PROGRAMAÇÃO
>>FEVEREIRO/15 HAMLET MACBETH BONDE DOS RATINHOS LAVAGEM DO VILA
E
EDITORIAL FEVEREIRO #02
Fevereiro chega com a certeza de que acertamos, mais uma vez, ao apostar em uma programação de teatro para a cidade em pleno verão. Os espetáculos Hamlet+HamletMachine e Macbet, apresentados pelo 14º Amostrão Vila Verão, tiveram em janeiro praticamente todas as sessões lotadas, e seguem em cartaz em fevereiro. Muitas vezes, parte do público não conseguiu comprar ingressos e teve de voltar para casa para retornar em outro dia. Numa terça-feira, uma pessoa que não pôde entrar para ver Hamlet ameaçou denunciar o caso à imprensa. Nós apoiamos. Um teatro lotado, em pleno verão soteropolitano, para ver Shakespeare?! Ter o teatro cheio, de terça a domingo, em um período do ano em que o carnaval tradicionalmente define a programação cultural de Salvador, nos faz perceber que a cidade quer mais do que a ela está sendo oferecido. Mais diversidade. Mais reflexão. O tempo está mudando. A cena músical também comprova isso. O público está mais exigente, quer novidade, profundidade. O Axé, movimento importante para a cultura baiana, chega aos 30 anos com um duro diagnóstico: se não se reinventa, morre. Reiventar-se, aliás, foi a forma que o Vila encontrou para manter-se vivo há 50 anos. Em janeiro, a cidade pôde falar com o Vila e homenageá-lo pelo cinquentenário através do projeto “Eu, por
Exemplo”, que espalhou por Salvador cinco orelhões multimídia e recolheu diversas histórias. Idealizado pelo jornalista Kau Rocha e patrocinado pela Oi através do Fazcultura, o projeto disponibiliza todo o material coletado em faledovila.com. Foi também em janeiro que o Vila, mais uma vez, abriu suas portas para que o público conhecesse o dia-a-dia do teatro. As Oficinas Vila Verão trouxeram para perto 272 pessoas que respiraram o Teatro Vila Velha e tiveram contato com as mais diversas artes. O resultado do trabalho será apresentado no dia 1 de fevereiro: às 11h acontece a mostra das oficinas infantis e, às 14h, a mostra das oficinas adultas. Resgatando uma tradição antiga, que começou em 1994 - momento em que o teatro era revitalizado pelo projeto Novo Vila -, realizamos no dia 8, às 11h, a Lavagem do Vila, convidando amigos, parceiros e o nosso público para lavar as escadarias do teatro e festejar mais um ano de trabalho. Nas próximas páginas, você pode ler sobre a primeira Lavagem do Vila, saber mais sobre o infanto-juvenil Bonde dos Ratinhos, em cartaz no teatro, e conhecer a opinião de quem já viu as peças Hamlet e Macbeth. Lembramos que os ingressos para toda a programação podem ser comprados antecipadamente pelo site teatrovilavelha.com.br.
MÉMORIA
A primeira Lavagem do Vila aconteceu em 1994, a partir de uma idéia do diretor Marcio Meirelles junto aos grupos residentes da época, a Cia Teatro dos Novos, o Bando de Teatro Olodum e o Cereus. A lavagem foi como um ritual de chegada desta nova fase, denominada Novo Vila. Em paralelo a isso o teatro também marcava a sua presença na Lavagem do Bonfim, com concentração no Passeio Público, de onde todos seguiam até a Igreja da Conceição da Praia e depois ao Bonfim, para a lavagem da bandeira do Vila.
<< Fernando Fróes, Marta Overbeck e Sonia Robatto em Pluft, O Fantasminha (1961) >> foto Acervo Nós, Por Exemplo O Vila no dia da Lavagem do Senhor do Bonfim, em 1995.
foto Acervo Nós, Por Exemplo
M
LAVAGEM DO VILA
foto Maise Xavier
O Teatro Vila Velha retoma uma tradição antiga com a realização da Lavagem do Vila. A partir das 11h do dia 8 de fevereiro, o Vila recebe amigos, parceiros e seu querido público para festejar e agradecer por mais um ano de trabalho. A lavagem das escadarias será acompanhada por muita música e pela famosa feijoada de Dona Irá, vendida no Café do Vila. No evento, acontece ainda a Oficina de Turbantes com Jô Salomão. A festa é aberta a todos. Venha de branco!
