Gramado, domingo, 14 de agosto de 2011
Jornal oficial do 39o Festival de Cinema de Gramado l Ano 6 l No 24 l Distribuição gratuita Foto: Edison Vara/PressPhoto
Uma Longa Viagem é o melhor filme
Gramado consagra trabalho de Lúcia Murat que mistura documentário e ficção. Caio Blat, intérprete do longa, também foi premiado
Diário do Festival
Gramado, 14 de agosto de 2011
BALANÇO
Direção Geral Flávio Difini Leite flavio@novapauta.com.br
Festival comemora recordes e já prepara festa de gala Durante os nove dias de evento, conforme o presidente, mais de 120 mil pessoas visitaram Gramado, participando da programação ou aproveitando as diversas atrações que a cidade oferece. “Apenas na noite de premiação, cerca de 25 mil pessoas estavam se divertindo nas dez festas organizadas.”
Douglas Ceconello Av. Taquara, 98 conj. 504 Fone/fax (51) 3024-0677 Porto Alegre - RS CEP 90460-210 www.novapauta.com.br
Ano 6, no 24 – 14/8/2011
Jornal oficial do 39º Festival de Cinema de Gramado
Distribuição gratuita Publisher Flávio Difini Leite
Edição Gustavo Faraon gustavo@novapauta.com.br
Reportagem Douglas Ceconello Katiana Ribeiro Melissa Schröder
Planejamento gráfico Kraskin Comunicação
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pós consolidar uma formatação mais arrojada, reafirmando sua posição de destaque no cenário cinematográfico brasileiro e latino-americano, o Festival de Cinema de Gramado encerra a edição de 2011 apresentando números expressivos e já antecipando os preparativos para celebrar, ano que vem, seu histórico 40º aniversário. Para o presidente do festival, Alemir Coletto, a edição que teve seu apogeu na premiação de ontem à noite foi “a mais representativa de nossa história”. Houve acréscimo de 45% na inscrição de filmes, marca que supera os 600 títulos. “Com certeza, não estamos apenas comemorando o recorde de filmes inscritos, mas também o fato de o festival ter abraçado cada canto de Gramado. Nós vivemos e respiramos cinema durante nove dias”, avalia Coletto. Conforme o presidente, além das exibições regulares, 80 filmes foram levados à periferia no projeto Cinema nos Bairros. Os acréscimos, no entanto, não ficaram restritos às salas de exibição. Uma mudança considerada positiva foi a busca por uma maior centralização das atividades e da organização, que se aproximaram ainda mais do Palácio dos Festivais e facilitaram a rotina do público e dos cerca de 300 profissionais que trabalharam no evento. Quando as distâncias eram difíceis de serem percorridas a pé, os convidados podiam recorrer a 15 automóveis e 10 micro-ônibus. A magnitude da 39ª edição refletiu-se
Atravessando fronteiras e de olho na festa
Edison Vara/PressPhoto
Alemir Coletto destacou acréscimo na inscrição de filmes
no grande número de profissionais de comunicação que cobriram a diversificada agenda. A PressPhoto, equipe de fotografia do festival, disponibilizou no site oficial cerca de 900 fotos em alta resolução, que eram utilizadas por 140 veículos por dia, entre sites, revistas e jornais. Para Coletto, é uma prova do prestígio que o festival alcançou. “Como presidente, afirmo que o festival não teria o mesmo valor se não fosse o amplo reconhecimento da mídia, da crítica e da classe cinematográfica”, comemora.
No momento em que já começa a se preparar para celebrar seus 40 anos, o festival parece ter alcançado maturidade suficiente para se assumir definitivamente como porta-voz do cinema brasileiro ao redor do mundo. Na última semana, foram fechados acordos com os festivais de cinema de Veneza e de Los Angeles. “Essas parcerias vão abrir portas no continente europeu e na América do Norte, consolidando o papel de Gramado como vitrine e interlocutor do meio cinematográfico brasileiro naqueles cenários”, avalia Coletto. O festival também espera tornar ainda mais significativo seu respaldo junto à classe cinematográfica, unindo esforços para que as edições continuem superando recordes. Para isso, está sendo estruturada a Academia de Cinema de Gramado, da qual vão fazer parte entidades representativas do setor. “Já a partir de 2012, a Academia será a grande parceira do festival, no sentido de ampliar forças para a sua realização”, explica o presidente. A edição histórica do ano que vem acontece entre os dias 10 e 18 de agosto.
