Mensal Dezembro de 2020 nº013 Online
GrupoFUTURE
A aposta na Engenharia Inteligente João Andrade, CEO
OPCO A importância da formação
Imobiliário A expectativa para 2021
Que janelas se fecharam e que janelas se irão abrir? A opinião de personalidades representativas de vários setores
O ano de 2020 dará em breve lugar a 2021. As expectativas são muitas: para lá das normais “resoluções de Ano Novo”, este ano todos têm um pedido em comum – a vontade de vencer a pandemia que assolou o mundo e que provocou danos económicos, sociais e emocionais.
DESTAQUES
Editorial
Destak Imobiliária
Antes de 2020 terminar, porém, chega ainda a última edição da Valor Magazine deste ano. Exclusivamente digital, com conteúdo Premium e marcadamente única. Quisemos proporcionar-lhe sempre bons momentos, ao longo deste ano. Com as histórias e os exemplos que trazemos em cada revista, queremos sempre oferecer esperança, abrir caminhos e mostrar bons exemplos, de pessoas e empresas que vingaram, que lutaram e venceram. 2020 foi um ano difícil. Árduo como nenhum outro. Que 2021 traga consigo a esperança de um~ regresso rápido à “vida normal” e que a força e as oportunidades floresçam no novo ano. A si, que sempre nos acompanha, desejamos um ótimo Natal e um excelente Ano Novo!
Mul gaia
Medtronic
Grupo FUTURE - Pela Valorização Da Engenharia Portuguesa - 05 OPCO - “Em 2021 Consolidaremos o E-elearning” - 09 CRUP - Transição Digital: Oportunidade Para A Inovação Pedagógica - 12 Unimark - “O comércio de proximidade foi valorizado com a pandemia” - 14 Secretária de Estado da Habitação - Habitação no centro das políticas públicas - 18 DS Albufeira - "A pandemia não nos fez parar de trabalhar” - 20 Proposta Capital - “A pandemia alterou o paradigma da procura de habitação” - 22 IGS - IGS: um conceito centrado na pessoa - 24 Secretdevotion - "Na crise surgem oportunidades" - 26 Lince Real Estate - Mercado imobiliário: a oportunidade da crise - 28 Destak Imobiliária - A pandemia ajudou a valorizar o interior do país” - 33 APPII - Vamos RELANÇAR! - 36 SMI Imobiliária - Mediação imobiliária de proximidade - 42 Multigaia - “A confiança é fundamental para recuperar a economia” - 47 Ordem dos Arquitetos - Quais as janelas que se fecharam e que janelas se irão abrir? - 50 Detail Landscaping - 2020 foi uma ano de crescimento - 54 Ordem dos Advogados - Quais as janelas que se fecharam e que janelas se irão abrir? - 56 ONE Line - “Portugal tem um valor estratégico importante” - 61 Centro Nacional de Cibersegurança- O ano da pandemia e da cibersegurança - 64 Dulce Forte -A importância do autoinvestimento - 70 P-BIO - Que janelas se fecharam e que janelas se irão abrir, na bioindústria? - 73 Clínica Navegantes - “Os episódios depressivos aumentaram” - 74 Elvira Fortunato - Abriram-se janelas para um futuro mais sustentável! - 76 Medtronic - Digitalização e monitorização remota: Soluções para a medicina do futuro - 78
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
GRUPO FUTURE: PELA VALORIZAÇÃO DA ENGENHARIA PORTUGUESA O Grupo FUTURE constituiu-se com o objetivo de valorizar a Engenharia e tratá-la de forma respeitável e com a importância que possui. Dotado de uma visão disruptiva, o próximo objetivo passa por incorporar em todos os projetos que realize as tecnologias da Informação. O objetivo? Um mundo mais sustentável, onde a tecnologia seja colocada ao serviço das pessoas, para lhes fornecer mais e melhor qualidade de vida, mesmo em meio urbano, como explicou o engenheiro João Andrade, CEO deste Grupo multinacional.
João Andrade CEO
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omo foi possível gerir um grupo com estas dimensões, num ano afetado pela pandemia?
Gerir um grupo em quatro continentes é sempre um desafio. Os países onde estamos presentes têm culturas e práticas profissionais distintas, mas com a pandemia, surpreendentemente, essas diferenças esbateram-se, bem como as distâncias. Nós conseguimos, fruto do investimento que fizemos na nossa organização a nível de estrutura informática, que é fundamental para gerir um grupo desta dimensão e sobretudo na área em que trabalhamos, colocar mais de 700 pessoas – das 1200 que somos hoje – em casa, a trabalhar à distância, de um dia para o outro. No futuro, inclusivamente, queremos que as pessoas tenham a oportunidade de trabalhar remotamente, a partir de qualquer local que lhes seja aprazível. Porém, mesmo na fase de confinamento e a trabalhar obrigatoriamente a partir de casa, não sentimos qualquer transtorno na nossa operação.
Que projetos gostaria de salientar, executados pelo Grupo FUTURE em Portugal, e que efetivamente caracterizam o modo de trabalhar da empresa? Nos 39 anos de existência da empresa em Portugal temos vários exemplos. Temos uma área de Gestão e Supervisão da Construção que é muito significativa e conta com muitas obras de relevo, como o terminal de cruzeiros do Porto de Leixões, que inclusivamente ganhou alguns prémios, o Centro Comercial Colombo, o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia, o Museu dos Coches, o Palácio da Bolsa… Na área de obras marítimo-portuárias, a nossa empresa está presente em todos os portos nacionais. Como exemplo das muitas obras realizadas posso destacar o terminal XXI da PSA, em Sines, que é o terminal de contentores mais importante do país, bem como os estaleiros navais da Lisnave, um projeto que está na origem da nossa FUTURE Proman.
A primeira semana foi complexa, mas não falhámos nenhuma entrega programada. Além disso, nestas circunstâncias ainda registámos um acréscimo de produtividade, o que é extraordinário.
Na área da Sustentabilidade e Energia posso salientar os estudos no âmbito das energias renováveis que apenas nos dois últimos anos já totalizam mais de dois gigawatts de capacidade instalada. Esta é apenas uma parte do muito que tem sido a nossa contribuição para um país mais sustentável - um desígnio FUTURE.
A nível pessoal, comprometemo-nos a apoiar as pessoas, naquela que foi uma experiência psicológica difícil, com toda a família em casa em simultâneo e a desempenhar diferentes papéis – as crianças a ter aulas à distância e os pais em teletrabalho.
Por fim, gostaria de referir que temos sido uma referência no apoio à implementação de imensos investimentos no setor imobiliário.
Ainda assim, o resultado foi muito positivo – tão positivo que o nosso novo normal, o pós-pandemia, será muito diferente do que era antes – pois conjugaremos esta aprendizagem. Iremos manter tudo o que funcionou muito bem, nomeadamente a possibilidade de trabalho remoto, procurando sempre que as pessoas interajam fisicamente, porque isso também é importante, mas os nossos escritórios serão fundamentalmente pontos de encontro e de convívio. As pessoas trabalharão remotamente, o que permitirá que tenham uma maior produtividade e mais qualidade de vida. As ferramentas de reunião à distância já existiam antes, mas não tirávamos tanto partido delas como tiramos agora. Neste momento, "vou" ao Brasil cerca de três vezes por semana, via videoconferência, quando antes da pandemia viajava até ao Brasil mensalmente, para uma reunião. Do ponto de vista comercial, esta fase de pandemia também correu bem. Conseguimos crescer nas nossas operações no Brasil e em Portugal e vamos fechar 2020 com um volume de negócios acima do de 2019. Por isso, só podemos concluir que a pandemia nos fez aprender e evoluir, com resultados positivos.
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Um dos vossos conceitos é o de tratar a Engenharia sempre com E grande. Que conceito é esse? Em primeiro lugar, nós sentimo-nos muito honrados por ter esta profissão. É uma profissão extremamente importante para criar condições para a evolução da sociedade e melhorar as condições de vida das populações. Foi assim ao longo de toda a História. Até há 20 anos, era assim que era entendida a Engenharia. A partir do momento em que a gestão das infraestruturas se tornou demasiado politizada, acabámos por desvalorizar a Engenharia, e Portugal é um exemplo disso. Hoje, a Engenharia vale menos do que em 2000, quando eu deixei o setor. A Engenharia foi transformada numa commodity, mas é necessário que se entenda que não o é. Ao desvalorizarmos a Engenharia, as nossas empresas desta área foram perdendo valor e dimensão. As grandes empresas de Engenharia, que existiram até ao final do milénio, desapareceram. Todas elas eram escolas de Engenharia. E desapareceram. Isto é uma realidade má para o país, pois esta área é importante para otimizar e rentabilizar os investimentos. Um país não pode definir as suas prioridades a nível de infraestruturas sem que essa discussão passe pelos agentes da Engenharia.
Dada toda a importância da Engenharia para rentabilizar recursos e para criar infraestruturas sustentáveis, só podemos encarar a Engenharia com “E” maiúsculo. A nossa missão é de enorme responsabilidade e valor, por isso lutamos por ela. O Grupo FUTURE é uma voz ativa na valorização da Engenharia portuguesa. Como caracterizaria a Engenharia nacional? O projeto FUTURE nasce daquilo que são as vantagens competitivas da engenharia nacional. De facto, é uma pena que Portugal não explore esta vantagem incrível que tem, porque nós conseguimos: temos boas escolas de engenharia, temos as nossas características inatas enquanto povo português que são, por si só, vantagens competitivas em mercados emergentes, como os mercados de África e da América Latina. Somos muito bem recebidos e reconhecidos, pela nossa engenharia e pela nossa capacidade de adaptação a novas realidades. A nossa engenharia é extremamente competitiva nestas geografias. Porém, e considerando a escala das empresas nacionais, estas não conseguem implementar-se de forma estruturada e sistematizada e acabamos por não aproveitar esta nossa capacidade. Nós, no FUTURE, entendemos que precisamos de escala, porque é preciso escala para tirar partido das vantagens competitivas da Engenharia portuguesa. Isto deveria ser um desígnio português – a afirmação da Engenharia nacional noutras geografias. Nós exportamos engenheiros, estão em todo o mundo, em especial nos países mais desenvolvidos e com desempenhos fantásticos. Temos de exportar antes Engenharia, e precisamos de o fazer em escala. Todavia, a cultura nacional diz que uma empresa que tenha 300 técnicos é grande. Na Suécia, que tem a mesma população que nós, encontramos empresas com 12 mil técnicos. No Grupo FUTURE, temos 1200 pessoas e continuamos a precisar de crescer.
Como se integram as tecnologias da Informação na Engenharia Clássica? Nós vemos que a Engenharia Clássica não evoluiu, comparativamente com quaisquer outros setores, como o automóvel ou das tecnologias da comunicação. Refletimos sobre isso e pensámos de que forma poderíamos fazer a Engenharia evoluir e desempenhar o seu papel na sociedade de forma efetiva. Deparámo-nos com os desafios aos quais importa responder, como a sustentabilidade ambiental e económica, bem como a necessidade de oferecer serviços diferentes. Concluímos que, para sermos bem-sucedidos nesta inovação, teríamos de incluir as tecnologias de informação nos nossos projetos. Criámos assim, o terceiro pilar do projeto FUTURE, que é a integração das tecnologias da informação na Engenharia Clássica. Somos pioneiros nesta área e estamos a reinventar os serviços. A partir de janeiro de 2021, tudo o que for projetado pelo nosso Grupo, terá de ter a inteligência artificial incorporada e deverá também ser ambientalmente sustentável. São duas obrigações que nos impusemos. Toda a gestão de um edifício ou de uma cidade é mais eficaz se for feita com base em recursos tecnológicos que já existem. Se as soluções estiverem integradas, as tecnologias irão fornecer-nos dados para uma melhor Engenharia, uma maior eficácia. Por esse motivo, integrámos no nosso grupo, uma das maiores tecnológicas portuguesas, com quase 50 anos de mercado e estamos a desenvolver um projeto piloto e a criar uma plataforma que será lançada já no final de janeiro que revolucionará a supervisão da construção e que trará muitas vantagens para os clientes. Será um dos nossos primeiros produtos disruptivos a ser lançado no mercado, no âmbito da transformação que estamos a operar.
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Com a tecnologia incorporada nos projetos que desenvolvemos, ficamos ligados às operações das grandes infraestruturas e poderemos acompanhar e monitorizar, a partir da informação que vamos recebendo, o comportamento das mesmas. Gera-se, assim, muita informação que usaremos para otimizar as soluções técnicas e as próprias operações. Esta é a nossa visão disruptiva, do ponto de vista da abordagem técnica. É um caminho longo, mas quando conseguirmos, por exemplo, projetar uma cidade inteligente, vamos conseguir gerir melhor recursos como a água, energia, ter melhores espaços verdes, melhor mobilidade e vamos proporcionar muito melhor qualidade de vida às populações. Será um grande benefício e assumimos esta responsabilidade. O desafio é ainda maior, porque as cidades já existem e, portanto, tudo isto tem de ser agregado lentamente, mas podemos transformar, por exemplo, os nossos sistemas de saneamento ou de água em sistemas inteligentes, de uma forma relativamente rápida e começamos imediatamente a poupar e a rentabilizar recursos. É importante utilizar este saber e esta tecnologia a favor das pessoas, para que as cidades sejam mais verdes, a qualidade de vida seja melhor e se possa conjugar meio ambiente com o espaço urbano. O Grupo FUTURE valoriza o saber. Qual a importância da vossa colaboração com universidades e centros de investigação, bem como da criação, internamente, do FUTURE Lab? O conhecimento é muito importante e é crucial cuidarmos dele. É importante que cada geração consiga acrescentar algo ao conhecimento da geração anterior. Nós estamos a perder conhecimento, porque as empresas não têm a escala necessária e não têm níveis de organização suficientes para assegurarem uma continuidade do saber. Assim, tentamos evoluir nas nossas soluções e criámos, inclusivamente, o Portal do Saber, dentro do nosso Grupo, onde armazenamos e tratamos todo o saber que vamos adquirindo e construindo.
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No que respeita à inovação, essa é a palavra que nos permite oferecer algo diferente ao mercado e ser olhado de forma diferenciada. Para isso, temos efetivamente de ter ideias distintas de tudo o que já existe. O FUTURE Lab foi constituído para que todos os nossos colaboradores possam dar sugestões sobre novos tipos de serviço, novas formas de interagir com os clientes, novas maneiras de fazer e apresentar algo. Este esforço deve ser articulado com os centros de investigação e de ensino e sempre julgámos importante uma aproximação deste tipo e é o que estamos a levar a cabo neste momento, junto de algumas destas instituições. Já temos uma relação muito próxima com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, com quem gostamos imenso de trabalhar. Em 2021, iremos criar uma Incubadora de Ideias, para que todos os jovens ou mesmo pequenas start-ups que tenham uma ideia para desenvolver possam, através da nossa Incubadora, testá-la e desenvolvê-la, numa fórmula "win win". Como antecipam o ano de 2021, incluindo no que respeita à posição do Grupo face ao mercado? Este é um projeto dinâmico e ambicioso, que pressupõe crescimento, mas sempre baseado na implementação dos nossos modelos e conceitos. À medida que vamos fazendo essa implementação, vamos crescendo. Não conseguimos ter modelos disruptivos implementados de um momento para o outro, nem o mercado teria capacidade de absorção para tudo em simultâneo. Será algo que exige tempo. Em 2021, prevemos ter um crescimento ainda maior do que em 2020, até porque muitas das nossas novidades serão materializadas em 2021. Iremos continuar o crescimento. No que respeita às novas geografias, estaremos presentes, ao longo do próximo ano, em mais quatro países diferentes. Isso permite-nos estar menos dependentes de cada um dos mercados e oferecer, a cada um dos mercados onde atuamos, mais-valias provenientes da nossa oferta diferenciada de serviços.
“EM 2021 CONSOLIDAREMOS O E-ELEARNING” A OPCO é uma empresa de formação e consultoria, certificada e especializada, sobretudo, nas áreas da indústria automóvel e da aeronáutica, onde conta com parceiros importantes ligados a estes setores. Depois de ter aproveitado o período de confinamento para criar a OPCOnline, uma plataforma de elearning, Pedro Silva, engenheiro e CEO desta entidade formadora faz um balanço de 2020 e abre as portas de 2021, que será “um ano de consolidação”. Pedro Silva Engenheiro e CEO
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omo descreveria o ano de 2020, tendo em conta a questão da pandemia, a necessidade contínua de aprendizagem e os setores de atividade para os quais estão particularmente adaptados? Realmente, o ano de 2020 foi e continua a ser uma aprendizagem contínua. Uma das primeiras aprendizagens, para uma empresa como a nossa, que se considerava, como refere, virada para o futuro, foi constatar que afinal estávamos dentro de uma zona de conforto. Na realidade, creio que todos nós, estávamos numa grande zona de conforto, que ia sendo alargada, é certo, mas dentro de uma normalidade que agora… mudou. E foi essa a nossa prioridade durante este ano: adaptar-nos, e rapidamente, a esta nova realidade e preparar a mudança de paradigma. Se sempre seguimos aquela máxima de “o que nos trouxe até aqui, não nos levará necessariamente mais além”, agora temos que realmente avaliar o caminho, mudar a orientação estratégica e isso começou já a ser feito. E agora sim, mandamo-nos para fora da tal zona de conforto. Que adaptações foram levadas a cabo durante o ano para continuar a trabalhar e a levar a cabo as formações em curso? Como referi, a primeira mudança foi o passar para o virtual, para o online mas, há ainda muito a fazer e podemos elencar vários temas: os equipamentos, apostar em condições técnicas adequadas a uma presença online profissional, seja a nível da atitude e da presença, do descontrair e ter uma melhor interação com os equipamentos acima referidos e com um público à distância; o marketing e a promoção, através dos vários canais que temos disponíveis e, finalmente, o grande desafio e, simultaneamente, a grande oportunidade: se com uma presença física estamos limitados pelas distâncias, num mundo online temos um campo de atuação global. Aqui sim, reside o desafio, enorme, mas igualmente uma oportunidade enorme, e não só a nível da lusofonia, mas também com o uso do Inglês universal. Algumas dessas adaptações serão, daqui em diante, tornadas permanentes? Que mais-valias possuem para que assim seja? Claramente, há situações que simplesmente não voltarão atrás e se, como referido, temos vários desafios e oportunidades, temos também
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várias sinergias a explorar. Uma dessas sinergias surgiu durante o período de confinamento, fechados em casa, mas à distância de uma chamada virtual com o mundo inteiro e foi aqui que os contatos se revelaram extremamente úteis. Um exemplo disso foi a edição deste ano do nosso Automotive Summit onde, quase sem querer, passámos claramente as fronteiras nacionais. Não só tivemos uma participação, no total, de mais de 400 ligações, com chegamos ao Brasil, Índia, China e outros países, fosse através de portugueses deslocados nesses países, fosse através de locais, trazidos por nós bem como pelos nossos convidados. Esta é, certamente, uma das alterações que veio para ficar e que estamos já a potenciar para o ano de 2021. Existem formações que gostaria de salientar? As formações seguirão o seu curso, a necessidade continua a existir e o facto de serem realizadas online não vai eliminar na totalidade a necessidade de ações presenciais. Creio que o fator que mais importa realçar passa sim por temas com o Summit. Temos já na calha a próxima edição onde queremos apontar para um alcance global. Claro que não o faremos sozinhos, estamos a trabalhar com parceiros europeus e de fora da Europa, reunindo um conjunto de especialistas que irá garantir esse alcance global. Depois, e ligando à formação ou a outras das nossas atividades, iremos cada vez mais usar um modelo blended, combinando as atuações remotas com as ações presenciais, combinando as ações remotas entre o síncrono, como a presença de um monitor ou consultor, e o assíncrono, totalmente online. Que características gostaria de destacar, em particular, nas vossas formações? Gostamos de acreditar que as nossas formações ou ações, cumprindo, claro, com os objetivos definidos, levam também as pessoas a questionar atitudes e a desafiar o normal. Gostamos de acreditar, e temos motivos para isso, que estendemos “a caixa”, seja a nível de formação, seja a nível de consultoria, que levamos as organizações a repensar a sua atuação, a questionar o “porque fazemos desta forma”, que levamos as organizações a pensar a sua atuação, não apenas de um ponto de vista de “conformidade”, mas sim de um ponto de vista de “valor acrescentado”.
A quem se destinam – a trabalhadores empregados em determinados setores económicos, a desempregados, a formandos de primeiro emprego? Temos uma enorme satisfação de chegar a várias franjas, dentro das áreas industriais onde atuamos, onde tivemos já oportunidade de trabalhar desde o chão de fábrica à gestão de topo das organizações, desde recém-entrados no mercado de emprego até pessoas com toda uma vida de experiência. Claro que os temas são adaptados e adequados à audiência, mas esta situação reflete-se ainda mais quando temos um grupo heterogéneo e onde podemos “jogar” com as várias experiências e várias atitudes dentro desse grupo. A questão pandémica colocou muita gente em lay-off. Essa é uma boa oportunidade para aprimorar competências? Verificou-se? Sem dúvida, tivemos várias pessoas, não só de Portugal, mas também de outros países ou a viver em outros países a realizarem um autêntico plano de formação pessoal e, assim, aproveitarem o tempo de confinamento. É um pouco como o ditado “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. Vimos casos de indivíduos a apostarem nas suas qualificações, mas também empresas, a aproveitar a maior disponibilidade das pessoas, para recuperar temas e formações. No que respeita ao ano de 2021, como se posicionará a OPCO, no que concerne à formação? Como referi anteriormente, 2020 foi o início da mudança, 2021 tem de
ser a consolidação. Temos pela frente desafios essencialmente técnicos como a questão do e-learning, e temos também a necessidade de outras competências, outros conhecimentos, de modo a poder gerir e tirar o máximo proveito dos meios. Iremos para isso contar, não só com as nossas pessoas, como também com parceiros, especialistas nas várias áreas de modo a, voltando ao tema, podermos alargar esta nova área de conforto. O setor automóvel é das áreas com mais destaque na vossa oferta formativa. Será, também ela, reforçada no próximo ano? Sim, claro, mas o “sector automóvel” está a mudar e vai continuar a mudar, assim sendo o nosso foco o “automóvel”, iremos cada vez mais apostar na formação e consultoria aplicada às novas formas de mobilidade e aos novos desafios, por exemplo a nível do desenvolvimento de software e integração hardware / software. Aliás, o ano começará precisamente com um projeto que visa compilar as melhores práticas para empresas da área. Ora se para as empresas produtoras, essas boas práticas estão já maduras, para empresas de serviços ou integradoras desses serviços, estamos ainda numa fase inicial, em que vários referenciais já existem, mas não estão ainda consolidados ou reconhecidos pelas entidades de referência. Creio que este projeto espelhará bem aquilo que será a nossa evolução, como organização.
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Opinião
TRANSIÇÃO DIGITAL: OPORTUNIDADE PARA A INOVAÇÃO PEDAGÓGICA António de Sousa Pereira Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) Reitor da Universidade do Porto
A
s medidas de combate à pandemia de Covid-19, em particular o confinamento social e o distanciamento físico, aceleraram a transição digital das instituições e empresas portuguesas. Tem vindo a ser feito um notável esforço para prestar serviços, comercializar bens, interagir com stakeholders, trabalhar em equipa, organizar processos e gerir tarefas remotamente, recorrendo às potencialidades das tecnologias e plataformas digitais. A verdade é que, independentemente da crise pandémica, a transição digital era já uma tendência inexorável, mercê da avassaladora revolução tecnológica em curso no mundo. De resto, as vantagens da digitalização são por demais evidentes e transversais a vários sectores de atividade. A transição digital é uma oportunidade para instituições e empresas aumentarem a sua produtividade e competitividade, entrarem em novos mercados e atraírem diferentes públicos, analisarem dados com maior eficiência e melhorarem a sua relação com os stakeholders. Este último ponto assume especial relevância, na medida em que o comportamento das pessoas é cada vez mais influenciado pelas tecnologias e plataformas digitais, que se estão a impor como principais meios de interação social e acesso ao conhecimento.
