Busca atualizar e capacitar estudantes e profissionais da fisioterapia para que possam atuar com excelência na prevenção e no tratamento das disfunções musculoesqueléticas, dermatológicas e vasculares e nas suas complicações, promovendo, assim, a qualidade de vida dos pacientes. O conteúdo abrange temas essenciais, como os principais tipos de tumores ósseos (de partes moles e de pele), métodos e ferramentas de avaliação, estratégias para a pré-habilitação e o pós-operatório de cirurgias conservadoras de membros e amputações, manejo de órteses, linfedema, metástase óssea e cuidados paliativos. É direcionada a estudantes de graduação em Fisioterapia e a fisioterapeutas que atuam na área de oncologia.
ISBN 978-65-5572-346-5
www.Thieme.com.br
Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas em Tumores do Tecido Ósseo Conectivo da ABFO
Esta obra foi desenvolvida a partir da experiência clínica de fisioterapeutas renomados e reconhecidos na área, com o objetivo de explanar, com base nas pesquisas científicas mais recentes e na prática clínica, a atuação do fisioterapeuta na reabilitação de pacientes com tumores do sistema ósseo e conectivo (TOC).
Rodrigues/Haddad/Fabro Ximenes/Plácido
Excelência na prevenção e no tratamento das disfunções musculoesqueléticas, dermatológicas e vasculares.
Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas em Tumores do Tecido Ósseo Conectivo da ABFO Organizadores
Ana Carolina de M. A. Rodrigues Cinira Assad Simão Haddad Erica Alves Nogueira Fabro Maria Lia C. Carvalho Ximenes Tiago da Rocha Plácido
Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas em Tumores do Tecido Ósseo Conectivo da ABFO
Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas em Tumores do Tecido Ósseo Conectivo da ABFO
Organizadores
Ana Carolina de M. A. Rodrigues Cinira Assad Simão Haddad Erica Alves Nogueira Fabro Maria Lia C. Carvalho Ximenes Tiago da Rocha Plácido
Thieme Rio de Janeiro • Stuttgart • New York • Delhi
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG) R849m Rodrigues, Ana Carolina de Mello Alves Manual de condutas e práticas fisioterapêuticas em tumores do tecido ósseo conectivo da ABFO/Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia. – Rio de Janeiro, RJ: Thieme Revinter, 2025. 14 x 21 cm Inclui bibliografia. ISBN 978-65-5572-346-5 eISBN 978-65-5572-247-2 1. Ortopedia. 2. Fisioterapia. 3. Oncologia. I. Haddad, Cinira Assad Simão. II. Fabro, Erica Alves Nogueira. IV. Ximenes, Maria Lia Coutinho Carvalho. V. Plácido, Tiago da Rocha. VI. Título. CDD 616.7062 Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422 Contato com os autores: abfo@abfo.org.br
© 2025 Thieme. All rights reserved. Thieme Revinter Publicações Ltda. Rua do Matoso, 170 Rio de Janeiro, RJ CEP 20270-135, Brasil http://www.Thieme.com.br
Nota: O conhecimento médico está em constante evolução. À medida que a pesquisa e a experiência clínica ampliam o nosso saber, pode ser necessário alterar os métodos de tratamento e medicação. Os autores e editores deste material consultaram fontes tidas como confiáveis, a fim de fornecer informações completas e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de erro humano por parte dos autores, dos editores ou da casa editorial que traz à luz este trabalho, ou ainda de alterações no conhecimento médico, nem os autores, nem os editores, nem a casa editorial, nem qualquer outra parte que se tenha envolvido na elaboração deste material garantem que as informações aqui contidas sejam totalmente precisas ou completas; tampouco se responsabilizam por quaisquer erros ou omissões ou pelos resultados obtidos em consequência do uso de tais informações. É aconselhável que os leitores confirmem em outras fontes as informações aqui contidas. Sugere-se, por exemplo, que verifiquem a bula de cada medicamento que pretendam administrar, a fim de certificar-se de que as informações contidas nesta publicação são precisas e de que não houve mudanças na dose recomendada ou nas contraindicações. Esta recomendação é especialmente importante no caso de medicamentos novos ou pouco utilizados. Alguns dos nomes de produtos, patentes e design a que nos referimos neste livro são, na verdade, marcas registradas ou nomes protegidos pela legislação referente à propriedade intelectual, ainda que nem sempre o texto faça menção específica a esse fato. Portanto, a ocorrência de um nome sem a designação de sua propriedade não deve ser interpretada como uma indicação, por parte da editora, de que ele se encontra em domínio público.
Thieme USA http://www.thieme.com Design de Capa: © Thieme Impresso no Brasil por Forma Certa Gráfica Digital Ltda. 54321 ISBN 978-65-5572-346-5 Também disponível como eBook: eISBN 978-65-5572-247-2
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida por nenhum meio, impresso, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização por escrito.
DEDICATÓRIA
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edicamos esta obra a todos os fisioterapeutas que buscam na sua rotina profissional a atualização científica da fisioterapia em oncologia e principalmente os que trabalham com pacientes portadores de tumores ósseos conectivos. Dedicamos aos nossos pacientes oncológicos que nos encorajam, a busca incessante do conhecimento e da ciência. Dedicamos às nossas famílias, por nos apoiar, mesmo nas nossas ausências para nos dedicarmos às nossas demandas laborais, na busca de produzir conteúdo científico para nossa classe profissional.