08/02 // dom // 11h
HAMLET A versão do Vila para o clássico Hamlet ganha contornos contemporâneos a partir do rock’n’roll, que orienta a plasticidade e, sobretudo, o ritmo e a pulsação do espetáculo - elementos cruciais na obra de William Shakespeare. Na montagem do encenador Marcio Meirelles, Hamlet, príncipe da Dinamarca, é um jovem do século 21. Na peça, ele vê o fantasma do seu pai declarar que foi morto pelo irmão, que usurpou o trono, e exigir vingança. A partir daí, o jovem coloca-se em um conflito entre fazer ou não vingança - lutar por uma velha ordem ou manter a nova ordem.
foto João Milet Meirelles
Dentro de Hamlet, é encenada a peça Hamlet Machine, de Heiner Müller. O espetáculo funciona em rede com a peça Macbeth, simultaneamente em cartaz, que compartilha o mesmo cenário e elenco, além de músicas e citações. Hamlet e Macbeth, junto a Jango: Uma Tragedya, peça de Glauber Rocha, compõem a Trilogia do Golpe, que reúne peças de teatro que acontecem a partir de golpes de estado, todas produzidas pelo Vila. Classificação: 16 anos.
até 7/2: terças, quintas e sábados // 19h30 a partir de 21/2: quintas e sábados // 19h30 R$ 20 e 10 (ter e qui) // R$ 30 e 15 (sáb)
MACBETH Macbeth, de William Shakespeare, é um dos textos teatrais mais montados em todo o mundo. Interpretada por atores do Teatro Vila Velha, esta é a segunda montagem da obra realizada pelo encenador Marcio Meirelles - a primeira foi em 1982 com o grupo Avelãz y Avestruz. O novo Macbeth dialoga com temas contemporâneos e aproxima as suas questões e reflexões do Brasil de hoje. Em Macbeth, a estética rock’n’roll assume um caráter tribal. Na peça, Macbeth, chefe de guerra do rei da Escócia, retornando vitorioso de uma batalha recém-travada, encontra três irmãs que profetizam que ele será o novo monarca. A partir daí inicia uma escalada sangrenta para a tomada e manutenção do poder.
foto Jessica Lemos/Labfoto
A montagem integra a Trilogia do Golpe, que reúne outras duas peças de teatro que acontecem a partir de golpes de estado: Hamlet, também de Shakespeare, em cartaz simultaneamente, e Jango: Uma Tragedya, de Glauber Rocha, encenada em 2014. Classificação: 14 anos.
até 8/2: quartas, sextas e domingos //19h30 a partir de 22/2: sextas e domingos // 19h30 R$ 20 e 10 (qua e dom) // R$ 30 e 15 (sex)
AGENDA SEG
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TER
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HAMLET sala principal 19h30
MACBETH sala principal 19h30
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HAMLE sala pri 19h30
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19 QUARTA-FEIRA DE CINZAS
CARNAVAL
CARNAVAL
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HAMLE sala pri 19h30
INFANTIL
QUI
SEX
DOM
01
MOSTRA DAS OFICINAS sala principal 9h e 11h BONDE DOS RATINHOS sala principal 11h MACBETH sala principal 19h30
06
07
HAMLET sala principal 19h30
CARNAVAL
20
27 MACBETH sala principal 19h30
CINECLUBE
LAVAGEM DO VILA 11h BONDE DOS RATINHOS sala principal 11h MACBETH sala principal 19h30
14
13
CARNAVAL
08
BONDE DOS RATINHOS sala principal 16h
MACBETH sala principal 19h30
ET incipal
ET incipal
SÁB
15 CARNAVAL
CARNAVAL
21
22
HAMLET sala principal 19h30
MACBETH sala principal 19h30
28
01
BONDE DOS RATINHOS sala principal 16h HAMLET sala principal 19h30
TEATRO
BONDE DOS RATINHOS sala principal 11h MACBETH sala principal 19h30
MÚSICA
DANÇA
CELSO JR. . ATOR, DIRETOR E PROFESSOR.
TUZÉ DE ABREU. MÚSICO.
HAMLET E MACBETH: ‘No Hamlet da Universidade Livre do Vila Velha o famoso Ser ou não ser é dito por um Hamlet de biquíni, tocando(bem) bateria. Esta e muitas outras surpresas( como o rei-pai morto ser indentificado com o Jango do trabalho anterior do grupo) estão na peça. E não sem sentido ou como troça. Não sei de pelo somatório de Hamlets que conheci, textos, peças e filmes, ou pela linguagem mais contemporânea desta montagem, o fato é que entendo cada vez mais e a melhor sua grandeza, como quando escuto mais uma vez João Gilberto, interpreto mais uma canção de Caymmy, uma sinfonia de Beethoven, etc. Nesta montagem a terrível ( e edipiana pelo avesso) ojeriza que Hamlet desenvolve pela mãe, extensiva a Ofélia e ás mulheres, é muito bem destacada...’
