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um artista de província
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um artista de província
marcio meirelles
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de onde se explica um livro de sombras de teatro que é um fractal http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/maio2013/matematica_artigos/dissertacao_nunes.pdf
este é o primeiro livro que faço de outros participei e outros foram antes peças para o teatro que acabaram no papel este faz o caminho inverso e nem vai ao papel fica numa plataforma virtual para existir assumiu o lugar de encenação é uma colagem é um livro maleável fluido sempre em movimento um livro mais dramaturgia e montagem do que livro objeto que se coloca na estante depois de ler livro que é multiforme polimorfo feito de muitas tonalidades feito de fragmentos de memórias reais recriadas relidas redescobertas notícias reconstruídas que não sei se lembro mas foi e de memórias que não lembro mas leio agora e me surpreendo então foi assim um livro de memórias coletivas de tempos por onde passamos muitas muitos e eu construímos eventos assuntos ações teatro e outras artes linguagens um artista de província – de um quase balneário que está sendo despedaçado até quase virar quase nada restos de um lugar que já não é – não quis deixar a bahia e morar em outro lugar
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foi uma escolha política opção devolver ao lugar o que tirei dele para criar devolver às vozes que ouvi o som que me emprestaram devolver às raízes que me deram a possibilidade de germinar e frutificar o sumo a seiva para fabricar as folhas e frutos por isso todas as fichas técnicas e dados do que fiz participei colaborei onde estive todos os nomes e dados e datas e locais que estão registrados uma multidão está ali e governantes e alguns acontecimentos que nos dizem o que se passava enquanto passou uma geração e outra e outra e muitas anteriores e posteriores muita gente um período do teatro 17 anos até chegar ao palco e quase 50 sem sair dele nele um que pensa encenador ator gestor técnico espectador desenhador livro registro referencia para ser livros estudos do que fizemos neste tempo neste lugar teatro do mundo 29 quase 30 de agosto do funesto ano de 2021 marcio meirelles
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parte ix
DAS MICROP DO VILA ÀS DE ESTADO
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POLÍTICAS POLÍTICAS
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Em breve aqui, texto sobre o período, onde reflito sobre o lugar de artista-gestor, das minhas experiências como secretario de Cultura, e o que fiz durante a gestão – conquistas e frustrações. O legado. Enquanto isso, pode-se acessar a gravação da LIVE: O Artista Gestor, com Claudia Leitão, Deolinda Vilhena e Fernando Guerreiro, mediada por Daniele Canedo. O vídeo é parte do projeto de escrita deste livro. https://www.youtube.com/watch?v=Eyvq9odKtCk&t=390s
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2007
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GOVERNANTES 68o prefeito João Henrique Carneiro . Partido Democrático Trabalhista (pdt) 2005 a 2008 50o governador Jaques Wagner . Partido dos Trabalhadores (pt) 2007 a 2011 35o presidente Luiz Inácio Lula Da Silva . Partido dos Trabalhadores (pt) 2003 a 2011
A Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiu favelas do Complexo do Alemão, no chamado Massacre do Alemão. O Brasil foi confirmado pela FIFA como a sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. A primeira transmissão oficial de sinal de TV digital no Brasil ocorreu em evento realizado na cidade de São Paulo. O senador Renan Calheiros renunciou ao cargo de presidente do Senado Federal diante do processo de corrupção instaurado, em que foi absolvido posteriormente.
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DE COMO O NEOJIBA ME TORNOU SECRETÁRIO Ricardo Castro não me convenceu a criar o Neojiba [Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia]. Um dia ele chegou ao Teatro Vila Velha – tinha que ser no Vila – e mostrou, a Cristina Castro e a mim, o vídeo sobre o projeto da Venezuela de orquestras infantis e juvenis, “Tocar y Luchar”. Ficamos, ela e eu, muito emocionados e ele me perguntou se eu mostraria o projeto a Jaques Wagner, governador eleito, para que fosse implantado um projeto semelhante na Bahia. Ricardo sabia que eu conhecia Wagner porque fui um dos artistas convidados a conversar com ele, ainda na campanha, para a construção de uma política de cultura para seu governo. Minha resposta a Ricardo foi: e se ele te chamar para dirigir a Orquestra Sinfônica da Bahia, para criar o projeto a partir dela, você volta pra cá? Ele nos disse: dou um jeito, volto pro Brasil e faço as duas coisas. Ele retornou à Suíça, eu segui no Vila Velha. Um dia me ligaram para sondar se eu aceitaria o cargo de Secretário de Cultura, porque Wagner me via nesse lugar. A princípio disse não. Minha política, fazia no teatro. Mas me deram alguns dias para resolver e Wagner entraria em contato diretamente comigo pra saber a resposta. Tudo em mim dizia NÃO ao convite. Mas um dia, me veio um pensamento-raio: se eu for o secretário, podemos implantar o projeto de orquestras de Ricardo. Foi o primeiro pensamento SIM ao convite. Liguei para o maestro, na Suíça, e contei isso. Perguntei se estava de pé a ideia dele vir dirigir a orquestra e implantar o projeto. Outro SIM que levou também o meu ao cargo. Portanto Ricardo não me convenceu a criar o Neojiba, como política pública, ele me convenceu a ser o Secretário para poder criar com ele o programa.
https://www.neojiba.org/
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SECRETARIA DE CULTURA – ANO UM Nomeado SECRETÁRIO DE CULTURA DO ESTADO DA BAHIA em primeiro de janeiro de 2007 e exonerado em 17 de janeiro de 2011; presidente do CONSELHO CURADOR DA FUNDAÇÃO PEDRO CALMON de seis de fevereiro de 2007 a janeiro de 2011; do CONSELHO DO FUNDO DE CULTURA da Secretaria de Cultura da Bahia, de três de abril de 2007 a janeiro de 2011; do CONSELHO DO FAZCULTURA da Secretaria de Cultura da Bahia, de 25de maio de 2007 a janeiro de 2011; do CONSELHO DA FUNDAÇÃO HANSEN BAHIA, em Cachoeira (Ba), de 15 de junho de 2007 a 2011; do CONSELHO ADMINISTRATIVO DO INSTITUTO DO PATRIMONIO ARTÍSTICO E CULTURAL DA BAHIA de 15 de julho de 2007 a janeiro de 2011; do CONSELHO ADMINISTRATIVO DA FUNDAÇÃO CULTURAL DO ESTADO DA BAHIA de 20 de julho de 2007 a janeiro de 2011; e do CONSELHO ADMINISTRATIVO DO INSTITUTO DE RADIODIFUSÃO DO ESTADO DA BAHIA de julho de 2007 a janeiro de 2011; e conselheiro no CONSELHO ADMINISTRATIVO DA PROMO EXPORT – BA, em 2007; no CONSELHO ADMINISTRATIVO DO DESENBAHIA de 09 de março de 2007 a janeiro de 2011; e no CONSELHO DA BAHIATURSA, de 2007 a 2011. E representante do Governo do Estado da Bahia na COORDENAÇÃO EXECUTIVA DO CARNAVAL DE SALVADOR, de dez de agosto de 2007 a 17 de janeiro de 2011.
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Em minha fala no Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (ENECULT), realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), Programa Multidisciplinar de PósGraduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura) do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC) e Faculdade de Comunicação, apresentei um programa de gestão, um projeto político para o estado da Bahia em relação à cultura, e nele seguimos. Esta fala, a seguir reproduzida, foi escrita por várias mãos, como foi nossa gestão na pasta. Falo da anterior sem falar de Paulo Gaudenzi, porque não é sobre o ex-secretário exatamente de que falo. Minha opinião sobre ele está no texto Paulo e o Vila, que reproduzo aqui, no capítulo 2006. O respeito que lhe tinha e tenho é enorme. O que falo é de visões de mundo, projetos de sociedade diversos e muitas vezes divergentes, mas às vezes também complementares. A conversa de entrega de “bastão”, entre Paulo e eu no seu gabinete, foi amigável e afetuosa. Sempre nos tratamos assim. Ele tinha em mim um amigo. Bom dia a todos e todas. É com muito prazer que venho aqui hoje, para expor como pretendemos atuar à frente da Secretaria de Cultura. Quando falo assim, no plural, é porque reconheço que há uma equipe formada para esse fim e que pretendemos mudar, inclusive, o modus operandi personalista e centralizado da gestão anterior. Aliás, o plural ganha ainda mais importância se considerarmos que a atual Secretaria de Cultura pretende ter como marca a participação.
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Para falarmos do presente, é preciso olhar rapidamente para a forma como a cultura era gerida na Bahia no âmbito do governo estadual. Embora a gestão conjunta das políticas governamentais de cultura e de turismo tenha gerado, em momentos específicos, alguns ganhos pontuais, a submissão da cultura à lógica do turismo levou ao estreitamento da concepção de cultura e à subsequente atuação limitada do Governo do Estado neste campo. A cultura era pensada quase que exclusivamente enquanto produção artística e/ ou instrumento de atração turística. Durante 12 anos, tentou-se construir uma identidade para a cultura baiana baseada apenas nos estoques culturais do Recôncavo e os investimentos da Secretaria de Cultura e Turismo concentraram-se maciçamente na capital. Os principais esforços da Secretaria estavam voltados para “vender” para outros estados e países uma ideia específica de Bahia. As atividades, manifestações e expressões culturais que não se encaixassem nesse modelo ou se adaptavam ou deixavam de ser consideradas pelo Governo do Estado. São exemplos claros disso o declínio das festas de largo e a transformação das festas de São João em festas assemelhadas às micaretas e ao carnaval. A política cultural era baseada em eventos de grande visibilidade, pontuais, com pouco ou nenhum reflexo no cotidiano da população durante os momentos não festivos. Foram privilegiadas grandes obras em patrimônio físico, mas sempre na perspectiva de incrementar um modelo de turismo que desrespeita e abusa da população local e não tem sustentabilidade. A reforma do Pelourinho é a melhor
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síntese desses investimentos. Esse período tem como marca também a desresponsabilização do Estado com a gestão da cultura. O Estado abdicou de pensar políticas para a cultura e transferiu essa tarefa ao mercado por meio de leis de incentivo e outros mecanismos. Vale ainda ressaltar o forte clientelismo, com favorecimentos de determinados grupos, que preponderava quando da aplicação dos principais instrumentos de incentivo à cultura. Ao atuar na contramão da criação de um verdadeiro mercado, a administração anterior acabou favorecendo também a cultura da dependência dos incentivos estatais. Em termos de gestão, a Secretaria de Cultura e instituições vinculadas trabalhavam de forma atomizada, com pouca comunicação ou atuação conjunta. Grande parte das atividades era terceirizada, o que retira do Estado a memória e o conhecimento dos processos desenvolvidos. Contribuiu para isso a grande quantidade de cargos comissionados (poucos funcionários de carreira). Não havia preocupação em promover reciclagens ou benefícios para o corpo funcional da Secretaria, visivelmente desmotivado, além da precária informatização das atividades. Finalmente, a administração anterior era marcada pela endogenia, sem instituir canais de diálogo com a sociedade civil, com outras esferas de Governo ou mesmo com outras secretarias do próprio Estado. As decisões eram opacas para a sociedade, tomadas por poucos e de maneira unilateral. A eleição de um Governo popular trouxe uma mudança significativa sobre a forma de conceber e gerir a cultura na Bahia. Entendida como toda criação simbólica do ser humano, a cultura passa a ser um valor em si e, por consequência,
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demanda a criação de uma secretaria específica. A atual gestão entende ser necessário ampliar a ideia de cultura, incluindo a riqueza dos ritos e manifestações populares; as etapas criativas dos processos de produção; os modos de fazer; os valores, comportamentos e práticas que constroem a nossa identidade e diversidade cultural. Um conceito ampliado de cultura ultrapassa as barreiras sociais e nivela todas as pessoas pelo seu aspecto mais distintivo: a condição humana. A ampliação deste conceito reposiciona a cultura num local estratégico da sociedade. Cultura é arte, é educação, comunicação, cidadania, proteção social e economia. Parte significativa do trabalho a ser desenvolvido é demonstrar os diversos aspectos da cultura e seus respectivos potenciais, como a capacidade de geração de renda e emprego, de qualificação das relações sociais, preservação ambiental, redução da violência, autoestima, inclusão social, soberania, prazer e conquista de felicidade. A ampliação da participação popular passa, necessariamente, pela descentralização das atividades de cultura. A Bahia é um Estado vasto cultural e territorialmente. Esta
gestão
pretende
estadualizar
e
territorializar a ação governamental no campo cultural. Para alcançar este objetivo irá implementar o sistema estadual de cultura, uma articulação institucional entre o estado, os municípios, outras organizações da sociedade, empresas e demais atores sociais para o desenvolvimento cultural da Bahia, através da coordenação de ações, otimização de esforços e compartilhamento de responsabilidades. A criação do programa de Orquestras Infanto-juvenis, em cooperação com instituições venezuelanas, e a criação de Pontos de Leitura em bibliotecas, escolas e organizações da sociedade civil são exemplos de ações de impacto distribuídas no estado. Outras iniciativas serão implementadas com vistas a potencializar as atividades dos centros culturais do interior e outros equipamentos culturais do estado, visando à constituição de uma rede de espaços culturais dinâmicos e em atividade constante. Pretende-se com isso, valorizar também a produção local, lançando editais para que os espaços culturais sejam ocupados e geridos por grupos de sua respectiva região, de forma democrática e transparente. Entretanto, não basta apenas fomentar as atividades culturais. É preciso
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estudá-las, entender quais os fatores que as impulsionam ou retraem, compreender suas dinâmicas próprias e o contexto em que se realizam. Com este objetivo, serão estimuladas e promovidas as elaborações de estudos sobre a cultura baiana, bem como produção regular de informações e estatísticas culturais. Pretende-se também tornar a Bahia um polo de formação cultural, mapeando e organizando cursos para criadores, técnicos, produtores e pesquisadores. Assim, além de garantir uma formação de ponta para os nossos profissionais, a Bahia poderá atrair talentos de outros estados e países. A Bahia não deve ser reconhecida apenas como um local onde a cultura está em ebulição, mas como um estado que entende os processos culturais e que contribui com a formação de pesquisadores e profissionais capazes de interferir nesses processos. A cultura é um fator de desenvolvimento. Quanto mais diversa é a produção simbólica de uma sociedade, mais possibilidades de escolha têm os seus cidadãos. E liberdade para fazer escolhas é uma das mais importantes definições contemporâneas de desenvolvimento, segundo o prêmio Nobel Amartya Sen.
Embora as atividades culturais promovam o desenvolvimento em diversos aspectos, incluindo o desenvolvimento ambiental e social, interessa ao atual Governo empreender o duplo movimento de, por um lado, ampliar a produção e o acesso a bens culturais; e, por outro, culturalizar o produto baiano. Para tanto, é necessário ampliar a atuação do Estado para garantir o acesso democrático à cultura, a preservação da diversidade, a descentralização regional, a inovação etc. Em segundo lugar, é preciso criar um verdadeiro mercado, assegurando condições de concorrência na produção mercantil - isso se faz com transparência, redução de assimetrias de informação, estabelecimento de tetos de recursos para projetos, democratização da gestão, dentre muitas outras medidas. Neste sentido, é fundamental rever e ampliar do sistema incentivo a cultura modificando os programas Funcultura e Fazcultura para assegurar mais transparência, controle e democratização do acesso aos recursos e maior diversidade da sua aplicação. Além disso, será necessário abrir linhas de microcrédito e outras formas de financiamento para atividades culturais. A “cara da Bahia” não se restringe ao
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Recôncavo, devendo se estender às demais regiões: Oeste, São Francisco, Sertão, Sul, Chapada, dentre outras. O Governo do Estado pretende valorizar não apenas um ou outro patrimônio cultural, mas a diversidade baiana, as diferenças que, combinadas e recombinadas, misturadas, mestiças, fazem do povo baiano o que ele é. Serão formulados planos de intervenção integrados para as regiões do Baixo Sul, no Semiárido e no Nordeste da Bahia envolvendo as outras secretarias Estaduais e atores locais, buscando causar um impacto transformador nas três dimensões do fazer cultural: simbólica, de inclusão social e do desenvolvimento econômico. A implantação de instrumentos para a definição democrática de políticas culturais locais, o fortalecimento dos sistemas culturais (bibliotecas, arquivos, teatros, museus, circuitos), a valorização do patrimônio material e imaterial, a democratização da rede de comunicação (tv e rádio), a ativação da cultura na rede escolar, a estruturação de fazeres e saberes culturais que gerem trabalho e renda, a política para juventude preventiva à violência são prioridades desta ação integrada. Cultura é troca, intercâmbio, fusão, síntese. O trabalho que será desenvolvido pretende opor a visão unitária e fechada da Bahia como “celeiro” de arte e cultura à noção de “entroncamento cultural”, por onde
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transita a diversidade da cultura brasileira e mundial. A implementação do Portal da Cultura na Bahia, um ambiente virtual de promoção do diálogo, mapeamento e difusão sobre a produção cultural do estado e a criação de novas emissoras de Rádio Educativa no Estado são propostas que reforçam esta visão. Perceber a cultura de forma plural e horizontal tem uma consequência imediata: jogar por terra qualquer possibilidade de existência de “iluminados” capazes de compreender e projetar as necessidades de um povo. As políticas públicas de cultura demandam participação. Em todas as suas etapas, desde a formulação até a execução e avaliação. Por isso, este Governo assume o compromisso de estabelecer uma relação sincera e transparente com a sociedade baiana. Além disso, propõe-se a criação de sistemas de governança para permitir o intercâmbio constante com os diversos setores da sociedade baiana. A reformulação do Conselho de Cultura qualifica este canal de comunicação com a sociedade e legitima sua integração à administração estadual, enquanto formulador e avaliador de políticas. A realização de Conferências Estaduais de Cultura, procedidas de encontros preparatórios regionais e setoriais, irá sedimentar a nova lógica de ampliação dos espaços de participação e diálogo com a sociedade. Muito obrigado.
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ALGUMAS ATIVIDADES COMO SECRETÁRIO DE CULTURA DO ESTADO DA BAHIA EM 2007 Em breve aqui, relatos e reflexões sobre minha participação no Fórum de Gestores de Cultura, a criação do Fórum de Gestores – Nordeste, pela identidade detectada nos programas políticos dos 9 estados do Nordeste, e reflexões sobre as atividades. 1º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Participação Organização: Secretaria de Cultura do Paraná e de Brasília 31/01/2007 Brasília (DF) 2º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Participação Organização: Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul 26 a 28/04/07 Bento Gonçalves (RS) 1º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA/NORDESTE Participação Organização: Secretaria de Cultura do Ceará 24 e 25/05/07 Fortaleza/CE 3º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Participação Organização: Secretaria de Cultura de São Paulo 05 a 06/07/07 São Paulo (SP)
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2º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA/NORDESTE Participação Organização: Secretaria de Cultura da Bahia 25/08/07 (SSA – Ba) 4º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA PARTICIPANTE Organização: Fundação xxxxxx/Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte 27 e 28/09/07 Natal (RN) 3º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA/NORDESTE Participante Organização: Fundação Cultural do Piauí /Secretaria de Educação e Cultura do Piauí 30/10/07 Teresina (PI) 5º ENCONTRO/2007 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Participante Organização: Secretaria de Cultura de Brasília 17/12/07 Brasília (DF) ENCONTRO ESTADUAL DE TERRITÓRIOS DE IDENTIDADES DA BAHIA Participação Realização: SECULT/BA 11/04/2007 Instituto Anísio Teixeira (SSA – Ba)
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POLÍTICA CULTURAL PARA OS POVOS INDÍGENAS NO ESTADO DA BAHIA Seminário Participação 16/04/2007 Reitoria da Universidade Federal da Bahia (SSA – Ba) I ENCONTRO DE DIRIGENTES MUNICIPAIS DE CULTURA Participação: Governador Jaques Wagner, Secretários de Estado do Estado da Bahia, secretários e dirigentes de cultura dos municípios da Bahia Realização: SUDECULT/SECULT 24/05/2007 Reitoria da UFBA e Fundação Luís Eduardo Magalhães (SSA – Ba) FEMUNI – FEIRA DE ARTE E CULTURA DOS MUNICÍPIOS Participação 12/09/07 Ilhéus (Ba) I FÓRUM CULTURAL DE TEIXEIRA DE FREITAS – BA Palestrante na abertura 15/09/07 Câmara de Vereadores de Teixeira de Freitas (Ba)
II CONFERÊNCIA ESTADUAL DE CULTURA Organização, promoção e atuação como palestrante 25 a 28/10/07 Feira de Santana (Ba)
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Em breve aqui, relato e reflexão sobre a realização das I e II Conferências de Cultura – diferenças entre os projetos políticos e situações que construíram as duas. E, a seguir, uma narrativa sobre as tarefas a serem desempenhadas na Secult, algumas listadas abaixo: FÓRUM DE ARTICULAÇÃO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO – PETROBRÁS/GOVERNO DA BAHIA Participação Realização: Petrobras/SEPLAN 13/02/2007 Prédio da Seplan (SSA – Ba) CULTURA E RESPONSABILIDADE SOCIAL Conferência Palestrante Realização: FACOM/ UFBA 26/03/2007 Faculdade de Comunicação da UFBA (SSA – Ba) FÓRUM CLIMÁTICO GLOBAL MEMBRO Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos/BA 03/04/2007 a 2011 (SSA – Ba) 8ª BIENAL DO LIVRO DO ESTADO DA BAHIA Teleconferência Conferencista 13/04/2007 Instituto Anísio Teixeira (SSA – Ba)
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CULTURA E PENSAMENTO – 2007 Lançamento do Programa Nacional Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura Pronunciamento na abertura Realização: FAPEX, MINC e Petrobrás 16/04/2007 Reitoria da Universidade Federal da Bahia (SSA – Ba) PALESTRA PARA OS ACADÊMICOS SOBRE CULTURA NA BAHIA (AÇÕES E PROJETOS) Palestrante 19/04/2007 Academia de Letras da Bahia (SSA – Ba) I SIMPÓSIO BAIANO DE ARQUIVOLOGIA Pronunciamento na abertura 25/04/2007 Reitoria da Universidade Federal da Bahia (SSA – Ba) MAPEAMENTO DOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ DE SALVADOR Seminário Participação Realização: Fundação Palmares/MINC, Fundação Gregório de Mattos/ Prefeitura Municipal de Salvador 08/05/07 Reitoria da UFBA (SSA – Ba) PROGRAMA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO E DO PROGRAMA ESTADUAL DE ALFABETIZAÇÃO Lançamento do programa Participação xx/xx/07 Centro de Convenções (SSA – Ba)
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III ENECULT – ENCONTRO DE ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES EM CULTURA Pronunciamento na Abertura Organização: Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura e Programa Multidisciplinar de Pós Graduação em Cultura e Sociedade da FACOM / UFBA 23/05/07 Teatro Vila Velha (SSA – Ba) ECCO – ENCONTRO DE CULTURA COLABORATIVA Pronunciamento na abertura Realização: Minc, Casa Civil da Presidência da República, SECULT, Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação e Fundação Gregório de Mattos 12/06/07 Teatro Casa do Comércio (SSA – Ba) ENCONTRO REGIONAL DOS PONTOS DE CULTURA – BAHIA, SERGIPE E ALAGOAS Palestrante Realização: Secretaria de Projetos do MINC/Programa Cultura Viva 13 a 15/07/07 Escola de Direito da UFBA (SSA – Ba) A CONSTRUÇÃO DO COMUM: CULTURA E CONFLITOS NO CAPITALISMO Seminário Palestrantes: Juca Ferreira (Secretário Executivo do MINC) e Marcio Meirelles Mediador: Albino Rubim Realização: Cult/FACOM – UFBA Auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA – Salvador/BA 16/07/07 (SSA – Ba)
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I SEMINÁRIO DO PROGRAMA DO MEMORIAL PIRAJÁ Pronunciamento na abertura Realização: Secretaria de Desenvolvimento Urbano 07/07/07 Instituto Oya (SSA – Ba) FORUM DE PROGRAMAÇÃO DA TV PÚBLICA Palestrante Organização: Secretaria de Cultura do Estado da Bahia / FUNCEB e SEBRAE 18/08/2007 (SSA – Ba) FÓRUM DE PROGRAMAÇÃO DA TV PÚBLICA 22/08/2007 Tema: Comunicação Pública e a Diversidade Cultural. Participantes: Juca Ferreira (MINC), Regina Mota (UFMG), Danilo Miranda (SESC-SP), Márcio Meirelles (SECULT-BA) e Ubiratan Castro (Fundação Pedro Calmon) Organização: Secretaria de Cultura do Estado da Bahia / IRDEB 22 a 24/08/07 (SSA – Ba) III ENCONTRO MESTRES DO MUNDO Mesa: Cultura Afro Brasileira – Identidade e Diversidade 31/08/2007 Participantes: Preto Zezé (CUFA/ Fortaleza-CE), Carlos Veneranda (Fortaleza/CE) e Márcio Meirelles Organização: MINC, Secretaria de Cultura do Estado do Ceará 28/08 a 02/09/07 Limoeiro do Norte (CE)
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ABERTURA DO CICLO DE CONFERÊNCIAS MUTAÇÕES: NOVAS CONFIGURAÇÕES DO MUNDO – PROGRAMA CULTURA E PENSAMENTO – BA Participação 10/09/07 Reitoria da UFBA (SSA – Ba) 34ª JORNADA DE CINEMA DA BAHIA Participante 12/09/07 MAM (SSA – Ba) I FÓRUM DO CARNAVAL DA LIBERDADE Palestra na abertura. 29/09/07 Colégio Duque de Caxias (SSA – BA)
Dentre as diretrizes da nossa política para a cultura, estava o fomento à economia criativa. Para isto são precisos dados, coisa muito falha até hoje, mesmo depois de tanto tempo. A primeira providência tomada foi criar um núcleo que articulasse as pesquisas sobre isso, e começamos a editar uma publicação, o Infocultura, cadernos de informações sobre esta economia. Uma vez que fomos designados para organizar as ações governamentais para os conteúdos do carnaval e, devido à dimensão do investimento e movimentação financeira durante o período, era lógico que fizéssemos um levantamento dos dados gerados pela festa. Coisa que ainda não tinha sido feita. Foi muito difícil, devido à falta de acompanhamento e avaliação sistemáticas por parte da Prefeitura à época, e pelo desinteresse dos grandes investidores da festa em fornecer os números. Aqui está uma apresentação do primeiro caderno da coleção que teve seis números, em nosso período, quatro dos quais sobre o carnaval. http://www.cultura.ba.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=89
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Em Salvador, o Carnaval de 2007 envolveu 900 mil carnavalescos e movimentou cerca de meio bilhão de reais. Revelar os bastidores econômicos desta que é a principal e mais tradicional festa popular da Bahia é o primeiro desafio no processo de mudança do modelo de organização desse evento. Isso porque cresce o consenso quanto à necessidade de se firmar um outro pacto social e econômico entre os atores que atuam na festa – poder público, empresários, entidades carnavalescas, trabalhadores e foliões – para que se estabeleçam novas condições para sua governança. O modelo de festa-negócio consolidado nos anos 1990 alcançou o auge de visibilidade na mídia e de rendimento entre 2003 e 2004. Isso ocorreu com o paralelo esgotamento na capacidade de renovação criativa de expressões artísticas e com o declínio ou crise das expressões tradicionais. Algumas das causas são conhecidas: hegemonia quase absoluta de um só gênero musical, processo contínuo de privatização dos espaços públicos, informalidade crescente, má distribuição dos benefícios gerados pela folia. Será preciso determinação para rever um padrão de gerenciamento que privilegia a atuação de empresas de entretenimento na organização do cortejo, a imposição de hierarquias determinadas pelo interesse dos blocos na exposição midiática e a dependência excessiva de algumas organizações carnavalescas de apoio financeiro direto ou de subsídio estatal. Para permitir a renovação cultural e turística da festa será necessário, ainda, definir uma política transparente de incentivo às tradições populares, ligada a ações de interesse social, de apoio à renovação de suas expressões artísticas e de controle da crescente privatização de espaços comuns.
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Este estudo confirma que o espetáculo carnavalesco agrega valor às economias de Salvador e da Bahia, não somente porque favorece os negócios que são firmados para a realização da festa, mas também, porque desencadeia efeitos multiplicadores importantes, tangíveis e intangíveis, sobre diversas atividades. Resultado de um esforço conjunto de diversas instituições da gestão pública para sistematizar informações e produzir análises sobre este importante evento, esta publicação visa orientar o planejamento e a execução de políticas públicas para a continuidade desta importante manifestação da sociedade soteropolitana. O propósito é de se construir um Sistema de Informação do Carnaval que permita a aferição anual, mais precisa e em tempo hábil, dos impactos do evento sobre a economia do município, contribuindo para um planejamento mais eficiente das ações do Poder Público. O objetivo maior: preservar a diversidade e o bem comum, para aumentar os benefícios financeiros e imateriais da festa. Secretaria de Cultura
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LANÇAMENTO DO PROGRAMA MAIS CULTURA Participante Organização: Ministério da Cultura - Brasília 04/10/07 Teatro Nacional – Brasília (DF) 16º FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE ELETRÔNICA SESC VÍDEO BRASIL NA BAHIA Participante 09/10/07 MAM (SSA – Ba) TEMPO DE DIVERSIDADE Catálogo do 14 Salão da Bahia TEXTO Realização: MAM – IPAC/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia 17/12/07 Museu de Arte Moderna (SSA – Ba) PROGRAMA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO E DO PROGRAMA ESTADUAL DE ALFABETIZAÇÃO Lançamento do programa Participação Centro de Convenções (SSA – Ba) SEMINÁRIO DIVERSIDADE CULTURAL Participação Brasília (DF) POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CAPOEIRA NO MUNICÍPIO DO SALVADOR Mesa de Abertura da Sessão Especial Participação como palestrante na Plenário Cosme de Farias (SSA – Ba)
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FÓRUM DE DIÁLOGO ÍNDIA, BRASIL E ÁFRICA DO SUL (IBAS) Participação (SSA – Ba) SEMINÁRIO DE MORADORES DO PELOURINHO Participação (SSA – Ba) ENCONTRO INTERNACIONAL DE NEGÓCIOS MUSICAIS Participação (SSA – Ba) POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA E BALÉ DO TEATRO CASTRO ALVES Pronunciamento na Sessão da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia – Comissão de Educação e Cultura (SSA – Ba)
Em breve aqui, relato sobre as relações com o Balé Teatro Castro Alves, o que gerou o atrito entre secretário e o órgão e reflexão sobre a existência e utilidade de corpos artísticos estatais fixos, e quais seriam as políticas desenvolvidas por eles.