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AGRADECIMENTOS
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gradecemos, primeiramente a Deus, pela oportunidade de poder confeccionar e finalizar esta obra de extrema importância para a especialidade de Fisioterapia em Oncologia. Agradecemos a Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) pela iniciativa, pelo apoio e pelo pioneirismo na elaboração desta obra. Agradecemos os nossos autores que dedicaram seu tempo e que transmitiram toda a sua expertise para esta obra, em prol da ciência e do conhecimento científico de qualidade.
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APRESENTAÇÃO
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s tumores dos tecidos ósseos e conectivos (TOC) reúnem um conjunto de neoplasias de células de tecidos ósseos e tecidos conjuntivos moles, como músculos, tendões, pele/anexo, nervos e tecidos fibrosos. Estes podem apresentar características benignas ou malignas, com grande potencial de metastização ou não. De acordo com as características de cada neoplasia e seu comportamento biológico, a resposta ao tratamento e consequentemente o prognóstico podem variar. Apesar das evoluções do diagnóstico precoce, das técnicas cirúrgicas e das associações com a terapia clínica, quimioterapia e radioterapia, os pacientes não ficam isentos de apresentar complicações secundárias à evolução da doença e ou do tratamento oncológico. Estas complicações são as responsáveis pela instalação de desabilidades físicas, caracterizadas por limitação de mobilidade, alterações na função da marcha, precarização das atividades de vida diárias, prejuízos laborais, sedentarismo, que interferem diretamente na funcionalidade e causam além do sofrimento físico, o sofrimento emocional e muitas vezes social dos pacientes. Neste sentido, esta obra, com base na experiência clínica e expertise dos seus autores, na escolha da melhor evidência científica disponível e nos princípios da humanização do cuidado, foi realizada com o objetivo de proporcionar aos leitores um guia teórico que fosse capaz de direcionar um contexto de cuidado e de abordagem fisioterapêutica direcionada aos pacientes portadores de tumores do tecido ósseo conectivo. Esperamos que com este livro vocês possam aprimorar seus conhecimentos e possam se tornar mais capacitados para a busca da função e da qualidade de vida dos seus pacientes oncológicos. Ana Carolina de Mello Alves Rodrigues Cinira Assad Simão Haddad Erica Alves Nogueira Fabro Maria Lia Coutinho Carvalho Ximenes Tiago da Rocha Plácido
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ORGANIZADORES
ANA CAROLINA DE MELLO ALVES RODRIGUES Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Montes Carlos (Unimonte) Doutora em Ciências da Cirurgia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Mestre em Biomecânica do Movimento e do Esporte pela Unicamp Especialista em Fisioterapia em Oncologia pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Membro da Diretoria da ABFO – Gestão: 2021-2025 CINIRA ASSAD SIMÃO HADDAD Mestre e Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Especialista em Fisioterapia em Oncologia pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Especialista em Fisioterapia em Saúde da Mulher pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher (ABRAFISM) Especialização em Fisioterapia Neuromusculoesquelética pela Santa Casa de São Paulo Diretora Secretária da ABFO – Gestão: 2021-2025 ERICA ALVES NOGUEIRA FABRO Fisioterapeuta Especialista em Fisioterapia em Oncologia pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Mestre em Neurologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) Doutora em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) Presidente da ABFO – Gestão: 2021-2025 MARIA LIA COUTINHO CARVALHO XIMENES Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR) Especialização em Fisioterapia Cardiorrespiratória pela UNIFOR Especialista em Fisioterapia em Oncologia pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Fisioterapeuta Graduada pela UNIFOR Membro da Diretoria da ABFO – Gestão: 2021-2025
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ORGANIZADORES
TIAGO DA ROCHA PLÁCIDO Residência em Fisioterapia Geral pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Especialização em Fisioterapia em Oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) Especialista em Fisioterapia em Oncologia pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia e pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (ABFO/COFFITO) Mestre em Educação Física pela Universidade Federal de Sergipe (PPGEF-UFS) Doutorando em Ciências da Saúde pela PPGCS-UFS Diretor Científico da ABFO – Gestão: 2021-2025
COLABORADORES
ANA LAURA BERIGO MARQUES Fisioterapeuta Graduada pelo Centro Universitário Claretiano Especialização em Atenção ao Câncer – Modalidade Residência Multiprofissional pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) Pós-Graduada em Geriatria pela Famerp Especialista em Fisioterapia Oncológica pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) CINIRA ASSAD SIMÃO HADDAD Mestre e Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Especialista em Fisioterapia em Oncologia pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Especialista em Fisioterapia em Saúde da Mulher pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher (ABRAFISM) Especialização em Fisioterapia Neuromusculoesquelética pela Santa Casa de São Paulo Diretora Secretária da ABFO – Gestão: 2021-2025 CLEIMA COLTRI BITTELBRUNN Doutora em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Mestre em Engenharia de Produção pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Especialista em Saúde da Mulher pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher (COFFITO/ABRAFISM) Pós-Graduação em Oncologia e Sexualidade Humana
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COLABORADORES
