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01-19-2011

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19 DE JANEIRO DE 2011

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Banco de Portugal... “O conselho de administração do

Banco de Portugal decidiu adoptar medidas com efeito equivalente às actuais exigências de contenção de custos e, naturalmente, de custos salariais, anunciadas para o Estado e para a administração pública”, anunciou hoje, em comunicado, a entidade liderada por Carlos Costa. Deste modo, o Banco de Portugal vai reduzir em 10 por cento as remunerações dos seus administradores e “adoptar medidas que visam a contenção de custos do funcionamento do banco e cujos efeitos se traduzem na redução, em média, de 5,6 por cento das remunerações efectivas dos colaboradores do Banco e na redução de 7 por cento dos custos com pessoal”. A decisão foi tomada “nos termos dos Estatutos do Sistema Europeu de Bancos Centrais e da sua própria Lei Orgânica (estatuto reiterado pelo parecer emitido pelo BCE [Banco Central Europeu] em 12 de novembro de 2010)”, sublinhou o Banco de Portugal. Os cortes salariais anunciados pelo Governo para combater o défice do Estado vão de 3,5 por cento a 10 por cento do salário e aplicam-se a quem ganhe mais de 1.500 euros por mês na administração pública e no sector empresarial do Estado.

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STRESS, um mal dos tempos modernos

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ão é a primeira vez que escrevo sobre este tema, talvez porque durante a minha vida activa, antes de me reformar, o stress foi, para mim, a causa de alguns problemas de saúde. Problemas esses que deixaram de existir logo que comecei a viver a vida à minha maneira – com tempo para contemplar e desfrutar daquilo que a vida tem de bom. Todavia, há ainda quem acredite que uma certa dose de stress pode ser um bom contributo para se trabalhar melhor. Ou seja, o stress, dizem alguns, permitiria manter as pessoas mais aten-

tas e estimuladas. Talvez. Mas o stress também serve para criar angústia, tensão e receio de falhar. E quando atinge níveis excessivos, o stress pode mesmo ser o maior responsável por situações depressivas. O stress é a doença generalizada deste fim de século e de milénio. Mais de metade dos trabalhadores nos países industrializados queixam-se dos seus efeitos desastrosos. Hoje, o stress não escolhe classes sociais, afectando um em cada três assalariados. O problema é sempre o mesmo: fazer mais e em menos tempo. Em muitas emMosti Mondiale 2000 11 novembre presas, se2010 a sobrecarga de trabalho surge A Voz de Portugal

à frente das causas do stress, segundo as estatísticas, para os homens de 25 a 30 anos é sobretudo a ausência de perspectivas de carreira que representam um factor desmotivador. Para as mulheres, a causa principal do stress surge muitas vezes ao seu escasso poder de decisão. Quando ultrapassa os limites do suportável, o stress pode traduzir-se por desordens internas mais sérias, como dores de cabeça, colites, aumento de peso, insónia crónica, quebra da moral e da energia, podendo chegar ao estado depressivo. A Organização Mundial Continuação na página 2

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2 NOTÍCIAS

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

agenda comunitária Cursos de azulejos e de escultura

Os cursos de azulejos e de escultura começarão em finais de Janeiro. Os dois cursos vão funcionar em simultâneo e conforme a preferência dos alunos. Haverá um curso para crianças com preço especial. Os interessados devem inscrever-se com antecedência. Para mais informações contactar:514.844-1011.

Eleição do Presidente da República

O Consulado informa que Sua Excelência, o Presidente da República, marcou a Eleição do Presidente da República para o próximo dia 23 de Janeiro de 2011. Nos termos da Lei, em Montreal, Canadá, a assembleia de voto funcionará na chancelaria deste Consulado-Geral sita em 2020, rue University, suite 2425, Montreal, Québec , com o seguinte horário: Sábado, 22 de Janeiro de 2011 das 8 horas às 19 horas; Domingo, 23 de Janeiro de 2011 das 8 horas às 15 horas Podem votar todos os cidadãos inscritos no caderno de recenseamento eleitoral para o Presidente da República deste Posto Consular. Para exercer o seu direito eleitoral o cidadão deverá apresentar o seu Bilhete de Identidade, Cartão de Cidadão ou outro documento idóneo válido. Caso não seja portador de nenhum documento, a identidade do eleitor pode ser confirmada por dois eleitores titulares de um dos referidos documentos. Deve ainda indicar o seu número de eleitor, o qual consta do antigo cartão de eleitor ou actual certidão de recenseamento eleitoral. Votar é um direito mas também um dever cívico. Participe.

Associação Portuguesa do Espírito Santo

É já no próximo sábado dia 29 de Janeiro, às 19H30, a tradicional Matança do Porco, na Associação Portuguesa do Espírito Santo, em Hochelaga. Na ementa consta de Morcela, torresmos, batata doce e inhames. Para mais informações 514.254.4647 ou 514.354.7276.

pensamento da semana “O deserto não tem parado de crescer”. Eugénio de Andrade (1923), poeta português.

EFEMÉRIDES - 19 DE JANEIRO 1809 - Nasce o escritor norte-americano Edgar Allan Poe, criador do modelo moderno de romance policial, com “Os Crimes da Rua da Morgue”. 1812 - No âmbito das guerras napoleónicas, forças britânicas, comandadas pelo Duque de Wellington, tomam Ciudad Rodrigo, em Espanha. 1839 - Nasce o pintor francês Paul Cézanne, nome determinante para as novas correntes do século XX. 1918 - O Partido Bolchevique dissolve a Assembleia Nacional Constituinte da Rússia, em Petrogrado (São Petersburgo). 1919 - A Monarquia é proclamada no Porto, por Paiva Couceiro, que organiza uma Junta Governativa. 1923 - Nasce o poeta português Eugénio de Andrade, autor de “As Mãos e os Frutos”, Grande Prémio de Poesia da APE, Prémio Camões, Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. 1938 - Guerra Civil de Espanha. A força aérea do ditador Francisco Franco, com a Luftwafe de Adolf Hitler, bombardeia Valência e Barcelona. 1944 - II Guerra Mundial. O Exército Vermelho reconquista Novgorod. 1945 - II Guerra Mundial. O Exército Vermelho ocupa Tilsit e Cracóvia, na Polónia. No Japão, tropas norte-americanas desembarcam em IwoJima. 1956 - O Sudão adere à Liga Árabe. Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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Desde 1980

ÉDITRICE: Nancy Martins DIRECTEUR: António Vallacorba DIRECTRICE-ADJOINTE: Sandy Martins ADMINISTRATION ET RÉDACTION: Kevin Martins RÉDACTEUR EN CHEF ET INFOGRAPHISTE: Sylvio Martins COLLABORATEURS: Antero Branco, Elisa Rodrigues, Daniel André, David André, Diamantino de Sousa, Dinora de Sousa, Helder Dias, J.J. Marques da Silva, João Arruda, José de Sousa, Manuel Carvalho, Miguel Félix, Natércia Rodrigues, Raul Mesquita. CORRESPONDANTS: António A. Archer, Augusto Machado, Joel Neto, Manuel Rodrigues, Maria Helena Martins, Ricardo Araújo Pereira, Hélio Bernardo Lopes, João Mesquita, Catarina Fonseca. PHOTOGRAPHES: José Rodrigues, Anthony Nunes, Daniel André DISTRIBUTION: Nelson Couto, Victor Medina PUBLICITÉ: Kevin Martins, RPM, IMTV Ethnic Comm. Ethnique Média. Portugal: PortMundo Ldª.

STRESS, um mal dos tempos modernos de Saúde coloca os problemas cardiovasculares, sobretudo a hipertensão, em primeiro lugar na lista das doenças profissionais. Mas à frente da lista, surgem também as perturbações psíquicas directamente relacionadas com o stress, que já vitimam mais de 50% dos trabalhadores. E de quem será a responsabilidade? A resposta parece ter origem nas exigências colocadas pela actual globalização da economia. O stress acaba também por ter graves reflexos na harmonia familiar. Os adultos regressam demasiado tarde a casa, sem tempo para conversar e conviver com os filhos. E mesmo em férias, os telefones e os computadores portáteis nunca deixam de se fazer sentir – como uma espécie de cordão umbilical que mantém o trabalhador permanentemente ligado à empresa. Efeitos negativos da tecnologia moderna. Diz-se que o correio electrónico, que permite trocar mensagens via computador entre os serviços, os departamentos ou empresas, facilita a troca de informação, imprimindo-lhes

Continuação da página 1 simplicidade e rapidez. Hoje, com a mesma facilidade com que se faz um telefonema envia-se um e-mail. E lá aparece 5,10, 20 vezes por dia a imagem em que anuncia: “Tem uma nova mensagem”. Na verdade, com o e-mail a comunicação mudou de tom. Simplificada ao máximo, abandonando as formas da polidez, perdendo-se a convivência e tornando-se cada vez mais utilitária. As pessoas continuam a falar da mesma maneira, mas apenas de coisas úteis. Este é um outro factor de stress, porque, dizem os psicólogos, “ao retirarmos qualquer importância à identidade do indivíduo e à sua complexidade, estamos a criar uma frustração que resultará no aumento de stress”. E sugere-se que as empresas do futuro deverão interessar-se mais profundamente pelo factor humano: informar, cuidar do ambiente de trabalho em vez de apenas se preocupar com a qualidade do serviço prestado ao cliente.

Augusto Machado

Uma saudade ardente, na frieza que o mar tem no sal, este povo consente, um grande amor por Portugal! (4) Estão a chegar... Estamos cada vez mais perto… De quê? Do maior festival cultural açoriano: as Sanjoaninas. Todos os anos aguardamos com imensa ansiedade por este grandioso festival que este ano contará com artistas como: Tony Carreira, Martinho da Vila, INXS, entre outros. As Sanjoaninas surgem em 1934 pela primeira vez com um cortejo de abertura com séquito real, algo que ainda hoje acontece. Nesta altura do ano (final de Junho) são muitos os emigrantes que voltam ao seu berço por variados motivos: matar as saudades da família, da terra que os viu nascer e cedo os viu partir, das gentes que deles se lembram a cada dia que passa… Este ano, parece ideal para muitos regressarem ao seu lar, dado que as festas voltarão ao seu sistema tradicional de “barraquinhas” no Cerrado do Bailão (local do palco principal). Para além da vinda dos emigrantes, estas festas são importantes para estimular a economia local, para atrair jovens para a ilha Terceira, e para manter o título de “Parque de Diversões do Atlântico!”