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MEMÓRIAS DE UM PROJETO POLÍTICO 1. A primeira memória é a do artista. Fui contratado como figurinista e cenógrafo de uma das coreografias de estreia do BTCA. Instituição bastante diferente de tudo o que havia por aqui. Tratava-se de uma estrutura estatal e o que havia de mais parecido eram os corpos artísticos da Universidade Federal da Bahia, com os quais já havia trabalhado. Mas estavam longe do rigor impessoal e autoritário do novo balé. O espanto do artista ao ver aquele corpo instalar-se, sem diálogo prévio nem posterior com a categoria. Mas não eram tempos de diálogo por aqui. Perguntava-me quais as motivações para sua criação: Criar um mercado para a dança na Bahia? Criar um grupo de excelência que servisse de referência para os outros grupos? Ter uma representação oficial da dança baiana que pudesse ser como um cartão de visitas no resto do país e no exterior? Ainda com essas questões, fui contratado mais duas vezes para fazer figurinos e cenários para o Balé. A situação agora era outra: havia mudado governo e direção que criaram o BTCA. E era evidente a crise entre o corpo e sua condução. Lia Robatto, que substituiu Antônio Carlos Cardoso, o primeiro diretor, é uma criadora sem a formação em companhias oficiais como de seu antecessor. E, ao contrário dele, aparentemente se propunha a trabalhar com artistas e não com executores, num processo de troca e não sob um forte regime disciplinar. Como ela mesma narra em seu artigo neste livro, não se
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entenderam e a crise é mostrada pelos jornais da época que estampam manchetes como: O BTCA ameaçado, e coisas assim. 2. A segunda memória é a de gestor do Teatro Castro Alves. Em 1987, depois de 23 anos administrada pelo mesmo grupo político, instalado no poder em 64, a Bahia elegeu um governo democrático. Foi um tempo de possível diálogo, um governo de participação popular num país que ainda não havia se recomposto totalmente da ditadura. Dirigi o teatro até 1990. O BTCA assim como a Orquestra Sinfônica da Bahia e os funcionários do TCA se faziam representar por comissões e pelos seus sindicatos, ambos com acesso aos gabinetes do diretor do teatro e do secretário de Cultura, quando não ao do próprio governador. Isso lhes dava personalidade política. Mas numa democracia renascente, não se tem a prática do debate nem do exercício de cidadania plena. O que é uma construção difícil, especialmente para uma geração nascida e criada na ditadura. E os embates muitas vezes serviam a causas que estavam longe de responder questões como: qual a função e para que existe um grupo de dança oficial? O sistema autoritário de funcionamento do Balé foi questionado. Seu diretor – novamente Cardoso, agora nomeado para um segundo mandato por pedido dos próprios dançarinos – foi posto em questão e exonerado. Uma nova direção que, seguindo a orientação geral do Governo, escutou e valorizou cada bailarino e técnico, foi instalada e aproximou mais o grupo artístico da cultura baiana. Foi emblemático que Debbie Growald, a nova diretora, tenha
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montado Retratos da Bahia. A peça abria com uma canção, composta especialmente por Caetano Veloso, cujo primeiro verso era: Chegar à Bahia... No palco, além dos bailarinos, pessoas comuns, percussionistas, cantores e dançarinos populares davam vida às imagens de Pierre Verger. Em nossa gestão foi criado um plano de cargos e salários para os artistas e técnicos do Estado, que valorizava com gratificações diferenciadas as apresentações e os solistas. Isto permitiu a criação de projetos com pequenos grupos, no Balé e na Orquestra, capazes de representar o todo, Bahia a fora. E aumentar o vencimento de quem trabalhava. 3. A terceira memória é a do BTCA fora do Estado. Cardoso assumiu pela terceira vez a direção da companhia. O mesmo grupo político que o contratou para criar o Balé foi novamente eleito. Durou um longo período. No início, talvez tenha sido o momento em que a companhia mais viajou representando a dança baiana no exterior. Foi o período em que a multiplicidade musical baiana foi sufocada pela indústria do Axé Music; em que o Pelourinho reformado, com a expulsão de seus moradores, virou marca, assim como outras marcas, criada com dinheiro público e sem sustentabilidade prevista. Numa política de cultura e turismo unidos na mesma Secretaria, a primeira se subordinava ao segundo e ajudava a vender a Bahia da alegria, passando por cima de todas as nossas mazelas sociais. Em três gestões consecutivas do mesmo grupo, nos transformamos no penúltimo estado em qualidade de educação, com um saldo de dois milhões, cento e cinquenta
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mil cidadãos, com idade superior a 15 anos, analfabetos. Muitos dançarinos tinham se afastado e outros foram afastados pelo diretor. Estes deviam apenas assinar mensalmente a folha de frequência uma vez por mês para receber seu salário porque, na condição de funcionários públicos, não podiam ser demitidos apenas pela vontade do gestor. Isso aconteceu quando os artistas ficaram mais velhos. Coisa que não foi levada em conta quando da criação do Balé: o tempo, que faz a idade dos artistas aumentar enquanto sua capacidade de atender às exigências acrobáticas dos coreógrafos convidados diminui. E novos dançarinos, na sua maioria de outros estados, eram contratados por temporada ou em regimes especiais de contratação. Entretanto os que saíram foram desenvolvendo projetos em outros países ou aqui, como frutos de suas vivências no BTCA, de alguma forma. Como ainda recebiam salários para não dançarem no Balé, mesmo que seus projetos fossem financiados por outras fontes, era uma espécie de trabalho de extensão. Aí está o início da resposta e o embrião da nossa atual política. Pude acompanhar de perto o desenvolvimento de três projetos. Dois deles, porque se realizaram no Teatro Vila Velha, onde eu trabalhava. O primeiro foi o Baila Vila, que acolhia todas as tendências da dança na Bahia e também sua memória, homenageando personalidades historicamente importantes para a dança baiana. O projeto foi concebido e produzido por duas dançarinas do BTCA: Cristina Castro e Rita Brandi, e por Selma França. Quando acabou foi repaginado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia como Quartas que dança.
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Findo o Baila Vila, Cristina Castro criou a Cia. Viladança. A contribuição estética e a visibilidade, através de prêmios e turnês nacionais e internacionais, que o grupo trouxe para a cena coreográfica baiana, foram fundamentais num momento em que outros grupos também estavam sendo criados. Pela primeira vez na cidade, um grupo de dança fazia temporadas de um mês ou mais – quando geralmente duravam um ou dois fins de semana – com a casa cheia. O terceiro projeto, conheço bem porque participei de duas edições como cenógrafo, foi o Ateliê de Coreógrafos, criado e coordenado por Eliana Pedroso, que trouxe pensadores e artistas de vários estados, ajudando a oxigenar a cena baiana. Os três projetos e uma renovação da dança na Bahia ocorreram num momento em que o Balé viveu uma nova crise, dançava com a maioria de dançarinos contratados por regime especial, os funcionários com estabilidade afastados retornaram e formaram um sub grupo intitulado Companhia Ilimitada e Antonio Carlos Cardoso saiu da direção do grupo mais uma vez. 4. Por último, a memória recente de secretário. As questões agora precisavam ser respondidas. Seguindo as linhas gerais da recém criada Secretaria de Cultura – descentralizar a ação do Estado territorial e setorialmente, criar acessos aos mecanismos de produção e aos bens produzidos para todos e fomentar a economia da cultura – o BTCA passa a ser visto como instrumento de política cultural e não como um grupo artístico apenas. A peculiaridade dos corpos estáveis oficiais é que num
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único cidadão habitam dois personagens: um artista e um funcionário, ambos agentes de serviços públicos. A questão é saber como transformar o funcionário em servidor e como conciliar sua natureza impessoal, objetiva, normatizada com a do artista, pessoal, subjetiva, transgressora. E antes, como fazer com que o artista de fato seja intérprete ao invés de mero executor? A criação do Balé Teatro Castro Alves foi um projeto político. É evidente a importância de ter marcas e símbolos artísticos e estéticos para os regimes autoritários. Isto fica claro no artigo de Ana Teixeira, deste livro, quando ela fala da gênese dos balés oficiais. A arte agrega valor simbólico, compensa com o espírito e com a beleza as ações desumanas desses regimes, legitima para as elites o que não tem legitimidade social. Essa é a resposta. Um único grupo não pode representar a rica diversidade de movimentos da Bahia. 30 ou 40 postos de emprego não fomentam um mercado nem a economia da dança. Um grupo oficial, com as condições de trabalho e a natureza de serviço público que tem, não pode ser referência para os outros grupos locais. Ter uma excelência é obrigação e não será a única. Existem muitas excelências na multiplicidade de valores estéticos dos diversos grupos de dança do estado, incluindo aí a dos grupos de tradições populares, de carnaval e quadrilhas, cada um com a sua excelência. Manter o Balé funcionando é um projeto político também. O BTCA deve ser um dos instrumentos das políticas do Estado para a Dança. Deve dialogar cada vez mais com os grupos e artistas locais, sem deixar de trazer artistas do mundo para também dialogarem com a Bahia; ir cada vez mais para todos os 417 municípios, sem que o Estado descuide de promover a circulação dos outros grupos; ajudar a formar novos artistas
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e a consolidar a carreira dos que já atuam; ter projetos em conjunto ou complementares com a Escola de Dança da Funceb/ SecultBA e com outras escolas de dança do estado. Promover o apoio ou implementação de projetos a serem desenvolvidos por seus dançarinos intramuros ou junto a outras instituições da sociedade civil. Deve integrar-se à rede produtora da dança na Bahia. Com seus 30 anos, talvez o BTCA esteja chegando a um amadurecimento capaz de transformar seus integrantes em artistas convivendo em paz com os servidores públicos, que são também, e que um ilumine as ações do outro. Mas este aniversário é importante na medida em que nos ajuda a refletir sobre o poder e a partir daí, sobre as políticas públicas para as artes. Marcio Meirelles - Salvador, 09 de dezembro de 2010
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BANDO DE TEATRO OLODUM - ANO DEZOITO Ó PAÍ, Ó (3ª montagem) Texto: Márcio Meirelles e Bando de Teatro Olodum Direção: Marcio Meirelles Co-direção: Chica Carelli Coreografia: Zebrinha Assistente de Coreografia: Robson Mauro Música e Direção Musical: Jarbas Bittencourt Arranjos: Jarbas Bittencourt com a Colaboração de Cell Dantas, Érico Brás, Fábio Santana, Mauricio Lourenço, Nine e Elenco do BTO. Preparação de Canto: Marcelo Jardim Técnico de Som: Maurício Roque Montagem e Operação de Som: Equipe Técnica do Teatro Vila Velha Cenário: Zuarte Junior. Equipe Montagem de Cenário: Gerimias Mendes, S. L. Laurentinno, Telma Souza e Grupo Técnico do Teatro Vila Velha Iluminação: Rivaldo Rio Montagem e Operação de Luz: Grupo Técnico do Teatro Vila Velha Figurino: Zuarte Junior Equipe de Produção de Figurino: Clésia Nogueira e Elane Nascimento Fotos: Marcio Lima Divulgação: André Luís Santana Direção de Produção: Chica Carelli Equipe de Produção: Auristela Sá, Erico Brás, Fábio Santana e Valdinéia Soriano Elenco: Bando de Teatro Olodum Atores Convidados: Edvana Carvalho (Lúcia), Luciana Souza (Dona Joana), Lyu Árison (Yolanda) e Tânia Toko (Neuzão) Músicos: Mauricio Lourenço (Teclado) e Nine (Percussão) Realização: Bando de Teatro Olodum e Teatro Vila Velha Estreia: 10/01/2007 – Teatro Vila Velha – SSA
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Apresentações: 10/01 a 25/02/2007 – Teatro Vila Velha – SSA 02/03 a 24/03/2007– Teatro Vila Velha – SSA 02/04 a 23/04/2007– Teatro Vila Velha – SSA 04/05 a 20/05/2007– Teatro Vila Velha – SSA 04,11,18 e 25/01/2008– Teatro Vila Velha – SSA 16,17,23 e 24 /02/2008– Teatro Vila Velha – SSA 28, 29 e 30/03/2008 – Teatro Cidade do Saber – Camaçari//BA 04 e 05/06/2008-Teatro Santa Isabel- Recife- PE 05 a 14 /12/2008- Teatro Vila Lobos- RJ 14, 15, 28 e 29/01/2009- Teatro Vila Velha- SSA 04, 05, 11 e 12/02/2009- Teatro Vila Velha- SSA 24,25 e 26/04/2009- Teatro Municipal de Ilhéus- BA 26 e 27/09/2009- Teatro José de Alencar- Fortaleza- CE 03 e 04/10/2009- Teatro Authur de Azevedo- São Luis- MA 23/10/2009- Centro de Cultura Amélio Amorim -Feira de Santana- BA TEMÁTICA SOCIAL NO ROTEIRO DO FILME Ó PAI, Ó! Mesa redonda Palestrante Realização: Curso Noturno de Jornalismo/Faculdades Jorge Amado 18/04/2007 Faculdades Jorge Amado (SSA – Ba) I FESTIVAL IBERO-AMERICANO DE TEATRO 01 a 09/03/2007 Mesa: A expressão teatral contemporânea na América Latina e suas relações com o teatro da Península Ibérica Palestrantes: Eduardo Tolentino (Grupo Tapa – SP/Brasil), Glória Levy (Uruguai), Marcio Meirelles (Secretário de Cultura do Estado da Bahia – Brasil) e Rui Madeira (Companhia Theatro de Braga – Portugal) Mediadora: Neide Veneziano (Curadora do Festival – SP/Brasil) Coordenador Geral do Festival: Fernando Calvozo Curadora do Festival: Neide Veneziano
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Realização: Fundação Memorial da América Latina – Secretaria de Relações Institucionais do Estado de São Paulo 03/03/07 Memorial da América Latina – São Paulo (SP) AS VERSÕES DA REALIDADE E O MAL-ESTAR NA CONTEMPORANEIDADE 05 a 07/12/2007 Debate: “Ó Paí Ó Com: Sonia Cabeda (NUC/ UEFS), Cláudio Gledson (DLET/ UEFS) e Marcio Meirelles Mediação: Antônio Godi (NUC/UEFS) Realização: Pro Reitoria de Extensão, Departamento de Ciências Humanas e Filosofia, Núcleo de Estudos da Contemporaneidade – Universidade Federal de Feira de Santana 06/12/07 Universidade Estadual de Feira de Santana – Feira de Santana (BA)
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AINDA ALGUMAS OUTRAS ATIVIDADES ARTÍSTICAS EM 2007 CICLO HEINER MÜLLER 06/11 A 15/12/2007 Debate: A encenação no Teatro de Heiner Müller Com: Ole Erdmann e Marcio Meirelles Mediação: Marcos Bulhões Realização: Sesc/SP 08/11/07 Auditório do Sesc Pinheiros – São Paulo (SP) ENTREVISTA A BRENDA JACI SILVA SOBRE HEINER MÜLLER – UNIRIO 1 – Quais peças de Heiner Müller você dirigiu? Por que essa escolha? MM – Medeamaterial e A queda do egoista Fatzer (Bertolt Brecht/H.M.). Codirigi com Heiner Goebbels Prometeu e supervisionei, numa oficina de encenação para grupos de teatro amador dos subúrbios de Salvador, a Peça coração. Dirigi também uma leitura de A missão. Me interessa a dramaturgia de Müller porque consegue representar a segunda metade do século XX. Refletir sobre ele, colocar no palco a humanidade num momento de perplexidade, um mundo caótico em que os valores e as certezas construídas ruiram. Cada um desses espetáculos teve sua história e seu porquê: Prometeu – Heiner Müller viria a Salvador atuar numa apresentação da obra, transformada em teatro musical por Heiner Goebbles. Um ator brasileiro (Harildo Deda) faria o duplo de Heiner dizendo o texto, que ele falava em alemão, em português. Fui convidado para dirigir Harildo e conceber o projeto de luz do espetáculo. Infelizmente o autor não pode
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vir, por questões de saúde, e fizemos a apresentação somente em português. Medeamaterial – Vera Holtz estava num projeto de uma produtora mineira. A montagem de Quartet e fui convidado para dirigir. Isso aconteceu, coincidentemente, na mesma época da apresentação de Prometeu. Eu e Vera não víamos por quê fazer outra versão da peça que tinha tido uma montagem recente de Gerald Thomas, então Abujanra sugeriu a Medea à Vera. Trata-se de uma trilogia e só havia uma tradução da peça central. Conversei com Goebbels sobre o projeto e ele me contou de sua proximidade com as duas outras partes – Margem abandonada e Paisagem com argonautas – ví então a possibilidade de trabalhar com o Bando de Teatro Olodum, meu grupo, num coro que seria o povo de Medéa, traído pela heroína, cobra e constroi a destruição do conquistador Jasão, representado por Guilherme Leme. Heiner Goebbels gostou do projeto e aceitou participar dele. E assim foi. Fatzer – Seria dirigido por Peter Palitzsche, com os atores dos grupos residentes do Teatro Vila Velha. Mas Palitzsche teve também um problema de saúde e apesar de ter iniciado o processo, não pode continuar no projeto e assumi a direção. Montamos a peça, num trrabalho colaborativo, com mais de 80 artistas. Peça coração – Dentro do TOMALADACÁ, projeto do Teatro Vila Velha de intercâmbio com grupos amadores ou em formação, propus uma oficina de encenação para cinco ou seis diretores desses grupos. O trabalho era supervisionar as encenações que eles fizeram da peça, seguindo as propostas que eles trouxeram. Foi incrível ver como os grupos tinham leituras diferentes daquele texto que receberam sem nenhuma indicação. E suas encenações guardavam uma coerência impressionante com o material original.
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2 – Como foi o processo? Quais métodos principais você aplicou sobre o trabalho? MM – Cada montagem foi um processo. Como sempre acontece. Medeamaterial foi uma superprodução com 30 atores, músicos ao vivo, cenário de Hélio Eichbauer, música de Heiner Goebbels e Neguinho do Samba. Participou da temporada de reinauguração do Teatro Castro Alves... enfim. Foram quase dois meses de ensaio. Tenho um método de trabalho construído com o Bando de Teatro Olodum, que me norteia, mas é flexivel, na medida em que cada texto requer uma abordagem diferente. Cada poética propõe uma estética, cada discurso uma forma. Levamos em conta a Guerra da Bósnia e as guerras fratricidas dos povos africanos, que aconteciam naquele momento. Falávamos também sobre colonização e identidade – temas recorrentes no meu trabalho com o Bando. Estivemos – Vera, Guilherme e eu – em Berlim, conversando com o autor. Soube então que ele tinha o projeto de montar a trilogia na Bahia. Ele achava que era o lugar propício. Aqui a peça seria concreta. A Bahia era o que a peça fala. Entendi o indicação. Ele me dava aí uma chave preciosa. Outras chaves foram aparecendo. Christine Roerigh e Marcos Renaux traduziram os textos e conversávamos muito sobre tudo, sobre cada palavra, cada
expressão. Daí, reeditei o texto fundindo as três partes num recurso de fragmentos e repetições. Não havia separação. As três começavam simultâneamente, com falas de uma dialogando com falas das outras. O espetáculo entretanto mantinha a estrutura da trilogia, a estética ia mudando e as três partes eram visíveis e assim concebidas: o discurso do povo da Cólquida, a tomada de consciência de Medéa e a destruição do colonizador. Material Fatzer foi um processo em aberto, com núcleos de trabalho. Partimos da ideia do fragmento, da peça nunca ter sido organizada por Brecht, mas ser uma colagem de Heiner Müller dos fragmentos deixados. Uma decisão e edição de Müller. Montamos núcleos: de cenário, de audiovisual, de música... Mandei para vários compositores amigos apenas os textos dos coros, sem nenhuma explicação e estes nos foram devolvidos musicados. E havia uma coerência nas músicas. Por fim, convidei uma banda de rap para participar do espetáculo. Eles musicaram e tocavam dois dos coros no espetáculo, além de participarem e interferirem em outros momentos e coros. Vários artistas visuais participaram da concepção do cenário, assistiam aos ensaios e nos reuníamos. Até que optei por um espaço apenas. Branco com bancos vermelhos.
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O elenco foi chegando aos poucos. Avisei a alguns atores e atrizes amigos que estava montando Fatzer e quem quisesse fazer parte podia aparecer. Daí a notícia se espalhou. Muitos compareceram e perguntavam se podiam participar. Durante alguns meses lemos e improvisamos com vários atores diferentes, com uma rotatividade e diversidade de participação que ia de rappers, atores iniciantes, não atores a atores com carreiras consolidadas. Trabalhei algumas cenas também com grupos amadores, em oficina de encenação como na da Peça coração e as propostas apresentadas por eles aconteciam antes do espetáculo começar, no café do teatro. Depois o figurino: calças ou saias brancas dos próprios atores e atrizes e camisetas brancas ou com os nomes dos personagens que seriam feitos por cada ator. Por exemplo: vários atores faziam Fatzer em várias cenas, alguns faziam o personagem nas mesmas cenas que os outros. Antes de cada apresentação, eu colocava uma tabela no camarim e cada um sabia em que cena faria aquele personagem, ou outro. Então a cada dia o espetáculo tinha uma configuração de elenco diferente. E os atores e atrizes nem sempre contracenavam com o mesmo colega. Antes de entrar em cena, eles vestiam a camisa com o nome do personagem que iam representar. (Veja a tabela de ensaio para ter uma ideia de como isso era feito). Até a chamada de televisão seguia a lógica
do fragmento. Eram várias chamadas diferentes, com o mesmo início e fim, mas em cada uma um ator respondia à pergunta o que é Fatzer? E víamos apenas um fragmento da resposta. 3 – Houve alguma dificuldade de adaptar à cena brasileira contemporânea? MM – Não. Essa é a vantagem de se montar Heiner Müller. Ele é contemporâneo de todos nós. 4 – Qual a validade de remontar Heiner Müller atualmente? MM – Tenho vontade de montar algumas de suas peças ou de apresentá-las como leitura ou experiências audiovisuais. Sempre é bom trabalhar com o material que ele produziu. É como um caleidoscópio com possibilidades enormes de releituras. É um questionamento que nos vem do século passado mas que ainda não foi plenamente respondido. Buscamos respostas para várias questões quando montamos Müller. Nem sempre achamos, daí surgem novas questões. Isso aprendi também com as experiências das oficinas com os grupos do subúrbio. Eles devolviam a peça ou a cena com muitas e intrigantes novas questões. 5
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Há
alguma
preocupação
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a performance ou com o teatro pósdramático? MM – Nenhuma. Há em mim uma preocupação com o discurso, com o que precisamos falar e quando. Evidentemente a forma importa muito. E a forma em Müller é o discurso em si. Ela vai surgindo como cena a depender de quem quando e onde a peça é montada. 6 – Há um diálogo com os mortos, com os fantasmas? Quais? De que forma? De que não podemos nos esquecer? MM – Os mortos são a civilização ocidental e seus valores, jogados na vala comum do fim de uma era: a era das certezas. Os mortos são o que fomos e não conseguimos mais ser. Buscamos então nas tradições (inclusive teatrais – Brecht, Shakespeare, etc.) referências que já não respondem ao século que acabou e ao século que começa. 7 – Você gostaria de acrescentar algum comentário? MM – De pronto, não. Talvez você?... ENTREVISTA BRASKEM 1 – O Sr. conquistou o prêmio de melhor diretor do prêmio Braskem de teatro por três vezes, recebeu também uma homenagem especial
em 98, esses números colocam você como o diretor mais premiado pela historia do prêmio. Sente-se recompensado por este reconhecimento? MM – Eu me sinto parte de um todo, eu nunca entendi que esse prêmio era só pra mim. Eu acho que o prêmio de teatro é um coletivo. Então, primeiro é o coletivo mais perto, quer dizer, é o coletivo de atores e artistas que trabalharam comigo nas montagens que foram premiadas, depois é um coletivo mais amplo, são meus colegas. São as referências que eu tenho e o teatro da Bahia como um todo, do qual sou parte. Mais amplo ainda: as peças que eu vi, as pessoas que fizeram, as pessoas que me ensinaram coisas. Acho que esse prêmio é de todo mundo, não é recompensa pra mim, nunca entendi esse prêmio como uma coisa pessoal. É importante saber que, por algum motivo, por algum critério ou pelos critérios que a comissão escolheu, eu tenha sido escolhido como referência da produção teatral aquele ano em que recebi o prêmio, mas esse prêmio pra mim, como o teatro, é uma coisa coletiva. 2 – Em 2006, o bando levou o prêmio de melhor espetáculo com Sonho de uma noite de verão, você tava lá presente? Foi uma vitória que premiou uma trajetória de sucesso do grupo, você poderia falar
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um pouco desse momento? MM – Foi emblemático, porque Sonho de Uma Noite de Verão é um espetáculo que marca a maturidade tanto minha como diretor, como do grupo como grupo. Eu acho que é um desafio imenso fazer um Sahakespeare, porque realmente é um monumento da humanidade. Então, você encarar esse monumento não é simples, é muito difícil, é muito arriscado. Qualquer um que se atreva que se aventure a fazer um Shakespeare... é muito complicado e eu acho que a gente fez bem. Quando acabou a estréia eu achei, pela primeira vez, que tinha aprendido a fazer teatro. É uma sensação que eu nunca tive antes, eu sempre vi coisas, claro que tem coisas que podem melhorar e que irão melhorar, no próximo trabalho ou no próximo Shakespeare, mas eu fiquei feliz, fiquei pleno, eu entendi o teatro, eu entendi Shakespeare, eu entendi como lidar com aquela linguagem, com o verso em cena e acho que foi merecido que o Bando, aquela montagem, eu, a gente fosse uma referência no teatro baiano aquele ano. Mas volto a dizer, outros espetáculos também seriam referencias. Acho que foi emblemático aquele, porque é um grupo – e na época tinha dezesseis anos – de atores que a mídia, que o censo comum, negava o direito ou perfil, vamos dizer assim, de fazer um Shakespeare, e a gente fez bem. Então acho que foi emblemático também criar um
grupo de atores negros que fizeram bem o Shakespeare, tornaram o Shakespeare baiano. 3 - Como participante das premiações, quando o prêmio ainda se chamava Copene, Bahia... quais momentos você destacaria como os mais importantes? MM – (risos) Pra mim é quando eu dirigia os espetáculo, porque eu tava dentro, eu tava construindo o momento em que as pessoas iam se transformar numa referencia daquele ano no teatro baiano. Então, viver nas entranhas do prêmio, preparando a celebração do teatro foi muito importante. Mas sempre foi importante, sempre me emocionei com as homenagens, com as pessoas homenageadas, com Petrovitch, quando recebeu a homenagem, com Jurema, enfim... Sempre me emocionou as homenagens ás pessoas, porque a Bahia dificilmente reconhece o trabalho de seus artistas. Principalmente daqueles que não saíram, que ficaram e dedicaram sua vida ao teatro. É difícil esse reconhecimento do trabalho de muitos anos. Quando eu fui homenageado também... – e acho que eu fui o mais jovem dos homenageados, sempre são pessoas que já passaram mais tempo no palco, que já passaram mais anos de sua vida dedicados a isso – então também me
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senti alçado a esse lugar dos que dedicaram sua vida ao teatro baiano. 4 - Artistas como Wagner Moura, Vladimir Brichta e João Miguel já foram premiados Lázaro já foi indicado ao principal prêmio do teatro, você acredita que o prêmio ajuda a evidenciar, ajuda a evidenciar uma geração de atores que ali surgia? MM – Não. Eu acho que o Oscar faz isso, porque o Oscar trabalha com industria, trabalha com mercado, o cachê do ator aumenta estrondosamente, mas aqui na Bahia não. Eu acho que é diferente e é bom que seja diferente também, porque não é uma competição, eu sinto que não há uma competição. Há evidentemente a vontade de todos de serem referência e de serem reconhecidos como alguém que fez alguma coisa importante, e também é bom que receba o dinheiro, o cheque. Também é muito importante porque ajuda muita gente que enfim, se dedica a isso e que ganha pouco e que é uma profissão dura, de pouco reconhecimento financeiro. Mas eu não acho que isso ajude, às vezes eu até tenho medo, se não mexe muito com o ego de algumas pessoas que, a partir daí, começam a achar que ganharam o Oscar. Mas, como falei, eu acho bacana, acho bom que todo mundo possa ganhar, que esteja lá, que reivindique, que homenageie todo mundo, que fale o que tem de falar.
