LITÍGIOS CIVIS INTERNACIONAIS NO ESPAÇO IBERO-AMERICANO Coordenadores INEZ LOPES GUILLERMO PALAO MORENO RENATA ALVARES GASPAR THIAGO PALUMA
Coordenadores Inez Lopes Guillermo Palao Moreno Renata Alvares Gaspar Thiago Paluma
LITÍGIOS CIVIS INTERNACIONAIS NO ESPAÇO IBERO-AMERICANO
Copyright© Tirant lo Blanch Brasil Editor Responsável: Aline Gostinski Assistente Editorial: Izabela Eid Capa e diagramação: Natália Carrascoza Vasco CONSELHO EDITORIAL CIENTÍFICO: Eduardo Ferrer Mac-Gregor Poisot Presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Investigador do Instituto de Investigações Jurídicas da UNAM - México
Juarez Tavares Catedrático de Direito Penal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Brasil
Luis López Guerra Ex Magistrado do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Catedrático de Direito Constitucional da Universidade Carlos III de Madrid - Espanha
Owen M. Fiss Catedrático Emérito de Teoria de Direito da Universidade de Yale - EUA
Tomás S. Vives Antón Catedrático de Direito Penal da Universidade de Valência - Espanha
É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, inclusive quanto às características gráficas e/ ou editoriais. A violação de direitos autorais constitui crime (Código Penal, art.184 e §§, Lei n° 10.695, de 01/07/2003), sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei n°9.610/98).
Todos os direitos desta edição reservados à Tirant lo Blanch. Avenida Brigadeiro Luiz Antonio nº 2909, sala 44. Bairro Jardim Paulista, São Paulo - SP CEP: 01401-000 Fone: 11 2894 7330 / Email: editora@tirant.com / atendimento@tirant.com www.tirant.com/br - www.editorial.tirant.com/br/
Impresso no Brasil / Printed in Brazil
Coordenadores Inez Lopes Guillermo Palao Moreno Renata Alvares Gaspar Thiago Paluma
LITÍGIOS CIVIS INTERNACIONAIS NO ESPAÇO IBERO-AMERICANO
SUMÁRIO Autores 7 Prólogo 9 Introdução 11 Lista Dos Tradutores E Textos Traduzidos
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PARTE I Direito Processual Civil Internacional: Questões Específicas Por Que Homologação De Decisão Estrangeira?
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Forum Shopping E Forum Non Conveniens Nos Estados Parte Do Mercosul: Estado Da Arte E Sua Consonância Com Os Princípios Asadip Sobre Acesso Transnacional À Justiça (Transjus)
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Propostas Para O Aprofundamento E Atualização Da Cooperação Jurisdicional Internacional E O Reconhecimento De Sentenças Estrangeiras No Âmbito Interamericano
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A Residência Habitual Da Criança No Regulamento Bruxelas Ii Bis – Uma Visão A Partir Da Jurisprudência
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Análise Comparativa Da Arbitragem Comercial Internacional Nos Ordenamentos Jurídicos Brasileiro E Venezuelano 105 Jurisdição Internacional Em Matéria De Contratos De Consumo No Brasil E Espanha
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A Cooperação Jurídica Internacional No Âmbito Das Relações Privadas Transfronteiriças Em Cuba
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Pactos Atributivos De Jurisdição Em Matéria Laboral - Anotação Ao Acórdão Do Supremo Tribunal De Justiça (4.ª Secção) De 8 De Maio De 2019
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Fundamentos Da Jurisdição Internacional Brasileira À Luz De Princípios Aplicáveis Ao Direito Processual Civil 197 Outra Hipótese Infundada De Jurisdição Exclusiva No Novo Código De Processo Civil Brasileiro: A Confirmação Do Testamento Particular 213 Mobilidade Transnacional De Dados E Imperativos Da Cooperação Jurídica Internacional PARTE II Direito Processual Internacional: Entre O Privado E O Público
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O Sistema De Precedentes E A Aproximação Das Tradições Do Common Law E Do Civil Law Na América Latina
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A Relação Entre O Direito Interno E O Internacional À Luz Do Estado Constitucional Cooperativo A Partir Da Análise Do Caso Gomes Lund
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Desenvolvimentos Normativos Para A Proteção Dos Consumidores Turistas À Luz Do Direito Internacional Privado: Esforços Locais, Regionais E Globais
