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um artista de província
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um artista de província
marcio meirelles
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de onde se explica um livro de sombras de teatro que é um fractal http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/maio2013/matematica_artigos/dissertacao_nunes.pdf
este é o primeiro livro que faço de outros participei e outros foram antes peças para o teatro que acabaram no papel este faz o caminho inverso e nem vai ao papel fica numa plataforma virtual para existir assumiu o lugar de encenação é uma colagem é um livro maleável fluido sempre em movimento um livro mais dramaturgia e montagem do que livro objeto que se coloca na estante depois de ler livro que é multiforme polimorfo feito de muitas tonalidades feito de fragmentos de memórias reais recriadas relidas redescobertas notícias reconstruídas que não sei se lembro mas foi e de memórias que não lembro mas leio agora e me surpreendo então foi assim um livro de memórias coletivas de tempos por onde passamos muitas muitos e eu construímos eventos assuntos ações teatro e outras artes linguagens um artista de província – de um quase balneário que está sendo despedaçado até quase virar quase nada restos de um lugar que já não é – não quis deixar a bahia e morar em outro lugar
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foi uma escolha política opção devolver ao lugar o que tirei dele para criar devolver às vozes que ouvi o som que me emprestaram devolver às raízes que me deram a possibilidade de germinar e frutificar o sumo a seiva para fabricar as folhas e frutos por isso todas as fichas técnicas e dados do que fiz participei colaborei onde estive todos os nomes e dados e datas e locais que estão registrados uma multidão está ali e governantes e alguns acontecimentos que nos dizem o que se passava enquanto passou uma geração e outra e outra e muitas anteriores e posteriores muita gente um período do teatro 17 anos até chegar ao palco e quase 50 sem sair dele nele um que pensa encenador ator gestor técnico espectador desenhador livro registro referencia para ser livros estudos do que fizemos neste tempo neste lugar teatro do mundo 29 quase 30 de agosto do funesto ano de 2021 marcio meirelles
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parte vi
ENTRE O TCA - UM CAMPO E UM BAND
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A E O VILA O GRANDE DO
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Entre o TCA e o Vila Velha, houve um caminho. Um campo grande separa os dois teatros e diferentes políticas. Diferentes mas complementares. O primeiro é um teatro governamental. Uma ferramenta de política pública para o desenvolvimento da sociedade através das artes cênicas. Um equipamento que representa talvez uma cabeça de rede de um elo da cadeia criativa/produtiva do setor: a difusão, a distribuição da produção. Ainda que sua atuação passe pela formação, produção e memória também. No caso do Castro Alves, gerindo um grupo de dança e uma orquestra governamentais, ou seja, financiados integralmente pelos impostos dos cidadãos, além de atender ao público, principalmente como fomentador de sua formação, precisa fazer com que esses grupos - Balé Teatro Castro Alves e Orquestra Sinfônica da Bahia - sejam instrumentos para apoiar o desenvolvimento dos grupos e artistas independentes do estado, especialmente da dança e da música de concerto. E, no caso da OSBA, não só da música de concerto, mas da formação musical da sociedade através deste gênero, para uma fruição plena de outros. Um teatro governamental do porte do TCA, precisa também ter uma política de desenvolvimento de toda a rede de teatros/espaços cênicos, governamentais e independentes, do estado. Ser uma referência de gestão, como centro de distribuição, e de cenotecnia, como infraestrutura para a cena. Podendo dar apoio à produção cenográfica e técnica de grupos independentes, já que conta com um núcleo técnico de funcionários e equipamentos ligados aos setores de luz, som, figurinos e cenários em seu organograma. Já o Vila, como teatro independente, deve desenvolver políticas de sustentabilidade, complementando os recursos advindos do apoio estatal, devido a todos os setores da sociedade, mesmo os lucrativos, como comércio, indústria e agronegócio. Os
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teatros independentes precisam desenvolver micropolíticas complementares ou até atritantes, se necessário, em relação às políticas de Estado para a área. Políticas que prevêem a relação de troca com o público e outros coletivos produtores. E foi isso que o Teatro Vila Velha sempre fez: desenvolveu micropolíticas. Às vezes seguidas pelo Estado e outros espaços, às vezes distribuídas pelos grupos que se formaram nele e partiram para a criação de suas próprias estruturas, a fim de continuarem o seu desenvolvimento autônomo. O Vila é espaço de residência e ocupação para grupos, em longo, médio e curto prazos; espaço de distribuição de projetos e produções destes grupos e outros coletivos da cidade; espaço de formação continuada ou pontual de artistas e do público; e ponto de encontro de linguagens, pessoas, tendências, culturas, tradição e contemporaneidade. Nesse período, entre o TCA e o Vila, foi um tempo de procura de espaço. Desde o início, quando decidi que meu caminho seria no teatro, essa busca começou. A Fábrica, o espaço alternativo gerido pelo Avelãz y Avestruz foi a primeira experiência. Agora precisava de um onde pudesse desaguar as informações como gestor público, e desse segmento às possibilidades de que o cargo e o trabalho me dotaram, mesmo sem um grupo que o ocupasse para desenvolver uma ação contínua, mesmo como artista solo. Entretanto, buscava um grupo, o que começou a ser esboçado alguns meses antes do fim da gestão do Castro Alves. E começou porque precisava trabalhar numa forma de teatro que fosse baiano, genuinamente local, iniciado com o Projeto Teatro, um ano antes de assumir o TCA.
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Enquanto procurava o teatro-edifício, construía o grupo para ocupá-lo, não como único grupo residente, compartilhando a ocupação com outros. Como havia prenunciado no texto do programa de Lulu: uma cooperativa de grupos. E quando surgiu a hipótese de ocupação, convidei outros grupos para fazê-lo juntos, pensando exatamente na política de compartilhamento e sustentabilidade. Mas isto foi depois, quase quatro anos depois. Por enquanto foi o Bando. A construção de um coletivo para desenvolver um sotaque baiano e essencialmente negro para o teatro que buscava. Os textos a seguir foram escritos nos dez anos do Bando. Ficam na introdução a este período, que começa no ano Um do grupo, porque foi o projeto que mais me mobilizou nesse tempo, foi o meu mestrado em Teatro. Muita coisa aconteceu neste início da pós-graduação, objeto desta Parte V. E muito mais, depois de Medeamaterial como ponto de virada, na entrada no Vila. Estes três, quase quatro, anos são mais como uma preparação para o salto dado com a peça de Heiner Muller: Era uma vez uma comunidade que morava num lugar muito distante chamado Pelourinho. Esta poderia ser a primeira fala de um narrador que nos situaria no universo de Ó PAÍ, Ó! Porque essa comunidade não existe mais. O pior que pode acontecer a um povo é perder a noção de comunidade, de coletivo. Ainda que esse coletivo exista apenas por uma questão de sobrevivência, é melhor do que o estilhaçamento, do que a unidade distante do sentido de comum. Foi o que aconteceu com esses personagens. Perderam-se pela cidade, não têm mais uma identidade, uma cara que empreste à sua situação econômica precária uma dignidade, à sua situação social de excluído, uma idéia de pertencimento. E quando não se pertence a algum lugar, é muito difícil um
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pouco de orgulho próprio que levante a cabeça quando ela é repetidamente golpeada para baixo por inúmeras pauladas. Era preciso que o Pelourinho fosse restaurado, mas será que valia esse preço? O alto custo da reforma que pagamos, continuamos a pagar. Pois, quem paga essa festa dia e noite que sustenta a vida desse bairro? Bairro? Zona. Centro. Talvez o umbigo do centro. O cintilante umbigo de um centro que se deteriora ao redor, enquanto a cidade avança para o litoral norte. Algo deve ser feito. E foi. Várias entidades e cidadãos se reuniram durante todo o ano de 2000 para construir uma ação capaz de reverter o quadro. Muitas pessoas que, de alguma forma, ainda pertencem ao Centro começaram alguma coisa. Essa coisa pode crescer e mover a cidade para olhar para si própria, para não ser mais uma Miami empestada de Giovanna Baby. Nossa intenção, ao remontar Ó PAÍ, Ó! para comemorar os 10 anos do Bando, foi homenagear as pessoas que participaram do nascimento mesmo desse grupo, aquelas pessoas anônimas que, sem saber, forneceram material para que os atores construíssem seus personagens e registrassem a história de uma comunidade que já não há.
Ao invés de narrador, escolhemos um coro (por ser coletivo, naturalmente) que de alguma forma refletisse sobre o tempo que passou, e trouxe, por exemplo, Michael Jackson de fato para realizar a fantasia de Zé Bunda de produzir um show dele no Pelô. Escolhemos a Confraria da Bazófia para encarnar esse coro, com sua música que futuca nossa alma baiana e mestiça com vara curta, e nos mostra o outro lado do espelho. Só eles poderiam dar a dimensão do que aconteceu nesses dez anos com duas ou três canções e tanto talento. Caetano nos deu a canção de Mary Star, que seria parte da trilha de um filme que ainda não fizemos e que é tão bela quanto a força que se oculta no interior da sujeira largada no meio do corredor do cortiço. Força de um povo que transforma tudo em ritmo cor e som e festa. Ave Maria, que emoção! Tanta emoção que nos torna tão frágeis e tão pouco sujeitos, tão objetos, tão figuração em um cenário feito para inglês ver.
Mas o Bando faz dez anos. Salvador, 2000
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E outro texto nos dez anos, relembra o início: No dia 17 de outubro de 2000, o Bando de Teatro Olodum se reuniu no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha para uma leitura pública do roteiro que Caetano Veloso e Hermano Viana fizeram a partir de Ó Paí, Ó! peça que estreamos em 92. Estavam juntos os atores fundadores do grupo, atores novos e alguns que já não estão mais atuando conosco por motivos diversos mas que de alguma forma fizeram o perfil do grupo, deram uma personalidade e durante o tempo em que permaneceram nele emprestaram seus rostos para formar um rosto coletivo. Alguns não estavam presentes: um está em Londres trabalhando em projetos educacionais junto ao LIFT (London International Festival of Theatre), outra fazendo shows pelo mundo, outro em São Paulo num espetáculo de João Falcão, outro aqui, outro ali, um já se foi para a longa viagem que todos faremos. Fato que o teatro ajuda-nos a refletir e nos prepara para enfrentar. Foi um momento muito emocionante. Há exatos dez anos muitos daqueles que estavam ali chegaram na antiga Escola de Medicina da Ufba, no terreiro de Jesus, ao lado do Pelourinho, para o primeiro dia de oficina. Eram trinta que , junto com mais uns setenta, participaram de uma audição e tinham recebido uma carta convidando-os a estar ali, naquele dia, porque eram os selecionados para iniciar aquela aventura. Eles vinham de grupos amadores formados em escolas, fábricas, igrejas, organizados pelo Movimento Negro, ou outras entidades. Faziam parte de uma enorme rede subterrânea e marginal que mantém viva a
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necessidade do teatro como meio de expressão e discussão sobre sua comunidade; que entende o teatro como o teatro é, ou deveria ser: um meio através do qual se operam transformações profundas em quem é tocado por ele. Alguns nunca tinham feito teatro e, um ou outro sequer tinham ido a um, ou visto qualquer espetáculo anteriormente. Porque estavam ali então? Talvez a televisão os tenha impulsionado. Talvez a necessidade humana de contar histórias através da repetição de fatos reais ou imaginados, da reapresentação desses fatos, da atuação física. Talvez a necessidade de discutir as normas da aldeia na roda tribal ao redor da fogueira, cantando e dançando e recontando histórias dos ancestrais. A maioria vinha da periferia e todos eram negros ou quase negros. Esse era o critério básico para a seleção. Procurávamos pessoas não que tivessem experiência, currículo ou domínio técnico. Queríamos pessoas que tivessem um compromisso com a cultura afro-brasileira. Cidadãos que convivem cotidianamente com os problemas que o cidadão brasileiro afro descendente tem.
Live teatro negro: https://www.youtube.com/watch?v=uuYY6WO0koQ&t=5s
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GOVERNANTES 65o prefeito: Fernando José Rocha . Partido do Movimento Democrático Brasileiro (pmdb) 1989 a 1992 42o governador: Nilo Coelho . Partido do Movimento Democrático Brasileiro (pmdb) 1989 a 1991 43o governador: Antônio Carlos Magalhães . Partido Da Frente Liberal (pfl) 1991 a 1994 32o presidente: Fernando Collor de Melo . Partido da Reconstrução Nacional (prn) 1990 a 1992 Nos Estados Unidos,“a administração Bush passou a buscar pela invasão do Iraque, alegando que o ditador iraquiano, Saddam Hussein, apoiava o terrorismo e violara o tratado de cessar-fogo imposto pelas Nações Unidas em 1991, bem como de possuir armas biológicas, químicas e nucleares, entre outras acusações”. Com isso, invadiram, destruíram, violaram o Golfo Pérsico e seus povos. Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercado Comum do Sul. O príncipe do Reino Unido, Charles, e a princesa Diana fizeram uma visita de quatro dias ao Brasil. Nelson Mandela, o líder da África do Sul visitou por seis dias o Brasil. Morre Laudelina de Campos Melo, ativista negra em movimentos populares de cunho político e reivindicatório, especialmente depois
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de filiada, em 1936 ao Partido Comunista Brasileiro, quando fundou a primeira associação de trabalhadores domésticos do país, fechada durante o Estado Novo, e voltando a funcionar em 1946. Também trabalhou para a fundação da Frente Negra Brasileira, militando na maior associação da história do Movimento Negro, que chegou a ter 30 mil filiados ao longo da década de 1930. Em 1948, a família para a qual Laudelina trabalhava convidou-a para ser gerente do hotel fazenda que possuíam em Mogi das Cruzes, onde permaneceu por três anos. Com a morte da matriarca da família, Laudelina foi para Campinas,cidade que dava preferência às empregadas brancas, o que levou Laudelina a protestar junto do Correio Popular por veicular anúncios preconceituosos. integrou-se ao Movimento Negro de Campinas, participando de eventos que visavam levantar a autoestima da comunidade negra, com teatros e palestras, inclusive promovendo, em 1957, um baile de debutantes (Baile Pérola Negra) para jovens negras, no Teatro Municipal de Campinas. Em 1961, obteve o apoio do Sindicato da Construção Civil de Campinas para fundar, em suas dependências, a Associação de Empregadas Domésticas. A dissolução da União Soviética se deu no contexto do fim da guerra fria e de movimentos nacionalistas dos países que integravam a URSS que, aliado à crise econômica, entre outros, fizeram com findasse a experiência socialista instaurada em 1917.
