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Jornal Sporting n.º 4070

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MUNDO

HÁ 104 A ESCREVER A NOSSA HISTÓRIA

NAS SUAS PÁGINAS ESTÁ GRAVADA A ESSÊNCIA

DE UM CLUBE QUE SEMPRE SE DEFINIU PELA

GRANDEZA

DOS SEUS VALORES, PELA FORÇA

DA SUA CULTURA E PELO SEU ADN.

Quando, a 31 de março de 1922, o primeiro exemplar do  Boletim do Sporting Club de Portugal saiu das prensas, o Mundo era outro, mas a ambição e a Razão de Ser mantêm-se.

Nasceu para dar voz à Glória – mas também para unir a família Sportinguista. Ao longo do tempo, atravessou repúblicas e revoluções e tem acompanhado diferentes gerações de ídolos.

Nestes 104 anos, tem sido guardião de histórias, cronista de conquistas e testemunha fiel dos momentos que moldam o Sporting Clube de Portugal.

De geração em geração, o Jornal Sporting acompanha o pulsar do universo Leonino – celebra vitórias, exalta heróis e dá voz a todos os que fazem do Sporting CP uma verdadeira família. É sempre mais do que relato: é sentimento, identidade, ligação, rigor e memória.

Nas suas páginas está gravada a essência de um Clube que sempre se definiu pela grandeza dos seus valores, pela força da sua cultura e pelo seu ADN.

Celebrar 104 anos não é apenas olhar para trás com orgulho.

É, sobretudo, uma das raras ocasiões em que o tempo se transforma em memória e identidade.

Das vitórias épicas no futebol às conquistas europeias nas modalidades, aqui escreve-se a nossa História.

Parabéns ao Jornal Sporting e a todos os que dele fizeram e fazem parte.

Aos nossos leitores, o nosso mais profundo obrigado.

PROPRIEDADE: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL DIRECTORA: MAFALDA BARBOSA • MJBARBOSA@SPORTING.PT COORDENADOR‑ADJUNTO: LUÍS SANTOS CASTELO LSCASTELO@SPORTING.PT REDACÇÃO: FILIPA SANTOS LOPES FALOPES@SPORTING.PT; MARIA GOMES DE ANDRADE MGANDRADE@ SPORTING.PT; NUNO MIGUEL SIMAS • NQSIMAS@SPORTING.PT; XAVIER COSTA XRCOSTA@SPORTING.PT FOTOGRAFIA: ISABEL SILVA; JOÃO PEDRO MORAIS; JOSÉ LORVÃO COLABORADOR PERMANENTE: JUVENAL CARVALHO AGENDA E RESULTADOS: JOÃO TORRES • JBTORRES@SPORTING. PT EDITOR E SEDE DA REDACÇÃO: ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE, RUA PROFESSOR FERNANDO DA FONSECA, APARTADO 4120, 1501‑806 LISBOA, PORTUGAL TELEFONE: +351 217 516 155 E‑MAIL: MEDIA@SPORTING.PT NIF: 500 766 630 REGISTO ERC: 100313 TIRAGEM: 9500 EXEMPLARES DEPÓSITO LEGAL: 48492/91 DISTRIBUIÇÃO: VASP DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA, S.A., QUINTA DO GRAJAL – VENDA SECA 2739‑511 AGUALVA CACÉM IMPRESSÃO: FUNCHALENSE: RUA DA CAPELA DA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, Nº 50 MORELENA 2715 029 PÊRO PINHEIRO ESTATUTO EDITORIAL: HTTPS://WWW.SPORTING.PT/PT/JORNAL/ESTATUTO‑EDITORIAL ASSINATURAS: E‑MAIL: ASSINATURAJORNAL@SPORTING.PT LINHA SPORTING 707 20 44 44 INTERNACIONAL +351 30 997 1906 (segunda a sexta‑feira das 10h00 às 20h00)

DIONÍSIO CASTRO BATEU RECORDE DO MUNDO DOS 20 QUILÓMETROS

ANTIGO ATLETA DO SPORTING CP QUEBROU A MELHOR MARCA NUMA DAS MAIORES DISTÂNCIAS EM ATLETISMO. FÊ-LO EM FRANÇA, NOS ARREDORES DE LE MANS, EM ESTÁDIO CHEIO, NUMA PROVA EM QUE TINHA SIDO CONVIDADO PARA FAZER DE ‘LEBRE’, OU SEJA, PARA LANÇAR COM RITMO FORTE OUTROS ATLETAS QUE SE PENSAVA, ESTAVAM MAIS TALHADOS PARA ALCANÇAR UMA MARCA HISTÓRICA. MAS DIONÍSIO CASTRO FEZ TODO O TRABALHO E COM O NOTÁVEL TEMPO DE 57’18’’04, ‘ESPANTOU’ O MUNDO, COM UM REGISTO QUE AINDA HOJE PERMANECE COMO RECORDE DA EUROPA. DIONÍSIO CONTOU TUDO, NA PRIMEIRA PESSOA, AO JORNAL SPORTING

Texto: Nuno Miguel Simas Fotografias: Museu Sporting – Centro de documentação

31 de Março de 1990 é uma data, mais uma, memorável para o atletismo do Sporting Clube de Portugal e para o desporto português. Dionísio Castro inscrevia o nome na restrita lista de recordistas mundiais e numa distância que só de ler, pode cansar os mais susceptíveis: os 20 quilómetros, pouco menos de uma meia-maratona. O antigo e emblemático ex-atleta do Sporting CP relembrou ao Jornal Sporting esta singular proeza, no jeito desprendido que o caracteriza e ao mesmo tempo, com enorme orgulho.

“Foi num estádio em França, num estádio em Le Mans, estádio La Féche. Tinha estado no Mundial de corta-mato em França, com o meu irmão, fiquei em 11.º e após isso existiu um corta-mato em Espanha, em que o organizador convidou os melhores do Mundo, o meu irmão, Domingos, foi convidado, mas eu não. Em 20, 25 anos de carreira, nunca nos tínhamos abandonado, íamos sempre um atrás do outro, ele era convidado e íamos sempre um com o outro, sempre juntos, inclusive, os espanhóis baptizaram-nos por Zipi e Zape, que eram dois ratinhos, que andavam sempre juntos, uns desenhos animados muito populares em Espanha nesse tempo”, salientou.

Pela primeira vez, os gémeos Castro eram separados desportivamente. “Nesse ano, de 1990, ele foi convidado para ir disputar uma prova de corta-mato e eu fiquei em casa. Estava na casa, na Quinta do Lambert e, de repente, recebi um telefonema de um empresário, à procura de uma ‘lebre’ para bater recorde do Mundo de 20 quilómetros, uma lebre para ter andamento forte para essa marca e convidaram-me para eu puxar ritmo nos dez primeiros quilómetros, para ser batido o recorde do Mundo dos 20 quilómetros. Eu tinha a responsabilidade de ‘levá-los’ [a esses atletas] ao ritmo de recorde do Mundo até aos dez quilómetros. Era eu e mais seis portugueses. Eu só iria para a frente da corrida, aos seis, ou sete quilómetros”, contou Dionísio Castro.

O planeamento da prova era claro e era segui-lo à risca, até porque o organizador tinha tudo pensado não ao metro, mas ao quilómetro. “Os outros portugueses fariam esse trabalho

antes, para aí até aos seis quilómetros e depois seria a minha vez, até aos dez. Assumi a corrida para tentar fazer a minha obrigação, era um ritmo violento até aos dez quilómetros e o que aconteceu é que eu tinha uns bónus que o organizador me propôs, mas eu nem tão pouco prestei muita atenção aos valores. Ele disse: Castro, se conseguir cumprir o seu objectivo nos dez quilómetros óptimo, mas se aguentar mais um ou outro quilómetro melhor. Eu por cada quilómetro que aguentasse mais, ele dava-me mais mil dólares. Eu pensava que ele não estava bom da cabeça. Eu estava totalmente fragilizado psicologicamente, triste por não ter ido com o meu mano ao corta-mato, em Espanha e aceitei ir fazer a tal prova que deu depois recorde do Mundo, em França”, começou por contar, no jeito genuíno e descontraído que o caracteriza.

“Fui de Lisboa para Paris de avião e de Paris para Le Mans, de carro, uma viagem para aí de 400 quilómetros. Cheguei ao hotel e só queria dormir. Estava de rastos, mal jantei nesse dia, tal era o cansaço. Negociações concluídas e no dia da corrida, um estádio a abarrotar, parecia um estádio de Mundial. Estava até um pouco intimidado. Eu era ‘lebre’, eram só dez quilómetros que tinha de fazer, com ressalva de um montante extra por cada quilómetro mais que eu puxasse na frente da corrida. Os potenciais corredores que iam bater o recorde do Mundo não me acompanhavam. Pensei que alguma coisa estava errada, eu tentei ir amealhando mais uns dólares, mas sem sequer pensar em bater o recorde do Mundo, nem em terminar a prova. Pensei que não me iam pagar a mim, nem aos outros, porque não se ia bater o recorde do Mundo. Queria ir para ‘um pezinho de meia’ e saí de lá vestido dos pés à cabeça”, contou com gargalhadas pelo meio.

Dionísio continuou a contar ao pormenor a prova: “A partir dos 16 quilómetros, começaram a bater nas placas do estádio, o público todo a gritar por mim. Foi numa pista de um estádio de futebol. A prova foram 52 voltas ao estádio e comecei a perder a noção das coisas. Foi o instinto que me levava, com o estádio todo a gritar por mim, nos altifalantes diziam que ia para recorde do Mundo, os portugueses, meus colegas na prova, que já tinham abandonado a corrida, não paravam de me incentivar, já só queria ganhar a corrida, era uma gritaria de tal ordem, que

quando cortei a meta houve um tiro de canhão, dizem que fiquei a 50 centímetros do recorde do mundo da hora”. 57 minutos e 18 segundos era, em sentido figurado, um tempo ‘canhão’, de uma velocidade diabólica e que pulverizou um recorde que tinha quase 14 anos, de Jos Hermans, um atleta holandês.

“Tirei seis segundos à marca desse antigo atleta holandês. Saí da prova como o atleta mais rápido do Mundo de 20 quilómetros. Uma prova em pista de tartan de 400 metros, o estádio estava cheíssimo, dos maiores estádios em Le Mans. Este feito foi tão bonito que recebi a medalha de ouro da cidade de La Fleche, e fui recebido pelo presidente da Câmara de Lá Fléche. Sou cidadão de honra de La Fléche”, disse com orgulho, Dionísio Castro, recordando a reacção do irmão, quando lhe deu conta do feito, pelo telefone: “O Domingos não acreditou que eu tinha batido o recorde do Mundo. A corrida foi a 31 de Março, véspera de 1 de Abril, até se dizia a brincar que parecia mentira, por o 1 de Abril ser o Dia das Mentiras”.

Dionísio Castro já se preparava, por essa altura, para começar a correr maratonas e lembrou que dias depois se estreou nas distâncias de 42 quilómetros, na conhecida Maratona de Roterdão. “Já fazia longas distâncias, bato o recorde do Mundo e em Abril fiz a minha estreia na Maratona de Roterdão, fiz o quarto lugar na primeira maratona internacional em que participei. Na altura com o tempo de 2h11. Nunca ninguém tinha feito um tempo tão baixo em estreia numa maratona. Já tinha sido Campeão Europeu de 15 quilómetros, fui Campeão Nacional de todas as distâncias que corri em atletismo”, disse com o orgulho reflectido na voz.

O Jornal Sporting noticiava o feito histórico de Dionísio Castro

HISTÓRIA 104.º ANIVERSÁRIO JORNAL SPORTING

NOS 104 ANOS DO JORNAL, A ACTUALIDADE DO SPORTING CP NAS PÁGINAS DO BOLETIM N.º 104

UMA VIAGEM NO TEMPO PELAS PÁGINAS QUE LEVARAM A ACTUALIDADE DO CLUBE AOS SPORTINGUISTAS, ENTÃO A 14 DE ABRIL DE 1951. UMA EDIÇÃO COM MUITO ECLECTISMO EM PLENA PAUSA DE SELECÇÕES, MAS QUE FOI TAMBÉM PARA LÁ DO DESPORTO.

Texto: Xavier Costa

Fotografia: Museu Sporting – Centro de Documentação

Antes de ser Jornal Sporting, nasceu Boletim do Sporting Club de Portugal e era assim ainda a 14 de Abril de 1951, sob a direcção de Artur da Cunha Rosa e com António Ribeiro Ferreira como editor. O Sporting CP estava a caminho do seu 45.º aniversário, o seu Boletim cobrira os últimos 29 anos e a actualidade era de Glória. No mês anterior, em Março, os Leões sagraram-se Campeões Nacionais. Em 1950/1951, a Liga – composta por 14 equipas – pintou-se de um verde e branco bem vivo, porque o Sporting CP acabara como líder indiscutível com 45 pontos (21 vitórias, três empates e duas derrotas), bem à frente de FC Porto (34), SL Benfica (30), Atlético CP (30), Clube Oriental de Lisboa (27) e SC Covilhã (26). A capacidade goleadora dos Leões de Randolph Galloway, acima de tudo, ajudou e de que maneira: foram 91 golos marcados em 26 jogos (média a rondar os 3,5 golos por partida). A nível individual, o ‘Violino’ Vasques foi o grande protagonista, porque os 29 golos assinados com o seu nome fixaram-no como melhor marcador do Campeonato. Um título que, então, soube a reconquista, porque o SL Benfica tinha impedido o Tetracampeonato verde e branco em 1949/1950, um feito que, no entanto, estava mesmo para acontecer. 1950/1951 foi o primeiro de quatro Campeonatos seguidos, algo nunca visto no futebol português da altura.

Escapou, porém, o sucesso na Taça de Portugal. A 14 de Abril, os Leões estavam a meio de uma eliminatória com o CF “Os Belenenses”, a contar para os oitavos-de-final e na qual acabariam por cair. No Estádio José Alvalade, a primeira mão redundou num nulo que até motivou um protesto exposto nas páginas deste Boletim n.º 104. Durante a segunda parte do jogo, um jogador adversário, “depois de receber tratamento fora do rectângulo [de jogo], entrou neste sem autorização do árbitro, interferindo directamente numa jogada que então se efectuava”, pode ler-se. Já na segunda mão, que ainda estava por acontecer à data desta publicação, os azuis do Restelo venceram por 2-1 no seu terreno, ficando com a passagem.

Ora, até lá, os últimos dias foram de futebol de selecções – coincidentemente como hoje em dia – e Portugal perdera por 1-4 com a Itália, um tema também abordado neste Boletim. O golo de honra foi marcado pelo Sportinguista e ‘Violino’ Jesus Correia e o que não deixa de ser curioso é que o seleccionador era João Joaquim Tavares da Silva, autor da alcunha ‘Cinco Violinos’ e

que, em simultâneo, dirigia a secção desportiva do Diário de Lisboa. Uma informação que consta do próprio Boletim, uma vez que numa breve nota endereça os ses “cumprimentos” ao jornal da capital, que a 7 de Abril cumprira mais um aniversário – foi fundado em 1921 e extinto em 1990.

Ora, por força também dos jogos da selecção, a actualidade verde e branca debruça-se totalmente sobre o seu eclectismo. No ciclismo, dá-se conta de que Américo Raposo foi o vencedor da primeira corrida do Campeonato de Seniores e é possível ler, ainda, uma entrevista a José Trindade, jovem ciclista e filho de Alfredo Trindade, histórico da modalidade e também do Sporting CP. Já em motorismo, informa-se da vindoura realização do Rali Nocturno do Sporting CP, com partida e chegada em Lisboa e passagens por Mafra, Torres Vedras, Alenquer, Caldas da Rainha e Vila Franca de Xira. Uma nova jornada do Campeonato Regional de andebol e um dérbi com o SL Benfica em rugby são outras das peças desportivas trazidas. Para o leitor mais atento, na terceira página, há uma coluna dedicada às filiais e delegações do Clube um pouco por todo o lado, com informações várias sobre títulos alcançados pelo SC Lusitânia nos Açores e pelo Sporting Clube de Nampula em Moçambique, então ainda colónia portuguesa, e até novidades sobre a abertura da secção de ciclismo no Sporting de Venezuela, filial em Caracas. No entanto, “nem só de desporto vive o Homem”, pode ler-se numa caixa central na primeira página, e esta n.º 104 do Boletim é um claro exemplo do eclectismo do Sporting CP também fora da esfera desportiva. Na caixa em questão, por exemplo, promove-se o “I Torneio Literário Sportinguista”, dedicado a Sócios ou assinantes do semanário que quisessem mostrar os seus dotes nos diferentes géneros, havendo espaço para um em especial: poesia de exaltação ao Sporting CP. “Atenção, portanto, poetas e prosadores sportinguistas” é a frase final. Além disso, mas já habitual nestas páginas, é a secção de cinema promovido na mítica sede do Clube, no n.º 86 da Rua do Passadiço, entre a Avenida da Liberdade e o Campo Santana. Desta vez, a comédia colorida “Feira da Vida” e o filme de cowboys “A Voz da Honra” partilham espaço de programação com a agenda desportiva do Clube, com desafios de basquetebol, andebol, rugby e provas de ciclismo em perspectiva na semana seguinte.

HISTÓRIA 104.º ANIVERSÁRIO JORNAL SPORTING

O CAFÉ ONDE O SPORTING CP SE ESCREVEU

JÁ NÃO EXISTEM AS MESAS E CADEIRAS, NEM O INDISTINTO RUÍDO DE FUNDO DAS CONVERSAS. O CAFÉ MARTINHO DESAPARECEU

DO MAPA DE LISBOA, MAS NÃO DA HISTÓRIA DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.

Texto: Filipa Santos Lopes

Fotografia: Museu Sporting – Centro de Documentação

Chamaram-lhe o “espelho da cidade” e não por acaso. Nas amplas salas do Café Martinho, com as suas arcadas e colunas revestidas a espelhos de Veneza, cruzavam-se escritores, jornalistas e políticos, homens que, à mesa, reflectiam sobre o presente e ensaiavam o futuro. Entre torradinhas de Meleças, chá verde com limão e a “neve”, como eram conhecidos os sorvetes que lhe deram fama, o espaço, fundado em 1845 por Martinho Bartholomeu Rodrigues, era, sobre-

tudo, um ponto de encontro e espaço de tertúlia literária e intelectual. Com morada no Largo de Camões, hoje Largo D. João da Câmara, foi frequentado por figuras como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Eça de Queiroz ou Fernando Pessoa, iluminados das letras e, literalmente, por um “grande lustro com a força de 700 velas”, como se lê numa edição da época da revista Occidente. Mas foi de outros encontros, noutras mesas ou até nas mesmas, quem sabe, que ali nasceu também, em 1922, uma revolta que viria a marcar para sempre a vida do Sporting Clube de Portugal.