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AUTORES • Anabela Susana de Sousa Gonçalves - Professora da Universidade do Minho - Portugal • Augusto Jaeger Junior - Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brasil • Claudia Lima Marques - Professora da Universidade Federal de Rio Grande do Sul - Brasil • Claudia Regina de Oliveira Magalhães da Silva Loureiro - Professora da Universidade Federal de Uberlândia - Brasil • Daniela de Melo Crosara - Professora da Universidade Federal de Uberlândia - Brasil • Eduardo Tellechea - Professor da Universidade de Montevidéu - Uruguai • Fabricio Bertini Pasquot Polido - Professor da Universidade Federal de Minas Gerais - Brasil • Fernando Meinero - Professor da Universidade Federal do Pampa - Brasil • Guillermo Palao Moreno – Professor Catedrático da Universidade de Valencia - Espanha • Inez Lopes - Professora da Universidade de Brasília – Brasil • Ivette Esis – Professora da Universidade Autónoma de Chile - Chile • Luciane Klein Vieira - Professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS - Brasil • Marcelo De Nardi - Professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS - Brasil • Maelia Esther Pérez Silveira - Professora da Universidade de Habana - Cuba • Nicole Rinaldi de Barcellos - Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Brasil • Renata Alvares Gaspar – Pós-doutoranda do Programa de Pós-Grauação em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia - Brasil • Rui Manuel Moura Ramos – Professor Catedrático da Universidade de
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Coimbra - Portugal • Tatiana de Almeida Freitas Rodrigues Cardoso Squeff – Professora da Universidade Federal de Uberlândia - Brasil • Thiago Gonçalves Paluma Rocha – Professor da Universidade Federal de Uberlândia - Brasil • Valesca Raizer Borges Moschen - Professora da Universidade Federal do Espírito Santo - Brasil
PRÓLOGO El derecho comparado de nuestros días experimenta desarrollos vertiginosos. Dejó de ser “el hobby del ayer” –así lo calificaba una célebre frase de un renombrado comparatista–, para reclamar un sitial de preponderancia no solo en las ramas “transfronterizas” del quehacer jurídico –como el derecho internacional privado–, sino también en otras tradicionales como las obligaciones y los contratos; o más recientes como la consumerista; e incluso en ciernes, como las relacionadas a nuevas tecnologías. “El jurista de hoy se encuentra viviendo una época de oro”, reza otra feliz y muy citada aseveración. Ese privilegio, sin embargo, impone un mayor compromiso a los académicos de fuste o referentes en sus respectivas especialidades, de poner al alcance de su radio de influencia –actual o potencial– las novedades y refinamientos que ebullen en el derecho comparado, impactando las distintas materias en las que los cultores jurídicos van centrando su atención. Es motivo de júbilo, pues, que aparezca una obra como la que me cabe a honra prologar. Reconocidos especialistas en distintos temas tratados en este libro, todos –además– respectivamente embebidos con el derecho comparado imprescindible para abordarlos, nos regalan un texto que, a no dudarlo, será referencia obligada en las cuestiones solventemente desarrolladas en sus distintos capítulos. La obra presenta una particularidad importante, al aglutinar juristas luso-hispanoamericanos que, desde sus diferentes perspectivas, la enriquecen aún más. Europa y Latinoamérica, de hecho, se encuentran a la vanguardia de los desarrollos más importantes – entre otros– del derecho internacional privado en la historia mundial; con hitos desde el siglo XIX que, aún hoy, no lograron alcanzar otras regiones, como, por ejemplo, la imponente red de tratados y reglamentos comunitarios que han sabido concretar con éxito. De hecho, esta obra aborda varios de ellos, como el reglamento Bruselas II bis, u otros instrumentos de cooperación internacional, por citar un par de ejemplos. Y así como América Latina ha estado al frente en la concreción de los primeros tratados con una vigencia espacial efectiva importante –los de Montevideo de 1889–, hoy nuevamente se encuentra a la vanguardia con iniciativas –antes a nivel continental y actualmente en el plano global– en lo que respecta a la protección al consumidor, tema precisamente de otra de las contribuciones del libro.
