muitas empresas continuam a olhar para finanças apenas quando há uma necessidade imediata. A transformação passa por liderança com mais literacia financeira, planeamento regular e melhor uso de dados. A tecnologia, incluindo a Inteligência Artificial, pode acelerar diagnósticos, mas não substitui critério humano. O futuro será transformar informação financeira em decisões consistentes.
na liderança de uma marca personalizada, soFia moreira deFende uma abordagem imobiliária mais próxima, estratégica e Humana, onde cada decisão é pensada para criar valor e conFiança. um imobiliário com estratégia, identidade e proximidade
O que a levou a criar uma marca com uma identidade tão personalizada? E que lacuna sentiu que existia no mercado imobiliário para justificar este posicionamento?
A SOPHIA HOME nasce da perceção de que o imobiliário ainda é muitas vezes tratado de forma padronizada, quando estamos a falar de decisões profundamente pessoais. Senti falta de individualidade, escuta e estratégia real. Criámos uma abordagem boutique, onde cada imóvel é posicionado com intenção e cada cliente acompanhado com critério. Mais do que vender propriedades, procuramos criar valor real, abrir oportunidades e transformar decisões importantes em experiências marcantes. A diferença não está apenas no que fazemos – está na forma como fazemos sentir quem confia em nós.
“Às mulheres: não esperem
pelo momento ideal. Posicionem-se com intenção e autenticidade. As marcas mais fortes não são as que tentam ser tudo para todos – são as que deixam uma identidade impossível de ignorar.”
peças soltas, sente direção. Cada etapa é pensada para reduzir ruído, antecipar obstáculos e garantir alinhamento entre todas as partes envolvidas. Isso traduz-se em mais confiança, decisões mais seguras. É essa consistência estratégica que dita um processo verdadeiramente bem-sucedido.
Enquanto CEO e broker, como a sua visão de liderança influencia a cultura da equipa, a relação com os clientes e a forma como a SOPHIA HOME toma decisões?
A minha liderança assenta em clareza, proximidade e motivação contínua da equipa. Acredito numa liderança que desafia, acompanha e mantém a equipa alinhada com elevados padrões de serviço. A equipa sabe que não representa apenas um serviço, mas uma marca com posicionamento. Privilegiamos qualidade em vez de volume. As decisões seguem três princípios: proteger o cliente, valorizar o imóvel e preservar a reputação. A confiança constrói-se pela consistência.
O seu trabalho cruza mediação imobiliária, acompanhamento jurídico, crédito, marketing e home staging. O que distingue uma consultora imobiliária de excelência de uma simples intermediária de negócios, e como isso se traduz na experiência do cliente?
A diferença está na profundidade. Não ligo apenas partes – estruturo todo o processo. Atuo desde a preparação ao fecho: tudo é articulado de forma integrada. O cliente não gere
Que mudanças estruturais identifica hoje no comportamento de compradores e vendedores, e como uma empresa boutique se adapta sem perder proximidade nem rigor? O cliente está mais informado, mas também mais exigente e indeciso. Procura orientação, não apenas oferta. A informação cresceu, mas a confiança não. Uma boutique adapta-se com critério: usa dados e tecnologia, mas mantém proximidade. Mais do que acompanhar tendências, importa saber interpretar contexto, filtrar ruído e transformar informação em decisões seguras. É esse equilíbrio que traz clareza, confiança e uma experiência verdadeiramente diferenciadora.
Sendo uma mulher empreendedora, o que


tem sido mais desafiante? E que mensagem gostaria de deixar às mulheres que ambicionam liderar os seus próprios projetos?
O desafio é crescer, afirmar a marca e manter valores ao mesmo tempo. Crescer exige disciplina, posicionar exige coragem e manter valores exige saber dizer não. Às mulheres: não esperem pelo momento ideal. Posicionem-se com intenção e autenticidade. As marcas mais fortes não são as que tentam ser tudo para todos – são as que deixam uma identidade impossível de ignorar.

Que tendências globais estão a transformar a gestão de projetos de grande escala?
A Inteligência Artificial (IA) é hoje o maior desafio tecnológico, embora ainda poucos saibam explorá-la em profundidade. Ao mesmo tempo, as alterações na economia global, logística, recursos humanos e trabalho remoto pressionam os modelos tradicionais e, nalguns casos, provocam um retrocesso na disciplina organizacional,
alexandre rodrigues deFende que a inteligência artiFicial e metodologias avançadas, como o earned value management, estão a transFormar a gestão de projetos, tornando-a mais estratégica, eFiciente e orientada por dados.
afetando eficiência e qualidade. Para responder a estes desafios, as organizações recorrem cada vez mais a métodos de gestão avançados, baseados em dados, insights e IA.
Nos últimos três anos colaborou com a Google/Alphabet na aplicação da metodologia
Earned Value Management (EVM) em centros de dados europeus. Como pode o EVM otimizar a sua gestão?
Falamos de vários centros de dados, com um orçamento global de milhares de milhões de euros, distribuídos por diferentes países europeus. Cada projeto envolve vários fornecedores e culturas de trabalho distintas, o que exige integração e coordenação, além de preocupações com sustentabilidade energética e impacto ambiental.
O EVM foi escolhido por ser rigoroso, objetivo e transparente, capaz de gerar informação de gestão avançada. Criado pelo Departamento de Defesa dos EUA, permite gerir projetos com base em dados e tem ganho relevância mundial e adoção crescente no setor privado.
“A IA irá libertar os profissionais de tarefas menos relevantes, desde resumos de reuniões a relatórios de progresso. O maior impacto estará na qualidade dos dados e na produção de análises de gestão, incluindo estimativas de custo e prazo ou diagnóstico de desvios.”
O trabalho que está a desenvolver com a PMO Projects Group, em parceria com especialistas norte-americanos, pretende tornar metodologias avançadas como o EVM mais acessíveis às organizações. A IA poderá democratizar esse acesso?
A tecnologia evoluiu para executar tarefas repetitivas e até perigosas com maior eficiência e qualidade, libertando as pessoas para ativida-
des de maior impacto. A IA faz o que já sabemos fazer, mas mais depressa e com menos erros: analisa dados, faz deduções e executa fluxos de trabalho complexos. Neste projeto, o objetivo é criar agentes de IA capazes de analisar projetos através do método EVM.
Em vez de o analista “mergulhar num oceano de dados”, a IA poderá validar informação e gerar relatórios sintéticos sobre custos, desvios e áreas críticas. A solução já foi testada e funciona, apesar de ainda existirem limitações. Trata-se de um serviço de advisory para equipas de projeto, tornando o EVM e os seus benefícios mais acessíveis. Os desenvolvimentos serão publicados em www.earnedvaluemanagement. ai. Existem ainda iniciativas semelhantes, como uma na Noruega e uma outra, a Constructer.ai, com participação de profissionais portugueses. A AACEi.org é também uma fonte de práticas muito relevantes nesta área.
Estamos perante uma mudança estrutural na profissão de Gestor de Projetos?
A IA irá libertar os profissionais de tarefas menos relevantes, desde resumos de reuniões a relatórios de progresso. O maior impacto estará na qualidade dos dados e na produção de análises de gestão, incluindo estimativas de custo e prazo ou diagnóstico de desvios. O gestor de projetos do futuro terá de dominar tecnologia e ferramentas de IA, tomando decisões mais rápidas e informadas, com acesso em tempo real a informação avançada.
O perfil será mais estratégico, com novas competências, maior capacidade de decisão e responsabilidades acrescidas. A IA poderá ainda reforçar a transparência, produzindo análises mais independentes, objetivas e menos condicionadas por fatores externos.


EnErgia vErdE aCElEra
pEso dos EstrangEiros no Crédito quasE dupliCou
Em portugal
Os estrangeiros representaram 13,56% do montante do crédito à habitação em 2025, quase o dobro face a 2021. Em número de contratos, passaram de 6,05% para 11,74% dos mutuários. Os brasileiros lideram, com 44% dos créditos entre estrangeiros, seguidos por angolanos, ucranianos e italianos.
Portugal reforça em 2026 as leis para a transição energética, alinhadas com o PNEC 2030 e a meta de neutralidade climática em 2045.

JovEns lidEram Crédito à haBitação Em 2025
naCionalidadE soB novas rEgras
Os jovens entre os 18 e os 35 anos representaram 58% dos novos contratos de crédito à habitação em 2025, mais 11 pontos percentuais que no ano anterior. Foram celebrados mais de 105 mil contratos, num total superior a 19 mil milhões de euros.
A nova Lei da Nacionalidade em Portugal impõe regras mais exigentes: o prazo mínimo de residência legal aumenta para sete anos para cidadãos da CPLP e da União Europeia, e para dez anos para os restantes estrangeiros. A lei reforça ainda os critérios de integração, exigindo conhecimentos de língua, cultura e história portuguesas.
O plano prevê mais investimento em energias renováveis, eficiência energética e redução de emissões, com destaque para a expansão da energia solar e eólica e para o aumento da eletricidade de origem limpa.


rE aBilitar E rEinvEntar: a nova arquitEtura
tEnsõEs gloBais agravam-sE no CEnário intErnaCional

intErmEdiação
CrEsCE Em 2026
dE Crédito

novo programa dE saúdE oral rEforça aCEsso no sns
O aumento das hostilidades no Médio Oriente, envolvendo EUA, Israel e Irão, está a intensificar as tensões globais. Na Europa, mantém-se a preocupação com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
A arquitetura aposta em espaços mais sustentáveis, funcionais e sensoriais. A reabilitação urbana ganha força, com materiais naturais, eficiência energética e integração entre interior e exterior a dominarem os projetos. O foco deixa de ser apenas a estética e passa a privilegiar conforto, bem-estar e durabilidade.

O novo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral 2030 cria o cheque-prótese para utentes vulneráveis e reforça a integração dos cuidados no SNS. A medida entra em vigor em 2027 e poderá duplicar o número de beneficiários.
Portugal conta já com mais de 6 mil intermediários de crédito registados no Banco de Portugal, refletindo a crescente procura por apoio especializado no acesso ao financiamento. O setor continua a ganhar peso no crédito à habitação, impulsionado pela comparação de propostas, maior literacia financeira e procura de soluções mais competitivas.
govErno quEr dEsBloquEar hEranças indivisas

O Governo aprovou medidas que permitem a um único herdeiro iniciar a venda de imóveis posta inclui arbitragem fora dos tribunais para

mais mulhErEs na lidErança
Em Portugal, as mulheres ocupam 39,6% dos cargos de gestão, acima da média da União Europeia (36,3%), segundo dados de 2026. Ainda assim, nos níveis mais altos de decisão, a desigualdade continua a marcar presença entre homens e mulheres.

fique a par das
entre a inovação tecnológica e o papel Humano como conselHeiro Financeiro, a ds barreiro FidalguinHos posiciona-se como um parceiro de reFerência, centrado em soluções seguras e ajustadas à realidade de cada cliente.
“Equipas bem preparadas, com uma visão que vá além do produto e que valorize verdadeiramente o cliente e o impacto das nossas ações na sua vida, são determinantes para alcançar melhores resultados e construir relações duradouras.”
A DS Barreiro Fidalguinhos tem vindo a afirmar o seu posicionamento, através de uma abordagem integrada, proximidade ao cliente e acompanhamento contínuo. À frente da estrutura está Nelson Favas, profissional com percurso iniciado em 2001, construído essencialmente “no terreno”. A experiência acumulada em áreas como crédito, mediação imobiliária, intermediação de crédito e seguros permitiu-lhe desenvolver uma visão global do setor e uma filosofia de liderança centrada nas pessoas. “O meu percurso profissional foi construído essencialmente no terreno, desempenhando funções como consultor dentro da mesma marca. Essa experiência prática permitiu-me lidar diretamente com os desafios reais das pessoas, acompanhar decisões importantes e perceber o impacto concreto que essas decisões têm nas suas vidas”, explica.