Nesta época do ano milhares de pessoas percorrem a bela cidade de Angra do Heroísmo, apreciando a sua arte, a alegria dos seus habitantes, recordando a sua história, naquela que é umas das poucas cidades portuguesas Património Mundial (desde de 1983). Ao longo dos anos foram imensos os artistas que pisaram o palco principal deste festival, entre os quais: James, Mariza, Rui Veloso, Susana Félix, Carlinhos Brown, Luís Represas, Jorge Palma, Clã, Anjos, Xaile, Pedro Abrunhosa, The Gift, etc. Devo referir que para além dos grandes concertos que ocorrem durante as Sanjoaninas, ocorrem também grandes touradas à corda (tradicionais da ilha) e touradas de praça que nos últimos anos contaram com os seguintes cavaleiros: Luís Rouxinol, Rui Fernandes, Rui Lopes, Manuel Lupi, Vítor Ribeiro, entre tantos outros. Estes são alguns dos muitos motivos que tem para vir à ilha Terceira desfrutar das suas tradições, da sua gastronomia, da sua beleza natural e claro do grande festival: “Sanjoaninas 2011”. Até à próxima oportunidade,

Rodrigo Silva

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Cada português deve €15.000 C

ada um dos 10,6 milhões de portugueses deve €14.852,83 aos dez países que detêm mais dívida de Portugal. Espanha, França e Alemanha lideram as economias com maior exposição à dívida nacional. O total da dívida portuguesa aos dez maiores credores estrangeiros é de 157.440ME, segundo os dados do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla inglesa), relativos a Junho de 2010. Por países, são os bancos espanhóis que estão mais expostos à dívida de Portugal – incluindo dívida privada e dívida pública – com 60.620ME, seguidos das instituições francesas, com 32.447ME, e das alemãs, 28.835ME. A maioria desta dívida portuguesa, no entanto, é privada, segundo os dados dos testes de resistência feitos à banca

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europeia. Aos bancos dos Estados Unidos da América, Portugal deve 2.441ME, aos suíços 2.152ME e às instituições belgas um total de 1.986 ME.


A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

BREVES Mais quilos e menos desporto A eliminação do desporto escolar pode levar cada aluno a ganhar quatro quilos num só ano lectivo, e traz consequências a longo prazo, segundo António Palmeira, especialista em obesidade infantil, da Universidade Lusófona. A Fenprof criticou também a eliminação das horas para o desporto escolar prevista no plano de organização do próximo ano. Estado “demitiu-se da função social” O presidente da União Distrital de Setúbal das Instituições Particulares de Solidariedade Social disse que o Estado não dialoga com as instituições e que se está a demitir da sua função social. No Encontro Diocesano dos Centros Sociais Paroquiais, em Almada, António Figueiredo disse que o aumento do número de famílias carenciadas no distrito é “sufocante e desastroso”, defendendo que a situação é agravada pela resposta “quase inexistente do Estado”. Contra novo código O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, assinou uma petição lançada contra o novo código contributivo da Segurança Social e apelou a uma “onda” da sociedade civil face ao “aumento encapotado de impostos”. O “código contributivo, nem obrigado!” pode ser consultado e assinado em peticaopublica.com.

Transporte de doentes em perigo O

s bombeiros de Lisboa ponderam denunciar o contrato entre as suas associações e o Ministério da Saúde relativo ao transporte de doentes. Emcausa estão as restrições decididas pelo

Governo que podem implicar redução de ambulâncias e de colaboradores. Segundo a Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa, foi marcada uma

assembleia-geral para 28 de Janeiro decidir quanto às medidas a adoptar. “Se vamos ter uma redução drástica de receitas que vai obrigar a uma redução de pessoal, quer o socorro do dia-a-dia, quer o socorro durante o Verão vão estar em perigo”, salientou o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa. “É a qualidade do socorro e a prontidão do socorro que o distrito de Lisboa tem tido mesmo nos fogos florestais” que está em causa, avançou António Carvalho. “Ponderamos denunciar este contrato porque não nos serve. Temos de o denunciar para obrigar o Ministério da Saúde a sentar-se à mesa das negociações”, disse.

‘A Rede Social’ triunfa nos Globos de Ouro

O

próprio Mark Zuckerberg, multimilionário fundador do Facebook, teve um agradecimento do produtor Scott Rudin, que recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático, último prémio da noite, das mãos de Michael Douglas. A recuperar de um cancro, o actor comentou que “deve haver uma forma mais fácil de conseguir uma ovação em pé”, ao observar a reacção da plateia. Para a vitória de ‘A Rede Social’ ser

mais completa só faltou o Globo de Ouro de Melhor Actor Dramático para Jesse Eisenberg (que interpreta Zuckerberg). Acabou por ser o britânico Colin Firth a sair de Los Angeles com esse prémio da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, obtendo o único galardão de ‘O Discurso do Rei’, filme de época sobre a ascensão de Jorge VI ao trono de Inglaterra.

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NOTÍCIAS

3

Violada atrás da igreja

Q

uando a menina, de apenas seis anos, chegou a casa, na freguesia de Fenais da Ajuda, na Ilha de São Miguel, Açores, apresentava-se ensanguentada e mal conseguia andar. Mal entrou a porta, fez uma pergunta. “Ó mãe, vais bater-me? É que um senhor fez-me coisas más”. A menina tinha acabado de ser violada junto à igreja por um vizinho, de 27 anos, que teve de fugir do local e entregar-se na esquadra da PSP da Maia, uma vez que os populares, revoltados, ameaçavam linchá-lo. No domingo, decorriam naquela localidade as festas da Igreja dos Santos Reis Magos, pelo que as ruas se encontravam cheias de pessoas. No entanto, os planos do agressor eram outros. Uma vez que é conhecido da menina abusada, e depois de a ter aliciado com algumas guloseimas, conseguiu atraí--la até uma zona isolada nas traseiras da igreja, onde acabou por violar a menor. A vítima ficou de tal maneira maltratada, que foi transportada ao Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, onde foi mesmo suturada na zona genital. Teve alta durante o dia de ontem. “A minha neta estava suja de sangue, até na boca, e bastante ferida”, disse a avó da menina vítima de abuso. Tudo terá acontecido ao final da tarde de domingo. Durante a procissão, a menina decidiu ir brincar um pouco para a rua. Aliciada pelo violador, um homem solteiro – vive separado da companheira e tem uma menina – e desempregado, a criança foi levada para uma zona erma, onde foi consumada a violação. O acto foi de tal maneira violento, que a menina ficou bastante ensanguentada. O homem ter-se-á então deslocado a casa para tirar a camisa manchada, e foi para um café, onde negou sempre ter feito qualquer mal à criança. No entanto, teve de fugir dos populares e entregar-se na PSP. Presente a tribunal, recolheu em prisão preventiva.


4 AQUI CANADÁ

- coordenação de miguel félix

Flaherty trava outra vez o ardor dos emprestadores

O

ministro das Finanças do Canadá, Jim Flaherty, anunciou novas regras em matéria de empréstimos hipotecários no país. Doravante, o período máximo de amortização dos novos empréstimos hipotecários assegurados e garantidos pela Sociedade canadiana de hipoteca e de alojamento (SCHL) passará dos 35 anos aos 30 anos. Os empréstimos garantidos são oferecidos aos que não deram 20% de entrada de fundos aquando da compra da propriedade. Otava fixa um novo teto de 85% no montante a que um proprietário pode pedir empréstimo no refinanciamento da sua hipoteca. Este teto é presentemente 90%. Estas medidas en-

trarão em vigor a 18 de Março de 2011. O governo já não assegurará as margens de crédito garantidas por propriedades, como as margens de crédito hipotecárias. Os produtos de crédito ao consumo cuja utilização não é ligada às compras relativas à habitação, precisa o governo, é gerida pelas instituições financeiras. Esta medida entrará em vigor a 18 de Abril de 2011. Não são as primeiras medidas tomadas pelo ministro Flaherty, tendo outras entrado em vigor em 2008 e em Fevereiro passado. Dados compilados em 2010, indicam que o nível de dívida médio dos Canadianos atingiu cumes recordes.

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

Canadá começa a sua retirada de Kandahar

O

contingente de ajuda e desenvolvimento de Kandahar dirigido pelo Canadá passou para as mãos dos Americanos. Representa o primeiro de uma série de transferências durante os próximos meses, enquanto que o Canadá põe gradualmente fim à sua missão de combate no Afeganistão. O oficial civil americano Ben Moeling, substituiu o mais elevado diplomata canadiano em Kandahar, Tim Martin, à cabeça da Equipa provincial de reconstrução de Kandahar (EPRK). Martin ocupava este posto desde o mês de Agosto, após ter sido embaixador no Paraguai e na Argentina. É a primeira vez que um Americano assegura o comando do EPRK desde que os representantes canadianos chegaram ao Sul

do Afeganistão. As equipas provinciais de reconstrução são compostas de diplomatas, trabalhadores humanitários, polícias e militares, que se concentram sobre a reconstrução do país e o seu desenvolvimento. As equipas prodigalizam igualmente conselhos para ajudar os Afegãos a governar. A missão de combate do Canadá toma fim em Julho e certos militares dirigir-se-ão então para Kaboul, situado no norte do país, o que porá um termo à missão civil no Sul do Afeganistão. Martin apoiou que todos os civis canadianos deveriam deixar Kandahar daqui ao Verão. O Canadá está no comando da equipa provincial de reconstrução desde 2005. Esta está situada ao redor da cidade de Kandahar, no campo Nathan Smith.

Financiamento do metro: Quebeque reage

A

Sociedade de transporte de Laval (STL) poderia ver-se privada de vários milhões de dólares de rendimentos este ano, se a administração do presidente da Câmara Municipal, Gilles Vaillancourt, continuar a não pagar a sua parte dos custos de exploração do Metro. A taxa sobre a gasolina, de um cêntimo por litro, que entrou em vigor a 1 de Maio passado na região metropo-

te dos custos de exploração do Metro. Trata-se de uma chamada à ordem inequívoca ao presidente da edilidade, que recusa há três anos de verter a sua parte dos custos de funcionamento do Metro, porque os cidadãos de Laval pagam mais para aceder ao transporte que os de Longueuil. O Conselho de Ministros adoptou este decreto a 15 de Dezembro, dois dias apenas depois do presidente da

litana, rendeu 28 milhões de dólares em 2010. De acordo com as regras de divisão impostas por Quebeque num decreto adoptado no último mês, a parte da STL é de 4.765.000$. O decreto torna contudo este pagamento condicional ao pagamento pelos municípios da sua par-

Câmara Municipal, Vaillancourt, anunciar que o município ia reter, ainda este ano, 2 milhões de dólares da sua quotaparte do défice do Metro, “em nome da integridade pautal”. Laval deve já 4 milhões de dólares à Sociedade de transporte de Montreal (STM) desde 2008.

