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Valor Magazine Julho'26

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Há algo que distingue verdadeiramente uma sociedade dinâmica e preparada para o futuro: a capacidade de reconhecer, valorizar e dar voz às pessoas que, todos os dias, transformam desafios em oportunidades. Nesta edição da Valor Magazine, celebramos precisamente essa força que impulsiona o desenvolvimento económico, social e cultural do nosso país.

As páginas que se seguem conduzem-nos por diferentes geografias, setores e percursos de vida, mas existe um denominador comum que une todas estas histórias: a coragem de fazer acontecer. Em destaque, encontramos mulheres líderes, empreendedoras e profissionais que desafiaram expectativas, quebraram barreiras, construíram percursos de excelência e demonstram que o talento, a determinação e a visão continuam a ser os principais motores da mudança. Mas o talento não tem género nem fronteiras. Também por isso, exploramos exemplos inspiradores de liderança com propósito, onde o sucesso é medido não apenas pelos resultados alcançados, mas pelo impacto positivo gerado nas pessoas, nas organizações e nas comunidades. São histórias que mostram que liderar é, acima de tudo, criar valor duradouro. Nesta edição, viajamos ainda pelo Portugal Criativo. Um país que reinventa

tradições, aposta na diferenciação e encontra na criatividade uma poderosa ferramenta de crescimento. Das empresas às iniciativas culturais, dos projetos locais às ambições globais, descobrimos um território que continua a surpreender pela sua capacidade de inovar.

Os nossos especiais dedicados a Chaves, Oeiras, Cascais e Estoril revelam igualmente regiões que combinam património, qualidade de vida, investimento e visão estratégica. Cada uma, à sua maneira, representa o melhor de Portugal: autenticidade, capacidade de atração e uma permanente aposta no futuro. Num tempo marcado pela velocidade da mudança, continua a ser fundamental parar para ouvir histórias reais. Histórias de pessoas que arriscam, inovam, lideram e inspiram. Histórias que nos lembram que o progresso não acontece por acaso, mas através da visão, do trabalho e da capacidade de acreditar.

É esse o compromisso da Valor Magazine: dar visibilidade a quem cria valor, destacar exemplos que inspiram e promover uma visão positiva, ambiciosa e construtiva do país.

Porque, no final, são as pessoas e os seus projetos que fazem avançar Portugal. E são essas histórias que merecem ser contadas.

ana beatriz bravo

leonor noronha

beatriz rodrigues

ana de almeida santos

cátia arnaut

victoria ferreira

irina akhmetova

cátia lopes

cátia lourenço

liliana pascoal

joana ferreira reis

carla silva

KEllEr Williams por tugal

cria K w c ares para apoiar comunidades

nova associação de solidariedade social reforça o compromisso da keller williams portugal com a responsabilidade social e o apoio aos seus associados e às comunidades em que estão inseridos.

a Keller williams portugal acaba de criar a Kw portugal cares – associação de solidariedade social, uma iniciativa que materializa o compromisso da empresa com a responsabilidade social e o bem-estar dos seus associados e das comunidades nas quais estão inseridos. a associação tem como objetivo prioritário o apoio a membros da rede Keller williams

constituída como uma associação sem Fins lucrativos, de âmbito nacional e com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, a Kw portugal cares nasce pelas mãos dos seus associados com a missão de prestar apoio a membros da comunidade Keller williams portugal que enfrentem circunstâncias resultantes de emergências súbitas, contribuindo para que todos se sintam apoiados, seguros, capacitados e valorizados

a associação atuará com base nos princípios da solidariedade, integridade, transparência e responsabilidade institucional, promovendo a identificação e avaliação de situações de vulnerabilidade, a mobilização de recursos financeiros e materiais, a criação de parcerias estratégicas e a implementação de medidas de apoio adequadas às necessidades identificadas.

para isso, a estrutura da associação integra um comité de avaliação e resposta a emergências (cares), responsável pela análise e enquadramento das situações que possam justificar intervenção solidária. a Kw portugal cares é presidida por nuno ascensão, co-fundador e regional owner da Keller williams portugal, que destaca o significado desta iniciativa para a cultura da organização: “a Kw cares representa aquilo que somos enquanto comunidade. acreditamos que o sucesso de uma organização se mede também pela Forma como cuida das suas pessoas nos momentos mais desaFiantes e é por isso que esta associação nasce para garantir que nenhum membro da nossa rede enFrenta sozinho uma situação de emergência ou vulnerabilidade. é uma expressão concreta dos valores de partilha, cultura, entreajuda e responsabilidade que Fazem parte do adn da Keller williams .”

com a criação da kw portugal cares, a keller williams portugal consolida a sua cultura de partilha, colocando a responsabilidade social e o cuidado com as pessoas no centro da sua atuação e reforçando a convicção de que comunidades fortes se constroem através da solidariedade e da ação coletiva

engenharia, crescimento e projetos estratégicos

da engenharia à construção e à saúde ocupacional, a pmt engenharia tem consolidado um modelo de crescimento assente na inovação, na proximidade e na valorização das pessoas. manuela timóteo, ceo da empresa, explica como esta visão integrada tem impulsionado a evolução da organização e preparado o caminho para os desaFios do Futuro.

A PMT tem vindo a consolidar a sua posição em diferentes áreas da engenharia. Que estratégia tem sustentado esse crescimento e de que forma a empresa procura diferenciar-se num mercado cada vez mais competitivo?

Sempre acreditei que as empresas não se distinguem apenas pela qualidade dos seus serviços, mas sobretudo pela visão que têm para o futuro. Quando fundei a PMT, não imaginei apenas uma empresa de projetos. Imaginei uma organização capaz de criar relações de confiança duradouras, de responder aos desafios mais complexos e de crescer ao lado dos seus clientes.

Ao longo destes anos, investimos continuamente na qualificação das nossas pessoas, na transformação digital, na metodologia BIM, na Inteligência Artificial, na melhoria dos processos e na inovação. Mas, acima de tudo, investimos numa cultura organizacional onde o rigor técnico caminha lado a lado com a proximidade, a responsabilidade e a ética. Com o tempo, percebemos que os clientes procuravam cada vez mais do que um projeto ou uma fiscalização. Procuravam parceiros que os acompanhassem durante todo o ciclo do investimento. Essa necessidade levou-nos a alargar naturalmente a nossa atuação.

Foi dessa visão que nasceram dois novos projetos. A TIMO, dedicada à construção e remodelação personalizada, permite-nos acompanhar o cliente na fase de execução da obra, garantindo que a qualidade pensada em projeto se concretiza no terreno. Mais recentemente surgiu a FACE a FASE, uma clínica especializada em Segurança e Saúde no Trabalho, Medicina Ocupa-

manuEla timótEo ceo
“Nunca

quis construir uma empresa dependente de uma única pessoa. Quis construir uma organização capaz de perdurar no tempo, de inovar continuamente e de crescer muito para além de quem a fundou. Porque acredito que o verdadeiro legado não são apenas as obras que entregamos. O verdadeiro legado são as pessoas que ajudamos a crescer, as equipas que construímos e a confiança que conquistamos ao longo do

cional, Medicina Estética e Bem-Estar, porque acreditamos que nenhuma obra faz sentido se não cuidarmos das pessoas que a tornam possível. Não vejo estas áreas como negócios distintos. Vejo-as como diferentes expressões da mesma missão: projetar, construir e cuidar.

Tenho igualmente o privilégio de partilhar este percurso com o João Lamego, meu parceiro de vida e parceiro neste projeto empresarial. A sua visão estratégica, a capacidade de antecipar tendências e de estruturar o crescimento da organização complementam a minha forma de liderar, mais orientada para a organização, para a proximidade com as equipas e para a concretização dos objetivos. Mas seria profundamente injusto atribuir este percurso apenas a nós. A PMT é hoje o resultado de uma equipa extraordinária. Tenho a felicidade de trabalhar diariamente com uma equipa de gestão em quem deposito total confiança - Afonso Timóteo, Vanessa Caetano, Luisa Simplicio, Catarina Rodrigues, Nuno Pombinho e Wilson Tafula - e com cerca de 150 colaboradores que fazem da competência, da dedicação e do compromisso a verdadeira marca da empresa.

Costumo dizer que as empresas não crescem pela visão de uma única pessoa. Crescem porque existem equipas que acreditam nessa visão e a transformam em realidade todos os dias.

A crescente complexidade das grandes obras exige equipas multidisciplinares e uma coordenação cada vez mais rigorosa. Como tem a PMT acompanhado esta evolução e que competências considera hoje essenciais para responder às exigências do setor?

A engenharia mudou profundamente nos últimos anos. Os projetos tornaram-se mais complexos, os requisitos técnicos mais exigentes, os prazos mais desafiantes e a sustentabilidade deixou de ser uma opção para passar a ser uma

caminho.”

responsabilidade. Esta realidade obriga-nos a trabalhar de forma diferente.

Na PMT procuramos integrar todas as especialidades através de metodologias colaborativas, ferramentas digitais e processos que promovem uma comunicação permanente entre equipas. Mas acredito que o maior desafio já não é tecnológico. É humano. Hoje procuramos profissionais tecnicamente muito competentes, mas igualmente capazes de comunicar, liderar, trabalhar em equipa, tomar decisões sob pressão e adaptar-se à mudança. As empresas do futuro não serão necessariamente aquelas que tiverem a melhor tecnologia.

Serão aquelas que conseguirem desenvolver as melhores pessoas. É por isso que investimos tanto na formação, na valorização do talento e numa cultura onde cada colaborador sente que pode crescer profissionalmente e contribuir para a evolução da organização. Liderar nunca significou, para mim, decidir

sozinha. Significa criar condições para que pessoas competentes assumam responsabilidades, desafiem ideias e acrescentem valor. É isso que faz crescer uma empresa.

A inovação tem assumido um papel determinante na construção. Que tecnologias, metodologias ou processos têm vindo a integrar nos vossos projetos para aumentar a eficiência, a segurança e a qualidade das intervenções?

A inovação faz parte do ADN da PMT. Vivemos um momento extraordinário na engenharia, onde a tecnologia está a transformar profundamente a forma como projetamos, coordenamos e gerimos as obras. Ao longo dos últimos anos integrámos metodologias BIM, plataformas colaborativas, sistemas digitais de gestão, automatização de processos e estamos atualmente a desenvolver soluções próprias baseadas em Inteligência Artificial para apoiar a análise documental, a verificação técnica e a gestão do conhecimento. Mas inovar não significa apenas

adquirir tecnologia. Significa questionar continuamente a forma como fazemos as coisas. É simplificar processos. É reduzir desperdícios. É melhorar a comunicação. É aumentar a qualidade. É libertar tempo para que os nossos profissionais possam dedicar-se àquilo que nenhuma máquina consegue substituir: a capacidade de pensar, criar soluções e tomar decisões. Costumo dizer que a Inteligência Artificial não substituirá os engenheiros. Mas os engenheiros que souberem trabalhar com Inteligência Artificial irão certamente liderar a engenharia do futuro. É por isso que continuamos a investir na inovação, sem nunca perder aquilo que consideramos essencial: as pessoas. Porque acreditamos que a tecnologia só faz sentido quando melhora a vida de quem trabalha e de quem confia em nós.

A PMT prepara-se para inaugurar uma nova

clínica, reforçando a sua aposta na Segurança e Saúde, com especial enfoque no setor da construção. O que esteve na origem deste investimento e que necessidades do mercado pretende responder?

A Face a Fase nasceu de uma reflexão muito simples, mas profundamente transformadora. Ao longo de mais de vinte anos acompanhei centenas de obras, reuni com equipas técnicas, visitei estaleiros e conheci milhares de profissionais que diariamente constroem escolas, hospitais, habitações, linhas ferroviárias e tantas outras infraestruturas fundamentais para o desenvolvimento do país. Foi nesse percurso que compreendi uma realidade que nunca mais me abandonou: por melhor que seja um projeto, nenhuma obra faz sentido se não cuidarmos das pessoas que a tornam possível. Essa consciência levou-nos a olhar para a Segurança e Saúde de uma forma diferente. Não apenas como uma obrigação legal, mas como uma res-

ponsabilidade ética e estratégica. Foi assim que nasceu a Face a Fase.

Mais do que uma clínica de Medicina do Trabalho, criamos um espaço onde prevenção, saúde, segurança e bem-estar coexistam de forma integrada. Ao mesmo tempo, este projeto complementa naturalmente aquilo que fazemos na PMT e na TIMO. Se através da engenharia concebemos os projetos e através da construção lhes damos forma, fazia todo o sentido criar uma estrutura capaz de cuidar das pessoas que os desenvolvem e também de todos aqueles que procuram melhorar a sua qualidade de vida. Para nós, projetar, construir e cuidar fazem hoje parte da mesma visão.

A segurança em obra continua a ser um dos maiores desafios do setor. De que forma esta nova estrutura poderá contribuir para uma abordagem mais preventiva e integrada da saúde ocupacional dos trabalhadores?

Durante muitos anos a Segurança e Saúde foi encarada essencialmente como um conjunto de procedimentos obrigatórios. Hoje sabemos que isso já não é suficiente.

A verdadeira prevenção começa muito antes de entrar numa obra. Começa na avaliação médica, na promoção de hábitos saudáveis, na formação, na criação de ambientes de trabalho mais seguros e numa cultura organizacional onde a vida humana está sempre em primeiro lugar. O sector da construção é um dos sectores com mais acidentes e mais doenças profissionais. É preciso um cuidado direcionado para este sector É precisamente essa abordagem integrada que queremos desenvolver na Face a Fase. Pretendemos trabalhar lado a lado com as empresas, ajudando-as não apenas a cumprir a legislação, mas sobretudo a reduzir acidentes, diminuir o absentismo, melhorar a produtividade e aumentar o bem-estar dos seus colaboradores. Acredito que investir na saúde das pessoas é um dos melhores investimentos que qualquer organização pode fazer. Porque colaboradores saudáveis são também equipas mais motivadas, mais produtivas e mais felizes.

Mais do que prestar serviços de Medicina do Trabalho, a PMT pretende especializar-se na Segurança e Saúde aplicada à construção. Em que se traduz essa especialização e que valor acrescentado oferece às empresas?

A grande diferença é que conhecemos profun-

damente a realidade da construção. Não observamos o setor de fora. Vivemo-lo diariamente. Ao longo de mais de duas décadas acompanhámos obras de diferentes dimensões, conhecemos os riscos específicos das várias especialidades, percebemos as dificuldades das empresas e compreendemos aquilo que verdadeiramente faz falta no terreno. Essa experiência permite-nos desenvolver soluções muito mais ajustadas às necessidades reais do setor. Queremos ser parceiros das empresas e não apenas prestadores de serviços. Queremos ajudá-las a criar uma cultura de prevenção, onde a Segurança e Saúde deixem de ser encaradas como um custo e passem a ser entendidas como um investimento na qualidade, na produtividade e nas pessoas. É exatamente essa proximidade ao setor que diferencia a Face a Fase.

“Sempre acreditei que as empresas não se distinguem apenas pela qualidade dos seus serviços, mas sobretudo pela visão que têm para o futuro. Quando fundei a PMT, não imaginei apenas uma empresa de projetos. Imaginei uma organização capaz de criar relações de confiança duradouras, de responder aos desafios mais complexos e de crescer ao lado dos seus clientes.”

Paralelamente, a nova clínica aposta também na medicina e na estética, assumindo-se como um espaço integrado de saúde e bem-estar. Como surgiu esta complementaridade e que público pretendem alcançar?

Muitas pessoas associam a medicina estética apenas à imagem, mas acredito que ela representa muito mais do que isso. Representa autoestima. Confiança. Bem-estar. Qualidade de vida. Vivemos numa sociedade cada vez mais exigente, onde o equilíbrio físico e emocional tem um impacto direto na forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Por isso quisemos que a Face a Fase fosse uma clínica aberta à

comunidade. Um espaço onde qualquer pessoa possa cuidar da sua saúde de forma integrada. Queremos acompanhar trabalhadores, empresas, famílias e todos aqueles que procuram não apenas tratar problemas de saúde, mas investir na prevenção, no bem-estar e numa melhor qualidade de vida. É uma visão humanista da medicina, muito alinhada com os valores que sempre orientaram a PMT.