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No caso das instituições de ensino superior, a aceleração da transição digital traduziu-se, sobretudo, num muito maior recurso ao modelo de ensino não presencial, apoiado em tecnologias e plataformas digitais. Modelo esse que implicou a adoção de novas metodologias, conteúdos e ferramentas no processo de ensino-aprendizagem, bem como uma mudança de rotinas quer dos estudantes, quer dos docentes. Importa ressalvar, contudo, que as vantagens pedagógicas do ensino à distância há muito que são conhecidas, valorizadas e maximizadas no ensino superior. O e-learning é uma solução formativa credível, eficaz e adequada às novas tendências e comportamentos sociais, em especial dos nativos digitais. A crescente mobilidade humana à escala global exige um modelo de ensino sem limites geográficos ou espaciais e com grande flexibilidade de funcionamento. A generalização do uso de tecnologias e plataformas digitais no ensino superior vai seguramente acentuar-se, o que obrigará a uma profunda reconfiguração das metodologias, técnicas, modelos e conceitos pedagógicos. Temos vindo a assistir, aliás, a um extraordinário desenvolvimento tecnológico do ensino à distância, com recurso à inteligência artificial (machine learning), ao cloud computing e ao gaming, por exemplo.
O ensino à distância tem, de facto, enormes virtualidades e poder atrativo, mas não pode ser encarado como uma alternativa ao modelo presencial. O e-learning deve, sim, ser um complemento ao ensino em sala de aula e, enquanto tal, parece-nos útil e enriquecedor para os estudantes. Por mais virtuosas que sejam, as tecnologias e plataformas digitais não substituem a interação física e a alteridade nas relações professor-estudante. O diálogo, a entreajuda, as sinergias e a empatia que se estabelecem numa sala de aula favorecem claramente o processo de ensino-aprendizagem. É também fundamental que os estudantes do ensino superior frequentem aulas práticas e laboratoriais, de forma a ganharem rotinas de investigação científica e a treinarem as técnicas que vão aplicar nas suas vidas profissionais. O ensino nas universidades deve ser apoiado nas atividades de I&D, para que o estudante não seja um mero recetor passivo de conteúdos pedagógicos mas, sim, um elemento ativo na descoberta, ou mesmo produção, do conhecimento. Isto implica alargar e aprofundar os modelos de ensino-aprendizagem baseados em projetos, de forma a promover a autoaprendizagem e o trabalho em equipa. Considerando as potencialidades quer do ensino presencial quer do ensino à distância, a evolução pedagógica no ensino superior vai passar, certamente, pelo b-learning (blended learning). Trata-se de um modelo de ensino que combina componentes de formação remota, através de tecnologias e plataformas digitais, com a formação presencial. O b-learning permite tirar proveito das potencialidades do ensino à distância – designadamente as inovações tecnológicas, os conteúdos multimédia, a mobilidade geográfica,
a flexibilidade de horários, etc. –, sem abdicar da interação física entre professor e estudante, que é decisiva para o sucesso do processo de ensinoaprendizagem. Creio, pois, que o ensino superior vai reforçar os seus modelos de b-learning. Ou seja, vai privilegiar um sistema de ensino presencial mas apoiado por tecnologias e plataformas digitais, o que, para além das vantagens já referidas, possibilita a diversificação e modernização da oferta formativa. O b-learning favorece a abertura de programas de estudos mais curtos, flexíveis e customizados. A tipologia dos cursos no ensino superior pode, assim, adaptar-se às necessidades de diferentes públicos e conferir diferentes graus de especialização, observando a exigência contemporânea de multi e interdisciplinaridade curriculares. Acresce que o b-learning familiariza os estudantes com as novas tecnologias e amplia as suas competências digitais, fator crucial para a integração no mercado de trabalho. Por tudo isto, um ensino com uma significativa componente de formação remota contribui para a internacionalização das universidades. A OCDE estima que o número de estudantes universitários internacionais rondará os oito milhões, em 2025. É neste contexto de forte globalização que as instituições de ensino superior competem entre si pela captação e retenção de talento. Ora, dar aos estudantes internacionais modelos de ensino mais inovadores e modernos é, naturalmente, um fator de atração de talento, sobretudo ao permitir que parte da formação seja realizada à distância.
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“O COMÉRCIO DE PROXIMIDADE FOI VALORIZADO COM A PANDEMIA” A Unimark é uma central de negociação maioritariamente grossista, nacional, que representa cerca de 10% do mercado alimentar em Portugal. Em entrevista à Valor Magazine, João Vieira Lopes, diretor-geral da Unimark, presidente da Associação dos Distribuidores de Produtos Alimentares (ADIPA) e presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP) salientou a valorização do comércio de proximidade durante este ano, devido à pandemia, e as ações que a Unimark pretende levar a cabo no próximo ano para continuar a fazer crescer este setor.
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á quanto existe a cooperativa Unimark e que mais-valias existem entre o trabalho desenvolvido com os grossistas e retalhistas? A Unimark foi fundada há 24 anos e é essencialmente uma central de negociação grossista, agrupando neste momento 21 empresas de cash & carry que, depois, desenvolvem uma atividade articulada que dinamiza o retalho independente de proximidade. Com várias marcas de retalho, a maior, e que agrupa 17 dos grossistas, é a marca Aqui é Fresco.
Como funciona a marca UP? A marca UP é uma marca da Unimark, que faz 15 anos, que tem mais de 500 referências e abrange quer o setor alimentar, quer o setor de higiene pessoal e do lar. É uma marca que alguns dos nossos associados comercializam como marca própria de base e outros associados – que têm a sua própria marca – utilizam-na de forma complementar.
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João Vieira Lopes Diretor-geral
Os vossos associados estão espalhados um pouco por todo o país. Os desafios que este setor enfrenta são distintos em cada região do país? Nós temos, efetivamente, associados em todo o país, mas a maioria deles está localizada na zona Centro Norte. Temos também associados na Grande Lisboa e no Algarve. O volume de negócios do conjunto dos nossos associados é de cerca de 850 milhões de euros. Temos diversos tipos de acordos com o mercado e temos alguns acordos com entidades que nos prestam serviços de negociação comercial, como a Euromadiport; temos um cartão de crédito para comerciantes, do BPI, e desenvolvemos alguns negócios com outras entidades, independentemente dos contratos que existam. Nesse aspeto, no setor grossista nacional, em termos de número de unidades, contamos com um conjunto de unidades com bastante peso, que abrangem mais de 40 pontos de venda de cash & carry. O nosso objetivo aqui é impulsionar condições comerciais melhores e mais próximas do que conseguem os grandes grupos económicos e, acima de tudo, valorizar o comércio de proximidade. Os nossos associados têm organizadas mais de 1100 lojas, 700 das quais no Aqui é Fresco em que o “master franchising” é também associado da Unimark , e representamos cerca de 10% do comércio
de proximidade alimentar do país. Com a pandemia, este comércio foi bastante valorizado, porque a restrição à circulação das pessoas, o número de pessoas por metro quadrado, a alteração dos horários das lojas e mesmo o próprio teletrabalho levaram a um aumento dessa frequência do comércio de proximidade. Tivemos capacidade para enfrentar bem este desafio e conseguimos manter um patamar de preços perfeitamente competitivo em relação às grandes superfícies, sendo que as grandes superfícies fazem as promoções de 50 e 70% e nós optamos por seguir um preço de prateleira competitivo, mantendo também algumas promoções fortes. Sob esse ponto de vista, queremos oferecer um serviço personalizado e temos investido na cooperação com os comerciantes independentes, para que estes avancem para o digital, que é um dos grandes desafios neste momento.
Parece-lhe que a pandemia pode representar uma oportunidade para a valorização deste setor do comércio de proximidade? Esse é o grande desafio que colocamos aos comerciantes e as ações têm sido globalmente positivas. Eles recuperaram a visita de muitos clientes que antes lhes davam menos atenção – evidentemente que os consumidores irão sempre visitar diferentes formatos de comércio - mas este tipo de comércio pode representar uma alternativa para quem não tem muito tempo para filas e não quer ocupar demasiado tempo com as compras semanais. O nosso preço de prateleira é competitivo, portanto as pessoas têm vantagens. Como este tipo de lojas não tem a obrigação de ter uma rigidez de gama, adaptam-se melhor aos produtos e aos consumidores locais.
Qual a estratégia da Unimark para os desafios ligados ao comércio de proximidade, bem como à resolução de alguns problemas que o setor possa atravessar? Vamos manter uma atividade promocional regular - nós temos um folheto mensal que anda próximo dos 200 produtos e iremos mantê-lo. Vamos tentar que ele seja mais competitivo. Vamos fazer ações focadas na comemoração do nosso aniversário de 25 anos e dos 15 anos da marca UP, mas acima de tudo, o que pretendemos é consolidar o nosso funcionamento e continuar a mostrar à indústria e aos fornecedores que somos um canal interessante, já que representamos praticamente 10% do mercado alimentar e muitos já perceberam que somos uma boa escolha, para diminuir a sua dependência dos grandes operadores. É esta conjugação de ações que tentaremos aprofundar no próximo ano.
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“FALTAM PESSOAS QUALIFICADAS PARA REDEFINIR A NOSSA ECONOMIA”
Pedro Chitas Engenheiro Civil e Diretor
A Engigeo foi criada em 2018, com o objetivo de suprir a carência de especialistas em projetos geotécnicos. De acordo com o engenheiro Pedro Chitas, diretor da empresa, a escassez de especialistas nesta área da Engenharia poderá impactar significativamente a economia nacional, a médio prazo.
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Engigeo é uma empresa relativamente recente, constituída em 2018, sobretudo especializada em Engenharia Geotécnica. Durante estes dois anos de existência, que balanço faz deste percurso? O balanço é claramente positivo. Confirmou-se a carência por nós identificada de especialistas em Projeto Geotécnico no mercado de Engenharia. Tal permitiu-nos prosseguir com o plano estratégico inicial com poucas alterações. A Engenharia Geotécnica em Portugal é uma área que exige técnicos e especialistas com muito know-how. No entanto, a Engigeo tem também uma estreita ligação às universidades. Em que se traduz esta ligação? A ligação traduziu-se, num primeiro passo, no estabelecimento de contactos para recrutamento. A escassez de talentos na área da Engenharia Civil é um problema crescente, com impacto económico significativo para Portugal a médio e longo prazo. Mais recentemente, iniciámos algumas colaborações em estudos e pareceres, situações de maior complexidade e que exigem a mobilização de especialistas.
Os métodos e as tecnologias são fundamentais para a realização de um bom trabalho e a sua evolução é constante. Como se mantêm atualizados? Procedemos à atualização frequente de ferramentas de cálculo relevantes para a nossa atividade. Para além disso, estamos em contacto com as principais entidades que prestam formação na nossa área. Naturalmente, o contacto com as universidades permite acompanhar as tendências mais recentes de investigação e desenvolvimento na nossa área. 2020 foi um ano distinto de todos os outros que já vivemos. Como descreveria o comportamento da Engigeo, ao longo deste período, relativamente à forma como se posicionou no mercado e à forma como a pandemia a atingiu? O nosso modelo de negócio, baseado no estabelecimento de parcerias, revelou-se resiliente face ao impacto que a pandemia trouxe à Economia. Conseguimos dar resposta às solicitações pedidas.
A Covid-19 impediu muitas atividades de continuarem a funcionar de forma normal. Que alterações/medidas preventivas teve a Engigeo de adotar para fazer face a este vírus? Desde logo, a pandemia obrigou a desenvolver, na medida do possível, atividade em teletrabalho. A transição acabou por ser fácil, uma vez que já tínhamos toda a infraestrutura informática preparada para trabalho remoto. Nas deslocações a obra e em trabalhos de campo, as medidas passaram pela utilização de Equipamento Individual de Proteção e pelo seguimento das Recomendações da Ordem dos Engenheiros para prevenção do contágio em Estaleiros e Obras. Quais lhe parece serem as alterações que se produziram, a nível do trabalho e da rotina profissional das empresas, que aconteceram no decorrer deste ano e que se poderão manter em definitivo, para os anos seguintes? O teletrabalho será cada vez mais uma realidade. Contudo, creio que a integração do teletrabalho com a atividade em escritório será diferente da atual. O cenário que me parece mais provável passa pela flexibilização da presença em alguns dias da semana. Tal já sucede em diversas empresas, sobretudo da área das Tecnologias de Informação, mas deverá generalizar-se em atividades onde o teletrabalho seja viável.
Como considera que Portugal mudará, no que respeita às adaptações que serão levadas a cabo, sobretudo no que respeita às novas modalidades de trabalho e novas áreas de negócio, nos próximos anos? Infelizmente, a tendência de fraco crescimento e atraso relativo ao resto da Europa deverá manter-se ou agravar-se. Não há reservas de capital nem pessoas qualificadas suficientes para a necessária redefinição da nossa Economia. Também não vemos vontade dos decisores políticos em mudar verdadeiramente o nosso paradigma económico. No setor da Consultoria de Engenharia, a sobrevivência de um exército de “empresas-zombies” continuará a constituir um lastro ao crescimento que nem a pandemia conseguiu destruir. Que desafios identifica para a Engigeo, especificamente, no futuro? Os próximos anos serão críticos para a definição da dimensão futura da Engigeo. O principal desafio passa pelo crescimento da atividade no mercado internacional, onde a Engenharia ainda é devidamente valorizada. Para superarmos este desafio, é necessário, em primeiro lugar, consolidar a nossa posição no mercado português.
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Opinião
HABITAÇÃO NO CENTRO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Marina Gonçalves Secretária de Estado da Habitação Foto: República Portuguesa
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Habitação, enquanto componente central do Estado Social, ganhou, nos últimos anos, um caráter prioritário na definição das políticas públicas.
Esta centralidade justifica-se pela visão estruturante da habitação enquanto base indispensável para a vida em sociedade, mas também pela evidência de anos de desinvestimento e desresponsabilização do Estado enquanto promotor de habitação digna para todos! Hoje, as carências habitacionais vão muito para além da degradação do parque habitacional ou da necessidade de respostas sociais. Hoje, essas carências decorrem também da total inadequação da oferta habitacional face aos rendimentos das famílias, sem que o Estado seja capaz de dar resposta através do seu património. As falhas de mercado, que estão na base dos instrumentos de política pública, apenas podem ser invertidas com um parque habitacional público robusto que responda às carências habitacionais no seu todo. O caminho que tem sido feito, desde a identificação das necessidades, até à criação dos instrumentos e à implementação e execução de medidas concretas, assenta num forte investimento em habitação pública e para isso é preciso mobilizar todo o património que o Estado tem devoluto e que pode ser convertido em casas para os portugueses. Esta é a base de trabalho a prosseguir, em complemento com medidas adicionais a curto prazo, necessárias para dar respostas imediatas no mercado atual, sobretudo no momento coletivo que vivemos! A pandemia, com as implicações de saúde pública e com os impactos socioeconómicos que representa, veio reforçar esta visão da habitação enquanto direito fundamental para a vida quotidiana. Não há garantia de saúde, educação ou emprego sem a garantia de uma habitação digna. É precisamente este enquadramento que leva à consideração da Habitação como prioridade nos investimentos a considerar já no próximo ano e no ciclo de investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência e que levou, e continua a levar, à definição de medidas imediatas de proteção do direito de todos nós a termos uma casa, com condições dignas. O Direito à Habitação deve ser um pilar fundamental na promoção de políticas públicas!
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A PANDEMIA NÃO NOS FEZ PARAR DE TRABALHAR” Há três anos, quando tomaram a iniciativa de abrir a agência Decisões e Soluções de Albufeira, Carlos Rascão e Sandra Santos tinham apenas um objetivo: fazer com que o negócio resultasse. Em 2020, com o negócio consolidado e já com a necessidade de expandir para um espaço maior, a equipa da Decisões e Soluções de Albufeira enfrentou a pandemia mantendo-se focada, motivada e sempre presente para servir os clientes, apesar das adaptações necessárias ao seu dia a dia profissional. Sandra Santos diretora comercial e responsável pelo departamento imobiliário
Carlos Rascão diretor de agência .
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A pandemia obrigou a alterações no dia a dia das empresas e da sociedade. Como se adequou a DS Albufeira a esta questão? Carlos Rascão (C.R.): Procurámos manter equilíbrio e calma. As pessoas ficaram perplexas e assustadas, num primeiro momento, por isso procurámos manter a confiança em nós, nas nossas capacidades e nas capacidades de quem estava diretamente envolvido no combate à pandemia – autoridades políticas e de saúde. Depois, nunca deixámos de trabalhar. Entre março e maio, estivemos confinados em casa, mas a marca investiu ainda mais na área da formação – sobretudo sobre a plataforma Zoom – o que permitiu uma continuidade do trabalho. Acredito, aliás, que esta seja uma ferramenta que ficará, mesmo depois de a pandemia terminar, pois é muito útil. Além disso, continuámos a alimentar a equipa, no sentido de transmitir confiança e encontrámos alternativas à nossa forma de trabalhar. Reinventamo-nos um pouco. Sandra Santos (S.S.): Senti uma dificuldade reduzida de adaptação da equipa, nada muito incisivo. Optámos por fechar a agência e iniciar o teletrabalho, no dia seguinte ao Presidente da República decretar o estado de emergência. Quando o Governo ordenou o confinamento, já estávamos em casa, mas preparados para dar continuidade ao trabalho desempenhado. Fiz questão de manter a motivação e o foco da equipa. Estabeleci a realização de reuniões por videoconferência três vezes por semana e nunca permiti que ninguém estivesse presente nas reuniões sem estar com a indumentária apropriada, embora confortável. Acredito ser influenciador à produtividade e prepara mentalmente, para executar o trabalho e manter o foco. No regresso ao trabalho, pós-confinamento, que alterações se verificaram? C.R.: Adotámos as medidas de segurança impostas pela Direção-Geral da Saúde, como os divisores em acrílico, para evitar contactos diretos entre colaboradores, e produtos e equipamento de higienização regular. Sempre que possível, passámos a reunir com clientes por marcação, e iniciámos com uma requalificação de um espaço extra que possuíamos que, quando concluído, permitirá à equipa trabalhar com mais distanciamento entre si. S.S.: Quando regressámos à agência, decidimos que a equipa iria trabalhar por turnos no uso do espaço na agência, promovendo assim maior proteção e menos contacto. O trabalho dos consultores imobiliários é essencialmente na rua. A vinda à agência prende-se com questões processuais ou burocráticas, ou alguma reunião com clientes. As visitas aos imóveis foram reduzidas ao que era essencial e, também, foram alvo de medidas adicionais de proteção. Os nossos consultores têm sempre consigo proteções para calçado e desinfetante e as ordens são para, sempre que entram na casa de um cliente, colocar as proteções nos sapatos, desinfetar as mãos e, evitar ao máximo tocar em objetos da casa. Como lidou o mercado internacional com a pandemia em Portugal? S.S.: Houve realmente uma mudança muito grande. O mercado
internacional sempre foi trabalhado tendo por base a confiança dos clientes o nosso trabalho. Alguns chegam mesmo a comprar casa sem a terem visto pessoalmente. A pandemia dificultou as viagens para o país, mas, ainda assim, tem sido possível trabalhar. Por outro lado, verificouse um aumento de interesse no país e na região algarvia de quem, podendo adquirir um imóvel num outro país europeu, prefere fazê-lo em Portugal, devido ao clima e da utilidade da casa, nomeadamente a possibilidade de rentabilização. Outra questão muito pertinente é a procura de imóveis com espaço exterior, em detrimento dos apartamentos. Além disso, muitas pessoas procuram casas fora dos grandes centros urbanos, para poderem ter um “refúgio” caso aconteça outra situação semelhante à pandemia. Regiões como Évora e Beja tiveram um crescimento na procura muito considerável. O mercado nacional também está diferente. Há muitos portugueses que querem comprar casa fora das grandes cidades, não necessitando de recorrer a crédito. Esse tipo de procura aumentou consideravelmente. C.R.: A forma como se fala da Covid-19 em Portugal também influencia a opinião dos estrangeiros, que estão fora do país e só conseguem ter conhecimento do que se passa através dos órgãos de comunicação social. A ênfase dada ao número diário de casos, focos de infeção e de mortos, comparativamente à ênfase dada aos recuperados, gera incerteza nas pessoas. No que respeita ao recrutamento, a DS Albufeira está a recrutar? S.S.: Sim, estamos a recrutar. A Covid-19 é importante e deve ser levada a sério, mas não nos pode fazer parar. Durante o confinamento, tivemos duas consultoras promovidas a diretoras de equipa e outros dois elementos não se enquadravam nas necessidades que existia, saíram. O mercado é dinâmico e o que importa é continuarmos sempre a trabalhar. Que mudanças estão a ser levadas a cabo na loja e que irão representar o futuro da DS Albufeira? C.R.: Tudo passa por uma reorganização e readaptação do espaço. Temos de respeitar as diretivas da marca, mas aproveitámos este período para desenvolver um espaço extra, de forma a que as pessoas possam também trabalhar mais confortáveis e mais distanciadas entre si. Além disso, é nosso objetivo a prazo, expandir a agência e passarmos para um espaço maior. Que tipo de mercado iremos ter em 2021? C.R.: Economicamente, a vacina poderá trazer-nos alguma estabilidade. Por exemplo, no caso da atribuição de crédito, alguns Bancos atualmente não estão a conceder crédito a pessoas que trabalham em áreas mais afetadas pela pandemia, dada a insegurança e incerteza que se vive nesses setores. A vacina poderá permitir uma maior estabilização económica. Assim, o mercado imobiliário ficará, de certa forma, dependente do mercado económico para se desenvolver.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A PANDEMIA ALTEROU O PARADIGMA DA PROCURA DE HABITAÇÃO”
Alexandre Mascarenhas é o CEO da Proposta Capital, uma agência imobiliária que desenvolve o seu trabalho essencialmente na região da Grande Lisboa e que se viu afetada pelo decréscimo do número de clientes internacionais, bem como pelas medidas de proteção e confinamento, às quais soube adaptar-se com distinção. A formação é, para Alexandre Mascarenhas, o pilar fundamental do
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ano de 2020 foi diferente de tudo o que já se havia vivido. Tendo em conta tudo o que foi alterado – na socialização, no trabalho, nos negócios – como se adaptou a Proposta Capital, ao longo do tempo, a estas mudanças necessárias? Na nossa perspetiva, face aos desafios que nos foram impostos, optámos por recorrer a ferramentas tecnológicas para aumentar o nosso modelo de trabalho, que nos permitiu flexibilizar não só este modelo como a prestação dos serviços que oferecemos aos nossos clientes. Não temos dúvidas que estas novas tendências, como o teletrabalho e as videoconferências, vieram para ficar e que nos vão fazer mais proativos e darão aos nossos clientes um sentimento de segurança, imprescindível na nossa atividade.
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Alexandre Mascarenhas CEO
.Como avalia, no final deste ano, o mercado imobiliário que existiu em 2020? O mercado imobiliário em Portugal, apesar da pandemia, tem vindo a recuperar a sua dinâmica e a dar sinais claros de recuperação, continuando a manter-se como uma boa opção de investimento. Que características deste setor foram influenciadas diretamente pela chegada da pandemia? Tal como dito anteriormente, a chegada da Covid-19 a Portugal obrigou-nos a algumas mudanças de procedimentos, no sentido de ir ao encontro dos interesses dos nossos clientes, as quais, não temos dúvidas, vieram para ficar.
Os clientes procuram agora outro tipo de imóveis (moradias em detrimento de apartamentos, por exemplo)? Sem dúvida que a procura de imóveis é, não em absoluto, mas em género, diferente. Temos verificado um aumento considerável na procura de moradias. Não temos dúvida que esta procura está diretamente relacionada com o período de confinamento a que todos estivemos sujeitos. A procura por espaços abertos com jardins e terraços, varandas amplas, fora dos centros urbanos têm tido uma procura, como prioridade, que não se refletia antes. Também a procura por lotes de terreno cresceu, o que é sinónimo de uma perspetiva diferente por parte do mercado.