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BANDO DE TEATRO OLODUM – ANO UM No texto/manifesto para o programa de Essa é nossa praia na sua primeira apresentação, no espaço X[isto], em 20 de fevereiro de 1991, está a proposta inicial para a criação do grupo. A peça já havia sido apresentada, na Escola de Dança da UFBA (no prédio da antiga Escola de Medicina, no Terreiro de Jesus, onde ensaiamos por quatro anos, antes do grupo ir para o Teatro Vila Velha), mais como resultado de oficina. Agora se apresentava num teatro, dentro de um projeto da Fundação Cultural do Estado, o Quac - Quartas de Artes Cênicas. Existe um momento em que não resta mais nada a fazer, senão gritar. Mas há um momento anterior em que é necessário falar, estar em contato com os outros e falar. Então é preciso achar a forma certa, as palavras certas, o meio certo de tocar o outro e fazer eficiente nossa fala. Antes que não reste mais que o grito. Escolhemos o teatro como meio, o teatro sem fantasia, por enquanto. O teatro onde basta o homem, suas palavras e sua forma de emoção e contato. Estamos em processo e felizes de poder dividir este momento – antes que não reste mais que o grito. salvador, 1990/91
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ESSA É NOSSA PRAIA Bando de Teatro Olodum Texto (em colaboração com o Bando de Teatro Olodum), espaço cênico, figurino (em oficina com os atores do Bando) e direção (com Chica Carelli): Marcio Meirelles Coreografia: Leda Ornelas Músicas: Uteú (Sérgio Souto), Raça Negra (Valmir Brito e Gibi), Onisaurê (música sacra de candomblé, domínio público), Gaiola (Akomabu e Ma Escrete), Olodum no Balanço Das Águas (Reni Veneno) e Protesto Olodum (Tatau) Arranjos para percussão: Neguinho do Samba Direção de produção (até 1992): Maria Eugênia Milet Elenco: Anativo Oliveira (Pastor), Antônio Capinan (Guarda), Arlete Dias1 (Maria de Bonfim), Dedé Maurício (Marcelo), Edilson Bispo (Vai Lavar, personagem que desapareceu com a saída do ator), Ednaldo Muniz (Roberto Pitanga), Edvana Carvalho (Dona Lúcia), Fábio Santos2 (Severino Lixeiro, personagem que desapareceu com a saída do ator), Gerimias Mendes (Seu Gereba), Jorge Washington (Seu Matias), Eliete Miranda3 (Dona Maria, personagem substituído por Chandinha, com a saída da atriz), Luciana Souza4 (Dona Joana), Mazé Silva (Moncherri, personagem que desapareceu com a saída da atriz), Mira Gomes (Prostituta, ações do personagem foram assimiladas por Amélia, com a saída da atriz), Nauro Neves (Lord Black), Nildes Vieira (Amélia), Orlando Martins (Ratinho, personagem substituído por Brigadeiro, com a saída do ator), Reinaldo Borges (Viadinho do Padre, personagem que desapareceu com a saída do ator), Rejane Maia (Baiana), Rita Santos (Bibelô), Rivaldo Rio (Pintor), Valdinéia Soriano (Maria). Dois integrantes da Banda Mirim revezavam-se no papel de filhos de Dona Joana. Participação da Banda Mirim do Olodum5 Substituições: Agnaldo Buiú (Picó, personagem criado com a entrada do ator no grupo), Auristela Sá (Bibelô), Cássia Vale (Bibelô e Maria), Cristóvão da Silva (Guarda), Láudio Dourado (Guarda), Lázaro Machado (Marcelo), Lázaro Ramos (Picó), Merry Batista (Professora, personagem criado para Ó Pai, Ó!, foi incorporado ao espetáculo) Sérgio Amorim (Brigadeiro, personagem, criado em Bai bai Pelô, que substituiu Ratinho), Suzana Mata Na época, assinava Arlete Star. Na época, assinava Fábio Devile. 4 Na época, assinava Liu-Ba. 4 Na época, assinava Luciana Gransni. 1 2
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fotos Essa é nossa praia: https://www.flickr.com/photos/marciomeirelles/albums/72157627737123237
(Chandinha, personagem criado em Bai bai Pelô, que substituiu Dona Maria) Tânia Kayali (Bibelô), Valdinéia Soriano (Lúcia) Estréia: 25/01/91 – Escola de Medicina – Terreiro de Jesus – SSA Apresentações: 25/01 e 26/01/91 – Escola de Medicina – Terreiro de Jesus – SSA Apresentações: 25/01 e 26/01/91 – Escola de Medicina – Terreiro de Jesus – SSA 20/02/91 – Espaço X – Biblioteca Central (SSA – BA) 07/03 a 24/03/91 – Teatro Gregório de Mattos (SSA – BA) 28/03 a 14/04/91 – Teatro do ICBA (SSA – BA) 18/04 a 19/05/91 – Teatro Santo Antônio (SSA – BA) .../.../91 – Centro Cultural Municipal de Santo Antônio de Jesus (Ba) .../.../91 – Escola Aberta do Calabar (SSA – BA) .../.../91 – Escola Cleriston Andrade – Itacaranha (SSA – BA) 20/04/91 – Mata Hari (casa noturna) (SSA – BA) 29/05/91 – Faculdade de Comunicação – UFBa (SSA – BA) 01/06/91 – Auditório Faculdade Arquitetura – UFBa (SSA – BA) 12/06/91 – Associação Atlética Banco do Brasil (SSA – BA) 07/07 a 28/07/91 – Teatro Gregório de Mattos (SSA – BA) 02/08 a 18/08/91 – Teatro do ICBA (SSA – BA) 16/08/91 – 100ª Apresentação – Teatro do ICBA (SSA – BA) 20/08/91 – Colégio Anchieta (SSA – BA) 21/08/91 – Semana da Cultura – Shopping Barra (SSA – BA) 23/08/91 – Leader E. Clube (Jacobina – Ba) 14/09/91 – Clube da COPENE (SSA – BA) 28/09/91 – Sindicato dos Bancários (SSA – BA) 05/02 a 23/02/92 – (Repertório) Teatro do ICBA (SSA – BA) 25/03 a 05/04/92 – (Repertório) Teatro Gláucio Gil (Rio – RJ) 02/12 e 03/12/92 – (Repertório) Teatro Dulcina (Rio – RJ) 08/02/93 – (Repertório) Teatro Gregório de Mattos (SSA – BA) 27/10 a 24/11/94 – (Repertório) Teatro Vila Velha (SSA – BA)
Os percussionistas da Banda Mirim variavam bastante. Muitas vezes, como sabiam os ritmos, vinham até sem ensaiar. Depois, os coordenadores da Escola Criativa do Olodum, a quem estavam vinculados, perceberam que teatro é diferente e começaram a escalar mais ou menos os mesmos componentes para tocar nas temporadas. Até 1994 – em formações alternadas de dois repiques, tarol, marcação de I, marcação de II e dois fundos – participaram com mais freqüência: Adriano Reis (repique ou tarol), Agnaldo Buiú (fundo), Andréia Reis (repique e regência), Carlos André Mabaço (repique e regência), Danilo Queiroz (repique), Edmundo Soares (fundo), Elenita (tarol), Felizvaldo Souza (marcação de I ou marcação de II), Joaci Piau dos Santos (fundo), Léo (marcação de II), Marcos do Amparo (marcação de II), Miminho (repique), Nide Silva (tarol), Reinaldo Quirino (marcação de II), Ronilson Oliveira (marcação de I), Sérgio Danilo (repique I e regência), Val Santos (marcação de I) e Zoião (repique e regência).
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O NOVO MUNDO Bando de Teatro Olodum Texto (em colaboração com o Bando de Teatro Olodum), cenário, figurino e direção (com Chica Carelli) Coreografia: Leda Ornelas Músicas: Sérgio Souto, Aloísio Menezes / Marcio Meirelles Arranjos para percussão: Neguinho do Samba Direção Musical: Sérgio Souto Iluminação: Jorginho de Carvalho Direção de produção (até 1992): Maria Eugênia Milet Elenco: Aloísio Menezes, Anativo Oliveira, Armando Costa, Cássia Valle, Cristóvão da Silva, Dedé Maurício, Ednaldo Muniz, Edvana Carvalho, Eliete Miranda, Floriano Barbosa, Gerimias Mendes, Jorge Washington, Fábio Santos, Luciana Souza, Laudio Dourado, Mazé Silva, Merry Batista, Nauro Neves, Nildes Vieira, Nilton Rangel, Orlando Martins, Raquel Rodrigues, Rejane Maia, Rita Santos, Rivaldo Rio, Sérgio Braga, Tânia Toko, Tânia Oliveira e Valdinéia Soriano. Substituições: Arleth Dias (entrou no elenco depois) Participação da Banda Mirim Olodum Estreia: 17/10/91 a 10/11/91 – Teatro do ICBA (SSA – BA) Apresentações: 12/11 a 28/11/91 – Teatro Gregório de Mattos (SSA – BA) 05/02 a 23/02/92 – (Repertório) Teatro do ICBA (SSA – BA) 16/03, 23/03 e 30/03/92 – (Repertório) Teatro Gláucio Gil (Rio – RJ) 07/06/92 – Teatro Gregório de Mattos (SSA – BA) 19/07/92 – 24º Festival de Inverno da UFMG – Teatro Francisco Nunes (Belo Horizonte – MG) 18/12 e 19/12/92 – (Repertório) Teatro Dulcina (Rio – RJ) 05/02 e 12/02/93 – (Repertório) Teatro Gregório de Mattos (SSA – BA) 17/12/93 – Colégio São Paulo (SSA – BA)
fotos de Onovomundo: https://www.flickr.com/photos/marciomeirelles/albums/72157627752392717
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OUTROS TRABALHOS EM 1991 Saí da gestão pública, me prometendo que não retornaria a ela. Tinha dado minha contribuição à sociedade por quatro anos difíceis em que deixei em segundo plano minha atividade como artista. Não abri mão dela, porque não era possível. Continuava artista e era preciso me manter assim para poder prestar o serviço de gestão. Comprometi-me comigo mesmo a fazer pelo menos um espetáculo por ano. Deixei o Teatro Castro Alves com a certeza de que tinha feito um bom trabalho. Agi como gestor de uma ferramenta pública para o desenvolvimento das artes cênicas, não como produtor que compete com a sociedade civil com condições privilegiadas porque as contas do equipamento e sua equipe tem a garantia de serem pagas no fim do mês. E com isso sei que cresci como artista. Foi minha Pós de especialização. Apesar de gerir, além dos três espaços cênicos a serem ocupados por uma programação que gerasse público, um grupo de dança e uma orquestra, também financiados com recursos públicos, que precisavam produzir eventos constantemente para justificar suas existências, sempre entendi que esses coletivos também eram instrumento de política pública. Ao sair do TCA, me atirei a muitos projetos artísticos. Entre outros fui convidado pelo grupo Salto para dirigir um espetáculo de dança. Pela primeira vez iria coreografar dança explicita. Sempre trabalhei com movimento e organização dele no espaço. O Avelãz y Avestruz desde o início sempre foi coreografado, com gestos e movimentos e deslocamentos precisos, como informo a Marco Antônio Araújo, em 1976, na carta sobre a montagem de Rapunzel. Mas nunca tinha feito uma peça de dança. Quero dizer onde a linguagem da dança fosse a base e as ferramentas do teatro seriam
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usadas para apoiar o discurso. Era um novo desafio. Estávamos no ano do segundo centenário de morte de Mozart e sempre me fascinou o seu Réquiem. Estávamos também convivendo com a Guerra do Golfo, patrocinada pelos EUA e pelas Nações Unidas. O Réquiem de Mozart seria então o lamento daquele momento do mundo. E a Guerra de Tróia, seria a “fábula” que serviria de fio condutor da narrativa. Um paralelo entre a guerra real e brutal que se desenrolava e a mítica, ambas por motivos econômicos travestidos de outros, como o rapto de Helena, a mais bela. E surgiu Descansa... Experimentar uma nova linguagem é como experimentar um brinquedo novo. É estar ali cheio de possibilidades, face a face com o inexplorado, com o ignorado anteriormente e ao mesmo tempo com o eternamente conhecido. É como arrumar uma vitrine que você admirou durante longo tempo do lado de lá do vidro. É como arrebentar o vidro e se bater de cara com novos códigos, novos signos. É como traduzir para outra língua um discurso que te acompanha há muito. Refazer com tijolos novos o seu próprio lar. A Dança sempre me rondou com passos de sedução. Habitar o espaço sagrado do palco – ou sacralizado em palco – com movimentos precisos, com figuras, com palavras e sons e gestos, tem sido uma tarefa que cumpro com prazer desde muito, desde que interrompi minha futura carreira de arquiteto e me entreguei sem medidas, ao vício da cena. O espaço, o movimento, o tempo – três moiras tecelãs que determinam tudo. E Mozart... Há quanto tempo as notas divinas do incompleto Réquiem deixam plenos os meus ouvidos. Essa incompletude absolutamente humana que o demônio nos deixou. O Demônio Mozart. Há quanto