A Universidade Livre de Teatro é, atualmente, o grupo de teatro mais profícuo de Salvador. Nessa “Máquina Shakespeare”, há muitos pontos de destaque. Eu simplesmente amo a versão drag-rocker de Vinícius para o príncipe da Dinamarca, é iconoclasta e amalucado, é um belo Hamlet. Acho impressionante a presença de Franklin como o rei usurpador: cínico, irônico e falso, ele apresenta a personagem com um humor adorável, sempre acompanhado por Márcia, fazendo uma bela Gertrude complementar à malícia do rei Cláudio. Sem dúvida, o Fantasma/Jango é um achado precioso, dentro dos inúmeros significados que esta montagem pode receber. Ponto pra direção. Meu coração entregue a Giza, que enfrenta o verborrágico texto de Heiner Müller, como uma pequena guerreira diante de um gigante difícil de combater. Giza domina “Hamlet-máquina” sem temor! “Macbeth” parece um apêndice, uma coda. A figura imponente de Macbeth/Fortimbras indo pra batalha se destaca, junto com o porteiro adorável de Franklin. Esta “Máquina Shakespeare” é imperdível e necessária, um alento de esperança no deserto que vem se tornando o nosso teatro.
OPINIÕES Caríssimo, Obrigado pelas belas fotos! E todas de momentos encenados -- como tem de ser. Vê-se que se trata de concepções atrevidas, provocadoras, argutas -- como tem de ser. Costumo dizer aos meus alunos que só saio de casa para assistir a uma montagem de Shakespeare que dê a cara a tapa, como você bem diz, “kamikaze”. Caso contrário, sigo Coleridge, e fico no meu gabinete, lendo a peça e resolvendo-a no “teatro da mente”. Vê-se, pelas fotos, que o Hamlet e o Macbeth de vocês se atrevem, propõem leituras conceituais, repito -- como tem de ser. Aliás, o emparelhamento das duas tragédias é auspicioso, conforme bem colocado ótimo no texto do programa. Agradeço os créditos à minha tradução, e espero que ela esteja funcionando bem no corpo dos atores e nos ouvidos dos espectadores. Data venia Ian Kott, não me seduz o “Shakespeare meu contemporâneo”, naturalizado. Sou seduzido por um Shakespeare distanciado, estilizado, teatralizado. Não quero complicar o léxico, nem as estruturas frasais, mas tampouco pretendo simplificar o texto. Daí o uso do tu e do vós, e dos imperativos canônicos -- até na negativa, que nenhum brasileiro produz na linguagem coloquial. Faço isso propositadamente, a fim de manter um registro artificioso, longe, por exemplo, do ‘novelês’. Parabéns pela escolha da tradução da Barbara. Concordo que seja o melhor Macbeth. [...] Despedindo-me, envio meu forte abraço a você e aos elencos, e votos de sucesso na temporada. Com afeto, JRO’Shea* *Tradutor da versão de “Hamlet” utilizada na peça em e-mail para o diretor Marcio Meirelles.
BONDE DOS RATINHOS
Este espetaculo é acessível para cegos através de recurso de audiodescrição. Agendar pelo e-mail pauta@teatrovilavelha.com.br
foto Darjan Sanches
Três ratinhos em busca de diversão decidem fazer um “rolezinho” no shopping. O que a princípio parecia um simples passeio se transforma numa grande aventura. Logo Rói-Rói, Ratrícia e Xis são barrados por ratos-seguranças, que avisam que shopping não é lugar para ratos. No caminho de volta pra casa, os três acabam se perdendo e parando num laboratório, onde conhecem ratinhos utilizados em testes feitos pelos humanos. A partir daí, a missão do trio passa a ser libertar as dezenas de ratinhos presos no laboratório. Com texto de Isac Tufi e direção de Zeca de Abreu. Indicado ao Prêmio Braskem de Teatro 2014 como melhor espetáculo infanto-juvenil e na categoria especial pela trilha sonora de Ray Gouveia. Classificação: Livre.
sábado: 16h, domingo: 11h // R$30 e R$15
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O Teatro Vila Velha conta com amplo estacionamento no Passeio Público (Campo Grande). Bilheteria: segunda a sexta, a partir das 15h e, em finais de semana, 2h antes do espetáculo.
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