Diagramação Vinícius Kraskin Taciana Pessetto
Impressão Pioneiro – Grupo RBS
Comercialização
Para anunciar ligue (51) 3024-0337 (51) 9246-0703
Os artigos assinados não representam necessariamente a opinião do jornal e são de responsabilidade dos autores.
EDITORIAL
Orgulho em fazer parte desta história
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elo sexto ano consecutivo, o Festival de Cinema de Gramado contou com um veículo exclusivo dedicado a levar informação para os seus diversos públicos. Nós do Diário do Festival nos sentimos privilegiados em servir ao mais importante evento da cinematografia brasileira, aproximando espectadores, críticos e profissionais da sétima arte, amplificando os debates em torno dos filmes e colocando em pauta as questões relevantes para o audiovisual e a cultura. Em 2011, uma equipe de nove pessoas trabalhou diretamente para que, em cada manhã, a publicação estivesse
Flávio Difini
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Equipe de jornalismo: Douglas Ceconello, Katiana Ribeiro, Gustavo Faraon e Melissa Schröder
disponível aos leitores no Palácio dos Festivais, na Rua Coberta, no Centro de Eventos
do Hotel Serra Azul e nos principais hotéis da cidade. Foram quatro edições produ-
zidas em meio à frenética rotina de Gramado e finalizadas durante as madrugadas. O desafio de produzir o jornal oficial de um festival de tamanha importância só é possível porque contamos com o apoio da equipe comercial da ClassiMarketing, que viabiliza este projeto junto aos patrocinadores, dos fotógrafos da PressPhoto, além do suporte da organização do evento e sua assessoria de imprensa. É uma honra colaborar para o desenvolvimento do nosso festival. Nos vemos em 2012! Gustavo Faraon Editor
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Diário do Festival
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PREMIAÇÃO
Noite dos Kikitos consagra tendência de diálogo entre ficção e documentário
Itamar Aguiar/PressPhoto
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Gustavo Pizzi e Karine Teles, casal multipremiado por Riscado, comemora o sucesso do longa-metragem, que venceu em cinco categorias
OS VENCEDORES Mostra competitiva de longas brasileiros ■ Melhor
filme: Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat diretor: Gustavo Pizzi, por Riscado ■ Melhor roteiro: Gustavo Pizzi e Karine Teles, por Riscado ■ Melhor ator: Caio Blat, por Uma Longa Viagem ■ Melhor atriz: Karine Teles, por Riscado ■ Melhor fotografia: Roberto Henkin, por O Carteiro ■ Melhor Montagem: Leonardo Sette, por As Hiper Mulheres ■ Prêmio especial do júri: As Hiper Mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro ■ Melhor
Mostra competitiva de longas estrangeiros ■ Melhor
filme: Medianeras, de Gustavo Taretto diretor: Gustavo Taretto, por Medianeras, e Sebastian Hiriart, por A Tiro de Pedra ■ Melhor roteiro: Sebastian Hiriart, por A Tiro de Pedra ■ Melhor ator: Gabino Rodriguez, por A Tiro de Pedra ■ Melhor atriz: Margarida Rosa de Francisco, por Garcia ■ Melhor fotografia: Serguei Saldivar Tanaka, por La Lección de Pintura ■ Prêmio especial do júri: Jean Gentil, de Laura Guzmán e Israel Cárdenas ■ Melhor
Mostra competitiva de curtas-metragens ■ Melhor
filme: Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo, de Rodrigo John diretor: Natara Ney, por Um Outro Ensaio ■ Melhor roteiro: Rodrigo John, por Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo ■ Melhor ator: José Wilker, por A Melhor Idade ■ Melhor atriz: Dira Paes, por Ribeirinhos do Asfalto ■ Melhor fotografia: Jacques Dequeker, por Polaroide Circus ■ Melhor montagem: Mair Tavares e Tina Saphira, por Um Outro Ensaio ■ Prêmio especial do júri: Rivellino, de Marcos Fábio Katudjian ■ Melhor
Gabriela Di Bella/PressPhoto