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tempo essas notas arrancam imagens de mim e me obrigam a delirar, a criar, a criar. Há quanto tempo não consigo achar nada mais absoluto em música e tento, e penso, e desejo chegar junto. Deitar no colo sonoro do grande Amadeus e entregar a ele minha alma completamente prenha, completamente imensa e inquieta com as possibilidades de uso que descobre em cada dobra dos pentagramas. Verão 90/91 – o mundo à beira de uma guerra. A tensão insuportável. A insustentável expectativa de um desastre inevitável, de um abismo. A necessidade de falar, de restaurar alguma coisa que não pode ser dita. De construir um discurso infalável sobre o fim, sobre o limite, sobre o desconhecido, sobre o depois. Construir um discurso sobre o delírio humano de ultrapassar, de ir além, de romper os diques, de destruir, violentar, violar, sacrificar, ir além, ir além. Só a Dança, só dançarinos, só sem palavras, só Mozart, só o Réquiem, só Cacau Celuque recriando o Réquiem, tornando dependente o que era absoluto. Só o Olodum, inundando com sangue novo, profanando com nova luz, abrindo uma fenda com a possibilidade da alegria – de outra vida nova – essa vida velha, esse momento confuso, brilhando como um outro lado através de um muro sombrio. Assim, DESCANSA ENQUANTO É POSSíVEL OUVIR AO LONGE TAMBORES TOCAR é minha primeira peça de dança. À Fá, Stella, Andréa, Itana, Dina, Lina, Selma, Durval, Soter, Margot, e, mais longe, a Bouzas (que não chegou conosco ao fim dessa estrada) agradeço o toque poderoso de Deus em seus corpos e a generosidade com que me tomaram pela mão e mostraram a iluminação desse toque. Dou de presente a Pedro e João esse meu trabalho, esse meu esforço em reaprender, porque é com eles que a cada dia reaprendo a vida. Outubro de 1991
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DESCANSA ENQUANTO É POSSÍVEL OUVIR TAMBORES TOCAR Dança Grupo Salto Concepção, roteiro, direção, coreografia, cenário e figurino: Marcio Meirelles Música: Carlo Celuque (variações sobre o Requiem de Mozart) e Wolfgang Amadeus Mozart (Introitus, Sequenz n°6, Lacrimos e Communi – Requiem em ré menor, Kv 636) Músicos na gravação: Andréa Daltro (soprano), Carlo Celuque (programação e teclados), Élcio Sá (baixo), Ivan Huol (percussão), Marco Roriz (baixo), Ricardo Bordini (tenor|), Sérgio Emanuel (tenor) e a Banda Mirim do Olodum – Andréia, Felisvaldo, Helenita, Leguelé, Léo, Sérgio e Val; regência: Maestro Neguinho do Samba Gravação: Tapwi’n Studio Técnico de gravação: Fernando Gudlach Assistência de coreografia: Lílian Pereira e Paco Gomes Preeparação técnica: Lílian Pereira, Sonia Gonçalves e Zebrinha Consultoiria cenográfica e cenotécnica: Mauro Prata Confecção do figurino: Lina Lemos Iluminação: Jorginho de Carvalho (criação original) Montagem de luz: João da Cruz Gusmão Operação de luz: Marcos Millet Fotos do cartaz e programa: Márcio Lima Fotos individuais do programa: Andenor Gondim Fotos divulgação: Caroline Azevedo, Márcio Lima e Paulo Muñoz Criação do cartaz e programa: Claudius Portugal Direção de produção: Margarethe Azevedo Assessoria de produção: Esdras Bonsucesso e Fernanda Tourinho Realização: Grupo Salto Elenco: Andréa Fernandes, Dina Tourinho, Durval Jr., Fátima Menezes, Itana Meirelles, Lina Costa, Selma França, Soter Xavier e Stella Campos Estréia: 10/08/91 Centro Cultural Dannemann – Bienal do Recôncavo (São Félix – Ba) 12 e 13/09/91
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Tetro Municipal de Ilhéus (Ba) 14/11/91 Teatro Municipal (São Paulo – SP) 05 a 15/12/91 Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba) POR UM FIO Show de Aleksei Turenko Direção, cenário e iluminação: Marcio Meirelles Direção musical: Pedro Augusto Arranjos: Aleksei Turenko e Pedro Augusto e Carlito Chenaud e Flávio Queiroz (uma canção cada) Assistente de iluminação: Cristóvão da Silva Montagem de luz: Rivaldo Rio Assistente de cenografia: Lígia Aguiar Técnico de som: Buia Som Produção: Bisa Almeida e Aleksei Turenko Músicos: Aleksei Turenko (voz e violão), Carlito Chenaud (Guitarras), Flávio Queiroz (teclados), Jorge Sacramento (bateriae pandeiro), Pedro Augusto (contrabaixo) Participação: Quarteto de Sax e Ênio Antunes (violino) Estréia: 10/12/91 Expresso Bahiano (SSA – Ba) O PRAZER DO TEATRO Oficina Orientador de oficina Projeto Arte no Verão Escola Art’Dança Janeiro/91 (SSA – Ba)
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A CONSTRUÇÃO DE PERSONAGENS Oficina Orientador de oficina II Semana Cultural da Alemanha Promoção: Universidade Federal do Pará e Casa de Estudos Germânicos Xx a 29/09/91 (Belém – PA) ENCONTRO NACIONAL DE TEATRO Convidado/debatedor no temário: O perfil do teatro baiano (01/10/91) Mediador: Armindo Bião Convidados/debatedores: Aninha Franco, Deolindo Checucci, Fernando Guerreiro, Javier Alfaya, Jurema Penna, Luiz Marfuz, Manuel Gonçalves da Silva Filho, Marcio Meirelles, Maria Prado, Nilda Spencer, Paulo Ato, Raimundo Sobreira, Ruy César, Theodomiro Queiroz Promoção: Fundação Cultural do Estado da Bahia e Fundação Gregório de Mattos Realização: Departamento de Música e Artes Cênicas da FCEBA e Teatro Castro Alves 30/09 a 02/10/91 Memorial de Medicina / Terreiro de Jesus (SSA – Ba)
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GOVERNANTES 65o prefeito: Fernando José Rocha . Partido do Movimento Democrático Brasileiro (pmdb) 1989 a 1992 43o governador: Antônio Carlos Magalhães . Partido da Frente Liberal (pfl) 1991 a 1994 32o presidente: Fernando Collor de Melo . Partido da Reconstrução Nacional (prn) 1990 a 1992 33o Itamar Franco . Partido do Movimento Democrático Brasileiro (pmdb) 1992 a 1995 Aconteceu a ECO 92 – Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento no Rio de Janeiro. Manifestantes do movimento Caras Pintadas saem às ruas de todo o país para pedir a saída do presidente Fernando Collor de Mello. A Polícia Militar do estado de São Paulo, liderada pelo Coronel Ubiratan Guimarães, matou 111 presos durante rebelião na Casa de Detenção, no Carandiru. “(...) As diferentes versões Apesar de se saber qual a origem do massacre, ainda não há um consenso para explicar o que realmente aconteceu naquele 2 de outubro de 1992 após a entrada da polícia na penitenciária. E é aí que as histórias começam a se diferenciar…
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A versão oficial dada pela polícia relata que a situação estava fora do controle no pavilhão 9 e o Diretor da Casa de Detenção, José Ismael Pedrosa, acionou a Polícia Militar, que chegou com um efetivo de 300 homens. Depois de tentativas frustradas de negociação entre o diretor e os presos para finalizarem a rebelião, o Coronel Ubiratan teria decidido invadir o local um número menor de 86 policiais. Segundo a polícia, a situação fugiu totalmente do controle, necessitando a intervenção do restante dos PMs,que teriam sido recebidos com objetos cortantes e tiros. Dessa forma, o combate resultou em mortos (inicialmente divulgados pela PM como apenas 8), que seriam aqueles que trocaram tiros com a polícia – ou seja, alegou-se que eles agiram em legítima defesa. Já a história contada pelos presos sobreviventes e por grupos dos Direitos Humanos difere das informações oficiais. Segundo eles, o número de mortos seria mais de 200 pessoas mortas por mais de 300 policiais. Eles alegaram que após a conversa com o Diretor do Carandiru, os presos decidiram pôr fim a rebelião, e muitos tinham entregado suas armas permanecendo dentro de suas celas. Mesmo sem apresentarem reações violentas, a PM teria matado os presos. O perito criminal Osvaldo Negrini, que esteve no local da chacina, em depoimento, afirmou que não houve confronto entre policiais e detentos, porque os presos do Pavilhão 9 não tiveram a possibilidade de reagir. De acordo com ele, a grande quantidade de tiros encontrados nos corpos dos presos, especialmente na cabeça e no tórax, juntamente com as marcas na parede da cela, é um sinal que os policiais já teriam chegado atirando, impossibilitando a reação dos apenados. Além disso, apenas 26 dos 111 mortos contabilizados pela perícia se encontravam fora das celas. Organizações de Direitos Humanos afirmam que essas características analisadas pela perícia são típicas de extermínio e mostram que os policiais não estavam atirando para se defender ou controlar a rebelião, mas com o objetivo de assassinar os detentos.” https://www.politize.com.br/massacre-do-carandiru/
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A atriz Daniela Perez foi assassinada com 18 golpes de tesoura pelo ator Guilherme de Pádua. O presidente da República, Fernando Collor de Mello, renunciou o mandato a fim de evitar a perda de seus direitos políticos.
BANDO DE TEATRO OLODUM – ANO DOIS A VOLTA POR CIMA Teatro de rua Bando de Teatro Olodum Texto (com a colaboração do Bando de Teatro Olodum), espaço cênico e direção (com Chica Carelli): Marcio Meirelles Coreografia: Leda Ornelas Músicas: Olodum Arranjos para percussão: Neguinho do Samba Criado para a reinauguração do Liceu de Artes e Ofícios, a peça era uma versão reduzida, para espaços abertos, de Essa é nossa praia. Apresentava a história de Maria de Bonfim tentando achar um lugar para ter o seu filho. Ao contrário do espetáculo que lhe deu origem, terminava como um auto de Natal, com o nascimento do menino, filho Maria de Bonfim – a possibilidade de mudança. O elenco e a escalação de personagens eram os mesmos de Essa é nossa praia, apesar de nem todos os personagens aparecerem na versão reduzida. No espetáculo de estréia, também participaram: Banda Mirim Olodum, Banda Ghandi Erê, Ilu Batá, Cia de Dança do Olodum e Ternos de Reis. Estréia: 06/01/1992 – Liceu de Artes e Ofícios – SSA
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Apresentações: 14/03/92 – Quadra da Escola de Samba Mangueira (Rio – RJ) 05/04/92 – Anchieta (Rio – RJ) ... /04/92 – Quadra da Mangueira (Rio – RJ) ... /04/92 – Usafricaribe – Espírito da Coisa (casa noturna) (Rio – RJ) ... /04/92 – Resumo da Ópera (casa noturna) (Rio – RJ) 14/07/92 – 24º Festival de Inverno da UFMG – Praça da Estação (Belo Horizonte – MG) 16/07/92 – 24º Festival de Inverno da UFMG – Centro Cultural da UFMG e Praça Central do Minas Shopping (Belo Horizonte – MG) 16/07/92 – Aniversário da Cidade de Sabará (MG) 27/10/92 – Comemoração do Mês do Funcionário Público – Hospital Roberto Santos (SSA – Ba) 20/11/92 – Ciep Adão Pereira (Rio – RJ) 27/11/92 – Greip da Penha (Rio – RJ) 07/12/92 – Cinelândia – Circo Voador (Rio – RJ) 10/12/92 – Teatro Sesc/Tijuca (Rio – RJ) 18/12/92 – Seminário de Animação Cultural (encerramento) – Centro de Artes Calouste Gulbenkian (Rio – RJ) 19/12/92 – Greip de Acari (Rio – RJ) 08/02 a 11/02/93 – Shopping Iguatemi (SSA – Ba) 06/03/93 – Othon Palace (SSA – Ba) 27/03/93 – Aniversário da Cidade de Salvador – Periperi (SSA – Ba) 23/12/93 – Festa de final de ano da Petrobrás (SSA – Ba)
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Em seis ensaios montamos Ó paí, ó!, a próxima peça, que seria a mais famosa do Bando, por conta da posterior adaptação para o cinema e para série televisiva. No quarto ensaio tivemos uma discussão muito forte, o elenco e eu. Eles achavam que não conseguiríamos estrear bem o novo espetáculo e eu, confiante que sim. Tinha esta certeza porque trabalhamos desde o início com a base do que seria a principal qualidade daquele elenco – a capacidade de improvisar e de criar personagens concretos e sólidos. Verossímeis. Trabalhamos especialmente sobre aqueles personagens do que seria a Trilogia do Pelô, em sua maioria criados para Essa é nossa praia. pensava e falava com eles e elas que o personagem está para o teatro como o instrumento para a música. O instrumentista, para executar uma obra, tem que conhecer muito bem seu instrumento: como faze-lo soar bem, harmonizarse com os outros, tocar junto na orquestra, e não só uma música, mas qualquer uma. E improvisávamos situações que não estavam em Essa é nossa praia, fizemos muitos espetáculos de rua, recriando trechos da peça. Fizemos a inauguração do Liceu de Artes e Ofícios, nas ruínas do Solar do Saldanha, com uma intervenção onde a relação com o público conduzia tudo, para chegar ao fim, ao nascimento de uma nova criança, uma esperança, como um auto de Natal. Realmente eles sabiam trabalhar, eram atores criadores de personagens e situações. No primeiro ensaio, depois de uma conversa sobre o Pelourinho e seu sistema de habitação e estrutura dos cortiços, dividi o grupo em dois e uma parte desenvolveria situações no interior de uma dessas casas, e a outra, situações de rua. No final da noite, o enredo do que seria a peça já estava esboçado.
