é preciso ter coragem para ter na pele a cor da noite marcio meirelles cabaré da rrrrraça
PROGRAMAÇÃO
NOVEMBRO
EDITORIAL No Vila, em novembro e no resto do ano, fazemos teatro negro. Teatro que pensa a nossa história, que reflete sobre o que nos construiu, mas que não tira os pés do presente e os olhos do futuro. Teatro que, sendo linguagem, inventa sua própria poética, inspira e busca inspiração. Teatro que fala o que percebe que tem ser dito, que formula perguntas, em busca de respostas. O nosso teatro, negro, está atento ao fato de que o racismo persiste, mas modifica a sua forma de se manifestar. Por isso o nosso teatro se reinventa, muda as suas armas de ataque e defesa. O nosso teatro está lá, adiante. Aqui, fazemos teatro negro mesmo quando não falamos do negro. Fazemos teatro negro quando falamos da mulher. Quando discutimos a violência contra a mulher. Aqui, discutimos o nosso país mesmo quando não falamos do nosso país. Refletimos sobre o Brasil quando encenamos o que acontece na Bósnia. Ou na Faixa de Gaza. Aqui, refletimos sobre o nosso tempo mesmo quando não falamos do nosso tempo. Pensamos o agora quando encenamos a deposição de João Goulart pelo Golpe Militar em 1964. Em novembro, o público tem a chance rara de, num único mês, poder ver/rever, pensar/repensar, junto conosco, muito do que o Teatro Vila Velha vem discutindo e construindo há muitos anos. Para marcar o mês da consicência negra, o Bando de Teatro Olodum traz à cena dois espetáculos clássicos, que fazem reflexões sobre o lugar do negro na sociedade, cada uma a seu tempo. Cabaré da RRRRRaça, que estreou há 17 anos, segue em cartaz, sempre com casa cheia, provocando e fazendo pensar. Já Relato de uma guerra que (não) acabou - montado em 2002 para discutir a violência sofrida na periferia de Salvador, com a greve das polícias civil e militar - volta aos palcos como resultado da II Oficina de Performance Negra,
coordenada pelos atores do Bando, que formou 30 jovens atores negros durante seis meses de trabalho. No primeiro Cine Vila do mês, no dia 10 de novembro, exibimos Jardim das Folhas Sagradas, filme de Pola Ribeiro que discute o candomblé. Em novembro, ainda temos o prazer de receber a temporada de estreia do espetáculo Sortilégio, dirigido por Ângelo Flávio, que celebra os 10 anos da Cia de Teatro Abdias do Nascimento (CAN) e o centenário do escritor e teatrólogo Abdias Nascimento. A programação é também um aquecimento para o festival A Cena Tá Preta, que, em 2014, acontece em dezembro. Recebemos pela segunda vez o dramaturgo romeno Matéi Visniec para assistir a três montagens de sua autoria, dirigidas por Marcio Meirelles, que reapresentamos a público entre 1 e 5 de novembro: Por que Hécuba, que integra a programação do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia - FIAC, e nos dias 4 e 5, O Último Godot e A Mulher como Campo de Batalha. No dia 1, em parceria com o FIAC e com a É Realizações, lançamos o livro Por que Hécuba, traduzido por Vinicius Bustani, ator da universidade LIVRE de teatro vila velha. Em novembro, mudamos o formato do Cine Vila, que passa a acontecer semanalmente. Desse jeito, cumprimos ainda melhor o nosso objetivo de abrir espaço para a exibição e discussão das produções baianas. No dia 10, recebemos o cineasta Pola Ribeiro para exibição de Jardim das Folhas Sagradas; no dia 17, Thiago Gomes apresenta os filmes Tudo Que Move e Braseiro; em 24, quem participa é o cineasta José Araripe Jr., com o filme Esses Moços. Neste mês, no dia 8, recebemos ainda o ator e diretor Lázaro Ramos para apresentar o programa infantil piloto Do Outro Lado de Lá, realizado em parceria com Chica Carelli e Elísio Lopes Jr. No palco do Vila, tem espaço também para o Concurso Miss Brasil Gay, que comemora 20 anos, sob o comando de Bagagerie Spielberg.
matéi visniec foto Marcio Meirelles
por que hécuba (FIAC)
Versão contemporânea do clássico grego de Eurípedes sobre a Guerra de Troia, a peça é ambientada no Carnaval de Salvador, onde os deuses do olimpo vêm se esconder e se divertair na farra dos camarotes, enquanto, no chão da praça, Hécuba chora a dor universal das mães que dão à luz carne para canhão. Escrita por Matéi Visniec e encenada por Marcio Meirelles, a peça abriu o Amostrão Vila Verão 2014, em janeiro, e, depois de grande sucesso de público, volta aos palcos pelo Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia. No dia 1º, às 18h, acontece o lançamento do livro “Por que Hécuba” com a presença o autor Matéi Visniec.