José Serrano, Mendes Leal e Júlio de Araújo reuniam-se no Café Martinho, com regularidade e entusiasmo, para debater a vida do Clube, então jovem, prestes a celebrar 16 anos de existência. Certa

noite, depois de uma grande vitória verde e branca desvalorizada pela imprensa da época, a conversa subiu de tom: a indignação transformou-se em intenção e deu, depois, origem à decisão.

Nasceu assim, a 31 de Março de 1922, o Boletim Sporting, um objecto de memória e actualidade que já então se afirmava mais do que um simples meio de informação. No texto de abertura, signifi-

Júlio Araújo foi presidente do Clube e um dos responsáveis pela criação do Boletim do Sporting Club de Portugal
O Boletim nasceu nas mesas e da azáfama intelectual do Café Martinho

cativamente intitulado “Razão de Ser”, ficavam definidas as bases dessa missão: comunicar com clareza, envolver a massa Associativa e defender, de forma firme e ponderada, os interesses do Sporting CP, numa fase de afirmação e crescimento do emblema de Alvalade. Com circulação interna, o Boletim procurava também facilitar o trabalho das Direcções e funcionar como elo de ligação entre quem

decidia e quem vivia o Clube no dia-a-dia. Era, fruto de um impulso, uma ferramenta de associativismo imediato e espaço privilegiado de registo futuro. Ao longo dos seus primeiros anos, o Boletim foi acompanhando a evolução do Sporting CP e, nas suas páginas, sobreviveram grandes decisões e maiores conquistas. Em Maio de 1952, altura em que era dirigido por Artur da Cunha Rosa,

o periódico adoptou a designação que hoje vigora: Jornal Sporting Porém, à medida que a publicação ganhava dimensão, consolidava o seu papel e alargava o seu alcance, até se transformar no Jornal que hoje continua a dar voz ao Clube, o Café Martinho, que durante anos foi centro de encontro e de criação, fez o percurso inverso: foi perdendo espaço na cidade até desaparecer.

O QUE ACONTECEU AO CAFÉ MARTINHO?

As mudanças urbanísticas e sociais transformaram o Rossio e os hábitos de quem o frequentava. Já longe do ambiente de tertúlia que o caracterizara, o Café Martinho não soube ou não pôde acompanhar esse ritmo: entrou em falência, foi vendido, reaberto e modernizado. Ainda foi nos seus balcões, já como cervejaria, que se serviu pela primeira vez uma bebida de cevada da marca “Imperial”, cujo copo alto e estreito, fino, deu origem ao termo pelo qual ainda hoje se pede uma cerveja em muitos locais. De nada adiantou. O espaço fechou portas definitivamente em 1966, transformando-se numa agência bancária do Banco do Alentejo, função com que, apesar de com outro nome, ali se mantém décadas depois.

O seu desaparecimento não apagou, no entanto, a presença do Café Martinho na História de Lisboa, nem na do Clube. Não foi, sequer, caso único. Ao longo dos seus quase 120 anos, o Sporting CP construiu-se também em espaços que já não existem, mas que permanecem na sua identidade, lugares onde o Clube ganhou forma antes de ganhar dimensão.

O Sítio das Mouras é um desses exemplos, tendo acolhido simultaneamente o primeiro campo de

QUE FANTÁSTICA RAZÃO DE SER!

Nesta edição comemorativa de mais um aniversário do Jornal Sporting, o mais antigo jornal de clubes do Mundo  –  são já 104 anos de uma História incrível a informar os Leões e que, como no tão bem escolhido título da sua primeira edição, continua a ser uma fantástica Razão de Ser Que, sinais dos tempos, a vida está sempre em mutação, é agora acompanhado pela edição digital, mas que continua a ser folheado em papel pelos Sportinguistas que vivem, desde as grandes urbes até às aldeias mais recônditas do país e do Mundo que por ele esperam avidamente a cada semana. Sim, falo do Mundo. Não é gralha, nesta nossa universalidade Leonina que direi não ter paralelo.

Desde José Serrano, o primeiro director desta publicação, até Mafalda Barbosa, a actual, e a primeira mulher a ocupar

este tão distinto cargo, já grandes nomes do jornalismo e do Sporting Clube de Portugal por este cargo passaram. Alguns que, tenho o orgulho de ser amigo, porque a vida Leonina nos haveria de juntar.

Nestes 104 anos de História que acompanho semanalmente há cerca de cinco décadas, quando então jamais julguei que aqui viria um dia a escrever, li milhares de prosas de elevado Sportinguismo, onde nelas foram retratadas inúmeras conquistas nacionais e internacionais do nosso Clube.

Toda uma História desenvolvida em milhões de caracteres. Todo um passado e, também presente, que nos orgulha.

A mim, como já por aqui o expliquei, mas nunca é demais o agradecimento, especialmente dois nomes me trouxeram até ao nosso Jornal. Falo de Bernardino Melo Bandeira, o grande Homem e impulsionador do futsal – então ainda designado como futebol de cinco – no Sporting CP, a quem classifico como o “pai” da modalidade e que nela acreditou quando de mediática pouco ou nada tinha, e que feliz ele estaria de ver agora o estatuto e a espantosa evolução da “sua” modalidade e do que nela representa o nosso Clube à mais alta escala mundial. Obrigado, Bernardino Melo Bandeira. Já vão distantes os anos

jogos e a primeira sede do Clube. Inauguradas a 4 de Julho de 1907, cerca de um ano após a fundação, as suas instalações eram consideradas de topo, com um amplo pavilhão, chuveiros e banhos de imersão, salão de jogos, duas quadras de ténis, campo de futebol e pista de atletismo. Mais do que um espaço administrativo, foi ali que o Sporting CP começou a organizar-se, a definir-se e a afirmar-se enquanto projecto. Entre decisões e rotinas ainda incertas, desenhava-se a estrutura de um Clube que viria a crescer muito para lá dessas paredes. Outro exemplo, mais próximo das gerações actuais, é o do Estádio José Alvalade inaugurado em 1956 e substituído, em 2003, pelo actual recinto, casa dos Bicampeões Nacionais. Nos seus terrenos, contíguos ao Estádio como e onde hoje o conhecemos, ergue-se o Pavilhão João Rocha, que veio substituir e engrandecer a saudosa Nave de Alvalade.

Assim, muitos dos espaços que fazem parte da história do Sporting CP já não existem como então. Mas o que ali se viveu permanece. Permanece nas páginas que se escrevem, nas decisões que se tomam, na forma como o Clube continua a afirmar-se. O Café Martinho foi um deles. Um lugar onde se encontrava gente e onde, muitas vezes, as ideias não se ficavam pela conversa. Transformavamse em qualquer coisa mais.

90 quando aqui comecei a escrever a teu pedido.  O outro nome é Ruben Coelho, então director do nosso jornal que, numa noite chuvosa do mês de Março, que recordo como se fosse hoje, me ligou, decorria o ano de 2012 para passar a ter um artigo de opinião semanal que ainda hoje preservo, apenas com um ligeiro interregno. São estes os dois “culpados” de vos escrever este texto no dia em que o nosso jornal faz 104 anos.  Que boa culpa eles tiveram. Quanto orgulho tenho semanalmente a cada texto. Cada caracter é escrito com fervor Leonino. Só assim sei estar. Quero escrever sobre muitos mais conquistas. Mas também estou preparado, porque ser do Sporting Clube de Portugal é estar nos bons e nos maus momentos, para escrever em momentos de menor fulgor.  Parabéns, Jornal Sporting. A caminho dos 105 anos a informar os Sportinguista espalhados pelos quatro cantos do Mundo.

P.S – Nada derruba o nosso andebol. Contra tudo e contra todos. A vitória no Dragão Arena foi com o cheiro tóxico no ar, mas com o sabor doce da classe de um Leão que quiseram ferir com artimanhas, mas nem assim conseguiram. O “Tri” está mais próximo.

O Sítio das Mouras é outros dos locais que, desaparecidos geograficamente, se mantém vivos na história do Sporting CP
JUVENAL CARVALHO

HISTÓRIA 104.º ANIVERSÁRIO JORNAL SPORTING

DO BOLETIM FEITO À MÃO À EDIÇÃO QUE CORRE À VELOCIDADE DE UM CLIQUE

ENTRE A PENA E O ECRÃ CABEM MAIS DE CEM ANOS DE HISTÓRIA. O JORNAL SPORTING NASCEU NUM TEMPO EM QUE CADA HISTÓRIA ERA CONTADA À MÃO E CADA EXEMPLAR PERCORRIA UM LONGO E DEMORADO CAMINHO ATÉ ESTAR NAS MÃOS DO LEITOR. HOJE, CHEGA AO MUNDO EM SEGUNDOS. PELO MEIO, MUDOU QUASE TUDO, MENOS A RAZÃO DE SER

Texto: Filipa Santos Lopes

Fotografia: Museu Sporting – Centro de Documentação

UMA REDACÇÃO MOVIDA A PAIXÃO

Quando o Jornal Sporting começou a ganhar forma, ainda sob a designação de Boletim do Sporting Club de Portugal, nos anos 20 do século passado, não existia propriamente uma redacção. Não havia departamentos, funções definidas ou especialização. Havia, sim, um pequeno núcleo de colaboradores que assumia tudo: escrever, organizar, rever, fechar e garantir que cada exemplar chegava ao destino.

No centro desse processo estava Salazar Carreira. À sua volta, Ruy da Cunha, José Serrano, Maia de Loureiro e Júlio de Araújo, presidente do Clube em dois distintos períodos (1922-1923 e 1924-1925). Mais do que uma estrutura formal, era um grupo que assumia, em conjunto, todas as etapas necessárias para que cada edição existisse. Era um trabalho amador no sentido mais puro da palavra, mas não por

falta de rigor. A palavra vem originalmente do latim amare, amar, e era esse vínculo que atravessava cada

página. Não existia distância entre quem escrevia e o objecto dessa escrita. O Boletim assumia-o sem ro-

deios e convidava outros a juntar-se. “Para escrever para o nosso jornal, pensamos nós, não é necessário ser escritor nem jornalista; achamos que basta a boa vontade e o desejo de auxiliar aqueles que, movidos pela fé, contribuem para o progresso e desenvolvimento do Sporting Club”, lia-se a 31 de Março de 1927, num apelo directo à participação e envolvimento dos Sportinguistas. O contexto também era diferente. A vida do Clube gerava menos acontecimentos e a produção editorial exigia alguma criatividade. Dividiase entre o que havia para contar e a disponibilidade de quem queria contribuir. Dependia de promessas, de tempo, de persistência. Às vezes, os textos tardavam. Outras, não chegavam de todo. A mesma reportagem descrevia-o com alguma ironia. “Do dia um até quinze de cada mês, espera o Salazar os numerosos artigos que todos lhe prometem sem falta. Findo este prazo, e perdida a esperança de colaboração extranha, Salazar imitando o Creador, diz: Faça-se o boletim, e o boletim

Salazar Carreira foi um dos mais importantes colaboradores dos primeiros anos de Boletim
Em 1927, o gericomovel era o meio de transporte utilizado para a distribuição do Boletim
O Boletim era impresso na tipografia da Cooperativa Militar

aparece feito… Mas como se faz o milagre? A ver vamos… Salazar maldiz a sua sorte, mas assenta-se na secretária, pega na pena e desarrinca… Todo o dia, e parte da noite pensa coisas e, quando a gente julga que o Salazar desapareceu, aparece ele com cinco linguados escritos, e, como ele costuma dizer, bem escritos”.

O retrato detalhado do secretário, figura equivalente à da actual directora, ajuda a perceber o essencial: o Boletim exigia uma forte responsabilidade individual. Cada exemplar era preparado manualmente, com selos colados um a um e o envio postal tratado caso a caso. Antes disso, havia ainda o trajecto até à tipografia, a Cooperativa Militar, onde se procedia à impressão, e depois a distribuição pelos diferentes destinos. Esse percurso fazia-se no gericomovel, uma carroça puxada por um burro, que transportava os exemplares até ao seu destino final.

“Nesta altura, entra o Luiz com a carroça e o gerico, e vae o boletim para o correio onde o nosso Salema, o canalisa para as diferentes partes do mundo. Horas depois os sócios do Sporting saboream este mimo literário”.

DAS PENAS ÀS MÁQUINAS

Com o passar das décadas, o Jornal Sporting foi acompanhando a evolução da indústria gráfica. A composição manual, feita letra a letra em chumbo, deu lugar a sistemas mecânicos como a Linotype, que permitiam fundir linhas inteiras de texto e acelerar significativamente o processo. Mais tarde, novas técnicas de impressão vieram simplificar etapas e melhorar a qualidade final. Ainda assim, nos anos 70, o processo de produção editorial e de preparação para impressão permanecia exigente e profundamente físico. As fotografias, por exemplo, não eram integradas de forma directa: tinham de ser convertidas em zincogravuras, chapas de zinco gravadas em relevo a partir da imagem original, através de processos fotoquímicos. Há, por isso, quem recorde João Xara-Brasil, que consigo transportava, a cada fecho de edição, um pesado malão com essas peças: um arquivo móvel de chapas metálicas, indispensável para garantir que cada fotografia chegava ao papel. Mais do que um detalhe curioso, era um retrato fiel de um jornal feito também de esforço manual, de rotinas exigentes e de um contacto quase artesanal com a matéria.

DE VOCAÇÃO A PROFISSÃO

Durante largo período do século XX, fazer o Jornal Sporting continuou a implicar um elevado grau de entrega pessoal. Mais do que um trabalho não remunerado, eram os próprios colaboradores quem suportava os custos associados às suas funções, desde a escrita à fotografia, e até as deslocações.

Essa realidade começou a alterar-se de forma mais óbvia em meados da década de 80. A nomeação de Garcia Alvarez como primeiro director remunerado, em Dezembro de 1986, assinalou o ponto de viragem e, a partir daí, a redacção começou a ganhar estrutura, continuidade e reconhecimento formal, acompanhando o crescimento do Clube e o aumento das exigências editoriais.

Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico começava a transformar o modo de produção. A fotocomposição e, mais tarde, os sistemas informáticos permitiram abandonar progressivamente a produção manual.

UM JORNAL QUE ACOMPANHA O TEMPO

A mudança mais decisiva aconteceu já no século XXI, com a plena integração do digital no processo. Hoje, o Jornal Sporting é totalmente produzido em ambiente informático, à semelhança da generalidade da im-

prensa escrita, que se foi adaptando às exigências do tempo e às sucessivas transformações tecnológicas do sector.

A celebrar o 104.º aniversário do jornal de clubes mais antigo do Mundo, a sua redacção trabalha sempre de forma conectada, mas muitas vezes a partir de diferentes locais. As imagens dos grandes feitos desportivos chegam de imediato, o texto circula num clique, as ideias são partilhadas em tempo real. O fluxo de trabalho tornou-se contínuo, automático, veloz.

Mas a transformação não se ficou

pela produção. O jornal expandiu-se para o digital e passou a integrar um ecossistema mais alargado de conteúdos. Persiste nas bancas, mas chega também, de forma gratuita, ao correio electrónico dos Sócios.

Ao mesmo tempo, ganha espaço nas plataformas online do Clube, à procura de novos públicos. A leitura deixou de estar condicionada pelo tempo ou pelo espaço.

Ainda assim, o papel mantém o seu lugar. Continua a haver quem espere pela edição impressa, quem a guarde, quem a leia de forma diferente, mais lenta, em mãos. E ainda bem.

O QUE NÃO MUDOU: A RAZÃO DE SER

Entre o Boletim que seguia de gericomóvel e o Jornal Sporting que hoje chega por via digital existe mais de um século de transformação. Mudaram os meios, os ritmos e as ferramentas. Mas há um elemento que atravessa todas essas fases: a função do Jornal Sporting enquanto registo da vida do Clube. Informar, contextualizar, aproximar os Sócios e preservar memória. A forma mudou. A Razão de Ser permanece.

João Xara-Brasil, que nos anos 70 foi director do Jornal Sporting, numa visita ao Museu Sporting em 2024
Garcia Alvarez foi o primeiro director remunerado da História da publicação

FUTEBOL RETROSPECTIVA

AS HISTÓRIAS DA JÁ CENTENÁRIA PEGADA GOLEADORA NA ERA CHAMPIONS LEAGUE

A PARTIR DA EDIÇÃO 1992/1993, COM A UNIFORMIZAÇÃO DOS HORÁRIOS, OS PRÉMIOS MILIONÁRIOS E A ADOPÇÃO DE UM HINO RECONHECIDO MUNDIALMENTE, TAL COMO A SUA IDENTIDADE ‘ESTRELADA’, A TAÇA DOS CLUBES CAMPEÕES EUROPEUS TRANSFORMOUSE NA UEFA CHAMPIONS LEAGUE. MAIS DE 30 ANOS VOLVIDOS, O SPORTING CP ESTÁ A FAZER A SUA MELHOR CAMPANHA E NESTA EDIÇÃO ULTRAPASSOU, TAMBÉM, A BARREIRA HISTÓRICA DOS 100 GOLOS MARCADOS (117) NESTA ERA DA MAIS PRESTIGIANTE PROVA DE CLUBES. POR ISSO, RECORDAMOS ALGUNS DOS GOLOS MAIS DECISIVOS E MARCANTES DESTA VIAGEM, ENTRE O PRIMEIRO E O CENTÉSIMO, AO LONGO DAS ÚLTIMAS DÉCADAS NO TOPO DA EUROPA.

Texto: Xavier Costa

Fotografia: Museu Sporting – Centro de Documentação, José Lorvão

1997/1998 3‑0 AS MONACO CAPITÃO LIDEROU COM CABEÇA E PELO EXEMPLO

2000/2001 2‑2 REAL MADRID CF

UM PÉ ESQUERDO QUE AINDA FEZ SONHAR

Foi preciso esperar cinco edições da renovada Champions League para se ouvir o seu hino no Estádio José Alvalade –e desde 1982/1983 que os Leões não estavam na principal prova continental, aquando também da sua melhor campanha, então até aos ‘quartos’. Por tudo isso, o entusiasmo das bancadas era palpitante no primeiro jogo da fase de grupos – após superados os israelitas do Beitar Jerusalem FC (3-0 agg) na pré-eliminatória –e, mais ruidoso se tornou, no fulminante arranque de jogo do Sporting CP. Frente aos monegascos de Barthez, Costinha, Trezeguét, Thierry Henry ou Spehar, tudo começou na precisão de Didier Lang e na cabeça de Oceano Cruz, autor do primeiro golo Leonino na Champions. Aos três minutos, o francês cruzou para a cabeçada certeira do capitão ao primeiro poste, uma fórmula repetida cinco minutos depois para o instantâneo 2-0, mas desta vez Oceano ‘penteou’ para o desvio final de Mustapha Hadji. A entrada em grande na Champions confirmou-se, com Alvalade em delírio, já aos 65’, com um desvio de Leandro Machado, todo no ar, após cruzamento sublime de trivela de Pedro Barbosa.