Quebeque iniciará em breve as suas consultas pré-orçamentais

O

governo Charest iniciará esta semana as suas consultas préorçamentais. O assistente parlamentar do ministro das Finanças, o deputado Emmanuel Dubourg, explica que o processo de consulta será diferente do que tinha sido utilizado no ano último. De acordo com o senhor Dubourg, todos os intervenientes serão encontrados porque o contexto económico alterou muito num ano. De mais, sublinha o deputado, o ministro das Finanças Raymond Bachand já elaborou a sua

visão “global” do próximo orçamento e as suas prioridades. Quebeque já indicou que manterá o seu registo de 20132014 para atingir o défice zero. Aliança social enumerou as suas prioridades. A abolição da contribuição para a saúde, a recusa de um aumento dos direitos de escolaridade, a adição de um troço de imposição para as pessoas que têm um rendimento superior a 127.000$ e a instauração de uma taxa sobre os produtos de luxo, fazem parte destas.


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A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

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6 CRÓNICA

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

A recessão só revelou a política económica nas últimas décadas

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exigências de um mercado global abriu caminho à deslocalização de empresas, aos contratos precários e à recessão económica. Um problema de velhos e novos, sobretudo os dois extremos da população activa – os indivíduos com mais de 45 anos e os jovens à procura do primeiro emprego, mesmo quando altamente qualificados. Alfredo Coutinho está a 10 anos da idade de reforma, entrou em pânico e assume. “É que já corri tudo…” A idade e o facto de só ter completado o primeiro ciclo não têm ajudado, o serralheiro mecânico, que cresceu ao lado das máquinas em Lisboa… Parece que os empresários de hoje desprezam a experiencia profissional ou descobriram operários no Brazil e na China a quem pagam 120 euros por mês. Luis Azevedo, 26 anos licenciado em direito pela Universidade de Coimbra, não tem meios financeiros para realizar o estágio de dois anos (não remunerado) requerido pela Ordem dos Advogados. A experiência interessa, como podem assegurar os 60 mil licenciados à procura de uma primeira oportunidade que se inscreveram nos centros do Instituto do Emprego e Formação Profissional. No entanto, a mudança de modelo económico, num mundo globalizado, onde o sistema financeiro da economia de mercado é instável e conduziu a um padrão de euforias e derrocadas, porque deixou de refletir o mundo real, está a exigir o sacrificio de milhares de portugueses, como o comprova o número oficial de 600 mil desempregados. Na minha opinião, os números oficiais estão muito abaixo dos reais. Nos dados do Instituto Nacional de Estatísticas não são considerados os inativos disponíveis, ou seja, aqueles que procuraram emprego e que não estão inscritos, bem como os indivíduos em situação de subemprego visível, que é como quem diz aqueles que tenham feito um (biscate), mesmo que apenas de uma hora, ou a inscrição anulada no centro de emprego por estar num curso de formação, quando terminar a formação será reinscrito. Assim é fácil acabar com o desemprego de longa duração. Os dados do INE, indicam que se encontram nestas situações mais de 150 mil portugueses. Um problema de velhos e novos A profunda transformação que “encolheu” o mercado de trabalho, sacrifica sobretudo os dois extremos da população activa – os indivíduos com mais de 45 anos e os jovens à procura do primeiro emprego, mesmo quando altamente qualificados. Os primeiros esgotam os prazos dos subsídios de desemprego e vão sobrevivendo de biscates até à reforma. Os segundos, novos de mais para receberem o rótulo de reformados e “ultrapassados” face às necessidades do mercado de trabalho, são os que mais têm pesado sobre a Segurança Social. Mas são sobretudo os segundos que mais preocupam o Governo e as instituições europeias. O desemprego jovem, em galopante crescimento obriga a juventude a viver um tempo de instabilidade e de incertezas, de tensão entre o presente e o futuro. Está quebrada a tradicional carreira profissional, substituída por modalidades múltiplas de luta pela vida, que compreendem trabalho eventual, temporário, parcial ou ilegal. Campanha eleitoral para a presidência da republica portuguesa Na campanha eleitoral para a Presidência da Republica Portuguesa avolumam-se os sinais do homem magro e conhecido pela sua expressão sempre muito sério de se transformar na missão de corta fitas e chefe do seu clã: Nas suas orações nunca viu nada de mal em Portugal, ignora as coisas que são cruciais e que determinam a realidade social, um gestor que se vê a si próprio, prestando homenagem às suas heranças politicas e aos seus ministros e amigos do banco que mais deu problemas em Portugal. O que vivemos em Portugal emergiu ao longo dos últimos 25 anos, foi um ecossistema teórico que ruiu para a maioria dos seus protagonistas, que surgiram no palco, oriundos de diversas correntes para representar papéis diferentes no que se revela ser uma mesma peça. Todos viveram o seu período àureo entre a economia

selvagem, equipas de alguns bancos, dos governos e terminou com a anemia da crise internacional. Algumas vozes sinalizaram o desastre, simultaneamente social e economico para produzir mudanças,com reiterações de ideias defendidas há longo tempo – sobre o que corria mal na economia portuguesa. São as vozes que nos momentos eufóricos são taxados de profetas da desgraça e correm é o risco de estarem a repetir o que ninguém quer ouvir e sobretudo marginalizados, porque surgem como os pregadores do deserto, nomeadamente alguns economistas reconhecidos como altamente qualificados. Todas as pessoas em todos os níveis hierárquicos, e especialmente os gestores, privados ou governo, têm de se considerar a si próprios como aprendizes, continuamente preparados para desafiar o seu próprio pensamento e a melhorar a sua forma de fazer as coisas, trabalhando em conjunto com a cultura do povo, refletindo a realidade em que vivemos. Não se constrói um País num curso de quatro anos no Governo. Responsabilizar o Estado e o mercado é a melhor forma de ninguém responder por nada e a sociedade olhase ao espelho. A mudança é assustadora para todos nós, mas os seres humanos devem ser autónomos. O Presidente da Republica pode preconizar, sem intervir no Governo: O investimento em áreas geradoras de postos de trabalho, de modo a absorver parte relevante

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da população em situação de desemprego, através de projetos de pequenas e de médias dimensões: A agricultura, pesca, o turismo, a economia do mar, a floresta, a metalomecânica, mobiliário, moldes, arte e boas práticas de responsabilidade no ambiente, para além de PME inovadoras, com gestão séria e moderna. Diria que é possível fazer mais e melhor, redirecionando o investimento público para o crescimento global da economia e não apenas para grandes obras públicas. A arte da mudança está em ajudar as pessoas a identificar as suas aspirações e o seu desejo de aprender e crescer, em suma a história do peixe e da cana. Os políticos e gestores precisam de cultivar aspirações partilhadas e as pessoas começarão a ajudar-se e a enfrentar as dificuldades, separando o que é primário e secundário na vida e assim criar uma cultura de trabalho, pessoas que confiem umas nas outras e se ajudem. Apesar de o pico da crise da dívida portuguesa parecer estar ultrapassada, o nervosismo especulativo dos investidores internacionais permanecem. A crise económica mundial ainda não está resolvida e os Governos em todo o mundo colocaram as suas finanças públicas em risco para salvar o sitema financeiro.

Manuel de Sequeira Rodrigues

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OPINIÃO

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

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Wikileaks, idiotas úteis e jornalismo de salão A

s primeiras e sensíveis revelações diplomáticas a partir da suculenta matéria-prima facultada pela organização Wikileaks não se limitam a mostrar-nos o mundo em cuecas. Servem igualmente para trazer à tona o jornalismo de salão e os idiotas úteis de turno. Este é, desde logo, um relevante serviço público num tempo de retóricas estafadas, anestesias várias e conformismos encartados. E a procissão ainda vai no adro. O jornalismo de salão e os idiotas úteis - às vezes, confundem-se e eu próprio já não os distingo, peço desculpa - começaram por não ficar impressionados com as revelações até agora trazidas a público e contrastadas por cinco dos mais prestigiados órgãos de informação mundiais. “Já se sabia”, disseram. Percebe-se o incómodo: os idiotas úteis e o jornalismo de salão convivem sempre melhor com a mentira oficial do que com a verdade revelada. São hábitos que ficam das intrigas do Portugal sentado ou das conferências, cimeiras e passarelles político-jornalísticas entretidas a analisar e descodificar acordos, consensos e convenções que, percebe-se agora, servem para pouco ou coisa nenhuma. O jornalismo de salão e os idiotas úteis também se indignaram com a possibilidade da revelação de tais documentos colocar em risco vidas humanas. Estão por confirmar as razões para tal receio, mas alguns porta-vozes não diriam melhor. De resto, como todos sabemos, a contabilidade de vidas humanas só se faz no papel. Tudo o que sejam guerras em nome de coisas que não se encontram - armas de destruição maciça, por exemplo - não contabilizam mortos, mas sim... “danos colaterais”. O que é sempre mais higiénico. À liça veio ainda o problema dos documentos revelados fragilizarem as democracias e “protegerem” as ditaduras.

Ao contrário das ditaduras, eu pensava que as democracias eram mais frágeis e saudáveis pelo facto de poderem - e deverem - ser escrutinadas. Nas democracias, governa-se em nome do povo e para o povo. Tanto quanto me lembro, parece que é assim. E isso inclui a diplomacia. Mas ao ler alguns telegramas das embaixadas confesso que eu próprio tenho dúvidas. Esclareço já: para mim, o Wikileaks não é uma religião, nem defendo a beatificação de Assange. O jornalismo é a minha praia e sei que, da maré vaza à maré cheia, todas as fontes têm interesses, uns mais obscuros do que outros. Por isso, se descontarmos alguns desvarios, ignorâncias e caricaturas estampadas nos documentos, o serviço prestado pelas cinco publicações que estão a divulgar os documentos da Wikileaks é inestimável. É claro que, se dependesse do jornalismo de salão e dos idiotas úteis, a História seria apenas um desfile de vaidades, um folhetim de irrelevâncias e uns conflitos de alcatifa. Tudo devidamente condensado e filtrado conforme as conveniências e os responsáveis do momento. Acontece que o jornalismo - sentado ou de pé, mas sempre de espinha direita - deve ser uma inconveniência. Sobretudo, onde houver uma verdade escondida cuja revelação contribua para a maturidade das democracias, o esclarecimento público e uma cidadania responsável. Katherine Graham, mítica proprietária do Washington Post, disse: “Vivemos num mundo sujo e perigoso. Existem algumas coisas que o público não precisa de saber. E não deve. A democracia floresce quando o governo pode tomar medidas legítimas para manter os seus segredos e quando a Imprensa pode decidir se quer imprimir o que sabe”. A conclusão é minha: quando os métodos se tornam

ilegítimos e a podridão substitui a decência, a verdade deve ser impressa. Dê pelo nome de Watergate ou Wikileaks. E não vale a pena, do alto da cátedra, tentar confundir isto com práticas de simpatizantes do jornalismo ao serviço de uma irresponsabilidade umbiguista e do voyeurismo reinante. A primeira guerra cibernética começou. Virão mais. Como diria o outro, habituem-se.