ma Longa Viagem, de Lúcia Murat, sagrou-se o melhor longa-metragem brasileiro do 39º Festival de Cinema de Gramado. “Esse filme é parte da minha história e dos meus irmãos Heitor e Miguel. O Kikito é deles também”, declarou a diretora. A mistura de documentário biográfico com ficção também rendeu ao ator Caio Blat o segundo Kikito consecutivo de sua carreira. As atenções foram divididas com outra produção que mescla os dois gêneros, Riscado. O filme levou melhor direção, com Gustavo Pizzi, que também faturou o prêmio de melhor roteiro, junto de Karine Teles, com quem é casado. Karine recebeu, ainda, o Kikito de melhor atuação feminina. No longa, que foi o mais celebrado pela crítica, ela interpreta uma atriz que ganha a vida imitando divas do cinema. A noite foi marcada por apresentações da cantora Andréa Cavalheiro, além de vídeos e depoimentos que resgataram a história do festival. Da mostra de longas estrangeiros, Medianeras levou os Kikitos de melhor filme e direção para Gustavo Taretto. A produção aborda os conflitos modernos de um casal que, apesar de morar próximo, nunca se encontra, mostrando a cidade como capaz de unir e separar os indivíduos. O filme uruguaio A Tiro de Pedra também entusiasmou os avaliadores, com o diretor Sebastian Hiriart dividindo o prêmio de direção com Gustavo Taretto, de Medianeras. Hiriart também faturou roteiro, e Gabino Rodriguez levou o prêmio de melhor ator. A atuação no colombiano Garcia também consagrou Margarida Rosa de Francisco como melhor atriz, e o prêmio especial do júri foi dedicado ao filme dominicano Jean Gentil. Entre os curtas, o melhor filme foi Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo, animação de Rodrigo John, que também levou o prêmio de roteiro. O prêmio de direção acabou com Natara Ney, por Um Outro Ensaio, que também levou melhor montagem.
Caio Blat e Lúcia Murat celebram as vitórias de Uma Longa Viagem
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ENTREVISTA/SÉRGIO SANZ
Um festival acima das expectativas Ruy Guerra hoje está com dificuldade de filmar. Em compensação, outros filmes que não têm a menor relevância arranjam dinheiro com a maior facilidade porque deram bilheteria antes. Eu acho que isso é um crime da Ancine contra o país.
Gustavo Faraon
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á seis anos na curadoria do Festival de Cinema de Gramado ao lado de José Carlos Avellar, o documentarista Sérgio Sanz afirma estar com a sensação de dever cumprido em relação à 39º edição. Mesmo com parcos recursos financeiros, ele acredita que a seleção de filmes agradou ao público, e terminou até superando suas próprias expectativas. Ao mesmo tempo, o curador critica a política audiovisual brasileira e diz que o momento atual é de definições muito importantes não só para o cinema do país, mas para o futuro do próprio festival.
No ano passado, a Mostra Panorâmica foi o principal destaque, ao passo que em 2011 pouco se falou sobre ela. A que se deve a pouca repercussão? Por causa da falta de dinheiro, a gente não tinha espaço para fazer os debates e exibir os filmes. Os diretores iam para Gramado, mas ficavam poucos dias, pois não tinha dinheiro para mantê-los mais tempo. Isso esvaziou bastante. A mudança da organização do evento para o centro da cidade trouxe benefícios para as atividades do festival? Muitos. Eu achei ótimo, eu e todo mundo. O centro de even-
Edison Vara/Press Photo
Que balanço você faz desta edição do festival? Foi uma edição muito boa, com um resultado até acima do que era esperado. Mesmo com a absoluta falta de dinheiro, a gente conseguiu fazer um festival bem direito, com filmes bons. Um grande problema em fazer um festival de cinema, além dos contatos para conseguir exibir bons filmes, é o dinheiro para poder trazer as pessoas, para poder fazer exposição, pagar todo mundo. O festival termina com várias dívidas. Fora esses percalços, o festival se encerra com um ótimo resultado. Todos foram muito bem recebidos, as pessoas gostaram da seleção, então nós estamos com sensação de dever cumprido.
Qual você acha que pode ser o papel do festival para mudar esse cenário? O que a gente fez esse ano. Começar a passar filmes que o governo não ajudou, não aceitou muito, que eles não consideram um filme importante. E nós passamos no festival. Quando a gente passa filmes independentes, nós estamos claramente indo contra esta política governamental.