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Merecen particular mención también los capítulos relativos a la cooperación internacional, e incluso el tratamiento del aporte –sobre todo potencial– que representa para la región el trabajo de la Asociación Americana de Derecho Internacional Privado (ASADIP) –que tuve el honor de presidir en su momento– culminante en los llamados “Principios Transjus” de acceso internacional a la justicia, de altísima calidad en su concreción científica. El libro es, además, rico en la variada temática tratada, que va desde derecho del niño, hasta el sucesorio, de seguros e incluso el laboral, todos desde una visión comparativa. Y, no por ser último, merece menos destaque el aporte comparativo hecho del sistema de precedentes en el derecho civil y el anglosajón. En fin, encontrará el lector, en este libro, valiosos aportes hechos por destacados juristas cosmopolitas, que saben de lo que hablan, y se han tomado el trabajo de plasmar por escrito sus contribuciones que, a no dudarlo, pasarán a enriquecer las bibliotecas que las sumen. Felicito, pues, a los autores –entre los cuales se encuentran algunos con los que he cultivado una entrañable amistad–, y les insto a que sigan en la buena senda de generar textos que hagan asequibles al público ampliado los avances de aquel “hobby del ayer” –el derecho comparado–, que ebulle hoy con toda su fuerza. Asunción, junio de 2020 José Antonio Moreno Rodríguez Miembro del Consejo de Gobierno de UNIDROIT. Vicepresidente del Comité Jurídico Interamericano de la OEA. Profesor en la Academia de La Haya de Derecho Internacional. Integrante de Comités de Anulación del del CIADI. Miembro de la Corte Permanente de Arbitraje de La Haya. Ex Miembro de la Corte de Arbitraje de la ICC. Miembro de la Court of Arbitration for Sports. Anterior Presidente de la Asociación Americana de Derecho Internacional Privado (ASADIP). Profesor y autor de publicaciones en las Américas, Europa y Asia. Web personal: www.jmoreno.info
INTRODUÇÃO NOTA DOS COORDENADORES Em outubro de 2017, a Coordenação da Rede de Processo Civil Internacional (adiante RPCI ou Rede-PCI) formada pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU – Dr. Thiago Paluma e Dra. Renata Alvares Gaspar -, Universidade de Brasília – UnB – Dra. Inez Lopes – e pela Universidade de Valencia – Dr. Guillermo Palao -, iniciou os procedimentos para convidar os Pesquisadores tanto para compor a Rede-PCI, quanto para os que aceitaram contribuir com esta obra coletiva que, dentro do espaço Ibero-americano, desenvolvem pesquisas ligadas aos litígios internacionais e seus desafios na contemporaneidade marcada, de forma indelével, pela consolidação do processo de mundialização das relações jurídicas com transcendência internacional. A RPCI, como o próprio nome diz, refere-se principalmente a estudos voltados para os litígios no âmbito do Direito Internacional Privado (adiante DIPr), sendo que a Coordenação pensou – e decidiu – que os convites seriam enviados para todos aqueles que, dentro deste espaço geográfico – e cultural –, trabalhassem temas de processo internacional. Ademais, para além de um projeto de pesquisa a ser realizado de forma individual, no seio da RPCI se pensou, orientou e se animou que os Pesquisadores produzissem de forma conjunta e num diálogo permanente, inclusive considerando a possibilidade de trabalhos entre Pesquisadores de nacionalidades e “lugares” de pesquisa diversos dentro da Ibero-América. Desta forma, foi proposto o presente livro como produto das pesquisas, materializado em artigos científicos, refletindo uma produção dialógica, a partir de conversas genuínas de cientistas de lugares distintos, a fim de alcançar não só mais substância e profundidade, mas também e sobretudo, iniciar ou canalizar uma vocação Ibero-Americana de pesquisas relativas ao processo internacional, buscando atender as necessidades desta cidadania, inserida na aldeia global. E assim foi. A obra que com alegria se realiza neste livro Coletivo, composta por 14 artigos escritos por 16 Pesquisadores e Pesquisadoras, de 13 Instituições de Ensino Superior da América Latina, Portugal e Espanha, todos de alto nível e
