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Boletim UISG 175/2021

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Apresentação

TESTEMUNHOS DE VIDA CONSAGRADA À LUZ DE "FRATELLI TUTTI"

BOLETÍM UISG

NÚMERO 175, 2021

APRESENTAÇÃO

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FORMAÇÃO PARA A VIDA RELIGIOSA. CONSTRUIR SOBRE O ESSENCIAL

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Ir. Michelle de Silva, SMSM OS DESAFIOS ATUAIS DA COMUNIDADE ECLESIAL À LUZ DA ENCÍCLICA “FRATELLI TUTTI”

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SOMOS “FRATELLI TUTTI”. CARTA DA COMUNIDADE DA UISG DE LAMPEDUSA. Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca , Ir. Paola

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DIÁLOGO EM TEMPOS DE VIOLÊNCIA: UMA LEITURA DA FRATERNIDADE HUMANA ENTRE AS PESSOAS P. Christophe Roucou

22

TESTEMUNHO DE VIDA À LUZ DA VISITA DO PAPA FRANCISCO AO IRAQUE Ir. Hayat elkass Mussa

31

A INSPIRAÇÃO DE SÃO FRANCISCO NA ENCÍCLICA "FRATELLI TUTTI" Ir.Sheila Kinsey, FCJM

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PACTO EDUCACIONAL GLOBAL: DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES E DIRETRIZES PARA AÇÃO Comissão de Educação UISG-USG

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A VIDA DA UISG

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PESSOAL DA UISG

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UISG - Boletím Número 175 - 2021

P. Fabio Baggio, C.S.

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Apresentação

APRESENTAÇÃO

Testemunhos de vida consagrada à luz de “Fratelli Tutti” O conteúdo deste número do Boletim já está bem descrito no título. Oferecemos a vocês os testemunhos de vida consagrada à luz de “Fratelli Tutti”. São exemplos inspiradores de fraternidade e sororidade vividos em diferentes formas e lugares, de acordo com contextos e situações, mas unidos pelo desejo de construir um mundo mais justo, mais respeitoso da dignidade de cada pessoa, no qual possamos viver juntos como irmãos e irmãs. Ir. Michelle de Silva, SMSM Formação para a Vida Religiosa - Construir sobre o Essencial Já se foi o tempo em que nos considerávamos necessariamente líderes de grupos e iniciadoras de projetos, nossa tarefa hoje é ser como Jesus no caminho de Emaús. Devemos ser formadas para acompanhar as questões complexas da vida, compartilhar nossas experiências de vida, ficar e partir o pão com o povo e depois desaparecer para que seja Jesus quem permaneça.

UISG - Boletím Número 175 - 2021

P. Fabio Baggio C.S. Os desafios atuais da comunidade eclesial à luz da Encíclica “Fratelli tutti” O encontro com o outro constitui uma dimensão essencial da existência humana; a qualidade das relações humanas determina o processo de crescimento e a conquista da felicidade para cada pessoa. “Os outros são constitutivamente necessários para a construção de uma vida plena” (FT, 150). O ser humano acrescenta o Santo Padre – “não chega a reconhecer completamente a sua própria verdade, senão no encontro com os outros” (FT, 87).

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Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca e Ir. Paola Somos “fratelli tutti”. Carta da Comunidade da UISG de Lampedusa “Estamos aqui no lugar dos parentes e amigos desses mortos no mar, estamos aqui no lugar de todos aqueles que têm o direito de exigir justiça por uma morte absurda, estamos aqui para denunciar a falta de humanidade das leis e políticas que condenam o ser humano à morte “… Esta foi a expressão de um membro do Fórum no funeral de Yussuf, que tinha apenas seis meses de idade quando o bote virou e ele escapou dos braços de sua jovem mãe.


Apresentação

P. Christophe Roucou Diálogo em tempos de violência: uma leitura da Fraternidade Humana entre as pessoas Entre os obstáculos ao diálogo entre muçulmanos e cristãos, pode estar o olhar sobre o outro proposto ou, às vezes, imposto sobre o outro que é diferente de mim pela cultura, origem ou religião. O dizer “fora da Igreja não há salvação” levou a ignorar o outro e até convertê-lo a todo custo para que pudesse ser salvo. Que teologias da salvação e da Igreja são propostas, ensinadas, difundidas entre cristãos e muçulmanos, hoje? Ir. Hayat elkass Mussa Testemunho de vida à luz da visita do Papa Francisco ao Iraque, especialmente a Qaraqosh Senti que o Espírito do Senhor mais uma vez se agitou sobre meu povo sofrido e dilacerado para ser plenificado por um novo espírito, o Espírito de Paz e solidariedade e da cidadania real. E senti que seu lenço branco era como uma pomba envolvendo o Iraque em plena presença de paz e tranquilidade, e sua bênção paternal concedida ao povo era como uma pomada que cura nossas dores e feridas.

A Comissão de Educação UISG-USG Pacto Educacional Global: Declaração de intenções e diretrizes para ação Estamos vivendo a grande profecia do Pacto Global pela Educação, fundado no amor universal e na fraternidade, que coloca a pessoa no centro. Trabalhamos em rede para reunir habilidades e talentos deliberativos num caminho comum que juntos trilhamos. Capacitamos a pessoa, reconhecemos e valorizamos a sua voz, diferente e plural, aberta às diferenças, que se enriquece humana e espiritualmente.

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Ir. Sheila Kinsey, FCJM A inspiração de São Francisco na Encíclica “Fratelli Tutti” Devemos abraçar os isolados e acolhê-los como pertencentes à nossa casa comum, assim como São Francisco abraçou o leproso (2Cel 9) e percebeu, depois de pensar, que havia beijado o rosto de Cristo. Não se tratou apenas de um evento, mas de um processo de aprendizagem para acompanhar, cuidar e apoiar os membros mais fragilizados e vulneráveis (FT 64).

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Ir. Michelle de Silva, SMSM

Formação para a Vida Religiosa

FORMAÇÃO PARA A VIDA RELIGIOSA. CONSTRUIR SOBRE O ESSENCIAL Ir. Michelle de Silva, SMSM Irmã Michelle de Silva é Irmã Marianista da Sociedade de Maria, de Tobago. Ela foi Formadora no Peru e na Colômbia desde 2007 e foi nomeada Mestra de Noviças para sua congregação em Boston.

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Original em Inglês

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Desde o Vaticano II, tem havido muita consternação e conjecturas sobre a Vida Religiosa. A conversa tem girado em torno de sua identidade na Igreja e no mundo e as opiniões propostas para reencontrar, reformar e renovar são tão numerosas quanto as famílias carismáticas que compõem essa forma de vida. Mas, como um sábio disse certa vez, a única constante na vida é a mudança, então por que ter medo? Atualmente, estamos no meio de uma pandemia que criou outra mudança sísmica na vida como a conhecemos e a vida religiosa está sendo novamente desafiada a se situar neste novo panorama. Acredito que a formação para a vida religiosa - inicial e contínua - deve enfocar os fundamentos imutáveis dessa forma de vida. A formação deve centrar-se no que é ordinário e extraordinário desta forma de vida, na base deste estilo de vida que está crescendo na intimidade com Deus, através do aprofundamento de nosso compromisso batismal com a profissão pública dos votos que testemunham esta relação. Esta intimidade com Deus nos leva a olhar o mundo de maneira diferente e nos impulsiona a uma participação ativa na missão salvífica de Jesus, para que ninguém se perca. 1

Uma vida ordinária que é extraordinária Em grande parte da literatura sobre vida religiosa, as palavras profecia e radical são frequentemente usadas para descrever esta forma de vida e o Papa João Paulo II a chamou de um dom para a Igreja e para o mundo. Tem havido muita discussão sobre o que torna esta forma de vida extraordinária, já que nos anos anteriores ao Vaticano II ela era vista como um caminho superior à santidade, uma classe subordinada ao clero, mas superior aos leigos. Porém, esta distinção foi removida com a declaração dos Padres do Concílio afirmando que todas as pessoas são chamadas à santidade. Os resultados foram o abandono de algumas


atividades tradicionais e o uso de hábitos religiosos distintos, mas o mais óbvio foi o grande número de saídas e o pequeno número de ingressos. Hoje, enquanto algumas pessoas tentam recuperar o “extraordinário” da vida religiosa, talvez o verdadeiro convite seja o de recuperar o ordinário desta vida que nasceu entre as primeiras comunidades cristãs na forma de virgens consagradas. Essas mulheres viviam vidas muito comuns em seus bairros e cidades, mas eram vistas como extraordinárias porque testemunhavam uma resposta ao chamado de Deus para a santidade e ao relacionamento, dada de todo o coração, que transformou a maneira como viviam e o que faziam.

Ir. Michelle de Silva, SMSM

Formação para a Vida Religiosa

A sugestão do Pe. John Markey de que a nossa Cristologia está refletida no que acreditamos e no que fazemos em nome de Jesus é um caminho importante para explorar em todos os níveis de nossos programas de formação. Por meio do uso de personagens fictícios do Super Homem e da Bela, 5 ele nos convida a considerar que muitas vezes criamos nossa própria imagem de Cristo para que se adeque à nossa semelhança. Durante esta pandemia, houve muitas respostas de pessoas de fé, mas duas vêm à mente que podem lançar luz sobre o ponto acima. Para alguns, Jesus é um “Super Homem” reconhecido como poder, milagre e que remove todos os nossos problemas sem que tenhamos que levantar um dedo. Quando a ordem de distanciamento social foi emitida pela primeira vez pelos governadores para conter a disseminação da Covid-19, Tony Spell, da Louisiana, era apenas um dos pastores cristãos que continuaram a desafiar as instruções de saúde. Ele acreditava que se alguém em sua igreja contraísse o vírus, Jesus o curaria. 6 O Super Homem, Jesus, é de outro mundo, não está sujeito aos elementos ou limitações da condição humana, este é o Jesus que se senta à direita de Deus no poder e ele nos resgatará até de nós mesmos.

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As narrativas sobre os chamdos nas Escrituras oferecem um plano para o discernimento vocacional. Os patriarcas, profetas e mesmo os discípulos homens e mulheres escolhidos por Jesus, experimentam este chamado cuja iniciativa é de Deus. Os ouvintes respondem entrando em um relacionamento com Deus, mas ao contrário de outros seguidores, esse relacionamento é aquele que toma conta de toda a vida da pessoa, desenraizando-a do status quo de sua sociedade, fazendo com que pareçam estranhos para seus próprios parentes. Nas palavras de Jeremias, “Senhor, você me seduziu e eu me deixei seduzir” 2 está o cerne da vocação para a vida religiosa. É uma sedução espiritual inegável em que Deus convida algumas de nós a viver nosso discipulado cristão como “eunucos, Ainda que pouco se saiba sobre as primeiras eunucas por causa do Reino”. 3 virgens cristãs, exceto os relatos da vida de mártires como Santa Cecília e Santa Luzia, a radicalidade de sua escolha foi o sacrifício da proteção a elas concedida pelo casamento e pelos filhos em suas sociedades patriarcais. Mulheres como elas deram testemunho profético de sua crença na ressurreição dos mortos, quando ninguém se casaria, mas seria como os anjos 4, o que lhes deu a coragem de abraçar a morte por sua fé. Portanto, o alicerce da formação da vida religiosa deve começar com quem é Jesus Cristo para nós? Seguimos a Ele ou a uma caricatura que criamos?

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Formação para a Vida Religiosa

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Esse pensamento é endêmico não apenas entre os protestantes, mas também entre os católicos romanos. Este Jesus todo-poderoso foi manifestado na maneira como nossa Igreja conduz a missão ad gentes. No passado, os missionários, predominantemente do Primeiro Mundo, iam para as nações do globo Sul, muitos na cola dos colonizadores. Com status privilegiado em virtude da nacionalidade e da raça, eles imaginaram um Jesus que resolvia os problemas de desenvolvimento das nações com poucos juros pagos às culturas e tradições do povo. O “Super Homem”, Jesus, não precisava de ninguém, e os missionários do Primeiro Mundo, que tinham acesso ao apoio financeiro e político aparentemente “inesgotáveis”, foram capazes de ditar às pessoas e aos seus governos locais não apenas o que deveria ser feito, mas como ser feito. Esperava-se que os nacionais que se juntassem às suas fileiras adotassem seu estilo de vida até mesmo com as casas mais simples construídas para atender aos gostos do Primeiro Mundo. Portanto, o Cristo encontrado foi um do poder expresso como o acesso ao ensino superior, aos recursos financeiros e a mobilidade social ascendente, muito diferente do pobre Deus-homem de Nazaré. O Pe. Markey opôs-se ao alienígena todo-poderoso com uma camponesa, a Bela, do filme “A Bela e a Fera”, talvez a figura semelhante a de Cristo que é mais próxima dos homens e mulheres fundadores da maioria das congregações religiosas. Bela vive uma vida comum em sua aldeia, mas é extraordinária por causa da maneira como ela vive sua vida. Ela tem gostos simples e se preocupa com o bemestar dos outros, mas porque ela não segue a multidão, ela é grosseiramente mal compreendida pelos vizinhos. A imprudência de seu pai a força a entrar numa situação hostil que ela transforma ao oferecer amor em face do ódio e da hostilidade. Ela não é para nós a imagem do chamado do discípulo para ter a mesma mentalidade de Cristo, envolvendo o mundo por meio do despojamento de sim mesmo? 7 Jesus Cristo entra totalmente na realidade humana, não como um transitório solucionador de problemas, mas como um companheiro de viagem. Ao armar sua tenda com o povo de Nazaré, 8 ele compartilhou a sorte dos anawim de Israel não de uma distância cuidadosa, mas no coração, no cerne de suas vidas. Em contraste com o pastor Spell está o papa Francisco, que não apenas adotou as diretrizes de saúde, mas o fez porque Jesus nos acompanha na tempestade. Escolhendo o relato de Marcos sobre os discípulos no mar tempestuoso com Jesus adormecido ao leme, em sua bênção Urbi et Orbi, o Papa ofereceu conforto mesmo quando nos chamou à conversão, para deixar para trás agendas sócio-políticas que prejudicam o ambiente natural e a humanidade. 9 As pessoas que hoje ingressam na vida religiosa, vindas predominantemente do Terceiro Mundo, que tem pouco poder econômico e político no cenário mundial, nos oferecem a oportunidade de reencontrar o Deus-homem da Galiléia que foi exaltado pelo Pai por causa de sua humildade. O que isso significa para uma pessoa cuja experiência de vida religiosa é de classismo e racismo? Como conciliar a percepção e, em alguns casos, a expectativa de mobilidade social ascendente de algumas vocacionadas e suas famílias? Desde o primeiro contato, é preciso haver transparência com os indagadores dos sistemas de valores nos quais esta vida está


