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Valor Magazine Agosto'26

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060 edição de

A g o s t o ‘26

periodicidade bimestr al

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distribuição nascer do sol gratuita

Ortomedifar: 25 anos a inovar na saúde Carla Correira: “Os cargos não definem um líder” JAPSeguros: “Mais que vender seguros, parceiros de confiança” Clínica NeuroPsyque: “O descanso é uma competência estratégica, não um luxo”


cucp Maria Luísa Borges, administradora

pág 06 - 07

Em caso de crédito, a quem recorrer?

num contexto marcado por constantes mudan- das. as mulheres empreendedoras continuam a ças económicas, sociais e legislativas, a informa- afirmar-se num ecossistema empresarial cada ção assume um papel essencial, permitindo que vez mais exigente, demonstrando que a lidecidadãos e organizações façam escolhas mais rança se constrói com visão, resiliência e capaconscientes, fundamentadas e responsáveis.

cidade de adaptação. os seus percursos inspiram e reforçam a importância da diversidade

nesta edição da valor magazine, reunimos um de perspetivas e da criação de oportunidades conjunto de temas que refletem esta realida- para um desenvolvimento mais inclusivo. de. desde a importância de saber a quem re-

Ortomedifar

correr em caso de crédito até às novas regras a saúde e o bem-estar mantêm-se igualmente do crédito à habitação para 2026, analisamos no centro das nossas preocupações. assinala-

José Santos,

questões que influenciam diretamente o mos o dia mundial da fisioterapia, destacando

fundador e ceo

quotidiano de milhares de portugueses. o contributo destes profissionais para a pre-

pág 30 - 31

abordamos ainda a contabilidade de forma venção, recuperação e melhoria da qualidade simples e acessível, demonstrando que com- de vida, e celebramos o dia mundial do cão,

Portugal Criativo

preender esta área é indispensável para uma analisando o crescimento do mercado pet em gestão mais eficiente, tanto no contexto em- portugal e a evolução da relação entre as fapresarial como na vida pessoal.

mílias e os seus animais de companhia. nesta edição analisamos ainda as recentes alterações

o desenvolvimento sustentável do país de- ao código penal, refletindo sobre o impacto pende igualmente da valorização do talen- destas mudanças num contexto em que a leto, da criatividade e da qualificação. damos gislação acompanha a evolução da sociedade. destaque ao projeto portugal criativo, que mais do que acompanhar a atualidade, a valor evidencia a capacidade de inovação existente magazine procura criar valor através de conem diferentes setores de atividade, bem como teúdos que informam, esclarecem e inspiram. ao papel da formação profissional enquanto acreditamos que o conhecimento continua a fator essencial para o crescimento económico, ser uma das ferramentas mais importantes para o reforço da competitividade das empresas e a enfrentar os desafios do presente e construir valorização dos profissionais. também as histó- um futuro mais sólido, inovador e sustentável. rias de quem empreende merecem ser conheci- boa leitura!

Transportes Metropolitanos de Lisboa

FICHA TÉCNICA: Propriedade e Administração: Sinónimos Breves Unipessoal, Lda | Gerência detentora de 100% do capital social: José Moreira | Sede da Administração, Redação e Edição: Avenida da República, 1622 , 7º andar, Frente, sala 19 , 4430-193 V.N. Gaia | Telefone Geral: 223 204 952 / 221 143 269 ( Chamada para a rede móvel / fixa nacional ) | Email: geral @valormagazine.pt, redacao @valormagazine.pt | www.valormagazine.pt | facebook.com / revistavalormagazine | linkedin. com /company/ revista-valor-magazine | Impressão: Gráfica Jorge Fernandes, Rua Quinta de Mascarenhas, N9, Vale Fetal 2825 - 259 Charneca da Caparica | Diretor: José Moreira | Editora: diana fernandes | Design e Paginação: rafaela silva | mos do n º1 , art º. 017º da Lei n º2/99 de 13 de janeiro – Lei de Imprensa.

Diana Carneiro Dias, Administradora pág 36 - 37

Ser mulher no mundo: casos de sucesso 3


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mulheres empreendedoras: histórias e desafios ana rita machado carla marques

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glória silva

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japseguros r-nuucell ortomedifar manuport logistics

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portugal criativo solar hands spnr bússola d’afetos etermar

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ser mulher no mundo: casos de sucesso

daniela correia cristina gonçalves diana carneiro dias daniela soares patrícia machado daniela de sousa ana gomes alves carla correia edite menezes sandra moura elisabete rica da silva diana ribeiro

34 35 36 - 37 38 39 40 41 42 - 43 44 48 49 50 - 51

cristina albuquerque filipa velez cátia neves filipa carneiro daniela santos ana filipa magalhães filomena marques elisabete basto luísa da silva rodrigues filomena oliveira diana pinheiro lopes elisabete simões

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dia mundial da fisioterapia ordem dos fisioterapeutas

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advantagefect 71


Saúde cerebral e mental com precisão clínica

avaliação neuropsicológica

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Abordagem multidisciplinar em neurologia, psiquiatria, psicoterapia e neuroterapias avançadas. Para quem lidera, pensar e decidir bem é essencial. Cuidar do cérebro é investir no futuro. Saiba mais em:

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josé padrão mendes

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Em caso de crédito, a quem recorrer?

CUCp

CUCP: 150 anos a transformar património em liquidez Transformar património em liquidez mantendo a segurança dos bens é a proposta da CUCP. Para Maria Luísa Borges, o verdadeiro diferencial da instituição está na forma responsável, transparente e humana como encaram cada cliente. A CUCP transforma património em liquidez sem obrigar o cliente a abdicar dos seus bens. Na sua visão, o que este modelo revela sobre a forma como os portugueses encaram o crédito e a confiança financeira? O crédito faz parte da vida económica das pessoas e das organizações. Quando é concedido com responsabilidade, rigor e transparência, constitui uma ferramenta importante para responder a necessidades concretas. Na CUCP acreditamos num crédito responsável, onde a simplicidade do acesso não significa ausência de rigor. O cliente encontra uma solução clara e segura, porque existe um processo de avaliação criterioso e um enquadramento legal que protege ambas as partes. O crédito garantido por penhor permite transformar um ativo de valor em liquidez, sem obrigar o cliente a vender o seu património e mantendo sempre a possibilidade de o recuperar. Ao longo de 150 anos aprendemos que, mais do que conceder crédito, é essencial construir relações de confiança.

Maria Luísa Borges Administradora

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“Uma instituição com 150 anos de história sabe que a sua maior responsabilidade é merecer essa confiança todos os dias. Continuaremos a inovar sem perder a nossa identidade, mantendo os valores que nos orientam desde a fundação: rigor, transparência, profissionalismo e respeito pelas pessoas.”

O que é que se perde quando a decisão financeira deixa de ser humana e passa a ser apenas algorítmica? A tecnologia hoje é indispensável e continuará a transformar a atividade financeira. A CUCP acompanha essa evolução, porque inovar também significa melhorar o serviço prestado aos clientes. Contudo, o crédito envolve sempre uma dimensão humana. Antes de existir uma operação financeira existe uma pessoa, necessidade e circunstância que devem ser compreendidas. Ao longo do meu percurso profissional, passando por diferentes funções até assumir a liderança da CUCP em 2002, aprendi que uma organização se constrói pelas pessoas e pelos valores que orientam as suas decisões. Na CUCP dizemos que somos pessoas a trabalhar com pessoas para servir pessoas. Porque o crédito, antes de ser uma operação financeira, é uma relação de confiança.

O setor da saúde é cada vez mais competitivo. Como conseguem diferenciar-se? A diferenciação resulta da especialização e da proximidade. Trabalhamos diariamente para oferecer um serviço personalizado, produtos de elevada qualidade e aconselhamento especializado. Paralelamente, investimos continuamente na formação das equipas e na inovação dos serviços, porque acreditamos que a confiança dos clientes se conquista através da competência e da capacidade de responder às suas necessidades.

A CUCP existe há mais 150 anos. O que é mais difícil de preservar? A CUCP celebrou 150 anos de existência no dia 17 de abril de 2025. Uma instituição com esta longevidade só consegue manter-se porque nunca perde de vista os seus valores fundamentais. Ao longo dos anos mudaram os mercados, tecnologias e necessidades dos clientes. Mas manteve-se aquilo que considero essencial: conceder crédito com responsabilidade, profissionalismo e transparência. A Administração da CUCP é uma equipa de pessoas que lidera outras pessoas para servir


Se tivesse de definir a CUCP numa única diferença face a outras formas de obtenção de liquidez, o que diria?

melhor. Liderar é olhar para a empresa como um património de valor impossível de desperdiçar, preservando o legado recebido e preparando a instituição para o futuro. Cumprimos o enquadramento legal definido pelo Decreto-Lei n.º 160/2015 e mantemos uma presença próxima dos nossos clientes, de Fafe ao Seixal.

Diria que a nossa diferença está na forma como fazemos crédito. Na CUCP, o cliente encontra uma solução acessível, mas sempre acompanhada do rigor e da responsabilidade que uma instituição de crédito deve ter. Conceder crédito não é apenas disponibilizar liquidez. É assumir uma responsabilidade perante o cliente e perante a sociedade. Transformamos património em liquidez, preservando a propriedade dos bens, garantindo a sua segurança e mantendo uma relação baseada na confiança.

Quando um cliente entrega uma peça com valor emocional, a CUCP está a avaliar um ativo ou a lidar com uma memória de família? Como é que essa dimensão influencia o vosso trabalho? Na CUCP avaliamos bens, mas nunca esquecemos que estamos a lidar com pessoas. Uma joia de família, um relógio ou uma peça com significado especial podem representar histórias, memórias e afetos. Essa dimensão merece o nosso respeito e responsabilidade. Mas a realidade atual é muito mais abrangente. Hoje recorrem à CUCP pessoas de diferentes setores da sociedade, incluindo empresários que necessitam de responder a necessidades pontuais de tesouraria das suas organizações, utilizando património próprio como garantia de uma solução de crédito segura. Os bens que nos são confiados são ativos com valor, como ouro, joias, relógios e outras peças avaliadas segundo critérios rigorosos, dentro do enquadramento legal da nossa atividade. Muitos clientes procuram igualmente a CUCP porque sabem que o seu património permanece guardado em condições de elevada segurança.

O crédito sobre penhor continua a ser visto como uma solução de último recurso. A CUCP sente que está a combater um estigma, ou a mostrar que esta pode ser uma escolha racional, discreta e até estrategicamente inteligente? A realidade atual demonstra que essa visão está ultrapassada. O crédito garantido por penhor é hoje utilizado por pessoas com diferentes perfis e necessidades. Não está associado a uma determinada condição social, mas sim à existência de património e à procura de uma solução financeira eficiente. Quem recorre à CUCP possui bens com valor — ouro, joias, relógios e outros ativos que podem ser avaliados e transacionados — e utiliza-os como garantia para obter liquidez, mantendo a propriedade do seu património. É uma solução rápida, discreta, segura e regulada. Existe ainda um princípio que consideramos diferenciador: a CUCP não cobra juros de mora. Entendemos

Imagine que, daqui a dez anos, um consumidor pergunta: “Em caso de crédito, a quem devo recorrer?”. A resposta será a mesma de hoje ou acredita que o setor terá de se reinventar para responder a um perfil de cliente muito mais exigente, informado e digital? O setor continuará a evoluir e a tecnologia terá um papel cada vez mais importante. A CUCP acompanhará essa evolução, modernizando processos e respondendo às necessidades de clientes cada vez mais informados e exigentes. Contudo, acredito que haverá algo que permanecerá essencial: a confiança.

que uma instituição de crédito deve ajudar a resolver uma necessidade e não contribuir para o agravamento de uma dificuldade.

Uma instituição com 150 anos de história sabe que a sua maior responsabilidade é merecer essa confiança todos os dias. Continuaremos a inovar sem perder a nossa identidade, mantendo os valores que nos orientam desde a fundação: rigor, transparência, profissionalismo e respeito pelas pessoas. Porque o crédito só cumpre verdadeiramente a sua missão quando está ao serviço de quem dele necessita.

“Ao longo dos anos mudaram os mercados, tecnologias e necessidades dos clientes. Mas manteve-se aquilo que considero essencial: conceder crédito com responsabilidade, profissionalismo e transparência.”

www.cucp.pt praça de carlos alberto 79, 1º, 4050-158 porto 965 162 520 | cucp@cucp.pt

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Contabilidade Descomplicada

Ingtrust

Quando os números são o melhor aliado Longe da burocracia e dos termos técnicos, Josué Costa defende uma contabilidade capaz de dar ao empresário uma visão clara do presente e do futuro. Na Ingtrust, a aposta passa por transformar informação técnica em conhecimento simples, próximo e útil para a gestão. Na sua opinião, por que motivo esta área ainda gera tanta distância e até algum receio junto de quem nunca lidou com ela? A contabilidade continua a ser vista como um “bicho de sete cabeças” porque utiliza uma linguagem muito técnica e está associada a regras, prazos e obrigações fiscais que mudam com frequência. Para quem nunca lidou com esta área, conceitos como balanços, demonstrações de resultados, IVA, IRC ou fluxos de caixa podem parecer complexos e distantes da realidade do dia a dia. Existe também a ideia, ainda muito presente, de que a contabilidade serve apenas para calcular impostos e cumprir obrigações perante o Estado. Na verdade, quando a informação contabilística é explicada de forma simples e próxima, torna-se essencial para conhecer a situação real da empresa, antecipar dificuldades e tomar decisões mais seguras. Cabe ao Contabilista Certificado reduzir essa distância traduzindo e contextualizando os números ao empresário. É essa proximidade que procuramos assegurar na Ingtrust: tornar a contabilidade compreensível, útil e orientada para a gestão.

Se tivesse de explicar a importância da contabilidade a alguém que “não percebe nada do assunto”, qual seria a forma mais simples e prática de lhe mostrar que ela é essencial? Explicaria de uma forma muito simples: a contabilidade é como o painel de instrumentos de um automóvel. É através dela que o empresário percebe a que velocidade o negócio cresce, quanto “combustível” tem disponível e se existe algum sinal de alerta que exija atenção. Uma empresa pode vender muito

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Josué Costa Fundador e CEO da Ingtrust

“O papel do Contabilista Certificado é explicar, acompanhar e ajudar o empresário a decidir com confiança. Por isso, a contabilidade deve ser entendida como uma aliada do empresário.”


e, ainda assim, não ter dinheiro para cumprir as suas obrigações. A contabilidade permite identificar estas situações antes que se transformem em problemas graves. Por isso, é uma ferramenta de gestão que mostra ao empresário onde está, para onde está a caminhar e que decisões deve tomar. Na Ingtrust, procuramos transformar os números em informação simples, clara e útil para cada cliente.

Quais são os erros mais comuns que vê em empreendedores ou gestores quando tentam “fazer a contabilidade à sua maneira” sem apoio especializado? Um dos erros mais frequentes é confundir faturação com lucro e saldo bancário com disponibilidade financeira. Uma empresa pode vender muito ou ter dinheiro na conta e não ser rentável, porque ainda existem impostos, salários, fornecedores e outros compromissos por pagar. Também é comum misturar despesas pessoais com as da empresa, não guardar ou organizar documentos, desconhecer prazos fiscais e decidir apenas pela intuição. Outro erro é definir preços sem conhecer todos os custos envolvidos, o que pode resultar em margens insuficientes ou até com prejuízo. O apoio de um Contabilista Certificado serve para acompanhar a empresa, antecipar riscos e transformar a informação contabilística numa base sólida para decisões. Na Ingtrust, trabalhamos lado a lado com o empresário, para que compreenda os números e decida com maior segurança.

Como é que a Ingtrust ajuda a transformar a contabilidade numa linguagem mais clara, acessível e útil? Na Ingtrust, utilizamos ferramentas digitais para simplificar a recolha e a organização dos documentos, automatizar tarefas e disponibilizar informação mais atualizada. Procuramos ainda traduzir os dados contabilísticos para uma linguagem simples e relacioná-los com a realidade concreta de cada negócio. Em vez de nos limitarmos a apresentar mapas, de-

monstrações financeiras ou valores de impostos, explicamos ao cliente o que esses números significam: se a empresa está a gerar margem, se tem equilíbrio financeiro, onde estão os principais custos e que riscos ou oportunidades devem ser considerados. Assim, aliamos a eficiência digital a um acompanhamento humano, próximo e personalizado.

Muitas pessoas associam contabilidade apenas a obrigações fiscais e burocracia. Que outras vantagens estratégicas é que ela pode trazer para a tomada de decisão e para o crescimento de um negócio? A contabilidade permite perceber quais são os produtos, serviços ou áreas mais rentáveis, controlar custos, definir preços adequados e avaliar se existe capacidade financeira para contratar, investir ou expandir a atividade. Ajuda a antecipar necessidades de tesouraria, preparar o pagamento de impostos e evitar que decisões importantes sejam tomadas apenas com base no saldo bancário ou na intuição. A contabilidade é igualmente essencial na elaboração de orçamentos, na comparação entre os resultados previstos e os efetivamente alcançados e na definição de objetivos realistas. Além disso, informação financeira organizada e credível reforça a confiança de bancos, investidores, fornecedores e potenciais parceiros. Em resumo, a contabilidade permite ao empresário compreender o passado, controlar o presente e planear o futuro. Na Ingtrust, transformamos relatórios técnicos em conhecimento prático para decisões mais seguras e um crescimento sustentável.

Se pudesse deixar uma mensagem a quem olha para a contabilidade como algo complicado, chato ou “só para especialistas”, o que gostaria de desmistificar? Ninguém precisa de ser especialista em contabilidade para compreender os números essenciais do seu próprio negócio. Só parece complicada quando é apresentada através de termos técnicos, mapas e obrigações sem ligação à

“A contabilidade permite identificar estas situações antes que se transformem

em

problemas

graves. Por isso, é uma ferramenta de gestão que mostra

ao

empresário

onde está, para onde está a caminhar e que decisões deve tomar. Na Ingtrust, procuramos transformar os números em informação simples, clara e útil para cada cliente.”

realidade de quem gere uma empresa. Na verdade, responde a questões muito simples e práticas: quanto estou realmente a ganhar, onde estou a gastar mais, quanto tenho de reservar para impostos, se posso investir e se o meu negócio está financeiramente saudável. O papel do Contabilista Certificado é fazer essa tradução: explicar, acompanhar e ajudar o empresário a decidir com confiança. Por isso, a contabilidade deve ser entendida como uma aliada do empresário. Na Ingtrust, acreditamos que, quando existe proximidade e uma comunicação clara, os números deixam de assustar e passam a orientar.

www.ingtrust.pt | geral@ingtrust.pt rua torcato josé clavine, nº 3-2 dto

2800-710 almada tel .: 910 541 510

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Novas Regras do Crédito à Habitação 2026

Sara Enes Eiras

Crédito à habitação entra numa nova fase de prudência Sara Enes Eiras defende que as novas regras do Banco de Portugal funcionam como um sinal vermelho para travar o risco de sobre-endividamento e obrigar famílias e bancos a maior prudência no acesso à casa própria. A entrada em vigor das novas orientações do Banco de Portugal marca uma mudança significativa na concessão de crédito à habitação. A redução da taxa de esforço máxima de 50% para 45%, a limitação dos prazos de financiamento em função da idade e o fim do financiamento a 100% para imóveis da banca traduzem uma estratégia de maior prudência, tanto para as instituições financeiras como para os consumidores. Para Sara Enes Eiras, este novo enquadramento “é um alerta para que famílias e instituições financeiras atuem com maior prudência, numa altura em que o crédito à habitação voltou a ganhar dinamismo”. A especialista considera que as medidas funcionam como um sinal de prevenção, incentivando decisões mais responsáveis tanto por parte dos consumidores como das entidades financeiras.

“O objetivo é garantir que as famílias conseguem suportar os seus encargos mesmo perante imprevistos, como uma subida das taxas de juro ou uma quebra de rendimentos.”

taxa de esforço com maior impacto Entre todas as alterações, acredita que a redução da taxa de esforço será a que terá efeitos mais imediatos no mercado. Embora a diferença percentual possa parecer reduzida, considera que poderá afastar um número significativo de famílias da possibilidade de obter financiamento. “O objetivo é garantir que as famílias conseguem suportar os seus encargos mesmo perante imprevistos, como uma subida das taxas de juro ou uma quebra de rendimentos”. Na sua perspetiva, os agregados com rendimentos médios e médios-baixos serão os mais penalizados, enquanto quem dispõe de maior capacidade financeira continuará a reunir condições para aceder ao crédito. Ainda assim, afasta a ideia de que estas restrições conduzam a uma descida dos preços da habitação. “O mais provável é que exista apenas uma desaceleração no

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ritmo de crescimento dos preços”. limites de idade levantam reservas A limitação dos prazos de financiamento em função da idade levanta igualmente algumas reservas. Embora reconheça que os jovens necessitam de maior margem financeira no início da vida ativa, considera que a medida cria desigualdades. “Esta medida acaba por ser discriminatória, porque favorece uma faixa etária e deixa de fora pessoas entre os 35 e os 45 anos que também trabalham, descontam e enfrentam dificuldades no acesso à habitação”. Na sua opinião, a idade, por si só, não deve ser determinante para avaliar a capacidade de cumprir um contrato de crédito, defendendo uma análise mais individualizada da situação financeira de cada candidato. literacia financeira Para Sara Enes Eiras, qualquer estratégia de longo prazo deve começar pela educação financeira. Defende que a prevenção continua a ser a melhor forma de evitar situações de incumprimento e dificuldades económicas. “Tudo começa pela literacia financeira. Tal como acontece na saúde, continuamos a investir Sara Enes Eiras Intermediária de Crédito mais na resolução dos problemas do que na sua prevenção”. A especialista acredita que a eduentidades governamentais e ANICA têm igualcação financeira deve fazer parte do percurso mente o dever de informar, educar e ajudar escolar, preparando os cidadãos para gerir oros consumidores a tomar decisões financeiras çamentos, criar hábitos de poupança e recorrer ao crédito de forma consciente. No entanto, mais conscientes e sustentáveis. Só através de considera que esta responsabilidade não pode uma estratégia conjunta será possível garantir recair apenas sobre os consumidores. “Bancos, um acesso mais equilibrado e sustentável à haintermediários de crédito, Banco de Portugal, bitação em Portugal”, conclui.


Mulheres Empreendedoras: histórias e desafios

Ana Rita Machado

Liderar sem perder a proximidade e a humanidade Ana Rita Machado construiu um projeto assente na autenticidade, proximidade e convicção de que a liderança e o sucesso não têm género. Houve algum momento em que percebeu que queria deixar de construir a visão de outros para concretizar a sua própria? A decisão de criar o meu próprio projeto surgiu da vontade de abraçar o desconhecido, de uma experiência que vivi de perto com uma conhecida e do local onde trabalhava, estar a atravessar uma fase menos positiva. Tudo isto, acabou por funcionar como uma espécie de alavanca para tomar a decisão. Foi um salto para o desconhecido, com muitos desafios e algumas incertezas, mas também com a convicção de que queria criar um projeto com a minha identidade, os meus valores e a forma como acredito que o Direito deve ser exercido.

Acredita que ainda existem barreiras invisíveis à afirmação feminina nos negócios? Claro, sem dúvida. Ainda existe muitas barreiras, ao facto de nós, mulheres, liderarmos negócios, especialmente em áreas tradicionalmente mais formais, como é o caso da área jurídica. Ao longo do meu percurso, aprendi a encarar essas barreiras não como obstáculos, mas como oportunidades para crescer. Cada desafio tornou-se uma oportunidade para me afirmar enquanto profissional e, acima de tudo, para reforçar a minha confiança nas minhas próprias capacidades. Acredito que podemos criar o nosso próprio caminho, liderar com autenticidade e demonstrar, através dos resultados, que competência, dedicação e capacidade de liderança não têm género.

Como é que a dimensão humana da sua atividade, ligada a pessoas que procuram recomeçar a vida em Portugal, influencia as decisões que toma? Está muito presente em todas as decisões que tomo. Enquanto líder, essa realidade também me lembra diariamente da importância de construir uma equipa que partilhe os mesmos valores. Para mim, liderar é garantir que conseguimos crescer e inovar, sem perder a proximidade e a humanidade que estão na base do projeto. No fundo, saber que o nosso trabalho pode ajudar alguém é uma enorme responsa-

bilidade, mas também uma das maiores motivações para continuar a crescer.

Qual foi o maior risco profissional que assumiu até hoje e que lição retirou dessa experiência? Sem dúvida que o maior risco profissional que assumi até hoje foi decidir deixar a minha realidade profissional anterior e criar o meu próprio projeto. Foi uma decisão que implicou sair completamente da minha zona de conforto, sem saber exatamente onde este projeto me iria levar. Hoje, olhando para trás, percebo que foi também uma das melhores decisões que tomei. E é por isso que anuncio em primeira mão que o nosso escritório vai crescer de novo. Em setembro, iremos abrir um novo escritório em Vila das Aves, assente numa parceria com a empresa que trabalha connosco desde o nosso começo com as traduções dos documentos.

Ana Rita Machado

“A decisão de criar o meu próprio projeto surgiu da vontade de abraçar o desconhecido, de uma experiência que vivi de perto com uma conhecida e do local onde trabalhava, estar a atravessar uma fase menos positiva. Tudo isto, acabou por funcionar como uma espécie de alavanca para tomar a decisão.”

Que mensagem deixa às mulheres que sonham criar o seu próprio negócio, mas continuam à espera do “momento certo”? Para não esperarem pelo momento certo,

advogada

porque, na verdade, esse momento nunca vai chegar. Eu também tive medo, dúvidas e incertezas, mas aprendi que, muitas vezes, precisamos simplesmente de coragem e acreditarmos em nós, para dar o primeiro passo. O caminho faz-se caminhando, haverá dias difíceis, decisões complicadas e momentos em que vamos questionar as nossas escolhas, mas cada desafio também nos torna mais fortes e mais preparadas. Acreditem em vocês, tenham coragem para começar e não esperem pela aprovação de ninguém para construir aquilo em que acreditam. Porque, afinal, nós mulheres também podemos tudo: empreender, liderar, crescer e afirmar-nos profissionalmente. Basta acreditarmos em nós e termos coragem para dar o primeiro passo. rua zulmira de azevedo, loja 107 4780-564 santo tirso | tel.: 351 912 672 114 | 910 049 035 anaritamachado.solicitadora@gmail.com

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Mulheres Empreendedoras: histórias e desafios

Carla Marques

Uma advocacia feita de confiança Com uma prática assente na proximidade e numa visão abrangente do Direito, Carla Marques construiu o seu percurso acreditando que a confiança se conquista e que o futuro da advocacia exigirá cada vez mais pensamento crítico e adaptação. fui definindo. Como em qualquer projeto construído de raiz, foi necessário construir o meu próprio percurso, criar uma carteira de clientes assente em relações de confiança e aprender a acreditar nas minhas capacidades. Talvez a principal aprendizagem tenha sido perceber que essa confiança também se constrói com a experiência, com as decisões que tomamos e com os desafios que ultrapassamos.

O seu escritório presta apoio em áreas tão distintas como o Direito Comercial, Imobiliário, da Família, Imigração e Insolvência. Como consegue conciliar esta diversidade de serviços com um acompanhamento personalizado, e de que forma essa abordagem se tornou um fator diferenciador da sua prática profissional?

Carla Marques advogada

Enquanto mulher empreendedora, que desafios teve de ultrapassar para construir uma marca pessoal e que aprendizagens mais marcaram esse percurso? A construção da minha carreira enquanto advogada surgiu de forma natural e intuitiva, acompanhando os objetivos profissionais que

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Para mim, a diversidade é compatível com um acompanhamento personalizado. Uma visão abrangente permite encontrar estratégias mais completas, analisar cada situação de forma integrada e antecipar problemas que poderiam passar despercebidos. Veja-se, por exemplo, a responsabilidade dos gerentes de sociedades comerciais, cuja análise pode implicar conhecimentos de Direito Comercial, Fiscal, Laboral ou da Insolvência. Esta atuação multidisciplinar, aliada a uma relação próxima e de confiança com os clientes, constitui um dos princípios que orientam a minha prática profissional.

A liderança no feminino tem vindo a ganhar maior expressão no setor jurídico. Na sua perspetiva, que características distinguem uma liderança com identidade própria e de que forma procura inspirar confiança? Vejo com satisfação a crescente afirmação das mulheres nas diferentes profissões jurídicas. É interessante verificar, por exemplo, a presença

muito expressiva de mulheres no último concurso de ingresso para conservadores dos registos e notariado, sinal de uma realidade que se tem vindo a consolidar. Na advocacia, lidamos com pessoas que nos confiam questões relevantes das suas vidas. Para mim, liderar implica saber ouvir e compreender, mas também ter segurança para indicar um caminho e tomar decisões, mesmo quando não correspondem ao que o cliente gostaria de ouvir. Acredito numa liderança assente no equilíbrio entre proximidade e firmeza, capacidade de ouvir e de decidir.