Miguel Carvalho


8 VARIEDADE

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

A Relíquia (16) Eça de Queirós Curvei a cabeça, apavorado. E a Titi, depois de roçar o lenço de

rendas pelos beiços sumidos, prosseguiu com mais autoridade, e uma emoção crescente que lhe punha, sob o corpete raso, como o fugitivo arfar de um peito humano: - E agora quero dizer-te, para teu governo, uma só cousa! Todos de pé, e reverentes, logo percebemos que a Titi se preparava a proferir uma palavra suprema. Nessa hora de sepa¬ração, rodeada dos seus sacerdotes, rodeada dos seus magistrados, D. Patrocínio das Neves ia decerto revelar qual fora o seu íntimo motivo, em me mandar, como sobrinho e como romeiro, à cidade de Jerusalém. Eu ia saber enfim, e tão indubitavelmente como se ela mo escrevesse num pergaminho, qual deveria ser o mais precioso dos meus cuidados, velando ou dormindo nas terras do Evangelho! - Aqui está! - declarou a Titi. - Se entendes que mereço alguma cousa, pelo que tenho feito por ti, desde que morreu tua mãe, já educando-te, já vestindo-te, já dando-te égua para passeares, já cuidando da tua alma, então traze-me desses santos lugares uma santa relíquia uma relíquia milagrosa que eu guarde, com que me fique sempre apegando nas minhas aflições e que cure as minhas doenças. E pela vez primeira, depois de cinqüenta anos de aridez, uma lágrima breve escorregou no carão da Titi, por sob os seus óculos sombrios. O Doutor Margaride rompeu para mim. arrebatadamente: - Teodorico, que amor que lhe tem a Titi! Rebusque essas ruínas, esquadrinhe esses sepulcros! Traga uma relíquia à Titi! Eu bradei, exaltado: - Titi, palavra de Raposão que lhe hei de trazer uma tremenda relíquia! Pela severa sala de damascos transbordou, ruidosa e tocante, a comoção dos nossos corações. Eu achei-me com os beiços do Justino, ainda moles da torrada, colados à minha barba... Cedo, na manhã de domingo, 6 de setembro e dia de Santa Libânia, fui bater, devagar, ao quarto da Titi, ainda adormecida no seu leito castíssimo. Senti, por sobre o tapete, aproximar-se o som mole dos seus chinelos. Entreabriu pudicamente a porta; e, decerto em camisa, estendeu-me, através da fenda, a sua mão escamada, lívida, cheirando a rapé. Apeteceu-me mordê-la; depus nela um beijo baboso; a Titi murmurou: - Adeus, menino... Dá muitas saudades ao Senhor! Desci a escadaria, já de capacete, sobraçando o meu Guia do Oriente. Atrás, a Vicência soluçava. A minha mala nova de couro, o meu repleto saco de lona enchiam o cupê do Pingalho. Ainda as andorinhas retardadas cantavam no beiral dos telhados; na capela de Santana tocava para a missa. E um raio de sol, vindo do Oriente, vindo lá da Palestina ao meu encontro, banhou-me a face, acolhedor e risonho, como uma carí¬cia do Senhor. Fechei a tipóia, estirei-me, gritei: “Larga, Pingalho!” E, romeiro abastado, soprando à brisa o fumo do meu cigarro, assim deixei o portão de minha tia, em caminho para Jerusalém! 2 Foi num domingo e dia de S. Jerônimo que meus pés latinos pisaram, enfim, no cais de Alexandria a terra do Oriente, sensu¬al e religiosa. Agradeci ao Senhor da Boa-Viagem. E o meu companheiro, o ilustre Topsius, Doutor alemão pela Universidade de Bonn, sócio do Instituto Imperial de Escavações Históricas, murmurou, grave como numa invocação, desdobrando o seu vastíssimo guarda-sol verde: - Egito! Egito! Eu te saúdo, negro Egito! E que me seja em ti propício o teu Deus Ftá, Deus das Letras, Deus da História, inspirador da obra de arte e da obra de verdade!... Através deste zumbido científico, eu sentia-me envolvido num bafo morno como o de uma estufa, amolecedoramente tocado de aromas de sândalo e rosa. No cais faiscante, entre fardos de lã, estirava-se, banal e sujo, o barracão da alfândega. Mas além as pombas brancas voavam em torno aos minaretes brancos; o céu deslumbrava. Cercado de severas palmeiras, um lânguido palácio dormia a beira da água; e ao longe perdiam-se os areais da antiga Líbia, esbatidos numa poeirada quente, livre, e da cor de um leão. Amei logo esta terra de indolência, de sonho e de luz. E saltando para a caleche forrada de chita, que nos ia levar ao Hotel das Pirâmides, invoquei as divindades, como o ilustrado doutor de Bonn: - Egito, Egito! Eu te saúdo, negro Egito! E que me seja propício... - Não! Que vos seja propícia, D. Raposo, Ísis, a vaca amorosa! - acudiu o eruditíssimo homem, risonho, e abraçado à minha chapeleira. Não compreendi, mas venerei. Eu conhecera Topsius em Malta, numa fresca manhã, estando a comprar violetas a uma ramalheteira que tinha já nos olhos grandes um langor muçulmano; ele andava medindo consideradamente com o seu guarda-sol as paredes marciais e monásticas do palácio do grão-mestre. Persuadido que era um dever espiritual e doutoral, nestas terras do Levante, cheias de história, medir os monumentos da antigüidade, tirei o meu lenço e fui-o gravemente passeando, esticado como um côvado, sobre as austeras cantarias...Topsius dardejou-me logo, por cima dos óculos de ouro, um olhar desconfiado e ciu¬mento. Mas tranquilizado, decerto, pela minha face jucunda e material, pelas minhas luvas almiscaradas, pelo meu fútil raminho de violetas, ergueu cortesmente de sobre o longo cabelo, corredio e cor de milho, o seu bonezinho de seda preta. Eu saudei com o meu capacete de cortiça; e comunicamos. Disse-lhe o meu nome, a minha pátria, os santos motivos que me levavam a Jerusalém. Ele contou-me que nascera na gloriosa Alemanha; e ia também à Judeia, depois à Galiléia, numa peregrinação científica, colher notas para a sua formidável obra, a História dos Herodes. Mas demorava-se em Alexandria a amontoar os pesados materiais de outro livro monumental, a História dos Lágidas... Porque estas duas turbulentas famílias, os Herodes e os Lágidas, eram propriedade histórica do doutíssimo Topsius. - Então, ambos com o mesmo roteiro, podíamos acamaradar, Doutor Topsius! Ele espigado, magríssimo e pernudo, com uma rabona curta de lustrina, enchumaçada de manuscritos, cortejou gostosamente: - Pois acamarademos, D. Raposo! Será uma deleitosa economia! Encovado na gola, de guedelha caída, o nariz agudo e pensati¬vo, a calça esguia, o meu erudito amigo parecia-me uma cegonha, risível e cheia de letras, com óculos de ouro na ponta do bico. Mas já a minha animalidade reverenciava a sua intelectualidade; e fomos beber cerveja. A sabedoria neste moço era dom hereditário. Seu avô materno, o naturalista Shlock, escreveu um famoso tratado em oito volumes sobre a Expressão fisionômica dos Lagartos, que assombrou a Alemanha. E seu tio, o decrépito Topsius, o memorável egiptólogo, aos setenta e sete anos, ditou da poltrona, onde o prendia a gota, esse livro genial e fácil a Síntese Monoteísta da Teogonia Egípcia, considerada nas relações do Deus Ftá e do Deus Imhotep com as Tríades dos Nomos. O pai de Topsius, desgraçadamente, através desta alta ciência doméstica, permanecia figle numa charanga, em Munique; mas o meu camarada, reatando a tradição, logo aos vinte e dous anos tinha esclarecido, radiantemente, em dezenove artigos publicados no Boletim Hebdomadário de Escavações Históricas, a questão, vital para a civilização, de uma parede de tijolo erguida pelo Rei Pi-Sibkmé, da vigésima primeira dinastia, em torno do templo de Ramsés II, na lendária cidade de Tânis. Em toda a Alemanha cien¬tífica, hoje, a opinião de Topsius, acerca desta parede, brilha com a irrefutabilidade do sol. Continuação na próxima edição

No convivio ‘Reviver’ da Caçorbec com a doçura da Terceira idade

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roporcionou-se-me há dias a oportunidade e o prazer de assistir às actividades do convívio para pessoas da terceira idade (como eu, claro!) ‘Reviver’, da Casa dos Açores do Quebeque (Caçorbec), já em segunda edição no ano corrente e, pelas aparências, uma edição muito auspiciosa do muito que se deseja para estes ‘jovens’ de estarem juntos e de passarem umas horas assaz agradáveis - normalmente das dez às quatro. Ao todo, éramos mais de trinta, de um grupo que ronda os cerca de cinquenta membros, sendo José Branco o mais velho, com 88 anos. Já passava das dez da manhã quando

“pode vencer e sem medo enfrentar o que for preciso (…) para o alcançar”, continuou. Depois, declarou para A Voz de Portugal, que “Estar com o ‘Reviver’, é estar em família”, com cada qual entregue à actividade da sua preferência: pintura de artefatos, ginástica, bordados, brincadeiras, ginástica. Outrossim, numa acitividade de primordial importancia, como por exemplo a de enfermagem, desempenhada por Manuel Justino, formado em pediatria e os momentos de conversa, etc., sobretudo depois de refeições regionais, ao almoço, como a que foi servida privilegiando os chicharros fritos com cebolada ou molho de vilão, a sopa de feijão vermelho, massa e legumes, doçaria, fruta, etc. Neste dia, Maria da Coneição Melo e Manuel Reis, um dos voluntários e esposo da Mercês, celebraram os seus aniversários natalicios, com bolo e vela acesa! Para minha grande surpresa e agrado, já eu me aprontava para sair, quando alguns membros do grupo nos agraciaram com uma rendição do seu hino, de que damos um exemplo com a seguinte estrofe: “Nós somos jovens da terceira idade/, pois na verdade já lá vai

lá cheguei, pelo que fui “apanhar” o ‘Reviver’ já em sessão, com a sua dinâmica diretora, Mercês dos Reis, a dirigir-se a todos os membros com algumas palavras de estímulo e encorojamento, entre outros. A valorização das pessoas presentes, muitas das quais vivendo sozinhas, é algo muito importante para a Mercês, e que deve ser relembrado sempre que possível, tal como nos disse com “Vencer”. -“Vencer é um processo extenso que começa dentro de cada um”, dizia a Diretora deste grupo, acrescentando que a pessoa tem de se convencer que

da juventude/, e só nos resta vivermos a saudade/, pedindo a Deus que nos guarde/ e nos mantenha de saúde”. O ‘Reviver’, que voltará a reunir-se no dia 24 do corrente, pelas 10h00, como é habitual (de fato quinzenalmente), na sede da Casa dos Açores do Quebéque, 229 rua Fleury oeste, Montreal H3L 1T8, telefone 514.388.4129, está também à procura de outros voluntários para ajudar à nova dinâmica que Mercês dos Reis pretende dar ao ‘Reviver’. Colaborem, pois, e fiquem mais jovens!