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Em reunião anterior, já tinha levado a proposta de que o próximo espetáculo do grupo fosse com os personagens já criados na primeira peça e nos trabalhos que desenvolvemos o ano inteiro entre um e outro. Propus pensando que a tradição do teatro popular – do teatro dell’arte aos mamulengos – se baseia em personagens/função. E eles toparam. Também foi decidido que seria sobre o extermínio de crianças. Entretanto isso não apareceu nas improvisações. Como todo o trabalho do Bando, com toda a capacidade de imaginação e criação de situações ficcionais que o elenco tem, sempre se baseia no concreto e não havia criança no elenco, elas não apareceram. No segundo ensaio trouxe a proposta de edição das cenas, agrupadas em quatro blocos – rua, casa, rua, casa – e ensaiamos assim. Montamos o roteiro. No terceiro ensaio, trouxe a questão do extermínio de crianças e as cenas onde isso apareceria, escrevi especialmente a do policial e o dono da loja, onde sabemos que os filhos de Dona Joana foram assassinados. E ensaiamos. No quarto ensaio, escolhemos as músicas do Olodum que se encaixavam como tema nas narrativas entre as cenas, como sempre fazíamos, e Aloísio Menezes já tinha composto a canção de abertura: “quando o passado abrir o presente vai encontrar com a gente”. Frase de João Meirelles que, aos seis anos, sintetizou com ela nossa conversa sobre o tempo e seus três momentos. Leda Ornelas viajaria para a Alemanha, por aqueles dias, se não no dia seguinte. Esboçou as coreografias, também como fazíamos, a partir dos movimentos de dança de rua, do carnaval e de danças sagradas do candomblé. Quando Começou a discussão de que não daria certo. Foi uma longa briga feia. Cheia de acusações sobre a minha leviandade de
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fazer aquilo tudo tão apressadamente. Me defendia pedindo, provavelmente aos berros, que confiassem na minha confiança de que eles eram capazes de fazer. Foi quando Orlando Martins me acusou de escrever as peças que fazíamos, alterando o que eles traziam, e dizia que era deles. Quinto e sexto ensaios, colocar a peça no espaço, no palco do Teatro do Icba. Não nos falávamos, elas, eles e eu. Nenhuma palavra além das necessárias para o trabalho fluir. Estreia. Eu ardia em febre, sem saber ainda, com pneumonia. Teatro lotado. Sucesso absoluto. O público consagrou a peça. Que naturalmente, como fazíamos, foi sendo lapidada, reeditada, ao longo de muitas temporadas, em Salvador e outras cidades. Alguns meses depois fomos para o Rio, a convite de Aderbal Freire Filho, para ocupar o Teatro Gláucio Gil. E novamente a peça foi um sucesso. Tanto que ainda no mesmo ano voltamos para nova temporada no Teatro Dulcina, onde Caetano Veloso assistiu à peça e conversou comigo sobre a possibilidade de filma-la, que virou projeto e finalmente virou o filme e a série televisiva, pelas mãos de Monique Gardemberg:
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Ó PAÍ, Ó! (1ª montagem) Bando de Teatro Olodum Texto (com a colaboração do Bando de Teatro Olodum), cenário, figurino (em oficina com os atores do bando) e direção (com Chica Carelli): Marcio Meirelles Coreografia: Leda Ornelas Músicas: Ó pai, ó! (Aloísio Menezes, Marcio e João Meirelles), Deixa-me lá (Valmir Brito), Jeito de dançar (Jauperi), Swing Olodum (Reny Veneno), Protesto Olodum II (Reny Veneno, Pierre Onassis e Tonho Copque) Arranjos para percussão: Neguinho do Samba Iluminação: Jorginho de Carvalho Direção de produção (até 1992): Maria Eugênia Milet Elenco: Aloísio Menezes (Maicolgel), Anativo Oliveira (Peixe Frito), Arlete Dias (Mary Star), Armando Costa (Raimundinho), Cássia Valle (Dona Raimunda), Dedé Maurício (Marcelo, personagem que desapareceu com a saída do ator), Edvana Carvalho (Lúcia), Eliete Miranda (Dona Maria – ações do personagem foram assumidas por Pissilene e por Berna Rosa, personagem criado em Bai bai pelô), Floriano Barbosa (Bêbado, personagem substituído por Moncherri, com a saída do ator e, com a saída da atriz, algumas ações foram adaptadas para Pissilene), Gerimias Mendes (Gereba), Jorge Washington (Seu Matias), Fábio Santos (Seu Severino), Laudio Dourado (Guarda), Luciana Souza (Dona Joana), Merry Batista (Professora), Nauro Neves (Lord Black), Orlando Martins (Ratinho, personagem substituído por Malhado), Nilton Rangel Gomes (Seu Reginaldo), Raquel Rodrigues (Afilhada de Neuzão), Rejane Maia (Baiana), Rivaldo Rio (Pintor), Sérgio Braga (Yolanda), Tânia Toko (Neuzão da Rocha), Tânia Oliveira (Carmem) e Valdinéia Soriano (Maria) Substituições: Auristela Sá (Berna Rosa, personagem que substituiu Dona Maria), Cristóvão da Silva (Guarda), Jubiracy Machado (Raimundinho), Lázaro Ramos (Seu Severino), Leda Ornelas (Lúcia), Mazé Silva (Moncherri, personagem de Essa é nossa praia que substituiu o Bêbado), Nauro Neves (Yolanda), Nildes Vieira (Carmem), Ronilson Oliveira (Raimundinho), Rony Cássio (Yolanda), Sérgio Amorim (Malhado, substituiu o personagem Ratinho) e Suzana Mata (Pissilene, personagem criado posteriormente, substituiu e incorporou ações de Dona Maria e de Moncherri) Participação da Banda Mirim do Olodum.
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Estréia: 05/02/92 – Teatro do ICBA – SSA Apresentações: 05/02 a 23/02/92 – (Repertório) Teatro do ICBA – SSA 11/03 a 22/03/92 – (Repertório) Teatro Gláucio Gil (Rio – RJ) 26/04/92 – Teatro do ICBA – especial para os diretores dos Institutos Goethe do Brasil (SSA – Ba) 12/05 a 03/06/92 – Teatro ACBEU (SSA – Ba) 18/06 e 19/06/92 – Teatro Francisco Nunes – 24º Festival de Inverno da UFMG (Belo Horizonte – MG) 09/12 a 17/12/92 – (Repertório) Teatro Dulcina (Rio – RJ) 06/02 a 14/02/93 – (Repertório) Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba) 21/09/93 – Festival Via Bahia – Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba) 07/01 a 30/01/94 – Teatro Expresso Bahiano de Tênis (SSA – Ba) 05/02/94 – Teatro do ICBA (SSA – Ba) 20/09/94 – Ensaio Aberto – Via Bahia Festival – Escola de Medicina – Terreiro (SSA – Ba) 28/10 a 25/11/94 – (Repertório) Teatro Vila Velha (SSA – Ba)
TEXTO DE CAETANO SOBRE Ó PAÍ Ó fotos de Ó Paí Ó!: https://www.flickr.com/photos/marciomeirelles/albums/72157627756821065
LEMBRANÇAS DE GREGÓRIO Performance na Inauguração da reforma da Praça da Sé Bando de Teatro Olodum Concepção, roteiro e direção: Marcio Meirelles Realização: Prefeitura Municipal de Salvador Participação: Bando de Teatro Olodum, Banda Mirim do Olodum, Banda Ghandy Erê e Oficina de Frevos e Dobrados (maestro Fred Dantas) Apresentação: 26/05/92 - ? Praça da Sé (SSA / BA)
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WOYZECK Leitura Bando de Teatro Olodum Direção (com Chica Carelli): Marcio Meirelles Texto: Georg Büchner Tradução: Mário da Silva Coreografia: Leda Ornelas Arranjos para percussão: Neguinho do Samba Elenco: Aloísio Menezes (Andrés), Anativo Oliveira (Karl, o idiota), Arlete Dias (Dono da tenda, na feira), Cássia Valle (Dona do bazar), Cristóvão da Silva (Woyzeck), Dedé Maurício (Dono do bar), Ednaldo Muniz (Andrés), Eliete Miranda (Maria), Fábio Santos (Andrés), Gerimias Mendes (Capitão), Jorge Washington (Tambor), Láudio Dourado (Doutor), Luciana Souza (Doutor), Merry Batista (Margaret), Nauro Neves (Capitão), Nilton Rangel (Suboficial), Orlando Martins (Woyzeck), Raquel Rodrigues (Macaco da feira), Rivaldo Rio (1º Aprendiz), Sérgio Braga (Karl, o idiota), Tânia Toko (Kaethe), Rejane Maia (Velha) e Valdinéia Soriano (Maria) Participação da Banda Mirim Olodum Apresentação: 28/08/92 Teatro do ICBA (SSA – Ba)
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Texto de apresentação no programa de Woyzeck, onde, infelizmente não consta o crédito do autor: Em Woyzeck, Buchner utiliza a aparente narrativa de um trágico crime passional praticado por um indivíduo psiquicamente desequilibrado numa contundente denúncia da injustiça e do caráter desumano e opressor de um sistema social. É um estudo poético das relações de desespero e impotência entre o homem e o mundo tendo como pano de fundo a luta de classes onde o povo é protagonista e materializa sua problemática. A realidade vivida pela população do Pelourinho não é muito diferente daquela que produz a tragédia “Woyzeck”. O Bando de Teatro Olodum, empenhado numa pesquisa de linguagem que, partindo de elementos culturais afro-baianos, reconstrua o teatro sob uma perspectiva popular e brasileira, está eticamente comprometido com a valorização do cidadão e com a luta pelo direito pleno à cidadania, através da valorização da cultura. Para este clássico da dramaturgia universal realizamos um exercício de fusão de elementos culturais: texto alemão com o ritmo de tambores do Olodum e o estilo de interpretação desenvolvido pelo Bando de Teatro formado por um elenco basicamente composto por atores negros. A montagem comemora os dois anos do Bando que sempre tem conseguido, com seus espetáculos, uma boa receptividade de público e crítica.
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WOYZECK Bando de Teatro Olodum Direção, cenário e figurino: Marcio Meirelles Texto: Georg Büchner Tradução: Mário da Silva Co-direção: Chica Carelli Coreografia: Leda Ornelas Músicas compostas para o espetáculo: Homem bom, Natureza escura e A voz do vento (Sérgio Souto) Era uma vez (Aloísio Menezes) Músicas do repertório do Olodum – A ver navios (Valmir Brito e Roque de Carvalho), Reggae Odoiá (Bira Reis), Jeito Faceiro (Jauperi e Pierre Onassis), Sempre Assim (Paulo Jorge), Cara caramba (Marquinhos, Germano Meneguel e Pierre Onassis), Diamante Negro (Marquinhos), Poster nagô (Luciano Gomes), Segredo da cor (Fábio Santos) e Magnificat (música do movimento Focolares). Arranjos para percussão: Neguinho do Samba Direção musical: Sérgio Souto Iluminação: Jorginho de Carvalho Elenco: Aloísio Menezes (Andrés), Arlete Dias (Dono da tenda na feira), Cássia Valle (Dona do bazar), Cristóvão da Silva (Woyzeck), Dedé Maurício (Karl, o idiota), Ednaldo Muniz (Suboficial), Eliete Miranda (Maria), Fábio Santos (Apresentador), Gerimias Mendes (Capitão), Jorge Washington (Tambor), Luciana Souza (Doutor), Merry Batista (Margret), Nauro Neves (Capitão), Nildes Vieira (Kaethe), Nilton Rangel (Doutor), Orlando Martins (Woyzeck), Raquel Rodrigues (Margret), Rivaldo Rio (Karl, o idiota), Sérgio Braga (Andrés), Rejane Maia (Velha) e Valdinéia Soriano (Maria). Obs.: Os atores se revezavam, em dias alternados, nos papéis. Participação da Banda Mirim Olodum Ensaios abertos: 15 a 17/10/92 – Teatro do ICBA (SSA – Ba) Estréia: 20/11/92 – Teatro Dulcina (Rio – RJ) Apresentações: 15/10/92 a 17/10/92 – Ensaio aberto ICBA (SSA – Ba) 20/11/92 a 22/12/92 – Teatro Dulcina (Rio – RJ) 03/02 a 11/02/93 – Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba) 12/03 a 14/03/93 – Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba)
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Texto escrito por mim para o programa da peça: I Em 86, em Nova York, fazendo estágio na Circle Repertory Company, tinha muita vontade de voltar, de iniciar um trabalho novo para mim, um trabalho que estivesse diretamente ligado à nossa cultura, que só fosse possível ser feito na Bahia, com atores baianos. Voltei. Maria Eugênia [Milet], Angela Fialho, Isa Trigo e eu iniciamos o Projeto Teatro. Na primeira realização do projeto, a peça Gregório de Mattos de Guerras. Poetas, atores, músicos, historiadores, estudiosos e técnicos, usando a vida do poeta como mola e pretexto para falar da formação da poesia e da cultura brasileiras. Antes teve a anarquista Charanga LíteroMusical Amigos de Pagu, do Avelãz y Avestruz, descendente de Oswald e da Geração Arco e Flexa. Teve o encontro com Arany Santana e Valdina Pinto na realização de um clip poético para a Tevê. E, antes de tudo, minha infância, uma infância igual a de muitos brasileiros. Passada entre a sala e a cozinha. E na cozinha tinha Dilu que me deu o leite de sua cultura reconcavamente santamarensemente negra. II Em Gregório ficou claro um caminho. Um caminho claro, lógico, que estivemos intuindo o tempo inteiro. E de repente estava ali o teatro que gostaríamos de, que pretendíamos e que queríamos ter feito todo o tempo. O antes era só uma preparação. III Anos depois o reencontro com João Jorge do Olodum, companheiro de viajem no barco de Gregório. E o convite “vamos juntar propostas e projetos”, criar um grupo, retrabalhar a linguagem do teatro a partir de outros pontos de vista – da rua, do carnaval, do candomblé, dos quilombos, das tabas, de outras praias.