No que respeita à localização dos imóveis, a procura por habitações localizadas nas regiões do interior aumentou? Apesar de nos localizarmos geograficamente na região de Lisboa, verificámos que a procura aumentou substancialmente nas regiões limítrofes da capital. A procura de moradias e terrenos para construção passou a ter, efetivamente, um peso importante na decisão dos compradores. O abrandamento da chegada de estrangeiros ao país, dispostos a comprar casa, teve influência no mercado imobiliário? Sem dúvida que esse abrandamento se refletiu, principalmente nas imobiliárias que tinham uma boa relação com o mercado estrangeiro, como é o nosso caso. Contudo, os investidores estrangeiros mantêm o interesse sobre Portugal, com os benefícios que o nosso país oferece e com um leque bem opcional de oportunidades imobiliárias em todo o território nacional. Vamos, por certo, em 2021, continuar a crescer na procura dos investidores estrangeiros, no tão apetecível mercado nacional. Quais as circunstâncias que se alteraram durante este ano e que prosseguirão – e serão mesmo adotadas como parte integrante do
modo de funcionamento das empresas – nos próximos anos, no seu entender? Já existia, com alguma consistência, a formação profissional. Contudo, a pandemia trouxe-nos uma obrigatoriedade ainda maior, no sentido de uma adaptação às novas regras do mercado. Com esta constante mudança do paradigma do mercado convencional, ao qual estávamos habituados, é indispensável que os agentes imobiliários tenham a informação e formação adequada para fazer face às atuais necessidades do cliente. Este não é só um desafio de 2020, é um desafio para sempre na vida de um agente imobiliário. Que oportunidades criou a pandemia? O que se pode esperar de 2021 e como se posicionará a Proposta Capital face a estas mudanças? Vamos manter os nossos princípios, que sempre nos nortearam e que, até agora, sempre nos deram bons frutos. A idoneidade e uma atuação transparente reforçam os laços de uma segurança jurídica e criam uma segurança acrescida nos nossos clientes, que são a parte mais importante do nosso negócio. Manter estes princípios de atuação e uma constante procura de elevados valores éticos (já aplicados), vão por certo proporcionar-nos a manter uma clara posição de adequação para o desempenho da nossa atividade.
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
IGS: UM CONCEITO CENTRADO NA PESSOA
A IGS é um projeto que nasceu em 2018, mas já conta com, no mínimo, seis anos de experiência dos seus responsáveis. Tolwer Carvalho é o diretor comercial da empresa e, em entrevista à Valor Magazine, falou sobre as circunstâncias especiais deste ano de 2020 e das consequências económicas que a pandemia acarretou.
Tolwer Carvalho Diretor comercial 24
os seus sentimentos, optamos por trabalhar com esta metodologia de trabalho.
O que o levou a iniciar este projeto? Trabalhei em várias agências onde pude obter experiência e conhecimento para dar avanço a este projeto. Sempre fui bastante empreendedor e gosto de arriscar em novos desafios e foi isso que fiz, além de que sempre ambicionei ter o meu próprio negócio. Quais as principais características da sua forma de trabalhar que definem a IGS? Temos um método diferente de trabalho. Não fazemos demonstrações de casas a nenhum cliente, exceto se for uma angariação que está publicada e que todos têm o direito de pedir uma visita. O nosso maior objetivo é conseguir satisfazer os nossos clientes e evitando ao máximo que estes se frustrem com um processo que nem sempre é fácil, portanto o que fazemos é efetuar uma préaprovação bancária para perceber qual o valor de crédito concedido, e a partir do momento que temos essa informação começamos a procurar os imóveis. Ao longo desta caminhada profissional já nos deparámos com várias situações em que os clientes foram visitar os imóveis, projetaram sonhos sobre o que viram, fizeram idealizações e quando vem a resposta por parte da entidade bancária nem sempre é favorável, ou o crédito não foi aprovado ou não foi aprovado no montante desejável e isso é muito frustrante, quer para os clientes, quer para os consultores. Por todos esses motivos e porque compreendemos que lidamos com pessoas e com
Como descreveria o mercado da região em que estão inseridos, sobretudo no que respeita ao tipo de oferta disponível? É um mercado competitivo e vejo que dentro da área geográfica que estamos inseridos, tem disponíveis várias ofertas para diversos tipos de clientes. Com o confinamento, a forma de trabalhar teve de ser alterada, bem como o próprio relacionamento com o cliente. Como lidou a IGS com isso? Foi uma experiência diferente, porque tivemos de trabalhar mais por telefone, correspondência via email para com os clientes e com a banca, e muitas foram as vezes que as visitas foram feitas apenas por vídeo, mas conseguimos dar a volta por cima e arranjar um mecanismo que funcionassem para todos e que acima de tudo nos protegesse. Durante este ano pandémico, sentiram alterações no mercado no que diz respeita à procura de imóveis com espaços verdes ou varandas / terraço? Sinceramente não. Pelo contrário, penso que houve mais procura do que era esperado. No que respeita à localização, houve também uma procura maior por imóveis fora dos grandes centros urbanos? Tem havido sim, muita procura de imóveis fora dos grandes centros urbanos, mas não foi derivado à pandemia, mas sim pelos preços por cada metro quadrado que os imóveis nos centros urbanos têm tido.
Se tivesse de destacar algumas questões que considera que deviam ser alteradas, com vista a um melhor funcionamento do setor, o que destacaria? A entrada de 10% que os bancos exigem aos clientes, acrescendo os custos do processo, tem sido uma carga muito elevada e difícil de suportar para alguns clientes, sobretudo para os casais mais jovens ou que já têm filhos, por isso o sonho de comprar a sua própria casa vai sendo adiado e, aliado a todas estas dificuldades ainda temos a questão do salário mínimo que é praticado em Portugal, que não dá margem para que se consiga fazer uma poupança. Diria que a solução passaria em reduzir para 5%, ou menos, o valor de entrada para que as pessoas que desejam adquirir habitação própria e permanente o possam fazer. Se houvesse esta alteração no setor, iriamos certamente verificar um crescimento na aquisição de imóveis. Como considera que o mercado imobiliário se comportará em 2021? É uma questão para a qual não temos muita certeza, de como se vai comportar o mercado imobiliário. Poderá ser um ano bom ou não, mas devido à pandemia foram muitos que perderam e, infelizmente, ainda perderão os seus postos de trabalho, o que se vai refletir num recuo na compra de imóveis e outros terão dificuldade de pagar as suas prestações, o que originará mais ofertas do que procura.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“NA CRISE SURGEM OPORTUNIDADES”
Patrícia Magalhães Fundadora e consultora imobiliária
A Secretdevotion é uma agência imobiliária com uma presença muito recente no mercado e que nasceu para tratar os negócios e os clientes de forma muito profissional, transparente e descontraída. Patrícia Magalhães, a fundadora e diretora da empresa, destaca a necessidade de mais e melhor formação, para que o setor seja cada vez mais profissional.
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Secretdevotion é um projeto relativamente recente e que já atravessou a pandemia. Como lidou com a necessidade de maior confinamento e distanciamento social? A Secretdevotion foi fundada mesmo pouco tempo antes da pandemia, no entanto continuei sempre a trabalhar durante o confinamento, mas com uma ausência quase total de visitas. Tive de me adaptar a uma nova realidade dando ainda mais atenção ao contacto com os meus clientes. Fechei diversos negócios que estavam em curso, pois em alturas de crise surgem muitas oportunidades. Quando a pandemia se instalou verdadeiramente no país, a necessidade de casas com espaço exterior manifestou-se de forma evidente. A Secretdevotion sentiu isso? Que alterações provocou no mercado imobiliário? Durante o confinamento, as pessoas sentiram necessidade de procurar novas e maiores habitações, com maior espaço exterior. Tal como informei, durante a pandemia nunca fiquei em total confinamento, realizando visitas sempre que possível. Numa visita a uma moradia de luxo, e em partilha de negócio, conheci uma parceira, Heloísa Baleia, e sentimos que tinhamos o mesmo
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objetivo: encontrar o imóvel que o cliente desejava, criando empatia e transmitir ao mesmo tempo confiança e lealdade na sua mudança, sempre como muito boa disposição e alegria. Desde que nos conhecemos, e ambas com o mesmo objetivo, dedicamo-nos à procura, fora dos centros urbanos, de moradias com espaço exterior a um preço mais competitivo. Com muita dedicação e trabalho, sem dúvida que obtivemos resultados bastante positivos, pois tivemos muitos clientes (principalmente com filhos) à procura de moradias com espaço exterior e fora dos centros urbanos. A localização das habitações também teve influência na escolha das mesmas, sobretudo quando as cidades se tornaram maiores focos pandémicos? Sim, a Secretdevotion alargou a sua prospeção de mercado e, durante esta pandemia, conseguiu angariar moradias fora das cidades, os principais focos pandémicos. As zonas com campo, praia e serra foram as principais procuras dos nossos clientes e onde obtivemos alguns negócios. Serão zonas onde continuaremos a apostar, pois os preços são mais convidativos e os potenciais clientes têm outra qualidade de vida.
A vinda de estrangeiros para Portugal diminuiu consideravelmente. Tal quebra teve influência no mercado imobiliário? Sim, inevitavelmente a limitação da vinda de estrangeiros para Portugal teve influência no Imobiliário, mas não diminuiu o interesse no Investimento no nosso país, que ainda ficou mais reforçado. Na minha opinião, o mesmo será visível em 2021. Portugal continua no topo da mira dos investidores estrangeiros. Que avaliação global faz do mercado imobiliário em 2020? O mercado imobiliário, em 2020, exigiu maiores desafios e adaptações a todos os que se dedicam a este ramo. Os dois últimos trimestres foram francamente positivos mas, com uma dedicação e esforço acrescidos, conseguimos recuperar do segundo trimestre. O que mudou neste setor, em virtude da pandemia, que poderá manter-se e tornar-se uma oportunidade ou uma nova forma de estar no mercado, no futuro? A necessidade de espaço e ter uma habitação própria como prioridade e a procura de imóveis fora dos centros das cidades em virtude da pandemia que vivemos foram as maiores mudanças que senti. Existe uma maior necessidade de criar elos de ligação com os nossos clientes e, agora mais do
que nunca, esta profissão mostrou que é uma profissão de pessoas com valores humanos sempre a prevalecer: a honestidade, transparência, atenção, dedicação e muito profissionalismo. A exigência é maior e a dedicação à nossa profissão será primordial agora e, ainda mais, no futuro. Quais os desafios que o setor imobiliário atravessa e que, a seu ver, necessitam de ser corrigidos? O setor imobiliário, no futuro, vai exigir ainda mais inovação, muita partilha e entreajuda em parcerias, bem como conhecimentos com muitas formações e certificações adequadas e terá de deixar de ser uma profissão alternativa. As pessoas neste setor têm de ser devidamente qualificadas, com perfil e com muita vontade de “correr” para alcançarem os seus sonhos. Como vê a Secretdevotion o ano de 2021? Quais as perspetivas para o novo ano e a médio prazo? A Secretdevotion em 2021 continuará a ser persistente, inovadora e muito sonhadora para alcançar os seus objetivos e ajudar o mercado. As perspetivas para o novo ano e a médio prazo dependerão da evolução da pandemia. Acredito num mercado mais estável (talvez a vacina transmita mais confiança), pois esteve em constante subida nos últimos anos, devido a uma grande valorização do mesmo nesse período.
A Secretdevotion é uma agência imobiliária com uma presença muito recente no mercado e que nasceu para tratar os negócios e os clientes de forma muito profissional, transparente e descontraída. Patrícia Magalhães, a fundadora e diretora da empresa, destaca a necessidade de mais e melhor formação, para que o setor seja, cada vez mais profissional.
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
Vasco Pereira Coutinho, General Manager Lince Real Estate
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MERCADO IMOBILIÁRIO: A OPORTUNIDADE DA CRISE O ano de 2020 foi uma surpresa para todos com uma grande quantidade de novos desafios a surgirem a todos os níveis, tanto profissionais como pessoais. A primeira mudança, comum à maioria das áreas de negócio, foi o teletrabalho, que acreditamos que se irá manter daqui para a frente. Esta tendência já estava em andamento e foi por isso de fácil adaptação para nós na Lince Real Estate, recorrendo a plataformas já anteriormente utilizadas, que nos permitiram manter toda a produtividade, ainda que remotamente. O Mercado Imobiliário arrancou com um primeiro trimestre positivo, coerente com a vaga de crescimento sentida em 2019 e nos anos anteriores, mas a grande onda de insegurança instalou-se em março, tendo o mercado parado de forma total a partir desse período. A grande falta de informação, aliada à restrição de visitas às casas, gerou uma grande onda de desconfiança por parte dos compradores, levando a uma paragem completa dos negócios em curso. O trabalho de uma agência imobiliária envolve muita proximidade e presença física, sendo as visitas presenciais às casas uma parte muito importante do fecho de qualquer negócio. Acreditamos que o negócio imobiliário se prende muito com a relação interpessoal, a empatia, a proximidade e o acompanhamento, pelo que a restrição de visitas físicas às casas começou por ser o maior e mais assustador desafio nos primeiros meses da pandemia. O distanciamento físico, seja entre membros da nossa equipa ou com os nossos clientes, foi a fase mais difícil de adaptação. Na Lince Real Estate somos muito felizes em grupo e junto das pessoas, e tudo isso mudou de um dia para o outro. A proximidade da equipa e a interação entre todos permite-nos ser rápidos a descobrir o que os clientes procuram, sendo uma mais-valia fundamental na concretização de negócios imobiliários. Mas como em qualquer crise, as oportunidades aparecem sempre. É preciso saber aproveitá-las.
A importância do digital fez-se sentir de forma abrupta, e o virtual e as plataformas online vieram para ficar. Adaptámo-nos rapidamente, começámos algumas novas formas de promoção das casas e iniciámos as visitas virtuais, visitas estas que ganharam muita credibilidade junto de clientes internacionais. Começaram a acontecer propostas e negociações com visitas por videochamada, coisa que anteriormente seria bastante improvável. Foi necessário encontrar a segurança que os compradores e os vendedores precisavam, e as visitas virtuais ajudaram muito neste processo. O balanço acaba por parecer bastante positivo. Passado o pânico inicial da pandemia, com o mercado totalmente parado entre março e maio, as pessoas começaram a reagir e os negócios voltaram a acontecer, tendo sido o mês de maio muito forte, com a concretização de negócios pendentes e em negociação pré-quarentena. Houve posteriormente um novo abrandamento nos meses de Verão, seguido de uma retoma muito grande nos últimos meses do ano, para surpresa de todos. Acreditamos que Portugal continua a ser um país muito atrativo para investimento estrangeiro, o que se verificou com a manutenção da procura por imóveis em Portugal e com o aparecimento de muitos investidores oportunísticos. Para o próximo ano, existe uma grande especulação sobre a descida de preços dos imóveis, com o fim das moratórias e o consequente aumento da oferta disponível, no entanto não é ainda uma certeza. Com o aparecimento de uma nova vacina contra o vírus, já em fase de administração nalguns países, o turismo poderá retomar e contrariar esta aparente tendência. O papel do Governo e respetivos incentivos ao investimento serão decisivos para a retoma da economia, pois sem estas medidas o mercado pode cair por completo e gerar uma grande dificuldade para muita gente. É preciso recuperar a segurança e continuar com os projetos de vida e compra/venda de casa, vendo com positivismo todas as oportunidades que uma crise pode trazer.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A CASA TEVE UM PAPEL PREPONDERANTE NA PANDEMIA” Com 12 anos de mercado, a Kasàmaneira foi criada em período de crise económica e financeira e, agora, atravessou a pandemia de Covid-19. Todavia, Mara Pires, sócia-gerente da empresa, afirma que o mercado está a crescer, o que proporciona uma evolução a esta agência imobiliária.
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Kasàmaneira é um projeto que nasceu em 2008, contando por isso com 12 anos de mercado. De lá para cá, que avaliação faz da evolução da empresa e do mercado onde se inserem? A empresa evoluíu bastante nos últimos anos, apesar dos diferentes períodos económicos que assistimos. A inovação é fundamental, e é desta forma que temos conseguido manter um crescimento estável, mesmo em momentos mais difíceis. Quais as características que usaria para descrever a vossa forma de trabalhar os produtos e os clientes? É através da nossa sinceridade, da credibilidade e da flexibilidade dos nossos serviços que poupamos muito tempo e orientamos os nossos clientes aos investimentos que melhor se adaptam às suas necessidades. Comprometendo-nos assim com um serviço profissional e transparente, pois só assim se obtem a satisfação total dos consumidores.
Mara Pires Sócia-gerente
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Como descreveria o mercado da região em que estão inseridos, sobretudo no que respeita ao tipo de oferta disponível e à relação entre a oferta e a procura? Apesar da pandemia do Covid-19 é factual dizer que a zona do Litoral Alentejano se encontra num estado de crescimento de m e r c a d o. E s t e é d e r i v a d o p e l a predominância dos sectores primário (mercado agrícola e pecuário) e setor secundário (industria logística e fábricas) que são os setores cruciais ao essencial funcionamento da nossa sociedade, e que, apesar de existirem condicionamentos devido à pandemia, não houve uma gravidade nas limitações do seu funcionamento. A pouca oferta justifica-se com o crescimento da população e com as condições laborais dos nossos habitantes. Estas impulsionam investimentos de indivíduos e organizações que se interessam pela estabilidade da nossa zona. Com o plano de alargamento do porto de Sines e com o possível projeto da fábrica de hidrogénio, estima-se o aumento da taxa de crescimento populacional e a consequente inflação do mercado imobiliário. Com a chegada da pandemia, a necessidade de trabalhar remotamente afetou todos. Como se posicionou a Kasàmaneira nesta questão? Consideramos o teletrabalho como uma pequena adaptação, pois esta tendência da flexibilização do local e horário de trabalho já vinha a ocorrer há vários anos, e só foi acelerada pela situação atual da pandemia.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
Muitas pessoas, com a questão pandémica e a necessidade de confinamento, aperceberam-se da necessidade de jardim / varanda. Sentiram uma procura particularmente elevada por moradias, em detrimento de apartamentos? Apesar de a nossa zona ser bastante verde, com diversas áreas de lazer e parques, as moradias com jardim, e apartamentos com uma vista agradável, com um jardim, terraço ou varanda são os tipos de imóveis com uma maior procura e são as que melhor suportarão a crise. No que respeita à localização, o interior representa verdadeiramente uma alternativa à vida na cidade, sobretudo numa altura em que o sentimento de proteção de todos está mais desperto? A casa assumiu o papel principal durante a pandemia, por isso mesmo, colocou em evidência uma procura mais orientada para espaços maiores, interiores e exteriores, que permitam uma melhor qualidade de vida e convívio familiar e/ou teletrabalhar. Não se trata somente de uma questão de segurança, mas sim de privacidade, espaço e de conforto. Quais as dificuldades e riscos de tentar transacionar um imóvel sem a ajuda de um profissional? Existem vários riscos sem dúvida, podemos começar por determinar o preço da propriedade. Dificilmente quem não está todos os dias a trabalhar nesta atividade conseguirá determinar o valor do imóvel acertadamente. Corre o risco de vender o imóvel por um preço abaixo do mercado e perder dinheiro ou, pior, pedir um preço muito alto e nunca vender. Promover e anunciar um
imóvel é também um trabalho bastante técnico. Os agentes imobiliários, possuem ferramentas profissionais específicas para a promoção de imóveis. Através destas ferramentas multiplica-se a visibilidade e as oportunidades de negócio. A negociação de uma proposta é, na grande maioria das vezes, um momento de muita emoção para o vendedor, seja porque aquela sempre foi a morada da família ou ter vivido na c a s a d u r a n t e vá r i o s a n o s. A o e s t a r emocionalmente ligado ao imóvel e por não ter ninguém a representá-lo na negociação, é bastante fácil que a negociação não corra da forma esperada. A burocracia ligada ao setor também dificulta a venda. O consultor imobiliário tem muita experiência com a burocracia e responsabilidades das partes, sendo que auxilia o proprietário em todas as suas tarefas até à escritura. Adicionalmente, o departamento jurídico do consultor imobiliário também dá apoio e alerta para situações possíveis de causar constrangimentos de força maior no futuro, para que sejam tratadas atempadamente. Como podem verificar, há muitos pontos críticos, e os proprietários não têm uma noção dos riscos que correm, ao realizar todo este processo sozinhos. Como avalia atualmente a formação existente para os profissionais do imobiliário? Esta é, cada vez mais, fundamental para o bom desempenho profissional de cada um? A importância da formação é necessária porque o ramo está constantemente em transformação e os consultores imobiliários precisam de estar atualizados, não só a nível jurídico, como tecnológico. Existem atualmente várias maneiras
de se obterem excelentes formações no ramo imobiliário, desde o e-learning até ao presencial, e é só uma questão de vontade e de se investir pessoalmente. Quais os desafios que o setor imobiliário atravessa e que, a seu ver, necessitam de ser corrigidos? Gostaríamos que os jovens e famílias das classes média e média baixa conseguissem encontrar respostas às suas necessidades habitacionais. O principal desafio continua a ser a necessidade de introduzir oferta a preços acessíveis, o que se torna cada vez mais difícil no Litoral Alentejano, tendo em conta também os preços da construção, que impedem que os ativos possam ser comercializados a preços que os jovens e famílias consigam pagar. Como avalia o comportamento do mercado imobiliário durante este ano e como considera que este se comportará em 2021? Assistimos agora a um arrefecimento do mercado, motivado pela falta de stock, que impede que se dê uma resposta efetiva à procura existente, tanto no mercado de compra e venda como no arrendamento. Tendo em conta a dificuldade que os jovens e famílias portuguesas enfrentam no acesso ao crédito à habitação, começará a haver uma tendência de aumento da procura no mercado de arrendamento urbano, que infelizmente não tem condições para dar resposta, uma vez que também não tem oferta suficiente, e a pouca que há não está ao seu alcance. A principal mudança prender-se-á com os novos incentivos ao arrendamento acessível.
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A PANDEMIA AJUDOU A VALORIZAR O INTERIOR DO PAÍS” Ana Paula Almeida é a CEO da Destak Imobiliária, a agência imobiliária líder do setor, na região de Lafões. Avaliando 2020 como um ano de reflexão e 2021 como um ano de resolução da pandemia, é em 2022 que Ana Paula Almeida acredita que a recuperação económica terá lugar, em todos os setores económicos.
Ana Paula Almeida CEO
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
A
Destak Imobiliária assume-se como uma empresa dinâmica e moderna. Como se posiciona no mercado, no que respeita ao relacionamento com o cliente e à sua filosofia de trabalho? A Destak Imobiliária prima sempre por efetuar um trabalho centrado na qualidade, no desenvolvimento e na inovação do mercado imobiliário na região de Lafões em que se insere. Acima de tudo, as preferências e as necessidades dos clientes apresentam-se como a sua grande prioridade. A Destak é líder de mercado da região, este sucesso deve-se ao relacionamento transparente e constante entre a equipa de trabalho empreendedora e com espírito de criatividade e iniciativa e os seus intervenientes (compradores, vendedores e investidores). A filosofia de trabalho da Destak e s t á a s s e n t e n a p r o x i m i d a d e, n o aconselhamento para que haja satisfação do cliente, porque a venda de um imóvel só compensa se as partes envolvidas obtiverem uma mais – valia com a transação realizada. O mercado imobiliário é um mercado relacional
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em que as pessoas valorizam o atendimento personalizado adaptado às suas necessidades, ideologias e interesses. Quais as características distintivas do mercado imobiliário da região onde estão inseridos? O mercado imobiliário da região de Lafões tem caraterísticas muito atípicas, principalmente por se tratar de um nicho de mercado onde todas as pessoas se conhecem. No entanto, é um mercado com algumas lacunas, no que diz respeito a uma oferta de habitação de qualidade. A Destak tem contribuído, em grande escala, para uma crescente melhoria das condições térmicas das habitações, para uma requalificação das que estão devolutas ou inacabadas, bem como para a criação de novas habitações. Também contribuímos para um papel ativo na dinamização do mercado de arrendamento, que está em grande evolução. Tendo em conta a pandemia e a necessidade de ficar em casa, foram notórias mudanças no mercado imobiliário, sobretudo relativas à
vontade de encontrar uma moradia com espaço exterior, em detrimento de apartamento? A pandemia que assolou o país originou novas perspetivas do mercado de trabalho criando alguns obstáculos, no entanto, todos nós, no nosso dia a dia, adaptámo-nos a este novo modo de vida, ultrapassando todas as dificuldades que iam surgindo. Concretamente, na nossa zona de intervenção verificou-se uma maior procura de moradias com espaços exteriores por parte de famílias numerosas. Simultaneamente, observámos um elevado interesse em apartamentos que incluíssem varandas. Sem dúvida que as pessoas necessitam de desconfinar na sua própria habitação. Quais os riscos de transacionar um imóvel sem a ajuda de um profissional? O maior risco na transação de um imóvel sem a intervenção de um profissional é o valor sentimental que o vendedor lhe atribui. Por um lado, fazendo disparar o preço, por outro, a ausência de elementos comparativos que
permitam ao comprador valorizar ou desvalorizar o imóvel. Com a ajuda do profissional, a transação será efetuada com o valor justo do imóvel. Durante o ano, sentiu no mercado uma necessidade de as pessoas saírem dos espaços urbanos e procurarem soluções imobiliárias em zonas do interior do país? Em Portugal, no início da pandemia, muitas empresas recorreram ao trabalho remoto, o que permitiu que alguns dos seus colaboradores regressassem à sua terra natal. Com este regresso, redescobriram e valorizaram as cidades onde têm as suas raízes, considerando um dia mais tarde fixarem-se nessas regiões. Cada vez mais as pessoas que vivem nos grandes centros urbanos procuram essencialmente imóveis onde a qualidade de vida é melhor a preços muito mais competitivos. Parece-lhe que a chegada da pandemia pode, de alguma maneira, servir para dar a conhecer as vantagens de viver numa região do interior do país? A pandemia veio colocar à prova mais uma vez a resiliência do nosso mercado e obrigou-nos a repensar o modo como usamos a nossa habitação. Hoje, passados 10 meses, constatamos que as famílias privilegiam imóveis com espaços verdes e compartimentos disponíveis para o seu trabalho remoto. Fundamentalmente, habitações com muita luz natural, espaços arejados, verdejantes e, se possível, sem poluição sonora. Sem dúvida que as regiões do interior do país foram reconhecidas e tomadas em consideração sendo recebidas pelas gentes da sua terra que foram excelentes anfitriões em alturas de confinamento.