E mais, eu não acho que isso altera a carreira dos atores ou dos diretores ou dos premiados, porque felizmente ou infelizmente, nós não temos o mercado forte, não temos sequer piso salarial pra artista. Vivemos numa informalidade de produção, principalmente no teatro, mas na produção cultural como um todo, não temos contratos, não temos estruturas administrativas dos grupos formados que possam dialogar com o mercado, com a industria, com as empresas. Então eu acho bom, como uma celebração. Pra mim, depois que eu ganhei o prêmio, não aumentou meu cachê. 5 – Pra finalizar, você hoje ocupa pasta de Secretário de Cultura e tem ampla noção das demandas e necessidades da classe artística baiana. Poderia falar um pouco da importância de um prêmio como o prêmio Braskem de teatro? MM – É uma empresa que reconhece uma linguagem como uma coisa importante numa comunidade. A linguagem teatro ser celebrada por uma empresa como a Braskem, através do reconhecimento ou da sinalização de trabalhos feitos durante o ano como referencia daquele ano. Eu acho que isso nos diz que o teatro é importante sim, que o teatro baiano é importante. Enfim, há um reconhecimento publico disso,
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se mobiliza muita coisa pra essa entrega. A imprensa se ocupa mais amplamente do teatro ousando até discutir os critérios da seleção ou concordando ou discordando. É importante a discussão sobre o teatro, sobre as linguagens sobre as culturas. Sempre é muito importante e é muito frágil na Bahia. Realmente a Bahia não se ocupa de criar discussões mais consequentes, mais amplas, mais maduras sobre o fazer cultural, sobre o papel da cultura, sobre o papel do teatro, sobre o papel do ator do teatro, sobre as estruturas das relações que se estabelecem a partir da produção cultural. Eu acho que tem muita importância o prêmio neste sentido. Ele evidencia uma linguagem, uma celebração pública patrocinada por uma grande empresa.
Era preciso, nesta entrevista, como Estado, que sinalizasse para a Braskem a importância do prêmio e do apoio ao teatro baiano. Sabia que a empresa sempre pensava se valia a pena manter o patrocínio. E sabia e sei que, quando o governo sinaliza uma direção de interesses, as grandes empresas levam em consideração nas suas políticas de ação. Foi assim com a ferramenta dos editais, iniciada pelo Ministério, e seguida como estratégia de marketing para patrocinar a produção artística. Foi assim com o programa Ouro Negro, de apoio ao carnaval de matriz africana.
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GOVERNANTES 68o prefeito João Henrique Carneiro . Partido Democrático Trabalhista (pdt) 2005 a 2008 50o governador Jaques Wagner . Partido dos Trabalhadores (pt) 2007 a 2011 35o presidente Luiz Inácio Lula Da Silva . Partido dos Trabalhadores (pt) 2003 a 2011
O filme Tropa de Elite, de José Padilha, conquistou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim. Obras de Lasar Segall, di Cavalcanti e Pablo Picasso foram roubadas da estação pinacoteca, em São Paulo.
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SECRETARIA DE CULTURA – ANO DOIS É criado os programas de fomento Carnaval Ouro Negro, para entidades carnavalescas de matriz africana, e o Carnaval Pipoca, para bandas e artistas “independentes”. CARNAVAL OURO NEGRO VAI CAPACITAR AFOXÉS E BLOCOS AFRO 25 novembro 2008 O Curso de Capacitação Carnaval Ouro Negro, voltado para os gestores dos blocos e afoxés cadastrados no programa da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), será lançado na quinta-feira (27), às 19h30, no Forte de Santo Antônio Além do Carmo. O curso começa em dezembro e continua ao longo de 2009, e a grade está sendo criada de acordo com as demandas dos gestores dos blocos. Além de aprimorar a prestação de contas das entidades com o Carnaval Ouro Negro, ele visa capacitar os gestores a captar patrocínio da iniciativa privada e a desenvolver projetos que garantam a sustentabilidade dos grupos. “Algumas instituições têm experiência de gestão, mas outras são focadas apenas na parte artística, educacional ou são essencialmente carnavalescas. Qual a dinâmica que cada comunidade quer? Queremos criar a interação entre as formas de gestão de todas as entidades”, explicou o coordenador de Ações do Carnaval da Secult, Edivaldo Bolagi. Segundo orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), órgão de assessoria jurídica do governo, a partir de 2010 o Programa Carnaval Ouro Negro deve seguir o mesmo modelo dos outros editais do Estado. “Vamos capacitar os gestores dos
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blocos para que eles entendam as modalidades de convênio para essa nova fase que começa em 2010”, disse o coordenador. Para o coordenador da carteira de educação empreendedora do Sebrae, André Gustavo, o objetivo é criar um programa de treinamento para que os blocos possam acessar recursos públicos e privados, até mesmo internacionais. “Estamos preocupados com a educação empresarial e com o futuro dessas instituições em parceria com o poder público. Queremos profissionalizar a atuação dessas instituições”, afirmou, ressaltando que órgãos como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) exigem fiscalização cada vez mais rigorosa da utilização dos recursos públicos. A identidade de cada bloco também será valorizada, observou o diretor do Instituto Cultural Cidade Viva e consultor do Sebrae, Fernando Portela. “Devemos construir esse mercado com base em nossa identidade, somando as diferenças. Nenhuma entidade pode crescer sem envolvimento, sem conhecer os problemas coletivos e individuais”, disse o diretor, que já trabalhou com entidades carnavalescas no Rio de Janeiro. Durante a capacitação, os blocos vão conhecer algumas experiências de gestão. A busca de ferramentas para reorganização e reestruturação dos afoxés será um dos temas em pauta. “Queremos o apoio do poder público para incentivar as empresas a patrocinar as entidades”, reivindica Mãe Wal, do Afoxé Filhos Ogum de Ronda. Primeira parcela dos recursos sai até o dia 20 Até 20 de dezembro, as entidades devem receber a primeira parcela dos recursos do Carnaval Ouro Negro/2009 para realização dos desfiles. O programa, criado em novembro de
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2007 pela Secretaria Estadual de Cultura, tem como finalidade apoiar financeiramente o desfile das entidades carnavalescas de matriz africana, capacitar os dirigentes para que possam buscar a sustentabilidade de suas associações e dar maior visibilidade para esses blocos, que são um dos componentes culturais mais relevantes na tradição do Carnaval de Salvador. Os recursos se destinam à aquisição e à contratação de material, insumos e serviços necessários para a composição da proposta estética e cultural de cada entidade. No Carnaval deste ano, a Secult apoiou os desfiles de 104 blocos de matriz africana, investindo R$ 3,6 milhões em aportes, que variaram de R$ 15 mil a R$ 100 mil, repassados a cada entidade a partir de critérios pré-definidos.
http://www.bahia.ba.gov.br/2008/11/noticias/carnaval/carnaval-ouro-negro-vaicapacitar-afoxes-e-blocos-afro/ CARNAVAL OURO NEGRO E ARTISTAS INDEPENDENTES O Carnaval de Salvador já é considerado como a maior festa urbana do país, segundo dados da Infocultura (2007). Nessa mesma perspectiva, Oliveira afirma que a festa Adquire status de um verdadeiro megaevento, com números cuja magnitude supera, de longe, qualquer outra festa popular, seja qual for o aspecto considerado: duração, público participante, espaço urbano ocupado, número e horas de shows, número de artistas contratados, fluxo de turistas nacionais e estrangeiros, quantidades de comida e bebida consumidas, ocupação da rede hoteleira, aparato de segurança pública mobilizado, etc. (OLIVEIRA,1996, 146) O relatório da Infocultura (2007, p.7) destaca que o a importância
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deste evento complexo e plural também pode ser atribuída pelo aspecto distintivo que confere, ou seja, os aspectos identitários da cidade, que sinalizam as diferenças existentes em diversos planos – cultural, social, étnico, econômico e espacial. Desse modo, podemos entender que a festa reproduz as dicotomias do cotidiano da cidade, a exemplo: “negro versus branco”, “pobre ou rico”, “casa ou rua”, “tradição e inovação”, “público contra privado.” Ainda segundo informações deste relatório, o carnaval de Salvador modificou de maneira significativa sua forma e conteúdo nos últimos trinta anos, e atualmente, com o modelo de fest-negócio - apesar de gerar inúmeros benefícios sejam eles de natureza tangível ou intangível - apresenta diversas situações que precisam ser administradas, passando por questões que vão desde a segurança, infra-estrutura, transporte público, hospedagem, alimentação, publicidade, fomento, dentre outros. Pensando exatamente neste último campo que a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia criou o Programa de Apoio aos Artistas Independentes e O Programa de Fomento à Cultura – Carnaval Ouro Negro. Em 2008, o Estado continuará apoiando o Carnaval dos artistas independentes com um aporte de R$1 milhão, destinado ao pagamento dos cachês. As pautas, o número de atrações e o processo de seleção dos artistas que vão tocar em trios e palcos independentes foram definidos pelo Conselho de Carnaval do município, responsável pela organização da festa. A partir da Resolução 14/2007 do Conselho Municipal do Carnaval determinou-se 23 vagas para apresentação em trio elétrico de artistas notórios e 27 para emergentes, 62 vagas para apresentação em palco para artistas notórios e 63 para artistas emergentes.
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O Programa de Fomento à Cultura – Carnaval Ouro Negro foi criado em novembro de 2007, tem como o objetivo apoiar o desfile de entidades carnavalescas de matriz africana. 98 agremiações entre blocos afro, afoxés, blocos de índios, samba e reggae, dividiram um total de mais de R$ 3 milhões de reais em financiamentos. A novidade do Programa Ouro Negro é que o repasse é feito através de contratos individuais diretamente com cada entidade, dispensando a necessidade de agrupamentos, fóruns ou coletivos. Além disso, pela primeira vez aconteceu o repasse da verba com antecedência (70% do valor foi disponibilizado em dezembro). Foram criados pelos técnicos da Secretaria de Cultura da Bahia critérios objetivos para determinar as faixas de financiamentos que variam entre 8 mil e 100 mil reais. Entre os itens observados foram: o ano de fundação das entidades, número de participantes, quantidade de dias de desfiles, tipo de indumentária (se fantasia ou abadá) e o circuito. Segundo informações do site da secretaria, priorizou-se por apoiar entidades que desfilam no Centro Histórico (circuito Batatinha) e Campo Grande (Osmar), uma vez que o circuito Barra Ondina “oferece às entidades maior visibilidade midiática e possibilidade de obtenção de investimentos privados”. in: FINANCIAMENTO E FOMENTO À CULTURA NA BAHIA: ANÁLISE DA GESTÃO DE JAQUES WAGNER Hanayana Brandão Guimarães Fontes Lima. Apresentado no V ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura . 27 a 29 de maio de 2009 . Faculdade de Comunicação/UFBa, SalvadorBahia-Brasil.
http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19106.pdf
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ALGUMAS AÇÕES E ATIVIDADES COMO SECRETÁRIO DE CULTURA DO ESTADO DA BAHIA EM 2008 Entrevista para Ana Lívia Lopes, publicada no jornal A tarde, do dia 9 de janeiro de 2008. Desde que assumiu a Secretaria de Cultura do Estado, há dois anos, o diretor teatral Márcio Meirelles já enfrentou alguns fatos polêmicos, como a suspensão temporária de repasse de recursos para grandes instituições culturais do estado e certa reserva dos produtores culturais quanto às mudanças que vem realizando na forma de seleção de projetos para fomento, através de editais públicos. A seu favor tem os resultados alcançados à frente da pasta no seu principal desafio que é promover a descentralização do desenvolvimento do setor na Bahia, historicamente mais concentrado na capital, e construir um sistema estadual de cultura bem estruturado que conte com agentes e dirigentes qualificados. O processo de descentralização caminha bem. De 2006 para 2008, a participação de projetos dos municípios do interior no Fundo de Cultura, hoje o principal instrumento de fomento à cultura do Estado, subiu de 4% para 40%. Em 2008, foram selecionados também 150 novos Pontos de Cultura em toda a Bahia, que receberão R$27 milhões dos governos federal e estadual nos próximos três anos. Já a construção de um sistema de cultura estruturado e bem qualificado é um processo que está sendo feito junto com a sociedade. Na entrevista a seguir, o secretário fala dos projetos de sua pasta e sobre os problemas que tem enfrentado para tocar sua visão de modelo de política cultural para a Bahia do século XXI. Umas das marcas da atual gestão da Secretaria de Cultura do Estado é a descentralização das suas ações e programas, que anteriormente ficavam concentradas na capital e Região Metropolitana. Como isso está sendo feito e quais os resultados dessa nova proposta até agora?
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A descentralização é uma ação do Governo do Estado em várias áreas. E há um entendimento de que a cultura é uma área estratégica. Assumimos um conceito já antigo mas relativamente novo aqui: a cultura como produção simbólica e também fator de desenvolvimento, de economia, de construção de identidade. No Brasil, por exemplo, 7% do PIB vêm da economia da cultura, e o investimento em cultura representa 4,4% do orçamento das famílias brasileiras – mais que educação – não importa sua classe social. Partindo desse princípio, é importante o olhar do Estado para a produção cultural de toda Bahia. Na Secult, esse trabalho é desenvolvido através de dois grandes eixos, as duas superintendências: o Fomento à Economia da Cultura e o Desenvolvimento Territorial da Cultura. É importante destacar que, além do fomento, a cultura necessita da estruturação do seu Sistema. Hoje, nosso foco principal é a construção desse Sistema que é complexo, porque a cultura tem a peculiaridade de trabalhar simultaneamente em dois campos muito amplos: serviços e produtos. Em que fase está o processo de construção do Sistema Estadual de Cultura? Um dos primeiros passos foi a mobilização dos dirigentes de cultura dos municípios e criação do Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura. A idéia é definir o papel também dos municípios para criação desse Sistema. Ninguém cobra políticas culturais do município, inclusive aqui em Salvador. Às vezes cobra-se eventos, no máximo. Muitas outras coisas deveriam ser assumidas pelas administrações locais, complementando as ações do Estado, que deve, na verdade, estabelecer políticas públicas estruturantes que fortaleçam, por exemplo, a circulação, a formação de redes etc.
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O que propomos é uma distribuição mais equânime de recursos e investimentos, para que a produção cultural possa crescer em todos os territórios. Se a cultura se desenvolver em todo estado, é bom tanto para capital como interior, pois cria mercado e circulação de bens, gera uma dinâmica econômica que fomenta a autonomia da produção cultural em cada território. Em 2008, avançamos muito na construção desse Sistema. Já temos a adesão ou compromisso de adesão de quase 300 municípios. E assinamos convênio com a Escola de Administração da UFBA, que, em 2009, vai prestar assessoria técnica a eles para a criação de seus Sistemas Municipais de Cultura. A montagem desses sistemas envolve a criação ou fortalecimento de seus órgãos municipais de Cultura, que devem ter um orçamento próprio para a área, a criação de Conselhos, Fundos e Planos municipais de cultura. Os 100 primeiros municípios que aderiram ao Sistema Estadual de Cultura serão os primeiros beneficiados. Além disso, foram contratados, através de concurso público, 27 representantes territoriais da Cultura. A Região Metropolitana de Salvador, pela sua dimensão, conta com dois representantes. Eles já começaram a atuar e isso é muito importante porque era muito difícil chegar lá na ponta. A II Conferência Estadual de Cultura, realizada em outubro de 2007, ajudou a definir as novas políticas para o setor? Sim. Nós conseguimos envolver 392 municípios e 40 mil pessoas no processo de realização da conferência, que reuniu 2,5 mil participantes. Fizemos um primeiro levantamento de informações e elaboramos um caderno de diretrizes culturais, em que cada território definiu suas prioridades.
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A grande surpresa foi que uma das principais demandas foi justamente a construção de uma estrutura de gestão. A carência é percebida pelos agentes culturais mesmo nos lugares mais remotos. Eles entendem a importância da capacitação para gestão do setor. E isso foi muito importante para guiar o nosso trabalho. A própria mobilização para a conferência também teve desdobramentos como a revitalização de projetos que andavam abandonados e a criação de redes entre os municípios e entre organizações culturais nos municípios. Os prefeitos também começaram a rever a questão da importância da cultura para o desenvolvimento social e econômico. E a expectativa é de que a III Conferência, que faremos este ano, seja bem melhor, com os poderes municipais mais maduros a respeito da cultura. De que forma a Secult tem atuado para atender essa demanda dos municípios de capacitação para gestão em cultura? A Superintendência de Cultura firmou parceria, em 2008, com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para capacitar 40 professores de todas as universidades públicas do estado em gestão cultural. Ao voltarem para suas cidades de origem, esses professores têm atuado como multiplicadores, formatando novos cursos. Em 2008, eles já capacitaram mais 200 agentes e dirigentes culturais, em cinco territórios de identidade. Qual o reflexo da disseminação de informações sobre gestão cultural até agora? Para se ter uma ideia, em 2006, a participação de projetos dos municípios do interior no Fundo de Cultura era de 4% e, em 2008, passou para 40%. Isso não significou que a capital foi desassistida ou que foram aprovados projetos ruins no
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interior. Na verdade, há projetos muito sofisticados. Isso foi possível, entre outras coisas, graças a realização, pela Secretaria, de uma série de oficinas de elaboração de projetos, que é o grande calcanhar de Aquiles da produção cultural hoje, tanto na capital quanto no interior, com a capacitação de mais de três mil pessoas em todo o estado. A Bahia também adotou o Programa Pontos de Cultura do governo federal. Quantos projetos são apoiados hoje pela Secult dentro desse programa? A Bahia foi o primeiro Estado a aderir ao Programa Mais Cultura, que é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da cultura. Em 2008, lançamos um edital, que hoje está servindo como modelo para outros estados, para selecionar 150 novos Pontos de Cultura em toda a Bahia, que agora estão em fase de conveniamento e vão receber, cada um, R$60 mil por ano, ao longo de três anos, o que totaliza R$27 milhões. São organizações que já realizam atividades culturais em suas comunidades e que passam agora a contar com o apoio dos governos federal e estadual. No primeiro ano, cada ponto de cultura deve investir R$25 mil na compra de um kit de multimídia (câmera de vídeo, estúdio de gravação e ilha de edição) para que conversem entre si e atuem em rede. Com isso, a Bahia passa a contar, em 2009, com uma rede de 216 pontos de cultura, e há a possibilidade de que mais 50 sejam conveniados, já que atingiram a pontuação necessária. Estamos batalhando os recursos. Logo no início da atual gestão, houve muita polêmica em relação a instituições culturais que tiveram o repasse de seus recursos suspensos pelo Governo do Estado como a Fundação Casa de Jorge Amado. O que gerou toda aquela situação?
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Assim que assumimos, encontramos um relatório realizado pelo Tribunal de Contas do Estado que apontava irregularidades nos convênios do Fundo de Cultura. Em 2006 o fundo apoiava 40 projetos, sendo que 35% dos recursos iam para o próprio Estado, outros 50% eram destinados à manutenção de instituições culturais de direito privado e só 15% ia para fomento a projetos culturais, que é a real natureza do Fundo. O relatório apontava também uma grande concentração de recursos em algumas poucas instituições. Por isso, a Procuradoria Geral definiu que os convênios só seriam renovados após a solução desses problemas. Por isso houve aquele freio de arrumação. Tivemos que negociar essa transição com a PGE, mas acho que a sociedade já entendeu isso. Esses problemas com os convênios dessas instituições já foram resolvidos? Houve uma investigação e chegou-se a conclusão de que a maior parte dos problemas com as instituições eram relacionados ao modelo de prestação de contas. Havia uma informalidade estabelecida pelo próprio Estado. Os produtores culturais dessas instituições não tinham informação para agirem de outra forma ou não eram cobrados para fazer de outro jeito. É bom deixar claro que não havia malversação do dinheiro público. De um total de 16 convênios, só 5 não foram renovados porque tinham problemas em sua estrutura administrativa: havia pessoas do próprio Estado em cargos de coordenação, direção. E eram justamente as que mais concentravam recursos. A secretaria está sinalizando com novo modelo de apoio a essas
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instituições para que elas cumpram seu papel na sociedade e para que outras instituições também possam contar com o apoio continuado. O importante é que o Fundo foi reestruturado. O Fundo atendia a 40 projetos e hoje atende a 400. Em 2008, lançamos 33 editais, que vão apoiar a realização, ao longo de 2009, de 293 projetos, envolvendo recursos da ordem de R$20 milhões. A criação do sistema de editais facilitou também o acesso aos recursos para uma parcela mais ampla de produtores, beneficiando projetos como os de cultura popular, indígena e digital. Há algumas críticas em relação ao modelo dos editais de cultura. Alguns produtores reclamam que o processo é complicado. Existe algum projeto para tornar esse processo mais acessível a quem está interessado em captar verbas para projetos culturais? Atender às exigências dos editais exige uma maior profissionalização, o que é importante para o fortalecimento de todo o meio cultural. Por outro lado, o Fundo apoia hoje um número de projetos 10 vezes maior e com a mesma equipe. Estamos fazendo agora uma revisão de procedimentos do Fundo, investindo na ampliação e qualificação da equipe e temos que encontrar uma forma mais dinâmica de atuar em parceria com a PGE. São 400 projetos apoiados, se contarmos o número de inscritos e avaliados é muito mais. A Secretaria tem o desafio de simplificar os editais e, ao mesmo tempo, fortalecer a produção cultural e qualificar os produtores para que eles possam concorrer a projetos não só do Fundo de Cultura do Governo do Estado, mas também a editais e fundos nacionais e internacionais.
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Existe uma proposta para mudanças no Fundo de Cultura. O que vai mudar? Há um projeto de lei na Assembleia Legislativa que propõe uma pequena reforma na organização da estrutura da Secult. Dentro dessa reforma, há uma proposta de reformulação do Fundo de Cultura para que ele possa ampliar seu papel como fomentador. Atualmente, só podem ter acesso ao Fundo instituições com mais de 3 anos de criação, sendo que cada uma delas só têm direito a pleitear verbas apenas para um projeto por vez. Com a mudança, instituições com apenas um ano de fundação poderão ter acesso aos recursos do fundo e ter mais de um projeto aprovado. 1º ENCONTRO/2008 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Participação Organização: Secretaria de Cultura de Brasília 18/03/08 Brasília (DF) 1º ENCONTRO/2008 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA / NORDESTE Participação Organização: Secretaria de Cultura de Sergipe 30/04/08 Aracaju (SE) 2º ENCONTRO/2008 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA / NORDESTE Participação Organização: Secretaria de Cultura de Alagoas 30 e 31/07/08 Maceió (AL)
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3º ENCONTRO/2008 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Participação Organização: Secretaria de Cultura de Santa Catarina 20 e 21/08/08 Florianópolis (SC) ENCONTRO EXTRAÓRDINÁRIO DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA / NORDESTE Participação Participantes: Forum de Secretários e Dirigentes de Órgãos de Cultura/NE, BNB, FUNARTE e MINC Organização: Secretaria de Cultura do Maranhão e MINC 12/09/08 São Luís (MA) 3º ENCONTRO/2008 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA/ NORDESTE Participação Organização: Secretaria de Educação e Cultura da Paraíba (31/10 e 01/11/08) João Pessoa (PB) ENCONTRO DE SECRETÁRIOS DE ESTADOS DO NORDESTE (PLANEJAMENTO, CULTURA, MEIO AMBIENTE E TURISMO) E ENCONTRO DOS GOVERNADORES DO NORDESTE Participação Organização: Governo de Pernambuco 01 e 02/12/08 Recife (PE)
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4ª ENCONTRO/2008 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Anfitrião Organização: Secretaria de Cultura da Bahia 11 a 12/12/08 Palacete das Artes (SSA – BA) DESTINAÇÃO DO PATRIMÔNIO FERROVIÁRIO FEDERAL EM DEBATE Seminário Pronunciamento na abertura Realização: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão / Secretaria do Patrimônio da União 24/04/2008 Auditório do Tribunal Regional Eleitoral (SSA – BA) DIVERSIDADE E UNIDADE EM PAÍSES FEDERAIS – BRASIL Mesa redonda Participação Participantes: Paula Ravanelli Losada (Subchefia de Assuntos Federativos), André Luís de Figueiredo Lázaro (Ministério da Educação), Ariel Cecílio Garcez Pares (Núcleo de Assuntos Estratégicos), Edson Santos / Maria do Carmo Ferreira da Silva (Secretaria Especial de Políticas Públicas de Igualdade Racial), Fred Maia (Ministério da Cultura), Julio Flávio Miragaya (Ministério da Integração), Marcio Meira (FUNAI), Marcio Meirelles (Secretaria de Cultura da Bahia), Liana Maria da Frota Carleial (IPEA), Rosani Evangelista da Cunha (Ministério do Desenvolvimento Social) e Sérgio Ricardo Miranda Nazaré (Banco do Brasil) Coordenadores da Mesa Redonda: Marcus Faro de Castro (Faculdade de Direito da UNB) e Gilberto Marcos Antônio Rodrigues (Programa de Mestrado em Direito da UniSantos) Programa: Um diálogo global sobre federalismo Coordenação: Forum of Federations e International Association of Centers for Federal Studies (IACFS) Apoio: Subchefia de Assuntos Federativos da Presidência da República
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Organização: Faculdade de Direito da UNB e Programa de Mestrado em Direito da UNISANTOS 18/03/08 Centro Cultural Banco do Brasil (Brasília – DF) OFICINA DE REDESENHO DO MODELO FEDERAL DE FINANCIAMENO DA CULTURA Fórum Nacional de Financiamento da Cultura Participação Organização: Secretaria de Incentivo e Fomento à Cultura/MINC 24 e 25/09/08 Recife (PE) 1º FESTIVAL ANUAL DA CANÇÃO ESTUDANTIL Membros da comissão julgadora: Armandinho Macedo, Fátima Mendonça, Marcio Meirelles, Tuzé de Abreu e outros Organização: Secretaria de Educação do Estado da Bahia 26/09/08 Concha Acústica do TCA (SSA – Ba) I CONFERÊNCIA ESTADUAL DOS DIREITOS DE GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS 24 a 26/04/2008 Mesa 5 – Direito à cultura: Construindo uma política de cultura de paz e valores de promoção da diversidade humana Palestrantes: Alessandra Ramos e Marcio Meirelles Mediador: Valdir Jubiabá 25/04/08 Instituto Anísio Teixeira (SSA – BA)
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IV ENECULT – ENCONTRO DE ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES EM CULTURA Pronunciamento na Mesa de Abertura Mediação: Albino Rubim 28/05/08 Auditório da Reitoria da UFBA Mesa: Plano Nacional da Cultura Participantes: Alfredo Manevi (Secretário de Políticas Culturais do MINC), João Roberto Peixe (Secretário de Cultura de Recife), Cláudio Santana (Instituto Hominus - RS) e Marcio Meirelles Mediação: Albino Rubim 30/05/08 Escola de Comunicação da UFBA (Salvador – BA) Realização: Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT) / UFBA 28 a 30/05/08 (SSA – BA) I CONFERÊNCIA ESTADUAL DA JUVENTUDE Pronunciamento na abertura Organização: Secretaria de Articulação Institucional do Estado da Bahia 28 a 30/03/08 Escola Parque (SSA – Ba)
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ENCONTRO BAIANO DE ARTESANATO Pronunciamento na abertura 26/11/08 Mesa de abertura Participantes: Edival Passos (Diretor Superintendente do Sebrae) Emilia Costa Silva (Diretora Geral Instituto Mauá), Maria Dorotéia Naddeo (MDIC/ PAB), Marcio Meirelles, Nilo Meira Filho (Sup.Estadual do BNB), Nilton Vasconcelos (Secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte), Roaleno Ribeiro Amâncio (UFBA) e Rodrigo Nogueira (Superintendente Estadual do BB). 26 a 28/11/08 Grande Hotel da Barra (SSA – Ba) SEGUNDO CONGRESSO ARGENTINO DE CULTURA 16 a 19/10/08 Mesa redonda: A arte como ferramenta de transformação social e desenvolvimento Expositores: Coco Romero, Fabio Junco, Manuel Andújar, Marcio Meirelles e Miguel Angel Estrella Coordenador: Rolando Goldman Realização: Secretaria de Cultura da Presidência da República da Argentina, Consejo Federal de Inversiones, Ente Cultural de Tucumán e organismos culturais das províncias argentinas. 18/10/08 San Miguel de Tucumán (Argentina) 1º ENCONTRO DE DIRIGENTES SUBNACIONAIS DE CULTURA DOS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL Organizador e participante 12/12/08 – Participantes: Deputado federal Dr. Rosinha (Presidente do Parlamento do Mercosul – ParlaSul), Marcelo Dantas (Diretor de Relações Internacionais do Ministério da Cultura – Brasil), Alexandre Padilha (Coordenador Nacional do Foro Consultivo de Municípios, Estados Federados, Províncias e Departamentos do Mercosul – FCCR – e Secretário de Assuntos
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Federativos da Presidência da República) Moderador: Albino Rubim (Presidente do Conselho Estadual de Cultura) 13/12/08 – Possibilidades de Cooperação Cultural para Estados Subnacionais no âmbito da América do Sul: Integração e fortalecimento da Economia da Cultura nos diversos níveis nacionais: Maria Alejandra Ungaro (Direção Geral das Indústrias Criativas da Cidade de Bueno Aires), Álvaro Garzón (Ministério de Cultura da Colômbia), Patricio Rivas (Coordenador da Área de Cultura do Convênio Andrés Bello) Implantação nos Estados de um Sistema de Informação Cultural integrado ao Sistema Nacional e ao do Mercosul: SICSUR – Sistema de Informações Culturais do Mercosul; Natalia Calcagno, coordenadora do SinCa Argentina; SNIC – Sistema Nacional de Informações Culturais; Pablo Martins (Ministério da Cultura do Brasil) Moderador: Paulo Miguez (Professor e Pesquisador da UFRB) Mecanismos de Financiamento da Cooperação: FOCEM – Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul; Conselheiro Reinaldo José de Almeida Salgado (Ministério das Relações Exteriores) Criação do Fundo de Co-produção Audiovisual do Mercosul: Ana Paula Santana (chefe de gabinete da Secretaria do Audiovisual, Ministério da Cultura do Brasil) Programas Transnacionais de Apoio à Cultura: Petrobrás, Caixa Econômica Federal, PDVSA, BNDES Organização: Secretaria de Cultura da Bahia 12 e 13/12/08 (SSA – Ba) IV REUNIÃO DO PLENO DO FCCR / MERCOSUL Participação Organização: Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e Governo do Estado da Bahia 15/12/08
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Muitas das apresentações, escritas para os catálogos de exposições ou de livros publicados, eram escritas por muitas mãos, da assessoria de comunicação e dos dirigentes dos órgãos mais ligados à matéria. Normalmente, quando era assim, eu editava a forma final. Quando eu escrevia o primeiro esboço, porque era um assunto com o qual tinha mais intimidade ou afinidade, a forma final passava por uma edição, proposta geralmente pela assessoria de comunicação. NASCIMENTO DO BRASIL NAÇÃO Catálogo da exposição A Bahia na época de D. João – A chegada da Corte Portuguesa-1808 Apresentação Realização: Museu de Arte da Bahia – IPAC/ Secretaria de Cultura do Estado da Bahia 09/03/08 Museu de Arte da Bahia (SSA – Ba) O UNIVERSO DE ECKENBERGER Catálogo da exposição Eckenberger – Obras 1965-2008 Apresentação Realização: Palacete das Artes – IPAC/Secretaria da Cultura do Estado da Bahia 18/04/08 Palacete das Artes (SSA – BA) JENNER Catálogo da exposição Jenner – da natureza em busca da cor Apresentação Realização: Palacete das Artes – IPAC/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia 05/08/08 Palacete das Artes (SSA – Ba)
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AINDA ALGUMAS ATIVIDADES REALIZADAS EM 2008
ARTÍSTICAS
O CINEMA QUE PENSA – CINEMA E FILOSOFIA Seminário Mesa: A idéia de um cinema latino americano nos aos 60 do século passado e o cinema de Glauber Rocha Participantes: Geraldo Sarno, Manuela Dias, Marcio Meirelles, Marcos Pierry, Pedro Paulo Rocha e Pola Ribeiro Mediador: Erik Rocha Organização: Erik Rocha e Paula Gaetan 14 e 15/03/08 Sala Walter da Silveira (SSA – Ba) A TRAJETÓRIA TEATRAL DE MARCIO MEIRELLES Participação como palestrante no ECUM (Encontro Mundial de Artes Cênicas) – Cena emergente: Diálogos com o futuro 15/03/08 Teatro Zélia Olguin (Contagem – MG) TEATRO DE GRUPO – ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA Prticipação no seminário como palestrante. 12 A 14/06/2008 Participantes: Carlos Carvalho (Centro de Pesquisa Teatral de Recife – PE) César Vieira (Grupo de Teatro União e Olho Vivo – SP) Chica Carelli (Teatro Vila Velha BA) Gordo Neto (Vila Vox - BA) José Delmo (Grupo de Arte Macuco – BA) Luís Fernando Lobo e Tuca Moraes (Cia Cena Aberta – RJ) Marcelo Bones (Grupo de Teatro Andante – MG) Romualdo Lisboa (Teatro Popular de Ilhéus – BA) Realização: Teatro Popular de Ilhéus 12/06/08 Casa dos Artistas (Ilhéus – Ba)
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CANTO GERAL Espetáculo comemorativo do Encontro da Cúpula do Mercosul e CALC Concepção, roteiro e direção geral: Marcio Meirelles Direção musical: Ramiro Musoto e Ricardo Castro Cenário: Miniusina de Criação Iluminação: Irma Vidal VJ: Gabiru Figurino da Orquestra 2 de Julho: Goia Lopes Direção de Palco: Cláudia Salomão Assistente de direção: Ciro Sales Direção de Produção: Cláudia Lima e Márcia Braga Produção: Janela do Mundo Design: Alessandro Vital Elenco: ngelo Flávio, Carlinhos Brown, Cecília Todd, Mercedes Sosa, Orquestra 2 de Julho (regente: Ricardo Castro), Ramiro Muzoto e Oquestra Sudaka e Suzana Baca Realização: Secretaria de Cultura da Bahia e MINC 17/12/08 Teatro Castro Alves (SSA – Ba)
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O espetáculo, depois da Abertura pela Orquestra 2 de Julho do Neojiba, começava com ngelo Flávio dizendo lindamente este texto:
A Bahia acolhe em seu peito Todos os povos indígenas As europas, áfricas e ásias Que construíram Esta América Estranha e total Aqui cantamos nossa carne de terra Os ossos minerais Nosso sangue intenso a desaguar nos mares que nos cercam Nossa alma vegetal O homem latino americano E a mulher que faz nascer esse homem Homem e mulher da américa Irmãos dos bichos peixes e pássaros Irmãos dos planaltos e montanhas Dos vales, florestas, caatingas É para vocês esse canto geral
Tinha a direção musical amalgamada por Ricardo Castro na condução da orquestra e de Ramiro Musoto que, em si, era o próprio canto geral. Entrevista sobre Ramiro Musotto para um site, livro ou blog, não tenho o registro de que publicação, mas feita por um argentino, como se pode ver pelo belo portunhol das perguntas.