Considera que investir na saúde e no bem-estar dos colaboradores deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um fator estratégico de competitividade e retenção de talento nas empresas?

Não tenho qualquer dúvida. As empresas que irão liderar o futuro serão aquelas que compreenderem que o seu maior ativo não são os edifícios, os equipamentos ou a tecnologia. São as pessoas. Hoje sabemos que organizações que investem na saúde física e mental dos seus colaboradores conseguem reduzir o absentismo, aumentar a produtividade, reter talento e construir culturas empresariais mais fortes. Na PMT sempre acreditámos que uma empresa só cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela. Essa convicção esteve presente quando investimos na formação, quando apostámos na inovação, quando obtivemos a certificação Great Place to Work e continua agora presente na criação da Face a Fase. Porque cuidar das pessoas nunca foi uma estratégia de marketing. Sempre foi parte da nossa identidade.

Olhando para os próximos anos, que papel pretende que esta nova área de negócio desempenhe na evolução da PMT e de que forma imagina a empresa a conciliar a engenharia, a construção e a promoção da saúde numa estratégia de crescimento integrada? Vejo o futuro com enorme entusiasmo, mas também com um profundo sentido de responsabilidade. Ao longo dos anos percebi que a PMT nunca esteve apenas a construir projetos de engenharia. Estivemos sempre a construir relações de confiança. Hoje essa visão ganha uma nova dimensão.

A PMT Engenharia continuará a desenvolver projetos, fiscalização, coordenação e gestão de empreendimentos. A TIMO aproxima-nos ainda mais dos clientes, permitindo acompanhar a construção e a remodelação personalizada de imóveis com a mesma exigência técnica, proximidade e atenção ao detalhe que sempre nos caracterizaram. A Face a Fase completa naturalmente este percurso, promovendo Segurança e Saúde no Trabalho, Medicina Ocupacional, Medicina Estética e Bem-Estar, porque acreditamos que nenhuma obra faz sentido se não proteger quem a constrói e quem dela usufrui.

Tenho o enorme privilégio de partilhar esta caminhada com o João Lamego, cuja visão estratégica tem sido determinante para o crescimento da organização. A sua capacidade de pensar o futuro complementa a minha forma de liderar, mais próxima das pessoas, da organização e da concretização dos projetos.

É também motivo de grande orgulho ver os meus filhos – Diogo, Gonçalo, Afonso e Maria Timóteo – começarem a integrar este projeto, trazendo novas competências, novas ideias e uma energia renovada. Nunca esperei que seguissem este caminho por obrigação; desejo apenas que encontrem uma empresa sólida, ética e preparada para o futuro, onde possam crescer pelo seu mérito e contribuir com a sua própria visão.

Sinto igualmente uma enorme gratidão pela equipa de gestão que diariamente me acompanha – Luísa Simplício, Vanessa Caetano, Catarina Rodrigues, Nuno Pombinho e Wilson Tafula – e por todos os colaboradores que fazem da PMT uma empresa reconhecida pela competência, pela inovação e pela proximidade.

Nunca quis construir uma empresa dependente de uma única pessoa. Quis construir uma organização capaz de perdurar no tempo, de inovar continuamente e de crescer muito para além de quem a fundou. Porque acredito que o verdadeiro legado não são apenas as obras que entregamos. O verdadeiro legado são as pessoas que ajudamos a crescer, as equipas que construímos e a confiança que conquistamos ao longo do caminho.

ana beatriz bravo: entre algoritmos e direitos Fundamentais

ana beatriz bravo representa uma geração de mulheres que alia rigor técnico, pensamento crítico e visão de Futuro. entre o direito, a inteligência artiFicial e a regulação dos serviços digitais, construiu um percurso marcado pela ambição de contribuir para uma tecnologia mais justa, inclusiva e responsável.

Fez Mestrado em Direito e Tecnologia nos Países Baixos e especializou-se em IA e serviços digitais. O que a fascinou neste cruzamento e como isso definiu a sua identidade profissional?

O que mais me fascinou foi perceber que o Direito não vive à margem da tecnologia: é precisamente chamado a dar-lhe forma, limites e sentido. Inicialmente, escolhi Direito com a vontade de trabalhar em direitos humanos, mas foi ao longo da licenciatura que me apaixonei pela inteligência artificial, pelo seu impacto e pela sua regulação. Apercebi-me de que estava perante uma área tecnicamente muito estimulante e, ao mesmo tempo, profundamente humana, com um impacto cada vez mais evidente nos nossos direitos, liberdades e na forma como somos tratados enquanto cidadãos.

Hoje, isso define a minha identidade profissional: procurar contribuir para que a inovação tecnológica continue a evoluir, de forma justa, responsável e consciente.

Pertence a uma geração que entrou no mercado de trabalho em plena transformação digital. Isso trouxe mais liberdade e oportunidades ou também novas pressões?

Acho que ambas as coisas. Por um lado, mais liberdade e oportunidades, porque a minha geração entrou no mercado com acesso a

mais informação, ferramentas e possibilidades do que qualquer outra. Por outro, trouxe também uma nova pressão: a de acompanhar tudo, estar sempre atualizada e pronta para mudar rapidamente.

Mas encaro isso como um convite à adaptabilidade, onde o verdadeiro desafio é acompanhar a mudança sem abdicar do pensamento crítico. Porque na advocacia, a diferença continua a estar na capacidade de pensar com profundidade, filtrar o ruído e transformar mudança em valor. Na CCA, procuramos fazer isso mesmo: incorporar ferramentas de IA de forma segura, tirar partido da mudança e do avanço tecnológico e, ao mesmo tempo, manter um olhar crítico, sempre focado na melhor assessoria ao cliente.

A sua carreira tem-se desenvolvido nas áreas de Tecnologias, Media e Telecomunicações. Sente que as mulheres ainda têm de provar mais competência?

Tenho consciência de que existe um caminho ainda a ser feito, mas essa não é a minha experiência na CCA. Aqui, as mulheres representam dois terços dos advogados do escritório e o que conta verdadeiramente é a qualidade do trabalho, o rigor e a colaboração.

E são estes valores organizacionais que fazem toda a diferença: sermos avaliados pela qualidade do que entregamos, e não por preconceitos prévios. Esta é a base de uma cultura verdadeiramente meritocrática, que existe na CCA, e para a qual a sociedade deve continuar a caminhar em todas as áreas.

Tem participado na reflexão sobre ética, transparência algorítmica e governação da IA. Até que ponto a presença feminina é essencial para garantir uma tecnologia mais ética, inclusiva e humanizada?

É absolutamente essencial. A IA não é neutra: reflete as escolhas, os dados e os enviesamentos de quem a desenvolve, regula e implementa. E quando falamos de tecnologia que influencia o acesso a emprego, crédito, justiça ou informação, falamos também de poder. Por isso, não

“Construir carreira em num molde para ser levaáreas exigentes e em muda a sério. O que faz a didança constante exige ferença é a preparação, a trabalho, curiosidade e, consistência e a capacidaacima de tudo, resiliênde de continuar a aprender cia. Não é preciso encaixar sem perder a própria voz.”

podemos construir o futuro digital apenas a partir de uma perspetiva. A presença feminina nestas discussões não é apenas uma questão de representação; é uma condição para decisões mais justas e humanas. Quanto mais diversas forem as pessoas à mesa, menor é o risco de criarmos tecnologia desligada da realidade de quem ela afeta. Esse é, para mim, um dos grandes desafios da nossa geração: garantir inovação sem perder a humanidade pelo caminho.

O seu percurso começou ainda na universidade, através de estágios de verão em sociedades de advogados de referência. Houve algum momento em que sentiu que precisava de encontrar a sua própria voz num meio tão competitivo? Como aprendeu a afirmar-se sem perder autenticidade?

Nos estágios, sobretudo no início, há uma tendência natural para querer provar tudo, dizer tudo e nos adaptarmos ao tom de toda a gente ccalawfirm

CCA Law Firm

à nossa volta. Eu também vivi isso. Mas cedo percebi que, num meio competitivo, a verdadeira força não está em imitar, mas sim em dominar tudo aquilo a que nos propomos fazer, e em saber quando e como nos afirmar.

Além disso, o percurso de cada um é também moldado pelas pessoas que se vão cruzando no nosso caminho, e que nos ensinam, desafiam e acompanham, e eu tenho sido uma privilegiada. Por onde passei, e hoje na CCA, tenho a sorte de aprender com profissionais excelentes, exigentes e rigorosos, que me dão espaço para pensar por mim própria, discutir ideias e crescer. E isso faz-me querer ser mais, querer ser melhor.

O que é que ninguém vê por trás de uma jovem advogada que trabalha diariamente com inovação, regulação e futuro digital? Ninguém vê as horas de estudo, de atualização e de reflexão que estão por trás de cada tema. Trabalhar nesta área exige aprendizagem constante, porque tudo muda muito depressa e há ainda muitas respostas por consolidar. Mas também é isso que a torna fascinante: fazer parte da construção de um caminho regulatório que ainda está a desenhar-se.

Além disso, tenho a sorte de estar num escritório onde há uma aposta real na formação contínua das pessoas, e isso faz toda a diferença. Estamos sempre a aprender, a antecipar e a acompanhar o ritmo do mercado.

Que mensagem gostaria de deixar a outras mulheres?

Diria para não esperarem pelo momento em que se sentem totalmente prontas, porque esse momento raramente chega antes de avançarmos. Construir carreira em áreas exigentes e em mudança constante exige trabalho, curiosidade e, acima de tudo, resiliência. Não é preciso encaixar num molde para ser levada a sério. O que faz a diferença é a preparação, a consistência e a capacidade de continuar a aprender sem perder a própria voz. E acrescentaria: procurem lugares e pessoas que vos desafiem, motivem e impulsionem. No fim, as carreiras que deixam marca são as que se constroem com humildade, visão, compromisso, resiliência e vontade de crescer.

“o sucesso nasce do equilíbrio entre rigor e empatia”

n uma atividade F eita de pessoas, l e onor n oronha acredita que o verdadeiro sucesso se constrói através da proximidade, credibilidade e capacidade de trans Formar clientes em relações duradouras.

Num setor imobiliário competitivo e exigente, Leonor Noronha acredita que o verdadeiro sucesso está na capacidade de construir relações de confiança, proximidade e valor acrescentado ao longo de todo o processo. “A credibilidade não se conquista apenas pelos resultados alcançados, mas sobretudo pela forma como se acompanha cada cliente”, destaca.

Foi essa visão que a levou a encarar o mercado de forma diferente. Ao perceber que muitos compradores e vendedores se sentiam pouco acompanhados e desiludidos com modelos de serviço nos quais a dimensão humana acabava por ser secundária. “Somos uma estrutura di-

nâmica de três sócios, focada na proximidade. Sendo uma empresa pequena, conseguimos garantir um acompanhamento verdadeiramente personalizado, atento e que valoriza a história de vida de cada pessoa”, explica. Na LVA Prime, essa filosofia traduz-se num modelo de trabalho centrado nas necessidades, expectativas e objetivos de cada cliente. “Mais do que concretizar operações imobiliárias, o nosso

objetivo é que os clientes se tornem os nossos maiores embaixadores e que nos recomendem a quem mais gostam, tornando-os a nossa maior prova de credibilidade”, revela.

ao longo do percurso proFissional, leonor noronha destaca um caso que lhe Ficou particularmente marcado: a venda de um imóvel a uma cliente estrangeira. O que começou como uma relação estritamente profissional evoluiu para uma amizade. Mais tarde, para novos investimentos e até à gestão de património imobiliário. “Este exemplo ultrapassa qualquer métrica financeira. É a prova viva de que, quando colocamos o coração e a verdade naquilo que fazemos, os clientes não procuram apenas uma imobiliária, entregam-nos o seu património”, sublinha.

na sua perspetiva, uma operação imobiliária bem-sucedida exige vários fatores em simultâneo: conhecimento de mercado, visão estratégica e capacidade de negociação. No entanto, nenhum destes elementos é suficiente sem uma base sólida de confiança. “Podemos ter a melhor estratégia do mundo, mas se o cliente não confiar na nossa integridade, capacidade de entrega e dedicação, não temos negócio. A confiança é a cola que une a visão à execução”, ressalta.

O legado que pretende deixar reflete precisamente essa forma de estar: “O meu objetivo passa por consolidar uma cultura onde o imobiliário é tratado, acima de tudo, como um setor de relações humanas e não de ‘tijolos’ ou de transações. Quero que cada cliente se sinta único, acompanhado e confiante”, salienta. Às novas gerações de profissionais deixa uma mensagem clara: “o sucesso sustentável nasce do equilíbrio entre rigor e empatia. A capacidade de ouvir o cliente, de compreender as suas motivações, os seus medos e as suas ambições é um dos fatores decisivos para continuar a elevar o prestígio e a excelência do mercado imobiliário”.

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lEonor noronha
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“a liderança Faz-se com autenticidade e resiliência”

carla neto assumiu a liderança da quinta da lagoa velha em 2001. desde então, entre a preservação do legado Familiar e a coragem de reinventar o Futuro, construiu um percurso marcado pela autenticidade, resiliência e paixão pelo vinho.

Em 2001 assumiu a liderança de um projeto familiar. Que desafios encontrou para afirmar a sua visão sem desvirtuar a identidade da Quinta da Lagoa Velha, e como moldaram a sua forma de liderar?

Comecei no mundo dos vinhos pelas mãos do meu pai, um homem à frente do seu tempo, que me transmitiu desde cedo o amor pela vinha e pelo vinho. Em 2001, desafiou-me a assumir a responsabilidade pela vindima desse ano. Foi um momento decisivo, que deu origem ao lançamento dos nossos vinhos engarrafados e à afirmação da marca Quinta da Lagoa Velha.

O desafio foi honrar um legado familiar enquanto construía uma visão própria. Aprendi que a identidade de um projeto não se perde quando evolui; perde-se quando deixa de ser fiel ao seu propósito.

“Acredito que a liderança feminina traz uma visão integradora, onde a exigência convive com a empatia e a capacidade de ouvir. Na gestão de uma quinta, isso traduz-se numa maior proximidade às equipas, aos parceiros e aos consumidores.”

A Quinta da Lagoa Velha passou por um rebranding em 2018 e pela renovação da adega em 2020. Em que momento sentiu que era preciso coragem para mudar sem perder a alma do projeto?

Quando percebemos que a qualidade dos nossos vinhos e a ambição do projeto já não estavam totalmente refletidas na imagem da marca nem nas infraestruturas existentes. O rebranding e a renovação da adega foram decisões estratégicas que nos permitiram crescer, sem abdicar da nossa identidade. Mudámos para valorizar a nossa história e preparar o futuro.

O que acredita que uma liderança feminina pode acrescentar de diferente à gestão de uma quinta e à criação de vinhos com identidade?

Acredito que a liderança feminina traz uma visão integradora, onde a exigência convive com a empatia e a capacidade de ouvir. Na gestão de uma quinta, isso traduz-se numa maior proximidade às equipas, aos parceiros e aos consumidores. No vinho, essa sensibilidade ajuda-nos a interpretar melhor o território, as pessoas e as emoções que cada garrafa transporta. Não se trata de liderar melhor ou pior, mas de acrescentar diferentes perspetivas que enriquecem a tomada de decisão.

Qual é a sua prioridade maior: reforçar a notoriedade da marca, consolidar a qualidade, conquistar novos mercados ou preparar a próxima geração para continuar o projeto?