nElson
Mais do que olhar para a atividade apenas numa perspetiva comercial, o diretor da agência defende que o setor exige responsabilidade e consciência sobre o impacto das decisões tomadas. “Não se trata apenas de vender casas ou de aprovar créditos. Trata-se de pessoas, confiança e responsabilidade associada às recomendações que fazemos. Na maioria das vezes, as decisões que ajudamos a tomar têm
impacto a longo prazo”. Essa visão reflete-se hoje na liderança da DS Barreiro Fidalguinhos, onde o foco passa por equipas preparadas, próximas e capazes de olhar para além da componente técnica. “Equipas bem preparadas, com uma visão que vá além do produto e que valorize verdadeiramente o cliente e o impacto das nossas ações na sua vida, são determinantes para alcançar melhores resultados e construir
relações duradouras”, acrescenta.
Um dos principais fatores diferenciadores da agência é precisamente a integração de várias áreas de serviço sob a mesma estrutura. Crédito, mediação imobiliária, seguros e obras coexistem numa lógica de acompanhamento transversal, permitindo ao cliente centralizar todo o processo num único interlocutor. “A DS Barreiro Fidalguinhos distingue-se pela sua abordagem integrada e pela visão de ‘interlocutor único’. Na prática, conseguimos acompanhar o cliente em todas as fases do processo, centralizando os serviços dentro da própria agência”, esclarece.
Este modelo permite respostas mais rápidas, coordenadas e eficientes, reduzindo tempos de espera e evitando o recurso a diferentes entidades. Apesar da existência de áreas especializadas, os consultores estão preparados para acompanhar o cliente de forma transversal. “Esta cultura interna, em que os consultores estão preparados para prestar um acompanhamento 360, constitui um fator diferenciador face à oferta atual do mercado”, refere.
Num contexto de excesso de informação e maior incerteza, o responsável considera que o papel do intermediário de crédito deve assumir uma dimensão mais consultiva. “Na minha opinião, o intermediário de crédito deve assumir-se, acima de tudo, como um verdadeiro conselheiro financeiro. O seu papel não se limita a apresentar propostas, passa por compreender cada cliente e identificar as suas necessidades específicas”. No entanto, a principal dificuldade não está apenas no custo do financiamento ou no acesso à habitação, mas na capacidade de gerar confiança num mercado saturado de informação. “Vivemos num mercado altamente exigente e saturado de informação. Existe uma grande quantidade de conteúdos disponíveis que, muitas vezes, contribuem mais para aumentar a confusão do que para esclarecer”, explica.
Neste contexto, acredita que a diferenciação passa pela competência técnica, profissionalismo e criação de relações sólidas. “O maior desafio é a construção de confiança. Essa confiança deve ser conquistada através da diferenciação, competência técnica e profissionalismo”, reforça. Também a inovação e a digitalização são prioridades estratégicas para a agência: a inteligência artificial é encarada como uma ferramenta com elevado potencial

para aumentar a eficiência, otimizar processos e melhorar a experiência do cliente. “A inteligência artificial terá um impacto muito significativo na forma como trabalhamos e prestamos aconselhamento financeiro”, refere.
Segundo Nelson Favas, a capacidade de analisar informação mais rapidamente, gerar resumos estruturados e personalizar a comunicação permitirá respostas mais céleres e eficazes. Ainda assim, sublinha que a tecnologia não substitui o fator humano. “A análise crítica, validação da informação e garantia de conformidade legal continuam a ser responsabilidades essenciais dos profissionais”.
Paralelamente ao crescimento da agência, desenvolveu também a marca pessoal “Imóveis Que Marcam”, um projeto que procura reforçar a dimensão humana do setor. “A marca Imóveis Que Marcam surgiu da necessidade de ir mais além e fazer melhor. Não se trata apenas da venda de imóveis, mas de reconhecer que cada imóvel representa um impacto real na vida das pessoas”, afirma. A marca pretende
ainda acompanhar momentos decisivos da vida dos clientes, reforçando uma abordagem centrada na confiança e proximidade. “Queremos fazer parte da história de vida das pessoas. Imóveis Que Marcam representa exatamente isso: a construção de capítulos significativos dessa história”, acrescenta.
Quanto ao futuro, acredita num crescimento sustentado do setor, assente na especialização e na qualidade do serviço. A ambição da DS Barreiro Fidalguinhos passa por consolidar o posicionamento como referência de confiança junto das famílias e empresas. “O papel da agência passa por ajudar cada cliente a encontrar as melhores soluções, de forma segura, consciente e ajustada à sua realidade individual”. A mensagem final resume o posicionamento da empresa: proximidade, disponibilidade e acompanhamento personalizado. “A empresa está totalmente orientada para servir as pessoas. A equipa encontra-se 100% disponível para analisar cada situação de forma individualizada, garantindo acompanhamento próximo nas diferentes áreas de atuação”, conclui Nelson Favas.
“A marca Imóveis Que Marcam surgiu da necessidade de ir mais além e fazer melhor. Não se trata apenas da venda de imóveis, mas de reconhecer que cada imóvel representa um impacto real na vida das pessoas.”
maxFinance prestige: um crédito com consciência
perante o crescimento do crédito à Habitação em portugal, vera ramos, co- gerente e broker da maxFinance prestige, alerta para a importância da literacia Financeira e deFende um acompanHamento especializado para garantir decisões sustentáveis e ajustadas à realidade de cada Família.
“Na Maxfinance Prestige, a prioridade é a vertente humana e a proteção do consumidor, garantindo que o financiamento é sustentável para a realidade financeira de cada família.”

Os dados do Banco de Portugal mostram que o crédito à habitação cresceu 9,8% em termos anuais. Este crescimento reflete uma retoma saudável da procura?
O crescimento pode refletir maior confiança das famílias e estabilidade nas taxas de juro, mas deve ser analisado com cautela. Continuam a existir prestações que pesam no rendi-

mento mensal, deixando muitas famílias vulneráveis. A literacia financeira é, por isso, essencial. A aprovação bancária não deve ser confundida com capacidade sustentável a longo prazo. É importante analisar a taxa de esforço, estabilidade dos rendimentos e capacidade real das famílias para suportar encargos futuros sem comprometer a qualidade de vida.
O papel do intermediário de crédito ainda é mal compreendido por muitos portugueses. Como explicam o valor acrescentado deste serviço?
O papel do intermediário de crédito continua a ser subvalorizado pela ideia errada de que representa um custo adicional. Na prática, trata-se de um apoio técnico e estratégico que ajuda o consumidor a tomar decisões mais informadas e seguras. O crédito habitação tornou-se um produto técnico, onde pequenas diferenças em spreads, TAEG, MTIC, seguros ou cláusulas podem representar milhares de euros ao longo do contrato. O intermediário ajuda a reduzir esta assimetria de informação e a encontrar soluções ajustadas ao perfil do cliente.
Na Maxfinance Prestige, a prioridade é a vertente humana e a proteção do consumidor, garantindo que o financiamento é sustentável para a realidade financeira de cada família.
Que perfil de cliente chega à Maxfinance Prestige e que cuidados devem ter os particulares antes de avançar com um crédito à habitação?
Recebemos clientes com perfis muitos distintos, desde jovens à procura da primeira habitação, a famílias com encargos elevados e clientes que procuram soluções para renegociar ou transferir o crédito. O foco da Maxfinance Prestige está no aconselhamento especializado, evitando decisões precipitadas motivadas pela pressão do mercado imobiliário. Antes de avançar, é essencial avaliar não apenas a prestação atual, mas também a capacidade para lidar com aumentos de encargos, alterações profissionais ou imprevistos. Por isso, a aprovação do banco não dispensa uma reflexão séria sobre a sustentabilidade financeira a médio e longo prazo.
A literacia financeira continua a ser um dos maiores obstáculos do acesso ao crédito em Portugal?
A literacia financeira continua a ser um grande desafio no crédito à habitação. Muitas famílias assumem compromissos de 30 ou 40 anos sem compreender conceitos essenciais, focando-se apenas na prestação mensal e desvalorizando os riscos futuros. É neste contexto que a Maxfinance Prestige procura fazer a diferença, esclarecendo dúvidas, explicando riscos e traduzindo informação técnica para uma linguagem acessível. O objetivo é dar aos clientes maior confiança para tomarem decisões mais conscientes e ajustadas à sua realidade financeira.
com proximidade, clareza e conFiança
marta bexiga deFende uma comunicação mais simples, transparente e Humana no setor Financeiro, para ajudar os portugueses a tomarem decisões mais conscientes e seguras.
O que distingue um bom gestor de crédito de alguém que apenas vende soluções financeiras?
A experiência na área da banca faz toda a diferença na forma como olhamos para cada processo e na forma como acompanhamos o cliente do início ao fim. Quem conhece o lado da banca tem uma visão mais completa de todo o processo, desde a análise até à relação com o banco e restantes intervenientes. Mais do que “vender” soluções, o essencial é perceber a realidade de cada cliente, ouvir com atenção e acompanhar com responsabilidade. O objetivo é criar confiança e garantir que o cliente se sente apoiado em todas as etapas.
Muitos portugueses sentem ansiedade quando falam de dinheiro. Ainda existe um tabu financeiro em Portugal? Como isso influencia as decisões das famílias? Sim, o tabu em torno do dinheiro continua presente. Muitas pessoas evitam falar das suas dificuldades financeiras, até em família, o que gera ansiedade e pressão. Quando o tema não é tratado com naturalidade, as decisões acabam a ser adiadas ou tomadas sob maior stress, afetando a gestão do orçamento e o planeamento do futuro. A solução passa por falar mais abertamente sobre dinheiro e reforçar a literacia financeira. Quanto maior for a informação e a clareza, maior será a confiança das pessoas para tomarem decisões equilibradas.
A Gurus do Crédito aposta numa comunicação próxima. Acredita que as marcas financeiras devem abandonar a linguagem técnica para criarem relações mais transparentes e confiáveis?
Acho isso fundamental. As pessoas valorizam cada vez mais uma comunicação simples, direta e próxima, sobretudo numa área onde já existe alguma insegurança. A minha experi-

ência na banca mostrou-me que, quando a informação é explicada de forma clara, o cliente sente-se mais confortável e confia mais no processo. Usar linguagem demasiado técnica — o chamado “banquês” — cria muitas vezes uma distância desnecessária. Simplificar não

significa perder profissionalismo, mas sim aproximar-se das pessoas e tornar a informação mais acessível.
Considera que as novas gerações estão mais conscientes financeiramente ou apenas mais cautelosas perante a instabilidade económica?
Hoje existe mais informação sobre literacia financeira e maior apoio de profissionais e intermediários de crédito. Isso faz com que os mais jovens estejam mais informados e conscientes nas decisões relacionadas com crédito e gestão financeira. Ao mesmo tempo, vivem num contexto económico instável, o que os torna naturalmente mais cautelosos. Ainda assim, são gerações mais abertas a aprender, investir e procurar soluções, embora com maior atenção ao risco.
“A minha experiência na banca mostrou-me que, cliente sente-se mais conquando a informação é exfortável e confia mais no plicada de forma clara, o processo.”
Se pudesse mudar alguma coisa no sistema financeiro português, o que seria?
Tornaria a informação financeira mais simples, clara e acessível para todos. Apesar do apoio já existente através dos intermediários de crédito, muitas pessoas continuam a sentir dificuldades perante termos, taxas e condições técnicas. Quanto mais transparente e simples for a comunicação, maior será a confiança dos consumidores. E com confiança, as decisões financeiras tornam-se mais seguras, conscientes e ajustadas à realidade de cada pessoa.

“Muitos
consumidores valorizam apenas a prestação mensal e nem sempre compreendem o impacto da taxa de juro, dos seguros ou do prazo no custo total do financiamento. Existe uma diferença significativa entre escolher a prestação mais baixa e tomar uma decisão financeira inteligente.”