Ainda assim, os destinos no grupo F foram bem diferentes no final: o AS Monaco acabou líder, à frente do Bayer 04 Leverkusen, e o Sporting CP foi terceiro, pois só voltou a pontuar frente ao Koninklijke Lierse Sportkring (empate 1-1 na Bélgica e vitória por 2-1 em Alvalade, na segunda e sexta jornadas).

Na viragem do milénio, o Sporting CP de Augusto Inácio chegou à Champions pela primeira vez como Campeão Nacional – após longo jejum – e voltou a ter uma entrada de gala em Alvalade, desta vez contra o campeão europeu em título, recheado de craques como Raúl, Luís Figo (de volta a casa), Makélélé ou Roberto Carlos. Já ao jovem Iker Casillas na baliza de nada valeram os reflexos no primeiro tempo: apenas instantes depois de um golo de cabeça de Ricardo Sá Pinto, em antecipação num canto, nada mais pôde fazer do que atirar-se em vão perante um livre directo, em zona frontal, cobrado por André Cruz, bem ao estilo da sua inesquecível canhota.

Só que este início de sonho, tanto no jogo como nesta edição da prova, durou pouco e acabaria em frustração. O Real Madrid CF ainda saiu de Alvalade com um ponto, graças a uma ‘bomba’ de Roberto Carlos de livre directo (50’) e um corte defeituoso de Rui Jorge para a própria baliza (76’), enquanto o Sporting CP não venceu qualquer jogo – a única vez – no grupo A da primeira fase de grupos e terminou em último, atrás de merengues, FK Spartak Moskva e Bayer 04 Leverkusen, com quem conseguiu o outro ponto (0-0 em casa).

2006/2007

1 0 FC INTERNAZIONALE MILANO

HERÓI IMPROVÁVEL NA

PRIMEIRA NOITE DE CHAMPIONS NO ALVALADE XXI

Já no actual Estádio José Alvalade, dificilmente a estreia na liga milionária poderia ter sido melhor. O Inter, que vinha de vencer o primeiro scudetto (de cinco seguidos), trouxe nomes consagrados como Javier Zanetti, Patrick Vieira, Hernán Crespo, Figo (outra vez) e uma temível dupla ofensiva com Adriano e Zlatan Ibrahimović, mas os primeiros três pontos ficaram em casa, graças a um grande pontapé… de Marco Caneira.  O defesa subiu pela esquerda e, depois de ‘matar’ a bola no peito e ganhar o duelo a Maicon, encheu o pé de fora da área e Francesco Toldo, na baliza, não conseguiu sacudir a bola em sobe-e-desce. Foi o único golo de Caneira na temporada e ainda vigora como responsável pela única vitória do Sporting CP, na Champions, contra uma equipa italiana. No entanto, FC Bayern München e Inter confirmaram mesmo o seu poderio para avançar rumo à fase a eliminar e a equipa verde e branca orientada por Paulo Bento acabou relegada para o último lugar, apesar da igualdade pontual (cinco) com o Spartak Moskva – adversário a quem fez os seus restantes dois golos na prova, apontados por um jovem Nani na Rússia (1-1) e Carlos Bueno na derrota em casa (1-3).

2008/2009

1 0 FC SHAKHTAR DONETSK COM A IMPREVISIBILIDADE DO ‘NINJA’ PARA (FINALMENTE) FAZER HISTÓRIA

À terceira (participação consecutiva) foi de vez para os Leões de Paulo Bento, os primeiros a levar o Sporting CP da fase de grupos para os oitavos-de-final. Depois da derrota inaugural com o enleante Barça de Guardiola (3-1), o Sporting CP ‘engatou’ três triunfos seguidos – 2-0 FC Basel e dois por 1-0 sobre o FC Shakhtar Donetsk – com o terceiro, em Alvalade, a ter um grande prémio extra. E tal como na Ucrânia, tudo se resolveu à entrada para o último quarto de hora: Liedson – como tantas vezes – resolveu lá, cá teve de ser Derlei, a ‘arma (pouco) secreta’ – já tinha ‘facturado’ contra os suíços. Marat Izmailov trabalhou no corredor direito e cruzou rasteiro para uma zona em que o ‘ninja’, fazendo jus à sua alcunha, apareceu sigiloso e sem marcação para dar a vitória, soltar a festa nas bancadas e selar uma inédita passagem à fase a eliminar. A esses nove pontos, o Sporting CP ainda somou mais três (FC Basel 0-1) para ficar no segundo lugar do grupo C, apenas atrás de um FC Barcelona que encantaria o mundo e iria ao Olímpico de Roma levantar o ‘orelhudo’ troféu continental. Já o sonho verde e branco acabou desfeito nos ‘oitavos’, de forma traumática, na maldita eliminatória com o FC Bayern München (12-1 agg).

2024/2025 4‑1 MANCHESTER CITY FC

ASSIM NASCEU UMA ESTRELA PARA O TOPO DA EUROPA

E quando Leões e citizens se reencontraram em Alvalade, a história foi em tudo diferente. Aliás, similar só o golo madrugador e inaugural dos ingleses, só que nesta ocasião o Sporting CP tinha um ‘ás na manga’: eis a exibição que abriu em definitivo os olhos a toda a Europa para Viktor Gyökeres, que mostrou todas as suas credenciais como avançado (hat-trick) e catapultou esta noite para o patamar das mais alucinantes dos Leões na Champions.

“ Feeling supersonic ”, como canta a banda Oasis , de Manchester, o sueco desfez a defesa adversária com a sua potência nas desmarcações e arrancadas, assim fez o empate, confirmando depois todo o seu instinto e frieza com mais

dois golos, ambos de penálti. Pelo meio, os comandados de Amorim – último jogo em Alvalade do técnico – mostraram que tinham mais do que um goleador excepcional e com uma brilhante jogada colectiva desarmaram o City de Guardiola no 2-1 que abriu a segunda parte para uma reviravolta imparável. Estavam somados uns impressionantes dez pontos em 12 possíveis na primeira metade da novíssima fase de liga da Champions, mas o Sporting CP esteve no ‘fio da navalha’ até ao fim: só um desesperado golo de Conrad Harder aos 77’ da última jornada (1-1 Bologna FC 1919) fez com que tudo isso não fosse em vão, já com Rui Borges no comando. Seguiu-se o Borussia Dortmund no play-off de acesso aos ‘oitavos’ e,

2021/2022

3 1 BORUSSIA DORTMUND JACK’POTE’ NO REGRESSO AOS ‘OITAVOS’

Só mais de uma década depois da primeira vez é que o Sporting CP reencontrou o caminho para sair vivo da fase de grupos, desta feita recém-coroados Campeões Nacionais, 19 anos depois. A entrada até foi em falso no grupo C, com dois desaires (1-5 AFC Ajax e 1-0 Dortmund), mas duas vitórias claras e seguidas sobre o Beşiktaş JK (1-4 e 4-0) deram o impulso necessário para voltar a fazer História – ainda bem fresca na memória.

Na penúltima jornada, a recepção ao Borussia Dortmund de Bellingham e Reus (Håland lesionado), em Alvalade, seria a noite de todas as decisões, e que noite! Para assegurar já a passagem, os Leões de Ruben Amorim precisavam de vencer, pelo menos, com dois golos de diferença e o que poderia parecer impensável aconteceu. Antes do intervalo, dois golos de Pedro Gonçalves deram asas ao sonho e, aos 81’, o goleador ainda teve um penálti nos pés, que falhou, mas Pedro Porro foi rápido na recarga e levou o estádio à loucura. O Sporting CP e o sonho de voltar à fase a eliminar resistiram, apesar do golo de Malen nos descontos, que nada mudou. De novo, o choque nos ‘oitavos’ foi grande, com o 0-5 sofrido na primeira mão (e final) pela força do Manchester City FC de Guardiola, contudo, estavam lançadas as bases de um Sporting CP cada vez mais capaz de se bater entre os melhores da Europa: haveria presença Leonina em três das quatro edições vindouras, mais duas passagens na ‘calha’ e novas noites inesquecíveis.

desta feita, foram os alemães a vingarem-se em Alvalade (0-3 agg fechado na primeira-mão).

2025/2026 SSC NAPOLI 2‑1

SUÁREZ ESTREIA‑SE COM O GOLO 100 DE UMA HISTÓRIA AINDA INACABADA

O Sporting CP entrou na presente edição a cinco golos dos 100 na Champions League, marca que quase completou à primeira tentativa (4-1 FC Kairat), mas ficou relegada, até, para um jogo de má memória em Nápoles (derrota 2-1). Desde a marca dos 11 metros, Luis Suárez assinou esse simbólico golo (o seu primeiro de sempre na prova), então do empate, porém nem chegaria para pontuar em Itália. E que longe se estava de saber o trajecto brilhante que seria trilhado: vitórias cabais, outras agónicas até ao fim e, por isso, mais saborosas, um campeão europeu em título a tombar em Alvalade – fortaleza que continua inexpugnável na Europa –, o apuramento cinematográfico de Bilbau para o top-8... O resto, como se diz, é história, uma que, neste caso, continua a poder ser vivida e desde a estrondosa reviravolta sobre o FK Bodø/ Glimt já com a garantia que esta página é a melhor e mais bonita já escrita pelos Leões na Champions League. A melhor parte é que ainda não se lhe conhece o final.

TREINADORES

PAULO BENTO (7V / 21GM-34GS)

RUBEN AMORIM (8V / 31GM-28GS)

RUI BORGES (6V / 24GM-20GS) DUAS PARTICIPAÇÕES

PRINCIPAIS GOLEADORES

Viktor Gyökeres, Liedson, Francisco Trincão

Luis Suárez, Nani, Pedro Gonçalves

Bruno César, Paulinho

Ricardo Sá Pinto, Alisson Santos, Bas Dost, Adrien Silva, Nuno Santos, Maxi Araújo

2025/2026

JÁ É A MELHOR PRESTAÇÃO NA CHAMPIONS E AINDA NÃO ACABOU

QUALIFICAÇÃO PARA OS ‘QUARTOS’

Apenas atingidos em 1982/1983, então na Taça dos Clubes Campeões Europeus

MAIS JOGOS

10, tal como em 2024/2025, mas ainda vai chegar pelo menos aos 12

MAIS VITÓRIAS

6, superando as 4 de 2008/2009

MAIS GOLOS MARCADOS 22, pulverizando os 14 de 2021/2022

MAIOR VITÓRIA

5‑0 ao FK Bodø/Glimt

FUTEBOL RETROSPECTIVA

QUANDO 104 (GOLOS) FOI SINÓNIMO DE TETRACAMPEONATO

E ‘DOBRADINHA’

A 31 DE MARÇO, O JORNAL SPORTING CUMPRIU 104 ANOS, UM NÚMERO IGUALMENTE ESPECIAL PARA A EQUIPA VERDE E BRANCA EM 1953/1954: NESSA GLORIOSA ÉPOCA, OS 104 GOLOS MARCADOS REDUNDARAM NO QUARTO CAMPEONATO CONSECUTIVO – O PRIMEIRO ‘TETRA’ EM PORTUGAL – E NA SEGUNDA ‘DOBRADINHA’ LEONINA. ENTÃO, UM OUTRO ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE (O PRIMEIRO) FOI FORTIM PRATICAMENTE INTRANSPONÍVEL AO SOM DOS GOLOS DE JOÃO MARTINS E DAS ÚLTIMAS NOTAS DE ‘VIOLINOS’, TUDO ISTO SOB A LIDERANÇA DO LENDÁRIO JOSEPH SZABO.

Texto: Xavier Costa Fotografia: Museu Sporting – Centro de Documentação

No século passado, a viragem da década de 1940 para 1950 fez-se com um Sporting CP hegemónico a nível nacional e harmonioso dentro das quatro linhas, graças aos seus eternos ‘Cinco Violinos’, mas não só. Tempos áureos que culminariam em grande, precisamente, em 1953/1954.

Carlos Gomes era o dono da baliza, à sua frente Manuel Passos e Manuel Caldeira destacavam-se na defesa e Juca no meio-campo, enquanto lá na frente restavam os ‘Violinos’ Manuel Vasques e José Travassos ainda bem afinados, enquanto Albano – já trintão – estava em fim de carreira – e Jesus Correia e Fernando Peyroteo já não jogavam. Desabrochava, por seu turno, um outro avançado tão capaz na melodia do golo que acabaria por ficar conhecido como ‘Sexto Violino’: eis João Martins, homem de golos importantes, mas homem-golo acima de tudo. Nesta temporada, a melhor da sua carreira, foi responsável por 39 dos 104 totalizados pelo Sporting CP entre Campeonato e Taça, ambos os troféus que acabariam por rumar a Alvalade.

Ora, a classificação final da Liga fala por si: os Leões terminaram as 26 jornadas com 43 pontos, mais sete que o FC Porto, registando 20 vitórias (dois pontos por cada), três empates e três derrotas. O arranque, no entanto, foi longe de ser promissor rumo a um quarto título consecutivo – e sétimo em oito anos. Isto porque nas primeiras nove jornadas o Sporting CP era quinto classificado e já sofrera as suas três derrotas, nos terrenos de FC Porto (1-0), CF “Os Belenenses” (2-0) e Atlético CP (3-1), além de um empate na Covilhã (2-2). Só que foi daí em diante, e sobretudo em casa, no Stadium de Lisboa já renomeado Estádio José Alvalade – o primeiro com essa denominação –, que a ambição do ‘Tetra’ teve pernas para andar e encontrar o melhor caminho. Em 1953/1954, o Sporting CP venceu todas e cada uma das suas 13 jornadas em casa, às quais juntou mais duas vitórias caseiras consecutivas na Taça de Portugal: 15, uma série triunfal às ordens de Joseph Szabo que se tornou recorde até que a equipa liderada por Mário Lino em

1973/1974 e a actual de Rui Borges chegassem às 16.

Assim, tudo começou a mudar a partir da décima jornada, aquando do último jogo no ano de 1953. A imparável equipa verde e branca bateu o Clube Oriental de Lisboa (2-1) e seguidamente o Vitória SC (1-5) e o FC Barreirense (2-0) e foi à Luz e a Coimbra superar, de forma consecutiva, o SL Benfica e a Académica por 0-2 – ‘bis’ de João Martins em casa do rival encarnado, ‘bis’ de Travassos no reduto dos

estudantes. De Coimbra, o Sporting CP já saiu com a liderança isolada, que nunca mais largou, embora disputada de forma acesa com os azuis do Restelo e os azuis e brancos da Invicta, sendo que estes últimos foram as ‘vítimas’ seguintes. No clássico, resolvido na primeira parte, Travassos adiantou os Leões, José Maria respondeu de penálti para os dragões, mas o outro ‘Violino’, Vasques, sentenciou o 2-1 final logo à meia hora.

A verdade é que entre a décima ronda e a 23.ª,

quando o título ficou selado matematicamente, o emblema de Alvalade mostrou a sua força e só perdeu pontos uma vez: foi na 17.ª ronda, em Évora, diante do Lusitano GC (3-3), que na primeira volta até goleara por 9-0. Depois desse empate, ‘arrepiou-se’ caminho para mais sete triunfos seguidos e João Martins – melhor marcador da prova - não faltou ao seu encontro com o golo em nenhum: um, ‘bis’, um, um, cinco (!), ‘bis’, ‘bis’.

Até então, nunca se vira um Tetracampeão em Portugal, mas o Sporting CP fez mesmo História a 25 de Abril. Curiosamente, foi fora de casa, mas bem perto, que garantiu a conquista do título, a três jornadas do fim, em casa do Clube Oriental de Lisboa (2-4), com golos de Travassos, Martins (dois) e Vasques – uma constante.

Já na consagração, em casa, os Leões voltaram a aplicar ‘chapa cinco’ ao Vitória SC (5-0), e depois ainda empataram com o FC Barreirense (1-1), mas fecharam o Campeonato com chave de ouro: reviravolta sobre o SL Benfica (3-2), ‘aquecendo motores’ para os dérbis da Taça de Portugal.

Só uma vez, em 1940/1941, é que o Sporting CP fizera a ‘dobradinha’ e a prova-rainha já escapava há quatro edições – todas vencidas pelo SL Benfica –, mas os comandados de Joseph Szabo voltaram a engrandecer a sua História. E que caminhada! Tudo começou frente aos encarnados nos ‘oitavos’, onde só com recurso a um terceiro jogo (4-2) se conseguiu a passagem, seguindo-se o FC Porto. E se no reduto verde e branco ninguém saiu por cima (1-1), nas Antas os Leões – com ‘sete vidas’ na prova – não deram hipóteses graças a dois golos de Albano e outros tantos de Martins (2-4). Mais árdua ainda foi a eliminatória com o CF “Os Belenenses” de Matateu, que foi a Alvalade vencer por 2-4 na primeira mão, mas acabou arrasado (0-6) nas Salésias para que o Sporting CP se catapultasse para a final, também emocionante. Na decisão, o Vitória FC recuperou dos golos madrugadores de João Martins e Fernando Mendonça para chegar ao 2-2 antes do intervalo, só que na segunda parte Mendonça voltou a ‘facturar’. Foi o golo Leonino número 104 da temporada, um tento que fez toda a diferença e colocou a Taça nas mãos de Travassos, finalmente.