Para Sérgio Sanz, prioridade de incentivos aos filmes comerciais está fazendo cair a qualidade da produção cinematográfica brasileira
tos da Expogramado, em que estava antes, era muito longe, as pessoas iam muito pouco. Com a mudança todo mundo pôde se encontrar com mais facilidade, então houve muita conversa. Estava todo mundo próximo. Eu, por exemplo, encontrei todas as pessoas no festival, ao contrário do ano passado. Eu acho que deve continuar assim. Muita gente reclamou de um desequilíbrio entre a mostra nacional e a estrangeira, com filmes latino-americanos muito superiores aos brasileiros. A que isso se deve? Eu acho que o desequilíbrio se deve à política governamental do Brasil neste momento. Num momento em que o país e o Ministério da Cultura priorizam
um filme de bilheteria, um filme que dá lucro, e não a qualidade, o filme autoral e independente, dá nisso. O diretor mexicano [Sebastian Hiriart] foi muito claro, ele disse: “Quando nós fazemos um filme no México, o instituto mexicano não pergunta quanto o filme rendeu, ele pergunta o quanto o filme repercutiu.” Parece que o cinema se transformou em uma loja de sapatos, quem vende mais sapatos é mais importante, não interessa o desenhos do sapato, nem nada. Está se contando nos dedos os filmes interessantes, e eu acho que o grande culpado dessa crise de qualidade é a Ancine. Ela atualmente faz mal para o cinema brasileiro. A diferença entre o cinema mexicano, o argentino e o brasileiro é que
nós não temos nenhum conceito de qualidade e eles têm um enorme conceito de qualidade. Eles querem que as culturas argentinas e mexicanas cheguem ao mundo, e nós queremos bilheteria. Por isso, os filmes desses caras do circuito comercial não passam da fronteira, não passam nem em Uruguaiana, por que eles só estão interessados em faturar em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Bahia, etc. O cinema brasileiro está menos relevante, então? Muito menos relevante. Ele já não é o cinema brasileiro que todo mundo queria ver por que era inquieto. Os Fuzis, por exemplo, que é uma obra-prima do cinema brasileiro, teve uma renda baixíssima. Tanto que o
Você e o José Carlos Avellar estão há seis anos na curadoria. Quais as suas principais contribuições para Gramado até aqui? Nós fizemos coisas interessantes. Fizemos o Júri Popular ser realmente popular; editamos, neste ano, o livro em homenagem ao Limite; estamos mantendo três júris diferentes todos os anos; abrimos espaço para que os diretores conheçam os cineastas latino-americanos, fazendo reuniões e conversas entre eles. Hoje, o Rio Grande do Sul e o festival estão muito mais próximos do resto do Brasil do que há dez anos. No início, houve uma rejeição, mas hoje ninguém lembra mais que nós somos cariocas, todo mundo lembra que nós somos curadores do festival. Para onde o festival deve caminhar de agora em diante? Agora está tudo na mão da direção, se conseguirá levantar dinheiro. Se ela conseguir fazer a parte dela, nós faremos no ano que vem um festival muito mais interessante, traremos muito mais críticos estrangeiros para verem o cinema brasileiro. O que, aliás, já estava combinado para este ano, mas em cima da hora não tinha dinheiro para pagar as passagens. Isso me chateia, porque em compensação tinha dinheiro para pagar a passagem de atores globais, que nunca fizeram filme na vida. Acho que estamos em um momento de definições.
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RETRATOS
Os campeões de Gramado
De Kikitos em punho, os vencedores da 39ª edição do festival posam para a tradicional fotografia coletiva sobre o palco do Palácio dos Festivais Natara Ney recebe de Fernanda Moro o prêmio de melhor filme do Júri Popular por Um Outro Ensaio
Edison Vara/PressPhoto
Gabriela Di Bella/PressPhoto
Pablo Perelman comemora os dois prêmios conferidos a La Lección de Pintura
Gustavo Pizzi, melhor diretor por Riscado, recebe o prêmio de Gustavo Trindade Rocha, da Ambev
Reconhecimento concedido por todos os júris Apesar de ser a mais famosa, o Kikito não é a única premiação do Festival de Cinema de Gramado. Estudantes, críticos e o Júri Popular também conferem prêmios valiosos aos filmes.