António Vallacorba


POLITICA

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

O alquimista e a pedra filosofal N

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a Idade Média os laboratórios alquimistas acreditavam que encontrando a pedra filosofal, o homem se aproximaria de Deus e que com ela, seria capaz de transformar qualquer metal de inferior qualidade em ouro, transformando ao mesmo tempo, o seu próprio estado inferior num outro superior. Esta panaceia tem alimentado os sonhos de um pateta alegre, que se vê nos

Já tive ocasião de nestas páginas manifestar discordância com certas posições do actual PR face ao contexto nacional. Não desminto aquilo que disse na altura e, do mesmo modo, não mudei de opinião. Considero que o Presidente já devia há muito tempo ter posto cobro à (des) governança criminosa seguida pelo partido socialista de José Sócrates e seus acólitos. É não sé vergonhosa

gógica para que gente de bom senso a possa aceitar. Ou acreditar. Não se pode criticar o cidadão que adquiriu e vendeu em tempo oportuno algumas acções bancárias, a preço inferior ao praticado na Bolsa e que em nada causou prejuízo a quem quer que fosse. Privado ou público. Em contrapartida, o dinheiro recebido como bónus da publicidade de um banco com promessa e afirmação de

dos, imprescindível será igualmente, que o povo se responsabilize e mude de atitude. Não se é pobre por ser pequeno, menos ainda por não dispor de recursos naturais. Países pequenos como o Japão e a Suíça, têm economias florescentes e níveis de vida apreciados. É-se pobre, por não se saber cumprir nem inculcar valores de cidadania, respeitando a éti-

versos de António Gedeão onde “O sonho comanda a vida…” quando na realidade, lhe falta estatura para os seus mais ardentes desejos. Refiro-me portanto, aqui, à campanha presidencial em curso em Portugal, num momento crítico entre os mais críticos que o país já atravessou e em que o sentido da responsabilidade cidadã será, mais do que nunca, desejado e esperado nas urnas. Portugal não pode viver de lirismos. De poemas ao acaso onde o verso do poeta rima com oportunismo e com traição. O país necessita de um Presidente que mereça não somente a confiança do povo como, também, o respeito da comunidade internacional. E esse homem só pode ser o Professor Cavaco Silva. Não querendo caricaturar os restantes candidatos em liça, pareceme evidente que na sua grande maioria, se trata de incursões auto-publicitárias sem qualquer espécie de resultados atendidos, afora, talvez, dos seus próprios familiares. São, para todos os efeitos, manobras de diversão, onde apenas ressalta a profunda frustração que vive diariamente com os portugueses. Mas sobressai neles, uma enorme falta de estofo, de estatura, para o desempenho da função cimeira.

como catastrófica a acção ou inacção do governo, minado pela corrupção e compadrios, que levou Portugal à ruína económica e social, sendo obrigado a pôr a dívida portuguesa em leilão, o que significa que neste momento, são os chineses que detêm os valores da economia nacional. Transformado numa manta de retalhos, difícil se torna nesta amálgama de cores e de rostos, distinguir o pouco que nos resta como país. E neste caso, como noutros de carácter judicial, o PR deveria ter imposto uma linha firme e tudo simplesmente, demitido o Executivo e decretado novas eleições. Não o fez. Desconheço as razões, muito embora tenha a minha própria opinião sobre o caso. Porém, o momento é de maior importância para que nos quedamos em extrapolações. É o destino e o futuro do país que está em jogo e neste caso, não pode haver hesitação na escolha. A campanha se sujidade lançada contra o PR pelos elementos extremistas do Bloco da Esquerda a que Alegre se agregou— de quem transpira uma encenação de violação de domicílio, nos mesmos moldes que nos anos 80 Mário Soares se expôs a uma “providencial agressão” na Marinha Grande — é demasiado dema-

devolução, logo desmentidas pelos responsáveis bancários, põe em má postura o candidato Alegre. Obrigado a reter-se na sua linguagem ofensiva, escudandose, entrincheirando-se na sua vulnerabilidade, o dito poeta foi fazer rima para outros horizontes. O problema é que a intelectualidade da personagem, que se auto-propaga resistente do salazarismo, mais não foi que a rima duma traição a que todos deve revoltar, sobretudo, os antigos militares e combatentes que lá longe, onde o Sol castiga mais e o capim deixava traços, ao receber o sangue duma juventude em armas no cumprimento do dever, sentiram na pele os resultados destes papagaios revolucionários, oportunistas em Argel. Impossível de aceitar tal indivíduo como comandante-chefe das Forças Armadas Portuguesas. Seria o cúmulo da imbecilidade. E uma vergonha nacional. Os nossos dez mil mortos merecem mais respeito, assim como os largos milhares de diminuídos, física e psicologicamente. Os civis, também merecem e esperam melhor. Mas se é necessário que os portugueses acordem do laxismo em que tradicionalmente se encontram mergulha-

ca, o amor-próprio, o sentido de produzir com exactidão bens para o interior ou para a exportação, o respeito das leis e dos regulamentos e a integridade, entre outros. Moldada ao longo dos anos pela educação e cultura recebida e estigmatizada, a atitude dos portugueses é a maior oposição ao desenvolvimento do país e ao bem-estar da sua população. O querer sobrepor-se a tudo e a todos com chico espertismo ou arrogâncias desmedidas, bem como os exagerados gastos em fantasias que lapidam o dinheiro que faltará depois no essencial, são outros tantos espinhos na mentalidade portuguesa. Uma mudança de atitude é imprescindível. Incontornável. Com Cavaco Silva na Presidência e, eventualmente, um novo governo na Assembleia da República, — que se empenhe em canalizar as forças e a atitude dos portugueses no sentido da responsabilidade, — teremos certamente um país de que nos orgulharemos. Votemos por isso. Por Portugal. De contrário, enterraremos o nosso berço natal nos sombrios laboratórios de alquimistas, à procura da sua pedra filosofal.

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10 CRÓNICA DO INFERNO

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

A crise da cultura Política de Natal Boca do Inferno

M

ario Vargas Llosa, prémio Nobel de literatura em 2010, é considerado como um escritor de excepção. Não só pelo seu talento narrativo mais também porque, no meio artístico contemporâneo, geralmente mais de esquerda, ele aparece como uma luz liberal solitária. A moda intelectual dos nossos tempos é de esquerda e ousar defender o liberalismo leva a maior parte do tempo ao isolamento. Mario Vargas Llosa continua, todavia, de defender as ideias de Locke. Mas esta cronica não é sobre Mario Vargas Llosa, mesmo se ele merecia muitas crónicas. Esta crónica é sobre a cultura, e mais precisamente sobre a cultura produzida pelo Estado. E digo produzida. Não digo ajudada, não digo financiada; digo produzida. Se recuamos um pouco, até as ultimas eleições federais, esta questão -o lugar do estado na produção cultural-, foi uma das mais importantes no Quebeque. Uma campanha fulgurante dos artistas locais custou aos conservadores de Stephen Harper muitos apoios na província. E talvez uma maioria no Parlamento federal. O fundo da questão? Uma diminuição das subvenções culturais federais, em plena crise económica. A cultura não foi a única área tocada pelas restrições orçamentais. Mas os artistas foram os que fizeram mais barulho! Estranho? Exagerado? Talvez. Mais tudo isso se explica. O paradigma moderno do artista, e mais geralmente, do intelectual, foi radicalmente modificado. Em vez de ser uma voz contra a verdadeira tirania, o poder do Estado, a falsa liberdade, a cultura de massa; o intelectual moderno é o seu cúmplice mais servil. Como pode o artista que vive dos auspícios do Leviatã exercer a sua força contra a fome do monstro? Esses “artistas” que choraram num gala contra o governo conservador não são nada mais que escravos que pedem ao seu mestre uma esmola. Pensam ser livres; são tão livres como eram os artistas soviéticos. A diferencia é que um Eisenstein sabia que estava limitado pelo poder. Os nossos... escrevem dez vezes a mesma musica e dizem ser artistas. Artistas que devem ser sustentados pelos impostos de todos nós. E já sabemos o que vão dizer a isso. “Sem o dinheiro do Estado, não há cultura.” Gostaria de responder com uma magnifica citação de Vargas Llosa, que não introduzi neste artigo de maneira gratuita: “Nem Kafka, nem Joyce, nem Proust precisaram do apoio do Estado. Nem a obra dum Wadja, dum Kantor ou dum Grotowski foi o resultado do apoio do socialismo. Cada um encontrou um apoio no público, cada vez maior. Uma sociedade tem a cultura que merece. O que ela é capaz de produzir. Os cidadãos devem assumir uma responsabilidade nas escolhas culturais que fazem. [...] Isso não quer dizer que o Estado não tenha nenhuma responsabilidade na cultura. Ela tem uma. A educação. Mas mesmo em educação, nunca deve monopolizar.” Não se poder ser mais cristalino. E quando sabemos quem escreve, ainda tem mais peso. Esses artistas nomeados por Llosa conseguiram porque tinham que conseguir. A obra deles não é feita de açúcar e água. Deram novos nomes ao mundo e sempre foram perscrutados por isso pelo Estado e as Élites. O que o autêntico artista moderno precisa mais neste momento, é que os poderes públicos o deixem em paz e de criar em toda liberdade. Os outros, que pensam ter um direito às subvenções publicas, digamos somente que eles fazem-me lembrar mais Erostrato que Emil Nolde...