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Novamente as antigas companheiras de bordo Maria Eugênia [Milet] e Chica [Carelli] e uma nova, Leda [Ornelas], me ajudaram nessa arrumação. Faltava escolher o resto da tripulação. Um convite geral, amplo e irrestrito. Propusemos uma oficina para selecionar os que estariam nesse projeto. IV Outubro de 1990. Quase cem pessoas inscritas para a seleção da primeira Oficina de Teatro do Olodum. Avaliação através de aulas de dança, música, voz, interpretação. Dinâmica de grupo, olhar crítico, olhar emocionado. Esse, essa, esse também. 30 participantes. Seriam só vinte, mas a Escola de Dança da UFBA nos emprestou uma sala para desenvolvermos nossos trabalhos. Em um mês, alguns saíram durante o processo. Chega novembro de 1990. Está formado o primeiro núcleo do Bando de Teatro Olodum, que ainda não tinha esse nome. Aliás, que ainda não tinha nome. Um primeiro núcleo, depois outro, outra oficina, um núcleo de adolescentes e pretendemos ter outros. A ideia é oferecer o máximo de possibilidades para o maior número de pessoas possível. Formar vários núcleos, montar vários espetáculos, manter um repertório permanente, colocar nossas questões em cena o tempo inteiro. Estar descobrindo novos caminhos, redescobrindo a linguagem, retrabalhando o cidadão e a consciência de que sou, que vivo e que tenho direitos. Mas, antes de tudo e para que tudo possa ser feito, trabalhando e retrabalhando o profissional que sou ou que posso ser. É muito trabalho a curto, médio e longo prazos. É tarefa para muitos braços, para muitos corpos, para muitos parceiros e amigos. Estamos no meio dessa travessia.
fotos de Woyzeck: https://www.flickr.com/photos/marciomeirelles/albums/72157628031266096
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DE TUDO UM POUCO Performance Bando de Teatro Olodum Roteiro e direção: Marcio Meirelles Coreografia: Leda Ornelas Elenco: Bando de Teatro Olodum Apresentação: 15/12/92 Planeta Natal – Rio Centro (Rio – RJ)
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OUTROS TRABALHOS EM 1992 Quando estava de repouso em casa, com pneumonia, recebi um telefonema da produção de Lucélia Santos, que ia montar Sonho de uma noite de verão, com direção de Werner Herzog. Precisavam de um brasileiro para trabalhar junto com o cineasta, que estreava em direção de teatro. E me convidaram para fazer parte do projeto como co-diretor. Eu teria que ir dentro de cinco dias encontrar Herzog no Rio e, com ele, fazer a seleção de elenco, porque ele voltava para a Alemanha, logo depois, e só retornaria, para finalizar os ensaios, algum tempo depois. Pelo meu estado de saúde, não poderia ir no dia que precisavam, ainda que logo a seguir, no prazo de recuperação previsto pelo médico, se eu reagisse bem ao tratamento, estaria lá para a temporada do Bando no Gláucio Gil. Chamaram outro diretor. Tudo correu como previsto. Me recuperei e fui com o grupo fazer nossa temporada. Foi muito boa, a classe artística carioca recebeu-nos bem. O elenco do Sonho sempre ia assistir aos espetáculos. Conversavam comigo, imaginando como seria meu trabalho com eles, se pudesse ter aceitado o convite para o projeto. Enfim. O diretor convidado abandonou a peça e fui reconvidado pela própria Lucélia para assumir o trabalho. Aceitei e, na semana seguinte, estava hospedado no Copacabana Palace, onde fiquei por cinco meses, durante os ensaios e temporada. Levantei a peça, sem saber o que Herzog queria dela, já que não tínhamos nos falado nem encontrado antes e faltavam doze dias para ele chegar. Havia pistas, na escala do elenco, no figurino, no cenário, no conceito, na frase “quando destruírem todas as florestas não haverá mais sonhos”, no fato de existirem “sombras” dos amantes, um ator e uma atriz que
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dobravam os papéis, como substitutos eventuais em caso de impossibilidade de algum dos titulares, mas também em cena. Como seria isso? Estava na cabeça do encenador. Trabalhei muito na compreensão do texto no sentido de contextualiza-lo no Brasil, naquele momento. E, especialmente, na “tradução” dos papéis “mágicos” para virarem seres concretos, passíveis de representação em cena por seres concretos. O trabalho mais prazeroso era com o núcleo dos artesãos, onde estavam meus amigos Hilton Cobra e Caco Monteiro, dois grandes comediantes. Os outros também eram e formavam um bom time. Perfeito Fortuna, que faria Botton, deixou a peça e foi substituído por Chico Dias, que já estava no elenco, e Chico substituído por Dudu, da Intrépida Trupe, que fazia o séquito de Oberon. Nos divertíamos muito com a construção das cenas dos artesãos e da “montagem” de Píramo e Tisbe. A morte de Tisbe era ovacionada pela plateia. Cobra conseguia levar cinco minutos, no final da peça de duas horas, para falar cinco versos e fazer o balé de morte da heroína, e magnetizar a plateia fazendo-a rolar de rir. Por fim, Herzog chegou e a peça estava levantada. Ainda fluida, com várias decisões a serem tomadas. A assinatura não seria minha. Tinha que esperar o diretor para trabalharmos juntos na reta final. Nosso encontro, no apartamento que ocupava na Avenida Atlântica, de frente para o mar, foi engraçado. Os dois estavam muito tímidos. Disse-lhe que tinha preparado o elenco e a peça, deixando-os mais ou menos maleável para ele poder moldar. Respondeu que não, que eu poderia fazer como quisesse e assinaríamos juntos. Enfim... fomos para ensaio corrido. Herzog riu bastante durante o ensaio e no final disse a todos que finalmente tinha entendido porque Sonho é classificada
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como comédia. Nossa convivência e colaboração foi muito boa. Realmente ele não tinha intimidade com teatro, e seus ritos. Ele fazia, e muito bem, cinema e ópera. Mas nunca tinha feito teatro falado. Muito menos com um elenco brasileiro e nas condições e ritos de nossa cultura. Quando passamos da sala de ensaios, no Teatro Villa Lobos, para o palco do Teatro João Caetano, tudo começou a dar errado e a não funcionar como nos ensaios. Ele deu uma pausa para o café e me chamou pra fora do teatro. No meio da rua disse desolado que aquilo não daria certo. Expliquei que era assim no teatro, que o primeiro dia de palco é um horror, até que se crie intimidade com o novo espaço, e o espetáculo se redimensione para ele. Passamos por várias experiências com a montagem e sempre nos apoiávamos. Ele me entregou completamente a direção dos artesãos, enquanto trabalhava outros núcleos e com Lucélia/ Puck, especialmente, que esperava realmente sua direção. Nos encontrávamos e juntávamos os núcleos e trabalhávamos com eles. No final ficamos satisfeitos com nossa colaboração, deu certo. Na coletiva de imprensa ele afirmou o que já tinha dito, na dedicatória que escreveu no seu livro Caminhando no Gelo, para mim: que era e seria meu amigo sempre e que eu tinha sido como uma rocha num mar em tempestade, para ele. Nunca mais nos vimos nem nos falamos. Mas sei que somos amigos para sempre.
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FLORESTA AMAZÔNICA EM SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO Texto: William Shakespeare Tradução: Domingos de Oliveira Direção: Werner Herzog Co-direção: Marcio Meirelles Cenografia: Henning von Gierke com a colaboração de Gringo Cárdia Figurino: Franz Blumauer com a colaboração de Rosa Magalhães Iluminação: Manfredo Voss com a colaboração de Maneco Quin deré Música: Egberto Gismonti Coreografia: Débora Colker Assistente de Wernwr Herzog: Flávio Ribeiro Assistente de Marcio Meirelles: Rossella Terranova Coiffeur: Yves Sadre Maquiagem: Aluízio Câmara Programação visual: Jair de Souza Produtor da equipe alemã: Lucki Stipetic Direção de produção: Antônio Gilberto Elenco: Aloísio de Abreu (Teseu), Antônio Grassi (Oberon), Caco Monteiro (Magrela/Lua), Carmen Luz (Fada Arnica), Carolina Cavalcanti (Fada), Chico Diaz (Botão/Píramo), Cláudia Mele, Cláudio d’Oliani (Egeu), Hilton Cobra (Flauta/Tisbe), Eduardo Andrade (Lata/Muro), Iléa Ferraz (Fada Mostarda), Ivan de Almeida (João Solda/Leão), Ivan Senna (Filostrato), Joice Niskier (Fada Arruda), Lana Francis (Fada Camomila), Lucélia Santos (Puck), Lu Grimaldi (Hipólita), Luísa Thiré (Helena), Marcos Winter (Demétrio), Raquel Libório (Hérmia), Ricardo Venâncio (Animal), Rubens de Araújo (Quince/diretor da peça) e Veluma d’Oba (Titânia) Intrépida Trupe: Alberto Magalhães, Bete Martins, Cláudio Baltar, Dani Lima, Dalmo Cordeiro Galvão, Eduardo Andrade, Geraldin Miranda, Ricardo Camillo, Roberto Silva e Vanda Jacques (Seres da Floresta) Estréia: 02 a 30/06/92 (Rio Eco 92) Teatro João Caetano (Rio – RJ)
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RETRATO DE GERTRUD STEIN QUANDO HOMEM Os Privilegiados CO DIREÇÃO Texto: Alcides Nogueira Direção: Antonio Abujamra Cenário: José Dias Figurino: Kalma Murtinho Direção musical: André Abujamra Coreografia: Débora Colker Patrocínio: Banco do Brasil Elenco: Antonio Abujamra, Suzana Faini e Vera Holtz Estréia: xx/08 a xx/10/92 Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (Rio – RJ)
O Instituto Goethe me convidou para co-dirigir com Heiner Goebbels uma peça de Heiner Muller, com ele próprio no elenco, falando o texto em alemão. Eu faria a direção de Harildo Déda, fazendo o texto em português, o desenho de luz e a sonoplastia. Aceitei. Na mesma época, Adyr Assunção, ator mineiro, me convidou para dirigir Quartet, também de Heiner Muller, com ele e Vera Holtz no elenco. Também aceitei. Conversamos e mudamos o projeto. Nem Vera nem eu queríamos fazê-la naquele momento. Antônio Abujamra sugeriu a Vera Medeamaterial. Esta é uma peça-tríptico que não tinha sido integralmente traduzida. Só a parte central, a própria Medeamaterial, faltavam as duas margens: exatamente Margem Abandonada e Paisagem com Argonautas. Decidimos por esta e voltei pra Bahia, encontrar Goebbels, o músico, e fazer o Prometeu. Heiner Muller teve problemas de saúde e não pode vir, infelizmente não nos encontramos naquele momento, só algum
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tempo depois, antes de começarmos a montagem de Medea, em Berlin, para conversar sobre minha encenação. Trabalhei com Harildo e fizemos o espetáculo, em Salvador e em Minas. O trabalho foi muito bom e tivemos, Heiner Goebbels e eu, bastante afinidade. Conversamos sobre o projeto Medea. Ele conhecia muito bem o texto, já tinha trabalhado com ele e me contou como eram as duas partes que não conhecíamos. A Margem é a descrição de uma sociedade destruída por invasões bélicas de conquista. Paisagem o discurso do invasor/ colonizador. Enquanto Medea, a fábula reescrita. Vi a possibilidade de incluir o Bando no projeto, como o povo de Medeia, o povo que habita a margem abandonada. O coro de uma tragédia contemporânea. O povo invadido, traído que se reorganiza e luta e vence o colonizador. Conversei com Heiner sobre o conceito e o convidei para compor a música para o espetáculo e ele aceitou. Voltei para o Rio com o Bando e Heiner Goebbels no projeto e convidamos Guilherme Leme para o papel de Jasão. No ano seguinte, ao fim da novela que ele e Vera faziam, os dois vieram e passaram três meses em Salvador, ensaiando. Graças aos nomes midiáticos conseguimos bons patrocínios, pudemos receber o músico e estrear na temporada de reinauguração do Teatro Castro Alves, que tinha sido reformado a partir do projeto que elaboramos em minha gestão, antes de fechá-lo. Completaram-se vários ciclos num momento de virada em minha vida.