Caio Blat, Léo Bittencourt e Lúcia Murat recebem de Maria Arlete Gonçalves, da Oi Futuro, o Kikito de melhor filme brasileiro, concedido a Uma Longa Viagem
TROFÉU CIDADE DE GRAMADO Júri dos estudantes ■ Melhor longa-metragem brasileiro para Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat ■ Melhor direção de arte em longa brasileiro para Monica Costa e Júlia Murat, por Uma Longa Viagem ■ Melhor trilha musical em longa brasileiro para Lucas Vasconcellos, Letícia Novaes e Iky Castilho, por Riscado ■ Melhor curta-metragem brasileiro para A Mula Teimosa e o Controle Remoto, de Hélio Vilella Nunes ■ Melhor direção de arte em curta-metragem para Rui Santa-Helena, por Ribeirinhos do Asfalto ■ Melhor trilha musical em curta-metragem para Jan da Silva, por Um Outro Ensaio ■ Melhor longa-metragem estrangeiro para La Lección de Pintura, de Pablo Perelman ■ Melhor filme da Mostra Panorâmica para Transeunte, de Eryk Rocha
Flávio Lammel, do Banrisul, entrega o Kikito de melhor atriz para Karine Teles, por Riscado
Júri da crítica ■ Melhor longa-metragem brasileiro para Riscado, de Gustavo Pizzi ■ Melhor longa-metragem estrangeiro para Jean Gentil, de Laura Gusmán e Israel Cárdenas ■ Melhor curta-metragem brasileiro para Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo, de Rodrigo John ■ Prêmio Canal Brasil para Um Outro Ensaio, de Natara Ney
Caio Blat, pelo segundo ano seguido escolhido o melhor ator em Gramado. Desta vez, o prêmio veio pela atuação em Uma Longa Viagem. Troféu é entregue por José Barbosa, da Petrobras
Edison Vara/PressPhoto
Edison Vara/PressPhoto Edison Vara/PressPhoto
Carlos Fausto e Takumã Kuikuro recebem das mãos de Selton Mello o Prêmio Especial do Júri por As Hiper Mulheres
Edison Vara/PressPhoto
Sebastian Hiriart, de A Tiro de Pedra, e Gustavo Taretto, de Madianeras, ausente, dividiram melhor direção para longa estrangeiro
Edison Vara/PressPhoto
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Em uma cerimônia marcada por apresentações musicais e vídeos resgatando a história do festival, Gramado conheceu na noite de ontem os tão esperados ganhadores dos Kikitos. Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat, foi eleito o melhor filme brasileiro desta edição, mas dividiu as atenções com Riscado, que também foi premiado nas principais categorias.
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Júri popular ■ Melhor longa-metragem brasileiro para Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat ■ Melhor longa-metragem estrangeiro para Medianeras, de Gustavo Taretto ■ Melhor curta-metragem brasileiro para Um Outro Ensaio, de Natara Ney
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O que mais se destacou em 2011 Katiana Ribeiro
Reprodução
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Mostra competitiva de longas estrangeiros, que contou com filmes como o mexicano A Tiro de Pedra, foi considerada o ponto alto desta edição
produz mais de 80 títulos por ano e, aqui em Gramado, acabamos assistindo muito mais filmes internacionais de qualidade, cujos países realizam bem menos quantidade”. A mostra de curtas-metragens também foi apontada como irregular. “Havia alguns curtas bons, mas a maioria era muito fraca”, avalia a jornalista Maria do Rosário Caetano, da Revista de Cinema, de São Paulo. Já o filme de abertura do festival, O Palhaço, de Selton Mello, e o que marcou o encerramento, Sudoeste, de Eduardo Nunes, foram apontados como grandes destaques desta edição, sendo aclamados tanto pelo público quanto pela crítica. Apesar dessas disparidades, Luiz Carlos Merten, crítico do Estadão, destacou o trabalho da curadoria assinada há seis anos por José Carlos Avellar e Sérgio Sanz. “Eles conseguem reunir filmes com diferentes temáticas que, juntos, se articulam, dialogando entre si. Isso é mérito desta curadoria”, ressalta Merten. O atraso das cópias de alguns filmes estrangeiros, no en-