Simon Pedro Arnold, OSB, em seu discurso à CONFER por ocasião do seu 50º aniversário, contrastou nosso estilo de vida com o de nossos ancestrais espirituais. Falando dos Pais e Mães do Deserto, Arnold observou que seu movimento para o deserto foi uma ruptura profética, uma ruptura com a cristandade com seus sistemas sociais injustos e um protesto contra a cumplicidade da Igreja na época. Acrescentou que na era pós-Vaticano II, enquanto abraçávamos o mundo, o que era correto porque fomos feitos para estar no mundo, mas não ser do mundo, acabamos fazendo do mundo e não de Cristo nosso ponto de referência. Embora nossas atividades apostólicas externas com a opção pelos pobres sejam louváveis, internamente temos absorvido muito dos valores culturais do mundo. Ele perguntou: “que diferença há entre nossos valores vividos e os do mundo?” 10 As constituições das SMSM, falando da formação, descrevem-na como um caminho de fé, onde confrontamos nossas vidas com o Evangelho, um apelo à conversão contínua que nos ajuda a ser “doadas com alegria a Deus pelo Reino no espírito de Maria”. 11 As formadoras e as comunidades locais têm a responsabilidade de orientar o futuro e só podemos oferecer o que vivemos, não o que dizemos de nós. Devemos plasmar a disciplina e os sacrifícios necessários para crescer num relacionamento íntimo de amor com Deus, o que envolve encontrar um equilíbrio apropriado entre oração e trabalho. Só podemos tornar-nos semelhantes a Cristo reservando tempo para dialogar com o Mestre, para nos sentarmos a seus pés, como Maria, no silêncio e na solidão, para fazermos nossos os seus valores. José Rodriguez Carballo apóia isso ao chamar as comunidades a se tornarem escolas de oração e de partilha da fé que encorajam o reconhecimento da vulnerabilidade diante de Deus e de uns aos outros, de umas às outras, enquanto caminhamos para a plenitude do Reino. 12 Além disso, deve-se prestar muita atenção à maneira como a mídia eletrônica e a impressa influencia nossas escolhas, nosso ativismo doentio que leva algumas pessoas a “relaxar” usando a televisão, a internet e agora as redes sociais. Meios que, sutilmente, nos leva ao consumismo, ao individualismo e pode nos entorpecer das verdades inconvenientes ao nosso redor. 13

Para que nada se perca.14 A profissão pública dos votos religiosos é uma expressão concreta da resposta da pessoa ao convite de Deus ao relacionamento e à participação na missão salvífica de Jesus que, embora extraordinária em si mesma, cria deveres pelos quais a Igreja e a sociedade nos responsabilizam. Os votos devem ser assimilados pelas pessoas que os professam e porque a fé é experimentada e compreendida culturalmente. É preciso prestar atenção ao poder da cultura para a compreensão e a vivência da castidade, pobreza e obediência, porque não pode haver negociação com a natureza sacrificial de vida religiosa. A atual pandemia revelou as desigualdades sociais que, especialmente no Primeiro Mundo, foram

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enraizada, o da kenosis ao invés da aquisição e isso nos desafia já na vida para nos examinarmos. Quais são os sistemas de valores sobre os quais construímos nossas próprias vidas?

Ir. Michelle de Silva, SMSM

Formação para a Vida Religiosa

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Ir. Michelle de Silva, SMSM

Formação para a Vida Religiosa

ocultadas e, para as religiosas, aqui questiona nossa localização social. Durante esta pandemia, experimentei a ‘inconsolabilidade consciente’15 enquanto ouvia as notícias de demissões, fome e doença da minha casa confortável nos subúrbios com sua despensa cheia e espaço suficiente para o distanciamento social, e como nunca antes, aceitei que minha congregação e eu somos involuntariamente cúmplices neste ciclo de injustiça. A vida comunitária nos proporciona certos confortos, mas as religiosas eram predestinadas a fazer parte da classe média da sociedade? O que a Igreja e a sociedade esperam de nós?

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Em sua apresentação aos religiosos e religiosas da CONFER, Arnold comparou nossa abordagem ao serviço apostólico como “bombeiros/bombeiras” correndo de um lado para outro para apagar o fogo dos males da sociedade. Sua crítica, porém, foi que prestamos pouca atenção em localizar e confrontar aqueles que estavam causando esses incêndios. Ele então acrescentou que a solução de problemas é impossível em face de problemas cada vez mais complexos e que nosso crescente desespero e frustração se manifestam em comportamentos disfuncionais em nossas vidas pessoais e comunidades. Como o insight do Pe. Markey sobre Jesus que se insere na realidade quebrada e catalisa a transformação, Arnold convidou seu público a se tornar parte do drama da vida entrando no fogo. Ele usou a analogia da varanda para descrever uma forma de serviço que é “autorreferencial” e Arnold convida os religiosos e as religiosas, hoje, a abraçar a ambiguidade do mundo, não respondendo a perguntas, mas acompanhando-as. Somos lembrados, lembradas de que a atividade apostólica é uma resposta gerada pelo tempo gasto em contemplação e oração para tornar nosso o caminho de Jesus.

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Jesus não é auto-suficiente, nos Evangelhos, mas ele usou o que as pessoas já tinham (cinco pães e dois peixes) ou os chamou para serem protagonistas de sua própria transformação (pegue sua cama e ande). O declínio contínuo no número de membros ativos e a assistência financeira para nossos projetos revelarão que nós, religiosos e as religiosas, dependemos mais e mais de nossos parceiros leigos e das pessoas a quem servimos. A função dos religiosos e religiosas, desde o tempo das virgens consagradas, é configurar um mundo alternativo enraizado no exemplo de Cristo Ressuscitado que se faz dom na ordinariedade da vida. Arnold sugere que os religiosos e religiosas são chamados (as) hoje para ser escolas de discipulado, onde os membros, como os Pais e Mães do Deserto, se tornam mentores pela partilha da experiência. Ele pediu um ‘retorno à Galileia’ – à espontaneidade e à vulnerabilidade de nossos primórdios, ‘para partir para Jerusalém’ - para expor as feridas do mundo para a cura por meio da esperança e do amor cristão e ‘para ir a Roma’ - engajando-se com o mundo além do Cristianismo, abraçando a interculturalidade e tornando a fé relevante para aqueles que a ouvem pela primeira vez, o que pode incluir aqueles já batizados. A vida religiosa, como nossos membros fundadores, é mais uma questão de presença do que de projetos. Ter classificado as religiosas como trabalhadoras não essenciais deu à minha comunidade local tempo para oração e estudo das Escrituras. Com tantas atividades religiosas transmitidas pela televisão e ao vivo, começamos a questionar nossa dependência e excessiva complacência com a


mídia eletrônica. Mas, o mais importante, começamos a ter conversas difíceis sobre nossas vidas juntas e sobre nossa marca na sociedade, para onde estamos sendo chamadas agora? A missão de Jesus recebida do Pai era que “ninguém deveria se perder” e devemos discernir como servir tanto para as pessoas no fogo quanto àquelas que atearam o fogo. Em nossos programas de formação, deve ser dada atenção cuidadosa aos ensinamentos sociais da Igreja e a “fazer conexões” 16 indo além de nossas paróquias suburbanas para colaborar com organizações sociais e culturais que trabalham para o bem comum. Já se foi o tempo em que nos considerávamos necessariamente líderes de grupos e iniciadoras de projetos, nossa tarefa hoje é ser como Jesus no caminho de Emaús. Devemos ser formadas para acompanhar as questões complexas da vida, compartilhar nossas experiências de vida, ficar e partir o pão com o povo e depois desaparecer para que seja Jesus quem permaneça.

Ir. Michelle de Silva, SMSM

Formação para a Vida Religiosa

O relato de Lucas sobre o encontro entre Filipe e o eunuco etíope na estrada do deserto 17 fala do papel dos formadores e formadoras no crescimento da compreensão dos membros desta forma de vida chamada vida religiosa. Primeiro, Deus através de seu anjo, chama e envia Filipe ao deserto. É importante que as pessoas chamadas a ser formadoras reconheçam que sua função é um chamado e uma comissão de Deus. Porque a vida religiosa é sobre relacionamento com Deus que então apoia a associação congregacional, a formadora, precisa cultivar uma vida de oração e de estudo para sua própria vida. ‘Quem você diz que eu sou’ continua sendo uma pergunta necessária guiando suas próprias vidas, pois é Jesus e não a si mesmas que devem proclamar. Em segundo lugar, as formadoras são chamadas a “entrar no deserto”, este território desconhecido que, apesar dos perigos, é um solo sagrado porque Deus pode ser encontrado lá. No acompanhamento, a formadora deve pisar com cuidado no solo sagrado que é a vida de suas formandas e de seus próprios corações. Onde está Deus? O acompanhamento é espaço sagrado e a formadora deve criar um clima de confiança para ser acolhida no mistério da outra pessoa. Não é um direito, mas sim um privilégio no processo de formação. Em terceiro lugar, a formadora deve estar aberta para a pessoa onde ela está em seu caminho de fé, não onde ela acredita que a pessoa deveria estar. Em vez de professoras, as formadoras são chamadas a ser mentoras, ajudando as pessoas em formação a se tornarem cientes da presença e ação de Jesus em suas vidas. Precisam enfatizar o uso das Sagradas Escrituras e das constituições de seu instituto como o cânone para suas vidas, ao invés de pessoas que sempre falharão. Finalmente, as formadoras devem saber quando ‘desaparecer’; chega um momento em que seu papel termina, mas quando esse tempo chegar, elas devem estar satisfeitas por terem ajudado as pessoas em formação a cultivar um estilo de vida que lhes permite estar atentas à voz de Deus e se tornarem mentoras para as outras pessoas.

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O papel dos formadores: Filipe

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Ir. Michelle de Silva, SMSM

Formação para a Vida Religiosa

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1

Cf João 6,39

2

Jeremias 20,7 NRSV

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Mateus 19:12

4

Mateus 22:30

5

Protagonista de A Bela e a Fera

6

https://www.nbcnews.com/news/us-news/louisiana-pastor-charged-defying-coronavirus-orderagainst-large-gatherings-n1173246 Accessado em 27 de Abril de 2020

3

Mateus 19,12

4

Mateus 22,30

5

Protagonista de a Bela sea Fera

6

https://www.nbcnews.com/news/us-news/louisiana-pastor-charged-defying-coronavirus-orderagainst-large-gatherings-n1173246 Accessed April 27, 2020

7

Cf. Filipenses 2, 5-ff

8

Cf. João 1,14

9

https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2020-03/urbi-et-orbi-pope-coronavirus-prayerblessing.html Accessado em 27 de abril, 2020

10

Conferencia das Religiosas e dos Religiosos do Perú - CONFER https://www.youtube.com/ watch?v=cOKflbkGmHY Acessado em 27 de abril de 2020

11

SMSM Constituições - Artigos 192-194

12

Rodriguez Carballo, Jose, “Formação para a Vida Consagrada num período de mudança.”

13

Formar para um Estilo de Vida Profético no e para além do tempo, 2007

14

João 6,39

15

Penned by Dorothee Soelle quoted in “Formar para um Estilo de Vida Profético no e para além do tempo, 2007

16

15th Congresso Nacional 2007, “Formar para um Estilo de Vida no e para além do tempo.

17

Cf. Acts 8,26-39


P. Fabio Baggio, C.S.

P. Fabio Baggio, C.S.

Os desafios atuais da comunidade eclesial...

OS DESAFIOS ATUAIS DA COMUNIDADE ECLESIAL À LUZ DA ENCÍCLICA “FRATELLI TUTTI”

O P. Fabio Baggio é um sacerdote missionário da congregação dos Scalabrinianos. Obteve um bacharelato em Teologia e a licenciatura e o doutoramento em História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana. Nos seus primeiros anos de atividade apostólica, o P. Baggio foi consultor para as migrações da Conferência Episcopal do Chile e diretor do Departamento para as Migrações da Arquidiocese de Buenos Aires. Foi docente de diversas universidades na Europa, América Latina e Ásia. De 2002 a 2010, foi diretor do Centro Scalabriniano para as Migrações (SMC) em Quezon City (Filipinas) e editor do “Asian and Pacific Migration Journal” (Revista para as Migrações da Ásia e Pacífico). Em 2010, foi nomeado diretor do Instituto Internacional Scalabriniano para as Migrações (SIMI), incorporado na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. É, desde 1 de janeiro de 2017, Subsecretário da Secção para os Migrantes e Refugiados do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral. (www.migrants-refugees.va).

Como afirma o próprio título da Encíclica, “Fratelli tutti” é um documento sobre a fraternidade e a amizade social, um binómio, atrevo-me a dizer, sem precedentes no panorama do Magistério Universal. O Santo Padre, a partir do seu observatório privilegiado, lê a realidade do mundo contemporâneo, destacando uma série de tendências que “dificultam o desenvolvimento da fraternidade universal” (FT, 9). Estas apresentam-se como desafios comuns, que interpelam as comunidades eclesiais. O Santo Padre refere-se à dramática destruição dos sonhos de unidade, à carência de um projeto para todos os seres humanos, à flagrante ausência de um caminho comum nos processos de globalização e desenvolvimento, à violação sistemática dos direitos humanos nas fronteiras e às novas formas de subjugação dos pobres e vulneráveis. Apesar disso, o Papa Francisco vê na realidade de hoje também sementes do bem e caminhos de esperança que podem restaurar o esplendor de grandes ideais (cf. FT, 10-55).

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Original em Italiano

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P. Fabio Baggio, C.S.

Os desafios atuais da comunidade eclesial...

Em consideração da missão confiada pelo Santo Padre à Secção de Migrantes e Refugiados do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, optei por examinar os desafios supramencionados de uma perspetiva particular: a da pastoral da mobilidade humana. A chegada e a presença de tantos migrantes e refugiados e as diversas reações das comunidades que os acolhem, permitem exemplificar o perigo da cultura do descarte. Para debelá-la, o Santo Padre propõe perentoriamente, como antídoto, a cultura do encontro. A cultura do descarte, que o Santo Padre já tinha referido na Carta Encíclica “Laudato si’” (cf. LS, 16, 22 e 43), encontra na “Fratelli tutti” uma caracterização diferente, que sublinha os seus efeitos nefastos sobre as relações humanas. Certas partes da humanidade parecem sacrificáveis em benefício duma seleção que favorece a um sector humano digno de viver sem limites. No fundo, «as pessoas já não são vistas como um valor primário a respeitar e tutelar, especialmente se são pobres ou deficientes, se “ainda não servem” (como os nascituros) ou “já não servem” (como os idosos). Tornamo-nos insensíveis a qualquer forma de desperdício, a começar pelo alimentar, que aparece entre os mais deploráveis. (FT, 18). A cultura do descarte encontra fácil aplicação nos processos migratórios, onde, devido à inegável diversidade, se torna mais fácil distinguir entre “nós” e os “outros”, justificando a sua exclusão.

UISG - Boletím Número 175 - 2021

Os migrantes não são considerados suficientemente dignos de participar na vida social como os outros, esquecendo-se que têm a mesma dignidade intrínseca de toda e qualquer pessoa. [...] Nunca se dirá que não sejam humanos, mas na prática, com as decisões e a maneira de os tratar, manifesta-se que são considerados menos valiosos, menos importantes, menos humanos. É inaceitável que os cristãos partilhem esta mentalidade e estas atitudes, fazendo às vezes prevalecer determinadas preferências políticas em vez das profundas convicções da sua própria fé: a dignidade inalienável de toda a pessoa humana, independentemente da sua origem, cor ou religião, e a lei suprema do amor fraterno. (FT, 39).