Todas são importantes, mas a qualidade continua a ser a prioridade. É ela que sustenta a notoriedade da marca, abre portas em novos mercados e garante a continuidade do projeto. O nosso objetivo é continuar a afirmar a Quinta da Lagoa Velha como uma referência da Bairrada, preservando o legado que recebemos e preparando o futuro.

Olhando para o seu percurso, qual foi o momento em que percebeu que estava a construir um caso de sucesso? E que mensagem gostaria de deixar às futuras líderes que pro-

curam afirmar-se?

Não houve um momento único. O sucesso constrói-se ao longo do tempo, através de trabalho, persistência e decisões consistentes. Às mulheres que ambicionam liderar, diria para acreditarem nas suas capacidades, investirem no conhecimento e não terem receio de assumir responsabilidades. A liderança faz-se com autenticidade, resiliência e paixão pelo que fazemos.

carla nEto ceo e produtora
“a

conFiança conquista-se com resultados”

beatriz rodrigues deFende que a diversidade Fortalece a advocacia e acredita que o Futuro da liderança jurídica passa por modelos mais inclusivos, preparados para antecipar os desaFios de uma sociedade em constante transFormação.

Enquanto advogada e elemento de relevo da José Rodrigues & Associados, que desafios sentiu ao afirmar-se profissionalmente e de que forma acredita que o feminino pode trazer novas perspetivas à liderança no universo jurídico?

A advocacia é, historicamente, um universo masculino e os Açores não são exceção. Afirmar-me numa sociedade com décadas de história implicou provar, dia após dia, que competência não tem género. Os desafios existiram, mas nunca os deixei definir o meu percurso.

Acredito que as mulheres trazem à liderança jurídica uma capacidade de escuta ativa, uma gestão emocional mais apurada e uma visão integradora que complementa, e muitas vezes supera, os modelos tradicionais. Não se trata de substituir, mas de enriquecer. A diversidade de perspetivas numa equipa jurídica é, hoje, uma vantagem competitiva real.

“As preocupações jurídicas dos nossos clientes acompanham a transformação da sociedade: o teletrabalho e as novas formas de vínculo laboral, as exigências ambientais e de sustentabilidade sobre as empresas, a proteção de dados e transformação digital, para além do grande desafio que diz respeito aos impactos da inteligência artificial.”

BEatriz rodriguEs advogada e sócia da josé rodrigues & associados

“A diversidade de perspetivas numa equipa jurídica é, hoje, uma vantagem competitiva real.”

O seu percurso profissional cruza áreas tão distintas como Direito Fiscal, Trabalho, Imobiliário, Penal, Ambiente e Desporto. Como é que nasceu esta versatilidade e de que forma essa experiência multidisciplinar influencia hoje a forma como acompanha clientes e empresas?

A versatilidade não foi uma escolha estratégica, foi uma resposta à realidade dos clientes. Nos Açores, as pessoas e as empresas precisam de um advogado que as acompanhe a 360 graus, não de especialistas isolados em silos. Com o tempo, percebi que dominar áreas tão distintas como o Direito da Família, Direito Civil, o Administrativo, o Laboral ou o Penal me tornava uma profissional mais completa e os clientes sentiam isso.

Hoje, essa experiência multidisciplinar permite-me antecipar riscos cruzados que um olhar mais estreito não captaria. É essa visão de conjunto que mais valorizo e que os clientes mais reconhecem.

Quais considera serem os principais fatores diferenciadores da José Rodrigues & Associados e que tipo de proximidade procuram construir com os clientes, tanto nos Açores como no restante país?

O principal diferenciador da José Rodrigues & Associados é a conjugação entre tradição e modernidade: somos uma das mais antigas sociedades de advogados dos Açores, com toda a credibilidade e memória institucional que isso representa, mas com uma equipa atual, ágil e tecnicamente exigente. A proximidade com o cliente não é um slogan, é uma prática. Conhecemos as suas famílias, os seus negócios, a sua história. Essa relação de confiança é insubstituível e é o que nos distingue, quer nos Açores quer no continente.

Ao longo da sua carreira, houve algum caso, desafio ou momento marcante que tenha contribuído para reforçar a sua confiança enquanto mulher líder e profissional do Direi-

to? O que aprendeu com essa experiência? Há um momento que recordo com particular significado: um processo complexo, em área sensível, onde fui repetidamente subestimada pela parte contrária. O desfecho favorável ao meu cliente foi a melhor resposta possível.

Aprendi que a melhor arma de uma advogada é a preparação implacável e que a subestimação alheia, quando bem gerida, pode ser uma vantagem. Reforçou em mim a convicção de que a confiança não se pede, conquista-se com resultados.

Quais são as principais preocupações jurídicas que identifica nos clientes e como é que a vossa equipa se adapta a uma realidade cada vez mais exigente e em constante mudança?

As preocupações jurídicas dos nossos clientes acompanham a transformação da sociedade: o teletrabalho e as novas formas de vínculo laboral, as exigências ambientais e de sustentabilidade sobre as empresas, a proteção de dados e transformação digital, para além do grande desafio que diz respeito aos impactos da inteligência artificial. A nossa equipa adapta-se através de formação contínua e de uma leitura atenta da legislação emergente. Não reagimos às mudanças, mas procuramos antecipá-las. Esse é o nosso compromisso com quem nos confia os seus interesses.

Para muitas jovens mulheres que ambicionam construir carreira na advocacia ou assumir posições de liderança, o caminho ainda pode parecer desafiante. Que conselho lhes daria e que legado gostaria de deixar enquanto mulher, advogada e uma referência?

O meu conselho é simples: não peçam licença para ocupar o espaço que é vosso por mérito. Preparem-se mais do que qualquer outro na sala, sejam rigorosas, e não confundam assertividade com agressividade – são coisas muito diferentes.

Quanto ao legado, gostaria de ser recordada como alguém que exerceu advocacia com ética, que defendeu os seus clientes com convicção, dedicação, empenho e profissionalismo e que, pelo caminho, ajudou a normalizar a ideia de que uma mulher pode e deve liderar com plena autoridade.

“o

sucesso está em criar tendências antes de serem pedidas”

carla santos acredita que a inovação nasce da curiosidade, a inteligência artiFicial deve potenciar o talento humano e liderar é ter a coragem de antecipar o que ainda ninguém vê.

Como identifica uma tendência antes de ser evidente?

Tudo começa na curiosidade. Sempre procurei experiências que fugissem ao tradicional e politicamente correto. Gosto de observar o que acontece no mundo, não só nos eventos, mas também na cultura, tecnologia, moda, entretenimento e comportamento. Os sinais estão nas pequenas mudanças: no que as pessoas começam a partilhar, o que as emociona e o que

ainda estranham, mas não conseguem ignorar. É aí que nasce a diferença. Antecipar uma tendência é perceber aquilo que ainda não é óbvio, mas que em breve fará sentido para muitos.

Entre entretenimento, educação e impacto, onde está o equilíbrio?

O equilíbrio está em criar experiências que as pessoas queiram viver, mas das quais também retirem algo. O The Sweet Art Museum e o AI Innovation Garden são exemplos diferentes, mas partem da mesma lógica: aproximar o público de temas que podiam parecer distantes. O sucesso não está só em adaptar tendências futuras, mas, sobretudo, na coragem de as criar antes de serem pedidas.

“Muitas vezes, os sinais estão nas pequenas mudanças: no que as pessoas começam a partilhar, no que as

emociona e no que ainda estranham, mas não conseguem ignorar. É aí que nasce a diferença.”

vê a IA e que papel acredita que terá

na liderança feminina?

Vejo a IA como um catalisador, não como um substituto. A máquina aprende com a nossa criatividade, sensibilidade, visão e capacidade de imaginar. Com o avanço tecnológico, empatia, escuta ativa e capacidade de criar laços emocionais — competências frequentemente associadas à liderança feminina — vão tornar-se ainda mais relevantes, porque a inovação só tem verdadeiro valor quando serve pessoas.

Qual é a maior lição da sua trajetória? E que experiência criaria sobre o futuro de Portugal?

A maior lição é que os melhores projetos nascem de uma confiança quase absoluta no que se está a criar. A minha maior dopamina criativa continua a ser pegar numa ideia que só existia na imaginação e transformá-la numa experiência real capaz de marcar pessoas emocionalmente. Se pudesse criar uma experiência, seria um parque temático de Inteligência Artificial pensado de forma humana, onde tecnologia, criatividade e emoção mostrassem um país capaz de aprender, criar e liderar.

Que conselho deixa às jovens mulheres que querem liderar projetos inovadores?

Não se deixem intimidar por nada nem por ninguém. Sejam fiéis à vossa visão, exercitem a criatividade e não tenham medo de se destacar. O caminho nunca é linear, mas recuar também pode ser uma forma de ganhar força. O “não” já está garantido. Tudo o que vier para além disso já é conquista.

Como
“ ser advogado é ser a voz da razão no meio do conFlito”

ana de almeida santos deFende que a advocacia é um exercício diário de equilíbrio entre razão, sensibilidade e justiça, onde o verdadeiro desaFio passa por compreender as pessoas para além dos conFlitos e das normas jurídicas.

O que a área do Direito da Família lhe ensinou sobre as pessoas que dificilmente se aprende nos códigos jurídicos?

O Direito da Família é uma das áreas mais humanas do ordenamento jurídico, porque lida com a imprevisibilidade dos afetos. Ensina que os filhos não são propriedade dos pais, mas titulares do direito ao cuidado, exigindo aos adultos que coloquem o seu interesse acima do ego e conveniências pessoais. A justiça dita sentenças, mas não resolve conflitos emocionais. Muitas vezes, o superior interesse da criança é usado para camuflar retaliações pessoais. O verdadeiro triunfo não está numa sentença imposta, mas numa solução equilibrada. Por isso, o advogado deve ser a voz da razão, ajudando o cliente a evitar impulsos retaliatórios, porque o divórcio extingue o casal, mas nunca os pais.

“A advocacia exige criatividade, intuição e sensibilidade. Como a lei não consegue antecipar todas as transformações das relações humanas, cabe ao advogado encontrar soluções ajustadas à realidade concreta.”

Houve algum momento em que percebeu que a liberdade de trabalhar por conta própria também podia ser um risco?

A prática individual mostra que liberdade e solidão são duas faces da mesma moeda. O risco operacional e psicológico manifesta-se no peso do erro solitário (prazos e estratégia recaem sobre uma só pessoa), na ilusão da gestão do tempo (autogestão da exaustão por risco de burnout) e no confronto com o inesperado (imprevistos de saúde não congelam prazos ju-

diciais). Para equilibrar esta realidade, é essencial criar uma rede de colegas de confiança e adotar métodos rigorosos de organização. Ainda assim, a autonomia sobre o próprio tempo compensa o peso da responsabilidade.

Existe espaço para intuição, sensibilidade e criatividade no exercício diário da profissão?

A advocacia exige criatividade, intuição e sensibilidade. Como a lei não consegue antecipar todas as transformações das relações humanas, cabe ao advogado encontrar soluções ajustadas à realidade concreta. Isso traduz-se na utilização inovadora de institutos jurídicos, no preenchimento de conceitos como a boa-fé ou o superior interesse do menor e na aplicação de mecanismos como a analogia e a equidade para humanizar a rigidez dos códigos.

A experiência confere ainda uma intuição estratégica crucial para antecipar reações e ditar o timing exato de litigar ou acordar, enquanto a inteligência emocional permite “ler a sala de audiências” e adequar a linguagem. Contudo, esta criatividade técnica está sempre subordinada aos princípios gerais do Direito e ao objetivo de alcançar a justiça.

Se tivesse de escolher um único mito sobre a advocacia, o que gostaria de desmontar e porquê?

Gostaria de desmontar a ideia de que a excelência na advocacia está na capital ou nos grandes centros urbanos, pois a competência, o rigor e o

talento não escolhem coordenadas geográficas. Na verdade, os escritórios regionais oferecem um acompanhamento mais próximo e personalizado, aliado a um profundo conhecimento das realidades locais. Além disso, dispõem das mesmas ferramentas tecnológicas e bases de dados jurídicas que qualquer grande sociedade. O valor real de um advogado afere-se pelo rigor científico, atualização constante e dedicação à causa, e nunca pelo seu código postal.

ana dE almEida santos advogada

“a liderança aFirma-se com rigor e exemplo diário”

ana cristina domingues construiu a acd advogados com determinação, Firmeza e visão, aFirmando uma liderança Feminina Feita de mérito, proximidade e exemplo diário num setor ainda desaFiante para as mulheres.

Fundou a ACD Advogados numa época em que a liderança feminina nos grandes escritórios de advocacia era menos representativa. Que momentos do seu percurso colocaram mais à prova a sua determinação e que aprendizagens considera terem sido decisivas para afirmar a sua liderança?

Os momentos que mais me puseram à prova foram os anos em que construí e consolidei o escritório com enorme esforço, nem sempre com o apoio que hoje felizmente tenho, e com a dificuldade de manter equipas estáveis. Aprendi que a liderança se afirma com rigor, trabalho, persistência e exemplo diário.

“Deve ainda mudar a cultura das organizações, para que a exigência profissional não seja incompatível com a vida familiar e para que a liderança feminina resulte do mérito reconhecido, e não de uma prova constante de legitimidade.”

cristina dominguEs

Ao longo de mais de 30 anos de advocacia, acompanhou casos complexos em diferentes áreas e lidou com realidades humanas muito distintas. De que forma essa proximidade às histórias dos seus clientes moldou a mulher e a líder que é hoje?

A proximidade aos clientes tornou-me mais

humana, atenta e resiliente. A advocacia obriga-nos a entrar em histórias de vida muito sensíveis. Muitas vezes priorizei os assuntos dos clientes em detrimento da vida pessoal, familiar e do descanso. Ainda assim, dou por bem empregue cada minuto dedicado a esta carreira.

A sua atividade estende-se por áreas como o Direito Penal, Comercial, Laboral, Fiscal e

Imigração. Num contexto em que as mulheres continuam, muitas vezes, a ter de provar mais o seu valor, sentiu que teve de desenvolver uma forma própria de exercer autoridade e conquistar credibilidade?

Sim. Dei os meus primeiros passos enquanto advogada na área da imigração, tendo inclusivamente publicado uma coletânea de legislação nessa área. Tive de conquistar o meu espaço com firmeza, mas sem abdicar da minha identidade. Sempre procurei exercer autoridade com competência, seriedade, respeito e capacidade de decisão. A credibilidade constrói-se todos os dias, e o reconhecimento e carinho dos clientes continuam a ser uma enorme motivação.

Na sua perspetiva, o que continua por mudar no setor jurídico para que o talento feminino deixe de ser visto como uma exceção e passe a ser encarado como uma evidência?

Continua a ser necessário reconhecer o mérito feminino com naturalidade, e não como exceção. Para isso, é essencial garantir às mulheres acesso real aos processos de maior responsabilidade, à gestão de clientes e aos lugares de decisão, com critérios de promoção transparentes e iguais para todos, e sem que a maternidade ou a vida familiar sejam vistas como obstáculos.

No setor jurídico, como na sociedade, a crise institucional também atingiu a justiça: cara, morosa e muitas vezes inacessível ao cidadão comum. Reformá-la implica valorizar lideranças diversas, preparadas e humanas.

Se pudesse deixar uma mensagem às jovens mulheres que sonham construir uma carreira de sucesso na advocacia, ou criar o seu próprio projeto empresarial, qual seria o maior conselho que lhes daria?

Diria que não desistam. A advocacia exige esforço, sacrifício e muita dedicação, mas pode trazer uma profunda realização. Sou uma mulher realizada, gosto muito do tra

da gestão internacional à ciência da Felicidade

a Fundadora da happyology Fala sobre o seu percurso internacional, o novo paradigma de desenvolvimento centrado no bem-estar e os próximos desaFios da marca.

Teve um percurso profissional fora do normal. Pode contar-nos como foi?