Como avalia a capacidade das famílias para absorver este novo ciclo de pressão financeira?
Hoje, a capacidade das famílias é muito heterogénea. Quem contratou crédito com níveis de esforço mais conservadores ou tem rendimentos e poupanças mais estáveis consegue, apesar do impacto, acomodar o aumento da prestação. Depois há famílias que contrataram crédito com taxas historicamente baixas e agora sentem maior pressão. A subida da Euribor traz pressão mas vem também relembrar que o crédito à habitação é uma decisão de longo prazo, sujeita a diferentes ciclos económicos.
70% dos contratos de crédito à habitação celebrados em 2025 deverão ser pagos já após os 70 anos. Existe um problema estrutural de sustentabilidade no modelo atual de financiamento?
É um reflexo do desequilíbrio entre preço da habitação, rendimentos e capacidade de poupança. Prolongar o prazo reduz a prestação, mas transfere algum esforço financeiro para fases mais tardias da vida. Por isso, é essencial garantir a sustentabilidade da solução ao longo do tempo. É também por isso que o papel do intermediário de crédito é fundamental na contratação do crédito, uma vez que procuramos o equilíbrio no total do prazo.
Os portugueses estão preparados, ao nível da literacia financeira, para tomar decisões informadas sobre crédito? Que lacunas ainda identifica?
Apesar da evolução dos últimos anos, continuam a existir lacunas. Muitos consumidores valorizam apenas a prestação mensal e nem sempre compreendem o impacto da taxa de juro, dos seguros ou do prazo no custo total do financiamento. Existe uma diferença significativa entre escolher a prestação mais baixa e tomar uma decisão financeira inteligente.
soFia severino, ceo da gold by maxFinance, alerta para a pressão crescente sobre as Famílias e deFende maior literacia Financeira e aconselHamento especializado para garantir decisões de crédito mais sustentáveis a longo prazo.
Portanto, é essencial comunicar de forma simples, transparente e próxima das pessoas. O intermediário de crédito tem um papel que vai muito além da simples “ligação” entre cliente e banco – é um papel cada vez mais estratégico e educativo, sobretudo numa das decisões financeiras mais relevantes para as famílias.
Que papel desempenham na educação financeira dos clientes, promovendo escolhas mais sustentáveis a longo prazo?
Hoje, um intermediário de crédito tem também uma função pedagógica e de aconselhamento. Na GOLD by Maxfinance acreditamos muito nesta missão. Não nos limitamos a apresentar propostas bancárias! Procuramos ajudar o cliente a comparar cenários, a perceber as implicações de cada solução e a tomar decisões mais conscientes e sustentáveis para o futuro. Num contexto de maior pressão financeira, esta preparação permite antecipar desafios e incentivar hábitos de poupança.
Que tendências antecipa no mercado de crédito e que conselhos deixaria às famílias que ponderam recorrer a financiamento?
O mercado será cada vez mais exigente, mas também mais informado. O aconselhamento especializado e a proximidade do intermediário de crédito terão maior relevância. O crédito à habitação deixou de ser uma decisão comercial e passou a ser uma decisão estratégica e absolutamente decisiva para a estabilidade financeira das famílias. O nosso conselho é procurar um intermediário de crédito qualificado, comparar soluções e pensar sempre a longo prazo. Num mercado mais volátil, antecipar riscos fará toda a diferença na proteção do orçamento familiar.
mónica campos destaca a importância de um acompanHamento próximo e personalizado na intermediação de crédito, ajudando Famílias a encontrar soluções sustentáveis.
Como chegou à área da intermediação de crédito e o que a mantém motivada?
O meu percurso profissional sempre esteve ligado à área comercial e ao contacto com pessoas. Comecei como consultora imobiliária em 2003, o que me aproximou da intermediação de crédito. Rapidamente percebi o impacto desta área na vida das famílias, sobretudo em decisões tão importantes e emocionalmente marcantes.
O que me motiva é precisamente ajudar pessoas a encontrar soluções ajustadas à sua realidade, simplificando processos burocráticos e complexos. Cada processo é diferente, cada família tem desafios próprios, o que torna este trabalho muito humano e gratificante. Além disso, é um setor em constante evolução, obrigando-nos a acompanhar o mercado, as alterações nas condições bancárias e as necessidades dos clientes.
Que perfil de cliente chega à DS Braga Liberdade e quais são as principais preocupações?
Recebemos clientes com perfis muito distintos, o que demonstra também a transversalidade das necessidades existentes no mercado. Acompanhamos jovens casais à procura da primeira habitação, famílias que pretendem mudar de casa, clientes interessados em transferir crédito e investidores. Hoje, o cliente está mais informado, mas também com mais dúvidas e necessidade de orientação especializada.
A preocupação é a estabilidade financeira e o impacto da prestação mensal no orçamento familiar, sobretudo após um a subida das taxas de juro. Ao mesmo tempo, não procuram uma taxa competitiva, mas alguém que os ajude a interpretar cenários, antecipar riscos e tomar decisões sustentáveis.
A nossa abordagem integrada faz a diferença, porque reunimos mediação imobiliária, crédito e seguros no mesmo espaço. Isso permite oferecer um acompanhamento completo, centralizado e verdadeiramente personalizado. Mais do que vender serviços, procuramos construir relações de confiança duradouras.
Como explica o valor acrescentado ao processo e de que forma a vossa presença na negociação com os bancos muda as condições que o cliente consegue?
Muitas pessoas acreditam que o intermediário de crédito apenas trata da documentação, mas o nosso trabalho vai muito além disso. Fazemos uma análise detalhada da situação financeira do cliente, comparamos propostas e negociamos melhores condições junto dos bancos. Isso pode traduzir-se em spreads mais competitivos, redução de custos ou melhores condições nos seguros. Pequenas diferenças podem representar milhares de euros de poupança ao longo do crédito. Além disso, acompanhamos todo o processo até à escritura, garantindo maior tranquilidade e apoio ao cliente. No fundo, o nosso objetivo é garantir uma solução viável, mais equilibrada e sustentável para a sua realidade.
“Mais importante do que procurar a “taxa perfeita” é garantir uma solução segura e ajustada ao projeto de vida de cada família.”
Estamos no timing certo para avançar com um crédito à habitação?
A decisão não deve depender apenas do mercado, mas sobretudo da estabilidade financeira e da capacidade de assumir o compromisso de forma sustentável. Apesar do contexto desafiante, o mercado começa a mostrar maior equilíbrio e consumidores mais conscientes. Para quem tem estabilidade profissional, alguma poupança e uma taxa de esforço saudável, 2026 pode continuar a ser uma boa oportunidade. Mais importante do que procurar a “taxa perfeita” é garantir uma solução segura e ajustada ao projeto de vida de cada família.


Hugo marinHo, diretor- geral da 321 crédito, destaca a aposta da marca em soluções de Financiamento simples, transparentes e ajustadas a cada cliente, reForçada pela integração no grupo banco ctt, pela digitalização de processos e por uma cultura interna centrada nas equipas, na proximidade e na criação de valor.
A 321 Crédito nasceu com a ambição de simplificar o acesso ao crédito automóvel. Como se tem materializado essa missão na experiência dos clientes e na proposta de valor da marca?
A 321 Crédito mantém um propósito claro: disponibilizar soluções de crédito automóvel ajustadas a quem procura soluções de financiamento simples e transparentes. Na experiência do cliente, esta missão traduz-se em soluções no ponto de venda, com processos ágeis, decisão rápida, informação clara e acompanhamento de profissionais especializados. A proposta de valor é construída em função do perfil, expectativas e realidade financeira de cada cliente.
Queremos ser uma escolha natural no crédito automóvel em Portugal, consolidando uma identidade forte assente em simplicidade, relevância, proximidade e confiança, pilares estes que orientam a atuação e reforçam a convicção de oferecer soluções de crédito com impacto positivo na vida dos consumidores, aliando a tecnologia ao contato humano.
A integração no Grupo Banco CTT representou um momento-chave. Que impacto teve no posicionamento da 321 Crédito e na sua capacidade de crescer?
A integração no Grupo Banco CTT reforçou o posicionamento da 321 Crédito no mercado, trazendo solidez e credibilidade institucional, ancorados num dos grupos financeiros de referência em Portugal. Incluiu um rebrand no final de 2023, com uma identidade visual mais
“O nosso crescimento assenta numa estratégia de criação de valor, mais do que numa lógica de curto prazo.
Desde o início, privilegiamos relações duradouras com clientes e parceiros, baseadas na confiança, transparência e proximidade. Cada ajuste ou melhoria resulta de uma análise cuidada e de uma cultura interna exigente.”

moderna e coesa, refletindo o compromisso com parceiros e clientes. Mantivemos a essência enquanto instituição de crédito especializada, mas com maior percepção de confiança da marca no mercado. Estrategicamente, deu acesso a uma estrutura mais robusta, maior investimento em tecnologia, desenvolvimento de produto e aceleração do crescimento. Este reforço traduziu-se em maior ambição e escala, sem perder agilidade e foco nos clientes e parceiros, garantindo uma base mais sólida para responder às exigências de um mercado em evolução.
Num mercado competitivo e regulado, quais têm sido os principais desafios e como os têm
ultrapassado?
Os principais desafios têm sido equilibrar crescimento, conformidade e qualidade de serviço. Acompanhar alterações regulamentares, gerir o risco e responder à exigência de rapidez e simplicidade por parte dos clientes requer adaptação constante. Na 321 Crédito apostamos na agilidade, com a digitalização de processos e eficiência operacional para ganhar escala sem comprometer o rigor.
O investimento em novas soluções e na formação contínua das equipas garante qualidade e compliance. Esta combinação tem sido determinante para consolidar a confiança e afirmar a marca como um operador sólido, fiável e preparado para evoluir num setor em transformação.

O crescimento da marca tem sido consistente. Que estratégias sustentam este percurso e como garantem que esse crescimento cria valor para clientes e parceiros?
O nosso crescimento assenta numa estratégia de criação de valor, mais do que numa lógica de curto prazo. Desde o início, privilegiamos relações duradouras com clientes e parceiros, baseadas na confiança, transparência e proximidade. Cada ajuste ou melhoria resulta de uma análise cuidada e de uma cultura interna exigente. Desta forma, a inovação surge como resposta a desafios reais, promovendo crescimento com qualidade e alinhado com os interesses de todos os stakeholders.
Como caracteriza a cultura interna e que papel têm as equipas na evolução e inovação da empresa?
Por detrás do nosso percurso estão equipas qualificadas, multidisciplinares e alinhadas com o propósito e missão do Grupo Banco CTT, refletindo uma marca próxima, relevante, responsável, de confiança e orientada para as pessoas. A partilha de ideias e o pensamento crítico são incentivados, para que cada colaborador contribua para a melhoria contínua dos processos, produtos e experiência do cliente. A formação e o desenvolvimento de competências são investimentos para acompanhar o setor e responder com qualidade aos desafios do mercado.
Que significado tem a distinção Produto do Ano e que mensagem transmite sobre o futuro?
A distinção Produto do Ano é particularmente relevante por refletir o reconhecimento direto dos consumidores. É um prémio que valida o caminho que temos vindo a seguir e reforça a nossa motivação para continuar a evoluir, inovar, melhorar e criar valor na vida dos clientes. É também um sinal de confiança na estratégia adotada, reafirmando que é possível inovar e crescer sem comprometer o rigor, responsabilidade e qualidade. Internamente, motiva as equipas e reforça o orgulho no trabalho feito, bem como a exigência quanto ao que ainda há para construir. Mas acima de tudo, representa um compromisso renovado com clientes e parceiros, através da inovação e melhoria contínua nos nossos processos e soluções de crédito automóvel, com foco na criação de valor e nas pessoas.
Hélder oliveira destaca o papel da instituição no apoio às empresas locais, na criação de relações de conFiança e na preparação estratégica para os desaFios Futuros do setor bancário.