Tiago Murias

É

surpreendente que nenhum dos candidatos se tenha lembrado de se apresentar em estúdio com o seu próprio desgraçado, para que o adversário fosse forçado a reconhecer que era, de facto, o pobre mais pobre que já tinha visto. O ideal seria um dispositivo semelhante ao dos programas de culinária: o candidato apresentava um mendigo andrajoso, metia-o no forno, e tirava-o imediatamente já barbeado e empregado numa fábrica A mensagem de Natal do primeiro-ministro é uma parte da programação televisiva natalícia que, juntamente com a Música no Coração, nunca perco. E devo dizer que, na minha opinião, a mensagem deste ano foi das mais natalícias de sempre. Em primeiro lugar, porque a referência aos “sinais animadores de recuperação económica” demonstra que se trata de uma mensagem de Natal dirigida apenas às pessoas que ainda acreditam no Pai Natal. Em segundo lugar, porque quando retoma a boa prestação dos nossos alunos naquele teste da OCDE, fala aos portugueses como se eles fossem anjinhos. Embora se superiorize a Julie Andrews, que só conseguiu educar sete crianças. Tudo somado, produz uma mensagem mais natalícia que um prato de rabanadas. Acredito que uma mensagem tão natalícia tenha sido recebida, como aliás é apropriado, com caridade cristã. Os portugueses que estão desempregados e os que a partir da próxima semana vão ter o salário reduzido retiraram certamente algum conforto do facto de, apesar de tudo, a miudagem ter tirado um Satisfaz Bastante no teste do PISA. Quanto mais instruída estiver a juventude mais facilidade terá em ajudar os pais a perceberem a medida exata em que o seu ordenado diminui e os seus impostos aumentam. Às vezes pode ser difícil converter as percentagens num valor. Este não foi, no entanto, o único ato político eminentemente natalício das últimas semanas. Os de-

bates presidenciais têm sido de uma pobreza que só pode ter por motivo uma homenagem a Jesus Cristo e à sua rejeição dos bens terrenos. É curioso - e também pleonástico - que debates tão pobres tenham versado sobretudo sobre o tema da pobreza, mas vista pelos olhos de uma espécie de Comité Olímpico dos Pobrezinhos (cuja existência, a propósito, faz falta). O debate entre Fernando Nobre e Francisco Lopes foi aquele que mais evidentemente conteve um torneio de contemplação de miséria. Não sei como ficou decidido que o candidato que tivesse visto mais pobreza na vida seria o mais recomendado para desempenhar o cargo de Presidente da República, mas Nobre e Lopes disputaram até ao último indigente o título do maior observador nacional de pobres. Fernando Nobre avançou com a sua experiência de visionamento de pobres a nível internacional, que chegou a parecer insuperável, mas só até Francisco Lopes ter alegado, parece que com razão, que nos arrabaldes de Coimbra, onde terá passado a infância, já se vê pobreza tão perturbadora como a melhor que existe no estrangeiro. Não foi fácil apurar quem tinha visto o pobre mais pobre, e é surpreendente que nenhum dos candidatos se tenha lembrado de se apresentar em estúdio com o seu próprio desgraçado, para que o adversário pudesse contemplá-lo em toda a sua pobreza e fosse forçado a reconhecer que era, de facto, o pobre mais pobre que já tinha visto. O ideal seria preparar um dispositivo semelhante ao dos programas de culinária: o candidato apresentava um mendigo andrajoso, metia-o no forno, e tirava-o imediatamente já barbeado e empregado numa fábrica. E munido do certificado de aproveitamento no teste do PISA.

Ricardo Araújo Pereira

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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18 de Janeiro de 2011 1 Euro = CAD 1.324150 SERVIÇOS consulares Consulado Geral do Brasil 1 Westmount Sq.,# 1700 514-499-0968 Embaixada de Portugal 645 Island, Ottawa 1 (613) 729-0883 Consulado Geral de Portugal Mtl 2020 Université, 24º andar 514-499-0359 URGÊNCIAS E SERVIÇOS PÚBLICOS Polícia, Fogo, Ambulância 9-1-1 Cidade de Montreal 3-1-1 Acidentes de trabalho 514.903.3000 Aide juridique 514.842.2233 Ajuda social 514.872.4922 Assurance automobile 514.873.7620 Assurance-emploi 514.644.4545 Assurance Maladie 514.864.3411 Cidadania Canadiana 1-888 242-2100 Emigração Canadá 514.496.1010 Emigração Quebeque 514.873.2445 Normas do trabalho 514.873.7061 Protecção da juventude 514.896.3100 Revenu Canada 1.800.959.7383 Revenu Québec 514.864.6299

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Agostinho de Vasconcelos 1940 – 2011

Faleceu em Montreal, no dia 13 de Janeiro de 2011, com 70 anos de idade, Agostinho de Vasconcelos, natural de Machico, Madeira, Portugal, esposo de Agostinha Franco e pai de Rui Alexandre, já falecido. Deixa na dor a sua esposa, sua filha Sandy (Oscar), seus irmãos (ãs), cunhados (as), sobrinhos (as), assim como restantes familiares e amigos. Os serviços fúnebres estão a cargo de: Alfred Dallaire | MEMORIA 4231, boul. St-Laurent, Montreal 514-277-7778 www.memoria.ca Pedro Alves O velório terá lugar quinta-feira, 20 de Janeiro, das 17h às 22h. O funeral terá lugar sexta-feira, dia 21 de Janeiro, às 10h na Igreja Santa Cruz. Irá a sepultar no Cemitério Notre-Dame-des-Neiges. A família vem por este meio agradecer a todas as pessoas que se dignarem tomar parte nas cerimónias fúnebres ou que, de qualquer forma, se lhes associaram na dor. A todos Obrigado e Bem-Hajam.

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12 COMUNIDADE

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

10 lições para sobreviver à rutura

ANEDOTAS Uma fábrica de pregos fez um anúncio com cristo na cruz, e dizia. COM PREGOS GARCIA 2000 ANOS DE GARANTIA. Esse anúncio foi um escândalo, e obrigaram-nos a fazer outro. E eles fizeram um que tinha cristo só preso por uma mão, e dizia. COM PREGOS GARCIA ISTO NÃO ACONTECIA, Outro grande escândalo. Foram outra vez obrigados a fazer outro anuncio, e este já não tinha Cristo, tinha só a cruz, e dizia. COM PREGOS GARCIA O TIPO NÃO FUGIA! Homem não tem defeitos, tem características. Sabe por que a mulher tem 4 milhões de neurónios a menos? É para que possam gostar dos homens!!! Homem é como autocarro: a gente perde um mas logo depois vem outro Porque é que as mulheres hoje em dia já não se casam? Porque por 100gr de chouriço têm de levar o porco inteiro! Os homens são como as pastilhas, mastigam-se e deitam-se fora!!!!

Palavras Cruzadas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Horizontais 1. Gigante dos contos de fadas que se alimentava especialmente de crianças. Aparar nas mãos algum objecto que vai a cair (Beira). 2. A mais velha de determinadas mulheres. Relativo ao útero. 3. Indica lugar, tempo, modo, causa, fim e outras relações (prep.). Presunçoso. A ti. 4. Que contém erros. 5. Levantou. Meter entre aspas. 6. Pedaços de mandioca macerados e secos ao Sol. Disposição regular e metódica. 7. Banho de vapor, de origem finlandesa, em ambiente muito aquecido. Cavalo corpulento, chamado também frisão. 8. Sepultar. 9. Antiga cidade da Mesopotâmia. Muito gordo. Terceira vogal (pl.). 10. Pequena fossa. Letra grega, correspondente ao T. 11. Elegante. Popularidade. Verticais 1. Composição poética de assunto elevado e destinada ao canto. Prefixo de afastamento. Ventania. 2. Músculos gémeos da perna. Corta e tritura com os dentes. 3. Batráquio anfíbio aquático, anuro, da família dos ranídeos. Ir em romaria. Senhor (abrev.). 4. Espécie de abutre do tamanho do peru. Sufixo de abundância. 5. Designa admiração, cansaço (interj.). Grande carro para transporte de passageiros, com itinerário preestabelecido. 6. Acanhada (fig.). Desejo veemente. 7. Doloroso. Serve-se de. 8. Auroque. Sonda, escora. 9. Medida itinerária chinesa. Vara para apanhar fruta. A tua pessoa. 10. Antigo (abrev.). Tornar a criar. 11. Corroeu. Contr. do pron. pess. me e do pron. dem. o. Que é próprio dela.

SUDOKu

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Como esquecer um homem em 24 horas E

squecer alguém em 24 horas? É impossível. Só consegue esquecer alguém em 24 horas se for alguém que nunca tenha passado a sala de visitas do seu coração. Se tiver ido mais longe, temos pena, mas vai demorar mais. Bem, a verdade é que é urgente fazer qualquer coisa o mais depressa possível. Mesmo que esteja desesperada e ache que a sua vida nunca mais vai voltar ao que era dantes e que o seu coração nunca mais se vai entregar a outro ser humano, não deixe que esse inútil lhe arruíne a vida. Há sempre medidas SOS que se podem tomar logo nas primeiras 24 horas a seguir à Catástrofe. Preparada? 1. Meter na cabeça que acabou mesmo. Isto é o mais difícil, porque a maioria das pessoas que dizem que querem esquecer alguém, mesmo as que juram que já acabou tudo porque ele é casado/infantilóide/retardado emocional, de facto ainda mantêm uma restiazinha de esperança que anula todo o trabalho de casa. Como esquecer alguém que não queremos de facto esquecer? 2. Minimizar qualquer contacto com ele. Isto parece óbvio mas nem sempre temos a coragem para o fazer, devido a alínea 1 mal resolvida. Se ele é seu colega de trabalho e não pode sugerir ao chefe que o despeça porque quem não é bom para uma trabalhadora também não é bom para a empresa (hehhe), olhe, trabalhe. Não aceite convites dele para cafezinhos, explicações ou ‘amizade’. Se quer amiguinhos, façase amiga do Sebastião Maria que lhe pediu amizade no Facebook e diz que gosta de Bach, Ricky Martin e caniches (deve ser gay, o que é bom, nesta altura do campeonato). Se o Zé Pedro lhe está sempre a cair na sua página de Facebook a mandar coraçõezinhos, galhetas e vídeos do You Tube, abandone durante o tempo necessário à cura. Aprenda a viver sem rede. 3. Fazer qualquer coisa física. Atenção que por qualquer coisa física não se entende saltar para o colo do Vasco Maria, o primo do Sebastião Maria, que lhe pediu amizade a reboque do primo e aparecia na foto de perfil com o Ricochete (o cavalo), à espera de comover o coração das meninas que gostam de animais (todas). Coisas delicadas como acabar o retrato da sua avozinha em ponto cruz ou terminar de bordar ‘Zé Pedro Adoro-te Bué’ na toalha que ele deixou lá em casa, também não funcionam. Vá ao attack, ao combat, vá correr no paredão (mas resista ao impulso para se atirar ao mar, a não ser que se queira iniciar na pesca submarina), faça qualquer coisa pesada e que a canse mesmo. Sue o Zé Pedro para fora do seu sistema. Garantimos que a partir da décima flexão o Zé Pedro vai ser a menor das suas preocupações. 4. Escrever um diário ou um blog: desabafe tudo o que lhe vai na alma. É verdade que também pode ficar acordada até às 5 da manhã a remoer tudo o que ele disse e principalmente o que não disse e a chamar-lhe os nomes todos, mas, ninguém sabe porquê, quando se passam as coisas para o papel fica tudo mais claro e além disso dorme-se melhor e não lhe dá a satisfação de a ver no dia seguinte com cara de quem saiu da ‘Família Addams 3’. 5. Pôr batom. Uma rutura amorosa causa sempre o equivalente ao autocarro do Speed a espetar-se na nossa já de si frágil autoestima. Mesmo que tenha decidido no seu diário/blogue que não teve culpas nenhumas no cartório e que o infantilóide/retardado emocional é ele, há sempre um rombo na autoestima. Por isso não deixe. Ou deixe pouco. Ligue o airbag e as luzes de presença: quer dizer, arranje-se. Saia já hoje e compre um vestido giro. Vá ao cabeleireiro. Aproveite que tem desculpa para usar as compras como terapia! Se não tem um caso com ele, tenha um caso consigo mesma. Cuidado é para a terapia não lhe arruinar o cartão de crédito: o objetivo é curar um problema, não arranjar outro. E cuidado não exagere no novo visual. Ligue as luzes de presença mas não ligue os máximos. Atenção à tendência pós-fim do romance para a pessoa se tornar um clone da Lady