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A cultura do descarte, que propaga a ilusão de podermos ser omnipotentes e membros de uma elite mundial, leva inexoravelmente ao enclausuramento nos próprios interesses, ao isolamento e à morte da fraternidade. Para salvar a humanidade e os seus ideais, para que ela possa realizar o projeto criativo de Deus, o Papa Francisco convida todos a promover a cultura do encontro. “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida”. Já várias vezes convidei a fazer crescer uma cultura do encontro que supere as dialéticas que colocam um contra o outro. É um estilo de vida que tende a formar aquele poliedro que tem muitas faces, muitos lados, mas todos compõem uma unidade rica de matizes, porque o todo é superior à parte. (FT, 215). O encontro com o outro constitui uma dimensão essencial da existência humana; a qualidade das relações humanas determina o processo de crescimento e a conquista da felicidade para cada pessoa. “Os outros são constitutivamente


necessários para a construção de uma vida plena” (FT, 150). O ser humano acrescenta o Santo Padre – “não chega a reconhecer completamente a sua própria verdade, senão no encontro com os outros” (FT, 87). Todos os encontros com outras pessoas são potencialmente enriquecedores, e esse potencial é diretamente proporcional à alteridade da pessoa encontrada. Quanto mais diferente é, “outra”, maior será o enriquecimento em conhecimento e humanidade daquele que a encontrar.

P. Fabio Baggio, C.S.

Os desafios atuais da comunidade eclesial...

É nesta perspetiva que se deve compreender o convite do Papa Francisco a privilegiar os encontros com quem vive nas periferias existenciais. Quem vive nelas “tem outro ponto de vista, vê aspetos da realidade que não se descobrem a partir dos centros de poder onde se tomam as decisões mais determinantes’’ (FT, 215). As periferias existenciais - explicou o Santo Padre em julho de 2019 – “estão densamente povoadas de pessoas rejeitadas, marginalizadas, oprimidas, discriminadas, abusadas, exploradas, abandonadas, pobres e sofredoras” (Homilia, 8 de julho de 2019).

O encontro a que se refere o Santo Padre não é casual nem extemporâneo, mas é um estilo de vida, que se deseja fortemente porque é apaixonado, um compromisso constante de “buscar pontos de contato, lançar pontes, desenhar algo que envolva todos” (FT, 216). Trata-se de um encontro que faz crescer todas as pessoas envolvidas na sua humanidade, como bem explica o Papa Francisco num discurso de 2016: “Abrir-se aos outros não empobrece, mas enriquece, porque nos ajuda a ser mais humanos: a reconhecer-se parte ativa de um todo maior e a interpretar a vida como um dom para os outros; a ter como alvo não os próprios interesses, mas o bem da humanidade” (Discurso na mesquita “Heydar Aliyev” em Baku, Azerbaijão, 2 de outubro de 2016). Neste contexto, é interessante notar como o Santo Padre escolhe a parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37) para ilustrar a dinâmica do encontro que enriquece em humanidade. É, de facto, um encontro muito particular, que no contexto evangélico serve para explicar o significado de “próximo”, como destinatário de um amor que é a critério de referência para a obtenção da vida eterna. Papa Francisco vê outro sentido nesta parábola: “A parábola mostra-nos as iniciativas com que se pode refazer uma comunidade a partir de homens e mulheres que assumem como própria a fragilidade dos outros, não deixam constituir-se uma sociedade de exclusão, mas fazem-se próximos, levantam e reabilitam o caído,

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Entre os habitantes das periferias existenciais encontramos muitos migrantes, refugiados, deslocados e vítimas do tráfico de seres humanos, que se tornaram “os sujeitos emblemáticos da exclusão, porque, além dos incómodos inerentes à sua condição, acabam muitas vezes alvo de juízos negativos que os consideram como causa dos males sociais” (Mensagem para o 105º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado). Renunciar ao encontro com eles significa privar-se do “dom que é o encontro com a humanidade para além do próprio grupo” (FT, 90); significa perder “uma oportunidade de enriquecimento e desenvolvimento humano integral para todos” (FT, 133).

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P. Fabio Baggio, C.S.

Os desafios atuais da comunidade eclesial...

para que o bem seja comum” (FT, 67). O encontro descrito na parábola pode ser resumido em quatro verbos, intimamente ligados entre si: reconhecer, ter compaixão, estar próximo, cuidar. O primeiro passo é “reconhecer” um irmão ou irmã necessitado. Mas, para reconhecê-los, é necessário antes de tudo “dar-se conta” da sua presença. Quem se ensimesma, desinteressado pelos outros, indiferente, não se dá conta do próximo que é espancado e abandonado no caminho (cf. FT, 73). Reconhecer o irmão e a irmã no próximo exige então um esforço adicional, especialmente se ele não “faz parte do seu próprio círculo de pertença” (FT, 81). Além desta dimensão imanente da fraternidade, existe também uma dimensão transcendente, que se baseia numa revelação inequívoca de Jesus Cristo: “Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.” (Mt 25,40). O cristão é, portanto, chamado a “reconhecer o próprio Cristo em cada irmão abandonado ou excluído” (FT, 85). Nesta perspetiva, a cultura do encontro transforma-se na “teologia” do encontro e, igualmente, na “teofania” do encontro.

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O segundo passo é “sentir compaixão”. Também aqui podemos considerar uma dimensão imanente, que considera a capacidade do samaritano de compreender o sofrimento do pobre viandante, de se comover e sentir empatia. “Viver indiferentes à dor não é uma opção possível; não podemos deixar ninguém caído «nas margens da vida». Isto deve indignar-nos de tal maneira que nos faça descer da nossa serenidade alterando-nos com o sofrimento humano.(FT, 68). Existe, no entanto, também uma dimensão transcendente, que eleva a compaixão divina como modelo. Como explicou o Papa Francisco em 2015, “a compaixão de Deus é entrar no problema, na situação do outro, com o seu coração de Pai “ (Meditação matutina , 30 de outubro de 2015).

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O terceiro passo é “fazer-se próximos”. O Santo Padre sublinha que o samaritano foi “quem se fez próximo do judeu ferido. Para se tornar próximo e presente, ultrapassou todas as barreiras culturais e históricas “ (FT, 81). Na sua Mensagem para o 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, o Papa Francisco explica que tais barreiras costumam gerar medos e preconceitos que “nos afastam dos outros e muitas vezes nos impedem de “nos aproximarmos” deles e servi-los com amor...” Estar próximo significa envolver-se pessoalmente, dando ao outro o que temos de mais precioso: o tempo! O samaritano “tinha certamente os seus planos para aproveitar aquele dia a bem das suas necessidades, compromissos ou desejos. Mas conseguiu deixar tudo de lado à vista do ferido e, sem o conhecer, considerou-o digno de lhe dedicar o seu tempo.” (FT, 63). Estar perto significa estar disposto a ‘sujar as mãos’. E “o maior exemplo disto, deixou-no-lo Jesus, quando lavou os pés dos seus discípulos: tirou o manto, ajoelhou-Se e pôs mãos ao humilde serviço.” “ (Mensagem para o 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado). O quarto passo é cuidar. Seguindo o exemplo do samaritano, o Santo Padre convida-nos a “curar as feridas” de todo o “forasteiro existencial” (97) e “exilado


oculto” (98), derramando-lhes “azeite e vinho”. Azeite, vinho e ligaduras representam idealmente todas as ferramentas que somos chamados a usar para acalmar e curar, desde a escuta atenta à palavra certa, da assistência médica à psicológica, da restituição da confiança à restauração da dignidade pessoal. Cuidar significa assumir a responsabilidade pelo sofrimento do outro. É um compromisso de longo prazo que nos transforma em “companheiros de viagem”, em amigos que compartilham o caminho em direção a um objetivo comum. E quando percebemos que não podemos fazer tudo sozinhos, devemos fazer como o samaritano, que leva o desventurado para uma estalagem. “O samaritano procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos num «nós» mais forte do que a soma de pequenas individualidades;” (FT, 78).

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O desafio do encontro que faz a humanidade crescer afeta todos nós e ninguém pode eximir-se dele. “Todos temos uma responsabilidade pelo ferido que é o nosso povo e todos os povos da terra. Cuidemos da fragilidade de cada homem, cada mulher, cada criança e cada idoso, com a mesma atitude solidária e solícita, a mesma atitude de proximidade do bom samaritano” (FT, 79). Durante a sua visita a Lampedusa, em 2013, o Papa Francisco recordou esta responsabilidade comum: “Onde está o teu irmão?” A voz do seu sangue clama por mim”, diz Deus. Esta não é uma pergunta dirigida a outros, é uma pergunta dirigida a mim, a ti , a cada um de nós.” (Homilia, 8 de julho de 2013). A pergunta é clara e exige uma resposta de cada um de nós porque, como afirma o Santo Padre, “neste momento, quem não é salteador e quem não passa ao largo, ou está ferido ou carrega aos ombros algum ferido. “ (FT, 70).

O instinto natural de autodefesa muitas vezes leva a dúvidas e temores em relação aos outros, especialmente aos estrangeiros, aos migrantes. Mas somos chamados a ultrapassar estas “reações primárias, porque o problema surge quando [essas] condicionam de tal forma o nosso modo de pensar e agir, que nos tornam intolerantes, fechados, talvez até – sem disso nos apercebermos – racistas. E assim o medo priva-nos do desejo e da capacidade de encontrar o outro. “ (FT, 41). Deve-se recordar constantemente às comunidades eclesiais que é Jesus Cristo quem pede para ser encontrado no irmão e na irmã que batem à nossa porta. Como sublinhou o Santo Padre em fevereiro de 2019: “É verdadeiramente Ele, não obstante os nossos olhos tenham dificuldade de o reconhecer: com as roupas rasgadas, com os pés sujos, com o rosto deformado, com o corpo ferido, incapaz de falar a nossa língua.” (Homilia, 15 de fevereiro de 2019). Na Carta Encíclica “Fratelli Tutti”, o Papa Francisco insiste repetidamente na necessidade de ultrapassar as fronteiras para se preparar ao encontro com o outro. O Santo Padre refere-se principalmente às fronteiras geográficas e políticas, que

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Porém, é preciso reconhecer que empenhar-se nesse tipo de encontro, difundindo a sua cultura, não é uma operação simples. Na Encíclica “Fratelli tutti”, o Papa Francisco aponta duas ações preparatórias que envolvem dois tipos diferentes de movimento: superar os medos e ultrapassar as fronteiras.

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P. Fabio Baggio, C.S.

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no mundo contemporâneo acabam por caracterizar os desequilíbrios entre quem mais usufrui dos recursos e quem fica com as migalhas. “Se toda a pessoa possui uma dignidade inalienável, se todo o ser humano é meu irmão ou minha irmã e se, na realidade, o mundo pertence a todos, não importa se alguém nasceu aqui ou vive fora dos confins do seu próprio país.” (FT, 125 ) Mas o Papa Francisco também se refere às barreiras sociais, culturais, económicas e religiosas que são erguidas para distinguir “nós” dos “outros”. Em nome da segurança “criam-se novas barreiras de autodefesa, de tal modo que deixa de haver o mundo, para existir apenas o «meu» mundo; e muitos deixam de ser considerados seres humanos com uma dignidade inalienável passando a ser apenas «os outros».” (FT, 27).

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Ainda que o desafio do encontro que faz crescer em humanidade se dirija a toda a humanidade, as comunidades eclesiais devem sentir-se desafiadas na primeira pessoa. O Santo Padre, citando São João Crisóstomo, dirige um apelo a todos os cristãos: “‘«Queres deveras honrar o Corpo de Cristo? Não o desprezes quando estiver nu, nem O honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez». O paradoxo é que, às vezes, aqueles que dizem não acreditar podem viver a vontade de Deus melhor do que os crentes”. (FT, 74). As comunidades eclesiais, chamadas a ser testemunhas vivas do advento do Reino de Deus, têm, portanto, a tarefa de declinar os verbos do encontro na primeira pessoa do singular e na primeira pessoa do plural. Essa declinação começa necessariamente com a escuta. “Não devemos perder a capacidade de escuta” (FT, 48). A escuta do território e dos habitantes das periferias essenciais é conditio sine qua non para identificar espaços de exclusão e predispor ao encontro.

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As comunidades eclesiais são chamadas hoje a escutar o lamento do Povo de Deus, um “grito” muitas vezes “silencioso”, porque sufocado pelas lágrimas do sofrimento, e “silenciado” porque é incómodo e perturbador. Mas o Senhor deunos o Espírito Santo para podermos discernir a Sua vontade, sem nos deixarmos distrair pelas ilusões deste mundo. E concluo fazendo minha a oração do Santo Padre: “Senhor, [...] Infundi nos nossos corações um espírito de irmãos. Inspirainos o sonho de um novo encontro, de diálogo, de justiça e de paz. Estimulai-nos a criar sociedades mais sadias e um mundo mais digno, sem fome, sem pobreza, sem violência, sem guerras.” (FT, Oração ao Criador).


Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca, Ir. Paola

Ir. Florence de la Villeon, RSCJ, responsável pelo Projeto Migrantes da UISG, junto com Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca e Ir. Paola enviaram-nos esta linda carta de Lampedusa. É um testemunho vivo de serviço, acolhimento e amor que nos fez bem e temos a certeza que fará bem aos nossos leitores e leitoras. Agradecemos de coração à comunidade de Lampedusa, pequeno grande espaço de fraternidade à “porta da Europa”!

Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca e Ir. Paola

Carta da Comunidade da UISG de Lampedusa

SOMOS “FRATELLI TUTTI”. CARTA DA COMUNIDADE DA UISG DE LAMPEDUSA.

No dia 30 de novembro de 2020 celebramos o aniversário da fundação da comunidade UISG de Lampedusa. Comunidade composta por Ir. Maria Ausilia, Salesiana, Ir. Franca, Irmãzinha de Jesus, Ir. Paola, Irmã da Caridade de Santa Giovanna Antida. Fomos enviadas pela UISG, que promove a colaboração e o diálogo entre as congregações religiosas na Igreja e na sociedade. Enviadas para tecer laços de amizade com a nossa presença entre os habitantes da ilha, com o desejo de lhes prestar serviços, segundo as nossas possibilidades, e com o desejo de colaborar com a população no acolhimento de numerosas pessoas que chegam de outras margens do Mediterrâneo. Na verdade, esta minúscula ilha é como uma rocha lançada em direção à África, muito mais perto da África do que da península italiana, é a ponta extrema da Europa: a porta de entrada para a Europa! Durante séculos, os viajantes encontraram um refúgio seguro na ilha. Nas últimas décadas, uma multidão tem tentado chegar a essas margens. São pessoas que querem escapar de guerras, ditaduras, perseguições, fome e sede; homens, mulheres, crianças que se lançam no êxodo, sem conhecer as armadilhas e sofrimentos do caminho, em busca de um futuro melhor. Antes de embarcar em barcos, jangadas ou barcaças, que correm o risco de naufrágio, essas caravanas humanas cruzam desertos onde milhares ficaram enterrados.