‘Dobradinha’ consumou-se graças ao golo número 104 da temporada

“QUALQUER JOGO É UM SONHO REALIZADO POR ESTAR A REPRESENTAR O SPORTING CP”

GENY CATAMO TROCOU MOÇAMBIQUE POR PORTUGAL EM 2018/2019, VESTINDO A CAMISOLA DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL DESDE A TEMPORADA SEGUINTE. PASSOU PELOS SUB-19, SUB-23 E EQUIPA B ATÉ SE ESTREAR PELOS SENIORES EM 2021, TENDO-SE AFIRMADO NO PLANTEL EM 2023/2024, DEPOIS DE DOIS EMPRÉSTIMOS. NÃO MAIS PAROU: SOMA 125 JOGOS, 21 GOLOS (ALGUNS ÉPICOS E MEMORÁVEIS), DUAS LIGAS PORTUGAL E UMA TAÇA DE PORTUGAL. AOS 25 ANOS, ATRAVESSA O MELHOR MOMENTO DA CARREIRA E CONCEDEU UMA ENTREVISTA AO JORNAL SPORTING EM QUE NÃO ESCONDEU O ENORME CARINHO QUE SENTE PELO CLUBE E EM QUE LANÇOU O QUE RESTA DE 2025/2026. “ACREDITAMOS QUE O CAMPEONATO AINDA NÃO ACABOU E QUE VAMOS CONSEGUIR DAR A VOLTA”, GARANTIU.

Texto: Luís Santos Castelo | Fotografia: João Pedro

Morais, José Lorvão

O final da época e as decisões aproximam se cada vez mais. Como está a equipa nesta fase?

A equipa está sempre motivada. Temos noção de que a última fase do campeonato é a mais difícil porque há equipas a lutar pela manutenção e outras a lutar pelo campeonato, como nós. Estamos numa posição que não merecemos e sabemos isso porque o nosso potencial é muito elevado. Acreditamos que o campeonato ainda não acabou e que vamos conseguir dar a volta.

Tem sido um ano desgastante, com muitos jogos de eleva da dificuldade. O grupo continua ‘ligado’, como Rui Borges costuma dizer?

Sim. O grupo continua sempre ligado e focado nos objectivos. Vamos ter um mês muito intenso e temos de nos preparar bem tanto fisicamente como psicologicamente para enfrentar as equipas que aí vêm. É um mês muito importante para as decisões na UEFA Champions League, na Taça de Portugal e na Liga Portugal.

Em Portugal, o Sporting CP está na luta pelo título e em vantagem nas meias-finais da Taça de Portugal. Os objec tivos estão bem intactos?

Sim, sim. Temos noção do potencial do nosso grupo e da nossa união. Sabemos que é possível ter bons resultados nos jogos que vamos ter, que não vão ser fáceis.

“[NA SEGUNDA MÃO CONTRA O FK BODØ/GLIMT] SENTI NA PELE E NO SANGUE O QUE É SER SPORTINGUISTA”

Na UEFA Champions League, fez se História ao chegar aos quartos-de-final. A eliminatória com o FK Bodø/Glimt foi uma montanha russa de emoções…

Foi muita emoção e deu para perceber pela minha expressão. Chorei pelo ambiente, por tudo o que estava a acontecer no estádio, pelos adeptos, pela nossa união, pelo trabalho intenso que tivemos para preparar o jogo. Depois do primeiro jogo em Bodø, saímos de lá com a cabeça meio baixa, mas também erguida porque sabíamos que tínhamos potencial para dar a volta. Durante a semana, tivemos um óptimo trabalho para conseguirmos dar a volta. Foi uma noite incrível, assim como o apoio dos adeptos. Senti na pele e no sangue o que é, realmente, ser Sportinguista.

Depois da primeira-mão, seria normal para muitas equi‑ pas perder confiança, mas no vosso caso foi ao contrário. Como se explica?

O míster já disse que a única equipa que conseguiria dar a volta éramos nós e provámos isso durante a semana. A vontade não foi abaixo, foi três vezes mais. Em casa somos muito mais fortes juntamente com todos os Sportinguistas. Conseguimos fazer uma grande história.

A fase de liga foi muito boa e contou com alguns jogos me moráveis. Qual foi o melhor?

[Pensativo] O primeiro jogo [vitória por 4-1 contra os cazaques do FC Kairat] é sempre especial, mas com o Paris SaintGermain foi ainda mais por ser um grande jogo e por termos feito história.

Alguma vez imaginou estar entre as oito melhores equipas da Europa?

Desde que entrei no Sporting CP que esse sonho começou. O Sporting CP é uma grande equipa que luta pelos seus objectivos. Com os grandes jogadores que tem, há sempre a vontade e a esperança de chegar aqui.

O próximo adversário é o Arsenal FC, uma grande equipa que defrontou na temporada passada. O que espera des

ses dois jogos?

Sabemos o quão forte é o Arsenal FC, tem grandes jogadores, mas também temos uma palavra a dizer. Temos grande potencial e união. Vamos lutar até ao fim.

“ARSENAL FC? TAMBÉM TEMOS

UMA PALAVRA A DIZER. VAMOS

LUTAR ATÉ AO FIM”

A frase “jogo a jogo” nunca fez mais sentido? Jogo a jogo, semana a semana. Agora temos o CD Santa Clara e na semana do Arsenal FC estaremos focados no Arsenal FC. Acredito que será uma semana intensa, como esta está a ser. Estaremos lado a lado em cada jogo, todos juntos.

Esta já é, no que a golos marcados diz respeito (oito), a melhor temporada da sua carreira, tendo conseguido al guns de belo efeito. Sente que evoluiu e que está cada vez melhor?

Sim. Faço as minhas próprias análises, vejo os meus jogos e tento sempre melhorar treino a treino e jogo a jogo. Fico orgulhoso porque tenho melhorado ano após ano. Tento sempre dar o meu máximo e melhorar no que sou mais e menos forte para ajudar a equipa.

Aquele golo contra o Moreirense FC, recentemente, foi – a nível técnico – o melhor da sua carreira?

Foi perfeito, até pela jogada em si. Foi um momento de inspiração que teve, também, um pouco de feedback do staff. Nos treinos, trabalho muito os remates. Sei que sou mais forte na batida mais fechada e tenho um pouco de dificuldade na batida mais aberta, mas tenho melhorado nesse ponto.

Estreou-se na equipa principal com Ruben Amorim e con tinuou a ser aposta com Rui Borges. Tem uma boa relação com as equipas técnicas?

Sim. É bom ter essa relação, não só com o staff técnico como com toda a Direcção do Sporting CP. Acredito que nunca deixei uma má imagem. Gosto muito de sorrir.

Como reage quando é elogiado em público pelos treinadores?

É sempre bom ouvir elogios de pessoas com quem partilhamos o dia-a-dia. A melhor forma de agradecer é continuar a trabalhar nos meus pontos menos fortes.

É natural de Moçambique, onde cresceu e viveu até aos 18 anos. Do que tem mais saudades do seu país?

[Pensativo] Um pouco de tudo. A família, em primeiro lugar, os amigos, o ambiente, a cultura.

“FOI

DIFÍCIL [MUDAR-ME PARA PORTUGAL VINDO DE MOÇAMBIQUE].

CHEGUEI NO INVERNO, ESTAVA MUITO FRIO E NÃO ESTAVA HABITUADO”

Chegou a Portugal em 2018/2019 para representar o Amora FC. Como foram esses tempos?

No início, foi difícil. Tive de me adaptar, primeiro, à alimentação e à temperatura. Cheguei no Inverno, estava muito frio e não estava habituado. Tive de me enquadrar muito rápido. Treinava de manhã com os seniores e com os juniores à noite, quando estava muito frio. Já estávamos a meio da época e eu queria acabar bem. >>

Geny Catamo respondeu às perguntas do Jornal Sporting na Academia Cristiano Ronaldo

>> No ano seguinte, passou a vestir a camisola do Sporting CP. Pensava que o ‘salto’ seria dado tão rapidamente?

Confiava e confio no meu potencial e acreditava que ia dar um salto desse tamanho. Tenho pessoas à minha volta que me acompanham desde sempre e que me motivam muito. Nunca baixei a cabeça e pensei que sou fraco, pensei sempre em dar passos em frente e é isso que tenho feito.

Viveu na Academia Cristiano Ronaldo. Gostou da expe riência?

Foi um momento incrível partilhar a Academia com os jogadores da formação. Acredito que aproveitei ao máximo porque notei uma evolução alta em mim tanto psicologicamente como fisicamente. A preparação é diferente entre Moçambique, Amora FC e Sporting CP. Foi tudo muito rápido e tinha de me preparar para o futuro. (…) As pessoas do Sporting CP ajudaram-me bastante a chegar aqui e agradeço a todos.

Integrou a equipa sub-19, onde jogou ao lado de Gonçalo Inácio, Diego Callai, Tiago Tomás ou Nuno Mendes, entre outros. Como foi crescer com eles e vê-los, também, ter sucesso no futebol profissional?

Sinto-me feliz e orgulhoso por ter feito parte da caminhada deles. Somos amigos desde aí e sempre lhes desejei muita sorte. Quando joguei contra o Nuno [Mendes], que está no Paris Saint-Germain, falámos ao longo de toda a semana e combinámos trocar a camisola. Falo também com o Tiago Tomás. Criámos uma amizade incrível até hoje.

Em Setembro de 2020, quando assinou contrato profis sional com o Sporting CP, garantiu estar “muito feliz e or gulhoso” e revelou ter o sonho de “jogar no Estádio José

Alvalade”. Acreditava muito que ia atingir esse objectivo? Sonhar, todos sonhávamos, mas o que é mais difícil é ter a consistência de continuar a trabalhar e acreditar. Sempre tive isso no início, sempre acreditei em mim e tive fé que algum dia ia aparecer alguma oportunidade. O Sporting CP deu-me isso e eu soube aproveitar.

“ESTREIA PELA EQUIPA PRINCIPAL EM 2021? QUANDO FUI CHAMADO PARA AQUECER E ENTREI, FOI INCRÍVEL. O PRÓPRIO PAULINHO FALOU COMIGO E DISSE PARA DESFRUTAR DO JOGO”

Depois de jogar pelos sub-19, sub-23 e equipa B, estreou‑ -se pela equipa principal numa vitória por 3-2 sobre o Portimonense SC em Dezembro de 2021. Como foi esse dia?

Antes do jogo começar, o míster Adélio [Cândido, antigo treinador-adjunto] disse-me que era possível que eu me estreasse naquela noite. Já tinha sido convocado em vários jogos sem entrar, mas o míster Adélio, naquela noite, falou comigo e fiquei logo tenso. Quando fui chamado para aquecer e entrei, foi incrível. O próprio Paulinho falou comigo e disse para desfrutar do jogo quando ainda estávamos a perder. Dito e feito. Demos a volta e ganhámos. Foi uma noite incrível.

Seguiram se os empréstimos a Vitória SC e CS Marítimo e, em 2023/2024, passou a integrar a equipa principal do Sporting CP de forma definitiva. O que mudou nesse período?

Sou uma pessoa que gosta de aprender muito. No meu empréstimo ao Vitória SC, aprendi muito com a experiência de alguns jogadores até porque era a minha primeira vez num balneário de jogadores seniores de primeira divisão. Tive algum azar com as mudanças que estavam a acontecer no clube e tive de aproveitar as oportunidades que tive. No empréstimo ao CS Marítimo, também tive algum azar, mas com as lesões. Passei quase a época inteira com queixas e o CS Marítimo ajudou-me, principalmente em termos psicológicos, assim como algumas pessoas da Direcção do Sporting CP. Aconselharam-me a trazer a minha mulher para Portugal e, a partir daí, tudo mudou. Quando ela chegou, marquei logo golo e consegui terminar vários jogos seguidos. Espero que ela leia esta parte [risos]. Passava dias tristes na Madeira, mas percebi que há pessoas que me querem ajudar e ver bem.

“[QUANDO MARQUEI O GOLO DA VITÓRIA CONTRA O SL BENFICA EM 2023/2024] SENTI-ME UM LEÃO FEROZ”

Voltou ao Sporting CP e integrou a equipa principal de forma definitiva. Foi ganhando cada vez mais confiança e importância até ao épico dérbi com o SL Benfica em que apontou dois golos, um no início e outro no fim, cruciais para a conquista do título. Recorde-nos esse jogo do seu ponto de vista.

Primeiro, foi uma semana intensa, como acontece sempre antes de dérbis ou clássicos. Preparámos o jogo da melhor forma possível para conseguirmos a vitória. É sempre especial jogar contra grandes equipas e todo o grupo fica concentrado e focado no que temos de fazer. É ganhar ou ganhar. No meu caso, fico um pouco tenso, mas quando isso acontece é bom porque já estou dentro do jogo. Não imaginava marcar dois golos e dar a vitória ao Sporting CP. Não consigo explicar bem o primeiro golo, que foi logo no primeiro minuto. O segundo foi no final quando estávamos à procura do golo da vitória e senti-me um Leão feroz. Fiquei muito orgulhoso de mim e de toda a equipa, que se sacrificou até ao fim para conseguir a vitória, que foi importante e ajudou na conquista do campeonato.

Pouco depois, confirmou-se a conquista da Liga, a sua primeira. Qual foi o primeiro pensamento que teve depois de vencer o campeonato?

Estávamos confiantes de que seríamos Campeões naquela noite. Foi incrível, todos sentimos a mesma coisa. Se não fosse naquele dia, seria no jogo seguinte porque estávamos num ritmo muito forte. Foi lindo e estávamos com as nossas famílias a comemorar o campeonato. Senti-me orgulhoso por ter feito parte desta conquista.

Recebeu muitas mensagens e vídeos de Moçambique, onde os títulos do Sporting CP também são muito celebrados?

Recebi muitas mensagens e vídeos, tanto da minha família como de todos os Núcleos do Sporting CP em Moçambique. Não dá para descrever, foi incrível.

“TÍNHAMOS DE NOS RECOMPOR E FIZEMO-LO DE FORMA A CONQUISTAR O BICAMPEONATO E A DOBRADINHA”

2024/2025 acabou por ser uma temporada com obstácu los pelo meio, como as mudanças de equipas técnicas ou as várias lesões. Como conseguiram continuar fortes e não atirar a toalha ao chão?

Foi uma época com mistura de emoções. Tínhamos noção de que estávamos a passar por momentos difíceis e

a única coisa a fazer era manter a nossa união e a nossa bolha para continuar a fazer o nosso caminho. Os adversários estavam-se a aproximar, mas só dependíamos de nós para sermos Campeões. Tínhamos de nos recompor e fizemo-lo de forma a conquistar o Bicampeonato e a Dobradinha.

Qual dos três títulos que conquistou de Leão ao peito foi mais emocionante?

A Taça de Portugal. Na época anterior, tínhamos perdido a final e sentíamos que estava ao nosso alcance. Por isso, fomos para a final [da época passada] com o pensamento de que daquela vez não podíamos deixar passar. Para além disso, é um jogo muito bonito que cria algum nervosismo e dá mais vontade de desfrutar. Quando ganhámos, comemorámos

como se fosse o primeiro campeonato, foi incrível.

Já o vimos várias vezes emocionado em campo. Emocionase com facilidade?

Sim. Quando há um jogo incrível, sinto o jogo, sinto o ambiente, sinto o Sporting CP. Se sinto que a equipa, os adeptos, o ambiente e o Sporting CP estiveram perfeitos, emociono-me com isso. Olho para o trabalho intenso que fizemos e ver que saiu tudo bem no jogo é como se fosse um sonho realizado. Qualquer jogo é um sonho realizado por estar a representar o Sporting CP.

Qual foi o momento em que o apoio dos adeptos foi mais importante para si?

No jogo com o SL Benfica em que marquei dois golos

[2023/2024]. Nem fiz um grande jogo, mas consegui fazer dois golos que ajudaram a equipa. Na época passada, em que ganhámos 1-0, fiz um grande jogo e marquei um golo, mas no dérbi anterior senti que o apoio dos adeptos foi incrível.

O que lhes quer dizer nesta fase decisiva da temporada?

Que continuem a puxar por nós. Conseguimos sentir a energia que vem deles e precisamos dela para ir atrás da Liga, da Taça e da UEFA Champions League.

Qual a importância do Sporting CP na sua vida?

Acordo sempre com o Sporting CP no coração. Vivo o Sporting CP todos os dias, é muito importante para mim. Estou a fazer a coisa que mais amo na minha vida e a representar o Sporting CP.

PERGUNTAS RÁPIDAS

COM GENY CATAMO

Melhor jogo pelo Sporting CP?

Quando marquei o meu primeiro golo pelo Sporting CP no campeonato, contra o Boavista FC [vitória por 0-2 em 2023/2024].

Melhor estádio onde jogou (tirando Alvalade)? O do Athletic Club [San Mamés].

Golo mais bonito de Leão ao peito?

Contra o Casa Pia AC, em que o Gonçalo Inácio pica a bola para mim e foi tudo perfeito, o recente contra o Moreirense FC e o golo contra o SL Benfica com o pé direito.

Colega de equipa mais divertido?

[Risos] Sem ser eu, digo o Hidemasa Morita ou o Pedro Gonçalves.

Colega com o melhor pé direito do plantel? Pedro Gonçalves.

E pé esquerdo?

Daniel Bragança.

Colega mais rápido?

Ricardo Mangas.

Ganhar a UEFA Champions League com o Sporting CP ou a Taça das Nações Africanas com Moçambique? [Risos] Ai, ai. Os dois.

Melhor amigo que fez no Sporting CP? Todos.

Maior ídolo no futebol?

Lionel Messi, antes, mas hoje sou eu próprio.

“Acordo sempre com o Sporting CP no coração”, revelou Geny Catamo

MODALIDADES

TAÇAS DE PORTUGAL ENTREGUES AO MUSEU SPORTING

AS EQUIPAS DE BASQUETEBOL E VOLEIBOL FORAM AS PROTAGONISTAS DAS MAIS RECENTES CONQUISTAS DO CLUBE E, JUNTAS, ACTUALIZARAM O PALMARÉS DO CLUBE, COLOCANDO AS DUAS TAÇAS DE PORTUGAL NO SEU DEVIDO LUGAR. APÓS A ENTREGA, AMBAS AS MODALIDADES PARTILHARAM, TAMBÉM, A VONTADE DE VOLTAR AO MUSEU ATÉ AO FIM DA TEMPORADA.

Texto: Xavier Costa

Fotografia: João Pedro Morais

O rico palmarés verde e branco continua a crescer a olhos vistos. As equipas masculinas de voleibol e basquetebol do Sporting CP entregaram, na segunda-feira, as suas Taças de Portugal ao Museu Sporting. Ambas foram vencidas em Albufeira e, agora, após uma cerimónia conjunta entre modalidades, são as principais novidades da vasta galeria de títulos. O presidente Frederico Varandas, acompanhado por Miguel Afonso, também membro do Conselho Directivo, esteve presente e depois de dedicar algumas palavras aos dois plantéis juntou-se aos capitães Diogo Ventura e Tiago Pereira e aos treinadores Luís Magalhães e João Coelho para expor cada um dos troféus na devida vitrine. Ambas as modalidades foram brindadas, também, com um vídeo que recordou e assinalou as respectivas conquistas: a nona Taça de Portugal em basquetebol e a sexta em voleibol.