EMÍLIA CARDOSO MARTINEZ Fisioterapeuta Especialista em Fisioterapia Neuromusculoesquelética pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Especialista em Fisioterapia Oncológica pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Mestre e Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo MBA em Gestão em Serviços de Saúde FABRINE SOUZA DE ALBUQUERQUE Fisioterapeuta Especialista em Oncologia pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia e pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (ABFO/COFFITO) Especializada em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) Especializada em Dermatofuncional pela Universidade Gama Filho, RJ JOSÉ FONTES JÚNIOR Fisioterapeuta pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) Especializado em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) Pós-Graduado em Fisioterapia Traumato-Ortopédica MBA em Gestão Hospitalar Especialista em Fisioterapia em Oncologia pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (ABFO/COFFITO) LEONARDO BRENO DO NASCIMENTO DE AVIZ Fisioterapeuta pela Universidade Estadual do Pará (UEPA) Especialização em Fisioterapia em Oncologia na Modalidade Residência Multiprofissional pela Universidade Federal do Pará (UFPA) Especialista em Fisioterapia Oncológica pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) Mestre em Ciências do Movimento Humano pela UFPA LILIANA YU TSAI Graduação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Especialização em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Especialização em Ortopedia e Traumatologia pela Unifesp Especialista em Fisioterapia Oncológica pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Mestre em Reabilitação pela Unifesp NÁDIA OLIVEIRA GOMES Graduada pela Universidade Evangélica de Anápolis, GO Especializada em Oncologia e Hospitalar – AC Camargo Cancer Center, SP Especialista em Fisioterapia Oncológica pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Mestre em Movimento Humano e Reabilitação pela Universidade Evangélica de Anápolis, GO
COLABORADORES
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SUÉLEN DA SILVA DE VARGAS Fisioterapeuta Graduada pela Universidade de Caxias do Sul, RS Especialização em Onco-Hematologia – Modalidade Residência Multiprofissional pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC) Especialização em Terapia Intensiva e Fisioterapia Hospitalar Pela Faculdade de Ciência da Saúde do Hospital Moinhos de Ventos Especialista em Fisioterapia Oncológica pela Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO........................................................................................... 1 Cleima Coltri Bittelbrunn Cinira Assad Simão Haddad Nádia Oliveira Gomes
2 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA AMBULATORIAL....................................... 19 Fabrine Souza de Albuquerque José Fontes Júnior Leonardo Breno do Nascimento de Aviz
3 FISIOTERAPIA NAS CIRURGIAS DO TOC..................................................... 39 3-1 PRÉ-HABILITAÇÃO.............................................................................. 39 Suélen da Silva de Vargas José Fontes Júnior
3-2 CIRURGIAS PRESERVADORAS DE MEMBROS....................................... 45 Cleima Coltri Bittelbrunn Emília Cardoso Martinez José Fontes Júnior Liliana Yu Tsai Suélen da Silva de Vargas
3-3 AMPUTAÇÕES.................................................................................... 56 Liliana Yu Tsai José Fontes Júnior
4 ÓRTESES (INDICAÇÃO E USO)................................................................... 63 Emília Cardoso Martinez Liliana Yu Tsai
5 LINFEDEMA.............................................................................................. 75 Cinira Assad Simão Haddad Suélen da Silva de Vargas
6 METÁSTASES ÓSSEAS............................................................................... 85 Emília Cardoso Martinez
7 CUIDADOS PALIATIVOS.............................................................................101 Ana Laura Berigo Marques
ÍNDICE REMISSIVO........................................................................................115
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Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas em Tumores do Tecido Ósseo Conectivo da ABFO
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO Cleima Coltri Bittelbrunn Cinira Assad Simão Haddad Nádia Oliveira Gomes
INTRODUÇÃO
Tumores ósseos e de tecidos moles referem-se a neoplasias que surgem a partir das células mesenquimais dos ossos ou dos tecidos conjuntivos moles, como músculos, tendões, gordura, vasos sanguíneos, nervos e tecidos fibrosos. Esses tumores podem ser classificados em: Benignos: tumores localizados que, apesar de seu crescimento, não invadem estruturas adjacentes nem metastatizam. Exemplos incluem osteoma, osteocondroma e lipoma. Malignos: tumores que exibem comportamento invasivo, destrutivo e têm o potencial de metastatizar para outros órgãos. Entre os tumores malignos ósseos mais comuns, estão o osteossarcoma, o condrossarcoma e o sarcoma de Ewing. Já nos tecidos moles, sarcomas como o lipossarcoma, o leiomiossarcoma e o rabdomiossarcoma são os principais exemplos. Essas neoplasias variam em comportamento biológico, prognóstico e resposta ao tratamento, sendo fundamentais o diagnóstico histopatológico e a avaliação por imagem para definir a extensão da lesão. A abordagem terapêutica inclui cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do tipo e do estágio do tumor.1,2
TUMORES ÓSSEOS Perfil do Paciente
Pacientes diagnosticados com tumores ósseos apresentam uma variedade de características que influenciam o manejo clínico e o prognóstico. Sendo essencial para uma abordagem individualizada e multidisciplinar, visando o melhor manejo da doença e a melhora da qualidade de vida do paciente,
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CAPÍTULO 1
pode variar de acordo com o tipo específico de tumor, idade, sexo e fatores de risco associados.1,2 O perfil do paciente com tumores ósseos pode ser descrito considerando diversos aspectos, tais como: 1. Idade: tumores ósseos podem afetar pacientes de todas as idades, sendo mais comuns em determinados grupos etários. Por exemplo, a maioria dos tumores ósseos primários ocorre em crianças, adolescentes e adultos jovens, com picos de incidência durante o crescimento ósseo rápido, entre 10 e 30 anos de idade. Já os tumores ósseos secundários são mais comuns em adultos mais velhos, devido à disseminação de tumores de outros órgãos para os ossos.1,2 2. Sexo: alguns tumores ósseos apresentam uma predileção por um determinado sexo. Por exemplo, o condrossarcoma e o osteossarcoma são mais comuns em homens, enquanto o tumor de células gigantes ocorre com maior frequência em mulheres.2 3. Histórico: pacientes com condições genéticas hereditárias podem ter um maior risco de desenvolver tumores ósseos. Além disso, aqueles com antecedentes de radioterapia ou lesões ósseas prévias podem apresentar um maior risco.1 4. Sintomas e apresentação clínica: pacientes com tumores ósseos frequentemente apresentam sintomas como dor óssea persistente, inchaço local, sensibilidade à palpação, limitação de movimento e, em estágios avançados, podem ocorrer fraturas patológicas. A apresentação clínica varia de acordo com a localização e o estágio do tumor.3