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Original em Italiano

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Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca e Ir. Paola

Carta da Comunidade da UISG de Lampedusa

O Papa Francisco escolheu Lampedusa como local da sua primeira visita como Papa, veio rezar com os habitantes da ilha e com os migrantes, para honrar a sua coragem e o seu sofrimento inexplicável, para recordar as pessoas que o mar engoliu. O Papa, com ternura, atirou ao mar uma coroa de flores, gritando com força: “Nunca, nunca mais!... Caim, onde está o seu irmão? “ Assim que chegamos na ilha, encontramos os migrantes na praça da igreja. A praça é um ponto de encontro: a paróquia oferece-lhes a possibilidade de se conectarem à wi-fi, bem como são prestados outros pequenos auxílios, como a distribuição de roupa ou alimentos. Os migrantes são acolhidos no centro que foi criado para eles. A qualidade do acolhimento deixa muito a desejar. Eles estão ali de passagem e estão destinados a serem transferidos para a Sicília. Iniciamos a aproximação com eles na praça, com a finalidade de nos conhecermos; oferecermos um sorriso e, se este é correspondido, a relação continua e então nos encontramos no bar, onde escutamos suas histórias enquanto tomamos chá ou café.

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Depois de apenas três meses dessa caminhada com eles, a pandemia estourou e tudo mudou, não havia mais ninguém na praça. O que fazer? Os desembarques, porém, continuaram como antes, e assim encontramos uma nova oportunidade de encontrá-los, indo recebê-los na chegada. Após o desembarque, os migrantes são submetidos a uma série de exames médicos e militares e a vários interrogatórios. Eles chegam exaustos, mas cientes de terem tido a sorte de chegar sãos e salvos. Alguns deles, especialmente os de fé muçulmana, que constituem a grande maioria, com os pés no chão, prostram-se e tocam o solo com a testa murmurando “El hamdu l-illah” (Louvado seja Deus!).

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O acesso ao cais do Favaloro, espaço militar reservado aos desembarques, não é permitido a todas as pessoas. Desde os primeiros dias da nossa chegada conhecemos o “Esperança Mediterrâneo” (MH), o programa para refugiados e migrantes da Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI), que surgiu na sequência da tragédia de 3 de outubro de 2013, quando a poucos quilômetros de Lampedusa 368 pessoas morreram em um terrível naufrágio. A escolha de se instalarem em Lampedusa surgiu da consciência da centralidade geopolítica e do forte peso simbólico da ilha dentro de um fenômeno global como o da migração. Com eles fazemos parte do “Fórum Lampedusa Solidária” que nasceu em 2015, a partir do encontro de associações, movimentos eclesiais, organizações de voluntariado, paróquias, mulheres e homens da sociedade civil dispostos a comprometer-se na construção de um modelo alternativo de hospitalidade e solidariedade. A atividade desenvolvida pelo Fórum não se limita à distribuição de bens aos migrantes, mas visa articular ideias e competências capazes de dar respostas concretas às necessidades da comunidade local e dos estrangeiros que por ali passam. Entre as atividades organizadas pelo Fórum destacam-se encontros de discussão, organização de eventos de solidariedade e intervenções de combate à exclusão social e à pobreza. A presença do projeto “Esperança Mediterrâneo” em Lampedusa foi marcada por uma estreita colaboração ecumênica que os operadores desenvolveram com a comunidade católica local. A dimensão ecumênica e o


diálogo com pessoas de diferentes credos e confissões religiosas se evidenciam todos os anos na organização da comemoração em memória das vítimas de 3 de outubro de 2013. Nossa pequena comunidade inseriu-se neste tecido que trabalha pelos migrantes e pelos habitantes da ilha e colaboramos para crescermos juntos na confiança e na amizade, com um objetivo comum: acolher as pessoas de uma forma mais justa e respeitosa com a dignidade de cada um, na convicção de que o mundo é para todos e dizer, à maneira do Papa Francisco, somos “todos irmãos”. A nossa atividade com os que trabalham no MH consiste em reunirmo-nos no porto e, entre os tantos militares de todos os escalões, oferecer uma acolhida sóbria, dar as boas-vindas, oferecer um copo de água ou um chá quente, oferecer um brinquedo a uma criança, brincar com outra, segurar no colo o bebê recémnascido de uma mãe cansada, e finalmente sendo uma presença de humanidade, respeito, compaixão, amor!

Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca e Ir. Paola

Carta da Comunidade da UISG de Lampedusa

Reconhecê-los dignos de serem acolhidos é bom para nós, dá-nos dignidade, a dignidade de cultivar a memória das pessoas que morreram no mar. Para muitos destas pessoas, o cemitério é o Mediterrâneo, outros estão enterrados no pequeno cemitério de Lampedusa, entre os habitantes da ilha. Quando há naufrágios, um grupo organiza uma pequena cerimônia laica, as pessoas que participam (católicos, protestantes, muçulmanos ou não crentes), o fazem por suas razões profundas, o que nos une é a fé no valor desse cerimonial de fé.

Toda a comunidade deu ao Yussuf um funeral digno, a mãe pôde participar e gritar sua dor, prometemos não esquecer. Francesco Piobbichi, desenhista, assistente social de MH, fez um belo desenho para o túmulo de Yussuf: uma pena que sobe do mar farpado que o mata. Nos desenhos de Francesco há um respeito infinito pelo mar, há denúncia para quem o torna farpado, uma fronteira que mata, há um grito de desprezo em prol de cada uma das pessoas mortas, há um compromisso de não esquecer o ocorrido. O pequeno Yussuf tornou-se um símbolo, uma memória que não deve nos abandonar e por isso nos perguntamos: como envolver a todas as pessoas? Foi então que nasceu a iniciativa “Yussuf Blanket” no Fórum. Uma colcha de retalhos, um cobertor feito de quadrados de malha ou crochê. Chegaram de todas as partes da Itália e também do exterior. As mulheres de Lampedusa os costuraram. Esta colcha de retalhos é um símbolo de proteção para tantos homens, mulheres e crianças que ainda correm o risco de morrer, e um compromisso com a memória de muitos engolidos pelo mar. Porque ignorá-los, esquecê-los é como dizer que essas pessoas nunca existiram.

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“Estamos aqui no lugar dos parentes e amigos desses mortos no mar, estamos aqui no lugar de todos aqueles que têm o direito de exigir justiça por uma morte absurda, estamos aqui para denunciar a falta de humanidade das leis e políticas que condenam o ser humano à morte “… Esta foi a expressão de um membro do Fórum no funeral de Yussuf, que tinha apenas seis meses de idade quando o bote virou e ele escapou dos braços de sua jovem mãe.

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Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca e Ir. Paola

Carta da Comunidade da UISG de Lampedusa

Os habitantes da ilha dão-nos um amplo acolhimento e são eles que ocupam a maior parte dos nossos dias. Apesar da pandemia, encontramos e visitamos as pessoas idosas. A maioria delas é bem cuidada por suas famílias, mas muitos estão sozinhos e uma visita é um raio de sol para elas. Muitas mulheres, especialmente romenas, trabalham como cuidadoras, e também criamos laços de amizade com elas. Ouvindo as pessoas mais velhas, descobrimos que nesta ilha verdadeiramente isolada, onde se vivia apenas da pesca, os habitantes viveram durante anos a solidão, a angústia, a pobreza, a dor de quem perecia no mar. Trazem consequências nas suas condições de saúde, aliás, os doentes mentais são numerosos. A ilha sofreu uma transformação com a chegada do turismo, sobretudo a partir da década de 1980. Todos começaram a trabalhar e, à custa de grandes sacrifícios, tiveram acesso a um certo bem-estar, que em todo o caso produziu muitos desequilíbrios: o mundo dos jovens e dos menos jovens tentados pelas drogas, álcool, vida fácil, etc... A ilha é linda e a população se multiplica no verão com o turismo. O número de turistas supera o número de moradores e migrantes, neste período. Os turistas e os migrantes pousam continuamente na ilha, vivem lado a lado sem se encontrarem. Na nossa comunidade as portas estão abertas e os apelos que recebemos são muitos, cada uma responde de acordo com as suas possibilidades, complementamonos nas nossas diferenças. Os nossos fundadores continuam a ser os inspiradores de cada uma de nós e agora, para as três, têm um lugar na nossa capela e sobretudo no nosso ser e agir… pelo menos é este o nosso desejo!

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Sem programas pré-estabelecidos, nossa vida tenta responder aos apelos das pessoas diariamente. Oferecemos um pequeno flash do dia de ontem: às 8h30 recebemos a notícia da chegada de 93 pessoas do bate-papo do Molo Favaloro e fomos recebê-las. Às 14h chegaram mais 200 e voltamos ao cais. Para o almoço convidamos os dois párocos da ilha, com os quais a colaboração cresce na confiança. Irmã Ausilia, como todos os sábados e domingos, leva a comunhão a muitas pessoas. Juntas, visitamos a senhora “A” e sua cuidadora romena.

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Esta manhã fomos ao cais comercial e através da cerca conversamos com os migrantes que chegaram ontem e que embarcaram para a Sicília. Procuramos acompanhar uma família em grande dificuldade, uma mãe com quatro filhos, sem pai. Irmã Ausilia colabora com a assistente social para oferecer ajuda. Há muito a dizer sobre o que partilhamos com os habitantes de Lampedusa, não podemos contar tudo, mas não podemos deixar de referir a creche que acolhe os deficientes mentais, com a qual procuramos colaborar. Participamos de pequenos momentos de festa, de passeios juntos, estamos mais próximas de alguns, por exemplo de “C”, uma mulher que todos os sábados acolhemos para almoçar conosco. Essas relações pessoais, criadas durante os meses de pandemia e isolamento forçado, que levaram a regressões por solidão e medo, são uma forma de ajudar muitas pessoas em dificuldade neste momento de crise.


Podemos sonhar que a presença promovida pela UISG pode continuar e ser um sinal de Esperança, para contribuir para o nascimento de uma HUMANIDADE PLURALISTA? De uma humanidade em que cada pessoa é reconhecida na sua dignidade? Na qual podemos caminhar juntos, juntas como irmãos e irmãs? Acreditamos que é possível, pedimos ao Senhor e confiamos aos seus cuidados.

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Agradecemos à UISG por nos trazer aqui. Lampedusa é um dos subúrbios para onde nos envia o Papa Francisco... é um lugar de fronteira, um daqueles “lugares de fratura” entre o norte e o sul do mundo, entre quem procura o lazer e as férias mais sofisticadas e os países desesperados mais pobres do planeta…

Ir. Maria Ausilia, Ir. Franca e Ir. Paola

Carta da Comunidade da UISG de Lampedusa

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Diálogo em tempos de violência... P. Christophe Roucou

DIÁLOGO EM TEMPOS DE VIOLÊNCIA: UMA LEITURA DA FRATERNIDADE HUMANA ENTRE AS PESSOAS P. Christophe Roucou Padre Christophe Roucou, é professor do Institut Catholique de la Méditerranée (ICM) de Marselha, responsável pelo Pólo de Estudos e Pesquisas IslâmicoCristãs (PERIC) e pelo programa “Casa da Sabedoria”. O texto a seguir foi apresentado em 1º de março de 2021 durante um webinar intitulado “Diálogo em tempos de violência: uma leitura da Fraternidade Humana entre as pessoas”, organizado pela Comissão para o Diálogo Interreligioso da União Internacional das Superioras Gerais (UISG) e a União dos Superiores Gerais (USG).

Original em francês

Introdução

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O pedido que me foi feito: “Você pode focar sua apresentação nas relações com os muçulmanos na era do terrorismo global? Qual é a situação atual na França e qual pode ser o papel da liderança religiososa no enfrentamento desses desafios?

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Pedem-me para falar a partir do contexto francês, daí as observações que gostaria de fazer na introdução: -

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Nos últimos meses ou anos, foram perpetrados atos de violência e homicídios: atentado em Nice em 14 de julho de 2016, 87 mortos e 434 feridos ; assassinato do padre Jacques Hamel, sacerdote, quando ia celebrar a missa, em 26 de julho de 2016; o assassinato de um professor deixando a faculdade em 16 de outubro de 2020; depois de duas mulheres em uma igreja em Nice em 29 de outubro de 2020. Foram cometidos por indivíduos que se identificam com o Islã. Mas se o terrorismo e a violência se manifestam regularmente na França, não podemos dizer que vivemos diariamente em um contexto de violência ou medo do terrorismo.


Gostaria de incluir nesta introdução o testemunho de um amigo, nascido na França, de pais nascidos na Argélia, casado com uma mulher católica praticante, 3 filhos. Eu celebrei o casamento deles. Eles pertencem ao Grupo de Foyers Cristãos Islâmicos (GEFIC). Este amigo tem responsabilidades importantes numa estrutura pública, o Museu do Louvre, em Paris, e é o primeiro vice-prefeito de um município nos subúrbios ao norte de Paris. Nos anos 80, na escola e na faculdade, nos subúrbios do norte de Paris, estávamos em aulas com alunos, e para alguns amigos, vindos de todos as partes do mundo: Polônia, Senegal, França. Eu nasci na França depois de várias gerações, mas meus pais nasceram na Argélia. As diferenças não foram destacadas de forma alguma; era uma questão de pertencimento familiar. Tratava-se de descoberta e, acima de tudo, era para nós uma riqueza. Não havia nada de problemático. A perspectiva era a de integração na sociedade francesa. O evento da seleção francesa que venceu a Copa do Mundo da FIFA em 1998 foi um símbolo muito forte do modelo francês de integração: a França “Negro, Branco, Beur (nativos “estrangeiros)”. Isto falava de um funcionamento e de um ideal.

P. Christophe Roucou

Diálogo em tempos de violência...

E então dois eventos se acotovelaram e questionaram tudo isso: primeiro os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York, depois, na França, os tumultos em Clichy-sous-Bois. Esses eventos eram indicativos de um profundo mal-estar na sociedade francesa. Portanto, abordarei o contexto específico da França do ponto de vista da situação dos muçulmanos em nossa sociedade, depois evocarei locais de encontros, intercâmbios e diálogos para, então, evocar o que impede o diálogo e concluir sobre nosso papel enquanto liderança religiosa, neste contexto.

1. Em que contexto somos chamados, na França, a viver a fraternidade?

Talvez deva começar por relembrar o lema da República Francesa que todos os cidadãos franceses defendem, seja qual for a sua religião, as suas origens, o seu contexto social: liberdade, igualdade, fraternidade. E sabemos que para estabelecer e fazer respeitar a liberdade e a igualdade se elaboram e votam-se leis, mas não se pode decretar a fraternidade. É um ideal que depende da responsabilidade de cada cidadão. Gosto de dizer que isso está sob a nossa dupla responsabilidade como cidadãos e cristãos, pois acreditamos que todos os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus e que Jesus Cristo foi quem nos revelou. É bom citar agora a primeira frase da Declaração assinada pelo Papa Francisco e Sheikh Ahmed el-Tayyeb em Abu Dhabi em 4 de fevereiro de 2019: « A fé leva a pessoa que crê a ver na outra pessoa um irmão, uma irmã para apoiar e amar. » 1

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Liberdade, igualdade, fraternidade

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P. Christophe Roucou

Diálogo em tempos de violência...