UM REGRESSO DESEJADO…

No caso do basquetebol, significou também o regresso aos títulos mais de três anos depois, por isso, Diogo Ventura realçou o “sentimento de orgulho e muita responsabilidade” por voltar ao Museu Sporting pela melhor das razões.

“Estou muito feliz por estar aqui. Já não vínhamos há algum tempo e esperamos poder vir ainda mais vezes. Vou ser honesto, no início da época, quando vieram entregar aqui as quatro Supertaças em conjunto [futsal, voleibol, hóquei em patins e andebol], ficou ali uma inveja no bom sentido. Nós não disputamos a Supertaça, mas já conseguimos o primeiro troféu que era possível conquistar”, apontou, valorizando ainda o facto de estarem acompanhados pelo voleibol.

“O voleibol batalha connosco diariamente. Como o presidente nos

disse há pouco, o Sporting CP é uma família, não há igual e nós, no Pavilhão João Rocha, entre modalidades, somos uma família”, realçou o basquetebolista, antes de recordar o trajecto “difícil” feito até à conquista e a evolução notória da equipa construída praticamente do zero no início da época.

“Acreditámos desde o início que poderíamos conquistar troféus e a Taça é um dos mais marcantes do desporto nacional. Tivemos dois jogos fora, um deles em Ovar e depois de uma viagem dificílima à Eslováquia. Depois, calhou-nos a meia-final teoricamente mais difícil, contra uma UD Oliveirense sempre forte e experiente e na final, um clássico, tivemos de dar o nosso máximo e as coisas sorriram para nós”, resumiu Diogo Ventura.

“Temos um grupo espectacular, um balneário que ganha jogos e, acima de tudo, com jogadores que enten-

dem o clube que representam e isso é um passo gigante para o sucesso”, acrescentou o internacional português, garantindo também que, agora, o foco está em “trabalhar para cá voltar”. No horizonte dos Leões de Luís Magalhães está a Taça Hugo dos Santos, onde têm presença assegurada na final four, e a Liga, prestes a fechar a sua fase regular rumo aos decisivos play-offs

…E O DUPLO COMPROMISSO POR MAIS

Uma ambição partilhada pelos comandados de João Coelho, que têm sido assíduos nas visitas ao Museu Sporting e esta época já juntaram a Taça de Portugal à Supertaça, além de serem os actuais Campeões Nacionais.

“Estamos muito felizes com esta conquista. É sinal de que o trabalho tem estado a ser bem feito nos últimos anos. Estamos contentes com mais um, mas a época ainda não acabou e queremos cá voltar”, reconheceu Tiago Pereira, já de olhos postos no próximo grande objectivo: “Poder fazer o ‘triplete’ só nos traz mais motivação”.

Já sobre a Taça de Portugal trazida do Algarve, e que os Leões não venciam desde 2023/2024, o zona 4 e capitão realçou “o grande espectáculo” proporcionado na final com o SL Benfica. “Podia ter caído para qualquer um dos lados. Acho que tivemos um bocadinho de sorte, mas resiliência e crença também e no fim fomos felizes”, recordou.

O experiente voleibolista realçou, ainda, a importância de momentos como esta entrega ao Museu

para sentir “a dimensão do clube”. “Temos sido bem-sucedidos e cada vez que vimos aqui ou ao estádio, os atletas estrangeiros, principalmente, sentem mais o que é representar este clube. Aqui sentimos a dimensão do clube que representamos a nível de troféus, enquanto no estádio temos o carinho especial da massa associativa”, enalteceu Tiago Pereira, deixando um novo apelo aos adeptos para a recta final da temporada. “Façam-se sentir nas finais dos play-offs [da Liga]. Queremos muito o ‘triplete’ e convosco fica muito mais fácil”, atirou, por fim. Assim, as duas mais recentes conquistas Leoninas já fazem parte do palmarés no Museu Sporting, mas fica também o compromisso de que tudo será feito para que ainda tenha de ser novamente actualizado até ao final de 2025/2026.

Duas equipas unidas pelo Leão ao peito e a ambição de vencer

Se é importante para ti, é importante para

“MUITO FELIZ COM OS DOIS TROFÉUS, MAS NÃO CHEGA”

NO ÚLTIMO VERÃO, O DISTRIBUIDOR SERGEY GRANKIN REGRESSOU AO ACTIVO PARA REFORÇAR A EQUIPA MASCULINA DE VOLEIBOL DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, PASSANDO A SER UM DOS MAIS IMPORTANTES NOMES QUE JÁ PISOU AS QUADRAS PORTUGUESAS. HOJE, COM 41 ANOS, O CAMPEÃO OLÍMPICO (LONDRES 2012) RUSSO

JÁ CONQUISTOU A SUPERTAÇA E A TAÇA DE PORTUGAL DE LEÃO AO PEITO, ASSEGUROU AO JORNAL SPORTING QUE QUER MAIS, REJEITANDO ESPECIAL PROTAGONISMO: “NÃO QUERO SER NENHUMA ESTRELA. QUERO ESTAR COM A EQUIPA”.

Texto: Luís Santos Castelo Fotografia: João Pedro Morais

Sete meses após a sua chegada ao Sporting CP, como está?

Ainda a aproveitar o tempo, mas com diferenças. Quando cheguei, vim para uma boa equipa, mas ainda não tinha re-

lação com os colegas. Agora tenho uma relação muito boa com todos, não consigo dizer mal de ninguém. Estou feliz e a aproveitar.

“ESTOU FELIZ E A APROVEITAR”

Já conquistou dois títulos com o Sporting CP, a Supertaça e a Taça de Portugal. Como foi ter esse sucesso tão cedo? Ganhar é sempre um sentimento muito bom. Quando vou para alguma equipa, um dos meus objectivos é tentar vencer tudo e aqui foi igual. Fico muito feliz por termos ganho esses dois troféus, mas não chega. Temos de acabar a temporada.

Na Liga, o Sporting CP terminou a fase regular no primeiro

lugar e está, agora, nas meias-finais dos play-offs. Sente a equipa preparada para voltar a vencer o campeonato?

Estamos prontos, claro, mas todos temos de perceber que a bola é redonda e tudo pode acontecer. No entanto, estamos preparados, claro, e trabalhámos muito para atingir esse objectivo.

Como tem vivido os dérbis com o SL Benfica?

As batalhas entre Sporting CP e SL Benfica não são habituais, é muito estranho para mim. Mesmo que não estejamos tão bem, quando entramos em campo e começamos a jogar, ficamos muito entusiasmados e temos muita energia. São os jogos mais importantes da temporada.

“NOS

ÚLTIMOS DOIS JOGOS DA FASE DE GRUPOS [DA CEV CHAMPIONS LEAGUE], A EQUIPA ESTAVA IMPARÁVEL”

Voltou à CEV Champions League esta temporada, assim como o Sporting CP. Como foi regressar a uma competição que conhece tão bem?

Não joguei na CEV Champions League durante muito tempo, tal como o Sporting CP, e não foi fácil adaptar-me a este voleibol. O campeonato português não é o mais competitivo e os primeiros jogos na CEV Champions League não foram fáceis. Depois, começámos a adaptar-nos mais e a atingir o nível necessário. Jogámos bem, mas não foi suficiente [para seguir em frente]. (…) Nos últimos dois jogos da fase de grupos, a equipa estava imparável. Todos estavam em forma e apresentámos um grande voleibol.

Depois de muitos anos de carreira e de tantos feitos con seguidos, ainda tem alegria a jogar voleibol?

Sim, claro. Os jogos difíceis são os mais interessantes, têm grandes momentos. Ainda tenho motivação, especialmente para esses jogos.

Quando chegou ao Sporting CP, disse que ficou agrada do com a “grande organização” que encontrou devido às diferentes equipas e modalidades. O que o surpreendeu mais no Clube?

O staff. São pessoas muito profissionais que amam o seu trabalho. Tornam tudo especial para mim e para os restantes jogadores. Só posso agradecer.

Com quem se dá melhor no balneário?

Não consigo dizer um ou outro. Claro, tenho alguns com quem falo mais, mas são todos muito amigáveis.

Qual a sua opinião sobre João Coelho?

Ele ‘sente’ muito bem a equipa. Vejo-o na forma como gere a equipa, como define os horários para treinar, para recuperar. É muito bom.

É um jogador muito experiente que jogou e venceu nos maiores palcos da modalidade. Que futuro vê para o volei‑ bol do Sporting CP?

Temos de querer sempre crescer e melhorar. Podemos dar um passo em frente cada dia, cada semana, cada mês. Claro que precisamos de tempo para sermos mais fortes na CEV Champions League, que é o objectivo do Clube. Não é fácil, mas é possível ser mais forte.

É um dos maiores nomes que já jogou no Sporting CP e na CEV Champions League. Sente essa responsabilidade ou não dá importância?

Não sei, sou uma pessoa tranquila. Estou aberto a todos e não sinto qualquer pressão. Todos são amáveis comigo e não quero ser nenhuma estrela. Quero estar com a equipa.

É a sua segunda experiência fora da Rússia. Está a gostar de Lisboa?

Já tinha estado em Lisboa quando joguei contra o SL Benfica ao serviço do Berlin Recycling Volleys [Alemanha]. Na altura, estive alguns dias aqui e gostei muito da cidade. Quando tive a oportunidade de vir para o Sporting CP, nem pensei muito tempo. Decidi vir porque tinha gostado muito.

Quais são as maiores diferenças entre Lisboa, Berlim e Moscovo?

O tempo [risos]. Em qualquer cidade onde vivo e clube em que jogo, dou o meu melhor, faço amigos, dou-me bem com todos. É a vida, temos de criar relações. Independentemente do local e das diferenças, passo bons momentos.

Já disse que trazer a sua família foi muito importante para reforçar o Sporting CP. Estão todos felizes em Portugal? Estão a gostar muito. Os nossos filhos estão sempre na rua, é muito calmo e temos boas pessoas à nossa volta. Estamos a aproveitar juntos.

Tem 41 anos. Quais são os maiores desafios de jogar ao mais alto nível?

Estar em boa forma física [risos]. É o mais importante para mim.

Foi treinador na última temporada, tendo comandado o VC Yaroslavich na subida do segundo escalão para a prin cipal liga da Rússia. Foi uma primeira experiência muito boa do ponto de vista desportivo. É uma carreira que quer continuar?

Antes, quando dava entrevistas, dizia sempre que não ia ser treinador, mas gostei muito quando fui. Vamos ver no futuro,

quando deixar de jogar.

A sua situação é semelhante à de Özge Kırdar Kinasts [da equipa feminina de voleibol]. São ambos distribuidores, nascidos em 1985, oriundos de países com tradição no voleibol e que tinham interrompido a carreira antes de chegarem ao Sporting CP. Já falou com ela sobre esses percursos semelhantes?

Conheço-a, claro, e já falámos sobre isso, até porque não é fácil fazer o que fizemos. Conheço a história dela, é uma grande jogadora.

Acompanha outras modalidades do Sporting CP?

Quero ir a um jogo de futebol, vou tentar ir à recepção ao Arsenal FC. No futsal, já conversei com o Ivan Chishkala, também russo. Não vejo muito outras modalidades, só às vezes.

Os dois troféus que conquistou pelo Sporting CP não fo ram no Pavilhão João Rocha. Gostava de vencer a Liga em casa, perante os Sportinguistas?

Sim, claro. Ganhar em casa é bom para todos, mas vamos ver. Pode ser mais um objectivo para nós.

“COMECEI

A SENTIR CADA VEZ MAIS A PRESENÇA DOS ADEPTOS”

Que mensagem tem para os Sportinguistas?

Comecei a sentir cada vez mais a presença deles, especialmente a partir dos jogos para a CEV Champions League em casa. Que continuem a vir aos nossos jogos porque queremos vencer juntos.

“Não é fácil, mas é possível ser mais forte na CEV Champions League”, disse o experiente craque ao Jornal Sporting

MODALIDADES BASQUETEBOL

LEÕES IMPLACÁVEIS NO REGRESSO À LIGA

SPORTING CP VENCEU CP ESGUEIRA POR 95-79, COM MUITO BOM SENTIDO COLECTIVO.

Texto: Nuno Miguel Simas

Fotografia: José Lorvão

A equipa de basquetebol do Sporting CP venceu o CP Esgueira na jornada 18 da Liga, por 95-79, no quarto triunfo consecutivo dos Leões na Liga e o nono triunfo encadeado do conjunto de Luís Magalhães em todas as competições. Um triunfo alcançado com selo de qualidade defensiva digno de todos os elogios por parte da formação Leonina.

Até ao intervalo, o Sporting CP havia provocado dez perdas de bola sem lançamento à equipa do distrito de Aveiro, que era a que menos turn-overs tinha em média na Liga, com 12, até então.

Ou seja, em 20 minutos, o Sporting CP conseguiu provocar quase tantas perdas de bola ao CP Esgueira como esta tinha até à jornada 18. E ainda faltava toda a segunda parte para jogar.

A máxima de que o melhor ataque pode ser a defesa ficava bem impressa como uma enorme virtude da vantagem Leonina conseguida nos dois primeiros quartos e que por mais de uma vez teve vantagens de 20 pontos conseguidas pela formação Sportinguista.

O Sporting CP inaugurou o marcador com um triplo de Claude Robinson, mas empates a cinco e depois a oito pontos reflectiam um início equilibrado, com o Sporting CP a acertar mais triplos e a dobrar a pontuação do CP Esgueira (16-8), com cerca de

95 79

27-10, 23-23, 21-23 e 24-23

Sporting CP: Brandon Johns

Razaque, Maleeck Harden-

metade do primeiro quarto jogado, na primeira descolagem no marcador do conjunto de Luís Magalhães.

Um afundanço de Brandon Johns Jr. antecedeu o primeiro time-out pedido pela equipa visitante, com 4’41 para jogar dos primeiros dez minutos e o resultado em 18-8.

Chegou, então, a altura de Brandon Johns Jr. fazer sete pontos consecutivos, com os Leões a assentarem por essa altura o maior número de acções de lançamento nas zonas mais próximas do cesto.   27-10 era o resultado no final dos primeiros dez minutos, um grande registo defensivo dos Leões à média de um ponto sofrido por minuto.

O segundo quarto abriu com um triplo de Stephan Swenson, seguido de dois pontos de Rui Palhares na área restritiva. O Sporting CP alternava jogo interior e jogo exterior, com o poste Rui Palhares a anotar sete pontos consecutivos.

Os Leões defendiam bastante bem, provocavam perdas de bola sem lançamento ao CP Esgueira e jogavam em contra-ataques para finalizações relativamente fáceis, com João Fernandes a ‘forçar’ excelentes situações defensivas de um contra dois.

O extremo deu um recital por essa altura na arte de bem defender e arrancou muitos aplausos nas bancadas, até com roubos de boa providenciais seguidos de assistência.

40-14 era o resultado com 6’12 para o intervalo, ou seja, com menos de metade dos segundos dez minutos jogados.

O CP Esgueira com dois triplos consecutivos, reduziu para 42-26, numa fase de menor acerto ofensivo dos Leões, mas o compromisso defensivo voltou a evidenciar-se para deixar uma diferença de 20 pontos (4828), a menos de dois minutos para o intervalo.

50-33 era o resultado ao intervalo.

Os terceiros dez minutos começaram com um vistoso triplo de Hugo Ferreira e depois com dois pontos de Delvin Barstable. Foi da linha de lance livre, por Brandon Johns Jr.,

Brandon Johns Jr. foi o melhor marcador do Sporting CP frente ao CP Esgueira, com 23 pontos

que o Sporting CP abriu o marcador no terceiro quarto.

Os terceiros dez minutos foram mais físicos, com a equipa do CP Esgueira a reduzir as perdas de bola sem lançamento e a ser mais profunda nas trocas defensivas, mas a não travar dois triplos consecutivos de Malik Morgan.

A vantagem Leonina continuava a ser inquestionável e cifrava-se nos 7156, com Brandon Johns Jr. a dominar na zona interior e a ‘coleccionar’ pontos para a formação Sportinguista.

O último quarto começou com um parcial de 6-0 do Sporting CP (triplo de Morgan e cesto e falta a seguir de Harden-Hayes), com Morgan a conseguir mais um triplo.

Os Leões encaravam bem a defesa zona da equipa do CP Esgueira e subiam muito a eficácia nos triplos, com os esquerdinos Morgan e Swenson a mostrarem-se ‘às direitas’ na longa distância.

A vantagem de 20 pontos (86-66), com cerca de metade do último quarto jogado, através de um triplo de Malik Morgan, já encomendava o destino do triunfo para o lado do Sporting CP, que com 3’52 para o final atingia os 90 pontos.

Os movimentos de bom espectáculo apareciam dos dois lados do campo, com Barnstable do lado do CP Esgueira a marcar depois de passar por debaixo do cesto, Deairlus a fazer um triplo para os visitantes e Miguel Correia a fazer uma boa entrada para o cesto com dois pontos do lado Leonino.

O jogo terminou com vitória do Sporting CP por 95-79, em mais uma boa exibição da formação Leonina,

que assim superou a formação do CP Esgueira, com quem havia perdido na primeira volta.

IVAN KOSTOURKOV: “GANHÁMOS O JOGO PORQUE GANHÁMOS 24

RESSALTOS NA TABELA DELES”

Após o triunfo, o técnico-adjunto da formação Leonina, Ivan Kostourkov, fez a análise da partida aos meios de comunicação do Clube. “Nesta altura da época decidem-se coisas que podem não parecer importantes, mas que por outro lado são extremamente importantes. Por exemplo, em que lugar vamos ficar antes do início do play-off. Não podemos arriscar perder jogos neste momento, porque o FC Porto está atrás de nós e ganhando os jogos ‘metemos’ pressão em cima do SL Benfica para ver se conseguimos chegar a esse lugar. Não depende só de nós, se o SL Benfica não perder nenhum jogo. Vamos ter agora o mês longo de Abril, onde só vamos jogar para a Liga e no início de Maio vai jogar-se outra prova muito importante, a Taça da Liga e tudo isto está em jogo”, frisou o técnico.

Ivan Kostourkov atribuiu grande importância à supremacia Leonina nos ressaltos em relação ao adversário: “Hoje acho que foi um festival de basquetebol ofensivo, foram marcados 24 triplos. Ganhámos o jogo porque ganhámos 24 ressaltos na tabela deles, que nos deu mais 13 posses de bola em comparação com o CP Esgueira, mas ver este basquetebol é muito bonito. Nós quando defendemos, nos primeiros 15 minutos, a diferença esteve acima de 20 pontos, mas depois relaxámos um pouco. É natural, estes jogadores já têm muitos jogos nas pernas, já começam a gerir o esforço”.

