Russia_Viajar ed 14

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A primavera cultural da

Rússia Ao mesmo tempo em que se moderniza, o maior país do planeta cultiva atrações históricas, culturais e arquitetônicas inigualáveis. E elas estão cada vez mais acessíveis aos brasileiros

Praça Vermelha ilumina a noite na capital russa

Fotos: Shutterstock

Por Rosangela Arias e Silvana Cordier

Esqueça aquela imagem antiga, de uma Rússia fechada, séria e cinzenta. Quem visita a antiga república soviética percebe logo que, mesmo cultivando sua história e suas riquezas culturais, esta é uma nação bem diferente daquela que polarizou a política no Século 20. Desde que o comunismo se extinguiu, em 1991, as mudanças cobriram o país com a intensidade das nevascas de inverno. E agora ele começa a viver sua primavera, fato muito fácil de ver nas duas principais cidades – Moscou e São Petersburgo. Não foi só o socialismo que caiu. A boa notícia para os brasileiros é que o visto de entrada deixou de ser obrigatório desde junho deste ano. Pena que nem todos os funcionários que trabalham na imigração estejam por dentro das mudanças. Assim, não se desespere se, ao chegar ao país, algum deles te jogar um olhar desconfiado e perguntar onde está o visto. Retribua com o mesmo olhar e encha a boca para dizer: não é mais preciso! Há resquícios dos velhos tempos? Claro. Ainda hoje o busto de Lenin pode ser visto em diferentes pontos da cidade. Todos os dias, turistas se aglomeram para admirar o corpo do estadista embalsamado desde sua morte, em 1924. Ele está num mausoléu de mármore vermelho e preto. Mas a antiga devoção pouco a pouco vai cedendo. É o retrato de um país que olha para o futuro, um lugar onde hoje em dia os carros mais modernos voam por avenidas de asfalto impecável – bem diferente do que ocorria 30 anos atrás. Uma nação que absorve as tendências e modas do ocidente, tornando sua capital, por exemplo, uma das mais agitadas em termos de vida noturna na Europa. Isso sem que as tradições sejam desprezadas. O túmulo de Lenin, a propósito, fica próximo ao de outros heróis da pátria, como Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar pelo espaço, em 1961. Ambos no ponto mais emblemático da capital: a Praça Vermelha. Para conhecê-la, e ao Kremlin sem correria e aproveitando bem todos os ícones que a rodeiam, reserve dois dias e não vá embora quando anoitecer. Depois que o sol se esconde, a praça ganha uma iluminação especial, um tanto inspiradora e romântica. Não estranhe ao ver passar uma, duas, três... dez noivas por lá. É tradição: logo após o casamento civil, muitos recém-casados procuram as suntuosas construções da capital para usá-las como cenário de suas 53


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