“O conhecimento técnico continuará a ser essencial, acompanhado pelo uso responsável das novas ferramentas ao dispor.” Como antecipa o futuro da profissão e quais serão as competências indispensáveis para os advogados que pretendem afirmar-se nos próximos anos? A advocacia atravessa um período de profunda transformação. A evolução tecnológica, em particular a inteligência artificial, está a alterar a forma como trabalhamos e exigirá uma permanente capacidade de adaptação. Não acredito, contudo, que a tecnologia diminua a importância do advogado. Pelo contrário, tornará ainda mais relevantes competências como o pensamento crítico, a negociação e a compreensão das necessidades de cada cliente. O conhecimento técnico continuará a ser essencial, acompanhado pelo uso responsável das novas ferramentas ao dispor.

carla guerreiro marques | advogada telemóvel: 962 993 794 cgm- 5 2 5 1 7 e @ adv.oa.pt


Mulheres Empreendedoras: histórias e desafios

Glória Silva

“O sucesso constrói-se com perseverança e humildade” Numa conversa marcada pelos valores da proximidade, da perseverança e da autenticidade, Glória Silva revela porque considera que o maior legado não está nos cargos que ocupa, mas no impacto positivo que deixa na vida das pessoas. Ao longo da sua carreira tem conciliado áreas distintas como a solicitadoria, o associativismo, a valorização do artesanato e a política. O que estas vertentes revelam sobre a mulher que é e a forma como encara o sucesso? Todas estas áreas têm um ponto em comum: o serviço às pessoas. Como solicitadora, procuro encontrar soluções para quem confia em mim nos momentos mais importantes da sua vida. No associativismo e na valorização do artesanato, trabalho para preservar a identidade marcoense, apoiar os artesãos e manter vivo o património cultural. Na política, acredito que quem assume responsabilidades públicas deve ouvir, dar voz à comunidade e contribuir para melhorar a qualidade de vida através de decisões responsáveis. Em todas as áreas, pretendo dar o meu contributo para melhorar a comunidade. Para mim, o sucesso é pelo impacto positivo que deixamos na vida das pessoas e pela capacidade de lhes proporcionar mais oportunidades, esperança e confiança no futuro.

Qual foi o momento em que percebeu que o verdadeiro impacto do seu trabalho estava nas vidas que conseguiu transformar e não nos objetivos alcançados? Essa perceção foi surgindo ao longo do tempo. Sempre que um cliente me agradece por o ter ajudado num momento difícil, ou quando vejo um artesão recuperar a confiança no valor do seu trabalho, percebo que o verdadeiro sucesso não está apenas na conclusão de um processo ou de um projeto, mas na diferença que conseguimos fazer na vida das pessoas. São esses momentos, muitas vezes longe dos holofotes, que me recordam diariamente porque escolhi este caminho.

Enquanto presidente da Associação dos Artesãos do Marco, que papel acredita poder desempenhar na renovação deste legado, sem perder a sua autenticidade? Preservar não pode significar estagnar. O desafio passa por respeitar a essência das tradições e criar condições para que continuem vivas e relevantes para as novas gerações. O meu papel é criar oportunidades, promover os artesãos,

incentivar a inovação responsável e aproximar os mais jovens deste património. Só valorizando quem produz, contando as histórias por detrás de cada peça e incentivando novas formas de criar conseguiremos garantir que este legado continua a integrar a nossa identidade coletiva.

Como se mantém fiel aos seus valores quando enf renta críticas, desafios ou momentos de maior pressão? Procuro nunca perder de vista aquilo que me trouxe até aqui: a honestidade, o respeito e a consciência tranquila. As críticas, quando construtivas, ajudam-nos a crescer. Nos momentos mais exigentes lembro-me sempre de que devemos agir de acordo com os nossos princípios e não em função da opinião dos outros. A serenidade, o trabalho consistente, a transparência e a certeza de saber de onde vim e para onde quero ir permitem-me manter o rumo.

Se pudesse deixar uma mensagem às mulheres para nunca desistirem do caminho que escolheram, qual seria? Nunca permitam que alguém deGlória Silva fina os vossos limites. Acreditem solicitadora no vosso valor, invistam continuamente no conhecimento e trabalhem para alcançar os vossos obnuar. Permitam-se errar, arriscar e viver sem jetivos. Haverá dúvidas e obstáculos, mas são medo, ajustando o caminho sempre que neprecisamente esses desafios que nos tornam cessário, porque nada está definido à partida. mais fortes. O sucesso constrói-se com perseverança, humildade e coragem para conti-

rua eusébio da silva ferreira, nº 33 loja 16 4630-463 marco de canaveses tel.: 919 708 163

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Conversas de Valor com Mulheres de Valor

Dora Libânio

Competência, empatia e coragem para decidir Para Dora Libânio, a liderança no feminino não passa por seguir modelos pré-definidos, mas por unir rigor, autenticidade e capacidade de compreender aquilo que os números não revelam.

tentável e orientada para o futuro da empresa. Além disso, nunca esqueço que por detrás de cada organização existem empresários, trabalhadores, famílias e clientes. A consultoria cria valor quando protege essa realidade e promove decisões responsáveis.

Muito para além dos números, das obrigações fiscais e da gestão empresarial, quem é a Dora Libânio? Sou uma mulher profundamente comprometida com as pessoas e com os projetos que me confiam. Nunca vejo uma empresa apenas pelos números, porque por detrás de cada decisão existem histórias, famílias e anos de esforço.

Na sua experiência, qual é o maior erro que ainda se comete ao olhar para a mulher em funções de direção neste setor? Ainda se avalia primeiro a mulher e só depois a profissional. Continua a existir a ideia de que uma mulher em cargos de direção tem de provar repetidamente a sua competência, autoridade e capacidade de liderança. Se é firme, é considerada demasiado exigente; se demonstra empatia, essa sensibilidade é confundida com fragilidade. Acredito que liderar não implica abdicar da identidade nem seguir um modelo tradicionalmente masculino. É possível decidir com rigor, negociar e defender os interesses da empresa sem perder humanidade. As soft skills são essenciais, porque permitem compreender pessoas, antecipar riscos e interpretar aquilo que os números não revelam. Competência, autoridade e empatia são fundamentais para apoiar os clientes.

A lealdade, a responsabilidade e a justiça orientam o meu trabalho. As viagens e o contacto com diferentes culturas ensinaram-me a ouvir sem preconceitos, a adaptar-me e a compreender que existem várias formas de resolver um problema. Acredito na aprendizagem contínua e na capacidade de recomeçar. Tenho também uma forte ligação aos animais e à natureza e sonho criar um espaço para acolher animais abandonados ou maltratados. Proteger, cuidar e encontrar soluções faz parte daquilo que sou.

Quando olhar para o percurso que está a construir, qual gostaria que fosse o verdadeiro legado de Dora Libânio?

Que tipo de valor cria hoje uma consultora fiscal que vai além da resposta correta e passa a ajudar a empresa a crescer com consciência, sustentabilidade e propósito? Uma consultora fiscal próxima da empresa não se limita a cumprir obrigações legais. Procura conhecer o negócio, os riscos, os objetivos e o impacto de cada decisão. O verdadeiro valor está em transformar informação contabilística e fiscal em estratégia: antecipar problemas de tesouraria, avaliar investimentos, preparar a empresa para financiamento, proteger o património, melhorar a estrutura e encontrar soluções fiscalmente eficientes, legais e transparentes. Uma boa decisão fiscal deve ser sus-

Dora Libânio Contabilista Certificada e Consultora Fiscal

Gostaria que o meu legado não fosse medido apenas pelas empresas que ajudei a crescer ou pelos problemas fiscais e financeiros que contribuí para resolver. Quero ser recordada como alguém que esteve presente nos momentos mais difíceis, que disse a verdade, mesmo quando não era a resposta mais fácil, e que procurou sempre soluções responsáveis. Defendo uma consultoria tecnicamente rigorosa, estratégica e orientada para resultados, sem esquecer que os negócios existem porque existem pessoas. Se conseguir preservar empresas, proteger postos de trabalho, apoiar melhores decisões, criar oportunidades e concretizar o sonho de proteger animais que nunca tiveram quem os defendesse, sentirei que deixei um contributo com verdadeiro significado.

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Alterações ao Código Penal

JMPM Advogados

Justiça mais célere, mas a que custo? As alterações ao Código Penal que entram em vigor a 1 de setembro prometem acelerar a justiça criminal, mas levantam questões sobre o equilíbrio entre eficiência e garantias de defesa. Para Hugo Ferreira, a verdadeira modernização do sistema depende do reforço dos meios e da proteção efetiva dos direitos fundamentais.

converter-se num indício de finalidade dilatória. A resposta judicial terá de ser particularmente prudente, sob pena de a sanção produzir um efeito inibidor sobre a defesa. Também o artigo 426.º-B suscita sérias reservas: dependendo a decisão no traslado do prévio pagamento das multas, a insuficiência económica torna-se um obstáculo material ao controlo jurisdicional da própria decisão sancionatória.

Considera que as recentes reformas legislativas refletem uma estratégia coerente de modernização do sistema jurídico português ou respondem sobretudo a pressões conjunturais e políticas? Há medidas úteis de racionalização, concentração processual e responsabilização de comportamentos genuinamente abusivos. Mas a coerência de uma reforma não se mede apenas pela rapidez que promete; mede-se pela sua compatibilidade com as garantias constitucionais, pela qualidade da técnica legislativa e pela sua capacidade de responder a problemas estruturais. As recentes reformas legislativas têm sido condicionadas por processos de grande exposição mediática; legisla-se para o caso e não para o sistema. A Justiça penal não pode confundir eficiência com compressão de direitos, nem resolver a insuficiência de meios através da penalização económica de quem exerce a defesa.

As alterações ao Código Penal que entram em vigor a 1 de setembro representam uma verdadeira mudança de paradigma na justiça criminal ou são meros ajustamentos legislativos? Não são meros ajustamentos. Sob a invocação da celeridade, a Lei n.º 34/2026 altera de forma relevante o equilíbrio do processo penal: reforça os poderes de gestão judicial, permite recusar diligências reputadas impertinentes ou dilatórias, limita meios de prova e institui um regime sancionatório para atos qualificados como manifestamente infundados. A celeridade é uma exigência constitucional e uma condição de credibilidade da Justiça. Porém, não pode ser alcançada à custa da transformação do exercício da defesa num risco financeiro, nem pela presunção de que a complexidade, a insistência probatória ou a demora equivalem a abuso.

Na sua opinião, que alteração legislativa seria prioritária para reforçar a confiança dos cidadãos na Justiça? A prioridade não é criar novas barreiras ao exercício de direitos processuais, mas garantir uma justiça mais célere por reforço de meios humanos, tecnológicos e organizativos. É essencial assegurar que nenhuma multa, taxa ou encargo processual impeça, na prática, um arguido sem recursos de ver apreciada uma nulidade, um incidente ou um recurso. A igualdade perante a lei só é efetiva quando a capacidade económica não determina a possibilidade de aceder ao controlo jurisdicional. A confiança dos cidadãos conquista-se com decisões mais rápidas e fundamentadas, tribunais dotados de meios e garantias de defesa efetivas para todos, não apenas para quem pode pagar por elas.

“Há medidas úteis de racionalização, concentração processual e responsabilização de comportamentos genuinamente abusivos. Mas a coerência de

Que aspetos destas alterações considera mais suscetíveis de gerar dúvidas de interpretação ou desafios na sua aplicação pelos tribunais?

uma reforma não se mede apenas pela rapidez que promete; mede-se pela sua

O artigo 521.º-A é o ponto mais delicado. Multas entre 2 e 100 UC impõem uma fronteira rigorosa entre expediente abusivo e defesa legítima, ainda que esta seja incómoda, tecnicamente exigente ou morosa. Requerer prova, arguir nulidades, suscitar incidentes, pedir esclarecimentos periciais ou recorrer consome inevitavelmente tempo judicial; tal não pode, sem mais,

compatibilidade com as garantias constitucionais, pela qualidade da técnica legislativa e pela sua capacidade de responder a problemas estruturais.”

José Macieirinha, Pedro Macieirinha e Associados Sociedade de Advogados, SP, RL

Hugo Ferreira advogado na jmpm

www.jmpm-advogados.pt pmacieirinha@jmpm-advogados.pt +351 259 371 949 | +351 259 321 653

José Macieirinha, Pedro Macieirinha e Associados Sociedade de Advogados, SP, RL 15


César Sousa

Alterações ao Código Penal

artigo artigo de opinião de opinião nome dra As duas leis de julho

que ninguém discutiu César Sousa advogado

A 1 de setembro entram em vigor duas reformas do processo penal aprovadas na mesma tarde. Uma acelera os julgamentos. A outra permite ao Estado ficar com bens de quem nunca foi condenado. Lidas em conjunto, mudam mais do que qualquer uma delas isolada. Quase despercebidas, as Leis n.º 34/2026 e n.º 37/2026 foram publicadas em julho e entram em vigor a 1 de setembro. Em conjunto, alteram mais de cinquenta artigos do Código de Processo Penal, revêm o Código Penal e introduzem um novo livro no processo penal português. Apesar de responderem a problemas amplamente reconhecidos, o alcance destas mudanças justifica uma análise atenta. o problema do tempo A justiça penal portuguesa é lenta. Não é novidade nem é opinião: é a queixa mais constante de quem passa por ela, do lado de quem acusa e do lado de quem se defende. Processos que arrastam anos, audiências adiadas por motivos menores, recursos que servem sobretudo para ganhar tempo. A Lei n.º 34/2026 ataca esse problema de f rente. O juiz passa a ter o dever expresso de dirigir ativamente o processo e de recusar tudo o que considere impertinente ou dilatório. As acusações e as defesas passam a ter um limite de testemunhas. O juiz aprecia os pedidos de prova antes da audiência começar e pode rejeitá-los logo. E o julgamento tem de ser marcado para uma data que não diste mais de dois meses da chegada do processo ao tribunal. Há ainda uma multa nova, entre 200 e 10 mil euros, para quem pratique atos manifestamente infundados com o efeito de atrasar o processo. Se a mesma pessoa for condenada duas vezes no mesmo processo e os atos tiverem sido praticados através de advogado, é enviada certidão à Ordem dos Advogados. Há ainda uma alteração discreta e de grande alcance. Até agora, quem depunha na fase de investigação, perante a polícia, tinha de repetir esse depoimento em julgamento para que o tribunal o pudesse valorar. Passa a bastar que ninguém se oponha: o Ministério Público indica na acusação quais os depoimentos cuja leitura pretende e se a defesa deixar passar o prazo sem se opor, a testemunha nem sequer é convocada. O tribunal decide sobre um papel, sem ver quem falou. O silêncio de quem se defende passa a valer como acordo. E o acesso à justiça fica mais caro: as taxas máximas sobem no processo comum e, sobretudo, nos

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artigo de opinião

recursos. Acelerar o processo encarecendo o recurso é uma equação que merecia debate próprio. Cada uma destas medidas tem justificação. O conjunto levanta uma questão diferente: quem decide o que é dilatório é o mesmo tribunal cuja decisão está a ser contestada. E a fronteira entre o expediente abusivo e a defesa insistente nem sempre é evidente, sobretudo para quem está do lado de fora e vê apenas o atraso.

nome dra o problema do dinheiro O segundo problema é igualmente evidente: durante décadas, Portugal condenou criminosos, mas preservou o património obtido ilicitamente. A Lei n.º 37/2026, que transpõe uma diretiva europeia de 2024, procura corrigir essa realidade ao criar a figura da «pessoa afetada», titular de bens sujeitos a apreensão ou perda sem ser arguido. Esta passa a ter direito a advogado, contestação e recurso, mas também o dever de responder com verdade, sob pena criminal. Assim, enquanto Totatemqui tem dendis ipsum et, unducia o arguido pode optar pelo silêncio, a «pessoa afetada» não pode, o que pode endoluptatin coratia nus alisiminis aut andunti fraquecer essa garantia quando ambas as figuras estão materialmente ligadas. rehenducim volum quae laboreium idebis est faceperit et auda et repuda ad que adi A lei permite ainda que o Estado fique com bens sem que haja condenação. Se quia eos pari quae vendae everendae porit o processo prescrever, se houver amnistia, se o arguido adoecer ou morrer, o paut lia dolorunt aut aut volecul lorepelibus trimónio pode ser declarado perdido num processo próprio, que corre sozinho e restium fuga. Et qui con conem evendip pode ser decidido por simples despacho, sem julgamento, se ninguém se opuser suntota non escipsapiet alitius doluptas moem dez dias. E há um detalhe que merece atenção: os bens apreendidos podem luptatiis in essimposam, nihic totatur, conseser vendidos antes de a decisão ser definitiva. Quando isso acontece, uma absolni andebist, aut eium etur, te nonection pre, vição posterior já não devolve a casa ou o carro: apenas dinheiro. Acrescente-se invere il illaut int parum siti volorro modipici que o arresto de bens pode agora preceder em até trinta dias a constituição como nobit, core nis et voloreped molorporibus arguido. O património é congelado antes mesmo de a pessoa ter o estatuto que num voluptiunto modis acerspe nonseribus lhe permite defendê-lo. nis experuntia is dolut quae quis seque pro des et eic tem rem quam, aut alitae maios reptate volendis samse inctur sero estis dipo que muda quando somam sand usanis aboreptae atior audae vollendiam, quia perro to cusae esedipi sinveraSeparadas, as duas leis são defensáveis. Somadas, o resultado é outro. A “pessoa tur aut eossequi int dolo omnis am ent. afetada” nasce já sujeita às restrições da primeira: rol limitado a vinte testemuSe quibus none natem rerio ipsa nonsequ issit, anihic test pa sequunt aligend ipnhas, prova filtrada antes da audiência, multa por ato dilatório aplicável. O legissuntionsed quam nam, sinctem exerae sapidusae nimpore prore, aditi volorio nseclador criou um sujeito processual novo e, no diploma do dia anterior, já lhe tinha tur, offici velescipsus voluptatia sum quo volor arum eum etur? apertado as condições de defesa. Não é acidente. As referências cruzadas entre os Uci omnitatur? Tisim enis sus eumquis et venimus andaesc idendit et officipsunt dois textos são explícitas: a lei publicada a 27 de julho remete para artigos que só utas aut dia doloreiciet estibus seque liquist ibusante doluptinctus asit lacit doles passaram a existir com a lei publicada a 28. É um programa único repartido por maios nimagnis sunt este audis quis experum et rem reperio. Tem et modion cum dois diplomas, aprovado sem que a soma tenha sido discutida como tal. re inus nos nossima aut quia consenis cus que plandunt aut hil id quia idi ulpa con repra sitatus volorer sperunt et occum fugit volorepre omnimusam voloreptas molorpor ape pos est aut unti cumquod ea volore nossuntia sit ad magnimin comuda quando se somam rescitio modit rendiVendempel estiusam, simagnis asped quossin cienNada disto é argumento para manter o que estava.utAlam, lentidão daetjustiça penal é ducil maximinust, volupta vollaccupta voloreres rectotatet, alit fuga. um problema sériotet ea impunidade patrimonial domoluptat crime económico é outro. As Liti dolorat. duas leis respondem a ambos. O que se pede é escrutínio proporcional à dimenDeris quistem iunto bea dos poriorescim qui idebit simagni endicip são daetmudança. Nenhum dois diplomas tem rehent norma quis de direito transitório, idundam, endis abore nam estem. Itaepudandis consecae eos eos dolor minti ou seja, nada diz o que acontece aos milhares de processos já pendentes aalicia 1 de de voluptatOs mo te nobiste ntemposam nones rernat aut est setembro. tribunais vãorehendu ter de resolver isso caso a caso e élabore,Mint seguro antecipar ped ea esdivergentes dolor autaquatiur, nestiunt. decisões durante meses. Apictibusti ipic tem quat. Arita atecteméporeictatus moluptatem nimusani rectatibus est, omnisimus A celeridade um valor com assento constitucional. A recuperação de ativosse é cupuma tass itaque ped moluptibusam rernatur adi aut mi, option cone natur, ad modiant obrigação europeia. Mas o artigo 32.º da Constituição diz outra coisa a par disso: que eos dollignatem iusda consequam quos alibusde in cuptasperro o processo criminal assegura todas as garantias defesa. Todas.dunt. Em setembro sabeCullacid millore rumquis eum rem etque labo. Ut porepta siminimus etur? Ex excepro remos como se conjugam. Convinha a conversa tivesse começado antes. bea ium aut aspitisimi, sum nitaspit officimpora di dia que laci ut aut hil molore voluptatint audis ad exernam que quam atescimagnia ist, sit hit eatur alique cusam dit ipid quibus molupta testis etur aut es sandam, te natur remolorectur

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Lei dos jogos e apostas online

Lektou

O desafio de modernizar o jogo online Num setor transformado pela tecnologia, pela inteligência artificial e por novos modelos de apostas, Luís Carvalho defende uma regulação mais flexível, capaz de acompanhar o mercado europeu e, sobretudo, de tornar a oferta licenciada mais competitiva face ao mercado ilegal.

A legislação portuguesa sobre jogos e apostas online tem conseguido acompanhar a velocidade da inovação tecnológica, ou existem zonas que exigem uma revisão urgente do enquadramento legal? A legislação encontra-se sem atualizações substanciais há algum tempo, o que dificulta a manutenção da competitividade do mercado. Existem zonas cinzentas que carecem de revisão, nomeadamente no que respeita aos “prediction markets” e às “sweepstakes”, que são os temas do momento a nível internacional. Atendendo à evolução do mercado, parece-nos que, pelo menos nessas áreas, poderia haver revisão do enquadramento legal que, parece-nos, já terá sido iniciada.

Quais são os maiores desafios regulatórios para garantir um mercado competitivo sem comprometer a proteção dos consumidores? O maior desafio passa por criar as melhores condições para que os consumidores façam escolhas informadas, optando por jogar nas entidades licenciadas – as únicas que efetivamente cumprem os requisitos de jogo responsável. Reconhecendo os problemas de saúde pública associados ao jogo e o estigma existente, a solução mais equilibrada é permitir que os operadores licenciados publicitem os seus produtos de forma regulada, resistindo à tentação de promover um “blanket ban”. A experiência em Espanha e Itália demonstrou claramente que tais proibições absolutas não só não protegeram os consumidores como os expuseram ainda mais ao mercado ilegal.

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Na sua perspetiva, o atual modelo regulatório português é suficientemente eficaz para atrair os utilizadores para operadores licenciados ou há aspetos que acabam por favorecer a oferta não regulada? Os operadores licenciados continuam muito interessados no mercado português, como se comprova pelo facto de ainda recentemente terem sido emitidas duas novas licenças, estando mais seguramente na calha. Existem sempre arestas por limar, mas o nosso regulador tem feito um trabalho excelente, com destaque para os relatórios trimestrais que tem emitido e que conferem maior transparência ao setor. Organizações como a APAJO têm também desenvolvido um esforço significativo para manter o mercado dinâmico e competitivo.

Se pudesse introduzir uma única alteração na lei dos jogos e apostas online em Portugal, qual seria? Não sendo um aspeto estritamente regulatório, reveria o regime fiscal aplicável às apostas desportivas. A carga tributária atual torna quase impossível se não impossível que os operadores licenciados obtenham lucro neste segmento, colocando-os em clara desvantagem competitiva face ao mercado não regulado, que opera sem qualquer ónus fiscal. Um enquadramento fiscal mais equilibrado permitiria aos operadores legais oferecer condições mais atrativas e incentivaria a migração dos consumidores para o mercado regulado.

Luís Carvalho Co-Managing Partner e Advogado da Lektou

Nos próximos anos, acredita que a legislação caminhará para regras mais restritivas, ou para um modelo mais flexível que acompanhe a evolução do mercado europeu? Porquê? Acredito num modelo mais flexível que acompanhe a evolução do mercado europeu. A ri-

gidez regulatória tem o efeito perverso de empurrar os consumidores para o mercado ilegal. A flexibilidade, quando aliada a uma fiscalização eficaz e a mecanismos robustos de jogo responsável, permite atrair operadores sérios e proteger verdadeiramente o jogador. lisboa | porto | macau | china lektoupt@lektou.com www.lektou.com


Formação Profissional: fator-chave para o desenvolvimento

Gestacform

O verdadeiro fator de competitividade são as pessoas Para César Soares, responsável da Gestacform, investir nas competências e no desenvolvimento contínuo das pessoas é a forma mais eficaz de impulsionar a inovação, a competitividade e o crescimento sustentável das empresas. -se continuamente. Quem investe nas pessoas ganha capacidade de inovar, responder aos desafios e manter-se competitivo.

Ao longo da sua experiência, que competências identifica como as mais difíceis de desenvolver nos profissionais e de que forma uma formação de qualidade consegue transformar comportamentos e não apenas transmitir conhecimento? As competências mais difíceis de desenvolver são, normalmente, as comportamentais: liderança, comunicação, adaptação, inteligência emocional e pensamento crítico. Uma formação de qualidade vai além da transmissão de conhecimento. Promove a aplicação prática, a reflexão e a mudança de atitudes, permitindo que os profissionais alterem comportamentos e gerem melhores resultados.

Muito se fala na escassez de mão de obra qualificada. Na sua perspetiva, o principal desafio está na falta de profissionais, na dificuldade em atrair talento ou na capacidade das organizações para investir verdadeiramente na qualificação contínua?

César Soares responsável

Num mercado em constante transformação, considera que a formação profissional deixou de ser uma vantagem competitiva para passar a ser uma condição de sobrevivência das empresas? Porquê? Sem dúvida. A formação profissional deixou de ser apenas um fator diferenciador para se tornar uma necessidade. Num mercado em constante mudança, marcado pela evolução tecnológica e por novas exigências, as empresas precisam de equipas preparadas para aprender e adaptar-

O desafio envolve a escassez de talento, a dificuldade em atrair profissionais (particularmente no setor dos transportes rodoviários) e a necessidade de investir mais na qualificação contínua. No entanto, é nesta última dimensão que as organizações têm maior capacidade de agir. Desenvolver as competências das equipas existentes aumenta a produtividade, reforça o compromisso e prepara a empresa para responder às mudanças do mercado.

flexível e orientada para as necessidades específicas de cada organização e de cada profissional. As metodologias de aprendizagem continuarão a evoluir, privilegiando experiências mais práticas, interativas e ajustadas à realidade do mercado. A Gestacform pretende estar na linha da frente dessa evolução, oferecendo soluções inovadoras, relevantes e com impacto real no desenvolvimento das pessoas e na competitividade das empresas.

“Uma formação de qualidade vai além da transmissão de conhecimento. Promove a aplicação prática, a reflexão e a mudança de atitudes, permitindo que os profissionais alterem comportamentos e gerem melhores resultados.” Qual seria o argumento mais forte para demonstrar que investir nas pessoas continua a ser uma das decisões com maior retorno para qualquer organização? Investir nas pessoas continua a ser uma das decisões com maior retorno porque são elas que transformam conhecimento em resultados. Equipas mais qualificadas inovam mais, adaptam-se melhor à mudança, prestam um melhor serviço e fortalecem a competitividade das organizações. Apostar no desenvolvimento das pessoas é investir no crescimento sustentável e no futuro de qualquer empresa. O capital mais valioso de qualquer organização é sem dúvida o seu capital humano!

Como imagina que será a formação profissional daqui a alguns anos e que papel pretende que a Gestacform desempenhe nessa evolução? A formação será cada vez mais personalizada,

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“Existem três competências particularmente relevantes: a adaptabilidade, a capacidade de aprendizagem contínua e a empatia estratégica. As organizações que conseguirem desenvolver estas competências estarão mais preparadas para liderar.”

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portugal criativo

A

ntes de existir inovação, existe visão. Antes de surgir a diferenciação, existe a coragem de desafiar o convencional

e transformar ideias em valor. É esse espírito

que dá vida ao Portugal Criativo, uma iniciativa que distingue organizações que fazem da criatividade um motor de crescimento, inovação e competitividade.


Portugal Criativo

Solar Hands

O valor da energia não termina na instalação André Simão criou a Solar Hands, através de uma abordagem assente em dados reais, engenharia personalizada e monitorização contínua, com o objetivo de tornar a energia inteligente numa poupança efetiva para cada cliente. A Solar Hands nasce do seu regresso a Portugal após uma carreira internacional. Que lacuna identificou no setor que o levou a criar uma empresa mais próxima e clara? Em Portugal, o valor é capturado na venda e raramente depois dela. O cliente é empurrado a decidir depressa e fica sozinho a validar os pressupostos e a operar o sistema, com análises baseadas em médias ou informação pontual, não no consumo real. De médias saem sistemas-padrão. Só do detalhe sai uma solução à medida, com valor otimizado para quem paga. Por isso, desenhamos a partir dos dados reais e ajustamos posteriormente, nem mais nem menos do que é preciso. O valor cria-se em todas as fases, não apenas na assinatura.

A marca assume que “explica, não apenas instala”. Na prática, o que muda no acompanhamento dos clientes e como se traduz em confiança e resultados? Muda não só a ordem do trabalho, mas também o que acontece depois. Dimensionamos com base nos consumos reais e no que o cliente prevê. Quando não há dados, recolhemo-los nós. E mostramos os números de cada caso antes de assinar. Um sistema mal dimensionado, a mais ou a menos, deixa valor para alguém que não o comprador. Instalado o sistema, os fornecedores costumam desaparecer, mas nós ficamos: monitorizamos continuamente e agimos, muitas vezes antes de o cliente dar por isso. Confiança não se promete, prova-se.

Que fatores distinguem hoje a Solar Hands em engenharia, execução no terreno e relação com o cliente? Engenharia assente em dados e execução própria, com responsabilidade única do projeto à ligação à rede. Começamos pela geração, de resultado rápido, e seguimos pela eficiência e gestão do consumo, que somam ao longo dos anos. O retorno do cliente entra nesta decisão: é ele quem nos diz quais medidas fazem sentido a seguir. Não há solução padrão: com solar semelhante, temos 54 kWh de bateria numa casa em Sintra e 112 kWh no Rockalot Praia, o nosso próximo projeto. O que decide é o perfil de consumo, não o telhado.

A empresa fala num modelo de “dois motores”, juntando a componente física à plataforma digital Carga. Como se transforma isso em valor concreto? O motor físico desenha e instala, já o motor digital, a Carga, gere. As políticas regulatórias e os mercados de energia são complexos e dinâmicos: até hoje, só quem tem equipas especializadas consegue reter todo o valor. A Carga põe essa capacidade ao alcance de qualquer utilizador. Com o histórico de dados, as decisões tornam-se automáticas e o cliente passa a decidir como um especialista, sem ter de o ser. Com o crescimento da plataforma, o mesmo ativo poderá suportar novos serviços.