héldEr
olivEira presidente
O Fundão tem sido um caso de sucesso na atração de investimento e talento. De que forma têm acompanhado, ou até impulsionado, esta transformação económica local?
O Fundão tem conseguido atrair grandes empresas internacionais nas áreas das tecnologias
e das micropeças para relojoaria, promovendo investimento e criação de emprego. São empresas fortemente capitalizadas, que normalmente não procuram apoio financeiro, mas temos acompanhado oportunidades e estabelecido parcerias comerciais benéficas para ambas as partes. Paralelamente, temos desempenhado um papel essencial no apoio às empresas locais de setores mais tradicionais, acompanhando investimentos e necessidades financeiras. Também apoiamos empresários que nos apresentam novos projetos de negócio, sempre que verificamos a sua viabilidade.
ainda existentes no tecido empresarial do Fundão, e que papel pode o crédito agrícola desempenhar na sua mitigação?
As fragilidades do tecido empresarial do Fundão são semelhantes às de muitos outros concelhos. O nosso papel passa por apoiar empresas com boa situação financeira e projetos viáveis, prestando muitas vezes aconselhamento na procura das soluções financeiras mais adequadas, sempre numa lógica de colaboração mútua.
A ligação ao setor agrícola continua a ser central, mas o Fundão diversificou a sua economia. Como a instituição equilibra entre apoiar a tradição agrícola e financiar novas áreas?
“A nossa aposta passa pela me-
lhoria contínua da qualificação dos recursos humanos e pelo seu rejuvenescimento, garantindo que a Instituição continua preparada para responder de forma positiva aos desafios colocados pelos clientes e pelas entidades supervisoras.”
A agricultura está na génese desta Caixa Agrícola e continua no centro da nossa atividade. Muitos empresários agrícolas recorrem a nós para apoio a novos projetos ou ao desenvolvimento da sua atividade, e essa é uma realidade que queremos manter. Contudo, apoiamos também empresas e empresários de diferentes áreas que pretendem estabelecer connosco relações de confiança e colaboração. Trabalhamos hoje com negócios de vários setores, que encontram nesta Caixa Agrícola um parceiro próximo, confiável e ágil na decisão. A nossa principal vantagem competitiva, é a proximidade na relação com os nossos clientes.
Olhando para o futuro, que desafios antecipa para a região nos próximos anos, e que resposta estratégica está a ser preparada sob a sua liderança?
Como é que instituições de proximidade, como a que lidera, conseguem manter a identidade cooperativa sem perder competitividade face aos grandes bancos? Sendo diferentes. A Caixa Agrícola oferece soluções de banca digital que entendemos das melhores do mercado, algo reconhecido pelos próprios clientes. Mas queremos manter a proximidade e o contacto pessoal, criando relações de confiança duradouras. É precisamente esta forma de estar que nos distingue dos restantes bancos e que consideramos ser uma vantagem competitiva relevante.
Que leitura faz das principais fragilidades
A atividade bancária enfrenta atualmente uma enorme complexidade, devido a uma regulação e supervisão cada vez mais interventiva nas Instituições. Com a futura supervisão direta do Grupo Crédito Agrícola pelo BCE, essa pressão irá aumentar. Assim, a nossa aposta passa pela melhoria contínua da qualificação dos recursos humanos e pelo seu rejuvenescimento, garantindo que a Instituição continua preparada para responder de forma positiva aos desafios colocados pelos clientes e pelas entidades supervisoras.













lillian castelão, diretora da clínica proreab, partilHa o percurso construído ao longo da última década, marcado pela exigência clínica, pela aprendizagem contínua e por uma liderança Humana, próxima e Focada no bem-estar das pessoas.

lillian CastElão diretora cLínica
O que a motivou a fundar a PROREAB em 2016 e qual considera ter sido a principal conquista alcançada pela clínica até hoje?
Em 2016, após nove anos de experiência em fisioterapia desportiva, mudei-me para Mira e surgiu a oportunidade de criar um espaço de reabilitação assente num modelo mais especializado, individual e consistente. Assim nasceu a PROREAB, inicialmente apenas constituída por mim. O início foi desafiante, sobretudo pela
necessidade de desenvolver competências de gestão, uma aprendizagem que continua até hoje. A maior conquista foi o crescimento sustentado da clínica sem perder a essência do projeto. Passámos de uma estrutura unipessoal para uma equipa de 25 profissionais, mantendo valores que considero inegociáveis: proximidade com a comunidade, rigor clínico e cuidado humano e personalizado.
te essa noção que nos faz evoluir. A aprendizagem contínua faz parte da responsabilidade de quem cuida, algo que procuro transmitir diariamente à equipa. Acredito que o crescimento individual de cada profissional acaba por moldar a identidade e a cultura da PROREAB.
Como docente, o que mais valoriza no contacto com as novas gerações de profissionais de saúde?
“Passámos de uma estrumantendo valores que contura unipessoal para uma sidero inegociáveis.” equipa de 25 profissionais,
Valorizo muito a curiosidade dos alunos, a capacidade de questionarem e procurarem novas formas de pensar a prática clínica. As novas gerações chegam mais expostas à informação e à tecnologia, o que traz vantagens, mas também o desafio de preservar o raciocínio clínico e a relação terapêutica. Existe ainda uma maior procura por propósito, equilíbrio e ambientes de trabalho saudáveis, algo menos valorizado há alguns anos, o que obriga também as lideranças a evoluírem.
Para si, o que significa ser uma mulher líder num setor tão exigente e em constante transformação como o da saúde?
Ao longo destes anos, qual foi a decisão mais difícil que teve de tomar enquanto líder da PROREAB?
Uma das decisões mais difíceis foi deixar de centralizar todas as decisões em mim e aprender a delegar. Outro desafio passou por garantir que o crescimento da clínica não comprometesse a cultura de proximidade e acompanhamento humano que sempre defendemos. Estas decisões reforçaram a ideia de que crescer com coerência exige, muitas vezes, mais coragem do que crescer rapidamente, pois nem todas as oportunidades são progresso.
De que forma o seu percurso académico, a docência e a formação contínua influenciam a identidade técnica da PROREAB?
O meu percurso permite-me manter uma perspetiva clínica crítica e baseada na evidência. Mais do que isso, reforça a consciência de que nesta área nunca se sabe tudo, e é precisamen-
Cresci rodeada de excelentes líderes e acredito que muito da minha postura resulta dessas referências. Na nossa área, liderar uma equipa depende de um trabalho diário de consistência, definição de prioridades e objetividade nas decisões. Não é possível estar em todo o lado, nem controlar tudo, o equilíbrio está em manter a coerência, a proximidade humana e a capacidade de continuar a evoluir sem perder identidade.
“Crescer com coerência exige, muitas vezes, mais coragem do que crescer rapidamente, porque nem todas as oportunidades representam progresso.”
com 26 anos de experiência no setor imobiliário, andreia soares destaca a importância de uma liderança Humana, estratégica e inspiradora na gestão da engel & völkers oeste, numa região cada vez mais procurada pelo mercado de luxo internacional.
O que considera ser o maior desafio ao liderar a Engel & Völkers Oeste numa zona tão estratégica como a Costa Oeste?
Existe diversos desafios, sendo o maior deles a necessidade de conciliar a gestão de imóveis de luxo com a dinamização de uma equipa altamente motivada e a satisfação de clientes internacionais. A busca por inovação e a adaptação às exigências do mercado crescente requerem uma visão estratégica e uma capacidade de antecipar tendências, além de um profundo conhecimento do setor imobiliário.
De que forma a sua identidade enquanto líder feminina influencia a cultura da empresa e a relação construída com clientes e equipas?
A identidade enquanto líder feminina é um elemento fulcral na cultura da Engel & Völkers. A valorização da inclusão e a promoção de um ambiente colaborativo são aspetos que cultivam uma relação de proximidade com clientes e equipas. Esta abordagem permite criar laços mais fortes e duradouros, fundamentados na confiança e na empatia, essenciais para oferecer uma experiência premium que a marca representa.
Como consegue equilibrar a exigência profissional com uma liderança mais humana, empática e inspiradora?
Equilibrar a exigência profissional com uma liderança mais humana e empática é um dos meus principais objetivos. Acredito que o sucesso não se mede apenas pelos resultados, mas também pelo bem-estar da equipa. Implementar um estilo de liderança inspirador envolve escuta ativa, flexibilidade e a promoção de um ambiente onde todos se sintam valorizados e motivados a contribuir com o seu melhor.

Qual foi a conquista mais marcante enquanto mulher que abriu espaço e conquistou reconhecimento num setor altamente competitivo?
Uma das conquistas mais significativas que alcancei como mulher foi afirmar-me no mercado de luxo. Estou neste setor há 26 anos, 21 dos quais na região Oeste. Quando a marca Engel & Völkers foi lançada na região, o CEO da marca e um dos nossos clientes estrangeiros, que se encantaram pela área Oeste de

Portugal, já tinham reconhecido o meu considerável conhecimento da região. A minha trajetória profissional tem-se desenvolvido neste segmento premium, onde comecei enquanto estudava Marketing e Comércio Internacional. O meu caminho começou no Algarve, numa empresa internacional, onde ainda desempenhei durante 15 anos a função de diretora de vendas do Praia del Rey Resort, um empreendimento pioneiro na área Oeste. A paixão pelo imobiliário é, sem dúvida, um fator essencial para o sucesso, e considero um privilégio trabalhar na área que verdadeiramente adoro.
“Equilibrar a exigência profissional com uma liderança mais humana e empática é um dos meus principais objetivos. Acredito que o sucesso não se mede apenas pelos resultados, mas também pelo bem-estar da equipa.”
Que mensagem gostaria de deixar às novas gerações de mulheres que ambicionam chegar a cargos de liderança, mas que ainda sentem receio?
Acreditem sempre nas vossas capacidades e não deixem que o medo vos impeça de sonhar em grande. O caminho pode ser desafiante, mas cada passo dado é uma oportunidade de crescimento e aprendizagem. É essencial apoiarem-se em outras mulheres e construir redes de suporte, pois juntas somos mais fortes. O vosso valor é indiscutível, e a vossa voz também.
WWW.engelvoelkers.com
a lexandra d ias, d iretora t écnica da Fundação b enjamim d ias costa, representa uma liderança próxima e H umana, Focada em Formar crianças emocionalmente seguras, autónomas e preparadas para a vida em sociedade.

O percurso profissional de Alexandra Dias reflete “um caminho de dedicação, consistência e compromisso com as pessoas”, numa área em que a dimensão social e educativa exige entrega diária e uma presença constante no terreno. Embora reconheça a crescente presença feminina em cargos de liderança, considera que ainda persistem desigualdades. “No setor social e educativo, as mulheres assumem funções de responsabilidade estando muito presentes no terreno em posições de coordenação e liderança. No entanto, essa responsabilidade nem sempre se traduz em verdadeira visibilidade ou participação efetiva nas decisões estratégicas”, sublinha.
Um dos maiores desafios enquanto mulher foi ter de provar competência de forma permanente. “Existe frequentemente uma necessidade acrescida de justificar tudo e de fundamentar cada decisão”, admite. Ainda assim, defende uma liderança construída em equipa. “Acredito que é importante dar o exemplo às crianças com quem trabalhamos diariamente, mostrando que é possível liderar com competência, sensibilidade e firmeza, sem abdicar da nossa identidade pessoal e humana”, afirma.
A missão da Fundação cruza-se com a sua própria visão enquanto mulher e profissional. “Educar para humanizar significa formar crianças emocionalmente seguras, conscientes do outro, empáticas e preparadas para viver em comunidade”, explica. Neste contexto, o empreendedorismo traduz-se num incentivo à autonomia, criatividade e capacidade de transformar o mundo em redor.
A instituição acompanha cerca de 250 crianças e aposta numa relação muito próxima entre equipa, famílias e comunidade. “Cada criança