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A LIBERTAÇÃO DE PROMETEU Instituto Goethe Texto: Heiner Muller Tradução: Walter Schorles (com a colaboração de Marcio Meirelles) Projeto com direção, música e direção musical: Heiner Goebbels Co-direção, sonoplastia e iluminação: Marcio Meirelles Elenco: David Moss (bateria, voz e outros) Harildo Deda (texto em portugues), Heiner Goebbels (piano, synthesizer e outros) Heiner Muller (texto em alemão) – o autor/ator não veio por motivos de saúde Estreia: 22 a 25/07/92 Teatro do ICBA (SSA – Ba) 27/07/92 Teatro Marília (Belo Horizonte – MG) BRODER – UMA ODISSEIA FANTÁSTICA Los Catedrásticos Criação: Los Catedrásticos (Cyria Coentro, Maria Menezes, Meran Vargens, Ricardo Bittencourt e Solange Miguel) Texto final e direção: Meran Vargens Cenário: Ivo Gato Figurino (com Lígia Aguiar): Marcio Meirelles Iluminação: Meran e Jaci Sonoplastia: Cacau Celuque Programação visual: Humberto Farias Produção executiva: Ana Rúbia Elenco: Aicha Marques, Gordo Neto, Maria Menezes e Meran Vargens Estreia: 14/03/92 Teatro Maria Bethânia (SSA – Ba) SETE CENAS Casa Via Magia Criação: Ruy Cézar e Rô Reyes Direção: Rô Reyes Arte gráfica, figurino e máscaras: Marcio Meirelles
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Intervenção coreográfica: Lia Robatto Ambientação cênica: Ruy Cezar Iluminação: Irma Vidal Confecção das máscaras: Zuarte Junior Produção: Via Magia Produções Elenco: Bella Saffe, Fernanda Paquelet, Maria Prado, Marília Cunha, Martin Reyes, Rô Reyes e Ruy Cezar Estréia: Xx/xx/92 Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba) OFICINA CONDENSADA Texto: Aninha Franco Direção: Fernando Guerreiro Figurino e ambientação: Marcio Meirelles Elenco: Rita Assemani Estreia: 19/03/92 Teatro Gamboa (SSA – Ba) OFICINA DE TEATRO 24° Festival de Inverno Orientador: Marcio Meirelles Realização: Pró Reitoria de Extensão da UFMG 13 a 17/06/92 (Belo Horizonte – MG) CEMIG – SEMPRE UM PAPO Palestrante: Marcio Meirelles Realização: Cemig 15/07/92 Centro Cultural da Cemig (Belo Horizonte – MG)
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GOVERNANTES 66o prefeita: Lídice da Mata . Partido Socialista Brasileiro (psb) 1993 a 1996 43o governador: Antônio Carlos Magalhães . Partido da Frente Liberal (pfl) 1991 a 1994 33o Itamar Franco . Partido do Movimento Democrático Brasileiro (pmdb) 1992 a 1995
Com a realização de um plebiscito, os brasileiros decidiram manter o regime presidencialista no país. Oito crianças e adolescentes foram mortos por policiais militares ao lado da Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Policiais militares assassinaram 21 moradores da Favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro.
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BANDO DE TEATRO OLODUM - ANO TRÊS Esta reportagem da revista Capricho de setembro de 1993 está aqui porque nos mostra a visão externa do Pelourinho, da Bahia turística, onde nasceu o Bando de Teatro Olodum, citado rapidamente no texto, pelo trabalho que fazíamos à época com Vera Holtz e Guilherme Leme, durante a visita de Homero (aliás muito boa gente na visita que nos fez). Vera e Guilherme tinham acabado de protagonizar um casal super comentado na última novela da televisão: PELÔ AMOR DE DEUS O que é que os baianos têm? Um Pelourinho e um Teatro Castro Alves novinhos, têm. Os quitutes da Dadá, têm. Olodum, sambareggae, dança, teatro, também têm. O repórter especial de CAPRICHO, Homero Olivetto, foi a Salvador pedir a bênção e entrou no espírito da terra. Aterrissei no Aeroporto Internacional de Salvador às 2 horas da manhã de segunda-feira. Aliás, esse aeroporto nunca foi tão internacional quanto ultimamente. O governador da terra, embora tenha defeitos terríveis, vem fazendo um trabalho supercompetente em relação ao turismo e à cultura. Ele está mantendo ótimas relações com os poderosos das terras frias e calculistas e já está cheio de vôos direto da Europa para Salvador. Durante o tempo em que fiquei lá, fui cada vez mais me convencendo de que reinventaram a Grécia antiga. Salvador é um verdadeiro centro cultural, com direito a Pantheon dos deuses, perdão, orixás. Para quem não sabe, é em Salvador que fica o Vaticano do candomblé, chamado Gantois (pronuncia-se “gantuá”), e também nossa sacerdotisa maior,
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Mãe Cleusa do Gantois. São Paulo e Rio têm uma intensa vida cultural, mas Salvador investe na sua própria cultura e é um dos poucos lugares no Brasil que descobriu sua cara. Portanto, tem um caráter, e ótimo. O Rio está decadente, e faz tempo que a boemia e a noite paulistanas perderam seu charme. Na terça-feira, almocei num restaurante chamado Tempero da Dadá. Aquilo é que é bom! Demais a comida da Dadá! Comecei enchendo a cara de polvo ao vinagrete, depois rolou um camarão à espanhola e, para completar a sacanagem, mandei ver nos bolinhos de estudante, vulgo “punhetinhas”. A dona desse restaurante maravilhoso, obviamente, é a Dadá. Ela abriu o primeiro restaurante no quintal da sua casa e acabou de inaugurar o segundo no Pelourinho, num ótimo ponto. Fora o fato de a Dadá ser uma vencedora, ela ainda por cima é chique pra caramba, sempre com um turbante na cabeça e um sorriso de orelha a orelha. Mesmo pros babacas que só́ agora que nossa heroína virou moda querem ser amigos íntimos dela. Aliás, história de gente que deu certo é o que não falta no Pelô. O famoso e “tomado” Neguinho do Samba, diretor e maestro da banda do Olodum, já bateu muita perna junto com o Carlinhos Brown, levando as trouxas de roupa lavada das suas
mães pros clientes. De lá para cá, uma das profissões do Neguinho foi camelô, mas hoje o cara está em todas. Inclusive é ele quem está fazendo o som na peça Medéamaterial, junto com dois alemães de verdade, mas dessa peça eu quero falar mais tarde. Bahia de todos os cantos Querem mais? Neguinho estava em Nova York com Paul Simon se apresentando no Central Park quando pintou um papo de ir visitar o Spike Lee. Neguinho e uma galera foram se encontrar com o Spike, conversaram com ele, e desse papo surgiu a ideia de fazer um filme sobre a vida do Malcolm X. Como se não bastasse, criou a banda-mirim do Olodum e só deixa a molecada ensaiar se eles estiverem em dia nos estudos, bem em casa e com os amigos. Escrevendo assim, pode até parecer piegas, mas o que o Neguinho ajuda essa molecada, meu chapa... E vai ajudar muito mais quando for inaugurada a escola de música Didá. O prédio de quatro andares fica no Pelô, e vai haver aula de violino, trompete, percussão... Fora as aulas de dança, que vão rolar numa sala em que só o visual já é do balacobaco. Terça é dia de bênção, e eu, que não sou besta, me mandei pro Pelô à noite. Que festa! O Pelô fica lotadaço, com gente de
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todas as raças e credos. E só uma galera bonita pra caramba! Você pode escolher entre ir à bênção propriamente dita, que é o ensaio do Olodum, ficar bebendo num dos bares de calçada, ouvir jazz no Massapê, dançar reggae na frente da Casa do Olodum (onde fica o Centro Cultural deles, que também é um trabalho demais) ou ouvir qualquer tipo de som nos botecos espalhados pelo Pelô. Tem um, chamado Bar do Preto Velho, que tem um visual muito legal. Quando eu passava pela porta, só tinha preto velho mesmo, com cachimbo e tudo. Pena que eu não entrei pra conferir. Babaquice minha. Não é só na terça que o Pelô está um tesão. Todo dia tem coisas pra fazer, desde ir comer bacalhau no Firmino até visitar museus, igrejas, lojas, exposições... Tudo a pé e na maior segurança. A polícia está em toda parte, e educada pra caramba. Quando eu fui visitar uns santos do pau oco lá na igreja Terceira Ordem do Carmo, dei de cara com um grupo de policiais seguindo um guia turístico. Os caras estão até fazendo curso pra atender melhor os turistas! Na quinta à tarde, Déia Márcia (vulgo Máxima) agitou pra eu dar uma pescoçada no ensaio geral da reinauguração do Teatro Castro Alves (TCA). O nome completo da Deinha é Déia Márcia Frederico. É
ela quem produz a maioria dos shows de artistas da terra, inclusive o show da Maria Bethânia no Castro Alves. Fora o fato de ela ser gente fina pacas. O teatro está muito legal. Se perigar, até um concerto de caixinha de fósforos fica um tesão com aquela acústica. Os móveis na entrada são todos da Forma (uma sofisticada loja de São Paulo), cheios de frescura, e ainda existe um bar em que a galera se encontra depois dos espetáculos. Eu vi um pouco do ensaio da Gal Costa e me mandei. À noite, me levaram pra assistir ao show de uma cantora chamada Simone Moreno. Quando ela entrou no palco, meu queixo foi parar no pé. A mulher é linda! Eu só comecei a ouvir o som dela na segunda música, depois que me acostumei com o visual daquele mulheraço. A música que eu escutei foi É D’Oxum, e ela ainda por cima canta bem. Rola um papo de que Simone vai matar a pau nesse verão. De lá, fui para um bar chamado ExTudo, onde vai todo mundo depois das baladas, principalmente os intelectuais baianos. Lá, cruzei com o cantor Edson Cordeiro, e ele estava pegando garoa e usando uma blusa aberta no peito. Quase que eu dei um esporro nele, mas, como eu nem conheço o cara e ele deve saber o que faz, fiquei na minha.
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Mistérios baianos No outro dia, assisti ao espetáculo do TCA. A Orquestra Sinfônica da Bahia matou. Uma das músicas teve até toques do candomblé. Depois veio a Bethânia, que, pra minha surpresa, arrasou. Eu estava botando a maior fé na Gal, mas ela parecia meio triste. Na hora do João Gilberto saí fora, porque eu o acho muito chato ao vivo, só curto em CD. No domingo, tive um papo com o meu amigo-irmão Igor e ele começou a falar de uns “mistérios” que rolam na Bahia. Fiquei interessado, mas o cara não disse mais nada. Aquilo ficou na minha cabeça o resto da noite. Não é que encontro a Déia Márcia (Máxima) no Pelô e ela me fala justamente a respeito desses “mistérios”? Um que me impressionou foi o da Casa das Sete Mortes: um homem teve sete filhas, que morreram nessa casa, uma atrás da outra, e todas por amor. Eu não sei como cada uma morreu, mas a casa existe, é tombada e aberta à visitação. Outra história é a de que Salvador parece um formigueiro, de tantos túneis subterrâneos que tem. São túneis que interligam as igrejas ou um forte a outro. Existe mesmo o túnel do Mercado Modelo, que sai dele e vai até o Forte São Marcelo. É que o Mercado era a antiga alfândega, e o subterrâneo servia para esconder a
muamba da galera do mal. Eu só consegui entrar nesse subterrâneo. A única coisa que existe são uns espelhos d’água e, quando você joga uma luz, fica um visual muito louco. O chato é que, quando entrei, fiquei me sentindo uma Tartaruga Ninja: um baita bafo quente com visual de esgoto. Vou subindo a ladeira Na segunda-feira, cheguei às 2 da tarde na antiga Faculdade de Medicina da Bahia, lá no terreiro de Jesus, pra assistir aos ensaios de dança do Grupo Corpo. É no anexo da antiga faculdade, onde as salas têm uma vista incrível. O professor do point se chama Zebrinha, e ele também está coreografando a peça Medéamaterial, aquela em que o Neguinho participa no som. Às 7, voltei ao anexo pra assistir ao ensaio da peça. Troquei uma ideia com o Márcio Meirelles, que me deixou até tirar umas fotos. A Vera Holtz faz o papel de Medéia e o Guilherme Leme faz o Jasão. Megapower! É uma afro ópera muito louca, boa pra caramba. Ela mostra, de um jeito legal, o lado animal da Medéia e a decadência yuppie do Jasão. E, quando a Vera entra em cena, parece que tudo fica em câmera lenta. No dia seguinte, fui outra vez à bênção, dancei um reggae e vim escrever esta matéria. Antes, presenciei seu Artur, o
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eletricista, tomar um choque de 220 volts na veia e sair dando risada. Depois dessa, peguei meu computador e fui ao escritório da Sergipana, Licia Fábio, tombado pelo patrimônio histórico. Você já foi à Bahia, nego? Não? Então, vá!
MEDEAMATERIAL Bando de Teatro Olodum Texto: Heiner Muller Tradução: Christine Rörig e Marcus Renaux Adaptação do texto, direção e figurino: Marcio Meirelles Assistente de direção: Chica Carelli Cenário: Hélio Eichbauer Coreografia: Zebrinha Música: Heiner Goebbels Canções do coro: música de Aloísio Menezes Participação: Vera Holtz, Guilherme Leme, Banda Mirim do Olodum Arranjos de percussão: Neguinho do Samba Iluminação: Jorginho de Carvalho Patrocínio: Fundação Cultural do Estado da Bahia, Prefeitura Municipal de Salvador e Creme de Leite Alimba. Elenco: Agnaldo Buiú (filho de Medéia e percussionista), Aloísio Menezes, Ana Sá, Arlete Dias, Carlos André / Mabaço (filho de Medéia e percussionista), Cristóvão da Silva, Dedé Maurício, Ednaldo Muniz, Eliete Miranda, Gerimias Mendes, Isabel Marinho, Joaci dos Santos Piau (filho de Medéia e percussionista), Jorge Washington, Mazé Silva, Marinho Calazans, Nauro Neves, Nildes Vieira, Raquel Rodrigues, Rejane Maia (Medéia Negra), Rivaldo Rio, Saulo Robledo, Sérgio Braga, Sérgio Amorim, Suzana Matta, Tânia Toko, Jubiracy Machado, Valdinéia Soriano.