No que respeita, em particular, a São Pedro do Sul, o que destacaria na região que a torna um bom local para as famílias residirem e mesmo para trabalharem e constituírem empresas? São Pedro do Sul oferece uma qualidade de vida fantástica, entre montanhas mágicas, parques e rios. Permite desfrutar de uma vida ao ar puro após um dia de trabalho. Enaltecemos, também, uma das melhores zonas termais da Europa com uma excelente oferta hoteleira. A gastronomia é um ex-líbris da região de Lafões baseada em produtos biológicos. São Pedro do Sul é uma cidade em constante mudança sem nunca perder a sua identidade, privilegia uma vida saudável e uma prática desportiva ativa. Existe um aumento dos postos de trabalho, com o surgimento da nova zona industrial, com empresas empreendedoras e dinâmicas, com a realidade e tendência de crescimento do trabalho remoto. São Pedro do Sul é, sem dúvida, uma excelente escolha para um upgrade da sua vida. Como avalia a formação existente para os profissionais do imobiliário? A formação existente é excelente para quem procura a criatividade, a iniciativa, a inovação e o profissionalismo de forma a obter sucesso no mercado imobiliário. Assim, a formação dos profissionais é fundamental para atingir os resultados esperados, para alcançar os objetivos e metas estabelecidas pela entidade empregadora. Antes da pandemia, a formação foi crescendo e progressivamente foi incluindo o interior do país. Para além disso, os constantes avanços tecnológicos que observamos todos os anos são essenciais para o desenvolvimento das empresas, e mais uma vez, com o confinamento procedeu-se a uma adaptação mais acelerada desses avanços tecnológicos, nomeadamente no que se refere ao facto de as formações presenciais serem efetuadas de forma mais acessível através de plataformas
online. O futuro passa por as empresas no setor imobiliário apostarem num mundo cada vez mais digital e com recurso ao trabalho remoto, sem nunca deixar de privilegiar o relacionamento interpessoal, sendo este o grande motor desta atividade profissional. Se tivesse de destacar algumas questões que necessitam de ser alteradas no mercado imobiliário, no sentido de alcançar um melhor funcionamento do setor, quais destacaria? A principal alteração no setor é a união e regulação do mesmo, dado que a maioria das empresas usufruem de consultores que estão apenas de passagem, ou seja, não possuem formação na área do ramo imobiliário, sem se preocuparem com a filosofia das empresas e da área de negócio em que se encontram inseridos, prejudicando deste modo quem está no mercado com profissionalismo e dedicação. Que avaliação faz do mercado imobiliário este ano e como lhe parece que o mesmo se comportará em 2021? Existem adaptações, feitas ao longo deste ano, que se manterão na rotina de trabalho no futuro? 2020 foi um ano de reflexão a todos os níveis, assim os negócios tornaram-se mais ponderados, no que diz respeito à escolha dos imóveis e aos riscos inerentes nas suas transações. 2021 será um ano de muitas incertezas, mas certamente de continuidade do trabalho efetuado até à data. Em relação a todas as adaptações que foram efetuadas, sendo que irão sempre prevalecer as transformações a nível de recursos tecnológicos, estamos convictos que 2021 será o ano de abrandamento e resolução da pandemia, para que 2022 seja um ano de crescimento exponencial e recuperação económica para os diversos setores, com a esperança de que se consigam atingir as metas alcançadas numa fase posterior à pandemia.
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Opinião
Vamos RELANÇAR!
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ivemos tempos desafiantes e mais do que nunca o setor está unido, em prol do relançamento do setor, da economia, de Portugal. Foi nesse âmbito que a APPII lançou o Programa RELANÇAR, para captar investimento e colocar o nosso país no caminho da recuperação económica. Toda a fileira tem acedido sem hesitar a este repto, havendo uma adesão generalizada de todos os quadrantes e tem demonstrado, mais uma vez, que sabe estar à altura nos momentos em que o país mais precisa, cerrando fileiras junto dos investidores para, em conjunto, levar Portugal novamente à rota do crescimento. "Atrair investimento, voltar a crescer!". Este é o lema! O Programa RELANÇAR propõe uma estratégia para promover a retoma da economia nacional, durante e depois da pandemia de Covid-19. A volta do crescimento e a retoma da economia representam hoje o maior desafio para países de todo o mundo. Portugal não é exceção e este é o momento de olhar para o futuro, antecipar soluções e traçar os caminhos a seguir. Há que preparar uma estratégia global e integrada de retoma da economia, devendo ser criadas medidas complementares de apoio às empresas, que favoreçam a retoma célere da atividade e bem assim a captação de mais investimento. "Há uma necessidade acrescida de voltar a captar investimento estrangeiro!" é hoje reconhecido por todos, desde o tecido empresarial, associações, ao Governo.
Os investidores imobiliários internacionais e, bem assim, os cidadãos estrangeiros que hoje residem totalmente ou parcialmente em Portugal, atraídos por programas de captação de investimento estrangeiro como o Golden Visa e o RNH – Regime do Residente Não Habitual, foram capazes de ajudar a captar investimento estrangeiro a Portugal num valor anual de cinco mil milhões de euros e de mais de 25 mil milhões de euros desde a última crise financeira. O Programa RELANÇAR baseia-se no Manifesto dos Investidores Imobiliários da APPII, que elenca as preocupações e propostas para relançar a economia, entendendo-se que a captação de investimento assume, neste momento e nestas circunstâncias, um papel essencial. Pretende-se desenvolver ações destinadas a criar e manter empregos e bem assim incrementar a atividade e o potencial do setor com vista à construção e reabilitação das cidades do futuro. O setor do investimento imobiliário já provou ser um dos primeiros setores capazes de se reerguer após uma crise e com ele espera-se um efeito positivo nos demais setores de atividade, desde o turismo, comércio, indústria, construção e muitos outros, até à total recuperação da economia e do emprego. "Contem connosco!", dizem os investidores imobiliários! Estamos preparados, capacitados e queremos, uma vez mais, ajudar o país.
Hugo Santos Ferreira Vice-Presidente Executivo Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários foto: Rui Lourenço
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appii.pt
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A PANDEMIA FOI UMA OPORTUNIDADE PARA O INTERIOR” Maria João Serra Diretora
A IMOdistrito é a imobiliária com mais tempo de atividade em Portalegre. Criada antes das redes de agências imobiliárias e com duas filiais – em Castelo de Vide e Marvão – esta agência imobiliária conta mais de 20 anos de atividade. A diretora, Maria João Serra, esclarece que 2020 foi um ano muito bom para esta atividade e encara o próximo ano de forma muito positiva.
A
IMOdistrito é a imobiliária mais antiga em Portalegre e conta com mais de 20 anos de atividade. Que análise pode fazer do mercado imobiliário em que está inserida? A IMOdistrito foi a primeira agência a operar no mercado. Cheguei à agência dois anos depois de a agência abrir e, logo após a chegada das redes de agências imobiliárias, tivemos um crescimento acentuado, até porque tínhamos a mais-valia de já conhecer o mercado. Todos os anos crescemos e só tivemos algumas quebras no volume de vendas entre 2010 e 2012, altura em que os bancos não concediam créditos para compra de habitação. Como caracteriza o mercado de Portalegre? Este mercado sempre foi mais caro, porque temos pouca oferta. Neste momento, temos muito mais procura do que oferta. Atualmente só existe um prédio a ser construído, por isso tudo o que aparece em Portalegre vende-se. Este ano foi uma agradável surpresa: o Alentejo está na moda e houve muita gente que se mudou das grandes cidades para cá, muitos até devido à possibilidade de teletrabalho. Com a chegada da pandemia às grandes cidades, as pessoas viram no interior uma mais-valia. Como sentiram esta mudança no mercado, no que respeita à procura de imóveis, bem como à necessidade de espaço exterior no mesmo? Sentimos bastante a mudança. De facto, a procura de imóveis atualmente passa muito pela quintinha, a moradia com quintal ou mesmo a casa rústica, do centro histórico. Até pequenos terrenos, que não servem para construir, foram comprados por pessoas que queriam fazer uma horta ou precisavam
apenas de um espaço ao ar livre. Algo muito interessante que aconteceu foi a chegada de investidores. Em vez de investirem num único prédio nas grandes cidades, investiram em vários imóveis, em regiões do interior, onde podem rentabilizar o investimento de maneira diferente – não só pela via do alojamento local, mas criando residências universitárias, por exemplo. Que medidas implementaram para poder regressar ao trabalho no pósconfinamento e quais irão, agora, passar a fazer parte do vosso dia a dia profissional? A adoção da formação por plataformas e a adaptação a outros métodos e meios de promoção do imóvel, como as visitas virtuais. No entanto, o contacto presencial continua a ser o preferido. Em relação às videoconferências, adotámos isso nas nossas reuniões com as filiais de Marvão e Castelo de Vide e, desde então, reunimos com mais frequência. Como considera que será 2021? O investimento irá continuar? A pandemia acabou por se revelar uma grande oportunidade para o interior. As pessoas reconheceram a importância da qualidade de vida. Portalegre tem muita qualidade de vida. No que respeita ao investimento, o valor a investir é mais baixo e, no que respeita ao valor dos apoios, ele mantém-se, por isso a margem de rentabilização do investimento é maior. O bloqueio dos vistos Gold para cidades como Lisboa e Porto também veio fazer com que os investidores procurem outras regiões para investir, o que me faz estar muito otimista em relação a 2021.
www.imodistrito.pt | Rua 1º de Maio, 7-A, 7300-205 205 Portalegre | 245207100 / 245102706 | 963697578 / 933630945 | imodistrito@sapo.pt
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
2020 QUE JANELAS SE FECHARAM E QUE JANELAS SE IRÃO ABRIR?
N
o início da actual situação, provocada pela pandemia do coronavírus, que segundo os técnicos, deveria durar de três a seis meses, vaticinava eu que a mesma poderia causar impactos relevantes às empresas que não estivessem estruturadas financeiramente. O Eduardo Luís problema premente seria a Administrador tesouraria e não os resultados operacionais do final do ano. Quem tivesse fundo de maneio, que pudesse aguentar meses sem ter receitas, aguentaria, quem as não tivesse ou se endivida ou fechava. A mediação imobiliária é um segmento do imobiliário muito pulverizado por empresas díspares com várias dimensões, grandes, médias e pequenas, muitas de cariz familiar. É mais fácil uma média ou pequena empresa sobreviver neste contexto do que uma dita grande, que tem encargos mensais muito maiores e que sobreviva do cash flow mensal. O atual cenário pode até criar oportunidades futuras para quem se conseguir aguentar. No início do ano, as
empresas organizadas, fazem as suas programações de receitas e despesas para o corrente ano que, agora veem no prato da balança, a receita não equilibrar a despesa. Aqueles que tivessem vendas em curso que as tentassem fechar o mais rapidamente possível, se possível, para não correrem o risco de as perderem, os que tivessem escrituras de vendas para fazer, que as fizessem e minimizassem ao máximo as despesas e tentassem equilibrar as contas por forma a poderem, passado este pesadelo, reiniciar a sua actividade. Há sempre nestas situações os necessitados e os aproveitadores. Uma parte importante a ter em conta seriam os colaboradores, os que diariamente se esforçam para nos trazerem os negócios, esses deveriam ser mantidos, sempre que possível, pois serão eles que no reinício do novo ciclo, voltarão a viabilizar as nossas empresas. Até lá, seria colocar o nosso engenho e arte para manter todos, clientes e colaboradores em contacto permanente. Não me enganei muito. O mercado continuou a funcionar, dentro das regras estabelecidas, as vendas a fazerem-se, as escrituras também, a procura em imóveis para arrendar disparou. Nesta linha de Oeiras a Cascais, só sentiu algum abrandamento na procura para comprar a partir de Setembro, o que também costuma acontecer em outros anos, pois o mercado não é sempre linear, há alturas de mais procura outras de menos, o que interessa é o balanço no final de cada ano. Votos de um próspero Ano Novo.
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“PONDERAÇÃO É A PALAVRA-CHAVE”
Fernando Celestino Diretor foto por Patrícia Murteira
Fernando Celestino é o diretor da Easy City, uma agência imobiliária situada numa das principais avenidas de Lisboa. Se, durante o confinamento, a realização de negócios ficou mais difícil, por outro lado Fernando Celestino reconhece que o mercado é dinâmico e está otimista, quer no momento presente, quer na análise que faz a 2021.
Q
ue análise faz do comportamento do mercado imobiliário este ano? 2020 previa-se como um ótimo ano para o mercado imobiliário. A pandemia levou à redução do mesmo. Os negócios não pararam, principalmente os que já se tinham iniciado antes do confinamento, mas a incerteza do futuro faz com que os clientes se retraiam a mudanças, principalmente na compra ou venda de um imóvel. Qual a influência que teve no mercado imobiliário a redução do número de investidores e de compradores estrangeiros? O capital estrangeiro veio alavancar o mercado através do alojamento local e do Golden Visa. Todas as empresas aproveitaram a maré de sorte que chegou depois de uma longa crise económica. Sem esse nicho de mercado e enquanto a pandemia viver ativamente entre nós, a economia como a conhecemos terá de se reinventar. Tudo vai passar, acredito que vão voltar e com mais força, vamos ter muito mais investimento. Como se adaptaram ao período da pandemia, sobretudo à fase de confinamento? Foi possível continuar a fazer negócios? Nos meses de confinamento foi quando o mercado se ressentiu mais. Os contactos pessoais deixaram de existir. Fazer mais e melhor através do online passou a ser fundamental. Fazer uma angariação ou ir mostrar um imóvel tornou-se desafiante. Apesar dos recursos online que existem, vídeos 3D ou fotos, dificilmente alguém compra um imóvel sem o ver pessoalmente. Novos acessórios fazem parte do nosso dia a dia: oferecemos aos clientes luvas, capas de proteção para sapatos, máscaras e gel desinfetante.
Muitas pessoas optaram por imóveis com espaços exteriores, durante e após o período de confinamento. A Easy City sentiu essa procura? Sim, existe uma maior procura de casas com espaços exteriores. Antes passávamos mais tempo fora do que dentro de casa. Com o confinamento e o teletrabalho começámos a ver a nossa casa de outra maneira. Queremos a Natureza dentro das nossas casas, visto que passamos mais tempo dentro das mesmas. Se tivesse de destacar algumas questões que considera que devem ser alteradas, no setor onde exerce atividade, quais destacaria? Não creio que seja preciso alterar muito mais, para além do que já foi feito, é preciso continuar a apostar nas redes tecnológicas. Houve uma adaptação dos serviços imobiliários entre todos que era urgente e necessária, como também do Governo Português, que tem vindo a facilitar a obtenção de documentos online necessários para a realização dos negócios. Como prevê que o mercado imobiliário se comporte em 2021? Nesta fase, ponderação é a palavra-chave, mas acredito que no princípio do segundo trimestre será mais fluído e a partir do terceiro tudo voltará praticamente ao normal de “antes pandemia”. Mesmo que esse “normal” não seja o que estávamos habituados, será um “novo normal”.
Tel: 218 401 330 | geral@easycity.pt | www.easycity.pt | Licença - 11756-AMI | Av. João XXI nº 12 D 1000-302 Lisboa
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“PORTUGAL É UM PAÍS APETECÍVEL” Marcos Arocha Diretor
Marcos Arocha é o diretor da Miravillage, uma agência de mediação imobiliária situada em Vila Nova de Milfontes e que está há 14 anos no mercado. Com uma filosofia de trabalho que coloca sempre os clientes em primeiro lugar, Marcos Arocha assume que Portugal continua a ser um excelente país para investir e viver e alerta para a importância de recorrer a um profissional da mediação imobiliária sempre que existe um negócio por concretizar.
Q
ue características gostaria de salientar, no que respeita à forma de se apresentar ao público?
Estamos desde 2006 no mercado da mediação imobiliário. Temos alguns princípios e valores dos quais não abdicamos, nomeadamente “os interesses dos nossos clientes estão sempre à frente dos nossos”. Faço questão que a cultura da empresa seja essa e quero que todos aqui estejam alinhados com estas características. Não sendo franchisados, tivemos de granjear toda a nossa reputação sozinhos. Atualmente, com as redes sociais, um mau comentário vale por 20 bons comentários, então temos de estar muito bem alinhados com a nossa filosofia, com os nossos princípios, e não abdicar disso, pois é fruto de um longo percurso. Como é que a Miravillage se adaptou às novas exigências de comunicação e relacionamento, a que a pandemia obrigou? Creio que isso foi um desafio para todas as empresas, de todos os setores, porque tivemos de, de uma forma abrupta, reaprender todo um processo de trabalho. Ainda hoje me custa aparecer um cliente e não o cumprimentar, mas tivemos efetivamente de nos adaptar e assim fizemos. Passámos a dar mais enfoque às redes sociais, redobrámos o cuidado que já tínhamos em
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relação às fotos que eram colocadas no site bem como demos atenção à forma como geríamos as redes sociais… Em relação ao teletrabalho, pareceme que foi efetivamente a solução encontrada para não se parar, simplesmente, de trabalhar, mas nesta versão – todos em casa em simultâneo, incluindo os miúdos – faz descer bastante a produtividade, porque as crianças requerem atenção. Quais as adaptações, a nível profissional e social, que a pandemia tornou necessárias, poderão agora ser implementadas no dia a dia das empresas? O teletrabalho e a digitalização de alguns processos foram muito importantes para nós. Isso obrigou-nos a fazer uma qualificação do cliente – relativamente àquilo que ele quer comprar – e depois classificá-lo no que respeita à possibilidade de financiamento. Essa melhor qualificação do cliente permitiu-nos poupar tempo com outros processos que não poderiam acontecer e focarmo-nos naqueles que, efetivamente, poderiam concretizar um negócio. No início, fazíamos uma visita virtual ao imóvel e só depois é que íamos presencialmente à casa.
aperceberam-se das lacunas das suas casas. O confinamento serviu para legitimar essa procura. De luxo, passou a ser uma necessidade.
Durante este período de pandemia, que avaliação faz do mercado? Foi possível concretizar os negócios que estavam em curso? O agente imobiliário é muito adaptável e, neste caso, tivemos de ser práticos e tentar agilizar ao máximo os processos que estavam a decorrer. Tivemos de agilizar questões de envio de documentos e instrumentos legais que já existiam, que nos podiam ajudar a levar o negócio até ao fim, garantindo que toda a gente ficava bem e que não houvesse problemas para ninguém, sobretudo durante o período de fecho de fronteiras. Durante o confinamento, sentiu-se uma quebra na procura, por parte dos clientes, mas depois, devagar, voltaram a surgir os contactos e atualmente estamos com uma atividade semelhante à de 2019.
Quais são os principais problemas que o setor imobiliário apresenta? Um grande problema é a burocracia nos processos. Espero, aliás, que a pandemia permita uma maior digitalização e desburocratização dos processos. Tem de haver mais celeridade nestes processos. Não é compreensível que um investidor compre um terreno, coloque um processo de loteamento e posteriormente um processo de urbanização, para construção de um imóvel e todo o processo demore entre cinco a 10 anos. Isto não é admissível e faz-nos perder investidores.
A procura de moradias com jardim ou apartamentos com varanda, em simultâneo com a procura de imóveis no interior do país foi algo que também sentiram, nos pedidos dos clientes? Isso passou a ser uma necessidade. Nós já sentíamos isso, porque a nossa zona é muito propícia a essa necessidade de espaço exterior, mas com o confinamento, as pessoas
Em Portugal ainda há muita gente que não gosta de envolver imobiliárias nas transações. Que dificuldades pode isso trazer para os proprietários? Em 2006, quando abrimos, o agente imobiliário era percecionado ainda como alguém pouco transparente, hoje não. A mediação imobiliária fez um longo caminho. É importante desmistificar
que, quando um proprietário envolve uma agência imobiliária num negócio, a agência só recebe algum valor caso a transação do imóvel se concretize, mesmo que tenha existido todo um trabalho burocrático anterior. Além disso, um proprietário tem sempre mais dificuldade em avaliar o mercado e o seu próprio imóvel, pois vê a casa de um ponto de vista emocional. Depois, o consultor imobiliário tem uma rede de contactos a quem pode propor o imóvel, bem como dispõe de canais de venda, online e offline, que utiliza para efetivar a transação do imóvel. O proprietário não dispõe de nenhuma destas ferramentas e, em certos casos, pode nem saber argumentar a seu próprio favor. Como antecipa 2021? Tenho alguma expectativa que as coisas melhorem, mas sempre com bastante calma. Acredito que se as pessoas puderem circular livremente e sem máscara, sem ter de ter em atenção a necessidade de distanciamento físico, isso será bom para todos os setores. Nós estamos a lidar com o desconhecido, pelo que não sabemos o que aí vem.
Miravillage Mediação Imobiliária Lda www.miravillage.net | | Rua Custódio Brás Pacheco, lote 4, loja 4 - 7645- 253, VILA NOVA DE MILFONTES Telefone: +351 283 997 032 Telemóvel: +351 918 816 867 | email: comercial@miravillage.net 41
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA DE PROXIMIDADE Maria João Lemos Costa
Mariana Lemos Costa
Pedro Lemos Costa
Departamento jurídico e sócia
Sócia-gerente
Sócio-gerente
A SMI está presente no mercado imobiliário desde 1988. Sendo uma empresa de cariz familiar, com uma imagem de integridade, transparência e solidez associada a si e clientes com quem trabalha há já muitos anos, esta agência imobiliária, gerida por Mariana Lemos Costa e Pedro Lemos Costa, tem já uma história vincada no panorama imobiliário portuense.
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SMI conta com 32 anos de mercado. Como caracterizariam, em particular, o mercado neste ano de 2020, tendo em conta toda a vossa experiência na área? O ano de 2019 terminou em alta, sempre em crescimento e com números recorde. 2020 prometia uma continuação deste crescimento e, logo no final do primeiro trimestre com a pandemia Covid-19, essa situação alterou-se. Obviamente que o mercado não foi completamente abaixo, mas houve uma grande adaptação, quer ao nível do trabalho, quer ao nível da execução dos negócios – tivemos de respeitar bastantes questões sanitárias, mudar a nossa forma de trabalhar, utilizar mais as ferramentas das redes sociais e fazer visitas interativas, algo que até à data não era prática corrente. Depois, a incerteza que todos hoje vivemos não é alheia ao mercado imobiliário, provocando muitas incertezas na concretização dos negócios. Apesar de o mercado não ter descido abruptamente, podemos afirmar que, estando o ano a terminar, o mercado de arrendamento tem demonstrado uma diminuição de valores, consequência do aumento da oferta pela retoma dos apartamentos em regime de alojamento local ao mercado mais tradicional.
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Como foi possível adaptarem-se aos novos modos de trabalho, sobretudo videoconferências, visitas virtuais e teletrabalho, bem como às questões de cuidados a ter nas visitas aos imóveis? Os clientes continuaram a procurar casa na pandemia? Sentimos que houve uma ligeira diminuição na compra de imóveis mas, em simultâneo, temos consciência de que as pessoas, estando em casa, têm mais liberdade e predisposição para procurar alternativas de imóveis. No entanto, entre março e junho houve uma restrição quase absoluta às visitas. Para a SMI, porém, é, no fundo, mais uma crise à qual temos de nos adaptar e superar com toda a resiliência . A nossa experiência de mais de 30 anos de mercado, confere-nos uma capacidade para lidar com esta expectativa negativa que as pessoas têm. Este mercado é cíclico, depois da grande crise financeira de 2008, nos últimos cinco anos tivemos um crescimento imobiliário exponencial, o que para muitos significava, também, a tal "bolha imobiliária", prevendo-se uma nova crise. A pandemia Covid-19 veio antecipar essa realidade e com repercussões inimagináveis. Apesar de tudo, podemos dizer que a a SMI nunca parou, tivemos sempre investidores que continuaram a surgir e a querer investir. Resumindo, sentimos uma ligeira diminuição do mercado, mas continuamos a ter negócio efetivo.