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Cómo foi que conheceu ao Ramiro Musotto e sua música? - Conheci Ramiro nos ensaios de um show de Daniela Mercury, que dirigi. Ele tocava em sua banda. Que representaba para o Senhor que Musotto, sendo argentino, tivesse tanto trabalho com generos e figuras culturaes da historia do Brasil? Falo da sua incorporacao de sons como trechos de films de Glauber Rocha dentro da suas musicas, como um exemplo posibel de esta forma dele de misturar musica e cultura: - A obra de Ramiro é uma síntese da América Latina. Por isso convidei-o para participar do show “Canto Geral” espetáculo montado para o encontro dos presidentes dos países da América Latina e Caribe, que aconteceu na Bahia, em 2008. Neste espetáculo estavam Mercedes Sosa (Argentina), Suzana Baka (Peru), Cecília Todd (Venezuela) e Carlinhos Brown (Brasil), com a Orquestra Juvenil 2 de julho e o grupo de Ramiro, o Sudaka. Lembro que sentamos para imaginar o show. Contei o que gostaria de fazer – um canto de amor ao nosso continente como o poema de Neruda que nos emprestou o nome – e decidimos juntos o repertório que ele apresentaria e a quem convidar. Durante os ensaios, conversamos muito e ele me ajudou a resolver coisas que dependiam de um conhecimento profundo daquelas sonoridades que juntamos ali. Ele me ensinou coisas. Em sua obra estão muitos sons e ritmos tradicionais de várias culturas com as quais conviveu. Sons recriados em novas tecnologias, várias linguagens dialogando musicalmente. Os trechos do filme de Glauber, o tratamento visual dos instrumentos e dos músicos junto com os cantos indígenas e outros sons sampleados, tudo se harmoniza e vira uma música.
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Tenho entendido que voce tinha aprecio por ele, pode contar que unia o sr com a figura e a obra de Musotto? - Não convivemos muito, o que lamento. Trabalhamos em alguns espetáculos. Dois de Daniela e o “Canto Geral”. Uma vez ele me procurou para mostrar seu show mais autoral no Teatro Vila Velha, onde eu trabalhava. Apresentei Ramiro aos coordenadores do teatro e ele fez um dos espetáculos mais bonitos de música que vi ali. E era assim. Sempre que nos encontrávamos era muito bom. Como irmãos que se reencontram. Irmãos nascidos em países diferentes, mas na mesma América. Compartilhávamos principalmente isso. Uma curiosidade e um compromisso com nossos outros irmãos. O que sempre ví nele foi um desejo e uma capacidade de unir o que sempre se mostrou pronto para estar junto. Para nos, como argentinos, nao deijaba de ser interesante e ate sorprendente como ele solia ser escolhido para ser parte de eventos culturales organizados pelo governo brasileiro, tanto en Salvador como no Rio. Qué é o que tinha seu show e sua música como para que ele fosse oficialmente escolhido para eventos como o que compartilho o ano pasado com Nana Vasconcelos en Salvador? - Isso a capacidade de estar junto e compartilhar generosamente o que guardava em seus ouvidos e seus olhos. A qualidade de ser brasileiro sem deixar de ser tudo o que era. O talento especial e a capacidade de descobrir a excelência em tudo que tocava. Qué o que acha com aquela frase que se dizia dele, como que era o milagre argentino, por ter tido sucesso como percusionista inicialmente, dentro de um pais da percusao como Brasil e mais particularmente na Bahia?
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- Quem tem a sua capacidade de ensinar, tem a capacidade de aprender. A sua generosidade o tornava permeável o suficiene para assimilar o melhor do mundo. Pode contar o projeto de publicar o livro dele sobre berimbau? Pode contar mais sobre o conteudo do livro e qué importancia acha que tem para a cultura brasileira? - Infelizmente não conheço o livro. Mas conhecendo Ramiro, sei que sua publicação será muito importante para a música.
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2009
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GOVERNANTES 68o prefeito João Henrique Carneiro . Partido Democrático Trabalhista (pdt) 2009 a 2012 50o governador Jaques Wagner . Partido dos Trabalhadores (pt) 2007 a 2011 35o presidente Luiz Inácio Lula Da Silva . Partido dos Trabalhadores (pt) 2003 a 2011
O Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Ainda que não seja um bloco econômico, o BRICS, formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que representam cerca de 42% da população, 23% do PIB, 30% do território e 18% do comércio mundial, tem por objetivo realizar cooperação em diversas áreas.
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SECRETARIA DE CULTURA – ANO TRÊS Em breve, narrativa reflexiva sobre o ano de 2009, terceiro da gestão na secretaria, que seria o mais tranquilo, porque o único com uma familiaridade já estabelecida com a máquina e um ano não eleitoral – 2007, ano de chegada e início de implantação de mudanças; 2008, ano de eleições municipais e seus caprichos; 2009, políticas já implantadas e minimamente azeitadas para funcionar; 2010, ano de eleições estaduais e federais e todo o caos a ser administrado – Entretanto, em 2009, que seeria o de calmaria e bonança entre as tempestades, foi o mais turbulento: houve uma crise econômica mundial, com reflexos atenuados no Brasil, mas ainda assim importantes, que dificultaram o desenvolvimento das políticas e planejamento previstos. A principal ação desse ano foi a III Conferência Estadual de Cultura da Bahia. Com todas as conferências preparatórias: as territoriais, precedidas pelas municipais, e as setoriais, que davam conta das linguagens artísticas e de setores como cultura popular, memória, economia da cultura, etc. Com isso foram mobilizadas em torno de 50 mil pessoas, para discutir, e propor caminhos para as políticas públicas de cultura da Bahia. Aqui o pronunciamento feito na cerimônia de abertura da III Conferência, organizada pela Secretaria de Cultura e realizada em Ilhéus, em 2009, onde foi discutido o tema Cultura, diversidade, cidadania e desenvolvimento, e apresentado o projeto da Lei Orgânica da Cultura do Estado da Bahia, para apreciação e revisão por grupos de trabalho, organizados entre os participantes:
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Quero saudar todo mundo, agradecer a presença. Vamos ter muito trabalho nesses três dias. Quero saudar a mesa, na pessoa do governador Jacques Wagner, que me deu esta incumbência, que me convocou para fazer na Bahia, para trazer para a Bahia, na verdade, o que o Ministério Gil e Juca tinham feito no Brasil. E quero saudar aqui o ministro Juca Ferreira. O que aconteceu no Brasil a partir do governo Lula foi uma transformação comportamental em relação à cultura. O Estado brasileiro passou a reconhecer que a cultura é um direito de todo cidadão, portanto, que o Estado brasileiro tem que garantir a todo cidadão o acesso aos meios de produção e difusão e aos bens produzidos. No entanto, não existe ainda uma legislação, não existem marcos legais para que isso aconteça, e o Ministério tem trabalhado incansavelmente na institucionalização da cultura no Brasil. Essas leis de que o deputado Zezeu falou aqui – e saúdo a ele e a todos os deputados presentes – são um conjunto de leis que irão institucionalizar a cultura como uma política de Estado, e é absolutamente necessário que elas sejam votadas. Eu quero agradecer ao Ministério, agradecer a Juca por tudo isso, principalmente pela PEC 150, e ao deputado Zezeu, um dos seus autores, pois ela estabelece no orçamento uma vinculação orçamentária para a cultura. Não é possível construir um sistema sem uma vinculação orçamentária que o irrigue; todas as outras pastas que têm sistemas, que trabalham a partir de sistemas, são aquelas que dão atendimento a um serviço público, como saúde, educação e desenvolvimento social, e elas têm seus orçamentos vinculados, porque só assim é possível trabalhar conjuntamente construindo um pacto federativo e também na área da cultura.
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Então, este é um conjunto de leis que cria um organismo cultural para o Estado brasileiro, que cria uma inteligência, uma cabeça voltada para o plano da cultura, que cria um corpo constituído pelo sistema, e cria a irrigação desse corpo com a vinculação orçamentária. Desta forma, realmente, o ministro Gil nos deu mais uma vez regra e compasso. Eu comentava com o ministro Juca, antes de começarmos, que ele fez com a política brasileira, com a política cultural brasileira, o que o tropicalismo fez com o Brasil nos anos 60, 70: uma revolução que eu acredito permanente, uma revolução identitária, uma revolução em que a gente se reconhece cidadão deste país a partir de nossa cultura, de nossa diversidade. A luta nesta direção é muito grande, e a gente tem feito isso no Brasil, na Bahia, a gente tem visto isso na Bahia. Por esta razão chegamos até aqui, para mudar as coisas, para reconhecer que cada cidadão é produtor de cultura, e que todos eles e todos os municípios têm que ter o mesmo olhar da Secretaria, o olhar do seu estado e fazer um trabalho conjunto. Então, eu quero agradecer muito a ngela Andrade e toda a sua equipe da Superintendência de Desenvolvimento da Cultura e aos 27 representantes territoriais, que aqui estiveram na frente, lutando por toda essa mobilização. Eles são a nossa arma secreta, eles são aqueles que conseguem fazer com que isso aqui aconteça, no dia a dia, no corpo a corpo. Quero agradecer também saudando Normelita e Marcelo Corso, presidente e vice-presidente do Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura, porque eles também formam essa rede, formam esse tecido cultural, esse tecido político na Bahia. Cada território tem o seu representante no Fórum de Dirigentes Municipais e eles são parceiros que têm nos ajudado a construir esse momento.
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A 2ª Conferência foi um sucesso, foi o primeiro grito que a gente ouviu na Bahia, e a Bahia atendeu a esse grito com o movimento da cultura, e de diversas formas. Todas as resoluções construídas na 2ª Conferência nos orientaram nesses dois anos de trabalho, e a principal delas, a principal reivindicação da maioria dos territórios dos municípios era a qualificação da gestão da cultura, e nós temos trabalhado incessantemente nisto, fortalecendo as gestões municipais, fortalecendo a produção cultural, os produtores culturais, o que gerou uma demanda qualificada. Nós passamos de 400 e poucos projetos recebidos anualmente para 1.710 projetos. Não é pouca coisa essa mudança. Dos 3.000 projetos recebidos nos 11 estados – os microprojetos culturais – 1.000 são da Bahia, ou seja, a Bahia, com a demanda qualificada, apresenta um terço dos projetos propostos para o edital de microprojetos culturais. Isto não é pouca coisa e nem sempre foi assim, este é um trabalho incansável de todos nós, de toda a Secretaria, do governo Wagner, das outras secretarias que também têm nos ajudado transversalmente a construir esse momento. Então, são três dias de muito trabalho, são três dias que irão nos nortear por mais tempo na condução desse processo. Nós vamos levar todas essas demandas, toda essa construção de diretrizes para o nosso trabalho, para a Conferência Nacional, tendo a certeza de que estamos construindo um processo irreversível na Bahia. Muito obrigado a todos vocês que têm colaborado com esse trabalho.
Marcio Meirelles . Secretário de Cultura do Estado da Bahia
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ALGUMAS AÇÕES E ATIVIDADES COMO SECRETÁRIO DE CULTURA DO ESTADO DA BAHIA EM 2009 Os programas de fomento, Carnaval Ouro Negro e Carnaval Pipoca, foram se aperfeiçoando. LANÇAMENTO DO CATÁLOGO CARNAVAL OURO NEGRO 10 fevereiro 2009 LOCAL: Teatro Castro Alves, no bairro do Campo Grande, em Salvador. DATA: 11.02.09 (quarta-feira) HORÁRIO: 20h15 O QUE É: Lançamento do catálogo “Carnaval Ouro Negro”. INFORMAÇÕES ADICIONAIS: LANÇAMENTO: Contará com a participação do secretário de cultura Márcio Meirelles, do secretário de turismo Domingos Leonelli e dos dirigentes dos blocos de matriz africana que integram o programa, além de artistas, intelectuais e representantes do movimento negro. CATÁLOGO: Com 208 páginas de fotos coloridas e textos (em português e inglês), a publicação tem informações sobre os 117 blocos carnavalescos de matriz africana apoiados pelo programa Carnaval Ouro Negro, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult). Elaborado com ajuda do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá) e da Secretaria de Turismo (Setur), o catálogo traz ainda elementos sobre as ações sociais desenvolvidas, durante todo o ano, pelas entidades carnavalescas nas comunidades onde estão instaladas. Atividades como oficinas, cursos e aulas de línguas, informática, dança afro, entre outras, são mantidas em comunidades de baixa renda e bairros populares, o que demonstra a importância da atuação desses blocos no cotidiano das pessoas. A distribuição do catálogo será realizada antes e
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depois do Carnaval, para agências de viagens, hotéis, jornais e revistas especializados, entre outros públicos, do Brasil e do exterior. OBJETIVO: Promover e dar visibilidade aos blocos de matriz africana, atraindo novos foliões e patrocinadores para os desfiles dessas entidades, responsáveis por grande parte da riqueza e da diversidade cultural que encanta turistas e baianos na maior festa popular do mundo. FORMA: As informações sobre os afoxés e os blocos afro, de índio, de samba, de percussão e de reggae estão organizadas de forma cronológica, divididas por segmento, compondo um panorama de como a cultura negra foi se inserindo nas festividades da capital baiana. Cada um dos seis capítulos abre com um texto histórico sobre o segmento abordado. Uma das seções é dedicada à homenagem dos grandes mestres populares da cultura afrobaiana, por suas contribuições à riqueza da folia momesca. Entre os mestres populares escolhidos para representar os inúmeros outros estão: o carnavalesco Nelson Maleiro (1909-1982), a estilista Dete Lima (do Ilê Aiyê), o percussionista Neguinho do Samba (da Didá), o músico Mestre Erenilton (dos Filhos de Korin Efan) e o artista plástico J. Cunha. PROGRAMA: O Programa Carnaval Ouro Negro apóia, pelo segundo ano consecutivo, o desfile dos blocos de matriz africana no carnaval. São 117 entidades, entre afoxés e blocos afros de samba, de reggae, de índio e de percussão, que já começaram a receber recursos que variam de R$ 15 mil a R$ 100 mil para cada bloco. Só nesse programa, o governo está investindo R$ 4,2 milhões, número superior aos R$ 3,6 milhões repassados em 2008 para as 104 agremiações que participaram do primeiro ano do programa. Este ano, 12 blocos de percussão passaram
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a integrar o Carnaval Ouro Negro. Os afoxés, homenageados oficiais do Carnaval 2009, receberam R$ 10 mil a mais do que em 2008, através de uma parceria entre a Secult e o Ingá. A partir de abril de 2009, um curso de capacitação em gestão cultural, voltado para os dirigentes dos blocos e realizado em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), vai fornecer subsídios para a elaboração de projetos, prestação de contas, financiamentos culturais, estratégias de negociação e produção cultural, além de traçar um plano coletivo com vistas a possíveis patrocinadores do desfile dos blocos a partir do Carnaval de 2010. AÇÕES: A presença do Governo do Estado no Carnaval deste ano se dará por meio das ações de diversas secretarias, que estarão trabalhando em prol da satisfação de turistas e baianos que aproveitam a maior festa popular do mundo. O investimento total destas ações é de R$ 46 milhões. Seguem abaixo algumas destas iniciativas: Segurança Pública: Para garantir a segurança durante a festa, serão investidos R$ 21,5 milhões. Um efetivo de 22.940 homens estará trabalhando, entre policiais civis e militares e bombeiros em todo o estado. Salvador concentra o maior contingente com 16.207 policiais, distribuídos nos três circuitos oficiais da festa e nos bairros de Itapuã, Cajazeiras, Pau da Lima, Periperi, Liberdade e Plataforma. Além disso, o Carnaval da cidade este ano contará com 1.400 rádios de comunicação, sendo 400 com GPS, possibilitando a localização dos policiais no circuito e 117 câmeras, sendo 66 com transmissão on line para a Central de Informações da Superintendência de Inteligência. Turismo: Recursos no valor de R$ 10,6 milhões serão aplicados no receptivo especial da festa, incluindo 500 guias do Carnaval, disque turista 24 horas em três idiomas, 150
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pontos de informações turísticas na capital, patrocínio de entidades carnavalescas e de emissoras de TV, rádio e jornais impressos. Pelourinho: O circuito Batatinha será todo decorado sob a temática dos afoxés e o Pelourinho Cultural homenageará os 60 anos dos Filhos de Gandhy. Com um investimento de R$ 1 milhão, a festa terá mais de 80 atrações dos diversos ritmos brasileiros e uma rica programação infantil. A segurança será reforçada no local, com o apoio da polícia montada, Esquadrão Águi e da Rondesp. Durante a festa, 16 integrantes da brigada de limpeza do Pelourinho Cultural farão a coleta de garrafas e latas para reciclagem. Saúde: Além da intensificação do atendimento da rede pública hospitalar e do reforço nas unidades de emergência, haverá um foco nas ações de prevenção a DSTs, AIDS e dengue. Seis hospitais e cinco unidades de emergência trabalharão sob regime de plantão, com escala extra. As ações somadas chegam a um investimento total que ultrapassa R$ 2 milhões. Informações: Uma parceria entre a Ouvidoria, a Setur e a Secretaria da Saúde (Sesab) prestará informações durante 24 horas, através de um número 0800, sobre a folia para turistas e baianos. Além disso, existe o número para que o folião possa saber se foi encontrado seu documento perdido durante a festa. A TVE e Rádio Educadora oferecerão mais conteúdo, serviços e interatividade, com mais de 60 horas de transmissão ao vivo e flashes durante a programação. As transmissões acontecem entre os dias 19 e 24 deste mês. O foco da transmissão será o Carnaval Ouro Negro, mas terão flashes ao vivo dos circuitos Dodô e Osmar. Trabalho infantil: O Governo, através da Sedes está investindo
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R$ 379,5 mil em ações de combate ao trabalho infantil, combate a exploração sexual infanto-juvenil e ações de prevenção da Defesa Civil. A Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) está investindo R$ 40 mil no apoio às ações de movimentos sociais de promoção da igualdade e na “Folia Abrigada”, promovida pelas Voluntárias Sociais. Folião pipoca: Através da Secretaria de Cultura, o governo vai investir R$ 10 milhões, apostando na participação popular e na oferta das atrações de qualidade para o folião pipoca. O Projeto Carnaval Pipoca vai levar aos dois circuitos principais da folia 20 desfiles, com nomes importantes do cenário nacional, além de garantir o pagamento dos cachês de 100 artistas que se apresentam em trios e palcos instalados nos bairros pela Prefeitura de Salvador. Só para o Carnaval Pipoca são R$ 3,3 milhões, incluindo aí recursos da Embasa e Bahiagás. Esse ano, os cachês dos artistas de palcos variam de R$ 3,5 mil a R$ 7 mil e os que se apresentam nos trios recebem entre R$11 mil e R$ 18 mil. Trios: Pela primeira vez, foram licitados quatro trios elétricos que vão ampliar a participação do folião pipoca na festa. O carro-chefe da programação é o trio “Novos baianos 40 anos”, que reunirá Paulinho Boca de Cantor, Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Galvão, nos circuitos Dodô e Osmar. Além desse, haverá o trio do samba, com Edil Pacheco e convidados e o trio “Samba do Recôncavo”, puxado por Mariene de Castro, desfilando também nos dois circuitos. O trio “Rock Novas tendências” traz para o circuito oficial, pela primeira vez, o “Retrofolia, o baile de Carnaval dos retrofoguetes”, que animou o Rio Vermelho ano passado. Catadores: Através da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o Governo do Estado está investindo
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R$ 612 mil numa ação voltada para 2.200 catadores de material reciclável durante o Carnaval. Durante os dias de festa, são fornecidas alimentação, fardamento, qualificação e até concessão de microcrédito (CrediBahia) para a associação de catadores.
http://www.bahia.ba.gov.br/2009/02/noticias/cultura/lancamento-do-catalogocarnaval-ouro-negro/ 1º ENCONTRO/2009 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA e 1º ENCONTRO DOS FORUNS NACIONAIS DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE CULTURA E DE CONSELHOS DE CULTURA Participação Organização: Secretaria de Educação e Cultura de Brasília Brasília (DF) 2º ENCONTRO/2009 DO FÓRUM DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA – NORDESTE Participação Organização: Secretaria de Cultura do Ceará Fortaleza (CE) 2º ENCONTRO/2009 DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS E DIRIGENTES DE ÓRGÃOS ESTADUAIS DE CULTURA Participação Organização: Fundarpe 04 e 05/06/09 Olinda (PE)
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V ENCONTRO NACIONAL REDEMOINHO Mesa: Antonio Lins (Fundação Gregório de Mattos/Prefeitura de Salvador) – não compareceu – Carlos Carvalho (Fundarpe/PE), Marcelo Bones (Funarte/ MINC), Marcio Meirelles (SECULT/BA), Ney Wendel (Funceb/BA) e Roberto Nascimento (Secretaria de Fomento à Cultura/MINC) – 25/03/09 23 a 25/03/09 Teatro Vila Velha (SSA – BA) SEMINÁRIO EDITAIS DE CULTURA Mesa: Mecanismos de regionalização, acesso e circulação. Américo Córdula (Secretaria da Identidade e Diversidade/MINC), Projeto Circulação (SECOM/Presidência da República, SESI, BNB) e Marcio Meirelles (SECULT/BA) – 21/05/09 Mesa: Cultura e desenvolvimento. Antonio Carlos Brito Maciel (Confederação Nacional da Indústria), Biágio Mendes Júnior (Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste/ BNB), José Luiz Erência (Secretaria de Políticas Culturais/MINC), Lia Calabre (Fundação Casa deRuy Barbosa/MINC), Luciane Gorgulho (Departamento de Cultura, Entretenimento e Turismo/BNDS), Márcio Caetano (Fórum Nacional de Secretárias de Cultura Municipais), Márcio Meirelles (SECULT/ BA), Tânia Bacelar (Economista, técnica em planejamento) e Tarciana Portela (Representação Regional do MINC Nordeste) 21 e 22/05/09 Auditório do Banco do Nordeste (Recife – PE) V ENECULT (ENCONTRO DE ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES EM CULTURA) Saudação na Mesa de Abertura Realização: CULT/UFBA 27 a 29/05/09 Salão Nobre da Reitoria da UFBA (Salvador – BA)
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AINDA ALGUMA ATIVIDADE ARTÍSTICA REALIZADA EM 2009 BRASIL/SENEGAL Espetáculo de lançamento do FESMAN (Festival de Arte Negra do Senegal) e do Selo Comemorativo da Capoeira, pelos Correios – com as presenças dos Presidentes do Brasil e do Senegal. Concepção e direção geral: Marcio Meirelles Co-direção: Zebrinha Direção musical: Jarbas Bittencourt Cenário: Zuarte Iluminação: Fernanda Paquelet Elenco: Afoxé Filhos de Gandhy, Balé Folclórico da Bahia, Balé Nacional do Senegal, Carlinhos Brown, Cortejo Afro, Fréres Guissé (Senegal), Gilberto Gil, Grupo Gege Nagô, Ilê Ayê, Lazzo Matumbi e Margareth Menezes Realização: MINC 25/05/09 Teatro Castro Alves (SSA – BA)
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GOVERNANTES 68o prefeito João Henrique Carneiro . Partido Democrático Trabalhista (pdt) 2009 a 2012 50o governador Jaques Wagner . Partido dos Trabalhadores (pt) 2007 a 2011 35o presidente Luiz Inácio Lula Da Silva . Partido dos Trabalhadores (pt) 2003 a 2011
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi preso pela Policia Federal acusado de corrupção. Em virtude da grande aprovação do governo do PT, Dilma Rousseff foi eleita presidente da República, a primeira mulher a assumir o cargo.
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UM NOVO FATO TEATRAL NA BAHIA Posso dizer que um dos maiores acontecimentos teatrais da Bahia nos últimos anos foi o surgimento do Festival de Teatro do Subúrbio, portanto, do Coletivo de Produtores Culturais do Subúrbio. Aí tem um sopro de vida para o teatro baiano. Não é exatamente uma revolução estética, é um sentido de urgência, uma demonstração da necessidade da linguagem, da expressão cênica para a sociedade baiana. Nós, do centro, do circuito cultural hegemônico, temos abandonado cada vez mais as plateias das peças produzidas por nossos pares. Como motivo desse esvaziamento pode ser citado o medo da violência urbana, o sentimento de insegurança, angustiante para a sociedade que evita sair à noite, ou o custo dos ingressos... Mas os estádios de futebol, os shows musicais, os ensaios de blocos carnavalescos e outros eventos públicos noturnos continuam cheios de gente. Podemos argumentar, em resposta, que nossa ânsia pela espetacularidade, nossas necessidades estéticas, nosso desejo de contato social e debate, para serem satisfeitos, vencem a questão econômica e as ameaças que rondam as grandes cidades. Então, o desinteresse pelo que está sendo mostrado ali deve ser, em grande parte, a causa do abandono das salas do teatro produzido no centro. Sejam pesquisas estéticas contemporâneas, sejam reafirmações de cânones clássicos ou tradicionais, sejam cópias provincianas do teatro cosmopolita do sul ou do estrangeiro, o que está sendo mostrado não nos faz vencer os obstáculos para compartilharmos uma plateia de teatro. E os índices percentuais de ocupação das plateias continuam baixos, as temporadas continuam diminuindo.