Que objetivos estratégicos definiu para os próximos anos e que papel quer que a empresa assuma no futuro da energia inteligente? Consolidámos o Residencial com uma abordagem integrada: geração e eficiência. O passo seguinte é consolidar o Comercial no próximo ano — hotelaria, restauração, empresas com consumos intensivos — e só depois preparar a expansão europeia. Queremos ser a empresa que provou que energia inteligente não é um conceito, mas sim uma fatura mais baixa, todos os meses.

André Simão fundador e ceo

“Só do detalhe sai uma solução à medida, com valor otimizado para quem paga. Por isso, desenhamos a partir dos dados reais e ajustamos posteriormente, nem mais nem menos do que é preciso.”

Energia Solar e Armazenamento Inteligente · www.solar-hands.com

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Portugal Criativo

Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia

Neurorradiologia: inovar, diagnosticar, tratar e salvar A Neurorradiologia portuguesa afirma-se na linha da frente da Medicina, conjugando diagnóstico de precisão, terapêuticas menos invasivas e conhecimento para melhorar resultados e qualidade de vida. Como nasceu a Neurorradiologia portuguesa e qual a sua importância? Portugal possui uma tradição científica de excelência nas Neurociências, sendo a Neurorradiologia uma das áreas mais diferenciadas. O seu desenvolvimento realça o legado da angiografia cerebral de Egas Moniz e consolidou-se há cerca de 46 anos com a criação do Núcleo Português de Neurorradiologia, embrião da SPNR, fundada em 1990. O reconhecimento da especialidade hospitalar, em 1981, e do respetivo Colégio pela Ordem dos Médicos, em 1989, marcou a afirmação da especialidade. Hoje, alia diagnóstico e terapêutica minimamente invasiva, investigação, inovação e formação médica, com um papel central nas doenças vasculares, degenerativas e oncológicas do sistema nervoso em todas as idades. A evolução científica e tecnológica permite diagnósticos mais precoces, tratamentos menos invasivos e decisões precisas, reduzindo a incapacidade e melhorando a qualidade de vida.

O que distingue um serviço ou uma equipa de excelência em Neurorradiologia? A excelência resulta de conhecimento científico, experiência clínica, tecnologia, investigação, formação contínua e trabalho multidisciplinar. A tecnologia só cria valor quando melhora os resultados dos doentes. Hoje, o neurorradiologista acompanha todo o percurso assistencial, dos exames de rotina e diagnóstico precoce à monitorização da resposta e ao seguimento, integrando informação clínica, imagiológica, laboratorial e, cada vez mais, molecular e genética, contribuindo para a avaliação do prognostico e a correta atitude terapêutica. Mas a qualidade mede-se pela rapidez no acesso ao diagnóstico e tratamento, segurança, recuperação funcional, satisfação dos doentes e utilização responsável dos recursos.

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“Hoje, o neurorradiologista acompanha todo o percurso assistencial, dos exames de rotina e diagnóstico precoce à monitorização da resposta e ao seguimento, integrando informação clínica, imagiológica, laboratorial e, cada vez mais, molecular e genética, contribuindo para a avaliação do prognostico e a correta atitude terapêutica.” Atualmente, quais os maiores desafios científicos e tecnológicos da especialidade? Vivemos uma grande transformação na história da Medicina. A Inteligência Artificial, a imagem quantitativa, os biomarcadores e a Medicina de Precisão estão a mudar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos doentes. O desafio é integrá-las de forma crítica, ética e baseada na melhor evidência científica. A IA não substituirá o médico; poderá ampliar a capacidade de identificar padrões precoces, integrar informação complexa, apoiar decisões mais rápidas e personalizar tratamentos. Contudo, permanecerão insubstituíveis o pensamento crítico, a experiência clínica, a responsabilidade ética e a relação humana com o doente. Importa também demonstrar que a inovação gera verdadeiro valor: menos mortalidade, incapacidade, complicações e internamentos, melhor qualidade de vida e maior sustentabilidade. A inovação só é progresso quando melhora efetivamente a vida das pessoas.

Como a Neurorradiologia contribui para um sistema de saúde mais eficiente e sustentável? A Neurorradiologia demonstra que excelência clínica e sustentabilidade podem caminhar lado a lado. Diagnósticos precoces, decisões terapêuticas mais rigorosas e tratamentos minimamente invasivos podem melhorar os resultados e evitar incapacidade, internamentos prolongados e utilização desnecessária de recursos. O exemplo mais claro é o acidente vascular cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e de incapacidade adquirida no adulto em Portugal. Durante um AVC isquémico não tratado, perdem-se cerca de 1,9 milhões de neurónios por minuto: “Time is Brain”. A organização da Via Verde do AVC, associada ao acesso

rápido à imagem, trombólise e trombectomia mecânica, alterou profundamente o prognóstico destes doentes. Investir em Neurorradiologia significa investir em equipas diferenciadas e conhecimento capaz de gerar valor para os doentes, famílias e sociedade.

Como avalia o posicionamento internacional da Neurorradiologia portuguesa? A Neurorradiologia portuguesa, pela sua singularidade, conquistou reconhecimento internacional assente na excelência clínica e formativa, investigação e capacidade de inovar. A presença crescente de especialistas portugueses em cargos de responsabilidade nas principais sociedades científicas internacionais reflete a qualidade nacional. Os neurorradiologistas portugueses coordenam cursos nacionais e internacionais, participam na elaboração de recomendações clínicas, colaboram em investigação multicêntrica e contribuem para a evolução da especialidade. Este percurso resulta do investimento continuado na diferenciação profissional e da colaboração entre hospitais, universidades e centros de investigação nacionais e estrangeiros. Portugal tem condições para continuar a afirmar-se internacionalmente. O desafio é consolidar esta posição, apoiar as novas gerações e garantir que o conhecimento e o reconhecimento científico se traduzem em melhores cuidados para os cidadãos.

O que gostaria de deixar para o futuro da Neurorradiologia em Portugal? Que legado espera que as atuais gerações de especialistas construam? O futuro constrói-se sobre o legado de quem teve visão e coragem de criar esta especialidade. É um dever recordar o Dr. Paulo Mendo e


“O futuro constrói-se sobre o legado de quem teve visão e coragem de criar esta especialidade. É neste percurso que assume particular significado, por proposta da Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia: o reconhecimento, pela Ordem dos Médicos, do Dia Nacional da Neurorradiologia, a celebrar anualmente a 3 de outubro. Mais do que assinalar uma data, pretende aproximar a especialidade da sociedade e dar a conhecer o seu papel no diagnóstico e tratamento.” através do seu Bastonário, Dr. Carlos Cortes, do Dia Nacional da Neurorradiologia, a celebrar anualmente a 3 de outubro, data do nascimento do Dr. Paulo Mendo. A iniciativa teve ainda um excelente acolhimento da Sociedade Europeia de Neurorradiologia e será assinalada este ano no Congresso Europeu.

Ana Mafalda Reis Presidente da SPNR

todos os fundadores da Neurorradiologia portuguesa, cujo contributo científico, humano e institucional nos inspira. Honrar esse legado significa preparar o futuro: uma Neurorradiologia inovadora, colaborativa e centrada nas pessoas, capaz de incorporar responsavelmente os avanços científicos e tecnológicos, transfor-

mando-os em diagnósticos mais precoces, tratamentos mais eficazes, menor incapacidade e melhor qualidade de vida. É neste percurso que assume particular significado uma conquista recente, por proposta da Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia: o reconhecimento, pela Ordem dos Médicos,

Mais do que assinalar uma data, o Dia Nacional da Neurorradiologia pretende aproximar a especialidade da sociedade e dar a conhecer o seu papel no diagnóstico e tratamento do AVC, doenças neurodegenerativas, cancro e patologias da coluna. É também uma forma de homenagear os pioneiros, reconhecer os profissionais de hoje e inspirar as novas gerações. Esse é o legado que desejamos: honrar a história, cuidar melhor no presente e preparar a Neurorradiologia do futuro.

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Portugal Criativo

Bússola D’Afetos

“Cuidar vai além de assegurar necessidades básicas” João Carvalho, Sócio-Gerente da Bússola D’Afetos, partilha a visão de um projeto assente na proximidade, na humanização e em respostas totalmente personalizadas, com o objetivo de permitir que cada pessoa possa envelhecer em casa com segurança, dignidade e qualidade de vida. A Bússola D’Afetos nasceu num setor onde a confiança é um dos ativos mais valiosos. Que necessidade ou experiência o levou a acreditar que ainda havia espaço para criar um projeto diferente na área do apoio domiciliário e que princípios definiu desde o primeiro dia? Desde muito cedo, contactei com as áreas da saúde e da economia social, tendo-me apercebido que as respostas existentes eram escassas, dado que os idosos preferem ficar nas suas próprias casas a serem integrados numa instituição. Mas para isso é necessário que alguém lhes dê o apoio que com o avançar da idade vão necessitando, e que o façam de forma humanizada e não apenas “para serem mais um”, tendo sido este o nosso principal objetivo desde o primeiro dia.

“Desde muito cedo, contactei com as áreas da saúde e da economia social, tendo-me apercebido que as respostas existentes eram escassas, dado que os idosos preferem ficar nas suas próprias casas a serem integrados numa instituição.” Muito se fala sobre cuidar, mas nem sempre se compreende tudo o que esse conceito envolve. De que forma procuram ir além da prestação de um serviço e transformar cada acompanhamento numa resposta personalizada para os seus utentes e respetivas famílias?

João Carvalho Sócio-Gerente

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Para nós, cuidar vai muito além de assegurar as necessidades básicas. Significa conhecer a história e os hábitos de cada utente, respeitando a sua identidade e promovendo a sua autonomia. Trabalhamos em estreita articulação com as famílias, porque acreditamos que um acompanhamento de qualidade só é possível quando existe confiança, proximidade e comunicação.

A diversidade de serviços prestados pela Bússola D’Afetos revela uma visão integrada do apoio social. Como identificam as necessidades de cada pessoa e de que forma adaptam a resposta para garantir que cada família encontra exatamente o apoio de que necessita? Antes da admissão de cada utente, é feito um levantamento, através de uma conversa com os utentes e respetivas famílias, das necessidades e das expetativas que cada um tem. Após isso, o serviço apresentado será sempre de acordo com essas necessidades e expetativas. Não temos serviços standards. Cada um é “desenhado” para aquele utente.

Gerir uma empresa de apoio domiciliário significa lidar diariamente com desafios humanos, emocionais e organizacionais. Que aprendizagens mais marcantes retirou deste percurso e de que forma moldaram a cultura e a identidade da Bússola D’Afetos? A maior aprendizagem foi perceber que cada utente e cada família têm uma história única e, por isso, não existem soluções iguais. Aprendemos também que a confiança se conquista diariamente, através da presença, da empatia e do profissionalismo, sendo estes os princípios que nos moldam.

Se pudesse projetar a Bússola D’Afetos daqui a alguns anos, que papel gostaria que desempenhasse na sociedade? Que objetivos estratégicos e novas respostas ambiciona desenvolver para continuar a inovar e a elevar a qualidade dos cuidados prestados? Gostaria que fossemos reconhecidos como uma referência a nível nacional, contribuindo para que o envelhecer em casa seja uma opção cada vez mais segura, digna e acessível com cuidados cada vez mais personalizados, pela utilização de tecnologias como complemento ao acompanhamento humano e por uma forte aposta na prevenção.


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ETERMAr

ETERMAR: engenharia marítima com visão global Com mais de 50 anos de experiência e forte presença em obras marítimas e offshore, a ETERMAR afirma-se pela capacidade técnica, inovação e execução no mercado nacional e internacional. Que competências são essenciais para entregar soluções de valor acrescentado? São essenciais valências como: cálculos de estabilidade e estrutural, mecânica, controlo ambiental, produção industrial e construção naval. A gestão do risco em projetos offshore, de dragagem, fundações offshore, caixotões e condutas submarinas é primordial. Nas renováveis, a industrialização: produzindo em série componentes de grande dimensão, com replicabilidade, economias de escala e correspondente documentação integral de fabrico. Os resultados de 2025 dão à ETERMAR uma base sólida para assumir esse papel. Em 2025, a ETERMAR registou 69 milhões de euros de capitais próprios, autonomia financeira de 43% e um EBITDA recorde de 6,12 milhões de euros.

Que papel pode assumir a ETERMAR no desenvolvimento económico e na afirmação de Portugal?

O que distingue verdadeiramente a ETERMAR no mercado?

impacto ambiental e sustentabilidade.

A ETERMAR distingue-se pelos mais de 50 anos de experiência em obras marítimas e pelo pioneirismo em soluções como caixotões, emissários submarinos e recifes artificiais. Soma competências em dragagens, quebra-mares, defesa costeira, fundações offshore e energias renováveis offshore, com meios próprios que ajudam a controlar riscos, qualidade, prazos e produtividade. Em 2025, a atividade distribuiu-se por Portugal, Madeira, Açores, Argélia, Abu Dhabi e Polónia.

Durante a obra, garantindo planeamento de execução realista, rastreabilidade dos fornecimentos, controlos e monitorização da produção, apoiados por um Sistema Integrado de Gestão certificado desde 2013.

Como garante a qualidade técnica da conceção à execução? A qualidade técnica começa na correta compreensão do problema. É preciso conhecer condições geotécnicas, batimétricas e oceanográficas, agitação marítima, correntes, condicionantes ambientais e requisitos do cliente. Na fase concetual, a ETERMAR analisa alternativas e procura o melhor equilíbrio entre custo/ benefício, segurança, prazo, exequibilidade,

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Como integra inovação e novos métodos construtivos? Inovar é encontrar formas mais seguras, produtivas, sustentáveis ou industrializáveis de resolver um problema concreto. Em 2025, a empresa iniciou a produção de 107 plataformas de betão armado para o parque eólico Baltica 2, na Polónia, com betão armado de resistência a ciclos de gelo e degelo nunca produzido em Portugal. Após seis meses de preparação, a produção arrancou em setembro de 2025 e em menos de um ano o fabrico destas foi concluído. O projeto marca a passagem para um fabrico industrial em série, com replicabilidade, rastreabilidade e controlo dimensional.

A ETERMAR pode assumir três papéis fundamentais. Primeiro, exportar engenharia portuguesa: quando executa projetos complexos em outras geografias, exporta conhecimento, gestão, equipamentos e confiança na competência técnica do país. Em Abu Dhabi, a ETERMAR projetou e construiu 16 caixotões, mobilizando desde Portugal uma doca flutuante de duas mil toneladas e integrando fabrico, transporte e instalação offshore. Segundo, contribuir para a modernização das infraestruturas nacionais, apoiando portos competitivos, melhores infraestruturas hidráulicas, proteção costeira e adaptação às alterações climáticas. O Novo Porto das Lajes das Flores, nos Açores, contrato de valor global importante (o maior de sempre no setor em Portugal), no qual a ETERMAR participa em 34,5% é deste exemplo. Terceiro, participar na criação de uma nova cadeia de valor ligada à transição energética, em especial no setor eólico offshore. O fornecimento de plataformas de trabalho externas para o Baltica 2, afirma Portugal na cadeia europeia de fornecimento do Setor Eólico Offshore, gerando emprego e fornecedores nacionais qualificados, atraindo projetos e investidores internacionais, e criando conhecimento e competências exportáveis a médio e longo prazo.

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JAPSeguros

“Mais que vender seguros, parceiros de confiança” Paulo Vieira defende que a verdadeira diferenciação continua a nascer da proximidade, do aconselhamento especializado e da capacidade de acompanhar o cliente em todos os momentos, combinando inovação tecnológica com uma relação humana de confiança. Quais considera terem sido os momentos e as decisões que mais contribuíram para a identidade e o posicionamento que a JAPSeguros tem hoje no mercado? A identidade da JAPSeguros foi construída através da criação de uma mediação capaz de colocar o cliente no centro de todas as decisões e de oferecer um serviço verdadeiramente diferenciador, com uma forte cultura de proximidade e de uma profunda orientação para as necessidades do cliente. Ao longo do nosso percurso, tomámos decisões importantes, designadamente o investimento contínuo em talento, tecnologia e especialização técnica. Paralelamente, apostámos na construção de relações sólidas com as principais seguradoras do mercado, garantindo independência na recomendação e capacidade para encontrar as melhores soluções. O posicionamento que temos hoje resulta precisamente dessa combinação entre dimensão, proximidade, conhecimento técnico e uma vontade permanente de evoluir. Mais do que vender seguros, procuramos ser parceiros de conf iança na proteção das pessoas, das famílias e das empresas.

A verdadeira diferenciação está na apólice ou na experiência que o cliente vive antes, durante e depois de um sinistro? Como se constrói essa diferença no dia a dia?

Paulo Vieira Diretor-geral

A apólice é importante, mas a verdadeira diferenciação está, sem dúvida, na experiência que o cliente vive ao longo de toda a relação. Num mercado em que os produtos tendem a ser cada vez mais semelhantes, a qualidade do serviço, a capacidade de aconselhamento e a forma como respondemos nos momentos mais

“A nossa ambição é que a JAPSeguros seja reconhecida como uma organização que elevou os padrões da mediação de seguros em Portugal. Queremos ser uma referência pela confiança que inspiramos, pela excelência do serviço que prestamos e pela capacidade de inovar sem perder a proximidade com as pessoas.”

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críticos assumem um papel decisivo. É precisamente durante um sinistro que se percebe o valor real de um mediador. O cliente não procura apenas uma cobertura contratual: procura alguém que o acompanhe, simplifique processos, represente e defenda os seus interesses.

suas vulnerabilidades e a encontrar soluções adequadas para as mitigar. Quanto maior for a literacia financeira e seguradora da sociedade portuguesa, mais evidente será o valor acrescentado da mediação profissional.

Essa diferença constrói-se diariamente através da disponibilidade, proximidade, rapidez de resposta e da capacidade de transformar temas complexos em soluções simples e compreensíveis. É uma cultura de serviço que exige consistência e que não se improvisa.

Quando um cliente escolhe a JAPSeguros em vez de uma contratação totalmente digital e direta, que valor acrescentado considera que recebe e que dificilmente poderia ser substituído por tecnologia?

Como se encontra o equilíbrio entre a digitalização dos processos e a preservação da componente humana na mediação de seguros? A digitalização e a proximidade humana não são conceitos opostos, mas sim complementares. O grande desaf io não está em substituir pessoas por tecnologia, mas em utilizar a tecnologia para libertar tempo e recursos que permitam reforçar a relação com o cliente. Na JAPSeguros encaramos a transformação digital como uma forma de tornar os processos mais simples, rápidos e ef icientes. O cliente espera poder interagir connosco através dos canais digitais, obter respostas imediatas e ter acesso simplificado à informação. Contudo, quando surgem decisões importantes ou situações de maior complexidade, continua a valorizar o aconselhamento especializado e a confiança de falar com alguém que conhece a sua realidade. O futuro da mediação passa precisamente pela combinação do melhor dos dois mundos: a eficiência do digital e a confiança da relação humana.

Se pudesse eliminar uma ideia preconcebida que ainda têm sobre os seguros ou sobre os mediadores, qual seria e porquê? Gostaria de eliminar a ideia de que o seguro é apenas uma obrigação legal ou um custo inevitável. Na realidade, o seguro é um instrumento de proteção financeira e de estabilidade que permite às pessoas e empresas enfrentar acontecimentos inesperados com maior segurança. Da mesma forma, existe ainda a perceção de que o mediador tem apenas uma função comercial. Essa visão está muito distante da realidade. Um mediador de seguros qualificado é um consultor de risco, alguém que ajuda o cliente a compreender as

Recebe aconselhamento, contexto e confiança. A tecnologia é extremamente ef icaz na automatização de processos e na disponibilização de informação, mas dif icilmente consegue compreender a totalidade das circunstâncias pessoais ou empresariais que influenciam a gestão do risco. Na JAPSeguros procuramos conhecer os nossos clientes, compreender os seus objetivos e antecipar as suas necessidades futuras. Essa capacidade de interpretar contextos, aconselhar estrategicamente e adaptar soluções continua a depender da experiência humana. Além disso, nos momentos mais sensíveis, como um sinistro complexo ou uma situação de elevada incerteza, os clientes valorizam a existência de um interlocutor que os acompanha, orienta e representa. Esse nível de proximidade continua a ser um dos maiores fatores de diferenciação da mediação prof issional.

Quais são as competências que vão distinguir os líderes do setor segurador nos próximos anos? Os líderes do futuro terão de combinar competências tecnológicas com uma forte capacidade humana. A inteligência artificial, os dados e a automação serão ferramentas fundamentais, mas a capacidade de interpretar informação, tomar decisões éticas e liderar equipas continuará a ser determinante.

“Quanto maior for a literacia financeira e seguradora da sociedade portuguesa, mais evidente será o valor acrescentado da mediação profissional.” laboradores e parceiros para criar relações duradouras e sustentáveis. As organizações que conseguirem desenvolver estas competências estarão mais preparadas para liderar num mercado em transformação constante.

Que legado ambiciona que a JAPSeguros deixe enquanto exemplo de referência na mediação de seguros? A nossa ambição é que a JAPSeguros seja reconhecida como uma organização que elevou os padrões da mediação de seguros em Portugal. Queremos ser uma referência pela confiança que inspiramos, pela excelência do serviço que prestamos e pela capacidade de inovar sem perder a proximidade com as pessoas. Mais do que crescer em dimensão, queremos contribuir para a valorização da profissão de mediador, demonstrando que o aconselhamento especializado continua a desempenhar um papel fundamental na proteção das famílias e das empresas.

Considero que existem três competências particularmente relevantes. A adaptabilidade, porque a velocidade da mudança será cada vez maior. A capacidade de aprendizagem contínua, uma vez que os modelos de negócio estão em permanente evolução. E a empatia estratégica, ou seja, a capacidade de compreender profundamente clientes, co-

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R-nuucell

“O sucesso nasce fora da zona de conforto” A R-nuucell nasceu da investigação académica e cresceu através da inovação, da resiliência e da aposta em decisões diferenciadoras. Andreia Valente explica como pretendem transformar conhecimento científico em soluções terapêuticas com impacto internacional.

“Mais do que o reconhecimento científico ou empresarial, o nosso maior objetivo é desenvolver soluções terapêuticas que contribuam para o combate a uma das doenças mais letais da humanidade.”

Andreia Valente Co-Fundadora e CTO

Houve algum momento em que a R-nuucell optou por seguir um caminho menos consensual? O que vos levou a acreditar que essa era a direção certa? O percurso da R-nuucell tem sido atípico, no melhor sentido da palavra. Tudo começou quando o Tec Labs, incubadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, nos desafiou a concorrer ao ScienceIN2Business, concurso que vencemos e que, no ano seguinte, nos trouxe investimento de Business Angels. Foi uma situação pouco comum para um projeto ainda numa fase inicial, mas revelou-se decisiva, pois permitiu dar continuidade ao trabalho e manter a patente internacional, essencial no desenvolvimento de novos fármacos. Esta oportunidade marcou também a passagem do contexto académico para o empreendedorismo, obrigando-nos a adotar uma visão

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mais abrangente sobre inovação, impacto e sustentabilidade. Em 2021, criámos a R-nuucell, que tem garantido sucessivos financiamentos através da conquista de prémios científicos internacionais, sem diluição de capital. Olhando para trás, percebemos que foram precisamente as decisões menos óbvias que mais contribuíram para o nosso crescimento. O sucesso raramente acontece dentro da zona de conforto.

O que ainda falta para que mais investigação de excelência consiga dar o salto para empresas tecnológicas globais e criar impacto internacional? O principal desafio no desenvolvimento de novos fármacos continua a ser o acesso a financiamento especializado. Em Portugal, a captação deste tipo de capital é ainda limi-

tada, apesar de serem necessários investimentos de cerca de 30 milhões de euros para alcançar as fases I ou II dos ensaios clínicos. Reforçar o apoio à inovação científica será essencial para transformar conhecimento em impacto económico e internacional.

Como se constrói uma cultura de inovação capaz de manter a equipa motivada, resiliente e focada, mesmo quando o sucesso depende de um longo percurso de validação científica e regulatória? Sendo químicas de formação, o nosso trabalho centra-se na criação de novas moléculas. Por isso, acreditamos que a motivação passa por não depender de um único caminho. Num setor em que os resultados podem demorar anos, é essencial criar metas intermédias que permitam reconhecer o progresso. Na R-nuucell, cultivamos uma cultura de inovação baseada na curiosidade científica e na capacidade de adaptação. Desenvolver vários projetos em paralelo permite gerir melhor o risco e manter o entusiasmo, porque cada avanço representa mais um passo em direção ao objetivo.

Qual gostaria que fosse o legado da R-nuucell: uma inovação terapêutica, um novo modelo de transferência de conhecimento ou a prova de que Portugal pode liderar ciência de fronteira com impacto global? Sem dúvida, uma inovação terapêutica. Isso significaria que conseguimos ultrapassar os desafios científicos, tecnológicos, regulatórios e financeiros inerentes ao desenvolvimento de um novo medicamento, oferecendo esperança a pessoas que enfrentam cancros para os quais ainda existem poucas respostas. Mais do que o reconhecimento científico ou empresarial, o nosso maior objetivo é desenvolver soluções terapêuticas que contribuam para o combate a uma das doenças mais letais da humanidade. Se o conseguirmos, esse será o legado mais importante que a R-nuucell poderá deixar.


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RDT Portugal

RDT Portugal: a aposta em engenharia feita à medida Num mercado em constante evolução, a RDT Portugal diferencia-se pela capacidade de criar soluções de engenharia à medida, colocando a inovação, a tecnologia e o conhecimento técnico ao serviço da competitividade empresarial.

pomos a combinação certa de engenharia, digitalização e manutenção.

“Não aplicamos modelos tipo: analisamos cada situação e propomos a combinação certa de engenharia, digitalização e manutenção.”

Como nasceu a operação da RDT em Portugal e de que forma a visão da empresa tem evoluído para responder aos desafios de um setor em constante transformação?

Ao longo do percurso da empresa, houve projetos ou colaborações que tenham representado um marco na afirmação da RDT em Portugal? Que impacto tiveram essas iniciativas para os clientes, para a indústria e para o desenvolvimento de soluções de elevado valor acrescentado?

A RDT chegou a Portugal em 2023, inicialmente para dar suporte a clientes com quem já colaborávamos noutras geografias do grupo. Hoje somos mais de 80 pessoas em Portugal com presença em todo o território nacional. A nossa visão evoluiu para o desenho de soluções à medida, quer no desenvolvimento de projetos de engenharia, quer no suporte contínuo às operações industriais dos nossos clientes.

Destacam-se vários projetos de engenharia, manutenção industrial e gestão de projeto nos setores aeronáutico, automóvel, Oil&Gas, alimentar e Pharma, que, em conjunto com a integração da Auditene, consolidaram a credibilidade técnica da RDT em Portugal.

Que serviços e soluções disponibiliza a RDT para apoiar a inovação, a eficiência operacional e a transformação tecnológica dos seus clientes?

O impacto mais visível está na melhoria da performance operacional e na flexibilidade que damos aos projetos, adaptando-nos às necessidades de cada cliente.

Combinamos duas frentes: engenharia, com consultoria técnica, auditorias energéticas, engenharia básica e de detalhe, licenciamentos, digitalização e BIM, e suporte às operações, com gestão de projetos, manutenção industrial, automação e digitalização de processos, acompanhando o cliente desde a conceção até à operação diária das instalações.

Quais considera serem os principais fatores diferenciadores da RDT Portugal que lhe permitem destacar-se num mercado altamente competitivo? O que nos diferencia é a capacidade de desenhar soluções customizadas, adaptadas à realidade de cada cliente, sustentadas por equipas próprias de engenharia e de suporte às operações e pela experiência do grupo RDT em mais de dez países. Não aplicamos modelos tipo: analisamos cada situação e pro-

Que objetivos estratégicos traça para a RDT Portugal nos próximos anos e que papel pretende que a empresa desempenhe na modernização da indústria e da economia nacional?

Nuno Pinto Diretor da RDT Portugal

O objetivo é continuar a incorporar, de forma crescente, novas tecnologias e ferramentas digitais nas soluções que desenhamos para os clientes, tornando a engenharia e o suporte às operações cada vez mais eficientes. Queremos consolidar a RDT Portugal como parceiro de referência na modernização da indústria nacional.

geral.portugal@rdt.com www.rdt.com

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Ortomedifar

Ortomedifar: 25 anos a inovar na saúde José Santos, CEO do Grupo Ortomedifar, partilha a visão estratégica da empresa, explica os fatores que têm sustentado o crescimento da rede e revela as oportunidades que o modelo de franchising oferece a novos investidores num setor em permanente evolução. A Companhia da Saúde & Bem-Estar é hoje uma das áreas de negócio do Grupo Ortomedifar e o franchising nº1 no comércio a retalho de artigos médicos, ortopédicos, saúde e bem-estar. Qual foi a visão que esteve na origem deste projeto? A Companhia da Saúde & Bem-Estar nasceu da vontade de tornar os produtos ortopédicos, médicos, saúde e bem-estar mais próximos das pessoas. Ao longo dos últimos 25 anos, o Grupo Ortomedifar acompanhou a evolução do setor e identificou a necessidade de criar uma rede especializada, capaz de oferecer soluções diferenciadoras, assentes em elevados padrões de qualidade e proximidade. O modelo de franchising surgiu como a solução ideal para expandir este conceito, preservando uma identidade forte e assegurando uma resposta consistente em todo o país.

pretende investir em franchising? A principal mais-valia reside no facto de o investidor integrar um grupo com uma experiência consolidada no setor do comércio a retalho de produtos ortopédicos, médicos, saúde e bem-estar. Beneficia de um modelo de negócio testado, de uma marca reconhecida e de um acompanhamento permanente. Mais do que utilizar uma insígnia comercial, o franchisado passa a fazer parte de uma estrutura que lhe disponibiliza formação, apoio operacional, estratégias de marketing, acesso aos melhores fornecedores, inovação constante e uma equipa dedicada ao sucesso de cada unidade.