As acções defensivas e a capacidade de forçar vários turn-overs ao CP Esgueira foram sublinhadas. “Tentámos ser agressivos, trabalhámos e a estratégia era tentar que os dois jogadores que mais gerem a posse de bola na equipa deles não ‘estivessem’ no jogo. O CP Esgueira joga small-ball, ou seja, com muita mobilidade em todas as posições e são extremamente perigosos, hoje marcaram 13 triplos e isso não é todos os dias, na semana passada ganharam à UD Oliveirense, em casa e não é uma equipa qualquer”, referiu o técnico, que aponta à intenção de segurar o segundo lugar e ‘pisca o olho’ ao primeiro.

29.03.2026
Liga – Fase Regular – 18.ª jornada Pavilhão João Rocha
(23), Uwais
Hayes (12), Miguel Correia (5), Rui Palhares (7), Francisco Amarante (8), Claude Robinson (7), André Cruz (2), João Fernandes [C] (2), Malik Morgan (19), Stephan Swenson (10). Treinador: Luís Magalhães.

MODALIDADES ANDEBOL

SPRINT FINAL INICIADO COM

PASSO DECIDIDO E VALIOSO NO DRAGÃO ARENA

O CLÁSSICO, AINDA ANTES DE COMEÇAR, JÁ ESTAVA ENVOLTO EM POLÉMICA E COM PREJUÍZO PARA OS LEÕES – FICARAM SEM O TREINADOR E SEM MOGA – MAS DENTRO DAS QUATRO LINHAS A EQUIPA FOI INABALÁVEL PARA VOLTAR A SAIR POR CIMA EM CASA DO FC PORTO. TOTALMENTE VITORIOSO NO CAMPEONATO, INTRATÁVEL EM CLÁSSICOS E, AGORA, COM LIDERANÇA REFORÇADA, ESTE SPORTING CP NÃO TREME EM BUSCA DO TRICAMPEONATO.

Texto: Xavier Costa

Fotografia: João Pedro Morais

No Campeonato Nacional, os Leões continuam imparáveis, só sabem ganhar e foi assim que começaram a fase de todas as decisões. A equipa de andebol do Sporting CP deslocou-se ao Dragão Arena para bater o FC Porto por 30-33, no sábado, na jornada inaugural do grupo A da fase final.

Um clássico, em que Leões até se viram muito condicionados por estranhas incidências prévias ao encontro, cujo início até foi adiado em 15 minutos. Devido a um cheiro intenso e tóxico no balneário visitante, o jogador Christian Moga e o treinador Ricardo Costa tiveram de receber assistência médica e acabaram por ficar fora do duelo. O Sporting CP ainda “manifestou a sua oposição à realização do encontro”, de acordo com o comunicado lançado pelo Clube no dia seguinte, mas “foi formalmente informado de que estavam reunidas as condições necessárias para que o jogo se realizasse” e, por isso, foi a jogo, embora sob protesto. Mesmo assim, a equipa verde e branca, inabalável, entrou da melhor forma e saiu por cima também no quinto duelo com o rival esta temporada. Com critério no ataque e causando dificuldades aos dragões – com duas exclusões precoces – o Sporting CP começou a vencer por 1-4 e, depois,

fez-se valer da sua capacidade defensiva para continuar no controlo.

Com uma recuperação de bola importante, Edy Silva impediu a hipótese de empate e, a seguir, Mohamed Ali – em grande – fechou a sua baliza e Carlos Álvarez foi com tudo para o ataque e fez o 4-7 aos dez minutos. Uma margem que subsistiu até que Kiko Costa, com uma ‘bomba’, fez o 8-12, mas com muito mérito prévio do guarda-redes do Sporting CP, que ‘abafou’ por duas vezes Daymaro Salina. Ainda fruto desse golo, após a revisão das imagens, o pivô do FC Porto foi expulso por golpe na cara de Kiko.

Já a caminho do intervalo e sem tempo para se respirar no clássico, a equipa azul e branca aproveitou uma exclusão de Salvador Salvador e alguma precipitação ofensiva dos Leões para deixar tudo pela margem mínima (13-14 e 14-15), mas apenas por pouco tempo. Numa fase de muita correria, os Bicampeões Nacionais foram rápidos a reagir, com Edy a brilhar na defesa e muita velocidade de execução na frente até que Orri Þorkelsson fixou o 16-19 a partir de um livre de sete metros. Uma primeira parte de grande controlo, contudo o arranque do segundo tempo fez-se de muitas imprecisões do lado verde e branco e tudo ficou mais tenso. Mais assertivo, o FC Porto chegou pela primeira vez

ao empate (20-20) nos primeiros cinco minutos e, aos 44’, aproveitou um período de inferioridade numérica Leonina para fazer a reviravolta com o 26-25, assinado por Jesús Hurtado.

No entanto, esta primeira vantagem azul e branca no jogo também não durou muito, porque uma rápida transição de Þorkelsson devolveu a liderança ao Sporting CP, que se foi mantendo muito coeso defensivamente – Edy Silva, a nível individual, claramente em destaque nos duelos, com um bloco e a recuperar bolas. Só faltava corresponder a essa ‘fortaleza’ com mais eficácia ofensiva, mas nem Martim, nem Kiko conseguiram repor a vantagem nos dois golos já dentro dos derradeiros dez minutos.

À terceira, finalmente, foi de vez e teve de ser Edy Silva a ir lá à frente fazer a diferença, com Jan Gurri a seguir-lhe o exemplo de imediato para, de repente, colocar os Bicampeões Nacionais a ganhar por 28-31 à en-

trada para os últimos três minutos. E a vitória – a quinta consecutiva no reduto portista e a oitava seguida em clássicos – já não fugiu.

Silenciado o Dragão Arena, o Sporting CP não ficou por aqui. Ali e Pedro Martínez transformaram dois ataques adversários em bolas para o Sporting CP dilatar o marcador e assim foi, graças a uma jogada aérea e a mais um de Þorkelsson – acabou com 11 tentos.  Contas fechadas em 30-33, invencibilidade intacta e um valioso passo dado com o Tricampeonato na mente.

Os Bicampeões Nacionais saíram do clássico com liderança reforçada (36 pontos), alargando para cinco a distância face aos dragões (31), que foram ultrapassados pelo SL Benfica (32), após a vitória encarnada sobre a AA Águas Santas (26). São estes quatro os emblemas envolvidos na corrida curta e final pelo título. A próxima jornada reserva a recepção à AA Águas Santas, mas antes

disso os Leões vão definir o seu destino na EHF Champions League, disputando as duas mãos do play-off de acesso aos quartos-de-final frente aos polacos do SPR Wisła Płock. Hoje, pelas 19h45, no Pavilhão João Rocha, disputa-se a primeira.

28.03.2026

Campeonato Nacional Fase final – Grupo A – 1.ª jornada Dragão Arena

FC PORTO SPORTING CP

30 33

16-19 ao intervalo

Sporting CP: Edy Silva (1), Emil Berlin, Carlos Álvarez (2), Kiko Costa (8), Jan Gurri (2), Pedro Martínez, Salvador Salvador [C] (1), Orri Þorkelsson (11), Mamadou Gassama, Andre Kristensen [GR], Diogo Branquinho, Filipe Monteiro (1), Martim Costa (6), Mohamed Ali [GR], Victor Romero (1). Treinador: Ricardo Candeias. Disciplina: Dois minutos de exclusão para Þorkelsson, Salvador, Branquinho e Gurri.

Frieza de Þorkelsson foi contributo de peso para a vitória no Porto

MODALIDADES VOLEIBOL

DO NORTE PARA AS ‘MEIAS’ DOS PLAY-OFFS DA LIGA

TANTO LEÕES COMO LEOAS DERAM O PRIMEIRO PASSO EM FRENTE PRECISANDO APENAS DE DOIS JOGOS: A EQUIPA MASCULINA

DOMINOU NA VISITA À ALA DE NUN´ÁLVARES E A FEMININA VOLTOU A SOBREPOR-SE A UM DURO PV COLÉGIO EFANOR. VITÓRIA SC E SC BRAGA, RESPECTIVAMENTE, SÃO OS PRÓXIMOS ADVERSÁRIOS, JÁ À MELHOR DE CINCO JOGOS.

Texto: Xavier Costa

LEÕES COM ‘FOLHA LIMPA’ EM GONDOMAR

Depois do triunfo no Pavilhão João Rocha (3-0), a equipa masculina do Sporting CP deslocou-se a Gondomar e voltou a bater a Ala de Nun´Álvares por 0-3, no sábado, no segundo jogo dos quartos-de-final dos play-offs da Liga. O equilíbrio foi a nota dominante inicial, apesar da iniciativa verde e branca mais insistente. Entre empates sucessivos, o Sporting CP –a gerir alguns dos jogadores mais utilizados - só conseguiu distanciar-se com margens curtas, primeiro 5-7 e 6-8, ambas anuladas, e depois em 12-14, 13-15 e 14-16, com Edson Valencia como principal ‘motor’ ofensivo. O camisola 7 acabaria a partida com 18 pontos.

Foi assim, aos poucos e com a Ala de Nun´Álvares a somar falhas, que os Leões aproveitaram para ‘descolar’ definitivamente a partir do 16-20. Com mais fluidez no ataque e a potência de Valencia e Tiago Pereira, o set inaugural fechou-se em 19-25 a favor do Sporting CP.

Totalmente inequívoca foi a entrada no parcial seguinte, com um rotundo 0-6 a abrir e muitos estragos feitos por Kelton Tavares a servir. Ainda assim, a equipa da casa não sucumbiu de imediato e até reduziu com mérito (8-10 e 12-14) para se manter na discussão. Só que quando Kelton Tavares voltou a fazer a diferença no serviço os comandados de João Coelho reencontraram a sua versão mais dominadora: de 16-19 para 1925 sem resposta.

Feito o 0-2 na partida, o Sporting CP não desperdiçou a chance de sair com ‘folha limpa’ desta série. Para isso teve de começar o terceiro parcial a dar a volta à Ala de Nun´Álvares de 6-4 para 8-11 e não mais cedeu na liderança até ao fim. A vantagem de cinco pontos (10-15 e 16-21) levada para a recta final permitiu, novamente, um desfecho tranquilo e sentenciado por Valencia (20-25).

Vão 13 vitórias consecutivas e, agora, a mira está apontada ao Vitória SC.

LEOAS INFLEXÍVEIS

NA SENHORA DA HORA

Missão cumprida, também, em dois jogos. Depois do triunfo no Pavilhão João Rocha (3-1), a equipa feminina foi a casa do PV Colégio Efanor vencer outra vez por 1-3, desta feita no segundo jogo dos ‘quartos’ dos play-offs da Liga, disputado no domingo. Após alguma alternância, o Sporting CP assumiu um primeiro ascendente para se distanciar em 8-12, obrigando o adversário ao primeiro desconto de tempo. Apesar da réplica adversária que se seguiu, a equipa verde e branca nunca tremeu na liderança. Leslie Tagle – acabaria com 21 pontos – deu início à sua grande exibição (10-15 e 14-19), secundada po Özge Kinasts, que simplificou tudo a partir da linha de serviço para arrebatar sem discussão o primeiro set (18-25).

Uma demonstração de força que até teve continuidade no arranque do parcial seguinte (2-8), mas não por muito tempo – também foi no segundo set em Lisboa que o Sporting CP tinha fraquejado. A equipa da casa respondeu rápido (6-9) e em crescendo até chegar ao empate a 12, castigando uma fase verde e branca mais errática. Além do ímpeto, a

28.03.2026

Liga – Play-offs

Quartos-de-final – Jogo 2 Pavilhão da Ala de Nun´Álvares, Gondomar

19-25, 19-25 e 20-25

Sporting CP: Tiago Pereira [C] (7), Jan Galabov, Sergey Grankin, Kelton Tavares (15), Edson Valencia (18), Li Yongzhen, Gonçalo Sousa [L], Tiago Barth, Jonas Aguenier (7), Jan Pokeršnik (9), Armando Velásquez, Nicolás Perren [L], Mads Kyed Jensen, Lourenço Martins. Treinador: João Coelho.

vantagem também mudou de mãos e o PV Colégio Efanor distanciou-se (18-16 e 20-17) e fez mesmo o empate (25-20).

Com tudo de volta à ‘estaca zero’, o equilíbrio de forças foi praticamente total e, por isso, o terceiro set fez-se de empates sucessivos até ao 15-15. Depois, entrou em acção a impressionante capacidade (e solidariedade) defensiva do Sporting CP – com a capitã Daniela Loureiro a brilhar – e, ainda, Leslie Tagle, outra vez a carregar no ataque, para fazer o 16-19. Desequilibradas finalmente as contas, blocos bem-sucedidos e, principalmente, os serviços de Özge Kinasts encaminharam tudo até ao valioso 18-25 que relançou as Leoas em Matosinhos e em definitivo rumo às meias-finais.

No entanto, não antes de um último e exigente ‘braço de ferro’. Prova disso foi a forma como o PV Colégio Efanor virou o 11-13 para 16-14, porém a resposta verde e branca foi ainda melhor, ‘disparando’ para um determinante 16-21. Apesar do derradeiro e perigoso esforço da equipa da casa, que valeu para recuperar de 19-24 para 22-24, Jéssica Miranda elevou-se e acabou com todas as dúvidas, selando a vitória e a passagem do Sporting CP.

O próximo obstáculo nesta caminhada na Liga 2025/2026 é o SC Braga, que foi o ‘carrasco’ Leonino nas ‘meias’ da edição anterior.

JOÃO

COELHO: “QUEREMOS CHEGAR À FINAL”

Após o encontro em Gondomar, o treinador do Sporting CP analisou o triunfo em declarações à  SportTV, responsável pela transmissão do jogo.

“Os jogos fora não são nada fáceis, nós queríamos encerrar os quartos-de-final aqui e o grupo tem sido comprometido. Independentemente da rotação, o ‘seis’ que se escolhe dá resposta, respeitando o adversário. Houve bons índices ofensivos dos dois lados, nós melhores no serviço, o que nos permitiu liderar o marcador e dominar, digamos assim, o resultado”, considerou, realçando a importância da gestão feita a nível de plantel.

“O Lourenço Martins e o Galabov, por exemplo, foram fustigados por uma grade carga no Verão e nós temos de os preservar. Mais uma vez, conseguimos controlar as incidências e fazer este grupo crescer, porque este  play-off agora torna-se cada vez mais duro e cada vez mais decisivo”, atentou João Coelho, traçando de imediato a ambição que move os actuais Campeões Nacionais.

Sporting CP: Maria Carlos Marques [L], Jéssica Miranda (13), Sofia Pereira, Amanda Cavalcanti (13), Inês Teixeira, Leslie Tagle (21), Anahí Tosi (5), Özge Kinasts (3), Tainá Alessandra (5), Jady Gerotto (10), Ingrid Félix, Daniela Loureiro [L] [C], Kanna Hanazawa, Ana Clara Nunes (2). Treinador: João Macedo.

“Dependemos muito daquilo que nós somos capazes de fazer e é nisso que estamos totalmente concentrados e a querer investir para, agora, atingir a final. Um passo de cada vez”, apontou.

JOÃO MACEDO: “EQUIPA SOUBE ESTAR À ALTURA DO DESAFIO”

A seguir à vitória em casa do PV Colégio Efanor, o treinador das Leoas fez o rescaldo em declarações ao Jornal Sporting. “Foi exactamente o jogo que esperávamos. Muito competitivo, com muitos duelos, o serviço e a recepção foram o grande campo de batalha e a equipa soube estar à altura do desafio. Houve momentos em que tivemos de estar muito alerta na defesa, mas a equipa segurou-se, manteve o foco e fez o que tinha a fazer. Merecemos este acesso às meias-finais”, destacou, reconhecendo-se “muito orgulhoso”.

“Entrámos bem, também sofremos, mas respondemos e é isto que faz uma equipa crescer”, sublinhou João Macedo, antes de olhar em frente, já com encontro marcado com o SC Braga.

“Agora é tempo da meia-final e a nossa mensagem é simples: nada de receio, vamos a jogo para ser altamente competitivos e queremos muito a final. Vamos atrás dessa passagem com tudo o que temos”, assegurou.

MODALIDADES FUTSAL

REVIRAVOLTA EM PONTE DE SOR REAPROXIMA O PRIMEIRO LUGAR

COM EXIBIÇÃO EM CRESCENDO, O SPORTING CP FOI A CASA DO ELÉCTRICO FC ‘VINGAR’ PELOS MESMOS NÚMEROS A DERROTA DA PRIMEIRA VOLTA E ENCURTOU PARA TRÊS PONTOS A DIFERENÇA PARA O SL BENFICA NESTA RECTA FINAL DA FASE REGULAR.

Texto: Xavier Costa

Fotografia: FPF

Em Ponte de Sor, a equipa de futsal do Sporting CP venceu o Eléctrico FC por 2-4, na passada sexta-feira, em partida da 20.ª jornada da fase regular da Liga. Os Leões (49 pontos) aproveitaram, assim, a derrota do líder SL Benfica (52) em casa do FC Famalicão para encurtar a margem para o primeiro lugar à falta de três jogos.

Neste reencontro contra o actual oitavo classificado, que foi também a única equipa a vencer no Pavilhão João Rocha (2-4), tudo até começou da pior forma. Ainda não se tinham cumprido os primeiros dois minutos e Simi Saiotti, com um ‘disparo’ em zona frontal, já tinha adiantado o Eléctrico FC e, a seguir, o guardião Diogo Basílio fez durar o 1-0 com defesas crucias a Alex Merlim e Tomás Paçó.

Perante um adversário bem fechado atrás, mas sempre pronto a sair em contra-ataque, o Sporting CP –orientado pelo adjunto Paulo Luís enquanto Nuno Dias cumpre castigo – assumiu a iniciativa e ameaçou com frequência, porém inicialmente sem pontaria. Diogo Santos, num frente-a-frente, atirou ao lado, Felipe Valério também ameaçou e mais

27.03.2026

Liga – Fase Regular – 20.ª jornada Pavilhão Gimnodesportivo de Ponte de Sor

2 4

1-2 ao intervalo

Simi Saiotti (2’), Alê Teixeira (35’) Bruno Pinto (16’), Bernardo Paçó (18’), Diogo Santos (24’), Pauleta (27’)

Sporting CP: Gonçalo Portugal [GR], Tiago Rodrigues, Tomás Paçó, Diogo Santos, Wesley, Pauleta, Felipe Valério, Bernardo Paçó [GR], Ivan Chishkala, Bruno Pinto, Alex Merlim, Bruno Maior. Treinador: Nuno Dias. Disciplina: cartão amarelo para Bruno Maior (34’).

clara ainda foi a de Pauleta, que viu bloqueado um golo certo por Simi Saiotti.