Gaga. 6. Arranjar outra coisa em que pensar: Se deixarmos, o efeito de uma rutura causa mais estragos do que aqueles de que nos damos conta: arranje rapidamente outra coisa para fazer. Mesmo que pense que a única coisa que consegue fazer é ficar na cama como morta (pronto, uma morta que consiga falar e chorar), a dizer ‘Zé Pedro és infantiloide e retardado mas és o homem da minha vida!’ e a chorar até que o nível das água suba até ao telhado e afogue os pombos, levante-se e obrigue-se a fazer outra coisa. Em vez de ficar a dar beijinhos ao ursinho que ele lhe deu nos anos a dizer ‘És a Minha Fofinha’ tire um curso de cozinha vegetariana, junte-se aos observadores de pássaros, aprenda a dizer ‘Eu odeio-te porque me estragaste alguns dos melhores dias da minha vida mas se não sabes como é que uma mulher se vinga vais aprender muito em breve’ em alemão. Se quiser bordar alguma coisa na toalha, escreva ‘Fofinha Days Are Over’. 7. Afogar o ursinho, mesmo que ele peça misericórdia de joelhos. Queime as cartas do Zé Pedro (cuidado para não queimar também o tapete e a sala inteira), pronto, deite as cartas dele no lixo (contentor azul) e não se levante às 4 da madrugada para ir lá buscá-las. Não use as joias que ele lhe deu (se foi um forreta dos piores e não lhe deu nenhuma, olhe que bom!). 8. Ter paciência. Não arranque os cabelos porque ele está sempre no seu pensamento. Aos poucos, vai deixar de estar. Mas tem de fazer por isso. As mulheres precisam de um santo no altar: temos dificuldade em viver com um nicho vazio em lugar do coração. Enquanto não houver lá nenhum, vai ser difícil empurrar de lá o Zé Pedro. Por isso arranje rapidamente outro para lá pôr, nem que seja um santo imaginário, nem que seja só alguém a quem você acha graça. Mas cuidado com o seu ‘rebound man’. Você acha que é só alguém com quem tomar cafezinho, e daqui a nada ele está a propor-lhe casamento de joelhos e a comprar lençóis de linho egípcio para a cama de casal. 9. Convocar uma amiga – também podia convocar um grupo delas, é certo, mas assim estaria a desperdiçar de uma só vez imensos preciosos pares de ouvidos. As amigas são uma força que nos arranca dos abismos, mas não convém gastar todas as suas senhas de amizade num único jantar de dor de corno. Por isso racione-as bem: não martirize mais do que uma de cada vez. 10. Relativizar. Claro que na altura em que o mundo acaba, relativizar é a última coisa que queremos ou conseguimos fazer. Mas assim que conseguir, pense que, até agora, resistiu sempre. Lembra-se quando acabou com o Paulo Jorge que tinha dois dentes tortos e achava que era o Super Homem, e você achou que ia morrer? Não morreu, pois não? Então pronto: essa coisa de morrer de amor só se usava no século XIX, quando as mulheres tinham pouco com que ocupar as cabeças. Mas agora o mundo é nosso: há um homem a menos? Mas há tantos por esse mundo fora! Era o homem da sua vida? Mas há tantos homens da nossa vida! Volte à luta e descubra aquele que, como diziam as nossas avós, saiba merecê-la. E O QUE NÃO FAZER: Não lhe ligue – A pedir desculpa do que quer que seja, a implorar-lhe que pense bem, que reconsidere, que lhe dê mais uma oportunidade. Se acabou, acabou. Não se vingue – Mesmo que lhe apeteça muito, não lhe fure os pneus, não poste no Facebook aquelas fotos dele com autocolantes da Hello Kitty nos mamilos, não ligue à nova namorada dele a contar-lhe o sacana que ele é, não vá a casa da mãezinha dele chorar-lhe no colo, não faça campanha para o seu lado. Seja superior a ele.

Catarina Fonseca

** Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico **


ALMA JUVENIL

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

Festejando os jovens e os anos 70

O

s anos 70 foi a época em que aconteceu a crise do petróleo, o que levou os Estados Unidos à recessão, ao mesmo tempo em que economias de países como o Japão começavam a crescer. Nesta época também surgia o movimento da defesa do meio ambiente, e houve também um crescimento das revoluções comportamentais da década anterior. Muitos a consideram a “era do individualismo” e das dis-

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receita da semana

music”, o filme lançou um novo verbo conjugado internacionalmente: travoltear. Sábado passado havia muitos “travolteences” na pista de dança da sede da Filarmónica Portuguesa de Montreal, e dançaram e festejaram até tarde e foi bastante animado por DJ “Mike the Mechanic” e acompanhado por um excelente animador e cantor Brian Ferreira. Podemos notar que esta noite foi a primeira

Tofu assado com Queijo Chévre gratinado

Dificuldade: Preço: Origem: Portugal

Ingredientes: 1 queijo Chévre; 4 tomates grandes e bem maduros; 1 embalagem de tofu (dá para 2 pessoas); 1 cebola; 3 dentes alho; Sal; Molho de soja; Limão; Manjericão; Azeite. Preparação: Cortar o tofu em bifinhos não muito grossos. Temperar no dia anterior ou umas horas antes, com sal, pimenta, limão, molho de soja e dois dentes de alho picados. Colocar num pirex um pouco de azeite e dispor os bifinhos com o molho da marinada. Deixar assar no forno a 200ºC, virando frequentemente e o tempo o suficiente para ficarem dourados. Entretanto, preparar o molho de tomate: retirar a pele e as sementes dos tomates e colocar a refogar com uma cebola e um dente de alho. Liquefazer e temperar com sal e manjericão a gosto. Quando os bifinhos de tofu estiverem assados, colocar uma rodela de queijo em cada um até gratinar. Servir com um pouco de molho de tomate por cima. Sugestão de acompanhamento: arroz de legumes ou bulgour e salada ou legumes salteados. Observações: Acompanhar com salada e arroz ou legumes salteados.

FELIZ ANIVERSÁRIO

cotecas, e também do experimentalismo na música erudita. A música voltou a ser popular e tudo acabava nas pistas de dança. A “disco music” (ou dance music) resgatou o desejo pela dança através do “clássico” Os Embalos de Sábado à Noite, estrelado por John Travolta. Quando o actor se vestia de branco e com os jogos de braços para o alto, a discoteca estava vivendo um período de iminente decadência, mas voltou a ser moda. Símbolo incontestável do “disco

do grupo de jovens este ano e esperemos que não será a última. Este grupo de jovens, chefiado por Jennifer Soares e Jonathan Piques, vai organizar várias festas temáticas para fortalecer a parte menos forte desta comunidade. Não com grandiosos jantares mas sim com uma boa festa, música e um bom ambiente. Achei a festa muita linda e devem continuar a incentivar os jovens desta comunidade.

Sylvio Martins

Festejos dos 100 anos de Felicidade Conceição

Parabêns a você, nesta data querida, muita felicidade, muitos anos de vida hoje é dia de festa vivam as nossas almas para a menina... uma salva de palmas, Tenha tudo de bom do que a vida contém, tenha muita saúde e os amigos também”.

Feliz aniversário Ayden, já lá vai o primeiro.