Neste momento, à luz da pandemia, quem são os vossos principais clientes? Trabalhámos muito com investidores e com clientes de longa data – temos uma imagem criada nos últimos 32 anos de muita confiança e foi com base nessa confiança e proximidade aos clientes que nos foi possível continuar a fazer visitas, porque as pessoas sabiam quem nós éramos e nunca tivemos ninguém que nos fechasse a porta. Mas essa proximidade implica clientes muito antigos. O nome da SMI está associado a uma empresa familiar e as pessoas sentem-se mais próximas e mais empáticas com este tipo de empresas. Cada vez mais, é importante personalizar o serviço. Os clientes apreciam quando têm um relacionamento e um serviço mais pessoal. Quais as características que apontariam à vossa forma de trabalhar, além da confiança e proximidade? A juntar a essas duas, temos a discrição. Discrição quer com os clientes quer com os imóveis, ainda que também saibamos da importância que a imagem e a publicidade têm nos dias de hoje. A qualidade dos imóveis que temos em carteira também é fundamental e, acima de tudo, a busca do melhor negócio para ambas as partes. Nós somos mediadores, portanto a nossa missão é mediar algo entre as partes, comprador e vendedor, e dessa forma proporcionar o melhor negócio para ambas. Como definiriam o vosso mercado, em relação à oferta e à procura? Do lado da procura, identificamos dois grandes alvos: os investidores, que procuram oportunidades de negócio e, em simultâneo, o comprador final. Hoje, com a pandemia, a importância da varanda ou pequeno terraço cresceu, por isso aumentou a procura por moradias. Como o preço nas grandes cidades
é mais elevado, procuram também nas cidades limítrofes das cidades grandes. Do lado da oferta, continua a existir construção nova suficiente para equilibrar os dois lados. Que análise fazem dos preços do mercado? Para alguns, os preços estão altos, para outros, o mercado continua competitivo. Todavia, muitas pessoas acreditavam que os preços iam baixar abruptamente, devido à pandemia, mas tal não sucedeu. Os Vistos GOLD tiveram, inclusivamente, um aumento de 35%, o que denota um interesse dos investidores, talvez devido ao facto de Portugal ter tido uma excelente imagem no exterior durante a primeira fase da pandemia, onde tivemos excelentes resultados. Ainda temos de ter em consideração a questão das moratórias, que podem resultar em muitas insolvências e crédito malparado, o que levará a um inundar do mercado com imóveis resultantes desses processos bancários e judiciais. Prevemos que o mercado imobiliário não ficará indiferente a estas condicionantes, o que poderá provocar oscilações nos preços. Se tivessem de me destacar algumas questões que consideram que precisam de resolução, no vosso setor, quais seriam? Era importante que houvesse uma regulamentação e fiscalização efetiva do setor, pois temos a concorrência direta de outras imobiliárias e a concorrência indireta de freelancers, que não têm como atividade principal a consultoria imobiliária. A carga fiscal provoca uma asfixia do setor, que não se prevê que melhore no próximo ano. Mesmo com todos estes desafios, o que queremos e nos propomos é continuar a trabalhar da forma mais profissional, transparente e eficiente possível, esperando continuar aqui por mais 32 anos.
Morada:Rua Pedro Homem De Melo, 55 2º Andar - Sala 205 4150 - 599 Porto | Telf: 917 630 565 geral@smi.pt | www.smi.pt
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A PROCURA POR ESPAÇOS COMERCIAIS MANTEVE-SE”
Jazelina Pescada Diretora
A Medling é uma agência de mediação imobiliária situada em Albufeira e fundada por Jazelina Pescada que, há mais de 20 anos, trabalha no setor imobiliário. Focada no acompanhamento do cliente, mesmo após a conclusão do negócio, a Medling é um exemplo das empresas que nunca pararam de trabalhar, mesmo aquando do confinamento.
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omo se posicionam no mercado, no que respeita à relação com o cliente e a características específicas que distingam a Medling das restantes empresas do setor? Estou no ramo imobiliário há 20 anos e, ao longo destes anos de trabalho, decidi criar a minha própria marca, porque considerava que existiam algumas lacunas relacionadas com o acompanhamento do cliente, sobretudo. Havia pouca comunicação com o cliente e, logo após a compra do imóvel, não lhe era dado qualquer acompanhamento. Eu não me identificava com isso. Considero que o cliente devia ser acompanhado desde o momento em que ele vem à procura de casa. Devemos conhecer bem as necessidades do cliente, perceber exatamente o que ele procura, quer em relação à localização, à tipologia de casa, se tem filhos ou não, animais de estimação… o objetivo é fazer uma busca que deixe o cliente satisfeito com o resultado. Além disso, o acompanhamento deve continuar, mesmo após a compra do imóvel. Temos pessoas que têm dificuldades para questões como decorar a casa ou fazer alguma manutenção ou alteração no imóvel e devem
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poder contar connosco. Por isso, também resolvi trabalhar essencialmente clientes da classe média-alta, para assegurar um serviço completo. Tendo em conta a pandemia, que alterações notaram no que respeita ao mercado – internacional e interno – bem como à localização e tipologia da habitação procurada? Pelo lado da procura, a pandemia trouxe uma grande alteração ao mercado, mas ele não estagnou. As pessoas continuaram a procurar por imóveis, quer de habitação, quer de comércio, pois muitos decidiram abrir o seu próprio negócio. A partir do verão, a confiança voltou e, inclusivamente, houve transação de imóveis. O comércio foi, aliás, uma das principais vendas e arrendamentos. No que respeita ao mercado internacional, houve o fecho das fronteiras e verificou-se alguma dificuldade em circular. Ultrapassámos isso através de procurações e com a ajuda de advogados – nós temos uma equipa de advogados com quem trabalhamos e estas situações não são novas para nós. Agora, foram apenas mais frequentes.
Aquando do confinamento, como é que lidaram com este distanciamento, sobretudo tendo em conta a vossa filosofia de relacionamento com o cliente? Encarámos facilmente toda a situação. Foi uma questão de nos organizarmos e, de toda a forma, os consultores já trabalham a partir de casa quando não estão no escritório. A parte administrativa é que passou a ser feita a partir de casa, algo que antes não acontecia, mas funcionou muito bem, porque temos tudo digitalizado. Os clientes também compreenderam muito bem a situação. Ainda assim, conseguimos algumas angariações e, inclusivamente, visitas, tendo sempre em conta todos os cuidados. Na loja, não temos tantos requisitos como outros setores, por isso aqui apenas tivemos de desinfetar os postos de trabalho e assegurar que tudo estava limpo. Usamos sempre máscara e, como a loja tem salas separadas, a adaptação não foi difícil. Algumas destas medidas – teletrabalho, videoconferências – serão implementadas de agora em diante no dia a dia da rotina profissional? Nós praticamente já fazemos teletrabalho, dado que muitos dos consultores o fazem. De facto, a parte administrativa ainda trabalha no escritório, mas temos espaços separados, por isso não oferece perigo. Os consultores fazem um trabalho de prospeção e angariação de imóveis que passa obrigatoriamente por andar na rua e conhecer o mercado, por isso não devemos ter muitas alterações ao nosso modo de funcionamento. Como caracterizaria o vosso mercado nessa região? Neste momento, e tendo em conta a situação da pandemia, temos bastante procura. E como frisei, temos muita procura a nível de lojas. Também temos procura de pessoas que querem uma primeira habitação, muitas vezes por parte do cliente nacional, mas a procura internacional também já está presente. Tivemos uma fase mais baixa, mas neste momento temos bastante procura e mantemos as transações.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
Se tivesse de salientar algumas questões que falta melhorar no setor em que trabalha, que questões salientaria? Penso que há muita falta de formação. É necessário que exista mais formação para os consultores, porque é essencial que um profissional destes vá para a rua preparado para lidar com o cliente comprador ou com o cliente vendedor e consiga resolver qualquer situação que possa surgir. Acredito que há situações em que isso não acontece, nomeadamente quando falamos, por exemplo, de consultores freelancers, que desempenham as suas funções por conta própria e não apostam na formação, o que descredibiliza o nosso trabalho, enquanto agência.
Que análise económica faz da chegada de 2021? Penso que, para o ano, com a vacina, teremos alguma segurança, mesmo no que respeita ao mercado internacional, dado que a circulação poderá voltar a ser mais simples. Parece-me que, no próximo ano, a procura por imóveis continuará a aumentar e teremos o surgimento da situação causada pelo fim das moratórias bancárias, que poderá obrigar muitos proprietários a venderem as suas habitações. Nesse momento, haverá quem identifique uma oportunidade de investimento no mercado e isso poderá ter influência nos números do próximo ano.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A CONFIANÇA É FUNDAMENTAL PARA RECUPERAR A ECONOMIA”
A Multigaia chegou ao mercado há 20 anos, embora conte com mais de 40 anos de experiência e know-how na área seguradora. Dotada de um novo espaço, a empresa continuou a trabalhar, seguindo as medidas de prevenção e segurança propostas pela Direção-Geral da Saúde, mas José Manuel Soares, o CEO, não acredita na implementação do teletrabalho no futuro do dia a dia profissional.
José Manuel Soares CEO
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
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um ano em que celebram duas décadas de existência, como avalia o mercado segurador nacional e a sua evolução?
Esta pandemia fez acelerar a via da digitalização, teve um impacto enorme nas seguradoras, desde o teletrabalho à redefinição de estratégias. Em termos de prestação de serviços, por parte das seguradoras, a meu ver, não houve acréscimo nenhum no setor com a situação do teletrabalho, em termos de mais-valias, porque existe uma maior demora nos tempos de respostas, há uma desumanização nos serviços, uma impessoalidade que faz lembrar as seguradoras diretas, que não acrescentam nada na relação com os clientes. Para algumas seguradoras, esta pandemia teve o condão de acelerar algo que pretendiam implementar num futuro próximo, como foi o caso do teletrabalho, mas a verdade é que estamos a assistir em algumas seguradoras a um “laxismo” na condução de alguns assuntos, numa leviandade jamais vista, que vai dar mau resultado. Hoje, temos respostas que chegam a demorar semanas, quando num passado bem recente, as mesmas demoravam 48 a 72 horas, no máximo. Por muito que custe a aceitar, no que acabo de referir, algumas seguradoras deram dois passos atrás, em termos de prestação de serviços. Continuamos convencidos que o canal de distribuição – mediadores, são a melhor opção para as seguradoras e para os clientes, porque nós somos a maisvalia na relação entre cliente e seguradora, no que diz respeito ao aconselhamento, à assessoria prestada, porque somos nós que conhecemos melhor o perfil de cada cliente, a venda de seguros continuará a ser alicerçada na relação pessoal, na confiança, na proximidade e dedicação. E a Multigaia tem um rosto, neste caso, vários rostos, que são os colaboradores da empresa, que se dedicam à proteção dos seus clientes de forma isenta, rigorosa e extremamente profissional. Este ano, em particular, as empresas atravessaram grandes dificuldades e os mediadores de seguros tiveram um papel muito importante junto das mesmas. Como atuou a Multigaia junto dos seus clientes? Invertendo as posições, colocando-nos no lugar do outro, é mais fácil compreender o que nos move. Tivemos muitas Companhias, a nível nacional, que tiveram uma sensibilidade muito grande e foram autênticos parceiros dos clientes, que flexibilizaram, que foram ouvintes, sensíveis, que aceitaram dialogar, flexibilizar pagamentos faseados, reduções de preços...A Multigaia conseguiu, na maior parte das seguradoras com quem trabalha, a sensibilização que distingue as grandes empresas seguradoras, de perceberem que a pandemia afetou e continua a afetar a realidade económica portuguesa. Depois, houve outras seguradoras que continuaram com a sua política agressiva de aumento de preços, ano após ano, ignorando a realidade que passámos
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e continuamos a viver, “asfixiando” as empresas, que levou a que muitas dessas empresas nos pedissem alternativas aos constantes aumentos, incompreensíveis, numa política de hostilização aos clientes, com medidas rígidas, nada flexíveis e que acabaram indiretamente ou propositadamente por expulsar clientes, fruto de uma estratégia errada, radical e persecutória. Quais foram as principais dificuldades – quer no vosso trabalho, quer nas solicitações dos vossos clientes – durante o período de confinamento e pós-confinamento? Sem dúvida, a paralisação da economia, diminuição gravíssima da faturação praticamente em quase todos os setores de atividade e que, ainda hoje, se continua a refletir e que nos “feriram quase de morte” face à pandemia a que todos fomos expostos, complicou a vida dos nossos empresários. Se conjugarmos isto com a falta de sensibilidade de uma ou outra seguradora, pela falta de coerência incompreensível nas medidas adotadas, pela falta de diálogo, até pelo passado que essas seguradoras têm, junto dos clientes e rede comercial, não foi fácil, mas em algumas seguradoras houve o bom senso, compreensão mútua, num momento menos bom da nossa sociedade e conseguiram preservar os clientes e ganhar a admiração e o respeito dos mesmos. Dou o exemplo de planos de pagamento aprovados para alguns clientes, que tinham o seu negócio “paralisado”. Uma ou outra seguradora não aceitou, o que demonstra a tal falta de sensibilidade que falava anteriormente, o que originou ou vai originar o final de relação com essas seguradoras. Que adaptações implementadas durante a pandemia – teletrabalho, reuniões por videoconferência, agendamento de atendimento presencial… - lhe parece que poderão tornar-se, agora, parte integrante do dia a dia profissional das empresas? Na nossa empresa, nenhuma, pois nada substitui o contacto presencial, o “cara a cara”, senão seríamos mais uma imitação das seguradoras diretas. O negócio dos seguros em Portugal, na mediação de seguros, é um negócio de relações, de pessoas, de aconselhamento profissional, dedicado, de proximidade, idóneo e isentos em relação às seguradoras que representamos. Tomámos, como é óbvio, medidas de precaução, mas continuamos abertos, a assistir de forma personalizada os nossos clientes, sem descurar a saúde dos nossos colaboradores, respetivas famílias e clientes. Se depender de nós, não existirá teletrabalho, nem reuniões por videoconferências, salvo casos pontuais, como é óbvio. Mas se o país continuar a fazer confinamentos, se a economia voltar a parar, vai deixar de haver também videoconferências e teletrabalhos, porque as empresas vão deixar de existir e vamos todos ficar em casa.
A Multigaia trabalha com as principais seguradoras do mercado. Por que é importante esta variedade de parcerias? Porque as seguradoras acabam por se complementar umas às outras e porque cada uma tem os seus nichos de mercados. Como mediadores, só nos resta respeitar a política de subscrição de cada uma. Também porque corremos sempre o risco de, quando existe uma mudança de administração numa seguradora, estarmos sujeitos a mudanças radicais e que nos levam a redirecionar o nosso negócio. Depois existem sempre os “famosos ciclos”, mesmo estando as coisas bem, existem sempre outros “fatores não controláveis”, junto das administrações das seguradoras, que levam a inverter estratégias e a apostar em algo “diferente”. Um dos exemplos que posso dar é uma seguradora que, durante 15 anos em Portugal, deu lucro ano após ano e mesmo assim não foi suficiente para o acionista e resolveram alterar toda uma estratégia e cortar com tudo do passado...São estratégias que temos de respeitar. O facto de trabalharmos com outras seguradoras faz com que não fiquemos reféns destas estratégias e trabalhemos com várias, num equilíbrio saudável para os nossos clientes, porque temos alternativas para lhes apresentar, dentro da mesma relação de confiança, de parcerias. Como responderam as seguradoras às novas necessidades do mercado? A maior parte das seguradoras responderam
tentando estar próximas dos clientes e das redes comerciais, por outras vias, reinventando-se, mas mantendo-se sensíveis ao momento que vivemos, como referi anteriormente. Esta pandemia fez acelerar alguns processos, do ponto de vista digital, de algumas seguradoras, alguns destes processos vão-se manter, outros, como o teletrabalho, não creio, é uma questão de tempo até voltar à normalidade. Quais os desafios já reconhecidos pelo mercado segurador e aos quais as seguradoras – e os agentes mediadores – terão de responder em breve? Desafios permanentes, esta pandemia veio acelerar a era digital, todavia a vertente humana continuará a ter uma preponderância enorme, imprescindível, não podemos ser resistentes à mudança, não o somos, mas continuamos a acreditar que o nosso negócio se baseia na relação humana, na confiança, na proximidade, no profissionalismo que temos, junto de cada cliente, alicerçados também em plataformas digitais, mas sem perder o que nos distingue, tudo aquilo que foi dito anteriormente. A Multigaia mudou recentemente de instalações. Esta foi uma aposta feita em período de pandemia. O que vos levou a avançar? Ambição, melhores condições para os colaboradores, para os clientes, alicerçado numa política de crescimento que temos tido nos
últimos anos. O facto de a Liberty Seguros ter decidido fechar todos os escritórios a nível nacional libertou alguns espaços e detetamos uma oportunidade em ficar com um desses espaços. Como antevê o futuro do mercado segurador? As seguradoras continuam a necessitar do canal de distribuição – mediadores - para prosperar, para continuar a acrescentar a maisvalia na relação cliente/seguradora, no aconselhamento dedicado e extremamente profissional que fazemos ao cliente final. Economicamente, que análise faz do panorama empresarial português? Parece-lhe que 2021 já será um ano de retoma? Não me parece que a retoma aconteça já em 2021, acho que nada vai ser como antes. A eficácia da vacina vai ditar, a meu ver, essa retoma, de transmitir a confiança necessária para nos aproximarmos da realidade anterior à Covid-19, agora a mesma precisa de ser uma realidade que, o mais rapidamente possível, nos traga os índices de confiança que necessitamos para recuperar de um ano completamente atípico de 2020. Se a mesma trouxer a eficácia que todos esperamos, poderemos voltar a sorrir.
Ao seu lado em todos os momentos……desde 1974 Morada: Praceta Infante D. Henrique, 52, 4400 - 257 Vila Nova de Gaia | Email:geral@multigaia.com | Telf:223 746 800 Telm: 912 799 011 | Facebook: /multigaia 49
Opinião
QUAIS AS JANELAS QUE SE FECHARAM E QUE JANELAS SE IRÃO ABRIR?
Gonçalo Byrne Arquiteto e presidente da Ordem dos Arquitetos Foto: Paulo C. Santos
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ano de 2020 é singular. Será recordado, não só, mas sobretudo pela pandemia e pelo mais de milhão e meio de mortes causadas globalmente. O ano, que se anunciava auspicioso, deu lugar, sem aviso, a um momento transformador quando, em 11 de março, a OMS declarou a pandemia do Covid-19, reclamando uma ação urgente, agressiva e global de todos os países. A incerteza instalou-se. Todos sabíamos que estávamos não só no centro da pandemia, mas no epicentro da história. A nossa sociedade, a nossa forma de vida global estava posta em causa. Os efeitos da crise foram, quase instantaneamente, devastadores, obrigando a uma resposta
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coletiva, coordenada e organizada, da sociedade e das suas instituições, para fazer face a uma crise que foi, e continua a ser, sanitária, económica e social. O primeiro momento foi de intenso isolamento social e, simultaneamente, de rápido ajustamento às novas condições e às novas tecnologias, exigindo, a todos, essa necessária adaptação. Fomos obrigados a ficar confinados e, por isso, a viver e sentir a casa onde habitamos mais intensamente. A casa passou a ser um contentor de todas as funções da nossa vida: trabalhar, estudar, estar em família, e a forma como essas funções se desempenham alterou-se drasticamente. O teletrabalho tornou-se uma realidade para
Despertou na cidadania uma sensibilidade, mas, também, até certo ponto, uma reivindicação, para que a resolução dos problemas fosse acelerada: mais espaço, mais ar, mais luz, mais exposição solar. Nessa resolução, o papel da arquitetura é incontornável. O modelo da separação de funções está posto em causa há vários anos. A pandemia veio revelar que o teletrabalho já estava instalado, mas não tão utilizado quanto poderia, e veio demonstrar que é importante estar atento às direções da transformação, que, neste caso, querem dizer voltar a ligar usos. Trabalhar e habitar têm de se aproximar. Todas as transformações que têm vindo a ser exigidas em contexto pandémico, nomeadamente a necessidade de repensar as casas, os prédios, o espaço público, a cidade, o território, a paisagem, já estavam em curso antes do aparecimento da pandemia. O mundo, de alguma forma, já se tinha vindo a consciencializar de que a globalização, o mercado, o consumo, a concorrência, são valores monodirecionados para a economia e a finança, tornadas em política.
grande parte dos cidadãos. As reuniões presenciais deram lugar às telemáticas. As conferências deram lugar a webinars. O espaço de encontro passou a ser digital. E todos nos adaptámos. A expressão “transição digital” passou a estar na linha da frente. É seguro dizer que a vida pessoal e a vida profissional convergiram na casa. A forma como as pessoas olharam para o seu espaço privado, mas também para o espaço público e para os espaços intermédios (alpendres, varandas) que, entre os dois, estabelecem esse buffer entre a vida privada e a pública, alterou-se. A pandemia revelou as vulnerabilidades do mundo construído, das cidades e da paisagem.
Esta crise veio, assim, de forma positiva, revelar uma contra-crise. A paragem da produção e da indústria e o confinamento vieram limpar a poluição. A descarbonização, as economias circulares, repensar a construção e o espaço público de forma abrangente, estudar novas formas de reabilitar e construir, eram medidas que estavam já em curso, mas ainda com resistência. A crise pandémica veio exigir essas soluções. Imediatamente começámos a ouvir falar de cidades mais verdes, de edifícios mais sustentáveis. Assistimos à aceleração de novas políticas e ferramentas que visam a Transição Digital e a Transição Verde, em conformidade com o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal). Em julho, o Governo português apresentava a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020 – 2030. Nesse primeiro momento, o documento omitia
quase por completo a componente física, a política e o planeamento do investimento, no que à Arquitectura, Urbanismo e Paisagem concerne, no combate à emergência climática e no alcançar a neutralidade carbónica na recuperação económica e social da Europa pós-pandemia. Afinal, a tendência mais frequente na busca de uma construção sustentável é a aposta nas tecnologias. Mas a sustentabilidade não é matéria unicamente tecnológica. Sabemos que a construção é responsável por 40% da emissão de CO2, uma percentagem demasiado expressiva para que negligenciemos a responsabilidade que todos temos no que construímos. Importa trabalhar na questão da durabilidade e da qualidade da construção. Se construirmos algo que perdure o dobro no tempo, estamos a reduzir a sua pegada para metade e, potencialmente, reduzimos os seus custos de manutenção. É preciso reabilitar, reciclar, repensar os modelos de vida com consequências diretas na forma de habitar, de construir, de utilizar os espaços públicos. A Covid-19 apenas veio mostrar esta evidência, de uma forma clara e transversal. É um facto que a recuperação económica e social da Europa pós-pandemia se centrará no Green Deal. Em setembro, a Presidente da Comissão Europeia dizia que os europeus haviam demonstrado o quão forte é o espírito humano, e que este era o momento de liderar o caminho da transformação, da fragilidade para uma nova vitalidade, e o Green Deal o plano para essa transformação. A todos surpreendeu, apresentando a ideia holística de uma “Nova Bauhaus Europeia” e trazendo ao Green Deal uma dimensão cultural que, somada às dimensões ambiental e económica, pretende aproximá-lo dos cidadãos. Como vemos, esta crise é, afinal, um processo em desenvolvimento. É preciso saber aprender com ela, estabelecer objetivos e estratégias, para, como arquitetos num projeto, ir fazendo escolhas, abrindo janelas, espreitando o futuro, “caminhando e medindo”.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“A BOA ARQUITETURA É A QUE SERVE AS PESSOAS”
Gastão Cunha Ferreira
Martim Cunha Ferreira
Arquiteto e sócio
Arquiteto e sócio
Cunha Ferreira Arquitetos é um atelier de Arquitetura familiar, gerido pelos arquitetos Gastão e Martim Cunha Ferreira. Com o entendimento que de a Arquitetura deve servir as pessoas e que falta falar da importância desta disciplina nas escolas, esta empresa atravessou a pandemia sempre a trabalhar. Para Gastão Cunha Ferreira, é importante olhar a Arquitetura de forma descomprometida e adequada ao propósito que serve.