O setor da saúde é cada vez mais competitivo. Como conseguem diferenciar-se? A diferenciação resulta da especialização e da proximidade. Trabalhamos diariamente para oferecer um serviço personalizado, produtos de elevada qualidade e aconselhamento especializado. Paralelamente, investimos continuamente na formação das equipas e na inovação dos serviços, porque acreditamos que a confiança dos clientes se conquista através da competência e da capacidade de responder às suas necessidades.

Que perfil procuram nos futuros franchisados?

“A diferenciação resulta da especialização e da proximidade. Trabalhamos diariamente para oferecer um serviço personalizado, produtos de elevada qualidade e aconselhamento especializado. Paralelamente, investimos continuamente na formação das equipas e na inovação dos serviços, porque acreditamos que a confiança dos clientes se conquista através da competência e da capacidade de responder às suas necessidades.” José Santos CEO do Grupo Ortomedifar

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O que faz da Companhia da Saúde & Bem-Estar uma oportunidade diferenciadora para quem

Procuramos pessoas empreendedoras, com capacidade de gestão e vontade de desenvolver um projeto sólido. Mais do que experiência no setor, valorizamos o compromisso, a motivação e a identificação com os valores da marca. O conhecimento técnico pode ser adquirido através da formação e do acompanhamento que disponibilizamos desde o primeiro dia. Atualmente, a rede conta com 12 unidades, das quais seis são próprias e seis franchisadas. Entre os franchisados existem perfis profissionais muito distintos, mas todos partilham a vontade e a disponibilidade para adquirir conhecimentos nesta área. Com a formação disponibilizamos e o acompanhamento permanente do Master Franchise, conseguem gerir o negócio com sucesso.

Que tipo de apoio recebem os parceiros ao integrarem a rede? O acompanhamento começa na fase de planeamento do investimento. O nosso conceito é um verdadeiro modelo “chave na mão”, es-


“Ao longo dos últimos 25 anos, o Grupo Ortomedifar acompanhou a evolução do setor e identificou a necessidade de criar uma rede especializada, capaz de oferecer soluções diferenciadoras, assentes em elevados padrões de qualidade e proximidade. O modelo de franchising surgiu como a solução ideal para expandir este conceito, preservando uma identidade forte e assegurando uma resposta consistente em todo o país.” tando presentes em todas as etapas do desenvolvimento do negócio. O apoio prolonga-se ao longo de toda a atividade da loja e inclui a seleção da localização, a implementação do espaço, a formação inicial, o apoio na abertura da unidade e o acompanhamento comercial e operacional contínuo. O objetivo é garantir que cada franchisado conta sempre com uma equipa experiente e preparada para apoiar o crescimento do seu negócio.

Quais têm sido os principais fatores de sucesso da Companhia da Saúde & Bem-Estar? O sucesso resulta da conjugação de vários fa-

tores: experiência acumulada da marca Companhia da Saúde & Bem Estar, capacidade de inovação, proximidade aos clientes, qualidade do serviço e uma relação de verdadeira parceria com os f ranchisados. Temos crescido de forma sustentada porque acreditamos que o sucesso da rede depende do sucesso de cada uma das suas unidades.

de vida continuarão a impulsionar o setor. O Grupo Ortomedifar, através da marca Companhia da Saúde & Bem Estar, está preparado para acompanhar esta evolução, investindo em inovação, tecnologia e novos serviços que acrescentem valor aos clientes e parceiros.

Que mensagem gostaria de deixar aos empresários que estão a considerar integrar a Companhia da Saúde & Bem-Estar? O franchising é uma excelente oportunidade quando assenta num projeto sólido e numa relação de confiança. Na Companhia da Saúde & Bem-Estar procuramos parceiros que queiram crescer connosco e contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Colocamos à disposição dos nossos franchisados 25 anos de experiência, uma estrutura consolidada e um compromisso permanente com a inovação, a proximidade e a excelência. É esta combinação que nos permite continuar a liderar e a crescer de forma sustentável.

Que tendências irão marcar o futuro deste mercado? O envelhecimento da população, o aumento da esperança média de vida e a crescente preocupação com a prevenção e a qualidade

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Manuport Logistics

Mais do que transportar, criar soluções Num setor em permanente transformação, a Manuport Logistics aposta na especialização, na tecnologia e, sobretudo, nas pessoas para responder aos desafios de uma Supply Chain cada vez mais complexa.

José Ferreira Diretor-geral

“Nesta atividade, o maior impacto virá sempre da intervenção humana, a tecnologia já é fundamental para retirar complexidade a algumas operações, efetuar analises de dados que nos permitam avaliar e decidir melhor, efetuar uma serie de tarefas automatizadas e “pesadas”, que permitem libertar as pessoas para a flexibilização, que falava há pouco por exemplo, para o relacionamento com o cliente.” Num setor onde a eficiência é frequentemente medida por indicadores operacionais, de que forma define verdadeiramente a excelência em logística e transportes e quais considera serem os fatores que distinguem uma empresa de referência? Na minha opinião, o “chapéu” logística e transportes abrange muitas etapas, muitos profissionais de variadas formações e carreiras, que fazem parte de um ecossistema global, o “Supply Chain”. Nos últimos 25 anos a liderar equipas em multinacionais, sempre ouvi falar dos

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conceitos de “one stop shop”, verticalização, etc., hoje, creio que a especialização, para além de nos diferenciar da concorrência, é a capacidade de reunir profissionais que prestem um serviço ao cliente de excelência, é para isso que trabalhamos, é por isso que nos distinguimos. Uma das nossas motivações: “One Contact. Zero Bullshit” visa aumentar o sentido de pertença, fiabilidade, transparência, flexibilidade e especialização, quer em mercadorias, quer nos diversos trades em que operamos. Paralelamente com uma criteriosa seleção de fornecedores, que apoiamos e suportamos e com

quem criamos verdadeiras parcerias, é onde queremos fazer a diferença.

Quais são as tecnologias que terão maior impacto nos próximos anos e como podem contribuir para aumentar a eficiência sem perder a componente humana do serviço? Nesta atividade, o maior impacto virá sempre da intervenção humana, a tecnologia já é fundamental para retirar complexidade a algumas operações, efetuar análises de dados que


nos permitam avaliar e decidir melhor, efetuar uma série de tarefas automatizadas e “pesadas”, que permitem libertar as pessoas para a flexibilização, que falava há pouco por exemplo, para o relacionamento com o cliente. Obviamente que hoje temos ferramentas IT, com recurso a IA, que nos permitem poupar tempo para outras tarefas. Temos hoje uma ferramenta que acompanha os nossos embarques, a nível marítimo, e atualiza automaticamente as datas previstas de chegada, quer no nosso sistema, quer em informação ao cliente. Tudo isto sem qualquer intervenção nossa. Já tivemos pessoas só a fazer esse seguimento. Isto permitiu-nos direcionar recursos para novos projetos. O poder da gestão estratégica aumenta através da informação gerada pelo negócio, devidamente tratada e analisada. O que conseguimos medir, seguramente gerimos melhor, logo, com mais tecnologia e cada vez mais com maior capacidade, obrigatoriamente teremos de aumentar a nossa eficiência nos processos e rentabilidades, mas sem nunca perder a componente humana, que é quem consegue personalizar o serviço ao cliente, que será cada vez melhor e mais eficiente, potenciado pela digitalização.

Como se constrói uma operação logística resiliente num contexto de incerteza permanente? É realmente difícil, mas na MPL, com 35 escritórios espalhados pelo mundo, com a capacidade acrescida da nossa empresa “Mãe” Euroports, com terminais e armazéns, num ambiente de decisão local, variadas alternativas multimodais e acima de tudo, com uma equipa experiente, rigorosa, focada e resiliente, que sabe escutar e analisar bem as necessidades dos nossos clientes, os possíveis constrangimentos para podermos oferecer alternativas viáveis. Ainda há pouco fomos colocados à prova a esse nível, com o fecho de Ormuz e a quantidade de carga que estava no mar, cujos armadores invocaram o termo da viagem numa qualquer parte do globo e tivemos de repensar e reposicionar todas as cargas. Não ficou nenhuma por chegar ao seu destino!

“Uma das nossas motivações: “One Contact. Zero Bullshit” visa aumentar o sentido de pertença, fiabilidade, transparência, flexibilidade e especialização, quer em mercadorias, quer nos diversos trades em que operamos. Paralelamente com uma criteriosa seleção de fornecedores, que apoiamos e suportamos e com quem criamos verdadeiras parcerias, é onde queremos fazer a diferença.” Que iniciativas considera essenciais para conciliar competitividade, redução da pegada ambiental e criação de valor para os clientes? É um novo paradigma que no nosso atual tecido empresarial, talvez não seja fácil de adaptar em pleno. Na MPL, é algo que já faz parte da nossa cultura. Temos relatório ESG, onde todos os escritórios são chamados a contribuir, a fazer correções e são suportados na mudança de mentalidades e custos operacionais dessas mudanças. Recentemente fomos reconhecidos através do rating/medal Ecovadis Top Platinium, um dos mais importantes neste campo. É um equilíbrio e uma preocupação constantes. Manter a competitividade, reduzindo a pegada ambiental.

A Manuport Logistics integra uma rede internacional, mantendo simultaneamente uma forte proximidade ao mercado local. De que forma este equilíbrio entre dimensão global e conhecimento local representa uma vantagem competitiva para as empresas portuguesas? As respostas anteriores, respondem por si só, a esta questão. Somos um grupo suficientemente grande para termos dimensão para negociações globais e efetuar alguma economia de escala, mas porque temos lideranças locais fortes e equipas muito profissionais e experientes, com grande know-how local, dá-nos uma vantagem competitiva reconhecida pelos nossos clientes. Temos um CEO que protagoniza uma liderança focada, forte e de grande proximidade, por isso conseguimos rapidamente agilizar soluções globais para os nossos clientes. Mover sinergias no sentido do serviço e satisfação do cliente.

Se tivesse de identificar uma mudança estrutural que irá transformar o setor da logística e dos transportes na próxima década, qual seria e que competências deverão os líderes desenvolver para antecipar essa nova realidade? A IA e a automação assumirão as tarefas rotineiras dos transportes e logística, e a MPL não será diferente, nos últimos dois anos, o grupo investiu mais de 30 milhões só neste domínio, mas nunca funcionaremos apenas com IA ou dados. O discernimento, a criatividade e as ligações das nossas pessoas serão mais importantes do que nunca, especialmente em momentos de disrupção no mercado. Os líderes precisam de compreensão digital, fortes habilidades interpessoais e capacidade de agir com rapidez e flexibilidade.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Daniela Correia

“O mérito constrói-se com competência e consistência” zada. Aprendi que o sucesso não depende da dimensão da cidade, mas da confiança conquistada, da qualidade do trabalho e da diferença que fazemos na vida das pessoas. Escolher Seia foi também afirmar que o interior dispõe de profissionais capazes de prestar um serviço jurídico de excelência, garantindo o acesso ao Direito e à Justiça.

Daniela Correia, Advogada e Docente, acredita que o sucesso se conquista pela confiança, rigor e dedicação, independentemente da geografia ou do género.

A sua experiência cruza a advocacia e o ensino. Como se complementam estas duas dimensões?

conjunto de factos e normas, mas também como histórias de vida. Nestas áreas, o rigor jurídico é indispensável, mas a empatia é igualmente essencial. Procuro defender os interesses dos meus clientes com objetividade, sem esquecer que cada decisão pode marcar profundamente a vida das pessoas. Exercer advocacia é unir competência técnica, sentido de justiça, humanidade e confiança.

A advocacia e o ensino têm em comum as pessoas. O conhecimento técnico é essencial, mas ouvir, comunicar e compreender diferentes realidades faz toda a diferença. A docência, sobretudo no Curso de Técnico de Serviços Jurídicos, permitiu-me acompanhar o crescimento de muitos jovens, promovendo competências técnicas, responsabilidade e ética. A advocacia permitiu-me levar para a sala de aula exemplos reais, aproximando os alunos da realidade e sociedade. Já o ensino levou-me a comunicar melhor, a manter uma aprendizagem contínua e a olhar o Direito de forma mais reflexiva. Acredito que esta complementaridade me tornou uma profissional mais completa.

Daniela Correia Advogada e Docente

“Escolher Seia foi também afirmar que o interior dis-

Exerce advocacia em prática individual longe dos grandes centros urbanos. De que forma esse percurso em Seia moldou a sua identidade enquanto advogada?

põe de profissionais capa-

Exercer advocacia em prática individual, no interior do país, ensinou-me que a essência da profissão está nas pessoas. Em Seia, a proximidade com a comunidade exige responsabilidade, rigor e humanidade, porque cada decisão tem impacto direto na vida de quem nos procura. Os desafios associados à desertificação, ao envelhecimento da população e ao menor dinamismo económico, obrigam, na prática, a uma constante adaptação e versatilidade. Vejo essas exigências como oportunidades para desenvolver uma advocacia próxima e personali-

jurídico de excelência, ga-

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zes de prestar um serviço rantindo o acesso ao Direito e à Justiça.” Grande parte do seu trabalho centra-se no Direito da Família e no Direito Criminal. Como equilibra o rigor jurídico e a dimensão humana? Nunca vejo um processo apenas como um

As mulheres continuam a enfrentar barreiras para afirmar o seu mérito? Que mudanças são necessárias? A sociedade evoluiu e há cada vez mais mulheres em profissões de elevada responsabilidade, mas persistem alguns estereótipos. Acredito, porém, que o mérito, a competência e a consistência acabam por prevalecer. A mudança passa por garantir igualdade de oportunidades e um reconhecimento baseado exclusivamente no talento, na preparação e no compromisso. Ganham os profissionais e a sociedade como um todo.

Que momentos marcaram o seu percurso e que mensagem deixa às mulheres que procuram construir uma carreira sólida? Os pontos de viragem foram os 20 anos de advocacia e os cerca de nove anos de docência. Cada caso reforçou a minha resiliência e sentido de responsabilidade, enquanto ensinar me obrigou a estudar continuamente e me deu a satisfação de contribuir para a formação de futuros profissionais. Às mulheres deixo uma mensagem: invistam no conhecimento, trabalhem com rigor e perseverança, assumam desafios e façam-se ouvir. Uma carreira constrói-se com competência, ética, coragem e dedicação.


Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Cristina Gonçalves

“Liderança é assumir responsabilidade pela própria vida” Para Cristina Gonçalves, a autoconfiança constrói-se quando a coragem supera o medo e a autenticidade se transforma no ponto de partida para liderar, empreender e viver de forma plena.

preparadas. Vejo também o medo o de serem julgadas. Quem transforma insegurança em ação é quem está cansada de encolher-se e decide que os seus sonhos são mais importantes do que a opinião alheia.

Acredito que a mudança mais profunda é cultural. Educam-se as mulheres para cuidar dos outros e deixar-se para último lugar. Valoriza-se a “menina boazinha” que é simpática e não dá problemas. Na vida adulta origina dificuldade de afirmação e a sensação de estar a falhar cada vez que querem afirmar-se. Precisamos também de ampliar a ideia de liderança. Liderança para mim é assumir responsabilidade pela própria vida, influenciar através da autenticidade e criar impacto sem abdicar de quem somos.

No seu percurso, em que momento percebeu que o verdadeiro desafio das mulheres não é a falta de capacidade, mas a dificuldade em reconhecer o próprio valor num mundo que ainda as pede para se encolherem? Ao longo destes 20 anos o que encontrei nestas mulheres (e em mim mesma) foi um padrão de adaptação antigo, onde aprenderam que era mais seguro agradar do que contrariar e corresponder às expectativas do que mostrar quem realmente eram. A maioria destas mulheres são competentes, inteligentes e dedicadas, mas não conseguem reconhecer essas qualidades. Em vez de insegurança, eu vejo mais como uma contração interior: um estado em que a mulher deixa de confiar na própria voz e vive presa na expectativa dos outros.

Que mensagem deixaria às mulheres que estão hoje entre o medo e o salto, qual seria o primeiro passo concreto que lhes pediria para dar para começarem a construir a vida que desejam? Façam esta pergunta: “Onde é que me estou a encolher para ser aceite?” Depois escolham uma ação concreta: ter a conversa que têm adiado, expressar uma opinião que costumam guardar, dizer “não” quando normalmente diriam “sim” ou aceitar uma oportunidade que têm recusado por medo. A coragem não aparece antes da ação, cresce e reforça-se sempre que escolhemos ser fiéis a nós próprias. Essa é a verdadeira liderança.

Quando fala de autoconfiança feminina, está a falar de força interior, de mentalidade ou uma forma de estar na vida? Como é que isso se traduz, na prática, para uma mulher que quer afirmar-se profissionalmente? A autoconfiança é coerência entre aquilo que pensamos, sentimos e fazemos, e isso traduz-se em força interior. Uma mulher mais segura expressa a sua opinião sem pedir desculpa, coloca limites sem culpa, deixa de minimizar as suas conquistas e assume oportunidades sem sentir que tem de provar constantemente que merece estar ali.

“Muitas mulheres já provaram inúmeras vezes a sua competência, mas continuam à espera de se sentirem preparadas. Vejo também o

Muitas mulheres chegam ao empreendedorismo ou à liderança depois de anos a duvidarem de si próprias. Que bloqueios continuam a aparecer com frequência e o que distingue quem consegue transformar insegurança em ação? O bloqueio mais frequente continua a ser o medo de não ser suficiente. Muitas mulheres já provaram inúmeras vezes a sua competência, mas continuam à espera de se sentirem

Na sua opinião, o que ainda falta em Portugal para que o empreendedorismo e a liderança feminina cresçam com mais consistência?

medo o de serem julgadas.”

Cristina Gonçalves Mentora, Coach e Autora

crisgoncalves.coach@gmail.com linkedin: crisgoncalves-mentora | tel: 929 012 021

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Diana Carneiro Dias

“A liderança constrói-se na coragem de aprender” Da banca à administração executiva da Transportes Metropolitanos de Lisboa, Diana Carneiro Dias acredita que o sucesso se constrói com trabalho, humildade e capacidade de adaptação. Defende que o medo faz parte do percurso e que são a aprendizagem contínua e a coragem de sair da zona de conforto que distinguem os verdadeiros líderes. Como se pode superar o medo do fracasso que persiste entre as empresárias portuguesas, apesar do seu elevado espírito empreendedor? O medo existe porque quem empreende ou assume novas responsabilidades sabe que vai ser avaliado pelos resultados. Nunca vi isso como um sinal de fraqueza. Pelo contrário, significa que existe consciência da responsabilidade. No meu caso, nunca tomei uma decisão profissional por sentir que tinha todas as respostas. Passei pelo setor financeiro, aceitei o desafio de trabalhar em Angola, mais tarde entrei no setor empresarial municipal e hoje integro o Conselho de Administração da Transportes Metropolitanos de Lisboa. Em todas essas mudanças houve sempre um grau de incerteza. O que me permitiu avançar foi confiar no meu método de trabalho e na capacidade de aprender rapidamente. A confiança não nasce antes de dar o passo; constrói-se durante o percurso. Por isso, acredito que a melhor forma de ultrapassar o medo é deixar de procurar o momento perfeito e começar a construir experiência.

Como administradora executiva dos Transportes Metropolitanos de Lisboa, que mensagem passa a esta nova geração que aspira alcançar o mesmo sucesso? Diria, antes de mais, que o sucesso não acontece de um dia para o outro. É construído diariamente, com trabalho, consistência, curiosidade, humildade e uma permanente vontade de aprender. O meu percurso demonstra que não existe um único caminho para chegar a funções de liderança. Comecei a trabalhar na área financeira, evoluí para funções comerciais, assumi responsabilidades de gestão financeira, trabalhei num contexto internacional, coordenei equipas e, só depois, cheguei à administração executi-

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va. Cada etapa trouxe novos desafios e novas aprendizagens, acrescentou competências diferentes e nenhuma delas teria sido possível sem disponibilidade para sair da zona de conforto e para reconhecer que havia sempre algo novo para aprender.

“O empreendedorismo exige disponibilidade e compromisso, mas não deve obrigar ninguém a escolher entre uma carreira ambiciosa e a vida familiar. Uma sociedade que valoriza este equilíbrio cria mais oportunidades para que o talento floresça.” Hoje tomo decisões estratégicas porque, antes disso, tive oportunidade de conhecer a realidade operacional e financeira das organizações, compreender os desafios das equipas e aprender com as pessoas que trabalharam comigo. À nova geração diria para não olhar apenas para o cargo seguinte, mas para aquilo que cada função pode ensinar. As carreiras mais sólidas são construídas pela acumulação de experiências e não pela rapidez com que se sobe. E há um valor que procuro nunca perder pelo caminho: a humildade. Humildade para reconhecer quando erro, para aprender com quem sabe mais, para dar os parabéns a quem alcança bons resultados e para atribuir o mérito a quem efetivamente faz acontecer. A liderança não se afirma pelo protagonismo, mas pela capacidade de fazer crescer as pessoas à nossa volta. É esse princípio que também procuro transmitir ao meu filho: podemos ter ambição e celebrar as conquistas, mas nunca devemos deixar que o sucesso se transforme em vaidade. Quanto

maior é a responsabilidade que assumimos, maior deve ser a capacidade de manter os pés assentes na terra, de ouvir os outros e de continuar disponível para aprender. A curiosidade, a capacidade de adaptação e a vontade de assumir responsabilidades acabam por fazer a diferença muito mais a diferença do que um percurso linear ou a pressa de chegar ao topo.

Que obstáculos elenca ao longo da sua carreira, para chegar à posição em que se encontra hoje? O principal desafio foi adaptar-me constantemente a contextos muito diferentes. Trabalhar em Angola obrigou-me a desenvolver uma enorme capacidade de adaptação e autonomia. O regresso a Portugal significou entrar numa realidade completamente distinta, ligada ao setor empresarial municipal, onde

“É fundamental dar maior visibilidade a percursos reais

e

diversificados,

aproximando

quem

já

construiu o seu caminho de quem está agora a iniciar o seu. Quando conhecemos histórias autênticas, percebemos que o sucesso raramente resulta de um percurso linear ou de uma oportunidade

única.

É,

quase sempre, o resultado de trabalho, persistência, capacidade de adaptação e aprendizagem contínua.”


uma preparação para a seguinte. Naturalmente, sendo mulher, existiram momentos em que foi necessário afirmar competências com maior consistência. Mas acredito que a credibilidade se conquista sobretudo através dos resultados, da preparação e da forma como trabalhamos com as equipas.

Que medidas devem ser implementadas em Portugal para fomentar o empreendedorismo da Mulher? Portugal dispõe hoje de uma geração de mulheres altamente qualificadas, preparadas e com vontade de criar valor. O verdadeiro desafio já não está na falta de talento ou de ambição, mas em criar as condições para que essa vontade se transforme em projetos consistentes e sustentáveis. Antes de pensar em novos programas de incentivo, importa compreender porque é que tantas mulheres revelam espírito empreendedor, mas continuam a duvidar da sua capacidade para concretizar as suas ideias. É fundamental dar maior visibilidade a percursos reais e diversificados, aproximando quem já construiu o seu caminho de quem está agora a iniciar o seu. Quando conhecemos histórias autênticas, percebemos que o sucesso raramente resulta de um percurso linear ou de uma oportunidade única. É, quase sempre, o resultado de trabalho, persistência, capacidade de adaptação e aprendizagem contínua. Ao mesmo tempo, devemos reforçar competências essenciais, como a literacia financeira, a gestão e a liderança. Muitas boas ideias não falham por falta de potencial, mas porque quem as desenvolve nem sempre dispõe das ferramentas necessárias para as transformar em projetos viáveis e duradouros.

diana carneiro dias Administradora da Transportes Metropolitanos de Lisboa

os desafios passavam pela implementação de instrumentos de controlo de gestão e pelo apoio à decisão estratégica. Outro obstáculo foi provar, em cada mudança de funções, que

a experiência adquirida anteriormente acrescentava valor ao novo desafio. Nunca considerei que uma função fosse um ponto de chegada; encarei sempre cada responsabilidade como

Por fim, é indispensável continuar a criar condições que permitam conciliar a vida profissional e pessoal. O empreendedorismo exige disponibilidade e compromisso, mas não deve obrigar ninguém a escolher entre uma carreira ambiciosa e a vida familiar. Uma sociedade que valoriza este equilíbrio cria mais oportunidades para que o talento floresça. E quando mais mulheres conseguem concretizar os seus projetos, beneficiam as empresas, fortalece-se a economia e ganha o país.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

daniela soares

“Os sonhos construem-se com trabalho, coragem e resiliência” Após reinventar a SensiSpa num dos momentos mais desafiantes da sua história, Daniela Soares acredita que o verdadeiro impacto do seu trabalho não se mede ao espelho, mas na forma como cada cliente se sente ao sair. Uma visão onde o autocuidado, a autoestima e o equilíbrio se tornam a essência do sucesso. demia. Foi nesse momento que assumi integralmente a liderança do projeto e senti que o futuro da SensiSpa dependia das minhas decisões. Em vez de recuar, escolhi reinventar a empresa. Foi um enorme desafio, mas também o período em que mais cresci enquanto pessoa e empresária. A SensiSpa não cresceu apenas em dimensão; foi aí que encontrou verdadeiramente a sua identidade.

Quando alguém entra na SensiSpa pela primeira vez, o que é que encontra, desde a forma como é recebido até à filosofia dos serviços? Gostava que cada pessoa sentisse que chegou a um lugar onde pode simplesmente parar. Mais do que tratamentos, oferecemos tempo, escuta, tranquilidade e uma experiência verdadeiramente personalizada. Na SensiSpa cuidamos do corpo, mas nunca esquecemos a pessoa.

Num mundo onde a estética é associada à aparência, a SensiSpa tem procurado falar de autoestima, autocuidado e equilíbrio emocional. Acredita que o maior “tratamento” que presta aos clientes nem sempre é visível ao espelho?

daniela soares CEO da SensiSpa

A SensiSpa nasceu em 2010 e, ao longo dos anos, tornou-se um conceito de bem-estar que integra saúde, beleza e experiências personalizadas. Se tivesse de escolher um único momento que simboliza a verdadeira “viragem chave” da empresa, qual seria e porquê? A verdadeira viragem aconteceu após a pan-

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Sem dúvida. Muitas pessoas chegam cansadas, ansiosas ou emocionalmente sobrecarregadas. Quando saem mais leves ou nos dizem “era mesmo disto que precisava”, percebemos que o verdadeiro tratamento foi muito além da pele. A beleza pode ser visível, mas o que realmente transforma uma pessoa é a forma como ela se sente consigo própria.

“No fim de tudo, percebi que o verdadeiro luxo não é aquilo que oferecemos. É conseguir fazer alguém sair da SensiSpa a sentir-se melhor do que quando entrou.”

Enquanto mulher, empresária e líder, houve alguma fase em que sentiu que estava a cuidar de todos, menos de si? O que aprendeu sobre liderança quando percebeu que cuidar da empresa também implicava aprender a cuidar de si própria? Sim. Durante muito tempo coloquei sempre a empresa, a equipa e os clientes à frente de mim. Com o tempo percebi que não conseguia cuidar verdadeiramente dos outros sem cuidar também de mim. Hoje sei que liderar é também encontrar equilíbrio.

Imagine que volta a 2010 e encontra a Daniela que está prestes a abrir as portas da SensiSpa. Sem lhe revelar o futuro, mas sabendo tudo o que viveu até hoje, o que lhe diria? Dir-lhe-ia apenas para continuar a acreditar. Haveria dias muito difíceis, mas seriam precisamente esses dias que fariam nascer a empresa que hoje existe. Desde muito nova havia uma certeza dentro de mim: um dia iria construir algo meu. Não sabia como, nem quando. Hoje percebo que os sonhos se construem todos os dias, com trabalho, coragem e resiliência. A Daniela de 2010 nunca imaginaria que o maior sucesso da SensiSpa nunca seriam os tratamentos que realiza, mas as pessoas que consegue tocar todos os dias No fim de tudo, percebi que o verdadeiro luxo não é aquilo que oferecemos. É conseguir fazer alguém sair da SensiSpa a sentir-se melhor do que quando entrou.


Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Patrícia Machado

Acreditar para construir uma marca com propósito Patrícia Machado transformou a BÃO num projeto movido pela paixão, autenticidade e persistência. Nesta entrevista, a CEO partilha como a coragem de acreditar deu origem a uma marca que hoje inspira e reforça a autoestima de milhares de mulheres. Houve algum momento em que sentiu que o futuro da BÃO dependia exclusivamente da sua capacidade de acreditar quando ainda ninguém acreditava? Como viveu esse período?

Enquanto mulher empreendedora, considera que ainda existe a necessidade de provar constantemente a competência e a legitimidade para liderar um negócio?

Sem dúvida. Houve momentos em que fui a única pessoa a acreditar que a BÃO podia tornar-se uma marca de referência. Comecei praticamente do zero, enfrentei imensas dificuldades, incertezas e muitos desafios. Mas nunca deixei que o medo fosse maior do que este meu sonho. Continuei a trabalhar, a aprender e a acreditar. Hoje olho para trás e percebo que a persistência e a paixão foram sempre a minha maior força.

Acredito que ainda existe esse desafio. Muitas mulheres sentem que precisam trabalhar mais para ver o seu mérito reconhecido. Ao longo do meu percurso aprendi que a melhor resposta é manter a consistência, a honestidade e a dedicação. Com trabalho, respeito pelas clientes e paixão pelo que fazemos, conquistamos a credibilidade e a confiança.