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Com algumas exceções. Nós, do centro, nos perguntamos preconceituosamente: se o teatro não tem sido para nós um item da cesta básica, por que então os jovens da periferia têm se interessado por ele, quando faltam tantos itens nas suas? Aí está. Porque para a periferia o teatro ainda é, e cada vez mais, uma plataforma de debate político. Um debate racial e socialmente afirmativo: Queremos ser vistos, queremos ter voz, queremos dizer e ouvir o que pensamos sobre o mundo. E através de todas as formas e linguagens possíveis: rap, hip hop, grafite, literatura, dança, audiovisual e teatro. E queremos ter o controle sobre as formas de produção e distribuição de nossos discursos. As tecnologias de comunicação do século XXI permitem isto. Para o teatro, arte e linguagem coletiva, precisamos criar coletivos de produtores, não só de artistas. É o que podemos ouvir desse movimento. E viva o teatro vivo e pulsante e todas as experiências e descobertas estéticas e as reinvenções em processos que esses grupos estão propondo, porque podem revitalizar o teatro como necessidade humana de expressão. Neste sentido, é um passo adiante na experiência do Bando de Teatro Olodum – parceiro e admirador desse movimento. Se, nos anos 90, construímos um grupo por uma necessidade estética que se transformou num projeto político, fizemos isto a partir do centro: do Olodum, que estava consagrado e institucionalizado, e da carreira de alguns artistas, inclusive eu, também já estabelecidos e reconhecidos pelo centro. Mesmo que eu tenha deixado de lado a estética cênica que vinha desenvolvendo. Mesmo que tenha esquecido as minhas,
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para perceber e entender as experiências oriundas dos grupos amadores e militantes dos quais vieram aqueles candidatos para formar um grupo de teatro negro. Mesmo que tenha abandonado a minha para construir uma metodologia de trabalho que fosse reflexo da diversidade de experiências que se apresentavam ali. Mesmo que, para construirmos uma estética própria e nova para todos nós, do centro e da periferia, tenha sido determinante misturarmos as contribuições de todos nós. Ainda assim a produção era central, era nossa, dos coordenadores do grupo: Chica Carelli, Maria Eugênia Milet, Leda Ornelas e depois, substituindo as duas últimas, Zebrinha e Jarbas Bittencourt e eu. Aos poucos é que os atores passaram a participar da produção, embora sempre todos tivessem tido voz nas decisões. O Coletivo de Produtores Culturais do Subúrbio inverteu a ordem. Eles produzem vários grupos e eventos geradores de fatos estéticos, eles ocupam a mídia central a partir de seu território. Eles mostram a importância que o teatro feito por eles tem para seus bairros e suas comunidades. E são capazes também de produzir no centro, como é o caso da última edição do A cena tá preta, realizado pelo teatro Vila Velha/Bando de Teatro Olodum. O fato ético e político já se estabeleceu, o estético vem junto. A comunhão da assembleia e do orador para partilhar o mesmo discurso está acontecendo. As estratégias poéticas e linguísticas para gerar o fato cênico a ser partilhado estão em construção como a justiça na sociedade brasileira. marcio meirelles diretor do Bando de Teatro Olodum Rio, 05 de dezembro de 2010.
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ATIVIDADES ARTÍSTICAS EM 2010 BANDO DE TEATRO OLODUM – DEPOIS DO INTERVALO – ANO VINTE TEMPO – SENHOR SOBERANO “É do tempo que quero falar. De como dispomos do tempo. De como somos ansiosos em relação a ele. De como nós não sabemos mais viver o tempo, todo o tempo que o tempo tem. É preciso calma para se fruírem as coisas, do jeito que as coisas são.” marcio meirelles . 09/06/1998 Durante o processo de montagem de BENÇA, arrumando arquivos, encontrei este início do que seria – e nunca foi – artigo para um jornal: 1998. Para comemorar os 10 anos do Bando, montamos um projeto chamado RESPEITO AOS MAIS VELHOS, que envolveria a gravação de depoimentos e histórias de pessoas idosas, que são lideranças e patrimônio das comunidades de santo, de capoeira, de quilombos, para gerar um espetáculo e obras audiovisuais. Não realizamos o projeto naquele momento: 2000. Sou convidado para ser secretário de Cultura. O Bando retoma o projeto – sem mim – inscreve-se num edital da Petrobras e é contemplado. Depois de ÁFRICAS, dirigido por Chica, que fala, para crianças e adolescentes, de nossos ancestrais, um projeto com e sobre eles. Uma homenagem ao tempo: 2007. O Bando completa 20 anos. Conclusão do projeto RESPEITO
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AOS MAIS VELHOS: a montagem de um espetáculo, resultado da pesquisa e do processo: 2010. ________________ Desde que assumi o cargo de secretário de Cultura do Estado da Bahia, declaro publicamente ser do Bando. Sempre deixei muito claro que minha função não atrapalharia o grupo, nem este, a minha função. Não seria possível deixar pra trás o que comecei há 20 anos e que, de alguma forma, contribuiu para que fosse convidado a assumir a pasta. O Bando começou antes, em 1986, com o Projeto Teatro – quando a Prefeitura de Salvador tinha uma política cultural e uma atuação na área que, esperamos, volte a ter. Mas, de fato, foi antes ainda: quando minha ansiedade de artista buscava um teatro baiano. Um teatro com códigos, sotaque, estilo e forma que o identificasse com a Bahia. Esse teatro que buscava levou-me a conseguir e me fez desistir de um estágio em um grupo em Nova York. E me fez voltar oito meses antes pra casa. O teatro americano é forte porque é necessário lá. Porque representa aquele povo, é parte de sua identidade e economia. Precisávamos de algo assim, aqui, nosso. Era o que eu buscava, e voltei. E foi entre os negros que encontrei a possibilidade de. Foi na constatação de que havia algo estranho numa cidade com mais de 80% da população negra que não tem uma dramaturgia que represente essa maioria, onde essa maioria não se reflete no percentual dos elencos sobre os palcos, onde os ritos, os folguedos, os ritmos e as questões dessa maioria não virou teatro. Era preciso que fosse feito.
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Teve muita gente envolvida para que acontecesse: Mãe Hilda, Makota Valdina, Vovô de Ilê, João Jorge, Isa Trigo, ngela Andrade, Maria Eugênia Milet, Leda Ornelas, Roberto Dias, João Santana, Gilberto Gil, Chica Carelli, Neguinho do Samba são algumas delas, mas tem muito mais. Depois vieram os atores. Que atores? Pessoas com vontade de fazer teatro, com algum talento e comprometidas com questões negras. Trinta delas foram selecionadas, entre quase 100, para fazer a primeira oficina de teatro, que incluía dança, canto, percussão e improvisação. Não era exigida nenhuma técnica de representação. Queríamos descobrir como seria a nossa. A surpresa para nós, artistas do centro, é que existia uma rede enorme de teatro na periferia. Muitos grupos, muitos talentos e muitas formas de expressão. Muitas maneiras de representar as paixões e os sentimentos e muitas outras de refletir cenicamente sobre o mundo, sobre a sociedade e seus conflitos. Muitas formas de rir e chorar. E, nos mostrando toda essa riqueza, estavam ali os 30 escolhidos para a primeira oficina de seleção de atores do que seria o BANDO DE TEATRO OLODUM. Isto foi em outubro de 1990. Brincadeira com o nome bando – de natureza depreciativa – e a Banda do Olodum. Uma provocação para dizer que um bando de negros sempre é temido, porque de alguma maneira a sociedade sabe onde colocou seus negros e sabe que irão reagir algum dia, de alguma forma, principalmente se estiverem armados. E nossa arma era ter voz. Ter voz e uma necessidade imensa de falar, não só por nós, mas pelos 80% da população de nossa cidade que não estão no palco nem em lugar nenhum, mas invisibilizados por uma história perversa. Então, o Bando foi isso. Poderia ter sido diferente. Seria de
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qualquer maneira. Um grupo de artistas negros subiria nos palcos do país de Pindorama para dizer que esse país é negro também. E passar a falar deste ponto de vista. O que já estava acontecendo em outros setores – da música, da poesia, da academia, da política, aos poucos e com muitas barreiras a serem transpostas – no teatro aconteceria. Mas fomos nós e foi assim. Tomamos de assalto os palcos do Brasil. De surpresa. Ali tinha um jeito negro de representar. Inesperado. Esta era a novidade: a verdade cênica daquele grupo sempre foi o compromisso com o que era dito. Caetano Veloso, Paulo Betti, Regina Casé, Mário Lago e outros foram ver o grupo no Rio. Chancelaram. E a Bahia reconheceu que ali estava um grupo de artistas. Que aquele era um projeto estético e político. Que ali estavam atores representando, ou seja, dando seu testemunho, e não ex-meninos de rua, prostitutas e drogados, como os jornais baianos da época classificaram aquele bando. E que, ainda hoje, pesquisadores repetem, pois suas fontes secundárias disseram isto. Foram 20 anos de desafios novos a cada montagem, a cada novo projeto. Cantar, tocar, dançar, fazer clássicos, Brecht, aprofundar os conhecimentos dos ritos, Müller, Büchner, usar novas tecnologias, Shakespeare, cordel, cinema, dialogar, televisão, produzir... E o desafio de sobreviver financeiramente. O Olodum, parceiro do início, nos disse claramente que o Bando era um projeto nosso – apesar de ter registrado a marca Bando de Teatro Olodum – e que nos daria todo o apoio institucional, mas que deveríamos captar recursos para desenvolver nosso trabalho. O que foi bom, porque nos deu sempre a liberdade
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necessária para crescer e, inclusive, um dia, sair para um voo institucionalmente independente. O que foi feito: o Bando hoje é uma pessoa jurídica. Os recursos do Bando sempre vieram de seu trabalho, da bilheteria, de apoios, de projetos desenvolvidos e de serviços prestados. Sempre dividimos o resultado financeiro de nossos esforços entre nós, reservando uma parte para o grupo e, algumas vezes, o resultado da bilheteria de um espetáculo produziu o outro. Dos 27 espetáculos que fizemos, apenas dois foram patrocinados: ZUMBI ESTÁ VIVO E CONTINUA LUTANDO, pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, e ÓPERA DE TRÊS REAIS, pela Coelba. O deputado federal Luís Alberto também nos apoiou, propondo emendas orçamentárias parlamentares para a Fundação Palmares destinadas a vários projetos do Bando, inclusive o de sua qualificação administrativa. Isto nos ajudou a formar um grupo de produção, fato que mudou positivamente nossos rumos. O filme Ó PAI, Ó! e a série televisiva trouxeram recursos financeiros e maior visibilidade midiática nacional ao Bando. Depois, veio o primeiro apoio via edital – antes concorremos e perdemos vários – recursos por dois anos para desenvolver as ações continuadas do grupo: apresentação de repertório, ações formativas, pesquisa e montagem. Quando Chica me disse que era preciso começar os ensaios do espetáculo, conclusão do projeto vencedor do edital da Petrobras, me perguntei se era justo que eu não estivesse junto. E pedi pra dirigir, como voluntário, sem remuneração, já que eu não estava na planilha nem na proposta. Chica, Jarbas e Zebrinha foram extremamente generosos, tocando os ensaios
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quando eu não podia estar. E foram muitos. Os atores foram extremamente generosos, esperando pelo diretor, muitas vezes ausente fisicamente, mas que tinha deixado uma tarefa muito complicada para eles resolverem. A tarefa era a proposta nova para todos nós. Não seria bom que não encarássemos outro desafio, arriscássemos alguma coisa que ainda não tínhamos feito, que não recomeçássemos nesse vigésimo passo cronológico. O teatro, os grupos, os artistas, principalmente aqueles que têm uma atuação política – e são todos, mesmo os que não pensam estar tendo – estão fadados à decadência se não se reinventarem. Já dizia Glauber que revolucionários são os processos, não os resultados. Não é possível reproduzir coisas que sabemos fazer e querer que o mundo mude, que a humanidade seja melhor. É preciso estar mudando sempre para que as coisas se transformem também. Nunca satisfeitos com as conquistas, buscar novos pontos de equilíbrio, desestruturar as certezas a cada dia com novas questões. O teatro usa a representação da fábula como suporte para fazer seu discurso. Mas o cinema e a televisão se apropriaram desse suporte de maneira brutal, em escala industrial. O teatro precisa descobrir novos suportes. No século XXI, século da fragmentação, da busca pela fidelidade do consumidor, das comunidades das redes, do contraditório diálogo entre global e tribal, talvez seja impossível pensar num teatro, como o de Shakespeare, que discuta a sociedade com ela própria, com todos os agentes capazes de interferir em seus destinos. Que reúna em sua assembleia elites e trabalhadores, intelectuais e pré-letrados, poderes e quereres. É preciso construir novas dramaturgias – falo de estruturas
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narrativas que dão suporte ao fato cênico – e tenho visto várias tentativas nesse sentido: uso de tecnologias, empréstimo de elementos de outras linguagens, outros suportes, novas relações palco/plateia... Algumas experiências mais bemsucedidas que outras, mas várias tentativas. Estou seguro de que o teatro necessita de um público, e este, de se reconhecer no palco, de que o ator seja seu representante ao levantar questões que precisam de respostas. O cidadão que sai de casa e vai ao teatro, fazer parte de uma assembleia, quer reconhecer nas questões que serão colocadas as suas questões. Propus ao Bando correr o risco. Nossas peças sempre se basearam no que chamei, há 20 anos atrás, de célula básica do teatro: o personagem. Foi descobrindo como construir personagens que desenvolvemos nosso método de trabalho. Foi a partir desta base que trabalhamos todos esses anos. A proposta agora era fazer um espetáculo sem personagens, sem uma narrativa de contar histórias. O material que tinha sido gravado durante o processo, com os mais velhos, era muito rico. Queria construir um diálogo entre os atores e aquelas pessoas de luz, incorpóreas. Grandes cabeças falantes. Aí também estava o tempo. O diálogo do agora em que aquelas falas foram gravadas e o agora do palco, dos atores, é o que Valdina nos fala sobre a permanência do tempo. Como seria trabalhar sem personagens, se sempre começamos nossos processos escolhendo os personagens através dos quais cada ator desejava falar? Não sabíamos. Então, nas improvisações, deixávamos os tambores falarem e eram carregas, deslocamentos, narrativas não-verbais, relações entre atores com os outros atores que não sabíamos se estavam ou não usando personagens para se moverem. Isto ia virando material cênico e verbal. Escolhemos sete ritmos, ou batidas, das três nações de
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candomblé da Bahia: Avaninha, Ibi, Ijexá, Cabula, Savalu, Vassi, Ramunha. Decupamos em células, em instrumentos diferentes daqueles em que são tocados, em vozes estranhas à tradição. Foram sampleados com outros sons. As falas, as vozes viraram possibilidades musicais, tratadas em bases de DJs. Novamente os tempos diversos se olham nos sons. Aprendemos canções relativas aos ritmos, aos gestos. Sequências coreográficas de arquétipos do velho, do ancestral, nas festas públicas do candomblé, foram reconstruídas. As sequências, em novas células, nos serviram para dizer o que queremos além do que já dizem. E tratar que essas sequências não virassem coreografias de musical, mas passagens de tempo. Redescobrimos a poesia de Jônatas Conceição da Silva e colocamos seus versos no corpo dos atores. Farrapos de personagens aparecem. Figurinos com cara de desfile. Design de moda. Vitrine. Imagens ao vivo em PB e imagens antigas. Objetos – o passado virando objeto e sujeito. O presente virando memória. O tempo, os tempos. Tudo isso. Um espetáculo estranho, com jeito de instalação. Uma tentativa do teatro de encontrar novos suportes para o mesmo discurso. Tentativa de artistas. Mudar, aprender com os mais velhos e, com o futuro, rever o presente, revolver o presente para formular as questões necessárias. Questionar o que é ter 20 anos sobre o palco, ser negro e ter voz.
marcio meirelles Salvador, 2 de novembro de 2010.
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BENÇA Bando de Teatro Olodum Texto (com a colaboração do Bando de Teatro Olodum, depoimentos de lideranças de Terreiros e personalidades negras e fragmentos de poemas de Jônatas Conceição), direção, cenário e vídeo: Marcio Meirelles Co-direção: Chica Carelli Coreografia: Zebrinha Música e direção musical: Jarbas Bittencourt Preparação de canto: Marcelo Jardim Elenco: Arlete Dias, Auristela Sá, Cássia Valle, Cell Dantas, Clésia Nogueira, Ednaldo Muniz, Elane Nascimento, Gerimias Mendes, Jamile Alves, Jorge Washington, Leno Sacramento, Merry Batista, Rejane Maia, Ridson Reis, Sérgio Laurentino, Telma Souza, Valdinéia Soriano. Desenho de som: Filipe Pires Programação Visual: Camilo Fróes Fotos: João Meirelles Divulgação: Via Press (Elaine Hazin e Gabriel Monteiro) Pesquisa e textos linha do tempo para o programa: Lilian Caramel e Márcio Meirelles (a partir da tese Um olhar sobre o teatro negro do Teatro experimental do Negro e do Bando de Teatro Olodum, de Evani Tavares Lima) Realização: Bando de Teatro Olodum Direção de Produção: Chica Carelli Projeto patrocinado pela Petrobras por meio da lei de incentivo à cultura Realização: Bando de Teatro Olodum/Teatro Vila Velha Apresentações: 05/11 à 28/11/10 Teatro Vila Velha (SSA – Ba) 03/12 à 12/12/10 Espaço Tom Jobim (Rio – RJ) 06/05 à 29/05/11 Teatro Vila Velha (SSA – Ba) 22 e 23/10/2011 – FIAC BAHIA – Festival Internacional de Artes Cênicas Teatro Vila Velha (SSA – Ba)
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RESPEITO AOS MAIS VELHOS O projeto Respeito aos mais velhos, de manutenção do Bando de Teatro Olodum, patrocinado pela Petrobras, através de edital de 2007, previa, ao fim de dois anos de atividades diversas, a construção de um espetáculo baseado na pesquisa e nas vivências do grupo com comunidades, lideranças e artistas negros mais velhos, conhecedores dos efeitos do tempo e da necessidade da memória. O tema, Respeito aos mais velhos, evidenciou a necessidade de respeito ao próprio tempo. O tempo nas dimensões cronológica e simbólica, e a percepção de sua passagem e de sua permanência, como fatores físico e mítico. As heranças das culturas de nossos ancestrais negros estão preservadas especialmente nos ritos e liturgia das religiões de matriz africana. Mas também no cotidiano de outros coletivos culturais e artísticos, com quem o grupo se relacionou durante o cumprimento desta etapa. A construção da peça, que falasse sobre isso, passava também pela construção de uma metodologia de trabalho diferenciada que agregasse ao processo teatral, de alguma maneira, aquelas formas de repasse de conhecimento silencioso dos terreiros, das rodas de capoeira, e – por paradoxal que possa parecer – de outros saberes de transmissão oral. É que estas oralidades afro-brasileiras estão preservadas também em gestos, atitudes, maneiras que se reproduzem pela observação do que é dito e do que é silenciado. Do como e porquê as coisas são ditas ou silenciadas. Por outro lado, o espetáculo deveria dialogar com uma plateia, não necessariamente formada nesses assuntos e
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nessas tradições ou sequer informada sobre eles. Uma plateia contemporânea acostumada com a velocidade: a negação do tempo. Plateia formada pela dinâmica de uma sociedade que encara a morte como um fim e a velhice como nada mais do que o caminho para isto – ao contrário da tradição africana que considera a idade como um acúmulo de experiências que nos prepara para a passagem de uma vida para outra – uma sociedade que considera a juventude como um valor em si, e que é preciso preserva-la a todo custo, num frenesi de consumo de fórmulas mágicas, cosméticas, cirúrgicas e comportamentais, para a consagração da eterna juventude. Era para essa plateia que também queríamos falar. A escolha de uma linguagem dramatúrgica oriunda das redes sociais e da cultura internauta, e o uso de tecnologias audiovisuais pareceram adequados para se conseguir esse fim por que neles se identificou também uma convergência com as formas de expressão das comunidades matriciais que forneceram generosamente material para a construção da peça. O tempo, em sua permanência, está representado no espetáculo pelo passado em imagens e depoimentos gravados, presentes no momento em que atores e câmeras produzem e reproduzem imagens e discursos – narrativas engendradas pelo contato com esse passado – ao vivo, em comunhão com a plateia. Isso deu certo. O espetáculo emociona os jovens, que se sentem levados para outro tempo. E os mais velhos e iniciados no candomblé, que sentem-se respeitados e representados na peça. Essa opção estética, no entanto criou dificuldades para levar a peça às cidades onde o grupo passou e colheu material. A necessidade de um espaço específico de 20 metros por dez,
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com plateia dos dois lados diminuiu as opções de viagem: apenas o Rio, ofereceu um espaço assim. Por outro lado, os equipamentos de som, vídeo e computação necessários à reprodução das imagens e sons gravados, encareceram cada apresentação, tornando inviável – dentro do orçamento do projeto – mais três temporadas em diferentes locais. A solução, entendida e aceita pela Petrobras, foi fazer mais uma temporada em Salvador e trazer as pessoas e instituições que ajudaram o Bando a montar a peça. O que foi um acerto porque, ao se mobilizarem para vir, um grupo interagia com outro. As prefeituras ou instituições que apoiaram a ida do projeto para suas cidades, voltaram a apoiar a vinda desse público para Salvador e muitos gestores públicos acompanharam as caravanas. O que mostrou ao poder municipal a importância da cultura negra e a necessidade de sua aproximação com ela, através dos mais velhos, das entidades matriciais, dos terreiros, dos mestres, dos afoxés, grupos de capoeira, blocos afro. Os encontros entre os visitantes e seus semelhantes locais também foram de uma riqueza muito grande, gerando possibilidades de intercâmbio e troca de experiências e conhecimentos entre eles. Por tudo isso, consideramos o projeto vencedor e acertada a escolha da Petrobras ao patrocinar uma ação continuada, um programa, não apenas um evento, como uma montagem ou uma turnê. O avanço na pesquisa da linguagem e na busca de diálogo com um público específico foi fundamental para o desenvolvimento do Bando de Teatro Olodum, o que o levou a contribuir mais uma vez, tarefa de toda ação cultural, com o desenvolvimento da sociedade, elaborando e implementando políticas afirmativas para a elevação da autoestima dos idosos
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e dos tradicionalmente excluídos ou perseguidos e para a redução da discriminação racial e da intolerância religiosa.
Entrevista para o Festival Internacional de Artes Cênicas (FIAC), quando da apresentação de Bença: 1.
Bença é o mais tecnológico e ao mesmo tempo o mais intimista dos espetáculos do Bando.
BENÇA é um início e um fim de um método, de uma narrativa, de um jeito de fazer teatro, de formas colaborativas de trabalhar na criação de um espetáculo, de falar sobre questões raciais, sobre tradição. Um monte de coisas. BENÇA sinaliza mudanças necessárias para a continuidade. Creio que o teatro precisa disso sempre. Só não o considerava um espetáculo intimista, tenho que repensar esse conceito. Creio que ele fala de coisas que mexem com o intimo do ser humano – morte, velhice, respeito – mas não de uma forma intimista, a forma é espetacular, é amplificada pela tecnologia, é o tempo visto como o único espetáculo que talvez faça sentido assistir, porque transforma. 2. Bença, com esse caráter, chega num momento em que o Bando alcança repercussão nacional com Ó paí, Ó!, além da consolidação de Cabaré da Rrrrraça, com uma carreira de 14 anos, como maior sucesso do grupo. Foi uma quebra de expectativa? Deliberada? Sim, absolutamente deliberada. Eu não queria completar os 20 anos de nosso trabalho com alguma coisa parecida com o que já tivéssemos feito. Queria começar com algo novo, como falei: com o fim de um processo e o início de outro. Acho que os atores e os outros criadores (Jarbas, Zebrinha e Chica) foram muito corajosos, generosos, leais e confiaram em mim, porque
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eu dependia disso para que o projeto tivesse sucesso. E teve. Primeiro, quando propus dirigir, coisa q não estava prevista – Chica seria a diretora – especialmente ela, mas todos foram muito generosos, porque eu tinha muito pouco tempo e não tinha muito controle sobre ele. Daí o período de ensaios se estendeu por nove meses, quando seriam três; faltei a muitos ensaios marcados, porque era convocado para reuniões, viagens ou tinha incêndios para apagar. Foram leais e corajosos porque acreditaram em mim, mesmo sem entender muito bem o novo processo. Logo no início eu disse que não queria trabalhar com personagens, nem contar historias. Queria fazer um discurso sobre o tempo, com tudo que usamos, música, movimento, fragmentos de textos, depoimentos, relação com esses depoimentos e com quem os deu, etc. Nem eu sabia como lidar com isso e tive a confiança de todos – expertos em contar histórias e construir personagens - que deixaram a segurança dos processos conhecidos e se jogaram inteiros na proposta. 3. O espetáculo entra no “ritmo” do candomblé para falar de ancestralidade, herança cultural, mas também do caráter cíclico e inexorável do tempo. Como esse tema se apresentou no momento em que o bando completou 20 anos? Era um tema antigo pra nós, em 2000, queríamos fazer esse projeto Respeito aos mais velhos. Não deu. Em 2007 foi apresentado num edital e ganhou. O espetáculo resultante do projeto deveria ser apresentado em 2009 e dirigido por Chica, como já disse. Mas foi como foi. O projeto demorou de ser conveniado, sua execução, mais do que o previsto e coincidiu com os 20 anos do Bando. Quando percebi que não estaria nessa comemoração, pedi pra dirigir e todos concordaram. Mas não acredito em coincidências. É importante comemorar os 20 anos de um grupo falando sobre o tempo que passa, o tempo que fica, a morte que leva, a morte que renova, o respeito aos
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mais velhos e à história. É importante dizer: fazemos 20 anos porque acreditamos no que fazemos, temos compromisso com isso e batalhamos pra estar trabalhando até agora. Respeito... é bom e eu gosto. 4.
Você define Bença como um espetáculo-instalação. Isso evidencia a forma como você orquestra os elementos sensoriais do espetáculo, mas também solicita uma imersão do espectador.
Uma imersão do espectador, mas antes dos atores. Ouvi/li que eu não levei em conta o que o Bando tem de melhor: os atores. Como ouvimos quando fizemos ZUMBI, que o Bando só era bom pra fazer rir. São preconceitos e falta de visão de algumas pessoas que, infelizmente, registram suas opiniões na mídia. Não seria possível BENÇA sem os atores multitalentosos e experientes do Bando que atuam, tocam, dançam, manipulam equipamentos, que fazem rir, emocionam, fazem refletir e parecem não estar fazendo esforço algum fazendo um trabalho brutal pra qualquer ator, como o de BENÇA. É um espetáculo instalação por isso que você fala mesmo. 5.
Artisticamente, como você e o Bando lidam com a dualidade entre tradição e renovação, dentro de um teatro negro e popular?
Como disse, não é possível continuidade sem renovação. A tradição, nossa identidade – de grupo, de cidadãos, de pessoas, de negros, de homens e de mulheres – está ali, está em nós. Tomamos a bença todos os dias a quem nos trouxe até aqui, nossos ancestrais biológicos, culturais e teatrais também. Por isso construímos a proposta da Linha do Tempo do Teatro Negro Baiano para o programa da peça. Devemos muito a muitos negros que construíram este momento em que vivemos. Mas
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precisamos mudar tudo e mudar sempre. Se queremos mudar o mundo temos que mudar nós mesmos e o teatro que fazemos. Então não há contradição, há uma relação dialética com o tempo e tudo isso. Como nas mais puras tradições africanas, se quisermos andar pra frente, temos que olhar pra trás. Salvador, outubro 2011
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AINDA OUTRAS AÇÕES E PENSAMENTOS ARTÍSTICO-POLÍTICOS EM 2010 Em breve aqui, um relato sobre o evento de julgamento da an istia de Glauber Rocha, as escolhas do governo e família: ser no Teatro Vila Velha, dirigido por mim e no dia do meu aniversário. O peso e consequências disso.