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omo caracterizariam a Cunha Ferreira Arquitetos e o trabalho que desenvolvem, tendo por base, também, o desempenho deste ano de 2020, particular em termos de pandemia? Gastão Cunha Ferreira (G.C.F.): Somos um atelier pequeno e escolhemos fazer projetos de diferentes dimensões. Temos a possibilidade de escolher para quem trabalhamos o que, para nós, não é um luxo, mas uma questão de sobrevivência. Este ano não se pode comparar a qualquer outro. A verdade é que muitos projetos que podiam ter sido iniciados não foram, ficaram suspensos ou acabaram por se perder. No entanto, tendo em conta o que se verificou em muitos outros setores e atividades, a verdade é que não podemos dizer que foi mau, pois tivemos um ano bem preenchido. A nossa adaptação à nova realidade – confinamento, trabalho por videoconferência – foi pacífica, tendo em conta que temos uma estrutura leve e adaptável. Todavia, há que lembrar que a pandemia não foi a única alteração no mercado – o Brexit, no nosso caso, também representou alterações significativas, tendo em conta a origem de alguns dos nossos clientes estrangeiros.
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Martim Cunha Ferreira (M.C.F.): Com a chegada da pandemia, mantivemonos calmos e continuamos a fazer aquilo que sabemos fazer. Num tempo de reflexão como este, os serviços que ganharam mais força foram a consultoria e a revisão de projetos. Continuámos a apoiar os nossos clientes ligados à área da consultoria financeira e advogados que têm clientes que querem investir. Temos feito isso, bem como também projetos ligados à Arte. O nosso espectro de ação é muito grande, permitindo-nos fazer de projetos pequenos até algo maior. A diversificação de serviços é importante para a sobrevivência dos ateliers? (G.C.F): Portugal é um mercado pequeno e cheio de arquitetos – temos um número de arquitetos per capita enorme, dos maiores da Europa, o que acabou por desvalorizar a profissão. O mercado em geral tem uma grande dificuldade, depois, em distinguir a quantidade da qualidade. Por outro lado, o facto de sermos muitos implica que ganhemos capacidade para trabalhar a várias escalas – podemos trabalhar num projeto pequeno e ver o trabalho a uma escala maior e o contrário também é verdade – fazemos
um trabalho grande e temos noção do trabalho existente nos outros níveis e das consequências do mesmo. Quando executamos um projeto, pensamos no todo e nas consequências dele.
como o espaço pode ter vários usos, ao longo das horas do dia… Assim sendo, o que importa é a forma de olhar a Arquitetura. Essa forma é que tem de ser diferente e descomprometida.
Enquanto disciplina e Arte, é possível falar-se em boa e má Arquitetura? (G.C.F): Eu acredito que ninguém se atreve a dizer o que é bom e o que é mau, porque essa opinião é sempre pessoal, mas não podemos olhar para a Arquitetura só de forma racional. Eu acredito que a boa arquitetura é a que serve as pessoas. Depois, é mesmo uma questão de gosto – há ótima arquitetura, de péssimo gosto e há péssima arquitetura, de ótimo gosto. (M.C.F.): A Arquitetura também tem a ver com o espaço, com a sua utilização e dimensão. Além disso, cada família é diferente. Se falarmos em moradias, existem espaços que todas as casas têm, mas depois outros espaços devem ser pensados tendo em conta determinadas características da família – os hobbies, a ocupação profissional, qual a utilização que dão aos espaços… A arquitetura tem muito desse lado pessoal, por isso é que importa conhecer a forma como a pessoa vive, em casa. Nós fazemos uma arquitetura de excelência, pois sabemos quais são os ingredientes e temos a preocupação de ter poucos projetos e poder trabalhar com calma, vendo o nosso trabalho reconhecido.
É possível pensar a Arquitetura de forma diferente em Portugal, tendo em conta que o país ainda é tradicionalista? (G.C.F.): A Arquitetura deve ser das poucas áreas que não é falada nas escolas e, no entanto, é uma área que influencia a vida das pessoas desde o momento do seu nascimento, pois vivemos numa Natureza construída. Aquilo que se faz dura muito tempo mas, incrivelmente, nunca se fala em Ambiente Urbano. Não existe essa preocupação e, no entanto, a Arquitetura interfere mais na nossa vida do que a roupa que nós vestimos.
Neste momento, a casa representa vários espaços sociais. Como lidaram as pessoas com isto? (G.C.F): As pessoas adaptaram-se, tendo em conta as capacidades do espaço e as funções que serve. Além disso, também fizeram uma gestão das suas relações. Todavia, o que acontece é que, em geral, quando se faz um projeto, ninguém pensa na questão das relações. Ninguém pensa na forma como as pessoas se relacionam, como usam o espaço,
Como preveem 2021? (G.C.F.): As pessoas deixaram de ter a ilusão da previsibilidade e perceberam que, se não houver decisões, não há acontecimentos. Por isso é tão importante tomar decisões. A vida não para. Psicologicamente, a vacina será muito importante, mas não creio que altere nada no modo de vida. No entanto, espero que a adaptação seja rápida e inteligente. (M.C.F.): Iremos para um normal diferente. Toda a tecnologia que usamos, já existia, não estava era tão utlizada. Isso são benefícios que esta pandemia nos deu – a noção de que podemos facilitar a nossa própria vida. Porém, continuamos a ser pessoas que gostam da proximidade e de estar fisicamente num espaço. Esta pandemia serviu para reposicionar a família, o trabalho e os amigos, coisas que faltavam à nossa vida e que são muito importantes.
Edificios de Escritório Lisboa, 2003, Praça de Espanha, actual sede do Santander. Fotografia: Fernando Guerra
Palácio Sotto Mayor Lisboa, 2003, Fontes Pereira de Melo, Centro Comercial, Escritórios e Hotel – Fotografia: Fernando Guerra
Parque das Cicas Oeiras, 2020, Habitação, Serviços e Comércio. - modelo BIM
Curbside de Partidas e interface de ligação à estação Metro Aeroporto Fotografia: João Guimarães
Gastão da Cunha Ferreira | gastao@cunhaferreira-arquitectos.pt | Martim da Cunha Ferreira | martim@cunhaferreira-arquitectos.pt www.cunhaferreira-arquitectos.pt
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“2020 FOI UM ANO DE CRESCIMENTO”
Tiago Oliveira CEO
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Detail Landscaping tem 11 anos de mercado, ao longo dos quais foi alargando a sua atividade e aceitando desafios para lá da jardinagem e do paisagismo. Como avalia este percurso de mais de uma década? Tudo começou durante a última grande crise económica em que a construção civil caiu a pique, área em que ajudava o meu pai. Na altura, sozinho, comecei com algumas manutenções de jardins de pessoas conhecidas e também tinha uns trabalhos na área da hotelaria, em regime noturno em part-time, para poder comprar equipamentos e veículos para o crescimento da empresa. Hoje, posso dizer que a empresa está sólida no mercado regional – Algarve - e conta com uma equipa bem estruturada. Temos atualmente um escritório com a área técnica, financeira e administrativa, quatro engenheiros na organização de projetos e logística de equipas, uma arquiteta paisagista no desenvolvimento dos nossos projetos e cerca de 50 trabalhadores de campo que fazem com que tudo, no final, esteja perfeito. Além disso, contamos com dois estaleiros, situados em Albufeira.
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Tiago Oliveira é o CEO da Detail Landscaping, que opera no mercado da jardinagem e paisagismo há 11 anos. Situada no Algarve, esta é uma empresa que nasceu da oportunidade criada pela crise económico-financeira que teve lugar no país há uma década e que, entretanto, alargou as suas áreas de atividade.
Que serviços oferecem, atualmente, aos vossos clientes? Atualmente podemos dizer que tratamos de tudo o que está para além das “paredes da casa”. Projetamos todo o exterior desde acessos viários em diversos materiais, caminhos pedonais, iluminação exterior, redes de drenagem, vedação, muros de suporte, passando depois para a parte de plantação, em que dispomos de toda a maquinaria para o nivelamento e posterior instalação de relvados e árvores. Por conseguinte, temos depois o nosso departamento de Manutenção, que dá o acompanhamento devido aos Espaços Exteriores e compromete-se a manter tudo nas melhores condições, garantido que o cliente possa disfrutar do seu espaço. Quais as dificuldades que a chegada da pandemia ao país vos criou, que afetaram diretamente o vosso trabalho? Felizmente, e até ao momento, não nos foi sentido qualquer impacto. Antes pelo contrário. No ano de 2020, conseguimos duplicar o nosso volume de faturação em relação ao anterior ano, chegando ao estatuto de PME Líder em 2020.
Como se adaptaram a este ano, que pedia medidas de proteção extremas e o mínimo contacto entre pessoas? Tendo em conta que a nossa empresa atua essencialmente no exterior, nunca foi necessário suspender os nossos serviços. Seguimos todas as medidas exigidas – utilização das máscaras e de álcool gel, horários de entrada do pessoal alternados e maior distribuição do pessoal pelos veículos, reuniões feitas no exterior, garantindo o distanciamento social e/ou videoconferência e teletrabalho, no caso do departamento administrativo e financeiro. Quais lhe parecem ser as adaptações – ao nível do desempenho profissional e mesmo socialmente – que foram criadas ou adotadas este ano e que serão implementadas em absoluto pelas empresas daqui em diante? Diria que a pandemia veio alterar muito o modo como nos reunimos com clientes e possíveis novos clientes, pois hoje trata-se muito de assuntos por Zoom e Skype, devido às limitações
de circulação entre países, visto que mais de 50 por cento dos nossos clientes são estrangeiros. Como caracterizaria o mercado da jardinagem e paisagístico? Que diferenças sentiu durante este ano em particular? Em relação à área de construção dos Espaços Verdes, penso que não ficou a perder muito com a pandemia. As pessoas acabaram por sentir necessidade de melhorar as áreas exteriores, tendo em conta que iriam despender mais tempo nas suas habitações, acabando por ser uma área até mais requisitada. Já na área da Manutenção, os efeitos da pandemia fizeram-se sentir mais. Os nossos clientes da área da Hotelaria – hotéis e aldeamentos turísticos – acabaram por suspender por alguns meses os nossos serviços ou requisitarem os serviços mínimos. Que análise faz do comportamento da empresa este ano, tendo em conta todas as dificuldades? Quais os objetivos de agora em diante? A meu ver, a nossa empresa está a passar bem por
este ano atípico, pois continuamos com muitos novos projetos. Acabou por fazer com que nos organizássemos melhor na área de logística e também a nível de comunicação com o cliente. Melhorámos o nosso site e também as redes sociais, de modo a que possamos chegar até aos lares dos nossos clientes. Temos como objetivo dar continuidade ao desenvolvimento destes pequenos detalhes que vão marcando a diferença – dar conhecimento da marca. Como antecipa o ano de 2021? Neste momento não sei bem o que antecipar, pois o futuro da economia está bastante incerto. No entanto, a nível interno já temos muitos projetos para 2021 que nos dão alguma estabilidade, diria mesmo que iremos ter um ano semelhante a 2020 a nível de trabalho, o que nos dá muita força para continuar a crescer e honrar os nossos compromissos. Se tudo correr como planeado será um ano de expansão para novas áreas do país. detaillandscaping.pt
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Opinião
Luís Menezes Leitão Bastonário
QUAIS AS JANELAS QUE SE FECHARAM E QUE JANELAS SE IRÃO ABRIR?
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pós o Presidente da República ter decretado o Estado de emergência a 18 de Março devido à situação de pandemia, iniciámos como sociedade um conjunto de alterações profundas no nosso modo de vida. O confinamento e a obrigatoriedade de teletrabalho obrigaram a encontrar soluções que permitissem tanto quanto possível manter a nossa vida pessoal e profissional. Os Advogados são desde há muito anos obrigados a fazer uso de meios tecnológicos no desempenho da sua actividade profissional diária. Desde 1999 que é possível o envio de peças processuais por correio electrónico para os Tribunais. O Citius, enquanto ferramenta de tramitação processual, é utilizado pelos Advogados que interagem com este sistema via internet, e é desde 30 de Junho de 2008 o meio de entrega de peças processuais por tramitação electrónica nos tribunais judiciais, desempenhando o SITAF a mesma função nos tribunais administrativos e fiscais. Existem ainda um vasto conjunto de ferramentas no âmbito dos registos cuja utilização pelos Advogados é feita recorrendo a plataformas electrónicas. 56
Para os Advogados a utilização de meios digitais para a execução da sua actividade não representou assim uma ruptura uma vez que para a grande maioria a utilização destas ferramentas era já uma componente essencial da sua actividade profissional. A adaptação a esta nova realidade é muito mais do que garantir as competências para interagirmos de forma digital. Foi necessário mudar profundamente as formas de trabalho. Nesta profissão o contacto pessoal entre o Advogado e o seu cliente, ou entre colegas, é essencial e as restrições impostas pela situação pandémica trouxeram aqui desafios importantes. Também toda a actividade desenvolvida nos Tribunais teve de ser adaptada às contigências decorrentes da sistuação pandémica, chegando a ser realizados julgamentos por via electrónica, que no entanto não funcionaram adequadamente. Infelizmente, os meios tecnológicos utilizados nos Tribunais para a realização de diligências por videoconferência não asseguraram a fiabilidade e qualidade necessárias para que a sua utilização que se pudesse tornar comum.
Foi na vertente da necessidade de encontrar formas de susbtituir o contacto pessoal dos Advogados com os seus clientes e entre si que se deu uma grande evolução. Até Março de 2020 para grande parte dos Advogados a realização de reuniões por videoconferência ocorria raramente. Com a pandemia tornou-se, porém, impossível realizar os contactos pela habitual via presencial, obrigando à utilização de meios digitais que permitissem realizar videoconferências à distância. Dessa forma e proporcionando um contacto visual entre os participantes conseguia-se replicar, com as diferenças que conhecemos, as reuniões e contactos pessoais. Surgiu assim uma panóplia de ferramentas digitais que proporcionam a realização de videoconferências. Num curto espaço de tempo todos nós passámos a ser utilizadores de uma ou mesmo de várias destas plataformas. As formas de trabalho nos escritórios adaptaram-se, fomentando a utilização de instrumentos tecnológicos que permitissem o contacto imediato e constante com pessoas que se encontram fora do seu local de trabalho habitual, mas que nem por isso deixam de trabalhar. Estas plataformas, que permitem a realização de videochamadas entre vários participantes, trazem ainda ferramentas que oferecem funcionalidades adicionais como a partilha de documentos, e partilha de écran, e a gravação de reuniões, entre outras. Passados quase nove meses desde o início das restrições de contactos pessoais, verificamos que estas novas formas de reunião e comunicação foram já interiorizadas e é expectável que num futuro pós-pandemia continuem a ser usadas, substituindo em muitos casos as formas usadas no período anterior à pandemia. Vai deixar de ser com certeza considerado justificado efectuar deslocações longas para participar em reuniões que se podem realizar perfeitamente à distância.
No caso do Conselho Geral da Ordem dos Advogados temos vindo a realizar desde Março todas as reuniões habituais recorrendo a estes meios de comunicação à distância. Com a continuidade da sua utilização e com os meios técnicos adequados conseguimos garantir a qualidade necessária para que este seja um meio válido a usar no futuro evitando deslocações não imprescindíveis. Também nos serviços do Conselho Geral foram realizadas as adaptações técnicas necessárias que permitem que a generalidade dos nossos colaboradores se encontre em teletrabalho sem qualquer prejuízo para a actividade que desempenham. A pandemia provocou estas mudanças, uma vez que a tecnologia já existia, as ferramentas digitais estavam disponíveis, mas só uma pequena parte de nós estava preparada para ser agente de mudança e conseguir transformar as formas como interagimos e desenvolvemos a nossa actividade. A pandemia foi um acelerador deste novo paradigma, em que a tecnologia está disponível para apoiar e potenciar a mudança. Aos Advogados são colocados novos desafios mas os mesmos saberão adaptar a sua actividade a esta nova realidade, onde o trabalho colaborativo e os contactos pessoais são agora feitos de outra forma. O que se perde do contacto pessoal pode ser compensado pela produtividade trazida pelos sistemas digitais que, como tem sempre ocorrido, irão oferecer cada vez mais soluções novas para este novo mundo.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“O FOLHETO É UM CANAL PUBLICITÁRIO MUITO IMPORTANTE”
Inês Fazenda Diretora-geral
Inês Fazenda é a diretora-geral da Mediapost Portugal, empresa de referência em comunicação e publicidade, sobretudo no que respeita ao folheto publicitário. Em 2020, este foi um canal de comunicação muito utilizado pelas marcas e Inês Fazenda salienta todas as suas vantagens, nesta entrevista.
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Mediapost é uma empresa que ajuda os seus clientes a aumentar a sua visibilidade e o poder da sua marca junto dos consumidores. Qual a vossa filosofia de trabalho, para conseguir assegurar esses resultados aos vossos clientes? A Mediapost assenta a sua metodologia em procedimentos de qualidade únicos no mercado português. Como pertencemos ao Grupo La Poste, líder não só em França, mas também a nível europeu, trazemos as melhores práticas deste setor para o nosso mercado. A nossa filosofia baseia-se num conjunto de procedimentos de controlo e de formação, desde o controlo no terreno às equipas de distribuição, até à medição da eficácia através de inquéritos de call center realizados ao cliente final e a um conjunto de medidas que visam a eficácia da distribuição desde a execução do seu plano até à entrega do folheto na caixa de correio.
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Que estudos são levados a cabo para perceber as necessidades de um cliente e como a sua comunicação pode ser mais eficaz? A eficácia da comunicação de cada cliente depende do seu objetivo e do seu target. Há que estudar cada cliente de forma a perceber o que é que mais lhe convém e, para tal, recorremos a estudos de geomarketing elaborados pelo nosso departamento de Gestão de Informação Geográfica, que define qual a melhor estratégia de comunicação. Que mais-valias existem no facto de o cliente poder contar com os vossos serviços? A Mediapost é uma empresa altamente focada no cliente, cujo objetivo é ser uma mais-valia para si, oferecendo não só os serviços do seu core business – distribuição de publicidade, incluindo a distribuição de samplings e o street marketing– mas vários serviços de marketing e de ativação de marca. Oferecemos soluções de marketing chave na mão como design/impressão; handling/logística;
gamification quer online, quer em ponto de venda através de quiosques digitais; ativação de marca - através de promotoras, carros de som, taxiadvertisement e outros serviços locais. Através do lançamento da Sogec Portugal, em janeiro deste ano, possuímos uma oferta de serviços de programas de fidelização e estratégias promocionais, assente numa experiência de mais de 40 anos da Sogec France. Somos na verdade uma empresa que oferece soluções de marketing a vários níveis. Quanto ao nosso core business, a Mediapost é um operador com cobertura nacional, com grande proximidade ao cliente, reporting online, controlo massivo das nossas distribuições e definição de estratégia para aumentar o impacto do folheto dos nossos clientes. Posso dizer que somos uma empresa com a garantia de serviço de uma multinacional, mas com o empenho e dedicação, característicos de uma empresa familiar.
A publicidade física, como o folheto, está, segundo se afirma, a perder espaço para a publicidade digital. Como avaliam o impacto da publicidade física, como o folheto, nesta situação? O cliente é omnichannel e a estratégia de marketing das marcas e retalhistas também o é cada vez mais. Nesta visão, o folheto publicitário é um complemento a outros meios, como email marketing, sms, rádio ou televisão. A maioria dos nossos clientes tem uma estratégia omnichannel e integra o folheto na sua estratégia de marketing global. Estudos recentes dão um OTS (opportunity to see) ao folheto 2,5 vezes superior ao de um anúncio digital. Na era do digital todos os cliques e conversões são medidos, mas na hora de comprar o impacto do folheto é uma realidade indiscutível! Enquanto marca internacional, como avaliam este setor onde estão inseridos, sobretudo tendo em conta a crise que se instalou um pouco por todo o mundo, em virtude da pandemia? A distribuição de publicidade não endereçada é um meio altamente eficaz enquanto drive to web ou drive to store. Em Portugal, há uma elevada preferência dos portugueses em receber promoções e informações através deste meio (dados de um estudo europeu realizado em Portugal indicam que 62% dos portugueses prefere receber um folheto publicitário e 73% assume que conheceu um novo produto ou serviço através do folheto). Com o confinamento, as pessoas ficaram isoladas em casa e isso gerou uma “saturação” do meio digital. As pessoas trabalhavam ao computador um dia inteiro, tinham reuniões por teams e falavam com a família por zoom. O folheto, neste contexto é uma lufada de ar fresco! Poder folhear um folheto ou um catálogo é altamente impactante e diferenciador. Temos vários casos de clientes que ao retomarem a distribuição de folheto, tiveram um aumento na procura das suas lojas e serviços. No Reino Unido por exemplo e segundo uma notícia no The Guardian, marcas que tinham deixado de fazer folheto, relançaram-no e tiveram resultados muito positivos, como no caso da Argos e da marca de artigos de luxo Jigsaw. Por outro lado, esta mesma crise, a necessidade de comunicar com os clientes por outras vias que não a física, fez aumentar a procura pelos vossos serviços e soluções? Nalguns setores de atividade, sim, como no caso de instituições de solidariedade social que viram no folheto o canal ideal para comunicar de forma massiva e apelar à contribuição para as suas causas; ou novas empresas que abriram portas numa altura tão difícil e quiseram promover os seus serviços na sua área de influência ou mesmo
marketplaces online que veem o folheto como um meio de comunicação altamente massivo para atrair novos clientes para o seu site, oferecendo códigos de promoção específicos. A distribuição de folheto também foi o meio escolhido por diversas Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia para comunicar com os seus munícipes e fregueses e assim poder alertar para as regras e boas práticas a respeitar durante este período. No que respeita à sua carreira, é atualmente diretora-geral da Mediapost Portugal, tendo anteriormente ocupado os cargos de diretora-geral adjunta e diretora comercial, na mesma empresa. Que balanço faz desta evolução profissional, sobretudo tendo acontecido na mesma empresa? A evolução é muito positiva e diria que natural. Quando entrei na Mediapost não tinha qualquer conhecimento deste mercado, nunca tinha trabalhado em publicidade e o facto de iniciar este trajeto numa área mais tradicional, como o folheto publicitário, deu-me uma motivação extra para inovar os nossos serviços e a nossa oferta.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
Assume-se como alguém que gosta e tem vocação para liderar equipas. Que características suas destacaria enquanto líder? O que mais gosto de fazer na vida para além de vender, é gerir pessoas. Tirar o melhor de cada indivíduo num contexto empresarial, isolando cada membro do todo e otimizar a sua performance em benefício de todos é, para mim, fascinante. Creio que o que me distingue enquanto líder é a minha capacidade de me colocar ao lado das pessoas, ao seu nível, ajudando-as no que necessitam e indicando-lhes o caminho a seguir. Sou muito presente, nos momentos bons, mas acima de tudo nos momentos mais críticos. O sucesso de uma empresa só é possível se todos trabalharem para esse fim e para tal, a humanização da empresa é essencial. Se criarmos empresas humanas que olhem para as pessoas como indivíduos e não como números, temos maior possibilidade de gerar trabalho positivo e de alcançar os objetivos! Mas também sou muito exigente e justa. A justiça é crucial para uma organização equilibrada. Enquanto diretora-geral da Mediapost, que características destaca da empresa? Já tive a sorte de trabalhar em algumas empresas com equipas muito unidas e produtivas, mas a Mediapost é de facto uma empresa com um
capital humano fantástico. Temos um espírito de luta e de sacrifício ímpares que nos levam a trabalhar com elevados níveis de concretização! É uma empresa altamente dinâmica com uma enorme capacidade de adaptação a novos cenários e a novos serviços. Somos uma empresa muito flexível e os nossos clientes sentem isso. Que desafios se avizinham, nos próximos tempos? O maior desafio que temos é o de demonstrar às marcas e retalhistas que o Folheto Publicitário tem um papel relevante na estratégia de comunicação da marca. Num mercado omnichannel, o folheto contribui muito positivamente para os resultados de uma campanha publicitária. Outro desafio é elucidar as pessoas em geral, sobre o falso mito do folheto ser um meio de comunicação muito poluente. O papel é um dos poucos e verdadeiros produtos sustentáveis. A maior parte da energia utilizada é renovável e a intensidade de carbono é surpreendentemente baixa. Para além disso, todas as empresas do Grupo La Poste beneficiam de um programa de Compensação de Carbono.
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“PORTUGAL TEM UM VALOR ESTRATÉGICO IMPORTANTE” A ONE é uma empresa de logística e transporte marítimo, fundada em 2018, após a fusão de três grandes companhias marítimas de transporte japonesas. Em Portugal, tido como um mercado importante e estratégico, a empresa tem crescido consideravelmente, como esclarece Isabel Azeredo, diretora nacional da empresa.