Que princípios ou valores pessoais se recusou a abdicar para fazer crescer a BÃO e de que forma esses mesmos valores se refletem hoje na identidade da marca? Nunca abdiquei da autenticidade, da proximidade e da qualidade. A BÃO nasceu para vestir mulheres reais, valorizando a feminilidade, o conforto e os pequenos detalhes que fazem a diferença. Costumo dizer que a BÃO é amor em forma de se vestir. Amo o que faço bem como amo fazer pessoas felizes. Acredito que uma peça de roupa pode transformar a forma como uma mulher se sente e se vê. Cada coleção é criada com muito carinho para que quem veste BÃO se sinta especial, bonita e confiante.

“A minha equipa, as costureiras, os fornecedores, os parceiros, a família e todos os que acreditam na BÃO são um pilar essencial. Eu sozinha não sou nada. Cada conquista é construída por algumas mãos e por pessoas que respiram este meu sonho.”

Qual foi o momento em que percebeu que a BÃO tinha passado de um projeto empresarial para uma marca com verdadeiro impacto na vida dos seus clientes e na comunidade? Percebi isso quando comecei a receber mensagens de mulheres a dizer que as nossas peças lhes devolviam autoestima, confiança e felicidade. Esse é o maior reconhecimento que posso receber. Mas sei também que nada disto seria possível sozinha. A minha equipa, as costureiras, os fornecedores, os parceiros, a família e todos os que acreditam na BÃO são um pilar essencial. Eu sozinha não sou nada. Cada conquista é construída por algumas mãos e por pessoas que respiram este meu sonho. É essa união que faz da BÃO muito mais do que uma marca, uma família.

Se pudesse deixar uma mensagem às mulheres que têm uma ideia de negócio, que aprendizagem retirada da sua própria história gostaria de lhes transmitir? Diria para não esperarem pelo momento perfeito, porque raramente ele existe. O mais importante é acreditar em si próprias, começar e não desistir perante os obstáculos. O caminho faz-se com coragem, dedicação e muita resiliência. Este ano celebramos dez anos de BÃO e esse #coisassimplesfazempessoasfelizes geral.baostore@gmail.com facebook: baostore.26 | instagram: @bao.26

Patrícia Machado CEO da BÃO

marco prova que os sonhos podem tornar se realidade quando são construídos com trabalho, amor e persistência. O maior orgulho não é apenas olhar o caminho percorrido, mas perceber que milhares de mulheres escolheram fazer parte desta história. Se puder inspirar outra mulher a dar o primeiro passo então tudo valeu a pena. Nunca deixem de acreditar no vosso valor. Nunca deixem que o medo seja maior do que a vontade de tentar.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Daniela de Sousa

A liderança faz-se de escolhas, resiliência e visão Para Daniela de Sousa, o fim de um ciclo pode ser o início de uma nova oportunidade. É essa convicção que inspira uma liderança assente na proximidade, na especialização e numa advocacia preparada para os desafios do futuro.

Quais foram os momentos que mais colocaram à prova a sua determinação e de que forma contribuíram para moldar a profissional e a líder que é hoje?

A insolvência e o direito fiscal são áreas exigentes. O que a levou a especializar-se nestes domínios e que princípios orientam a sua atuação?

Ao longo de 23 anos enfrentei inúmeros desafios. Construir um projeto próprio, conquistar a confiança dos clientes e afirmar uma marca num mercado competitivo obrigaram-me a crescer como advogada e como pessoa. Aprendi que não precisamos de definir, aos vinte anos, todo o nosso futuro. Podemos mudar, adaptar-nos e descobrir novos caminhos. Isso não é desistir, é evoluir.

O Direito Fiscal despertou o meu interesse ainda na faculdade, pela exigência técnica e constante evolução. Já o Direito da Insolvência nasceu de uma experiência pessoal. Cresci entre salas de ensaio de bandas de rock e percebi que o fim de um projeto pode representar um novo começo. Mais tarde reconheci essa mesma dinâmica no mundo empresarial, o que despertou a minha paixão por esta área. Gosto de acompanhar conflitos entre sócios, empresas em dificuldade e processos de reestruturação, procurando compreender a origem dos problemas e construir soluções sustentáveis. Quem chega ao meu escritório vive, normalmente, um momento de grande incerteza. O meu papel é transmitir tranquilidade, explicar as opções existentes e defender os interesses dos clientes com rigor, transparência e honestidade.

Enquanto mulher, advogada e empreendedora, sente que o seu percurso foi marcado por desafios relacionados com a liderança no feminino? Empreender em Portugal já é um desafio e, sendo mulher, sinto que, por vezes, ainda é necessário demonstrar mais aquilo de que somos capazes. Conciliar a liderança de um negócio com a vida pessoal exige determinação, preparação e resiliência. Apesar da evolução, persistem desafios próprios da liderança no feminino. Procurei sempre complementar o conhecimento jurídico com uma forte componente prática, passando pela Administração Tributária e por um escritório de Administrador de Insolvência. Essas experiências deram-me uma visão mais completa do sistema e permitem-me oferecer aos clientes uma abordagem prática, estratégica e orientada para soluções.

Como se constrói e mantém uma marca jurídica reconhecida?

Daniela de Sousa CEO e Advogada da DS Advogados créditos: Paula Valente

Uma marca jurídica constrói-se diariamente através da confiança que inspira e da forma como acompanha cada cliente. Na DS Advogados procuramos estar presentes nos momentos mais dif íceis, encontrando soluções com rigor, humanidade e responsabilidade. Queremos ser reconhecidos pela proximidade, competência técnica e acompanhamento permanente, para que cada cliente saiba que terá sempre alguém ao seu lado.

www.danieladesousa.com r. arq. camilo korrodi, terraços do marachão bl 4, 1º andar, loja 10 - 2400-111 leiria | 244 026 687

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“Procurei sempre complementar o conhecimento jurídico com uma forte componente prática, passando pela Administração Tributária e por um escritório de Administrador de Insolvência. Essas experiências deram-me uma visão mais completa do sistema e permitem-me oferecer aos clientes uma abordagem prática, estratégica e orientada para soluções.” Quais serão os grandes desafios para o Direito da Insolvência e o Direito Fiscal nos próximos anos? E de que forma pretende continuar a posicionar a DS Advogados como uma referência? Os maiores desafios passam pela crescente complexidade da legislação fiscal, pela adaptação à Administração Tributária e pela utilização da inteligência artificial. Estou igualmente convicta de que o Direito Fiscal e o Direito da Insolvência estarão cada vez mais interligados, exigindo uma visão integrada e transfronteiriça. Na DS Advogados continuaremos a investir no conhecimento e na especialização para prestar uma advocacia próxima, rigorosa e preparada para responder aos desafios do futuro.


Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Ana Gomes Alves

Quando a liderança nasce da complementaridade Entre o legado familiar e a exigência da advocacia, Ana Gomes Alves acredita que a verdadeira liderança nasce da competência, da colaboração e da capacidade de transformar preconceitos em resultados. Na FSA, onde existe uma representação numérica equilibrada entre homens e mulheres, existe esse mesmo equilíbrio na liderança e capacidade de decisão? O nosso escritório assenta desde a sua fundação, em 1971, numa forte ideia de amizade, responsabilidade e compromisso, entre os seus sócios e destes com os seus clientes. Assim o foi no início com os seus quatro sócios fundadores, um dos quais foi o meu pai que muito me ensinou e influenciou, pela forma séria, responsável e dedicada como sempre encarou a profissão e me transmitiu os seus valores e conhecimentos. Assim o é agora, com quem lhes sucedeu e com os sócios que reforçaram a sociedade, tornando-a progressivamente mais transversal e completa. Assumimo-nos como uma família: os advogados atuais e o legado nunca esquecido daqueles que fazem parte da nossa história. É profundamente motivador trabalhar num ambiente com este vínculo entre todos e com a nossa história comum. Estamos já na terceira geração de advogados e a questão de género é, e assim continuará a ser certamente, uma questão meramente biológica. Todos temos características pessoais diferentes, sendo homens ou mulheres, todos temos campos do Direito onde estamos mais especializados e é essa ideia de complementaridade que traduz a liderança, não centrada em alguém especificamente, mas na ideia de grupo que se complementa.

O seu percurso tem sido desenvolvido em áreas do Direito marcadas pela exigência técnica e pela responsabilidade das decisões.

“Assumimo-nos como uma família: os advogados atuais e o legado nunca esquecido daqueles que fazem parte da nossa história. É profundamente motivador trabalhar num ambiente com este vínculo entre todos e com a nossa história comum.” Que características pessoais acredita que a moldaram enquanto advogada? Um forte sentido de justiça, de ajuda aos outros, que, julgo, me caracteriza desde tenra idade, o desafio e o gosto de trabalhar em equipa. Sempre me incomodou a injustiça. A minha filha mais velha, hoje também membro da sociedade, quando era pequenina e me visitava a mim e ao avô, ainda nas antigas instalações, chegou a comentar com uma colega minha, que insistia para ela vir a ser no futuro advogada, que nunca o seria pois não queria lidar com os problemas dos outros. Ironicamente hoje faz parte da equipa. É uma profissão dura exatamente pelas razões que ela, ainda tão nova, apontou, mas extremamente recompensadora quando conseguimos ajudar quem da nossa ajuda necessita e repor a justiça.

Há quem defenda que as mulheres continuam a ser confrontadas com expectativas contraditórias: espera-se firmeza nas decisões, mas, ao mesmo tempo, uma postura mais conciliadora. Alguma vez sentiu essa dualidade ao longo da sua carreira? Sou, por natureza, uma pessoa conciliadora, mas o ser conciliador não significa que se seja menos firme ou seguro na tomada de decisões. O problema da afirmação da mulher na sociedade, em particular em profissões muito exigentes como a nossa, não é algo que se resolva por decreto, mas pelo exemplo. Há uma ideia construída ao longo de séculos de domínio masculino, de que a mulher é frágil, volúvel e por isso menos capaz de aguentar a pressão, a responsabilidade, e isso tem ainda inércia, mesmo em sociedades que se dizem evoluídas. Mas aqui vamos a um ponto distintivo: a

fernando alberto, gomes alves, marcos da silva, vieira de castro e associados sociedade de advogados , rl

Ana Gomes Alves Advogada

resiliência feminina. O aguentar o preconceito, mesmo quando este é dissimulado, e vencê-lo pela prática. Como a colaboração entre os colegas nas suas diferentes especializações jurídicas é importante, também a diferença entre os géneros é uma vantagem pela complementaridade que aporta. Assim o é na vida, ou num escritório de advogados como o nosso.

www.fsaadvogados.com | fsa@fsaadvogados.com largo república do brasil, 437 c - 4.º 4810-446 guimarães tel.: 253 420 550 | fax: 253 420 559

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carla correia

“Os cargos não definem um líder” Carla Correia construiu um percurso marcado pela resiliência, aprendizagem contínua e liderança centrada nas pessoas. Nesta entrevista, reflete sobre as decisões que moldaram a sua carreira e explica porque acredita que o maior legado de um líder se mede pelo impacto que deixa nos outros. Se pudesse voltar ao primeiro dia em que entrou na empresa, o que diria à profissional que era nessa altura? Iniciei este percurso como Técnica Superior de Segurança e Saúde no Trabalho, sem experiência, e rapidamente percebi que, embora a experiência seja importante, são a atitude, a curiosidade e a vontade de aprender que impulsionam verdadeiramente o crescimento. Nesse primeiro dia, diria à profissional para confiar nas suas capacidades e encarar cada desafio como uma oportunidade de aprendizagem e crescimento. Na altura, dificilmente imaginaria que, um dia, integraria o Comité Diretivo da Quirónprevención Portugal. Mais do que os cargos que fui assumindo, o que mais me orgulha é o percurso construído com trabalho, resiliência, consistência, interajuda e vontade de melhorar. O crescimento não aconteceu apenas pelos desafios superados, mas pela forma como cada um deles me transformou. Foram as aprendizagens, as pessoas com quem tive o privilégio de trabalhar e a vontade constante de fazer diferente que moldaram a profissional que sou hoje.

Ao longo do seu percurso, houve momentos em que teve de escolher entre permanecer na sua zona de conforto ou aceitar desafios para os quais ainda não se sentia totalmente preparada. Qual dessas decisões acabou por redefinir a sua carreira? Percebi que o crescimento acontece quando aceitamos novos desafios, mesmo antes de nos sentirmos totalmente preparados. Cada etapa, exigiu uma mudança de mentalidade e uma

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nova forma de olhar para o meu papel dentro da organização. Quando assumi a gestão de equipas, compreendi que liderar não é ter todas as respostas, mas criar as condições para que as pessoas cresçam e alcancem o seu melhor, tendo como foco a solução. Mais tarde, como Diretora da Zona Norte, desenvolvi uma visão mais estratégica, focada no impacto das decisões no negócio e nas pessoas. A integração no Comité Diretivo representou uma nova transformação, deixou de ser apenas gerir uma área para contribuir para a definição do rumo da Quirónprevención Portugal, conciliando visão estratégica, responsabilidade e compromisso com a missão da empresa. Hoje, reconheço que não foi uma decisão isolada que redefiniu a minha carreira, mas a escolha consciente de continuar a evoluir e abraçar a mudança. Cada desafio trouxe novas aprendizagens e mostrou-me que a verdadeira evolução acontece quando deixamos de questionar se estamos preparados e passamos a confiar na nossa capacidade de aprender, adaptar-nos e crescer. A maior lição é que a evolução profissional não acontece quando alcançamos um novo cargo, mas quando nos tornamos uma nova versão de nós próprios.

um percurso, mas não definem um líder. O que verdadeiramente transforma uma pessoa é a capacidade de continuar a aprender, inspirar confiança e colocar o propósito coletivo acima do reconhecimento individual.

Numa empresa cuja missão passa por cuidar das pessoas e das organizações, como se lidera o crescimento do negócio sem perder de vista a dimensão humana? Acredito que não existe crescimento consistente sem colocar as pessoas no centro das decisões. Quando as equipas se sentem valorizadas, ouvidas e apoiadas, os resultados surgem naturalmente. Ao longo do meu percurso, acompanhei situações em que a proximidade, a empatia e a capacidade de ouvir fizeram toda a diferença, tanto para colaboradores como para clientes. Numa empresa cujo lema é: “O nosso trabalho é cuidar do seu”, cuidar não pode ser apenas aquilo que oferecemos aos nossos clientes. Hoje, levo essa convicção para todas as decisões do Comité Diretivo. Liderar é encontrar o equilíbrio entre ambição e empatia, entre objetivos e pessoas, porque uma empresa cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela.

“Gostava de olhar para trás e sentir que a empresa está melhor do que a encontrei, não apenas pelos resultados alcançados, mas porque contribuí para que as pessoas acreditassem mais em si próprias, trabalhassem com propósito e percebessem que o sucesso nunca é uma conquista, mas uma construção coletiva.” Qual foi a mudança de mentalidade mais importante que teve de fazer para passar de executora a elemento do Comité Diretivo? A maior mudança foi deixar de olhar apenas para a execução e passar a pensar estrategicamente. Hoje, procuro soluções para o desenvolvimento do negócio, compreendendo o impacto das decisões nas pessoas e no futuro da organização. Integrar o Comité Diretivo exige uma visão mais abrangente, capacidade de antecipação e responsabilidade na tomada de decisão. Acredito que os cargos reconhecem

Há quem acredite que a progressão na carreira depende sobretudo do talento e quem defenda que depende das oportunidades. Olhando para o seu percurso, que peso atribui a cada um destes fatores e qual foi o terceiro elemento, menos evidente, que fez realmente a diferença? O talento é importante e as oportunidades são fundamentais, mas nenhum destes fatores produz resultados sem compromisso e consistência. No meu percurso, o que verdadeiramente fez a diferença foi a resiliência, a capacidade de acreditar, a vontade constante de aprender


“Hoje reconheço que não foi uma decisão isolada que redefiniu a minha carreira, mas a escolha consciente de continuar a evoluir e abraçar a mudança.” e a disponibilidade para assumir responsabilidades, sabendo que, mesmo quando algo não corre como esperado, é sempre possível encontrar soluções. As oportunidades surgem, mas é a forma como escolhemos aproveitá-las que determina o nosso crescimento.

Quando olhar para este percurso daqui a dez anos, que legado espera deixar dentro da empresa? Os resultados são importantes porque refletem o sucesso da organização, mas acredito que o verdadeiro legado está nas pessoas. Gostaria de ser lembrada como alguém que contribuiu para o crescimento da Quirónprevención Portugal. Gostaria que se lembrassem de alguém que sempre acreditou no projeto, que sempre procurou soluções, que desafiou e se desafiou, que ouviu, que inspirou confiança e que esteve presente nos momentos mais exigentes. Ao longo deste percurso, aprendi que os cargos são passageiros, os projetos terminam e os resultados, por muito importantes que sejam, acabam por dar lugar a novos desafios. O que permanece são as relações que construímos, a confiança que conquistamos e o impacto que deixamos na vida das pessoas. É esse o legado que espero deixar na Quirónprevención Portugal: uma cultura onde a exigência caminhe lado a lado com a empatia, onde o crescimento da empresa aconteça porque as pessoas também crescem e onde cada colaborador sinta que o seu contributo faz realmente a diferença.

carla correia

Gostava de olhar para trás e sentir que a empresa está melhor do que a encontrei, não apenas pelos resultados alcançados, mas porque contribuí para que as pessoas acreditassem mais em si próprias, trabalhassem com propósito e percebessem que o sucesso nunca é uma conquista, mas uma construção coletiva.

Comité Diretivo da Quirónprevención Portugal

quironprevencion.pt | 210 317 300 Saúde Ocupacional | Segurança no Trabalho Formação Profissional | Segurança Alimentar Manutenção de Extintores | Conrolo de Pragas

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Edite Menezes

Transformar vidas através de um sorriso Para Edite Menezes, o sucesso não se mede apenas pelos resultados clínicos alcançados, mas também pelo impacto que consegue ter na autoestima e na vida de cada paciente. A vontade de cuidar dos outros surgiu desde cedo e acabou por definir o caminho profissional de Edite Menezes. Depois de vários anos de experiência em diferentes clínicas, decidiu criar um projeto que refletisse a sua visão da Medicina Dentária. “Cuidar dos outros fazia parte de quem eu era e foi essa certeza que me levou a criar um espaço onde cada paciente se sente acolhido, acompanhado e tratado com proximidade”, afirma.

Entre os muitos casos que marcaram os seus 19 anos de carreira, há um que continua a recordar com especial emoção: o de uma menina de 11 anos que era vítima de bullying devido ao sorriso. Apesar de outras clínicas terem recusado o caso, decidiu aceitá-lo, acreditando que era possível devolver-lhe a confiança. “O nosso trabalho vai muito além de tratar dentes. Temos a oportunidade de devolver autoestima, confiança e qualidade de vida”, refere. Para si, esta experiência reforçou a convicção de que a Medicina Dentária pode transformar vidas e representar um ponto de viragem no percurso de muitas pessoas.

Porém, a criação da própria clínica trouxe consigo novos desafios. À prática clínica juntaram-se a liderança de equipas, a gestão diária e a necessidade de tomar decisões constantes. “Gerir uma clínica é muito diferente de exercer apenas a profissão, porque implica liderar pessoas, tomar decisões diariamente e aprender com os desafios que surgem pelo caminho”, explica. Ainda assim, cada obstáculo tornou-se uma oportunidade para crescer enquanto profissional de saúde, líder e empreendedora.

“Nunca deixei de fazer perguntas, de ouvir quem sabia mais do que eu e de procurar aprender todos os dias, porque acredito que a humildade é uma das maiores forças de qualquer líder.”

liderar sem abdicar da essência Embora reconheça os desafios da liderança, acredita que conquistou o seu espaço através da dedicação, humildade e vontade permanente de aprender com quem tinha mais experiência. “Nunca deixei de fazer perguntas, de ouvir quem sabia mais do que eu e de procurar aprender todos os dias, porque acredito que a humildade é uma das maiores forças de qualquer líder”, sublinha. É essa autenticidade que considera ser a base do seu percurso: “a paixão pelo que fazemos é aquilo que nos permite construir um percurso nosso, sem perder a essência nem o lado mais humano. Acredito que esse equilíbrio faz toda a diferença”.

uma equipa unida pelos mesmos valores Convicta de que o sucesso de qualquer projeto depende das pessoas que o integram, Edite Menezes procura rodear-se de prof issionais que partilham os mesmos princípios. O objetivo é garantir que cada paciente en-

Edite Menezes Diretora Clínica, Médica Dentista e Ortodontista

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contra um ambiente de respeito, dedicação e empatia desde o primeiro contacto. “Acredito que um bom tratamento não começa apenas no ato clínico. Começa no primeiro contacto, na forma como cada pessoa é recebida, acolhida e acompanhada”, sublinha. É por isso que faz questão de conhecer pessoalmente todos os pacientes na primeira consulta e de acompanhar muitos dos procedimentos mais exigentes, transmitindo segurança e tranquilidade. “Nunca quis que os pacientes sentissem que eram apenas mais um número. O mais importante é que saibam que são acompanhados de forma personalizada e humana”, acrescenta.

Para o futuro, Edite Menezes quer continuar a investir em novas tecnologias, expandir o projeto através da abertura de uma segunda clínica e manter intacta a identidade que sempre definiu o seu percurso. “Tenho muitos projetos e sonhos por concretizar. Celebrei 19 anos de atividade profissional, mas continuo com a mesma vontade de crescer”, conclui.


Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Inês Cortez

“Devemos ser autênticas, não perfeitas” Inês Cortez ajuda mulheres e homens a deixarem de viver para corresponder a expectativas, a reconhecerem o seu valor e a fazerem coincidir o que são por dentro com aquilo que comunicam por fora. Passou pelo design, gestão, comunicação, desenvolvimento humano e coaching de imagem. Foi a sua carreira que a transformou ou foi a sua transformação pessoal que redefiniu a sua carreira? Foi a minha transformação pessoal. Mas no início da vida profissional andei perdida. Trabalhei muito tempo na Plural/TVI, tinha estabilidade e bom ambiente, mas comecei a desejar que o meu trabalho fosse também o meu propósito de vida, útil e importante na vida das pessoas. Queria ser a dona do meu tempo e ter liberdade para a minha criatividade. A vida vai nos dando sinais, foi o que me aconteceu e despedi-me! Fui estudando desenvolvimento pessoal, fiquei encantada com o processo e tirei a certificação de coaching. Mas percebi que seria pouco e estudei outras áreas. O que fez a diferença foi o Human Design. Apliquei em mim, dando os passos certos, apesar do medo. Hoje vivo melhor do que sonhei!

Espera-se que as mulheres sejam competentes em todas as áreas. Qual é a expectativa mais difícil de desconstruir e que limita a forma como as mulheres lideram a vida? Devemos ser autênticas, não perfeitas… a supermulher não é boa para ninguém! Vai destruindo lentamente a saúde e vida amorosa. Os homens não querem a perfeição, querem conquistar a mulher feminina que se valoriza. Para nos mantermos femininas não podemos ter tudo às nossas costas, precisamos de aprender a dizer “não”. A mulher precisa de desconstruir a ideia de que tem de cuidar de todos, colocando-se em último lugar. Os filhos por exemplo, preferem ver a mãe feliz ao fim de semana, do que vazia, esgotada e sem paciência todos os dias. Não podemos dar aos outros aquilo que não temos. Para cuidar melhor da família, a mulher precisa de cuidar de si primeiro. Dessa forma terá o seu melhor para dar!

A sua metodologia parte da ideia de que “não basta ser, é preciso parecer” e vice-versa. Acha que as mulheres são avaliadas pela aparência antes de serem reconhecidas pelo talento? Como se combate essa realidade?

bonneville.photo

Sim. Mas a culpa não é só dos homens, muitas mulheres com pouca maturidade acabam por se objetificar pela forma como exibem o corpo em contextos desapropriados. Este comportamento está relacionado com fraca autoestima e necessidade de validação externa. Por não saberem o seu valor ou não o desenvolvem, apostam no corpo e na imagem. Mas depois podem não sustentar algo que conquistaram por parecer aquilo que não são. Não acho que devamos combater essa realidade, devemos aceitá-la e usá-la convenientemente. A energia fala mais alto que tudo, captamos o outro através dos cinco sentidos. Devemos apresentar-nos de forma coerente com a nossa essência, o contexto e os objetivos pessoais. Parecer aquilo que não somos é sempre arriscado. Devemos desenvolver o nosso melhor por dentro e por fora. É esse o meu trabalho, o programa SER desenvolve por dentro e o PARECER por fora.

Se pudesse regressar ao início da sua vida profissional, que ideia sobre liderança feminina lhe diria? Não me comparar com ninguém e brilhar na minha autenticidade. Dar o meu melhor com gratidão, paixão e entusiasmo e libertar-me da expectativa de resultados, confiando que serão os melhores. Quando me deparasse com obstáculos, manteria o foco no positivo, com a certeza de que o que está a acontecer serve de lição para passar ao patamar seguinte. Foi o que aconteceu na minha vida e o que testemunho nos meus clientes.

Inês Cortez Terapeuta e Life Coach

instagram: cortez_ines ·inesfca@gmail.com www.inescortez.com

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Cristina Maia

“Nada substitui construir algo com os nossos valores” funções sem espaço para errar e crescer. Como CEO, essa visão traduz-se em liderar com empatia e exigência — e na convicção de que envolver as pessoas nas decisões faz crescer uma equipa.

A marca tem conseguido conquistar uma comunidade global sem perder as suas raízes portuguesas. Como se constrói uma identidade suficientemente forte para ser reconhecida em mercados tão distintos e, ao mesmo tempo, manter a autenticidade que distingue a Hoooked?

Cristina Maia ceo

Num mundo dominado pela produção em massa, a Hoooked convida as pessoas a abrandar, criar com as próprias mãos e valorizar o processo. Até que ponto acredita que a empresa vende muito mais do que fios? Na Hoooked trabalhamos com fios, mas vendemos tempo, presença e um convite a criar de forma consciente. Cada novelo junta sustentabilidade, criatividade e bem-estar: reutilizamos desperdício têxtil europeu e transformamos resíduos em valor — e consumidores em criadores. Nascida na Alemanha, a viver em Portugal há 20 anos, sei que propósito só se sustenta com números. Hoje vendo histórias e orgulho do feito à mão — os fios são o veículo.

A Hoooked nasceu para provar que aquilo que muitos consideram desperdício pode ganhar uma nova vida. Acredita que essa filosofia também reflete a sua forma de liderar pessoas e de olhar para o potencial humano? De que forma essa visão influencia as decisões que toma enquanto CEO? A Hoooked nasceu da convicção de que o desperdício pode ganhar nova vida — olho para o talento humano da mesma forma, mas sem romantismo: potencial só conta se der resultados. Vi, no retalho, pessoas subaproveitadas em

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Uma identidade forte não se constrói a fugir das raízes, constrói-se a levá-las a sério. Nascemos em Portugal, no coração da tradição têxtil europeia, e é essa origem que nos abre mercados: produzimos localmente e apostamos na rastreabilidade, mostrando de onde vem cada fio. É essa transparência, mais do que qualquer campanha, que faz confiar em nós um parceiro em Tóquio como um em Lisboa.

“O mundo precisa de empresas que integrem resultados com propósito e a vossa bagagem é um ativo. Comecem pequeno, rodeiem-se de pessoas melhores do que vocês, e nunca abdiquem dos vossos valores.” Se pudesse voltar ao momento em que decidiu deixar uma multinacional para assumir a Hoooked, o que diria hoje à Cristina que estava prestes a dar esse primeiro passo? Dir-lhe-ia para confiar mais na intuição e menos no medo — sem confundir intuição com falta de plano. Diria também que os 20 anos de retalho, a conhecer lojas e cadeias de fornecimento por dentro, não foram um desvio: foram o treino perfeito. Nada substitui construir algo alinhado com os nossos valores. O resto aprende-se pelo caminho; a coragem do primeiro passo, essa sente-se

Para Cristina Maia, CEO da Hoooked, sustentabilidade, criatividade e liderança caminham lado a lado. Mais do que produzir fios, a marca inspira uma forma mais consciente de criar e de olhar para o valor das pessoas. Que mensagem gostaria que outras mulheres levassem consigo antes de decidirem escrever a sua própria história de empreendedorismo? Gostaria que outras mulheres soubessem que não têm de caber em nenhum molde — nem “empreendedora só coração”, nem “executiva só números”. As duas cabem na mesma pessoa, e essa é a vossa vantagem, não uma contradição a resolver. O mundo precisa de empresas que integrem resultados com propósito e a vossa bagagem é um ativo. Comecem pequeno, rodeiem-se de pessoas melhores do que vocês, e nunca abdiquem dos vossos valores.