A resposta verde e branca foi ganhando força em crescendo e tornar-se-ia imparável. Já a necessária eficácia chegou ainda no primeiro tempo. Aos 16’, o capitão Merlim, sem pressão fora da área, não hesitou e rematou cruzado para o fundo da baliza, pese embora não seja claro se Bruno Pinto, junto à baliza, ainda faz o desvio final – a FPF atribuiu o golo ao internacional português. Apenas instantes depois, Bernardo Paçó seguiu o exemplo e completou a reviravolta,

graças a uma subida na quadra com conclusão à altura, após flectir da direita para dentro. Mesmo assim, os Leões – cada vez mais superiores – voltaram à carga, tanto nos últimos minutos da primeira parte como no início da segunda, quando dilataram o resultado com justiça. Primeiro, Diogo Santos trabalhou na perfeição, em zona frontal, para trocar as voltas ao seu marcador directo antes de desferir um pontapé imparável, seguindo-se um golo na sequência de bola parada. Pauleta correspondeu ao canto de Wesley e assinou o 1-4.

Depois valeu, sobretudo, Diogo Basílio para segurar várias vezes o Eléctrico FC, que a cinco minutos do fim ainda foi capaz de uma nova prova de vida e marcou para reduzir por Alê Teixeira, graças a um remate cruzado ao ângulo.

PAULO LUÍS:

“CONTINUAMOS NA LUTA”

No final do jogo, o treinador-adjunto do Sporting CP analisou a vitória em declarações ao Canal 11 “Foi um jogo difícil contra uma equipa bem organizada, que defende bastante baixo e isso torna tudo mais difícil para nós, porque cada bola ou duelo perdidos podiam dar em transição. Penso que na primeira parte o Basílio foi claramente o melhor jogador em campo, com muitas defesas, mas depois aumentámos a velocidade de jogo e criámos mais dificuldades no 1v1 nas alas e os golos foram surgindo. No fim desorganizámo-nos, mas defendemos bem o 4v5 e a vitória é justa”, resumiu.

Co este triunfo, os Leões aproveitaram a derrota do SL Benfica para reduzir a diferença pontual para o primeiro lugar, agora a três pontos de distância. “Continuamos na luta. O SL Benfica tem a vantagem no confronto directo, mas matematicamente ainda é o possível e, assim, nós vamos fazer o nosso trabalho, ou seja, ganhar, sabendo que não dependemos só de nós”, apontou o técnico verde e branco.

Apesar disso e de alguns minutos mais atribulados, os três pontos seguiram o seu curso para Lisboa. Até final, ainda houve tempo para um par de sustos – uma bola perigosa de Henrique Vicente e outra no ferro – e a aposta infrutífera no guarda-redes avançado por parte da equipa da casa, mas o 2-4 revelou-se definitivo na cidade do distrito de Portalegre. Falta pouco para o fim da fase regular, mas ainda há muito por fechar na classificação.

Nota: O desfecho do jogo em casa da AD Fundão, disputado ontem à noite, apenas foi conhecido após a hora de fecho desta edição do Jornal Sporting

MODALIDADES HÓQUEI EM PATINS

FIRMEZA EM ITÁLIA ABRIU CAMINHO RUMO À FINAL EIGHT DA CHAMPIONS

PASSAPORTE CARIMBADO COM MUITA SOLIDEZ EM CASA DO HOCKEY BASSANO 1954. A ÚLTIMA JORNADA, EM CASA DO ACTUAL CAMPEÃO EUROPEU, O OC BARCELOS (AINDA EM BUSCA DE QUALIFICAÇÃO), VAI DETERMINAR A POSIÇÃO FINAL NO TOP 4 DO GRUPO E RESPECTIVO EMPARELHAMENTO NOS ‘QUARTOS’.

Texto: Xavier Costa Fotografia: WSE

Era preciso uma vitória para selar de vez a passagem à próxima ronda e foi isso que os comandados de Edo Bosch fizeram no Nordeste de Itália. A equipa de hóquei em patins do Sporting CP visitou e venceu o Hockey Bassano 1954 por 1-3, na quinta-feira da semana passada, em jogo referente à segunda jornada – invertida – do grupo B da WSE Champions League.

Atingidos os 14 pontos, graças a um triunfo incontestável em casa do já eliminado e líder do campeonato italiano, a equipa verde e branca ultrapassou o HC Liceo (13) rumo ao segundo lugar e assegurou, ainda com uma jornada em falta, uma das vagas de apuramento para a  final eight de Coimbra.

Em Bassano del Grappa, na região de Veneto, o duelo até começou intenso e repartido, mas rapidamente a inteligência de ‘Nolito’ Romero lançou o Sporting CP – sem Danilo Rampulla e Santiago Honório – na frente. Aos seis minutos, o argentino subiu pela esquerda e ao simular uma  stickada enganou o guarda-redes adversário e serviu Rafa Bessa ao segundo poste, onde só teve de encostar para a baliza deserta. E nessa mesma

26.03.2026

WSE Champions League

Grupo B – 2.ª jornada PalaUbroker, Bassano del Grappa

HOCKEY BASSANO 1954

0-2 ao intervalo

Alberto Pozzato (42’) Rafa Bessa (6’), Facundo Navarro (8’), Gonzalo Romero (27’)

Sporting CP: Xano Edo [GR], Rafa Bessa, Diogo Barata, Alessandro Verona, Roc Pujadas, Facundo Navarro, Facundo Bridge, Henrique Magalhães, Gonzalo Romero [C], Zé Diogo [GR]. Treinador: Edo Bosch.

zona, apenas dois minutos depois, Facundo Navarro assinou o 0-2, a passe de Bessa, quando o Hockey Bassano 1954 estava em inferioridade numérica – cartão azul a Alberto Pozzato.

Uma entrada cirúrgica que obrigou os italianos a arriscar mais e, por isso, a exporem-se bem cedo – acumularam rapidamente nove faltas. Apesar dos esforços no ataque, apenas testaram Xano Edo com algum perigo por duas ocasiões, porque a gestão verde e branca, de forma mais pausada, manteve tudo sob controlo e sem mudanças até ao intervalo.

Já o segundo tempo abriu praticamente com a décima falta do conjunto da casa e o 0-3. Na conversão, Romero partiu para o cara-a-cara e, após um gancho e contra-gancho, ludibriou e bateu o compatriota Valentín Grimalt. Algo que, pouco

depois, Facundo Bridge não conseguiu num penálti arrancado por Roc Pujadas, nem Giuliano Giuliani, este para o Hockey Bassano 1954 (décima falta do Sporting CP), porque Xano Edo foi rápido de reflexos. Depois, mais uma vez, os comandados de Edo Bosch mostraram a sua versão mais sólida e madura, controlando os ritmos com bola e, sem ela, causando muitas dificuldades ao ataque adversário durante largos minutos.

Ainda assim, já a oito minutos do fim, Alberto Pozzato conseguiu responder e, com uma boa finalização, reduziu a diferença no marcador para 1-3. Um golo repentino que ainda despertou os italianos para os derradeiros instantes, onde subiram linhas e ameaçaram crescentemente, mais até que os Leões, que apenas tiveram uma tentativa de Bridge para amostra.

No entanto, com Xano Edo a ajudar entre os postes, o Sporting CP saiu incólume dessa ponta final e com passaporte carimbado de regresso à fase a eliminar, marcada para Maio. Do outro lado, no grupo A, o primeiro lugar do FC Porto e o segundo do FC Barcelona são os únicos já fechados, faltando saber em que posições acabam os italianos do Hockey Trissino e os catalães do Reus Deportiu, embora ambos matematicamente já apurados também.

Ainda com os cruzamentos por definir, certo é que o Sporting CP sai bem vivo do ‘grupo da morte’ e continua em todas as frentes na temporada, a qual começou com as conquistas do Mundial de Clubes e da Supertaça.

Agora, os Leões de Edo Bosch voltam a entrar em acção com uma visita ao Juventude Pacense para o Campeonato Nacional.

EDO BOSCH: “ERA COMO UMA FINAL E JOGAMOS COMO TAL”

“A palavra que encaixa melhor é solidez. Tendo em conta o adversário, tínhamos muito claro como tínhamos de defender e de atacar e a verdade é que os jogadores cumpriram muito bem o plano de jogo. Correu bem desde o princípio, mas houve momentos em que podíamos ter aumentado o marcador. O 1-3 a faltarem oito minutos deu algum ânimo ao Hockey Bassano 1954 e nós tivemos de sofrer, mas as grandes equipas têm de saber fazê-lo, também”, considerou o técnico verde e branco no final do jogo, sem dúvidas, no entanto, quanto ao desfecho. “A vitória é inteiramente justa e os jogadores estão de parabéns. Hoje, para nós, era como uma final e jogamos como tal”, realçou Edo Bosch, atentando também que o actual líder do campeonato italiano “não é uma equipa qualquer”, apesar da já terem entrado em pista eliminados. Embora ainda falte definir a posição final no grupo, o treinador dos Leões salientou que “o importante era passar à final eight”. “Depois é uma semana e três jogos em que temos de estar muito bem. Passam oito grandes equipas, de certeza, e hoje acho que demonstramos que estamos preparados para as finais que vêm aí”, apontou sobre as decisões reservadas para Maio, em Coimbra.

‘Nolito’ assistiu e marcou no duelo europeu

MODALIDADES GINÁSTICA

LEÕES LIDERAM REPRESENTAÇÃO NACIONAL NO EUROPEU DE TRAMPOLINS

COM AMBIÇÃO E O CONFORTO DE COMPETIR ‘EM CASA’, O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL APRESENTA-SE NO CAMPEONATO DA EUROPA DE GINÁSTICA DE TRAMPOLINS COM A MAIOR REPRESENTAÇÃO ENTRE CLUBES E UMA EQUIPA QUE CRUZA EXPERIÊNCIA E VONTADE DE SURPREENDER. O OBJECTIVO COMUM É SIMPLES: SALTAR AO MELHOR NÍVEL.

Texto: Filipa Santos Lopes Fotografia: José Lorvão

Com seis atletas, o Sporting Clube de Portugal será o Clube mais representado no Campeonato da Europa de Ginástica de Trampolins de Juniores e Seniores, que decorrerá entre de 8 a 12 de Abril, em Portimão.

Os ginastas Matilde Louro, Sofia Correia, Artur Martins, Tiago Teixeira, Pedro Ferreira e Diogo Abreu vão vestir as cores da Selecção Nacional em três especialidades diferentes –trampolim individual, sincronizado e duplo minitrampolim – e as expectativas são, claro, as de que todos atinjam “o seu melhor”.

“Obviamente, estamos à espera de que eles consigam chegar o mais longe possível e que, essencialmente, se divirtam”, começou por dizer o treinador João Rito, em antevisão ao certame.

Com uma preparação que se estende “ao longo do ano”, mas que, após “bastantes provas”, tem assentado agora “na consolidação das séries que vão fazer em prova”, o técnico acredita que o papel do Sporting CP é extremamente importante para o crescimento dos atletas, sobretudo,

como aponta, “pelas condições que dá aos ginastas para evoluírem”. Contudo, o maior mérito, como relembra, é dos próprios atletas.

“Depende tudo dos ginastas e da capacidade que têm para evoluir e atingir os seus objectivos”, frisou.

Um desses atletas é o actual campeão em título de trampolim individual. Pedro Ferreira, um dos nomes grandes do cartaz, não aponta, ainda assim, a uma nova medalha de ouro como objectivo maior. A prioridade, como lembra, é o colectivo.

“Normalmente, não pomos medalhas individuais como objectivo principal.

O nível dos trampolins na componente individual, que é olímpica, é muito, muito alto. Na final, tudo pode acontecer. Mas, como temos várias etapas até lá chegar, não vale a pena pensar muito na última etapa, quando ainda temos umas preliminares e umas semifinais”, começou por explicar.

Ainda assim, lembra o ginasta, “as preliminares contam para a competição de equipas, onde aí sim temos como objectivo uma medalha”.

“Somos uma das três melhores equipas europeias. Por isso, no que toca a outros objectivos, para além destes que já falei, temos o sincronizado,

onde há dois anos, infelizmente, o Diogo [Abreu] e eu não conseguimos estar na final. Gostávamos de ir buscar o título de Campeões da Europa em sincronizado. Claro, é difícil definir como objectivo uma vitória, mas temos potencial para chegar a esse resultado”, declarou.

Diogo Abreu salta na mesma direcção que o companheiro de equipa e par em tantas séries. Prestes a participar no terceiro Campeonato da Europa em terras lusas, o ginasta destaca a importância da prova num calendário muito exigente.

“O Campeonato da Europa é sempre uma competição major, bastante importante no nosso ano, no nosso calendário. Em Portugal, tem sempre um sentimento mais especial, porque temos mais apoio. A família e os amigos podem ver a prova mais facilmente”, contou o atleta, que lembrou ainda o apoio do Sporting CP no seu longo percurso a saltar. Voltar a “chegar às medalhas” é, como frisa, a meta.

“O Sporting CP é o clube com mais atletas a participar neste Campeonato da Europa e isso só mostra a potência que o Sporting CP é a nível de trampolins, tanto a nível

nacional como internacional. Isso também se deve muito ao apoio que o Clube tem dado, tanto nas infra-estruturas como nos apoios directos, para que atletas como eu consigam fazer trampolins de forma profissional”, agradeceu. “Certamente, vai ser um Campeonato da Europa cheio de grandes resultados para Portugal e para o Sporting CP, especificamente”, antecipou Diogo Abreu.

Tiago Teixeira, há doze anos nos trampolins, mas a saltar há ano e meio de verde e branco, garantiu que esta tem sido a melhor fase da sua carreira e reconhece a influência do Clube na sua primeira convocatória a nível sénior.

“É o auge da minha carreira até agora. Tem corrido muito bem, os treinadores têm-me ajudado em tudo, os meus colegas também. É a primeira entrada na equipa sénior da selecção e estou muito contente por ter conseguido. Estou a trabalhar a confiança para poder sair-me bem no Campeonato da Europa”, frisou.

Por sua vez, Sofia Correia, natural de Portimão, confessa sentir “alguma pressão”, mas também “uma boa adrenalina” por competir, literalmente, em casa.

“Fico contente de a minha família estar lá, tanto para se correr bem como para se correr mal, mas o meu

objectivo é conseguir fazer todas as minhas séries e tentar ir à final”, atirou a ginasta.

E se há espaço para veteranos, também o sangue novo salta pela primeira vez na mais alta roda, com sede de aprender e divertir-se. Assim o garante Matilde Louro.

“Este Campeonato da Europa vai ser importante para mim. Acho que vai ser uma experiência incrível, nunca irei esquecer. Ainda mais, sou nova e o meu objectivo ainda não é estar ao mais alto nível, mas sim divertir-me, para que tudo possa correr bem. Tudo o que vier será consequência do meu trabalho”, disse a jovem Leoa de 12 anos.

Já Artur Martins quer, sobretudo, mostrar-se a bom nível. “Tenho como objectivo fazer claramente a minha melhor pontuação possível. Se vai dar para medalhas ou não, não sei, não estou muito à espera de medalhas, mas sim de apresentar uma boa qualidade”, apontou o jovem.

Entre quem já conhece o caminho das finais e quem agora dá os primeiros saltos neste palco, há um denominador comum que atravessa toda a comitiva Leonina: a ambição de fazer mais e melhor. Em Portimão, perante um público mais próximo, o desafio será transformar esse impulso em vitórias.

Os jovens Matilde Louro e Artur Martins ‘saltam’ para o Campeonato da Europa de trampolins
Os quatro seniores do Sporting CP a marcar presença no Campeonato da Europa de trampolins: Pedro Ferreira, Sofia Correia, Diogo Abreu e Tiago Teixeira

MODALIDADES ROPE SKIPPING

ROPE SKIPPING: SALTAR PARA A EXCELÊNCIA DE LEÃO AO PEITO

DO RECREIO DA ESCOLA AOS PALCOS INTERNACIONAIS, O ROPE

SKIPPING GANHA BALANÇO NO SPORTING CP E AFIRMA-SE COMO UMA MODALIDADE COMPLETA, INCLUSIVA E EM CRESCIMENTO.

Texto: Filipa Santos Lopes

Fotografia: José Lorvão

Em 2025, a Selecção Portuguesa de rope skipping voltou do Japão com a bagagem pesada: na mala, trazia um quarto lugar no Campeonato do Mundo de Salto à Corda. O vídeo da prestação lusa tornou-se viral e despertou a curiosidade para uma modalidade que, até então, pouco saltava à vista da generalidade da população. Agora a dar também os primeiros passos na ginástica verde e branca, os LX Skippers, equipa de rope skipping do Sporting Clube de Portugal desde Setembro de 2025, combinam diferentes disciplinas numa única modalidade, o que exige coordenação, ritmo e criatividade.

“Neste momento, somos 45 atletas. O rope skipping é uma conjugação de saltos à corda com a ginástica, a dança e a acrobacia, e também com um pouco de manipulação de corda. No fundo, junta vertentes distintas numa modalidade que, neste momento, além de ter campeonatos nacionais, também tem europeus e mundiais”, contou Patrícia Sousa, treinadora de rope skipping do Sporting CP. Em declarações aos meios de comunicação do Clube, fez questão de sublinhar o carácter inclusivo da modalidade.

“Temos connosco atletas dos cinco aos 68 anos. Temos o grupo da formação, para os iniciantes mais novos, o grupo da representação e da competição, para quem tem um nível mais avançado, e também o grupo dos adultos, que é uma vertente mais fitness, mais de ginásio. Nesta modalidade, podem desenvolver coordenação, condição física geral e ritmo. Para quem gosta de dançar também é muito bom, porque há um jogo com a música e pode ser muito divertido”, explicou.

Com atletas juniores e seniores já qualificados para os Europeus de 2026, que vão decorrer no próximo mês de Agosto, na Noruega, Patrícia Sousa garante que o futuro reserva “grandes aventuras” para o rope skipping Leonino. “[Com a ligação ao Clube] temos aqui uma porta muito grande para chamar pessoas e para crescer muito mais. O objectivo é tentar divulgar esta modalidade no meio da ginástica e, quem sabe, também junto das outras modalidades”, frisou. Dos recreios da escola para um ambiente mais profissional e dedicado, é precisamente

nas crianças que o rope skipping encontra alguns dos seus praticantes mais entusiastas – mas não só.