37a CARAVANA DA ANISTIA – ANISTIA DE GLAUBER ROCHA Roteiro, direção, figurino e cenário: Marcio Meirelles Participação: Governador Jaques Wagner, Ministro da Cultura Juca Ferreira, Paulo Abraão (Presidente da Comissão da Anistia da Presidência da República), Família Rocha. Elenco: Bando de Teatro Olodum (participação: Diogo Lopes) Texto: Cláudio Simões Direção Musical: Jarbas Bittencourt 26/05/10 Teatro Vila Velha (SSA – Ba)
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SHAKESPEARE E MOLIÈRE Deolinda, nosso debate no facebook, iniciado por uma comparação, um tanto simplista, entre Shakespeare (cuja produção dependia também do mercado) e de Molière (subsidiado por um rei esperto que via na obra do artista a possibilidade de marcar o seu reinado) sequência de outros que tivemos no mundo real, não foi sobre a privatização da cultura, como você sugere em seu artigo no Terra. Mesmo porque a cultura é inprivatizável, assim como é inestatizável. A cultura é uma atribuição da sociedade, uma atividade constante e interminável da humanidade. Falávamos sobre a produção artística, especialmente a teatral. O que defendo – e sempre defendi, mesmo como artista de teatro e gestor cultural, antes de estar na secretaria de cultura – é que: 1 - O investimento de recursos públicos nas atividades artísticas deve ser justificado pela necessidade e interesse públicos da e naquela atividade. O que não é mensurável apenas pela bilheteria. Mas também. A troca simbólica da compra do ingresso ou do livro, ou do cd, ou do... é parte da comprovação desse interesse. Mas, além dessa, há outras formas e dados para mensurá-lo: o benefício que aquela atividade gera no desenvolvimento da comunidade ou da linguagem, sua importância na preservação de identidades e sentido de pertencimento etc. também contam. Por outro lado, algumas vezes, o investimento governamental é necessário exatamente quando se dá o contrário: uma absoluta e sintomática falta de demanda por uma determinada atividade, sabidamente necessária ao desenvolvimento social pleno. 2 - Que o Governo não pode ser a única fonte de financiamento das atividades artísticas porque gera uma dependência não saudável para elas. Quando a economia da cultura é baseada
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exclusivamente, ou quase, na subvenção estatal e não em políticas públicas de fomento, corremos sempre o risco de manipulação por parte dos governantes ou de subserviência a eles por parte da produção artística, e podemos perceber, nos momentos e lugares onde isso ocorre que sempre será mais vigorosa e interessante a produção marginal. Evidentemente toda regra tem exceções que a confirmam. Temos também boas produções e invenções e transgressões subsidiadas pelo estado. Esse é o caso de um Molière ou o de uma Mnouchkine (que justifica plenamente o subsídio governamental recebido pelo Soleil pois o interesse público em suas produções pode ser mensurado pela troca simbólica – nas lotações esgotadas, na necessidade de reserva de bilhetes, etc. – mas tb pela preservação de identidades, pela inovação da linguagem, pela atenção, sempre contemporânea, ao benefício social e político que seu trabalho deve trazer ao mundo real, não só por ser subsidiada mas, principalmente, por ser artista – esses exemplos são e fazem história. Não porque tiveram ou têm “patrocínio” estatal mas pelo talento e genialidade que possuem suas obras – o que n é fruto de patrocínio. Portanto não é justo você sugerir que quero “privatizar a cultura” – sei que foi só uma provocação de brincadeira mas, mesmo assim, injusta porque não corresponde ao que penso e pratico – ou levantar a suspeita de que tenho ideias neoliberais. Estou longe disso, muito longe. Sei exatamente o papel do Estado, em relação à produção cultural, mas sei também o papel do mercado e o do artista e/ou produtor cultural. Além do que, cada sociedade e época têm sua história e o que dá certo num determinado lugar não pode, muitas vezes, ser transferido, como solução, para outros. Nem o que ocorre num momento histórico pode ser mantido eternamente, sem revisões, porque as sociedades estão sempre em movimento.
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Finalizando, creio que um estudo comparativo entre a sociedade da Inglaterra elisabetana e a da França absolutista, tendo como foco a economia da cultura e como isso gerou o teatro de um Shakespeare e de um Molière – evidentemente levando-se em conta a genialidade única e humana deles – seria muito interessante. Beijos afetuosos e carregados de admiração pelo seu amor ao teatro – logo à humanidade. mm Salvador, 24 de janeiro de 2010
Em breve aqui, um relato sobre o evento de julgamento da an istia de Glauber Rocha, as escolhas do governo e família: ser no Teatro Vila Velha, dirigido por mim e no dia do meu aniversário. O peso e consequências disso.
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SECRETARIA DE CULTURA – ANO QUATRO ALGUMAS ATIVIDADES COMO SECRETÁRIO DE CULTURA DO ESTADO DA BAHIA EM 2010 Participação em todos os encontros do Fórum de Secretários e Dirigentes de Cultura e do Fórum de Secretários e Dirigentes de Cultura do Nordeste realizados durante todo o ano, que não tenho mais o registro de quantos nem onde nem quando foram.
Em breve, um texto sobre o Pelourinho, Centro Histórico e Centro Antigo, situação e atuação da secretaria como condutor das políticas de repensamento e requalificação. Aqui seguem três artigos sobre o Pelourinho: o de estreia do cantor e compositor Caetano Veloso como colunista fixo do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publicado em 9 de maio de 2010; o meu – Pelo Pelourinho – em reposta, publicado pelo mesmo jornal, em 14 de maio do mesmo ano; e, a seguir, o Desconhecimento de Causa, pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura da Bahia: POLÍTICA: O LARGO DA ORDEM Quando disse a Leminski, no começo dos anos 70, que me encantava a recuperação do Largo da Ordem, no centro de Curitiba, ele riu: “Você adora enganações feitas para a classe média.” Respondi que adorava mesmo. Sempre à esquerda, Leminski via limpeza, iluminação, policiamento e restauração de prédios como maquiagem – e olhava com desconfiança meu interesse por Jaime Lerner, o então prefeito da cidade que fora indicado pelo governo militar. Eu odiava o regime – e desprezava os que chegavam ao poder em acordo com ele. Mas não via o Largo da Ordem como enganação. Bem, talvez se pudesse dizer que aquilo se dirigia à classe média. Mas
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eu ri ao dizer diante da cara do poeta: “Eu sou classe média.” O que de fato pensei foi: se se fizesse algo assim com o Pelourinho, o Brasil decolaria – ou estaria mostrando que já decolara. Era sonhar demais. Ainda nos 70, os sobrados da área estrita do Largo do Pelourinho foram restaurados. Lembro duas reações negativas: Candice Bergen e Décio Pignatari. Em ocasiões diferentes, ouvi de ambos: “Parece a Disneylândia.” Eu próprio, diante das tintas plásticas usadas, apelidei o novo Pelourinho de Giovanna Baby. Mas a verdade é que, tendo crescido em Santo Amaro, eu não achava artificial uma rua com casas antigas pintadas com tintas novas: era o que acontecia ali a cada fevereiro, mês de Nossa Senhora da Purificação. Achei que Candice e Décio pensavam que casa velha tem que ter limo e reboco caindo. Décio, de Sampa, queria velharia mais “autêntica”. Candice, de Los Angeles, reviu o que expõe a artificialidade de sua terra natal: Disneylândia. Já eu só via o esboço de realização da promessa do Largo da Ordem. Nos anos 90, toda a região do Pelourinho ganhou o tratamento que eu imaginara utópico em 1972. Há queixas contra os métodos usados para a retirada dos moradores. Há a frase bonita de Verger: “Devia se erguer no Pelourinho um
monumento às putas.” Elas é que mantiveram de pé esse pedaço da cidade. Em 1960, vendo a harmonia de formas exibida em matéria deteriorada, eu me sentia fascinado também pela degradação dos habitantes. A prostituição mais anti-higiênica manteve os sobrados de pé. Casas sem moradores caem. As do Pelô exibiam as marcas da decadência da humanidade que as povoava e as mantinha erguidas. Há a frase bonita de Verger: “Devia se erguer no Pelourinho um monumento às putas.” ACM é um nome que se evita – a não ser que se queira xingá-lo ou adulá-lo. Medir objetivamente seu legado é anátema. Tou fora. Truculento, vingativo, populista, Antônio Carlos Magalhães era o tipo de político de que desejei ver a Bahia e o Brasil livres. Fiz-lhe sempre oposição. Cantei nos comícios de Waldir Pires, que se elegeu governador. Mas Waldir uniu-se com parte da oligarquia rural que odiava ACM desde sempre. O vice de Waldir era um representante dessa oligarquia. Waldir mal esquentou a cadeira: saiu para tentar ser vice na candidatura furada de dr. Ulysses. ACM voltou em glória nas eleições seguintes. A essa altura, ele já tinha feito as avenidas de vale (um projeto de 1942),
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ligando entre si partes distantes da cidade (outrora com tráfego apenas nas cumeadas). E atraído quadros de alto nível técnico. Na sua volta, retomou os trabalhos do Pelourinho, que floresceu. O escolhido para dirigir o projeto foi o antropólogo Vivaldo da Costa Lima. Vivaldo, cujo amor pela cultura do povo baiano não pode ser superestimado, não acolheria decisões malévolas. Seja como for, a restauração, com os atrativos para quem quisesse estabelecer negócios ali, mudou a cara da cidade. Jovens que até os anos 80 nunca tinham ido ao centro histórico lotavam os bares do Pelourinho. Isso deu ao baiano uma nova auto-imagem. O atual governo do PT precisaria se posicionar de forma clara face ao legado de ACM. Sentir que talvez haja desprezo pelo Pelourinho deprime. A explicação dada é que as facilitações oferecidas aos negociantes que ali se estabeleceram são artificiosas. O secretário de Cultura, meu amigo Márcio Meirelles, é o responsável pelo destino da área. Diretor do Bando de Teatro Olodum, Márcio nos deu “Ó paí, ó!”. O elenco que ele reuniu é um espanto de vitalidade. Mas, nesse e em outros espetáculos do grupo, o sarcasmo relativo à reforma do Pelourinho vinha colorir o ódio a ACM. Eu adorava a peça assim mesmo. Arte é coisa séria. Aquelas pessoas falando e se movendo daquela maneira
estão, na verdade, mais sintonizadas com as forças que fizeram possível a recuperação do Pelourinho do que com a demagogia que por vezes se comprazem em veicular contra ela. Depois vieram o Recife Velho, o Centro de São Luís, algo do Centro de São Paulo – e sobretudo veio vindo a Lapa. A iniciativa privada se achegou, a Sala Cecília Meireles dera a largada, o Estado entrou com o trato dos arcos, iluminação, policiamento – e temos uma mostra de como nos vemos nestes anos FH-Lula. O governo petista da Bahia deveria tomar o Pelourinho como uma joia a ser cuidada. Aproveitar o aproveitável de ACM — e fazer melhor. Não é saudável fazer com os benefícios aos negociantes aderentes o que Ipojuca Pontes fez com o cinema ao acabar com a Embrafilme. Esse privatismo repentino soa suspeito. O abandono do centro histórico tem parte no aumento da criminalidade. Política para mim é isso. Capturar as forças regenerativas da sociedade e trabalhar a partir delas. Não se atar a facções ideológicas como a torcidas de futebol – nem, muito menos, a grupos de interesses inescrupulosos.
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PELO PELOURINHO
mantiveram de pé, a novos ocupantes.
Caro Caetano, Motivado pelo seu artigo do domingo passado, resolvi escrever esta carta, para esclarecer algumas coisas.
Diferente do exemplo da Lapa, no Rio, onde o poder público fez sua parte, e a iniciativa privada e a sociedade, as delas, aqui, o governo fez tudo, como um pai/padrasto, “com dinheiro numa mão e o chicote na outra”. Tentando ser o condutor do destino.
Você fala de mim como artista, criador do Bando de Teatro Olodum (que gerou Lázaro Ramos e Virgínia Rodrigues) e da peça “Ó paí, ó!” (depois filme e série televisiva). E também como gestor, Secretário de Cultura do Estado da Bahia, “responsável pelo destino do Pelourinho”. Não sou responsável pelo destino do Pelourinho porque ninguém é responsável pelo destino de nada. O destino é um conjunto de acontecimentos que parecem prévia e inexoravelmente traçados. Mas, de fato, são construídos e podem ser alterados por circunstâncias históricas, sociais, emocionais, econômicas, políticas… Vejome apenas como parte deste elenco que constrói e modifica os acontecimentos. Também, ao contrário do que você afirma, nas peças da “Trilogia do Pelô” — especialmente “Ó paí, ó!” e “Bai bai Pelô”, que criei e te emocionaram e nos aproximaram — não havia ódio. Havia indignação por ver um poder truculento promover uma limpeza étnica e social, expulsando os antigos moradores do Pelourinho e entregando as casas, que eles
Mas o “destino” às vezes não obedece a seus condutores, e o tempo dá respostas. A reforma não deu certo. A pintura das casas, que lembrava Santo Amaro em festa e te encantou, não era feita pelos moradores, nem pela prefeitura. O Pelourinho foi reformado, ou seja, ganhou nova forma. Não foi revitalizado, não retomou sua capacidade vital, não se pensou em sustentabilidade. Não é possível revitalizar um território urbano sem a força de seus moradores, sem ações articuladas dos três entes federados. Não é possível tratar o Pelourinho como uma área isolada, um (im)possível parque temático. A maioria das soluções está no entorno para onde foram muitas das famílias retiradas da área, ocupantes agora de outras ruínas ou marquises, sobrevivendo do possível. Criamos o Escritório de Referência do
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Centro Antigo de Salvador para articular o Plano de Revitalização do Centro Antigo. Em parceria com a Unesco, ele foi concluído e será apresentado no dia 2 de junho, com a entrega do Palácio Rio Branco restaurado. Ampliamos a área expositiva dos museus do lugar, triplicando a frequência e diversificamos a programação artística dos largos; temos tido, como você já comprovou, um público significativo. Caetano, meu amigo, o Bando precisou de dois anos para fazer sua primeira temporada no Rio, quatro para entregar ao mundo uma Virgínia Rodrigues, oito para um Lázaro Ramos, 17 para “Ó paí, ó!” virar filme, 18 anos para a série. Os processos culturais sustentáveis levam um tempo, mas, desde o seu início, o Bando sempre teve a vitalidade necessária para ser agora o que é. Talvez um anticarlismo. Sem ódio. Só um caminho em outra direção. Um outro ponto de vista. Outra prática. Não deixe sua visão, tão preciosa sempre ao Brasil, ser nublada por questões partidárias. Não abandonamos o Centro Antigo de Salvador. Ele estava abandonado. O crack é uma realidade trágica. A segunda renda per capita das capitais brasileiras, o quarto pior ensino público, o abismo social, a fragilidade de nossas instituições não
foram criados nos últimos três anos e meio. Não era possível. Ó paí, velho: quem criou um espetáculo e um grupo capazes de te emocionar poderia abandonar o sujeito da peça? DESCONHECIMENTO DE CAUSA Foi durante a encenação do espetáculo ”Ó Paí Ó” que Caetano Velloso entrou em contato a “Trilogia do Pelô”, textos que nos anos 90 fizeram uma radiografia do processo pelo qual passava o Pelourinho, coração do Centro Histórico de Salvador. E foi em “Bai Bai Pelô” que ele viu pela primeira vez Virgínia Rodrigues que se revelou uma das mais belas vozes da Bahia contemporânea. Em “Bai Bai Pelô”, que tratava da reforma realizada por Antônio Carlos Magalhães, estava exposta a violência com que se deu o processo: expulsão de moradores e indenizações irrisórias para os que saíssem na base do acordo. Como pode ser visto de forma passageira na série para a televisão, Neuzão já tinha o seu bar, a baiana tinha sua panela de inox, mas ninguém sabia o que fazer com o Negócio Torto, um mendigo, representante e herdeiro de todas as penúrias acumuladas nos séculos de decadência do nosso Centro Histórico, situação similar a outros sítios históricos.
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Nosso Centro acelerou sua decadência com a criação do Centro Admnistrativo da Bahia e o esvaziamento da localidade com a saída de milhares de trabalhadores da região, com a diminuição da circulação de pessoas nessas áreas. Em 1996, logo após a reforma que transformou o Pelourinho em um cenário, comerciantes já escreviam cartas que mostravam que o que estava sendo pensado para o local não daria certo. Feito sob forte subsídio do Estado, a reforma consolidou no imaginário de todos que o Pelourinho é o Centro Histórico de Salvador, desconsiderando todo o seu entorno, onde realmente estão localizados os problemas. Além disso, as dívidas que custearam esse projeto se acumulam até hoje. Dados de agosto de 2009, mostram que 55% dos comerciantes e 85% dos residentes da região estão inadimplentes com o Estado, acumulando uma dívida de décadas que ultrapassa os R$ 6 milhões. São habitantes e comerciantes vivendo às custas do Estado, sem nenhuma preocupação com a sustentabilidade. Falta compromentimento de muitos comerciantes que não divulgam seu empreendimento, não possuem máquinas de cartão de crédito ou débito, situação impensável para um local que recebe milhares de turistas por ano. Dependem unicamente do poder público para levarem seus negócios. Mas temos sinais
de melhorias, com empreendimentos a exemplo de grandes hotéis de luxo, comércio de alimentos, bares, que passaram a atrair um outro tipo de consumidor, sem contar em ruas tradicionais como o Taboão e Saldanha que não sabem o que é crise com seu bem sucedido comércio de estofados e eletrônicos que já dura décadas. A reforma que Lina Bo Bardi propos a esta região, que poderia garantir sustentabilidade com forte apoio na cultura local não foi realizada e substituida pelo projeto de ACM. Ninguém considerou a reforma implementada anti kertzsiana porque foi Mário Kertzs quem trouxe Lina para fazer as intervenções do Centro Histórico. Este governo não quer desfazer nada de bom que ninguém fez. Pelo contrário, estamos tentado desfazer um erro “ista”, de autoria, de uma coisa que aparentemente se grudou à imagem da região e não deu certo. Vários outros projetos que deram certo, foram mantidos ou potencializados, não só por nossa pasta, mas por todas as outras secretarias. O Centro Histórico de Salvador é uma área governada pelas três esferas de
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poder. A Secretaria de Cultura do Estado, através do Escritório de Referência, lidera a construção do Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador, realizado em parceria com a Unesco e que está pronto com 14 proposições para a região, entre elas, a construção de um Fundo financeiro e um novo modelo de governança da região, principalmente do patrimônio imobiliário, inspirado no da Zona Portuária do Rio de Janeiro. Desde o início da nossa gestão, conclamamos os entes federativos a assumirem suas responsabilidades nesse bairro da cidade de Salvador, como a prefeitura que precisa cuidar da limpeza, da iluminação pública. Assim como o Iphan, entidade federal, que tem olhado atentamente para a região proibindo os grandes eventos no Largo do Pelourinho e Terreiro de Jesus porque causam prejuízo ao patrimônio histórico, acatando pedido da Arquidiocese de Salvador, dona de muitos imóveis na região, e ao mesmo tempo, desagrando parte dos comerciantes que acreditam que são os megaeventos que trazem público consumidor. Por esta área circulam diariamente milhares de pessoas por motivo de trabalho ou pela busca de comércio e serviços. Todos os especialistas em Centros Históricos são categóricos em afirmar que a solução para
os problemas dessa região está numa combinação entre moradia e trabalho, coisa que o projeto de reforma antigo não previa, transformando o Pelô numa área excludente e turistica. No que diz respeito à atuação do Estado, ao mesmo tempo em que desenvolvíamos o Plano, tratamos de realizar ações emergenciais como a requalificação de toda a iluminação da região, pintando fachadas, qualificando os acessos ao Centro Histórico, contratando através de seleções públicas, uma diversidade e artistas para realizarem shows nas praças administradas pela Secretaria de Cultura. Requalificamos equipamentos culturais a exemplo do Museu Udo Knoff e do Solar Ferrão, triplicando a frequência de público. Neste último, além da coleção de arte africana de Cláudio Masela, colocamos em exposição o acerto de arte popular de Lina Bo com centenas de peças que estava trancados nos porões do Estado desde 1965. Reformamos a Igreja do Boqueirão, o Palácio Rio Branco, estamos reformando a Igreja de Nossa Senhora Rosário dos Pretos. Quem olha para a igreja de Nossa Senhora do Pilar, em reforma, nem imagina que do cemitério, com jazigos do século 19, foram retiradas 2,5 mil toneladas de lixo e entulhos
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(sic), o equivalente a 300 caçambas, sendo necessários três meses só para limpar o local, mostrando a negligência de décadas de quem tinha obrigação de cuidar desses monumentos. Só nesse programa de reforma de monumentos são R$ 30 milhões de ivnestimento em parceria com o Ministério do Turismo, através do PRODETUR. O Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador é a primeira tentativa, em todos esses anos, de construir um plano de trabalho e ações de curto, longo e médio prazo, de forma participativa e democrática. Vamos apresentá-lo no dia 2 de junho, data em que entregaremos o Palácio Rio Branco completamente restaurado, e seria muito bom contar com a presença de personalidades públicas que se preocupam com o Centro Historico, a exemplo do meu amigo Caetano Veloso. O processo inclusivo de discussão com o cidadão, nos rendeu o prêmio de Melhores Práticas em Gestão Local da Caixa Econômica Federal e significa que pode ser replicado em outras regiões do Brasil e do Mundo. Agora, estamos concorrendo ao BEST PRACTICES da Onu, em Dubai. O artigo de Caetano faz uma provocação ao governo e nos dá direito de dizer o que estamos realizando na área, mas assim
como alguns moradores que não passam por essa área, lhe falta conhecimento de causa. Quem frequenta e ama o Pelourinho, sabe que muita coisa mudou para melhor e que outras mudanças dependem de melhor sintonia entre poderes municipal, estadual e federal. Alguns só reproduzem a voz dos descontentes, daqueles que esperavam desse governo o tratamento bajulador e propineiro. No momento, a luta do Governo tem sido eliminar das ruas do Centro Histório, um problema de saúde pública chamado “craque” que tem assolado não só o nosso Centro, mas grande parte dos municípios de todo o Brasil, aumentando os índices de violência, acabando com todas as esperanças.
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I FÓRUM DAS ARTES, MERCADO E TECNOLOGIA Mesa de abertura Participantes: Gisele Nussbaumer (FUNCEB) e Márcio Meirelles (SECULT) e Tarciana Portella (MINC) Outras mesas e participantes: 09/09 – Mesa 2: Redes - Tecnologia e Inovação - Eduardo Bonito (Panorama Festival de Dança) - Adriana Dias (Art A2) - Sergio Amadeu (USP) - DJ Branco (CMA Hip Hop) - Mediador: Gilberto Monte (SECULT) Mesa 3: Redes e Espaços Culturais - Márcia Leite (SESC Nacional) - Perfeito Fortuna (Fundição Progresso) - Margareth Tamburu (CEUs - SP) - Cristina Castro (Coreógrafa e Diretora Cultural) - Mediador: Gisele Nussabaumer (SECULT) 10/09 – Mesa 1: Políticas Institucionais em Rede - Eduardo Saron (Itaú Cultural ) - Eliane Costa (Petrobrás) - Marcos Barreto (Vivo) . Mediador: Carlos Paiva (SECULT) Laboratório Redes (Dia 1) - Pablo Capilé (Música - Fora do Eixo) - Luiz Fernando Sarmento (Consultor em Redes) - Natacha Melo (Dança - Red Sudamericana de Danza) . Mediador: Lorena Coelho (SECULT-BA) Laboratório Redes (Dia 2) - Pablo Capilé (Música - Fora do Eixo) - Luiz Fernando Sarmento (Consultor em Redes) - Natacha Melo (Dança - Red Sudamericana de Danza) . Mediador: Lorena Coelho (SECULT-BA) Laboratório Redes (Dia 3) - Pablo Capilé (Música - Fora do Eixo) - Luiz Fernando Sarmento (Consultor em Redes) - Natacha Melo (Dança - Red Sudamericana de Danza) . Mediador: Lorena Coelho (SECULT-BA) Realização: Funceb / SECULT-BA 09/09/10 Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha (SSA – Ba)
Em breve aqui, texto sobre o Carnaval, atuação da Secult como representante do governo do estado no Conselho do Carnaval, os programas Ouro Negro e Carnaval Pipoca. https://issuu.com/marcelooreilly/docs/catalogoouronegro-2010
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CORREDOR MIDIÁTICO - um registro do carnaval ouro negro Apresentação Este projeto traz alegria e reconhecimento para nossa gestão, pois congrega em si o trabalho e os esforços das quatro unidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. É uma pequena prévia de um registro maior que gostaríamos de fazer dos 145 blocos de matriz africana que têm o apoio do Programa de Fomento Carnaval Ouro Negro. Programa que mudou a cabeça e cultura dos gestores de blocos afros que passaram tanto tempo na invisibilidade. Em seu primeiro CD, o projeto “Corredor Midiático” retrata os ambientes sonoros do Terreiro de Jesus, localizado na entrada principal do Centro Histórico de Salvador – Bahia, durante o Carnaval 2010. O circuito foi organizado pelo Pelourinho Cultural, diretoria da nossa autarquia, o Instituto do Patrimônio Artistico e Cultural, que a cada ano vem lutando para aperfeiçoar e qualificar a festa do Carnaval numa área que tem a chancela internacional de Patrimônio da Humanidade. O “Corredor Midiático” é resultado direto dos esforços do nosso Instituto de Radiodifusão Educativa – IRDEB junto ao resgate da memória musical brasileira. A partir de registros in loco da sonoridade das festas populares da Bahia, o CD apresenta um recorte ímpar da expressão artística de nosso povo. Criado com tecnologia itinerante e adaptável, o projeto parte para imersão nas raízes das manifestações culturais durante as festas, extraindo a sonoridade original dos grupos em seu habitat natural, sem cortes, coloridos ou adição de efeitos. Com a supervisão da diretoria de Música da nossa Fundação
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Cultural, esse projeto leva, pela primeira vez ao público, o registro da Troça Carnavalesca “Pai Burukô” do lendário Mestre Didi, um verdadeiro patrimônio da Bahia. Por fim, acreditamos que é através de nossa Fundação Pedro Calmon que este CD poderá alçar vôos ainda maiores, sendo parte do acervo de todas as bibliotecas do estado da Bahia, permitindo o acesso de todo o público, principalmente de jovens que anseiam por entrar em contato com suas raízes. Temos certeza de que esse primeiro volume vai estimular também a iniciativa privada a descobrir as riquezas do nosso povo que passaram tanto tempo escondidas. A Bahia é muito mais do que se passa nas telas durante o Carnaval e que nossa TV Educativa se esforça tanto para mostrar. O “Corredor Midiático” traz uma sonoridade que estava por aí nas ruas, e que pela sensibilidade desse Governo ganha um primeiro registro, simples para a magnitude da manifestação, mas enfático e esperançoso, no sentido de proteger tais manifestações do esquecimento coletivo a que estavam sujeitas.
Salvador, 2010 Márcio Meirelles Secretário de Cultura do Estado
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DISCUTINDO O BRASIL Ciclo de Debates PALESTRANTE Palestrantes: Jorge Portugal, Juca Ferreira e Marcio Meirelles Realização: Comitê dos Petroleiros 14/10/10 Faculdade Jorge Amado – UNIJORGE (SSA – Ba)
Entrevista sobre o curso de Produção em Comunicação e Cultura da UFBA cuja fonte não tenho mais o registro. 1) O curso de Produção em Comunicação e Cultura da UFBA (doravante, Produção Cultural) foi fundado em 1996. De lá pra cá, quais foram as mudanças significativas que o secretário percebeu no cenário cultural da Bahia? MM – A Bahia tem se profissionalizado nessa área, mas ainda falta muito a percorrer. O nível de informalidade na produção ainda é muito grande e existe muita dificuldade do setor em se relacionar com o Estado que, no Brasil e Bahia, tem sido um grande fomentador da área cultura. O Estado exige formalidade que muitos produtores não estão preparados para assumir. Ao mesmo tempo, a máquina estatal não acompanhou o desenvolvimento e avanço da sociedade brasileira em termos de agilidade de respostas necessárias a setores e atividades desta. Os processos são lentos. É urgente uma ampla e profunda reforma administrativa e tributária no país. 2) O mercado de produção cultural (especialmente o da Bahia) está preparado para absorver os profissionais formados na universidade? MM – Não só está como necessita deles. Cada vez mais surge a necessidade de profissionais de produção que estejam antenados com as novas demandas da sociedade e principalmente que
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possam trabalhar com planejamento e eficiência. É importante que os artistas, por exemplo, assumam plenamente suas tarefas de conceber e criar seus discursos e possam se associar a produtores, gestores, técnicos, divulgadores, cada um com suas atribuições específicas e complementares para que a cultura avance e seja de fato uma alavanca do desenvolvimento da Bahia. Essa informalidade em que se atua, tendo nossos artistas que se desdobrar em muitos para realizar seus trabalhos, tem gerado uma realidade perversa e difícil, por exemplo, para a inserção da Bahia no mercado nacional e internacional das artes. 3) Qual a importância do curso de Produção Cultural para o cenário cultural baiano? MM – É muito importante justamente pela necessidade de profissionalização que o mercado exige. A Bahia é grande produtora de conteúdos culturais, com influência em todo o país e repercussão no mundo e sempre é uma referência no imaginário de muita gente pelo que criaram nossos artistas. Na área da música atingimos níveis de profissionalização invejáveis, mas precisamos estender isso para o cinema, para o teatro, para a literatura, que envolve toda a cadeia produtiva do livro, da indústria editorial. É necessário para todas as linguagens. Penso que esses profissionais também serão importantes e
imprescindíveis para a gestão municipal, porque é nos municípios que de fato acontece a cultura de um povo. Com a implementação do Sistema Estadual de Cultura, um grande campo de trabalho estará aberto para esses profissionais que são gestores em potencial. 4) Qual o grande desafio da academia no que se refere à formação dos profissionais de produção cultural? MM – O grande desafio da Academia é acompanhar as rápidas mudanças por que passa a sociedade brasileira no mundo contemporâneo. Alem disso, espera-se que os estudiosos possam contribuir com a modernização do Estado brasileiro e todas as reformas que precisamos realizar com urgência. Como centro de estudos e reflexão, as universidades podem estudar modelos em diversos países e ajudar a construir o nosso modelo. As universidades têm sido parceira da Secretaria de Cultura, por exemplo, para a criação de cursos de gestão que estão aprimorando e aperfeiçoando o trabalho dos gestores públicos da área de cultura nos municípios baianos. Outro grande desafio que a Academia sempre enfrenta é partir da prática e da realidade para a reflexão e desta para a prática. Vencendo o risco de se fechar
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em muros de papel e de conteúdos digitais distantes das necessidades concretas da sociedade. 5) O secretário já teve algum interesse em dar sugestões para a composição da grade curricular do curso de Produção Cultural da UFBA? MM – Não tenho conhecimento da grade curricular e não acredito que esta seja uma função de um secretário de Estado. Acho que o mercado em si já é uma boa medida para se aperfeiçoar a grade. Por outro lado, a Academia tem conhecimento do funcionamento do Estado, o que lhe permite interagir com ele. Acredito que, nos últimos anos, a aproximação da SecultBA com as universidades públicas da Bahia, através de convênios de colaboração, de certa forma acabou influenciando o próprio ensino, na medida em que sinalizou necessidades da sociedade. Os cursos, que citei, na área de gestão são um bom exemplo disso.