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reconhecidos(as) na temática desenvolvida dentro e fora da Ibero-América, ecoa quase dois anos de diálogo e reflexões, entre autores(as) e coautores(as) e, ainda entre estes e todos os demais Pesquisadores e Pesquisadoras que compõem a RPCI. Este diálogo deu-se não só mediante o uso das novas tecnologias, que felizmente nos aproxima, mas e sobretudo, em duas edições do Congresso Brasileiro de Direito Internacional – 15° e 16° CBDI – realizados em 2018 e 2019. Nestas edições, a Rede-PCI teve um espaço para seu workshop, onde pode reunir parte dos membros, que expuseram o andamento de suas pesquisas com o objetivo de dialogar com os demais componentes da Rede-PCI. Portanto, a RPCI, que é uma verdadeira Rede de produção de conhecimento Ibero-Americano na temática relativa ou pertinente a litígios internacionais, oferece à comunidade acadêmica – como fruto inicial de um trabalho que se pensa durará no tempo e, quem sabe, ampliará seu espaço –, este livro; uma obra recheada de textos de excelência que seguramente auxiliarão na reflexão crítica do Direito Processual Internacional, considerando como seu desiderato a realização de Justiça e a segurança jurídica a partir de uma olhar Ibero-Americano. Para a realização desta obra coletiva foi necessário não só o comprometimento dos Pesquisadores, mas também a cooperação entre todos estes e as Monitoras da Rede-PCI, de modo a viabilizar não só a organização deste livro, mas e sobretudo, na realização de sua editoração, que como sabemos, demanda um trabalho hercúleo. A cooperação entre os membros deu-se não somente no diálogo já referido, mas especificamente nas traduções colaborativas dos textos escritos originalmente em português e em espanhol, permitindo, assim, que chegássemos a uma distribuição em duas versões, cumprindo o desiderato de alcançar o espaço ibero-americano como um todo. Desta forma, os Pesquisadores da RPCI ademais de estabelecerem um diálogo franco e direto entre todos, realizaram, na maioria das contribuições, trabalhos conjuntos e, ainda, se dispuseram a traduzir outros textos, como se pode ver do listado de tradutores indicados na contracapa do livro. E para auxiliar na tarefa de editoração, a RPCI contou com as Monitoras Mariana Romanello Jacob (Mestranda da McGill University e Pesquisadora do Grupo DGC), Marcela Nogueira Martins (Graduanda da UFU) e Natália Madsen dos Santos (Pesquisadora do Grupo DGC). A elas nossos sinceros agradecimentos pelo labor intenso realizado para que este livro se tornasse realidade. Assim, então, se apresenta esta obra, intitulada “Litígios Internacionais no Espaço Ibero-Americano”, cujo conteúdo foi dividido em duas partes: I. Direito
INTRODUÇÃO - INEZ LOPES E GUILLERMO PALAO MORENO E RENATA ALVARES GASPAR E THIAGO PALUMA
Processual Civil Internacional: questões específicas; e II. Direito Processual Internacional: entre o privado e o público. Na Parte I, o leitor encontrará uma série de textos dedicados a temas específicos de Direito Processual Civil Internacional (DPCI). De sorte que o leitor deparar-se-á com texto interessantíssimo em que são analisadas as razões jurídicas dos processos de reconhecimento de decisões estrangeiras, onde os Pesquisadores Dra. Inez Lopes (UnB) e Dr. Marcelo De Nardi (UNISINOS), apresentam uma reflexão crítica sobre a alteração do termo “sentença estrangeira” para “decisão estrangeira” no Código de processo Civil de 2015. A temática analisa os efeitos dessa mudança, a partir de uma análise de revisão histórica jurídico-legal do instrumento de cooperação jurídica internacional sobre a regulamentação de sentença/ decisão estrangeira. Estuda a expressão em vários instrumentos internacionais sobre sentenças estrangeiras, como por exemplo, a recente Convenção d’A Haia de 2019 sobre Sentenças Estrangeiras, a Convenção de Nova Iorque de 1958 sobre Laudos Arbitrais e a Convenção de Singapura de 2018 sobre Mediação. A contribuição das Pesquisadoras Dra. Renata Alvares Gaspar (UFU) e Dra. Luciane Klein