Gabriela Di Bella/PressPhoto
esde o dia 6 até a noite de ontem, cinéfilos, realizadores, artistas, jornalistas, críticos e público em geral viveram mais uma edição do Festival de Cinema de Gramado. Foram nove dias dedicados aos filmes e à badalação no entorno do tapete vermelho do Palácio dos Festivais, com a consagração final de entrega dos Kikitos. A partir de depoimentos e percepções dos participantes do evento, o Diário do Festival busca traçar um panorama deste ano. Muitas opiniões seguem iguais às colhidas nos anos anteriores, enquanto outras dão ênfase em novos aspectos a serem revistos. Sobre as mostras oficiais de longas-metragens em competição, por exemplo, a reação dos entrevistados foi unânime: quem sempre leva a melhor são os latino-americanos. “Já virou tradição em Gramado os longasmetragens estrangeiros serem muito superiores em comparação aos filmes brasileiros”, constata o crítico Rubens Ewald Filho, que este ano integrou o Júri da Crítica. O ator Nelson Xavier, intérprete de Chico Xavier na telona, é só elogios ao trabalho do diretor uruguaio Aldo Garay, que teve um de seus filmes na mostra oficial deste ano. “Fiquei encantado com o documentário El Casamiento, pela sensibilidade que apresenta”, elogia. Para o jornalista Marcos Santuário, o conjunto de produções brasileiras deixou a desejar, mas não se trata especificamente de uma deficiência do cinema nacional. “Participo de outros festivais e há muita coisa melhor do que vem sendo apresentado em Gramado”, comenta Santuário. Rubens Ewald Filho complementa: “O Brasil
Ewald: restaurantes fechados após sessões
tanto, obrigou os organizadores a exibirem cópias em DVD, gerando descontentamento nos espectadores. A situação foi remediada após a chegada das películas, com a realização de novas sessões para os jurados. A dualidade entre a programação cinematográfica e a badalação do tapete vermelho, com a presença de celebridades que, muitas vezes, sequer fazem parte de algum dos filmes em competição, tem sido vista com menos desconforto do que em anos anteriores. “Acho válido, contanto que esses artistas busquem funções sociais como
aqueles que participam do projeto Cinema nos Bairros”, completa Maria do Rosário Caetano. Já a presença dos convidados para coletivas e debates é um dos principais pontos bem avaliados pelos entrevistados. “A grande participação das pessoas ligadas aos filmes que integram as mostras enriquece o festival”, completa a jornalista. De acordo com o presidente da Fundacine, Cícero Aragon, o Festival de Gramado também propicia avanços no mercado audiovisual. “Durante a semana, foram feitos diversos contatos com representantes de outros países e o lançamento do projeto do Centro Tecnológico Audiovisual do RS, o Tecna, que promete impulsionar o desenvolvimento do mercado nesta área”, declara. Aragon destacou, ainda, a continuidade da realização do Ação em Cinema, um evento que serve como espaço de discussões das políticas culturais voltadas para o cinema. “Diversas entidades representativas do governo e do mercado participam da iniciativa, abrindo caminho para novos projetos”, salienta.