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ENTREVISTA FOLHA DIRIGIDA MARCIO MEIRELLES salvador, 20 de dezembro 2010 - Como funciona essa parceria com o Programa Mais Cultura? Quais são os projetos da Secretaria de Cultura para o ano de 2011? O Mais Cultura é um Programa do Ministério da Cultura. É um Programa estruturante que tem transformado a vida de muitas comunidades em todo o Brasil. O projeto mais antigo e de maior sucesso do Programa são os Pontos de Cultura. A Bahia foi o primeiro estado brasileiro a estadualizar essas políticas (veja aqui o mapa). A partir de 2008 criamos um edital de Pontos de Cultura, ampliando o numero de Pontos na Bahia de 70 para 220. Dos R$ 27 milhões que seriam investidos em três anos, o estado deu uma contrapartida de R$ 9 milhões. Uma das coisas importantes do Programa é que ele também faz valer o pacto federativo, onde cada unidade da União, se responsabiliza por uma parte da ação. Em 2011 está programada a abertura de 150 novos Pontos. A Bahia também acabou de ser contemplada com 67 Cines Mais Cultura, um outro edital do Programa, que prevê a instalação de salas de audiovisual em municípios baianos. Também temos os Microprojetos Culturais que destinaram recursos da ordem de R$3 milhões para projetos culturais no Semi Arido baiano. - Quais foram as principais conquistas em 2010? A conquista é de quatro anos. Modificamos a forma de se pensar Cultura no estado da Bahia. Hoje, o Governo vê a Cultura como prioridade. Isso é o mais importante para a gente. Fortalecemos as gestões municipais, pensamos a Bahia de forma territorial, o que ajudou a implementação de políticas
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públicas. Estimulamos a criação de diversas redes, então hoje temos os gestores de cultura municipais articulados em uma rede, trocando informações, percepções e práticas de gestão. Temos uma rede de 200 museus em todo o estado que se encontram anualmente para discutir política pública. Temos a rede de Pontos de Cultura e assim vai. Isso está dando base e musculatura para a criação de um Sistema Estadual de Cultura. Hoje a Secretaria trabalha para o cidadão para que ele tenha acesso aos meios de produção e aos bens produzidos. Em termos numéricos, triplicamos o número de visitas aos Museus, apoiamos mais de 1.200 projetos artísticos, demos apoio para a realização de festivais de artes em todo o estado e passamos a trabalhar para os 417 municipios baianos. Somos o segundo estado que mais investe em Cultura no Brasil. - Como está o quadro geral de servidores hoje? Existe carência em alguma área? Vivemos uma situação crítica. A SecultBa é uma espécie de “meia secretaria” pois fomos desmembrados da antiga Secretaria de Cultura e Turismo. Nosso orçamento, apesar de ser o segundo do Brasil em investimentos na Cultura, é menos de 1% chegando a pouco mais de um através de convênios e suplementações. Hoje atendemos a uma
demanda de projetos quatro vezes maior com o mesmo número de funcionários. A equipe estratégica da Secretaria trabalha dobrado pois acreditam nesse projeto político. Temos uma reforma administrativa para ser votada na Assembleia que pode dar uma equilibrada pois oficializa a criação de alguns cargos, setores e institutos. Isso talvez seja um problema geral na administração pública brasileira. A sociedade avançou, mas o Estado não acompanhou a mudança. Em termos de órgãos ligados à Cultura, a situação é mais grave porque os oito anos de Governo Lula modificaram muito o entendimento da Cultura. A demanda aumentou absurdamente. - Quantos funcionários são concursados, temporários e terceirizados? A Secretaria de Cultura tem uma estrutura grande com quatro unidades vinculadas: a Fundação Pedro Calmon, o Instituto de Radiodifusão da Bahia, a Fundação Cultural do Estado da Bahia, e o Instituto de Patrimônio Artistico e Cultural do Estado da Bahia. Ao todo temos 3.563 funcionários, sendo 986 concursados, 643 temporários em cargos, 559 em REDA e 880 terceirizados. - Há a previsão para a substituição de terceirizados?
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Dificilmente o Estado será capaz de substituir funcionários terceirizados no setor de segurança e limpeza. Mas questões como essa podem ser respondidas pela Secretaria de Administração do Estado da Bahia, responsável pela política do funcionalismo no estado. - Em relação ao quadro, quais são as metas da Secretaria? A meta é ter um quadro de funcionários para atender adequadamente a demanda. - Qual a importância da contratação de concursados na Secretaria de Cultura do estado? O Estado brasileiro precisa de uma profunda reforma. As questões de concurso, estabilidade, etc são grandes questões. O importante é eficiência, capacidade técnica e políticas permanentes de atualização, incentivos, metas claras. A primeira coisa a ser feita pela próxima gestão é o diagnóstico dos quadros e um plano de cargos e salários para os funcionários da cultura. Estamos pensando num modelo de gestão que pode resolver vários problemas na área dos serviços culturais prestados por órgãos da Secretaria. - Quais são as políticas que a Secretaria
desenvolve para servidores?
valorizar
os
seus
Conforme falei anteriormente, o Estado carece inclusive de políticas de RH. Nós valorizamos os servidores principalmente reconhecendo e respeitando cada um deles como parceiros. Sempre nos reunimos setorialmente ou coletivamente para prestação de contas, para comunicações e escutas. Nos colocamos todos como colegas, trabalhando para um mesmo fim. Portanto compartilhamos pensamentos na tentativa de trabalharmos como um sistema, sem ‘caixas’, como um organismo cultural vivo, onde cada um tem importância fundamental para o sucesso do projeto que desenvolvemos. - Como é exatamente o trabalho do agente de leitura? O Agente de leitura desenvolverá atividades culturais direcionadas à difusão do livro e da leitura, atuando em suas comunidades, nas bibliotecas públicas municipais e escolares e nos Pontos de Leitura e nos Pontos de Cultura. Pontos de Leitura e Pontos de Cultura são iniciativas da sociedade civil que recebem apoio do Ministério da Cultura para oferecer atividades culturais para importante parcela da população.
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- O que seria essa capacitação de 196 horas por aula? O Agente de Leitura selecionado receberá formação que será realizada de duas formas: Presenciais, através de oficinas com carga horária de 96 horas, ministradas por capacitadores e divididas em Nível Básico (início do Projeto – 40 horas), Nível Aprofundado (seis meses depois – 40 horas) e Nível Complementar (Final do Projeto – 16 horas) e também através de Educação à Distância, com carga horária de 96 h, via internet. A metodologia de formação do agente está sendo desenvolvida pela Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio, responsável pela Coordenação Nacional Pedagógica do projeto. Importante destacar que somente os 572 selecionados receberão a capacitação. - Qual é o perfil ideal de um agente de leitura? O Agente de Leitura deve ser jovem com idade entre 18 e 29 anos identificado com habilidades educacionais e culturais, com escolaridade mínima de ensino médio que resida no município e comunidade em que irá atuar. - Qual a jornada de trabalho do agente de leitura?
Cada Agente de Leitura deve prestar carga horária de 25 horas semanais, atendendo a 25 famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família, por um período de um ano. - Como o candidato deve se preparar? A prova a ser aplicada inclui interpretação de texto, produção textual e leitura oral, nesse sentido uma dica é fazer leitura antecipada de textos e livros nas bibliotecas dos seus municípios. - Quais são os objetivos do programa e quais as expectativas a Fundação Pedro Calmon tem sobre? O objetivo principal da ação Agentes de Leitura é promover a democratização do acesso à produção, à fruição e à difusão cultural, através do livro e da leitura, como ação cultural estratégica de inclusão social e de desenvolvimento humano, por meio de atividades de socialização de acervo bibliográfico e de experiências de leituras compartilhadas, como exercícios de cidadania, de compreensão de mundo e de ação alfabetizadora. Além da qualificação profissional através da Leitura, da literatura, da educação e da cultura, a FPC espera; contribuir para a melhoria dos índices de desenvolvimento humano dos Agentes
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de Leitura e das famílias atendidas; com a geração de trabalho e renda para jovens e adultos de baixa renda dos municípios atendidos; estimular a cadeia mediadora da leitura; criar ambientes de convivência para a leitura como espaços de socialização, de estudo e de formação leitora; formação de leitores e da melhora da compreensão leitora; participação da comunidade no desenvolvimento das ações compartilhadas; melhoria do rendimento escolar e do interesse pela leitura entre crianças e jovens atendidas pelo projeto. - Há alguma possibilidade de surgir um novo concurso? A criação de concurso para o estado da Bahia é uma responsabilidade e atribuição da Secretaria de Administração. A Secretaria de Cultura já fez pedidos para que fossem realizados para algumas funções. - Se sim, qual é a previsão de vagas? Quais cargos deverão ser contemplados? Quais os requisitos para concorrer a um desses cargos? Quais são os salários e os benefícios que a companhia oferece a esses profissionais? Já existe alguma previsão para lançamento de edital? Quem deverá ser a organizadora? Todas essas perguntas só podem ser respondidas pela Secretaria de
Administração que é a responsável pela execução e todos os assuntos relacionados à Concurso Público. Mas antes, é preciso avaliar uma série de variantes como orçamento, lei de responsabilidade fiscal, prioridades do Governo, e principalmente um diagnóstico dos quadros da Secretaria de Cultura, e sua reestruturação, redimensionando-a para o seu papel, para sabermos a real
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II ENCONTRO SOBRE POLÍTICAS DE INTERC MBIO NA CPLP FestLuso – Festival de teatro Lusófono 15 a 21/11/10 IV Mesa: Comunidade artística e Poder Público: fórmulas para o diálogo Participantes: Alexandre Santini – Grupo de Teatro Tá Na Rua, Marcio Meirelles – Secretário de Cultura da Bahia, Sônia Terra – Presidente da Fundação Cultural do Piauí Mediador: Francisco Pelé 17/11/10 Museu do Piaui (Terezina – PI) QUE FALE SANTO AMARO Abertura da mesa redonda: Em busca da verdade sobre a dança do MACULELÊ Composição da mesa: Emília Biancardi, Mabel Veloso, Maria Mutti, Roberto Mendes e outros Realização: Emilia Biancardi – Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais 19/11/10 Teatro Dona Canô (Santo Amaro – BA) 100 ANOS DE CINEMA BAHIANO Caixa com 12 dvds Texto de apresentação Realização: Cinemateca Brasileira, MINC, SECULT BA Lançamento: janeiro/2011
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Texto de apresentação ao último volume do Infocultura publicado em nossa gestão, que noticia a orientação política para o audiovisual montada e implementada pelo sistema criado entre os órgãos da Secretaria de Cultura que lidavam com setor e trabalhavam juntos: A Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia (DIMAS), que tratava de políticas e o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) que diminuiu drasticamente a produção estatal de conteúdos para fomentar a produção e distribuição dos conteúdos da sociedade civil. Isso, e uma articulação com o Ministério da Cultura, Agência Nacional de Cinema (Ancine), Universidade Federal do Reconcavo da Bahia (UFRB), ajudou a florescer o audiovisual na Bahia, que, até 2006, há 20 anos não produzia um longa metragem exceto por um, o Eu me Lembro, de Edgard Navarro, fruto de um edital gerado por pressão da categoria, movida pelas novas políticas do governo federal do Ministério Gil/Juca. A edição publica o Diagnóstico do Audiovisual na Bahia, pesquisa detalhada e minuciosa que demorou bastante para ser realizada por uma equipe da UFBA, liderada por Paulo Miguez. É com grande satisfação que lançamos esta edição especial do INFOCULTURA – Economia do Audiovisual, contendo reflexões e pesquisas de especialistas, gestores e agentes produtivos do setor. São artigos diversos, bastante recentes, que revelam aspectos da dinâmica produtiva do audiovisual, em diversos campos, como produção, difusão, acesso, regulação, financiamento. Nesta edição, destacamos a pesquisa inédita Diagnóstico do Audiovisual na Bahia, do economista Paulo Miguez, que fez este estudo para o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), e agora chega ao público. Além do texto aqui publicado, encartamos como anexo a pesquisa completa.
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O Diagnóstico do Audiovisual na Bahia é mais uma incursão da secretaria nesta tarefa de levantamento e consolidação de dados e indicadores sobre o setor cultural baiano, missão que vimos cumprindo com afinco e persistência. O Diagnóstico do Audiovisual na Bahia é, para nós, muito mais do que um banco de informações; em última instância, ele é resultado do nosso desejo e interesse em conhecer a fundo a realidade local e, sem dúvida, se configura como patrimônio da sociedade e deste governo. Seu principal mérito é reconhecer o audiovisual como atividade complexa e sistêmica, onde atuam artistas, artesãos, técnicos e agentes produtivos os mais diversos. Ainda que, em sua maioria, dispersos e pouco articulados, reconhecemos sua atuação em rede e vimos, desde 2007, construindo e implementando políticas públicas que promovam a mobilização e interação entre esses agentes, para fortalecer e consolidar o audiovisual em nosso estado. Assim, por meio de editais e outros mecanismos de fomento, vimos provocando o encontro da produção independente com a televisão pública; dos realizadores de mostras e festivais com cineastas e produtoras audiovisuais e destes com os agentes do campo da memória; dos pesquisadores e críticos com os cineastas; dos produtores de música com os de audiovisual; entre outras conexões. Desde 2007, cinema, televisão, jogos eletrônicos e as produções destinadas à veiculação em mídias móveis e redes de comunicação digital passaram a ser alvo das políticas públicas da Bahia. Por isso, outro mérito da pesquisa Diagnóstico do Audiovisual na Bahia é justamente incluir neste estudo as diversas vertentes do audiovisual. Ao tempo em que publicamos o Diagnóstico do Audiovisual na Bahia, iniciamos, junto com a Agência Nacional do Cinema
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(Ancine), a execução do Programa Imagens da Bahia, mecanismo especial de fomento que vai assegurar a produção de 50 obras audiovisuais e a distribuição de três longasmetragens baianos, ainda inéditos no circuito comercial de exibição. As ações do programa serão amparadas por oficinas de capacitação técnica para qualificação dos projetos e produtos. Somos o primeiro estado brasileiro a lançar mão dessa ferramenta estratégica de fomento, criada pela Ancine em 2007 e que agora é adotada por nós, como ação de fortalecimento das políticas públicas que vimos implementando para o setor. Apesar de ser uma ação pontual, o Programa Imagens da Bahia atende a parte das recomendações e demandas sinalizadas no diagnóstico. Precisamos avançar, governo e sociedade, para a consolidação dessas políticas. Com o INFOCULTURA - Economia do Audiovisual estamos, sem dúvida, contribuindo para a ampliação do debate e melhor compreensão da atividade audiovisual no Brasil e, em especial, na Bahia. Boa leitura! Marcio Meirelles Secretário de Cultura da Bahia novembro, 2010
http://www.cultura.ba.gov.br/arquivos/File/Miolo_Infocultura_n_05_web.pdf
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FESTIVAL 5 MINUTOS Caixa com dvds Texto de apresentação. Realização: Dimas/FUNCEB, IRDEB, SECULT-BA PRONUNCIAMENTO MEIRELLES
DO
SECRETÁRIO
MÁRCIO
Em 2007, durante a II Conferência Estadual de Cultura, dizíamos que a resistência ao novo tem como resultado apenas o que já é conhecido e que o medo de perder a estabilidade é paralisante. Estávamos iniciando um novo ciclo, no qual era imperioso rever conceitos e práticas, pensar e agir de forma estadualizada, cooperativa, transversal e participativa. Colocar a cultura na centralidade do desenvolvimento e institucionalizar uma política consistente de Estado. Revelar e tratar as identidades de toda a Bahia. Avaliando os caminhos trilhados nesses anos, temos a convicção de que muitos foram os acertos, mas que ainda há muito que transformar, aperfeiçoar, estruturar. Porque o que queremos nessa Bahia de todos os credos, de todos os gêneros, de todas as raças, de todas as artes e em todos os cantos, é abrir oportunidades, gerar as condições para que os bens materiais e imateriais da cultura produzidos no nosso estado possam ser valorizados, difundidos, potencializados, salvaguardados, com a clara compreensão do papel dos governos como fomentadores desse processo. Contudo, o que já foi percorrido neste Governo semeou uma nova forma de pensar e atuar na gestão da cultura na Bahia. Não é demais repetir que até então a cultura, associada exclusivamente ao turismo, tornava certas regiões privilegiadas, gerando e reforçando uma “identidade
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baiana” adequada ao consumo externo. Os segmentos de atuação, em decorrência, foram focados no patrimônio físico, nas manifestações populares mais midiáticas e em alguns segmentos das linguagens artísticas. Nós partimos da compreensão de que a transversalidade da cultura está presente na importantíssima política de turismo, mas está igualmente nas políticas da educação, da ciência e tecnologia, do meio ambiente, do trabalho, da promoção da igualdade, da economia, enfim, do desenvolvimento humano sustentável. Alinhamo-nos ao conceito contemporâneo, ampliando o raio de atuação da área cultural, assim como inauguramos uma forma descentralizada de acessibilidade que chegasse a todos os territórios da Bahia. Despertamos, em todos os lugares, o sentimento de que há um direito a ser assegurado e tratamos de ofertar capacitações para o exercício desse direito. Determinamos, em consequência, uma prática de financiamento com regras claras e públicas, com ênfase no mérito e nas metas a serem atingidas. Apostamos no processo participativo e inclusivo, na parceria e no diálogo social. Do ponto de vista da gestão, tomamos como meta prioritária a construção de um Sistema Estadual de Cultura para a Bahia, de modo que a cultura fosse definitivamente tida
como uma política de Estado, tratada em sua especificidade e compreendida como central ao nosso desenvolvimento. Para isso, instalamos e apoiamos o Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura, firmamos protocolos de intenções com 349 municípios e demos assistência a 128 para montagens de sistemas municipais, implantamos 26 Representações Territoriais de Cultura, capacitamos gestores e técnicos em cultura, reativamos os sistemas setoriais e, nas duas conferências estaduais de cultura de 2007 e 2009 mobilizamos mais de 80 mil pessoas para discutir e formular política cultural. Coroamos esses 4 anos com a elaboração do projeto de Lei Orgânica da Cultura que institucionaliza esse Sistema e estabelece o marco legal para a política estadual. Também concernente a gestão e ao Sistema, tratamos de reformular as sistemáticas de fomento à cultura, tendo como foco a adoção de um modelo abrangente, diversificado e acessível. Foi suspensa a aplicação de recursos do Fundo de Cultura para projetos de entidades estaduais e de prefeituras, sendo esses recursos integralmente direcionados para a sociedade e, em especial, para estadualizar o acessso permitindo a seleção de mais projetos no Interior. Em 2006 houve o registro de
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40 projetos apoiados por esse mecanismo e em 2010 mais de 306 estão sendo contemplados. Ao longo de 4 anos, foram lançados 98 editais, com apoio a mais de 700 projetos em 13 segmentos. Novos meios foram viabilizados: o Calendário de Apoio, o Credifácil Cutural, o CrediBahia Cultura. Regulado e implantado programa de apoio a instituições culturais sem fins lucrativos: 13 instituições hoje são apoiadas, com o valor de 5,5 milhões anuais. Adicionalmente, iniciamos o trabalho de entendimento e fomento da economia da cultura. Foram seis pesquisas e um estudo, vários seminários e duas participações internacionais e a inclusão da Secretaria na Câmara de Comércio e Serviços do Conselho de Desenvolvimento Industrial. Junto com a União, será instalado o Centro Nacional de Design e Moda em Salvador e concluímos 2010 com a aprovação, pela Agência Nacional de Cinema, do Programa Imagens da Bahia que impulsionará a indústria criativa do audiovisual voltado para tv. Na questão patrimonial o Governo tomou a si a tarefa de resignificar o desenvolvimento do Centro Antigo de Salvador - CAS através de um Plano de Reabilitação Sustentável e Participativo concluído no prazo recorde de 2 anos. As 14 proposições integrantes do Plano foram discutidas com mais de
600 pessoas e envolveu um modelo de gestão que contou com a Unesco, organismos federais, da sociedade civil e da Prefeitura da Capital. Paralelamente, ações concretas foram viabilizadas como o restauro de monumentos importantes, regularização de imóveis, capacitação de comerciantes, elaboração de projetos executivos e a implementação do Pelourinho Cultural, que promoveu mais de 3 mil apresentações envolvendo mais de 2 mil artistas e grupos locais, nacionais e internacionais. Infelizmente, esse esforço não foi acompanhado por uma gestão municipal, em especial do Centro Histórico, que desse conta das necessidades do dia a dia de quem ali vive, trabalha e passeia. O Plano foi contemplado com o Prêmio Melhores Prática da CAIXA e está indicado ao Best Practices da ONU. Ainda nesse segmento, foram concluídos quatro processos de registro especial do patrimônio imaterial – Cortejo de Sta Bárbara, Afoxés, Festa da Boa Morte, carnaval de Maragogipe - e cinco de tombamento bens imóveis. Em Cachoeira, São Félix e Lençóis, com investimento de R$ 24 milhões logradouros foram requalificados e monumentos restaurados, com destaques para Quarteirão Leite Alves, Igreja N.Sa. do Rosário, Sede da
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Prefeitura de Lençóis e Orla de São Felix. Os museus da Bahia foram mapeados e um grupo executivo formado para traçar política específica, que já se iniciou com os editais para essa área. Naqueles pertencentes ao Estado tratamos de registrar os acervos das 67.524 peças e imprimir nova dinâmica com 146 exposições que recebeu 1.102.555 visitantes. São destaques: reabertura do Palacete das Artes e instalação do museu Rodin Bahia, exposição da coleção MAM Bahia, restauro e exposição das coleções de arte sacra do Museu Abelardo Rodrigues, de arte africana Claudio Masella e de arte popular Lina Bo Bardi. Vamos zerar o déficit de bibliotecas municipais da Bahia até 2010. Foram 143 implantadas e uma especializada, com 762 servidores treinados. Em Salvador, as bibliotecas estaduais passaram a abrir nos finais de semana e estão ampliados os serviços de atendimento a deficientes visuais e auditivos. No campo do livro e da leitura, viabilizamos a presença de editoras e autores nas bienais de Rio, Minas, São Paulo e Paraná em parceria com a Câmara Baiana do Livro e, através da Secretaria da Fazenda, foram simplificados os procedimentos de consignação tributária da cadeia produtiva. Estão indicados os trabalhos de elaboração do Plano Estadual
e dos Planos Municipais do Livro e da Leitura, juntamente com a Secretaria da Educação. A radiodifusão pública também registrou avanços. O sinal da TVE passou a chegar para 401 sedes de municípios e 33 povoados. Foi firmada associação à Rede de TVs Públicas com produção e compartilhamento com a TV Brasil e foi obtida outorga para a transmissão digital. Passamos a transmitir ao vivo as principais manifestações culturais e festas populares, antes veiculadas apenas como matérias jornalísticas. Foi iniciada a produção do programa Tô Sabendo, o Soterópolis foi ampliado e a produção independente passou a ser incorporada na programação. Nove novos programas foram criados na Rádio Educadora e, a cada hora, estão sendo veiculadas músicas de autores baianos. O fomento às artes e à cultura popular se transformou, seguindo as diretrizes de democratização e de estadualização. Para construir as bases de uma política pública para as culturas populares e identitárias, foram realizados o 1º E14 – encontro de 14 povos indígenas, o 1º Encontro Baiano de Artesanato e o 1º Encontro das culturas populares e identitárias da Bahia. O Projeto Irê Ayó tratou de conceber e implementar a
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formação de educadores, nos mais variados segmentos, para tratar da formação étnicoracial do nosso povo. No campo da música, destacam dois projetos que dialogam com o erudito e o popular. O Núcleo Estadual de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBÁ) foi implantado e publicizado com duas orquestras – a 2 de Julho com 94 integrantes, idade entre 13 e 24 anos, e a Orquestra Castro Alves com 59 músicos, de 8 a 16 anos. Já o Programa de Fomento a Filarmônicas da Bahia foi implantado após mapeamento de 183 agremiações, apoia 89 delas com R$ 2,8 millões para ações próprias e mais capacitação, site, catálogo e memória, totalizando R$ 3,6 milhões em investimento. No segmento da dança houve a unificação do Balé do Teatro Castro Alves - TCA, que passou a atuar com nova concepção e o projeto Quarta que Dança ampliou as categorias de apoio. O curriculo da Escola de Dança da FUNCEB foi completamente reformulado e em 2010 foi registrada matrícula de 1.516 alunos, mais que duplicando seu atendimento em relação a 2006. O Núcleo de Teatro do TCA também foi reformulado e tem ostentado sucesso de público e de crítica para os projetos
selecionados nas categorias adulto e infantil. O apoio a festivais de teatro em todo o estado dinamizou a circulação e, especificamente, o estímulo à criação do FIAC – Festival Internacional das Artes Cênicas, fortaleceu a inserção da Bahia nos circuitos nacionais e internacional. Ainda em relação ao Teatro Castro há que se registrar a criação do Domingo no TCA, propiciando o acesso do público a espetáculos de alta qualidade e diversidade pelo valor de R$ 1,00, sendo associado, nos últimos meses de 2010, ao Vão das Letras, ação de incentivo ao livro e a leitura. Novo projeto arquitetônico está sendo elaborado para o Complexo TCA, fruto de concurso nacional em parceria com o Instituto dos Arquitetos. As obras ou conjunto de obras públicas e semi-públicas de Salvador foram mapeadas e divulgadas via internet. Os Salões Regionais das Artes Visuais foram ampliados, perfazendo 12 exposições que exibiram 338 propostas selecionadas, premiando 75 artistas e homenageando ou convidando 10 outros, com público de 16,5 mil pessoas em todo o estado. O audiovisual registra ações significativas, como a retomada do Festival 5’, a criação do Animai! Encontro Baiano de Animação, hoje
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com repercussão internacional, bem como a implantação do Circuito Popular de Cinema. Os filmes baianos Leão de 7 cabeças, Barravento e A grande feira foram recuperados com o apoio do Governo da Bahia, que assumiu a coordenação do DOC TV – Bahia, Brasil e CPLP. A Cimemateca da Bahia e o Templo Glauber Rocha são projetos já viabilizados junto ao Ministério da Cultura a serem instalados no Passeio Público, em Salvador. Como se vê, já é de se comemorar vários acontecimentos, fruto do trabalho corajoso e persistente da nossa reduzida equipe de colaboradores. Pesquisa realizada pelo Pcult – Partido da Cultura, fórum suprapartidário não governamental que contribui para o aprimoramento das políticas culturais, apontou a Bahia como o segundo Estado que mais investe em cultura no ranking nacional a partir de 2007 e o primeiro no Nordeste. Embora com orçamento ainda insuficiente, este fato é revelador de um Governo que deu relevância ao setor cultural no seu programa de trabalho. Os resultados desses anos estão registrados e sua avaliação nos permitirá ratificar ou corrigir estratégias nessa magnífica missão de fomentar a pluralidade e a diversidade da cultura da Bahia.
Márcio Meirelles Secretário de Cultura 3 de novembro de 2010
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O DISCURSO FINAL Bom dia a todas as pessoas presentes. Mais que o tempo, o espaço separa este janeiro do janeiro de 2007. A distância física não é muita: poucas centenas de metros separam o Palácio Rio Branco, onde estamos, da Rocinha ou Vila Esperança ou Vila Nova Esperança, onde assumi o cargo, em 2007, mas um universo nos separa de lá. O que gostaria agora era de estar inaugurando sua reurbanização, a partir do brilhante projeto de Marcelo Ferraz, e vendo a reocupação do espaço, por seus moradores. Não foi possível. Na Rocinha, em 2007, não me transmitiram o cargo, como fazemos agora. Não existia uma Secretaria da Cultura nem um secretário para tal ato. Isto foi inaugurado pelo governo Wagner, ali. Quando apresentei equipe e projeto. Naquele janeiro de 2007 chovia e tinha muita lama na vila Nova Esperança, mas sete secretários e a primeira dama estavam naquela comunidade onde o Estado nunca esteve, a não ser através da polícia. No dia seguinte um jornal estampava, na primeira página, uma foto onde eu, no ar, pulava uma poça de lama. Foi o que fiz muitas vezes durante a gestão. Tive que pular muitas poças de lama. A reportagem dizia que meu discurso foi mais o de um diretor de teatro do que o de um secretário. Como se houvesse uma dicotomia e fosse possível eu ser um sem ser o outro. Durante estes quatro anos, o que fiz foi trabalhar muito para transformar um discurso em ação e para que esta transformasse a realidade do público. Isso é o que faz
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um artista e foi o que fizemos a equipe da secretaria e eu. Naquele janeiro, coloquei o capital simbólico de meus 35 anos de vida pública como trabalhador da cultura a serviço de um projeto político, no qual acredito e continuo engajado, onde quer que eu esteja, trabalhando para que continue a dar certo. Acredito porque este sempre foi também o meu projeto político, como artista: descentralizar, democratizar o acesso, construir redes, sistemas, ouvir, trabalhar coletivamente. A praxe seria agora prestar contas de tudo que fizemos. Mas seria tedioso, porque muito foi feito. Muito mais do que permitia nossa estrutura frágil e nosso pequeno orçamento – apesar de ser o segundo maior orçamento para a Cultura de todos os estados do Brasil. E se fizemos tanto é porque contávamos com uma equipe que era um time dos sonhos: o time que qualquer secretário de cultura do mundo sonharia em ter. Estiveram comigo Pola, Angela, Ivana, Paiva, Gica, Bira, Fred, Hirton, Vanda, Bete, Romulo, Monique, Paulo, Moacir, Ricardo e foram chegando outros ou já estavam e foram se incorporando, entendendo, acreditando, comprando a briga, arquitetando e construindo uma revolução. Neuza, Bia, Daniel, Patrícia, Solange, Everaldo, Troi, Marcos, Dulce,
Sérgio, Vanderlei, Ciro, Lúcia, Daniele, Olímpio, Glauber, Renata, Dora, Sofia, Vera, Olga, Vanderson, Taiane, Ingrid, Cyntia, Iuri, Shirley, Gil, Ivonete e muitos outros e os mobilizadores e os representantes territoriais e os mais de três mil funcionários que não pouparam esforços pelo nosso projeto. Pena que alguns poucos não tenham se incorporado a ele porque não entenderam, não acreditaram, não quiseram comprar a briga ou mesmo porque não quiseram que desse certo. Mas deu. Lamento que neste time eu não tenha podido contar com a colaboração de Cristina Castro. Perdeu a Bahia a competência de seu talento como artista, produtora e gestora. Eu tive que me contentar com a melhor parte: seu amor, paciência, tolerância e força. Portanto, ao invés de um relatório, prefiro dizer apenas que trabalhamos orientados pelo conselho de Makota Valdina ao governador, no dia da posse do seu primeiro mandato: “veja as árvores, elas dão frutos porque têm raízes. Fortaleça as raízes que os frutos virão.” Foi o que foi feito. Os frutos estão aí. Agora, é colher, distribuir e espalhar as sementes. Alimentar novas raízes e tornar a ver os frutos brotarem.