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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Sandra Moura

A liderança que une empresas, pessoas e mulheres Sandra Moura defende que o sucesso feminino nasce da preparação, resiliência e capacidade de criar redes de apoio que permitam às mulheres crescer sem abdicarem de si próprias. mento e apoio às organizações. Foi aí que percebi que podia ajudar as empresas”, recorda. Dessa convicção nasceu, em 2007, a Laboral-Gest, dedicada à gestão laboral de micro, pequenas e médias empresas. Mais tarde fundou a RH Premium Consultores, especializada em auditorias, certificação e projetos do Portugal 2030, assumindo uma visão baseada na proximidade, confiança e criação de soluções adaptadas às necessidades de cada organização. “O nosso objetivo é sermos um verdadeiro parceiro das empresas”.

uma rede de apoio às mulheres A pandemia deu origem a outro projeto marcante. Percebeu que muitas mulheres empresárias enfrentavam os desafios da gestão praticamente sozinhas. Foi dessa realidade que nasceu a AMERC – Associação das Mulheres Empresárias da Região Centro. “A associação não surgiu por uma questão de feminismo, mas pela necessidade de criar um espaço de apoio e capacitação”, explica. Em menos de dois anos, a associação já reuniu mais de 120 associadas e passou a disponibilizar apoio jurídico e contabilístico, ações de formação e iniciativas dedicadas à liderança, comunicação, gestão e saúde mental. Mais do que uma associação, tornou-se uma rede de partilha e entreajuda. “Queremos lembrar-lhes que não precisam de ser perfeitas. Antes de tudo, são mulheres, com emoções, dificuldades e fragilidades, e não têm de enf rentar tudo sozinhas”, destaca.

sandra moura CEO da Laboral-Gest e Presidente da AMERC

Na sequência de um protocolo entre a Ordem dos Advogados e a Autoridade para as Condições do Trabalho, Sandra Moura acompanhou processos de contraordenação laboral e percebeu que os incumprimentos resultavam da falta de conhecimento da legislação. “As minhas duas paixões, o Direito e a Gestão de Recursos Humanos, começaram a cruzar-se numa perspetiva de prevenção, aconselha-

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o peso de provar mais Embora nunca se tenha sentido discriminada diretamente, reconhece que o caminho foi mais exigente por ser mulher. Nos primeiros anos percorreu milhares de quilómetros para conquistar clientes e afirmar a sua credibilidade. “Enquanto mulher, senti que tinha de fazer um esforço acrescido para afirmar a minha credibilidade”, relata. Ainda assim, considera que o maior desafio continua a ser a conciliação entre a vida pro-

“Queremos lembrar-lhes que não precisam de ser perfeitas. Antes de tudo, são mulheres, com emoções, dificuldades e fragilidades, e não têm de enfrentar tudo sozinhas.”

fissional e familiar. “Muitas vezes somos nós próprias que impomos níveis de exigência impossíveis, tentando ser excelentes profissionais, mães, esposas e gestoras ao mesmo tempo, esquecendo-nos completamente de cuidar de nós”, admite.

liderar é criar oportunidades Apesar dos desafios, acredita que as novas gerações encaram a igualdade de oportunidades e a partilha das responsabilidades familiares de forma diferente. As empresas valorizam cada vez mais o mérito, competências e soft skills, independentemente do género, acreditando que os Planos de Avaliação das Diferenças Remuneratórias demonstram uma evolução positiva. “Espero que se continue a criar condições para facilitar o acesso das mulheres ao tecido empresarial e que estas tenham mais oportunidades de assumir funções de liderança e responsabilidade”. Com uma longa carreira profissional, deixa uma mensagem às mulheres: “Não desistam dos vossos sonhos apenas porque o caminho parece dif ícil. Persistir, procurar apoio e não abdicar dos nossos objetivos é o maior exemplo que podemos dar aos nossos filhos. É através da perseverança, da resiliência e da determinação que mostramos que vale a pena lutar pelos nossos sonhos”, conclui.


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Elisabete Rica da Silva

Uma liderança construída na confiança e resiliência Ao longo de um percurso marcado por reinvenções e superação, Elisabete Rica da Silva consolidou um modelo de cuidados que privilegia a relação humana, provando que a credibilidade se conquista com consistência, competência e dedicação. Quais foram os momentos mais determinantes do seu percurso e como contribuíram para moldar a profissional e líder que é hoje? O meu percurso foi pouco convencional. Após concluir Medicina, o Internato Geral e três anos de Internato Complementar de Generalista, percebi que não me sentia realizada. Decidi recomeçar, conciliando o curso de Medicina do Trabalho com o Internato de Estomatologia, um enorme esforço que marcou a minha realização profissional. Esse percurso deu-me um know-how diferenciador e, aliado à confiança dos pacientes e ao apoio de uma equipa competente, consolidou a filosofia da Clínica Médica e Dentária Colégio Militar: quem nos procura é um paciente, nunca um cliente. Mais tarde, criei a Dentalestética, nas Amoreiras, para estar mais perto da minha família, o que foi um grande desafio gerir duas clínicas. Mais tarde, fundi ambas as unidades. A pandemia foi outro momento exigente, mas conseguimos preservar a equipa e regressar em segurança.

“Investimos na modernização dos equipamentos e dos meios de diagnóstico, sem abdicar da proximidade, confiança e acompanhamento personalizado.” Quais foram os principais obstáculos que encontrou ao longo da carreira e como conquistou credibilidade? Enfrentei dificuldades, mas tive sempre o apoio da minha família e de uma equipa de excelen-

tes profissionais, alguns comigo há mais de 25 anos. Um episódio marcante ocorreu quando um banco recusou financiar-me por ser uma mulher sozinha. Expus a situação ao gerente e, nesse dia, recebi um pedido de desculpas e a aprovação do crédito. A credibilidade foi conquistada através do nosso conceito diferenciador, assente na proximidade e não na lógica de grandes clínicas despersonalizadas. Estamos no mesmo local há mais de 30 anos, acompanhamos pessoas e famílias, chegando a tratar quatro gerações.

homens. Em Portugal, considero que esta realidade mudou menos do que aparenta.

Que mensagem gostaria de deixar às jovens profissionais? Às jovens deixo uma mensagem simples: nunca desistam dos vossos sonhos, confiem nas vossas capacidades e não procurem a perfeição. Com honestidade, competência e determinação, somos tão ou mais capazes do que os homens. Foi esse o exemplo que procurei transmitir às minhas filhas.

Não somos um consultório de rua ou de passagem, mas de famílias e pessoas f idelizadas que acreditam no nosso trabalho e na nossa honestidade.

Como tem acompanhado a evolução da medicina dentária e da estomatologia sem perder os valores que considera essenciais? A estomatologia evoluiu de forma extraordinária, o que exige aperfeiçoamento e atualização contínua de cursos e formações, muitos no estrangeiro. Mas, só assim sinto que consigo oferecer o meu melhor aos pacientes. Paralelamente, investimos na modernização dos equipamentos e dos meios de diagnóstico, sem abdicar da proximidade, confiança e acompanhamento personalizado.

Na sua perspetiva, o que significa ser uma mulher de sucesso? O sucesso pode ser pessoal, familiar ou profissional, mas equilibrar estas dimensões continua a ser dif ícil. Ainda hoje, as mulheres acumulam mais responsabilidades familiares e domésticas, o que condiciona o seu percurso profissional. Apesar de serem maioria na medicina dentária, os cargos de liderança continuam maioritariamente ocupados por

Elisabete Rica da Silva Diretora da Clínica Médica e Dentária Colégio Militar

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Diana Ribeiro

“Liderar é ouvir, compreender e envolver as pessoas” Ao longo da sua carreira, Diana Ribeiro aprendeu que a verdadeira liderança não se mede apenas pelos resultados, mas pela capacidade de inspirar, envolver e criar impacto duradouro. O seu percurso profissional tem sido marcado por uma evolução consistente nas áreas da Qualidade, Compliance e Auditoria. Olhando para trás, qual foi o momento que considera verdadeiramente decisivo para a construção da líder que é hoje? Não houve um único momento. Fui crescendo como profissional e como líder em cada decisão difícil, em cada auditoria e em cada projeto no qual transformei requisitos complexos em soluções úteis para as pessoas e para o negócio. Ao longo de mais de 15 anos, trabalhei com organizações de setores tão distintos como o farmacêutico, o forense, a saúde e a área laboratorial em geral. Apesar das diferenças, existia um propósito comum: aumentar a qualidade, melhorar processos, maximizar a produtividade e gerar confiança, sempre com as pessoas no centro. Essa diversidade ensinou-me que não existem soluções universais e que liderar é ouvir, compreender o contexto e envolver as pessoas.

Assumiu recentemente um novo desafio profissional. O que representou esta oportunidade, tanto a nível profissional como pessoal? Representou o início de um novo ciclo e a coragem de voltar a aprender. Depois de muitos anos num contexto que conhecia profundamente, senti que era o momento de sair da zona de conforto e colocar a minha experiência à prova num ambiente tecnológico, internacional e exigente. Quero continuar a aproximar qualidade, tecnologia e negócio, criando sistemas que melhorem o desempenho e transformem a conformidade em valor real. Esta mudança coincide com uma fase marcante: sou mãe há três anos. A maternidade tornou-me mais objetiva, mais consciente das minhas prioridades e ainda mais atenta às pessoas. Não reduziu a minha ambição; deu-lhe mais propósito.

Trabalha numa área onde o rigor, a tomada de decisão e a confiança são determinantes. Que competências considera essenciais para uma

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“Apesar da diversidade dos setores e dos desafios, o propósito foi sempre o mesmo: transformar conhecimento em melhores processos, melhores decisões e resultados sustentáveis, sem perder de vista aquilo que faz qualquer sistema funcionar — as pessoas.” mulher afirmar a sua liderança nestes contextos altamente exigentes? A competência técnica é indispensável, mas não chega. É preciso comunicar com clareza, saber ouvir, decidir com coragem e manter coerência entre o que se diz e o que se faz. Aprendi que não precisamos de pedir desculpa por sermos firmes, ambiciosas ou exigentes. A liderança não se afirma por falar mais alto, mas pela preparação, pela consistência e pelos resultados. Liderar é também criar condições para que outras pessoas cresçam.

Ainda persiste a ideia de que as áreas ligadas à qualidade, auditoria e compliance são mais técnicas do que humanas. De que forma procura demonstrar que a liderança nestes setores também passa pela capacidade de inspirar pessoas, criar cultura e gerar confiança? Nenhum sistema de gestão funciona apenas porque está bem documentado. Podemos ter bons procedimentos e ferramentas, mas, se as pessoas não compreenderem o propósito, o sistema nunca fará parte da organização. Trabalhei com sistemas de gestão, LIMS, gestão documental, auditorias, CAPA, indicadores e digitalização de processos. Em todos esses contextos, confirmei que a tecnologia só cria valor quando resolve problemas reais. A Qualidade não deve controlar pessoas

nem acrescentar burocracia; deve ajudá-las a trabalhar melhor, prevenir erros, decidir com mais informação e confiar nos processos.

Ao longo da sua carreira, encontrou desafios ou preconceitos por ser mulher em funções de liderança? Como transformou esses momentos em oportunidades de crescimento e afirmação profissional? Sim, sobretudo em contextos técnicos e comerciais, nos quais senti, por vezes, que a minha competência era testada de forma diferente. Essas situações ensinaram-me a preparar-me, a não diminuir a minha voz e a deixar que os resultados falassem por mim. Não gosto, porém, de romantizar esses obstáculos: as mulheres não deveriam ter de provar mais para verem o seu valor reconhecido. A participação em redes profissionais e iniciativas ligadas às mulheres na indústria reforçou a minha vontade de dar visibilidade ao talento feminino e abrir espaço para outras mulheres.

A sua experiência tem passado por diferentes organizações e contextos empresariais. Que ensinamentos leva consigo de cada etapa e de que forma essas vivências influenciam a forma como lidera equipas e gere a mudança? Levo sobretudo a capacidade de adaptação e a certeza de que a mudança não se faz por imposição. Trabalhar com diferentes organiza-


ções permitiu-me conhecer culturas e desafios muito distintos. Aprendi a observar antes de decidir, a adaptar a linguagem e a equilibrar o rigor técnico com o que é realmente aplicável. Percebi também que partilhar conhecimento faz parte da responsabilidade de quem tem experiência. O conhecimento ganha verdadeiro valor quando é colocado ao serviço dos outros.

Se pudesse deixar uma mensagem às jovens mulheres que ambicionam construir uma carreira de sucesso, qual seria o conselho que gostaria de lhes transmitir e que gostaria de ter ouvido no início do seu próprio percurso? Não esperem sentir-se totalmente preparadas para avançar. Muitas oportunidades surgem antes de termos todas as certezas, e a confiança

constrói-se depois do primeiro passo. Preparem-se, façam perguntas, criem redes e partilhem conhecimento. Não fiquem mais pequenas para caber nas expectativas dos outros. Escolham ambientes onde possam crescer sem perder quem são e, quando chegarem a posições de decisão, abram espaço para outras mulheres. Há espaço para todas, sem nos atropelarmos para crescer.

Num contexto em que as empresas enfrentam desafios constantes ao nível da inovação, sustentabilidade e conformidade, acredita que a liderança feminina traz uma perspetiva diferenciadora para a gestão e para a tomada de decisão? Porquê? A diversidade melhora a qualidade das decisões, não porque todas as mulheres liderem da mesma forma, mas porque experiências diferentes trazem perguntas diferentes, desafiam pressupostos e ajudam a identificar pontos cegos. As melhores equipas são aquelas onde existe confiança para discordar, questionar e construir uma solução melhor. Para mim, liderar é transformar conhecimento técnico em impacto, mantendo as pessoas no centro.

“Ao longo de mais de 15 anos, trabalhei com organizações de setores distintos, da indústria farmacêutica e forense à saúde e à indústria em geral. Apesar das diferenças, existia um propósito comum: aumentar a qualidade, melhorar processos,

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a

Diana Ribeiro Engenheira, Profissional da Qualidade e Transformação Digital

produtividade e gerar confiança, sempre com as pessoas no centro.”

mais de 15 anos de experiência nas áreas da qualidade, sistemas de gestão, melhoria contínua e transformação digital.

conheça o meu percurso profissional

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Cristina Albuquerque

“Temos de liderar com confiança, respeito e empatia” Cristina Albuquerque acredita que o sucesso no empreendedorismo nasce da coragem de avançar, da proximidade com as pessoas e da capacidade de transformar criatividade, resiliência e foco numa liderança sólida e inspiradora. Em que momento percebeu que o empreendedorismo era o caminho certo e quais foram os maiores desafios que enfrentou para afirmar uma liderança feminina num mercado tradicionalmente exigente? O grande gatilho para o empreendedorismo foi perceber que os clientes acompanhavam as minhas mudanças profissionais. Para onde eu ia, vinham comigo. Isso deu-me confiança para avançar. Acredito que o facto do mercado das marcas e da publicidade ser exigente, faz com que nós, mulheres, consigamos um lugar de destaque. As mulheres estão habituadas a gerir várias frentes em simultâneo, e essa capacidade pode ser uma vantagem na liderança.

“O grande gatilho para o empreendedorismo foi perceber que os clientes acompanhavam as minhas mudanças profissionais. Para onde eu ia, vinham comigo. Isso deu-me confiança para avançar.”

Ao longo do seu percurso, sentiu alguma vez que teve de liderar de forma diferente por ser mulher? Que preconceitos considera que ainda persistem para as mulheres que assumem cargos de direção e como acredita que podem ser ultrapassados?

Cristina Albuquerque Fundadora e Diretora Criativa da FAMTONE

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Sinceramente, não vejo que as mulheres tenham de liderar de uma forma diferente dos homens. Todos temos de liderar com confiança, segurança, respeito e empatia. Nunca deixei de avançar. Nunca deixei nada por dizer. Nunca permiti a linha para lá dos limites. Desde sempre fui muito firme e perseguidora dos meus objetivos. Acho que isso ajuda. Os preconceitos são ultrapassados com provas de que não passam disso mesmo. A forma como nos apresentamos traz o respeito que ambicionamos. Olhos

nos olhos é muito importante.

A FAMTONE distingue-se por criar ligações autênticas entre marcas e pessoas através da criatividade. De que forma a sua visão enquanto mulher, empreendedora e diretora criativa influencia a cultura da empresa, a relação com os clientes e a forma como desenvolvem soluções de comunicação? Sempre valorizei relações de confiança, e proximidade, e esses valores fazem naturalmente parte da cultura da agência. Somos Famtone, porque vivemos o tom da família e é neste ambiente familiar que temos vindo a crescer. Trabalhamos com marcas nacionais e internacionais de renome, com uma proximidade ímpar. Estamos sempre lá para os clientes, seja na disponibilidade, na criatividade, na entrega, ou na relação.

Num contexto em que a inovação exige constante reinvenção, como consegue equilibrar a criatividade com a gestão de um negócio em crescimento? Que competências considera terem sido essenciais para transformar uma ideia numa empresa consolidada e reconhecida? Este é o grande desafio. Tento cada vez mais separar a Cristina Diretora Criativa, da Cristina Gestora da Famtone. Uma leva-me a sonhar e a outra puxa-me os pés para a terra. Prefiro a Diretora Criativa, mas a outra coloca-se muito à minha frente. Diria que foco, antecipação, resiliência e capacidade para acompanhar o ritmo e tendências do mercado são competências cruciais.

Se pudesse deixar uma mensagem às mulheres que ambicionam criar o seu próprio projeto ou assumir posições de liderança, qual seria o conselho que gostaria de lhes transmitir? Se é para ser, que seja a sério, sem meio termo. Avança, se tiveres a certeza de que esta é uma missão de vida. Na dúvida, espera. Na certeza, não percas tempo.


Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Filipa Velez

Construir confiança é o verdadeiro investimento Para Filipa Velez, empreender é colocar as pessoas no centro de todas as decisões. Com essa visão, criou um conceito de serviço que privilegia relações duradouras, excelência e um acompanhamento que permanece muito para além da concretização do negócio. De que forma acredita que a sua visão enquanto mulher empreendedora contribuiu para criar um conceito de serviço que vai além da tradicional mediação imobiliária? Sempre acreditei que comprar uma casa ou mudar de país nunca é apenas uma transação, mas uma mudança de vida e, muitas vezes, o início de uma nova etapa. Desde o primeiro dia quis criar um serviço que acompanhasse o cliente antes, durante e depois da compra ou da mudança. Não queria apenas encontrar uma casa, mas garantir que cada pessoa sentisse que tinha alguém ao seu lado para tornar todo o processo mais simples e tranquilo. Mais do que mediação imobiliária, procuramos construir relações de confiança que perduram para além da entrega das chaves.

Qual considera ser o maior desafio de transformar um serviço altamente operacional numa experiência verdadeiramente humana e memorável? O maior desafio é nunca perder o lado humano. Os processos podem ser complexos, com muita burocracia e decisões importantes, mas do outro lado estão pessoas que vivem este momento com entusiasmo, ansiedade e expectativas. O nosso papel é simplificar o processo, antecipar problemas e dar ao cliente a tranquilidade de saber que está acompanhado em cada etapa. Quando sente que estamos genuinamente a cuidar de si, a experiência deixa de ser apenas um serviço e torna-se memorável.

Como desenvolveu a capacidade de antecipar as necessidades de um público internacional e exigente? E até que ponto considera a inteligência emocional uma competência diferenciadora na liderança feminina? Essa capacidade desenvolve-se com experiência, escuta ativa e uma curiosidade genuína pelas pessoas. Percebi que, muitas vezes, aqui-

lo que o cliente não diz é tão importante como aquilo que verbaliza. Saber interpretar esses sinais permite adaptar a comunicação, antecipar necessidades e encontrar soluções mais adequadas. A inteligência emocional desempenha um papel essencial. Não é uma característica exclusiva das mulheres, mas muitas líderes conseguem transformá-la numa vantagem, sobretudo em áreas onde a confiança e a relação com o cliente são determinantes.

“Mais do que mediação imobiliária, procuramos construir relações de confiança que perduram para além da entrega das chaves.” Que momentos mais desafiaram a sua confiança e que ensinamentos retirou dessas experiências? Empreender é aprender a lidar diariamente com a incerteza. Houve momentos em que tive de tomar decisões difíceis, assumir riscos e confiar na visão que tinha para a empresa. Também enfrentei desafios pessoais que reforçaram a minha resiliência e a forma como encaro o negócio. Aprendi que a credibilidade se constrói com consistência, transparência e cumprindo sempre aquilo que prometemos, mesmo quando isso exige um esforço adicional.

Que legado gostaria que a Private Exclusive Services deixasse e de que forma espera inspirar outras mulheres? Gostava que a Private Exclusive Services fosse

Filipa Velez Fundadora e Diretora da Private Exclusive Services

reconhecida por elevar os padrões de excelência do serviço personalizado em Portugal e por demonstrar que a confiança continua a ser o ativo mais valioso de qualquer negócio. Se os nossos clientes recordarem esta fase das suas vidas como uma experiência tranquila e positiva, sentirei que cumprimos o nosso propósito. E, se conseguir inspirar outras mulheres a acreditarem que é possível criar empresas diferenciadoras, assentes na competência, proximidade e dedicação, ficarei ainda mais satisfeita. São estes valores que permitem crescer de forma sustentável e construir relações duradouras.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Cátia Neves

Empreender com conhecimento, confiança e propósito A Bonabebe nasceu da vontade de responder às necessidades das famílias e de criar um espaço onde a segurança nunca fosse tratada como detalhe. Foi essa convicção que levou Cátia Neves a construir uma marca 100% portuguesa reconhecida pela forma como alia conhecimento, segurança e proximidade, construindo uma relação duradoura com as famílias.

Cátia Neves CEO da Bonabebe

Antes de criar a Bonabebe, Cátia Neves trabalhava na área da puericultura e incomodava-a ver famílias a receberem recomendações demasiado comerciais, muitas vezes sem fundamento científico, enquanto os profissionais enfrentavam horários exigentes e pouco compatíveis com a vida pessoal. Foi desse desconforto que nasceu o projeto. “Nunca quis simplesmente criar um negócio. Queria responder a uma necessidade real das famílias, oferecendo-lhes informação rigorosa e baseada no conhecimento”, explica.

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Desde o início, definiu dois pilares essenciais: conhecimento e ausência de julgamento. “A parentalidade é um período de grande vulnerabilidade. As famílias chegam muitas vezes cansadas, inseguras e sobrecarregadas. O nosso papel nunca é acrescentar culpa ou julgamento. É ouvir, compreender e ajudar a encontrar a solução que melhor se adapta à realidade de cada uma”. Assim, a Bonabebe surgiu como resposta a uma visão muito concreta: fazer diferente,

com mais verdade, rigor e humanidade porque acredita que a segurança infantil começa sempre no conhecimento.

empreender sem pensar em desistir Ao longo da trajetória, desistir nunca foi uma opção. Perante cada dificuldade, a pergunta nunca foi se deveria parar, mas o que ainda precisava de aprender. “Nunca pensei desistir da Bonabebe, da mesma forma que nunca pensei


“Nunca pensei desistir da Bonabebe, da mesma forma que nunca pensei desistir dos meus filhos. Vejo o empreendedorismo de uma forma muito semelhante à maternidade: há momentos difíceis, mas a questão não é desistir; é perceber o que preciso de aprender e de fazer de forma diferente.” desistir dos meus filhos. Vejo o empreendedorismo de uma forma muito semelhante à maternidade: há momentos difíceis, mas a questão não é desistir; é perceber o que preciso de aprender e de fazer de forma diferente”, revela. Essa visão revelou-se decisiva durante a pandemia, quando a empresa transformou o atendimento presencial em vídeos, reviews e aconselhamento à distância que ainda hoje mantem chegando a dar aconselhamento desde Portugal, Brasil e até ao Japão. Mais tarde, a perda do website obrigou a equipa a trabalhar durante mais de um ano com uma solução provisória. Em ambos os momentos, prevaleceu a capacidade de adaptação. “Sempre que surgiu um problema, procurei perguntar-me o que me estava a escapar, onde precisava de ajuda e o que ainda tinha de aprender. A curiosidade acabou sempre por ser mais forte do que o medo”. É essa perseverança que, para si, define o verdadeiro empreendedorismo: a capacidade de responder aos obstáculos com criatividade e humildade.

liderar também é aprender Ser mãe alterou profundamente a forma como Cátia Neves lidera a empresa. Mais do que lhe dar respostas, a maternidade permitiu-lhe compreender a pressão constante a que muitas mulheres estão sujeitas. “Ser mãe fez-me perceber a enorme pressão que muitas mulheres vivem diariamente. Existe uma expectativa permanente de perfeição e uma tendência constante para julgar todas as decisões relacionadas com os filhos”.

Foi por isso que quis construir na Bonabebe um espaço diferente, onde nenhuma mãe se sentia culpada pelas suas escolhas. “O nosso objetivo é que nenhuma mulher saia da Bonabebe a sentir-se uma má mãe apenas porque tomou uma decisão diferente daquela que alguém considera ideal”, destaca. Na prática, isso traduz-se numa escuta atenta, aconselhamento adaptado e recusa absoluta de julgamento. Além disso, acredita que a liderança não se mede pelo domínio de todas as respostas, mas pela capacidade de continuar a aprender. “Nunca achei que um líder tivesse de saber tudo. Pelo contrário. Liderar também é estudar continuamente, fazer perguntas, reconhecer quando não sabemos e ter humildade para continuar a aprender”. Uma filosofia que se reflete na cultura da empresa, onde o rigor técnico caminha sempre ao lado da empatia.

uma marca portuguesa feita de proximidade Num mercado altamente competitivo, a Bonabebe encontrou na autenticidade o seu principal fator diferenciador. Além da seleção criteriosa de produtos, a loja foi concebida para proporcionar uma verdadeira experiência às famílias, desde um Beetle onde as crianças podem brincar até uma árvore onde os pais deixam fotografias. “Somos conhecidos pela forma como recebemos as famílias. Quer entrem de roupa de praia, quer venham diretamente do trabalho, queremos que sintam que estão em casa”.

lação mesmo quando já não necessitam de adquirir produtos. “É impossível escolher apenas uma história, porque o propósito da Bonabebe não se revela num único momento. Revela-se em centenas de pequenos momentos que, juntos, nos lembram diariamente porque fazemos aquilo que fazemos”, resume. Entre esses momentos estão mães que entram na loja exaustas e saem mais confiantes por se sentirem finalmente ouvidas. “Se conseguirmos que uma família saia da Bonabebe mais tranquila e mais confiante do que entrou, mesmo que não compre nada, sentimos que já cumprimos uma parte importante da nossa missão”, assegura.

o sucesso mede-se pelas pessoas Quando olha para o percurso da Bonabebe, Cátia Neves revela que o maior motivo de orgulho é a equipa e a cultura que conseguiu construir. “O maior sucesso da Bonabebe é perceber que os nossos valores já não dependem de mim. Vivem em cada pessoa da equipa e em cada família que entra na nossa loja. Isso dá-me a certeza de que estamos a construir algo que perdurará muito para além de uma pessoa”. Nos próximos anos, a empresa prepara o lançamento de uma nova plataforma digital, a expansão da loja e do armazém e a integração de novas marcas. Ainda assim, o propósito mantém-se inalterado. “Não acredito que exista uma fórmula pré-definida para o sucesso no empreendedorismo, da mesma forma que não existe uma fórmula para ser mãe. O que me ajudou foi estudar, ouvir, errar, corrigir e nunca deixar de aprender”, conclui. É essa cultura, assente no conhecimento, respeito e empatia, que faz da Bonabebe muito mais do que uma empresa. Um projeto com alma, cuja missão se resume numa ideia simples, mas poderosa: proteger crianças através do conhecimento e cuidar das famílias através da confiança.

Essa proximidade traduz-se na fidelização de muitas famílias, que regressam para o segundo ou terceiro filho e, muitas vezes, mantêm a re-

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Filipa Carneiro

“Liderar é construir uma cultura sensível ao outro” Filipa Carneiro, defende uma gestão participativa e mais humanizada, onde a empatia, a cultura e o exemplo são pilares para transformar os cuidados de saúde e afirmar a liderança feminina. Enquanto diretora clínica, sente que ainda é necessário provar mais competência para conquistar credibilidade e influência? Que mudanças considera indispensáveis para que as futuras gerações de médicas possam liderar sem esse peso? Penso que a maturidade e a autoconfiança do gestor serão suficientes na tomada de decisão, tendo por princípio o benefício do maior número possível de pessoas. Vejo a gestão como uma arte, filosófica e técnica. Beauvoir ensinou que “não se nasce mulher, torna-se mulher”; Edith Stein via na mulher a vocação de humanizar a si e aos outros. Relativamente à nomeação de cargos de gestão de topo, defendo as quotas até a cultura se tornar mais permeável ao feminino.

Num contexto em que os indicadores e a pressão assistencial ocupam grande parte do dia a dia hospitalar, como se preserva o lado humano da medicina? Preservo o lado humano na inegociabilidade da ética com escuta atenta para a catarse, sobretudo dos líderes intermédios. Sigo a ética do cuidado de Carol Gilligan: a maturidade nasce da ligação entre pessoas. Invisto numa cultura humana em que a dignidade e os direitos humanos têm a intocabilidade obrigatória.

No seu mais recente livro defende que “o importante é que a poesia também toque as pessoas e as leve a refletir”. Acredita que essa

mesma capacidade de provocar reflexão e empatia faz hoje falta ao sistema de saúde? Como é que a cultura, a literatura ou a arte podem contribuir para cuidados mais humanizados? Sim. A poesia e a literatura dão plasticidade à interpretação de significados e valorizam a alteridade, que envolve compaixão e empatia. Aplico isto no dia a dia: perceber o significado motivacional do desempenho, dignificar o trabalho, reconhecer o esforço com justiça e equidade. A arte permite desvendar e criar o real, abrindo espaço à inovação no imprevisível.

Ser mulher, médica, gestora e escritora implica conciliar diferentes dimensões da vida. Em algum momento sentiu que lhe foi pedido escolher entre a exigência profissional e a expressão mais pessoal e criativa? Aprendi a não escolher, mas a integrar, com plasticidade para me adaptar. A escrita dá-me leveza; a gestão, estrutura; a medicina, propósito. Equilíbrio não divide o tempo, integra-o com sentido. Todas as funções desempenhadas terão de ter a consciência do impermanente e irrepetível, num compromisso de vivência plena, dignificante e desapegada.

Se pudesse deixar uma marca duradoura na saúde portuguesa, qual gostaria que fosse? Que legado espera construir para os profissionais, para os doentes e para o papel das mulheres na liderança da saúde? Liderar no feminino é construir uma cultura

“Preservo o lado humano na inegociabilidade da ética com escuta atenta para a catarse, sobretudo dos líderes intermédios. Sigo a ética do cuidado de Carol Gilligan: a maturidade nasce da ligação entre pessoas. Invisto numa cultura humana em que a dignidade e os direitos humanos têm a intocabilidade obrigatória.”