Após concluir a faculdade, fiz um estágio no Bloomberg Euronotícias, onde tive a oportunidade de assinar páginas centrais, primeiras páginas e apresentar um programa de televisão de economia em horário nobre.

Apesar de gostar de contar as histórias dos outros, percebi que queria construir uma trajetória própria. E, de facto, a minha carreira desenvolveu-se na área das telecomunicações e dos sistemas de informação, e o projeto pelo qual era responsável — videovigilância e alarmística para todas as escolas públicas do país — chegou a ser considerado, à data, um dos maiores projetos do mundo.

Mais tarde procurei desafios internacionais, passando pelo Dubai, onde integrei a gestão de um programa de excelência num operador de telecomunicações. Em Angola, liderei a reestruturação do operador incumbente e assumi funções de Chief of Operations and Projects numa organização responsável por vários projetos, incluindo a implementação do sistema fiscal angolano. Posteriormente, na Suíça, desempenhei funções como Diretora Operacional para a tecnologia Salesforce numa multinacional de IT.

É nessa altura que nasce a Happyology – The Science of Happiness?

Quase. Aliada ao que costumo chamar uma crise de meia-idade, decidi conjugar a minha carreira profissional com um Doutoramento. Queria compreender, de forma científica, o que é a felicidade e o bem-estar, e porque o bem-estar varia tão significativamente entre países e sociedades. A Happyology nasce dessa investigação e da vontade de colocar o conhecimento científico ao serviço das pessoas e organizações. Atualmente, trabalhamos programas de formação, consultoria em bem-estar organizacional e apoio a processos de certificação para empresas, mas também com particulares que procuram construir uma vida mais equilibrada, feliz e sustentável.

Publicou recentemente um livro. Fale-nos um pouco sobre ele.

O livro Do Capitalismo ao Felicidadismo: Proposta para um Novo Paradigma de Desenvolvi-

mento resulta diretamente da investigação que desenvolvi. A obra parte da premissa de que o PIB foi um indicador essencial, mas que hoje já não traduz a performance de um país ou a verdadeira qualidade de vida das populações.

A proposta central consiste na adoção do bem-estar societal como principal indicador de desenvolvimento. O livro apresenta exemplos de países que já adotaram abordagens semelhantes e explora a forma como áreas da Educação, da Justiça, da Segurança ou do Estado social podem contribuir para uma sociedade mais equilibrada e sustentável.

“Queremos ser uma referência em bem-estar organizacional, deixando uma marca positiva, diferenciadora e mensurável nos clientes com quem trabalhamos.”

O que resta fazer então? Quais são os principais desafios?

O principal desafio passa por consolidar e expandir a atividade da Happyology em Portugal e internacionalmente. A ambição é tornar a organização uma referência em bem-estar organizacional, deixando uma marca positiva, diferenciadora e mensurável nos clientes com quem trabalhamos.

Mais do que implementar iniciativas pontuais, pretendemos contribuir para uma transformação efetiva das organizações e da sociedade, cumprindo a nossa missão de colocar a ciência da felicidade ao serviço de empresas mais saudáveis, pessoas mais realizadas e comunidades com maior bem-estar.

cátia arnaut
Fundadora da happyology

liderar sem Fronteiras: a coragem de abrir novos caminhos

e ntre desa F ios, mudanças legislativas e novos começos, v ictoria Ferreira acredita que a verdadeira liderança se constrói com resiliência, serenidade e propósito. à F rente da avren a dvisory, ajuda pessoas a trans Formar a mudança de país numa oportunidade para encontrar um novo lugar a que possam chamar casa.

Se pudesse sentar-se à mesa com a Victoria, que estava a decidir o seu futuro profissional, qual seria a conversa mais importante que teria consigo própria?

Dir-lhe-ia para ser resiliente, mas continuar a persistir apesar dos desafios, mantendo sempre o foco no objetivo principal, que é ajudar as pessoas no seu projeto de vida.

“Ultrapassar um ambiente de trabalho conservador e, por natureza, mais masculino foi um dos desafios mais significativos a superar.”

Ao longo da sua carreira tem ajudado pessoas a atravessar fronteiras físicas e burocráticas. Qual foi a fronteira pessoal ou profissional mais difícil que teve de ultrapassar para chegar à liderança da AVREN?

Ultrapassar um ambiente de trabalho conservador e, por natureza, mais masculino foi um dos desafios mais significativos a superar. Mas também o desafio de, para além de assistir o cliente nos seus direitos a atravessar a barreira física,

ultrapassar os desafios psicológicos que uma imigração acarreta e o contacto com uma nova cultura, e proporcionar-lhe um certo conforto nessa transição. Algo bem exigente enquanto profissional, mas profundamente gratificante quando o objetivo do cliente é alcançado.

Num mundo onde o conceito de “casa” está cada vez mais ligado à mobilidade global, o

que aprendeu sobre identidade, pertença e felicidade através das histórias dos clientes que acompanha diariamente?

A casa está hoje mais relacionada com um conceito abstrato de pertença a uma comunidade do que com uma localidade específica. As pessoas reinventam-se num novo país, numa nova cidade, muitas vezes ressignificando a sua própria identidade, ou ampliando-a. Aprendi que a felicidade nasce, muitas vezes, dessa coragem de recomeçar e de pertencer a algo maior.

Os Golden Visa têm sido alvo de alterações legislativas, debate político e alguma controvérsia pública. Enquanto mulher e líder num setor frequentemente condicionado por decisões governamentais, como se gere a incerteza sem perder a capacidade de inspirar confiança nos clientes e na equipa?

A instabilidade política e social é uma constante na legislação do mundo contemporâneo, sobretudo no que diz respeito à imigração. Transmitir a confiança de que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, enquanto advogados, para atingir o objetivo do cliente e da equipa é uma boa forma de manter a estabilidade num contexto de incertezas. A serenidade da liderança está, precisamente, em oferecer clareza onde outros apenas veem imprevisibilidade.

Quando se fala em mulheres de sucesso, fala-se muitas vezes dos resultados alcançados. Qual o momento que mais contribuiu para moldar a líder que é hoje? E que mensagem gostaria de deixar às mulheres?

A liderança feminina esteve sempre presente na minha vida, através da minha bisavó, avó e mãe. Mulheres em posições muitas vezes entendidas como “masculinas” foram uma realidade com que cresci e me desenvolvi como pessoa.

Não desistir de ter o meu espaço de voz e de direito, apesar de estar sempre num ambiente masculino, é a mensagem que gostaria de deixar às mulheres: ocupem o vosso lugar com firmeza e sem pedir licença.

Victoria fErrEira Fundadora e diretora da avren advisory
v ictoria Ferreira
“construir

uma carreira sem trair quem somos”

i rina aK hmetova construiu, em p ortugal, uma carreira marcada pela competência, pela liderança e pela capacidade de recomeçar sem abdicar de quem é. e ntre a advocacia e o empreendedorismo, trans Formou a mudança numa Forma de crescimento.

Depois de ter deixado a Rússia e construído a sua vida profissional em Portugal, o que é que precisou de desaprender para voltar a aprender a ser advogada, empresária e mulher num novo país?

Não acredito muito na ideia de “desaprender”. Tudo o que aprendi antes de chegar a Portu-

gal veio comigo e ajudou-me a crescer. Tive de aprender uma nova cultura, um novo sistema jurídico e novas formas de comunicar, mas aprendi que é possível começar de novo sem partir do zero. O meu percurso é uma soma de experiências, não uma substituição de identidades.

“Acredito numa liderança exigente, mas próxima. Sou exigente com a minha equipa, mas em primeiro lugar sou exigente comigo própria. A autoridade não nasce do cargo que ocupamos, mas da confiança que inspiramos e do exemplo que damos todos os dias.”

Em que momentos sentiu que o seu percurso internacional foi uma vantagem competitiva e em que momentos foi, pelo contrário, um teste à sua resistência?

O meu percurso internacional tornou-se uma vantagem quando percebi que compreendia os desafios dos meus clientes para além das questões jurídicas. Muitos passaram pelos mesmos processos de mudança, investimento ou adaptação a um novo país. Ao mesmo tempo, a minha origem estrangeira foi por vezes um teste à resistência. Sou uma pessoa reservada e, em alguns contextos, essa característica podia ser interpretada como distância.

Ao fundar o seu próprio escritório e fazer crescer uma equipa com mais de dez pessoas, que tipo de liderança quis provar que uma mulher pode exercer sem pedir licença ao modelo tradicional do setor?

Nunca pensei em provar que uma mulher pode liderar de determinada forma. Fundei o meu escritório, porque acreditava na minha forma

de trabalhar. Construí uma equipa competente, responsável e humana.

Acredito numa liderança exigente, mas próxima. Sou exigente com a minha equipa, mas em primeiro lugar sou exigente comigo própria. A autoridade não nasce do cargo que ocupamos, mas da confiança que inspiramos e do exemplo que damos todos os dias.

Tendo chegado a Portugal há 20 anos, o que mudou mais na forma como a sociedade portuguesa olha para uma mulher estrangeira que lidera, decide e cria empresa por conta própria?

É difícil separar aquilo que mudou na sociedade daquilo que mudou em mim. Quando cheguei a Portugal era uma jovem estrangeira a iniciar a sua vida profissional; hoje sou advogada, empresária e líder de uma equipa. Portugal tornou-se também mais internacional e mais aberto à diversidade de percursos e origens. Ainda assim, continuo a acreditar que a confiança se conquista da mesma forma: através da competência, da consistência e do trabalho bem feito.

No seu caso, o sucesso não parece estar só em “vencer” profissionalmente, mas em conseguir enraizar-se num país novo: qual foi o preço invisível dessa construção e o que é que nunca negocia para continuar inteira nessa caminhada? O preço invisível é a distância da família e das referências culturais. Quem vive entre países aprende a conviver com uma certa sensação de pertença múltipla e percebe que a sua verdadeira âncora está dentro de si. Ao longo dos anos aprendi que o verdadeiro sucesso consiste em construir uma vida e uma carreira sem trair quem somos.

irina aKhmEtoVa advogada

descomplicar a ia com Foco nas pessoas

cátia lopes deFende que o verdadeiro desaFio da inteligência artiFicial não está na tecnologia, mas na sua adoção. entre a psicologia organizacional, a gestão do conhecimento e a inovação, acredita que o Futuro do trabalho será construído através da ligação entre pessoas, aprendizagem e tecnologia.

Quando olha para o seu percurso, qual foi a decisão ou o momento que a levou a perceber que o seu lugar estava no cruzamento entre a tecnologia, a inovação e o negócio?

O momento mais claro foi no World AI Cannes Festival, ao apresentar o trabalho da BridgeLK sobre adoção de IA nos nossos clientes. Confirmámos que a tecnologia não era o problema, era sim a adoção. Venho da Psicologia das Organizações, e é essa leitura do fator humano que junto à pedagogia, à tecnologia e à inovação na BridgeLK. O meu lugar é onde estas dimensões se cruzam: a ajudar organizações a lidar com o futuro do trabalho e a gestão do conhecimento.

A BridgeLK surge num momento em que a inteligência artificial está a transformar a forma como as empresas trabalham. Se tivesse de explicar a missão da empresa a alguém que nunca ouviu falar de vós, que problema concreto estão a resolver e por que motivo isso é tão relevante hoje?

A maioria das iniciativas de IA falha não por falta de tecnologia, mas porque o conhecimento continua disperso e as equipas pouco envolvidas. Sem as pessoas no centro, a inovação não gera valor sustentável. É isto que a BridgeLK resolve: ajudamos as organizações a capturar, estruturar e partilhar o conhecimento que têm, transformando experiência em aprendizagem, engagement e desempenho. É o nosso “Linking Knowledge”. A IA torna-o possível a uma escala antes impensável.

Liderar uma empresa numa área que evolui praticamente todos os dias exige uma capa-

“Espero que se diga que a IA nos tornou melhores naquilo que já fazíamos, uma Inteligência Aumentada, e não que automatizou tudo.”

cidade constante de adaptação. Como é que gere a pressão de tomar decisões num setor onde aquilo que é inovador hoje pode tornar-se obsoleto amanhã?

Há sempre tensão. O que hoje nos distingue pode estar desatualizado amanhã. Já apostámos em tecnologias cujo entusiasmo perdeu fôlego mais rápido do que esperávamos, e

encaro isso como aprendizagem. O que nos mantém no rumo é testarmos rápido, ouvirmos o cliente antes do mercado, e ajustarmos sem apego ao que já investimos.

Que conselho daria à jovem Cátia que está a iniciar carreira e que mensagem gostaria de deixar às mulheres que ambicionam construir um percurso de liderança em áreas tecnológicas?

À jovem Cátia diria para manter a curiosidade como motor de evolução e não se preocupar demasiado com o destino. As oportunidades aparecem para quem está atenta. Para as mulheres que querem liderar em tecnologia, digo que ainda há ambientes em que isso é mais difícil do que devia ser, mas há cada vez mais onde não é. Se sentirem isso, é sinal de que aquele lugar não é para vocês.

Daqui a alguns anos, quando olharmos para a IA e para o impacto que teve nas empresas e na sociedade, o que espera que tenha mudado? E qual gostaria que fosse o papel da BridgeLK nessa transformação?

Espero que se diga que a IA nos tornou melhores naquilo que já fazíamos, uma Inteligência Aumentada, e não que automatizou tudo. É essa a aposta da BridgeLK: a tecnologia como ponto de encontro entre pessoas e conhecimento, nunca como substituição do olhar humano nas decisões que importam. Se formos lembrados por isso, teremos cumprido o nosso papel.

in Fo@bridgel K .com www.bridgel K .com

cátia lopEs partner

construir um caminho com autonomia, ética e propósito

cátia lourenço criou o seu próprio projeto movida pela convicção de que a excelência jurídica não dispensa proximidade humana. entre desaFios, preconceitos e conquistas, construiu um percurso marcado pela independência, ética e deFesa de uma liderança Feminina assente no mérito, na autenticidade e na conFiança.

Em que momento percebeu que queria construir o seu próprio projeto e quais foram os maiores desafios que enfrentou?

Desde muito cedo soube que queria exercer a advocacia com autonomia, num projeto alinhado com os valores em que acredito e com grande proximidade aos clientes. Perto dos 30 anos senti que era o momento certo para criar o meu próprio escritório e dar-lhe uma identidade própria, assente no rigor, na disponibilidade e na confiança. A decisão trouxe desafios significativos. Tive de sair da zona de conforto, abdicar de um rendimento fixo mensal e acumular as funções de advogada, gestora e, mais tarde, mãe. Em paralelo, foi necessário construir uma carteira de clientes e afirmar uma marca num mercado particularmente exigente e competitivo.

Hoje, considero esta uma das decisões mais gratificantes da minha vida. Permitiu-me exercer a advocacia de acordo com os princípios que sempre defendi e criar uma sociedade em que o rigor técnico caminha lado a lado com a dimensão humana.

Ao longo da sua trajetória, houve algum episódio que tenha colocado à prova a sua confiança ou determinação? De que forma essa experiência contribuiu para moldar a líder e a profissional que é hoje?

No início do meu percurso profissional, deparei-me com situações que muitas mulheres continuam a reconhecer, associadas à circunstância de serem jovens, mulheres ou de não corresponderem à imagem tradicional do «advogado clássico». Recordo-me de quando prestava assessoria jurídica a um sindicato de grande expressão na zona centro, ser tratada algumas vezes por “menina doutora”.

Hoje recordo esses episódios com serenidade e até com algum humor, mas, na altura, eram a expressão de uma realidade que muitas mulheres ainda conhecem: a necessidade de conquistar credibilidade e reconhecimento através de um esforço acrescido. Aprendi desde cedo a deixar que fossem o trabalho, a consistência e os resultados a falar por mim. Talvez por isso,

uma das minhas maiores conquistas tenha sido resistir à tentação de me moldar às expectativas dos outros, mantendo a firmeza e a assertividade sem abdicar da empatia. É essa combinação entre exigência técnica e proximidade com as pessoas que continua a pautar a minha forma de exercer a advocacia e de liderar.