EM ALTA
Diversidade de integrantes no Júri da Crítica, organizado pela Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS). Foram mais de cinco estados representados. n Concentração das atividades no Hotel Serra Azul, tanto pela localização no centro da cidade, quanto pela estrutura oferecida. n
EM BAIXA
Os ingressos das sessões custaram entre R$ 50 e R$ 130. O alto valor cobrado foi o principal motivo atribuído à grande quantidade de lugares vazios nas salas de exibição. n Pouca oferta de restaurantes abertos após às 23h30, horário em que o público costuma sair da última sessão da noite. n
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TAPETE VERMELHO
Badalação e tietagem antecedem cerimônia no Palácio dos Festivais Melissa Schröder
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Rua Coberta ficou superlotada à medida que o momento da premiação se aproximava. Nem mesmo a chegada do frio e da chuva demoveu os fãs da vigília pelos famosos
garoa e temperaturas mais baixas. Mas a mudança brusca no clima não conseguiu desanimar os curiosos. Marcony Correia, 54, e Silvana Oliveira, 49, vieram de Maceió (AL) para visitar Gramado. Mesmo com a queda repentina da temperatura, Silvana diz não estranhar o clima. “Apesar de ser nordestina, eu gosto do frio. Viemos preparados”, comentou ela. Com uma câmera na mão, Marcony disse que quer filmar todos os famosos no tapete. “Não importa a chuva, vamos ficar aqui até o fim.” Quando as celebridades começaram a chegar, por volta das 19h, boa parte do público já ansiava pelos autógrafos e fotos com seus ídolos. E com certeza não houve decepções, afi-
Maria Carolina, Suzana, Gabriela e Renata: quatro gerações da família à espera dos artistas
nal, artistas como Mateus Solano, Caio Blat e Selton Mello passearam pelo tapete e deram atenção aos fãs. Todos aproveitaram para tietar à vontade, gritando e aplaudindo os astros. “Queremos tirar muitas fotos com os famosos”, confes-
Flávio Difini
ão era nem meiodia quando a Rua Coberta, tradicional ponto de encontro da cidade e que abriga o tapete vermelho, começou a ficar lotada de pessoas que aguardavam o início da última e mais badalada noite do festival. Mesmo com a cerimônia de premiação marcada para as 21h, a movimentação começou cedo. Enquanto muita gente ainda almoçava, outros já esperavam eufóricos a chegada dos famosos ao Palácio dos Festivais. Ao longo do sábado, a disputa entre carros e pedestres foi agitada. Além da própria Rua Coberta, a Praça Major Nicoletti e a Avenida Borges de Medeiros também ficaram superlotadas. Imponentes e luxuosas, as limousines oficiais do festival transitavam entre os hotéis e o palácio, transportando os convidados da noite. Os vidros escuros deixavam todos curiosos para saber quem seria o passageiro ilustre da vez. O festival atrai pessoas de todas as idades, que, muitas vezes, vêm de longe só para acompanhar a programação. Durante a tarde, Maria Carolina, 72, Suzana, 62, Renata, 31, e Gabriela, 8, já esperavam a chegada dos famosos. Elas representam quatro gerações da mesma família e vieram de Porto Alegre no mesmo dia, pela manhã. “Nós já conhecíamos o festival, mas é a primeira vez que viemos até aqui para prestigiá-lo”, diz Suzana, mãe de Renata e avó de Gabriela. Apesar de ter começado com sol e calor, o dia da principal premiação terminou com
sou Angelita Maccari, 39, que veio com o marido e as duas filhas de Morro da Fumaça, em Santa Catarina. Além de curtir todo o charme no tapete vermelho, alguns turistas vieram a Gramado também por outro motivo: curtir os
eventos que rolam após a premiação. As jovens Fernanda e Luiza estão entre eles. Ambas vieram de Gravataí com a intenção de curtir as baladas itinerantes que acontecem paralelamente ao festival de cinema. “O plano é ficar um pouco por aqui e mais tarde ir para uma festa”, explica Fernanda. Muitos famosos também aproveitam as opções noturnas e marcam presença nesses eventos. Para aqueles que querem espiar de perto diretores, atores, atrizes, roteiristas e demais artistas, o tapete vermelho é o melhor lugar, principalmente durante a noite da premiação. Mas, tietagens e autógrafos à parte, é dentro do palácio que acontece o que realmente importa: a entrega dos Kikitos.
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EM DESTAQUE
Longa retrata busca de haitianos por trabalho no país vizinho A procura de emprego por um professor haitiano em uma cidade dominicana é o ponto de partida do filme Jean Gentil, de Laura Guzmán e Israel Cárdenas, que foi tema de debate na manhã de ontem. Ao conversar com público e críticos, parte da equipe do filme salientou que o enredo é praticamente um retrato da situação de muitos haiItamar Aguiar / Pressphoto
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ilme que encerrou as exibições desta edição do festival, o longa Sudoeste recebeu avaliação positiva da crítica, como ficou explícito em debate ocorrido ontem no Centro de Eventos do Hotel Serra Azul. Na avaliação dos especialistas, além de atuações destacadas, a realização permite diversas possibilidades de interpretação. Para o diretor Eduardo Nunes, o filme não foi concebido para o circuito comercial. “Há várias leituras possíveis. A obra tem potencial para criar discussão e envolver os espectadores”, afirma. Segundo ele, após a exibição no Palácio dos Festivais, a sensação foi de “alívio e missão cumprida”. Na história, ambientada em uma vila isolada do litoral brasileiro onde tudo parece
Longa de Eduardo Nunes recebeu muitos elogios durante debate realizado ontem
imóvel, Clarice, interpretada por Simone Spoladore, percebe toda a sua vida em um único dia, tentando entender sua obscura realidade e o destino das pessoas ao seu redor. O filme, que teve sua primeira exibição pública em Gramado, também privilegia um sofisticado acabamento técnico. A edição de som, por exemplo, durou dez meses,
enquanto a previsão inicial era de seis semanas. Além disso, várias são as referências cinematográficas que permeiam Sudoeste. Desde o cineasta russo Andrei Tarkovsky, passando por Era Uma Vez na América, de Sergio Leone, até Limite, de Mário Peixoto, vêm à tona diversas “homenagens”, como Eduardo Nunes faz questão de salientar.