Isabel Azeredo Diretora Nacional
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ONE é a maior empresa de logística marítima, criada há dois anos. Que análise faz deste projeto e do caminho já percorrido? A ONE foi fundada em 2018, quando as três companhias marítimas Japonesas, Nippon Yusen Kabushiki Kaisha (NYK), Kawasaki Kisen Kaisha, Ltd. (K-LINE) e Mitsui O.S.K Lines, Ltd. (MOL) decidiram fundir as suas operações de transporte marítimo de contentores. Embora tenha sido uma tarefa extraordinária juntar as três empresas numa só e, mesmo com os problemas iniciais de arranque, hoje podemos dizer que a ONE é efetivamente uma companhia marítima forte, confiante e em constante progresso. É hoje a sexta maior transportadora de contentores do mundo, com 224 navios (1,5 milhões de TEU) e mais de 130 serviços semanais para 120 países. Estamos orgulhosos da empresa que construímos e do sucesso que alcançamos com o aumento de nossa rede e cobertura de serviço, permitindo-nos competir num setor mais consolidado. Quais os principais objetivos da empresa, no que concerne ao trabalho de equipa e à sua filosofia de empresa? Como empresa, somos guiados por oito valores essenciais, sendo eles: Otimização e Agilidade, Melhores Práticas, Qualidade, Inovação, Trabalho de Equipa, Desafio, Fiabilidade e Satisfação do Cliente. Claro que todos estes valores são necessários para atingir os nossos objetivos, mas não podemos alcançar nada sozinhos, por isso destaco o trabalho em equipa, o qual tornou possível esta evolução tão positiva da nossa empresa em tão pouco tempo. Como avalia a posição da empresa em Portugal? É um bom mercado estratégico? Considero que a penetração da ONE no mercado português tem sido muito bem-sucedida. Em dois anos, a empresa viu os seus movimentos aumentarem mais de 60% face ao movimento gerado pelas três companhias no ano que antecedeu a fusão, o que é efetivamente notável e revelador da forma como o mercado acolheu a ONE. Os transportes e a logística são um setor em crescimento e peça fundamental na competitividade das empresas pelo que, pela sua natureza, são um setor estratégico para Portugal. O transporte marítimo em Portugal representa 75% do total do transporte internacional e, integrado na economia do mar, é aquele que apresenta maior intensidade na criação de valor face ao volume de negócios que representa. Na última década, Portugal expandiu a sua capacidade exportadora, através da diversificação de mercados e esta tendência irá continuar, particularmente com a necessidade de ajustamento nas cadeias de abastecimento provocadas pelo impacto da pandemia. O posicionamento geoestratégico de Portugal, na interceção de grandes rotas mundiais de transporte marítimo, deverá ser potenciado por forma a atrair mais interesse e investimento das companhias marítimas internacionais.
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Tendo em conta a crise pandémica, o que lhe parece que mudará nos próximos meses, ou mesmo anos? A indústria do Shipping é muito resiliente e está acostumada a adaptarse ao mercado. A necessidade de digitalização da mesma já existe há algum tempo e está a ficar mais forte do que nunca com a situação atual da pandemia por Covid-19. A ONE é uma empresa relativamente jovem e tem feito um notável esforço para se tornar cada vez mais digital enquanto empresa e contribuir para a digitalização da indústria. A ONE está ativamente envolvida em plataformas para estudar a digitalização. Por exemplo, a ONE é um membro fundador da Digital Container Shipping Association (DCSA) cujos membros estão a tentar estabelecer padrões de operação e protocolos de interface para a indústria. A ONE também é membro da TradeLens, a plataforma digital do Shipping baseada na tecnologia blockchain (também conhecida como “o protocolo da confiança”) que visa aumentar a transparência e acelerar a eficiência nas cadeias de abastecimento, auxiliando o comércio global. Que áreas considera que serão afetadas por mudanças na forma de comunicar e de fazer negócios? É difícil saber o que a longo prazo afetará a forma como conduzimos os negócios e a comunicação, mas as coisas estão a mover-se definitivamente numa direção mais virtual. Da perspectiva do cliente lançamos um serviço de “Live Chat” que permite aos mesmos entrarem em contato connosco dentro do horário comercial através do nosso website, onde podem falar online com um assistente em vez de enviar um e-mail ou ligar para um dos nossos escritórios, esperando desta forma agilizar o tratamento de eventuais questões que possam ter. Ao nível da operacionalidade do negócio, desde o início da crise em março e ao longo deste ano 2020, a ONE operou “remotamente” a atividade com muito sucesso e com muitos funcionários a trabalhar em segurança a partir das suas casas, o que nos permitiu manter o funcionamento normal do nosso negócio com o mínimo de perturbação para os nossos clientes. Em todo o caso, a comunicação presencial “face-to-face” continua a ser muito importante e estamos todos ansiosos por rever os nossos clientes e colegas com mais frequência, quando as restrições o permitirem.
Muitos processos, reuniões e mesmo eventos têm lugar online. O mundo digital irá impor-se, por si próprio, na rotina diária professional? A ONE possui todas as ferramentas necessárias para operar o seu negócio num ambiente virtual e tem feito isso desde o início da pandemia, em março deste ano. Temos uma variedade de ferramentas informáticas que nos permitem comunicar e continuar a desenvolver o negócio com normalidade. Embora tenha sido uma grande mudança para todos, adaptamo-nos muito bem às circunstâncias extraordinárias que o mundo em geral teve de enfrentar este ano. Quais os planos futuros da empresa para o mercado português, em particular? Os planos passam por continuar a crescer de forma orgânica e sustentável no mercado português, reconhecido pela Companhia como um dos mercados com potencialidade de crescimento. Naturalmente que o investimento e a competitividade dos portos portugueses são fundamentais para sustentar este desenvolvimento, assim como a competitividade de todos os intervenientes na cadeia marítima, sejam eles autoridades portuárias, aduaneiras, capitanias, terminais, SEF, ferrovia, rodovia…É necessário termos estruturas mais ágeis, flexíveis e integradas. Localmente temos dado particular atenção à gestão das equipas, promovendo a captação e retenção de talentos. A equipa em Portugal tem níveis de “engagement” acima da média a nível internacional. Criámos ambiente e condições de trabalho favoráveis ao desenvolvimento de competências individuais e coletivas, alavancando as potencialidades e competências de cada um. Destacamos o facto de a equipa em Portugal fazer parte de vários grupos de trabalho associados à transformação digital do quais destacamos o B/L eletrónico, ferramenta que irá permitir uma enorme agilização dos processos e maior visibilidade aos vários intervenientes associados à rapidez de resposta. Queremos manter sempre um espírito de empresa inovadora, quer sob o ponto de vista tecnológico, quer processual.
www.one-line.com LISBOA ONE Shipping, lda. Estrada Manuel Correia Lopes, 682 Conceição da Abóboda, 2785-718 S. Domingos de Rana Telf: 21 1226470
PORTO ONE Shipping, lda. Rua Eng.º António Ricca Gonçalves, 310 Zona Ind. da Maia I · Sector VIII · Gemunde 4475-298 Maia Telf: 22 1206510
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Opinião
O ANO DA PANDEMIA E DA CIBERSEGURANÇA
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pandemia de 2020 recordou-nos o papel central que a Natureza reservou à incerteza. Se as gerações das últimas décadas o tinham esquecido, recordaram-no agora e talvez não o esqueçam, até que outras gerações afortunadas olvidem também como é incerto este mundo. Temos de segurar nas mãos a incerteza e viver com ela, compreendê-la, definila e deixar que a sua sombra (ou luz) atinja o nosso quotidiano, condicione alguns dos nossos passos, quer para andarmos mais devagar, quer para, em certo sentido, corrermos mais depressa. Um dos aspetos mais visíveis desta pandemia foi o modo como as tecnologias digitais foram uma boia de salvação para muitas pessoas e organizações. A necessidade de recolher a casa encontrou na Internet a ligação ao mundo que se fechava atrás da porta da rua. E nisto fomos todos extraordinários. Isto é, fora do comum. Nada do que que aconteceu, e ainda acontece, nos tinha acontecido antes. A sociedade funcionou, mantendo em muitos domínios os níveis suficientes de interação entre os indivíduos para que o trabalho de cada um se realizasse.
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Pedro Xavier Mendonça Centro Nacional de Cibersegurança
O outro lado desta moeda pagou-se com assimetrias. Os trabalhos imateriais e intelectuais conseguiram manter graus de funcionamento impossíveis para muitas outras profissões, com consequências no emprego e na sobrevivência dos empresários. O nível de preparação das organizações para um evento deste tipo não foi universal. Na verdade, algumas empresas estavam prontas para o trabalho à distância porque tinham suficiente maturidade digital e não porque tivessem planeado e prevenido um evento como uma pandemia. A cibersegurança é um dos indicadores destas assimetrias. Não há digitalização para o bem comum sem cibersegurança. Por isso, em 2020, algumas sociedades descobriram que são capazes de uma digitalização acelerada, mas também que essa digitalização traz consigo necessidades de cibersegurança. Algumas destas necessidades existiam, mas eram pouco visíveis. Outras, ganharam relevância. Por exemplo, já antes era fundamental que as organizações tivessem políticas de cibersegurança consistentes e formassem os seus colaboradores em boas práticas nesta matéria. Hoje, isso é ainda mais importante, visto que aumentaram os ciberataques oportunistas que exploram as fragilidades do trabalhador isolado. É por isso que ganhou novo peso o modo como os funcionários utilizam os computadores em casa para fins profissionais, quer estes dispositivos sejam próprios, quer sejam fornecidos pela organização.
Em plena pandemia de Covid-19, o cibercrime não teve contemplações. Quem pensava que uma situação trágica para a Humanidade teria como efeito conter as ações hostis dos cibercriminosos, enganou-se. O número de incidentes registados a nível nacional e internacional aumentou. Os ciberataques foram rapidamente adaptados às circunstâncias para afetar as pessoas nos seus pontos mais vulneráveis. O confinamento promoveu campanhas com vista a comprometer o uso de serviços digitais por parte das pessoas isoladas em suas casas. O medo da doença foi aproveitado para a realização de fraudes digitais. A desinformação ganhou espaço à custa do caráter aberto da ciência. O setor da saúde, sobretudo a nível internacional, viu-se ainda mais sobrecarregado para conseguir resistir a ataques que colocaram em perigo os dados dos pacientes. É de particular relevância neste panorama o papel da chamada “engenharia social”, isto é, das técnicas de manipulação dos indivíduos. Esta evidência mostra como estes problemas entrecruzam de uma forma profunda a dinâmica técnica e a dinâmica social. Não podemos proteger as pessoas das ameaças do ciberespaço se não as protegermos de si mesmas e umas das outras. É certo que um ataque cibernético é concretizado, em última análise, através de um meio técnico, mas o valor afetado é um valor humano. A engenharia social inscreve a componente humana na cadeia de um ciberataque, muitas vezes como vetor crítico, mediante a ilusão de uma imagem fraudulenta, por exemplo. As variáveis geopolíticas também marcam este campo de conflito, colocando países com interesses díspares a utilizarem o ciberespaço como
terreno de disputa. Neste território sem fonteiras, o cibercrime balança entre estruturas altamente organizadas, por vezes apoiadas por Estados, e modos de atuação quase pueris, com mero objetivo de exibir capacidades ou fazer afirmações políticas, não raras vezes ideologicamente pouco robustas. Paralela à camada social, a dinâmica técnica é muito intensa. O sublinhar do fator humano não pode esquecer isto. A inovação tecnológica brota do submundo do cibercrime através da renovação constante das metodologias de ataque, obrigando ao aceleramento da inovação entre aqueles que são responsáveis pela cibersegurança. Grande parte das vezes, a dinâmica social não deteta estas ameaças, a não ser quando o valor que se pretende proteger é finalmente comprometido, como os dados pessoais ou a reputação. Como o corpo submerso de um iceberg, estas ameaças representam o verdadeiro gigantismo do que enfrentamos. É neste contexto que 2020, além do ano da pandemia de Covid-19, é o ano da cibersegurança. Não porque estejamos necessariamente mais seguros, mas porque as sociedades perceberam, ou têm uma oportunidade para perceber, como a cibersegurança deve ser um pilar da digitalização. A incerteza da natureza também está presente nas dinâmicas sociotécnicas que povoam o ciberespaço. Por isso, a preparação das organizações e dos indivíduos para as ciberameaças deve ser universal. Essa é uma certeza que devemos ter para 2021. Reconhecer isto é já ajudar a mitigar os efeitos adversos da incerteza.
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“AS REDES SOCIAIS DEMOCRATIZAM A COMUNICAÇÃO”
João C. Silva Cofounder
João C. Silva é cofounder da digital connection, uma agência de comunicação e marketing que, durante o tempo de confinamento, sentiu um crescimento nos pedidos de gestão de redes sociais e criação de lojas online. Em entrevista, João C. Silva explicou, em particular, a importância das redes sociais e do marketing digital para a existência atual e futura das empresas.
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omo se abriu o mercado português às redes sociais e como é que estas foram usadas pelas marcas para se aproximarem do seu público-alvo? As redes sociais são uma ferramenta de comunicação que está disponível para todas as marcas e todas as pessoas. É uma verdadeira democratização da comunicação. As marcas conseguem, assim, relacionar-se com os seus stakeholders e construir uma comunidade de relações positivas, que depois permitirá fazer crescer a marca, e consequentemente, produtos, serviços e mesmo informação. As redes sociais mais utilizadas em Portugal são o Facebook, o Instagram, o Youtube, o Whatsapp, o TikTok, o Twitter e o Linkedin e todas têm objetivos e formas de estar na própria rede social distintos, pelo que as empresas devem adaptar a sua estratégia de conteúdos à rede social em questão. optando por desenvolver mais estas redes, especificamente. Eu, particularmente, aconselho as marcas a estarem presente e com uma estratégia específica nas redes sociais mais relevantes para os seus públicos. São elas que permitem dar voz à marca, que esta se personifique. 66
A importância das redes sociais, para as marcas, aumentou. Com isso, aumentou também a importância do serviço de gestão de redes sociais, prestado por agências como a digital connection? Sim, até porque as pessoas devem perceber que, quando estão a contratar um serviço destes, estão a contratar uma equipa e não uma única pessoa. Nessa equipa, existe um copywriter, um designer, um gestor de projetos, um técnico de campanhas, um fotógrafo e um operador de câmara – são seis pessoas, com seis diferentes valências, para gerir uma rede social. Sai mais barato contratar a agência do que contratar uma equipa interna. É necessário também que as pessoas compreendam que não é qualquer pessoa que gere uma rede social, porque todos os posts têm de ter uma razão para serem publicados. Existe um planeamento e uma gestão do que se pretende atingir com determinado conteúdo.
Esta presença das marcas nas redes sociais torna-as mais expostas aos comentários do público. Esta exposição das marcas é positiva? Parece-me que uma marca não tem de se esconder, quando algo corre mal, porque isso só alimenta rumores. A marca tem de ser a primeira a falar sobre os temas. Nunca podemos deixar de comunicar. Este medo de ter comentários negativos é uma falsa questão, porque nunca podemos desaparecer com medo de que digam mal de nós. Se existe uma crítica negativa, a marca deve ser a primeira a querer saber o que aconteceu, a explicar porque aconteceu daquela forma e a desmistificar o acontecimento junto do seu público. A redes sociais vêm ajudar as marcas a falar e a poderem explicar no timing correto o que aconteceu e porquê. É por isso que o community manager é tão importante, pois esta gestão das redes sociais é o que permitirá às marcas darem o seu ponto de vista no tempo certo. Acredito, portanto, que a exposição traz mais benefícios do que problemas. Sentiu um aumento significativo das empresas que procuram a vossa empresa para gerir as redes sociais e mesmo para criar campanhas de marketing e lojas online? Não há qualquer dúvida. O facto de estarmos em confinamento permitiu perceber a importância das redes sociais. Até as escolas – nós de repente ficámos a gerir a comunicação de seis escolas – porque todos os outros canais que eles costumavam utilizar para angariar alunos estavam vedados, nomeadamente a realização de feiras. As campanhas de Google Adwords foram muito
importantes para destacar um determinado serviço e para angariar novos clientes. Muitas empresas, de setores díspares e que nunca tinham pensado nisto como algo mais sério, procuraram-nos, alguns desesperados, para mudar essa situação. Reformulámos e digitalizámos vários negócios. É importante, também, trabalharmos não só as redes sociais, mas todo o digital – email marketing, SEO, Google Adwords, bloging, influencers - tudo isto faz com que a presença online seja notada. O que mais aumentou foi a criação de websites e um maior cuidado com os mesmos. As redes sociais também aumentaram muito, enquanto canal de relação com os consumidores, e o Adwords, para angariar clientes. Como antecipa o ano de 2021? Este será um ano de transição, onde se irá perceber como as coisas correm. Não sabemos como será a recuperação empresarial, mas acredito que o digital seja sempre uma solução, visto que o investimento é menor e será possível continuar a comunicar com os seus clientes. Depois, ainda irão surgir algumas tendências – primeiro na Ásia e na América do Norte – e a nossa relação com os gadgets – telemóvel, computador e tablet – irá evoluir. Daqui a pouco, acredito que seja possível termos gadgets sensoriais, por exemplo, bem como a pesquisa por voz, em vez da escrita e a inteligência artificial também será uma aposta. Haverá uma evolução tecnológica. O futuro é o digital e este será o caminho a ser trilhado pelas marcas.
2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“EXISTEM NOVAS NECESSIDADES DE SEGURANÇA”
Joaquim Teixeira Diretor
A “ON24H Alarmes” é especialista em soluções de segurança, com pessoas que possuem experiências na área da segurança há mais de 25 anos, distinguindo-se dos restantes players através da sua capacidade de construir soluções de segurança à medida das necessidades de cada cliente. O diretor, Joaquim Teixeira, destacou, em entrevista, a importância das soluções de prevenção de incêndio para edifícios industriais.
C
formado comercial e tecnicamente. Fazemos o estudo prévio e construímos a solução mediante o conhecimento que temos das necessidades do cliente. Temos soluções muito simples e outras mais complexas, que adaptamos às necessidades do cliente.
omo se destaca a “ON24H Alarmes”, em relação à concorrência e ao seu posicionamento no mercado? A “ON24H Alarmes” destaca-se no mercado pela ampla gama de soluções que tem. Temos uma vantagem em relação à concorrência, pois adaptamo-nos facilmente a esta exigência e às constantes mutações que a área da segurança eletrónica sofre. A “ON24H Alarmes” constrói as soluções à medida de cada cliente, nunca partindo de nenhuma solução pré-definida, que é o que a maioria das empresas desta área faz. Temos um nível de exigência e de satisfação dos clientes muito alto, porque as nossas soluções são adaptáveis a cada caso. Os clientes sentem-se mais seguros com este tipo de soluções.
Existem atualmente soluções que satisfazem todo o tipo de capacidades financeiras? Sim, as soluções evoluíram muito, tecnicamente, o que levou a um preço bastante acessível para todos. Podemos trabalhar com tecnologias de alta gama, quando os clientes assim o exigem, mas temos soluções mais simples, com uma tecnologia também ela evoluída e que permite ao cliente obter exatamente a proteção que precisa, por um valor mais baixo.
Como se processa todo o trabalho, quando um cliente vos procura? Esse trabalho é da responsabilidade do nosso departamento comercial, que tem pessoal
Que adaptações teve a “ON24H Alarmes” que levar a cabo para fazer face à Covid-19? Adotámos logo em março as medidas de saúde que a Direção-Geral da Saúde (DGS) aconselhou
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e todos os nossos trabalhadores cumpriram sempre todas essas indicações. Esta atitude transmitiu muita segurança aos nossos clientes, o que também nos assegurou a continuidade da atividade. A pandemia não influenciou de forma significativa a área da segurança? Este ano foi muito difícil, mas a área da segurança é uma das que não sofreu intensamente. Foi possível “ir trabalhando”, tendo sempre em consideração as medidas de segurança e prevenção, sobretudo porque o nosso target está direcionado para a área industrial. Essa foi a razão para ser possível continuarmos a trabalhar até hoje.
Que soluções disponibiliza? A “ON24H Alarmes” é conhecida por ter um mundo de soluções a nível de segurança. Somos especialistas em sistemas de segurança e não em
sistemas de alarme. Instalamos os sistemas de alarme convencionais sim, mas, além disso, estamos certificados em todas as áreas de segurança eletrónica desde a videovigilância, controlo de acessos e na segurança contra incêndios em edifícios, que é uma das áreas onde ainda há muito a fazer em Portugal. A videovigilância foi outra área que implementámos muito nesta fase da pandemia – sobretudo a deteção termográfica – que deteta a temperatura das pessoas, com as devidas autorizações legais. Depois, existem ainda as soluções de automatismos e controlo à distância. Diria então que falta sensibilizar os empresários para a importância da proteção contra incêndios? Quando falamos em segurança contra incêndios, existem equipamentos e procedimentos que a lei obriga a que sejam colocados, sob pena de, aquando de uma fiscalização, existir uma coima. Nos últimos anos, a sensibilização dos clientes para as necessidades de cumprir a legislação em
função da segurança contra incêndios é mais evidente, mas ainda não é suficiente. Por outro lado, temos ainda a questão da pouca fiscalização existente. A verdade é que, quando confrontamos um cliente com a necessidade de instalação de determinados equipamentos e procedimentos, este fá-lo apenas por obrigação e para evitar as coimas. Falta ainda o entendimento de que, numa situação de incêndio, o importante é mesmo prevenir, pois os custos da prevenção são muito inferiores aos de combate ou destruição. O que lhe parece que mudou, ao longo deste ano, sobretudo no que concerne a rotinas de trabalho? Esta pandemia veio trazer hábitos e adaptações que, sem dúvida, acredito que irão permanecer. Uma delas será o teletrabalho, que muitas empresas irão acabar por implementar, até porque poderá trazer menos custos às empresas, sobretudo no que respeita a infraestruturas. É
claro que isto traz uma adaptação diferente das pessoas às suas próprias residências. Assim, temos de pensar que a segurança já não passa por sistemas para proteger a casa enquanto as pessoas estão fora, mas sim por sistemas de proteção para proteger o exterior da casa, pois as pessoas estão agora muito mais tempo em casa. Já existem fabricantes a trabalhar intensivamente nas questões residenciais, sobretudo na questão da proteção do exterior da moradia. Outra grande aposta é a proteção a espaços industriais, que estão agora – frequentemente – sem ninguém, ou com muito menos pessoas durante o período de funcionamento. A “ON24H Alarmes” está já a preparar-se para estas novidades, pois evoluímos à medida que as novidades vão chegando. Gostamos de estar na vanguarda e só assim é que conseguimos acompanhar a evolução tecnológica e sobreviver economicamente.
Opinião
Dulce Forte General Manager of DSolutions Group, Direction at AESS and Direction at AIIE
A IMPORTÂNCIA DO AUTOINVESTIMENTO
H
á dias li uma história que terminava com este diálogo, a propósito da intervenção de um especialista numa empresa:
“- Como é que o senhor quer cobrar um montante destes por uma única martelada? - Meu amigo, pela martelada em si cobrei um valor muito baixo. O que cobrei verdadeiramente foi pelo saber do ponto exato no qual o golpe tinha de ser aplicado!”. Identifiquei nesta frase muito do que atualmente se passa com uma das atividades que desenvolvo há quase 30 anos: consultoria a empresas numa área específica de projetos. No dicionário, consultor é uma “pessoa qualificada que junto de uma empresa, dá pareceres e trata de assuntos técnicos da sua especialidade”. Para que essa especialização exista, o consultor investe “Tempo e Dinheiro” na sua formação constante, para que possa dar esses pareceres e ajudar as empresas a encontrarem soluções para os problemas que identificam nas suas organizações.
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Durante os quase 30 anos de carreira profissional, fui desenvolvendo uma especialização profissional como consultora, fruto das empresas onde trabalhei e nos últimos anos, através da minha própria empresa. Nestes anos tenho investido muito “Tempo e Dinheiro”, em formações, especializações, seminários, entre outras formas de me capacitar e aceder a mais e melhor conhecimento para apoiar os clientes que recorrem aos serviços da minha empresa. Este ano, e apesar da pandemia, consegui manter o registo de frequentar formação que me traga valor e diferenciação enquanto profissional e, consequentemente, à empresa que lidero e que é a minha imagem. Iniciei o ano com uma formação especializada em Barcelona (Zen Business) com um investimento financeiro bastante elevado, não só pelo caráter inovador e transformador da mesma, nas abordagem aos modelos de negócio, mas também pelas deslocações semanais a Barcelona durante um mês. Terminei precisamente uma semana antes de Portugal entrar em confinamento pelo que, posso dizer, que foi na hora certa! Conto organizar já no início de 2021 uma edição online deste curso, porque acredito que o que me transforma a mim também transformará os que me rodeiam.