Uma longa e complexa história da França com seus muçulmanos A França tinha um império colonial em países onde quase toda a população era muçulmana, os países do Magrebe foram colonizados por ela, na forma de um protetorado na Tunísia e no Marrocos, de uma assimilação na Argélia que era território francês onde estavam os habitantes de fé muçulmana não são considerados cidadãos, exceto para servir no exército. A Guerra da Independência da Argélia de 1954 a 1962 deixou feridas em ambos os lados até hoje. As memórias, quase 60 anos após a independência, ainda permanecem vivas e doloridas. Hoje, num país de 68 milhões de habitantes, as pessoas de tradição muçulmana representam cerca de 5 milhões de pessoas, ou quase 8% da população, (lembrando que as estatísticas religiosas são proibidas na França). Embora mais de 2/3 delas tenha nacionalidade francesa, para muitos de nossos compatriotas elas ainda são vistas como, muçulmano = imigrante = árabe, sendo às vezes sinônimo de extremista ou mesmo terrorista. Um certo racismo em relação aos árabes e aos negros existe na França. As pessoas de tradição muçulmana estão presentes em todas as categorias sócio profissionais, mas em proporções muito maiores encontram-se entre os operários ou em comércios de baixa qualificação. Por causa desta situação “na base da escala social”, muitas famílias muçulmanas vivem em bairros populares nas periferias de nossas cidades, lugares de muitas dificuldades e problemas, principalmente por razões sociais e políticas.

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Religiões e secularismo na França do século 21

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O secularismo é uma especificidade francesa difícil de explicar fora de nossas fronteiras, sendo a própria palavra muitas vezes intraduzível em inglês, alemão ou árabe! Devemos distinguir a secularização que atinge muitas sociedades contemporâneas, muitas vezes ligadas à modernidade. A secularização designa um processo em que setores inteiros da vida social não dependem mais da Igreja (escolas, hospitais, etc.), onde também dimensões muito importantes da vida das pessoas não estão mais ligadas à religião. Nesse processo, a religião corre o risco de perder seu lugar na vida social e ficar confinada à esfera privada. O secularismo é um quadro jurídico que define a não interferência recíproca do Estado e das religiões: o Estado não intervém nos assuntos da Igreja (em 1905) ou de outras religiões e vice-versa. Mas muitos muçulmanos, incluindo as lideranças religiosas muçulmanas, Imams, confundem secularização com secularismo e atribuem a queda da prática religiosa na França ao secularismo. Além disso, a par do quadro jurídico do secularismo, ao longo de um século desenvolveu-se na França uma “mentalidade laica” e uma ideologia “laica”, que se pretende opor à dimensão visível e social das religiões, a começar pelo Islamismo.


Islã e os muçulmanos na França: um mosaico A comunidade muçulmana na França não é unificada, mas atravessada por múltiplas correntes, algumas ligadas aos países de origem e aos poderes instituídos: a Argélia (que nomeia o reitor da Mesquita de Paris), o Marrocos, a Turquia; esses países estão tentando controlar populações e mesquitas. As autoridades públicas buscam, há 35 anos, ter um corpo representativo dos muçulmanos para discutir questões relacionadas ao culto. Mas eles não querem. O CFCM (Conselho Francês de Cultos Muçulmanos) não é legítimo aos olhos de pelo menos 80% dos muçulmanos que vivem na França!

P. Christophe Roucou

Diálogo em tempos de violência...

De onde vem a violência? Na França, a violência, especialmente em bairros da classe trabalhadora, não é principalmente religiosa ou cometida em nome da religião. A violência mais visível é a que está ligada ao tráfico, em particular ao narcotráfico, que movimenta somas consideráveis e é considerado por alguns políticos como o que garante a “paz social” em bairros onde o desemprego e a precariedade levariam a explosões sociais. É também uma espécie de grito ou resposta de pessoas que estão desestabilizadas pela globalização e não veem futuro para elas neste novo universo. Na França, a violência surge, portanto, de pessoas que se sentem esquecidas pela República, colocadas fora dos circuitos do sucesso educacional e social. A violência surge em bairros que estão se tornando áreas “sem lei”, das quais os serviços públicos foram gradualmente sendo retirados. Com isso, são as “máfias” que fazem a lei ali e, por exemplo, controlam as entradas e saídas do bairro, a tal ponto que a polícia não vai mais lá.

2. Quais são os lugares ou os momentos em que cristãos e muçulmanos se encontram especificamente na França e, particularmente, em Marselha? Marselha é a 2ª cidade da França em número de habitantes, tem quase 850.000, incluindo quase 300.000 pessoas de tradições muçulmanas, 80.000 armênios, 60.000 judeus. Onde os cristãos e os muçulmanos se encontram? -

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Na vida dos bairros operários de Marselha: mas a mistura social, cultural e religiosa tende a desaparecer. Alguns desses bairros se tornaram quase muçulmanos, exceto por algumas famílias cristãs ou uma ou outra comunidade de Irmãs, geralmente idosas. Nos estabelecimentos de ensino católicos: em Marselha, a Igreja optou por apoiar as escolas nestes bairros populares. Como resultado, algumas escolas

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Os atos de violência, com motivação religiosa, são muito poucos em comparação com a violência diária sofrida pelas populações pobres que, por razões sociais, costumam ser de tradição muçulmana.

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católicas, primárias ou secundárias, acolhem 60 a 90% das crianças ou alunos da fé muçulmana. Manter essas escolas e fazer com que vivam numa perspectiva de proporcionar uma coexistência, o conhecimento mútuo, o diálogo intercultural e inter-religioso na ação. No serviço das capelanias de prisões e hospitais: para garantir a liberdade de consciência e de culto, a lei de 1905 previa capelanias em todos os recintos fechados, o que impedia o crente de sair para praticar o seu culto. Capelães católicos e protestantes foram os primeiros nesses lugares, visitando frequentemente os detidos doentes ou muçulmanos, com o devido respeito por sua fé. Muitas vezes, eram eles que apresentavam aos seus colegas muçulmanos a importância de ouvir os enfermos ou reclusos e de estar com eles como portadores da Misericórdia de Deus. Por ocasião dos casamentos islâmicos-cristãos: muitas vezes são situações delicadas, mas, na França, cada vez mais os casais se formam com essa diferença de filiações religiosas e, muitas vezes, culturais. Isso é menos questionável quando se trata de um homem muçulmano se casar com uma mulher católica; mas às vezes fica muito tenso ou mesmo impossível quando se trata de um homem cristão que deseja se casar com uma mulher muçulmana. As pressões familiares às vezes são muito fortes para forçar um homem cristão a se tornar muçulmano. No entanto, esses casais existem. O GFIC, um Grupo de Foyers/Lares Islâmico-Cristãos, existe há mais de 30 anos na França. É um lugar para compartilhar experiências, apoiar jovens casais e refletir sobre a educação religiosa dos filhos. A igreja apoia e atende este grupo. Um grupo de imãs / sacerdotes, do qual participam uma muçulmana e uma cristã, encontra-se há 10 anos em Marselha. O motivo desse grupo? Conhecer-se mutuamente, trocar experiências. Assim, ao longo das reuniões (5 vezes / ano) foram estabelecidos laços de confiança. Este grupo discute reflexões comuns, cada vez apresentadas por um imã e um padre. Esses encontros constroem confiança, movem as posições intelectuais e até teológicas uns dos outros. Por causa da confiança e amizade que surgiu entre os membros, é possível abordar “assuntos incômodos” sem espírito de polêmica ou competição. “Encontros” comuns e fraternos entre cristãos e muçulmanos: A nível nacional, posso citar duas iniciativas que já existem há anos: SERIC, Islamo-Christian Week,/Semana Islã-Cristã realizada por uma associação de amizade islâmica-cristã (GAIC, grupo de amizade islâmico-cristão) organizando eventos em muitas cidades na França e em outras cidades europeias. “Junto com Maria”, propondo durante 7 anos, intercâmbios, encontros, momentos de festa graças à figura de Maria, uma iniciativa que começou no Líbano e transmitida na França pela associação Efésia. Em Marselha, um grupo de intercâmbios entre mulheres cristãs e muçulmanas


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3. Quais são os obstáculos ao diálogo hoje? O choque das ignorâncias Não é o choque de civilizações que enfrentamos, mas o choque da ignorância. Notamos na França que, principalmente nas gerações jovens, uns e outros desconhecem a religião dos outros e da sua própria religião. Em nome do secularismo, não há lugar para as religiões nas disciplinas ministradas, senão nos cursos de história ou de literatura francesa. O medo de fazer proselitismo na escola leva a ignorar a dimensão religiosa. E os professores da educação pública não sabem como reagir aos alunos muçulmanos que intervêm nas aulas. Eles tendem à neutralidade que desliza em direção ao silêncio.

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lançou uma iniciativa do dia de convívio e espiritual, aberta a todas as pessoas cristãs e muçulmanas que o desejarem. Durante quatro dias, este dia, na primavera, reúne famílias, crianças e adolescentes para um momento de partilha em torno da refeição, momentos de oração e discussões sobre um tema atual. A iniciativa divulgada, oralmente, reúne mais de 300 pessoas. É preparada, muitas semanas antes, por um grupo que reúne pessoas cristãs e muçulmanas. Nas ações solidárias realizadas em conjunto: Por vários anos, as instituições de caridade muçulmanas e cristãs uniram forças para ações conjuntas destinadas a pessoas em situações precárias, localmente. Por exemplo, nos subúrbios do Sudeste de Paris em Créteil, a paróquia católica e a mesquita estão distribuindo alimentos, enquanto as outras organizações estão de férias. A Crise do Covid com as medidas de contenção tem levado muitas famílias a situações de precariedade ou até de pobreza. Em Marselha, num bairro, uma organização social, cristãos e um grupo de muçulmanos se uniram, semanalmente, para ajudar a mais de 300 famílias que já não tinham o suficiente para alimentar seus filhos a partir do dia 15 de cada mês. Foram os professores da escola pública que tornaram conhecida esta necessidade. Nas iniciativas de hospitalidade recíproca: como superar o medo do outro, senão pelo encontro? Visitas recíprocas a lugares de culto: São elas que conduzem a numerosos lugares para visitas recíprocas nos vários lugares de culto onde os ritos são explicados. Os palestrantes muçulmanos no âmbito da formação em universidades católicas. Por exemplo, no Institut Catholique de la Méditerranée/ Instituto Católico do Mediterrâneo, oferecemos um curso de capacitação específica para o encontro islamo-cristão ao longo de um ano. Neste curso são convidados palestrantes muçulmanos e são abordados temas comuns a partir da perspectiva cristã e muçulmana.

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Diálogo em tempos de violência...

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Diálogo em tempos de violência...

A ausência de estudiosos muçulmanos Frequentemente falamos sobre imãs, mas na verdade o que está faltando nas comunidades muçulmanas na França é a falta de capacitação de suas lideranças religiosas. O secularismo não permite a formação do tipo teológico no âmbito da universidade como na Alemanha. Cada corrente desenvolve o seu local de capacitação, mas na maioria das vezes são imãs que estudaram no estrangeiro ou que vêm para servir na França por alguns anos, oriundos da Argélia, Marrocos ou Turquia.

A influência das correntes extremistas É preciso dar nome às coisas. Há uma pequena minoria tentada pelo que a mídia chama de “djihadismo”, algumas centenas de indivíduos dentre os 5 milhões de muçulmanos. Com eles, nenhum diálogo é possível, já que eles chamam todos os outros de “Kouffars”, ou seja, incrédulos, não só judeus ou cristãos, mas os outros muçulmanos! Além deles, o que é mais preocupante é o desenvolvimento de correntes inspiradas no wahhabismo saudita, ou seja, uma concepção muito rigorosa do Islã, uma leitura literal do Alcorão, uma rejeição a qualquer leitura crítica e do uso da razão em questões religiosas. Este wahabismo se espalhou na África Subsaariana e no Magrebe e, portanto, também na Europa. Essa ideologia religiosa passa pelas redes da Internet, pelos vídeos vindos de religiosos que vivem nos países do Golfo, ignorando tudo no contexto da vida na Europa. Nos bairros populares, os mesmos jovens podem ser tentados a seguir essa ideologia rigorosa enquanto participam das muitas atividades do tráfico, incluindo o narcotráfico, que mantém uma economia paralela, e não hesitam em usar a violência.

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As teologias e / ou filosofias disponíveis

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Entre os obstáculos ao diálogo entre muçulmanos e cristãos, pode estar o olhar sobre o outro proposto ou, às vezes, imposto sobre o outro que é diferente de mim pela cultura, origem ou religião. O dizer “fora da Igreja não há salvação” levou a ignorar o outro e até convertê-lo a todo custo para que pudesse ser salvo. Que teologias da salvação e da Igreja são propostas, ensinadas, difundidas entre cristãos e muçulmanos, hoje? Qual é a concepção da missão? Não é por acaso que o Papa Francisco repete ao longo do seu discurso (em Rabat, por exemplo duas vezes): “Não ao proselitismo”. Teologia e filosofia: o que está em jogo é a concepção da verdade. Muita gente age dizendo “eu tenho a verdade”, a consequência é que o outro se equivoca, esquecendo-se da concepção cristã da verdade, recordada por Bento XVI: “Certamente, não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela quem nos possui: Cristo, que é a verdade, nos tomou pela mão e, no caminho da nossa busca apaixonada do


conhecimento, sabemos que a sua mão nos segura com firmeza. O fato de ser sustentado internamente pela mão de Cristo nos torna livres e, ao mesmo tempo, seguros “ 2 É claro que, atualmente, para a grande maioria dos muçulmanos, somente a fé em Deus praticada no caminho do Islã leva à salvação. Daí seu desejo de que todos nos tornemos muçulmanos, a fim de, na melhor das hipóteses, sermos salvos.

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4. Qual é o papel das lideranças religiosas neste contexto? No seio das comunidades cristãs -

Sensibilizar a comunidade cristã: trabalhar uma teologia do diálogo e seus fundamentos na revelação bíblica. Dar a conhecer aos cristãos o ensino do magistério sobre o diálogo e o encontro.

Para todas as lideranças religiosas -

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Envolver-se, no campo, no encontro e no diálogo; não há diálogo sem reunião prévia; os dois devem ser abordados juntos. Priorizar a àrea da educação em todas as suas formas e desenvolver iniciativas e pedagogias nesta área (da escola à universidade e à formação de ministros do culto e agentes pastorais). Cada um na sua comunidade, na sua tradição, implementar esta afirmação assinada pelo Papa Francisco e pelo Sheikh Al-Tayyeb: “A fé leva a pessoa que crê a ver no outro um irmão uma irmã para apoiar e amar.” 3

Juntos Abraçar juntos, imãs e sacerdotes, por exemplo, uma obra de releitura de nossas Escrituras e de nossas Tradições.