Epidemiologia
Os tumores ósseos são considerados raros em comparação com outros tipos de câncer, representando aproximadamente 0,2% de todos os casos de câncer. A incidência de tumores ósseos varia de acordo com a faixa etária, o sexo e a região geográfica.1 O conhecimento da epidemiologia dos tumores ósseos é essencial para a compreensão da distribuição da doença e para o desenvolvimento de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. A colaboração entre profissionais de saúde, pesquisadores e instituições é fundamental para melhorar o manejo desses tumores e a qualidade de vida dos pacientes afetados. A incidência de tumores ósseos pode variar entre diferentes regiões geográficas, com algumas áreas apresentando taxas mais elevadas devido a fatores genéticos, ambientais ou de exposição a agentes carcinogênicos.3
INTRODUÇÃO
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Etiologia e Fatores de Risco
Os tumores ósseos podem surgir devido a uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Alguns dos principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de tumores ósseos incluem: 1. Predisposição genética: certas condições genéticas hereditárias, como a síndrome de Li-Fraumeni e a síndrome de Rothmund-Thomson, podem aumentar o risco de desenvolver tumores ósseos. 2. Radiação ionizante: a exposição a altas doses de radiação ionizante, seja por tratamentos anteriores de radioterapia ou por exposição ambiental, pode aumentar o risco de tumores ósseos. 3. Doenças ósseas prévias: algumas condições ósseas, como a doença de Paget e a displasia fibrosa, estão associadas a um maior risco de desenvolver tumores ósseos. 4. Traumas ósseos: lesões ósseas graves ou repetidas podem desencadear o desenvolvimento de tumores ósseos em algumas pessoas. 5. Idade e sexo: alguns tipos de tumores ósseos são mais comuns em determinadas faixas etárias e em um determinado sexo, como o osteossarcoma em adolescentes e adultos jovens do sexo masculino.3,4 É importante ressaltar que a maioria dos tumores ósseos ocorre de forma esporádica e não está associada a fatores de risco conhecidos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes com tumores ósseos.1,3
Principais Tipos e Características
Os tumores ósseos podem ser classificados em diferentes tipos com base na origem das células tumorais e em suas características histológicas.1 Alguns dos principais tipos de tumores ósseos incluem:
Tumores Ósseos Benignos
Osteoma: tumor ósseo benigno que se desenvolve a partir do osso cortical. Geralmente, é uma lesão pequena e assintomática que pode ocorrer em diferentes ossos do corpo, como crânio, seios paranasais e ossos longos. O osteoma é composto por osso maduro e pode ser classificado em osteoma compacto (denso) ou osteoma esponjoso (trabecular). O tratamento do osteoma geralmente não é necessário, a menos que cause sintomas ou complicações, como obstrução de vias aéreas no caso de osteomas nasossinusais; se eventual indicação cirúrgica, ressecção marginal.1,3,5 Condroma: o condroma é um tumor benigno composto por cartilagem hialina que se desenvolve dentro do osso ou em tecidos moles adjacentes. Geralmente, o condroma é uma lesão solitária e assintomática que pode ocorrer em ossos como mãos, pés e costelas. O tratamento do condroma
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CAPÍTULO 1
depende da localização e do tamanho da lesão, podendo envolver observação vigilante, ressecção cirúrgica ou outras modalidades terapêuticas, como injeção de corticosteroides.1,3,5 Encondroma: é um tumor benigno composto por cartilagem hialina que se desenvolve no interior do osso, geralmente nos ossos longos de mãos e pés. O encondroma é frequentemente assintomático, mas em alguns casos pode causar dor, inchaço ou fraturas patológicas. O tratamento do encondroma depende de sintomas e complicações associadas, podendo incluir observação vigilante, ressecção cirúrgica ou outras intervenções terapêuticas.1,3,5 Fibroma não ossificante: fibroma não ossificante, também conhecido como displasia fibrosa, é uma lesão óssea benigna caracterizada por substituição do osso normal por tecido fibroso. Geralmente, o fibroma não ossificante é assintomático e pode ser descoberto incidentalmente em exames de imagem. Mas, em alguns casos, pode causar dor, fraturas patológicas ou deformidades ósseas. O tratamento do fibroma não ossificante pode envolver observação vigilante, monitoramento regular e, em casos sintomáticos, intervenções terapêuticas como cirurgia.1,3,5 Cisto ósseo simples: também conhecido como cisto ósseo unicameral, é uma lesão óssea benigna que consiste em uma cavidade cheia de líquido dentro do osso. Geralmente, o cisto ósseo simples é assintomático e pode ocorrer em ossos como fêmur, tíbia e úmero. O tratamento do cisto ósseo simples pode variar de acordo com o tamanho, localização e sintomas apresentados pelo paciente, podendo incluir observação vigilante, aspiração do líquido cístico, injeção de corticosteroides ou ressecção cirúrgica em casos selecionados.1,3,5
Tumores de Agressividade Intermediária (Benignos Agressivos)
Tumor de células gigantes (Fig. 1-1): é um tumor ósseo benigno que, apesar de sua classificação benigna, pode apresentar comportamento localmente agressivo e potencial de recorrência. Este tumor é caracterizado pela presença de células multinucleadas de aspecto gigante em um estroma de células mononucleadas. O tumor de células gigantes é mais comum em adultos jovens e pode ocorrer em diferentes ossos, sendo frequentemente encontrado em regiões como o fêmur distal, a tíbia proximal e as vértebras.1,3,5 O tratamento do tumor de células gigantes geralmente envolve a ressecção cirúrgica completa do tumor, com o objetivo de preservar a função óssea e prevenir as recorrências. Em alguns casos, a terapia adjuvante, como a embolização pré-operatória ou a terapia com radiação, pode ser considerada para reduzir o risco de recorrência.1,3,5 Cisto ósseo aneurismático: o cisto ósseo aneurismático é uma lesão óssea benigna que geralmente ocorre em pacientes mais jovens, sendo mais comum em crianças e adolescentes. Este cisto é caracterizado por uma cavidade óssea preenchida por líquido sanguinolento,
INTRODUÇÃO
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Fig. 1-1. Tumor de células gigantes: Rx de punho. Lesão de terço distal do osso do rádio insuflante, lítica com destruição de osso cortical e invasão de partes moles. (Cedido do arquivo pessoal do Dr. Glauco Mello.)