Enquanto profissional em Direito do Trabalho, o que ainda precisa de mudar no mercado de trabalho? Considera que as mulheres

Se reduzirmos este debate à vulnerabilidade ou encararmos a maternidade como o principal elemento definidor da identidade feminina, corremos o risco de reforçar os mesmos estereótipos que procuramos combater.

Apesar dos progressos alcançados, continuam a verificar-se desigualdades salariais difíceis de justificar e alguns preconceitos associados à maternidade e à disponibilidade das mulheres. Estou convicta de que uma maior presença feminina em posições de liderança,

“Apesar dos progressos alcançados, continuam a verificar-se desigualdades salariais difíceis de justificar e alguns preconceitos associados à maternidade e à disponibilidade das mulheres.”

continuam a enfrentar obstáculos no acesso a cargos de liderança e de decisão?

O mercado de trabalho português ainda tem um longo caminho a percorrer no que respeita à valorização do mérito, produtividade e conciliação entre a vida profissional e pessoal.

Mais do que nunca, é essencial que as organizações promovam uma cultura assente nas competências, no mérito e na igualdade de oportunidades. No que respeita à igualdade de género, reconheço que houve avanços importantes.

Contudo, continuo a entender que a mudança depende de uma transformação cultural, em que as mulheres se assumam como protagonistas ativas da sua carreira e do espaço público que ocupam. A igualdade não significa atribuir mais direitos às mulheres nem as considerar mais frágeis. Significa reconhecer que homens e mulheres têm igual dignidade e capacidade para participar, decidir e liderar.

nas empresas e no próprio mundo jurídico, será um fator decisivo para construirmos um mercado de trabalho mais justo, equilibrado e verdadeiramente igualitário.

Como encontrou o seu próprio estilo de liderança e que valores procura transmitir diariamente às pessoas que trabalham consigo?

Fui construindo o meu estilo de liderança ao longo da experiência e da convicção de que a forma como lideramos deve ser coerente com aquilo que defendemos enquanto profissionais.

Sou exigente no rigor técnico, mas procuro dar autonomia real às pessoas com quem trabalho, criando um ambiente de confiança, responsabilidade e entreajuda. Valorizo o mérito, a igualdade de oportunidades e a dimensão humana nas relações profissionais, porque acredito que as pessoas crescem mais quando se sentem respeitadas e valorizadas.

cátia lourEnço advogada

Olhando para o caminho que percorreu até hoje, qual considera ser a sua maior conquista? E que mensagem gostaria de deixar às mulheres que ambicionam liderar e empreender?

Com o passar dos anos percebi que a minha maior conquista não se resume a um único momento. O que mais valorizo é ter conseguido construir um percurso alinhado com os valores que os meus pais me transmitiram e dos quais nunca me desviei. Mantive sempre a convicção

de que é possível alcançar o sucesso sem abdicar da ética, da humanidade e da forma como tratamos os outros. Tenho também um orgulho enorme por ter criado uma equipa em que esses valores não são apenas teoria, mas uma realidade vivida diariamente. Às mulheres que ambicionam liderar e empreender, não esperem sentir-se totalmente preparadas para começar. Os maiores desafios da vida raramente surgem quando nos sentimos prontas. Não permitam que outros definam o vosso espaço ou

as vossas ambições. A sociedade ainda tende, muitas vezes, a empurrar as mulheres para funções de apoio, organização e execução, mas não necessariamente para os lugares de decisão. Procurem rodear-se de pessoas que vos desafiem e ajudem a crescer. O sucesso de uma mulher não diminui o sucesso das outras, pelo contrário, abre caminho para que mais mulheres possam chegar mais longe. Acima de tudo, mantenham-se fiéis aos vossos valores, porque é possível liderar, empreender e alcançar o sucesso sem abdicar daquilo que somos.

“ uma carreira com propósito exige valores sólidos”

cláudia de sousa reFlete sobre os desaFios do empreendedorismo, a liderança Feminina e a importância de criar uma carreira com propósito, sem deixar que o medo dite o caminho.

Tendo construído o seu percurso profissional além-fronteiras e liderando um atelier em Barcelona, de que forma esta experiência in-

ternacional moldou a sua identidade enquanto mulher, empreendedora e criativa?

A criação do meu atelier surgiu de forma muito orgânica, da necessidade de oferecer aos clientes e fornecedores a atenção e o cuidado que nem sempre conseguia proporcionar quando trabalhava para outras empresas. Acredito que foi a pessoa que sou que moldou o negócio, e não o contrário, porque um projeto empresarial deve refletir os valores e a identidade de quem o lidera.

Enquanto fundadora da sua própria marca, quais foram os maiores desafios que teve de ultrapassar para conquistar credibilidade e afirmar-se no mercado?

Barcelona é um mercado exigente e muito competitivo. No início, aceitei projetos com orçamentos mais reduzidos para construir portefólio e credibilidade. Investi também na minha presença digital, em diretórios especializados e em ações de networking. Com o tempo, surgiram projetos maiores e a estratégia mudou: menos quantidade, mas mais qualidade e impacto. As publicações em revistas e, mais recentemente, os prémios recebidos foram uma consequência natural desse percurso. Hoje, estar presente nos meios certos e cultivar relações profissionais continua a ser essencial.

Que conselho deixaria às jovens que ambicionam criar o seu próprio negócio, mas têm receio de falhar ou de não corresponder às expectativas?

O meu maior receio nunca foi falhar, mas sim não tentar e perder uma oportunidade. O fracasso faz parte do crescimento e é muitas vezes a melhor escola. Empreender implica aceitar que podemos errar e perceber que, na maioria das situações, conseguiremos seguir em frente. O meu conselho é arriscar de forma consciente e gradual, minimizando riscos, mas sem deixar que o medo impeça de agir.

Considera que existem ainda barreiras estruturais que dificultam o crescimento das mulheres em cargos de liderança e na criação de empresas? Que medidas acredita serem prioritárias?

Ainda persistem alguns estigmas associados ao empreendedorismo feminino, embora cada vez menos. O maior desafio continua a ser a conciliação entre a vida profissional e familiar, que muitas vezes leva as mulheres a sentirem que têm de escolher entre ambas.

Devemos aprender com países que colocam as pessoas no centro das suas políticas e apoiam verdadeiramente os empreendedores, criando condições para um crescimento sustentável das empresas e para uma igualdade efetiva de oportunidades.

“Acredito que foi a pessoa um projeto empresarial deve que sou que moldou o negórefletir os valores e a identicio, e não o contrário, porque dade de quem o lidera.”

Que legado gostaria de deixar às futuras gerações de mulheres? E que valores considera essenciais para construir uma carreira com propósito e impacto?

Sinto que o meu percurso ainda está no início, mas espero transmitir às futuras gerações a importância da resiliência, da paixão pelo que fazemos e da integridade. Uma carreira com propósito exige valores sólidos e capacidade para enfrentar os inevitáveis altos e baixos sem desistir. Quando existe sentido no que fazemos, o impacto surge naturalmente.

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Feira Raiana | 23:30h

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“ sou movida pela vontade de evoluir e aprender”

a pós um percurso F eito entre a advocacia, o setor bancário e a liderança, l iliana pascoal decidiu trocar a previsibilidade pela construção de um projeto próprio, movido pelo propósito de simpli F icar, orientar e criar soluções com impacto humano.

Numa altura em que decidiu deixar uma estrutura consolidada para criar algo seu, o que a levou a dar esse passo agora?

Depois de cinco anos de advocacia, mantida em paralelo com 17 anos no setor bancário — vários deles em funções de liderança e os últimos quatro à frente do core de um intermediário de crédito — senti que já tinha provado a mim própria que era capaz de entregar resultados, cumprir objetivos e superar metas.

Sou movida por desafios e pela vontade de evoluir e aprender. Ao longo deste percurso, ajudei equipas, clientes e profissionais a crescer, a encontrar soluções e a concretizar objetivos.

Percebi, por isso, que tinha chegado o momento de desenhar o meu próprio caminho. É um passo consciente, com uma visão clara de crescimento futuro, através daquilo que mais me realiza: liderar pessoas e construir equipas com propósito.

O que foi mais difícil, deixar a segurança ou assumir a responsabilidade total pelo que vem a seguir?

Sem dúvida, assumir a responsabilidade total pelo que vem a seguir. Sair da zona de conforto nunca me assustou; pelo contrário, foi nesses momentos que mais cresci. Trocar a previsibilidade pela incerteza exige coragem, mas aprendi que a verdadeira segurança não está numa estrutura, está na nossa capacidade de trabalho, conhecimento, resiliência e na forma como nos reinventamos. Empreender traz uma responsabilidade maior, mas também oferece liberdade, autenticidade e a possibilidade de construir algo alinhado com os meus valores. Para mim, isso vale mais do que o conforto da estabilidade.

Que desafios e aprendizagens a moldaram como líder e empreendedora, e o que pretende levar para este novo capítulo?

Um dos maiores desafios foi aprender a adaptar-me a cada elemento da equipa, compreendendo as suas motivações e a forma como

“É um passo consciente, propósito.” com uma visão clara de crescimento futuro, através daquilo que mais me realiza: liderar pessoas e construir equipas com

podem alcançar o seu melhor desempenho. Sempre acreditei numa liderança próxima, humana e exigente na medida certa. Liderar não é apenas orientar para resultados, é criar contextos onde as pessoas se sintam seguras para crescer, errar, aprender e superar-se.

Aprendi também a equilibrar os interesses das equipas com os objetivos das organizações, acreditando que os melhores resultados surgem quando existe alinhamento entre propósito, bem-estar e performance. Levo comigo a experiência de empoderar equipas e de promover ambientes diversos e multidisciplinares, porque acredito que equipas diversas se complementam e, quando bem alinhadas, elevam os resultados coletivos.

Sem levantar demasiado o véu, o que pode partilhar sobre o novo projeto?

Posso revelar que este projeto nasce daquilo que sempre me moveu: ajudar pessoas a encontrar soluções, direção e tranquilidade em momentos de incerteza. Aquilo que mais me realiza é clarificar, descomplicar e encontrar caminhos onde outros veem obstáculos.

Este novo projeto nasce dessa visão: estar do lado da solução, descomplicar processos e ajudar as pessoas a tomarem decisões com maior segurança e confiança. O objetivo é construir uma marca humana, firme e empática, capaz de abrir portas e criar novas possibilidades quando parece já não existir saída.

l
liliana pascoal advogada

liderar com coragem e consistência

co F undou uma sociedade de advogados aos 30 anos, aprendeu a liderar entre pressão e exigência e recusa que a per F eição seja sinónimo de sucesso. j oana r eis Fala da coragem, dos limites e da liderança no F eminino como uma aventura responsável.

Ao olhar para a sua trajetória, qual foi a experiência mais difícil ou emocionalmente desafiante que viveu e que acabou por moldar a profissional e a mulher que é hoje?

Creio que um dos maiores desafios do meu percurso foi assumir cedo responsabilidades para as quais raramente nos sentimos totalmente preparadas. Ser cofundadora de uma sociedade de advogados, com a Sara Pinto, aos 30 anos foi um momento de grande exigência profissional e pessoal. Há um lado pouco visível: a responsabilidade de decidir, de assumir riscos e responder por clientes, equipas e por um projeto que depende da nossa visão.

O desafio não foi apenas o de ser mulher – foi também o da idade. Convencer os outros de que podiam confiar em mim exigiu um esforço acrescido. Em determinados contextos culturais com os quais trabalho, ser mulher e jovem não inspira, à partida, o mesmo nível de confiança. Isso obrigou-me a ser mais preparada, rigorosa e consistente. Ensinou-me que a confiança se constrói, não se impõe.

Enquanto mulher, advogada e líder, já sentiu a pressão de ter de ser simultaneamente forte, impecável e disponível para todos? Como lida com as expectativas que os outros projetam sobre si e com aquelas que impõe a si própria?

Sim, essa pressão existe. Espera-se que as mulheres sejam simultaneamente fortes, impecáveis e sempre disponíveis.

Também senti essa pressão. Hoje procuro gerir expectativas com mais lucidez e limites. Continuo exigente, mas substituí a ideia de perfeição e de disponibilidade absoluta pela consistência. Nem tudo o que os outros projetam sobre nós merece ser acolhido como obrigação.

Quando as luzes se apagam, as reuniões terminam e os títulos profissionais ficam

“Espera-se que as mulheres sejam simultaneamente fortes, impecáveis e sempre disponíveis. Também senti essa pressão.”

para trás, quem é a Joana Reis? Que valores, medos ou sonhos continuam a acompanhá-la e a definir o seu caminho?

Os títulos são o que menos me importa. Guio-me pela responsabilidade, independência e sentido ético. Valorizo a lealdade e a capacidade de fazer bem, com rigor, mas também com dimensão humana.

Um dos meus maiores receios é perder a clareza sobre o essencial. Em profissões exigentes, é fácil confundir reconhecimento com identidade. Procuro lembrar-me de que crescer só faz sentido se não comprometer os valores que me trouxeram até aqui. Profissionalmente, quero consolidar um projeto sólido, que vá para além de mim e contribuir para uma cultura onde a liderança no feminino deixe de ser exceção.

Se pudesse deixar uma mensagem à jovem Joana Reis que estava a iniciar a sua carreira e a todas as mulheres que sonham ocupar lugares de liderança, que conselho lhes daria? Diria à jovem Joana e a todas as mulheres: tenham coragem. Coragem para avançar sem esperar pelo momento perfeito (que raramente chega), para assumir responsabilidade e para aceitar que crescer implica sempre algum grau de risco. Coragem para mudar: procurar diferente, redefinir caminhos e recomeçar faz parte do crescimento. Acredito muito numa ideia de “aventura responsável” – não é avançar sem pensar, mas também não é ficar à espera até que tudo esteja garantido. É preparar, decidir e agir, mesmo com incerteza.

Porque, no fim, não é quem espera que constrói o caminho – é quem avança.

joana rEis sócia e advogada na reis pinto law

l iderar com autenticidade e crescer com propósito

cátia oliveira construiu o seu lugar num setor tradicionalmente dominado por homens. à Frente da sell point, deFende uma liderança assente na empatia, na conFiança e nas relações humanas, provando que a autenticidade pode ser a maior Força de uma líder e de uma empresa.

Quando olha para o percurso que a trouxe até à liderança da Sell Point, qual foi o momento em que percebeu que já não estava apenas a construir uma empresa, mas também a afirmar-se como uma referência feminina no setor comercial?

Não houve um momento exato. Foi mais como o nascer do dia: acontece devagar, até que a luz se torna impossível de ignorar. Durante muito tempo estive focada apenas no trabalho. Em construir uma empresa sólida, criar oportunidades para as pessoas e provar, todos os dias, que os resultados são consequência da dedicação, da visão e da capacidade de persistir.

A consciência de que poderia representar algo mais surgiu quando comecei a olhar para trás e a perceber o caminho percorrido. Num setor onde a liderança comercial continua a ser maioritariamente associada a figuras masculinas, fui ocupando o meu espaço de forma natural, sem procurar ser um símbolo, mas sem nunca abdicar de ser quem sou. Hoje percebo que cada passo dado ajudou a mostrar que existe espaço para diferentes formas de liderar. Que a firmeza pode caminhar ao lado da empatia, que a sensibilidade não diminui a capacidade de decisão e que uma mulher pode liderar com autenticidade sem precisar de se transformar em algo que não é.

A Sell Point nasceu da vontade de criar impacto através das pessoas. Até que ponto a sua visão enquanto mulher influenciou a cultura organizacional e a forma como lidera equipas e clientes?