conhece todos os funcionários da Fundação, sente-se em casa e sabe o nome de toda a gente. É uma construção de confiança”, refere. Num tempo marcado pelas redes sociais, pela tecnologia e por maiores dificuldades na gestão das emoções, a responsável considera essencial um trabalho continuado de escuta e regulação emocional. “Todas as emoções são válidas. Aquilo que, muitas vezes, observamos é que algumas crianças têm dificuldade em saber regular essas mesmas emoções”, explica.
“Todas
as emoções são válidas. Aquilo que, muitas vezes, observamos é que algumas crianças têm dificuldade em saber regular essas mesmas emoções.”
Paralelamente, defende que a educação precoce desempenha um papel central na desconstrução de medos e estereótipos. “Quando mostramos desde cedo que meninos e meninas podem sonhar e construir o seu caminho sem limites impostos por preconceitos, estamos verdadeiramente a trabalhar para uma sociedade mais justa”. Essa visão reflete-se na própria equipa educativa da Fundação, onde homens e mulheres desempenham funções pedagógicas.
uma mensagem para as novas gerações
Para as novas gerações, deixa uma mensagem de confiança e ambição: “liderar não é uma questão de género, mas de valores, dedicação, competência e vontade genuína de fazer a diferença na vida dos outros”.
Além disso, acrescenta que é fundamental investir na educação desde a infância, criar redes de apoio e reforçar medidas que promovam a conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar. “Dar mais espaço às mulheres significa construir projetos mais humanos, inclusivos e próximos das necessidades reais das pessoas e das famílias”.
te L : 962 004 642 alexandra.dias@fundacaobdiascosta.com
“ o verdadeiro luxo está na autenticidade”
ana isabel liberal, ceo da isabel Ferreira concept store, aposta numa liderança próxima e autêntica, num universo da moda marcado pela rapidez e pela imagem.
De que forma procurou afirmar a sua identidade enquanto mulher e líder sem perder autenticidade ao longo do caminho?
Nunca quis construir apenas uma empresa de moda. Quis criar uma identidade, uma experiência e uma visão própria sobre o que significa ser mulher hoje. Num setor tão marcado por tendências rápidas e pela pressão da imagem, a minha força sempre esteve em preservar a autenticidade. A Isabel Ferreira Concept Store nasceu da ideia de que o verdadeiro luxo não está só na peça, mas na forma como ela faz uma mulher sentir-se.
Ao longo destes anos, procurei criar um espaço onde as mulheres se sintam elegantes sem perder a essência, sofisticadas sem perder a autenticidade e valorizadas na sua individualidade.
Essa visão evoluiu naturalmente para o Isabel Ferreira Private Experience, um conceito mais intimista e personalizado, pensado para proporcionar uma experiência exclusiva, tranquila e profundamente alinhada com cada cliente. Mais do que uma compra, é um momento de tempo, escuta, detalhe e bem-estar. Acredito que o luxo moderno é precisamente isso: sentir-se compreendida, cuidada e confortável consigo própria.
E sempre acreditei numa liderança humana, intuitiva e próxima, sem nunca precisar de me afastar de quem sou para conquistar respeito.
Houve algum momento em que sentiu que ofacto de ser mulher influenciou positiva ou negativamente a forma como era vista enquanto empresária no setor? Sim, acredito que homens e mulheres continuam a viver realidades diferentes em muitos contextos. Ainda assim, nunca quis construir o meu percurso a partir dessa distinção. Houve momentos em que senti que o setor da moda era visto de forma superficial, como se não existisse uma verdadeira dimensão estratégi-
ca e empresarial por detrás da marca. Mas a minha resposta esteve sempre no trabalho, na consistência e na qualidade da execução. Acredito mais em competência, visão e dedicação do que em rótulos. E tento transmitir isso também à minha filha: ovalor de uma pessoa não deve depender do facto de ter nascido mulher ou homem.
O que realmente define o percurso de alguém é a forma como escolhe posicionar-se perante a vida e o trabalho.
Considera que existe uma forma “feminina” de liderar negócios e criar relações no universo empresarial? O que distingue a sua abordagem?
A Isabel Ferreira Concept Store é também a continuidade de uma história familiar com quase 40 anos ligada à moda, ao universo feminino e à proximidade com as clientes. A minha liderança surge numa segunda fase dessa história, há cerca de dez anos, com uma visão mais contemporânea e mais integrada do que uma marca deve oferecer hoje.
Cresci no mundo da moda, a observar pessoas, comportamentos e formas de estar. Isso ensinou-me a valorizar o detalhe, a escuta e a relação humana. Sempre acreditei mais em relações de longo prazo do que em decisões rápidas. Num setor tão ligado à emoção, as pessoas sentem quando existe verdade e consistência. Hoje temos, inclusivamente, clientes de várias gerações: avós, mães, filhas e netas. Acredito que muitas mulheres lideram com proximidade, sensibilidade ao detalhe e inteligência emocional. No meu caso, essas características tornaram-se parte da identidade da marca.

ana
isaBEl liBEral ceo
As marcas que permanecem não são apenas as que vendem produtos, mas as que criam ligação humana.
Como equilibra a pressão do mercado com a necessidade de preservar identidade, criatividade e bem-estar pessoal?
Vivemos numa era de pressão constante, em que é fácil perder critério no meio de tanta velocidade. No segmento premium, sinto que as pessoas procuram cada vez menos consumo
impulsivo e mais orientação, curadoria e personalização. Foi isso que nos levou a desenvolver a IFCS Consulting.
Hoje sento-me individualmente com muitas clientes para analisar o guarda-roupa, perceber estilos de vida, necessidades futuras e orientar compras de forma mais consciente, seja dentro da loja ou através de marcas específicas que acompanham. Acredito que o futuro do retalho premium passa por este equilíbrio entre curadoria, proximidade e personalização verdadeira.
“Nunca quis construir apenas uma empresa de moda. Quis criar uma identidade, uma experiência e uma visão própria sobre o que significa ser mulher hoje. Num setor tão marcado por tendências rápidas e pela pressão da imagem, a minha força sempre esteve em preservar a autenticidade.”
Sente que o seu percurso acabou por se transformar numa forma de inspiração e representação feminina?
Quando se fala em sucesso, muitas vezes vê-se apenas o resultado final. Mas por trás de qualquer percurso existe trabalho, entrega, decisões difíceis e persistência. A Isabel Ferreira Concept Store cresceu, mas eu também cresci enquanto mulher, líder e ser humano. Isso deu-me uma visão mais madura sobre pessoas, relações e negócios.
Crescimento sustentável exige estratégia e clareza. É preciso saber não só o que se quer fazer, mas também o que não se quer ser. Ao longo do caminho, houve marcas com as quais deixei de trabalhar quando deixei de me identificar com certas decisões. E houve muitas vezes em que aconselhei clientes a não comprar uma peça porque, de forma genuína, não fazia sentido para elas.
Talvez tenha sido essa coerência que permitiu criar relações tão fortes e duradouras. E nada disto seria possível sem a equipa extra-

ordinária de mulheres que me acompanha e partilha esta visão de proximidade, detalhe e experiência personalizada.
Que mensagem quer deixar às mulheres que estão a tentar construir o seu próprio caminho?
Gostava de lhes dizer para não desistirem daquilo em que acreditam, mesmo quando o caminho parece mais difícil. Haverá dias bons, dias difíceis e momentos de dúvida. Tudo isso faz parte de um percurso verdadeiro. Os dias menos bons não nos definem; define-nos a
forma como reagimos. Acredito profundamente que crescemos com aquilo que criamos. Enquanto a marca crescia, eu também cresci enquanto mulher e ser humano. Aprendi a importância de manter o equilíbrio, a maturidade e a fidelidade ao que sou.
No fim, a vida acaba sempre por devolver aquilo que construímos com verdade, princípios e respeito pelas pessoas. E quando vivemos alinhados com o que acreditamos, criamos muito mais do que um negócio: criamos relações, impacto e um percurso com sentido humano.
“a liderança constrói-se com integridade, visão e conFiança”
andreia gonçalves deFende uma liderança assente na autenticidade, rigor e proximidade, acreditando que a diversidade e a Humanização das empresas são essenciais para organizações mais Fortes e sustentáveis.
De que forma tem afirmado a sua liderança financeira sem abdicar da sua identidade e visão enquanto mulher?
Através da paixão pelo meu trabalho, rigor, visão estratégica, proximidade e autenticidade. Nunca acreditei que fosse necessário abdicar da identidade feminina para ocupar espaços de decisão. Ao longo de 18 anos de experiência, procurei contribuir para o crescimento sólido e sustentável das empresas. Sempre encarei a contabilidade e a área financeira não apenas como números e relatórios, mas como uma ferramenta estratégica de apoio à gestão, capaz de criar valor e impulsionar crescimento.
“Mais do que dominar números, considero essencial transformar dados em informação
estratégica e construir relações
de confiança baseadas na consistência e na transparência.”
Culminando na sua recente posição como Diretora Financeira da Meva & Rouceiro, que competências considera terem sido decisivas para conquistar espaço e credibilidade em contextos de elevada exigência e negociação?
Ao longo do meu percurso, desenvolvi uma visão transversal de várias áreas de negócio, aliando análise financeira rigorosa, adaptação, negociação e tomada de decisão. Mais do que dominar números, considero essencial transformar dados em informação estratégica e construir relações de confiança baseadas na consistência e na transparência.
Que mudanças considera urgentes para tornar o mundo empresarial mais equilibrado e inclusivo?
As organizações precisam de promover culturas onde a diversidade seja efetivamente valorizada. É igualmente importante criar ambientes mais humanos, flexíveis e colaborativos, capazes de reconhecer diferentes estilos de liderança e potenciar o talento. A diversidade não deve ser vista como uma quota, mas como uma vantagem competitiva que torna as empresas mais adaptáveis e inovadoras.
Acredita que a liderança feminina traz uma abordagem diferenciadora à gestão e à tomada de decisão? De que forma isso se reflete no seu dia a dia?
A liderança feminina traz uma visão mais integradora e sustentável da gestão. Hoje, liderar não passa apenas por garantir resultados financeiros, mas também por criar equipas motivadas, alinhadas e preparadas para crescer de forma consistente.

Se pudesse deixar uma frase curta para outras mulheres que querem chegar a cargos de decisão, qual seria a regra que nunca negociaria?
O sucesso de uma organização é, em grande parte, o reflexo da felicidade e do compromisso das suas pessoas. No meu dia a dia, procuro equilibrar uma gestão humanizada com rigor, análise financeira e visão estratégica. A gestão financeira deve ser uma ferramenta estratégica de apoio à gestão, capaz de orientar decisões, impulsionar o crescimento e criar organizações mais fortes e preparadas para o futuro.
Dir-lhes-ia que acreditassem sempre no seu valor, porque é essa confiança que sustenta verdadeiramente a liderança. Quando somos apaixonadas pelo que fazemos, dedicadas e resilientes, o sucesso deixa de ser uma exceção para passar a ser uma consequência.
com experiência no setor imobiliário, a lexandra cardoso de F ende uma liderança assente na F irmeza, empatia e autenticidade, mostrando como trans Formar equipas e quebrar barreiras num setor ainda maioritariamente masculino.
Houve algum momento em que sentiu que precisava de provar mais a sua competência por ser mulher?
No início da minha carreira, há cerca de 18 anos, senti necessidade de provar mais para que a minha competência fosse reconhecida. Entrei num setor maioritariamente masculino, competitivo e exigente, onde a assertividade feminina nem sempre era bem aceite.
Com o tempo, percebi que liderar é posicionar-me com firmeza, consistência e identidade. Tive de conquistar o meu espaço, reforçar a comunicação e sustentar a minha visão sem abdicar dos meus princípios. Hoje, sinto que isso me tornou uma líder mais segura, estratégica e humana.
De que forma a liderança feminina, caracterizada pela empatia, proximidade e capacidade de escuta, influencia a cultura e os resultados da sua equipa?
Acredito muito nessas características, porque, apesar da era digital, as pessoas continuam a precisar de ser ouvidas, compreendidas e valorizadas. Por isso, procuro criar uma cultura assente na confiança, respeito, partilha e presença. No imobiliário, lidamos diariamente com decisões emocionalmente exigentes, pelo que é essencial acompanhar os consultores não só tecnicamente, mas também emocionalmente. Sinto que esta liderança próxima, mas orientada para resultados, gera maior motivação, compromisso e estabilidade na equipa.
Como consegue equilibrar a firmeza necessária para liderar equipas comerciais com a componente humana que o cargo também exige?
Acredito que firmeza e humanidade não são opostos. Liderar equipas num setor de elevada pressão exige capacidade de decisão, clareza e orientação, mas também inteligência emocional. As pessoas precisam de direção e exigência,
“Sinto que esta liderança próxima, mas orientada para resultados, gera maior motivação, compromisso e estabilidade na equipa.”
mas igualmente de apoio e compreensão perante os desafios diários. Valorizo a transparência na comunicação, a preparação emocional das equipas e uma cultura de responsabilidade e confiança. As equipas dão mais quando sentem coerência, presença e segurança em quem as lidera.
Qual foi a decisão mais difícil que teve de tomar enquanto Diretora Comercial e o que aprendeu sobre si própria nesse processo?
A decisão mais difícil foi ter saído da empresa onde construí grande parte da minha carreira, por sentir falta de reconhecimento profissional. Mais tarde, regressei à ERA, marca com a qual sempre me identifiquei, mas esse processo obrigou-me a reinventar-me enquanto líder.
Tive de reconstruir equipa, reafirmar a liderança e voltar a provar a minha competência. Aprendi que não devemos depender da validação externa para reconhecer o nosso valor, tornando-me mais segura, assertiva e consciente da importância de liderar alinhada com os meus valores e identidade.
Que mensagem quer deixar às mulheres que ambicionam liderar, mas ainda sentem que não pertencem a determinados setores ou posições?
Não tenham medo de ocupar o espaço que desejam. Muitas vezes, o sentimento de não pertencimento nasce mais de inseguranças internas do que da falta de capacidade. Uma liderança sólida começa na competência, no autoconhecimento e no desenvolvimento pessoal. Quanto mais uma mulher investe em si própria, mais confiança ganha para liderar sem pedir permissão nem perder autenticidade. O mais importante é acreditarem no vosso valor, man-
terem coragem e nunca deixarem que o olhar dos outros defina o lugar que podem ocupar.