resultante de alterações vasculares no osso. O cisto ósseo aneurismático pode causar dor, inchaço e fragilidade óssea, podendo levar a fraturas patológicas.1,3,5 O tratamento do cisto ósseo aneurismático pode variar de acordo com o tamanho, a localização e os sintomas apresentados pelo paciente. Opções de tratamento incluem observação vigilante, curetagem e enxerto ósseo, injeção de corticosteroides, embolização seletiva e, em casos raros, ressecção cirúrgica.1,3,5 Osteoblastoma: é um tumor ósseo benigno que se origina a partir de células ósseas imaturas chamadas osteoblastos. Este tumor é mais comum em adultos jovens e pode causar dor localizada e inchaço ósseo. Geralmente ocorre na coluna vertebral, ossos longos e ossos do crânio.1,3,5 O tratamento do osteoblastoma geralmente envolve a ressecção cirúrgica completa do tumor, com o objetivo de aliviar a dor, prevenir complicações e evitar recorrências. Em alguns casos, a embolização pré-operatória pode ser realizada para reduzir o suprimento sanguíneo do tumor e facilitar a ressecção cirúrgica. A maioria dos osteoblastomas tem um bom prognóstico após o tratamento adequado.1,3,5
Tumores Ósseos Malignos
Osteossarcoma (Fig. 1-2): osteossarcoma ou sarcoma osteogênico é um tipo de câncer ósseo maligno que se origina a partir de células ósseas primitivas. É mais comum em adolescentes e adultos jovens e geralmente afeta os ossos
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CAPÍTULO 1
Fig. 1-2. Osteossarcoma: Rx de joelho. Lesão em fêmur distal, puramente blástica, cortical invadindo medular e partes moles. Tumor formador de osso. (Cedido do arquivo pessoal do Dr. Glauco Mello.)
longos, como fêmur, tíbia e úmero. O osteossarcoma é caracterizado por um crescimento ósseo anormal e pode causar dor óssea, inchaço e fraturas patológicas. O tratamento do osteossarcoma geralmente envolve cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia.1,3,5 Condrossarcoma (Fig. 1-3): é um tipo de câncer ósseo maligno que se desenvolve a partir de células cartilaginosas. Pode ocorrer em diferentes ossos do corpo, como pelve, fêmur e costelas. O condrossarcoma é classificado em diferentes subtipos, sendo o mais comum o condrossarcoma convencional. Os sintomas incluem dor óssea, inchaço e limitação de movimento. O tratamento do condrossarcoma geralmente envolve cirurgia, seguida por quimioterapia ou radioterapia, dependendo do estágio da doença.1,3,5 Fibrossarcoma: o fibrossarcoma é um tipo de câncer ósseo maligno que se desenvolve a partir de células do tecido conjuntivo chamadas fibroblastos. Pode ocorrer em ossos, músculos ou tecidos moles e é mais comum em adultos. O fibrossarcoma é caracterizado por crescimento localizado, dor, inchaço e limitação de movimento. O tratamento do fibrossarcoma geralmente envolve cirurgia, seguida por quimioterapia ou radioterapia, dependendo da extensão da doença.1,3,5
INTRODUÇÃO
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Fig. 1-3. Condrossarcoma: Rx de perna. Lesão em terço proximal da tíbia, mista (lítica + blástica), excêntrica, vegetante (Cedido do arquivo pessoal do Dr. Glauco Mello).
Tumores Ósseos Metastáticos
Metástases de cânceres originados em outros órgãos, como pulmão, mama, próstata e rim, que se disseminam para os ossos (Figs. 1-4 e 1-5). Esses são apenas alguns exemplos dos principais tipos de tumores ósseos, e existem muitas outras variantes e subtipos de tumores que podem afetar o tecido ósseo.1-3,5
Fig. 1-4. Metástase de próstata: Rx de coluna lombar. Lesão puramente blástica, multicêntrica. (Cedido do arquivo pessoal do Dr. Glauco Mello.)
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CAPÍTULO 1
Fig. 1-5. Metástase de mama: ressonância de coluna (segmento toracolombar). Lesão mista, com predomínio lítico, multicêntrica com invasão do canal medular. (Cedido do arquivo pessoal do Dr. Glauco Mello.)