tianos, que partem para o país vizinho em busca de melhores condições de trabalho. O próprio ator haitiano que empresta seu nome e sua história ao longa participou da discussão. Sobre a produção, o ator Nadal Walcot afirmou que, apesar de haver roteiro, as gravações foram marcadas pelo improviso, com os atores tendo ampla liberdade.
Patrocinador oferece automóvel à Polícia Militar de Gramado No dia da premiação, não houve comemoração apenas de quem saiu com um Kikito em mãos. A Brigada Militar de Gramado também teve motivos para agradecer, já que o festival, por meio de parceria com a Kia Sun Motors, entregou à instituição um automóvel Soul. Uma cerimônia foi realizada ontem, pouco depois das 17h, para marcar o acontecimento. Participaram o Comandante-Geral da BM, Sérgio Roberto de
Foto de Flávio Difini
Sudoeste é recebido com grande entusiasmo pelo público
Abreu, e o Comandante da BM de Gramado, Capitão Néviton (ambos na foto), além do presidente do festival, Alemir Coletto, e Jefferson Fürstenau, sóciodiretor da Kia Sun Motors.
Prêmio AssembleiA legislAtivA de CinemA o Parlamento gaúcho tem o compromisso de apoiar o desenvolvimento do cinema do nosso estado. desde 2004, a Assembleia legislativa promove, durante o Festival de Cinema de gramado, o Prêmio Assembleia legislativa de Cinema, iniciativa que destaca os trabalhos inéditos realizados por artistas e produtoras gaúchas. neste ano, mantendo este compromisso, o Parlamento fez a entrega do prêmio no Palácio dos Festivais na última quinta-feira, dia 11 de agosto. www.al.rs.gov.br • www.twitter.com/assembleiars
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RETRATOS
A 39ª edição em fotografias Gabriela Di Bella / Pressphoto
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Edison Vara / Pressphoto
Itamar Aguiar / Pressphoto
Sábado, 6: Paulo José esbanja bom humor no debate do filme O Palhaço
Sexta, 5: Selton Mello recebe a homenagem especial desta edição
Domingo, 7: chuva afugenta o público do entorno do Palácio dos Festivais
Gabriela Di Bella / Pressphoto
Edison Vara / Pressphoto
ão foi apenas na tela grande do Palácio dos Festivais que belas imagens puderam ser contempladas em Gramado. Durante os nove dias de agitação intensa em torno da sétima arte, os participantes puderam testemunhar momentos marcantes, muitos deles eternizados em registros fotográficos. Foram destaques a presença de Selton Mello, que prestigiou grande parte da programação, e a emocionante homenagem à dama da dramaturgia brasileira, Fernanda Montenegro.
Quarta, 10: mesmo ausente, Domingos Oliveira leva Troféu Eduardo Abelin
Edison Vara / Pressphoto
Sexta, 12: Márcio Garcia circula com o ator americano Colin Egglesfield
Quinta, 11: Reginaldo Faria atende aos fãs antes da exibição de O Carteiro
Sábado, 13: Karine Teles, de Riscado, se prepara para a cerimônia dos Kikitos
Gabriela Di Bella / Pressphoto
Terça, 9: Evandro Elias faz graça para as alunas da escola David Canabarro
Itamar Aguiar / Pressphoto
Gabriela Di Bella / Pressphoto
Segunda, 8: Eva Sopher e a homenageada Fernanda Montenegro