Vieira (UNISINOS) apresenta o estado da arte da regulamentação do forum shopping e do forum non conveniens nos Estados Partes do MERCOSUL, à luz dos Princípios ASADIP de Acesso Transnacional à Justiça (TRANSJUS). O artigo intitulado “Forum shopping e Forum non conveniens nos Estados Parte do MERCOSUL: estado da arte e sua consonância com os Princípios ASADIP sobre Acesso Transnacional à Justiça (TRANSJUS)” objetiva aferir se a regulamentação destes instrumentos de DPCI ao interior deste âmbito espacial estão em consonância com a governança global realizada pela ASADIP (Associação Americana de Direito Internacional Privado), a qual, por meio dos TRANSJUS, oferece norma óptima de acesso à Justiça, pensada e concretizada com apoio e colaboração de seus membros, acadêmicos das Universidades mais expressivas da região. Já pensando diretamente no espaço Ibero-Americano e nas questões relativas ao reconhecimento de sentenças estrangeiras, o Pesquisador Dr. Eduardo Tellechea (Universidade de Montevidéu/Uruguai), no artigo “Propostas para o aprofundamento e atualização da cooperação jurisdicional internacional e o reconhecimento de sentenças estrangeiras no âmbito Interamericano” apresenta reflexão crítica sobre a regulamentação das temática na região, e apresenta uma proposta para o aprofundamento da cooperação interjurisdicional nesta matéria. A Pesquisadora Dra. Anabela Gonçalves (Universidade do Minho/Por-
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tugal) aborda questões complexas relativas à residência habitual da criança no Regulamento Bruxelas II bis, a partir da análise jurisprudencial sobre o tema. A autora analisa a interpretação da norma no espaço europeu e investiga a jurisprudência portuguesa relativa ao conceito de residência habitual da criança. Outro tema de grande importância é o da arbitragem comercial nas relações jurídicas transfronteiriças. Os Pesquisadores Dr. Thiago Paluma (UFU/ Brasil) e Dra. Ivette Esis (Universidade Autônoma do Chile/Chile) estudam este tema no artigo “Análise comparativa da Arbitragem Comercial Internacional nos ordenamentos jurídicos brasileiro e venezuelano” e buscam demonstrar as vantagens da arbitragem quando comparada à resolução judicial e as principais regras sobre arbitragem previstas nos ordenamentos jurídicos brasileiro e venezuelano. A competência judicial internacional é estudada pelos Pesquisadores Dr. Guillermo Palao (Universidade de Valencia/Espanha) e Dra. Valesca Raizer (UFES/Brasil) no texto “Jurisdição internacional em matéria de contratos de consumo no Brasil e Espanha”, em uma análise comparativa, com observações da convergência entre os ordenamentos jurídicos do Brasil e da Espanha para manter uma determinada visão pró-consumerista que parte do reconhecimento constitucional da proteção dos interesses legítimos desse grupo. Os autores se propõem a estudar como o direito internacional de ambos os países regulam o acesso à justiça comum para consumidores em situações transfronteiriças em matéria de contratos de consumo. A colaboração da Pesquisadora Dra. Maelia Silveira (Universidade da Havana/Cuba), com o tema “A cooperação jurídica internacional no âmbito das relações privadas transfronteiriças em Cuba” enriquece esta obra coletiva no tema de cooperação jurídica internacional, que mantém uma relação simbiótica com o DPCI, desde a ótica jurídica e relativa às relações privadas internacionais, à luz do sistema jurídico cubano. O texto do Pesquisador Dr. Rui Moura Ramos (Universidade de Coimbra/ Portugal) sobre “Pactos atributivos de jurisdição em matéria laboral: Anotação ao Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (4.ª Secção) de 8 de maio de 2019”, analisa um problema de competência internacional dos tribunais portugueses em matéria laboral, e a sobreposição entre os sistemas de regulação nacional e da União Europeia e a dimensão processual da disciplina das relações privadas plurilocalizadas em contratos de trabalho. Os Pesquisadores Dr. Augusto Jaeger Junior (UFRGS/Brasil) e Doutoranda Nicole R. de Barcellos (UFRGS/Brasil) abordam os “Fundamentos da juris-
