Feliz Ano Novo

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TEXTO EM JORNALISMO GRÁFICO, SEGUNDA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2012

Foto: AE

Polícia

Assalto a casa na zona sul do Rio de Janeiro fez 25 reféns e deixou quatro mortos durante comemorações de réveillon

INFELIZ ANO NOVO

A trágica história de uma comemoração interrompida TIAGO LOBO

25 pessoas festejavam a passagem do ano naquela madrugada chuvosa. Elas bebiam e dançavam ao som de marchas de carnaval, até terem a festa invadida e interrompida por assaltantes. Eles podiam apenas roubar as vítimas, mas decidiram abrir o ano com sangue e crueldade.

T

udo aconteceu em São Conrado, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro, quando três homens mascarados entraram armados pela porta da frente do sobrado onde a festa acontecia. Não fosse pela

música alta, talvez a casa não chamasse atenção, pois tão logo anunciado o assalto, a quadrilha tratou de mandar um refém desligar a vitrola que embalava a noite. Em um silêncio mortal revistaram a casa e renderam anfitriões, convidados e empregados. Os homens foram amarrados com cintos e outros fios improvisados enquanto todos tiveram seus pertences roubados: dinheiro, cartões de crédito, talões de cheque, jóias e relógios caros. No andar de cima, mãe e filha eram assassinadas por um dos capangas. A mãe, uma senhora doente e debilitada que nem participava da co-

memoração, teve um dos dedos arrancados para a extração de um anel e a filha, morta, foi jogada no chão do quarto. Na sua cama, sobre uma colcha de cetim, havia fezes humana. Sob ameaças de morte um dos reféns tentou negociar, então o chefe da quadrilha o chamou pelo nome. Fez com que ficasse de pé e o desamarrou. Maurício fulano de tal, xx anos, agradeceu, e disse que via que o bandido era um “homem educado e instruído”. Logo, pediu para que fossem embora, em troca de não prestarem queixa à polícia. Não adiantou.

Após o trio se fartar do banquete disposto para a ceia o mesmo assaltante, que supostamente reconheceu o refém, atirou em Maurício com uma espingarda calibre doze. O alvo foi o peito, e o objetivo era grudá-lo na parede. Falhou, o corpo escorregou e um comparsa disse: — Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá. Insatisfeito, o colega do crime resolveu demonstrar. Para isso escolheu um homem magro, de cabelos compridos, ordenou que ficasse de frente para uma porta e disparou a espingarda. Uma vítima, que prefere não se identificar, conta

que o corpo, por segundos, realmente grudou antes de tombar, sem vida. Comprovada a tese macabra, juntaram tudo o que podiam em sacos e fronhas e saíram agradecendo a colaboração dos reféns. A polícia trabalha com a hipótese do chefe da quadrilha ser alguém próximo das vítimas e para ajudar na identificação dos criminosos, os investigadores contam com duas pistas substanciais: várias testemunhas relataram que, em mais de um momento, os capangas foram chamados pelos nomes de Gonçalves e Inocêncio e outra pessoa notou que um deles era vesgo.


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