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Filipa Carneiro Diretora Clínica de Cuidados de Saúde Hospitalares da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa

sensível ao outro, seja um doente, parceiro social, profissional, numa integração interdisciplinar e multidisciplinar dos cuidados. O legado que quero deixar é o de uma gestão participativa, inovadora, transmissível com tolerância mútua, comprometida com a dignificação do ser humano. Só liderando pelo exemplo, ao nível macro, se replica coesão nas equipas. Para as mulheres na saúde, o exemplo de que se pode liderar com sensibilidade feminina, entusiasmo, confiabilidade, competências relacionais interculturais, progressistas e inclusivas na justiça social.


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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Daniela Santos

“Liderar é ser fiel aos valores que defendemos” Depois de uma carreira consolidada na área financeira, Daniela Santos encontrou na saúde mental a sua verdadeira vocação. Entre a experiência pessoal, a formação contínua e o desejo de compreender o sofrimento humano, defende que liderar é viver de forma coerente, assumir responsabilidade e criar espaço para que cada pessoa possa encontrar o seu próprio caminho. Falar de Daniela Santos é falar de uma mulher que nunca permitiu que o passado determinasse o seu futuro. Cresceu em instituições e viveu uma infância e adolescência marcadas por profundas adversidades. Ainda assim, recusou deixar-se limitar pelas circunstâncias e traçou, desde cedo, um objetivo claro: construir uma vida diferente. Trabalhou, estudou em horário pós-laboral, constituiu família, tornou-se mãe de três filhos, desenvolveu uma carreira sólida na área financeira, criou uma microempresa e chegou a viver nos Estados Unidos, sempre numa procura constante de compreender a sua própria história. “Durante muitos anos, sabia exatamente para onde não queria ir. Foi isso que me levou sempre a seguir em frente e a acreditar que também conseguiria construir a vida que desejava”, recorda. Depois de anos de estabilidade prof issional, percebeu que já não se identif icava com a

“Liderar é, acima de tudo, assumir responsabilidade pelas próprias escolhas, criar condições para que os outros também possam crescer, ser fiel aos valores que defendemos e abrir espaço para que cada pessoa encontre o seu próprio caminho.”

Daniela Santos Mestre em Psicologia

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“A nossa história influencia-nos profundamente, mas não tem de determinar quem podemos vir a ser. Muitas vezes, aquilo que hoje nos faz sofrer foi, em tempos, a melhor solução que encontrámos para sobreviver ao contexto em que vivíamos”. carreira que tinha construído. A decisão de mudar trouxe medo, dúvidas e insegurança, mas abriu caminho para uma descoberta transformadora. Primeiro surgiu o coaching, depois, o desejo de compreender verdadeiramente o sof rimento humano conduziu-a ao curso de Psicologia. “Passei 47 anos a construir uma carreira, mas foi aos 47 que encontrei a minha verdadeira vocação”, destaca. Para Daniela, recomeçar não significa apagar o passado, mas dar-lhe um novo significado. “A nossa história influencia-nos profundamente, mas não tem de determinar quem podemos vir a ser. Muitas vezes, aquilo que hoje nos faz sofrer foi, em tempos, a melhor solução que encontrámos para sobreviver ao contexto em que vivíamos”.

compreender a pessoa para lá do diagnóstico Ao longo do seu percurso, consolidou a convicção de que compreender alguém exige olhar muito para além dos sintomas. Mais do que identificar um comportamento, importa perceber o seu significado, o contexto em que surgiu e a função que desempenhou na vida da pessoa. “Interessa-me compreender a pessoa que existe por detrás do diagnóstico. Duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico e histórias completamente diferentes. O essencial é olhar para cada indivíduo como uma história única, com marcas próprias, ritmos distintos e formas singulares de sofrer e de se reconstruir”. Esta visão tornou-se igualmente central na sua forma de entender a liderança. Para Daniela, liderar implica coerência entre o discurso e a ação, responsabilidade pelas próprias escolhas e capacidade para criar condições de crescimento nos outros. “Liderar é, acima de tudo, assumir responsabilidade pelas próprias esco-

lhas, criar condições para que os outros também possam crescer, ser fiel aos valores que defendemos e abrir espaço para que cada pessoa encontre o seu próprio caminho”. mulheres, culpa e o direito de cuidar de si A experiência profissional permitiu-lhe identificar um padrão recorrente na vida de muitas mulheres: a tendência para colocarem sistematicamente as necessidades dos outros acima das suas. Entre os papéis de mães, companheiras, filhas, cuidadoras e profissionais, vivem frequentemente numa tentativa constante de corresponder às expectativas, esquecendo aquilo de que verdadeiramente necessitam. “A maioria das mulheres não procura ajuda por falta de força; procura porque carregou, durante demasiado tempo e muitas vezes sozinha, um peso excessivo”, explica. Na sua perspetiva, continua a existir uma valorização social da mulher que suporta tudo em silêncio, nunca falha e responde sempre a todas as exigências. O problema surge quando, para corresponder a esse ideal, começa a afastar-se de si própria e deixa de saber responder a uma pergunta essencial: ‘O que é que eu preciso?’.

burnout, limites e comunicação O aumento dos casos de burnout resulta, em grande medida, da dificuldade em reconhecer necessidades, estabelecer limites e comunicar o que se sente. Vivemos numa sociedade acelerada, onde as exigências profissionais se acumulam com as responsabilidades familiares e onde as redes sociais alimentam comparações permanentes e a ideia de que é preciso fazer sempre mais. A própria viveu essa experiência enquanto conciliava trabalho, estudos, família e maternidade. “Houve uma altura em que simplesmente deixei de conseguir. Foi aí que

percebi a importância de estabelecer prioridades e reconhecer que ninguém consegue chegar a todo o lado”, admite. Aprender a estabelecer limites é, por isso, uma das maiores formas de autocuidado. Apesar da evolução da sociedade, considera que continua a existir um forte estigma em torno da saúde mental e acredita que a Psicologia deve ser encarada não apenas como resposta ao sofrimento, mas também como ferramenta de prevenção, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. “A Psicologia ajuda as pessoas a compreenderem-se melhor, para que possam viver de forma mais consciente, coerente consigo próprias e alinhada com aquilo que verdadeiramente valorizam”, sublinha.

ser mulher é ter o direito de escolher Para Daniela Santos, uma das mudanças mais importantes da sociedade passa por deixar de elogiar apenas a capacidade de sacrifício das mulheres e começar a valorizar quem estabelece limites, pede ajuda, diz ‘não’ quando necessário e escolhe viver de acordo com os próprios valores, mesmo que implique desiludir expectativas. “Precisamos de deixar de acreditar que cuidar de nós é egoísmo. Só quando nos cuidamos verdadeiramente é que conseguimos cuidar dos outros sem nos perdermos pelo caminho”, defende. Acredita igualmente que as mulheres devem sentir-se livres para perseguir os seus sonhos sem culpa, independentemente da idade ou da fase da vida em que se encontram. “Nunca é tarde para sermos verdadeiramente nós próprias. Nunca é tarde para procurar aquilo que nos faz sentir vivas”. Porque, no final, o verdadeiro sucesso não está em corresponder ao que os outros esperam, mas na coragem de escolher uma vida coerente com quem realmente somos. “Somos sempre muito mais do que aquilo que nos aconteceu”, conclui.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Filipa Matias Magalhães

“A competência não tem género” Para Filipa Matias Magalhães, o incentivo ao empreendedorismo feminino não se resolve apenas através da legislação. É necessário transformar a sociedade, combater preconceitos e garantir às mulheres conhecimento, oportunidades e condições para desempenharem os cargos e papéis onde estão sub-representadas.

Como advogada, consultora, formadora e docente, que mensagem passa a esta nova geração que aspira alcançar o mesmo sucesso? À nova geração que inicia agora o seu percurso profissional gostava de dizer que ser mulher não é um limite e que as vossas capacidades não dependem do género, não tentem ser como os homens ou ceder aos papéis ou estereótipos sociais, nem nunca permitam que vos neguem oportunidades ou sonhos “apenas por serem mulheres”. Nunca deixem de acreditar nos vossos sonhos e lutem para os alcançar, acreditando que isso só depende da vossa competência, capacidade, trabalho, disciplina e resiliência. No vosso percurso tratem sempre os outros com respeito e gentileza, ajudem e deixem-se ajudar, celebrem genuinamente as conquistas dos vossos colegas de trabalho e acreditem que as boas relações profissionais são uma mais-valia. Que as barreiras que as mulheres enfrentam não sejam erguidas por outras mulheres! No meu caso, a minha realização profissional advém do facto de ser profundamente apaixonada pelo meu trabalho, trabalhar nas áreas que adoro e me sentir realizada sempre que melhoro a vida das outras pessoas. Tenho também a felicidade de o meu trabalho me ter aproximado de pessoas fantásticas, com quem aprendi muito, e que em alguns casos se tornaram grandes amigos. Na vida, todos somos como um malabarista que tenta manter no ar os seus papéis, sonhos, projetos e objetivos. Este foi o meu maior desafio, mas, quando aceitei que a perfeição não existe e defini as minhas prioridades, com disciplina, foco, resiliência, organização e apoio familiar, consegui conciliar todos os meus papéis e é neste equilíbrio que sou

feliz e realizada na vida e no trabalho e encaro a vida com leveza, alegria e empatia.

Que obstáculos elenca ao longo da sua carreira, para chegar à posição em que se encontra hoje? O maior obstáculo que tive que ultrapassar resultou, sem dúvida, da parentalidade que fez com que tivesse enfrentado barreiras na minha profissão, barreiras que optei por ultrapassar e não permitir que me desanimassem ou fizessem recuar nos meus projetos e objetivos e limitar os sonhos, mas sim que servissem como desafios para alcançar os meus objetivos.

Que medidas devem ser implementadas em Portugal para fomentar o empreendedorismo da Mulher? A resposta mais fácil seria dizer que tudo se resolveria com mais e melhores leis. Todavia, não acho que esta seja a resposta correta, pois os direitos só conseguem dar frutos num terreno preparado para os respeitar e a nossa sociedade ainda reserva para a mulher um lugar menor. E por isso, acho que a primeira luta deveria ser para mudar as mentalidades e derrubar estereótipos e preconceitos, corrigir as diferenças entre homens e mulheres na linha de partida, facilitar o acesso ao conhecimento e formação, nas áreas onde as mulheres estão sub-representadas, e criar incentivos capazes de as atraírem para esses domínios, bem como uma rede de apoios que permita conciliar responsabilidades profissionais com a vida pessoal e familiar.

“À nova geração que inicia agora o seu percurso profissional gostava de dizer que ser mulher não é um limite e que as vossas capacidades não dependem do género, não tentem ser como os homens ou ceder aos papeis ou esteFilipa Matias Magalhães Advogada, Consultora, Formadora e Docente do Ensino Superior

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reótipos sociais, nem nunca permitam que vos neguem oportunidades ou sonhos “apenas por serem mulheres”.


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Filomena Marques

“A liderança constrói-se pela capacidade de concretizar” Filomena Marques partilha como a resiliência, a consistência e a valorização das pessoas têm sido determinantes para impulsionar o crescimento sustentável da Telemiran e transformar ambição em realização.

“Represento a Telemiran com profissionalismo, ética e responsabilidade, convicta de que a credibilidade, a consistência e a qualidade são determinantes para reforçar a imagem da empresa e impulsionar um crescimento sustentável.” Quais foram os momentos que mais desafiaram a sua determinação e de que forma contribuíram para moldar a profissional que é hoje?

Que mudanças ainda são necessárias para que mais mulheres possam alcançar posições de decisão nas empresas?

Ao longo do meu percurso, houve momentos em que a minha determinação foi posta à prova, sobretudo pela necessidade de afirmar a minha competência enquanto mulher. Com o tempo, percebi que a minha forma de liderar, baseada na proximidade, na escuta e no respeito pelas pessoas, era uma das minhas maiores forças. Hoje vejo os desafios como experiências que me tornaram uma profissional mais resiliente, mais segura nas minhas decisões e mais consciente do impacto de uma liderança inclusiva.

É essencial garantir que promoções e oportunidades de liderança sejam baseadas no mérito, nas competências e no desempenho, livres de preconceitos. Também é muito importante reforçar políticas que promovam o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, permitindo que homens e mulheres possam desenvolver as suas carreiras em condições semelhantes. O objetivo deve ser criar um contexto em que o acesso às posições de decisão dependa exclusivamente do talento, da competência e dos resultados.

Que características acredita que a liderança feminina pode acrescentar à gestão comercial e ao crescimento sustentável de uma empresa?

O que considera decisivo para transformar ambição em realização?

Acredito que a liderança feminina pode trazer um contributo muito positivo, sobretudo através da capacidade de ouvir, da empatia, da proximidade com as pessoas e da atenção às relações. Estas características são importantes, porque permitem compreender melhor os clientes e os desafios do negócio. A minha experiência mostrou-me que liderar não é apenas alcançar resultados, mas também criar um ambiente onde as pessoas se sintam valorizadas e motivadas.

Que princípios orientam a sua forma de liderar, representar a Telemiran e negociar com clientes no mercado? A minha forma de liderar e representar a Te-

lemiran assenta em três princípios: confiança, compromisso e resultados. Acredito que as melhores equipas são construídas através do exemplo, da comunicação aberta e do respeito pelas pessoas. E, por isso, procuro criar um ambiente onde cada colaborador se sinta valorizado, responsável e incentivado à autonomia, colaboração e melhoria contínua. Na negociação com os clientes, privilegio a escuta ativa, a transparência e a criação de relações duradouras. Mais do que fechar negócios, procuro compreender as suas necessidades e apresentar soluções que gerem valor para ambas as partes. Represento a Telemiran com profissionalismo, ética e responsabilidade, convicta de que a credibilidade, a consistência e a qualidade são determinantes para reforçar a imagem da empresa e impulsionar um crescimento sustentável.

Filomena Marques

Ao longo do meu percurso, aprendi que a diferença entre quem sonha e quem concretiza está na capacidade de dar o primeiro passo, aprender com os erros e persistir, mesmo perante as dificuldades. A ambição só ganha valor quando é acompanhada por ação, disciplina e persistência. Sempre procurei encarar os desafios como oportunidades para crescer, consciente de que cada experiência ensina algo e nos prepara melhor para a seguinte. Hoje acredito que a realização se constrói diariamente, com dedicação, humildade para aprender e coragem para sair da zona de conforto. É essa consistência que transforma objetivos em resultados.

Diretora e Gerente Comercial da Telemiran

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Elisabete Basto

“Liderar começa por dar o exemplo” A maternidade foi o ponto de viragem que levou Elisabete Basto a criar o seu próprio projeto e a construir uma sociedade de advogados assente na proximidade, na confiança e na dimensão humana. Nesta entrevista, partilha o percurso, os valores que orientam a sua liderança e a visão de crescimento sustentável que continua a impulsionar a BSA Advogados.

Quando olha o início do seu percurso na advocacia e para a profissional que hoje lidera uma sociedade de advogados, qual foi o momento ou a decisão que acabou por definir o rumo da sua carreira? Curiosamente foi um momento pessoal que acabou por definir o rumo da minha carreira – a maternidade. Percebi que o desejo de construir uma carreira e ter impacto na vida dos outros começava por valorizar a minha própria vida pessoal e familiar. Foi então que decidi que não queria apenas integrar um escritório: queria criar o meu próprio projeto. A minha paixão pelo Direito e pelos desafios deu direção a essa escolha.

A BSA nasceu com a ambição de fazer advocacia, privilegiando a proximidade e relações de verdadeira parceria com os clientes. Porque é que acreditou que a componente humana seria igualmente determinante para o sucesso da sociedade? Para mim, a advocacia constrói-se, antes de mais, numa relação de confiança entre o advogado e o cliente. Por isso, sempre acreditei que a componente humana seria essencial para o sucesso da BSA. A nossa identidade está na forma como nos envolvemos verdadeiramente nos desafios que os clientes nos confiam, procurando compreender não apenas o problema jurídico, mas também os seus objetivos e preocupações. Trabalhamos para encontrar a solução mais eficiente, com rigor e total dedicação. Por vezes, isso implica defender, com clareza e con-

“O verdadeiro desafio é acompanhar as mudanças do mercado e da profissão sem perder de vista os princípios e os objetivos que me levaram a criar a elisabete basto Sócia, Partner e Advogada na BSA Advogados

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BSA e que foram moldando a sua identidade.”


“Não teria chegado onde estou sem as pessoas que fazem, ou fizeram, parte do meu percurso. Valorizo muito mais a dedicação, o sentido de responsabilidade e o compromisso do que as classificações que constam de um currículo. Conhecer verdadeiramente cada pessoa, reconhecer os seus pontos fortes e compreender as suas fragilidades permite-nos crescer e avançar em conjunto.” vicção, uma posição que pode não ser imediatamente acolhida pelo cliente. Mas acredito que esse é precisamente o nosso dever: aconselhar com independência, transparência e sentido de responsabilidade. É desta proximidade, aliada à competência técnica, que nascem relações duradouras e verdadeiras parcerias.

Fora dos negócios e tribunais, quem é a Elisabete Basto? Que valores, paixões ou momentos da sua vida considera terem moldado a líder e a mulher que é hoje? Profissionalmente as pessoas consideram-me muito racional e objetiva, mas acima de tudo valorizo as relações humanizadas e procuro na vida profissional equilibrar esses dois mundos. A família é, para mim, muito importante pelo que o apoio do meu marido e das minhas filhas tem sido essencial, sobretudo nos momentos em que o equilíbrio entre pessoal e profissional não é exequível.

Que tipo de líder procura ser diariamente e qual é o legado que gostaria de deixar à equipa que a acompanha e às mulheres que veem em si uma referência? Para mim, liderar começa por dar o exemplo. Cabe-me defender a equipa, crescer com ela e, sobretudo, criar as condições para que cada pessoa possa evoluir e revelar o melhor de si. Costumo dizer que o meu objetivo é que a minha presença deixe de ser indispensável. Esse é, para mim, um dos maiores sinais de uma liderança bem-sucedida. Não teria chegado onde estou sem as pessoas que fazem, ou f izeram, parte do meu percurso. Valorizo muito mais a dedicação, o sentido de responsabilidade e o compromisso do que as classif icações que constam de um currículo. Conhecer verdadeiramente cada pessoa, reconhecer os seus pontos fortes e compreender as suas f ragilidades permite-nos crescer e avançar em conjunto.

Na realidade sou uma privilegiada. Adoro tudo o que faço. Sou adepta dos desafios e por isso o contencioso foi durante anos a minha grande paixão, área onde aprendi e cresci imensamente. Hoje, e porque adoro viajar, conhecer pessoas e compreender novas culturas, assim como amo a transformação de espaços e a decoração de interiores, sinto-me plenamente realizada na assessoria do investimento estrangeiro na área do imobiliário.

É precisamente nessa troca e nesse crescimento partilhado que encontro uma das dimensões mais gratificantes da liderança. Sinto-me muito afortunada, porque aprendo tanto, ou talvez mais, com a minha equipa do que ela comigo. Procuro, por isso, conciliar a exigência e o rigor com um ambiente saudável e de boa disposição, algo que considero essencial numa profissão em que lidamos diariamente com prazos, problemas e imprevistos.

Liderar não é apenas tomar decisões, é também influenciar pessoas e construir cultura.

Depois de tudo o que já construiu, o que a continua a desafiar e a entusiasmar? Há

algum objetivo, profissional ou pessoal, que ainda considere estar por conquistar e que gostaria de concretizar nos próximos anos? O que continua a entusiasmar-me é trabalhar num mercado competitivo e exigente, que me obriga a evoluir todos os dias. O verdadeiro desafio é acompanhar as mudanças do mercado e da profissão sem perder de vista os princípios e os objetivos que me levaram a criar a BSA e que foram moldando a sua identidade. O próximo passo será a abertura de um escritório no Algarve, um projeto que me entusiasma muito e que representa novos horizontes e oportunidades. Quero que esse crescimento aconteça de forma natural e sustentada, mantendo sempre a proximidade com os clientes, o rigor e a dimensão humana que caracterizam a nossa forma de exercer a advocacia. Ainda tenho muitos objetivos por concretizar e quero continuar a crescer, tanto profissional como pessoalmente. Mas quero fazê-lo sem perder aquilo que nos trouxe até aqui. Evoluir é essencial, desde que continuemos fiéis à nossa identidade. A minha paixão traduz-se na superação dos desafios e no total compromisso com a solução estratégica dos assuntos que me são confiados. Este é o nosso foco e a garantia que a equipa BSA oferece a quem nos procura.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Luísa da Silva Rodrigues

Conquistar espaço sem perder a identidade Num percurso marcado por diferentes experiências na advocacia, Luísa da Silva Rodrigues descobriu que afirmar-se profissionalmente não implica assumir uma postura mais dura. Implica preparação, confiança e a capacidade de defender uma posição sem abdicar da própria identidade.

“Aprendi que não preciso de adotar uma postura mais dura para ser levada a sério. Posso – e devo – ser exigente, discordar e defender uma posição sem deixar de ser quem sou.” O seu percurso cruza diferentes realidades da advocacia, desde sociedades de advogados a funções in-house. Que experiências foram mais determinantes para definir a advogada que é hoje? Não consigo identificar um único momento de viragem, mas uma mudança de perspetiva. No início, a preocupação era dominar a lei e encontrar a resposta certa. Com o tempo, percebi que isso era apenas uma parte do trabalho. As sociedades deram-me rigor técnico. O contexto in-house obrigou-me a aproximar o Direito da realidade: perceber o negócio, antecipar problemas, gerir risco e perceber que uma boa resposta tem de funcionar também fora do papel. O Direito raramente aparece organizado por códigos. Os problemas chegam misturados, com pessoas, dinheiro e consequências. É aí que a advocacia se torna mais interessante: saber não apenas o que diz a lei, mas o que fazer com ela.

Ao acompanhar empresas e particulares em matérias distintas, como identifica o verdadeiro problema jurídico de um cliente e transforma uma questão complexa numa solução concreta e eficaz? Desconfio sempre um pouco da primeira pergunta que me fazem. Muitas vezes, aquilo que o cliente apresenta como «o problema jurídico» é apenas a parte visível de uma questão maior. Antes da análise, tenho de perceber o que aconteceu, o que se pretende e o que está realmente em jogo. Um advogado tem de distinguir complexidade de complicação. A primeira faz parte do trabalho; a segunda não. Procuro separar o essencial do acessório, testar as possibilidades e perceber as suas consequências. O objetivo é que uma questão que co-

Luísa da Silva Rodrigues advogada

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meçou por parecer difusa passe a ter contornos claros e uma solução concretamente aplicável.

Que desafios sentiu enquanto mulher e profissional e de que forma aprendeu a lidar com eles? Um dos desafios, sobretudo sendo jovem, é conquistar autoridade antes de acumular a experiência que normalmente lhe associamos. Há momentos em que sinto que tenho de provar mais e conquistar uma confiança que, noutros contextos, talvez fosse presumida. Aprendi, porém, que não preciso de ser mais dura para ser levada a sério: posso ser exigente, discordar e defender uma posição sem deixar de ser quem sou. Continuo também a não deixar que o receio de falhar seja maior do que a vontade de tentar. Tenho muitas ideias e nem sempre sei onde vão dar, mas acredito que uma carreira se constrói assim: avançando, experimentando e aprendendo.

Olhando para os próximos anos, que tipo de advocacia quer construir? Uma antiga colega dizia muitas vezes, em tom de brincadeira, que «o Direito é muito lindo» e concordo absolutamente com ela! É fascinante como a mesma norma, facto ou problema pode ser visto de formas diferentes, dependendo do lado em que estamos. É também, por vezes, profundamente exasperante. Basta um argumento novo ou uma circunstância que não tínhamos considerado para mudar completamente a análise. Talvez seja essa incerteza que o torne interessante. Nos próximos anos, quero continuar a avançar, seguir as muitas ideias que tenho e aceitar desafios que me obriguem a sair do que conheço. Se daqui a alguns anos o Direito ainda me surpreender, estarei no caminho certo.

luisafsilvarodrigues@gmail.com tel.: +351 913 175 484


Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Filomena Salgado Oliveira

Uma liderança construída sem atalhos Filomena Oliveira trocou o conforto de uma Big Four pelo desafio de provar o seu valor fora de uma grande organização. Na FSO Consultores, encontrou na proximidade, na experiência e no foco absoluto no cliente a fórmula para transformar a dúvida em confiança. Quais foram os maiores desafios que enfrentou por ser mulher e de que forma essas experiências moldaram a profissional e a gestora que é hoje? Felizmente, ao longo da minha vida profissional, não senti grandes obstáculos por ser mulher – pelo menos, que pudessem ter impactado o meu percurso profissional. Aprendi muito por onde passei e, sobretudo, retive tudo o que considerei positivo e, com o que foi menos positivo, os ensinamentos de como fazer diferente.

Quais são as principais barreiras que alimentam o medo de falhar e como pode ele ser ultrapassado? Quando chegamos ao topo de uma organização e optamos por mudar radicalmente de vida, as dúvidas existem – e são muitas. Quando decidi mudar, era Deputy Tax Managing Partner de uma Big Four e a minha principal dúvida passava por saber qual seria o meu valor, fora de uma grande organização. Por muito que acreditemos no nosso projecto – e na nossa capacidade de o implementar – quando trabalhamos com empresas-clientes de grande dimensão, é muito difícil saber se as conseguimos manter connosco, sem a “proteção” de uma referência internacional. Provámos que sim. A maioria dos nossos clientes está com a FSO desde a sua constituição.

Que características considera terem sido determinantes para transformar uma ideia empreendedora num projeto de sucesso? A FSO destaca-se por uma abordagem diferenciadora na forma personalizada de trabalhar com os nossos clientes, em que todo o investimento e know-how obtido na área fiscal de uma equipa experiente, multidisciplinar e motivada, são canalizados para a construção de verdadeiras parcerias de sucesso. As nossas forças centraram-se na estratégia da

Filomena Oliveira Sócia-gerente e Managing Partner da FSO Consultores

FSO, focando todos os nossos recursos no que é importante: o serviço ao cliente e o objetivo permanente de superar as suas expectativas. Para isso contribuiu, por um lado, a reputação e experiência da equipa de sócios que resolveram abraçar o projeto, e por outro, o facto do core business se concentrar em áreas muito específicas da fiscalidade, que exigem um elevado grau de conhecimento e experiência – que, sendo detido como é o caso, se traduz em grande valor acrescentado para os clientes. Propomo-nos responder com qualidade, rigor e profissionalismo, às exigências globais com que as organizações se deparam.

Enquanto fundadora e diretora executiva, que competências são indispensáveis para quem pretende destacar-se na consultoria? Há uma enorme concorrência na consulto-

ria e sempre competimos com os maiores. A nossa diferença é a forma como trabalhamos e o nosso foco é unicamente o cliente. Temos uma equipa com muita experiência e os sócios acompanham todos os trabalhos que realizamos. Se não percecionamos, no projeto, real valor para o cliente, preferimos não o aceitar. Os nossos valores estão sempre presentes em tudo o que fazemos: o que acreditamos poder entregar, com base no nosso conhecimento, determinação e permanente disponibilidade.

Que mudanças deveriam ser promovidas em Portugal para incentivar o empreendedorismo feminino, aumentar a presença das mulheres em cargos de decisão e garantir uma maior igualdade de oportunidades? Há que acreditar nas mulheres, são persistentes e têm menos medo de arriscar, o que lhes permite ir mais longe. Basta que a promoção assente unicamente na competência. Mas, claro, nada se faz sozinha e, para mim, foi muito importante o apoio da minha família porque estiveram, estão e sei que estarão sempre presentes.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Diana Pinheiro Lopes

Uma liderança com identidade própria

diana Pinheiro lopes Sócia e Advogada na Pinheiro Lopes & Associados

Diana Pinheiro Lopes lidera a Pinheiro Lopes & Associados com uma visão assente na proximidade, na competência e na evolução, acreditando que um verdadeiro legado tem de saber crescer para continuar. A Pinheiro Lopes & Advogados nasceu pela visão do seu pai. Para si o que representou assumir o papel de continuidade deste projeto e como tem procurado honrar esse legado? É continuar um caminho que acompanhei desde pequena – desde os tempos em que ele me sentava ao balcão dos Tribunais até ao momento em que passei a acompanhá-lo como Advogada – faz parte da minha identidade.

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Desde muito cedo, o meu pai proporcionou-me o contacto com o funcionamento do escritório e o contacto com clientes, Tribunais e serviços públicos, o que hoje lhe agradeço profundamente. Apesar de comemorar dez anos de inscrição como Advogada, o contacto com a profissão e o lidar com os seus desafios vão muito além disso. E sim, o escritório nasceu da visão do meu pai, que, ao longo de 35 anos, soube acompanhar os

“Houve momentos em que precisei de provar a mim própria e a outros, que era capaz de advogar e liderar à minha maneira sem precisar de ser uma réplica do meu pai – de separar as águas.”


tempos, adaptar e melhorar a sua forma de trabalhar e as suas instalações, contratando e formando pessoas, dando espaço para crescerem e evoluírem profissionalmente. Ter acompanhado esse percurso de perto – vê-lo dedicar-se de corpo e alma à profissão, assistir à sua evolução e, acima de tudo, testemunhar a sua capacidade de superação e a forma como enfrentou os diferentes desafios que foram surgindo – permitiu-me compreender melhor aquilo que eu esperava da profissão e também o que esperavam de mim, no papel de sucessora. Tudo isso foi essencial quando, de rompante, tive de assumir o leme, representando uma enorme responsabilidade: dar continuidade ao seu trabalho e manter, pelo menos, aquilo que tinha sido alcançado. O meu primeiro passo para honrar este legado e concretizar a minha própria visão foi passarmos da prática individual, a dois – a Pinheiro Lopes & Advogados – para a prática societária, constituindo a PL&A – Pinheiro Lopes & Associados, recrutando e formando outros advogados associados para integrarem a nossa equipa e connosco exercerem a atividade. Procurando, assim, que a confiança associada à pessoa Pinheiro Lopes se estenda à nossa sociedade e equipa, assegurando que o legado permaneça no tempo.

