VIAGEM A NOVA YORK projeto de espetáculo teatral teatro número três, 2018
VIAGEM A NOVA YORK é o novo espetáculo do grupo Teatro Número Três. Criado a partir de registros pessoais, que o autor colecionou ao longo de uma viagem de nove meses - áudios, emails, fotos, mapas, entrevistas - a peça conta a história semi-ficcional de um homem que viajou para o exterior e desapareceu. Baseada nas histórias detetivescas de Paul Auster do romance Trilogia de Nova York, a narrativa acompanha o périplo de Marina, que, diante do sumiço de seu amigo, passa a devassar a vida dele, iniciando uma jornada labiríntica de investigação. O espetáculo estreou em setembro/2018, tendo realizado 12 apresentações no palco do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, na residência artística do Projeto Entre.
SOBRE O GRUPO O TEATRO NÚMERO TRÊS é um grupo de teatro sediado na cidade do Rio de Janeiro desde 2010, que trabalha com histórias reais misturando verdade e ficção. VIAGEM A NOVA YORK é seu terceiro espetáculo e segue a trilha das criações anteriores - “Sem falsidades” (2011) e “Pequenas biografias” (2014) - desenvolvendo uma forma dramatúrgica particular, na qual o autor e diretor Marcio Freitas faz rearranjos de fragmentos extraídos da realidade, a partir do material trazido por atores e colaboradores, produzindo com isso narrativas na qual o grupo lê sua própria história e representa a si mesmo, sob uma chave paródica, misturando autobiografia, metalinguagem e teatro documentário.
SINOPSE
Em VIAGEM A NOVA YORK, acompanhamos a jornada de Marina, que, diante do desaparecimento de seu amigo, Marcio, passa a devassar a vida dele. Lendo e relendo e-mails, conversas por whatsapp, registros bancários, Marina e seus amigos fixam-se nos detalhes mais ínfimos na busca por um sentido. Nesse percurso, aparecem outras vidas, de pessoas que conheceram Marcio em Nova York, figuras que abandonaram o Brasil em busca de outros futuros. A peça culmina com a partida da própria Marina, que viaja a Nova York, para tentar transformar-se ela também, na esperança de chegar mais perto da verdade.
I M AG E N S Como nos trabalhos anteriores do grupo, VIAGEM A NOVA YORK dialoga com a tecnologia de produção de imagens, não apenas pela citação de documentos précapturados, mas também produzindo novas interações em cena. No primeiro ato, uma câmera de segurança grava os passos de
Marina; no segundo, todos interagem com projeções estáticas de textos, mapas e fotos; no terceiro ato, os atores reconstituem poses fotográficas inspiradas nos ensaios de Bruce Davidson no metrô de Nova York; e, no quarto ato, a imagem fílmica pré-gravada em Nova York invade e contamina a cena.
O material bruto do grupo parece ser predominantemente a vida. Documentos, conversas, biografias. Mas isso é só a superfície do tecido. A partir daí se fura, se empilha, se torce. Há um fascínio pelo mecanismo de montagem. Criam-se montagens de elementos que se chocam. A intenção não é que a montagem seja imperceptível e que preze “a narrativa”, pelo contrário, a montagem é um dos grandes protagonistas da cena. Diana de Hollanda, diretora teatral e escritora, doutoranda em Artes Cênicas na UNIRIO, dramaturgista do espetáculo “Pequenas biografias” O Teatro Número Três muitas vezes se apropria de conteúdos invisíveis e irrelevantes no discurso e na ação, e deles ressalta o potencial dramático. Frequentemente este aspecto evidencia um certo esvaziamento do discurso, da fala e do gesto, tornando os espetáculos instigantes, complexos e problematizadores da própria prática teatral textocêntrica. Cássia Maria Monteiro, professora da Escola de Belas Artes da UFRJ Na dramaturgia do real e do íntimo produzida no teatro brasileiro se inclui a peça “Sem falsidades”, para a qual Marcio Freitas entrevistou jovens atrizes, e então “re-mixou” seus relatos em um texto que questiona a singularidade da autorrepresentação no teatro. A peça retira dos atores sua especificidade, [...] chamando a atenção da plateia para sua própria construção, e denunciando o dramaturgo como manipulador dos relatos. Julie Ann Ward, professora da Universidade de Oklahoma, em artigo publicado no livro The Routledge Companion to Dramaturgy (2015)
F I C H A T ÉC N I C A texto e direção: Marcio Freitas elenco: Ana Skaf, Marina Hodecker, Pamella Rodrigues, Pedro Florim e Renata Gasparim cenografia: Adriana Milhomem e Arlete Rua figurinos: Arlete Rua iluminação: Adriana Milhomem trilha sonora: Thiago Assis realização: Teatro Número Três
C O N TATOS P RO D U Ç ÃO
Marina Hodecker marina@teatronumerotres.com.br (21) 98111-7614 Marcio Freitas marcio@teatronumerotres.com.br (21) 99219-7390
As imagens que ilustram o corpo deste projeto são obras da artista Elisabeth Skjærvold, da série Subway peelings, composta por fotografias de murais descascados encontrados no metrô de Nova York. Na página “Imagens”, as fotos são de Bruce Davidson, da série Subway, com retratos de Nova York nos anos 1980. Na página “Links”, a imagem é um recorte de tela de um vídeo com Marina Hodecker.