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tragédia e comédia: uma peça cubista “estrutura da tragédia segundo sófocles”1 0 goodman paul
Paul Goodman, um anarquista. por beatriz scigliano carneiro* Nos anos 1960, rebeliões de jovens eclodiram pelo mundo. Um dos epicentros encontrava-se nos Estado Unidos, onde estudantes, ativistas negros, feministas, pacifistas sacudiram o conservadorismo do país que parecia estável desde o pós-II guerra. Entre a munição, não apenas para subsidiar argumentos para os protestos, mas para novas práticas de inspiração libertária, estavam os textos de Paul Goodman (19111972), escritor e ativista, em especial o livro Growing up absurd (Crescendo no absurdo), lançado em 1960, após ter sido recusado por vários editores.2 A questão básica do livro consistia em afirmar a inexistência de atividades e empregos que desenvolvessem os talentos únicos de cada pessoa, e sim o lucro ou crescimento das empresas. Isso afetaria em especial os jovens, que se encontravam compulsoriamente dentro um sistema
* Doutora e pós-doutura em Ciências Sociais na PUC-SP. Pesquisadora no Nu-Sol. Publicou o livro Relâmpagos com claror: Lygia Clark, Hélio Oiticica, vida como arte, São Paulo, Imaginário/FAPESP, 2004. verve, 15: 257-272, 2009 257
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