Influenciou profundamente. Sempre acreditei que as empresas são feitas de pessoas antes de serem feitas de números. Talvez por isso tenha

construído uma cultura onde a proximidade não é uma estratégia, mas um valor.Gosto de ouvir antes de decidir, compreender antes de exigir e inspirar antes de pedir resultados. Não vejo fragilidade na empatia; vejo inteligência. Não vejo fraqueza na sensibilidade; vejo força.

Na Sell Point procuramos criar relações genuínas, porque acredito que os melhores negócios nascem da confiança. E a confiança constrói-se com consistência, transparência e respeito. É isso que procuro transmitir às equipas e aos clientes: que o crescimento sustentável acontece quando as pessoas sentem que fazem parte de algo maior do que um objetivo comercial. No final, os resultados são importantes, mas aquilo que permanece são as relações que conseguimos construir ao longo do caminho.

Muitas histórias de sucesso destacam as conquistas, mas raramente os momentos de vulnerabilidade. Qual foi a decisão mais difícil da sua carreira e o que aprendeu sobre si própria durante esse processo?

A decisão mais difícil foi continuar a avançar em momentos em que tudo à minha volta convidava à dúvida. Empreender é, muitas vezes, caminhar sem ver o fim da estrada. Existem noites longas, decisões solitárias e responsabilidades que pesam mais do que aquilo que mostramos ao mundo.

Aprendi que a coragem não é a ausência de medo. É a escolha de seguir em frente apesar dele. Aprendi também que a vulnerabilidade não diminui uma líder. Pelo contrário: torna-a mais consciente, mais próxima e mais verdadeira. Foi nos momentos mais difíceis que descobri a dimensão da minha própria força.

Vivemos numa época em que se fala cada vez mais de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Considera que as mulheres líderes continuam a enfrentar uma pressão acrescida para serem bem-sucedidas em todas as dimensões da vida? Sem dúvida. Durante muito tempo, foi-nos transmitida a ideia de que deveríamos ser excecionais em tudo: profissionais brilhantes, mães presentes, companheiras dedicadas, amigas disponíveis e mulheres impecáveis. Mas a verdade é que ninguém consegue ser tudo, todos os dias. Hoje acredito que o ver-

“Hoje percebo que cada diferentes formas de liderar. que a sensibilidade não dimar em algo que não é.” passo dado ajudou a mosQue a firmeza pode camiliderar com autenticidade minui a capacidade de decitrar que existe espaço para nhar ao lado da empatia, sem precisar de se transforsão e que uma mulher pode

dadeiro equilíbrio não está na perfeição, mas na aceitação. Há fases em que a carreira pede mais de nós. Outras em que a família ocupa o centro. E está tudo bem. As mulheres precisam de se libertar da culpa e perceber que o seu valor não depende da capacidade de corresponder a todas as expectativas.

Se pudesse regressar ao início da sua carreira e conversar com a jovem Cátia Alves de Oliveira, que conselho lhe daria sobre ambição, liderança e confiança?

Dir-lhe-ia para confiar mais em si. Para não esperar que alguém lhe dê autorização para sonhar grande. Dir-lhe-ia que a ambição não é um defeito; é uma forma de honrar o potencial que existe dentro de nós. Que liderar não é estar à frente, mas caminhar ao lado. E que o fracasso não é o contrário do sucesso – faz parte dele. Acima de tudo, dir-lhe-ia para nunca deixar que o medo fale mais alto do que a sua voz.

Que legado gostaria que a Sell Point deixas-

se no mercado e que mensagem gostaria que as futuras gerações de mulheres empreendedoras retirassem da sua história?

Gostaria que a Sell Point fosse lembrada como uma empresa que acreditou nas pessoas antes de acreditar nos resultados. Uma empresa que mostrou que é possível crescer sem perder valores, alcançar objetivos sem perder humanidade e criar impacto sem esquecer quem caminha connosco.

Quanto às futuras mulheres empreendedoras, gostaria que percebessem que não precisam de encaixar em nenhum molde para serem bem-sucedidas. A sua autenticidade é a sua maior vantagem competitiva.

Se a minha história puder deixar uma mensagem, que seja esta: não tenham medo de ocupar o vosso lugar. O mundo não precisa de mais cópias. Precisa daquilo que cada mulher tem de único para oferecer. E, muitas vezes, a maior revolução começa simplesmente quando decidimos acreditar em nós próprias.

“Empreender é, muitas vezes, caminhar sem ver o fim da estrada. Existem noites longas, decisões solitárias e responsabilidades que pesam mais do que aquilo que mostramos ao mundo.”
cátia oliVEira

“não existe um único modelo de liderança”

carla s ilva partilha o percurso que a levou ao setor das energias renováveis, a visão que orienta a eml e as aprendizagens que moldaram a sua Forma de liderar, sempre com as pessoas no centro das decisões.

Que momentos, influências ou decisões acabaram por conduzi-la até ao setor das energias renováveis e quando sentiu que tinha encontrado o seu lugar?

O setor da energia surgiu de forma inesperada, mas rapidamente percebi que era uma área cheia de desafios. Desde cedo, consegui aplicar o que tinha aprendido no meu percurso académico e, ao mesmo tempo, contactar com várias dimensões deste setor, inclusive áreas técnicas

que não estavam ligadas à minha formação. Esta combinação de aprendizagem, evolução e novos desafios foi determinante para o interesse e gosto genuíno que tenho por esta área.

Qual foi o momento mais determinante do seu percurso, aquele que a obrigou a reinventar-se e que moldou a líder que é hoje?

Ao longo de mais de 20 anos de carreira, não houve um momento determinante, mas um conjunto de experiências profissionais e pessoais. Ser mãe de três filhos ensinou-me a definir prioridades, gerir o tempo e desenvolver resiliência. As relações que fui construindo com diferentes pessoas ajudaram-me também a desenvolver empatia e capacidade de adaptação. Mas a maior mudança foi aprender a controlar a impulsividade, escutar e avaliar as várias posições e ideias e só depois decidir. Para mim, liderar é encontrar o equilíbrio e colocar as pessoas no centro.

“Não existe um único modelo de liderança. Cada periências. É um processo pessoa constrói o seu com evolutivo e é isso que torna base nos seus valores e extudo mais emocionante.”

Quem é a Carla para além do cargo de CEO? Que valores, paixões ou experiências pessoais moldam a sua identidade fora do ambiente profissional?

Quando desligo o computador tento estar verdadeiramente presente. Valorizo muito o tempo em família e com amigos, bem como acompanhar as atividades dos meus filhos, que

são uma parte muito importante da minha vida e também me têm conseguido trazer bons momentos e amizades. A praia é o meu verdadeiro “reset” e tento incluir o desporto na rotina, sendo o padel uma das minhas formas preferidas de recarregar energias. São estes momentos que me dão o equilíbrio necessário para enfrentar os desafios profissionais.

Como avalia o contributo da EML para a transição energética e que desafios antecipa para o futuro do setor?

A EML assume um papel relevante na transição energética, fiel ao seu propósito: Energy Means Life. Acreditamos que a energia está ligada à forma como vivemos, crescemos e evoluímos enquanto sociedade.

O setor enfrenta desafios exigentes, desde a implementação de soluções renováveis à necessidade de garantir estabilidade e eficiência dos sistemas energéticos. Por outro, a gestão da complexidade tecnológica, regulatória e em especial humana, será cada vez mais crítica. O grande desafio será encontrar equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e acessibilidade. E é aí que a EML faz a diferença, através de uma visão estratégica clara e da capacidade de adaptação.

Se pudesse voltar atrás, o que diria à jovem Carla sobre coragem, ambição e sobre o caminho que a levaria a liderar empresas?

No início, nem sempre temos todas as respostas, e está tudo bem. A coragem está em avançar na mesma, questionar, aprender com os outros e sair da nossa zona de conforto. É essa abertura que nos permite ganhar uma visão mais ampla das organizações e conquistar aquilo a que nos propomos. Diria também para ser ambiciosa, mas sem pressa, porque o percurso constrói-se com consistência. Acima de tudo, para nunca perder a autenticidade. Não existe um único modelo de liderança. Cada pessoa constrói o seu com base nos seus valores e experiências. É um processo evolutivo e é isso que torna tudo mais emocionante.

carla silVa ceo da eml renewables & eml services

mais do que contabilidade, uma parceria estratégica

com rigor técnico, proximidade e visão de Futuro, a capitalges aposta num acompanhamento personalizado que transForma a inFormação contabilística em valor real para os clientes.

O que distingue uma empresa de contabilidade e fiscalidade de excelência daquelas que se limitam a cumprir as suas obrigações?

O rigor técnico é a base da nossa atividade e um princípio do qual nunca abdicamos. Contudo, acreditamos que a verdadeira diferença está na forma como acompanhamos os nossos clientes. Procuramos conhecer cada negócio, compreender os seus objetivos e desafios e dis-

“Mais do que assegurar o cumprimento das obrigações fiscais e contabilísticas, queremos contribuir para o crescimento e a sustentabilidade das empresas, através de um serviço personalizado, assente na proximidade, na confiança, na disponibilidade e numa visão de longo prazo.”

ponibilizar informação que sustente decisões mais conscientes e estratégicas. Mais do que assegurar o cumprimento das obrigações fiscais e contabilísticas, queremos contribuir para o crescimento e a sustentabilidade das empresas, através de um serviço personalizado, assente na proximidade, na confiança, na disponibilidade e numa visão de longo prazo.

Na sua perspetiva, de que forma a Capitalges evoluiu de um prestador de serviços para um parceiro estratégico capaz de influenciar decisões e criar valor para os seus clientes?

A evolução da legislação e do contexto económico tornou o papel do contabilista mais exigente e abrangente. Hoje, as empresas necessitam de informação fiável, capacidade de análise e aconselhamento para tomar decisões com segurança. Na Capitalges reforçámos a componente de consultoria e apoio à decisão, disponibilizando informação clara, rigorosa e atempada, que permite interpretar resultados, identificar riscos e oportunidades e apoiar o planeamento financeiro e fiscal. Desta forma, transformamos a informação contabilística numa verdadeira ferramenta de gestão e de crescimento sustentável.

Como consegue a Capitalges equilibrar a inovação tecnológica com a proximidade humana que continua a ser fundamental na relação com empresários e gestores?

Encaramos a tecnologia como uma aliada e não como um substituto da relação humana. A digitalização permite automatizar processos e aumentar a eficiência, razão pela qual investimos continuamente em soluções tecnológicas que melhoram os nossos processos e a experiência dos clientes. Contudo, acreditamos que o verdadeiro valor está em libertar tempo para ouvir os clientes, compreender as suas necessidades e prestar um aconselhamento personalizado. A tecnologia facilita o trabalho, mas a proximidade e a confiança continuam a ser essenciais.

A inauguração do novo espaço da Capitalges representa mais do que uma mudança de instalações. Que visão de futuro está por detrás deste investimento?

O novo espaço representa um passo estratégico para promover a reflexão, a investigação e a inovação. Queremos preparar-nos para o impacto da inteligência artificial e da transformação digital na contabilidade, experimentando novas soluções e processos. O objetivo é criar mais valor para os clientes e proporcionar melhores condições de trabalho e de vida à nossa equipa.

Se tivesse de identificar uma decisão, uma prática ou uma filosofia de gestão que melhor simboliza a excelência da Capitalges, qual escolheria e porquê?

A aposta contínua nas pessoas é a filosofia que melhor nos representa. Investimos na formação, na atualização técnica e numa cultura de responsabilidade, colaboração e melhoria contínua. Acreditamos que a excelência resulta da consistência do trabalho diário e de equipas preparadas e comprometidas, capazes de prestar um serviço de qualidade e construir relações duradouras com os clientes.

joão cunha
sócio-gerente

inovação e sustentabilidade ao serviço da limpeza proFissional

raquel seixas, diretora-geral da deterwater, sublinha a aposta em produtos biodegradáveis, ultra concentrados e em tecnologias inovadoras, procurando responder às necessidades de diversos setores de atividade sem comprometer o ambiente.

O que motivou a criação da Deterwater e de que forma tem evoluído o posicionamento da marca?

A Deterwater nasceu em 2012 numa altura em que a sustentabilidade e os produtos biodegradáveis ainda não eram uma prioridade no mercado nacional. Desde o início, o objetivo foi criar uma alternativa mais responsável às soluções tradicionais existentes, reduzindo o impacto ambiental associado à higiene e promovendo práticas mais sustentáveis e eficientes.

“Acredito que haverá uma redução do impacto ambiental, a utilização de produtos mais seguros para os utilizadores e recurso a tecnologias capazes de obter melhores resultados com menor consumo de recursos.”

Que características tornam os vossos produtos diferenciadores?

Trabalhamos com matérias-primas de origem mais natural, produtos de reduzida perigosidade e, em alguns casos, certificados com o selo Ecolabel. A aposta em produtos ultra concentrados permite reduzir embalagens, transporte e armazenamento. Mas o que mais nos diferencia é a proximidade aos clientes, a adaptação das soluções às suas necessidades e o acompanhamento técnico permanente.

Apostam em produtos biodegradáveis, ultra concentrados e focados na redução do impacto ambiental. Sente que o mercado português já valoriza estas soluções? O mercado está cada vez mais sensibilizado para a sustentabilidade, mas a mudança de hábitos

nem sempre é imediata. Muitas vezes é necessário demonstrar, na prática, que uma solução ecológica pode ter a mesma ou até maior eficácia do que os métodos tradicionais. Por isso, apostamos fortemente na demonstração dos resultados dos nossos produtos e equipamentos.

Quais têm sido os maiores desafios e oportunidades na criação de soluções adaptadas às necessidades reais dos diferentes setores?

Trabalhar em áreas tão distintas como a limpeza urbana, a indústria, os sanitários e a gestão de resíduos, implica responder a necessidades muito diferentes. Um dos maiores desafios é desenvolver soluções adaptadas à realidade de cada cliente e às condições específicas de utilização. Ao mesmo tempo, esta proximidade permite-nos compreender melhor os problemas do terreno e desenvolver soluções mais eficazes. Além disso, a área da neutralização de odores e da higienização técnica tem assumido uma importância crescente devido às exigências da qualidade ambiental e do bem-estar.

Que perspetivas traça para o futuro da Deterwater e para a evolução das soluções de limpeza ecológicas em Portugal?

Pretendemos continuar a apostar em soluções diversificadoras e inovadoras. Um exemplo disso é a Steam Dragon, uma máquina de limpeza a vapor que já introduzimos no mercado nacional e que apresenta características inovadoras face às soluções atualmente disponíveis. Ainda este ano teremos também o lançamento de novas

soluções, reforçando a nossa aposta na inovação e no desenvolvimento de respostas diferenciadas para o mercado. Embora a limpeza urbana continue a ser uma área importante para a Deterwater, a nossa estratégia não passará apenas por esse segmento. Procuramos alargar a nossa oferta a outras áreas de atividade, através da introdução de novas tecnologias, equipamentos e soluções capazes de responder às necessidades cada vez mais exigentes dos nossos clientes. Paralelamente, queremos reforçar a equipa e a presença no mercado e continuar a acompanhar os clientes de forma próxima, garantindo uma resposta cada vez mais eficaz às suas necessidades.

Acredito que o futuro passará por uma redução do impacto ambiental, pela utilização de produtos mais seguros para os utilizadores e pelo recurso a tecnologias capazes de obter melhores resultados com menor consumo de recursos. É nesse caminho que a Deterwater pretende continuar a crescer, mantendo a inovação, a eficácia e a sustentabilidade como pilares da sua atuação.

raquEl sEixas diretora geral

transFormar complexidade em processos seguros e eFicientes

a haupper, liderada por nelson mata, tem vindo a aFirmar-se através do desenvolvimento de tecnologia orientada para a simpliFicação do compliance, da gestão de inFormação e dos processos de reporte.

A experiência acumulada nas áreas da regulação e do reporte Financeiro continua a ser um dos principais fatores diferenciadores da Haupper. Para Nelson Mata, desenvolver tecnologia exige muito mais do que competências técnicas, exige compreender o contexto onde essa tecnologia será aplicada. “A tecnologia tem de acompanhar não apenas o mercado, mas sobretudo o contexto para o qual é criada”, sublinha.