1 e 2/11 | sab e dom | 20h R$ 16 e 8
foto João Millet Meirelles
4 e 5/11 | ter e qua | 19h R$ 30 e 15
matéi visniec
O Último Godot Escrita por Matéi Visniec e encenada por Marcio Meirelles, a peça narra o encontro hipotético entre Samuel Beckett e Godot. A inusitada conversa entre o autor e o personagem, até então desconhecido, faz uma reflexão sobre o lugar do ator e do teatro na sociedade contemporânea. Com Leno Sacramento e Vinicius Bustani.
Assista às duas peças por R$ 40 E 20 4 e 5/11 | ter e qua | 20h30 R$ 30 e 15
foto Marcio Meirelles
O encontro de duas mulheres arrasadas pela guerra que buscam uma na outra a possibilidade dereestabelecer um equilíbrio. Quarta peça do autor romeno Matéi Visniec dirigida pelo encenador Marcio Meirelles. Com Giza Vasconcelos e Iana Nascimento e direção musical de Caio Terra.
a mulher como campo de batalha
LGBT foto Divulgação
Concurso Miss Brasil Gay 20 anos
3/11 | seg | 20h R$ 50 (preço promocional)
Será montada, na sala principal do Teatro Vila Velha, uma passarela para receber os mais belos transformistas do país, que desfilarão em trajes típicos e vestidos de gala, na comemoração de 20 anos do Concurso Miss Brasil Gay. Apresentado por Bagagerie Spilberg, o evento conta também com show de atores transformistas.
cinema
CINE VILA
Jardim das Folhas Sagradas Bate-papo com o cineasta Pola Ribeiro 10/11 | seg | 19h
mês negro
VILA Tudo Que Move | Braseiro Bate-papo com o cineasta Thiago Gomes 17/11 | seg | 19h
Esses Moços Bate-papo com o cineasta José Araripe Jr. 24/11 | seg | 19h
PROGRA SEGUNDA
MISS BRASIL GAY CONCURSO
20h | sala principal
03 JARDIM DAS FOLHAS SAGRADAS
CINEVILA 19h | cabaré dos novos
10
TERÇA
QUARTA
O ÚLTIMO GODOT
O ÚLTIMO GODOT
19h | cabare dos novos
19h | cabare dos novos
A MULHER COMO CAMPO DE BATALHA
A MULHER COMO CAMPO DE BATALHA
20h30 | sala principal
04
QUI
A CENA T
20h30 | sala principal
05
06
EXPERIMENTO 2.6
TROP SELVA
TEA
TEATRO
20h | sala principal
11
12
20h | ca no
13
TUDO QUE MOVE | BRASEIRO
TROP SELVA
CINEVILA 19h | cabaré dos novos
17
TEAT
20h | cab no
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20
TROP SELVA
ESSES MOÇOS CINEVILA 19h | cabaré dos novos
24
TEAT
25
26
20h | cab no
27
CONHEÇA OS 50 ANOS DO TEATRO VILA VE
AMAÇÃO
INTA
SEXTA
SÁBADO
DOMINGO
POR QUE HÉCUBA
POR QUE HÉCUBA
TEATRO
TEATRO
20h| sala principal
20h| sala principal
01
02
TA PRETA
PICAL AGEM
PICAL AGEM
PICAL AGEM
CABARÉ DA RRRRRRAÇA
RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU
TEATRO
20h| sala principal
14
20h | sala principal
21
09
BONDE DOS RATINHOS
BONDE DOS RATINHOS
16h | sala principal
11h | sala principal
RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU
RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU
20h| sala principal
TEATRO
20h| sala principal
28
19h| sala principal
16
BONDE DOS RATINHOS
16h | sala principal
SORTILÉGIO
20h | sala principal
22
SORTILÉGIO
TEATRO
19h| sala principal
08
TEATRO
20h| sala principal
CABARÉ DA RRRRRAÇA
16h | sala principal
15
SORTILÉGIO
TRO
baré dos ovos
TEATRO
07
TRO
baré dos ovos
DO OUTRO LADO DE LÁ
20h| sala principal
ATRO
abaré dos ovos
CABARÉ DA RRRRRAÇA
BONDE DOS RATINHOS
11h | sala principal
SORTILÉGIO
19h | sala principal
23
BONDE DOS RATINHOS
BONDE DOS RATINHOS
16h | sala principal
11h | sala principal
SORTILÉGIO
20h | sala principal
29
SORTILÉGIO
19h | sala principal
30
ELHA E VENHA PARTICIPAR DOS PRÓXIMOS.
foto Acervo Nós, Por Exemplo
mémoria Cabaré da RRRRRaaça, hoje o maior sucesso de público do Bando de Teatro Olodum, foi a primeira peça totalmente pensada para ser apresentada no Cabaré dos Novos. O espetáculo estreou, em 1997, com uma promoção que prometia meia entrada para quem se declarasse negro. A ação causou polêmica na imprensa local e nacional, além de diversas acusações de ser um ato racista. Com a polêmica, o Teatro Vila Velha passou a realizar uma ampla discussão sobre políticas afirmativas, através de encontros e seminários. Esta medida resultou em um mínimo de 60% de plateia negra por apresentação, em uma Salvador onde apenas 1% do público de teatros era composto por negros. A conquista deste público negro se estendeu, com o passar do tempo, às demais peças do Teatro Vila Velha, o que se mantém até hoje. Com 17 anos em cartaz, Cabaré da RRRRRaça passou por diversas cidades brasileiras, além de Portugal e Angola, em 2003 e 2006, respectivamente.