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Para isso deslocamos o olhar para os 26 territórios de identidade, para os 417 municípios, para os 14 milhões de cidadãos baianos, todos eles produtores culturais, todos com direito constitucional de acesso à cultura, como à educação e à saúde. Não é possível se pensar em políticas públicas para a Cultura cujo centro sejam os artistas e não os cidadãos. É como se Educação tivesse como meta atender aos professores e a Saúde aos médicos. Todos eles – professores, médicos, artistas – são agentes das políticas do Estado para promover o desenvolvimento e bem estar da população. E não pode ser de outra forma. Albino, a Secretaria da Cultura, tem três grandes desafios, neste segundo mandato do governador Jaques Wagner: aproximar-se mais da Educação, para que a musculatura desenvolvida pela produção cultural baiana tenha eco e retorno; preparar o estado para que o legado da copa, no campo da engenharia do espetáculo, seja estruturante para nossa economia; e consolidar muito do que foi feito, começando pela aprovação da Lei Orgânica da Cultura, que está na Casa Civil, e a seguir, cuidando da reestruturação da secretaria para que ela esteja apta a atender de fato à Cultura baiana em todas as suas dimensões. Isso, como a reurbanização da Rocinha, não foi possível fazer. Cabe a você agora levar adiante essa jovem
secretaria, de apenas quatro anos, Albino. É pública a minha admiração pelo seu pensamento, sua competência e seu trabalho. Como é público o meu respeito e carinho à sua pessoa. Conte comigo como amigo e peão, no que for preciso. É com orgulho que agradeço o apoio e a confiança do Governador Jaques Wagner. Entendo que ele reconhecia em nosso trabalho as diretrizes de seu governo e as orientações que nos deu, na primeira reunião do secretariado: que trabalhássemos na instalação deste Estado, republicano e democrático, que promove o bem estar de todos a partir de um desenvolvimento pautado em valores maiores que o monetário. E esta é a Bahia que temos agora. Devo dizer que o mesmo apoio e confiança que tivemos do governador, recebemos de todo o Governo. Agradeço portanto a todos os secretários e suas equipes e, mais particularmente, aos da Fazenda, do Planejamento, da Administração e a seus técnicos, pela sensibilidade com que sempre trataram as questões da Cultura. Assim como agradeço também ao Legislativo. Importante também dizer que o alinhamento com o Ministério da Cultura e o apoio dos ministros Gil e depois Juca,
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como de todos daquele ministério, que foi um divisor de águas na política brasileira, foram fundamentais para a construção de nossas políticas e do pacto federativo na área da Cultura. Também é importante agradecer a todos os prefeitos da Bahia, especialmente àqueles que estiveram mais próximos e entenderam nosso projeto. E aos dirigentes municipais da cultura, por todo o trabalho que fizemos juntos mas, principalmente, pela criação da Associação dos Dirigentes Municipais da Cultura que, tenho certeza, vai mudar o cenário das políticas municipais da Bahia. Por fim, agradeço também aos mais de 100 mil baianos que participaram das conferências de Cultura e a todos os artistas e cidadãos produtores culturais, pelos conselhos, críticas e elogios à nossa gestão, porque ajudaram a nortear e fortalecer nosso caminho. É engraçado: agora volto para o meu lugar de artista, de onde nunca saí, e saio do lugar de político, coisa que um artista não deixa nunca de ser.
marcio meirelles Salvador, 23 de janeiro de 2011
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No 12 de setembro de 2012, dia em que foi anunciada a nomeação de Marta Suplicy para o Ministério da Cultura, num evidente toma lá dá cá pelo apoio à candidatura de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, fiz um pronunciamento, com o título Poder Sentar Um Pouco à Beira da Estrada, na abertura do seminário: Cultura / Políticas Públicas: A Conexão Acadêmica, realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi um discurso trôpego e tosco, ainda mal formulado, talvez pela proximidade temporal com os acontecimentos da nossa gestão no Estado e pelo impacto do início da derrocada, com Ana de Holanda e agora com Marta, de um sistema brilhante para Políticas de Estado para a Cultura, que pensávamos poderia ser irreversível. Foi uma fala meio atordoada pela tentativa de, ao mesmo tempo, fazer um mea-culpa e defesa de um período em que fui combatido e combati em favor de um abstrato outro, por ideias, pela crença de que tudo aquilo mudaria a relação da sociedade com a arte e a cultura, que poderia criar a sustentabilidade, ou o início de, para este setor. Hoje tenho sentimentos ambivalentes sobre aquela coisa toda. Samuel Araújo, da Escola de Música da UFRJ, me apresentou:
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Gostaria de passar, então, para a parte provocativa do dia, com a performance de Márcio Meirelles, um criador teatral. Márcio foi conduzido a esta arte por Jurema Pena e começou a fazer teatro universitário como atividade política, em 1972. Em 1976, com Maria Eugênia Milet, criou o grupo Avelãz y Avestruz. Em 1990, ao lado de Chica Carelli, criou o Bando de Teatro Olodum. Em 1994, ao lado de muitos artistas, entre os quais ngela Andrade e Cristina Castro, iniciou a reforma e revitalização do Teatro Vila Velha, hoje referência como centro de formação, criação, intercâmbio e difusão das artes cênicas. Márcio também foi condecorado Cavaleiro da Ordem do Mérito da Bahia, por sua trajetória na área cultural. E foi Secretário de Cultura do Estado da Bahia, de 2007 a 2011. Em 2011, assumiu a direção do Teatro Vila Velha, que vem conduzindo até hoje. Ao saudar Márcio, eu saúdo também nossos convidados que irão atuar nas quatro mesas parte da programação de amanhã e depois de amanhã. Convido, portanto, Márcio Meirelles para assumir os trabalhos imediatamente. Peço uma salva de palmas. Boa-noite, todo mundo. Isto aqui, menos que uma performance, é um pensar alto. Tentei escrever coisas, tentei organizar pensamentos, mas o momento é realmente muito líquido, caótico, ou seja lá que nome tenha, e eu não consegui organizar tudo da maneira que normalmente a Academia procede. Penso que talvez seja exatamente esta a provocação. Então, quero primeiramente agradecer às universidades e ao projeto por estarem discutindo isso, por estarem repensando seu papel e propondo coisas também, à medida que as discussões avançam. Quero agradecer pessoalmente a Liv [Sovic] e a Samuel [Araújo] pelo convite. Fiquei muito feliz de poder, de alguma maneira, colaborar com esses pensamentos, com alguma coisa
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da minha experiência e da minha vivência pessoal, nesta discussão. De cara, estava ouvindo as pessoas aqui e percebi que o seminário tem palavras muito complicadas, muito complexas, porque elas são caixas que guardam muitas coisas: Cultura, Políticas Públicas, Academia. Conexão é a mais simplesinha, porque a gente entende mais facilmente. Mas são coisas muito complexas, até porque, às vezes, a gente confunde cultura com arte, confunde produção cultural, basicamente, com produção artística. A gente vem dessa tradição, e é muito recente o pensamento, principalmente do Estado, em relação à cultura e às políticas para a cultura. Então, eu considero uma tarefa realmente árdua e grande, quase monumental, juntar todas essas coisas num só evento, numa só discussão. Quando Liv me perguntou sobre o que eu falaria, qual seria o tema etc. e tal, eu estava trabalhando sobre Brecht, ia fazer uma palestra sobre Brecht e estava relendo o “Fragmento Fatzer”. Um texto que ele não concluiu: escreveu muitos papéis, em muitos lugares, e nunca organizou como uma peça de teatro. Heiner Müller, depois de muitos anos, pegou as 600 páginas e as transformou num texto. E são textos incríveis que Brecht escreveu logo depois da 1ª Guerra Mundial, da qual ele participou como enfermeiro. É uma reflexão sobre quem faz a guerra e por que se faz uma guerra; sobre o caos que se instala, sobre a abolição da moral. E tem uma frase, logo no início da peça, que coloquei no e-mail pra Liv. “É bom poder estar sentado na beira da estrada e refletir sobre esses quatro anos”. No caso, os que Fatzer passou durante a guerra. Também passei quatro anos numa guerra, como secretário de cultura da Bahia. Eu vou ler aqui o início da peça... Ele fala:
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E agora Peguem seus crânios Nas mãos E atenção: Há quatro anos deitados, Na lama dos campos de tiro e das trincheiras escapando Dos projéteis, sempre procurando Cobertura – pensando há Dois anos sobre a minha situação e utilidade. Procuro Um jeito de mostrar a mim mesmo o que se passa comigo... E ele começa a refletir sobre isso. Ele vê uma imagem, que mostra para os outros soldados, seus amigos. Existem um ponto e duas linhas. O ponto é Fatzer, é ele. E a primeira linha, em frente a ele, são os inimigos. Mas percebe que tem outra linha atrás dele, que também são os inimigos, são os que o mandam lutar. Então, quem manda quem lutar, contra quem e para quê? Esta é a questão que a peça discute, e ele vai se voltando para si mesmo, para a sua própria salvação, e acaba destruído. Pois bem, eu penso muito como artista. Quem faz essas políticas para a cultura? Quem faz essas políticas pra gente tocar adiante? Quem faz as políticas para o desenvolvimento? Devemos ser nós, todos nós. Devemos ser todos porque daí vem a palavra PÚBLICAS. São públicas, são de
todos. Mas a gente foi levado a pensar que política é propriedade dos políticos, ou seja, propriedade dos partidos, propriedade do Estado, propriedade do governo e não uma coisa pública. Mas na verdade a política só é efetiva quando é pactuada e conectada com a vida real. Comecei a fazer teatro em 72, como política. Eu entrei na Universidade em 72, na escola de Arquitetura. A escola errada ou, quem sabe, a escola certa, pois foi em Arquitetura que eu aprendi a fazer teatro, aprendi sobre estruturas, aprendi a gostar de estruturas, embora não tenha me formado. Saí da escola para o palco. E no palco eu aprendi muitas coisas; cada espetáculo era uma escola, cada espetáculo era um curso, e a cada espetáculo, a cada projeto novo era um novo conhecimento do mundo. Faço parte da geração que pegou a ditadura. Todo aquele processo de perseguição, de prisões, de desaparecimentos etc. e tal. Percebo como fomos despolitizados. Como a ditadura acabou... De fato, não foi uma vitória, como se celebra às vezes. Foi um... nós fomos vencidos. A ditadura não precisava mais da força. Para ela – ou para aqueles que a fizeram – bastou despolitizar toda uma geração, desestruturando a educação, colocando
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no seu lugar uma rede de comunicação que une o Brasil inteiro numa única lógica, num único padrão estético, num único padrão ideológico. Essa “babá eletrônica” e perversa de todas as crianças das gerações após a minha criou uma população despolitizada, que entende que a política está com os partidos, que só consegue pensar numa política “formal”, “oficial”, “profissional”, vamos dizer assim – se é que se pode dizer assim. O fato é que estamos num momento em que a política tem que ser retomada por todos nós. Foi fazendo teatro que aprendi a fazer política, que aprendi a fazer gestão, a organizar as coisas de uma maneira que se discutisse o poder e que se trouxesse essa discussão para o palco, que essa discussão passasse por toda a sociedade, que a gente pudesse trocar sobre isso. Até que comecei a perceber o que se discutia sobre cultura, o que se discutia sobre política. Em todas as reuniões que nós, artistas, tínhamos com os gestores culturais públicos, sempre se demandava apenas mais recursos para montagens, mais recursos para isso... e não se discutia, de fato, política. Mas finalmente veio a gestão Gilberto Gil/Juca Ferreira no Ministério da Cultura, e isso significou uma mudança radical. O Estado, afinal, começou a se entender como Estado em relação à cultura. E começou a não entender mais o Estado só como mecenas ou produtor cultural, mas como articulador, fomentador, como o Estado, de fato, é em relação às outras atividades sociais. Foi um choque, houve reação principalmente por parte dos artistas. Eu fiquei me perguntando, naquele período, assim... Pela primeira vez eu conseguia ver o Estado que imaginava, o Estado ideal, enfim, ocupando seu espaço de Estado em relação à cultura, em relação à minha atividade. E via que os artistas se recusavam a entender isso. Eles se recusavam a pensar um Estado que não existe em relação às nossas atividades. É
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estranho que artistas não consigam pensar e se relacionar com o que não existe ainda, mas existindo é melhor. O pensamento de uma facção de artistas era muito reacionário e estreito quanto às possibilidades que estavam sendo criadas. Pensar a cultura, pensar a arte inserida nesse universo maior, nessa caixa maior que é a cultura, como produto também; como serviço e como produto. Esta também é a grande dificuldade do Estado em relação à cultura, que é uma coisa bipartida. Ou seja: cultura é serviço e é produto ao mesmo tempo ela. Significa que ao mesmo tempo em que o Estado tem que pensar políticas para a cultura, como pensa para a saúde, para a educação, para os serviços públicos, tem que pensar também como pensa para a indústria e o comércio, para a agricultura. Na produção, na difusão e na distribuição de produtos. Esse conflito com o pensamento retrógrado de alguns setores da produção cultural me levou a participar mais ativamente das atividades propostas pelo Ministério, das Câmaras Setoriais, da Câmara Setorial de Teatro. Era preciso entender o que, afinal, o governo estava propondo: não se tratava apenas de mais um debate sobre “meu projeto” e o dinheiro para financiar a produção. O debate agora era sobre um programa em que o artista e o produtor cultural não seriam a meta, mas os meios para implementação de políticas que atendessem o público. Políticas que façam a arte sustentável, não dependente de verbas governamentais, mas com autonomia de negociação com outras fontes, especialmente com o público. Que pensem a cultura como desenvolvimento e os recursos nela empregados como investimento, não como mera benevolência. Que pensem maneiras de se fazer uma distribuição mais equânime, atendendo à população de um modo geral, por todo o território.
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Até que fui convidado pelo governador Jaques Wagner para ocupar a Secretaria de Cultura, e me senti assim: “Quer dizer que sempre falei, sempre questionei, sempre sugeri, sempre provoquei e, de repente, alguém diz: Ok, então vem pra cá, pra você experimentar e fazer o que sempre disse que deveria ser feito”. Aí tive que aceitar, eu tinha que aceitar. E é muito difícil aceitar isso, a gente se depara exatamente com essa coisa: o poder público. O poder não é seu, é concedido, por meio do voto, a alguém que vai ordenar recursos que são dos eleitores. Para isso, gestores são nomeados. E o poder continua nas mãos da sociedade. Daí os conflitos entre representações partidárias, entre as elites e a massa, entre quem quer avançar, transformar, tentar novos caminhos e quem quer manter o que tem, ainda que o que tenha não seja o que quer nem o que é o melhor para todos. Muita gente me dizia: “Agora, como é estar do outro lado?” e eu não me entendia do outro, eu me entendia do mesmo lado. Eu me entendia artista, ocupando um lugar que não era o “outro lado”, era o mesmo lado; me sentia trabalhando em prol de um setor da sociedade, de uma atividade social que já era minha anteriormente, que sempre foi a minha. Sempre entendi o papel do artista como o de alguém que transforma um discurso em ação e que com esta ação transforma o mundo. E a minha missão era exatamente essa, era também transformar o Estado da Bahia – um estado complicado. A Bahia, por mais de quarenta anos, foi conduzida pela mesma linha de pensamento do mesmo grupo político que administrou o Estado durante esse tempo. Esse grupo se instalou no poder com o golpe militar que interrompeu o desenvolvimento da Bahia como centro intelectual, referência cultural que era, e controlou a produção artística, criando ícones e padrões para uma Bahia folclórica, regada a fortes doses de “axé”, sufocando
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a diversidade cultural e a força popular com o clientelismo de balcão e o protecionismo de “padrinho” que atende a quem se alinha. Pois a Bahia popular, rompendo a força das elites, dá uma guinada e elege outro programa político alinhado com o governo federal. Era preciso, então, acompanhar o Ministério da Cultura, que já trabalhava há quatro anos, e transformar a política cultural da Bahia numa política de Estado. Foi duro, foi difícil, foi muita reação, mas também gerou muitos resultados. Resultados que só agora começam a vir à tona. São três coisas, basicamente, que dificultam o estabelecimento de políticas de Estado para a cultura: uma é que o sistema não está montado, ou seja, a gente vive numa República Federativa e o Pacto Federativo não está completamente construído. Em relação à cultura, não existe nada porque a gente não consegue definir qual é o papel do Município, qual é o papel do Estado, qual é o papel da União. Então, as três esferas do poder trabalham às vezes na mesma frequência e se sobrepõem nos mesmos pontos. E quando há superposição, evidentemente, há ausências, há falhas, há lacunas. Daí por que entender o sistema Federativo e montar o sistema de cultura é fundamental, assim como foi fundamental o sistema de educação, o sistema de saúde. A gente sabe qual é a responsabilidade do município em relação à educação, em relação à saúde, mas não sabe em relação à cultura. Esta é uma grande dificuldade. E a orientação, inicialmente, deve vir do governo federal, evidentemente, pactuada com municípios e estados. Então, foi criado o sistema. Na Bahia, foi criado o Sistema Estadual de Cultura, mas a implantação também não é simples, não é fácil. A gente sabe que o sistema de saúde levou vinte anos pra ser implantado. Funciona. Se a qualidade do serviço é boa ou não, são outras questões. Mas o sistema funciona. E
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o sistema de cultura precisa ser montado e ganhar adesão. Outro grande obstáculo é a informalidade com que o setor trabalha. E a falta de visão de redes – a cultura trabalha em rede; quando você monta, por exemplo, uma peça de teatro, você está movendo uma rede econômica, uma rede de serviços enorme, muito maior do que aquela em cima do palco. Falta visão: quando se pensa política para o teatro, normalmente a discussão é com os artistas, com os atores, com os produtores, mas não com toda a rede, ou seja, com os donos de teatro, com os gestores de teatro, com todos aqueles que prestam serviço, que fazem com que o teatro aconteça. O cinema tem uma visão mais clara disso, já que é uma indústria. Tem a consciência de que essa rede vai desde a alimentação até, por exemplo, o roteiro, a distribuição e coisas mais complexas como legislação. Nas outras áreas isso não acontece. O desconhecimento da rede, o desconhecimento de que a cultura trabalha como serviço e como produto, gerando economia, gerando desenvolvimento, complica a elaboração dessas políticas e a implantação de políticas para a cultura e para as artes.
A outra grande dificuldade é que a própria sociedade, que faz a cultura, não se reconhece como ente político. Não se reconhece como fazedora de política. Não está internalizado que cada coisa que a gente faz, cada obra, cada discurso, em qualquer linguagem, são discursos políticos, que a cultura em geral é um ato político. Então, a redundância da arte política ou da contrapartida social... Quando se pensa, por exemplo, que se está beneficiando alguém com os editais, com o patrocínio ou como apoio financeiro para um evento ou uma montagem, pensa-se ainda que o beneficiado é o proponente/ executor do projeto e que, por isso, ele tem que dar uma contrapartida social. Mas não, o beneficiado é quem vai fruir do resultado do projeto, é a população, ou pelo menos aquela fatia que vai participar dele ou, depois, receber o benefício residual, aquele que acontece porque pequenas mudanças comportamentais ou intelectuais são geradas a partir desse projeto e de sua repercussão. Beneficiada é a economia local, que gira direta e indiretamente ao redor de sua realização. Só para exemplificar, poderíamos fazer uma avaliação do crescimento do consumo dos bares ao redor dos teatros, antes e depois dos ensaios ou das apresentações de espetáculos. Outro dia, num táxi, o motorista lamentou a queda da oferta
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de espetáculos porque isso diminuiu as corridas que ele faz. Não há uma discussão, por exemplo, quando, para se implantar uma fábrica, é necessário abrir mão de impostos e que o Estado crie toda uma estrutura para ela se instalar... Há um investimento do Estado. Há um investimento do Estado em agricultura, há um investimento do Estado em transportes coletivos, mas ninguém exige que isso seja de graça, que os carros sejam doados, que os produtos da agricultura sejam dados de graça. Também não se exige contrapartida social porque ela já é a geração de empregos, a injeção na economia local. Mas na cultura não é assim, não. O que existe na cultura é a tradição do “de graça”, da contrapartida... é você fazer o espetáculo de graça, distribuir os livros, distribuir cd etc. Isso tem destruído o mercado, tem destruído a capacidade do artista, do próprio produtor cultural conseguirem o retorno financeiro do seu investimento, já que o Estado não pode bancar tudo. Se começar a bancar tudo, vai criar uma demanda impossível, e olha que já existe uma demanda praticamente impossível de ser atendida. O que o Estado precisa fazer em relação a isso é criar políticas para que a gente possa ter o retorno financeiro da própria bilheteria, da venda do próprio produto, da própria coisa que a gente produz e que distribui.
Então, para o artista, para o produtor cultural eu vejo... e quando eu falo assim, eu falo genericamente, eu sei que há milhares de exceções confirmando a regra, mas genericamente o que se tem feito é pensar sempre em patrocínio, não em financiamento e na busca de um público que referende o que fazemos pagando por isso, porque também há a compra, também há o pagamento do ingresso. É uma troca simbólica, um reconhecimento da necessidade daquilo. Quer dizer, se é necessário para mim, eu pago para ter. Como a gente paga para ter pão, como a gente paga para ter seguro-saúde, como a gente paga para ter todas as coisas que são importantes e necessárias. E a cultura e a produção artística não são vistas, ou pelo menos não são entendidas, como necessárias, já que não acontece a troca simbólica, já que dependemos de um patrocínio do Estado ou de alguém. Evidentemente, podemos pensar que o público já está pagando com seus impostos pelo produto artístico que está sendo patrocinado ou apoiado pelo governo. Numa democracia participativa, autorizamos com o nosso voto que alguém escolha por nós o que deve ser produzido e mostrado. Mas não devemos autorizar que o governo
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inviabilize o que ele não chancela ou financia. Uma vez que, como disse, também através de nossos impostos ou da isenção da sua cobrança financiamos montadoras, agroindústria etc. Essas três coisas, essa falta de entendimento das redes e da necessidade de se estruturar o sistema nacional da cultura, a falta de entendimento do nosso papel de artistas e produtores culturais como agentes políticos e também a falta de percepção de que o nosso produto, como um produto qualquer, deve manter a continuidade do nosso trabalho, do nosso discurso, essas três coisas dificultam enormemente a capacidade do Estado de construir políticas, assim como a capacidade da sociedade de pensar essas políticas, se beneficiar delas e usá-las para seu desenvolvimento. Trata-se de um momento muito complicado, a gente está vivendo muitas mudanças na sociedade, de uma maneira geral. Muitas coisas estão se diluindo, estão se perdendo... Trabalho com teatro, teatro trabalha com representação e a gente está numa crise da representação. A gente está vivendo exatamente a crise da política representativa, da política partidária, da política... Nós, cidadãos, não precisamos mais ser representados, até porque nossos representantes não nos representam.
Então, o teatro que lida com isso, com a representação, está completamente perdido – meio como eu estou aqui agora... O teatro não acompanhou todas as mudanças, o teatro não se sente capaz de entrar no sistema de reprodutibilidade, como as artes visuais, como a música, como o audiovisual. O teatro tem o mito da presença física. E a gente está vivendo um momento em que existe a possibilidade de amplificação dessa presença física. Mas o teatro não consegue, ainda, dialogar com isso. Como disse, há exceções, eu falo genericamente, falo o Teatro, não falo alguns artistas, alguns grupos que têm buscado dialogar com as novas tecnologias, com transmissão ao vivo, com uma dramaturgia que inclua a possibilidade de você estar em qualquer lugar do mundo e assistir ao espetáculo. Mesmo nas grandes cidades, é muito difícil, territorialmente, atender toda a cidade. Se a gente pensa, por exemplo, no teatro de Shakespeare, ele tinha 3% da população de Londres, toda tarde, todo dia, para assistir aos seus espetáculos. Se a gente pensa em 3% da população do Rio, todo dia, num único teatro, fica impossível. A não ser que o teatro passe a atender uma comunidade territorialmente concentrada, ou seja, “aquela” comunidade que vive em torno “daquele” teatro. Ou então um teatro
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que atenda a uma comunidade, vamos dizer, setorial, a comunidade negra ou a comunidade judia ou a comunidade gay, ou seja lá qual for essa comunidade, que tem interesse em discutir “aquele” assunto, que está sendo discutido “naquele” espetáculo, mas não tem condição de sair do extremo oposto da cidade pra ir até lá. E como é que se faz isso?! É possível porque a tecnologia já criou o espaço virtual, em tempo real. Acho que o teatro lida basicamente com isso, com esses dois elementos: o compartilhamento de um discurso no mesmo tempo e no mesmo espaço. E esse discurso não é somente mais uma representação, é uma reflexão, é um discurso mesmo; é dizer coisas, é trocar coisas, é dialogar com o público, fazer com que o público entre num universo em que seja possível discutir “aquele” assunto e refletir sobre ele, e não somente como uma representação. Eu não sei se eu me fiz claro com relação a isso, porque ainda é um processo reflexivo, que está em evolução. Como falei, é um pensamento alto. Não é nenhuma certeza, são muitas perguntas. Na verdade, eu poderia fazer perguntas aqui a noite inteira, pois o que tenho para fazer são perguntas. Não tenho muita certeza de nada. Sei que a gente tem que buscar. E tem que compartilhar, que distribuir.
Para encerrar, eu queria ler o fragmento final do “Fatzer”, que é o que acho que tem que se dizer nesse momento. O coro final fala o seguinte: Você está pronto, homem de Estado O Estado não está pronto Deixe que o transformemos Conforme as necessidades de nossas vidas. Permita que sejamos homens de Estado, homem de Estado. Nas suas leis seu nome está escrito. Esqueça o nome Respeite as suas leis, legislador. Tolere a ordem, líder O Estado não precisa mais de você. Entregue-o. É isso. Nós não precisamos mais desse Estado. A gente tem que ser o próprio Estado. O Estado somos nós. Compreendo que se trata de uma luta, mas acredito que a Academia, a Cultura, toda essa discussão possam fazer com que isso se torne real um dia... e logo. Obrigado.
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Sempre ficava muito tenso quando convidado a falar para a “academia”. Apesar do reconhecimento e respeito à importância de vários trabalhos de pesquisa, reflexão e crítica necessários ao pensamento e desenvolvimento da sociedade, as relações entre nós sempre foi meio estranha, desde a minha entrada na Escola de Arquitetura, depois na Belas Artes... nunca nos entendemos bem. Vejo de forma divertida, de longe, tudo isso. Por exemplo, muitos registros acadêmicos sobre minha gestão, me ignoram e citam as politicas para a cultura na primeira gestão do governo Wagner. Registrando o nome do secretário apenas a partir da segunda... Por exemplo, este interessante trabalho, cujo trecho reproduzo a seguir, que condensa as políticas de fomento da nossa gestão, em nenhum momento fala do secretário. É como se todo o pensamento viesse diretamente do governador para o superintendente de fomento da Secult, ou como se tivesse sido formulado apenas por este.
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INANCIAMENTO E FOMENTO À CULTURA NA BAHIA: ANÁLISE DA GESTÃO DE JAQUES WAGNER Hanayana Brandão Guimarães Fontes Lima Resumo O financiamento na área cultural sempre foi alvo de polêmicas, porque o modelo adotado reflete a percepção da influência do Estado na Sociedade. Este trabalho busca refletir sobre os modelos de financiamento e fomento adotados na área cultural na esfera estadual na Bahia. Pretende-se analisar os mecanismos utilizados durante a gestão de Jaques Wagner, iniciada em 2007. Apesar de alguns deles terem sido criados em gestões anteriores, acabaram sofrendo modificações na gestão atual. Serão analisados os seguintes programas: Fazcultura, Fundo de Cultura, Credibahia Cultural, Carnaval Ouro Negro e Artistas Independentes.
http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19106.pdf
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O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.
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apoio financeiro