Nas organizações reguladas, onde uma simples alteração legislativa pode impactar métricas, formatos, prazos e processos internos, a compreensão das implicações práticas da regulação torna-se essencial. “ Uma alteração regulatória não é apenas uma alteração técnica. Pode implicar novas validações, novos F luxos, nova documentação, novos controlos e novas responsabilidades dentro da organização”, explica. É precisamente essa capacidade de ligar tecnologia, regulação e operação que permite à Haupper criar soluções que vão além do simples cumprimento de requisitos, ajudando as equipas a trabalhar com mais segurança, controlo e eFiciência

“A tecnologia permite reduzir esse risco porque torna os processos mais consistentes. Ajuda a recolher informação, validar dados, cruzar fontes, gerar alertas, organizar evidência e garantir rastreabilidade.”

Os desafios enfrentados atualmente pelas organizações são cada vez mais complexos,

sobretudo em ambientes altamente regulados. Contudo, acredita que a solução passa por simplificar. “Processos complexos só se tornam geríveis quando são decompostos, organizados e simplificados”, defende. Muitas empresas continuam a enFrentar diFiculdades porque a inFormação permanece dispersa, excessivamente dependente de Folhas de cálculo, emails ou conhecimento individual. “Num contexto regulado, o problema não está apenas em cumprir. Está em conseguir cumprir de forma contínua, documentada, auditável e eficiente”, destaca. Por isso, as organizações procuram cada vez mais processos transparentes, menos dependentes de esforço manual e mais preparados para responder rapidamente a alterações legislativas sem comprometer a estabilidade operacional.

Esta visão está igualmente presente na HAssets, solução desenvolvida para apoiar entidades sujeitas a exigentes obrigações de compliance e reporte regulatório. A chave está em transformar matérias altamente técnicas em fluxos simples e intuitivos. “conhecemos tecnicamente os processos e percebemos onde começam, por onde passam e, sobretudo, onde têm de terminar” , esclarece. O trabalho da equipa passa por analisar cada processo de ponta a ponta, identi F icar pontos críticos, simpli F icar tare Fas repetitivas e criar mecanismos de validação que permitam aos utilizadores alcançar resultados com maior con F iança. “Costumo olhar para estes processos quase como uma linha de produção. Entram dados, documentos e informação operacional; saem reportes, análises, evidências e decisões documentadas”.

O valor da HAssets reside precisamente em garantir que todo esse percurso decorre de

Forma controlada, eFiciente e clara. Num cenário onde os requisitos de KYC, AML, screening e avaliação de risco se tornam cada vez mais rigorosos, a tecnologia assume também um papel decisivo na mitigação do risco operacional. “A tecnologia permite reduzir esse risco porque torna os processos mais consistentes. Ajuda a

nElson mata ceo

recolher informação, validar dados, cruzar fontes, gerar alertas, organizar evidência e garantir rastreabilidade”, afirma. Ainda assim, o CEO reforça que o papel da tecnologia não é substituir as equipas de compliance, mas sim criar melhores condições para que estas possam analisar, decidir, justiFicar e demonstrar o cumprimento dos processos.

Foi precisamente da observação de necessidades concretas do mercado que nasceu a HARO, uma plataforma que representa uma nova etapa de crescimento da Haupper. “A HARO vem precisamente criar uma camada operacional que liga estes pontos. O objetivo é reduzir trabalho manual, aumentar controlo e permitir que as equipas consigam tratar mais processos com maior organização, melhor inFormação e menor desgaste”, revela. Segundo o responsável, a plataforma não pretende substituir os ERP, mas complementar a sua função. “A HARO não vem substituir o ERP. Vem organizar a camada operacional que existe entre bancos, documentos, Financiamentos, equipas e contabilidade”. Ao

“A HARO vem precisamente criar uma camada trabalho manual, aumenoperacional que liga estes tar controlo e permitir que organização, melhor inforpontos. O objetivo é reduzir as equipas consigam tratar mação e menor desgaste.” mais processos com maior

estruturar esta zona intermédia, as empresas ganham visibilidade sobre processos, reduzem dependências individuais e aumentam a sua capacidade de decisão.

olhando para o Futuro, nelson mata acredita que a excelência não será determinada pela quantidade de Funcionalidades disponíveis, mas pela capacidade de eliminar obstáculos. “Acredito que o futuro não será das empresas que adicionam mais funcionalidades, mas das que conseguem reduzir fricção. As empresas verdadeiramente excelentes serão aquelas que conseguirem criar tecnologia natural para o utilizador, isto é, plataFormas que ajudem as equipas a executar a sua missão de Forma Fluida, sem as obrigar a perceber toda a complexidade que está por trás”.

E é nessa visão que resume a filosofia que orienta a Haupper: “a verdadeira qualidade de uma solução não está apenas no que ela consegue fazer. Está na facilidade com que permite às pessoas fazerem melhor o seu trabalho”, conclui.

uma nova Forma de pensar a hotelaria

inspirada numa FilosoFia japonesa de aperFeiçoamento contínuo, a Kodawari residences nasceu para desaFiar os modelos tradicionais de hotelaria e colocar o descanso no centro da experiência do hóspede.

Com experiência no alojamento local premium, gonçalo Fernandes percebeu que lançar apenas mais uma unidade hoteleira dificilmente acrescentaria valor. Foi nesse contexto que nasceu a Kodawari residences, uma marca inspirada na filosofia japonesa do «kodawari». “a FilosoFia Kodawari parte do princípio de que ninguém consegue ser o melhor em tudo. em vez disso, trata-se de um processo contínuo, uma busca permanente por aperFeiçoamento, sabendo que a perFeição é um objetivo que está sempre em construção”, explica. A partir dessa visão, a marca definiu uma missão muito concreta: “proporcionar a melhor noite de sono pos -

sível, sem compromissos, atalhos ou distrações”. Foi com base nesta lógica, e seguindo o mote “luxury where it matters”, que a Kodawari Residences estruturou o seu posicionamento assente em três pilares essenciais de uma estadia de excelência: uma boa noite de sono, um banho de qualidade e um pequeno-almoço diferenciador.

ao contrário da hotelaria tradicional, a marca não aposta numa multiplicidade de infraestruturas e serviços complementares. O foco está em localizações premium, sendo que a proposta não passa por competir com o destino, mas sim por complementá-lo, e tam-

bém numa especialização na qualidade do descanso, com uma resposta pensada para o chamado “smart traveler”, um viajante que privilegia conForto, autenticidade e experiências ajustadas às suas expectativas reais. “Muitos dos viajantes não se importam de pagar mais por um alojamento, o que já não valorizam tanto é pagar por um conjunto de infraestruturas e serviços que, muitas vezes, acabam por não utilizar”, sublinha. Sobre o futuro do turismo e da hotelaria, identifica desafios estruturais como a limitação da capacidade do aeroporto de Lisboa. “Atualmente, o aeroporto já não consegue responder à procura nem acompanhar a ambição de crescimento turístico do país”. Acrescenta ainda um reforço da promoção internacional do destino Portugal e melhores acessibilidades, lembrando que a redução de voos diretos para o Porto penaliza a competitividade regional tendo um impacto direto na capacidade de atração de turistas.

Convicto de que o setor caminhará para uma maior consolidação, acredita que apenas os projetos verdadeiramente diferenciadores conseguirão destacar-se. Nesse contexto, a empresa tem investido na valorização das equipas, procurando atrair e reter talento através de melhores condições de trabalho. “queremos trabalhar com os melhores proFissionais e sabemos que isso exige investimento nas pessoas”, refere. Um exemplo foi a decisão de transFormar uma suite destinada a hóspedes numa área de descanso para colaboradores. “O mais importante foi demonstrar que ouvimos as pessoas e que estamos dispostos a agir”, revela.

Nos próximos anos, a ambição é clara: consolidar a presença em portugal, chegar entre 12 e 15 unidades hoteleiras e avançar para mercados internacionais. Mais do que crescer em número, gonçalo Fernandes quer provar que portugal pode competir pela inovação e pela diFerenciação. “Acredito que Portugal precisa de deixar de pensar que só consegue competir através de preços baixos. O país tem capacidade para criar conceitos inovadores e com elevado valor acrescentado, e a Kodawari pretende ser um exemplo disso”, conclui.

o luxo mede-se pelo valor que perdura

n a luxury m argin, a excelência imobiliária assenta numa visão estratégica que vai além da localização. v ictor o liveira , m anaging partner, explica como a criação de valor sustentável, a antecipação das tendências do mercado e o aconselhamento de longo prazo distinguem a sua abordagem.

Num mercado onde a localização já não é, por si só, um fator diferenciador, o que considera que verdadeiramente transforma um projeto imobiliário num exemplo de excelência? Que características são hoje determinantes para criar valor duradouro para investidores e utilizadores?

A localização continua a ser determinante, mas deixou de ser suficiente. A excelência resulta da capacidade de criar ativos resilientes, diferenciadores e preparados para responder à evolução do mercado. Um projeto de valor combina visão estratégica, qualidade de execução, sustentabilidade e potencial de valorização. Na Luxury Margin acreditamos que o verdadeiro luxo se mede pela capacidade de preservar património e gerar valor de forma consistente.

O segmento dos ativos de valor acrescentado exige uma leitura muito fina do mercado e das suas tendências. Como identifica oportunidades antes de estas serem evidentes para a generalidade dos investidores e que critérios pesam mais na decisão de avançar – ou não – com determinado projeto?

As melhores oportunidades são identificadas antes de se tornarem evidentes para o mercado. Isso exige um conhecimento profundo do setor, uma análise rigorosa e a capacidade de antecipar tendências económicas, urbanísticas

e sociais. Antes de recomendar qualquer investimento, avaliamos o seu potencial de valorização, o risco associado e a sua sustentabilidade a longo prazo. Acreditamos que a verdadeira criação de valor exige disciplina e visão estratégica; por isso, é muitas vezes preferível abdicar de uma oportunidade do que avançar para um projeto que não reúna fundamentos sólidos.

Nos últimos anos, o mercado imobiliário português atravessou profundas alterações, desde a subida das taxas de juro às mudanças legislativas e à evolução do perfil da procura. Quais destes fatores considera terem provocado as transformações mais estruturais e de que forma a Luxury Margin adaptou a sua estratégia para continuar a criar valor?

A mudança mais profunda foi a maturidade do mercado. Os investidores tornaram-se mais informados e seletivos, enquanto o enquadramento económico e legislativo passou a exigir decisões mais fundamentadas. A Luxury Margin reforçou a sua vertente consultiva, privilegiando análises objetivas, valorização patrimonial e estratégias assentes em dados reais. Defendemos preços sustentados pelos fundamentos do mercado e não por expectativas especulativas que comprometem a liquidez dos ativos.

“A Luxury Margin reforçou a sua vertente consultiva, privilegiando análises objetivas, valorização patrimonial e estratégias assentes em dados reais. Defendemos preços sustentados pelos fundamentos do mercado e não por expectativas especulativas que comprometem a liquidez dos ativos.”

Se tivesse de apontar um projeto ou uma decisão que represente a filosofia da Luxury Margin enquanto exemplo de excelência no mercado imobiliário, qual escolheria e que ensinamentos considera que esse caso pode deixar para o futuro do setor em Portugal? Mais do que uma operação, destacaria a nossa forma de atuar. Procuramos revelar o potencial de ativos que o mercado nem sempre reconhece, criando estratégias que conciliam valorização, segurança e visão de longo prazo. O futuro do setor dependerá menos da capacidade de vender e mais da capacidade de aconselhar, criar confiança e gerar valor sustentável. É essa a missão da Luxury Margin.

O verdadeiro luxo não está apenas na exclusividade de um imóvel, mas na capacidade de transformar património em valor, segurança e oportunidades para as gerações futuras.

cascais +351 919 186 391 | WWW .lu xurymargin.pt

Victor oliVEira managing partner

“não ensinamos regras, moldamos atitudes”

nascida na exigência da indústria extrativa, a academia portuguesa de Formação industrial (apFi) prepara proFissionais para um Futuro onde a tecnologia evolui, mas a capacidade humana de decidir, liderar e cuidar continua a Fazer a diFerença.

A APFI nasceu ligada ao setor mineiro, de alta exigência técnica e segurança. Como transforma conhecimento técnico numa cultura de excelência e prevenção?

Nasceu para levar os elevados padrões de segurança da indústria extrativa às restantes. Para nós, segurança não é preencher papelada, é sobre pessoas e as escolhas que fazem quando ninguém vê. Não mudamos mentalidades a ler manuais numa sala. Aplicamos a Segurança Baseada no Comportamento: vamos ao terreno, observamos rotinas e conversamos com as equipas. Em vez de punir, focamos no reforço positivo e na consciencialização. Quando o operador percebe o impacto das suas ações em si e no colega, a prevenção vira cuidado mútuo. Não ensinamos regras, moldamos atitudes.

Perante a digitalização, automação e escassez de mão de obra, quais as competências críticas para os profissionais na próxima década?

Onde uns veem fragilidade, vemos oportunidade. Por mais avançados que sejam os sistemas, dependem de pessoas. Controlamos máquinas em minas a partir da superfície, mas a tecnologia nunca substituirá a perceção do risco e o fator humano. A competência crítica é a autodisciplina comportamental e a liderança partilhada em segurança. Precisamos de quem saiba ler dados, mas com inteligência emocional para manter a atitude certa sob pressão. Na era da IA, o diferenciador será a capacidade de ser um observador ativo, sabendo intervir perante o risco de um colega. O sucesso continuará a depender das nossas escolhas.

A criatividade raramente se associa à formação industrial. Como inova a APFI para tornar a aprendizagem prática e alinhada com as empresas?

Rejeitamos a ideia de que a formação tem de

“Onde uns veem fragilidade, vemos oportunidade. Por mais avançados que sejam os sistemas, dependem de pessoas. Controlamos máquinas em minas a partir da superfície, mas a tecnologia nunca substituirá a perceção do risco e o fator humano.”

ser entediante, assente em slides de legislação que não mudam comportamentos. Inovamos pela Andragogia prática e análise comportamental em tempo real. Os programas nascem no terreno: identificamos as situações críticas e riscos reais da empresa. Na sala, os formandos analisam os seus próprios hábitos através de simulações práticas. Aprendem a dar e receber feedback de segurança com naturalidade. Erramos juntos num ambiente controlado para que cada um saia motivado a mudar e a policiar, com orgulho, a sua conduta no dia a dia.

Que filosofia simboliza o ADN da APFI e o que gostaria que o mercado dissesse sobre a academia daqui a uns anos?

O nosso ADN tem o rigor da indústria extrativa. Nascemos na exigência das minas e pedreiras, onde os desvios se pagam caro. Transformar condutas em ambientes extremos tornou-nos referência. Aí definimos a nossa missão: pegar na segurança comportamental lapidada no subsolo e levá-la a qualquer indústria. Se criamos hábitos que salvam vidas numa mina, blindamos a cultura de qualquer empresa.

No futuro, queremos que o mercado diga: “A APFI revolucionou a nossa forma de trabalhar. Trouxeram a escola de segurança das minas para as nossas fábricas e ensinaram as equipas a cuidar umas das outras. Não vendem cursos, transformam a conduta das pessoas e salvam vidas”.

“somos parceiros de negócio, não Fornecedores de serviços”

numa era em que a tecnologia automatiza processos, a btocnet de paços de Ferreira, gerês e arca d’água aposta na proximidade, no rigor e na consultoria para transFormar a contabilidade numa verdadeira Ferramenta de gestão.

De que forma tem a BTOCNET de Paços de Ferreira, Gerês e Arca d’água se posicionado como parceiro de crescimento das empresas e quais são os pilares dessa confiança?