O diagnóstico preciso do tipo de tumor ósseo é fundamental para determinar o tratamento adequado e o prognóstico do paciente. O tratamento dos tumores ósseos metastáticos pode envolver uma combinação de cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo, dependendo do tipo e do estágio do tumor.1-3,5
Tratamentos dos Tumores Ósseos
O tratamento dos tumores ósseos pode envolver uma abordagem multidisciplinar que inclui diferentes modalidades terapêuticas. O tratamento dos tumores ósseos deve ser individualizado, levando em consideração o tipo específico de tumor, o estágio da doença, as características do paciente e a resposta ao tratamento. Uma abordagem integrada e coordenada entre diferentes especialidades da equipe multidisciplinar é fundamental para garantir melhor resultado e qualidade de vida para os pacientes com tumores ósseos. Alguns dos principais tipos de tratamento utilizados no manejo dos tumores ósseos incluem: 1. Cirurgia: a cirurgia é frequentemente realizada para remover o tumor ósseo, preservando ao máximo a função e a estrutura óssea. Dependendo do tipo e do estágio do tumor, a cirurgia pode envolver desde a ressecção do tumor até a reconstrução óssea.3
INTRODUÇÃO
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2. Quimioterapia: é frequentemente indicada no tratamento de tumores ósseos malignos, como o osteossarcoma e o condrossarcoma. Ela pode ser administrada antes da cirurgia (neoadjuvante) para reduzir o tamanho do tumor, após a cirurgia (adjuvante) para eliminar células cancerígenas remanescentes, ou como tratamento principal em casos de tumores inoperáveis.4,5 3. Radioterapia: a radioterapia pode ser indicada para alguns tipos de tumores ósseos, especialmente quando a cirurgia não é uma opção viável. Ela utiliza feixes de radiação de alta energia para destruir as células cancerígenas e reduzir o tamanho do tumor.4,5 4. Terapias-alvo: são tratamentos que visam especificamente as alterações genéticas ou proteicas presentes nas células cancerígenas. Elas podem ser utilizadas em combinação com outros tratamentos, como a quimioterapia, para aumentar a eficácia do tratamento.4,5 5. Imunoterapia: é uma abordagem terapêutica que estimula o sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir as células cancerígenas. Embora ainda em fase de estudo para tumores ósseos, a imunoterapia mostra potencial como uma opção de tratamento promissora.4
Perfil Cirúrgico
O tratamento cirúrgico dos tumores ósseos pode envolver diferentes abordagens, dependendo do tipo de tumor, localização, extensão e objetivo terapêutico. A escolha do tipo de cirurgia para tumores ósseos é individualizada e baseada em uma avaliação detalhada do paciente, do tumor e dos objetivos terapêuticos. Uma abordagem multidisciplinar envolvendo cirurgiões ortopédicos, oncologistas, radiologistas e fisioterapeutas é essencial para garantir melhor resultado e qualidade de vida para os pacientes submetidos a cirurgias para tumores ósseos.1,3-5 1. Ressecção intralesional: envolve a remoção do tumor sem a preocupação de preservar margens de tecido saudável ao redor. Essa abordagem é utilizada em tumores benignos ou, nos casos em que a preservação da função e da estrutura óssea seja prioritária em relação à remoção completa do tumor, retira-se a zona reativa.6 2. Ressecção marginal: na ressecção marginal, o cirurgião remove o tumor juntamente com a zona reativa e uma margem estreita de tecido saudável ao redor. Essa técnica é empregada quando a remoção completa do tumor com margens amplas não é viável devido à localização ou extensão do tumor (tumores benignos + tumores de agressividade intermediária).6 3. Ressecção óssea ampla ou alargada (tipo Wide): envolve a remoção do tecido ósseo afetado juntamente com uma margem ampla de tecido saudável ao redor da lesão. O objetivo da ressecção óssea ampla é remover o
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CAPÍTULO 1
tecido doente, incluindo uma margem de segurança, para reduzir o risco de recorrência do tumor. Este procedimento é realizado nos casos em que a lesão é localizada e pode ser removida sem comprometer a estrutura óssea circundante de forma significativa, retirando-se lesão + zona reativa + tecido saudável (tumores agressivos intermediários e tumores de baixo grau de malignidade, alto grau de malignidade).6 4. Ressecção óssea radical: envolve a remoção completa do segmento ósseo afetado, todo o compartimento como ressecção total do fêmur, incluindo uma margem de tecido saudável ao redor da área afetada e todo o segmento compartimental (alto grau de malignidade com skip* metástase no mesmo compartimento).6
TUMORES DE PARTES MOLES
As partes moles são caracterizadas por tecidos localizados entre a epiderme e as vísceras, e constituem cerca de 50% do peso corporal de um adulto. Os tumores de partes moles são raros e apresentam proliferações mesenquimais e componentes de partes moles. Atualmente, os tumores de partes moles são subdivididos em mais de 100 tumores.7 A maioria dos tumores de partes moles localizam-se nas extremidades, seguidos em ordem de frequência pela cavidade abdominal, retroperitônio, parede do tronco e cabeça e pescoço.8
Perfil dos Pacientes
Os tumores de tecidos moles são considerados raros em comparação com outros tipos de câncer, correspondem a menos de 1% de todos os tumores malignos. Pacientes diagnosticados com tumores de partes moles apresentam uma variedade de características que influenciam o manejo clínico e o prognóstico. Sendo essencial para uma abordagem individualizada e multidisciplinar, visando o melhor manejo da doença e a melhora da qualidade de vida do paciente, pode variar de acordo com o tipo específico de tumor, idade, sexo e fatores de risco associados.9-11 O perfil do paciente com tumores de partes moles pode ser descrito considerando diversos aspectos, tais como: 1. Idade: tumores de partes moles podem afetar pacientes de todas as faixas etárias, sendo o tumor maligno mais frequente na infância e na adolescência, o rabdomiossarcoma, e o menos frequente nesta faixa etária, o sarcoma sinovial. Na fase adulta, os mais incidentes são sarcoma pleomórfico indiferenciado, lipossarcoma e leiomiossarcoma. A incidência global dos * Skip: Segundo Enneking WF et al., trata-se de um tipo de metástase no mesmo segmento do osso acometido pelo tumor, conhecida por “metástase saltitante”.