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Atores convidados: Adyr D’Assumpção (Ama), Guilherme Leme (Jasão) e Vera Holtz (Medéa). Músicos convidados: Hendrik Lorenzen e Murilo Muniz Estreia: 12/08 a 18/08/93 – Teatro Castro Alves (SSA – Ba) Apresentações: 14/10 a 16/10/93 – Centro de Convivência de Campinas (Campinas – SP) 22/10/93 – Teatro Municipal Tatuí (Tatuí – SP) 28/10 a 14/11/93 – Teatro Sérgio Cardoso (São Paulo – SP) 04/02 a 06/02/94 – Teatro Castro Alves (SSA – Ba) 11/02 a 13/02/94 – Palácio das Artes (Belo Horizonte – MG) 16/03 a 21/03/94 – Teatro Carlos Gomes (Rio – RJ)
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PROJEKT 13 março 1994 ENTREVISTA / INTERVIEW MEDEAMATERIAL em São Paulo por Ruth Rohl * O diretor Márcio Meirelles e os atores Guilherme Leme, Vera Holtz e Adyr D’Assumpção falam da encenação da peça. RUTH ROHL: Como foi construída a montagem, Márcio? M. MEIRELLES: O texto não traz indicação alguma, mas há chaves, como a possibilidade de montar as três peças ao mesmo tempo, ou quando Medéia pede o espelho e diz “Essa não é Medéia”, negando ser a negra. E esse é o caminho de volta, o meio para se reencontrar. A força de Medéia é a força de sua cultura, de sua raça. A baleia é outra chave que ganhei do Hélio Eichbauer; aliás, todo o grupo deu chaves. O Hélio queria só o pano, aí a gente conversou, fui criando imagens e organizando. Geralmente as imagens são muito barrocas, e vou limpando. Joguei todas as imagens para o Eichbauer, que sintetizou assim: só ficou a baleia e o pano. É um impacto que mexe com imagens conscientes e inconscientes: destruição, mamífero, animal pré-histórico, identificação com Medéia e com navio, enfim, um elemento-síntese. V. HOLTZ (MEDÉIA): Medéia é cruel. Quando ela vê o seu espelho – a memória viva do passado – vem tudo à sua cabeça. E ela assume a vingança da traição. G. LEME (JASÃO): Jasão é calculista, frio, não se emociona nem com a sua morte. Não fiz Jasão muito interpretativo, mas como se ele estivesse relatando a sua própria morte, o que o homem está fazendo com o próprio homem.
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RUTH ROHL: A montagem passa muito a Bahia, a cultura afrobrasileira. Você pode explicar isso? M. MEIRELLES: Eu sou baiano. Há quatro anos, Heiner Müller queria montar a peça na Bahia, e ele me contou isso, quando estive na Alemanha, em abril, para conversar sobre a montagem. O final só é possível fazer na Bahia, região interétnica, intercultural – é a vitória do negro, do colonizado, quando ele toma consciência de sua situação. RUTH ROHL: Qual é a função do Bando de Teatro Olodum e das canções? M. MEIRELLES: A função é a do coro, que conta a história paralela: a história do negro escravo, do colonizado, recuperando a África mítica, um referencial de identidade. É o nosso ritmo, a nossa música vencendo o colonizador. O povo da Cólquida, como o povo negro, traído, o povo brasileiro que perdeu suas raízes. RUTH ROHL: É essa a importância da montagem para nós, brasileiros? M. MEIRELLES: Para o Olodum, a música é apenas a ponta do iceberg. Como disse o João Ubaldo, na Bahia só há um branco – o cônsul da Noruega. RUTH ROHL: O que você buscou na cultura baiana, além da música, do ritmo? M. MEIRELLES: O gestual do candomblé foi um referencial. Quando a Medéia branca abraça a Medéia negra, é como se ela reincorporasse a si mesma. É como no candomblé, quando o orixá baixa e possui o cavalo, é a energia que vem. A montagem incorpora a linguagem da cultura afro-baiana. No que diz respeito à ama, a gente se inspirou muito nas figuras de Ekedi e Mãe Pequena (sic). Ambas são figuras do candomblé que nos rituais não incorporam, não são mãe-de-
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santo, mas têm toda uma função ritualística de condução. Elas conhecem, tanto quanto Medéia – sacerdotisa – mas não têm o seu status. Outro elemento é o berimbau, a capoeira, a luta transformada em dança como resistência. E também um referencial de identidade: o povo de Medéia com ela, resistindo, porque Medéia se perdeu seguindo o colonizador. ADYR D’ASSUMPÇÃO (AMA): A ama conta a história, ela é guardiã dos preceitos, mas só quem pode agir é Medéia. Medéia perdeu a identidade, a ama traz a imagem que ela não quer ver, e é a partir daí que o processo se desenvolve. É mais um símbolo. RUTH ROHL: O Heiner Goebbels fez a trilha musical? M. MEIRELLES: O conceito do espetáculo passa pela música. Antes de conhecer o texto de Medeamaterial, trabalhei com o Heiner Goebbels na Libertação de Prometeu. Colaborei com ele na montagem e gostei muito de sua música. Aí a gente falou muito sobre Medeamaterial. O texto traduzido era só a parte central, as duas pontas: a destruição de uma cultura, uma do ponto de vista do colonizado e outra, do colonizador. Ele me mandou o texto em inglês, e eu o convidei para fazer a música do espetáculo. Mas eu já tinha ideia da música, a dos tambores, como memória cultural de Medéia, elemento recorrente e que explode inteiro no final, e a música dele como a do colonizador, narrando a destruição e delineando o perfil do colonizador. Ele veio e viu o ensaio, viu o Olodum tocando e ficou dois dias questionando: a música que eu tinha era muito mais forte do que qualquer coisa que ele pudesse fazer. Mas ele entendeu o conceito, que era necessário que tivesse um contraponto – não mixar, mas pôr as duas músicas como um diálogo, como a voz de Jasão e a voz de Medéia. A música do Olodum, percussiva, mexe – ninguém pode ficar alheio a ela. O Olodum a sintetizou de uma música tribal,
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ela é orgânica, humana, diferente da música eletrônica. E também na interpretação foi, num primeiro momento, um choque cultural em relação a todo mundo, a Vera, Guilherme, etc. E optei por juntar as duas coisas, a formação cultural da Vera, do Guilherme e a do Adyr, do Bando. Quando Rejane (a Medéia negra) fala: “Vestígios de argonautas de testa chata”, ela conta a história toda dela. RUTH ROHL: Nota-se uma diferença até mesmo em termos de interpretação. M. MEIRELLES: A interpretação grandiloqüente de Vera e a dos meninos, olhando para os lados nem aí – é um efeito de distanciamento: o espectador não deve se envolver, mas refletir sobre o que está acontecendo. O espetáculo é uma guerra, um conflito entre vivências, culturas, interpretações, sons. Viva a diferença! Todas as culturas podem conviver de forma harmoniosa, aceitando a diferença, mas não há alternativa para o resgate, o renascimento, sem a morte do colonizador. RUTH ROHL: Como foi trabalhar com um texto de Heiner Müller? M. MEIRELLES: Heiner Müller é uma casualidade em minha vida. Conheço poucas coisas dele, mas gosto muito delas. Lamento não conhecer um dramaturgo brasileiro que tenha esse poder de síntese e entregue ao encenador um material para se criar um espetáculo. Em geral todos os textos estão amarrados a uma narrativa, mesmo com flash-backs, a uma historinha. O teatro transcende a historinha, são imagens, são fragmentos. O teatro contemporâneo prescinde de historinha. RUTH ROHL: Você considera o seu espetáculo pós-moderno? M. MEIRELLES: Não sei, de alguma forma é. O espetáculo é pop. Tem elementos pós-modernos: acúmulo de imagens, informações, desde o mito até o momento presente.
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Quando o texto foi escrito, não havia o conflito da Bósnia, mas está tudo aí. É um acúmulo de estratos, um sobre o outro. Mas não tem outras coisas do pós-moderno, como o esteticismo do fragmentário. Acho que não há rótulo para Heiner Müller ele ultrapassa o seu tempo. Medeamaterial foi escrita ao longo de trinta anos, antecede acontecimentos e fala de uma destruição por vir. O último cenário é uma estrela destruída o que o teatro pode fazer é falar sobre ela. RUTH ROHL: Mas o final de sua montagem é outro. M. MEIRELLES: Na Bahia, o final pode ser outro. Nós temos outra chave: força cultural e possibilidade de virar o jogo através da atividade humana. (...) * Ruth Rijhl ist Dozentin an der Universidade de São Paulo (USP).
fotos de Medeamaterial: https://www.flickr.com/photos/marciomeirelles/albums/72157627573508446
13º FEMADUM – FESTIVAL DE MÚSICA E ARTES DO OLODUM Apresentação de coreografias e músicas de Ó Pai, Ó!, Essa é nossa Praia e Woyzeck com o Bando de Teatro Olodum Roteiro e direção: Marcio Meirelles Co-direção: Chica Carelli Coreografia: Zebrinha Apresentação: 22/01/93 Largo do Pelourinho (SSA – Ba)
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OUTROS TRABALHOS EM 1993 O ZOOLÓGICO DE VIDRO Texto: Tennessee Williams Direção: Harildo Deda Cenário: Ewald Hackler Figurino: Marcio Meirelles Iluminação: Eduardo Tudella Realização: Cia de Teatro da Ufba / Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia Elenco: Andréa Elia, Carlos Nascimento, Tom Carneiro e Yumara Rodrigues Estreia: Teatro ACBEU (SSA – Ba) 30/09 A 10/10/93 Teatro Santo Antônio (SSA – Ba) 14/10 a 14/11/93 O REI DO TRONO DE BARRO Texto e dramaturgia: Vera Achatkin Direção: Volker Quandt e Maria Eugênia Milet Assistência de direção: Gordo Neto Cenário e iluminação: Marcio Meirelles Assistência de cenografia: André Luiz e Lígia Aguiar Figurino: o elenco Direção musical: Tuzé de Abreu Coreografia: Leda Ornelas Coordenação de produção: Gordo Neto Produção executiva: o elenco Projeto de cooperação entre o Harlekin Theater, Projeto Axé e Escola Criativa do Olodum Patrocínio: Instituto Goethe/Salvador, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Liceu de Artes e Ofícios Apoio: Pro Reitoria da Ufba e Teatro Gregório de Mattos Realização: Grupo Nossa Cara / CRIA (Centro de Referência Integral
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para Adolescentes) Elenco: Amaranta César, André Mustafá, Carla Lopes, Carlúcio Lopes, Claudionor Cerqueira, Daniel Santiago, Fábio Tobias, Isa Leal, Jorge Martins, Lúcia Manisco, Manhã Ortis, Mônica Paim, Mari Ferreira e Washington José Percussão: Fábio Tobias e Jamerson Felix Estreia: 28/05/93 Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba) BAILE DAS ATRIZES Participação como Príncipe Consorte Rainha: Ingra Liberato Promoção: Sated (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Diversões do Estado da Bahia) Xx/xx/93 Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba) QUEM DESCOBRIU O AMOR CENÁRIO (com pinturas de Pedro e João Milet Meirelles) FIGURINO (com o elenco) e ILUMINAÇÃO Texto: criação coletiva Dramaturgia e direção: Maria Eugênia Milet Assistência de direção: Tereza Araújo Direção musical: Fred Dantas Coreografia: Edva Barreto Realização: Tribo de Teatro / CRIA (Centro de Referência Integral para Adolescentes) Elenco: Alessandro Souza, Alexsandro Dias, Eddy Lopes, Eugênia Santos, Gutemberg Santana, Isabela Lopes, Itatiaia Cardoso, Jean Santos, Luciano Junior, Luís Eugênio Lima, Margarete Santos, Maurício Alves, Rose Silva, Sérgio Cardoso, Tayling Martins e Tatiane Sacramento Estreia: Xx/xx/93 Teatro Gregório de Mattos (SSA – Ba)
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AMOR EM DOIS TEMPOS Curta metragem Direção: Mari Travassos Realização: Oficina de Vídeo do Liceu de Artes e Ofícios Elenco: Amaranta César, André Mustafá, com a participação de Guilherme Leme, Marcio Meirelles, Vera Holtz e outros. Agosto de 1998 (SSA – Ba) ARTE ABAPORU Exposição coletiva Desenhos Artistas: Lígia Aguiar, Yedamaria, Justino Marinho, Marcio Meirelles, Bel Borba, Decaconde, Zivé Giudice e Vauluízio Bezerra Abertura: 07/07/93 Galeria Abaporu (SSA / BA) EXPLORING ROOTS Oficina London International Festival of Theatre (LIFT) Realização: LIFT, Black Theatre Forum e Black Theatre Co-op julho/93 (Londres – RU)
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Coloco aqui, deslocados, dois textos de Paulo Alves, escritos para o programa de Medeamaterial: MEDÉIAS Medéia, o mito, foi na sua Cólquida pátria uma divindade, senhora da sabedoria e das artes da cura. Na aventura dos argonautas, a mais primitiva lenda helênica conhecida, Medéia é a princesa apaixonada que trai a sua pátria e foge com Jasão, primeiro para Iolco e depois para Corinto. Essa Medéia exilada, agora apresentada como uma mulher astuta e ciumenta, foi a substância moldada por Eurípedes, em 431 a.C., para dar forma à peça Medéia, uma história tão fascinante quanto trágica e violenta, muitas e muitas vezes recontada desde então. Medeamaterial é uma reunião de textos produzidos espaçadamente por Heiner Muller ao longo de mais de 30 anos. Aí, o dramaturgo contemporâneo imprime poeticamente na pele das antigas lendas realidades vivenciadas, interpretações históricas e delírios. Medeamaterial, o espetáculo dirigido por Márcio Meirelles, é o resultado de uma leitura apaixonada do texto de Müller – a encenação operística de uma metáfora polimorfa, na qual cabem representações de conflitos culturais diversos e dispersos no tempo e no espaço: matriarcado X patriarcado, masculino X feminino, colonizador X colonizado, homem X ambiente, dominadores X dominados, magia X racionalidade, tradição X modernidade... Do mesmo modo que a lenda dos argonautas ilustra as investidas gregas sobre povos ditos bárbaros no intuito de conquistar o controle do comércio no Mar Negro e Heiner Müller descreve
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cenários de uma Europa arrasada pela guerra, o espetáculo Medeamaterial serve-se da lenda para expor conflitos vividos pelos descendentes de africanos no Novo Mundo. Rolando nas dobras do tempo, a peça traça paralelos entre o retorno da Argo de Jasão pelo Mar Negro e o singrar dos navios negreiros pelo Atlântico; ou passa do clima opressivo do stalinismo à violência contra os meninos negros das ruas brasileiras. Essas passagens são realizadas na peça sem alterações no texto de Müller: não houve acréscimo ou exclusão de palavras. A interferência nesse nível – de certo modo, induzida pelo autor – se dá na pontuação e sequenciamento das falas dos três textos que compõem Medeamaterial: Margem Abandonada. Medeamaterial e Paisagem com Argonautas. Ainda assim, embora a peça não tenha intervalos, esses três segmentos se mantêm claramente definidos. Há um primeiro tempo centrado na descrição de um cenário de devastação cultural e ambiental. Em seguida, expõe-se a tragédia do povo de Medéia e, por último, os “testamentos” dos protagonistas. Müller e Meirelles se afinam na reincidência permanente do contraste. Com o texto, o espetáculo se reveste de cores fortes, do elenco ao figurino. A música combina a execução eletrônica com tambores afro-baianos. O cenário, dominado pelo esqueleto de uma baleia, interpreta livremente a margem abandonada. Mas a encenação procura tecer-se com fios macios: A fala dança com a dança. O canto conta com a luz. A expressão canta com o ritmo. O desenho concorda com o gesto. O som acentua o cenário. Não há mistura. Há Medéias.