Em que momentos sentiu maior pressão para afirmar a sua identidade profissional e que lições marcaram o seu percurso enquanto advogada e líder? Suceder, de repente, a alguém que deixou uma marca forte traz expectativas, comparações e o inevitável, “é tão nova!”. Houve momentos em que precisei de provar a mim própria e a outros, que era capaz de advogar e liderar à minha maneira, de resolver as questões que nos tinham sido confiadas, sem precisar de ser uma réplica do meu pai – de separar as águas. As maiores lições que retirei ao longo destes três anos confirmam o que já havia aprendido ao observar o meu pai: a credibilidade e a confiança na advocacia conquistam-se diariamente, através do trabalho consistente, da proximidade, da competência e da capacidade de tomar decisões difíceis com serenidade. E que as pessoas não ficarão necessariamente a trabalhar na PL&A para sempre. Também isso faz parte de um projeto que se quer maior do

“Passei de acompanhar uma liderança mais individual para construir uma liderança mais próxima e colaborativa, baseada no respeito, na transparência e na confiança que fui testemunhando. Essa foi, sem dúvida, a mudança mais determinante: aprender que ouvir é tão importante como decidir e que a confiança se constrói na proximidade e – cada vez mais – no exemplo.” que qualquer uma das pessoas que dele fazem parte – a Pinheiro Lopes & Associados continuará o seu caminho.

Quais foram os obstáculos que encontrou e de que forma essas experiências moldaram a profissional que é hoje? Um dos maiores desafios tem sido encontrar harmonia entre a exigência da nossa profissão e do cargo que ocupo com a vida pessoal e familiar, entre a realização e o propósito que encontro em ser mulher, sócia, gerente e mãe, lidando com a sensação de falha constante em qualquer um desses espaços, pela exigência que nos foi incutida e nos é questionada por quem nos rodeia. Além disso, muitas vezes, quem é sócio e tem de decidir ocupa uma posição muito solitária. Todas as experiências permitiram-me, acima de tudo, valorizar mais o tempo, perceber que equilíbrio não significa fazer tudo ao mesmo tempo, que devemos estabelecer prioridades, estruturar e procedimentar, confiando na equipa para partilhar responsabilidades. Esta experiência – e também a maturidade que a idade vai trazendo – tornou-me mais consciente da importância de conciliar a ambição profissional com a vida pessoal.

Que mudanças considera terem sido determinantes na forma como exerce a liderança e quais os valores que procura transmitir às novas gerações de advogados? Passei de acompanhar uma liderança mais individual para construir uma liderança mais próxima e colaborativa, baseada no respeito, na transparência e na confiança que fui testemunhando. Essa foi, sem dúvida, a mudança

mais determinante: aprender que ouvir é tão importante como decidir e que a confiança se constrói na proximidade e – cada vez mais – no exemplo. Aos jovens Advogados procuro transmitir que o sucesso na profissão não depende apenas do nosso conhecimento técnico – sem o descurar, claro –, é necessário ter o espírito crítico e curioso, desenvolvermo-nos diariamente e que a Advocacia requer tempo. E cada vez mais, é também necessária a capacidade de adaptação e de comunicação, pois acredito vivamente que, apesar do advento da IA e das transformações que a profissão atravessa, a nossa presença será cada vez mais necessária junto das pessoas e das empresas.

Que legado gostaria de deixar na Pinheiro Lopes & Advogados e que mensagem gostaria de transmitir a outras mulheres? Gostaria de deixar uma sociedade sólida, inovadora e preparada para o futuro, sem perder os valores da sua origem. Quero que a Pinheiro Lopes & Associados seja reconhecida pela excelência técnica e pela forma como, quem nela exerce advocacia, trata e valoriza as pessoas. A minha visão é preservar a sua essência sem deixar de evoluir, mantendo-a uma referência pela qualidade e confiança, num projeto que continue para além do meu pai e de mim. Às mulheres que ambicionam liderar diria: não precisamos de liderar todas da mesma forma. Autenticidade, competência e perseverança têm mais força do que estereótipos, sem esquecer que a credibilidade e a confiança requerem tempo! Vão aprender, errar e ajustar – fará parte do vosso caminho. E cada mulher que lidera deverá abrir caminho para outras que lhe sucedam.

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Ser mulher no mundo: casos de sucesso

Elisabete Simões

“O verdadeiro legado é aquilo despertamos nas pessoas” A história de Elisabete Simões prova que os desafios podem tornar-se oportunidades. Hoje, coloca a sua experiência ao serviço de quem procura reencontrar confiança, equilíbrio e propósito. Encontrou no Coaching, na Programação Neurolinguística e na Logoterapia uma missão de vida. Como aconteceu essa transformação e o que a levou a mudar de rumo? O meu percurso foi tudo menos linear e considero isso um dos meus maiores orgulhos. Cada experiência preparou-me para a missão que abraço hoje. Sempre me interessou o comportamento humano e o impacto das emoções na qualidade de vida, mas foram os desafios pessoais que me conduziram ao meu propósito: ajudar os outros a encontrarem a sua melhor versão. O diagnóstico de uma doença pulmonar marcou um ponto de viragem, obrigando-me a parar e a perceber que estava apenas a sobreviver quando queria viver com significado. Foi então que investi na formação em Coaching, Felicidade e Bem-Estar, Programação Neurolinguística e, mais tarde, Logoterapia. Hoje, não sinto que tenha mudado de rumo, mas que encontrei o meu verdadeiro caminho.

Quais foram os maiores desafios que teve de superar para conquistar a credibilidade e a confiança que transmite aos seus clientes? Os maiores desafios foram os que me fizeram crescer enquanto pessoa antes de crescer como profissional. A doença pulmonar e, pouco depois, a perda do meu pai ensinaram-me resiliência, aceitação e a importância de viver plenamente. Profissionalmente, o maior desafio foi recomeçar numa área onde a confiança é essencial. Investi continuamente na formação, mas percebi que os diplomas, por si só, não conquistam credibilidade. Constrói-se diariamente através da escuta genuína, empatia, ética e respeito pelo ritmo de cada pessoa. Nunca quis oferecer respostas prontas, mas criar um espaço onde cada coachee pudesse descobrir as suas próprias soluções. A confiança

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que hoje recebo resulta dessa autenticidade e de conhecer, na primeira pessoa, a dor da mudança e a coragem necessária para recomeçar.

Sentiu que teve de enfrentar preconceitos por escolher uma área que foi vista com algum ceticismo? Encontrei algum ceticismo, sobretudo no início, quando o Coaching era visto como uma moda passageira. Muitas vezes senti necessidade de explicar que uma transformação consistente exige conhecimento, ética, responsabilidade e respeito pela pessoa. Enquanto mulher empreendedora, por vezes senti que precisava de provar mais do que apresentar o meu trabalho. Em vez de tentar convencer através de palavras, deixei que os resultados, os testemunhos dos coachees e a coerência entre aquilo que ensino e a forma como vivo falassem por mim. Por isso, o maior reconhecimento continua a ser a confiança dos coachees e a transformação que testemunho.

Que ensinamentos retirou dos seus clientes que mais contribuíram para a sua evolução a nível profissional e pessoal? Cada pessoa que entra na minha vida ensina-me algo. Isso aconteceu com os coachees e também durante os dois anos em que fui voluntária numa associação de saúde mental, na ilha do Sal, em Cabo Verde. Essa experiência mostrou-me que, antes de qualquer técnica, existe sempre um ser humano que precisa de ser visto, ouvido e acolhido independentemente da cultura ou das circunstâncias. Aprendi que cada pessoa tem o seu tempo e que a verdadeira mudança exige consciência, compromisso, paciência e respeito pelo ritmo de cada um. Percebi também que não existem vidas perfeitas. Todos enf rentamos desaf ios e histórias invisíveis aos olhos dos outros, o que me tornou mais empática, menos julgadora e mais consciente da importância de escutar antes de orientar. No fundo, aprendi que felicidade não significa ausência de dificuldades, mas capacidade para encontrar sentido, cultivar relações, superar desafios e acreditar num novo começo. Costumo dizer que entro na vida das pessoas para as ajudar a transformar a sua história, mas cada uma delas transforma também um pouco da minha.

O que significa, para si, ser uma mulher de sucesso? Ser uma mulher de sucesso é viver em coerência com os meus valores e ter coragem para seguir um caminho alinhado com quem sou, mesmo quando isso implica recomeçar. Durante muito tempo, o sucesso foi associado ao estatuto ou à carreira. Hoje acredito que está em saber que o nosso trabalho melhora a vida dos outros. As conquistas profissionais só fazem sentido quando estão ao serviço de um propósito maior. O reconhecimento mais valioso é ver um coachee recuperar a confiança, a esperança ou a coragem para transformar a sua vida. Enquanto mulher, acredito que podemos conciliar força e sensibilidade, liderança e autenticidade. Se hoje me considero bem-sucedida, é porque transformei os momentos mais difíceis em oportunidades de crescimento e coloquei essa experiência ao serviço dos outros. O verdadeiro legado não é aquilo que acumulamos, mas o que despertamos nas pessoas.

Se pudesse voltar ao início do seu percurso, que conselho daria à Elisabete? Diria para acreditar mais em si e não ter receio de recomeçar. Durante anos procurei corresponder às expectativas dos outros, confundindo segurança com felicidade. Hoje sei que o maior risco é viver uma vida que não nos representa. Diria também para confiar mais na intuição e cuidar de si, porque ninguém consegue cuidar verdadeiramente dos outros sem cuidar de si próprio. O autocuidado não é egoísmo, mas responsabilidade. Aconselharia ainda a viver mais devagar, aproveitar cada momento e não adiar a felicidade. A vida que sonhamos começa quando deixamos de ter medo de ser quem realmente somos.

Que mensagem quer deixar às mulheres que desejam reinventar-se profissionalmente, mas ainda receiam dar esse passo? O medo é natural, eu também o senti. A coragem não é a ausência de medo, mas a decisão de avançar apesar dele. Aprendi que não precisamos de ter todas as respostas antes de começar. É o próprio caminho que as revela, porque nem a idade nem as circunstâncias definem o nosso futuro. Muitas vezes são precisamente


essas experiências que nos conduzem ao verdadeiro propósito. As maiores mudanças da minha vida nasceram dos momentos que mais me assustavam. Se não tivesse tido coragem

para mudar, continuaria apenas a sobreviver. Por isso, deixo uma mensagem simples: acreditem em vocês, respeitem o vosso tempo e não deixem que o medo decida o rumo da

vossa vida. O mundo precisa de pessoas autênticas, porque a verdadeira transformação acontece quando escolhemos viver de acordo com o nosso propósito.

“Nunca quis oferecer respostas prontas, mas criar um espaço onde cada coachee pudesse descobrir as suas próprias soluções. A confiança que hoje recebo resulta dessa autenticidade e de conhecer, na primeira pessoa, a dor da mudança e a coragem necessária para recomeçar.”

Elisabete Simões coach

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Dia Mundial da Fisioterapia

Ordem dos Fisioterapeutas

“A Fisioterapia não atua apenas depois da doença” No âmbito do Dia Mundial da Fisioterapia 2026, António Lopes defende que a Fisioterapia deve ser vista como uma área estratégica da saúde pública na prevenção, na promoção da saúde e na melhoria do acesso a cuidados atempados. reto à Fisioterapia pode aproximar esta intervenção da população, mas exige a integração efetiva de fisioterapeutas nestas estruturas.

saiba mais

O principal desafio é garantir que a rapidez da resposta na fase aguda tem continuidade na fase de reabilitação. Persistem desigualdades territoriais, demoras e descontinuidades entre o hospital, as respostas de fisioterapia e os cuidados na comunidade. A Via Verde AVC não pode terminar à porta da urgência. É necessário definir percursos céleres, assegurar equipas multidisciplinares com fisioterapeutas e garantir uma intervenção precoce, continuada e com intensidade ajustada às necessidades de cada pessoa, no internamento, em ambulatório ou no domicílio.

António Lopes Bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas

“Não pode haver Unidades de AVC, Unidades de Longa Duração ou Equipas de Cuidados Continuados Integrados sem fisioterapeutas em número adequado.” O Dia Mundial da Fisioterapia 2026 coloca o foco na doença cardiovascular e no AVC. De que forma considera que esta escolha reforça o papel da Fisioterapia não apenas na reabilitação, mas também na prevenção destas patologias? Esta escolha mostra que a Fisioterapia não atua apenas depois da doença. Os fisioterapeutas ajudam a identificar fatores de risco, a combater o sedentarismo e a prescrever exercício seguro e individualizado, contribuindo para prevenir a doença cardiovascular e o AVC. Quando o evento ocorre, intervêm na recuperação da mobilidade, da capacidade cardiorrespiratória, da autonomia e da participação. A mensagem é simples: a Fisioterapia acompanha todo o percurso, da prevenção à reabilitação, e deve estar integrada de forma estrutural nos cuidados de saúde.

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Que desafios persistem em Portugal no acesso atempado e continuado à Fisioterapia após um AVC e que mudanças considera prioritárias?

Muitos cidadãos ainda associam a Fisioterapia apenas à recuperação após uma lesão. Como pode esta perceção ser alterada e que papel tem a Ordem na promoção da literacia em saúde? É preciso comunicar melhor que a Fisioterapia também promove saúde e previne doença. A Ordem tem procurado tornar esse contributo mais visível através da comunicação pública, de conteúdos de literacia e da defesa da integração dos fisioterapeutas nas políticas de prevenção. A campanha deste ano é uma oportunidade para explicar que atividade física e exercício não são recomendações genéricas: devem ser ajustados à condição e ao risco de cada pessoa. Nos cuidados de saúde primários, o acesso di-

Que apelo faria aos decisores políticos, aos profissionais de saúde e à população para que a Fisioterapia seja encarada como uma área estratégica na prevenção e recuperação das doenças cardiovasculares e do AVC? Aos decisores, para além do alargamento do período da Via Verde AVC, como já referimos, pedimos mais fisioterapeutas integrados no SNS e em todo o percurso da pessoa, da prevenção à recuperação. Não pode haver Unidades de AVC, Unidades de Longa Duração ou Equipas de Cuidados Continuados Integrados sem fisioterapeutas em número adequado. Aos profissionais de saúde, uma referenciação atempada e uma verdadeira articulação entre equipas. À população, uma mensagem clara: mexer-se mais protege a saúde cardiovascular e, perante um AVC, iniciar e manter a fisioterapia é essencial. Cada minuto conta na emergência e cada dia conta na recuperação. A Fisioterapia é uma área estratégica de saúde pública, não um recurso acessório.


Dia Mundial da Fisioterapia

Advantageffect

Fisioterapia além da dor: cuidar antes, durante e depois Mais do que tratar lesões, a Fisioterapia pode prevenir, acompanhar patologias crónicas e democratizar o acesso a cuidados diferenciados. André Haug defende uma mudança de paradigma, assente em acompanhamento continuado, inovação e proximidade. O Dia Mundial da Fisioterapia é uma oportunidade de reflexão sobre o papel da promoção da saúde. Continua a existir uma visão redutora da Fisioterapia como resposta apenas à lesão ou à dor? O que é necessário mudar? Existe de facto uma visão redutora da Fisioterapia praticada no nosso país. Para além da resposta à lesão e à dor, a Fisioterapia atua em áreas ainda pouco exploradas como Oncologia, Reumatologia, Terapia Tecnológica Robotizada aplicada à marcha e à independência e Fisioterapia preventiva desportiva e laboral, entre outras. Para mudar esta perceção, é essencial refletir sobre a incapacidade de um Fisioterapeuta conseguir atender com qualidade quatro a cinco doentes por hora, como é feito em algumas Clínicas, nomeadamente as do SNS. Para reduzir listas de espera, o Governo decidiu instituir a Telefisioterapia, que é uma má solução quando utilizada de forma isolada. Não devemos confundir Fisioterapia com a simples prescrição de exercícios através de Inteligência Artificial. Na minha opinião, o melhor método para garantir acesso a Fisioterapia de qualidade é permitir a utilização de credenciais do SNS em Clínicas de confiança terapêutica, e não em Fisioterapias tipo “linha de montagem”, recorrendo depois à Inteligência Artificial como complemento ao acompanhamento evolutivo do doente.

“Apostamos em Cuidados diferenciados porque aquilo que é de qualidade não deve estar reservado ao Litoral e aos grandes centros urbanos. Os Cuidados de Saúde Avançados devem estar disponíveis para todos. Enquanto Grupo de Saúde ligado à região Centro, este é o nosso contributo para a evolução da Saúde no interior.”

do. De que forma a inovação em Fisioterapia pode reduzir as desigualdades no acesso à saúde? Apostamos em Cuidados diferenciados porque aquilo que é de qualidade não deve estar reservado ao Litoral e aos grandes centros urbanos. Os Cuidados de Saúde Avançados devem estar disponíveis para todos. Enquanto Grupo de Saúde ligado à região Centro, este é o nosso contributo para a evolução da Saúde no interior.

A prevenção é hoje um dos maiores desafios. Que papel deve a Fisioterapia desempenhar para evitar o agravamento de patologias, reduzir o recurso à medicação e melhorar a qualidade de vida da população a longo prazo? A Fisioterapia deve assumir um papel mais forte na prevenção e no acompanhamento continuado. Tal como a Medicina intervém na prevenção da hipertensão, diabetes ou colesterol, também deveria existir acompanhamento fisioterapêutico continuado na sarcopenia, na paralisia cerebral ou após um AVC. Nas patologias crónicas, os cuidados não deveriam limitar-se a tratamentos pontuais duas ou três vezes por ano. Na Advantageffect realizamos acompanhamentos continuados. Os acordos com seguradoras facilitam o acesso e reduzem o encargo para o doente. Este modelo deveria ser estudado pelo serviço público para garantir cuidados de Saúde em tempo útil.

A Advantageffect encontra-se a desenvolver um novo projeto. O que pode revelar sobre este? Sim, estamos a tentar desenvolver um novo modelo Clínico inspirado nos Cuidados de Saúde premium do Norte Europeu, assente num ambiente tranquilo e integrado na na-

André Haug Diretor Clínico

tureza. Pretendemos favorecer o bem-estar e a recuperação através de contextos naturais. Faz-nos sentido, por exemplo, que um doente caminhe dois quilómetros ao ar livre, acompanhado pelo Fisioterapeuta, em vez de realizar a mesma distância numa passadeira, num ambiente artificial. Existe evidência científica sobre o impacto da natureza na Reabilitação Física, na dor, no stress e na mobilidade.

A Advantageffect leva serviços diferenciados a regiões onde o acesso a estes é mais limita-

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Burnout nas Férias

Clínica NeuroPsyque

“O descanso é uma competência estratégica, não um luxo” Em entrevista sobre burnout, prevenção e inovação terapêutica, José Padrão Mendes alerta para os riscos de uma cultura de produtividade permanente e defende que cuidar da saúde mental é um investimento indispensável para o bem-estar e o desempenho a longo prazo. Há quem esteja fisicamente de férias, mas mentalmente continue ligado ao trabalho. O que acontece no cérebro quando somos incapazes de “desligar” e porque é que esse estado compromete a recuperação emocional, cognitiva e até física? Estar de férias fisicamente, mas continuar mentalmente ligado ao trabalho é comum entre líderes. Quando o cérebro permanece em “modo de desempenho”, mantém níveis elevados de cortisol e hiperativação das redes de atenção, impedindo a mudança para estados de descanso profundo. O sistema nervoso continua em alerta, bloqueando a recuperação emocional, reduzindo a reorganização cognitiva e mantendo tensão física acumulada. Para que as férias funcionem, o cérebro precisa de autorização para abrandar — e isso exige intenção, não apenas ausência de trabalho.

“A abordagem multidisciplinar da NeuroPsyque, integrando

neurologia,

psiquiatria,

psicologia, neuropsicologia e neuroterapias, permite identificar causas profundas e distinguir entre fatores emocionais, cognitivos e neurobiológicos. As nossas consultas aprofundadas e o diagnóstico preciso permitem construir um plano terapêutico verdadeiramente personalizado, focado na remissão dos sintomas José Padrão Mendes Fundador, Médico Neurologista e Neuropsiquiatra

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e no bem‑estar a longo prazo.”


“Vivemos numa cultura que glorifica a produtividade contínua. Muitos líderes sentem culpa ao descansar, como se parar fosse sinónimo de fraqueza. Esta pressão cria ciclos de autoexigência que aumentam o risco de burnout, porque o cérebro nunca tem espaço para recuperar.” Muitas pessoas acreditam que alguns dias de férias são suficientes para recuperar do desgaste acumulado ao longo do ano. Esta ideia é um mito? Quais são os sinais que distinguem o cansaço normal de um quadro de burnout que exige intervenção especializada? A ideia de que alguns dias resolvem meses de desgaste é um mito. O cansaço normal melhora com descanso e prazer. O burnout, pelo contrário, persiste mesmo após férias: exaustão marcada, irritabilidade, perda de motivação, alterações de sono e sintomas físicos. Na NeuroPsyque vemos frequentemente líderes que “funcionam”, mas já não recuperam. Há quem lhe chame “depressão funcional” são pessoas que funcionam e existem, mas não vivem nem sentem. Quando o descanso deixa de ser suficiente, é sinal de que existe um quadro que exige avaliação especializada e um plano terapêutico estruturado, não apenas mais dias de pausa.

Numa sociedade que valoriza a produtividade permanente e a disponibilidade constante, parece existir um sentimento de culpa associado ao descanso. De que forma esta cultura influencia o aumento do burnout e que impacto poderá ter na saúde mental das gerações futuras? Vivemos numa cultura que glorifica a produtividade contínua. Muitos líderes sentem culpa ao descansar, como se parar fosse sinónimo de fraqueza. Esta pressão cria ciclos de autoexigência que aumentam o risco de burnout, porque o cérebro nunca tem espaço para recuperar. Se esta cultura se mantiver, as gerações futuras poderão crescer com a ideia de que o valor pessoal depende da performance — aumentando vulnerabilidade a ansiedade, depressão e exaustão crónica. Na NeuroPsyque defendemos que o descanso é uma competência estratégica, não um luxo.

Há quem regresse das férias mais cansado

do que quando partiu. Quais são os erros mais frequentes que impedem uma verdadeira recuperação e que estratégias recomenda para que este período seja efetivamente restaurador? Regressar das férias mais cansado é comum quando o período é vivido como uma lista de tarefas: demasiados planos, viagens exaustivas ou a expectativa de “aproveitar tudo”. Outro erro frequente é continuar ligado ao trabalho através do telemóvel. Para que as férias sejam restauradoras, recomendo três estratégias: criar momentos de verdadeira pausa (sem notificações), alternar descanso com atividades prazerosas, mas leves, e definir limites claros antes de sair — incluindo delegação e comunicação transparente com a equipa. Recuperar exige simplicidade, não intensidade.

tar uma mais-valia na recuperação de pessoas com burnout ou exaustão prolongada? Terapias inovadoras como a Neuroterapia, o Neurofeedback e a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) são uma mais‑valia quando o burnout evolui para alterações persistentes de humor, atenção ou energia. Estas técnicas modulam áreas cerebrais associadas à regulação emocional e ao foco, acelerando a recuperação quando os sintomas são resistentes ou prolongados. Na NeuroPsyque integramos estas terapias em planos personalizados, como alternativa ou complemento à medicação, procurando sempre a menor dose ef icaz e o maior bem‑estar possível.

Na sua perspetiva qual é a importância da prevenção e da procura atempada de ajuda especializada? E o que espera do futuro?

O burnout é frequentemente associado apenas ao contexto profissional, mas pode coexistir com outras alterações neurológicas e psiquiátricas. De que forma a abordagem multidisciplinar da NeuroPsyque permite identificar as causas subjacentes e definir um plano terapêutico verdadeiramente personalizado?

A prevenção é a estratégia mais poderosa. Procurar ajuda cedo evita que o desgaste se transforme em doença e permite recuperar mais rapidamente. Para líderes, isto significa reconhecer limites, criar rotinas de descanso e promover culturas organizacionais saudáveis.

O burnout pode coexistir com ansiedade, depressão, perturbações do sono, défice de atenção ou alterações neurológicas subtis. A abordagem multidisciplinar da NeuroPsyque, integrando neurologia, psiquiatria, psicologia, neuropsicologia e neuroterapias, permite identificar causas profundas e distinguir entre fatores emocionais, cognitivos e neurobiológicos. As nossas consultas aprofundadas e o diagnóstico preciso permitem construir um plano terapêutico verdadeiramente personalizado, focado na remissão dos sintomas e no bem‑estar a longo prazo.

O futuro da saúde mental passa por integrar ciência, tecnologia e humanização — pilares centrais da NeuroPsyque — e por assumir que cuidar do cérebro é tão importante como cuidar do corpo. Acredito que estamos a caminhar para um modelo em que pedir ajuda será visto como sinal de maturidade, e não de fragilidade.

A NeuroPsyque integra terapias inovadoras, como a Neuroterapia e a Estimulação Magnética Transcraniana, entre outras abordagens. Em que situações estas soluções podem represen-

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Dia Mundial do Cão – O mercado pet em Portugal

Comportamento Canino

“Amar é ensinar e criar rotinas equilibradas” Para Ricardo Madeira, o verdadeiro bem-estar dos cães depende de tutores mais informados, capazes de compreender as suas necessidades e de fazer escolhas conscientes que respeitem o seu equilíbrio emocional e comportamental. O crescimento do mercado pet reflete uma cultura de responsabilidade ou apenas um aumento do consumo? E onde continua a existir um desfasamento entre aquilo que os tutores compram para os seus cães e aquilo de que eles realmente precisam? O crescimento é refletido pela vontade de oferecer o melhor aos cães, o que tem mostrado uma evolução positiva, mas também por um aumento do consumo. Muitos tutores investem em alimentação, saúde, creche, hotel e atividades de bem-estar. Ainda assim, o mais importante não é comprar mais, mas escolher melhor. Um cão precisa, acima de tudo, de segurança, descanso, rotina, movimento, sociali-

zação adequada e pessoas capazes de compreender o seu comportamento. Que comportamento dos tutores melhor representa a forma como hoje olhamos para os cães e o que é que essa atitude revela sobre a evolução ou os desafios da nossa relação com os animais de companhia? A procura de soluções que façam o cão sentir-se acompanhado, estimulado e feliz mostra bem esta mudança. A escolha de uma creche ou hotel revela que muitos tutores já não querem apenas “deixar o cão num sítio”: procuram uma segunda casa, com atenção, carinho e acompanhamento. O desafio é garantir que cada experiência respeita o ritmo, a personalidade e as necessidades individuais de cada cão.

“Uma boa creche ou hotel pode ter um papel importante, proporcionando experiências positivas e ajudando cada cão a sentir-se bem, mesmo longe da família”. Até que ponto a crescente humanização dos cães se torna prejudicial ao seu equilíbrio emocional e comportamental, e que sinais deveriam levar os tutores a refletir sobre isso?

Ricardo Madeira ceo

A forma carinhosa como hoje tratamos os cães é muito positiva, desde que não confundamos amor com ausência de limites nem esperemos que reajam como pessoas. Sinais como ansiedade quando ficam sozinhos, dificuldade em descansar, medo, reatividade ou dependên-

Creche

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Treino

Hotel

cia constante devem levar os tutores a refletir. Amar também significa ensinar, criar rotinas e proporcionar experiências equilibradas.

Na sua opinião, qual seria o tutor ideal para o futuro do mercado pet? E que mudança de mentalidade considera essencial para que os cães deixem de ser vistos apenas como animais de companhia e passem a ser compreendidos como seres com necessidades específicas? A procura de informação e de parceiros de confiança define o tutor ideal do futuro. É alguém atento, disponível para conhecer verdadeiramente o seu cão e que escolhe uma creche ou hotel não apenas pela aparência ou conveniência, mas pela qualidade da equipa, pela segurança, pela gestão dos grupos e pelo acompanhamento individual. A mudança essencial é passar de “dar tudo” para “dar aquilo de que o cão realmente precisa”.

Daqui a alguns anos, qual seria o maior indicador de sucesso para si: mais serviços especializados, mais tecnologia, maior investimento dos tutores ou uma mudança profunda na forma como os portugueses entendem o comportamento canino? Porquê? Uma compreensão mais profunda do comportamento canino seria o maior indicador de sucesso. Mais serviços, tecnologia ou investimento só fazem sentido quando contribuem para o verdadeiro bem-estar dos cães. O progresso será vermos animais mais tranquilos, sociáveis e seguros, e tutores mais informados e confiantes. Uma boa creche ou hotel pode ter um papel importante, proporcionando experiências positivas e ajudando cada cão a sentir-se bem, mesmo longe da família.

Apoio a Tutores

Compreender hoje, para uma ligação feliz para sempre.


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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS

INFANTE D. HENRIQUE Qualifica-te! Ruma ao Futuro!

CTE Centro Tecnológico Especializado de CTE Energias Centro Renováveis Tecnológico Especializado de Informática

ENSINO BÁSICO PRÉ-ESCOLAR 1º, 2º E 3º CICLOS

CURSOS PROFISSIONAIS Nível IV | 12º ano Técnico de Análise Laboratorial Técnico de Instalações Elétricas Técnico de Manutenção Industrial/Mecatrónica Técnico de Eletrónica e Automação CTE - Energias Renováveis - Técnico Instalador de Sistemas Eólicos e Fotovoltaicos CTE - Informática - Técnico de Desenvolvimento de Software - Técnico de Sistemas de Computação e Redes

Rede Transportes públicos junto ao Infante Linhas: 2M, 3M, 12M, 13M, 38, 200, 201, 202, 204, 207, 208, 209, 300, 301. 302, 303, 403, 501, 502, 503, 507, 601, 602, 902, 903 Linha Rosa do Metro: Paragem Praça da Galiza

Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência


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