Para concluir, Uma atitude espiritual indicada por Christian de Chergé, prior do mosteiro de Nossa Senhora do Atlas em Tibhirine, envolvido na violência terrorista, após o encontro face a face com o líder terrorista, na véspera de Natal de 1995: -

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«Não posso pedir ao Bom Deus: mate-o. Mas posso pedir: desarme-o. Então disse a mim mesmo: tenho o direito de pedir: desarme-o, se não começar por pedir: desarme-me e desarme-nos em comunidade. Esta é a minha oração diária, e eu simplesmente a confio a você » 4 « O Verbo se fez IRMÃO,IRMÃ, irmão e irmã de Abel e também de Caim,

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irmão e irmã de Isaque e Ismael ao mesmo tempo, irmão e irmã de José e dos outros onze que o venderam, irmão e irmã da planície e irmão e irmã da montanha, irmão e irmã de Pedro, de Judas e de um e de outro em mim ». 5

1

Documento sobre fraternidade humana, para a paz mundial e a coexistência comum, Papa Francisco e Cheikh Ahmed al-Tayyeb, Abou Dhabi, 4 de fevereiro de 2019

2

Bento XVI, Discourso à curia romana, 21 de dezembro de 2012

3

Christian de Chergé, Invincible Espérance, Paris, Bayard, 1997, p ./Esperança Invisível

4

Christian de Chergé, Invincible Espérance, Paris, Bayard, 1997, p . Esperança Invisível

5

Christian de Chergé, Homilia da Quinta-feira Santa, 1995.


Ir. Hayat elkass Mussa A Irmã Hayat elkass Mussa é uma Irmã Dominicana de Santa Catarina de Sena no Iraque. Vive no convento de Umm Al-Tahera (Maria toda santa), em Qaraqosh. Irmã Hayat é professora da Universidade Al-Hamdaniya, com mestrado em Antropologia Social. Ela trabalha como coordenadora e responsável pela criação de vários acampamentos e vários festivais para os jovens, e prepara os alunos para a Primeira Comunhão. Ela também ajuda o responsável pela pré escola e ensina as crianças na “casa do Menino Jesus”. Confere palestras sobre tópicos espirituais, sociais, psicológicos e educacionais para grupos de diferentes faixas etárias. Ela trabalha com o Padre Wissam (um monge) no Fórum do Livro Juvenil, cujo objetivo é incentivar os jovens a ler e desenvolver seus talentos e habilidades. É responsável por grupos de jovens nas Planícies de Nínive que torcem pelo Papa Francisco.

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Testemunho de vida... a Qaraqosh

TESTEMUNHO DE VIDA À LUZ DA VISITA DO PAPA FRANCISCO AO IRAQUE, ESPECIALMENTE A QARAQOSH

Poucos dias antes da chegada do Papa, fui encarregada, junto com o Monge Wissam, pelo Comitê Superior da Arquidiocese Católica Siríaca, como responsável pela coordenação da visita do Papa, organizar programas especiais para os jovens a fim de prepará-los para a visita, assim como preparar suas famílias. Para isso, instituímos um comitê especial sob o nome de “Os jovens das Planícies de Nínive torcendo pelo Papa Francisco”. O comitê foi formado pelo monge Wissam, Padre Ronnie, Irmã Hayat e vários outros religiosos e religiosas (Irmãos de Jesus o Redentor, Franciscanos e as Irmãs Efremistas) junto com jovens voluntários para servir e trabalhar juntos. Posso verdadeiramente dizer que experimentei o toque do Espírito Santo que nos plenificou enquanto fazíamos os preparativos. As atividades noturnas eram variadas (espirituais, esportivas, culturais, orações mímicas, vários testemunhos de vida, família e monásticos) apresentados por padres, Irmãs, e leigos em cenas teatrais em torno do ensinamento do Papa Francisco, uma opereta em vídeo sobre o ser enraizado na terra, entrevistas para

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Original em inglês

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Testemunho de vida... a Qaraqosh

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jovens... etc. além de preparar duas canções para a visita do Papa (Santo Padre e A Alegria do Senhor). Como Irmãs dominicanas, em Qaraqosh, preparamos os alunos e as pessoas que trabalham em nossas escolas (jardim de infância, fundamental e ensino médio), ensinando-lhes o hino e a coreografia para a dança. Apresentamos várias palestras sobre o Santo Padre, enfatizando o significado de sua visita ao Iraque, sua mensagem para nós e como devemos viver esta experiência para que sua visitaseja portadora de bênçãos para nossas famílias e comunidades. No dia 5 de março de 2021, assim que a porta do avião se abriu e o Papa Francisco apareceu, meu coração se encheu de uma alegria que não consigo descrever. Meu corpo começou a tremer pela sensação avassaladora que tomou conta de mim ao ver o Papa Francisco acenando sob o céu do Iraque, e fiz um momento de silêncio. Lágrimas rolaram pelo meu rosto por causa da intensidade do encanto e da alegria, enquanto muitas perguntas emergiam dentro de mim: Como esse homem idoso pode desafiar tudo, desde uma doença, o cansaço até uma pandemia e circunstâncias de segurança instáveis? Como pode arriscar tudo a fim de dizer ao povo iraquiano: ‘Estou aqui com vocês, eu vim enxugar cada lágrima de seus olhos, suportar sua dor e dar-lhes esperança; venho a vocês como um peregrino arrependido’? Mas, em apenas alguns momentos, as respostas às minhas perguntas foram dadas a cada uma de minhas interrogações. Tenho vivido dias que só posso descrever numa palavra: o paraíso na terra. Senti que o Papa Francisco foi um pai terno, um irmão paciente, um jovem desafiador, um homem de Deus e não apenas um amigo próximo. Senti que havia um vínculo muito forte entre nós.

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Senti que o Espírito do Senhor mais uma vez se agitou sobre meu povo sofrido e dilacerado para ser plenificado por um novo espírito, o Espírito de Paz e solidariedade e da cidadania real. E senti que seu lenço branco era como uma pomba envolvendo o Iraque em plena presença de paz e tranquilidade, e sua bênção paternal concedida ao povo era como uma pomada que cura nossas dores e feridas.

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Assim que nossos olhos viram o Papa Francisco, involuntariamente se encheram de felicidade. O rosto, que espelha a luz do Senhor, espalha a alegria de que necessitamos. Para mim, em especial, foi como iluminar as trevas profundas e dolorosas com a luz e alegria do Senhor Ressuscitado. A peregrinação do Papa me ensinou muito sobre a humildade e o amor pelos vulneráveis e como minha vida deve ser uma peregrinação permanente para Deus e para o outro, para o perdão, para a compaixão e para a solidariedade, para novas iniciativas de paz interior e de cura das feridas. O Papa Francisco é um mestre de iniciativas ousadas. Sua visita à Sua Eminência Al-Sistani gravou em mim uma lição profunda na qual posso aprender a como aceitar o outro, a transcender todas as diferenças e respeitar a religião, crença e fé das outras pessoas, para que possamos construir a nação a partir de nossa humanidade. A visita do Papa objetivou a declaração da paz numa terra sem


paz. O impacto de seus encontros com altos representantes civis e religiosos teve uma repercussão histórica e global em escala mundial e um efeito espiritual e humanitário em escala pessoal. A visita foi um convite para que o mundo desperte e olhe para a terra regada por tanto sangue e destruição, marginalização, sectarismo e corrupção. O Papa Francisco, ao nos visitar, assegurou a todo o povo, aos cristãos em particular, e a mim pessoalmente que Deus vive entre seu povo, que Ele está nos olhando do céu e nos garantindo sua presença entre nós e que somos seu povo e temos direito a uma vida digna. O sopro de vida nova, trazido pela visita de Sua Santidade, tornou-nos um povo cheio de vida, esperança, fé e solidariedade, apesar de todas as perseguições, guerras e dores, em nossa terra.

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Testemunho de vida... a Qaraqosh

O encontro interreligioso do Papa e a oração com diferentes lideranças religiosas sob a tenda de nosso pai Abraão é uma mensagem forte e profunda. É como dizer que todos nós temos um pai que ama de nos ver unidos e alegres e que podemos construir um Iraque próspero, um Iraque vivo a partir de nossas diferenças. E em suas orações em Hawsh el bayaa’, em Mosul, eu aprendi de sua Santidade que nem a brutalidade da destruição, nem a injustiça do homem ou a feiura das armas se levantará diante das pessoas que rezam. O Senhor nos ouve das profundezas de nosso desespero e feridas profundas, então até a escuridão tem luz para ele.

A partida do Papa, para mim e para o povo iraquiano, não foi o fim dos dias no paraíso, mas antes, um novo começo para uma vida no reino terrestre com o outro que é diferente de mim. Ainda sentimos Sua Santidade se revelando em nossa terra e em nossas profundezas, e suas palavras ressoando em nossas mentes e corações. No terceiro dia, Cristo ressuscitou dos mortos, e nós, como povo do Iraque, e especialmente eu, vivemos a experiência da ressurreição nos três dias da visita do Papa, especialmente sua visita à minha cidade natal de Karakosh. Foram três dias de alegria, recuperação, admiração e de sentir a presença do Espírito Santo. Meu povo e eu esquecemos todas as feridas, toda a dor, todo o cansaço, toda injustiça provocada pela ISIS e a dor da ruína. Sentimos a presença do Papa como um milagre realizado para nós. Um de nossos irmãos muçulmanos da Babilônia, enquanto discutíamos sobre a visita do Papa Francisco, confirmou que o Pontífice

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A missão de nossa congregação no Iraque é a educação; acompanhar as pessoas na sua aprendizagem, sejam elas cristãs ou de outras crenças, e isso é evidente nas nossas instituições nas diferentes áreas, independentemente da presença ou ausência de cristãos. Em meu trabalho como professora universitária, minha presença é testemunhar Cristo e os valores cristãos. Meus alunos e colegas de trabalho na universidade são de religiões diferentes e eu, sendo Irmã, procuro tratar a todos como meus irmãos e minhas irmãs, apesar da imigração e da dor que sofremos e que foi causada por outros no Iraque devido à nossa religião cristã. Com o Papa, rezamos pela busca de uma fraternidade sincera e respeitosa da parte de todos os componentes.

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Testemunho de vida... a Qaraqosh

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é, de fato, um verdadeiro milagre para nós e para toda a humanidade. É verdade que não encontrei o Papa face a face e não recebi a graça da sua bênção, mas eu estava fora da Igreja da Imaculada em Qaraqosh com o meu povo que, muito alegres, estávamos anunciando ao mundo inteiro que somos um povo vivo, um povo que ama a vida, um povo de esperança, um povo que ama a paz. Nós nos alegramos, comemoramos e dançamos juntos, assim como o Profeta Davi fez diante da Arca da Aliança para celebrar a presença do Senhor. Meu único desejo é o de encontrá-lo pessoalmente para dizer-lhe uma palavra de gratidão - “obrigada” - e expressar-lhe o amor e a gratidão do meu povo. No final, junto a minha voz à do Papa Francisco e digo com uma voz cheia de confiança e fé:

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Se Deus é o Deus de paz - e Ele o é - então é errado travarmos guerra em Seu Nome. Se Deus é o Deus de amor - e Ele o é - então é errado odiar nossos irmãos e irmãs. Paz ... Paz ... Paz ... Obrigada ... Obrigada ... Obrigada ... Papa Francisco!

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Ir. Sheila Kinsey, FCJM Ir. Sheila Kinsey, Irmãs Franciscanas da FCJM, Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Co-Secretária Executiva da Comissão JPIC UISG-USG.

Irmã Sheila Kinsey, FCJM

A inspiração de São Francisco na Encíclica "Fratelli Tutti"

A INSPIRAÇÃO DE SÃO FRANCISCO NA ENCÍCLICA "FRATELLI TUTTI"

Original em inglês

Introdução A seguir, uma reflexão de uma Irmã Franciscana sobre Fratelli Tutti. Envolvi o espírito da mensagem da encíclica sobre a fraternidade e a amizade social na perspectiva Franciscana. Você pode considerar a mesma mensagem usando o espírito de seu carisma congregacional de maneira semelhante.

O Papa Francisco buscou novamente a inspiração de São Francisco em sua última encíclica Fratelli Tutti. É mais uma oportunidade para os religiosos e religiosas ajudarem a semear esta mensagem de fraternidade e de amizade social para uma Igreja e para um mundo em necessidade urgente de responder a este apelo devido aos desafios que encontramos hoje. Para ajudar a cultivar nossa resposta, o Papa Francisco pede para considerar a fecundidade pessoal de nossas sementes de bondade a partir das três perguntas: 1) Que forças positivas eu desencadeei? 2) Quanta paz social eu semeei? 3) Que bem alcancei na função que me foi confiada? (FT 197) Vamos nos engajar em nossas respostas juntas. São Francisco falou a partir da integridade de um coração unido. Ele foi consistente em sua auto-reflexão e buscou o conselho de companheiros de confiança. A compreensão de seu chamado deu-se desde a reconstrução física da Igreja de São Damião (1Celano 18) até a construção da Igreja de Deus. Para sermos mensageiras vibrantes, precisamos ter nossas vidas integradas à mensagem do Evangelho – a Boa Nova.

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Refletindo sobre Fratelli Tutti

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Irmã Sheila Kinsey, FCJM

A inspiração de São Francisco na Encíclica "Fratelli Tutti"

É para nós uma caminhada contínua no quotidiano da vida. Devemos ajudar os marginalizados e encontrar maneiras de fazer com que desenvolvam um sentido de pertença. Ao refletir sobre o Bom Samaritano, vemos que o tempo é um presente precioso que podemos dar aos outros. Também podemos considerar formas que advoguem pelo bem-estar dos outros, respeitando sua dignidade, ao considerarmos a necessidade de sua inclusão. Somos solicitadas a estender a mão com paixão pelo encontro e diálogo. Devemos abraçar os isolados e acolhê-los como pertencentes à nossa casa comum, assim como São Francisco abraçou o leproso (2Cel 9) e percebeu, depois de pensar, que havia beijado o rosto de Cristo. Não se tratou apenas de um evento, mas de um processo de aprendizagem para acompanhar, cuidar e apoiar os membros mais fragilizados e vulneráveis (FT 64). Uma revolução de ternura está no DNA do ser Franciscano. Francisco é um paradigma como pessoa de paz. Ele era uma pessoa que buscava a paz dentro de si e convocava os outros a fazer o mesmo. Suas palavras de “paz e bem” eram um incentivo para criar um lugar assim na Terra para todos. Tal paz se estendeu a toda a criação, envolvendo preocupações ecológicas tanto ambientais quanto sociais. Devemos olhar para as maneiras pelas quais a unidade prevalece sobre o conflito. Francisco tratou da contenda entre o prefeito e o bispo de Assis cantando uma estrofe do “Cântico da Criação”, junto com os cidadãos de Assis, na presença dos dois oponentes (MP 101).