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ENSAIO GERAL A platéia ouve às vezes sem saber que a cena não é feita só do que se emite do palco. O palco é grande receptáculo. Antes e depois. Não tem fim. Eurípedes captou lendas e lendas antes de legendar Medéia. Medeamaterial veio à luz após um grande ensaio geral – 17 meses de gestação, durante os quais se compôs do muito que vimos e ouvimos dizer. E do que não vimos ou ouvimos. Quem sabe possa alguém dizer, lembrando o Rosa, que o espetáculo valeu pelo muito que deveu nele não caber. Do ângulo do diretor vê-se pela janela, agora iluminada, a igreja do Rosário dos Pretos. Os sons que chegam da agitada night do Pelô-Maciel-Terreiro não chegam a quebrar a concentração da meia centena de pessoas reunidas em uma ampla sala da antiga Faculdade de Medicina. JASÃO ... O teatro da minha morte estreou quando eu estava entre as montanhas, no meio dos companheiros mortos, sobre a pedra, e, acima de mim, surgiu o esperado avião. Goebbels levanta o dedo. O tecladista pressiona o teclado. Mabaço levanta o dedo. Piau e Buiú entram em ação. Os tambores dobram vigorosos.
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GOEBBELS Não tentamos misturar música eletrônica e Olodum. No espetáculo, as duas coexistem, somando-se. JASÃO O resto é lírica. FERNANDO PEIXOTO Resta a Müller o espaço para a construção revolucionária de um teatro novo: seus textos são fragmentos, cenas estraçalhadas, diálogos ou monólogos deliberadamente derrisórios e consistem em estímulos para a criação inventiva de uma nova realidade cênica, a única capaz de traduzir, através da transgressão, a complexidade da existência ... MEDÉIA Ama! Conheces este homem? GOEBBELS Existe uma enorme diferença entre arte e vida, e nós temos que debater, no palco, muito do que não podemos debater em outro lugar. PLATÉIA O baiano Márcio reviu no Rio Medéia grega revivida por Heiner da Alemanha em inglês mas ouviu em yorubá. JASÃO Devo falar de mim? Eu quem? ANTÔNIO RISÉRIO A mitologia iorubá com sua densidade sensível e seus vínculos terrestres, está bem perto da que se gerou na Grécia e bem longe da que aflorou na Índia. Os deuses gregos não se afastam
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do corpóreo nem do comércio com os mortais. Também os athanatoi africanos estão sujeitos ao desejo, à cólera, à inveja, ao ciúme. A religião africana é, regra geral, religião do “entusiasmo”, no sentido original de enthusiasmós, ter o deus dentro de si. E o imaginário africano fez a travessia atlântica. Somos filhos de representações mitopoéticas que cultivam o contraste e a complexidade. Como abrir mão dessa riqueza? De modo algum. Como disse um dramaturgo grego, há uma guerra civil em cada coração humano. É dessa guerra que extraímos nossa miséria e nossa grandeza. O resto é barro sem esperança de escultura. CORO (canta) Devo falar de mim Eu quem FERNANDO PEIXOTO ... Müller devora o próprio teatro, instaurando um novo processo artístico assustador e imprevisível. Os meninos estão inquietos. Um deles pede a alguém que ajeite algo no tambor, exatamente quando Medéia, rejeitada pela civilização, revolta~se e deseja~se de novo bárbara e selvagem. VERA Por favor, me ajudem, um pouco de silêncio. Está tão difícil para mim quanto para vocês. BANDO Desculpe Vera.
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PLATÉIA Psiu. MEDÉIA Ide com o pai que vos ama. E de modo que ele ignore a mãe, a bárbara, porque vosso caminho ascendente a molesta. AMA (em Eurípedes) Agora tudo lhe é hostil, e aborrece-a o que mais ama. É que Jasão, traindo os próprios filhos e Medéia, se aninha em tálamo régio, tendo desposado a filha de Creonte, que reina no país; e Medéia, infeliz e desprezada, clama pelos juramentos ... ... Ela é terrível; e, com ela, se se tem que lutar contra o seu ódio, não é difícil a vitória. NOTÍCIA (das agências internacionais) Tropa da Guarda Nacional e da polícia fortemente armadas controlavam as ruas de Los Angeles depois de três dias de distúrbios que mataram 44 pessoas e se espalharam por várias cidades dos EUA. Cerca de 1900 pessoas ficaram feridas e mais de 3700 prédios foram destruídos por incêndios. NOTÍCIA (Veja) A cidade de Srebrenica passa fome há onze meses, o tempo do cerco, e agora chegou ao fundo do poço, com vizinhos
de porta se matando para abocanhar a comida enviada de pára-quedas pelos aviões americanos. A situação é tão desesperadora e sombria que, se o roteiro dessas desgraças tivesse sido escrito em Hollywood, exigir-se-ia o evento da salvação ... ... A guerra na Bósnia não tem espaço para finais felizes. Em doze meses, o conflito produziu 125 mil mortes, 20 mil mulheres estupradas e uma maré de 1,6 milhão de refugiados. NELSON FRANCO JOBIM. Na África, a região do mundo mais assolada pela fome, a guerra e a espoliação, a transação democrática tem sido lenta e violenta. Até quando um continente inteiro estará à mercê da comiseração de outros povos ou dos desmandos de “elites” culpadas? CAETANO VELOSO Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial CORO Lago em Strausberg Esta árvore não vai crescer por cima de mim Sim, sim, sim, sim Cadáveres de peixes Caixas de biscoito Monte de excremento
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Jontex Belmonte ( ... ) ( ... ) Os mortos não olham pela janela Não tamborilam nas privadas É isso que eles são terra cagada pelos sobreviventes Todo elenco se movimenta sem cessar. CORO Margem abandonada. MARCIO MEIRELLES A tragédia de Medéia conta a tragédia do povo de Medéia, os conflitos da colonização. OLGA RINNE O nome Medéia toca, em nossa cultura, em áreas repletas dos mais profundos tabus. E, em nós também, estas áreas estão enraizadas em tabus: a raiva, a ira, a oposição, o poder, a violência e a vingança não cabem em nossa imagem de feminilidade. MEDÉIA O que pode ser meu, tua escrava? Tudo em mim, teu instrumento. Tudo de mim. Por ti eu matei e gerei Eu, tua cadela tua puta, eu Eu, degrau da escada da tua glória.
OLGA RINNE A figura ambivalente de Medéia é o símbolo de um período de transição do matriarcado para o patriarcado. HEINER MÜLLER O objeto da arte é a insuportabilidade do ser PETER RIGA Limpeza étnica, estupro em massa e genocídio não são novidade. São tão antigos quanto a história escrita e tão modernos quanto a Irlanda do Norte, os índios americanos e a Bósnia. Nossa consciência a respeito desses crimes aumentou nos últimos 70 anos, ao ponto de hoje os reconhecermos como crimes de guerra e atrocidades, pelos quais devemos responsabilizar indivíduos específicos diante de toda a comunidade internacional. Isso representa um grande progresso. FERNANDO PEIXOTO Müller mergulha de forma implacável no campo da ética e do comportamento do indivíduo inserido no contraditório processo social transformador. EXPERT Heiner Müller é um amante de catástrofes.
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MAIAKÓVSKI Escutai, camaradas futuros. O agitador, o cáustico caudilho. O extintor dos opúsculos líricos Eu vos falo como um vivo aos vivos. ( ... ) Meu verso, com labor, Rompe a mole dos anos, E assoma a olho nu, Palpável, bruto Como a nossos dias Chega o aqueduto levantado por escravos romanos. ARNALDO JABOR O arrastão é “um horror”, do ponto de vista da zona sul. Do ponto de vista dos “funk-trombadinhas” é uma grande farra mesclada com a guerra ( ... ) É possível que o espontaneísmo porralouca dos pivetes, essa combustão de jovens pobres, obrigue o “Poder” a olhar seu próprio “nada” no espelho. CAETANO e GIL Quando você for convidado pra subir no adro da Fundação Casa de Jorge Amado para ver do alto a fila de soldados quase todos pretos dando porrada na nuca de malandros pretos e ladrões mulatos e outros quase brancos tratados como pretos só para mostrar aos outros quase pretos que são quase todos pretos e aos quase brancos pobres como pretos como é que pretos pobres e mulatos e quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados e não importa se olhos do mundo inteiro possam estar por um momento
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voltados para o largo onde os escravos eram castigados e hoje um batuque um batuque com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária em dia de parada e a grandeza épica de um povo em formação nos atrai nos deslumbra e estimula não importa nada nem o traço do sobrado nem a lente do Fantástico nem o disco de Paul Simon ninguém ninguém é cidadão se você for ver a festa do Pelô e se você não for Pense no Haiti Reze pelo Haiti O Haiti é aqui O Haiti não é aqui ARNALDO JABOR Os meninos de rua e os PMs assassinos vivem no mundo real da tragédia. Nós vivemos no mundo “moral”. Lá, no mundo do crime, a vida acontece. Aqui no mundo do jornal, da ideologia, da religião, da interpretação, as coisas doem. Nossa dor não adianta nada contra o mal real. CAETANO e GIL E na TV se você ver um deputado em pânico mal dissimulado diante de qualquer mas qualquer mesmo qualquer qualquer plano de educação que pareça fácil que parece fácil e rápido e vá representar uma ameaça de democratização do ensino de primeiro grau e se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital e o venerável cardeal consegue ver tanto espírito no feto e nenhum no marginal e se ao furar o sinal o velho sinal vermelho habitual notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco brilhante de lixo do Leblon e quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina de cento e onze presos indefesos mas presos são quase
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todos pretos ou quase brancos quase pretos de tão pobres e pobres como são pobres e todos sabem como se tratam os pretos e quando você for dar uma volta no Caribe quando for trepar sem camisinha e apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba Pense no Haiti Reze pelo Haiti O Haiti é aqui O Haiti não é aqui. ]ASÃO OS negros mortos, cravados como estacas no atoleiro nos uniformes de seus inimigos. Do you remember? Minutos depois os tambores dão os repiques finais. A cena se desarma e todos do elenco começam a falar ao mesmo tempo, na desconcentração de fim de exercício. Mas, o diretor avisa que o ensaio não acabou. MARCIO MEIRELLES Vamos repassar a outra opção de final. Pergunta baixo à pessoa do lado: Qual das duas opções você prefere? PLATÉIA Não tem fim
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Pronto. Depois do reconhecimento público de Caetano Veloso e, principalmente, depois da estreia de Medeamaterial na temporada de reinauguração do TCA, com dois artistas nacionais como convidados, no elenco, e tudo o mais que representou o espetáculo, o Bando passou a ser um “grupo de teatro”, A imprensa e os “colegas” tiveram que admitir. Não era mais confundido com um projeto social para inclusão dos excluídos. Como se um grupo de teatro não fosse isso também. Como se os atuadores da cena, não fossem também pessoas que atuam politicamente na sociedade para criar possibilidades de felicidade coletiva. Dois fatos talvez tenham ajudado a criar este malentendido, além do racismo difuso e explícito: o fato de estarmos trabalhando com o Projeto Axé, com educação de meninos e meninas em situação de rua através do teatro, e o fato de eu ser um não negro. O que faz parte do racismo difuso.
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O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.
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