14 VARIEDADE

A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

Comentário Semanal de Economia e Mercados Semana de 10 a 14 de Janeiro

Mercados Financeiros – Melhoria da situação dos países periféricos Na 2ª semana do ano, as atenções dos investidores mantiveram-se concentradas em torno dos mesmos temas que haviam regido a semana precedente e o final de 2010: as perspectivas para a economia americana e a Crise da Dívida Soberana. Todavia, desta feita, os indicadores para os EUA foram algo mistos, com dados desfavoráveis para o Mercado Laboral, sendo que, ao contrário da semana anterior, foi o segundo tema a suportar uma diminuição da aversão ao risco, com algum serenar da pressão sobre os países periféricos da Zona Euro. Assim, o Euro e a Dívida dos Periféricos saíram beneficiados, o mesmo acontecendo às Commodities, beneficiadas, também, pela desvalorização do Dólar. Já as taxas de juro alemãs aumentaram, pressionadas, também, por uma postura mais activa do BCE relativamente à Inflação. Por seu lado, os Mercados Accionistas subiram, beneficiando, igualmente, do início de Época de Resultados das empresas nos EUA. Todavia, os dados desanimadores para o Mercado Laboral pressionaram em baixa as taxas de juro da Dívida americana. Como referido, a semana foi positiva no que diz respeito à Crise da Dívida Soberana. A hebdómada principiou com os mercados bastante nervosos, antecipando eventos que poderiam precipitar um pedido de ajuda ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) por parte de Portugal, numa semana em que o Governo procederia à emissão de Dívida e numa altura com as Taxas de Juro a 10 anos no mercado secundário em torno dos 7%. Durante o fim-de-semana anterior tinham surgido notícias de que o Governo estaria a ser pressionado pela Alemanha e pela França para pedir ajuda, com alguns jornais já a avançar com valores na ordem dos 50-100 mil milhões de euros. Acresce que o Banco de Portugal, no seu Boletim Económico de Inverno, veio rever em baixa as previsões de crescimento económico em Portugal, para este ano, de 0.0% para -1.3%, se bem que as anteriores previsões ainda não tivessem em conta as medidas de austeridade. Todavia, a maré foi paulatinamente virando, acabando por ser – pelo menos temporariamente – afastado um cenário de pedido de ajuda. Primeiramente, o Ministro das Finanças japonês afirmou a intenção do Governo nipónico de subscrever mais de 20% da futura emissão de obrigações por parte do FEEF. Esta promessa veio juntar-se àquela feita, na semana anterior, pela China (agora a 2ª maior economia do mundo, sendo o Japão a 3ª), com os dados das reservas cambiais chinesas, conhecidos na passada semana, relativos ao 4ºT2010, a darem conta de um novo máximo histórico. A isto juntaram-se notícias de que o BCE estaria a comprar massivamente Dívida portuguesa no mercado secundário, de forma a fazer baixar as Taxas de Juro. Acresce que, antes da emissão de Dívida, o Governo português veio garantir publicamente que o Défice Orçamental ficou abaixo de 7.3% do PIB, em 2010. Estes desenvolvimentos contribuíram para que Portugal passasse imune na difícil prova de emissão de Dívida. O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) emitiu Obrigações de Tesouro a 4 e 10 anos, cuja procura excedeu largamente a oferta em ambas as maturidades (2.6 vezes e 3.2 vezes, respectivamente). Na emissão a 10 anos, a Taxa Média Ponderada ascendeu a 6.716%, consideravelmente abaixo da última emissão similar (6.806%) e igualmente inferior às taxas praticadas no mercado secundário. O (relativo) sucesso desta emissão levou Angela Merkel a congratular as autoridades portuguesas. A Chanceler alemã referiu-se também a outro tema que marcou a semana, e, embora tenha reafirmado que considera a dimensão do FEEF suficiente, não deixou de vincar que a Alemanha fará “tudo o que for necessário” para defender o Euro. Uma amenização na posição alemã foi também reportada por alguma da imprensa local, tendo, posteriormente, o Ministro das Finanças admitido a emissão de mais garantias bancárias para que os 440 mil milhões de euros do fundo estejam inteiramente disponíveis. Acresce que, na reunião de Política Monetária, Jean-Claude Trichet, quando questionado pelos jornalistas, afirmou que o FEEF deverá ser melhorado quantitativa e qualitativamente, advertindo ser urgente que, na actual situação, este Fundo se torne mais eficaz e flexível. Ainda mais explícito foi Olli Rehn, o Comissário Europeu para os Assuntos Monetários, que pediu directamente um aumento do tecto do FEEF. Finalmente, perto do final da semana, a Ministra das Finanças francesa veio também, numa posição inédita, afastar-se da Alemanha e defender mais poderes para o FEEF, como por exemplo, a compra de Dívida Pública. Rui Bernardes Serra

José Maria Pimentel

Salão do automóvel de Montreal

Carros e muitos carros… para todos os gostos! D epois de uns anos vividos com uma certa dificuldade, o Salão Internacional do Automóvel aparece-nos este ano impecavelmente vestido de um colorido digno, à imagem do que verdadeiramente representa do que queremos ver e saber acerca da Indústria Automóvel.

Esta edição, a 43ª, estará patente até ao dia 23 de Janeiro no Palais de Congrès de Montreal. Não é nada de novo salientarmos que a indústria automóvel viveu momentos muito difíceis estes últimos anos, mas, pouco a pouco, um vento novo veio mudar o rumo no interior de certos fabricantes, tais como Ford, Chrysler e General Motors, uns com ajudas governamentais, outros por mérito próprio… Uma coisa é certa, o mais comum dos mortais poderá este ano, aqui mesmo neste Salão, admirar desde os carros incrivelmente modificados aos utilitários, passando pelos camiões, 4x4, não esquecendo todavia os mais convencionais dos modelos. Os Ferrari, os

Blentley, os Lamborghini estão também representados. Mas… a que preço! Caso para dizer, carros e carros para todos os gostos e para todas as carteiras! Em entrevista, o nosso amigo Bertrand Godin, porta-voz do Salão do Automóvel pelo décimo ano consecutivo, não deixou de dizer “O que efectivamente assistimos nestes últimos dois anos, foi que certos fabricantes não nos ofereciam absolutamente nada nos seus kiosques, pois como era evidente não tinham nada de especial para nos apresentar, agora tudo está a mudar, tudo está bem diferente! A Ford vai bem, a GM continua a subir lindamente, resta-nos esperar que tudo siga a evolução desejada”concluía Godin. Ficámos surpreendidos com vários modelos de diversas marcas e com as suas vendas no Québec, caso da Honda que bate recordes com o Civic, a Hyundai que não pára de inovar e vender e, que dizer do novo Sonata! Lindíssimo! Espaçoso… Mas os BMW, Mercedes, Toyota, Volvo, enfim, são 41 marcas de automóveis dignamente representadas e todas com algo para dizer e nos mostrar. Poderá também caro leitor nesta sua visita assistir a 37 antes-primeiras canadianas e duas primeiras norte-americanas. Na categoria de bólides excepcionais não deixamos de tirar os olhos da Plethore LC-750, um super-carro

fabricado no Québec, com pilotagem ao cento e com um motor incorporado de 750 cavalos, o qual passa dos 0 a 100 km em apenas 2,8 segundos. Mas o seu preço não fica atrás!... Cerca de meio milhão de dólares. No que diz respeito aos carros chamados “verdes’’, sim, os eléctricos, estão muito bem representados e com vários modelos, a sua entrada no mercado só agora começa a ser possível o que, quanto a nós, defensores do meio ambiente, acreditamos e esperamos poder vê-los nas nossas estradas o mais rápido possível. Certo é, serão postos à venda no Canadá ainda antes do fim do ano. O Salão Internacional do Automóvel recebe anualmente cerca de 200 mil pessoas.

Hélder Dias


A VOZ DE PORTUGAL - quarta-feira 19 de JANEIRO DE 2011

Em Coimbra o professor foi Saviola

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Benfica foi a Coimbra vencer a Académica por 1-0 e não deixou o FC Porto distanciar-se mais na tabela. O triunfo que mantém os encarnados com menos

oito pontos do que o líder foi suado e polémico, pois o golo das águias devia ter sido anulado. Após o livre de Cardozo, aos 19 minutos, a bola tabelou em Saviola e enganou Peiser. Porém, não só o argentino estava em fora-de-jogo, como a bola lhe foi ao braço. Erro grave de Elmano Santos. Depois foram os da casa a complicarem a sua vida: Pape Sow deve ter visto um qualquer filme de segunda de karaté e num salto copiou a película, dando um pontapé no peito de Cardozo. Foi expulso, aos 36m. Apesar de em inferioridade numérica os estudantes nunca viraram a cara à luta e na 2.ª parte fizeram um excelente jogo. Não só podiam ter marcado por Diogo Valente e Bischoff, que atirou ao poste, como acabaram em cima do Benfica, quando já estava também com dez elementos, após expulsão de Coentrão. Curiosamente o lateral levou o 1.º amarelo injustamente, pois sofreu penálti. Outro erro de Elmano... A grande ocasião das águias neste período foi de Luisão, que, após canto, atirou ao poste.

Tiago renuncia à Selecção, Paulo Bento lamenta

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iago renunciou à Selecção Nacional com efeitos imediatos. A Federação Portuguesa de Futebol anunciou a decisão, publicando a carta enviada pelo internacional luso. O médio do At. Madrid, de 29 anos, enviou uma missiva ao presidente da Federação, Gilberto Madaíl, nesta segunda-feira e na qual justifica a decisão com motivos pessoais e o desejo de dar oportunidade a novos valores. “Faço-o por razões pessoais, mas também por entender que se encerrou um ciclo na minha contribui-

ção à Selecção, ao mesmo tempo que considero ter chegado o momento de dar oportunidade a que novos valores do futebol português tenham o seu espaço, tal como eu próprio tive há oito anos”, explicou o jogador. PAULO BENTO REAGE: «Naturalmente, la-

FC Porto bate Naval

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FC Porto venceu, de forma tranquila, a Naval por 3-1. No Estádio do Dragão, e apesar de o FC Porto ter criado algumas ocasiões de golo, o primeiro tento demorou 44m a aparecer. Só no fim da 1.ª parte Falcao desfeiteou Salin pela primeira vez. No minuto seguinte, Hulk aumentou a vantagem para 2-0, após triangulação com Belluschi e Falcao. Na 2.ª metade Hulk aproveitou um erro de Orestes e bisou. Aos 88m, Gomis fez o tento de honra da Naval, de penálti.

Mourinho empata...

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Real Madrid empatou (1-1) no terreno do último classificado, Almeria, e à 19.ª jornada está a quatro pontos do Barcelona que venceu oMálaga, na Catalunha (4-1). O Almeria adiantou-se no marcador por Ulloa e Granero empatou. Ronaldo podia ter dado a vitória ao Real, mas o seu livre, nos descontos, foi à trave.

mento» Tiago, que vestiu a camisola da Selecção A em 58 ocasiões, num total de 86 internacionalizações em todos os escalões, garantiu, também, ter sido uma decisão muito ponderada. «Neste momento de despedida, que assumo após profunda reflexão, não posso deixar de agradecer a todos - desde direcção da FPF, equipas técnicas, restante staff e companheiros - os bonitos e maravilhosos momentos que passámos juntos, as alegrias que partilhámos, as emoções que vivemos em conjunto», escreveu. O médio é o quinto jogador a renunciar à Selecção A, depois de Deco, Simão, Paulo Ferreira e Miguel. “Foi um orgulho e uma honra representar a equipa portuguesa em todos os seus escalões. O dia 20 de Novembro de 2002, porém, marcou o início da minha participação na Selecção A e esse é um momento que jamais poderei esquecer, pelo supremo orgulho que tal representou para mim. 58 internacionalizações e três golos depois, chegou o momento de colocar um ponto final nesta fantástica vivência. Na hora da despedida quero deixar a certeza de que vestirei a camisola de fervoroso adepto da equipa portuguesa e que continuarei a torcer, a vibrar e a sofrer com o seleccionador Paulo Bento e com todos os amigos que aí deixo”, termina a carta. O último jogo de Tiago com a camisola das quinas foi na Islândia, de apuramento para o Euro-2012. O médio entrou aos 77 minutos para o lugar de Carlos Martins.

DESPORTO

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01-19-2011 by sylvio martins - Issuu