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O Papa Francisco nos chama a considerar nossas preocupações políticas da mesma maneira que nos relacionamos com nossas famílias. Ele nos pede para ver os adversários políticos como vemos as disputas na família, onde as alegrias e tristezas de cada um dos membros são sentidas por todos. (FT 230) A diversidade de nossas opiniões deve ser vista no contexto do amor e da integridade de nossas posições. Somos encorajadas a criar locais onde o diálogo seja possível, porque vem do respeito pela dignidade inerente das pessoas e do desejo de construir uma casa comum. Hoje temos a “necessidade de os pacificadores trabalhar com ousadia e criatividade para iniciar processos de cura e de encontro renovado”. (FT 225)

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O bem que alcançamos na função que nos foi confiada, anseia por uma resposta pessoal baseada em nossas habilidades, capacidades e oportunidades em um nível e como uma resposta coletiva em outro. Isto não pode ser respondido de uma vez por todas, mas no quotidiano da vida. O povo de Assis ainda conta como Francisco ficava em oração o tempo necessário para compartilhar a mensagem do dia à multidão reunida fora de San Rufino. A multidão sabia que deveria esperar. Somos convidadas a estar constantemente abertas aos outros, qualquer que seja nossa tarefa na vida. Trata-se de espalhar o amor. Nossa resposta singular é imperativa. Respondemos a partir desse espaço interior, sendo contemplativas na ação. Esta conexão é tão integrada que é uma ação sagrada que interliga toda a criação. Cada dia nos oferece novas oportunidades. “Temos o espaço de que precisamos para a corresponsabilidade na criação e na implementação de novos processos e mudanças”. (FT 77)


Agora é a hora de nosso Espírito Franciscano contribuir para a vitalidade da igreja. São Francisco e nós, suas seguidoras, contribuímos para atualizar a realidade da interconexão de toda a criação. Ele cantou sua reverência por toda a criação e, mesmo em sua caminhada, tirava os vermes de seu caminho para que não fossem pisoteados. Tal era sua capacidade de fazer o que dizia. Francisco se envolveu num diálogo, fazendo uso da tradução, com Al Kamil, um muçulmano, mesmo enquanto a luta na cruzada continuava (1 Cel 422). Os dois homens estavam abertos um ao outro e o lugar especial que a Família Franciscana ocupa na Terra Santa se deve a este encontro.

Irmã Sheila Kinsey, FCJM

A inspiração de São Francisco na Encíclica "Fratelli Tutti"

Hoje, somos solicitadas a nos envolver em muitas oportunidades para esse diálogo. De forma semelhante, “somos solicitadas a promover uma ‘cultura do encontro’- ter paixão por conhecer outras pessoas, buscar pontos de contato, construir pontes, planejar um projeto que inclua a toda as pessoas. (FT 216) Precisamos responder a tudo o que nos é pedido neste momento.

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É importante acreditar na força dinâmica de toda a nossa Família Franciscana, que é melhor do que a soma de nossas partes. À medida que cada um, cada uma de nós dá sua humilde contribuição, percebemos que “é verdadeiramente nobre colocar nossa esperança no poder oculto das sementes de bondade que semeamos e, assim, iniciar processos cujos frutos serão colhidos por outras pessoas” (FT 196), sabendo que, “a estatura espiritual da vida de uma pessoa se mede pelo amor”(FT 92).

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Comissão de Educação UISG-USG

Pacto Educacional Global

PACTO EDUCACIONAL GLOBAL: DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES E DIRETRIZES PARA AÇÃO Comissão de Educação UISG-USG

A Comissão de Educação das duas Uniões das Superioras e dos Superiores Gerais (UISG-USG), revisou o trabalho realizado durante a edição 2020 do Seminário “Reconstruindo o Pacto Global pela Educação”, realizado nos dias 12, 13 e 14 de novembro e dirigido por Miriam Subirana e Pep Buetas, com a metodologia da Investigação Apreciativa. O documento resultante é fruto da integração das “Declarações de aspirações” e das “Linhas de ação”, desenvolvidas durante um trabalho de síntese realizado após o Seminário. Nesta edição do Boletim (e também nas seguintes) propomos alguns trechos deste documento. Esperamos que o lançamento do Pacto Global pela Educação represente o estímulo para promover uma mudança na nossa forma de educar, de considerar as pessoas, de estar presente no mundo em que vivemos. Nossos sonhos de um futuro diferente e de uma escola diferente, em um mundo que queremos mudar, coincidem. SONHAMOS JUNTOS a construção de um mundo mais humano para todas as pessoas!

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Inspirações às quais aspirar

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1 . Inspirados na proposta da aliança de Deus com a humanidade, unimos as forças de diferentes pessoas de todos os cantos da terra, selando um pacto para animar um projeto educacional global, onde nos reconhecemos a nós mesmos e uns aos outros em um círculo de dança, encontro e diálogo. Uma aliança que nos abre para dar vida, para construir pontes e cruzá-las para oferecer às gerações futuras confiança e esperança numa cultura de encontro. 2 . Jesus nos inspira a tratar todas as pessoas como irmãos e irmãs para criar um mundo fraterno e inclusivo ao serviço dos mais vulneráveis. Somos guardiães da casa comum e junto com os jovens pretendemos tornar este mundo mais humano, cheio de amor, gerando uma humanidade pacífica, solidária e fraterna. 3 . Sou uma criatura, sou terra: reconheço minha origem comum, pertença mútua e futuro compartilhado (Laudato Sì 202). Tenho dignidade, de qualquer parte do planeta de onde venho e em qualquer situação pessoal que me encontre. A igualdade nos une, nos conecta e Deus descobre que seu universo está crescendo com a humanidade e pede que nos comprometamos com o cuidado do mundo. Somos aprendizes da sabedoria coletiva. 4 . Bem-aventurados os que estão livres de todo preconceito e discriminação. Acolhemos cada pessoa como um dom a descobrir e nos colocamos a


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serviço do seu crescimento humano e espiritual, para que o sonho de Deus se torne realidade nelas. Benditos sejamos porque estamos interligados e construímos um projeto educativo para alegria e felicidade de todos. A ação educativa transforma o mundo e dá esperança à humanidade. Construir um mundo rico pela diferença e diversidade, onde todos possamos ter um rosto radiante, que reflete a beleza e a grandeza de Deus. Estamos vivendo um novo humanismo centrado na pessoa, baseado na equidade, na inclusão e no aprimoramento de si numa rede de relações fraternas. Como seres humanos, estamos ligados com o mundo inteiro, conosco mesmos, com os outros, com Deus e pelo cuidado da casa comum, comprometidos com a transformação do mundo. Procuremos construir um mundo de fraternidade e comunhão entre nós e com Deus: neste mundo há colaboração, paz interior, confiança em nós mesmos e nos outros, ajuda mútua, comunhão de ideias, perdão. Nele, todos têm o seu lugar, todos estão comprometidos, envolvidos e vivemos uma sinergia humana.

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1 . Somos comunidades educativas ágeis, abertas, fraternas, capazes de tomar decisões de forma sinodal, com prioridades claras e assumidas por toda a comunidade. Professores e famílias são apaixonados pela mudança sistêmica do paradigma educacional, sempre colocando a criança no centro, como sujeito e protagonista responsável por sua aprendizagem, nos processos de acompanhamento e supervisão de sua segurança. 2 . Somos uma comunidade educacional comprometida, corajosa e voltada para o bem comum, onde as práticas educacionais estão alinhadas com o objetivo de facilitar o crescimento de alunos responsáveis, criativos e competentes na transformação do mundo que nos rodeia. 3 . Declaramos que nossa comunidade educacional respeita a dignidade de todas as pessoas, acolhe suas diferenças, suas singularidades, seus direitos e permite um diálogo igualitário. Contamos com o potencial de cada um e damos espaço para a liberdade de todos. Escutamos as necessidades, possibilidades e sonhos de todas as pessoas com quem vivemos, acompanhamos o seu crescimento pessoal e juntos realizamos a nossa vocação para a transformação da sociedade: “Somos uma comunidade de paz e fraternidade porque nela se respeita a dignidade humana.”. 4 . Irradiamos dignidade porque vivemos como irmãos e irmãs capazes de amar e ser amados, dialogar, respeitar, colaborar, valorizar todas as pessoas e rezar juntos. 5 . Nós, comunidades educativas, assumimos uma consciência crítica baseada no diálogo e no discernimento que nos permite enfocar a nossa realidade local para buscar com empenho a verdade e as soluções concretas para os

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Comunidade Educacional

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desafios do nosso tempo e, portanto, promover sociedades acolhedoras, solidárias, justas, inclusivas e participativas. 6 . Como numa orquestra, contagiados pelo encontro, somos uma comunidade educativa em rede, que escuta os diversos sons produzidos pela pluralidade de rostos, vozes, sons do mundo contemporâneo. Cheios de alegria, vivemos a sinfonia da animação no serviço generoso, no cuidado do próximo, na participação e na colaboração criativa, para gerar vida e promover a educação. 7 . Os valores centrais da Doutrina Social Católica estão vivos e integrados em todos os níveis de nossos ambientes educacionais. Por meio do exemplo vivido, a comunidade educativa inspira, incentiva e capacita crianças e jovens a serem agentes de mudança, protagonistas do desenvolvimento da sociedade e do mundo, guardiães da Casa comum. 8 . Somos uma escola inclusiva que forma pessoas abertos ao mundo e onde todos os protagonistas sabem viver em fraternidade. * Para dar vida a esta escola precisávamos de um espaço onde todos os protagonistas fossem consultados e pudéssemos dialogar para definir os objetivos e planos de ação: comitês, reuniões diversas, seminários informativos,... * Para prevenir e reparar eventuais rupturas temos espaços para encontro e diálogo sobre todas as questões que nos permitem progredir: nos conselhos escolares, nas reuniões de avaliação, na resolução de dificuldades,... * Para continuar a desenvolver-se e a crescer, a escola procura as melhores práticas, abrindose e colaborando com outras entidades {dentro da escola, na área geográfica do país e ao nível do próprio país, bem como a nível internacional} em redes locais e internacionais de trabalho. O lema desta escola, como diz o ditado, é “Se quisermos ir longe, caminhemos juntos”. 9 . Nos educamos e nos expomos numa escola, com tudo o que somos, com nossa vocação, entre colegas, comunidade e meio ambiente, em harmonia, assumindo responsabilidade pelo passado, presente e futuro. Construímos a fraternidade integrando o que é diferente, o que derruba todos os muros, com empatia e consciência social e ecológica. 10. Nossa escola está aberta a todos. Segundo sua identidade, a escola é um lugar para criar vínculos, tecer relações e se conectar com a realidade. Nele, todos participamos desfrutando da diversidade, abundância, novidade e mudança. Todos são importantes e comprometidos com o desenvolvimento do potencial de cada pessoa que ali mora. Nossa escola quer ser acima de tudo uma oportunidade para os “descartados” de nossa sociedade. É uma escola “humana” que se comove com o sorriso de uma criança, expressa o que sente, aceita suas limitações e tem a coragem de priorizar o que é importante.

Linhas de Orientação para a Ação - Promover espaços de encontro, diálogo e hospitalidade para construir, de forma harmoniosa, a comunidade que almejamos. Compartilhar o que gostamos e o que nos dá energia.


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Conectar todos os níveis diferentes e incluir a família. Promover o protagonismo de todos os integrantes da comunidade educacional, em rede com outras instituições e organizações, e com a economia. Promover uma escola onde os processos de humanização prevaleçam em todas as ações, criando laços de comunhão e compartilhando os recursos disponíveis. Trabalhar na beleza e na disposição do ambiente escolar para acomodar a todos, principalmente aqueles com necessidades especiais. Envolver professores, alunos, administradores, famílias, grupos de gerenciamento, etc. no projeto educacional e nas questões urgentes da dignidade humana, direitos humanos e responsabilidade, cuidado de toda a criação e da ecologia integral, empoderamento de grupos vulneráveis, justiça econômica, promoção da paz neste mundo fragmentado. Envolver toda a comunidade educativa e principalmente as famílias, primeiras presenças educativas. Estabelecer alianças formando equipes heterogêneas, onde todos se sintam representados e a serviço da comunidade. Conectar as partes interessadas e interagir em nível local e regional. Acolher e envolver as pessoas com quem interagimos na ação educativa. Aceitar e valorizar a riqueza da diversidade multicultural. Abrir à comunidade para que ela participe da vida escolar. Envolver e capacitar todos os envolvidos na educação, para que haja participação e abertura para estratégias criativas. Construir comunidades de fé que sejam pontos de referência. Dispensar um tempo todos os dias para meditar pessoalmente e com outros membros da comunidade educacional. Organizar um encontro celebrativo para nos conhecermos melhor. Elaborar uma lista de pessoas e grupos interessados em colaborar e um mapeamento de possíveis colaboradores na área. Estimular a colaboração e o diálogo entre as gerações.

Trabalho em rede 1 . Percebemos, com alegria, que juntos buscamos o bem comum estabelecendo alianças educacionais para construir instituições de paz, justiça e produtividade / eficácia. 2 . Nossas instituições educacionais trabalham em redes fraternas e colaborativas; o diálogo e as relações abertas fluem graças à busca conjunta de alianças que possam gerar forte impacto na sociedade, transformando-a e dando-lhe vida, graças ao sentimento de pertença e ao compromisso de todos por um excelente trabalho em equipe, que cria solidariedade e espalha alegria. 3 . Estamos vivendo a grande profecia do Pacto Global pela Educação, fundado no amor universal e na fraternidade, que coloca a pessoa no centro. Trabalhamos em rede para reunir habilidades e talentos deliberativos num caminho comum que juntos trilhamos. Capacitamos a pessoa, reconhecemos

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e valorizamos a sua voz, diferente e plural, aberta às diferenças, que se enriquece humana e espiritualmente. Compartilhamos um sonho comum: educar. Educar é cuidar da pessoa no que ela é e no que vive e abri-la para todo um mundo de possibilidades, habilidades e sonhos que constroem a aldeia humana. 4 . Por meio de redes, damos vida ao Pacto Global pela Educação. Somos uma grande equipe que colabora internacionalmente e trabalha em escolas onde todos, meninos e meninas, se educam; uma escola aberta, inclusiva, missionária e evangelizadora, sem fronteiras, “em saída”, com educadores preparados e formados através de ‘comunidades de aprendizagem’. Somos apoiados e acompanhados pela força e energia da rede. 5 . As instituições educacionais e as famílias trabalham em rede, promovem a dignidade da pessoa: todos se sentem incluídos, se comprometem com a pessoa, investem todos os recursos disponíveis e influenciam as políticas públicas, alcançando uma educação universal de qualidade, no sentido mais amplo do termo.

Linhas de orientação para a ação - Aprofundar e aplicar os princípios vitais do Pacto Global pela Educação e o que ele implica, para que se torne uma prática educativa, vivida em equipa, tecendo redes. - Criar parcerias entre alianças e redes existentes, com coordenação da organização - Internacional para a Educação Católica (OIEC) e UISG. - Criar uma rede internacional para a formação de educadores nas linhas estratégicas do Pacto Global pela Educação. - Criar redes de comunicação com outras escolas católicas. - Organizar a criação de encontros virtuais internacionais de acordo com vários temas. - Conectar-se às redes existentes para trabalhar pelo bem comum e pela defesa da vida. - Criar uma plataforma de comunicação que nos conecte em projetos educacionais conjuntos. - Formar uma escola em busca de colaboração para caminharmos juntos numa fraternidade educativa. - Compartilhar recursos, como a capacidade de preencher pedidos de bolsas, suprimentos, educação, etc., com escolas que não têm igualdade de acesso a uma educação de qualidade.