determinada e movida pelo gosto pelo conHecimento, andreia borges construiu um percurso académico marcado pelo esForço pessoal, superação e deFesa de uma liderança mais justa, diversa e sustentável.
O seu percurso académico foi construído com enorme esforço pessoal, ao ponto de ter financiado o próprio doutoramento. O que é que essa conquista representa para si enquanto mulher e enquanto primeira pessoa da família a alcançar um nível tão elevado de estudos?
Hoje, com 31 anos, identifico um traço que define o meu percurso: determinação. O gosto pelo conhecimento moldou o caminho. A minha fórmula foi esta. Ser a primeira pessoa da família a doutorar-se representou uma vitória. Estudar foi, para mim, um ato que aporta um grande sentido de responsabilidade e compromisso.
“A presença
de características
tipicamente masculinas e femininas numa organização é necessária e fundamental; por isso, destaco a importância da diversidade de estilos de liderança e da complementaridade de competências. Mas para isso, as organizações têm de dar a oportunidade ao equilíbrio, nomeadamente em cargos de liderança.”
Que desafios encontrou enquanto mulher em ambientes multiculturais e de que forma isso moldou a sua liderança e visão do mundo?
Reconheço que por vezes houve uma necessidade acrescida de provar a competência que tenho; contudo, foram também as experiências que vivi que contribuíram para moldar a minha visão de liderança. Procurei sempre pautar a minha atuação por princípios de justiça e equidade no tratamento com colegas.
A sua investigação cruza temas como liderança, sustentabilidade e responsabilidade social. Na prática, acredita que as mulheres tra-
zem uma abordagem diferente à liderança nas organizações?
Que características considera hoje mais urgentes no mundo empresarial e académico?
A investigação sugere que existem diferenças de estilo de liderança entre homens e mulheres. As mulheres tendem a apresentar estilos mais participativos, com maior atenção à colaboração e às dimensões relacionais da liderança.
Há evidência de uma maior sensibilidade para questões de sustentabilidade e responsabilidade social. A presença de características masculinas e femininas numa organização é necessária e essencial. Mas para isso, as organizações têm de dar a oportunidade ao equilíbrio, nomeadamente em cargos de liderança.
Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que sentem que os seus objetivos estão “longe demais” da realidade em que cresceram?
A mensagem que deixo é: sejam rebeldes, no bom sentido. Estudem. Algumas pessoas não vão acreditar nesse percurso, mas o que importa é que vocês acreditem. Não nascemos todos para seguir o percurso dos estudos superiores, mas se esse caminho fizer sentido, continuem.

BorgEs diretora, docente e investigadora
Olhando para o seu percurso, houve algum momento em que pensou desistir? E o que gostaria que mais mulheres percebessem sobre a força necessária para ocupar espaços de decisão e reconhecimento?
Eu acredito nos encontros certos nos momentos certos; algumas pessoas cruzam o caminho, reconhecem e dão oportunidades. Foi também na minha perceção de autoeficácia que construí o caminho.
os novos desaFios da nacionalidade em portugal
sandra jardim Fernandes considera que a nova lei da nacionalidade aproxima portugal das tendências europeias, mas alerta para os impactos dos novos prazos, as FalHas nos serviços de imigração e os desaFios de integração dos candidatos.
A nova lei da nacionalidade já levantou questões de constitucionalidade. Quais os principais pontos em debate e como poderão ser resolvidos?
A lei foi promulgada e não está ainda publicada. Não existem vícios de constitucionalidade que ponham em causa o texto promulgado. O que gerou dúvidas prendeu-se com as normas relativas à perda da nacionalidade e foi precisamente essa parte, por iniciativa do PS, que foi remetida ao Tribunal Constitucional para fiscalização preventiva. Mas importa ser claro: essas disposições não fazem parte do texto que foi promulgado. O debate constitucional não afeta a aplicação da lei que venha a ser publicado.
De que forma esta lei será implementada na prática? Há mecanismos claros para garantir a integração efetiva dos candidatos?
Saberemos com maior precisão quando for publicado o regulamento. No entanto, para as matérias em que a lei é clara e não remete expressamente para regulamentação posterior, nada impede a sua aplicação imediata. A integração efetiva é um conceito que a própria lei densifica e o regulamento e a prática dos serviços e dos tribunais irá, como sempre, completar o que o legislador deixou em aberto.
Com os novos prazos exigidos, qual o impacto para os estrangeiros que já residem em Portugal e aguardam a naturalização?
Os estrangeiros que já residem em Portugal e ainda não completaram cinco anos terão de aguardar até perfazer esse período, contado a partir da emissão do primeiro título de residência e não, como era antes, a partir da data de submissão do pedido. Dito isto, importa ter perspetiva.
A residência temporária já confere um conjunto muito alargado de direitos, praticamen-
“Há uma questão essencial: o Estado Português deveria resolver os atrasos na emissão dos títulos de residência, sobretudo nos processos ARI, onde houve demoras inaceitáveis.”
te todos os de um cidadão português, com exceção do direito de voto. Ao fim de cinco anos, é possível requerer a residência permanente e, a partir daí, até estabelecer residência noutro Estado-membro da União Europeia. Para quem é nacional de países com passaportes de forte mobilidade, o impacto prático é limitado, não precisam do passaporte português para circular na Europa nem fora dela. O impacto é verdadeiramente significativo para quem provém de países cujo passaporte não oferece essa mobilidade. É para essas pessoas que o prazo mais longo pesa de forma real.
Há ainda uma questão que considero essencial e que não pode ser ignorada: o Estado Português deveria resolver o atraso gritante na emissão dos títulos de residência, em particular nos processos ARI, onde os atrasos foram absolutamente inaceitáveis. Se há ineficiência nos serviços de imigração, a resposta deveria ser dada na lei da imigração, retroagindo a uma data razoável de processamento, ou à data de submissão. Não na lei da nacionalidade. Misturar os dois planos cria injustiças que não são responsabilidade dos requerentes.
Portugal continua a ser um destino atrativo para quem procura residência ou nacionalidade europeia, face às alterações legislativas recentes?
Portugal está mais alinhado com a tendência europeia, mas continua atrativo, sobretudo para residentes através do programa ARI, o chamado Golden Visa, associado a investimentos em fundos e doações em arte e cultu-
ra. Mesmo com as alterações, os critérios mantêm-se competitivos face a outros programas europeus, tornando Portugal uma opção relevante para quem procura um caminho para a cidadania europeia através do investimento.
A questão dos filhos de estrangeiros nascidos em Portugal tem sido polémica. Como equilibrar o direito à nacionalidade com critérios de integração mais exigentes?
Recordo a reação dos meus colegas europeus num painel da conferência de imigração do IBA de que fiz parte (especialistas em nacionalidade de vários países da União). Estavam genuinamente incrédulos com o facto de Portugal atribuir nacionalidade a bebés nascidos em território nacional desde que um dos progenitores estivesse em processo de legalização e em Portugal há pelo menos um ano. Esse regime permitia que alguns pais utilizassem Portugal como porta de entrada na Europa, para depois pedir reunificação familiar noutro Estado-membro, na qualidade de progenitores de um cidadão europeu.
Não me proponho aqui discutir os méritos do jus soli face ao jus sanguinis, é um debate legítimo e complexo. Mas as decisões em matéria de atribuição de nacionalidade têm impacto direto nos outros Estados-membros. Isso aplica-se a todos os países da União Europeia, e Portugal não é exceção. Algum equilíbrio é necessário. Dito isto, e a título pessoal, considero que três anos de residência seria um prazo suficiente e mais proporcional do que os cinco agora consagrados na lei.

“A residência temporária já confere um conjunto muito alargado de direitos, praticamente todos os de um cidadão português, com exceção do direito de voto. Ao fim de cinco anos, é possível requerer a residência permanente e, a partir daí, até estabelecer residência noutro
Estado-membro da União Europeia.”
apesar dos avanços no reconHecimento das crianças como sujeitos de direitos, claudete teixeira aFirma que a prática ainda é centrada nos adultos, sublinHando a necessidade de colocar a criança no centro das decisões, reForçar a mediação Familiar, promover a literacia para a justiça e apostar numa atuação multidisciplinar que proteja eFetivamente os menores do conFlito parental.
Considera que a sociedade já encara as crianças como verdadeiros sujeitos de direitos ou ainda prevalece uma visão mais tradicional e protecionista?
Temos assistido a uma evolução significativa, mas ainda persiste uma visão, em alguns contextos, excessivamente centrada no adulto. A criança é hoje reconhecida como sujeito de direitos, mas nem sempre esse reconhecimento se traduz plenamente na prática. Ainda há caminho a percorrer para que a sua voz seja verdadeiramente considerada.
“É igualmente essencial reforçar
uma cultura de respeito pelos direitos humanos e pelo outro. Esse deveria ser um valor adquirido, mas temos assistido a uma preocupante degradação a esse respeito, o que torna esta dimensão ainda mais necessária.”
De que forma o Direito da Família e das Crianças pode evoluir para garantir uma justiça mais adaptada às necessidades, à voz e ao superior interesse da criança?
O Direito da Família deve evoluir no sentido de colocar a criança no centro das decisões, não apenas em termos formais, mas efetivos. Isso implica garantir que é escutada, protegida do conflito e acompanhada por profissionais preparados. Mais do que decidir sobre crianças, é essencial decidir a pensar nelas.
É igualmente fundamental reforçar a mediação familiar, em particular na vertente parental, e investir na capacitação dos pais para lidarem de forma mais consciente e responsável com o conflito parental.
Na sua opinião, qual é o papel do advogado enquanto primeiro interveniente num proces“

ClaudEtE tEixEira advogada
so desta natureza, sobretudo na promoção de soluções conciliatórias e menos litigiosas?
O advogado tem um papel fundamental desde o primeiro momento. Para além da defesa técnica, deve contribuir ativamente para reduzir o conflito, orientar as partes e evitar a escalada litigiosa. É essencial que ajude os seus clientes a compreender o enquadramento jurídico, mas também as implicações das suas decisões, promovendo uma abordagem mais consciente e responsável. Em contexto de Direito da Família, o advogado intervém em
relações que irão continuar no tempo. Por isso, a sua atuação deve incentivar soluções equilibradas e duradouras, com especial atenção ao superior interesse da criança.
Que mudanças seriam necessárias no sistema judicial para tornar os processos mais acessíveis, compreensíveis e menos traumáticos para as crianças?
Os processos tornam-se traumáticos não pelo
sistema em si, mas pela forma como os adultos envolvem as crianças no conflito. Quando são impelidas a tomar partidos, a criar alianças ou a suportar decisões tomadas com base no conflito entre os pais, o impacto é profundo. Mais do que alterar o processo, é essencial mudar
“A criança é hoje reconhecida como sujeito de direitos, mas nem sempre esse reconhecimento se traduz plenamente na prática. Ainda há caminho a percorrer para


w)).claudeteteixeira.com
paulo m arin H o, s ecretário- g eral do sisterp, destaca as novas lutas dos trabal H adores do e stado, da precariedade quali F icada ao desgaste emocional, e de F ende um sindicalismo independente, próximo e credível, que acompan H e a digitalização com Formação, progressão e condições dignas.