Mais do que fazer a contabilidade, ajudamos o empresário a ler os números e a decidir com eles — foi assim que nos tornamos parceiros de negócio e não apenas fornecedores de serviços. Independentemente de os clientes estarem ao virar da esquina ou noutro país, encaramos cada projeto com o mesmo compromisso e dedicação, como se fosse nosso.

A confiança que construímos ao longo dos anos assenta em três pilares fundamentais: proximidade, rigor e transparência. É a partir destes valores que desenvolvemos relações duradouras e de confiança com cada cliente.

“Ambiciono ser reconhecido como referência de uma contabilidade que é, acima de tudo, parceira de gestão. Além disso, quero mudar a imagem da profissão: do contabilista visto como custo para o parceiro que faz a empresa crescer.”

soas: é a equipa que faz realmente a diferença no acompanhamento e na proximidade com cada cliente. Conseguimos crescer sem abdicar da qualidade do serviço prestado. A reputação que conquistámos não surgiu por acaso nem se compra, constrói-se cliente a cliente.

Como é que se transforma a complexidade fiscal em oportunidade e de que forma a consultoria complementa a contabilidade?

A complexidade fiscal assusta o empresário — e é aí que está a oportunidade: transformá-la em decisões. Mais do que entregar declarações, antecipamos impactos e explicamo-los ao cliente. A contabilidade regista o passado, enquanto a consultoria ajuda a preparar o futuro. Por isso, reunimos parceiros em diferentes áreas, desde os seguros à gestão empresarial, para oferecer soluções integradas e mais completas.

Que competências humanas continuarão a distinguir os profissionais do setor e como prepara as equipas para a próxima década?

pessoas com o potencial da tecnologia. Ambiciono ser reconhecido como referência de uma contabilidade que é, acima de tudo, parceira de gestão. Além disso, quero mudar a imagem da profissão: do contabilista visto como custo para o parceiro que faz a empresa crescer.

Que decisões ou momentos foram determinantes para elevar a qualidade do serviço e consolidar a reputação da empresa?

O momento mais determinante do nosso percurso foi assumir que não bastava fazer contabilidade — era necessário fazê-la com método, organização e visão estratégica, à semelhança de uma verdadeira empresa de serviços. A partir daí, definimos processos mais eficientes, investimos em tecnologia e, sobretudo, nas pes-

A automação trata da rotina; distingue-se quem executa o que a máquina não faz — ouvir, interpretar o contexto de cada empresa e aconselhar. Continuarão também a contar o pensamento crítico, a relação e a confiança. É por isso que utilizamos a tecnologia para libertar tempo e investimos em formação, porque queremos consultores, não apenas processadores de dados.

Que objetivos estratégicos tem para o futuro e que legado pretende deixar no setor?

Entre os principais objetivos estratégicos estão o crescimento sustentado da organização, a consolidação da nossa presença nas três regiões e a elevação contínua da qualidade dos serviços prestados, combinando o melhor das

pEdro rEis diretor geral das operações

transFormar ideias em projetos com impacto real

a csl consulting assume-se como parceira estratégica de agricultores, produtores e investidores, ajudando a construir projetos sustentáveis, competitivos e preparados para o Futuro.

Num setor onde a consultoria técnica já tinha uma presença consolidada, Catarina Salgueiro Leite encontrou espaço para fazer diferente. A fundadora da CSL Consulting identificou uma realidade frequentemente ignorada: a distância entre os projetos concebidos em gabinete e os desaFios enFrentados diariamente por quem trabalha a terra. “Muitos promotores sentiam-se perdidos perante a complexidade dos programas de apoio, da legislação e das exigências técnicas, e tinham dificuldade em transformar uma boa ideia num investimento concretizável”, recorda. Foi precisamente dessa necessidade que nasceu a empresa: “transFormamos ideias em projetos agroFlorestais sustentáveis, com impacto económico e social nos territórios rurais”.

“Hoje, um consultor não pode limitar-se a preencher formulários ou interpretar regulamentos. Tem de ajudar os promotores a tomar decisões estratégicas, identificar oportunidades, antecipar riscos e preparar os seus negócios para o futuro.”

Mais do que captar financiamento ou aprovar candidaturas, a CSL Consulting procura garantir que cada investimento gera resultados concretos. “trabalhamos para que cada investimento se traduza em rendimento, emprego e valorização dos recursos locais, ajudando agricultores, empresas e organizações a passarem da intenção à implementação, com uma visão estratégica de longo prazo”.

Entre os desafios que considera mais determinantes para o futuro da agricultura e da flores-

ta, destaca um dos menos debatidos: a falta de visão estratégica de longo prazo. “Muitas decisões continuam a ser tomadas para responder a necessidades imediatas, quando o setor exige planeamento para décadas”. Defende igualmente uma mudança de mentalidade, combatendo a ideia de que “sempre se fez assim”. “A inovação não significa abandonar a tradição. Significa aproveitar o conhecimento acumulado e combiná-lo com tecnologia, gestão e novos modelos de negócio para aumentar a competitividade e a resiliência”, sublinha.

Numa época marcada pela volatilidade climática e pelos desafios dos mercados, acredita que a consultoria deve assumir um papel mais ativo. “Hoje, um consultor não pode limitar-se a preencher formulários ou interpretar regulamentos. Tem de ajudar os promotores a tomar decisões estratégicas, identificar oportunidades, antecipar riscos e preparar os seus negócios para o futuro”. Por isso, reforça que “a consultoria deve ser um parceiro de crescimento e não apenas um prestador de serviços”. Essa visão implica, muitas vezes, desafiar os próprios clientes. “Por vezes, o maior valor que podemos acrescentar é precisamente dizer que existe um caminho melhor”. Uma abordagem que privilegia soluções viáveis, sustentáveis e economicamente rentáveis.

Olhando para o futuro, imagina uma agricultura mais proFissionalizada e tecnologicamente avançada, bem como uma Floresta mais gerida, resiliente e valorizada. “A agricultura e a floresta não são apenas setores económicos. São pilares fundamentais da coesão territorial, da segurança alimentar, da gestão ambiental e do desenvolvimento do país”.

Nesse caminho, a csl consulting ambiciona continuar a ser um agente de transFormação: “precisamos de acreditar que o mundo rural não é um problema para resolver. É uma oportunidade para construir Futuro”.

catarina salguEiro lEitE managing partner

consigo, em qualquer lugar, há uma

#valordigital

“é necessário criar oportunidades”

nas dream dancing, a dança ultrapassa o palco para chegar à comunidade. entre projetos de inclusão, apoio aos jovens e intervenção social, bárbara vieira tem vindo a transFormar a arte num instrumento de mudança e participação ativa.

BárBara ViEira

Fundadora e coordenadora técnica da associação grupo

Em que momento percebeu que já não estava apenas a ensinar dança, mas a construir um projeto capaz de transformar comunidades?

No início, a dança era o centro de tudo e o meu objetivo era dançar, ensaiar e dedicar-me à componente artística. Contudo, fui percebendo que muitas pessoas queriam participar e não tinham essa oportunidade. Não bastava criar atividades, era necessário criar oportu-

nidades. Dessa necessidade nasceram os campos de férias, as aulas em instituições, os projetos de expressão motora e as ações solidárias. A dança continua a ser a nossa essência, mas o que mais me motiva é promover a inclusão, a igualdade de oportunidades e o acesso à cultura e à atividade lúdica e física para todos.

Que barreiras sentiu necessidade de ultrapassar para afirmar a credibilidade de um projeto ligado à dança?

Continua a ser um desafio, porque muitas pessoas olham apenas para a vertente artística e não reconhecem o impacto comunitário do trabalho que desenvolvemos. A Dream Dancing vai muito além das aulas e dos espetáculos. Colaboramos com comissões de festas, promovemos ações de voluntariado para manter os jovens ativos e desenvolvemos iniciativas internacionais em parceria com instituições, escolas, a Santa Casa e a Câmara Municipal. Somos uma das maiores associações juvenis do concelho e temos um forte impacto social, educativo e comunitário.

Como define o verdadeiro retorno de um projeto que coloca as pessoas no centro da sua missão?

O sucesso não se mede pelo número de participantes, mas pelo impacto que conseguimos ter na vida das pessoas. Tenho a sorte de contar com uma equipa dedicada, que procuro valorizar, apoiar e formar, porque acredito que uma equipa motivada e unida consegue fazer a diferença. Mas, a minha principal preocupação está sempre nas pessoas que enfrentam

maiores dificuldades. O verdadeiro retorno acontece quando uma criança consegue participar, independentemente das suas limitações financeiras, sociais, educativas ou de uma deficiência. A inclusão não é apenas um objetivo, é uma responsabilidade permanente. Enquanto existir alguém que queira participar e não tenha essa possibilidade, sentirei que ainda há trabalho a fazer.

“Continua a ser um desafio, porque muitas pessoas olham apenas para a vertente artística e não reconhecem o impacto comunitário do trabalho que desenvolvemos. A Dream Dancing vai muito além das aulas e dos espetáculos.”

Quando olha para o projeto Dream Dancing, que legado quer deixar?

Acredito que precisamos de mais jovens e cidadãos envolvidos na vida das suas comunidades e de um trabalho cada vez mais articulado entre associações, autarquias, escolas, instituições, empresas e organismos governamentais. Esta colaboração permite compreender melhor as dificuldades das famílias e criar respostas mais rápidas, flexíveis e humanas. Defendo, por isso, que o Município de Salvaterra de Magos deve apostar no associativismo, reconhecendo-o como um parceiro essencial na construção de respostas sociais, culturais, educativas e desportivas.

O legado que gostaria de deixar é a certeza de que a mudança acontece quando trabalhamos em conjunto. Quando associações, autarquias, escolas, empresas e cidadãos unem esforços, é possível transformar vidas e construir comunidades mais inclusivas, participativas e humanas.

de dança dream dancing

uma contabilidade estratégica para o Futuro dos negócios

ana Figueira revela que a pasaF aposta numa contabilidade que vai além das obrigações Fiscais através da tecnologia, proximidade e análise estratégica, ajudando empresas de oeiras , cascais e estoril a tomar decisões mais inFormadas e a crescer de Forma sustentável.

A PASAF defende que a contabilidade deve ser mais do que cumprimento fiscal e assumir um papel de verdadeira ferramenta de gestão. Na prática, como é que essa visão se traduz no dia a dia dos clientes?

Na PASAF acreditamos que a contabilidade deve apoiar a gestão e não se limitar ao cumprimento das obrigações fiscais. Por isso, transformamos os dados contabilísticos em informação útil para a tomada de decisão, através da análise de resultados, acompanhamento de indicadores-chave, planeamento financeiro e identificação de oportunidades de melhoria. O nosso objetivo é que cada cliente tenha uma visão clara do desempenho e da sustentabilidade do seu negócio.

“O nosso foco é apoiar os clientes

no crescimento sustentável dos seus negócios, contribuindo para uma gestão mais estratégica e preparada para os desafios futuros.”

Num contexto em que a tecnologia está a redefinir a relação entre empresas e contabilistas, de que forma é que as soluções digitais da PASAF estão a mudar a forma como os empresários acompanham, interpretam e usam a informação financeira?

A tecnologia permite-nos disponibilizar informação mais rápida, acessível e relevante. As soluções digitais da PASAF facilitam o acesso a documentos, indicadores e relatórios em tempo real, promovendo uma relação mais próxima entre empresário e contabilista.

Desta forma, a informação financeira deixa de

ser apenas histórica e passa a apoiar decisões mais informadas e atempadas.

A participação ativa do cliente surge como um fator-chave para uma gestão mais eficiente. Como é que conseguem incentivar essa proximidade e transformar dados contabilísticos em conhecimento útil para a tomada de decisão?

Procuramos envolver os clientes de forma contínua, incentivando uma comunicação regular e a partilha atempada de informação. Mais do que apresentar números, ajudamos a interpretá-los, contextualizando resultados, tendências e riscos. Esta proximidade permite transformar dados contabilísticos em conhecimento prático, contribuindo para decisões mais seguras e uma gestão mais eficiente.

Num território competitivo e dinâmico como Oeiras, Cascais e Estoril, quais são os principais desafios que as empresas enfrentam na gestão contabilística e financeira? E de que forma a PASAF procura acrescentar valor para além do serviço técnico?

Num mercado exigente como Oeiras, Cascais e Estoril, as empresas enfrentam desafios relacionados com a competitividade, a gestão de tesouraria, a pressão fiscal, a atração de talento e a adaptação à transformação digital. A PASAF procura acrescentar valor através de uma abordagem consultiva, combinando rigor técnico, proximidade e conhecimento do tecido empresarial local. O nosso foco é apoiar os clientes no crescimento sustentável dos seus negócios, contribuindo para uma gestão mais estratégica e preparada para os desafios futuros.

ana figuEira ceo

crescer para transFormar a construção

com uma visão centrada na inovação e na habitação acessível , a Fractus conquistou o estatuto de empresa gazela, demonstrando que é possível acelerar o crescimento sem comprometer a sustentabilidade nem a solidez do negócio.

A distinção como Empresa Gazela reconhece organizações que conseguem aliar crescimento acelerado à sustentabilidade do negócio. Que decisões estratégicas considera terem sido determinantes para que a Fractus alcançasse este reconhecimento?

A nossa estratégia está assente no foco na habitação a custos acessíveis e no desenvolvimento de uma solução construtiva integrada, que permite construir mais rapidamente e com preços competitivos. Apostámos também num crescimento progressivo, ajustando os recursos humanos e a capacidade produtiva aos projetos em curso. Tudo isto tem sido possível graças a uma equipa qualificada, experiente e alinhada com a visão da empresa.

Quais foram os maiores desafios para garantir que a expansão da Fractus nunca comprometesse a solidez financeira da empresa? Para isso, apostámos na seleção de clientes fi-

nanceiramente sólidos, com especial enfoque no setor público, no apoio da banca através de instrumentos ajustados às nossas necessidades e no desenvolvimento de ferramentas internas que reforçam o controlo, a monitorização e a gestão financeira da empresa.

A construção modular exige um modelo de negócio diferente da construção tradicional, tanto ao nível da produção como do investimento. De que forma esta abordagem transformou a gestão financeira e a capacidade da Fractus para escalar o negócio?

A construção modular exige maior investimento inicial em instalações e equipamentos que, no nosso caso, foi apoiado pelo Portugal2030. Também implica um ciclo de tesouraria mais longo, pela necessidade de adquirir matérias-primas para transformação em fábrica, o que resulta em maiores necessidades de fundo de maneio. A nível de projetos de execução, apesar

de ser mais exigente, compensa pela redução da mão-de-obra na obra.

Acredita que empresas inovadoras como a Fractus têm hoje a responsabilidade de influenciar a transformação do setor? De que forma pretendem assumir esse papel?

Sem dúvida. Acreditamos que empresas inovadoras têm a responsabilidade de impulsionar a transformação do setor. A Fractus diferencia-se por uma solução integrada, com fundações em betão, estrutura resistente em aço laminado a quente, laje mista, painéis Fractus e gémeo digital BIM, que garante maior sustentabilidade, rapidez de execução, adaptação a edifícios em altura e preços competitivos. O nosso foco está na conceção-construção e na venda direta de painéis e estruturas.

“A construção modular exige tos que, no nosso caso, foi maior investimento inicial apoiado pelo Portugal2030.” em instalações e equipamen-

Receber um Prémio Gazela é, muitas vezes, um ponto de partida e não um ponto de chegada. Daqui a alguns anos, que indicadores gostaria que demonstrassem que este reconhecimento foi efetivamente um marco na consolidação e afirmação da Fractus no mercado nacional e internacional?

Daqui a alguns anos, gostaríamos que este reconhecimento se refletisse no aumento do volume de negócios, na conquista de uma maior quota de mercado e na consolidação da Fractus como uma referência em soluções construtivas inovadoras, tanto em Portugal como nos mercados internacionais.

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