INTRODUÇÃO
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tumores de partes moles varia de acordo com a idade, sendo menor em indivíduos com menos de 40 anos, aumentando em pacientes entre 40 e 60 anos e atingindo a maior porcentagem em pacientes com mais de 60 anos. 2. Sintomas e apresentação clínica: os pacientes com tumores de partes moles podem apresentar nódulos na região indolor, como também edema e alteração na sensibilidade local. A apresentação clínica varia de acordo com a localização e o estágio do tumor. 3. Localização: aproximadamente 75% estão localizados nos membros e cinturas pélvica e escapular. A coxa é o local mais acometido.9,10
Etiologia e Fatores de Risco
A causa da maioria dos tumores de tecido mole é desconhecida, mas alguns fatores podem ter relações: 1. Predisposição genética: certas condições genéticas hereditárias, síndrome de Gardner, síndrome de Gorlin, síndromes de câncer familiares, síndrome de Li-Fraumeni e retinoblastoma herdado podem aumentar o risco de desenvolver tumores de partes moles.10,12 2. Radiação ionizante: a exposição a altas doses de radiação ionizante, seja por tratamentos anteriores de radioterapia, pode aumentar o risco de tumores de partes moles.10 3. Vírus: a contaminação de vírus como o HIV pode aumentar o risco de tumores de partes moles.13
Principais Tipos e Características
São neoplasias que se originam nos tecidos moles do corpo, como músculos, tecido adiposo, tecido fibroso, vasos sanguíneos e nervos. Alguns dos principais tipos de tumores de partes moles incluem: Lipossarcoma: é um tumor maligno que se desenvolve a partir de células de gordura e é um dos tipos mais comuns de sarcomas de partes moles. O tratamento do lipossarcoma geralmente envolve cirurgia para remover o tumor, seguida por possíveis sessões de radioterapia e quimioterapia, dependendo do estágio e da localização do tumor. Em casos avançados ou recorrentes, podem ser consideradas as terapias-alvo ou imunoterapia.6,10 Leiomiossarcoma: o leiomiossarcoma é um tumor maligno que se origina de células musculares lisas e pode ocorrer em diferentes partes do corpo. O tratamento do leiomiossarcoma envolve principalmente cirurgia para remover o tumor, seguida por radioterapia e quimioterapia adjuvante, especialmente em casos de tumores de alto grau ou recorrentes. Em alguns casos, a terapia hormonal também pode ser considerada.7,10
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CAPÍTULO 1
Fibrossarcoma: o fibrossarcoma é um tumor maligno que se forma a partir de células do tecido conjuntivo fibroso e pode ocorrer em tecidos moles e ossos. O tratamento do fibrossarcoma geralmente envolve cirurgia para remover o tumor, seguida por radioterapia e quimioterapia adjuvante, dependendo do estágio e da extensão do tumor. Em casos avançados, terapias-alvo e imunoterapia podem ser consideradas.10 Sarcoma sinovial: é um tumor maligno que se desenvolve perto de articulações, tendões e bainhas sinoviais e pode afetar pessoas de todas as idades. O tratamento do sarcoma sinovial envolve cirurgia para remover o tumor, seguida por radioterapia e quimioterapia adjuvante. Em alguns casos, a terapia-alvo pode ser considerada, especialmente em tumores avançados ou metastáticos.9-11 Tumor desmoide: o tumor desmoide é um tumor raro e localmente agressivo que se origina nas células musculares ou do tecido conjuntivo. O tratamento do tumor desmoide pode envolver uma abordagem multidisciplinar, incluindo cirurgia, radioterapia, terapia hormonal (em alguns casos de tumores inoperáveis), terapia-alvo e, em alguns casos, observação ativa. A escolha do tratamento depende da localização, do tamanho e do grau do tumor, bem como da presença de sintomas.14,15 Schwannoma maligno: o schwannoma maligno é um tumor que se desenvolve a partir das células de Schwann que revestem os nervos periféricos. O tratamento do schwannoma maligno envolve a cirurgia para remoção do tumor, seguida por radioterapia em alguns casos. Em casos de tumores inoperáveis ou metastáticos, terapias-alvo e quimioterapia podem ser consideradas.2,5
Tratamentos dos Tumores de Partes Moles
Devido a sua baixa incidência, seu amplo espectro de subtipos, o tratamento dos tumores de partes moles apresenta-se desafiador. 1. Cirurgia: é indicada para os tumores que não se disseminaram para outros órgãos ou tecidos, sendo sempre realizada quando necessário.16 2. Quimioterapia: indicada tanto para tratamento primário, quanto para reduzir a incidência de metástases como em seu tratamento. Ela pode ser administrada antes da cirurgia (neoadjuvante) para reduzir o tamanho do tumor, após a cirurgia (adjuvante) para eliminar células cancerígenas remanescentes, ou como tratamento principal em casos de tumores inoperáveis ou sarcomas de alto grau.16 3. Radioterapia: também pode ser indicada. Utiliza feixes de radiação de alta energia para destruir as células cancerígenas e reduzir o tamanho do tumor.17 4. Imunoterapia: a biologia de alguns sarcomas torna-os maduros para intervenção de imunoterapia, sendo uma abordagem terapêutica que estimula o sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir as células cancerígenas, mais indicado no momento para sarcomas metastáticos.18