Quais são as ‘novas lutas’ dos trabalhadores do Estado que ainda não estão reconhecidas no debate público?
Atualmente, as lutas na Administração Pública já não são só as “clássicas”. Há uma necessidade crescente de reinventar, sensibilizar e motivar os trabalhadores para uma reflexão do mundo do trabalho e os novos desafios.
Há uma realidade mais silenciosa, mas muito presente: a precariedade qualificada de profissionais com responsabilidade e formação, mas sem estabilidade, associada ao desgaste emocional, causado pela pressão, falta de meios, empatia e contacto constante com situações exigentes. Soma-se a luta por condições dignas, com equipas reduzidas, acumulação de funções e pela valorização e progressão, muitas vezes inexistentes apesar do esforço e dedicação total. No fundo, a grande luta é sim-
ples: reconhecimento e condições reais para desempenhar bem o trabalho, promovendo o bem-estar laboral e pessoal.
Como é que a independência do SISTERP e a aposta na credibilidade se traduzem em benefícios face aos modelos sindicais tradicionais?
A independência do SISTERP não é um slogan é uma forma de estar. As decisões partem dos problemas reais dos trabalhadores, sem condicionamentos de agendas externas, interesses partidários ou lógicas afastadas do local de trabalho. Isso traduz-se em respostas mais rápidas e ajustadas, maior proximidade no acompanhamento de casos e uma negociação focada em quem vive o dia a dia dos serviços públicos.
Esta independência reforça a confiança com os trabalhadores, garantindo que a sua voz é
ouvida sem filtros e defendida com coerência e credibilidade. O resultado é um sindicalismo mais próximo, transparente e eficaz, onde cada trabalhador se sente parte ativa da solução.
A digitalização e modernização têm valorizado as carreiras e condições de trabalho ou criaram desequilíbrios?
A digitalização trouxe mudanças profundas e, se bem aproveitada, pode ser uma enorme oportunidade. Porém, nem sempre foi acompanhada pela valorização equivalente dos trabalhadores. Muitos enfrentam novas ferramentas, processos e maiores exigências sem formação adequada, reforço de equipas ou reconhecimento nas carreiras, criando um desequilíbrio estrutural: mais responsabilidade e complexidade sem compensação e valorização. Ainda assim, a tecnologia deve
ser encarada de forma proativa, como forma de melhorar o serviço público e valorizar competências. Para isso, é essencial investir em formação, garantir adaptação e assegurar que a evolução se reflete na progressão e valorização profissional.
A modernização só faz sentido com valorização real e efetiva dos trabalhadores, caso contrário exige-se mais sem retorno.
Como pretendem equilibrar a defesa dos trabalhadores com a qualidade e eficiência no serviço prestado?
Para o SISTERP, não há oposição entre defender os trabalhadores e garantir um serviço público de qualidade: uma coisa depende da outra. A missão é melhorar o serviço público prestado aos cidadãos, lutando por melhores condições, capacitação, estabilidade, formação e reconhecimento, porque só profissionais motivados e respeitados conseguem responder com qualidade e eficiência às exigências
diárias. Assumimos uma postura responsável e construtiva, participando no diálogo, apresentamos propostas e procurando soluções que melhorem a organização dos serviços, simplifiquem processos e aproveitem os recursos humanos e materiais. O equilíbrio passa por colocar trabalhadores e cidadãos no centro, porque quando o sistema cuida de quem nele trabalha, o resultado é um serviço mais próximo, eficaz e digno.
Se tivesse de eleger uma medida urgente, qual seria e porquê?
A medida mais transformadora seria a valorização efetiva das carreiras e remunerações na Administração Pública, eliminando as atuais carreiras gerais e criando modelos pluricategoriais. Não se trata de ajustes pontuais ou paliativos, mas de uma decisão estrutural que reconheça as funções e valor remuneratório. Esta prioridade é decisiva porque retém e atrai talento, reconhece o esforço e melhora a qualidade do serviço público. Contudo, a

“Se queremos políticas públicas mais justas, equilibradas e eficazes, a concertação social tem de ir além do “sistema fechado” atual e abrir-se aos independentes, reforçando a legitimidade das decisões, aproximando o diálogo da realidade e permitindo reformas mais consistentes.”
concertação social deve tornar-se mais representativa e plural. O modelo atual exclui o sindicalismo independente da Comissão Permanente de Concertação Social, apesar de representar a maioria dos sindicatos existentes em Portugal. O Governo continua a negociar com estruturas menos representativas, ignorando a USI, que agrega mais de 80% dos sindicatos independentes e representa sobretudo trabalhadores qualificados e altamente especializados.
Se queremos políticas públicas mais justas, equilibradas e eficazes, a concertação social tem de ir além do “sistema fechado” atual e abrir-se aos independentes, reforçando a legitimidade das decisões, aproximando o diálogo da realidade e permitindo reformas mais consistentes. Valorizar carreiras, salários e valorizar quem representa efetivamente os trabalhadores não são caminhos paralelos, são partes da mesma transformação estrutural de que o Estado precisa.
paulo coelHo da silva, arquiteto com experiência em projeto e acompanHamento de obras de manutenção, reabilitação e construção e especialista em estudos de património, deFende uma arquitetura contemporânea que reabilita sem apagar a memória, conciliando rigor, identidade e responsabilidade social.

A arquitetura contemporânea integra cada vez mais a reabilitação em detrimento da construção nova. Na sua opinião, que mudanças estruturais marcaram esta transição e que impacto têm tido na forma como se projeta hoje?
Identifico duas, uma política e outra social, com o renascimento de fenómenos de memória e identidade. A política numa perspetiva ecológica, pretende reduzir o volume de resíduos de demolição e a pegada ecológica inerente ao fabrico de materiais críticos. O conceito é aproveitar/reciclar. A social por valores de memória e identidade, pela consciência de que a continuidade é um traço da Humanidade e por isso, não ser desejável “apagar” o passado. Ao nível do projeto destaco a exigência e o rigor no desenho de arquitetura e na infraestrutura, pela necessidade de se cuidar da preexistência qualificada.
Como se equilibra a intervenção contemporânea com o respeito pela memória e pelo caráter original dos edifícios?
Memória e identidade podem caminhar juntas com a contemporaneidade, porque exis-
“O arquiteto é o elo fundamental por ser um técnico e um humanista ao serviço da sociedade.”
tem materiais compatíveis com um conceito tão querido da arquitetura, como é o “articular”, ademais, cada intervenção deve ser uma expressão da sua época, sem esmagar o passado. A outra parte radica na aceitação das mutilações e na possibilidade das suas reconstituições, sabendo-se que uma reconstituição opaca nem sempre é a melhor opção.
Considera que a manutenção e o restauro continuam subvalorizados no panorama da arquitetura em Portugal? Na sua prática, que desafios encontra neste domínio?
Atualmente, o enquadramento político e social, é favorável. Por vezes até em excesso, quando uma estrutura está em clara falência, aconselhando a sua demolição, não o sendo permitido


por falta de enquadramento legal, mesmo com a reconstituição da linha exterior original. Certo é que a consciência generalizada do valor da preservação da identidade cultural já é, quase unanimemente aceite.
Como avalia o estado atual da proteção e valorização do património edificado em Portugal? Há mudanças urgentes que deveriam ser implementadas a nível político ou técnico? O estado geral da proteção e da valorização é fraco e o tema carece de uma urgente clarificação, porque o valor sentimental de um edifício nem sempre está alinhado com o valor arquitetónico e histórico, que justifique a sua manutenção. Mas também há questões ao nível da propriedade, de direitos adquiridos e emocionais a salvaguardar. A questão será essencialmente política.
Que papel deve assumir o arquiteto na mediação entre inovação, preservação e responsabilidade social?
Cabe aos arquitetos enquanto autores da paisagem urbana, assumir essa responsabilidade sem ambiguidades e sem rodeios, até porque, em qualquer dos casos mencionados, o arquiteto está lá sempre. O arquiteto é o elo fundamental por ser um técnico e um humanista ao serviço da sociedade. No entanto, falta uma outorga de delegação ao invés do esmagamento legislativo que recai sobre os arquitetos que trabalham fora da Administração.
pAulo coelho dA s ilvA , Arqº
g E ral.arq
para luís moreira, a arquitetura deve unir criatividade, engenHaria e construção numa visão integrada, capaz de responder aos desaFios da reabilitação urbana, sustentabilidade e às novas necessidades Habitacionais.
De que forma a sua abordagem integrada, que gere arquitetura, engenharia e construção numa só equipa, beneficia o cliente? O cliente ganha maior coerência e controlo de todo o processo. A comunicação contínua entre as áreas permite antecipar problemas, alinhar decisões técnicas e garantir a viabilidade da obra. Na prática, há uma gestão mais eficiente de prazos, custos e decisões, reduzindo incompatibilidades entre projeto e execução e assegurando maior fidelidade ao conceito inicial.
O atelier trabalha projetos de diferentes escalas. O que aprendem num projeto de grande dimensão que depois aplicam num projeto mais íntimo?
Projetos de maior dimensão, como o Meneres 777, Riveer Prestige Village ou Inside Park, exigem planeamento, coordenação de equipas multidisciplinares, gestão de prazos e uma leitura urbana mais ampla. Já os projetos mais íntimos, como a Casa da Fonteita ou a Casa Paredes, exigem maior proximidade

ao cliente e atenção ao detalhe, porque cada decisão influencia diretamente o quotidiano de quem vai habitar o espaço. No atelier existe uma transferência constante entre estas realidades: a organização adquirida em projetos maiores torna os pequenos mais eficientes, enquanto a atenção ao detalhe e à experiência humana valoriza os de maior escala. Em qualquer caso, procuramos criar uma imagem forte e reconhecível, valorizando o investimento de clientes e parceiros.
“Intervir no património não é apenas preservar: é adaptar os edifícios às necessidades atuais, garantindo conforto, eficiência energética e qualidade de vida.”
Considerando a sua tese de Mestrado de 2011, a sua abordagem ao edificado existente continua a influenciar o seu trabalho atual?
Sim, o Mestrado reforçou a importância de compreender o contexto histórico e urbano dos edifícios existentes. Reabilitar exige uma leitura cuidada da cidade, das suas tipologias e da identidade dos lugares. Intervir no património não é só preservar: é adaptar os edifícios às necessidades atuais, garantindo conforto, eficiência energética e qualidade de vida.
A minha tese Living (Re)volution procurava soluções habitacionais adaptáveis às diferentes fases da vida. O objetivo mantém-se: equilibrar o respeito pelo existente com respostas às exigências do presente.


O que está efetivamente a mudar no perfil dos clientes e na forma como o mercado olha para a arquitetura de qualidade?
Hoje existe uma maior consciência da importância do projeto como ferramenta para garantir qualidade, controlar custos e valorizar o investimento imobiliário. Temas como eficiência energética, sustentabilidade e durabilidade dos materiais passaram a estar mais presentes desde o início das conversas com os clientes.
Ao mesmo tempo, a crise habitacional e a pressão sobre os centros urbanos trouxeram novas exigências ao mercado, obrigando a encontrar soluções que conciliem densidade, qualidade arquitetónica e sustentabilidade. Nesse contexto, a arquitetura deixou de ser vista apenas como um exercício estético e passou a assumir um papel estratégico no desempenho dos edifícios e na forma como pensamos as cidades e o futuro da habitação.
manuela timóteo destaca que o investimento em tecnologia, eFiciência e Felicidade organizacional são Fatores decisivos para enFrentar os desaFios e liderar o Futuro do setor.
“A sustentabilidade está intrinsecamente ligada à nossa missão e aos nossos valores. Na PMT, a nossa abordagem à sustentabilidade vai além do cumprimento normativo; é uma responsabilidade assumida em cada projeto.”

manuEla timótEo ceo
De que forma a PMT Engenharia tem integrado a transformação digital nas suas metodologias de trabalho? Quais são os maiores desafios e benefícios observados na implementação destas novas ferramentas e processos?
A PMT Engenharia tem assumido a transformação digital como um pilar estratégico para se afirmar como uma empresa de engenharia inovadora. Acreditamos que a eficiência e a produtividade não se medem pelo número de horas trabalhadas, mas sim pela capacidade de otimizar processos através da tecnologia. Temos investido fortemente na digitalização e modernização das nossas metodologias, adotando plataformas avançadas de gestão de projetos, metodologias BIM (Building Information Modeling) e ferramentas de colaboração em tempo real.
O principal benefício desta transição tem sido a capacidade de sermos mais produtivos e eficientes, o que nos permite alcançar a excelência técnica sem sacrificar o tempo pessoal e familiar dos nossos colaboradores. No entanto, o maior desafio prende-se com o investimento financeiro significativo exigido pela adoção destas tecnologias, bem como a necessidade contínua de formação e adaptação das equipas. A mudança de paradigma num setor tradicionalmente conservador como a construção exige resiliência, mas os resultados comprovam que a digitalização é o caminho certo para o futuro.
De que forma a PMT Engenharia incorpora os princípios de sustentabilidade nos seus projetos, tanto a nível de materiais e técnicas construtivas, como na pegada ecológica global das infraestruturas que desenvolve?
A sustentabilidade está intrinsecamente ligada à nossa missão e aos nossos valores. Na PMT, a nossa abordagem à sustentabilidade vai além do cumprimento normativo; é uma responsabilidade assumida em cada projeto. A nossa certificação no Sistema de Gestão Ambiental (NP
ISO 14001) reflete o nosso compromisso em prevenir riscos e reduzir os impactos ambientais das nossas atividades.
Um exemplo claro desta atuação é o nosso envolvimento na modernização da Linha Ferroviária de Vendas Novas, um projeto estruturante de 120 milhões de euros. Esta obra, onde asseguramos a fiscalização e coordenação de segurança, é fundamental para a descarbonização do transporte de mercadorias em Portugal, estimando-se uma redução de cerca de 500 mil toneladas de emissões de CO₂ até 2050. Nos nossos projetos, privilegiamos a otimização de recursos, a gestão eficiente de resíduos e a adoção de soluções técnicas que garantam a durabilidade e a eficiência energética das infraestruturas, contribuindo ativamente para os objetivos climáticos globais.
“Queremos ser uma empresa de engenharia inovadora, que entrega soluções de excelência técnica, mas que nunca perde de vista o seu propósito maior — melhorar a qualidade de vida das comunidades onde operamos e garantir o bem-estar absoluto das pessoas que constroem o nosso sucesso todos os dias.”