INTRODUÇÃO - INEZ LOPES E GUILLERMO PALAO MORENO E RENATA ALVARES GASPAR E THIAGO PALUMA
dição internacional brasileira à luz de princípios aplicáveis ao Direito Processual Civil”, com o propósito de analisar os fundamentos dos critérios de aferição da jurisdição concorrente e da jurisdição exclusiva de acordo com o direito brasileiro à luz dos princípios aplicáveis ao direito processual civil internacional. À luz do Código de Processo Civil Brasileiro, o pesquisador Dr. Fernando Meinero (UNIPAMPA/Brasil) apresenta trabalho intitulado “Outra hipótese infundada de jurisdição exclusiva no novo Código de Processo Civil brasileiro: a confirmação do testamento particular”. A partir de uma análise crítica, o trabalho busca demonstrar que o legislador brasileiro aumentou, sem uma justificativa plausível, as hipóteses de jurisdição exclusiva no sistema jurídico brasileiro. O Pesquisador Dr. Fabrício Pasquot Polido (UFMG/Brasil) encerra esta primeira parte com uma análise crítica da cooperação jurídica internacional em matéria de proteção transnacional de dados no artigo “Mobilidade transnacional de dados e imperativos da cooperação jurídica internacional”. Debruça sobre a essencialidade da cooperação nesta questão, pela sua própria natureza e essencialidade num mundo globalizado. A Parte II - Direito Processual Internacional: entre o privado e o público busca promover diálogos transversais de direito internacional privado e a intersecção entre esses ramos do direito no âmbito dos litígios internacionais. O trabalho da Pesquisadora Dra. Daniela Crosara (UFU/Brasil) “O sistema de precedentes e a aproximação das tradições do Common Law e do Civil Law na América Latina”, apresenta um estudo de direito comparado. A autora analisa a aproximação ocorrida deste instituto – precedentes – nos sistemas jurídicos da América Latina, bem como a análise da aproximação das tradições do Common Law e do Civil Law por meio da adoção de precedentes judiciais. A Pesquisadora Dra. Claudia Loureiro (UFU/Brasil) analisa as premissas do Estado constitucional cooperativo, acunhado por Peter Haberle, no caso Gomes Lund, em que o Estado brasileiro foi demandado perante a Corte Interamericana de Proteção dos Direitos Humanos, num litígio internacional, que culminou com a condenação do Estado. O artigo “A relação entre o direito interno e o internacional à luz do Estado constitucional cooperativo a partir da análise do caso Gomes Lund” analisa o caso sobre as vertentes do direito Constitucional e do direito internacional à luz da cooperação jurídica internacional. O artigo “Desenvolvimentos normativos para a proteção dos consumidores turistas à luz do direito internacional privado: Esforços locais, regionais e
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globais” elaborado pelas Pesquisadoras Dra. Tatiana Squeff (UFU/Brasil) e Dra. Cláudia Lima Marques (UFRGS/Brasil) analisa o desenvolvimento normativo para a proteção dos consumidores turistas à luz do direito internacional privado, considerando os esforços de governança global, governança regional e seu diálogo com as políticas públicas locais. A presente obra coletiva é um importante produto de investigação e de estudos de pesquisadores e pesquisadoras no âmbito do espaço da Ibero-América. A Rede de Processo Civil Internacional (Rede-PCI ou RPCI) é um espaço aberto aos(as) professores(as) pesquisadores(as) em direito processual civil internacional, que tem por objetivo o desenvolvimento e a divulgação de trabalhos de excelência. Esperamos que desfrutem desta obra coletiva que busca colaborar com alguns dos temas do universo do direito processual internacional, de forma crítica e aberta, para que o diálogo seja permanente. As contribuições que compõem este trabalho não são um fim em si mesmo; indicam apenas o início de uma jornada longa e produtiva num espaço de cultura secular, ligado por suas relações históricas, nem sempre fáceis, mas sempre crescentes e em constante transformação. Brasil e Espanha, agosto de 2020. Coordenadores Inez Lopes Guillermo Palao Moreno Renata Alvares Gaspar Thiago Paluma