“Costumamos ir às escolas básicas da nossa zona de treinos e aí fazemos muitas actividades lúdicas, workshops e campos de férias. É a principal forma de angariar crianças para os nossos treinos”, explicou Rui Santos, também ele treinador de rope skipping no Clube. Com treinos entre duas a três vezes por semana, no ginásio da Escola Secundária José Gomes Ferreira, a modalidade continua a crescer. Luís Duarte, coordenador da ginástica verde e branca, explicou os motivos que levaram o Sporting CP a ‘convocar’ os LX Skippers para unir esforços na divulgação da modalidade.

“A ginástica do Sporting CP está sempre na vanguarda do desporto. Esta modalidade já tem alguns anos e é muito praticada na Europa. Houve a oportunidade de se juntarem a nós e, assim, o rope skipping está a crescer dentro do Sporting CP. É mais uma área e uma vertente muito interessante que temos no Clube, associada à ginástica. Obviamente, está a dar os primeiros passos, mas é muito atractiva e a nossa equipa técnica é de um nível elevadíssimo”, elogiou, antes de projectar o futuro.

“Acho que vamos conseguir fazer a modalidade crescer, atraindo mais gente. Há muita gente que não a conhece e, por isso, é também importante falar desta modalidade, que existe dentro do nosso Clube, para que possamos crescer em número e em qualidade”, acrescentou.

E ninguém melhor do que os próprios saltadores para falar sobre os benefícios e encantos de uma modalidade que promete fazer muitos

Leões suar e passar bons momentos.

“Vão gostar muito de praticar esta modalidade porque, no fundo, juntamos tudo: dança, ginástica, saltar à corda… é muito giro”, disse David Fialho, jovem atleta de rope skipping do Sporting CP, que começou a saltar precisamente depois de um momento de descontracção na escola.

“Um monitor de um ATL apresentou-me este desporto, já há uns bons anos. Estávamos num recreio e ele disse que eu tinha jeito… vim cá, experimentei e gostei muito”, contou.

Também Mafalda Pinto, uma das atletas que estará presente nos Europeus de 2026, partilhou o seu percurso na modalidade.

“Qualifiquei-me em duas provas de equipa, uma de double dutch e uma de roda chinesa. Mesmo que não seja possível chegar ao pódio, o objectivo é sempre fazer o melhor. Entrei nesta modalidade por causa da minha prima, que já andava cá, mas depois fui começando a gostar e estou aqui há oito anos”, acrescentou. Dos mais novos aos mais experientes, o rope skipping do Sporting CP continua a ganhar impulso: uma modalidade aberta a todos os que a queiram experimentar, onde cada um contribui para uma equipa que quer dar um salto em frente.

HORÁRIOS DOS TREINOS

3.ª e 5.ª feira: 19h00 às 20h30

6.ª feira: 19h00 às 21h00

Mais informações em: https://www.instagram.com/ lxskippers

Patrícia Sousa, Luís Duarte e Rui Santos são os responsáveis pela modalidade
Diversão, coordenação, ritmo e criatividade definem o rope skipping do Sporting CP

50 m costas

18.º Beatriz Silva 31’’73

40.º Maria Amado 32’’57

100 m costas

15.º Maria Amado 1’08’’57

27.º Beatriz Silva 1’09’’64

34.º Leonor Catalão 1’10’’18

200 m costas

10.º Maria Amado 2’27’’99 (2’27’’10 elim.)

16.º Leonor Santos 2’28’’28

50 m bruços

5.º Madalena Cerdeira 33’’31

100 m bruços

1.º Madalena Cerdeira 1’11’’10 - CAMP. NAC

27.º Madalena Messias 1’20’’38 (1’20’’37 elim.)

200 m bruços

1.º Madalena Cerdeira 2’30’’71 - CAMP. NAC

24.º Madalena Messias 2’51’’84

50 m mariposa

5.º Maria Moura 28’’47 (28’’29 elim.)

6.º Laura Barbeito 28’’61

14.º Leonor Catalão 29’’39

37.º Leonor Oliveira 30’’62

100 m mariposa

3.º Maria Moura 1’01’’16

6.º Laura Barbeito 1’02’’61

14.º Leonor Oliveira 1’06’’61 (1’05’’89 elim.)

22.º Madalena Messias 1’06’’01

200 m mariposa

4.º Maria Moura 2’13’’35

AGENDA

22.º Madalena Messias 2’26’’17

200 m estilos

13.º Leonor Catalão 2’30’’93

26.º Madalena Messias 2’34’’05

400 c 4.º Mariana Mendes 5’03’’22 4x100 m livres

1.º Sporting CP (Maria Moura, Laura Barbeito, Carolina Viana e Anna Fomina)

3’50’’23 - CAMP. NAC / REC. NAC.

4x200 m livres

1.º Sporting CP (Anna Fomina, Laura Barbeito, Maria Moura e Carolina Viana) 8’22’’17 - CAMP. NAC

4x100 m livres

1.º Sporting CP (Maria Moura, Laura Barbeito, Madalena Cerdeira e Anna Fomina) 4’12’’94 - CAMP. NAC / REC. NAC.

Sub-21 - Camp. Nac. PL 50 m livres

2.º Laura Barbeito 26’’93

7.º Leonor Catalão 28’’01

9.º Beatriz Louro 28’’20

100 m livres

1.º Laura Barbeito 58’’23 - CAMP. NAC

6.º Beatriz Louro 1’00’’71

11.º Leonor Catalão 1’01’’63

14.º Leonor Oliveira 1’02’’44

200 m livres

1.º Laura Barbeito 2’07’’25 - CAMP. NAC.

5.º Beatriz Louro 2’12’’60

400 m livres

4.º Leonor Santos 4’45’’20

800 m livres

1.º Leonor Santos 9’32’’97 - CAMP. NAC

1500 m livres

1.º Leonor Santos 18’11’’34 - CAMP. NAC

50 m livres

6.º Beatriz Silva 31’’80

100 m livres

9.º Beatriz Silva 1’09’’64

13.º Leonor Catalão 1’10’’18

200 m livres

5.º Leonor Santos 2’29’’64

50 m mariposa

2.º Laura Barbeito 28’’77

9.º Leonor Catalão 29’’99

15.º Leonor Oliveira 30’’62

100 m mariposa

3.º Laura Barbeito 1’01’’16 - CAMP. NAC

4.º Leonor Oliveira 1’05’’89

200 m estilos

4.º Leonor Catalão 2’31’’35

Juniores - Camp. Nac. PL

100 m bruços

9.º Madalena Messias 1’20’’37

200 m bruços

9.º Madalena Messias 2’56’’87

100 m mariposa

3.º Madalena Messias 1’07’’98

200 m mariposa

4.º Madalena Messias 2’30’’77

200 m estilos

13.º Madalena Messias 2’38’’27

MISTO

Absolutos - Camp. Nac. PL 4x100 m estilos

3.º Sporting CP (Gustavo Silva, Maria Moura, Rodrigo Chocas e Anna Fomina) 4’03’’90

PESCA DESPORTIVA

MASCULINO

Bóia Mérida Master 1.ª prova

52.º António Marques

74.º Pedro Marques

91.º Ernesto Isidro

139.º Mário Baptista

PÓLO AQUÁTICO

MASCULINO

Seniores Taça Portugal Sporting CP 11-19 Vitória SC

RUGBY

MASCULINO

Seniores Taça Portugal Sporting CP 5-32 Belas RC

SPORTING PARA TODOS

MISTO

Equipas - Camp. Reg. Sul FPPD Boccia 3.º Sporting CP

TÉNIS DE MESA

MASCULINO

ESPORTS

SÁBADO, 4 DE ABRIL

15H45 Futebol Virtual Gil Vicente FC vs. SPORTING CP / IGW

Quartos-de-final 3.ª etapa eLiga Portugal

Arena Liga Portugal (Porto)

17H00 ou 18H00 Futebol Virtual

SPORTING CP / IGW

Meias-finais 3.ª etapa eLiga Portugal (em caso de apuramento)

Arena Liga Portugal (Porto)

19H00 Futebol Virtual

SPORTING CP / IGW

Final 3.ª etapa eLiga Portugal (em caso de apuramento)

Arena Liga Portugal (Porto)

FUTEBOL

SEXTA, 3 DE ABRIL

12H00 Sub-13 M SL Benfica vs. SPORTING CP

1.ª jorn. Gr. B Torn. Int. CAC

QUINTA, 2 DE ABRIL

21H00 Sub-22 F SPORTING CP vs. CF “Os Belenenses”

5.ª jorn. 2.ª fase/Manut. Sul Camp. Nac.

1.ª div. Pav. ES Lumiar (Lisboa)

SEXTA, 3 DE ABRIL

15H00 Seniores F SPORTING CP vs. Qta. Lombos Jogo 1 Quartos-de-final Liga Pavilhão João Rocha

SÁBADO, 4 DE ABRIL

18H30 Seniores M SC Vasco Gama vs. SPORTING CP

19.ª jorn. F. Reg. Liga Centro Desp. Congressos Matosinhos

DOMINGO, 5 DE ABRIL

11H00 Sub-22 F SPORTING CP vs. Boa Viagem

6.ª jorn. 2.ª fase/Manut. Sul Camp. Nac.

1.ª div.

Multidesportivo Sporting

Seniores - Camp. Nac. 1.ª div. CTM Oliveirinha 1-3 Sporting CP NCR Valongo 0-3 Sporting CP

FEMININO

Seniores - Camp. Nac. 1.ª div. Sporting CP 1-3 CTM Mirandela

TIRO

MASCULINO

P50 m - Torneio de Abertura da FPT

6.º Domingos Rodrigues 524-1x 8.º Fernando Ferreira 515-4x

Domingos Moreira 512-4x

Estádio Aurélio Pereira

11H00 Sub-19 M

SL Benfica vs. SPORTING CP

8.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Nac. 1.ª div.

Campo n.º 1 Benfica Campus (Seixal)

11H00 Sub-13 M

SPORTING CP vs. CD Santa Clara

3.ª jorn. Gr. B Torn. Int. CAC

Campo n.º 1 Comp. Desp. Alto Lumiar (Lisboa)

16H00 – 19H00 Sub-13 M

SPORTING CP

Eliminatórias Torn. Int. CAC

Campo n.º 1 Comp. Desp. Alto Lumiar (Lisboa)

17H00 Seniores F

SPORTING CP vs. SC Braga

15.ª jorn. Liga

Estádio Aurélio Pereira

DOMINGO, 5 DE ABRIL

9H30 – 16h30 Sub-13 M

SPORTING CP Finais Torn. Int. CAC

Campo n.º 1 Comp. Desp. Alto Lumiar (Lisboa)

16H00 Equipa B F

SPORTING CP B vs. Leixões SC 11.ª jorn. 2.ª fase/ Manut. Camp. Nac.

2.ª div.

Campo n.º 5 Pólo SCP Lisboa

16H00 Sub-16 M

SPORTING CP B vs. CD Portalegrense

9.ª jorn. 2.ª fase/Manut./S4 Camp. Nac.

2.ª div. S17

Campo n.º 6 Academia Sporting

18H00 Sub-13 M Grigny vs. SPORTING CP

2.ª jorn. Gr. B Torn. Int. CAC

Campo n.º 1 Comp. Desp. Alto Lumiar (Lisboa)

20H30 Seniores M

SPORTING CP vs. CD Santa Clara

28.ª jorn. Liga Portugal

Estádio José Alvalade

SÁBADO, 4 DE ABRIL

11H00 Equipa B M

SPORTING CP B vs. FC Penafiel

28.ª jorn. Liga Portugal 2

Campo n.º 1 Comp. Desp. Alto Lumiar (Lisboa)

SEGUNDA, 6 DE ABRIL

18H00 Sub-23 M

SPORTING CP vs. SC Braga

11.ª jorn. Liga Revelação

Estádio Aurélio Pereira

TERÇA, 7 DE ABRIL

10H00 Sub-15 M SPORTING CP vs. Vitória SC 9.ª jorn. 2.ª fase/Ap. Campeão Camp. Nac. 1.ª div.

Estádio Aurélio Pereira

20H00 Seniores M

SPORTING CP vs. Arsenal FC

1.ª mão Quartos-de-final Liga Campeões

Estádio José Alvalade

FUTSAL

SEXTA, 3 DE ABRIL

14H00 Equipa B F

SPORTING CP B vs. CF “Os Belenenses” Meias-finais Taça AFL

SÁBADO, 4 DE ABRIL

14H00 Equipa B F SPORTING CP B

Final Taça AFL (em caso de apuramento)

Pav. Desp. Mun. Malveira

16H00 Sub-19 M

SPORTING CP vs. GRD Sanjoanense

Jogo 2 Quartos-de-final Camp. Nac. 1.ª div.

Pavilhão João Rocha

16H00 Sub-15 M SPORTING CP vs. AM Granja

11.ª jorn. 2.ª fase/Ap. Campeão Camp. Nac.

Pav. Mun. José Gouveia (S. J. Talha)

17H00 Seniores F EDC Gondomar vs. SPORTING CP 6.ª jorn. Ap. Campeão Camp. Nac. 2.ª div.

Pav. Mun. Baguim do Monte (Gondomar)

18H30 Sub-17 M SPORTING CP vs. SC Braga 11.ª jorn. 2.ª fase/Ap. Campeão Camp. Nac.

Pav. Mun. José Gouveia (S. J. Talha)

20H00 Seniores M

SPORTING CP vs. Amigos Cerva ADRC Oitavos-de-final Taça Portugal Pavilhão João Rocha

HIPISMO

QUINTA, 2 DE ABRIL

9H00 Saltos

KIKO STILWELL

CSN A Golegã Golegã

SEXTA, 3 DE ABRIL

9H00 Saltos

KIKO STILWELL

CSN A Golegã Golegã

HÓQUEI EM PATINS

SEXTA, 3 DE ABRIL

12H00 Sub-13 M

SPORTING CP vs. CD P. Arcos

5.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac.

Pav. SG Sacavenense (Sacavém)

15H00 Sub-17 M

SPORTING CP vs. HC Mealhada

5.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Pav. SG Sacavenense (Sacavém)

SÁBADO, 4 DE ABRIL

16H00 Sub-15 M HC Vasco Gama vs. SPORTING CP 5.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Pav. Mun. Desportos Sines

TERÇA, 7 DE ABRIL

22H00 Sub-19 M

CD P. Arcos vs. SPORTING CP

6.ª jorn. Z. Sul Camp. Nac. Pav. Gimn. Paço de Arcos

QUARTA, 8 DE ABRIL

21H30 Seniores M J. Pacense vs. SPORTING CP

22.ª jorn. Camp. Nac. Pav. Mun. Paços de Ferreira

POLO AQUÁTICO

QUINTA, 2 DE ABRIL

18H40 Sub-16 Mx London Penguin vs. SPORTING CP

1.ª jorn. Nordic League Espoonlahden uimahalli (Espoo, Finlândia)

SEXTA, 3 DE ABRIL

8H40 Sub-16 Mx SPORTING CP vs. Kuhat Helsinki

2.ª jorn. Nordic League Espoonlahden uimahalli (Espoo, Finlândia) 13H35 Sub-16 Mx Cetus Espoo vs. SPORTING CP

3.ª jorn. Nordic League Espoonlahden uimahalli (Espoo, Finlândia)

SÁBADO, 4 DE ABRIL

10H30 Sub-16 Mx Cheltenham vs. SPORTING CP

4.ª jorn. Nordic League Espoonlahden uimahalli (Espoo,

Finlândia)

17H00 Sub-16 Mx Alfa Gorzow vs. SPORTING CP 5.ª jorn. Nordic League Espoonlahden uimahalli (Espoo, Finlândia)

TIRO

QUARTA, 8 DE ABRIL

8H15 Seniores FERNANDO FERREIRA Taça do Mundo de Granada Granada (Espanha)

TRIATLO

SÁBADO, 4 DE ABRIL

14H30 Vários escalões SPORTING CP Aquatlo Santa Cruz Santa Cruz (Madeira)

VOLEIBOL

SEXTA, 3 DE ABRIL

18H00 Seniores M SPORTING CP vs. Vitória SC Jogo 1 Meias-finais Liga Pavilhão João Rocha

SÁBADO, 4 DE ABRIL

15H00 Seniores F SC Braga vs. SPORTING CP Jogo 1 Meias-finais Liga Arena SC Braga (Braga)

17H00 Sub-21 M CA Madalena vs. SPORTING CP 6.ª jorn. 2.ª fase/Últimos Camp. Nac. Pav. Mun. Atl. Madalena (Madalena, V. N. Gaia)

18H00 Sub-21 F SPORTING CP vs. Castêlo Maia GC 6.ª jorn. 2.ª fase/Primeiros Camp. Nac. Multidesportivo Sporting

*Informação sujeita a alterações após o fecho de edição. Consulte a agenda actualizada em sporting.pt

03/04 – SEXTA FEIRA

BASQUETEBOL FEMININO

Competição: Liga

Quartos-de-final – 1.º jogo

Jogo: Sporting CP vs. CRC Quinta dos Lombos

Horário e local: 15h00

Pavilhão João Rocha

Transmissão: directo e exclusivo VOLEIBOL

Competição: Liga – Meiasfinais – Play-off – 1.º jogo

Jogo: Sporting CP vs. Vitória SC

Horário e local: 18h00

Pavilhão João Rocha

Transmissão: directo e exclusivo

04/04 – SÁBADO

FUTEBOL

Competição: Liga 2

28.ª jornada

Jogo: Sporting CP vs. FC Penafiel

Horário e local: 11h00

Estádio Aurélio Pereira

Transmissão: directo e exclusivo

FUTEBOL

Competição: Liga BPI

15.ª jornada

Jogo: Sporting CP vs. SC Braga

Horário e local: 17h00

Estádio Aurélio Pereira

Transmissão: directo

FUTSAL

Competição: Taça de Portugal – 5.ª eliminatória

Jogo: Sporting CP vs. Amigos Cerva ADRC

Horário e local: 20h00

Pavilhão João Rocha

Transmissão: directo e exclusivo

07/04 – TERÇA FEIRA

FUTEBOL

Competição: CN SUB-15

2.ª fase – 9.ª jornada

Jogo: Sporting CP vs. Vitória SC

Horário e local: 10h00

Estádio Aurélio Pereira

Transmissão: directo e exclusivo

Pav. Desp. Mun. Malveira

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