A PMT Engenharia alcançou uma elevada classificação no Índice de Bem-Estar e Felicidade Organizacional. Como este foco no bem-estar e felicidade dos colaboradores se reflete na capacidade da empresa em inovar, atrair talento e enfrentar os desafios do setor?
Como CEO, acredito que as empresas existem para proporcionar conforto e bem-estar
a todos os que delas fazem parte. O setor da construção é, por natureza, muito exigente, caracterizado por prazos apertados e elevada carga de stress. Muitas vezes, esquece-se que na frente de obra ou nos gabinetes de projeto estão pessoas com famílias, filhos e pais para cuidar.
Na PMT, combatemos a ideia de que um tra-
balhador competente é aquele que trabalha 12 horas por dia. O nosso foco é a eficiência. É por isso que investimos na certificação da conciliação do trabalho com a família (NP 4552), obtivemos um excelente índice na marca Great Place to Work e estamos agora a investir na certificação da norma da Felicidade Organizacional (NP 4590). Trabalhadores motivados, que sentem que operam num contexto agradável e equilibrado, são a chave para alcançar todos os nossos objetivos empresariais — desde a excelência técnica ao melhor desempenho financeiro. Este compromisso com as pessoas é o nosso maior trunfo para atrair e reter talento, fomentando um ambiente onde a inovação surge naturalmente.
Olhando para o futuro, quais são as grandes tendências que antevê para os próximos anos em Portugal e nos mercados internacionais onde a PMT atua? Como a empresa se está a preparar para liderar nessas áreas?
O futuro da engenharia será marcado pela convergência indissociável entre a tecnologia, a sustentabilidade e o impacto social. A transição digital e a transição climática não são apenas tendências; são imperativos. Antevejo uma adoção massiva de inteligência artificial, automação e metodologias BIM, não apenas na fase de projeto, mas em todo o ciclo de vida das infraestruturas. A PMT está a preparar-se para liderar nesta nova era através de um investimento contínuo na modernização tecnológica e na capacitação das nossas equipas. Estamos focados em projetos que tenham um impacto social e ambiental positivo, como é o caso da ferrovia, que será crucial para a mobilidade sustentável na próxima década.
A nossa visão é clara: queremos ser uma empresa de engenharia inovadora, que entrega soluções de excelência técnica, mas que nunca perde de vista o seu propósito maior — melhorar a qualidade de vida das comunidades onde operamos e garantir o bem-estar absoluto das pessoas que constroem o nosso sucesso todos os dias.
sónia rodrigues, ceo da msri, destaca que a construção modular reduz prazos, controla custos, assegura qualidade e permite personalização total. contrariando a ideia ainda existente de que se trata de uma solução provisória ou de menor valor, sublinHa a importância de um maior reconHecimento institucional e técnico do setor em portugal.
Como conciliam a habitação permanente com o alojamento turístico? E qual é a vossa prioridade entre estas duas vertentes?
No modelo da MSRI, essa distinção está bem definida. A habitação permanente é uma prioridade clara, não só pela urgência social que representa, mas também pela forma responsável como deve ser planeada e executada. No entanto, segue uma linha cronológica mais exigente, dependente de processos completos de licenciamento e da aprovação prévia dos projetos.
Já no alojamento turístico, na maioria dos casos, os projetos chegam até nós já licenciados ou com aprovação prévia, permitindo um arranque mais rápido da produção e execução.
Assim, atuamos em ambos os segmentos de forma complementar, ajustando processos à maturidade de cada projeto, sempre com rigor, qualidade e controlo. A habitação permanente responde a uma necessidade estrutural do país; o alojamento turístico enquadra-se numa lógica de investimento mais ágil de execução.

“A MSRI quer ter um papel ativo nessa mudança, demonstrando pelo exemplo que o modular cumpre todos os requisitos legais, técnicos e patrimoniais, oferecendo qualidade, previsibilidade e qualidade de vida.”

“Na construção modular, grande parte do processo é realizado em ambiente de fábrica, reduzindo significativamente os tempos de execução, eliminando a dependência das condições climatéricas e garantindo um planeamento rigoroso.”
Quais são as diferenças entre a construção modular e tradicional? Ainda existe resistência do mercado em reconhecer a vantagem do modular?
As diferenças destacam-se ao nível dos prazos, custos e qualidade final. Na construção modular, grande parte do processo é realizado em ambiente de fábrica, reduzindo significativamente os tempos de execução, eliminando a dependência das condições climatéricas e garantindo um planeamento rigoroso. Em muitos casos, os prazos são mais curtos do que na construção tradicional.
Os custos são mais controlados, com o orçamento definido e estável até ao final do projeto, evitando derrapagens e custos inesperados. Ao nível da qualidade, o ambiente controlado de produção assegura maior precisão, consistência e controlo técnico.
A resistência do mercado ainda existente resulta sobretudo de perceções antigas que não acompanham a evolução tecnológica e construtiva do setor.
O que oferecem aos jovens casais para justificar a escolha da habitação modular?
O nosso objetivo é que a habitação modular seja a primeira escolha dos jovens casais, sobretudo na primeira habitação. Na construção tradicional, é comum que o orçamento disponível permita adquirir a casa, mas não o seu uso imediato: recheio, climatização, eletrodomésticos ficam para depois, e a personalização fica limitada por constrangimentos financeiros.
Na MSRI, isso não acontece, oferecemos uma solução totalmente fechada e chave na mão, pensada desde o início para permitir que o casal entre numa casa pronta a habitar, sem necessidade de um segundo crédito ou de investimentos adicionais após a entrega. Além disso, o tempo de construção é menor e os custos são mais controlados, uma vez que toda a produção é feita em fábrica. Na MSRI, garantimos o mesmo preço até ao final do projeto, sem surpresas.
Ainda existe a perceção de que uma casa modular é provisória, menos sólida ou com menor valor patrimonial. Como desconstruem essa ideia?
Essa perceção já não corresponde à realidade. As casas MSRI são habitações permanentes, licenciáveis e construídas com os mesmos requisitos técnicos da construção tradicional, cumprindo integralmente as normas legais e construtivas. O valor de um imóvel depende da qualidade construtiva, durabilidade, eficiência e procura do mercado, não do método de construção.
Até que ponto é possível personalizar sem perder eficiência industrial nem encarecer o produto?
Na MSRI, o equilíbrio entre personalização e eficiência é garantido antes de iniciar qualquer construção. Todo o projeto é pensado e definido, com um orçamento claro ou um limite previamente alinhado com o cliente. A partir daí, criamos soluções totalmente à medida dentro desse enquadramento.
Esta preparação antecipada permite personali-
zar sem encarecer nem perder eficiência industrial, evitando alterações a meio do processo. A personalização é um elemento diferenciador — não é o mais rentável em fábrica, mas é aquilo que nos distingue. Nada é standard ou importado. Tudo é produzido nas nossas instalações e pensado em conjunto com o cliente.
O que falta para o reconhecimento pleno do modular em Portugal e qual é o papel da MSRI?
Falta evolução na perceção e no enquadramento institucional. O modelar ainda é avaliado com critérios de modelos tradicionais, apesar de ser um método diferente. Para que seja reconhecida como uma solução habitacional permanente, segura e valorizável, é necessária maior normalização técnica, clareza regulatória e atualização cultural. A MSRI quer ter um papel ativo nessa mudança, demonstrando pelo exemplo que o modular cumpre todos os requisitos legais, técnicos e patrimoniais, oferecendo qualidade, previsibilidade e qualidade de vida. Mais do que uma alternativa, é parte essencial do futuro da habitação.

De que forma é que o FOR-MAR está a redefinir a sua oferta formativa para responder às necessidades reais do setor?
Para além das áreas tradicionais regulamentadas, reforçamos a formação em domínios emergentes, robótica, logística portuária, aquacultura e, muito em breve, em energias renováveis offshore, alinhando a qualificação com a transição digital e sustentável. Paralelamente, diversificámos os modelos de formação — presencial, e-learning e b-learning — garantindo flexibilidade e acesso a profissionais embarcados e comunidades costeiras.
clara simões, diretora do departamento de planeamento, Formação e certiFicação, aFirma que a renovação dos polos e a aposta em simuladores avançados estão a Fortalecer a oFerta Formativa do For-mar, em resposta às novas exigências da economia azul.
balhadores, recorrendo, por exemplo, aos nossos simuladores de última geração.
De que forma a introdução de simuladores de navegação, automação, operação portuária, soldadura e máquinas marítimas na formação, aproxima a realidade operacional e melhora a empregabilidade dos formandos?
“A estratégia do FOR-MAR vai além da modernização física. Estamos ligados, suportada por
teúdos interativos e metoa consolidar uma rede plataformas
nacional de polos inter-
digitais, condologias inovadoras.”
Que mudanças concretas trará o projeto Hub Azul, que prevê a requalificação de polos, a aquisição de equipamentos tecnológicos e a criação de conteúdos pedagógicos para e-learning e b-learning?
Requalificámos polos, modernizámos equipamentos e concebemos conteúdos digitais inovadores. Este investimento materializa-se em infraestruturas modernas, laboratórios e ambientes de aprendizagem tecnologicamente avançados, que permitem formação mais prática, interativa e orientada para resultados.
Por outro lado, vai permitir às empresas atualizar as competências profissionais dos seus tra-
A introdução de simuladores e tecnologias avançadas aproxima a formação da realidade operacional do setor marítimo. Estes equipamentos permitem reproduzir cenários reais em ambiente seguro, reforçando competências técnicas, decisão em contexto crítico e preparação para operações complexas. Esta aproximação à prática aumenta a confiança das entidades empregadoras e melhora significativamente a empregabilidade e mobilidade dos formandos.
Como é que garantem que os novos centros, polos requalificados e plataformas digitais não se limitam à modernização física, mas criam uma rede duradoura de qualificação e inovação?
A estratégia do FOR-MAR vai além da modernização física. Estamos a consolidar uma rede nacional de polos interligados, suportada por plataformas digitais, conteúdos interativos e metodologias inovadoras. Complementarmente, estamos a desenvolver um novo modelo de negócio que integra serviços de valor acrescentado — como consultoria, prestação de serviços especializados e utilização de infraestruturas — potenciando a sustentabilidade e o impacto da organização.
Com a conclusão prevista para junho de 2026 e os níveis de execução atuais, que priorida-


des devem ser cumpridas para que os investimentos do PRR na economia do mar se tornem uma resposta estruturante?
A prioridade é consolidar este ecossistema de excelência: concluir a modernização das infraestruturas, operacionalizar plenamente os simuladores, centros de exame e outros equipamentos, operacionalizar o plano de negócios e expandir a oferta em áreas estratégicas. Em paralelo, será determinante afirmar o FOR-MAR como centro de referência nacional, aprofundando a ligação às empresas e dinamizando novas atividades e serviços que garantam sustentabilidade e resposta estruturante às exigências da economia do mar.


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