Maior sucesso de público do Bando de Teatro Olodum, o espetáculo é uma revista musical que levanta discussões bem humoradas sobre negritude, racismo e a participação do negro no mercado de consumo. Em cartaz há 17 anos, é uma mistura de um talk-show e desfile de moda, onde vemos o “Negro Fashion” vestido por estilistas baianos. 7 a 9/11 | sex e sab: 20h | dom: 19h R$ 30 e 15
foto Marcio Meirelles
foto Lucas Seixas/Labfoto
relato de uma guerra que (não) acabou Reencenação do espetáculo do Bando de Teatro Olodum que estreou em 2002, levando para o palco discussões sobre vivências de violência na periferia de Salvador durante a greve das polícias civil e militar, ocorrida naquela época. Em cena, 30 jovens atores da Oficina de Performance Negra, sob direção dos atores do Bando. 14 a 16/11 | sex e sab: 20h | dom: 19h R$ 30 e 15
mês negro
cabaré da rrrrraça
mês negro foto Divulgação
do outro lado de lá
O ator e diretor Lázaro Ramos vem ao Teatro Vila Velha para a apresentação da série Do Outro Lado de Lá, dirigida por ele, com roteiro de Chica Carelli e Elisio Lopes Jr. e produção de Tânia Rocha. A série conta a história de Pitoco, menino de 10 anos que deseja ir além e conhecer o que está fora dos limites impostos às crianças. Nesta viagem, Pitoco é acompanhado pelo seu avô, o Veio Ngongo, cujo conhecimento e sabedoria popular emociona e diverte através de histórias curiosas. O diálogo entre o mundo real (dramaturgia feita por atores) e o mundo fantástico (animação), sempre conduzem a um desfecho surpreendente. Todas as histórias do mundo fantástico são inspiradas em contos africanos, e espelham a liberdade e o pensamento fantasioso que só a criança é capaz de criar.
8/11 | sáb | 16h
foto Milla Cordeiro
Celebrando os 10 anos da Cia de Teatro Abdias do Nascimento (CAN) e do centenário do escritor e teatrólogo, Abdias Nascimento, estreia dia 21 de novembro a montagem Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo, baseada no texto homônimo de Abdias, que é um clássico do teatro negro brasileiro, com direção e adaptação de Ângelo Flávio, coreografia de Zebrinha, figurino de Zuarte Júnior, cenário de Marcos Costa e direção musical de Maurício Lourenço. A peça apresenta questões como a negação das raízes africanas e a propagação de um discurso que inferioriza o negro através de um personagem atormentado pela culpa. O espetáculo é ambientado em um terreiro de candomblé, espaço de religiosidade e explora a dificuldade de enquadramento social do advogado negro Dr. Emanuel. 21 a 30/11 | sex e sab: 20h | dom: 19 R$ 30 e 15
mês negro
Sortilégio
infantil
foto Darjan Sanches
bonde dos ratinhos
Três ratinhos em busca de diversão decidem fazer um “rolezinho” no shopping. O que a princípio parecia um simples passeio se transforma numa grande aventura. Logo Rói-Rói, Ratrícia e Xis são barrados por ratos-seguranças, que avisam que shopping não é lugar para ratos. No caminho de volta pra casa, os três acabam se perdendo e parando num laboratório, onde conhecem Dezenove e Dezessete, ratinhos utilizados em testes feitos pelos humanos. A partir daí, a missão do trio passa a ser libertar as dezenas de ratinhos presos no laboratório. Uma história que fala de amizade, igualdade e respeito às diferenças. Com texto de Isac Tufi, direção de Zeca de Abreu, música de Ray Gouveia e atores do Vila.
15 a 30/11 | sab: 16h | dom: 11h R$ 30 e 15
foto Mica Tomeo
Projeto híbrido integrado pela dupla Ronei Jorge Martins, João Milet Meirelles e, por vezes, um terceiro elemento, sempre mutável. Ronei faz cinema, música pop e brasileira, suas canções ganham abrigo nos arranjos de João - compositor, DJ e fotógrafo. Compositores, diretores e produtores, trazem para suas composições elementos da música brasileira já processada, tirada de sua matriz, texturas e narrativas sonoras da música eletrônica, do glitch, noise, pop. A letra, a melodia, o arranjo, a rítmica, as texturas, são camadas de narrativa que são enriquecidas por um coeso pensamento visual dirigido por Lia Cunha. A temporada de shows tem a participação de Junix na guitarra, além de Manuela Rodrigues (13), Rebeca Matta + Luvebox FX (20) e Tuzé de Abreu (27).
13, 20 e 27/11 | qui | 20h R$ 30 e 15
música
Tropical Selvagem
TEATRO VILA VELHA PATROCÍNIO
Secretaria de Cultura
FESTIVAL VILA+50 PATROCÍNIO
APOIO CULTURAL
Fazcultura Secretaria de Cultura
AMIGOs DO VILA
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