INTRODUÇÃO
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Perfil Cirúrgico
1. Ressecção intralesional: envolve a remoção do tumor sem a preocupação de preservar margens de tecido saudável ao redor. 2. Ressecção marginal: remoção do tumor e sua pseudocápsula com uma quantidade não significativa de tecido adjacente. Esse termo não se aplica aos tumores sem pseudocápsula e difusamente infiltrativos em tecidos adjacentes, como fibromatose de tipo desmoide e dermatofibrossarcoma. 3. Ressecção ampla: ressecção intracompartimental. O tumor é removido com pseudocápsula e um filete amplo de tecido normal ao redor da neoplasia, mas sem a remoção completa de todo um grupo muscular, compartimento ou osso. 4. Ressecção radical: remoção de todo um compartimento de tecidos moles (p. ex., compartimento anterior da coxa, quadríceps) ou osso, ou a excisão dos grupos musculares adjacentes, se o tumor for extracompartimental, além de produto de amputações.16,19,20
CÂNCER DE PELE
O câncer de pele é o crescimento anormal das células que compõem a pele. Sendo responsável por 31% de todos os diagnósticos desta doença no Brasil.21
Perfil do Paciente
O câncer de pele pode acometer qualquer indivíduo, em qualquer parte do corpo e como se apresentam em muitas formas e tamanhos, pode ser difícil de ser identificado. O perfil do paciente com câncer de pele pode ser descrito considerando diversos aspectos, tais como: 1. Idade: mais comum em pessoas com mais de 30 anos, devido ao tempo prolongado de exposição ao sol.22,23 2. Sintomas e apresentação clínica: “pinta” ou o “sinal” que mudam de cor ao decorrer dos anos, de formato ou de tamanho, e podem causar sangramento.24-26 3. Fototipo: fototipos I e II, têm mais risco de desenvolver a doença, por serem pele claras e que se queimam com facilidade quando se expõem ao sol. Também podem apresentar em indivíduos negros ou de fototipos mais altos, mas de forma mais rara.26,27
Fatores de Risco
1. Predisposição genética: no caso do melanoma, a hereditariedade desempenha um fator de risco para a doença. Assim como para o carcinoma basocelular, certas condições genéticas hereditárias como síndrome de Gorlin-Goltz, síndrome de Rombo, síndrome de Bazex-Dupré-Christol, xeroderma pigmentoso.23,28 2. Exposição prolongada ao sol, câmaras de bronzeamento artificial e radioterapia.28
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CAPÍTULO 1
Diagnóstico
1. Exames específicos: biópsia, inmunoistoquímica, dermatoscopia e microscopia confirmam diagnóstico de pintas ou lesões suspeitas.28 2. Sistema ABCDE: método de autoexame para os principais aspectos que precisam ser observados em manchas e pintas que aparecem na pele: A – aspecto, B – borda, C – cores, D – diâmetro, E – evolução.25
Principais Tipos e Características Melanoma
Câncer mais agressivo e com risco maior de metástase. Pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Em pessoas de pele negra, ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.23,26
Não Melanomas
Carcinoma basocelular: tipo menos agressivo e mais incidente, pode ser apresentar como ferida ou nódulo, seu crescimento é lento. Acomete mais frequentemente regiões expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas.23,26 Carcinoma epidermoide: apresenta-se no meio de alguma ferida ou sobre uma cicatriz, principalmente aquelas decorrentes de queimadura. Mais agressivo que o carcinoma basocelular.23,26
Tratamentos do Câncer de Pele
Todos os casos de câncer da pele devem ser diagnosticados e tratados precocemente, inclusive os de baixa letalidade.
Melanoma
Por ser um câncer mais agressivo, o tratamento para os pacientes com a alteração genética pode ser indicado como terapia-alvo oral, capaz de retardar a progressão do melanoma e melhorar a qualidade de vida.29 Outros tratamentos podem ser recomendados para o tratamento dos melanomas avançados, podendo-se indicar: quimioterapia, radioterapia e imunoterapia de forma isolada ou em conjunto.29,30 Quando o melanoma se dissemina para os linfonodos, geralmente é recomendada a remoção cirúrgica da região linfática; o número de linfonodos retirados dependerá do estadiamento da doença. A retirada dos linfonodos pode causar o linfedema, doença crônica que se caracteriza por acúmulo de água e proteína no interstício.31
INTRODUÇÃO
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Não Melanoma
Os carcinomas basocelulares e espinocelulares podem ser tratados com procedimentos simples: 1. Cirurgia excisional: remoção do tumor com um bisturi e de uma borda adicional de pele sadia, como margem de segurança. 2. Criocirurgia: por meio do resfriamento rápido com nitrogênio líquido, causa destruição do tumor. 3. Cirurgia a laser: remove as células tumorais por meio do laser de dióxido de carbono ou erbium YAG laser.32,33
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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CAPÍTULO 1
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INTRODUÇÃO
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