Com todos os constrangimentos inerentes ao ano que está prestes a terminar, consegui ainda frequentar, e terminar com sucesso, uma formação de formadores em Literacia Financeira, em modo online, durante dois meses com uma intensidade e um grau de exigência bastante elevado, sobretudo ao nível das entidades avaliadoras. Esta formação permitir-me-á, em breve, transmitir conhecimentos ao nível de temas como crédito, mercado de capitais, seguros, entre outros, para micro e pequenos empresários através de programas específicos para o efeito. Como balanço de 2020 questiono a mim mesma se este investimento trará retorno. Se os clientes e potenciais clientes irão reconhecer o esforço que foi feito, porque na hora de apresentar propostas e pedir honorários o mesmo será refletido. Vive-se em Portugal uma realidade onde para ser consultor, de micro e pequenas empresas, além de nos ser pedida polivalência, é-nos quase imposto que sejamos “sócios” das empresas clientes, dos amigos e dos conhecidos. É assumir o risco do investimento em consultoria e não ter acesso ao lucro dos resultados obtidos com esse investimento, porque apenas somos reembolsados pelos nossos honorários. Exagero? Talvez! Nesta atividade, e ao longo dos anos, conheci vários modelos de remuneração: o “chave na mão”, ou seja, o consultor faz o projeto, recebe, termina o trabalho e às vezes até desaparece do mercado. O modelo misto de uma remuneração fixa quando se entrega o projeto e o restante quando
há uma aprovação. O modelo tripartido em que ao anterior acresce um fee de sucesso e finalmente a “estrela da companhia” dos últimos anos: o cliente só paga após aprovação. Esta última vertente tem sido prática corrente num mercado saturado de “consultores” de tudo e mais alguma coisa que, para ganharem um cliente / projeto, oferecem os seus serviços no pressuposto da aprovação e desvirtuam os profissionais de carreira que investem em si, na sua formação e no objetivo de levar mais e melhor conhecimento aos seus clientes, trazendo assim valor para as organizações onde intervém. Como profissional de formação, acredito que a mesma é um investimento e não um custo, por isso continuarei a manter um registo de autoinvestimento porque “se eu não me valorizar quem o irá fazer?”.
”Tempo é Dinheiro” livro de que sou co-autora em: https://bit.ly/38cqHL0
Festas Felizes
Opinião
QUE JANELAS SE FECHARAM E QUE JANELAS SE IRÃO ABRIR, NA BIOINDÚSTRIA?
Filipa Sacadura Secretária-Geral da P-BIO (Associação Portuguesa de Bioindústria)
No final de 2019, era difícil de imaginar um ano como o de 2020. De facto, a pandemia provocada pelo vírus Sars-CoV-2 veio provocar mudanças drásticas a todos os níveis e obrigou a que todos, de forma mais ou menos vincada, se tivessem de readaptar a uma nova realidade. As empresas de biotecnologia em Portugal não foram exceção, tendo, desde o momento em que foi decretada a pandemia pela OMS, tido um papel ativo na luta global contra a Covid-19. A partir de março de 2020, foram várias as empresas biotecnológicas nacionais que adaptaram os seus planos de investigação e desenvolvimento ou as suas linhas de produção para poderem ter um contributo ativo no diagnóstico de infetados, no desenvolvimento de novas terapias para o tratamento de doentes ou até mesmo no estudo e desenvolvimento da tão desejada vacina para a Covid-19. Outra das grandes mudanças de 2020 deu-se ao nível da perceção geral da importância da biotecnologia e das ciências da vida no dia a dia das pessoas. Se, no final de 2019, o conceito de biotecnologia era abstrato para a maioria das pessoas, em 2020 passou a fazer parte do léxico comum, havendo cada vez mais uma consciencialização da importância da biotecnologia e das ciências da vida para o futuro da nossa sociedade
e da necessidade de se apostar mais nesta área, de forma a podermos ser mais proativos na resposta a situações como a que vivemos. O grande desafio para o período pós-Covid-19 é conseguir que o sector da biotecnologia e ciências da vida seja considerado um setor estratégico nacional e que receba investimento e políticas que sejam favoráveis ao seu crescimento. Isto aplica-se não só à biotecnologia aplicada à saúde, de forma a termos capacidade para responder melhor e de forma mais atempada a futuras crises sanitárias, mas também à biotecnologia aplicada à bioeconomia, de forma a podermos ter um papel ativo na resposta à crise climática global que certamente marcará a agenda pública dos próximos anos, e mesmo décadas.
Por isso, é fundamental que Portugal se posicione desde já como um player na criação de soluções baseadas em conhecimento e de elevado valor acrescentado que visem responder a desafios globais, o que só será possível com uma forte aposta no setor da biotecnologia e das ciências da vida e no desenvolvimento de novos negócios nesta área. Será essa a missão da P-BIO para 2021.
www-p-bio.org
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
“OS EPISÓDIOS DEPRESSIVOS AUMENTARAM” A Clínica Navegantes, em Oeiras, dispõe de uma equipa clínica ligada à Psicologia e Pedopsiquiatria, que dá resposta aos problemas de saúde mental que afetam crianças e jovens. A psicóloga Sónia Serrão e a pedopsiquiatra Rita Teixeira esclarecem, em entrevista, como é possível identificar estes problemas e o que fazer para os resolver.
Sónia Serrão Psicóloga
A
s crianças e os jovens são particularmente dependentes da socialização – na escola e nos grupos de amigos. Como se pode ajudar os adolescentes e as crianças a enfrentar um período de maior escassez de socialização? Sónia Serrão (S.S.): No caso das crianças são evidentes as necessidades de brincar em grupo, a necessidade de interação social, de exploração do ambiente, a aprendizagem em contexto social e cooperativa, sendo que é precisamente no palco destas relações sociais que se desenvolvem competências diversas e comportamentos pró-sociais. Para os adolescentes e jovens, o distanciamento social tem grandes impactos, pois estamos a falar de uma fase da vida em que os pares assumem um papel essencial. A impossibilidade de desfrutar de festas, de assinalar marcos e datas importantes com os amigos, a restrição de atividades de lazer passaram a fazer parte deste “novo normal”. As famílias têm um papel valioso na promoção e manutenção das relações sociais das crianças e jovens. No caso das crianças, podem aumentar o tempo de brincar e atividades de lazer em família, permitir a interação com vizinhos e amigos criando uma espécie de “bolha”, atendendo às medidas de higiene e segurança necessárias.
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As redes sociais podem servir de ponte para permitir o relacionamento entre os jovens, a família e os amigos. Até que ponto, porém, estas podem ser fatores destrutivos da relação familiar pessoal e direta? (S.S.): Cada faixa etária tem uma relação distinta e um uso diferente das redes sociais e por isso quando falamos de família, falamos de diversidade. É, pois, essencial que se definam regras em conjunto relativamente ao uso das redes sociais, de forma a que se privilegie os momentos em família, as refeições, os serões. Quando as redes sociais assumem o lugar do diálogo em família, são usadas para substituir o sentimento de solidão que se sente em família, um refúgio, significa que algo não está bem. Como podem os pais reconhecer sinais de uma possível ansiedade ou início de depressão? (S.S.): Na ansiedade em crianças mais pequenas, devemos estar atentos a sinais como um mal estar excessivo sempre que se antecipa um período de afastamento e separação das figuras significativas, assim como maior irritabilidade e oposição. Na idade escolar, existe a ansiedade de desempenho, relacionada com o medo persistente e acentuado dos testes, por exemplo ou a ansiedade
generalizada, que inclui preocupações excessivas difíceis de controlar sobre aspetos da vida quotidiana. Na adolescência, os tipos de ansiedade anterior podem também ocorrer, assim como a ansiedade social, traduzida no desconforto nas interações sociais e evitamento e o medo da avaliação negativa dos outros. Em termos gerais, devemos estar atentos à existência de muitas preocupações que são aparentemente desproporcionais em relação à realidade, à existência de pensamentos: “ E se...?, Será que?”, que refletem antecipações e previsões negativas sobre o futuro, a procura frequente de tranquilização, a dificuldade de lidar com a incerteza, dificuldades de atenção e concentração. Pode ser também frequente a autocrítica excessiva, pensamentos intrusivos e marcados pelo pessimismo. A par destes sintomas, podem existir dores de barriga, cefaleias, tremores, sudorese e alterações do apetite e do sono, insónias iniciais e pesadelos. No caso da depressão, os sinais e sintomas mais frequentes e visíveis são a presença de um humor persistente depressivo ou irritável, alterações do sono e apetite, baixa tolerância à frustração e dificuldades de autonomia. A partir da idade escolar e na adolescência já surge a verbalização de sentimentos depressivos, a autocrítica, perda de energia e interesse em atividades, sentimento de inferioridade, pessimismo, culpa exacerbada e por vezes ideação suicida. Em casos em que a criança ou o jovem esteja deprimido, quais as ações recomendadas para ajudar a enfrentar a doença? Rita Teixeira (R.T.): Qualquer indivíduo diagnosticado com um episódio depressivo deve ser acompanhado em consultas de saúde mental. O diagnóstico deve ser realizado por um pedopsiquiatra, o qual em conjunto com os cuidadores e a criança, estabelece um projeto terapêutico que pode incluir intervenções no contexto, como a promoção de comportamentos saudáveis ou
intervenções na escola e acompanhamento psicoterapêutico. Frequentemente, e porque a depressão afeta não só o próprio, mas também os que o rodeiam, é importante que seja incluído no plano um espaço para que os cuidadores possam abordar as suas preocupações e angústias. Esta pandemia é um acontecimento que ficará registado nas mentes de todos. Que influência terá no comportamento e no desenvolvimento psicológico de cada um? (R.T.): Temos encontrado nas crianças e jovens marcado impacto nas rotinas do sono, particularmente no período de confinamento, com aumento do tempo de utilização de ecrãs. O isolamento dos núcleos familiares, bem como o distanciamento dos serviços de suporte à família, tem também contribuído para um agravamento de dinâmicas familiares disfuncionais. Do lado positivo, em contextos protetores, assistimos a um reforço das relações interpessoais com aumento das atividades de prazer e um maior envolvimento afetivo cuidadores-criança. Isto é particularmente verdade para as crianças mais pequenas, uma vez que os adolescentes estão numa fase de desenvolvimento em que o investimento relacional é realizado maioritariamente no grupo de pares. O que antecipa relativamente aos problemas de saúde mental, sobretudo depressão, nos jovens, no futuro a médio prazo? (R.T.): A incidência do diagnóstico de episódios depressivos em idade pediátrica tem vindo a aumentar. Este facto está provavelmente relacionado tanto com o aumento dos fatores de risco para o desenvolvimento de doença, como com a maior valorização de sintomas de sofrimento emocional nestas idades. No contexto actual, podemos prever que este aumento se mantenha.
www.clinicanavegantes.pt | Av. de Moçambique nº4 A, 2780-027 Oeiras | Tel: 214 412 533 | 967 664 862 | geral@clinicanavegantes.com 75
Opinião
Prof. Doutora Elvira Fortunato Vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa Diretora CENIMAT - Centro para a Pesquisa de Materiais Professora no Departamento de Ciências dos Materiais, na FCT, da UNL Foto: Tiago Miranda
ABRIRAM-SE JANELAS PARA UM FUTURO MAIS SUSTENTÁVEL! 76
O ano de 2020 foi sem sombra de dúvida um ano diferente e acima de tudo um ano para o qual não estávamos preparados. Não há dúvida que a pandemia Covid-19 foi o acontecimento do ano de 2020 pelas piores razões e tem sido um dos momentos mais marcantes das nossas vidas, pois provocou uma quebra brusca na rotina e nos nossos estilos de vida, nas nossas comunidades e nas nossas famílias. As populações do mundo inteiro foram afetadas e as ramificações deste desafio global à saúde terão implicações profundas que se repercutirão no nosso futuro e sobre as quais ainda pouco conhecemos. As políticas governamentais durante a pandemia Covid-19 alteraram drasticamente os padrões das necessidades de apoio à saúde e forma de nos podermos articular, afrontando, de forma drástica os conceitos de livre circulação a que nos habituamos e a prosperidade porque todos ambicionamos: a nossa liberdade também foi afetada e muitas portas foram fechadas. Esta crise de saúde revelou muitas injustiças, fraquezas sociais assim como um aumento das desigualdades. É muito difícil imaginar um retorno à vida como no passado, antes desta crise ocorrer. Ainda é muito cedo para dizer como vai ser o “novo normal”. Acreditamos fortemente no paradigma de um “país e uma Europa abertos ao mundo", e apoiamos a globalização como pilar fundamental para criar prosperidade e bem-estar, e, portanto, juntos devemos saber enfrentar os desafios futuros. No entanto, experimentamos logo no início da pandemia que as cadeias globais de valor podem ser facilmente interrompidas, pois a Europa estava demasiado dependente de outros países, coisa que foi em larga escala já superada. Contudo, a pandemia fez-nos repensar sobre a forma como queremos e devemos agir no futuro. Neste contexto, é prioritário que se concentrem investimentos e medidas de apoio à investigação e inovação, de forma a criarem-se e a se implementarem soluções robustas, capazes de transformar ameaças globais em oportunidades para empresas e cidadãos e, em particular, para a Portugal e para a Europa, onde nos inserimos. No "novo normal", os impactos sociais e económicos sobre os cidadãos devem ser considerados em todos os processos da cadeia de valor de desenvolvimento, que devem ser sustentados, de forma a definir o melhor caminho e estratégia a seguir, onde não devemos esquecer as lições aprendidas durante a crise. Entre outras mudanças, a ciência e a tecnologia devem ser redefinidas, devem estar mais próximos do cidadão, isto é, não é o cidadão que vem ter com a ciência, mas sim a ciência que tem de ir ter com o cidadão, de forma a que juntos sustentem as mudanças necessárias e reforcem sinergias, que impactem em todos e sirvam de base para a definição das
políticas públicas. Esta será a melhor forma de abordar o "novo normal". A sociedade, mais do que nunca nos exige que pensemos num modo de vida mais seguro, saudável e sustentável, sem limitações globais de recursos, mas sempre pensando na preservação ambiental. A crise pode e deve ser neste caso, o motor geracional de oportunidades para o futuro, criando mudanças duradouras, aproveitando para isso, os efeitos positivos catalíticos da crise, em torno do "Acordo Verde para a Europa", que combina aspetos ecológicos, sociais e económicos para a construção de um sistema de vida humano próspero de longo prazo, ou seja várias janelas estão-se a abrir, para uma prosperidade e bem-estar sustentados, que sirva os cidadãos. Qualquer tipo de desenvolvimento sustentável deve ser construído com base no desenvolvimento de materiais e tecnologias sustentáveis. Os materiais estão e fazem parte do nosso ecossistema e até dentro de nós! Esta estratégia não pode ser implementada sem levar em conta simultaneamente os três desafios interdependentes: • economia circular e relevância das localizações das fontes das cadeias de fornecimento de matérias primas, produtos e tecnologias; • saúde e proteção das pessoas contra outras pandemias, promover a agricultura e conter o desperdício alimentar; promover a energia eficiente e sustentável; reduzir a pegada do carbono e proteger o ambiente; • promover a vivência em comunidade, onde se deve atender às condições de trabalho, promover a segurança, as comunicações, os transportes eficientes e a educação pluri- e multi-disciplinares, e não a de guetos ou de ilhas isoladas. Para além disso, os nossos desenvolvimentos futuros serão fundamentados pelas novas capacidades oferecidas por técnicas digitais e de comunicação, que abrem os desafios da inteligência artificial, das tecnologias da indústria 4.0, ou da Internet das Coisas ou da Internet de Tudo, que trazem novas relações comportamentais e de ação ao mundo do trabalho e com isso implicações sociais, bem distintas das que até hoje mantivemos. É neste sentido que penso que os nossos grandes desafios terão a ver com o sabermos prevenir, que implica desenvolvermos ferramentas de diagnóstico inteligentes que sejam capazes de detectar e monitorar vírus e bactérias, de forma simples e eficiente; termos interfaces de comunicação, flexíveis e conformáveis, fáceis de reciclar e energeticamente autosustentáveis, o que significa desenvolvermos toda uma tecnologia que se baseie em métodos que usem materiais abundantes, fáceis de reciclar, impactando positivamente na chamada economia circular. Estes serão claramente alguns dos grandes desafios que a ciência e tecnologia terão de dar resposta assertiva. Se assim o fizermos, tenho a certeza que a janela que se abre será de grandes oportunidades para mudarmos para melhor e melhor sabermos satisfazer os desejos dos cidadãos que buscam um melhor conforto e bem estar.
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
DIGITALIZAÇÃO E MONITORIZAÇÃO REMOTA: SOLUÇÕES PARA A MEDICINA DO FUTURO Luís Lopes Pereira Diretor-geral
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A Medtronic é líder mundial em tecnologias da saúde, nas mais variadas áreas da Medicina. Durante a pandemia, a necessidade de recorrer à tecnologia e à digitalização de processos e monitorização de doentes abriu caminho para a complementaridade entre o saber humano e a capacidade técnica da tecnologia, como salientou o diretor-geral da empresa, Luís Lopes Pereira. O vosso tag – Let’s take Healthcare further, Together – transmite uma mensagem de futuro. 2020 desafiou todas as possibilidades e a união da comunidade médica e científica foi maior do que nunca. Como participou a Medtronic neste momento histórico? O nosso tag Further, Together, está alinhado com a nossa Missão, muito enraizada na cultura e no dia a dia dos trabalhadores em todo o Mundo: aliviar a dor, restabelecer a saúde e prolongar a vida. Em 2020 mantivemos o nosso enfoque em três prioridades: garantir a segurança dos nossos colaboradores, a disponibilidade das nossas tecnologias e a ajuda necessária às autoridades de saúde nacionais, hospitais e profissionais de saúde no combate a esta pandemia, traduzida através do donativo de materiais de proteção e do desenvolvimento e disponibilização de ferramentas que possibilitaram continuar a tratar os doentes não Covid-19. São conhecidos pela inovação e criação de tecnologia inovadora. Durante este ano, em particular, quais as maiores apostas e quais os avanços que destacaria no I&D de tecnologia para a saúde? O posicionamento da Medtronic enquanto líder mundial de tecnologias de saúde e motor de inovação nesta área manteve-se em 2020, com a introdução de diversas soluções disruptivas. Também acompanhámos a aceleração da viragem à era digital por parte do setor da saúde, onde demos preferência às soluções que conferem uma maior eficiência ao dia a dia clínico, aos dispositivos com capacidade de monitorização remota, que empoderam os doentes e possibilitam a continuidade dos seus tratamentos, diminuindo o afluxo aos hospitais e à medicina de precisão, num contexto de constante melhoria da eficácia terapêutica. O futuro da Medicina passa por uma complementaridade entre tecnologia e saber humano? Essa tendência é cada vez mais real e vai-se concretizando na inovação que é introduzida neste mercado. A digitalização, a medicina de precisão e a robótica vêm simplesmente tornar mais importante o conhecimento humano e reduzir a margem de erro clínica. Não se trata de substituir o médico por máquinas, mas sim complementar o seu papel e conhecimento clínico com equipamentos e dispositivos que auxiliam o seu trabalho, reduzindo etapas no tratamento dos doentes e conferindo um melhor e mais rápido resultado em saúde. O Home Healthcare é visto como uma aposta, em determinadas situações, sobretudo para aliviar os hospitais e centros de cuidados de
saúde da pressão de receber e manter doentes internados que poderiam ser monitorizados a partir de casa, inclusivamente com a participação ativa do doente nesse processo. A Medtronic revê-se nesta ideia? Penso que a digitalização e a introdução de soluções remotas são já uma realidade que se vai generalizar num futuro muito próximo. Obviamente que a adoção destas soluções de monitorização remota foi acelerada por este contexto de pandemia, notando-se uma revalorização desse segmento por parte dos “late adopters”. A Medtronic é pioneira neste caminho, aliás a digitalização e monitorização remota já fazem parte das nossas soluções tecnológicas há muitos anos e irão cada vez estar mais presentes. Estas soluções são neste momento inevitáveis pois constituem uma forma de oferecer mais agilidade às equipas clínicas, de modo a diminuir as entradas evitáveis nas urgências e minimizar o crescimento das listas de espera para consultas de especialidade. Mas os grandes beneficiários destas soluções são os doentes que não podem esperar para serem tratados. Que mudanças e adaptações foram necessárias efetuar ao longo do ano, em virtude da pandemia? Como se adaptou a Medtronic a essas novas necessidades? Os colaboradores dos nossos escritórios, desde sempre devidamente equipados, puderam passar a trabalhar a partir de casa e os colegas que nunca deixaram de ir aos hospitais estavam munidos do material de proteção necessário para poderem continuar a sua função, altamente qualificada, ajudando os profissionais de saúde a tratar os seus doentes. Como empresa de tecnologia, apostámos desde sempre em soluções digitais que facilitavam o trabalho interno e externo. Internamente a comunicação fluiu normalmente e adaptámo-nos a novas regras e processos de via remota. No que respeita ao trabalho externo, temos sempre apostado em soluções digitais que facilitam a nossa interação com os profissionais de saúde, quer na informação tecnológica quer na formação médica, bem como em tecnologias que permitem a monitorização de doentes à distância. Quais os desafios que o ano 2020 colocou que se transformaram em oportunidades e poderão transformar-se, a partir de agora, em situações definitivas, aceites e integradas, socialmente? Poderá o teletrabalho ser um desses exemplos? Na nossa perspetiva as maiores oportunidades de negócio criadas prendem-se com o desenvolvimento de novas áreas capazes de apresentar soluções e projetos inovadores, passíveis de ajudar a manter a
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2020: janelas que se fecham e janelas que se abrem
atividade médica/cirúrgica de doentes independentemente de estarem ou não infetados com Covid. A solução de teletrabalho depende da relação da contratação entre o empregador e o colaborador, permitida por tecnologia digital já disponível há muito tempo. É cedo para avaliarmos se a pandemia virá trazer no futuro uma alteração nas relações de trabalho existentes, mas creio que a telemedicina, sendo bem implementada e em associação com soluções de monitorização remota e interligação com smartphones, poderá vir a ser uma solução de futuro não apenas em contexto de pandemia, mas para reduzir as listas de espera já crónicas do SNS. Que análise faz da evolução tecnológica, ligada à saúde, ao longo dos anos, mas sobretudo neste 2020, onde a necessidade obrigou à união de esforços por todo o mundo? O ano de 2020 obrigou a uma aceleração na viragem à era do digital, à introdução da
monitorização remota, ao incentivo ao empoderamento dos doentes no controlo e gestão da sua doença. E as soluções encontradas para fazer face ao contexto de pandemia podem claramente, num futuro próximo, servir para dar resposta a outros desafios que já referi como a redução das listas de espera para consultas e cirurgias. Como se posiciona a Medtronic para o ano de 2021? Existem projetos em desenvolvimento que possa desvendar? Como antevê o futuro do setor, a médio prazo? Esta pandemia fez acelerar a necessidade de desenvolver ferramentas e projetos que sigam esta linha de orientação já mencionada de telemedicina e monitorização remota. A inovação e a tecnologia não podem ser avaliadas apenas pelo seu custo inicial, há aspetos a serem valorizados a jusante e a montante nos processos de diagnóstico e de terapia. Torna-se urgente haver capacidade de análise para avaliar se o investimento em inovação
tem um turnover positivo. A forma de avaliar esse investimento tem de ter em conta o resultado clínico. No âmbito da pandemia por Covid-19, a Medtronic adaptou e disponibilizou gratuitamente aos hospitais, durante o estado de emergência e calamidade, uma solução para seguimento remoto de doentes em isolamento domiciliário, que incluía uma app para o doente e um dashboard para os profissionais de saúde. E o facto de ser considerada extremamente útil é que esta solução está a ser analisada neste momento por alguns hospitais. Uma das áreas de aposta da Medtronic, através do departamento de IHS (Integrated Health Solutions), é a introdução no mercado nacional de soluções digitais de suporte à monitorização e acompanhamento remoto de doentes em diversas patologias, e que visam simultaneamente ajudar o Sistema Nacional de Saúde a ser mais eficiente, mais centrado no utente e com melhores resultados clínicos.