A VIDA NA UISG

A Vida na UISG

A equipe da UISG, em setembro de 2021, se reuniu depois de muitos meses trabalhando a partir de suas casas. Como muitas de vocês, nossas vidas mudaram após esses meses no confinamento. Quero agradecer à equipe da UISG, em nome de cada uma de vocês, pelas diversas maneiras como trabalharam para garantir que a UISG continuasse a servir a vocês, líderes, e aos membros de suas congregações durante este período difícil. Apreciamos as muitas mensagens de apreço e somos muito gratas por termos tido o aparato tecnológico já disponível para os eventos online, antes mesmo do confinamento ter sido declarado. O acesso à tecnologia se deve em grande parte à generosidade de duas congregações dos Estados Unidos, com apoio adicional das fundações. Isso tem sido uma enorme ajuda no apoio à UISG em seus esforços para entrar em contato com os membros em todo o mundo e possibilitar a participação multilíngue. Nós sabemos que, embora as pessoas em certas partes do mundo já tenham recebido as vacinas necessárias, em outras ainda não. Continuamos a advogar pela disponibilidade de vacinas para todas as pessoas, especialmente para as que vivem nas partes mais pobres do mundo. Estamos trabalhando com muitas entidades diferentes por meio do Projeto de Defesa das Irmãs e em colaboração com a Força-Tarefa Saúde – Covid (Covid Health), criada pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral. Pedimos com insistência às Irmãs do mundo inteiro a esclarecer a população local sobre os benefícios de tomar a vacina, neutralizando a desinformação que está sendo amplamente divulgada. Em muitos países, existem redes de Irmãs Embaixadoras que trabalham ativamente em escolas, paróquias, clínicas e hospitais, a fim de fornecer informações corretas às pessoas. Informações úteis estão disponíveis em inglês, italiano e espanhol no site do Dicastério em https://www.humandevelopment.va/it/vatican-covid-19.html. Vamos fazer o que pudermos para cumprir nossa parte nas diferentes partes do mundo onde vivemos e atuamos. Os próximos meses são importantes para a UISG, uma vez que começamos a nos preparar para a Assembleia de 2022. Ela acontecerá ao longo de vários meses para incentivar a participação máxima. Embora ainda esperemos que muitas líderes congregacionais possam viajar a Roma em maio de 2022, desenvolvemos um processo de quatro partes para que aquelas que não puderem viajar sejam incluídas. Aqui estão as etapas significativas que planejamos: Parte I: 14 de março Explorando o tópico “Abraçando a Vulnerabilidade na Caminhada Sinodal”. Parte II: 4 de abril O que está emergindo enquanto nos preparamos para a Assembleia de maio? Parte III: 2 a 6 de maio Assembleia e audiência com o Papa Francisco (5 de maio) Parte IV: 11 de julho Colher os frutos Nós encorajamos os membros a colocar essas datas em suas agendas e a

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Do Escritório da Secretária Executiva

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participar de todas as maneiras que puderem - pessoalmente ou online. Este é um momento importante de reunião para as líderes das congregações religiosas, pois nos unimos à Igreja em todo o mundo no processo sinodal. Os vários projetos da UISG têm se desenvolvido bem durante esses tempos difíceis. O escritório da UISG para a Proteção e Cuidado (Care and Safeguarding) tem apoiado a nova Comissão Conjunta UISG-USG para a Proteção e Cuidado. Muitos webinars foram oferecidos aos Superiores e Superioras Gerais e seus Delegados/as sobre diferentes aspectos da Proteção e Cuidado de menores e adultos vulneráveis. Continuamos a encorajar as Superioras e os Superiores Gerais a designarem um/a Delegado/a à Proteção e Cuidado que possa participar dessas importantes reuniões online. A Delegada da Proteção e Cuidado é a pessoa nomeada em nível congregacional para auxiliar a Superiora Geral e seu Conselho na educação e capacitação dos membros na área da proteção e do cuidado, garantindo que as políticas e procedimentos estejam vigentes, assim como na realização de revisões periódicas. Essa pessoa também pode ser apoiada por uma equipe para que a “proteção e o cuidado” estejam no coração de quem somos e do que fazemos como religiosos e religiosas. Pedimos que entrem em contato com a Sra. Claudia Giampietro no Escritório de Proteção e Cuidado da UISG (salvaguardando@uisg.org) para inscrever o/a Delegado/a da Proteção e Cuidado de sua congregação ou para qualquer ajuda ou informação. No início de 2022, a UISG-USG, em uma publicação conjunta com a Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, disponibilizará as apresentações dos webinars anteriores. Estas publicações serão postadas em 3 idiomas (italiano, espanhol e inglês). A Comissão Conjunta da Proteção e Cuidado está trabalhando em estreita colaboração com a Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e o novo Instituto de Antropologia, Estudos Interdisciplinares sobre Dignidade e Cuidado Humano (CID) da Universidade Gregoriana. Este novo instituto oferece uma variedade de programas em vários níveis e um número crescente de Irmãs está se inscrevendo e recebendo capacitação especializada na área da proteção e do cuidado. Os programas são oferecidos em inglês e espanhol. Para mais informações, consulte os links a seguir: https://www.unigre.it/en/events-and-communication/communication/newsand-press-releases/creation-of-the-institute-of-anthropology-iadc/ https://www.tutelaminorum.org Finalmente, queremos encorajá-la a comprometer sua congregação a se juntar à comunidade católica mundial em resposta ao apelo do Papa Francisco para participar de uma caminhada de sete anos em direção à sustentabilidade e ecologia integral, desenvolvendo uma Plataforma de Ação Laudato Si ‘. Este compromisso marca nossa disposição como religiosas de aceitar o “apelo urgente” da Laudato Si ’para escutar e responder ao clamor da Terra e ao clamor dos pobres, tornandoo uma prioridade congregacional. Mais informações estão disponíveis no site Semeando Esperança para o Planeta - https://www.sowinghopefortheplanet.org/ Estamos aprendendo o benefício de colaborar e de trabalhar em rede, em todo o mundo, para responder ao apelo do Papa Francisco por uma conversão ecológica pessoal e comunitária.


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Notícias Tornar-se irmãos, tornar-se irmãs.

Sisters Empowering Women (Irmãs Empoderando Mulheres): uma série de webinars com as religiosas e sobre as religiosas A UISG promoveu uma série de 6 encontros via webinar sobre 7 palavras-chave do Magistério do Papa Francisco: sinodalidade, educação, economia, saúde, paz, cuidado e defesa. Ao longo da caminhada, que aconteceu online, de março a julho de 2021, a encíclica Fratelli Tutti nos acompanhou. O objetivo desta série de encontros foi destacar como as religiosas no mundo, independentemente do tipo de missão que desempenham, são capazes de tecer essa fraternidade e sororidade humanas por meio do empoderamento das mulheres, em particular, e das pessoas em geral. Todas as pessoas que compareceram eram religiosas com funções nas Pontifícias Universidades, nos Dicastérios do Vaticano, ou empenhadas na missão com o povo sobre os temas escolhidos. Quase 2.000 pessoas participaram destes encontros via webinar. Pela primeira vez, esses eventos foram realizados em 8 idiomas: além dos idiomas internacionais, incluímos polonês, árabe e alemão. Um desafio e um investimento para que as Irmãs se conheçam melhor.

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Um encontro entre a UISG e a USG sobre “Fratelli Tutti”: A vida consagrada ao serviço da Fraternidade no mundo ferido, 26-27-28 de maio de 2021. A reunião entre os membros da USG e da UISG nasceu de um desejo crescente ao nível dos Conselhos Executivos da USG e da UISG de ter a oportunidade de reunir os superiores e as superioras das congregações femininas e masculinas para refletir juntos sobre questões importantes durante este período de desafios na Igreja e no mundo. A estrutura e o funcionamento das duas associações são bastante diferentes. A USG organiza duas assembleias por ano, em maio e novembro, enquanto a UISG se reúne em assembleia uma vez a cada três anos. Normalmente, cerca de 125 membros da USG comparecem às suas Assembleias, assim foi decidido convidar um número semelhante de Superioras Gerais da UISG para comparecer à Assembleia de maio. O tema escolhido foi Vida consagrada a serviço da fraternidade em um mundo ferido. As participantes da UISG incluíram, em primeiro lugar, os membros do Conselho Executivo da UISG e as Delegadas das Constelações da UISG em todo o mundo. As demais participantes foram selecionados para representar outras partes do mundo e foram adicionados outros membros das Constelações mais numerosas. Foi um primeiro encontro histórico muito apreciado pelas pessoas que participaram dele. Prevê-se a organização de outros encontros semelhantes, ao embarcarmos juntos numa caminhada sinodal, durante a qual outros membros da UISG serão convidados a participar. Para ler os testemunhos das participantes, acessar o site www.uisg.org

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Para ter acesso às gravações nas 8 línguas, acesse este link: http://bit.ly/ Empowering2021

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Uma Plataforma Laudato Si O encerramento do ano especial dedicado a Laudato Sí aconteceu em maio de 2021 e, na ocasião, foi apresentada a Plataforma Laudato SÌ com iniciativas e recursos para as congregações para os próximos sete anos: um tema por ano. A UISG colabora com o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral através da campanha “Semeando Esperança para o Planeta”, na pessoa de Ir. Sheila Kinsey, coordenadora da iniciativa. Ir. Sheila conseguiu criar um verdadeiro e singular livreto de endereços de Irmãs encarregadas da missão “Ecologia Integral” para suas congregações. A Campanha das “Religiosas Laudato Sì” é um verdadeiro movimento espiritual e concreto (massa crítica) que nos exorta a cuidar de nossa casa comum. Um site inteiramente dedicado à Laudato Sì, foi aberto: www.laudatosi.va. Para manter-se atualizada sobre a Campanha, acesse o site: www.sowinghopefortheplanet.org

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Comunicação digital e a pandemia “As congregações que já possuíam uma série de espaços virtuais atualizados puderam vivenciar o isolamento de uma forma mais relacional e também responder, do ponto de vista missionário e pastoral, com mais prontidão e criatividade às necessidades de seus contextos”. Diversas congregações pediram uma reflexão sobre como foi mudando a nossa relação com as Tecnologias da informação e da comunicação durante a pandemia: o que aprendemos e como valorizar este recurso. O que posso fazer na minha realidade para aprimorar o que aprendemos? O que preciso aprender para viver as duas dimensões, virtual e concreta, de forma integrada? A realidade hoje é virtual e concreta: vivemos naturalmente no virtual no último ano e meio; o desafio é não perder esse potencial e capacitarmo-nos para viver as duas dimensões da realidade, como consagradas, na consciência e no discernimento digital contínuo. O escritório da Comunicação da UISG, em colaboração com os Setores de comunicação de algumas congregações, elaborou um documento com algumas reflexões e questões para o diálogo e o discernimento pessoal e institucional sobre “Comunicação e Pandemia”. O documento está disponibilizado no site da UISG www.uisg.org em três línguas. Colaboração entre as Superioras (Líderes) e as Comunicadoras Em maio, houve um diálogo entre as superioras e as comunicadoras de diferentes institutos com o objetivo de evidenciar o que podem ser boas práticas para facilitar a colaboração entre as duas realidades da mesma Congregação para o bem da missão.


A Vida na UISG

A comunicação digital desempenha um papel essencial hoje: não podemos deixar de nos comunicar, porque outras pessoas o farão em nosso lugar. Isso traz novas questões e desafios para a vida religiosa feminina: investir na comunicação e na formação das Irmãs. Para cuidar da própria comunicação, é necessária uma colaboração efetiva entre as superiores e as Irmãs (ou leigos e leigas) comprometidas com a missão de comunicar. Para descarregar o documento em espanhol, inglês ou francês, acesse o link: https://bit.ly/3gyqKVK

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Irmãs, a Advocacia Global: Projeto da UISG sobre a Advocacia ”As Irmãs estão envolvidas em muitos aspectos da vida hoje, especialmente ao lado das pessoas que vivem à margem da sociedade. Estamos envolvidas na educação e na saúde, inclusive no desenvolvimento comunitário, e igualmente em questões emergentes como tráfico, migração e cuidado com a Terra. Como irmãs, queremos ver como podemos caminhar ao lado das pessoas, ser suas companheiras, ajudá-las a serem ouvidas e também elevar nossa voz por elas. Estamos particularmente preocupadas com o cuidado com o meio ambiente, que vemos sendo devastado e destruído todos os dias, e com os efeitos das mudanças climáticas, que impactam nossa convivência na Terra. Esta é a nossa casa comum e queremos trabalhar em conjunto com todas as pessoas de boa vontade para criar uma mudança.” (Ir. Patricia Murray, Secretária Executiva da UISG) Este último projeto da UISG promove iniciativas de formação para ajudar as irmãs a advogarem e a fazerem campanhas de comunicação, a fim de tornar conhecida a missão das Irmãs no âmbito da saúde, ecologia e tráfico de pessoas. Para saber mais a respeito, contatar advocacy.coordinator@uisg.org ou acessar o site www.uisg.org

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PESSOAL DA UISG SECRETARIADO

Ir. Patricia Murray, ibvm Secretária Executiva

segretaria.esecutiva@uisg.org 06 684002 36

Rosalia Armillotta Assistente da Secretária Executiva FINANÇAS

ufficio.segreteria@uisg.org 06 684002 38

Aileen Montojo Administradora de Finanças Sr. Sunitha Luscious, zsc Assistente Administradora de Finanças Patrizia Balzerani Secretária Membership

COMUNICAÇÃO

economato@uisg.org 0668.400.212

assistente.economato@uisg.org 06 684002 49

Patrizia Morgante Responsável de Comunicação

comunicazione@uisg.org 06 684002 34

Sr. Thérèse Raad, sdc Escritório de Comunicação (Voluntária)

comunicazione@uisg.org 0668.400.233

Antonietta Rauti Coordinadora de Boletim UISG SERVIÇOS

Bianca Pandolfi UISG Information Office Svetlana Antonova Assistente Técnica Serviços

PROJECTOS

bollettino@uisg.org 06 684002 30 info@uisg.org assis.tec@uisg.org 0668.400.250

Gerais

Ir. Florence de la Villeon, rscj Projecto Migrantes

rete.migranti@uisg.org 06 68400.231

Ir. Gabriella Bottani, smc Coordinadora “Talitha Kum”

coordinator@talithakum.info 06 684002 35

Sr. Mayra Cuellar, mb Talitha Kum Database Sr. Mary Niluka Perera, sgs Catholic Care for Children International Claudia Giampietro Office for Care and Protection Sr. M. Cynthia Reyes, sra Programa Formação UISG Paula Jordão Formation Coordinator Giulia Oliveri Grant Manager Conselho de Canonistas

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ccc@uisg.org 0668.400.225 safeguarding@uisg.org 0668.400.225

formators.programme@uisg.org 0668.400.227 formation@uisg.org 0668.400.245 gm@uisg.org 0668.400.229 canoniste@uisg.org 0668.400.223


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