LISTA DOS TRADUTORES E TEXTOS TRADUZIDOS TRADUTORES: ESPANHOL PARA O PORTUGUÊS Claudia Loureiro Proposta para o aprofundamento e atualização da cooperação jurisdicional internacional o reconhecimento de sentenças no âmbito interamericano Marcela Nogueira Martins A cooperação jurídica internacional no âmbito das relações privadas transfronteiriças em Cuba
TRADUTORES: PORTUGUÊS PARA O ESPANHOL Fernando Meinero Forum Shopping e Forum non Conviniens nos Estados parte do MERCOSUL: estado da arte e sua consonância com os Princípios ASADIP sobre acesso transnacional à Justiça (TRANSJUS) Modalidade transnacional de dados e imperativos de cooperação jurídica internacional O sistema de precedentes e a aproximação das tradições do common law e do civil law na América Latina Guillermo Palao Pactos atributivos de jurisdição em matéria laboral: anotação ao acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (4ª Secção) de 8 de maio de 2019 Trad. Guillermo Ivette Esis A relação entre o direito interno e o internacional à luz do Estado Constitucional Cooperativo a partir da análise do caso Gomes Lund Laila Roxina Moliterno Abi Cheble Desenvolvimento normativo para a proteção dos consumidores turistas à luz do Direito Internacional Privado: esforços locais, Regionais e Globais
Os demais textos foram enviados nas duas versões, português e espanhol, pelos próprios autores
PARTE I DIREITO PROCESSUAL CIVIL INTERNACIONAL: QUESTÕES ESPECÍFICAS
POR QUE HOMOLOGAÇÃO DE DECISÃO ESTRANGEIRA? Inez Lopes1 Marcelo De Nardi2
1. INTRODUÇÃO Por que homologação de decisão estrangeira no Código Processual Civil Brasileiro (CPC)? A alteração da nomenclatura de homologação de sentença estrangeira no CPC1973 para homologação de decisão estrangeira no CPC2015 era necessária? Até que ponto essa alteração modifica a processualística dos pedidos de reconhecimento de sentença-decisão estrangeira se o CPC mantém o termo sentença estrangeira? Numericamente, o CPC utiliza sete vezes a expressão sentença estrangeira3 e treze vezes o termo decisão estrangeira4. Os termos são utilizados muitas vezes como equivalentes. A mudança no regime processual civil brasileiro em 2015-2016 seguiu diferenciando os atos do juiz entre sentenças, decisões interlocutórias e despachos5 como já havia no sistema anterior6, sendo o vocábulo decisão sem o qualificativo interlocutória uma espécie de coringa que o legislador utiliza quando não sabe exatamente o que quer dizer.7 Neste trabalho se examinará o histórico do instrumento de cooperação jurídica internacional do reconhecimento de sentença estrangeira no Brasil, chegando-se à situação legal vigente neste momento, com foco na descrição da natureza do instrumento decisório estrangeiro que se deseja produza efeitos jurídicos 1
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Inez Lopes é Professora da graduação e pós-graduação da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Mestre e Doutora em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Globalização e Políticas Trabalhistas (UNIK). Coordenadora do Grupo de Estudos em Direito Internacional Privado, Comércio Internacional e Direitos Humanos (GDIP/TRANJUS-GDIP/CNPq). Marcelo De Nardi é Professor de Direito Internacional do Comércio e de Direito Internacional Privado na Unisinos, Doutor em Direito e Especialista em Direito Internacional pela UFRGS, Especialista em Política e Estratégia pela ESG. É Juiz Federal e integrou Delegações Brasileiras para negociações na Conferência d’A Haia de Direito Internacional Privado desde 2014. BRASIL. CPC Art. 26, § 2º; Art. 40; Art. 515, VIII; Art. 516, III; Art. 961, caput e § 5º. BRASIL. CPC Art. 40; Art. 960; Art. 961, caput, §§ 2º, 3º e 4º; Art. 962, caput e § 3º; Art. 964 e Art 965. BRASIL. CPC Art. 203 caput e §§ 1º a 3º. BRASIL. CPC/1973 Art. 162 caput e §§ 1º a 3º. NUNES, Jorge Amaury Maia. Sentenças, sentenças interlocutórias e decisões: homenagem ao desembargador Arnoldo Camanho de Assis. Migalhas, Colunas, Processo e Procedimento. 2017. Disponível em: <https://www.migalhas.com.br/coluna/processo-e-procedimento/258211/sentencas-sentencas-interlocutoria> Acesso em: 30.04.2020.